Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,885)
- Primeira Turma Ordinária (16,419)
- Primeira Turma Ordinária (16,225)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,513)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,488)
- Quarta Câmara (85,202)
- Terceira Câmara (67,872)
- Segunda Câmara (56,642)
- Primeira Câmara (20,751)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,714)
- Segunda Seção de Julgamen (115,210)
- Primeira Seção de Julgame (77,082)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,551)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,905)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,930)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,801)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,615)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,690)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 11128.002084/99-82
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II
Data do fato gerador: 28/05/1998
RECURSO ESPECIAL. ACÓRDÃO PARADIGMA REFORMADO PELA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece do recurso especial de divergência, se o acórdão paradigma em que se ampara já fora reformado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais.
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-001.515
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso especial, por falta de divergência.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - classificação de mercadorias
Nome do relator: Susy Gomes Hoffmann
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : II/IE/IPIV - ação fiscal - classificação de mercadorias
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201106
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 28/05/1998 RECURSO ESPECIAL. ACÓRDÃO PARADIGMA REFORMADO PELA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do recurso especial de divergência, se o acórdão paradigma em que se ampara já fora reformado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 11128.002084/99-82
anomes_publicacao_s : 201106
conteudo_id_s : 4791720
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 9303-001.515
nome_arquivo_s : 930301515_111280020849982_201106.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : Susy Gomes Hoffmann
nome_arquivo_pdf_s : 111280020849982_4791720.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, por falta de divergência.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2011
id : 4746655
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:43:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044233107013632
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1625; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 392 1 391 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11128.002084/9982 Recurso nº 330.111 Especial do Procurador Acórdão nº 930301.515 – 3ª Turma Sessão de 01 de junho de 2011 Matéria II CLASSIFICAÇÃO FISCAL Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ELI LILLY DO BRASIL LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 28/05/1998 RECURSO ESPECIAL. ACÓRDÃO PARADIGMA REFORMADO PELA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do recurso especial de divergência, se o acórdão paradigma em que se ampara já fora reformado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, por falta de divergência. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Susy Gomes Hoffmann Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Marcos Tranchesi Ortiz, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martìnez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11128.002084/9982 Acórdão n.º 930301.515 CSRFT3 Fl. 393 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Lavrouse auto de infração contra o contribuinte, tendo em vista a apuração de duas infrações na importação de produto do exterior: declaração inexata e importação ao desamparo de guia de importação. Expõese, na Descrição dos Fatos e Fundamentos Legais, do Auto de Infração: DECLARAÇÃO O importador submeteu a despacho de importação a mercadoria descrita na adição única da D.I. n° 98/05115089, como sendo ‘UM OUTRO MEDICAMENTO E SEUS SAIS’, nome comercial GRANULATED TYLOSIN CONCENTRATE QA 188G, classificação tarifária NBM/NCM 2941.90.59, alíquotas ad valorem 5% de II e 0% de IPI. Quando do desembaraço em canal vermelho, no sistema SISCOMEX, o AFTN solicitou exame laboratorial e liberou mercadoria mediante assinatura de “Termo de Responsabilidade” (IN 14/85). Durante Ato de Revisão Aduaneira foi analisado o Laudo LABANA n. 1274/98, referente ao pedido de exame 153/142, e constatouse tratarse a mercadoria de ‘Preparação medicamentosa constituída de fosfato de tilosina, amido e partes de plantas pulverizadas, na forma de grânulos, acondicionada em embalagens para a venda a retalho, um medicamento contendo outro macrolídeo, um outro antibiótico, não se tratando somente de fosfato de tilosina...’ Utilizando a 1. Regra das ‘Regras Gerais de Interpretação do Sistema HarmonizadoSH’ e ‘Notas explicativas ao Sistema HarmonizadoNESH” desclassifico a mercadoria da posição fiscal declarada, classificandoa a na NCM 3004.20.29, com alíquotas advalorem de 11% de II e 0% de IPI." O contribuinte apresentou impugnação às fls. 29/40 dos autos. O laudo LABANA está presente às fls. 129/135 dos autos. A DRJ (fls. 154/167) julgou parcialmente procedente o lançamento, nos termos da seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 28/05/1998 Ementa: CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. PENALIDADES. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11128.002084/9982 Acórdão n.º 930301.515 CSRFT3 Fl. 394 3 Mercadoria identificada como “Preparação constituída de Fosfato de Tilosina (Substância Medicamentosa com ação antibiótica) e excipientes (Partes de plantas pulverizadas e amido), que será administrada aos animais por via oral, especificamente elaborada para ser adicionada na alimentação de animais, com fins profiláticos e/ou terapêuticos, pelas fábricas de rações”, conforme Informação Técnica do LABANA, não se classifica no código NCM 3004.20.29. Multa de ofício prejudicada pela inexistência de diferença de tributo a recolher. Multa do controle administrativo das importações, capitulada no art. 526, inciso II do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 91.030/85, cabível, por falta de licença de importação para a mercadoria efetivamente adquirida. Lançamento Procedente em Parte”. O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 184/201). A antiga Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes deu provimento ao recurso do contribuinte. Eis a ementa do julgado: CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. Descabe a aplicação da multa prevista no art. 526, II, do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Dec. 91.030/85, onde houve a regular expedição de Licença de Importação para a mercadoria em causa. Recurso Voluntário Provido. A Procuradoria da Fazenda Nacional, então, interpôs o presente recurso especial de divergência (fls. 325/332). Suscitou o Parecer CST n° 477, de 26 de abril de 1988, que determina que a “especificação ou descrição da mercadoria deverá ser a mais completa possível, de modo a permitir, não só o seu correto enquadramento tarifário, como também, sua perfeita identificação por ocasião da conferência física”. Especificamente em relação aos produtos químicos, o parecer dispõe no seguinte sentido: “Tornamse indispensáveis, conforme o caso, além do nome científico/comercial do produto, outros dados, tais como, tipo, constituição, preparação, cor, peso, teor, estado, apresentação, acondicionamento, aplicação, utilização e destinação”. Ainda que: “submetido a exame laboratorial, há que se considerar o produto corretamente declarado pelo importador, quando todos os dados indicadores, necessários à sua identificação e classificação tarifária, constarem da DI e forem confirmados no laudo técnico”. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11128.002084/9982 Acórdão n.º 930301.515 CSRFT3 Fl. 395 4 Diante disso, alegou que o contribuinte incorreu na descrição inexata do produto (artigo 526, inciso II, RA), porque solicitou a licença para importar “Fosfato de Tilosina”, omitindo, na respectiva descrição, a existência de amido e partes de plantas pulverizadas, conforme análise laboratorial. O contribuinte apresentou contrarazões às fls. 368/380. Preliminarmente, alegou que a recorrente não demonstrou, analítica e fundamentadamente, a divergência jurisprudencial suscitada. Segundo o contribuinte: “Ora, o único ponto que supostamente poderia ser aproveitado quanto ao caso concreto, seria aquele em que o acórdão paradigma define serem ‘cabíveis as penalidades aplicadas quando forem inexatas as declarações do importador, no que se refere à identificação do produto’. Se assim é, não há que se falar no caso em divergência quanto à interpretação da lei tributária, uma vez que o v. acórdão recorrido na realidade parte da mesma interpretação dada à lei pelo suposto acórdão paradigma, cancelando a multa aplicada porque no caso concreto reconhece expressamente que a caracterização do produto importado foi exata, já que ‘além da denominação comercial, foram fornecidos ainda vários outros elementos identificadores, que mais detalhadamente caracterizavam o produto importado”. Por outro lado, discorreu no sentido da impossibilidade de reanálise de matéria fática em sede de recurso especial. No mérito, sustentou a inaplicabilidade do artigo 526, inciso II, por falta de tipicidade. É o Relatório. Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso especial é tempestivo. Não preenche, contudo, os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que a divergência jurisprudencial suscitada não se caracterizou. Com efeito, o acórdão paradigma apresentado pela recorrente já foi reformado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Eis a ementa do acórdão n° 0303.298: ADUANEIRO. CLASSIFICAÇÃO. Cloreto de 2acetiltiofeno é um sal de tiofeno que não se identifica com este. Não havendo no item da subposição NBN/SH Fl. 4DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11128.002084/9982 Acórdão n.º 930301.515 CSRFT3 Fl. 396 5 2934.90 correspondente ao tiofeno (2934.90.0200) desdobramento para o alcançar o seu sal, a classificação do cloreto de 2acetiltiofeno é deslocado para 2934.90.9900 da mesma NBMSH, em vigor da data do registro das importações, na conformidade das Regras Gerais de Interpretação da Nomenclatura. Desprovido o recurso de divergência do contribuinte. O Regimento Interno do CARF dispõe, em seu artigo 67, §10, que: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 10. O acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma específica do paradigma indicado. Dispunha, o Regimento Interno da CSRF, que: Art. 15. O recurso especial, do Procurador da Fazenda Nacional ou do sujeito passivo, deverá ser formalizado em petição dirigida ao Presidente da Câmara que houver prolatado a decisão recorrida, no prazo de quinze dias contados da data da ciência da decisão. § 5º Não servirá de paradigma para a interposição do recurso de que trata o inciso II do art. 7º deste Regimento o acórdão que já tenha sido reformado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Desta forma, não conheço do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Susy Gomes Hoffmann Fl. 5DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 10830.003473/2008-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2006
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Podem ser deduzidos como despesas médicas os valores pagos pelo
contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços prestados ou dos correspondentes pagamentos.
Na hipótese, o contribuinte não logrou comprovar o efetivo pagamento de todas as despesas médicas deduzidas.
Numero da decisão: 2101-001.363
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao Recurso Voluntário, para o fim de restabelecer as deduções feitas a título de despesas médicas no valor de R$ 12.000,00.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201112
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Podem ser deduzidos como despesas médicas os valores pagos pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços prestados ou dos correspondentes pagamentos. Na hipótese, o contribuinte não logrou comprovar o efetivo pagamento de todas as despesas médicas deduzidas.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10830.003473/2008-13
anomes_publicacao_s : 201112
conteudo_id_s : 4878241
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 17 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2101-001.363
nome_arquivo_s : 210101363_10830003473200813_201112.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
nome_arquivo_pdf_s : 10830003473200813_4878241.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para o fim de restabelecer as deduções feitas a título de despesas médicas no valor de R$ 12.000,00.
dt_sessao_tdt : Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
id : 4748508
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:44:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044233152102400
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1825; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 189 1 188 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.003473/200813 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2101001.363 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 01 de dezembro de 2011 Matéria IRPF Imposto sobre a Renda de Pessoa Física Recorrente Cesar Adriano do Amaral Sampaio Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Podem ser deduzidos como despesas médicas os valores pagos pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços prestados ou dos correspondentes pagamentos. Na hipótese, o contribuinte não logrou comprovar o efetivo pagamento de todas as despesas médicas deduzidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para o fim de restabelecer as deduções feitas a título de despesas médicas no valor de R$ 12.000,00. (assinado digitalmente) _______________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) __________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos,Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage. Relatório Em desfavor do contribuinte CESAR ADRIANO DO AMARAL SAMPAIO foi emitido o Auto de Infração às fls. 7, na qual foi apurado o imposto sobre a renda de pessoa física (IRPF) correspondente ao anocalendário de 2005 (exercício 2006), no valor total de R$ 14.762,30 (quatorze mil, setecentos e sessenta e dois reais e trinta centavos), acrescido de multa de lançamento de oficio e de juros de mora, calculados até 31/03/2008, perfazendo um crédito tributário total de R$ 29.233,77 (vinte e nove mil, duzentos e trinta e três reais e setenta e sete centavos). As infrações apontadas encontramse relatadas na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal às fls. 8. A Fiscalização alega ter havido: 1) Dedução indevida de incentivo, no valor de R$ 200,00; 2) Dedução indevida de despesas médicas no valor de R$ 52.953,82, correspondente aos seguintes profissionais/entidades: a) Mario Rubens Barbabe; b) Unimed Campinas; c) Gessiara Lucia Furtado; d) Ana Lucia Hortelan S. Lembo; e) Critiane Ap. Soster Lopes e f) Sabrina Câmara Gutierrez Ruman. São as razões da Fiscalização: a) os documentos apresentados, emitidos por Mario Rubens Barbabe referem se à manutenção de aparelho de Ana Lucia, pessoa não relacionada como Dependente na DIRPF/2006 do contribuinte; b) 50% dos valores pagos a Unimed Campinas referemse às mensalidades em nome de Ana Lucia R. Sampaio, pessoa não relacionada como dependente na DIRPF/2006 do contribuinte. c) regularmente intimado, o contribuinte não logrou êxito em comprovar o efetivo pagamento das despesas médicas referentes aos profissionais Gessiara Lucia Furtado, Ana Lucia Hortelan S. Lembo, Critiane Ap. Soster Lopes e Sabrina Câmara Gutierrez Ruman. d) da análise das informações constantes nos extratos bancários e nas planilhas apresentadas verificouse que os saques assinalados não foram efetuados em datas e Fl. 212DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 10830.003473/200813 Acórdão n.º 2101001.363 S2C1T1 Fl. 190 3 valores compatíveis para comprovar o pagamento dos valores expressos nos recibos apresentados. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou Impugnação parcial, em 17 de agosto de 2009 (fls. 110 a 118). O Interessado concorda com as glosas dos itens 1 e 2 de fls. 08verso (despesas médicas declaradas com Mario Rubens Barbabe e Unimed Campinas) e impugna as glosas do item 3 (despesas médicas declaradas com Gessiara Lucia Furtado, Ana Lucia Hortelan S. Lembo, Critiane Ap. Soster Lopes e Sabrina Câmara Gutierrez Ruman), que totalizam R$ 50.550,00, não se manifestando quanto à glosa da dedução de incentivo (R$ 200,00). Apesar de, às fls. 153, constar haver um valor total impugnado de R$ 50.500,00, se fizermos o somatório dos valores correspondentes às despesas declaradas com os profissionais acima indicados (fls. 18verso), chegaremos a um total de R$ 50.550,00, que é o que passaremos a considerar. As alegações do contribuinte, na Impugnação foram assim sintetizadas pelo órgão julgador de primeira instância: “1) esclareceu à fiscalização que saldou suas despesas médicas ora em dinheiro, ora em cheque e que os pagamentos não coincidem unitariamente com o valor dos recibos porque foram feitos periodicamente, nas consultas ou em outras datas. Não sabia, à época, ser este procedimento considerado incorreto pelo fisco, pois entendia que os recibos, desde que preenchidos os requisitos legais, bastariam para comprovar o pagamento; 2) sempre teve claro que os pagamentos efetuados deveriam ser comprovados mediante prova documental, a qual consistia em manter a guarda dos recibos originais dos profissionais prestadores dos serviços; 3) após consultar sobre o assunto, considera que seu entendimento encontra sustentação legal no texto da Instrução Normativa 15/2001. artigo 46, que diz ‘a dedução a título de despesas médicas é condicionada a que os pagamentos sejam especificados e comprovados com documentos originais que indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu podendo, na falta de documentação. A comprovação ser feita com a indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento’ (grifo do requerente) 4) jurisprudencialmente, não se espera que uma pessoa ‘mediana’ (sic) tenha cópias de cheques, ordens de pagamentos, ou outros documentos que comprovem as transações realizadas cotidianamente, mesmo porque o artigo 51 da IN 15/2001 não inclui o trabalhador assalariado no rol das pessoas obrigadas a escriturar livrocaixa; 5) os documentos apresentados para a autoridade fiscal estão perfeitamente de acordo com as normas vigentes, preenchendo todos os seus requisitos. As glosas efetuadas por falta de comprovação (cheques nominais, comprovantes de saques) estão Fl. 213DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO 4 em desacordo com as normas vigentes, pois tais comprovações devem ser apresentadas apenas na falta do recibo de pagamento; 6) ‘a jurisprudência é incisiva no sentido de repelir lançamentos tributários com base em suposições. como ocorrido neste caso’, pois não houve, em nenhum momento, comprovação por parte da autoridade administrativa de qualquer fato tendente a provar qualquer falsidade, erro ou omissão quanto aos recibos apresentados. Concluise, então, que a glosa foi efetuada com base em suposições, o que é claramente contrário aos princípios de segurança jurídica, garantidos constitucionalmente; O impugnante não se manifestou com relação a glosa de incentivo e considerou procedente a glosa das despesas médicas cm que se constatou não ser o beneficiário dos serviços dependente do declarante.” Ao examinar o pleito, a 9.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II decidiu pela procedência do Lançamento, por meio do Acórdão n.º 1732.646, de 16 de junho de 2009, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FISICA IRPF Anocalendário: 2005 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. Da base de cálculo do imposto devido no exercício, o contribuinte poderá abater as despesas médicas legalmente permitidas efetuadas no anocalendário, relativas, exclusivamente, ao próprio tratamento e ao de seus dependentes Mantémse a glosa de despesas médicas quando o contribuinte não comprovar a efetividade dos pagamentos feitos e serviços realizados. Lançamento Procedente Não se conformando com a decisão de primeira instância, em 20 de agosto de 2009 (fls. 188) o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 166 a 176), no qual alega, em síntese, que: 1. Providenciou, tempestivamente, a apresentação dos esclarecimentos necessários, declarando que os pagamentos foram efetuados ora em espécie, ora através de cheques, que não coincidem unitariamente com o valor dos recibos apresentados e tampouco os cheques foram preenchidos nominalmente, tendo em vista que os pagamentos eram efetuados periodicamente nas consultas ou em outras datas, e em um determinado momento o recibo dos pagamentos efetuados era solicitado, para efeito de comprovação do pagamento e utilização como dedução na declaração de imposto de renda. 2. Os recibos apresentados são totalmente válidos, estão assinados pelos profissionais que prestaram o serviço e neles consta o CPF de cada profissional. Além disso, os profissionais possuem registro junto ao órgão de classe. Desse modo, concluise que eles informaram os recebimentos à Receita Federal. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 10830.003473/200813 Acórdão n.º 2101001.363 S2C1T1 Fl. 191 5 3. A jurisprudência do Conselho de Contribuintes, assim como posicionamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II, reconhece que a apresentação dos recibos é suficiente, conforme ementas de julgados que transcreve. 4. Pelo principio da boafé, presumese que os recibos são verdadeiros. Não se pode imputar indícios de falsidade nas declarações com despesas médicas pelo simples fato de os valores serem acima da média. 5. Os recibos encontramse em conformidade com a legislação. O endereço dos beneficiários não é requisito essencial para a sua validade, tal como prevê decisão do Primeiro de Conselho de Contribuintes, cuja ementa transcreve. 6. É pessoa física sem conhecimentos técnicos; sempre teve claro, para si, que os pagamentos efetuados deveriam ser comprovados mediante prova documental e, no seu entender, manter a guarda dos recibos originais é suficiente para qualquer comprovação. Alega que seu entendimento encontra fundamento no artigo 46 da Instrução Normativa 15/2001. 7. Procurou relacionar os saques efetuados no período, na tentativa de demonstrar que os pagamentos eram, realmente, efetuados da forma que relatou. 8. Não é de se esperar que uma pessoa "mediana" tenha cópias de cheques, ordens de pagamentos ou outros documentos que comprovem as transações realizadas cotidianamente, além do que a própria Instrução Normativa 15, no seu artigo 51, ao falar da obrigatoriedade do livro caixa, não o inclui na condição de trabalhador assalariado, no rol dos contribuintes obrigados a manter a escrituração do livro caixa ou qualquer outra forma de comprovação dos pagamentos efetuados que não seja o recibo de pagamento. 9. Ao glosar as despesas médicas por falta de comprovação, a autoridade fiscal agiu em desacordo com a legislação vigente. No seu entender, tais comprovações (cheques nominais, comprovantes de saques) devem ser apresentados somente na falta do recibo de pagamento, o que não é o caso. 10. A glosa das despesas médicas foi única e exclusivamente motivada por suposições e indícios por parte da autoridade fiscal, não constando, em nenhum momento, comprovação efetiva de erro, dolo ou fraude. 11. O valor da multa lançada é totalmente descabido, pois inexiste dolo ou intenção de prejudicar a cobrança do imposto. Não existe, portanto, punição para o contribuinte, mas apenas o ressarcimento pelo atraso no pagamento. O percentual de multa aplicado, a seu ver, fere o direito à propriedade, garantido pela Constituição, e deve ser graduado, visando à equidade. Pede que os recibos apresentados sejam declarados válidos e que sejam julgados improcedentes o Lançamento e a Notificação recebida. É o relatório. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO 6 Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. 1. Das Glosas com Despesas Médicas O contribuinte alega que os recibos apresentados para comprovar as despesas efetuadas com tratamento médico são válidos, estão assinados pelos prestadores do serviço e nesses recibos consta o CPF de cada profissional. Sustenta que, pelo principio da boafé, presumemse verdadeiros os recibos, e que não se pode imputar indícios de falsidade nas declarações com despesas médicas pelo simples fato de os valores serem acima da média. Defende ainda que os pagamentos foram efetuados ora em espécie, ora através de cheques, que não coincidem unitariamente com os valores dos recibos apresentados. No entanto, para melhor entendimento, procurou relacionar os saques efetuados no período, na tentativa de demonstrar que os pagamentos eram, realmente, efetuados da forma que relatou. O lançamento constante deste processo originouse de procedimento de revisão de declaração, previsto no artigo 835 do Decreto n.° 3.000, de 1999. Tal dispositivo prevê, verbis: Art. 835. As declarações de rendimentos estarão sujeitas a revisão das repartições lançadoras, que exigirão os comprovantes necessários (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 74). § 1° A revisão poderá ser feita em caráter preliminar, mediante a conferência sumária do respectivo cálculo correspondente à declaração de rendimentos, ou em caráter definitivo, com observância das disposições dos parágrafos seguintes. § 2° A revisão será feita com elementos de que dispuser a repartição, esclarecimentos verbais ou escritos solicitados aos contribuintes, ou por outros meios facultados neste Decreto (DecretoLei n°5.844, de 1943, art. 74, § 1°). § 3° Os pedidos de esclarecimentos deverão ser respondidos, dentro do prazo de vinte dias, contados da data em que tiverem sido recebidos (Lei n° 3.470, de 1958, art. 19). § 4° O contribuinte que deixar de atender ao pedido de esclarecimentos ficará sujeito ao lançamento de oficio de que trata o art. 841 (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 74, §3°, e Lei n° 5.172, de 1966, art. 149, inciso III)." O artigo 73 do Decreto n.º 3.000, de 1999 – Regulamento do Imposto sobre a Renda, cuja matriz legal é o artigo 11 do DecretoLei n.º 5.844, de 1943, estipula que todas as deduções feitas pelo contribuinte sujeitamse a comprovação. Vejamos: Art.73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). Fl. 216DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 10830.003473/200813 Acórdão n.º 2101001.363 S2C1T1 Fl. 192 7 §1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, §4º). (...) (grifouse) Das normas deduzidas do caput e do § 1.º do artigo 73 do Decreto n.º 3.000, de 1999, e também do artigo 835 do mesmo ato regulamentar, depreendese que a autoridade lançadora está autorizada a exigir comprovação ou justificação das deduções efetuadas e glosar, mesmo sem a audiência do contribuinte, deduções consideradas exageradas em relação aos rendimentos declarados. Sobre a forma de comprovação das deduções utilizadas, na declaração de imposto sobre a renda de pessoa física, com despesas médicas e odontológicas, vejamos o que diz o artigo 80 do Decreto n.º 3.000, de 1999: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (...) (grifouse) Depreendese, dos dispositivos acima transcritos, que os comprovantes de despesas médicas, para fins de dedução do imposto sobre a renda, devem demonstrar tanto o efetivo pagamento feito pelo contribuinte quanto o recebimento do valor correspondente pelo prestador do serviço, em decorrência da referida prestação, ao próprio contribuinte ou a dependente seu, tudo de forma especificada. Durante o procedimento fiscal, o contribuinte foi intimado (fls. 20) a comprovar o efetivo pagamento dos valores expressos nos recibos emitidos por Cristiane Ap. Soster Lopes, Gessiara Lucia Furtado, Sabrina Câmara Gutierrez Ruman e Ana Lucia Hortelan S. Lembo, por meio da apresentação de quaisquer documentos hábeis e idôneos para esse fim, tais como cópias de cheques, ordens de pagamento, transferências bancárias, DOC e outros. Para pagamentos efetuados em espécie, a Intimação prevê a comprovação por meio de cópias dos extratos bancários nos quais constem saques efetuados em valores e datas compatíveis com Fl. 217DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO 8 os recibos objetos da comprovação, devendo, neste caso, ser apresentada planilha relacionando os saques (datas e valores) e os respectivos recibos objetos da comprovação. A glosa perpetrada no presente processo, e mantida pela decisão de primeira instância administrativa, no valor de R$ 50.550,00, corresponde aos valores declarados como despesas médicas com: Gessiara Lucia Furtado: R$ 9.000,00 Ana Lucia Hortelan S. Lembo: R$ 24.000,00 Critiane Ap. Soster Lopes: R$ 16.000,00 Sabrina Câmara Gutierrez Ruman: R$ 1.550,00 Em resposta à Intimação, o contribuinte informou terem sido tais pagamentos feitos em espécie, e juntou aos autos extratos do Banco do Brasil e do Bradesco (fls. 31 a 42), além de uma planilha na qual indica os saques correspondentes aos recursos que teriam sido utilizados nos pagamentos correspondentes (fls. 24 a 30). Confrontandose a planilha com os extratos bancários, verificase o seguinte: Fevereiro de 2005 Bradesco: Os saques constantes da planilha, nos dias 16 e 17, nos valores de R$ 100,00 R$ 600,00, respectivamente, não estão comprovados. No extrato do mês consta apenas uma anotação feita a mão. Também não ficaram comprovados os saques dos dias 17 e 18, ambos no valor de R$ 600,00. No entanto, foram localizados dois saques desse mesmo valor: um no dia 23 e outro no dia 24. Abril e Maio de 2005 – Bradesco Não constam dos autos os extratos bancários correspondentes. Em decorrência deste fato, não foram considerados os saques informados na planilha para esses meses, nessa instituição bancária. Julho de 2005 – Bradesco O saque indicado na planilha, no dia 29, no valor de R$ 260,00 não está comprovado no extrato correspondente. Como conseqüência, esse valor não foi considerado. Setembro de 2005 – Bradesco O saque indicado na planilha, no dia 27, no valor de R$ 50,00 não está comprovado no extrato correspondente. Como conseqüência, esse valor não foi considerado. Outubro de 2005 – Banco do Brasil O saque constante da planilha, no dia 15, no valor de R$ 150,00, consta do extrato no dia 17. Outubro de 2005 – Bradesco O saque indicado na planilha, no dia 11, no valor de R$ 600,00 não está comprovado no extrato correspondente. Como conseqüência, esse valor não foi considerado. