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Numero do processo: 10980.009496/2005-67
Data da sessão: Thu Apr 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Exercício: 2003
PEREMPÇÃO, Não se conhece do recurso interposto além do prazo fixado no artigo 33 do Decreto 70235, de 1972, por perempto, quando restar comprovada sua extemporaneidade.
Numero da decisão: 1803-000.363
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, par intempestivo, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Em face da declaração de impedimento do Conselheiro Sergio Rodrigues Mendes, foi convocado o Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro para compor o colegiado. Ausente, justificadamente, justificadamente o Conselheiro Benedieto Celso Benício Júnior.
Matéria: IRPJ - multa por atraso na entrega da DIPJ
Nome do relator: Selene Ferreira de Moraes
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2003 PEREMPÇÃO, Não se conhece do recurso interposto além do prazo fixado no artigo 33 do Decreto 70235, de 1972, por perempto, quando restar comprovada sua extemporaneidade.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, par intempestivo, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Em face da declaração de impedimento do Conselheiro Sergio Rodrigues Mendes, foi convocado o Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro para compor o colegiado. Ausente, justificadamente, justificadamente o Conselheiro Benedieto Celso Benício Júnior.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, par intempestivo, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Em face da declaração de impedimento do Conselheiro Sergio Rodrigues Mendes, foi convocado o Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro para compor o calegiado. Ausente, justificadamente, justificadamente o Conselheiro Benedieto Celso Benício Júnior, -4111 .9:_ - FERREIRA DE MORAES — Presidente e Relatara EDITADO EM: U n jul 2010 Participaram, da sessão de julgamento os Conselheiros: Selene Ferreira de Moraes, Luciano Inocêncio dos Santos, Walter Adolfo Maresch e Eduardo Martins Neiva Monteiro. Dl" Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: "Trata o presente processo de auto de infração (ti, 10), cientificado em 02/08/2005 (fl. 28), mediante o qual é exigido da contribuinte qualificada o crédito tributário de R$ 500,00 referente à multa por atraso na entrega da declaração de rendimentos da pessoa jurídica relativa ao ano-calendário 2002. 2 O enquadramento legal do lançamento encontra-se discriminado no campo 05 (Descrição dos Fatos/Fundamentação) do auto de infração, à fl 10. 3. Em 31/08/2005, a contribuinte apresentou a impugnação de fis, 01/08, instruída com os documentos de fls. 09/26, cujo teor é a seguir sintetizado 4 Alega, inicialmente, que a D1PJ foi entregue e que teria havido falha no sistema de registro da data de envia Diz, ainda, que é entidade imune/isenta de tributação e que, assim, não teria havido qualquer prejuízo ao Erário, 5. A seguir, reclama da ausência e sustenta a necessidade de prévia intimação do contribuinte para prestar esclarecimentos à fiscalização. 6 Sustenta, também, que a DIPJ foi corretamente preenchida e que teria havido falha no sistema de transmissão de dados da Receita Federal, sendo inexigível a multa lançada. 7. Na seqüência, aduz a necessidade de fixação da multa no valor mininno legal, que defende ser de R$ 165,74, como estabelecido no art. 964 do Regulamento do Imposto de Renda. 8. Diz, a seguir, que não houve prejuízos ao Erário e que afim da multa em questão é meramente arrecadatório, 9. Ao .final, pede o cancelamento da exigência ou, conforme o caso, a sua redução para R$ 165,74. 10. É o relatório." A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente, em decisão • assim ementada: "DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS DA PESSOA JURÍDICA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. A pessoa jurídica que, obrigada à entrega da declaração de rendimentos, a apresenta fora do prazo legal, está sujeita à multa estabelecida na legislação de regência". Processo n" 10980 009496/2005-G7 S1-TE03 Acórdão n.° 1803-00-363 Fl. 2 Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que, além de reiterar as alegações contidas na impugnação, apenas aduz que o recurso é tempestivo e é inexigível o depósito recursal de 30% como condição para seguimento do recurso. É o relatório, Voto Conselheira SELENE FERREIRA DE MORAES, Relatora A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 12/05/2008 (AR de fls. 38). O recurso foi protocolado em 16/06/2008, ou seja, após o transcurso do prazo legal de 30 dias previsto no Decreto n° 70.235/1972. Aduz a recorrente que foi intimada em 16/05/2008, conforme o extrato dos Correios, anexado às fls, 50. Ocorre porém que o extrato anexado pela recorrente refere-se ao objeto no RL87607788513R, e não ao AR enviado e recebido pela contribuinte nos presentes autos (fls. 38), No AR de fls. 38 — número RL876076099BR - constam os números da intimação de fls. 37 e do presente processo administrativo - 10980.009496/2005-67. Como muito bem ressaltado no despacho de fls. 52, o AR n° RL876077885BR foi enviado a outro contribuinte, qual seja, Igreja Presbiteriana Renovada de Vila Camargo, nos autos de outro processo administrativo — 10980,009494/2005-78. Por conseguinte, restou comprovado nos autos a intempestividade do recurso, A contagem do prazo para apresentação do recurso iniciou em 13 de maio de 2008, primeiro dia útil após a intimação, conforme definido no art. 5' do Decreto n. 70,235, de 1972, sendo o prazo fatal para apresentação do recurso a data de 11 de junho de 2008, uma quarta-feira. Porém, a contribuinte só postou seu recurso voluntário em 16/06/2008 (fls. 41), depois de transcorridos mais de 30 (trinta) dias da ciência da decisão, implicando, portanto, na sua perempção, ex-vi do artigo 33 do Decreto 70.235, de 1972. Ante todo o exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso, por perempto, uma vez que restou comprovada sua extemporaneidade. .9d,Oi RREIRA DE MORAES 3
score : 1.0
Numero do processo: 13708.001234/00-87
Data da sessão: Tue Oct 19 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA
Exercício: 1998
IMPOSTO RETIDO NA FONTE.
Comprovado pelo contribuinte os recebimentos dos valores líquidos com a respectiva retenção do imposto de renda na fonte, deve-se considerar como corretos os valores apontados pelo contribuinte, cabendo ao Fisco verificar eventual falta de repasse do recolhimento por parte da fonte pagadora. Princípio do in dúbio pro contribuinte.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2102-000.931
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR parcial provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: VANESSA PEREIRA RODRIGUES DOMENE
1.0 = *:*
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materia_s : IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
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ementa_s : IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA Exercício: 1998 IMPOSTO RETIDO NA FONTE. Comprovado pelo contribuinte os recebimentos dos valores líquidos com a respectiva retenção do imposto de renda na fonte, deve-se considerar como corretos os valores apontados pelo contribuinte, cabendo ao Fisco verificar eventual falta de repasse do recolhimento por parte da fonte pagadora. Princípio do in dúbio pro contribuinte. Recurso voluntário provido em parte.
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Numero do processo: 11080.014747/2008-84
Data da sessão: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Exercício: 2003
COMPENSAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE ENTREGA DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.
A compensação de tributos e contribuições de forma diversa da que prescreve a legislação tributária impede o reconhecimento da regularidade da compensação, ante ao descumprimento de obrigação acessória.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 2003
MULTA ISOLADA. MULTA PROPORCIONAL. INDEPENDÊNCIA.
São independentes a multa isolada, decorrente do não recolhimento de estimativas, e a multa proporcional, decorrente do não recolhimento do tributo devido ao final do ano-calendário.
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
é escorreita a cobrança de juros, calculados à taxa Selic, sobre multa de ofício, nos termos do §3° do art. 61 da Lei n° 9.430/96.
Numero da decisão: 1302-001.180
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário para manter o IRPJ e os consectários legais e, pelo voto de qualidade, manter o lançamento da multa isolada e a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Frizzo, Pollastri e Cristiane Costa.
Nome do relator: Marcio Rodrigo Frizzo
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2003 COMPENSAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE ENTREGA DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. A compensação de tributos e contribuições de forma diversa da que prescreve a legislação tributária impede o reconhecimento da regularidade da compensação, ante ao descumprimento de obrigação acessória. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2003 MULTA ISOLADA. MULTA PROPORCIONAL. INDEPENDÊNCIA. São independentes a multa isolada, decorrente do não recolhimento de estimativas, e a multa proporcional, decorrente do não recolhimento do tributo devido ao final do ano-calendário. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. é escorreita a cobrança de juros, calculados à taxa Selic, sobre multa de ofício, nos termos do §3° do art. 61 da Lei n° 9.430/96.
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Numero do processo: 10580.721169/2007-51
Data da sessão: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2003 OMISSÃO DE RECEITA - AQUISIÇÕES JUNTO A FORNECEDORES - PAGAMENTO NÃO ESCRITURADO Restou comprovado, por intermédio de documentos coletados junto a fornecedores, que o sujeito passivo adquiriu mercadorias e não escriturou estas operações nos livros que deveria possuir. A não escrituração de pagamento efetuado pela empresa autoriza a presunção legal de que o mesmo foi realizado com recursos provenientes de receitas omitidas. MULTA DE OFÍCIO - AGRAVAMENTO O agravamento da multa de oficio pelo atraso ou atendimento inadequado de intimações e pedidos de esclarecimentos só tem aplicação quando efetivamente demonstrados a resistência ou embaraço à Fiscalização, ou o efetivo prejuízo ao procedimento fiscal. TRIBUTAÇÃO REFLEXA - CSLL, PIS, COFINS E INSS Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. No caso do Simples, as presunções de omissão de receita também devem ser aplicadas à Contribuição para o INSS. O comando legal contido no art. 18 da Lei 9.317/1996 não é no sentido de que sejam aplicadas individualmente (para cada tributo) cada uma das presunções legais previstas, mas que todas as presunções de omissão de receita sejam aplicadas a todos os tributos abrangidos no Simples, eis que há uma única base de cálculo, e um único recolhimento.
Numero da decisão: 1802-001.008
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso, para reduzir a multa de 112,5% para 75%.
