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Numero do processo: 10880.979307/2009-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
PEDIDO DE PERÍCIA.
No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide.
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação.
Numero da decisão: 1201-001.728
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 PEDIDO DE PERÍCIA. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 PEDIDO DE PERÍCIA. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 93 07 /2 00 9- 77 Fl. 31DF CARF MF Processo nº 10880.979307/200977 Acórdão n.º 1201001.728 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de pedido de compensação de crédito tributário com determinado débito de responsabilidade do próprio contribuinte. A DCOMP, após análise eletrônica, gerou a emissão de Despacho Decisório que não homologou o pleito do contribuinte, sob a alegação de inexistência de crédito. Segundo o despacho, o pagamento indicado pelo contribuinte não possuiria saldo disponível para compensação, uma vez que já foi integralmente utilizado para quitação de outro débito tributário apurado pelo contribuinte. Inconformada com a exigência, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando que o crédito é sim legítimo, pois decorrente de pagamento de tributo indevido. Tramitado o feito, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o entendimento de que a contribuinte não teria comprovado o seu direito creditório. Intimada da decisão de primeira instância, a Recorrente interpôs recurso voluntário. Reitera os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e pede perícia para verificar o crédito. É o relatório. Voto Roberto Caparroz de Almeida, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201001.692, de 17.05.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10880.691176/200907, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201001.692): De acordo com o despacho decisório, o crédito pleiteado pela Recorrente não existiria, uma vez que teria sido utilizado para quitar outros débitos de sua responsabilidade. Também por esse mesmo motivo, e adotada a premissa de que a Recorrente não comprovou o direito líquido e certo do direito creditório, a decisão de primeiro grau não homologou a compensação. Fl. 32DF CARF MF Processo nº 10880.979307/200977 Acórdão n.º 1201001.728 S1C2T1 Fl. 4 3 Por ocasião do recurso voluntário, a Recorrente não apresenta nenhum esclarecimento ou prova complementar ou adicional, requerendo que seja feita perícia a fim de comprovar a origem do crédito alegado. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, a produção de prova pericial deve ser determinada pela autoridade julgadora quando imprescindível à solução da lide. Tratase de medida que busca esclarecer eventuais dúvidas dos julgadores, que possuem a faculdade, e não a obrigatoriedade, de se valerem ou não de tal expediente. Nessa situação particular, a solução da presente demanda não requer uma perícia em sentido técnico, limitando se a análise ou não do direito creditório na forma pela qual o processo está instruído. Isso porque as autoridades julgadoras devem apreciar as provas conforme produzidas no processo. E no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, como se sabe, a produção de provas documentais deve ser feita na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: “Art. 16. A impugnação mencionará: [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior”. Nesse sentido, entendo que o pedido de perícia requerido pela interessada não merece ser acolhido. A interessada, na verdade, ao requerer uma perícia, busca, de forma indevida, livrarse de seu ônus de prova o direito creditório alegado. Com efeito, a comprovação da liquidez e certeza do crédito constitui ônus da contribuinte, conforme prescreve o artigo 170 do CTN, in verbis: “Artigo 170 A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” Grifei. Resta patente, portanto, que a Recorrente já deveria ter trazido aos autos os documentos comprobatórios do pretenso crédito Fl. 33DF CARF MF Processo nº 10880.979307/200977 Acórdão n.º 1201001.728 S1C2T1 Fl. 5 4 tributário, não podendo valerse de um pedido de perícia para afastar este ônus. Ademais, convém assinalar que alegações genéricas sobre a origem do direito creditório, desacompanhadas de documentos hábeis, são incapazes de fazer prova acerca da liquidez e certeza do crédito. Nesse caso concreto, a Recorrente não apresentou sua escrituração contábil, apurações fiscais, cópia de pedido de restituição, relatório de auditoria independente ou qualquer outra documentação pertinente a fazer prova do crédito que pleiteia. Pelo contrário, as alegações e documentos trazidos aos autos não são capazes de provar o direito creditório que o contribuinte busca ser reconhecido. O que se tem no caso, pois, é uma compensação cujo crédito não restou efetivamente comprovado, prejudicando o direito correlato de compensação. Vale assinalar que a jurisprudência do CARF admite a possibilidade de compensação de indébito, mas desde que haja comprovação cabal quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado. É o que se verifica dos julgados abaixo: “RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.” (Ac. 1102000.890. Sessão de 14/08/2013). “DESPACHO DECISÓRIO E DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São válidos o despacho decisório e a decisão que apresentam todas as informações necessárias para o entendimento do contribuinte quanto aos motivos da nãohomologação da compensação declarada. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte”. (Ac. 3302 002.383. Sessão de 02/11/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação” (Ac. 3802002.076. Sessão de 14/08/2013). Nesse sentido, e em face do que foi exposto, CONHEÇO do Recurso para NEGARLHE provimento. Fl. 34DF CARF MF Processo nº 10880.979307/200977 Acórdão n.º 1201001.728 S1C2T1 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Fl. 35DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.001185/2003-92
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2002 a 28/02/2003
NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não-incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-005.323
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/2002 a 28/02/2003 NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não-incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições. Recurso Especial do Contribuinte Provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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INCIDÊNCIA. CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DO ICMS. EXPORTAÇÃO. Recorrente TECNOEVA TECNOLOGIA EM EVA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2002 a 28/02/2003 NÃOCUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da nãoincidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 11 85 /2 00 3- 92 Fl. 312DF CARF MF Processo nº 11065.001185/200392 Acórdão n.º 9303005.323 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo contribuinte contra o Acórdão 330100.602, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF. Na parte de interesse ao presente litígio, o colegiado a quo decidiu que, no período de apuração destes autos, a cessão onerosa de créditos do ICMS deve compor a base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS. O contribuinte requer a reforma do acórdão argumentando, em síntese, que a cessão de créditos onerosa de créditos de ICMS não tem natureza jurídica de receita, tratando se de mera mutação patrimonial, não podendo, assim, compor a base de cálculo da contribuição, mesmo antes da eficácia da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão. Mediante Despacho do Presidente da Câmara competente, foi dado seguimento ao recurso interposto. A Procuradoria da Fazenda Nacional não apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.319, de 25/07/2017, proferido no julgamento do processo 13016.000004/200401, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.319): "Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram cumpridos e foram respeitadas as formalidades regimentalmente previstas. A matéria tratada no presente litígio restringese ao fato de se as receitas decorrentes da transferência onerosa de créditos de ICMS, acumulados em razão de exportação para o exterior, devem, ou não, ser excluídas da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins. O tema não é mais passível de discussão no CARF, haja vista que o Supremo Tribunal Federal já decidiu a questão posta, com a devida declaração de repercussão geral, nos termos do artigo 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, antigo Código de Processo Civil. Fl. 313DF CARF MF Processo nº 11065.001185/200392 Acórdão n.º 9303005.323 CSRFT3 Fl. 4 3 O Recurso Extraordinário nº 606.107/RS, que trata da matéria, foi interposto pela Fazenda Nacional, contra decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que considerou inconstitucional a inclusão, na base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins não cumulativas, dos valores dos créditos do ICMS provenientes de exportação que fossem cedidos onerosamente a terceiros. Em julgamento realizado pelo pleno do STF, em 22/05/2013, sob a relatoria da Ministra Rosa Weber, foi julgado o mérito, cuja decisão possui a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. (...) VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. (...) Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. O acórdão foi publicado em 25/11/2013 e o trânsito em julgado deu se em 05/12/2013. Fl. 314DF CARF MF Processo nº 11065.001185/200392 Acórdão n.º 9303005.323 CSRFT3 Fl. 5 4 Por força da disposição, a seguir transcrita, do § 2º do art. 62 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, a mencionada decisão do STF deve ser reproduzida por este relator: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Registrese ainda, a título de observação, que, na forma da Lei nº 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844/2013, também estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, com a manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir, no que interessa a esta discussão: NOTA /PGFN/CRJ/Nº 1.486/2013 (...) 2. Em razão de os referidos julgados terem repercussão na esfera administrativa e requerer atuação efetiva da RFB, e em observância do que foi definido na Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que cumpre o disposto no Parecer PGFN/CDA nº 2025/2011, estas CRJ examina, infra, os itens referidos no parágrafo anterior, realizando a delimitação do tema ali tratado, nos seguintes termos: (...) 98 – RE 606.107/RS (...) Resumo: não incide PIS e COFINS sobre a cessão a terceiros do crédito presumido do ICMS decorrente de exportação. Data da inclusão:13/12/2013 DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: as verbas referentes à cessão a terceiro de crédito presumido do ICMS decorrente de exportação não constituem base para incidência do PIS e da COFINS. Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte." Fl. 315DF CARF MF Processo nº 11065.001185/200392 Acórdão n.º 9303005.323 CSRFT3 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 316DF CARF MF
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Numero do processo: 15868.720164/2014-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012
PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. SUBROGAÇÃO DO ADQUIRENTE. POSSIBILIDADE.
O Supremo Tribunal Federal reconheceu na análise do RE 718874 , com efeitos de repercussão geral, a constitucionalidade formal e material das disposições do artigo 25 da Lei nº 8.212/91 com a redação dada pela Lei nº 10.256/01. Tais disposições devem ser cumpridas na forma determinada pelo artigo 30, inciso IV da Lei de Custeio da Previdência Social.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADORA. OCORRÊNCIA NA FRAUDE SIMULAÇÃO OU CONLUIO.
A consequência prevista pelo legislador para a simulação fraude ou conluio, devidamente comprovados pelo Fisco, é a qualificação da multa de ofício.
Numero da decisão: 2201-003.867
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 23/09/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. SUBROGAÇÃO DO ADQUIRENTE. POSSIBILIDADE. O Supremo Tribunal Federal reconheceu na análise do RE 718874 , com efeitos de repercussão geral, a constitucionalidade formal e material das disposições do artigo 25 da Lei nº 8.212/91 com a redação dada pela Lei nº 10.256/01. Tais disposições devem ser cumpridas na forma determinada pelo artigo 30, inciso IV da Lei de Custeio da Previdência Social. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADORA. OCORRÊNCIA NA FRAUDE SIMULAÇÃO OU CONLUIO. A consequência prevista pelo legislador para a simulação fraude ou conluio, devidamente comprovados pelo Fisco, é a qualificação da multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente e Relator. EDITADO EM: 23/09/2017 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 72 01 64 /2 01 4- 38 Fl. 5151DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de Recurso de Voluntário interposto contra acórdão da 5ª Turma da DRJ Belém/PA que manteve, integralmente, o lançamento tributário relativo às contribuições previdenciárias devidas, por subrogação, pelo adquirente de produto rural comercializado por produtor pessoa física, as devidas ao SENAR, contribuição patronal devida sobre valores pagos aos contribuinte individuais e descumprimento das obrigações acessórias correspondentes, tudo supostamente devido nos anoscalendários de 2010 a 2012 Tal crédito foi constituído por meio do auto de infração (fls. 3 do processo digitalizado), devidamente explicitado, pelo qual foi apurado o crédito tributário dele constante, em valores consolidados em novembro de 2014. A ciência do auto de infração, que contém o lançamento referente às contribuições devidas por subrogação no período de 2010 a 2012, ocorreu em 02 de dezembro de 2014 para o devedor principal, conforme se verifica pela cópia do AR às folhas 4220. Em 23 de dezembro de 2014, foi apresentada a impugnação ao lançamento. Em 18 de dezembro de 2015, a 5ª Turma da DRJ de Belém, por meio da decisão consubstanciada no Acórdão 0132.490 (fls. 5001), de forma unânime, julgou improcedente a defesa administrativa apresentada. Tal decisão tem o seguinte relatório, que por sua clareza, reproduzo (fls.2386): DAS AUTUAÇÕES Tratase de créditos lançados pela Auditoria Fiscal em desfavor da Interessada acima qualificada, formalizados por intermédio da lavratura dos Autos de Infração abaixo relacionados: O Relatório Fiscal de fls. 49 a 165, informa em síntese que: Fl. 5152DF CARF MF Processo nº 15868.720164/201438 Acórdão n.º 2201003.867 S2C2T1 Fl. 5.152 3 1 Os lançamentos que deram origem ao presente, contemplam, além de outras, contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social por produtores rurais pessoas físicas sobre a receita bruta relativa à produção rural equivalente a: a) Comercialização de animais bovinos para abate pelo sujeito passivo que desenvolve atividade industrial frigorífica e como adquirente responsável está obrigado a arrecadar mediante desconto do valor da contribuição rural, destacandoa nos documentos fiscais para recolhêlas aos cofres públicos (sub rogação); b) Comercialização de lenha de eucalipto in natura consumida na produção industrial frigorífica donde o adquirente responsável está obrigado a arrecadar mediante desconto do valor da contribuição rural, destacandoa nos documentos fiscais para recolhêlas aos cofres públicos (subrogação). A apuração do crédito tributário deuse a partir dos lançamentos das contas 41101008 Compra de Gado para Abate e 41101011 Devolução de Mercadorias (bovinos) registrados na Escrituração Contábil Digital ECD do triênio 201020112012, armazenadas no Sistema Público de Escrituração Digital SPED CONTÁBIL e solicitadas através do programa ReceitanetBX da Receita Federal do Brasil, conforme requisições feitas; documentos DANFE's Documentos Auxiliares da Nota Fiscal Eletrônica e Notas Fiscais de Produtores Rurais disponibilizados de forma deficiente pelo sujeito passivo. 2 Foi apurado também, o seguintes crédito previdenciário: a) Correspondente aos serviços mensais prestados por Orlando Baltazar Junior e Artur Sanches Cortes, contabilizados na conta 42101013 ALUGUEIS, mediante exibição de contrato dissimulado de arrendamento de instalações industriais frigoríficas, além dos pagamentos lançados na conta 42101017 COMISSÕES DE VENDAS em favor de Miguel Sanches. b) Sobre a remuneração ao sócio João Cortes, contabilizada na conta 42102009 PRO LABORE, no dia 30/11/2010, porém, omitida da folha de pagamento e não foi informado em SEFIP/GFIP correspondente. c ) Referente à diferença de contribuição para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho proveniente da inserção do índice incorreto a menor do FAP Fator Acidentário de Prevenção (art. 202A do RPS aprovado pelo Decreto n° 3.048/99) nas GFIP Guias de Recolhimento do FGTS e das Informações à Previdência Social do ano de 2011. 3 Além da constituição dos créditos previdenciários principais, acima relatados, foram lavrados Autos de Infração pelo descumprimento das obrigações acessórias previstas na Fl. 5153DF CARF MF 4 legislação em vigor com a aplicação das penalidades administrativas correspondentes. 4 Feitas na forma devida, diversas intimações, buscando os esclarecimentos das inconsistências verificadas ao exame da documentação apresentada e diante das respostas não satisfatórias, do sujeito passivo, a fiscalização assim procedeu: 4. 1 Solicitou em 04/07/2014 a emissão de Mandados de Procedimento Fiscais MPF de Diligências, a serem realizadas junto aos produtores rurais fornecedores, para comprovar a ocultação desses fatos geradores mediante essa simulação dolosa, confirmar a fraude em documentos fiscais com inserção de informações falsas e certificarse de quem é a responsabilidade tributária sobre a contribuição, porquanto, a escrituração contábil é omissa. 4.1.1 Os documentos que instruem as consultas junto aos produtores rurais e as respostas por eles enviadas à RFB sobre os questionamentos da fiscalização em busca da verdade material, sobre a contratação e o pagamento dos serviços de fretes no transporte dos bovinos comercializados com o frigorífico adquirente, compõem o Anexo I DILIGÊNCIAS FISCAIS que farão parte do processo. 4.2 Em função da não apresentação dos documentos de pagamentos dos serviços de fretes tomados de transportadores pessoas físicas, a fiscalização solicitou em 03/08/2014 a emissão de novos Mandados de Procedimento Fiscais MPF de Diligências, a serem realizadas junto aos produtores rurais fornecedores, para comprovar a fraude para ocultação desses fatos geradores mediante simulação e certificandose de quem é a responsabilidade tributária sobre a contribuição. 4.3 Os documentos que instruem as consultas junto aos produtores rurais e as respostas por eles enviadas à RFB sobre os questionamentos da fiscalização em busca da verdade material, sobre a contratação e o pagamento dos serviços de fretes no transporte dos bovinos comercializados com o frigorífico adquirente, compõem o Anexo I DILIGÊNCIAS FISCAIS que farão parte do REFISC. 4.4 – Em 13/08/201, foi pedido, pelo fiscalizado, dilação de prazo para juntada de documento e concomitantemente, protocolou sob n° 01137190/000295/2014 na ARF de Pereira Barreto SP, pedido de reserva especial de número de COMPROT para adesão ao parcelamento fixado na Lei n° 12.996 de 18.06.2014 (REFIS da CRISE), dos débitos previdenciários com a RFB, vencidos até 31/12/2013, relativos às rubricas que entender incontentável, ao que lhe foi informado que sobre as regras fixadas na Lei do "Refis da crise". 4.5 Sob a alegação que atendeu a "sugestões" dos representantes de classe (sindicatos e associações) e sob o pretexto de que a cobrança da contribuição rural é indevida, o sujeito passivo, no exercício pleno da sua atividade industrial conforme Boletins de Abate examinados, a partir da competência 02/2010 passou a sonegar intencionalmente as informações sobre o montante mensal da produção rural adquirida de Fl. 5154DF CARF MF Processo nº 15868.720164/201438 Acórdão n.º 2201003.867 S2C2T1 Fl. 5.153 5 produtores pessoas físicas (fato gerador previdenciário), deixando de declarálo em GFIP, impedindo dessa forma, que o programa SEFIP calculasse a contribuição legalmente exigida do produtor rural, arrecadada mediante desconto sobre o valor da compra e que deve ser destacado na nota fiscal e recolhido aos cofres públicos, na condição de adquirente subrogado. 4.5.1 A fiscalização solicitou no Termo de Início do Procedimento Fiscal TIPF recebido em 25/03/2014 pelo sujeito passivo a apresentação de cópia de tutela judicial com suspensão da exigibilidade da contribuição previdenciária sobre a comercialização da produção rural adquirida de produtores rurais pessoas físicas e em resposta dada no dia 05/05/2014 afirmou (item 9°) que "o frigorífico não possui liminar na justiça suspendendo o recolhimento da contribuição previdenciária". 4.6. As informações constantes nas Guias de Recolhimentos do FGTS e Informações à Previdência Social tem caráter de confissão de dívida, quando não recolhidas as contribuições previdenciárias, por isso, o não lançamento nas GFIP's dos valores correspondentes à comercialização da produção rural adquirida de produtores rurais pessoas físicas, jamais pode ser asseverado como simples esquecimento ou de obediência às "sugestões de representantes de classe", mas sim a intenção firme de sonegar, haja visto que essa omissão dolosa ocorreu, seguidamente, por mais de 35 (trinta e cinco) meses, a partir da competência 02/2010 até 12/2012 (ultima competência do MPF). A sonegação persiste até 08/2014, última competência consultada no modulo GFIP/Web. 4.6.1 Como se vê, o fato gerador em questão foi declarado nas GFIP's anteriores a 01/2010, inclusive, como está demonstrado no quadro anterior, por isso, o sujeito passivo tinha pleno conhecimento que os produtos rurais (bovinos) foram adquiridos de produtores rurais pessoas físicas conforme mostram as notas fiscais apresentadas, escrituradas nos Livros de Registros de Entradas de Mercadorias e contabilizadas nos livros DIÁRIOS escriturados de forma digital nas ECD's armazenadas no SPED Contábil, portanto, é patente que a omissão de informação desses montantes mensais correspondentes à comercialização da produção rural adquirida de produtores pessoas físicas (fatos geradores), não pode ser atribuída a "simples esquecimento' ou "erro de preenchimento da GFIP", na verdade, revela "animus sonegandi". 4.7 A fiscalização observou no período entre 01/01/2010 a 19/11/2010 que o sujeito passivo, registrou nos documentos fiscais eletrônicos DANFE's a identificação do motorista autônomo contratado para o transporte dos animais adquiridos para abate, com clausula FOB (" free on board") para o frete por conta do destinatário FRIGOILHA e agiu de forma intencional (dolosa) para sonegar as contribuições previdenciárias exigidas sobre a remuneração a título de fretes e carretos aos motoristas autônomos (contribuintes individuais), Fl. 5155DF CARF MF 6 não os informando, deliberadamente, nas GFIP/SEFIP's (código 15), como também não contabilizando em contas próprias dos Livros Diários, esses custos/despesas de fretes e carretos, alegando por escrito que os pagamentos foram efetuados em dinheiro pela conta CAIXA, contudo, para todo período determinado no procedimento fiscal NENHUM documento (recibos de pagamentos de fretes) foi apresentado ao fisco para comprovação do alegado. 4.7.1 A atitude omissa demonstra que agiu com dolo, de forma consciente e direcionada à finalidade de retardar ou impedir o conhecimento da autoridade fazendária sobre a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, como descrito no inciso I, do artigo 71, da Lei n° 4.502, de 30/11/1964. 4.8 A fiscalização observou que além da sonegação por omissão dolosa da remuneração mensal paga a motoristas autônomos contratados para os serviços de transporte dos animais adquiridos para abate (fatos geradores previdenciários) não os informando em GFIP/SEFIP's, a partir de 20/11/2010 passou a fraudar dolosamente as informações no campo "Dados do Transporte" dos documentos auxiliares das notas fiscais DANFE's emitidos para o registro das entradas de animais adquiridos para abate, inserindo o nome e endereço do próprio pecuarista/produtor rural como se fosse o transportador e a informação do veículo com placa inexistente, por exemplo, placa "DDD0000". 4.8.2 Diante da constatação fiscal dessa fraude explícita, inserindo dados irreais nas DANFE's emitidas com intuito de obscurecer a ocorrência de fato gerador previdenciário e iludir o fisco, da absoluta omissão contábil dos pagamentos aos motoristas autônomos contratados para execução dos serviços de transporte de animais, cuja média mensal de transporte/abate é de 3.200 (três mil e duzentas) cabeças e da cabal sonegação das informações em GFIP/SEFIP sobre a remuneração a eles paga, causandolhes prejuízos na obtenção de futuros benefícios previdenciários administrados pelo INSS, restou inconcusso tratarse de omissão dolosa de fatos geradores previdenciários, mediante fraude nas notas fiscais eletrônicas, por inserção voluntária de dados irreais. 4.8.3 Esse procedimento impostor doloso para ocultar a ocorrência de fato gerador previdenciário, mediante informações dissimuladas e inverídicas nos documentos fiscais de entradas, visando impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação previdenciária, adulterando informações essenciais, deliberadamente, para ocultar o conhecimento da autoridade fazendária e não efetuar o pagamento devido, constituise em ilicitude definida no artigo 72, da Lei n° 4.502, de 30/11/1964. Fundamentos da Impugnação. Notificado do lançamento em 02/12/2014 – AR de fl. 4.220 – o sujeito passivo interpôs impugnação aos autos lavrados, optando por apresentála de forma segmentada em diversas pastas, que Fl. 5156DF CARF MF Processo nº 15868.720164/201438 Acórdão n.º 2201003.867 S2C2T1 Fl. 5.154 7 se constituem das fls. 4.225 a 4.954, que estão assim sintetizadas: 1 –Impugnação aos Autos de Infração nº 51.048.3410 e 51.048.3429 (fls. 4.778 a 4.874) – Inicialmente alega que em apertada síntese a fiscalização diz tratar de auto de infração que averigua infração a legislação previdenciária no que toca a contribuição ao FUNRURAL e o SENAR, exigindo valores, cujo total considera uma exigência indevida, que além de ser inexigível, gerou imerecidamente o Termo de Arrolamento de Bens, já que essa exigência é indevida, conforme o que a seguir argui: Entende que as contribuições lançadas não podem ser exigidas pelo Fisco em razão de padecer de inconstitucionalidade, de acordo com decisões emanadas dos Tribunais e do CARF; Alega que, como ato administrativo de competência vinculada, o lançamento deve trazer explícito os elementos essenciais que lhe dão estrutura, vale dizer, o motivo, o agente competente, o objeto , a forma, e finalidade, daí, não poder o auto de infração limitarse à notícia da infração. Ressalva que na hipótese em que houver elipse para sanear eventuais equívocos, a falta de revisão do lançamento elaborado pelo fisco, poderá causar prejuízos irreparáveis ao contribuinte, pois o relatório aqui em questão é a peça vestibular deste procedimento administrativo, e é nele que o douto agente fiscal descreve as irregularidades e as cominações cabíveis com os respectivos fundamentos legais, que a nosso ver merece ser reavaliado por essa Divisão Julgadora, em visto a decisão proferida pelo CARF e a luz da Lei faz jus a reforma, ou ainda de seu sobrestamento dessa cobrança pela instância de julgamento administrativo. Justifica que a não retenção nas Notas Fiscais, como fora explicado à fiscalização, tratase de obrigação acessória proveniente objeto de Lei inconstitucional, dai a faculdade de sua exibição em GFIP, visto que tratando de preceito inconstitucional não caberia sua retenção, pois o recorrente é mero ""sub Rogado", e sendo assim não pode ser responsabilizado por "falta de declaração ou declaração inexata e falta de pagamento" e confirmando o sentido da jurisprudência, cita os ditames do art. 128 do CTN. Cita por analogia, o Parecer Normativo n° 1, da RFB de 2002, que prescreve que estando a fonte pagadora impossibilitada de efetuar a retenção do imposto de renda em virtude de decisão judicial, a responsabilidade deslocase para o contribuinte beneficiário do rendimento, efetuandose o lançamento em nome deste; e a IN SRF n° 450, de 2004, que previu para a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira) não recolhida por força de decisão judicial o lançamento de ofício em nome do contribuinte. Fl. 5157DF CARF MF 8 Insurgese assim para a exigência fiscal do FUNRURAL e do SENAR e a Multa qualificada de 150 %, visto que a MULTA constante nestes AUTOS DE INFRAÇÃO/ DEBCAD, pois padece de ilegalidade tal exigência, e o contribuinte de fato e de direito é o produtor rural que no presente caso não efetuou a retenção para tal contribuição, e para confirmar seu entendimento busca guarida na jurisprudência que transcreve. Alega o efeito confiscatório que no âmbito tributário ocorre justamente quando a aplicação de uma norma tributária excede o limite racional, econômico e moral da fonte de arrecadação, a ponto de colocar a sobrevivência do cidadãocontribuinte em risco, ou quando a sua aplicação não se justifica moralmente. Adverte que na dosimetria da penalidade aplicada a douta fiscalização não fora ressalvada na sua apreciação, os casos análogos como o do presente caso, "Repercussão Geral na Aplicação Multa Confiscatória, , visto que os dizeres da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 1/2014 regulamenta o disposto nos §§ 4o, 5o e 7° do art. 19 da Lei n° 10.522/2002 os quais prevêem a vinculação da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) às decisões judiciais desfavoráveis à Fazenda Nacional proferidas em Recursos Extraordinários com Repercussão Geral (STF) ou em Recursos Especiais Repetitivos (STJ) e despacho do digníssimo ministro da Fazenda da União . Conclui que a multa ora exigida por tratar de contribuição inconstitucional, é ilegal e não passa pelo crivo legal da doutrina e jurisprudência em nome do princípio da Legalidade e do não confisco é injustificada. Dos Pedidos 1) Por todo o exposto Requer que seja reavaliado os teores jurídicos expostos e argumentado na presente defesa administrativa, pois somente desta maneira, essa Divisão de Julgamento estabelecerá a aplicação da legislação tributária federal, em respeito à mais pura justiça! 2 Requer que seja admitida a presente impugnação, sobrestando sua exigência em razão do FUNRURAL/SENAR estar com repercussão geral no STF conforme determina o despacho ministerial acostados nos autos; 3 Requer a Invalidação das multas aplicadas nas presentes DEBCADS n°s 51.048.3410 e 51.048.3429 (Processo Administrativo n° 15868.720164/201438 ). Protestase, ainda, pela produção de outras provas admitidas em Direito, que confirmem os fatos narrados nesta Defesa. – Impugnação ao Auto de Infração nº 51.048.3437 (fls. 4.698 a 4.777) Inicialmente alega que em apertada síntese a fiscalização diz tratar de auto de infração que averigua infração a legislação previdenciária referente: a)remuneração de honorários dissimulados a membros da família dos sócios, a titulo de aluguéis das instalações frigoríficas ; b) omissões de Fl. 5158DF CARF MF Processo nº 15868.720164/201438 Acórdão n.º 2201003.867 S2C2T1 Fl. 5.155 9 remuneração de vendas a trabalhador autônomo; c) honorário de pro labore do sócio administrador escriturado na contabilidade e omisso na folha de pagamento e GFIP ; d)exigibilidade da contribuição patronal sobre essas rubricas; e) exigibilidade da contribuição para o financiamento do RAT na alíquota de 3%. Lançados e apurados assim; 1)Remuneração de honorários dissimulados a membros da família dos sócios, a titulo de aluguéis das instalações frigoríficas período de 01/2010 a 12/2012 ; 2) Omissões de remuneração de vendas a trabalhador autônomo período de 07/2010 a 11/2010); 3) Remuneração aferida / pagamentos sem comprovação período de 06/2010 a 12/2010 ; 4) Aplicação de alíquota a menor do FAP/ recolhimento menor do RAT período de 01/2011 a 13/2011 ; Argui que ao desdobrar as exigências fiscais acima verificou que parte dessa cobrança é controvertida, pois sua exigência é discutível na ensejada base de calculo da contribuição previdenciária para pagamento de beneficiário sem identificação (remuneração sem comprovação de pagamentos) cotejada pela douta fiscalização, que fazer jus a reforma, carecendo de ratificação pela instância de julgamento administrativo. Alega que, como ato administrativo de competência vinculada, o lançamento deve trazer explícito os elementos essenciais que lhe dão estrutura, vale dizer, o motivo, o agente competente, o objeto , a forma, e finalidade, daí, não poder o auto de infração limitarse à notícia da infração. Fundamentado nas considerações antes feitas, sustenta que é imerecida e controvertida a cobrança aferida como REMUNERAÇÃO AFERIDA SEM DOCS, que se encontra narrado as fls. 71 a 74 do presente relatório, pois sobre o tema, o CARF assim se decidiu, em relação ao IRRF pagamento a beneficiário não identificado, concluindo ser imerecida e desmotivada a referida autuação fiscal, pois a mera prova de pagamentos de recursos financeiros não é prova suficiente para incidir a contribuição previdenciária. Ressalva que na hipótese em que houver elipse para sanear eventuais equívocos, a falta de revisão do lançamento elaborado pelo fisco, poderá causar prejuízos irreparáveis ao contribuinte, pois o relatório aqui em questão é a peça vestibular deste procedimento administrativo, e é nele que o douto agente fiscal descreve as irregularidades e as cominações cabíveis com os respectivos fundamentos legais, que a nosso ver merece ser reavaliado por essa Divisão Julgadora, em visto a decisão proferida pelo CARF e a luz da Lei faz jus a reforma, ou ainda de seu sobrestamento dessa cobrança pela instância de julgamento administrativo. Fl. 5159DF CARF MF 10 Cita a Súmula 93 do CARF determina que a falta de transcrição dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução no Livro Diário não justifica a cobrança da multa isolada prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, quando o sujeito passivo apresenta escrituração contábil e fiscal admissível para comprovar a suspensão ou redução da estimativa, bem como a referida Sumula, definindo que a simples falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros. Aduz que do exposto, percebese, de forma clara, que o fato jurídico que origina a multa punitiva não é a inadimplência, mas sim o descumprimento de um dever instrumental (obrigação acessória), ou seja, é a não declaração da dívida tributária em documento específico que valida à incidência da multa de 75%, daí a incongruência da exigência de demasiadas multa imposta ao Recorrente, visto que é necessário observar que, a norma de estruturação da multa punitiva não está voltada para o adimplemento da obrigação principal, mas sim para o cumprimento de obrigação acessória, cujo dever consiste em declarar o valor do débito em documento específico. Apresenta um gráfico que entende demonstrar a diferença arguida e que ficam bem claro que o legislador responsável pela edição da Lei n° 9.430 e o próprio fisco na hora de elaborar seu relatório, olvidou se que o Direito Tributário restou estruturado em torno de duas obrigações distintas, as obrigações de dar não comportam multa punitiva, pois o não recolhimento do tributo enseja apenas dívida de valor, aspecto este que independe de evento doloso ou culposo. Que eventual dolo ou a culpa ocorre somente estão presentes nas obrigações de fazer, porquanto de supressão ou redução de tributo ocorreria no campo das obrigações acessórias, que ora estamos regularizando e retificando , já que aderimos ao REFIS da Crise (doe. em anexo) , na época da sua consolidação por conseguinte regularizando as obrigações acessórias ora apontadas no presente relatório. Alega o efeito confiscatório que no âmbito tributário ocorre justamente quando a aplicação de uma norma tributária excede o limite racional, econômico e moral da fonte de arrecadação, a ponto de colocar a sobrevivência do cidadãocontribuinte em risco, ou quando a sua aplicação não se justifica moralmente. Adverte que na dosimetria da penalidade aplicada a douta fiscalização não fora ressalvada na sua apreciação, os casos análogos como o do presente caso, "Repercussão Geral na Aplicação Multa Confiscatória, , visto que os dizeres da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 1/2014 regulamenta o disposto nos §§ 4o, 5o e 7° do art. 19 da Lei n° 10.522/2002 os quais prevêem a vinculação da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) às decisões judiciais desfavoráveis à Fazenda Nacional proferidas em Recursos Extraordinários com Repercussão Geral (STF) ou em Recursos Especiais Repetitivos (STJ) e despacho do digníssimo ministro da Fazenda da União . Fl. 5160DF CARF MF Processo nº 15868.720164/201438 Acórdão n.