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 10830.003473/200813 Acórdão n.º 2101001.363 S2C1T1 Fl. 193 9 Novembro de 2005 – Bradesco O saque indicado na planilha, no dia 10, no valor de R$ 2.000,00 não está comprovado no extrato correspondente. Como conseqüência, esse valor não foi considerado. Feitos esses ajustes, os saques comprovados foram confrontados com os recibos apresentados, resultando no seguinte: 1. Ana Lucia Hortelan S. Lembo: ficaram comprovados os pagamentos efetuados em janeiro e fevereiro de 2005, no valor total de R$ 4.000,00. 2. Critiane Ap. Soster Lopes: ficaram comprovados os pagamentos efetuados em janeiro, março, julho, agosto, novembro e dezembro, no valor de R$ 8.000,00. 3. Gessiara Lucia Furtado: os pagamentos não ficaram comprovados. 4. Sabrina Câmara Gutierrez Ruman: os pagamentos não ficaram comprovados. O Recorrente sustenta que a glosa das despesas médicas foi motivada única e exclusivamente por suposições e indícios por parte da autoridade fiscal. Como visto, a glosa de deduções de despesas médicas decorre da falta de comprovação ou da comprovação insuficiente da efetiva prestação dos serviços ou do efetivo desembolso do valor correspondente pelo contribuinte, conforme dispõe a legislação anteriormente transcrita. Não se trata de suposições. Para a legislação do imposto sobre a renda, a dedução das despesas médicas pode ser feita, desde que fique devidamente comprovada a sua efetiva realização para o próprio contribuinte ou para dependente seu e fique demonstrado o efetivo pagamento por parte do contribuinte. 2. Da multa de Ofício O Recorrente alega que, em nenhum momento, houve comprovação efetiva de erro, dolo ou fraude. O contribuinte insurgese contra o percentual da multa aplicada, entendendo que, na hipótese, não houve intenção de prejudicar a cobrança do imposto. Não há que se aplicar, portanto, qualquer punição, mas apenas o ressarcimento pelo atraso no pagamento. O percentual de multa aplicado, a seu ver, fere o direito à propriedade, garantido pela Constituição, e deve ser graduado, visando à equidade. Sobre o alegado, ficou claro não ter sido apurado, no presente processo, qualquer indício de dolo ou fraude. A multa de 75%, prevista no inciso I do artigo 44 da Lei n.º 9.430, de 1996, acima transcrito, é aplicada nos casos de lançamento de ofício, quando for apurada falta de pagamento ou pagamento a menor do tributo devido. É devida por infração à legislação tributária quando a autoridade lançadora entende não haver indícios de sonegação, fraude ou conluio. Comprovadas estas circunstâncias (artigos 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 1964), a multa é qualificada, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, conforme prevê o § 1.º do artigo 44 da Lei n.º 9.430, de 1996: Fl. 219DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO 10 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] § 1.º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Segundo o Fisco, o Recorrente fez deduções que não ficaram devidamente comprovadas, e, por isso, foram glosadas, hipótese que se subsume ao artigo 44, inciso I, da Lei n.º 9.430, de 1996. Tendo em vista que a apuração do tributo foi feita por meio de lançamento de ofício, correta a aplicação da multa de 75% sobre a diferença de imposto apurada no procedimento de fiscalização. Não estamos aqui diante de uma hipótese de multa moratória limitada a vinte por cento, aplicável apenas aos débitos não pagos nos prazos previstos na legislação, mas recolhidos em data posterior por iniciativa do próprio contribuinte, antes de iniciado qualquer procedimento fiscal. A estes aplicase a regra do artigo 61 da Lei n.º 9.430, de 1996, mas não aos créditos tributários lançados de ofício. Além do mais, de acordo com as regras do Direito Tributário, consubstanciadas no artigo 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional CTN, não é dado à Administração conduta diversa da de se aplicar a Lei em sua conformidade; na espécie, o inciso I do artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996. No tocante à alegada violação ao direito de propriedade, salientase que o princípio constitucional da vedação ao confisco deve ser observado pelo legislador de modo a evitar que a tributação seja confiscatória, o que violaria os princípios da capacidade contributiva e da propriedade privada. Ocorre que a atividade administrativa é plenamente vinculada à lei, não cabendo à autoridade fiscal analisar a constitucionalidade da lei tributária, afastando a sua aplicação quando entender adequado. Os órgãos administrativos de julgamento também não se revelam como sede apropriada para discutir e deliberar sobre os temas relativos à capacidade contributiva e ao confisco, haja vista que, como dito, a fixação do percentual das penalidades aplicáveis é atribuição do legislador. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, tal como prevê a Súmula CARF nº 2, a seguir transcrita: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Sendo assim, deixo de me manifestar sobre o assunto. 3. Das Decisões Administrativas e Judiciais Fl. 220DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 10830.003473/200813 Acórdão n.º 2101001.363 S2C1T1 Fl. 194 11 Por fim, ao longo da peça recursal, o contribuinte cita e transcreve ementas de julgados administrativos e judiciais que entende virem ao encontro de seus argumentos. Sobre este tema, salientamos que as decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não estão vinculadas a decisões anteriormente proferidas por este Conselho em processos de outros contribuintes nem a decisões judiciais válidas somente entre as partes integrantes do processo judicial. O livre convencimento do julgador permite que a decisão proferida, baseada na lei, tenha por supedâneo o argumento que entender razoável ou cabível ao caso concreto, desde que devidamente fundamentada, explicitadas as razões de fato e de direito que o levaram a tal convicção. Ante todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para o fim de restabelecer as deduções feitas a título de despesas médicas no valor de R$ 12.000,00. (assinado digitalmente) ________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 221DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO
score : 1.0
Numero do processo: 10074.000190/2001-44
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 31 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IPI. MULTA REGULAMENTAR. ENTREGA A CONSUMO DE BEM DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA IMPORTADO IRREGULARMENTE. CABIMENTO. Aplica-se
a pena de multa de valor igual ao do bem importado irregularmente prevista no art. 463 do Regulamento do IPI baixado pelo Decreto 2.637/98 quando o bem de procedência estrangeira tenha sido
importado irregularmente e não seja mais encontrado para aplicação da pena de perdimento
Numero da decisão: 9303-001.632
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Susy Gomes Hoffmann, que negavam provimento.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: Julio Cesar Alves Ramos
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201108
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : IPI. MULTA REGULAMENTAR. ENTREGA A CONSUMO DE BEM DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA IMPORTADO IRREGULARMENTE. CABIMENTO. Aplica-se a pena de multa de valor igual ao do bem importado irregularmente prevista no art. 463 do Regulamento do IPI baixado pelo Decreto 2.637/98 quando o bem de procedência estrangeira tenha sido importado irregularmente e não seja mais encontrado para aplicação da pena de perdimento
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 31 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10074.000190/2001-44
anomes_publicacao_s : 201108
conteudo_id_s : 4818516
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 07 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 9303-001.632
nome_arquivo_s : 930301632_10074000190200144_201108.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : Julio Cesar Alves Ramos
nome_arquivo_pdf_s : 10074000190200144_4818516.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Susy Gomes Hoffmann, que negavam provimento.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 31 00:00:00 UTC 2011
id : 4746943
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:43:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044233170976768
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1795; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10074.000190/200144 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303001.632 – 3ª Turma Sessão de 31 de agosto de 2011 Matéria MULTA REGULAMENTAR DE IPI. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CID MOREIRA IPI. MULTA REGULAMENTAR. ENTREGA A CONSUMO DE BEM DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA IMPORTADO IRREGULARMENTE. CABIMENTO. Aplicase a pena de multa de valor igual ao do bem importado irregularmente prevista no art. 463 do Regulamento do IPI baixado pelo Decreto 2.637/98 quando o bem de procedência estrangeira tenha sido importado irregularmente e não seja mais encontrado para aplicação da pena de perdimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Susy Gomes Hoffmann, que negavam provimento. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. EDITADO EM: 15/12/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva , Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez López e Susy Gomes Hoffman. Fl. 210DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/12/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/01/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório A douta representação fazendária recorre da decisão proferida pela Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes que dera provimento ao recurso voluntário sob fundamento de que a legislação não se aplicaria a pessoa física. Tratavase de aplicação da multa prevista no art. 463 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados vigente à época dos fatos geradores (decreto 2.637/98), atual art. 490 do Decreto 4.544, em virtude de a pessoa física autuada ter adquirido, no mercado interno, em 1994, veículo de procedência estrangeira usado. Apesar de tal importação ser proibida pela Portaria Decex 08/91, havia ocorrido por força de liminar deferida à empresa Libre Importação e Exportação Limitada, liminar que veio a ser cassada. Sobreveio, então, determinação judicial para que o veículo fosse apreendido. Em seu cumprimento, a fiscalização dirigiuse, inicialmente, aos endereços da empresa importadora e da que lhe adquirira primeiramente o veículo, não as encontrando, porém, nos endereços constantes na SRF. A pessoa física autuada é a pessoa em cujo nome o veículo se encontrava segundo os registros do DETRAN e contra ela foi aplicada a multa, dado que o veículo já não mais se encontrava em seu poder. A decisão ora atacada acolheu os argumentos de defesa que haviam sido rejeitados pela DRJ Juiz de Fora, nos seguintes termos: Do preceito retrotranscrito resulta claro que nele se encontram tipificadas três diferentes condutas delitivas que autorizam a aplicação da referida multa ("entregar a consumo", "consumir" e "entrar no estabelecimento, dele sair ou nele permanecer", "sem que tenha havido registro da declaração da importação no SISCOMEX, ou desacompanha de Guia de Licitação ou nota fiscal"), todas elas baseadas no pressuposto comum de que o "produto" objeto de cada conduta seja "de procedência estrangeira" e tenha sido "introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente", sem que tenha havido registro da declaração da importação no Siscomex, ou desacompanha de Guia de Licitação ou nota fiscal. Desde logo, verificase que no caso concreto as hipóteses de introdução clandestina, importação fraudulenta e ausência de declaração da importação no Siscomex, previstas na norma punitiva, estão adredemente afastadas pela própria descrição do auto de infração, que expressamente certifica que o recorrente "adquiriu no mercado interno veículo de procedência estrangeira, (.), desembaraçado por Nordeste Importação e Exportação de Veículos Ltda., através da DI n° 006681/95, e Guia n° 8 94/40900, (.) que foi emitida por Força de Mandado de Segurança n°93.313916/7° VF/ Fortaleza" (sic auto de infração). Estabelecendo o Regulamento Aduaneiro que as atividades relacionadas ao despacho aduaneiro de mercadorias importadas, assim como quaisquer outras relativas a operações de comércio exterior, somente poderão ser realizadas pelos importadores ou por seus representantes (art. 718 do RA/02) previamente habilitados e credenciados pela Secretaria da Fl. 211DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/12/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/01/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10074.000190/200144 Acórdão n.º 9303001.632 CSRFT3 Fl. 2 3 Receita Federal (parágrafo único do art. 718 do RA/02), cujas declarações subsistem para quaisquer efeitos fiscais, ainda que o despacho de importação seja interrompido e a mercadoria abandonada (art. 489 do RA/02), é evidente que somente ao importador se poderia imputa. qualquer responsabilidade aduaneira ou tributária, seja por eventuais irregularidades cometidas no processo de importação, seja por eventual falsificação, simulação, fraude ou subfaturamento nos documentos (faturas e conhecimentos de frete) que acobertavam as mercadorias importadas submetidas a despacho. Da mesma forma, tratandose de mercadoria submetida a despacho através de declaração de importação registrada no Siscomex, no caso a suposta "entrega a consumo", também somente poderia ser imputável à importadora citada no auto de infração, pois a jurisprudência já assentou que 'para a incorporação de bem estrangeiro ao aparelho produtivo nacional, é dizer, para a nacionalização de produto importado, que passa a ser equiparado ao produto nacional, é necessária a observância das regras do direito aduaneiro reguladoras do despacho aduaneiro, que tem seu ponto culminante no desembaraço aduaneiro, com a admissão aduaneira, que resulta na liberação do bem pela Alfândega." (cf. Acórdão da 2 R Turma do STF da 4 Reg. na AMS Processo n2 200370080000335, em sessão de 14/12/2004, Rel. Juiz Dirceu de Almeida Soares, publ. in DJU de 16/02/2005, pág. 405, documento: TRF400103936). Nesse sentido, ao definir os limites dos conceitos de "importação" e de "mercadoria importada" para limitar e diferenciar a incidência dos impostos sobre a importação, da incidência dos impostos incidentes sobre o mercado interno, valendose dos ensinamentos da jurisprudência Americana, Aliomar Baleeiro há muito já esclarecia que: "o conceito de importação vai até a casa do importador e só deixa a mercadoria quando ela sai daí para a mão de terceiros ou quando o importador rompe o original package.(.) a mercadoria só pode ser tributada depois que sai das mãos do importador ou se rompem os envoltórios para a venda a varejo, ocasião em que pode ser tributada pelo imposto de consumo ou de vendas" (cf. Aliomar Baleeiro in "Direito Tributário da Constituição", Ed. Financeiras S/A, IBDF n 2 8, 1959, pág. 156). Finalmente, o "consumo de produto de procedência estrangeira (.) que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração da importação no SISCOMEX (.) ou desacompanhada de (.) nota fiscal" é infração somente imputável à pessoa jurídica e não a pessoas físicas, pois, como há muito já ensinava Bernardo Ribeiro de Moraes "o conceito de 'estabelecimento' já se acha fixado na doutrina e na jurisprudência como significando o local onde o contribuinte exercer a sua atividade econômica, constituído ou não, bem como o local onde se encontram armazenados ou depositadas as mercadorias objeto de sua atividade, ainda que esse local pertença a terceiros." (cf. in "Sistema Tributário na Constituição de 1969" vol. I, Ed. RT, 1973, pág. 377), conceitos estes que deixam patentemente Fl. 212DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/12/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/01/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 evidenciada a impossibilidade jurídica de equiparar "estabelecimento" "domicilio" e "pessoa natural" a "comerciante", "industrial" ou "produtor", para fins de aplicação da penalidade excogitada. O recurso, manejado ao abrigo do comando regimental inserto no art. 7º, inciso I do Regimento baixado pela Portaria MF 147/2007, aponta contrariedade à lei, na medida em que o dispositivo aplicado pela fiscalização da SRF não seria privativo de pessoas jurídicas, bastando que se caracterize o consumo ou a entrega a consumo de bem importado irregularmente ou que tenha saído de estabelecimento sem a apresentação da documentação regular. Em contrarazões, repete a defesa os argumentos de que o autuado é vítima e não pode ser responsabilizado, nos termos do CTN, por infração cometida por outrem, na medida em que “não tem relação pessoal e direta com a hipótese que constitui o fato gerador”. Caracterizase, por isso mesmo, como comprador de boafé, dado que adquiriu o veículo de empresa (à época) idônea tendo promovido todas as providências legais para transferir o veículo para sua titularidade, nada tendo sido obstado na ocasião. É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS O recurso teve sua admissibilidade acolhida pelo Presidente da Terceira Câmara desta Seção, visto que a decisão não foi unânime e, ao menos em tese, violou a legislação de regência. Assim também penso. Para começar, impõese transcrever, mais uma vez, o artigo legal: Art. 490. Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe for atribuído na nota fiscal, respectivamente (Lei nº 4.502, de 1964, art. 83, e Decretolei nº 400, de 1968, art. 1º, alteração 2ª): I os que entregarem a consumo, ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração da importação no SISCOMEX, salvo se estiver dispensado do registro, ou desacompanhado de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme o caso (Lei nº 4.502, de 1964, art. 83, inciso I, e Decretolei nº 400, de 1968, art. 1º, alteração 2ª); e Fl. 213DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/12/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/01/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10074.000190/200144 Acórdão n.º 9303001.632 CSRFT3 Fl. 3 5 II os que emitirem, fora dos casos permitidos neste Regulamento, nota fiscal que não corresponda à saída efetiva, de produto nela descrito, do estabelecimento emitente, e os que, em proveito próprio ou alheio, utilizarem, receberem ou registrarem essa nota para qualquer efeito, haja ou não destaque do imposto e ainda que a nota se refira a produto isento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 83, inciso II, e Decretolei nº 400, de 1968, art. 1º, alteração 2ª). § 1º No caso do inciso I, a imposição da pena não prejudica a que é aplicável ao comprador ou recebedor do produto, e, no caso do inciso II, independe da que é cabível pela falta ou insuficiência de recolhimento do imposto em razão da utilização da nota (Lei nº 4.502, de 1964, art. 83, § 1º). § 2º A multa a que se refere o inciso I deste artigo aplicase apenas às hipóteses de produtos de procedência estrangeira introduzidos clandestinamente no País ou importados irregular ou fraudulentamente. Dessa transcrição resulta claro, ao contrário do que entendeu a decisão atacada, que a infração está perfeitamente tipificada. Senão vejamos. O que a peça de acusação diz é que a pessoa física autuada adquiriu um bem que fora importado irregularmente. Deveria, pois, entregálo à fiscalização como determinado judicialmente. Não estando mais ele em seu poder, concluise que ele foi “dado a consumo”, o que enseja a aplicação da penalidade. Realmente, a descrição dos fatos no auto lavrado, ainda que por demais sucinta, é clara o suficiente para que se entenda que ela se caracterizou pela entrega a consumo de bem cuja importação ocorreu com contrariedade a dispositivo legal expresso. E tanto é assim que necessária se fez a interposição de medida judicial que contestasse a validade do dispositivo proibidor. Desse modo, a importação somente foi possível em vista do acatamento liminar da tese da empresa que o pretendia importar, acatamento esse que veio a ser revisto pelo Poder Judiciário. Em conseqüência, impõese a conclusão de que qualquer transação com o bem assim importado ficava igualmente condicionada à confirmação da decisão precária obtida pela primeira interessada, como já ocorrera com o primeiro ato praticado, a importação em si. Em outras palavras, dado o caráter precário da decisão que determinou o desembaraço do bem, a própria empresa importadora tinha a obrigação de retêlo até o deslinde definitivo da questão judicial por ela promovida. Se assim tivesse agido, o veículo teria sido apreendido em seu estabelecimento para aplicação da pena de perdimento cabível quando a decisão final na ação judicial sobreveio. Tendo ela se desfeito do bem, tal obrigação se transferiu ao(s) adquirente(s), que teria(m) de estar ciente(s) daquela precariedade e da eventual necessidade de devolver o bem caso a decisão final fosse contrária à importação, como de fato foi. Esses os fatos, parece Fl. 214DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/12/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/01/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 incontestável que se encontram presentes todos os elementos nucleares da infração tipificada na norma apontada pela fiscalização federal. A dificuldade de apreensão de seu conteúdo resulta, como já por diversas vezes reconhecido, do fato de que ele se reporta a diferentes situações. Todas são puníveis com a pena de perdimento, mas estão disciplinadas, para esse último efeito, em dispositivos legais distintos. A primeira dessas hipóteses é a pura e simples importação irregular, entendida como a que descumpre os procedimentos regulares, não havendo aqui a necessidade de comprovação de fraude. Alcança, pois, todo internamento de mercadorias sem passar pelo processamento aduaneiro, notadamente aqueles que envolvem bens cuja importação é proibida (contrabando). É a essa hipótese que se vincula o lançamento. Podese admitir que a importação não foi irregular no momento em que realizado o desembaraço, porquanto autorizada por decisão liminar. Como toda decisão liminar, no entanto, ela podia ser revertida e o foi. A partir desse momento, portanto, não há dúvida de que a irregularidade está patente e a conseqüência é a necessidade de restituir o bem ao erário público, o que foi expressamente determinado pelo e. Poder Judiciário. O lançamento, por conseguinte, não depende de equiparar o domicílio da pessoa física ao estabelecimento de comerciante ou industrial. Tudo o que requer é que a transmissão do bem seja enquadrada como “entrega a consumo”, dado que, a meu ver, a irregularidade na importação é incontestável. Notese, nesse sentido, que o legislador adotou a expressão bem “de procedência estrangeira” e não meramente bem “estrangeiro”, de modo que não se cogita de que a nacionalização do bem baste para suprimir a exigibilidade aqui discutida. Ademais, quando se referiu ao possível apenado não requereu que fosse sujeito passivo de nenhuma obrigação tributária principal. Pelo contrário, incidirão na pena “os que” entregarem a consumo ou consumirem bem cuja importação tenha sido promovida de forma irregular ou fraudulenta. A expressão é, a meu sentir, e propositadamente, bastante ampla para alcançar seja pessoa jurídica seja pessoa física. Vale acrescer, ainda, que não elide a pena – ao contrário a legitima – a afirmação de que o veículo objeto da determinação judicial teria sido entregue à empresa Technik. Registrese que nem mesmo isso foi adequadamente comprovado. De fato, tudo o que se diz é que ele foi dado como parte do pagamento de outro veículo da mesma marca, mas não estão presentes nos autos quaisquer documentos comprobatórios. Realmente, o que há nos autos são cópias de peças processuais referentes a ações movidas pela esposa do autuado contra aquela empresa por conta, aparentemente, da aquisição de outro veículo. Ora, estando o veículo em discussão em nome do sr. Cid Moreira, como pode ele ter sido dado como parte do pagamento de aquisição feita por outra pessoa? Destarte, parece mais do que claro que a ele, e somente a ele, poderia a fiscalização dirigirse para reaver o automóvel. Repitase que, ainda assim, a fiscalização dirigiuse ao suposto endereço da suposta adquirente aí não a tendo localizado. Por fim, o argumento da boafé. O recurso voluntário examinado pela Primeira Câmara, no ponto, aduz: Por óbvio não estão presentes as condições inseridas no artigo 463 inciso I do RIPI/98. Há prova cabal de que a aquisição da mercadoria por parte do recorrente foi regular (fls 60/77). Fl. 215DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/12/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/01/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10074.000190/200144 Acórdão n.º 9303001.632 CSRFT3 Fl. 4 7 A Lei 9.430/96 em seus artigos 80 a 82 exime de responsabilidade aqueles que adquirem bens, direitos e mercadorias de pessoas jurídicas inidôneas, comprovando a efetivação do pagamento do preço respectivo e recebimento dos bens. Esses argumentos foram postos porque a decisão de primeiro grau afastara a boafé apenas pela premissa de que as empresas importadora e vendedora (Libre e Desayner) já estavam consideradas inaptas, não produzindo efeitos os documentos fiscais por elas emitidos. O relator do voto recorrido, no entanto, apontou, com razão, que essas declarações de inaptidão somente ocorreram após a suposta aquisição. Ocorre que, a meu ver, as disposições citadas não se aplicariam ao caso concreto mesmo que se admitisse estarem presentes os documentos comprobatórios que a defesa do autuado alega. É que a determinação judicial, reconhecendo a irregularidade cometida na importação, foi no sentido de se apreender o bem para ressarcimento ao erário público (pena de perdimento). A multa aplicada simplesmente substitui aquela pena, devido à ausência do bem. Ora, seria o caso, então de perguntar se, caso o bem ainda estivesse na posse do autuado, ele pretenderia que a decisão judicial não fosse cumprida porque agira de boafé ao adquirilo. Não bastasse isso, o exame cuidadoso das peças juntadas às fls. 60/77 nem de longe confirma o pagamento do preço e a entrega do bem. Não há aí, com efeito, nenhum documento alusivo ao pagamento supostamente efetuado à empresa Desayner (empresa inapta desde 1999) nem qualquer documento comprobatório de sua transferência, nem mesmo o Documento Único de Transferência (DUT). Tudo o que há são cópias da declaração de importação por parte da Libre (e não se sabe como o autuado a elas teve acesso) e um Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo em nome da Desayner. Acerca de pagamento, há apenas correspondência manual da empresa Exclusive, a qual, segundo a própria defesa, teria atuado apenas “na transferência do CRLV para o município de Petrópolis”. O teor da correspondência, no entanto, induz à conclusão de que o veículo teria sido adquirido a essa última empresa e pela esposa do autuado. Reiterese, para concluir, que a defesa não produziu um só documento que provasse a transferência à Technik. Isso, somado ao fato de que não só ela como todas as demais “empresas” “intervenientes” nas operações não existem de fato, leva a que o provimento do recurso voluntário tenha transformado em letra morta o prejuízo ao erário perpetrado com base em decisão precária que veio a ser cassada. Ademais, impediu o cumprimento da determinação judicial. Imprescindível, por conseguinte, a sua reforma. É o meu voto, assim, pelo provimento do recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 216DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/12/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/01/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 Fl. 217DF CARF MF Emitido em 05/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/12/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/01/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 13748.000284/2003-01
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1984
PRAZO PARA PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. MATÉRIA DECIDIDA NO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-B DO CPC.
TEORIA DOS 5+5 PARA PEDIDOS PROTOCOLADOS ANTES DE 09 DE JUNHO DE 2005. PDV. DIREITO A PARTIR DA RETENÇÃO INDEVIDA.
O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do RE nº 566.621/RS, decidido na sistemática do art. 543-B do Código de Processo Civil, o que faz com que se deva adotar a teoria dos 5+5 para os pedidos administrativos protocolados antes de 09 de junho de 2005.
Essa interpretação entende que o prazo de 5 anos para se pleitear a restituição de tributos, previsto no art. 168, inciso I, do CTN, só se inicia após o lapso temporal de 5 anos para a homologação do pagamento previsto no art. 150, §4o, do CTN, o que resulta, para os tributos lançados por homologação, em um prazo para a repetição do indébito de 10 anos após o pagamento
antecipado.
Para a restituição de imposto de renda retido na fonte sobre PDV, firmou-se no antigo Primeiro Conselho de Contribuintes e na Câmara Superior de Recursos Fiscais o entendimento de que o direito à repetição surge no momento da retenção indevida, e não na declaração de ajuste.
