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Numero do processo: 13739.001568/2007-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LEI Nº 8.852/94. SÚMULA CARF
Nº 68.
A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física Súmula
CARF n° 68.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2101-001.499
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Jose Evande Carvalho Araújo
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LEI Nº 8.852/94. SÚMULA CARF Nº 68. A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física Súmula CARF n° 68. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) _____________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Célia Maria de Souza Murphy, Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka. Fl. 42DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/ 02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13739.001568/200740 Acórdão n.º 210101.499 S2C1T1 Fl. 40 2 Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 5 a 7, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2005, para lançar infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, formalizando a redução do Imposto a Restituir IAR de R$3.238,03 para R$1.305,20. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 1 a 4), acatada como tempestiva. Consoante relatório do acórdão de primeira instância (fl. 26), o recurso foca “primordialmente o inciso III do art 1º da Lei 8.852/94, o qual, segundo alega, enumera hipóteses que excluiriam rendimentos do campo de incidência do imposto de renda sobre a pessoa física e, assim, a Secretaria da Receita Federal deveria rever a autuação.” ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 25 a 29): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício:2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei nº 8.852/94, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Princípio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal específica. Lançamento Procedente RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 6/6/2008 (fl. 37), o contribuinte apresentou, em 9/6/2008, o recurso de fls. 33 a 36, onde afirma que os rendimentos lançados correspondem a adicional por tempo de serviço, pagos na rubrica "TRIÊNIO QÜINQÜÊNIOS", que possui natureza não tributável nos termos da Lei no 8.852, de 04 de fevereiro de 1994, em seu art. 1o, inciso III, alínea “n”. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 38, que também trata do envio dos autos ao então Primeiro Conselho de Contribuintes. É o relatório. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/ 02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13739.001568/200740 Acórdão n.º 210101.499 S2C1T1 Fl. 41 3 Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há arguição de qualquer preliminar. A autuação sob análise corresponde à omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. O sujeito passivo argumenta que a diferença lançada corresponde a rendimentos isentos nos termos da alínea “n”, do inciso III, do art. 1o da Lei nº 8.852, de 4 de fevereiro de 1994, que dispõe sobre a aplicação dos arts. 37, incisos XI e XII, e 39, § 1º, da Constituição Federal, e dá outras providências. Transcrevemse os dispositivos legais: Art. 1º Para os efeitos desta Lei, a retribuição pecuniária devida na administração pública direta, indireta e fundacional de qualquer dos Poderes da União compreende: I como vencimento básico: a) a retribuição a que se refere o art. 40 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, devida pelo efetivo exercício do cargo, para os servidores civis por ela regidos; (Vide Lei nº 9.367, de 1996) b) (Revogado pela Medida Provisória nº 2.21510, de 31.8.2001) c) o salário básico estipulado em planos ou tabelas de retribuição ou nos contratos de trabalho, convenções, acordos ou dissídios coletivos, para os empregados de empresas públicas, de sociedades de economia mista, de suas subsidiárias, controladas ou coligadas, ou de quaisquer empresas ou entidades de cujo capital ou patrimônio o poder público tenha o controle direto ou indireto, inclusive em virtude de incorporação ao patrimônio público; II como vencimentos, a soma do vencimento básico com as vantagens permanentes relativas ao cargo, emprego, posto ou graduação; III como remuneração, a soma dos vencimentos com os adicionais de caráter individual e demais vantagens, nestas compreendidas as relativas à natureza ou ao local de trabalho e a prevista no art. 62 da Lei nº 8.112, de 1990, ou outra paga sob o mesmo fundamento, sendo excluídas: (...) n) adicional por tempo de serviço; (...) Fl. 44DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/ 02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13739.001568/200740 Acórdão n.º 210101.499 S2C1T1 Fl. 42 4 Em suma, defende o recorrente que o adicional por tempo de serviço é isento do imposto de renda por ter sido excluído do conceito de remuneração da Lei nº 8.852, de 1994. Entretanto, essa lei não trata de hipóteses de isenção ou de não incidência de imposto de renda, servindo apenas ao propósito de fixar os limites de remuneração dos servidores públicos, nos termos dos arts. 37, incisos XI e XII, e 39, § 1º, da Constituição Federal. Assim, as verbas recebidas pelo recorrente encontramse incluídas no rol dos rendimentos tributáveis, entre aqueles elencados no artigo 3º, §1°, da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Esse entendimento já está consolidado no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais com a publicação da Súmula CARF n° 68, que determina que “a Lei n°. 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física”. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 45DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/ 02/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13837.000030/2008-91
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Simples Nacional
Ano-calendário:2007
SIMPLES.VEDAÇÕES À OPÇÃO.
Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica que realize operações relativas a propaganda e publicidade.
Numero da decisão: 1801-000.969
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: EDGAR SILVA VIDAL
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ementa_s : Simples Nacional Ano-calendário:2007 SIMPLES.VEDAÇÕES À OPÇÃO. Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica que realize operações relativas a propaganda e publicidade.
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Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica que realize operações relativas a propaganda e publicidade Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator (Documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente. (Documento assinado digitalmente Edgar Silva Vidal Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Maria de Lourdes Ramirez, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes Relatório A Recorrente teve indeferida sua Opção pelo Simples Nacional, feita em 30/07/2007, por exercer atividade econômica vedada código CNAE 73114/00 – agência de publicidade (Lei Complementar 123/2006 – art. 17, inciso XI).. O indeferimento baseouse no Fl. 62DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 05/06/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13837.000030/200891 Acórdão n.º 180100.969 S1TE01 Fl. 2 2 art. 16, parágrafo 6º, da Lei Complementar nº 123/2006 e artigo 8º da Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 20 de agosto de 2007, alegando que o CNAE da empresa é 59.11102 – Produção de filmes para publicidade, e que já consta no CNPJ. Informa que não é atividade vedada nos termos da legislação, mas que até aquela data o sistema não permitia a opção. Pede a regularização do CNAE nos sistemas da RFB na área do SIMPLES Nacional e sua opção a partir de 01 de julho de 2007. Em sessão de 17 de abril de 2008, a 1ª Turma da DRJ/CPS, por maioria de votos julgou a manifestação improcedente, conforme Acórdão nº 0521.752. Intimada do Acórdão em 12/11/2008, interpôs Recurso Voluntário em 12/12/2008, alegando: I – de fato, exerce a atividade de produção de filmes para publicidade, desde julho de 2007; II o CNAE da empresa é 59.11102, conforme consta do seu CNPJ, atividade permitida para inclusão no SIMPLES Nacional, por não estar como atividade impeditiva nos anexos do art. 7º da Resolução CGSN nº 20, de 2007;] III – que poderá segregar a receita pelo anexo IV, efetuando o pagamento pagamentos via DAS, pelo regime SIMPLES Nacional; IV embora conste como objeto em seu contrato social o termo “agência de publicidade, a recorrente não exerce essa atividade de fato e, sim, a produção de filmes para publicidade. Houve erro de fato ao se manter no contrato social, a atividade que não exerce; V – efetua os pagamentos desde julho de 2007 na sistemática do SIMPLES Nacional, demonstrando a inequívoca intenção da contribuinte, pela opção ao Sistema,; VI – o erro de fato não pode prevalecer, nos termo do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 16, de 02 de outubro de 2002. Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 16, de 2 de outubro de 2002 DOU de 4.10.2002 Dispõe sobre a retificação de ofício, por parte da autoridade fiscal, da opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), nos casos de erros de fato. O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 259, de 24 de agosto de 2001, e considerando o disposto no art. 8º da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, no art. 16 da Instrução Normativa SRF nº 34, de 30 de março de 2001, e no processo 10168.004370/200237, declara: Artigo único. O Delegado ou o Inspetor da Receita Federal, comprovada a ocorrência de erro de fato, pode retificar de ofício tanto o Termo de Opção (TO) quanto a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para a inclusão no Simples de pessoas jurídicas inscritas no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ), desde que seja possível identificar a intenção inequívoca de o contribuinte aderir ao Simples. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 05/06/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13837.000030/200891 Acórdão n.º 180100.969 S1TE01 Fl. 3 3 Parágrafo único. São instrumentos hábeis para se comprovar a intenção de aderir ao Simples os pagamentos mensais por intermédio do Documento de Arrecadação do Simples (DarfSimples) e a apresentação da Declaração Anual Simplificada. VII – foi surpreendida com o indeferimento por ocasião da entrega da Declaração do Super Simples, que considerava deferida, pois não foi intimada nos termos do art. 23, III, alínea “b”, c/c § 2º, inciso III, Aline a “b”, do Decreto n º 70.235/72: Art. 23. Farseá a intimação: (...) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (...) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 2° Considerase feita a intimação: (...) III se por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada: b) no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) Pede o deferimento do seu pedido de inclusão no SIMPLES Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Edgar Silva Vidal, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e dele conheço. A DRJ julgou a manifestação de Inconformidade Improcedente com base no disposto no artigo 17, inciso IV da LC 123/2006 e, ainda, não lhe aproveitando a exceção do mesmo artigo, prevista no § 1º, inciso XII Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: IV— que preste serviço de comunicação; § 1° As vedações relativas a exercício de atividades previstas no caput deste artigo não se aplicam ás pessoas jurídicas que se dediquem exclusivamente ás atividades seguintes ou as exerçam em conjunto com outras atividades que não tenham sido objeto de vedação no caput deste artigo: Fl. 64DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 05/06/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13837.000030/200891 Acórdão n.º 180100.969 S1TE01 Fl. 4 4 XII — veículos de comunicação, de radiodifusão sonora e de sons e imagens, e mídia externa. Entendeu a A DRJ que a classificação pretendida pela Recorrente está em descompasso com a atividade constante da cláusula Terceira do seu contrato social alterado em 05/7/2007: 0 objeto da sociedade será a prestação de serviços de publicidade e propaganda, podendo exercer eventuais outras atividades contanto que sempre complementares e vinculadas à atividade principal. É vedada às ME e às EPP optar pelo Simples Nacional ,quando exerçam diversas atividades permitidas, também exerçam pelo menos uma atividade vedada, independentemente da relevância da atividade impeditiva. Também estará impedida de optar pelo Simples Nacional a pessoa jurídica que obtiver receita de atividade impeditiva, em qualquer montante, ainda que não prevista no contrato social. Diante do exposto, voto para negar provimento ao Recurso Voluntário. (Documento assinado digitalmente) Edgar Silva Vidal – Relator Fl. 65DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 05/06/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 13896.000742/2001-39
Turma: Terceira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2.000
SUPERVENIÊNCIA DE PROCESSOS DE RESTITUIÇÃO.
IMPOSSIBILIDADE. Em caso de superveniencia de pedidos de restituição, apenas o primeiro deve ser examinado, sendo que todos os elementos de fato e de direito devem ser examinados nesse primeiro processo. Os demais processos ficam prejudicados.
SALDO CREDOR DE IRPJ. RESTITUIÇÃO. IR FONTE. NECESSIDADE
DE COMPROVAÇÃO. INFORMAÇÃO QUE NÃO CONSTA NA DIRE.
INDEFERIMENT0.0 crédito de IR Fonte, a ser restituído em caso de saldo negativo de IRPJ, deve ser comprovado. Neste sentido, são instrumentos competentes o Informe de Rendimentos e a Did.
Assunto: Imposto de Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ.Ano- calendário: 2.000
IR ESTIMADO A PAGAR. VALOR COMPENSADO. SALDO NEGATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE.
0 IR estimado, compensado com créditos de exercícios anteriores, também integra o saldo negativo de IRPJ apurado no encerramento do período.
Restituição parcialmente(e e homologada.Compensação deferida até o limite do crédito homologado
Numero da decisão: 1201-000.010
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: CARLOS PELA
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Recorrida 2a TURMA DA DRJ CAMPINAS/SP Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2.000 SUPERVENIÊNCIA DE PROCESSOS DE RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE . Em caso de superveniencia de pedidos de restituição, apenas o primeiro deve ser examinado, sendo que todos os elementos de fato e de direito devem ser examinados nesse primeiro processo. Os demais processos ficam prejudicados. SALDO CREDOR DE IRPJ. RESTITUIÇÃO. IR FONTE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. INFORMAÇÃO QUE NÃO CONSTA NA DIRE. INDEFERIMENT0.0 crédito de IR Fonte, a ser restituído em caso de saldo negativo de IRPJ, deve ser comprovado. Neste sentido, são instrumentos competentes o Informe de Rendimentos e a Did. Assunto: Imposto de Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ.Ano- calendário: 2.000 IR ESTIMADO A PAGAR. VALOR COMPENSADO. SALDO NEGATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. 0 IR estimado, compensado com créditos de exercícios anteriores, também integra o saldo negativo de IRPJ apurado no encerramento do período. ..,i( Restituição parcialme e homologada.Compensação deferida até o limite do crédito homologado. " Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. add.){40„irtcu../Cerwe,11, Adriana Gomes ego-Pre idente a los Pela - Relator ----- EDITADO EM: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego (Presidente), Antonio Bezerra Neto, Alexandre Barbosa Jaguaribe, Leonardo de Andrade Couto, Carlos Peld, Regis Magalhdes Soares Queiroz, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes e Antonio Carlos Guidoni Filho (Vice-presidente). 2 negativo de IRPJ (Declaração) relativo ao ano-base de 2.000, no valor Sal de R$ 328.433,92. ..--........•■■ 3 Processo no 13896.000742/2001-39 SI-C2TI Acórdão n.° 1201-00.010 Fl. 2 Relatório Trata-se de Recursos Voluntários, de números 156.742 e 156.743, interpostos pelo contribuinte EPSON DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., contra decisões proferidas pela 2 Turma da Delegacia de Julgamento de Campinas/SP que homologou, parcialmente, os Pedidos de Restituição e Compensação. Os recursos decorrem, respectivamente, dos processos niimeros 13896.000605/00-05 e 13896.000742/2001-39, que foram apensados e serão julgados conjuntamente, pelas razões que serão a seguir expostas. Em apertada síntese, decorreram-se os seguintes fatos: Contribuinte ingressou com Pedido de Restituição em 26 de julho de 2.000 (processo n° 13896.000605/00-05), solicitando a devolução de R$ 1.208.859,16, em razão da existência dos seguintes créditos: Saldo negativo de IRPJ relativo ao ano-base de 1.998, no valor de R$ 171.832,77; Saldo negativo de IRPJ relativo ao ano-base de 1.999, no valor de R$ 783.864,10; Saldo negativo de IRPJ relativo ao ano-base de 2.000, no valor de R$ 253.162,29. Juntou Informes de Rendimentos, demonstrativos de cálculos e DIPJs destes anos (exceto de 2.000) para demonstrar o pagamento a maior do imposto de renda. Ingressou com Pedidos de Compensação destes créditos, no decorrer dos anos de 2.000 e 2.001. Não serão objeto de análise individual, pois sobre eles não paira controvérsia. Antes que houvesse qualquer decisão neste processo, o ora Recorrente ingressou com outro Pedido de Restituição em 31 de julho de 2.001 (processo no 13896.000742/2001-39), solicitando a devolução de R$ 784.766,77, que seria supostamente composto dos seguintes créditos: 345.104,92; 111.227,93; Saldo negativo de IRPJ relativo ao ano-base de 2.000, no valor de R$ Saldo negativo de CSLL relativo ao ano-base de 2.000, no valor de R$ Neste processo, também foram juntados Informes de Rendimentos, demonstrativos de cálculos e a DIPJ do exercício 2.001. A posteriori, foram protocolados Pedidos de Compensação sobre este crédito, que também não serão objetos de análise em sede recursal. Ressalte-se, portanto, que, em ambos os processos, foi solicitada a restituição do imposto de renda pago a maior, em razão de apuração de saldo negativo no ano-base de 2.000. Pois bem, atendo-se, neste primeiro momento, apenas aos fatos, o processo 13896.000605/00-05 foi o primeiro a ser decidido pelo Serviço de Análise e Orientação Tributária da Delegacia da Receita Federal de Osasco. O órgão optou por homologar os créditos decorrentes dos anos calendários 1.998 e 1.999, tendo em vista as provas apresentadas. Com relação ao ano de 2.000, homologou parcialmente o crédito, por entender que os seguintes eventos foram carecedores de prova: (i) com relação à dedução do incentivo do Programa de Alimentação do Trabalhador — PAT, não ficou demonstrado que o contribuinte respeitou o limite de 4% do imposto de renda, nem que estava, de fato, inscrito no programa nos meses em que a dedução foi utilizada (junho, julho e agosto de 2.000); e (ii) o contribuinte ilk) teria comprovado um crédito de R$ 370.691,40, decorrente de retenção de imposto de renda na fonte havido em função de um contrato de mútuo com empresa ligada, uma vez que o Informe de Rendimentos juntado datava do ano base 2.001. A decisão da DRF de Osasco foi objeto de correspondência do contribuinte, em que ele (i) alegava que o Informe de Rendimentos datado de 2.001 era, na realidade, referente a 2.000, tendo sido impresso com erro (juntou os DARFs, para comprovar o recolhimento); (ii) juntava um formulário de inscrição no PAT e (iii) anexava as memórias de cálculo do PAT. Referida correspondência foi recebida como Manifestação de Inconformidade para que fosse objeto de análise da DRJ. mesmo Órgão. 