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Numero do processo: 11020.002056/2004-19
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário:1999
DECADÊNCIA. DOLO. FRAUDE. SIMULAÇÃO.
Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese
após 5 (cinco) anos, contados da notificação ao sujeito passivo de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento, na qual o Fisco revela ao contribuinte o conhecimento do fato especialmente qualificado pelo dolo e lhe oportuniza a defesa, nos termos do artigo 173, I do Parágrafo único do Código Tributário Nacional CTN.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Ano calendário:1999, 2000, 2001, 2002, 2003
OMISSÃO DE RECEITAS. DIFERENÇAS ENTRE OS VALORES ESCRITURADOS E OS DECLARADOS Deve ser mantido o lançamento quando há fartas e robustas provas da prática do ilícito, correspondente a omissão de receitas apurada no confronto entre os valores registrados na escrituração contábil e fiscal e aqueles oferecidos à tributação nas DIPJ e DCTF.
MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE.
Deve ser mantida a multa qualificada pelo evidente intuito de fraude quando comprovadas as ações ou omissões dolosas tendentes a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, e das condições pessoas do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário
correspondente.
Numero da decisão: 1801-000.811
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário:1999 DECADÊNCIA. DOLO. FRAUDE. SIMULAÇÃO. Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados da notificação ao sujeito passivo de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento, na qual o Fisco revela ao contribuinte o conhecimento do fato especialmente qualificado pelo dolo e lhe oportuniza a defesa, nos termos do artigo 173, I do Parágrafo único do Código Tributário Nacional CTN. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano calendário:1999, 2000, 2001, 2002, 2003 OMISSÃO DE RECEITAS. DIFERENÇAS ENTRE OS VALORES ESCRITURADOS E OS DECLARADOS Deve ser mantido o lançamento quando há fartas e robustas provas da prática do ilícito, correspondente a omissão de receitas apurada no confronto entre os valores registrados na escrituração contábil e fiscal e aqueles oferecidos à tributação nas DIPJ e DCTF. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Deve ser mantida a multa qualificada pelo evidente intuito de fraude quando comprovadas as ações ou omissões dolosas tendentes a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, e das condições pessoas do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 DECADÊNCIA. DOLO. FRAUDE. SIMULAÇÃO. Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados da notificação ao sujeito passivo de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento, na qual o Fisco revela ao contribuinte o conhecimento do fato especialmente qualificado pelo dolo e lhe oportuniza a defesa, nos termos do artigo 173, I do Parágrafo único do Código Tributário Nacional CTN. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 OMISSÃO DE RECEITAS. DIFERENÇAS ENTRE OS VALORES ESCRITURADOS E OS DECLARADOS Deve ser mantido o lançamento quando há fartas e robustas provas da prática do ilícito, correspondente a omissão de receitas apurada no confronto entre os valores registrados na escrituração contábil e fiscal e aqueles oferecidos à tributação nas DIPJ e DCTF. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Deve ser mantida a multa qualificada pelo evidente intuito de fraude quando comprovadas as ações ou omissões dolosas tendentes a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, e das condições pessoas do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Fl. 341DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/11/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Maria de Lourdes Ramirez, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Trata o presente processo de auto de infração à legislação da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, cientificado em 16/09/2004, que exige da empresa acima qualificada o crédito tributário no montante total de R$ 106.040,04, aí incluídos o principal, a multa de ofício qualificada e os juros de mora calculados até a data lavratura, tendo em conta a apuração de diferenças entre os valores escriturados e aqueles declarados, irregularidades constatadas nos anoscalendário 1999 a 2003, e consignadas no Relatório de Auditoria Fiscal, parte integrante da exigência (fls. 03 a 24). Aproveito, por oportuno, o relatório da DRJ em Porto Alegre/RS para historiar os fatos: Tratase de impugnação ao lançamento consubstanciado no auto de infração lavrado em 31/08/2004 para exigência da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) e encargos, no valor total de M106.040,04 (fls. 04 a 29). Conforme relatório fiscal que integra o auto de infração, o lançamento decorreu da constatação de diferenças entre as receitas escrituradas nos livros contábeis c as informadas na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). As diferenças também se verificaram em relação aos débitos declinados pela impugnante nas Declarações de Créditos e Débitos Tributários Federais (DCTF), resultando cm recolhimentos da CSLL em valores inferiores aos devidos. O auto de infração foi pessoalmente cientificado ao contribuinte cm 16/09/04 (fl. 04) que, em 18/10/04, apresentou impugnação ao lançamento, alicerçada, em apertada síntese, nos seguintes fundamentos (fls. 248 a 259): Fl. 342DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/11/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11020.002056/200419 Acórdão n.º 180100.811 S1TE01 Fl. 336 3 a) que os juros de mora calcados na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia — Selic são improcedentes tendo em vista tratarse de taxa remuneratória, e ferem os princípios constitucionais do direito adquirido, da irretroatividade e da anterioridade, violando também o principio da estrita legalidade tributária; que a cobrança dos juros com base na taxa Selic desrespeitaria, ainda, a isonomia e atentaria contra a vedação do enriquecimento sem causa. Argúi, ainda nesta seara, contra a utilização da taxa com efeito de confisco, o que seria vedado pela Carta Federal, aduzindo também que houve desrespeito ao art. 161 do Código Tributário Nacional (CTN), que limita a aplicação dos juros de mora à taxa de um por cento ao mês, o que não poderia ser alterado por lei ordinária; b) que a multa aplicada (150%) configura procedimento confiscatório, vedado pelo art. 150, inciso IV da Constituição Federal; c) que o cruzamento efetuado com a CPMF no período de janeiro de 1999 a janeiro de 2001 é descabido, posto que a legislação em vigor à época era o da redação original da Lei n° 9.311, de 1996, não sendo permitido este procedimento antes da edição da Lei n º 10.174, de 09/01/2001; Requer, ainda, a realização de perícia com base no art. 16, inciso IV, do Decreto 70.235/72, indicando perito contábil e formulando oito quesitos (fls. 257 c 258). Com isto, demanda o cancelamento do feito, ou, alternativamente a redução dos juros de mora para o percentual de 1% (um por cento) ao mês e a redução da multa aplicada para um patamar que afaste o confisco. Tendo em vista não ter sido declinado no relatório fiscal, de forma expressa, a motivação para a majoração da multa de oficio aplicada, o processo foi baixado em diligência para que fosse suprida esta lacuna, o que foi efetuado conforme relatório de fls. 297 c 298, do qual foi dada ciência ao contribuinte em 10/10/07. Em 25/10/07 o contribuinte apresenta impugnação sobre este aspecto, reafirmando o entendimento do caráter confiscatório da multa, aduzindo que atendeu todas as solicitações dos fiscais, bem assim que seus registros contábeis estavam corretos, não havendo prova de conduta fraudulenta. Apreciando o litígio a 1a. Turma da DRJ em Porto Alegre/RS proferiu o Acórdão no. 1014.656 e julgou procedente a exigência. A respeito do pedido de perícia analisou cada um dos quesitos apresentados pela defesa refutandoos, um a um e, consequentemente, indeferiu o pleito. Afirmou a legalidade dos juros calculados com base na taxa Selic e validou a qualificação da multa pelo evidente intuito de fraude caracterizado pela sonegação. Observou, ainda, que não houve quebra de sigilo fiscal nem utilização de dados de CPMF nos presentes autos. Notificada da decisão, em 26/02/2008, como atesta a cópia do AR à fl. 318, apresentou a interessada, em 18/03/2008 o recurso voluntário de fls. 319/, no qual reproduz as razões de defesa deduzidas na impugnação, no que toca à (i) impossibilidade de utilização da taxa Selic; (ii) excesso de penalidade de ofício; (iii) impossibilidade de quebra de sigilo fiscal e, (IV) realização de perícia contábil. Ao final requer a declaração de nulidade da autuação ou, alternativamente, a) a redução dos juros a 1% ao mês; b) a realização de perícia para readequação das bases de cálculo e, c) redução da multa de ofício. Fl. 343DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/11/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora O Recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Preliminar DECADÊNCIA No que tange à contagem do prazo decadencial, cumpre fazer remissão às disposições do CNT: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ......................................................................................................... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ......................................................................................................... Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; ......................................................................................................... Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Conforme expressamente consignado nos dispositivos acima transcritos, a regra de contagem do prazo decadencial prevista no § 4o. do art. 150 do CTN não deve ser aplicada aos casos em que comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Nesse Fl. 344DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/11/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11020.002056/200419 Acórdão n.º 180100.811 S1TE01 Fl. 337 5 contexto, a apreciação da decadência do crédito tributário ora lançado de ofício, não se faz sem uma análise acerca do mérito da imputação de fraude aos atos praticados pela contribuinte. NULIDADES No que respeita à invocada nulidade do procedimento cumpre examinar, inicialmente, se no presente caso teriam sido observados os requisitos legais pertinentes à constituição do Crédito Tributário pela Fazenda Pública, conforme estabelecido no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972, que disciplina o Processo Administrativo Fiscal – PAF, bem como se teriam sido atendidas as exigências presentes no art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN Lei nº. 5.172, de 1966. Esta é a redação dos dispositivos mencionados: Decreto no. 70.235/72 – PAF Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta e conterá obrigatoriamente: I – a qualificação do autuado; II – o local, a data e a hora da lavratura; III – a descrição do fato; IV – a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V – a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI – a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Lei nº. 5.172/66 – Código Tributário Nacional Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Nesse aspecto, não se verifica nos autos a ausência dos elementos essenciais à formalização do crédito tributário, eis que presentes a descrição das irregularidades com a identificação da ocorrência dos fatos geradores, das matérias tributáveis, como também a determinação das bases de cálculo e alíquotas aplicáveis, o cálculo dos tributos exigidos, a correta identificação do sujeito passivo e a imposição da penalidade cabível. Fl. 345DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/11/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Assim, o ato praticado no presente processo revestiuse de todas as formalidades para sua validade, não se detectando nos autos qualquer das hipóteses de nulidade previstas nos incisos I e II do art. 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972, abaixo transcrito, uma vez que o ato foi formalizado por pessoa competente, o AFRFB, e foi assegurado aos autuados o direito de defesa. Da mesma forma, as decisões administrativas somente podem ser objeto de nulidade se também restar caracterizada afronta às disposições do artigo 59, inciso II: Art. 59 São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ...omissis... Não se verifica, in casu, incompetência da autoridade julgadora de 1a. instância. Tampouco a decisão foi proferida com preterição do direito de defesa da contribuinte. Nesse contexto cumpre consignar que a validação, pela DRJ, da exigência formalizada pela auditoria fiscal faz parte do campo do livre convencimento do julgador e, como tal, não pode ser motivo para nulidade de decisão. Aquela autoridade teria ficado convencida, pelos fatos narrados pelo agente fiscal e pelos elementos constantes dos autos, que restou comprovada a infração. Os elementos de prova angariados pela auditoria fiscal foram considerados como suficientes à manutenção das exigências, ou seja, no entendimento do julgador de 1a. instância, provaram a procedência da autuação. E aqui se adentra, novamente, no campo do livre convencimento do julgador que, como consignado, não pode ser motivo para anulação de qualquer decisão. PERÍCIA A recorrente pugna, uma vez mais, pela realização de perícia contábil para dirimir questões que já foram devidamente analisadas e solucionadas pela DRJ em Porto Alegre/RS. A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimento técnico especializado para o deslinde de questão controversa. Não se justifica a realização de perícia técnica quando estiverem presentes, nos autos, elementos suficientes a formar a convicção do julgador. In casu, prescindível o exame pericial suscitado eis que se encontram anexados elementos suficientes ao deslinde do litígio. Rejeito, portanto, o pedido. Mérito OMISSÃO DE RECEITAS. No mérito verificase que a auditoria fiscal apurou diferenças entre a receita bruta escriturada e aquela declarada em DIPJ e DCTF, constatada em praticamente todos os meses do período abrangido pelos trabalhos, nos valores consignados no Relatório de Auditoria Fiscal às fls. 24 a 26. Fl. 346DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/11/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11020.002056/200419 Acórdão n.º 180100.811 S1TE01 Fl. 338 7 O trabalho de auditoria foi minucioso. Além de analisar todos os livros da escrituração contábil e fiscal da empresa, foram, ainda, compulsadas informações constantes de notas fiscais e da declaração de movimentação financeira – DCPMF. A prova é clara e direta. A empresa auferiu receitas de venda de produtos e de industrialização por encomenda, procedeu à escrituração dessas receitas, entretanto omitiu as da tributação nas DIPJ e DCTF. A respeito da prova direta feita pela auditoria fiscal a defesa targivesa e apresenta alegações de ilegalidade de quebra de sigilo bancário pelo Fisco. Obviamente não houve quebra de sigilo bancário. Não foram auditados os extratos bancários da recorrente, tampouco foram solicitadas informações a respeito da movimentação bancária às instituições financeiras que mantém relações comercias com a empresa. Os dados constantes das declarações CPMF, de entrega obrigatória por todas as instituições financeiras e a elas equiparadas, são tratados e inseridos nos sistemas internos da RFB e podem vir a servir como fonte de informações, subsídio, apenas, em procedimentos de fiscalização, da mesma forma que as informações disponibilizadas pelo Fisco Estadual. Foi exatamente o que ocorreu na auditoria fiscal junto à empresa. A recorrente, contudo não se pronuncia de forma direta, a respeito das diferenças apuradas e apontadas pela auditoria. Não foi apresentada nenhuma justificativa ou elemento de prova capaz de afastar a imputação, razão pela qual resta caracterizada a omissão. MULTA QUALIFICADA Quanto à qualificação da multa, cumpre consignar que, adotada a perspectiva de que a ocorrência do fato gerador somente se dá a conhecer por meio da conversão em linguagem competente dos eventos ocorridos no mundo fenomênico, não poderia subsistir a distinção legal entre os conceitos de sonegação (impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador) e fraude (impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador). Na verdade, tanto na sonegação, quanto na fraude, o que estaria em questão seria a conduta dolosa tendente a impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador , das condições pessoais do contribuinte, mediante a exclusão ou modificação de suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do tributo devido ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Decorre daí que a interpretação da fraude lato sensu, no âmbito da legislação tributária, deve ser sempre em relação à conduta dolosa do sujeito passivo, tendente a impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária: (i) da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; (ii) das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Na verdade, a norma jurídica a descrever a hipótese relativa à fraude stricto sensu, denota apenas os meios utilizados para impedir ou retardar o conhecimento pelas autoridades fazendárias, quais sejam: (i) o ocultamento da ocorrência do fato gerador, (ii) a exclusão ou modificação de suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Fl. 347DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/11/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 No caso em apreço, a caracterização do dolo e do evidente intuito de fraude foi feita, pela fiscalização, a partir da constatação da apresentação de declarações de DIPJ pelo lucro presumido, com falsas informações a respeito das receitas auferidas, que denotaram uma ação continuada do contribuinte no intuito de não levar ao conhecimento do Fisco sua real situação econômicofinanceira, principalmente o recebimento de receitas, fato gerador da obrigação tributária principal. Relevante destacar que a fraude e a simulação devem, necessariamente, ser veiculadas em instrumento específico, de forma que não se podem imputar tais infrações se não materializadas documentalmente. In casu, cumpre reconhecer que o instrumento mediante o qual a fraude se materializou foram as irrefutavelmente inverídicas DIPJ com apuração pelo Lucro Presumido dos anoscalendário 1999 a 2003 e DCTFs relativas aos mesmos períodos, nas quais a pessoa jurídica sonegou informações a respeito dos reais valores de receitas brutas auferidos nos respectivos períodos. Observese que a admissão de apresentação de Declaração IRPJ da Pessoa Jurídica com a inserção de falsas informações, como suporte fático da incidência da multa qualificada pelo evidente intuito de fraude, é aceita pela jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, e do Superior Tribunal de Justiça, conforme ementas de recentes julgados abaixo colacionadas: MULTA QUALIFICADA – CABIMENTO. Cabível a aplicação da multa de lançamento de ofício qualificada, quando a contribuinte, mediante fraude, modifica as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária, reduzindo o montante do tributo. Acórdão 10517.249, de 15/10/2008 1o. C.C / 5a. Câmara. Relator Paulo Jacinto do Nascimento. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. CONCEITUAÇÃO LEGAL. VINCULAÇÃO DA ATIVIDADE DO LANÇAMENTO. A aplicação da multa qualificada no lançamento tributário depende da constatação do evidente intuito de fraude conforme conceituado nos artigos 71, 72 e 73 da Lei no. 4.502/65, por força legal (art. 44, ii, Lei no. 9.430/96). Constatado pelo auditor fiscal que a ação, ou omissão, do contribuinte identificase com uma das figuras descritas naqueles artigos é imperiosa a qualificação da multa, não podendo a autoridade administrativa deixar de aplicar a norma tributária, pelo caráter obrigatório e vinculado de sua atividade. Acórdão 19100.016, de 20/10/2008. 1o. C.C. 1a. Turma Especial. Relatora Ana de Barros Fernandes. Superior Tribunal de Justiça – Resp 601106/PR / 2003/01318517 – 5a. Turma – Relator Ministro Gilson Dipp CRIMINAL. SONEGAÇÃO FISCAL. COMERCIALIZAÇÃO DE VEÍCULOS IMPORTADOS. ... X. Constatada a existência da obrigação tributária e comprovada a fraude na documentação exigida pelo Fisco, com a supressão do pagamento do imposto devido, inviável, nesta sede, o afastamento da condenação, ao fundamento de que a Fl. 348DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/11/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11020.002056/200419 Acórdão n.º 180100.811 S1TE01 Fl. 339 9 entrada irregular da mercadoria não constitui fato gerador do tributo. ... Recursos parcialmente conhecidos e desprovidos. Ademais, é evidente também, que dado o volume das receitas ocultadas ao Fisco na declaração apresentada, não se pode dizer que a empresa operou com erro. E não há alternativa para a conduta praticada: ou se caracteriza o erro; ou se caracteriza o dolo. Em sendo assim, cumpre reconhecer a fraude na apresentação das DCTF e DIPJ – Lucro Presumido, como uma tentativa da contribuinte de impedir ou retardar o conhecimento pelo Fisco Federal das receitas comprovadamente auferidas na sua atividade operacional. As DCTF e as DIPJ, em confronto com a movimentação financeira da empresa, caracterizam a prática da omissão de receitas reiterada e sistemática. Dessa forma, tendo em conta a conduta reiterada e sistemática de omissão de receitas, caracterizada está a ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. Adotado tais fundamentos, a imputação da multa qualificada deve subsistir. DECADÊNCIA Anteriormente, entendiase que na ausência de pagamento ou nos casos de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial deveria observar as disposições do art. 173, I, do CTN. Todavia, tal interpretação não se coaduna com a necessidade jurídica de distinção, também e principalmente na aplicação da contagem do prazo decadencial, entre as situações de falta de apuração e pagamento e de dolo, fraude ou simulação. Nos casos de falta de apuração e pagamento dos tributos devidos, em regra exigidos com multa de ofício de 75%, deve ser aplicada a contagem do prazo decadencial prevista no art. 173, I, do CTN, conforme interpretação uniforme do STJ. Por outro lado, quando comprovado o dolo, a fraude ou a simulação, deve o Fisco contar com um prazo decadencial mais dilatado, em função da conduta do próprio contribuinte de tentar obstar o conhecimento da ocorrência do fato gerador, sendo aplicável a regra prevista no Parágrafo único do art. 173 do CTN, que prescreve: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; ......................................................................................................... Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Fl. 349DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/11/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 Comprovado o dolo, fraude ou simulação, a contagem de cinco anos deve ser feita a partir da notificação ao sujeito passivo de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento, procedimento que se impõe quando o contribuinte adota uma conduta fraudulenta, tendente a ocultar do Fisco a ocorrência do fato gerador. Logo que o Fisco toma conhecimento do fato especialmente qualificado pelo dolo (in casu, as DIPJ e DCTF em confronto com as receitas omitidas), deve proceder à notificação do contribuinte para os devidos esclarecimentos, procedimento indispensável à configuração definitiva do ilícito e, consequentemente, à formalização do lançamento. Observo que a interpretação aqui adotada se coaduna com a recente jurisprudência do STJ, como se verifica do seguinte julgado, de relatoria do Exmo. Sr. Ministro Luiz Fux, com transcrição de trechos pertinentes ao presente voto: AgRg no AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 1.221.742 SP (2009/01582830) AGRAVO REGIMENTAL. PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. ART. 544, CPC. ISS. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. ISS. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. OCORRÊNCIA. ARTIGO 150, § 4º, DO CTN. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. SERVIÇOS BANCÁRIOS. LISTA ANEXA AO DEC.LEI 406/68. TAXATIVIDADE. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. POSSIBILIDADE. RECURSO REPETITIVO (RESP nº 1.111.234/PR). ATIVIDADE PRINCIPAL E SERVIÇOS ACESSÓRIOS. SÚMULA 07 DO STJ. 1. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 2. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a Fl. 350DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/11/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11020.002056/200419 Acórdão n.º 180100.811 S1TE01 Fl. 340 11 lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 3. As aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. Assim, contase do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. Sob esse enfoque, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do CTN, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal. 4. O dever de pagamento antecipado, quando inexistente (tributos sujeitos a lançamento de ofício), ou quando, existente a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, flui o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do CTN. 5. A decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidamse simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica Fl. 351DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/11/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 12 de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad , pág. 170). 6. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigurase como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu , reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do il ícito, operarseá ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de ofício, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi , in obra citada, pág. 171). 7. O artigo 173, II, do CTN, por seu turno, versa a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da verificação de vício formal. Neste caso, o marco decadencial iniciase da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória. 8. In casu, o Tribunal de origem assentou que: “No caso dos autos nem ocorreu notificação prévia para lançamento, mas apuração e lançamento de ofício do imposto que a Fazenda Municipal Paulistana entendeu por devido. Nessa linha, sem qualquer recolhimento do imposto pelo contribuinte, o prazo decadencial há de ser contado do primeiro dia do exercício seguinte (artigo 173, I, do CTN). O ano base das hipóteses em que, segundo o apelado ocorreria a decadência seria 1997, mas tendo em conta o início de prazo em primeiro de janeiro de 1998, o lustro legal darseia em 31 de dezembro de 2003. O lançamento de ofício ocorreu em 13 de agosto de 2002, antes então do qüinqüênio legal.” 9. Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, I, do Codex Tributário, contandose o prazo de cinco anos, a contar "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), donde se dessume a inocorrência da decadência do direito de o Fisco lançar os referidos créditos tributários. [...] Fl. 352DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/11/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11020.002056/200419 Acórdão n.º 180100.811 S1TE01 Fl. 341 13 No caso em apreço a citada notificação de “medida preparatória indispensável ao lançamento” configurouse com o Termo de Início da Ação Fiscal, cientificado em 30/06/2004, pelo qual o sujeito passivo foi intimado a apresentar toda a sua escrituração, assim como as notas fiscais de saídas, Livro de Ocorrências e de utilização de notas fiscais. A partir de tal notificação, indispensável ao lançamento, em que o Fisco revela ao contribuinte o conhecimento do fato especialmente qualificado pelo dolo e lhe oportuniza a defesa, é que deve ser contado o prazo decadencial de cinco anos para constituição de crédito tributário. Cumpre reconhecer que tal notificação deve ser formalizada no prazo das regras de contagem previstas no art. 150, § 4o do CNT, se efetuado o pagamento antecipado, ou no art. 173, I, do CTN, se não efetuado o pagamento antecipado. Nos autos, como houve pagamento relativo ao 2o. trimestre de 1999, o termo final para ciência da notificação venceria em 30/06/2004 (art. 150, § 4o do CNT), configurandose regular a notificação da medida preparatória indispensável ao lançamento cientificada em 30/06/2004. Em conseqüência, dada a comprovação da intenção dolosa da contribuinte de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador, o termo de início da contagem do prazo de decadência seria, justamente 01/07/2004, a expirar apenas em 01/07/2009, estando regularmente formalizados os lançamentos de IRPJ e de CSLL cientificados ao contribuinte em 16/09/2004. SELIC No que respeita às razões de defesa contra os juros calculados com base na taxa Selic cumpre transcrever a seguinte Súmula que evidencia o posicionamento deste Órgão Colegiado sobre o assunto Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 353DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/11/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 14 Fl. 354DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/11/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10680.000533/2004-75
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 1999
MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DOS SUCESSORES.
A responsabilidade tributária não está limitada aos tributos devidos pelos sucedidos, mas também se refere às multas, moratórias ou de ofício, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor.
Embora o art. 132 refira-se aos tributos devidos pelo sucedido, o art. 129 estabelece que o disposto na Seção II do Código Tributário Nacional aplica-se por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição,
compreendendo o crédito tributário não apenas as dívidas decorrentes de tributos, mas também de penalidades pecuniárias. MULTA QUALIFICADA. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. PRINCÍPIO DA BOA FÉ. O princípio da boa-fé não pode amparar a sucessora se o sócio administrador era também o responsável pela administração da empresa incorporada e mentor da conduta fraudulenta que ensejou a qualificação da multa. Responsabilidade integral da sucessora pelos créditos tributários lançados, inclusive da multa de ofício qualificada, uma vez comprovado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. (Súmula nº 47 do CARF).