No caso, como o pedido administrativo foi protocolado em 1o de agosto de 2003, está extinto o direito de se pleitear a restituição de imposto retido na fonte em 06 de maio de 1983, por superar o prazo decenal.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-001.906
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201111
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1984 PRAZO PARA PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. MATÉRIA DECIDIDA NO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-B DO CPC. TEORIA DOS 5+5 PARA PEDIDOS PROTOCOLADOS ANTES DE 09 DE JUNHO DE 2005. PDV. DIREITO A PARTIR DA RETENÇÃO INDEVIDA. O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do RE nº 566.621/RS, decidido na sistemática do art. 543-B do Código de Processo Civil, o que faz com que se deva adotar a teoria dos 5+5 para os pedidos administrativos protocolados antes de 09 de junho de 2005. Essa interpretação entende que o prazo de 5 anos para se pleitear a restituição de tributos, previsto no art. 168, inciso I, do CTN, só se inicia após o lapso temporal de 5 anos para a homologação do pagamento previsto no art. 150, §4o, do CTN, o que resulta, para os tributos lançados por homologação, em um prazo para a repetição do indébito de 10 anos após o pagamento antecipado. Para a restituição de imposto de renda retido na fonte sobre PDV, firmou-se no antigo Primeiro Conselho de Contribuintes e na Câmara Superior de Recursos Fiscais o entendimento de que o direito à repetição surge no momento da retenção indevida, e não na declaração de ajuste. No caso, como o pedido administrativo foi protocolado em 1o de agosto de 2003, está extinto o direito de se pleitear a restituição de imposto retido na fonte em 06 de maio de 1983, por superar o prazo decenal. Recurso Especial do Procurador Provido.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 13748.000284/2003-01
anomes_publicacao_s : 201111
conteudo_id_s : 4783768
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Sep 11 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 9202-001.906
nome_arquivo_s : 920201906_13748000284200301_201111.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
nome_arquivo_pdf_s : 13748000284200301_4783768.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
id : 4747913
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:44:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044233175171072
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2224; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 140 1 139 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13748.000284/200301 Recurso nº 162.551 Especial do Procurador Acórdão nº 9202001.906 – 2ª Turma Sessão de 30 de novembro de 2011 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado LADISLAO DZIECIOLOWSKI ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1984 PRAZO PARA PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. MATÉRIA DECIDIDA NO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543B DO CPC. TEORIA DOS 5+5 PARA PEDIDOS PROTOCOLADOS ANTES DE 09 DE JUNHO DE 2005. PDV. DIREITO A PARTIR DA RETENÇÃO INDEVIDA. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do RE nº 566.621/RS, decidido na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil, o que faz com que se deva adotar a teoria dos 5+5 para os pedidos administrativos protocolados antes de 09 de junho de 2005. Essa interpretação entende que o prazo de 5 anos para se pleitear a restituição de tributos, previsto no art. 168, inciso I, do CTN, só se inicia após o lapso temporal de 5 anos para a homologação do pagamento previsto no art. 150, §4o, do CTN, o que resulta, para os tributos lançados por homologação, em um prazo para a repetição do indébito de 10 anos após o pagamento antecipado. Para a restituição de imposto de renda retido na fonte sobre PDV, firmouse no antigo Primeiro Conselho de Contribuintes e na Câmara Superior de Recursos Fiscais o entendimento de que o direito à repetição surge no momento da retenção indevida, e não na declaração de ajuste. No caso, como o pedido administrativo foi protocolado em 1o de agosto de 2003, está extinto o direito de se pleitear a restituição de imposto retido na fonte em 06 de maio de 1983, por superar o prazo decenal. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2 011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES Processo nº 13748.000284/200301 Acórdão n.º 9202001.906 CSRFT2 Fl. 141 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Henriqu Pinheiro Torres – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator EDITADO EM: 09/12/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (Conselheira Convocada), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (Conselheiro Convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire. Relatório O processo trata de pedido de restituição dos valores pagos a título de Imposto de Renda sobre o montante recebido como incentivo pela adesão a Programa de Desligamento Voluntário – PDV, protocolado em 1o de agosto de 2003 (fl. 1) e versando sobre a retenção indevida do tributo efetuada em 06 de maio de 1983 (fl. 16). Tanto a Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem (fls. 29 a 35), quanto a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (fls. 53 a 57) indeferiram o pedido, por considerarem que já havia terminado o prazo de cinco anos, contado a partir do pagamento, para a repetição do indébito tributário. De modo contrário, o Acórdão no 220200.430, da 2a Turma Ordinária da 2a Câmara da 2a Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, julgado na sessão de 04 de fevereiro de 2010 (fls. 75 a 78), por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário para afastar a decadência do pedido de restituição, por entender que a contagem do prazo decadencial para pleitear a restituição de tributo se inicia na publicação do ato administrativo que reconhece ser indevida a exação, no caso a Instrução Normativa SRF n° 165/98. Transcrevese a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1984 RESTITUIÇÃO DECADÊNCIA PROGRAMA DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2 011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES Processo nº 13748.000284/200301 Acórdão n.º 9202001.906 CSRFT2 Fl. 142 3 Estando comprovado nos autos que a verba em questão foi recebida no contexto de Programa de Desligamento Voluntário (PDV), o prazo decadencial para a apresentação de requerimento de restituição do imposto de renda indevidamente retido na fonte contase a partir da publicação, em 06 de janeiro de 1999, da Instrução Normativa, da Secretaria da Receita Federal, no. 165, de 31 de dezembro de 1998, sendo irrelevante a data da efetiva retenção, que não é marco inicial do prazo extintivo. Decadência afastada. Recurso provido. Cientificada dessa decisão em 11 de novembro de 2010 (fl. 79), a Fazenda Nacional manejou, no dia seguinte, recurso especial de divergência (fls. 81 a 127), com fulcro no art. 67 do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, admitido pelo despacho de fls. 128 a 129 do Presidente da 2a Câmara da 2a Seção. Para a matéria em discussão, o recorrente apresentou o seguinte paradigma, alegando que o prazo para pleitear a restituição de indébito se inicia na data do pagamento indevido: Acórdão no 930300.080 ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 FINSOCIAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data. Recurso Especial do Procurador Provido. Aduz o recorrente que o fato do tributo ter sido declarado inconstitucional, ou da Administração Tributária ter reconhecido a exação como indevida, não altera os ditames do art. 168, inciso I, do CTN, que define que o direito de pleitear a restituição se extingue após o prazo de 5 anos da data da extinção do crédito tributário, e do art. 156, inciso I, do CTN, que determina que o pagamento extingue o crédito tributário, o que faz com que o direito à repetição do indébito termine após 5 anos do pagamento indevido. Acrescenta que foi esse o entendimento dos arts. 3o e 4o da Lei Complementar no 118/2005, e que decidir de modo contrário equivale a declarar, de forma transversa, a inconstitucionalidade da lei, o que não é permitido ao CARF. Devidamente cientificado do acórdão e do recurso especial da Fazenda Nacional (fl. 132), o contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 133 a 138), onde afirma que o paradigma não trata da mesma matéria, e por isso não serve para embasar recurso especial, e Fl. 3DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2 011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES Processo nº 13748.000284/200301 Acórdão n.º 9202001.906 CSRFT2 Fl. 143 4 que não ocorreu a decadência do seu direito de pleitear a restituição, que se iniciou com a publicação da Instrução Normativa SRF n° 165/98, em 06/01/1999. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Sem razão o contribuinte quando afirma que o paradigma apresentado não se presta a comprovar a divergência jurisprudencial, pois versa sobre outra matéria. As decisões comparadas versam sobre tributos cuja cobrança deixou de ser exigida com base em atos normativos. Enquanto o acórdão recorrido entendeu que a contagem do prazo decadencial teve início no momento em que a Administração Fiscal reconheceu a violação do direito do contribuinte, com a publicação da Instrução Normativa SRF n° 165/98, o Acórdão paradigma superou o deslocamento do prazo decadencial pela Medida Provisória nº 1.62135/98, acatando o qüinqüênio decadencial a partir do pagamento. Desta forma, correto o despacho que considerou a divergência jurisprudencial comprovada. Quanto ao mérito, inicio transcrevendo os artigos do Código Tributário Nacional que regem o assunto: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: Fl. 4DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2 011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES Processo nº 13748.000284/200301 Acórdão n.º 9202001.906 CSRFT2 Fl. 144 5 I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Apesar da aparente simplicidade dessas normas, sabese que a discussão sobre o prazo para se pleitear a restituição dos tributos lançados por homologação é questão tormentosa, que vem dividindo a doutrina e as jurisprudências administrativa e judicial há tempos. As divergências se iniciam na própria natureza desse prazo, sendo comum as decisões administrativas relacionarem sua perda ao instituto da decadência, e as judiciais, ao da prescrição, questão deixada em aberto nesse voto, por não possuir qualquer relevância com a solução adotada. De toda a discussão sobre o tema, três soluções prevaleceram no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. A primeira concede o prazo de cinco anos contado a partir do pagamento indevido e é o entendimento esposado pela Administração tributária. A interpretação decorre da determinação do art. 168, inciso I, do CTN, que ordena o início do prazo na data de extinção do crédito tributário, em conjunto com o art. 150, §1o, do CTN, que determina que o pagamento antecipado extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. Como a extinção ocorre sob condição resolutória, ela opera efeitos imediatos, devendose considerar o crédito tributário extinto a partir do recolhimento. A segunda, também conhecida como “teoria dos 5+5”, reconhece o prazo de dez anos a partir do pagamento indevido, e foi o entendimento que terminou por prevalecer após longa discussão no Superior Tribunal de Justiça – STJ. Para se chegar a essa conclusão, considerouse que a extinção do crédito tributário só ocorre após a homologação do lançamento, que se não acontecer de forma expressa, darseá tacitamente após 5 anos do pagamento, quando se iniciaria novo período de 5 anos para o pedido de restituição. A terceira diz respeito apenas aos tributos declarados inconstitucionais com efeitos erga omnes, quando a contagem do prazo para a repetição do indébito se iniciaria após Fl. 5DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2 011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES Processo nº 13748.000284/200301 Acórdão n.º 9202001.906 CSRFT2 Fl. 145 6 essa declaração, ou então após o reconhecimento pela Administração Tributária da exação como indevida, entendimento que prevalecia na 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, e que foi adotado no acórdão recorrido. Tentando resolver esse impasse, a Lei complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005, trouxe as seguintes determinações: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. Isto é, o novo ato legal buscou fazer interpretação autêntica do art. 168 do CTN, pois determinou sua aplicação a fatos pretéritos, por se considerar expressamente interpretativo (art. 106, inciso I do CTN), optando pela primeira solução acima descrita. Diante na inovação legislativa, o STJ concluiu que a nova norma não tinha caráter meramente interpretativo, pois afastava interpretação há muito consolidada, e passou a aplicar a nova regra inicialmente apenas para as ações ajuizadas após a data de vigência da nova lei, em 09 de junho de 2005, mas terminou fixando o entendimento de que o novel regramento se aplica apenas aos pagamentos ocorridos após essa data. Pacificando essa discussão, o Supremo Tribunal Federal – STF, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 566.621/RS, em 11 de outubro de 2011, decidiu pela inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4o da Lei complementar nº 118, de 2005, mas definiu que a nova lei passa a ser aplicada para as ações ajuizadas a partir da data de sua vigência, em 09 de junho de 2005, como demonstra a ementa abaixo transcrita: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o Fl. 6DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2 011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES Processo nº 13748.000284/200301 Acórdão n.º 9202001.906 CSRFT2 Fl. 146 7 prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Como a decisão acima foi tomada na sistemática do art. 543B, § 3º, do CPC, os julgamentos do CARF devem adotar esse entendimento, por determinação do art. 62A do anexo II do RICARF. Entendo que, como o provimento judicial determina a manutenção da teoria dos 5+5 para as ação ajuizadas antes de 09 de junho de 2005, no âmbito do CARF, devemos utilizála para os pedidos administrativos protocolados antes dessa data. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2 011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES Processo nº 13748.000284/200301 Acórdão n.º 9202001.906 CSRFT2 Fl. 147 8 Penso que a adoção de uma interpretação extremamente literal, de que o entendimento não se aplicaria aos processos administrativos uma vez que o acórdão fala de ações judiciais, equivaleria a um descumprimento da essência da norma, que é o de garantir o direito à orientação consolidada no STJ para quem buscou exercer seu direito antes da vigência da nova lei. Outra questão relevante diz respeito ao fato do RE nº 566.621/RS ainda não ter transitado em julgado. De fato, em consulta ao sítio da Internet do STF na data deste julgamento, verificase que algumas pessoas entraram com questão de ordem e embargos infringentes, buscando retomar o entendimento do STJ de que a nova lei somente se aplicaria aos pagamentos ocorridos após sua vigência, o que estenderia seus efeitos para ações ajuizadas após essa época. Independentemente do difícil sucesso desses recursos, há que se observar que a Fazenda Nacional não recorreu contra a decisão, o que significa que ela transitou em julgado para a União. Assim, não é mais possível se alterar o entendimento de que ao presente caso deve se aplicar a teoria dos 5+5, pois a Fazenda Nacional não pode mais defender a retroatividade da Lei complementar nº 118, de 2005, e os recorrentes apenas desejam estender os efeitos da legislação anterior. Desse modo, creio ser fundamental a adoção do entendimento definitivo judicial sobre a matéria. Qualquer tentativa de se utilizar interpretação diversa feriria de morte a intenção do art. 62A do anexo II do RICARF, que busca a uniformização dos julgamentos administrativos e judiciais. Assim, no presente caso, como o pedido administrativo foi protocolado em 1o de agosto de 2003, ele somente poderia versar sobre pagamentos efetuados após 1o de agosto de 1993. Para a restituição de imposto de renda retido na fonte sobre PDV, firmouse no antigo Primeiro Conselho de Contribuintes e na Câmara Superior de Recursos Fiscais o entendimento de que o direito à repetição surge no momento da retenção indevida, e não na declaração de ajuste, como demonstram as ementas dos acórdãos abaixo transcritas: RESTITUIÇÃO DE IMPOSTO RETIDO NA FONTE SOBRE PDV CORREÇÃO MONETÁRIA TERMO DE INÍCIO DA ATUALIZAÇÃO MOMENTO DA RETENÇÃO INDEVIDA Imposto retido na fonte sobre indenização recebida por adesão ao PDV não se caracteriza como antecipação do imposto devido na declaração de ajuste anual, mas retenção e recolhimento indevidos, estando no campo da não incidência do imposto de renda. A declaração de ajuste anual não é meio hábil para restituir integralmente o imposto que incidiu na fonte sobre rendimentos isentos ou não tributáveis, pois somente corrige a restituição a partir do mês seguinte ao prazo de entrega da declaração, e não a partir do mês da efetiva retenção indevida Assim, a atualização monetária deve incidir a partir do mês do pagamento indevido e não do mês seguinte à data da entrega da Fl. 8DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2 011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES Processo nº 13748.000284/200301 Acórdão n.º 9202001.906 CSRFT2 Fl. 148 9 declaração. Ainda, a taxa Selic deve incidir somente a partir de janeiro de 1996. (Acórdão n° 10616.823, 6a Câmara/1o CC, sessão de 07/03/2008, Relator Giovanni Christian Nunes Campos) PROGRAMAS DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO TERMO A QUO DA INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC Sobre as verbas indenizatórias recebidas por ocasião de rescisão de contrato de trabalho em função de adesão a PDV, não incide imposto de renda. Em sendo assim, da retenção indevida surge o direito para o contribuinte de apresentar regramatriz de repetição de indébito tributário (art. 165 do CTN), independente do ajuste formalizado pela entrega da declaração, de modo que os juros e correção monetária passam a correr já a partir da retenção indevida, sendo a SELIC aplicável a partir de janeiro de 1996. (Acórdão n° 10423.154, 4a Câmara/1o CC, sessão de 24/04/2008, Relator Gustavo Lian Haddad) PROGRAMAS DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO TERMO A QUO DA CORREÇÃO MONETÁRIA Sobre as verbas indenizatórias recebidas por ocasião de rescisão de contrato de trabalho, em função de adesão a PDV, não incide imposto de renda. Em sendo assim, da retenção indevida surge o direito do contribuinte de ser ressarcido do indébito tributário, devendo a correção monetária de seu crédito ser apurada já a partir da retenção indevida. (Acórdão n° 10248.131, 2a Câmara/1o CC, sessão de 24/01/2007, Relator Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho) PDV. RESTITUIÇÃO. JUROS MORATÓRIOS. Os acréscimos legais incidentes sobre restituição de eventual imposto de renda retido na fonte sobre verbas de PDV, ainda que apurada em Declaração Anual de Ajuste Retificadora, são devidos desde o mês subseqüente à retenção: com atualização monetária pela UFIR, até 31/12/1995, e pela SELIC, a partir de 01/01/1996. (Acórdão n° 920201.370, 2a Turma/CSRF, sessão de 11/04/2011, Relator Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho) Como o objeto do pedido de restituição é imposto retido na fonte em 06 de maio de 1983, há que se reconhecer que já estava extinto o direito. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, dar provimento ao recurso especial do Procurador da Fazenda Nacional para reconhecer a decadência do direito de se pleitear a repetição do indébito. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 9DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2 011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES Processo nº 13748.000284/200301 Acórdão n.º 9202001.906 CSRFT2 Fl. 149 10 Fl. 10DF CARF MF Impresso em 30/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/12/2 011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 29/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TO RRES
score : 1.0
Numero do processo: 15586.001747/2009-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR.
INCIDÊNCIA E ISENÇÃO COM REQUISITOS NO INTERESSE DA SAÚDE DO TRABALHADOR.
A alimentação fornecida pelo empregador tem natureza salarial e está no campo da incidência da contribuição previdenciária, mas goza de isenção segundo o requisito legal. O requisito de inscrição no PAT atende à proporcionalidade, pois objetiva proteger a saúde do trabalhador e não representa óbice excessivamente gravoso para a empresa. Sem obediência ao
requisito legal não há como reconhecer o direito à isenção.
NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. EQUÍVOCO NA TABELA COMPARATIVA DO REGIME DE MULTAS.
Se a tabela comparativa do regime de penalidades que permitiria ao interessado verificar a aplicação da multa mais benéfica ao seu caso não foi anexada corretamente, temos configurada ausência de motivação fática para essa parte do lançamento a exigir a declaração de nulidade por vício material.
DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA.
O Princípio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, e é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco.
Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicá-la .
Além disso, é de se ressaltar que a multa de ofício é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal.
Numero da decisão: 2301-002.348
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em anular o lançamento, somente no que tange à multa, devido à existência de vício na sua aplicação, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em considerar o vício como existente em todo o lançamento; II) Por maioria de votos: a) em conceituar o vício existente no lançamento da multa como material, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em considerar o vício como formal; III) Por
unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Mauro Jose Silva
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201109
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA E ISENÇÃO COM REQUISITOS NO INTERESSE DA SAÚDE DO TRABALHADOR. A alimentação fornecida pelo empregador tem natureza salarial e está no campo da incidência da contribuição previdenciária, mas goza de isenção segundo o requisito legal. O requisito de inscrição no PAT atende à proporcionalidade, pois objetiva proteger a saúde do trabalhador e não representa óbice excessivamente gravoso para a empresa. Sem obediência ao requisito legal não há como reconhecer o direito à isenção. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. EQUÍVOCO NA TABELA COMPARATIVA DO REGIME DE MULTAS. Se a tabela comparativa do regime de penalidades que permitiria ao interessado verificar a aplicação da multa mais benéfica ao seu caso não foi anexada corretamente, temos configurada ausência de motivação fática para essa parte do lançamento a exigir a declaração de nulidade por vício material. DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA. O Princípio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, e é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicá-la . Além disso, é de se ressaltar que a multa de ofício é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 15586.001747/2009-65
anomes_publicacao_s : 201109
conteudo_id_s : 4874852
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Sep 11 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 2301-002.348
nome_arquivo_s : 230102348_15586001747200965_201109.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : Mauro Jose Silva
nome_arquivo_pdf_s : 15586001747200965_4874852.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em anular o lançamento, somente no que tange à multa, devido à existência de vício na sua aplicação, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em considerar o vício como existente em todo o lançamento; II) Por maioria de votos: a) em conceituar o vício existente no lançamento da multa como material, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em considerar o vício como formal; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do Relator.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
id : 4745350
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:42:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044233180413952
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2427; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 142 1 141 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15586.001747/200965 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 2301002.348 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29/09/11 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA AI ALIMENTAÇÃO PAT Recorrente FIBRASA S/A EMBALAGENS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA E ISENÇÃO COM REQUISITOS NO INTERESSE DA SAÚDE DO TRABALHADOR. A alimentação fornecida pelo empregador tem natureza salarial e está no campo da incidência da contribuição previdenciária, mas goza de isenção segundo o requisito legal. O requisito de inscrição no PAT atende à proporcionalidade, pois objetiva proteger a saúde do trabalhador e não representa óbice excessivamente gravoso para a empresa. Sem obediência ao requisito legal não há como reconhecer o direito à isenção. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. EQUÍVOCO NA TABELA COMPARATIVA DO REGIME DE MULTAS. Se a tabela comparativa do regime de penalidades que permitiria ao interessado verificar a aplicação da multa mais benéfica ao seu caso não foi anexada corretamente, temos configurada ausência de motivação fática para essa parte do lançamento a exigir a declaração de nulidade por vício material. DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA. O Princípio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, e é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála . Além disso, é de se ressaltar que a multa de ofício é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por MAURO JOSE SILVA 2 Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em anular o lançamento, somente no que tange à multa, devido à existência de vício na sua aplicação, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em considerar o vício como existente em todo o lançamento; II) Por maioria de votos: a) em conceituar o vício existente no lançamento da multa como material, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em considerar o vício como formal; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15586.001747/200965 Acórdão n.º 2301002.348 S2C3T1 Fl. 143 3 Relatório Tratase de Auto de Infração (AI) nº 37.256.1578, lavrado em 22/12/2009, que constituiu crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias, parte da empresa, bem como bem como o adicional para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT) incidentes sobre o salárioutilidade caracterizado pelo fornecimento de importância de natureza salarial a título de alimentação sem inscrição no PAT, no período de 01/2005 a 12/2005, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 136.362,93, fls. 01. Após tomar ciência pessoal da autuação em 24/12/2009, fls. 01, a recorrente apresentou impugnação, fls. 65/80, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 13ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I, no Acórdão de fls. 98/104, julgou a impugnação improcedente, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 10/11/2010, fls. 106. O recurso voluntário, apresentado em 09/12/2010, fls. 113/128, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Requer a reunião de todos os lançamentos para julgamento simultâneo dos vários AIs lavrados com mesmo fundamento. Argumenta que a inscrição no PAT não é necessária para desfrutar da isenção em relação aos valores pagos a seus empregados a título de alimentação, seja diretamente ou por meio de terceiros. Cita jurisprudência do STJ nesse sentido. Alega que todas as penalidades aplicadas, em vários processos, partem do mesmo fato e resultam em bis in idem. Se o fisco, num auto de infração, cobra o tributo pelo descumprimento da obrigação principal, com os consectários legais, inclusive multa, não se há de falar em aplicar multa isolada pelo descumprimento da obrigação acessória, porque já incluída na cobrança da obrigação principal, onde, repisese, há imposição de penalidade. Afirma que a multa aplicada tem efeito confiscatório, não podendo prevalecer pois contraria o art. 150, inciso IV da Constituição Federal. É o relatório. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por MAURO JOSE SILVA 4 Voto Conselheiro Mauro José Silva, Relator Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. Auxílio alimentação. Necessidade de inscrição no PAT. Conforme previsto no caput do art. 458 da CLT, a alimentação fornecida ao trabalhador está compreendida no conceito de salário. Apesar do dispositivo legal suscitar poucas dúvidas, temos que acrescentar que o Tribunal Superior do Trabalho (TST) já editou a Súmula 241 sobre o assunto, in verbis: Súmula Nº 241 do TST SALÁRIOUTILIDADE. ALIMENTAÇÃO O vale para refeição, fornecido por força do contrato de trabalho, tem caráter salarial, integrando a remuneração do empregado, para todos os efeitos legais. Estando compreendida no conceito de salário, é verba que está no campo de incidência da contribuição previdenciária. No entanto, quis o legislador, no art. 28, §9º, alínea “c” instituir uma isenção para a alimentação concedida in natura, ou seja, para a alimentação fornecida pela própria empresa. Como requisito para o gozo da isenção, foi estabelecido que a parcela in natura seja “recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976”. A referida Lei, em seu art. 3º, traz texto similar à Lei 8.212/91, conforme segue: Art 3º Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga in natura , pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. Vêse, pois, que a exigência de que a alimentação fornecida in natura esteja de acordo com programa de alimentação aprovado pelo Ministério do trabalho tem dupla previsão legal. Tal constatação, por si só, já seria suficiente para afastarmos qualquer possibilidade de afastarmos, na aplicação da lei, a exigência de tal requisito para o reconhecimento da isenção. No entanto, a título argumentativo, compulsamos a legislação do Ministério do Trabalho que trata do assunto para verificarmos quais as exigências do referido programa, de modo a concluirmos se seriam exigências que atendem ao princípio da proporcionalidade. No art 1º da Portaria 03/2002 há a previsão de que o Programa de Alimentação do Trabalhador “tem por objetivo a melhoria da situação nutricional dos trabalhadores, visando a promover sua saúde e prevenir as doenças profissionais.”. Notase, portanto, que a regulamentação do PAT traz em si uma preocupação com o bem estar dos Fl. 151DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15586.001747/200965 Acórdão n.º 2301002.348 S2C3T1 Fl. 144 5 trabalhadores. Nesse sentido, o art 5º da mesma Portaria estabelece critérios para garantir que o trabalhador receba uma alimentação saudável, com respeito aos alimentos regionais e ao significado socioeconômico e cultural dos vários alimentos. Prossegue a norma infralegal com preocupações sobre os macronutrientes que devem estar contidos em cada uma das refeições do dia. Quanto às formalidades necessárias para adesão ao PAT, não vislumbramos serem demasiadamente excessivas de modo a, consideradas as finalidades de interesse público do PAT, ferirem a proporcionalidade. A necessidade de obediência ao PAT, portanto, é uma exigência legal para o benefício da isenção que tem objetivo proteger o trabalhador, evitando que o empregador forneça alimentação inadequada para sua saúde e bem estar, e que foi regulada atendendo ao princípio da proporcionalidade. Desconsiderar a adesão ao PAT, além de afrontar o texto legal, é operar em desfavor do trabalhador na medida em que implicaria afastar norma que tenta preservar sua saúde. A par disso, não ignoramos que o STJ tem jurisprudência que afasta a incidência da contribuição previdenciária sobre a alimentação in natura, estando ou não a empresa vinculada ao PAT. No entanto, ao analisarmos os vários Acórdãos nesse sentido, observamos, mais uma vez, um encadeamento de referências a precedentes que acabam por tomar como leading case o RESP 85.306DF de 1996 com a seguinte ementa: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA POR EMPRESA.PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO AO TRABALHADOR (PAT). NATUREZA NÃO SALARIAL. REEXAME DE PROVAS. IMPOSSIBILIDADE PELA VIA ELEITA DO ESPECIAL. I AFIGURASE ESCORREITO O V. ACÓRDÃO VERGASTADO AO DECIDIR QUE A ALIMENTAÇÃO PAGA, ESTEJA O EMPREGADOR INSCRITO OU NÃO NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR (PAT), NÃO E SALÁRIO "IN NATURA", NÃO E SALÁRIO UTILIDADE, POR ISSO QUE NÃO PODE, NUM OU NOUTRO CASO, HAVER INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ADEMAIS, NÃO E O RECURSO ESPECIAL O MEIO HABIL PARA REEXAMINAR PROVAS. II RECURSO NÃO CONHECIDO. Indo além da ementa, o voto condutor do leading case assumiu as conclusões do Parecer do Ministério Público Federal que fez considerações sobre a alimentação fornecida de maneira não gratuita aos funcionários de uma empresa. Ora, é fora de dúvidas que se o trabalhador paga pela alimentação que recebe, não podemos cogitar que isso seja salário. Não sendo salário, não seria mesmo necessário cogitar da inscrição ou não no PAT, pois não faz parte do campo de incidência da contribuição previdenciária. Mas veja que o leading case, tantas vezes repetido no STJ, tratava de uma situação específica de alimentação paga pelo trabalhador e não pela empresa em benefício do trabalhador. Apesar disso, a partir de tal Acórdão foram se multiplicando os Acórdãos que tomavam tal decisum como precedente para, em situação diversa, não exigir o registro no PAT em casos de alimentação in natura Fl. 152DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por MAURO JOSE SILVA 6 fornecidas gratuitamente ao trabalhador. Escapando da reiterada confusão, o RESP 476.194 fez uma clara distinção da situação para a qual não se exige o PAT: REsp 476194 / PR TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EMPREGADOR NÃO INSCRITO NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO AO TRABALHADOR. FORNECIMENTO DE REFEIÇÕES DECORRENTE DE CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. NÃO INCIDÊNCIA. TAXA SELIC. 1. Empresa não cadastrada no Programa de Alimentação ao Trabalhador não faz jus aos benefícios fiscais previstos na Lei 6.321/76, que exclui o custo da alimentação fornecida pelo empregador da parcela incorporada ao salário para fins de contribuição previdenciária. 2. Fornecida a alimentação pelo empregador não inscrito no PAT e havendo desconto do salário do empregado que a usufrui, para cobrir custos dos alimentos auferidos, não se caracteriza como salário in natura, e, por isso, como salário de contribuição para a receita da seguridade. Por outro lado, não sendo integral o pagamento da refeição, fica caracterizada como parcela salarial a diferença do que foi pago, integrando este excedente a base de cálculo da contribuição previdenciária. 3. É pacífico na jurisprudência da Corte o entendimento segundo o qual é legítima a incidência, tanto na cobrança de dívida fiscal,quanto na repetição de indébito tributário, da Taxa SELIC. 4. Recurso especial a que se nega provimento. Lamentavelmente, o Acórdão acima não prevaleceu, tendo sido objeto de Embargos de divergência que acabaram por retomar o conteúdo da jurisprudência reiterada que não exige a inscrição no PAT. De nossa parte, com a devida vênia, assinalamos que a repetida jurisprudência do STJ que dispensa a vinculação ao PAT em qualquer caso está amparada em premissa específica que não permitiria sua aplicação genérica como vem sendo feita. Assim, nossa posição é, seguindo a expressa determinação legal, no sentido de exigir a inscrição no PAT como requisito para desfrutar da isenção em relação à alimentação in natura. Conforme apontado pela fiscalização, fls. 51, a recorrente não estava inscrita no PAT, o que não foi contraditado pela interessada. Assim, em harmonia com nossos argumentos já apresentados, não vemos alterações a fazer nessa parte do lançamento. Multa de ofício confisco O impugnante suscita em sua defesa o Princípio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, da Constituição Federal, que veda à União utilizar tributo com efeito de confisco. É descabida a alegação de confisco quanto à exigência da multa, pois a vedação estabelecida na Constituição Federal é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de Fl. 153DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15586.001747/200965 Acórdão n.º 2301002.348 S2C3T1 Fl. 145 7 confisco. Não observado o princípio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico por inconstitucional. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála . Além disso, é de se ressaltar que a multa é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009 Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, seja aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de três situações: 1 lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores esta. 2 lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449 Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei Fl. 154DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por MAURO JOSE SILVA 8 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP: o art. 32A e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Para tanto, nossa análise percorre o seguinte caminho: primeiro verificamos a existência de diferença de contribuição constada no mesmo procedimento de ofício, depois determinamos a multa de ofício aplicável e, por último, na ausência de diferença de tributo, verificamos a multa pelo descumprimento de obrigação acessória. Logo, apurada diferença de contribuição, a falta de apresentação da GFIP e a declaração inexata da GFIP, hipótese antes punidas pelos §§4º e 5º do art. 32 da Lei 8.212/981, são puníveis pela multa de 75% sobre a diferença do tributo, com base no inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Por fim, se não foi apurada diferença de contribuição, hipótese antes punida pelo §6º do art. 32 da Lei 8.212/91, a MP 449 previu a aplicação da multa do art. 32A da Lei 8.212/91. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida em na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável às outras duas situações. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou Fl. 155DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15586.001747/200965 Acórdão n.º 2301002.348 S2C3T1 Fl. 146 9 privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449 Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. No tocante às penalidades que se relacionam com a GFIP, o novo regime das infrações relativas às contribuições previdenciárias prevê que separemos duas situações: quando houver diferença de tributo e quando não houver tal diferença. Nas competências em que houver tal diferença, ou seja, quando no mesmo procedimento de ofício houver lançamento de penalidade por infração relativa à GFIP e Fl. 156DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por MAURO JOSE SILVA 10 lançamento da própria contribuição em relação ao mesmo período, devemos nos basear no art. 35A. Assim, comparamos a multa de 75% prevista no inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96 com a soma das multas dos §§4º, 5º e 7º do art. 32 da Lei 8.212/91. A penalidade mais benéfica ao contribuinte é aquela que deve prevalecer. Se o caso restringese a declaração inexata de GFIP, comparamos a multa de 75% prevista no inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96 com a soma das multas dos §§ 5º e 7º do art. 32 da Lei 8.212/91. Nas competências em que não houver tal diferença, ou seja, quando a multa for fundamentada no §6º do art. 32 da Lei 8.212/91, a comparação há de ser feita com o art. 32 A da Lei 8.212/91, prevalecendo a multa mais benéfica. No caso concreto, entretanto, observamos que a fiscalização não anexou a planilha correta que demonstraria a comparação entre os regimes de penalidades. A tabela de fls. 54 não se refere ao caso em análise, posto que a multa de 75% ali contida não corresponde àquela constante de fls. 05 e segs. Dessa forma, a recorrente teve seu direito à ampla defesa cerceado, bem como faltou motivação fática a essa parte do lançamento, ensejando sua nulidade por vício material. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao RECURSO VOLUNTÁRIO de modo a: (i) anular o lançamento da multa de ofício devido a vício material. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 157DF CARF MF Impresso em 14/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 14/01/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por MAURO JOSE SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 11634.000191/2010-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 15/03/2010
Ementa: RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 449. REDUÇÃO DA MULTA.
As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, sendo benéfica para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212.
Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se
a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe
comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Numero da decisão: 2302-001.274
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida
Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A,
inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991.