0 Pedido de Restituição n° 13896.000742/2001-39 também foi julgado pelo A DRF de Osasco homologou parcialmente o Pedido de Restituição. Ocorre que o pedido relativo ao saldo negativo de CSLL de 2.000 foi homologado, mas a solicitação relativa ao saldo negativo de IRPJ do ano base de 2.000 sequer foi analisada, em razão da existência pretérita do pedido de restituição consubstanciado no processo de n° 13896.000605/00-05. Este processo também foi objeto de Manifestação de Inconformidade. Ambos os processos foram julgados pela mesma Turma da DRJ, na mesma 4 Processo n° 13896.000742/2001-39 S1-C2T1 Acórdão n.° 1201-00.010 Fl. 3 No processo n° 13896.000742/2001-39 (o segundo pedido), a DRJ se recusou a analisar mérito acerca do crédito advindo do saldo negativo de IRPJ do ano base 2.000, em razão da existência do processo n° 13896.000605/00-05, que versava sobre o mesmo crédito, no mesmo período Os demais créditos foram homologados. No processo n° 13896.000605/00-05, a DRJ analisou especialmente os pontos controversos acerca dos créditos de IRPJ decorrentes de prejuízo fiscal no ano calendário 2.000. Confirmou que a inscrição no PAT não estava demonstrada e que a documentação juntada nos autos pelo autor (ficha de inscrição no PAT, datada de 2.000) não comprovava a prévia inscrição do contribuinte no Programa. Destarte, não podia o contribuinte deduzir o PAT da base do IRPJ nos meses em que houve apuração de IR por estimativa, quais sejam, junho, julho e agosto de 2.000. Por outro lado, a delegacia verificou que o contribuinte não tinha comprovado a retenção do imposto de renda na fonte, no valor R$ 370.691,40, decorrente de pagamento de juros em contrato de mútuo. Alegou que os DARFs, por si s6, não demonstram que a retenção se deu em razão do pagamento desses juros, pois são recolhidos em nome do responsável tributário (Epson Paulista), não sendo possível vinculá-los ao efetivo contribuinte — o beneficiário do rendimento. Ademais, constatou que, além do Informe acusar o ano base 2.001, não constava o ora Recorrente na Dirf entregue pela empresa Epson Paulista como beneficiário dos referidos rendimentos. No tocante ao cálculo do crédito para o ano-calendário de 2.000, retificou o valor homologado pela DRF de Osasco, que não havia considerado o valor de R$ 160.386,26 pago a maior por estimativa, através da compensação com créditos de exercícios anteriores (1.998). Neste sentido, aumentou o crédito homologado pela DRF, para o ano de 2.000, de R$ 250.941,12, para R$ 411.309,38. Portanto, a decisão da DRJ homologou integralmente os créditos de saldo negativo IRPJ, referentes aos anos bases de 1.998 e 1.999 e homologou parcialmente os créditos de saldo negativo de IRPJ do ano-calendário 2.000, em razão das glosas supra mencionadas. Contra as decisões proferidas pela DRJ, o contribuinte interpôs Recursos Voluntários. Com relação h. não-comprovação da retenção do IR na fonte sobre os rendimentos do contrato de mútuo, invocou o Principio da Verdade Real. Ponderou que a forma não pode prevalecer sobre a essência. Esclareceu que tentou retificar a Dirf, sem sucesso, em razão de uma limitação imposta pela própria Receita. Ocorre, que passados cinco anos da entrega, o contribuinte não consegue entregar retificação da Dirf, seja no site, seja nas próprias dependências da Receita Federal. 5 Com relação h. comprovação da inscrição no PAT para o ano 2.000, juntou cópias de e-mails em que solicitava a comprovação ao Ministério do Trabalho. Posteriormente, juntou documentos que comprovariam a inscrição no Programa para o ano 2.000. Sem mais, é o relatório. 6 Processo n° 13896.000742/2001-39 S1 -C2T1 Acórdão n.° 1201 -00.010 Fl. 4 Voto Conselheiro CARLOS PELA Relator Os Recursos Voluntários são tempestivos. Delimito a análise da E. 3 a Camara ao objeto de discórdia. Refiro-me ao reconhecimento do indébito tributário de imposto de renda relativo ao ano-calendário de 2.000. Vale dizer que os demais créditos solicitados — saldos negativos de IRPJ de 1.998 e 1.999 e o saldo negativo de CSLL de 2.000 já foram homologados pelo Serviço de Análise e Orientação Tributária da Delegacia da Receita Federal de Osasco e, posteriormente, confirmados pela DRJ de Campinas. Resumidamente, o contribuinte declara possuir, naquele ano crédito no valor de R$ 621.639,52, decorrente de imposto de renda retido na fonte e imposto de renda pago por estimativa. Como ao final do exercício, a empresa apurou prejuízo fiscal tais antecipações seriam indevidas. 0 crédito declarado pelo recorrente possui a seguinte composição: IR devido - 2.000 - IR pago por estimativa (303.123,14) IR retido na Fonte (318.509,38) Indébito - 2.000 (621.632,52) Solicitava-se no processo n° 13896.000605/00-05 o reconhecimento do crédito referente a parte (janeiro a junho) do saldo negativo de IRPJ do ano 2.000. Como frisou, com propriedade; a DRJ de Campinas no julgamento da Manifestação de Inconformidade do processo n° 13896.000605/00-05, o credito relativo apuração de saldo negativo de imposto de renda mac) pode ser analisado considerando apenas parte de determinado período, por questões legais e lógicas. Ora, de fato, a apuração do saldo negativo do imposto de renda somente pode ser analisado após o encerramento do período. Antes do encerramento, não é possível prever que o ano fiscal será encerrado com prejuízo — e qual a monta deste prejuízo. Por esta razão, a D. autoridade julgadora deste processo agiu com propriedade ao analisar todo o ano base de 2.000 para determinar o crédito que caberia ao contribuinte — e não apenas o período de janeiro a junho daquele ano, como inicialmente pleiteado. A De mesma forma, correta foi a decisão proferida no processo ner 13896.000742/2001-39, que deixou de analisar o credito de IRPJ relativo ao ano de 7 em vista da existência de Pedido de Restituição pretérito formalizado no processo referido nos parágrafos anteriores. Desta feita, a análise do indébito de IRPJ, decorrente de prejuízo fiscal no ano de 2.000 ficou inteiramente concentrada no processo n° 13896.000605/00-05. Tendo em vista que (i) o saldo negativo de IRPJ, no ano calendário 2.000 é a única questão ainda controversa nos autos e (ii) como a análise do assunto ficou corretamente adstrita ao processo n° 13896.000605/00-05, deixo de conhecer o Recurso Voluntário no 156.743, originado do processo n° 13896.000742/2001-39, por falta de objeto. No que tange especificamente à discussão do saldo negativo de IRPJ, apurado no ano de 2.000, lid duas questOes que são objeto Recurso Voluntário n° 156.742: (i) a comprovação de inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador — PAT, no ano de 2.000, que possibilitou a dedução do imposto de renda recolhido por estimativa; e (ii) a comprovação da retenção do IR na fonte, por ocasião do pagamento dos juros de contrato de mútuo com empresa ligada, nos meses de junho, julho e agosto de 2.000. No tocante ao reconhecimento da inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), não restou comprovada a inscrição no programa para o ano calendário 2.000, mesmo considerando os documentos juntados a posteriori (fls. 653). De toda forma, a discussão sobre a utilização do PAT nos autos é inócua, senão vejamos. 0 PAT é um programa de incentivo que visa melhorar a alimentação do trabalhador. Do lado da empregadora, os recursos utilizados no programa, alem de serem dedutiveis na apuração do Lucro Real, são dedutiveis do próprio imposto, ate o limite de 4% do IR devido. Ocorre que o incentivo só é passível de utilização quando, ao final do período, o contribuinte apura imposto de renda a pagar. Esclareço: a dedução deve ser feita sobre a parcela do IRPJ efetivamente devido. Não foi o que ocorreu, in casu, onde o Recorrente apurou saldo negativo de IR no período. Vale frisar: a dedução ou não do PAT, mesmo nos meses em que houve IR a pagar por estimativa, não produz qualquer efeito. Se o contribuinte apurou determinado valor a pagar de IR por estimativa e deduziu o PAT, e este mesmo valor que será restituído em caso de apuração de saldo negativo de IRPJ no encerramento do período. Por outro lado, não deduzindo o PAT naquele mês, ao final do período o contribuinte restituirá um valor maior (o que foi pago). Em suma: em caso de apuração de saldo negativo no ano, o IR sempre deverá ser restituído. E o imposto a restituir é o valor efetivamente pago — seja o valor maior ou menor. Portanto, se o contribuinte pagou IR de R$ 96,00, em razão da dedução d I, PAT, tem direito a restituição de R$ 96,00. Por outro lado, se pagou IR de R$ 100,00, sem _ 8 Processo n° 13896.000742/2001-39 S1-C2T1 Acórdão n.° 1201-00.010 Fl. 5 dedução ao PAT, poderá restituir 100,00. Vale dizer, o efeito é exatamente o mesmo, no caso de apuração de saldo negativo de IRPJ. Essa questão pode ser verificada nos autos, refazendo-se os cálculos da DRF, com a dedução do PAT, quando se alcança o mesmo resultado, isto 6, a diferença de R$ 370.691,52 em relação ao declarado pelo contribuinte, que decorre da exclusão dos valores que teriam sido retidos em decorrência do contrato de mútuo, que permanecem sem comprovação. Isto posto, não conheço o recurso, na parte que trata exclusivamente do reconhecimento da inscrição no PAT e suas conseqüências para apuração do saldo negativo de IRPJ no ano-calendário 2.000. Resta a questão da comprovação do IR fonte no contrato de mútuo. Trata-se de contrato de mútuo entre o Recorrente e a empresa Epson Paulista Ltda., em que a Epson do Brasil Indústria e Comércio Ltda. é a mutuante, portanto beneficiária de rendimentos (juros). Em razão deste contrato, houve três pagamentos de juros nos meses de junho, julho e agosto de 2.000, em que teria havido retenção de imposto de renda (código 3426) no valor de 123.563,80, totalizando o valor de R$ 370.691,52. Para comprovar esta retenção, o contribuinte juntou ao processo o Informe de Rendimentos emitido pela Epson Paulista Ltda., demonstrando os tress pagamentos. Ocorre que o aludido Informe de Rendimentos tinha como ano-base o ano de 2.001. 0 documento foi desconsiderado pela DRF de Osasco como prova de retenção do imposto de renda na fonte. Em sede de Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegou que se tratava de mero equivoco; um erro de impressão; que o Informe de Rendimentos, na realidade, se referia ao ano base de 2.000, exercício de 2.001. Questão aparentemente fácil de ser retificada, mas que até o presente momento não restou comprovada. Nesta mesma Peça, o contribuinte juntou os DARFs que comprovariam a retenção. Questão enfrentada pela DRJ, que observou que os DARFs, recolhidos em nome do responsável tributável, isolados, não têm o condão de provar a retenção do imposto em nome do Recorrente. A afirmação é procedente. Adicione-se o fato de que o DARF referente aos juros pagos no mês de agosto foi recolhida sob o código 1708 (remuneração a prestação de serviços). No entanto, o principal elemento que pesou na decisão da DRJ foi a ausência da informação sobre este rendimento e a res ectiva retenção do IR na fonte na Dirf da empresa Epson Paulista Ltda. (fonte pagadora). 9 No Recurso Voluntário, o contribuinte voltou a afirmar que a forma não pode prevalecer sobre a essência. Que não poderia ser prejudicado por um equivoco da fonte pagadora. Juntou nesta peça o Informe de Rendimentos retificado, isto 6, como ano- base 2.000. Alegou que não pôde retificar a Dirf pelo fato de ter decorrido o prazo de cinco anos da entrega. Que essa limitação é imposta pela própria Receita Federal, sendo que o contribuinte afirma ter tentado retificar pelo site e nas próprias dependências da Secretaria, sem lograr êxito. Não mencionou, no entanto, porque não retificou a Dirf neste interim entre a entrega da Declaração e o efetivo julgamento da DRJ. Nem se diga que essa retificação era de dificil concretização por envolver terceiros - uma vez que a empresa mutuária era do mesmo grupo. De toda forma, chega-se a um impasse. Não se pretende onerar o contribuinte por mero erro formal, mas também Tao se pode conceder o crédito sem o mínimo de substância probatória. E a prova definitiva, neste caso, seria a informação constante na Dirf — que, por seu turno, já está tacitamente homologada. Assim, resta-nos verificar todos os meios de prova restantes, a fim de não prejudicar nem o Erário, nem o contribuinte. Por esta razão entendo que o julgamento deva ser convertido em diligência, a fim de verificar na Dirf da empresa Epson Paulista Ltda. se constaram pagamentos similares aos declarados pelo Recorrente, isto 6, três pagamentos no valor de R$ 123.563,80. Verificação, também, de todos os pagamentos efetuados sob o código de retenção 3426. Vale dizer que caso não sejam encontrados valores de rendimentos ou códigos de retenção similares na Dirf, teríamos fortissimos indícios que a não inclusão na Dirf destes rendimentos teria ocorrido tão somente por mero lapso da fonte pagadora. Neste sentido, as alegações do Recorrente seriam totalmente procedentes e os pedidos de restituição deveriam ser integralmente homologados. No entanto, caso esta E. Câmara entenda desnecessária a conversão em diligência, prossigo o julgamento com os demais elementos presentes nos autos. Neste caso, não restou comprovada a retenção do imposto de renda sobre a operação de mútuo em destaque. Por esta razão, indefiro o pedido de restituição, por não reconhecer o crédito solicitado no valor de R$ 370.691,40, decorrente do contrato de mútuo com a empresa Epson Paulista Ltda. Com relação aos valores em si, deve prevalecer s cálculo realizado pela DRJ de Campinas no julgamento de primeiro grau, senão vejamos: 1 0 Processo n° 13896.000742/2001-39 S1-C2T1 Acórdão n.° 1201-00.010 Fl. 6 0 contribuinte declarou ter direito à restituição de R$ 621.632,52, em razão de apUração de saldo negativo de IRPJ no ano-calendário de 2.000. Este indébito tem origem no pagamento de IR fonte no decorrer do ano e no recolhimento de IR por estimativa nos meses de junho, julho e agosto de 2.000. 0 credito tem a seguinte composição: IR devido - 2.000 - IR pago por estimativa (303.123,14) IR retido na Fonte (318.509,38) Indébito - 2.000 (621.632,52) Declarou ter os seguintes valores de IR retido na fonte: Fonte Pagadora Mês (2.000) Valor Saldo Bradesco Janeiro 13.970,87 13.970,87 Epson Paulista Janeiro 12.259,04 26.229,91 Epson Paulista Fevereiro 16.218,70 42.448,61 Epson Paulista Março 14.946,56 57.395,17 Bradesco Abril 21.343,06 78.738,23 Epson Paulista Abril 13.079,32 91.817,55 Epson Paulista Maio 12.985,72 104.803,27 Bradesco Junho 5.577,26 110.380,53 Bradesco Junho 3.558,16 113.938,69 Epson Paulista Junho 15.659,80 129.598,49 Epson Paulista Junho 123.563,80 253.162.29 Compensação IR estimativa Junho (83.418,96) 1.193,86 169.743,33 170.937,19 Bradesco Julho Epson Paulista Julho 19.760,65 190.697,84 Epson Paulista Julho 123.563,80 314.261,64 Compensação IR estimativa Julho (219.704,18) 94.557,46 Epson Paulista Agosto 19.459,32 114.016,78 Epson Paulista Agosto 123.563,80 237.580,58 Epson Paulista Setembro 17.419,08 254.999,66 Epson Paulista Outubro 17.608,00 272.607,66 Epson Paulista Novembro 29.600,55 302.208,21 Epson Paulista Dezembro 16.301,17 318.509,38 Saldo Final 318.509,38 Destaquei os controversos valores pagos pela Epson Paulista Ltda., que não foram ainda comprovados (em vermelho) e os valores de IRRF utilizados para pagamento do IRPJ apurado por estimativa (em negrito). Portanto, de acordo com o contribuinte, o saldo de IRRF a ser restituído seria de R$ 318.509,38. Considerando estes valores de IRRF e a dedução do P o contribuinte declarou os seguintes valores, quando da apuração do IRPJ por estimativa: 1 1 Ficha 9 junho/00 julho/00 agosto/00 Lucro Real 391.061,31 1.299.685,03 13.284,32 IR (15%) 58.659,20 194.952,75 1.992,65 Adicional (10%) 27.106,13 115.968,50 - Incentivo (PAT) (2.346,37) (7.798,11) (79,71) IR dev. Meses ant. - (83.418,96) (303.123,14) IR estimativa a pagar 83.418,96 219.704,18 (301.210,20) IRRF (83.418,96) (219.704,18) - Compensação ex. ant. - - IR apagar (caixa) - - (301.210,20) Ainda de acordo com a contabilização efetuada pelo contribuinte, haveria o valor de R$ 303.123,14 pago a maior pelo regime de estimativa, totalizando o crédito de R$ 621.632,52. O cálculo efetuado pela DRF .de Osasco desconsiderou os créditos de IRRF do contrato de mútuo, de forma que o saldo de imposto retido na fonte teria a seguinte composição, totalizando, ao final do periodo,R$ 100.388,12: Fonte Pagadora Mês (2.000) Valor Saldo Bradesco Janeiro 13.970,87 13.970,87 Epson Paulista Janeiro 12.259,04 26.229,91 Epson Paulista Fevereiro 16.218,70 42.448,61 Epson Paulista Marco 14.946,56 57.395,17 Bradesco Abril 21.343,06 78.738,23 Epson Paulista Abril 13.079,32 91.817,55 Epson Paulista Maio 12.985,72 104.803,27 Bradesco Junho 5.577,26 110.380,53 Bradesco Junho 3.558,16 113.938,69 Epson Paulista Junho 15.659,80 129.598,49 Epson Paulista Junho - 129.598,49 Compensação IR estimativa Junho (85.765,33) 43.833,16 Bradesco Julho 1.193,86 45.027,02 Epson Paulista Julho 19.760,65 64.787,67 Epson Paulista Julho - 64.787,67 Compensação IR estimativa Julho (64.787,67) - Epson Paulista Agosto 19.459,32 19.459,32 . Epson Paulista Agosto - 19.459,32 Epson Paulista Setembro 17.419,08 36.878,40 Epson Paulista Outubro 17.608,00 54.486,40 Epson Paulista Novembro 29.600,55 84.086,95 Epson Paulista Dezembro 16.301,17 100.388,12 Saldo Final 100.388,12 Os destaques são os mesmos (mesmas linhas) da planilha feita com base nos dados declarados pelo contribuinte Esta exclusão de IRRF impacta também o cálculo do IR por estima • a, t efetuado pelo órgão. A dedução em razão do PAT também excluída pela DRF de Osasco: 12 Processo n° 13896.000742/2001-39 S1-C2T1 Acórdão n.