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Numero do processo: 13702.000721/95-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO
IRPJ - OMISSÃO DE RECEITAS — Para a exigência do tributo é necessário
que se comprove de forma segura a ocorrência do fato gerador do mesmo.
Tratando-se de atividade plenamente vinculada (Código Tributário Nacional,
arts. 3° e 142), cumpre à fiscalização realizar as inspeções necessárias à
obtenção dos elementos de convicção e certeza indispensáveis à constituição
do crédito tributário. Havendo dúvida sobre a exatidão dos elementos em que
se baseou o lançamento, a exigência não pode prosperar, por força do
disposto no art. 112 do CTN. 0 imposto, por definição (CTN. art.3°), não
pode ser usado como sanção.
Numero da decisão: 1101-000.516
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, NEGAR
PROVIMENTO ao recurso de oficio e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Ausente a Conselheira Nara Cristina Takeda Taga, substituida pelo Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: José Sérgio Gomes
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SI-C1T1 Fl. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13702.000721/95-34 Recurso n° 118.368 De Oficio e Voluntário Acórdão n° 1101-00.516 — la Câmara / la Turma Ordinária Sessão de 03 de agosto de 2011 Matéria IRPJ Recorrentes Centrifugal S/A e Fazenda Nacional RECURSO VOLUNTÁRIO IRPJ - OMISSÃO DE RECEITAS — Para a exigência do tributo é necessário que se comprove de forma segura a ocorrência do fato gerador do mesmo. Tratando-se de atividade plenamente vinculada (Código Tributário Nacional, arts. 3° e 142), cumpre à fiscalização realizar as inspeções necessárias à obtenção dos elementos de convicção e certeza indispensáveis à constituição do crédito tributário. Havendo dúvida sobre a exatidão dos elementos em que se baseou o lançamento, a exigência não pode prosperar, por força do disposto no art. 112 do CTN. 0 imposto, por definição (CTN. art.3°), não pode ser usado como sanção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de oficio e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Ausente a Conselheira Nara Cristina Takeda Taga, substituida pelo Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta • E VALMAR FONSE MENEZES - Presidente. 11. JOSE t. - val_Tes ilEmn wor articiparam da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Benedict° Celso Benicia Júnior, José Ricardo da Silva (Relator) e Nara Cristina Takeda Taga. rsçk Relatório CENTRIFUGAL S/A recorre a este colegiado (fls. 841/864), contra decisão proferida pela 3 a Turma da DRJ/Rio de Janeiro, que julgou parte do lançamento tributário procedente, no qual apresenta Recurso de Oficio (fls. 803/812). Cuida-se de Autos de Infração (fls. 03/106) lavrados pela DRF/RJ/Centro Norte para exigir créditos tributários de 1RPJ, PIS, CSLL, Cofins e de IRRF, acrescidos de multa de 450% e de juros de mora, pela constatação de omissão de receitas pela falta de registro contábil da venda de produtos, de acordo com as seguintes irregularidades fiscais: 1) emissão de notas fiscais de remessa entre as empresas sem registro contábil ou com registro parcial; 2) falta de registro, no Livro Inventário, dos produtos ditos remetidos de uma para outra empresa; 3) falta de apresentação de qualquer prova da efetividade das operações de remessa; 4) falta de apresentação de qualquer controle permanente de estoque; 5) falta de comprovação de haver inventariado as mercadorias discriminadas nas referidas notas; 6) não comprovação do efetivo reingresso e da reincorporação ao estoque dos produtos apontados nas notas fiscais de remessa; 7) não atendimento das intimações para indicar os lançamentos contábeis das referidas notas no Livro diário. Baseando-se nas notas emitidas como de remessa, foi elaborada a planilha de fls. 153/206, com aplicação de multa qualificada sob o entendimento da ocorrência de evidente intuito de fraude, justificando a autoridade fiscal estar presente a falsidade ideológica, simulação e conluio, haja vista a falta de atendimento a todas intimações efetuadas para prestarem esclarecimentos. Ao apresentar impugnação, alegou a Recorrente que: a) os autos de infração foram lavrados em decorrência de lançamento a titulo de IPI pela suposta omissão, dolosa, de receitas no período de 06/92 e 12/94 de IRPJ, PIS, Cofins, IRRF e CSLL; b) inúmeros documentos contábeis e fiscais relativos as despesas operacionais, contas bancárias, contratos, mapas de correção monetária, registros do ativo permanente e diversas notas ficais foram auditadas por mais de um ano pela fiscalização tributária, sem ter sido produzida nenhuma prova material, preferindo a autoridade inverter o ônus da prova, supondo que estaria autorizada a presumir omissão de receita, violando o artigo 223, §2° do RIR/94; c) a tese da autuação calcou-se em equivoco formal de registro de estoques de camisas em 1992, onde tirou-se a ilação de que deveria desclassificar toda a movimentação de bens entre a Recorrente e sua filial e sua interdependente, como se existisse algum liame lógico entre a premissa e conclusão; d) a falta de compensação de prejuízos e de bases de cálculo negativas da contribuição social sobre o lucro acumulados, constantes das declarações de rendimentos e do LALUR e não considerados pela fiscalização, a exigência de PIS com base em lei inconstitucional, de imposto na fonte com fundamento no artigo 8° do Decreto-Lei 2.065/83, revogado pela Lei 7.713/88 e tantas outras deficiências contidas nos 2 Processo n° 13702 000721/95-34 SI-C1T1 Acórdão n.° 1101-00.516 Fl. 2 autos, embora devam ser consideradas pela autoridade julgadora, até mesmo por dever de oficio, perdem expressão. A DRJ no Rio de Janeiro, por entender não presentes os elementos necessários para formar convicção do julgado, converteu o julgamento em diligência (fls.428/429), cujos resultados encontram-se em Relatório de fls. 545/547, que culminou na lavratura de novos autos de infração (448/544) que, em substituição aos originais passaram a comportar novos valores de IRPJ, PIS, Cofins e Contribuição Social, que lá se encontram descriminados. Após tomar ciência dos novos autos lavrados em substituição aos originais, a contribuinte aditou a sua defesa (fls. 562/565), os seguintes argumentos: e) reitera que os fatos e o enquadramento legal contidos nos autos de infração em comento são reproduções dos que foram lavrados em setembro de 1995, cujas impugnações foram apresentadas e pendem de julgamento; f) novos defeitos foram agregados, sendo a primeira mácula o artigo 59, I, do Decreto 70.235/72, com a assinatura da Resolução, estendendo-se aos autos, ex vi do disposto no §1° do mesmo artigo, face ao artigo 951, §3° do RIR/94; g) houve cerceamento de defesa, pois a Recorrente não compreende se as imputações são complementares ou modificam o lançamento, ao arrepio do artigo 145 do CTN; h) multa de 450% fundamentada em dispositivo de lei revogado; i) o art. 35 da Lei 7.713 não se aplica as sociedades por ações. Ao apreciar o mérito do processo, a DRJ/RJ deu provimento parcial a autuação, conforme se extrai da ementa: IMPOSTO DE RENDA — PESSOA JURÍDICA Aplica-se aos procedimentos intitulados decorrentes ou reflexos o decidido sobre o lançamento que lhes deu origem, por terem suporte fático comum. RETROATIVIDADE BENIGNA — REDUÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO A lei nova aplica-se a ato ou fato não definitivamente julgados, quando lhes comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. Incidência do artigo 44 da Lei 9.430/96, por força do disposto no artigo 106, inciso II, letra (Õ\ c, do Código Tributário nacional e no Ato Declaratório (Normativo) SRF/COSIT n° 01 m de 07-01-97. A suspensão da execução dos DL 2.445/88 e DL 2.229/88 em nada afetou a permanência do vigor pleno da Lei Complementar 7/70 e a administração está obrigada a exigir a contribuição nos termos desse diploma. COFINS e CONTRIBUIÇÃO SOCIAL Substituindo o lançamento matriz, igual sorte colhem os que tenham sido formalizados por mera decorrência daquele. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE 0 Ato Declaratório Normativo 6/96 declara que o disposto no artigo 8° do Decreto-lei 2.065/83 foi revogado pelos artigos 35 e 36 da Lei 7.713/88, aplicando-se, em relação aos fatos geradores ocorridos no período de 01.01.89 a 31.12.92, as normas dos art. 35 e 36 da Lei 7.713/88 e, a partir de 01.01.93 ate 31.12.95, a norma do art. 44 da Lei 8.451/92. Entretanto, de acordo com a IN 63/97, o art. 35 da Lei 7.713/88 não se aplica as sociedades por ações. IPRJ, PIS COF1NS, IRRF (FLS. 517/518 E 520/523) e CONTRIBUIÇÃO SOCIAL — LANÇAMENTO PROCEDENTES EM PARTE. IRRF de fls. 507/516 E 519 — LANÇAMENTO IMPROCEDENTE. Da decisão, recorreu-se de oficio, os quais vieram acompanhados do recurso voluntário (fls. 653/675) apresentado pela Recorrente, na qual, em apertada síntese, se extrai: j) reporta-se A impugnação e as razões apresentadas quanto ao processo matriz de IN 13702.000700/95-64, anexado As fl s. 665/677; k) incredibilidade, inversosimilhança, irrealizibilidade do montante que lhe está sendo cobrado em face do porte da empresa; 1) nulidade dos novos Autos de Infração e de todos os atos processuais que lhe são posteriores por não ter havido decisão sobre matéria originalmente litigada, referindo-se aos Autos originals; m) cita jurisprudência contrária ao novo lançamento após o contencioso administrativo sem ter havido decisão sobre a matéria litigada. A Procuradoria da Fazenda Nacional pleiteou a manutenção da decisão de primeira instância, conforme se extrai de suas contrarrazões As fls. 680/683. Ao apreciar os recursos voluntário e de oficio, a Primeira Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes, em 01 de julho de 2003, decidiu declarar a nulidade dos 4 Processo n° 13702.000721/95-34 SI-C1T1 Acórdão ri.° 1101-00.516 Fl. 3 atos a partir da impugnação, nos termos do Acórdão n° 101-94.260, de cujo voto condutor, reproduzo os excertos abaixo: "Nos autos deste processo, além do relato do Fisco e das peças de impugnação, so há relações das notas fiscais tomadas pelo Fisco, além de umas poucas juntadas com a defesa. A preliminar, levantada pela recorrente, impede-me, nesta oportunidade de votar em sentido de que o processo baixasse ern diligência para a juntada de elementos que instruíram o processo de IN, já julgado, com determinação de cruzamento por períodos a ser determinado àquela, das remessas e retornos, a seus diversos títulos, de modo a apurar os estoques, no final de cada exercício, de modo a constatar problemas de custo. Contudo, como a preliminar e prejudicial da questão posta, voto no sentido de que se tomem por inválidos os atos processuais praticados a partir da impugnação, para que sejam julgados os lançamentos como inicialmente postos, abrindo-se os prazos decorrentes." Contudo, constou na decisão proferida pela Primeira Camara, o seguinte: "DECLARAR a nulidade dos atos a partir da impugnação, inclusive, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado". Em vista da dubiedade da partícula "inclusive" inserida no dispositivo do acórdão, a 3a Turma de Julgamento da DRJ/RII apresentou embargos declaração ao acórdão (fls. 762/763), questionando se haveria necessidade de intimar a Recorrente a apresentar nova Impugnação, além de determinar o alcance da nulidade relativa ao Recurso de Oficio, ao qual foi negado provimento, e cujos créditos tributários, separados do processo principal e reunidos no processo 13702.000653/97-48 já se encontravam extintos (fls. 698/721) e, por via de conseqüência, baixados no sistema Profisc. Ao apreciar os embargos declaratórios interpostos, a Primeira Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes acolheram-nos para declarar a nulidade dos atos praticados a partir da impugnação (fls. 773/777), conforme ementa: DÚVIDA NA INTERPRETAÇÃO DE ACÓRDÃO. Manifestada dúvida quanto ao alcance do Acórdão, e constatada contradição entre a decisão e seus fundamentos, acolhem-se os embargos para sanar os vícios e para esclarecer a extensão do julgado. Retornando os autos a DRJ/RJ, com os devidos esclarecimentos, foi proferido em 14/08/2008 o Acórdão n° 12-20.497, pela 3' Turma de Julgamento (fls. 803/812), cujo provimento foi parcial, conforme ementa abaixo: 5 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURIDICA — IRPJ Ano-calendário: 1992, 1993, 1994 OMISSÃO DE RECEITAS. Não elididos os fatos apurados pela fiscalização, suficientes para caracterizar a omissão de receitas, deve ser mantido o lançamento. COMPENSAÇÃO DE PREJUIZOS. A compensação de prejuízos é direito do contribuinte.Assim, na apuração do IRPJ exigido de oficio, deve ser considerado o prejuízo fiscal porventura existente. A partir do ano-calendário de 1993, no entanto, o valor da receita omitida deixou de compor a determinação do lucro real, não cabendo se levar em contra a compensação de prejuízos fiscais. MULTA DE OFICIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Por força da retroatividade benigna, o percentual da multa deve ser reduzido de 450% para 225%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano-calendário: 1992, 1993, 1994 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. CSLL. COFINS. IRRF. Aplica-se ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. PIS. A suspensão da execução dos Decretos-lei 2.445/1998 e 2.449/1988 não afetou a vigência da Lei Complementar 7/1970. CSLL A compensação de bases negativas da CSLL é direito do contribuinte. Assim, na apuração da CSLL exigida de oficio, deve ser considerada a base negativa da CSLL porventura existente. No entanto, a partir de 31/05/1994, a tributação sobre as receitas omitidas passou a ser definitiva, não cabendo se levar em conta a compensação de base negativa da CSLL. IRRF. 0 lançamento com base no artigo 8° do Decreto-lei 2.065/1983 deve ser cancelado Lançamento Procedente em Parte. Foi apresentado Recurso de Oficio por parte da autoridade prolatora da decisão, e de Recurso Voluntário, onde a Recorrente (fls. 841/864), aduz quê: (61 6 Processo n° 13702.000721/95-34 S1 -C1T1 Acórao n..° 1101-00.516 Fl. 4 n) reitera a necessidade do exame em conjunto do presente feito com os processos 13702.000702/95-90 (desmembrado no PAF 13702.000641/97-65) e 13702.000701/95-27 (desmembrado no PAF 13702.000639/97-17), uma vez que o próprio acórdão recorrido toma como razões de decidir as aduzidas nos julgamentos proferidos naqueles feitos, conforme exposto no voto condutor do acórdão; o) na narrativa contida na peça básica da autuação relativa ao IRPJ (fls. 11), cita-se planilha CENTRI91.XLS, que ao serem compulsadas pelo Recorrente, afirma não ter localizado, ou mesmo copia das notas fiscais citadas pelo autor do feito; p) os créditos tributários referentes ao processo 13702.000701/95-27 (desmembrado no PAF 13702.000639/97-17) foram cancelados pela 1° Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes por completa ausência de substância das imputações formalizadas; q) se o resultado que chegou a fiscalização fosse verdadeiro, implicaria, necessariamente, em declarar a escrituração da Recorrente imprestável para exame, com o conseqüente arbitramento do seu lucro tributável, o que não ocorreu; que a Recorrente se silenciou a respeito das intimações da fiscalização porque as respostas encontravam-se claramente na própria contabilidade; s) informa que fabricava camisas para pistões de motores a partir de cilindros que eram vendidos para CENTRINEL fabricar e vender anéis de motores; t) ocorre que algumas camisas fabricadas pela Recorrente eram remetidas para a CENTRINEL aplicar tratamento térmico e, depois de submetidas a esses serviços, eram devolvidas a Recorrente para venda; u) o procedimento fiscal da Recorrente consistia em pagar o IPI quando das vendas de cilindros para a CENTRINEL e de camisas para terceiros, reconhecendo as receitas provenientes dessas operações e, o da CENTRINAL, em pagar aquele imposto quando das vendas dos anéis fabricados, reconhecendo como receitas o produto dessas vendas, assim como os serviços prestados a recorrente; v) na remessa de algumas camisas para industrialização — tratamento térmico, a Recorrente aproveitava-se do regime de suspensão dos tributos — IPI e ICMS -, assim como a Centrinel quando da respectiva devolução ou retorno; w) que em 27 de maio de 1992 a Recorrente decidiu abrir um depósito fechado em parte do estabelecimento da Centrinel, em virtude de não possuir espaço vago em seu estabelecimento, com finalidade de guardar 7 e armazenar produtos acabados, conforme cópia da Ata de Diretoria arquivada na JUCERJ e anexado As fls. 876/877; x) com a criação do depósito foram regularizadas inscrições federal, estadual e municipal, conforme documentos as fls. 878/881; y) passou a remeter as camisas por ela fabricadas para guarda no seu depósito fechado, emitindo as competentes notas ficais, ocasião em que o funcionário responsável pela respectiva emissão cometeu erro formal ao indicar como destinatário nas notas fiscais o estabelecimento fechado da Recorrente criado e com inscrições federal, estadual e municipal, apontou o estabelecimento da Centrinel onde se localizava o mesmo depósito fechado; z) que esses erros formais na emissão de documentos de interesse da legislação de IPI não interferiu em sua escrituração comercial, menos ainda sua contabilização das receitas e lucros dos períodos que ocorreram; aa) que a fiscalização não encontrou nenhuma prova material de fraude, menos ainda omissão de venda em operação com terceiros foi apurada; bb) como o depósito fechado não atenderia As necessidades da empresa, afirma a Recorrente que a transformou em filial, conforme documentos anexados As fls. 883; cc) a partir dessa data a Centrinel deixou de comprar os cilindros da Recorrente, pois esta se tornou uma simples prestadora de serviços de industrialização; dd) as operações de movimentação de mercadorias realizadas entre a Recorrente e a Centrinel nos anos-calendário de 1991 até 1994 foram consideradas, de forma equivocada pela fiscalização, como vendas sem nota fiscal; ee) assim, calcou-se suas conclusões sobre cometimento de falsidade ideológica e simulação dolosa somente pela falta de data de saída dos produtos nas notas fiscais, como se de fato elas caracterizassem o imaginário ilícito; ff)a tentativa de infirmar os esclarecimentos prestados pela Recorrente teve fundamento exclusivo em alegações de descumprimento de aspectos de natureza puramente formal, que não poderão prosperar, como não tem prosperado ações fiscais em que o Fisco efetivamente procura realizar levantamento de produção, mas incorre em equívocos menos graves que os estampados nos autos deste processo, conforme se pode ver nas decisões proferidas pelo Segundo Conselho de Contribuintes nos Acórdãos 201-69704, 202-08272, 202-08541 e 201-59493; gg) é inadmissível acreditar que tenha um contribuinte que, intencionalmente sonega, frauda, falsifica ou simula tenha, item a item, em sua escrituração fiscal, emitido documentos descritivos de toda a movimentações dos bens; c61 8 Processo n° 1 3702 .000721 /95-34 Si-C1T1 Acórdão n.