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201108
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 15/03/2010 Ementa: RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, sendo benéfica para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 11634.000191/2010-50
anomes_publicacao_s : 201108
conteudo_id_s : 4986544
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Dec 30 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 2302-001.274
nome_arquivo_s : 230201274_11634000191201050_201108.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : Marco André Ramos Vieira
nome_arquivo_pdf_s : 11634000191201050_4986544.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
id : 4743956
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:41:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044233184608256
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1976; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 313 1 312 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11634.000191/201050 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 230201.274 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de agosto de 2011 Matéria Auto de Infração. Obrigações Acessórias em GFIP. Recorrente CESA CENTRO DE ESTUDO SUP DE APUCARANA Recorrida DRJ CURITIBA PR Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 15/03/2010 Ementa: RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, sendo benéfica para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato e Wilson Antônio de Souza Correa. Ausente momentaneamente o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11634.000191/201050 Acórdão n.º 230201.274 S2C3T2 Fl. 314 3 Relatório Trata o presente auto de infração, lavrado em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 6º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, III do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, o recorrente informou incorretamente o campo referente ao código de recolhimento de GPS e terceiros no período 08/2006, 09/2006, 11/2006, 03/2007, 05/2007, 09/2007, 13/2007, 02/2008 e 04/2008, conforme relatório fiscal às fls. 21 a 23. A autuada apresentou impugnação às fls. 38 a 66. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento emitiu a Decisão, fls. 231 a 236, mantendo a autuação na integralidade. A autuada não concordando com a decisão emitida pelo órgão fazendário interpôs recurso, fls. 242 a 269. Em síntese a recorrente alega o seguinte: a) A fiscalização foi realizada fora do estabelecimento; a análise de documentos foi realizada fora do estabelecimento da autuada; b) O prazo para apresentação foi exíguo; c) A negativa da perícia cerceia o direito do contribuinte; d) Durante a fiscalização não foi permitido o acompanhamento pela autuada; e) Não há provas das alegações fiscais; f) Houve erro de tipificação; a decisão a quo não apreciou o argumento; g) O dispositivo aplicado já foi revogado; h) A entidade é beneficente; não havendo fato gerador; i) Deve ser aplicada a retroatividade benigna; j) A produção de prova pericial foi indeferida imotivadamente; k) Requerendo provimento ao recurso interposto. Não foram apresentadas contrarazões pelo órgão fazendário. É o relato suficiente. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente. De acordo com o comprovante de ciência à fl. 240, o recorrente foi cientificado no dia 23 de julho de 2010 (sextafeira). O recurso foi interposto em 23 de agosto de 2010, fl. 242. Os relatórios juntados pela fiscalização favorecem a ampla defesa e o contraditório, possibilitando ao notificado o pleno conhecimento acerca dos motivos que ensejaram o lançamento. Desse modo, não assiste razão à recorrente de que houve omissão na motivação do lançamento. A motivação é simples, e restou cabalmente demonstrada no relatório fiscal às fls. 21 a 23: a entidade informou códigos errados nas GFIP apresentadas, descumprindo obrigação acessória. Quanto ao argumento de que deve ser oportunizada a dilação de prazo para juntada de novos documentos, não assiste razão à recorrente. À fl. 02 foi cientificado à empresa de que teria o prazo de 30 dias para apresentar defesa. Os prazos no processo administrativo são peremptórios, não podendo ser alterado pelas partes, tampouco a administração pode alterálos para um determinado contribuinte. Assim, independentemente da quantidade de autuações lavradas, tal quantidade não tem o condão de alterar o prazo para apresentação de defesa administrativa. A prova documental tem que ser colacionada no prazo disponível para defesa. O prazo para apresentação de impugnação é ex lege, e justamente para não ferir o princípio da isonomia, o prazo de 30 dias deveria ser observado em qualquer caso. Sendo aplicada a lei da forma como prevista, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. Não restou configurada a existência de caso fortuito ou força maior que impediam a juntada de documentos pela recorrente. Quanto ao argumento de que houve cerceamento de defesa, pois foi julgado o processo administrativo sem oportunizar à recorrente a produção de provas pelas quais expressamente protestou; não lhe assiste razão. A recorrente não tem que protestar pelas provas documentais no processo administrativo, mas sim tem que produzilas. Como as demonstrações das alegações são provas documentais, as mesmas tem que ser colacionadas na peça de defesa, no processo judicial tal procedimento não é distinto, pois cabe ao autor juntar na exordial as provas, assim como ao réu colacionálas na contestação, sob pena de preclusão. Pode a autoridade julgadora indeferir o pleito da recorrente, sem ferir o princípio da ampla defesa. Nesse sentido dispõe o Decreto n ° 70.235/1972 sobre o processo administrativo fiscal, nestas palavras: Art. 17. A autoridade preparadora determinará, de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, a realização de diligência, inclusive perícias quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11634.000191/201050 Acórdão n.º 230201.274 S2C3T2 Fl. 315 5 Parágrafo único. O sujeito passivo apresentará os pontos de discordância e as razões e provas que tiver e indicará, no caso de perícia, o nome e o endereço do seu perito. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligência ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93) (...) No presente caso, a perícia é despicienda; pois toda a matéria probatória já consta nos autos. E como já afirmado, caberia à parte adversa, no caso o contribuinte, a contra prova. Não é necessário que a fiscalização seja realizada dentro do estabelecimento do contribuinte. O procedimento pode ser realizado nas dependências da órgão fazendário. Nesse sentido é o posicionamento firmado pelo CARF por meio da Súmula n 6, nestas palavras: Súmula CARF nº 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. Assim, a análise de documentos pode ser realizada fora das dependências da autuada. Ao contrário do que afirma a recorrente, a falta de contraditório antes do lançamento não o invalida. A ação fiscal é um procedimento de natureza inquisitiva, logo não há contraditório na formalização do lançamento. O contraditório é conferido somente após a cientificação do contribuinte acerca do lançamento efetuado. Da mesma forma que o contraditório no direito penal é conferido somente durante a ação penal e não durante o inquérito policial. No presente caso, foi conferida ciência ao contribuinte de todos os atos lavrados pelo órgão fazendário. A recorrente não é imune à contribuição previdenciária, em função de não atender aos requisitos previstos no art. 55 da Lei n o. 8.212 em vigor na época dos fatos geradores. Não há Ato Declaratório reconhecendo o direito da entidade, tampouco a recorrente apresentou Certificado de Entidade Beneficente emitido pelo CNAS. A recorrente nunca formulou pedido de reconhecimento do direito à isenção, conforme informação à fl. 235. Em função de não ter direito ao benefício fiscal, os códigos informados em GFIP foram feitos de maneira equivocada pela autuada, descumprindo portanto, obrigação acessória. Desse modo, não procede o argumento recursal de que não haveria provas dos argumentos fiscais. A fiscalização analisou as GFIP apresentadas e com base nelas verificou o erro praticado pelo sujeito passivo. A própria recorrente reconhece que preencheu os códigos em função de no entender da mesma estar amparada por benefício fiscal. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Quanto ao argumento de que teria havido erro de tipificação; pois o dispositivo aplicado já teria sido revogado. De acordo com o disposto no art. 144 do CTN, aplicase a legislação vigente no instante da ocorrência do fato gerador ainda que posteriormente modificada ou revogada. Assim, no instante das infrações estavam em vigor os dispositivos aplicados pela fiscalização federal. Haverá retroatividade quanto à aplicação da multa se o novel regime for mais benéfico para o infrator. Conforme relatório da multa aplicada, fls. 24 a 31, a fiscalização fez um comparativo para verificar qual o regime era o mais benéfico. Ao contrário do afirmado pela recorrente, a decisão a quo apreciou esse argumento, conforme fls. 235 e seguintes; explicando o motivo de ter aplicado a legislação da forma como realizou. Contudo, divirjo da forma como a retroatividade benigna foi aplicada pelo órgão fazendário. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, sendo mais benéficas para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, nestas palavras: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3o; e II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos.” (NR) Fl. 6DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11634.000191/201050 Acórdão n.º 230201.274 S2C3T2 Fl. 316 7 Desse modo, resta evidenciado, que a conduta de apresentar GFIP com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitava o infrator à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitadas aos valores previstos no § 4º do artigo 32 da Lei n º 8.212 de 1991. Agora, com a Medida Provisória n º 449 de 2009, convertida na Lei n º 11.941, a tipificação passou a ser apresentar a GFIP com incorreções ou omissões, com multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. O núcleo do tipo infracional seja na redação anterior à MP n º 449, seja com o novo ordenamento é o mesmo: apresentar a GFIP com erros. A multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A. Resta demonstrado, assim, que estamos diante de uma obrigação puramente formal, devendo ser aplicada a multa isolada. Não há razão para serem somadas as multas por descumprimento da obrigação principal e da acessória antes da MP n º 449 e após, para verificar qual a mais vantajosa. A análise tem que ser multa por descumprimento de obrigação principal antes e multa por tal descumprimento após; e multa por descumprimento de obrigação acessória antes e após. A análise tem que ser realizada dessa maneira, pois como já afirmado tratase de obrigação acessória independente da obrigação principal. A conduta de não apresentar declaração, ou apresentar de forma inexata, somente se subsumiria à multa de 75%, prevista no art. 44 da Lei n º 9.430, nas hipóteses em que não há penalidade específica para ausência de declaração ou declaração inexata. Para a GFIP, assim como a DCTF e a DIRPF, há multa com tipificação específica; desse modo inaplicável o art. 44. Para a GFIP aplicase o art. 32A da Lei n º 8.212 de 1991. Conforme previsto no art. 44 da Lei n º 9.430, a multa de 75% incidirá sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Desse modo, há três condutas no art. 44 que não precisam ocorrer simultaneamente para ser aplicada a multa. Há a conduta deixar de pagar ou recolher; outra conduta é ausência de declaração, e a outra é a apresentação de declaração inexata. Logicamente, se o contribuinte tiver recolhido os valores devidos antes da ação fiscal, não se aplica a multa de 75% prevista no art. 44 da Lei n º 9.430; mas a despeito do pagamento não declarou em GFIP, é possível a aplicação da multa isolada do art. 32A da Lei n º 8.212. Essa aplicação de multa isolada somente é possível, pelo fato de serem condutas distintas. Agora, se o contribuinte tiver declarado em GFIP não se aplica a multa do art. 44 da Lei n º 9.430, sendo aplicável somente a multa moratória do art. 61 da Lei n º 9430, pois os débitos já estão confessados e devidamente constituídos, sendo prescindível o lançamento. Afinal, a multa do art. 44 da Lei n º 9.430 somente se aplica nos lançamentos de ofício. Desse modo, se o contribuinte tiver declarado em GFIP, mas não tiver pago, o art. 44 da Lei 9.430 não é aplicado pelo fato de o contribuinte não ter recolhido, mas ter declarado; de fato, não se aplica o art. 44 em função de não haver lançamento de ofício, pois o crédito já está constituído pelo termo de confissão que é a GFIP. E nas hipóteses em que o contribuinte não recolhe e não declara em GFIP, há duas condutas distintas: por não recolher o tributo e ser realizado o lançamento de ofício, aplicase a multa de 75%; e por não ter declarado em GFIP a multa prevista no art. 32A da Lei n º 8.212. Como já afirmado, a multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Pelo exposto, é de fácil constatação que as condutas de não recolher ou pagar o tributo e não declarar em GFIP não estão tipificadas no mesmo artigo de lei, no caso o art. 44 da Lei nº 9.430/96. Assim, não há que se falar em bis in idem, tampouco em consunção. Pelo contrário, a lei ao tipificar essas infrações, inclusive em dispositivos distintos, demonstra estar tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se confundem e tampouco são excludentes. Logo, não há consistência nos entendimentos que pretendem dispensar a multa isolada, por ter sido aplicada a multa genérica. A Receita Federal do Brasil editou a Instrução Normativa RFB n º 1.027 de 22 de abril de 2010 que assim dispõe em seu artigo 4º: Art. 4º A Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, passa a vigorar acrescida do art. 476A: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação de que trata este artigo não será feita no caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta para a qual não havia antes penalidade prevista.? Entendo inaplicável a referida Portaria por ser ilegal. Como demonstrado, é possível a aplicação da multa isolada em GFIP, independentemente de o contribuinte ter pago, conforme dispõe o art. 32A da Lei n º 8.212. Uma vez que a penalidade está prevista em lei, somente quem pode dispor da mesma é o Poder Legislativo, a interpretação da Receita Federal gera a concessão de uma anistia sem previsão em lei. Nesse sentido, o art. 150, parágrafo 6º da Constituição exige lei específica para concessão de anistia. A Portaria também viola o art. 182 do CTN que exige a concessão de anistia por meio de lei. Além de violar, os artigos 32A da Lei n º 8.212 e 44 da Lei n º 9.430. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11634.000191/201050 Acórdão n.º 230201.274 S2C3T2 Fl. 317 9 Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Entendo que há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN, aplicandose isoladamente o art. 32A, I da Lei 8.212 na redação da Lei 11.941, observando o limite mínimo previsto no parágrafo 3º. CONCLUSÃO Pelo exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para no mérito CONCEDERLHE PROVIMENTO PARCIAL. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. É como voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 9DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13830.000258/2005-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2003
DIREITO CREDITORIO. IRPJ. SALDO NEGATIVO. DEPÓSITOS JUDICIAIS.
A mera afirmação de que os valores foram depositados a maior e a diferença ignorada na apuração do saldo negativo carece dos inafastáveis requisitos de certeza e liquidez do crédito tributário.
Numero da decisão: 1301-000.695
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201109
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano-calendário: 2003 DIREITO CREDITORIO. IRPJ. SALDO NEGATIVO. DEPÓSITOS JUDICIAIS. A mera afirmação de que os valores foram depositados a maior e a diferença ignorada na apuração do saldo negativo carece dos inafastáveis requisitos de certeza e liquidez do crédito tributário.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 13830.000258/2005-06
anomes_publicacao_s : 201109
conteudo_id_s : 4837332
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 02 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1301-000.695
nome_arquivo_s : 130100695_13830000258200506_201109.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 13830000258200506_4837332.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
dt_sessao_tdt : Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
id : 4744815
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:42:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044233187753984
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1541; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13830.000258/200506 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301000.695 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 30 de setembro 2011 Matéria IRPJ. Recorrente MARILAN ALIMENTOS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003 DIREITO CREDITORIO. IRPJ. SALDO NEGATIVO. DEPÓSITOS JUDICIAIS. A mera afirmação de que os valores foram depositados a maior e a diferença ignorada na apuração do saldo negativo carece dos inafastáveis requisitos de certeza e liquidez do crédito tributário. : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri, Paulo Jackson da Silva Lucas, Waldir Weiga Rocha, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Carlos Augusto de Andrade Jenier. . Relatório Fl. 475DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE 2 Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada, contra decisão proferida pela 5ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto/SP. A recorrente apresentou Declaração de Compensação (PER/DCOMP fls. 01 – 05), por meio da qual pretendeu compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de Saldo Negativo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) do ano calendário 2003, no valor de R$ 475.162,51 (fl. 02). Em apreciação do feito, a autoridade administrativa emitiu despacho decisório de folhas 132 a 141, no qual se deferiu parcialmente o pleito, reconhecendo o direito creditório a título de saldo negativo de IRPJ no valor respectivo de R$ 383.883,48, homologando, até o limite do crédito reconhecido, a declaração de compensação de folhas 01 a 05. A parte do crédito não reconhecida, conforme se depreende dos autos, entendeu a autoridade administrativa que no mês de março de 2003, a contribuinte compensou o IRPJ devido por estimativa, no valor de R$ 3.009,36, compensação esta que não foi homologada no processo administrativo n° 13830.000741/200311; por outro turno, as estimativas de IRPJ dos meses de maio/2003 e agosto/2003 foram glosadas no montante de R$ 931,01 e R$ 10.917,56, respectivamente, por terem sido compensados com suposto crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa (código de receita: 2362); já os valores de R$ 4.973,14, R$ 31.070,95, R$ 16.644,21 e R$ 31.958,49 (DCTF às fls. 32, 36, 40 e 43) foram excluídos da apuração do saldo negativo de IRPJ, em razão do processo judicial n° 2000.03.00.0247180 ainda não ter transitado em julgado. Cientificada do indeferimento parcial do seu direito creditório, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 170 – 185), acompanhada dos documentos de folhas 186 a 365, alegando em síntese que apresentou Declaração de Compensação de créditos oriundos de Saldo Negativo de IRPJ, apurado no ano calendário 2003, no valor de R$ 475.162,51, para compensar débitos a título de Cofins, no período de janeiro de 2004 e foi reconhecido como direito creditório apenas o montante de R$ 383.883,48, ensejando a diferença de R$ 91.279,03. Feitas essas recapitulações, mencionou a recorrente que as compensações glosadas nos meses de abril, maio e agosto de 2003, nos valores de R$ 3.009,36, R$ 931,01 e R$ 10.917,56, respectivamente, foram realizadas com créditos decorrentes de sobra/saldo de pagamentos desvinculados de qualquer estimativa e que os valores de R$ 4.973,14, R$ 31.070,95, R$ 16.644,21 e R$ 31.958,49, depositados na medida cautelar n° 2000.03.00.0247180, não interferiram na composição do saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2003, aduzindo ainda que na recomposição do IRPJ a recolher no ano calendário 2003, a autoridade fiscal não deduziu o valor despendido pela requerente a título de PAT (Programa de Alimentação do Trabalhador), no montante de R$ 23.913,54. Seguiu a recorrente argumentando que em relação ao crédito no valor de R$ 3.009,36, utilizado para quitação do IRPJ devido por estimativa em março de 2003, a pendência seria resolvida no processo administrativo n° 13830.000741/200311 e que o crédito no valor de R$ 931,01 também foi devidamente compensado com saldo do crédito decorrente do DARF no valor de R$ 35.292,02, recolhido a maior em 31/10/2000. Já o débito de IRPJ do mês de agosto/2003, no valor de R$ 10.917,56, segundo aduziu a recorrente foi compensado com pagamentos indevidos de IRPJ e CSLL realizados em 31/10/2000 e de forma semelhante ao explicado com relação ao recolhimento Fl. 476DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE Processo nº 13830.000258/200506 Acórdão n.º 1301000.695 S1C3T1 Fl. 2 3 equivocado a título de IRPJ, o crédito de CSLL utilizado na compensação de agosto/2003 não estaria vinculado ao regime de estimativa, sendo tão somente mero pagamento indevido. Em vista do exposto, requereu fosse analisada aquela manifestação de inconformidade em conjunto com a apresentada no processo n° 13830.000741/200311, esclarecendo que a medida cautelar n° 2000.03.00.0247180 referese a demanda ainda em andamento, em que a requerente pretende autorização judicial para deduzir a CSLL da base de cálculo do IRPJ e de sua própria base e que os depósitos judiciais foram desconsiderados pela requerente na composição de seu saldo negativo de IRPJ, ocorrendo que do saldo negativo a recuperar no valor de R$ 505.998,87, R$ 421.352,08 foram regularmente recolhidos e a diferença, no valor de R$ 84.646,79, está depositada em juízo, sendo que o valor depositado foi reavaliado pela recorrente, constatando a contribuinte que deveria ter depositado somente R$ 53.810,43. Dito isso, afirmou na sequencia que diante da exclusão da CSLL da base de cálculo do IRPJ, o saldo negativo de IRPJ seria de R$ 528.972,94, que subtraído da quantia a permanecer depositada (R$ 53.810,43), resulta no saldo negativo utilizado pela requerente, no valor de R$ 475.162,51. Argumentou ainda, que não obtiver um desfecho favorável ao final da discussão judicial, o Fisco seria duplamente beneficiado, tanto pela conversão em renda dos depósitos efetuados, quanto pela redução do saldo negativo. No mais, insistiu que a autoridade fiscal também desconsiderou as despesas de custeio realizadas na execução do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), pois conforme se observa da DIPJ/2004, a recorrente tinha direito à dedução de 4% da parcela a recolher de R$ 597,838,43, ou seja, R$ 23.913,54. Por fim, requereu o julgamento do presente processo com o processo n° 13830.0000741/200311, bem como a suspensão do presente até o deslinde dos valores depositados na medida cautelar n° 2000.03.00.0247180, uma vez que a decisão naquela ação é prejudicial a presente demanda. Destacase que em 21 de outubro de 2008, o processo foi encaminhado em diligência à DRF de origem para as providências descritas na Resolução de n° 1.093 da 5ª Turma da DRJ/RPO (fls. 369 372), sendo que em 28 de abril de 2009, os autos retornaram com a juntada do relatório de diligência fiscal de folhas 386 a 388. A 5ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto/SP deferiu em parte a solicitação da recorrente (fls. 403 a 410), fundamentando para tanto, que no caso em tela, a contribuinte pretendeu compensar débitos de sua responsabilidade com créditos decorrentes de saldo negativo de imposto de renda da pessoa jurídica (IRPJ), ano calendário 2003, no valor de R$ 475.162,51, ressaltando, entretanto, que tal crédito foi constituído não somente por meio de recolhimentos, mas também mediante apresentação de PER/Dcomp tendo como origem do crédito pagamentos indevidos ou a maior efetuados no ano calendário 2000. Sendo assim, considerou a decisão recorrida que ao analisar o presente processo, a autoridade fiscal desconsiderou as compensações efetuadas pela contribuinte, nos meses de maio/2003 e agosto/2003, pois, segundo o despacho decisório de folhas 132 a 141, "os valores destes débitos foram compensados indevidamente com suposto crédito, oriundo de pagamento a maior ou indevido, cujo código de receita foi 2362 (estimativa de IRPJ)". Fl. 477DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE 4 No entanto, ressaltou a Turma Julgadora que referidas compensações, dos meses de maio/2003 e agosto/2003, nos valores de R$ 931,01 e R$ 4.086,34, foram realizadas mediante a apresentação de PER/Dcomp de n° 13096.81150.300603.1.3.047987 e 37442.24019.300903.1.3.040204 (fls. 218 221 e 223 227), respectivamente. Ademais, a recorrente teria fustigado o fato de a autoridade fiscal desconsiderar da apuração do saldo negativo de IRPJ, anocalendário de 2003, a dedução relativa ao "Programa de Alimentação do Trabalhador", no valor de R$ 23.913,54, correspondente à linha 05 da ficha 12A da DIPJ/2004J (fl. 245). Diante de tais fatos e levandose em conta a identificação da presença de questão prejudicial, a Turma Julgadora encaminhou o feito ao órgão de origem, para manifestação, destacandose na decisão recorrida que conforme se verifica do Relatório de Diligência de folhas 386 a 387, a DRF/Marília juntou cópias de expedientes extraídos de sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (fls. 375 385), relativos aos processos administrativos n° 13830.900222/200605 e 13830.900223/200641. Esclarecendo os fatos registrou a decisão recorrida que em relação ao processo n° 13830.900222/200605, a DRF/Marília informou que operada a análise eletrônica do direito creditório, Dcomp n° 13096.81150.300603.1.3.047987, resultou em crédito disponível integral, na situação "aguardando procedimento de compensação", o que afeta o débito no valor original de R$ 931,01, acrescentando que caso não ocorra o registro de homologação convencional, "ainda assim, já se lhe resguarda aplicável o fenômeno da homologação por disposição legal". No que respeita ao processo n° 13830.900223/200641, a DRF/Marília informou que consoante pesquisa SIEF WEB, de 31 de março de 2009, a compensação declarada na Dcomp n° 37442.24019.300903.1.3.040204, no valor de R$ 4.086,34, encontravase homologada ("Homologação Total"). Quanto ao direito da recorrente de dedução do Programa de Alimentação do Trabalhador, assentou a Turma Julgadora que a DRF/Marília, informou que "o valor consignado a propósito de PAT (Programa de Alimentação do Trabalhador), na linha 05, da Ficha 12A, da DIPJ/2004, salvo melhor intelecção, deveria ser deduzido do IR devido, nos moldes do art. 582, parágrafo único do RIR/1999, c/c art. 3°, IN SRF n° 267/2002, dado que não computado tal rubrica nessa oportuna decisão. Em se tratando do valor de R$ 30.836,36, pleiteado nos autos e relativo à diferença entre o valor de R$ 84.646,79, depositado em juízo, e aquele reavaliado pela recorrente, no montante de R$ 53.810,43, entendeu a decisão recorrida que a autoridade administrativa agiu em estrita conformidade com a legislação ao excluir da apuração do saldo negativo de IRPJ os valores de R$ 4.973,14, R$ 31.070,95, R$ 16.644,21 e R$ 31.958,49, em razão do processo judicial n° 2000.03.00.0247180 ainda não ter transitado em julgado. Fundamentou essa assertiva ao frisar que a própria recorrente informa que os depósitos judiciais foram desconsiderados pela contribuinte na composição de seu saldo negativo de IRPJ (fl. 180). Contudo, segundo constaria na manifestação, o valor depositado foi reavaliado pela recorrente, constatando que deveria ter sido depositado tão somente R$ 53.810,43, e não os R$ 84.646,79, correspondentes à soma dos valores de R$ 4.973,14, R$ 31.070,95, R$ 16.644,21 e R$ 31.958,49, ressaltandose que do valor depositado em juízo, somente será convertida em renda da União a parcela correspondente ao tributo devido, pois o excedente, havendo, será levantado pela depositante e que no trâmite processual normal, a Fazenda Pública apresenta seus cálculos e pede ao Juiz autorização para a conversão do depósito em renda; este, antes de decidir, ouve a parte contrária, de sorte que o valor Fl. 478DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE Processo nº 13830.000258/200506 Acórdão n.º 1301000.695 S1C3T1 Fl. 3 5 convertido em renda da União é aquele que o Juiz da causa, após manifestação da Fazenda Pública e do depositante, considerará que seja o correspondente ao tributo devido. Considerouse, portanto, ser totalmente descabida a afirmação da contribuinte de que se não obtiver um desfecho favorável ao final da discussão judicial, o Fisco será duplamente beneficiado, tanto pela conversão em renda dos depósitos efetuados, quanto pela redução do saldo negativo, ora debatida, porquanto seria convertido em renda da União somente o valor do tributo devido, podendo inclusive o valor convertido vir a ser inferior ao devido, no caso de insuficiência dos depósitos. Por tais razões, considerou a Turma Julgadora que a contribuinte não demonstrou administrativamente que o valor depositado em juízo teria sido indevido ou a maior, ressaltandose que nem mesmo tal demonstração, se existisse, poderia socorrêla em seu intento, já que a demonstração deveria ser feita ao Poder Judiciário, uma vez que se trata de discussão acerca de depósito judicial, não cabendo apreciação na esfera administrativa. Somente o Poder Judiciário tem competência para a correção de erro — seja qual for sua causa — eventualmente cometido nas ações judiciais. Quanto ao débito de R$ 3.009,36, compensado a título de estimativa de IRPJ, do mês de março de 2003 (processo administrativo n° 13830.000741/200311), e ao débito de R$ 6.831,22 (R$ 10.917,56 — R$ 4.086,34), compensado a título de estimativa, do mês de agosto de 2003 (processo administrativo n° 13830.900224/200696), a decisão recorrida reputou corretas as glosas efetuadas pela autoridade fiscal, afirmando que se deveria reconhecer que o artigo 170 do CTN estabelece que a compensação somente poderá ser processada nas condições e sob as garantias que a lei estipula e com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública e de pronto, verificariase que o processo n° 13830.000741/200311, no qual a recorrente compensou o débito relativo ao IRPJ de março de 2003, código: 2362, com vencimento em 30/04/2003, no valor de R$ R$ 3.009,36, foi indeferido pela DRF em Marília/SP, no Despacho Decisório n° 2007/352. A par disso, consignouse que este despacho decisório foi objeto de manifestação de inconformidade, tendo a DRJ/RPO, mediante o Acórdão n° 1420.636, de 26/09/2008, por unanimidade de votos, indeferido a solicitação da requerente, para não reconhecer qualquer direito creditório pleiteado situação que refletiria a ausência de certeza e liquidez nos crédito relacionado. Diante dessas fundamentações, e amparada nas informações de folhas 386 a 387, considerando que foi comprovada parcialmente a certeza e liquidez do recolhimento indevido, a decisão recorrida entendeu pela procedência parcial da manifestação de inconformidade para reconhecer o direito creditório no valor de R$ 28,930,89 (vinte e oito mil, novecentos e trinta reais e oitenta e nove centavos), a título de saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2003, homologando as declarações de compensação vinculadas ao presente processo até o limite do crédito ora reconhecido. Cientificada da decisão (fl. 438), a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 439 – 449), refutando a parte que não lhe foi favorável, reiterando para tanto, os argumentos anteriormente lançados e já reproduzidos acima e pugnando por provimento. É o relatório. Fl. 479DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE 6 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Como descrito no extenso e minudente relatório acima elaborado, cuidase de declaração de compensação cujo direito creditório estaria arrimado no saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2003. Praticamente todo o direito creditório da recorrente já foi reconhecido, quer pela primitiva decisão da DRF de Marília/SP, que pela 5ª Turma Julgadora da DRJ de Ribeirão Preto/SP. A parte guardada ao inconformismo da recorrente, manifestada em sua peça recursal está adstrita à parcela não reconhecida, porquanto se imputou correta a exclusão da apuração do saldo negativo de IRPJ, dos valores de R$ R$ 4.973,14, R$ 31.070,95, R$ 16.644,21 e R$ 31.958,49, objetos de depósito judicial (MC n° 2000.03.00.0247180) e a correspondente ausência de trânsito em julgado daquela medida. Segunda parte do inconformismo manifestado pela recorrente consiste no fato de a decisão fustigada ter reputado corretas as glosas de R$ 3.009,36, referente a março/2003, e de R$ 6.831,22 (R$ 10.917,56 R$ 4.086,34), do mês de agosto/2003, já que ambos os processos administrativos em que a recorrente pleiteia o reconhecimento da compensação, tiveram decisões desfavoráveis. Pois bem, marcados os limites objetivos do enfrentamento remanescente, cumpre esclarecer que em relação ao primeiro item (exclusão da composição do saldo negativo de parcela depositada em Juízo), não assiste razão à recorrente. Com efeito, esclareceu a recorrente que os referidos depósitos foram realizadas em Medida Cautelar atrelada a Mandado de Segurança no qual pretende excluir da composição da base de cálculo do IRPJ a CSLL devida, e que analisando os indigitados depósitos, percebeu têlos efetivado em patamar superior, sendo viável que as diferenças entre o que realmente deveria ter depositado e o que de fato o foi, componham a apuração do saldo negativo de IRPJ de 2003. Não se discute que a recorrente ao final do exercício de 2003, conhecendo a real parcela tributável do IRPJ, tenha reavaliado o impacto da CSLL no referido imposto (tese da sua ação judicial) e verificado que os depósitos realizados na ação judicial foram maiores do os efetivamente realizados, a questão que impede o reconhecimento da diferença como capaz de gerar impacto na apuração do saldo negativo, ao meu sentir, devese ao fato de os depósitos estarem à ordem do Poder Judiciário, ou seja, contrariamente ao que afirmou a recorrente, a ausência de definitividade da sua ação judicial obsta sim, que se afira a certeza e liquidez do crédito tributário. Ora, por mais que tratemos apenas da composição do saldo negativo de determinado exercício, não pode administração pública imiscuirse na seara de uma ação judicial em andamento e afirmar que os valores depositados se deram em patamar correto, Fl. 480DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE Processo nº 13830.000258/200506 Acórdão n.º 1301000.695 S1C3T1 Fl. 4 7 equivocado ou diverso. Tais inferências, uma vez colocadas ao crivo do Poder Judiciários, competemlhe de maneira exclusiva e inarredável. Volto a insistir, o que foi depositado em juízo somente naquela via se poderá afirmar ser correto ou incorreto. Por outro lado, ante a mera afirmação de que os valores foram depositados a maior e a diferença ignorada na apuração do saldo negativo, quer me parecer faltar a comprovação, por parte do sujeito passivo, dos inafastáveis requisitos de certeza e liquidez do crédito tributário, em razão do que, nessa parte específica, mantenho a decisão recorrida. A parte seguinte do inconformismo da contribuinte, relacionado às glosas de R$ 3.009,36, referente a março/2003, e de R$ 6.831,22 (R$ 10.917,56 R$ 4.086,34), do mês de agosto/2003, de igual forma não merece reparos o entendimento da douta Turma da DRJ, já que a recorrente não comprovou que nos processos administrativos em que se pleiteia a restituição de tais valores foram julgados em seu favor, carecendo assim, de certeza e liquidez. Por essas razões, encaminho meu voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 30 desetembro de 2011 (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Fl. 481DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/11/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE
score : 1.0
Numero do processo: 10680.002871/2005-22
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2001
IR-FONTE. AFASTAMENTO. 0 próprio lançamento tributário em razão da desconsideração do planejamento fiscal já atribuiu as respectivas saídas de valores a causa e seus beneficiários.
