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Numero do processo: 10109.000414/88-19
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O certificado BEFIEX n9 93/81 trata apenas da redução de 50% So bre os valores dos Impostos de importaçã3 e do Imposto sobre Produtos Industrializa- dos. 2 - Após a edição do Decreto-lei n92.185/84 restou definitivamente afastada a hipótese . de extensão do referido benefício ã taxa de melhoramento dos Portos. 3 - Recurso negado." Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por EMPRESA BRASILEIRA DE COMPRESSORES S/A - EM BRACO. ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos 'termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julga- do. ala ..:a. se :Eies (DF), em 16 de novembro de 1992 .% .,,., ,.. :r : /-41 jor - PRESIDENTE , . ., . / ----:101,4PfL. ') ITAMAR VI.IRA 2 C4TA - RELATOR , )IF v.) = DIVA 'PRIA , OSTA CRUZ E REIS - PROCURADOR DA FA- ZENDA NACIONAL ,, , , DAMEFP/DF- SECOS IVI 064/90 J.M. Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselhei- ros: FAUSTO DE FREITAS E CASTRO NETO, SÉRGIO CASTRO NEVES, UBALDO CAMPELO NETO, JOÃO HOLANDA COSTA e HUMBERTO ESMERALDO BARRETO FILHO. Ausente justificadamente o Cons. Sebastião Rodrigues Cabral. ,‘,A . . - PROCESSO N. 10109-.000414/88-19 RECURSO N. RD/303-0.088 ACORDAO C1R1 :: /03 -01.969 RET.Tnueln-Er, EMPRESA BRASILEIRA DE.: COMPRESSORES S/A - EMBRACO RECORRIDA :: 3a. CAMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE: CONTRIBUINTES .TITUUU3W:qW-1:: FAZENDA NACIONAL R R L_A T O R_I_Q Por ocasiao do julgamento do recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo, acordaram os membros da. Câmara . 1: 1 v c: do Acorda° n. 303-25.671, ora recorrido, em negar-lhe imento, om-Iforme sentença proferida nos seguintes termos:: TAXA DE MELHORAMENTO DOS PORTOS - ISENÇA0 PARCIAL. . I - O Decreto-lei n. 2.185/84, comando legal vi- wente à época das imporlaçoes, nao contempla. ou- torga isencional, total ou parcial, para a hipote- se julgada. . II -- Recurso negado. . Com vistas â reformulaçao desta decisao, o sujeito passivo vem, nos autos do processo em referencia, da mesma. recor- rer à Câmara Superior de Recursos Fiscais, com base no inciso IT do artigo 3 do Decreto n. 83.304/79, para. arguir a divergencia existente entre o acórdao rocorrido e o que estabelece o AcÓrdao CSRF/03 -01.626. . EM despacho . lavrado à fl. 126 deste processo, a presidencia da 3a. Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes - acolheu o Recurso Especial interposto, dando por cumpridos os . pressupostos para sua admissibilidade. A recorrite inicia. suas razoes afirmando que a. decisao recorrida micontra -se em t.ot.al. desacordo com a. lei e com . a técnica de interpircta.¡;',..Ao, revelando nao terem sido considerados os documentos acostados nos autos, referente ao BEFIEX, pois que, pura e simplesmente, foi alegado que na vigencia do Decreto-lei n. 2.185/84, è devido o pawimmN'ito da Taxa de Melhoramento de Por - pela movimientaçao de mercadorias importadas com estimulo BE - FIEX, esquecendo-se o voto vencedor . dos princípios do direito ad- quirido, dO ato jurl..dico perfeito e da coisa julgada, contempla-. dos pela. Constituiçao Federal. Para o....-Altestar a decisao a peticionária transcreve o voto integrante do AcÓrdao CSRE/03 -01.384, cujo relato coube ao ilustre Conselheiro Sr . . Hamilbon de Sá Dant..iik-is, que assim manifes- tou-se:: "Açao fiscal foi Julgada procedente, sob o funda- mento de que:: "Com a ediçao do Decreto-lei n. 2.185, de 20/12/84, (D.O.(1. de 21/12/84) 1 dispondo sobre a isençao da Taxa de Melho -. ramento dos Portos, ficaram derrogadas todas as disposiçoes. .i.c.--- gais anteriormente editadas a respeito." No mérito estranhável tal conclusao, de vez que a r . =.:irrf.::mite instruiu sua impugnaçao com cópia do Certificado n. 93/81, expedido pela. Comissao para Concessao de Benefícios Fis- cais a Programas Especiais de Exporta¡;:ao - BEFIEX, onde consta, verbis:: -.....- .....,."O programa aprovado, a ser cumprido no periodo de . 8 (oito) anos, contados a partir de 01 de agostc i í iii 541, • .'•1 .... . PROCESSO NO 10109/000.414/88-19. . Acórdão nO-CSRF/03 -01.969 2 de 1980, asseguya. à, EMPRESA BENEFICIARIA, conforme -NUM DE APROVAÇA0 BEFIEX n. 038/81, firmado nesta ckdÀ .E., os seguintes incentivos:: (grifas da tr,m-ïs-- criçao) Ante o acima disposto, nao se pode vislumbrar a. revogaçae de beneficio fiscal outorgado por tempo e condiçoes pré-determinadas, portanto é crista.Lt- no o direito da recorremte no concernente á redu- . çao de imposto pawi.t~lo. .... .............................................. Por fim, considerando-se que a reduçao em exame está inquestionavelmente =item- . piada. na. previsao legal de que cogita o ar t. 55 da. Lei n. 5.025/66 (e art. 99 do Decretn n. 59.607/66) e que ano se aplica o Decreto-lei n. 2.185, de 20 de dezembro de 1984, porque é poste- rior à data da. concessao dos benefícios outorga- dos, nego, por estas razoes, provimento ao recurso especial interposto pelo ínclito represitante da Fazenda Nacional." EMbora nao sirvam para. caracterizar a. divergOncla ,jurisprudencial a que se refere o artigo 1 , , inciso II, da. Por-- 1 ..âr:LA n. 434/79 (Regimento Interno da (SRF), por força da. argu- mentaçao a recorrente transcreve aá decisoes owisubs-UmIc.i4mlas nos acórdaos n. 303-25.062 e 303-25.129 que interpretam a matéria de forma favorável ao o..:31TtribtEMite. Faz também seus as argumentos omitidos no voto in- 'rtegrante do última acórdao acima mencionado (303-25.129), profe- rido pelo Ilustre Conselheiro Sr. Paulo Affonseca de Barros Fa-- ,rias JÓnior, o qual a seguir transcrevo:: . "O benefício fiscal pretendido pela. Recorrente tem, efetivamente, respaldo nos artigos 55 da Lei .5.025/66 e 99 do Decreto n. 59.607/66. . Esses dispositivos legais reportam-se objetiv.~1- te á isençao do I. I. como estímulo à exportaçao e dispensa exigibilidade de taxas como a. TEP e da-- quelas que nao correspondam á colvt.r.,nr.mstaçao do serviço prestado. O decreto n. 59.607, além de conter esse entendi- mento, díz ainda que esse benefício é aplicado nas operaçoes sob o regime especial do "DRAWBACK" ou. equivalente. Convém ressaltar que as referidas Leis e Decreto, de 1966, passaram a ter vigencia antes da criaçao do Programa Especial de Exporta - çao - BEFTEX (Decreto-lei n. 1.219/72). Com o advento do Decreto-lei n. 2.185, de 20/12/84, prevendo li :1. novas, consolidando os casos já contemplados em 1. :1 anterior, nao foi amparado o beneficio ás importaçoes efe- tuadas•dentro do programa. BEFTEY.. Todavia, é impot-Uimte destacar que em 14/01/81 foi lavrado o termo de Aprovaçao de Programa, Especial de Exportaçao entre a Uniao Federal e a Recorren- te, e na mesma data expedido o Certificado n. t-...„. 93/81, com base em que está suportado o benefício ,fiscal pleiteado e nao reconhecldo pela. Autoriffimie í.4) Fiscal. , ,. . n. 1 .,:• .1 v _ ... PROCESSO N9 10109/000.414/88-19 Aceirdão n9 -CSRF/03 -01.969 3 Tendo em conta estar a reduçao em exame inquestio- navelmente contemplada. na previsao legal de que cogitam os Artigos 55 da Lei n. 5.025/66 e 99 do Decreto n. 59.607/66 e que nao se aplica. o Decre- tr.)-lei n. 2.185/84 porque è posterior à data. da concessao dos benefícios outorgados por tempo e condiçoes pré-determinados, nao podendo ser admi- tida. sua revogaçao, é de clareza merddiana c' da. Recorrente á reduçao pleiteada. . Face ao exposto, dou provimento ao recurso." Dessa forma, pleiteia a recorrente o provimento de seu, apelo. Contra arrazoando o recurso illterposto, a Procura- dorda da Fazenda Nacional argumenta que "por . mais brilho que te- nham ou tenham tido as decisoes oriundas do Egrégia Terceiro Con- selho de Contribuintes, a elas a. lei nao atribui eficãcia norma- tiva, nao se inserdndo, portImIllsi..Lit..ipl , no elenco da legislaçao tritAt- tarja (art. 100 do CIN)." T A isto acr,scenta que o artigo 178 do CIN estabe- lece que a isençao pura e simples pode ser revogada, a qualquer. t.....mum, o que nao ocorre com a. isençao onerosa, condicional, por prazo certo. Lembra que toda matéria relativa a isençao, subje- tiva ou objetiva, suspensao de pagamento ou exclusao da incid@n- cia da Taxa de Melhoramentos dos Portos, passou a ser disciplina- da, após sua ediçao, nos termos do Decreto-lei n. 2.185/84, tendo sido 1-evogada as disposiçoes que lhe fossem con.trárias. ._ Arnum•nta, neste passo, que, em consequOncia de uma interpretaçao extensiva adotada no Parecer Normativo CST n. . 12/79, o Regime BEFIEX foi conceituado como um equivalente ao , "Drawback.,", razao pela qual a administraçao fiscal vinha. recemihc— . cendo a, isençao da Taxa de Melhoramento dos Portos. Entretanto, o certificado DEFIEX n. 093/81, concedeu à recorrente apenas os dl- . reitos relativos ao imposto de Imr:Jor-taçao e ao Imposto sobre Pro- dutos Imiustrializados, e isto a própria autuada r-eccm.111,. .,*àc.c.?. Dai a inferÊncia apresentada pela. Fazenda, Nacional de que inexiste ato concedendo direito relativo à Taxa de Melha- ralwmIto dos Portos, seja de isençae, suspensa° ou reduçao deste encargo. Ademais, prossegue, a Lei n. <) artigo 55 foi invocado pela recorrente com vistas a amparar seu pleito de reduçao em 50% da referida taxa, nao mais vigia quando a rea- lizaçao das operaçoes de importaçao sob 11i1 içjio, posto sua revo- gaçao pelo Decreto-lei n. 2.185/84. Para finalizar, a contra.--al~nte espoe o seguin- te2 "Assim, è irrelevante se sabev . se o instituto do BEFTEX é ou nao equivalente ao "drawback.", pois 11.2gimL.,,as_já1ffl1 Aa„- 2r.m), .r,ffl.:',1J.zikdèls 1.).i. Y ...i- gPn ç i Ç1,fi.?.,,..1.R.mr1i,21.-1...sL*..12.':.5...w....._...q.2., 1?fi P„ (4.,11iàROto r.IP -i.:1..rt” 55 df.':..hA.?..L.,1b,,......!:5...!!..,,, E mais mesmo na vigÓncia da Lei n. 5.025/66, a mesma somente dispunha. de j,sençap, sendo defeso estender-se igualmente o benefício à reduçao de alIquota." (os grifos sao do original). 1-- ,.t., isto posto requer a Fazenda Nacional a manutençao do acórdao ref:.orrido. .- 11 o r,...:à1,ML.e...Jrio. 11) ,, ., ., ., 1.- _ PPOCliSSO H . . 10909...00011.1/29..19 1.......!:::;14'.......". 0 3- O 1 ., 9 6 9 1 ::'. V'. 1...; 1 1 I.....111:..11 1 .1::-... :', :.:111::'RE: ''.. III:1.1(1S I 1....1: :: .1: 1 ::.: (.1 ))I, (.()1'1111:::5:-:-.1!1:;1::.11 .1 '..1:::',......:: '....3./ a • •• 1:::11t11;,!(:)r.::1...) !. 1: :: 1.. (:::1 .I.I.11::?. :: .I. 1:11(:1:;!. ',...,' .1 1: :... 1 1 :;,1A Dr...) 1........1.2.15....3 I- /.2:1 V O I . O Discute- ... se nestes au.tos se a. redução de 'i...ii(i'',.; sednie e valor do Imposto de .lifiportação e do Imposto sobre Produtos Lndiu:i.- À.:di :.), incidentes sobre as operaçes de importação re..i:11.iza•• dos ao amparo do Certificado DEFTEX n. 'i."'J/Or, ó extensiva-à laxa. .• de Melhoramento dos 1:01 ti (IMP), conforme defende o sujeite pas• . 1 SiVO Qffl contraposição ao entendimento wikrti....fc , stado peia 1.'...,'"MWA.,...i. . prolatora do acórdãO ora. recorrido. Examinada a. legislaçãO que vege• a .materia„ . fica evidente que áf....(5 .. :.it ediça do Decreto-lei n. 2.185/0 q restou. de . •• . . finitivamente afastada. a hipótese do extensãO do refe,r • ido ' 0100 LI Á cito á. Taxa. de Melhoramento dos Portos. EMerge de Seu. alitige • . ii :: • . quo o beneficio O! 1, relativamente â THP, reist,ringe ...... se às mel' • e .:.-..o.1,•.:.u. i. -ars i mp(..)1 .- 1..,.: n.1.1,.:.V:::. .::',. C .! E.) (..:.) 1."1"..:...'3..] :i. NIG .? (10 1....:i):::.j.::'1:1...!: n t:.!...:::". i....... i: n 1 i i ::',. iTIOd : : i . i. ..i 1. 1 : .) . , : 1 , :' • i. . isenção, não alcançados, pois, outros proi.i.tramas de c,ii.,timulos por mais 1i...1C SQ assemelhem estos ao regime do !......1!........q1...,y,...J......, 1 :: '(...) n :. i.A..).. 1.1".:::1 .1. -:A ...-K":1 „ I0 ";?...(;) i Já. (.."4..?1TIC) r .. 1 .,.."1:.0:-:' i' :11 ,. ....1 :11 i.1 1.. 1 ifiCfl I S I.. 4. S .1.i::::'I.I 1.. : .: ...d C .J P(.....' 1. ,.:-,. l' • i:-:' (-01' l'•CM-.) 1....i...... II' 1 1 1.. . 1. 1.:H : (..) 1.) c' l•-,::::' 1. (... n ••• 1. (.:.:' 1 li „ .::::' „ 1.. 13 ..., -' 2( .1 .„ 1 i....., r • 1. • 4: :.! i .. ::::, 1. !it . ) .:::' 1:1 :i.. 1..'..iitd O 121$ .:1 S t.f.-:?1.".:i. C.1 1-- 411C:'1 . 1 1....('.' á. , :Q . I . 1 (..:'!'"::::;',?,.. , .....44 1 4 • I . ) f. :'. I 'I ....:' i' .(ri dQ . 9 Wi:CO pode afetai . as operaçes por ela reaJiada. Observe se, quanto a isto, que no Certificado do BE1-IFX n. 91/21...ativoram seÁ seus elaboradores somente a re(lução do l.l. e do 1.1' .,A., SQM II.J.Q . fosse objeto de ifiellça0 qualquer tratamento diferenciado para a • A interpretação extensiva. defendida pela empresa. . • nãe ii:q icontra. amparo legal, tendo em vista. a inexistCncia de ato concedente do direito alegado, uma. vez que todas as. importa.çes em litIgio ocorreram Iia. vigOncia do Decreto-li n. 2.185/S(1, quando já SO OVICOntráVain reveJgadas as disposiçCies . e.onl....idas tanto . 1 ..le1 a.r.t.,i..gc) 1-.5 1..is, d_a 1.....e..i.,i.. n. -.5„0.,?. 1.5./ (5 (5 „ ci IA ..,..i .:1 I, 41 ci ',.. 1 ... • I.. :i.. (..:j c.) '3'9' 1....1 ti (......' ,..4. r • i ...... (....j f..1. • • . . 1..:::1.11) c? ri 1:. a. ',...'.:A I.: ...í.)C.... C.: l' C?"1.:.1: ) y r .. 59 „ ,...5(...?...;)../é.',é;) ) ,. Ássim, considerando que a, hipótese . de.... ,.........Jens:2,..o ,5 1Hr do beneficio outorgado á. requerente através do Cerlifi Lado . . DEf4E.X, n. 9 ..i .',/81 só poderÀa ser . plauslvel em decerrCncia de inteiil .. •• pietação que SQ encontiava implIcita HO ordenamento Legal ante- . riormente vigente, inexistindo qualquer . ato que obieti',,~mte o . .......icd . lccmles:seg lembrando o disposto no artigo 178 do CTH que estabe-- tece ser a isençãO, pura e simples, revogâvel a qualquer . tom ::'o . • i lembrando, também, que a lei concedente de favor f.jlsc.,.:il.. deve ser interpretada 1....1 I.er-iAliriente (o o'( 111 do (111), não cabendo discri•- .. • Minar onde esta não discrimina, voto nó sentido de nc....gg...• provi-. mento ao recurso interposto pelo sujeito passivo, Mantida. a deci- sao da 3a. Cãmara do Terceiró Conselho de Contribuilltes. Sala, das Sessffes, j (,„ _ -----•-$.1tWlitr. ITAMAR VIEIPA DA COSTA Re'4ator : i)11fr; • ••• n1 .1 I Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1
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Vistos, relatados e discutidos os presentes aUtos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL, ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fis- cais, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, vencido o Conselheiro Carlos Walberto Chaves Rosas. Sala das Sessões, 15 de setembro de 1989. , URGE PEREI-À LOPES - PRESIDENTE . N,' .....,' -A"J . , D M D 'ArCil eN , RELATOR 1 ,1 - • O QA, . ;.) • . 1 80h9~ "V~WW 42~, '89NWà .... R • thowninfilie- PnEe wiv P, NACIONAL Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselhei- ros: José Eduardo Rangel Alckmin, Waldevan Alves de Oliveira, Antonio da Silva Cabral, Renedicto Onofre Evangelista, Lourierdes Fiuza dos Santos, Mariam Seif, Luiz Alberto Cava Maceira e Sebastião Rodrigues Cabral. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 10435/000.675/87-18 RP/104-0.194 ACÓRDÃO N9 CSRF/01-0.938 RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL RECORRIDA: QUARTA CÃMARA DO PRIMEIRO CONSELHO pE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: HENRIQUE NAPOLEAO ARCOVERDE RELATÓRI 0 A Dra. Procuradora da Fazenda Nacional junto 4 4 Cã mana do 19 Conselho de Contribuintes recorre para esta Câmara Supe ror, com base no artigo 39, inciso I, do Decreto n9 83.304, de 28.03.1979, objetivando a reforma do Acórdão n9 104-6.275, de 10 de agosto de 1988, que, por maioria de votos, deu provimento a re- curso voluntário interposto por HENRIQUE NAPOLEAO ARCOVERDE, tor- nando sem efeito a reclassíficação na cédula H de rendimentos de- clarados na cédula G, nos exercícios de 1983 e 1984, por falta de comprovação, confirmada por decisão do Delegado da Receita Federal em Caruaru - PE. O Acórdão recorrido embora reconhecesse que não foi comprovada a receita bruta da cédula G, conclufu que "a não compro vação dos rendimentos classificados na cédula G não enseja a sua reclassificação para a cédula H, mas tão somente a eliminação de tais rendimentos do cômputo patrimonial." Divergindo da Maioria, o Conselheiro Dr. Lourierdes Fiuza dos Santos,Presidente da Câmara recorrida, proferiuminucioso voto, de fls. 92 a 98. No recurso especial, a Fazenda Nacional enfatizou que a própria decisão Colegiada reconheceu que o ~ressack)nãológróticom provar que os rendimentos por ele declarados originaram-se:exclusivamentede atividade agropecuâtia; quea redlassifiCação de rendimentos, - deorigem não com.-- provada, na cédula H, obedece ao disposto nó art. 39 do 1I1/80; que, ademais, o contribuinte também auferiu rendimentos enquadrados em outras cédu las (C, E e H) no ano-base da apuração, inviabilizando a presunção ,1 de que o rendimento teria origem exclusivamente na exploração de . atividade rural. Não foram oferecidas contra-razões pelo sujeito passi- vo. 2 o relatório. /1') , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Procepao n9 10435/000,675/87-18 3. Acórdão n9 CSRF/01-0.938 VOTO DO CONSELHEIRO *JACINTO PE. 'MEPETROS CALMON r,"RELATOR: Permito,me transcrever e adotar, como razões de deci_ dir, parte do bem elaborado e substancioso voto vencido do eminen- te Conselheiro Pr, Lourierdes Fiuza dos Santos, integrante desta Cãmara Superior, que examina a questão em litígio sob seus varia- dos ãngulos: "O digno Conselheiro SERGIO SANTIAGO DA ROSA, relator deste julgado, concordou em que o recorrente, HENRIQUE NAFOLEAO ARCOVERDE, não conseguiu compro- var, como decorrente de atividade rural, a receita que consignou, como tal, na cédula "G" de sua decla- ração de rendimentos. Manteve, contudo, tais _rendi- mentos na classificação adotada pelo contribuinte, justificando-a com as seguintesrazões: "Entretanto, a não comprovação dos rendimentos classificados na cédula "G" - não autoriza o fis co a efetuar sua reclassificaçâo para a cédul-a- "H", mas tão somente não considerar tais rendi mentos para justificar acréscimos patrimoniais. Aliás, a ementa constante da decisão de primei ra instância se refere à tributaçãO de acresci mo patrimonial não justificado, não refletindo contudo o teor da decisão propriamente dita." 2. Analisando esta parte do voto, entendo tratar- se de restrição à atividade do fisco, não amparada por lei. Essa autorização está, expressamente, pre- vista no artigo 39 do regulamento, caput, que deter- mina a classificação, na cédula "H", dos rendimentos não compreendidos nas demais cédulas. No caso, o con tribuinte declarou como da cédula "G" rendimentos por ele auferidos, não logrando, todavia, comprovar que tais rendimentos tivessem origem, efetiva, em ativi- dade rural. Temos, portanto, por presunção, que O contribuinte auferiu rendimentos de natureza que não esclareceu e pretendeu declará-los mascarando-secam classificáveis na cédula "G", Ora, levando em conta que a tributação nessa cédula é legalmente favoreci-. da-„--c-abe ao_fl-set)_- cYttvo_ ar- si- . mi e "11" 01. 03"""111 - a comprovação de que a receita em causa tem a origem prevista na - lei para gozo do favorecimento '.fiscal. Cabe-lbe, também, frente à inexatidão do que foi de- clarado, promover a forma de ressaráir ao Erárioaciu- lo que dele pretendem subtrair. 3. Esa ação de defesa do Erário, no meu entender, foi adequadamente promovida pela autoridade ao re- classificar os rendimentos comprovadamente não oriun dos da atividade beneficiada, levando,os para a cédil la "H", como a lei, não apenas lhe faculta, mas como -, (1-2 r _. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PrOCÇP$0, n9 10435/000,675/87,-18 4. Acórdão n9 CW/01-0.938 lhe determina de ressaltar-se, na oportunidade, o teor do § 29 do artigo 54, transposto do D.L. n9 1.382/74 para o regulamento como regra geral para apenaçâo das fraudes ã legislação especial de que se cuida neste julgado. Esse dispositivo manda conside- rar como "evidente intuito de fraude" "a inclusão na cédula "G" de rendimentos auferidos em outras ativi- dades, diferentes das mencionadas no artigo 38, com o objetivo de desfrutar indevidamente de tributação mais favorecida.", o que acentua mais o carater espe ciai da legislação. 4. Em seqdência, diz o relator: "Para que houvesse a reclassificaçáo de rendi- mentos necessario seria que_o fisco tivesse evidências da sua percepção, como também desua natureza." 5. Aqui parece-me haver demasia na posição da maioria do colegiado. Quanto ã exigência de que haja evidência de percepção, vejo-a amplamente atendida. E quem proclama essa - evidência é o próprio contribu- inte ao incluir o rendimento em sua declaração Maior evidência não possível. Note-se que, em nenhum mo- mentó ele negou a existência do rendimento; seu afã foi, apenas, de atribuir-lhe uma origem que não con- seguiu comprovar. Incabível, portanto exigir-Se do fisco que prove um fato que nem o sujeito passivo contesta. Mas a exigência vai além, quer-se que o fisco tivesse evidênóias da natureza do rendimento (!). De forma alguffla o fisco esta obrigado a fazer essa prova. 0 , ;contribuinte afirma ser oriunda de ati vidade rural a receita declarada. Ofisco, com razõe -ã- reconhecidas no próprio voto vencedor, não aceitatal origem, por não comprovada com os documentos apresen tados. Cabe, portanto, ao contribuinte fazer valer sua afirmação trazendo a lume prova convincente. Se não logra faZ5-10, nada mais ó de ser exigido do fis có, que, acertadamente a meu parecer, reclassificou- a para a cédula "H". 6. O procedimento administrativo tributario ba- seia-se no contraditório, no confronto de provas. O fisco apurou a ocorrência de uma infração e fez a acusação; o contribuinte replicou com as provas que entendeu suficientes para elidir o libelo. O fisco, • Que .tl•lamente demonstrado nos autos, destruiu es- sas provas e manteve a acusação inicia-1-.