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Numero do processo: 10435.000528/2006-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 15 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Dec 15 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006
TERMO DE RESPONSABILIDADE
O lançamento, conforme disciplina do art. 142 do CTN, é procedimento composto por várias etapas, dentre as quais, a de identificação do sujeito passivo; expressão empregada pela codificação tributária, no parágrafo único do art. 121, para designar ambos: contribuinte e responsável. Desse modo, as
instâncias de julgamento devem enfrentar as razões aduzidas pelo
responsável relativas à sua própria condição de sujeito passivo da relação jurídico-tributária.
Numero da decisão: 1201-000.366
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para devolver o feito à autoridade de primeiro grau com o fito de prosseguir no julgamento a fim de enfrentar os argumentos aduzidos pelo responsável quanto à sua condição de sujeito passivo tributário.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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Desse modo, as instâncias de julgamento devem enfrentar as razões aduzidas pelo responsável relativas à sua própria condição de sujeito passivo da relação jurídicotributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para devolver o feito à autoridade de primeiro grau Fl. 1155DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 08/04/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS 2 com o fito de prosseguir no julgamento a fim de enfrentar os argumentos aduzidos pelo responsável quanto à sua condição de sujeito passivo tributário (assinado digitalmente) CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Presidente. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES Relator. EDITADO EM: 01/04/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcelo Cuba Netto, Antonio Carlos Guidoni Filho (Vice Presidente), Rafael Correia Fuso, e Regis Magalhães Soares Queiroz Fl. 1156DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 08/04/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10435.000528/200626 Acórdão n.º 120100.366 S1C2T1 Fl. 1.341 3 Relatório DA AUTUAÇÃO E DAS IMPUGNAÇÕES Abaixo tomo de empréstimo o relatório elaborado pela autoridade julgadora de primeiro grau acerca das referidas peças de acusação e defesas inaugurais: Contra a contribuinte acima qualificada foram lavrados os autos de infração de fls. 04/12 e 570/579, através dos quais foi constituído, respectivamente, o crédito Tributário referente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ no valor de R$ 3.840.923,49, incluídos juros de mora e multa de ofício de 150%, e referente à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL no valor de R$ 2.035.129,89, também incluídos juros de mora e multa de ofício de 150%. 2. De acordo com os autos de infração e com o Termo de Verificação e de Encerramento de Ação Fiscal (fls. 389/400), o lançamento decorreu de diferenças apuradas entre os valores escriturados e os declarados/pagos relativamente aos anos calendário de 2002 a 2005. 3. Descrevem as autoridades autuantes que a ação fiscal consistiu em verificar o recolhimento/declaração em DCTF dos tributos em cotejo com a escrituração fiscal e contábil. Para o anocalendário de 2005, a tributação se deu com base no lucro arbitrado, em face da nãoapresentação dos livros contábeis por parte da empresa. 4. Informa ainda a fiscalização que, pelos elementos que carreou, consta ter sido a pessoa jurídica administrada de fato pela pessoa física do senhor José Porfírio de Oliveira, o qual foi incluído no pólo passivo da relação tributária na condição de responsável solidário (termo de sujeição à fl. 387). 5. O enquadramento legal das infrações, bem assim os demonstrativos de apuração das receitas, dos tributos e das respectivas multas e juros, encontramse anexos aos autos de infração. 6. Foi lavrada Representação Fiscal para Fins Penais, constituindo o Processo nº 10435.000527/200681,que, consoante despacho de fl. 1155, encontrase apenso ao Processo nº 10435.000532/200694. 