º 2201003.867 S2C2T1 Fl. 5.156 11 Conclui, que em nome do princípio do não confisco cumulados com os princípios da razoabilidade e proporcionalidade é que deve se reduzir esse excessos de multas constante no relatório destes presentes auto de infrações ou seja; Nº: 51.048.3445 / 51.048.3453 / 51.048.3461 / 51.048.3470 / 51.048.3488 / 51.048.3496 E 51.059.5574, e Debcad n° 51.048.3437, caso se mantenha a presente cobrança, já que se trata de excessivas multas isoladas provenientes de um único procedimento fiscal em apreço (Processo Administrativo n° 15868.720164/201438). Ainda que, nestes prismas exaustivamente controvertidos é que concluímos a multa ora exigida por tratar de contribuição inconstitucional , é ilegal e não passa pelo crivo legal da doutrina e jurisprudência em nome do princípio da Legalidade e do não confisco e injustificada. Dos Pedidos 1) Por todo o exposto Requer que seja reavaliado os teores jurídicos expostos e argumentado na presente defesa administrativa, pois somente desta maneira, essa Divisão de Julgamento estabelecerá a aplicação da legislação tributária federal, em respeito à mais pura JUSTIÇA! 2) Que seja deduzido do presente levantamento a exigência da rubrica. 3 Requer que seja ADMITIDA a presente impugnação, sobrestando sua exigência em razão da multa isolada cumulada com de ofício, e ainda por tratar de matéria controvertida com repercussão geral no STF conforme determina o despacho ministerial acostados nos autos; 4 Requer a parcial Invalidação do acumulo das multas excessivas presentes nos N°: 51.048.3445 / 51.048.3453 / 51.048.3461 / 51.048.3470 / 51.048.3488 / 51.048.3496 E 51.059.5574, e n° 51.048.3437; caso se mantenha a presente cobrança; em prestigio as sumulas do CARF 93 e 96. 5) Requer ainda, que caso consista parcialmente a cobrança e mantida, seja incluída na consolidação do REFIS da Crise aderido em agosto de 2.014, por tratarse de débitos originados dos exercícios de 2.010, 2.011 e 2.012. Protestase, ainda, pela produção de outras provas admitidas em Direito, que confirmem os fatos narrados nesta Defesa. – Impugnação ao Auto de Infração nº 51.048.3453 (fls. 4.620 a 4.697) Relatando os fatos identifica os Autos de Infração lavrados na ação fiscal, com os respectivos valores e argui que em termos percentuais beira o confisco, pois representa 260,75 % do valor devido imposto, enquanto a doutrina administrativa consente em no máximo de 75% em cálculo raso o valor admissível para essa possível punição não poderia ser superior a monta de Fl. 5161DF CARF MF 12 219.974,04, perfazendo o excesso no valor de R$ 353.593,11 a seu ver é ilegítima, inconstitucional, excessiva e improcedente. Na seqüência, tece vasta consideração sobre diferença de multa moratória e a tida como punitiva, e cita a Súmula 93 do CARF determina que a falta de transcrição dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução no Livro Diário não justifica a cobrança da multa isolada prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, quando o sujeito passivo apresenta escrituração contábil e fiscal admissível para comprovar a suspensão ou redução da estimativa, bem como a referida Sumula, definindo que a simples falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros. Aduz que do exposto, percebese, de forma clara, que o fato jurídico que origina a multa punitiva não é a inadimplência, mas sim o descumprimento de um dever instrumental (obrigação acessória), ou seja, é a não declaração da dívida tributária em documento específico que valida à incidência da multa de 75%, daí a incongruência da exigência de demasiadas multa imposta ao Recorrente, visto que é necessário observar que, a norma de estruturação da multa punitiva não está voltada para o adimplemento da obrigação principal, mas sim para o cumprimento de obrigação acessória, cujo dever consiste em declarar o valor do débito em documento específico. Apresenta um gráfico que entende demonstrar a diferença arguida e que ficam bem claro que o legislador responsável pela edição da Lei n° 9.430 e o próprio fisco na hora de elaborar seu relatório, olvidou se que o Direito Tributário restou estruturado em torno de duas obrigações distintas, as obrigações de dar não comportam multa punitiva, pois o não recolhimento do tributo enseja apenas dívida de valor, aspecto este que independe de evento doloso ou culposo. Que eventual dolo ou a culpa ocorre somente estão presentes nas obrigações de fazer, porquanto de supressão ou redução de tributo ocorreria no campo das obrigações acessórias, que ora estamos regularizando e retificando , já que aderimos ao REFIS da Crise (doe. em anexo) , na época da sua consolidação por conseguinte regularizando as obrigações acessórias ora apontadas no presente relatório. Alega o efeito confiscatório que no âmbito tributário ocorre justamente quando a aplicação de uma norma tributária excede o limite racional, econômico e moral da fonte de arrecadação, a ponto de colocar a sobrevivência do cidadãocontribuinte em risco, ou quando a sua aplicação não se justifica moralmente. Adverte que na dosimetria da penalidade aplicada a douta fiscalização não fora ressalvada na sua apreciação, os casos análogos como o do presente caso, "Repercussão Geral na Aplicação Multa Confiscatória, , visto que os dizeres da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 1/2014 regulamenta o disposto nos §§ 4o, 5o e 7° do art. 19 da Lei n° 10.522/2002 os quais prevêem a vinculação da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) Fl. 5162DF CARF MF Processo nº 15868.720164/201438 Acórdão n.º 2201003.867 S2C2T1 Fl. 5.157 13 às decisões judiciais desfavoráveis à Fazenda Nacional proferidas em Recursos Extraordinários com Repercussão Geral (STF) ou em Recursos Especiais Repetitivos (STJ) e despacho do digníssimo ministro da Fazenda da União . Conclui, que em nome do princípio do não confisco cumulados com os princípios da razoabilidade e proporcionalidade é que deve se reduzir esse excessos de multas constante no relatório destes presentes auto de infrações ou seja; Nº: 51.048.3445 / 51.048.3453 / 51.048.3461 / 51.048.3470 / 51.048.3488 / 51.048.3496 E 51.059.5574, e Debcad n° 51.048.3437, caso se mantenha a presente cobrança, já que se trata de excessivas multas isoladas provenientes de um único procedimento fiscal em apreço (Processo Administrativo n° 15868.720164/201438). Ainda que, nestes prismas exaustivamente controvertidos é que concluímos a multa ora exigida por tratar de contribuição inconstitucional , é ilegal e não passa pelo crivo legal da doutrina e jurisprudência em nome do princípio da Legalidade e do não confisco e injustificada. Dos Pedidos 1) Por todo o exposto Requer que seja reavaliado os teores jurídicos expostos e argumentado na presente defesa administrativa, pois somente desta maneira, essa Divisão de Julgamento estabelecerá a aplicação da legislação tributária federal, em respeito à mais pura JUSTIÇA!! 2 Requer que seja ADMITIDA a presente impugnação, sobrestando sua exigência em razão de tratar de matéria controvertida com repercussão geral no STF conforme determina o despacho ministerial acostados nos autos; 3 Requer ainda a juntada de documentos caso ocorra fatos novos e supervenientes a matéria dessa impugnação 4 Requer a parcial Invalidação do acumulo das multas excessivas presentes nos Nº 51.048.3445 / 51.048.3453 / 51.048.3461 / 51.048.347 0 / 51.048.3488 / 51.048.3496 E 51.059.5574, e n° 51.048.3437; caso se mantenha a presente cobrança; em prestigio as sumulas do CARF 93 e 96. 5) Requer ainda, que caso consista parcialmente a cobrança e mantida, seja incluída na consolidação do REFIS da Crise aderido em agosto de 2.014, por tratarse de débitos originados dos exercícios de 2.010, 2.011 e 2.012. Protestase, ainda, pela produção de outras provas admitidas em Direito, que confirmem os fatos narrados nesta Defesa. – Impugnação aos Autos de Infração nº 51.048.3445 (fls. 4.225 a 4.304), 51.048.3461 ( fls.4.462 a 4.539), 51.048.3470 (fls. 4.540 a 4.619), 51.048.3488 ( fls. 4.875 a 4.954), 51.048.3496 ( fls, 4.305 a 4.382) e 51.048.5574 ( fls. 4.383 a 4.461). Fl. 5163DF CARF MF 14 O impugnante em relação aos Autos de Infração elencados, repete idêntico teor das alegações apresentadas ao AI nº 51.048.3453, na impugnação antes já relatada. Este é o relatório." Cientificado da decisão que contrariou seus interesses em 03 de fevereiro de 2016, o sujeito passivo apresentou tempestivamente, em 01 de março de 2016, recursos voluntários distintos. Às folhas 5040, consta apelo, relativo aos Debcad's 51.048.3437 e 51.048.3453, no qual o contribuinte se insurge contra o lançamento da multa de ofício aplicada, argumentando somente a nulidade da imposição fiscal em razão da mesma se fundar em presunção, posto que adotado como base de cálculo o lucro distribuído e necessidade de desqualificação da multa em razão da ausência de dolo ou prática de fraude praticados pelo sujeito passivo. Já às folhas 5084, consta recurso voluntário interposto em face dos Debcad's 51.048.3445, 51.048.3461, 51.048.347, 51.048.3488, 51.048.3496 e 51.069.5574. Os argumentos constantes dessa peça processual são a falta de razoabilidade da multa aplicada, a desqualificação da multa por falta da prática das condutas ensejadoras da aplicação da penalidade exacerbada e o sobrestamento do processos que contém os Debcad's 51048.3437 e 51.048.3453, em razão do julgamento do tema pelo STF pela sistemática da repercussão geral. Também o pedido de sobrestamento embasa o terceiro recurso apresentado (fls. 5119), referente aos débitos constantes dos documentos 51.048.3410 e 51.048.3429, posto que como consta no apelo o STF se debruçará sobre a questão de maneira definitiva. O recurso foi distribuído por sorteio eletrônico, em sessão pública, para este Conselheiro. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário, passo a analisálo na ordem de suas alegações, recordando que as peças foram elaboradas por documento de crédito, o denominado DEBCAD. Antes, porém, mister algumas considerações sobre o pedido de sobrestamento do julgamento constante do apelo. São argumentos da Recorrente que embasam o pedido de sobrestamento (fls. 5124): Fl. 5164DF CARF MF Processo nº 15868.720164/201438 Acórdão n.º 2201003.867 S2C2T1 Fl. 5.158 15 "23Como dito, isso aconteceu inicialmente com a edição da Lein° 8.540/92, que alterou o art. 25 da Lei n° 8.212/91, para aumentar indevidamente o campo de incidência tributária da contribuição destinada ao custeio da seguridade social, tendo em vista que, a teor do texto constitucional, somente o segurado especial é que deveria ter como base de cálculo desta contribuição o resultado bruto da sua comercialização, jamais o empregador rural. 24Tal constatação emerge do fato de que o empregador rural pessoa física não pode ter como base de cálculo de contribuições previdenciárias o resultado da comercialização da sua produção, pois já contribui com percentual sobre a folha de pagamento. 25Esse foi o entendimento do STF ao apreciar o RE363.852/MG, pronunciando pela inconstitucionalidade do art. Io da Lei n° 8.540/92, que deu nova redação aos arts. 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n°8.212/91, com redação dada até a Lei n° 9.528/97, desobrigando os produtores rurais do recolhimento da contribuição social sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, senão vejamos: (...)" Porém, em recente sessão, ocorrida em 30 de março de 2017, o Pleno do STF em julgamento do mérito do RE 718874, de relatoria do Ministro Edson Fachin, com repercussão geral reconhecida, tomou a decisão abaixo transcrita: Decisão: O Tribunal, por maioria, apreciando o tema 669 da repercussão geral, conheceu do recurso extraordinário e a ele deu provimento, vencidos os Ministros Edson Fachin (Relator), Rosa Weber, Ricardo Lewandowski, Marco Aurélio e Celso de Mello, que negavam provimento ao recurso. Em seguida, por maioria, acompanhando proposta da Ministra Cármen Lúcia (Presidente), o Tribunal fixou a seguinte tese: "É constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/2001, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção", vencido o Ministro Marco Aurélio, que não se pronunciou quanto à tese. Redator para o acórdão o Ministro Alexandre de Moraes. Plenário, 30.3.2017. Assim, consoante o pedido do próprio Recorrente, forçosa a aplicação do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343 de 2015, que em seu artigo 62, preceitua: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade Fl. 5165DF CARF MF 16 § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...)" Recordemos o fundamento legal do crédito em discussão. Voltemos ao relatório fiscal (fls. 82): "DA PRODUÇÃO ADQUIRIDA E DAS ALÍQUOTAS APLICADAS 6.6. Os fatos geradores correspondem à comercialização da produção rural relativa a animais para abate e lenha in natura adquiridos de produtores rurais – pessoas físicas no período de janeiro de 2010 a dezembro de 2012, com espeque nas informações extraídas da ECD – Escrituração Contábil Digital dos LIVROS DIÁRIOS n° 02, 03 e 04, disponibilizadas no SPED – Sistema Público de Escrituração Digital e requisitadas pela RFB no arquivo ReceitanetBX, através do auditor fiscal designado para auditoria. (...) 6.7. Com o advento da Lei nº 10.256, de 09/07/2001, o caput do artigo 25, foi alterado com a seguinte redação e estabelece “in verbis”: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 9/7/2001) I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho." Assentados, com base na decisão do STF, quanto a constitucionalidade da Lei nº 8.212/91, especialmente no que tange às disposições sobre a contribuição do produtor rural Fl. 5166DF CARF MF Processo nº 15868.720164/201438 Acórdão n.º 2201003.867 S2C2T1 Fl. 5.159 17 pessoa física, na redação dada pela Lei nº 10.256/01, quanto mais ao se recordar o pedido do Recorrente para que se aplique no processo administrativo as decisões judiciais pertinentes, despiciendo maiores considerações sobre o tema. Passemos agora a análise dos outros argumentos constantes dos voluntários, recordando que os apelos foram apresentados em três peças processuais, relativas aos documentos de crédito nelas referidos. DEBCAD'S 51048.3437 E 51.048.3453 Os créditos relativos aos 51048.3437 e 51.048.3453 se referem às contribuições devidas pela empresa referente aos pagamentos efetuados aos contribuintes individuais a seu serviço e pelo descumprimento da obrigação acessória de lançar mensalmente em títulos próprios da contabilidade, de forma discriminada, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária. Sobre esse ponto, assim se pronunciou a autoridade lançadora (fls. 49): "1.3. Foi apurado crédito previdenciário correspondente aos serviços mensais prestados por Orlando Baltazar Junior e Artur Sanches Cortes, contabilizados na conta 42101013 – ALUGUEIS, mediante exibição de contrato dissimulado de arrendamento de instalações industriais frigoríficas, além dos pagamentos lançados na conta 42101017 –COMISSÕES DE VENDAS em favor de Miguel Sanches. 1.4. Foi apurado crédito previdenciário sobre a remuneração ao sócio João Cortes, contabilizada na conta 42102009 – PRO LABORE, no dia 30/11/2010, porém, omitida da folha de pagamento e não foi informado em SEFIP/GFIP correspondente. 1.5. Foi apurado crédito previdenciário referente à diferença de contribuição para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho proveniente da inserção do índice incorreto a menor do FAP – Fator Acidentário de Prevenção (art. 202A do RPS aprovado pelo Decreto n° 3.048/99) nas GFIP – Guias de Recolhimento do FGTS e das Informações à Previdência Social do ano de 2011. 1.6. Além da constituição dos créditos previdenciários principais, acima relatados, foram lavrados Autos de Infração pelo descumprimento das obrigações acessórias previstas na legislação em vigor com a aplicação das penalidades administrativas correspondentes (...) 3.5. A fiscalização constatou a omissão de informação em SEFIP/GFIP de fatos geradores previdenciários relativos aos pagamentos de comissões sobre vendas e sobre a remuneração de serviços prestados no transporte de animais adquiridos para abate, em função da disparidade entre: a quantidade mensal de bovinos adquiridos para abate (x) a declaração formal que os transportes de animais são realizados em quase sua totalidade Fl. 5167DF CARF MF 18 pelos veículos do próprio frigorífico (x) e a relação de bens e direitos do ativo permanente (veículos) apresentada, que aponta oito caminhões com carroceria baú, impróprios para transporte de animais vivos e apenas um caminhão boiadeiro (gaiola), além de inúmeros lançamentos registrados na ECD sem clareza no histórico contábil, motivando a determinação do Sr.Delegado da Receita Federal em Araçatuba para, além da comercialização da produção rural adquirida com subrogação, a inclusão no procedimento fiscal dos fatos geradores relacionados à remuneração de empregados e contribuintes individuais. (...) 3.8. Nos documentos fiscais DANFE’s emitidos no ano calendário 2010 com operações de saídas de produtos acabados (vendas de carnes), constaram no campo de identificação do transportador a informação com nome de vários motoristas (pessoas físicas) que não pertencem ao seu quadro de pessoal. A fiscalização consultou o banco de dados da RFB (cadastro CPF) e da Previdência Social (CNIS – Cadastro Nacional de Informações Sociais), com informações e vínculos desses trabalhadores, depurando àqueles sem vinculação empregatícia. Portanto, também, é falsa a informação prestada de que todo transporte é feito pelo frigorífico e pela coligada Ilha Solteira Ind.e Com de Sebos. (...)" Sobre o tema, se insurge a Recorrente, asseverando que um lançamento tributário não pode se fundar em presunções, somente noticiando a infração. Encontramos às folhas 5044, as seguintes alegações recursais: "12. Considerando que a alteração do Regulamento da Previdência Social ocorreu ao arrepio da lei, posto que o artigo 22, III, da Lei 8.212/91, com a redação dada pelo artigo 1º da Lei 9.876/99, definiu que a contribuição previdenciária incidirá à aliquota de 20% (vinte por cento) sobre as remunerações pagas aos contribuintes individuais. Deste modo, pelo teor da Lei, não caberia à incidência de INSS sobre lucros." Perquirindo a imputação fiscal, encontramos no relatório da Autoridade Lançadora a seguinte constituição do crédito tributário lançado (fls.: 79): 5. DA CONSTITUIÇÃO DOS CRÉDITOS PREVIDENCIÁRIOS 5.1. A fiscalização concluiu o procedimento de auditoria fiscal com base nos elementos até então disponibilizados, confirmando várias irregularidades, dentre as quais: a omissão proposital do valor da comercialização da produção rural adquirida de produtores –pessoas físicas (animais para abate e lenha in natura) em GFIP; falta de escrituração contábil de documentos fiscais de compras de animais para abate; ausência intencional do destaque da contribuição rural devida pelo produtor rural – pessoa física nos documentos fiscais; omissão de registros contábeis da contribuição rural exigida dos produtores rurais – pessoas físicas, na condição de subrogado (substituto tributário); lançamentos contábeis de pagamentos de serviços Fl. 5168DF CARF MF Processo nº 15868.720164/201438 Acórdão n.º 2201003.867 S2C2T1 Fl. 5.160 19 prestados por pessoas físicas dissimulados como alugueis; omissão em GFIP/SEFIP de remuneração a contribuintes individuais (prestação de serviços por pessoas físicas e pro labore), inserção incorreta do índice multiplicador do Fator Acidentário de Prevenção FAP nas GFIP’s de 2011, pagamentos escriturados de forma sintética sem histórico, não comprovados com documentos hábeis, cujo crédito previdenciário por descumprimento da obrigação principal foi constituído mediante lavratura dos Autos de Infrações – AI a seguir descritos, que compõem este Processo n° 158658.720.164/201438, além das infrações por descumprimento de obrigações acessórias, disciplinadas na legislação vigente." Especificamente sobre o tema da remuneração dos sócios, assim se pronunciou a Autoridade Fiscal (fls. 112): III AUTO DE INFRAÇÃO – AI DEBCAD N° 51.048.3437 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL – COTA PATRONAL 8. DO FATO GERADOR E CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO 8.1. Na execução deste procedimento a fiscalização extraiu a ECD Escrituração Contábil Digital dos Livros Diários armazenados no banco de dados do SPED Contábil para analisar a contabilidade do sujeito passivo, confrontando com as informações registradas em SEFIP/GFIP/WEB, CNIS, DIRF e DIRPF, transmitidas à RFB e Dataprev e escassos documentos exibidos pelo sujeito passivo. No exame da contabilidade constatouse em alguns meses a remuneração de honorários a membros familiares dissimulados em pagamentos de alugueis das instalações frigoríficas; a omissão da remuneração de comissões de vendas a trabalhador autônomo em folha de pagamento e GFIP e de honorário pro labore do sócio administrador escriturado na contabilidade e omisso em folha de pagamento e GFIP correspondentes e a falta de recolhimento das contribuições previdenciárias proveniente desses fatos geradores, a seguir descritos: REMUNERAÇÃO DE HONORÁRIOS DISSIMULADA EM ALUGUÉIS 8.2. A fiscalização examinou as informações armazenadas nos bancos de dados dos Sistemas da RFB enviadas pelo sujeito passivo através da DIRF – Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte onde registra, para o período determinado no procedimento fiscal, a retenção do imposto de renda sobre pagamentos de rendimentos com código da receita 3208– Alugueis e Royalties pagos a pessoas físicas, a saber: (...) 8.3.7. Além disso, a fiscalização “ad cautelam” examinou as informações registradas nas Declarações de Bens e Direitos das Fl. 5169DF CARF MF 20 Declarações de Ajuste Anual da Pessoa Física –DIRPF AC 2010/2011/2012 transmitidas pelos “ARRENDADORES” à RFB e em nenhuma delas constou serem legítimos proprietários de ativos ligados à industria frigorífica, portanto, em nenhum momento ficou provado que sejam proprietários das instalações (bens moveis) e do imóvel objetos do contrato de arrendamento. Evidentemente, não se pode arrendar aquilo que não é dono ou não tem posse legal. Sem prova documental, não passam de devaneios esses "efetivos investimentos do imobilizado”. 8.3.8. Portanto, o contrato de arrendamento das instalações industriais é uma impostura para sonegar dolosamente, as contribuições previdenciárias exigidas sobre a remuneração mensal de honorários pagos a Orlando Baltazar Junior e Artur Sanches Cortes, dissimulados como rendimentos de alugueis através de contrato suspeitoso e fantasioso, pois em nenhum momento restou comprovado que os “arrendadores” sejam proprietários dos bens objetos do contrato exibido ao fisco. Ademais, qualquer alegação que o imposto de renda foi recolhido na fonte é improfícua porque o valor do tributo recolhido pela pessoa jurídica (frigorífico) reverterseá como imposto a compensar na declaração da pessoa física dos “supostos” arrendadores. 8.3.9. No confronto entre os valores mensais informados nas DIRF’s com código da receita 3208 e os lançamentos contábeis correspondentes, ora divergentes e ora omissos na conta 4.2.10.1013 ALUGUEIS da ECD armazenada no SPED Contábil do período deste procedimento e ante o arbítrio do sujeito passivo em não exibir ao fisco, os documentos recibos pagamentos de rendimentos mensais desses “alugueis” sob alegação que foram pagos pela “conta caixa”, a fiscalização considerou os valores mensais informados em DIRF’s como remuneração de honorários, dissimulados em alugueis, mediante inconsistente contrato de arrendamento. Os valores considerados como fatos geradores previdenciários estão listados na Planilha 6 RELAÇÃO DOS HONORÁRIOS DISSIMULADOS COMO PAGAMENTO DE ARRENDAMENTO, que faz parte do REFISC." (os destaques do penúltimo parágrafo não constam do relatório) A leitura do trecho destacado é claríssima em apontar a base de cálculo do lançamento tributário: remuneração dos dirigentes da Recorrente. Não se tributou o lucro, como quer fazer crer o recurso. Não há uma única prova que corrobore o negócio jurídico desconsiderado pelo Fisco. Ao reverso, o que se observa é que a imputação fiscal está corroborada por provas da impossibilidade jurídica do negócio entabulado pela Recorrente. Recurso voluntário negado nessa parte. DA VULTOSA MULTA APLICADA Se insurge a recorrente sobre a multa aplicada. Discorre sobre a finalidade das sanções tributárias, a abusividade da multa imposta no caso concreto e Fl. 5170DF CARF MF Processo nº 15868.720164/201438 Acórdão n.º 2201003.867 S2C2T1 Fl. 5.161 21 desproporcionalidade entre a sanção e o valor do tributo, o que viola o princípio da razoabilidade e também o do não confisco. Por fim pugna pela desqualificação da multa aplicada, em face da não ocorrência da 'descrição e inconteste comprovação da ação ou omissão dolosa, com evidente intuito de sonegação, fraude ou conluio do autuado" (fls. 5047/5050). Algumas considerações sobre o tema são necessárias, até pela argumentação da Recorrente. Vejamos. O dolo, leciona Luiz Regis Prado (Curso de Direito Penal Brasileiro, 6ª ed. Ed. Revista dos Tribunais, p. 113), se observa quando "(...) age dolosamente o agente que conhece e quer a realização dos elementos da situação fática ou objetiva, sejam descritivos, sejam normativos, que integram o tipo legal do delito." (negritamos) Transportando para a seara tributária, podemos dizer que age dolosamente o contribuinte que conhecendo a incidência tributária, sabendo que determinada conduta enseja o fato gerador, dela procura se afastar, não com vista a não praticar o fato ensejador da incidência, mas sim, buscando de alguma forma, se escusar ao cumprimento da obrigação tributária. Nesse sentido a dicção da Lei nº 4.502/64, que conceitua fraude como sendo toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador ou a reduzir as suas características essenciais de modo a reduzir o montante do tributo devido. Já a sonegação, nos dizeres legais, é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador ou das condições pessoais do contribuinte ou do crédito tributário. Claro resta que a intenção do agente, do contribuinte é determinante para caracterização da fraude e da sonegação nos termos da Lei nº 4.502/64. E mais, deve ser provada pela Fisco. Mas como a Autoridade Fiscal pode verificar a intenção do contribuinte, se a verificação do cumprimento das obrigações tributárias é realizada, praticamente sempre, tempos após o surgimento dessas obrigações? Luís Eduardo Schoueri (Direito Tributário, 3ªed., Saraiva, pág. 790), ensina que sonegação, nos dizeres da Lei 4.502, pressupõe: "falsidade: nesses casos, o que se pune não é o não pagamento, mas a declaração falsa, a omissão de informação ou declaração, (...) No tocante à fraude, a lição de Vasco Branco Guimarães, reproduzida por Paulsen (Direito Tributário Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência, 15ª ed., Livraria do Advogado Editora, p. 1117), nos auxilia: Fl. 5171DF CARF MF 22 "A fraude fiscal pode ser definida como a conduta ilegítima tipificada que visa a obtenção indevida de vantagem mediante: não liquidação, entrega ou pagamento de prestação tributária; aquisição de benefício fiscal indevido; aquisição de qualquer outra vantagem patrimonial à custa de receitas tributárias" Ora, patente no relatório fiscal que as condutas do Recorrente visavam impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador ou reduzir suas condições essenciais com vista a obtenção de vantagem por meio da postergação ou não pagamento do tributo devido. O Fisco descreve e comprova situações diversas no sentido das ações reprovadas com sanção majorada pela legislação tributária. Recordemos o conteúdo do relatório fiscal (fls 116): 8.4. O contrato de arrendamento das instalações industriais é uma impostura para sonegar as contribuições previdenciárias exigidas sobre a remuneração mensal paga a Orlando Baltazar Junior e Artur Sanches Cortes, dissimulados como rendimentos de alugueis através do documento contratual, pois em nenhum momento restou comprovado que os “arrendadores” sejam proprietários dos bens objetos desse documento exibido ao fisco, que alem de contradizer a certidão de matrícula do imóvel, foi elaborado dolosamente com fins de impedir e ocultar a ocorrência do fato gerador da obrigação previdenciária principal, para não recolhela na forma fixada na legislação, caracterizando situação tipificada no artigo 72 da Lei n° 4.502, de 30/11/1964. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. 8.4.1. Ademais, a omissão de fato gerador de contribuição previdenciária em GFIP constitui sonegação fiscal previdenciária. 8.4.2. Ante ao exposto, na constituição do crédito previdenciário, foi aplicada a multa qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento) prevista na Lei n° 9.430 de 27/12/1996, artigo 44, inciso I, § 1°, na redação dada pela Lei n° 11.488 de 15/06/2007, observada a Lei n° 8.212 de 24/07/1991, artigo 35 A, na redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009, por caracterizar omissão de fatos geradores previdenciários em documento GFIP, mediante apresentação de contrato de arrendamento dissimulado, confeccionado para ocultar o pagamento de remuneração que constitui fato gerador da obrigação principal. Sem número de situações foram comprovadas pelo Fisco quanto às condutas, as mais diversas, desde a utilização indevida de pessoas jurídicas como transportadora de animais para abate, até a simples omissão de bens e valores de suas declarações e de sua contabilidade, contribuíram para o convencimento deste julgador da ocorrência das condições legais ensejadoras da qualificação da multa de ofício. Fl. 5172DF CARF MF Processo nº 15868.720164/201438 Acórdão n.º 2201003.867 S2C2T1 Fl. 5.162 23 Porém, mister ressaltar que, ausente a comprovação da conduta dolosa, soube a autoridade lançadora, aplicar a multa de ofício sem a qualificação. Vejamos as folhas 117 do relatório fiscal: "REMUNERAÇÃO A SÓCIO ADMINISTRADOR 8.6. Na verificação dos pagamentos lançados nas contas 2.1.10.3002 – PRO LABORE A PAGAR e 4.2.10.2009 – PRO LABORE da escrituração contábil digital do LIVRO DIÁRIO N° 02 enviada ao SPED Contábil, constouse no dia 30/11/2010 o lançamento no valor de R$1.200,00, sem a identificação do beneficiário no histórico contábil. Os períodos subseqüentes não registram estorno do lançamento contábil dessa remuneração. 8.6.1. Diante do menoscabo do sujeito passivo, NÃO apresentando os recibos comprovantes de pagamentos de pró labore do período determinado neste procedimento, solicitados no item 5.6 do TIF N° 2014/10, a fiscalização examinou a DIRF 2011/AC 2010 e GFIP do mês 11/2010, onde se verificou a total omissão dessa remuneração pro labore. A folha de pagamento do mês 11/2010 também é omissa e deixa de incluir a remuneração pro labore que foi atribuída pela fiscalização a JOÃO CORTES, sócio administrador em exercício, para exigir a contribuição previdenciária. MULTA 8.7. Nestes casos, por tratarse de contribuição previdenciária cujo fato gerador encontrase contabilizado em conta própria, sem prejuízo da aplicação das demais infrações acessórias, foi aplicada a multa de ofício de 75%, prevista no artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430 de 27/12/1996, com redação dada pela Lei n° 11.488, de 15/06/2007, observado o disposto no artigo 35A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, com redação da Lei n° 11.941/09" Por todo o exposto, não assiste razão ao autuado. A penalidade imposta pela Autoridade Fiscal se encontra perfeitamente ajustada ao comando legal. Recurso voluntário negado também nessa parte. Diante do exposto, nego provimento ao recurso especial acima identificado. DEBCAD'S 51.048.3445, 51.048.3461, 51048.347, 51048.3488, 51.048.3496 E 51.0695574 Prosseguindo na análise dos três recursos voluntários tempestivamente interposto, vejamos agora as razões constantes do apelo referente aos documentos acima mencionados (fls. 5084). Consta o apelo, 'in comento', as mesmas argumentações sobre as sanções aplicadas e acima analisadas. Observo que das folhas 5086 até 5090 as mesmas questões sobre finalidade das sanções tributárias, a abusividade da multa imposta no caso concreto e Fl. 5173DF CARF MF 24 desproporcionalidade entre a sanção e o valor do tributo, o que viola o princípio da razoabilidade e também o do não confisco. Por fim pugna pela desqualificação da multa aplicada, em face da não ocorrência da 'descrição e inconteste comprovação da ação ou omissão dolosa, com evidente intuito de sonegação, fraude ou conluio do autuado" Considerando que todas as questões acima foram devidamente analisadas, e as razões da argumentação são 'mutatis mutantis' as mesmas, deixo de apreciálas, quanto mais ao se considerar as disposições do artigo 489, § 1º, inciso IV, do novo CPC. Aponto, ainda, que os pedidos constantes do apelo acima identificado, contém, além do pleito da relevação das multas, e subsidiariamente a desqualificação da multa de ofício, o pedido de sobrestamento das questões atinentes aos Debcad's 51.048.3437 e 51.048.3453 em face da repercussão geral do tema reconhecida no STF. Recordo que tal ponto foi acima analisado. Diante do exposto, nego provimento ao recurso especial acima identificado. DEBCAD'S 51.048.3410 E 51.048.3429. Especificamente quanto aos débitos acima identificados, relativos à contribuição previdenciária devida, por subrogação, pelo adquirente da produção de produtor rural pessoa física e contribuição ao SENAR, foi anexado recurso voluntário às folhas 5.119. Em preliminar, questiona que o julgador de piso não considerou a impossibilidade de julgamento do presente feito em razão da repercussão geral pendente de decisão pela Corte Suprema. Entendo que tais argumentos se encontram superados por tudo o acima exposto. Passando as alegações de mérito, a Recorrente explicita toda a judicialização da questão afeta à contribuição previdenciária devida pelo produtor rural pessoa física com base na comercialização de sua produção rural e também da subrogação prevista na Lei de Custeio da Previdência Social, inclusive com a reprodução de decisões do Supremo Tribunal Federal e do próprio CARF sobre o mérito da questão e também sobre o sobrestamento dos processos administrativos em casos similares. Por fim, pede afastamento da exação, inclusive quanto às obrigações acessórias decorrentes, em razão da repercussão geral noticiada. Como dito no intróito do presente voto, tal questão se encontra superada posto que o STF ao decidir a questão, reconheceu a constitucionalidade formal e material das disposições da Lei de Custeio da Previdência Social que embasam a exação que aqui se aprecia. Por todo o exposto, nego provimento ao voluntário. Fl. 5174DF CARF MF Processo nº 15868.720164/201438 Acórdão n.º 2201003.867 S2C2T1 Fl. 5.163 25 CONCLUSÃO Diante dos fatos e fundamentos apresentados, voto por negar provimento aos recursos voluntários interpostos, mantendo o lançamento tributário em sua inteireza. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Fl. 5175DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.900304/2013-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/09/2012
RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO.
Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.728
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
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Ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Recorrente FUNDAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/09/2012 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu Pedido de Restituição Eletrônico PER referente a alegado crédito de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 03 04 /2 01 3- 82 Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10830.900304/201382 Acórdão n.º 3301003.728 S3C3T1 Fl. 3 2 pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF, código de receita 8301 (PIS – Folha de Pagamento). Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Discorre sobre sua condição de imune. Requer que seja declarada como Entidade Beneficente de Assistência Social. Ao analisar o caso, a DRJ em Juiz de Fora (MG), entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 09051.762, com base primordialmente nos seguintes fundamentos: (i) a imunidade das contribuições sociais está sujeita às exigências estabelecidas pela Lei 12.101/2009; (ii) a Recorrente não possui CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social); (iii) o PIS não está abrangido pela imunidade estabelecida no art. 195, § 7º da Constituição Federal; e (iv) a Recorrente está sujeita ao PIS sobre a Folha de Salários e não sobre o Faturamento. Intimado da decisão e insatisfeito com o seu conteúdo, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário através do qual alegou, resumidamente: (i) que o STF já teria pacificado seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, que teve repercussão geral reconhecida; (ii) que a Recorrente atende a todos os requisitos da Lei 12.101/2009 para fins de usufruto da imunidade, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS protocolizado (trata sobre cada um dos requisitos); (iii) que a emissão do CEBAS é um ato administrativo vinculado, constituindo obrigação legal uma vez constatado o atendimento dos requisitos legais para gozo da imunidade; (iv) que a emissão do CEBAS tem caráter declaratório, sendolhe conferidos efeitos retroativos. Requer, ao final, que seja dado provimento ao seu recurso, para fins de deferir o pedido de restituição, por se tratar de instituição imune às contribuições previdenciárias. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.674, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.900254/201333, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.674): Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10830.900304/201382 Acórdão n.º 3301003.728 S3C3T1 Fl. 4 3 "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, tratase de Pedido de Restituição Eletrônico PER nº 23871.62072.130912.1.2.040241 referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição previdenciária sobre a folha de salários a cargo do empregador, efetuado por meio do DARF no valor original de R$ 42.011,75. Como é cediço, para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte. No caso concreto ora analisado, portanto, há de se verificar se o crédito tributário alegado pelo contribuinte encontrase revestido de tais características, sem as quais o pleito não pode ser deferido. Alega o contribuinte que o seu pleito decorre do seu direito seria líquido e certo ao gozo da imunidade. A DRJ, por seu turno, entendeu de forma diversa, conforme se extrai da passagem do voto a seguir transcrita: A imunidade relativa às pessoas jurídicas que prestam assistência social está prevista nos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre:(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. [...] Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A imunidade prevista no artigo 150 acima transcrito é especifica para impostos não abrangendo às contribuições sociais. Portanto, não alcança o PIS/PASEP –Folha de Salários. A imunidade prevista no artigo 195, § 7º, é específica para contribuições para seguridade social e depende da caracterização da entidade como beneficente Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10830.900304/201382 Acórdão n.º 3301003.728 S3C3T1 Fl. 5 4 de assistência social que atenda às exigências estabelecidas em lei, entre elas a certificação de que trata a Lei 12.101/2009, conforme dispositivos transcritos a seguir: Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. (...) Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos (grifo não original) Com base nos atos acima transcritos, que vinculam este colegiado de 1ª instância administrativa, a contribuinte, por não ser detentora do certificado de entidade beneficente de assistência social, não faz jus à imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da CF/88, por descumprir exigência contida em lei. Com lastro no artigo 21 supra, não compete à RFB decidir sobre a concessão de certificados de entidade beneficente de assistência social, não tendo força vinculante as decisões judiciais e o posicionamento da doutrina mencionados pela defesa. De modo que, o pedido, para que seja declarada como Entidade Beneficente da Assistência Social, com força substitutiva do registro e da certificação de que trata o art. 21 da Lei nº 12.101/2009, não pode ser atendido no âmbito desse colegiado. A contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2007.61.05.0129681, junto à 2ª Vara Federal de Campinas, que atualmente tramita no TRF 3º Região, com sentença proferida reconhecendo o direito à imunidade prevista no art. 195, 7º, da CF/88, no tocante à Cofins, desde que cumpridos os requisitos do art. 14 do CTN e os deveres instrumentais acessórios estabelecidos pela legislação fiscal. Portanto, mantida a exigência do certificado de entidade beneficente de assistência social para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. Concordo com a conclusão a que chegou a DRJ no trecho acima, por entender que não restou comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. Embora a Recorrente tenha protocolizado pedido de emissão do CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social) desde 18/12/2013, é certo que este pedido ainda não foi deferido, encontrandose atualmente na situação de "encaminhado". E sendo esta emissão um requisito essencial ao gozo da imunidade pleiteada, nos termos do que determina a Lei nº 12.101/2009, não há como se entender que o crédito tributário objeto da presente demanda seja líquido e certo. Notese que o art. 29 da referida lei dispõe que fará jus à isenção a entidade beneficente certificada. Ademais, como bem destacou a DRJ em sua decisão, a análise quanto ao atendimento dos requisitos dispostos na Lei n. 12.101/2009 e a consequente concessão do Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10830.900304/201382 Acórdão n.º 3301003.728 S3C3T1 Fl. 6 5 CEBAS não é de competência da Receita Federal do Brasil, ou mesmo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse contexto, ainda que o ato administrativo de concessão do CEBAS seja plenamente vinculado, e que os seus efeitos sejam declaratórios, conferindolhe aplicação retroativa, tais fatores não afastam a necessidade de que haja a análise quanto a tal pleito por parte da autoridade competente. Sendo assim, não há como se deferir o pleito do contribuinte de restituição apresentado, por faltarlhe certeza e liquidez. De outro norte, importante ainda que se analise o segundo fundamento da decisão recorrida, que assim dispôs: Ainda que a contribuinte fosse detentora de tal certificado, o entendimento da administração tributária é que o PIS/PASEP não está abrangido pelo artigo 195 da Carta Magna, sendo devido o seu recolhimento na forma da lei. No caso vertente, o crédito pretendido decorre de pagamento de PIS/PASEP – Folha de Salários. Cabe, então, observar o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. (...) Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10830.900304/201382 Acórdão n.º 3301003.728 S3C3T1 Fl. 7 6 X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. [...].” [Grifei]. Por sua vez, os mencionados arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, assim dispõem1: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Nesse sentido, o Decreto nº 4.527, de 17 de dezembro de 2002, ao regulamentar a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral, assim dispõe: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13): [...] III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; [...] Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10830.900304/201382 Acórdão n.º 3301003.728 S3C3T1 Fl. 8 7 Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e [...] Art. 50. A base de cálculo do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários mensal, das entidades relacionadas no art. 9º, corresponde à remuneração paga, devida ou creditada a empregados. [...].” [Grifei]. Portanto, considerando as normas legais supracitadas e que a contribuinte se declara imune em razão da atividade por ela exercida (atividades de apoio à educação – exceto caixas escolares), não há incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento. Entretanto, é devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88. Assim, diante da ausência de certeza do crédito pleiteado, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório que indeferiu a restituição pretendida. Sobre este ponto, o contribuinte alegou em seu recurso voluntário que o STF já pacificou seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, publicado em 04/04/2014, que teve repercussão geral reconhecida. Da análise do referido julgado, extraise que o STF chegou à seguinte conclusão: A pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos nos artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085. As entidades beneficentes de assistência social, como consequência, não se submetem ao regime tributário disposto no art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e no art. 13, IV, da MP nº 2.15835/2001, aplicáveis somente àquelas outras entidades (instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos) que não preencherem os requisitos do art. 55, da Lei nº 8.212/91, ou da legislação superveniente sobre a matéria, posto não abarcadas pela imunidade constitucional. A inaplicabilidade do art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e do art. 13, IV, da MP º 2.15835/2001, às entidades que preenchem os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, e legislação superveniente, não decorre do vício da inconstitucionalidade desses dispositivos legais, mas da imunidade em relação à contribuição ao PIS como técnica de interpretação conforme à Constituição. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10830.900304/201382 Acórdão n.º 3301003.728 S3C3T1 Fl. 9 8 Ou seja, o STF concluiu que as entidades beneficentes de assistência social não se submetem ao regime tributário disposto no art. 13, IV da MP n. 2.15835/2001, por fazerem jus à imunidade do art. 150, § 7º, da CF/88. E como restou conferida à tese ali assentada repercussão geral e eficácia erga omnes e ex tunc, tal entendimento deverá ser observado por este Conselho, por força do que dispõe o Regimento Interno deste Conselho, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverãoser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Com base no entendimento do STF expresso no RE 636.941/RS, há de se reconhecer, portanto, a insubsistência da conclusão constante da decisão recorrida no sentido de seria "devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88". Contudo, para que se possa concluir pela aplicação do julgado do STF ao caso vertente, seria necessário verificar se a Recorrente se enquadra como entidade beneficente de assistência social e se atende os requisitos legais dispostos na legislação pertinente. Ocorre que, consoante anteriormente apontado, o pedido de concessão da CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), um dos requisitos para o gozo da imunidade, ainda não foi deferido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, a Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10830.900304/201382 Acórdão n.º 3301003.728 S3C3T1 Fl. 10 9 quem compete analisar o atendimento dos requisitos dispostos na legislação pertinente (art. 14 do CTN, art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98, e Lei nº 12.101/2009). É válido destacar, inclusive, que o STF, ao julgar o RE 636.941/RS tratou expressamente desta certificação, concluindo que "a definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade". É o que se infere da passagem a seguir transcrita, extraída do voto do Ministro Luiz Fux, relator do mencionado RE: Pela análise da legislação, percebese que se tem consagrado requisitos específicos mais rígidos para o reconhecimento da imunidade das entidades de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88), se comparados com os critérios para a fruição da imunidade dos impostos (art. 150, VI, c, CF/88). Ilustrativamente, menciono aqueles exigidos para a emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, veiculados originariamente pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, ora regulados pela Lei nº 12. 101/2009. A definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, não implicando significativa restrição do alcance do dispositivo interpretado, qual seja, o conceito de imunidade, e de redução das garantias dos contribuintes. Com efeito, a jurisprudência da Suprema Corte indicia a possibilidade de lei ordinária regulamentar os requisitos e normas sobre a constituição e o funcionamento das entidades de educação ou assistência (aspectos subjetivos ou formais). Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 178DF CARF MF
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Numero do processo: 10630.721012/2009-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005
Ementa:
OMISSÃO. INTEGRAÇÃO.
Deve ser corrigido o acórdão que apresente omissões em relação às matérias recorridas. Constatando-se a existência de matéria autônoma não estabelecida no acórdão, ainda que tratada do voto condutor, devem os autos retornar a julgamento em colegiado para que seja proferida decisão expressa.
MULTA QUALIFICADA. NÃO COMPROVAÇÃO DOLO. SÚMULA
"A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo." (Súmula CARF nº 14) e "A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64." (Súmula CARF nº 25).
Numero da decisão: 2202-004.007
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2202-003.828, de 09/05/2017: a) retificar o dispositivo do voto condutor para "rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo os valores de R$ 101.628,99 do ano-calendário 2004 e R$ 95.918,59 do ano-calendário 2005"; b) integrar a decisão embargada, para também desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a para o percentual de 75%; vencido o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira, que acolheu os embargos com efeitos infringentes em menor extensão. O Conselheiro Denny Medeiros da Silveira informou que apresentará declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005 Ementa: OMISSÃO. INTEGRAÇÃO. Deve ser corrigido o acórdão que apresente omissões em relação às matérias recorridas. Constatando-se a existência de matéria autônoma não estabelecida no acórdão, ainda que tratada do voto condutor, devem os autos retornar a julgamento em colegiado para que seja proferida decisão expressa. MULTA QUALIFICADA. NÃO COMPROVAÇÃO DOLO. SÚMULA "A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo." (Súmula CARF nº 14) e "A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64." (Súmula CARF nº 25).
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OMISSÃO Embargante CONSELHEIRO DO COLEGIADO Interessado CLESIO CHAVES ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005 Ementa: OMISSÃO. INTEGRAÇÃO. Deve ser corrigido o acórdão que apresente omissões em relação às matérias recorridas. Constatandose a existência de matéria autônoma não estabelecida no acórdão, ainda que tratada do voto condutor, devem os autos retornar a julgamento em colegiado para que seja proferida decisão expressa. MULTA QUALIFICADA. NÃO COMPROVAÇÃO DOLO. SÚMULA "A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo." (Súmula CARF nº 14) e "A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64." (Súmula CARF nº 25). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2202003.828, de 09/05/2017: a) retificar o dispositivo do voto condutor para "rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo os valores de R$ 101.628,99 do anocalendário 2004 e R$ 95.918,59 do anocalendário 2005"; b) integrar a decisão embargada, para também desqualificar a multa de ofício, reduzindoa para o percentual de 75%; vencido o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira, que acolheu os embargos com efeitos infringentes em menor extensão. O Conselheiro Denny Medeiros da Silveira informou que apresentará declaração de voto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 72 10 12 /2 00 9- 55 Fl. 2315DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor do recorrente para constituir IRPF, identificando como infração a omissão de rendimentos. Tendo o Contribuinte impugnado, a DRJ manteve parcialmente o crédito constituído. Insatisfeito, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário que levou o CARF a converter o julgamento em diligência e, após o retorno dos autor, a dar provimento parcial ao Recurso. Retornam os autos ao colegiado em função da apresentação de Embargos de Declaração. Feito o resumo da lide, passo ao relatório pormenorizado dos autos. Foi lavrado auto de infração (fls. fls. 4/14 e docs. fls. 15/32) e Relatório Fiscal (fls. 33/39) em desfavor do Contribuinte, ora recorrente, para constituir crédito referente a IRPF. O Contribuinte Impugnou (fls. 931/955 e docs. anexos fls. 1.021/2.234), levando a DRJ a proferir o acórdão nº 0928.702, de 19/03/2010 (fls. 960/987), que deu provimento parcial à defesa. Insatisfeito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 992/1.015 e doc. fls. 1.016/1.018), argumentando, em síntese: Preliminares: · Que a autoridade fiscalizadora extrapolou sua competência ao emitir RMF requisitando a identificação dos depositantes, e não apenas os extratos bancários; · Que a fiscalização foi feita de forma parcial, deixando de ser juntado aos autos diversos documentos importantes, tais como os ARs negativos, e que não foi garantido ao Contribuinte o efetivo direito de defesa; Mérito: · Que a tributação deveria ter sido realizada como pessoa jurídica, uma vez que o recorrente está cadastrado como microempresa, no CNPJ nº 71.349.013/000119; que mantém empregados registrados; que recolhe tributos municipais e estaduais; que exerce atividade de Fl. 2316DF CARF MF Processo nº 10630.721012/200955 Acórdão n.º 2202004.007 S2C2T2 Fl. 2.316 3 corretor de imóveis, administrador de imóveis e de compra e venda de gado, e ainda agenciava viagens de turismo; · Que, devendo ser equiparado a pessoa jurídica, e à falta de escrituração contábil, deve ser arbitrado o seu lucro para fins de IRPJ, não sendo possível tributar todos os valores depositados como rendimentos da pessoa física; · Ainda que não seja equiparado à pessoa jurídica, que não pode ser feito o lançamento sobre a integralidade dos recursos depositados, sendo necessário identificar o montante do numerário que se converteu em patrimônio ou que tenha sido consumido, nos termos do art. 6º da Lei nº 8.021/1990; · Que o Contribuinte juntou à impugnação documentos comprobatórios de diversos depósitos, mas que foram considerados insuficientes pela DRJ. Insiste, entretanto, na idoneidade deles para comprovar a origem dos recursos, reclamando que seja efetivamente analisada a documentação acostada aos autos; · Que, subsidiariamente, deve ser reduzida a multa qualificada, uma vez que o Contribuinte não agiu com dolo; no máximo, que agiu desorganizadamente em sua atividade comercial." fls. 2.237/2.240 Em primeira análise, o CARF proferiu a Resolução nº 2202000.705, de 13/07/2016 (fls. 2.236/2.251), determinando a conversão do julgamento em diligência. Retornando os autos com manifestação da autoridade fiscal (fls. 2.253/2.265) e do Contribuinte (Fls. 2.274/2.289), este e.CARF proferiu o acórdão nº 2202003.828, de 09/05/2017 (fls. 2.296/2.304), que deu provimento parcial ao Recurso Voluntário e restou assim ementado: NULIDADE DO LANÇAMENTO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. FISCALIZAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. O procedimento de fiscalização é eminentemente inquisitorial, de sorte que não é obrigatório salvo nos casos específicos reservados em Lei reservar ao fiscalizado a oportunidade do contraditório e da ampla defesa. O direito de defesa se inaugura, propriamente dito, quando do início do processo administrativo, i.e., com a intimação do lançamento e a abertura do prazo para a Impugnação. IMPOSTO SOBRE A RENDA. PESSOA FÍSICA. EQUIPARAÇÃO A PESSOA JURÍDICA. REQUISITOS E VEDAÇÕES LEGAIS. Para fins tributários, independente de registro ou não, é possível equiparar a empresas individuais as pessoas físicas que, em nome individual, explorem qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços. Necessário, para tanto, a demonstração da atuação habitual e profissional, além de inexistência de vedação à atividade. Fl. 2317DF CARF MF 4 DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO RELATIVA ESTABELECIDA POR LEI. A Lei nº 9.430/1996 estabelece, em seu art. 42, uma presunção relativa de omissão de rendimentos quando, identificados depósitos bancários em favor do sujeito passivo, e previamente intimado, este não é capaz de apresentar provas da origem dos mesmos. Inaplicável, nesses casos, o art. 6º da Lei nº 8.021/1990. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo os valores de R$ 101.628,99 do anocalendário 2004 e R$ 95.918,59 do ano calendário 2005. Em 07/06/2017 foram apresentados Embargos de Declaração (fl. 2.313/2.314), opostos por Conselheiro, em função da identificação de omissão no acórdão CARF nº 2202003.828, de 09/05/2017, uma vez que, "Examinandose o teor do acórdão, concluise que, de fato, ocorreu efetivamente uma omissão, pois, embora o Relator tenha se manifestado sobre a qualificação da multa, essa matéria não foi analisada pela Turma Julgadora, conforme se observa pela conclusão do voto do Relator e pelo dispositivo do acórdão. Também se verifica um erro no dispositivo do voto condutor, pois não foi especificado o valor a ser excluído no ano calendário 2004." fl. 2.314 Consta nos autos Despacho de Admissibilidade em Embargos (fls. 2.313/2.314), acolhendo os embargos e determinando a inclusão em pauta de julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Os Embargos são tempestivos e preenchem os requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Analisando o acórdão Embargado, percebese que existem, efetivamente, as duas omissões indicadas pelo Embargante: (1) no dispositivo do voto condutor, não consta o valor a ser excluído no anocalendário 2004; e (2) a despeito de ser objeto de análise no voto condutor, não consta do dispositivo do acórdão a conclusão da turma acerca do pedido de afastar a qualificação da multa. Valor a ser excluído no anocalendário 2004: O dispositivo do voto condutor restou assim redigido: "Diante de tudo quanto exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para excluir da base de cálculo o montante de R$ a 2004 e R$ 91.834,45 referente a 2005." fl. 2.311; Fl. 2318DF CARF MF Processo nº 10630.721012/200955 Acórdão n.º 2202004.007 S2C2T2 Fl. 2.317 5 Observase que houve manifesto lapso de digitação. Os valores a ser excluídos constam na conclusão do tópico específico: "Entendo, portanto: · 2004 transferência de R$ R$ 94.302,16 para os locadores, e outros R$ 7.326,83 despendidos na administração dos imóveis, totalizando o valor de R$ 101.628,99 como recursos comprovados, que devem ser excluídos da base de cálculo; · 2005 transferência de R$ 91.834,45 para os locadores, e outros R$ 4.084,14 despendidos na administração dos imóveis, totalizando o valor de R$ 95.918,59 como recursos comprovados, que devem ser excluídos da base de cálculo." fl.2.310; Portanto, se trata de lapso manifesto na escrita, acolho os Embargos para integrar o dispositivo do voto condutor. O que é mais, devido até ao erro na digitação, registro que o dispositivo do voto condutor em relação a 2005 deve constar R$ 95.918,59 e não R$ 91.834,45, originalmente digitado. Da multa qualificada: Analisando o acórdão alcançado, assim como o dispositivo do voto condutor, percebese que não consta a conclusão alcançada em relação ao pedido de afastar a qualificação da multa de ofício. Conduto, percebese que, igualmente, tratase de manifesto lapso, vez que o voto condutor tratou expressamente da matéria. Impende, portanto, trazer novamente a matéria a julgamento, para que a turma julgadora se manifeste expressamente sobre a matéria. Transcrevo os termos do voto condutor do acórdão embargado, argumentos aos quais concordo: Argumenta o Recorrente, subsidiariamente, pela redução da multa qualificada, uma vez que não há comprovação de dolo mas, no máximo, de desorganização. Remontando ao TVF, percebese que, após transcrever o art. 44, I e §1º, da Lei nº 9.430/1996, e os arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964, a autoridade lançadora esclareceu que: "No caso da fiscalização em curso, nos anoscalendário de 2004 e 2005, o sujeito passivo apresentou declarações de imposto de renda com rendimentos declarados incompatíveis com sua movimentação bancária. Intimado a comprovar a origem dos recursos creditados/depositados em suas contascorrentes, para justificais tais depósitos, citou diversas transações comerciais que ele teria realizado sem, no entanto, apresentar documentos hábeis e idôneos comprobatórios dessas transações. Não se trata, neste caso sob foco, de valores de pouca significância, cuja atitude omissiva em declarálos ao fisco federal pudesse ser atribuída a falhas provindas da negligência em seus controles fiscais. Tratase de elevados valores depositados Fl. 2319DF CARF MF 6 em suas contascorrentes, de origem não comprovada, cujo montante superou a cifra de R$ 5.000.000,00 (cinco milhões de reais). Portanto, está claro que o fiscalizado, ao tentar omitir recursos de tal monta à Administração Tributária Federal, tinha consciência de que a conduta levaria ao resultado ilícito." fl. 39. Em outras palavras, o lançamento foi qualificado única e exclusivamente em função do seu valor, do montante identificado e presumido como renda omitida. A verdade é que a Lei criou a presunção de omissão de rendimentos quando da constatação de depósitos bancários de origem não comprovada exatamente para facilitar o processo de fiscalização, invertendo o ônus probatório em desfavor do Contribuinte. Constatada a hipótese de presunção, configurase plausível o lançamento. Para aceitar a qualificação da multa, imputando verdadeiro crime ao sujeito passivo, necessário se faz um novo passo: a demonstração do dolo. Não basta a mera constatação da ocorrência de omissão do rendimento, ainda que por longo período ou, como no caso, de grande valor; é necessário que reste demonstrado, estreme de dúvidas, a conduta dolosa do Contribuinte. Nesse caminho já se consolidou a jurisprudência deste e.CARF, como se observa dos seguintes enunciados: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. In casu, uma vez que a qualificação da multa foi genérica, sem demonstrar especificamente a intenção dolosa por parte do Contribuinte, o que se comprova, inclusive, pela mera transcrição dos três artigos (71, 72 e 73) da Lei nº 4.502/1964, é necessário concordar com o Contribuinte e afastar a qualificação da multa de ofício. Dispositivo Diante de tudo quanto exposto, voto por acolher os Embargos de Declaração para, sanando os vícios identificados, atribuirlhe efeitos infringentes para que o acórdão passe a constar da seguinte forma: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo os valores de R$ 101.628,99 do anocalendário 2004 e R$ 95.918,59 do ano Fl. 2320DF CARF MF Processo nº 10630.721012/200955 Acórdão n.º 2202004.007 S2C2T2 Fl. 2.318 7 calendário 2005, bem como para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa para o percentual de 75%. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Declaração de Voto Com a maxima venia, divirjo do Relator quanto à desqualificação da multa. Antes de considerações outras, vejamos, primeiramente, o que dispõe a legislação de regência quanto à qualificação da multa em comento: Lei 9.430/96 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...] § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Lei 4.502/64 Art. 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária p arincipal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Fl. 2321DF CARF MF 8 Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Da exegese dos dispositivos acima, temse que no caso de conduta dolosa, voltada à prática de sonegação, fraude ou conluio, a multa de 75%, prevista no art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96, será aplicada em dobro, ou seja, qualificada. Como se vê, o dolo é o fator determinante na qualificação da multa. Sendo assim, vejamos o que dispõe o Código Penal sobre o dolo: Art. 18 Dizse o crime: Crime doloso I doloso, quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo; Conforme se extrai dessa definição, a conduta dolosa é aquela praticada com intenção, com vontade de obter o resultado. Pois bem, no caso em análise, segundo consignado na tabela de fls. 37 e 38, não restou comprovada a origem de créditos/depósitos bancários na monta de R$ 3.486.196,98, no anocalendário de 2004, e R$ 2.231.529,27, no anocalendário de 2005, totalizando R$ 5.717.726,25 nesses dois anos. Por sua vez, comparando esses valores àqueles informados nas respectivas Declarações de Ajuste Anual (DAAs), termos uma visão muito clara da expressiva discrepância de valores: Rendimentos declarados em DAA Ano‐calendário Depósitos Bancários Atividade Rural Pró‐labore 2004 3.486.196,98 121.707,50 3.040,00 2005 2.231.529,27 81.293,07 3.440,00 Ora, em minha ótica, não é possível admitirmos que tal discrepância de valores seja produto de mero erro ou equívoco nas declarações, mas sim da vontade do contribuinte em reduzir, indevidamente, o montante de imposto a ser recolhido. Não vejo como chegarmos a outra conclusão. Sendo assim, entendo, também, que as Súmulas CARF nº 14 e 25 não sejam aplicáveis ao caso, pois, como visto, não se trata de mera omissão de rendimentos, mas sim de conduta praticada, em dois anos seguidos, com clara intenção omitir rendimentos. Conclusão Isso posto, voto no sentido de manter a multa qualificada. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 2322DF CARF MF
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Numero do processo: 13005.901852/2012-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 31 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3202-000.304
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Assinado digitalmente
LUIS EDUARDO GARROSINO BARBIERI- Presidente Substituto.