° 1101-00.516 Fl. 5 hh) é impossível que não se tenha constatado que o simples somatório das quantidades arroladas confirma a real ausência de conteúdo econômico nas transferências entre estabelecimentos das duas empresas, bem como a natureza das operações descritas nos documentos emitidos; ii) é inconcebível que a autoridade julgadora de primeiro grau que apreciou os processos relativos ao IPI não tenha enxergado que os demonstrativos elaborados pela fiscalização configuram uma cortina de fumaça, cujo volume tem por objetivo criar a ilusão de transações de monta, mas que são vazios, sem refletir a verdade; jj) é intolerável ser viável o não enfrentamento pelo julgador das alegações da recorrente a respeito da natureza das atividades de cada empresa, respaldando a existência fisica e concreta dos próprios equipamentos pertencentes ao ativo imobilizado de cada uma, fechando os olhos às provas coligidas pela defesa e se escondendo do dever de aprecia-las, sob o argumento de tratarem-se de documentos sem valor por falta de indicação da data de saída dos produtos, enquanto o §4° do art. 277 do RIPI182 oferece solução para o caso, onde se considera a data da emissão do documento; Mc) é deplorável a recusa da autoridade apreciadora do processo principal de IPI em recusar examinar as deficiências especificamente apontadas pela Recorrente, omitindo-se a respeito do art. 252, I, do RIPI/82, quando está ciente de que a conjunção aditiva "e" inserta no enunciado deste dispositivo de que o fato somente subtrai-se virus probandi ao documento quando, cumulativamente, forem desatendidos os requisitos exigidos nos incisos I, II, IV, V, VI e VII do artigo 242 do mesmo Regulamente, o que definitivamente não é o caso; 11) não cabe invocar a aplicação do artigo 343 do RIPI182; mm) os citados produtos saiam e voltavam no mesmo dia para a empresa de origem, sempre acompanhados pelas devidas notas fiscais, significando dizer que nas datas dos respectivos balanços inexistia qualquer estoque em poder de terceiros efetuando a Recorrente do IPI quando as saídas não estavam acobertadas por suspensão d imposto; nn) não se pode manter o lançamento concernente ao PIS, pois os Decretos- Leis 2.445 e 2.449/88 foram ha muito suspensas pela Resolução do Senado 49/95; oo) a simples menção a Lei 07/70 não tem o condão de aperfeiçoar o lançamento, e foi por esse motivo que no afai de "salvar" o lançamento foram lavrados os autos de infração complementares, posteriormente anulados pela Primeira Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, que seguiu jurisprudência unânime, conforme se depreende dos acórdãos 105-12.095, 108-05.078 e 107-04.721; pp) ao final, pede provimento do recurso. 9 o relatório. Voto Conselheiro José Ricardo da Silva Como visto do relato, a recorrente teria omitido dolosamente receitas operacionais no período compreendido entre 06/92 e 12/94, as quais foram apuradas por decorrência da ação fiscal levada a efeito na área do IPI, nos termos dos Processos n° 13702.000702/95-90 (posteriormente desmembrado no PAF n° 13702.000641/97-65) e n° 13702.000701/95-27 (posteriormente desmembrado no PAF n° 13702.000639/97-17), ambos referentes ao IN - Imposto sobre Produtos Industrializados, tendo sido lavrado os autos de infração de IRPJ, CSLL, Contribuição para o PIS, COFINS e Imposto sobre a Renda na Fonte, constantes do presente processo. Os processos que foram gerados na área do IPI e apreciados pelo extinto Segundo Conselho de Contribuintes, tiveram decisões favoráveis ao contribuinte conforme se depreende das ementas abaixo transcritas: Processo n°13702.000701/95-21 Acórdão: 201-73.854 Sessão: 07 de junho de 2000 Ementa: IPI — Indevida a imposição da multa prevista no art. 365 do RIPI/82, quando a autuação da como saídas as mercadorias indicadas nas notas fiscais. Incabível multa regulamentar, quando se aplica a multa de que trata o art. 364, III, do RIPI/82. Aplicabilidade da retrocição benigna quando a norma posterior fixa pena menos gravosa para a hipótese. RECURSO DE OFÍCIO NEGADO. Processo n°13702.000702/95-90 Acórdão: 201-73.853 Sessão: 07 de junho de 2000 Ementa: IPI — Indevida a imposição da multa prevista no art. 365 do RIPI/82, quando a autuação da como saídas as mercadorias indicadas nas notas fiscais. Incabível multa regulamentar, quando se aplica a multa de que trata o art. 364, III, do RIPI/82. Aplicabilidade da retroação benigna quando a norma posterior fixa pena menos gravosa para a hipótese. RECURSO DE OFICIO NEGADO. 10 Processo n° 13702.000721/95-34 SI-C1T1 Acórdão 11.0 1101-00.516 Fl. 6 Processo n°13702.000639/97-17 Acórdão: 201-76.821 Sessão: 18 de março de 2003 Ementa: IPI — ERRO DO SUJEITO PASSIVO. Para a legislação do IPI, o estabelecimento é considerado autônomo em relação a cada fato gerador que praticar. INIDONEIDADE. Não havendo caracterização de inidoneidade, nem tendo o Fisco contestado os documentos, é de se afastar a acusação. SUSPENSÃO. ARTIGO 36, XVII, DO RIPI/82. A remessa dos produtos para outro estabelecimento da mesma empresa é hipótese de suspensão do IPI. Recurso provido por unanimidade. Do voto condutor do Acórdão n° 201-76.821, reproduzo abaixo os principais fundamentos que levaram a colenda P Camara do 2° Conselho de Contribuintes ao provimento integral ao recurso voluntário: "Quanto it acusação de inidoneidade em razão de não constar data da efetiva saída das mercadorias do estabelecimento emitente, tenho que tal fato não pode levar a imprestabilidade dos documentos fiscais se não houver qualquer dúvida quanto ao preenchimento dos demais requisitos para emissão dos mesmos. Na hipótese, new foi contestado pelo Fisco que as operações não ocorreram, que destinatário, endereço e inscrições fiscais não existem, que as mercadorias não correspondem a descrição, que o valor da operação é imprestável, em suma, não há qualquer indicio efetivo de inidoneidade das operações realizadas. 0 fato de a Recorrente não haver escriturado nos livros fiscais o retorno dos produtos remetidos com suspensão, exatamente porque não possui Livros de Inventário e de Controle da Produção e do Estoque, não conduz a que não poderia ela ter remetido os produtos com suspensão para a sua matriz. Entendo que a não comprovação do retorno dos produtos saídos com suspensão daria margem a fundamento diverso para a exigência constante da peça básica que não a de glosar o beneficio da suspensão nas remessas para a matriz. Deveria ser exigido o tributo em função de não haver prova do retorno desses produtos remetidos com suspensão para a matriz exatamente pela não escrituração dos Livros de Controle da Produção e do Estoque e o de Inventário. 11 (.) Em face a todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, ao mesmo dar integral provimento para julgar improcedente os itens 1 e 2 do Auto de Infração, únicos que ainda subsistiam." Com efeito, a exigência de tributo por meio de lançamento de oficio requer prova segura da ocorrência do fato gerador do tributo. 0 Código Tributário Nacional, em seus arts. 3° e 142, estabelece que esta atividade de lançamento é plenamente vinculada, assim, cumpre â fiscalização realizar as inspeções necessárias à obtenção dos elementos de convicção e certeza indispensáveis â constituição do crédito tributário. Havendo dúvida sobre a exatidão dos elementos em que se baseou o lançamento, a exigência não pode prosperar, por força do disposto no art. 112 do CTN. 0 imposto, por definição (CTN. art.3°), não pode ser usado como sanção. Para a exigência de crédito tributário sob a acusação de omissão de receitas, referida circunstância deve ser conhecida e devidamente comprovada pois, caso contrário, estaria se lançando tributo de forma presuntiva e não prevista em lei. A legislação de regência autoriza a autuação por presunção somente nos casos especificamente previstos, tais como, saldo credor de caixa, passivo fictício, suprimentos não comprovados, etc., porém, é indispensável que a irregularidade fiscal fique devidamente caracterizada e demonstrada na acusação fiscal. O próprio diploma legal estabelece os limites da presunção. Fora disso, a autuação por omissão de receita deve ser assentada em dados concretos, objetivos e não em circunstâncias não suficientemente provadas, que se mostrem incapazes de estabelecer fonte segura para o convencimento do julgador. Quando o auto de infração trata de omissão de receita, o ônus da prova é de inteira responsabilidade do Fisco que, para tanto, tem poderes de investigação não apenas sobre o contribuinte como sobre terceiros, ligados ou não à operação, desde que sobre ela. E desses poderes, na apuração da verdade material, não pode abdicar. Não é licito formular acusação de omissão de receitas sob o simples fato de que o contribuinte teria emitido notas fiscais de transferências de produtos com algumas falhas e/ou omissões, com a finalidade de beneficiamento por parte de sua filial. Sobre a matéria em pauta, Alberto Xavier nos ensina in "Do Lançamento Teoria Geral do Ato do Procedimento e do Processo Tributário, Ed. Forense, p. 146/147: "Dever de prova e "in dub lo contra fiscum" Que o encargo da prova no procedimento administrativo de lançamento incumbe ci Administração fiscal, de modo que em caso de subsistir a incerteza por falta de prova, esta deve abster- se de praticar o lançamento ou deve praticá-lo com um conteúdo quantitativo inferior, resulta claramente da existência de normas excepcionais que invertem o dever da prova e que são as presunções legais relativas. Com efeito, a lei fiscal não raro 12 Processo n° 13702.000721/95-34 Si-C1T1 Acórdão n.° 1101-00.516 Fl. 7 estabelece presunções deste tipo em beneficio do Fisco, liberando-o deste modo do concreto encargo probatório que na sua ausência cumpriria realizar; nestes termos a Administração fiscal exonerar-se-6 do seu encargo probatório pela simples prova do fato índice, competindo ao particular a demonstração do contrário. É o que resulta do ,sç 3° do artigo 9 0 do Decreto-lei n° 1.598/77, ao afirmar que a regra de que cabe 6 autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados na contabilidade regular não se aplica aos casos em que a lei, por disposição especial, atribua ao contribuinte o ônus da prova dos fatos registrados na sua escrituração." Olvidou-se o autuante, de investigar mais a fundo a ocorrência da omissão e comprová-la. Além disso, o fato de não ter a contribuinte respondido a contento as intimações feitas pela fiscalização, por si s6, não autoriza a presunção de omissão de receitas através de eventuais irregularidades no preenchimento de notas fiscais de simples remessas de mercadorias. A autoridade fiscal não procedeu a qualquer levantamento contábil a nível de estoques. Também não realizou qualquer procedimento de circularização, para confirmar sua suspicácia. Deixou de aprofundar as investigações e a coleta de provas concretas e seguras capazes de autorizar a convicção de que o contribuinte agiu de forma a subtrair receitas da tributação para confirmar ou não as conclusões hauridas dos indícios apurados. Afinal, trata-se de uma presunção comum ou de "hominis" extraída dos indícios apurados e que podem se prestar a conclusões diversas. Os argumentos apresentados pela recorrente procedem. 0 lançamento não tem a necessária consistência para justificar a acusação de desvio de receitas da fiscalizada. Pelas razões acima expostas, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. 13 Sala das Sessões, em 03 de agosto de 2011 c '7. José Ric tcir Quanto ao recurso de oficio, o qual teve por motivação a redução da multa de oficio qualificada de 450% para 225%, bem como pela compensação de bases de cálculo negativas da CSLL, deixo de tomar conhecimento do mesmo por falta de objeto. É como voto. 14
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Numero do processo: 10880.010822/98-44
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 1993
DESPESAS OPERACIONAIS PREVIDÊNCIA PRIVADA Despesas pagas a entidades de previdência privada só são dedutíveis quando destinadas indistintamente a todos os empregados da empresa.
INSUFICIÊNCIA DE PROVAS
A falta de provas de alegações, não implicam em procedimento de ofício para a verificação das alegações.
Numero da decisão: 1103-000.406
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª câmara / 3ª turma ordinária do primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Gervásio Nicolau Recktenvald e Eric Moraes de Castro e Silva quanto à glosa das deduções com despesas de previdência privada. O Conselheiro Marcos Shigueo Takata acompanha pelas conclusões o item C do voto do Relator.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1993 DESPESAS OPERACIONAIS PREVIDÊNCIA PRIVADA Despesas pagas a entidades de previdência privada só são dedutíveis quando destinadas indistintamente a todos os empregados da empresa. INSUFICIÊNCIA DE PROVAS A falta de provas de alegações, não implicam em procedimento de ofício para a verificação das alegações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª câmara / 3ª turma ordinária do primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Gervásio Nicolau Recktenvald e Eric Moraes de Castro e Silva quanto à glosa das deduções com despesas de previdência privada. O Conselheiro Marcos Shigueo Takata acompanha pelas conclusões o item C do voto do Relator. HUGO CORREA SOTERO Presidente em exercício Mário Sérgio Fernandes Barroso Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HUGO CORREIA SOTERO, 03/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES B ARROSO 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros, Marcos Shigeo Takata, Gervásio Nicolau Recktenvald, Eric Moraes de Castro e Silva, José Sérgio Gomes (substituto convocado). Ausente, justificadamente, o conselheiro Aloysio José Percínio da Silva. Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário interposto pela contribuinte acima qualificada a respeito da decisão da DRJ que negou provimento a impugnação apresentada. O contribuinte acima identificado foi autuado e notificado a recolher o crédito tributário, no valor de R$ 109.786,29, referente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, multa e acréscimos legais. Termo de Verificação Nº 01 (fls. 336 a 339) apresenta as seguintes constatações: O contribuinte realizou, no decorrer do ano de 1993, diversas operações financeiras de renda variável, operando nos mercados à vista de ações, ouro, mercado de opções, mercado a termo e mercado futuro. Os resultados apurados em tais operações, conforme as determinações contidas na Lei 8.541 de 23/12/1992, foram tributados separadamente, constando do Mapa de Apuração de Ganhos e Perdas em Aplicações de Renda Variável (Anexo 5 da Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – DIRPJ – do anocalendário 1993). No intuito de verificar os valores declarados pelo contribuinte, a Bolsa de Mercadorias e Futuros foi intimada a apresentar todas as operações celebradas pelo contribuinte no ano de 1993, no mercado administrado por aquela instituição. Da análise dos valores declarados pelo contribuinte em operações day trade e dos valores apurados pela fiscalização nestas mesmas operações, foram encontradas as seguintes diferenças (valores em moeda da época): Período de apuração Resultado apurado pela fiscalização em operações day trade Resultado declarado pelo contribuinte em operações day trade Janeiro/1993 7.875.000,00 0,00 Fevereiro/1993 23.500.00,00 0,00 Março/1993 69.375.000,00 21.375.000,00 Abril/1993 67.000.000,00 0,00 Maio/1993 41.500.000,00 120.415.000,00 Fl. 2DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HUGO CORREIA SOTERO, 03/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES B ARROSO Processo nº 10880.010822/9844 Acórdão n.º 110300.406 S1C1T3 Fl. 2 3 Junho/1993 159.750.000,00 51.298.000,00 Julho/1993 131.853.000,00 209.286.000,00 Agosto/1993 249.750,00 25.139,00 Setembro/1993 609.500,00 434.000,00 Outubro/1993 590.500,00 47.909,00 Novembro/1993 732.500,00 144.620,00 Dezembro/1993 937.500,00 70.838,00 O contribuinte foi cientificado destas diferenças e intimado a justificalas, que, por sua vez, não respondeu à intimação e não justificou as razões das diferenças encontradas. Foi recalculado o resultado apurado pelo contribuinte nas operações de renda variável, de forma a tributar as diferenças apuradas. Termo de Verificação Nº 02 (fls. 342 a 345) apresenta as seguintes constatações: O contribuinte lançou no Mapa de Apuração de Ganhos e Perdas em Renda Variável, constante do Anexo 5 da DIRPJ do anocalendário 1993, relativamente às operações comuns (não day trade) realizadas no mês de abril, os seguintes valores: Discriminação Abril/1993 Mercado a vista – ações 183.735,00 Mercado a vista – ouro 0,00 Mercado a termo – ouro/ações 0,00 Mercado a termo – outros 0,00 Mercado de opções – ouro/ações 42.262,00 Mercado de opções – outros 339,00 Mercado de futuro – índices 1.870,00 Mercado de futuro – outros 18.261,00 Resultado líquido do mês 206.205,00 Resultado líquido do mês – em Ufir 10.696,50 Fl. 3DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HUGO CORREIA SOTERO, 03/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES B ARROSO 4 Conforme Lei 8.541/1992, os resultados auferidos em aplicações de renda variável devem ser tributados separadamente, de forma que as perdas obtidas nestas aplicações devam ser adicionadas ao lucro líquido do período, para fins de apuração do Lucro Real. Foi verificado que o contribuinte não procedeu a esta adição e excluiu do lucro líquido do período o montante de CR$ 17.396,90 (valor convertido para Cruzeiros Reais), a título de “Lucro com renda variável”. Tal valor lançado no Lalur está em total desacordo com o resultado auferido no período. Além de não adicionar ao Lucro Líquido as perdas obtidas, o contribuinte excluiu deste mesmo lucro ganhos inexistentes. Procedendo desta forma, o contribuinte reduziu indevidamente o Lucro Real do mês de abril de 1993, diminuindo a base de cálculo do imposto de renda e conseqüentemente o imposto a pagar, no seguinte valor: Perdas que deveriam ser adicionadas ao Lucro Líquido CR$ 206.205,00 + Valor indevidamente excluído do Lucro Líquido CR$ 17.396,00 = Valor tributável CR$ 223.601,90 Termo de Verificação Nº 03 (fl. 346) apresenta as seguintes constatações: Verificouse a contratação, por parte do contribuinte de contrato de previdência privada de nº 001/00/0223, datado de 12/11/1993, com as seguintes características: a) O contribuinte, na qualidade de instituidora, assumiu o custo total da contribuição única, paga em 15/12/1993, no valor de CR$ 18.360.430,00. b) Os beneficiários, na qualidade de participantes, são: Renato Alves Rabelo (Diretor Executivo), na quantia de CR$ 4.590.108,00, Marcelo Ciampolini (Diretor Executivo), na quantia de CR$ 2.868.817,00, Carlos Ciampolini (Diretor Executivo), na quantia de CR$ 2.868.817,00, Oscar Lacerda Ribeiro (Diretor Executivo), na quantia de CR$ 2.868.817,00, Luiz Masagão Ribeiro (Diretor Presidente), na quantia de CR$ 2.868.817,00 e Antonio Nelson Naime (Diretor), na quantia de CR$ 2.295.054,00. Ocorre que, o referido pagamento foi considerado pelo contribuinte como despesa operacional, não tendo sido adicionado para fins de apuração do Lucro Real e tal procedimento afronta o disposto no art. 239 do RIR/1980, bem como a orientação constante do PN 64/1976, posto que o referido benefício não foi destinado indistintamente a todos os funcionários da empresa, restringindose a estes dirigentes. Foi lavrado, em 30/04/1998, auto de infração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (fls. 353 a 355), com fundamento nos arts. 154; 157 e § 1º; 173; 191 e parágrafos; 239; 242; 243 e 387, I do Regulamento para o Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 85.450 de 04/12/1980 (RIR/1980); art. 55 da Lei 7.799/1989 e art. 29 da Lei 8.541/1992. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HUGO CORREIA SOTERO, 03/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES B ARROSO Processo nº 10880.010822/9844 Acórdão n.º 110300.406 S1C1T3 Fl. 3 5 Em 29/05/1998 a empresa apresentou, por seu procurador (procuração à fl. 381), impugnação (fls. 359 a 380), alegando, basicamente, o seguinte: Quanto aos custos do contrato de previdência privada: a) O entendimento da fiscalização é que a glosa deveuse ao fato de que o benefício não houvera sido destinado indistintamente a todos os funcionários, ferindo, assim, o disposto no art. 239 do RIR/1980 e orientação do PN 64/1976. b) Cita parecer dos Drs. Agenor Manzano e Jorge Victor Rodrigues: “10. No passado, houve interpretação divergente a respeito dessa matéria, em virtude da técnica legislativa utilizada no regulamento do imposto de renda de 1980, em que os pagamentos relacionados com planos de previdência privada estavam disciplinados no § 3º do art. 239 do RIR. O referido art. 239, ‘caput’, tratava dos gastos realizados pelas empresas com serviços de assistência médica, odontológica, farmacêutica e social, destinadas indistintamente a todos os seus empregados. Como as contribuições patronais a planos de previdência estavam regulados em parágrafo do referido artigo e, de acordo com entendimento acerca de técnica legislativa, os parágrafos constituem disposição secundária de um artigo, em que se explica a disposição principal, restaram dúvidas sobre se as normas do § 3º (planos de previdência) também estavam submetidas à restrição, constante do ‘caput’ do artigo, ou seja, de que devessem – os planos de previdência – ser destinados indistintamente a todos os empregados da empresa. 11. A própria Secretaria da Receita Federal, todavia, em resposta a processo de consulta, dirimiu corretamente as dúvidas, esclarecendo que a exigência contida no ‘caput’ do artigo 239 do RIR/80, de que os serviços assistenciais ali mencionadas sejam destinados, indistintamente, a todos os empregados diz respeito, apenas, a esses serviços assistenciais, custeados inteiramente pela empregadora, não se aplicando, assim, aos demais benefícios complementares ou assemelhados ao da previdência social, de que constava o § 3º do mesmo artigo. 12. Se dúvida ainda houvesse, esta ficou literalmente eliminada com a edição do Regulamento do Imposto de Renda de 1994, que tratou da matéria em dispositivo específico (art. 301), sem a cláusula restritiva de que os planos devam ser dirigidos indistintamente a todos os empregados. Esta cláusula restritiva restou aplicável, apenas, aos gastos realizados com serviços de assistência médica, odontológica, farmacêutica e social, ratificando, assim, o regulamento, a orientação anteriormente manifestada pela Secretaria da Receita Federal.” c) O art. 301 do RIR/1994 colocou no devido lugar a dedução relativa às contribuições e encargos com os benefícios complementares e assemelhados aos da previdência oficial, quando pagos a entidades de previdência privada, nos termos da lei, tirandoa da vala comum do art. 239 do RIR/1980, consolidando o entendimento da requerente da desnecessidade de que tal benefício seja destinado indistintamente a todos os funcionários, o art. 13, V da Lei 9.249/1995, apesar de estabelecer várias restrições à dedutibilidade de despesas e provisões, corrobora tal entendimento. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HUGO CORREIA SOTERO, 03/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES B ARROSO 6 d) Cita outro parecer dos Drs. Agenor Manzano e Jorge Victor Rodrigues: “9.1 – As contribuições pagas por pessoa jurídica, mesmo sob a forma de contribuição única, à entidade aberta de previdência privada, legalmente constituída e expressamente autorizada a funcionar, para custeio de plano de complementação de aposentadoria de seus empregados e dirigentes, são dedutíveis como despesas operacionais, segundo o disposto no artigo 301 do RIR/94 e no artigo 13, inciso V, da Lei 9.249/95; 9.2 – Para de dedução dos pagamentos como despesa operacional, não é exigido – pela legislação do Imposto de Renda – que os planos de previdência privada sejam destinados a todos os empregados da empresa; 9.3 – A inclusão de dirigentes no programa de previdência não prejudica a dedutibilidade, como despesa operacional, dos pagamentos efetuados pela pessoa jurídica. A dedutibilidade é igualmente assegurada, mesmo que o plano previdenciário seja destinado exclusivamente aos diretores da empresa” e) Por fim, resta examinar a única vedação possível à dedutibilidade, ou seja, a empresa com a qual a requerente contratou os planos de previdência privada era autorizada a funcionar? Apesar de que tal condição não fora questionada pela fiscalização, a resposta é clara ao se verificar, no Regulamento do Plano, sua aprovação pela Susep. Quanto à infringência ao disposto na Lei 8.541/1992: a) O que ocorreu, na verdade, é que a requerente, no mês de abril de 1993 efetuou provisão para ajuste do custo de ativos ao valor de mercado. b) Tal procedimento deveuse à enorme oscilação havida, em tal período, nas Bolsas de Valores. c) Ademais, tal procedimento era expressamente previsto no art. 222 do RIR. O PN CST nº 24/76 respalda o entendimento da requerente. d) No mês de abril de 1993, a requerente teve resultado positivo em operações de renda variável, no valor de CR$ 17.397,84, o que motivou a exclusão de tal valor do lucro líquido, de acordo com o disposto na Lei 8.541/92, artigo 4º, inciso I (sic). e) Neste mesmo mês a requerente provisionou CR$ 243.878,74 para ajuste de custo ao valor de mercado, fato que gerou os valores constantes do Anexo 5. f) Se engano houve, foi totalmente involuntário, quando do preenchimento do Anexo 5. g) Mas nenhum prejuízo adveio para o Fisco já que não haveria nenhum imposto a pagar h) Não tendo ocorrido perdas no mercado de renda variável, a requerente não poderia adicionar perdas inexistentes a seu lucro líquido no Lalur. i) Os Srs. Auditores Fiscais louvaramse, tão somente, no Anexo 5, não examinando os demais elementos contábeis. E os valores apontados no Anexo 5 decorrem da provisão para ajuste de ativos. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HUGO CORREIA SOTERO, 03/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES B ARROSO Processo nº 10880.010822/9844 Acórdão n.º 110300.406 S1C1T3 Fl. 4 7 Quanto à apuração de resultado diverso do auferido em aplicações de renda variável: a) Conforme se verifica no item 2 do Termo de Verificação Fiscal nº 01, a fiscalização intimou a Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) a apresentar todas as operações celebradas pela requerente no ano de 1993, no mercado administrado por aquela instituição. b) A fiscalização obteve os arquivos magnéticos com base em solicitação à BM&F embasada na existência do Processo Administrativo Fiscal nº 10880.030046/9798. Tal processo não era do conhecimento da requerente, além disso, é vedada por lei a quebra do sigilo bancário com base em processo administrativo fiscal, tal procedimento fere o art. 5º, X da Constituição Federal. c) Ao não obedecer a garantia constitucional do art. 5º, X, a fiscalização que lavrou o Auto de Infração, com relação a este tópico, valeuse de prova obtida de forma ilícita, o que invalida totalmente o Auto de Infração com relação a este tópico. d) A fiscalização alega que a requerente apresentou, com relação a operações de índice na BM&F, valores inferiores ao por ela efetivamente auferidos, embasando seu entendimento em informações obtidas, de forma ilícita, junto à BM&F. e) Isto não é verdade, a requerente apresentou os valores corretos. A fiscalização louvouse, tãosomente, nos valores de compra e venda de índices, não observando os custos e taxas cobrados pela BM&F. f) O parágrafo 1º do art. 29 da Lei 8.541/1992 admite a dedução dos custos e despesas efetivamente incorridos, necessários à realização das operações. Não se admitir a dedução dos custos e taxas é absurdo e ilegal. g) A requerente, ainda, efetuou a compensação dos resultados positivos em operações day trade com resultados negativos em operações longas, o que não é vedado pela legislação. h) O art. 28 da Lei 8.383/1991 veda a compensação de prejuízos em operações day trade com ganhos em outras operações, todavia não veda que lucros em operações day trade compensem prejuízos em operações longas. i) Se a lei não veda a compensação efetuada pela requerente, a fiscalização não pode fazer interpretação extensiva ou analógica que redunde na exigência de pagamento de tributo. j) As planilhas anexadas pela requerente suportam e dão supedâneo aos valores apresentados pela requerente com relação às suas operações day trade. A DRJ decidiu (ementa): “Ementa: DESPESAS OPERACIONAIS – PREVIDÊNCIA PRIVADA – Despesas pagas a Fl. 7DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HUGO CORREIA SOTERO, 03/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES B ARROSO 8 entidades de previdência privada só são dedutíveis quando destinadas indistintamente a todos os empregados da empresa. SIGILO – PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO – BOLSA DE MERCADORIAS & FUTUROS – A legislação tributária autoriza que sejam solicitados às bolsas esclarecimentos e informações concernentes a operações por elas praticadas, para fins de verificação do cumprimento de obrigações tributárias pelos contribuintes. As informações assim obtidas ficam protegidas pelo sigilo fiscal. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE Não compete à autoridade administrativa a apreciação das questões de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendolhe observar a legislação em vigor. DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA – PESSOA JURÍDICA – RETIFICAÇÃO DE DADOS – A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento.” Em recurso a contribuinte, ora recorrente afirmou: PRELIMINAR Estar decaído, pois, o crédito tributário começara a ser constituído em 07 de agosto de 1997, e a decisão recorrida data de 27 de janeiro; A fiscalização obtivera os arquivos magnéticos com base em solicitação à BM&F embasada na existência do Processo Administrativo Fiscal nº 10880.030046/9798. Tal processo não era do conhecimento da requerente, além disso, é vedada por lei a quebra do sigilo bancário com base em processo administrativo fiscal, tal procedimento fere o art. 5º, X da Constituição Federal. Ao não obedecer à garantia constitucional do art. 5º, X, a fiscalização que lavrou o Auto de Infração, com relação a este tópico, valeuse de prova obtida de forma ilícita, o que invalida totalmente o Auto de Infração com relação a este tópico; MÉRITO a)Os custos do contrato de previdência privada Ao considerar indedutível o valor pago a entidade de previdência privada, cujo benefício não haja sido destinado a todos os funcionários, face ao disposto no art. 239 do Fl. 8DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HUGO CORREIA SOTERO, 03/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES B ARROSO Processo nº 10880.010822/9844 Acórdão n.º 110300.406 S1C1T3 Fl. 5 9 RIR/80, o decisum não levou em consideração o quanto alegado pela recorrente na impugnação, e não observou o disposto no art. 106 do CTN. O art, 301 do RIR/94 dispõe: “As contribuições patronais e outros encargos das empresas com os demais benefícios complementares ou assemelhados aos da previdência oficial somente poderão ser deduzidos como despesas operacionais quando pagos a entidades de previdência privada expressamente autorizadas a funcionar ressalvado o disposto no artigo 37 do Decreto n.º 81.240, de 20 de janeiro de 1978, referente a empresas que mantinham plano de benefícios antes daquela data.” Corrobora o art. 13, inciso V, da Lei n.º 9.249/95 “Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: (...) V das contribuições não compulsórias, exceto as destinadas a custear seguros e planos de saúde, e benefícios complementares assemelhados aos da previdência social, instituídos em favor dos empregados e dirigentes da pessoa jurídica;” Portanto, estando provado fls. 404 a 413 – que a empresa com a qual a recorrente contratou o plano de Previdência Privada estava autorizada a funcionar pela SUSEP, não há que se falar em indedutibilidade de tais despesas. b)Quanto à infringência ao disposto na lei n.º 8.541/92 As planilhas apresentadas foram de molde a facilitar a verificação do alegado; O §2.º do art. 147 do CTN determina a retificação de ofício pela autoridade administrativa, de erro comprovado; A recorrente teria comprovado o alegado engano quando do preenchimento do anexo 5; A recorrente agiu de conformidade com o disposto no art. 222 do RIR, bem como com o PN CST n.º 24/76; Fl. 9DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HUGO CORREIA SOTERO, 03/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES B ARROSO 10 Ou seja, no mês de abril de 1993, o resultado positivo em operações de renda variável foi excluído do lucro líquido, de acordo com o determinado pelo art. 4.º, inciso I, da Lei n.º 8.541/92 – fls. 417/418; Neste mesmo mês, a recorrente provisionou a importância de CR$ 243.878,74 para ajuste de custo ao valor de mercado, o que gerou os números constantes do Anexo 5; Não teria havido prejuízo ao fisco, posto que não haveria qualquer imposto a ser recolhido (planilhas de fl. 414/417); Não tendo ocorrido perdas no mercado de renda variável, a recorrente não poderia adicionar perdas inexistentes a seu lucro líquido no LALUR; Só foi levado em consideração pela fiscalização o anexo 5 e não teria sido examinado os elementos contábeis de fl. 421/432; c)Quanto à apuração de resultado diverso do auferido em aplicações de renda variável Os Srs. Auditores Fiscais autuantes levaram em consideração unicamente os valores de compra e venda de índices não observando os custos e taxas cobrados pela BM&F; As planilhas apresentadas são de molde a facilitar verificação do afirmado; Caso os Auditores tivessem dúvida deveriam solicitar à BM&F o valor dos custos e taxas incorridos; A legislação não veda a compensação de resultados positivos em operações day trade com resultados negativos em operações longas; Por fim, se os Auditores tivessem analisado as respectivas notas de corretagem, com certeza, atestariam a correção dos valores ofertados à tributação. Voto Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. PRELIMINAR A recorrente ao falar de decadência se refere a prescrição intercorrente a inércia do andamento do processo administrativo , contudo, sabemos que na esfera administrativa não há tal prescrição. A súmula CARF n.º 11 dispõe: Fl. 10DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HUGO CORREIA SOTERO, 03/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES B ARROSO Processo nº 10880.010822/9844 Acórdão n.º 110300.406 S1C1T3 Fl. 6 11 “Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal” Quanto a segunda preliminar temos que o art. 7º da Lei n.º 8.021 de 13/04/1990 dispõe especificamente sobre a obtenção de informações junto às bolsas: “Art. 7º A autoridade fiscal do Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento poderá proceder a exames de documentos, livros e registros das bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas, bem como solicitar a prestação de esclarecimentos e informações a respeito de operações por elas praticadas, inclusive em relação a terceiros. § 1º As informações deverão ser prestadas no prazo máximo de dez dias úteis contados da data da solicitação. O não cumprimento desse prazo sujeitará a instituição à multa de valor equivalente a mil BTN Fiscais por dia útil de atraso. § 2º As informações obtidas com base neste artigo somente poderão ser utilizadas para efeito de verificação do cumprimento de obrigações tributárias. § 3º O servidor que revelar informações que tiver obtido na forma deste artigo estará sujeito às penas previstas no art. 325. do Código Penal Brasileiro.” (Grifei). Como se vê, a Lei 8.021/1990, em seu artigo 7º autoriza os Auditores Fiscais a solicitar prestação de informações e esclarecimentos junto às bolsas para efeito de verificação do cumprimento de obrigações tributárias pelos contribuintes. Esta foi justamente a razão da busca de dados junto à BM&F: certificar o cumprimento das obrigações tributárias da ora impugnante em relação às negociações, no Mercado de Renda Variável, realizadas em 1993, cujo resultado havia sido consignado no Anexo 5 da DIRPJ/1994. O fato de a fiscalizada ter conhecimento ou não do processo administrativo que gerou à diligência é irrelevante para a solução da lide. O que importa é que, na data em que as informações foram solicitadas à BM&F, (15/10/1997 – vide intimação à fl. 41) a interessada já se encontrava sob procedimento fiscal (data do início da fiscalização 07/08/1997 – fl. 38). Tanto é assim que a FM 97/00.7012 que ampara os procedimentos da fiscalização sobre a interessada é citada no Termo de Intimação dirigido à BM&F. Assim, a diligência teve por objeto a verificação do cumprimento de obrigações tributárias, nos exatos termos da norma que disciplina o assunto, não podendo prosperar a alegação de que a prova da infração foi obtida de forma ilícita. Quanto a possíveis inconstitucionalidades temos a súmula CARF n.