Numero da decisão: 9101-001.116
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao
Recurso Especial da Fazenda Nacional. Os conselheiros Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos Lima Junior, Claudemir Rodrigues Malaquias, Karem Jureidini Dias, Antônio Carlos Guidoni Filho, Valmir Sandri, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo, acompanharam o relator por suas conclusões.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Alberto Pinto Souza Junior
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado LIONE COMÉRCIO DE ARTIGOS ESPORTIVOS LTDA. (atual denominação da MG Master Ltda. — sucessora da Flash Sports Calçados Ltda.). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1999 MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DOS SUCESSORES. A responsabilidade tributária não está limitada aos tributos devidos pelos sucedidos, mas também se refere às multas, moratórias ou de ofício, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor. Embora o art. 132 refirase aos tributos devidos pelo sucedido, o art. 129 estabelece que o disposto na Seção II do Código Tributário Nacional aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição, compreendendo o crédito tributário não apenas as dívidas decorrentes de tributos, mas também de penalidades pecuniárias. MULTA QUALIFICADA. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. PRINCÍPIO DA BOA FÉ. O princípio da boafé não pode amparar a sucessora se o sócioadministrador era também o responsável pela administração da empresa incorporada e mentor da conduta fraudulenta que ensejou a qualificação da multa. Responsabilidade integral da sucessora pelos créditos tributários lançados, inclusive da multa de ofício qualificada, uma vez comprovado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. (Súmula nº 47 do CARF). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Os conselheiros Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos Lima Junior, Claudemir Rodrigues Malaquias, Karem Jureidini Dias, Antônio Carlos Guidoni Filho, Valmir Sandri, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo, acompanharam o relator por suas conclusões. Fl. 705DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR 2 ﴾documento assinado digitalmente﴿ OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. ﴾documento assinado digitalmente﴿ ALBERTO PINTO S. JR. Relator. Participaram do presente julgamento: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Claudemir Rodrigues Malaquias, Valmir Sandri, Alberto Pinto Souza Junior, Viviane Vidal Wagner, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, João Carlos de Lima Junior, Antônio Carlos Guidoni Filho, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Relatório Tratase de Recurso Especial do Procurador da Fazenda Nacional, contra o acórdão nº 10808.653, de 08/12/2005 (fls. 574/589), proferido pela Oitava Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, que, por unanimidade decidiu rejeitar as preliminares suscitadas pelo recorrente, e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, os valores do PIS e da COFINS e os juros incidentes sobre estas contribuições até agosto de 1998 exigidos de ofício e cancelar a multa lançada de ofício. A recorrente tomou ciência do acórdão em 09/10/2006 (fls. 591), tendo interposto o recurso especial (fls. 592/610), com fundamento no art. 32, inc. I do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes e do art. 5º, inc. I do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, ambos aprovados pela Portaria MF nº 55, de 12/03/1998. Insurgese a recorrente contra a decisão do acórdão recorrido que deu provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento a multa de ofício qualificada aplicada (150%), com base no entendimento de que a incorporadora somente responde pelos tributos devidos pelo sucedido. A Fazenda Nacional, ora recorrente, alega em síntese: a) que a decisão que decidiu pela exclusão da multa de ofício violou o art. 129 do CTN, pois o art. 132 do mesmo código deve ser aplicado observandose aquele dispositivo; b) que “o art. 129 menciona que nos casos de sucessão regrados na Seção II, os sucessores serão responsáveis pelo crédito tributário e não somente pelo tributo em espécie”; c) que “o art. 132 se encontra dentro da Seção II e, portanto, não se pode interpretar a expressão “tributos" nele mencionada apenas como o tributo em espécie, mas como todo o crédito tributário numa interpretação sistemática com o art. 129”; d) que “no presente caso, não se faz presente os valores que se busca proteger com a interpretação restritiva do art. 132 do CTN. A autuada não goza de boafé, pois os seus sócios são quase todos os mesmos que compunham o quadro social da sucedida, autora do ilícito fiscal”; e) que “a administração da sucedida fora realizada pelo mesmo sóciogerente da sucessora o Sr. SEBASTIÃO VICENTE BOMFIM FILHO que autorizava a utilização de vários artifícios para ocultar a ocorrência do fato gerador das obrigações tributárias, conforme apurados pela autoridade fiscal”; Fl. 706DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR Processo nº 10680.000533/200475 Acórdão n.º 910101.116 CSRFT1 Fl. 2 3 f) que “em que pese a MGMASTER LTDA e a ZIK SPORTS LTDA sejam pessoas jurídicas distintas, com CNPJ diferente, ambas integram o mesmo grupo econômico, cujo órgão de direção foi o mesmo que praticou o ilícito fiscal em 1998”; g) que, “o afastamento da multa punitiva é razoável quando a aplicação desta configurarse uma situação de injustiça, pois atentatória do princípio esculpido no art. 5Q, XLV da CF/88 e à boafé objetiva, mas não pode servir àquele que praticou o delito apenas porque mudou de nome”; h) que “não é razoável admitir a exclusão de responsabilidade por multas nos casos de sucessão, incorporação, transformação e cisão das pessoas jurídicas compostas pelos mesmos sócios das empresas sucedidas, incorporadas, transformadas e cindidas, a fim de que não assistamos a perpetração de fraudes sob um aparente consentimento da lei”; i) que “não procede o argumento de que a desconsideração da sucessão seria forma de aplicar o parágrafo único do art. 116 do CTN a despeito de sua regulamentação”; j) que restou caracterizada a existência de dolo por parte da contribuinte, ensejando a aplicação da multa qualificada prevista no inc. II do art. 44 da Lei 9.430/96. A recorrente cita jurisprudência do STJ em abono à sua tese. Ao final a recorrente propugna que seja restabelecida a multa de 150% para todos os autos de infração. O presidente da 8ª Câmara do extinto Primeiro Conselho de contribuintes admitiu o recurso especial por que se trata de decisão não unânime e entender que ficou demonstrado em tese que a decisão recorrida seria contrária à lei e à evidência das provas contidas nos autos. A autuada, ora recorrida, foi cientificada do acórdão e do despacho de admissibilidade do recurso especial da Fazenda Nacional e apresentou suas contrarrazões (doc. a fs. 666/691), as quais protestam pela manutenção da decisão, sustentando em síntese: a) que “o CTN, em seu art. 132, é claro ao afirmar que a responsabilidade tributária das sucessoras referese apenas aos tributos e não às multas, principalmente as de natureza punitiva”; b) que “a mencionada "interpretação sistemática", pretendida pela Recorrente, caracterizase como verdadeira inovação legislativa, que não é permitida no âmbito tributário em vista ao princípio da Estrita Legalidade (art. 150, II, CF/88 e art. 97 do CTN)”; c) que nas “razões do Recurso combatido, notase claramente a intenção da Fazenda Nacional de ampliar o texto do art. 132 do CTN, acrescentando às suas disposições vocábulo que o legislador não pretendeu expressar, ou seja, substituir a palavra "tributos" pela expressão "crédito tributário", que, indiscutivelmente, não se equivalem”; e) que “o legislador ao editar a Lei n° 5.172/66 (CTN) sabia exatamente a distinção entre tributo e crédito tributário, bem como as diferenças entre principal e multa, não podendo o julgador administrativo imaginar que, no caso do art. 132, ele teria se equivocado ao constar somente a responsabilidade por sucessão com relação aos tributos”; f) que “no que se refere aos precedentes do STJ apontados no Recurso ora contrarazoado, verificase que, em ambos os casos, o entendimento que prevalece é o de que a responsabilidade só existe quando as multas que já integravam o passivo da pessoa jurídica, ou seja, foram aplicadas antes da incorporação de forma a serem conhecidas pelos novos administradores da empresa, o que não ocorreu no caso em comento”; Fl. 707DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR 4 g) que “em matéria tributária não há espaço para suposta "interpretação sistemática" ou "buscando possível intenção do legislador" (que na verdade são meras tentativas de inovar no ordenamento jurídicotributário), pelo que todas as considerações postas neste sentido não podem convalidar possível manuseio da legislação ao bel prazer do Fisco”; h) que “não há autorização legal para desconsideração de atos e negócios jurídicos validamente realizados. E, se este fosse o caso, certamente a Recorrida tem o direito de defesa contra tal argumento, de maneira que este aspecto teria que estar ventilado no auto de infração e peças conseqüentes; i) que “o que se verifica nos autos é que a Fazenda Nacional, ao mesmo tempo em que defende a malsinada "aplicação sistemática" do art. 132 do CTN, pretende, indiretamente, desconsiderar a sucessão ocorrida no presente caso, aventando, de forma equivocada, a possibilidade de um suposto ato simulado, sem realizar qualquer prova dessa suposição. A verdade é que a Recorrente nem mesmo chega a afirmar expressamente que a incorporação foi um ato simulado e nem poderia, pois para que essa afirmação fosse sequer cogitada, seria indispensável sua comprovação inequívoca, fato inexistente nos autos”; j) que “em momento algum o Fisco se opôs ao procedimento de incorporação do qual participou a Empresa Autuada, mesmo podendo fazêlo, conforme determina expressamente a legislação de regência (Lei n° 6.404/76), sendo que não lhe cabe, somente agora, alegar a imaginada simulação na transformação societária em comento, a fim de tentar justificar a responsabilidade por sucessão da Recorrida no que se refere à multa de ofício aplicada na sucedida”; k) que “mesmo que se considerasse cabível a multa de oficio, hipótese levantada apenas por amor ao debate, ela teria que ser aplicada no montante mínimo permitido em lei”; l) que “no caso dos autos, não restou COMPROVADA quaisquer das circunstâncias qualificadoras, sendo que não houve nenhuma ação dos Recorrentes tendente a impedir ou retardar o conhecimento da autoridade tributária da ocorrência do fato gerador, o que implicaria na sonegação”. m) que “não há que se falar em imposição de penalidade, ainda mais em sua forma agravada, eis que o trabalho fiscal foi concluído após a adesão da Recorrente ao PAES” e que” a confissão e o parcelamento de débitos são condutas que, inequivocamente, excluem qualquer possibilidade de ocorrência dos requisitos para aplicação da qualificação de multa tributária”. A recorrida faz citação da doutrina e de jurisprudência da Câmara Superior de Recurso Fiscais em reforço às suas contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior, Relator. O recurso atende os pressupostos para sua admissibilidade e, portanto, deve ser conhecido, nos termos do art. 4º da Portaria MF nº 256 de 22/06/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. A questão a ser solucionada versa sobre a possibilidade de cobrança, da empresa incorporadora (sucessora), de multa qualificada (150%) aplicada sobre os tributos lançados em face da omissão de rendimentos apurada pela fiscalização sobre operações realizadas pela empresa incorporada. Fl. 708DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR Processo nº 10680.000533/200475 Acórdão n.º 910101.116 CSRFT1 Fl. 3 5 O acórdão recorrido adota o posicionamento, de que a incorporadora responde apenas pelos os tributos devidos pela sucedida. O acórdão recorrido tem a seguinte ementa, na parte que interessa ao presente recurso: IRPJ — MULTA — INCORPORAÇÃO — A multa de lançamento de ofício não se aplica à incorporadora porque sua responsabilidade, nos precisos termos do art. 132 do CTN, cinge‐se apenas ao tributo, não se podendo dar interpretação extensiva ao dispositivo para alcançar penalidade. A recorrente argumenta que a decisão que excluiu a penalidade contraria a lei; mais precisamente o art. 129 do CTN. Sustenta que a interpretação do art. 132 não pode ser feita de forma isolada, desconsiderando o disposto no art. 129, que integra a mesma Seção II do código, que trata da responsabilidade dos sucessores. Tal interpretação estaria em consonância com a jurisprudência do STJ. Por outro lado a recorrida sustenta que a decisão recorrida se alinha à jurisprudência administrativa da Câmara Superior de Recursos Fiscais. No seu entendimento a expressão “tributos” contida no art. 132, excluiria uma interpretação sistemática no sentido de ampliar o seu alcance e abranger as multas, como pretende a recorrente. Alega ainda que a jurisprudência citada pela recorrente abrangeria apenas os casos em que a multa punitiva já havia sido lançada antes da sucessão e já integrando o patrimônio da incorporada sendo, portanto, de conhecimento da incorporadora na data do ato de incorporação. Tratase, portanto, de examinar se a decisão recorrida afronta os dispositivos do Código Tributário Nacional que tratam da responsabilidade tributária dos sucessores. Passo, então, a examinar os argumentos da recorrida à luz dos elementos do processo, da doutrina e da jurisprudência administrativa e judicial. Esta questão tem sido bastante discutida sejam no âmbito doutrinário, seja no campo jurisprudencial. Na esfera administrativa, conforme aponta a recorrida em suas contrarrazões, existem várias decisões da Câmara Superior Fiscal que a responsabilidade da sucessora, nos estritos termos do art. 132 do CTN, restringese aos tributos não pagos pela sucedida, e que a responsabilidade pela multa fiscal somente se dá quando ela tiver sido lançada antes do ato sucessório, tratandoa, neste caso, como um passivo assumido pela sucessora. É o caso dos acórdãos da CSRF indicados pela recorrida em seu contraarrazoado (Acórdão CSRF/01 04.408 e CSRF/0104.406, ambos proferidos no ano de 2003) Em que pesem os sólidos argumentos contidos nos referidos acórdãos da CSRF, lastreado tanto na doutrina quanto na jurisprudência, não se pode olvidar que a jurisprudência é dinâmica e sofre alterações ao longo dos anos. O argumento central da tese abrigada no acórdão recorrido é de que o artigo 132 do CTN prevê apenas a responsabilidade da sucessora pelos tributos, o que excluiria, portanto as multas, pois estas estão fora do conceito de tributo “strictu sensu”. Tal premissa, no entanto já vem mitigada por ressalvas feitas na própria jurisprudência que encampa esta tese. A primeira delas é de que se admite a responsabilidade pelas multas se estas já tiverem sido lançadas antes do ato sucessório, na medida em que estariam incorporadas ao patrimônio (mais propriamente ao passivo) da empresa sucedida, sendo, portanto, do conhecimento da sucessora (incorporadora, no presente caso). Também há Fl. 709DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR 6 muito que a jurisprudência admite que a multa de mora, por ter caráter indenizatório e não punitivo, também é da responsabilidade da sucessora. Essa interpretação mitigada do artigo 132 revela que a exegese correta, como sói ocorrer com toda norma jurídica, não pode ser feita de forma literal, nem isolada do restante do ordenamento. A interpretação sistemática não representa inovação legislativa, nem tampouco afronta o princípio da estrita legalidade, como alega a recorrida, mas sim representa uma dos mais eficazes e utilizados métodos hermenêuticos. Neste diapasão não há como deixar de fazer uma análise sistemática das normas que tratam da responsabilidade tributária dos sucessores no CTN, contidas na Seção II do Capítulo V. Podese começar pelo próprio art. 132, numa leitura mais acurada do caput e de seu parágrafo único, in verbis: Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase aos casos de extinção de pessoas jurídicas de direito privado, quando a exploração da respectiva atividade seja continuada por qualquer sócio remanescente, ou seu espólio, sob a mesma ou outra razão social, ou sob firma individual. (grifei) Como se vê, o caput do art. 132 trata da responsabilidade da pessoa jurídica não apenas no caso em que esta resulte de incorporação de outra, mas também nos casos de fusão ou transformação da pessoa jurídica. A lei nº 6.404/1976, que rege as sociedades anônimas define o que vem a ser cada uma dessas modalidades, nestes termos: Art. 220. A transformação é a operação pela qual a sociedade passa, independentemente de dissolução e liquidação, de um tipo para outro. Art. 227. A incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações. Art. 228. A fusão é a operação pela qual se unem duas ou mais sociedades para formar sociedade nova, que lhes sucederá em todos os direitos e obrigações. Como se vê na definição legal, apenas nos casos de fusão ou incorporação ocorre a extinção de uma ou mais sociedades sendo sucedida por apenas uma delas (no caso de incorporação) ou por uma nova sociedade (no caso de fusão). Na transformação não há dissolução ou liquidação da sociedade, mas a mera transformação de seu tipo societário (de sociedade por quotas de responsabilidade limitada para sociedade anônima, por exemplo). Nesse caso não há, pelo menos em princípio, alteração do quadro societário, embora a lei ressalve o direito do sócio dissidente retirarse da sociedade; nem tampouco das atividades desenvolvidas. Ou seja, a pessoa jurídica não sofre qualquer interrupção ou alteração na exploração de suas atividades. Não seria razoável a interpretação de que a pessoa jurídica que promoveu alteração de seu tipo societário tivesse a sua responsabilidade tributária até a data da transformação, limitada aos tributos devidos, com exclusão das penalidades pelas infrações tributárias de qualquer natureza que houverem sido cometidas. Fl. 710DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR Processo nº 10680.000533/200475 Acórdão n.º 910101.116 CSRFT1 Fl. 4 7 Não obstante o art. 132 alberga todas essas situações, sempre se referindo à responsabilidade dos “sucessores” pelos “tributos” devidos pela pessoa jurídica até a data do ato de transformação, fusão, incorporação ou extinção. O mesmo se pode dizer da interpretação do parágrafo único do mesmo dispositivo quanto à responsabilidade do sócio que, extinta a pessoa jurídica, dá continuidade à exploração da atividade sob a mesma ou outra razão social, ou sob firma individual, ficar limitada aos tributos, com exclusão das penalidades. Em linha similar de sustentação, Gelson Amaro de Souza (Responsabilidade Tributária e Legitimidade Passiva na Execução Fiscal, 2ª ed., rev., atual. e amp. – Ribeirão Preto, SP: Nacional de Direito Livraria e Editora, 2001), leciona que: O responsável por sucessão responde pelas obrigações tributárias deixadas pelo sucedido em toda sua extensão, sem exclusão alguma. O legislador, ao disciplinar a matéria da sucessão em seus arts. 131 a 133, especificamente, não fez nenhuma exclusão, como o fez para os casos do art. 134, do mesmo CTN. O parágrafo único do art. 134 exclui as responsabilidades em relação às multas de caráter pecuniário. Mas essa exclusão se restringe única e exclusivamente aos casos do art. 134 e não se aplica em hipóteses outras, que não as ali tratadas. A adequada interpretação do disposto no art. 132 do CTN passa, sem dúvida alguma, pela observância do que dispõe o art. 129 do mesmo código. O dispositivo em questão é a moldura sob a qual devem ser aplicados os demais dispositivos da seção que trata da responsabilidade dos sucessores, nestes termos: Art. 129. O disposto nesta Seção aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. (grifei) O dispositivo se refere expressamente não apenas à responsabilidade dos sucessores “por igual aos créditos tributários” , como também determina a sua aplicação (por igual) a quaisquer créditos tributários, sejam eles “definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos”, apenas com a ressalva de que sejam “relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data” O código não diferencia, portanto, a responsabilidade do sucessor sobre os créditos tributários, sejam eles constituídos antes, em curso de constituição ou posteriormente à data ato de transformação, fusão, incorporação ou extinção da pessoa jurídica. Assim, não abriga critério que permita excluir da responsabilidade as multas aplicadas após a data do ato de sucessão, conforme entendeu o acórdão recorrido. Esta interpretação está em consonância com a jurisprudência mais recente do Superior Tribunal de Justiça, que, sob a égide da Constituição Federal de 1.988, se não vejamos como dispõe a ementa do RESP. Nº 959389 –RS, in verbis: RECURSO ESPECIAL N° 959.389 RS (2007/01316981) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. ARTIGO 159 DO CC DE 1916. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. MULTA Fl. 711DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR 8 TRIBUTÁRIA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. SUCESSÃO EMPRESARIAL. OBRIGAÇÃO ANTERIOR E LANÇAMENTO POSTERIOR. RESPONSABILIDADE DA SOCIEDADE SUCESSORA. 1. Não se conhece do recurso especial se a matéria suscitada não foi objeto de análise pelo Tribunal de origem, em virtude da falta do requisito do prequestionamento. Súmula 282 e 356/STF 2. A responsabilidade tributária não está limitada aos tributos devidos pelos sucedidos, mas abrange as multas, moratórias ou de outra espécie, que, por representarem penalidade pecuniária, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor. (grifo não consta do original) 3. Segundo dispõe o artigo 113, § 3°, do CTN, o descumprimento de obrigação acessória faz surgir, imediatamente, nova obrigação consistente no pagamento da multa tributária. A responsabilidade do sucessor abrange, nos termos do artigo 129 do CTN, os créditos definitivamente constituídos, em curso de constituição ou "constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data", que é o caso dos autos. (grifo constante do original) 4. Recurso Especial conhecido em parte e não provido (Acórdão proferido em 07/052009 – Relator Ministro Castro Meira) Na mesma linha já havia sido proferido o Acórdão nº 1.017.186 SC, in verbis: RECURSO ESPECIAL N° 1.017.186 SC (2007/03039743) RECURSO ESPECIAL. MULTA TRIBUTÁRIA. SUCESSÃO DE EMPRESAS. RESPONSABILIDADE. OCORRÊNCIA. DECADÊNCIA. TEMA NÃO ANALISADO. RETORNO DO AUTOS. A empresa recorrida interpôs agravo de instrumento com a finalidade de suspender a exigibilidade dos autos de infração lavrados contra a empresa a qual sucedeu. Alegou a ausência responsabilidade pelo pagamento das multas e, também, decadência dos referidos créditos. O Tribunal a quo acolheu o primeiro argumento, julgando prejudicado o segundo. 1. A responsabilidade tributária não está limitada aos tributos devidos pelos sucedidos, mas também se refere às multas, moratórias ou de outra espécie, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor. (grifo não consta do original). 2. Nada obstante os art. 132 e 133 apenas refiramse aos tributos devidos pelo sucedido, o art. 129 dispõe que o disposto na Seção II do Código Tributário Nacional aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição, compreendendo o crédito tributário não apenas as dívidas decorrentes de tributos, mas também de penalidades pecuniárias (art. 139 c/c § 1° do art. 113 do CTN). (grifo não consta do original). Fl. 712DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR Processo nº 10680.000533/200475 Acórdão n.º 910101.116 CSRFT1 Fl. 5 9 3. Tendo em vista que a alegação de decadência não foi analisada em razão do acolhimento da nãoresponsabilidade tributária da empresa recorrida, determinase o retorno do autos para que seja analisado o fundamento tido por prejudicado. 4. Recurso especial provido em parte. (Acórdão proferido em 11/03/2008 – Relator Ministro Castro Meira) Com se extrai dos acórdãos a responsabilidade tributária do sucessor abrange não apenas o tributo, como quaisquer tipo de penalidades pecuniárias na medida em que ambos decorrem da obrigação principal, fundamentandose nos artigos 139 e no §1º do art. 113 do CTN, in verbis: Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Art. 113 (...). § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Assim, sendo parte integrante do crédito tributário, não há porque se cogitar da exclusão da responsabilidade do sucessor pela multa, seja ela de mora ou de ofício, independente do momento da constituição do crédito. A única diferença entre as multas de mora e de ofício é a postura do sujeito passivo perante o Fisco. Se ele reconhece sua omissão ou inadimplência e declara/paga o tributo correspondente antes de qualquer ação do Fisco deve apenas a multa de mora. Por outro lado, a multa de ofício é uma penalidade mais gravosa na medida em que o Fisco necessitou movimentar a sua máquina fiscalizadora para efetuar o lançamento dos tributos que foram sonegados aos cofres públicos pelo sujeito passivo. Trata se, portanto, de responsabilidade objetiva, que tem como pressuposto a inadimplência ou a omissão do sujeito passivo ao declarar/recolher o tributo, que é verificada no caso concreto, conforme dispõe o art. 136 do CTN, in verbis: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. (grifei) Embora a multa fiscal seja uma penalidade, tem caráter eminentemente patrimonial, não sendo aplicável o princípio do direito penal inserto no art. 5º, inciso XLV da CF/88, segundo o qual a pena não pode passar da pessoa do infrator. Assim, decidiu o Supremo Tribunal Federal no RE. 83.613SP, de 20/08/1976, e precedentes: RE 74.851, RE 59.883 e RE 77.187SP. Lembro, ainda, que, se no passado com base no aludido dispositivo constitucional alguns negavam a possibilidade de habilitação de créditos relativos a multa tributária no processo de falência (sob o argumento de que iria onerar os credores e não o infrator), hoje, a multa tributária está expressamente prevista, no art. 83, inciso VII, da Lei de Falência (Lei no 11.101/05) entre os créditos passíveis de habilitação. Arrematando, entendo que a multa de ofício aplicada pela autoridade fiscal por infração praticada pelo contribuinte à lei tributária, não possui caráter de pessoalidade, típica das penas criminais, mas ostenta caráter econômico e integra o passivo patrimonial das pessoas jurídicas, sendo, assim, transferível para o sucessor, da mesma forma que os demais elementos do passivo. Fl. 713DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR 10 Poderseia argumentar que a multa qualificada, como a aplicada no caso sub examine, revestese preponderantemente de elementos do direito penal, na medida em que a exasperação da multa de ofício é aplicada, com base no inc. II do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 diante da constatação do evidente intuito de fraude, nos termos definidos pelos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964, in verbis: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Neste caso, além da responsabilidade objetiva pela falta de declaração/recolhimento do tributo devido pelo sujeito passivo, concorre para a sua aplicação (da multa qualificada) a conduta subjetiva, caracterizada pela ação ou omissão dolosa do contribuinte com intuito de suprimir ou reduzir o tributo devido. Ora, no caso das pessoas jurídicas a caracterização da conduta dolosa que justifica a majoração da multa de ofício depende essencialmente da ação ou omissão dos seus administradores, que ao fim e ao cabo são os responsáveis pela sua gestão e os beneficiários dos seus resultados. Tal conduta é reprovada não apenas pela legislação tributária, que o faz por intermédio da exasperação da multa de ofício, mas também pela legislação penal, que a tipifica como crime (arts. 1º e 2º da Lei 8.137/1990). Assim, a pessoa jurídica sofre o agravamento da penalidade de cunho patrimonial, enquanto que o dirigente responsável pela conduta dolosa está sujeito às sanções criminais. Nesse contexto, poderseia questionar se a exasperação da multa, originada da ação ou omissão dos administradores da pessoa jurídica sucedida devesse passar à responsabilidade da pessoa jurídica sucessora. Uma vez mais entendo que a penalização mais gravosa deva ser transferida para a sucessora, na medida em que a multa de ofício qualificada integra o crédito tributário apurado e decorre igualmente da legislação tributária. Já a responsabilidade penal ou criminal do dirigente jamais poderá ser estendida ou transferida aos dirigentes da pessoa jurídica sucessora em face da aplicação do princípio da não transferência da pena, previsto no art. 5o, inc. XLV, da CF/88. Ainda que pudesse se admitir que a exasperação da multa lançada de ofício não devesse ser transferida aos sucessores, em homenagem ao princípio da boafé, este entendimento não poderia ser aplicado ao presente caso. As razões relatadas pela fiscalização no seu Termo de Verificação (fls. 25/37) para justificar a imposição da multa qualificada, também transcritas na peça recursal, demonstram que a empresa sucessora é composta basicamente pelos mesmos sócios da empresa incorporada, sendo que ambas sempre foram administradas com exclusividade pelo Fl. 714DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR Processo nº 10680.000533/200475 Acórdão n.º 910101.116 CSRFT1 Fl. 6 11 mesmo sóciogerente. É oportuno transcrever os principais pontos do item 67 do Termo de Verificação de Infração, para a perfeita compreensão dos fatos: 67. Caracterizam o evidente intuito de fraude a que aludem os artigos 71, 72 e 73, da Lei 4.502/64, os seguintes fatos, em conjunto com tudo o que já foi exposto neste Termo: "a) as omissões de receitas verificadas ocorreram de forma generalizada na empresa MG MASTER LTDA., bem como já ocorriam as omissões nas empresas que a mesma incorporou e continuaram a ocorrer após as incorporações, como comprovam os envelopes de Fechamento de Caixa e os relatórios existentes no aplicativo SISPAC, constantes da documentação retida/apreendida, de acordo com o Termo de Retenção, a que se refere o item 2, e anexados ao presente processo; b) filiais que iniciaram suas atividades em 1998 também já contabilizavam, desde o primeiro dia de funcionamento, valores de receitas de vendas inferiores às reais; c) as omissões não ocorreram de forma isolada ou esparsa, mas sim de forma continuada e geral, na medida em que ocorreram não só em alguns dias, mas diariamente, não apenas em alguns meses, mas em todos os meses do anocalendário de 1998, que ora está sendo analisado, e também não apenas em uma loja, mas em todas que já existiam, nas que entravam em funcionamento e também nas que foram incorporadas, todas sob a administração do Sr. Sebastião Vicente Bonfim Filho, que era sócio das incorporadas e continua como sócio quotista, representante legal e dirigente exclusivo da MG MASTER LTDA; d) as omissões não foram em decorrência de erros de escrituração e sim decorrentes da sistemática contabilização de valores de receitas de vendas inferiores aos efetivamente ocorrido; (...) g) existe uma limitação à emissão de notas ou cupons fiscais no dia, em função do procedimento de controle e cotas, de tal forma que a utilização dos emissores de cupom fiscal (ECF) fica restrita ao valor previamente determinado pelo próprio sócio administrador, Sr. Sebastião Vicente Bonfim Filho, conforme constatado nos documentos juntados às folhas 218 a 220 do anexo 1 do processo IRPJ e reflexos da MG MASTER LTDA (...); Assim, do quadro social da incorporada, figurava na sua composição SEBASTIÃO VICENTE BOMFIM FILHO e ISABEL MARIA DE MELO BOMFIM, já a empresa incorporadora MG Master Ltda, após a 17ª alteração contratual, mediante a qual incorporou outras 11 empresas além da sucedida Flash Sports Calçados Ltda., passou a apresentar o seguinte quadro societário: SEBASTIÃO VICENTE BOMFIM FILHO (85%); ISABEL MARIA DE MELO BOMFIM (3%); e GLORIA MARIA DE MELO BONFIM BURGER (12%). Fl. 715DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR 12 Ora, o sóciogerente de ambas as empresas (sucessora e sucedida), Sr. Sebastião Vicente Bonfim Filho é único responsável pelas ações e omissões que ensejaram a aplicação da multa qualificada e detentor de 85% do capital social da incorporadora, não pode alegar em seu proveito o desconhecimento de como operava a empresa incorporada e eventuais riscos ocultos na operação de incorporação. Não pode, portanto, opor a boa fé para justificar o afastamento da multa qualificada neste caso. Segundo Roque Antonio Carrazza, em seu Curso de Direito Constitucional, 16a ed, p. 379, o princípio da boafé também impera no Direito Tributário e leciona: “De fato, ele irradia efeitos tanto sobre o Fisco quanto sobre o contribuinte, exigindo que ambos respeitem as conveniências e interesses do outro e não incorram em contradição com sua própria conduta, na qual confia a outra parte (proibição de venire contra factum próprio).” (grifei) É oportuno registrar que o conjunto probatório da conduta dolosa da contribuinte a ensejar a aplicação da multa qualificada é robusto e não foi contestado pela Turma a quo, tanto que ela afastou a aplicação da regra decadencial do art. 150, § 4º, para, então calcular o prazo decadencial com base no disposto no art. 173, I, todos do CTN, justamente por estar configurado o dolo que, à luz da jurisprudência dominante do CARF à época, era necessário para deslocar o termo a quo do prazo decadencial do direito do Fisco lançar os tributos em tela para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ser feito o lançamento. Assim, uma vez superada a interpretação dada pela Turma a quo ao disposto no art. 132 do CTN, há que se restabelecer a cobrança da multa de ofício qualificada (150%) sobre os créditos tributários, nos termos do lançamento efetuado. Além disso, não há, pois como justificar a exclusão da exasperação da multa de ofício no presente caso, sem ferir o princípio da boafé, pois a ninguém é dado o direito de se beneficiar da própria torpeza (neminem auditur propriam turpitudinem allegans). Não bastassem todas as considerações já expendidas, entendo que o presente caso amoldase à perfeição ao conteúdo da Súmula nº 47 do CARF, in verbis: Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial para restabelecer a cobrança da multa de ofício qualificada (150%) sobre os créditos tributários, nos termos do lançamento efetuado. ﴾documento assinado digitalmente﴿ ALBERTO PINTO S. JR. Relator. Fl. 716DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR
score : 1.0
Numero do processo: 10768.002986/2003-95
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Nov 08 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Nov 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 1999
IRPJ - RESULTADOS LÍQUIDOS DE OPERAÇÕES DE COBERTURA (HEDGE) REALIZADAS NO EXTERIOR - DEDUTIBILIDADE - as operações de cobertura (hedge), realizadas para proteção de posições
assumidas na BM&F expressas em moeda nacional, mas atreladas a
derivativos de variação cambial não podem ser consideradas não admitidas por falta de normativo expresso de conteúdo proibitivo. São computados na apuração do lucro real, os resultados negativos verificados nas operações de
hedge, de que trata a Resolução CMN nº 2.012/1993, inclusive quando realizadas mediante operações de swap liquidadas em moeda nacional, não constituindo restrição o disposto no art. 1º da Circular Bacen nº 2.348/1993.