Assinado digitalmente
TATIANA MIDORI MIGIYAMA - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luis Eduardo Garrossino Barbieri (Presidente Substituto), Charles Mayer de Castro Souza, Gilberto de Castro Moreira Junior, Paulo Roberto Stocco Portes, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora).
Relatório
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Assinado digitalmente LUIS EDUARDO GARROSINO BARBIERI Presidente Substituto. Assinado digitalmente TATIANA MIDORI MIGIYAMA Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luis Eduardo Garrossino Barbieri (Presidente Substituto), Charles Mayer de Castro Souza, Gilberto de Castro Moreira Junior, Paulo Roberto Stocco Portes, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por DOUX FRANGOSUL S/A AGRO AVÍCOLA INDUSTRIAL contra Acórdão nº 1535.358, de 25 de abril de 2014, proferido pela RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 30 05 .9 01 85 2/ 20 12 -6 0 Fl. 376DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 377 2 4ª Turma da DRJ/SDR, que julgou, por unanimidade de votos, improcedentes as manifestações de inconformidade apresentadas. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida, a qual transcrevo a seguir: “Tratase de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório Eletrônico proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santa Cruz do Sul/RS que, com base no Parecer DRF/SCS/SAFIS nº 51/2012, anexado às folhas 192/210 e link no sítio da Receita Federal na internet (https://www32.receita.fazenda.gov.br/Aplicacoes/SSL/ATRCE/SCC/detalhamentoCr edito.asp?nr=024926010), deferiu o crédito no valor de R$ 1.031.769,17 e homologou parcialmente a compensação declarada pela contribuinte no PER/DCOMP nº 01367.78809.260711.1.7.080704. O direito creditório em discussão se origina de pedido de ressarcimento de crédito do “PIS/PASEP não cumulativo – exportação” relativo ao 1º trimestre de 2011, no valor total de R$ 3.064.522,53, objeto do PER nº 35340.76860.300112.1.5.083093. Cientificada do despacho decisório em 16/07/2012, conforme Aviso de Recebimento – AR à folha 229, em 15/08/2012 a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, sendo esses os pontos de sua irresignação, em síntese: 1. Preliminarmente, o despacho decisório é nulo por ausência de fundamentação, pois não foram descritos com precisão os fatos entendidos como irregulares, não permitindo a ampla defesa e o contraditório à manifestante; 2. Ao glosar o cálculo sobre crédito presumido de agroindústria, a autoridade fiscal sustenta, em síntese, que a manifestante calculou equivocadamente créditos presumidos das contribuições ao PIS/COFINS, tendo utilizado o percentual de 60% para todos os insumos adquiridos, enquanto que, supostamente, deveria ter utilizado as alíquotas de 60% e 30%, dependendo da natureza do insumo adquirido; 3. Para tanto, o fiscal apresentou uma listagem contendo o código da mercadoria, o código NCM, CFOP e descrição das notas fiscais por ele utilizadas para chegar aos percentuais que entende como devidos, sem qualquer fundamentação legal que embasasse a redução do percentual utilizado pela manifestante, fato este que a impede de compreender como a fiscalização chegou a Fl. 377DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 378 3 tal resultado (base de cálculo menor), o que implica na violação do direito ao devido processo legal; 4. Ao não especificar os motivos pelos quais entende que deve ser aplicada a alíquota de 30% (trinta por cento), o despacho combatido acabou maculado de nulidade, por não oportunizar à manifestante que se defenda da suposta irregularidade, com a amplitude e o contraditório garantidos pela Constituição da República; 5. Ainda, o relatório fiscal foi omisso ao não descrever a fundamentação da glosa, referente aos insumos, novamente baseandose apenas em arquivos magnéticos, inexistindo no presente caso qualquer análise física das notas fiscais e verificação de como são realizados os serviços glosados; 6. A afirmação de que os serviços glosados não são insumos baseouse em mera presunção da fiscalização, ao classificar os serviços constantes nos arquivos magnéticos fornecidos pela empresa, sem fundamentar a razão pela qual entende que os serviços glosados não se tratam de insumos; 7. Assim, faltaram os elementos de convicção da decisão, os elementos fáticos ocorridos e o motivo da inexistência de crédito, retirando, por conseqüência, a segurança jurídica da manifestante e a possibilidade de defesa, o que fere frontalmente o Princípio Administrativo da Motivação estabelecido no art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, o qual se refere à obrigatoriedade dos atos administrativos serem devidamente fundamentados, tanto em relação aos aspectos legais, quanto aos fatos a que se destinam, conforme doutrina transcrita; 8. A manifestante carece de elementos capazes e suficientes para precisar, no item relativo às despesas de armazenagem, quais são os valores que supostamente não possuem os respectivos documentos comprobatórios, e qual a irregularidade do cálculo do rateio dos créditos, tendo a autoridade fazendária descumprido os dispositivos do Procedimento Tributário Administrativo, que no art. 50 da Lei nº 9.784, de 1999, estabelece de maneira explícita a tipologia dos atos, que devem obrigatoriamente ser motivados; Fl. 378DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 379 4 9. No que tange à glosa de créditos sobre fretes de exportação (extemporâneos/preclusos), a legislação própria do PIS e da COFINS é cristalina no sentido da possibilidade do expediente utilizado pela autuada, de adjudicarse de créditos extemporâneos, no presente caso tão somente dos créditos originários dos 5 (cinco) anos anteriores ao creditamento, observando os termos estabelecidos no artigo 1º do Decreto nº 20.910, de 06 de janeiro de 1932; 10. Ademais, é cediço que na forma que está posta a não cumulatividade do PIS e da COFINS, os créditos mensais são proporcionalizados na Dacon de acordo com as características das receitas auferidas pelo contribuinte no mês do crédito (receita tributada no mercado interno, não tributada no mercado interno e de exportação), e no caso do crédito extemporâneo tal situação pode ser perfeitamente conciliada calculandose a proporcionalidade dos créditos tal como se fossem efetuados nos meses em que nasceu o direito de creditamento (ou mês de origem do crédito efetuado extemporanemente), materializando uma ficção que remonta perfeitamente a proporcionalidade do crédito; 11. A ausência de elementos para aferição dos citados créditos passíveis de ressarcimento não pode ser alegada pela fiscalização, eis que ela dispõe de todos os Dacon da manifestante, bem como poderia solicitar tais informações caso fossem necessárias; 12. O crédito sobre fretes marítimos na exportação foi glosado, primeiro, por supostamente terem sido prestados por pessoa jurídica domiciliada no exterior e, segundo, ainda que fossem prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, continuariam não gerando créditos, por se tratarem de serviços isentos utilizados como insumo em produtos isentos (exportação); 13. Porém, quanto à primeira alegação do Fisco, cumpre referir que todos os pagamentos de frete marítimo do período foram feitos para pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil, inscritas regulamente no CNPJ e contribuintes de PIS/COFINS, nos termos do art. 3°, § 3°, incisos I e II, da Lei n° 10.833, de 2003, e Lei n° 10.637, de 2002, conforme Conhecimentos de Embarque juntados por amostragem à Manifestação de Inconformidade (DOC. 05); Fl. 379DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 380 5 14. Portanto, sendo as despesas dos fretes internacionais suportados pela manifestante, cujos encargos foram pagos à pessoa jurídica domiciliada no Brasil, é medida de rigor que seja reconhecido o creditamento de tais despesas, em observação ao princípio da não cumulatividade consagrado, em relação ao PIS e à COFINS, no art. 195, § 12 da CRFB; 15. Também não merece prosperar o segundo argumento da fiscalização, de que os serviços de frete internacional não dariam direito a crédito por supostamente se tratarem de serviços isentos utilizados como insumo em produtos isentos (exportação), pois a base legal para o crédito da COFINS sobre fretes nas operações de venda está contida no inciso IX do artigo 3° da Lei 10.833, de 2003, aplicável ao PIS por força do art. 15 da mesma lei, observadas as exigências de que as despesas sejam pagas ou creditadas a pessoa jurídica domiciliada no país, conforme previsão do inciso II do §3° do seu art. 3°; 16. A vedação ao direito ao crédito prevista no inciso II do §2º do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, não é aplicável ao caso em tela justamente porque o serviço de frete internacional não é insumo utilizado na fabricação ou produção de bens destinados à venda, como alegou a fiscalização, e sim uma despesa ocorrida na venda de mercadorias; 17. A Lei atribuiu especial tratamento ao caso de isenção, vedando a possibilidade de crédito sobre bens e serviços adquiridos com isenção de PIS e de COFINS apenas quando forem revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pelas contribuições, mas este não é caso da situação em tela, uma vez que o serviço de frete internacional não se enquadra no conceito de insumo previsto no artigo 66 da Instrução Normativa SRF n° 247, de 21 de novembro de 2002, para o PIS, e no artigo 8º da Instrução Normativa SRF n° 404, de 12 de março de 2004, para a COFINS, e sim uma despesa ocorrida na venda de mercadorias; 18. Em relação à glosa sobre o cálculo de crédito presumido, se não for acatada a nulidade do Despacho Decisório por ausência de fundamentação legal, como já alegado, no mérito verificase que o artigo 55 da Lei nº 12.350, de 2010, somente passou a ser aplicado com o advento da Instrução Normativa nº 1.157, de Fl. 380DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 381 6 16 de maio de 2011, portanto não poderia ser aplicado ao período ora em litígio, o 1º trimestre de 2011; 19. Apesar de a referida IN prever em seu artigo 22 que produz efeitos a partir de 1° de janeiro de 2011, não há como uma norma que veio para regulamentar a aplicação de um método de cálculo de crédito presumido determinar a aplicação a fatos geradores anteriores a sua vigência, tendo em vista que é justamente a partir do seu advento que foi possibilitado ao destinatário da norma utilizála; 20. Ademais, cumpre referir que a lei nova (Lei n° 12.350/2010) trouxe um método de apuração do crédito presumido menos benéfico para a autuada, não podendo, assim, retroagir; 21. De toda a sorte, independente do fato do artigo 55 da Lei nº 12.350, de 2010, aplicarse apenas após o advento da IN RFB nº 1.157, de 2011, a manifestante observou estas regras para apuração do seu crédito presumido, somente aplicando de forma legal a alíquota de 60% sobre os insumos adquiridos para a industrialização de produtos classificados nos Capítulos 02 a 04 (excluídos os produtos classificados nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1 da NCM), no capítulo 16 e no código 15.01 a 15.06 da NCM, conforme inciso I do § 3° do art. 8° da Lei nº 10.925, de 2004; 22. No entanto, ao analisar o crédito presumido apurado pela manifestante, a fiscalização, com base em um arquivo magnético, analisou as notas fiscais de aquisição de insumos e aplicou a alíquota de 30% prevista no artigo 55 da Lei nº 12.350, de 2010 – que é exclusiva para as mercadorias e produtos classificados nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1 da NCM – para praticamente todos os insumos adquiridos no período em análise, simplesmente desconsiderando o fato de que a manifestante fabrica e comercializa tanto produtos classificados no capítulo 2 da NCM, quanto produtos classificados nos capítulos 3, 4 e 16 e no código 15.01 a 15.06 da NCM; 23. Realizando uma leitura do artigo art. 8º da Lei n° 10.925, de 2004, depreendese que a utilização das alíquotas previstas nos incisos I, II e III tem como critério o produto fabricado pela empresa beneficiária; Fl. 381DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 382 7 24. Destarte, considerando que a manifestante também fabrica produtos classificados nos Capítulos 2 (não classificados nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1 da NCM), 3, 4 e 16, e nos códigos 15.01 a 15.06 da NCM, concluise que se encontra credenciada ao desconto de crédito presumido com a utilização da alíquota de 60% sobre os insumos adquiridos; 25. O entendimento esposado pela Fiscalização encontrase desprovido de razão, posto que, com a instituição do crédito presumido das contribuições ao PIS e à COFINS, o legislador visou beneficiar as atividades das empresas agroindustriais, dentre as quais se enquadra a empresa manifestante; 26. Assim, o critério eleito pelo legislador para a determinação da alíquota aplicável foi o produto fabricado pelo contribuinte, e não o insumo adquirido, haja vista que, no caso de a determinação da alíquota aplicável se dar pelo insumo adquirido, não resultaria benefício algum às empresas do setor agroindustrial, entendimento já manifestado pelo Conselho Administrativo e Recursos Fiscais – CARF; 27. Neste viés, de acordo com a legislação de regência, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal enquadradas nos códigos estipulados, e que sejam destinados à alimentação humana, estão autorizadas a deduzir das contribuições pagas ao PIS e à COFINS crédito presumido nas alíquotas de 60%, 50% e 35%; 28. Uma breve análise do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, permite constatar que as empresas produtoras de produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 (não classificados nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1 da NCM), 3, 4 e 16, e nos códigos 15.01 a 15.06 devem observar a alíquota de 60% sobre o valor das aquisições dos insumos aplicados no processo produtivo para cálculo do respectivo crédito presumido, enquanto que o percentual de 50% se aplica para a soja e seus derivados, e a alíquota de 35% para os demais produtos; 29. Assim, em estrita obediência aos preceitos estabelecidos pela Lei nº 10.925, de 2004, a empresa calculou o crédito presumido do PIS e da COFINS à alíquota de 60%, tendo em vista que os produtos por ela produzidos encontramse Fl. 382DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 383 8 classificados nos códigos constantes do inciso I do § 3º do art. 8º do mencionado diploma legal; 30. Quanto à glosa sobre o cálculo de credito básico/reconhecimento crédito presumido, a fiscalização alega que a manifestante calcula crédito à alíquota integral para PIS/COFINS nas aquisições de preparações classificadas no código 2309.90 da NCM, utilizadas na alimentação de animais vivos classificados na posição 01.03 e 01.05, o que supostamente estaria em desacordo com a legislação pertinente à matéria, haja vista que o art. 55 da Lei nº 12.350, de 2010, determina a aplicação de percentual correspondente a 30% da alíquota integral, para cálculo do montante do crédito presumido, incidente sobre o valor das aquisições destes produtos; 31. No entanto, elucidase que a manifestante não adquire produtos classificados na NCM 2309.90, e, para chegar a esta classificação, a fiscalização se baseou nos arquivos da IN 86, os quais podem conter erro de cadastro na classificação da NCM; 32. Assim, para elucidar a questão, mister se faz que seja determinada a realização de diligência para seja verificado, através de notas fiscais e análise das mercadorias in loco, se realmente os produtos glosados pela fiscalização se enquadram na classificação 2309.90 da NCM, pois inexistiu qualquer análise física pelo Fiscal das notas fiscais e mercadorias adquiridas e mencionadas nas notas fiscais objeto da autuação, o que impossibilita a verificação quanto à efetiva classificação das mesmas no código 2309.90 da NCM; 33. Assim, a Fiscalização baseouse em mera presunção da classificação constante nos arquivos da IN 86, que podem conter erro, pois, como referido, a manifestante não adquire mercadorias classificadas no código 2309.90 da NCM; 34. Ademais, cumpre referir que com o advento da Lei nº 12.235, de 2010, nos termos do seu artigo 57, os arts. 8º e 9º da Lei nº 10.925, de 2004, deixaram de ser aplicados, exclusivamente, para as mercadorias ou produtos classificados nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07, 0210.1 e 23.09.90 da NCM; Fl. 383DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 384 9 35. O crédito presumido para pessoas jurídicas sujeitas ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, inclusive cooperativas, calculado sobre mercadorias classificadas nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1 da NCM, destinadas a exportação, passou a ser definido nos termos do artigo 55 da referida Lei nº 12.235 de 20 de dezembro de 2010; 36. Desta forma, passaram a existir duas possibilidades para apuração do crédito presumido, quais sejam, o crédito presumido calculado sobre mercadorias classificadas nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1 da NCM, destinadas a exportação, definido pelo artigo 55 da Lei nº 12.235, de 2010 – cuja regulamentação, contudo, somente ocorreu com a IN RFB nº 1.157, de 2011 –, e o crédito presumido calculado sobre os demais produtos e mercadorias, que continuou a ser regulado pelo art. 8º da Lei n° 10.925, de 2004; 37. O artigo 55 da Lei nº 12.350, de 2010, não poderia ser aplicado ao período ora em análise, qual seja, 1º trimestre de 2011, ainda que o art. 22 da IN RFB n° 1.157, de 2011, preveja seus efeitos a partir de 1º de janeiro de 2011, pois a referida lei, ao estabelecer um método de apuração do crédito presumido menos benéfico para a manifestante, não pode retroagir; 38. Ademais, conforme referido anteriormente, a manifestante não adquire mercadorias classificadas no código 2309.90 da NCM, razão pela qual a glosa não pode subsistir; 39. Sucessivamente, caso não seja acolhido o pedido anterior, requerse com base no art. 8º da Lei n° 10.925, de 2004, que seja reconhecida ao menos a alíquota de 60% (sessenta por cento) sobre as mercadorias adquiridas pela autuada, classificadas por equívoco no código 2309.90 da NCM, tendo em vista que, conforme explanado em item anterior, as alíquotas são determinadas em função das mercadorias produzidas e vendidas, e não dos insumos adquiridos; 40. No que concerne aos fretes referentes à remessa dos produtos em elaboração para outras unidades, não há dúvida de que, nesses casos, em que o produto começa a ser elaborado em uma unidade da manifestante e tem o seu processamento final em outra, estamos diante de um processo produtivo único, apenas com etapas contínuas da industrialização em unidades diferentes da mesma empresa; Fl. 384DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 385 10 41. Para a remessa dos produtos em elaboração, é necessária a contratação de prestadoras de serviços de transporte, o que revela que os fretes são serviços de transporte tomados com a finalidade de propiciar a continuidade do processo produtivo, que, por razão de especialização e de racionalização do processo industrial, é concluído em outra unidade da manifestante; 42. Dessa forma, o frete de produtos em elaboração se subsume ao conceito de insumo previsto no art. 3º, inciso II, das Leis n° 10.833, de 2003, e 10.637, de 2002, visto que são serviços contratados para proporcionar a continuidade do processo produtivo; 43. Ademais, em consonância com o recente entendimento do CARF e do TRF4 sobre o conceito de insumos para o PIS e a COFINS, verificase que as despesas de frete de produtos em elaboração são verdadeiros custos de produção e, como tais, se subsumem ao conceito de insumo para o PIS e a COFINS, na forma do art. 290 do RIR/99, bem como são essenciais ao processo produtivo da manifestante. 44. Como a prestação de serviço de frete em elaboração é tributada pelo PIS e pela COFINS, e se revela como um custo essencial à atividade produtiva, não há razão para persistir a referida glosa; 45. Para a exportação de carnes de aves, inteiras ou em cortes, e de produtos elaborados como empanados, embutidos e pratos prontos, por uma questão de logística e de racionalização da operação, cada unidade produtiva remete os seus produtos para a unidade responsável pelo acondicionamento dos produtos nos containeres, precedida de vendas aos compradores estrangeiros; 46. Dessa forma, é hialino que estas operações de fretes de produtos acabados se enquadram no permissivo legal da Lei n° 10.833, de 2003, que garante o seu creditamento à COFINS, aplicável ao PIS nos termos do art. 15 da mesma lei; 47. Caso assim não se entenda, o que se admite apenas para efeitos de argumentação, as referidas despesas de frete poderão ser creditadas para efeitos de PIS e de COFINS, pois foram despendidas com o propósito de viabilizar a atividade econômica de exportação dos produtos da manifestante, e, como tal, são despesas que se consubstanciam no conceito de insumo do PIS e da COFINS, de modo que o Fl. 385DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 386 11 seu creditamento também pode ser reconhecido com base no art. 3º, II, § 3º, inciso II, das Leis n° 10.833, de 2003, e nº 10.637, de 2002, e nos art. 290 e 299 do RIR/99; 48. Ademais, conforme descrito no contrato social (doc. 02 em anexo), além da industrialização, a ora manifestante possui em seu objeto social a comercialização dos produtos fabricados, e nesse sentido todas as despesas com frete são maneiras de poder efetuar a comercialização/exportação dos produtos que fabrica; 49. A comercialização de produtos acabados é essencial para a consecução do objeto social da empresa, e é a comercialização que traz o elemento econômico para o ciclo produtivo, pois com a venda é que a empresa obtém receita; 50. A contrario sensu, se acaso a manifestante não comercializasse os produtos que fabrica, não haveria qualquer tipo de faturamento e, portanto, sequer deveria se falar em incidência de PIS/COFINS; 51. A Portaria n° 368, de 4 de setembro de 1997, do Ministério da Agricultura e do Abastecimento, traz o conceito de estabelecimento como sendo o local e a área que o circunda, onde se efetiva o conjunto de operações e processos que têm como finalidade a obtenção de um alimento elaborado, assim como o armazenamento e transporte de alimentos e/ou matéria prima, e em seguida determina que manipulação de alimentos são as operações que se efetuam sobre a matéria prima até o produto terminado, em qualquer etapa do seu processamento, armazenamento e transporte, conceituando que elaboração de alimentos é o conjunto de todas as operações e processos praticados para a obtenção de um alimento terminado; 52. Portanto, seja como frete na operação de venda, seja como despesa essencial à atividade econômica de exportação, o creditamento do frete de produtos acabados deve ser reconhecido para o fim de que seja observada a não cumulatividade do PIS e da COFINS; 53. Quanto à glosa sobre serviços não caracterizados como insumos, o autuante, realizando uma análise através de notas fiscais apresentadas em meio magnético, entendeu que diversos serviços não se caracterizam como insumos Fl. 386DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 387 12 conforme definido nos incisos II do arts. 3º das Leis n° 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, nem se enquadram em nenhuma hipótese geradora de crédito, mas a fiscalização foi feita de uma forma genérica, sem sequer tentar entender como são utilizados os referidos serviços glosados, sem realizar a devida análise in loco na indústria, verificando como tais serviços são empregados no processo produtivo; 54. Em suma, a ausência de tais serviços prejudica o processo produtivo da manifestante, razão pela qual deverá ser determinada a anulação parcial do despacho decisório, para que as autoridades fazendárias de origem reanalisem in loco a cadeia produtiva envolvida, desde a aquisição da matéria prima até a obtenção do produto acabado e sua posterior comercialização, para que, então, possam fundamentar os motivos pelos quais deferem os créditos ou os indeferem; 55. A forma utilizada pela fiscalização para realizar a glosa dos serviços impede a manifestante de realizar a sua identificação e conseqüentemente defendê la; 56. Apesar disso, cumpre referir que todos os insumos utilizados no creditamento de PIS/COFINS encontramse perfeitamente enquadrados na concepção de insumo e de custos e despesas essenciais ao processo produtivo, bem como estão plenamente de acordo com o conceito de insumo previsto na legislação, devendose atentar para a evolução da interpretação da jurisprudência administrativa, firmada no âmbito do CARF; 57. Apesar de o acórdão transcrito do CARF tratar especificamente de indumentárias, no referido julgamento os conselheiros entenderam que produtos e serviços inerentes à produção, em face da sua essencialidade na atividade econômica da empresa, geram créditos que podem reduzir o valor final a ser recolhido do PIS e da Cofins; 58. Assim, de acordo com este entendimento, temse que a conceituação de "insumos", para efeitos de PIS/COFINS, se identifica ao conceito de "Custos e Despesas Operacionais" utilizado na legislação do Imposto de Renda IR, desde que essenciais ao processo produtivo; Fl. 387DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 388 13 59. Para fins de PIS/PASEP e COFINS, a essencialidade significa considerar todos os bens e serviços empregados direta ou indiretamente na fabricação do bem e na prestação do serviço cuja subtração importe na impossibilidade da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obste a atividade da empresa, ou implique em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes, e foi nesse contexto que foram apurados os créditos sobre os serviços glosados pela fiscalização; 60. Nesta ótica, insumos são os gastos que, ligados inseparavelmente aos elementos produtivos, proporcionam a existência do produto ou serviço, o seu funcionamento, a sua manutenção ou o seu aprimoramento; 61. É correta tal interpretação, haja vista que o conceito de insumo para o PIS e COFINS, em face do seu critério material de "obter receita ou faturamento" contido na sua regra matriz de incidência tributária, não pode se limitar ao conceito de insumo para o IPI, e para que seja realizada a não cumulatividade das Contribuições, na forma desejada pela Constituição, o conceito de insumo para o PIS e a COFINS também deve contemplar os custos e despesas despendidas com a obtenção de receita; 62. Portanto, para interpretar o conceito de insumo para o PIS e a COFINS em análise na Manifestação de Inconformidade, devese adotar não só a previsão de insumo prevista nas IN SRF nº 247, de 2002, e nº 404, de 2004, como também albergar os custos e despesas que se fizerem necessárias na atividade econômica da empresa, conformando os arts. 290 e 299 do RIR/99; 63. No caso dos autos, além das glosas efetuadas pela fiscalização estarem plenamente de acordo com as Instruções Normativas SRF nº 247, de 2002, e nº 404, de 2004, gerando o direito aos créditos de PIS e COFINS na modalidade não cumulativa, tal situação fica ainda mais evidenciada levandose em consideração a sua essencialidade no processo produtivo, como foi proposto pela Câmara Superior da 3ª Seção do CARF, bem como o conceito de insumo de acordo com a legislação do Imposto de Renda, visto que também se enquadram como custos e despesas estritamente vinculados à atividade produtiva e econômica e essenciais ao processo produtivo; Fl. 388DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 389 14 64. Em seguida, a manifestante descreve, sinteticamente, a essencialidade de cada serviço ao seu processo produtivo, requerendo, ao final, que caso assim não se entenda a legitimidade dos créditos realizados, seja determinada a baixa em diligência para análise dos referidos insumos na sede da empresa; 65. Devido ao grande volume de documentos fiscais a que se refere o presente processo, instrui a Manifestação de Inconformidade com documentos por amostragem, mas protesta pela possibilidade de juntar outros documentos que possam corroborar a comprovação dos créditos pleiteados, durante o trâmite do presente processo administrativo, bem como, caso se entenda necessário, seja determinada diligência fiscal, tudo para comprovar os fatos expostos acima ou para contraditar as alegações que eventualmente sejam feitas.” A DRJ não acolheu as alegações e por unanimidade de votos, considerou improcedentes a Manifestações de Inconformidade apresentada, mantendo o crédito tributário exigido na peça fiscal em acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/2011 a 31/03/2011 INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO.CRÉDITOS. INSUMOS. Somente geram créditos da Contribuição para o PIS/Pasep as despesas com matéria prima, produto intermediário, material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. O termo “insumo” não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade. FRETE INTERNACIONAL No regime de incidência não cumulativa, podem ser apurados créditos da Contribuição para o PIS/Pasep em relação ao frete internacional, cujo ônus seja suportado pela vendedora, vinculado à exportação de seus produtos, desde que os serviços de transporte sejam adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 390 15 Não são considerados adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País os serviços de transporte internacional contratados por intermédio de agente de transportador domiciliado no exterior. FRETE. TRANSFERÊNCIAS DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DO SUJEITO PASSIVO. O valor do frete contratado com pessoa jurídica domiciliada no país para a realização de transferências de mercadorias entre estabelecimentos do sujeito passivo não pode ser utilizado como crédito a ser descontado da Contribuição para o PIS/Pasep devida sob a forma não cumulativa, por não integrar a operação de venda. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. DACON E DCTF. RETIFICAÇÃO. No regime da não cumulatividade, o ressarcimento e a compensação de créditos não aproveitados à época própria devem ser precedidos da revisão da apuração confronto entre créditos e débitos do período a que pertencem tais créditos, sendo exigida a entrega de Dacon e DCTF retificadores. AGROINDÚSTRIA. AQUISIÇÕES DE INSUMOS. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. Nos termos da legislação de regência, as pessoas jurídicas que produzirem mercadorias de origem vegetal ou animal destinadas à alimentação humana ou animal podem descontar como créditos as aquisições de insumos, considerados os percentuais de acordo com a natureza dos insumos adquiridos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Cientificado do referido acórdão em 21 de maio de 2014, a DOUX FRANGOSUL S/A AGRO AVÍCOLA INDUSTRIAL apresentou recurso voluntário em 4 de junho de 2014, pleiteando a reforma do decisum e reafirmando seus argumentos apresentados à DRJ. É o relatório. Voto Fl. 390DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 391 16 Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora Da admissibilidade Por conter matéria desta E. Turma da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a DOUX FRANGOSUL S/A AGRO AVÍCOLA INDUSTRIAL teve ciência da decisão de primeira instância em 21 de maio de 2014, quando, então, iniciouse a contagem do prazo de 30 (trinta) dias para apresentação do presente recurso voluntário – apresentandoo em 4 de junho de 2014. Depreendendose da análise do recurso voluntário, vêse que a lide envolve valores relativos aos créditos de PIS não cumulativo referentes ao 1º trimestre de 2011. Para melhor elucidar as questões trazidas no recurso voluntário, importante trazer os fatos descritos pela recorrente, quais sejam, entre outros, que: · A recorrente transmitiu pedido eletrônico de ressarcimento (PER) de créditos de PIS não cumulativo referentes ao 1º trimestre de 2011, o valor de R$ 3.064.522,53; · No entanto, a Receita Federal de Santa Cruz do Sul procedeu à fiscalização na sede da empresa, através da qual decidiu em reconhecer parcialmente o direito creditório, no valor de R$ 1.031.769,17, conforme quadro abaixo: · O despacho decisório não reconheceu parte dos créditos pleiteados, fundamentandose na Lei 10.637/2002, art. 74 da Lei 9.430/1996 e art. 38 da IN 900/2008; · O que, por conseguinte, fez com que a recorrente apresentasse Manifestação de Inconformidade visando o deferimento integral do seu crédito, demonstrando a origem e legitimidade dos r. créditos; Fl. 391DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 392 17 · Sobreveio Acórdão da 4ª Turma da DRJ que julgou improcedente a Manifestação mantendo as glosas sobre os mesmos argumentos despendidos no despacho decisório. Descritos os fatos, passo a discorrer sobre as argumentações trazidas pela recorrente sobre cada questão contemplada no recurso voluntário. Sendo assim, quanto à glosa de crédito sobre frete marítimo na exportação, traz a recorrente que: · A autoridade fazendária ao analisar a Manifestação de Inconformidade constatou que houve informação de créditos extemporâneos na DACON de janeiro/2011, adquiridos de janeiro/2010 a dezembro/2010, entendendo, por conseguinte, pela impossibilidade de conhecer os r. créditos, tendo em vista o que segue: o No âmbito das contribuições sociais apuradas pelo regime não cumulativo, exigese segregação dos créditos por períodos de apuração devido ao fato de que os créditos neste regime são possíveis de ressarcimento segundo requisitos que só são aferíveis dentro do próprio período de apuração; o O sujeito passivo somente poderá retificar os pedidos de ressarcimento pendentes de decisão administrativa, o que supostamente não ocorre com pedidos de ressarcimento dos períodos de apuração dos créditos extemporâneos (jan/10 a dez/10). · No entendimento do fisco, ainda que fossem superadas essas premissas iniciais, e realizada a análise do direito creditório relativa aos créditos extemporâneos informados, permaneceria a glosa destes valores, pois as aquisições de serviços isentos demonstradas nas planilhas da recorrente, como é o caso do frete internacional, não geram créditos, primeiro por supostamente terem sido prestados por pessoa jurídica domiciliada no exterior e, segundo, ainda que tais serviços fossem prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, continuariam não gerando créditos, por se Fl. 392DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 393 18 tratarem de serviços isentos utilizados como insumo em produtos isentos (exportação); · o acórdão recorrido entendeu que para apropriação de crédito extemporâneos é imprescindível a retificação tanto dos Demonstrativos de Apuração das Contribuições (Dacon) quanto das Declarações de Débitos e Créditos Federais (DCTF) referentes a cada um dos meses em que haja modificação na apuração das contribuições, sendo que, como, supostamente, a ora recorrente assim não procedeu, não caberia à Receita Federal fazer a análise de qual o período em que o crédito foi originado, quais os valores das receitas tributadas e não tributadas no mercado interno e de exportação, além de calcular a proporcionalidade entre elas, ainda que disponha de todos os Dacon; · A autoridade fazendária manteve o entendimento de que no presente caso estes mesmos créditos extemporâneos já estão preclusos, haja vista que se referem a períodos de apuração objeto de pedidos de ressarcimentos específicos (janeiro a dezembro de 2010), com análise fiscal do direito creditório já efetuada, e emitidos os respectivos Despachos Decisórios; · Com relação a possibilidade da tomada de crédito de fretes marítimos, o acórdão recorrido afastou o entendimento da fiscalização de considerar que os fretes marítimos na exportação, ainda que prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, não geram créditos do PIS e da Cofins por serem as receitas decorrentes do serviço de transporte internacional de cargas e passageiros isentas das referidas contribuições; · No entanto, manteve o entendimento da fiscalização de que agentes são meros prepostos dos transportadores domiciliados no exterior, e apesar de o frete ser pago aos agentes, esse valor é apenas repassado ao transportador, efetivo responsável pela prestação do serviço e que não se trata de uma pessoa jurídica nacional; · Além disso, não aceitou os documentos anexados a título exemplificativo, alegando que se tratam de empresas de pequeno porte, que não realizam transportes marítimos; Fl. 393DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 394 19 · Uma vez que os créditos não estão preclusos é legítimo o aproveitamento de forma extemporânea, sendo que às aquisições de fretes nas operações de exportação tratase de uma despesa incorrida na venda de suas mercadorias (produtos) e, portanto, tendo direito ao crédito conforme previsto no inciso IX do artigo 3º da Lei 10.833/03, sendo que os pagamentos destes serviços foram feitos para pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil que efetivamente realizaram o frete marítimo. Quanto à glosa de crédito sobre fretes exportação, argumenta a recorrente que: · No período de apuração de janeiro de 2011 adjudicou créditos do PIS e da Cofins sobre frete marítimo que não haviam sido aproveitados em meses anteriores (jan/10 a dez/10); · Tais créditos foram tratados pela fiscalização como “extemporâneos”; · Os créditos dessa natureza tem a peculiaridade de terem sua origem em determinado mês (ou período de apuração) e serem adjudicados em mês ou meses subseqüentes, portanto, a destempo – ou de forma extemporânea; · A legislação própria do PIS e da Cofins contém no §4º, art. 3º, respectivamente, da Lei nº 10.637/02, e da Lei 10.833/03, dispositivo que é cristalino no sentido da possibilidade do expediente utilizado pela ora recorrente de adjudicarse de créditos extemporâneos, quando autoriza que o “crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê los nos meses subseqüentes”; · O § 2º, art. 66 da IN 247/02 e o § 2º, art. 8º da IN 404/04 contém idêntica redação aos dispositivos legais antes citados, portanto, no âmbito da Receita Federal do Brasil (RFB) também está autorizada a prática pela recorrente; · O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º sobre o valor dos encargos de depreciação incorridos no mês; · Tal dispositivo versa sobre a base de cálculo dos créditos, que adiante, § 4º do mesmo art. 3º está dito que o “crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes; Fl. 394DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 395 20 · O legislador determinou a base de cálculo do crédito no § 1º do art. 3º, e posteriormente autorizou o crédito em períodos posteriores em caso de não aproveitamento no período em que o crédito teve origem; · Tanto o crédito extemporâneo é autorizado, que no EFD – Escrituração Fiscal Digital de PIS e Cofins está previsto bloco específico para sua escrituração; · Segundo o guia prático da escrituração fiscal digital, o bloco 1 serve para fins de: complemento da escrituração, controle de saldos de créditos e de retenções, operações extemporâneas e outras informações; · A Doux adjudicouse de forma extemporânea tão somente dos créditos originários dos 5 anos anteriores ao creditamento, observando os termos estabelecidos no art. 1º do Decreto 20.910, de 6 de janeiro de 1932, que assim dispõe: as dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda Federal, Estadual ou Municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem; · É de solar clareza que é ilegal a decisão da fiscalização da RFB de vedar o aproveitamento dos créditos extemporâneos que seriam passíveis de adjudicação dos 5 anos anteriores; · A ilegalidade materializase no fato de tal decisão conflitar com a interpretação integrada do art. 1º do Decreto 20.910/32 com os dispositivos legais e normativos – contidos nas Leis 10.637/02 e 10.833/03 e nas IN 247/02 e 404/04 – que autorizam que o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes; · Destacase que apesar de serem pedidos de ressarcimento referentes a créditos de um mesmo período, tratamse de pedidos diferentes, sendo que no procedimento administrativo inexiste a figura da coisa julgada e, por fim, como referido anteriormente enquanto não transcorrido o prazo prescricional para requerer créditos decorrentes da atividade da empresa, não estaria ela ofuscada pela decisão administrativa do pedido anterior; · Ademais, especificamente em relação a retificação das DACONs e DCTFs, o CARF já se manifestou no sentido de que é desnecessária a retificação dos referidos documentos, sendo possível o aproveitamento Fl. 395DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 396 21 do crédito no período de apuração corrente, incluindoo na DACON, sem precisar retificar nenhuma declaração em relação ao passado, mas aproveitando o crédito pelo seu valor nominal, sem atualização. Continuando, quanto à glosa de crédito sobre fretes marítimos na exportação, discorre a recorrente que: · No entendimento do fisco, permaneceria a glosa destes valores, tendo em vista que supostamente os fretes marítimos foram prestados por pessoa jurídica domiciliada no exterior; · Ainda que tais serviços fossem prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, continuariam não gerando créditos, por se tratarem de serviço isentos utilizados como insumo em produtos isentos (exportação); · Quanto à primeira alegação de que os serviços de frete internacional supostamente foram prestados por pessoa jurídica domiciliada no exterior, cumpre referir que conforme os conhecimento de embarque, juntados por amostragem na Manifestação de Inconformidade, a recorrente comprova que todos os pagamentos de frete marítimo do período foram feitos para pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil, inscritas no CNPJ e, portanto, contribuintes de PIS/Cofins, conforme prevê o art. 3º, § 3º, incisos I e II, da Lei nº 10.833/03 e Lei 10.637/02; · Sendo as despesas dos fretes internacionais suportados pela recorrente, cujos encargos foram pagos à pessoa jurídica domiciliada no Brasil, é medida de rigor que seja reconhecido o creditamento das despesas de fretes marítimos, em observação ao princípio da não cumulatividade, consagrado, em relação ao PIS e a Cofins, no art. 195, § 12 da CF/88; · A alegação da fiscalização de que supostamente os serviços de frete internacional teriam sido prestados por pessoa jurídica domiciliada no exterior, não pode prosperar, pois, conforme comprovado, o pagamento destes serviços foram feitos para pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil; Fl. 396DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 397 22 · Conforme documentos juntados, os fretes marítimos foram pagos para a mesma pessoa jurídica responsável pela realização do frete, qual seja, a CCS – Central Cargo Ship International Transport; · Tanto nos comprovantes de pagamento como os Bill of Landing, que são os Conhecimento de embarque que compõe o manifesto de carga, emitidos pela própria empresa de transporte, constam a mesma empresa, restando comprovado que efetivamente o frete marítimo foi realizado pela mesma empresa que recebeu o pagamento; · Consultando o site da empresa CCS – Central Cargo Ship, facilmente podese verificar que a referida empresa realiza transporte marítimo, sendo que, se por acaso, tal atividade não consta em seu CNAE, tratase de uma falha da própria empresa ao realizar o seu cadastramento junto à Receita Federal do Brasil, e tal equívoco, não pode servir como motivação para glosar os créditos pleiteados pela ora recorrente; · Todos os fretes marítimos foram pagos para pessoas jurídicas nacionais, que realizaram o transporte marítimo, sendo que se por uma questão de organização interna, do grupo ao qual a empresa que realizou o transporte pertence, não consta cadastrado no CNAE da empresa o frete marítimo, tal fato não pode ser imputado a ora recorrente; · Quanto ao argumento da autoridade fazendária de que os serviços de frete internacional não dariam direito a crédito, por supostamente se tratarem de serviços isentos utilizados como insumo em produtos isentos (exportação), este também não merece prosperar. · Para negar o direito a crédito, a fiscalização parte do pressuposto que os serviços de frete internacional são utilizados pela recorrente como insumo em produtos isentos (produtos exportados pela contribuinte); nesse sentido, haveria vedação expressa para o direito a crédito sobre a aquisição de serviços n~soa sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso da isenção quando utilizado como insumo em produtos sujeito à alíquota zero ou não alcançados pela tributação; · No entanto, a base legal para crédito da Cofins sobre fretes nas operações de venda está contida no inciso IX do art. 3º da Lei 10.833/03, observadas as exigências de que as despesas sejam pagas ou Fl. 397DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 398 23 creditadas a pessoa jurídica domiciliado no país, conforme previsão do inciso II, § 3º, art. 3º, também da lei 10.833/03; · Elucidase que serviço de frete internacional (frete marítimos de exportação) é uma despesa incorrida na venda das mercadorias da ora recorrente, não sendo aplicado ou consumido na fabricação ou produção delas, o que a descaracteriza como insumo para efeito de créditos das contribuições como pressupôs a fiscalização; · Dessa forma, em que pese o serviços de frete internacional enquadrarse na regra de isenção prevista no art. 14 da MP 2.15835, a restrição imposta pelo inciso II ao parágrafo 2º do art. 3º da Lei 10.637/02 e da lei 10.833/03 não se aplica às aquisições de fretes nas operações de exportação, pois, como demonstrado, tratamse de uma despesa incorrida na venda de suas mercadorias e, portanto, tendo direito ao crédito conforme previsto no inciso IX do art. 3º da Lei 10.833/03, sendo que os pagamentos destes serviços foram feitos para pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil que efetivamente realizaram o frete marítimo. Especificamente à glosa sobre cálculo de crédito presumido, traz, em síntese, a recorrente: · Conforme Manifestação de Inconformidade, tomou crédito de 60% com base na Lei nº 10.925/04, a qual definiu os critérios para gozo do benefício em comento nos termos do art. 8º dessa lei: “Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada Fl. 398DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 399 24 período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) (Vide Lei nº 12.058, de 2009) (Vide Lei nº 12.350, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 545, de 2011) (Vide Lei nº 12.599, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 582, de 2012) (Vide Lei nº 12.839, de 2013) (Vide Lei nº 12.865, de 2013) § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM); (Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013) II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica e cooperativa que exerçam atividades agropecuárias. Fl. 399DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 400 25 III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2o O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: (Vide Medida Provisória nº 582, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 609, de 2013) (Vide Lei nº 12.839, de 2013) I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e II 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. II 50% (cinqüenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI; e (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (Revogado pela Lei nº 12.865, de 2013) III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007)” Fl. 400DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 401 26 · Pela leitura desse dispositivo, depreendese que a utilização das alíquotas tem como critério o produto fabricado pela empresa beneficiária; · O legislador “legislou” a Lei 12.865/13 que altera a Lei 10.925/04 reconhecendo que a correta interpretação do inciso I, do § 3º do art. 8º da lei 10.925/04 é de que o direito ao crédito na alíquota de 60% abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos, ou seja, 60% sobre todos os insumos utilizados para a elaboração do produto final; · Com o advento da Lei 12.350/2010, nos termos do art. 57, os arts.8º e 9º da Lei 10.925/04, deixaram de ser aplicados exclusivamente para as mercadorias ou aos produtos classificados nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07, 0210.1 e 23.09.90 da NCM; · Dessa forma, o crédito presumido para pessoas jurídicas sujeitas ao regime de apuração não cumulativa do PIS e da Cofins, inclusive cooperativas, calculado sobre mercadorias classificadas nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1 da NCM, destinadas a exportação, passou a ser definido nos termos do art. 55 da Lei 12.350/2010; · O que passaram a existir duas possibilidades para apuração do crédito presumido, quais sejam, o crédito presumido calculado sobre mercadorias classificadas nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1 da NCM, destinadas a exportação, passou a ser definido pelo art. 55 da lei 12.350/2010 e, o crédito presumido calculado sobre os demais produtos e mercadorias continuou a ser regulado pelo art. 8º, da Lei 10.925/04; · De acordo com a redação do § 10 do art. 55 da Lei 12.350/2010, o crédito presumido de que trata o referido artigo somente “aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil”; · A aplicação do crédito presumido prevista no art. 55 da Lei 12.350/2010, ficou pendente de regulamentação pela Receita Federal; Fl. 401DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 402 27 · A regulamentação veio com a IN 1.157/2011; · O art. 55 da Lei 12.350/2010 somente passou a ser aplicado com o advento da IN 1.157/2011, portanto, não poderia ser aplicado ao período em análise no presente processo administrativo, qual seja 1º trimestre de 2011; · Apesar de a referida IN prever em seu art. 22 que produz efeitos a partir de 1º de janeiro de 2011, não há como uma norma que veio para regulamentar a aplicação de um método de cálculo de crédito presumido determinar a aplicação a fatos geradores anteriores a sua vigência, tendo em vista que é justamente a partir do seu advento que foi possibilitado ao destinatário da norma utilizar a mesma; · O acórdão recorrido alega que o julgamento deve ser feito à disposição da IN 1157, alegando que o dever de observância das normas abrange também os atos normativos editados pelo Poder Executivo e pelos órgãos a eles subordinados; · Cumpre referir que o CARF, em casos análogos reconheceu em diversas oportunidades que uma IN não pode retroagir, sob pena de afrontar norma constitucional, especificamente o princípio tributário da irretroatividade; · A lei 12.350/2010 trouxe um método de apuração do crédito presumido menos benéfico para a recorrente, não podendo retroagir; · A fiscalização realizou a análise das notas fiscais de aquisição de insumos e aplicou a alíquota de 30% prevista no art. 55 da Lei 12.350/2010, exclusiva para as mercadorias e produtos classificados nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1 da NCM para todos os insumos adquiridos pela recorrente no período em análise; · No entanto, ao realizar esse procedimento, a fiscalização simplesmente desconsiderou o fato de que a recorrente fabrica e comercializa tanto produtos classificados no capítulo 2 da NCM, quanto produtos classificados nos capítulos 3, 4 e 16 e no código 15.01 a 15.06 da NCM; · Considerando que a recorrente também fabrica produtos classificados nos Capítulos 2, 3, 4 e 16, e nos códigos 15.01 a 15.06 da NCM, Fl. 402DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 403 28 entende que se encontra credenciada ao desconto de crédito presumido com a utilização da alíquota de 60% sobre os insumos adquiridos; · Conforme atividade exercida pela recorrente, expressa nos atos constitutivos anexos ao processo, tem ela por objetivo social, entre outros, a industrialização de produtos alimentares derivados de aves, suínos, bovinos e outros animais que convier, observada a respectiva classificação nos Capítulos 2, 3, 4 , 16 e nos códigos 15.01 a 15.06 da NCM, como, por exemplo, nuggets de frango]; · Esclarece que os itens classificados nos Capítulos 2, 3, 4 e 16, e nos códigos 15.01 a 15.06 da NCM, não se aplica a Lei nº 12.350/2010 e sim a Lei 10.925/2004; · A interpretação da alíquota de 60% é aplicado em função da saída e tem como critério o produto fabricado pela empresa beneficiária; · Portanto, entende que a alíquota a ser aplicada para o 1º trimestre de 2011 é de 60 %, considerando que: 1) o art. 55 da lei 12.350/2010 somente passou a ser aplicado com o advento da IN 1.157/2011 e 2) a alíquota de 30% prevista no art. 55 da Lei 12.350/2010, exclusiva para as mercadorias e produtos classificados nos códigos 02.03, 0206.30.00,0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1, não pode ser aplicada para os produtos classificados nos Capítulos 2, 3, 4 e 16, e nos Códigos 15.01 a 15.06, para os quais se aplica a Lei 10.925, a qual permite o crédito à alíquota de 60%; Por fim, a recorrente traz que, caso seja mantido o entendimento de que o disposto na IN pode retroagir para 1º de janeiro de 2011, pelo menos para os produtos classificados nos Capítulos 2, 3, 4 e 16, e nos códigos 15.01 a 15.06 da NCM, devese obrigatoriamente aplicar a alíquota de 60%, pois a alíquota de 30% prevista no art. 55 da lei 12.350/2010 seria exclusiva para as mercadorias e produtos classificados nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1 Quanto à glosa sobre cálculo de crédito básico/reconhecimento – crédito presumido, alega a recorrente que: Fl. 403DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 404 29 · a fiscalização considerou que a recorrente calcula crédito à alíquota integral para PIS/Cofins nas aquisições de preparações classificadas no código 2309.90 da NCM, utilizadas na alimentação de animais vivos classificados na posição 01.03 e 01.05, o que supostamente estaria em desacordo com a legislação pertinente à matéria, haja vista que o art. 55 da Lei 12.350/2010 determina a aplicação de percentual correspondente a 30% da alíquota integral para cálculo do montante do crédito presumido, incidentes sobre o valor das aquisições destes produtos; · Não adquire produtos classificados na NCM 2309.90, tal como expõe a fiscalização; · a fiscalização baseou esse entendimento nos arquivos da IN 86, os quais podem conter erro de cadastro na classificação da NCM; · Pede que seja baixada em diligência para se verificar através das notas fiscais e análise das mercadorias in loco se realmente os produtos glosados pela fiscalização se enquadram na classificação 2309.90 da NCM; · Verificase que inexistiu qualquer análise física, pelo Fiscal, das notas fiscais e mercadorias adquiridas e mencionadas nas notas fiscais objeto da autuação, o que impossibilita a verificação quanto à efetiva classificação das mesmas no código 2309.90 da NCM; · A recorrente não adquire mercadorias classificadas no código 2309.90 da NCM, desta forma, a glosa constante neste item não pode subsistir pois a legislação utilizada pela fiscalização não se enquadra na hipótese em tela, razão pela qual se requer o reconhecimento integral do crédito apropriado pela recorrente; · Sucessivamente, caso não seja acolhido o pedido anterior, requer com base no art. 8º da Lei 10.925/2004, seja reconhecido ao menos a alíquota de 60% sobre as mercadorias adquiridas pela recorrente classificadas por equívoco no código 2309.90 da NCM, tendo em vista que, conforme explanado no item anterior, as alíquotas são determinadas em função das mercadorias produzidas e vendidas e não dos insumos adquiridos. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 405 30 Quanto as despesas de frete de transferência de produtos acabados e em elaboração, a recorrente traz que especificamente aos: · Fretes de produtos em elaboração, quando o produto começa a ser elaborado em uma unidade da recorrente e tem o seu processamento final em outra unidade, estáse diante de um processo produtivo único, apenas com etapas contínuas da industrialização em unidades diferentes da mesma empresa. Para a remessa dos produtos em elaboração, necessita contratar prestadoras de serviços de transporte para essa locomoção; · Fretes de produtos acabados, cada unidade produtiva remete os seus produtos para a unidade responsável pela “montagem” da carga exportada no container – o que, dessa forma, as carnes de aves é remetida do frigorífico a outra unidade responsável pelo acondicionamento dos produtos nos containeres, assim como outras unidades responsáveis pela elaboração dos empanados, dos embutidos e de pratos prontos. Observa ainda que a remessa dos produtos acabados é procedida de vendas aos compradores estrangeiros, de modo que os produtos acabados são transportados após concretizada a operação de venda e com a finalidade de serem exportados. Já com a saída do produto da unidade de origem, os produtos já se destinam a serem entregues para os clientes, que por serem estrangeiros se sujeitam ao trâmite da exportação em containeres. Quanto ao conceito de insumo para o PIS e a Cofins não cumulativos, em síntese, a recorrente diz que: · As IN´s SRF 247/2002 e 404/2004 interpretaram o termo “insumos” em sentido estrito, amoldandoo à forma prevista no Regulamento do IPI; · Os referidos atos normativos não oferecem a melhor interpretação ao art. 3º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, pois tal conceito de insumo não se coaduna com a base econômica de PIS e COFINS, cujo ciclo de formação não se limita à fabricação de um produto ou à execução de um serviço, abrangendo outros elementos necessários para a obtenção de receita, vinculada à atividade fim da empresa; Fl. 405DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 406 31 · Cumpre trazer a baila o recente entendimento do CARF, ao julgar o recurso voluntário interposto no âmbito do processo nº 11020.001952/200622, tendo em vista que nesse julgamento, a turma ampliou o conceito de insumo que gera o direito aos créditos de PIS e COFINS na modalidade não cumulativa; · De acordo com o r. entendimento, o conceito de insumos seria mais amplo, devendose levar em conta o que é insumo segundo o Regulamento do Imposto de Renda, nos seus arts. 290 e 299 do RIR/99, e não se limitar apenas ao conceito trazido pelas Instruções Normativas nºs 247/02 e 404/04, as quais foram editadas com fundamento exclusivo na legislação do IPI; · Para que seja realizada a não cumulatividade das contribuições, na forma desejada pela Constituição, o conceito de insumo para o PIS e a COFINS também deve contemplar os custos e despesas despendidas com a obtenção de receita; · Portanto, para interpretar o conceito de insumo para o PIS e a COFINS devese adotar não só a previsão de insumo prevista nas IN´s, como também albergar os custos e despesas que se fizerem necessárias na atividade econômica, conformando os arts. 290 e 299 do RIR/99; · Tal entendimento foi chancelado na esfera judicial, por meio do acórdão prolatado no julgamento da Apelação Cível nº 0029040 – 40.2008.404.7100/RS do Tribunal Regional Federal da 4ª Região – que, descreve, entre outros, que os critérios adotados pelo legislador para pautar o creditamento nos casos de IPI não são aplicáveis ao PIS e à COFINS; · No caso dos autos, além dos insumos glosados estarem plenamente de acordo com as INs SRF 247/02 e 404/04, gerando o direito aos créditos de PIS e COFINS na modalidade não cumulativa, tal situação fica ainda mais evidenciada, levando em consideração o conceito de insumo proposta pelo CARF e reconhecido pelo TRF da 4ª Região, visto que também existem custos e despesas estritamente vinculados à atividade produtiva e econômica da recorrente, cujo creditamento deve ser Fl. 406DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 407 32 reconhecido com base nos arts. 290 e 299 do RIR/99, e conforme o conceito de essencialidade ao processo produtivo. Ademais, após a recorrente transparecer seu entendimento quanto ao conceito de “insumo” para fins de creditamento das r. contribuições, traz como exemplo apenas um dos insumos glosados – que possui maior valor, segundo ela, de que contratou a empresa Falkia para a manutenção de prédios e máquinas, para gestão energética do frio industrial, operação e manutenção das utilidades: frio industrial, ar comprimido e eletricidade e garantia de resultados. O que argumenta que tal serviço é essencial e diretamente aplicado para a manutenção do processo produtivo. Passa a recorrente, a ilustrar, em síntese, a essencialidade de cada serviço ao processo produtivo, vejamos: 1. Carga/Descarga com locação de mão de obra – utilizado na coleta da matéria prima, por exemplo, frangos e ovos, bem como na descarga no setor produtivo da empresa; 2. Licença atualização software – essencial para gerenciar as etapas produtivas da empresa, checando os procedimentos exigidos na elaboração do produto final; 3. Manutenção preventbens mov. CFE.contr – essencial para a manutenção de partes e peças das máquinas envolvidas no processo produtivo; 4. Transp. Pessoal Frigorífico – Intermunicipal – essencial para o transporte de funcionários envolvidos no processo produtivo, custo indispensável em face da legislação trabalhista; 5. Energiacapat. Containers export – despesas de armazenagem, essencial para fazer a recarga de frio indispensável à conservação dos produtos exportados; 6. Monitorcapataz CTNS Export – despesas de armazenagem, em face da utilização de guinchos nas mercadorias no porto e locais de embarque do navio que irá transportar as mercadorias; Fl. 407DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 408 33 7. Movimentação CTNS Export – despesas de transporte interno do porto, em função do cais em que atracará o navio que irá fazer o transporte. 8. Alter. Informação Sistema/DOCS – despesas de alterações de documents em face de mudanças na carga para exportação; 9. Realocação CTNS Exportac – realocações de armazenagens, em face da necessidade e troca de containers “resfriados” para exportação; 10. Pesagem – capataz CTNS Export –d espesas necessárias para pesagem da carga a ser explorada, a fim de que seja observada a capacidade do container. 