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Numero do processo: 15563.000871/2008-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1401-000.258
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 1807DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.000871/200891 Resolução n.º 1401000.258 S1C4T1 Fl. 1.808 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário e recurso de ofício no Acórdão nº 12.27905 d a da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em SÃO PAULO ISP. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: I. CRÉDITO TRIBUTÁRIO CONSTITUÍDO. O presente processo trata de autos de infração lavrados pela DRF Nova Iguaçu (fls. 438/466), referentes fatos geradores ocorridos entre 30/04/2004 e 31/12/2004. O crédito tributário do processo compreende: Tributo / Multa Principal (R$) Multa (%) Fls. Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) 22.481.719,95 75 439 Multa isolada por falta de recolhimento de IRPJ sobre base de cálculo estimada 6.155.513,79 N/A 440 Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) 2.427.287,86 75 447 Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) 11.180.235,05 75 452 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) 8.102.059,18 75 457 Multas isoladas por falta de recolhimento de CSLL sobre base de cálculo estimada 2.218.864,97 N/A 463 2. Sobre o principal dos tributos, incidiram também juros de mora pela taxa Selic. II. INFRAÇÕES CAPITULADAS. 3. Os lançamentos de IRPJ, PIS, Cofins e CSLL basearamse em omissão de receita caracterizada por saldo credor de caixa. 4. Os lançamentos de IRPJ e CSLL basearamse também em glosas de amortização de ágio, consideradas despesas não necessária. 5. As multas isoladas foram lançadas por falta de recolhimento das estimativas de IRPJ e CSLL. III. FUNDAMENTOS DA AUTUAÇÃO. 6. Nesta seção, salvo quando expressamente indicado, as remissões a parágrafos referemse ao Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 409/437. SALDO CREDOR DE CAIXA. Fl. 1808DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.000871/200891 Resolução n.º 1401000.258 S1C4T1 Fl. 1.809 3 7. Intimado a justificar saldos credores de Caixa (Termo de intimação fiscal n° 15, fls. 127/128), o interessado informou que: (...) a conta caixa da empresa Sendas Distribuidora figura como uma conta transitória, assim diariamente transitam por esta conta todos os recebimentos de Clientes e pagamentos a fornecedores, e apenas no último dia do mês são registradas as receitas de vendas, por este motivo em alguns dias o saldo está credor. Fl. 181. 8. Verificouse que, na escrituração da conta Caixa, não houve individualização das receitas de vendas nem das saídas oriundas de operações com fornecedores, que foram lançadas respectivamente a débito e a crédito apenas no final de cada mês, de forma consolidada (§§ 27/28 e tabela 3; conta Caixa fls. 182/205. §§ 44/45 e tabela 4; conta fornecedores fls. 231/236). 9. Observa o autuante que, no Livro Diário, os lançamentos devem ser individualizados por dia, admitindose a escrituração resumida, por totais que não excedam ao período de um mês, desde que utilizados livros auxiliares para registro individualizado (art. 2° e 5o, § 3o, do DecretoLei n° 486/69). 10. O interessado foi intimado em 17/01/2008, 21/02/2008, 08/04/2008 e 24/06/2008 a apresentar livro auxiliar ou ficha que discriminasse de forma individualizada os ingressos na conta Caixa oriundos das operações de vendas (§§ 37, 40, 43 e 47); bem como, nas duas últimas datas, a apresentar livro auxiliar ou ficha que discriminasse de forma individualizada as saídas de recursos, daquela mesma conta, oriundas de operações com fornecedores (§§ 44 e 47). Os registros auxiliares foram apresentados em CD no dia 25/06/2008, fl. 238, e em papel, no dia 24/07/2008, fl. 264. Verificase, nas tabelas de fls. 232/233, que os lançamentos mensais mais expressivos são os das contas Caixa e Fornecedores. 11. O interessado foi intimado (Termo de intimação fiscal n° 43, fls. 269/270) a justificar os saldos credores de Caixa resultantes do processamento dos registros auxiliares das contas Caixa e Fornecedores (§ 49, tabela 5; termo fls. 269/270; registros auxiliares nos autos que compõem o Anexo I). 12. Em resposta, fls. 273/279, o interessado informou que: A conta 111.100 Caixa é utilizada como conta de fechamento contábil (transitória), onde todas as operações diárias da Sendas Distribuidora S/A, são contabilizadas. No final de cada mês estes lançamentos diários são revertidos por totais, de acordo com cada operação. Exemplos Contabilizações Diárias Vendas diárias Totais D = Bancos C/Movimento (Dep. A vista) D = Clientes a Receber (Vendas a prazo) Fl. 1809DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.000871/200891 Resolução n.º 1401000.258 S1C4T1 Fl. 1.810 4 C = Caixa (Vendas a prazo) C = Caixa (Depósitos de Venda) Corresp. Bancários D = Banco C = Caixa Pagto à Fornecedores D = Caixa C = Banco Conta Movimento Exemplos Reversões mensais: Vendas Totais Mês D = Caixa ' C = Receita de Vendas Corr. Bancário mês D = Caixa C = Outras Contas a Pagar Fornecedores mês D = Fornecedores C = Caixa 13. Em sua resposta, o interessado afirmou também que iria: (...) demonstrar basicamente a diferença apontada no mês de Agosto/2004, primeiro por se tratar do maior valor questionado e que poderá servir de parâmetro para os outros meses. 14. Para tanto, apresentou composição de valores recebidos a título de Correspondentes Bancários, que foram creditados diariamente na conta Caixa e debitados pelo valor total de R$ 148.970.502,43 no último dia daquele mês ("Relatório de correspondentes bancários agosto 2004", fls. 277/279). Esclareceu o interessado que Correspondentes Bancários são valores de terceiros recebidos em suas lojas e posteriormente repassados, como, por exemplo, recargas de celular, recebimentos de contas Sabesp, Telesp, Eletropaulo. ¡ 15. Segundo o autuante (§ 59), o interessado buscou demonstrar em sua resposta que, no curso de mês, ocorreram saídas de recursos da conta Caixa derivadas de operações como correspondente bancário, fato este que teria motivado o surgimento dosjsaldos credores de Caixa no período. 16. Entretanto, cotejando os valores relacionados pelo interessado, fls. 277/279, com a conta Caixa do Livro Razão, fls. 304/350, só foram efetivamente localizados a crédito do Caixa os valores listados na tabela 6, fl. 418. Diversos outros valores relacionados foram de fato localizados na conta Bancos, fls. 351/381, como, por exemplo, o valor de R$ 172.261,81, que o "Relatório de Correspondentes Bancários Agosto de 2004" indica como tendo sido creditado na conta Caixa (111.100), fl. 277, mas que foi encontrado a crédito de Bancos, fl. 351. 17. Dos R$ 148.970.502,43 que o Relatório de Correspondentes indica como creditados na conta Caixa, R$ 148.622.057,23 foram de fato creditados na conta Bancos, conforme totalização feita a partir do Livro Razão, apresentada na tabela 7, fl. 419. 18. Não tendo o interessado logrado demonstrar a improcedência dos saldos credores de caixa, efetuouse o lançamento por omissão de receita (§ 66). GLOSA DE DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO \ 19. A seguir são descritas as operações de reestruturação societária que deram origem ao ágio cuja despesa de amortização foi glosada. Fl. 1810DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.000871/200891 Resolução n.º 1401000.258 S1C4T1 Fl. 1.811 5 20. Na Ia alteração do contrato social da RIO PATEA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA., doravante RIO PATEA, fls. 115/136 do AnexoII (AII), as sócias COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO, doravante CBD, e NOVASOC COMERCIAL LTDA., doravante NOVASOC, entraram na sociedade, substituindo os sócios primitivos, e aumentaram o capital de R$ 100,00 j para R$ 114.729.239,00. A diferença, R$ 114.729.139,00, foi integralizada no mesmo ato, de seguinte forma (fls. 118/119 do AII): SÓCIO DESCRIÇÃO VALORI (R$) CBD Moeda corrente nacional 4.950,00 Direitos de exploração do fundo de comércio relativo às suas lojas localizadas no Estado do Rio de Janeiro, relacionadas no Anexo I da alteração contratual em questão. 10.000,00 NOVASOC Moeda corrente nacional 4.950,00 Ativos contas a receber e direitos de exploração do fundo de comércio relativo às suas lojas localizadas no Estado do Rio de Janeiro, relacionadas no Anexo I da alteração contratual em questão. 114.709.239,00 TOTAL N/A 114.729.139,00 21. Na 2a alteração, CBD e NOVASOC retiraramse da sociedade, cedendo e transferindo a totalidade de suas cotas para SE SUPERMERCADOS LTDA, doravante SÉ, (fls. 137/141 do AII). O capital social foi mantido em R$ 114.729.239,00. 22. Na Ia alteração contratual da SERRA DO ANDARAÍ EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, doravante SERRA DO ANDARAÍ, (fls. 158/178 do AII), SENDAS S/A, doravante SENDAS, entrou na sociedade como única sócia, substituindo os sócios primitivos, e aumentou o capital de R$ 100,00 para R$ 15.000,00. A diferença, R$ 14.900,00, foi integralizada no mesmo ato, de seguinte forma (fl. 161 dó AII): SÓCIO DESCRIÇÃO VALOR (R$) SENDAS Moeda corrente nacional 4.900,00 Direitos de exploração do fundo de comércio relativo às suas lojas localizadas no Estado do Rio de Janeiro, relacionadas no Anexo I desta alteração contratual. 10.000,00 i TOTAL N/A 14.900,00 i ! 23. Em assembléia geral extraordinária do interessado, SÉ e SENDAS fizeram integralizações de capital mediante a conferência de todas as cotas que cada uma possuía respectivamente na RIO PATEA e SERRA DO ANDARAÍ. Estas duas empresas foram avaliadas segundo as suas capacidades de geração de resultados futuros—tm R$ 618.340.702,00 e R$ 853.904.369,00, conforme laudos de fls. 243/292 e 2937344 do AII (Itens 5.3, 5.4.3 e 5.4.4 da ata de fls. 34/42 do AII). O ágio nos dois investimentos foi de R$ 308.248.625,00 e R$ 575.194.265,71, conforme fls. 186/194 do AII.. 24. A Ia e a 2a alterações do contrato de RIO PATEA, a Ia de SERRA DO ANDARAÍ e a ata da assembléia do interessado, são datadas de 29/02/2004 (fls. 129, 141, 172 e 34 do AII). | 25. Por meio da 4a alteração do contrato social da RIO PATEA e da 3a de SERRA DO AND ARAÍ, em documentos datados de 30/04/2004 (fls. 149 e 185 do AII), o interessado incorporou ambas as empresas (Alterações de fls. 147/149 e 183/185 do AII).' Fl. 1811DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.000871/200891 Resolução n.º 1401000.258 S1C4T1 Fl. 1.812 6 26. O autuante afirma que a aquisição de participações societárias e posterior incorporação constituemse em mera forma, pois na verdade uma só operação ocorreu. O desdobramento visou à apropriação da despesa a título de amortização do ágio (§ 106). Se RIO PATEA e SERRA DO ANDARAÍ fossem incorporadas diretamente, ou seja, sem que o interessado tivesse participação em seus capitais, a diferença registrada a maior constituiria custo de aquisição, que poderia ser utilizado numa hipotética operação de venda futura do acervo adquirido, para se calcular a existência ou não de ganho de capital (§ 93).' 27. Houve simulação para fazer o interessado arcar com o expressivo ágio de sua própria aquisição, por meio da sua contabilização como despesa de amortização de ágio, de forma a reduzir o seu lucro e, portanto, o seu IRPJ e CSLL, ou a transformálo em prejuízo fiscal e base negativa da contribuição social, como de fato ocorreu no anocalendário de 2004 (§ 136). ! 28. Os controladores de CBD e SENDAS, em comum acordo, resolveram unir suas atividades no Estado do Rio de Janeiro, permanecendo com controladores paritários do interessado. 29. Considerando o negócio dissimulado, a amortização de j ágio transformase em mero dispêndio, logo as respectivas despesas devem ser glosadas na determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL (§§ 139/142). MULTA QUALIFICADA DE 150%. 30. Sobre os tributos devidos pela glosa das amortizações de! ágio, justifica se a aplicação da multa qualificada de 150% uma vez que o interessado agiu finalisticamente de modo a impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade! Fiscal federal, da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, configurandose o evidente intuito de fraude à legislação tributária (§ 150). MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS. 31. Pela falta de recolhimento das estimativas mensais deIREJeCSLL, foi aplicada a multa isolada prevista no art. 44, II, b, da Lei n° 9^^/96, incluído pela Lei n° 11.488/07. IV. IMPUGNAÇÃO. 32. O interessado tomou ciência dos autos de infração em 23/12/2008 (fls. 442, 449, 454, 459 e 464) e, em 21/01/2009, apresentou impugnação (fls. 495/573) e documentos (fls. 574/1101), alegando e requerendo, em síntese, o que segue: 33. Nesta seção, salvo quando expressamente indicado, as remissões a parágrafos referemse à impugnação. NULIDADE DO LANÇAMENTO NA PARTE REFERENTE À GLOSA DE DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. Fl. 1812DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.000871/200891 Resolução n.º 1401000.258 S1C4T1 Fl. 1.813 7 34. O lançamento é nulo na parte que se refere à glosa de despesas com amortização de ágio porque os enquadramentos legais invocados estão em mútua contradição. 35. Ou o autuante glosa a amortização do ágio com fundamento de que os atos jurídicos que a originaram eram simulados e restaura os efeitos tributários do suposto ato verdadeiro que teria sido a mera aquisição de ativos não amortizáveis; ou a considera indedutível com base no conceito de operacionalidade previsto no art. 299 do RIR/99, consideração esta que necessariamente partirá do pressuposto de que os referidos atos jurídicos são válidos (§ 62). 36. Os autos de infração baseiamse em fundamentos legais alternativos (um excludente do outro) não sendo, portanto, de certeza alguma, fato este que agride frontalmente a segurança jurídica e, conseqüentemente, seu direito a ampla defesa (§ 65). 37. Solicita a aplicação do art. 59, § 3o, do Decreto n° 70.235 (Não será declarada a nulidade quando for possível decidir no mérito a favor do sujeito passivo). OMISSÃO DE RECEITA. SALDO CREDOR DE CAIXA. FUNCIONAMENTO DA CONTA CAIXA. I 38. O interessado, no curso da fiscalização, informou diversas vezes que a conta "Caixa 111.100", a despeito de sua denominação, prestavase a registrar as transações diárias relativas às vendas de bens, prestação de serviços (correspondente bancário) e pagamentos de fornecedores (§ 70). Sua verdadeira função consistia em ser uma conta transitória, que ao final de cada mês tinha os movimentos devedores e credores conciliados nas respectivas contas patrimoniais ou de resultado (§ 71). Por ser mera conta transitória, não tinha natureza credora nem devedora (§ 72). Apesar de ter sido alertado quanto à natureza transitória da conta Caixa, o autuante teria feito o seguinte raciocínio: se a conta é alcunhada de "Caixa", podese aplicar a presunção de omissão de receita, caso em algum momento seja constatado saldo credor (§ 74). Porém, a legislação tributária, ao criar a hipótese de presunção_ji& emissão de receita calcada em saldo credor de caixa, não eximiu os agentes fisçais^de efetuarem a análise da efetiva conta caixa (§ 75). 39. Ratificando o que já informara à fiscalização, § 12 supra, afirma o interessado que: Todas as receitas derivadas das vendas de bens realizadas nos estabelecimentos da Impugnante transitavam, inicialmente, pela conta caixa ("111.100"), através de registro contábil a crédito, em contrapartida das contas de bancos (vendas à vista) ou clientes (vendas à prazo). No último dia de cada mês, em observância do Princípio do Regime de Competência, ocorria sua apropriação em resultado, mediante lançamento a débito da conta caixa ("111.100"), em contrapartida da conta de receita ("311010"). Fl. 510, § 80. 39.1 No pagamento a fornecedores, a conta caixa ("111.100") era debitada (Io momento) e creditada (2o momento) em contrapartida a bancos e fornecedores respectivamente (Item B, fl. 513). 39.2 O interessado presta serviço de correspondente bancário. Os valores recebidos por conta e ordem dos emitentes dos títulos eram repassados às instituições financeiras credenciadoras (§ 97). O recebimento e o repasse eram contabilizados Fl. 1813DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.000871/200891 Resolução n.º 1401000.258 S1C4T1 Fl. 1.814 8 respectivamente a crédito (Io momento) e débito (2o momento) da conta caixa ("111.100") em contrapartida a bancos e "outras contas a pagar" (figura fl. 514). 40. Esta metodologia de registro contábil, por si só, mostra que a conta caixa não pode ser tratada tipicamente como tal, já que apresentaria invariavelmente saldo credor, se considerássemos os lançamentos das vendas (§ 81). Olvidar este funcionamento especial levaria à conclusão de que o interessado, que atua no setor de varejo, auferiu receita apenas no último dia do mês, enquanto nos demais dias, praticou operações que revelaram saldo credor de caixa (§ 89). 41. A presunção de omissão de receita só pode ser aplicada se houver reconstituição dos movimentos diários, mediante expurgo de ingressos artificiais ou cômputo de dívidas quitadas e não contabilizadas (§ 138). A fiscalização, em vez disso, efetuou o lançamento com base em saldos credores que já se encontravam indicados para a conta caixa, como se tivesse se deparado com um erro grosseiro do interessado (§ 130). MAPAS AUXILIARES. 42. A fiscalização afirma que os Mapas Auxiliares reproduzem de forma fidedigna os movimentos da conta Caixa e que esta era transitória, mas, contraditoriamente, presumiu as omissões de receita (§§ 106/107, fazendo referência aos §§ 51 e 65 do TVF). EVIDENCIAÇÃO. 43. Para efeito de evidenciação do que alega, apresenta documentos contábeis relativos ao mês de agosto de 2004 (§ 111). Tendo em vista o grande volume de informações e documentos contábeis que seriam necessários para demonstrar todos os registros contábeis, demonstra a movimentação do dia 11 de agosto de 2004 da conta caixa ("111.100"), e suas diversas contrapartidas nas demais contas patrimoniais (§ 112). Detalha o funcionamento da conta caixa (§§114/121) e apresenta os seguintes documentos: Razões Analíticos (doe. 4); relatórios analíticos de Depósito de Venda à Vista TE09 (doe. 5) e de Venda a Prazo (doe. 6); demonstrativo dos valores recebidos por conta e ordem de terceiros (doc. 7); demonstrativos que visam facilitar a conciliação dos registros contábeis (doc. 8). AUDITORIA INDEPENDENTE. 44. Informa que contratou a empresa de auditoria Ernst & Young para emitir parecer sobre a regularidade contábil e fiscal das operações registradas na conta caixa, como forma de afastar a presunção equivocada de manutenção de saldo credor de caixa. Dado o volume de informações envolvidas na análise, o interessado informa que tal parecer ainda não foi emitido, mas que será juntado aos autos antes do julgamento de primeira instância (§§ 123/124). Fl. 1814DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.000871/200891 Resolução n.º 1401000.258 S1C4T1 Fl. 1.815 9 DEDUTIBILIDADE DAS DESPESAS DE COFINS E PIS, DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL. 45. Ainda que se entenda que houve justificativa para a aplicação da presunção de omissão de receita, a fiscalização incorreu em alguns erros que majoraram o montante exigido nas autuações (§ 148). 46. A dedutibilidade das despesas de Cofins e PIS, da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, é garantida pelos arts. 41 e 57 da Lei n° 8.981/95, segundo os quais os tributos e contribuições sociais são dedutíveis de acordo com o regime de competência,[salvo se estiverem com a exigibilidade suspensa nos termos dos incisos II a IV do art. 151 do CTN. Tal dedução não foi considerada no lançamento. No momento da autuação fiscal, os valores de PIS e Cofins não estavam com a exigibilidade suspensa porque, nos termos do art. 151, III, do CTN, a exigibilidade do crédito tributário constituído via auto de infração só é suspensa com o protocolo da defesa administrativa (§ 154). 47. A fiscalização considerou que o interessado teria omitido receitas no valor total de R$ 147.108.356,32, equivalente à somatória dos saldos credores apurados em dias específicos de 5 (cinco) meses de 2004, conforme demonstrado no quadro da fl. 529 (§ 160). Entretanto, caso se entenda que houve omissão de receita, o correto seria considerar apenas o maior saldo do ano, já que o interessado apura o IRPJ pelo lucro real anual. Vide quadro da fl. 532. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. 48. Requer a realização de diligência para verificação de outros documentos porventura cabíveis, caso se entenda que não ficou comprovada a argumentação quanto à presunção de omissão de receita por saldo credor da caixa (§ 170). GLOSA DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. 49. O interessado é a sociedade resultante de uma associação ((joint venturè) entre os grupos Pão de Açúcar e Sendas (§ 172). A associação tinha o objetivo maior de reunir em uma só sociedade todas as operações de varejo no Estado do Rio de Janeiro (§ 177). A formalização da joint venture seria feita sem qualquer desembolso de dinheiro pelas partes, apenas com aportes de bens, direitos e obrigações relacionados às atividades de varejo, e avaliados a mercado (§ 178). 50. associação foi aprovada pelo BNDES, que adquiriu debêntures da Sendas S/A no valor de R$ 127 milhões, a pelo Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência (SBDC) (§§ 181/182). Houve a celebração entre o Grupo Sendas, o Grupo Pão de Açúcar e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) de um Acordo de Preservação de Reversibilidade da Operação (APRO) (§ 185). O Acordo de Associação firmado entre os dois grupos, do qual algumas cláusulas encontramse reproduzidas nas fls. 535/538, regula as mais diversas relações jurídicas e seus desdobramentos, fato este que atesta o quão genuína e complexa foi a associação que veio a resultar em aporte de ativos no interessado (§j 188). Informações públicas acerca da associação, como fatos relevantes, matérias jornalísticas, Fl. 1815DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.000871/200891 Resolução n.º 1401000.258 S1C4T1 Fl. 1.816 10 relatórios de auditoria, relatórios de bancos estrangeiros, são anexados à impugnação (doe. 10) (§191). 51. Simular um negócio jurídico significa exteriorizar (em sua formalidade) algo que não seja verdadeiro ou que seja diferente da realidade subjacente a essa forma, tendo em vista lesar terceiros. No ato simulado existe uma verdade de fato (real, efetiva) encoberta por uma forma jurídica não correspondente à referida realidade (§ 197). Simulação é a declaração enganosa da vontade, visando a produzir efeito diverso do ostensivamente indicado (Citação após o § 197). 52. Devese diferenciar a simulação do Negócio Jurídico Indireto. Na simulação as partes, para alcançar o fim visado, declaram o que não corresponde à vontade delas, regulando, no entanto, clandestinamente, as próprias relações jurídicas de j modo conforme à vontade real; no negócio indireto, ao contrário, o fim prático visado pelas partes è alcançado justamente por meio do negócio adotado e declarado (Citação após § 220). Não faz sentido algum alegar que as partes não queriam aquilo que estavam declarando, especialmente se é algo comparativamente menos oneroso em termos tributários. Desaparece, portanto, a premissa maior da simulação, qual seja, a divergência entre declaração e vontade (§ 212). O objetivo ulterior representa um limite para a adoção de negócios jurídicos indiretos, na medida que não pode ser proibido por qualquer norma do ordenamento (§ 218). Existe regra que proíba a economia de tributo? (§ 222). Tais considerações permitem concluir que nenhum dos atos praticados por ocasião da constituição do interessado pode ser atacado como simulação, pois são todos eles facilmente enquadrados no conceito de negócio jurídico indireto (§ 228). 53. Pela análise de recentes julgados do Conselho de Contribuintes, conclui o interessado que não se quer impedir os contribuintes de buscar alternativas fiscalmente menos onerosas, mas também não se lhes concede o direito irrestrito de realizar operações cuja finalidade seja apenas esta: economizar tributos (§ 234). Onde houver objetivos exclusivamente tributários, entendese que o negócio é ilícito, simulado (§ 236). Por outro lado, o negócio será lícito se lograr existência independentemente das vantagens fiscais'(teoria do businees purpose test) (§ 237). 54. Ao referirse à simulação relativa, o autuante segue a quase totalidade da doutrina e reclama para a sua caracterização a existência de dois negócios jurídicos, sendo um deles o real, e o outro, fictício (§ 241). Em sendo assim, cabe perguntar: quais são os dois negócios jurídicos? Quais são as duas vontades conflitantes (interna e externa)? Quais são os negócios verdadeiro e ficto? (§ 243). Não há, no auto de infração, qualquer menção ao suposto negócio que teria sido ocultado (§ 244). Ao invés disso, o próprio autuante afirma que o interessado realizou apenas um negócio jurídico (§ 250 fazendo referência ao § 106 do TVF). Ressaltese que o ágio amortizado é o resultado do desdobramento do custo de aquisição como prevê a legislação brasileira (§ 245). Não se quis com as alterações societárias esconder qualquer negócio (§ 253). í 55. Apesar de reconhecer que o ônus de provar a simulação cabe à administração tributária (§ 125 do TVF), o autuante não carreou aos autos os indícios de provas com que formou sua convicção (§ 256), nem sequer indicou clara e objetivamente quais foram os negócios simulados/dissimulados pelo interessado (§ 258). 56. E dever do Auditor Fiscal, e direito do contribuinte, para que este possa exercer com efetividade suas garantias ao contraditório e à ampla defesa, a indicação e comprovação do ilícito a ele imputado (§ 259). O Auditor Fiscal, embora não tenha afirmado Fl. 1816DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.000871/200891 Resolução n.º 1401000.258 S1C4T1 Fl. 1.817 11 objetivamente, levanta a questão do tempo de duração (curto, na opinião dele) das empresas Rio Patea e Serra do Andaraí, como se revelasse o ilícito da operação. Esta falta de objetividade prejudica o direito de defesa do interessado, que se vê obrigado a contestar por hipóteses (§ 290). 57. Segundo o próprio autuante, se pode afirmar que as operações executadas não ferem a lei (§ 104 do TVF), logo não há divergência ou conflito entre vontade aparente e vontade real, ou seja, não há simulação (§ 263/264). ! 58. A inconformidade do Sr. AFRFB não está localizada nas operações executadas (que "não ferem a lei"), mas em certos efeitos econômicos, a "realidade econômica", ou seja, o benefício do interessado em ter majorado o saldo de Prejuízos Fiscais / BCNCSLL por conta de uma simulada amortização de ágio (§§ 262 e 267). 59. Os atos classificados com "atípicos e anormais" nada mais são do que a criação de duas empresas (Rio Patea e Serra do Andaraí) em etapa anterior à constituição da joint venture e que, mais tarde, foram incorporadas (§ 269). A prática empresarial e doutrina ensinam, pelo contrário, que a quase totalidade das operações societárias utilizadas para viabilizar novos empreendimentos, freqüentemente, é composta das seguintes características: (i) aquisição de participações acionárias; (ii) combinadas ou não com ativos e obrigações; e a (iii) posterior incorporação de uma ou mais empresas envolvidas (§ 277). 60. As incorporações das empresas RIO PATEA e SERRA DO ANDARAÍ não podem ser consideradas ilícitas simplesmente porque não atendem aos pressupostos mercadológicos citados pelo Sr. AFRFB: ingresso em novo mercado sob domínio da incorporada, união de esforços para bater a concorrência, troca de tecnologia. Tal restrição seria uma simplificação grosseira da realidade (§§ 282, 284/286 e 289). 61. O fato de as empresas RIO PATEA e SERRA DO ANDARAÍj terem sido incorporadas, como quer o Sr. AFRFB, num "curto espaço de tempo", não tem qualquer relevância na licitude ou ilicitude das demais operações societárias e do resultado final de constituição da joint venture (§ 291). O fato de terem durado "pouco" (como quer o Sr. AFRFB) não significa que não tenham cumprido com o seu papel e esgotado os propósito que lhe foram reservados no processo de constituição da joint venture (§ 292). 62. As operações eivadas de simulação têm os seus efeitos tributários desconsiderados pela jurisprudência administrativa não porque o resultado econômico atingido é idêntico ao de outra operação mais onerosa fiscalmente, mas sim porque à vontade que está em sua base não se pode atribuir credibilidade, ou seja, porque não se trata de uma vontade séria (§ 309). Quando o Sr. AFRFB repugna não importar se o contribuinte quis ou não quis aquele ato, prevalecendo o resultado econômico alcançado, já não estamos mais compartilhando do conceito e dos pressupostos da simulação, que tanto foi colocada como fundamento do auto de infração, e ingressamos na espinhosa seara da interpretação econômica do fato gerador, esta sim, absolutamente repudiada pela doutrina e pela jurisprudência do País (§313, referindose ao § 132 do TVF). 63. 63. Incluído pela Lcp n° 104, de 10.1.2001, o parágrafo único_do_art._ 116 do CTN "A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária" ainda não foi regulamentado e não é autoaplicável, logo não Fl. 1817DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.000871/200891 Resolução n.º 1401000.258 S1C4T1 Fl. 1.818 12 produz efeitos (§§ 315/316). Além disso, segundo alguns autores nacional, mesmo que estivesse regulamentada, o conceito de dissimulação só se aplicaria aos casos de simulação relativa (§ 318). MULTA DE 150%. INAPLICABILIDADE. I i 64. Se tivesse sido aplicada, a multa de 150% seria indevida porque, primeiramente, consoante exaustivamente demonstrado, não houve simulação. Em segundo lugar, porque, para sua aplicação, é necessário comprovar o evidente intuito de fraudar 6 fisco, o que não ocorreu. MULTA ISOLADA CUMULADA COM MULTA DE OFÍCIO. 65. O simples cancelamento da autuação pela falta de recolhimento das estimativas mensais, decorrente das razões de mérito já apresentadas, são suficientes para aniquilar a exigência da multa isolada (§ 327/328). 66. De qualquer forma, ainda que tais razões não fossem acolhidas, a exigência não deve prosperar pelos seguintes motivos: a) A multa de ofício de 75% e a multa isolada não podem ser concomitantemente exigidas, já que isso caracterizaria dupla imposição de pena ao mesmo fato (§ 330); t b) A imposição de multa de ofício, única sanção decorrente de procedimento de ofício, sobrepõese a qualquer outra penalidade (§ 332); c) O valor da multa foi calculado considerandose o somatório dos saldos credores, embora, como demonstramos, o lançamento por omissão de receita deve basearse no maior saldo credor do período (§§ 334/335); d) A exigência cumulativa impõe ao interessado a penalidade total de 150% (ainda que indiretamente) sobre os valores exigidos de IRPJ, o que ofende os princípio constitucional de vedação ao confisco e a garantia da propriedade privada (§ 336). Cita trecho do voto do Ministro Moreira Alves (RE 91.707, DJ 14/02/2003) que entende ser a vedação extensiva as multas decorrentes de obrigações tributárias. SELIC SOBRE MULTA DE OFÍCIO. 