CSLL - RESULTADOS LÍQUIDOS DE OPERAÇÕES DE COBERTURA (HEDGE) REALIZADAS NO EXTERIOR - NOVO FUNDAMENTO LEGAL - IMPOSSIBILIDADE - Serão computados na determinação da base de cálculo da CSLL os resultados líquidos, positivos ou negativos, obtidos e operações de cobertura (hedge) realizadas em mercados de liquidação futura,
diretamente pela empresa brasileira, em bolsas no exterior (art. 17 c/c art. 28 da Lei nº 9.430/96). Não se considera dispositivo violado quando este não constituir fundamento da autuação e não fora trazido à lide desde o seu início.
O embasamento legal do lançamento não pode ser reformulado na fase recursal, sob pena de ofensa ao princípio do contraditório.
Numero da decisão: 9101-000.707
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso da Fazenda Nacional.
Nome do relator: CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS
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São computados na apuração do lucro real, os resultados negativos verificados nas operações de hedge, de que trata a Resolução CMN nº 2.012/1993, inclusive quando realizadas mediante operações de swap liquidadas em moeda nacional, não constituindo restrição o disposto no art. 1º da Circular Bacen nº 2.348/1993. CSLL - RESULTADOS LÍQUIDOS DE OPERAÇÕES DE COBERTURA (HEDGE) REALIZADAS NO EXTERIOR - NOVO FUNDAMENTO LEGAL - IMPOSSIBILIDADE - Serão computados na determinação da base de cálculo da CSLL os resultados líquidos, positivos ou negativos, obtidos e operações de cobertura (hedge) realizadas em mercados de liquidação futura, diretamente pela empresa brasileira, em bolsas no exterior (art. 17 c/c art. 28 da Lei nº 9.430/96). Não se considera dispositivo violado quando este não constituir fundamento da autuação e não fora trazido à lide desde o seu início. O embasamento legal do lançamento não pode ser reformulado na fase recursal, sob pena de ofensa ao princípio do contraditório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Fl. 761DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10768.002986/2003-95 Acórdão n.º 9101-00.707 CSRF-T1 Fl. 2 2 (documento assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. (documento assinado digitalmente) CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS - Relator. EDITADO EM: 20/01/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Leonardo de Andrade Couto, Claudemir Rodrigues Malaquias, Viviane Vidal Wagner, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Susy Gomes Hoffman (Vice- Presidente), Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Antonio Carlos Guidoni Filho, Karen Jureidini Dias e Valmir Sandri. Relatório Com fundamento no art. 56, inciso II do Regimento Interno do Conselhos de Contribuintes - RICC c/c arts. 7, inciso I e 15 § 1º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais – RICSRF, ambos aprovados pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, a Fazenda Nacional interpõe recurso especial (fls. 2.126/2.135) em face do acórdão nº 105-15.503, proferido pela antiga Quinta Câmara do Primeiro Conselhos de Contribuintes assim ementado: “IRPJ - RESULTADOS LÍQUIDOS DE OPERAÇÕES DE HEDGE REALIZADAS NO EXTERIOR - Aplica-se às operações de hedge, que se caracterizam como atividades operacionais, normais e usuais da empresa, realizadas nos termos da Resolução CMN 2.012/1993, inclusive quando realizadas no exterior mediante operações de swap, o tratamento tributário previsto no art. 6° do Decreto-lei 2.397/1987 (e respectivo § 1 0) c/c o disposto no art. 63 da Lei 8.383/91, sendo ineficaz a restrição prevista no art. 1° da Circular Bacen 2.348/1993 que não consta da Resolução CMN 2.012/1993, bem como, no caso, ineficaz a norma prevista no art. 3° da Resolução CMN 2.138/1994, à medida que se converte em condição inexeqüível em relação às operações de swap realizadas no exterior. CSLL - RESULTADOS POSITIVOS OU NEGATIVOS DE OPERAÇÕES DE HEDGE REALIZADAS NO EXTERIOR - A legislação da CSLL, aplicável anteriormente à data de 1° de outubro de 1999, a partir da qual passou a ter eficácia o art. 19 da MP 1.858-6/1999, não prevê ajustes ao valor do "resultado liquido do exercício”, a que se refere o art. 2° da Lei 7.689/1988, em que se encontram embutidos os resultados de Fl. 762DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10768.002986/2003-95 Acórdão n.º 9101-00.707 CSRF-T1 Fl. 3 3 operações de hedge, conformes à Resolução CMN 2.012/1993, mediante adição ou exclusão de tais resultados, positivos ou negativos, mormente quando se observa a ineficácia da restrição prevista no art. 1° da Circular Bacen 2.348/1993 que não consta da Resolução CMN nº 2.012/1993, bem como, no caso, a ineficácia da norma prevista no art. 3° da Resolução CMN 2.138/1994, à medida que se converte em condição inexeqüível em relação às operações de swap, que foram realizadas no exterior.” De início, cumpre registrar que os fatos que deram origem aos presentes autos, ensejaram também o lançamento do Imposto de Renda na Fonte (IRF), que constitui o objeto do processo de nº 10768.003317/2003-31, que será apreciado nesta mesma oportunidade. A ação fiscal que resultou em ambos os processos foi motivada por comunicação feita pelo Banco Central do Brasil à Superintendência Regional da Receita Federal, da 7ª Região Fiscal, por meio do expediente DESUP/GABIN-2001/036, de 20/04/2001, assim como, pela informação do Ministério Público Federal feita pelo Ofício nº 109/PR/RJ/GAB/AG, de 10.07.2001 (fls. 1.461). No âmbito daquela Autarquia, a matéria foi objeto de investigação simultânea, cujas conclusões foram consubstanciadas no Processo BCB nº 0101088985, julgado em caráter definitivo na 267ª Sessão de Julgamento do Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional (CRSFN) e que resultou no Acórdão CRSFN nº 7.842/06, de 07.11.2006. Deve-se destacar também que, em vista das disposições regimentais vigentes, especificamente quanto às atribuições para julgamento das Turmas desta Câmara Superior, foi suscitado conflito de atribuição, nos termos da Informação nº 9101-00248, de 27.09.2010 (fls. 2.159/2.161), cuja competência para sua solução é do Presidente do Carf, nos termos do art. 20, inciso IX do atual Regimento. Em 28.09.2010, o Presidente do Carf, manifestando-se sobre o conflito suscitado, determinou a relatoria e julgamento conjunto pela 1ª Turma da CSRF dos processos de nº 10768.002986/2003-95 (IRPJ/CSLL) e de nº 10768.003317/2003-31 (IRF) (fls. 2.162/2.163). Da autuação A contribuinte foi cientificada do auto de infração em 02.04.2003, lavrado para formalizar exigência fiscal referentes ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). A autoridade fiscal promoveu a glosa dos resultados negativos de hedge, denominando-os “despesas indedutíveis”, apropriados indevidamente nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, referentes ao ano-calendário de 1999. Conforme os autos de infração lavrados (fls. 1.480/1.487), o lançamento do IRPJ importou nos montantes de R$ 23.131.694,12 (sujeitos à multa de 75%) e de R$ 8.197.765,72 (sujeitos à multa de 150%) e a CSLL nos montantes de R$ 8.644.339,17 (sujeitos à multa de 75%) e de R$ 3.063.513,93 (sujeitos à multa de 150%). Os dispositivos que embasara a autuação, apresentados no corpo dos autos de infração no quadro “Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is), foram os seguintes (fls. 1.480/1.487): Fl. 763DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10768.002986/2003-95 Acórdão n.º 9101-00.707 CSRF-T1 Fl. 4 4 a) IRPJ - arts. 247, 249, inciso I, 251 e parágrafo único, e 299 do RIR/99; - art. 17 da Lei 9.430/96, c/c art. 25, § 5º, da Lei 9.249/95; - art. 63 da Lei 8.383/91, c/c art. 1º da Resolução CMN 2.012/93, c/c art. 1º da Circular Bacen nº 2.348/93; - art. 74, § 3º, da lei nº 8.981/95, c/c art. 3º da Resolução CMN 2.138/94. b) CSLL - art. 2º e §§ da Lei 7.689/88; - art. 10 da Lei 9.316/96 e art. 28 da Lei 9.430/96; - art. 7º da Medida Provisória 1.807/99 e reedições; - art. 6º da Medida Provisória 1.858/99 e reedições. Ao indicar os fundamentos legais da autuação, no item 7.2.1 do Termo de Verificação Fiscal, a autoridade lançadora apresenta como “Enquadramento Legal” para o lançamento da CSLL somente “a MP nº 2.158, art. 21 (antes, MP 1.858, art. 19, e MP 1.991, art. 21)” (fls. 1.477). O crédito tributário em discussão tem origem na glosa de despesa, promovida pela auditoria, por considerar indedutíveis os resultados negativos decorrentes de operações de swap OTC market, expressão financeira usual para designar over the counter market, referenciado no País como “mercado de balcão” ou mercado organizado fora de bolsa. Tais operações foram realizadas no exterior e utilizadas como instrumentos financeiros de operações de cobertura (hedge), destinadas a cobrir riscos de variação cambial de direitos adquiridos em operações de swap realizadas na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BMF) do Brasil. Conforme o Termo de Verificação Fiscal (fls. 1.447/1.479), as razões pelas quais a autoridade fiscal considerou os resultados negativos dessas operações não dedutíveis, podem ser sintetizadas da seguinte forma: a) IRPJ Duas razões foram apresentadas como fundamento para a glosa dos resultados negativos das operações de swap OTC: 1. PAGAMENTO OU RECEBIMENTO EM MOEDA ESTRANGEIRA 1.1 as operações de swap OTC, utilizadas como instrumentos financeiros para operações de cobertura (hedge), foram realizadas no exterior no mercado de balcão, cujos resultados deveriam ser considerados na País com base no art. 63 da Lei nº 8.383/91; 1.2 segundo o art. 63, para que as referidas operações de cobertura pudessem ser contempladas com o tratamento tributário previsto no art. 6º do Decreto-Lei nº 2.397/87, Fl. 764DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10768.002986/2003-95 Acórdão n.º 9101-00.707 CSRF-T1 Fl. 5 5 que admite a apropriação dos respectivos resultados líquidos na apuração da base de cálculo do IRPJ, seria condição necessária que, além de “admitidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), em relação a tais operações fossem “observadas as normas e condições por ele (CMN) estabelecidas”; 1.3 ocorre que as operações de cobertura (hedge), admitidas pelo CMN pela Resolução nº 2.012/93, só poderiam ser, segundo a Circular Bacen nº 2.348/93, aquelas destinadas à cobertura de “pagamentos ou recebimentos em moeda estrangeira”. Ou seja, poderiam ser objeto de hedge no exterior somente pagamentos ou recebimentos em moeda estrangeira, excluídos os expressos em moeda nacional; 1.4 como, no caso dos autos, os ativos financeiros a serem protegidos decorriam de operações de swap realizadas na BM&F, liquidáveis, portanto, em moeda nacional, tais objetos não atenderiam ao requisito estabelecido pela Circular Bacen nº 2.348/93; 1.5 não atendido o requisito previsto na referida Circular Bacen, não teria sido, em consequência, cumprida a norma ou condição estabelecida pelo Conselho Monetário, uma vez que a Circular fora expedida mediante competência para regulamentação delegada pelo art. 4º da Resolução CMN nº 2.012/93; 1.6 desta forma, uma vez não atendida a condição estabelecida pelo CMN, as operações de cobertura realizadas com suporte no art. 63 da Lei nº 8.383/91 não poderiam receber o tratamento tributário previsto no art. 6º do Decreto-lei nº 2.397/87, ou seja, não poderiam ter seus resultados negativos apropriados na determinação da base de cálculo do IRPJ, não sendo dedutíveis, portanto. 2. FALTA DE REGISTRO DA OPERAÇÃO NA CETIP 2.1 as operações de hedge realizadas no exterior valeram-se, como instrumentos financeiros, de operações de swap realizadas em mercado de balcão; 2.2 nesse caso, para que pudessem ser computados na apuração da base de cálculo do IRPJ, deveria ser obedecida ainda a exigência que decorre do art. 74, § 3º, da Lei 8.981/95, que só admite "o reconhecimento de perdas em operações de swap registradas nos termos da legislação vigente"; 2.3 a exigência de registro das operações de swap, consta da Resolução CMN nº 2.138/94, que estabeleceu a obrigatoriedade do registro na Central de Custódia e de Liquidação Financeira de Títulos (CETIP) ou em outro sistema de registro autorizado pelo Banco Central do Brasil (Bacen) ou pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) 1 ; 2.4 assim, o cômputo dos resultados negativos das operações de swap OTC utilizadas como instrumentos financeiros das operações de hedge, além de depender da 1 Art. 3º Estabelecer a obrigatoriedade do registro das operações de que trata esta Resolução em sistema administrado pela Central de Custódia e de Liquidação Financeira de Títulos - CETIP ou em outros sistemas de registro, de custódia e de liquidação, devidamente autorizados pelo Banco Central do Brasil ou pela Comissão de Valores Mobiliários e que atendam às necessidades de fiscalização e controle por parte do Banco Central do Brasil. Fl. 765DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10768.002986/2003-95 Acórdão n.º 9101-00.707 CSRF-T1 Fl. 6 6 obediência das normas relativas ao hedge, deveria observar o disposto no art. 3º da referida Resolução CMN nº 2.138/94, quanto ao registro das operações de swap; 2.5 como as operações de swap não foram registradas na CETIP ou em outro sistema de registro autorizado pelo Bacen ou pela CVM, os resultados negativos não podiam ser computados na apuração da base de cálculo do IRPJ. b) CSLL Em relação à CSLL, a autuação decorreu de fundamentos parcialmente distintos da do IRPJ. Conforme se verifica no item 7.2 do TVF (fls. 1.477), as considerações quanto aos fundamentos do lançamento encontram-se em três itens do referido termo, a saber: 5.1.2, 6.4 e 6.5. O item 6.4 do TVF apresenta as razões já descritas neste relatório no item 1, alínea “a” acima, que em síntese, refere-se à exigência constante da Circular Bacen nº 2.138/93 “pagamentos ou recebimentos em moeda estrangeira”. Já as considerações do item 6.5, descritas neste relatório no item 2, alínea “a” acima, referem-se à exigência constante da Resolução CMN nº 2.138/94, ou seja, a “obrigatoriedade do registro das operações de swap”. Portanto, torna-se desnecessária nova transcrição, neste tópico, das razões para o lançamento da CSLL, uma vez que a própria autoridade fiscal faz apenas sua remissão, sem reapresentá-las. Como dito acima, para a CSLL, a Fiscalização apresentou fundamentação parcialmente distinta do lançamento do IRPJ, com base na qual, justificou a glosa dos resultados negativos das operações no exterior, indevidamente computados na sua base de cálculo. A argumentação diferenciada ocupou o item “5.1.2 – Legislação da CSLL” do TVF (fls. 1.458), cuja síntese é a seguinte: 1. IMPOSSIBILIDADE DE COMPUTAR PREJUÍZOS DECORRENTES DAS OPERAÇÕES DE SWAP/OTC NA BASE DE CÁLCULO DA CSLL, ANTES DA MP 2.158/99 1.1 o art. 19 da MP nº 1.858-6, de 29 de junho de 1999, reproduzido pelo atual art. 21 da MP 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, estendeu à determinação da base de cálculo da CSLL às normas de tributação em bases universais, que dispõem sobre os efeitos da tributação dos lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior; 1.2 segundo referidas normas de tributação em bases universais, os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior são computados na apuração do lucro real, enquanto que os prejuízos, sofridos no exterior, não podem ser compensados com os lucros auferidos no Brasil (art. 25 da Lei nº 9.249/95); 1.3 nesse contexto, o Ato Declaratório SRF nº 75/99 determinou que essa nova regra, introduzidas pela MP nº 1.858-6/99, seria aplicável à CSLL em relação aos lucros, rendimentos e ganhos de capital disponibilizados a partir de 01/10/1999; 1.4 segundo o auditor fiscal, somente a partir da MP nº 2.158, passa a valer, também para a CSLL, o disposto no art. 17 da Lei nº 9.430/96 (c/c art. 28 da mesma lei), Fl. 766DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10768.002986/2003-95 Acórdão n.º 9101-00.707 CSRF-T1 Fl. 7 7 que trata das operações de cobertura (hedge) realizadas no exterior, a saber: "os resultados líquidos, positivos ou negativos, obtidos nas operações de hedge no exterior, são computados na determinação da base de cálculo da CSLL, desde que tais operações tenham sido realizadas em bolsas no exterior" (fls. 1.458) 1.5 anteriormente à MP nº 2.158 (vale dizer MP nº 1.858-6/99), os resultados obtidos no exterior (lucros, rendimentos, ganhos de capital e prejuízos) “não podiam ser computados na apuração da base de cálculo da CSLL, pois a tributação dos resultados da pessoa jurídica estava baseada no princípio da territorialidade” (fls. 1.458); 1.6 assim, conclui a autoridade fiscal, os resultados decorrentes das operações de swap realizadas no exterior em mercado de balcão (swap OTC), durante o ano de 1999, não podem ser computados na base de cálculo da CSLL, já que: (i) antes da aplicabilidade das normas da MP nº 1.858-6/99 (01.10.99), não era possível computar esses prejuízos na determinação da base de cálculo da CSLL; e (ii) depois de 01.10.99, os prejuízos só poderiam ser computados somente se as operações tivessem sido efetuadas com objetivo de hedge em bolsas no exterior, o que na realidade não ocorreu, uma vez que as operações foram feitas em mercado de balcão (fls. 1.458). Da impugnação O sujeito passivo, conforme petição de fls. 1.559/1.602, impugnou a exigência fiscal, exceto a parcela relativa ao crédito tributário decorrente da operação realizada com o Banco Surinvest, iniciada em 12.01.99 e concluída em 29.01.99, que foi liquidada na ocasião. Referida operação ensejou o lançamento do IRPJ e da CSLL com multa de ofício no percentual de 150% em razão da conduta considerada qualificada pela autoridade fiscal. Desta forma, desde a primeira instância, não foi objeto de litígio a parte do crédito tributário lançada, relativa à operação em que figurava como contra-parte o Banco Surinvest, correspondente ao contrato de câmbio nº 99/00044, conforme TVF (fls. 1.476/1.477). Para o preciso desfecho da questão apresentada, oportuno transcrever a síntese das razões da defesa em sede de impugnação, conforme o relatório da DRJ: “a) a contribuinte realizou várias operações que lhe propiciaram ganhos em razão da diferença de taxas de juros relativas as operações realizadas na BM&F (e no OTC e sempre esteve hedgiada contra os riscos cambiais. Algumas dessas operações geraram remessas para o exterior e outras geraram o ingresso de moeda estrangeira, mas esse aspecto nunca foi relevante para a contribuinte; b) as operações realizadas pela contribuinte no OTC, cujas perdas foram consideradas indedutíveis pela fiscalização para fins tributários, eram usuais e normais no mercado financeiro; c) a Resolução CMN nº 2.012/93 autoriza a contratação de hedge internacional, sem restringi-lo à cobertura de riscos relativos a pagamentos e recebimentos em moedas estrangeiras, pelo que as operações realizadas pela contribuinte no OTC são por ela respaldadas; d) a Resolução CMN nº 2.012/93 delegou ao BACEN competência apenas para baixar normas necessárias à sua execução, e não para restringir o seu alcance; Fl. 767DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10768.002986/2003-95 Acórdão n.º 9101-00.707 CSRF-T1 Fl. 8 8 e) se a Circular BACEN nº 2.348/93 tiver restringido, efetivamente, o hedge internacional aos pagamentos e recebimentos em moeda estrangeira, terá extrapolado os limites da delegação de competência feita pela Resolução CMN nº 2.012/93, razão por que suas regras não podem justificar a indedutibilidade das perdas incorridas pela contribuinte nas operações realizadas no OTC; f) entretanto, o próprio BACEN sempre interpretou a Circular BACEN nº 2.348/93, a despeito de seu texto, no sentido de que ela permitia a realização de hedge internacional para cobrir riscos relativos a qualquer ativo ou passivo atrelado à variação da taxa cambial, independentemente de a moeda estrangeira ser utilizada como moeda de pagamento ou como moeda de conta. Comprova essa assertiva o fato de o BACEN sempre ter tido conhecimento das operações realizadas no OTC, como aquelas realizadas pela contribuinte, sem nunca as ter questionado, considerando-as legítimas; g) as operações realizadas no OTC não são registráveis no Brasil na CETIP razão por que a falta do referido registro não impede que as perdas delas decorrentes sejam consideradas para fins de apuração do lucro real; h) para que determinado resultado se classifique como produzido no exterior é necessário que o trabalho ou o capital de que deriva esteja situado fora do Brasil; i) os resultados das operações realizadas pela contribuinte no OTC não se classificam como resultados auferidos no exterior, já que não houve qualquer tipo de aplicação de recursos no exterior e o negócio foi concebido pela contribuinte no Brasil. As operações no OTC representaram apenas urna "perna" de operação estruturada Brasil e vinculada a ativos aqui existentes; j) por não decorrerem do exterior, os resultados das operações realizadas no OTC: (i) tinham que ser computados na base de calculo do 1RPJ e da CSLL mesmo antes da promulgação de Lei 9249/95; e (ii) não se sujeitam à restrição - quanto à sua dedutibilidade contida no art. 25, § 5º, da referida lei.” Quanto à CSLL, se faz necessária também a seguinte transcrição (fls. 1.599/1.560): “5.3.22 portanto, os resultados das operações de hedge praticadas pelo impugnante foram produzidos no Brasil, não havendo razão para excluí-los da base de cálculo da CSLL antes de outubro de 1999. Esse era o único procedimento cabível e o impugnante destaca que, no período-base de 1998, quando todas as operações realizadas na OTC geraram receitas, foram elas computadas na base de cálculo da CSLL a despeito de, naquele ano, ainda prevalecer o principio da territorialidade no âmbito da CSLL. Essa assertiva é comprovada pelo fato de o lucro liquido do impugnante não ter sido ajustado, para efeitos de determinação da base de cálculo da CSLL, pela exclusão de ganhos identificados como provenientes do exterior (Doc. 07). 5.3.23 Assim, pelo mesmo motivo, pelo qual o impugnante ofereceu à tributação os ganhos decorrentes das operações realizadas no OTC no ano de 1998, computou na base de cálculo da CSLL as perdas verificadas no mesmo mercado, ocorridas em 1999”. O Acórdão DRF/RJO-I nº 4460/2003, de Primeira Instancia, (fls. 1.735/1.773, mantém a exigência fiscal. Refuta ou desconsidera as arguições da impugnante, invocando, as mesmas razões apresentadas pelo auditor fiscal no TVF. Fl. 768DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10768.002986/2003-95 Acórdão n.º 9101-00.707 CSRF-T1 Fl. 9 9 Do recurso voluntário Em sede de recurso voluntário (fls. 1.780/1.799), a contribuinte ratifica, os argumentos apresentados na Impugnação e acrescenta novas ponderações: a) quanto à premissa em que se baseou o acórdão da DRJ de que, gozando as normas administrativas regularmente editadas de presunção de validade, tal questionamento deve ser dirigido ao Poder Judiciário, que detém a competência legal para apreciá-lo; e b) quanto à conclusão da decisão da DRJ de que havia alternativas de registro, além da CETIP, porque a Resolução CMN nº 2.138/94 refere-se a “outros sistemas de registro”. Sobre a tributação da CSLL com base no princípio da territorialidade, a contribuinte chama a atenção no recurso voluntário para o fato de que o “acórdão recorrido não analisa nem refuta os argumentos da impugnação e apenas afirma que as perdas da recorrente foram incorridas no exterior pelo simples fato de a outra parte contratante do hedge ser domiciliada no exterior”. Pondera a contribuinte que, na vigência da legislação anterior à eficácia do art. 19 da MP nº 1.858-6/99, ou seja, até 01.10.99, prevalecia o princípio da territorialidade, como reconhece o TVF (fls. 1.458), e sob tal princípio o mero fato de um ganho ou perda decorrer de relação com parte residente no exterior não era suficiente, por si, para qualificá-lo como de origem ou fonte estrangeira. A Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por meio da decisão recorrida de fls. 1.878/1.957), por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário, corroborando o estudo do i. relator Conselheiro Irineu Bianchi, que em síntese, concluiu que: a) quanto aos pagamentos em moeda estrangeira, objeto das operações de cobertura “157. Corno visto, a decisão invoca que a Circular nº 2170, de 30.04.1992, do BACEN, anterior à Resolução nº 2.012/93 do CMN e à Circular Bacen nº 2.348/93 - que são as únicas ora em causa - referia-se a "pagamentos e recebimentos em moedas estrangeiras" ao dispor sobre hedge. 158. Esse fato é de todo irrelevante, porque: (i) essa restrição da Circular de 1992 não está consagrada na Resolução nº 2.012/93, que lhe é posterior e hierarquicamente superior; (ii) sob o art. 63 da Lei nº 8383/91, cabe ao CMN, e não ao BACEN, baixar normas e estabelecer as condições sobre o tratamento tributário do hedge e, nesse aspecto, a Circular nº 2.170/92, se pertinente fosse ao caso, seria tão ilegal quanto a de nº 2.348/93, como acima demonstrado, porque nela o BACEN regula o que não lhe cabe regular por força de lei. 159. Mas, mesmo que se pudesse considerar válida a restrição imposta pela Circular Bacen nº 2.348/94, a despeito de tudo o que já foi dito, não teria ela o condão de vedar a apropriação dos resultados negativos das operações de hedge no exterior, pelo fato de que o § 1º do artigo 6º do DL 2.397/87 integra o conjunto do chamado "tratamento tributário" previsto no DL 2.397/87, a que se refere o art. 63 da Lei nº 8.383/91. E referido § 1º do art. 6º do Decreto-lei 2.397/87 diz o seguinte: Fl. 769DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10768.002986/2003-95 Acórdão n.º 9101-00.707 CSRF-T1 Fl. 10 10 1º No caso de operações que não se caracterizem como de cobertura, para efeito de apuração do lucro real os lucros obtidos serão computados e os prejuízos não serão dedutíveis. (...) 161. Nesse contexto, fica evidente que os prejuízos só não seriam dedutíveis na hipótese de as operações não se caracterizarem como de cobertura. Não é o caso dos autos. Pois, como já disse nas alíneas 'a' a “d” do item 88 deste voto, as operações foram consideradas pelo auditor fiscal como operações de cobertura (hedge). 162. Concluo, finalmente, que a inovação inserta no caput do art. 1º da Circular Bacen nº 2.348/94 não reúne condições de merecer a interpretação restritiva que lhe atribuíram o auditor fiscal e a autoridade julgadora. Não tem ela condições de inculcar nas operações realizadas pelo recorrente, ao amparo da Resolução CMN nº 2.012/93, a pecha de irregulares.” (os destaques não são do original) b) quanto à necessidade de registro das operações na CETIP “186. Todo esse conjunto de fatos indiciários, demonstrados e documentados no processo, é suficiente para convencer-me de que as operações de swap cursadas em mercado de balcão no exterior não eram e não são registráveis no Brasil. (...) 188. Observo que o art. 63 da Lei 8.383/91 estava vigente na época dos fatos. Com relação ao art. 6° do Decreto-lei 2.397/87, nota-se que o exato teor de seu caput foi reproduzido no caput do art. 396 do RIR/99, que cita como fonte legal o art. 17 da Lei 9.430/96. Mas é preciso salientar que o § 1º do referido art. 6º do Decreto-Lei nº 2.397/87 também está em pleno vigor, pois seus termos foram transcritos, "ipsis litteris", no § 2º do art. 396 do RIR/99, a despeito de o regulamento não citar a fonte legal correspondente. 189. Seja como for, essa legislação básica que autoriza a realização de hedge no exterior, que se vale de instrumentos que atendem aos parâmetros internacionais (de que fala o § 1° do art. 1° da Resolução CMN 2.012/93), um dos quais são as operações de swap realizadas em mercado de balcão, não pode ver usurpada sua eficácia pela inserção no seu contexto de condição inexeqüível. 190. A lei tem o atributo intrínseco da eficácia, que se remove apenas com a revogação da própria lei, ou se suspende temporariamente com a edição de outra lei, ou se submete ao implemento de determinada condição, mas desde que exeqüível a condição. O que não se pode admitir é que a eficácia de uma lei seja aniquilada pela criação de condição inexeqüível, como se pretendeu fazer no presente caso. (...) 191. Caso se pretenda retirar em definitivo a eficácia de urna lei, que se revogue a lei, como ocorreu com o indigitado art. 63 da Lei 8.383/91, que foi finalmente revogado pelo art. 24 da Lei 11.033/2004, mas somente a partir de 1º de janeiro de 2005.” (...) (os grifos não constam do original) Fl. 770DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10768.002986/2003-95 Acórdão n.º 9101-00.707 CSRF-T1 Fl. 11 11 c) quanto à CSLL “194. Para se conhecer a forma correta de tributar a CSLL, é mais importante examinar objetivamente a legislação aplicável à matéria, do que se nortear pelos chamados princípios da territorialidade ou da tributação em bases universais, que podem ajudar, mas são imprecisos quanto à conceituação. (...) “209. Pois bem, em relação à CSLL, à semelhança do que ocorre com o IRPJ, o ponto de partida para apuração da base de cálculo da CSLL é exatamente o "resultado líquido do exercício" (ou do período, na linguagem da Lei 9.4.30/96), na sua genuína expressão contábil, antes de computada a provisão para pagamento do imposto de renda (Lei 6.404/76, art. 187, inciso V) e antes de computada a provisão para pagamento da própria CSLL (Lei 9.316/96, art. 1º). Desse ponto de partida, a apuração da base de cálculo da CSLL se completa com os ajustamentos previstos na legislação, ou seja, com as adições e exclusões previstas em lei. (...) 212. Então, considerando-se que a definição da base de cálculo da CSLL tem como ponto de partida o valor do "resultado líquido do exercício", em que já estão embutidos os saldos das contas analíticas de "receitas, custos ou despesas" que formam os "rendimentos e ganhos de capital" obtidos no exterior, para se saber se esses resultados devem ou não ser objeto de exclusão ou adição, na determinação da base de cálculo da referida contribuição, deve-se examinar tão somente a legislação da própria CSLL. Nesse exame, há que se concentrar a atenção especialmente sobre a legislação que regia a CSLL até o momento em que foi submetida à eficácia do art. 19 da MP 1.858-6/99, ou seja, até o momento em que passou a ser tributada pelo critério de "bases universais". 