11. Forn. Energia Elétrica Armazém –d espesa de consumo de energia elétrica, necessária para manter a carga de frio adquirida, para manter o resfriamento do produto a ser exportado. 12. Saídas Paletizada – despesas de higienização de paletes e aquisições dos mesmos, que são integrados a embalagem dos produtos exportados; 13. Desova ParcCapataz CTNS Export – despesa realizada no processo de armazenagem no porto. 14. Serviços de Espirometria – serviço exigido pela Norma Regulamentadora nº 7 (NR7), do Ministério do Trabalho; 15. Serviços de Inspeção – Inpeção nas máquinas do processo produtivo e nos containers; 16. Recapagem/Recauch (Rodas, Pneus) – custos de manutenção de pneus consumidos nos caminhões da empresa, utilizados no transporte da matéria prima, produto em elaboração e acabados. 17. Txs. Segurança/Licença Portuária – despesa necessária para armazenagem da mercadoria a ser exportada no porto. 18. Calibração de equipamentos – manutenção de máquinas e contêineres. Fl. 408DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 409 34 19. Recarga de Cilindro de ar autônomo – manutenção e contêineres. 20. Manutenção de veículos – manutenção da peças e caminhões utilizados nos transportes necessários os processo produtivo e na distribuição para venda. 21. Fretes e carretos intermunicipais – serviços de transportes tomados de terceiros, para transportes necessários os processo produtivo e na distribuição para venda. 22. Manut. Máquina (escritório) – essencial para proporcionar o gerenciamento das compras de vendas. 23. Manut. Sistemas Informat – gerenciamento na área produtiva e para logística de venda. 24. Desinsetiz/desratiz de imóveis – essencial para o controle de pragas, a fim de evitar a contaminação dos produtos produzidos, conforme normas da Anvisa e do Mapa. 25. Perfur Poços Artesianos – essencial para obtenção de água a ser utilizada no congelamento das carnes. 26. Confecção chaves/carimbos/placas – indispensável para identificação de procedência e qualidade do produto, conforme exigido pelo SIF/MAPA. 27. Serv. Isolamento Térmico – Instalação e manutenção de isolamento térmico em câmaras frigoríficas. 28. Analises Laboratoriais – necessário para o controle da sanidade da matéria prima e da qualidade produto acabado. 29. Assessoria/Consult. Técnica – assessoria/consultoria para as atividades administrativas/financeiras da empresa. 30. Vigilância e Segurança – despesa necessária em face da armazenagem da mercadoria. 31. Serv. Terraplanagem – despesa para ampliação de instalações produtivas. 32. Serviço de Concretagem – despesa para ampliação de instalações produtivas. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 410 35 33. Manutenção Prevent CFE Contrato – custos necessários para manutenção do processo produtivo. 34. Frete Transf. Matrizes Aves – despesas de transporte envolvendo a produção de matéria prima. 35. Frete resíduos incubatório – despesa em face da normas sanitárias. 36. Transp. Municip – Pessoal Granjas – Essencial para o transporte de funcionários envolvidos no processo produtivo, custo indispensável em face da legislação trabalhista. 37. Transp. Pessoal Incubat Munic – Essencial para o transporte de funcionários envolvidos no processo produtivo, custo indispensável em face da legislação trabalhista. 38. Transporte Intermunicipal Pessoal Granja – Essencial para o transporte de funcionários envolvidos no processo produtivo, custo indispensável em face da legislação trabalhista. 39. Destin. Final Resíduos Industr – despesas essenciais em face das exigências de normas sanitárias. 40. Lavanderia c/ locação mão de obra – para limpeza das indumentárias exigidas pela Anvisa, no contato com carne. 41. Remoc Resíduo Industriais – despesas essenciais em face das exigências de normas sanitárias. 42. Consertos em Geral – de máquinas de processo produtivo. 43. Serviço de aferição – equipamentos de pesagem dos produtos em razão das normas no Inmetro. 44. Serviço de programação – desenvolvimento de software para controle das atividades produtivas. 45. Serviço de engenharia – para execução de projetos na linha de produção. 46. Serv. Elabor de projetos – para desenvolvimento de projetos na linha d eprodução. 47. Serviços de auditoria – despesa com auditoria em razão de procedimentos contábeis e para comprovar aptidão financeira, para receber recursos para financiar o seu processo produtivo. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 411 36 48. Serv Analises Técnicas – análises voltadas ao processo produtivo. 49. Serviços de Medicina – para monitoramento da sanidade da criação de aves e animais a serem abatidos. 50. Administração de bens – manutenção das suas dependências. 51. Manutenção/Conserv. Obras Civis – manutenção das suas dependências. 52. Assistência Técnica – Manutenção e reparos de máquinas do processo produtivo. 53. Transp pessoal frigorif Muni – Essencial para o transporte de funcionários envolvidos no processo produtivo, custo indispensável em face da legislação trabalhista. 54. Serviços de Lavanderia – para limpeza das indumentárias exigidas pela Anvisa, no contato com carne. 55. Conserto Indument. Trabalho – para reparos das indumentárias exigidas pela Anvisa, no contato com carne. 56. Conserto Maq/Motores/Equip – substituição de peças e reparos nas máquinas envolvidas no processo produtivo, bem como nos caminhões envolvidos nos fretes de aquisição, produtos em elaboração e venda de produtos acabados. 57. Inst. Maq/Motores/Equipam – instalação de peças e partes de máquinas e motores envolvidas no processo produtivo. 58. Serv. Empreit Constr Civil – ampliação das dependências de produção. 59. Conserto de veículos – reparação de veículos envolvidos nos fretes de aquisição, produtos em elaboração e venda de produtos acabados. 60. Remoc Resíduos c/ caçamba estacion – remoção de resíduos em razão de normas sanitárias. 61. Locação Uniformes – locação de indumentárias necessárias para o contato com a carne, conforme normas da Anvisa/Mapa. 62. Inst Elétricas/hidráulicas – ampliação das dependências do processo produtivo. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 412 37 63. Loc. Mão de obra – prep refeic – despesas no fornecimento no programa de alimentação dos trabalhadores, conforme normas trabalhistas. 64. Vale pedágio – serviço administração – decorrente dos fretes. 65. Montag/Desmontag móveis/Dividor – modificações nas dependências produtivas. 66. Servi. Fabricac/Confecção – vinculado ao processo produtivo. 67. Abate HalalLoc Mão de Obra – preparação especial para carnes destinadas ao mercado islâmico. 68. Fretes sobre trans de produtos – para proporcionar a continuidade do processo produtivo iniciado em filial, e exaurido na matriz, ou vice e versa. 69. Corte de lenha – para combustível da caldeira. 70. Movimentação Entradas/saída – carga e descarga de mate´ria prima e produtos acabados. 71. Seguro – vinculados a armazenagem e frete de matéria primas e produtos acabados. 72. Recup de frio por terc – necessário para o resfriamento da carne, quando o container/caminhão frigorífico estiver fora das dependências da empresa. 73. Plantio de Mudas – para reflorestamento do “mato produtor”. 74. Corte de matoprodutor – para obtenção de combustíveis na caldeira. 75. Galvanização de estruturas – dependências da produção 76. Serviço Jato de areia – aplicado em determinadas máquinas do processo produtivo. 77. Recarga Ext. Incêndio – despesas em razão de adequação do corpo de bombeiros, exigidas para o estabelecimentos industriais. 78. Lavagem/Desinfecção Caminhão – para garantir sanidade da carga transportada, normas da Anvisa; 79. Recarga Cilindro – recarga de oxigênio no processo produtivo da empresa. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 413 38 80. serv. Guincho/Munk – despesas necessárias para carregamento de containers no navio. 81. Serviço de pintura – manutenção das dependências produtivas. 82. Rebobinagem de Motor – troca de peças utilizadas nos motores de máquinas no processo produtivo e caminhões envolvidos nos fretes. 83. Serviço de desentupimento – em razão da lavagem das aves no processo produtivo. 84. Serviço de Jardinagem – para evitar proliferação de insetos. 85. Serv. Limpeza/Higiene – adequar as dependências produtivas as normas sanitárias de limpeza e higiene. 86. Serv. C/loc. Mão de obra – para carga e descarga. 87. Despesas Portuárias – envolvidas na rmazenagem dos containers utilizados na exportação de carnes e derivados. 88. Remoção resíduos e saúde – exigência de normas sanitárias. 89. Serv. Assit. Veterinária – controle da sanidade dos frangos e animais a serem abatidos. 90. Capataz s/exportBrak Bulk – guinchos utilizados na armazenagem. Após a descrição acima, aduz a recorrente que restam comprovadas as definições a legitimidade dos créditos realizados. No entanto, pede que seja feita diligência, caso não se entenda como tal. Por fim, quanto à discussão da Selic, a recorrente argumenta que, tendo em vista a Súmula 411 do STJ, o disposto no art. 62A do RICARF que vincula as decisões no STJ às decisões do CARF, a decisão do RESP 993.164 em sede de recurso repetitivo e, ainda considerando que houve vedação do Fisco ao ressarcimento tempestivo da parte do saldo credor do PIS/COFINS não cumulativa, apurado para o 1º trimestre de 2011, sobre o valor suplementar reconhecido incidirão juros compensatórios, a taxa Selic, a partir da data de protocolo/transmissão do pedido de ressarcimento (PER) em discussão até a data do seu efetivo ressarcimento. Fl. 413DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI Processo nº 13005.901852/201260 Resolução nº 3202000.304 S3C2T2 Fl. 414 39 Em vista de todo o exposto e depreendendose da análise dos documentos acostados, em homenagem ao princípio da verdade material que permeia o processo administrativo tributário, bem como para fins de clarear o anoitecer do processo produtivo, serviços e produtos que aqui transitam, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem: · Intime a Recorrente a apresentar laudo de renomada instituição, ou perito credenciado junto a Receita Federal do Brasil, que descreva detalhadamente o seu processo produtivo, apontando a utilização dos insumos, despesas, custos ora glosados na produção do referido bem destinado à exportação, ou vinculados ao processo produtivo e/ou ao seu objeto social; Considerando também que tal laudo deverá, entre outros: o Demonstrar a função de cada bem e/ou evento que pretende o reconhecimento como insumo e o motivo pelo qual ele é indispensável e essencial ao processo produtivo e/ou para fins de cumprimento do objeto social da empresa; o Esclarecer o teor de cada um dos eventos observados pela recorrente vinculando ao processo produtivo ou ao seu objeto social; o Quanto ao frete de produtos em elaboração, demonstrar as etapas contínuas da industrialização nas unidades diferentes da r. empresa. o Analisar se os produtos glosados pela fiscalização se enquadram na classificação 2309.90 da NCM. · Cientifique a fiscalização para se manifestar sobre o resultado da diligência, se houver interesse e caso entenda ser necessário; · Cientifique o contribuinte sobre o resultado da diligência, para que, se assim desejar, apresente no prazo legal de 30 (trinta) dias, manifestação, nos termos do art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/11; · Findo o prazo acima, devolva os autos ao CARF para julgamento. Assinado digitalmente Tatiana Midori Migiyama Fl. 414DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 30/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BAR BIERI
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Numero do processo: 11442.000199/2010-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
PEDIDO RESSARCIMENTO. CRÉDITO DE PIS/PASEP E COFINS INCIDENTES SOBRE PRODUTOS SUJEITOS A TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE VAREJISTA. INDEFERIMENTO.
No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento ou restituição de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetiva-se uma única vez, portanto, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente.
Após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da Contribuição para o PIS/Pasep e para a COFINS incidente sobre a venda de automóveis para o comerciante varejista.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-002.420
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. O conselheiro Andrada Canuto Natal votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 PEDIDO RESSARCIMENTO. CRÉDITO DE PIS/PASEP E COFINS INCIDENTES SOBRE PRODUTOS SUJEITOS A TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE VAREJISTA. INDEFERIMENTO. No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento ou restituição de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetivase uma única vez, portanto, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente. Após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da Contribuição para o PIS/Pasep e para a COFINS incidente sobre a venda de automóveis para o comerciante varejista. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. O conselheiro Andrada Canuto Natal votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 44 2. 00 01 99 /2 01 0- 73 Fl. 152DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000199/201073 Acórdão n.º 3301002.420 S3C3T1 Fl. 3 2 Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000199/201073 Acórdão n.º 3301002.420 S3C3T1 Fl. 4 3 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento Eletrônico, por meio do qual a interessada requer o ressarcimento de créditos que julga possuir, oriundo de créditos da COFINS NãoCumulativa. A interessada não transmitiu Declarações de Compensação vinculadas ao Pedido de Ressarcimento acima citado. Intimada a apresentar documentos e informações a contribuinte informou que os supostos créditos pleiteados no PER foram motivados pela comercialização de veículos automotores classificados na Tabela TIPI nas classificações fiscais 87032100, 87043190, 87042190, 8704219001 e 8703231001, pleiteando seus créditos com base no artigo 17 da Lei n° 11.033, de 21 de dezembro de 2004. Indeferido o pedido apresentou Manifestação de Inconformidade solicitando a reforma do Despacho Decisório, com uma rica argumentação onde discorre sobre dois marcos normativos importantes que não teriam sido observados: o art. 17 da Lei 11.033, de 2004 que lhe daria o direito de se creditar da Cofins e do PIS incidente sobre a fase anterior em regime de substituição tributária; e o art. 42 da Lei 11.727, de 2008, que revogou a sistemática de não cumulatividade ainda mantida pelas leis 10.833, de 2003 e 10.637, de 2002 para alguns casos específicos previstos no inciso IV do § 3º do art. 1º e a alínea a do inciso VII do art. 8º das referidas leis, respectivamente para a Cofins e o PIS, o que teria eliminado qualquer discussão sobre as normas de não cumulatividade que, por princípio, devem permitir o crédito sobre as contribuições que incidiram na fase anterior da cadeia produtiva. A DRJ de Ribeirão Preto/SP julgou improcedente o pedido da contribuinte sendo o acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. VENDAS EFETUADAS COM ALÍQUOTA ZERO. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO. COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE AUTOMÓVEIS E PEÇAS. INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO. Em razão da técnica legalmente implementada de tributação concentrada nos fabricantes e importadores de automóveis e peças, as receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas com a venda desses produtos são submetidas à alíquota zero de PIS e Cofins, sendo expressamente vedado o aproveitamento de créditos em relação às aquisições desses bens. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 154DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000199/201073 Acórdão n.º 3301002.420 S3C3T1 Fl. 5 4 Inconformada apresenta a recorrente o presente recurso voluntário apontando as mesmas razões apontadas na Manifestação de Inconformidade. É o que importa relatar. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000199/201073 Acórdão n.º 3301002.420 S3C3T1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. A Recorrente pleiteou o ressarcimento dos valores atualizados da COFINS incidente sobre aquisição de veículos automotores classificados na Tabela TIPI nas posições 87032100, 87043190, 87042190, 8704219001 e 8703231001. No âmbito do PIS e da COFINS, os veículos automotores, bem como as autopeças mencionadas nos anexos I e II da lei n.° 10.485/2002, estão sujeitos ao regime de tributação monofásica desde o advento desse diploma legal, cujos artigos. 1º e 3º, após as alterações introduzidas pela lei n.º 10.865/2004, trazem a seguinte redação: Art. 1º. As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto n.º 4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente. (...) Art. 3º As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores, relativamente às vendas dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei, ficam sujeitos à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS às alíquotas de: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento) e 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento), respectivamente, nas vendas para fabricante: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) a) de veículos e máquinas relacionados no art. 1º desta Lei; ou (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) de autopeças constantes dos Anexos I e II desta Lei, quando destinadas à fabricação de produtos neles relacionados; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 156DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000199/201073 Acórdão n.º 3301002.420 S3C3T1 Fl. 7 6 II 2,3% (dois inteiros e três décimos por cento) e 10,8% (dez inteiros e oito décimos por cento), respectivamente, nas vendas para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) § 1º Fica o Poder Executivo autorizado, mediante decreto, a alterar a relação de produtos discriminados nesta Lei, inclusive em decorrência de modificações na codificação da TIPI. (Renumerado do parágrafo único pela Lei nº 10.865, de 2004) § 2º Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata:(Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e II – o caput do art. 1º desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001. O sistema de incidência monofásica consiste na concentração de tributação das contribuições do PIS e da COFINS no início da cadeia produtiva, isto é, ocorre a incidência de alíquotas mais elevadas nas etapas de produção e importação, desonerandose as fases seguintes da comercialização, mediante atribuição de alíquota zero. Vale dizer, o fato gerador ocorre uma única vez nas vendas realizadas pelos fabricantes/importadores, não havendo mais incidência dessas contribuições nas vendas realizadas nas etapas seguintes da cadeia econômica. A concentração funciona, assim, como uma antecipação da cobrança do tributo que normalmente seria cobrado nas operações subseqüentes à cadeia inicial. Essa sistemática foi instituída nos termos dos artigos acima apontados que estabeleceu o regime de incidência monofásica, na origem, ou seja, nos fabricantes e importadores, em conformidade com o previsto no art. 149, § 4º, da CF/1988, assim expresso: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. (...) § 4º A lei definirá as hipóteses em que as contribuições incidirão uma única vez. Na incidência monofásica os fabricantes e importadores passaram a efetuar o recolhimento das citadas Contribuições somente na condição de contribuinte (de fato e direito), deixando de ser contribuintes substitutos dos demais intervenientes nas etapas de comercialização seguintes (as distribuidoras e os varejistas). Fl. 157DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000199/201073 Acórdão n.º 3301002.420 S3C3T1 Fl. 8 7 Em decorrência da nova modalidade de incidência, as receitas dos varejistas provenientes das vendas desses produtos ficaram excluídas do pagamento das referidas Contribuições, com base no regime da alíquota zero, conforme § 2º do artigo 3º, supra citado. Não é demais ressaltar que, a partir da nova forma de incidência a tributação dos fabricantes e varejistas passaram a ser realizadas de forma autônoma. Em decorrência, o que for recolhido pelo fabricante não mais significa antecipação do que seria devido nas etapas subseqüentes. Logo, a incidência das mencionadas contribuições sobre os fabricantes ou importadores, assim como os pagamentos por eles realizados são considerados definitivos, independentemente de qual seja o desfecho que venham ter os fatos geradores posteriores à aquisição dos produtos para revenda. Nesse sentido, é pertinente trazer à colação o entendimento dos renomados Professores Sacha Calmon Navarro Coêlho e Misabel Abreu Machado Derzi, externados no excerto extraído da Revista Dialética de Direito Tributário n.º 86, página 113, a seguir transcrito: “... cabe agora dizer que no caso em exame não temos substituição tributária e tampouco nãoincidência (imunidade, isenção ou alíquota zero), mas uma categoria jurídica diferente, a da tributação monofásica”. (grifos do original) Logo, a eficácia das modificações introduzidas pela MP n.º 1.99115, de 2000, no que tange à nova redação do art. 4º da Lei n.º 9.718, de 1998, conforme determinado no seu art. 46, II, verificouse, como já mencionado, desde 01/07/2000, não mais existindo, a partir daí, o regime de substituição tributária. Ressaltese, ainda, que o referido dispositivo constou em todas as reedições posteriores da citada MP, sendo repetido na atual MP n.º 2.158 35, de 24 de agosto de 2001 (art. 92, II), que em face do disposto no art. 2º da EC n.º 32/2001, não carece de reedição. Assim, a MP n.º 1.99115, de 2000, extinguiu o citado regime de substituição tributária aplicável às duas Contribuições, determinando a tributação em uma única fase (monofásica). Por sua vez, a MP 1.99118, de 2000, a Lei n.º 9.990, de 1990 e a Lei n.º 10.865, de 2004, sem alterar o regime jurídico de incidência monofásica, modificaram apenas as alíquotas aplicáveis as operações em análise. Nesse sentido, no regime monofásico de incidência não há previsão de ressarcimento ou restituição de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetivase uma única vez. No presente Recurso, sustentou a interessada que, a despeito da alíquota zero aplicável às operações de venda de veículos, ela teria direito ao crédito relativo às aquisições dos referidos produtos junto ao fabricante, conforme expressamente reconhecido no artigo 17 da Lei n.º 11.033, de 2004. Não assiste razão a Recorrente. O citado preceito legal, não comporta tal conclusão, conforme observase de sua redação, in verbis: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000199/201073 Acórdão n.º 3301002.420 S3C3T1 Fl. 9 8 Da leitura do transcrito comando legal, resta indubitável que ele se aplica, exclusivamente, a manutenção de créditos, calculados sobre custos, encargos e despesas que tenham antes sofrido a tributação das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, segundo sistemática da nãocumulatividade, ou seja, quando a cadeia de incidência não é a em exame. Além disso, por força do artigo 3º, inciso I, alínea “b”, da Lei n.º 10.637, de 2002 é expressamente vedado descontar créditos calculados em relação aquisições de veículos objetos da presente discussão. Assim, ao se referir à “manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados” às operações de vendas com isenção, alíquota zero ou nãoincidência das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, o dispositivo em análise, na verdade, está se referindo aos créditos relativos aos custos, encargos e despesas legalmente autorizados a gerar créditos das ditas Contribuições, no âmbito do regime de incidência nãocumulativa, sem contudo alterar a força normativa do inciso alínea “b” do I do art. 3º da Lei n.º 10.637, de 2002, e da Lei n.º 10.833, de 2003, que, de forma expressa, veda a utilização de crédito relativo às aquisições dos produtos revendidos, cuja receita está sujeita aos regimes especiais de tributação, especificamente, o de incidência monofásica em apreço. Ademais, tendo em conta a natureza específica de cada uma das formas de incidência — e não regime de tributação — das citadas Contribuições anteriormente abordadas, não vislumbro qualquer incompatibilidade entre o disposto na alínea “b” do inciso I do art. 3º das Leis n.ºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, e o estabelecido no art. 17 da Lei 11.033, de 2004. Na verdade, ambos os preceitos legais tratam de sistemáticas distintas de incidência, não podendo o regramento de uma ser invocado para fins de apuração e cobrança por meio de outra sistemática, sem que haja grave distorção nos regimes de apuração e cobrança das referidas Contribuições. Em consideração ao caso tomo a liberdade de apontar a expressão do parágrafo oito da exposição de motivos da MP 66/2002, convertida na Lei n.º 10.637/2002, a saber (os destaques são nossos): 8. Sem prejuízo de convivência harmoniosa com a incidência não cumulativa do PIS/Pasep, foram excluídos do modelo, em vista de suas especificidades, as cooperativas, as empresas optantes pelo Simples ou pelo regime de tributação do lucro presumido, as instituições financeiras e os contribuintes tributados em regime monofásico ou de substituição tributária. Esse foi o cuidado tomado pela Lei, explicitar que os regimes são distintos e não intersectáveis e na condição de Conselheiro, ao qual a discussão da óbvia inconstitucionalidade, não é permitida. Até tenho me posicionado que quando a empresa opera com produtos do sistema monofásico e no regime da nãocumulatividade, poderá descontar créditos quanto às máquinas e veículos utilizados como insumo na fabricação ou prestação de serviços, mas não como se pretende no presente caso, porque para a revenda esse aproveitamento é expressamente vedado. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000199/201073 Acórdão n.º 3301002.420 S3C3T1 Fl. 10 9 Assim, os comerciantes distribuidores, atacadistas e varejistas que comercializam mercadorias sujeitas ao regime de incidência monofásica — mecanismo de incidência monofásica, forma de incidência monofásica ou qualquer sinonímia que se queira dar à essa forma de incidir —, mesmo que submetidos ao regime nãocumulativo, são proibidos de descontar créditos em relação à aquisição de tais produtos quando adquiridos para revenda. Essa restrição é específica aos produtos sujeitos à incidência monofásica adquiridos para revenda, portanto, a aquisição de produtos submetidos à incidência monofásica para serem utilizados em processos de industrialização ou prestação de serviços (insumos), não estão abrangidos pela restrição. A título de exemplo, suponhamos que uma fábrica de automóveis adquira filtros de combustíveis, sujeitas à incidência monofásica, para serem empregadas na fabricação daquele produto. Nesta hipótese, a empresa poderá descontar créditos normalmente, sendo que as alíquotas aplicáveis no cálculo dos créditos serão de 1,65% para o PIS/Pasep e 7,60% para a Cofins, ou seja, não serão aplicadas as alíquotas diferenciadas. É verdade que a Presidência da República vem tentando, sistematicamente, restringir através de Medidas Provisórias (MP's), a apropriação dos créditos sobre os custos, despesas e encargos relacionados à venda dos produtos sujeitos ao regime monofásico, todavia, essa tentativa de restrição não perdurou nas respectivas conversões em Lei. Assim, podemos concluir que é admitido aos atacadistas e varejistas o desconto de créditos em relação aos demais custos, despesas e encargos relacionados à venda dos produtos sujeitos ao regime monofásico das contribuições, ou seja, a restrição abrange apenas a aquisição dos produtos adquiridos para revenda e não os utilizados como insumo. O referido artigo 17 foi antes da conversão da Lei expresso no artigo16 da MP 206/2004, cuja justificativa na exposição de motivos é simplória expressando que “as disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS”, no meu exame, serviu para informar que o crédito das contribuições relativos aos custos, encargos e despesas legalmente autorizados a gerar créditos devem permanecer e que a restrição é com relação aos produtos destinados à revenda. No mais, se serve para esclarecer dúvidas, não serve para inovar, garantindo um direito novo, diferente do ante existente. Cabe destacar ainda que existe uma diferença marcante entre a previsão de alíquota zero apontada no artigo 17 da Lei n.º 11.033, de 2004, e aquela outra estabelecida no inciso I do artigo 50 da Lei n.º 10.833, de 2003. A primeira visa exonerar determinadas receita de venda da cobrança das citadas Contribuições, ao passo que a segunda tem por objetivo a implementação da técnica de apuração e cobrança de forma concentrada ou monofásica. No caso em tela, caso fosse acatado o entendimento esposado pela Recorrente, o que se admite apenas para fins argumentativos, teria direito ao crédito tanto o comerciante atacadista, quando houver, como, por ex., no caso de distribuidoras de combustíveis, quanto o varejista. Em decorrência, com a fruição dos créditos por ambos os contribuintes, chegarse ia ao absurdo de a Fazenda Nacional recolher um valor para em seguida devolvêlo em dobro. Ante o exposto, fica demonstrado que, seja pelo prisma estritamente jurídico, seja pelo lado racional que norteia a técnica da tributação concentrada, as receitas dos comerciantes atacadistas e varejistas decorrentes das vendas de automóveis estão sujeitas à Fl. 160DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000199/201073 Acórdão n.º 3301002.420 S3C3T1 Fl. 11 10 alíquota zero das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, sendo expressamente vedado, de outra parte, o aproveitamento dos créditos atinentes às aquisições desses bens dos fabricantes e importadores, únicos responsáveis pela apuração e recolhimento das ditas Contribuições incidentes em toda a cadeia de venda. Tenho, por fim, que explicitar que o que existe é um mecanismo de incidência monofásica no qual alguns produtos se submetem à opção do legislador e o regime da nãocumulatividade que permite a apuração de créditos dentro dos limites também delimitados pelo legislador pátrio, estando os produtos sujeitos à incidência monofásica, quando adquiridos para revenda, fora dos permitidos para a apuração dos créditos. Assim, para esses, não há que se cogitar nem de débito nem de crédito das referidas Contribuições, por expressa determinação legal. Nesse sentido, voto por negar provimento ao presente Recurso Voluntário. Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 161DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 12267.000211/2008-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2000 a 30/09/2006
CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO - CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS - DISCUSSÃO JUDICIAL. - RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.