--Que wdib de le pode ser exigido? Que provê a percepção do rendi- mento? Ora, nem o contribuinte nega Q fato. Que in- vestigue e prove a natureza (!) do rendimento? Não encontro na lei disposição que lhe obrigue a tanto. A percepção do rendimentó é inquestionâvel; e se a classificação que lhe deu o sujeito passivo não cor- responde à realidade, a própria lei aponta asólução: reclassificação para a cédula "H", visto tratar-se de rendimento de origem não comprovada e que não pode,ju (17 )(-1 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL processo n9 10435/000,675/87,18 5. Acórdão n9 CSRP/01-0.938 por óbvio, ser classificada em qualquer das outras cédulas (RR/80, art. 39). 07. Vejo, por outro lado, que a decisão da maioria implica cerceamento a ação do fisco, balisando-a.Nos .termos em que foi posto ó decisum, fica o fisco, nos casos de apuração de percepção de rendimentos de ori gem não comprovada, obrigado - a proceder ã apuração de acréscimo patrimonial. Tal vinculação não decorre da lei. Nem o erro de classificação significa, sem- pre, ocorrencia de acréscimo patrimonial a descober- to. No caso concreto, compete ã autoridade adminis- trativa optar pelo caminho que, dentro das normas de regência, lhe pareça o mais conveniente ao interesse do Erário. Dessa forma, nada há que, validamente, lhe impeça de optar por uma das duas alternativas: apurar a ocorrência de acréscimo patrimonial ou reclassifi- car o rendimento que foi declarado com inexatidão,pe 10 contribuinte, Incabível, a meu ver, é permitir que o infrator se beneficie de tributação favorecidacpan do, comprovadamente, a ela não faz jus. Mormente, quando a própria decisão colegiada reconhece a impro priedade da classificação utilizada pelo interessado. 08. Pelas razões antes alinhadas, principalmente pe la faculdade não defesa em lei que tem a autoridade de adotar uma entre outras alternativas de proceder ao lançamento, não vejo relevÂncia no fato de a emen ta da decisão referir-se a acréscimo patrimonial, contrariando à fundamentação legal e as razões de de cidir. Embora a ementa deva refletir uma síntese cfa-: decisão, eventuais falhas de concepção não invalidam o conteúdo do julgado, esse, sim, esSencial ao enten dimento das razões do julgador. 09. Acresce, ainda, que, no caso presente, não bâ como presumir, a priori, que, embora não comprovado, o rendimento sô pudesse ter origem na atividade ru- ral do contribuinte. Essa presunção pode ocorrer nos casos em que o contribuinte aufira exclusiva ou pre- ponderantemente, rendimentos oriundos dessa ativida- de. No caso presente, a receita declarada dessa ori- gem signitifica, em 1983, 33% do total e em, 43% em 1984; o restante está declarado nas cédulas "C", "E" e cédula "R", esta com 37% e 28%, respectivamente.Re veia notar que o contribuinte qualifica-se na decla- ração como comerciante, é co-proprietário de lotea- mento e otista de três emeresas uma do ramo imobi riãrio e duas com atividades (1-is-tintas de—explora-cão- agropecuâria. Assim, nem mesmo pelo benefício da dú- vida pode-se cogitar de que todos os seus rendimentos (inclusive os omitidos) provêm da atividade rural.we alega exercer. 10. Diante desse quadro, multiplicidade de origem das receitas declaradas, deveria o fisco entender que a parte não comprovada deveria ser reclassificada, aleatoriamente, para a cédula "C"? para a cédula "E"? /1-) SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 10 4 3 5 / 0 00, 87 5/87 ,-18 6. Acórdão n9 CSRF/01-0.938 A medida, se assim tomada, não teria coRPiPténcia nem respaldo legal. Pode-se dizer, no caso, que' o fisco omitiu-se na investigação da natureza do rendi mento? Tenho que não. Para esse efeito, foi instaurã do procedimento fiScal, conduzido nos termos das noF 'mas processuais. 0 contribuinte, em sua defesa, invU ca o decidido no Acórdão n9 104-4.768/84, dele ex- traindo que "É incumbência do fisco a determinação da natureza real ou presuntiva desses rendimentos, a fim de dar-lhes capitulação adequada e prevista em lei.". Concordo com o acerto dessa decisão, nos ter- mos e nas circunstâncias em que foi prolatada. De fato, ao fisco não - é permitido o arbítrio configura- do em tributação imotivada, "sem o mínimo de investi gação", como sê referiu o Conselheiro URGEL PERERÃ" LOPES, relator do Acórdão n9 CSRF/01-0.139. Mas, na- quele caso, o fisco não lograra comprovar que o ren- dimento tivera origem diversa daquela declarada pelo contribuinte. Essa assertiva aparece clara no seguin te trecho do voto: "Não obstante tanta divergência, nem o contribuinte, nem o fisco, se afastaram da re- batida origem: lucro auferido na venda de imóveis.". Não é o que ocorre na hipótese ora em julgamento. Aqui, em nenhum momento o fisco aceitou a afirmação do contribuinte no sentido de que a receita declara- da na cédula "G" fora, por esse, comprovada. Para o fisco, portanto, o rendimento em causa não tinha ori gem em atividade rural. O desfecho do processo con- firmou a presunção, Não se trata, portanto, de hipó- tese iguais, que demandassem igual solução." 14. Também a Câmara Superior de Recursos Fiscais jâ externou sua posição a respeito da matéria. Isso ocorreu no julgamento - de recurso de divergência in- terposto pelo sujeito passivo contra a decisão prola tada pela Colenda Segunda Câmara deste Conselho que, pelo Acórdão n9 102-19-.442, de 13.10.82, entendera - que: VI a reclassificação na cédula H dos rendimentos declarados como tenda bruta da cé- dula G, quando o contribuinte sujeito a apre- sentaçao do resultado da exploração pecuária deixa de fa zê-lo na forma do Regulamento e, quando intimado deixa de comprovar a origem dos respectivos rendimentos." 15. Provocada a pronunciar-se, a Câmara Superior de Recursos Fiscais veio a validar o - procedimento do fisco, mediante o Acórdão n9 CSRF/01-0.352, de 01.07.83, no qual discutiu, exaustivamente, o insti- tuto da prova no processo administrativo tributário. Entretanto, é de notar-se que, mantendo integra a de cisão recorrida (Acórdão n9 102,19.442), homologou -6 ponto fulcral do decisum, ou seja, que "é procedente a reclassificação na cédula 1-1 dos rendimentos decla- rados como renda bruta da cédula", quando, intimado, it) 4 , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL processo n9 10435/000 . 675/87-18 7. Ac6rdão n9 CSRF/01-0.938 o contribuinte "deixa de comprovar a origem dos res- pectivos rendimentos.". Essa homologação está perfei tamente explicitada no bem fundamentado voto do rela tor, ex-conselheiro PEDRO MARTINS FERNANDES, quando diz: "Os documentos com os quais o recorrente pre- tende comprovar as alegadas operações de venda de gado, porque propiciam a sonegação do impos to sobre a circulação de mercadorias, não po- dem ser considerados meios moralmente legíti- mos de provar aquelas operações, de acordo com o artigo 332 do COdigo de Processo Civil, ante_ riormente transcrito." 16. Ao final, como se vê na conclusão do acOrdão,a Câmara Superior, pela unanimidade de seus membros, negou provimento ao recurso de divergência interpos- to pelo contribuinte. Isso significa que foi mantida a decisão recorrida que entendeu ser procedente a reclassificação que ora se discute." Assim sendo, subscrevendo a s6lida fundamentação do voto transcrito, dou provimento ao recurso para restabelecer a decisão de primeiro grau. nBrasilia - PF., 15 de setembro de 1989. , n , O ' , ,,,,, J°4 To, PAED'', eS ÁL' 401 - 'ELATOR. 1 _ Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1
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Numero do processo: 19515.004326/2003-95
Data da sessão: Wed May 13 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed May 13 00:00:00 UTC 2009
Ementa: ImPosto SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IREI
Ano-calendário: 1999
SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO.
Quando não comprovada a origem e/ou a efetividade da entrega dos
suprimentos de numerários feitos pelo titular da empresa, fica autorizada a presunção de que se originaram de recursos da própria pessoa jurídica, provenientes de receitas mantidas à margem da tributação GLOSA DF CUSTOS.
Demonstrado que os lançamentos de aquisições de insumos estão amparados em documentos hábeis e idôneos, improcede a glosa dos custos correspondentes Mantém-se a parcela não comprovada,
AUTOS REFLEXOS.
Aplica-se, no que couber, aos lançamentos reflexos de PIS, COFINS e CSLL o que foi decidido quanto à exigência matriz, por serem fundamentados nos mesmos elementos de comprovação.
Recurso de ofício a que se nega provimento
Numero da decisão: 1401-000.045
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso ex officio, por ausência de requisito de admissibilidade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julga.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Valmar Fonseca de Menezes
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ementa_s : ImPosto SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IREI Ano-calendário: 1999 SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. Quando não comprovada a origem e/ou a efetividade da entrega dos suprimentos de numerários feitos pelo titular da empresa, fica autorizada a presunção de que se originaram de recursos da própria pessoa jurídica, provenientes de receitas mantidas à margem da tributação GLOSA DF CUSTOS. Demonstrado que os lançamentos de aquisições de insumos estão amparados em documentos hábeis e idôneos, improcede a glosa dos custos correspondentes Mantém-se a parcela não comprovada, AUTOS REFLEXOS. Aplica-se, no que couber, aos lançamentos reflexos de PIS, COFINS e CSLL o que foi decidido quanto à exigência matriz, por serem fundamentados nos mesmos elementos de comprovação. Recurso de ofício a que se nega provimento
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Quando não comprovada a origem e/ou a efetividade da entrega dos suprimentos de numerários feitos pelo titular da empresa, fica autorizada a presunção de que se originaram de recursos da própria pessoa jurídica, provenientes de receitas mantidas à margem da tributação GLOSA DF CUSTOS. Demonstrado que os lançamentos de aquisições de insumos estão amparados em documentos hábeis e idôneos, improcede a glosa dos custos correspondentes Mantém-se a parcela não comprovada, AUTOS REFLEXOS. Aplica-se, no que couber, aos lançamentos reflexos de PIS, COFINS e CSEL o que foi decidido quanto à exigência matriz, por serem fundamentados nos mesmos elementos de comprovação. Recurso de ofício a que se nega provimento Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso ex officio, por ausência de requisito de admissibilidade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julga( . / 1()\- r J 1 »i dilli) MARCOS VINI S NEDER DE LIMA - Presidente ( Ç.------------- 4 VAI",m 7i-R1oNs-f ; II, ' -- íVIE N ZES - "R clator EDITADO EM: p ri gi ir ") Cl 1 i ,.)) 1 _ c.. 1.) v Participaram, da presente sessão de julgamento os Conselheiros: Marcos Vinicius Neder de Lima, Albertina Silva Santos de Lima, Marcos Shigueo Takata, Hug() Correia Sotero, Valmara Fonseca de Menezes, Silvia Bessa Ribeiro Biar e Carlos Alberto Gonçalves Nunes, 2 Processo n 195 i 5.004326/200,3-95 SI -C4T1 Acórdão n 1401-00.045 P1 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir.. "A empresa acima identificada foi submetida a procedimento fiscal que redundou na. lavrai:um de autos de infração de IRP.1, PIS, COFINS e (1SIJI„ confirme 90/111, 2 Conforme Termo de Verificação e Constatação Fiscal ([is. 88/89), foram constatadas as seguintes irregularidades: 9,1 Suprimento de numerário sem comprovação 2.2 Custos não comprovados 3 Relaciona-se, a seguir, as disposições legais infringidas: 3.1 IRPJ - artigos 249, incisos I e Il, 251, caput e parágrafo único, 279, 282, 288, 289, 290, inciso 1, 292 e 300 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR11999) e artigo 24 da Lei 9.249/1995.. .3. 7 PIS - fundamento legal: artigos I" e 3" da LX 07/1970, artigo 24, § 2', da Lei 9..249/1995, artigos 2", inciso 1, 8", inciso 1, e 9' da Lei 9.715/1998 e artigos 2" e 3" I,ei 9,718/1998. .3,3 COM-N.5 - Fundamento legal: artigo 1" da LC 70/1991, artigo 24, § 2", da Lei 9.249/1995, artigos 2", 3' e 8' da Lei 9,718/1998, com alterações da MP -1.807/1999 e suas reedições, com as alterações da MP 1.858/1999 e suas reedições. 3,4 CSLL - Fundamento legal: artigo 2", caput e §§, da Lei 7,689/1988, artigo 19 da Lei 9,249/1995, artigo 1' da Lei 9,316/1996 e artigo 28 da I ,ei 9.430/1996. 4 Em 01/12/200.3, a interessada tornou ciência dos autos de infração (II 116) e, em 30/12/200.3, apresentou defesa (lis. 118/120), resumidamente, nos seguintes termos: 4.1 Apesar da exigüidade de tempo, a recorrente apresentou tempestivamente os documentos exigidos pela. fiscalização, os quais foram entregues a um funcionário da repartição, que não quis assinar o protocolo de e.atrega 4.2 Nota-se, porém, que tais documentos não chegaram às mãos da autoridade tributária responsável pela ação fiscal e até o presente momento não foram localizados. 4.3 A empresa, por sorte, deteve a primeira via das notas fiscais anteriormente enviadas, que comprovam as compras de mercadorias da Esso Brasileira de Petróleo, as quais se anexam neste ato, 4,4 Com relação ao aporte de capital efetuado pelo titular da empresa, este ocorreu de fato, o que é perfeitamente comprovava. A Delegacia de .Julgamento proferiu decisão, nos termos da ementa transcrita adiante: "ASSUNTO: .IMPOST SOBRE A RENDA DE PESSOA J II R ÍDIC A - I R PJ - 3 Ano-calendário: 1.999 SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. Quando não comprovada a origem e/ou a efetividade da entrega dos suprimentos de numerários feitos pelo titular da empresa, fica autorizada a. presunção de que se originaram de -recursos da própria pessoa jurídica, provenientes de receitas mantidas à margem da tributação. GLOSA DE CUSTOS. Demonstrado que os lançamentos de aquisições de ins-urnos estão amparados em documentos hábeis e idôneos, improcede a glosa dos custos correspondentes. Mantém-se a parcela não comprovada. AUTOS REFLEXOS.. Aplica-se, no que couber, aos lançamentos reflexos de PIS, COTINS e CSLL o que -foi decidido quanto à exigência matriz, por serem fundamentados nos mesmos elementos de comprovação. Lançamento procedente em parte. Há interposição de recurso de oficio. É o relatório.. Voto Conselheiro VALM.AR FONSECA DE MENEZES, Relator 1)0 RECURSO DE OFÍCIO: 1 A decisão recorrida, nos termos em que foi proferida, não carece de nenhum reparos, motivos pelo qual a adoto integralmente, em seus fundamentos, transcrevendo-a, em excertos, a seguir: 5 "O primeiro item da autuação versa sobre omissão de receitas pela não comprovação da origemn e efetividade do suprimento de numerário. ó O dispositivo no qual a tributação em tela se fundamenta (art, 282 do RIR/ 999) estabelece urna -presunção legal de omissão de receitas e tem o efeito de inverter o ônus da prova, deixando-O sob a responsabilidade exclusiva do contribuinte autuado. 7 Essa presunção somente poderá ser elidida por meio da comprovação de dois requisitos essenciais, cumulativos e indissociáveis, quais sejam: a efetividade da entrega e a Origem dos recursos entregues à empresa pelas pessoas designadas no dispositivo legal. 8 Necessária a prova da efetividade da entrega do numerário de modo a ficar demonstrado o meio pelo qual tais recursos foram transferidos do patrimônio particular do sócio (ou do titular) à pessoa jurídica. Já a comprovação de origem visa impedir que recursos anteriormente mantidos à .margem da tributação venham a ser regularizados, sob a finina de \suprimento de -aixa. ..) \ 4 Processo n' 19515 00 ,1 326/2003- 95 S1-C4T1 Aeórcffio n " 1401-00.045 Fl 3 9 Durante o procedimento fiscal, a empresa foi intimada (II.. 55) a comprovar a origem e o efetivo ingresso dos valores assinalados no Razão (fls. 56/59), porém não atendeu à solicitação.. 1.0 Tampouco na :Ume impugnatória a defmdente foi capaz de produzir as provas necessárias para intim-lar O feito fiscal. 11 Assim, legitima a pretensão do fisco, baseada na presunção de que tais recursos decorrem de receitas omitidas e mantidas à margem da tributação, devendo ser mantido o lançamento quanto a esse item, 12 No tocante à glosa de custos, aduz a recorrente que apresentou tempestivamente os documentos exigidos pela fiscalização, os quais .foram entregues a um funcionário da repartição. Há de se ponderar que não há, sem a devida produção de elementos comprobatórios, como atribuir ao funcionário, sequer identificado, a. responsabilidade pela não apresentação à fiscalização dos comprovantes, cuja falta deu causa ao lançamento fiscal, 13 Todavia, a interessada anexa as notas fiscais de fis. 128/687 comprovando, assim, as compras efetuadas .junto à fmneecdora Esso Brasileira de Petróleo Lida, que deram origem aos lançamentos assinalados pela. fiscalização na cópia do livro Registro de Entradas (fls. 61/85), exceptuando-se, porém, aqueles concernentes ao mês de dezembro11999, cujo montante perfaz R$ 94.986,40. 14 Além das aquisições oriundas da Esso Brasileira de Petróleo Lida, a fiscalização havia solicitado provas documentais dos lançamentos relativos às notas fiscais de IV 755.278, de 16/01/1999, emitida pela CERVEJARIAS REUNIDAS SKOL CARACU, no valor de R$ 1.358,50 e de n" 178..055, da ELETROPAULO ELETRICIDADE DE SÃO PAULO S/A, emitida em 24/0211999 na quantia de R$ 1.877,85, sem que, contudo, tenham sido apresentadas. 15 Desta forma, uma vez comprovadas parcialmente as entradas de insumos, exonera-se parcela da glosa de custos efetuada. 16 A seguir, demonstra-se o valor total exigido e o valor a ser mantido em cada um dos períodos-base: PER10D0 BASE EXIGIDO MANTIDO V. PREJ. V. '1'. V. PREJ. INFRAÇÃO COMP. EXIGIDO INFRAÇÃO COMP. V.T. MANTIDO 1' TRIMESTRE. 154 .452,37 9609,41 144 .842,96 3236,35 3.236,35 20 TRIMESTRE 2 36 709,11 1.253,01 2.35.456,10 5.000,00 1.253,01 3.746,99 3" MIMES TRE -)60 ri 83 , 61 260.183,61 27 000,00 27.000,00 4" R1MES'I RE 331.844,74 '762,03 331.082,71 103.986,40 762,03 103.224,37 17 Quanto aos lançamentos reflexos, observe-se que os elementos de comprovação são os mesmos que fundamentaram o lançamento de oficio referente ao IRP:r. Assim, aplica-se, no que couber, aos lançamentos de PIS, COF1NS e CSLL o que foi decidido naquele, 18 Acrescente-se que se to efetuadas alteraçõesnecessárias no SAPL1, sistema infiffmatizado da Secretaria da Receit4lFederal que controla os prejuízos fiscais e a base de cálculo negativa da CSLL dos contribu . tes. 1i J 5 19 Diante do exposto, voto pela PROCEDÊNCIA PARCIAL do lançamento, conforme a seguir demonstrado: DEMONS I RATIVO CRÉDFF0 TRI BU l'ARIO IREI EXIGIDO ANO-CALENDÁRIO IRPJ Multa 1999 219 356,87 164 517,64 EXONERADO ANO-CALENDÁRIO IRP.J Multa 1999 191 473,19 145 854,88 MANTIDO PERÍODO-BASE IRP,I Multa 1" TRIMESTRE/ 999 2' I KIMESIRF./1909 562,05 421,54 3" IRIMESIRP/1999 4 050,00 3 037,50 4" 1 RIMES IRE/1999 20.271,63 15.203,72 PIS EXIGIDO E MANTIDO ANO-CALENDÁRIO PIS Multa 1999 266,50 199,86 COFINS :EXIGIDO E MANTIDO ANO-CALENDÁRIO COEM S Multa 1999 1 230,00 922,50 CSLL EXIGIDO ANO-CALEN DÁRIO CSLI, Multa 1999 107 579,05 80 684,27 EXONERADO ANO-CAL END ARI° CSLL Multa 1999 91 502,49 68.626,85 MANTIDO PERÍODO-BASE CSLL Multa 1"TRIM1 S" I RE/1999 2" 1 KINIFS W1999 449,64 337,23 3" MIMES 1 R171999 3240,00 2430,00 4" L RIMES r1(1 ./ I 999 12.386,92 9.290,19 -\•• 6 Processo n'' 10515 004326/2003-95 SI -G4-1-1 AcnnEio n " 14(11-00.045 JJ 4 Acréscimos legais de acordo com a legislação vigente.. Nego, pois, provimento ao recurso de ofício. È, como voto. UÁ, Á ONSECA )F, MENEZES • MINIS1 F'1:I0 DA FAZENDA CONSH IR) ADMINISTRATIVO DE RECTIRSOS FTS( AIS QUAR - I- A CÂMARA - PRIMEIRA SEÇÃO Processo n" : 19515 004326/2003-95 Acat dão n" : 1401-00 045 TERM() 1)E INTIMAÇÃO Intime-sc um dos Pioeuradates da Faxenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstaneiada no ireal dão supra, nos lermos do arL 81, § 3 0 , do anexo II, do Regimento Interno do CARF, apt ovado pela Portaiia Ministerial u`-' 256, de 22 de junho de 2009 Brasília, 09 de julho de 2010 ypi 4.R (..t;L V-Q 'AO MIG 'C?0,1A ,arli, e a (. e sonsa Ria( rwues Secretária da Câmaia Ciência Data: Na me: Procuradat (a) da l'ozenda Nacional "Encaminhamento da PEN: I 'irperias com ciência; I_ _I com Recurso Especial; I. "I com Embargos de Declinação