7. A contribuinte apresentou impugnação (fls. 411/432 e 989/1010), alegando, em síntese: a) preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa. Diz não se saber quem realmente foi autuado e do que haverá de se defender. Insurgese ainda contra o arbitramento do lucro e Fl. 1157DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 08/04/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS 4 contra suposta falta de clareza quanto aos valores das receitas tributadas; b) no anocalendário 2002, não houve diferença entre o valor escriturado e o declarado, pois as receitas constaram da DIPJ. A multa devida seria de 20%; c) no anocalendário 2003, os valores foram declarados pelo Simples, sistema do qual a empresa foi excluída sem o devido comunicado pessoal. A multa também seria de no máximo 20%; d) no anocalendário 2004 também é indevida a multa de 150%, pois não houve fraude, dolo ou simulação; e) no anocalendário 2005 não havia razão para o arbitramento do lucro, além de que não foram compensados os valores pagos no decorrer do ano; f) a multa de 150% é confiscatória, como também é inconstitucional a cobrança de juros pela taxa Selic. 8. Ao final, requereu a interpretação benéfica (art. 112 do CTN), a produção de provas, inclusive a pericial, e a decretação de improcedência do lançamento. 9. O senhor José Porfírio de Oliveira, alçado pela fiscalização à condição de responsável tributário, apresentou defesa (fls. 538/547 e 1125/1134), por meio da qual contesta a sujeição passiva que lhe foi atribuída, o que, a seu ver, inquinaria de nulidade o auto de infração. DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A decisão recorrida (fls. 1.165 a 1.180) afastou parcialmente a autuação, conforme ementa abaixo transcrita: NULIDADE. REQUISITOS ESSENCIAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A fase litigiosa do procedimento administrativo somente se instaura com a impugnação do sujeito passivo ao lançamento já formalizado. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de cerceamento do direito de defesa e de nulidade do procedimento Fiscal. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Fl. 1158DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 08/04/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10435.000528/200626 Acórdão n.º 120100.366 S1C2T1 Fl. 1.342 5 ALEGAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A impugnação deve estar instruída com todos os documentos e provas que possam fundamentar as contestações de defesa. Não têm valor as alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando for este o meio pelo qual devam ser provados os fatos alegados. PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. Considerarseá não formulado o pedido de perícia que deixar de atender aos requisitos previstos na legislação de regência ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 RECEITAS ESCRITURADAS E RECEITAS DECLARADAS. DIFERENÇA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Constatado que o sujeito passivo declarou a menor receitas escrituradas em seus livros fiscais, legítima a tributação da diferença apurada. Exonerase a parcela comprovadamente recolhida. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O lucro será arbitrado quando o sujeito passivo deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. Sendo empresa optante pelo regime de tributação com base no lucro presumido, o lucro será arbitrado no caso de falta de escrituração do Livro Caixa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 Constatado que o sujeito passivo declarou a menor receitas escrituradas em seus livros fiscais, legítima a tributação da diferença apurada. Exonerase a parcela comprovadamente recolhida. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O lucro será arbitrado quando o sujeito passivo deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. Sendo empresa optante pelo regime de tributação com base no lucro presumido, o lucro será arbitrado no caso de falta de escrituração do Livro Caixa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 Fl. 1159DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 08/04/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS 6 INTUITO DE FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. APLICABILIDADE. O evidente intuito de fraude, consistente na nãodeclaração de receitas de forma reiterada, e conseqüente nãopagamento de tributos, enseja a aplicação da multa de ofício qualificada, prevista no inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. TERCEIROS ARROLADOS. Escapa à competência das Delegacias da Receita Federal de Julgamento a análise da responsabilidade de terceiros arrolados nos autos pela Fiscalização. DOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS Tanto o contribuinte, quanto o responsável tributário apresentaram recursos voluntários, respectivamente, às fls. 1250 a 1281 e 1304 a 1318. Ambas as peças se limitaram a reiterar (aliás, ipsis litteris) os argumentos já trazidos na impugnação. É o relatório do essencial. Fl. 1160DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 08/04/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10435.000528/200626 Acórdão n.