° 1201-00.010 Fl. 7 Ficha 9 junho/00 julho/00 agostc Lucro Real 391.061,31 1.299.685,03 13.: IR (15%) 58.659,20 194.952,75 1.' Adicional (10%) 27.106,13 115.968,50 Incentivo (PAT) - - IR dev. meses ant. - (85.765,33) (150.5 IR estimativa a pagar 85.765,33 225.155,92 (148.f IRRF (85.765,33) (64.787,67) Compensação ex. ant. - - IR a pagar (caixa) - 160.368,25 (148.5, Ressalte-se que, nesta versão, o saldo IRRF acumulado até o mês de julho é insuficiente para pagar o imposto de renda apurado por estimativa no mês de julho. Por estes cálculos, restaria o valor de R$ 160.368,25 a ser pago a titulo de IR estimado. A DRF de Osasco então utilizou um crédito declarado neste mesmo processo, de n° 13896.000605/00-05, relativo ao ano de 1.998, para compensar este valor, que não ficou, portanto, em mora. Considerando os cálculos da DRF de Osasco, chegaríamos aos seguintes valores de crédito de IR a ser compensado no ano base 2.000: IR devido — 2.000 - IR pago por estimativa (150.553,00) IR retido na Fonte (100.388,12) Indébito - 2.000 (250.941,12) diferença contribuinte (370.691,40) A DRJ analisou detalhadamente os cálculos. Manteve a planilha de apuração de IR fonte utilizada pela DRF de Osasco, que excluía os créditos de IRRF dos pagamentos de juros do contrato de mútuo, conforme abaixo: Fonte Pagadora Mês (2.000) Valor Saldo Bradesco Janeiro 13.970,87 13.970, Epson Paulista Janeiro 12.259,04 26.229, Epson Paulista Fevereiro 16.218,70 42.448, Epson Paulista Março 14.946,56 57.395 , Bradesco Abril 21.343,06 78.738. Epson Paulista Abril 13.079,32 91.817, Epson Paulista Maio 12.985,72 104.803, Bradesco Junho 5.577,26 110.380 , Bradesco Junho 3.558,16 113.938, Epson Paulista Junho 15.659,80 129.598. Epson Paulista Junho - 129.598. Compensação IR estimativa Junho (85.765,33) 43.833, Bradesco Julho 1.193,86 45.027 , Epson Paulista Julho 19.760,65 64.787 , Epson Paulista Julho - 64.787. Compensação IR estimativa Julho (64.787,67) Epson Paulista Agosto 19.459,32 19.459, Epson Paulista Agosto - 19.459, 13 Epson Paulista Setembro 17.419,08 36.878,40 Epson Paulista Outubro 17.608,00 54.486,40 Epson Paulista Novembro 29.600,55 84.086,95 Epson Paulista Dezembro 16.301,17 100.388,12 Saldo Final 100.388,12 Os destaques seguem a mesma lógica das planilhas de IRRF acima. No que tange *A apuração do IR estimado, a DRJ corrigiu um equivoco cometido pela DRF de Osasco. Ocorre que a DRF considerou o IR fonte insuficiente para pagamento do IR estimado de julho. 0 saldo remanescente de IR a pagar, fora, então, compensado com crédito apurado em exercícios anteriores (1.998). A DRJ seguiu o entendimento, mas considerou, corretamente, que o valor de R$ 160.368,25, compensado com créditos de exercícios anteriores, também deveria ser considerado como pago a maior, para apuração do saldo negativo de IRPJ quando do encerramento do período com prejuízo fiscal. Esta é a apuração com base nos métodos determinados pela DRJ: Ficha 9 junho/00 julho/00 agosto/00 Lucro Real 391.061,31 1.299.685,03 13.284,32 IR (15%) 58.659,20 194.952,75 1.992,65 Adicional (10%) 27.106,13 115.968,50 - Incentivo (PAT) - - - IR dev. meses ant. - (85.765,33) (310.921,25) IR estimativa a pagar 85.765,33 225.155,92 (308.928,60) IRRF (85.765,33) (64.787,67) - Compensação ex. ant. - (160.368,25) - IR a pagar (caixa) - - (308.928,60) No cálculo realizado pela DRJ, o contribuinte apura um crédito decorrente de IR pago por estimativa no valor de R$ 310.921,25. Assim, considerando os cálculos efetuados pela DRF de Osasco e retificados pela DRJ de Campinas, chega-se ao valor R$ 411.309,37 de crédito de saldo negativo de IRPJ no ano base 2.000, através da seguinte composição: IR devido - 2.000 - IR pago por estimativa (310.921,25) IR retido na Fonte (100.388,12) Indébito - 2.000 (411.309,37) diferença contribuinte (210.323,15) Frise-se, novamente, que estes valores já consideram a compensação do valor de R$ 160.368,25, devido a titulo de IR estimado no mks de julho de 2.000, utilizando-se de parte do crédi o apurado em 1.998, aprovado neste mesmo processo de n° 13896.000605/00-05. 14 Processo n° 13896.000742/2001-39 SI -C2T1 Acórdão n.° 1201-00.010 Fl. 8 Recordo que essa compensação foi homologada pela DRF e pela DRJ. Vale lembrar ainda que tal compensação deve reduzir o saldo de crédito tributário daquele ano. Isto posto, mantenho os cálculos realizados pela DIU, nas fls. 563 a 565, já devidamente comentados nos parágrafos antecedentes. IV. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto pelo não conhecimento do Recurso Voluntário no 156.743 por falta de objeto. Outrossim, voto ,pelo não conhecimento do Recurso Voluntário n° 156.743, na parte que trata do reconhecimento da inscrição no PAT para o ano -calendário de 2.000, também por falta de objeto. Por fim, voto pela conversão do julgamento em diligência a fim de obter: (i) Declaração formal, sob as penas da lei, da Epson Paulista Ltda., na qualidade de fonte pagadora, em que declararia ter realizado os pagamentos de juros ao Recorrente, nas datas mencionadas nos autos; bem como, ter realizado a respectiva retenção e recolhimento do imposto de renda; declararia ainda, que as informações tão somente não constaram na Dirf daquele exercício por lapso desta empresa; e (ii) verificação na Dirf da empresa Epson Paulista Ltda., se constaram pagamentos similares aos declarados pelo recorrente, isto 6, três pagamentos no valor de R$ 123.563,80. Verificação, também, de todos os pagamentos efetuados sob o código de retenção 3426. Caso essa E. 3a Câmara entenda desnecessária a conversão em diligência, voto pelo não provimento do Recurso Voluntário e manutenção, na íntegra, da decisão proferida pela 2a Turma da DRJ de Campinas, no sentido de homologar parcialmente o credito decorrente de saldo negativo de IRPJ, no ano 2.000, em razão da exclusão dos créditos no valor de R$ 370.691,40, advindos de IRRF do contrato de mútuo, cuja retenção em nome do Recorrente não restou comprovada nos autos. 15
score : 1.0
Numero do processo: 10882.002482/2006-10
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Exercício: 2001
Ementa: ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÕES ACIONÁRIAS. AMORTIZAÇÃO. VINCULAÇÃO A FUNDAMENTO ECONÔMICO ESPECÍFICO – RENTABILIDADE FUTURA.
_ A legislação (§ 3º do art. 20 do Decreto lei nº. 1.598/77) exige do
contribuinte, na hipótese de pagamento de ágio em vista de rentabilidade
futura, esteja o fundamento econômico indicado em demonstração específica,
arquivada na escrituração.
_ as pessoas jurídicas podem, sem qualquer restrição, procederem ao
pagamento de ágio na aquisição de participações acionárias (procedimento
corrente, inclusive), estando autorizadas a procederem à amortização do ágio
com base na expectativa de rentabilidade futura, não se exigindo a
concretização desta.
Recurso voluntário provido
Numero da decisão: 1103-000.630
Decisão: Acordam os membros do colegiado, DAR provimento por maioria, vencidos os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso e José Sérgio Gomes.
Nome do relator: HUGO CORREIA SOTERO
1.0 = *:*
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AMORTIZAÇÃO. VINCULAÇÃO A FUNDAMENTO ECONÔMICO ESPECÍFICO – RENTABILIDADE FUTURA. _ A legislação (§ 3º do art. 20 do Decretolei nº. 1.598/77) exige do contribuinte, na hipótese de pagamento de ágio em vista de rentabilidade futura, esteja o fundamento econômico indicado em demonstração específica, arquivada na escrituração. _ as pessoas jurídicas podem, sem qualquer restrição, procederem ao pagamento de ágio na aquisição de participações acionárias (procedimento corrente, inclusive), estando autorizadas a procederem à amortização do ágio com base na expectativa de rentabilidade futura, não se exigindo a concretização desta. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, DAR provimento por maioria, vencidos os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso e José Sérgio Gomes. ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA Presidente. HUGO CORREIA SOTERO Relator. Fl. 0DF CARF MF Impresso em 22/06/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/05/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10882.002482/200610 Acórdão n.º 110300.630 S1C1T3 Fl. 2 2 EDITADO EM: 08/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Aloysio José Percínio da Silva, Mário Sergio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes, Eric Moraes de Castro e Silva e Hugo Correia Sotero. Relatório A Recorrente teve contra si formalizado Auto de Infração que consubstancia exigência de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), estribandose o lançamento na afirmação de que teria a Recorrente realizado deduções indevidas no procedimento de apuração do lucro no ano de 2001, versando ditas deduções sobre ágio pago na incorporação de outras empresas. Do Termo de Verificação Fiscal (fls. 928/956) se extrai: “7. DA CONTABILIZAÇÃO DO ÁGIO NA AQUISIÇÃO DAS EMPRESAS – ATACAMA – LAMINA – LAB BRONSTEIN BRONSTEIN AD Conforme extratos contábeis anexados ao processo, referentes a empresa ATACAMA, a mesma, em 15.12.2000, contabilizou na conta 131.201 – ÁGIO LAB BRONSTEIN o valor de R$ 41.981.433,82 a titulo de ágio na aquisição LAB BRONSTEIN e BRONSTEIN AD. Foi complementado o lançamento do ágio na aquisição do BROSNTEIN AD, na mesma conta anterior, em 01.01.2001, com o lançamento de R$ 415.000,00 e na conta 131.203 – ÁGIO BRONSTEIN AD, em 01.01.2001, de R$ 34.000,00. Todos estes três lançamentos totalizam R$ 42.430.433,82, que correspondem ao valor informado em planilha de 24.11.2006, que detalha a amortização do ágio, bem como em correspondência de 12.12.2006, a qual detalha que os balanços foram levantados em 30.11.2000, data base da aquisição. Reporta esta planilha que o valor total da aquisição acionária foi de R$ 47.475.027,09. Conforme os mesmo extratos contábeis, a empresa ATACAMA contabilizou na conta 131.205 – ÁGIO LAMINA, o valor de R$ 20.170.100,50, o qual se encontra próximo ao valor de R$ 20.167.184,21, que foi informado em planilha de 24.11.2006, que detalha a amortização do ágio, bem como em correspondência de 12.12.2006, a qual detalha que os balanços foram levantados em 31.01.2001, data base da aquisição. Reporta esta planilha que o valor total da aquisição acionária foi de R$ 21.789.945,95. Em 30.06.2001, a DASA contabilizou, quando da incorporação da ATACAMA, o valor residual de R$ 55.966.802,07, com o Fl. 1DF CARF MF Impresso em 22/06/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/05/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10882.002482/200610 Acórdão n.º 110300.630 S1C1T3 Fl. 3 3 histórico de ABSORÇÃO ÁGIO ATACAMA, na conta 131.203, para continuidade da amortização mensal. 8. DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO POR RENTABILIDADE FUTURA ATACAMA LAMINA LAB BRONSTEIN BRONSTEIN AD Da análise dos tópicos anteriores, podemos inferir que a DASA procedeu à utilização da empresa ATACAMA meramente para o fim desincorporar as empresas BRONSTEIN LAB, BRONSTEIN AD e LAMINA. Com esta forma atípica de proceder a aquisição de terceiras empresas, a DASA poderia estar ensejando o aproveitamento de algum planejamento tributário, na área do ganho de capital ou na dissimulação de valores, e em especial, gerando dificuldades para o acompanhamento pela Administração Tributária destas situações. 9. DA FALTA DE ADEQUADA JUSTIFICATIVA PARA A CONSTITUIÇÃO DE ÁGIO POR RENTABILIDADE FUTURA E AMORTIZAÇÃO MENSAL ATACAMA LAB BRONSTEIN BRONSTEIN AD LAMINA Quando intimado em 21.11.2006, a apresentar os FUNDAMENTOS ECONÔMICOS, consubstanciados em documentos que justifiquem adequadamente a contabilização do ágio na forma como procedido pela fiscalizada, a mesma se limitou a entregar uma apresentação de slides gerada no aplicativo powerpoint, da Microsoft, denominada INVESTMENT OPPORTUNITY, bem como planilhas denominadas FINANCIAL STATEMENTS, mediante correspondência de 24.11.2006. Novamente intimado em 04.12.2006 a esclarecer as planilhas justificadoras dos FUNDAMENTOS ECONÔMICOS, agora apresentando os critérios econômicos e jurídicos da contabilização do ágio, bem como sua dedução no resultado, a mesma afirma em correspondência de 12.12.2006 o seguinte: (a) para a empresa LAMINA, o valor máximo admissível para a aquisição era de R$ 33.462.200,00, conforme linha DISCOUNTED CASH FLOW da planilha respectiva, e, (b) para a empresa LAB BRONSTEIN e BRONSTEIN AD, o valor admissível máximo era de R$ 48.921.000,00, conforme linha DISCOUNTED CASH FLOW da planilha respectiva. Salientese que a planilha apresentado sob o título de FINANCIAL STATEMENTS, tem embasamento e origem no conceito de EBITDA (earnings before interest, taxes, depreciation and amortization), ou seja, em português LAJIDA (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização), o qual será tratado especificamente pela fiscalização neste Termo. Desde este momento a fiscalizada tenta gerar uma proposital e desesperada confusão semântica da expressão "previsão dos resultados nos exercícios futuros", constante da legislação aplicável, com a linha "DISCOUNTED CASH FLOW", ou logo Fl. 2DF CARF MF Impresso em 22/06/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/05/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10882.002482/200610 Acórdão n.º 110300.630 S1C1T3 Fl. 4 4 mais, "valor econômico", em seus FINANCIAL STATEMENTS, demonstrativos e respostas às intimações. ... 10. DAS PLANILHAS DE FINANCIAL STATEMENTS APRESENTADAS MÉTODO EBITDA ou LAJIDA Tratase, na verdade, de uma forma de medir desempenho da empresa em termos de fluxo de caixa e de auxiliar, de forma prática, no processo de avaliar a empresa como um todo, olhando basicamente a capacidade de geração de recursos dos ativos da entidade. Ou seja não se trata de uma ferramenta destinada a avaliar a rentabilidade da empresa nos moldes da legislação fiscal e societária. Para o fim de avaliação na aquisição de uma empresa, o que interessa é a capacidade que a empresa tem de produzir benefícios aos seus sócios, sendo estes basicamente o dinheiro que a mesma é capaz de gerar. A sua capacidade de gerar lucros, representa o retorno do investimento feito, investimento correspondente ao dos sócios que a criaram, ou nos seus aumentos de capital, logo o lucro da empresa representa o lucro de seus sócios originais, mas não necessariamente o lucro dos novos sócios. Para estes, seu lucro pode ser muito maior ou menor do que o reportado pela empresa, dependendo de quanto investiram nesta aquisição.Por isto, normalmente não se avalia uma empresa pelo que produz de lucros, mas sim o que ela produz de caixa. Existem vários critérios para avaliação de empresas, entre eles o já citado EBITDA (Earnings Before Interest, Taxes, Depreciation, and Amortization) traduzido para LAJIDA (Lucro antes dos juros, impostos diretos, depreciações e amortizações). Este conceito corresponde simplesmente ao caixa gerado pelos ativos genuinamente operacionais, ou seja representa o potencial de caixa que o ativo operacional de uma empresa é capaz de produzir, antes inclusive de considerar o custo do capital tomado emprestado. ... 12. DA CONTABILIZAÇÃO DO ÁGIO – PLATYPUS HOLD O balanço patrimonial levantado por ocasião da incorporação, na data de 12.10.2001, revela que a empresa PLATYPUS HOLD tem investimentos de R$ 35.745.683,36 e ágio correspondente no valor de R$ 50.022.996,35. A demonstração de resultados anexa revela que houve a amortização do ágio em R$ 7.091.762,01, no período de 01.01.2001 a 12.10.2001. 14. DA FALTA DE ADEQUADA JUSTIFICATIVA PARA A MANUTENÇÃO DO ÁGIO POR RENTABILIDADE FUTURA E AMORTIZAÇÃO MENSAL PLATYPUS HOLD Fl. 3DF CARF MF Impresso em 22/06/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/05/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10882.002482/200610 Acórdão n.