213. E o resultado desse exame é que, até 30.09.1999, não havia dispositivo algum que determinasse tratamento de adição ou de exclusão dos referidos "rendimentos e ganhos de capital obtidos no exterior, para fins de determinação da base de cálculo da CSLL. Pelo contrário, os arts. 28 e 87 da Lei 9.430/96 já determinavam que fossem aplicadas à CSLL, a partir de janeiro de 1997, as disposições dos arts. 17 e 71 da mesma Lei 9.430/96, que cobrem todo o elenco de operações praticadas pelo recorrente. 214. Nesse contexto, observo que as alegações apresentadas pelo contribuinte, na impugnação e no recurso voluntário, que não foram contestadas pela autoridade julgadora de primeira instância, estão em consonância com a explanação apresentada neste voto, especialmente as argüições que têm por base o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 05, de 31.10.2001, e a Portaria MF nº 18, de 12.01.79 (que complementa o disposto no art. 5º do Decreto-lei nº 1.418, de 03.09.75). 215. Por essas razões, entendo que o contribuinte agiu de forma correta, ao ter oferecido à tributação da CSLL os resultados positivos obtidos no ano de 1998 e ao ter apropriado nas contas de resultado as perdas ocorridas no ano de 1999. (...)” A Câmara a quo afastou, então, a exigência do IRPJ e da CSLL considerando dedutíveis as perdas nas referidas operações de hedge, instrumentalizadas por contratos swap OTC, considerando, em síntese, a exigência fiscal se funda de forma equivocada: “(i) na inépcia de uma Circular do Bacen, que só poderia modificar as condições do hedge se fosse Fl. 771DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10768.002986/2003-95 Acórdão n.º 9101-00.707 CSRF-T1 Fl. 12 12 possível admitir-se a legalidade da invasão de competência do CMN por parte do Bacen; (ii) numa exigência de registro inexeqüível e, finalmente, (iii) numa errônea suposição de que a legislação aplicável à CSLL, na época dos fatos, impediria a apropriação na conta de "resultado liquido do exercício" dos "rendimentos e ganhos de capital" obtidos no exterior. Dos embargos de declaração Em face da decisão da Quinta Câmara, a Fazenda Nacional interpôs embargos de declaração (fls. 1.960/1.999), alegando, em síntese: a) quanto à questão do “registro das operações”, que a Câmara deixou de observar que a exigência de tal registro decorre do art. 3º e seguintes da Lei nº 4.131 c/c Circular Bacen nº 2.348, art. 5º; b) quanto à “autonomia do BCB para editar atos pertinentes a câmbio” argumenta que a Câmara ao rejeitar a condição estabelecida pela Circular Bacen nº 2.348, sob o argumento de que o Bacen extrapolou a competência que lhe fora delegada, deixou de observar que a Lei nº 4.595, art. 4º, inciso XVIII, ao atribuir ao Bacen o “monopólio das operações de câmbio”, atribui-lhe autonomia para editar atos referentes à matéria cambial; e, finalmente, c) quanto à questão da “paridade entre moedas”, a PFN argumenta que a Câmara, ao entender que o Bacen alterou condições das operações de swap/hedge, por inserir na Circular nº 2.348 exigência de que os objetos do hedge fossem “pagamentos e recebimentos em moedas estrangeiras”, deixou de observar que, à vista do conceito de “paridade”, assentado no Glossário do Bacen, a Circular Bacen nº 2.348 não colide com a disposição da Resolução CMN nº 2.012, visto que as operações enquadradas como “operações de paridade entre moedas” resultam necessariamente em “pagamentos e recebimentos em moedas estrangeiras”. Oportuno registrar que, em 20.06.07, na sua manifestação perante os embargos de declaração, a contribuinte aduziu as seguintes informações ao processo, peticionando a juntada de diversos documentos: “5. Como indicado nos autos, a fiscalização do Bacen considerou que determinadas operações de hedge do contribuinte eram violadoras das normas administrativas do CMN e do Bacen. Dessa fiscalização decorreram um processo administrativo na esfera do Bacen (nº 01001088985), o Auto de Infração objeto do processo em epígrafe e um processo criminal. 6. A decisão de primeira instância na esfera do Bacen foi contrária à PETCIONÁRIA, à qual aplicou multas em valor superior a R$ 18 milhões; no entanto, o recurso dela interposto pela PETICIONARIA (nº 5523) foi provido por acórdão unânime do Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional (CRSFN), proferido na 266ª sessão, de 07 e 08.11.2006, que contou com parecer favorável do Procurador da Fazenda Nacional, Rodrigo Pirajá Wienkoski. Fl. 772DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10768.002986/2003-95 Acórdão n.º 9101-00.707 CSRF-T1 Fl. 13 13 7. (...) 8. A PETICIONARIA vem juntar cópia aos autos da p. 58 do Diário Oficial de 20.12.2006 (Doc. 1), que noticia que o processo 01001088985 foi arquivado em razão do provimento doseu recurso nº 5523, e cópia do pertinente parecer do Procurador da Fazenda Nacional, Rodrigo Pirajá Wienkoski (Doc. 2), favorável à PETICIONARIA.” (fls. 2.000/2.003) Em 21.08.2007, foram juntados aos autos cópia do Acórdão proferido pelo Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional nº 7842, de 07.11.2006, o qual, por unanimidade de votos, “concluiu que as operações de hedge praticadas pela PETICIONARIA foram válidas e encontram amparo na Lei nº 4.595/64 e nas normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), notadamente a Resolução nº 2.012/93, vigente à época” (fls. 1.857/1.936). Ao analisar os referidos embargos, o i. relator concluiu pela inexistência das imperfeições alegadas, não padecendo a decisão da câmara a quo de qualquer vício de omissão, obscuridade ou contradição, qualificando de inovadores os argumentos trazidos pela embargante. Assim, as alegações foram rejeitadas pelo então presidente da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, conforme despacho de 24.01.2008 (fls. 2.105/2.120). Do recurso especial Mantido sem reparos o teor do acórdão proferido pela antiga Quinta Câmara do Primeiro Conselhos de Contribuintes, a Fazenda Nacional apresentou, então, recurso especial com fundamento no art. 56, inciso II do RICC c/c art. 7º, inciso I, alegando o seguinte (fls. 2.126/2.135): “O v. acórdão ora recorrido, proferido pela Colenda Quinta Câmara do Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, deu provimento ao recurso voluntário interposto, afastando a autuação do IRPJ e da CSLL, a partir da desconstrução da argumentação exposta no procedimento fiscal, em três pontos capitais; a) suposto vicio de delegação do Conselho Monetário Nacional ao Banco Central, em face da ilegalidade material constante na Circular Bacen nº 2.348/93; b) impossibilidade concreta de registro das operações, conforme exige a legislação tributária; c) possibilidade de contabilização dos resultados negativos obtidos no exterior na base de calculo da CSLL. Verifica-se que tal decisão contraria o art. 63, da Lei nº 8.383, a Resolução CMN nº 2.012 e a Circular do Bacen nº 2.348, de 30/07/1993, o art. 17 e 28, da Lei nº 9.430/96. (destaques do original) A Fazenda Nacional insurge-se contra a decisão recorrida com base nos seguintes fundamentos, em síntese: 1. IRPJ e CSLL – a decisão contrariou o disposto nos arts. 63, da Lei nº 8.383/91 e art. 6º do Decreto-Lei nº 2.397/97, na Resolução CMN nº 2.012 e na Circular do Bacen nº 2.348, de 30/07/1993, pois: a) o tratamento tributário previsto no art. 6º do referido decreto-lei, aplica-se às operações de riscos realizadas em outros mercados de futuros, no exterior, além de bolsas, Fl. 773DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10768.002986/2003-95 Acórdão n.º 9101-00.707 CSRF-T1 Fl. 14 14 desde que admitidas pelo Conselho Monetário Nacional e desde que sejam observadas as normas e condições por ele estabelecidas; b) o mero cotejo entre o objeto do hedge aqui discutido e a Resolução CMN nº 2.012/93 comprova que o Conselho Monetário Nacional não previu esta hipótese de garantia, qual seja, a de pagamentos a serem liquidados em moeda nacional; c) trata-se de benefício fiscal que deve ser interpretado de restritivamente; d) a licitude das operações, considerada pelo órgão julgador do Sistema Financeiro Nacional, não produz a consequência tributária pretendida pela contribuinte, pois as esferas financeira e tributária são distintas. 2. CSLL – a decisão contrariou o disposto nos arts. 17 e 28 de Lei nº 9.430/96, pois: a) segundo o art. 17 da Lei nº 9.430/96, é condição para que sejam computados na determinação do lucro real (critério estendido à CSLL por força do art. 28) os resultados líquidos, positivos ou negativos, obtidos em hedge, a sua realização em bolsas no exterior; b) como no caso dos autos, as operações swap no exterior foram realizadas no mercado de balcão, não restou exigida a condição para dedutibilidade das referidas perdas. Em suas contrarrazões (fls. 2.146/2.158), a contribuinte destaca a decisão definitiva que lhe foi favorável prolatada sobre a mesma matéria pelo Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional (fls. 2.148). Aquele órgão, com o apoio do parecer do Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Rodrigo Pirajá Wienkoski, por meio de decisão unânime do colegiado, deu provimento ao recurso da contribuinte e considerou lícitas e conformes à legislação cambial e às normas do CMN e do Bacen as operações objeto dos presentes autos. Quanto ao mérito, assevera que a Lei nº 4.595/64 estabeleceu diferentes competências para o CMN e o Bacen, além de notória hierarquia entre tais órgãos e as normas por eles expedidas. O CMN se sobrepõe ao Bacen e esse não pode alterar as normas baixadas pelo CMN; compete-lhe cumpri-las, e não inová-las, ampliá-las, restringi-las nem condicioná- las. Reitera o argumento de que, ao regulamentar a Resolução CMN nº 2.012/93, o Bacen extravasou-lhe os limites para exigir que as operações de hedge no exterior dessem cobertura a "pagamentos e recebimentos em moedas estrangeiras", requisito que não consta da Resolução CMN nº 2.012/93 (fls. 2.149). Acrescenta, ainda, os mesmos fundamentos do Acórdão do CRSFN, anteriormente mencionado, cuja decisão lhe foi favorável: "113. Com base nas considerações lançadas no item IV.2 do Tópico antecedente, adoto os fundamentos do suscitados há pouco pelo Dr. Rodrigo Pirajá, em seu novel Parecer, substitutivo do anterior, quanto ao errôneo enquadramento conferido pelo BACEN ao caso sob análise que levam à inexorável conclusão de que não houve descumprimento, por qualquer dos Recorrentes, de nenhuma restrição estabelecida em lei não havendo, consequentemente, como apená-los pelos fatos descritos pelo BACEN. As operações efetuadas pelo Banco Brascan foram regulares Fl. 774DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10768.002986/2003-95 Acórdão n.º 9101-00.707 CSRF-T1 Fl. 15 15 e a Autarquia Recorrida não logrou êxito na comprovação da materialidade das infrações por ela imputadas aos Recorrentes." (destaques do original) No que se refere à segunda fundamentação do auto, quanto à necessidade de registro das operações na CETIP, destaca que “o Recurso não mais argui a suposta ilicitude das operações da Recorrida em razão da ausência de seu registro na Cetip, o que limita o seu âmbito à não conformidade das operações à legislação cambial” (fls. 2.155). Quanto à CSLL, destaca a contribuinte que a Fazenda Nacional, “invoca o voto vencido que se funda em normas jurídicas diferentes das arguidas no TVF e que o próprio Recurso reconhece que somente se aplicariam a operações posteriores às realizadas pela Recorrida” (fls. 2.155) Às fls. 2.159, a Delegacia Especial de Instituições Financeiras no Rio de Janeiro retorna os autos a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais para as providências cabíveis. É o relatório. Voto Conselheiro CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS O presente recurso foi interposto tempestivamente, desafia decisão não unânime da Câmara a quo e, nos termos do art. 15, inciso I do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (RICSRF), demonstra fundamentadamente que a decisão recorrida apresenta suposta contrariedade à lei. Dele, portanto, tomo conhecimento. Preliminarmente, cumpre registrar que a matéria submetida a exame deste Colegiado não inclui a parcela do crédito tributário decorrente da operação realizada com o Banco Surinvest, iniciada em 12.01.99 e concluída em 29.01.99. Referida operação ensejou o lançamento do IRPJ e da CSLL com multa de ofício no percentual de 150% em razão da conduta considerada qualificada pela autoridade fiscal. Desta forma, desde a primeira instância, não foi objeto de litígio a parte do crédito tributário, relativa à operação em que figurava como contra-parte o Banco Surinvest, correspondente ao contrato de câmbio nº 99/00044, conforme TVF (fls. 1.476/1.477). Portanto, estão sendo discutidas nestes autos, as consequências tributárias relativas a 24 operações realizadas com o Mellon Bank N.A., discriminadas no quadro constante do Termo de Verificação Fiscal (TVF), (fls. 1.448), todas liquidadas entre 15.01.99 e 02.09.99. Fl. 775DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10768.002986/2003-95 Acórdão n.º 9101-00.707 CSRF-T1 Fl. 16 16 Cumpre também registrar que os fundamentos da autuação referente ao IRPJ e da CSLL são parcialmente coincidentes com os que embasaram o lançamento do IRF no processo de nº 10768.003317/2003-31, que será também apreciado nesta oportunidade. Pois bem, como se verifica no relatório, a contribuinte realizou nos anos de 1998 e 1999 operações de cobertura (hedge) que empregaram, como instrumentos, contratos de swap OTC market (over the counter market), firmados no exterior. Tais contratos correspondem a operações realizadas no chamado mercado organizado fora de bolsa, aqui no Brasil referenciado com a expressão “mercado de balcão”. As operações de hedge, como o próprio nome sugere, destinam-se a cobrir riscos potenciais sobre ativos financeiros. No caso dos autos, a contribuinte realizou no exterior tais operações para cobrir ou “hedgear” posições assumidas em outras operações, também do tipo swap, realizadas na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), no Brasil. As operações de hedge são justificadas por pressupostos verificáveis objetivamente, quais sejam, a existência de uma obrigação futura ou um ativo financeiro e a possibilidade de uma provável perda (risco). Da análise da documentação acostada aos autos, pode-se afirmar que as operações realizadas pela contribuinte se iniciavam com assunção de posições na BM&F, por meio de dois contratos simultâneos de swap: um swap de dólar contra Certificado de Depósito Interbancário (CDI) e outro swap de CDI contra uma taxa de juros pré- fixada. Os CDI constavam em ambos os contratos, mas em posições inversas e, portanto, sua variação era neutralizada, caracterizando-se tais operações os chamados swaps sintéticos de dólar contra taxa de juros pré-fixada. Estas operações cursadas na BM&F, apesar de justapostas, configuravam ainda uma situação de risco pela possível discrepância entre a variação da taxa de juros pré-fixada e a variação do dólar, passível, portanto, de ser objeto de hedge. Em outras palavras, a operação da contribuinte consistia em trocar no mercado a variação dos juros pré-fixados pela variação cambial; pagava os juros incorridos no período de cada operação e, em troca, recebia a variação cambial ocorrida neste mesmo período. Se neste lapso, a variação do dólar fosse maior do que a taxa de juros pré-fixada, a contribuinte receberia a diferença, obtendo lucro. E, caso a variação da cotação do dólar fosse menor que a taxa de juros pré-fixada contratada, ou fosse negativa, a contribuinte arcaria com a diferença, tendo prejuízo. Estas posições assumidas na BM&F caracterizam risco potencial decorrente da variação do preço da moeda estrangeira. Ela poderia ganhar ou perder. Porém, ao fazer o swap inverso no OTC como forma de “travar” a operação na BM&F, a contribuinte estaria protegida do risco cambial. É esta a justificativa para as operações de cobertura no exterior, que foram estruturadas em posições inversas àquelas assumidas na BM&F. Ao final do período, a contribuinte, por meio destas operações, pagava à sua contraparte no exterior a variação cambial e recebia o valor correspondente a uma taxa de juros pré-fixada. Foi justamente a liquidação destas operações no exterior deu origem aos contratos de câmbio (remessas) que ensejaram a presente autuação (fls. 1.448). Os valores remetidos ao exterior, a título de pagamento das perdas incorridas nas operações de swap OTC, foram computados na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Ao considerar dedutíveis estas despesas, a contribuinte levou em conta o disposto no art. 6º do Decreto-Lei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987, combinado com o art. 63 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, verbis: Fl. 776DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10768.002986/2003-95 Acórdão n.º 9101-00.707 CSRF-T1 Fl. 17 17 Decreto-Lei nº 2.397/87 "Art. 6º Serão computados na determinação do lucro real da pessoa jurídica os resultados líquidos obtidos em operações de cobertura realizadas nos mercados de futuros, em bolsas no exterior, iniciadas a partir de 1° de janeiro de 1988. § 1º - No caso de operações que não se caracterizem como de cobertura, para efeitos de apuração do lucro real os lucros obtidos serão computados e os prejuízos não serão dedutíveis. (...)” Lei nº 8.383/91 "Art. 63. O tratamento tributário previsto no art. 6° do Decreto- lei nº 2397, de 21 de dezembro de 1997, aplica-se, também, às operações de cobertura realizadas em outros mercados futuros, no exterior, além de bolsas, desde que admitidas pelo Conselho Monetário Nacional e desde que observadas as normas e condições por ele estabelecidas." (os grifos não são do original) Na vigência do Decreto-Lei nº 2.397/87, as operações de hedge, cujos resultados líquidos deveriam ser computados na apuração do lucro real, eram somente aquelas realizadas nos mercados futuros em bolsas no exterior. Com a edição da Lei nº 8.383/91, as demais operações de cobertura realizadas em outros mercados futuros, além das bolsas, passaram a receber o mesmo tratamento tributário do Decreto-Lei, desde que admitidas pelo Conselho Monetário Nacional e desde que observadas as normas e condições por ele estabelecidas. O Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), em seu art. 396 reproduz o disposto no art. 17 da Lei nº 9.430/96 e o § 1º do mesmo artigo traz a mesma redação do mencionado art. 63 da Lei nº 8.383/91. À luz destes dispositivos, o resultado negativo proveniente de operações de cobertura (hedge) realizadas no exterior poderia ser computado na determinação do lucro real. No entanto, isto só poderia ser feito se tais operações fossem admitidas pelo Conselho Monetário Nacional e cumpridas as demais normas e condições estabelecidas. À época dos fatos, a regulamentação pertinente referida na aludida Portaria ministerial, for expedida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), por meio da Resolução CMN nº 2.012, de 30.07.1993 2 , que assim disciplinou o assunto, na parte que interessa a esta análise: 2 A Resolução CMN 2.012/93 foi revogada pela Resolução CMN nº 3.312, de 31.08.2005, que assim dispõe sobre matéria: “Art. 1º Estabelecer que as transferências financeiras do e para o exterior, decorrentes de operações destinadas à proteção (hedge) de direitos ou obrigações de natureza comercial ou financeira, sujeitos a riscos de variação, no mercado internacional, de taxas de juros, de paridades entre moedas estrangeiras ou de preços de mercadorias, podem ser realizadas por pessoas físicas ou jurídicas residentes, domiciliadas ou com sede no País, em bancos autorizados a operar no mercado de câmbio, observado o disposto na presente Resolução. Parágrafo único. Observados os riscos de variação previstosno caput deste artigo, pode ser utilizada qualquer modalidade de hedge regularmente praticada no mercado internacional. Fl. 777DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10768.002986/2003-95 Acórdão n.º 9101-00.707 CSRF-T1 Fl. 18 18 “O Banco Central do Brasil, na forma do art. 9º da Lei nº 4.595, de 31.12.64, torna público que o Conselho Monetário Nacional, em sessão realizada em 28.07.93, com base nos arts. 4º, incisos V e XXXI, e 57 da referida lei, e tendo em vista as disposições do art. 9º do Decreto-Lei nº 1.351, de 24.10.74, com a redação dada pelo Decreto-Lei nº 1.411, de 31.07.75, e do art. 63 da Lei nº 8.383, de 30.12.91, R E S O L V E U: Art. 1° Permitir que as entidades do setor privado realizem, no exterior, com instituições financeiras ou em bolsas, operações destinadas a proteção ("hedge") contra o risco de variações de taxas de juros, de paridades entre moedas e de preços de mercadorias, no mercado internacional. § 1° As operações de que se trata pautar-se-ão pelos parâmetros vigentes no mercado internacional, podendo o Banco Central do Brasil, a seu exclusivo critério, exigir compensação cambial suficiente para elidir os efeitos das operações que se mostrarem dissonantes do objetivo previsto ou celebradas fora daqueles parâmetros, sem prejuízo da aplicação das sanções porventura cabíveis. (...) Art. 4° Fica delegada competência ao Banco Central do Brasil para adotar as medidas e baixar as normas necessárias à execução do disposto nesta Resolução. (...)" (os grifos não constam do original) O Banco Central do Brasil, no exercício da competência delegada pelo CMN, regulamentou a referida Resolução por meio da Circular nº 2.348, de 30.07.1993, dispondo o seguinte, na parte que interessa a esta análise: “Art. 1º Podem ser objeto de proteção (hedge) contra o risco de variações de taxas de juros, de paridades entre moedas e de preços de mercadorias, no mercado internacional, os pagamentos e recebimentos em moedas estrangeiras programados ou previstos para ocorrerem em momentos futuros, relacionados com obrigações e direitos de natureza comercial ou financeira. Parágrafo único. Incluem-se, também, neste artigo os pagamentos e recebimentos: Art. 2º Incluem-se entre os direitos e obrigações a que se refere o artigo anterior os pagamentos e os recebimentos em moeda nacional decorrentes de repasses de obrigações contraídas em moeda estrangeira, bem como aqueles relativos a: I - importação, exportação ou negociação no mercado interno de mercadorias cujo preço seja estabelecido consoante suas cotações em bolsa no exterior; II - operações em bolsas de mercadorias e de futuros no País; III - exposições assumidas, no País, pelos bancos autorizados a operar no mercado de câmbio com seus clientes, desde que vinculadas a direitos ou obrigações passíveis de hedge no exterior nos termos desta Resolução. Art. 3º Podem também ser efetuadas transferências financeiras referentes a hedge de variações de taxas de juros e de paridade entre moedas estrangeiras: I - destinadas à constituição de depósitos a título de caução (collateral, escrow accounts); II - necessárias à efetivação de hedge relativo a recursos externos a serem desembolsados no futuro. Art. 4º Para as operações previstas nesta Resolução, são admitidas remessas destinadas à abertura de contas correntes em corretores no exterior e a depósitos de margens de garantia, bem como o financiamento dessas margens pelos bancos autorizados a operar no mercado de câmbio, mediante a utilização de linhas de crédito externas.” Fl. 778DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10768.002986/2003-95 Acórdão n.º 9101-00.707 CSRF-T1 Fl. 19 19 I — em moeda nacional, decorrentes de repasses de obrigações contraídas em moeda estrangeira e admitidas na legislação vigente; II — relativos a importação, exportação e negociação, no mercado interno, de mercadorias cujo preço seja estabelecido consoante suas cotações em bolsas no exterior.” (os grifos não constam do original). Da simples leitura dos dispositivos regulamentares tem-se que o CMN permitiu “que as entidades do setor privado realizem, no exterior, com instituições financeiras ou em bolsas, operações destinadas a proteção ("hedge") contra o risco de variações de taxas de juros, de paridades entre moedas e de preços de mercadorias, no mercado internacional”. Ao seu turno, o Banco Central, por força da delegação conferida pelo art. 4º da Resolução CMN, declarou que podem ser objeto de proteção (hedge) contra o risco de variações de taxas de juros, de paridades entre moedas e de preços de mercadorias, no mercado internacional, os pagamentos e recebimentos em moedas estrangeiras programados ou previstos para ocorrerem em momentos futuros, relacionados com obrigações e direitos de natureza comercial ou financeira. Tecidas estas considerações iniciais e transcritos os dispositivos legais pertinentes, passo à análise das razões da ora recorrente Fazenda Nacional. 1. IRPJ – GLOSA DE DESPESAS: PERDAS EM OPERAÇÕES DE HEDGE A Fazenda Nacional insurge-se contra o acórdão recorrido alegando que a decisão contrariou o disposto nos arts. 63, da Lei nº 8.383/91 e art. 6º do Decreto-Lei nº 2.397/97, na Resolução CMN nº 2.012 e na Circular do Bacen nº 2.348, de 30/07/1993. Segundo a recorrente, o tratamento tributário previsto no art. 6º do referido decreto-lei, aplica-se às operações de riscos realizadas em outros mercados de futuros, no exterior, além de bolsas, “desde que admitidas pelo Conselho Monetário Nacional e desde que sejam observadas as normas e condições por ele estabelecidas”. Destaca que o “Conselho Monetário Nacional na Resolução 2.012/93, previa no seu art. 1º a possibilidade de se realizar hedge no exterior para a proteção contra 3 tipos de riscos: a) variações de taxas de juros; b) paridade entre moedas; c) preços de mercadorias no mercado internacional” (fls. 2.129). Aduz que, o contribuinte não faz jus ao tratamento do Decreto-Lei 2.397/87, independentemente do texto contido no art. 1º da Circular do Banco Central nº 2.348/93 e, por esse motivo, não a utiliza como razão de seu recurso (fls. 2.130). Justifica que as operações de cobertura realizadas no exterior tinham “por objetivo trocar posição de “variação cambial” por posição de “juros fixos”. E conclui, que o mero cotejo entre o objeto do hedge aqui discutido e a Resolução CMN nº 2.012/93 comprova que o Conselho Monetário Nacional não previu esta hipótese de garantia, qual seja, a de pagamentos a serem liquidados em moeda nacional. Entendo, com todas as vênias, que não assiste razão à recorrente tendo por base as razões que seguem. Fl. 779DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10768.002986/2003-95 Acórdão n.º 9101-00.707 CSRF-T1 Fl. 20 20 No caso dos presentes autos, as operações realizadas pela contribuinte devem ser consideradas admitidas segundo o disposto na Resolução CMN nº 2.012/93. Isto por que o CMN ao resolver “permitir que as entidades do setor privado realizem, no exterior, com instituições financeiras ou em bolsas, operações destinadas a proteção ("hedge") contra o risco de variações de taxas de juros, de paridades entre moedas e de preços de mercadorias, no mercado internacional (Art. 1º)”, não estabeleceu restrição alguma quanto aos riscos cobertos, limitando-se a permitir operações de cobertura (hedge). Ou seja, as operações realizadas pela contribuinte no exterior devem ser consideradas admitidas, pois não há que se falar em falta de previsão, uma vez que se o Conselho Monetário Nacional desejasse vedar algum tipo de operação o teria feito de forma expressa. Assim, as operações realizadas pela contribuinte devem ser consideradas admitidas e, portanto, albergadas pelas disposições do CMN, ainda que os riscos cobertos sejam decorrentes de posições assumidas na BM&F, no Brasil, portanto, expressas em moeda nacional. Não obstante esta linha argumentativa e a despeito das informações trazidas pela recorrente, deve-se analisar as características e natureza das posições assumidas pela contribuinte nas operações cursadas na BM&F e indagar se tais posições deveriam ou justificariam a realização de operações de cobertura no mercado internacional. Analisando-se diversos documentos acostados aos autos, bem como a síntese trazida pelo Termo de Verificação Fiscal no seu item 4.1 – Operações Financeiras Feitas na BM&F (fls. 1.451/1.452), a autoridade fiscal relaciona as operações, classificando-as por tipo. Verifica-se que a contribuinte realizou no País as seguintes modalidades de swap e contratos futuros: Swap SDC, Swap SDP, DDIFN9, DOLFG9, DOLFH9 e DOLFQ9. Conforme as características apresentadas pela própria autoridade fiscal, todas as operações são de derivativos atrelados à variação cambial. Ou seja, ainda que realizadas no País, necessariamente firmadas na moeda local, que possui curso forçado por disposição da Autoridade Monetária, as operações objeto dos hedges contratados no exterior, embutem o risco da variação cambial. Tal risco, o de variação na taxa de câmbio, é justamente o previsto na Resolução CMN que autoriza a realização das operações objeto dos presentes autos. Destarte, ainda que se considere que a Resolução CMN não previu, como objeto das operações de cobertura, pagamentos e recebimentos em moeda nacional, como entende a recorrente, não há como não considerar que apesar dos contratos firmados na BM&F serem liquidados em moeda nacional, estariam fora do escopo da Resolução CMN, pois em sua totalidade estão embutidos derivativos atrelados à variação cambial. Em suma, as operações de cobertura realizadas no exterior para proteção de riscos inerentes a posições assumidas na BM&F, expressas em moeda nacional mas atreladas à variação cambial (preço de moeda estrangeira), devem ser consideradas dentro do escopo da Resolução nº 2.012/93, infirmando a tese da recorrente. Ainda que seja ultrapassada esta tese, qual seja, a de que o Conselho Monetário Nacional, por meio da Resolução CMN nº 2.012/93, não previu que os ativos financeiros representados pelas posições assumidas pela contribuinte na BM&F, poderiam ser objeto de operações de cobertura (hedge) realizados no exterior, deve-se analisar esta questão à luz da argumentação trazida pelo i. Procurador da Fazenda Nacional Dr. Rodrigo Pirajá Wienkoski em parecer juntado aos autos do Processo BCB nº 0101088985. Fl. 780DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10768.002986/2003-95 Acórdão n.