A propositura de ação não impede o conhecimento de matérias que não estejam sendo discutidas em juízo.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO -PERÍODO ATINGINDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL - SÚMULA VINCULANTE STF.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
Tendo sido depositado em juízo o montante integral do tributo aplicável a decadência a luz do art. 150, § 4 do CTN, posto que no caso, houve par parte do recorrente os depósitos do tributo lançado na presente NFLD.
Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2401-003.792
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. II) quanto a recurso voluntário, por unanimidade de votos: a) declarar a decadência até a competência 08/2002; e b) no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir juros e multa considerando que os depósitos judiciais realizados não tenham sido levantados pelo recorrente até o trânsito em julgado do contencioso administrativo dos presentes autos.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Ewan Teles Aguiar e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Depósitos judiciais realizados à disposição do credor, impedem a fluência dos juros e da multa moratória, a partir do implemento do depósito. A discussão em juízo da incidência de contribuições previdenciárias não obsta o lançamento, mas tão somente a cobrança das contribuições nele lançadas até o transito em julgado do processo. JUROS E MULTA DE MORA DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL NÃO LEVANTAMENTO ATÉ O TRANSITO EM JULGADO. Quanto a aplicação de juros e multa entendo que a partir do depósito judicial na época oportuna (CONFORME DESCRITO NO RELATÓRIO FISCAL), não são devidos juros, pois os valores depositados em juízo garantem a instância e não se pode falar em inadimplemento do contribuinte, desde que os valores tenham ficado à disposição da União. Da mesma forma ao identificar que os depósitos foram sendo realizados desde o ingresso em juízo, entendo inaplicável a multa m oratória. No que concerne aos juros e multa, ressaltese que a exclusão do mesmo está condicionada ao fato de que os depósitos não tenham sido levantados até o transito em julgado do processo administrativo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2000 a 30/09/2006 CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS DISCUSSÃO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 7. 00 02 11 /2 00 8- 66 Fl. 255DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. A propositura de ação não impede o conhecimento de matérias que não estejam sendo discutidas em juízo. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO PERÍODO ATINGINDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL SÚMULA VINCULANTE STF. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””. Tendo sido depositado em juízo o montante integral do tributo aplicável a decadência a luz do art. 150, § 4 do CTN, posto que no caso, houve par parte do recorrente os depósitos do tributo lançado na presente NFLD. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. II) quanto a recurso voluntário, por unanimidade de votos: a) declarar a decadência até a competência 08/2002; e b) no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir juros e multa considerando que os depósitos judiciais realizados não tenham sido levantados pelo recorrente até o trânsito em julgado do contencioso administrativo dos presentes autos. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Ewan Teles Aguiar e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12267.000211/200866 Acórdão n.º 2401003.792 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório A presente NFLD, lavrada sob o n 37.107.8946, em desfavor da recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incidentes sobre a remuneração de contribuintes individuais, apuradas com base nas informações constantes das folhas de pagamento de contribuinte individual, fornecidas em meio magnético, envolvendo as competências 01/2000 a 09/2006. Segundo o relatório fiscal da NFLD em apreço, o sujeito passivo apresentou Guias de Depósito Judicial referentes ao Mandado de Segurança n° 2000.51.01.0066224, da 14” Vara Federal do RJ, em que discute a existência do fato gerador das contribuições ora levantadas, qual seja o pagamento a médicos e dentistas credenciados ao plano de saúde, ainda sem trânsito em julgado. Para resguardar o crédito previdenciário dos efeitos da decadência, foi o mesmo constituído mediante lançamento tributário regular. A empresa exibiu Guias de Depósito Judicial referentes ao processo em questão. Os valores descontados dos segurados contribuintes individuais (a partir de 05/2003) nas competências que integram esta NFLD foram devidamente recolhidos em época própria e informados em GFIP; Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 27/09/2007, tendo a cientificação ocorrido no mesmo dia. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela notificada, fls. 98 a 111, onde alega basicamente a decadência pelo art. 150, § 4º do CTN e serem indevidos juros e multa em face do reconhecimento do depósito judicial da contribuição previdenciária. Foi exarada a Decisão de primeira instância que confirmou a procedência parcial do lançamento, conforme fls. 183 a.192, Recorre de ofício, considerando omontante do crédito exonerado.Transcrevo ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 28/02/2000, 01/04/2000 a 30/09/2006. CRÉDITO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. AÇÃO JUDICIAL EM CURSO. DECADÊNCIA PARCIAL. ACRÉSCIMOS LEGAIS. I A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial que tenha por objeto idêntico pedido sobre sobre o qual trate O processo administrativo importa em renúncia ao contencioso administrativo. Ocorrerá, todavia, a instauração do contencioso somente em relação à matéria distinta daquela discutida judicialmente; Fl. 257DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 II A suspensão preventiva da exigibilidade do crédito tributário não é óbice ao lançamento, uma vez que a formalização do crédito não implica, necessariamente, na sua exigência imediata; III O direito de a Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 5 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que O crédito poderia ter sido constituido; IV Tratandose de lançamento destinado a resguardar O crédito dos efeitos da decadência, justificase acautelar tanto a importância principal quanto os seus consectários legais, visto que indisponível o interesse público subjacente à controvérsia. Lançamento Procedente em Parte Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 197 a 208 . Em síntese, a recorrente repete as mesmas alegações já apresentadas em sua impugnação, quais sejam: 1. DA DECADÊNCIA DO LANÇAMENTO REFERENTE AO PERÍODO DE DEZEMBRO DE 2001 A AGOSTO DE 2002com base no art. 150, § 4°, do CTN, vez que os Tribunais têm decidido pela inconstitucionalidade do art. 45, da Lei 8.212/1991; 2. DO INDEVIDO LANÇAMENTO DOS JUROS DE MORA E MULTA MORATÓRIA EM FACE DO RECONHECIMENTO DO DEPÓSITO JUDICIAL DA CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. O processo foi encaminhado ao CARF para julgamento. É o relatório. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12267.000211/200866 Acórdão n.º 2401003.792 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 197. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. RECURSO DE OFÍCIO Quanto a admissibilidade do recurso de ofício, entendo que o mesmo preenche os requisitos para seu conhecimento. O valor para que as Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRFBJ) recorram de ofício ao Conselho foi alterado pelo Ministro de Estado da Fazenda, pela Portaria MF 3/2008, para valor superior ao que a decisão exonerou o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa (um milhão de reais). Portaria MF 3/2008: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 375, de 7 de dezembro de 2001. Com relação ao mérito do RO, observase que o mesmo deuse face a aplicação da decadência quinquenal. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de Fl. 259DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. Dessa forma, correto o posicionamento da autoridade julgadora que afastou a aplicação da decadência consubstanciada no art. 45 da lei 8212/91, passando a apreciar a mesma a luz do CTN. Dessa forma, nego provimento ao Recurso de Ofício. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: No recurso apresentado pelo recorrente, o mesmo resumiuse a atacar a decadência e a aplicação de juros e multa, considerando o depósito do montante integral. DECADÊNCIA Conforme descrito acima, ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, Fl. 260DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12267.000211/200866 Acórdão n.º 2401003.792 S2C4T1 Fl. 5 7 segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições omitidas para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. No caso, a aplicação do art. 150, § 4º, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, antecipar o pagamento de uma contribuição significa delimitar qual o seu fato gerador e em processo contíguo realizar o seu pagamento. Deve ser possível ao fisco, efetuar de forma, simples ou mesmo eletrônica a conferência do valor que se pretendia recolher e o efetivamente recolhido. Neste caso, a inércia do fisco em buscar valores já declarados, ou mesmo continuamente pagos pelo contribuinte é que lhe tira o direito de lançar créditos pela aplicação do prazo decadencial consubstanciado no art. 150, § 4º. Dessa forma, quanto a decadência, entendo que razão assiste ao recorrente para que se determine a decadência a luz do art. 150, § 4 do CTN, tendo em vista considerar que o depósito do montante integral, assemelhase a antecipação de pagamento, já que os valores foram depositados e sendo a ação julgada improcedente serão automaticamente convertidos em renda, bem como, pelos relatórios contidos nos autos, em especial o relatório TEAF, é possível identificar a existência de guias de pagamento para outros fatos geradores. Devese considerar ainda, que a existência de recolhimentos de outros fatos geradores, tem levado a aplicação do art. 150, § 4 do CTN, conforme posição unânime da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que ao apreciar por diversas vezes a questão firma entendimento de que existindo recolhimento parcial de contribuições a qualquer título, mesmo Fl. 261DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 que a outro título ou sobre rubrica é suficiente para atender o comando legal de existência de pagamento antecipado, levando, por conseqüência, a aplicação do art. 150, § 4º do CTN. Nesse sentido, foi editada a Súmula n. 99 do CARF, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. No caso em questão, o lançamento foi efetuado se em 27/09/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia. . Os fatos geradores remanescentes (após a aplicação da decadência na primeira instância, ocorreram entre as competências 11/2001 a 12/2006, sendo assim, devem ser excluídos do lançamento os fatos geradores até 08/2002. DO MÉRITO Destacase de pronto, que não será conhecido o recurso acerca do mérito da NFLD em tela, tendo em vista o recorrente encontrarse em processo judicial a respeito da mesma matéria. Vejamos, os termos do relatório fiscal: Segundo o relatório fiscal da NFLD em apreço, o sujeito passivo apresentou Guias de Depósito Judicial referentes ao Mandado de Segurança n° 2000.51.01.0066224, da 14” Vara Federal do RJ, em que discute a existência do fato gerador das contribuições ora levantadas, qual seja o pagamento a médicos e dentistas credenciados ao plano de saúde, ainda sem trânsito em julgado. Para resguardar o crédito previdenciário dos efeitos da decadência, foi o mesmo constituído mediante lançamento tributário regular. Em primeiro lugar, entendo que os pontos trazidos pelo recorrente em seu recurso dizem respeito a impossibilidade de cobrança das contribuições lançadas na presente NFLD face a exigibilidade encontrarse suspensa, a aplicação da decadência quinquenal, bem como serem indevidos os juros e multa aplicados, tendo em vista a realização do montante integral do tributo lançado. Nos termos do art. 19, Parágrafo Único da Lei 8870/94, c/c como art. 307 do RPS, aprovado pelo Decreto 3048/99, não cabe apresentação de defesa à presente NFLD para discussão de matéria objeto de ação judicial , cabendo porém discussão administrativa , nos termos do art. 37, § 1º da Lei 8212/91, relativamente aos demais aspectos não contemplados pelo litígio judicial, sob pena revelia. JUROS E MULTA Já quanto a aplicação de juros e multa entendo que a partir do depósito judicial na época oportuna (CONFORME DESCRITO NO RELATÓRIO FISCAL), não são Fl. 262DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12267.000211/200866 Acórdão n.º 2401003.792 S2C4T1 Fl. 6 9 devidos juros, pois os valores depositados em juízo garantem a instância e não se pode falar em inadimplemento do contribuinte, desde que os valores tenham ficado à disposição da União. Conforme previsto no § 5º acima transcrito, caso o recorrente efetue o depósito durante o prazo para impugnação, a partir de então não flui a multa moratória, uma vez que o crédito já está garantido. Sendo assim, após o depósito judicial ter sido realizado não há que se cobrar multa moratória, desde que o valor depositado fique à disposição do credor. No caso em questão, os depósitos foram sendo realizados desde o ingresso em juízo, razão pela qual entendo inaplicável a multa ora imputada. Também há que ser observado, que a multa moratória é devida até que ocorra o implemento da obrigação. Dessa forma, somente poderá ser cobrada multa caso tenha o depósito sido realizado em momento posterior ao vencimento da obrigação, o que pelos termos trazidos pela autoridade fiscal em seu relatório não é o caso. Notese, ainda que em se tratando de NFLD lavrada para evitar a decadência, de contribuições discutidas em juízo, a cobrança de dita NFLD só poderá ser realizada após o trânsito em julgado do processo judicial. Contudo, entendo que no que concerne aos juros e multa, ressaltese que a exclusão do mesmo está condicionada ao fato de que os depósitos não tenham sido levantados até o transito em julgado do processo administrativo, o que atende a pretensão do recorrente que requer o afastamento dos mesmos, justamente para que não gere diferença entre os valores depositados em juízo e os valores originais lançados na presente NFLD no momento em que ocorrer o fim da discussão administrativa. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso de OFÍCIO, para negarlhe provimento. Quanto ao recurso VOLUNTÁRIO, voto pelo conhecimento, para, excluir do lançamento os fatos geradores até 08/2002 face a aplicação da decadência e no mérito DAR LHE PROVIMENTO PARA EXCLUIR JUROS E MULTA, considerando que os depósitos judiciais realizados não tenham sido levantados pelo recorrente até o trânsito em julgado do contencioso administrativo dos presentes autos. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 263DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 18471.002292/2008-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA.
A Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento.
LUCRO. ARBITRAMENTO. ESCRITURAÇÃO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E/OU DOCUMENTOS DA ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL.
Sujeita-se ao arbitramento de lucro o contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária livros e/ou documentos da escrituração comercial e fiscal.
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS
A solução dada ao litígio principal, relativa ao IRPJ, aplica-se, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa.
Numero da decisão: 1402-001.828
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: i) não conhecer das arguições de inconstitucionalidade; ii) rejeitar as preliminares de nulidade e, iii) no mérito, negar provimento ao recurso. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento o Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente
(assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA. A Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento. LUCRO. ARBITRAMENTO. ESCRITURAÇÃO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E/OU DOCUMENTOS DA ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. Sujeita-se ao arbitramento de lucro o contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária livros e/ou documentos da escrituração comercial e fiscal. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS A solução dada ao litígio principal, relativa ao IRPJ, aplica-se, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa.
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DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA. A Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento. LUCRO. ARBITRAMENTO. ESCRITURAÇÃO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E/OU DOCUMENTOS DA ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. Sujeitase ao arbitramento de lucro o contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária livros e/ou documentos da escrituração comercial e fiscal. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS A solução dada ao litígio principal, relativa ao IRPJ, aplicase, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 22 92 /2 00 8- 08 Fl. 1174DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18471.002292/200808 Acórdão n.º 1402001.828 S1C4T2 Fl. 3.294 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: i) não conhecer das arguições de inconstitucionalidade; ii) rejeitar as preliminares de nulidade e, iii) no mérito, negar provimento ao recurso. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento o Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez. Fl. 1175DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18471.002292/200808 Acórdão n.º 1402001.828 S1C4T2 Fl. 3.295 3 Relatório INTERGLOBAL TRADING LTDA recorre a este Conselho, com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 1229.735 da 7ª Turma da Delegacia de Julgamento do Rio de Janeiro/RJI, que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada, exonerando parcela do crédito tributário constituído de ofício em razão de decadência. Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto o relatório da decisão recorrida, complementandoo ao final: Trata o presente processo administrativo fiscal de autos de infração, com ciência em 05/09/2008 (fls. 348), para cobrança do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 276/286), de Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS (fls. 287/294), de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 295/303), de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS (fls. 304/311), relativo aos anoscalendário de 2003 e 2004, nos seguintes valores: Principal Juros de Mora * Multa Total IRPJ 144.298,42 84.601,07 108.223,79 337.123,28 PIS 45.938,42 27.581,46 34.453,76 107.973,64 CSLL 76.328,56 44.743,42 57.246,39 178.318,37 COFINS 212.023,77 127.299,63 159.017,75 498.341,15 TOTAL 1.121.756,44 * Juros de Mora até 29/08/2008 De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, fls. 189/200, a presente autuação decorre das seguintes constatações: IRPJ – Movimentação Financeira Incompatível com receita declarada – período de 2003 a 2005 · A programação detectou que os valores entre Movimentação Financeira e Receita Declarada nos três anoscalendário, superam, por presunção, em mais de 10 vezes, justificando a requisição de informações bancárias, por via administrativa, com base no Decreto 3.724/2001. · Em resposta ao Termo de Início de Fiscalização solicitando livros Comerciais e Fiscais e demais documentos, foi informado que houve incêndio, apresentando cópia do jornal EXTRA, de 21/09/2006, comunicando a perda de livros e documentos. Fl. 1176DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18471.002292/200808 Acórdão n.º 1402001.828 S1C4T2 Fl. 3.296 4 · Obtidos os extratos bancários por meio de RMF, a interessada foi intimada a comprovar a origem dos recursos referentes a valores creditados junto às instituições financeiras (Banco ABN AMRO Real – Banco do Brasil – Banco Amazônia – Unibanco). Trouxe resposta com explicações sobre o “modus operandi” da empresa junto às instituições financeiras, explicações sobre os principais códigos das contascorrentes, mas não apresentou nenhuma documentação hábil e idônea que comprovassem a origem desses créditos, conforme dispõe o RIR/99, artigo 287 e a Lei nº 9.430/96, artigo 42. · As intimações foram acompanhadas de planilhas, por ano calendário, contendo os créditos informados pelas instituições financeiras, discriminadas por banco, agências e contascorrentes, individualizados por data, histórico e nº dos documentos bancários, quando existentes e destacados mês a mês e o Quadro Comparativo entre os créditos não comprovados, individualizados por bancos, mês a mês, e as receitas brutas declaradas em DIPJ, mensais e trimestrais. · A autuada também foi intimada a responder, por duas vezes (02/06/2008 e 13/06/2008) se já havia providenciado as 2ª vias dos Livros Comerciais e Fiscais. Metodologia de Análise das Informações Bancárias · Foram desconsideradas todas as transferências DOC ou TED, de mesma titularidade, quando informadas pelos próprios bancos ou encontrados nos extratos dos outros bancos analisados, com coincidência de datas e valores. · Não foram considerados créditos advindos de empréstimos e avisos de créditos, que funcionam como adiantamento de empréstimos. · As cobranças bancárias creditadas são adiantamentos de Duplicatas Descontadas ou simples cobranças. Tais operações correspondem a receitas de vendas/faturamento da empresa e como não há contabilidade disponível para a devida conferência, foram consideradas como receita. · A autuada informou, em 19/08/2008, que depósitos em cheque, depósitos em dinheiro, depósito entre agência, depósito de PJ/Título Descontado, Líquido de desconto, DOC e TED de outra titularidade, depósito compensado, depósito on line, desbloqueio de depósito, depósito cheque liberado e cobranças referemse a receitas, advindas de pagamentos de clientes, exceto Aviso de Crédito, que seria antecipação de empréstimo. · A alegação da autuada que a cobrança com código 624 estaria inclusa na cobrança do código 607, correspondente a Desconto de Duplicatas, não foi confirmada nos extratos bancários. · Todos os recursos creditados e não comprovados foram considerados omissão de receita, com base no artigo 42 da Lei nº Fl. 1177DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18471.002292/200808 Acórdão n.º 1402001.828 S1C4T2 Fl. 3.297 5 9.430/96, e artigo 287 do RIR/99, sendo abatidas as receitas declaradas. · Como não foram apresentados os Livros Comerciais e Fiscais, e nem o Livro Caixa, bem como nenhuma documentação comercial e fiscal, o lucro foi arbitrado para os anoscalendário de 2003 e 2004, com base no artigo 530 do RIR/99, tendo como base de cálculo os valores considerados como omissão de receita, e a receita declarada na DIPJ/2004 e DIPJ/2005. · Os impostos e contribuições pagos a título de IRPJ e CSLL, nos anoscalendário de 2003 e 2004, informados em DIPJ, declarados em DCTF e pagos, foram devidamente considerados a abatidos dos resultantes da omissão de receita. Inconformada, a interessada ingressou com impugnação, em 02/10/2008, de fls. 350/370, com as seguintes argumentações: Preliminares 1. Da quebra indevida do sigilo bancário administrativamente · A quebra do sigilo bancário afrontou o artigo 5º, inciso X e XII da CF/88. · A Lei Complementar nº 105/2001 é inconstitucional, tanto do ponto de vista da quebra do sigilo fiscal quanto do procedimento fiscal nela previsto. · A LC nº 105/2001 e o Decreto 3.724/2001 configuramse abuso de poder ao desrespeitar a separação dos poderes quando despersonifica a necessidade de ordem judicial para quebra do sigilo bancário. · Traz ementa do RE 461366 / DF. 2. Da decadência do PIS e da COFINS. · Alega a decadência dos créditos tributários de PIS e COFINS dos períodos de julho e agosto de 2003, considerando que a ciência ocorreu em 04/09/2008, nos termos do artigo 150, §4º do CTN. Dos Fatos e Do Direito 1. Dos depósitos bancários sem Comprovação da Origem · O fiscal autuante optou por considerar como omissão de receita a totalidade dos valores discriminados nas planilhas. · Tais créditos, na sua maioria, referemse, entre outros lançamentos, a: PJ/TÍTULO DESCONTADO; LIQ. COB., COBRANÇA. · Os títulos foram colocados para cobrança nas instituições financeiras, em decorrência de vendas a prazo anteriormente efetuadas, conforme se pode verificar em relação anexa, que é parte integrante do Auto de Infração. Fl. 1178DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18471.002292/200808 Acórdão n.º 1402001.828 S1C4T2 Fl. 3.298 6 · Muitos valores representam reingresso de numerários já depositados e tributados. · Só podem ser considerados como omissão de receitas os valores que, efetivamente, não tiveram sua origem comprovada, nos termos do artigo 287 e 849 do RIR/99. · A origem da maioria está estampada no próprio extrato (PJ/TÍTULO DESCONTADO; LIQ. COB., COBRANÇA), e referese a recebimentos de títulos de cobrança bancária ou desconto de duplicatas (antecipação). · Se a origem foi comprovada, e não tributada, deverão se submeter às normas específicas previstas na legislação e nunca ser tributados como presunção de omissão de receita capitulada no artigo 42 da Lei nº 9.430/96. · Os valores decorrentes dos recebimentos de cobrança ou descontos de duplicatas referemse a vendas pretéritas, sendo relativas à receita já ocorridas, declaradas ou não. · O fato gerador dos tributos está bem definido na legislação como regime de competência. · Definir a ocorrência do fato gerador do tributo no momento de seu recebimento, seria regime de caixa, afrontando o artigo 142 do CTN. · A atividade fiscal é vinculada, devendose reportar à data de ocorrência do fato gerador, no caso em pauta, por ocasião da realização das vendas, e não no momento do seu recebimento. 2. Do arbitramento com base na receita declarada. · Com relação a este tópico, teve cerceamento do direito de defesa. · O Termo de Verificação Fiscal não esclareceu ou justificou o motivo da sua opção pelo arbitramento do lucro, impedindo de fazer uso de seu direito previsto no artigo 5º, inciso LV da CF/88, o contraditório. · Tudo leva a crer que o arbitramento deuse pela não apresentação dos livros e documentos em decorrência do incêndio. · A escrituração já havia sido efetivada, bem como realizada tempestivamente a entrega da declaração de rendimentos dos anoscalendário correspondentes, quando da ocorrência do sinistro. · A destruição decorreu de infortúnio casual, sem culpa da autuada, não sendo questionado pelo Fisco. · Tomou as providências legais exigidas no que concerne à ocorrência de um incêndio em estabelecimento comercial, não cabendo o arbitramento. Fl. 1179DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18471.002292/200808 Acórdão n.º 1402001.828 S1C4T2 Fl. 3.299 7 Da inaplicabilidade dos autos de infração reflexos (PIS, COFINS e CSLL) · Da total improcedência do auto de infração matriz (IRPJ), solicita a anulação integral dos respectivos lançamentos, devida à íntima relação de causa e efeito que vincula um aos outros. No julgamento da impugnação apresentada, a decisão recorrida manteve parcialmente a decisão, exonerando tão somente os créditos tributários de PIS e Cofins referentes aos meses de julho e agosto de 2003 em face da decadência, matéria não objeto de recurso de ofício em razão do valor exonerado ser inferior a R$ 1.000.000,00. A ementa de tal julgado recebeu a seguinte redação: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 DEPÓSITOS BANCÁRIOS OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A Lei nº 9.430, de 1996, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza lançar o imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. ARBITRAMENTO DO LUCRO Cabível o arbitramento quando a autuada não apresenta os livros contábeis e fiscais durante a ação fiscal (artigo 530 do RIR/99) SIGILO BANCÁRIO. QUEBRA. LEI Nº 105/2001. PREVISÃO LEGAL. É lícito ao Fisco, mormente após a edição da Lei Complementar nº 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. LEI Nº 105/2001. INCONSTITUCIONALIDADE. AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. FALTA DE COMPETÊNCIA. Publicada uma lei, pressupõese que os princípios constitucionais estão nela contemplados pelo controle a priori da constitucionalidade das leis. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, que cuida do controle a posteriori, não pode deixar de ser aplicada estando em vigor. Ademais, ressaltase que as autoridades administrativas, incluídas as que julgam litígios fiscais, não têm competência para decidir sobre argüição de inconstitucionalidade de lei, já que tal competência está adstrita à esfera judicial. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. CSLL. COFINS. Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. PIS COFINS DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. No caso dos tributos submetidos à sistemática do lançamento por homologação, extinguese em cinco anos a contar dos respectivos fatos geradores o direito do fisco de proceder ao lançamento de ofício, salvo a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Intimada do resultado do julgamento em 28 de maio de 2010 (fl. 2254), a interessada apresentou recurso voluntário de fls. 22662300 em 24 de junho de 2010. Em síntese, reafirma os argumentos apresentados em sua impugnação. É o relatório. Fl. 1180DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18471.002292/200808 Acórdão n.º 1402001.828 S1C4T2 Fl. 3.300 8 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, R elator. O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Tratase de analisar lançamento referente ao IRPJ e reflexos, cujo substrato decorre de omissão de receitas, baseada em depósitos bancários sem origem justificada, da qual se obteve a base para o arbitramento do lucro. 1 PRELIMINARES 1.1 SIGILO BANCÁRIO. INCONSTITUCIONALIDADE. NULIDADE. Entre os direitos e garantias fundamentais, a Constituição Federal de 1988, no artigo 5º, XII, assegura que “é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal.” Entre os dados cuja a inviolabilidade está assegurada, nos dizeres da Recorrente, encontrase o sigilo bancário, somente sendo admitido seu acesso, com ordem judicial, para fins criminais. Da leitura da norma constitucional acima transcrita depreendese que o legislador constituinte estabeleceu limites ao legislador ordinário, isto é, somente permitiu a edição de lei regulando o acesso ao sigilo bancário mediante duas condições: a) para fins de investigação criminal; b) mediante ordem judicial. Da leitura da norma constitucional acima transcrita depreendese que o legislador constituinte estabeleceu limites ao legislador ordinário, isto é, somente permitiu a edição de lei regulando o acesso ao sigilo bancário mediante duas condições: a) para fins de investigação criminal; b) mediante ordem judicial. O ponto principal do recurso em que se baseia o recurso é se o legislador ordinário poderia ter editado a Lei Complementar nº 105, de 2001 e a Lei nº 10.147, de 2001, outorgando poderes à Administração para requisitar a movimentação financeira dos contribuintes. Mais, além desta indagação há que se verificar se o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão da Administração que é, tem competência para conhecer e julgar questões afetas à constitucionalidade das leis. Inicialmente, observo que sancionada determinada lei ela entra no sistema jurídico e presumese constitucional até que seja declarada sua inconstitucional, retirandoa do sistema ou impedindo sua aplicação em relação ao caso concreto, isto é “inter partes”. Por outro lado, o Judiciário pode deixar de aplicar lei que a considere inconstitucional, contudo, o mesmo não se aplica em relação à Administração. A razão desta lógica é que o Estado Administração não pode avocar para si a prerrogativa de julgar a constitucionalidade ou não de Fl. 1181DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18471.002292/200808 Acórdão n.º 1402001.828 S1C4T2 Fl. 3.301 9 lei. Tal prerrogativa, por força das previsões contidas nos artigos 97, 102, I, compete ao Poder Judiciário. À luz do artigo 103, I, da Constituição Federal, o chefe do Poder Executivo, no caso o Presidente da República, tem legitimidade para propor ação direta de inconstitucionalidade sustentando que determinada lei viola da Constituição. Contudo, nem o Presidência da República e tampouco os demais órgãos da Administração podem deixar de cumprir lei sob o pretexto de que esta viola norma Constitucional. Neste sentido, à luz do artigo 26A, § 6º, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, a seguir transcrito, os Conselheiros do Carf somente podem deixar de aplicar lei sob o fundamento de inconstitucionalidade após o Supremo Tribunal Federal, por seu Plenário, em controle concentrado ou difuso, por decisão definitiva, ter reconhecido a inconstitucionalidade da norma. Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). .... § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Sobre a matéria este Conselho já pacificou seu entendimento por meio da Súmula nº 2, cujo teor é o seguinte: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Não desconheço que em 15/12/2010, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, por maioria, proferiu decisão que pode ser sintetizada na ementa abaixo transcrita, publicada no DJe086 em 10052011: SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídico tributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. Ocorre que o acórdão exarado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, com a ementa acima transcrita, foi desafiado por embargos de declaração, com pedido de modificação da decisão. Pelo que apurei em pesquisa realizada, os citados embargos foram recebidos por despacho datado de 07/10/2011 e ainda encontramse pendentes de julgamento. Fl. 1182DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18471.002292/200808 Acórdão n.