º 120100.366 S1C2T1 Fl. 1.343 7 Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Não há como enfrentar as razões aduzidas pelo responsável sem suscitar de ofício o questionamento de que a autoridade de primeiro grau deixou de conhecer a questão relativa à sua própria condição de sujeito passivo, conforme podemos constatar pela própria ementa. Abaixo, transcrevo os fundamentos da decisão recorrida quanto a esse ponto, in verbis: 39. O impugnante José Porfírio de Oliveira, alçado à condição de responsável tributário pelas autoridades lançadoras, propugna pela exclusão do seu nome do rol dos obrigados ao recolhimento do crédito tributário, pelos argumentos que deduz em sua peça de defesa. Requer, também, a nulidade do auto de infração. 40. No que respeita à nulidade, renovo as razões que já declinei nos itens 10 a 15 deste voto, para de novo afastar a preliminar argüida. 41. Esta turma já teve oportunidade de decidir que não compete às delegacias de julgamento manifestarse acerca da responsabilidade tributária. Trago, a propósito, trecho de recente voto proferido pela julgadora Maria Lúcia Andrade de Almeida Lopes Filha: “(...) O responsável somente será chamado se a obrigação não for espontaneamente cumprida pelo sujeito passivo, motivando a execução fiscal. Neste sentido também conclui Renato Lopes Becho ( Sujeição Passiva e Responsabilidade Tributária, São Paulo, Dialética, 2000, p. 159/160), com fundamento nos ensinamentos de Humberto Theodoro Júnior (Curso de Direito Processual Civil, Rio de Janeiro, Forense, 1988). Vejase: ‘Para o autor referido, a própria obrigação é dividida em dois elementos distintos: a dívida, de caráter pessoal; e a responsabilidade, que é a sujeição do patrimônio a sofrer a sanção civil. O devedor possui ambos, ao contrário do responsável, como veremos. Disso decorrem dois direitos distintos também para o credor: o direito à prestação (satisfeita pelo cumprimento voluntário da obrigação) e o ‘direito de garantia ou de execução que se satisfaz mediante intervenção estatal, através da execução forçada. Fl. 1161DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 08/04/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS 8 (...) Se a relação jurídica entre o devedor e o credor possui dois elementos, o mesmo não ocorre naquela que envolve o responsável, que não tem o dever de prestação, só o de garantia ou de execução. Tanto assim que se distingue, em Direito Processual, obrigação e sujeição. Por sujeição temos a possibilidade de os bens do responsável, que pode ser ou não o devedor, serem executados compulsoriamente, para satisfação do direito do credor, em relação nitidamente processual. Vejamos os esclarecimentos de Humberto Theodoro Júnior: ‘Há, portanto, profunda diferença de natureza jurídica entre a relação que vincula o devedor ao credor – que é de direito material – e a relação que sujeita o responsável ao juízo da execução – que é de direito processual. Enquanto na primeira existe obrigação, na segunda há sujeição. Assim, os bens do responsável (devedor ou não) sofrem os efeitos da execução em virtude de sujeição inerente à relação de direito processual, que torna os bens do mesmo responsável destinados à satisfação compulsória do direito do credor.’ Com isso, afirmamos que o sujeito passivo da relação tributária será, sempre, o contribuinte ou o substituto (limitadamente), identificável de acordo com o modelo previsto constitucionalmente. Estes continuarão, pelo menos num primeiro momento, a integrar a relação processual que envolva a cobrança de tributos. Depois, passa a ser possível que o responsável integre essa relação processual, mas nunca a tributária.’ (negrejouse) (...) A responsabilidade dos sócios é matéria pertinente à execução judicial do crédito tributário, caso ele não venha a ser recolhido espontaneamente.” 42. Com efeito, vêse que essa matéria não se insere entre as competências atribuídas a este colegiado pela Portaria MF nº 030, de 25 de fevereiro de 2005. in verbis: “(...) Art. 224. Às Delegacias da Receita Federal de Julgamento DRJ compete: I julgar, em primeira instância, conforme Anexo V, processos administrativos fiscais de determinação e exigência de créditos tributários, os relativos a exigência de direitos antidumping, compensatórios e de salvaguardas comerciais, e de manifestação de inconformidade do sujeito passivo contra apreciações dos Inspetores e dos Delegados da Receita Federal em processos administrativos relativos, à restituição, compensação, ao ressarcimento, à imunidade, à suspensão, à isenção e à redução de tributos e contribuições administrados pela SRF; (...)” Fl. 1162DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 08/04/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10435.000528/200626 Acórdão n.