º 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a constitucionalidade de lei tributária.” Fl. 11DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HUGO CORREIA SOTERO, 03/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES B ARROSO 12 MÉRITO a)Quanto aos custos do contrato de previdência privada Termo de Verificação Nº 03 constata a existência de contrato de previdência privada cujos beneficiários são apenas os dirigentes ali mencionados. A impugnante teve glosadas as respectivas despesas com o contrato de previdência, porque o benefício não foi destinado indistintamente a todos os funcionários da empresa. A autuação se baseou no art. 239 do RIR/1980, a seguir transcrito: “Art. 239 Consideramse despesas operacionais os gastos realizados pelas empresas com serviços de assistência médica, odontológica, farmacêutica e social, destinados indistintamente a todos os seus empregados. § 1º O disposto deste art. alcança os serviços assistenciais que sejam prestados diretamente pela empresa, por entidades afiliadas para este fim constituídas com penalidades jurídica própria e sem fins lucrativos, ou, ainda, por terceiros especializados, como no caso da assistência médicohospitalar. § 2º Os recursos despendidos pelas empresas na manutenção dos programas assistenciais somente serão considerados como despesas operacionais quando devidamente comprovados, mediante manutenção de sistema de registro contábeis específicos capazes de demonstrar os custos pertinentes a cada modalidade de assistência e quando as entidades prestadoras também mantenham sistema contábil que especifique as parcelas de receita e de custos dos serviços prestados. § 3º As contribuições patronais e outros encargos das empresas com os demais benefícios complementares ou assemelhados aos da previdência oficial somente poderão ser deduzidos como despesas operacionais quando pagos a entidades de previdência privada expressamente autorizadas a funcionar, ressalvado o disposto no artigo 37 do Decreto nº 81/240, de 20/01/78, referente a empresas que mantinham plano de benefícios antes daquela data.” (Grifei). Portanto, está correto o entendimento da fiscalização quanto a necessidade de que o contrato de previdência deva ser destinado indistintamente a todos os empregados da empresa. Só assim a sua despesa correspondente será dedutível, na medida em que o § 3º do art. 239 do RIR/1980 submetese às disposições expressas no caput do artigo. Quanto a alegação do art. 106 do CTN, temos: “tratandose de ato não definitivamente julgado: a) Quando deixe de definílos como infração” Ora, não estamos diante de nenhuma infração, mas sim diante de uma despesa não dedutível, despesa incorrida com previdência privada de 1993. Lgo não se aplica o art. 106 do CTN. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HUGO CORREIA SOTERO, 03/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES B ARROSO Processo nº 10880.010822/9844 Acórdão n.º 110300.406 S1C1T3 Fl. 7 13 Quanto as alterações legislativas citadas pela recorrente, informo que o lançamento se reporta a legislação da época do ao fato gerador de acordo com o 144 do CTN a saber: “Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada.” Como o referido contrato de previdência privada é datado de 12/11/1993, o Regulamento do Imposto de Renda que estava em vigor é o aprovado pelo Decreto nº 85.450 de 04/12/1980 (RIR/1980), não cabe, portanto, análise de alterações efetuadas pela edição do RIR/94. Assim, o fato de o art. 301 do RIR/94 não vedar a dedução pleiteada pela recorrente é irrelevante, pois, como já vimos o fato gerador é anterior ao RIR/94. b)Quanto à infringência ao disposto na lei n.º 8.541/92 Foi apurado pela fiscalização com relação ao Mapa de Apuração de Ganhos e Perdas em Renda Variável, constante do Anexo 5 da DIRPJ do anocalendário 1993, relativamente às operações comuns (não day trade) realizadas no mês de abril, que a recorrente obteve um resultado líquido no mês (perda) de CR$ (206.205,05) e que não adicionou tal perda ao lucro líquido do período, conforme ordenamento da Lei 8.541/1992. Além disso, também foi verificado que a impugnante excluiu do lucro líquido do período o montante de CR$ 17.396,90, a título de “Lucro com renda variável”. A recorrente alega que, no mês de abril de 1993 efetuou provisão para ajuste do custo de ativos ao valor de mercado e que neste mesmo mês obteve resultado positivo em operações de renda variável, no valor de CR$ 17.397,84, o que motivou a exclusão de tal valor do lucro líquido. Quanto à alegação de erro no preenchimento da declaração, especificamente do Anexo 5 da do anocalendário 1993, e à alegação de que efetuou provisão para ajuste do custo de ativos ao valor de mercado; deve ser observado o artigo 147 do CTN que assim dispõe: “Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HUGO CORREIA SOTERO, 03/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES B ARROSO 14 § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela” . A recorrente limitase a apresentar planilhas (fls. 414 a 418) elaboradas por ela própria para, tãosomente, apontar o erro no preenchimento da declaração devido à suposta provisão para ajuste do custo de ativos ao valor de mercado. Tais Planilhas, produzidas pela própria impugnante, não tem o valor probante a que se refere o § 1º acima transcrito. Assim defesa ficou só nas alegações. c)Quanto à apuração de resultado diverso do auferido em aplicações de renda variável Novamente, a recorrente limitase a apresentar planilhas (fls. 437 a 448) elaboradas por ela própria para apontar supostas taxas cobradas pela BM&F. Tais Planilhas, produzidas pela própria impugnante, não tem o valor probante a que se refere o § 1º do art. 147 do CTN. A defesa ficou, portanto, mais uma vez, no campo das alegações. A recorrente afirma que o art. 28 da Lei 8.383/1991 veda a compensação de prejuízos em operações day trade com ganhos em outras operações, todavia não veda que lucros em operações day trade compensem prejuízos em operações longas. Mesmo que tal assertiva fosse verdadeira a recorrente nada provaria pela falta de documentação que embase os valores apresentados nas planilhas elaboradas por ela própria. De qualquer maneira o art. 26 e o 28 da Lei n.º 8.383/91 dispõe: “Art. 26. Ficam sujeitas ao pagamento do imposto de renda, à alíquota de vinte e cinco por cento, a pessoa física e a pessoa jurídica não tributada com base no lucro real, inclusive isenta, que auferirem ganhos líquidos nas operações realizadas nas bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas, encerradas a partir de 1° de janeiro de 1992. (...) § 2° O Poder Executivo poderá baixar normas para apuração e demonstração dos ganhos líquidos, bem como autorizar a compensação de perdas em um mesmo ou entre dois ou mais mercados ou modalidades operacionais, previstos neste artigo, ressalvado o disposto no art. 28 desta lei.” “Art. 28. Os prejuízos decorrentes de operações financeiras de compra e subseqüente venda ou de venda e subseqüente compra, realizadas no mesmo dia (daytrade), tendo por objeto ativo, título, valor mobiliário ou direito de natureza e características semelhantes, somente podem ser compensados com ganhos auferidos em operações da mesma espécie ou em operações de cobertura (hedge) à qual estejam vinculadas nos termos admitidos pelo Poder Executivo.”. Portanto, fica claro que não é qualquer compensação que é permitida, mas tão somente aquelas que o Poder Executivo tiver autorizado. Fl. 14DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HUGO CORREIA SOTERO, 03/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES B ARROSO Processo nº 10880.010822/9844 Acórdão n.º 110300.406 S1C1T3 Fl. 8 15 Em face do exposto, voto por afastar as preliminares, e no mérito negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 23 de fevereiro de 2011 Mário Sérgio Fernandes Barroso Fl. 15DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HUGO CORREIA SOTERO, 03/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES B ARROSO
score : 1.0
Numero do processo: 35067.004640/2006-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Feb 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002, 01/05/2002 a 31/07/2002
Ementa:
AUTODEINFRAÇÃO.
A empresa deve de lançar mensalmente em títulos próprios de sua
contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Art. 32, inciso II, da Lei n.º 8.212/91.
A falta de registro contábil discriminado das parcelas passíveis de incidência contributiva previdenciária, acarreta lavratura de auto de infração.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-000.873
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002, 01/05/2002 a 31/07/2002 Ementa: AUTODEINFRAÇÃO. A empresa deve de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Art. 32, inciso II, da Lei n.º 8.212/91. A falta de registro contábil discriminado das parcelas passíveis de incidência contributiva previdenciária, acarreta lavratura de auto de infração. Recurso Voluntário Negado
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A empresa deve de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Art. 32, inciso II, da Lei n.º 8.212/91. A falta de registro contábil discriminado das parcelas passíveis de incidência contributiva previdenciária, acarreta lavratura de auto de infração. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 26/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Thiago D’ Ávila Melo Fernandes,Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato Fl. 2DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 26/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 35067.004640/200601 Acórdão n.º 230200.873 S2C3T2 Fl. 283 3 Relatório Trata o presente de autodeinfração, lavrado em 13/06/2006, em desfavor do sujeito passivo acima identificado, em virtude do descumprimento o artigo 32, inciso II da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso II e parágrafos 13 a 17, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, por não ter lançado em títulos próprios de sua contabilidade de forma discriminada as contribuições incidentes sobre a mão de obra de segurados que lhe prestaram serviço através de cooperativa de trabalho, mais especificamente UNIMED Vitória Cooperativa de Trabalho Médico, nas competências de 02/2002 e 05/2002 a 07/2002. A multa punitiva foi aplicada de acordo com artigo 283, inciso II, letra “a”, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99 e atualizada pela Portaria Ministerial n.º 119, de 18/04/2006. O relatório fiscal de fls. 16/22, diz que a autuada e a empresa Sociedade Educacional do Espírito Santo — SEDES/UVV, formam um grupo econômico de fato, onde possuem os mesmos coresponsáveis, o mesmo responsável pela contabilidade, as despesas incorridas com uma entidade com docentes são pagas pela outra, assim como as receitas relativas às mensalidades de uma, também são contabilizadas na outra, a execução de contrato firmado por uma empresa utiliza mão de obra de outra e vários outros fatos que corroboram a existência de grupo econômico estão descritos no citado relatório. Após a apresentação de defesa por parte da autuada, DecisãoNotificação de fls. 191/200, julgou a autuação procedente. Inconformados os sujeitos passivos apresentaram recurso tempestivo. A Sociedade Educacional do Espírito Santo /sedesUVV, argúi: a) a inconstitucionalidade do depósito recursal; b) que a configuração do grupo econômico baseouse em mera presunção; c) que declarou em GFIP todos os trabalhadores a seu serviço; d) que seu objeto é educação especial, diferentemente da outra empresa arrolada; e) que o auditor deixou de descontar várias guias de recolhimento e valores parcelados. Requer a reforma da decisão, a sua exclusão do pólo passivo, a nulidade do auto de infração, que seja refeita a decisão quanto à falta de informação em GFIP e relevada a multa. A autuada Fundação Universidade de Pesquisa Econômica e Social Vila Velha, argúi : Fl. 3DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 26/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 4 a) que o auto de infração foi motivado pela falta de apresentação de documentos; b) que o depósito recursal cerceia a defesa do contribuinte; c) que a configuração do grupo econômico é mera presunção; d) que apresentou todos os documentos solicitados, mas o auditor não teve paciência para examinálos; e) que não foram descontadas as guias recolhidas; f) que seu objeto é educação especial , diferentemente da outra empresa arrolada. Requer a sua exclusão do pólo passivo da autuação,afastando a sua co responsabilidade na exação lançada; a nulidade do auto de infração, que a decisão seja refeita para solicitar as notas fiscais aos contratantes e que seja relevada a multa aplicada. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 26/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 35067.004640/200601 Acórdão n.º 230200.873 S2C3T2 Fl. 284 5 Voto Conselheiro Liege Lacroix Thomasi Da Preliminar As recorrentes argúem a inconstitucionalidade do depósito recursal para garantia de instância, contudo tal pressuposto não é mais exigido por este Colegiado em obediência ao Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. De acordo com o previsto no parágrafo único do art. 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria n ° 256/2009 do Ministério da Fazenda, no julgamento de recurso voluntário ou de ofício, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Não se aplicando aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo, que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. O STF já se posicionou no julgamento do Recurso Extraordinário n ° 389383, transitado em julgado, pela inconstitucionalidade dos parágrafos 1º e 2º do art. 126 da Lei n ° 8.212. Quanto à caracterização do grupo econômico, não procede o argumento das recorrentes de que não há, nos autos, prova da existência do mesmo, eis que o relatório fiscal foi detalhado ao especificar a existência e configuração do mesmo, fls. 16/22; ao qual me reporto, por economia processual. A composição do grupo foi especificada no relatório fiscal, sendo que as empresas possuem o mesmo endereço, onde se encontram os documentos fiscais, os mesmos coresponsáveis e administradores, arcam entre si com despesas e auferem receitas em uma entidade para cobrir despesas em outra. As empresas exercem atividades complementares. A mão de obra de uma empresa visa cumprir contrato da outra, os docentes que prestam serviço em uma, são pagos por outra, além de outros detalhes bem explicitados no relatório fiscal. Portanto, por todos os elementos fáticos trazidos pelo fisco é de se configurar a existência do grupo econômico de fato e a solidariedade prevista expressamente na lei previdenciária, art. 30, inciso IX da Lei n º 8.212 de 1991: IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta lei; (Ver § 4º do art. 2º da Lei nº 9.719/98) Do Mérito À época da autuação, em decorrência da relação jurídica existente entre o contribuinte ou o responsável (sujeito passivo) e o fisco (sujeito ativo), tem aquele duas Fl. 5DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 26/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 6 obrigações para com este. Uma obrigação denominada principal, que é a de verter contribuições para a Seguridade Social; outra denominada acessória que tem por objeto a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. O descumprimento da obrigação principal, acarreta a constituição do crédito da Seguridade Social, através da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, como no presente caso. E, o descumprimento da obrigação acessória, que decorre da legislação tributária e tem por objeto prestações positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos (art. 113, § 2º, do CTN), acarreta a lavratura do Auto de Infração. A obrigação se diz acessória, quando se tem por objeto o fazer ou não fazer algo no interesse da fiscalização ou da arrecadação. Portanto, o não recolhimento do tributo acarreta a aplicação dos juros legais e da multa moratória, enquanto o descumprimento de obrigação acessória, que vem definida em lei, acarreta a multa punitiva, como no caso presente, onde a empresa foi autuada por não lançar na sua contabilidade, de forma discriminada, os valores referentes à contribuição previdenciária incidente sobre serviços prestados por cooperados através de cooperativas de trabalho. Tal fato não foi argüido nas peças recursais, trazendo, as recorrentes, assuntos diversos daquele aqui autuado, como a não apresentação de documentos e a falta de informação em GFIP. Estes tópicos não fazem parte da autuação em tela, bem como é estranho ao processo o não aproveitamento de valores recolhidos e parcelados, motivo pelo qual deixo de me manifestar sobre tais assuntos. Este processo trata, exclusivamente, de auto de infração pelo descumprimento de obrigação acessória e é obrigação da empresa registrar de forma discriminada os fatos geradores de contribuição previdenciária. O art. 32, inciso II da Lei n.º 8.212/91, traz que a empresa é obrigada a lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Esse ordenamento encontra respaldo, também, no art. 225, inc. II e §13, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, verbis: Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; (...) § 13. Os lançamentos de que trata o inciso II do caput, devidamente escriturados nos livros Diário e Razão, serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições, devendo obrigatoriamente: I – atender ao princípio contábil do regime de competência; e Fl. 6DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 26/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 35067.004640/200601 Acórdão n.º 230200.873 S2C3T2 Fl. 285 7 II – registrar, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do saláriodecontribuição, bem como as contribuições descontadas do segurado, as da empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços. § 14. A empresa deverá manter à disposição da fiscalização os códigos ou abreviaturas que identifiquem as respectivas rubricas utilizadas na elaboração da folha de pagamento, bem como os utilizados na escrituração contábil. Em face dos comandos normativos acima transcritos e à vista dos fatos relatados no "Relatório Fiscal da Infração", revelase procedente a autuação, eis que é disposição legal trazida na Lei 8212/91, conforme citado acima que a empresa discrimine em sua contabilidade os fatos geradores das contribuições previdenciárias. Por derradeiro, é totalmente improcedente a solicitação da autuada para ser excluída do pólo passivo da autuação, uma vez que ela foi o sujeito passivo da fiscalização e foi autuada pelo descumprimento de obrigação acessória de sua direta responsabilidade. A entidade SEDES, é que foi arrolada como solidária em vista da existência de grupo econômico. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 7DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 26/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA
score : 1.0
Numero do processo: 36378.000341/2007-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2000 a 30/03/2005
Ementa: COMPENSAÇÃO – GLOSA Toda
empresa é obrigada a recolher a contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração paga aos segurados empregados que lhe prestam serviços.
Constatada a compensação de valores efetuada indevidamente pela empresa ou em desacordo com o permitido pela legislação previdenciária, será efetuada a glosa dos valores e constituído o crédito tributário por meio do instrumento competente, sem prejuízo das penalidades cabíveis.
PERÍCIA INDEFERIMENTO
A perícia será indeferida sempre que a autoridade julgadora entender ser prescindível e meramente protelatória e quando não houver dúvidas a serem sanadas.