Nome do relator: José de Oliveira Ferraz Corrêa
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003 OMISSÃO DE RECEITA AQUISIÇÕES JUNTO A FORNECEDORES PAGAMENTO NÃO ESCRITURADO Restou comprovado, por intermédio de documentos coletados junto a fornecedores, que o sujeito passivo adquiriu mercadorias e não escriturou estas operações nos livros que deveria possuir. A não escrituração de pagamento efetuado pela empresa autoriza a presunção legal de que o mesmo foi realizado com recursos provenientes de receitas omitidas. MULTA DE OFÍCIO AGRAVAMENTO O agravamento da multa de oficio pelo atraso ou atendimento inadequado de intimações e pedidos de esclarecimentos só tem aplicação quando efetivamente demonstrados a resistência ou embaraço à Fiscalização, ou o efetivo prejuízo ao procedimento fiscal. TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL, PIS, COFINS E INSS Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. No caso do Simples, as presunções de omissão de receita também devem ser aplicadas à Contribuição para o INSS. O comando legal contido no art. 18 da Lei 9.317/1996 não é no sentido de que sejam aplicadas individualmente (para cada tributo) cada uma das presunções legais previstas, mas que todas as presunções de omissão de receita sejam aplicadas a todos os tributos abrangidos no Simples, eis que há uma única base de cálculo, e um único recolhimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.721169/200751 Acórdão n.º 180201.008 S1TE02 Fl. 206 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso, para reduzir a multa de 112,5% para 75%. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho . Fl. 206DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.721169/200751 Acórdão n.º 180201.008 S1TE02 Fl. 207 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE, que considerou procedente o lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS e à Contribuição para Seguridade Social INSS, conforme os autos de infração de fls. 5 a 52, lavrados de acordo com o regime de tributação simplificada – SIMPLES, nos valores de R$ 66.681,49, R$ 66.681,49, R$ 104.904,45, R$ 209.809,05 e R$ 421.150,59, respectivamente, incluindose nestes montantes os juros moratórios e a multa agravada de 112,5%. Para descrever os fatos que antecederam o recurso voluntário, reproduzo o relatório constante da decisão de primeira instância, Acórdão nº 0816.938, às fls. 163 a 177: Conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal (fls. 53 a 58), que é parte integrante do Auto de Infração, o contribuinte foi autuado em razão da omissão de receita caracterizada por pagamentos a fornecedores sem que os mesmos estivessem devidamente registrados em sua escrituração, em relação a qual o contribuinte regularmente intimado não comprovou mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações. A fiscalização teve início através do Mandado de Procedimento Fiscal n° 05.1.01.002007003833, datado de 05 de julho de 2007, e respectivo Termo de Início de procedimento Fiscal (fls.60), cuja ciência foi dada no dia 13 de julho de 2007. No termo de início de fiscalização o sujeito passivo foi intimado a apresentar os Livros Caixa ou Diário e Razão do ano calendário 2003, Livro de Registro de Inventário, com o registro do estoque final do anocalendário 2002 e 2003 ou Livros Registro de Entradas e de Saídas do anocalendário 2003, Livro Registro de Apuração do ICMS do anocalendário 2003, Demonstrativo com valores das vendas para os 5 maiores clientes do anocalendário 2003 e Planilha com Demonstrativo da formação das bases de cálculo dos tributos do anocalendário 2003. No dia 14 de agosto de 2007 o contribuinte apresentou o Livro Registro de Inventário, cópia da DSPJSimples referente ao ano calendário 2003 e demonstrativo relacionado aos cinco maiores clientes (ano base 2003). Como se pode observar, o termo de início de fiscalização foi parcialmente atendido. Em 14 de setembro de 2007 foi expedido um Termo de Intimação a fim de que o sujeito passivo apresentasse os elementos solicitados no Termo de Início de Fiscalização, os quais, decorridos mais de 60 (sessenta) dias da ciência do referido Fl. 207DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.721169/200751 Acórdão n.º 180201.008 S1TE02 Fl. 208 4 termo, ainda não haviam sido apresentados à fiscalização. Na ocasião foi solicitado que o contribuinte justificasse, por escrito, a origem dos rendimentos utilizados para efetuar o pagamento das compras realizadas nas empresas BELGO MINEIRA PARTICIPAÇÃO INDÚSTRIA E COMÉRCIO S/A, CNPJ 00.664.902/001528 e BELGO SIDERÚRGICA S.A, CNPJ 17.469.701/002544, no valor de R$ 3.402.910,00, bem como explicar o motivo pelo qual a Ficha 07 da PJSI 2004/2003 (compras efetuadas) constava como R$ 0,00, quando as empresas fornecedoras informaram ter vendido ao contribuinte a quantia de R$ 3.402.910,00. No dia 27 de setembro de 2007 o contribuinte apresentou documento no qual informava ser impossível prestar os esclarecimentos solicitados no termo lavrado no dia 14/09/2007, solicitou dilação de 60 dias do prazo estipulado no referido termo. Em resposta à solicitação do contribuinte, a fiscalização lavrou um Termo de Intimação Fiscal, em 29/09/2007, concedendo um prazo de 20 (vinte) dias contados do dia 27/09/2007. Em 24 de outubro de 2007, a fiscalização lavrou Termo de Reintimacão Fiscal, estipulando um prazo de 5 (cinco) dias contados da ciência para que o contribuinte apresentasse os elementos solicitados no Termo de Início de Fiscalização (13/07/2007) e nos Termos de Intimação lavrados em 14/09/2007, 19/09/2007 e 29/09/2009. Em 29 de outubro o contribuinte apresentou um documento atestando ter tomado conhecimento do Termo de reintimacão no dia 24/10/2007 e declarou que as informações de posse da fiscalização são procedentes, ficando, contudo, pendentes de confirmação em virtude do extravio de seu documentário contábil e fiscal. Em 08 de novembro de 2007, a fiscalização lavrou Termo de Constatação (fls.87), no qual relata todas as oportunidades que foram dadas ao contribuinte, para que o mesmo apresentasse a documentação e livros (fiscais e contábeis) solicitados desde o início do procedimento de fiscalização. Ressalta, ainda, o fato de o contribuinte ter declarado que seu documentário contábil e fiscal houvera sido extraviado e não comprovou ter tomado as providências previstas no §1° do art. 264 do RIR/99 (Decreto n° 3.000, de 26/03/1999), ficando, dessa forma, configurado o não atendimento à intimação. O auto de infração foi lavrado com base nas informações prestadas pelo próprio contribuinte (fls 62/77) e na documentação resultante da circularização levada a efeito nos dois maiores fornecedores do sujeito passivo; a BELGO MINEIRA PARTICIPAÇÃO INDÚSTRIA E COMÉRCIO S/A e BELGO SIDERÚRGICA S/A (fls. 92/103). Fl. 208DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.721169/200751 Acórdão n.º 180201.008 S1TE02 Fl. 209 5 Quanto aos autos de infração, o contribuinte foi cientificado em 27/01/2007 e apresentou a impugnação de fls. 125 a 137, alegando em síntese o que se segue. DA CONDUTA IMPUTADA PELA FISCALIZAÇÃO SUAS RAZÕES. Nesse ínterim o defendente alega que a fiscalização interpretou de modo equivocado a declaração prestada em 29 de outubro de 2007. Que a afirmação de que “procedem as informações de posse da fiscalização, entretanto as mesmas ficam pendentes de confirmação em face de extravio do seu documentário contábil e fiscal” pode ter várias interpretações, entretanto o agente fiscal ultrapassou os limites da hermenêutica ao interpretar que tal afirmação, vez que em momento algum declarou ter informado receita bruta anual com valores diferentes para o fisco federal e para o fisco estadual, conforme sua conveniência. DO EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DOS PERCENTUAIS SOBRE A RECEITA BRUTA. A defesa afirma ter havido um equívoco por parte do agente fiscal ao utilizar o coeficiente de 5,4% no mês de janeiro de 2003 para calcular o valor devido do SIMPLES. Afirma que está enquadrado no SIMPLES na condição de microempresa e, considerando que nos meses de janeiro e fevereiro sua Receita Bruta foi inferior a R$ 244.000,00, a auditora fiscal deveria ter utilizado os coeficientes de 3% e 5% respectivamente. DONDE SE DEMONSTRA A IMPOSSIBILIDADE DE A OMISSÃO DE COMPRA ATÉ O VALOR COMPATÍVEL COM O CAIXA DISPONÍVEL QUE POSSIBILITE A OCORRÊNCIA DA IMPUTADA OMISSÃO. O defendente quer que sejam considerados os valores constantes do livro Registro de Inventário (31/12/2002) e o valor declarado no Livro Caixa, conforme consta da PJSI2004. DA UTILIZAÇÃO DAS PRESUNÇÕES NA SEARA TRIBUTÁRIA. O impugnante afirma que em face dos magnos princípios reitores do direito tributário, e da constatação de que o lançamento é atividade administrativa plenamente vinculada (art. 142, CTN), é certo que nesta seara jurídica somente são admitidas as presunções juris, autorizadas por lei. Prossegue afirmando que o agente fazendário utilizouse de presunção para justificar a suposta omissão de receita; e, é incontroverso que tal presunção é relativa juris tantum de sorte que pode ser afastada com a apresentação de prova em contrário. DA UTILIZAÇÃO INDEVIDA DA PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA DECORRENTE DE Fl. 209DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.721169/200751 Acórdão n.º 180201.008 S1TE02 Fl. 210 6 PAGAMENTOS COM RECURSOS NÃO ESCRITURADOS À CONTRIBUIÇÃO PATRONAL PARA O INSS. Alega que o auto de infração é nulo em seu inteiro teor, posto que o agente do fisco não detém autorização legal para utilizar a presunção de omissão de receita decorrente de pagamentos efetuados com recursos não contabilizados em face dessa contribuição específica. DA DESAUTORIZADA APLICAÇÃO DA MULTA AGRAVADA. A argumentação trazida pela defesa consiste no fato de que não foi possível identificar a infração cometida que justifique a multa de 112%, vez que o enquadramento legal constante do auto de infração indica 03 (três) hipóteses em que é cabível o agravamento da multa. Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007) (...) § 2° Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1° deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a" pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei n°8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b" com nova redaçãopela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei.(Renumerado da alínea "c" com nova redação pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007) Afirma o contribuinte que, em momento algum, a empresa se negou a prestar os esclarecimentos solicitados pela fiscalização, tanto que entregou prontamente as informações de que dispunha, quais sejam o Livro Registro de Inventário e a Declaração de Movimento Econômico de Microempresa e Empresa de Pequeno Porte DME relativa ao anocalendário de 2003. Do acima exposto, resta demonstrado que a aplicação da multa de 112% não tem espaço no caso sub examine, na medida em Fl. 210DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.721169/200751 Acórdão n.