º 9101-00.707 CSRF-T1 Fl. 21 21 Referido processo foi instaurado no âmbito daquela Autarquia para investigação das mesmas operações. Tal parecer, favorável à contribuinte, fundamentou a decisão final proferida pelo Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional, conforme Acórdão nº 7842/06, de 07.11.2006, cujo inteiro teor foi juntado aos presentes autos (fls. 2.000/2.096). No sessão de julgamento daquele Conselho, a relatora Rita Maria Scarponi adotou, como razão de decidir os argumentos trazidos pelo i. Procurador da Fazenda Nacional com atuação naquele colegiado. A decisão final foi assim ementada (fls. 2.020): “EMENTA: RECURSOS VOLUNTÁRIOS – Câmbio – Falsas declarações prestadas em contrato – Incorreta classificação de operações – Celebração de contratos de hedge em moeda nacional sem objeto de proteção de pagamentos e recebimentos em moeda estrangeira – Irregularidades não caracterizadas – Auferimento de lucros correspondentes com diferencial de taxas de juro implícitas no Brasil e no exterior – Transações sem estabelecimento de condição não equitativa – Enquadramento como prática comum de mercado à época – Ausência de elementos comprobatórios de infringência a normativos legais e regulamentares – Apelos a que se dá provimento.” Oportuna também a transcrição do item 113 do voto da conselheira Rita Maria Scarponi, no qual declara a assunção da tese apresentada pela Procuradoria e qualifica como regulares as operações realizadas pela contribuinte, as quais ensejaram o crédito tributário objeto do presente litígio (fls. 2.091): “113. Com base nas considerações lançadas no item IV.2 do tópico antecedente, adoto os fundamentos suscitados há pouco pelo Dr. Rodrigo Pirajá, em seu novel Parecer, substitutivo do anterior, quanto ao errôneo enquadramento conferido pelo BACEN ao caso sob análise, que levam à inexorável conclusão de que não houve descumprimento, por qualquer dos Recorrentes, de nenhuma restrição estabelecida em lei, não havendo, consequentemente, como apená-los pelos fatos descritos pelo BACEN. As operações efetuadas pelo Banco Brascan foram regulares e a Autarquia Recorrida não logrou êxito na comprovação da materialidade das infrações por ela imputadas aos Recorrentes.” Pois bem, a decisão daquele Conselho afastou a pecha de irregularidade invocada pelo Banco Central em relação as mencionadas operações. No âmbito daquela Autarquia, referidas operações foram consideradas conformes à Resolução do CMN nº 2.012/93. O Parecer do i. Procurador da Fazenda apresenta rigorosa análise jurídica da questão, a partir dos conceitos e prescrições da lógica deôntica a que se vinculam as normas legais. Por sua clareza e precisão técnica, peço licença para transcrever excertos do referido Parecer, também juntado aos autos (fls. 2.005/2.015): (...) Os princípios do Direito Penal, nada obstante, não se aplicam in totum ao Direito Administrativo Sancionador. Dependem da convivência harmônica com outros princípios específicos da Administração Pública, tais como o da presunção de veracidade e legitimidade dos atos administrativos. Nesse aparente conflito entre os princípios do direito penal e princípios do direito administrativo, a solução da Fl. 781DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10768.002986/2003-95 Acórdão n.º 9101-00.707 CSRF-T1 Fl. 22 22 certeza relativa haveria ser extraída da própria interpretação jurídica da norma aplicável ao caso. Nesse particular, as normas jurídicas, consoante ensina Tércio Sampaio Ferraz Jr. In Teoria da Norma Jurídica, obedecem a uma lógica deôntica cujas prescrições são construídas pelos operadores ou funtores “obrigatório”, “proibido” ou “permitido”. Seriam, assim, apenas três modais operados pelos enunciados jurídicos, interdefiníveis entre si. Nesse sentido, admite a lógica jurídica que toda norma obrigatória possa ser referida através de uma proibição e vice-versa. A dificuldade residiria entre os modais obrigatório/proibido, de um lado, e o permitido, de outro (Fábio Ulho Coelho, in Roteiro de Lógica Jurídica). O professor Tércio observa que a problemática dos modais, a impedir raciocínios simplistas, situa-se no funtor “permitido”, a saber se efetivamente existiria a possibilidade de normas permissivas ou se a permissividade não resultaria antes da ausência de proibição ou obrigação. A hipótese dos autos lida justamente com o modal deôntico “permitido”, daí a importância de um raciocínio lógico-jurídico correto diante das dificuldades e da atipicidade dessa espécie modal normativo específica. (...) A partir de todo o cabedal acima, passa-se a enquadrar as normas aplicáveis ao caso subexamine nas possibilidades antes expendidas. Os arts. 1º e 4º da Resolução CMN nº 2.012/93 rezam: “Art. 1° Permitir que as entidades do setor privado realizem, no exterior, com instituições financeiras ou em bolsas, operações destinadas a proteção ("hedge") contra o risco de variações de taxas de juros, de paridades entre moedas e de preços de mercadorias, no mercado internacional. Art. 4° Fica delegada competência ao Banco Central do Brasil para adotar as medidas e baixar as normas necessárias à execução do disposto nesta Resolução.” Já a Circular BACEN nº 2.348/93, no propósito de “adotar as medidas e baixar as normas necessárias à execução” da Resolução CMN 2.012/93, dispôs: “Art. 1º Podem ser objeto de proteção (hedge) contra o risco de variações de taxas de juros, de paridades entre moedas e de preços de mercadorias, no mercado internacional, os pagamentos e recebimentos em moedas estrangeiras programados ou previstos para ocorrerem em momentos futuros, relacionados com obrigações e direitos de natureza comercial ou financeira.” Verifica-se da disciplina normativa transcrita que o modal deôntico utilizado pela Circular BACEN nº 2.348/93 foi exclusivamente o “permitido” no sentido de qualificar juridicamente como facultativa ou permitida a operação de hedge para proteção de pagamentos e recebimentos em moeda estrangeira. A Resolução CMN nº 2.012/93, por seu turno, não configura uma proibição ou obrigação geral a enquadrar a hipótese na condição de norma permissiva complementar que constitui exceção a uma norma geral de obrigação/proibição. Ao revés, pela leitura da Resolução CMN extrai-se a conclusão que a Circular BACEN nº 2.348/93 enquadra- se no tipologia das normas permissivas independentes, pois através do operador “é Fl. 782DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10768.002986/2003-95 Acórdão n.º 9101-00.707 CSRF-T1 Fl. 23 23 permitido” a ação ou omissão foi qualificada como facultativa ou permitida, sem que haja, sobre o mesmo conteúdo, norma geral de obrigação/proibição em relação à qual constitua exceção. A mensagem da Circular BACEN nº 2.348/93 limita-se ao seu texto: autorizar, permitir ou facultar operações de hedge para proteger pagamentos e recebimentos em moeda estrangeira. A dúvida persiste no caso dos autos: e se o hedge não for utilizado para proteger pagamentos e recebimentos em moeda estrangeira, mas para proteger ativos de instituição brasileira na Bolsa de Mercadorias e de Futuros – BM&F? Essa hipótese, por não regulada especificamente na norma de permissão independente, tampouco em norma geral de obrigação ou de proibição, enquadra-se na situação de ausência de norma, cujo silêncio do editor torna a ação ou omissão nem obrigatória, nem proibida, nem permitida ou facultada, mas juridicamente, indeterminada. Neste caso, admitindo-se, com o professor Tércio, que “não há comportamento fora de uma situação comunicacional” e que “todo silêncio é também forma de comunicar”, teríamos de reconhecer que o silêncio do comunicador normativo abre espaço para incidência de uma “norma geral exclusiva” (Zitelman), em que o comportamento, por não se encontrar especificamente referido por uma norma jurídica (nem de proibição, nem de obrigação, nem de permissão), passa a ser juridicamente qualificado pela norma de âmbito geral do tipo “tudo que não é proibido, é permitido”. Ou seja, pela ausência de regra específica sobre o hedge praticado (permitindo, proibindo ou obrigando), há de se entender a conduta como indiferente ou permitida, jamais como proibida. O vazio normativo não importa sanção dada a atipicidade da conduta praticada. (...)” (os grifos não constam do original) De fato, tanto a Resolução CMN quanto à Circular BACEN devem ser qualificadas pelo modal deôntico das normas jurídicas “permitido”. A Resolução CMN dispõe que o Conselho Monetário “resolveu” permitir que as entidades do setor privado realizem, no exterior, com instituições financeiras ou em bolsas, operações destinadas a proteção ("hedge") contra o risco de variações de taxas de juros, de paridades entre moedas e de preços de mercadorias, no mercado internacional. Ora, o verbo “permitir” possui significado equivalente a “dar a liberdade de”, “autorizar”, “não se opor”, ou seja, não apresenta conteúdo proibitivo, mas ao contrário, “admite” e “consente” que sejam realizadas operações destinadas a proteção ("hedge") contra o risco de variações de taxas de juros, de paridades entre moedas e de preços de mercadorias, no mercado internacional, sem qualquer restrição ou limites. No caso dos autos, que decorrem das repercussões tributárias das mesmas operações analisadas no âmbito do Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional, não há como sustentar entendimento diferente. Na seqüência de sua argumentação, a Fazenda Nacional aduz que o mencionado art. 6º do Decreto-Lei nº 2.397/87 “trata-se efetivamente de uma norma tributária em branco que para sua plena efetividade necessita de integração, qual seja, a existência de norma inferior emanada de outro órgão do Poder Executivo, prevendo sua existência, validade e eficácia na ordem financeira para que possa assim atrair a norma tributária que vai implicar na alteração da base de cálculo do tributo e, consequentemente, em sua diminuição.” Fl. 783DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10768.002986/2003-95 Acórdão n.º 9101-00.707 CSRF-T1 Fl. 24 24 E prossegue afirmando que “estamos, sem sombra de dúvida, diante de um benefício fiscal que deve ser interpretado restritivamente” (fls. 2.132). Com todas as vênias, ouso novamente discordar da i. Procuradora. A legislação tributária considera os resultados líquidos das chamadas operações de cobertura (hedge) computáveis na apuração da sua base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica. Muito antes da Lei nº 9.249/95, que introduziu a tributação das pessoas jurídicas com base no critério da universalidade da renda, já possuíamos disposições sobre o tratamento tributário em relação a estes ganhos e perdas verificados no exterior. Exemplo disso, é o disposto no referido art. 6º do Decreto-Lei nº 2.397/87 até hoje em vigência. Anterior a ele, encontramos o Decreto-Lei nº 1.418/75 que já dispunha sobre o tratamento tributário a ser dado aos “proventos líquidos auferidos por empresas exportadoras nacionais, em bolsas de mercadorias no exterior, obedecidas as condições estabelecidas pelo Ministro da Fazenda” e que se referem à origem destas operações de proteção, hoje usuais no mercado financeiro. Nestas disposições legais, o legislador define critérios para o seu cômputo na apuração da base de cálculo do Imposto de Renda. Ora, quando, por meio da norma positivada, se estabelece que “os resultados líquidos obtidos em operações de cobertura realizadas nos mercados futuros” serão computados na determinação do lucro real, por considerar tais resultados necessários, normais e intrínsecos à atividade das pessoas jurídicas, não se está instituindo qualquer benefício fiscal. Na verdade, quando se diz que determinada verba integra a apuração da base de cálculo do imposto, está se aplicando a regra básica necessária para se chegar à renda tributável, qual seja, confrontar receitas com despesas. Por outras palavras, permitir que determinadas despesas incorporem a base de cálculo do imposto significa dizer que tais dispêndios são dedutíveis e isso não se configura benefício fiscal, pois é da essência do método para se chegar à base de cálculo. Um benefício fiscal, usualmente, traz de forma subjacente uma renúncia fiscal, caracterizada pela desistência voluntária do ente fiscal de se exigir tributo em situações e hipóteses que normalmente haveria a sua cobrança, caso não existisse o tal benefício. Entendo que não é o que ocorre com as despesas incluídas na apuração da base de cálculo do imposto de renda. Destarte, no caso dos autos, não há que se falar em benefício fiscal. Embora a recorrente sustente que “a existência, validade e eficácia estaria dependendo de norma inferior emanada de outro órgão, no caso o Poder Executivo, para que possa assim atrair a norma tributaria que vai implicar na alteração da base de cálculo do tributo” (fls. 2.132), entendo de modo contrário, pois, para fins do IRPJ, há respaldo jurídico para considerar dedutíveis as perdas verificadas nas operações swap OTC, conforme concluiu o acórdão recorrido. Por fim, argumenta a Fazenda Nacional que a licitude das operações, considerada pelo órgão julgador do Sistema Financeiro Nacional, não produz a consequência tributária pretendida pela contribuinte, pois as esferas financeira e tributária são distintas. De fato, não há qualquer reparo a esta consideração da Fazenda Nacional. As conclusões a que chegaram os membros Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional, ao julgar estes mesmos fatos, não podem ser e, não verdade não são, os fundamentos deste voto. Fl. 784DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10768.002986/2003-95 Acórdão n.º 9101-00.707 CSRF-T1 Fl. 25 25 À luz dos dispositivos relacionados e das razões e contrarrazões do recurso oferecidas, buscou-se analisar detidamente todos os elementos trazidos a apreciação do Colegiado. É forçoso concluir, com base na extensa argumentação tecida neste voto, que esta distinção foi rigorosamente observada, de forma a garantir que as conclusões do processo tramitado no âmbito do Banco Central, contribuíssem apenas formar a convicção deste Colegiado, nunca consideradas, pois, como razões de decidir. Diante do exposto em relação ao IRPJ e tendo em conta os termos da decisão recorrida, entendo que o acórdão guerreado não contrariou o disposto nos arts. 63, da Lei nº 8.383/91 e art. 6º do Decreto-Lei nº 2.397/97, na Resolução CMN nº 2.012 e na Circular do Bacen nº 2.348, de 30/07/1993. Ou seja, as operações de cobertura (hedge), realizadas para proteção de posições assumidas na BM&F expressas em moeda nacional, mas atreladas a derivativos de variação cambial não podem ser consideradas não admitidas por falta de normativo expresso de conteúdo proibitivo. São computados na apuração do lucro real, os resultados negativos verificados nas operações de hedge, de que trata a Resolução CMN nº 2.012/1993, inclusive quando realizadas mediante operações de swap liquidadas em moeda nacional, não constituindo restrição o disposto no art. 1º da Circular Bacen nº 2.348/1993. 2. CSLL – GLOSA DE DESPESAS: PERDAS EM OPERAÇÕES DE HEDGE A Fazenda Nacional impetrou o recurso especial alegando que, quanto à CSLL, a decisão da antiga Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes contrariou o disposto nos arts. 17 e 28 de Lei nº 9.430/96, pois: a) segundo o art. 17, é condição para que sejam computados na determinação do lucro real (critério estendido à CSLL por força do art. 28) os resultados líquidos, positivos ou negativos, obtidos em hedge, a sua realização em bolsas no exterior; b) como no caso dos autos, as operações swap no exterior foram realizadas no mercado de balcão, não restou exigida a condição para dedutibilidade das referidas perdas. Em sua fundamentação, a Fazenda Nacional invoca os argumentos trazidos pelo voto vencido, da lavra da i. Conselheira Nadja Rodrigues Romero. Destaca que o voto vencedor admitiu como correto o procedimento da contribuinte “ao ter oferecido à tributação da CSLL os resultados positivos obtidos no ano de 1998 e ao ter apropriado nas contas de resultado as perdas ocorridas no ano de 1999, ao entendimento de que a legislação aplicável à CSLL (...) permitia a apropriação na conta ‘resultado líquido do exercício’ dos ‘rendimentos e ganhos de capital’ obtidos no exterior” e transcreve o seguinte trecho da decisão recorrida (fls. 1945/6): “212. Então, considerando-se que a definição da base de cálculo da CSLL tem como ponto de partida o valor do "resultado líquido do exercício", em que já estão embutidos os saldos das contas analíticas de "receitas, custos ou despesas" que formam os "rendimentos e ganhos de capital" obtidos no exterior, para se saber se esses resultados devem ou não ser objeto de exclusão ou adição, na determinação da base de cálculo da referida contribuição, deve-se examinar tão somente a legislação Fl. 785DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10768.002986/2003-95 Acórdão n.º 9101-00.707 CSRF-T1 Fl. 26 26 da própria CSLL. Nesse exame, há que se concentrar a atenção especialmente sobre a legislação que regia a CSLL até o momento em que foi submetida à eficácia do art. 19 da MP 1.858-6/99, ou seja, até o momento em que passou a ser tributada pelo critério de "bases universais". 213. E o resultado desse exame é que, até 30.09.1999, não havia dispositivo algum que determinasse tratamento de adição ou de exclusão dos referidos "rendimentos e ganhos de capital obtidos no exterior, para fins de determinação da base de cálculo da CSLL. Pelo contrário, os arts. 28 e 87 da Lei 9.430/96 já determinavam que fossem aplicadas à CSLL, a partir de janeiro de 1997, as disposições dos arts. 17 e 71 da mesma Lei 9.430/96, que cobrem todo o elenco de operações praticadas pelo recorrente.” Entretanto, argumenta a recorrente, que há uma ressalva a este entendimento, qual seja, o alcance do art. 28 c/c art. 17, da Lei nº 9.430/96, verbis: “Art. 17. Serão computados na determinação do lucro real os resultados líquidos, positivos ou negativos, obtidos e operações de cobertura (hedge) realizadas em mercados de liquidação futura, diretamente pela empresa brasileira, em bolsas no exterior.” “Art. 28. Aplicam-se à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as narinas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71, desta Lei.” A recorrente assevera que “o art. 17 exige condição para que sejam computados na determinação do lucro real os resultados líquidos, positivos ou negativos, obtidos em hedge, qual seja, a sua realização em bolsa no exterior”(fls. 2.135). Segundo a Fazenda Nacional, o acórdão recorrido teria violado do referido art. 17, ao admitir o cômputo dos resultados negativos na apuração da CSLL sem a observância desta condição. Passo então a análise destes argumentos trazidos inicialmente pelo voto vencido e agora invocados pela recorrente Fazenda Nacional. Após cuidadosa análise dos fundamentos da autuação, verifica-se que a autoridade fiscal, efetivamente, não se valeu desta argumentação para caracterizar a infração tributária relativa à CSLL. Com vistas a permitir o exame completo da linha argumentativa adotada pela autuação, peço permissão para transcrever a íntegra do item 5.1.2 do TVF (fls. 1.458/9), no qual a auditoria fundamenta a exigência da Contribuição Social: “5.1.2 – Legislação da CSLL As normas de tributação em bases universais, que tratam dos efeitos da tributação dos lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, foram estendidas à determinação da base de cálculo da CSLL pela MP nº 2.158 (anteriormente MP 1.858, art. 19 e MP 1.991, art. 21), que dispõe: Art. 21 Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior sujeitam-se à incidência da CSLL, observadas as normas de tributação universal de que tratam os arts. 25 a 27 da Lei nº 9.249, de 1995, os arts. 15 a 17 da Lei nº 9.430, de 1996 e o art. 1º da Lei nº 9.532, de 1997. Fl. 786DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10768.002986/2003-95 Acórdão n.º 9101-00.707 CSRF-T1 Fl. 27 27 Parágrafo único. O saldo do imposto de renda pago no exterior, que exceder o valor compensável com o imposto de renda devido no Brasil, poderá ser compensado com a CSLL devida em virtude da adição, à sua base de cálculo, dos lucros oriundos do exterior, até o limite acrescido em decorrência dessa adição. Como visto anteriormente, o art. 25 da Lei 9.249/95 determina que os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior são computados na determinação do lucro real, enquanto que os prejuízos decorrentes dessas operações não podem ser compensados com os lucros auferidos no Brasil. Dessa forma, com a vigência da MP 2.158, a mesma regra se aplica na determinação da base de cálculo da CSLL, sendo que o Ato Declaratório SRF nº 75, de 17 de agosto de 1999, determina que a regra se aplica aos lucros, rendimentos e ganhos de capital, auferidos no exterior, disponibilizados a partir de 01/10/1999. Também para a CSLL, a partir da MP nº 2.158, passa a valer o disposto no art. 17 da Lei nº 9.430/96, que trata das operações de cobertura (hedge) realizadas no exterior. Os resultados líquidos, positivos e negativos, obtidos nas operações de hedge no exterior são computados na determinação da base de cálculo da CSLL, desde que tais operações tenham sido realizadas em bolsas no exterior. Anteriormente à MP 2.158, os resultados obtidos no exterior – lucros, rendimentos, ganhos de capital e prejuízos decorrentes de operações – não podiam ser computados na apuração da base de cálculo da CSLL, pois, a tributação dos resultados da pessoa jurídica estava baseado no princípio da territorialidade. Pelo exposto, conclui-se que os prejuízos decorrentes das operações de swap realizadas, pelo Banco Brascan, no mercado de balcão no exterior (SWAP OTC), durante o ano-calendário 1999, não podiam ser computados na base de cálculo da CSLL, já que: 1. Antes da aplicabilidade das normas da MP 2.158, 01/10/1999, não era possível computar esses prejuízos na determinação da base de cálculo da CSLL; e 2. Depois daquela data, os prejuízos só poderiam ter sido computados se as operações tivessem sido efetuadas com objetivo de hedge e somente para as realizadas em bolsas no exterior, o que na realidade não ocorreu, uma vez que as operações foram feitas no mercado de balcão.” Conforme se verifica nas partes destacadas, no entendimento da autoridade fiscal, no período em que a legislação adotava o princípio da territorialidade, os ganhos e as perdas auferidos no exterior não eram computados nos resultados das pessoas jurídicas para fins de tributação. Esse princípio teria sido aplicável à CSLL até setembro de 1999. Somente a partir da MP nº 2.158 (anteriores MP nº 1.858-6/99 e MP nº 1.991-12/99), ou seja, após 01/10/1999, por força do disposto no seu art. 21, é que os ganhos obtidos no exterior passaram a ser tributados. Segundo a autuação, a partir da MP nº 2.158/99 passa a valer, para a CSLL, o disposto no art. 17 da Lei nº 9.430/96, que trata das operações de cobertura (hedge) realizadas no exterior. Ou seja, somente a partir de 01/10/1999 que os resultados líquidos, positivos ou negativos, obtidos nas operações de hedge no exterior passaram a ser computados na determinação da base de cálculo da CSLL. Fl. 787DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10768.002986/2003-95 Acórdão n.º 9101-00.707 CSRF-T1 Fl. 28 28 No caso dos autos, segundo se observa no item 2 do TVF (fls. 1.448), as remessas para o exterior relativas às perdas verificadas nas operações de hedge ocorreram no período compreendido entre 12 de janeiro (primeiro contrato) e 3 de setembro de 1999 (último contrato). Portanto, no presente caso, a impossibilidade de se deduzirem as perdas se fundamentaria exclusivamente no fato apontado no tópico 1 do último parágrafo do item 5.3.2 acima transcrito, qual seja, “antes da aplicabilidade das normas da MP 2.158, 01/10/1999, não era possível computar esses prejuízos na determinação da base de cálculo da CSLL.” Como se verifica, este foi o único fundamento da autuação da CSLL exigida em decorrência da apropriação como despesas dedutíveis as perdas verificadas com as operações de hedge no exterior. Com efeito, a autoridade fiscal não se valeu da argumentação ora trazida pela recorrente para caracterizar a infração tributária relativa à CSLL. Ou seja, o fato das operações não terem sido realizadas em bolsa, condição exigida pelo referido art. 17 da Lei nº 9.430/96, mas no mercado de balcão (OTC), não foi considerado pela autoridade fiscal. No entendimento da autuação, somente a partir de 01/10/1999, os prejuízos poderiam ter sido computados na base de cálculo da CSLL e desde que as operações tivessem sido efetuadas com objetivo de hedge e realizadas em bolsas no exterior (fls. 1.458/9). Mas, frise-se, somente a partir de 01/10/1999, o que não alcançaria as operações de que tratam os autos. Não há dúvidas, entretanto, de que está correta a conclusão da autoridade fiscal, quanto à condição de dedutibilidade das perdas em operações de cobertura no exterior, estabelecida pelo art. 17 da Lei nº 9.430/96 e que é aplicável à apuração da CSLL por força do art. 28 da mesma lei. Da mesma forma, entendo estar perfeito o entendimento do voto vencido, ora invocado pela recorrente Fazenda Nacional. No entanto, resta equivocada a interpretação da autoridade fiscal ao considerar que tal dispositivo se aplicava à CSLL somente a partir de 01/10/1999, fora, portanto, do período em que ocorreram os fatos geradores de que tratam os autos. Da leitura da fundamentação constante do auto de infração, conforme transcrição integral acima, verifica-se que a autuação afastou este fundamento e embasou o lançamento unicamente no fato de que “antes da aplicabilidade das normas da MP 2.158, 01/10/1999, não era possível computar esses prejuízos na determinação da base de cálculo da CSLL.” De fato, ela não entendia que, para fins de apuração da CSLL, já era aplicável o disposto no referido art. 17 da Lei nº 9.430/96 c/c art. 28 da mesma lei, independentemente do disposto no art. 21 da MP 2.158/99. Dispositivo este que restringe a dedutibilidade de tais perdas somente às operações realizadas em bolsas no exterior. Este equívoco na interpretação fez com que a fundamentação do lançamento recaísse exclusivamente sobre a MP nº 2.158. Ora, ao se estabelecer que a exigência da CSLL se fundava unicamente neste ponto, fez com que a defesa centralizasse sua argumentação em torno deste fundamento. Este fato pode ser comprovado, verificando-se a argumentação da defesa. Esta tentou demonstrar, desde a primeira instância, que o resultado de tais operações deveriam ser computados na apuração do IRPJ e da CSLL por considerar que as mesmas não haviam sido realizadas no exterior e sim, no País. Veja-se fls. 1.591/2: Fl. 788DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10768.002986/2003-95 Acórdão n.º 9101-00.707 CSRF-T1 Fl. 29 29 “5.3.5. O art. 25 da Lei 9.249/95 (no que se inclui seu 50) contempla lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior e, por contraposição, perdas incorridas no exterior, vale dizer, resultados provenientes do exterior os quais até então eram ignorados no Brasil, para efeito de tributação. 5.3.6. Ocorre, contudo, que, no caso, os resultados das operações realizadas pelo IMPUGNANTE no OTC, quer sejam positivos ou negativos, jamais se classificariam como resultados auferidos no exterior, a despeito de se localizar no exterior o pagador do ganho do IMPUGNANTE (se favorável o resultado da operação) ou o beneficiário de sua perda (se desfavorável o resultado da operação).” (destaque do original) De fato, toda a argumentação da defesa foi direcionada no sentido de demonstrar que os resultados de tais operações não podem ser considerados auferidos no exterior e, portanto, não estariam sujeitos ao tratamento fiscal imputado pela autoridade fiscal. Sem adentrar o mérito dessa argumentação, até mesmo porque o voto condutor do acórdão recorrido seguiu outra linha de entendimento, deve-se registrar que nas peças acostadas aos autos, em nenhum momento a contribuinte contestou o referido art. 17 da Lei nº 9.430/96, como fundamento do lançamento da CSLL. Assim procedeu, pelo simples fato de que o auto de infração não se fundamentou neste dispositivo. Conforme o TVF, as referidas perdas seriam indedutíveis em razão do apontado no item 1 da conclusão da autoridade fiscal e não em razão do art. 17 da Lei nº 9.430/96, que efetivamente não embasou a autuação. Desta forma, ainda que se considere correta a argumentação da recorrente, pois funda-se na acertada interpretação do disposto no art. 17 da Lei nº 9.340/96, não há como, nesta instância, restabelecer a exigência da CSLL, o que deveria ser feito modificando-se, necessariamente, o fundamento legal do lançamento. Assim procedendo este Colegiado, estaria inovando a lide de forma não autorizada. Diante do exposto, concluo que no caso da decisão recorrida, não houve violação ao art. 17 da Lei nº 9.430/96, uma vez que este, por não constituir fundamento da autuação, não fora trazido à lide desde o seu início. O restabelecimento da exigência com base neste dispositivo representaria vedada inovação na lide sob pena de ofensa ao princípio do contraditório. Manifesto-me, portanto, por negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, mantendo-se integralmente os termos do acórdão recorrido. É como voto. Sala das sessões, 8 de novembro de 2010. (documento assinado digitalmente) CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS - Relator Fl. 789DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10768.002986/2003-95 Acórdão n.º 9101-00.707 CSRF-T1 Fl. 30 30 Fl. 790DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/01/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 09/04/2011 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 20/01/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS
score : 1.0
Numero do processo: 44021.000118/2007-40
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2004
PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE A MÃO-DE-OBRA
EMPREGADA EM OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. ILEGITMIDADE PASSIVA.