º 110300.630 S1C1T3 Fl. 5 5 Ainda que intimado em 21.11.2006, e reintimado em 04.12.2006, a apresentar os FUNDAMENTOS ECONÔMICOS, consubstanciados em documentos que justifiquem adequadamente a contabilização do ágio na forma como procedido pela fiscalizada, a mesma se limitou, em 12.12.2006, a entregar uma apresentação de slides gerada no aplicativo powerpoint, da Microsoft, denominada INVESTMENT OPPORTUNITY, bem como planilhas denominadas FINANCIAL STATEMENTS, baseadas em EBITDA, as quais já haviam sido apresentadas em 2004, quando da lavratura do auto de infração contido no processo 10882.001031200495, o qual se encontra hoje em julgamento pelo Conselho de Contribuintes. Naquela ocasião foi analisada a amortização de ágio gerado e amortizado a partir de julho1999, quando da aquisição de quotas de propriedade do Sr. HUMBERTO DELBONI FILHO na empresa LABORATÓRIO CLÍNICO DELBONI AURIEMO S/C LTDA, que foi sucedida pela DASA, tendo sido reclassificada o fundamento do ágio e glosadas as amortizações mensais deste ágio. Ora, a apresentação de tais elementos, que já foram anteriormente apresentados para justificar operações ocorridas em 1999, não pode embasara constituição de ágio por rentabilidade futura em aumentos de capital ocorridos em final de 2000 e meados de 2001. Além da fragilidade dos FUNDAMENTOS ECONÔMICOS embasadores do ágio contabilizado com a incorporação, resta a argumentação da formação de "ágio de si mesmo", que é uma conseqüência da "incorporação às avessas". Não podemos olvidar que a empresa PLATYPUS S.A., controladorada PLATYPUS HOLD, também investidora na DASA, ao invés de fazer investimento direto na DASA, preferiu fazer investimento indireto através de sua controlada PLATYPUS HOLD, possibilitando a contabilização de inadequado ágio, o qual foi transferido posteriormente, mediante incorporação societária em 12.10.2001, para a própria investida, gerando uma amortização mensal completamente incompatível com a sistemática da AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO BASEADO EM RENTABILIDADE FUTURA.” De acordo com os termos do Termo de Verificação Fiscal, o lançamento de ofício foi formalizado por entender a autoridade lançadora a inadmissibilidade da amortização do ágio pago na aquisição (incorporação) das empresas Atacama, Lab Bronstein, Bronstein AD, Lâmina e Platypus S/A, vez que: a) as empresas tinham relação entre si; b) não apresentou a Recorrente justificativa adequada para manutenção do ágio por rentabilidade futura, não se prestando a tanto os documentos (laudos e avaliações) apresentados no curso do procedimento de fiscalização. No que concerne à justificativa para manutenção do ágio por rentabilidade futura, desconsiderou a autoridade lançadora as previsões realizadas pela Recorrente com base no método “EBITDA”, considerando o critério inadequado para avaliação de rentabilidade Fl. 4DF CARF MF Impresso em 22/06/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/05/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10882.002482/200610 Acórdão n.º 110300.630 S1C1T3 Fl. 6 6 futura, já que a mera modificação de variáveis (válidas) enseja resultados extremamente dispares. Para além, consigna a autoridade lançadora que as previsões de rentabilidade não se concretizaram, o que impediria a amortização do ágio no procedimento de apuração do lucro real. Notificada do lançamento, apresentou a Recorrente a impugnação de fls. 10171060, arguindo, prefacialmente, que a fiscalização, em atitude contrária a garantias constitucionais, especialmente a legalidade, desclassificou o ágio contabilizado com base na rentabilidade futura do empreendimento para como se o tivesse sido com fundamento em ‘outras razões econômicas’. Assevera que as amortizações foram realizadas segundo os estritos ditames do Decretolei n° 1.598/77 e da Lei 9.532/97 e que, na visão da fiscalização somente restaria autorizada a amortização do ágio pago sob a perspectiva de rentabilidade futura, quando observados os seguintes requisitos: (i) produção e (ii) manutenção em arquivo de documento que de suporte à perspectiva de obtenção de lucros futuros, bem como (iii) diante da efetiva concretização dos lucros projetados. Argumenta ainda que no § 3° do art. 20 do Decretolei n° 1.598/77 (art. 385 do RIR/99) não há qualquer menção quanto à necessidade de efetiva concretização dos lucros previstos — requisito criado pela fiscalização, inexistindo dispositivo legal que obrigue a efetivação dos lucros previstos. Para além, afirma que, considerando os três fundamentos econômicos que a lei permite que se dê ao ágio na aquisição de empresas, restou claro à impugnante que a sua hipótese estaria na alínea "h" do § 2° do art. 20 do Decretolei 1.598/77 – hipótese para a qual o parágrafo 3° do mesmo artigo exige o arquivamento de documento que de suporte a perspectiva de lucros futuros; valendose da permissão concedida no inciso III do art. 7° da Lei 9.532/97 (art. 386 do RIR/99), foram amortizados os valores pagos a titulo de ágio, sendo respeitados os limites legais estabelecidos (razão de 1/60 ao mês), dando suporte à operação as Planilhas "Financial Statements" que adotaram o método EBITDA, projeções financeiras e de fluxo de caixa, e pelos relatórios denominados "Investment Opportunity" elaborados pela empresa Patrimônio Investimentos Participações Ltda. Especificamente quanto ao ágio da empresa Platypus Holdings Ltda. Argumenta que: (a) neste caso, o ágio contabilizado pela teve origem na aquisição de ações do Laboratório Delboni Auriemo, sendo esse valor decorrente de aumento de capital realizado posteriormente à aquisição; (b) tratase de ágio apurado em parcela paga posteriormente pela Platypus Holdings Ltda na aquisição do Laboratório Delboni Auriemo, razão pela qual, em que pese a aquisição ter ocorrido no ano de 1999, os elementos relativos a esta operação, justificam a constituição do ágio por rentabilidade futura decorrente de aumento de capital ocorrido entre o final de 2000 e o início de 2001; (c) a contabilização em separado do valor pago a titulo de ágio também se aplica no caso de aquisição de participação societária, por inexistir na legislação qualquer vedação que restrinja este procedimento relativamente à participação societária adquirida num segundo momento (após a aquisição inicial) por via de aumento de capital; (d) os documentos que comprovam a origem dos valores pagos (fls. 480/580) consistem nos documentos societários da empresa Platypus, relatório da empresa de consultoria Booz Allen Hamilton, cujas conclusões foram otimistas em relação à empresa investida (Lab. Delboni Auriemo), demonstrações financeiras (Financial Statements) que utilizaram o método EBITDA —já apresentados no processo 10882.001031/200495; (e) a reclassificação do ágio e a glosa dos valores amortizados não procedem, por terem sido observados os requisitos legais e faz remissão aos argumentos antes expostos. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 22/06/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/05/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10882.002482/200610 Acórdão n.º 110300.630 S1C1T3 Fl. 7 7 Submetido o lançamento à apreciação da Delegacia de Julgamento de Campinas (SP), foi o mesmo julgado procedente por decisão assim ementada: “ÁGIO EM INVESTIMENTO. AMORTIZAÇÃO. REQUISITOS PARA DEDUTIBILIDADE. A amortização do ágio, como regra geral, é indedutível para a apuração do lucro real, bem como da base de cálculo da CSLL. A possibilidade de deduzilo prevista no art. 386, III, do RIR/99 referese hipótese em que a pessoa jurídica absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio fundamentado em rentabilidade da coligada ou controlada com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros, caso em que a amortização poderá ser feita à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração, inclusive no caso de incorporação da controladora por sua controlada. Não configurada tais hipóteses, mas sim a pretensão de amortização de ágio da própria investidora, e/ou ou não justificada a previsão de rentabilidade futura, mantémse a glosa da amortização. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. A exigência decorrente deve seguir a orientação decisória adotada para o tributo principal, tendo em vista ser fundada nos mesmos fatos. Lançamento Procedente.” Da decisão se extrai: “Inicialmente, cabível consignar que, abrangendo o ano calendário 2001, já foraformalizada contra o contribuinte ora autuado, no processo 10882.001031/200495, entre outras, exigência por indedutibilidade de ágio (ágio este que havia sido pago por empresas incorporadas — Origem e Antuérpia – na aquisição de participação societária da própria incorporadora (fiscalizada), com fundamento em ‘rentabilidade futura’, além de apropriação de ágio na incorporação da empresa Cantalon S.A.). ... Na verdade, nada opõe especificamente o impugnante acerca do conjunto das operações descritas e dos objetivos que nelas identificou a fiscalização, mas direciona, inicialmente, sua defesa no sentido de questionar a possibilidade de a fiscalização alterar o motivo da contabilização do ágio de "rentabilidade futura do empreendimento" para "outras razões econômicas". Entende que, divergindo a fiscalização do fundamento do ágio, caberia apenas a glosa dos valores indevidamente amortizados. Contudo, a fiscalização não procedeu a uma simples desclassificação da motivação do ágio. Antes disso, demonstrou as peculiaridades das incorporações ocorridas que resultaram na absorção do ágio. Na seqüência, expôs razões de fato e de direito que levaram conclusão de inexistência de documentação legalmente exigida para justificar a contabilização de ágio em função de rentabilidade futura e para permitir a sua Fl. 6DF CARF MF Impresso em 22/06/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/05/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10882.002482/200610 Acórdão n.º 110300.630 S1C1T3 Fl. 8 8 dedutibilidade. Em razão disso, apesar de ter exposto que, para a situação materialmente ocorrida, o ordenamento consagra a regra inserta na alínea "c" do § 2° do art. 20 do DL 1.598/77 (fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas fls. 961), temse que a exigência decorre exatamente da glosa das parcelas indevidamente amortizadas, sem quaisquer outras consequências. E, ao imputar a falta de adequada justificativa para a constituição do ágio por rentabilidade futura e amortização mensal, a fiscalização o fez com base nas determinações do art. 20 do Decretolei 1.598, de 26/12/1977, e arts. 70 e 8° da Lei 9.532/97, citados dentre a legislação aplicável e a seguir transcritos: ... Assim, a possibilidade de deduzir o ágio na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL restringese ao caso previsto no art. 386, III, do RIR/99 — art. 7°, III, da Lei 9.532/97, qual seja: em que a pessoa jurídica absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio fundamentado em rentabilidade da coligada ou controlada com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros, caso em que a amortização poderá ocorrer à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração. Observese que, tendo a lei estabelecido condição para dedutibilidade do ágio — demonstração que comprove a contabilização – tem a fiscalização o poderdever de verificar a observância ou não de tal condição e de questionar o conteúdo da demonstração apresentada. Se assim não fosse, inócua seria a imposição da condição. ... Do exposto, vêse que detectou a fiscalização ausência de esclarecimentos acerca de premissas que embasaram a previsão que teria justificado o pagamento do ágio, demonstrando os significativos efeitos de alocação, nas projeções, de valores decorrentes de variáveis (em especial a perpetuidade), sobre as quais, apesar de intimado, nada elucidou o contribuinte. E, acerca de tais constatações, especialmente da influência da variável designada por perpetuidade, também nada foi oposto especificamente na peça de defesa. Ao contrário, o impugnante reconhece que as conclusões dos documentos apresentados foram extremamente otimistas em relação as empresas investidas (fls. 1042), sem apresentar uma justificativa razoável para este otimismo. E, ainda, defende que por mais que o contribuinte disponha de elementos que possam enquadrar o ágio pago em uma ou outra hipótese, tendo em conta tratarse de alternativas que se excluem mutuamente, devese optar por aquela que seja mais razoável diante do caso concreto (fls. 1.038). Mas, a opção de atribuir o ágio em questão Fl. 7DF CARF MF Impresso em 22/06/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/05/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10882.002482/200610 Acórdão n.º 110300.630 S1C1T3 Fl. 9 9 â rentabilidade futura, não se mostra a mais razoável, diante de projeções que o próprio impugnante qualifica de extremamente otimistas. Alem disso, ao se manifestar sobre a constatação fiscal de significativa variação do valor econômico da Bronstein e Lamina em função de mera variação de algumas premissas e ponderações utilizadas no método de avaliação, o impugnante admite expressamente que as projeções poderão sofrer variações conforme o método e premissas utilizados (fls. 1.046). Apesar disso, alega que, inexistindo fixação em lei de critérios de avaliação a serem adotados, impossível seria a contestação dos métodos utilizados. Alegação do mesmo sentido é apresentada em relação â utilização das Planilhas EBITDA. ... Ocorre que, como visto, a fiscalização, em sua análise, demonstrou que, embora o método EBITDA seja uma forma de medir desempenho da empresa em termos de fluxo de caixa, auxiliando no processo de avaliar a empresa como um todo, não se destina a avaliar a rentabilidade da empresa nos moldes da legislação fiscal e societária. Isto porque, para o fim de aquisição de urna empresa, o que interessa é a sua capacidade de produzir benefícios aos seus sócios, ou seja, o dinheiro que a empresa é capaz de gerar. E tal apuração não é refletida por meio do citado método, posto que, nele são considerados, dentre outros pressupostos: (a) Como fluxo financeiro o fluxo de caixa operacional mais recente da empresa, desconsiderando receitas e despesas financeiras e outros itens não operacionais, bem como impostos sobre o resultado; (b) Como horizonte do fluxo financeiro um fluxo perpétuo desse valor; e (c) Como taxa de desconto um valor predeterminado considerado na definição do multiplicador a ser utilizado. ... Ainda, quanto à efetivação dos resultados previstos, não há vicio algum no fato de a fiscalização ter presumido a sua inocorrência. Se o contribuinte, apesar de intimado a discriminar os efeitos de cada incorporação (ou por centro de custos ou outro método) no resultado obtido, nada apresenta, mas se limita a alegar que a fiscalização deveria disponibilizar modelo para que pudesse atender a intimação, valeuse o autuante do resultado efetivamente declarado pelo contribuinte, qual seja: lucro liquido negativo (prejuízo) ao final de 2001 (fls. 885), resultado que se repetiu ao final dos anos de 2002 a 2005, conforme declarações de ajustes para períodos encerrados em 31/12 dos referidos anos (pesquisas juntadas as fls. 1.214 a 1.217). Nesse sentido, também não se confirma a alegação do Impugnante de que teria apurado lucro durante o período Fl. 8DF CARF MF Impresso em 22/06/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/05/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10882.002482/200610 Acórdão n.º 110300.630 S1C1T3 Fl. 10 10 fiscalizado. Tal alegação não é acompanhada de prova alguma, enquanto que, para o anocalendário de 2001, conforme DIPJ constante de fls. 815, foi apurado lucro líquido negativo de R$ 6.881.425,02. Ademais, a inexistência de acompanhamento, por parte do contribuinte, da efetivação dos resultados previstos, hábeis a justificar a amortização do ágio da forma linear como foi feita, independentemente dos efeitos de cada uma das três incorporações questionadas, reforça a indedutibilidade do ágio nos moldes em que contabilizado, pois não comprovados os efeitos de cada incorporação, no resultado da fiscalizada, que permitisse a absorção dos correspondentes valores contabilizados a título de ágio. Acrescentese que, não confirmada a previsão de rentabilidade futura, somente seria aceitável que o contribuinte, em situação de constantes prejuízos, amortizasse o ágio pago em razão daquela previsão, em circunstâncias em que o desempenho da empresa fosse afetado por casos fortuitos ou de força maior — ocorrência que sequer foi aventada pelo impugnante.” A decisão exarada pela Delegacia de Julgamento de Campinas (SP) acolheu os argumentos expendidos pela autoridade lançadora, especialmente aqueles que se referem à ausência de justificativa para pagamento de ágio na aquisição da participação societária das empresas citadas, na perspectiva de obtenção de resultados futuros, bem assim a vinculação da dedutibilidade do ágio à concretização da rentabilidade projetada. Inconformada com a decisão, interpôs o contribuinte o recurso voluntário de fls. 12431317, reproduzindo as razões anteriormente expendidas na impugnação. Memorial apresentado pela Recorrente indicando, em escorço, os fundamentos que ensejariam o provimento do apelo. É o relatório. Voto Hugo Correia Sotero Relator Recurso tempestivo. Preenchidos os requisitos de admissibilidade. Considero necessário, de início, consignar que, nada obstante tenham a autoridade lançadora, no Termo de Verificação Fiscal, e a Delegacia de Julgamento, na decisão atacada, afirmado a existência de liame entre a Recorrente e as empresas incorporadas, consignando que “a DASA procedeu à utilização da empresa ATACAMA meramente para o fim desincorporar as empresas BRONSTEIN LAB, BRONSTEIN AD e LAMINA” e “com esta forma atípica de proceder a aquisição de terceiras empresas, a DASA poderia estar ensejando o aproveitamento de algum planejamento tributário, na área do ganho de capital ou na dissimulação de valores, e em especial, gerando dificuldades para o acompanhamento pela Fl. 9DF CARF MF Impresso em 22/06/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/05/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10882.002482/200610 Acórdão n.