º 120100.366 S1C2T1 Fl. 1.344 9 43. Penso que o arrolamento, pela fiscalização, de responsáveis tributários constitui apenas uma informação destinada a subsidiar a Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para a inscrição e execução do débito. Observese que, em procedimento análogo, a Receita Federal também identifica os responsáveis quando do encaminhamento à PFN, para fins de inscrição e execução, de créditos tributários de pessoas jurídicas inaptas, consoante prevê o art. 50 da Instrução Normativa SRF nº 568, de 8 de setembro de 2005: “Art. 50. O encaminhamento, para fins de inscrição e execução, de créditos tributários relativos à pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ tenha sido declarada inapta, nas hipóteses dos incisos I, II e IV do art. 34, será efetuado com a indicação dessa circunstância e da identificação dos responsáveis tributários correspondentes.” 44. O art. 563 do Código de Processo Civil, com a redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º de outubro de 1973, prescreve que: “Art. 563. São sujeitos passivos na execução: (...) V o responsável tributário, assim definido na legislação própria.” 45. Somente no momento da execução do débito, caso venha a ocorrer tal circunstância, é que será oportuno discutir a questão da responsabilidade tributária. Caberá à Procuradoria da Fazenda Nacional, órgão incumbido da inscrição da dívida ativa, a análise das circunstâncias relatadas pela fiscalização e, entendendo que as pessoas arroladas realmente se encontram na condição prevista no Código Tributário Nacional, fazer constar seus nomes como responsáveis. Em hipótese contrária, proceder de forma diversa. 46. Assim é que, além da já examinada falta de competência, inócua seria qualquer manifestação deste colegiado sobre a matéria, vez que sua decisão, para afastar ou parar manter a responsabilidade, nenhum efeito surtiria perante quem efetivamente detém competência para pronunciarse, que é a Procuradoria da Fazenda Nacional. De fato, há pronunciamentos deste Conselho no mesmo sentido. No entanto, mesmo quando ainda era julgador de primeiro grau adotava entendimento diverso. O art. 142 do CTN assim dispõe: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a Fl. 1163DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 08/04/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS 10 matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (meus destaques) Já o art. 121 apresenta a seguinte redação: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Também vale citar a edição da recente Portaria da Receita Federal do Brasil nº 2.284, de 29/11/2010, que disciplinou “os procedimentos a serem adotados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil quando da constatação de pluralidade de sujeitos passivos de uma mesma obrigação tributária”, diploma normativo em que se destacam os dispositivos abaixo transcritos: Art. 2º Os AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, na formalização da exigência, deverão, sempre que, no procedimento de constituição do crédito tributário, identificarem hipóteses de pluralidade de sujeitos passivos, reunir as provas necessárias para a caracterização dos responsáveis pela satisfação do crédito tributário lançado. § 1º A autuação deverá conter a descrição dos fatos e o enquadramento legal das infrações apuradas e do vínculo de responsabilidade. (...) Art. 3º Todos os autuados deverão ser cientificados do auto de infração, com abertura de prazo para que cada um deles apresente impugnação. Parágrafo único. Na hipótese do caput, o prazo para impugnação é contado, para cada sujeito passivo, a partir da data em que tiver sido cientificado do lançamento. (nosso negrito) O lançamento, conforme a própria codificação tributária, é procedimento composto por várias etapas, dentre as quais, a de identificação do sujeito passivo; expressão empregada pela codificação tributária, no parágrafo único do art. 121, para designar ambos: contribuinte e responsável. A condição de sujeição passiva, como todos os demais elementos inerentes ao lançamento, estão sob o controle exercido pelas instâncias de julgamento. Quando um Fl. 1164DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 08/04/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10435.000528/200626 Acórdão n.