67. Segundo consta, a RFB, após 30 (trinta) dias da lavratura do AI, vem exigindo dos contribuintes a taxa Selic sobre as multas aplicadas, com fundamento nos arts. 29 e 30 da Lei n° 10.522/02. Essa exigência deve ser afastada, visto que afronta (§§ 340 e 341): a) o art. 161, do CTN, pelo qual somente o valor principal deve ser atualizado pelos juros; o art. 5o, II, da CF/88 e o art. 97 do CTN (princípio da legalidade). Qualquer oneração das obrigações tributárias está condicionada à prévia existência de Lei; c) o art. 2°, I, da Lei n ° 9.784/99. Os atos da autoridade administrativa são totalmente vinculados à lei; Fl. 1818DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.000871/200891 Resolução n.º 1401000.258 S1C4T1 Fl. 1.819 13 b) art. 5o, LV, da CF (contraditório e ampla defesa), art. 142 do CTN e art. 10 do Decreto n° 70.235/72. Os juros sobre a multa não foram objeto de regular lançamento, logo não foi concedido ao interessado oportunidade para contestálos previamente à sua constituição definitiva. 68. Ainda que fossem devidos juros sobre as multas, deverseia limitálos a 1% ao mês, conforme Acórdão 10195802 do 1°CC, sessão de 19/10/2006 (§ 343). V. CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. 69. Em 16/04/2009, conforme Resolução DRJ/RJ1 n° 74, fl. 1.106, o julgamento foi convertido em diligência para que: a) considerando as alegações apresentadas pelo interessado, fls. 529/532, segundo as quais teria havido erro na determinação da omissão de receita por saldo credor de caixa, fosse apresentado demonstrativo de cálculo dos valores constates da tabela 5, fl. 416, em que constasse cada uma das parcelas utilizadas para se chegar ao resultado; ' b) considerando o questionamento feito pelo interessado contra a aplicação cumulativa de multa isolada com multa de ofício, fls. 568/571, fosse apresentado demonstrativo de cálculo das multas isoladas de fls. 440 e 463; c) considerando que na retomada da fase de julgamento poderá haver necessidade de novos cálculos, os demonstrativos especificado nas alíneas "a" e "b" supra deveriam ser apresentados tanto em papel quanto em CD. VI. RESULTADO DA DILIGÊNCIA. 70. No Relatório de Diligência de fls. 1.111/1.115, a autoridade fiscal esclarece, quanto aos saldo credores mensais, constantes da tabela 5, fl. 416, que!foram apurados mediante processamento da conta Caixa do interessado, extraída dos arquivos digitais que integram a sua contabilidade, bem como, levandose em conta a recomposição dos valores recebidos a título de receitas de vendas e dos valores reconhecidos em operações com fornecedores, devidamente desmembrados diariamente, conforme o demonstrativo "Saldo Credor de Caixa", fls. 1.116/1.494. [ 71. Na tabela da fl. 1.112, diferencia os saldo credores mensais e os valores objeto de autuação. Destaca que os saldos credores nos meses de junho, setembro e novembro de 2004 foram integralmente desconsiderados na constituição de crédito tributário, vez que foram reputados como partes integrantes de saldos negativos anteriores. Os demais saldos credores foram calculados de modo a não incluir valores que já tinham sido tributados em períodos anteriores, de tal sorte que a soma de todos os saldos credores mensais apurados fosse igual ao maior saldo credor identificado na anocalendário de 2004. Fl. 1819DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.000871/200891 Resolução n.º 1401000.258 S1C4T1 Fl. 1.820 14 72. Quanto à metodologia de cálculo das multas isoladas, informa que às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, declarada pelo interessado em sua DIPJ 2005, foram adicionadas as omissões de receitas e as despesas de ágio (ajustes), apuradas durajite a fiscalização, o que resultou na apuração na novas bases de cálculo, consoante a segunda tabela da fl. 1.113. 73. As novas bases de cálculo foram usadas para cálculos das estimativas de IRPJ e CSLL, deduzindose dos valores a pagar os tributos que já deveriam ter sido, pagos em meses anteriores, e as multas isoladas foram apuradas aplicandose o percentual de 50% sobre a estimativas devidas, mas não recolhidas, conforme tabelas e esclarecimentos da fl. 1.114. VII. PRIMEIRO RELATÓRIO DE AUDITORES INDEPENDENTES. ERNST & YOUNG. 74. Em 23/09/2009, conforme adiantara em sua impugnação, § 44 supra, o interessado juntou aos autos o "Relatório dos auditores independentes sobre a aplicação de procedimentos acordados" da lavra da empresa Emst & Young, fls. 1.500/1.507. Ao término do referido documento consta que: Por fim, consideramos que V. Sas. entendem que a aplicação dos referidos procedimentos não constitui um exame completo de acordo com as norma brasileiras de auditoria, cujo objetivo seria a expressão de uma opinião sobre as informações contábeis e financeiras constantes neste relatório. Consequentemente, não estamos expressando uma opinião sobre essas informações contábeis e financeiras. Caso tivéssemos executado procedimentos adicionais ou tivéssemos executado um exame de acordo com as normas brasileiras de auditoria, outros assuntos poderiam ter chegado aO\ nosso conhecimento e serem reportados a V. Sas. Fl. 1.507. VIII. RESPOSTA DO INTERESSADO. 75.O interessado tomou ciência do Relatório de Diligência j e do demonstrativo do Saldo Credor de Caixa em 18/09/2009, fl. 1.495, e, em 19/10/2009, apresentou resposta, fls. 1.510/1.523, e documentos, fls. 1.524/1.594, alegando, em síntese, o que segue: J 76. O Relatório de Diligência dedicou apenas um parágrafo para esclarecer como foi calculado o suposto saldo credor de caixa a que se refere a Tabela 5, fl. 416. Não houve qualquer recomposição de caixa, ao contrário do que sugere o Sr. AFRFB. Se tivesse havido, toda a autuação cairia por terra (§§ 8/9 e 42); \ 77. Os valores recebidos a título de receitas de venda, entre outras operações, não foram desmembrados diariamente, e prova disso é o próprio "demonstrativo Saldo Credor de Caixa". Tal demonstrativo nada mais é do que o Razão Analítico da conta 111.100 "Caixa", e os saldos credores, que seriam resultantes da recomposição, são, na verdade, saldo que se encontram devidamente registrados na escrituração do interessado (§§ 10/11 e 35/40); 78. Não há menção no Relatório de diligência quanto ao motivo que levou a deixar de expurgar os efeitos dos lançamentos transitórios (§ 13); Fl. 1820DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.000871/200891 Resolução n.º 1401000.258 S1C4T1 Fl. 1.821 15 79. A natureza transitória da conta 111.100 "Caixa" pode ser constatada a partir do confronto entre o Livro Razão e o demonstrativo "Saldo Credor de Caixa" (§§ 14, 30); 80. Reitera argumentos já apresentados na impugnação (£§T5718 e 49/58); DO SEGUNDO RELATÓRIO DE AUDITORES INDEPENDENTES. MAGALHÃES ANDRADE. FLS. 1.533/1.541. 81. O interessado contratou outros auditores independentes, com o objetivo de recompor a conta caixa nos meses de agosto, setembro e outubro de 2004 (§ 19). 82. Para os novos auditores independentes: a) a conta contábil 111.100, a despeito de ser intitulada "Caixa", "cumpria essencialmente o papel de conta transitória para facilitar o fechamento mensal" (§ 28 e item 5.5 do Parecer independente); b) "todas as operações diárias de vendas, prestação de serviços de correspondente bancário e pagamento de fornecedores transitavam pela conta Caixa e, a cada encerramento de mês, os profissionais iniciavam a conciliação das contas patrimoniais e apropriação dos efeitos de receita no resultado" (§ 29); c) Nas operações de vendas, a conta Caixa era creditada diariamente contra Bancos, mas as receitas de vendas só eram registradas mensalmente (§§ 32/33); ' d) Caso as receitas de vendas tivessem sido apropriadas diariamente, o saldo da conta "Caixa" 111.100 seria devedor, conforme Parecer do auditores independentes, fls. 1.540/1.541, item 5.7, e Anexos 2 e 4, fls. 1.563/1.565 e 1.592/1.594. (§§ 34 e 41); 1 83. É o relatório. A DRJ MANTEVE EM PARTE o lançamento, nos termos da ementa abaixo, RECORRENDO DE OFÍCIO DA PARTE CANCELADA: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Inexistindo a alegada contradição entre os fundamentos legais do lançamento, e verificandose a desnecessidade de o interessado contestar "por hipóteses", afastado está o cerceamento de defesa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 OMISSÃO DE RECEITA. SALDO CREDOR DE CAIXA. 1)ESCRITURAÇAO POR PARTIDAS MENSAIS; 2)LUCRO REAL ANUAL. BASE DE CÁLCULO DO IRPJ. Fl. 1821DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.000871/200891 Resolução n.º 1401000.258 S1C4T1 Fl. 1.822 16 Se forem mantidos registros diários em livros auxiliares, na forma prevista i pela legislação, a escrituração de débitos no Caixa pode ser feita por partidas mensais, sem alteração da natureza desta conta. Na tributação pelo lucro real anual, a base de cálculo do IRPJ é o maior saldo credor de Caixa apurado no ano. OMISSÃO DE RECEITA. BASE DE CÁLCULO DO IRPJ. DEDUTIBILIDADE DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. Os créditos de PIS e Cofins não são dedutíveis porque, no momento de sua constituição, não são sequer despesa, mas mera expectativa, que não se concretizará caso, por exemplo, houver impugnação procedente, ou se os créditos forem extintos por decisão judicial. Além disso, é incoerente pleitear como despesa crédito sob litígio. A partir do exercício em que a expectativa se confirmar, por estarem esgotadas as discussões tanto na esfera administrativa quanto na judicial, o interessado poderá considerar os créditos como despesas , já que estava impedido de fazêlo antes. SIMULAÇÃO. PROVA. REESTRUTURAÇÃO SOCIETÁRIA. GLOSA DE DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. A simulação, que vicia o ato jurídico e invalida a economia tributária pretendida, se prova pela densidade de indícios e circunstâncias, tais como: a proximidade temporal de atos; a disparidade infundada de valores; o desfazimento dos efeitos do ato simulado; a inexistência de outra causa econômica além da economia fiscal. PENALIDADES. MULTA QUALIFICADA. PERDA DO OBJETO. A discussão sobre aplicação de multa qualificada de 150% perde seu objeto se a matéria tributável for totalmente compensada com o prejuízo fiscal. PENALIDADES. MULTA SOBRE ESTIMATIVAS COMBINADA COM MULTA DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. No regime de tributação pelo lucro real anua], é incabível a aplicação de multa sobre estimativas combinada com multa de oficio porque representa dupla sanção sobre o mesmo fato. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA LANÇADA COM O TRIBUTO. A multa de ofício lançada com o tributo também se enquadra no conceito de débito para com a União, logo sofre a incidem juros Selic se não for paga tempestivamente. Fl. 1822DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.000871/200891 Resolução n.º 1401000.258 S1C4T1 Fl. 1.823 17 ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES I Anocalendário: 2004 í LANÇAMENTOS REFLEXOS DE CSLL, PIS E COFINS. Pela relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos reflexos de CSLL, PIS e Cofins o mesmo tratamento dispensado ao de IRPJ. No caso, a DRJ cancelou os lançamentos das multas isoladas. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF (fls. 1655/1734), repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação na parte mantida e aduzindo em complemento esclarecimentos bem detalhados no presente voto que visariam desfazer as duas inconsistências apresentadas pela DRJ contra o segundo Parecer comandado pela Recorrente. É o relatório. Fl. 1823DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.000871/200891 Resolução n.º 1401000.258 S1C4T1 Fl. 1.824 18 VOTO O recurso preenche os requisitos de admissibilidade. Saldo Credor de Caixa Conforme relatado, um dos itens da autuação foi a constatação pela fiscalização de saldo credor de caixa. Dessa forma com base na presunção legal prevista em Lei (art. 281, I, do RIR/99) para essas situações, presumiuse também a ocorrência de omissão de receitas. Segundo a Recorrente, no anocalendário de 2004, por uma opção administrativa e contábil, todos os movimentos financeiros de entradas e saídas de recursos eram registradas em contrapartida da conta 111.100 “CAIXA”, a qual apesar de também se prestar a controlar recursos mantidos em espécie, prestavase preponderantemente à função de conta transitória de fechamento, com o intuito de facilitar a conciliação financeira e fechamento contábil. Segundo ela, os principais movimentos transitórios registrados na conta CAIXA referiamse às seguintes operações: recebimentos de vendas, arrecadações decorrentes da prestação de serviço de correspondente bancário e pagamentos a fornecedores. Por outras palavras, assevera que em sua contabilidade tal conta apesar de denominada “Caixa”, não faz as vezes de uma conta Caixa tradicional, onde somente existe fluxos financeiros. Tal conta, por ser transitória, não teria natureza credora nem devedora, de modo que eventuais saldos credores não seriam de fato saldos credores de caixa, logo não se aplicaria a presunção de omissão de receita. Nas operações de venda de bens, a conta em questão era inicialmente creditada em contrapartida a bancos (vendas à vista) ou clientes (vendas a prazo). Posteriormente, fazia se o lançamento a débito do caixa e a crédito de uma conta de receita. Nos pagamentos a fornecedores, debitavase primeiro o Caixa e creditavase Banco. Em seguida creditavase o Caixa e debitavamse Fornecedores. Finalmente, nas operações como correspondente bancário, creditavase o Caixa, debitandose Banco e, depois, debitavase o Caixa, creditandose Outras Contas a Pagar. Algumas operações eram contabilizadas diariamente e outras, as de fechamento sempre envolvendo a conta caixa, era feita mensalmente. Dessa forma seria necessária uma recomposição com base nos Livros Auxiliares, para desdobrar os lançamentos mensais em suas parcelas diárias. E foi o que tentouse fazer. Fora intimado a apresentar livros auxiliares ou fichas da conta Caixa que discriminasse de forma individualizada os ingressos pelas vendas e as saídas referentes às operações com fornecedores. Recebidos e processados os registros auxiliares, apuraramse os saldos credores de caixa da tabela 5, fl. 416, que o interessado foi intimado a justificar. Porém, em resposta, fls. 272/279, o interessado pondera que, na recomposição dos saldos, deverseia considerar também os valores recebidos e repassados a título de correspondentes bancários, que seriam creditados diariamente no Caixa, mas debitados apenas no final do mês. Fl. 1824DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.000871/200891 Resolução n.º 1401000.258 S1C4T1 Fl. 1.825 19 Por outro lado o segundo Parecer Independente que foi feito pelos Auditores independentes no sentido de se pronunciar sobre a regularidade contábil e fiscal das operações registradas na conta caixa, bem assim fazer os ajustes necessários de forma a reconstituir o seu saldo diário, além de ratificar alegações da Recorrente que a conta contábil 111.100, intitulada "Caixa", tinha natureza de conta transitória (§ 28 do parecer); enfatizou que algumas operações só eram contabilizadas mensalmente (§§ 29, 32 e 33) e que, portanto, se todas as receitas fossem apropriadas diariamente, não haveria saldo credor na conta 111.100 "Caixa" (§ 34 e 41). Como prova, apresentou o Livro Razão ajustado da conta Caixa para os meses de agosto e setembro de 2004 (fls. 1.563/1.565 e 1.592/1.594). Em 16/04/2009, conforme Resolução DRJ/RJ1 n° 74, fl. 1.106, o julgamento foi convertido em diligência para que, “(...) a) considerando as alegações apresentadas pelo interessado, fls. 529/532, segundo as quais teria havido erro na determinação da omissão de receita por saldo credor de caixa, fosse apresentado demonstrativo de cálculo dos valores constates da tabela 5, fl. 416, em que constasse cada uma das parcelas utilizadas para se chegar ao resultado”. Tal demonstrativo foi elaborado então pelo fiscal, o que levou a DRJ cotejálo com o que fora já elaborado pelos Auditores Independentes contratados pela Recorrente (Segundo Parecer) e tentar chegar a uma conclusão de qual deles seria a posição correta. Cabe salientar, que em função da grande quantidade de dados a DRJ adotou aqui a metodologia de análise por amostragem, no caso os dias 1 a 3 de agosto de 2004 foram escolhidos como ponto de partida e asseverou que “ os resultados da análise sobre a amostra aplicamse ao respectivo trabalho como um todo”. Em um primeiro momento então a DRJ admite categoricamente que de fato se estava diante de uma conta “Caixa” de natureza atípica, senão vejamos: 111. A conta denominada Caixa ("111.100"), devido à forma de contabilização adotada pelo interessado, não indica diretamente saldos credores que representem omissões de receita porque alguns lançamentos são feitos por partidas mensais, de modo que os saldo diários não representam os verdadeiros saldos de Caixa. Nesse aspecto também não vejo como concluir diferente. A seguir a DRJ afirma que não encontra óbice na sistemática adotada pela Recorrente para que se faça os ajustes necessários, através da recomposição diária e se alcance assim o objetivo final pretendido que é revelar os verdadeiros saldos de caixa, apontando tão somente os fluxos financeiros. Eis suas próprias palavras: 112. Apesar disso, não deixa de ter natureza de conta Caixa, e seus verdadeiros saldos diários podem ser apurados mediante recomposição na qual os lançamentos mensais contra Receitas e Fornecedores sejam desdobrados em partidas diárias. Também concordo que os ajustes possam ser feitos, desde que não se atenha ao conjunto dos lançamentos encontrados no razão nesse período, pois como já se colocou retro a metodologia adotada pela Recorrente implica também em que se considere que alguns lançamentos, os de fechamento, só ocorrem no final do mês, de forma que tais lançamentos têm que ser buscados e realocados no período da amostra a ser considerado. Fl. 1825DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.000871/200891 Resolução n.º 1401000.258 S1C4T1 Fl. 1.826 20 A DRJ encontra basicamente duas inconsistências no trabalho elaborado pelos pareceristas e assim validam o trabalho de recomposição elaborado pela autoridade fiscal, mantendo assim o lançamento relativo a omissão de receitas por saldo credor de caixa. Eis abaixo as inconsistências observadas pela DRJ, no trabalho dos auditores independentes: 1) Diversos registros, constantes do Livro Razão, que não foram mencionados na Planilha dos Auditores Independentes na amostragem, tal ausência foi identificada pelos registros n9 23, 32 e 98 (do quadro reproduzido pela D. DRJRJ fls. 1.617/1.624 do processo administrativo); e 2) Lançamentos improcedentes, na Planilha dos Auditores Independentes, de valores a débito na conta Correspondente Bancário, visto que as partidas diárias ocorreriam conta a conta Bancos na amostragem, tais lançamentos foram identificados nos registros 3, 27 e 104 (do quadro reproduzido pela DRJRJ fls. 1.617/1.624 do processo administrativo). PRIMEIRA INCONSISTÊNCIA Em relação a primeira inconsistência encontrada, verificase que a própria DRJ vacila na sua conclusão, pois aventa a possibilidade de haver uma justificativa, ou seja, aponta a possibilidade de aquela inconsistência não indicar nada contra a tese levantada pela Recorrente. Eis suas próprias palavras: 117. Por outro lado, no trabalho feito pelo auditores independentes! notase, em primeiro lugar, uma grande quantidade de registros que, apesar de constarem do Livro Razão, não foram mencionados em sua planilha. É possível que tais valores tenham sido totalizados e estejam contidos em outros registros como, por exemplo, nos registros n°23, 32 e 98 , mas , se de fato foi esse o procedimento adotado, terseia que fazer remissão;.desses registros totalizados às suas parcelas, de modo que se pudesse averiguar a correção dos cálculos. Da forma como são apresentados, não se sabe de que registros contábeis se originaram os valores apresentados. (destaquei) Como se vê o indício que advém dessa inconsistência na verdade é fraco, pois a falta pura e simples da remissão é apenas indicativo de indeterminação, de falta de informação que poderia ser buscada. É também indicativo de dúvida, que se esse fosse o único indício encontrado não seria suficiente para se dizer que o fato indiciário da presunção legal foi comprovado e que assim estaria também provada a omissão de receitas por presunção legal. É importante que o fato indiciário, no caso, esteja cabalmente provado pela fiscalização para só então se valer da presunção legal de omissão de receitas. E a DRJ estava certa em sua suspeita, como fica claro com as justificativas e tabelas trazidas pela Recorrente em seu Recurso (vide fls. 1691 a 1693), que a meu ver, são bastante razoáveis diante da metodologia peculiar adotada por ela e que leva a desfazer Fl. 1826DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.000871/200891 Resolução n.º 1401000.258 S1C4T1 Fl. 1.827 21 completamente a incoerência ou inconsistência apontada pela DRJ no trabalho produzido pelos Auditores Independentes contratados pela Recorrente (2º Parecer). Eis as justificativas trazidas pela Recorrente: 181. Primeiramente, é necessário esclarecer a esta C. Turma Julgadora que a suspeita da D. D. DPJPJ estava correta. Deveras, nos trabalhos de recomposição elaborados pelos Auditores Independentes os valores indicados nos registros 23 (R$ 7.185.455,52), 32 (R$ 38.956.445,30) e 98 (R$ 44.746.285,11) são resultantes da somatória de diversos outros registros devedores e/ou credores. 182. Este procedimento objetivou pura e simplesmente consolidar os registros de acordo com a respectiva natureza, facilitando, assim, o usuário da informação a entender de quais operações se originaram os movimentos credores e devedores e os saldos da conta 111.100 "Caixa". Infelizmente, a praticidade e qualidade das informações que os Auditores Independentes esperavam atingir com o seu Parecer, serviram de argumento para a própria desqualificação deste trabalho. 183. Por tal razão é que, nos quadros reproduzidos a seguir, são demonstradas as composições exatas de cada um dos registros pontuados pelos julgadores (23, 32 e 98), e, adicionalmente, dos registros de nº 105 e 158, não objeto de observação pelos julgadores, mas por se tratarem de caso idêntico aos demais, terão sua abertura exposta por uma questão de transparência: SEGUNDA INCONSISTÊNCIA Essa inconsistência, a meu ver, é a mais importante, pois foi ela inicialmente apontada pela fiscalização e após todo o longo contraditório ainda permaneceu incólume, pois foi ratificada pela DRJ. Por outras palavras, tal inconsistência vem na verdade da tentativa da fiscalização em um primeiro momento e da DRJ, a seguir, em se contrapor a insistência da Recorrente de que a diferença entre o trabalho apresentado pelo agente fiscal e o apresentado pelos Auditores Independentes, de R$ 14.416.447,04, seria na verdade resultante ainda da falta de entendimento total da sistemática adotada de tornar a conta caixa uma conta transitória em sua plenitude, principalmente por não se levar em conta que alguns lançamentos de fechamento se revelam apenas no final do mês, quando da conciliação. Segundo a Recorrente a fiscalização não computou em sua inteireza nos seus trabalhos os valores relativos aos ingressos de correspondentes bancários e aos recebimentos para pagamento de fornecedores. Especificamente em relação aos correspondentes bancários, a fiscalização e a DRJ assim se pronunciam, respectivamente: Fiscalização: Entretanto, escarafunchando a contabilidade do contribuinte (Livro Razão), mormente no que concerne ao mês de agosto de 2004 (fls. .a ), dos valores diários por ele relacionados[correspondentes bancários], foram localizados tãosomente os lançamentos a credito da conta CAIXA, abaixo: ..... ....... TOTAL 147.633,88 Fl. 1827DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.000871/200891 Resolução n.º 1401000.258 S1C4T1 Fl. 1.828 22 62. Nesta mesma linha de análise, foram Identificados diversos lançamentos a crédito da conta BANCOS, o que demonstra a total fragilidade da argumentação apresentada pela fiscalizada (fls. a ). 63. Assim, consolidandose todos os lançamentos contábeis supracitados (itens 61 e 62), concluise que a conta BANCOS responde por aproximadamente 99,77 % do valor total dos débitos efetivados na conta OUTRAS CTAS PAGAR – REPASSE em se tratando de operações realizadas com Correspondentes Bancários, de acordo com o demonstrativo a seguir. (TVF) DRJ: 101, Entretanto, apesar de o interessado ter apresentado relatório com créditos de R$ 148.970.502,43 no Caixa, fls. 277/279, tem razão a fiscalização quando afirma, baseada na conta Caixa do Livro Razão, fls. 304/350, que apenas R$ 147.633,88f foram efetivamente creditados nesta conta, enquanto a quase totalidade da diferença (99,77%) foi creditada em Bancos, fl. 419, tabela 7. (...) 118. Observase também que foram debitados valores a título de Correspondente Bancário como nos registro n° 3, 27 e 104 , porém, conforme § 104 supra, tais lançamentos são improcedentes visto que as partidas diárias ocorriam de fato contra a conta Bancos. 119. Portanto, face à metodologia de contabilização adotada pelo interessado, está correto o procedimento de recomposição dos saldos realizado pelo fiscalização (Destaquei) O que se percebe é que tanto a fiscalização quanto à DRJ parece não terem entendido em sua plenitude todas as partidas dobradas envolvidas na sistemática atípica de contabilização dessa conta de caixa que faz às vezes de conta transitória, e que é comum nesse ramo de atividade. Nem se diga que a Recorrente não prestou os devidos esclarecimentos e informações comprobatórias para tanto. A despeito de um certo esforço da fiscalização e da DRJ, pois o processo foi até baixado em diligência, , o que se verifica ao final, foi uma desconsideração de certos lançamentos contábeis no tocante aos reflexos dos ingressos de correspondentes bancários e aos recebimentos para pagamento de fornecedores. Contabilização das operações com Correspondentes bancários Referemse aos valores arrecadados diariamente nos caixas das lojas como decorrência da prestação da Sendas como correspondente bancário, ou seja, tratase de valores recebidos pela empresa onde ela faz as vezes de agente de pagamento de contas de terceiros em suas próprias lojas. Conforme descrito pela Recorrente em seu recurso (fls. 1698/1700), a contabilização ocorrem em três etapas: Na primeira etapa há a contabilização do ingresso financeiro: 1ª Etapa – Ingresso financeiro – Recebimento dos Títulos Fl. 1828DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.000871/200891 Resolução n.º 1401000.258 S1C4T1 Fl. 1.829 23 D Banco C CAIXA Nesse momento se fizer um corte aqui, enquanto o ciclo total das etapas não se completaram, o saldo de caixa estaria artificialmente credor. Isso para demonstrar a complexidade de se fazer tal reconstituição e como é fácil se cair em erro ao longo desse processo se não se entender bem a sistemática de contabilização. 2ª Etapa – Reconhecimento da Obrigação para com a Instituição Financeira (Repasse) D – CAIXA C – Outras Contas a Pagar (Passivo) 3ª Etapa – Liquidação Financeira do Passivo (Contas a Pagar) D Outras Contas a Pagar (Passivo) CBancos Considerando que a 2a e 3a etapas acontecem mensalmente, há necessariamente um descasamento entre o momento em que se registravam diariamente os lançamentos credores na conta CAIXA e aquele momento em que o total desses mesmos lançamentos eram revertidos contra conta patrimonial. A consideração da segunda etapa a meu ver é crucial, pois sem ela o registro anterior(lançamento credor) na conta caixa não é neutralizado pelo registro do débito, em contrapartida do reconhecimento da obrigação. A mesma logística acontecia também em relação às transações com Fornecedores que também se davam em 3 etapas: 1) Constituição do Passivo (Fornecedores); 2) Liquidação Financeira do Passivo (Fornecedores); 3) Liquidação Contábil do Passivo (Fornecedores) O Auditor e a DRJ ao exporem suas razões sustenta que as explicações da Recorrente acerca do caráter transitório da conta caixa são frágeis e cita como prova disso o fato da conta de bancos responder por aproximadamente 99,77% do valor total dos débitos efetivados na conta 'outras contas a pagar repasse'. Causa espécie tal raciocínio. É como se nem o Auditor nem a DRJ tivesse compreendido completamente aquelas três etapas acima mencionadas. Pois, por óbvio, o fato de se encontrar 99.77 % transitando da conta banco para a conta “Outras contas a pagar – repasse” apenas indica a existência de uma 3a etapa de contabilização, onde o figurante principal não é CAIXA, mas sim a conta Bancos, como de fato está bem espelhado no esquema contábil acima descrito. Isso não implica dizer que a conta caixa não recebeu em determinado momento um aporte devedor na mesma monta que se perfazeria na 2ª Etapa – Reconhecimento Fl. 1829DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.000871/200891 Resolução n.º 1401000.258 S1C4T1 Fl. 1.830 24 da Obrigação para com a Instituição Financeira (Repasse), onde se debita caixa e se credita (Outras contas a Pagar – Passivo). Por outras palavras, a inconsistência não seria uma inconsistência, pois se explicaria perfeitamente dentro do contexto do esquema contábil de partidas dobradas de três lançamentos e não apenas de dois, como parece ter entendido a fiscalização e a DRJ. Mas isso precisa ser confirmado. De outra banda, essa conclusão chegada neste voto só faz sentido se a segunda etapa realmente for efetuada de forma mensal e não diária. Porém, ainda tenho dúvidas quanto a esse mister, pois apesar de essa informação constar na fls. 2 Parecer do Dr. Ricardo Mariz que me chegou ao conhecimento através de memoriais, em sede de Recurso a Recorrente dá a entender que a segunda etapa seria diária e não mensal. Mesmo assim, ainda se a segunda etapa se comprovar como sendo diária, pode ainda ser que haja um descasamento de mais de três dias no seu registro, o que seria suficiente para obstacularizar a conclusão tirada de uma amostra que considera apenas três dias como sendo o universo amostral. Portanto, para melhor formação da minha convicção, baixo o processo em diligência para: 1) Que a fiscalização investigue os fatos acima narrados e sane a dúvida quanto ao momento de contabilização da 2a e 3a etapa, esclarecendo se o resultado de diligência levou em consideração todo o esquema contábil dividido em três etapas e suas respectivas peculiaridades temporais. 2) Aproveitar a diligência para também se pronunciar sobre a primeira inconsistência mencionada de forma no sentido de esclarecer se as razões e tabelas adicionais trazidas pela Recorrente em seu Recurso responderia às indagações da DRJ e estariam mesmo em consonância com a contabilidade da Recorrente. 3) Elaborar relatório conclusivo das verificações, ressalvado o fornecimento de informações adicionais e a juntada de outros documentos que entender necessários, entregar cópia do relatório à interessada e conceder prazo de 30 (trinta) dias para que ela se pronuncie sobre as suas conclusões, após o que, o processo deverá retornar a este Conselho para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 1830DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 35092.000001/2007-31
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/2003 a 30/11/2006
PREVIDENCIÁRIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. PRELIMINAR. NULIDADE NFLD. AUSÊNCIA DE MOTIVOS.