º 110300.630 S1C1T3 Fl. 11 11 Administração Tributária destas situações”, não há indicação de que as aquisições tenham sido realizadas de forma ilícita – dolo, fraude ou simulação. Desse modo, à míngua de indicação de situação de fato que caracterizasse a prática de ilícito por parte da Recorrente, considero irrelevante a existência de liame entre a Recorrente e as incorporadas (BRONSTEIN LAB, BRONSTEIN AD e LAMINA), de modo que a aferição da legitimidade do lançamento, bem como da correção da decisão pronunciada pela Delegacia de Julgamento, há que se pautar exclusivamente nas razões apontadas para glosa das amortizações do ágio incorrido nas operações de incorporação, exceto em relação à incorporação de PLATYPUS S/A, que será objeto de análise específica. Há, ainda, aspecto relevante suscitado pela autoridade lançadora, que concerne à acusação de que o ágio considerado seria um “ágio de si mesmo”, de modo que sua amortização não poderia gerar efeitos fiscais. Devese levar em consideração distinção essencial. Com efeito, há de se observar que nem todo ágio interno significa “ágio de si mesmo” ou ágio artificial. Há ágios internos efetivos ou reais e ágios internos artificiais ou sem causa. A esse propósito, transcrevo excertos da declaração de voto do Conselheiro Marcos Shigueo Takata (Acórdão desta Turma 110300.501, de 2011), nos termos seguintes: “A meu ver, é indispensável e necessária a distinção entre os ágios internos, assim os formados dentro de um grupo societário: não se podem colocar os ágios internos todos numa “vala comum”. Há ágios internos e “ágios internos”. Quero com isso dizer que há ágios internos reais ou efetivos ou com causa, e ágios internos “criados” ou artificiais ou sem causa. Para fins jurídicotributários, o ágio interno, formado dentro do grupo societário, para ser real ou com causa, deve ter uma efetividade econômica ou um significado econômico. (...) Imaginese que uma pessoa jurídica resolva incorporar as ações de uma controlada sua que possui minoritários. Aqui, também, se a investida vale mais que seu valor contábil, a relação de substituição de ações pode se dar com base no valor econômico da investida (e da investidora) e a incorporação de ações pode vir a ser feita por esse valor de econômico (um critério de avaliação) da investida. Haverá um ágio no investimento, pago pela incorporadora de ações, através da emissão de ações entregues aos acionistas da incorporadora de ações. Outro exemplo de ágio interno real ou com causa. Há significado econômico nesse ágio. Há pagamento pela aquisição de ações (entrega de ações da incorporadora de ações): sua contrapartida é aumento do investimento com ágio. Mais um exemplo. Uma investida pode se encontrar com passivo a descoberto (PL negativo). Não obstante, sua controladora acredita na capacidade de recuperação e de rentabilidade da empresa. Para tanto, a controladora injeta dinheiro na empresa, Fl. 10DF CARF MF Impresso em 22/06/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/05/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10882.002482/200610 Acórdão n.º 110300.630 S1C1T3 Fl. 12 12 por aumento de capital, revertendo o passivo a descoberto da investida (PL positivo), para a capacitar à sua recuperação e à geração de rentabilidade. O novo valor de investimento da controladora é o custo de aquisição no aumento de capital (valor em dinheiro aportado): a diferença entre o valor patrimonial da investida segundo o percentual de participação da controladora (equivalência patrimonial) e o custo de aquisição é ágio. Há efetividade econômica nesse ágio. Há pagamento em dinheiro pelo aumento de capital feito: sua contrapartida é aumento do investimento com ágio. O ágio interno é real ou efetivo.” O caso dos autos é exatamente o de haver pagamento na aquisição de investimento, gerandose ágio efetivo e real. Se houve pagamento pelo ágio, é claro que há efetividade econômica do ágio. Mais ainda, no caso em dissídio, nem se trata de ágio interno, pois a aquisição de investimento se deu de terceiros. Nessa linha, não há se falar em ágio artificial a impedir, por esse fundamento, a assunção do benefício fiscal sob análise. O fundamento normativo para amortização de ágio em operações de aquisição de participação acionária encontrase no art. 20 do DecretoLei nº. 1.598/77 e no art. 7º da Lei nº. 9.532/97, com as seguintes redações: a) Decretolei nº. 1.598/77: “Art. 20. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I – valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II – ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1º. O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º. O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas.” b) Lei nº. 9.532/97: “Art. 7º. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha Fl. 11DF CARF MF Impresso em 22/06/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/05/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10882.002482/200610 Acórdão n.º 110300.630 S1C1T3 Fl. 13 13 participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: I – deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II – deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III–poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do §2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; IV – deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anoscalendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração.” Nos termos da legislação citada, a pessoa jurídica que proceder à absorção do patrimônio de outra (incorporação, fusão ou cisão) mediante pagamento de ágio (diferença positiva entre o patrimônio líquido da empresa incorporada e o valor de aquisição) deverá indicar, dentre aqueles elencados no § 2º do art. 20 do Decretolei nº. 1.598/77, o fundamento econômico do ágio, podendo, na hipótese de pagamento de ágio em vista da previsão de rentabilidade futura, amortizar o valor do ágio no procedimento de apuração do lucro real. A legislação (§ 3º do art. 20 do Decretolei nº. 1.598/77) exige do contribuinte, na hipótese de pagamento de ágio em vista de rentabilidade futura, esteja o fundamento econômico indicado em demonstração específica, arquivada na escrituração. Abstraindose a questão da vinculação da Recorrente às sociedades incorporadas – até porque a regra inscrita no art. 20 do Decretolei nº. 1.598/77 fala de “sociedade coligada ou controlada” – no caso concreto o lançamento considerou indevida a vinculação do pagamento de ágio pela Recorrente porque: (a) a avaliação feita pelo método EBITDA não poderia servir à definição de perspectiva de rentabilidade futura; e, (b) nos exercícios subsequentes a previsão de rentabilidade não se concretizou. Sobre a primeira questão, assim se pronunciou o contribuinte nas razões de recurso e no memorial apresentado: “_ o método EBITDA atende o requisito contido no art. 20, § 2º, alínea “b”, do DecretoLei nº. 1.598/77, pois evidencia a previsão de rentabilidade futura da empresa; Fl. 12DF CARF MF Impresso em 22/06/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/05/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10882.002482/200610 Acórdão n.º 110300.630 S1C1T3 Fl. 14 14 _ esse método, utilizado amplamente, se baseia no potencial de geração de caixa (base do resultado) dos ativos operacionais da sociedade, inexistindo em lei método específico para apuração de rentabilidade futura (a própria fiscalização não indicou método diverso);” Sobre o tema este Conselho, analisando o Processo nº. 10882.001031/2004 95 (lançamento formalizado em relação à Recorrente em relação a outro exercício, indicado pela Delegacia de Julgamento por conter as “mesmas razões de decidir”), assim se pronunciou: “Tendo em vista que não há legislação fiscal que determine a metodologia de avaliação a ser adotada e os requisitos que devem ser atendidos, levando em conta as planilhas apresentadas pela contribuinte cuja síntese foi explicitada acima, considerando que apesar de parte das premissas e de algumas variáveis não terem sido explicitadas, a fiscalização não infirmou essas premissas e variáveis (por que a taxa de desconto de 20% não seria adequada? por que a taxa de perpetuidade não poderia ser 7%? etc), levando em conta ainda as informações contidas no parecer mencionado que confirma que a metodologia adotada no relatório BoozAllen traduz a expectativa de resultados futuros, considero, que o documento apresentado à fiscalização e arquivado para demonstrar a avaliação da empresa DA, pelo método do fluxo de caixa descontado corresponde a R$ 106.831.000,00. Não adoto o valor apurado pelo parecerista com base nas metodologias mencionadas no parecer, uma vez que ainda que os mesmos números dos demonstrativos apresentados permitam chegar a valor superior ao apontado na documentação, considero que deve prevalecer a documentação apresentada pela empresa, arquivada como demonstração da apuração do ágio pelo método da expectativa de rentabilidade futura, uma vez que pequenas alterações nas premissas podem gerar valores diferentes, maiores ou menores do que o apurado, como por exemplo, a taxa de perpetuidade, que o parecerista utiliza 7,3% enquanto a documentação apresentada pela recorrente indica 7%, razão pela qual, deve neste caso específico prevalecer o documento arquivado para efeitos fiscais. Voltando ao ilícito fiscal, de que trata o item 3 do Termo de Constatação Fiscal, verificase que a fiscalização desconsiderou a documentação apresentada para a fundamentação econômica do ágio, mas, não fez qualquer restrição entre o valor apurado de ágio e o valor que a documentação suporta. Também, na descrição do ilícito fiscal, os autuantes não fizeram qualquer restrição ao fato da mesma documentação ter sido utilizada para fundamentar o ágio formado quando da aquisição das cotas da DelboniAuriemo pela ORIGEM e quando a participação acionária foi adquirida pela ANTUÉRPIA, ao integralizar o capital da DelboniAuriemo. Assim, deixo de verificar se o valor de avaliação da empresa de R$106.831.000,00 é suficiente para suportar o ágio apurado Fl. 13DF CARF MF Impresso em 22/06/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/05/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10882.002482/200610 Acórdão n.º 110300.630 S1C1T3 Fl. 15 15 pela recorrente e também deixo de me manifestar em relação ao fato da mesma documentação ter sido utilizada para fundamentar o ágio nas duas operações citadas. Consequentemente deve ser considerada improcedente a glosa da amortização do ágio relacionada com as empresas ORIGEM e ANTUÉRPIA.” (Acórdão nº. 140200.342 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, rel. Conselheira Albertina Silva Santos) Adoto integralmente os fundamentos expendidos pela eminente Conselheira Albertina Silva Santos, posto que: (a) a legislação de regência não estabelece método específico para formação da perspectiva de rentabilidade futura, de modo que a autoridade lançadora deveria ter se debruçado não sobre o método (EBITDA), mas sim sobre as conclusões e valores apontados, indicado sua imprestabilidade para os fins utilizados; (b) considerando inadmissível o pagamento de ágio nas operações de incorporação realizadas ou sua dedução no procedimento de apuração do lucro, deveria a autoridade lançadora ter indicado razões concretas para tanto. Não se discute a possibilidade de a Administração Tributária, à luz do regramento inscrito no art. 20, § 2º, do DecretoLei nº. 1.598/77, questionar, revisar ou desconsiderar o fundamento econômico indicado pelo contribuinte para pagamento de ágio em operações de aquisição de participação acionária. O que não se faz possível é, com base exclusivamente em questionamentos acerca do método utilizado, considerar imprestável a indicação, sem apontar, com base em método correto, a existência ou inexistência de rentabilidade futura previsível e, existente, o valor passível de amortização. No que concerne à segunda questão – nos exercícios subsequentes a previsão de rentabilidade não se concretizou – assim se pronunciou o contribuinte: “_ princípio da legalidade: inexiste na legislação que trata do tema qualquer obrigatoriedade acerca da efetiva apuração de tais lucros; _ impossibilidade de segregar, após a incorporação, os resultados da sociedade incorporada: após a incorporação, a sinergia da junção de diversos patrimônios sociais dá espaço a apenas um único resultado.” No aludido Acórdão nº. 140200.342 (4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, rel. Conselheira Albertina Silva Santos), manifestouse este Conselho da seguinte forma: “Em relação à acusação fiscal de que os lucros não foram confirmados, entendo que a legislação fiscal não condicionou a dedutibilidade da amortização do ágio à efetiva apuração de lucro, e nem estabeleceu prazo para a geração de lucros. Essa legislação foi editada no contexto de incentivo às privatizações, e permaneceu em vigor nos anoscalendário objeto de autuação, entretanto, a Instrução CVM 247/96 alterada pela 285/98 não pode ser aplicada para efeitos fiscais.” A aquisição de participação em uma sociedade pressupõe, ordinariamente, a obtenção de rentabilidade futura derivada do desenvolvimento da atividade econômica, sendo Fl. 14DF CARF MF Impresso em 22/06/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/05/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10882.002482/200610 Acórdão n.º 110300.630 S1C1T3 Fl. 16 16 este o fundamento do pagamento do ágio, apurado quando da avaliação do investimento, conforme a projeção do EBITDA ou LAJIDA (lucros antes dos juros, impostos, depreciação e amortização), que é medida de potencial de geração fluxos de caixa. No entanto, é evidente que a expectativa de rentabilidade futura pode não vir a se concretizar. Pode haver um retorno maior que o esperado, como se vivenciar cenário econômico que ponha por terra as previsões realizadas no momento da aquisição, já que tais previsões estão calcadas em variáveis aferíveis naquele momento. A análise dos cenários econômicos não permite a obtenção de certeza quanto à obtenção de rentabilidade futura (apenas projetada no momento inicial – aquisição), sendo esta a razão da fundamentação do ágio na expectativa de rentabilidade futura, e não a certeza de rentabilidade futura. Se há certeza da rentabilidade, não se paga a mais nem a menos. O que há é expectativa de rentabilidade. Para ocorrência ou não da rentabilidade esperada (projetada), concorrem inúmeros fatores externos e mesmo internos, que influenciam na concretização ou não de tal rentabilidade, entrando em cena fatores de mercado, de micro e macroeconomia. A avaliação e projeção da rentabilidade futura e que se reflete no ágio pago se faz com base nas variáveis concretas observáveis no momento da aquisição, variáveis estas passíveis, repisese, de alteração. Se as expectativas que geraram o ágio não vierem a se concretizar, não se materializando a rentabilidade projetada inicialmente, este fato não altera a natureza e o fundamento do ágio. Este se justifica, enquanto tal, contabilmente, só no momento da aquisição do investimento. É sob esse prisma que se coloca a questão da amortização fiscal do ágio, sob fundamento econômico de expectativa de rentabilidade futura. Para além, há que se observar que ao serem incorporadas as empresas adquiridas com ágio, não há mais como se falar em expectativa de rentabilidade individual de cada empresa. Não há como se dizer que uma parcela do resultado é de rentabilidade de uma empresa e outra parcela de outra empresa. A incorporação cria uma nova “entidade” econômica que passa a ter vida própria e, assim, uma específica expectativa de rentabilidade, independente dos elementos que, agregados, a geraram. Não vejo como se possa justificar a pretensão fazendária apoiada na segregação de expectativas de rentabilidade futura das empresas adquiridas, individualmente, após a incorporação. Ademais, o fato de ter havido uma incorporação reversa, no caso, da Platypus Holdings, em nada interfere na questão da amortização do ágio, e que aliás é expressamente prevista pela regra inscrita no art. 8º, “b”, da Lei nº. 9.532/97. Acerca da incorporação reversa, transcrevo o deduzido na declaração de voto do Conselheiro Marcos Takata, no precitado Acórdão desta Turma, quando se presenciou Fl. 15DF CARF MF Impresso em 22/06/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/05/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10882.002482/200610 Acórdão n.º 110300.630 S1C1T3 Fl. 17 17 também uma cisão total reversa, mas que, naquele caso, não havia o antecedente ágio efetivo ou real: “O fato de as operações societárias teremse dado num curto período de tempo (inclusive a cisão total da Marumbi, recém criada, com versão do ágio na Center para a Center) não é razão para se infirmar o ágio interno gerado e a dedução da amortização de seu valor (em ativo diferido). Isso não interfere, a meu ver, na natureza e higidez do ágio, tampouco da amortização e dedução desse valor. O problema é o ágio não ter causa ou não ser efetivo ou real.” Com relação à dedução das despesas de amortização do ágio, para fins da CSLL, registro que não há previsão legal para a indedutibilidade dessas despesas, tal como é preceituada para o lucro real, pelo art. 25 do DecretoLei n. 1.598/77. A Lei n. 7.689/88 (art. 2º, caput e § 1º, “c”, “1” a “3”) não contempla essa indedutibilidade. Tanto o art. 38 da Lei n. 8.541/92 como o art. 57 da Lei n. 8.981/95, previram expressamente a manutenção da base de cálculo da CSLL, ressalvadas as alterações a ela feitas nessas leis. E nenhuma delas previu a indedutibilidade em comentário. Também as leis posteriores, como as Leis ns. 9.249/95 e 9.430/96 não instituíram essa indedutibilidade para a CSL. Não há norma legal como a do art. 22 da Medida Provisória n. 2.158/01, que estendeu à CSLL as regras da incompensabilidade das bases negativas de CSLL se, entre a data da apuração das bases negativas e a da compensação, houver, cumulativamente, mudança de controle e de ramo de atividade, bem como da impossibilidade de compensação das bases negativas de CSLL da sucedida pela sucessora por incorporação, fusão ou cisão. Com estas considerações, conheço do recurso voluntário para darlhe provimento. Hugo Correia Sotero Relator Fl. 16DF CARF MF Impresso em 22/06/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/05/201 2 por HUGO CORREIA SOTERO, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10805.900748/2006-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO.
DEDUÇÃO DE RETENÇÕES. PROVA. Na ausência de comprovantes de
retenção e ante a declaração a menor de retenções pela fonte pagadora em DIRF, cabe à interessada trazer aos autos as correspondentes notas fiscais de serviço e a prova de seu recebimento pelo valor líquido do IRRF, bem como declaração fidedigna da fonte pagadora de que estes valores especificamente
retidos foram recolhidos aos cofres públicos. Evidências contábeis destas alegações são insuficientes para o reconhecimento do crédito pretendido, especialmente quando fonte pagadora e beneficiária são geridas pelo mesmo diretor presidente.