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, dar provimento ao recurso especial, restabelecendo, em consequência, o abatimento em dobro, a titulo de encargo de família. Vencidos os Cons. L fz Miranda, Pedro Martins Fernandes e Sebastião Rodrigues Cabral Á!- r v.v. , n Sala das es-4- .:0# 24 de agosto de 1982 / r /401 AMADOR Ob''' r we FE ANDEZ - PRESIDENTE 1 ,r..„4- CINTO DE ,5P" REIripS CAL 0 , - RELATOR 0 I LUIZ FERNANDLA • d VEIRA DE MORAES - PROCURADOR DA FAZEN rn _ DA NACIONAL Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselhei- ros: Raul Pimentel, Urgel Pereira Lopes e Waldevan Alves de Olivei- ra. __ , , SERVIÇO POBLICO FEDERAL PROCESSO 1\19 : 0735/002.742/79 RECURSO NI?: Ep/104-0.074 ACCIRDMINth CSRF/01-0.258 RECORRENTEN9: FAZENDA NACIONAL SUJEITO PASSIVO: RAYMUNDO JOAQUIM DO LAGO RELATÓRIO O Dr. Procurador da Fazenda Nacional junto ã 4a. Cãma_ ra do 19 Conselho de Contribuintes interpOe recurso especial do Accirdão n9 104-2.744, de 18 de março de 1982, que, por voto de qua lidade, vencidos os conselheiros Mário Rodrigues Teixeira, Francis_ co Amaral Manso, Tereso de Jesus Torres e José da Costa Oliveira, deu provimento em parte a recurso voluntário interposto por RAYMUN DO JOAQUIM DO LAGO, para, no exercício financeiro de 1979, excluir da tributação, na cédula C, por isenta a parcela de Cr$180.000,00, dos proventos de aposentadoria recebidos, pelo recorrente, da Cai- xa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil, determinan- do, em consequência, a exclusão do abatimento concedido de oficio a titulo de duplo encargo de família. A decisão recorrida se fundamenta no argumento de que a Caixa de Previdência do Banco do Brasil, órgão do qual o contri- buinte recebe os seus proventos, foi equiparada ao Instituto de Aposentadoria e Pensaes dos Bancários, a partir do Decreto n9 24.015, de 08.07.34, que, criando o Instituto de Aposentadorias e PensOes dos Bancários, como entidade oficial de previdência social dos bancários, ate então desvinculados do sistema previdenciário oficial, previu para os funcionários do Banco do Brasil a p si -,,a) ,, . z DMF - DF /1 o C-C - Sec af - 1600/75 1 , ! SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0735/002.742/79 2. Ab6tdãO h9 CSRF/0L-0.258 , „ lidade de recusar a sua inscrição entre os associados do novo Ins- tituto, considerando-os, assim, como ressaltou o ilustre relator da ! , decisão recorrida, Dr. Pedro Martins Fernandes, convenientemente as- „ sistidos pela referida Caixa de Previdência. , 1 Contestando a decisão recorrida, o recurso especial de fls. 85/87 sustenta: ,,• - que o Decreto-lei n91642/78 condiciona a isenção que outorga aos proventos de inatividade, até ó limite de Cr$180.000,00 no exercício de 1978, aos pressupostos de serem pagos por pessoa ju- rídica de direito público, e que o inativo tenha 65 anos ou mais ao término do ano-base correspondente; - que a Caixa de Previdência dos Füncionários do Banco do Brasil é entidade de direito privado, e que a sua pretensa equi paração ao órgão oficial de previdência social encontra óbice no ar- tigo 111 do C.T.N., que determina a interpretação literal da lega- lização; - que a equiparação torna-se mais inviável após a vi- gência da Lei Orgânica da Previdência Social (Lei n9 3.807, de 26 de agosto de 1960), que determinou a filiação obrigatória dos tra- balhadores ao seu regime, não estando os associados da referida Cai- xa de Previdência entre os excluídos expressamente de seu regime; - que o hoje chamado Instituto Nacional de 'Previdência Social abrange toda a população ativa do país, sendo entidade de interesse- público, enquanto a Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil é associação que se reveste de caráter particu- lar, atuando em favor de número limitado de pessoas, os seus associa dos. É o relatório. VOTO DO CONSELHEIRO JACINTO DE MEDEIROS CALMON - RELATOR Como bem ressaltou o ilustre e culto relator da deci- são recorrida, o artigo 15 do Decreto-lei n9 1.642/78 outor fr. iOníti' 7' J . , Processo n9 0735/002-742/79SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL 3. Acórdão n9 CSRF/01-0.258 ção aos proventos de inatividade recebidos de "pessoa juridica de di reito público" até o valor de Cr$ 180.000,00 anuais, desde que o contribuinte tenha 65 anos de idade ou mais, ao termino do ano-base correspdridente. ,, São duas, portanto, as condições legais para a referi- da isenção, das quais apenas uma é preenchida pelo sujeito passivo: a idade de 65 anos, completada no decurso do ano-base. A segunda condição - proventos recebidos de " pessoa jurídica de direito público" não foi, entretanto, atendida na hipó- tese em exame. . De fato, como reconhece o próprio contribuinte,a Cai- xa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil, fonte pagado- ra de seus proventos, é uma sociedade civil, e como tal em nada se assemelha, por sua natureza e características de associação de pre vidência privada, circunscrita a seus associados, a entidade, pes soa jurídica de direito público, a que o dispositivo legal se refere. Na data em que o contribuinte optou pelo regime de pre vidência privada, provavelmente em 1934 já que foi associado funda- dor da Caixa de Previdência, inexistia qualquer dispositivo fiscal similar ao que veio a vigorar 44 anos depois, sendo inadmissível, as sim, naquela remota época,qualquer direito ou expectativa de direito ao beneficio concedido pelo artigo 15 do Decreto-lei n9 1.642/78. Ademais, cabe ressaltar que tanto é inarredável que-, o aludido diploma legal em seu artigo 15 contemplou estritamente os proventos recebidos por maiores de 65 anos, de entidades de direi- to público, que, paralelamente, concedeu outro beneficio, também a maiores de 65 anos, abrangendo os proventos de inatividade de qualquer origem, proibindo apenas a cumulatividade de tais be- nefícios. Tratando-se, ademais, de matéria de isenção, onde se imp8e, como acentua o Dr. Procurador - recorrente, a int 7 ret.'ay d') J. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0735/002.742/79 4. Acórdão n9 CSRF/01-0.258 literal, dou provimento ao recurso .especial, restabelecendo, em ren- sequência, o abatimento em dobro a titulo de encargo de famili‘Ê) Brasília DF., 24 de agosto de 1982 //7 À fr' 1..P-4 • • - J:CINTO DE MADEIROS CA ue . , - RELATOR Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1
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Numero do processo: 10980.005834/2007-53
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 24/04/2006
LANÇAMENTO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
O lançamento tributário constitui-se no procedimento administrativo privativo da Autoridade Administrativa arquitetado para operar a convolação da obrigação tributária em crédito tributário, dotando este de liquidez, certeza e demais atributos necessários à sua exigibilidade mediante a propositura da competente ação de execução fiscal.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF..
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Urge então serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional. Encontra-se atingida pela fluência do prazo decadencial parte das obrigações tributárias relativas aos fatos geradores apurados pela fiscalização.
AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO DISCRIMINAÇÃO DOS FATOS GERADORES. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Não incorre em cerceamento do direito de defesa o lançamento tributário cujo Relatório Fiscal deixar arrolar, de forma discriminada, os fatos geradores lançados, nas hipóteses em que estes forem apurados, diretamente, a partir do exame das informações prestadas pelo sujeito passivo, ou por este declaradas em documentos elaborados pela própria empresa, confeccionados sob sua orientação, comando, domínio e responsabilidade, uma vez que são do seu inteiro conhecimento.
AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32-A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA.
As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32-A à Lei nº 8.212/91.
Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, c do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.426
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para excluir do lançamento as competências até 11/2000, inclusive, pela fluência do prazo decadencial nos termos do artigo 173, I do Código Tributário Nacional. A multa deve ser recalculada tomando-se em consideração as disposições da Medida Provisória nº 449 de 2008, mais precisamente o art. 32-A, inciso II, que na conversão pela Lei nº 11.941 foi renumerado para o art. 32-A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991.
Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta.
Arlindo da Costa e Silva Relator ad hoc.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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Recorrente SENTINELA VIGILÂNCIA S/C LTDA Recorrida DRJ CURITIBA PR ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 24/04/2006 LANÇAMENTO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA. O lançamento tributário constituise no procedimento administrativo privativo da Autoridade Administrativa arquitetado para operar a convolação da obrigação tributária em crédito tributário, dotando este de liquidez, certeza e demais atributos necessários à sua exigibilidade mediante a propositura da competente ação de execução fiscal. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF.. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Urge então serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional. Encontrase atingida pela fluência do prazo decadencial parte das obrigações tributárias relativas aos fatos geradores apurados pela fiscalização. AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO DISCRIMINAÇÃO DOS FATOS GERADORES. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não incorre em cerceamento do direito de defesa o lançamento tributário cujo Relatório Fiscal deixar arrolar, de forma discriminada, os fatos geradores lançados, nas hipóteses em que estes forem apurados, diretamente, a partir do exame das informações prestadas pelo sujeito passivo, ou por este declaradas em documentos elaborados pela própria empresa, confeccionados sob sua orientação, comando, domínio e responsabilidade, uma vez que são do seu inteiro conhecimento. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 58 34 /2 00 7- 53 Fl. 313DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32A à Lei nº 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘c’ do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para excluir do lançamento as competências até 11/2000, inclusive, pela fluência do prazo decadencial nos termos do artigo 173, I do Código Tributário Nacional. A multa deve ser recalculada tomando se em consideração as disposições da Medida Provisória nº 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei nº 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. Liége Lacroix Thomasi – Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva – Relator ad hoc. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Trata o presente auto de infração, lavrado em desfavor do recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5º da Lei n° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999. CFL 68 Apresentar a empresa GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural) – Art. 284, II na redação do Dec.4.729, de 09/06/2003. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10980.005834/200753 Acórdão n.º 2302002.426 S2C3T2 Fl. 320 3 Segundo a fiscalização previdenciária, a recorrente não informou à previdência social por meio da GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias nas competências janeiro de 1999 a março de 2005, conforme fls. 04 a 07. 1. Remuneração paga, devida ou creditada a segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços, aí incluídos: os valores que deveriam ter sido retidos de acordo com o disposto na Lei n. 10.666, de 08/05/03 e os valores pagos ou creditados a título de pro labore aos sócios gerentes, Jerfferson Simões e José Antônio Simões, conforme demonstrado nas planilhas anexas. Com relação ao pro labore estão sendo considerados, além dos valores normais contabilizados em contas de despesas, também importâncias pagas na compra de imóveis que a empresa não comprovou estarem incorporados ao ativo permanente da empresa. 2. Remunerações percebidas por segurados empregados em decorrência do pagamento de acordos ou de sentenças transitadas em julgado, conforme lançado na escrituração contábil da empresa, ou retiradas do extrato de reclamatórias trabalhistas, emitido pela Secretaria da Receita Previdenciária, contendo as informações transmitidas pela Justiça do Trabalho; 3. A contribuição de 15% (quinze por cento), incidente sobre o valor da nota fiscal ou fatura emitida por cooperativa de trabalho na área da saúde (UNIMED), retiradas da conta contábil Assistência Medica; 4. Remuneração paga em dinheiro aos segurados empregados em decorrência do fornecimento de alimentação em desacordo com a Lei n° 6.321/76, calculada à razão de 20% (vinte por cento) sobre as remunerações mensais contidas em folha de pagamento; 5 Remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados em folha de pagamento, declaradas a menor em GFIP; 6. Contribuições devidas pelos segurados empregados declaradas a menor em GFIP. Inconformada, a autuada apresentou impugnação no prazo normativo, a fls. 226 a 252. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento emitiu a Decisão a fls. 254 a 272, mantendo a autuação na integralidade. Inconformada com a decisão, a autuada interpôs recurso voluntário, a fls. 279 a 297, alegando, em síntese, que: Fl. 315DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 a) O relatório fiscal está incompleto, não especifica a origem dos valores lançados, caracterizando o cerceamento ao direito de defesa; b) Parte dos valores já foi atingida pela decadência; c) Não há certeza nem liquidez quanto aos valores lançados; d) Requerendo provimento ao recurso interposto. O julgamento foi convertido em diligência, nos termos da Resolução 2302 000.125, de 1º de dezembro de 2011, para que, em razão da flagrante relação de prejudicialidade envolvendo o julgamento do presente Auto de Infração e a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 35.882.2556, fosse este apensado ao Processo Administrativo Fiscal nº 10980.009737/200730, em cujos autos se debate a procedência do lançamento relativo à obrigação tributária principal associada ao vertente Auto de Infração. A diligência não foi cumprida em razão de a NFLD nº 35.882.2556, objeto do Processo Administrativo Fiscal nº 10980.009737/200730, já ter sido julgada pela 2ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, em 28 de outubro de 2009. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator ad hoc. 1. DA TEMPESTIVIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação às fls. 276 a 278. Pressuposto superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. 2. DA PREJUDICIALIDADE Conforme bem salientado na Resolução 2302000.125, de 1º de dezembro de 2011, há questão prejudicial para o presente julgamento. A decisão da procedência ou não do presente auto de infração está ligado à sorte da Notificação Fiscal nº 35.882.2556, objeto do Processo Administrativo Fiscal nº 10980.009737/200730, lavrada em desfavor do recorrente, que englobaram os mesmos fatos geradores. Ainda mais pelo fato de os argumentos do recorrente serem do mérito da ocorrência ou não dos fatos geradores. In casu, não se trata de valores reconhecidos em folhas de pagamento ou na contabilidade da recorrente como parcelas integrantes do saláriodecontribuição. Tratouse de remunerações indiretas no entender da fiscalização. A determinação contida na diligência fiscal objeto da Resolução 2302 000.125, de 1º de dezembro de 2011, teve por desígnio evitar a prolação de decisões Fl. 316DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10980.005834/200753 Acórdão n.º 2302002.426 S2C3T2 Fl. 321 5 conflitantes, daí a imprescindibilidade do exame conjunta com a referida Notificação Fiscal, ou a posteriori, tendo como paradigma a decisão exarada nos autos do Processo Administrativo Fiscal nº 10980.009737/200730. No caso ora em apreciação, o lançamento aviado na NFLD nº 35.882.2556 foi julgado parcialmente procedente pela 2ª Turma Ordinária da 4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, nos termos do Acórdão nº 240200.271, de 28 de outubro de 2009, ostentando a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/07/2005 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. GFIP. Informações prestadas em GFIP constituemse em termo de confissão de dívida, na hipótese do seu não recolhimento. RECURSO DE OFÍCIO NÃO CONHECIDO E RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ªa câmara / 2ª turma ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para, nas preliminares, declarar extintas as contribuições apuradas até a competência 11/2000, anteriores a 12/2000, pela aplicação do I, Art. 173 do CTN, com exceção das contribuições apuradas nos levantamentos DAL, FP1 e FRE, em que todas as competências até 03/2001, anteriores a 04/2001, estão extintas, pois há recolhimentos considerados e a regra aplicada foi a do §4º, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Cleusa Vieira de Souza e Rogério de Lellis Pinto, que votaram em aplicar integralmente o §4º, Art. 150 do CTN. No mérito, foi negado provimento por unanimidade”. Devidamente intimada da decisão de 2ª Instância, nos termos do Aviso de Recebimento a fl. 1792 dos autos do Processo Administrativo Fiscal nº 10980.009737/200730, a Sentinela Vigilância ltda não interpôs qualquer espécie de recurso, no prazo normativo, transitando em julgado, em relação ao sujeito passivo, a decisão proferida pela 2ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 O voto condutor do Acórdão nº 240200.271, de 28 de outubro de 2009, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, nos autos do Processo Administrativo Fiscal nº 10980.009737/200730, assim dispõe, verbis: “Assim, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja ò art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar se ocorreram recolhimentos parciais nas competências atingidas, e nos lançamentos referentes, pois, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. Ocorre que, no caso em questão, o lançamento foi efetuado em 04/2006, data da ciência, e os fatos geradores ocorreram entre as competências 01/1998 a 07/2005. Se a regra quanto ao prazo decadencial for a determinada no Art. 173, as competências até 11/2000, estão extintas, assim como a competência 13/2000, pois todas são exigíveis no ano 2001. Esclarecemos que a competência 12/2000 não deve ser excluída porque a exigibilidade das contribuições constantes em fatos geradores que ocorreram nessa competência somente ocorrerá a partir de 01/2001, quando poderia ter sido efetuado o lançamento. Se a regra quanto ao prazo decadencial for a determinada no Art. 150, as competências até 03/2001, anteriores a 04/2001, estão extintas. Entre essas duas competências (11/2000 a 03/2001), verificamos no Demonstrativo Analítico de Débito (DAD), fls. 004 a 0223, que ocorreram alguns recolhimentos em alguns levantamentos, que serão extintos pela regra constante do § 4°, Art. 150, do CTN. Portanto, necessitamos verificar em que levantamentos que ainda persistem, entre essas competências, ocorreram recolhimentos, ou não, a fim de utilizar uma regra ou outra. Portanto: Todas as contribuições constantes até a competência 11/2000 estão extintas, pela aplicação do Art. 173 do CTN; No levantamento CI, por não haver recolhimentos, as contribuições constantes até a competência 11/2000 estão extintas, pela aplicação do Art. 173 do CTN, fls. 004 a 006; No levantamento COP, por não haver recolhimentos, as contribuições constantes até a competência 11/2000 estão extintas, pela aplicação do Art. 173 do CTN, fls. 006 a 011 No levantamento DAL, por tratarse de diferença de recolhimento, todas as competências até 03/2001, anteriores a 04/2001, estão extintas, pois há recolhimentos considerados, fls. 012 a 019; Por somente existirem competências anteriores a 11/2000, estão extintas todas as contribuições presentes no levantamento FP, fls. 019 a 023; Fl. 318DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10980.005834/200753 Acórdão n.º 2302002.426 S2C3T2 Fl. 322 7 Por somente existirem competências anteriores a 11/2000, estão extintas todas as contribuições presentes no levantamento FP0, fls. 024 a 025; No levantamento FP1 todas as competências até 03/2001, anteriores a 04/2001, estão extintas, pois há recolhimentos considerados, fls. 025 a 038 (rec: 031 e 032); Por somente existirem competências posteriores a 03/2001, estão mantidas todas as contribuições presentes no levantamento FP2, fls. 038 a 045; Por somente existirem competências anteriores a 11/2000, estão extintas todas as contribuições presentes no levantamento FR1, fls. 045 a 046; No levantamento FRE todas as competências até 03/2001, anteriores a 04/2001, estão extintas, pois há recolhimentos considerados, fls. 046 a 056 (rec: 050); Por somente existirem competências anteriores a 11/2000, estão extintas todas as contribuições presentes no levantamento RT, fls. 056 a 059. Por todo o exposto, acato, parcialmente, a preliminar ora examinada, conforme o voto”. As demais alegações ofertadas em preliminares ou em mérito não foram acatadas pelo Órgão Julgador de 2ª Instância, onde restou reconhecida a incidência de contribuição previdenciária sobre a gratificação natalina, bem como a contribuição para Outras Entidades e Fundos. Restou reconhecida, igualmente, a procedência das contribuições sociais destinadas ao INCRA, SEBRAE, SET e SENAT, assim como a incidência de juros e multa de mora. Nesse contexto, configurada a procedência das contribuições sociais não alcançadas pela decadência nos termos do Acórdão nº 240200.271, de 28 de outubro de 2009, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, nos autos do Processo Administrativo Fiscal nº 10980.009737/200730, essas deveriam ter sido declaradas nas GFIP correspondentes, e não o foram. Daí a procedência da presente autuação. A conduta omissiva assim perpetrada pelo sujeito passivo representou ofensa ao dispositivo legal encartado no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91, c.c. art. 225, IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, sendo apenada originariamente com a multa pecuniária prevista no art. 32, §5º da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.528/97, combinado com os artigos 284, II e 373 do Decreto 3.048/99 e com valores atualizados pela Portaria nº 822, de 11 de maio de 2005.. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Louvouse a autuação fiscal sub examine na infração perpetrada pelo Recorrente às obrigações acessórias assentadas no art. 32, IV da Lei nº 8.212/91, as quais fincam os deveres instrumentais do sujeito passivo de declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, mediante GFIP, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, todos os dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528/97) (...) §4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528/97). 0 a 5 segurados 1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo §5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528/97). (...) §11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449/2008) 3. DA DECADÊNCIA Pondera o Recorrente que parte dos valores já foi atingida pela decadência. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10980.005834/200753 Acórdão n.