Sendo constatada a ausência de motivos para que a NFLD seja declarada nula, a mesma deverá ser mantida em todos os seus termos.No caso em tela, a recorrente alegou cerceamento de defesa, alegando que o fisco deixou de oportunizá-la a ampla defesa e o contraditório no procedimento de apuração da ocorrência do fato gerador, o que não pode ser concebido, face ao poder inquisitivo do procedimento de lançamento.
GFIP X GPS. OCORRÊNCIA. FATO GERADOR. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA.
Sendo constatada a divergência entre valores declarados em GFIP’s e os recolhidos ou não em GPS’s, considera-se ocorrido o fato gerador das contribuições sociais previdenciárias.
COBRANÇA DA NFLD. MULTA E JUROS COM BASE NA TAXA SELIC.CONSTITUCIONAL E LEGAL. CARF. IMPOSSIBILIDADE.
MANIFESTAÇÃO. AFASTAR MATÉRIA INCONSTITUCIONAL FUNÇÃO. JUDICIÁRIO.
Considerando a cobrança da NFLD devida, deverá ser acrescida de multa e juros com base na taxa SELIC, na forma do art.35 da Lei n 8.212/91, que foi alterado pela Lei n 11.941/2009, devendo, portanto ser observado o art.106, II, c do CTN. Sendo ainda impossível o CARF manifestar-se acerca de matéria inconstitucional, o que é função típica do Poder Judiciário.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 2403-000.296
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: CID MARCONI GURGEL DE SOUZA
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NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. PRELIMINAR. NULIDADE NFLD. AUSÊNCIA DE MOTIVOS. Sendo constatada a ausência de motivos para que a NFLD seja declarada nula, a mesma deverá ser mantida em todos os seus termos.No caso em tela, a recorrente alegou cerceamento de defesa, alegando que o fisco deixou de oportunizá-la a ampla defesa e o contraditório no procedimento de apuração da ocorrência do fato gerador, o que não pode ser concebido, face ao poder inquisitivo do procedimento de lançamento. GFIP X GPS. OCORRÊNCIA. FATO GERADOR. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. Sendo constatada a divergência entre valores declarados em GFIP’s e os recolhidos ou não em GPS’s, considera-se ocorrido o fato gerador das contribuições sociais previdenciárias. COBRANÇA DA NFLD. MULTA E JUROS COM BASE NA TAXA SELIC.CONSTITUCIONAL E LEGAL. CARF. IMPOSSIBILIDADE. MANIFESTAÇÃO. AFASTAR MATÉRIA INCONSTITUCIONAL FUNÇÃO. JUDICIÁRIO. Considerando a cobrança da NFLD devida, deverá ser acrescida de multa e juros com base na taxa SELIC, na forma do art.35 da Lei n 8.212/91, que foi alterado pela Lei n 11.941/2009, devendo, portanto ser observado o art.106, II, c do CTN. Sendo ainda impossível o CARF manifestar-se acerca de matéria inconstitucional, o que é função típica do Poder Judiciário. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 18/01/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 20/01/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente. Cid Marconi Gurgel De Souza. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Marcelo Magalhães Peixoto. Ausente o conselheiro Marthius Sávio Cavalcante Lobato Fl. 2DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 18/01/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 20/01/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 35092.000001/2007-31 Acórdão n.º 2403-00.296 S2-C4T3 Fl. 325 3 Relatório Trata-se de recurso voluntário apresentado às fls. 380 a 426 contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas/SP (fls.364 a 370) que julgou procedente o lançamento constante da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD n° 35.848.042-6, no valor consolidado de R$ 2.601.627,84 (dois milhões, seiscentos e um mil, seiscentos e vinte e sete reais e oitenta e quatro centavos), decorrentes da parte patronal e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa advindas dos riscos ambientais do trabalho, destinadas a entidades e fundos (terceiros: FNDE, INCRA, SESC/SENAC e SEBRAE), incidentes sobre créditos em dinheiro concedidos através de cartões PREMIUM CARD e sobre valores faciais de cupons TOP PREMIUN liberados e/ou reembolsados pela empresa aos seus empregados. O período objeto da fiscalização compreendeu as competências, com relação ao CNPJ n 45.987.005/0001-98, de 08, 11 e 12 de 1998; 02 a 09 de 1999; 02 a 12 de 2000; 01, 03 a 05 e 07 de 2001; 01 a 04, 07, 08, 10 a 12 de 2002; 01 a 03, 05, 10 a 12 de 2003; 02, 03, 06, 07, 11 e 12 de 2004 e 01/2005 a 06/2006. Desta autuação, a recorrente foi notificada em 22/12/2006 e apresentou impugnação às fls.17 a 54. Em suma, foi alegado, inicialmente, acerca da conexão com a NFLD n° 35.957.446-7, devendo o julgamento dos processos administrativos respectivos ocorrerem de forma simultânea. Além disso, sustentou: - Que a NFLD carece de precisão exigida pela legislação, pois deixou de dar ao contribuinte o conhecimento acerca do objeto, amplitude e forma de apuração dos débitos previdenciários, defendendo a sua nulidade; principalmente por não conter a narrativa dos fatos ocorridos no procedimento fiscal, bem como a identificação dos fatos geradores da obrigação previdenciária. Entendeu, nesse contexto, haver violação ao contraditório e a ampla defesa. - Que a auditoria fiscal qualificou os sócios-gerentes da empresa recorrente como co-responsáveis sem qualquer fundamentação para tal ato, posto que não houve dissolução irregular da sociedade, infração à lei penal praticada pelos dirigentes ou excesso de poderes. No mérito: - Defendeu a extinção das competências cobradas anteriores a dezembro de 2001 em razão da decadência; - Alegou a inconstitucionalidade e inaplicabilidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/1991 aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 18/01/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 20/01/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 4 - Afirmou a incompetência da Previdência Social para apreciar controvérsias decorrentes da relação de trabalho, sustentando, nesse último assunto, a competência exclusiva da Justiça do Trabalho para apreciar qualquer controvérsia decorrente da relação laboral; - Argumentou ainda a não caracterização dos valores pagos como verba não habitual como base de cálculo para a apuração das contribuições previdenciárias. No pedido, requereu a nulidade da NFLD, a extinção pela decadência dos créditos anteriores a novembro de 2001 e a declaração de incompetência da Previdência Social para exigir o recolhimento das contribuições sociais. Instada a se manifestar acerca da impugnação apresentada pela empresa recorrente, a 6ª Turma da DRJ-Campinas/SP assim decidiu: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/1998 a 30/06/2006 PREVIDÊNCIA SOCIAL. CUSTEIO. SEGURADO EMPREGADO. PRÊMIO CONTRIBUIÇÕES. INCIDÊNCIA. Sobre a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja sua forma, incide a contribuição previdenciária. Lançamento Procedente. Nas razões recursais, a recorrente alegou preliminarmente: - A necessidade da NFLD ser declarada nula, em razão da falta de clareza e precisão dos fatos geradores no relatório de auditoria fiscal, sustentando o desrespeito à ampla defesa e contraditório; - Ser impossível o redirecionamento da responsabilidade tributária aos sócios da empresa recorrente, sem comprovação de atos que autorizem tal circunstância. No mérito, alegou: - A decadência das competências cobradas anteriores a dezembro de 2001; - A inaplicabilidade dos artigos 173, inciso I do CTN; 45, da Lei 8.212/1991 em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, reiterando os mesmos argumentos alegados na impugnação; - Que o controle de constitucionalidade não é poder exclusivo conferido ao Poder Judiciário, mas sim a todos que aplicam ou interpretam a lei; - A inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/1991, não podendo o Fisco delimitar os temas específicos incluídos ou excluídos do campo de abrangência das normas gerais; - A inaplicabilidade da tese dos “5 mais 5”, devendo ser adotada a regra explicitada no artigo 150, §4°, do CTN; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 18/01/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 20/01/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 35092.000001/2007-31 Acórdão n.º 2403-00.296 S2-C4T3 Fl. 326 5 - A não caracterização dos valores pagos como integrante da base de cálculo das contribuições previdenciárias, repetindo o argumentado exposto na impugnação; - A não ocorrência da habitualidade com relação aos profissionais que receberam parcelas com intervalo de tempo superior a 2 (dois) anos. No pedido, pleiteou a nulidade da NFDL, a extinção pela decadência das competências anteriores a dezembro de 2001 e o cancelamento da cobrança. Por fim, juntou documentos (jurisprudências e petições). É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 18/01/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 20/01/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza, Relator. PRELIMINARMENTE: I – DA AUSÊNCIA DE MOTIVOS PARA SER DECRETADA A NULIDADE DA NFLD: A recorrente alega inicialmente que a NFLD deve ser declarada nula, por entender que houve violação da garantia do contraditório e ampla defesa, tendo em vista que o fisco não ofertou ao contribuinte o direito de se defender durante a auditoria fiscal, alegando ainda que houve tão somente uma análise parcial dos documentos da empresa. Cumpre salientar que não há qualquer razão para a NFLD ser decretada nula, pois tal documento foi expedido de acordo com as determinações legais. Analisando especificamente o argumento da recorrente, entendo que o mesmo encontra-se totalmente desamparado de fundamentos. Ora, o contraditório e a ampla defesa são garantias constitucionais que foram respeitadas em todos os momentos pelo fisco federal. Todavia, antes de ser explicado o motivo pelo qual não deverá em hipótese alguma a NFLD ser decretada nula, impende-se citar e destacar pontos importantes do lançamento do crédito tributário. Primeiramente, cabe destacar que a NFLD realmente é ato unilateral da Administração Pública e constitui uma das espécies de lançamento que acontece no âmbito federal, segundo o art.9º, caput, do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Ressalta-se que as notificações fiscais referem-se a lançamento de crédito tributário ligado às obrigações principais, já os autos de infração estão ligados às obrigações acessórias. Vejamos ainda o dispositivo legal que trata do procedimento de apuração de obrigação tributária e que afasta como correta a alegação da recorrente. Sendo a NFLD uma espécie de lançamento no âmbito federal, sua aplicação obedecerá o art.142 do Código Tributário Nacional, o qual dispõe: Fl. 6DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 18/01/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 20/01/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 35092.000001/2007-31 Acórdão n.º 2403-00.296 S2-C4T3 Fl. 327 7 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Diante do exposto, pode-se perceber que o lançamento, primeiramente, é ato exclusivo da autoridade administrativa e que seu objetivo é a constituição de crédito tributário. Ademais, tal ato é entendido como um procedimento que vise à ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Assim, considerando que o objetivo do lançamento é verificar a ocorrência do fato gerador e depois, após constatado o ocorrido, lançar o crédito e constituí-lo, é inegável que essa 1ª fase é revestida pela unilateralidade do fisco. Desse modo, pode-se dizer que o lançamento é dividido em duas fases: a administrativa e a litigiosa. A primeira é verificada pela realização de todos os praticados pela autoridade fazendária ao instaurar o procedimento administrativo para apurar se há realmente um crédito a ela devido. Já a segunda etapa do lançamento, a litigiosa, ocorrerá se houver as modalidades do ato de ofício ou por declaração, iniciando-se a partir do momento em que o contribuinte é notificado da lavratura de um auto de infração/notificação fiscal e discorda da cobrança constante naquela autuação. Nessa ocasião, o contribuinte, não concordando em ser devedor do crédito fiscal disposto no auto de infração/notificação fiscal, apresenta defesa/impugnação junto ao órgão responsável pela arrecadação daquele tributo, o qual terá seu trâmite realizado em acordo com o previsto nas legislações dos Contenciosos Municipais, Estaduais e Federal. Nesses casos, em que o contribuinte se vê insatisfeito com a cobrança do crédito tributário, e decide pela impugnação daquele auto de infração/notificação fiscal, inicia- se a fase contenciosa do lançamento tributário, haja vista que haverá conflito de interesses nessa relação. Surge, portanto, um processo administrativo fiscal, o qual terá princípios norteando seu trâmite, para que o mesmo alcance seu objetivo e o contribuinte não seja lesado ante a previsão do Princípio do Devido Processo Legal. Desse modo, o fato do procedimento de lançamento ser ato unilateral do fisco não importa dizer que houve violação das garantias constitucionais levantadas pela recorrente, tendo em vista que as garantias do contribuinte foram respeitadas desde o primeiro momento, ou seja, com a apresentação pelo sujeito passivo de impugnação administrativa (fls.290 a 297). Sendo assim, diante dos fatos expostos, não há motivos que autorizem a declaração de nulidade da NFLD nº 37.038.430-0, tendo em vista que não houve violação alguma às garantias do contraditório e da ampla defesa. DO MÉRITO: Fl. 7DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 18/01/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 20/01/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 8 I –DA OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES A recorrente alega que não houve a ocorrência de fatos geradores que autorizasse a cobrança da exação em tela, sustentando que autuação ateve-se tão somente à análise de GFIP´s. Ora, a fiscalização examina e pede vistas de documentos que entenda serem necessários para cada situação. Em se tratando de ação fiscal que tenha como objetivo a ocorrência de fato gerador específico, qual seja, o recolhimento ou não das contribuições previdenciárias a cargo da empresa, nada mais plausível do que examinar as GFIP´s e as GPS´s, procedendo assim ao cruzamento das informações. Assim, segundo o relatório fiscal às fls.283 a 286, os fatos geradores ocorreram com o pagamento das remunerações aos segurados empregados, sendo a base de cálculo resultante da diferença entre os valores apurados a título de contribuições previdenciárias/terceiros, conforme declaração em GFIP´s realizada pela recorrente, com os recolhimentos efetuados ou não através de GPS´s. Desse modo, não deve prosperar a alegação da recorrente em afirmar que não houve a ocorrência de fatos geradores que possam autorizar a cobrança do crédito tributário constante na NFLD nº 37.038.430-0. II – DA IMPOSSIBILIDADE DO CARF MANIFESTAR-SE ACERCA DE CONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS: Diante das argumentações trazidas à baila pela recorrente, um dos pontos levantados no recurso voluntário foi o de que a multa imposta teria natureza confiscatória. Sobre o argumento da recorrente, cumpre salientar que todas as normas infraconstitucionais, quando vigentes no ordenamento jurídico, são para ser cumpridas, não podendo, em nenhuma hipótese a autoridade administrativa exercer juízo de valor e afastar a aplicação da norma, tendo em vista sua atividade como agente público ser vinculada à lei. Desse modo, é a atividade do agente público um poder-dever, não podendo haver discricionariedade para a aplicação da lei, o que só é admitido quando a própria norma autoriza. Assim, estando a legislação vigente, deparando-se o agente administrativo com uma situação que lhe exija a aplicação de norma infraconstitucional, esta será aplicada em todos os termos, sendo vedada a conduta de afastar a incidência dessa norma, sob pena de violação ao Princípio da Legalidade. Ademais, a Portaria RFB n° 10.875, de 16 de agosto de 2007, que disciplina o processo administrativo fiscal relativo às contribuições sociais de que tratam os arts. 2° e 3° da Lei n° 11.457/2007, veda, em seu art.18, que o Contencioso Administrativo Federal afaste aplicação de lei por inconstitucionalidade ou ilegalidade: Art. I8 É vedado à autoridade julgadora afastar a aplicação, por inconstitucionalidade ou ilegalidade, de tratado, acordo internacional, lei, decreto ou ato normativo em vigor, ressalvados os casos em que: 1 - tenha sido declarada a inconstitucionalidade da norma pelo Supremo Tribunal Federal (STF); em ação direta, após a publicação da decisão, ou pela via incidental, após a publicação da resolução do Senado Federal que suspender a sua execução; Fl. 8DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 18/01/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 20/01/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 35092.000001/2007-31 Acórdão n.º 2403-00.296 S2-C4T3 Fl. 328 9 II - haja decisão judicial, proferida em caso concreto, afastando a aplicação da norma, por ilegalidade ou inconstitucionalidade, cuja extensão dos efeitos jurídicos tenha sido autorizada pelo Presidente da República ou, nos termos do art. 4 2 do Decreto n2 2.346, de 10 de outubro de 1997, pelo Secretário da Receita Federal do Brasil ou pelo Procurador-Geral da Fazenda NacionaL. Além disso, vale destacar que a Portaria n 256 do Ministério da Fazenda, que aprovou o Regimento Interno do CARF, em seu artigo 62, veda aos julgadores do Contencioso Administrativo Federal afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Observe-se, que somente nas hipóteses contempladas no parágrafo único e incisos do dispositivo legal acima citado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência, o que não se vislumbra no presente caso. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II - que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da Advocacia-Geral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado-Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Para haver harmonia nos julgamentos, conforme artigo 72 do Regimento Interno, o CARF emitirá súmulas para decisões reiteradas e uniformes, de observância obrigatória pelos membros do CARF. Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Nesse sentido, o CARF sumulou a matéria em comento, Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 18/01/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 20/01/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 10 Finalmente, o artigo 102, I, “a” da Constituição Federal, não deixa dúvida a propósito da discussão sobre inconstitucionalidade, que deve ser debatida na esfera do Poder Judiciário, senão vejamos: Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe: I – processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de Lei ou ato normativo federal; Dessa forma, não há como se acolher a pretensão do contribuinte em relação à possibilidade da autoridade julgadora afastar norma infraconstitucional, sob o argumento da norma aplicável à multa ter supostamente caráter confiscatório, pois analisar essa natureza da multa seria função do judiciário, que goza da liberdade para decidir, desde que haja motivação em suas decisões. III – DA CONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE DA INCIDÊNCIA DE JUROS MORATÓRIOS COM BASE NA TAXA SELIC: Alega ainda a recorrente que a aplicação de juros com base na taxa SELIC é indevida, sob o argumento de que sobre o débito deveria incidir tão somente multa ou juros e não os dois cumulativamente. Todavia, a lei determina que sobre todo o montante em atraso, serão acrescidos multa e juros calculados com os índices da taxa SELIC, não cabendo a alegação da recorrente em afirmar que a natureza destes é remuneratória. Com relação à incidência da taxa SELIC sobre os débitos federais, inclusive contribuições sociais, registre-se que a legislação de regência à época do fato gerador, a Lei nº 8.212/91, afastava literalmente os argumentos erguidos pela recorrente, in verbis:: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei nº 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei) Entretanto, a Lei n 11.941/2009 revogou o dispositivo acima e deu nova redação ao art.35 da Lei n 8.212/91, determinando que os débitos tributários a nível federal, teriam suas cobranças acrescidas de multa e juros na forma do art.61 da Lei n 9.430/96. Então vejamos: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, Fl. 10DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 18/01/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 20/01/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 35092.000001/2007-31 Acórdão n.º 2403-00.296 S2-C4T3 Fl. 329 11 nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). LEI N 9.430/96 Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Art. 5º(...) (...) § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. A propósito, convém ainda mencionar que o Segundo Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula nº 03, nos seguintes termos: SÚMULA Nº 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais. Portanto, a aplicação da taxa SELIC sobre os débitos tributários federais é correta com fulcro no artigo 35, caput, da Lei nº 8.212/91. IV – DA MULTA MORATÓRIA: Fl. 11DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 18/01/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 20/01/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 12 Com relação à multa incidente sobre débitos pagos fora do prazo legal, a sua aplicação encontra-se também fundamentada também no mesmo art.35, caput, da Lei n 8.212/91, in verbis:. Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Sobre a aplicação deste dispositivo, o qual prevê multa de 0,33% ao dia e limitada a 20%, vale destacar que a redação acima foi dada por Lei diversa daquela vigente à época do fato gerador, motivo pelo qual será aplicada em conformidade com o art.106, II, do Código Tributário Nacional, não havendo razões para a recorrente alegar a indevida progressividade da multa, em razão da atividade vinculada do agente público. V – DA APLICAÇÃO DA LEI MAIS BENÉFICA AO ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO: Tratando-se de ato pendente de julgamento, há que se observar alguns preceitos legais do Código Tributário Nacional no que se refere à possibilidade de uma lei retroagir e alcançar fatos pretéritos, os quais ocorreram sob a égide de outra legislação. No caso em tela, verifica-se que tanto a aplicação de multa como a incidência de taxa SELIC sobre os débitos tributários federais encontra amparo atualmente no art.35 da Lei n 8.212/91, dispositivo este alterado pela Lei n 11.941/2009. Deste modo, caso seja mais benéfico ao sujeito passivo, a Lei n 11.941/2009 deverá retroagir em respeito ao art.106 do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: (...) II - tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. VI – DA DESNECESSIDADE DE FASE INSTRUTÓRIA ANTES DO LANÇAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO: A recorrente alega ainda, e mais uma vez, que deveria ter ocorrido uma fase instrutória para apurar os cálculos do lançamento. Ocorre que, conforme demonstrado no tópico I da PRELIMINAR, o procedimento que apura a ocorrência do fato gerador tem caráter inquisitivo e não instrutório, motivo pelo qual não deverá ser considerada a alegação da recorrente. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 18/01/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 20/01/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 35092.000001/2007-31 Acórdão n.º 2403-00.296 S2-C4T3 Fl. 330 13 CONCLUSÃO Voto pelo CONHECIMENTO do recurso voluntário para DAR-LHE PARCIAL PROVIMENTO, no sentido de manter a cobrança da NFLD 37.038.430-0, devendo-se proceder ao recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. É como voto. Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 18/01/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 20/01/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10480.903070/2013-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 24 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011
MATÉRIA-PRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO. CONCEITO.
Somente as matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, conforme a conceituação albergada pela legislação tributária, são hábeis ao creditamento do imposto.
Para que seja dado o tratamento de insumos aos bens que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização, tais bens devem guardar semelhança com as matérias primas - MP e produtos intermediários - PI, em sentido estrito, semelhança essa que reside no fato de exercerem, na operação de industrialização, função análoga a das MP e PI, ou seja, se consumirem, em decorrência de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por esse diretamente sofrida, mesmo que não integrando ao produto final.
PARTES E PEÇAS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. MATERIAIS REFRATÁRIOS. COMBUSTÍVEIS.
Não geram direito a crédito do imposto os produtos incorporados às instalações industriais, as partes, peças e acessórios de máquinas, equipamentos e ferramentas, mesmo que se esgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização, bem como os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos, inclusive lubrificantes e combustíveis necessários ao seu acionamento. Assim, glosam-se os créditos relativos a materiais intermediários que não atendam aos requisitos do Parecer Normativo CST nº 65, de 1979.