TAXA SELIC
A utilização da taxa de juros SELIC encontra amparo legal no artigo 34 da Lei 8.212/91.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-001.952
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2000 a 30/03/2005 Ementa: COMPENSAÇÃO – GLOSA Toda empresa é obrigada a recolher a contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração paga aos segurados empregados que lhe prestam serviços. Constatada a compensação de valores efetuada indevidamente pela empresa ou em desacordo com o permitido pela legislação previdenciária, será efetuada a glosa dos valores e constituído o crédito tributário por meio do instrumento competente, sem prejuízo das penalidades cabíveis. PERÍCIA INDEFERIMENTO A perícia será indeferida sempre que a autoridade julgadora entender ser prescindível e meramente protelatória e quando não houver dúvidas a serem sanadas. TAXA SELIC A utilização da taxa de juros SELIC encontra amparo legal no artigo 34 da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1714; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 116 1 115 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 36378.000341/200729 Recurso nº 147.533 Voluntário Acórdão nº 230101.952 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de abril de 2011 Matéria GLOSA DE COMPENSAÇÃO Recorrente SOEICOM S/A SOCIEDADE EMPREENDIMENTOS INDUSTRIA COMÉRCIO E MINERAÇÃO Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2000 a 30/03/2005 Ementa: COMPENSAÇÃO – GLOSA Toda empresa é obrigada a recolher a contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração paga aos segurados empregados que lhe prestam serviços. Constatada a compensação de valores efetuada indevidamente pela empresa ou em desacordo com o permitido pela legislação previdenciária, será efetuada a glosa dos valores e constituído o crédito tributário por meio do instrumento competente, sem prejuízo das penalidades cabíveis. PERÍCIA INDEFERIMENTO A perícia será indeferida sempre que a autoridade julgadora entender ser prescindível e meramente protelatória e quando não houver dúvidas a serem sanadas. TAXA SELIC A utilização da taxa de juros SELIC encontra amparo legal no artigo 34 da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 10/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 28/06/2011 por MARCELO OLIVEIR A 2 Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete De Oliveira Barros Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Bernadete De Oliveira Barros, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Ausência momentânea: Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antonio De Souza Correa Fl. 2DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 10/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 28/06/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 36378.000341/200729 Acórdão n.º 230101.952 S2C3T1 Fl. 117 3 Relatório Tratase de recurso interposto contra a DecisãoNotificação que julgou procedente o débito lançado contra a empresa acima identificada. Conforme Relatório Fiscal (fls. 52), o crédito previdenciário lançado por intermédio da NFLD se refere a contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à rubrica “Empresa”, e teve origem na glosa da compensação efetuada pela empresa nas competências compreendidas entre 11/2000 a 03/2005, para o estabelecimento 33.920.299/000313. A autoridade notificante informa que o contribuinte deixou de recolher parte da contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração dos contribuintes individuais que lhe prestaram serviços porque deduziu, em suas próprias GPS, valores que foram recolhidos em CNPJ de outras empresas. Consta que a notificada declarou que compensou, nas guias das competências anteriormente citadas, valores que foram retidos em notas fiscais de prestadores de serviços, julgados indevidos pela empresa, quer pelo cancelamento, quer pelo serviço não estar sujeito à retenção de 11%. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Previdenciária, por meio da DecisãoNotificação nº 11.401.4/0488/2006 (fls. 120), julgou o débito procedente. A notificada, inconformada com a decisão, apresentou recurso tempestivo (fls. 130), repetindo basicamente as alegações trazidas na impugnação. Entende que a decisão é equivocada ao manter as indevidas glosas realizadas pelo Auditor Fiscal, considerandose principalmente que os valores das contribuições que deveriam ser retidos dos prestadores de serviço, objeto das compensações glosadas, efetivamente não o foram, como atesta o relatório da NFLD, fls. 2, juntado aos autos, que evidencia ter a RECORRENTE utilizado nestas compensações valores que ela é que efetivamente recolheu. Informa que tratase, na verdade, de cancelamentos de pagamentos de serviços, ou constatações de que não era devida a retenção ou até mesmo de recolhimentos em duplicidade, constatados posteriormente às quitações das GPS. Sustenta que o fato de as guias dos valores retidos estarem em nome dos prestadores de serviços não significa que o valor foi recolhido por aqueles, não podendo ser fato impeditivo ao direito de compensação quando demonstrado que foi a contratante(SOEICOM S.A) quem arcou com todos os custos. Defende a necessidade de reconsideração do indeferimento do pedido de perícia, face ao fato de que se faz necessária a conciliação contábil dos valores, como forma de também provar que quem arcou com o ônus dos valores objeto das GLOSAS foi a Recorrente. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 10/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 28/06/2011 por MARCELO OLIVEIR A 4 Reitera o pedido da perícia e insurgese contra a multa e os juros de mora aplicados. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 10/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 28/06/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 36378.000341/200729 Acórdão n.º 230101.952 S2C3T1 Fl. 118 5 Voto Conselheira Bernadete De Oliveira Barros O recurso é tempestivo e não há qualquer óbice ao seu conhecimento. Verificase dos autos, que o objeto do presente lançamento é a glosa da compensação realizada pela empresa. Constatase que a empresa compensou, quando do recolhimento de contribuições por ela devidas, valores que foram recolhidos em nome das empresas que lhe prestaram serviços. Justifica seu procedimento alegando que foi a própria empresa recorrente quem arcou com o custo dos recolhimentos indevidos. Contudo, a conduta da notificada não encontra amparo legal. Esse valor compensado foi recolhido em nome de outras empresas, cabendo somente a elas efetuar a compensação, caso reste comprovado que houve recolhimento indevido. A IN 03/2005, citada pela recorrente, estabelece que: Art. 203. A empresa prestadora de serviços que sofreu retenção no ato da quitação da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, conforme previsto nos arts. 140 e 172, poderá compensar o valor retido quando do recolhimento das contribuições devidas à Previdência Social, desde que a retenção esteja destacada na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços. (...) § 1º Se a retenção não tiver sido destacada na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, a empresa contratada poderá efetuar a compensação do valor retido, desde que a contratante tenha efetuado o recolhimento desse valor. (...) § 6º A compensação do valor retido deverá ser feita no documento de arrecadação do estabelecimento da empresa que sofreu a retenção, sendo vedada a compensação em documento de arrecadação referente a outro estabelecimento. Essa matéria também é tratada no Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, que dispõe: Art. 219 (...) Fl. 5DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 10/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 28/06/2011 por MARCELO OLIVEIR A 6 § 4º O valor retido de que trata este artigo deverá ser destacado na nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços, sendo compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa contratada quando do recolhimento das contribuições destinadas à seguridade social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados. Portanto, somente a prestadora dos serviços pode efetuar a compensação, sendo vedada a compensação referente a outro estabelecimento. Esse é o procedimento correto, uma vez que é a prestadora de serviços que sofre a retenção sobre o valor bruto da nota fiscal/fatura, e não a tomadora. Nem mesmo a contribuição do segurado, quando indevidamente descontada pela empresa, pode ser restituída ao empregador, que foi quem reteve e recolheu a contribuição correspondente, pois o valor recolhido não mais pertence à empresa, conforme parágrafo único, do art. 248, do citado RPS, transcrito a seguir: Art. 249. Somente poderá ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, valor decorrente das parcelas referidas nos incisos I, II, III, IV e V do parágrafo único do art. 195. Parágrafo único. A restituição de contribuição indevidamente descontada do segurado somente poderá ser feita ao próprio segurado, ou ao seu procurador, salvo se comprovado que o responsável pelo recolhimento já lhe fez a devolução. Fazendo uma analogia, a pretensão da recorrente se equivale à uma pessoa que efetua o depósito em uma contacorrente de uma outra pessoa, em um banco qualquer, e depois, ao vislumbrar algum equívoco no valor depositado, tenta retirar daquela conta que não lhe pertence o valor depositado. Sabemos que tal procedimento não lhe é possível, como também não é possível à empresa compensar valores recolhidos em nome de outra pessoa jurídica. A notificada insiste na produção de prova pericial, que foi indeferida com muita propriedade pelo julgador monocrático, que demonstrou a desnecessidade de realização de perícia. A necessidade de perícia para o deslinde da questão tem que restar demonstrada nos autos, o que não ocorreu no presente caso, já que os documentos apresentados pela própria recorrente demonstram que os recolhimentos foram realizados no CNPJ das prestadoras. Ademais, o Decreto nº 70.235/1972 estabelece o seguinte: Art.16 A impugnação mencionará: .................................. IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito; Fl. 6DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 10/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 28/06/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 36378.000341/200729 Acórdão n.º 230101.952 S2C3T1 Fl. 119 7 § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. Da leitura do dispositivo, verificase que a recorrente não cumpriu os requisitos necessários à formulação de perícia pois limitouse a requerêla, sem indicar o perito ou formular os quesitos a serem respondidos. A recorrente insurgese, ainda, contra a multa e os juros de mora aplicados. Contudo, cumpre salientar que a utilização da Taxa SELIC para atualizações e correções dos débitos apurados encontra respaldo no art. 34, da Lei 8.212/91 e a multa encontrase amparada no art. 35 do mesmo diploma legal, vigentes à época do lançamento. Cabe destacar, ainda, que a atividade administrativa é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais. Nesse sentido, o ilustre jurista Alexandre de Moraes ( curso de direito constitucional, 17ª ed. São Paulo. Editora Atlas 2004.314) colaciona valorosa lição: “o tradicional princípio da legalidade, previsto no art. 5º, II, da CF, aplicase normalmente na administração pública, porém de forma mais rigorosa e especial, pois o administrador público somente poderá fazer o que estiver expressamente autorizado em lei e nas demais espécies normativas, inexistindo, pois, incidência de vontade subjetiva. Esse principio coadunase com a própria função administrativa, de executor do direito, que atua sem finalidade própria, mas sem em respeito à finalidade imposta pela lei, e com a necessidade de preservarse a ordem jurídica” Ademais, o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, veda aos Conselhos de Contribuintes afastar aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, conforme disposto em seu art. 62. E o Conselho Pleno, no exercício de sua competência, uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria, por meio do Enunciado 03/2007, transcrito a seguir: Enunciado nº 03: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais. Voto no sentido de CONHECER do recurso e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Bernadete De Oliveira Barros Relatora Fl. 7DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 10/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 28/06/2011 por MARCELO OLIVEIR A 8 Fl. 8DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 10/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 28/06/2011 por MARCELO OLIVEIR A
score : 1.0
Numero do processo: 10830.004452/2004-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2000
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO.
A inclusão na Declaração de Ajuste Anual do rendimento, pelo seu valor reajustado, e a compensação do imposto considerado ônus da fonte pagadora somente é possível caso o beneficiário dos rendimentos possua comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, onde esteja consignado o rendimento pelo seu valor reajustado e o imposto assumido pela fonte pagadora.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-001.154
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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COMPROVAÇÃO. A inclusão na Declaração de Ajuste Anual do rendimento, pelo seu valor reajustado, e a compensação do imposto considerado ônus da fonte pagadora somente é possível caso o beneficiário dos rendimentos possua comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, onde esteja consignado o rendimento pelo seu valor reajustado e o imposto assumido pela fonte pagadora. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 28/03/2011 Fl. 87DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 10830.004452/200483 Acórdão n.º 210201.154 S2C1T2 Fl. 82 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho e Vanessa Pereira Rodrigues Domene. Relatório Contra HUMBERTO RIBEIRO DO VALLE PEROCCO foi lavrado Auto de Infração, fls. 03/07, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 1999, exercício 2000, no valor total de R$ 4.106,39, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até julho de 2004. A infração apurada pela autoridade fiscal foi glosa de imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 9.312,41, e alteração do valor dos rendimentos tributáveis de R$ 41.379,31 para R$ 30.000,00. Esclareceuse, ainda, que se trata de rendimento recebido em razão de ação de cobrança de honorários por serviço autônomo. Nesta ação, o contribuinte e a empresa chegaram a uma composição amigável na esfera administrativa, sendo pago ao contribuinte o valor de R$ 30.000,00, sem retenção de imposto de renda na fonte. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 01/02, que foi devidamente apreciada pela autoridade julgadora de primeira instância, conforme Acórdão DRJ/SPOII nº 1729.973, de 11/02/2009, fls. 68/70, decidindose, por unanimidade de votos, pela procedência do lançamento. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 14/09/2009, Aviso de Recebimento (AR), fls. 73, o contribuinte apresentou, em 14/10/2009, recurso voluntário, fls. 74/78, no qual traz as alegações a seguir resumidas: Os documentos apresentados pelo recorrente são perfeitamente legais em todos os aspectos, contábeis, jurídicos, etc..., devendo ser considerados aptos, portanto, a certificar que a empresa reteve o imposto da operação e deve sofrer a ação do Fisco. A Receita Federal deve cancelar o lançamento do imposto em desfavor do recorrente e restituirlhe parte do imposto que deveria ter sido recolhido pela fonte pagadora, independentemente deste recolhimento, já que o recorrente não pode suportar a omissão da fonte pagadora. No entanto, concluindose que a restituição do imposto deveria ficar condicionada ao recolhimento do imposto retido na fonte, a ação do Fisco contra a empresa é medida que se impõe. É o Relatório. Fl. 88DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 10830.004452/200483 Acórdão n.º 210201.154 S2C1T2 Fl. 83 3 Voto Conselheira Núbia Matos Moura O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. O contribuinte apresentou sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), fls. 29/30, exercício 2000, onde informou rendimentos tributáveis recebidos de Mancuso Chemicals Limited e Antonio Mancuso, no valor de R$ 41.379,31 e imposto na fonte de R$ 9.312,41. Durante o procedimento fiscal, o recorrente foi intimado a apresentar comprovantes de rendimentos, conforme Pedido de Esclarecimento, fls. 35. Em atendimento, o contribuinte apresentou documentos, fls. 37/40, dos quais restou comprovado que recebeu a quantia de R$ 30.000,00, em razão de ação de cobrança de honorários por serviço autônomo, movida contra a pessoa jurídica Mancuso Chemicals Limited e Antônio Mancuso. Prosseguindo com a ação fiscal, o contribuinte foi cientificado de Termo de Intimação Fiscal, fls. 33, onde lhe foi solicitado a apresentação de cópia autenticada do DARF, comprovando o recolhimento do imposto de renda retido na fonte, face a reclamação trabalhista do processo n° 3.314/98, movido contra a empresa Mancuso Chemicals Limited e Antonio Mancuso. Em atendimento o contribuinte apresentou resposta, fls. 08/09, onde esclarece o que se segue: Inicialmente, cumpre esclarecer que não se trata de ação trabalhista movida por Humberto Ribeiro do Valle Perocco contra a empresa Mancuso Chemical Limited e Antonio Mancuso, mas de ação de cobrança de honorários por serviço autônomo prestado, na qualidade de engenheiro mecânico, que redundou na respectiva cobrança judicial na esfera civil; portanto, operação tributária que se amolda ao art. 628 do RIR, salvo melhor juízo. Nos moldes do art. 628 do RIR, este signatário, por ocasião da satisfação do acordo firmado em decorrência da ação judicial, teve o imposto de renda retido pela fonte pagadora, no caso, a empresa Mancuso Chemicals Limited, a quem incumbiu a responsabilidade pelo recolhimento, o que justifica o fato de não ter cópia e, portanto, ficar impossibilitado de apresentar o DARF referente ao recolhimento do imposto de renda retido na fonte. Em suma, por conta dos serviços nãoassalariados prestados, este firmatário recebeu o valor líquido de R$ 30.000,00 (trinta mil reais) da empresa Mancuso Chemicals Limited, isto é, após deduzidas “as obrigações tributárias”, tal como ficou consignado expressamente no “Recibo Provisório” de quitação do recebimento, firmado em 28/07/1999, o qual trás o “De Fl. 89DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 10830.004452/200483 Acórdão n.º 210201.154 S2C1T2 Fl. 84 4 Acordo” do procurador e advogado da empresa (anexos recibo provisório e procuração do advogado da Mancuso Chemicals). Diante da nãoapresentação do DARF solicitado, a autoridade fiscal lavrou o Auto de Infração, de sorte que reduziu os rendimentos tributáveis de R$ 41.379,31 para R$ 30.000,00 e glosou o imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 9.312,41. Para apreciar a questão, importa observar o parágrafo 2º do art. 87 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), a seguir reproduzido: Art. 87. Do imposto apurado na forma do artigo anterior, poderão ser deduzidos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 12): (...) § 2º O imposto retido na fonte somente poderá ser deduzido na declaração de rendimentos se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos, ressalvado o disposto nos arts. 7º, §§ 1º e 2º, e 8º, § 1º (Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 55). Como se vê, o comprovante de rendimentos emitido pela fonte pagadora em nome do contribuinte é o documento hábil para comprovar a retenção na fonte. No presente caso, o contribuinte não apresentou o comprovante de rendimentos fornecido pela fonte pagadora, conforme previsto na legislação de regência, buscando a sua substituição pelo recibo provisório, fls. 15. Nesse ponto, destacase que o referido recibo não faz a identificação de valores retidos na fonte à título de imposto de renda. Restringese a afirmar que o recorrente recebeu a quantia de R$ 30.000,00 e que a importância é recebida pelo seu valor líquido, ficando a cargo da empresa Mancuso as obrigações tributárias incidentes na presente transação. É bem verdade, que o referido recibo, contém o “de acordo” do representante da fonte pagadora, entretanto, tal documento não pode ser tomado como substituto do comprovante de rendimentos. Veja que sequer consta do recibo, os valores consignados na DAA apresentada pelo contribuinte. Muito pelo contrário, caso prosperassem os valores consignados na DAA, o valor líquido recebido seria de R$ 32.066,90 e não de R$ 30.000,00, conforme consta no recibo. E mais, a inclusão na DAA do rendimento, pelo seu valor reajustado, e a compensação do imposto considerado ônus da fonte pagadora somente é possível caso o beneficiário dos rendimentos possua comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, onde esteja consignado o rendimento pelo seu valor reajustado e o imposto assumido pela fonte pagadora. Nestes termos, considerado que o contribuinte não logrou comprovar a retenção do imposto de renda, cabível o lançamento, nos termos em que consignado no Auto de Infração. Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. Fl. 90DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 10830.004452/200483 Acórdão n.º 210201.154 S2C1T2 Fl. 85 5 Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 91DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO
score : 1.0
Numero do processo: 11330.000670/2007-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1999 a 31/12/2002
Ementa: LANÇAMENTO, RECURSO, INTEMPESTIVIDADE.
É de trinta dias o prazo para interposição de recurso ao CARF, sob pena de não conhecimento.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2301-001.882
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado em não conhecer do recurso, nos
termos do voto do Relator.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS E SERVIÇOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/1999 a 31/12/2002 Ementa: LANÇAMENTO, RECURSO, INTEMPESTIVIDADE. É de trinta dias o prazo para interposição de recurso ao CARF, sob pena de não conhecimento. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator. MARCELO OLIVEIRA Presidente Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Leôncio Nobre de Medeiros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes. Fl. 267DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 01/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRFBJ), Rio de Janeiro I / RJ, fls. 0200 a 0205, que julgou procedente o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal, fl. 001. Segundo a fiscalização, de acordo com o Relatório Fiscal (RF), fls. 043 a 050, o lançamento referese a contribuições destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados, correspondentes a contribuição dos empregados. Ainda segundo o RF, os valores da base de cálculo foram obtidos em GFIP elaboradas e apresentadas pela empresa à fiscalização. Os motivos que ensejaram o lançamento estão descritos no RF e nos demais anexos da NFLD. Em 12/11/2003 foi dada ciência à recorrente do lançamento, fls. 0162. Contra o lançamento, a recorrente apresentou impugnação, fls. 0169, acompanhada de anexos. Diante dos argumentos da defesa, foram solicitados esclarecimentos à fiscalização, fl. 0176. A fiscalização respondeu aos questionamentos da DRP, fl. 0178 e 0179. A Delegacia encaminhou os pronunciamentos fiscais à recorrente e reabriu seu prazo para defesa, fl. 0182. A recorrente não apresentou novos argumentos. A DRFBJ analisou o lançamento, a impugnação e a diligência, julgando procedente o lançamento. A recorrente foi cientificada da decisão em 23/10/2007, fls. 0258. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 0212 a 0216, acompanhado de anexos, em 29/11/2007. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. A Segunda Turma Ordinária, da Quarta Câmara, da Segunda Seção do CARF analisou os autos e converteu o julgamento em diligência, a partir das fls. 0235. O Fisco respondeu a diligência, fls. 0251. A recorrente, apesar de intimada, não apresentou novos argumentos. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. Fl. 268DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 01/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11330.000670/200795 Acórdão n.º 230101.882 S2C3T1 Fl. 255 3 É o Relatório. Fl. 269DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 01/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Conselheiro MARCELO OLIVEIRA, Relator Quanto à apresentação do recurso, verificase que a recorrente foi intimada da decisão de primeira instância em 23/10/2007, fls. 0258, e apresentou recurso em 29/11/2007, fls. 0212, portanto, após findo o prazo para apresentação do mesmo. A legislação determina que o prazo para apresentação de recurso é de trinta dias. Assim, o recurso apresentado pela interessada foi intempestivo e, dessa forma, não foi cumprido requisito de admissibilidade o que impede o seu conhecimento. CONCLUSÃO Nesse sentido e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto por NÃO CONHECER DO RECURSO, por ser intempestivo, nos termos do voto. MARCELO OLIVEIRA Fl. 270DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 01/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13731.000501/2007-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2004
IRPF. GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS.