º 180201.008 S1TE02 Fl. 211 7 que não houve indicação precisa de qual dispositivo legal foi infringido, ao contrário do exigido pelo art. 10, inciso IV do Decreto n° 70.235/71. Alega, ainda, que o Termo de Constatação Fiscal lavrado em 08/11/2007, por sua natureza intrínseca e inquisitorial, não admitia, à época de sua formulação, qualquer contraditório (resposta positiva ou não) no que se refere à afirmação unilateral da nobre representante do fisco. DA AUTUAÇÃO REFLEXA. Pleiteia que as razões expostas e as provas da improcedência do auto de infração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica apresentadas nesta impugnação se estendam ao julgamento dos demais autos decorrentes do mesmo Mandado de Procedimento Fiscal (MPF n° 0510100/00754/03). DOS PEDIDOS. Em face do exposto, requer a declaração de TOTAL IMPROCEDÊNCIA dos autos de infração guerreados, em função dos motivos abaixo discriminados: a) aplicação do percentual de 5,4% sobre a receita bruta de fevereiro de2003, enquanto o artigo 23, §2°, c/c o art. 5°, inciso I, alínea c da lei n° 9.317/96 determinam a utilização do coeficiente de 5%, vez que naquele mês a receita obtida é inferior ao limite das microempresas; b) em razão da necessidade imperiosa de refazimento do demonstrativo de apuração de omissão de receita, em face de que está cabalmente demonstrada a sua desqualificação; c) pela utilização ilegal e desautorizada da presunção de omissão de receita quanto à contribuição patronal para o INSS; d) em função do vício de forma consubstanciado na aplicação da multa de 112% sem indicação específica do dispositivo normativo infringido; e e) os autos reflexos tornamse vulneráveis, posto que o lançamento matriz é o do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e deste foram extraídas conseqüências que induziram aos lançamentos de PIS, COFINS, CSLL e Contribuição para seguridade Social INSS. Como mencionado, a DRJ Fortaleza/CE considerou procedente o lançamento, expressando suas conclusões com a ementa abaixo: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003 Fl. 211DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.721169/200751 Acórdão n.º 180201.008 S1TE02 Fl. 212 8 OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE PAGAMENTOS DAS COMPRAS EFETUADAS. A falta de escrituração de pagamentos, comprovadamente de autoria da empresa autuada, autoriza a presunção legal de que tenham sido efetuados com recursos mantidos à margem da escrituração contábil, caracterizando omissão de receitas. PRESUNÇÃO JURIS TANTUM. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. FATO INDICIÁRIO. FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. A presunção legal juris tantum inverte o ônus da prova. Neste caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o fato indiciário (omissão de registro de pagamentos) corresponde, efetivamente, à omissão de receitas (fato jurídico tributário). Cabe ao contribuinte provar que o fato presumido não existiu na situação concreta. DESCRIÇÃO DOS FATOS E FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. Restando evidenciado que a descrição dos fatos e enquadramento legal encontramse suficientemente claros para propiciar o entendimento das infrações imputadas, descabe acolher alegação de desprezo ao princípio da tipicidade tributária. MATERIALIDADE. INSTRUÇÃO PROBATÓRIA. O conjunto probatório reunido pela Fiscalização mostrouse robusto e consistente, em consonância com o disposto no art. 9° do PAF, hábil para instruir o lançamento em questão. CONTRIBUIÇÕES/SIMPLES PIS, COFINS, CSLL E INSS Ressalvados os casos especiais, os lançamentos reflexivos colhem a sorte daquele que lhes deu origem, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 22/02/2010, a Contribuinte apresentou em 23/03/2010 o recurso voluntário de fls. 186 a 198, onde reitera os mesmos argumentos de sua impugnação, conforme descrito nos parágrafos anteriores. Este é o Relatório. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.721169/200751 Acórdão n.º 180201.008 S1TE02 Fl. 213 9 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a matéria em litígio diz respeito a lançamento para a exigência de tributos abrangidos pelo regime de tributação simplificada – Simples, nos meses do anocalendário de 2003. A autuação está fundamentada em omissão de receitas, apurada a partir da falta de escrituração de pagamentos, conforme a presunção legal contida no art. 40 da Lei 9.430/1996. De acordo com a Fiscalização, a Contribuinte declarou em sua PJSI uma receita bruta anual de RS 58.264,41 e RS 0,00 a título de compras, enquanto que para o mesmo período as informações colhidas junto a alguns fornecedores revelaram que a empresa realizou aquisições no montante de R$ 3.402.910,00. A Fiscalização deduziu do auto de infração as receitas declaradas, e o valor autuado como receita omitida foi de R$ 3.344.645,59. Pela alteração nas faixas de receita bruta acumulada durante o ano e, conseqüentemente, nos percentuais para a apuração do SIMPLES, a omissão de receita repercutiu em uma outra infração insuficiência de recolhimento sobre a receita declarada, que também foi objeto de lançamento. Para a primeira infração, foi aplicada a multa agravada de 112,5%, e para a segunda, a multa de 75%. DA CONDUTA IMPUTADA À AUTUADA. Primeiramente, a Contribuinte busca esclarecer que em nenhum momento declarou e nem reconheceu que havia informado Receita Bruta em valores diferentes para o Fisco Federal e Estadual. Realmente, a Contribuinte não fez esta declaração, mas também não é isso o que consta do Termo de Verificação Fiscal (fls. 53 a 58). Naquele termo, a Fiscalização ressaltou que a Contribuinte “não negou as operações de pagamento de compras de mercadorias, ao contrário, afirmou que a princípio procedem as informações” relativamente a esse aspecto. Na seqüência, a Fiscalização também ressaltou que a Contribuinte declarou receita bruta anual diferente para os Fiscos Federal e Estadual, eis que, conforme registrado nos parágrafos anteriores do referido termo, a DME apresentada à Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia, referente ao anocalendário 2003, indicava venda de mercadorias no valor de R$ Fl. 213DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.721169/200751 Acórdão n.º 180201.008 S1TE02 Fl. 214 10 374.946,60 e compras no valor de R$ 330.980,93, enquanto a PJSI apresentada à Receita Federal indicava para esses mesmas operações os valores de RS 58.264,41 e RS 0,00, respectivamente. A Recorrente procura justificar estas diferenças alegando que as informações relativas ao ICMS abrangem vários tipos de operações, ou seja, saída de mercadorias por “venda, transferência, demonstração, devolução, retorno e outras mais, e assim, os valores ali registrados não correspondem à receita bruta dos contribuintes”. Quanto a isso, não se desconhece que as informações prestadas aos Fiscos Federal e Estadual nem sempre são coincidentes, porque realmente as bases tributáveis são distintas, mas a justificativa apresentada em nada contribui para a defesa da autuada. Em primeiro lugar, na DME Declaração de Movimentos Econômico de Microempresa e Empresa de Pequeno Porte (Documento de controle do Fisco Estadual), à fl. 65, o valor de R$ 374.946,60 diz respeito especificamente a “venda de mercadoria e/ou produção”, e não a uma rubrica que poderia abranger saídas a outros títulos (“outras saídas”). Portanto, a Contribuinte realmente declarou valores diferentes para os Fiscos Federal e Estadual, relativamente à sua receita bruta anual. Mas o principal aspecto a ser destacado é que o lançamento por omissão de receitas não está baseado nas diferenças entre DME e PJSI, e sim nas compras que a autuada realizou junto a seus fornecedores, conforme informado por eles à Receita Federal. Deste modo, as alegações da Contribuinte relativas à DME, ainda que confirmadas, o que não ocorreu, não trariam qualquer prejuízo ao lançamento. DO EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DOS PERCENTUAIS SOBRE A RECEITA BRUTA. A Contribuinte alega que a Fiscalização incorreu em erro ao aplicar já a partir do mês de janeiro/2003 os coeficientes previstos para as Empresas de Pequeno Porte (EPP); que sua condição de enquadramento no Simples deveria tomar como base a receita auferida no exercício imediatamente anterior; que sua situação se coadunava com a classificação de microempresa (ME), e não EPP; e que os percentuais aplicáveis para a apuração dos débitos seriam aqueles previstos no art. 5º, I, da Lei 9.317/96. Em síntese, sua reivindicação é de que no início de 2003 deveria ter sido tributada primeiramente como ME, e que os percentuais referentes às EPP só deveriam alcançar as receitas que ultrapassassem o limite previsto para as ME (R$ 120.000,00). A Contribuinte não juntou documentos para demonstrar o seu faturamento em 2002, e nem a sua condição de enquadramento naquele ano. Pelos documentos que compõem os autos, referentes ao anocalendário de 2003, vêse que a autuada adquiriu mercadorias em montante muito superior ao que seria permitido para uma empresa enquadrada no Simples, mesmo na condição de EPP, eis que o limite de receita bruta anual em 2003 era de R$ 1.200.000,00, e ela fez aquisições no montante de R$ 3.402.910,00. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.721169/200751 Acórdão n.º 180201.008 S1TE02 Fl. 215 11 Além disso, fez constar expressamente em sua Declaração PJSI para o referido ano, à fl. 105 a seguinte informação: “Condição de Enquadramento: Empresa de Pequeno Porte”. Na sistemática da Lei 9.317/1996, a opção por uma ou outra condição de enquadramento ME ou EPP deveria levar em conta o porte da pessoa jurídica. No caso sob exame, não apenas o porte da empresa, em função do volume de compras que realizava, como também a própria informação prestada na Declaração Simplificada PJSI indicavam a condição de EPP para todo o anocalendário, desde o seu início, pelo que, também em relação a esse aspecto, o lançamento não merece reparo. DA IMPOSSIBILIDADE DA OMISSÃO DE COMPRA ATÉ O VALOR COMPATÍVEL COM O CAIXA DISPONÍVEL QUE POSSIBILITE A OCORRÊNCIA DA IMPUTADA OMISSÃO. De acordo com a Recorrente, a Fiscalização, ao afirmar que a empresa cometera omissão de compras no mês de fevereiro/2003, qualificandoa como “pagamentos efetuados com recursos não contabilizados”, também afirma, contrário senso, que tais recursos seriam de anterior omissão de receita, posto que não há outra forma de geração de disponibilidade jurídica. Ainda segundo a Contribuinte, caberia concluir que a empresa tem que primeiro revender mercadorias para posteriormente efetuar pagamentos com recursos não contabilizados. Continuando, faz a seguinte afirmação: “forte nesta premissa, é que o autor do feito entende que a omissão, acaso omissão haja, ocorreu primeiro. Ficando assente que em tese, apenas por amor à argumentação, a hipotética omissão de receita teria ocorrido no pretérito períodobase de 2002.” Nessa linha de raciocínio, a Recorrente ainda argumenta que “a autora devia reconsiderar no mínimo o valor de R$ 28.107,15 constante do seu livro Registro de Inventário encerrado em 31/12/2002 e mais o valor declarado em livro Caixa, que embora ausente, está espelhado na PJSI”. Realmente, cabe reconhecer que as presunções legais para a incidência de tributos devem se conformar com a lógica natural dos fatos. Aliás, é justamente isso que possibilita ao legislador tributário instituir mediante lei a tributação por via de presunção. Para realizar pagamentos a seus fornecedores, a Contribuinte precisa de recursos, e se não há registro destas operações nos livros contábeis e fiscais da Contribuinte, a hipótese mais provável é que os pagamentos tenham sido realizados com recursos decorrentes de receitas que foram anteriormente omitidas do Fisco. Essa é a lógica que ampara a presunção legal de omissão de receitas a partir de pagamentos não escriturados. Mas essa relação de anterioridade que está implícita na referida presunção legal não implica na conclusão de que os pagamentos realizados em 2003 tenham sido realizados a partir de receitas omitidas em 2002, ou de receitas auferidas com a de venda dos estoques existentes em 31/12/2002. Com efeito, as receitas omitidas, embora anteriores aos pagamentos, podem perfeitamente ter ocorrido no próprio ano de 2003, entremeadas entre os vários pagamentos Fl. 215DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.721169/200751 Acórdão n.