Numero da decisão: 3302-012.504
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em afastar a diligência. Vencido o conselheiro Jorge Lima Abud. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-012.496, de 24 de novembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10480.903074/2013-21, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Vinicius Guimaraes, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Larissa Nunes Girard, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
Nome do relator: Larissa Nunes Girard
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CONCEITO. Somente as matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, conforme a conceituação albergada pela legislação tributária, são hábeis ao creditamento do imposto. Para que seja dado o tratamento de insumos aos bens que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização, tais bens devem guardar semelhança com as matérias primas - MP e produtos intermediários - PI, em sentido estrito, semelhança essa que reside no fato de exercerem, na operação de industrialização, função análoga a das MP e PI, ou seja, se consumirem, em decorrência de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por esse diretamente sofrida, mesmo que não integrando ao produto final. PARTES E PEÇAS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. MATERIAIS REFRATÁRIOS. COMBUSTÍVEIS. Não geram direito a crédito do imposto os produtos incorporados às instalações industriais, as partes, peças e acessórios de máquinas, equipamentos e ferramentas, mesmo que se esgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização, bem como os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos, inclusive lubrificantes e combustíveis necessários ao seu acionamento. Assim, glosam-se os créditos relativos a materiais intermediários que não atendam aos requisitos do Parecer Normativo CST nº 65, de 1979. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em afastar a diligência. Vencido o conselheiro Jorge Lima Abud. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-012.496, de 24 de novembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10480.903074/2013-21, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 30 70 /2 01 3- 42 Fl. 334DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-012.504 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.903070/2013-42 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Vinicius Guimaraes, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Larissa Nunes Girard, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Aproveita-se o Relatório do Acórdão de Manifestação de Inconformidade, em síntese: Em análise no presente processo o litígio decorrente de Despacho Decisório emitido quando da análise do(s) PER/DCOMP n° 37852.78403.201212.1.1.01-2192, transmitido(s) para utilização do saldo credor do IPI apurado no 3° trimestre/2011, com fulcro no art. 11 da Lei n° 9.779/99. O reconhecimento parcial se deveu a glosas de créditos de aquisições de produtos que não atendem os requisitos para o creditamento. Conforme se vê do Relatório Fiscal, as glosas se referiram a aquisição de coque de petróleo, além de outros produtos (descrição constante do Anexo "Demonstrativo dos Créditos do IPI Passíveis de Ressarcimento”). A Manifestante alega, em síntese, que todas as aquisições referem-se a insumos utilizados e consumidos no processo industrial, sustentando sua afirmação em laudo técnico anexo à Manifestação de Inconformidade. A Turma da Delegacia Regional de Julgamento julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade. A empresa foi intimada do Acórdão de Impugnação e ingressou com Recurso Voluntário alegando, em síntese: Da necessária homologação da compensação do contribuinte. Aplicação da Súmula n° 473 do STF c/c art. 149, IV e VIII do Código Tributário Nacional; Do coque de petróleo; Do tijolo alum, tijolo básico e tijolo si; Do concreto alum; Da argamassa; Do corpo moedor; Da chapa; Da correia transp; Da placa autectic; Fl. 335DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-012.504 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.903070/2013-42 DA necessidade da aplicação da súmula n° 473 do STF c/c art. 149, IV e VIII do Código Tributário Nacional; Da necessidade de aferição dos fatos por meio de perícia técnica. DO PEDIDO Por todo o exposto, a Recorrente REQUER: em sede de preliminar, que seja: a. a imediata paralisação de quaisquer procedimentos tendentes à cobrança de todos os “débitos” albergados no processo administrativo n° 10480-900.306/2014-70 (Processo de Crédito nº 10480.903.070/2013- 42), face à expressa determinação da suspensão da exigibilidade dos créditos referenciados (art. 151, III, do CTN; art. 74, §§ 4°, 7°, 9°, 11, da Lei n° 9.430/96; o art. 15 do Decreto n° 70.235/72 e 137, da Instrução Normativa RFB n° 1717, de 17 de julho de 2017); b. por força dos mesmos dispositivos legais, que tais processos “de débito” passem a constar como “exigibilidade suspensa” nos sistemas informáticos da Receita Federal, de forma seja não sejam impedimento à obtenção de imprescindível Certidão Positiva de Débitos com Efeitos de Negativa - CPD-EN, nos termos dos arts. 205 e 206 do CTN, tampouco sejam enviados ao CADIN, conforme art. 7° da Lei n° 10.522/2002; No mérito, que seja revisado e reformado o Acórdão proferido pela DRJ, o qual foi cientificado ao contribuinte, inclusive com realização de imprescindível prévia perícia, mais uma vez justificada e requerida, por prevalência da verdade material no âmbito administrativo, conforme determina o art. 149, IV e VIII do CTN e é o núcleo das Súmulas n°s 346 e 473 do STF. É o relatório. Fl. 336DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-012.504 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.903070/2013-42 Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto condutor consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Quanto ao conhecimento, à tempestividade e ao mérito do Recurso Voluntário do contribuinte, transcrevo o entendimento majoritário da turma, expresso no voto do relator do acórdão paradigma: Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3 a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. A empresa foi intimada do Acórdão de Impugnação, por via eletrônica, em 02 de setembro de 2020, às e-folhas 222. A empresa ingressou com Recurso Voluntário, em 02 de outubro de 2020, às e-folhas 223. O Recurso Voluntário é tempestivo. Da Controvérsia. Foram alegados os seguintes pontos no Recurso Voluntário: Da necessária homologação da compensação do contribuinte. aplicação da Súmula n° 473 do STF c/c art. 149, IV e VIII do Código Tributário Nacional; Do coque de petróleo; Do tijolo alum, tijolo básico e tijolo si; Do concreto alum; Da argamassa; Do corpo moedor; Da chapa; Da correia transp; Da placa autectic; DA necessidade da aplicação da súmula n° 473 do STF c/c art. 149, IV e VIII do Código Tributário Nacional; Da necessidade de aferição dos fatos por meio de perícia técnica. Passa-se à análise. A ora Recorrente, em 20.12.2012, apresentou o PER/DCOMP n° 42333.36803.201212.1.1.01-4402, com crédito referente ao ressarcimento de R$ 1.009.251,51, transmitido para utilização do saldo credor do IPI apurado no 3° trimestre/2012, com fulcro no art. 11 da Lei n° 9.779/99, sendo referido saldo credor relativo ao estabelecimento n° 10.656.452/0023-95. Sobre o direito aos créditos básicos de IPI, assim dispõe o art. 226, I do Regulamento do IPI de 2010: Art. 226. Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditar-se (Lei n°4.502, de 1964, art. 25): Fl. 337DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-012.504 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.903070/2013-42 I - do imposto relativo a matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo-se, entre as matérias-primas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; (...) O Parecer Normativo CST n° 65/79 é um ato normativo expedido por uma autoridade administrativa, nos termos do art. 100, I do CTN, auxilia na determinação do conteúdo e alcance do art. 226, I do RIPI/2010, acerca de quais seriam os insumos que ensejam aproveitamento de créditos do IPI. Em virtude de abordar precisamente os elementos fáticos e pelo seu didatismo, trago o Acórdão de Recurso Voluntário n° 3402-007.295, de Relatoria da ilustre Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, a partir das folhas 06 daquele documento: Parecer Normativo CST n° 65/79 (DOU de 6/11/79) Imposto sobre Produtos Industrializados. 4.18.01.00 - Crédito do imposto - Matérias-primas, Produtos Intermediários e Material de Embalagem. A partir da vigência do RIPI/79, ex vi do inciso I de seu art. 66, geram direito ao crédito ali referido, além dos que se integram ao produto final (matérias-primas e produtos intermediários stricto sensu, e material de embalagem), quaisquer outros bens, desde que não contabilizados pelo contribuinte em seu Ativo Permanente, que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas. Inadmissível a retroação de tal entendimento aos fatos ocorridos na vigência do RIPI/72 que continuam a se subsumir ao exposto no PN CSTn° 181/74. Em estudo o inciso I do artigo 66 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto n° 83.263, de 9 de março de 1979 (RIPI/79). O artigo 25 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, com a redação que lhe foi dada pela alteração 8 a do artigo 2 o do Decreto-lei n° 34, de 18 de novembro de 1966, repetida “ipsis verbis” pelo artigo 1° do Decreto-lei n° 1.136, de 7 de setembro de 1970, dispõe: ‘Art. 25 A importância a recolher será o montante do imposto relativo aos produtos saídos do estabelecimento, em cada mês, diminuindo do montante do imposto relativo aos produtos nele entrados no mesmo período, obedecidas as especificações e normas que o regulamento estabelecer’. Como se vê, trata-se de norma não auto-aplicável, de vez que ficou atribuído ao regulamento especificar os produtos entrados que geram o direito à subtração do montante de IPI a recolher. 3. Diante disto, ressalte-se serem ‘ex nunc’ os efeitos decorrentes da entrada em vigência do inciso I do artigo 66 do RIPI/79, ou seja, usando da atribuição que lhe foi conferida em lei, o novo Regulamento estabeleceu as normas e especificações que a partir daquela data passaram a reger a matéria, não se tratando, como há quem entenda, de disposição interpretativa e, por via de conseqüência, retroativa, somente sendo, portanto, aplicável a norma em análise, a seguir transcrita, aos fatos ocorridos a partir da vigência do RIPI/79: ‘Art. 66 - Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados, poderão creditar-se (Lei n° 4.502/64 arts. 25 a 30 e Decreto-lei n° 3.466, art. 2°, alt. 8a): I - do imposto relativo a matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo-se, entre as matérias-primas e os produtos intermediários, aqueles que, Fl. 338DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-012.504 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.903070/2013-42 embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente.’ 4 - Note- se que o dispositivo está subdividido em duas partes, a primeira referindo- se às matérias-primas, aos produtos intermediários e ao material de embalagem; a segunda relacionada às matérias-primas e aos produtos intermediários que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização. 4.1 - Observe-se, ainda, que enquanto na primeira parte da norma ‘matérias- primas’ e ‘produtos intermediários’ são empregados ‘stricto sensu’, a segunda usa tais expressões em seu sentido lato: quaisquer bens que, embora não se integrando ao produto em fabricação se consumam na operação de industrialização. 4.2 - Assim, somente geram direito ao crédito os produtos que se integrem ao novo produto fabricado e os que, embora não se integrando, sejam consumidos no processo de fabricação, ficando definitivamente excluídos aqueles que não se integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização. 5 - No que diz respeito à primeira parte da norma, que se refere a matérias- primas e produtos intermediários ‘stricto sensu’, ou seja, bem dos quais, através de quaisquer das operações de industrialização enumeradas no Regulamento, resulta diretamente um novo produto, tais como, exemplificadamente, a madeira com relação a um móvel ou o papel com referência a um livro, nada há que se comentar de vez que o direito ao crédito, diferentemente do que ocorre com os referidos na segunda parte, além de não se vincular a qualquer requisito, não sofreu alteração com relação aos dispositivos constantes dos regulamentos anteriores. 6 - Todavia, relativamente aos produtos referidos na segunda parte, matérias- primas e produtos intermediários entendidos em sentido amplo, ou seja, aqueles que embora não sofram as referidas operações são nelas utilizados, se consumindo em virtude do contato físico com o produto em fabricação, tais como lixas, lâminas de serra e catalisadores, além da ressalva de não gerarem o direito se compreendidos no ativo permanente, exige-se uma série de considerações. 6.1 - Há quem entenda, tendo em vista tal ressalva (não gerarem direito ao crédito os produtos compreendidos entre os bens do ativo permanente), que automaticamente gerariam o direito ao crédito os produtos não inseridos naquele grupo de contas, ou seja, que a norma em questão teria adotado como critério distintivo, para efeito de admitir ou não o crédito, o tratamento contábil emprestado ao bem. 6.2- Entretanto, uma simples exegese lógica do dispositivo já demonstra a improcedência do argumento, uma vez que, consoante regra fundamental de lógica formal, de uma premissa negativa (os produtos ativados permanentemente não geram o direito) somente conclui-se por uma negativa, não podendo, portanto, em função de tal premissa, ser afirmativa a conclusão, ou seja, no caso, a de que os bens não ativados permanentemente geram o direito de crédito. (...) 10 - Resume-se, portanto, o problema na determinação do que se deve entender como produtos ‘que embora não se integrando no novo produto, forem consumidos, no processo de industrialização’, para efeito de reconhecimento ou não do direito ao crédito. 10.1 - Como o texto fala em ‘incluindo-se entre as matérias primas e os produtos intermediários’, é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matérias- primas e os produtos intermediários ‘stricto sensu’, semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor Fl. 339DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3302-012.504 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.903070/2013-42 dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto de fabricação, ou por este diretamente sofrida. 10.2 - A expressão ‘consumidos’ sobretudo levando-se em conta que as restrições ‘imediata e integralmente’, constantes do dispositivo correspondente do Regulamento anterior, foram omitidas, há de ser entendida em sentido amplo, abrangendo, exemplificativamente, o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o insumo. (...) 11 - Em resumo, geram o direito ao crédito, além dos que se integram ao produto final (matérias-primas e produtos intermediários, “stricto senso”, material de embalagens), quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação; ou vice-versa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, desde que não devam, em face dos princípios contábeis geralmente aceitos, ser incluídos no ativo permanente. Ao que se observa do Parecer Normativo CST n° 65/79, a partir da vigência do RIPI/1979, o conceito de insumo para fins de creditamento do IPI foi alterado, não se exigindo mais que o consumo se desse "imediata e integralmente" 4 no processo de industrialização, ou seja, o consumo do bem pode se dar após vários ciclos produtivos; e de outra parte, impedindo o creditamento aos bens classificados no Ativo Permanente. 5 A decisão proferida no Resp 1.075.508/SC, submetido à sistemática de que trata o artigo 543-C do CPC/73, cujos termos vincula este Colegiado, acolhe a tese, veiculada pelo Parecer Normativo CST n° 65/79, do contato físico e do desgaste direto em contraposição ao desgaste apenas indireto, tendo sido assim ementada: EMENTA PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E AO USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. RATIO ESSENDI DOS DECRETOS 4.544/2002 E 2.637/98. A aquisição de bens que integram o ativo permanente da empresa ou de insumos que não se incorporam ao produto final ou cujo desgaste não ocorra de forma imediata e integral durante o processo de industrialização não gera direito a creditamento de IPI, consoante a ratio essendi do artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (Precedentes das Turmas de Direito Público: AgRg no REsp 1.082.522/SP, Rel.Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 16.12.2008, DJe 04.02.2009; AgRg no REsp 1.063.630/RJ, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 16.09.2008, DJe 29.09.2008; REsp 886.249/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.09.2007, DJ 15.10.2007; REsp 608.181/SC, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 06.10.2005, DJ 27.03.2006; e REsp 497.187/SC, Rel. Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, julgado em 17.06.2003, DJ 08.09.2003). Deveras, o artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (assim como o artigo 147, I, do revogado Decreto 2.637/98), determina que os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditar-se do imposto relativo a matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo-se ‘aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente’. Fl. 340DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3302-012.504 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.903070/2013-42 In casu, consoante assente na instância ordinária, cuida-se de estabelecimento industrial que adquire produtos ‘que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final’, razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. [negritei] (Grifo e negrito próprios do original) No caso, a fiscalização sustentou as glosas de créditos nas aquisições de materiais refratários pelo não enquadramento no conceito de assemelhados a produtos intermediários para fins de creditamento de IPI (Parecer Normativo CST n° 65/79), conforme Relatório Fiscal. O Recorrente, já na Manifestação de Inconformidade, apresentou Laudo Técnico, a partir das e-folhas 101. Do próprio Laudo Técnico acostado pelo Recorrente à Manifestação de Inconformidade, extrai-se que: - Do coque de petróleo: A Manifestação de Inconformidade traz a seguinte alegação às folhas 08 daquele documento: 1) o produto COQUE DE PETRÓLEO, cujas aquisições pela Impugnante gerou crédito de IPI no montante de R$ 1.380.143,58, corresponde mais de 78,41% dos créditos glosados e é utilizado na industrialização de cimento (produto tributado à alíquota zero e se desgasta direta e imediatamente no processo produtivo), conforme Laudo Técnico n° 115 6562-205 (doc. anexo); Desconsideração do coque de petróleo como matéria-prima ou produto intermediário na fabricação do cimento, tendo se entendido que o mesmo é mero combustível utilizado na geração de energia térmica. - Do tijolo alum, tijolo básico e tijolo si (e-folhas 107): TIJOLO ALUM. Cl (288927) TIJOLO BÁSICO (295208) TIJOLO BÁSICO (455103) TIJOLO BÁSICO (455108) TIJOLO BAS; MAG (445231) TIJOLO BAS; MAGN (445227) TIJOLO ALUM. C2 (288853) Os tijolos citados acima, 5.7 a 5.13, são utilizados como elementos protetores da estrutura do forno, sendo que são parcialmente consumidos na fabricação do clinquer em função do atrito e alta temperatura. Esses elementos são substituídos em intervalos não necessariamente periódicos. Atualmente esse intervalo é de aproximadamente 8 meses. Não sofrem o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. - Do concreto alum (e-folhas 106): CONCRETO ALUM (377846) Fl. 341DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3302-012.504 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.903070/2013-42 CONCRETO ALUM (288146) CONCRETO SIC SU (376472) O material acima, 5.1 a 5.3, é utilizado para revestimento de regiões quentes do forno de clinquer e torre de ciclones. O material é aplicado em média a cada 8 meses. Não sofrem o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. - Da argamassa (e-folhas 107): ARGAMASSA ALUM (146432) ARGAMASSA SIL-A (214001) ARGAMASSA BASIC (455132) Os materiais citados acima, 5.14 a 5.16, são utilizados para assentamento dos tijolos refratários quando instalados no forno de clinquer. Sua função principal é corrigir os desníveis presentes nas peças de refratário ou casco do forno. Não sofrem o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. - Do corpo moedor (e-folhas 106): CORPO MOEDOR; D (343023) CORPO MOEDOR; D (342918) CORPO MOEDOR; M (343037) Estes materiais, 4.1 a 4.3, possuem reposição mensal de acordo com medições de volume ocupado dentro do moinho, e que equivalem a 2 ton. Não sofrem o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. - Da chapa: O Recurso Voluntário traz a seguinte alegação às folhas 18: Observando trecho do Laudo Técnico é possível verificar que: 6.2 CHAPA ESP 3733002301 HAVER&BOECKER (283870) O item 6.1 são telas que compõem a peneira da ensacadeira. A sua função é não deixar passar corpo com alta granulometria para não entupir os bicos. A cada 8 meses fazemos a sua troca em função do desgaste da passagem do material. Os itens 6.2 e 6.3 são as chapas de encosto e mangotes dos bicos, que também sofrem desgastes durante a expulsão dos sacos após atingir o seu peso. A cada 6 meses sofrem substituição, bem como o item 6.4 responsável pelo acionamento das duas correias transportadoras da “camara” de limpeza dos sacos cheios. Demais itens (6.5 a 6.9) são correias transportadoras que transportam os sacos de cimento ao sair da Ensacadeira até a Paletizadora. Elas sofrem desgastes pela abrasão do saco de papel e a borracha durante o transporte. Com frequência media de troca de 7 meses, variando em função da posição ou caso de quebra por algum acidente. Não sofrem o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Fl. 342DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3302-012.504 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.903070/2013-42 - Da correia transp (e-folhas 104): O item acima citado, corresponde a correia de transporte de material advindo do britador primário que é levado para a pilha pulmão de material bruto. O desgaste das correias também ocorre em função do contato direto entre material transportado e superfície das mesmas. A substituição ocorre sob demanda a partir de avalição técnica, ou anomalia indesejada. Não sofrem o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. - Da placa eutectic: O Recurso Voluntário traz a seguinte alegação às folhas 19: Observando trecho do Laudo Técnico é possível verificar que: 5.2 PLACA EUTECTIC/CDP 4666 0604 (374253) O item 5.2 acima são placas que revestem a calha de entrada. Elas são placas especiais para desgaste por sofrer altíssima abrasão e choque na queda dos materiais durante a alimentação constante do moinho. Observando trecho do Laudo Técnico é possível verificar que: 5.2 PLACA EUTECTIC/CDP 4666 0604 (374253) O item 5.2 acima são placas que revestem a calha de entrada. Elas são placas especiais para desgaste por sofrer altíssima abrasão e choque na queda dos materiais durante a alimentação constante do moinho. Não sofrem o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Sendo assim, conheço do Recurso Voluntário e nego provimento ao recurso do contribuinte. Quanto à conversão do julgamento em diligência, transcrevo o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado do acórdão paradigma: Com a devida vênia, divirjo quanto à proposta de conversão do julgamento em diligência. Importante ressaltar inicialmente que se analisa o conceito de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem no contexto do IPI, tributo para o qual tais definições foram há muito assentadas, a exemplo dos Pareceres Normativos CST nº 181/1974 e nº 65/1979. Por meio das referidas normas, ficou definido que partes e peças de máquinas não se confundem com as matérias-primas ou produtos intermediários. E, considerada essa exclusão, para além da matéria-prima, do produto intermediário stricto sensu e do material de embalagem, geram direito a crédito outros bens, desde que não contabilizados no ativo permanente e que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, alterações tais como o desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas, desde que não sejam partes e peças de máquinas. O segundo aspecto a se considerar é que se analisa os bens passíveis de serem classificados como insumo para a industrialização do cimento. Fl. 343DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3302-012.504 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.903070/2013-42 Partindo dessas premissas, entendo por desnecessária a conversão do julgamento em diligência, haja vista que os produtos submetidos à apreciação pelo Colegiado estão adequadamente identificados e descritos nos autos. Resta-nos realizar uma discussão conceitual a partir das informações existentes, e suficientes, como realizado no julgamento de primeira instância. Portanto, rejeito a proposta de conversão do julgamento em diligência. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de afastar a diligência. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator Fl. 344DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10660.003673/2007-86
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/1997 a 30/09/1998
PREVIDENCIÁRIO AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA PERÍODO
PARCIALMENTE ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL SÚMULA
VINCULANTE STF Nº 8.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal
A Recorrente teve ciência do Auto de Infração de obrigação acessória no dia 17.09.2007, o período objeto do Auto de Infração é de 01/1997 a 09/1998.