º 120100.366 S1C2T1 Fl. 1.345 11 lançamento de imposto de renda é exonerado, por exemplo, sob o fundamento de que a parte é imune, este fundamento é exclusivamente dirigido para afastar o aspecto da sujeição passiva; nesse caso, a pessoa não é contribuinte. Uma vez evidenciado que a análise da sujeição passiva é da competência das instâncias de julgamento por meio de um exemplo atinente ao contribuinte, cumpreme asseverar que, com base na dicção legislativa do CTN já reproduzida, não há qualquer razão para limitar essa análise apenas a um dos tipos de sujeito passivo, pois a sua identificação, seja na condição de contribuinte, seja de responsável, faz parte do conteúdo do ato do lançamento. Um lançamento sem a identificação do sujeito passivo – e há alguns em que não consta sequer o contribuinte, como na substituição tributária – é nulo de pleno direito. Ademais, há ainda a questão constitucional de garantia à ampla defesa e ao contraditório que corrobora a interpretação do CTN acima exposta e norteia a jurisprudência dominante neste Conselho, cujo Acórdão CSRF/0105.543, de 19/09/2006, é paradigma e foi proferido, quanto ao ponto, por unanimidade. Abaixo reproduzimos sua ementa, bem como trecho do voto do Ilustre Conselheiro Relator, Marcos Vinicius Neder de Lima, in verbis: LEGITIMIDADE PROCESSUAL — Admitese a defesa administrativa dos responsáveis solidários no processo administrativo fiscal, por força do disposto no art. 58 da Lei n° 9.784/99, que atribui legitimidade aqueles cujos interesses forem indiretamente afetados pela decisão. (...) ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, CONHECER do recurso voluntário nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, vencidos os Conselheiros José Clóvis Alves, Carlos Alberto Gonçalves Nunes e Dorival Padovan, e, no mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso e determinar o retorno dos autos a DRJ competente, para exame das demais questões suscitadas na impugnação, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (meu destaque) (...) Primeiramente, cumpre examinar a legitimidade processual dos responsáveis solidários para atuar no processo administrativo fiscal. Essas pessoas sofreram a imputação da responsabilidade solidária pela fiscalização por débitos de empresa individual com fundamento no interesse comum na situação que constitui o fato gerador (art. 124, I, do CTN) e, se mantida a exigência, os acusados seriam incluídos na certidão de dívida ativa, titulo que goza de liquidez e certeza e permite a cobrança do crédito tributário em Juizo. O efeito prático da presunção de certeza e liquidez estabelecida em lei é inverter o ônus da prova; invocandoa, a autoridade administrativa fica dispensada de provar a existência do crédito Fl. 1165DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 08/04/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS 12 tributário que a lei presume — cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se relativa), provar o fato presumido não existir no caso. Na cobrança executiva, não há lugar para discussões sobre o mérito da pretensão do fisco ao crédito tributário, incluindose as questões relativas à sujeição passiva. Como observa Paulo Cesar Conrado, no processo de execução, o Estadojuiz parte do "direito material tributário já dito". Como regra, a legitimidade passiva processual, ou seja, a legitimidade para se defender da imposição fiscal, decorre da própria sujeição passiva na relação jurídica material. Nesse aspecto, verificase que a fiscalização atribuiu a determinadas pessoas a responsabilidade pelo pagamento do tributo com fundamento em sua participação no fato jurídico tributário ou em função de seu vinculo com o realizador desse fato. Humberto Theodoro Júnior observa que o procedimento previsto na Lei de Execução Fiscal não se destina ao acertamento da relação crediticia entre o Fisco e o contribuinte, mas apenas se volta para a expropriação de bens do devedor para satisfação do direito ao credor (artigo 646, CPC). Segundo ele, o acertamento é fato que precede à execução e consolidase no título executivo. Por isto, no processo executivo, não há lugar para discussões e definições de situações controvertidas ou incertas no plano jurídico. A imputação de responsabilidade pelo auditor fiscal e a, posterior, inclusão do acusado na CDA resultam, sem dúvida, conseqüências gravosas na esfera de direitos do contribuinte. O responsável se vê diante de uma demanda judicial expropriatória de seu patrimônio com fulcro na exigência de tributo e respectivos acréscimos legais. Essa ação executiva vem acompanhada por prova plena, qualificada pela presunção de certeza e liquidez, cuja origem está lastreada em prévio processo administrativo fiscal. Em que pese haver a possibilidade de defesa judicial pela via dos embargos a execução, o responsável inscrito na dívida ativa figurará, até que lhe seja oferecida a possibilidade da interposição dos referidos embargos, como inadimplente, arcando com todas as conseqüências danosas advindas desse fato (v.g., inscrição no CADIN, impossibilidade de obter certidão negativa). Assim, incluído como responsável tributário