º 180201.008 S1TE02 Fl. 216 12 que foram sendo realizados, e, inclusive, mediante a venda de estoques adquiridos naquele mesmo ano. Por outro lado, apesar de a Contribuinte ter informado em sua declaração R$ 0,00 a título de compras em 2003, e não ter apresentado livros com registros que vinculassem as próprias receitas declaradas em 2003 com os pagamentos realizados aos fornecedores, a Fiscalização deduziu do auto de infração toda a receita declarada para o ano autuado (R$ 58.264,41), considerando que elas representavam fonte de recursos para os pagamentos identificados nos trabalhos de auditoria. Deste modo, não há qualquer ajuste a fazer em relação à base de cálculo, eis que todo o saldo disponível para a realização de pagamentos já foi considerado no lançamento. DA UTILIZAÇÃO DAS PRESUNÇÕES NA SEARA TRIBUTÁRIA. Como já mencionado na decisão de primeira instância, as presunções estão há muito tempo incorporadas à nossa ordem jurídica. Por meio delas, estabelece a lei, com base naquilo que se observa na maior parte dos casos, diante de um critério de razoabilidade, que ocorrida uma determinada situação fática (indício), podese presumir, até prova em contrário, a ocorrência de um outro fato (no caso, a omissão de receita). Já destacamos em parágrafos anteriores que para realizar pagamentos a seus fornecedores, as empresas precisam de recursos, e se não há registro destas operações em seus livros contábeis e fiscais, a hipótese mais provável é que estes pagamentos tenham sido realizados com recursos correspondentes a receitas omitidas do Fisco. Essa é a lógica que ampara a presunção legal de omissão de receitas a partir de pagamentos não escriturados. Conforme previsto no art. 40 da Lei 9.430/1996, a existência de pagamento não escriturado é, por si só, suficiente para a caracterização de omissão de receitas, cabendo ao sujeito passivo a prova em contrário, em razão da inversão do ônus da prova que resulta da presunção legal. Deste modo, não tendo a Contribuinte apresentado os livros onde deveriam estar registrados os pagamentos, tampouco refutado as operações em questão, estando inclusive comprovado o efetivo recebimentos pelos fornecedores (por meio da técnica de circularização), agiu corretamente a Fiscalização, tributando os pagamentos não contabilizados como receita omitida. DA UTILIZAÇÃO INDEVIDA DA PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA DECORRENTE DE PAGAMENTOS COM RECURSOS NÃO ESCRITURADOS À CONTRIBUIÇÃO PATRONAL PARA O INSS De acordo com a Recorrente, a presunção de omissão de receita, nos meandros do SIMPLES, somente pode ser manejada se houver autorização para tanto nas leis que regem os impostos e contribuições inclusos neste sistema. Nestes termos, ela destaca que na legislação de regência da contribuição patronal para o INSS inexiste qualquer menção ou autorização à utilização das malsinadas presunções de omissão de receita, razão pela qual tal mecanismo simplesmente não poderia ter sido utilizado nesse caso, sob pena de se subverter as diretrizes que informam o ordenamento jurídico nacional. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.721169/200751 Acórdão n.º 180201.008 S1TE02 Fl. 217 13 Segundo seus argumentos, o agente do fisco não detém autorização legal para utilizar a presunção de omissão de receita decorrente de pagamentos efetuados com recursos não contabilizados em face desse tributo específico. É importante destacar dois dispositivos que tratam da matéria. O art. 18 da Lei 9.317/96: Art. 18. Aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições de que trata esta lei, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas. E o art. 24 da Lei 9.249/1995: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. § l° (...) § 2o O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. Vêse que o art. 24 da Lei 9.249/1995, para os casos de omissão de receita que resulta em lançamento de IRPJ, estende o reflexo desta infração apenas em relação à CSLL, COFINS e PIS. E a legislação específica da Contribuição para o INSS também não incorpora as presunções de omissão de receita previstas para o IRPJ (saldo credor de caixa, pagamento não escriturado, passivo fictício, etc). Tais presunções realmente não são aplicadas na apuração normal da Contribuição ao INSS, até porque esta contribuição possui uma base de incidência bastante distinta daquelas previstas para os demais tributos federais citados acima. Contudo, a tributação pelo regime simplificado – Simples, está baseada em um único recolhimento que abrange todos os tributos em questão (inclusive a Contribuição para o INSS), cuja base de cálculo é também uma só, definida precisamente pela lei como a “receita bruta mensal auferida”. Deste modo, no caso do Simples, as presunções de omissão de receita também devem ser aplicadas à Contribuição para o INSS. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.721169/200751 Acórdão n.º 180201.008 S1TE02 Fl. 218 14 Em primeiro lugar, porque se trata de uma opção do próprio Contribuinte pelo recolhimento unificado, que abrange uma única base de cálculo, fundado no conceito de receita bruta. E também porque o art. 18 da Lei 9.317/1996 (anteriormente transcrito) determina expressamente que “aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições de que trata esta lei (...)”. O comando legal não é no sentido de que sejam aplicadas individualmente (para cada tributo) cada uma das presunções legais previstas, mas que todas as presunções de omissão de receita sejam aplicadas a todos os tributos abrangidos no Simples, eis que há uma única base de cálculo, e um único recolhimento. Além da previsão expressa no texto da lei, isso decorre da própria lógica do regime simplificado, pois não há como compor bases de cálculo separadamente. Se é receita bruta para um tributo, é também receita bruta para os demais tributos abrangidos no Simples. DA DESAUTORIZADA APLICAÇÃO DA MULTA AGRAVADA. Em relação ao agravamento da multa, a Contribuinte alega que em momento algum se negou a prestar os esclarecimentos solicitados pela agente do fisco, respondendo sempre dentro do prazo concedido; que forneceu prontamente as informações de que dispunha para a fiscalização, quais sejam, o seu Livro Registro de Inventário e a Declaração de Movimento Econômico de Microempresa e Empresa de Pequeno Porte DME relativa ao ano calendário de 2003; que a prestação desses esclarecimentos é absolutamente contrária a qualquer intuito de postergar ou de dificultar a ação do fisco; que merece relevo o fato de que a empresa não permaneceu em silêncio durante os prazos concedidos para a prestação de esclarecimentos; que sempre respondeu as intimações; que o fato de algumas respostas não serem proveitosas ao auditor, como a ausência de algum documento requerido, não implica no agravamento da penalidade, como bem entende o Conselho de Contribuintes. Em sua decisão, a Delegacia de Julgamento manteve o agravamento com base nos seguintes fundamentos: É fato que intimações para prestar esclarecimentos sobre determinados assuntos indicados pela fiscalização ou para apresentar documentos foram negligenciadas, criando dificuldades ou até mesmo inviabilizando cursos de investigação que poderiam ser seguidos. Esclareçase ainda que embora no âmbito do Direito Penal exista o denominado direito ao silêncio por parte do acusado, no Direito Tributário, existe o dever de colaboração do contribuinte para com as autoridades tributárias na busca da verdade material quanto à ocorrência do fato gerador (...). Nessas circunstâncias, o contribuinte, ao não atender, no prazo marcado, à intimação para prestar esclarecimentos, ficou sujeito ao agravamento da multa de ofício previsto no § 2o do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Assim, a norma jurídica, regularmente editada, goza da presunção de legitimidade e Fl. 218DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.721169/200751 Acórdão n.º 180201.008 S1TE02 Fl. 219 15 constitucionalidade, cabendo à autoridade administrativa tão somente velar pelo seu fiel cumprimento. O impugnante alega que, do modo em que foi realizado, o enquadramento legal dificultou de forma extrema a sua defesa, vez que constam do auto de infração as alíneas “a”, “b” e “c” do §2° do art. 44 da lei n° 9.420/96, e o mesmo não conseguiu identificar qual o dispositivo legal infringido. Como anteriormente explicitado, o Termo de Verificação Fiscal foi bem redigido e baseado nos fatos ocorridos durante o procedimento de fiscalização. Considerando que o contribuinte foi cientificado de todos os Termos lavrados pela fiscalização e, principalmente, que em momento algum o mesmo foi intimado a apresentar arquivos ou sistemas de que trata a alínea “b” (obrigatório para pessoas jurídicas que utilizarem processamento eletrônico de dados) ou a documentação técnica de que trata a alínea “c” ( arquivos magnéticos), só resta a alínea “a”, que é aplicada nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos. Sendo assim, fundamentado o agravamento da multa de ofício, não há como negar sua aplicação. (grifos acrescidos) A jurisprudência do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes firmouse no sentido de que o agravamento da multa só se justifica quando plenamente caracterizada a recusa no atendimento às solicitações ou ainda quando o atraso ou o atendimento inadequado causam prejuízos à ação fiscal. No caso sob exame, vêse que no curso da ação fiscal a Contribuinte, embora com certo atraso, não deixou de apresentar respostas às intimações, atendendoas, ainda que parcialmente. Conforme registrado no Termo de Verificação Fiscal, a Contribuinte, respondendo ao Termo de Início de Fiscalização, apresentou o Livro Registro de Inventário e a Declaração de Movimento Econômico de Microempresa e Empresa de Pequeno Porte DME da Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia, referente ao anocalendário 2003, informando, posterior e verbalmente, “que não havia livros, nem Diário e Razão, nem Caixa”. Em outro momento, pediu prorrogação de prazo para apresentar justificativas sobre a origem dos rendimentos utilizados para efetuar os pagamentos das compras realizadas junto às empresas fornecedoras, no montante de RS 3.402.910,00. Posteriormente, informou por escrito que procediam as informações de posse da Fiscalização (relativamente às compras efetuadas), mas que essas informações ficariam pendentes de confirmação em face do extravio do seu documentário contábil e fiscal. No entendimento da Fiscalização, a Contribuinte deixou de escriturar suas operações comerciais e bancárias nos livros Diário e Razão ou Caixa, e procurava postergar o término da fiscalização sem apresentar motivação legal para tal. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.721169/200751 Acórdão n.º 180201.008 S1TE02 Fl. 220 16 O que se constata é que ela realmente não tinha como apresentar livros com registros de pagamentos no montante de R$ 3.402.910,00, quando havia declarado à Receita Federal um faturamento anual no valor de R$ 58.264,41. E também não tinha como justificar o injustificável, haja vista a tamanha discrepância entre o faturamento declarado e os pagamentos realizados. Nestas circunstâncias, alegou o extravio dos livros. Mas, ao final da auditoria, acabou informando por escrito (fls. 86) que procediam as informações de posse da Fiscalização, relativamente às compras efetuadas. Nestes termos, constato que a Contribuinte arcou com todo o ônus de não ter escriturado os referidos pagamentos. A não apresentação dos livros contendo informação sobre estas operações foi plenamente favorável ao Fisco, eis que todas as compras/pagamentos, por serem considerados como não escriturados, serviram para a caracterização da omissão de receitas, após deduzidas as receitas declaradas. Deste modo, não vejo como manter o agravamento da multa, eis que o prejuízo causado pelo atendimento inadequado de intimação para prestar esclarecimentos e apresentar livros/documentos recaiu totalmente sobre o sujeito passivo. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, para reduzir a multa de 112,5% para 75%. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 220DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 13629.000009/96-73
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2001
Ementa: DCTF — ENTREGA A DESTEMPO DA DECLARAÇÃO — DENÚNCIA ESPONTÂNEA — A entrega de DCTF é obrigação acessória autônoma, puramente formal, e as responsabilidades acessórias autônomas, que não possuem vinculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo instituto da denúncia espontânea , previsto
no art. 138 do CTN. Precedentes do STJ.