º 2302002.426 S2C3T2 Fl. 323 9 Certamente. Aflora como verdadeiro axioma a máxima jurídica que reza ter o acessório o mesmo destino que o principal. No ramo do Direito Tributário, todavia, esse princípio rudimentar de Direito tem que ser interpretado cum grano salis. Como é cediço, o nomem juris de qualquer instituto de direito não é suficiente para lhe determinar o conteúdo e abrangência, atributos esses que só podem emergir da lei. O que se deseja encarecer é que o Documento Legal que rege determinado instituto jurídico detém, nas conformações traçadas pela Carta Maior, a competência legal para dispor acerca do seu alcance e teor. No caso das obrigações tributárias acessórias, estas estão longe de serem, meramente, dispositivos secundários, subordinados às ou dependentes das obrigações ditas principais, como assim acredita o Recorrente. Impende observar, nesse sentido, que o CTN, no exercício da competência que lhe foi outorgada pelo Constituinte Originário, honrou prescrever, com propriedade, a distinção entre as duas modalidades de obrigações tributárias, ad litteris et verbis: Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Código Tributário Nacional CTN Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. §1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. (grifos nossos) §3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (grifos nossos) Nessa perspectiva, não carece de elevada mestria a interpretação do texto inscrito no §2º do supratranscrito dispositivo legal a qual aponta para a total independência Fl. 321DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 entre as obrigações ditas principais e aquelas denominadas como acessórias. Estas, no dizer cristalino da Lei, decorrem diretamente da legislação tributária, não das obrigações principais, e tem por objeto prestações positivas ou negativas fixadas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Nesse contexto, cabenos registrar, que são cabíveis de serem estatuídas obrigações acessórias as quais não se encontram vinculadas a nenhuma obrigação principal, fato que põe por terra a tese defendida pelo Recorrente. Exemplo emblemático do que findou de ser dito é o caso das obrigações acessórias previstas no art. 68 da Lei nº 8.212/91, que impõe ao Titular do Cartório de Registro Civil de Pessoas Naturais a obrigação acessória de comunicar ao INSS, até o dia 10 de cada mês, o registro dos óbitos ocorridos no mês imediatamente anterior, devendo da relação constar a filiação, a data e o local de nascimento da pessoa falecida, sob pena de sujeição à penalidade prevista no art. 92 do mesmo Diploma Legal. Corrobora o entendimento acima esposado as disposições insculpidas no §3º do art. 113 do citado codex, o qual reza que, o simples fato da inobservância da obrigação acessória é condição bastante, suficiente e determinante para a conversão de sua natureza de obrigação acessória em principal, relativamente à penalidade pecuniária, de onde se conclui que a aplicação de Auto de Infração tem natureza objetiva. Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no art. 136 do reverenciado código tributário, o qual declara que a responsabilidade por infrações à legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, revelando assim, através de uma outra lente, o caráter objetivo e independente da imputação em realce. Código Tributário Nacional CTN Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Dessarte, nos termos da lei, ainda que não tenha ocorrido a obrigação principal ou esta, mesmo tendo ocorrido, já tenha sido adimplida, tais fatos não são suficientes para afastar a observância e/ou os efeitos das obrigações acessórias correlatas impostas pela legislação tributária. A irradiação de tais efeitos não se coaduna com a independência e autonomia existente entre as obrigações acessória e principal há pouco abordadas nos parágrafos precedentes. Conforme detalhadamente explicitado e fundamentado no Acórdão nº 2302 01.387 proferido nesta 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, na Sessão de 26 de outubro de 2011, nos autos do Processo nº 10240.000230/200865, convicto encontrase este Conselheiro de que, após a implementação do sistema GFIP/SEFIP, o lançamento das contribuições previdenciárias não mais se enquadra na sistemática de lançamento por homologação, mas, sim, na de lançamento por declaração, nos termos do art. 147 do CTN. Nesse mesmo Julgado, este que vos relata desenvolve o raciocínio que fundamenta o seu entendimento no sentido de que, mesmo nos lançamentos por homologação, apenas se subsumem ao preceito inscrito no §4º do art. 150 do CTN os valores efetivamente Fl. 322DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10980.005834/200753 Acórdão n.º 2302002.426 S2C3T2 Fl. 324 11 recolhidos pelo Contribuinte. Neste caso, em relação aos montantes não recolhidos, o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário decorrente dos fatos geradores não contemplados no recolhimento suso referido sujeitase, igualmente, ao regime estatuído no art. 173, do CTN. Ocorre, todavia, que o entendimento majoritário esposado por esta 2ª Turma Ordinária, em sua escalação titular, inclinase à tese de que, em relação às rubricas em que reste comprovada a existência de recolhimentos antecipados, deve ser aplicado o preceito inscrito no parágrafo 4º do art. 150 do CTN, excluindose o crédito tributário não pela decadência, mas, sim, pela homologação tácita, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Código Tributário Nacional CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. §1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. §2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. §3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. §4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. De outro canto, se nos lançamentos de ofício de tributos sujeitos a lançamento por homologação não restar demonstrado e comprovado qualquer recolhimento prévio de contribuições previdenciárias em favor das rubricas que compõem os levantamentos objeto da Notificação Fiscal, aplicarseá o regime da decadência assentado no art. 173 do CTN. Nenhum outro. Nessas hipóteses, apenas mediante a deflagração de procedimento formal de fiscalização, nas dependências do sujeito passivo, tem condições a Administração Tributária de tomar conhecimento da ocorrência de fatos geradores de contribuições previdenciárias e de apurar a sua matéria tributável. Diante de tal cenário, o entendimento deste Conselheiro mostrase isolado perante o Colegiado. Dessarte, em atenção aos clamores da eficiência exigida pela Lex Excelsior, curvome ao entendimento majoritário desta Corte Administrativa, em respeito à opinio iuris dos demais Conselheiros. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 Por outro viés, mas trigo de outra safra, sujeitamse sempre ao regime referido no art. 173 do CTN os lançamentos tributários de penalidade pecuniária decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias, eis que o crédito tributário dele consequente é sempre oriundo de lançamento de ofício, jamais de lançamento por homologação, circunstância que afasta, peremptoriamente, a incidência do preceito tatuado no §4º do art. 150 do CTN. Nessa perspectiva, diante do tratamento diferenciado relativo ao lançamento de obrigação principal, adotado majoritariamente por esta Turma, com o qual, reiterese, não concorda este Relator, há que se reconhecer a existência de discrimen na apreciação da decadência em relação a cada espécie de lançamento. Assim, uma coisa é a extinção do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário mediante notificação de lançamento relativa a tributos – Obrigação Principal , em razão de os correspondentes fatos geradores terem ocorrido em período já alcançado pela decadência. Outra coisa distinta é a extinção do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário mediante Auto de Infração de Obrigação Acessória decorrente do descumprimento objetivo de obrigação acessória. Registrese que o Supremo Tribunal Federal, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, fato que desaguou na edição da Súmula Vinculante nº 8, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme estatuído no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála de imediato. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Nesses termos, afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, urge serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. Tratandose de lançamento de ofício de penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação acessória, o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito Fl. 324DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10980.005834/200753 Acórdão n.º 2302002.426 S2C3T2 Fl. 325 13 tributário extinguese após 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, a teor do inciso I do art. 173 do CTN. Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Cumpre destacar neste comenos que, pelas razões expendidas no já referido Acórdão nº 230201.387 proferido nesta 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, entende este relator que o lançamento tributário encontrase perfeito e acabado na data de sua lavratura, representada pela assinatura da Autoridade Fiscal lançadora, figurando a ciência do contribuinte como mero atributo de publicidade do ato e condição de eficácia do lançamento perante o sujeito passivo, mas, não, como atributo de sua existência. Nada obstante, o entendimento dominante nesta 2ª Turma Ordinária, em sua composição permanente, esposa a concepção de que a data de ciência do contribuinte produz, como um de seus efeitos, a demarcação temporal do dies a quo do prazo decadencial. Mostrase alvissareiro examinar, ainda, a questão pertinente ao dies a quo do prazo decadencial relativo à competência dezembro de cada ano calendário. O art. 37 da Lei Orgânica da Seguridade Social prevê o lançamento de ofício de contribuições previdenciárias sempre que a fiscalização constatar o atraso total ou parcial no recolhimento das exações em apreço. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. (grifos nossos) De outro eito, o §2º do art. 225 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, na redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/1999, vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, estabelece como obrigação acessória da empresa de entregar a GFIP até o até o dia sete do mês seguinte àquele a que se referirem as informações. Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art.225. A empresa é também obrigada a: Fl. 325DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; (...) §2º A entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social deverá ser efetuada na rede bancária, conforme estabelecido pelo Ministério da Previdência e Assistência Social, até o dia sete do mês seguinte àquele a que se referirem as informações. (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/1999) (grifos nossos) No caso da competência dezembro, até que se expire o prazo para a entrega da GFIP, digase, o dia 07 de janeiro do ano seguinte, não pode a autoridade administrativa proceder ao lançamento de ofício pelo descumprimento de tal obrigação acessória, eis que o sujeito passivo ainda não se encontra em atraso com a referida prestação de declarações ao Fisco. Tratase de concepção análoga ao o princípio da actio nata, impondose que o prazo decadencial para o exercício de um direito potestativo somente começa a fluir a contar da data em que o sujeito ativo dele detentor pode, efetivamente, exercêlo. Dessarte, a deflagração do aludido lançamento, referente ao mês de dezembro, somente pode ser perpetrada a contar do dia 08 de janeiro do ano seguinte. Nesse contexto, a contagem do prazo decadencial assentado no inciso I do art. 173 do CTN relativo à competência dezembro do ano xx somente terá início a partir de 1º de janeiro do ano xx + 2. Pacificando o entendimento acerca do assunto em realce, o Superior Tribunal de Justiça assentou em sua jurisprudência a interpretação que deve prevalecer, espancando definitivamente qualquer controvérsia ainda renitente, conforme dessai em cores vivas do julgado dos Embargos de Declaração nos Embargos de Declaração no Agravo Regimental no Recurso Especial nº 674.497, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10980.005834/200753 Acórdão n.º 2302002.426 S2C3T2 Fl. 326 15 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. No caso vertente, o prazo decadencial relativo às obrigações tributárias nascidas na competência dezembro de 2000 tem seu dies a quo assentado no dia 1º de janeiro de 2002, o que implica dizer que a constituição do crédito tributário referente aos fatos geradores ocorridos nessa competência poderia ser objeto de lançamento até o dia 31 de dezembro de 2006, inclusive. Assim delimitadas as nuances materiais do lançamento, nesse específico particular, tendo sido a ciência do Auto de Infração de Obrigação Acessória em debate realizada aos 24 dias do mês de abril de 2006, os efeitos o lançamento em questão alcançariam com a mesma eficácia constitutiva todas as obrigações tributárias acessórias previstas no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91 exigíveis a contar da competência dezembro/2000, inclusive, nos termos do art. 173, I do CTN, excluídas as obrigações tributárias acessórias relativas ao 13º salário desse mesmo ano. Conforme já esclarecido anteriormente, as obrigações tributárias acessórias taxativamente previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social são de observância obrigatória pelo sujeito passivo da obrigação tributária em questão, independentemente de a obrigação tributária principal associada, eventualmente, aos mesmos fatos geradores houver sido adimplida ou o crédito tributário deles decorrentes houver sido homologado pelo decurso do prazo previsto no §4º do art. 150 do CTN. Em relação a tal categoria de obrigação tributária, direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário decorrente do seu inadimplemento objetivo extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Pelo exposto, sendo de janeiro de 1999 a março de 2005 o período de apuração do presente lançamento, consoante o entendimento majoritário deste Sodalício e à luz da Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal, não demanda áurea mestria concluir que se encontra fulminado pela decadência o direito da Fazenda Pública de constituir crédito tributário decorrente do descumprimento de obrigações acessórias ocorrido, exclusivamente, na competência novembro/2000 e nas competências anteriores a essa, a teor do inciso I do art. 173 do CTN. 4. DO CERCEAMENTO DE DEFESA O Recorrente alega que o relatório Fiscal está incompleto, pois não especifica a origem dos valores lançados, caracterizando o cerceamento ao direito de defesa. Razão não lhe assiste. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 O Relatório Fiscal da Infração a fl. 06 descreve claramente a tipificação da infração objeto do vertente Auto de Infração, bem como a conduta infracional perpetrada pelo Recorrente. Dispõe de maneira clara os fatos geradores que deixaram de ser informados na GFIP, os dispositivos legais infringidos, bem como a natureza jurídica das rubricas que deixaram de ser informadas no documento declaratório a que se refere o inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91. O Relatório Fiscal de Aplicação da multa a fls. 07/09 expõe a capitulação legal da multa aplicável à espécie, assim como a memória de cálculo desenvolvida na determinação do quantum debeatur devido, restando perfeitamente caracterizado em tal conjunto a motivação e os fundamentos de fato e de Direito da autuação. A caracterização dos fatos geradores houvese por configurada no bojo do Acórdão nº 240200.271, de 28 de outubro de 2009, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF nos autos do Processo Administrativo Fiscal nº 10980.009737/200730, transitado em julgado na instância administrativa. No PAF acima citado, o Recorrente formulou estas mesmas alegações de defesa, as quais foram rechaçadas de pronto pela Autoridade Julgadora, conforme excerto a seguir transcrito: “Outra preliminar arguida no recurso referese ao RF não estar completo, fato que cerceia o direito de defesa da recorrente, pois não houve como conhecer o fato gerador da obrigação pela descrição contida. Os requisitos na lavratura do lançamento de ofício constam da legislação. [...] Na análise do RF encontramos, com facilidade, todos os requisitos determinados: ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente e determinar a matéria tributável (fls. 01182 a 01185, com detalhamento dos levantamentos e das suas razões), cálculo do montante do tributo devido (fls. 004 a 0223), identificação do sujeito passivo (fls. 001). Portanto, há como conhecer, perfeitamente, os fatos geradores da obrigação exigida, não havendo razão no argumento. Mais um preliminar alegada pela recorrente afirma que a ausência da relação de empregados a que se refere as contribuições exigidas fere os Princípios do Contraditório e da Ampla Defesa, pois a recorrente desconhece a proveniência do presente débito previdenciário em apreço. Como citado acima, não há como desconhecer a motivação e os documentos analisados para a convicção do Fisco na lavratura do lançamento. A motivação ocorreu pelo descumprimento do recolhimento das contribuições oriundas dos fatos geradores descritos no RF. [...] A ausência da relação de empregados não pretere o direito de defesa da recorrente. Os dados constantes do lançamento, quanto as bases de cálculo, são provenientes de documentos da recorrente. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10980.005834/200753 Acórdão n.º 2302002.426 S2C3T2 Fl. 327 17 Aliás, todos eles são documentos que demonstram a remuneração de segurados. Portanto, a recorrente foi quem construiu essa documentação, é possuidora dessa documentação, não havendo necessidade do Fisco copiar, por inteiro os dados que teve acesso, pois a fiscalização indicou qual foi essa documentação e, também, anexou cópias, relatou e construiu planilhas para provar o que afirma. Assim, não há razão no argumento”. Retornando ao vertente processo, a Folha de Rosto do Auto de Infração assinala o número do Documento Fiscal de constituição do crédito tributário, a qualificação completa e o endereço fiscal do Autuado, o valor absoluto da penalidade pecuniária efetivamente aplicada ao sujeito passivo, a data, hora e o local da lavratura do Auto de Infração, a descrição sumária da infração, o dispositivo legal infringido e o dispositivo legal de graduação da multa, bem como a assinatura do auditor fiscal autuante, com a fiel indicação de seu cargo e o número de matrícula, assim como a indicação dos relatórios fiscais que integram o lançamento em formalização. O relatório intitulado Instruções para o Contribuinte – IPC tem por objetivo orientar o sujeito passivo da obrigação tributária quanto ao pagamento da exigência fiscal ou o seu parcelamento, indicando o prazo para pagamento e as reduções cabíveis do valor da multa. Discorre ainda sobre o exercício do contraditório e da ampla defesa, o prazo para o oferecimento de impugnação ao lançamento, a amplitude da defesa e os elementos essenciais que devem instruir ao instrumento de bloqueio em tela, favorecendo, assim, o contraditório e a ampla defesa. A folha de rosto do Auto de Infração em conjunto com o IPC Instruções para o Contribuinte contêm a determinação da exigência fiscal e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias, tudo em perfeita sintonia com o art. 10 do Decreto nº 70.235/72. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O lançamento encontrase revestido de todas as formalidades exigidas por lei, dele constando, além dos relatórios já citados, os MPF, TIAF, TIAD e TEAF, dentre outros, havendo sido o Sujeito Passivo cientificado de todos os atos processuais praticados no Fl. 329DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 desenvolvimento da ação fiscal e de todas as decisões de relevo exaradas no curso do presente feito, tudo em estrita observância ao Devido Processo Legal. Como visto, verificase que o Auto de Infração em relevo foi lavrado em harmonia com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a tipificação da obrigação acessória violada, a conduta omissiva que profanou a obrigação tributária em apreço, fazendo constar, nos relatórios que compõem o presente Processo Fiscal os critérios adotados para quantificação da penalidade pecuniária aplicada. Não vislumbramos, portanto, qualquer vício na formalização do presente Auto de Infração a amparar a alegação de cerceamento de defesa, razão pela qual impende repelir peremptoriamente tal preliminar, tão veementemente sustentada pelo Recorrente, mas totalmente infundada. 5. DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO O Recorrente alega que não há certeza nem liquidez quanto aos valores lançados. ... E ele está pleno de razão. O Recorrente demonstra com tal alegação desconhecer por completo o procedimento de constituição do crédito tributário. Esclareceremos: Na dicção do art. 113 do Código Tributário Nacional CTN, a obrigação tributária nasce com a ocorrência do fato gerador e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente. Código Tributário Nacional CTN Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. §1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. §3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Já no dizer do art. 142 do CTN, o lançamento configurase como o procedimento administrativo privativo da Autoridade Administrativa tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, a determinar a matéria tributável, a calcular o montante do tributo devido, a identificar o sujeito passivo e, sendo caso, a propor a aplicação da penalidade cabível. Código Tributário Nacional CTN Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido Fl. 330DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10980.005834/200753 Acórdão n.º 2302002.426 S2C3T2 Fl. 328 19 o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Deflui da conjunção dos dispositivos legais suso selecionados que o lançamento tributário constituise no procedimento administrativo arquitetado para operar a convolação da obrigação tributária em crédito tributário. Ou seja, Antes do lançamento, temse tão somente a obrigação tributária, ilíquida e incerta. Com o lançamento, exsurge o crédito tributário, ornado com todos os seus atributos de estilo, liquidez certeza, sujeito passivo, prazo para o seu pagamento e extinção, etc. Conforme cediço, o lançamento possui natureza jurídica dúplice: É declaratório da obrigação tributária e constitutivo do crédito tributário. Duas vestes de uma mesma nudez. Decerto, no procedimento de constituição do crédito tributário, este somente restará plenamente constituído ao término do correspondente Processo Administrativo Fiscal, após o exercício pleno e eficaz do contraditório e a ampla defesa, que é justamente a fase pela qual tramita o vertente lançamento, quando então poderá ser exigido. Nesta fase, ainda não concluída em definitivo no âmbito administrativo, o tributo lançado é ainda inexigível, uma vez que sua exigibilidade se encontra suspensa, como assim estipula o art. 151, III do CTN. Código Tributário Nacional CTN Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I moratória; II o depósito do seu montante integral; III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; (grifos nossos) IV a concessão de medida liminar em mandado de segurança. V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) VI – o parcelamento. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento das obrigações assessórios dependentes da obrigação principal cujo crédito seja suspenso, ou dela consequentes. Os atributos da certeza e liquidez plena somente serão agregados ao crédito tributário ora em constituição, com o Trânsito em Julgado administrativo do vertente Processo Administrativo Fiscal, quando então o tributo lançado, já líquido e certo, poderá ser exigido Fl. 331DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 20 formalmente, mediante a propositura da competente ação de execução fiscal, nos rito fixado na lei 6.830/80. O Recorrente deve atentar que o presente processo não trata da exigibilidade do crédito tributário, este ainda se encontra ilíquido e incerto, mas, tão somente, da constituição definitiva do aludido crédito, ao término do qual este exsurgirá dotado da liquidez e certeza necessárias à propositura da ação de execução fiscal. Aqui, sim, exigibilidade do crédito. 6. DA RETROATIVIDADE BENIGNA Malgrado não haja sido suscitada pelo Recorrente, a condição intrínseca de matéria de ordem pública nos autoriza a examinar, ex officio, a questão relativa à penalidade pecuniária aplicada à infração em exame, em honra ao preceito encartado no art. 106, II, ‘c’ do CTN. Urge, de plano, ser destacado que no Direito Tributário vigora o princípio tempus regit actum, conforme expressamente estatuído pelo art. 144 do CTN, de modo que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Código Tributário Nacional CTN Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. §1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Nessa perspectiva, dispõe o código tributário, ad litteram, que o fato de a norma tributária haver sido revogada, ou modificada, após a ocorrência concreta do fato jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o crédito tributário correspondente. O princípio jurídico suso invocado, no entanto, não é absoluto, sendo excepcionado pela superveniência de lei nova, nas estritas hipóteses em que o ato jurídico tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ocorre, no entanto, que as normas jurídicas que disciplinavam a cominação de penalidades decorrentes da não entrega de GFIP ou de sua entrega contendo incorreções Fl. 332DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10980.005834/200753 Acórdão n.º 2302002.426 S2C3T2 Fl. 329 21 foram alteradas pela Lei nº 11.941/2009, produto da conversão da Medida Provisória nº 449/2008. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator que aquelas então derrogadas. Nesse panorama, a supracitada Lei federal revogou os §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212/91, fazendo introduzir no bojo desse mesmo Diploma Legal o art. 32A, ad litteris et verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no §3º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). (grifos nossos) §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). §2º Observado o disposto no §3º deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação.(Incluído pela Lei nº 11.941/2009). §3 A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Originariamente, a conduta infracional consistente em apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores era punível com pena pecuniária correspondente a cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada Fl. 333DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 22 aos valores previstos no parágrafo 4º do art. 32 da Lei nº 8.212/91. A Medida Provisória nº 449/2009, convertida na Lei nº 11.941/2009, alterou a memória de cálculo da penalidade em tela, passando a impor a multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omissas, mantendo inalterada a tipificação legal da conduta punível. A multa acima delineada será aplicada ao infrator independentemente de este ter promovido ou não o recolhimento das contribuições previdenciárias correspondentes, a teor do inciso I do art. 32A acima transcrito, fato que demonstra tratarse a ora discutida imputação, de penalidade administrativa motivada, unicamente, pelo descumprimento de obrigação instrumental acessória. Assim, a sua mera inobservância consubstanciase infração e implica a imposição de penalidade pecuniária, em atenção às disposições estampadas no art. 113, §3º do CTN. A Secretaria da Receita Federal do Brasil editou a IN RFB nº 1.027/2010, que assim dispôs em seu art. 4º: Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 22/04/2010 Art. 4º A Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, passa a vigorar acrescida do art. 476A: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. §2º A comparação de que trata este artigo não será feita no caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta para a qual não havia antes penalidade prevista. Óbvio está que os dispositivos selecionados encartados na IN RFB nº 1.027/2010 extravasaram o campo reservado pela CF/88 à atuação dos órgãos administrativos, Fl. 334DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10980.005834/200753 Acórdão n.º 2302002.426 S2C3T2 Fl. 330 23 que não podem ultrapassar o âmbito da norma legal que rege a matéria ora em relevo, tampouco inovar o ordenamento jurídico. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, não vislumbramos existir motivo para serem somadas as multas por descumprimento da obrigação principal e com aquelas decorrentes da inobservância de obrigações acessórias, para, em seguida, se confrontar tal somatório com o valor da multa calculada segundo a metodologia descrita no art. 35A da Lei nº 8.212/1991, para, só então, se apurar qual a pena administrativa se revela mais benéfica ao infrator. Entendo que o exame da retroatividade benigna deve se adstringir ao confronto entre a penalidade imposta pelo descumprimento de obrigação acessória, calculada segundo a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores e a penalidade pecuniária prevista na novel legislação pelo descumprimento da mesma obrigação acessória, não havendo que se imiscuir com a multa decorrente de lançamento de ofício de obrigação tributária principal. Lé com lé, cré com cré. A análise da lei mais benéfica não pode superar tais condições de contorno pois, como já afirmado alhures, tratase de obrigação acessória que é absolutamente independente de qualquer obrigação principal. Notese que o princípio tempus regit actum somente será afastado quando a lei nova cominar ao FATO PRETÉRITO, in casu, o descumprimento de determinada obrigação acessória, penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Dessarte, nos termos do CTN, para fins de retroatividade de lei nova, é incabível a comparação entre (a) o somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 e das multas aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32, ambos da Lei nº 8.212/991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212/91, acrescido pela Lei nº 11.941/2009, inexistindo regra de hermenêutica que nos autorize a extrair dos documentos normativos acima revisitados interpretação jurídica que admita a comparação entre a multa derivada do somatório previsto na alínea ‘a’ do inciso I do art. 476A da IN RFB nº 971/2009 e o valor da penalidade prevista na alínea ‘b’ do inciso I do mesmo dispositivo legislativo suso aludido, para fins de retroatividade de lei tributária mais benéfica. De outro eito, mas trigo de outra safra, o art. 97 do CTN estatui que somente a lei formal pode dispor sobre a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos e tratar de hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Código Tributário Nacional CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do §3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; Fl. 335DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 24 V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Mostrase flagrante que a alínea ‘a’ do inciso I do art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, acrescentado pela IN RFB nº 1.027/2010, é tendente a excluir, sem previsão de lei formal, penalidade pecuniária imposta pelo descumprimento de obrigação acessória nos casos em que a multa de ofício, aplicada pelo descumprimento de obrigação principal, for mais benéfica ao infrator. Tal hipótese não se enquadra, de forma alguma, na situação de retroatividade benigna prevista pelo art. 106, II, ‘c’ do CTN, pois emprega como parâmetros de comparação penalidades de natureza jurídica diversa, uma pelo descumprimento de obrigação principal e a outra, pelo de obrigação acessória. Há que se reconhecer que as penalidades acima apontadas são autônomas e independentes entre si, pois que a aplicação de uma não afasta a incidência da outra e vice versa. Nesse contexto, não se trata de retroatividade da lei mais benéfica, mas, sim, de dispensa de penalidade pecuniária estabelecida mediante Instrução Normativa, favor tributário que somente poderia emergir da lei formal, a teor do inciso VI, in fine, do art. 97 do CTN. É mister ainda destacar que o art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela Medida Provisória nº 449/2008, apenas se refere ao lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 dessa mesma Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a outras entidades e fundos, não produzindo qualquer menção às penalidades administrativas decorrentes do descumprimento de obrigação acessória, assim como não o faz o remetido art. 44 da Lei nº 9.430/96. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Fl. 336DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10980.005834/200753 Acórdão n.º 2302002.426 S2C3T2 Fl. 331 25 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) (...) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Assim, em virtude da total independência e autonomia entre as obrigações tributárias principal e acessória, o preceito inscrito no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, não projeta qualquer efeito sobre os Autos de Infração lavrados em razão Fl. 337DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 26 exclusiva de descumprimento de obrigação acessória associada às Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Uma vez que a penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória encontrase prevista em lei, somente o Poder Legislativo dispõe de competência para dela dispor. A legislação complementar, na forma de Instrução Normativa emanada do Poder Executivo, é pai pequeno no terreiro, não podendo dispor autonomamente de forma contrária a diplomas normativos de mais graduada estatura na hierarquia do ordenamento jurídico, in casu, a lei formal, e assim extrapolar os limites de sua competência concedendo anistia para exclusão de crédito tributário, em flagrante violação às disposições insculpidas no §6º do art. 150 da CF/88, o qual exige lei em sentido estrito. Vislumbrase inaplicável, portanto, a referida IN RFB nº 1.027/2010, por ser flagrantemente ilegal. Como demonstrado, é possível a aplicação da multa isolada em GFIP, mesmo que o sujeito passivo haja promovido, tempestivamente, o exato recolhimento do tributo correspondente, conforme assentado no art. 32A da Lei nº 8.212/91. Nesse contexto, afastada por ilegalidade a norma estatuída pela IN RFB nº 1.027/2010, por representar a novel legislação encartada no art. 32A da Lei nº 8.212/91 um benefício ao contribuinte, verificase a incidência do preceito encartado na alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN, devendo ser observada a retroatividade benigna, sempre que a multa decorrente da sistemática de cálculo realizada na forma prevista no art. 32A da Lei nº 8.212/91 cominar ao Sujeito Passivo uma penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência da infração. Assim, tratandose o presente caso de hipótese de entrega de GFIP contendo informações incorretas ou com omissão de informações, deverá ser aplicada a penalidade prevista no inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91, se esta se mostrar mais benéfica ao Recorrente. 7. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo ser excluído do lançamento o crédito tributário decorrente do descumprimento de obrigações acessórias ocorrido, exclusivamente, na competência novembro/2000 e nas competências anteriores a essa, a teor do inciso I do art. 173 do CTN. Outrossim, em relação às obrigações tributárias remanescentes neste lançamento, após a incidência da decadência assinalada no parágrafo anterior, a penalidade a ser aplicada ao sujeito passivo deve ser recalculada, tomandose em consideração as disposições inscritas no art. 32A, I da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, somente na estrita hipótese de o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso ao Recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN. É como voto. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10980.005834/200753 Acórdão n.º 2302002.426 S2C3T2 Fl. 332 27 Arlindo da Costa e Silva, Relator ad hoc. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
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ACORDÃON° CSRFID10.375 Recurso n° RP/102-0.099 Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrido SEGUNDA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: NORBERTO FLAVIO ALVARENGA SOARES (EMP. INDIVIDUAL) EMPRESA IMOBILIÃRIA INDIVIDUAL - Para os efei tos fiscais de equiparação da pessoa física pessoa jurídica,jurídica, pela prática, em nome indivi- dual, da comercialização de imóveis com habi- tualidade, considera-se uma única operação a alienação conjunta da totalidade ou de fração ideal de dois terrenos confinantes, com ou • sem edificações. Exegese do art. 113, do RIR/ /80. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL, ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial/10 re- curso para considerar tributável a quantia de Cr$ 96.428,00e/ Sala das S / . Se-, ,y'rert 21 de outubro de 1983 - AMADOR OU. ' '' -'0 /rERNÃNDEZ PRESIDENTE - IP( - FRANCISCe -v''N.S0 A _ RELATOR „47/ LUIZ FERNAND• oLIVEãr-DE MORAES PROCURADOR DA FA- ZENDA NACIONAL Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselhei- ros: Raul Pimentel, Jacinto de Medeiros CaImon, Waldevan Alves de Oliveira, Urgel Pereira Lopes, Luiz Miranda, Pedro Martins Fernandes e Sebastião Rodrigues Cabral. Ausente o Conselheiro Oswaldo Sant'Anna. , ‘__ Jr4-z , , ---,_ SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N q 0630/050.715/82-25 RECURSO N9: RP/102-0.099 ACÓRDÃO N9: CSRF/01-0.375 RECORRENTE FAZENDA NACIONAL SUJEITO PASSIVO: NORBERTO FLÁVIO ALVARENGA SOARES (EMP. INDIVIDUAL) fRELATÓRIO A FAZENDA NACIONAL, por seu Procurador junto ã Se- gunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, apela para esta Câmara Superior, pleiteando a reforma do Acórdão n9 102-19.867, de 25.2.83, prolatado no julgamento do recurso voluntário n9 86.915, interposto por Norberto Flávio Alvarenga Soares, equiparado a empresa individual, e que está ementado como segue: "EMPRESA IMOBILIÁRIA INDIVIDUAL - Não obstan te repartida em lotes, a alienação de uma só ãre5." formada por diversos lotes confinantes :representa uma única operação, para os efeitos fiscais de equi paração da pessoa física ã pessoa jurídica. Recur- so provido" (f 1. 52). O sujeito passivo fora equiparado a pessoa jurídi- capor habitualidade na comercialização de imóveis (fl. 4), consoan - te tipificado no art. 98, inciso I, do RIR/80, fazendo-se menção - inclusive ao art. 111, inciso I (fl. 4), embora o auto de fl. 1 ci- te o art. 98, inciso II, havendo referência, no termo de fl. 4, ao . fato de dois terrenos confinantes terem sido vendidos a empresa da qual o contribuinte era sócio. Na impugnação e no recurso o sujeito passivo sus- tenta ter praticado apenas uma alienação, envolvendo diversos lo- tes. O Colegiado deu provimento ao recurso vo '-,t_á 1-1 , 4!9, • ,, _, í DMF - DF/1 . C-C - Sec raf - 16475 c- . - SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0630/050.715/82-25 2. Acórdão n9 CSRF/01-0.375 interposto pelo sujeito passivo, assim argumentando o Conselheiro Relator do voto vencedor: "Não há dúvida que o ato especulativo de com pra e venda de imóveis gera rendimento tributável; porem, há que se realizara_hiPótese de incidência contida na regra jurídica de regência da cobrança e fiscalização do imposto de renda para que o cré- dito tributário seja constituído. No caso em tela, a habitualidade na compra e venda de imóveis no período fiscalizado, inclusive por alienação a empresa do ramo a que estava vincu lado, deixa entrever a ocorrência dos pressuposto -s- legais de equiparação da pessoa física ã pessoa ju rídica. Para o exercício financeiro de 1979, contu- do, a única venda de imóvel realizada não enseja tal enquadramento. Foi alienada uma só área, atra- vés de apenas uma escritura. A operação imobiliá- ria abrangeu a totalidade de um terreno recemadqiii rido com as mesmas características. O fato de so- bre ele existir divisão por lotes, juridicamente , não impede a unidade da transação. Não se configu ra atos em conjunto, mas, um ato, apenas" (fl. 54). O recurso da Fazenda Nacional, interposto tempesti vamente e com arrimo no art. 39, I, do Decreto n9 83.304/79, sus- tenta a insubsistência do Acórdão recorrido, assim argumentando: "Norberto Flávio Alvarenga Soares foi equipa rado a empresa individual porque a Fiscalização da Secretaria da Receita Federal logrou comprovar, em minucioso levantamento, que ele realizava, com ha- bitualidade, negócios imobiliários. 5. Correto o entendimento do julgador de primei ra instância em não considerar, como única opera- ção envolvendo a alienação de sete lotes de terre- nos confinantes." (fls. 56/57). Após transcrever os artigos 98, 111 e 113, do RIR/80, assimegue o ilustre Procurador: "O sujeito passivo se enquadra inequivocada- mente no conceito legal da habitualidade, pois comprou e a seguir vendeu nada menos de sete imó- veis, no espaço de apenas um dia, obtendo o ex- cepcional lucro de Cr$ 1.542.857,16. 8. É bem verdade que se tratam de lotes confi- nantes, adquiridos por uma única pessoa, constan- tes de uma mesma escritura e submetidos a uma ma- trícula, logo umnún'i , negócio, na ótica do Direi to Clvi1.411. e' SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0630/050.715/82-25 3. Acórdão n9 CSRF/01-0.375 9. Mas, para efeitos tributários, a operação não pode ser considerada como única, pois a legislação específica é taxativa em somente admitir como tal a alienação de até cinco terrenos confinantes. 10. Tem aqui plena aplicação a norma interpretati - va do art. 109 do CTN: Art. 109. Os princípios gerais do direi- to privado utilizam-se para pesquisa da defi- nição, do conteúdo e do alcance de seus insti tutos, conceitos e formas, mas não para defi- nição dos respectivos efeitos. 11. Não alcançado o negócio em tela pela exceção antes mencionada, não há senão considerar-se cada um dos sete como objeto de uma operação, ã falta de disposição que autoriza tratamento diferenciado ã regra geral do art. 111, inciso I, ã espécie dos autos" (fl. 58). Na parte restante são tecidos comentários sobre a benevolência do fiscal autuante que deixou de considerar "os três primeiros lotes localizados na Ilha dos Araújos ... para efeito de habitualidade", tendo, inclusive, desprezado outras aquisições, e conclui o petitório: "É certo que a controvérsia se restringiu ao - primeiro negócio citado, por ter sido o único de que resultou rendimento tributável. O segundo imó- vel foi comprado por Cr$ 400.000,00 e vendido pela mesma quantia; o . terceiro foi adquirido por Cr$ 2.500.000,00 e alienado, cinco meses depois, por Cr$ 2.700.000,00, a diferença de Cr$ 200.000,00 sen do presumivelmente absorvida pela correção do cus- to. 16. Mas o fato de o sujeito passivo não ter aufe- rido lucro nos negócios citados é irrelevante. 17. Importa aqui a própria realização das opera- ções para efeito de enquadrar o sujeito passivo na disposição do art. 111, inciso I, do RIR/80. 18. O Recorrente, Senhores Conselheiros, está con victo de que a realização de negócios imobiliários -, é uma atividade corriqueira do sujeito passivo e, portanto, os ganhos daí decorrentes não podem es- capar ã incidência do imposto de renda" (fls. 59/ /60). 10/4)1É o relatório. //3 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0630/050.715/82-25 4. Acórdão n9 CSRF/01-0.375 VOTO_ Conselheiro Francisco Amarál Manso - Relatar O recurso especial reune as condições legais de admissibilidade, não tendo sido oferecidas contra-razões pelo su- jeito passivo. Como _reconhece o ilustre procurador, o litígio en contra-se bem definido, ainda que em diversas passagens se vislum bre um princípio de tumulto, com considerações à margem da mate- ria pertinente, o que poderia comprometer a apreciação tranqüila e insuspeita da questão versada nos autos. O contribuinte adquirira, em 28.12.78 (f 1. 12), se te lotes, de números 9 a 15, por Cr$ 1.800.000,00, e os revendeu, no dia seguinte, por Cr$ 4.500.000,00 (fl. 14). Além dessa operação, que será posteriormente anali sada, o contribuinte vendeu, em 4.6.79, por Cr$ 400.000,00, um terreno, com um barracão residencial e um prédio contendo dois apartamentos (f 1. 