no auto de infração ou em termo de responsabilidade à parte, devese .assegurar o direito de defesa administrativo do interessado quanto a tal imputação. A Suprema Corte tem reafirmado sua posição firme de que "não se pode desconhecer que o Estado, em tema de restrição à esfera jurídica de qualquer cidadão ou entidade, não pode exercer a sua autoridade de maneira abusiva ou arbitrária, desconsiderando, no exercício de sua atividade, o postulado da plenitude de defesa, pois cabe enfatizar o reconhecimento da legitimidade éticojurídica de qualquer medida imposta pelo Poder Público, de que resultem conseqüências gravosas no plano dos direitos e garantias individuais, exige a fiel observância do princípio do devido processo legal (CF, art. 5 0, LIV e LV)". A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal Fl. 1166DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 08/04/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10435.000528/200626 Acórdão n.º 120100.366 S1C2T1 Fl. 1.346 13 sustenta a essencialidade desse princípio, "nele reconhecendo uma insuprimível garantia, que, instituída em favor de qualquer pessoa ou entidade, rege e condiciona o exercício, pelo Poder Público, de sua atividade, ainda que em sede materialmente administrativa, sob pena de nulidade do próprio ato punitivo ou da medida restritiva de direitos." (grifei) Dessa perspectiva não se afastou a Lei n° 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. O art. 2° desse diploma legal determina, expressamente, que a Administração Pública obedecerá aos princípios da ampla defesa e do contraditório. O parágrafo único desse dispositivo estabelece que nos processos administrativos sejam observados, dentre outros, os critérios de "observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados" (inciso VIII) e de "garantia dos direitos à comunicação" (inciso X). Além disso, a Lei n°9.784, de 1999, em várias passagens, resguarda o direito à informação aos acusados (art. 28) 6 e a interposição de recursos nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio (art. 2°, parágrafo único, inciso X). A propósito, ensina a eminente Professora Ada Pellegrini Grinover: "litigantes existem sempre que, num procedimento qualquer, surja um conflito de interesses. Não é preciso que o conflito seja qualificado pela pretensão resistida, pois neste caso surgirão a lide e o processo jurisdicional. Basta que os partícipes do processo administrativo se anteponham face a face, numa posição contraposta. Litígio "litigantes existem sempre que, num procedimento qualquer, surja um conflito de interesses. Não é preciso que o conflito seja qualificado pela pretensão resistida, pois neste caso surgirão a lide e o processo jurisdicional. Basta que os partícipes do processo administrativo se anteponham face a face, numa posição contraposta. Litígio equivale à controvérsia, a contenda, e não a lide. Pode haver litigantes — e os há — sem acusação alguma, em qualquer lide”. Com efeito, o inciso II do artigo 90 e 58 da Lei n° 9.784/99, lei geral do processo administrativo, incluem também, entre os legitimados para atuar no processo administrativo, "aqueles que, sem terem iniciado o processo, têm direito ou interesses que possam ser afetados pela decisão a ser adotada". A legitimação do terceiro se configura quando a solução que se dará à lide deve influir em outra relação jurídica de direito material em que ele faz parte como sujeito passivo, como é o caso da atribuição de responsabilidade solidária por interesse comum. A ausência de dispositivo específico disciplinando a matéria no Decreto n° 70.235/72 leva a concluir que esta norma geral aplicase subsidiariamente ao processo administrativo fiscal. Cientificados da imputação de responsabilidade solidária pela fiscalização, nasce o direito ao acusado de ver suas alegações apreciadas pela Câmara Recorrida por força do que dispõe a Lei n° 9.784, de 1999, e o art. 50, VII, do texto constitucional. Fl. 1167DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 08/04/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS 14 Firmado esse entendimento, passo a examinar a ilegitimidade passiva alegada pela decisão da turma julgadora de primeira instância. Nesse sentido, cabe observar o lançamento fiscal ter fundamento em interposição fictícia de pessoas, em que a pessoa jurídica realizou negócios jurídicos em seu nome apenas para ocultar os reais beneficiários dos rendimentos e que normalmente figurariam no pólo passivo da obrigação tributária. Segundo a fiscalização, a imputação os rendimentos foi realizada as pessoas que efetivamente praticaram o fato jurídico tributário, reunido em sociedade de fato ou comum. Essa, aliás, é a regra inscrita