º 1402001.828 S1C4T2 Fl. 3.302 10 Assim, por estarmos diante de acórdão do Plenário do Supremo Tribunal Federal que não transitou em julgado, com base na decisão resultante do RE 389.808/PR, não é possível, nesta instância administrativa, deixar de aplicar as disposições constantes na Lei Complementar nº 105, de 2001 e na Lei nº 10.174, de 2001. Ainda em relação ao tema, em 20/11/2009, ao examinar o Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, relatado pelo Ministro Ricardo Lewandowski, o Supremo Tribunal Federal reconheceu, quanto à matéria, a existência de repercussão geral, nos termos do artigo 543B, do Código de Processo Civil. Neste sentido, segue a ementa da decisão: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao fisco, sem prévia autorização judicial (lei complementar 105/2001). Possibilidade de aplicação da lei 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Relevância jurídica da questão constitucional. existência de repercussão geral. Neste sentido, quer da análise do Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, ou do Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, não se identifica decisão definitiva do STF reconhecendo a inconstitucionalidade das normas invocadas pela recorrente. Quanto ao procedimento para acesso às informações bancárias diretamente pela Receita Federal, convém tecer alguns comentários adicionais. A respeito da suposta quebra de sigilo bancário, convém reforçar que o parágrafo único do art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001, estabelece que as informações e documentos obtidos pela RFB junto às instituições financeiras serão conservados em sigilo. No mesmo sentido, o mesmo diploma legal estabelece em seu art. 1º, § 3º, VI, que não constitui violação do dever de sigilo a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos seus arts. 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 10. Para preservar a inviolabilidade do direito constitucional que as pessoas têm à intimidade e à privacidade, preceitua o § 5º do art. 5º da precitada LC que: "As informações a que refere este artigo serão conservadas sob sigilo fiscal, na forma da legislação em vigor". Relativamente ao sigilo fiscal, vigora o art. 198 do Código Tributário Nacional, lei materialmente complementar, que, no seu caput, de acordo com a nova redação atribuída pela Lei Complementar nº 104, de 10 de janeiro de 2001, assim dispõe: "Sem prejuízo do disposto na legislação criminal, é vedada a divulgação, por parte da Fazenda Pública ou de seus servidores, de informação obtida em razão do ofício sobre a situação econômica ou financeira do sujeito passivo ou de terceiros e sobre a natureza e o estado de seus negócios ou atividades". Portanto, as informações bancárias sigilosas são transferidas à administração tributária da União sem perderem a proteção do sigilo. Além disso, merece destaque que o acesso à documentação financeira do contribuinte se deu com base em autorização da própria Recorrente. A decisão recorrida muito bem aborda o tema, merecendo ser reproduzida: A própria autuada, em resposta à intimação, apresentada em 17/10/2007, acostada aos autos às fls. 107/109, informa que solicitara no Banco a 2ª via dos extratos bancários, mas por estarem em processo de negociação de dívidas em aberto, ainda não havia sido Fl. 1183DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18471.002292/200808 Acórdão n.º 1402001.828 S1C4T2 Fl. 3.303 11 liberado, e teria que pagar pelo serviço. Por conseguinte, solicitou que tal informação, ou seja, os extratos bancários, partissem da Secretaria da Receita Federal, evitando, assim, dispêndio por parte da autuada. Este foi o procedimento adotado pela Administração, de modo que ao final da ação fiscal, os extratos bancários foram entregues à sócia Marlucia Camilo Alves, conforme Termo de fls. 162, datado em 04/09/2008, a fim de garantir o direito ao contraditório e ampla defesa. Ainda na mesma linha de argumentação a respeito do acesso aos dados bancários, aduz a Recorrente que o procedimento fiscal seria nulo em razão de suposta “quebra” de seu sigilo bancário. A nulidade no processo administrativo fiscal é regulada pelos arts. 59 a 61 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, e alterações posteriores, abaixo transcritos: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1.º. A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2.º. Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3.º. Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Acrescido pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. (grifo nosso) Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. A despeito do já exposto, no caso concreto não há qualquer dúvida quanto à ausência de prejuízo ao contribuinte, tanto que, conseguiu defenderse plenamente. Compulsando os autos, não se encontra qualquer documentação que poderia, em tese, comprovar a origem dos créditos em suas contas bancárias. Em sede de impugnação e recurso voluntário também não se anexou um só documento que infirmasse as conclusões fiscais. Ressaltase que tais pontos serão melhor abordados no exame do mérito da exigência. Ademais, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa na fase inquisitorial do procedimento fiscal, uma vez que a fase litigiosa somente se inicia com a Fl. 1184DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18471.002292/200808 Acórdão n.º 1402001.828 S1C4T2 Fl. 3.304 12 apresentação da impugnação (art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972), momento a partir do qual o contraditório e a ampla defesa devem ser observados de forma ampla. No decorrer do procedimento de fiscalização o agir da autoridade fiscal se deu em estrito cumprimento das normas estabelecidas, inclusive quanto à intimação prévia para comprovação da origem dos créditos bancários, conforme estatui o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Desse modo, rejeito as preliminares suscitadas. 2 MÉRITO 2.1 DA APURAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO A Recorrente é acusada de omissão de receita, caracterizada pela falta de comprovação da origem dos depósitos/créditos efetuados em suas contas bancária, tendo por base legal o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que assim dispõe: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tal dispositivo legal estabeleceu uma presunção de omissão de receitas, autorizando a exigência de imposto de renda e de contribuições correspondentes, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. A inversão legal do ônus da prova é perfeitamente aceita por nosso ordenamento jurídico, estando regulada também no artigo 334, inciso IV, da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil – CPC), aplicado subsidiariamente ao Decreto nº 70.235/1972 no Processo Administrativo Fiscal: Art. 334. Não dependem de prova os fatos: (...) IV – em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. A Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), recepcionada pela nova Constituição, consoante artigo 34, § 5º, do Ato das Disposições Transitórias, define, em seus artigos 43, 44 e 45, o fato gerador, a base de cálculo e os contribuintes do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. De acordo com o artigo 44, a tributação do imposto de renda não se dá só sobre rendimentos reais, mas, também, sobre rendimentos arbitrados ou presumidos por sinais indicativos de sua existência e montantes. Esses artigos assim dispõem: Fl. 1185DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18471.002292/200808 Acórdão n.º 1402001.828 S1C4T2 Fl. 3.305 13 Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Art. 44. A base de cálculo do imposto é o montante real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis. Art. 45. Contribuinte do imposto é o titular da disponibilidade a que se refere o artigo 43, sem prejuízo de atribuir a lei essa condição ao possuidor, a qualquer título, dos bens produtores de renda ou dos proventos tributáveis. Parágrafo único. A lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de responsável pelo imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam. A presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos utilizados para efetuar os depósitos bancários. Tratase, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário. É função do Fisco, entre outras, comprovar o crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento e intimar o titular da conta bancária a apresentar os documentos, informações e esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão de receitas de que trata o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Contudo, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte. Não comprovada a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o poder e o dever de considerar os valores depositados em conta bancária como receita, efetuando o lançamento do imposto e contribuições correspondentes. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do princípio da legalidade que rege a Administração Pública, cabendo ao agente seguir a legislação. Dessa forma, detectadas irregularidades que conduzem à presunção de omissão de receita, por imposição legal e por ser a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, conforme parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional, cabe à fiscalização efetuar o lançamento de acordo com a legislação aplicável ao caso. A Recorrente foi intimada a comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados/creditados nas suas contas corrente. Para a turma julgadora de primeira instância, não houve comprovação da origem dos créditos em suas contas, uma vez que meras alegações não possuem o condão de comprovar a origem dos valores depositados ou creditados em suas contas bancárias. Em sede de recurso voluntário não foram apresentados quaisquer novos documentos. Fl. 1186DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18471.002292/200808 Acórdão n.º 1402001.828 S1C4T2 Fl. 3.306 14 A respeito do argumento da Recorrente de que a origem dos depósitos poderia ser retirada do próprio histórico dos lançamentos, entendo que a decisão recorrida deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos, os quais reproduzo como razões de decidir: No presente caso, o principal argumento de defesa seria que a origem dos recursos estaria estampada no histórico dos depósitos bancários, a saber: PJ/TÍTULO DESCONTADO; LIQ. COB., COBRANÇA. Assim, todos teria sua origem comprovada, cabendo a tributação com base nas normas específicas previstas na legislação, e não como presunção de omissão de receita. Este argumento não pode prosperar. A origem dos recursos depositados não pode ser comprovada pelo histórico que consta nos extratos bancários. Não pode a Administração Fazendária constituir o crédito tributário, que é uma atividade vinculada e deve seguir os ditames do artigo 142 do CTN, afirmando que é receita omitida, considerando como prova direta tão somente uma descrição sumária que consta nos extratos bancários, sendo que cada instituição financeira tem seus códigos e padrões próprio, sem qualquer regulamentação por parte da Fazenda Pública. Para comprovação da origem dos recursos, devem ser apresentados documentos hábeis e idôneos que representem os negócios jurídicos praticados pela autuada. Como exemplo, uma COBRANÇA pode decorrer de uma venda, de uma prestação de serviços, ou até mesmo de um empréstimo a terceiros cuja garantia se deu por Nota Promissória. No caso de empréstimo, não cabe a tributação sobre o montante emprestado. Caberia, no caso, a tributação dos juros decorrentes desta transação. Ratificando este entendimento, a própria autuada afirma, em sua defesa, fls. 365, que “Na maioria dos casos, os títulos foram colocados para COBRANÇA nas instituições financeiras, em decorrência de vendas a prazo anteriormente efetuadas pela Impugnante, conforme se pode verificar através da relação anexa, que é parte integrante do Auto de Infração.”(negritei). Ora, a contrário senso, a autuada afirma que há depósitos a titulo de COBRANÇA que não se referem à receita. Daí, no presente caso, a aplicação da presunção de receita omitida. Nesse contexto, impende concluir que competia ao contribuinte provar a veracidade do que afirmou, nos termos da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 (texto legal que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal), art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido dispõe os art. 333 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: Fl. 1187DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18471.002292/200808 Acórdão n.º 1402001.828 S1C4T2 Fl. 3.307 15 [...] II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Corroborando tal tese, convém transcrever jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais. (Habeas Corpus nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(Intervenção Federal Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) Fl. 1188DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18471.002292/200808 Acórdão n.º 1402001.828 S1C4T2 Fl. 3.308 16 PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) De acordo com o parágrafo único do artigo 142 do Código Tributário Nacional, a autoridade administrativa encontrase submetida ao estrito cumprimento da legislação tributária, estando impedida de examinar outras questões como as suscitadas pelo Contribuinte em seu recurso, uma vez que às autoridades tributárias cabe aplicar a lei e obrigar seu cumprimento. O princípio da legalidade, assentado no art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988, e o previsto no parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional, vinculam a atividade do lançamento à lei, sob pena de responsabilidade funcional. No caso concreto, dado que a administração tributária apenas exerceu o poder/dever de tributar, conferido pela Constituição Federal e institucionalizado pela legislação infraconstitucional de regência da matéria. Por fim, cabe ressaltar que o tema já foi pacificado no âmbito do processo administrativo fiscal com a edição da Súmula 26 do CARF, a seguir transcrita: “A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.” Fl. 1189DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18471.002292/200808 Acórdão n.º 1402001.828 S1C4T2 Fl. 3.309 17 A respeito da Súmula 182 expedida pelo extinto Tribunal Federal de Recursos, referiase à legislação já revogada (art. 6º, § 5º, da Lei nº 8.021/90), portanto, não aplicável ao art. 42 da Lei nº 9.430/96. No que tange ao argumento de que houve tributação com base no regime de caixa, e não de competência, outra sorte não assiste à Recorrente, pois, tratandose de tributação com base em depósitos bancários, a data da ocorrência do fato gerador deve ser aferida com base no período de apuração correspondente aos créditos bancários, tal qual realizado pela autoridade lançadora. Ante o exposto, confirmase a omissão de receita apurada em depósitos bancários de origem não comprovada. No que tange ao arbitramento de lucros, a Interessada, devidamente intimada, deixou de apresentar os documentos e livros comerciais e fiscais solicitados. Nesse cenário, a autoridade lançadora considerou como receita bruta o valor de receitas omitidas apurado durante o procedimento fiscal, procedendo ao arbitramento de lucros. Não há reparos a fazer ao lançamento e à decisão recorrida, isso porque o art. 530, III, do RIR/1999 assim determina: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º) [...] III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; (grifou se) No que tange aos argumentos relativos ao incêndio que teria destruído os livros e documentos, perfeitas as considerações da decisão recorrida, as quais adoto como fundamento de meu voto, transcrevendoas a seguir, como permite o art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99: Alega que houve cerceamento de defesa já que não foi esclarecido o motivo da opção pelo arbitramento do Lucro. Tal afirmação não procede, já que no Termo de Verificação Fiscal restou claro o motivo, que transcrevo a seguir: “IRPJ – MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA (...) Registrese que não foram apresentados nenhum Livro Comercial e Fiscal e nem o Livro Caixa, bem como nenhuma documentação comercial e fiscal, restando à fiscalização ora procedida apenas as Fl. 1190DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18471.002292/200808 Acórdão n.º 1402001.828 S1C4T2 Fl. 3.310 18 informações bancárias e as informações das DIPJ. Registrese, também, que os recursos creditados nas instituições financeiras e não comprovados por documentação hábil e idônea superaram em média 8,65 vezes as receitas declaradas em DIPJ. Desta forma, foi solicitada, em 19/08/2008, autorização para arbitrar o lucro, para os anoscalendário de 2003 e 2004 e na mesma data, elaborada a Representação Fiscal para Exclusão do Simples, para o anocalendário de 2005, tendo em vista, que no ano calendário de 2004, a receita omitida foi da ordem de R$ 4.671.091,31, já descontada a receita oferecida na DIPJ 2005/2004, superando em muito o limite de opção de R$ 1.200.000,00, fixado pelo art. 9º da Lei nº 9.317/96.” A seguir, consta no Termo o embasamento legal do arbitramento, transcrevendo os artigos 527, 530, 532 e 537, todos do RIR/99. Logo, não tem cabimento a alegação que o arbitramento do lucro não foi motivado. Em sua defesa, também alega que a destruição decorreu de infortúnio causal, e que teria tomado as providências legais exigidas, não cabendo o arbitramento. O artigo 264, § 1º do RIR/99 determina o procedimento que o contribuinte deve observar nos casos de extravio, deterioração ou destruição de livros, fichas, documentos ou papéis de interesse da escrituração. Transcrevo o referido comando regulamentar, in verbis: Seção IV Conservação de Livros e Comprovantes Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (Decreto Lei nº 486, de 1969, art. 4º). § 1º Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de livros, fichas, documentos ou papéis de interesse da escrituração, a pessoa jurídica fará publicar, em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento,aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação, dentro de quarenta e oito horas, ao órgão competente do Registro do Comércio, remetendo cópia da Fl. 1191DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18471.002292/200808 Acórdão n.º 1402001.828 S1C4T2 Fl. 3.311 19 comunicação ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição (Decreto Lei nº 486, de 1969, art. 10). § 2º A legalização de novos livros ou fichas só será providenciada depois de observado o disposto no parágrafo anterior (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 10, parágrafo único). § 3º Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios (Lei nº 9.430, de 1996, art. 37). Não há nos autos provas de que a autuada tenha procedido conforme o referido mandamento regulamentar, pois não consta a comunicação ao órgão competente do Registro do Comércio (Junta Comercial), sequer o envio da cópia ao órgão da Secretaria da Receita Federal. Ademais, a autuada, em 17/10/2007, respondendo ao Termo de Início de Fiscalização, afirmou que, quantos aos Livros de Registro de IPI, Registro de Inventário e de Controle de Produção e do Estoque, Livros Comerciais e Fiscais referentes aos anoscalendário de 2003, 2004 e 2005, já teria providenciado a 2ª via, mas por motivos financeiros, referentes a não quitação integral do sinistro, estaria sem condições de fazer os procedimentos de novos registros, até que a ação seja finalizada. Resposta acostada aos autos às fls. 107/109. Em 02/06/2008, a autuada foi intimada a informar se já teria providenciado as 2ªs vias dos Livros Comerciais e Fiscais, conforme a resposta do dia 17/10/2007 (fls. 147). Foi reintimada em 13/06/2008. Somente em 20/06/2008 respondeu que “esclarecemos que já foram providenciadas as 2ªs vias dos livros comerciais e fiscais, entretanto, em função do incêndio ocorrido nas instalações da empresa, não conseguiram concluir a sua escrituração.” Ou seja, após 9 meses da primeira resposta, a autuada não pode providenciar a nova escrituração dos Livros Comerciais e Fiscais. Logo, diante da total impossibilidade de apurar o imposto de renda com base no lucro presumido, conforme Declarações apresentadas nos anoscalendário de 2003 e 2004, e considerando a constatação de presunção de omissão de receita, a fiscalização se viu obrigada a constituir o crédito tributário com base no lucro arbitrado. A falta de apresentação dos livros comerciais e fiscais não pode obstruir a ação fiscal no sentido de apurar os tributos devidos se apurada a presunção de omissão de receitas. Logo, foi correto o procedimento de arbitramento do lucro para determinação dos créditos tributários devidos em razão da presunção de omissão de receita, assim como das receitas já declaradas, no que tange a determinação do IRPJ e da CSLL. Assim sendo, correta também a forma de apuração de lucro levada a efeito pelo lançamento, que merece ser integralmente mantido também nesse ponto. Fl. 1192DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 18471.002292/200808 Acórdão n.º 1402001.828 S1C4T2 Fl. 3.312 20 2.2 LANÇAMENTOS DECORRENTES Os lançamentos do Programa de Integração Social, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (Lucro Arbitrado) foram lavrados em decorrência da omissão de receita apurada. Há disposição legal expressa de que a receita omitida seja incluída na base de cálculo da CSLL, PIS e COFINS, conforme dispões o § 2º do art. 24 da Lei nº 9.249/1995, que assim dispõe: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. (...) § 2º. O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. Assim, não tendo fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa, é de se manter essas exigências nas mesmas condições, ante a íntima relação e causa e efeito. 3 CONCLUSÃO Isso posto, voto por não conhecer das arguições de inconstitucionalidade, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Fl. 1193DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10880.962164/2008-83
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
RECURSO VOLUNTÁRIO. CANCELAMENTO DE DCOMP. IMPOSSIBILIDADE.
Tratando-se de pedido juridicamente impossível no âmbito do processo administrativo fiscal, regido pelo decreto nº 70.235, de 1972, não se conhece de recurso voluntário que tem como único pedido o cancelamento da DCOMP objeto da causa.
Numero da decisão: 1801-002.195
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. Ausente justificadamente o Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Fernanda Carvalho Álvares, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich..
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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CANCELAMENTO DE DCOMP. IMPOSSIBILIDADE. Tratandose de pedido juridicamente impossível no âmbito do processo administrativo fiscal, regido pelo decreto nº 70.235, de 1972, não se conhece de recurso voluntário que tem como único pedido o cancelamento da DCOMP objeto da causa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. Ausente justificadamente o Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Fernanda Carvalho Álvares, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 96 21 64 /2 00 8- 83 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10880.962164/200883 Acórdão n.º 1801002.195 S1TE01 Fl. 126 2 Relatório LICYN MERCANTIL INDUSTRIAL LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 1629.317 (fl. 34), pela DRJ São Paulo I, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. O recorrente apresentou à Receita Federal do Brasil a declaração de compensação de nº 27754.44630.211004.1.3.049180 (fl. 10), que não foi homologada por aquele órgão, nos termos do despacho decisório de fl. 7: 0(s) DARF indicado(s) abaixo, não foi(ram) localizado(s) nos Sistemas da Secretaria da Receita Federal. Verifique se todos os dados da Ficha DARF, informados no PER/DCOMP, conferem com os dados do(s) DARF objeto(s) do crédito. No caso de REDARF, as informações devem ser as constantes da retificação. A data de arrecadação é a data em que o pagamento foi realizado, que consta da autenticação bancária. Ciente dessa decisão, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fl. 2, em que faz as seguintes afirmações: 12. Ocorre que a Impugnante, por mero erro técnico, apesar de cumpridas as exigências legais, estabelecidas pelo Código Tributário Nacional para a extinção do crédito tributário (art. 156, I) elaborou Pedido de Compensação vinculando o débito declarado com o crédito oriundo do próprio pagamento do imposto. 13. 0 IR devido, como já comprovado, possuía apuração trimestral, sendo devido, então, um único débito correspondendo ao lucro presumido acumulado no trimestre. 14. Ocorre que a Impugnante quitou o débito através de três DARF, todos recolhidos na mesma data, cujo montante foi superior ao valor devido na apuração trimestral, conforme detalhado a seguir: ... 15. 0 principal ponto de análise é, então, a inexistência de qualquer razão para a entrega da PER/DCOMP, haja vista sua irrelevância com o contexto, sendo totalmente dispensável para a análise dos débitos em questão. 16. Deve prevalecer, portanto, a verdade material do fatos, a qual pode ser constatada e comprovada através dos próprios DARF's pagos, que servem de premissa para o erro inequívoco então cometido pela Impugnante. Ao final, requer o cancelamento da referida DCOMP, nos seguintes termos: Fl. 126DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10880.962164/200883 Acórdão n.º 1801002.195 S1TE01 Fl. 127 3 21. Pelo exposto, requerse o seu integral acolhimento, para que, reformandose a r. decisão proferida, seja cancelada a exigência do crédito tributário, cancelandose a PER/DCOMP n°. 27754.44630.211004.1.3.049180, determinandose, ao final, o arquivamento do presente procedimento administrativo. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, dando a seguinte ementa à sua decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF INEXISTENTE. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. Corroborada a inexistência de DARF com os exatos atributos certificados pelo sujeito passivo para fins caracterização da origem do crédito tipificado na qualidade de pagamento de indevido ou a maior na respectiva declaração de compensação, impõese ratificar a negativa de reconhecimento do direito creditório e, por conseqüência, a nãohomologação da compensação declarada. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO E DESISTÊNCIA. A retificação ou desistência da declaração de compensação somente são admitidas com observância das condicionantes legais estabelecidas pela norma de regência, bem como desde que requeridas antes da prolação de decisão administrativa pela autoridade administrativa competente. Cientificado dessa decisão em 22/03/2011, por meio de remessa postal (fl. 44), o contribuinte interpôs o presente Recurso Voluntário (fl. 59), em 19/04/2011, em que faz a seguinte afirmação: Merece reforma o v. acórdão preferido pela 7a. Turma da DRJ/SP1, não por seus bem lançados fundamentos, mas sim porque a recorrente encontrou em seus arquivos o DARF de recolhimento do imposto gerador do crédito que pretende reconhecimento, evidenciando assim a legitimidade do registro na declaração de compensação e procedência do crédito pleiteado, guia esta que se tornou o cerne da questão. Ao final, requer a realização de diligência. Junta cópia de DARF à fl. 63. Em 14/02/2014, o recorrente apresenta aditamento às suas razões de defesa, juntado à fl. 82, a título de “esclarecimentos ao recurso”, em que afirma: Em decorrência de auditoria interna na apuração de seus tributos, a contribuinte verificou que realizou compensação de débito do IRPJ Código Receita 2089 no valor de RS 1.588,49 ao Fl. 127DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10880.962164/200883 Acórdão n.º 1801002.195 S1TE01 Fl. 128 4 qual serviu para liquidar quota do mesmo imposto do 2o Trim/2002 que já havia sido quitado com o pagamento em DARF conforme demonstrado abaixo: Débito Declarado em DCTF: Débito em DCTF Código Receita Tributo Valor P.A Vencimento 2089 IRPJ 4.118,88 2º T/2002 31/07/2002 Valor da quota liquidada com DARF: Pagamento em DARF Código receita Tributo Valor da 1ª quota P.A Vencimento Código do Pagamento 2089 IRPJ 1.660,27 30/04/2002 31/07/2002 35256193984 Como podemos observar, não houve vinculação da Per/DCOMP número 27754.44630.211004.1.3.049180 na DCTF (doc.03) do 2o Trimestre de 2002, e sim do DARF extinguindo o crédito tributário. Portanto, é certo o dever de demonstrar ao fisco, que tal erro não gerou nenhum prejuízo ao erário, tendo em vista que a compensação pretendida no Per/DCOMP n° 27754.44630.211004.1.3.049180, não foi absorvida com débito declarado em DCTF do 2o Trimestre/2002, ou seja, não foi utilizada como pagamento do tributo devido pela empresa. Destarte que tal erro levou a duplicidade do lançamento de débito declarado pela contribuinte, uma vez que, tanto a DCTF quanto a Per/DCOMP, tem força para constituir o crédito tributário, este que foi extinto com o pagamento conforme previsto no inciso I do art. 156 do CTN. Ponderase também que, o objetivo desse esclarecimento é a extinção do crédito tributário declarado na Per/DCOMP n° 27754.44630.211004.1.3.049180 não homologada, tendo em vista que a compensação realizada nem se quer foi vinculada a DCTF do 2o Trimestre de 2002. Ao final, requer a extinção do crédito tributário declarado na DCOMP em análise. É o relatório Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. O recurso voluntário apresentado não atende aos pressupostos de admissibilidade, conforme as razões seguintes. O contribuinte apresentou DCOMP pela qual pretendeu extinguir débito de IRPJ do 2º trimestre de 2002, código da receita 2089 (lucro presumido), no valor de R$ Fl. 128DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10880.962164/200883 Acórdão n.º 1801002.195 S1TE01 Fl. 129 5 1.588,49. Para isso apontou um indébito oriundo de pagamento a maior/indevido de IRPJ, no valor de R$ 1.660,27, recolhido em 21/10/2004, relativo ao período de apuração 30/04/2002. Ao apreciar a referida declaração, a Receita Federal do Brasil não homologou a compensação, sobre o fundamento de que o pagamento apontado não havia sido localizado. Em sede de manifestação de inconformidade, o contribuinte afirma que cometeu um “erro técnico” ao transmitir a DCOMP em tela, “vinculando o débito declarado com o crédito oriundo do próprio pagamento do imposto”, uma vez que o pagamento apontado na DCOMP faz parte do conjunto de três pagamentos realizados para quitar o débito declarado. Já no recurso voluntário, o contribuinte requer a reforma da decisão de primeira instância em razão de ter encontrado o DARF apontado na DCOMP, juntando cópia. Ao final, requer a realização de diligência. Mais adiante, atravessa petição em que requer a extinção do crédito tributário confessado na DCOMP, em razão deste já ter sido confessado em DCTF e ter sido extinto por pagamento, evitando a duplicidade de exigência do mesmo crédito tributário. Junta comprovante de arrecadação e cópia da DCTF. Acreditandose na versão apresentada pelo contribuinte, ele utilizou uma DCOMP para vincular um pagamento parcial de IRPJ do 2º trimestre de 2002 ao débito já confessado em DCTF do mesmo tributo e período de apuração. Assim, o contribuinte desvirtua a finalidade da DCOMP. Ademais, ao descrever o pagamento na DCOMP, informao com dados que não permitem vinculálo ao débito de IRPJ do 2º trimestre de 2002. Mesmo olvidando o vício no procedimento, a conclusão a qual se chega é a de que os pagamentos são devidos e, portanto, não são passíveis de gerar indébito tributário. Assim, não há como homologar tal compensação. Todavia, o contribuinte não pede a homologação da compensação, mas sim o seu cancelamento, para evitar a duplicidade de cobrança do crédito tributário confessado duas vezes. Assim, o contribuinte desvirtua a finalidade do recurso no processo administrativo fiscal. Nos termos da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, a manifestação de inconformidade é destinada apenas para combater o não reconhecimento do direito creditório ou a não homologação da compensação: Art. 77 . É facultado ao sujeito passivo, no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da ciência da decisão que indeferiu seu pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso ou, ainda, da data da ciência do despacho que não homologou a compensação por ele efetuada, apresentar manifestação de inconformidade contra o não reconhecimento do direito creditório ou a não homologação da compensação. O pedido de cancelamento deve ser realizado conforme o rito previsto no artigo 93 do mesmo instrumento normativo: Fl. 129DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10880.962164/200883 Acórdão n.º 1801002.195 S1TE01 Fl. 130 6 Art. 93. A desistência do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso ou da compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à RFB do pedido de cancelamento gerado a partir do programa PER/DCOMP ou, na hipótese de utilização de formulário, mediante a apresentação de requerimento à RFB, o qual somente será deferido caso o pedido ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do pedido de cancelamento ou do requerimento. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Os erros no procedimento do contribuinte não podem ser escusados para o fim de homologação das compensações apresentadas, todavia não podem levar ao enriquecimento sem causa da Fazenda Pública, cabendo à Administração Tributária as providências necessárias para evitar a exigência em duplicidade do mesmo crédito tributário. Neudson Cavalcante Albuquerque (documento assinado digitalmente) Fl. 130DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES
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