Numero da decisão: 1101-000.688
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Edeli Pereira Bessa
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HÉLIO LIMA S/C LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. DEDUÇÃO DE RETENÇÕES. PROVA. Na ausência de comprovantes de retenção e ante a declaração a menor de retenções pela fonte pagadora em DIRF, cabe à interessada trazer aos autos as correspondentes notas fiscais de serviço e a prova de seu recebimento pelo valor líquido do IRRF, bem como declaração fidedigna da fonte pagadora de que estes valores especificamente retidos foram recolhidos aos cofres públicos. Evidências contábeis destas alegações são insuficientes para o reconhecimento do crédito pretendido, especialmente quando fonte pagadora e beneficiária são geridas pelo mesmo diretor presidente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Fl. 327DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10805.900748/200604 Acórdão n.º 110100.688 S1C1T1 Fl. 313 2 Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Nara Cristina Takeda Taga. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10805.900748/200604 Acórdão n.º 110100.688 S1C1T1 Fl. 314 3 Relatório LABORATÓRIO DE PATOLOGIA CLÍNICA DR. HÉLIO LIMA S/C LTDA, já qualificado nos autos, recorre de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas/SP que, por unanimidade de votos, manteve a homologação parcial da compensação de saldo negativo de IRPJ apurado no 2o trimestre de 2000. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Trata o presente processo de declaração de compensação eletrônica, transmitida pelo programa PER/DCOMP e que tomou o nº 07551.10744.301003.1.3.020008, pela qual pleiteia a contribuinte em epígrafe o reconhecimento do direito creditório relativo a imposto de renda pessoa jurídica, do 2º trimestre do anocalendário de 2000, para utilização em compensação de débitos de períodos de apuração posteriores. Ao apreciar o pleito formulado, a DRF/Santo André, por seu Serviço de Orientação e Análise Tributária – SEORT, proferiu o despacho decisório de fls. 43/44, indeferindo o direito creditório, relativo a imposto de renda pessoa jurídica, do ano calendário de 2000, 2o trimestre, com a conseqüente nãohomologação dos débitos compensados. Cientificada em 23/05/2008 (sextafeira), conforme AR de fls. 45verso, da decisão dada à declaração de compensação, a contribuinte, por sua procuradora legalmente habilitada, interpôs, em 24/06/2008, a manifestação de inconformidade de fls. 46/47, expondo em sua defesa as razões de fato e de direito a seguir sintetizadas: 3.1 – faz uma breve explanação de seu ramo de atividades e afirma que a quase totalidade de seu faturamento é para pessoas jurídicas, razão pela qual os pagamentos estão sujeitos à retenção de imposto de renda na fonte, à alíquota de 1,5%; 3.2 – informa, a seguir, que forneceu a relação das retenções na fonte, ocorridas nos anos de 1998 e 1999, indicando as fontes pagadoras e os respectivos CNPJ; 3.3 – prossegue, dizendo que “Considerando que valores expressivos não foram aceitos como crédito e a convicção que temos de que os impostos informados foram efetivamente retidos e recolhidos, manifestamos nossa inconformidade com o critério adotado pelo SEORT na apuração do IRRF objeto do pedido de compensação.”; 3.4 – esclarece que está anexando novamente a relação já referida e solicita a reconsideração da decisão, baseandose no fato de que a Receita Federal do Brasil tem condições de confirmar a efetiva retenção de imposto de renda, independentemente do fornecimento, pela contribuinte, das declarações emitidas pelas fontes pagadoras; 3.5 – considerando que as informações solicitadas se referem a 1999 e 2000, há mais de oito anos, portanto, solicita prazo mais dilatado para comprovar as retenções de imposto efetuadas. Em 10/07/2008, a contribuinte endereçou ao Fisco o expediente de fls. 93, encaminhando cópias de Darf da fonte pagadora Unimed ABC Cooperativa de Fl. 329DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10805.900748/200604 Acórdão n.º 110100.688 S1C1T1 Fl. 315 4 Trabalho Médico, recolhidos no anocalendário 2000, com a composição dos valores retidos dos prestadores de serviço. Junto à correspondência citada foi trazida também uma relação de pagamentos efetuados pela Unimed ABC Cooperativa de Trabalho Médico, à contribuinte, no anocalendário 2000. A Turma julgadora rejeitou estes argumentos aduzindo que: • Não tem razão a interessada quando alega que a autoridade administrativa poderia comprovar os valores retidos independentemente da apresentação dos documentos comprobatórios, pois o exame do direito creditório foi feito com base nos valores inscritos em declaração de imposto de renda pessoa jurídica (DIPJ), entregue pela contribuinte, além dos valores apurados em DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras dos rendimentos, conforme deixou claro a autoridade fiscal no despacho de fls. 43/44, a qual, ante a alegação da contribuinte de que não mais dispunha das provas que lhe foram exigidas, confirmou, do total de retenções de R$ 42.836,15, a parcela de R$ 5.866,90; • A interessada equivocouse ao utilizar, como indébito, o total de retenções de R$ 42.836,15, pois o saldo negativo não se origina isoladamente dessas retenções, as quais poderão ser deduzidas no cálculo do imposto devido, respeitadas as hipóteses e limites legais, consoante dispositivos legais e normativos transcritos no voto. Correto, assim, o entendimento expresso pela autoridade fiscal, que confrontou as retenções confirmadas com o IRPJ devido naquele trimestre (R$ 7.829,13). • Declarou insuficiente a apresentação de notas fiscais de emissão da própria contribuinte para comprovação da retenção do imposto, e destacou que os documentos apresentados à autoridade fiscal correspondiam ao ano calendário de 1998. Quanto aos relatórios apresentados, observou que ali estavam indicadas várias fontes pagadoras cujas retenções não foram confirmadas em DIRF, a exigir a exibição dos competentes informes de rendimentos, para comprovação dos valores retidos, nos termos do art. 942 do RIR/99. • No que tange aos documentos juntados com a manifestação de inconformidade, consignou que a relação das notas fiscais já havia sido antes apresentada e considerada insuficiente (além de agora reunir operações de 1998 e 1999, incoerentes com o litígio instaurado) e, quanto aos documentos que teriam sido emitidos pela Unimed ABC Cooperativa de Trabalho Médico, rejeitouos porque não estariam devidamente chancelados, nem assinados, o que lhes tira qualquer eficácia. • Assim, embora possível a confirmação dos recolhimentos em DARF que teriam sido feitos pela fonte pagadora, não é possível correlacionálos com as operações relacionadas em documentos que não se mostram confiáveis. Ainda, se estes documentos foram emitidos pela fonte pagadora, também seria possível dela obter o comprovante de rendimentos e retenção na fonte, correspondente aos valores recolhidos e respectivas relações de empresas beneficiadas. • Por fim, identificou divergências nos documentos apresentados, assim relatadas: Fl. 330DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10805.900748/200604 Acórdão n.º 110100.688 S1C1T1 Fl. 316 5 Por último, as relações de empresas, que acompanham os Darf recolhidos, informam um total de R$29.606,56 como retidos da contribuinte, enquanto que o relatório de fls. 11 denota a retenção da quantia de R$119,35, com uma diferença expressiva. Ressaltese que no relatório de fls. 04 a contribuinte aponta para uma retenção do valor de R$37.407,30, que teria sido feita pela Unimed ABC Cooperativa de Trabalho Médico, quantia divergente da constante em DIRF entregue por esta última empresa, como também dos documentos acostados aos autos pela interessada. Cientificada da decisão de primeira instância em 12/03/2009 (fl. 154), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 13/04/2009 (fls. 181/185), no qual reitera que sofreu retenções de imposto de renda no anocalendário 2000, especialmente em razão dos serviços prestados à UNIMED ABC – Cooperativa de Trabalho Médico, e que por não ter deduzido estas retenções do IRPJ devido, solicitou sua compensação em 2003 com o imposto devido naquele ano. Assevera que o indeferimento do pedido de compensação decorreu de falhas apresentadas nos informes de rendimento solicitados pela Receita Federal, apesar de tais documentos já estarem em propriedade daquele órgão. Aduz, porém, que as informações prestadas pela UNIMED ABC em DIRF não refletem os valores retidos e recolhidos, e ante a impossibilidade de retificação da DIRF, foram solicitados à fonte pagadora cópia dos DARF's, que foram novamente apresentados para a Receita Federal, mas desconsiderados. Junta novos documentos ao seu recurso, para comprovação das retenções ocorridas no ano de 2000, por ela assim descritos: • ANEXO I — Relação das faturas de prestação de Serviço emitidas pelo Laboratório de Patologia Clinica Dr Hélio Lima Ltda contra UNIMED DO ABC Cooperativa de Trabalho Médico, discriminando o valor dos serviços, o Imposto de Renda Retido, indicando a página do Diário em que foram apropriados e a data em que foi pago, pela UNIMED DO ABC, o DARF contendo o Imposto de Renda Retido. • ANEXO II — Apresenta a mesma relação das Notas Fiscais contidas no Anexo I, porém relacionandoas com os pagamentos efetuados pela UNIMED DO ABC e indicando as suas informações principais e respectivas páginas do registro contábil da apropriação (no DIÁRIO do prestador) e o pagamento (no DIÁRIO do tomador de serviços); • ANEXO III — Discrimina os pagamentos dos serviços contidos nos lançamentos contábeis da UNIMED DO ABC, de modo a identificar as Notas Fiscais que compõe os valores que fazem parte do ANEXO II; • Cópia dos DARF'S recolhidos pela fonte pagadora (UNIMED DO ABC) com a respectiva relação dos valores retidos dos prestadores de serviços, dentre os quais o recorrente; • Cópia das páginas dos DIÁRIOS, citadas nos ANEXOS I e II, do recorrente Laboratório Helio Lima; • Cópia das páginas dos DIÁRIOS, citadas no ANEXO II, da fonte pagadora UNIMED DO ABC — COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. De outro lado, concorda que errou ao determinar o saldo negativo, reconhecendo que seu valor seria R$ 35.007,02, e não R$ 42.836,15. Mas acrescenta que tal Fl. 331DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10805.900748/200604 Acórdão n.º 110100.688 S1C1T1 Fl. 317 6 erro formal não inviabiliza seu direito à compensação, quando comprovada a efetiva retenção e recolhimento do imposto deduzido em sua apuração, motivos pelos quais pede o reexame da matéria e das provas documentais juntadas, exonerando o recorrente da indevida autuação. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10805.900748/200604 Acórdão n.º 110100.688 S1C1T1 Fl. 318 7 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A interessada apresentou a DCOMP nº 07551.10744.301003.1.3.020008, afirmando possuir saldo negativo de IRPJ no 2o trimestre/2000 no valor de R$ 42.836,15. Relacionou as retenções de imposto de renda, indicando 34 (trinta e quatro) fontes pagadoras, dados que a autoridade administrativa confrontou com as informações por elas prestadas em DIRF, encontrando insuficiências. Às fls. 11/32 estão juntadas tais informações, totalizando retenções de imposto confirmadas no valor de R$ 5.866,90. Como a apuração do IRPJ do 2o trimestre/2000, informada em DIPJ, apontava saldo negativo de R$ 35.007,02, mediante confronto de retenções de R$ 42.836,15 com o imposto devido de R$ 7.829,13, o crédito alegado pela interessada foi anulado em razão desta recomposição e da parcial comprovação das retenções. A recorrente concorda com a recomposição que ensejou a redução de seu crédito em R$ 5.866,90. Já com referência à glosa de retenções, centra foco naquelas promovidas pela fonte pagadora Unimed do ABC Cooperativa de Trabalho Médico, relativamente à qual restaram confirmadas retenções de R$ 119,35, diversamente do montante considerado pela contribuinte em suas apurações, no valor de R$ 37.407,30. Consta à fl. 33 que a contribuinte foi intimada a comprovar documentalmente (através de Informes de Rendimentos) o valor do IRRF apurado em cada trimestre do ano calendário de 2000. Correta a exigência pois a Lei nº 7.450/85 assim dispõe: Art 55 O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. É certo que a Lei nº 9.784/99 reconhece direitos aos administrados, nos seguintes termos: Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Todavia, a autoridade administrativa já havia adotado este procedimento, reunido as informações constantes em DIRF, e nelas não identificando total compatibilidade para reconhecimento do indébito pretendido pela contribuinte. Indispensável, portanto, a apresentação dos comprovantes de retenção emitidos pelas fontes pagadoras dos rendimentos. Ocorre que tal comprovação em momento algum veio aos autos. De início, a contribuinte apresentou a planilha de fls. 34/42, relacionando notas fiscais que teriam sido emitidas em 1998 por seus clientes, e correlacionandoas com as retenções sofridas, documento que foi novamente apresentado com a manifestação de inconformidade, mas então agregando Fl. 333DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10805.900748/200604 Acórdão n.º 110100.688 S1C1T1 Fl. 319 8 operações de 1999 (fls. 59/77). Ao complementar tais razões de defesa, a contribuinte juntou documento intitulado Relação das contas a pagar/pagas por fornecedor em 2000, que teria sido emitida por Unimed ABC Cooperativa de Trabalho Médico em 08/07/2003, acompanhada de DARFs recolhidos pela referida empresa sob código de receita 1708, ao longo de 2000, associados a planilhas indicando a composição de cada pagamento (fls. 89/149), documentos que poderiam se prestar como início de prova contra a declaração firmada em DIRF, se fosse possível atestar que foram emitidos pela referida fonte pagadora, o que não se verificou ante a inexistência de qualquer identificação dos signatários destas demonstrações. Em recurso voluntário, a contribuinte pretendeu demonstrar que as notas fiscais de serviços por ela emitidas no 2o trimestre/2000 foram pagas pela Unimed do ABC com retenções de imposto que totalizariam R$ 37.407,30, montante equivalente ao indicado em DCOMP, mas superior ao informado pela fonte pagadora em DIRF (R$ 119,35). A planilha de fl. 210 estabelece a relação entre as notas fiscais de serviços, o seu recebimento registrado nos livros da recorrente, e o pagamento dos serviços e do IRRF pela Unimed do ABC. A soma do IRRF calculado sobre as notas fiscais de serviço emitidas no 2o trimestre/2000 equivale àquele apontado na DCOMP (R$ 37.407,30), mas o pagamento destes serviços, e por conseqüência a retenção do imposto de renda, teria ocorrido em parcelas distribuídas de 03/07/2000 a 07/08/2000. A planilha de fls. 219/226 demonstra quais notas fiscais integrariam as parcelas pagas pela fonte pagadora. As cópias do Livro Diário da recorrente, onde estariam registrados os recebimentos, são acompanhadas de Termo de Abertura assinado por Helio Lima (Diretor Presidente) e Angelita Passo Henrique (TC). As cópias do Livro Diário de Unimed do ABC Cooperativa de Trabalho Médico estão acompanhadas de Termos de Abertura e Encerramento, mas assinados pelas mesmas pessoas: Helio Lima (Diretor Presidente) e Angelita Passo Henrique (TC). Além de tais provas apenas refletirem a escrituração contábil de fatos alegados pela interessada, e não propriamente os fatos que precisam ser provados, observase uma relação entre a fonte pagadora e a beneficiária: ambas estavam sob a direção de Hélio Lima, circunstância que facilitaria a apresentação dos elementos exigidos pelo Fisco, e assim opera contra a contribuinte. De fato, se esta relação existe, não se compreende a relutância da contribuinte na demonstração dos fatos quando isto lhe foi exigido pela autoridade preparadora, ou mesmo quando da apresentação da manifestação de inconformidade. A recorrente novamente apresenta os DARFs de recolhimento de IRRF pela Unimed ABC, os quais permanecem associados a planilhas indicando a composição de cada pagamento, mas delas agora consta assinatura e a indicação NESTOR BERILO BARBOSA CPF 06366716820, providência ainda insuficiente para afirmação de fato em favor da recorrente, pois não identifica quem seria o declarante, e não é suportada por qualquer prova dos fatos ali reunidos, para além de sua parcial escrituração contábil. Do conjunto probatório presente nos autos, é possível inferir que houve um descompasso entre a emissão das notas fiscais de serviço, e o possível reconhecimento desta receita pela recorrente, e a efetivação da retenção do imposto pela fonte pagadora. Mas a demonstração deste fato é exclusivamente documental, e sem ela não é possível reconhecer direito creditório à interessada. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10805.900748/200604 Acórdão n.º 110100.688 S1C1T1 Fl. 320 9 Caberia à contribuinte, na ausência dos comprovantes de retenção, trazer aos autos as correspondentes notas fiscais de serviço e a prova de seu recebimento pelo valor líquido do IRRF, bem como declaração fidedigna da fonte pagadora de que estes valores especificamente retidos foram recolhidos aos cofres públicos. Evidências contábeis destas alegações são insuficientes para o reconhecimento do crédito pretendido, especialmente em face da relação existente entre a fonte pagadora e a beneficiária. Interessante observar que o mesmo descompasso aqui verificado restou evidenciado, também, nos autos do processo administrativo nº 10805.00747/200604, no qual se discute o saldo negativo de IRPJ apurado no 1o trimestre de 2000. Assim, caso a incompatibilidade entre a DIRF e o crédito alegado pela recorrente decorresse, apenas, de divergência entre os momentos de emissão da nota fiscal de serviços e de retenção, as informações prestadas pela fonte pagadora no 2o trimestre de 2000 evidenciariam este fato, o que não se verificou, pois as retenções informadas neste período totalizaram, apenas, R$ 119,35, ao passo que, naqueles autos, as retenções incomprovadas montaram em R$ 12.900,52. Registrese, ainda, a anotação contida no despacho de decisório de fl. 43/44 de que a contribuinte alegou não mais ter posse de tais documentos, quando lhe foi exigida a apresentação dos informes de rendimento. Relevante esclarecer, portanto, que o indébito foi apurado no 2o trimestre de 2000, e utilizado em compensação em 30/10/2003, dispondo a autoridade administrativa de 5 (cinco) anos para confirmação da regularidade deste procedimento, restando injustificada a resposta assim apresentada à intimação lavrada em 07/03/2008, e mostrandose correta a homologação parcial da compensação cientificada à contribuinte em 23/05/2008. É o que consta na Lei nº 9.430/96, na redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) [...] Recordese, também, que, nos termos da legislação processual em vigor, o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333 do Código de Processo Civil). Assim, no presente caso, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar Fl. 335DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10805.900748/200604 Acórdão n.º 110100.688 S1C1T1 Fl. 321 10 fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Decorre, daí, que a compensação deveria estar suportada por provas do indébito tributário no qual se fundamenta. Contudo, cabe atentar que o procedimento em debate já se iniciou mediante a apresentação de DCOMP, desacompanhada, por autorização normativa, de qualquer prova do indébito ali indicado, posto que o Fisco teria ainda cinco anos para confirmálo. Por fim, destaquese que a prova aqui exigida ensejaria, no máximo, o reconhecimento de crédito à contribuinte no montante de R$ 37.287,95 (diferença entre a retenção deduzida no valor de R$ 37.407,30 e a retenção confirmada na DIRF da Unimed ABC, no valor de R$ 119,35). Considerando que a autoridade preparadora nada reconheceu do crédito original de R$ 42.836,15, resta inconteste o não reconhecimento da parcela de R$ 5.548,20. Diante do exposto, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 336DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10805.900748/200604 Acórdão n.º 110100.688 S1C1T1 Fl. 322 11 Fl. 337DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 13603.002030/2006-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 03 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Sep 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA -
Exercício: 2001, 2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO
Deve-se acolher os embargos opostos se confirmada a omissão apontada.
DCTF. RETIFICAÇÃO
Verificada a declaração a menor de valores em DCTF em relação ao auto de infração, há que ser mantida a autuação correspondente a esta diferença.