Recurso especial negado
Numero da decisão: CSRF/02-01.029
Decisão: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por
maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado Vencido o Conselheiro Francisco Maurício R de Albuquerque Silva.
Nome do relator: Otacilio Dantas Cartaxo
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Precedentes do STJ Recurso especial negado Vistos, relatados _e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela PACOMIL SUPERMERCADOS LTDA ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado Vencido o Conselheiro Francisco Maurício R de Albuquerque Silva /e1D1S ', ON PER-.. • de -.RIGUES ..,PRESIDE . . OTACÍLIO DAN Á S CARTAXO RELATOR , Processo n° ,: 13629 000009/96-73 Acórdão n° CSRF/02-01 029 FORMALIZADO EM,: :4- ft Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros:: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, JORGE FREIRE, SÉRGIO GOMES VELLOSO, MARCOS VINÍCIUS NEDER DE LIMA e DALTON CÉSAR CORDEIRO DE MIRANDA 2 Processo n° 13629000009/96-73 Acórdão n° CSRF/02-01 029 Recurso no RD/202-0.363 Recorrente PACOMIL SUPERMERCADOS LTDA RELATÓRIO Por bem descrever o fato, transcrevo relatório de fls., 256/258 "A ora recorrente, em 01/12/95, apresentou as DCTFs em atraso, à Agência da Receita Federal, juntamente com o Expediente de fls 12, dos quais foi dado o competente recibo pela dita repartição. Em 14,12.95, foi notificada pela mesma repartição, por haver entregue aqueles documentos (DCTF) fora do prazo, para o pagamento de multa, com base no art 11 do Decreto-Lei n° 1.968/82, legislação e atos administrativos enunciados, de cuja notificação teve ciência em 18/12/95 (doc de fls 34) Tempestivamente, em 04/01/96, impugna a exigência, em longo arrazoado, que resumimos Preliminarmente, invoca a ausência do princípio de legalidade, sob a alegação de que a referida DCTF fora instituída por atos normativos e não por lei Sob esse aspecto, tece longas considerações. Fala também sobre "ausência de fundamentação e/ou de tipificação", visto que o enquadramento legal constante da notificação não guarda relação alguma com o fato nela descrito, Novas considerações doutrinárias sobre tal alegação Depois, passa ao exame do mérito, conforme também sintetizamos Invoca, preliminarmente, a caracterização da denúncia espontânea, com a entrega das DCTF antes de qualquer procedimento fiscal, conforme comprovado pelo protocolo da repartição e anexo aos autos Reitera, todavia, a ilegalidade de tal exigência (a apresentação do citado documento), como já antes invocado Consequentemente, 3 Processo n° 13629 000009/96-73 Acórdão n° CSRF/02-01 029 também ilegal é a pena de multa, agora imposta A seguir, invoca e transcreve o artigo 138 do Código Tributário Nacional para reafirmar que o procedimento fiscal feriu o mencionado dispositivo Seguem-se considerações doutrinárias sobre a questão em foco, com invocação dos mestres, em trechos que transcreve Afirma, então, que a jurisprudência "não distancia da doutrina", conforme trecho de decisão judicial que transcreve Com essa consideração final, pede a acolhida da impugnação para que seja julgada insubsistente a notificação, considerando, além das preliminares mencionadas, que a contribuinte apresentou e protocolizou, antes de qualquer procedimento fiscal, juntamente com a entrega das DCTFs aludidas, a denúncia espontânea Instrui a impugnação com cópias da documentação invocada A decisão recorrida, conforme consubstanciado em sua ementa, diz que "é cabível a multa por atraso na entrega da DCTF pela apresentação após o prazo previsto na legislação, mesmo que esta se dê antes de qualquer procedimento fiscal, não se aplicando o previsto no artigo 138 do CTN ". Diz mais que, por força do disposto no Decreto-Lei n° 1 968/82, art. 11, § 3°, com as alterações que menciona, se a apresentação da DCTF ocorrer fora do prazo, mas antes da ação fiscal, a multa será lançada com redução de 50% Julga procedente, em parte, o lançamento, com a fundamentação que sintetizamos. Começa por enunciar a fundamentação legal da exigência, mediante as disposições que enumera Descarta a invocação de inconstitucionalidade, por não lhe competir o exame dessa matéria, privativa do Judiciário Fala sobre a notificação de lançamento, como tal disposta no Decreto n° 70 235/72, e afirma que todos os requisitos ali previstos foram cumpridos Passa, em seguida, a falar sobre o que chama de "questão de fundo", a partir do art 138 do CTN, que transcreve, invocando a doutrina, sobre a interpretação desse dispositivo, em trechos dos mestres, que 4 Processo n° , 13629.000009/96-73 Acórdão n° CSRF/02-01.029 transcreve, Invoca decisão do 1 ° CC, com trechos do Acórdão n° 106-07,370, que transcreve, bem como outras decisões daquele Colegiado, destacando a tese de que a denúncia espontânea não se aplica aos casos em descumprimento dos prazos fixados legalmente para a prestação de informações à administração tributária, Invoca também parecer do Procurador da Fazenda Nacional Aldemáraio Araujo Castro, da PGFN, sobre a questão da denúncia espontânea, conforme transcreve. Em conclusão, decide por eximir a contribuinte do pagamento da parcela que identifica, relativa a 50% da multa lançada na Notificação, exigindo o pagamento do montante que indica. Recurso tempestivo a este Conselho, em exaustivo arrazoado, que sintetizamos Preliminarmente, descreve os fatos que resultaram na exigência, conforme já foi relatado. Depois, reitera, com mais ênfase e substância, a argumentação desenvolvida na impugnação, por nós já mencionada em síntese, a saber "Da Incapacidade do Agente em Razão do Cargo", por não ter sido instaurada a notificação por agente capaz, visto que foi elaborada no serviço interno da repartição, conforme já alegara na impugnação, e "Da Ausência do Princípio da Legalidade", sob a invocação de que a exigência em causa se funda em atos normativos, em vez de lei Finalmente, passa a abordar o seu procedimento espontâneo, em face da norma do artigo 138 do CTN Sobre cada um desses itens, desenvolve longas considerações, sobre as quais já nos pronunciamos, em apertada síntese, especialmente tendo em vista as já reiteradas apreciações da mesma matéria por esta Câmara, com a correspondente apreciação Conclui por pedir o conhecimento e o provimento deste recurso para que seja julgada insubsistente a notificação de lançamento de que se 5 Processo n° : 13629000009/96-73 Acórdão n° : CSRF/02-01,029 trata Instrui o recurso com a documentação nele invocada, inclusive cópias das decisões judiciais e administrativas, em prol do seu entendimento, inclusive a legislação invocada." Os Conselheiros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, às fls. 255/264, decidem, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso do contribuinte, em acórdão assim ementado:, "DCTF — DENÚNCIA ESPONTÂNEA — ENTREGA COM ATRASO DE DECLARAÇÃO — O instituto denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a DCTF Cabível a aplicação da penalidade decorrente de descumprimento dessa obrigação acessória, prevista no Decreto-Lei n° 2.124/84. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça. Recurso negado." Ciente do acórdão acima, a autuada interpõe recurso especial (doc. fls. 268/270), onde defende a exoneração do pagamento da multa acessória, exigida na entrega a destempo e espontânea das DCTF, antes de qualquer procedimento, face a inteligência do art, 138 do CTN. Às fls 281/283, o Presidente da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, admite o recurso especial apresentado, visto a comprovação dos requisitos formais exigidos pela Portaria ME n° 55/98, para o prosseguimento de tal apelo. A Procuradoria da fazenda Nacional, às fls. 285/286, apresenta suas contra-razões, manifestando-se contrariamente à reforma do acórdão recorrido. É o relatório 'Õ>J\ 6 Processo n° 13629.000009/96-73 Acórdão n° . CSRF/02-01.029 VOTO CONSELHEIRO- OTACÍLIO DANTAS CARTAXO RELATOR O recurso especial cumpre todos os requisitos necessários para sua admissão, portanto dele conheço O STJ em recentes julgados vem entendendo que o instituto da denúncia _espontânea, _albergado pelo _art 138 do CT-N, não alçança as penalidades exigidas pelo descumprimento de obrigações acessórias. Nesse sentido transcrevo as razões de voto do Exmo. Sr. Ministro do STJ José-Delgado, proferidas• no-Resp 190388/G0,- que tratou da multa pelo-atraso na entrega da declaração do imposto de renda, plenamente aplicável, pela similitude, também à entrega de DCTF: "A configuração da denúncia espontânea como consagrada no art 138, do CTN, não tem a elasticidade que lhe emprestou o venerando acórdão recorrido, deixando sem punição as infrações administrativas pelo atraso no cumprimento das obrigações-fiscais. O atraso na entrega da declaração do imposto de renda éj considerado como sendo o descumprimento, no prazo fixado pela norma, de uma atividade fiscal exigida do contribuinte. É regra da conduta formal que não se confunde com o não pagamento de tributo, nem com as multas decorrentes por tal procedimento. A responsabilidade de que trata o art 138, do CTN, é depura: natureza tributária -e tem sua vincutação voltada para -as obrigações principais e acessórias 7 Processo n° 13629 000009/96-73 Acórdão n° CSRF/02-01 029 àquelas vinculadas As denominadas obrigações acessórias autônomas não estão _alcançadas peto art. 138, -_do CIN. Etas se impõem carno normas necPssárias para que se possa ser exercida a atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem qualquer laço com os efeitos de qualquer-fato gerador de tributo A multa a aplicada é em decorrência do poder de polícia exercido pela administração pelo não cumprimento de regra de conduta imposta a uma determinada categoria de contribuinte" Reforçando esse-entendimento, manifestou o mesmo Magistrado, no EARESP n° 258141/PR, cujo acórdão foi assim ementado "PROCESSUAL CIVIL EMBARGOS DE DECLARAÇÃO INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO NO ACÓRDÃO DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ENTREGA COM .ATRASO DE DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS - DCTF PRECEDENTES 1 (omissis) 2 (omissis) 3 (omissis) 4 _A _entidade "_denún_cia _esqontânea" não _alb_er_ga _a _prática _de _ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a Declaração de contribuições-e Tributos Federais— DCTF -5 As -responsabilidades acessórias autônomas sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. 6 (omissis) 7 _Embargos de_claratórios rejeitados " (grifei) 8 Processo n° 13629000009/96-73 Acórdão n° CSRF/02-01 029 A Câmara Superior de Recursos Fiscais também se pronunciou sobre o assunto, -e, nesse sentido, destaco -a ementa do-Acórdão CSRF n° 02-0.829, da lavra da Ilustre Conselheira Maria Teresa Martínez López "DCTF — DENÚNCIA ESPONTÂNEA — É devida a multa pela omissão na entrega da Declaração de Contribuições Federais As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN Precedentes do STJ Recurso a que se dá provimento." Isso posto, vejo que a multa legalmente prevista para a entrega a destempo das DCTF é plenamente exigível, pois trata-se de responsabilidade acessória autônoma não alcançada pelo art 138 do CTN Dessa forma, concluo que o acórdão recorrido não merece reforma e nego provimento ao recurso especial. É assim como voto Sala das Sessões, em 21 de maio de 2001 OTACíLIO DANT S CARTAXO 9 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1