Uma vez atendida a solicitação da autoridade fiscal, deve ser restabelecida a dedução a título de despesas médicas.
Numero da decisão: 2201-000.957
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade dar provimento ao
recurso para restabelecer o valor de R$ 23.740,00, relativo à dedução de despesas médicas no ano-calendário 2003. Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de
Souza.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. Uma vez atendida a solicitação da autoridade fiscal, deve ser restabelecida a dedução a título de despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade dar provimento ao recurso para restabelecer o valor de R$ 23.740,00, relativo à dedução de despesas médicas no anocalendário 2003. Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. (Assinado Digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior Presidente. (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza, Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. Fl. 127DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 18/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 03/03/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 02/04, referente ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2003, no valor total de R$ 21.795,81. A fiscalização, por meio de revisão da Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, efetuou a glosa das despesas médicas “... por falta de identificação nos recibos apresentados do paciente beneficiário dos tratamentos médicos...” (fl. 04), referente aos profissionais: Marco Antônio S. Passos (R$ 1.440,00), Kelly Orçai de Oliveira (R$ 3.000,00), Beatriz C. Barros (R$ 1.300,00), Patrícia R. Leite (R$ 4.500,00), Renata A. S. Russo (R$ 11.000,00), Francisco A. S. Silva (R$ 12.000,00), Priscila N. P. Sindorf (R$ 1.500,00) e Neusa Motta F. Costa (R$ 100,00). Cientificado do lançamento, o autuado apresentou tempestivamente Impugnação de fls. 01/02 e documentos de fls. 07/50, alegando, verbis: Desejo CONTESTAR esta glosa no valor de R$. 34.840,00, em referência no item II pois, estas deduções de despesas com os profissionais em referência, está rigorosamente de acordo com a Lei nº 9250/93, Instrução Normativa SRF n.° 15/2001 e Decreto n.° 3.000/99 — RIR/99, existindo previsão legal para dedução e a comprovação está sendo feita com os recibos anexos (44). A 1ª Turma da DRJ – Rio de Janeiro/RJ II julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado na ementa abaixo transcrita: DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Não comprovadas, por meio de documentação hábil e que preencha os requisitos estabelecidos em lei, as deduções informadas na declaração de ajuste anual a título de despesas médicas, deve ser mantida a glosa efetuada pela fiscalização. Lançamento Procedente Intimado da decisão de primeira instância em 15/10/2009 (fl. 68), Augusto Thadeu Pinto Cardoso apresenta Recurso Voluntário em 10/11/2009 (fls. 10/11), sustentando, essencialmente, que, verbis: ... mas mediante os questionamentos, desejo CONTESTAR a glosa referente a Despesas Médicas no valor de R$. 34.840,00 (trinta e quatro mil, oitocentos e quarenta reais), anexando os comprovantes de pagamentos (44 xeroxs), juntamente com as Declarações de Ratificação e Retificação dos profissionais Marco Antônio S. Passos, Kelly Orçai de Oliveira, Beatriz C. Barros, Patrícia Rohen Leite, Francisco A. S. Silva e Priscila N. P. Sindorf, comprovando os respectivos endereços, números de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas, número de registro nos respectivos Conselhos de Classe e identificação dos beneficiários dos serviços prestados para a devida comprovação. Quanto a Declaração de Ratificação dos profissionais Renata Moura Lima Russo e Neusa Motta de Freitas Costa, estou deixando de anexalas, mas o farei oportunamente, devido a Fl. 128DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 18/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 03/03/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13731.000501/200768 Acórdão n.º 220100.957 S2C2T1 Fl. 2 3 dificuldade para fazer contatos em conseqüência do longo tempo passado. Face ao exposto, vem pelo presente IMPUGNAR a referida DECISÃO, solicitação seu arquivamento e que sejam restabelecidos os dados relativos à Declaração Original. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Segundo se colhe dos autos, o lançamento é decorrente de glosas de despesas médicas. Intimado, o contribuinte apresentou os recibos com os quais pretendeu demonstrar que de fato suportou as despesas médicas deduzidas em sua DIRPF/2004. Por sua vez, a autoridade recorrida não acatou os recibos apresentados argumentando que não houve à indicação dos beneficiários dos serviços médicos prestados nos recibos objeto de glosa. Fundamentalmente, entendeu a autoridade julgadora a quo, que (fl. 64): No presente caso, ressalto que caberia ao notificado, para fins de ter sua pretensão atendida, providenciar, junto aos prestadores Marco Antônio S. Passos, Kelly Orçai de Oliveira, Beatriz C. Barros, Patrícia R. Leite, Renata A S. Russo, Francisco A. S. Silva, Priscila N. P. Sindorf e Neusa Motta F. Costa. a retificação dos recibos emitidos ou uma declaração dos mesmos no sentido de atender à exigência da fiscalização quanto à perfeita identificação dos beneficiários dos serviços médicos descritos nos recibos apresentados, uma vez que os referidos profissionais são os responsáveis diretos por prestarem tal informação. Contudo, em seu instrumento recursal, alega o suplicante que está juntando aos autos “... comprovantes de pagamentos (44 xeroxs), juntamente com as Declarações de Ratificação e Retificação dos profissionais Marco Antônio S. Passos, Kelly Orçai de Oliveira, Beatriz C. Barros, Patrícia Rohen Leite, Francisco A. S. Silva e Priscila N. P. Sindorf, comprovando os respectivos endereços, números de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas, número de registro nos respectivos Conselhos de Classe e identificação dos beneficiários dos serviços prestados para a devida comprovação.” Pois bem, compulsando os recibos carreados junto à Impugnação (fls. 07/50), constatase que os mesmos não atende as condições previstas na Lei, como bem evidenciou a autoridade lançadora e julgadora. Fl. 129DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 18/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 03/03/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Entretanto, na fase recursal, o suplicante apresenta declarações prestadas pelos profissionais Marco Antônio S. Passos, Kelly Orçai de Oliveira, Beatriz C. Barros, Patrícia Rohen Leite, Francisco A. S. Silva e Priscila N. P. Sindorf (fl. 73/78), confirmando a prestação de serviços, os beneficiários, bem como indicando os respectivos endereços, números de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas, além do número de registro nos respectivos Conselhos de Classe. Portanto, de acordo com os documentos apresentados entendo estar resolvida a controvérsia instaurada, posto que o recorrente acostou aos autos declarações dos profissionais confirmando a prestação de serviços, bem como a identificação dos beneficiários dos serviços médicos descritos nos recibos apresentados. Por fim, não há como questionar a apresentação destas declarações nesta fase processual, posto que alínea “a” do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, ressalva a impossibilidade de apresentação da prova no momento oportuno. Com efeito, como a produção de tal prova exigiria contato com os referidos profissionais, é plausível a sua apresentação juntamente com o Recurso Voluntário. Destarte, suprida a falta apontada pela autoridade fiscal, não mais subsiste a razão da glosa e, consequentemente, as deduções devem ser restabelecidas. Ante ao exposto, voto no sentido de DAR parcial provimento ao recurso para restabelecer o valor de R$ 23.740,00, relativo à dedução de despesas médicas. (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Fl. 130DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 18/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 03/03/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13731.000501/200768 Acórdão n.º 220100.957 S2C2T1 Fl. 3 5 Processo nº: 13731.000501/200768 Recurso nº: 510.378 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 220100.957 . Brasília/DF, 09 de fevereiro de 2011 ______________________________________ FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 131DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 18/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 03/03/2011 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 13933.000031/00-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/07/1997 a 31/07/1998
“O direito ao aproveitamento dos créditos de IPI decorrentes da aquisição
de matériasprimas,
produtos intermediários e material de embalagem
utilizados na fabricação de produtos cuja saída seja com isenção ou alíquota
zero, nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, alcança,
exclusivamente, os insumos recebidos pelo estabelecimento do contribuinte a
partir de 1º de janeiro de 1999”. (Súmula CARF nº 16)
Recurso Improvido
Numero da decisão: 3301-000.866
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos
do voto do Relator.
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/1997 a 31/07/1998 “O direito ao aproveitamento dos créditos de IPI decorrentes da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na fabricação de produtos cuja saída seja com isenção ou alíquota zero, nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos pelo estabelecimento do contribuinte a partir de 1º de janeiro de 1999”. (Súmula CARF nº 16) Recurso Improvido
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(Súmula CARF nº 16) Recurso Improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente Antônio Lisboa Cardoso Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Maurício Taveira e Silva, Rodrigo Pereira de Mello, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 18/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/10/20 11 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 15/09/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 2 Relatório Cuidase de recurso em face de acórdão da DRJ de Ribeirão Preto, que indeferiu o pedido de ressarcimento do saldo credor de IPI do período de apuração de 01/07/1997 a 31/12/1998, e em conseqüência não homologou as compensações declaradas, tendo em vista que os créditos em questão não eram incentivados e em razão do artigo 11 da Lei n° Lei n° 9.779, de 1999, somente se aplicar ao saldo credor decorrente das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, ingressados no estabelecimento à partir de 01/01/1999, onerados pelo imposto e aplicados na industrialização, nos termos da ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1998 IPI. RESSARCIMENTO. O direito ao aproveitamento/utilização, nas condições estabelecidas no art. 11, da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI, decorre somente de aquisições, pelo contribuinte do imposto, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, ingressados no estabelecimento à partir de 01/01/1999, onerados pelo imposto e aplicados na industrialização. Solicitação Indeferida Cientificada em 18/04/2008 (fl. 450), a interessada ingressou com o recurso voluntário de fls. 451/461, em 19/05/2008, reiterando os argumentos constantes da manifestação de inconformidade, suscitando princípios constitucionais e a Lei n° 9.779/99 contra qualquer limitação aos supostos créditos e que os juros e a multa incidentes sobre os débitos vencidos deveriam ser cancelados pela ausência de ato doloso ou fraudulento tendente a lesar o recolhimento de tributos. É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende as demais condições de admissibilidade, devendo o mesmo ser conhecido. O direito ao aproveitamento/utilização, nas condições estabelecidas no art. 11, da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI, decorre somente de aquisições, pelo contribuinte do imposto, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, Fl. 2DF CARF MF Emitido em 18/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/10/20 11 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 15/09/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13933.000031/0009 Acórdão n.º 330100.866 S3C3T1 Fl. 476 3 ingressados no estabelecimento à partir de 01/01/1999, onerados pelo imposto e aplicados na industrialização, encontrase definitivamente definido em âmbito judicial e administrativo, consoante as ementas do RE nº 562.980, repercussão geral reconhecida com julgamento de mérito: “EMENTA: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI. INSUMOS TRIBUTADOS E PRODUTO FINAL SUJEITO À ALÍQUOTA ZERO OU ISENTO. PRETENSÃO AO APROVEITAMENTO DO CRÉDITO. I – O tema apresenta relevância do ponto de vista jurídico e econômico. II – Repetição em múltiplos feitos com fundamento em idêntica controvérsia. III – Repercussão geral reconhecida.” (RE 562980 RG, Relator(a): Min. MIN. RICARDO LEWANDOWSKI, julgado em 27/03/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO JULGADO DJe088 DIVULG 15052008 PUBLIC 16052008 EMENT VOL0231910 PP02007 ) “IPI CREDITAMENTO ISENÇÃO OPERAÇÃO ANTERIOR À LEI Nº 9.779/99. A ficção jurídica prevista no artigo 11 da Lei nº 9.779/99 não alcança situação reveladora de isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI que a antencedeu”. (RE 562980, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 06/05/2009, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe167 DIVULG 0309 2009 PUBLIC 04092009 EMENT VOL0237203 PP00626 LEXSTF v. 31, n. 369, 2009, p. 285306) No âmbito do CARF, o assunto encontrase pacificado, inclusive sumulado, peço vênia para transcrever a Súmula nº 16, in verbis: “Súmula CARF nº 16: O direito ao aproveitamento dos créditos de IPI decorrentes da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na fabricação de produtos cuja saída seja com isenção ou alíquota zero, nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos pelo estabelecimento do contribuinte a partir de 1º de janeiro de 1999. Acórdão nº 20173981, de 13/09/2000 Acórdão nº 20215325, de 01/12/2003 Acórdão nº 20177472, de 16/02/2004 Acórdão nº 20309751, de 15/09/2004 Acórdão nº 20216105, de 27/01/2005 (fonte: DOU, Seção I, de 23 de dezembro de 2010, nº 245, pág. 88) Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 7 de abril de 2011 Antônio Lisboa Cardoso Fl. 3DF CARF MF Emitido em 18/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/10/20 11 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 15/09/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 4 Fl. 4DF CARF MF Emitido em 18/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/10/20 11 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 15/09/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10875.002688/2002-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 1998
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. GRATIFICAÇÃO.
Comprovado que o contribuinte percebeu rendimentos tributáveis não indicados em declaração de ajuste anual, deve-se manter o lançamento pois caracterizada a omissão de rendimentos. A classificação do rendimento tributável sob a rubrica de “rendimentos sujeitos à tributação exclusiva”, por erro do contribuinte, não afasta a infração de omissão de rendimentos.
PRÁTICAS REITERADAS.
A ausência de fiscalização não se confunde com as reiteradas práticas da Administração de que trata o art. 100 do CTN, que correspondem às posições sedimentadas pela Administração na aplicação da legislação tributária.
MULTA DE OFÍCIO.
Nos casos de lançamento de ofício, onde resultou comprovada a insuficiência do recolhimento de imposto, é exigível a multa de ofício por expressa determinação legal.
TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA.
De acordo com o disposto na Súmula nº 04, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais.