Em se tratando de obra de construção civil, havendo transmissão do bem ao qual refere-se o fato gerador das contribuições, o lançamento deve ser lavrado em nome do adquirente do imóvel.
PRINCÍPIO DA PRECLUSÃO PROCESSUAL X PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL.
Tanto o princípio da verdade material como o princípio da preclusão são princípios aplicáveis ao processo administrativo fiscal. Nos processos de determinação e exigência de crédito tributário, a impugnação fixará os limites da controvérsia, sendo considerada como não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.
A aplicação do princípio da preclusão não pode ser levado às últimas consequências, por força do princípio da verdade material. Pois o Princípio da Verdade Material está em permanente tensão com o da Preclusão e toca ao julgador ponderá-los adequadamente.
Constatada a ocorrência do fato gerador do tributo, a autoridade fiscal procede ao lançamento formal do crédito tributário que o contribuinte, não concordando com a imputação poderá impugná-la.
Instalado o contraditório, o julgador deve empreender no sentido de comprovar se a hipótese abstratamente prevista na norma ocorreu de verdade, sem limitar-se ao alegado e apresentado como prova.
Não há verdadeira hierarquia entre os princípios, uma vez que ora poderá prevalecer um ora outro, devendo ser feito o teste de proporcionalidade, para decidir qual regerá o caso concreto. Há, pois, uma hierarquização em função do caso concreto.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.703
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: Francisco Assis de Oliveira Junior
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CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE A MÃO DEOBRÁ EMPREGADA EM OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. ILEGITMIDADE PASSIVA. Em se tratando de obra de construção civil, havendo transmissão do bem ao qual referese o fato gerador das contribuições, o lançamento deve ser lavrado em nome do adquirente do imóvel. PRINCÍPIO DA PRECLUSÃO PROCESSUAL X PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Tanto o princípio da verdade material como o princípio da preclusão são princípios aplicáveis ao processo administrativo fiscal. Nos processos de determinação e exigência de crédito tributário, a impugnação fixará os limites da controvérsia, sendo considerada como não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. A aplicação do princípio da preclusão não pode ser levado às últimas conseqüências, por força do princípio da verdade material. Pois o Princípio da Verdade Material está em permanente tensão com o da Preclusão e toca ao julgador ponderálos adequadamente. Constatada a ocorrência do fato gerador do tributo, a autoridade fiscal procede ao lançamento formal do crédito tributário que o contribuinte, não concordando com a imputação poderá impugnála. Instalado o contraditório, o julgador deve empreender no sentido de comprovar se a hipótese abstratamente prevista na norma ocorreu de verdade, sem limitarse ao alegado e apresentado como prova. Não há verdadeira hierarquia entre os princípios, uma vez que ora poderá prevalecer um ora outro, devendo ser feito o teste de proporcionalidade, para Fl. 107DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por FRANCISCO ASSIS DE O LIVEIRA JU 2 decidir qual regerá o caso concreto. Há, pois, uma hierarquização em função do caso concreto. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior – Relator EDITADO EM: 08/08/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Alexandre Naoki Nishioka (Conselheiro Convocado), Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Oliveira. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009. Na decisão recorrida, Acórdão nº 240100.195, de 07/05/2009, consta a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apurayao: 01/01/2000 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE A MÃODE OBRÁ EMPREGADA EM OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. ILEGITMIDADE PASSIVA Em se tratando de obra de construção civil, havendo transmissão do bem ao qual referese oi fato gerador das contribuições, o lançamento deve ser lavrado em nome do adquirente do imóvel. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Fl. 108DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por FRANCISCO ASSIS DE O LIVEIRA JU Processo nº 44021.000118/200740 Acórdão n.º 920201.703 CSRFT2 Fl. 2 3 No entendimento do órgão fazendário, o acórdão recorrido diverge de decisões de outros colegiados (Acórdão nº 20218.463) no tocante ao momento de apresentação das provas de suas alegações, tendo sido registrado que estas não foram apresentadas ao órgão de primeira instância, o que veio a ocorrer apenas na fase recursal. Nesse sentido, haveria preclusão para apresentação de documentos após a impugnação à luz da disciplina prevista no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. Em contrarazões, fls. 90/91,o interessado sustenta a impossibilidade de acolher o recurso do órgão fazendário com fundamento na preclusão, pois tal condição não anula a transferência da propriedade, conforme consta do Registro de Imóveis, afrontando a verdade material. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Assis de Oliveira Júnior, Relator Verifico que o recurso especial é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, conforme consta do despacho às fls.165/167. Conforme se depreende da peça recursal, a Fazenda Nacional alega que o acórdão recorrido fundamentou sua decisão em documento que não foi apresentado na oportunidade própria, a impugnação, conforme determina o art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, divergindo, portanto, de decisões de outros colegiados que deixaram de acolher documentos nessas condições, aplicando o princípio da preclusão. Por sua vez, o acórdão recorrido, acolheu a prova produzida pelo contribuinte privilegiando o princípio da verdade material, corolário do princípio da legalidade. Não obstante o esforço da Fazenda Nacional em fundamentar seu inconformismo, contudo, verifico a impossibilidade de prosperar esse intento. Conforme decisão já proferida por este colegiado, especificamente acórdão da lavra do ilustre Conselheiro Elias Sampaio Freire, 920200818, de 10/05/2010, tanto o princípio da preclusão quanto da verdade material são aplicáveis ao processo administrativo fiscal. Valhome das razões do ilustre conselheiro, razão pela qual peço vênia para transcrever a decisão: A aplicação do princípio da preclusão não pode ser levado às últimas conseqüências, por força do princípio da verdade material. Pois o Princípio da Verdade Material está em permanente tensão com o da Preclusão e toca ao julgador ponderálos adequadamente. Os princípios podem ser cumpridos em diferentes graus, ou seja, os princípios apresentam razões as quais podem ser afastadas por razões opostas, não trazendo em si determinações acerca da Fl. 109DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por FRANCISCO ASSIS DE O LIVEIRA JU 4 forma pela qual deverá ser eliminada a tensão entre a razão que a contém e aquela que eventualmente se apresente como oposta. O conflito de princípios somente tem existência diante de um caso concreto, enquanto os conflitos entre as regas têm existência em abstrato. No caso das regas o conflito somente será resolvido se for introduzida uma cláusula de exceção, pois a aplicação de uma afasta a outra, ou se uma delas for declarada não válida. Ou seja, as regras são vistas segundo a sua estrutura dinâmica, utilizando a terminologia de Kelsen, assim, ou valem ou não valem (juízo de validade), o que não significa não possam as mesmas ser densificadas com base no princípio da razoabilidade. Os princípios, em específico, não estão submetidos, tãosomente, a um juízo de validade, mas especialmente a uma ponderação, a um balanceamento; não se declara válido ou não válido um princípio, não há uma norma de exceção. A solução é diversa: as circunstâncias concretas motivadoras da aplicação dos princípios conflitantes devem ser analisadas, observandose qual o princípio prevalecerá no caso concreto, uma vez que eles têm peso diferente. Na escolha do princípio a incidir deverá ser utilizada a máxima da proporcionalidade. Não há, portanto, verdadeira hierarquia entre os princípios, uma vez que ora poderá prevalecer um ora outro, deve ser feito o teste de proporcionalidade, para decidir qual regerá o caso concreto. Há, pois, uma hierarquização em função do caso concreto. O princípio da verdade material é decorrente do Princípio da Legalidade e vinculado ao Princípio da Oficialidade. Por isso, a Administração tem o direito e o dever de i p\ carrear para o expediente todos os dados, informações e documentos a res eito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos (Medauar, 1993, p. 121, apud Néder e López, 2002, p. 63). Garante a Constituição Federal aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. O contraditório é, de certa forma, o instrumento à ampla defesa. "No processo administrativo fiscal a garantia do contraditório quer dizer que o contribuinte tem direito de manifestar se sobre toda e qualquer afirmação dos agentes do fisco, antes da decisão. E também que os agentes do fisco devem ser ouvidos sobre a defesa oferecida pelo contribuinte" (MACHADO,Hugo de Brito. "O Devido Processo Legal Administrativo Tributário e o Mandado de Segurança". In: Processo Administrativo Fiscal. São Paulo, Dialética, 1995, p. 83). ANTÓNIO DA SILVA CABRAL, na obra "Processo Administrativo Fiscal", assim se pronunciou acerca dos princípios de direito processual aplicáveis ao processo administrativo: No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador. Por isso, no processo fiscal o Fl. 110DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por FRANCISCO ASSIS DE O LIVEIRA JU Processo nº 44021.000118/200740 Acórdão n.º 920201.703 CSRFT2 Fl. 3 5 julgador tem mais liberdade do que o juiz. Para formar sua convicção, pode o julgador mandar realizar diligências e, se for o caso, perícia. (.) Na realidade, está em jogo a legalidade da tributação. Se o tributo só será devido se estiver previsto em lei, o que as parte alegam não conta tanto como no processo judicial. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento. Por outro lado, a opinião pessoal do julgador não importa. (..) É que o importante, nesse terreno, é a prova, é a verificação dos fatos. Isto faz com que o processo fiscal se diferencie do processo judicial, pois o juiz se atém às provas mencionadas pelas partes, enquanto no campo fiscal o julgador pode mandar fazer outras investigações para obter a verdade material." (Destaques do original) Portanto, entendo que agiu com acerto a Câmara recorrida ao aplicar o princípio da verdade material em detrimento da preclusão, aceitando o documento não apresentado no prazo da impugnação. Da análise dos elementos que instruem o processo, constatase que os documentos acostados aos autos comprovam que o notificado vendeu para terceiro o imóvel objeto do lançamento, fl. 50/51, demonstrando não ser ele o responsável pelas contribuições previdenciárias lançadas. Dessa forma, entendo que o Acórdão recorrido não merece correção, especificamente por ter considerado o conjunto probatório presente nos autos, em especial, a certidão do Registro de Imóveis de São Paulo, devendo, ser mantido o provimento ao recurso voluntário do contribuinte, razão pela qual VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL da Fazenda Nacional pelas razões de fato e de direito acima expostas. (Assinado digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior Fl. 111DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por FRANCISCO ASSIS DE O LIVEIRA JU
score : 1.0
Numero do processo: 19679.010161/2003-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Oct 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998
DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO IMPOSSIBILIDADE
Constatada a duplicidade de lançamento de valores, um dos autos de infração
deve ser cancelado, sob pena de enriquecimento ilícito do Fisco.
MULTA REVOGAÇÃO
NOVA
LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA APLICAÇÃO
DO ARTIGO 106 DO CTN
Nos termos do artigo 106, inciso II, alínea ‘c’ do Código Tributário Nacional
CTN
deve
ser aplicada a legislação mais benéfica quando se trata de
punição. In casu, a retroatividade benigna se consubstancia na aplicação do
artigo 18, da Lei nº 10.833/2003.
AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO PROCESSO
JUDICIAL NÃO
COMPROVADO
O Auto de Infração lavrado eletronicamente em virtude da não localização,
pelo sistema da Secretaria da Receita Federal, dos processos judiciais que
deram ensejo ao não recolhimento do tributo ou mesmo da guia DARF de
pagamento, deve ser cancelado se o contribuinte comprovar a falsidade destas
premissas. Caso a fiscalização, após constatada a efetiva existência do
processo, ainda pretenda constituir os créditos, agora por razão diversa: falta
de autorização judicial, para fim de evitar a decadência de valores, etc; deve
iniciar mandado de procedimento fiscal e elaborar novo auto de infração,
com outro fundamento. Inclusive, se for apenas para evitar a decadência, não
haverá a incidência de multa. Não compete ao julgador alterar o fundamento
do auto de infração para fim de regularizálo
e manter a exigência, tal
competência é privativa da autoridade administrativa fiscalizadora.
Recurso Voluntário Provido e Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 3302-001.269
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário e negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto
da Relatora.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO IMPOSSIBILIDADE Constatada a duplicidade de lançamento de valores, um dos autos de infração deve ser cancelado, sob pena de enriquecimento ilícito do Fisco. MULTA REVOGAÇÃO NOVA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA APLICAÇÃO DO ARTIGO 106 DO CTN Nos termos do artigo 106, inciso II, alínea ‘c’ do Código Tributário Nacional CTN deve ser aplicada a legislação mais benéfica quando se trata de punição. In casu, a retroatividade benigna se consubstancia na aplicação do artigo 18, da Lei nº 10.833/2003. AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO PROCESSO JUDICIAL NÃO COMPROVADO O Auto de Infração lavrado eletronicamente em virtude da não localização, pelo sistema da Secretaria da Receita Federal, dos processos judiciais que deram ensejo ao não recolhimento do tributo ou mesmo da guia DARF de pagamento, deve ser cancelado se o contribuinte comprovar a falsidade destas premissas. Caso a fiscalização, após constatada a efetiva existência do processo, ainda pretenda constituir os créditos, agora por razão diversa: falta de autorização judicial, para fim de evitar a decadência de valores, etc; deve iniciar mandado de procedimento fiscal e elaborar novo auto de infração, com outro fundamento. Inclusive, se for apenas para evitar a decadência, não haverá a incidência de multa. Não compete ao julgador alterar o fundamento do auto de infração para fim de regularizálo e manter a exigência, tal competência é privativa da autoridade administrativa fiscalizadora. Recurso Voluntário Provido e Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 319DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário e negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da Relatora. Walber José da Silva Presidente. Fabiola Cassiano Keramidas Relatora EDITADO EM: 04/11/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas (Relatora), Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Relatório Tratase de auto de infração eletrônico, lavrado para o fim de constituir débito de PIS em virtude do não recolhimento do tributo baseado na indicação de processo judicial não localizado pela fiscalização. Por retratar a realidade dos fatos peço vênia a meus pares para transcrever a seguir o relatório proferido na decisão administrativa de primeira instância, verbis: “Em ação fiscal levada a efeito em face da contribuinte acima identificada foi apurada falta de recolhimento da contribuição para o PIS/Pasep relativa aos fatos geradores ocorridos nos períodos de apuração de janeiro de 1998 a dezembro de 1998, declarados na DCTF, pois foi constatado "Proc jud não comprovado", razão pela qual foi lavrado o Auto de Infração de fls. 51 e 52, integrado pelos termos e documentos nele mencionados, apurandose o crédito tributário composto pela contribuição, multa proporcional e juros de mora, calculados até 30/06/2003, perfazendo o total de R$ 3.648.740,91 (três milhões, seiscentos e quarenta e oito mil e setecentos e quarenta reais e noventa e um centavos), com o seguinte enquadramento legal: Art. 1° e 3°, alínea "b", da Lei Complementar n° 07/70; art. 83 inc. III, L.8981/95; art 1°, L 9249/95; art. 2° e inc. I, par 1, e Arts 3, 5, 6 e 8 inc. I, MP 1623/9727 e reed; art. 2° e inc. I, par 1, e Arts 3, 5, 6 e 8 inc. I, MP 1676/9834 e reed; art. 20 e inc. I e par 1, e arts. 3, inc. IL 9715/98. 2. Inconformada com a autuação, da qual foi devidamente cientificada em 11/08/2003 (AR A. fl. 161), a contribuinte protocolizou, em 10.09.2003, a impugnação de fls. 01 a 09, acompanhada dos documentos de fls. 10160, na qual alega: Fl. 320DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19679.010161/200318 Acórdão n.º 330201.269 S3C3T2 Fl. 2 3 2.1. É descabido o lançamento já que o pretenso crédito tributário encontrase com sua exigibilidade suspensa, nos termos do artigo 151, incisos II e IV, do CTN, em razão de medida judicial concessiva de segurança, permitindo à Impugnante recolher a contribuição ao PIS de acordo com a LC n° 7/70, conforme cabalmente demonstrado através de cópias extraídas dos autos do respectivo processo judicial — Processo de origem n° 96.00.118388 e Apelação 1997.03.0622836 (documentação anexa). 2.1.1. Da petição inicial que ensejou o processo judicial n° 96.00.118388, verificase serem diversas as empresas que figuram no pólo ativo da referida demanda, dentre as quais está a empresa ora Impugnante, sendo certo que a medida concessiva da segurança pleiteada pelas impetrantes beneficiaram todas as empresas, como se vê da cópia da referida decisão (documentação em anexo). 2.1.2. Importa observar que, em razão de recurso de apelação interposto pela União Federal, o referido processo foi remetido para o Tribunal Regional Federal da 3ª Região, onde foi mantida a sentença de primeira instância. Posteriormente, a União Federal interpôs, perante a Suprema Corte, Recurso Extraordinário, o qual encontrase aguardando julgamento, conforme se constata do documento que imprime o respectivo o andamento processual e da respectiva certidão de objeto e pé fornecida pela Subsecretaria da Quarta Turma daquela do TRF. 2.1.3. Ante o exposto, podese concluir que, após a concessão da segurança, em abril de 1997, nos autos do processo judicial acima mencionado, a Impugnante passou a sujeitarse ao recolhimento da contribuição ao PIS nos termos da LC n° 7/70. 2.1.4. Amparada pela medida judicial acima citada, a Impugnante mencionou nas DCTF referentes aos fatos geradores ocorridos em 1998, os valores cuja exigibilidade encontrase suspensa, mencionando expressamente, o número do respectivo processo judicial. 2.1.5. A contribuição ao PIS, referente ao período questionado no presente auto de infração, foi devidamente recolhida pela Impugnante, nos exatos termos da decisão judicial mencionada linhas acima, ou seja, com base na LC n° 7/70, conforme comprovante de recolhimento em anexo, no valor de R$ 40.809,55, acrescido de juros e multa correspondente a 5% do imposto de renda apurado no período (R$ 816.190,81), de acordo com a DCTF apresentada pela Impugnante (vide página 15 da referida declaração) — documentação anexa. 2.1.6. Frisese, ainda, que o próprio Fisco declarouse conhecedor da suspensão da exigibilidade do suposto crédito tributário em questão, conforme Termo de Verificação e Constatação em anexo, referente ao mandado de procedimento fiscal n° 0812100/00037/97, quando o crédito tributário em questão foi constituído com o fim especifico de se prevenir a decadência. Fl. 321DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 4 2.1.7. Ante os fatos narrados acima, não restam dúvidas de que a Impugnante está incluída no pólo ativo do processo judicial n° 96.00118388, onde lhe foi concedida, em definitivo, a segurança, suspendendo a exigibilidade do suposto crédito tributário objeto do presente auto de infração, pelo que resta totalmente insubsistente a exigência fazendária ora guerreada. 2.2. A legislação federal expressamente prevê a dispensa de multa de oficio no lançamento de crédito tributário destinado a prevenir a decadência, quando a suspensão da exigibilidade tenha ocorrido em razão de decisão judicial. E o que diz o artigo 63, "caput" , da Lei 9.430/96, conforme reproduzido. 2.3. O mesmo se diga no tocante aos valores exigidos a titulo de juros moratórios. De fato, tal exigência resta absolutamente descabida, tendo em vista que a Impugnante realizou, nos termos da medida judicial a ela concedida, o recolhimento da contribuição ao PIS, não havendo que se falar, portanto, na cobrança de qualquer consectário legal decorrente de atraso no pagamento. 2.4. Por fim, requer seja o presente auto de infração julgado totalmente improcedente.” Após analisar as alegações da Recorrente a Nona Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) – DRJ/SP I, proferiu o acórdão nº 16/26.932 (fls. 222/230 ou 293/301 eletrônica), em 29 de setembro de 2010, da seguinte forma ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 PIS ANTERIORIDADE NONAGESIMAL. Em cumprimento ao Principio da Anterioridade Nonagesimal previsto na C.F., art. 195, parágrafo 6°, as alterações introduzidas pela MP n° 1.212/1995 e suas reedições, convertida em Lei n° 9.715/98, terão eficácia a partir do período de apuração de março de 1996. DECISÃO JUDICIAL APLICASE A MP 1212/1995. Uma vez decido pelo STF na Ação de Mandado de Segurança impetrado pela Impugnante que o PIS é devido nos termos da MP n° 1.212/1995 e suas reedições convertida em Lei n° 9.715/98. MULTA DE OFÍCIO RETROATIVIDADE BENIGNA DO ART. 18 DA LEI N° 10.833/2003. Com a edição da MP n° 135/2003, convertida na Lei n° 10.833/2003, não cabe mais imposição de multa excetuandose os casos mencionados em seu art. 18. Sendo tal norma aplicável aos lançamentos ocorridos anteriormente a edição da MP n° 135/2003 em face da retroatividade benigna (art. 106, II, "c" do CTN), impõese o cancelamento da multa de oficio lançada. JUROS DE MORA. Fl. 322DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19679.010161/200318 Acórdão n.º 330201.269 S3C3T2 Fl. 3 5 Os juros de mora independem de formalização através de lançamento e serão devidos mesmo durante o período em que permanecer suspensa a exigibilidade do crédito tributário. LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE Os débitos de PIS lançados no presente Auto de Infração sendo inferiores aos débitos lançados anteriormente em outro Auto de Infração enseja o seu cancelamento por caracterizar duplicidade de exigência. A diferença sendo superior, cabe a sua manutenção. Impugnação Procedente em Parte.” Em resumo, a decisão de primeira instância julgou procedente em parte a impugnação apresentada pela Recorrente para o fim de cancelar períodos constituídos “em duplicidade” porque entre os argumentos de sua defesa, a Recorrente comprovou a existência de outro auto de infração (AI no 2000003797 Processo 138089.001908/0089), o qual constituiu débitos de PIS referentes ao mesmo período, sendo que este lançamento teve por objetivo evitar a decadência dos valores, em vista decisão judicial favorável (fls. eletrônicas – 131/163). E ainda, a decisão cancelou a multa de ofício por aplicar o artigo 18, da Lei nº 10.833/2003, o que faz com fundamento na retroatividade benigna, nos termos do artigo 106, inciso II, alínea ‘c’ do Código Tributário Nacional. No mais, a decisão manteve a autuação por entender que o contribuinte não estava mais albergado por decisão judicial favorável (proferida nos autos do processo judicial nº 96.00118388 apelação nº 1997.03.0622836), a qual foi revogada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário apresentado nos autos. Em virtude do valor exonerado (Demonstrativo “B” – fls. 304 eletrônica), da decisão foi apresentado Recurso de Ofício. Irresignado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (digital fls. 307/314), por meio do qual esclareceu que a discussão perdura apenas quanto ao valor R$ 146.672,84, relativo aos períodos de janeiro e dezembro de 1998 (Demonstrativo “A” – fls. 305 eletrônica). Em seus argumentos traz que o auto de infração não pode prosperar porque o valor autuado estava com a exigibilidade suspensa e, em relação aos juros, o contribuinte defende a impossibilidade de aplicação uma vez que em nenhum momento esteve inadimplente, tendo promovido o recolhimento nos termos determinados pela decisão judicial, sendo que se algo fosse devido seria apenas a diferença entre o já recolhido na sistemática de 5% sobre o IRPJ e aquele valor entendido como devido pela fiscalização. É o relatório. Voto Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Relatora Fl. 323DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 6 Os recursos (Voluntário e de Ofício) atendem aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual deles conheço. Conforme relatado, tratase de auto de infração eletrônico lavrado para fim de constituir crédito tributário não recolhido por força de decisão judicial. Estão em análise no presente julgamento o Recurso de Ofício, interposto pela Delegacia de Julgamento face à grandeza do valor exonerada e o Recurso Voluntário, apresentado pelo contribuinte contra a manutenção dos fatos geradores incorridos nos meses de janeiro e dezembro de 1998. Em relação ao Recurso de Ofício, duas matérias devem ser analisadas. A primeira referese ao lançamento em duplicidade de determinadas competências e a segunda da aplicação da multa de ofício. (i) Do lançamento em Duplicidade Os julgadores de primeira instância administrativa reconheceram a duplicidade de lançamento ocorrida entre o presente auto e o auto de infração nº 2000003797 Processo 138089.001908/0089, tendo mantido as competência de janeiro e dezembro pelo valor lançado com base na DCTF do contribuinte representar um valor maior do que aquele lançado no auto de infração lavrado em 2000. Com razão as autoridades administrativas de julgamento. Assim como se verifica dos termos do demonstrativo do auto de infração (fls. 131 a 163/Vol I – eletrônica), no lançamento que está sendo discutido no processo 138089.001908/0089 foram lançados os períodos de 01/01/1995 a 01/01/1999, o que alcança, portanto, o período ora analisado (01/01/1998 a 31/12/1998). Neste diapasão está clara a duplicidade de lançamento, basta verificar os valores lançados no auto de infração eletrônico (fls. 96 – eletrônico) conjuntamente com o auto lavrado anteriormente (fls. 147/149 – eletrônico). Realmente, os meses de janeiro e dezembro/1998 são os únicos que no auto de infração eletrônico estão maiores, sendo esta a razão pela qual o julgador administrativo, acertadamente sob este prisma, manteve o lançamento. (ii) Da Aplicação da Multa mais Benéfica Neste particular a decisão de primeira instância administrativa desonerou o lançamento por entender ser aplicável ao caso da multa o artigo 18, da Lei nº 10.833/03, que é mais benéfica ao contribuinte. Uma vez que a imposição da multa se funda no art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96 e no art. 90 da MP n°2.15835, de 24 de agosto de 2001, e que o artigo 90 foi alterado pelo artigo 18 da Lei nº 10.833/03, correta a interpretação da decisão recorrida, nos exatos termos do artigo 106 do Código Tributário Nacional. Todavia, em meu entender, existe outra razão para a impossibilidade de aplicação da multa de ofício. É que à época da lavratura do auto de infração (24/06/2003), o procedimento do contribuinte estava albergado por decisão judicial, logo, não havia conduta a ser reprimida, razão pela qual não há que se aplicar multa de ofício. Por estes argumentos, entendo que deve ser negado provimento ao Recurso de Ofício apresentado. Fl. 324DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19679.010161/200318 Acórdão n.