MULTA ISOLADA. ANO-CALENDÁRIO DE 2000. FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFICIO EXIGIDA EM LANÇAMENTO LAVRADO PARA A COBRANÇA DO TRIBUTO. Incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo sobre bases estimadas e da multa de oficio exigida no lançamento para cobrança de tributo, visto que ambas penalidades tiveram como base o valor da receita omitida apurado em
procedimento fiscal.
Recurso especial do Procurador negado.
Numero da decisão: 9101-001.238
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negado
provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva e Otacilio Dantas Cartaxo, que proviam em parte, para cancelar a multa isolada.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201111
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 2001 IR-FONTE. AFASTAMENTO. 0 próprio lançamento tributário em razão da desconsideração do planejamento fiscal já atribuiu as respectivas saídas de valores a causa e seus beneficiários. MULTA ISOLADA. ANO-CALENDÁRIO DE 2000. FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFICIO EXIGIDA EM LANÇAMENTO LAVRADO PARA A COBRANÇA DO TRIBUTO. Incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo sobre bases estimadas e da multa de oficio exigida no lançamento para cobrança de tributo, visto que ambas penalidades tiveram como base o valor da receita omitida apurado em procedimento fiscal. Recurso especial do Procurador negado.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10680.002871/2005-22
anomes_publicacao_s : 201111
conteudo_id_s : 4970165
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 9101-001.238
nome_arquivo_s : 9101001238_10680002871200522_201111.PDF
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 10680002871200522_4970165.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negado provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva e Otacilio Dantas Cartaxo, que proviam em parte, para cancelar a multa isolada.
dt_sessao_tdt : Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2011
id : 4748216
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:44:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044233237037056
conteudo_txt : Metadados => date: 2012-05-15T19:39:32Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2012-05-15T19:39:31Z; Last-Modified: 2012-05-15T19:39:32Z; dcterms:modified: 2012-05-15T19:39:32Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:4e6840f7-94b0-40f1-a9fd-b90381703c25; Last-Save-Date: 2012-05-15T19:39:32Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2012-05-15T19:39:32Z; meta:save-date: 2012-05-15T19:39:32Z; pdf:encrypted: false; modified: 2012-05-15T19:39:32Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2012-05-15T19:39:31Z; created: 2012-05-15T19:39:31Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 31; Creation-Date: 2012-05-15T19:39:31Z; pdf:charsPerPage: 1604; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2012-05-15T19:39:31Z | Conteúdo => CSRF-T I H. I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 10680.002871/2005-22 Recurso n° 147.639 Especial do Procurador Acórdão n° 9101-001.238 — la Turma Sessão de 21 de novembro de 2011 Matéria PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - IRFonte pagamento sem causa e/ou beneficiário não identificado - multas isoladas/estimativas Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado A & C SHOPPING LTDA. (SUCESSORA DE DAMA PARTICIPAÇÕES LTDA.) Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 2001 IR-FONTE. AFASTAMENTO. 0 próprio lançamento tributário em razão da desconsideração do planejamento fiscal já atribuiu as respectivas saídas de valores a causa e seus beneficiários. MULTA ISOLADA. ANO-CALENDÁRIO DE 2000. FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFICIO EXIGIDA EM LANÇAMENTO LAVRADO PARA A COBRANÇA DO TRIBUTO. Incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo sobre bases estimadas e da multa de oficio exigida no lançamento para cobrança de tributo, visto que ambas penalidades tiveram como base o valor da receita omitida apurado em procedimento fiscal. Recurso especial do Procurador negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos , negado provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva e Otacilio santas Cartaxo, que proviam em parte, para cancelar a multa isolada. Otacilio D Antonio Carlo - Presidente. i Filho - Relator. Processo IV 10680.002871/2005-22 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-001.238 Fl. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacilio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Antonio Carlos Guidoni Filho, João Carlos de Lima Junior, Alberto Pinto Souza Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri, Claudemir Rodrigues Malaquias Relatório Com base no permissivo do art. 7 0, I do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF n. 147/2007, a Fazenda Nacional interpõe recurso especial em face de acórdão proferido pela extinta 8a Câmara do 1° Conselho de Contribuintes, assim ementado, verbis: "OPERAÇÃO ÁGIO - SUBSCRIÇÃO DE PARTICIPAÇÃO COM ÁGIO E SUBSEQÜENTE CISÃO - VERDADEIRA ALIENÇÃO DE PARTICIPAÇÃO - Se os atos formalmente praticados, analisados pelo seu todo, demonstram não terem as partes outro objetivo que não se livrar de uma tributação especifica, e seus substratos estão alheios ás finalidades dos institutos utilizados ou não correspondem a uma verdadeira vivência dos riscos envolvidos no negócio escolhido, tais atos não são oponíveis ao fisco, devendo merecer o tratamento tributário que o verdadeiro ato dissimulado produz. Subscrição de participação com ágio, seguida de imediata cisão e entrega dos valores monetários referentes ao ágio, traduz verdadeira alienação de participação societária. PENALIDADE QUALIFICADA - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - INOCORRÊNCIA - SIMULAÇÃO RELATIVA - A evidencia da intenção dolosa, exigida na lei para agravamento da penalidade aplicada, há que aflorar na instrução processual, devendo ser inconteste e demonstrada de forma cabal. 0 atendimento a todas as solicitações do Fisco e observância da legislação societária, coin a divulgação e registro nos órgãos públicos competentes, inclusive com o cumprimento das formalidades devidas junto a Receita Federal, ensejam a intenção de obter economia de impostos, por meios supostamente elisivos, mas não evidenciam má-fé, inerente a prática de atos fraudulentos. IR-FONTE - AFASTAMENTO - O próprio lançamento tributário em razão da desconsideração do planejamento fiscal jci atribuiu as respectivas saídas de valores a causa e seus beneficiários. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFICIO - CONCOMITÂNCIA IMPROCEDÊNCIA - FALTA DE AMPARO LEGAL - Ê inaplicável a multa isolada prevista no art. 44, §1°, inciso IV da Lei n°9.430/96 cumulativamente com a inulta de oficio genérica prevista no inciso I do mesmo dispositivo legal, exigível juntamente com os tributos devido, na hipótese de falta de pagamento. A imputabilidade da multa genérica exclui as referidas multas isoladas, sob pena de se impor dupla 2 Processo n° 10680.002871/2005-22 CSRF-T1 AcOrddo n.° 9101-001.238 Fl. 3 penaliza ção sobre um mesmo fato jurídico, não admitida pelo ordenamento jurídico nacional. DESPESAS COM CONSULTORIA E ASSESSORIA JURÍDICAS - RAZOABIL IDADE E SIMETRIA - AFASTAMENTO DA EXIGÊNCIA FISCAL - Para que se confirme a dedutibilidade da despesa é indispensável que reste demonstrada a vincula ção do gasto com a atividade exercida e a correspondente vinculação aos objetos da pessoa jurídica, como aconteceu nos valores aceitos, relativos a despesas com consultoria e assessoria jurídicas. " 0 caso foi assim relatado pela Camara recorrida, verbis: A&C SHOPPING LTDA (SUCESSORA DE DAMA PARTICIPAÇÕES LTDA.), pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos, teve contra si lavrado o auto de infração de fls.07/10, para o imposto de renda pessoa jurídica, formalizado em R$ 18.319.567,78; Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL (lis. 14/17), no valor de R$ 4.231.920,41; Imposto de Renda Retido na Fonte — IRRF (lls. 20/23)no valor de R$ 8.124.803,05;Multa exigida isoladamente da CSLL (fls. 25/27), no valor de R$ 2.631.093,30. A imposição das multas de oficio se fez de duas formas: exigida juntamente com o imposto; isoladamente, qualificadas ou agravadas, nos percentuais de 112,5% ou 225% (conforme o caso), e juros de mora calculados até 31/01/2005. Enquadramento legal nos respectivos autos. O lançamento apontou as seguintes irregularidades: a) glosa de despesa não comprovada; b) falta de adição à base imponivel do resultado de alienação de investimento avaliado pelo patrimônio liquido; c) multas isoladas —falta de pagamento do IRPJ e CSLL incidentes sobre as bases estimadas em função da receita bruta e acréscimos. O TVFfls. 30/93, descreveu os seguintes eventos: a) quanto ao ganho de capital, a DAMA PARTICIPAÇÕES LTDA, sucedida pela A & C SHOPPING LTDA., era pessoa jurídica com objetivo social voltado para "a administração e participação em capitais de outras empresas, aquisição de ativos, exceto financeiros, bens móveis e valores mobiliários", detendo a participação de 24%, na empresa SABARÁ EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA. As empresas PIRÂMIDE PARTICIPAÇ ÕES LTDA. e HELAN PARTICIPAÇÕES LTDA. detinham, respectivamente, as participações de 48% e 28%. A DAMA e essas duas empresas, juntas, formavam o grupo PHDPAR. SABARÂ EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA era controladora (corn 99,99% das ações) da empresa DAMA DISTRIBUIDORA S/A, CNPJ 01.928.075/0001-08, que atuava no ramo de supermercados com os nomes de fantasia "MARTPLUS" e "EPA". 3 Processo n° 10680.002871/2005-22 CSRF-T I Acórdão n.° 9101-001.238 Fl. 4 Em 01/03/2000, a DAMA PARTICIPAÇÕES LTDA. recebeu cheques no valor de R$ 11.637.600,00, os quais foram, em parte, depositados em conta corrente, conforme cópias dos cheques em anexo e Livro Diário/Razão (fls. 138/143, do Anexo I, e 238, do Anexo II). Por este recebimento mais os auferidos pelos demais sócios da empresa, SABARÁ EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, foram transferidos 50% da participação ao grupo ingressante na sociedade, denominado WRVPAR, formado pelas empresas: ARANTES EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA; LM EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA; e VM PARTICIPAÇÕES LTDA. Tais fatos foram considerados pelo autuante como alienação de participação societária, com conseqüências tributárias não observadas pela Empresa. Houve a valorização do empreendimento do qual a DAMA PARTICIPAÇÕES LTDA era investidora, e que se realizou na venda da participação. As partes nominaran2 o negócio jurídico realizado de reestruturação societária", o que justificaria, segundo o autuante, as ações tipificadas nos arts. 71, 72 e 73, da Lei n° 4.502, de 1964. As várias intimações interpostas junto a DAMA PARTICIPAÇO ES LTDA. e a sua sucessora, solicitando o "CONTRATO DE COMPROMISSO DE ASSOCIAÇÃO MEDIANTE A COMPRA E VENDA DE AÇÕES E OUTRAS AVENÇAS", o qual foi citado como parte integrante do "ACORDO DE ACIONISTAS" da empresa SABARÁ EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A (no item 4, na pág. 6), e a "CARTA DE INTENÇÕES" também citada no mesmo "ACORDO DE ACIONISTAS" (no item 5.8, na pág. 8), não foram disponibilizados ao fisco. A Recorrente informou que tais contratos seriam verbais, trazendo na resposta ao Termo de Intimação n° 03, o que já estava no "ACORDO DE ACIONISTAS", apenas acrescentando a relação de estabelecimentos. Aqui a justificativa legal para o agravamento das multas, a luz dos incisos I e II, do art. 44, da Lei n°9.430, de 1996. A "reestruturação societária" se procedida de forma que, ao final, cada grupo passasse a possuir 50% das ações da empresa SABARÁ EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES, e por estes 50% o grupo WR VPAR pagaria ao grupo PHDPAR a importância de R$ 48.500.000,00, na proporção de cada participação das então sócias da SABARA. (Conforme "ACORDO DE ACIONISTAS" da empresa SABARÁ (nos itens 2 e 3, nas pág. 5 e 6), registrado na Junta Comercial/MG, sob o n° 201280957, eni 25/04/2000). Neste mesmo "ACORDO DE ACIONISTAS", que tem forma de contrato com cláusulas de irrevogahilidade e irretratabilidade (item 6), foi feita a divisão da administração da empresa, a saber: gestão administrativa e 4 Processo n° 10680.002871/2005-22 Acórdão n.° 9101-001.238 operacional para um grupo (WRVPAR) e gestão financeira para outro grupo (PHDPAR), conforme item 5 do mesmo documento. A "reestruturação" teria, no dizer do autuante, gerado uma receita de "planejamento tributário" que, pela forma conduzida, não fora "negócio indireto" e sim, mera simulação com intuito de fraude, haja vista as inconsistências apuradas, conforme demonstrado nesse termo, através dos fatos numerados de J O , 20 , 3°, para, a partir desses fatos concluir, por via indiciária, através da leitura do "ACORDO DE ACIONISTAS" onde supôs confer transcrição de parte do acordo subtraído ao conhecimento do fisco, (destacando que em relação ã data de assinatura o documento seria falso), pelo conteúdo das cláusulas a seguir transcritas, constantes das fls. 180/188, Anexo I): "I — WRPAR subscreverá ações na controlada e constituirá uma empresa controladora da metade da participação (que veio a ser a NOVO TEMPO EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA). 2— PHDPAR deverá também constituir uma empresa (que veio a ser a PHD EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA). Ao final, cada grupo venha a deter 50% do controle acionário da empresa SABARÁ (vontade real declarada e realizada). 3 — Por estes 50% o grupo WRVPAR pagaria ao grupo PHDPAR a importância de R$ 48.500.000,00, na proporção de cada participação (foram pagos R$ 48.530.000,00, mas repassado ao grupo PHD um total de R$ 48.490.000,00). 4 — A negociação seria formalizada através do "CONTRATO DE COMPROMISSO DE ASSOCIAÇÃO MEDIANTE A COMPRA E VENDA DE AÇÕES E OUTRAS AVENÇAS" (contrato formal que a sucedida da autuada e seu grupo insistem em afirmar ter sido "verbal", numa resistência deliberada à sua exibição). 5 — Co-gestão dos dois grupos (em AGE datada de 28/02/2000, esta co-gestão, surpreendentemente, já se materializava). 6— Faz-se remissão à "CARTA DE INTENÇÕES" e que no item 4 deste acordo estaria a relação de lojas e estabelecimentos (6 evidente que o acordo não foi verbal pois possuía até número de cláusulas, mas, conforme já relatado, recusaram-se a apresentar os documentos). 7 — Estipula-se a irrevogabilidade e a irretrababilidade do acordo. 8— Estipula-se o foro de Belo Horizonte." Inconsistência apontadas pelo fisco: a) NA INTEGRALIZAÇÃO: a ATA da AGE realizada às 10h. constou a integralizacdo como efetuada em moeda corrente, e no Boletim constou a integralização eni cheques; falta de avaliação do investimento da SABARÁ na DMA pela equivalência patrimonial (ver balanço fls. 90 do Anexo II). CSRF-T1 Fl. 5 5 Processo n° 10680.002871/2005-22 Acórdão n.° 9101-001.238 Conclusão do autuante: o capital subscrito e não integralizado não aumenta o PL - restara provado que os valores correspondentes ao capital subscrito e não integral izado só foram depositados em conta-corrente bancária no dia seguinte el suposta cisão, em n 01/03/2000, por meio de cheques onde constaram a mesma data, apontando para pagamentos efetuados pelos novos acionistas somente após a cisão. Mesmo admitindo que cheque antedatado fosse válido, no momento da cisão, a SABARÁ teria um titulo executivo que lhe permitiria a execução da obrigação contraída pelo subscritor do capital emitido. A eficácia executiva do boletim de subscrição está prevista no art. 107, I, da Lei n°6.404, de 1976. Por sua vez, o art. 182 desta mesma lei determina que as parcelas não realizadas serão contabilizadas como dedução do capital social. Como teria característica de parcela do preço de emissão de ações, o ágio, enquanto não pago, não poderia ter destino diferente daquele do capital não integral izado, não podendo, por óbvio, em ambos os casos ser integrado ao patrimônio liquido. No aspecto jurídico houve um acréscimo no patrimônio da SABARAI antes da integralização do capital, posto que passou a deter um direito contra o subscritor. No ponto de vista contábil, relevante para efellos de IRPJ, não houve acréscimo do patrimônio liquido da SARARÁ apenas com a subscrição de ações, que, como parcelas de capital não realizadas, deveriam ser lançadas em conta redutora do patrimônio liquido, inclusive aquelas correspondentes ao ágio, nos termos da legislação de regência. Na cisão os depósitos bancários não estavam realizados, nem mesmo os cheques relativos ao capital subscrito estavam emitidos. Não realizado o capital, impossível o pretenso acréscimo no patrimônio liquido da SABARÁ. Apenas a característica de titulo executivo do boletim de subscrição não seria suficiente para alterar o fato de que o patrimônio liquido não sofreu alteração alguma pela mera subscrição. No tocante a tese da falsidade ideológica contida nas ATAS DAS AGE E DOCUMENTOS CORRELA TOS, dita "reestruturação societária", ocorrera após o fato gerador dos tributos e, para encobrir a incidência da norma fiscal, houve a simulação de diversos eventos societários. (Comprovação feita através dos documentos apresentados relativos aos eventos societários datados de 29/02/2000, incoerente com o NIRE aposto nos contratos da SABARÁ, NIRE 3130001457-6, apenas obtido ern 29 de março de 2000). Isto provaria que os documentos foram confeccionados em data posterior ao registro, e a indicação da data de 29 de fevereiro de 2000 seria FALSA (Ver fls. 03/41, do Anexo II; e 180/223, do Anexo I). Portanto, sendo falsa as datas de TODOS os documentos datados de 29 de fevereiro e as transformações societárias foram realizadas com instrumentos simulatórios. CSRF-TI II. 6 6 Processo n° 10680.002871/2005-22 Acórdão n.° 9101-001.238 Continuou comentando que os registros realizados na JUCEMG, NIRE, citados nos documentos, não foram inseridos posteriormente. A mesma letra e tonalidade de tinta nos documentos manuscritos e mesmo padrão de impressão nos documentos impressos levados a registro, na JUCEMG, seriam os mesmos. Nos termos do art. 35 da Lei le 9.430/96, apreendeu o LIVRO DE "ATAS DAS ASSEMBLÉIAS GERAIS", utilizando-o para respaldar a representação fiscal para fins penais, conforme determina o art. 1° da Portaria SRF n° 2.752, de II de outubro de 2001. Como se confirmara a simulação do ato realizou o lançamento no item "ganho de capital". 0 item seguinte da autuação, glosa de despesas, ocorreu porque os documentos apresentados não atendiam aos requisitos de efetividade, necessidade, usualidade preconizados na Lei. Sua apresentação se fez através de xerox, com recusa da apresentação dos originais. Quantos aos contratos que deram origem as despesas, no dizer da Contribuinte, teriam sido verbais e os serviços prestados estariam descritos nos respectivos documentos. O autuante contestou o procedimento dizendo ser impossível que valores significativos fossem pagos sem comprovação, documentação do serviço ou contrato. Inclusive, o recibo da empresa PINHEIRO NETO — ADVOGADOS mencionou expressamente que os serviços foram "atendimento, orientação legal e execução das providências cabíveis no caso, conforme detalhamento eni anexo". Mesma conclusão das notas referentes a MARCANTE ADVOGADOS ASSOCIADOS SOCIEDADE CIVIL que já se chamou KALID & MARCANTE ADVOGADOS ASSOCIADOS S/C A ACE SERVIÇOS EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA tinha como sócios, Andréia Márcia Nogueira (sócia da DAMA PARTICIPAÇÕ ES LTDA) e Ernesto Christ ofaro de Andrade (que aprece nos documentos da reestruturação societária sempre como testemunha). Todos os serviços coincidem com a época da operação de venda da participação acionária, e a alegada reestruturação societária teria ocorrido na SABARÁ, mas os serviços foram pagos pela sucedida da autuada, o que leva à conclusão de que quem se beneficiou do planejamento tributário foram exatamente os antigos sócios da SABARÁ, pela venda da participação acionária e com economia .fiscal pelo não pagamento do GANHO DE CAPITAL. Como houve recusa da apresentação dos contratos e falta de comprovação da necessidade dos serviços, caberia a glosa e a majoração (acréscimo de 50%) da multa pelo não atendimento das intimações. CSRF-T1 Fl. 7 Processo n° 10680.002871/2005-22 Acórddo n.° 9101-001.238 IRRF — pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa, nos termos do art. 61, "caput "e § 1°, da Lei n°8.981, de 20/01/1995, pois parte dos cheques vertidos na suposta cisão, ou na melhor definição, na venda da participação societária, não foi depositada em conta corrente da sucedida da autuada e demais empresas do grupo PHD PAR, mas repassada a terceiros (conforme lançamentos no Diário, fls. 134, 181 e 240/241, do Anexo II). Nesses lançamentos o dinheiro disponível foi entregue a terceiros sem que fosse constituído um direito no ativo ou pagamento de obrigações no passivo. A contrapartida se deu com a conta de prejuízos acumulados, sem trânsito em qualquer conta de resultado, com histórico de "PAGAMENTO EQUALIZAÇÃO PATRIMONIO LIQUIDO SABARÁ" Na contabilidade da SABARÁ constou, somente, um lançamento referente aos cheques a compensar (fls. 87, do Anexo II), débito no valor de R$ 3.600.000,00, valor esse recebido de VM Participações Ltda. A origem não foi explicitada e não há contrapartida, sem qualquer lógica, e com ferimento aos preceitos contábeis. Diante da falta de explicação, ante os históricos antes mencionados, como não foi identificada a causa e/ou os beneficiários, houve subsunçdo dos fatos à norma e conseqüente lançamento do IRRF com as informa coes de que dispunha o Fisco (art. 845, II, do RIR/1999). Foram impostas multas isoladas, qualificada e agravada. O crédito fora cobrado da incorporada mas responsabilizada a incorporadora porque a incorporação foi levada, a registro, em 23/12/2004, quando o trabalho fiscal estava em vias de encerramento. Foi tentado unia reunido com os sócios para apresentação do auto de infração em nome da incorporada. Mas em i 28 de dezembro, após as festividades natalinas, a empresa postou comunicado à receita federal noticiando a incorporação. Impugnação de fls. 257/312, após narrar os fatos, contestou a afirma cão do fiscal de que não teria atendido its intimações. Discriminou as intimações e as respostas fornecidas, (conforme Docs. 02, de fls. 314/388). Esclareceu que além de responder ás intimações forneceu ao fisco todos os elementos necessários a real compreensão dos fatos, tudo antes de 28/02/2005, data em que a própria Fiscalização alegou ser passível de decadência os `fantasiosos fatos geradores objeto do lançamento fiscal." No tocante ao suposto ganho de capital informou que as empresas DAMA PARTICIPAÇÕES LTDA (incorporada pela Impugnante), PIRÂMIDE PARTICIPAÇÕES LTDA E HELAN PARTICIPAÇÕES LTDA, como únicas acionistas da empresa SABARÂ EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S.A, em nenhum momento alienaram ou transferiram sua participação na CSRF-T1 Fl. 8 Processo n° 10680.002871/2005-22 Acórdão n.° 9101-001.238 referida sociedade por ações para o denominado grupo WRVPAR, como afirmaram os fiscais. A SABARÁ EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S.A, sem a participação dos antigos acionistas, elevou o seu capital com ingresso de novos recursos aportados pelas empresas do grupo WRVPAR, através da subscrição de novas ações. No TVF obstinadamente insistiu o autuante que houve alienação de participação societária, fato gerador de imposto, se perdendo em presunções e indo ao desvario de afirmar ter identificado a "vontade real" das partes, como se detivesse o poder de conhecer o intimo das pessoas. Seria interessante se o Fisco indicasse quais seriam os limites aceitáveis para a realização de contratos verbais e, principalmente, qual conceito atribui aos "contratos verbais complexos". (Esse tipo contratual é legalmente aceito produzindo seus efeitos no mundo juridico). A fiscalização levantou dúvidas quanto à validade, a correção, a exatidão dos documentos, e, denunciando-se, insistiu na tese de falsificações em documentos que, não passaram de suspeitas infundadas ou presumidas, embora tenha compreendido os procedimentos adotados pela empresa SABARA" EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S.A, mas não concluiu corretamente porque a "empresa" não foi alienada, como afirmado no TVF. No artigo 442 do RIR/99, a previsão legal da operação que realizou. A pretensão do fisco em estabelecer valores de rentabilidade futura através da comparação de números de ações, demonstraria desconhecimento da matéria. A reorganização societária teve como resultado final a participação de 50% do capital social da empresa SABARÁ EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S.A, isto igualdade de condições no empreendimento. O processo foi iniciado e concluído na segunda metade do mês de fevereiro de 2.000, ou seja, há mais de cinco anos, e a composição social inicial permaneceu praticamente inalterada até aqui. O processo não foi simulado. O acordo de vontades uniu forças visando economia de escala alçando a empresa a um patamar mais elevado. O correto seria comparar os valores investidos, iguais para cada participante, e não fazer "jogo" com número de ações. A cobrança de ágio se deveu a expectativa de lucros futuros, que poderia ou não se confirmar. Independente da experiência que têm os envolvidos no setor sendo impossível "prever" como se comportaria o mercado, especialmente num pais cuja experiência histórica comprova oscilações da economia. Reafirmou os conteúdos das respostas aos termos de intimação n° 001 e 002, na data de 18/02/2005: "tanto os antigos sócios CSRF-T1 Fl. 9 9 Processo IV 10680.002871/2005-22 Acórdão n.° 9101-001.238 quanto os que se associaram, com vasta experiência na área do varejo, fizerain seus cálculos para fixar o valor das ações então emitidas pela Sabarci Empreendimentos e Participações S.A., cujas memórias, em razão da efetiva associação, não foram preservadas". A DAMA PARTICIPAÇÕES LTDA — empresa sucedida — não adquiriu ações com ágio que devesse ser amortizado. Destacou a incoerência da afirmação dos autuantes quanto aos procedimentos de "emissão de ações com ágio e subscrição de aumento de capital, com ingresso de novos sócios" tidos como operações válidas, ou "poderiam até ser válidas se não contivessem VICIO DE VONTADE". Mas, onde no procedimento estaria o tal VICIO DE VONTADE? Explicou-se nos seguintes termos: "nunca o grupo WRpar teve intenção de comprar uma participação de doze votos contra 20.000 do grupo PHDpar, e nem o grupo PHDpar teve intenção de vender apenas uma participação de 12 ações. (Destaques dessas razões) 0 grupo WRVPAR não comprou uma participação de doze votos do grupo PHDPAR. As negociações compreenderam a emissão de novas ações pela empresa SABARII EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S.A., que foram subscritas e integralizadas, em aumento de capital promovido pela referida sociedade anônima, na estrita conformidade com as leis comerciais e fiscais e nunca se cogitou de comprar ações já existentes. A DAMA PARTICIPAÇO ES LTDA, sucedida, com duas outras empresas — PIRÂMIDE PARTICIPAÇÕES e HELAN PARTICIPAÇõ ES LTDA — era acionista da companhia SABARÁ EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S.A, à época em que a referida SABARÁ procedeu à emissão de ações novas, que foram subscritas e integralizadas pelas empresas componentes do grupo denominado WRVPAR (VM PARTICIPAÇÕES LTDA, LM EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA e ARANTES EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA). A DAMA PARTICIPAÇÕ ES LTDA não cumpriu qualquer negociação coin o grupo denominado WRVPAR, não vendeu sua participação na empresa SABARAI, nem adquiriu novas ações. Não tomou parte em qualquer negócio. 0 grupo PHDPAR — do qual fazia parte a empresa DAMA PARTICIPAÇÕES LTDA — reduziu sua participação no capital da companhia SABARÁ EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S.A, através de um processo de cisão parcial. 0 auditor validou os procedimentos adotados, já que comprovada a integralização de capital na emissora de ações (SABARÁ), reconhece-se na sucedida (DAMA) da autuada (A&C) o lançamento da equivalência patrimonial, nos exatos termos dos artigos 389 e 428 do RIR/1999. CSRF-T1 Fl. 10 Processo n° 10680.002871/2005-22 Acórdão n.