Numero da decisão: 2102-001.087
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 1998 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. GRATIFICAÇÃO. Comprovado que o contribuinte percebeu rendimentos tributáveis não indicados em declaração de ajuste anual, deve-se manter o lançamento pois caracterizada a omissão de rendimentos. A classificação do rendimento tributável sob a rubrica de “rendimentos sujeitos à tributação exclusiva”, por erro do contribuinte, não afasta a infração de omissão de rendimentos. PRÁTICAS REITERADAS. A ausência de fiscalização não se confunde com as reiteradas práticas da Administração de que trata o art. 100 do CTN, que correspondem às posições sedimentadas pela Administração na aplicação da legislação tributária. MULTA DE OFÍCIO. Nos casos de lançamento de ofício, onde resultou comprovada a insuficiência do recolhimento de imposto, é exigível a multa de ofício por expressa determinação legal. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA. De acordo com o disposto na Súmula nº 04, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
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GRATIFICAÇÃO. Comprovado que o contribuinte percebeu rendimentos tributáveis não indicados em declaração de ajuste anual, devese manter o lançamento pois caracterizada a omissão de rendimentos. A classificação do rendimento tributável sob a rubrica de “rendimentos sujeitos à tributação exclusiva”, por erro do contribuinte, não afasta a infração de omissão de rendimentos. PRÁTICAS REITERADAS. A ausência de fiscalização não se confunde com as reiteradas práticas da Administração de que trata o art. 100 do CTN, que correspondem às posições sedimentadas pela Administração na aplicação da legislação tributária. MULTA DE OFÍCIO. Nos casos de lançamento de ofício, onde resultou comprovada a insuficiência do recolhimento de imposto, é exigível a multa de ofício por expressa determinação legal. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA. De acordo com o disposto na Súmula nº 04, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 234DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 27/05/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 27/05/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10875.002688/200205 Acórdão n.º 2102001.087 S2‐C1T2 Fl. 219 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Presidente Assinado digitalmente Carlos André Rodrigues Pereira Lima Relator EDITADO EM 10/02/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos, Rubens Maurício Carvalho, Acácia Sayuri Wakasugi e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Ausente justificadamente a conselheira Vanessa Pereira Rodrigues Domene. Relatório Cuidase de recurso voluntário de fls. 187 a 207, interposto contra decisão da DRJ em Fortaleza/CE, de fls. 158 a 178, que julgou procedente o lançamento de fls. 29 a 33, relativo ao anocalendário 1998, lavrado em 22/05/2000. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 4.912,62, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício no percentual de 75%. O presente lançamento decorreu da acusação de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de trabalho sem vínculo empregatício. De acordo com o demonstrativo das infrações de fl. 32, a fiscalização constatou a omissão de rendimentos recebidos do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, no valor de R$ 15.221,52, conforme informações contidas na Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF apresentada pela fonte pagadora e com base no comprovante de rendimentos pagos, apresentado pela RECORRENTE como resposta à intimação da Seção de fiscalização da DRF em Taubaté. A fiscalização incluiu, ainda, o valor de imposto de renda retido na fonte referente aos rendimentos omitidos que foram recebidos pela RECORRENTE, conforme informação de fl. 31. Fl. 235DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 27/05/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 27/05/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10875.002688/200205 Acórdão n.º 2102001.087 S2‐C1T2 Fl. 220 3 Desta forma, foram alteradas as seguintes linhas da declaração da RECORRENTE: (i) rendimentos tributáveis de R$ 61.170,87 para R$ 76.392,39; e (ii) o imposto retido na fonte de R$ 11.039,32 para R$ 11.980,56. Assim, a autoridade fiscal apurou o valor de imposto suplementar de R$ 2.507,34 em substituição ao resultado de imposto a restituir de R$ 737,34 informado pela RECORRENTE (fl. 30). DA IMPUGNAÇÃO Em 10/04/2002, a RECORRENTE apresentou a impugnação de fls. 01 a 27, alegando, em suma, o seguinte: em sua declaração de ajuste referente ao anocalendário 1998 informou rendimentos tributáveis exclusivamente na fonte no valor de R$ 19.166,64, englobando os valores recebidos do Ministério Público do Estado de São Paulo a título de décimo terceiro salário (R$ 3.670,17) e o valor recebido do Tribunal Regional Eleitoral do Estado de São Paulo (R$ 15.221,52); em 01/08/1999, conforme faz prova a cópia do Diário Oficial anexada, foi promovida ao cargo de 1° Promotor de Justiça de Mairiporã, passando a residir temporariamente na Avenida Brigadeiro Luís Antônio n° 1195, apartamento 64, Bela Vista, São Paulo/SP. Posteriormente, em 10/09/1999, passou a residir em imóvel localizado na Alameda Dona Sinharinha n° 137, Edifício Ouro Preto, apartamento 301, bairro Cidade Jardim, cidade de Mairiporã/SP; ao prestar os esclarecimentos solicitados pela DRF de Taubaté, a RECORRENTE, na oportunidade, forneceu seu novo endereço. Esclarece que a documentação por ela enviada foi devidamente recepcionada pela fiscalização, conforme consta no demonstrativo das infrações de fl. 32; não tomou ciência do presente auto de infração na época oportuna, visto que o mesmo foi remetido ao antigo endereço da RECORRENTE. Somente teve conhecimento da existência de débito quando recebeu “aviso de cobrança” no dia 18/03/2002; ao dirigirse à DRF em Taubaté, recebeu de servidor a informação de que a notificação do auto de infração foi devolvida ao remetente, sem nova intimação por edital. Segundo a RECORRENTE, o servidor informou também que o presente processo estava arquivado na DRF de Pindamonhangaba. Assim, a RECORRENTE dirigiuse à DRF em Pindamonhangaba em 03/04/2002, onde foi devidamente intimada do presente auto de infração. requereu a expedição de ofício à DRF em Pindamonhangaba para comprovar as alegações da RECORRENTE; também requereu a expedição de ofício Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo solicitando: (i) a relação dos meses de 1995 a 2002 em que a impugnante gozou férias regulamentares, recebendo a “remuneração” acrescida do terço constitucional imposto; (ii) que informe se houve qualquer pagamento à impugnante no período de 17 a 31 de julho de 1998 e Fl. 236DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 27/05/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 27/05/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10875.002688/200205 Acórdão n.º 2102001.087 S2‐C1T2 Fl. 221 4 02 a 16 de agosto de 1998, período em que a impugnante gozou férias regulamentares; (iii) que informe, ainda, se os valores enviados a todos os Promotores de Justiça do Estado de São Paulo, em razão do acúmulo de funções eleitorais, são iguais ou se sofrem alterações levando em conta situações pessoais ou de número de processos em que atuou. Como preliminares à análise do mérito do lançamento, a RECORRENTE defendeu ainda que: a ausência de intimação válida da RECORRENTE torna nulo o presente lançamento; houve cerceamento de defesa, já que não pôde apresentar defesa no prazo assinalado no lançamento equivocadamente efetuado; não teve acesso aos autos do procedimento administrativo fiscal, assim requereu o reconhecimento do cerceamento de defesa pela ausência de acesso aos documentos existentes em poder da Receita Federal do Brasil, abrindose novamente o prazo para apresentação de impugnação ou para complementação das razões expostas em sua impugnação, com juntada de documentação e pedido de provas necessárias. E como razões de mérito de sua impugnação, a RECORRENTE defendeu que: os rendimentos recebidos do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, apontados como omitidos pela fiscalização, não se tratam de rendimentos decorrentes de trabalho sem vínculo empregatício, mas sim de diárias recebidas para a compensação com despesas diversas (alimentação, transporte e correlatas); não houve omissão de rendimentos, pois foram declarados como “rendimentos sujeitos à tributação exclusiva”, juntamente com os valores recebidos a titulo de décimoterceiro salário. Afirmou que poderia se chegar a tal conclusão ao verificar que a soma da quantia apontada pelo Tribunal Regional Eleitoral (R$ 15.221,52) com a paga pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (R$ 3.945,12), resulta exatamente no valor indicado no campo “rendimentos sujeitos à tributação exclusiva” (R$ 19.166,64); a atuação dos Promotores de Justiça nos Tribunais Eleitorais é exercida privativamente por membros do Ministério Público Federal (instituição autônoma e diferenciada do Ministério Público dos Estados, também não sendo possível a acumulação de um cargo de Procurador da República e outro de Promotor de Justiça), cabendo aos Ministérios Públicos Estaduais uma atuação supletiva, somente possível na ausência de Procuradores da República suficientes à atuação em todas as zonas eleitorais dos Estados (artigos 72 e 18 a 80 da Leicomplementar n° 75/93 – Lei Orgânica do Ministério Público Federal – e artigo 121, inciso III da Leicomplementar estadual n° 734/93); Fl. 237DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 27/05/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 27/05/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10875.002688/200205 Acórdão n.º 2102001.087 S2‐C1T2 Fl. 222 5 desde 1995 (data de ingresso da RECORRENTE no Ministério Público do Estado de São Paulo), os custos adicionais pela atuação funcional perante a Justiça Eleitoral são cobertos por verbas remetidas pelo Tribunal Regional Eleitoral do Estado de São Paulo, que faz pagamento em apartado, em data diversa da data do recebimento dos vencimentos oriundos do Ministério Público; quanto às férias, que supostamente estariam englobadas nos valores brutos recebidos, conforme a declaração de rendimentos apresentada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Estado de São Paulo; que a prática reiterada da Administração (artigo 100, inciso III do Código Tributário Nacional), “acatando as declarações dos anoscalendários de 1995, 1996, 1997 e 1999, fêla crer a sua declaração do anocalendário 1998 estava correta; no ano exercício de 1998 houve até mesmo pedido de esclarecimentos exatamente pela mesma razão do pedido de 1999, tendo sido a justificativa acolhida pelo Delegado da Receita Federal de Taubaté e determinada a restituição de imposto de renda à impugnante. Já no ano de 2000, sequer houve pedido de esclarecimentos e determinouse a restituição do imposto de renda à impugnante, que foi "compensado" em razão do débito apurado no exercício do ano de 1999. Não se justifica, destarte, a imposição de penalidade à impugnante em razão de conduta lícita, assim reconhecida reiteradamente pela Administração; e, por fim, requer a não aplicação da multa de ofício. DA DECISÃO DA DRJ A DRJ, às fls. 158 a 178 dos autos, julgou procedente o lançamento, através de acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RENDIMENTOS POR TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. GRATIFICAÇÃO. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. Caracteriza infração de omissão de rendimentos a classificação como rendimentos de tributação exclusiva na fonte relacionada a rendimentos de gratificação percebida por prestação de serviço, conforme a informação da fonte pagadora na Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998 NULIDADE. Fl. 238DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 27/05/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 27/05/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10875.002688/200205 Acórdão n.º 2102001.087 S2‐C1T2 Fl. 223 6 Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de realização de diligência. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 RENDIMENTOS ISENTOS. Segundo o mandamento contido no artigo 111 da Lei n ° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN), devem ser interpretadas literalmente as normas que disponham sobre outorga de isenção. Assim, integram o rendimento tributável quaisquer outros rendimentos, que não aqueles relacionados no art. 6° da Lei n° 7.713, de 1988 PENALIDADE. MULTA DE OFÍCIO. DISPENSA. A multa aplicável no lançamento de oficio prevista na legislação tributária é de 75%, por descumprimento à obrigação principal instituída em norma legal, e somente por disposição expressa de lei a autoridade administrativa poderia deixar de aplicála. JUROS DE MORA. A cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional, após o vencimento, acrescidos de juros moratórios decorre de expressa disposição legal. Lançamento Procedente” DO RECURSO VOLUNTÁRIO A RECORRENTE, intimada em 10/11/2008 da decisão da DRJ, conforme AR de fl. 185v., apresentou recurso voluntário de fls. 187 a 207 em 09/12/2008. Em suas razões recursais, a RECORRENTE acusou que o presente lançamento decorreu de singela, formal e literal interpretação dos termos da DIRF pela fiscalização da Receita Federal do Brasil, que não observou a verdadeira natureza jurídica dos rendimentos. Ademais, reiterou o exposto em sua impugnação quanto ao regime jurídico dos promotores de justiça e sobre a inexistência de omissão de rendimentos. Neste ponto, alegou que o que ocorreu, de fato, foi a adequação dos rendimentos a sua verdadeira natureza jurídica (tributável exclusivamente na fonte, sic). Fl. 239DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 27/05/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 27/05/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10875.002688/200205 Acórdão n.º 2102001.087 S2‐C1T2 Fl. 224 7 É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. A RECORRENTE, autuada por omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, defendese afirmando, em síntese, que os valores recebidos do Tribunal Regional Eleitoral do Estado de São Paulo foram pagos a título de “diárias” e/ou “ajuda de custo” e, portanto, não seriam tributáveis. Defendeu sua tese afirmando que, por ser Promotora de Justiça, estaria impedida de acumular de cargos públicos, assim como é vedado o recebimento de honorários, percentagens ou custas processuais pelas funções desempenhadas nos processos eleitorais. Assim, por não haver a possibilidade de vínculo empregatício nem de prestação de serviços autônomos por parte dos Promotores de Justiça, argumentou que o mais correto seria reconhecerse que os rendimentos recebidos, no exercício de funções eleitorais, não se tratam de vencimentos. Alegou que a natureza jurídica da verba seria, portanto, de “diária” e/ou “ajuda de custo”. Contudo, apesar de todos os argumentos expostos, entendo que não assiste razão à RECORRENTE. Inicialmente, devese esclarecer que, nos termos do art. 6º, inciso II, da Lei nº 7.713/88, são isentas do imposto de renda as diárias destinadas, exclusivamente, ao pagamento de despesas de alimentação e pousada, por serviço eventual realizado em município diferente do da sede de trabalho. Nestes termos, de logo percebese que os rendimentos pagos pelo Tribunal Regional Eleitoral do Estado de São Paulo não se tratam de diárias, como alega a RECORRENTE. Notese que, em conformidade com o exposto pela própria RECORRENTE em sua impugnação, o art. 50, inciso VI, da Lei nº 8.625/93 (que dispõe sobre normas gerais para a organização do Ministério Público dos Estados) disciplina que membro do Ministério Público pode receber, além dos vencimentos, gratificação pela prestação de serviço à Justiça Eleitoral, verbis: “Art. 50. Além dos vencimentos, poderão ser outorgadas, a membro do Ministério Público, nos termos da lei, as seguintes vantagens: (...) VI – gratificação pela prestação de serviço à Justiça Eleitoral, equivalente àquela devida ao Magistrado ante o qual oficiar;” Fl. 240DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 27/05/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 27/05/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10875.002688/200205 Acórdão n.º 2102001.087 S2‐C1T2 Fl. 225 8 Também não se pode levantar a possibilidade de nomenclatura equivocada do dispositivo acima transcrito. É que as verbas de “diárias” possuem dispositivo próprio, qual seja, o inciso IV do citado art. 50 da Lei nº 8.625/93. Assim, não restam dúvidas de que a prestação de serviços à Justiça Eleitoral pelo Promotor de Justiça é remunerada por gratificação, e não por diárias. Ademais, conforme o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte – Ano Base: 2000 (fl. 105), utilizado a título de exemplificação, o Tribunal Regional Eleitoral do Estado de São Paulo presta a informação de que os rendimentos pagos à RECORRENTE são tributáveis. Inclusive, a própria fonte pagadora retém o imposto de renda incidente sobre os valores pagos. Válido salientar que somente são isentas ou não tributáveis as verbas previstas no art. 39 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), que não trata da gratificação recebido por servidor público em razão de acúmulo funções. Portanto, entendo que a verba recebida pela RECORRENTE, paga pelo Tribunal Regional Eleitoral do Estado de São Paulo é, de fato, tributável, estando sujeita à incidência do imposto de renda e ao ajuste anual, conforme prevê os arts. 1º, 2º, 9º, 10º e 11 da Lei nº 8.134/90, que dispõem: “Art. 1° A partir do exercício financeiro de 1991, os rendimentos e ganhos de capital percebidos por pessoas físicas residentes ou domiciliadas no Brasil serão tributados pelo Imposto de Renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta lei. Art. 2° O Imposto de Renda das pessoas físicas será devido à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, sem prejuízo do ajuste estabelecido no art. 11. (...) Art. 9° As pessoas físicas deverão apresentar anualmente declaração de rendimentos, na qual se determinará o saldo do imposto a pagar ou a restituir. Parágrafo único. A declaração, em modelo aprovado pelo Departamento da Receita Federal, deverá ser apresentada até o dia vinte e cinco do mês de abril do ano subseqüente ao da percepção dos rendimentos ou ganhos de capital. Art. 10. A base de cálculo do imposto, na declaração anual, será a diferença entre as somas dos seguintes valores: I de todos os rendimentos percebidos pelo contribuinte durante o anobase, exceto os isentos, os não tributáveis e os tributados exclusivamente na fonte; e II das deduções de que trata o art. 8° Fl. 241DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 27/05/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 27/05/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10875.002688/200205 Acórdão n.º 2102001.087 S2‐C1T2 Fl. 226 9 Art. 11. O saldo do imposto a pagar ou a restituir na declaração anual (art. 9°) será determinado com observância das seguintes normas: I será apurado o imposto progressivo mediante aplicação da tabela (art. 12) sobre a base de cálculo (art. 10); II será deduzido o valor original, excluída a correção monetária do imposto pago ou retido na fonte durante o ano base, correspondente a rendimentos incluídos na base de cálculo (art. 10);” Ainda de acordo com os dispositivos legais transcritos no parágrafo anterior, mais precisamente o art. 10º, para o cômputo da base de cálculo do imposto de renda na declaração anual, o contribuinte deve indicar todos os rendimentos percebidos pelo durante o anobase, exceto os isentos, os não tributáveis e os tributados exclusivamente na fonte (que serão indicados nos campos apropriados). Desta forma, ao declarar os valores recebidos do Tribunal Regional Eleitoral do Estado de São Paulo sob a rubrica “rendimentos sujeitos à tributação exclusiva”, a RECORRENTE praticou, de fato, a infração de omissão de rendimento, visto que as verbas tributadas exclusivamente na fonte não entram no cômputo da base de cálculo do imposto de renda. Importante salientar que a função deste Conselho é julgar a aplicação da lei tributária por parte a autoridade lançadora, conforme art. 1º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Portaria do Ministro da Fazenda nº 256, de 22/06/2006), verbis: “Artigo 1º O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, tem por finalidade julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.” A Administração Pública deve pautar seus atos de acordo com o mandamento do art. 37 da Constituição Federal de 1988, sendo inafastáveis, dentre outros, o princípio da legalidade. Assim, não há como negar que a autoridade lançadora agiu corretamente ao lavrar o presente auto de infração, uma vez que, ao confrontar as informações expostas pela RECORRENTE em sua declaração de ajuste com os dados constantes em DIRF apresentada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Estado de São Paulo, foi constatada omissão de rendimentos, o que autorizou o lançamento do imposto de renda, com base no art. 149, inciso V, c/c art. 150, todos do CTN, que dispõem o seguinte: “Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) Fl. 242DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 27/05/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 27/05/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10875.002688/200205 Acórdão n.º 2102001.087 S2‐C1T2 Fl. 227 10 V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte;” “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa.” Mesmo após defesa da RECORRENTE, verificase que todas as provas existentes nos autos convergem para o fato de que houve, de fato, omissão dos rendimentos por parte da RECORRENTE. Portanto, no caso, a autoridade fiscal estava obrigada a efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do art. 142 do CTN. Da classificação dos rendimentos: Devese esclarecer, também, que a RECORRENTE em nenhum momento nega o fato de que recebeu as verbas do Tribunal Regional Eleitoral do Estado de São Paulo. As razões da RECORRENTE giram em torno da natureza jurídica de tais verbas, as quais entendeu serem isentas, apesar de o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte classificálas como tributáveis. Ora, se pairavam dúvidas quanto à natureza dos rendimentos, a RECORRENTE deveria instaurar processo de consulta (arts. 46, 47 e 48 do Decreto nº 70.235/72) perante a Receita Federal para saber em que campo da declaração de ajuste deveria informar os rendimentos recebidos do Tribunal Regional Eleitoral do Estado de São Paulo, e não agir com liberalidade na escolha da natureza jurídica do rendimento. Tais rendimentos foram declarados em DIRF como tributáveis. Assim, obviamente, cedo ou tarde, o Fisco verificaria – como de fato verificou – a inconsistência das informações prestadas pela RECORRENTE: Da aplicação da multa e dos juros moratórios A RECORRENTE argumenta que desde o anocalendário 1995 declara os rendimentos pagos pelo Tribunal Regional Eleitoral do Estado de São Paulo sob a rubrica “rendimentos sujeitos à tributação exclusiva”, e tal posicionamento vem sendo aceito pela Receita Federal. Desta forma, pleiteia o afastamento da multa, dos juros de mora e da atualização monetária com base no art. 100, inciso III, c/c parágrafo único, do CTN, visto que restou caracterizada a prática reiterada da autoridade administrativa. Entendo que são insubsistentes as alegações da RECORRENTE. O dispositivo legal citado diz respeito às práticas reiteradamente observadas pela autoridade administrativa. Como disciplina HUGO DE BRITO MACHADO, as práticas reiteradas da administração, na forma do art. 100 do CTN, “representam uma posição Fl. 243DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 27/05/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 27/05/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10875.002688/200205 Acórdão n.º 2102001.087 S2‐C1T2 Fl. 228 11 sedimentada do Fisco na aplicação da legislação tributária e devem ser acatadas como boa interpretação da lei. Se as autoridades fiscais interpretam a lei em determinado sentido, e assim a aplicam reiteradamente, essa prática constitui norma complementar da lei.”1. Portanto, a falta de autuação (contra a RECORRENTE) em exercícios anteriores não pode ser interpretada como prática reiterada da autoridade administrativa. Desta forma, deve ser mantida a multa de ofício lançada, bem como os juros aplicados. Sobre a alegação da RECORRENTE de que não praticou conduta dolosa, entendo que as mesmas também são insubsistentes. Importante esclarecer que, caso fosse constatado o dolo da RECORRENTE, a multa seria duplicada (qualificada), nos termos do § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;” (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” Esclareçase que, quanto à aplicação da taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC, também entendo que é legal a incidência, nos exatos termos da Súmula 04 deste CARF: “SÚMULA CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Em razão do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo o lançamento em sua integralidade. Assinado digitalmente Carlos André Rodrigues Pereira Lima 1 MACHADO, Hugo de Brito, Comentários o Código Tributário Nacional, Vol, II, Ed. Atlas São Paulo, 2004, p. 93 Fl. 244DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 27/05/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 27/05/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10875.002688/200205 Acórdão n.º 2102001.087 S2‐C1T2 Fl. 229 12 Fl. 245DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 27/05/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 27/05/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 18050.000021/2007-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL.
Reputa-se não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado.
DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN.
Assim, tratando-se de descumprimento de obrigação acessória, aplica-se o disposto no artigo 173, I.
DA MULTA APLICADA. INEXISTÊNCIA DE BIS IN IDEM.
Sendo as multas aplicadas ao contribuinte decorrentes de descumprimento de obrigações acessórias diversas, não se verificando a incidência simultânea de mais de uma penalidade, não há que se falar em bis in idem.
CONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS LEGAIS. Não cabe à
instância administrativa decidir questões relativas à constitucionalidade de dispositivos legais, competência exclusiva do Poder Judiciário.