º 330201.269 S3C3T2 Fl. 4 7 A seguir passemos à análise do Recurso Voluntário, que discute a possibilidade de autuar valores que se encontrem com a exigibilidade suspensa e de se aplicar juros, já que nunca esteve em débito. Inicialmente, por se tratar e matéria de ordem pública trago, de ofício, o reconhecimento da decadência do fato gerador incorrido no mês de janeiro de 1998, posto que o auto de infração foi lavrado em 24/06/2003. Independente de qualquer outro assunto que esteja sendo tratado no presente processo, é indiscutível que o auto de infração não pode subsistir em relação ao mês de janeiro, posto que encontrase fulminado em sua essência. Explico. É de conhecimento geral que o Pleno do Supremo Tribunal Federal, ao analisar os Recursos Extraordinários nº 55664, 559882 e 559943, declarou e reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, o que culminou na edição da Súmula vinculante nº 8, in verbis: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” A simples edição da citada súmula já é suficiente para o cancelamento total do presente auto de infração. Não apenas em razão de ser uma orientação vinculante, mas em virtude de reconhecer a total inconstitucionalidade do dispositivo legal que pretendia majorar em mais 5 anos o prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir tributos. Desta forma, não há meios de se manter a exigência em relação ao fato gerador ocorridos até janeiro/1998, uma vez que ocorrido antes de 5 anos da ciência da lavratura do auto de infração. Ademais, outra razão que fulmina o presente auto de infração, referese ao erro na fundamentação do lançamento. O auto de infração foi lavrado em função do entendimento de que a Recorrente estava inadimplente sem o supedâneo de qualquer procedimento judicial que validasse o não recolhimento (fls. 92/95 – eletrônico). Com a comprovação da existência de processo judicial, a razão do auto de infração deixa de existir. Conforme se verifica às fls. 92/95, após o cruzamento eletrônico das informações prestadas pela Recorrente, o sistema de controle da Secretaria da Receita Federal apontou a ausência de recolhimento dos valores de PIS referentes ao ano de 1998. Esta indicação – falta de pagamento – teve como fundamento a não comprovação, pelo Recorrente, à Receita Federal (e ao sistema de controle), da existência de processo judicial, ou seja, da razão que justificava o não pagamento e comprovava a compensação realizada pelo contribuinte. Todavia, o pressuposto adotado pela fiscalização estava errado. O processo judicial existia. Este simples fato, comprovado pela Recorrente nos autos, no entender desta julgadora, é suficiente para constatar a nulidade do auto de infração, uma vez que este foi lavrado com base em suposição falsa. Caso a fiscalização pretendesse constituir os créditos, mesmo que para evitar a decadência de valores, deveria ter elaborado novo auto de infração, Fl. 325DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 8 com outro fundamento. Inclusive, neste caso, não haveria a incidência de multa. Da mesma forma se fosse constatada insuficiência de créditos ou se a autuação estivesse pautada na limitação contida na decisão judicial, a qual expressamente viabilizou a compensação de débitos de PIS. Apenas para fim de registro, in casu, o processo judicial1 não apenas existia, mas vigiam decisões judiciais favoráveis ao procedimento adotado pelo contribuinte (fls. 111/129 – eletrônico, decisões de primeira instância judicial e 240/247 – eletrônica, decisão de segunda instância judicial). Apesar de não ter sido deferida a medida liminar, a sentença e o acórdão foram favoráveis ao contribuinte. E a despeito de os julgadores de primeira instância alegarem para a manutenção do lançamento que o Recurso Extraordinário reverteu a decisão favorável, fato é que esta decisão apenas foi proferida em 21/06/2004 (fls. 248/250 – eletrônica), um ano após a lavratura do auto de infração em análise. Isto é, ainda que inexistisse a mencionada nulidade, o fato é que no momento da lavratura não havia justificativa para o lançamento da forma como foi realizado. Logo, o número indicado pelo contribuinte em sua DCTF está em perfeita consonância com o número do processo judicial, as decisões lhe eram favoráveis, o auto de infração, da forma como foi lançado, na se justifica. Assim, se a causa da lavratura do Auto de Infração era tãosomente a existência de valores em aberto na DCTF devido à não comprovação do processo judicial, e restou comprovada sua existência, deve ser cancelado o Auto de Infração, ainda que não pelas razões suscitadas na impugnação. Isso porque não compete ao julgador administrativo alterar o fundamento do auto de infração para fim de regularizálo e manter a exigência, tal competência é privativa da autoridade administrativa fiscalizadora. Ante o exposto, concluo por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício, mantendo a decisão de primeira instância neste particular e DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para declarar a decadência do débito do fato gerador ocorrido em janeiro/1998 e cancelar o auto de infração lavrado. É como voto. FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 1 Processo judicial nº 96.00118388 (apelação nº 1997.03.0622836) discute a constitucionalidade da exigência da contribuição ao PIS Programa de Integração Social por meio da MP 1212. Fl. 326DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19679.010161/200318 Acórdão n.º 330201.269 S3C3T2 Fl. 5 9 Fl. 327DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10950.003680/2005-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2000
ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. GLOSA. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL AO IBAMA.
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 2001, a apresentação do ADA ao Ibama é obrigatória para fins de redução do valor devido a título de ITR, ou seja, para exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal.
Aplicação do art. 17-O da Lei nº 6.938/81, com a redação dada pela Lei nº 10.165/2000.
Numero da decisão: 2102-001.588
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
PARCIAL provimento ao recurso para reconhecer as áreas de 72,6 hectares de preservação permanente e 214,5 hectares de reserva legal.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2000 ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. GLOSA. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL AO IBAMA. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 2001, a apresentação do ADA ao Ibama é obrigatória para fins de redução do valor devido a título de ITR, ou seja, para exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal. Aplicação do art. 17O da Lei nº 6.938/81, com a redação dada pela Lei nº 10.165/2000. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso para reconhecer as áreas de 72,6 hectares de preservação permanente e 214,5 hectares de reserva legal. Assinado Digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 28/09/2011 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Nubia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos Andre Rodrigues Pereira Lima. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO 2 Relatório Em face da contribuinte acima identificada foi lavrado Auto de Infração (fls. 83/87) para exigência de ITR relativo ao exercício 2001, conforme demonstrativo de fls. 81, incidente sobre o imóvel denominado Fazenda Cagibi. O lançamento implicou na redução a zero das áreas de reserva legal e de preservação permanente declaradas pela contribuinte em razão da falta de apresentação tempestiva do ADA que só foi apresentado ao Ibama em 31.03.2004, sendo que a fiscalização teve início em 16.03.2004. Além disso, foi arbitrado o VTN então declarado para aquele exercício. Em Impugnação, a Interessada alegou que as áreas de preservação permanente e reserva legal não poderiam ter sido objeto de glosa, eis que estavam devidamente averbadas à margem da matrícula de seu imóvel no Registro de Imóveis. Alegou que caberia à autoridade fiscal a demonstração de que as áreas declaradas estariam incorretas, o que não ocorreu no caso em tela. Requereu a produção de prova pericial para demonstrar suas alegações. Na apreciação da Impugnação, os membros da DRJ em Campo Grande decidiram pela integral manutenção do lançamento, ao argumento de que a falta de apresentação tempestiva do ADA (até 6 meses após a apresentação da DITR) impediria a exclusão das áreas de reserva legal e preservação permanente da tributação pelo imposto. Inconformada, a Interessada interpõe o Recurso Voluntário de fls. 124/130, por meio do qual reitera os termos de sua Impugnação e insiste na falta de previsão legal para apresentação do ADA no exercício 2001. É o Relatório. Voto Conselheiro Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relator O contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 03.04.2008. O Recurso Voluntário foi interposto em 29.04.2008 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Tratase de Recurso Voluntário em processo no qual se discute lançamento para exigência de ITR em razão da glosa da área declarada pela Recorrente como sendo de preservação permanente e de reserva legal no exercício 2001. O que motivou o lançamento foi a falta de apresentação, pela Recorrente, de ADA que atestasse a existência das áreas assim declaradas em sua DITR (72,6 hectares de Fl. 2DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 10950.003680/200551 Acórdão n.º 210201.588 S2C1T2 Fl. 142 3 preservação permanente e 231,1 hectares de reserva legal), e também o arbitramento do VTN declarado. Em sede de Impugnação, a Recorrente não se insurgiu contra o arbitramento do VTN, e alegou que as áreas de preservação permanente e reserva legal estão devidamente comprovadas por laudo, que estão devidamente averbadas no Registro de Imóveis e que a lei não lhe exige a prévia comprovação da existência das áreas declaradas, sendo ônus do fiscal comprovar que os valores constantes da DITR não estão corretos. A decisão recorrida, no entanto, manteve o lançamento, ao entendimento de que sem a apresentação do ADA de forma tempestiva não haveria como acolher a pretensão de excluir as referidas áreas da tributação pelo ITR. No Recurso Voluntário, foram repisados os argumentos expostos em sede de Impugnação, a saber: que as áreas declaradas de reserva legal e preservação permanente existem e foram devidamente comprovadas nos autos, através de laudos e averbação no Registro de Imóveis, e que não seria obrigatória a apresentação do ADA. No que diz respeito à obrigatoriedade de apresentação do ADA, releva destacar que a lei nº. 9.393/96, em seu art. 10, § 1º exclui da área a ser tributada as Áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal, verbis: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989. (...). A exigência de apresentação do ADA surgiu com a Instrução Normativa SRF nº 60/2002, a qual foi sucessivamente alterada pela IN/SRF nº 256/02 e 861/08, que sempre estabeleceram a obrigatoriedade da apresentação do Ato Declaratório Ambiental como condição para a exclusão das áreas de preservação permanente da tributação pelo ITR. Até então, a Lei nº 9.393/96 não previa tal exigência.No entanto, a Lei nº 10.165/2000 determinou que art. 17O da Lei nº 6.938/81 passasse a vigorar com a seguinte redação: "Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria." (NR) Fl. 3DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO 4 "§ 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA." (AC) "§ 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória." (NR) "§ 2o O pagamento de que trata o caput deste artigo poderá ser efetivado em cota única ou em parcelas, nos mesmos moldes escolhidos pelo contribuinte para o pagamento do ITR, em documento próprio de arrecadação do Ibama." (NR) "§ 3o Para efeito de pagamento parcelado, nenhuma parcela poderá ser inferior a R$ 50,00 (cinqüenta reais)." (NR) "§ 4o O inadimplemento de qualquer parcela ensejará a cobrança de juros e multa nos termos dos incisos I e II do caput e §§ 1oA e 1o, todos do art. 17H desta Lei." (NR) "§ 5o Após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do Ibama, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis."(NR) A referida norma, como se vê, passou a determinar a obrigatoriedade de apresentação do ADA para fins de redução do valor devido a título de ITR, ou seja, para exclusão das áreas de reserva legal e utilização limitada. Desde então, esta obrigação consta inclusive do Decreto nº 4.382/02, que versa sobre a exigência do ITR, que assim dispõe: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1, inciso II): I de preservação permanente (Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965 Código Florestal, arts. 2º e 3, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989, art. 1); II de reserva legal (Lei nº 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, art. 1); (...) § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 5, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e (...) Fl. 4DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 10950.003680/200551 Acórdão n.º 210201.588 S2C1T2 Fl. 143 5 No caso em exame, os fatos geradores objeto do lançamento ocorreram em 2001, quando a referida norma já estava em vigor, razão pela qual a apresentação do ADA seria uma condição para que o Recorrente pudesse se beneficiar da redução desta área da base de cálculo do ITR. No entanto, esta norma é silente no que diz respeito ao prazo para a apresentação do ADA. Sendo assim, é de se concluir que a sua apresentação ao Ibama é obrigatória a partir de 2001 como condição para a exclusão das áreas de reserva legal e preservação permanente da tributação pelo ITR, mas que o prazo para esta apresentação não deve necessariamente se dar dentro do tempo pretendido pelas autoridades fiscais (de 6 meses). Na hipótese em exame, a fiscalização teve início em 08 de abril de 2004 (data em que a Recorrente teve ciência do seu início), ocasião em que foi solicitado à Recorrente que apresentasse cópia do ADA contendo as áreas declaradas. Foi então apresentado pela Recorrente o ADA de fls. 27, o qual foi protocolado no Ibama em 31.03.2004, ou seja, anteriormente à ciência do início da ação fiscal. Os valores constantes do referido Ato (89,2 e 214,5 hectares, respectivamente) corroboram, em parte, os valores constantes da DITR, que foram de 72,6 hectares de preservação permanente e 231,1 hectares de reserva legal. Por outro lado, o laudo trazido pela Recorrente aos autos traz valores diversos daqueles declarados e apresentados em ADA, a saber: 232,15 hectares de preservação permanente e 207,71 hectares de reserva legal. Já as áreas averbadas à margem do Registro de Imóveis são de: Matrícula Registro Área Fls. 11.841 Termo de responsabilidade de conservação de floresta 50,56 ha. 28 11.841 Termo perpétuo de responsabilidade de conservação de ecossistema florestal 134,06 ha. 28 11.841 Termo perpétuo de responsabilidade de conservação de ecossistema florestal 111,32 ha. 28v. 905 Termo perpétuo de responsabilidade de conservação de ecossistema florestal 111,32 ha. 32v. 13.588 Termo de responsabilidade de compromisso de conservação de área de preservação permanente e restauração e conservação de área de reserva legal 1,454 ha. 35v. TOTAL 408,71 ha. Como se vê, a área de reserva legal averbada à margem do Registro de Imóveis é, inclusive, superior à área declarada pela Recorrente. A decisão recorrida reconhece Fl. 5DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO 6 que estão averbadas as áreas de RPPN, mas que pela falta do ADA, não poderia a Recorrente considerála para fins de apuração do ITR. Assim, deve ser considerada comprovada a existência de áreas de preservação permanente e de reserva legal no imóvel da Recorrente. Considerandose, porém, como esclarecido acima, que para viabilizar a exclusão das áreas na apuração do ITR é necessário que a Recorrente tenha declarado as mesmas em ADA, é de se considerar que as áreas declaradas no ADA são aquelas que devem ser excluídas, obedecendose, ainda, como limite aquilo que a própria Recorrente declarou em sua DITR, já que estas foram as áreas glosadas por meio do lançamento que aqui se examina. Diante do exposto, VOTO no sentido de DAR PARCIAL provimento ao Recurso para reconhecer as áreas de 72,6 hectares de preservação permanente e 214,5 hectares de reserva legal. Assinado digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 6DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO
score : 1.0
Numero do processo: 13710.002312/2001-82
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES É nulo o ato declaratório de exclusão do
Simples que se limite a consignar a existência de pendências perante a Dívida Ativa da União ou do INSS, sem a indicação dos débitos inscritos cuja exigibilidade não esteja suspensa.
Numero da decisão: 9101-001.006
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª TURMA DA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS
FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento o recurso.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Karem Jureidini Dias
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 11ªª TTUURRMMAA DDAA CCÂÂMMAARRAA SSUUPPEERRIIOORR DDEE RREECCUURRSSOOSS FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em negar provimento o recurso. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente. (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Claudemir Rodrigues Malaquias, Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner, Susy Gomes Hoffmann, Alberto Pinto Souza Júnior, Karem Jureidini Dias, João Carlos de Lima Júnior, Antonio Carlos Guidoni Filho e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Relatório Fl. 142DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13710.002312/200182 Acórdão n.º 910101.006 CSRF‐T1 Fl. 2 2 Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional (fls. 104/107), contra o Acórdão 30238.108 (fls. 97/102), proferido pela então Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes. O processo se refere ao Ato Declaratório (Comunicação de Exclusão) nº. 295.845 de 02 de outubro de 2000 (fls. 52), por meio do qual o contribuinte ALSE MÁQUINAS E MATERIAIS GRÁFICOS LTDA., ora Recorrido, foi excluído do programa SIMPLES de recolhimento de tributos federais, nos termos do artigo 9º ao 16 e artigo 26, todos da Lei nº. 9.317, de 05.12.1996; bem como da Instrução Normativa SRF n°. 009, de 10.02.1999. Em síntese, o contribuinte foi excluído do SIMPLES, por meio do referido Ato Declaratório, sob o argumento de haver “Pendências da Empresa e/ou dos Sócios junto a PGFN”. O contribuinte apresentou Solicitação de Revisão da Vedação/Exclusão à opção pelo SIMPLES (fls. 38/39), argumentando que os valores supostamente em aberto com a PGFN, primeiramente, constavam no Conta Corrente da Receita Federal. Após ter detectado tal irregularidade, o contribuinte verificou que os débitos eram objeto de compensações, conforme Processos Administrativos nº 13710.001940/9910 e nº 13710.002284/9828. Alega, ainda, que a Receita Federal não verificou a existência dos processos de compensação e enviou os débitos do conta corrente para inscrição em Divida Ativa da União. O contribuinte afirma ter solicitado a retirada dos débitos da Dívida Ativa e juntou requerimentos próprios para o procedimento. Por fim, afirmou que os processos de compensação ainda estavam em tramitação na Receita Federal. A Solicitação de Revisão da Vedação/Exclusão à opção pelo SIMPLES foi indeferida com a alegação de que o contribuinte não apresentou Certidão Negativa de Débitos perante a Procuradoria da Fazenda Nacional. Cientificado da sua exclusão do SIMPLES, o contribuinte apresentou Impugnação em 12.09.2001 (fls. 01), requerendo a verificação para alocação dos débitos relacionados em anexo, já que os mesmos não são devidos, de acordo com os demonstrativos em anexo, fls. 03/36. Foi proferido acórdão pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro (fls. 65/18) sob o nº. 4.811, no dia 18.02.2004, com a seguinte ementa, in verbis: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2000 Ementa: SIMPLES — PENDÊNCIAS JUNTO À PGFN — A legislação tributária impedem a opção pelo Simples quando a interessada esteja com débito inscrito na Divida Ativa da União, cuja exigibilidade não esteja suspensa. Solicitação Indeferida” Fl. 143DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13710.002312/200182 Acórdão n.º 910101.006 CSRF‐T1 Fl. 3 3 A ciência do Acórdão nº. 0611.766 se deu em 09.03.2004 (fls. 70). O contribuinte apresentou Recurso Voluntário, em 08.04.2004 (fls. 73/83), ao Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. Em síntese, o Contribuinte alega que a discussão no presente Processo Administrativo tem por escopo a restauração no caso concreto do direito de exercer a garantia constitucional do Contraditório e da Ampla Defesa, que lhe fora negado por um ato administrativo de efeitos concretos, cuja motivação é absolutamente ilegal, tornando o Ato Declaratório de comunicação de exclusão absolutamente nulo, por vício insanável em um dos seus requisitos essenciais, qual seja a motivação. Ainda, alega o contribuinte que o suposto motivo explicitado no ato declaratório ("Pendências da Empresa e/ou Sócios junto a PGFN"), não autoriza a exclusão de nenhuma entidade do SIMPLES porque esta hipótese de exclusão não resta contemplada pela Lei. Por fim, o contribuinte afirma que o Ato Declaratório viciado foi proferido em outubro de 2000, e o julgamento de sua validade pela Delegacia da Receita Federal competente somente se deu em 2004, significando que a manutenção deste ato ocasionará o pesado e injusto ônus de refazer toda sua escrita contábil dos últimos quatro exercícios e pagar a vultosa diferença do que recolheu pelo SIMPLES e do que deveria recolher pelo Lucro Presumido. Sobreveio Acórdão nº. 30238.108, da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, com a seguinte ementa, in verbis: “Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples Exercício: 2000 Ementa: SIMPLES. EXCLUSÃO. DÉBITOS PERANTE A PGFN. REGULARIZAÇÃO. A regularização fiscal tributária perante a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, dos débitos em aberto descaracteriza a hipótese de exclusão do Simples prevista nos incisos XV e XVI, do artigo 9° da Lei n° 9.317/96. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.” Contra esse acórdão, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, no qual alega que o cerne da questão trazida no Recurso Voluntário pelo contribuinte diz respeito à possibilidade de se manter no regime de tributação do SIMPLES, embora possuísse, à época do Ato Declaratório, débitos fiscais cuja exigibilidade não se encontrava suspensa, pois o contribuinte havia procedido com o parcelamento dos mesmos. Ainda, afirma a União Federal que o Ato Declaratório expressou a situação da contribuinte no momento de sua expedição e, portanto, é plenamente válido, uma vez que havia débitos inscritos em Dívida Ativa, e isso seria uma das hipóteses de vedação da opção pelo SIMPLES, não podendo se cogitar a nulidade do ato. Ao final, a Fazenda Nacional pleiteia a reforma do acórdão da Segunda turma do Terceiro Conselho de Contribuintes. Fl. 144DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13710.002312/200182 Acórdão n.º 910101.006 CSRF‐T1 Fl. 4 4 O Despacho de admissibilidade de fls. 108/110 deu seguimento ao Recurso Especial e o contribuinte apresentou suas contrarrazões às fls. 115/122. É relatório. Voto Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora. A princípio, a questão estaria limitada em saber se o contribuinte não mantinha regularidade fiscal perante a Procuradoria da Fazenda Nacional, conforme constou do Ato Declaratório Executivo que o excluiu do sistema SIMPLES de recolhimento dos tributos federais. Nesse sentido, de um lado, argumenta o contribuinte que os valores supostamente em aberto com a PGFN, primeiramente, constavam no Conta Corrente da Receita Federal. Após ter detectado tal irregularidade, o contribuinte verificou que os débitos eram objeto de compensações, conforme os Processos Administrativos nº. 13710.001940/9910 e nº. 13710.002284/9828. Alega, ainda, que a Receita Federal não verificou a existência dos processos de compensação e enviou os débitos do conta corrente para inscrição em Divida Ativa da União, de modo que não haveria razão para sua exclusão do SIMPLES, uma vez que não havia razão dos débitos constarem como pendentes, já que inicialmente objeto de compensação e posteriormente parcelados. Sobre este aspecto, verifico que às fls. 02 o contribuinte juntou Certidão Positiva com Efeitos de Negativa em agosto de 2001, portanto, apenas posteriormente ao Ato Declaratório de exclusão, que se deu em outubro de 2000. Por outro lado, junta o contribuinte parcelamento (fls. 12/15), no qual consta a data de 10 de novembro de 1998 e que possui débitos parcelados do período de 1994 a 1998. A Fazenda Nacional argumenta que os débitos fiscais não estavam com sua exigibilidade suspensa, uma vez que o contribuinte havia procedido com o parcelamento dos mesmos. Ainda, afirma que o Ato Declaratório expressou a situação da contribuinte no momento de sua expedição e, portanto, é plenamente válido, uma vez que havia débitos inscritos em Dívida Ativa, e isso seria uma das hipóteses de vedação da opção pelo SIMPLES. Tendo em vista as alegações de lado a lado e a matéria aventada no Recurso da d. Procuradoria, conheço do Recurso. Entretanto, no mérito, entendo que não como se decidir sobre a situação do contribuinte, sob pena de duas uma: criar exigência legal em sede de julgamento; ou, no mínimo, cercear o contribuinte no seu direito de defesa. Isto porque, o Ato Declaratório Executivo se pautou especificamente no disposto no artigo 9º, inciso XV, da Lei nº. 9.317/96, conforme abaixo: Artigo 9°. Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: Fl. 145DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13710.002312/200182 Acórdão n.º 910101.006 CSRF‐T1 Fl. 5 5 V que tenha débito inscrito em Dívida Ativa da União ou do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, cuja exigibilidade não esteja suspensa; Entretanto, verificandose as fls. 52 do referido processo, justamente o Ato Declaratório de Comunicação de Exclusão, o campo de discriminação de débitos da empresa e/ou sócio junto a PGFN consta em branco. Disso decorre que não se sabe exatamente qual pendência deve ser tratada pelo contribuinte em sua defesa: se aquelas que o contribuinte demonstra que estavam consolidadas em parcelamento, em período muito anterior ao ato de exclusa; ou se outras posteriores, juntadas não pela fiscalização, mas pela Delegacia de Julgamento, e que se reportam, em verdade, a uma situação passada, mas cujo apontamento do débito não se sabe quando apareceu, já que a certidão juntada pela Delegacia é datada pelo SERPRO em 08/03/2002. Vejamos o que disse a Delegacia de Julgamento, o que, a meu ver, comprova a inexistência de apontamento discriminado das pendências que ensejariam a exclusão do contribuinte do SIMPLES: Consultando o sistema da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, extrai os demonstrativos referentes a possíveis débitos inscritos na Divida Ativa da União, fls. 59/64. É de se observar que, conforme fls. 59/62, na data da emissão do Ato Declaratório a° 295.845 e, ainda, na data da apresentação da SRS (solicitação de revisão da exclusão à opção pelo simples), fls. 38/39, a interessada possuía débito inscrito em Divida Ativa da União. O entendimento sumulado por este Tribunal é de que o Ato Declaratório de exclusão do SIMPLES que se limite a consignar a existência de pendências perante a Dívida Ativa da União ou do INSS, sem fazer menção a nenhum dos débitos inscritos cuja exigibilidade não esteja suspensa, é nulo. Neste sentido, a Súmula CARF nº 22: “É nulo o ato declaratório de exclusão do Simples que se limite a consignar a existência de pendências perante a Dívida Ativa da União ou do INSS, sem a indicação dos débitos inscritos cuja exigibilidade não esteja suspensa.” No mesmo sentido, colacionase decisões já proferidas por esta Câmara Superior de Recursos Fiscais: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2000 SIMPLES. EXCLUSÃO Conforme disposto na Súmula n° 2 do Terceiro Conselho de Contribuintes, "é nulo o ato declaratório de exclusão do Simples que se limite a consignar a existência de pendências perante a Dívida Ativa da União ou do INSS, sem a indicação dos débitos inscritos cuja exigibilidade não esteja suspensa". Processo nulo ab initio.” (ACÓRDÃO 40306.065, sessão de 08 de setembro de 2008) Fl. 146DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13710.002312/200182 Acórdão n.º 910101.006 CSRF‐T1 Fl. 6 6 “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. Tendo o contribuinte comprovado a suspensão da exigibilidade dos débitos, não há que se falar em exclusão do Simples, nos termos dos incisos XV e XVI do art. 90 da Lei n° 9.317/96. Recurso Especial do Procurador Negado (ACÓRDÃO 403 06.176, sessão de 30 de outubro de 2008) Por todo o exposto, conheço do Recurso Especial da d. Procuradoria, mas analisando o mérito, aplico a Súmula CARF nº 22 e negolhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias – Relatora. Fl. 147DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 22/06/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS
score : 1.0
Numero do processo: 10166.001586/2004-22
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2010
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Período de apuração: 20/10/1999 a 31/12/1999
Não se conhece do recurso especial de divergência quando o dissenso
jurisprudencial não restou inequivocamente demonstrado, pela simples razão da inexistência de entendimentos díspares carentes de uniformização.