° 9101-001.238 Ainda, entendeu como se fosse simulação, o fato da Ata de Assembléia Geral afirmar que a integral ização se dera em moeda corrente e o Boletim de Subscrição dizer que fora com a entrega de Cheques! Consegue, mais, distinguir como simulação o fato de a reunião dos acionistas ter sido realizada em 29 de fevereiro de 2.000 e "os cheques estarem datados de 01 de março de 2000, isto é, o dia seguinte!" Questionou se os cheques, mesmo sem curso forçado, não teriam circulação como substituto perfeito da moeda corrente e a subscrição fora integralizada no ato, com a emissão de cheques nominais a SABARÁ. E mais, todas as operações tidas como simuladas estavam devidamente comprovadas, registradas contabilmente, visando economia fiscal e não sonegação. Descreveu os conceitos dizendo-os lícitos. Transcreveu decisões administrativas, AC'.CSRF/01-01.874/94, nos seguintes termos: IRPJ — SIMULAÇÃO NA INCORPORAÇÃO — Para que se possa materializar, é indispensável que o ato praticado não pudesse ser realizado fosse por vedação legal ou por qualquer outra razão. Senão existia impedimento para a realização da incorporação tal como realizada e o ato praticado não é de natureza diversa daquela que de fato aparenta, não há como qualificar-se a operação de simulada. Os objetivos visados com a prática do ato não interferem na qualificação do ato praticado. Portanto se o ato praticado era licito as eventuais conseqüências contrárias ao fisco devem ser qualificadas como caso de elisão fiscal e não de evasão ilícita." Respondeu as questões propostas por Ricardo Mariz de Oliveira ern seu Livro Planejamento Tributário — Elisão e Evasão Fiscal fls.372, dizendo ter o auditor concluído que o caso dos autos não se compaginaria com a assertiva, pretendendo amparar suas conclusões na LC 104/2001, Lei antielisiva, ainda sem regulamentação, bem como inexistente a época dos fatos geradores, ferindo o principio constitucional da irretroatividade A Sabará promoveu um aumento de capital, subscrito e integralizado por novos acionistas, mas jamais alienou participação societária que justificasse tributação sobre suposto ganho de capital. 0 ânimo das partes negociantes não espelhou a pretensão fiscal de, ao guitar o prep, superior a 48 milhões de reais, o grupo WRVPAR pagar, e a empresa "SABARÁ S/A" receber, ágio por uma parte ínfima das ações que compunham seu capital social (0,06%); e sim que o grupo WRVPAR pagou e a empresa "SABARÁ S/A" recebeu, admitindo novos sócios em igualdade de condições com os sócios originais, aquele valor a titulo de prego pela metade das suas ações (50%). A SABARA" EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S.A, com registro no Cartório de Registro Civil das Pessoas jurídicas, como sociedade por quotas de responsabilidade limitada, ao se transformar em sociedade anônima tornou-se, automaticamente, urna instituição sujeita ao registro na Junta Comercial o que CSRF-T1 Fl. 11 Processo n° 10680.002871/2005-22 Acórdão n.° 9101-001.238 diligenciou em fazê-lo, semelhante a uma pessoa jurídica que esteja se constituindo. E claro que o documento de constituição de uma pessoa jurídica, no momento em que é levado ao registro da Junta Comercial, não tem o número indicador — NIRE — pois ele não pode ser obtido previamente. O NIRE será atribuído à empresa ao ser registrado o ato de constituição. Após o registro do ato de constituição da pessoa jurídica a Junta Comercial só aceita os documentos (qualquer uni deles), se dele constar o NIRE. Este registro não é fornecido previamente e o documento apresentado deve conter esse número, três possíveis hipóteses de solução se apresentam: a) o número é manuscrito no documento; b) o documento é baixado em exigência pela Junta Comercial, para que seja completado com a indicação do NIRE; c) ainda, para que se evite qualquer "pendência" de análise pela Junta Comercial, a empresa, antes de enviar os documentos para registro, mas após obter o NIRE, redige novamente a parte do texto no documento onde a identificação deve ser aposta. No tocante as atas cujo ideal é sua lavratura concomitante com o desenrolar das reuniões, ou imediatamente a seu término, nada impede ou invalida que sejam lavradas após a data do evento, que é o usual, pois, a concordância e a assinatura dos participantes dão força ao documento, como declaração das decisões tornadas. A indicação da data de 29 de fevereiro de 2.000 nada tem de falsa, ao contrário do que afirma a Fiscalização. 0 ato foi realizado nessa data, mas, como a identificação do NIRE só foi obtida em 29/03/2000 parte do texto foi novamente redigido apondo-se nele o número do NIRE. Visando esclarecer a veracidade dos documentos oferecidos juntou a peça impugnatória o LAUDO DE EXAME PERICIAL (Doc. 03, fls. 390/404). possível simulação dos atos, discorridos vastamente e ern tese pelo auditor, disse que não trouxe proveito para conhecimento e desenvolvimento do processo. Tambénz incrível fora a idéia cristalizada de que a operação objeto de exame seria unia operação de compra e venda e não unia associação. A SABARA admitiu novo membro ern seu quadro social, tendo emitido novas ações, subscritas e integral izadas pelos novos sócios (art. 442 do RIR /1999). Posteriormente, a empresa HELAIV, incorporada pela Impugnante, reduziu sua participação no quadro social da empresa SABARÁ, através de uma cisão parcial, recebendo aquilo a que tinha direito como acionista. Os valores vertidos, por meio de cisão parcial, não estavam, corno não estão, sujeitos a tributação, na forma do art. 229, da Lei n° 6.404, de 1.976, embora a autuação tenha procurado desfigurar unia operação licita. As presunções utilizadas como base para lançamentos nem senipre se apoiariam em leis. Por isto o Conselho de CSRF-T1 Fl. 12 Processo n° 10680.002871/2005-22 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-001.238 Fl. 13 Contribuintes viria se pronunciando e reconhecendo a imprestabilidade de lançamento que não trazem os mínimos elementos de segurança necessários a demonstrar e embasar o fato nele presumido pela Fiscalização. Equivocada também a autoridade fiscalizadora ao se valer de pretensa "interpretação econômica" para inquinar de vicio um procedimento licito e o procedimento não poderia receber censura decorrente apenas da vontade do agente fiscal. A fiscalização constatou que três empresas entregaram SABARÁ EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A diversos cheques destinados à integraliza cão de capital que subscreveram na referida empresa. Tais cheques estão relacionados No Boletim de Subscrição na Junta Comercial de MG. Os cheques foram emitidos pelos subscritores VM PARTICIPAÇÕES LTDA, LM EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDAS, e ARANTES EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, em favor da empresa emissora de novas ações, a SABARA . EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A, como integralizaciio de capital subscrito. A sucedida, DAMA PARTICIPAÇÕES LTDA não emitiu nenhum dos cheques listados e não percebeu por que a Fiscalização, pretende que preste contas do destino dos referidos cheques, gravando-a com imposto de fonte por pagamento a beneficiário não identificado e pagamento sem causa. Os esclarecimentos sobre os referidos pagamentos foram prestados na resposta ao Termo de Intimação n°001, postada em 18/02/2005, e recebida pela Receita Federal em 24/02/2005. porém não foram apreciados. Por isto não prosperaria a pretensa infração do IRRF por pagamentos a beneficiário não identificado ou sem causa, uma vez que os pagamentos são perfeitamente identificados e possuem causa. No tocante a imposição da multa concluiu que, ausente o licito, descaberia a penalidade. E não sendo devido qualquer tributo seria descabida, por conseqüência, a aplicação de qualquer penalidade, fosse isolada ou de oficio. Mas combateu-as comentando que a aplicação concomitante da multa de oficio e da isolada, teve como base o art. 16 da IN/SRF n ° 93, de 1997. Mas à leitura do texto legal mostraria que as hipóteses de aplicação de inultas seriam excludentes entre si, pois a multa seria aplicável apenas uma única vez. A impropriedade de sua aplicação cumulativa fora combatida em decisões do Conselho de Contribuintes. 0 agravamento não se sustentaria pois tanto a DAMA como sua sucessora (ACSHOPING) atenderam, pronta e integralmente, a toda solicitação feita pela Fiscalização. 13 Processo n° 10680.002871/2005-22 Acórdão n.° 9101-001.238 Para atender ao Termo de Reintimação Fiscal n° 002 da DAMA, reintimação indevida porque a Intimação já havia sido atendida, o auditor negou o pedido de prorrogar o prazo de atendimento, previsto no art. 835, do RIR11999, sob alegação de inaplicabilidade do preceito legal, tendo concedido somente 10 dias. A pressão sofrida com os exíguos prazos concedidos dificultou o atendimento e não fora o esforço extra, empregado pelas empresas (sucedida e sucessora) correria o risco de sofrer agravamento de multa, esforço que não foi recompensado, posto que a Fiscalização não considerou os atendimentos feitos tempestivamente, buscando alegações para sustentar penalidade extra de forma arbitrária, infundada e subjetiva. Não sendo devido o principal, o acessório deveria seguir a mesma ordem. E como se isto não bastasse, inexistindo qualquer irregularidade quanto a operação de incorporação, informada tempestivamente a Receita Federal, ainda mais indevida a multa de oficio exigida, nos termos do artigo132 do CTN. Decisão de fls. 454/504, esteve assim ementada: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 Ementa: GANHO DE CAPITAL. Restando comprovada nos autos a simulação fraudulenta, realizada no intuito de dissimular a operação efetivamente ocorrida, que foi a venda de ativo operacional liquido, deve ser mantido o lançamento cuja fundamentação reside no ganho de capital apurado nessa alienação. "GLOSAS DE DESPESAS. É cabível a glosas de despesas quando o contribuinte não esclarece acerca da necessidade dos respectivos gastos. Documento fiscal com descrição genérica dos serviços prestados não comprova, especificamente, o tipo de serviço ou como e quando fora realizado. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA E AGRAVADA. A multa de oficio qualificada e agravada, no percentual total de 225%, será aplicada sempre que houver, concomitantemente, o intuito de fraude, caracterizado em procedimento fiscal, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis; e ainda tenha o autuado deixado de atender a intimações expedidas pela autoridade fiscal. PENALIDADE AGRAVADA POR NÃO ATENDIMENTO A INTIMAÇÃO. CSRF-T I Fl. 14 Processo n° 10680.002871/2005-22 Acórdão n.° 9101-001.238 Ainda que esses não sejam suficientes para elidir a glosa dos respectivos gastos, a apresentação dos documentos fiscais, mesmo que contenham a descrição genérica dos serviços prestados, descaracteriza a imposição do agravamento da penalidade, por não atendimento el intimação fiscal. MULTAS EXIGIDAS, CONCOMITANTEMENTE, NO LANÇAMENTO. Por se tratar de hipóteses legais distintas, são cabíveis, no lançamento de oficio, a aplicação de multa exigida isoladamente, por falta de recolhimento dos valores devidos por estimativa, bem como as que se exigem juntamente com o imposto ou contribuição que forem apurados no procedimento fiscal. TRIBUTAÇÃO REFLEXA — CSLL. 0 lançamento reflexo deve observar o mesmo procedimento adotado no principal, em virtude da relação de causa e efeito que os vincula. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE — IRRF. Ficam sujeitos a incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à aliquot(' de trinta e cinco por cento, os pagamentos realizados sem a identificação dos beneficiários ou das causas que os originaram. Lançamento Procedente em Parte Acordam os membros da 2' Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar procedente em parte o lançamento, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, para. a) Em relação ao item "001", relativo a glosa de despesas: MANTER a exigência do IRPJ, no valor de R$ 91.576,31, acrescida de multa de oficio REDUZIDA de 112,5% para 75%, e juros de mora pertinentes. MANTER a exigência da CSLL, no valor de R$ 32.967,47, acrescida de multa de oficio REDUZIDA de 112,5% para 75%, e juros de mora pertinentes. b) Em relação ao item "002", relativo ao ganho de capital: MANTER a exigência do IRPJ, no valor de R$ 2.909.400,00, acrescida de multa de oficio QUALIFICADA e AGRAVADA, no percentual total de 225%, e juros de mora pertinentes. MANTER a exigência da CSLL, no valor de R$ 1.047.384,00, acrescida de multa de oficio QUALIFICADA e AGRAVADA, no percentual total de 225%, e juros de mora pertinentes. c) Em relação as multas isoladas: CSRF-T1 Fl. 15 15 Processo n° 10680.002871/2005-22 Acórdão n.° 9101-001.238 MANTER, integralmente, as multas lançadas isoladamente, de forma QUALIFICADA e AGRAVADA, no percentual total de 225%, tanto a titulo do IRPJ quanto da CSLL. d) Eni relação ao IRRF: MANTER, integralmente, a exigência do IRRF, acrescida de multa de oficio QUALIFICADA e AGRAVADA, no percentual total de 225%, e juros de mora pertinentes." Recurso voluntário interposto as fls. 510/542, após narrar o feito resumiu a autuação nos seguintes termos: 1) IRPJ — a) glosa de despesas por Alta de comprovação; b) ganhos e perdas de capital (alienação de investimentos avaliados pelo valor do patrimônio liquido);c) multas isoladas (IRPJ s/bases estimadas). 2) CSLL -reflexo do IRPJ. 3) IRRF -sobre pagamento a beneficiário não identificado e sem causa. Invocou a) preliminar de nulidade da decisão frente à alegada falsidade ideológica contida nos documentos registrados na JUCEMG. A auditoria imputou o gravame de falsidade ideológica na reorganização societária, a partir de divergência nas datas dos contratos arquivados na junta Comercial do Estado. (documentos datados de 29.02.2000 tiveram o NIRE somente em 29/03/2000). A divergência na data decorreria da burocracia verificada naquele órgeio.Ademais laudo de exame pericial elaborado pela chefe da seção técnica de Documentos copia do Instituto de Criminalistica do Estado de Minas Gerais, concluiu pela integridade dos documentos. Na decisão este aspecto não foi abordado, o que já seria suficiente para se decretar a nulidade da decisão, por flagrante cerceamento do d. defesa, visto que a falsidade imputada deu causa a exasperação da multa. E a autoridade julgadora apenas transferiu a análise desse tópico para o âmbito penal da discussão. No mérito - a) Ganho de capital — a decisão enveredou pelo caminho trilhado pelo autor da ação pretendendo desvendar "a vontade real" escondida nos contratos celebrados, presumindo além da lei, quando afirmou que: "a reorganização societária da empresa Sabarci Empreendimentos e Participaçõ es Lida (transformação de limitada para S/A, subscrição de capital com ágio e cisão parcial) foi planejada para dissimular a ocorrência de ganho de capital, decorrente da venda de um ativo CSRF-T I Fl. 16 Processo n° 10680.002871 12005-22 CSRF-T I Acórdão n.° 9101-001.238 I' I. 17 operacional liquido por valor infinitamente superior ao seu custo" (fls. 478). Mas, em nenhum momento a DAMA PARTICIPAÇ 6ES LTDA (incorporada) , HELAN PARTICIPAÇÕES LTDA e PIRÂMIDE PARTICIPAÇÕES LTDA, como únicas acionistas, â época, da SABARÂ EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇõ ES S/A, alienaram e transferiram sua participação na sociedade para o grupo WRVPAR, como dito na decisão recorrida. A SABARÂ EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇO ES S/A, sem a participação dos antigos acionistas, elevou o capital coin ingresso de recursos da WRVPAR, através de subscrição de novas ações, fato que levou a fiscalização a pretender que houve alienação de participação societária com efeitos tributários. Mas o que houve é que a SABARÁ EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A, aumentou o capital subscrito e integral izado pelos novos acionistas, vez que a sucedida — DAMA PARTICIPAÇÕES LTDA, bem como as outras sócias não exerceram seu direito de preferência. Todavia, o TVE, as fls.05 e seguintes, desenvolveu unia estrutura com finalidade de inquinar de vícios o negócio jurídico realizado. Inicialmente a fiscalização reconheceu que a operação praticada por SABARÁ EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A, estaria correta, para logo em seguida dizer que a empresa fora "alienada". A empresa procedeu nos estritos termos do artigo 442do RIR/1999, ou seja, as importância recebidas como ágio na emissão de ações novas não são computadas na determinação do lucro real, quando creditadas como reserva de capital. No passo seguinte a fiscalização continua sua ilação, assim asseverando: "Para se transferir a propriedade sem que ficasse caracterizada uma compra e venda, simulou-se a emissão de novas ações com ágio, com os antigos sócios não exercendo o direito de subscrição. Assim, o grupo adquirente passaria a integrar a sociedade. No caso de sociedade anônima, o valor do ágio não computado como receita para fins de apuração do lucro real (é não tributável) — art. 442 do RIR/1999.(.) Para se fazer tamanha cisão, partindo-se de um capital tão baixo é que se estipulou o ágio estratosférico, numa simples conta de chegada." Aqui a ilação partira do desconhecimento das razões do negócio realizado, se havia ou não expectativa de ganhos futuros maiores coin a associação dos dois grupos de pessoas experientes no ramo e corn interesse em juntar esforços num único sentido. Questiona a conclusão do fisco ao supor que o negócio representasse aventura. Cinco anos após a celebração o 17 Processo n° 10680.002871/2005-22 Acórdão n.° 9101-001.238 resultado poderiam ser medido nos números demonstrados na tabela de fls.516. Se houvesse simulação ou vicio de vontade como explicar sua existência nos dias atuais e ainda ter triplicado os negócios? Quando se fala em planejamento os negócios nascem e morrem .simultaneaniente. Num terceiro momento o autuante passou a fazer cálculos pretendendo ridicularizar o negócio celebrado, estabelecendo valor de rentabilidade futura através da comparação do número de ações. Dizendo que prefere supor que a prática se deu mais por desconhecimento do mecanismo operacional dessas transações, que por má fé. A persistir a tese do fisco, pergunta se a essas alturas haveria dúvidas quanto a concretização material da reorganização societária realizada. Comentou que a fiscalização ao invés de comparar os números relativos aos capitais investidos, que representaram 50% para cada grupo, preferiu fazer jogo con/ o numero de ações, criando desvario matemático sem qualquer lógica conforme demonstrou el, s fls. 12. Continuou comentando o absurdo da ilação pois com a manipulação dos números o fiscal concluiu que para obter a rentabilidade demonstrada naqueles cálculos deveria ter urn faturamento 4x superior ao faturamento de todo setor no estado (e tudo isso através de uma regra de 3)! O pagamento do ágio é feito sobre uma expectativa de lucros futuros, que pode ou não confirmar-se, principalmente no ramo de supermercados. Transcreveu das fls. 13/64: "Os documentos em meios da Fiscalização são apenas aqueles levados a registro público, e neles não consta nenhuma memória de cálculo. A DAMA PARTICIPAÇÕES LTDA, sucedida pela contribuinte, alega que as memórias de cálculo foram destruidas ou estraviadas, quando efetivamente, deveriam ter sido guardadas em boa forma pelo grupo empresarial, para proceder a futura amortização do ágio. Provavelmente nunca existiu tal memória de cálculo, sendo apenas uma conta de chegada, sem fundamento econômico e coin intuito de encobrir a operação real de compra e venda de participação societária e o respectivo ganho de capital. Provavelmente existiu sini uni laudo de avaliação do investimento para se fixar o valor da compra e venda." Concluindo que o auditor estaria se contradizendo querendo que suas "regras de trés" prevalecessem. Repetiu a resposta aos Termos de Intimação 001 e 002, dizendo- as ignoradas pelo fiscal: CSRF-T1 Fl. 18 18 Processo n° 10680.002871/2005-22 CSRF-T I Acórdão n.° 9101-001.238 Fl. 19 (..) os elementos solicitados estão contidos nos documentos e atos legais, todos devidamente registrados na JUCEMG, refletindo fielmente os pactos firmados na época (..) Tanto os antigos sócios quanto os que se associaram, com vasta experiência na área do varejo, fizeram seus cálculos para fixar o valor das ações então emitidas pela Saban"' Empreendimentos e Participações S/A, cujas memórias, em razão da efetiva associação, não foram preservados." Além disso a qual amortização de ágio e fiscalização se refereria se não houve venda de sociedade? Pretender incluir o procedimento na norma geral antielisiva (Lei Complementar n° 104, de 14 de janeiro de 2001) se afiguraria ilegal e inconstitucional, eis que afronta o principio constitucional da irretroatividade. Concluiu que a Sabard promoveu um aumento de capital, subscrito e integralizado por novos acionistas, mas jamais a alienação de participação societária que justificasse tributação sobre suposto ganho de capital. Porque o ânimo das partes negociantes não espelhou a pretensão fiscal de, ao guitar o prego superior a 48 milhões de reais, o grupo WRVPAR pagou, e a empresa "SABARA S/A" recebeu, ágio por unia parte infinia das ações que compunha seu capital social (0,06%); e sim que o grupo WRVPAR pagou e a enipresa "SABARA . S/A" recebeu, admitindo novos sócios em igualdade de condições com os sócios originais, aquele valor a titulo de prego pela metade das suas ações (50%). No tocante a alegada falsidade ideológica contida nos documentos levados a registro na JUCEMG, comentou que a SABARÁ EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S.A, com registro no Cartório de Registro Civil das Pessoas jurídicas, como sociedade por quotas de responsabilidade limitada, ao se transformar em sociedade anónima tornou-se, automaticamente, unia instituição sujeita ao registro na Junta Comercial o que diligenciou eni fazê-lo, semelhante a uma pessoa jurídica que esteja se constituindo. E claro que o documento de constituição de uma pessoa jurídica, no momento em que é levado ao registro da Junta Comercial não teni o número indicador NIRE, pois ele não pode ser obtido previamente. O NIRE será atribuído 5 empresa, ao ser registrado o ato de constituição. Após o registro do ato de constituição da pessoa jurídica a Junta Comercial só aceita os documentos (qualquer uni deles), se dele constar o NIRE. Este registro não é fornecido previamente e o documento apresentado deve conter esse número, três possíveis hipóteses de solução se apresentam: ou o número é manuscrito no documento; ou o documento é baixado em exigência pela Junta Comercial, para que seja completado com a indicação do NIRE; ou ainda, para que se evite qualquer "pendência" de análise pela Junta Comercial, a empresa, antes de enviar os documentos 19 Processo n° 10680.002871/2005-22 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-001.238 Fl. 20 para registro, mas após obter o NIRE, redige novamente a parte do texto no documento onde a identificação deve ser aposta. No caso das atas cujo ideal é sua lavratura concomitante com o desenrolar das reuniões, ou imediatamente a seu término, nada impede ou invalida que sejam lavradas após a data do evento, que é o usual, pois, a concordância e a assinatura dos participantes dão força ao documento, como declaração das decisões tomadas. A indicação da data de 29 de fevereiro de 2.000 nada tem de falsa, ao contrário do que afirma a Fiscalização. 0 ato foi realizado nessa data, mas, como a identificação do NIRE só foi obtida em 29/03/2000 parte do texto foi novamente redigido apondo-se nele o número do NIRE. 0 LAUDO DE EXAME PERICIAL (Doc. 03, fls. 390/404) juntado a impugnação e ignorado pelo julgador de primeiro grau responderia a questão. possível simulação dos atos, discorridos vastamente e em tese pelo auditor, disse que não trouxe proveito para conhecimento e desenvolvimento do processo. Também incrível fora a idéia cristalizada de que a operação objeto de exame seria uma operação de compra e venda e não uma associação. A SABARA admitiu novo membro em seu quadro social, tendo emitido novas ações, subscritas e integralizadas pelos novos sócios (art. 442 do RIR/1999). Posteriormente, a empresa HELAN, incorporada pela Inipugnante, reduziu sua participação no quadro social da empresa SABARÁ, através de uma cisão parcial, recebendo aquilo a que tinha direito como acionista. Os valores vertidos, por meio de cisão parcial, não estavam, como não estão, sujeitos a tributação, na forma do art. 229, da Lei n° 6.404, de 1.976, embora a autuação tenha procurado desfigurar uma operação As presunções utilizadas como base para lançamentos nem sempre se apoiariam em leis. Por isto o Conselho de Contribuintes viria se pronunciando e reconhecendo a imprestabilidade de lançamento que não trazem os mínimos elementos de segurança necessários a demonstrar e embasar o fato nele presumido pela Fiscalização. Equivocada também a autoridade fiscalizadora ao se valer de pretensa "interpretação econômica" para inquinar de vicio uni procedimento licito e o procedimento não poderia receber censura decorrente apenas da vontade do agente fiscal. A fiscalização constatou que três empresas entregaram et SABARA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A diversos cheques destinados à integralizaceio de capital que subscreveram na referida empresa. Tais cheques estão relacionados No Boletim de Subscrição na Junta Comercial de MG. Processo n° 10680.002871/2005-22 Acórdão n.° 9101-001.238 Os cheques foram emitidos pelos subscritores VM PARTICIPAÇÕES LTDA, LM EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDAS, e ARANTES EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, em favor da empresa emissora de novas ações, a SABARÁ EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A, como integralizacdo de capital subscrito. A sucedida, DAMA PARTICIPAÇÕES LTDA não emitiu nenhum dos cheques listados e não percebeu por que a Fiscalização, pretende que preste contas do destino dos referidos cheques, gravando-a com imposto de fonte por pagamento a beneficiário não identificado e pagamento sem causa. Os esclarecimentos sobre os referidos pagamentos foram prestados na resposta ao Termo de Intimação n°001, postada em 18/02/2005, e recebida pela Receita Federal em 24/02/2005. porém não foram apreciados. Por isto não prosperaria a pretensa infração do IRRF por pagamentos a beneficiário não identificado ou sem causa, uma vez que os pagamentos são perfeitamente identificados e possuem causa. Mas a integralifação foi feita corn a entrega dos cheques nominativos em favor da SABARA, na forma demonstrada na tabela de fls. 524, em 29 de fevereiro de 2000. No mesmo dia *as 20.00 hs, os acionistas da Sabard Empreendimentos e Participações S/A, se reuniram em nova AGE, para aprovar a cisão parcial da sociedade, dentre outras deliberações. Foi lavrada a Ata da AGE e o protocolo e justificativa da cisão. Aprovado o laudo de avaliação elaborado corn fim especifico desta cisão. Tais documentos tiveram que aguardar o registro em cartório da "Ata de Assembléia de Transformação da Sociedade de Cotas de Responsabilidade Ltda em sociedade anônima" para que então pudesse ser registrados e arquivados na JUCEMG, o que só veio ocorrer sob n° 2416018, protocolo 201280965, em 25/04/2000; Eni 29/02/2000 os acionistas da Sabará Empreendimentos e Participações S/A, assinaram o "acordo de acionistas", que não é de registro obrigatório perante da JUCEMG, mas foi registrado como "Outros documentos de interesse da sociedade", em ordem cronológica de realização das assembléias, registrado ern 25/04/2000, sob n° 2416017, protocolo 201280957. Em 09/03/2000, o Cartório de Registro das Pessoas Jurídicas entregou a Sabarci Empreendimentos e Participações S/A,o registro de baixa, ou seja, a "Ata da Assembléia de transformação da sociedade por cotas de responsabilidade Ltda em sociedade anônima", devidamente registrada; Por fim em 15/03/2000, o instrumento de transformação para S/A foi apresentado, juntamente coin a Ata da AGE que elegeu os novos diretores (de 28/02/2000), registro e arquivamento na JUCEMG, através do protocolo 200843036; CSRF-T1 Fl. 21 Processo n° 10680.002871/2005-22 Acórdão n.