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Numero do processo: 10768.005371/2002-30
Data da sessão: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 1998
Ementa:
IRF - MULTA ISOLADA - PAGAMENTO DE TRIBUTO SEM MULTA DE MORA - RETROATIVIDADE DA LEI QUE DEIXA DE PREVER PENALIDADE PARA A CONDUTA DO SUJEITO PASSIVO - Aplica-se a fato pretérito, objeto de processo ainda não definitivamente julgado, a legislação que deixe de defini-lo como infração, conforme determina o
mandamento do art,106, II, a, do CTN. Com a edição da Lei IV 11,488, de 15/06/2007, em seu art. 14, que deu nova redação ao art. 44 da Lei n° 9430, de 1996, não há previsão para a multa isolada por recolhimento de tributo em atraso sem o acréscimo da multa de mora.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2101-000.410
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara
da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Declarou-se impedido, em função da parte o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka.
Matéria: DCTF - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada(TODOS)
Nome do relator: Ana Neyle Olimpio Holanda
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Com a edição da Lei IV 11,488, de 15/06/2007, em seu art. 14, que deu nova redação ao art. 44 da Lei ri° 9A30, de 1996, não há previsão para a multa isolada por recolhimento de tributo em atraso sem o acréscimo da multa de mora. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Declarou-se impedido, em função da parte o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka. CAIO MARCOS CÂNDIDO Presidente 7-:- À1-xu '-‘e_ L , _ 'Ana Ndylê °limpai Holanda Relatora 24 SEI 2015 Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos, Gonçalo Bonet Allage, Caio Marcos Cândido, Ana Neyle Olímpio Holanda e Robinson Passos de Castro e Silva, Relatório O lançamento tributário de fls. 07 a 11 é decorrente de operação fiscal levada a efeito em auditoria interna nas declarações de contribuições e tributos federais (DCTF), da empresa acima identificada, formalizado para cobrança de multa isolada, no valor de RS 84,666,50, com base no artigo 160, da Lei n° 5.172, de 1966, (Código Tributário Nacional), artigo 1° da Lei n° 9.249, de 26/12/1995, artigos 43 e 44, I, e II, § I°, II, e § 20 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, decorrente de falta de pagamento de multa de mora, pelo recolhimento do imposto sobre a renda retido na fonte (IRF) após o vencimento. 2. O sujeito passivo apresenta, em 12/04/2002, de fis. 01 a 02, impugnação à exigência tributária, em que argumenta que ocorrera CITO quando da indicação das semanas a que se referiam as apurações, quando do preenchimento da DCTF correspondente. 3. Levado o litígio a julgamento, os membros da 8" Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ 1 (RJ) acordaram por considerar o lançamento corno procedente, pois que a retificação da declaração somente poderia ser aceita mediante prova dos erros em que se fundamente, resumindo o seu entendimento nos termos da ementa a seguir transcrita: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte — IRRF Ano-calendário. 1997 Ementa: RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. A retificação de declaração só pode ser efetuada mediante prova dos erros em que se fundamente. Ainda maior o rigor probatório quando A retificação pretendida seja manifestada após a notificação de lançamento cujo objeto seja, justamente, os dados alterados. Lançamento Procedente. 4. Intimado aos 17/11/2005, o sujeito passivo, irresignado, interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário de fis, 34 a 40. 5,. defesa: No apelo recursal o sujeito passivo apresenta os seguintes argumentos em sua I — o fato gerador que deu origem ao suposto débito tributário ocorreu aos 20/05/1997, assim, o recolhimento deveria se dar no terceiro dia útil da semana subseqüente, ou seja, aos 28/05/1997; II — o pagamento ocorreu na data do vencimento, pelo que, não houve inadimplência, sendo que foi cometido erro no preenchimento da DCTF, em que o fato gerador foi informado indevidamente na terceira semana do mês de maio, quando o correto seria na quarta semana; III — a multa imposta é desproporcional e confiscatória, 2 44, I, e II, Processo n" 10768 005.371/2002-30 S2-C1T1 Acórchlo n." 2101-00,410 Fl. 76 6, Ao final, defende o reconhecimento da improcedência da multa isolada, com a anulação do auto de infração. É o Relatório. Voto Conselheira Ana Neyle Olímpio Holanda, Relatora O recurso preenche os requisitos para sua admissibilidade, dele tomo conhecimento.. O dissídio que chega a esse colegiado trata do lançamento que exige multa isolada, no montante de R$ 84.666,50, em face do recolhimento de valores referentes a imposto sobre a renda retido na fonte (IRF), apresentados em declaração de contribuições e tributos federais (DCTF), fora do vencimento e sem acréscimo de multa de mora. A principal argumentação de defesa da recorrente dá-se no sentido de que houvera cometido erro no preenchimento da DCTF, em que o fato gerador foi informado indevidamente na terceira semana do mês de maio, quando o correto seria na quarta semana daquele mês, não havendo que se falar em recolhimento a destempo, por isso, indevida a multa de oficio isolada. A penalidade de que se defende o sujeito passivo tem por base legal o artigo 1", II, e § 2° da Lei n°9.430, de 27/12/199, litteris: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: 1- de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de . falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte, II - cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts 71, 72 e 73 da Lei n" 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1" As multas de que trata este artigo serão exigidas. I - juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; - isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; 4 3 III- isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnê-leão) na forma do art. 8" da Lei n" 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deiXar de fazê-lo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; (destaques da transcrição) Entretanto, o citado artigo 44 da Lei n" 9,430, de 1996, foi modificado pelo artigo 14 da Lei n° 11..488, de 15/06/2007, com a seguinte redação: Art. 14. O artigo 44 da Lei n" 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transf imitando-se as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e HL 'Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas. I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de .fhlta de declaração e nos de declaração inexata; - de 50% (cinqüenta por cento), exigida isohulamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na fOrma do rui, 8o da Lei no 7,713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser *tirado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física, b,) na !bruni do art 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha siclo apurado prejuízo . fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § O percentual de multa de que trata o inciso 1 do capta deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4 .502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. I - (revogado), II - (revogado); III- (revogado); IV - (revogado); V- (revogado pela Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998). § 2" Os percentuais de multa a que se relerem o inciso 1 do caput e o § lo deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para. 1- prestar esclarecimentos; - apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os ruis. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; 4 Processo n" 10768 005371/2002-30 Acórdão n " 2101-00,410 Fl 77 III - apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei Pela nova redação da norma em foco, não foi reproduzido o dispositivo que permitia a exigência de multa isolada, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora, deixando de existir a penalidade quando o sujeito passivo perpetrar tal conduta, Com efeito, aplicam-se ao caso vertente as determinações do artigo 106, II, a, do CTN, ad litteram: Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: I — em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade á infração dos dispositivos interpretados, — tratando-se de ato não definitivamente julgado. a) quando deixe de defini-lo como infração. Dessarte, de conformidade com a legislação vigente, indevida a imposição da multa objeto do lançamento guerreado. Forte no exposto, somos pelo provimento do recurso voluntário apresentado.. Sala das Sessões, em 002 de fevereiro de 2010 L, '-Ana--1\1 Y Le Oiimpio riomanua
score : 1.0
Numero do processo: 10940.000428/2003-47
Data da sessão: Fri May 08 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002
DILIGÊNCIAS.