Dessa forma, constata-se que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, tanto nos termos do artigo 150, § 4º, CTN quanto nos termos do artigo 173, I, do CTN.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-000.565
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acatar a preliminar de decadência total com base nos critérios estabelecidos tanto na Art. 173, I, CTN quanto no Art. 150, § 4º, CTN.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
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O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal A Recorrente teve ciência do Auto de Infração de obrigação acessória no dia 17.09.2007, o período objeto do Auto de Infração é de 01/1997 a 09/1998. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, tanto nos termos do artigo 150, § 4o, CTN quanto nos termos do artigo 173, I, do CTN. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 531DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 13/06/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acatar a preliminar de decadência total com base nos critérios estabelecidos tanto na Art. 173, I, CTN quanto no Art. 150, § 4º, CTN. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Cid Marconi Gurgel de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 532DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 13/06/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 10660.003673/200786 Acórdão n.º 240300.565 S2C4T3 Fl. 421 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, fls. 370 a 415, apresentado contra Acórdão nº 0919.126 – 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Juiz de Fora MG, fls. 356 a 365, que julgou procedente o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária acessória, fl. 01, Auto de Infração – AI nº 37.034.7714, no montante de R$ 11.951,21 (onze mil, novecentos e cinqüenta e um reais e vinte e um centavos). Segundo a AuditoriaFiscal, conforme o Relatório Fiscal da Infração, fls. 06, o Auto de Infração, de obrigação acessória, n° 37.034.7714, Código de Fundamentação Legal – CFL nº. 38, foi lavrado devido a Recorrente ter deixado de exibir, a partir do dia 25/07/2007 e durante todo o desenvolvimento do procedimento fiscal, as folhas de pagamento de todos os segurados empregados e dos contribuintes individuais no período de 01/1997 a 09/1998, conforme consta do Termo de Início da Ação Fiscal – TIAF. A Recorrente descumpriu assim, obrigação legal acessória, conforme previsto no art. 33, § 2º, da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, combinado com os arts. 232 e 233 do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06 de maio de 1999. Conforme o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fls. 07, dada a inexistência de agravantes e de atenuantes, discriminadas no art. 290 e art. 291 do RPS, foi aplicada multa no valor total de R$ 11.951,21 (onze mil, novecentos e cinqüenta e um reais e vinte e um centavos), em obediência ao previsto no art. 92 e art. 102 da n° 8.212, de 24 de julho de 1991, combinado com o art. 283, II, alínea "j", art. 292, I, e art. 373, do RPS, com valores atualizados pela Portaria MPS/GM nº. 142, a partir do dia 01/04/2007. Foi emitido o Termo de Início da Ação Fiscal, às fls. 09 a 10, com ciência do contribuinte em 23.07.2007, conforme Aviso de Recebimento – AR nº 478633514BR, bem como o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 09412476F00, com período de apuração de 01/1997 a 12/2006, às fls. 08. O período objeto do Auto de Infração, conforme o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 06, é de 01/1997 a 09/1998. A Recorrente teve ciência do AI no dia 17.09.2007, conforme Aviso de Recebimento – AR nº 478636762BR, às fls. 20. A Recorrente apresentou impugnação tempestiva, às fls. 21 a 63, com Anexos às fls. 64 a 350, na qual relaciona os seguintes documentos: Fl. 533DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 13/06/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI 4 Doc. 1 Procuração; Doc. 2 Cadastro CNPJ, Estatuto Social e Ata de Eleição da Diretoria; Doc. 3 Declaração de Utilidade Pública Federal; Doc. 4 Declaração de Utilidade Pública Estadual; Doc. 5 Declaração de Utilidade Pública Municipal; Doc. 6 Declaração de Imunidade de Imposto de Renda Pessoa Jurídica; Doc. 7 Certificado de Entidade Beneficente e de Assistência Social CEBAS; Doc. 8 Certidão do CNAS sobre o pedido de Reconsideração; Doc. 9 Ato Cancelatório n° 001/2007 e Declaratõrio n° 11431/0022007; Doc. 10 Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos; Doc. 11 Registro no Conselho Nacional de Assistência Social CNAS; Doc. 12 Atestado de Funcionamento da Prefeitura Municipal de Santa Rita do Sapucaí; Doc. 13 Relatórios de Atividades dos anos 1997, 1998, 2004, 2005 e 2006; Doc. 14 Demonstrativos Contábeis dos anos 1997, 1998, 2004, 2005 e 2006; Doc. 15 Inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes CGC, Registro no Conselho Nacional de Serviço Social, Inscrição no Instituto Nacional de Previdência Social INPS, Jurisprudências sobre decadência. A Recorrida, conforme o Acórdão nº 0919.126 – 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Juiz de Fora MG, fls. 356 a 365, analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 29/08/2007 INFRAÇÃO. FOLHA DE PAGAMENTO. NA EXIBIÇÃO. Constitui infração deixar de exibir ao fisc0 documentos e/ou livros relacionados com as contribuições previstas na Lei 8.212/1991. Fl. 534DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 13/06/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 10660.003673/200786 Acórdão n.º 240300.565 S2C4T3 Fl. 422 5 O valor da multa imposta por infração à norma previdenciária é atualizado nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. ENTIDADE ISENTA. REQUISITOS LEGAIS. NÃO ATENDIMENTO. ATO CANCELATÓRIO Fica isenta das contribuições de que tratam os artigos 22 e 23 da Lei n° 8.212/1991 a entidade beneficente de assistência social que atenda cumulativamente os requisitos previstos no artigo 55 da referida lei. O Instituto Nacional do Seguro Social – INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto na Lei n°8.212/1991. DECADÊNCIA. PRAZO DECENAL. O prazo para a Seguridade Social apurar e constituir seus créditos é de 10 (dez) anos, na conformidade da legislação previdenciária em vigor. LEGALIDADE E/OU CONSTITUCIONAL1DADE DE LEI. ARGÜIÇÃO. DESCABIMENTO NA VIA ADMINISTRATIVA. O controle da legalidade/constitucionalidade de ato normativo é, em regra, prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário, cabendo ao fisco a aplicação de texto legal de eficácia no ordenamento jurídico. Lançamento Procedente Inconformada com a decisão da Recorrida, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 370 a 415, onde alega, em apertada síntese: Em sede de Preliminar. Dos fatos. Entendeu a decisão recorrida em manter a exigência fiscal contida na Notificação Fiscal de Débito DebCad. 37.034.771 4, relativa a não apresentação de documentos e livros relacionados com as contribuições previstas na lei n° 8212/91, tendo a entidade deixado de exibir durante o procedimento fiscal as folhas de pagamento de todos os segurados empregados e dos contribuintes individuais, no período de 01/1997 a 09/1998. Esse entendimento, contudo, não deve prevalecer, pois tratase de entidade imune e está em discussão o cancelamento da Fl. 535DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 13/06/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI 6 isenção, ainda pendente de decisão final. Razão pela qual a entidade permanece gozando da imunidade até decisão final do CNAS sobre o pedido de reconsideração, e decisão final do Conselho de Contribuintes, sobre os recursos voluntários apresentados às NFLD´s, em que se discute o mencionado cancelamento.• Outrossim, o direito da fiscalização de lavrar auto de infração em relação ao período em questão, já decaiu. Da natureza jurídica da entidade e a imunidade tributária. Teceu comentários acerca da natureza jurídica da impugnante e sua imunidade tributária, alegando que a entidade sempre teve renovado o Certificado de Entidade Filantrópica, posto ser a recorrente entidade de caráter beneficente, filantrópico, de assistência social, de educação, cultural, de saúde, de estudo e pesquisa, desportivo e outros, sem fins lucrativos, constituída na forma de Associação, fundada em 30 de setembro de 1969, e devidamente registrada no Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas, Títulos e Documentos e Registros de Protestos de Títulos de Santa Rita do Sapucaí estando o Estatuto (doc. 2), em seus arts. 1°, 2° e 4° (que definem o objetivo social), 45 e 46 (que disciplinam o patrimônio e as rendas da entidade. A entidade foi declarada de utilidade pública pelos Governos Federal, conforme Decreto 94.054 de 24/02/1987 (doc. 3); Estadual pela Lei n° 8.627 de 20/07/1984 (doc. 4); e Municipal pela Lei n° 878 de 27/11/1972 (doc. 5), sendo, ademais, reconhecida como de fins filantrópicos, durante mais de 30 (trinta anos), conforme atestado pelo Ministério da Previdência e Assistência Social, e imune do Imposto de Renda, pela Receita Federal, anualmente (doc. 6). Da APAE e suas atividades sociais beneméritas. A APAE de Santa Rita do Sapucaí, fundada em 30 de setembro de 1969, e em pleno funcionamento desde então, vem auxiliando e contribuindo com a comunidade local e de municípios vizinhos, prestando inúmeros serviços à comunidade carente, tais como atendimento médico, ensino, esportes entre outros. É um modelo reconhecido de instituição voltada ao cuidado das crianças excepcionais. A APAE, nos termos de seu Estatuto Social, não remunera seus dirigentes e diretores e nem distribui lucros, bonificações, ou qualquer outra vantagem ou beneficio, a qualquer título. Todo o serviço prestado pela APAE é gratuito, e sua renda advém unicamente de contribuições e doações de particulares e auxílios do Poder Público, conforme prevê seu Estatuto. Fl. 536DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 13/06/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 10660.003673/200786 Acórdão n.º 240300.565 S2C4T3 Fl. 423 7 Da decadência. Na data em que foi lavrada a presente NFLD, 29/08/2007, já teria ocorrido a impossibilidade de ser efetuado o lançamento tributário, pela decadência, em relação às contribuições supostamente devidas, no período de janeiro/ 1997 a setembro/1998. Em conseqüência não pode ser mantida a sua exigência, ainda que referido ato não fosse nulo pelas razões acima apontadas, o que se admite a guisa de argumentação. Expõe os reflexos da Súmula Vinculante 8, do STF. Do Mérito. No mérito, a recorrente é titular de imunidade tributária, que lhe põe a salvo das Contribuições exigidas ilegitimamente na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, de vez que preenche todos os requisitos previstos no art. 14 do CTN para enquadrarse na situação descrita no art. 195, § 70 da CF. Está, portanto, desonerada de exações tributárias, na forma da Lei 11.096/2005. Elenca os documentos com os quais cumpre os requisitos para a imunidade tributária: 1) Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, concedido em 05/07/1973, pelo Processo n° 237.138/73, com validade para o período de 01/01/1998 a 31/12/2000 (doc. 10); 2) Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEBAS renovado para o período de 01/01/2001 a31/12/2003 (doc. 7); 3) Certidão emitida pelo Conselho Nacional de Assistência Social, em 17/08/2007, atestando que o pedido de Reconsideração, para a renovação do CEAS, pelo Processo 71010.001665/2007 44 , ainda se encontra em análise (doc. 8); 4) Atestado de Registro da Entidade junto ao Ministério do Bem Estar Social e o Conselho Nacional de Assistência Social, desde 12/11/1970 (doc. 11); 5) Atestado de Funcionamento expedido pela Prefeitura Municipal de Santa Rita do Sapucaí, que certifica que a Entidade está em pleno e regular funcionamento desde 30/09/1969, cumprindo suas finalidades estatutárias e sociais no que concerne às atividades assistenciais, beneficentes e filantrópicas (doc. 12); Fl. 537DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 13/06/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI 8 6) Relatórios anuais das atividades desenvolvidas pela entidade nos anos de 1997, 1998, 2004, 2005 e 2006 e demonstrações contábeis relativas aos anos de 1997, 1998, 2004, 2005 e 2006 que comprovam a sua adequação em todos os aspectos relevantes, de acordo com as práticas contábeis emanadas da legislação de regência (docs. 13 e 14). Da imunidade tributária. Ora, conforme demonstrado, sendo a imunidade do art. 195 § 7º da CF. uma limitação ao poder de tributar, não pode o legislador ordinário criar outros requisitos para o seu gozo que não os do art. 14 do CTN, em face do disposto no art. 146, II da Lei Fundamental. Vale dizer: o art. 195, parágrafo 7° da Carta coloca sob reserva legal a definição do conceito de entidade beneficente de assistência social, mediante a indicação dos comportamentos que a habilitem ao gozo da imunidade, observado o perfil traçado pelo texto maior. O conceito de entidade beneficente de assistência social tem suas balizas estabelecidas no próprio texto constitucional. Nem o legislador ordinário nem tampouco a autoridade administrativa podem ultrapassálas, sob pena de criar restrições à imunidade do art. 195, § 7º da CF, incidindo em violação á Lei Maior. Descabimento de aplicação de taxa SELIC. Descabe a incidência, sobre o principal, da Taxa SELIC, a título de correção monetária, em razão de referido índice ter natureza de juros remuneratórios, que são inaplicáveis ao crédito tributário. Do exame no processo administrativo de questões de natureza constitucional e ilegalidade Não há, pois, como deixar de ser examinada matéria constitucional alegada pela Recorrente em sua defesa e agora reiterada no presente recurso, sob pena de restar violado o seu direito de ampla defesa assegurado pela Constituição. E ampla defesa compreendese toda matéria argüida pela Recorrente, juridicamente válida, "falecendo competência ao órgão Julgador", isto sim, de dizer o que pode julgar e o que não pode julgar no processo administrativo. A Recorrente ao alegar matéria constitucional em sua defesa não pediu ao órgão julgador administrativo a declaração de inconstitucionalidade da lei, função Que deve ser exercida pelo Poder Judiciário, em função do principio da reserva de jurisdição, mas tão somente que fosse cumprida a Constituição. Fl. 538DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 13/06/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 10660.003673/200786 Acórdão n.º 240300.565 S2C4T3 Fl. 424 9 Quando os contribuintes alegam a inconstitucionalidade de uma lei, não pedem aos tribunais administrativos que ´declare a inconstitucionalidade da lei'. mas que façam cumprir a Constituição. Pedem, na realidade, que determinado dispositivo de lei não seja aplicado àquele caso concreto, por ser inconstitucional. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 419. É o Relatório. Fl. 539DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 13/06/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI 10 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 419. DO DEPÓSITO RECURSAL O Supremo Tribunal Federal – STF editou a Súmula Vinculante nº 21 que afastou a exigência de depósito para a admissibilidade de recurso na esfera administrativa. Súmula Vinculante 21 É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. Fonte de Publicação: DJe nº 210, p. 1, em 10/11/2009. DOU de 10/11/2009, p. 1. Avaliados os pressupostos, passo para as questões preliminares. DAS QUESTÕES PRELIMINARES DA DECADÊNCIA Preliminarmente, devese verificar a ocorrência, ou não, da decadência. O Supremo Tribunal Federal STF, conforme o Informativo STF nº 510 de 19 de junho de 2008, por entender que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, b, da Constituição Federal, Fl. 540DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 13/06/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 10660.003673/200786 Acórdão n.º 240300.565 S2C4T3 Fl. 425 11 negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nºs 556664/RS, 559882/RS, 559.943 e 560626/RS, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8.212/91, atribuindose, à decisão, eficácia ex nunc apenas em relação aos recolhimentos efetuados antes de 11.6.2008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela administrativa. Após, o STF aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nestes termos: Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Publicada no DOU de 20/6/2008, Seção 1, p.1. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Portanto, da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, deve adequar a decisão administrativa ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. Fl. 541DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 13/06/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI 12 “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. (g.n.)” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, nos termos dos artigos 150, § 4o, e 173 do Código Tributário Nacional. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 542DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 13/06/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 10660.003673/200786 Acórdão n.º 240300.565 S2C4T3 Fl. 426 13 II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. (g.n.)” Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: “Art.150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (g.n.)” Essas interpretações estão em sintonia com decisões do Poder Judiciário. “Ementa: ....1. O entendimento jurisprudencial consagrado no Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo decadencial de que dispõe o Fisco para constituir o crédito tributário é de cinco anos, contados a partir do fato gerador.Todavia, se não houver pagamento antecipado, incide a regra do art. 173, I, do Código Tributário Nacional.” (STJ.1ª Turma, AgRg no Ag 972.949/RS, Rel.: Min.Denise Arruda.,ago/08.) (g.n.) Fl. 543DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 13/06/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI 14 “Ementa: ....4. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). Somente quand onão há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Em normais circunstâncias, não se conjugam os dispositivos legais. Precedentes das Turmas de Direito Público e da Primeira Seção. 5.Hipótyese dos autos em que não houve pagamento antecipado, aplicandose a regra do art. 173, I, do CTN.” (STJ. 2ª Turma, AgRg no Ag 939.714/RS, Rel.: Min. Eliana Calmon., fev/08.) . (g.n.) “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. (...) Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN..” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) . (g.n.) Portanto, para que possa identificar o dispositivo legal a ser aplicado seja o art. 173, I, do CTN ou seja o art. 150, § 4°, do CTN – devese identificar a ocorrência, ou não, de pagamentos parciais, pois só assim se pode declarar os efeitos da decadência no lançamento. Entretanto, há de se salientar que a MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, trouxe nova disciplina para as punições pelo descumprimento das obrigações acessórias, ao revogar os parágrafos do art. 32 da Lei nº 8.212/91 e ao criar o art. 32A como nova sistemática de aplicação de multas. Ademais, o art. 32, § 11, da Lei 8.212/1991, correlaciona o arquivamento dos documentos comprobatórios das obrigações tributárias ã prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) § 11. Os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Parágrafo renumerado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (gn) Fl. 544DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 13/06/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 10660.003673/200786 Acórdão n.º 240300.565 S2C4T3 Fl. 427 15 Outrossim, verificase, da análise dos autos às fls. 20, que a cientificação do Auto de Infração pela Recorrente se deu em 17.09.2007 e o período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 06, é de 01/1997 a 09/1998. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, tanto nos termos do artigo 150, § 4o, CTN quanto nos termos do artigo 173, I, do CTN. CONCLUSÃO Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para, nas preliminares, DARLHE PROVIMENTO, face à aplicação da decadência qüinqüenal tanto nos termos do artigo 150, § 4o, CTN quanto nos termos do artigo 173, I, do CTN. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 545DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 13/06/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10166.727458/2011-31
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/11/2008
AUTO DE INFRAÇÃO. NECESSIDADE DE NOVA DISTRIBUIÇÃO NOS MOLDES DO ART. 47 DO RICARF. RECURSO NÃO CONHECIDO. A distribuição dos autos deverá observar o Regimento Interno do Carf razão pela qual determino a redistribuição do presente recurso.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2402-004.762
Decisão: Acordam os membros do colegiado, não conhecer do recurso voluntário, determinando o envio dos autos para o CEGAP, para que sejam submetidos a prévia distribuição e sorteio.
Nome do relator: LOURENÇO FERREIRA DO PRADO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Período de apuração: 01/01/2006 a 30/11/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. NECESSIDADE DE NOVA DISTRIBUIÇÃO NOS MOLDES DO ART. 47 DO RICARF. RECURSO NÃO CONHECIDO. A distribuição dos autos deverá observar o Regimento Interno do Carf razão pela qual determino a redistribuição do presente recurso. Recurso Voluntário Não Conhecido
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Recorrente PAULO BAETA EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Período de apuração: 01/01/2006 a 30/11/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. NECESSIDADE DE NOVA DISTRIBUIÇÃO NOS MOLDES DO ART. 47 DO RICARF. RECURSO NÃO CONHECIDO. A distribuição dos autos deverá observar o Regimento Interno do Carf razão pela qual determino a redistribuição do presente recurso. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, não conhecer do recurso voluntário, determinando o envio dos autos para o CEGAP, para que sejam submetidos a prévia distribuição e sorteio. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 74 58 /2 01 1- 31 Fl. 383DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP22.0322.10562.4P0V. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por PAULO BAETA EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA, em face de acórdão que manteve o Auto de Infração n. lavrado para a para aplicação de Multa Isolada em razão da retenção do Imposto de Renda da Pessoa Física no tocante ao pagamento de comissão de corretagem a corretores autônomos, no período compreendido de 01/2006 a 11/2008. O contribuinte foi cientificado do débito em tela em 07.11.2011 (fls. 108) e apresentou a peça impugnatória em 01.12.2011 (fls.117/142), restando mantida a decisão a quo (fls.263/281). Inconformada com o julgamento de primeira instancia administrativa o Contribuinte interpõe recurso voluntário (fls.291/316), onde alega, em síntese: Preliminarmente: que são inválidas as provas coligidas, uma vez que tanto a oitiva do Gerente Administrativo, ocorrida em 31.01.2011, e a oitiva do Gerente de Vendas, que se deu em 15.02.2011, das medidas denominadas como "reunião, ou "entrevista", que teriam ocorrido na sede da própria empresa, previamente agendada (fl. 12 do relatório), porquanto aduz que as pessoas ouvidas sequer possuem poder para representar a empresa em negócios, como se verifica do estatuto social da Recorrente que houve equívoco na aplicação da decadência, devendo ser reconhecida a decadência parcial relativa aos 5 (cinco) anos anteriores da intimação do lançamento; No mérito aduz que: é inválida a multa por ausência de fato gerador de IRRF uma vez que alega que os corretores não possuíam nenhum vínculo com a Recorrente e que as comissões eramlhe repassadas pelos clientes da mesma, motivo pelo qual a desobriga de recolhimento de imposto de renda retido na fonte, desaguando também a cobrança da alusiva multa; a alíquota de 35% não pode ser utilizada sobre o valor total dos cálculos apresentados pela fiscalização , pleiteando sua integral invalidade; a invalidade da multa duplicada no patamar de 75%,, uma vez que não ocorreu a sonegação fiscal tampouco a caracterização de dolo pela Recorrente; Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 384DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP22.0322.10562.4P0V. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10166.727458/201131 Acórdão n.º 2402004.762 S2C4T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator Da detida análise dos autos, entendo pela existência de situação impeditiva ao julgamento do presente recurso nesta oportunidade. Conforme documentação constante do presente processo os autos vieram a esta Seção de julgamentos após resolução n.. 1402000.281, através da qual houve declínio da competência da 1a Seção. No entanto, após o declínio da competência percebi que os autos foram a mim encaminhados sem o cumprimento da regra constante no art. 47 do atual RICARF, a seguir: "Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observandose a competência e a tramitação prevista no art. 46. § 1º Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o Presidente de Turma para o qual os processos forem sorteados poderá sortear 1 (um) processo para definilo como paradigma, ficando os demais na carga da Turma. § 2º Quando o processo a que se refere o § 1º for sorteado e incluído em pauta, deverá haver indicação deste paradigma e, em nome do Presidente da Turma, dos demais processos aos quais será aplicado o mesmo resultado de julgamento. § 3º As partes dos demais processos que não o sorteado como paradigma terão direito a apresentar sustentações orais quando do julgamento do recurso do processo paradigma, limitado o prazo total da sustentação oral ao disposto nos incisos II e III do caput do art. 58." A previsão regimental supra mencionada também era constante do antigo Regimentos Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF 256/09, cuja previsão constava no art. 47, confirase: "Art. 47. Os processos serão distribuídos aleatoriamente às Câmaras para sorteio, juntamente com os processos conexos e, preferencialmente, organizados em lotes por matéria ou concentração temática, observandose a competência e a tramitação prevista no art. 46. {2} § 1° Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, cuja solução já tenha jurisprudência firmada na CSRF, poderá o presidente da Câmara escolher dentre aqueles um processo para sorteio e julgamento. § 2° Decidido o processo de que trata o § 1°, o presidente do colegiado submeterá a Fl. 385DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP22.0322.10562.4P0V. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 julgamento, na sessão seguinte, os demais recursos de mesma matéria que estejam em pauta, aplicandoselhes o resultado do caso paradigma" Dessa forma, mesmo tendo sido o feito incluído em pauta de julgamentos, não vejo como proceder ao julgamento do recurso voluntário nesta assentada, sem que antes venha a ser cumprido aquilo o que determinado pelo art. 47 do RICARF (Portaria 343/15), motivo pelo qual voto por NÃO CONHECER do presente recurso, determinando o envio dos autos para a CEGAP, para que seja o presente processo submetido a prévia distribuição e sorteio. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 386DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP22.0322.10562.4P0V. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por LOURENCO FERREIRA DO PRADO em 18/01/2016 16:00:00. Documento autenticado digitalmente por LOURENCO FERREIRA DO PRADO em 18/01/2016. Documento assinado digitalmente por: RONALDO DE LIMA MACEDO em 18/01/2016 e LOURENCO FERREIRA DO PRADO em 18/01/2016. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 22/03/2022. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP22.0322.10562.4P0V Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 5EF2D3B7FC8323149CF715667BED5B457AED7488 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10166.727458/2011-31. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 16327.001383/2006-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1402-000.180
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Nome do relator: CARLOS PELÁ