° 9101-001.238 Em 29/03/2000 os documentos foram registrados através do NIRE n° 3130001457-6 (lembrou que tal registro só seria possível após o registro no Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas); Em 30/03/2000 a SARARA deu entrada na JUCEMG da "ATA AGE" que aprovou a emissão de novas ações e o aumento de capital, dentre outras deliberações, bem como do boletim de subscrições de ações, ambos datados de 29/02/2000, protocolados sob n° 200980335. (Lembrou que tal registro só seria possível após o NIRE, segundo artigo 35, § único da 8934/94); Em 18/04/2000 os documentos ATA AGE que aprovou a emissão de novas ações e o aumento de capital, dentre outras deliberações, bem como do boletim de subscrições de ações, foram registrados sob n°2414140. Em 25/04, deu entrada na JUCEMG na ata da AGE que aprovou cisão parcial da empresa bem como do "Protocolo e justificativa de cisão" e do "laudo de avaliação", protocolado sob n° 201280965 e registrados sob n°2416018. Em 25/04/2000 apresentou a JUCEMG o "acordo de acionistas" registrado sob n°2416017. A cronologia explicaria o porque das supostas discrepâncias presumidas pelo autuante. Transcreveu o artigo 35 e 40 da Lei 8934 de 18.11.1994, que dispões sobre o registro público de empresa mercantil e atividades afins que diz no § único do artigo 2°, que o NIRE — número de identificação do registro de empresa será atribuído a todo ato constitutivo de empresa. Neste diapasão contesta todo o TVF opondo o Laudo pericial, que foi ignorado pela autoridade de primeiro grau, transcrevendo-o às fls. 530, para concluir que a tese pretendida pelo fisco não se sustentaria. b) Glosa de despesas As despesas incorridas na DAMA, referente aos serviços prestados pelas empresas ACE, MARCA TE, PINHEIRO NETO, GMA, conforme as notas fiscais apresentadas, foram realmente prestados. 0 fisco não poderia rejeitar cópias autenticadas dos documentos, bem como suspeitar da execução dos mesmos, com argumentos falaciosos que, na prática, seriam fruto da sanha fiscalista. As notas fiscais bem como os DARFs referentes ao IRRF retidos fariam prova ao seu favor. c) Do pagamento a beneficiário não identificado: Mais uma vez reclama do procedimento dizendo-o desconhecer por completo o funcionamento burocrático, tanto no campo da administração pública quanto nas atividades operacionais das empresas. CSRF-T1 Fl. 22 22 Processo IV 10680.002871/2005-22 Acórdão n.° 9101-001.238 A fiscalização constatou que 03 empresas entregaram a SABARÁ EMP. E PARTICIPAÇÕES S/A diversos cheques para integralização de capital que subscreveram. (Cheques relacionados no boletim de subscrição registrado na JUCEMG, emitidos pelos subscritores VM PARTICIPAÇÕES LTDA; LM EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA,em favor da emissora das novas Kb-es, a SAHARA S/A, como integralização do capital subscrito). A sucedida DAMA não emitiu nenhum dos cheques listados e não atina porque a fiscalização deseja que a sucessora preste contas do destino desses valores, gravando-a com o IR Fonte por pagamento sem causa a beneficiário não identificado. 0 esclarecimento sobre esses pagamentos foram feitos em resposta ao termo de intimação 001, conforme transcreveu (is fls.533/4, concluindo que os pagamentos foram identificados e motivados. No tocante a imposição da multa concluiu que, ausente o Mato, descaberia a penalidade. E não sendo devido qualquer tributo seria descabida, por conseqüência, a aplicação de qualquer penalidade, fosse isolada ou de oficio, com maior impropriedade para sua qualifica cão e agravamento, linha na qual expendeu vasto arrazoado. Combatendo-as comentou que a aplicação concomitante da multa de oficio e da isolada, teve como base o art. 16 da IN/SRF n "93, de 1997. Mas a leitura do texto legal mostraria que as hipóteses de aplicação de multas seriam excludentes entre si, pois a multa seria aplicável apenas uma (mica vez. A impropriedade de sua aplicação cumulativa fora definida em decisões do Conselho de Contribuintes.0 agravamento não se sustentaria pois tanto a DAMA como sua sucessora (ACSHOPING) atenderam, pronta e integralmente, a toda solicitação feita pela Fiscalização. Para atender ao Termo de Reintimação Fiscal n° 002 da DAMA, (re-intimação indevida porque a Intimação já havia sido atendida), o auditor negou o pedido de prorrogação do prazo de atendimento, previsto no art. 835, do RIR/1999, sob alegação de inaplicabilidade do preceito legal, tendo concedido somente 10 dias. A pressão sofrida com os exíguos prazos concedidos dificuftou o atendimento e não fora o esforço extra, empregado pelas empresas (sucedida e sucessora), correria o risco de sofrer agravamento de multa. 0 que afinal aconteceu porque seus esforços não foram recompensados. Os autuantes não consideraram os atendimentos feitos tempestivamente, buscando alegações para sustentar a penalidade extra de forma arbitrária, infundada e subjetiva. Não sendo devido o principal, o acessório deveria seguir a mesma ordem. E como se isto não bastasse, inexistindo CSRF-T1 Fl. 23 Processo no 10680.002871/2005-22 Acórdão n.° 9101-001.238 CSRF-T1 Fl. 24 qualquer irregularidade quanto (i operação de incorporação, informada tempestivamente à Receita Federal, ainda mais indevida a multa de oficio exigida, nos termos do artigo132 do CTN. Seu procedimento fora licito e realizado de acordo com a legislação de regência, por isto não compreendia a qual vicio de vontade o auditor faria referência. Concluiu com vários considerandos, fls.542/3, pedindo provimento. Seguimento conforme despacho de fls. 564. o relatório." No que interessa a esta instância recursal, nos limites do despacho de admissibilidade infra-referido, a Câmara a quo houve por bem dar provimento parcial ao recurso voluntário da Interessada para (i) afastar a exigência do IRRF e (ii) afastar as exigências das multas isoladas. Quanto ao IRRF, entendeu o voto vencedor do acórdão recorrido que a exigência não poderia prosperar, uma vez que (i) os destinatários dos pagamentos foram identificados pela Interessada e (ii) "a transação utilizada para realizar sua constituição é a mesma utilizada para a constituição do crédito fiscal em relação ao IRPJ devido pela Recorrente [ora Interessada], em razão do ganho de capital na alienação de participação societária". De acordo com o voto vencedor, o fato jurídico tributário que deu azo A. cobrança do IRPJ exigido nos autos (qual seja, o recebimento pela interessada dos cheques anteriormente recebidos por SABARA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S.A. de VM PARTICIPAÇÕES LTDA, LM EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA., e ARANTES EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA.) seria o mesmo que fundamentou a constituição do IRRF (cujo fundamento de fato explicitado pela Fiscalização seria o posterior repasse desses cheques, pela Interessada, para terceiros não identificados). Quanto às multas isoladas, entendeu o voto vencedor do acórdão recorrido que "se no presente caso será mantida a multa de oficio sobre os valores apurados em procedimento fiscal, e cobrados no lançamento ora analisado, por absoluta falta de amparo legal, não pode ser mantida a multa isolada que se pretendeu aplicar a Recorrente [ora Interessada] por falta de recolhimento dos valores devidos por antecipação". Intimada com a remessa dos autos A. PGFN em 21/08/2007, embora tenha aposto ciência formal em 19.09.2007, a Fazenda Nacional interpôs em 03/10/2007 recurso especial datado de 02/10/2007, no qual sustenta contrariedade do acórdão recorrido ao disposto no art. 61 da Lei n. 8.981/95, segundo o qual "fica sujeito a incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, a aliquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais", e ao art. 44, § 1°, inciso IV, da Lei n. 9.430/96 (redação anterior à Lei n. 11.488/2007), que prevê a aplicação de multa isolada a contribuinte que, obrigado ao recolhimento de IRPJ e CSLL por estimativa, deixe de fazê-lo. Processo IV 10680.002871/2005-22 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-001.238 Fl. 25 0 recurso especial foi admitido pelo Presidente do Colegiado a quo (Despacho n. 108-187/2007, fls. 671/672), ante a potencial contrariedade do acórdão recorrido à lei. Frustrada a intimação da Interessada pela via postal (fls. 675), foi afixado edital na repartição competente em 18/12/2007 (fl. 676) e o Contribuinte não apresentou contra-razões (fls. 677). Contudo, manifestou-se nos autos em 27/06/2008 (petição juntada às fls. 298/300 do ANEXO II destes autos, cuja data de juntada não foi informada nos autos) pela nulidade da intimação por edital, requerendo a realização de nova intimação e a reabertura do prazo para apresentação de recurso especial e contra-razões ao recurso especial da Fazenda Nacional, uma vez que, na data da remessa da intimação via postal, seu endereço cadastrado no CNPJ já havia sido alterado. Em sessão de 11.03.2010, este Colegiado acolheu a manifestação apresentada pela Contribuinte e converteu o julgamento em diligência para que fosse procedida nova intimação da Contribuinte sobre o acórdão recorrido e do recurso interposto pela Fazenda Nacional, para os fins de direito. Regularmente intimada, a Contribuinte apresentou contra-razões ao recurso especial da Fazenda Nacional, nas quais sustentou, em síntese, a ilegitimidade da exigência de IRFonte por pagamentos realizados a beneficiários não identificados e da exigência de multas isoladas por não recolhimento de tributos sobre bases estimadas concomitantemente com multa de oficio incidente sobre os tributos de idêntico período de apuração. É o relatório. Processo if 10680.002871/2005-22 CSRF-T1 Acórdão ri.° 9101-001.238 Fl. 26 Voto Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, Relator 0 recurso especial é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. (i) Do lançamento de IRFonte Sustenta a Fazenda Nacional contrariedade do acórdão recorrido ao disposto no art. 61 da Lei n. 8.981/95, que dispõe, verbis: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à aliquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. sç' 1° A incidência prevista no caput aplica-se, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, beni como a hipótese de que trata o § 2°, do art. 74 da Lei n° 8.383, de 1991. § 2° Considera-se vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. sç 3 0 0 rendimento de que trata este artigo será considerado liquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto." De acordo com supracitado dispositivo legal, a pessoa jurídica que efetuar pagamento a beneficiário não identificado ou não comprovar a operação ou a causa do pagamento efetuado ou recurso entregue a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, bem como não comprovar o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização de serviços, referidos em documentos idôneos, sujeitar-se-á à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à aliquota de 35%, a titulo de pagamento a beneficiário não identificado ou pagamento sem causa. Pois bem. A Contribuinte (A&C Shopping) é sucessora de empresa (DAMA) que detinha participação societária em SABARA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S.A., empresa cujo capital social foi aumentado em virtude do ingresso de novos sócios, que integralizaram suas ações mediante a entrega de cheques. Em curto espaço de tempo, SABARA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S.A. foi cindida e, como resultado de referida cisão, os cheques recebidos para a integralização do aumento de capital pelos novos sócios foram vertidos ao patrimônio de 26 Processo n° 10680.002871/2005-22 CSRF-TI Acórdão n° 9101-001.238 Fl. 27 suas antigas sócias, dentre elas a empresa sucedida pela Contribuinte, na proporção do capital social que por elas detido. Entendeu a Fiscalização que a integralização do aumento de capital em SABARA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S.A. e sua posterior cisão, com a versão dos recursos contribuídos pelos novos sócios para as antigas sócias, tratavam-se de atos simulados, com o propósito de não oferecer à tributação o ganho de capital que seria auferido pelas antigas sócias, no caso de alienação de parte de suas ações para novos investidores. 0 lançamento de IRPJ no caso dos autos tem por objeto, pois, o ganho de capital auferido pela Contribuinte na alienação de sua participação societária em SABARA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S.A. Ocorre que alguns dos cheques vertidos à empresa sucedida pela Contribuinte não foram depositados em contas corrente de sua titularidade, tendo sido repassados a terceiros, junto com cheque de emissão própria. Tais operações foram lançadas na contabilidade da empresa sucedida pela Contribuinte a débito na conta de prejuízos acumulados e a crédito em disponíveis (caixa ou bancos), sob a rubrica contábil de "PAGAMENTO EQUALIZAÇÃO PATRIMÔNIO LÍQUIDO DE SABARA EMP. PART. S.A.". Veja-se trecho do termo de verificação fiscal de fls. 83/86 sobre o assunto, verbis: "3 — DA INFRAÇÃO DE IRRF POR PAGAMENTO A BENEFICIA' RIO NÃO IDENTIFICADO OU SEMCAUSA Trata-se de hipótese de incidência tributária prevista no art. 61, caput e 6S' 1° da Lei n.° 8.981, de 22/01/1995, in verbis: (..) Ocorre que parte dos cheques vertidos na suposta cisão, ou na melhor definição, na venda da participação societária, não foi depositada em conta corrente da sucedida da autuada e demais empresas do grupo PHDpar, sendo repassada a terceiros, sendo os seguintes os lançamentos no Diário e seus respectivos históricos «is. 134, 181 e 240 Anexo II): DÉBITO LUCROS ACUMULADOS (CONTA REDUTORA DO PL) CRÉDITO CAIXA (OU BANCO) "PAGAMENTO EQUALIZAÇÃO PATRIMÔNIO LÍQUIDO DE SABARÁ EMP. PART. S.A." data Iv conta debitada Conta creditada histórico valor 01/03 23 PREJUÍZOS ACUMULADOS CALVA PAGAMENTO EQUAL1ZA(7110 PATRIMÓNIO LÍQUIDO DE SABARA EMP. PART. S.A. COM 24% DO CHEQUE N. 0001 DO BANCO BRA DESCO CONF. RECIBO DE DEPÓSITO 960.000,00 01/03 24 PREJUÍZOS ACUMULADOS CANA PAGAMENTO EQUALIZAÇÃO PATRIMÔNIO LÍQUIDO DE SABARA EMP. PART. S.A. COM 24% DO CIIEOUE N. 27877 DO BANCO RURAL CONE. RECIBO DE DEPOSITO 240.000,00 01/03 25 PREJUÍZOS ACUMULADOS CAIXA PAGAMENTO EQUALIZAÇÃO PATRIMÔNIO LÍQUIDO DE SABARA EMP. PART. S.A. COM 24% DO CHEQUE N. 278780 DO BANCO RURAL CONE. RECIBO DE DEPÓSITO 864.000,00 01/03 26 PREJUÍZOS ACUMULADOS CALVA PAGAMENTO EQUAL1ZA00 PATRIMÔNIO LIQUIDO DE SABARA EMP. PART. S.A. Cat! 24% DO CHEQUE N. 278778 DO BANCO 1.272.000,00 27 Processo n° 10680.002871/2005-22 CSRF-T1 Acóreldo n.° 9101-001.238 Fl. 28 RURAL CONF. RECIBO DE DEPOSITO 22/03 27 PREJUÍZOS ACUMULADOS BANCO RURAL C/C 7856-0 PAGAMENTO EQUALIZAÇÂO PA7RIMÓNIO LIQUIDO DE SABARÁ EMP. PART. S.A. ATRAVÉS DO CHEQUE 040624 DO BCO RURAL CONF. RECIBO DE DEPÓSITO 360.000,00 Estes lançamentos retiram dinheiro do disponível da empresa e entregam-no a terceiros sem que seja constituído um direito no ativo ou pagamento de obrigações no passivo. Apenas sai inusitadamente da empresa, a débito em prejuízos acumulados, sem passar por nenhuma conta de resultado. 116 de se destacar que o histórico diz ser para "PAGAMENTO EQUALIZAÇÃO PATRIMÔNIO LIQUIDO DE SABARii EMP. PART. S.A". Ora, se houve uma cisão com laudo, justificativa e outros elementos, para que então este pagamento? Será que esta equalização estava prevista no "CONTRATO DE COMPROMISSO DE ASSOCIAÇÃO MEDIANTE A COMPRA E A VENDA DE AÇÕES E OUTRAS AVENÇAS"? Não há como saber ou comprovar a causa desta sangria na contabilidade da sucedida da autuada, haja vista que não foi possível conhecer os detalhes da transação, por mais que insistíssemos para que nos fosse apresentadas todas as informações, o que foi feito por meio de inúmera intimações. Na contabilidade da Sabará consta apenas um lançamento referente a cheques a compensar «Is. 87 Anexo II), débito no valor de KS 3.600.000,00, valor esse recebido de VM Participações Ltda. Não se sabe a origem deste lançamento, ressaltando-se que não há contrapartida, como se do nada tivesse surgido, ferindo os preceitos contábeis. Ao que parece, esse valor deve ser do cheque n°278780, que foi integralizado e vertido na cisão, e que reaparece na Sabard pagando o alegado mútuo desta junto ao Banco Rural. Portanto, trata-se de pagamento sem causa. Quanto aos demais cheques e pagamentos não foi possível identificar nem a causa nem o beneficiário. PIRÂMIDE DA MA HELAN CH N° I 48% CH N° I 24% CH n° I 28% Total f "alor dos cheques vertidos na ciscio 23.275.200,00 11.637.600,00 13.577.200,00 48.490.000,00 Cheques 363041 1.660.320,00 483948 830.160,00 363042 616.346,67 depositados 483950 7.471.440,00 483949 11.453,33 483947 352.173,33 483945 3.471.440,00 473928 7.459.986,67 8 4.000.000,00 16 4.000.000,00 473927 4.716.680,00 16.603.200,00 8.301.600.00 9.685.200.00 34.590.000,00 Cheques vertidos ** e não depositados, usados na 48% 1 278779 1.920.000,00 480.000,00 24% I 278779 960.000,00 240.000,00 28% 1 278779 1.120.000,00 280.000,00 100% 4.000.000,00 1.000.000,00 equalize:10o 278780 1.728.000,00 278780 864.000,00 278780 1.008.000,00 3.600.000.00 378778 2.544.000.00 378778 1.272.000.00 378778 1.484.000.00 5.300.000,00 Subtotal 6.672.000.00 3.336.000,00 3.892.000,00 13.900.000,00 Cheuqes de emissão própria: Bco 70723 720.000,00 40624 360.000,00 70743 420.000,00 1.500.000,00 Rural Pago p/ equaliza cão Total equaliz 7.392.000.00 3.696.000,00 4.312.000.00 15.400.000,00 Base de Cálculo reajustada IN 11.372.307,69 5.686.153,85 6.633.846,15 04/80 2g Processo n° 10680.002871/2005-22 Ac6rddo n.° 9101-001.238 ** Relação Emitentes Ch. N° Valor CSRF-T1 H. 29 A RANTES 8 4.000.000,00 ARANTES 473927 4.716.680,00 ARANTES 473928 7.459.986,67 LA! 16 4.000.000,00 LA'! 483945 3.471.440,00 LA! 486947 352.173,33 LA! 483948 830.160,00 LA! 483949 11.453,33 LM 483950 7.471.440,00 VAI 363041 1.660.320,00 VM 363402 616.346,67 34.590.000,00 Tot, vertido e Depositado LA! 483946 40.000,00 Ficou na Sabarci como acréscimo de capital VAI 1 4.000.000,00 Sem causa/destinação VM 278779 1.000.000,00 Sem causa/destinação VAI 278780 3.600.000,00 Pagamento sem causa: mútuo da Sabarci junto ao Banco Rural VAI 378778 5.300.000,00 Sem causa/destinação 13.940.000,00 Vertido e pago na equalização 48.530.000,00 Emitente Pirâmide 70723 720.000,00 Quanto cada empresa vendedora pagou a mais para "equalir.ação" HELAN 70743 420.000,00 DA MA 40624 360.000,00 Portanto, considerando o histórico e os lançamentos contábeis que não identificant a causa e/ou os beneficiários, e considerando, ainda, que outras informações foram negadas, fica configurada a necessidade de proceder-se ao lançamento do IRRF com as informações de que dispõe o fisco (art. 845, inciso II, do RIR/99). (..)" Em que pese o fato de não terem sido depositados em contas correntes de titularidade da sucedida da Contribuinte, notou bem o voto condutor do acórdão recorrido que tais cheques (seu recebimento e seu repasse) fazem parte da mesma transação relativa à compra e venda de parte da participação acionária de Sabard pela empresa sucedida da Contribuinte. De fato, conforme se depreende do exame dos autos (notadamente do próprio termo de verificação fiscal, dos cheques emitidos, dos documentos da transação societária/comercial e do teor dos lançamentos contábeis), o repasse dos cheques em referência pela empresa sucedida da Contribuinte serviu para ajustar o valor do ativo vendido (participação acionária) e permitir melhora do patrimônio liquido de Sabard e DMA (subsidiária integral) mediante redução de passivos por elas contraídos antes do ingresso dos novos sócios. Não por outro motivo a Contribuinte, em resposta à intimação ainda na época da fiscalização (colacionada às fls. 367 e ss.), esclareceu tratarem-se de pagamentos que foram realizados e contabilizados pela própria SABARA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S.A., durante a fase de "transição" da cisão, motivo pelo qual os lançamentos contábeis na empresa sucedida pela Contribuinte foram feitos à débito em conta redutora do patrimônio liquido, e não a débito em conta de despesas. Quanto ao cheque n° 40624, de emissão da própria empresa sucedida pela Contribuinte, no valor de R$ 360.000,00, o cheque n° 278779 no valor de R$ 1.000.000,00 (cuja parcela de 24% que cabia à empresa sucedida pela Interessada era de R$ 240.000,00) e cheque n° 1 no valor de R$ 4.000.000,00 (cuja parcela de 24% correspondia a R$ 960.000,00) foram endossados em favor de Sabard e posteriormente depositados em conta corrente de DMA DISTRIBUIDORA S.A., subsidiária integral de Sabard. 29 Processo n° 10680.002871/2005-22 CSRF-T1 Acórddo n.° 9101-001.238 Fl. 30 Com relação ao cheque de no 278870, no valor de R$ 3.600.000,00 (cuja parcela de 24% corresponde a. R$ 864.000,00), este foi endossado e posteriormente depositado em conta corrente de IRAI EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA., por conta de contrato particular de assunção de divida de titularidade (anterior) da própria Sahara. Já o cheque de n° 278778, no valor de R$ 5.300.000,00 (cuja parcela de 24% corresponde a R$ 1.272.000,00), foi utilizado para pagamento de obrigações da DMA DISTRIBUIDORA S.A. em face de WRV EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA. decorrentes de contrato de mutuo, conforme faz prova endosso do titulo à WRV. Verifica-se, pois, que os cheques e valores circularam exclusivamente entre as empresas de titularidade do Grupo Econômico da Contribuinte (Vendedor) e do Grupo Econômico do Comprador da participação acionária e contemporaneamente (no contexto) da operação societária que justificou a tributação (destes mesmos valores) pelo IRPJ. Tal situação (de circulação de valores e pagamentos de passivos do grupo econômico) é bastante comum em situações análogas a presente, em que os vendedores da participação acionária são responsáveis pela quitação de passivos da empresa vendida anteriormente a realização da operação societária (inclusive mediante utilização de parte do preço, tal como ocorreu nos autos), especialmente quando a venda de participação acionária é apenas parcial, como na hipótese presente. Dai porque entendo não haver reparos nas conclusões do voto condutor do acórdão recorrido nessa parte, cujas razões ora peço vênia para transcrever e adotar como razão de decidir no caso, verbis: Desta feita, entendo que o lançamento do IR-Fonte não merece prosperar, não só porque em parte houve a comprovação do beneficiário, mas porque a transação utilizada para realizar sua constituição é a mesma utilizada para a constituição do crédito fiscal em relação ao IRPJ devido pela Recorrente, em razão do ganho de capital na alienação de participação societária. Ora, porque os cheques em questão foram recebidos pela Recorrente como parte de seu pagamento pela alienação da participação societária, tais valores integraram a base de cálculo do IRPJ objeto do auto de infração sob análise. Ainda que tais valores não tenham sido adequadamente contabilizados, e mesmo que os cheques não tenham sido sequer depositados, mas repassados a terceiros, é fato que integraram a base de calculo do IRPJ lançado, como efetivamente integraram, pois se incorporaram ao patrimônio da Recorrente, sendo esta a efetiva beneficiária, em razão de terem sido recebidos como pagamento da alienação de ativo por ela realizada. Não é cabível, portanto, sobre a mesma transação (valor dos cheques recebidos e repassados), fazer incidir a tributação pelo 1R-Fonte, cuja responsabilidade será atribuida a própria Recorrente, simplesmente porque tais repasses não possuem identificação apropriada na contabilidade da empresa, o qua) já foi sanado pelo próprio lançamento efetuado em razão do planejamento fiscal. Processo n° 10680.002871/2005-22 CSRF-Tl AcOrdao n.° 9101-001.238 Fl. 31 Mantida a tributação pelo 1RPJ — que tomou por base a totalidade dos valores recebidos em razão da alienação de participação societária, inclusive valores pagos por meio de cheques posteriormente repassados — não há razão para se manter a tributação do IR-Fonte, unia vez que o lançamento decorrente do planejamento fiscal já atribuiu as respectivas saídas a cause e o beneficiário. Logo, é de se afastar a incidência do IR-Fonte lançado no auto de infração objeto do presente, sob pena de desconfigurar o próprio lançamento do IRPJ." (ii) Do lançamento de multa isolada Cinge-se esta parte da controvérsia em saber se é legitima a exigência de multa isolada por não recolhimento de tributos sobre bases estimadas concomitantemente com multa de oficio exigida no lançamento para a cobrança destes mesmos tributos no mesmo período de apuração. De fato, do exame dos autos verifica-se que no ano-calendário de 2000 houve lançamento de IRPJ com multa de oficio, ante a apuração do ganho de capital apontado no item 1 do Termo de Verificação Fiscal e a glosa de despesas apontada no item 2 de referido Termo, e de multas isoladas por não recolhimento do imposto sobre bases estimadas por conta dos mesmos fatos. Em que pesem as consideraçOes recursais da Fazenda Nacional, citada controvérsia encontra-se há muito superada por este Colegiado. E assente nesta Corte o entendimento de que é ilegítima a aplicação concomitante da multa isolada por falta de recolhimento de IRPJ sobre bases estimadas e da multa de oficio lançada conjuntamente com o montante principal do imposto, quando ambas tiverem por base o mesmo fato apurado em procedimento fiscal. Verbis: "MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO - CONCOMITÂNCIA - MESMA BASE DE CÁLCULO - A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do sç 1°, do art. 44, da Lei n°9.430, de 1996) e da multa de oficio (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legitima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. Recurso especial negado. (Processo n. 10510.000679/2002-19, Recurso n. 106- 131314, Ac. CSRF/01-04.987, Primeira Turma, Relator: Leila Maria Scherrer Leitão, 15/06/2004) Portanto, o recurso também não procede nessa parte. (iii) Conclusão Por tais fundamentos, oriento meu voto no sentido de conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional para negar-1 e provimento. Sala das sessõem 11 se novembro de 2011. Antonio Cars s idon Filho 31
score : 1.0
Numero do processo: 15959.000177/2010-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Ano-calendário: 2010
NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA.
Não há decretação de nulidade quando não ficar demonstrado o prejuízo decorrente do alegado vício à parte tida como lesada.
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA
O auto de infração contém todos os requisitos legais, especialmente a descrição dos fatos e menção aos dispositivos que fundamentam a infração.
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÕES NÃO DECLARADAS.
Será exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada, aplicando-se o percentual previsto no inciso I, do caput, do art. 44, da Lei n. 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu §1º, quando for o caso.
MEDIDA PROVISÓRIA N. 470/2009. EFEITOS.
O disposto no art. 3º da MP n. 470/2009 não revogou e nem deu nova interpretação ao §4º, do art. 18, da Lei n. 10.833/03 (artigo 18 da Lei n. 11.488/07) e muito menos ao § 12º, do artigo 74, da Lei n. 9.430/96. O objetivo do artigo 3° da MP n° 470/2009 não foi abrir prazo para que os contribuintes apresentem declaração de compensação com créditos sabidamente indevidos para poder, posteriormente, se beneficiar do parcelamento ou da compensação de prejuízos fiscais.
PRINCÍPIO DA ISONOMIA. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA N.º 02 DO CARF.
Multa aplicada de acordo com a legislação de regência. impossibilidade de conhecimento de alegação acerca de inconstitucionalidade de norma legal, nos termos da Súmula nº 02 do CARF.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
O artigo 138 do Código Tributário Nacional se refere ao chamado arrependimento eficaz e só dispensa a penalidade pecuniária uando o pagamento do tributo desfaz a irregularidade, não se aplicando, portanto, multa regulamentar cobrada isoladamente ecorrente de infração legislação, por ter o contribuinte, apresentado declaração de compensação de crédito indevido com débitos (já declarados) e cuja compensação não é permitida.
Rejeitadas as preliminares suscitadas.
No mérito, recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.374
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade; no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Octavio Carneiro Silva Correa e Rodrigo Cardozo Miranda, que apresentará declaração de voto.