17), imóvel que adquirira, pelo mesmo preço, em 17.8.78 (fl. 10). Também, em 2.10.79, o contribuinte vendeu dois lotes contíguos, à firma SETAL - Serviços Técnicos Ltda. (da qual era sócio desde 15.4.77 - fl. 22), por Cr$ 2.700.000,00 (fl. 18), imóveis que adquirira em 11.5.79, por Cr$ 2.500.000,00 (fl. l6). Do instrumento de Alteração Contratual acostado às fls. 26/28 veri fica-se que a empresa é uma sociedade por cotas de responsabilida- de limitada, "explorando o ramo de estudos, projetos, direção, fis calização e construção de edifícios com todas as obras complementa res, incorporação e comércio de imóveis e corretagens e administra ção de imóveis". Ainda que o Termo de Verificação de fl. 4, refe- rido no Auto de Infração de fl. 1, tenha mencionado o Inciso do art. 98, do RIR/80, que autoriza equiparar a empresas indivi- duais as pessoas físicas que alienarem imóveis a empresa a que estejam vinculadas, se a empresa adquirente explorar, por qualquer modalidade, a construção ou a comercialização de imóveis, parece- -me que a referencia em questão reflete simples lapso datilográfi- co, tendo em vista a expressa menção a "habitualidade na omerc" SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0630/050.715/82-25 5. Acórdão n9 CSRF/01-0.375 lização de imóveis". Alem disso, se a equiparãção se desse com a alienação deste imóvel, o lucro da empresa individual seria, no máximo, de Cr$ 200.000,00, eis que os demais imóveis foram vendi- dos antes da data em que teria ocorrido a equiparação, apenas se lhe aplicando o disposto no inciso I, do art. 120, do RIR/80. Quanto ã venda dos sete lotes, ponto nodal do lití - gio, afirma o digno fiscal que "os três primeiros lotes localiza- dos na Ilha dos Araújos não foram considerados para efeito de habi - tualidade" (f 1. 4), atitude que o preclaro procurador classifica& "benevolente" (fls. 59). Não foi bem assim, ate mesmo porque o procedimento fiscal estaria a merecer esclarecimento, tendo em vista a natureza vinculada e obrigatória própria da atividade do . lançamento (CTN, art. 142, parágrafo único). Na realidade os três lotes foram devidamente considerados, justamente para efeito da caracterização da habitualidade, apenas deixando-se de computar o lucro obtido em sua alienação quando se promoveu a apuração do lu- cro da empresa individual. Caso se confirmasse a alegada "benevo- lência" fiscal, apenas= a venda do 79 lote se configuraria o sur_ gimento da pessoa jurídica equiparada, calculando-se seu lucro como sendo o resultado dessa única operação, ou seja, 1/7 (um seti_ mo) do lucro total de Cr$ 2.700.000,00, e não 4/7 (quatro sétimos) como calculou a fiscalização. Os autos informam que os sete lotes foram adquiri- dos de um único vendedor e sua mulher; que o preço ajustado refe- riu-se ã totalidade dos lotes; que a transação relativa a todos os lotes ficou consagrada em uma única escritura (fl. 12). Seme- lhantemente, referidos lotes foram alienados por um único vende- dor; a um único comprador; o preço ajustado referiu-se ã totalida_ de dos lotes; a transação ficou consagrada em um único instrumento (fl. 14). Dos sete lotes, os de números 9, 11, 13 e 15 alinham-se, lado a lado, de frente para a Rua Oito; os lotes 10, 12 e 14 con- finam com os anteriores, pelos fundos, e, lado a lado, dão frente para a Rua Seis; ainda, os lotes 14 e 15 possuem testada para a Av. Paranaiba; os lotes 9 e 10 fazem divisa com os lotes 7 e 8 e, - através destes, confinam com a totalidade do quarteirão n9 51. As informações imediatamente precedentes desti r -,\ , , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0630/050.715/82-25 6. Acórdão n9 CSRF/01-0.375 -se a melhor apreciar as ponderações feitas pelo ilustre Procura- dor que, expressa e enfaticamente, invoca o inciso III, do art. 113, do RIR/80 (f 1. 58), alertando para a circunstância de terem sido vendidos "nada menos de sete imóveis" e observando que "a operação não pode ser considerada como única, pois a legislação es pecifica é taxativa em somente admitir como tal a alienação de ate cinco terrenos confinantes" (f 1. 58). Referido inciso, o III, não fora ainda explicitamente mencionado, quer pelo contri- buinte, quer pelo fiscal autuante, quer pela digna autoridade de primeira instância, ou mesmo no Acórdão recorrido. Apenas o agen te fiscal argumenta que "basta examinar-se o artigo 113 do mes- mo Decreto 85.450/80, nos seus Incisos I a IV, para que se veri- fique não estar a operação descrita acobertada por nenhuma das exceções ali previstas" (f 1. 40). Por sua vez, o Acórdão recorri do deixa de fazer qualquer referência a dispositivo de lei. Assim o recurso submetido a esta Câmara Superior pressupõe a impertinên cia dos incisos I, II e IV do referido artigo 113, e, quanto ao inciso III, considera-o incapaz de fornecer embasamento ã preten- são do sujeito passivo, tendo em vista a quantidade de lotes en- volvidos na operação. "Maxima data venia", entendo que sua excelência laborou em equivoco ao pretender correlacionar os fatos com a hi- pótese legal consagrada no inciso III, como a seguir se demonstra rã, ainda que, em assim procedendo, ensejasse favorecimento ao contribuinte, sob o aspecto quantitativo. O art. 113 do RIR/80, consolidando o art. 59, § 29, do DL. 1.381/74, com a redação que lhe deu o art. 10, do DL. 1.510/76, estabelece: "Art. 113 - Para os efeitos do art. 111, se rã considerada como uma única operação: I - a alienação da totalidade ou de fração ideal de um terreno, com ou sem edificações, re- sultante da unificação de 2 (dois) ou mais terre nos; II - a alienação conjunta da totalidade ou de fração ideal de 2 (dois) terrenos confinantes, com ou sem edificações; III - a alienação em conjunto de ate 5 ,((7°hr SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0630/050.715/82-25 7. Acórdão n9 CSRF/01-0.375 co) terrenos confinantes com o todo, sem edifica- ções, desde que originados do desmembramento de um mesmo terreno e todos possuindo testada para logradouro público; IV - a alienação conjunta de ate 3 (três) uni dades não residenciais situadas no mesmo pavimento de edifício e confinantes com o todo, desde que adquiridas de uma só vez pelo alienante. Na redação original do DL. 1.381/74, consolidada no art. 109, do RIR/80, ainda em vigor com relação ã comercializa_ ção de imóveis havidos ate 30 de junho de 1977, as condições pa- ra se considerarem unitariamente as operações imobiliárias eram mais amplas: "Art. 109 - Para os efeitos do inciso II do art. 98, será considerada como uma única opera ção: 1 - a alienação da totalidade ou de fração ideal de um terreno, com ou sem edificações, re- sultante da unificação de 2 (dois) ou mais terre- nos; II - a alienação conjunta da totalidade ou de fração ideal de 2 (dois) ou mais terrenos con- finantes com o todo, com ou sem edificações; III - a alienação, em conjunto ou separadamen te, de ate 5 (cinco) terrenos confinantes com 5 todo, com ou sem edificações, desde que origina- dos do desmembramento de um mesmo terreno e to- dos possuindo testada para logradouro público, adotando-se como ano de alienação o da primei- ra que for efetuada; IV - a alienação, em conjunto ou separada- mente, de unidades não residenciais situadas no mesmo pavimento de edifício e confinantes com o todo, construídas ou com a construção contratada, desde que adquiridas de uma só vez pelo alienan te, adotando-se como ano de alienação o da primei_ ra que for efetuada; (omissis) Observa-se, de plano, que os incisos I e IV não tem aplicação ao caso. O inciso IV refere-se a unidades não resi- denciais situadas em edifício (escritórios, lojas comerciais, etc.). O inciso I refere-se a terrenos (dois, segundo o art. 113; dois ou mais, consoante art. 109) que, primeiro, tenham sido unifica _ dos, para, somente então, serem alienados. Quanto ao inciso III, invocado no / recu so, —1. /lian-2 • , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0630/050.715/82-25 8. Acórdão n9 CSRF/01-0.375 põe-se que os terrenos tenham sido "originados do desmembramento de um mesmo terreno e todos possuindo testada para logradouro pú blico". Por sua vez, o art.29, § 29 daLei n96.766/79, conceitua: "Considera-se desmembramento a subdivisão de gleba em lotes destinados a edificação, com aproveitamento do sistema viário existente, des de que não implique na abertura de novas vias e- logradouros públicos, nem no prolongamento, modi_ ficação ou ampliação dos já existentes:" Está claro nos autos que o contribuinte adqui- rira sete "lotes de terreno integrantes do quarteirão n9 51 (cmn_ quenta e um), da planta de loteamento da 'Cidade jardim Senho- ra do Carmo', na Ilha dos Araújos, bairro desta cidade" (f 1. 12). E os mesmos lotes, identificados numericamente de 9 a 15, fo- ram alienados no dia seguinte (fl. 14). Tiveram, pois, referidos lotes origem não do desmembramento de um mesmo terreno, mas do loteamento procedido no terreno original. Assim, se os terre- nos, ainda que alienados em conjunto, não são originados do des_ membramento de uma mesma gleba, não há por que se pretender apli car a norma consubstanciada no inciso III, como equivocadamente intentou o ilustre Procurador. Na verdade, o Acórdão recorrido apenas conclui que, para os efeitos fiscais de equiparação da pessoa física ã pessoa jurídica, "a alienação de uma só área formada por diver_ sos lotes confinantes representa uma única operação", sem justi- ficar a posição assumida,quer com fundamentos jurídicos, quer com base em dispositivos legais. E os Conselheiros vencidos não apresentaram declaração de voto, desconhecendo-se as razões que os levaram a discordar da maioria. Nos termos em que está redigido, o mencionado Acórdão afigura-se-me inaceitável, representando inegável amplia_ ção dos dispositivos legais, acima transcritos. A meu entender, aplica-se ã situação o disposto no inciso II, excluída a referência a "fração ideal". "Será considerada como uma úni a operação a alie nação conjunta de 2 (dois) te enos confinantes, com ou sem edificações."OL /j ,, , 9 ,,.,-, SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0630/050.715/82-25 9. Acórdão n9 CSRF/01-0.375 Na versão anterior (art. 109),a alienação, igual- mente conjunta, poderia ser de mais de dois terrenos, desde que mantida a circunstância de serem confinantes com o todo. Assim, a pessoa física que vendesse um único terreno, praticaria uma ope ração imobiliária. Igualmente praticaria uma única operação imobi_ liária a pessoa natural que vendesse dois ou mais terrenos, desde que a alienação fosse conjunta e os terrenos confinantes com o todo. A expressão "com o todo" leva ao entendimento de que, se a- lienados dois terrenos contíguos, mas pertencentes a loteamentos diversos, seriam consideradas operações distintas. Contrariamente, a redação consagrada pelo DL. 1.510/76 limitou a dois o número dos terrenos cuja alienação con- junta seria considerada uma única operação. Assim, vendendo ape- . nas um terreno ou vendendo, conjuntamente, dois terrenos, a pes- soa física estaria praticando apenas uma operação imobiliária. Se, após praticar uma operação imobiliária, alienando um ou mesmo dois terrenos, a pessoa física voltasse a efetuar nova operação imobiliária, esta seria contada nas mesmas condições da anterior, dependendo de se ter alienado um único terreno ou dois terrenos, desde que confinantes e objetos de operação conjunta. A tercei- ra operação imobiliária teria o mesmo tratamento. Assim, a pes- soa física poderia alienar até seis terrenos sem equiparar-se, necessariamente, a pessoa jurídica. ' É flagrante a rigidez das normas introduzidas com o DL. 1.510/76. Quanto ao número de operações imobiliárias, redu- ziu-se, de três alienações de imóveis adquiridos nesse mesmo ano, para três imóveis adquiridos no biênio, e de seis imóveis adquiridos no triênio para cinco adquiridos no mesmo qüinqüênio, a quantia de operações que poderiam ser praticadas pela pessoa natural, sem equiparar-se a jurídica. Relativamente à quantidade de imóveis a redução foi de um número praticamente sem limites para no máximo seis. Não vejo, pois, necessidade de se emprestar ainda maior rigidez à norma legal. Como exposto anteriormente, a pessoa física que efetuasse uma alienação conjunta de dois terrenos, seguida de duas novas alienações, cada qual de dois terrenos, teria pratica- 5do três operações. Se, após praticada a primeira operação, SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0630/050.715/82-25 10. Acórdão n9 CSRF/01-0.375 soa física alienasse conjuntamente não apenas dois, mas quatro ter renos, totalizando seis unidades, não me parece razoável entender- -se que a nova operação fosse considerada quádrupla, perfazendo • cinco operações. A meu ver, teria praticado, com a última aliena- ção, duas operações (cada qual com dois terrenos), perfazendo, as- sim, o total de três operações. Da mesma forma, a primeira e única alienação con- junta de seis terrenos não me _ parece corresponder a seis operações, mas a três operações, cada qual com alienação coh junta de dois terrenos. Com efeito, nos precisos termos da lei, seria considerada como uma única operação, aálienação, em conjun to, de dois terrenos confinantes. As considerações acima demonstram quão distante da norma legal posicionou-se a egrégia 2Q. Cãmara, ao admitir que "a alienação de uma só área formada por diversos lotes confi- nantes representa uma única operação", sem distinguir quanto a ser a alienação conjunta ou unitária, e sem estabelecer um limite para o número dos lotes envolvidos na operação. Parece-me, pois, que o sujeito passivo teria pra- ticado a quarta operação, com a qual se equiparou a pessoa jurídi ca, apenas quando alienou o sétimo imóvel, não quando vendeu o quarto imóvel. Embora admitindo a ocorrência da figura da equipa ração, há, ainda, reparo a fazer na forma de se apurar o lucro da pessoa jurídica equiparada. Trata-se de lucro apurado por arbitramento, eis que o sujeito passivo não possuía escrituração nos termos da legislação de regência, deixando de cumprir as obrigações acessó- rias a que se refere o art. 103, do RIR/80, e não exercitando o direito de opção pela tributação com base no lucro presumido nos termos do inciso II, do art. 399, do RIR/80. Tendam vista que a equiparação deu-se no dia 29.12.78, vigia a norma do art. 149, do RIR/75, segundo a qual, consoante reiterada jurisprudência administrativa, o lucro arbi- /n trado resultava da aplicação da percentagem de 15% sobre a recéllk SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0630/050.715/82-25 11. Acórdão n9 CSRF/01-0.375 ta bruta. Nos presentes autos a receita bruta foi de Cr$4.500.000,00 (f is. 14-v), correspondendo o lucro a Cr$ 675.000,00, ou Cr$ 96.428,00 por imóvel vendido. Sobre essa quantia é que deverá in- cidir o imposto de renda. Diante do exposto, e de tudo mais que dos autos consta, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso espe cial de fls. 756/60, para considerar tributável a quantia de Cr$ ,7! 96.428,00. ,2 Brasília-DF., em 21 de outubro de 1983 /FRANCISCO A á RAL "IMANSO - RELATOR Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1
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Numero do processo: 10907.001040/2005-31
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003
DECADÊNCIA. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C
DO CPC. O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra
do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C
do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações.
Hipótese em que a decadência argüida só atinge um período de apuração e, portanto, não invalida integralmente o lançamento.
ACRÉSCIMOS LEGAIS. MULTA DE OFÍCIO. Por se tratar de atividade
vinculada à lei, deve a fiscalização aplicar a penalidade nela prevista.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2101-001.711
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em
reconhecer a preliminar de decadência para o ano-calendário
de 1999 e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. Hipótese em que a decadência argüida só atinge um período de apuração e, portanto, não invalida integralmente o lançamento. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MULTA DE OFÍCIO. Por se tratar de atividade vinculada à lei, deve a fiscalização aplicar a penalidade nela prevista. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em reconhecer a preliminar de decadência para o anocalendário de 1999 e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator Fl. 215DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 06/0 7/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 0618.298 (fl. 157), que, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares argüidas e, no mérito, considerar parcialmente procedente o lançamento relativo aos exercícios de 2000, 2001, 2002, 2003, mantendo respectivamente as exigências de R$ 311,06, R$ 2.371,37, R$ 3.648,47 e R$ 200,82 de imposto, R$ 233,30, R$ 1.778,52, R$ 2.736,35 e R$ 150,61 de multa de oficio de 75%. A infração indicada no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: Trata o presente processo de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF formalizada por meio do auto de infração de fls. 86/89, do qual fazem parte os demonstrativos de apuração do IRPF, fls. 90/93, de multa e juros de mora, fl. 94, e o termo de encerramento, fl. 95, no valor de R$ 6.806,72 de imposto, R$ 5.105,02 de multa de oficio de 75%, prevista no art. 44, 1 , da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, além de acréscimos legais. A autuação se deu pelas deduções indevidas de despesas médicas, de pensão judicial, de despesas com instrução, de previdência privada/FAPI e do imposto com doações aos fundos da criança e do adolescente, conforme descrito no auto de infração, às fls. 87 a 89. O enquadramento legal reportase ao art 11, § 3° do DecretoLei n° 5.844, de 23 de setembro de 1943, arts. 4°, inciso V, 8°, inciso 11, alíneas "a", "b" e "1", §§ 2° e 3º, 12, inciso I, e 35 da Lei 9.250, de 26 de dezembro de 1995, arts. 11 e 22 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 2° da Medida Provisória n° 22, de 2002, convertida na Lei n° 10.451, de 10 de maio de 2002, e arts. 73, 78, 80, 81, 82, § 1º, 83, inciso II, 87, inciso I, § 1º, e 102 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999, aprovado pelo Decreto n.° 3.000, de 26 de março de 1999 (li s. 87/89). O lançamento foi cientificado em 10/05/2005 ao impugnante, fl. 86, que ingressou, em 09/06/2005, com a impugnação de fls. 97/112, considerada tempestiva pela Unidade de origem (fl. 156), instruída com os anexos de fls. 113/155. Afirma a tempestividade da impugnação e salienta "que a glosa indevida de Previdência Privada não procede" pois, além de comprovar o pagamento à Brasilprev, observa que havia deduzido R$ 1.000,00 a este titulo em 1999 e o imposto que está sendo exigido remonta a R$ 5.240,65. Em relação à glosa referente aos valores doados aos fundos da criança e do adolescente, diz que "desenvolve praticas reiteradas de doação com desconto em faturas de serviços essenciais desde o anobase de 1997, sendo também desnecessário registrar mediante comprovação a execução de tais procedimentos donativos". Contesta a glosa de pensão judicial, no excedente ao estipulado na sentença judicial, porque "à época dos anosbase de 1999 e 2000 oferecia e oferece valores excedentes ao previsto na sentença judicial", apresentando recibos disso. Alega a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário relativo ao anocalendário de 1999, pois foi ultrapassado o prazo de 5 (cinco) anos a contar do Fl. 216DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 06/0 7/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10907.001040/200531 Acórdão n.º 210101.711 S2C1T1 Fl. 186 3 fato gerador, ocorrido em 31/12/1999, "caracterizando então o lançamento aprovado tacitamente e definitivamente extinto o crédito". Transcreve decisão judicial. No mérito, também trata da decadência do fato gerador ocorrido em 31/12/1999, transcrevendo várias decisões administrativas, reiterando que o “fisco tem cinco anos para constituir (via lançamento) o crédito tributário. Contase o prazo do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (ocorrência do fato gerador) ou da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado", concluindo pela "ilegalidade da cobrança do auto de infração, devido ao fisco exigir uma obrigação tributária que está definitivamente extinta". Aduz a impossibilidade de pagamento, "pois o valor aferido torna impossível a obrigação de purgar o crédito tributário, quebrando assim o principio da razoabilidade e da proporcionalidade prevista na doutrina tributária". No que tange à multa, invocando princípios, diz "que detém caráter punitivo, e não se constitui majoração do tributo em si, mas tãosomente, voltase a punir o sujeito passivo da obrigação tributária, desestimulandoo à prática repetitiva do ilícito fiscal" e, nesse sentido, houve "desvio de finalidade ao aplicar as ditas multas, pois impostas ao contribuinte que jamais tivera problema algum com o fisco e que, de boafé, sempre acreditou com ele estar quite". Alega a "nulidade do auto de infração por estar parcialmente eivado de vícios e nulidades decadenciais, não podendo o mesmo prosperar em sua exigência tributária". Por fim, requer o cancelamento integral em relação ao anobase de 1999, "a teor do artigo 150 § 4° e artigo 173 inciso I do Código Tributário Nacional, e entendimentos jurídicos e jurisprudências administrativas ora aportada, bem como, a análise peculiar da documentação aduzida e comprovada, sendo necessário e favorável o julgamento extra petita, peculiar à natureza do feito". O entendimento manifestado pelo Órgão julgador de primeiro grau encontra se resumido na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF. Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003 DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e as judiciais, não proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão Aquela objeto da decisão. DECADÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS À DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. O fato gerador do imposto de renda em relação aos rendimentos sujeitos à declaração de ajuste anual ocorre em 31 de dezembro; quando não declarados, para efeito de lançamento de oficio, o termo inicial do prazo decadencial é contado do primeiro dia do exercício seguinte ao que poderia o fisco ter feito o lançamento (CTN, art. 173, I). Fl. 217DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 06/0 7/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 4 DEDUÇÃO DE INCENTIVO. DOAÇÕES. FUNDOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. Somente são dedutíveis as doações efetuadas diretamente aos fundos de assistência da criança e do adolescente que são controlados pelos Conselhos Municipais, Estaduais ou Nacional dos Direitos das Crianças e dos Adolescentes. DEDUÇÕES. GLOSAS. DESPESAS MÉDICAS. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. CONTRIBUIÇÕES À PREVIDÊNCIA PRIVADA/FAPI. Mantêmse as glosas das deduções que o contribuinte não logrou comprovar com documentos hábeis e idôneos. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. COMPROVAÇÃO. São dedutíveis os valores pagos a titulo de pensão alimentícia, comprovados por documentação hábil e idônea, até o limite previsto em acordo de separação consensual, homologado por sentença judicial. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. A multa de oficio é devida em face da infração as regras instituídas pelo Direito Fiscal, possui previsão legal e aplicase na cobrança de imposto suplementar, por falta de declaração ou declaração inexata, independendo da gravidade da infração, máfé ou intenção do contribuinte, sendo que a mera inadimplência verificada em procedimento de oficio é supedâneo A sua exigência. Lançamento Procedente em Parte Em seu apelo ao CARF, às fls. 172/190, o contribuinte reitera a preliminar de decadência em relação ao anocalendário de 1999, considerando o tributo com fato gerador em 31/12/1999, sujeito ao lançamento por homologação, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN. Transcreve jurisprudência do STJ para robustecer a sua tese. Com fundamento nesta ocorrência requer a nulidade integral do lançamento. Argumenta que o valor aferido torna impossível a obrigação de purgar o crédito tributário, quebrando assim o principio da razoabilidade e da proporcionalidade prevista na doutrina tributária. Observa que o conceito de multa tem o caráter punitivo para a não reincidência das infrações. Reitera que o auto de infração efetua cobranças exorbitante e contrária a legislação tributária. Afirma que não consta de forma ostensiva o número do processo como manda a lei 6.830 em seu artigo 2º, e que não foi inserida a preparação e a numeração por processo manual, mecânico ou eletrônico no mesmo. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 06/0 7/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10907.001040/200531 Acórdão n.º 210101.711 S2C1T1 Fl. 187 5 Sobre a decadência, peço vênia ao i. Conselheiro José Evande Carvalho Araújo para transcrever a seguir seus abalizados argumentos declinados no voto condutor do Acórdão nº 210100.007, em sessão realizada em 12/05/2011, a respeito da regra decadencial aplicada ao imposto de renda, considerando a sistemática estabelecida pelo artigo 62A do Regimento Interno do CARF. “Sabese que a discussão da decadência dos tributos lançados por homologação é questão tormentosa, que vem dividindo a jurisprudência administrativa e judicial há tempos. No âmbito dos antigos Conselhos de Contribuintes, e agora no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, praticamente todas as interpretações possíveis já tiveram seu espaço. É notório que as inúmeras teses que versam sobre o assunto surgiram do fato do nosso Código Tributário Nacional CTN possuir duas regras de decadência, uma para o direito de constituir o crédito tributário (art. 173), e outra para o direito de não homologar o pagamento antecipado de certos tributos previstos em lei (art. 150, §4o). Apesar de serem situações distintas, o efeito atingido é o mesmo, pois, uma vez homologado tacitamente o pagamento, o crédito tributário estará definitivamente extinto, não se permitindo novo lançamento, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Na verdade, a celeuma não está no prazo da decadência, que é de cinco anos nas duas situações, mas na data de início de sua contagem. Enquanto o art. 173 fixa essa data no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou no dia em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o art. 150, §4o, determina o marco inicial na ocorrência do fato gerador. No momento da publicação do CTN, a questão não tinha tanta importância, uma vez que eram poucos os tributos para os quais a legislação atribuía ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Entretanto, atualmente, em nossa sociedade de consumo, onde milhares de operações sujeitas à tributação ocorrem simultaneamente, tornouse impossível para o Fisco efetuar o lançamento direto, e praticamente todas as exações adotaram o modelo de transferir para o contribuinte o dever de apurar e recolher, fazendo a Administração apenas o controle posterior. As diversas correntes doutrinárias agora se digladiam sobre qual das regras de decadência deve se utilizar para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, sendo que, no âmbito da 2ª Seção de Julgamento do CARF, prevalecia a idéia de que seria sempre a do art. 150, §4º, do CTN, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Contudo, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, órgão máximo de interpretação das leis federais, firmou o entendimento de que a regra do art. 150, §4º, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Vejase a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS Fl. 219DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 06/0 7/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 6 PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Observese que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada pelas instâncias inferiores do Poder Judiciário. Recentemente, a Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010, introduziu o art. 62A no Regimento Interno do CARF RICARF, com a seguinte redação: Fl. 220DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 06/0 7/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10907.001040/200531 Acórdão n.º 210101.711 S2C1T1 Fl. 188 7 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Desta forma, este CARF forçosamente terá que mudar seu posicionamento, e adotar a interpretação do Recurso Especial nº 973.733 – SC, de que a regra do art. 150, §4º, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos.” No caso em tela, cumpre ressaltar, houve retenção de imposto na fonte sobre os rendimentos informados pelo contribuinte em sua Declaração de Ajuste Anual do ano calendário de 1999 (fls. 03/06) e consoante Demonstrativo de Apuração do IRPF do Período Base de 1999 do Auto de Infração, à fl. 90, sendo certo que não há qualquer acusação quanto a ocorrência de dolo, fraude, conluio ou simulação. O Auto de Infração foi cientificado ao sujeito passivo em 10/05/2005 (fl. 86) e, para omissões sem qualificação por dolo, fraude ou simulação, apurados durante o ano calendário de 1999 (com fato gerador em 31/12/1999), a contagem do prazo decadencial tem início, indubitavelmente, no primeiro dia do exercício seguinte (01/01/2000), com termo final em 31/12/2004. A exigência fiscal relacionada ao anocalendário de 1999 encontrase, portanto, atingida pela decadência do direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário. A decadência em relação a um fato gerador, complexivo e anual, não prejudica o crédito constituído referente a anocalendário posterior não atingido pelo decurso do prazo. Em relação aos exercícios de 2001 a 2003, o lançamento em exame contém todos os requisitos legais para sua plena validade e eficácia, conforme dispõe o artigo 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, de modo a proporcionar ao autuado o exercício regular do seu direito de defesa, e também não ocorreram os pressupostos elencados no artigo 59 do mesmo diploma legal, a conspurcar de nulidade o Auto de Infração. Verificase, inclusive, a regular indicação do número do processo e a numeração de suas folhas. A responsabilidade por infrações à legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato – é o que dispõe o artigo 136 do CTN. O recolhimento a menor do imposto devido e a declaração inexata, nos termos do inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, são causas para a aplicação da multa de ofício em seu percentual mínimo de 75% (setenta e cinco por cento), independentemente de ocorrer reincidência da infração. Ao contrário do que afirma o recorrente, a aplicação da multa de oficio atende aos estritos contornos do principio da legalidade. Havendo lei que determine a aplicação de determinado percentual de multa, não resta à autoridade administrativa nenhuma outra alternativa senão a aplicação do quantum nela Fl. 221DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 06/0 7/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 8 previsto. O lançamento é ato vinculado, nos termos do artigo 142 do CTN, não cabendo à esfera administrativa pronunciarse sobre os critérios que nortearam o legislador na fixação dos percentuais. Por fim, não procede argüição do recorrente de que os valores cobrados torna impossível a obrigação de purgar o crédito tributário, quebrando assim o principio da razoabilidade e da proporcionalidade prevista na doutrina tributária, pois o crédito tributário é constituído nos estritos termos da lei, que dispõe sobre a sua base de cálculo e alíquotas, não dispondo a autoridade fiscal de nenhum poder discricionário na determinação do quantum devido. Em face ao exposto, acolho a preliminar de decadência para o anocalendário de 1999 e, no mérito, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 222DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 06/0 7/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS
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Exigência suprida pe lo conhecimento aéreo que acompanhou -a- mercadoria, segundo permissivo do artigo 45, § 19, do mesmo diploma legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais(por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Es- pecial 6U , 5 4 Sala das Seasqes iDF), em 22 de junho de 1981 : /,_ I ' /7 - Igri AMADOR OU' • rRNi,,DEZ / PRESIDENTE ENILA LEITE g- !AS C , eAS - RELATORA (11,41 e r ADHEMILSON BA O PE CA/ il,'0 - PROCURADOR DA FA- 1 , ZENDA NACIONAL I Participaram, ainda, do presente julga ene°, os seguintes Conse- lheiros : HINDEMBURGO DOBAL TEIXEIRA, EUVA'DO CARVALHO SILVA ( su- plente convocado ), PAULO DE ALMEIDA, RANDOLFO HENRIQUE DE SOUZA . i - v.v. NETO, EDWALDO REIS DA SILVA e SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL. , -,2414T, le;IS NktMg ,-%;,,o0-• : SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N. 0814/059.109/79 RECURSO N.°: RP/303-0.222 ACÓRDÃO N.° : CSRF/03-0.327 RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL Recorrida: TERCEIRA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Sujeito Passivo: VIAÇÃO AÉREA SÃO PAULO S.A. - VASP RELATÓRIO RECORRE à Câmara Superior de Recursos Fiscais o Pro- curador da Fazenda Nacional junto à Terceira Câmara do Terceiro . Conselho de Contribuintes, de decisão que, por maioria de votos , deu provimento a recurso interposto por VIAÇÃO AÉREA SÃO PAULO - VASP. Através do AcOrdão n9 20.062 de 25/02/81, entendeu o Colegi ado que, na espécie, o conhecimento aéreo fls. 18 que integrou o despacho da mercadoria importada supriu a fatura comercial, sendo descabida a exigência da penalidade do art. 106, IV, "a", do DL n9 37/66. Leio de inteiro teor a decisão, a fls. 43/45, cuja e menta se segue: . "FATURA COMERCIAL - Vias emitidas por pro- cesso eletrônico de dados e assinadas no original. Conhecimento aéreo contendo da- dos que coincidem com os demais documen- tos de importação, substitui a fatura co- mercial. Decreto-lei n9 37/66, art. 45, - parágrafo 19." O recurso especial, de fls. 47/51, também é lido na/--) íntegra. Em síntese, alega o douto recorrente que a empresa assi- ')á' D M F - RJ/1.° C - C - Secgraf - 1600/7 ç -. (-'.---- 1 , 3. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0814/059.109/79 Acórdão n9-CSRF/03-0.327 nara termo de responsabilidade na forma da legislação vigente , não o cumprindo de forma satisfatória. Invoca a I.N. 40/74, que "condicionou a equiparação do Conhecimento Aéreo à fatura comer- cial, desde que nele figurem os elementos que devem constar des- te documento" (verbis). Finalmente, invoca decisão do TFR no sen tido de que o Conhecimento Aéreo, para equiparar-se à fatura co- mercial, "deve estar reservado de todas as solenidades previstas no De eto-lei n9 32, de 1966 (Código Brasileiro do Ar)..." (ver bis) ---- É o relatório. -) // ---_:.-› _, 4. SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 0814/059.109/79 Acórdão n9-CSRF/03-0.327 VOTO_ _ Conselheira ENILA LEITE DE FREITAS CHAGAS, Relatora: No presente processo, foi provido o recurso voluntá — rio do sujeito passivo sob dois fundamentos: 19 - A fatura comercial apresentada Dela empresa foi emitida por processo eletrônico e assinada em original. Tem se firmado o entendimento, calcado na necessidade de se adaptar legislação e jurisprudência aos progressos técnicos mais moder- nos, de impressão, que, nessas condiOes, o documento é aceitá- vel como via original, já que no processo de produção em série ou múltipla inexiste primeira via. 29 - O conhecimento aéreo reúne condiçOes para ser equiparado ã fatura comercial, conforme prefisão do art. 45 do DL n9 37/66. O recurso especial ora sob exame só versa o segundo aspecto, pelo que o abordo mais extensamente. O exame do documento revela que a mercadoria esta claramente identificada; assim como as figuras do exportador e importador, o preço e o peso, tudo conforme descrito nos demais documentos que ampararam a importação. O Decreto n9 49.977/61, que regulamenta a fatura co mercial, determina em seu artigo 10 que o conhecimento aéreo fi- . ca equiparado à fatura comercial para todos os efeitos. É manda- mento acolhido no Decreto-lei n9 37/66, cujo artigo 45, parágra- fo 19, reza textualmente: "Art. 45- 19 - O conhecimento aéreo é equipa- ' rado para todos os efeitos á fatura comercial." Por outro lado, a legislação brasileira reflete a p /jÁk 5. Processo n9 0814/059.109/79 SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Acórdão n9-CSRF/03-0.327 sição do país em relação ao transporte aéreo internacional, posi- ção essa que decorre de convençaes que objetivaram facilitar o co- mércio e adequar a legislação à rapidez da nova forma de transpor te. O Decreto-lei n9 32/66, que regulamenta o transporte aéreo do méstico, dispOe que o transporte aéreo internacional obedece às normas estabelecidas em tratados e.convençaes de que o Brasil se- ja participante e que tenham sido ratificados por nosso governo. Nesse sentido, é de se observar o disposto nó" artigo 98 do Códi;o Tributário Nacional, que determina a prevalência dos tratados e convençaes sobre a legislação interna. Concluo que atos complementares da administração do tributo não podem se furtar ao princí pio geral da hierarquia das leis, sob pena de se incorrer em subversão de toda uma sistemáti- ca implantada por lei maior. Assim, a I.N. n9 40/74 e o P.N. 92/ 77 são inaplicáveis à espécie, em tudo que extrapolarem legisla- ção que lhes é superior. • Sem dúvida, é de se reconhecer a existência de ris- cos, sob o aspecto fiscal, na utilização do conhecimento aéreo co mo substituto da fatura comercial. Todavia, estes riscos serão su— perados pelas vantagens na agilização do comércio aéreo interna- _ cional e não é outra a "mens legis", ao dar aquele valor ao docu- mento. Cabe observar, também, que fatura comercial e conhe- cimento aéreo são documentos com características diversas, especl ficas para cada um. Exigir que o conhecimento aéreo contenha os numerosos requisitos que o Regulamento de Faturas exige destas é supor a criação de uma nova espécie, híbrida. Finalmente, parece uma incongruência permitir o de- sembaraço aduaneiro de mercadoria com o conhecimento aéreo, e ao mesmo tempo, aplicar penalidade por falta de apresentação de fatu ra comercial. Tal procedimento só seria cabível, dentro da leais- lação de regência, se o conhecimento aéreo fosse impugnado • como _falso ou imprestável, por portador de vício que o inutilizasse pa ra sua destinação própria. Face o exposto, voto por negar provimento ao recursdi) V.V. especiald 1 //7 ENILA LEITE DE , EITAS CHAGAS Relatora • Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-08T01:20:09Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-08T01:20:08Z; Last-Modified: 2009-07-08T01:20:09Z; dcterms:modified: 2009-07-08T01:20:09Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-08T01:20:09Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-08T01:20:09Z; meta:save-date: 2009-07-08T01:20:09Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-08T01:20:09Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-08T01:20:08Z; created: 2009-07-08T01:20:08Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; Creation-Date: 2009-07-08T01:20:08Z; pdf:charsPerPage: 1474; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-08T01:20:08Z | Conteúdo => „:6M4 4'jj40-4, MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO PROCESSO N9 13706/000.489/8g-29 Sessao de 28 de junho de 1.9 g_l ACORDÃO Ne CSRF/01-01.138 Recurso n 2 : RP/10.6--C1.138 Recorrente: FAZENDA NACIONAL Recorrida - SEXTA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: 'SAFEM MARIA JOSEPRA, BENR1QUETA FRANCTSCA DE ORLEA,NS E BRA- GANÇN ,IMPOSTO -DE RENDA PESSOA FISICA: - RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS - CÉDULA "C”; Classificam=;se na cãdula "C" os rendi- mentos percebidos a título de "incen- tivos de desligamento" por ocasião da cessação do contrato de trabalho. - FALTA DE RETENÇÃO DO IMPOSTO: A falta de retenção do imposto pela fonte pagadora nao exonera obeneficiã. rio dos rendimentos da obrigação dein. cluilos, para tributação, na declara 0.0 de rendimentos, - CONVENÇÕES PARTICULARES: As convençOes particulares, relativas à resnonsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas -à. Fa- zenda Ptilblica, para modificar a defi- nição legal do sujeito passivo das o- brigaçOes tributãrias corresnondentes CArt. 123 - CTN1. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros daCamara Superior de Recursos Fis_ cais, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do re1at8rio e voto que passam a integrar o presente julgado, Ven_ cidos os Cons. Waldevan Alves de Oliveira, José. Eduardo Rangel de Alckmin e Sebastião Rodrigues Cabral, que negavam provimento aore curso. '. a. 11. IN 6. Ati n ""' v.v / t -„ Seg58e$ CDPL, em 28 de junho de. 1991. _ %4 ímor/ lár ..-: 111t419 - PRESIDENTE ---00.111Nr J1..ki. e é • - -.1 • -RELATOR r.- „.--- &),._ :, J. O ASAR G VES CORREA , - PROCURADOR DA FA- ZENDA NACIONAL . - i , Participaram, ainda.„ / do presente jul gamento os seguintes Conselheiros:. MARCIO MACHADO CALDEIRA, BENEDICTO ONOFRE EVANGELISTA; LOURIERDES.FIU ZA DOS SANTOS, CARLOS WALBERTO CHAVES ROSAS e MANOEL ANTONIO GADELHÃ-' DIAS. Ausente justificadamente os Cons. AQUILES RODRIGUES DE OLIVEIRA e LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA . (1, , , .. . -- . - . .. , . . - , . , , .. , , 1 . i1 , ., . , . , - ,. . 1,, - : ,. . ! í- . ,,, .,. • , - i ,, ,,, . ; RERVIÇO PUELACO FECERAL PROCESSO Nf 1370.6/OG0.489/89-29 RECURSO $': RP/106-0.138 ACOROÃOO: CSRF/01-01.138 - RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL SUJEITO PASSIVO: ISABEL MARIA JOSEPHA HENRIQUETA FRANCISCA DE ORELEANS E BRA GANÇA R-NELATORIO A Fazenda Nacional, através de seu Procurador junto à 6a. Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes, recorre ã Cama- ra Superior de Recursos Fiscais, com o intuito de reformar o AcOr- dão n9 106-2.757, de 04 de junho de 1990. Dito AcOrdão deu, pormaio ria de votos, provimento ao recurso interposto por Isabel Maria Jo- sepha Henriqueta Francisca de Orleans e Bragança, no sentido de con siderar como liquido os rendimentos recebidos da Fundação Educartnos termos dos artigos n9s 576 e 577 do RIR/80, assim descritos: "Art. 766 - A fonte pagadora fica obrigada ao reco- lhimento do imposto, ainda que não o tenha retido. Art. 577 - Quando a fonte pagadora assumir o 'ónus do imposto devido pelo beneficiaria, a importância pa- ga, creditada empregada, remetida ou entregue, sera considerada liquida, cabendo o reajustamento do res- pectivo rendimento bruto, sobre o qual recaíra o tri buto 119 4.15416 2 , art. 591." No recurso es pecial Cfls. 60/61 1 o Dr. Procuradorda Fazenda Nacional argumenta que est g havendo confusão na hip6tesecks autos, pois 'falta d2 recolhimento de imposto de renda pela fonte pagadora" ê hipôtese distinta de "assunção pela fonte pagadora do ônus do imposto de renda incidente na fontes". 1k 11p, A,4 -À , „ JW SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 1370 6_/0 G 0 489/89-29 3. Ac8rdão n9-CSW01-01,138 Continuando, o ilustre Procurador afirma que não hou- ve assunção do ônus do tributo pela fonte pagadora, quando, en- tão, aponta o voto do insigne Consélheiro Bendicto Onoffre Evange lista, proferido nos autos do AcéSrdão n9 106-2.656, como instru- mento subsidiário ao seu recurso, que diz: "No presentè caso temos um valor pago ao contribuinte a tnulo de "Incentivo Indenização" CUJATRIBUTACÃO JA HAVIA srpo OBJETO DECONSULTA A SRRF DA 7a. RF, sendo a resuota de conhecimento do empregador e do emprega- do. 0 fato de terem adotado procedimento diverso não favorece a nenhuma das partes, j5 que não podem ale- gar ignorância da norma legal vigente." Aponta, tambem, a questão do suposto acordo entre em- pregador e empregado, onde o ilustre Conselheiro, antes menciona do, conclui: "Resta registrar, ao final, que o acordo firmado en- tre as Partes não suficiente Para alterar o sujeito passivo da obrigação tributaria; isto e, aquele que recebeu rendimentos sujeitos a retenção do imposto na fonte, passfvel de complementação na declaração, em face do disposto no art. 123 do CTN." Termina, o Dr. Procurador, por contradizer a hipOtese do voto vencedor de que e de responsabilidade, por substituição, afirmando que o caso e, tão somente, de responsabilidade portram ferencia, pois que, confoime a lei, a falta de retenção do impos to pela fonte pagadora não exonera o beneficiário de inclui-los, Para tributação, na declaração de rendimentos. Encaminhado que foram os presentes autos ao 6rg-0 de origem paraque fosse cientificada a contribuinte do recurso espe cial interposto pela Fazenda Nacional abrindo-lhe prazo legalpa- ra apresentação; de contra-arrazoado, esta apresentou, regular- mente, suas argumentaçOes Cfls. 4/751, mantendo a mesma linha de pensamento que a norteou tanto no julgamento de prireira ,'P)/ , SERVIÇO PUE3LICO FEDERAL PROCESSO N9 137 ui aaa , 489:/8929 4. AcOrdão n9—CSRF/CII-,411.1'38 tãncia, onde viu frustradas suas pretenções por ter sido negado . provimento à sua impugnação, quanto no julgamento de segunda ins tância, onde, embora tenha sido contemplada com provimento de seu recurso por maioria dos votos presentes, aconteceu o recurso ã Câmara Superior pelo Dr. Pro rador da Fazenda Nacional. t." É o relatOrio. 