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinada digitalmente) Carlos Pelá – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .0 01 38 3/ 20 06 -9 4 Fl. 2417DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0520.09533.TZM4. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.001383/200694 Resolução nº 1402000.180 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo administrativo oriundo da homologação parcial de pedidos de compensação que utilizam crédito de saldo negativo de IRPJ e de CSLL, referente ao ano calendário 2002 (fls. 01/06, 20/163, 309/314, 1116/1205verso). Os créditos originários apresentados pela Recorrente são de R$ 32.299.022,19 a título de IRPJ e R$ 4.789.054,59 a título de CSLL. O despacho decisório de fls. 373/390, indeferiu integralmente o saldo negativo de CSLL, tendo homologado as compensações realizadas com saldo negativo de IRPJ até o limite de R$ 5.676.064,37. O relatório da DRJ narra que: (i) o interessado teria apresentado Declarações de Compensação, informando, para o anocalendário de 2002, créditos de R$ 32.299.022,19 de Saldo Negativo de IRPJ, resultante este de antecipações de IRPJ e de IRRF deduzido do imposto devido, e de R$ 4.789.054,59 de Saldo Negativo de CSLL, originário de antecipações de CSLL; (ii) conforme o sistema DCTFGER (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais Gerencial), as antecipações de IRPJ e CSLL teriam sido realizadas, a partir de 99, quando houve o último pagamento efetivo , mediante compensações sem processo, com créditos de anos anteriores; em razão disso, realizou o exame da consistência dessas compensações; Saldos Negativos de IRPJ (iii) em razão do exame das compensações de IRPJ, o Saldo Negativo de IRPJ declarado pelo interessado para o anocalendário de 99, de R$ 16.400.209,99, foi reduzido para R$ 3.042.258,61, pelo fato de os registros dos sistemas DCTFGER, SINAL 08 e SIEFDIRF indicarem que os valores de antecipações e de IRRF que poderiam ser deduzidos do IRPJ devido seriam inferiores aos declarados: do total das antecipações declaradas como pagas, em 99, de R$ 18.279.296,10, o sistema de controle de pagamentos da RFB tem registro de apenas R$ 10.269.906,94, e do IRRF retido declarado, de R$ 8.325.159,03, o interessado ofereceu receitas financeiras à tributação correspondentes apenas ao valor de R$ 2.976.596,81 de IRRF; (iv) por sua vez, o Saldo Negativo de IRPJ declarado para o ano de 2000, de R$ 14.320.237,10, foi reduzido para R$ 8.080.129,40, em razão do redimensionamento para menos do Saldo Negativo de 99, saldo este que fora utilizado em compensações sem processo nas antecipações de IRPJ de 2000; (v) também, o Saldo Negativo de IRPJ declarado para o ano de 2001, de R$ 24.136.889,60, foi reduzido para R$ 9.955.101,76, em razão do fato de que das antecipações declaradas, de R$ 24.293.083,99, foram aceitas apenas R$ 10.111.296,15, porque: não constaria o alegado pagamento em DARF de R$ 684.132,36 (de 01/2001); não teriam sido deferidos R$ 3.568.370,77 (dos R$ 5.208.783,82 pleiteados) no PAF 11610.001.857/200174, e haveria insuficiência de R$ 9.929.284,71 (=R$ 18.400.167,81 utilizados menos R$ 8.470.883,10 existentes) do Saldo Negativo de 2000 utilizado; (vi) por sua vez, o Saldo Negativo de IRPJ declarado para o ano de 2002, de R$ 32.299.022,19, foi reduzido para R$ 5.676.064,37, em razão do fato de que das antecipações declaradas, de R$ 38.145.637,39, foram aceitas apenas R$ 10.782.452,65 (Saldo de 2001 atualizado), como compensações sem processo, e Fl. 2418DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0520.09533.TZM4. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.001383/200694 Resolução nº 1402000.180 S1C4T2 Fl. 4 3 haveria um valor deduzido a menor de IRRF pelo interessado, de R$ 740.226,92 (= R$ 19.730.319,71 existentes menos R$ 18.990.092,79 deduzidos pelo interessado); a referida não aceitação (de R$ 26.622.957,82) de parte das antecipações se deu porque: não constaria nos sistemas da RFB o pagamento do IRPJ Estimativa de 12/2002, de R$ 5.592.206,43, teria sido indeferido o valor de R$ 1.443.513,54 no PAF 11610.001857/200174; teria utilizado o valor de R$ 5.832.691,15 (= R$ 6.572.918,07 menos R$ 740.226,92 acima mencionados) de IRRF do ano (para pagamento de IRPJEstimativa de 09/2002), sem oferecer as correspondentes receitas financeiras à tributação; haveria insuficiência de R$ 13.754.546,71 (=R$ 24.536.999,36 utilizados menos R$ 10.782.452,85 existentes) do Saldo Negativo de 2001 utilizado em compensações sem processo; Saldos Negativos de CSLL (vii) em decorrência do exame das compensações realizadas no período de 99 em diante para a CSLL, constatou que o Saldo Negativo da CSLL do anocalendário de 99 declarada pelo interessado, de R$ 3.924.476,75, estaria correto; (viii) contudo, o Saldo Negativo da CSLL declarado de 2000, de R$ 2.382.156,20, foi reduzido para R$ 2.309.362,81, em razão da utilização a maior do Saldo Negativo de 99, em R$ 72.793,39 (=R$ 4.353.862,00 utilizados menos R$ 4.281.068,61 disponíveis, em valor atualizado), em compensação sem processo; (ix) também, o Saldo Negativo de CSLL declarado para o ano de 2001, de R$ 6.125.425,68, foi convertido em Saldo Positivo de R$ 879.256,52, por conta do fato de que das antecipações declaradas, de R$ 8.751.990,24, foram aceitos apenas R$ 1.747.170,78, porque não teriam sido deferidos créditos de R$ 5.763.490,54 no PAF 11610.001.857/200174, e haveria insuficiência do Saldo Negativo de 2000, que corrigido somou R$ 2.309.362,81, enquanto o interessado utilizou em compensações sem processo o valor de R$ 2.988.499,70; (x) por sua vez, o Saldo Negativo de CSLL declarado para o ano de 2002, de R$ 4.789.054,58, foi convertido em Saldo Positivo de R$ 5.005.808,88, em razão do fato de que das antecipações declaradas, de R$ 13.738.909,46, foram aceitas apenas R$ 3.944.046,00; essa não aceitação de antecipações se deu porque, à parte de terem sido considerados os pagamentos em DARF, de R$ 3.944.046,89, foram indeferidas compensações sem processo, no valor de R$ 6.734.816,06, com saldo, inexistente, de 2001, e compensações por processo, no PAF 11610.001.857/200174, de R$ 1.046.852,20; (xi) ao final, foi reconhecido apenas crédito de IRPJ do anocalendário de• 2002 decorrente de antecipações, no montante de R$ 5.676.664,37, não sendo reconhecido crédito de CSLL; (xii) em conseqüência, foram homologadas compensações até o limite do crédito de IRPJ. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade aduzindo, em síntese, que: 1) a diferença não acolhida do saldo negativo de IRPJ 2002, de R$ 26.622.957,83 (=R$ 32.299.022,20 pleiteados menos R$ 5.676.064,37 reconhecidos), seria composta (i) por valores utilizados na compensação de IRPJ estimativa do ano, originários de IRRF (R$ 5.832.691,15), e de (ii) saldos negativos do IRPJ dos anoscalendário de 2000 (R$ 1.443.513,54), de 2001 (R$ 13.754.546,71), e 2006 (R$ 5.592.206,43); Fl. 2419DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0520.09533.TZM4. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.001383/200694 Resolução nº 1402000.180 S1C4T2 Fl. 5 4 2) o crédito de R$ 5.592.206,43 originário do saldo negativo de IRPJ 2006 teria sido utilizado no PER/DCOMP 37260.95540.280907.1.3.02.2450 (fls. 447, 449 e 455) para pagar o IRPJ estimativa de dezembro/2002; 3) a diferença não acolhida do saldo negativo de CSLL 2002, no valor de R$4.789.054,59 seria composta por valores utilizados na compensação de CSLL estimativa do ano, de saldos negativos de CSLL dos anoscalendário de 2000 (R$1.046.852,20), 2001 (R$ 6.734.480,02) e 2006 (R$ 2.013.194,31); 4) o saldos negativos de CSLL de R$ 2.013.194,31, originário do saldo negativo de 2006 foi utilizado para pagara a CSLL estimativa de dezembro/2002, conforme PER/DCOMP 37260.95540.280907.1.3.02.2450. 5) os créditos referentes a saldo negativo de IRPJ e CSLL de 2000 estavam sendo controlados no PA 11610.001857/200174, que na época estava pendente de decisão no CARF, motivo pelo qual o presente processo deveria ficar suspenso. Os membros da 8ª Turma de Julgamento da DRJ/SPOI, por unanimidade de votos, consideraram improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório pretendido (fls. 1220/1244). Em resumo, a decisão recorrida afirma que: Saldo Negativo de IRPJ 1999 Que a glosa do saldo negativo de IRPJ foi legítima, já que o valor glosado, de R$ 13.357.951,38, é composto integralmente por deduções de IRRF que não puderam ser comprovadas. Tais valores de IRRF teriam sido recolhidos sobre as seguintes receitas: R$ 14.764.177,42, de Rendimentos de Aplicações de Renda Fixa (Código 3426), R$ 67.468.990,09, de Renda Variável Operações de SWAP (Código 5273) e R$ 724.229,13, de Juros sobre o Capital Próprio (Código 5706). Entretanto, conforme DIPJ/1999 (fl. 974), somente o oferecimento à tributação dos Rendimentos de Aplicações de Renda Fixa e de parte dos valores supostamente pagos a título de JCP puderam ser confirmados, razão pela qual, somente os valores de IRRF sobre Aplicações de Renda Fixa (no valor de R$ 2.941.123,82) e sobre JCP (no valor de R$ 35.472,99) puderam ser acolhidos. Saldo Negativo de IRPJ 2000 Que é legítima a redução do saldo negativo de IRPJ 2000, em R$ 6.240.107,70, em razão da redução ocorrida no saldo negativo de IRPJ 1999, conforme acima demonstrado. Afasta as alegações do interessado no sentido de que as compensações de IRPJ estimativa do anocalendário de 2000 (no total de R$ 9.536.793,29) teriam sido realizadas utilizando: (i) R$ 7.522.384,42 do saldo negativo de IRPJ 1999 (IRPJ estimativa de 06/2007), e (ii) R$ 2.014.408,87 do saldo negativo de IRPJ 1998 (IRPJ estimativa de 01/2000: R$ 304.392,20, 04/2000: R$ 515.101,24, 05/2000: R$ 67.094,76, 06/20000: R$ 1.127.820,67), uma vez que não haveriam provas do alegado. Ressaltou que os demonstrativos apresentados (fls. 1.067 e 1.082) deveriam estar acompanhados dos competentes lançamentos contábeis, evidenciando, com clareza e exatidão, como teriam sido realizadas tais compensações. Fl. 2420DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0520.09533.TZM4. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.001383/200694 Resolução nº 1402000.180 S1C4T2 Fl. 6 5 Saldo Negativo de IRPJ – 2001 Que a redução do saldo negativo de IRPJ 2001 é legítima e decorrente da glosa de parte das antecipações declaradas, compostas, a saber, por: (i) R$ 684.132,36 relativos a DARF inexistente, (ii) R$ 5.208.783,82, indeferidos no PA 11610.001857/200174; e (iii) R$ 8.288.871,66, de insuficiência do saldo negativo de IRPJ 2000. Afastou por falta de provas a alegação do interessado de que o pagamento declarado como realizado via DARF no valor de R$ 684.132,36, teria sido indevidamente declarado (teria ocorrido seria compensação de saldo negativo de IRPJ 1999), tratandose, in casu, de erro de fato no preenchimento da DCTF. Também afastou as alegações de que as compensações sem processo teriam sido regularmente efetuadas com saldo negativo de IRPJ de 1999 e 2000, porque (i) tais saldos negativos, como visto acima, seriam insuficientes para as compensações realizadas em 2001 pelo interessado, e (ii) não foram apresentados os competentes lançamentos contábeis a embasar tal afirmação. Por fim, afastou o pedido de suspensão do presente processo até ulterior decisão nos autos do PA 11610.001857/200174. Saldo Negativo de IRPJ – 2002 Que a redução do saldo negativo de IRPJ 2002 (de R$ 26.622.957,82) é legítima e decorrente da não aceitação de parte das antecipações, pois (i) não teria sido possível confirmar o pagamento do IRPJ pago por estimativa em dezembro/2002, no valor de R$ 5.592.206,43, (ii) teria sido indeferido o valor de R$ 1.443.513,54 no PA 11610.001.857/2001 74, (iii) R$ 5.832.691,15 de IRRF utilizado para pagamento do IRPJ estimativa de 09/2002, não poderia ser aceito, vez que o interessado não comprovou ter oferecido as receitas financeiras correspondentes à tributação, e (iv) teria havido insuficiência de R$ 13.754.546,71 do saldo negativo de IRPJ 2001 utilizado em compensações sem processo. Nesse passo, acrescentou que (i) o valor de R$ 5.592.206,43 supostamente compensado com o saldo negativo de IRPJ 2006, conforme DCOMP 37260.95540.280907.1.3.02.2450 (fls. 447, 449 e 455), só poderia ser confirmado após a apreciação formal do PER/DCOMP, o que não teria ocorrido; (ii) os relatórios contábeis apresentados (fls. 538 a 640 e 642 a 690) não seriam suficientes para identificar com exatidão o oferecimento dos valores discutidos à tributação, mantendose, portanto, a glosa de R$ 5.832.691,15; e (iii) que a insuficiência de R$ 13.754.546,71 restou confirmada pela autoridade fiscal. Saldo Negativo de CSLL – 1999 Foi integralmente reconhecido. Saldo Negativo de CSLL – 2000 Que a redução do saldo negativo de CSLL 2000 é legítima e decorrente da utilização a maior do saldo negativo de período anterior, no montante de R$ 72.793,39. Que muito embora o interessado afirme que a diferença seja referente à compensação com saldos negativos de CSLL dos anoscalendário de 1998 e 1999, conforme DCTF (fls. 1069/1080) e Fl. 2421DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0520.09533.TZM4. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.001383/200694 Resolução nº 1402000.180 S1C4T2 Fl. 7 6 planilhas de compensação (fls. 1109 e 1111), tais documentos não permitiriam chegar ao valor glosado. Saldo Negativo de CSLL – 2001 Que o saldo negativo de CSLL 2001, de R$ 6.125.425,68, teria sido corretamente convertido em saldo positivo de R$ 879.256,52, uma vez que apenas parte das antecipações declaradas foram aceitas (aceitas R$ 1.747.170,78 de R$ 8.751.990,24), já que (i) não teriam sido deferidos créditos de R$ 5.763.490,54 no PA 11610.001.857/200174, e (ii) haveria insuficiência do saldo negativo de CSLL 2000 (que, corrigido somou R$ 2.309.362,81, enquanto teriam sido utilizados em compensações sem processo o valor de R$ 2.988.499,70). Além disso, afastou as alegações do interessado de que a diferença em questão, de R$ 7.004.682,20 (soma do saldo negativo de R$ 6.125.425,68 e o saldo positivo de R$ 879.256,52), seria relativa a CSLL estimativa do ano regularmente compensadas com saldos negativos de CSLL de 1997, 1999 e 2000, uma vez que os demonstrativos apresentados (fl. 412) não foram acompanhados dos competentes lançamentos contábeis. Afastou novamente o pedido de suspensão do presente processo, por conta da pendência de julgamento do PA 11610.001857/200174. Saldo Negativo de CSLL – 2002 Que o saldo negativo de CSLL 2002, no valor de R$ 4.789.054,58, foi corretamente convertido em saldo positivo de R$ 5.005.808,88, em razão da glosa de parte das antecipações declaradas. Que tal glosa teria ocorrido pois só foram admitidos os pagamentos em DARF (R$ 3.944.046,89), tendo sido indeferidas as compensações sem processo (R$ 6.734.816,06), com créditos insuficientes de anos anteriores, e as por processo (PA 11610.001.857/200174, no valor de R$ 1.046.852,20). Afastou os argumentos do interessado no sentido de que a diferença seria decorrente da utilização regular de saldo negativo de IRPJ dos anoscalendário de 2000 (R$ 1.046.852,20), 2001 (R$ 6.734.480,021), e 2006 (R$ 2.013.194,31), por entender que o exame dos saldos anteriores teria deixado clara a insuficiência de valores para as compensações realizadas em 2002. Afastou, ainda, o pedido de suspensão do presente processo, por conta da pendência de julgamento do PA 11610.001857/200174. Com respeito a utilização de saldo negativo de 2006 para compensação da CSLL paga por estimativa referente ao mês de dezembro/2002, no valor de R$ 2.013.194,31, mediante PER/DCOMP (fls. 447 e 457), a decisão recorrida repisou sua posição de que a compensação só poderá ser aceita após sua apreciação formal pela autoridade fazendária, o que não aconteceu. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 1246/1288), repisando os argumentos de sua manifestação de inconformidade, acompanhada de novos documentos supostamente comprobatórios do direito que alega possuir (fls. 1289/2156 – lista de documentos fls. 1289/1290). Fl. 2422DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0520.09533.TZM4. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.001383/200694 Resolução nº 1402000.180 S1C4T2 Fl. 8 7 Além disso, em 13/03/2012, a Recorrente apresentou petição (fls. 2295/2311), acompanhada dos documentos de fls. (2312/2355) acrescentando, em breve síntese, que (i) os créditos originários do PER/DCOMP 37260.95540.280907.1.3.02.2450, relativos às estimativas de IRPJ e CSLL de dezembro de 2002, já teriam sido homologados, conforme despacho decisório que anexa (fl. 2312/2316 nº. digital), e (ii) que o recurso voluntário interposto no PA 11610.001857/200174 já teria sido totalmente provido, com a homologação integral dos créditos pleiteados naqueles autos (fl. 2317/2355 nº. digital), suprimindo integralmente os fundamentos jurídicos utilizados na decisão recorrida. Inovando os argumentos, a Recorrente sustentou, ainda: (i) a homologação tácita do PER/DCOMP 17491.02987.190404.1.3.038704 (fls. 309/314) que pleiteia a compensação do crédito de saldo negativo de CSLL 2002, uma vez que só foi intimado do despacho decisório em que não homologou a referida compensação em 14/07/2009; e (ii) a decadência do direito da fazenda pública revisar a formação dos saldos negativos de recolhimentos de IRPJ e de CSLL do ano 2002, já que ultrapassado o prazo de 5 anos em 14/07/2009, quando o contribuinte foi intimado do despacho decisório. É o Relatório. Voto Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator Conheço do Recurso por ser tempestivo, por atender aos requisitos de admissibilidade e por conter matéria de competência deste Conselho. Decadência A discussão preliminar suscitada pela Recorrente nos autos é conhecida e se resume em saber se, no âmbito das compensações de bases negativas de IRPJ e CSLL, o fisco pode efetuar ajustes nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL relativas a períodos passados (atingidos pela decadência), mas que repercutem nos créditos pleiteados pelos contribuintes em períodos futuros (ainda não decaídos). No presente caso, os saldos negativos de IRPJ e de CSLL em discussão referem se ao anocalendário 2002. Assim, considerando o fato gerador do IRPJ e da CSLL como sendo 31/12/2002, as autoridades fiscais deveriam ter auditado o lucro líquido da Recorrente até 31/12/2007. No entanto, apenas em 14/07/2009 (AR fl. 391verso) a Recorrente tomou ciência do primeiro despacho decisório (fls. 373/390) que indeferiu integralmente o saldo negativo de CSLL e deferiu parcialmente as compensações realizadas com saldo negativo de IRPJ. Nesse contexto, consoante entendimento que já manifestei algumas vezes nesta Colenda Câmara, ultrapassado o prazo de 5 anos, seria espúria a retificação perpetrada pelo Fisco relativamente aos saldos negativos de IRPJ e de CSLL do anocalendário de 2002. Sobre o tema, cumpre esclarecer, primeiramente, que, a contagem do prazo decadencial deve ter início na data em que o prejuízo fiscal ou saldo negativo é apurado. Fl. 2423DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0520.09533.TZM4. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.001383/200694 Resolução nº 1402000.180 S1C4T2 Fl. 9 8 Segundo, a redução no futuro do saldo de prejuízo fiscal ou do saldo negativo de CSLL referente a períodos passados e alcançados pela decadência equiparase a lançar valores naquele período e, por isso, não pode ser admitida. A esse respeito, converge a jurisprudência deste Conselho. Vejamos algumas decisões: DECADÊNCIA ALTERAÇÃO DO SALDO DE PREJUÍZO GLOSA NO APROVEITAMENTO A contagem do prazo legal de decadência para que o fisco altere o valor do saldo de prejuízo fiscal deve ter início no período em que o prejuízo fiscal foi apurado e não o período em que o prejuízo fiscal foi aproveitado na compensação com lucro líquido. DECADÊNCIA CONTAGEM DE PRAZO REALIZAÇÃO MÍNIMA DO LUCRO INFLACIONÁRIO APLICAÇÃO DA SUMULA N. 10 O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva realização ou do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos. Na íntegra: (...) No que diz respeito à glosa do prejuízo fiscal, sustentou a recorrente que o prejuízo foi efetivamente apurado a maior em decorrência de erro no cálculo do seu valor em 1997, em função de ter sido a ele adicionado também o montante do prejuízo não operacional, adição essa que a recorrente reconhece ser vedada pelo disposto no artigo 511 do Regulamento do Imposto de Renda. Ocorre que essa adição não poderia ser questionada pela fiscalização em função do decurso do prazo decadencial. Com efeito, o valor do prejuízo fiscal, compensado a maior nos anos calendário de 2001 e 2002, foi apurado no ano calendário de 1997. Como o auto de infração foi lavrado em 07 de dezembro de 2005, já teria ocorrido a decadência do direito de o fisco revisar os valores em questão. (...)Tenho para mim que a razão está com a recorrente. Isso porque, a meu ver, a decadência é algo que atinge todo o conjunto de informações que compuseram a atividade do lançamento efetuado em determinado período e que consta nos livros e documentos que integram a escrituração fiscal da empresa. O período atingido pela decadência, portanto, toma imutáveis os lançamentos feitos nos livros fiscais, não podendo ser mais alterados, seja pelo fisco, seja pelo contribuinte. (...) Essa questão, aliás, não é nova na jurisprudência administrativa. Vários precedentes já foram apreciados e o entendimento desta Corte é no sentido sustentado pela recorrente. Assim, é firme a orientação jurisprudencial que a contagem do prazo decadencial deve ter início na data em que o prejuízo é apurado A partir dessa data, tem o fisco cinco anos Fl. 2424DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0520.09533.TZM4. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.001383/200694 Resolução nº 1402000.180 S1C4T2 Fl. 10 9 para verificar os critérios utilizados na quantificação do valor do prejuízo e questionar a forma como ele foi apurado Passado esse prazo, o fisco não pode mais glosar o valor compensado. (Acórdão 10809.621, Relator João Francisco Bianco, DOU em 07.11.2008). RECURSO EX OFFICIO — DECADÊNCIA — EFEITOS — O alcance das regras de decadência previstas no CTN, não só obsta o direito de o Fisco constituir o crédito tributário de período já precluso, como também, o de alterar informações e valores registrados em livros contábeis e fiscais, já alcançados pela homologação tácita. Homologado o crédito, por já estar extinto o direito de lançar pelo decurso de prazo previsto no CITY; homologada está toda a atividade praticada pelo contribuinte, vale dizer, todo o conjunto de informações contábeis e fiscais que a orientaram.(Acórdão 10196.265, Relator Paulo Roberto Cortez, DOU em 06/03/2008). DECADÊNCIA AJUSTES NO PASSADO COM REPERCUSSÃO FUTURA DECADÊNCIA Glosar no presente os efeitos decorrentes de valores formados no passado só é possível se a objeção do fisco não comportar juízo de valor quanto ao fato verificado em período já atingido pela decadência. (Acórdão 10707.819, Relator designado Natanael Martins, DOU em 01.04.2005). IRPF REVISÃO DO PREJUÍZO FISCAL COMPENSAÇÃO A Fazenda Nacional tem o prazo de cinco anos para rever o prejuízo fiscal apurado e adequadamente declarado. Incabível a glosa da compensação do prejuízo que, oportunamente, não foi revisto pela autoridade competente. Preliminar acatada.(Acórdão 10246.305, Relatora Maria Goretti de Bulhões Carvalho, DOU em 10/09/2004). IRPF ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA CUSTO DE AQUISIÇÃO O custo de aquisição de participação societária alienada, constante da declaração anual de ajuste do exercício de 1992, tempestivamente apresentada, não é passível de contestação, presente a decadência, prevalecendo, se maior, sobre outro que venha a ser apurado pelo fisco. Na íntegra: (...)Tratase de lançamento de ofício do imposto de renda de pessoa física fundado em ganho de capital em alienação de participações societárias ocorridas em 1995, cua tributação foi diferida para as datas dos efetivos recebimentos dos valores, fls. 03. Fl. 2425DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0520.09533.TZM4. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.001383/200694 Resolução nº 1402000.180 S1C4T2 Fl. 11 10 (...)No que respeita a custo de aquisição, presente a decadência, a fiscalização não poderia questionar valores de mercado constantes da DIRPF/92, como ressaltado pela autoridade recorrida. (Acórdão 10418.701, Relator Roberto William Gonçalves, DOU em 03/09/2002). CSLL BASE NEGATIVA AJUSTES NO PASSADO COM REPERCUSÃO FUTURA DECADÊNCIA Adicionar valores tidos como indedutíveis em um determinado período, provocando a diminuição do saldo de base negativa, embora resultando em efeitos futuros, na prática, eqüivale a efetuar um lançamento de ofício naquele período já atingido pela decadência. Vedação. Na íntegra: (...) No caso presente, o auto de infração foi lavrado em 24/06/99; portanto, em princípio, o último período passível de ser alcançado por lançamento de ofício seria o períodobase encerrado em 31/05/1994. Embora as exigências refiramse a fatos geradores a partir de outubro de 1994, tiveram origem em despesas indedutíveis de empresa incorporada, relatadas pelo fisco como falta de adição à base de cálculo da CSLL nos meses de fevereiro a novembro de 1993 de depósitos judiciais da COFINS, nos termos do art. 8º da Lei nº 8.541/92. A redução indevida, ou falta de adição ao lucro líquido, no dizer do fisco, não originou exigências tributárias nos períodos em que ocorridas, por ter a empresa, até setembro de 1994, saldo anterior de bases negativas da CSLL que foram aproveitadas de ofício. Sobre esse tema fatos que nascem ou se formam em um período e repercutem em períodos subseqüentes já expressei minha opinião em voto que proferi nesta Câmara que deu origem ao Acórdão 10706061. Lá como aqui, é preciso terse presente que adicionar valores tidos como indedutíveis em um determinado período, provocando a diminuição do saldo de base negativa, embora resultando em efeitos futuros, na prática, eqüivale a efetuar um lançamento de ofício naquele período já atingido pela decadência. Com efeito, a redução do resultado negativo de um período, ou o aumento do resultado positivo, pela adição de despesa, se vinculada à formação de juízo sobre a dedutibilidade ou não do dispêndio apropriado, inserindose, portanto, no campo do lançamento de ofício. (Acórdão 10706.572, Relator Luiz Martins Valero, DOU em 21/06/2002) Fl. 2426DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0520.09533.TZM4. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.001383/200694 Resolução nº 1402000.180 S1C4T2 Fl. 12 11 DECADÊNCIA — ALTERAÇÃO DO SALDO DE PREJUÍZO — GLOSA NO APROVEITAMENTO — Existindo erro na apuração do prejuízo fiscal, o prazo legal da abrangência da decadência deve considerar o período em que o prejuízo fiscal foi apurado e não o período em que o prejuízo fiscal foi aproveitado na compensação com lucro líquido.(Acórdão 108 06.921, Relator José Henrique Longo, em 17/04/2002). DECADÊNCIA – IRPJ – PREJUÍZOS FISCAIS – GLOSA DE DESPESAS O direito de a Fazenda Pública constituir exigências tributárias relativas ao imposto de renda das pessoas jurídicas, extinguese após cinco anos da ocorrência do fato gerador, de acordo com o parágrafo 4º do artigo 150 do CTN. A glosa de despesas, ainda que implique apenas em redução de prejuízos fiscais, por comportar juízo de dedutibilidade, não provada a existência de fraude ou simulação, está impedida pelo decurso do prazo decadencial referido. Na íntegra: (...)Como já acenado, em todas as hipóteses acima consideradas há um elemento uniforme, qual seja, temse um fato pretérito que se integra aos resultados apurados nos exercícios seguintes. Vale dizer, a repercussão atual tem origem e representa a continuação dos fatos verificados no passado. Portanto, tais fatos devem ser examinados sob duas perspectivas: no passado, no tocante à formação; no futuro, no que tange às repercussões ficais decorrentes da efetiva apropriação. O trabalho fiscal, nesses casos, pode examinar a formação pretérita do fato, mas não deve extrair e atribuir repercussão fiscal aos exercícios já protegidos pela decadência. O possível ajuste na formação desse fato, neste contexto, deve repercutir no exercício subseqüente, vale dizer, no momento da sua efetiva apropriação. Há, assim, um perfeito equilíbrio, pois o lançamento de ofício não invade exercício já atingido pela preclusão administrativa, como também o fato não repercute no futuro com uma formação distorcida. (...) Essas premissas, como não poderia ser diferente, devem nortear o exame da compensação do prejuízo fiscal. Todavia, neste particular, é preciso terse presente que reduzir o valor do prejuízo apurado, mediante a impugnação de valores apropriados ao resultado do período de sua formação, na prática, eqüivale a efetuar um lançamento de ofício naquele exercício. Com efeito, a redução do prejuízo fiscal de um período, se vinculada à formação de juízo sobre a dedutibilidade ou não de um dispêndio lá apropriado, ou sobre a falta de tributação de uma receita ou ganho havido no período da sua formação, inserese, portanto, no campo do lançamento de ofício. (...) Submisso às premissas colocadas e para reforçar a coerência necessária, diferente seria o tratamento quando o Fl. 2427DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0520.09533.TZM4. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.001383/200694 Resolução nº 1402000.180 S1C4T2 Fl. 13 12 fisco recalcular lucro inflacionário em períodos já atingidos pela decadência, constatando, em função da ação fiscal, que o contribuinte teria realizado valores menores que o mínimo exigido nesses períodos. Ocorrendo essa hipótese entendemos que deve o fisco considerar como se realizado fosse o mínimo exigido para esse período, evitandose assim a transferência da tributação suplementar não mais possível para períodos posteriores ainda não atingidos pela decadência. Ainda nesse ponto, mas agora analisando os reflexos na recomposição do lucro real dos períodos afetados pelo recalculo do lucro inflacionário passível de diferimento, tendo em vista as premissas já referidas, não podem ser aceitas as glosas efetuadas pela fiscalização no valor excluído do lucro real, a título de lucro inflacionário diferido, nos anos de 1991 e 1º semestre de 1992. Reduzir aquelas exclusões implicam na redução dos prejuízos fiscais apurados pela empresa naqueles períodos (=lançar, como visto), o que não é mais possível face ao decurso do prazo decadencial. (Acórdão nº : 10706.061, Relator Luiz Martins Valero, DOU em 28/03/2001) COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS EXERCÍCIOS DE 1989 E 1990 Incabível a glosa da compensação de prejuízo com o lucro real obtido em determinado exercício, quando o referido prejuízo, apurado na demonstração do lucro real, não tiver sido objeto de revisão por parte da autoridade lançadora no prazo decadencial. Recurso provido.(Acórdão 10318.623, Relator Cândido Rodrigues Neuber, em 14/05/1997). Em virtude da íntima relação de interdependência entre períodos de apuração, eventual glosa realizada pelo fisco poderá refletir na composição das bases em anos calendários anteriores já atingidos pela decadência, o que não pode ser admitido. Em que pesem as opiniões divergentes, é incabível dizer que a contagem do prazo decadencial para constituição do crédito tributário ocorre com compensação do saldo negativo ou do prejuízo fiscal e não com a sua apuração. Isso porque, tratamse de efeitos futuros continuados de ato pretérito. Não pode o Fisco alterar informações e valores da contabilidade já alcançados pela decadência e homologados tacitamente. A esse propósito, é necessário fazer constar que, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao enfrentar a problemática da contagem do prazo decadencial de base negativa de CSLL (Acórdão 40105.873), muito embora tenha decidido que entre a formação da base de cálculo negativa e seu aproveitamento poderá transcorrer mais de cinco anos, sem que se possa alegar decadência do direito de constituir o crédito tributário, deixou consignado que assim seria, pois a fiscalização, na ocasião, não efetuou qualquer juízo de valor no tocante à formação do saldo de base de cálculo negativa, restringindose a refazer o histórico dos valores Fl. 2428DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0520.09533.TZM4. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.001383/200694 Resolução nº 1402000.180 S1C4T2 Fl. 14 13 declarados pelo contribuinte e os cálculos inerentes à apuração do saldo a compensar nos anos seguintes. Reforçase com isso o entendimento que adoto para decidir que não é possível retroagir no tempo para, após cinco anos, alterar os lançamentos contábeis do sujeito passivo. É exatamente o caso dos autos. O saldo negativo de IRPJ e CSLL do ano calendário 2002 não foi integralmente reconhecido pela impossibilidade de se "validar" as compensações realizadas para pagamento dos débitos de IRPJ e CSLL estimativa do período, quitadas com crédito de saldo negativo de períodos anteriores, já alcançados pela decadência. Logo, uma vez que tais créditos não poderiam ser questionados face à homologação tácita e decadência, há de ser confirmada a totalidade do crédito pleiteado pela recorrente, com a consequente homologação das compensações efetuadas. Homologação tácita do saldo negativo de CSLL 2002 De outro giro, ainda que se considere que a contagem do prazo decadencial para constituição do crédito tributário ocorre com compensação do saldo negativo ou do prejuízo fiscal e não com a sua apuração, verificase que, ainda assim, ocorreu a homologação tácita da compensação relacionada ao saldo negativo de CSLL 2002, declarada no PER/DCOMP 17491.02987.190404.1.3.038704. Ora, o crédito de saldo negativo de CSLL do anocalendário 2002 foi requerido por meio do PER/DCOMP 17491.02987.190404.1.3.038704, transmitida em 19/04/2004 (fls. 309/314). Entretanto, a Recorrente só foi intimada do despacho decisório que não homologou referida compensação em 14/07/2009 (AR fl. 391verso), quando já decorrido o prazo de cinco anos para a homologação da compensação declarada (art. 74 da Lei nº. 9430/96). Assim, uma vez que a fiscalização tinha até o dia 18/04/2009 para apreciar a compensação formalizada pela Recorrente e não o fez, deve ser reconhecida a homologação tácita da compensação realizada, reconhecendose o crédito pleiteado no valor total de R$ 4.789.054,59 (débito compensado no valor de R$ 3.821.346,38). Do mérito Passo a analisar o mérito, considerando a hipótese de a maioria dos presentes superar a preliminar argüida pela Recorrente. Saldo Negativo de IRPJ 1999 No exame feito das compensações de IRPJ, a autoridade fiscal concluiu que o saldo negativo de IRPJ 1999 seria de R$ 3.042.258,61, não de R$ 16.400.209,99, como consta da DIPJ 2000, pelo fato de os registros dos sistemas DCTFGER, SINAL 08 e SIEFDIRF indicarem que os valores de antecipações e de IRRF que poderiam ser deduzidos do IRPJ devido seriam inferiores aos declarados: do total das antecipações declaradas como pagas, de R$ 18.279.296,10, o sistema de controle de pagamentos da RFB teria registro de apenas R$ Fl. 2429DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0520.09533.TZM4. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.001383/200694 Resolução nº 1402000.180 S1C4T2 Fl. 15 14 10.269.906,94, e do IRRF retido declarado, de R$ 8.325.159,03, apenas para o valor de R$ 2.976.596,81 o interessado teria oferecido as respectivas receitas financeiras à tributação. Nesse passo, verificase, conforme diligência solicitada por este CARF nos autos do PA 11610.001857/200174 (fls. 2323/2325), que do total das antecipações declaradas como pagas, de R$ 18.279.296,10, apenas o montante já indicado, de R$ 10.269.906,94, foi comprovado. Entretanto, no que toca ao IRRF, declarado no valor de R$ 8.325.159,03, foram comprovados créditos para o anocalendário de 1999, no valor total de R$ 16.430.259,52. Assim, tendo em vista que, o imposto de renda de 15% e adicional devidos somavam R$ 10.204.245,14 e que, conforme apurado, o IRRF e o IR mensal pago por estimativa somavam R$ 26.700.166,46, a Recorrente apurou saldo negativo de IRPJ no valor total de R$ 16.495.921,32. Saldo Negativo de IRPJ 2000 No exame feito das compensações de IRPJ, a autoridade fiscal concluiu que o saldo negativo de IRPJ 2000, seria de R$ 14.320.237,10 (fls. 341 verso), valor representado pela soma das antecipações do Imposto de Renda no valor de R$ 9.536.793,29, com IRRF de R$ 7.687.159,23, deduzida do imposto devido no montante de R$ 2.903.715,42. O saldo negativo de IRPJ 2000 não foi totalmente homologado, vez que as antecipações do Imposto de Renda, no valor de R$ 9.536.793,29, não puderam ser comprovadas. Isso porque, compensadas com saldo negativo de 1999 – que havia sido reajustado – tendo sido aceito apenas o valor de R$ 3.042.258,61. Nos autos do PA 11610.001857/200174 foram discutidas as compensações de IRPJ estimativa do anocalendário de 2000, no total de R$ 9.536.793,29. Nessa ocasião, conforme acórdão nº. 110200.465, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta 1ª Seção de Julgamento (fls. 2335/2339), as autoridades fiscais confirmaram o recolhimento das estimativas e o IRRF de 1998 e 1999, bem assim como o pagamento a maior de IRPJ referente a 1997, o que, por conseqüência, ensejou a homologação total do saldo negativo de IRPJ 2000. Por tudo isso, considerando que a formação do saldo negativo em discussão foi analisada minuciosamente nos autos do PA 11610.001857/200174, tendo sido realizada, inclusive, a baixa dos autos para diligência e apuração da documentação contábil apresentada pela contribuinte, devem ser acatadas as conclusões do referido processo administrativo. Saldo Negativo de IRPJ 2001 O saldo negativo de IRPJ 2001 no valor de R$ 24.136.889,60, foi reduzido para o valor de R$ 14.181.787,84, tendo sido homologado apenas o valor de R$ 9.955.101,76. Tal redução corresponde à glosa de antecipações declaradas (no valor total de R$ 24.293.083,99), das quais apenas os montantes de R$ 10.111.296,15 (que corresponderia ao saldo negativo de IRPJ 2000 R$ 8.470.883,10 em valor atualizado) e de R$ 1.640.413,05 (deferido no PA 11610.001857/200174) foram admitidos. Fl. 2430DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0520.09533.TZM4. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.001383/200694 Resolução nº 1402000.180 S1C4T2 Fl. 16 15 Noutras palavras, esses R$ 14.181.787,84 (= R$ 24.293.083,99 menos R$ 10.111.296,15) não reconhecidos, são referentes às antecipações de IRPJ estimativa de 2001, compostas por (i) R$ 684.132,36 relativos a DARF inexistente (IRPJ estimativa de Jan/01), (ii) por R$ 5.208.783,82 indeferidos no PA 11610.001857/200174, (iii) e R$ 8.288.871,66 de insuficiência do saldo negativo de anos anteriores. Consoante declarado em DCTF, para pagamento das antecipações no total de R$ 24.293.083,99, a Recorrente teria efetuado (i) pagamento em DARF, de R$ 684.132,36, (ii) compensações sem processo de R$ 18.400.167,81 e (iii) compensações no PA 11610.001857/200174, de R$ 6.849.196,87 (sendo R$ 1.640.413,05 deferidos, e R$ 5.208.783,82 indeferidos). A Recorrente esclarece que, de fato, não ocorreu o suposto pagamento declarado como realizado via DARF, no valor de R$ 684.132,36. Suscita a ocorrência de erro de preenchimento da DCTF, uma vez que tal pagamento teria sido realizado efetivamente via compensação com crédito de saldo negativo de IRPJ 1999. Acrescenta que todas as demais compensações sem processo (R$ 18.400.167,81) teriam sido regularmente efetuadas com saldos negativos de IRPJ de 1999 e 2000. Revela que com saldo negativo de IRPJ 1999 foi compensado o IRPJ devido por estimativa em janeiro/01 a maio/01 e julho/01 (fl. 1267) e, com saldo negativo de IRPJ 2000, foi compensado o IRPJ devido por estimativa em julho/01 e setembro/01 (fl. 1271). Nesse diapasão, tenho como certo que devem ser acolhidas as alegações de equívocos cometidos no preenchimento da DCTF quando devidamente comprovados, em virtude do princípio da verdade material, orientador do processo administrativo fiscal. Assim, considerando tudo quanto foi demonstrado pela Recorrente e considerando, conforme pontuado até aqui, que os saldos negativos de IRPJ de 1999 e 2000 foram confirmados, mostrandose suficientes para suportar as compensações realizadas em 2001, devem ser acatadas as alegações da Recorrente sobre a hipótese de erro de fato no preenchimento da DCTF. Por fim, quanto aos demais valores não reconhecidos, relacionados a saldos negativos de períodos anteriores (i) R$ 5.208.783,82 supostamente indeferidos nos autos do PA 11610.001857/200174 (saldo negativo IRPJ 2000), e (ii) R$ 8.288.871,66 de suposta insuficiência do saldo negativo de IRPJ 1999, vale notar, conforme exposto nos tópicos acima, que foi reconhecida sua saciedade e legitimidade. Logo, também devem ser reconhecidas as compensações realizadas com tais créditos para pagamento das antecipações de IRPJ estimativa do anocalendário 2001. Com efeito, deve ser confirmado o saldo negativo de IRPJ 2001 em sua integralidade. Saldo Negativo de IRPJ 2002 A Recorrente apurou um saldo negativo de IRPJ 2002 no montante de R$ 32.299.022,19, valor representado pela soma das antecipações do Imposto de Renda no valor de R$ 38.145.637,39, com IRRF de R$ 18.990.092,79, deduzida do imposto devido (R$ 24.836.707,99). Fl. 2431DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0520.09533.TZM4. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.001383/200694 Resolução nº 1402000.180 S1C4T2 Fl. 17 16 A autoridade fiscal terminou por reduzir o saldo negativo de IRPJ 2002, de R$ 32.299.022,19 para R$ 5.676.064,37, uma vez que (i) do valor total das antecipações declaradas no ano (R$ 38.145.637,39), apenas o valor de R$ 10.782.452,65 (Saldo de 2001 atualizado como compensações sem processo) foi admitido, e (ii) haveria um valor deduzido a menor de IRRF pelo interessado, de R$ 740.226,92 (= R$ 19.730.319,71 existentes menos R$ 18.990.092,79 deduzidos pelo interessado). A não aceitação (de R$ 26.622.957,82) de parte das antecipações teria ocorrido porque (i) não constaria nos sistemas da RFB o pagamento do IRPJ estimativa de 12/2002, de R$ 5.592.206,43 (crédito referente a saldo negativo de IRPJ 2006), (ii) teria sido indeferido o valor de R$ 1.443.513,54 no PA 11610.001857/2001 74 (crédito referente a saldo negativo IRPJ 2000), (iii) teria havido insuficiência de créditos no montante de R$ 13.754.546,71 (= R$ 24.536.999,36 utilizados menos R$ 10.782.452,85 reconhecidos), referentes a saldo negativo de IRPJ 2001, utilizado em compensações sem processo; e, (iv) o interessado teria utilizado o valor de R$ 5.832.691,15 (= R$ 6.572.918,07 menos R$ 740.226,92 acima mencionados) de IRRF do ano (para pagamento de IRPJ estimativa de 09/2002), sem oferecer as correspondentes receitas financeiras à tributação. Primeiramente, importa notar que o crédito de saldo negativo de IRPJ 2006 no valor de R$ 5.592.206,43 foi pleiteado na DCOMP (fls. 447, 449 e 455) que, no entanto, não foi integralmente homologada, conforme despacho decisório no processo administrativo de crédito nº. 10880.962787/201151 (fls. 2312/2316). Nesse passo, tenhase em mente que, do crédito total pleiteado no valor de R$ 29.071.325,92, foi homologado o montante de R$ 28.986.140,87. Portanto, o débito compensado (de R$ 5.592.206,43) poderá ser quitado até o limite do crédito homologado. Quanto aos demais valores não reconhecidos, referentes a crédito de saldo negativo de períodos anteriores, tais também devem ser homologados, já que foram confirmados – conforme tópicos acima os saldos negativos de IRPJ dos anoscalendário 2000 e 2001. Por fim, no que toca ao valor de R$ 5.832.691,15 de IRRF, é necessário tecer alguns esclarecimentos. Com relação ao IRRF, a Recorrente apurou o montante de R$ 25.563.010,86 (no sistema DIRF da RFB consta R$ 25.818.865,99) enquanto que a fiscalização considerou apenas o montante de R$ 19.730.319,71, pois, conforme entendimento da fiscalização, a empresa não teria tributado a totalidade das receitas financeiras que geraram o IRRF. A Recorrente sustenta que a totalidade das receitas financeiras foram contabilizadas e tributadas e evidencia tal fato, segregando seus argumentos entre IRRF sobre aplicações financeiras de renda variável e renda fixa. IRRF – Renda Variável A Recorrente afirma que o IRRF (R$ 22.530.862,60) é decorrente do rendimento de operações de swap no valor total de R$ 112.654.313,23. Esclarece que na DIPJ do AC 2002 – Ficha 6, Linha 21 – constou o valor de R$ 87.094.048,02, uma vez que esse seria o valor líquido apurado (receitas despesas), conforme balancetes que apresenta. Fl. 2432DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0520.09533.TZM4. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.001383/200694 Resolução nº 1402000.180 S1C4T2 Fl. 18 17 Reforçando a argumentação, a Recorrente apresenta novos documentos e esclarecimentos, detalhando a forma como foram contabilizadas as receitas financeiras de renda variável que geraram as retenções de IR efetuadas em setembro e novembro de 2002. IRRF – Renda fixa A Recorrente esclarece que os rendimentos obtidos em operações de renda fixa foram contabilizados e tributados em sua integralidade, conforme regime de competência; ou seja, efetuandose a retenção do IR no momento do resgate do título. Assim, como parte da receita financeira demonstrada nos informes de rendimento foi contabilizada e tributada em exercícios anteriores ao da retenção do IR, a fiscalização não teria identificado a contabilização da totalidade da receita financeira na DIPJ do AC 2002. Nesse passo, a Recorrente apresentou diversos documentos que comprovariam a efetiva contabilização, conforme regime de competência, de todas as receitas financeiras obtidas em operações de renda fixa. Portanto, para confirmação da legitimidade do IRRF sobre aplicações financeiras de renda fixa e variável, e, conseqüentemente, do valor glosado de R$ 5.832.691,15, devem ser cuidadosamente analisados os relatórios contábeis, razões, balancetes e demais documentos apresentados pela Recorrente (fls. 538/640, 642/690 e docs. 8 a 13 do recurso voluntário, fls. 1478/1585). Com efeito, nesse ponto, encaminho meu voto no sentido de baixar o processo em diligência para que a autoridade fiscal autuante analise os documentos anexados ao recurso voluntário, a fim de que se verifique se a totalidade das receitas financeiras de renda fixa e variável obtidas no anocalendário 2002 foi devidamente submetida à tributação, permitindo que o IRRF decorrente de tais rendimentos fosse considerado na formação do saldo negativo de IRPJ 2002. Confirmado o direito da Recorrente, o saldo negativo de IRPJ 2002 deverá ser homologado até o limite dos créditos reconhecidos. Saldo Negativo de CSLL 2002 Ainda que a maioria dos presentes não tenha reconhecido a homologação tácita das compensações de saldo negativo de CSLL 2002 declaradas no PER/DCOMP 17491.02987.190404.1.3.038704, parte do crédito pleiteado deve ser reconhecido. Como visto, o saldo negativo de CSLL 2002 (R$ 4.789.054,58), foi convertido em saldo positivo de R$ 5.005.808,88, em razão da glosa de parte das antecipações declaradas. Isso porque, só foram admitidos os pagamentos de antecipações de CSLL realizados via DARF (R$ 3.944.046,89), tendo sido indeferidas as compensações realizadas com saldos negativos de períodos anteriores: (i) saldo negativo de IRPJ 2000 (1.046.852,20), (ii) saldo negativo de IRPJ 2006 (2.013.194,31); e (iii) saldo negativo de CSLL 2001 (6.734.480,02). Nesse contexto, uma vez confirmado o direito creditório referente aos saldos negativos de IRPJ 2000 e 2006 – conforme exposto nos tópicos acima , devem ser, para logo, reconhecidas as compensações realizadas até o limite do direito creditório. Fl. 2433DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0520.09533.TZM4. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.001383/200694 Resolução nº 1402000.180 S1C4T2 Fl. 19 18 As demais compensações de antecipações efetuadas no anocalendário 2002, com crédito de saldo negativo de CSLL 2001, serão homologadas na medida em que tais créditos sejam confirmados, conforme análise que passo a expor. Saldo Negativo de CSLL 2000 e 2001 Do saldo negativo de CSLL 2000 (R$ 2.382.156,60), apenas R$ 2.309.362,81 foram homologados. A diferença é decorrente do não reconhecimento do pagamento de CSLL estimativa dos meses de janeiro, abril, maio e junho, quitadas com crédito de saldo negativo de CSLL de 1998 e 1999, conforme documentos que anexa ao recurso voluntário (DCTF, planilhas de compensação, livros contábeis, etc). Assim, também nesse ponto, encaminho meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal analise os documentos anexados ao recurso voluntário, a fim de que se verifique a legitimidade das compensações efetuadas para pagamento de CSLL estimativa no anocalendário 2000 e, conseqüentemente, do saldo negativo de CSLL 2000. De outro giro, também em razão da falta de comprovação dos créditos de saldo negativo de períodos anteriores (a saber: saldo negativo de IRPJ 2000 e saldos negativos de CSLL 1997, 1999 e 2000) diversas compensações realizadas para pagamento de CSLL estimativa foram glosadas, ensejando a redução do saldo negativo de CSLL 2001 (de R$ 6.125.425,68, apenas R$ 2.309.362,81 foi homologado). Uma vez que já está comprovada a legitimidade do saldo negativo de IRPJ 2000 – conforme exposto nos tópicos acima , devem ser, para logo, reconhecidas as antecipações compensadas com referido crédito. Já as demais antecipações compensadas com crédito de saldo negativo de CSLL 1997, 1999 e 2000 , terão seu reconhecimento condicionado à análise dos documentos apresentados pela Recorrente e ao resultado da diligência que ora se propõe. Por tudo isso, proponho a conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que analise os documentos apresentados com o recurso voluntário, verifique os saldos das bases negativas em face da decisão do processo anterior e das compensações homologadas, além do cômputo da renda relacionada com as retenções de fonte. O contribuinte deverá ser intimado acerca do resultado da diligência para, querendo, apresentar manifestação. Após isso, o resultado da diligência deverá ser encaminhado a esse Colegiado pelo Chefe da Repartição Preparadora. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator Fl. 2434DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 18 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0520.09533.TZM4. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por CARLOS PELA em 09/07/2013 15:44:06. Documento autenticado digitalmente por CARLOS PELA em 09/07/2013. Documento assinado digitalmente por: LEONARDO DE ANDRADE COUTO em 22/07/2013 e CARLOS PELA em 09/07/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 04/05/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP04.0520.09533.TZM4 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 9817531EB0670B544320560BA7E1322F7D60989F Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 16327.001383/2006-94. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 14041.001535/2007-19
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 07/12/2007
AUTO DE INFRAÇÃO.DESCUMPRIMENTO.OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LANÇAMENTO. FATOS GERADORES. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. TÍTULOS
PRÓPRIOS.
Nascida a obrigação tributária de recolher contribuições sociais
previdenciárias, há a necessidade dos fatos geradores destas serem lançados mensalmente em títulos próprios da contabilidade, caso contrário, será lavrado Auto de Infração por esse descumprimento legal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-000.548
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: CID MARCONI GURGEL DE SOUZA
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LANÇAMENTO. FATOS GERADORES. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. TÍTULOS PRÓPRIOS. Nascida a obrigação tributária de recolher contribuições sociais previdenciárias, há a necessidade dos fatos geradores destas serem lançados mensalmente em títulos próprios da contabilidade, caso contrário, será lavrado Auto de Infração por esse descumprimento legal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente. Cid Marconi Gurgel de Souza Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 30/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 2 Fl. 2DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 30/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 14041.001535/200719 Acórdão n.º 2403000.548 S2C4T3 Fl. 180 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado às fls. 328/372 contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasília/DF (fls.313/325) que julgou PROCEDENTE o lançamento constante no auto de infração n° 37.058.7251, sendo aplicada a multa no valor R$ 11.951,21 (onze mil e novecentos e cinquenta e um reais e vinte e um centavos). Conforme Relatório Fiscal apresentado às fls. 27/33, a autuação corresponde à atitude da empresa em deixar de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, conforme previsto na Lei nº. 8.212/91, art. 32, II, c/c com o art. 225, II e parágrafos 13 e 17 do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Dec. nº. 3.048/99. A fiscalização teve como objetivo analisar os valores pagos pela CEF à empresa SPIRIT INCENTIVO E FIDELIZAÇÃO LTDA, sob a forma de valores em espécie e pontos de fidelização, referentes a remuneração transferida a empregados da CEF por serviços prestados, a título de premiação, bonificação, fidelização e outros. Vale ressaltar, segundo o Relatório Fiscal, que os fatos geradores foram levantados através de técnicas de auditoria tais como testes de observância e substantivos, aplicadas aos documentos, arquivos, digitais, arquivos contábeis, folha de pagamento e outros, sendo realizada a circularização de informações junto a empregados da CEF, e empresas FENAE CORRETORA e GRUPO CAIXA. Insta salientar que foram analisados durante o procedimento de auditoria, os valores pagos internamente pela CEF aos seus empregados, bem como, os valores pagos aos funcionários da caixa pelas empresas supramencionadas. O dispositivo legal infringido é o previsto no inciso II dos Art. 32 da Lei 8.212/91 e inciso II e parágrafos 13 a 17 do Art. 225 do RPS, estando sujeita à aplicação das penalidades previstas no Art. 283, inciso II, “a”, e art.373 do RPS e arts.92 e 102 da Lei n 8.212/91. Desta autuação, a recorrente apresentou impugnação às fls. 251/288 alegando: A nulidade dos autos de infração por vício formal do procedimento fiscal, em virtude da inobservância aos procedimentos constantes da Instrução Normativa MPS/SRP nº.3, de 14 de julho de 2005, destacando : A nulidade do lançamento de débito prescindindose de individualização dos empregados e escorandose em dificuldades relativas à quantidade de registros e cerceamento de defesa; A titularidade dos pagamentos; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 30/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 4 A inexistência de relação entre a autuada e a empresa SPIRIT INCENTIVO E FIDELIZAÇÃO LTDA; A extinção do crédito tributário – Decadência nos termos do art. 146, III da CF/88; Ademais, contestou sobre: As Campanhas de endo marketing (incentivo), fidelização, premiação e outros; destacando: Ausência de habitualidade, peridiocidade e certeza dos créditos. A premiação com pacotes de viagens e com pontuação no programa PAR de relacionamento; Mecânica de premiação A definição do fato gerador e das bases de cálculo das contribuições sociais, destacando: O enquadramento jurídico equivocado pelo auditor fiscal. O regulamento pessoal da CEF, no tocante a esclarecimentos quanto À vedação de receber benefícios de terceiros e de uso de materiais em atividades particulares. A atuação dos empregados da CEF; A necessária clareza quanto à natureza jurídica de parcelas concedidas por terceiros a empregados e a distinção entre remuneração, comissão, guelta e gorjeta. Esclarecimento necessário aos benefícios concedidos a pessoas físicas não empregadas para retribuir metas de produtividade. Do emprego da analogia no direito tributário brasileiro – impossibilidade de utilização no caso concreto; A correta natureza dos “prêmios” decorrentes das campanhas promovidas e seu tratamento tributário pelas disposições da Lei nº. 8.212/91; Por fim, requereu o reconhecimento da efetiva e completa INSUBSISTÊNCIA da autuação promovida ressaltando a descaracterização do fato gerador da obrigação, posto que não há não hipótese de incidência configurada, desta feita, alegando que a multa igualmente não poderá subsistir. Contudo, caso a douta autoridade fiscal não decida pela insubsistência do auto, solicitou a realização das diligências necessárias, consoante o art.18 do Dec. nº. 70.235/72. Instada a manifestarse acerca da impugnação, a 5ª Turma da DRJ/Brasília/DF proferiu acórdão (n° 03 24.422) nos seguintes termos: Fl. 4DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 30/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 14041.001535/200719 Acórdão n.º 2403000.548 S2C4T3 Fl. 181 5 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 07/12/2007 OMISSÃO DE FATOS GERADORES NA CONTABILIDADE. Constitui infração deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. PRÊMIO. PRODUTIVIDADE. O pagamento de prêmio/plano de incentivo a segurados empregados tem natureza salarial, integrando o salário de contribuição, por não• estar contemplado nas exclusões arroladas no parágrafo 90 do artigo 28 da Lei n° 8.212/91 e alterações posteriores. PRÊMIOS. TERCEIROS. O pagamento de prêmio/plano de incentivo ao empregado por empresas que não se revistam da qualidade de empregador, mas com o consentimento deste, aproveitando a relação de emprego e as oportunidades daí advindas, integra o salário de contribuição. Lançamento Procedente Irresignada com a decisão supra, a recorrente interpôs recurso voluntário às fls. 328 a 372, onde preliminarmente, alegou a inexigibilidade de depósito prévio para a interposição do recurso administrativo tributário. Ademais, não trouxe nenhuma argumentação nova para o julgamento do pleito, mas tão somente ratificou todos os argumentos expendidos na impugnação. É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 30/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza, Relator. DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO: O recurso voluntário foi interposto tempestivamente (fls328 a 372). Acontece que à época da discussão do crédito, exigiase do sujeito passivo que quisesse recorrer ao Contencioso Administrativo Federal o depósito de 30% (trinta por cento) equivalente ao crédito exigido. Considerando indevida a exigência, a recorrente suscitou a ilegalidade da exigência no boje de seu recurso voluntário, transcrevendo dispositivos constitucionais e julgados relativos ao caso. Sobre o assunto, cabe destacar que não mais se exige a comprovação do depósito recursal como requisito de admissibilidade para a discussão de matéria no âmbito administrativo, tendo sido este o entendimento já firmado pelo Supremo Tribunal Federal ao editar a Súmula Vinculante nº. 21, que passa a vincular a administração pública, nos termos do art.103A da Constituição Federal: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Impendese ainda colacionar o teor do verbete sumular: Súmula Vinculante 21 É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. Fonte de Publicação: DJe nº 210, p. 1, em 10/11/2009. DOU de 10/11/2009, p. 1. Portanto, conheço a admissibilidade do presente recurso e passo a analisar as questões relevantes para a resolução da lide tributária. DO MÉRITO: I – DA INFRAÇÃO COMETIDA: I.1 – DA OBRIGATORIEDADE DO REGISTRO CONTÁBIL EM TÍTULOS PRÓPRIOS: Fl. 6DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 30/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 14041.001535/200719 Acórdão n.º 2403000.548 S2C4T3 Fl. 182 7 A recorrente foi autuada com base no art.32, II, da Lei n 8.212/91 e 225, II e parágrafos 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social por lançar em títulos não próprios de sua contabilidade os fatos geradores relativos às contribuições sociais previdenciárias, in verbis: LEI N 8.212/91 Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; DECRETO N 3.048/99 (RPS) Art.225. A empresa é também obrigada a: (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; (...) § 13. Os lançamentos de que trata o inciso II do caput, devidamente escriturados nos livros Diário e Razão, serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições, devendo, obrigatoriamente: I atender ao princípio contábil do regime de competência; e II registrar, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do saláriodecontribuição, bem como as contribuições descontadas do segurado, as da empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços. § 14. A empresa deverá manter à disposição da fiscalização os códigos ou abreviaturas que identifiquem as respectivas rubricas utilizadas na elaboração da folha de pagamento, bem como os utilizados na escrituração contábil. § 15. A exigência prevista no inciso II do caput não desobriga a empresa do cumprimento das demais normas legais e regulamentares referentes à escrituração contábil. § 16. São desobrigadas de apresentação de escrituração contábil: Fl. 7DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 30/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 8 I o pequeno comerciante, nas condições estabelecidas pelo Decretolei nº 486, de 3 de março de 1969, e seu Regulamento; II a pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, de acordo com a legislação tributária federal, desde que mantenha a escrituração do Livro Caixa e Livro de Registro de Inventário; e; III a pessoa jurídica que optar pela inscrição no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, desde que mantenha escrituração do Livro Caixa e Livro de Registro de Inventário. §17. A empresa, agência ou sucursal estabelecida no exterior deverá apresentar os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações referidas neste artigo à sua congênere no Brasil, observada a solidariedade de que trata o art. 222. Pelo transcrito, percebese que a infração referese à obrigatoriedade do registro contábil dos fatos geradores das contribuições sociais previdenciárias em títulos próprios. Assim, pode ser que a empresa proceda ao registro dos fatos contábeis, mas que este ocorra em título diverso que não seja o correto. No caso em tela, a recorrente deixou de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos referente às remunerações pagas, devidas ou creditadas sob a forma prêmios, bonificações e comissões, utilizandose de crédito em conta corrente, cartões de créditos ou débitos ou pontos de fidelização para posterior resgate. Havendo essa remuneração, através de prêmios/bonificações, aos segurados empregados, nasce para a recorrente a obrigação de recolher contribuições sociais sobre tais pagamentos e registrar individualizadamente todos os fatos, conforme previsão do art.32, II, da Lei n 8.212/91 e art.225, II, parágrafos 13 a 17 do RPS. Não obstante a fiscalização não ter se manifestado acerca de conceitos contábeis que culmine na identificação do título próprio para o registro dos fatos geradores, impendese trazer a diferenciação entre conta patrimonial e conta resultado, tendo em vista que a análise desses dois tipos de registro contábil serem essenciais para a configuração do descumprimento legal. Vejamos: Conta contábil pode ser entendida como um depósito de onde retiramos e colocamos valores representativos das movimentações ocorridas numa determinada entidade. Os valores nelas registrados deverão observar estritamente aos Princípios Fundamentais de Contabilidade. Dentre esses, encontramos o princípio da competência, o qual prevê que as despesas devem ser registradas quando incorridas, mesmo que não pagas. As contas patrimoniais são aquelas utilizadas para o registro e controle dos ítens patrimoniais, ou seja, ativos e passivos, sendo representados pelos bens, direitos e obrigações. Já as contas de resultado aglutinam os valores movimentados numa empresa que influirão diretamente no resultado do exercício, isto é, são contas de despesas e receitas. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 30/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 14041.001535/200719 Acórdão n.º 2403000.548 S2C4T3 Fl. 183 9 Diante do presente caso, não caberia o registro ser efetuado em qualquer título, como o fez a recorrente ao lançar o pagamento de segurados como despesas com marketing e propaganda O título próprio para esse lançamento, conforme conceito acima, seria nas contas de resultado, pois esta é apropriada para o registro da movimentação de receitas (recebimento de recursos financeiros) e despesas (gastos com os profissionais). Ainda a respeito da identificação correta dos títulos próprios, os incisos do § 13 do art.225 do Regulamento da Previdência Social prevêem que os lançamentos atendam ao Princípio Contábil do Regime de Competência e sejam registrados em contas individualizadas de modo que as rubricas das contribuições sejam identificadas melhor. Desse modo, percebese que a recorrente descumpriu preceito previsto na Lei n 8.212/91, bem com no Decreto n 3.048/99 (Regulamento da Previdência Social) por ter registrado em títulos não próprios de sua contabilidade (contas patrimoniais) os fatos geradores das contribuições sociais previdenciárias, motivo pelo qual deverá sujeitarse ao pagamento de multa nos moldes do art.92 e 102 da Lei n 8.212/91 e art.283, II, “a”: c/c 373 do RPS, in verbis: Regulamento Previdência Social Art. 283.Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (...) II a partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos) nas seguintes infrações: Nota: Valor atualizado para R$ 9.910,20 (nove mil novecentos e dez reais e vinte centavos), a partir de 1º de junho de 2003, por força do reajuste de 19,71% concedido aos benefícios da Previdência Social pelo Decreto nº 4.709, de 29/05/2003. a) deixar a empresa de lançar mensalmente, em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; O Regulamento (Decreto n 3.048/99) cuidou ainda de tratar da atualização do valor cobrado, nos termos do art.373, in verbis: Art.373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 30/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 10 No mesmo sentido, a Lei nº 8.212/91 preleciona ainda em seu art. 92 que qualquer infração a dispositivo desta legislação, quando não esteja prevista expressamente, sujeitarseá a observância desse dispositivo. Então vejamos: Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. 24 Vale destacar que o artigo acima foi atualizado conforme indicativo nº 24, vejamos: 24 Valores atualizados pela Portaria MPAS nº 4.479, de 4.6.98, a partir de 1º de junho de 1998, para, respectivamente, R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) e R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos) Além disso, previu o art.102 que os valores desta legislação seriam reajustados nos mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Art.102.Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Contudo, conforme já demonstrado, percebo que a infração foi cometida, motivo pelo qual deverá a cobrança ser mantida e atualizada na forma do dispositivo acima. Por fim, não constatei a ocorrência de circunstancias agravantes, de modo que a multa a ser aplicada deverá ser o valor mínimo com base no art.292, I, do Regulamento da Previdência Social. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso voluntário para NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 30/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 14041.001535/200719 Acórdão n.º 2403000.548 S2C4T3 Fl. 184 11 Fl. 11DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 30/05/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 11128.004308/2003-65
Data da sessão: Thu Sep 17 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Sun Jul 19 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 05/12/2002
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PREPARAÇÕES DESTINADAS À ALIMENTAÇÃO ANIMAL.