Fez sustentação oral em favor da recorrente o advogado Ralph
Melles Sticca OAB/SP 236.471.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201110
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Ano-calendário: 2010 NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA. Não há decretação de nulidade quando não ficar demonstrado o prejuízo decorrente do alegado vício à parte tida como lesada. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA O auto de infração contém todos os requisitos legais, especialmente a descrição dos fatos e menção aos dispositivos que fundamentam a infração. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÕES NÃO DECLARADAS. Será exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada, aplicando-se o percentual previsto no inciso I, do caput, do art. 44, da Lei n. 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu §1º, quando for o caso. MEDIDA PROVISÓRIA N. 470/2009. EFEITOS. O disposto no art. 3º da MP n. 470/2009 não revogou e nem deu nova interpretação ao §4º, do art. 18, da Lei n. 10.833/03 (artigo 18 da Lei n. 11.488/07) e muito menos ao § 12º, do artigo 74, da Lei n. 9.430/96. O objetivo do artigo 3° da MP n° 470/2009 não foi abrir prazo para que os contribuintes apresentem declaração de compensação com créditos sabidamente indevidos para poder, posteriormente, se beneficiar do parcelamento ou da compensação de prejuízos fiscais. PRINCÍPIO DA ISONOMIA. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA N.º 02 DO CARF. Multa aplicada de acordo com a legislação de regência. impossibilidade de conhecimento de alegação acerca de inconstitucionalidade de norma legal, nos termos da Súmula nº 02 do CARF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O artigo 138 do Código Tributário Nacional se refere ao chamado arrependimento eficaz e só dispensa a penalidade pecuniária uando o pagamento do tributo desfaz a irregularidade, não se aplicando, portanto, multa regulamentar cobrada isoladamente ecorrente de infração legislação, por ter o contribuinte, apresentado declaração de compensação de crédito indevido com débitos (já declarados) e cuja compensação não é permitida. Rejeitadas as preliminares suscitadas. No mérito, recurso voluntário negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 15959.000177/2010-44
anomes_publicacao_s : 201110
conteudo_id_s : 4944686
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 3202-000.374
nome_arquivo_s : 3202000374_15959000177201044_201110.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 15959000177201044_4944686.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade; no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Octavio Carneiro Silva Correa e Rodrigo Cardozo Miranda, que apresentará declaração de voto. Fez sustentação oral em favor da recorrente o advogado Ralph Melles Sticca OAB/SP 236.471.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
id : 4745327
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:42:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044233248571392
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1788; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 204 1 203 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15959.000177/201044 Recurso nº 904.956 Voluntário Acórdão nº 3202000.374 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 06 de outbro de 2011 Matéria IPI COMPENSAÇÃO Recorrente USINA CAROLO S/A AÇÚCAR E ÁLCOOL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2010 NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA. Não há decretação de nulidade quando não ficar demonstrado o prejuízo decorrente do alegado vício à parte tida como lesada. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA O auto de infração contém todos os requisitos legais, especialmente a descrição dos fatos e menção aos dispositivos que fundamentam a infração. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÕES NÃO DECLARADAS. Será exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada, aplicandose o percentual previsto no inciso I, do caput, do art. 44, da Lei n. 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu §1º, quando for o caso. MEDIDA PROVISÓRIA N. 470/2009. EFEITOS. O disposto no art. 3º da MP n. 470/2009 não revogou e nem deu nova interpretação ao §4º, do art. 18, da Lei n. 10.833/03 (artigo 18 da Lei n. 11.488/07) e muito menos ao § 12º, do artigo 74, da Lei n. 9.430/96. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 21/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 15959.000177/201044 Acórdão n.º 3202000.374 S3C2T2 Fl. 205 2 O objetivo do artigo 3° da MP n° 470/2009 não foi abrir prazo para que os contribuintes apresentem declaração de compensação com créditos sabidamente indevidos para poder, posteriormente, se beneficiar do parcelamento ou da compensação de prejuízos fiscais. PRINCÍPIO DA ISONOMIA. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA N.º 02 DO CARF. Multa aplicada de acordo com a legislação de regência. Impossibilidade de conhecimento de alegação acerca de inconstitucionalidade de norma legal, nos termos da Súmula nº 02 do CARF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O artigo 138 do Código Tributário Nacional se refere ao chamado arrependimento eficaz e só dispensa a penalidade pecuniária quando o pagamento do tributo desfaz a irregularidade, não se aplicando, portanto, multa regulamentar cobrada isoladamente decorrente de infração legislação, por ter o contribuinte, apresentado declaração de compensação de crédito indevido com débitos (já declarados) e cuja compensação não é permitida. Rejeitadas as preliminares suscitadas. No mérito, recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade; no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Octavio Carneiro Silva Correa e Rodrigo Cardozo Miranda, que apresentará declaração de voto. Fez sustentação oral em favor da recorrente o advogado Ralph Melles Sticca OAB/SP 236.471. José Luiz Novo Rossari Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jose Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri Gilberto de Castro Moreira Junior, Rodrigo Cardozo Miranda e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 21/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 15959.000177/201044 Acórdão n.º 3202000.374 S3C2T2 Fl. 206 3 Relatório Para melhor elucidação dos fatos ora analisados, transcrevo o relatório da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão PretoSP (DRJ/RPO), como constante às fls. 143/144: “Tratase de exigência de Multa Isolada, no valor de R$ 2.805.736,56, pelo fato de o contribuinte ter efetuado compensação indevida utilizandose de crédito prêmio de IPI. De acordo com o auto de infração (descrição dos fatos e enquadramento legal), a empresa solicitou, em 27/11/2009, compensação de diversos débitos com crédito prêmio de IPI, controladas no processo administrativo n° 15959.000018/201040. Tais compensações foram consideradas não declaradas, ensejando a imputação da multa isolada fundamentada no § 4°, do artigo 18, da Lei n° 10.833/2003, com a redação dada pelo artigo 18, da Lei n° 11.488/2007. Regularmente cientificada do auto de infração (AR de fl. 10), a empresa apresentou sua impugnação, na qual, em preliminar, sustentou a nulidade dos autos pela manifesta afronta aos procedimentos legais estabelecidos para o lançamento de oficio, porque a autoridade administrativa deixou de produzir elementos probatórios da suposta ilicitude praticada pela impugnante na compensação de débitos tributários, apresentando tãosomente o valor da autuação, sem apontar, contudo, os valores referentes às DCOMP julgadas indevidas e respectiva memória de cálculo, restringindo o auto de infração a alegar a ocorrência de compensação indevida, mencionando apenas o processo administrativo correspondente, o que fere o principio do contraditório e da ampla defesa. No mérito, defendeu que o AFRFB analisou as referidas DCOMP sem o conhecimento dos procedimentos adotados pela impugnante referentes ao artigo 3° da MP n° 470/2009, o qual instituiu benefícios para pagamento à vista e parcelamento de débitos decorrentes do aproveitamento indevido do crédito prêmio de IPI. Esclareceu que, em 13 de outubro de 2009, veio à tona a publicação da Medida Provisória n° 470/2009, em cujo artigo 3° havia o permissivo para o pagamento à vista ou parcelamento em 12 meses dos débitos decorrentes do aproveitamento indevido do crédito prêmio de IPI, com determinadas anistias em relação às multas e juros de mora e a possibilidade de liquidar débitos com a utilização de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL. E que, para os procedimentos legais para adesão e consolidação dos débitos Federais para o pedido de pagamento da MP 470/2009, a empresa apresentou, em 27/11/2009, 30 (trinta) Declarações de Compensação perante a Delegacia da Receita Fl. 221DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 21/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 15959.000177/201044 Acórdão n.º 3202000.374 S3C2T2 Fl. 207 4 Federal do Brasil em Ribeirão Preto, com o objetivo de formalizar o aproveitamento indevido do referido crédito, por meio da compensação de diversos débitos previdenciários (código receita 2100), totalizando R$ 3.740.982,08, fundamentado em direito creditório baseado no litígio do Processo administrativo n° 10840.003314/200468. Acrescentou que com o advento da MP n° 470/2009, entendimento diverso deve ser dado às Dcomp apresentadas pela impugnante, haja vista tratarse de questão atinente ao aproveitamento indevido do créditoprêmio de IPI, mais atual, a qual transcende à mera consideração de "Dcomp nãodeclarada", em conformidade com o regime jurídico criado pelo artigo 3° da referida MP. Sustentou, novamente, que as DCOMP protocolizadas,em 27 de novembro de 2009, tiveram tãosomente o efeito jurídico de tornar caracterizado, de forma liquida e certa, o "aproveitamento indevido" do créditoprêmio de IPI, estando, portanto, em consonância com o artigo 3° da MP n° 470/2009, procedimento incompatível ao imputado pelo AFRFB. Repisou que as declarações foram protocolizadas 3 dias antes do encerramento do prazo final para o pagamento de débitos com o objetivo de caracterizar o "aproveitamento indevido" do créditoprêmio de IPI estabelecido como requisito formal para o parcelamento ou pagamento à vista nos termos da MP 470/2009, agindo a impugnante na estrita legalidade. Questionou que, se por um lado a impugnante efetuou compensações indevidas notoriamente rechaçadas pela RFB, por outro, no dia útil seguinte, procedeu ao pagamento integral dos débitos, tudo no rigor da lei. Acrescentou ser evidente a vontade do Estado, por ocasião da edição da medida provisória, de permitir que a impugnante liquide todo e "qualquer aproveitamento indevido" de créditos oriundos do beneficio fiscal concedido pelo artigo 1° do Decretolei n° 491/1969, de modo que o Ministério da Fazenda expressou claramente o interesse do Governo Federal em encerrar, de forma definitiva e equânime, as discussões a respeito do crédito prêmio postas nas esferas administrativa e judicial, "fazendo valer o direito do contribuinte que pleiteou créditos tributários oriundos do incentivo fiscal de utilizálos na liquidação de débitos tributários federais, vencidos até a edição da referida medida provisória, instituindo, portanto, sistemática de extinção de débitos". E que, ao contrário dos contribuintes que logo após a formalização do pedido de ressarcimento do créditoprêmio de IPI efetuaram indiscriminadamente diversas compensações indevidas, obtendo na justiça provimentos que suspendessem a exigibilidade do débito tributário e por ora estaria com todos os requisitos da MP n° 470/2009 cumpridos, a impugnante assumiu posição conservadora e prudente perante a RFB, pois decidiu discutir seu crédito tributário anteriormente à compensação. A impugnante questiona se é adequado o tratamento que lhe é dispensado, uma vez que outros contribuintes que formalizaram o aproveitamento indevido gozarem dos benefícios na MP e da Lei 11.488/2007 sem maiores implicações e à impugnante que cumpriu à risca o Fl. 222DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 21/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 15959.000177/201044 Acórdão n.º 3202000.374 S3C2T2 Fl. 208 5 objetivo da norma, sobra a multa isolada por ter agido conservadoramente no passado. Argumentou que restaria ao AFRFB dar nova interpretação ao disposto no artigo 74, § 12, II , da Lei 9.430/96, em confronto com a permissão federal de saldar débitos federais compensados indevidamente com créditoprêmio de IPI, pois é justamente em razão da aplicação da norma instituída pela MP n° 470/09. Ao contrário, restaria violado o princípio da isonomia. Defendeu ser suficiente para afastar a multa isolada imputada pelo AFRFB o fato de o procedimento adotado pela impugnante se caracterizar hipótese de denúncia espontânea de débito, seguida de integral pagamento por meio do pedido de pagamento de débitos formalizado em 30 de novembro de 2009. Insta notar a boafé da impugnante em pagar o débito tributário antes mesmo de qualquer procedimento ou questionamento por parte da RFB, ou seja, anteriormente ao inicio do processo administrativo ou medida de fiscalização relacionada com a infração. Por fim, em virtude da pendência de julgamento dos processos administrativos n°s 10840.001812/200981 e 12915.002805/200919 relativos ao pedido de pagamento de débitos, solicitou o apensamento deste processo àqueles, com base nos termos, fatos e provas, na forma do § 1° do artigo 9° do Decreto n° 70.235/72.” A decisão de fls. 143/148, proferida pela DRJ/RPO, foi assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2010 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÕES NÃO DECLARADAS. Será exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada, aplicando se o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1°, quando for o caso. MEDIDA PROVISÓRIA N° 470/2009. EFEITOS. O disposto no artigo 3° da MP n° 470/2009 não revogou nem deu nova interpretação ao § 4°, do artigo 18, da Lei n° 10.833/2003 (artigo 18 da Lei n° 11.488/2007) e muito menos ao § 12, do artigo 74 da Lei n° 9.430/1996. O objetivo do artigo 3° da MP n° 470/2009 não foi abrir prazo para que os contribuintes apresentem declaração de compensação com créditos sabidamente indevidos para poder, posteriormente, se beneficiar do parcelamento ou da compensação de prejuízos fiscais. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O artigo 138 do Código Tributário Nacional se refere ao chamado arrependimento eficaz e só dispensa a penalidade pecuniária quando o pagamento do tributo desfaz a irregularidade, não se aplicando, portanto, à multa regulamentar cobrada isoladamente decorrente de infração à legislação, por ter o contribuinte, apresentado declaração de compensação de crédito indevido com débitos (já declarados) e cuja compensação não é permitida, fato vedado pela legislação vigente. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 21/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 15959.000177/201044 Acórdão n.º 3202000.374 S3C2T2 Fl. 209 6 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” Inconformada com a decisão da DRJ/RPO, a Recorrente apresentou o Recurso Voluntário de fls. 158/189, objetivando reformar a decisão em tela, alegando, em breve síntese, o que segue: a. Pugna pela nulidade da decisão recorrida; b. Pede a declaração de nulidade do Auto de Infração objeto da demanda, cancelandose a multa isolada aplicada; c. Aduz que as compensações foram realizadas nos termos da Medida Provisória 470/09; d. Refere a uma violação do princípio constitucional da isonomia; e. Requer afastamento da penalidade imposta por ocorrência de denúncia espontânea. É o relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade. Desta forma, dele tomo conhecimento e passo a analisálo. 1. Inexistência de nulidade da decisão de primeira instância Em relação ao pedido de apensamento formulado pela Recorrente, já feito quando da impugnação, e da alegação de nulidade em virtude do julgamento em apartado, mantenho a decisão da primeira instância por seus próprios termos, com especial atenção ao seguinte trecho: “Os processos citados não são decorrentes e nem conexos e os fatos e provas estão presentes nos autos, pois o que se discute é a multa isolada referente à compensação considerada não declarada e não se os débitos foram ou podem ser pagos ou parcelados.” Além disso, para decretação de nulidade, há necessidade de se comprovar a ocorrência de prejuízo à parte que alegou referido vício. Nesse sentido: Fl. 224DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 21/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 15959.000177/201044 Acórdão n.º 3202000.374 S3C2T2 Fl. 210 7 “Nulidade do Ato Administrativo. Controle Finalístico. Com exceção da hipótese de incompetência do agente, a nulidade do ato só é declarada se caracterizado prejuízo para as partes. Se o ato processual atinge sua finalidade e privilegia o exercício do contraditório e da ampla defesa não se declarará sua nulidade. Inteligência do art. 60 do Decreto n° 70.235, de 1972, combinado com o art. 55 da Lei n°9.784, de 1999. (...) (CARF, 3ª Seção, 2ª Turma, 1ª Câmara, Acórdão n. 3102.00452, Sessão de 13 de agosto de 2009) (grifos nossos). No caso em tela, a Recorrente não demonstrou a existência de prejuízo, mesmo porque todos os processos de compensação de créditoprêmio de IPI realizados após a adição da MP n. 470/09 são notoriamente indevidos, motivo pelo qual afasto a alegada nulidade da decisão da DRJ/RPO. 2. Inexistência de nulidade do auto de infração Em que pesem as razões ofertadas pela Recorrente, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que o lançamento, corroborado pela decisão recorrida, apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude. De fato, o ato administrativo deve ser fundamentado, indicando a autoridade competente, de forma explícita e clara, os fatos e dispositivos legais que lhe deram suporte, de maneira a oportunizar ao contribuinte o pleno exercício do seu consagrado direito de defesa e contraditório, sob pena de nulidade. E foi precisamente o que aconteceu com o presente lançamento. A descrição dos fatos disposta nos autos se revela suficiente e adequada para o entendimento da imputação, informando o crédito utilizado na compensação, a data do protocolo das compensações e o processo administrativo a que se referem, sendo, inclusive, que a Recorrente revelou pleno conhecimento das acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas em detalhada defesa. Insta salientar que a Recorrente, em sua defesa, reconhece que apresentou declarações de compensação, especifica o valor a que ela se refere e ainda cita os débitos que pretendeu compensar. Por conseguinte, não restou prejudicado o seu direito de defesa. Ademais, qualquer vício, que eventualmente tenha ocorrido, não trouxe qualquer prejuízo ä contribuinte, principalmente quanto à sua defesa. Dessa forma, não há que se falar em irregularidade e/ou ilegalidade no procedimento levado a efeito pela autoridade lançadora. Assim, rejeito a preliminar de nulidade. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 21/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 15959.000177/201044 Acórdão n.º 3202000.374 S3C2T2 Fl. 211 8 3. Da irregularidade do pagamento com base na MP n. 470/09 Inobstante os argumentos da Recorrente, constantes da peça recursal, seu pleito não merece ser acolhido. Aduz a Recorrente que as compensações foram formalizadas em conformidade com procedimento de pagamento de débitos estabelecido pelo artigo 3º da MP 470/2009, in verbis: “Art. 3º Poderão ser pagos ou parcelados, até 30 de novembro de 2009, os débitos decorrentes do aproveitamento indevido do incentivo fiscal setorial instituído pelo art. 1º do DecretoLei nº 491, de 5 de março de 1969, e os oriundos da aquisição de matériasprimas, material de embalagem e produtos intermediários relacionados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto nº 6.006, de 28 de dezembro de 2006, com incidência de alíquota zero ou como não tributados NT. § 1º Os débitos de que trata o caput deste artigo poderão ser pagos ou parcelados em até doze prestações mensais com redução de cem por cento das multas de mora e de ofício, de noventa por cento das multas isoladas, de noventa por cento dos juros de mora e de cem por cento do valor do encargo legal. § 2º As pessoas jurídicas que optarem pelo pagamento ou parcelamento nos termos deste artigo poderão liquidar os valores correspondentes aos débitos, inclusive multas e juros, com a utilização de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido próprios, passíveis de compensação, na forma da legislação vigente, relativos aos períodos de apuração encerrados até a publicação desta Medida Provisória, devidamente declarados à Secretaria da Receita Federal do Brasil. § 3º Na hipótese do § 2º deste artigo, o valor a ser utilizado será determinado mediante a aplicação sobre o montante do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa das alíquotas de vinte e cinco por cento e nove por cento, respectivamente. § 4º A opção pela extinção do crédito tributário na forma deste artigo não exclui a possibilidade de adesão ao parcelamento previsto na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009” Entretanto, extraise da leitura do artigo acima que o benefício do pagamento dos débitos com redução de multas e encargos e a possibilidade de parcelamento, foi concedido pela MP 470/2009 aos contribuintes que possuíam débitos com a Fazenda Nacional, decorrentes de valores compensados indevidamente com créditoprêmio de IPI ou com créditos de IPI das aquisições desoneradas do imposto. A referida MP não conferiu o direito à Recorrente para apresentar, após sua publicação, declarações de compensação envolvendo tais créditos, tampouco revogou ou deu nova interpretação ao § 4°, do artigo 18, da Lei n° 10.833/2003 (artigo 18 da Lei n° 11.488/2007) e muito menos ao § 12, do artigo 74, da Lei n°9.430/1996. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 21/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 15959.000177/201044 Acórdão n.º 3202000.374 S3C2T2 Fl. 212 9 O Ilustre Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão PretoSP (DRJ/RPO) esclareceu muito bem a questão, especialmente no seguinte trecho: “(...) a MP n° 470/2009, embora tenha dado permissivo para os contribuintes em débito para com a Fazenda Nacional saldar os valores compensados indevidamente com créditoprêmio de IPI ou com créditos de IPI das aquisições desoneradas do imposto, não conferiu o direito à impugnante para apresentar, após sua edição, declarações de compensação envolvendo tais créditos, principalmente porque a discussão sobre a vigência do créditoprêmio de IPI já fora encerrada tanto judicialmente e administrativamente. É certo que, perante a administração tributária, o direito material ao crédito prêmio extinguiuse em 30/06/1983, nos termos do DL n° 1.658/1979, conforme o entendimento vertido no Parecer AGU 172, de 1998, que deve ser observado por toda a Administração Pública a teor do disposto na LC n° 73, de 1993, art. 40, § 1°. E, a partir das novas regras para a compensação, a vedação ao aproveitamento do créditoprêmio fica explicitada coma edição da Instrução Normativa SRF 226, de 18 de outubro de 2002: Art. 1° Será liminarmente indeferido: I o pedido de restituição ou ressarcimento cujo direito creditório alegado tenha por base o "créditoprêmio" instituído pelo art. 1° do Decretolei n°491, de 5 de março de 1969; II o pedido ou a declaração de compensação cujo direito creditório alegado tenha por base: a) o "créditoprêmio", referido no inciso I; Tanto é assim que, a partir de 2004, o artigo 74 da Lei n° 9.430/96 passou a considerar não declaradas as compensações que tinham por objeto o crédito prêmio (...)”. Portanto, está correta a decisão recorrida ao considerar que a MP 470/2009 não autoriza compensações oriundas do créditoprêmio, pois essa MP apenas permite àqueles que já possuíam débitos advindos de compensações indevidas anteriores a publicação da MP, a realizar o pagamento com redução de multas e encargos. No caso em tela, as declarações de compensação foram transmitidas em 27/11/2009, ou seja, após mais de um mês da publicação da MP 470, ocorrida em 14/10/09. Insta salientar que o artigo 74 da Lei n° 9.430/96 considera como não declarada a compensação advinda do créditoprêmio de IPI instituído pelo art. 1º do DecretoLei n° 491, de 5 de março de 1969. Ademais, a Instrução Normativa SRF n⁰ 900/2008 veda o ressarcimento e/ou compensação do crédito prêmio IPI. Assim, a Recorrente jamais poderia ter apresentado as declarações de compensações de débitos previdenciários vencidos com o créditoprêmio de IPI, uma vez que a compensação desses créditos é terminantemente vedada pela legislação. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 21/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 15959.000177/201044 Acórdão n.º 3202000.374 S3C2T2 Fl. 213 10 O objetivo da MP 470/2009 foi o de possibilitar ou facilitar o pagamento ou parcelamento de dívidas já existentes quando de sua edição e não subverter toda legislação já existente. A Lei n° 9.430/96 continua vigente, e é bem clara ao caracterizar como não declaradas as compensações que utilizam o extinto crédito prêmio, a saber: “(...)Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) ... § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I previstas no § 3º deste artigo; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) II em que o crédito: (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) a) seja de terceiros; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) b) refirase a "créditoprêmio" instituído pelo art. 1º do DecretoLei nº 491, de 5 de março de 1969; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) (...)” Assim, estando o fato enquadrado no § 12°, do artigo 74, da Lei 9.430/96, deverá ser aplicada a multa isolada prevista no § 4°, artigo 18, da Lei n° 11.288, de 2007. “(...) Art. 18. Os arts. 3o e 18 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passam a vigorar com a seguinte redação: ... Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. ... § 4º Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1o, quando for o caso.(...)”. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 21/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 15959.000177/201044 Acórdão n.º 3202000.374 S3C2T2 Fl. 214 11 É de rigor, então, a manutenção da penalidade aplicada pelo auto de infração. 4. Quanto à violação ao princípio constitucional da isonomia Não podem ser conhecidas as alegações da Recorrente referentes à violação do princípio constitucional da isonomia, por impossibilidade deste Colegiado se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, nos termos da Súmula nº 2 do CARF. 5. Da alegação de denúncia espontânea Aduz a Recorrente que adotou procedimento de denúncia espontânea do débito seguida de integral pagamento, sendo indevida a cobrança de multa isolada nos termos do artigo 138 do CTN. Ocorre que o artigo 138 do CTN referese ao chamado arrependimento eficaz e só dispensa a penalidade pecuniária quando o pagamento do tributo desfaz a irregularidade, o que não é o caso. Em relação à alegação de denúncia espontânea, acolho a decisão de primeira instância como fundamentação desta decisão, conforme trecho abaixo colacionado: “(...)Estamos tratando de multa regulamentar cobrada isoladamente e decorrente do fato de o contribuinte ter infringido a legislação ao apresentar declaração de compensação de crédito indevido com débitos (já declarados), que por sua vez também não poderiam ser compensados, já que impedidos pela legislação. Portanto, a infração é outra. E esta infração não foi denunciada pela contribuinte. Cumpre lembrar que o Código Tributário Nacional é norma geral dirigida ao legislador ordinário, que em seu art. 97 dispõe que somente a lei pode estabelecer a cominação de penalidades: Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: (...) V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas. E, como já visto, nosso ordenamento jurídico vigente criou a chamada multa regulamentar, para coibir a compensação com créditos inexistentes. Se o mesmo ordenamento jurídico admitisse a exclusão dessa multa com o pagamento/parcelamento espontâneo do débito indevidamente compensado, estaríamos diante de plena contradição. Logo, não se pode interpretar o art. 138 do CTN como hipótese de dispensa da multa regulamentar, já que tal sanção só é cabível, como regra, nos procedimentos espontâneos em que a infração é reconhecida pelo contribuinte(...)”. Desse modo, fica demonstrado que o art. 138 do CTN não pode ser aplicado ao presente caso. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 21/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 15959.000177/201044 Acórdão n.º 3202000.374 S3C2T2 Fl. 215 12 Ante o exposto, rejeito as preliminares suscitadas pela Recorrente e, no mérito, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendose a decisão da DRJ/Ribeirão Preto por seus próprios fundamentos. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 230DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 21/03/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI
score : 1.0
Numero do processo: 10840.000098/2005-80
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das
Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples
Ano-calendário: 2001
SIMPLES EXCLUSÃO EM RAZÃO DA ATIVIDADE
Não contraria a lei a decisão que assenta que a fabricação, manutenção e reparação de equipamentos mecânicos e caldeiraria não se encontram compreendidas nas atividades que vedam a opção pelo regime do SIMPLES.
Numero da decisão: 9101-001.157
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos
Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Ausente, momentaneamente a Conselheira SUSY GOMES HOFFMANN.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: VALMIR SANDRI
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201108
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples Ano-calendário: 2001 SIMPLES EXCLUSÃO EM RAZÃO DA ATIVIDADE Não contraria a lei a decisão que assenta que a fabricação, manutenção e reparação de equipamentos mecânicos e caldeiraria não se encontram compreendidas nas atividades que vedam a opção pelo regime do SIMPLES.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10840.000098/2005-80
anomes_publicacao_s : 201108
conteudo_id_s : 4883590
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Feb 13 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 9101-001.157
nome_arquivo_s : 910101157_10840000098200580_201108.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : VALMIR SANDRI
nome_arquivo_pdf_s : 10840000098200580_4883590.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Ausente, momentaneamente a Conselheira SUSY GOMES HOFFMANN.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
id : 4746922
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:43:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044233252765696
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1655; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10840.000098/200580 Recurso nº 133.963 Especial do Procurador Acórdão nº 9101001.157 – 1ª Turma Sessão de 03 de agosto de 2011 Matéria SIMPLES Exclusão Recorrente Fazenda Nacional Interessado Fertron Mecal Mecânica e Calderaria Ltda. Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples Anocalendário: 2001 SIMPLES EXCLUSÃO EM RAZÃO DA ATIVIDADE Não contraria a lei a decisão que assenta que a fabricação, manutenção e reparação de equipamentos mecânicos e caldeiraria não se encontram compreendidas nas atividades que vedam a opção pelo regime do SIMPLES. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Ausente, momentaneamente a Conselheira SUSY GOMES HOFFMANN. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Valmar Fonseca de Menezes, João Carlos de Lima Junior, Claudemir Rodrigues Malaquias, Karem Jureidini Dias, Alberto Pinto Souza Junior, Antonio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner e Valmir Sandri. Fl. 96DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por VALMIR SANDRI 2 Relatório A D. Procuradoria da Fazenda Nacional interpõe Recurso Especial, valendo se da prerrogativa que lhe é facultada pelo inciso I do art. 7°, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais RICSRF, aprovado pela Portaria n° 147, de 25.06.2007, publicada no DOU de 28.06.2007, contra a decisão da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso do contribuinte e cancelou sua exclusão do SIMPLES. A decisão recorrida está consubstanciada no Acórdão n° 30333.473, cuja ementa é, a seguir, transcrita: SIMPLES. EXCLUSÃO. RAMO DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA DE EQUIPAMENTOS MECÂNICOS E DE CALDEIRARIA, não se encontra enquadrado nas atividades incluídas nos dispositivos de vedação à opção pelo regime especial do sistema integrado de pagamento de impostos e contribuições das microempresas e das empresas de pequeno porte. Aplicação por analogia da Lei 10.964/2004, art. 4°, retroativa pelo seu caráter interpretativo, fundamentos no art. 106 do CTN. Recurso voluntário provido A PFN invoca contrariedade à lei (art. 9º, inciso XIII da Lei nº 9.317/96), alegando que a competência para executar serviços de instalação e montagens em equipamentos industriais é dos engenheiros mecânicos ou elétricos, de uma forma geral, ou dos técnicos de graus superior e médio, conforme definido nos artigos lº, 8º, 22º, 23º e 24º da Resolução nº 218, de 28 de junho de 1973, do CONFEA Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia. Alega que a Coordenação Geral de Tributação (Cosit), por meio do Ato Declaratório (Normativo) nº. 4, de 22 de fevereiro de 2000, exarou o entendimento de que "não podem optar pelo SIMPLES as pessoas jurídicas que prestem serviços de montagem e manutenção industriais, por caracterizar prestações de serviço profissional de engenharia", aduzindo que, para interpretação da legislação tributária, não importa se o serviço foi efetivamente prestado por engenheiro ou por profissional legalmente habilitado. E conclui que, inobstante a empresa não possuir empregados com habilitação em nível superior na área de engenharia ou equivalente, o que interessa para caracterizar o impedimento é o fato de as atividades de instalação e montagem do equipamento industrial configurar a prestação dos serviços inerentes a formação do engenheiro ou técnico de nível superior ou grau médio. Acrescenta a PFN que o próprio contribuinte admite que desde 11 de junho de 1996, passou a explorar o ramo de fabricação, comércio e assistência técnica de equipamentos mecânicos e de caldeiraria, e equipamentos elétricos e eletrônicos. A Presidência da 3ª Câmara admitiu o recurso. Contrarrazões às fls. 77 e seguintes. É o relatório. Fl. 97DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por VALMIR SANDRI 3 Voto Valmir Sandri, Relator Os pressupostos recursais relativos à tempestividade e não unanimidade da decisão foram atendidos, devendo o recurso ser conhecido para análise da alegação de contrariedade à lei (inciso I, do art. 7°, do RICSRF, aprovado pela Portaria n° 147). Afirma a PFN que a decisão contrariou a lei porque admitiu a opção pelo simples de empresa que exerce atividade impeditiva, nos termos do art. 9º, inciso XIII, da Lei nº 9.317/96. Conforme Ato Declaratório Executivo anexado às fls. 30, o contribuinte foi excluído do Simples a partir do dia 01/01/2002, pela ocorrência da situação excludente (evento 306 atividade econômica vedada: 29297/02 instalação, reparação e manutenção de outras máquinas e equipamentos de uso geral). O contribuinte insurgiuse contra a exclusão, alegando que sua atividade econômica, conforme prova o contrato social que anexa, é: fabricação, comércio e assistência técnica de equipamentos mecânicos e de caldeiraria, e equipamentos elétricos e eletrônicos, diferente daquela lançada pelo Fisco no Ato Declaratório de exclusão. A DRJ, manteve a exclusão ao argumento de que a competência para executar serviços de instalação e montagens em equipamentos industriais, é dos engenheiros mecânicos ou elétricos, de uma forma geral, ou dos técnicos de graus superior e médio, conforme definido na Resolução n.° 218, de 29 de junho de 1973, do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia. Inicialmente, lembro que os termos em que descrita a atividade no Ato Declaratório não significa que a exclusão foi por atividade econômica diversa da exercida. O ADE reportase ao código numérico da atividade do contribuinte constante dos seus dados cadastrais, e esse código numérico dá a descrição genérica das atividades por ele abrangidas. É óbvio que, por tratarse de uma tabela, que deve gozar de generalidade, a descrição não pode ser alterada segundo as especificidades de cada contribuinte. No contrato social, o contribuinte tem a liberdade de descrever suas atividades da maneira como melhor entenda retratarem seu objeto. Sob a ótica de considerar a complexidade do serviço a ser executado e a necessidade de conhecimentos e técnicas próprios ou assemelhados à função graduada exercida pelos engenheiros, inúmeros foram os litígios julgados pelo Conselho, que acabaram por resultar na edição da Súmula CARF nº 57, com o seguinte enunciado: Súmula CARF nº 57: A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. Contudo, no caso concreto a atividade da empresa é mais ampla que o desempenho dos serviços alcançados pela Súmula, pois não consiste apenas da manutenção, Fl. 98DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por VALMIR SANDRI 4 assistência técnica, instalação ou reparo em máquinas e equipamentos, eis que incluem sua fabricação, o que afasta a possibilidade de decidir de pronto apenas com base na súmula. Assim, o que é importante para fins de averiguação da possibilidade de opção pelo Simples é se as atividades desempenhadas estão alcançadas pela vedação prevista no inciso XIII do art. 9º da Lei nº 9.317/96, no caso, se a empresa presta serviços profissionais de engenheiro ou assemelhados ou de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida. Sob esse aspecto, entendo irrefutáveis os argumentos deduzidos pelo relator do voto condutor do Acórdão recorrido para motivar sua decisão, que transcrevo e subscrevo “A principio cumpre salientar que a atividade de fabricação, manutenção e reparação de equipamentos mecânicos e caldeiraria, não se encontram enquadradas por si só nas atividades incluídas nos dispositivos de vedação à opção pelo regime do SIMPLES. Tal fato ocorre porque este ramo não se confunde com a prestação de serviços privativos de engenheiros, assemelhados e profissões legalmente regulamentadas. Ainda que o exercício da atividade da Recorrente carecesse de profissional de Engenharia, esta não se constituiria em atividade fim e sim de atividade meio, por óbvio, necessária ao exercício de sua atividade principal, mas distinta da mesma. Cito como exemplo um fabricante de cadeiras para escritório, com certeza carece de um profissional de fisioterapia para análise da ergonometria que proporciona os seus produtos, de igual forma carece também de um arquiteto para trabalhar com o visual dos mesmos produtos e de um engenheiro mecânico para cálculo das estruturas e estudo do material a ser utilizado na fabricação destas cadeiras. O fato de carecer destes profissionais não transforma o fabricante de cadeiras em fisioterapeuta, arquiteto ou engenheiro. Continua, por óbvio, sendo um fabricante de cadeiras para escritório.” Considerando que, nos termos da Súmula CARF nº 57, os serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal, e tendo em conta que a fabricação de equipamentos não constitui prestação de serviços de engenharia ou assemelhado, não vejo como considerar que a decisão recorrida contrariou a lei. Isto posto, Nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 03 de agosto de 2011. (assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 99DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por VALMIR SANDRI 5 Fl. 100DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por VALMIR SANDRI
score : 1.0