Indefere-se o pedido de diligência que culmine na inversão do ônus da prova.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA.
É de quem alega o ônus e provar. Não se desincumbindo deste ônus, é de se negar sua pretensão.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-000.151
Decisão: ACORDAM os Membros da 1ª CÂMARA / 1ª TURMA ORDINÁRIA do SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, rejeitar o pedido de
diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: GUSTAVO KELLY ALENCAR
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Recorrida DRJ EM RIBEIRÃO PRETO - SP ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 DILIGÊNCIAS. Indefere-se o pedido de diligência que culmine na inversão do ônus da prova. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. É de quem alega o ônus e provar. Não se desincumbindo deste ônus, é de se negar sua pretensão. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da ia CÂMARA / P TURMA ORDINÁRIA do SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, rejeitar o pedido de diligência e, no mérito, negar provimento ao recur o. CA110 MARCOS CÂNDIDO Presidente o - Processo n°10940.000428/2003-47 S2-C ITI Acórdão n.° 2101-00.151 Fl. 176 G A 41, ALENCAR Relat Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa, Antonio Zomer, Antonio Lisboa Cardoso, Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho e Maria Tereza Martinez López. Relatório Trata-se de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, relativo ao quarto terceiro de 2002, indeferido pela autoridade comp etente pelo fato da requerente ter deixado de apresentar, mesmo quando intimada a fazê-lo, alguns dos documentos solicitados pela fiscalização com o fim de comprovar a certeza e liquidez do incentivo pleiteado. É apresentada manifestação de inconformidade, onde se alega que as solicitações foram atendidas, mesmo que, por vezes, fora do prazo, ou que então teriam sido apresentadas justificativas para seu não atendimento. Alega que o Fisco tem as informações que necessita para o atendimento do pedido, e que as alterações na legislação e nos sistemas informatizado trouxeram dificuldades para o acompanhamento pelos contribuintes. Protesta pela produção de prova superveniente e pela sustentação oral do direito reclamado. Remetido o processo à DRJ em Ribeirão Preto/SP é o indeferimento mantido, pela impossibilidade de apresentaçaõ de provas suplementares, pela inexistência de previsão legal para a realização de sustentaçao oral no julgamento da DRJ e, no mérito, pela insuficiência na instrução do feito, resultando na não comprovação do direito creditório do interessado. É apresentado recurso voluntário, onde, inici almente, pleiteia-se a conversão do feito em diligência, para se apurar a existência e liquidez do crédito, e, no mérito, discute-se sobre o direito ao crédito presumido do IPI, inclusive das aquisições de não contribuintes, e quanto à falta de documentos, alega-se que a complexidade das informações impossibilitou seu atendimento a contento. Por fim, requer a aplicação da Taxa Selic no crédito a ser ressarcido. É o Relatório. Voto --)1?.- . Conselheiro GUSTAVO KELLY ALENCAR, Relator Preenchidos os requisitos de admissibilidade, do recurso conheço. Inicialmente, há que se refutar a preliminar de conversão do julgamento em diligência, pois a mesma tão somente se destina a inverter o ônus da prova, pois o contribuinte deixou de carrear aos autos, mesmo quando intimado a fazê—lo, os elementos constitutivos do direito que afirma possuir. E a jurisprudência deste colegi ado já inclusive se manifestou a respeito: 2 _ Processo n° 10940.000428/2003-47 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.151 Fl. 177 "RV 130.233 (..), ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte a prova dos fatos constitutivos do seu direito. DILIGÊNCIAS. Indefere-se o pedido de diligência que culmine na inversão do ônus da prova." Quanto à falta de prova, é cediço que em processo, administrativo ou judicial, é de quem alega o ônus de provar os fatos constitutivos de seu direito. No caso, mesmo quando oportunizado a fazê-lo, deixou o contribuinte de fornecer os elementos que trariam certeza e liquidez ao direito creditório que alega possuir. Logo, é de se indeferir seu pleito face a absoluta falta de provas. A jurisprudência deste colegiado é tranqüila neste sentido: "RV 139.169 PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. AUSÊNCIA DE PROVAS. INDEFERIMENTO. Tratando-se de pedido de ressarcimento do crédito presumido do IPI, é do contribuinte o ônus da prova relativa a produtos intermediários, a serem considerados no cálculo do incentivo. Não demonstrados os valores correspondentes a tais produtos, descabe computá-los na base de cálculo do beneficio. Recurso negado. RV 138208 IP'. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. NORMAS PROCESSUAIS. Cabe ao interessado no reconhecimento do crédito presumido versado pela Lei n 9.363/96 o ônus da prova de que suas aquisições, para fins de inclusão na base de cálculo de referido beneficio, se enquadram no conceito legal de matérias - primas, produtos intermediários e material de embalagem, tal qual posto pelo art. 147, inciso II, do RIPI/2002, aplicados na industrialização dos seus produtos exportados.Recurso negado." Quanto às demais alegações, reputo-as prejudicadas face ao indeferimento liminar por falta de provas. Por tal, nego provimento ao recurso. _ Sala das Sessões, em 08 de maio de 2009. k4" -)GU ,__ELLENCAR 3
score : 1.0
Numero do processo: 10580.720283/2006-83
Data da sessão: Mon Apr 05 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2000
MULTA POR ATRASO. DIPJ. ENTREGA. Restando caracterizada a
entrega em atraso de DIPJ, e estando o contribuinte obrigado a sua apresentação, é devida a exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória.
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE O instituto da denúncia espontânea
não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte cumprir obrigação acessória, em atraso, (Acórdão: CSRF/01-04.920)
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-000.140
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, Ausente justificadamente o Conselheiro André Ricardo Lemes da Silva
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: Antônio José Praga de Souza
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2000 MULTA POR ATRASO. DIPJ. ENTREGA. Restando caracterizada a entrega em atraso de DIPJ, e estando o contribuinte obrigado a sua apresentação, é devida a exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte cumprir obrigação acessória, em atraso, (Acórdão: CSRF/01-04.920) Recurso Voluntário Negado.
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Numero do processo: 00940.050702/83-33
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 1984
Ementa: ABATIMENTOS DA RENDA BRUTA - PENSÃO ALIMENTÍCIA - Comprovando-se nos autos que o contribuinte estava obrigado, por acordo homologado
judicialmente, a pagar pensão alimentícia a sua ex-esposa, reconhece-se seu direito de pleitear o respectivo abatimento, ainda que, por evidente erro material, tenha indicado como beneficiária dos pagamentos pessoa diferente, com quem viva maritalmente.
Numero da decisão: 104-04.306
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, pelo exercício do voto de qualidade, em DAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Eugênio Botinelly Soares (Relator), Mário,Rodrigues Teixeira, Olavo João Galvão e Carlos Walberto Chaves Rosas. Designado o Conselheiro Francisco Amaral Manso para redigir o voto vencedor
Nome do relator: Eugênio Botinellly Soares
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Sessão de .~.+...~ ..t.E?y~~:t.~Qte19 .~.4... " • .ACORDÃO N° .1.0.4.::4 .•..3.Q.9. Recurso nO Recorrente Recorrido 41.607 - IRPF - Ei. 1981 ORLANDO CAVAGNARI DELEGADO Dà -RE"êÊITA-FEDERALEM: PONTA GROSSA - PR ABATH1EN'ros DA RENDA BRUTA - PENSÃO ALIMENTí- CIA ..- Compro"ana:o~s-e'ri-o-s ..autos' quéo .corifribu inte estava'obrigado, por acordo homologadõ judicialmente, a pagar pensão alimenticia a sua ex-esposa, reconhece-se seu direito de pleitear o respectivo abatimento, ainda que, por evidente erro material, tenha indicado como benefi,ciária dos pagamentos pessoa .di,ferente, com quem viva maritalmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por ORLANDO CAVAGNARI, ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro PROCURADOR DA FAZENDA NACIONAL Conselho de,Contribuintes, pelo exercicio do.voto de qualidade, em DAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Eugênio ,Boti- nelly Soares (Relator), Mário,Rodrigues Teixeira, Olavo João Gal- vao e Carlos Walberté:>Chaves Rosas. Designado o Conselheü:'o Francis co Amaral Manso para redigir o voto vencedor. Sala das Sess6es, em 21 de fevereiro de 1984 PRESIDENTE e REDATOR- DESIGNADO VISTO EM SESSÃO DE: IBM A I 1984 RECURSO DA'FAZENDA NACIONAL: RP/I04.0.l36 Participaram, ainda, do presente' julgamento, os seguintes Conselhe! ros: Teresode Jesus Torres, Helena Cristina Lana de Paula e Luiz Miranda. li. " I~ I " . "J) ~-i.e D..CO'ft cl ÕvD "~; /VIAe>vvtJido r--vw o..cónol õ0J c G f2ri lo). - o. sol otR.. 30 _ (r~~ LI, GO~ cJ,.£Cl?-~ cJ..e S-e~'/Vl. -t-e fe(Jx: f2,n ~Ovvvi -"VVVl" oictole dJl LJà +0 6 i ~ <j Ov't. y.uo V l' ~ +-0 ovo.Yú' (..UI'l- '}-o I ~ ./--01. ~ oto.xeJ Ol !o' h I o .e v cJ Io ~ f-cvn. o..-.-..-. O'\., ~+-.e<jncvt- o ~Je ~/Cja.cf.o. PRIMEIRO CONSElHO DE CONTRIBUINTES (4." CAMA'!A) EM.JQ...../.