NÃO DECLARAÇÃO EM GFIP DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APLICAÇÃO DE PENALIDADE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE.
A apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das Contribuições Previdenciárias, constituía, à época da infração, violação ao art. 32, IV, §5º da Lei 8.212/91.
A penalidade prevista no art. 32-A, inciso I, da Lei 8.212/91 pode retroagir para beneficiar o contribuinte.
Numero da decisão: 2301-002.153
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do cálculo da multa, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, os fatos ocorridos até a competência 12/2000, anteriores a 01/2001, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em dar provimento parcial ao Recurso, pela aplicação da regar expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32-A,
da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros
Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da
Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Reputa-se não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, tratando-se de descumprimento de obrigação acessória, aplica-se o disposto no artigo 173, I. DA MULTA APLICADA. INEXISTÊNCIA DE BIS IN IDEM. Sendo as multas aplicadas ao contribuinte decorrentes de descumprimento de obrigações acessórias diversas, não se verificando a incidência simultânea de mais de uma penalidade, não há que se falar em bis in idem. CONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS LEGAIS. Não cabe à instância administrativa decidir questões relativas à constitucionalidade de dispositivos legais, competência exclusiva do Poder Judiciário. NÃO DECLARAÇÃO EM GFIP DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APLICAÇÃO DE PENALIDADE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. A apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das Contribuições Previdenciárias, constituía, à época da infração, violação ao art. 32, IV, §5º da Lei 8.212/91. A penalidade prevista no art. 32-A, inciso I, da Lei 8.212/91 pode retroagir para beneficiar o contribuinte.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do cálculo da multa, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, os fatos ocorridos até a competência 12/2000, anteriores a 01/2001, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em dar provimento parcial ao Recurso, pela aplicação da regar expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32-A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
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Recorrente TÉRMICA AR CONDICIONADA LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Reputase não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, tratandose de descumprimento de obrigação acessória, aplicase o disposto no artigo 173, I. DA MULTA APLICADA. INEXISTÊNCIA DE BIS IN IDEM. Sendo as multas aplicadas ao contribuinte decorrentes de descumprimento de obrigações acessórias diversas, não se verificando a incidência simultânea de mais de uma penalidade, não há que se falar em bis in idem. CONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS LEGAIS. Não cabe à instância administrativa decidir questões relativas à constitucionalidade de dispositivos legais, competência exclusiva do Poder Judiciário. NÃO DECLARAÇÃO EM GFIP DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APLICAÇÃO DE Fl. 1DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 18050.000021/200780 Acórdão n.º 230102.153 S2C3T1 Fl. 121 2 PENALIDADE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. A apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das Contribuições Previdenciárias, constituía, à época da infração, violação ao art. 32, IV, §5º da Lei 8.212/91. A penalidade prevista no art. 32A, inciso I, da Lei 8.212/91 pode retroagir para beneficiar o contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do cálculo da multa, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, os fatos ocorridos até a competência 12/2000, anteriores a 01/2001, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em dar provimento parcial ao Recurso, pela aplicação da regar expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente. Leonardo Henrique Pires Lopes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Mauro Jose Silva, Adriano Gonzales Silverio, Bernadete de Oliveira Barros, Damiao Cordeiro de Moraes e Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 27/07/2006, em desfavor de TÉRMICA AR CONDICIONADO LTDA ME, sob o fundamento de que a empresa em mote apresentou as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, infringindo, desta forma, o disposto no art. 32, inciso IV, § 5° da Lei n° 8.212/91. Ademais, de acordo com o Relatório Fiscal de fl. 04, o contribuinte deixou de declarar o valor devido à Previdência Social e o valor da contribuição descontada dos segurados, referente ao 13° salário, nas competências 12/2003 e 12/2004. Além disso, nas Fl. 2DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 18050.000021/200780 Acórdão n.º 230102.153 S2C3T1 Fl. 122 3 competências compreendidas entre 01/1999 a 12/2005, não foram declaradas as remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais, conforme se pode observar dos seguintes levantamentos: ALI: remuneração referente à parcela recebida sob a forma de utilidade alimentação, fornecida pela empresa, não inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador — PAT; FRE: remunerações pagas a segurados contribuintes individuais na função de transportador contribuinte individual; PFG: remunerações pagas a contribuintes individuais, a titulo de prólabore, honorários advocatícios, serviços de manutenção, instalação e supervisão, e o valor devido à Previdência Social, bem como o desconto dos segurados, referente ao décimo terceiro salário de 2003 e 2004. Outrossim, consoante o Relatório Fiscal da Multa Aplicada (fl. 05), no que tange à multa, esta fora calculada com base no art. 32, inciso IV, § 5° da Lei 8.212/91, cumulado com o art. 284, inciso II, do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, totalizando o montante de R$ 138.554,56 (cento e trinta e oito mil, quinhentos e cinquenta e quatro reais e cinquenta e seis centavos). Inconformada, a ora Recorrente apresentou Impugnação de fls. 79/82, tendo a decisão de fls. 93/97 julgado procedente a autuação, conforme se pode observar da ementa a seguir transcrita: PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Constitui infração punível com multa deixar a empresa de declarar em GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. AUTUAÇÃO PROCEDENTE Irresignada, a empresa interpôs Recurso Voluntário tempestivo de fls. 103/112, alegando, em síntese: a) Que a multa deveria ser considerada nula, tendo em vista que já lhe foram aplicadas tantas outras, sendo estas, conseqüência da mesma ação tomada pela fiscalização, podendo acarretar bis in idem; b) Que a nulidade da multa seja considerada com base na decadência de 5 (cinco) anos, a qual está prevista no art. 173, I, do Código Tributário Nacional, vez que o descumprimento das obrigações acessórias, que culminou na sanção ora discutida, se deu, em grande parte, fora do prazo decadencial; c) Que seja reconhecido o caráter confiscatório deste valor exorbitante, limitandoo ao percentual de 30% (trinta por cento) do valor base da obrigação principal. Vieram os autos a este Conselho por meio de Recurso Voluntário. Sem Contrarazões. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 18050.000021/200780 Acórdão n.º 230102.153 S2C3T1 Fl. 123 4 É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso e passo ao seu exame. Do Mérito Preclusão sobre matérias não impugnadas O presente Auto de Infração fora lavrado por ter a empresa apresentado as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, infringindo, desta forma, o disposto no art. 32, inciso IV, § 5° da Lei n° 8.212/91. Nas razões recursais ora em apreço, a Recorrente sequer se defendeu quanto ao mérito da questão acima exposto, já que em nenhum momento afirma que os valores apontados pela fiscalização não correspondem a fatos geradores de contribuições previdenciárias, ou seja, apresentou uma defesa genérica, não se desincumbindo do ônus da prova em contrário do afirmado pela fiscalização. Pois bem. A despeito de tal discussão, imperioso trazer a baila o que preconiza o art. 9º, §6º da Portaria nº 520, de 19 de maio de 2004, in verbis: Art. 9º A impugnação mencionará: (...) § 6º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Desta feita, concluise, do acima exposto, que reputase impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. Notase, portanto, que houve a preclusão processual, uma vez que não houve insurgência da Recorrente quanto a pretensão externada no lançamento. Ademais, a despeito de tal instituto, importante citar os ensinamentos de Fredie Didier Júnior, in verbis: Fl. 4DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 18050.000021/200780 Acórdão n.º 230102.153 S2C3T1 Fl. 124 5 “Entendese que a preclusão está intimamente relacionada com o ônus, que, como se sabe, é situação jurídica consistente em um encargo do direito. A parte detentora de ônus deverá praticar ato processual em seu próprio benefício, no prazo legal, e de forma correta: se não o fizer, possivelmente este comportamento poderá acarretar conseqüências danosas para ela. (...) a preclusão decorre do não atendimento de um ônus, com a prática de atofato caducificante ou ato jurídico impeditivo, ambos lícitos, conformes com o direito. Com isso, entendo que, no caso em apreço, ocorreu a preclusão consumativa, que é a extinção da faculdade de praticar um determinado ato processual em virtude de já haver ocorrido a oportunidade para tanto, ficando, portanto, o julgador impossibilitado de analisar a questão de mérito, posto que não contestada pela Recorrente. Da Decadência Tendo sido argüida, em via recursal, a decadência dos débitos compreendidos no presente lançamento, constatase que parcela deles foi atingida pelo inegável decurso do prazo decadencial previsto em lei para a cobrança de valores relativos às contribuições previdenciárias. No caso em apreço, quando da autuação, o prazo de decadência de que gozava o INSS para constituir seus créditos era de 10 (dez) anos, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 45 da Lei 8.212/1991. Pois bem. O AI em apreço fora cientificado ao contribuinte em 27/07/2006, abrangendo as competências de 01/1999 a 12/2005. Logo, encontramse decaídos os períodos de 01/1999 a 12/2000, porquanto este último poderia ter sido lançado a partir de 01/2001, findandose o prazo decadencial em 12/2005, pois nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 18050.000021/200780 Acórdão n.º 230102.153 S2C3T1 Fl. 125 6 Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Temos que a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Assim, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplica ao caso concreto. No caso em apreço, a Recorrente descumpriu obrigação acessória, não havendo que se falar na aplicação do art. 150, § 4º do CTN, mas sim no seu art. 173, I, que dispõe: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 6DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 18050.000021/200780 Acórdão n.º 230102.153 S2C3T1 Fl. 126 7 Deste modo, considerando que o crédito previdenciário foi constituído em 27/07/2006, e que a autuação abrange fatos geradores ocorridos no período de 01/1999 a 12/2005, tenho como certo que estão decaídas as competências de 01/1999 a 12/2000, isto é, anteriores a janeiro/2001. Da multa aplicada A ora Recorrente insurgese contra a multa aplicada, sob a alegação de que a Previdência está pretendendo cobrar várias multas sobre um mesmo fato, considerando os autos de infração já lavrados na mesma ação fiscal, e que por esta conduta estaria acarretando em bis in idem. Porém, tal alegação não merece guarida. Vejamos. Cumpre esclarecer que cada uma das autuações referese ao descumprimento de uma determinada obrigação acessória, como bem explicita o próprio recurso voluntário à fl. 105. Essas obrigações acessórias apontadas como violadas, por sua vez, estão previstas em dispositivos divergentes da legislação previdenciária. Assim, verificase que, sendo os fatos ensejadores de aplicação da multa distintos entre si, as multas que lhe são aplicadas também decorrem de fatos diversos. Bis in idem haveria se sobre um mesmo fato, no caso dos autos a omissão de fatos geradores em GFIP, houve a aplicação de mais de uma penalidade, o que não se dá. Da multa confiscatória Preliminarmente a analise do mérito, impende ratificar a posição externada pela decisão ora recorrida no que pese a não poderem ser apreciadas, por este Conselho Administrativo, questões relativas à constitucionalidade de dispositivos legais, cuja competência é exclusiva do Poder Judiciário. No Capítulo III do Título IV, especificamente no que trata do controle da constitucionalidade das normas, observase que o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Permitir que órgãos colegiados administrativos reconhecessem a constitucionalidade de normas jurídicas seria infringir o disposto na própria Constituição Federal, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer, ela própria, de vício de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder. O professor Hugo de Brito Machado in “Mandado de Segurança em Matéria Tributária”, Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: “A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerála inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional.” Fl. 7DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 18050.000021/200780 Acórdão n.º 230102.153 S2C3T1 Fl. 127 8 Como da decisão administrativa não cabe recurso obrigatório ao Poder Judiciário, em se permitindo a declaração de inconstitucionalidade de lei pelos órgãos administrativos judicantes, as decisões que assim a proferissem não estariam sujeitas ao crivo do Supremo Tribunal Federal que é a quem compete, em grau de definitividade, a guarda da Constituição. Poderseia, nestes casos, ter a absurda hipótese de o tribunal administrativo declarar determinada norma inconstitucional e o Judiciário, em manifestação do seu órgão máximo, pronunciarse em sentido inverso. Por essa razão é que através de seu Regimento Interno e Súmula, os Conselhos de Contribuintes se autoimpuseram com regra proibitiva nesse sentido: Portaria MF n° 147, de 25/06/2007 (que aprovou o Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes): Art. 49. No julgamento de recurso voluntário ou de ofício, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula 02 do Segundo Conselho de Contribuintes, publicada no DOU de 26/09/2007: “O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária.” Neste diapasão deve ser afastada qualquer alegação no tocante ao percentual da multa aplicado, pois afastála equivaleria a reconhecer a inconstitucionalidade da norma, o que é vedado a este Conselho. Da aplicação de penalidade mais benéfica No tocante à multa, esta foi aplicada com perfeição à época, ou seja, equivalente a 100% da contribuição devida e não declarada, legalmente embasada no art. 32, § 5º da Lei 8.212/91. No entanto, com o advento da Lei 11.941/09, o parágrafo 5º acima suscitado fora revogado em sua totalidade, passando a regular a matéria o disposto em seu art. 32A, inciso I, in verbis: "Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo.” Fl. 8DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 18050.000021/200780 Acórdão n.º 230102.153 S2C3T1 Fl. 128 9 Nesse aspecto, o Código Tributário Nacional, em seu at. 106, alínea “c”, afirma expressamente que a Lei nova deverá retroagir quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na Lei vigente anterior, verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Corroborando com entendimento suso aludido, segue abaixo o entendimento dos Tribunais Superiores Pátrios acerca da questão, literris: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL MULTA RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENÉFICA ART. 106, II, "C", DO CTN 1 A posterior alteração do valor da multa aplicada à cobrança de tributos, mais benéfica ao contribuinte, deve retroagir. Aplicação do art. 106, II, "c", do CTN. Precedentes do STJ. 2 Agravo Regimental não provido. (STJ AgRgREsp 922.984 (2007/00234572) 2ª T. Rel. Min. Herman Benjamin DJe 11.03.2009 p. 309) *** TRIBUTÁRIO MULTA ART. 61, DA LEI Nº 9.430/96 PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE DA LEX MITIOR 1 A ratio essendi do art. 106 do CTN implica que as multas aplicadas por infrações administrativas tributárias devem seguir o princípio da retroatividade da legislação mais benéfica vigente no momento da execução, pelo que, independendemente de o fato gerador do tributo tenha ocorrido em data anterior a vigência da norma sancionatória. 2 A Lei que determina a multa pelo não recolhimento do tributo deve ser menor do que a anteriormente aplicada, a novel disposição beneficia as empresas atingidas e por isso deve ter aplicação imediata, vedandose, conferir à Lei uma interpretação tão literal que conflite com as normas gerais, obstando a salutar retroatividade da Lei mais benéfica. (Lex Mitior). 3 In casu, não se revela obstada a aplicação do art. 61, da Lei nº 9.430/96, se o fato gerador decorrente da multa tenha ocorrido em período anterior à 01.01.1997, pelo que, ante o disposto no art. 106, inc. II, letra "c", em se tratando de norma punitiva, aplicase a legislação vigente no momento da infração. 4 O Código Tributário Nacional, ao não distinguir os casos de aplicabilidade da Lei mais benéfica ao contribuinte, afasta a interpretação literal do art. 61, da Lei nº 9.430/96, que determina a redução do percentual alusivo à multa incidente pelo não recolhimento do tributo, no caso, de 30% para 20%, por ter status de Lei Complementar,. 5 A redução da multa aplicase aos fatos futuros e pretéritos por força do princípio da retroatividade da lex mitior consagrado no art. 106 do CTN. 6 Agravo regimental desprovido. (STJ AgRgAI 902.697 (2007/01371341) Rel. Min. Luiz Fux DJe 19.06.2008 p. 153) *** Fl. 9DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 18050.000021/200780 Acórdão n.º 230102.153 S2C3T1 Fl. 129 10 TRIBUTÁRIO PROCESSUAL CIVIL EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL REDUÇÃO DA MULTA FISCAL ART. 35 DA LEI 8.212/91 E ART. 106, II, C, DO CTN APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA AO DEVEDOR ACÓRDÃO CONTRADIÇÃO INEXISTÊNCIA CDA REQUISITOS APRECIAÇÃO SÚMULA 7/STJ 1 Inexiste contradição em acórdão que fixa o entendimento pela necessidade de pagamento para que ocorresse a retroatividade benigna em favor do contribuinte quando a fundamentação do aresto segue no mesmo diapasão. 2 Inviável na sede extraordinária perquirir a presença dos requisitos formais de validade de certidão de dívida ativa, ainda mais quando já declarada válida pela instância ordinária. Inteligência da Súmula 7/STJ. 3 Ainda não definitivamente julgado o feito, o devedor tem direito à redução da multa, nos termos do art. 35 da Lei 8.212/91, com a nova redação dada pela Lei 9.528/97. 4 No confronto entre duas normas, aplicase a regra do art. 106, II "c" do CTN, por ser a dívida previdenciária de natureza tributária. 5 Recurso especial parcialmente provido. (STJ REsp 1.053.735 (2008/00952390) 2ª T. Relª Eliana Calmon DJe 26.11.2008 p. 1032) *** PROCESSUAL CIVIL EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL REDUÇÃO DA MULTA APLICAÇÃO DO ART. 106, II, "C", DO CTN RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENÉFICA 1 "É plenamente aplicável lei superveniente que preveja a redução de multa moratória dos débitos tributários. Aplicação do art. 106, II, "c", do Código Tributário Nacional." (REsp 624.536/RS, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 13.02.2007, DJ 06.03.2007 p. 248). 2 Recurso Especial não provido. (STJ REsp 628.077 (2004/00130990) 2ª T. Rel. Min. Herman Benjamin DJe 17.10.2008 p. 637) Notase, portanto, que de acordo com as jurisprudências colacionadas, é pacífico o entendimento da aplicação da penalidade da Lei mais benéfica a fatos pretéritos. Portanto, no meu entendimento, caso se constate no recálculo da multa com a observância no disposto no art. 32A, inciso I, da lei n. 8.212/91, na redação dada pela Lei n. 11.941/09, que o novo valor da penalidade aplicada é mais benéfico ao contribuinte, não há como se ignorar o disposto no art. 106, II, “c”, do CTN, privando a empresa do benefício legal. Da Conclusão Em virtude do exposto, conheço do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, apenas para afastar as contribuições previdenciárias cujos fatos geradores tenham ocorrido até 12/2000, isto é, anteriores a 01/2001, bem como para que seja aplicada a multa do art. 32A da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, se esta lhe for mais benéfica. É como voto. Sala das Sessões, em 8 de junho de 2011 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 10DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 18050.000021/200780 Acórdão n.º 230102.153 S2C3T1 Fl. 130 11 Fl. 11DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 14/10/2011 por MARCELO OLIVEIR A
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