01) of r4 -.......- ' SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 13 7 C14/Q.CM , 4 8 9189-2 9_ 5. AcOrdão n9-CSRF/01-01.138 VOTO Conselheiro JOÃO DIAS NETO, relator. Tendo sido atendidas as normas de admissibilidade pre vista no Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fis- cais, é de se tomar conhecimento do recurso. A controvérsia, como visto dos autos, gira em torno do argumento expresso no decis8rio de primeira instância (fls. 40/41), cuja ementa prolata: "a falta de retenção do imposto pela fonte pagadora não exonera o beneficio de inclui-la, para tributação, na declaração de rendimentos." A razão desta ementa esta no fato de que a Fundação E ducar forneceu ao contribuinte Declaração de Rendimentos Pagos sem, contudo, ter mencionado a retenção do imposto de renda in- cidente na fonte, em virtude do pagamento de valores referentes a rescisão de contrato de trabalho a título de "incentivo Indeni zação". A legislação tributaria de rectencia não pode ser alte rada em virtude de acordo firmado entre em pregado e empregador. Daí, a falta de retenção do imposto de renda na fonte não afasta o rendimento auferido da2incidéncia do imposto na declaraçãó de rendimentos do contribuinte. A manifestaçãó de inconformidade com o lançamento, por parte do contribuinte, somente teria sentido caso tivesse sido efetudado a retenção do imposto na fonte, sem o posterior e obri gat8rio recolhimento ao Tesouro Nacional. Porém, a situação des- crita nos autos não é esta, visto que o contribuinte revela que recebeu sua indenizaçãO sem desconto do im posto de renda. nk ) ! SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N? 13706/000..489189.-29_ 6. Acôrdão n9-CSRF/0.1-,-(11.138 A Fundação Educar fez consulta á SERFda 7a.RF refe- rente ao pagamento realizado ao contribuinte a título de "Incen- tivo Indenização", causa do presente processo, sendo a resposta de conhecimento tanto do empregador quanto do empregado, hajavis ta cCipias apensas aos autos da Decisão n9 326/87 de fls. 10/13. Destarte, o fato de terem adotado procedimento diverso não favo- rece a nenhuma das partes, já que não podem alegar igonoránciada . norma legal vigente, Vemos, em página 3 da citada Decisão, que consta o seguinte esclarecimento: "Tratando a presente consulta, exclusivamente, de empregados optantes, apenas estarão excluídas da tributação as parcelas compreendidas no Capítulo V (artigos 22 a 351 do Decreto n9 59.820, de 20 de de_ zembro de 1966."• Analisando os documentos de fls. 03 e 20 dos autos, . verificamos que sio compatíveis, de vez gue o valor consignadona Notificação de Lançamentos Cfls, 03) consta o mesmo valor dos rendimentos tributáveis na cédula "C" do Comprovante de Rendimen_ tos (fls. 20.) fornecido pela Fundação Educar. Lã as verbas rece- bidas a titulo de aviso prévio e FGTS foram declaradas como não tributáveis, pois "não tributáveis" realmente são. - O acordo firmado entre as partes não é suficiente pa ra alterar o sujeito passivo da obrigacão tributária, isto é, aquele que recebeu rendimentos sujeitos à retenção do imposto na fonte, passível de complementação na declaração, em face do dis- posto no artigo 123 do CTN. Por estes argumentos, entendo procedente a ixresig- nação da Procuradoria da Fazenda Nacional e, alinhando-me ao emi nente Conselheiro que votou vencido no julgamento pela egrégia Sexta Câmara, dou provimento -o apelo. à°,1.r4v ,--- j O -; P. : ' - 1 - - - e - RELATOR :NI Ia 41 \ n 111 _ SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N9 13706/000.489/89-29 7. Acórdão n9-CSRF/01-01.138 nEcLARÀ'cÃo DE VOTO DO CONS. JOS2 EDUARDO RANGEL DE ALCKMIN Com a devida vênia, entendo que não pode prospe- rar o recurso interposto nela Fazenda Nacional, tendo emvistaque o procedimento adotado pelo contribuinte tem exnresso respaldo legal. O dever de retenção do imposto de renda na fonte decorre de exigência contida em lei, no caso o art. 517 do RIR/ 180. A falta de tal retenção sujeita a fonte ao tratamento esta- belecido no art, 576 do aludido Regulamento. Com efeito, estando obrigada a fonte pagadora, por força de-dispositivo legal, a fazer a retenção, a falta des- ta Ultima não a exime do recolhimento do imposto (art. 576).. Diz o art. 577 do mesmo RIR/80 que assumindo a fonte pagadora o ônus do imnosto devido nelo beneficiaria, a im- portãncia paga, creditada, empregada, remetida ou entregue sera considerada liquida, cabendo o reajustamento do respectivo rendi mento bruto, sobre o qual recaíra o tributo, De perguntar-se, então, quando a fonte assume o 5rius2 SE) quando admite fazer voluntariamente o recolhimento doim Posto? Ou na hipótese de deixar o beneficiado de incluir o rendi mento em sua declaração, nos termos do § 39 do art. 576, quando então ficaria sujeita somente ã penalidade da infração cometida? Ora, Parece-me por demais evidente que a lei não condicionou a obrigação do recolhimento do imposto ã vontade da fonte pagadora. A obrigação decorre de determinação 'inafastavel da lei. Feito o pagamento de rendimento de trabalho assalariado, a fonte esta obrigada ao recolhimento do imposto, tenha feito ou • não a retenção. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 13706/000.489/89-29 8. Acórdão n9-CSRF/0.1-411.138 Assim A assunção do imposto pela fonte decorre de imposição legal inafastável pela vontade das °artes (CTN, art. 1231 - e somente fica descaracterizada na hi pótese de o be- neficiado incluir o rendimento em sua declaração. Este, aliás; o pensamento desta =ma Câmara Su- perior de Recursos Fiscais expresso no Acórdão n9 CSRF/01-0.148/ /81, cuja ementa reza: "I.R.F. ASSUNCÃO DE NUS - RIR/75, ART. 365 - Tendo em vista que: 19) "assumir" é tomar a si o encargo; 2,9) "tácito" é o subentendido, to, o que, por não estar expresso, de algum modo se deduz; 391 a Lei n9 4.154/62, art. 59, não es tabeleceu forma es pecial para a assunção doOnusT 491 quando se tratar de incidência na fonte em ca râter definitivo e a fonte estiver obrigada ade;- contar e recolher o tributo na condição de res- ponsável (desde que o beneficiário nao goze de isenç-R-c-p-ou imunidade e inexista dis posição legal expressa em contrárío1, a importância paga consi dera,nse líquida para efeito de incidência do Im- posto schre-a Renda devido; 591 em face das impo siçaes--CumulatiVas de a fonte: al estar obrigada a reter-o imposto de que trata-o LIVRO III (RIR/ 175, art. 363)1; b) ter de recolher o imposto de- vido ainda que não o tenha retido (RIR/75, art. 364E1 cL caber o reajuste da base de cálculo, se a-fonte...pagadora assumir . 0 -anus do imposto: quan dot a - fontenagarimnortância sem o desconto do firip5SE-5—TeTvfdo pelo beneficiário Cqualquerquese ja razaoL,- deveI7recOlhr o tributo devido com a base de -cMUTS reajustada, eis que, para to- dos-os efeitoslegaísi considera-se assumido o anus do tributo devido." Desta forma, não cabe dúvida de que aassunção do anus do pagamento do imposto pela fonte somente é afastada quan- do o beneficiado agir como prescrito no art. 576, § 39, do RIR/ /80, ou seja, incluir na sua declaração de rendimentos ovalor pa go. Friso, pois, que a única excludente da obrigação / / // SERVICONEIWOFEDERAL PROCESSO N9 137a6/0.00-489/89-29 9. Acórdão n9-CSRF/01-01.138 de recolhimento do imposto por parte da fonte é a circunstância de o beneficiário incluir na sua declaração de rendimentos o va- lor recebido, oferecendoo â tributação. A razão de tal excludente parece clara, qual se- _ - ja, a de impedir o bis in idem, que se caracteriza Delo duplo re - - , colhimento, tanto pelo beneficiário como pela fonte pagadora. Atente-se para o detalhe de que o afastamento da exigibilidade do pagamento do imposto decorre da necessidade de se impedir dupla incidência sobre a mesma parcela. Submetida es- ta à tributação na declaração de rendimentos do beneficiário, evi dentemente não que se pode pretender que também a fonte proceda a idêntico recolhimento. Todavia, no caso concreto não foi isso que ocor- reu. O sujeito passivo incluiu em sua declaração não o valor pa- go, mas sim o valor bruto reajustado nos termos do art. 577 do pretendendo de outra parte, a compensação_do respectivo imposto a ser recolhido na fonte, A Receita Federal contudo entende ser Indevida a pretensão do contribuinte de compensar o valor do imposto de renda que deveria ser pago pela fonte, até porque não houve tal retenção nem o respectivo recolhimento. Neste passo entende a Fiscalização que o valor recebido da Fundação Educar deveria ser submetido à tributação, pelo seu valor llquido. Ou seja, está, ao glosar a compensação do imposto de renda que deveria ser pago pela fonte, transferin- do ao beneficiário o ónus do imposto que, por lei, pertence àfon te. De qualquer sorte, se a lei determina que se cal cule o imposto na fonte tomando-se o valor pago como rendimento SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 13706/ao . 489/89-29 10. Ac5rdão n9-CSRF/G1-01.138 líquido, tal imposto decorre inegavelmente do fato de a pessoa física ter obtido disponibilidade de renda. Ora, c, imposto incide sobre parcela de renda cuja disponibilidade foi obtida pelo contribuinte, cabendo a fontepa- gadora a retenção do tributo. Se para que haja retenção é necessário que °con- tribuinte adquira a disponibilidade, bem é de ver que na medida que a lei determina seja recalculado o montante bruto do rendi- mento, este deve prevalecer para todos os efeitos, sob pena de ser descaracterizado o fato gerador do tributo Cimposto incidin- do sobre parcela não re presentativa de renda). Desta forma, por força de lei, a parcela acresci da ao valor pago ao beneficiário necessariamente deve ser consi- derado rendimento deste. Foi nesta linha que agiu a autuada, ao formular sua declaração de rendimentos, ou seja, incluiu como rendimento não s8 o valor percebido, como também a parcela do imposto deren- da na fonte a que esta sujeita a - empresa pagadora. Sendo o imposto na fonte exigível, evidente o di reito de compensação por parte do beneficiado, uma vez que não teria nenhum sentido lOgico ou legal recolher a fonte o imposto e não se considerar tal recolhimento em relação ao beneficiário, contribuinte do imposto (art. 121, I, do CTN).. Na verdade a fonte, em relação ao imposto de ren da, atua como responsável, de acordo com a definição estabeleci- da no art. 121, II, do'CTN, razão por que todo o recolhimento por ela procedido ha de ter natural repercussão no imposto devido pe lo contribuinte SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 137c16/CW0. 489/89-29 11. Acórdão n9-CSRFIG1-(11.138 Portanto, estando a fonte legalmente obrigada ao recolhimento do ímnosto, ainda que com reajuste da base de cal- 1 culo, este deve ser considerado em relação ao contribuinte, sob 1 pena de caracterizar-cse incidência de tributo sobre algo que não 1 configura renda. Altâs, invoque-se o entendimento consagrado noPa recer Normativo ZISG, cuja ementa, na parte atinente ao litígio, estabelece: "Quando a fonte assumir o 'ônus do imposto, deve- râ ser efetuado o reajustamento de que trata o art. 365 do RIR/75. A pessoa física podera com- pensar o imposto assumido nela fonte, desde que inclua em sua declaração o rendimento pelo seu valor reajustado." A Unica objeção que me parece séria é a de que não poderia o contribuinte compensar o imposto se este não hou- ver sido descontado, ou mesmo pago antes da declaração de rendi- mentos. Ora, sendo a obrigação de recolhimento do impos- to ex lege, a mera circunstância de ter havido, ou não, desconto 1 ou pagamento antecedente declaração parace-me desinfluente, as _ . sim como é o efetivo recolhimento pela fonte do imposto retido. Neste particular, concordo com o aludido Parecer Normativo, quando assevera: "Não resta devida, em face da conceituação deren dimento consagrada na legislação do imposto de renda, que este deve, integrar a declaração pelo seu valor total, ou seja, incluindo-se o montan- te recolhido a título do imposto pois, ao assu- mir o ónus, a fonte estar-â aumentando o rendimen to do beneficiârio pelo exato montante do impos- to pago. p SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 137c16/a00.48978929 12. Acórdão n9-,CSRF/01-01.138 Assim, o contribuinte devera incluir em sua de- claração orendimentb pelo seu valor reajustado, po dendo compensar o imposto assumido pela fonte." Devo acentuar, por dever de lealdade, que o alu- dido Parecer limita a admissão do procedimento adrede exposto ao prêvio recolhimento do tributo pela fonte pagadora. Todavia, entendo que uma vez estando a fonte o- brigada ex lege ao recolhinento, a efetiva ocorrência deste não apresenta maiores consequencias, sob pena de se adotar entendi- mento incongruente com o caso da falta de recolhimento do impos- to regularmente retido. Por todo o exposto, registrando mais uma vez o ,1 respeito que devoto aos- -Meus ilustres pares e lamentando deles discordar, nego provimento ao recurso. B asrlia - D.F., 2: de junho de 1991. /PO ,'LÁt OSt. EDUARDO RALN DE ALcr= - Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1
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Tratando-se de matéria exclusi vamente de prova, se, por qualquer meio de apuração, se positiva o afirmado pelo sujeito passivo, insubsistente se torna a pretensão fiscal calcada na falta de comprovação do que fora afirmado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL: , ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fisc , por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso espe cia , Sala das Se :s deDF), em 14 de janeiro de 1981. I / )1400 AMADOR OU '' • FERI-NDEZ PRESIDENTE e RELATOR - dg" _40444,St # LEON - • 01,1r_ --"-..44-1;" - : 0) SKY PROCURADOR DA FAZEN_ DA NACIONAL 1 Participaram, ainda, do pre -nte julgamento, os seguintes Conselhei , ros: FERNANDO CÍCERO V LLOSO, JACINTO DE MEDEIROS CALMON, WAGNER GONÇALVES, URGEL PEREIRA LOPES, LUIZ MIRANDA, PEDRO MARTINS FERNAN DES e SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL. , . 1 SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N.2 1020/004.013/74 RECURSO N.° : RP/104-0. 041 ACÓRDÃO N.°: CSRF/01-0.122 RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL Recorrida: QUARTA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Sujeito Passivo: HENRIQUE ADOLFO SPINDLER RELATÓRIO Recorre a Fazenda Nacional, pelo seu represen_ tante junto â Colenda Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Con tribuintes - conforme petição de fls, 73, endereçada a antiga Instância Especial - da decisão prolatada pela referida Câmara, em sessão de 23.08.78, e consubstanciada no Acórdão n9 104-999 (fls. 70/72), da qual teve vista oficial, em sessão de 25.08.78. A razão do presente litígio é revelada pela transcrição dos seguintes excertos da decisão da autoridade jul gadora, onde se consignou: "- Inexistindo prova hâbil (Certificado de des_ pesas de florestamento e reflorestamento) de que o IBDF tenha aprovado as aplicações em em preendimento florestal, descabe o abatimento da. renda bruta relativamente a tais aplicações, em se tratando de período abrangido pela vigência do Decreto n9 59.615, de 30.11,66. - Lançamento procedente. ••, Alega-se, na defesa, que o IBDF deixou de fornecer o Cert'ficado de Despesas de Floresta mento e Reflor e amento, não obstante requerido em tempo hãbi il l ._ . O M F - RJ/1.° C - C - Secgraf - 1600/75 i 1 , 2. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9- 1020/004.013/74. Acórdão n9-CSRF/01-0. Como já se observou ã fls. 40, o fato de o Decreto n9 59.615, de 30.11.66 ter sido revo gado pelo de n9 68.565, de 29.04.71, não ampara" as pretensões do impugnante, no sentido de se ver desobrigado da apresentação do Certificado de Despesas de Florestamento e Reflorestamento de que se ocupava o art. 11 daquele diploma. Can efeito, o C.T.N., em seu artigo 144,caput, esta belece que "o lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege- se pela lei então vigente, ainda que posterior mente modificada ou revogado". Por outro lado, a lei se aplica a ato ou fato pretérito tratan do-se de ato não definitivamente julgado, quan- . do deixe de trotá-10 como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não te nha sido fraudulento e não tenha implicado e.in falta de pagamento de tributo (Art. 106 do C.T. N.). Observa-se, daí, que é correta a exigência, por força do disposto no art. 11, § 39, do De creto n959.615/66, pois a inserção do abatimen- to incabível, no formulário da declaração de rendimentos, provocou falta de pagamento de tri_ buto. . Não obstante o esforço do impugnante em tentar demonstrar, com os documentos juntados, a realização das despesas que poderiam ensejar o abatimento objeto de glosa, a , exigência dogue le Decreto não foi satisfeita, com a juntada d5 competente certificado peas, digo, certificado passado pelo IBDF, sendo de se manter, por is- so, a glosa.") ? Na decisão recorrida, o Colegiado, por maioria de votos, deu provimento ao' recurso voluntário; assentando na sua ementa: "Certificado de Despesas de Florestamento (dec 59.615/66), não expedido, embora requerido, em tempo hábil. Prova da realização das despesas. Desnecessidade do certificado face à aludida prova e advento de legislação posterior revogan do a exigência. (Dec. 68.565/71). Recurso Provi_ do." i _ O voto vencedor do Conselheiro Relator assentou nos seguintes fundamentos: "Cumpriu o contribuinte a sua . obrigação de requerer-a 'expedição do Certificado de Despesa de Florestamento, em tempo hábil (19.01.71-fls. 38). Se o IBDF não lhe deu resposta, inclusiv ___i 3. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9- 1020/004.013/74 Acordão n9-CSRF/01-0. face ao advento do Dec. 68.565/71,que revogou expressamente o Dec. 59.615/66, culpa não lhe cabe. O fato é que tal certificado teria a na- tureza meramente declaratória e não constituti va. As despesas efetivamente realizadas, o piS jeto aprovado é que lhe garantiriam o gozo do benefício fiscal, sendo a expedição do certifi_ cado, um ato meramente formal. Além disso, a lei posterior, ao excluir a exigência em tela, tem efeito retroativo, por força do disposto no art9 106, II, "b", doCTN. Por tais motivos, quer porque-legislação anterior revogou a exigência, quer porque o recorrente praticou todos os atos que lhe esta vam afetos, quer porque comprovou a realização das despesas glosadas, conheço do recurso, dan_ do-lhe total provimento. O recurso apresentado pela Procuradoria (f is. 73) traz a seguinte fundamentação: "Data venha, o certificado não trazido à.,,;. colação pelo contribuinte é exigência sine qua non para o abatimento pleiteado. Por outro lado, pudesse o fisco dispensar o certificado em tela, o interessado teria de, pelo menos, provar cabalmente as despesas efe tuadas e não trazer aos autos meras manifesta_ ções de intenção." Não foram oferecidas contra-razOes ao recurso da Procuradoria. O Secretário Geral Adjunto do Ministério da Fazenda atendendo ao sugerido na informação de sua assessoria determinou a "baixa do processo ao órgão de origem para que em diligência no IBDF ou no local do projeto, seja verificado se o projeto foi devidamente executado". A D.R.F. em Caxias do Sul (RS) cumprindo o de_ terminado na determinação supra esclarece: Em 03 de maio de 1.979, pelo ofício n9 285, fls. 78 do processo, foi solicitada infor mação a Delegacia do IBDF em Porto Alegre. — Em 30 de setembro de 1.980, pelo ofício de fls. 82, em resposta, nos foi encaminhadt, pelo IBDF os documentos relativos ao projet , , 4. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9- 1020/004.013/74. Acórdão n9-CSRF/01-0. o que juntamos a fls. 83 a 152. Pelo ofício n9 440/0734/70-DF, de fls. 148, constata-se que o referido projeto foi aprovado pelo IBDF e inscrito sob n9 3.148. Constata-se também que o contribuinte rea lizou o florestamento projetado, tendo aplica- do e gasto a importãncia informada em sua de- claração de rendimentos de fls. 5. Estas as informaçOes que nos parecem ne cessáriaspara a solução do processo." A Procuradoria da Fazenda junto a esta Instân- cia Especial, após sucinto histórico onde consignou "Trata-se de matéria exclusivamente de prova, ou seja, não comprovou o interessado, ca balmente, as despesas que alega haver efetuado com florestamento no ano-base, para efeito de abatimento da renda bruta, nos termos do Decre to n9 59.615, de 30.11.66, então vigente." - Concluiu: "Isto posto, espera-se seja feita às par tesacostumeira JUSTIÇA ." É o relatório. VOTO Conselheiro AMADOR OUTERELO FERNÂNDEZ, Relator: Pelo relato, se observa que a glosa do abati- mento se deu em razão da falta da comprovação da efetiva execu ção do projeto e essa ausência de comprovação não decorreu da desídia do contribuinte, mas sim do próprio órgão público respon sável pelo setor (o IBDF) que, apesar de instado a fornecer o documento comprovatório da execução do projeto não se dignou fa zê-lo, como nos dá conta o doc. de fls. 67. Baixados os autos em diligência pela antiga Ins tãncia Especial, comprovou a Fiscalização, indiretamente 'atra- vés dos documentos queoIBDF lhe remeteu atendendoa_ _ _ 5. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9-1020/004.013/74 Acórdão n9-CSRF/01-0. cio nesse sentido, que o contribuinte realizou o florestamento projetado, tendo gasto a importância que havia consignado em sua declaração de rendimentos. Assim, tratando-se de matéria exclusivamente de prova, como ressaltou a Procuradoria da Fazenda em seu parecer de fls. 156, e tendo esta sido inteiramente positiva, impõe-se que se mantenha a decisão recorrida. Em conseqüência, NEGO pro vimento ao recurso especial, apresentado pela Fazenda Nacional. Brasília - DF, em 14 de janeiro de 1981. AMADOR Oh - F 'NANDEZ - PRESIDENTE e RELA TOR. Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1
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