Numero da decisão: 1202-000.387
Decisão: Acordam os membros do colegiada, acolher os embargos de declaração
opostos para alterar a decisão proferida no Acórdão n° 1202-00.235 para a manutenção da exigência nos montantes de R$ 16,20 a titulo de RN e R$ 59,96 para a CSLL. Ausente justificadamente o Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Valeria Cabral Geo verçoza
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SI-C2T2 F I 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 13603,002030/2006-15 Recurso n" 157.895 Embargos Acórdão n" 1202-00.387 — 2" Câmara / 2" Turma Ordinária Sessão de 01 de setembro de 2010 Matéria Embargante Procuradoria da Fazenda Nacional Interessado Santa Terezinha Dist. de Produtos Industrializados ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - Exercício: 2001, 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.. OMISSÃO Deve-se acolher os embargos opostos se confirmada a omissão apontada. DCTF. RETIFICAÇÃO Verificada a declaração a menor de valores em DCTF em relação ao auto de infração, há que ser mantida a autuação correspondente a esta diferença. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiada, acolher os embargos de declaração opostos para alterar a decisão proferida no Acórdão n° 1202-00.235 para a manutenção da exigência nos montantes de R$ 16,20 a titulo de RN e R$ 59,96 para a CSLL. Ausente justificadamente o Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno. EDITADO EM: 11 NOV 2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Loss° Filho (presidente da turma), Valéria Cabral Géo Verçoza, Nereida de Miranda Finamore Horta, Carlos Alberto Donassolo, Flávio Vilela Campos, / Relatório Trata-se de embargos de declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional apontando omissão no acórdão 1202-00,235, proferido na sessão de julgamento de 26 de janeiro de 2010. A decisão embargada considerou que houve descontinuidade de procedimento fiscal por mais de sessenta dias, caracterizada pela inexistência de ato escrito da autoridade fiscal no período de 11/07/2006 a 31/10/2006. Readquirida a espontaneidade da contribuinte, foi reconhecida a sua opção pelo PAEX. Os débitos que eram objeto do presente processo foram incluídos no parcelamento, sendo que os valores confessados em DCTF's retificadoras superaram aqueles lançados nos autos, à exceção cio primeiro trimestre de 2001, a saber: Per iodo de apua ação/t, ibuto Valores cio auto de infração DCTF's consideradas pela fiscalização (lis 40 e 221 a 229) Total DCTF's retificador as (Os 1040 a 1046) Diferença IRP,I 1'. Trimestre/200 1 292.999,41 292.999,41 305.716,63 16,20 12.733,42 1 2.733,42 2". Tritnestr e/2001 879.641,15 879.641,15 941.748,16 -3.820,04 58.286,97 58.286,97 '3". TI imestr e/2001 832.668,56 832.668,56 1.026.761,32 -17.846,69 176.246,07 176.246,07 4". Ti imestr e/2001 779.220,81 779.220,81 1.074.565,37 -14.548,93 280.795,63 280.795,63 1". Ti imesu e/2002 837.475,25 837.475,25 1.118.249,55q -7.041,08 273.733,22 273.733,22 2'. Trimestre/2002 773.015,98 773.015,98 1.104.541,90 -47.911,89 283.614,03 283.614,03 3". Trimestre/2002 993.339,17 5.272,03 998.611,20 1.384.592,77 -44.091, 9 341.890,38 341.890,38 4". Trimestre/2002 1.196.882,33 6.148,52 1.203.030,85 1.676.418,31 -59.985,90 413.401,56 413.401,56 Total 8.425.943,94 11.420,55 8.437.364,49 8.632.594,01 CSLL 1°, Tr imesti e/200 I 134.549,73 134.549,73 140.272,48 59,96 5.782,71 5.782,71 2". Trimesti e/2001 398.538,51 398.538,51 426.486,67 -763,12 27.185,04 27.185,04 3". Ti imestr e/2001 377.400,84 377.400,84 464.742,59 -5.752,42 81.589,33 81.589,33 4". Ti imestr e/2001 353.349,36 353.349,36 486.254,42 5.021,88 127.883,18 127.883,18 1". Trimestre/2002 379.563,86 379.563,86 505.912,30 -213,65 126.116,79 126.1 1 6,79 2°. Trimestre/2002 350.557,18 350.557,18 499.743,86 -19.357,02 129.829,66 129.829,66 3". TI imestr e/2002 448.911,82 3.163,22 452.075,04 625.766,74 -16.710,25 156.981,45 156.981,45 4'. Trimestre/2002 540.374,77 3.689,11 544.063,88 757.088,24 -22.748,76 2 190.275,60 90.275,60 3 Processo o" 1360.3 .002030/2006-15 Acórdão n ." 1202-00.387 S1-C2T2 Fl 2 Total 3.828.889,83 6.852,33 3.735.742,16 3.906.267,30 O quadro acima é reprodução do relatório da diligência realizada pela DRF/Contagern —11. 1048. Segundo a Procuradoria, a decisão de 2 a .. instância incorreu em omissão, em razão de não ter se pronunciado sobre a diferença entre os valores lançados e os declarados na DCTF retificadora, referentes ao trimestre de 2001, conforme apuração efetuada pela fiscalização às fls. 1.048 e 1.049. ( ... analisando as informações de fls. 1.048 e 1 049, que consigna o resultado da diligência realizada pela autoridade preparadora, constata-se que, no primeiro trimestre de 2001, a diferença apurada pelo Fisco fii positiva, ou seja, nem todo o valor lançado a título de IRPJ e CSLL para o referido período .foi incluído em DCTF pelo contribuinte. Neste diapasão, em que pese a alegada reaquisição da espontaneidade, a não inclusão de parte dos valores no débito confessado seria finar impeditivo ao cancelamento do auto de 4-ação em tela. ) Por sua vez, o voto condutor do presente atesto, no que tange à manifestação sobre a diférença apurada no 1". trimestre de 2001, foi omissa, consignado de forma genérica que "os débitos confessados pelo contribuinte, relativos ao mesmo período da fiscalização, compreendem os valores lançados nos autos de infração, e mais, ultrapassam os mesmos, conforme relatório de diligência (fls. 1.048 e 1 049) ) Insta ainda acrescentar que o fáto do contribuinte ter declarado em DCTF valores superiores aos dos autos de infração em tela, nos demais períodos de apuração, com exceção cio 1°. trimestre de .2001, não afasta a circunstância de que o presente lançamento não pode ser cancelado, devendo o contribuinte pleitear o que achar de direito à Receita Federal, pelos meios cabíveis:. Dessa maneira, ficou caracterizada a omissão no julgado consistente em não se pi onunciar sobre a diferença positiva de IRPJ e CSI,L, apurada no 1°, trimestre de 2001, nos termos da tabela de fls. 1.48, e as consequências que a existência desses valores passíveis de cobrança podem acarretar na manutenção ou não do presente lançamento. Ao final, requer a Procuradoria da Fazenda Nacional sejam os embargos julgados procedentes com o fito de sanar a omissão apontada relativamente à diferença positiva de IRPJ e CSLL. É o relatório,. 4 Processo e 13603 002030/2006-15 S1 -C2T2 Acórdão n " 1202-00387 H. 3 Voto Conselheira Relatora, Valéria Cabral Géo Verçoza Os embargos opostos apontam para omissão no acórdão com relação à diferença positiva, a favor da Fazenda Pública, de R$ 16,20 para o Imposto de Renda e de R$59,96 para a CSLL relativamente ao 1 0. Trimestre de 2001. Na verdade, ao apresentar as DCTF's retificadoras, a contribuinte teria calculado a menor os valores devidos no 1°. Trimestre de 2001, enquanto nos demais trimestres de 2001 e nos de 2002 teria confessado valores superiores aos lançados nos autos de infração, De fato, razão assiste à embargante, pois o acórdão abordou a questão de maneira genérica, não considerando as diferenças acima apontadas.. Apesar de a contribuinte, nos três últimos trimestres de 2001 e no ano de 2002 haver declarado a maior, em DCTF, R$195 .245,72 relativo ao imposto de renda e R$70.585,10 relativo à MIL, no primeiro trimestre de 2001 declarou a menor R$ 16,20 de IRP,1 e R$59,69 de CSLL. Portanto, correta a omissão apontada pela embargante, o que enseja o acolhimento dos embargos para alterar a decisão proferida em 2. Instância, consubstanciada no acórdão 1202-00235 e a manutenção do lançamento relativo ao IRPJ no valor de R$16,20 e a CRI, no valor de R$59,96. Por se tratar de valores insignificantes em relação ao valor total declarado nas DCTF's retificadoras (0,0018% em relação ao valor declarado de 1RPJ e 0,0015% em relação ao valor declarado de CSLL) pode-se concluir que se tratam de erros de cálculo, que não ensejam a manutenção de multa qualificada nem da responsabilização dos sócios Pámela Kaiser Nejm e Euler Fuad Nejm. É cpmo voto. , 2 IP 1.tia u,,- wed,d; ,g5,, . 7,„,-- (44....c7-----/ „ Val ria Cabral Géo erçoza 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA - PRIMEIRA SEÇÃO PROCESSO: 13603,00203012006-15 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada nos despachos supra, nos termos do art, 81, § 3 0 , do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n" 256, de 22 de junho de 2009. Brasília, 12 de novembro de 2010. Maria Concekrf de Sousa Rodrigues Secretária da Câmara Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ ] apenas com ciência; []com Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração.
score : 1.0
Numero do processo: 10735.004068/2003-88
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 1999
Ementa: DECADÊNCIA. IRPF. FATO GERADOR ANUAL.
O fato gerador do IRPF se perfaz em 31 de dezembro de cada ano-calendário, sendo este o marco temporal para contagem da regra decadencial disposta no CTN.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9202-001.984
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1999 Ementa: DECADÊNCIA. IRPF. FATO GERADOR ANUAL. O fato gerador do IRPF se perfaz em 31 de dezembro de cada ano-calendário, sendo este o marco temporal para contagem da regra decadencial disposta no CTN. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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IRPF. FATO GERADOR ANUAL. O fato gerador do IRPF se perfaz em 31 de dezembro de cada anocalendário, sendo este o marco temporal para contagem da regra decadencial disposta no CTN. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente Fl. 495DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado) Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire. Fl. 496DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10735.004068/200388 Acórdão n.º 920201.984 CSRFT2 Fl. 407 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, fls.0337, interposto pelo interessado contra acórdão, fls. 0313, que decidiu, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de decadência e negar provimento ao recurso. O acórdão em questão possui as seguintes ementa e decisão: DECADÊNCIA — Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. O fato gerador do I RPF se perfaz em 31 de dezembro de cada anocalendário. Não ocorrendo homologação expressa, o crédito tributário é atingido pela decadência após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 40 do CTN). NULIDADE DO LANÇAMENTO Incabível a argüição de nulidade do procedimento fiscal quando este atender às formalidades legais e for. efetuado por servidor competente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS Caracterizam omissão de rendimentos valores creditados em conta bancária mantida junto a instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. TAXA SELIC A apuração do crédito tributário, incluindo a exigência de juros de mora com base na Taxa Selic decorre de disposições expressas em lei. Tendo o lançamento observado estritamente o disposto na legislação pertinente, não cabem reparos. Preliminar rejeitada. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por CYRO ECKHARDT ELOY. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, REJEITAR a preliminar de decadência. Vencido o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira que a acolhe e cancela a exigência até o mês de novembro. No mérito, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira que suscita preliminar de erro no critério temporal e cancela a exigência em relação aos fatos geradores até novembro de 1998. Em seu recurso especial o interessado alega, em síntese, que: Fl. 497DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA 4 1. A contagem do prazo decadencial deve ter início na data da ocorrência do fato gerador, que se dá à medida da percepção dos rendimentos e não em 31 de dezembro de cada ano, como decide o acórdão recorrido; 2. O Fisco somente pode utilizar da presunção de omissão de rendimentos quando ficar comprovado que ela se traduziu em renda; 3. Pelo exposto, confia que seu recurso será conhecido e provido. Por despacho, fls. 0365, deuse seguimento parcial ao recurso especial, somente na questão da decadência. O interessado agravou a decisão sobre o exame de admissibilidade, fls. 0373. Em reexame, fls. 0385, não se conheceu do agravo, por sua intempestividade. O interessado questionou a contagem que decidiu pela intempestividade. Em novo reexame de admissibilidade, foi decidido que o agravo era tempestivo e que a decisão sobre o seguimento parcial do recurso deve prevalecer, fls. 0404. A PGFN, devidamente intimada, apresentou suas contrarazões, afirmando, em síntese, que o fato gerador do IRPF é anual. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 498DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10735.004068/200388 Acórdão n.º 920201.984 CSRFT2 Fl. 408 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso Especial e passo à análise de suas razões recursais. A discussão em pauta resumese ao início da contagem do prazo decadencial: mensal pelo mês em que há a omissão de rendimentos, como defende o interessado – ou anual, como defende a PGFN. Pela análise da matéria em questão verificase que não há razão no argumento da recorrente. O Imposto de renda possui seu fato gerador anual, já os valores antecipados referemse ao imposto que será apurado ao final do anocalendário. Portanto, o elemento temporal do fato gerador do imposto de renda é complexivo anual, aperfeiçoandose no dia 31 de dezembro de cada anocalendário, salvo nos casos de tributação definitiva ou de rendimentos sujeitos exclusivamente ã. retenção na fonte. Ressalteseque a tributação pela omissão de rendimentos, com fundamento no art. 42, da Lei n.° 9.430/1996 segue a regra geral, pois a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos de origem não comprovada também está sujeita ao ajuste anual. Assim, os valores dos depósitos bancários cuja origem não foi comprovada serão apurados mensalmente, à medida que forem creditados na conta bancária, mas tributados como rendimentos sujeitos ao ajuste na declaração. Essa posição possui jurisprudência da CSRF: IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR ANUAL O fato de a legislação definir que o valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mis do crédito efetuado pela instituição financeira define a sistemática de apuração da base de cálculo mês a mês, que, a exemplo do acréscimo patrimonial a descoberto submetese à tributação a ser realizada mediante a tabela progressiva anual. ... IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DECADÊNCIA Nos casos em que a lei atribui ao sujeito passivo a obrigação de apurar e recolher o tributo independentemente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento ajustase à modalidade por homologação, devendo o prazo decadencial ser contado do fato gerador, que ocorre em 31 de dezembro do ano Fl. 499DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA 6 calendário correspondente, tendo o fisco cinco anos, a partir dessa data, para efetuar o lançamento. Recurso especial negado (Acórdão CSRF / 0400.281) CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto em negar provimento ao recurso do contribuinte, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 500DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.010862/2003-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
Ementa:
Competência.
Compete à 3ª Seção o julgamento de processos relativos ao PIS.
Numero da decisão: 1302-000.936
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, unanimidade de votos, declinar da competência em favor da 3ª sessão de julgamento (documento assinado digitalmente)
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 Ementa: Competência. Compete à 3ª Seção o julgamento de processos relativos ao PIS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, unanimidade de votos, declinar da competência em favor da 3ª sessão de julgamento (documento assinado digitalmente) (documento assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello – relator e presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Eduardo de Andrade, Paulo Roberto Cortez, Marcio Rodrigo Frizzo e Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Relatório Fl. 330DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 17/07 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.010862/200375 Acórdão n.º 130200.936 S1C3T2 Fl. 331 2 Trata o presente da Compensação em que a contribuinte pretendeu a extinção do débito de COFINS com os créditos de PIS não cumulativo dos períodos de abril a junho de 2004, conforme a Declaração de Compensação e os Demonstrativos de Créditos de PIS/Pasep (fls. 01/04). Após verificação dos procedimentos da interessada pela DRF em Porto Alegre, esta emitiu a Informação Fiscal de fls. 282/284 na qual relata que a interessada não incluiu o valor do crédito presumido de ICMS na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, ocasionando crédito a maior do que o real. Incluído na base de cálculo dos períodos em questão, a DRF em Porto Alegre através do Despacho Decisório nº 236/2008 reconheceu parcialmente o crédito em favor da contribuinte. Cientificada, a empresa apresentou tempestivamente a sua Manifestação de Inconformidade (fls. 297/302), através de Procurador alegando que o aproveitamento do crédito presumido de ICMS com seus débitos do mesmo imposto não constituiria auferimento de receita, cujo conceito seria de ingresso de novos valores que se incorporam ao patrimônio da empresa. Tal procedimento, a seu ver, seria apenas uma alteração qualitativa nas contas patrimoniais. Pleiteia, por tal motivo, o deferimento total do crédito pleiteado. A DRJ decidiu: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 04/07/2003 a 30/09/2003 CRÉDITO PRESUMIDO ICMS O crédito presumido de ICMS não é de ser excluído da base de cálculo de PIS e de Cofins, pois inexiste previsão legal para tal. A recorrente tomou ciência do acórdão DRJ em 19/08/2008 e apresentou recurso em 11/09/2008. Em seu recurso reitero os argumentos apresentados em sede de impugnação. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 17/07 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11080.010862/200375 Acórdão n.º 130200.936 S1C3T2 Fl. 332 3 Voto Embora tempestivo, o recurso não pode ser conhecido por este colegiado. Prescreve o RICARF: Art. 4° À Terceira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Contribuição para o PIS/PASEP e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), inclusive as incidentes na importação de bens e serviços; Art. 7° Incluemse na competência das Seções os recursos interpostos em processos administrativos de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária. § 1° A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção. Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso e declinar da competência em favor da 3ª Seção de Julgamento do CARF. (documento assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello relator Fl. 332DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 17/07 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 11020.008053/2008-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/2004 A 31/03/2004
CPMF. IINCIDÊNCIA. ANTERIORIDADE NONAGESIMAL.
PRECEDENTE DO STF.
O E. Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº
566.032, declarou legítima a cobrança da CPMF em alíquota de 0,38% nos
90 dias posteriores à publicação da EC nº 42/2003.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.405
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 A 31/03/2004 CPMF. IINCIDÊNCIA. ANTERIORIDADE NONAGESIMAL. PRECEDENTE DO STF. O E. Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 566.032, declarou legítima a cobrança da CPMF em alíquota de 0,38% nos 90 dias posteriores à publicação da EC nº 42/2003. Recurso Voluntário Negado.