Os produtos identificados pela análise laboratorial como preparações destinadas à alimentação animal, na forma como se apresentam, classificam-se no código 2309.90.90, conforme esclarecem as informações técnicas acostadas aos autos, e com base nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3101-000.224
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Recorrida DRJ- SÃO PAULO II/SP ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 05/12/2002 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PREPARAÇÕES DESTINADAS À ALIMENTAÇÃO ANIMAL. Os produtos identificados pela análise laboratorial como preparações destinadas à alimentação animal, na forma como se apresentam, classificam- se no código 2309.90.90, conforme esclarecem as informações técnicas acostadas aos autos, e com base nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. ..,e_ g--477.verg1 jo~ HENRIQUE PINHEIR OR --,. RES - Presidente I q i 11 Í II ' :11 5 . 4 I I .:11 CORINTHO OLájEIRA MACHADO - Relator EDITADO EM: 30 de setembro de 2009 ; Participaram do pràente julgamento os Conselheiros Tarásio Campelo ItBorges, Corintho Oliveira Machado, iz Roberto Domingo, Vanessa Albuquerque Valente, Valdete Aparecida Marinheiro e Henrique Pinheiro Torres. cli ... 1 Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase, com as devidas adições: O importador, por meio da declaração de importação DI n° 02/1079232-3, de 05/12/02, importou nas adições 02 e 04 as mercadorias descritas respectivamente como "VITAMINA D3 (COLECALCIFEROL) ROVIMIX D3-500 USO: ANIMAL QUALIDADE: INDUSTRIAL APLICAÇÃO: ALIMENTAÇÃO ANIMAL REG. MA SP-03509 00296-3" e "VITAMINA B2 (RIBOFLAVINA) ROVIMIX B2 80 SD USO: ANIMAL QUALIDADE: INDUSTRIAL APLICAÇÃO: ANIMAL REG. MA SP-03509 00626-8", classificando nas NCM 2936.29.21 e 2936.23.10, com alíquotas de 0% de imposto de importação e 0% de imposto sobre produtos industrializados. Segundo a fiscalização, a classifkação fiscal correta para ambos os produtos é a NCM 2309.90.90, com alíquota do imposto de importação de 9,5%. Baseou-se a autuação nos Laudos Fucamp n° 0243.01 e n° 0243.02 de 12/12/2002, fls. 35 e seguintes. Através do Auto de Infração de fls. 01 a 48, cobraram-se as diferenças de imposto de importação, juros, multa de mora e multa pela classificação fiscal incorreta. Intimada do Auto de Infração em 02/09/2003 (fl. 51), a interessada apresentou impugnação e documentos em 30/09/2003, juntados às folhas 52 e seguintes, alegando em síntese: As NESH do capítulo 2309 excluem dessa posição as vitaminas apresentadas em um solvente ou estabilizadas por adição de agentes antioxidantes ou antiaglomerantes, por adsorção em um substrato ou por revestimento, por exemplo gelatina, ceras, matérias graxas (gordas), desde que a quantidade das substâncias acrescentadas não modifiquem o caráter de vitaminas e nem as tornem particularmente aptas para usos específicos de preferência à sua aplicação geral. Cita a Decisão COANA n°4 de 29/04/1999 e a Decisão COANA n°11 de 21/06/1999. Cita que tal entendimento foi adotado pelo Comitê da OMA e aprovado no Brasil pela IN SRF n° 99/99. Argumenta que as mercadorias devem classificar-se na posição 2936 de acordo com a lista de inclusões da NESH dessa posição. Não havendo reclassificação, também não há razão para a cobrança da multa pelo erro na classificação fiscal. A DRJ em SÃO PAULO II/SP julgou procedente o lançamento, alicerçando "\ seu entendimento de acordo com a ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias 2 Processo n° 11128.004308/2003-65 S3-C1T1 Acórdão n.° 3101-00.224 Fl. 114 Data do fato gerador: 05/12/2002 Ementa: IDENTIFICAÇÃO DE MERCADORIA. CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA. Os produtos identificados pela análise laboratorial como preparações destinadas à alimentação animal, na forma como se apresentam, classificam-se no código 2309.90.90, conforme esclarecem as informações técnicas acostadas aos autos, e com base nas Notas Explicativas do SH. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, fls. 83 e seguintes onde reproduz os argumentos alinhavados em primeiro grau e aduz jurisprudência administrativa a seu favor e requer a improcedência da ação fiscal. A Repartição de origem, considerando a presença do recurso voluntário, encaminhou os presentes autos para apreciação do Conselho, fi. 111. É o Relatório. Voto Conselheiro CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Relator O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Ab initio, cumpre dizer que as Decisões de consulta exaradas pela COANA (n° 4, de 29/04/1999 e n° 11, de 21/06/1999) são orientações da Administração Tributária que não servem para todos os contribuintes, e sim restritamente para os consulentes, que no caso vem a ser o SINDIRAÇÕES - Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal, ao qual a recorrente não se declarou filiada. Também não se tem notícia de que a recorrente tenha formulado consulta previamente ao auto de infração, daí porque essa argumentação não pode prosperar. Com respeito à classificação dos produtos importados, a fundamentação aposta pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento não merece reparos, inclusive o argumento trazido pela recorrente, relativo às exclusões da posição 2309, labora em desfavor dela mesma: As NESH do capitulo 2309 excluem dessa posição as vitaminas apresentadas em um solvente ou estabilizadas por adição de agentes antioxidantes ou antiaglomerantes, por adsorçéio em um substrato ou por revestimento, por exemplo gelatina, ceras, matérias graxas (gordas), desde que a quantidade das substâncias acrescentadas não modifiquem o caráter de vitaminas e nem as tornem particularmente aptas para usos específicos de preferência à sua aplicação geral. Ou seja, os laudos, fls. 36 e 41, estão a asseverar que as substâncias acrescentadas aos produtos importados modificaram o caráter de vitaminas e as tornaram particularmente aptas para usos específicos de preferência à sua aplicação '/7 3 geral, a saber, entrar na fabricação dos alimentos completos e alimentos complementares para nutrição animal. Dito isso, reproduzo o quanto dito pela decisão recorrente, a qual adoto como razões de fato e de direito: A classificação adotada pelo importador para o produto ROVIMIX D3-500 é a NCM 2936.29.21: "2936 Provitaminas e vitaminas, naturais ou reproduzidas por síntese (incluídos os concentrados naturais), bem como os seus derivados utilizados principalmente como vitaminas, misturados ou não entre si, mesmo em quaisquer soluções. 2936.29 Outras vitaminas e seus derivados 2936.29.21 Vitamina D3 (colecalciferol)" A classificação adotada pelo importador para o produto ROVIMIX B2 80 SD é a NCM 2936.23.10: "2936 Provitaminas e vitaminas, naturais ou reproduzidas por síntese (incluídos os concentrados naturais), bem como os seus derivados utilizados principalmente como vitaminas, misturados ou não entre si, mesmo em quaisquer soluções. 2936.23 Vitamina B2 e seus derivados 2936.23.10 Vitamina B2 (riboflavina)" A classificação indicada como correta para ambos os produtos é a NCM 2309.90.90: "2309 Preparações dos tipos utilizados na alimentação de animais 2309.90.90 Outras" As Notas Explicativas da posição 2936, posição pretendida pela interessada, estabelecem que nela se incluem: "As protovitaminas e as vitaminas, naturais ou reproduzidas por síntese, bem como os seus derivados utilizados principalmente como vitaminas. Os concentrados de vitaminas naturais (os de vitaminas A ou D, por exemplo)... As misturas entre si de vitaminas, de provitaminas ou de concentrados... Os produtos acima mencionados diluídos em qualquer solvente (oleato de etila, propan-1-2-dioil, etanodiol, óleos vegetais, por - exemplo)." Acrescentam, ainda, as referidas notas que: "os produtos da presente posição (2936) podem ser estabilizados para tomá-los aptos à conservação ou transporte: - por adição de agente antioxidante - por adição de agentes . antiaglomerantes (hidratos de carbono, por exemplo) 4 — Processo n0 11128.004308/2003-65 S3-C1T1 Acórdão n.° 3101-00.224 Fl. 115 - por revestimento com substâncias apropriadas (gelatinas, ceras, etc.) mesmo plastificadas , ou - por adsorção em substâncias apropriadas (ácido silícico, por exemplo) desde que a quantidade das substâncias acrescentadas ou os tratamentos a que são submetidos não sejam superiores aos necessários à sua conservação ou transporte, nem modifiquem o caráter do produto de base nem os tornem particularmente aptos para usos específicos de preferência à sua aplicação geral."(grifo meu) Deste modo, as Notas explicativas permitem a adsorção da vitamina em substâncias apropriadas, mas impõem certas condições, tais como essa adição não tornar o produto particularmente apto para usos específicos de preferência à sua aplicação geral, que se não observadas, excluem a vitamina da posição 2936. Produtos como os examinados, são suscetíveis de se classificarem em diversas posições, dependendo da finalidade para a qual foram preparados ou das substâncias adicionadas ou associadas com a(s) vitamina(s). Dentre as posições mais comuns e suscetíveis de englobar tais mercadorias citam-se a 2309, englobando as preparações destinadas à alimentação animal, a 2936, reservada pra as vitaminas ou misturas de vitaminas, a 3003 ou 3004, se o produto for comprovadamente um medicamento e a 3824, quando se tratar de uma preparação não compreendida nem especificada em outra posição. Os laudos da Funcamp informam que os demais produtos (além das vitaminas propriamente ditas) foram adicionados às vitaminas para um fim especifico, qual seja, o de tornar o composto uma preparação para entrar na composição de ração animal. Assim dispõem o laudo n° 0243.01 sobre o produto ROVIMIX D3-500, fl. 36: "A Matéria Protéica, o Amido, a Maltose e as Substâncias Inorgânicas à base de Fosfato encontrados na mercadoria não se tratam de antiaglomerante, impurezas, estabilizantes e nem de agentes antipoeira. - Matéria Protéica, o Amido, a Maltose e as Substâncias Inorgânicas à base de Fosfato são excipientes utilizados com a finalidade de facilitar o manuseio e a dosagem dessa Vitamina nas rações animais e proteger química e fisicamente a substância ativa (Vitamina D3) durante o processo de mistura com outros componentes, na formulação final a que se destina (pré-mistura ou ração animal), mantendo-se inalterada." De forma semelhante, dispõem o laudo n° 0243.02 sobre o produto ROVIMIX B2 80 SD, fl. 41: "O Polissacarídeo não se trata de impureza, estabilizante, antiaglomerante e nem de agente antipoeira. \ 5 O Polissacarídeo é um excipiente utilizado como aglutinante, e tem a função de proteger química e fisicamente a substância ativa Riboflavina (Vitamina B2), durante o processo de mistura com outros componentes, e de facilitar a dosagem da mesma de maneira uniforme nas formulações de rações." As Notas Explicativas da posição 2309 esclarecem que nela se incluem as preparações destinadas a entrar na fabricação dos alimentos completos e alimentos complementares para nutrição animal. Tais preparações, designadas comercialmente de pré- misturas, são geralmente compostos de caráter complexo que compreendem um conjunto de elementos (às vezes denominados aditivos), cuja natureza e proporções variam consoante a produção zootécnica a que se destinam. Esses elementos são de três espécies: "1) Os que favorecem a digestão e, de uma forma mais geral, à utilização dos alimentos pelo animal, defendendo o seu estado de saúde: vitaminas ou provitaminas (destaque meu), aminoácidos, antibióticos, coccidiostáticos, oligoelementos, emulsificantes, aromantes ou aperitivos, etc.; . 2) Os destinados a assegurar a conservação dos alimentos, especialmente as gorduras que contêm, até serem consumidos pelo animal: estabilizantes, antioxidantes, etc.; 3) os que desempenham a função de suporte e que podem consistir numa ou mais substâncias orgânicas nutritivas (destaquei) (especialmente farinhas de mandioca ou de soja, sêmeas, leveduras e diversos resíduos da indústria alimentar), ou em substâncias inorgânicas (por exemplo, magnesita, cré, caulin, cloreto de sódio e fosfatos)." Assim, segundo as Notas, uma preparação constituída da maneira como as que encontramos é suscetível de enquadrar-se como uma preparação destinada a entrar na fabricação dos alimentos "completos" ou "complementares" da alimentação animal, ainda mais que a própria impugnante admite que as mercadorias importadas em comento se destinam a compor ração animal. A especificidade de uso dessa mercadoria é critério essencial ao seu enquadramento tarifário, independentemente de seu conceito técnico. A Fiscalização definiu corretamente o enquadramento tarifário relativo aos produtos importados, restando, dessa forma, cabível o tributo lançado, em função de uma alíquota diretamente ligada a esse enquadramento. Posto isso, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. 1 .1, !,, 1( lill IY Lr( --, CORINTHO OLIV RA MACHADO 1/ 6 s ,
score : 1.0
Numero do processo: 35067.002381/2007-56
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/2002 a 31/12/2006
INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO
Da decisão de primeira instância cabe recurso dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Recurso protocolizado em prazo superior não será conhecido.
Recurso Voluntário não Conhecido
Numero da decisão: 2403-000.558
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos em não
conhecer do recurso por intempestividade.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2002 a 31/12/2006 INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO Da decisão de primeira instância cabe recurso dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Recurso protocolizado em prazo superior não será conhecido. Recurso Voluntário não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos em não conhecer do recurso por intempestividade. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente/Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza, Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento Rio de Janeiro I, Acórdão 1221.749 10ª Turma, que julgou a autuação procedente, no valor de R$ 2.390,26. Segundo o Relatório Fiscal da Infração, o contribuinte deixou de incluir em sua folha de pagamento as remunerações dos segurados empregados a seu serviço, quando do pagamento das seguintes rubricas: Salários da obra Mansões do Bosque Comissões sobre vendas Maria de Fátima Damacena Participação nos Lucros ou Resultados PLR Desta forma, infringiu o artigo 32, inciso I, da Lei 8.212/91, combinado com o artigo 225, inciso I, parágrafo 90 do Regulamento da Previdência Social RPS aprovado pelo Decreto 3.048/99. A infração, o dispositivo legal infringido, o dispositivo legal da multa aplicada e o valor da multa foram assim apresentados por ocasião do lançamento: DESCRIÇÃO SUMÁRIA DA INFRAÇÃO E DISPOSITIVO LEGAL INFRINGIDO Deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, I, combinado com o art. 225, I e parágrafo 9., do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. Para as infrações ocorridas no período anterior a 06.05.99: Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social ROCSS, aprovado pelo Decreto n. 2.173, de 05.03.97, art. 47, I e parágrafo 4.; Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social ROCSS, aprovado pelo Decreto n. 612, de 21.07.92, art. 47, I e parágrafo 4.; Para órgão gestor de mãode obra, referente ao trabalhador portuário avulso: Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, I, combinado com o art. 225, I e parágrafos 10, 11 e 12, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. DISPOSITIVO LEGAL DA MULTA APLICADA Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 283, I, "a e art. 373. DISPOSITIVOS LEGAIS DA GRADAÇÃO DA MULTA APLICADA Fl. 2DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35067.002381/200756 Acórdão n.º 240300.558 S2C4T3 Fl. 492 3 Art. 292, inciso IV, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. VALOR DA MULTA: R$ 2.390,26 . Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: • Nulidade da intimação da decisão • Tempestividade do recurso • Quando apresentada a defesa administrativa se indicou o advogado da recorrente e que toda e qualquer intimação no processo deveria para ele ser dirigida, já que investido dos poderes para tanto. • A intimação da decisão administrativa foi dirigida para a empresa. • A intimação perpetrada na pessoa da própria parte, para ato do advogado regularmente constituído para a finalidade, se apresenta viciada e sem efeito jurídico, somente se a considerando a partir do momento em que o profissional a veio receber, que ocorreu em 05 de janeiro de 2009, valendo lembrar do recesso no período de 20.12.08 a 06.01.09, quando os advogados tiram suas férias. • A intimação foi entregue na portaria do edifício onde se situa o escritório da empresa em período que se encontrava com suas atividades paralisadas, dada o recesso de final de ano da construção civil, somente a recebendo efetivamente em 29.12.2008 (sextafeira), o que mais uma vez reafirma o prazo recursal. • Julgamento de primeira instância não enfrentou todos pontos da impugnação. • Não se pode, na mesma fiscalização, se autuar o contribuinte, três vezes, por não inserção de pseudo funcionário em, já que atos idênticos e que autorizaria apenas uma autuação. • A multa por reincidência, se embasa em duas autuações ocorridas há mais de cinco anos da que ora se recorre, não podendo, assim, servir de parâmetro para configurar reincidência. É o Relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator Conforme se verifica à folha 482, foi dada ciência do Acórdão em 19/12/2008. O Recurso Voluntário foi protocolizado na DRF Vitória em 27/01/2009, e consta do processo que é intempestivo. Recorrente alega que quando apresentada a defesa administrativa se indicou o advogado da recorrente e que toda e qualquer intimação no processo deveria para ele ser dirigida. Verificase no processo que a Intimação que dá ciência do Acórdão foi encaminhada por via postal com AR para o domicílio tributário confirmado pelo fisco, onde, inclusive foi recebida a notificação. É pacífica a jurisprudência desse Colegiado de que é válida a intimação por via postal feita no endereço do sujeito passivo, mesmo que recebida por pessoa que não seja seu representante legal. É o que se pode ver da redação do enunciado de súmula abaixo reproduzido. Súmula CARF Nº 9 É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Entendo ser intempestivo o Recurso. CONCLUSÃO À vista do exposto, voto por NÃO CONHECER O RECURSO POR INTEMPESTIVIDADE. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 4DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35067.002381/200756 Acórdão n.º 240300.558 S2C4T3 Fl. 493 5 Fl. 5DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/09/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 17546.000654/2007-53
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/1996 a 31/12/1996
PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA.
Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado. As edições da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , “a ” determinaram que são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da
Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2403-000.604
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, face à aplicação da decadência total do crédito tributário, por quaisquer dos critérios adotados no CTN, ora o art. 150, § 4º, CTN, ora o art. 173, I, CTN.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: IVANCIR JÚLIO DE SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1996 a 31/12/1996 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado. As edições da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , “a ” determinaram que são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, face à aplicação da decadência total do crédito tributário, por quaisquer dos critérios adotados no CTN, ora o art. 150, § 4º, CTN, ora o art. 173, I, CTN. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Ivacir Júlio de Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto , Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Jhonatas Ribeiro da Silva ( Suplente). Ausente o Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza. Relatório Fl. 767DF CARF MF Emitido em 21/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 19/07/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 2 Conforme Relatório Fiscal (fls. 35/40), tratase o presente de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD, cadastrada sob o DEBCAD n° 37.062.4793, lavrada para efeito de constituição do crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social, em decorrência da responsabilidade solidária, em face aos serviços tomados da empresa Masstin Engenharia e Instalações Ltda., os quais foram prestados mediante cessão de mãode obra, nas competências de 07/1996 a 12/1996. Consta, ainda, desse Relatório, que o contribuinte não apresentou GRPS específicas, bem como as respectivas notas fiscais e o correspondente Contrato de Prestação de Serviços, o que culminou na lavratura de Auto de Infração. E que, por conseguinte, serviram de base para o lançamento os seus Livros Diário, quando, então, tomouse como base de cálculos (saláriodecontribuição) 40 % (quarenta por cento) dos valores lançados, relativos à essas notas fiscais. DA IMPUGNAÇÃO Inconformado com o procedimento fiscal, o sujeito passivo impugnou o lançamento por meio do expediente protocolado sob n° 35403.000032/200731 (fls. 42/88), onde, em síntese, alega que: o lançamento se verificou através de presunção, uma vez que fiscalização não se baseou em fatos concretos para lavrar a presente NFLD; o Sr. Fiscal adotou procedimento simplório, sem qualquer constatação ou comprovação da contrafação dos serviços; houve a constituição de crédito contra a impugnante, sem sequer procurar saber se os devedores principais efetuaram os pagamentos, ou seja, sem promover a notificação dessas empresas; o princípio da motivação não restou observado, uma vez que o Auditor Fiscal não trouxe para os autos qualquer elemento que pudesse comprovar a falta de recolhimento das contribuições exigidas; tendo em vista os princípios contidos no art. 37 da Constituição Federal, cabia ao Fisco promover diligência necessária a apurar o efetivo montante do tributo que entendeu devido, conforme exige o art. 142 do Código Tributário Nacional CTN; o agente fiscal pouco se importou com a hipótese de estar cobrando tributo já devidamente quitado; considerando que o tributo ora cobrado está sujeito ao lançamento por homologação, temse que o presente se subsume à regra do art. 150, § 4° do CTN; o lançamento há de ser declarado nulo, uma vez que já decai o direito do fisco constituir crédito referente a fatos geradores ocorridos anteriormente ao exercício de 2001; a empresa Masstin Engenharia e Instalações Lida não possui um débito sequer, conforme documentos que junta; não pode o fisco escolher, ao seu bel prazer, o sujeito que figurará no pólo passivo da obrigação tributária; Fl. 768DF CARF MF Emitido em 21/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 19/07/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 17546.000654/200753 Acórdão n.º 240300.604 S2C4T3 Fl. 611 3 inexiste nos autos qualquer comprovação quanto a suposta existência da obrigação tributária, tão pouco prova de que o devedor principal não teria quitado o crédito exigido; e caso se faça necessário, a impugnante protesta pela juntada oportuna dos referidos documentos. Junta documentos (fls. 106 a 109). A empresa prestadora dos serviços Masstin Engenharia e Instalações Ltda. embora tenha sido oportuna e devidamente notificada do lançamento (fls. 41), deixou de apresentar impugnação. DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar as alegações que fizera a impugnante, a 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas ( SP) DRJ/CPS, em 20 de agosto de 2007, exarou sentença mediante o Acórdão n° 0518978, mantendo o lançamento. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada com a decisão a quo, a recorrente interpôs Recurso Voluntário onde reiterou as alegações que fizera em sede de impugnação. Fl. 769DF CARF MF Emitido em 21/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 19/07/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 4 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fls.608, o recurso é tempestivo e reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Tomandose como certo o entendimento de que ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado, em preliminar, quedome a observar hipótese decadencial face a edição da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal – STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , “a ”: SÚMULA VINCULANTE DO STF N° 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. A súmula n° 8 passou a produzir efeitos a partir de 20 de junho de 2008, conforme ata da vigésima segunda sessão plenária do STF, do dia 12.06.2008, cuja íntegra do debate foi publicado no Diário de Justiça do dia 11.09.2008. O material está no site do tribunal. Consolidando o sumulado, se observa a Lei complementar n° 128, de 19 de dezembro de 2008, artigo 13, I, “a ” : “ Lei Complementar n°128, de 19 de dezembro de 2008 (...) Art. 13. Ficam revogados: I – a partir da data de publicação desta Lei Complementar: a) os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991” DOS EFEITOS DA MODULAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 45 DA LEI N° 8.212/91. Mesmo diante de certa obviedade, é relevante destacar e observar que consoante voto do Ministro Gilmar Mendes, a inconstitucionalidade do artigo 45 impede o Fisco de exigir pagamentos fora dos prazos de decadência e prescrição revistos no CTN e impõe retroagir, para todos os efeitos, menos para restituição de indébito, tãosomente dos créditos pendentes de pagamento das contribuições da Seguridade Social, constituindo pois, tal ato, em regra específica para este tributo: Fl. 770DF CARF MF Emitido em 21/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 19/07/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 17546.000654/200753 Acórdão n.º 240300.604 S2C4T3 Fl. 612 5 "Na espécie, a declaração de inconstitucionalidade dos arts. 45 46 da lei n° 8.212/1991 pode acarretar grande insegurança jurídica quanto aos valores pagos fora dos prazos qüinqüenais previstos no CTN e que não foram contestados administrativa ou judicialmente. Diante desses pressupostos, pondero a esta Corte a conveniência de modular os efeitos da mencionada declaração de constitucionalidade, de modo a afastar a possibilidade de repetição de indébito de valores recolhidos nestas condições, com exceção das ações propostas antes da conclusão deste julgamento. Nesse sentido, o Fisco resta impedido de exigir fora dos prazos de decadência e prescrição revistos no CTN as contribuições da Seguridade Social. No entanto, os valores já recolhidos nestas condições, seja administrativamente, seja por execução fiscal, não devem ser devolvidos ao contribuinte, salvo se pleiteada a repetição ou compensação de indébito, judicial ou administrativamente, antes da conclusão do julgamento, em 11.6.2008. Em outras palavras, créditos pendentes de pagamento não podem ser cobrados, em nenhuma hipótese, após o lapso temporal qüinqüenal. Por outro lado, créditos pagos antes de 11.6.2008 só podem ser restituídos, compensados ou de qualquer forma aproveitados, caso o contribuinte tenha assim pleiteado até ou seja, consideramse insuscetíveis de restituição os recolhimentos efetuados nos prazos previstos nos arts. 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 e não impugnados antes da conclusão deste julgamento. Ante o exposto, voto pelo desprovimento do recurso extraordinário, declarando a inconstitucionalidade do parágrafo único do art. 5° do DL n° 1.569/1977 e dos arts. 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991, com modulação para atribuir eficácia ex nunc apenas em relação aos recolhimentos efetuados antes de 11.6.2008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela administrativa. É como voto." A declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91 resulta, no caso presente, na compulsória extinção do crédito previdenciário conforme os prazos estabelecidos no CTN. Conforme Relatório Fiscal de fls. 35/40, o período da ocorrência da infração foi definido pelas competências 07/1996 a 12/1996, e a empresa fora notificada em 21/12/2006( fls. 01). Assim, por qualquer dos critérios, quer seja na forma do artigo 150, §4° do CTN ou do preceituado no artigo 173, I, do mesmo diploma legal, o crédito lançado pela fiscalização através do Auto de Infração n°37.062.4793, encontrase totalmente fulminado pelo instituto da decadência. Fl. 771DF CARF MF Emitido em 21/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 19/07/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 6 CONCLUSÃO Por tudo que foi exposto, conheço do recurso para reconhecendo a decadência do lançamento lavrado pela Notificação de Lançamento de Débitos n°37.062.479 3, por quaisquer que seja o critério preceituado no Código Tributário Nacional – CTN, tanto pelo artigo 150, § 4°, quanto pelo artigo 173, I, do mesmo diploma, determinar extintos o total dos créditos compreendidos no período definido pelas competências 07/1996 a 12/1996. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Fl. 772DF CARF MF Emitido em 21/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 19/07/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI
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