Numero da decisão: 9101-000.783
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO
CONHECER do recurso da Fazenda Nacional.
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ
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ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Período de apuração: 20/10/1999 a 31/12/1999 Não se conhece do recurso especial de divergência quando o dissenso jurisprudencial não restou inequivocamente demonstrado, pela simples razão da inexistência de entendimentos díspares carentes de uniformização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (assinado digitalmente) FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ Relator. EDITADO EM: 12/04/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Leonardo de Andrade Couto, Karem Jureidini Dias, Claudemir Rodrigues Malaquias, Antonio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri e Susy Gomes Hoffmann (Vice Presidente). Fl. 1DF CARF MF Emitido em 15/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/04/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE Assinado digitalmente em 12/04/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE , 14/04/2011 por CARLOS ALBERT O FREITAS BARRETO 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência, interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN, contra decisão prolatada pela extinta Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, no Acórdão nº 30132816, sessão de 25/05/2006, ascendido a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF consoante Despacho de admissibilidade nº 1270.131465 (fls. 83/84), o qual, cientificado à contribuinte, foi contraarrazoado através da petição de fls. 99 a 106. A matéria posta em discussão diz respeito à exclusão da contribuinte, através do Ato Declaratório Executivo – ADE/DRF/BSB nº 420.220, de 07/08/2003 (fls. 32), do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições – SIMPLES, com fulcro no art. 9º, XIII, da Lei 9.317/96, cuja opção derase em 20/10/1999. O referido ADE de exclusão foi contestado pela contribuinte, mediante apresentação de “SOLICITAÇÃO DE REVISÃO DA EXCLUSÃO DO SIMPLES SRS” (fls. 30), tendo sido requerida a mudança da sua atividade econômica excludente, a qual passaria do código “CNAE nº 74993/07 – Serviços de organização de festas e eventos exceto culturais e desportivos”, para a atividade “CNAE nº 92312/03 – Produção, organização de eventos culturais”, pelas razões descritas no campo 4 da SRS, anexando, para tanto, a documentação comprobatória das suas alegações, consoante documentos acostados às fls. 05 a 29, pugnando, assim, pela comprovação de que a atividade de fato exercida seria mesmo a de produção e organização de eventos culturais. Pensando na agilização do julgamento, e por ser uma questão que entendo deva ser apresentada em sede de preliminar, faço um parêntese para relatar o ocorrido quanto à admissibilidade do RE para, se ultrapassada esta fase de caracterização do dissenso jurisprudencial, passar às suas questões de mérito. A propósito, mister que se faça a transcrição de excertos do sobredito despacho de admissibilidade, os quais estão situados logo após a transcrição da ementa do acórdão paradigma, conforme segue (fls. 84): De início, denotase que, no presente caso, não ocorre fato inerente ao processo do paradigma apresentado, ou seja, de pessoa jurídica que se dedique à atividade de treinamento de pessoal (por se assemelhar à atividade de professor). Restam as outras atividades arroladas no paradigma, organização de cursos livres e eventos culturais (por se assemelhar à atividade de produtor de espetáculo, segundo juízo ali formulado). (g.n.) Ressalta, então, haver similaridade na atividade “organização/produção de eventos culturais”, ficando para interpretação do julgador, através de sua livre convicção, deduzir se guardem semelhança com a atividade vedada de “produtor de espetáculos”. Reconheço, pois, a divergência entre o paradigma levantado e o acórdão contestado, mercê da similitude fática acima demonstrada, em conformidade com o determinado no §2º, do artigo 15 do RICSRF. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/04/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE Assinado digitalmente em 12/04/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE , 14/04/2011 por CARLOS ALBERT O FREITAS BARRETO Processo nº 10166.001586/200422 Acórdão n.º 910100.783 CSRFT1 Fl. 7 3 Quanto ao mérito, verificase que o voto condutor do acórdão recorrido foi conclusivo ao demonstrar que não há correlação entre a atividade econômica indicada no ADE de exclusão e a atividade praticada pela contribuinte, considerando ser esta razão, per se, suficiente para que o ato de exclusão seja afastado. Neste sentido citou extrairse dos autos que a empresa exerce a promoção de eventos culturais de artes visuais, essencialmente organização de exposições de obras de arte, cenografia, conforme demonstram documentos anexos como, p. ex., curriculum resumido da empresa, às fls. 05 e seguintes. Assevera, ainda, a i. relatora do aresto guerreado, que as atividades desenvolvidas pelo sujeito passivo não necessitam de profissional legalmente habilitado e que executa atividades intermediárias que sequer demandam conhecimento específico ou habilitado para o seu mister, tais como: orçar e contratar serviços de programação visual, divulgação, concepção de cenografia e impressões de folders, banners e outras atividades relacionadas às artes visuais, portanto não se enquadrando na vedação expressa do art. 9º, XIII, da Lei nº 9.317/96, e também que a contribuinte declarara não possuir em seus quadros produtor ou diretor de espetáculo, citando em seu favor a Solução de Consulta nº 172/2001, da 9ª RF, nos comentários do art. 192, inciso XLV, do RIR/2003, que possibilita a opção pelo Simples ao tipo de empresa que prestem serviços de organização e planejamento de eventos artísticos, culturais e sociais, se dentre suas atividades não incluir a contratação de atores, cantores, músicos, dançarinos e assemelhados. Para corroborar seus argumentos, a i. relatora, no seu voto condutor, reporta se ao entendimento esculpido na Solução de Divergência COSIT nº 10/02, mediante transcrição (fls. 65). Menciona, ainda, no voto condutor, que no ato de exclusão houvera apenas a motivação de que a atividade exercida pela empresa seria “assemelhada” àquelas previstas no inciso XIII do art. 9º da Lei nº 9.317/96, sem a realização de procedimento fiscalizatório e que, para esses casos em que a atividade prevista no contrato social não indica expressamente a realização de atividades indicadas no referido inciso XIII, cabe à fiscalização fazer a comprovação de que tal atividade é desenvolvida pelo contribuinte/fiscalizado. De outra parte a representação fazendária, às fls. 68/74, no seu Recurso Especial de Divergência, colacionou aos autos, a título de paradigma, o inteiro teor do acórdão nº 30235.988 (fls. 76/82), aduzindo, sucintamente, que: os contribuintes que exercem atividades de empresário, diretor ou produtor de espetáculos e assemelhados, estão enquadrados na vedação de que trata o art. 9º, XIII, da Lei nº 9.317/96, não fazendo jus à opção pelo Simples; não demonstrando a contribuinte, mediante apresentação de prova idônea e integral de suas alegações, acompanhada de fundamentos fáticos e jurídicos suficientes para invalidar o ADE, não se justifica a reforma da decisão recorrida. Oportunamente a contribuinte compareceu aos autos para apresentar suas contrarrazões ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, aduzindo que a representação fazendária não se desincumbiu de comprovar a divergência jurisprudencial, formalidade Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/04/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE Assinado digitalmente em 12/04/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE , 14/04/2011 por CARLOS ALBERT O FREITAS BARRETO 4 exigida pelo art. 15, § 2º, do Regimento Interno da CSRF, posto que não demonstrou onde estaria a semelhança entre ambos os casos, restando ausente, portanto, a comprovação quanto à divergência na interpretação da lei, mencionando, ainda, que o acórdão paradigma traz como atividade econômica prestada a semelhante a de professor, não permitida para o Simples. Conclui que o acórdão recorrido deve ser mantido por seus próprios fundamentos. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/04/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE Assinado digitalmente em 12/04/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE , 14/04/2011 por CARLOS ALBERT O FREITAS BARRETO Processo nº 10166.001586/200422 Acórdão n.º 910100.783 CSRFT1 Fl. 8 5 Voto Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Relator No âmbito de análise preliminar de admissibilidade do Recurso Especial de Divergência, interposto pela representação da Fazenda Nacional, foi o mesmo acolhido pelo Despacho 1270.131465 (fls. 83/84), do qual extraio os excertos anteriormente transcritos no relatório e que muito bem demonstram que aquela admissibilidade preliminar foi precariamente concedida, conforme segue: De início, denotase que, no presente caso, não ocorre fato inerente ao processo do paradigma apresentado, ou seja, de pessoa jurídica que se dedique à atividade de treinamento de pessoal (por se assemelhar à atividade de professor). Restam as outras atividades arroladas no paradigma, organização de cursos livres e eventos culturais (por se assemelhar à atividade de produtor de espetáculo, segundo juízo ali formulado). (g.n.) Ressalta, então, haver similaridade na atividade “organização/produção de eventos culturais”, ficando para interpretação do julgador, através de sua livre convicção, deduzir se guardem semelhança com a atividade vedada de “produtor de espetáculos”. Reconheço, pois, a divergência entre o paradigma levantado e o acórdão contestado, mercê da similitude fática acima demonstrada, em conformidade com o determinado no §2º, do artigo 15 do RICSRF. Vêse, de plano, que no mencionado Despacho de admissibilidade há inicialmente o reconhecimento da não ocorrência de similitude entre a atividade descrita no acórdão paradigma (atividade assemelhada à de professor) e a que é desenvolvida pela interessada, acrescentando que restariam as outras atividades arroladas no paradigma para que se passe a analisar a existência da aludida semelhança, ressaltando, ainda, que poderia haver similaridade na atividade “organização/produção de eventos culturais”, porém, na dúvida, optouse por transferir a decisão final quanto à real existência do dissenso para a “interpretação do julgador”, cabendo ao mesmo, “através da sua livre convicção, deduzir se guardem (sic) semelhança com a atividade vedada de ‘produtor de espetáculos’”. Verificase, pois, que a necessária admissibilidade não foi consumada nessa fase de análise a cargo da autoridade competente para tal mister, significando dizer que, a rigor, o Recurso Especial não estaria em condições de ir a julgamento nesta instância especial cuja razão de ser é a uniformização da jurisprudência administrativa, pela simples razão de não restar caracterizado dissenso jurisprudencial carente dessa mesma uniformização. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 15/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/04/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE Assinado digitalmente em 12/04/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE , 14/04/2011 por CARLOS ALBERT O FREITAS BARRETO 6 Entretanto, da realização de uma nova leitura do referido despacho, concluí que outras considerações devem ser tecidas, em reforço ao entendimento de que o Recurso Especial não deve ser conhecido. Com efeito, constatouse, de uma parte, que o acórdão paradigma tratou de atividades inerentes a treinamento de pessoal, dentre outras, considerada assemelhada à atividade de professor. De outra, que o mesmo acórdão paradigma também trazia como objeto do contrato social atividades arroladas como organização de cursos livres e de eventos culturais, esta assemelhada à atividade de produtor de espetáculo, segundo juízo ali formulado. Na primeira parte pronunciouse o despacho supracitado pela inocorrência de fato inerente ao processo do paradigma apresentado. No segundo caso, reconheceu que a similitude fática restou demonstrada, assim como a tempestividade, para acolher o recurso interposto, nesta segunda parte. Ouso discordar do entendimento vazado nesse Despacho, visto que os objetos sociais dos contratos submetidos ao cotejamento entre os acórdãos recorrido e paradigma de divergência tratam de matérias díspares, notadamente quanto à finalidade, ao conteúdo e ao alcance dos objetivos ali contidos. O objeto social constante do contrato da contribuinte alvo do aresto guerreado é a promoção de eventos de artes cênicas e visuais; coordenação de eventos culturais e sociais em locais diversos; publicações e outros acessórios ligados à cultura em geral; edição de livros, catálogos e outros produtos culturais. De acordo com o entendimento vazado no acórdão recorrido as atividades prestadas pela contribuinte estão limitadas à coordenação executiva e à administração de serviços específicos para eventos cênicos (programação visual, impressão de material e concepção de cenografia), que não se relaciona à atividade de produtor ou diretor de espetáculos, inobstante conste da ementa do julgado a intitulação como sendo ORGANIZAÇÃO E PRODUÇÃO DE EVENTOS CULTURAIS. ATIVIDADE PERMITIDA AO OPTANTE DO SIMPLES. No acórdão paradigma (fls. 76/82) o referencial das atividades constam do próprio objeto do contrato social da empresa como sendo: (i) a organização de cursos livres, teóricos e práticos, desenvolvimento de trabalhos científicos, treinamento de pessoal e trabalhos afins, realização de eventos culturais congressos, seminários, palestras e simpósios, diretamente ou em convênio ou associação com outras entidades, grupos, pessoas físicas ou jurídicas, nacionais ou estrangeiras, relacionados com o desenvolvimento humano; (ii) a edição de livros e sua distribuição, bem como produtos promocionais, discos fitas, vídeos e artigos correlatos; (iii) a prestação de serviços relacionados ao seu objeto social. Nesse contexto o voto condutor do acórdão paradigma conclui que da simples leitura do objetivo da sociedade não resta dúvida de que a recorrente, diretamente ou em associação com terceiros, organiza cursos livres, desenvolve trabalhos científicos, treina pessoal, ....., e presta serviços relacionados a essas atividades. (assemelhadas a de professor e de produtor de espetáculo). Na ementa, que sintetiza o entendimento do julgado, lêse: ORGANIZAÇÃO DE CURSOS LIVRES. REALIZAÇÃO DE EVENTOS CULTURAIS. TREINAMENTO DE PESSOAL. Como visto não se trata, nos acórdãos recorrido e paradigma, da apreciação de matérias semelhantes e de decisões divergentes acerca da mesma matéria, cujo atendimento Fl. 6DF CARF MF Emitido em 15/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/04/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE Assinado digitalmente em 12/04/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE , 14/04/2011 por CARLOS ALBERT O FREITAS BARRETO Processo nº 10166.001586/200422 Acórdão n.º 910100.783 CSRFT1 Fl. 9 7 a essas premissas constitui condição sine qua non ao exame de admissibilidade do Recurso Especial de Divergência e o seu acolhimento. Outrossim constatase a existência de matérias fáticas diversas, que resultaram obviamente em resultados também distintos. De sorte que não restou demonstrada a divergência arguída, requisito este previsto no § 4º, ou mesmo de demonstração de forma analítica, com a indicação dos pontos específicos onde reside a divergência entre os acórdãos hostilizado e o paradigma, requisito estabelecido no § 6º, ambos do artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09. Em outras palavras, as atividades desenvolvidas pela contribuinte interessada no acórdão recorrido não se compatibilizam ou assemelham com aquelas assemelhadas às de professor, muito menos se assemelha à atividade de produtor de espetáculo. Ou seja, não há similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma. Por essas razões, em sede de preliminar de exame de admissibilidade, oriento meu voto no sentido de não conhecer do Recurso Especial de Divergência. É como voto. (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Fl. 7DF CARF MF Emitido em 15/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/04/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE Assinado digitalmente em 12/04/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE , 14/04/2011 por CARLOS ALBERT O FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10930.001534/2006-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO
INTEMPESTIVO.
Não merece ser conhecido recurso voluntário interposto depois de decorrido
o prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3302-001.336
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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Numero do processo: 10670.000633/2001-78
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 1997
ITR ÁREA DE RESERVA LEGAL NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 10 DA LEI N° 9.393/96. DESNECESSIDADE DE QUE AVERBAÇÃO SEJA ANTERIOR AO FATO GERADOR.
Para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal), mas
não há exigência legal para que ela se verifique em momento anterior à ocorrência do fato gerador.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-001.407
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que seja reduzida a área de reserva legal ao montante de 2.430,0ha. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Ronaldo de Lima Macedo, que negavam provimento e o Conselheiro Elias Sampaio Freire, que dava provimento.
Nome do relator: Gustavo Lian Hadad
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1997 ITR ÁREA DE RESERVA LEGAL NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 10 DA LEI N° 9.393/96. DESNECESSIDADE DE QUE AVERBAÇÃO SEJA ANTERIOR AO FATO GERADOR. Para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal), mas não há exigência legal para que ela se verifique em momento anterior à ocorrência do fato gerador. Recurso especial provido em parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1726; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10670.000633/200178 Recurso nº 327.739 Especial do Procurador Acórdão nº 920201.407 – 2ª Turma Sessão de 12 de abril de 2011 Matéria ITR Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado AGROPECUÁRIA AQUILES DINIZ LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1997 ITR ÁREA DE RESERVA LEGAL NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 10 DA LEI N° 9.393/96. DESNECESSIDADE DE QUE AVERBAÇÃO SEJA ANTERIOR AO FATO GERADOR. Para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal), mas não há exigência legal para que ela se verifique em momento anterior à ocorrência do fato gerador. Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que seja reduzida a área de reserva legal ao montante de 2.430,0ha. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Ronaldo de Lima Macedo, que negavam provimento e o Conselheiro Elias Sampaio Freire, que dava provimento. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD Assinado digitalmente em 12/05/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Elias Sampaio Freire – PresidenteSubstituto Gustavo Lian Haddad Relator EDITADO EM: 27/04/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire (PresidenteSubstituto), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente Substituto), Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Alexandre Naoki Nishioka (Conselheiro convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Ronaldo de Lima Macedo (Conselheiro Convocado). Relatório Em face da Agropecuária Aquiles Diniz Ltda foi lavrado o auto de infração de fls. 02/04, objetivando a exigência de imposto sobre a propriedade territorial rural, exercício 1997, tendo sido apurada a infração de falta de recolhimento do referido imposto em decorrência de glosa dos valores declarados como área de preservação permanente e de utilização limitada das Fazendas Reunidas pela contribuinte. A Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário interposto pela contribuinte, exarou o acórdão n° 30237.118, que se encontra às fls. 85/104 e cuja ementa é a seguinte: “ITR ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE A área de reserva legal somente será considerada para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel rural quando devidamente averbada à margem da inscrição de matricula do referido imóvel, junto ao Registro de Imóveis competente, em data anterior à da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos da legislação pertinente. ITR ÁREA DE RESERVA LEGAL EXIGÊNCIA DE AVERBAÇÃO NA MATRICULA DO IMÓVEL PARA O GOZO DE ISENÇÃO IMPROCEDÊNCIA. A condição de área de reserva legal não decorre nem da averbação da área no registro de imóveis nem da vontade do contribuinte, mas de texto expresso de lei. É suficiente, para fins de isenção do ITR, a declaração feita pelo contribuinte da existência, no seu imóvel, das áreas de preservação permanente e de reserva legal, ficando responsável pelo pagamento do imposto e seus consectários legais, em caso de falsidade, a teor do art. 10, parágrafo 7 0, da Lei n° 9.393/96, modificado pela M.P. n°2.166. RECURSO PROVIDO.” Fl. 2DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD Assinado digitalmente em 12/05/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10670.000633/200178 Acórdão n.º 920201.407 CSRFT2 Fl. 2 3 A anotação do resultado do julgamento indica que a Câmara, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário. Regularmente intimada do v. acórdão em 27/11/2006 (fls. 105), foram opostos, pela Procuradoria da Fazenda Nacional, os Embargos de Declaração de fls. 106/107 objetivando sanar contradição existente entre a ementa e a fundamentação do referido acórdão. A Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, conhecendo dos referidos embargos, exarou o acórdão n° 30238.816, que se encontra às fls. 111/115 e cuja ementa é a seguinte: “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 1997 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO — RETIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO. Comprovado o erro material no Acórdão 30237.118, de 09/11/2005, refletida na Ementa e Decisão de fls. 85/105, acolhemse os Embargos de Declaração interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional para promover a retificação fazendo constar a Ementa abaixo. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE/ÁREA DE RESERVA LEGAL A condição de área de preservação permanente não decorre da vontade do contribuinte, para fins de isenção do TTR, mas de texto expresso da lei. É suficiente, para se beneficiar da referida isenção, a declaração feita pelo sujeito passivo da existência no seu imóvel, das áreas de preservação permanente e de reserva legal, ficando o mesmo responsável pelo imposto e seus consectários legais, em caso de falsidade, a teor do artigo10, §7°, da Lei n° 9393/96, modificado pela MP n°2.166. EMBARGOS ACOLHIDOS.” Intimada pessoalmente do acórdão em 10/04/2008 (fls. 118) a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial às fls. 119/123, em que sustenta contrariedade à legislação em vigor no tocante à necessidade de prévia averbação da área de reserva legal, no órgão de registro competente, em data anterior ao fato gerador. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 302.270, de 23/10/2008 (fls. 130/132). Intimado sobre a admissão do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional o contribuinte apresentou suas contrarazões de fls. 136/141. É o Relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD Assinado digitalmente em 12/05/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator O recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional preenche os requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Tratase de lançamento de ITR supostamente devido relativamente à área declarada como de reserva legal em decorrência da ausência de averbação da referida área na matrícula do imóvel em momento anterior à ocorrência do fato gerador. A matéria em discussão no presente recurso especial limitase: (i) à discussão acerca da necessidade da averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel para fruição da isenção de ITR e (ii) se tal averbação precisa ocorrer em momento anterior à ocorrência do fato gerador. No caso em exame entendo que não assiste razão à Recorrente. Inicialmente, em relação à necessidade de averbação ou não da área de reserva legal na matrícula do imóvel transcrevo, a seguir, voto do I. Conselheiro Gonçalo Bonet Allage no processo 13984.000688/200485, cujas razões adoto como fundamento do presente voto, in verbis: “Inicio a análise do recurso pela questão da área de utilização limitada, cuja glosa decorre da falta de averbação à margem da matrícula do imóvel. Pois bem, o artigo 10 da Lei n° 9.393/96 tem a seguinte redação: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1°. Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; Portanto, de acordo com tal regra, as áreas de preservação permanente e de reserva legal, previstas no Código Florestal (Lei n° 4.771/65), estão excluídas da base de cálculo do ITR. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD Assinado digitalmente em 12/05/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10670.000633/200178 Acórdão n.º 920201.407 CSRFT2 Fl. 3 5 A chamada área de reserva legal ou de utilização limitada tem contornos estabelecidos pelo artigo 16 do Código Florestal, atualmente com a redação que lhe foi dada pela Medida Provisória n° 2.16667/2001, da seguinte forma: Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e IV vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. § 1°. O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo. § 2°. A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. § 3°. Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. § 4°. A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: Fl. 5DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD Assinado digitalmente em 12/05/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 I o plano de bacia hidrográfica; II o plano diretor municipal; III o zoneamento ecológicoeconômico; IV outras categorias de zoneamento ambiental; e V a proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. § 5°. O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico ZEE e pelo Zoneamento Agrícola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: I reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de Preservação Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e II ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices previstos neste Código, em todo o território nacional. § 6°. Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: I oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; II cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do País; e III vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2o do art. 1o. § 7°. O regime de uso da área de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § 6o. § 8°. A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. § 9°. A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD Assinado digitalmente em 12/05/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10670.000633/200178 Acórdão n.º 920201.407 CSRFT2 Fl. 4 7 § 10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicandose, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. § 11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. A necessidade ou não de averbação da referida área no cartório de registro de imóveis, para fins de apuração da base de cálculo do ITR, é matéria bastante controvertida, tanto nos Tribunais Judiciais quanto no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Este julgador, inclusive, chegou a votar no sentido de que, comprovada a existência da área de reserva legal de alguma forma, inexistia o dever de averbála à margem da matrícula do imóvel. Contudo, após profundos debates, principalmente no âmbito da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção, da qual faço parte, alterei meu posicionamento para, no caso, dar razão à Fazenda Nacional, entendendo que a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel é, como regra geral, condição para sua exclusão da base de cálculo do ITR. Acabei convencido de que a necessidade de averbação da área de reserva legal, embora com função declaratória e não constitutiva, decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal), conforme acima destacado. Atualmente, a infringência a tal mandamento, inclusive, dá ensejo à aplicação de multas pecuniárias, conforme determina o artigo 55 do Decreto n° 6.514/2008 O ITR é tributo de natureza eminentemente extrafiscal, sendo que a obrigatoriedade da averbação da reserva legal está relacionada, muito além do direito tributário, à garantia de preservação de um meio ambiente ecologicamente equilibrado. Salvo melhor juízo, o benefício tributário consistente na exclusão da base de cálculo do ITR da área de reserva legal só pode ser reconhecido se estiverem cumpridas as exigências da legislação ambiental, o que não ocorre no caso em apreço, pois inexiste averbação da área de reserva legal informada na DITR, nem Fl. 7DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD Assinado digitalmente em 12/05/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 tampouco há compromisso firmado pelo sujeito passivo com órgão do poder público no sentido de preservar respectiva área, adequadamente delimitada (esclareço que, sob minha ótica, esta providência pode suprir, em determinadas situações, não verificadas neste feito, a necessidade de averbação).” No presente caso, ao examinar a documentação trazida aos autos, especialmente a certidão da matrícula nº 1115 de fls. 35/36, identificase a efetiva constituição e averbação (em 01/04/1998) de uma reserva legal de 2.430ha no imóvel em questão, sendo que tais documentos não foram, em momento algum, impugnados ou questionados pela autoridade fiscal. Assim, tenho para mim que com a averbação na matrícula do imóvel das áreas de reserva legal, ainda que posteriormente ao momento eleito como aspecto temporal da hipótese de incidência do ITR, essa área de reserva legal deve ser excluída da base de cálculo do tributo. Referido entendimento decorre do disposto no artigo 10º, parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/96, modificado pela Medida Provisória nº 2.16667/2001, segundo o qual basta a declaração do contribuinte quanto à existência de área de exclusão, para fins de isenção do ITR, respondendo o mesmo pelo pagamento do imposto e consectários legais em caso de falsidade. No presente caso, tendo havido a contestação da existência dessa área pela autoridade fiscal, a averbação da reserva legal na matrícula (fls. 35), mesmo após a ocorrência do fato gerador, faz prova suficiente de sua existência. Importante consignar, no entanto, que a Contribuinte, em sua DITR/1998 declarou como área de reserva legal o montante de 2.500,00ha sendo que, como descrito acima, só comprovou a existência da área de 2.430,0ha, razão pela qual deve ser dado parcial provimento ao presente recurso. Destarte, conheço do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional para, no mérito, DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO para que seja reduzida a área de reserva legal ao montante de 2.430,0ha. Gustavo Lian Haddad Fl. 8DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD Assinado digitalmente em 12/05/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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