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IINCIDÊNCIA. ANTERIORIDADE NONAGESIMAL. PRECEDENTE DO STF. O E. Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 566.032, declarou legítima a cobrança da CPMF em alíquota de 0,38% nos 90 dias posteriores à publicação da EC nº 42/2003. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Walber José da Silva Presidente (Assinado Digitalmente) Gileno Gurjão Barreto – Relator (Assinado Digitalmente) EDITADO EM: 05/01/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Helio Eduardo de Paiva Araújo, Fabíola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto (Relator). Fl. 95DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11020.008053/200812 Acórdão n.º 330201.405 S3C3T2 Fl. 2 2 Relatório Adotase o relatório do acórdão da 3ª Turma de Julgamento da DRJPORTO ALEGRE/RS: “Tratase de manifestação de inconformidade contra despacho que não reconheceu pedido de restituição de CPMF, supostamente paga a maior entre 01/01/2004 a 31/03/2004. Alega o contribuinte que o indébito tem origem na diferença de alíquota de 0,08% e 0,38% da CPMF, sob o fundamento de que a EC 42/2003 agrediu o princípio da anterioridade nonagesimal. A decisão recorrida averbou que “não compete à autoridade administrativa manifestarse quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário”. Não conformada, a empresa manifestou sua inconformidade contra o r. despacho, pugnando, em preliminar, pela nulidade do mesmo por, em suma, negarse a exercer o controle de constitucionalidade, o que, em seu entender, faz a guerreada decisão carecer de fundamentação, No mérito, argui que a Emenda Constitucional 42/2003 ao majorar a alíquota da CPMF, afrontou os princípios jurídicos da anterioridade e da não surpresa.” Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso, acordaram os Membros da 3ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação. Intimada em 25/05/2011, irresignada a Recorrente, interpôs Recurso Voluntário em 10/06/2011. É o Relatório. Voto Conselheiro Gileno Gurjão Barreto, Relator O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual, dele se conhece. 2. Da incidência da CPMF – anterioridade nonagesimal O E. Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 566.032, declarou legítima a cobrança da CPMF em alíquota de 0,38% nos 90 dias posteriores à publicação da EC nº 42/2003, nos seguintes termos: Fl. 96DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11020.008053/200812 Acórdão n.º 330201.405 S3C3T2 Fl. 3 3 “Ementa: 1. Recurso extraordinário. 2. Emenda Constitucional nº 42/03 que prorrogou a CPMF e manteve a alíquota de 0,38% para o exercício de 2004. 3.Alegada violação ao art. 195, § 6º da Constituição Federal. 4. A revogação do artigo que estipulava diminuição de alíquota da CPMF, mantendose o mesmo índice que vinha sendo pago pelo contribuinte, não pode ser equiparada à majoração de tributo. 5. Não incidência do princípio da anterioridade nonagesimal. 6. Vencida a tese de que a revogação do inciso II do § 3º do art. 84 do ADCT implicou aumento do tributo para fins do que dispõe o art. 195, §6º da CF. 7. Recurso provido. Isso posto e considerado, havendo decisão do E. STF em sentido contrário à pretensão da recorrente, imperativo julgarlhe em consonância. Por todo exposto, conheço do recurso e negolhe provimento. É como voto, Sala das Sessões em 25 de Janeiro de 2012 Gileno Gurjão Barreto (Assinado Digitalmente) Fl. 97DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003476/2003-81
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 1999
ESCRITURAÇÃO. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL. PROVA.
A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a
favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por
documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos
legais.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 1999
CSLL. DECORRÊNCIA.
Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que
tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida que inexistem
fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas.
Numero da decisão: 1803-001.300
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Ausente o Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman.
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 1999 ESCRITURAÇÃO. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL. PROVA. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 1999 CSLL. DECORRÊNCIA. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1362; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 1.191 1 1.190 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.003476/200381 Recurso nº 507.904 Voluntário Acórdão nº 180301.300 – 3ª Turma Especial Sessão de 8 de maio de 2012 Matéria IRPJ E CSLL AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente BANDEIRANTES PROCESSAMENTO DE DADOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1999 ESCRITURAÇÃO. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL. PROVA. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 1999 CSLL. DECORRÊNCIA. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.003476/200381 Acórdão n.º 180301.300 S1TE03 Fl. 1.192 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente o Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Rodrigues Mendes e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.003476/200381 Acórdão n.º 180301.300 S1TE03 Fl. 1.193 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 1.137 a 1.139): Em ação fiscal direta, a empresa acima qualificada foi autuada e notificada, em 22/09/2003, a recolher ou impugnar os créditos tributários no valor de R$ 587.861,10, a título de Imposto de Renda sobre a Pessoa Jurídica (IRPJ) e R$ 208.152,67 de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), incluídos nesses totais multas e juros de mora calculados até 29/08/2003. O enquadramento legal para o Auto de Infração do IRPJ abrange os arts. 195, inciso I, 197 e parágrafo único, 242 e 243 do RIR/94; para a CSLL, o art. 2º e parágrafos da Lei nº 7.689/88, art. 19 da Lei nº 9.249/95, art. 1º da Lei nº 9.316/96 e art. 28 da Lei nº 9.430/96. 2. Conforme descrição no Termo de Verificação Fiscal (fls. 913/916), a fiscalização verificou, em levantamento documental, relativamente ao período encerrado em 31 de dezembro de 1998, a não comprovação, com documentação hábil e idônea (notas fiscais, faturas, contratos por escrito), das despesas lançadas na Conta 813.009.000.010 – Material de Escritório, no montante de R$ 997.281,93. A Fiscalização entendeu que a documentação apresentada pela interessada não foi suficiente para se comprovar a tradição jurídica na utilização dos materiais de escritório. 3. A impugnante não logrou êxito em demonstrar a transferência física (nome do transportador, responsável pelo recebimento do material e emprego em sua atividade produtiva) dos materiais. A remessa ou transferência dos materiais de escritório, dessa forma, constituise de lançamentos abstratos, sem qualquer prova de sua existência. Não apresentou a contribuinte, as notas fiscais de aquisição dos referidos materiais de escritório, nem se demonstrou quaisquer critérios de rateios (contábil/administrativo) dos valores lançados a débito. Em sendo assim, o quantitativo lançado como materiais de escritório não poderia ser considerado como despesas operacionais, por descumprimento dos arts. 195, I, 197 e § único, 242 e 243 do RIR/94. 4. Cientificada do feito em 22/09/2003 (fls. 919 e 924), apresenta, em 22/10/2003, impugnação, de fls. 929/935 e 1.031/1.039, para todos os efeitos, arguindo, em síntese, o seguinte: Os lançamentos das operações de movimentação dos materiais na contabilidade e a emissão da fatura de materiais requisitados são fatos, por si sós, suficientes para a lisura do procedimento; À época da fiscalização, as empresas fornecedora e consumidora ocupavam o mesmo prédio e, assim, não se exigia meio de transporte que não o braçal; Por se tratar, a remessa de materiais de escritório, de uma operação entre o Banco Bandeirantes e suas coligadas/controladas, as transferências se deram informalmente; As despesas glosadas pela fiscalização são absolutamente normais e razoáveis, correspondendo a apenas 4,10% do faturamento; Fl. 3DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.003476/200381 Acórdão n.º 180301.300 S1TE03 Fl. 1.194 4 Caberia à fiscalização exigir as notas fiscais originais do Banco Bandeirantes para a comprovação das operações; Inexistiu rateio de despesas, uma vez que os valores gastos com suprimentos de informática são devidamente alocados a cada usuário; A tributação reflexa é manifestamente ilegal, tendo em vista que não há necessidade de a contribuinte comprovar a pertinência das despesas por ela incorridas, mas tão somente a sua efetivação; O princípio da necessidade da despesa está, em verdade, adstrito ao campo da apuração do IR, e não da CSLL. Inaplicável, por conseguinte, a tributação reflexa no presente caso. Requer a improcedência do presente Auto de Infração e pedido de diligência, caso necessário. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 1.135): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1998 CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADOS. A glosa de custos/despesas não comprovada só é elidida pela apresentação de prova documental. PERÍCIA OU DILIGÊNCIA. Indeferese o pedido de perícia ou diligência quando a sua realização revelese prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. ILEGALIDADE. A autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal, e ao entendimento que a ele dá o Poder Executivo, deve limitarse a aplicála, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua legalidade, constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplicase aos lançamentos decorrentes ou reflexos o decidido sobre o lançamento que lhes deu origem, por ter suporte fático comum. Lançamento Procedente. 3. Cientificada da referida decisão em 06/01/2009 (fls. 1.172), a tempo, em 04/02/2009, apresenta a interessada Recurso de fls. 1.173 a 1.186, instruído com os documentos de fls. 1.187 a 1.189, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos e aduzindo mais os seguintes: a) que a alegação central contida no acórdão recorrido para julgar pela procedência do lançamento fiscal em tela esteiase, basicamente, na Fl. 4DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.003476/200381 Acórdão n.º 180301.300 S1TE03 Fl. 1.195 5 suposta ausência de apresentação de prova documental para comprovar a remessa dos materiais de escritório comprados pelo Banco Bandeirantes S.A. para a Recorrente; b) que tal entendimento, contudo, não merece prosperar; c) que, conforme restou pormenorizadamente demonstrado na peça impugnatória, a movimentação dos referidos insumos era feita por meio de documento interno da empresa denominado “Fatura de Materiais Requisitados”, na qual eram discriminados os dados da empresa solicitante, a quantidade, custo e código do material movimentado, a data de emissão e o número do documento; d) que, paralelamente, lançava, em sua contabilidade, as despesas incorridas com tais insumos, em valor equivalente ao custo médio indicado pelo Banco Bandeirantes S.A. no documento interno; e) que tais fatos, por si só, são mais do que suficientes para demonstrar a lisura do procedimento adotado, rigidamente controlado por meio da documentação interna acima mencionada; f) que o acórdão recorrido desconsiderou a alegação da Recorrente de que, na época da fiscalização, as empresas fornecedora e consumidora ocupavam o mesmo prédio e, assim, não se exigia meio de transporte; g) que bastava à fiscalização despender do menor esforço possível para verificar que, de fato, as empresas em questão avizinhavamse, o que dispensava a utilização de transportador para a alocação dos referidos materiais, bem como, e principalmente, a emissão de qualquer outro tipo de documento que comprovasse as remessas de materiais para cada uma das empresas pertencentes ao Grupo Bandeirantes; h) que referida centralização é plenamente justificável sob o aspecto econômico/financeiro, uma vez que, quanto maior o volume de compras, maior a capacidade de negociar melhores preços junto aos respectivos fornecedores; i) que, em resumo, a centralização de compras no Banco Bandeirantes S.A. era interessante não apenas a ele, controlador, mas também à Recorrente e às demais empresas que compunham o conglomerado Bandeirantes; j) que o Banco Bandeirantes S.A., que, como se disse, centralizava as compras de materiais de escritório destinadas a si mesmo e às demais empresas do Grupo Bandeirantes, não é contribuinte do ICMS, por não promover o comércio de mercadorias e, também por essa razão, não poderia emitir notas fiscais para o fim de ver ressarcidas as despesas com material de escritório compartilhadas com outras empresas do conglomerado; k) que a despesa incorrida com os suprimentos indispensáveis à pratica das operações da Recorrente — que pode até parecer exagerada se examinada Fl. 5DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.003476/200381 Acórdão n.º 180301.300 S1TE03 Fl. 1.196 6 isoladamente — mostrase absolutamente razoável, se comparada ao total de receitas geradas em sua atividade social; l) que se pressupõe que uma empresa de processamento de dados, por sua própria atividade, tenha um significativo consumo razoável de material de escritório, constituído por fitas e discos magnéticos, cartuchos de impressão, papel de impressão, peças de reposição para máquinas e equipamentos, e tantos outros itens; m) que, se dúvidas existiam quanto à efetiva aquisição de materiais pelo Banco Bandeirantes S.A., caberia então exigir desta empresa as notas fiscais originais, e não requisitar cópias desses documentos diretamente à Recorrente, colocandoa na condição de intermediária entre seu controlador e a fiscalização; n) que inexistiu, no caso dos autos, qualquer “rateio” a ser considerado, e sim despesa efetiva, incorrida por ocasião do consumo dos insumos requisitados à controladora, e definitivamente realizada e lançada em seus assentamentos contábeis, o que não é negado em momento algum pela fiscalização; o) que não há que se falar em rateio, pela simples razão de que as despesas com suprimentos de informática são efetivamente alocadas a cada usuário com base no custo médio do material efetivamente consumido, refletido na respectiva requisição, sendo desnecessária a estipulação de qualquer critério ou metodologia para esse fim, tal como pretende fazer crer o acórdão recorrido; p) que, caso a autoridade julgadora tivesse qualquer dúvida a respeito da veracidade dos argumentos apresentados pela Recorrente em sua defesa, sobretudo em relação à contabilidade do sistema operacional adotado, deveria ter determinado a conversão do julgamento em diligência, para o esclarecimento da matéria de fato prejudicial ao exame do mérito da lide, qual seja, a análise do sistema operacional de compra e consumo de materiais de escritório entre o Banco Bandeirantes S.A. e a Recorrente, e a existência de um almoxarifado centralizado por parte daquele, do qual partiam as remessas de materiais para as suas empresas coligadas e controladas, e a metodologia adotada para a apuração do custo médio; q) que, no caso em tela, persistindo a dúvida desta Câmara a respeito dos procedimentos de organização adotados pela Recorrente, relacionados com as despesas de materiais de escritório, tornase imperiosa a conversão do julgamento em diligência, para saneamento das dúvidas que porventura remanesçam para o deslinde da controvérsia; r) que, no campo da CSLL, diferentemente do que ocorre com o IRPJ, não há necessidade de o contribuinte comprovar a pertinência das despesas por ele incorridas, mas tãosomente a sua efetivação; Fl. 6DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.003476/200381 Acórdão n.º 180301.300 S1TE03 Fl. 1.197 7 s) que, como já restou demonstrado, não há margem a dúvidas de que os insumos adquiridos pela Recorrente estão “intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços”; t) que, na apuração da base de cálculo da CSLL, toda e qualquer despesa que seja efetivamente comprovada e não encontre expressa ressalva em lei poderá ser deduzida; e u) que o princípio da necessidade da despesa está, em verdade, adstrito ao campo da apuração do imposto de renda, não sendo aplicável para fins de apuração da CSLL. Em mesa para julgamento. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.003476/200381 Acórdão n.º 180301.300 S1TE03 Fl. 1.198 8 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. Conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal (fls. 913 a 916), constatou a fiscalização, relativamente ao anocalendário encerrado em 31 de dezembro de 1998, a não comprovação, com documentação hábil e idônea (notas fiscais, faturas, contratos por escrito), das despesas lançadas na Conta 813.009.000.010 – Material de Escritório, no montante de R$ 997.281,93. Entendeu a Fiscalização que a documentação apresentada pela interessada não foi suficiente para se comprovar a tradição jurídica na utilização dos materiais de escritório. 5. Afirma a Recorrente, por sua vez, que os lançamentos das operações de movimentação dos materiais na contabilidade e a emissão da “Fatura de Materiais Requisitados” são fatos, por si sós, suficientes para comprovar a lisura do procedimento e que, por se tratar, a remessa de materiais de escritório, de uma operação entre o Banco Bandeirantes S.A. e suas coligadas/controladas, as transferências se deram informalmente. 6. Dispõe o art. 923 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999) (grifouse): Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). 7. Inexistindo documentos hábeis, não há como se acatar as despesas pleiteadas. Nesse ponto, concordase integralmente com a decisão recorrida (fls. 1.141) (grifouse): 17. A documentação apresentada pela impugnante, em sua peça impugnatória, restringese apenas aos extratos do balancete mensal de fls.76/198, razão analítico de fl. 204 e faturas de materiais requisitados de fls. 205/249, 252/499, 502/749 e 752/912, não se constituindo de documentos suficientes para elidir a exigência fiscal. No presente caso, seria necessária, em primeiro lugar, a comprovação da remessa, através da anexação aos autos das notas fiscais emitidas pela empresa fornecedora, bem como as faturas que a originaram, hipótese esta que não ocorreu no presente processo. Ademais, não foi apresentada qualquer documentação comprobatória do pagamento das remessas de material de escritório, mediante a apresentação dos cheques de pagamentos ou boletos bancários ou qualquer outro comprovante de pagamento dos referidos materiais. 18. Analisandose as cópias das “faturas de materiais requisitados”, apresentadas pela contribuinte, constatase que Fl. 8DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.003476/200381 Acórdão n.º 180301.300 S1TE03 Fl. 1.199 9 são apenas documentação de uso interno da empresa, não se prestando para fins probatórios, uma vez não se constituírem de documentos fiscais. Não há, na documentação apresentada, informações a respeito da origem das operações de remessa, ou seja, contratos que respaldem as operações. 8. Ora, requisições internas apenas podem vir a comprovar, quando muito, que foi solicitado ao Almoxarifado da controladora o envio das quantias de material de expediente nela assinaladas. Não demonstram tenha a Recorrente arcado, ela mesma, com as despesas correspondentes a esse material. 9. Reiterese: não ficou demonstrado, em nenhum momento, tenha sido o Banco Bandeirantes S.A. compensado pela Recorrente pelas compras de material de expediente por ele efetuadas e a esta repassadas. 10. Não consta dos presentes autos nenhum instrumento contratual que preveja a centralização das compras de material de expediente pelo Banco Bandeirantes S.A., para posterior repasse à Recorrente, prevendo, ainda, critérios de rateio ou alocação e formas de reembolso ou ressarcimento. 11. Evidentemente, mesmo que essas empresas façam parte de um conglomerado econômico, o rateio de despesas/custos deve ser comprovado por meio de instrumento contratual que demonstre o critério de rateio ou alocação, e de documentação que comprove a efetividade e o pagamento dessas despesas/custos. Não estando estes comprovados nos autos, procede a glosa efetuada. 12. É bem de se ver, quanto aos acórdãos mencionados pela Recorrente por ocasião da ação fiscal, de fls. 200, aludem esses expressamente à existência de critério de rateio não contraditado pela fiscalização (Acórdão nº 10317.289, de 1996) e à existência de ressarcimento à controladora da parcela da despesa rateada (Acórdão nº 10806.604, de 2001), circunstâncias estas inteiramente ausentes no presente caso. 13. Com relação à afirmação de que as despesas glosadas pela fiscalização são absolutamente normais e razoáveis, correspondendo a apenas 4,10% do faturamento, não se discute a normalidade ou razoabilidade das pretensas despesas, mas a inexistência de comprovação documental destas. 14. A indispensabilidade ou a razoabilidade dessas despesas pela Recorrente não a exime de comprovar tenha ela, de algum modo, suportado esses gastos, e não apenas a sua controladora, que foi quem, confessadamente, centralizou as compras de material de expediente. 15. Quanto à insurgência da Recorrente contra a exigência de CSLL, ao argumento de que o princípio da necessidade da despesa estaria adstrito ao campo da apuração do IR, e não da CSLL, sendo inaplicável, por conseguinte, a tributação reflexa no presente caso, repitase que não se está discutindo a necessidade das supostas despesas, mas a sua própria existência. 16. Dessa forma, caso as despesas incorridas não sejam comprovadas com documentação hábil e idônea, não há que se falar em normalidade, necessidade e razoabilidade dos valores discutidos, as quais não podem operar no vazio. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 19515.003476/200381 Acórdão n.º 180301.300 S1TE03 Fl. 1.200 10 17. Concluindo, somente a prova material tem a virtude de invalidar auto de infração baseado em matéria de fato. Meras alegações em torno de matéria de fato não ilidem a ação fiscal. Pedido de diligência 18. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefiro, por prescindível, o pedido da interessada, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – Processo Administrativo Fiscal (PAF), com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 10DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/06/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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