~~O / 19~ ..................... ~ " . MARIA JOS," ROCHA LOPES I Chefe da Secr.tarla com quem Pau1ina certid~o ...' SERViÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO NC? 0940/050.702/83-33 .:,'; . r. RECURSON9: 41.607 ACÓRDÃON9: 104-4.306 RECORRENTE: ORLANDO CAVAGNARI R E L A T 6 R I O Recorre 6 epigrafado, proprietãrio, da decis~o do Delegado da Receita Federal.em Ponta Grossa-PR, que julgou proc~ dente o.lançamento suplementar constante da notificaç~o de fls. 05, em que lhe é exigido o crédito tributário.de. Cr$ 106.416,00, incluídos os acréscimos. O lançamento corresponde à glosa do abatimento re- ferente a ajuda ~limentí6ia, constante da declaraç~o de rendimen tos do exercício de 1981, ano-base 1980. o contribuinte impugnou a aç~o fiscal, alegando que cometeu enganos quando.do preenchimento da.declaraç~o, em rela- -çao aos dependentes, eis.que.mencionou o nome da mulher tem quatro filhos~ quando deveria declarar o da esposa Cavagnari, esta ..vindo a falecer em 30/12/82, conforme de ób~tQ~ à fls. 25. Junto, ainda, além da certid~o de casamento,e de nascimento de urnamenina, declaraç~o (fls. 02) da outra mu- lher, afirmando ter percebido do Recorrente, a título de ajuda alimentícia para os quatro filhos naturais-que teve com o mesmo, o total de Cr$ 149.400,00, durante o ano dê 1980. A autoridade "a quo" manteve o lançamento,basea!:, do a sua decis~o em que o abatimento somente é permitido "as im portâncias efetivamente pagas a tItulo de alimentos ou pensõesern ~ DMF. DF/1!? c-c - Secgraf -1600/75 ,. ,I SERVIÇOPúBUCOFEDERAL Processo n9 0940/050.702/83-33 Ac6rdio~n9 104-4.306 2. face das normas do Direito de Família e em cumprimento de acordo ou decisiojudicial, cuja prova ,o impugnante nio traz aos au- tos 11 (sic)• Ciente da decisio em 10/06/83, interp6e o intere! sadoo recurso de fls. 19, protocolizado, em ,19/07/83, dentro do prazo a que alude o art. 33 dó Decreto n9 70.235/72. E;' o relat6rio. v O T O VE N C E D O R Conselheiro FRANCISCO AMARAL MANSO Redator-Designado Discordo, m.d.v., da posiçio assumida pelo ilus- tre Conselheiro Relator, no que foi acompanhado por alguns inte- grantes desta: Câmara. Eo faço pelos fundamentos, a seguir ali- nhados. , Embora a decisão dar.. autoridade na quoll infor me que a eXigênc,ia fi,scal originou-se de lIinformações prestadas no Anexo 1 pelos abatentesll (fI. 16), o exame dos documentos de fls. 5 e 6 conduz ,a entendimento diverso. ,Com efeito, o IIExtra to Simplificadoll de fI. 6 menciona como abatente o pr6prio re- corrente, com identificação, inclusive, de seu número de C.P .•F..,., Conquanto possa parecer absurdo"o,que está dito naquele do- cumento é que o recorrente declarou haver,pago a si próprio pen- são alimentícia, e que, tendo omi,tido o rendimento percebido,te- ve a ,importância incluída" de ofIcio, na Cédula IICII de sua de- claração.-Com efeito, a quantia de Cr$ 149.400,00 foi considera da IIrendimentos omitidos", promovendo-se" em conseqüência, a aI teração do item IIRendimentosda Cédula IIC'~,código n9 IIA211 (flc., 5); a notificação não, apresenta como razão para o .lança- mento suplementar a glosa de lIabatimentos uti'lizados 'i,ndev,i,da- mentell,no caso, o ,pagamento de IIpensão alimentícia judicialll, c6digo IIC1211• Nem mesmo teri,a havido utilização dessa quantia em outra declaração, pois o limite para apresentação de rendi- mentos, no exercício ,de 1981, era ,de Cr$,200.000,00, conforme f,i xado pelaPort. 386/80. Assim, a atividade de lançamento apre- senta, diversas falhas, a partir do entendimento de que 6 recor-J J~, #:' ,J SERVIÇQPOBllCOFEDERAl 'Processo nC? 0940/050.702/83-33 Acórdão nC? 104-4.306 3. rente teria recebido rendimento que nao submetera-ã tributação. Por outro lado, também o recorrente cometeu erros já no preenchimento de sua declaração. de rendimentos, ao infor- mar que era "casado_com comunhão de bens" (fI. l5-v) e in- cluir, entre seus dependentes, como sua "mulher", pessoa com quem não era casado (fl. 15). :E; provável que, a partir da informação de que o recorrente se declarava casado, relacionando, inclusive, a mu- lher como dependente, que não apres.entara declaração ems<=para- do, o 6rgão revisor considerasse. incabível o abatimento pleite~ do de quantia paga a título de "pensão alimentícia judicial", o que teria dado origem à glosa e à consequente exigência suple- mentar, ainda.que formalizada igualmente com erros. Inquestionável, portanto, a presença de erros ma- teriais, cometidos pelo recorrente que, ao que tudo indica, ter- -se-ia-rlescontrolado quando. do recebimento da notificação suple- mentar, cometendo novos erros .na tentativa de explicar o que ta! vez nem ele mesmo estava entendendo, em face, inclusive, da ine- xistência.de informações claras, corretas e precisas no lança- mento. Observa-se, por exemplo,_ que na petição impugnatória o r~ corrente ainda se declara "casado" e tenta explicar "engano" cometido' na declaração ao mencionar como "mulher'~ o nome de Hilda Dura, entendendo que "o certo seria'Pau1ina" (fI. l);na verdade, àquela ocasião o recorrente já se encontrava divorcia- do de Paulina Cavagnari, tendo havido, até mesmo,. partilha dos bens do casal. Assim, parece~me ser evidente tratar-se de "erro material" praticado pelo contribuinte, ao indicar como bene- ficiári.a da pensão alimentícia a companheira com quem vivia, ao invés de mencionar suaex~esposa, com quem tivera três filhas (fls.• 24/25). O contribuinte afirma que deixou de' consignar no 'Anexo 1 os pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia (fI. 01). Realmente, o documento de fI. 10 comprova o alegado, ainda que tenha sido acrescentada, de forma manuscrita, a infor- maçaodopagameáto questionado, indicando ....se .comobeneficiária a ex-esposa. Os documentos de fls. 21/24 comprovam, à sacieda~' ..' .. SERVlÇOPOBLICOFEDERAL Processo n9 0940/050.702/83-33 Acórdão n9 104-4.306 4. de, a existªncia da obrigação prestacionalj ficande e recorrente obrigado, per acerdo hemelogado judicialmente, a depositar e va- lerda pensão alimentícia "neBance Brasileiro.de Descontes S/A, agªncia centro", mensalmente, "em neme da autora". O abatimente pleiteadoguardacorreJ,;ação com a quantia objeto de.acerdo, "trªs Salários Mínimes regionais, e mais a locação, ou melhor, a admi- nistração e o produto dà locação de um imóvel localizade à Rua Cesãrio Alvin, ft9 704, Bairro de Olarias, e que se encontra pre- sentemente alugado à filha do casal de neme Ivonete Becher" (fL 21). Tendo em vista a variação do salário mínimo ne.ano de 1980, os pagamentos seriam .os seguintes: janeiro a abril ....... 3 x Cr$ 2.760,00 = Cr$ 33.120,00 maio a outubro ....... '" 3 x Cr$ 4.149,00 = Cr$ 74.692,80 novembro e dezembro ... 3 x Cr$ 5.788,00 = Cr$ 34.732,80 -~----- Tetal ahual .....'. ............. = Cr$ 142.545,60. Não se possuindo informação relativa ae aluguel d9imóvel,a pe- quena diferença (Cr$ 6.854,40) pode ser explicada por essa com- plementaçãe do acerdo. Feitas as consideraç6es .precedentes, e tendo em vista o disposte no art. 29 do Dec. 70.235/72, segunde o qual, "na ?tpreciação da preva, a autoridade julgadora formará livremen- te sua convicção" - e nO.presente caso. os documentos apresenta- dos pele centribuihte, ainda que se reconheçam algumas improprie- dades, justificam concluir""se pela procedªncia.de suas alegações vote para que se conheça do recurse e se lhe dª provimento pa:- ra admitir e restabelecimente da quantia cujo abatimento .fora pleiteado inicialmente, cancelando-se, em conseqüªncia, ol.lança-::... mente suplementar. ~. '. ,Ml., ..' ~RANCISCO'~ REDATOR-DESIGNADO 'VOTO .' Y.~.~E r: 1)0 Conselheiro EUGÊNIO BOTINELLY SOARES Relator Trata-se de glosa de abatimento de despesas a tít~ 1.0de ajuda alimentlci.a, no exercície de 1981, que o Recorrente prestou à mulher com quem tem 5 filhos, cenforme declaraçãe de U~ -.' .. O' SERViÇO PÚBUCO FEDERAL Processo n9 0940/050. 702/83-33 Acórdão n9 104-4.306 fls. 02. 5. No recurso alega o interessado que, quando da im- pugnação deixou de apresentar o "Termo de Acordo Judicial",o que faz agora, bem como fotocópias do registro de casamento,do for- mal de parti lha, da ação ".de divórcio consensual e da certidão de óbito da esposa, solicitando, por fim, o cancelamento da notifi- caça0. A pretensão'do Recorrente nao encontrou amparo le- gal.- Com efeito, para que pudesse. beneficiar-se com o abatimento pleiteado, haveria de'ter obtido mandamento judicial. Nenhum efei- to produz a declaração da beneficiária da-ajuda alimentícia, eis que não autorizada por sentença do Juiz (art. 70, ~ 19,alínea "a" do RIR/80). Nesse sentido, aliás,. a jurisprudência deste Conse lho consagra o entendimento de que: "A pensão alimentícia, cujo abatimento é permiti- d~, é a decorrente de acordo ou decisão judicial. Nao.pode resultar de acordo particular, fora do processo judicial (Ac. 19 CC 102-18.692/81)". Os documentos trazidos ao processo com o recurso, em nada beneficiam o contribuinte, eis que nenhum não se identi- ficam com a beneficiária da ajuda alimentícia, a não ser a decla- raçao da mãe dos.menores, já citada, sem supórte legal. Nestas condições, e desde que não consegu.l:.uo Re- corrente provar nos autos que.as.despesas.com:o abatimento plei- teadodecorrem de acordo ou direito judicial, favorecendo a bene- ficiária na sua declaração, tomo conhecimento do recurso, por tem pestivo, e voto porque se lhe negue provimento. Brasília-DF, 2~le fevereiroJ ~~ EUGÊNIO BOTINELL SARES - de 1984 RELATOR 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007
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Numero do processo: 10665.001438/91-00
Data da sessão: Tue Apr 13 00:00:00 UTC 1993
Numero da decisão: 108-00.007
Decisão: ACORDAM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Jackson Guedes Ferreira
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score : 1.0