na Lei n° 9.430/96, art. 42, § 5°, que determina que, no caso de interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito bancário, como a seguir transcrito: "Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei n° 10.637) Como no caso em comento, a acusação trouxe evidências relativas à existência vários beneficiários da omissão de receita, organizados sobre a gerência do principal interessado, impõe a fiscalização a solidariedade por força do interesse comum demonstrado pelo conjunto de pessoas (sociedade de fato). Como na solidariedade não há benefício de ordem, a exigência fiscal recai sobre todos os integrantes dessa sociedade de fato, arrolados no lançamento, podendo o fisco em fase de cobrança eleger, entre os devedores solidários, aqueles que irão responder, em parte ou integralmente, pela dívida. Não vislumbro também a possibilidade de tal imputação de responsabilidade por solidariedade ser realizada pela Procuradoria da Fazenda Nacional, posteriormente, na fase de cobrança, como sustenta a decisão de primeiro grau. Neste processo, não estamos diante de hipótese de responsabilidade por substituição ou transferência a ensejar o redirecionamento da cobrança em razão de fato superveniente ocorrido após a inscrição em Dívida Ativa v.g., impossibilidade de cobrança do contribuinte — art. 134, atuação dos sócios com excesso de poder ou infração à lei — art. 135, evento sucessório — art 131/132/133). Fl. 1168DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 08/04/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 10435.000528/200626 Acórdão n.º 120100.366 S1C2T1 Fl. 1.347 15 A identificação dos sujeitos passivos já era passível de conhecimento pelos agentes fiscais por ocasião da lavratura do auto de infração, pois a pluralidade de pessoas que compõe o pólo passivo da obrigação tributária, já pertencia à relação jurídica desde a ocorrência do fato jurídico tributário. O lançamento fiscal que traz os devedores solidários apenas explicita tal fato. Nesse caso, não é admissível qualquer inovação no lançamento de ofício para inclusão de novas pessoas no pólo passivo da obrigação tributária após transcorrido o prazo decadencial previsto no 173 do Código Tributário Nacional. Dado o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário e determinar o retorno à DRJ competente para apreciação das questões apresentadas pelos interessados (responsável principal e solidários) na impugnação ao lançamento. No presente feito, contudo, a Delegacia de Julgamento deixou apenas de enfrentar os argumentos aduzidos pelo Sr. José Porfírio de Oliveira para excluílo da condição de responsável tributário; as suas demais razões de sua defesa foram enfrentadas. Assim, a decisão a quo deve ser superada apenas nessa parte. Conclusão Voto, pois, por dar provimento parcial ao recurso voluntário para devolver o feito à autoridade de primeiro grau com o fito de prosseguir no julgamento a fim de enfrentar os argumentos aduzidos pelo responsável quanto à sua condição de sujeito passivo tributário. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Fl. 1169DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/04/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 08/04/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS
score : 1.0
Numero do processo: 10670.001531/2006-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 19 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Aug 19 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
Ementa:
ITR — ILEGITIMIDADE DO SUJEITO PASSIVO — ARRENDATÁRIO - Para a legislação, não se considera contribuinte do ITR o arrendatário do
imóvel explorado por contrato de arrendamento.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 2101-000.705
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento recurso para acolher a preliminar de ilegitimidade passiva, nos tenros do voto da Relatora.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: ANA NEYLE OLIMPIO HOLANDA
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Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento recurso para acolher a preliminar de ilegitimidade passiva, nos tenros do voto da Rei atora. O MARCOS Cik,NáDO - Presidente -"ANA NE LE C4 LIM 10 HOLANDA — Relatora EDITADO EM: z 2 ou 2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido, Ana Neyle Olímpio Holanda, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Odmir Fernandes e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Trata o presente processo de auto de infração que diz respeito a imposto sobre a propriedade territorial rural (ITR), referente ao imóvel rural denominado Fazenda Sucesso Lagoa da Veada, localizado no município de São João do Paraíso (MG), por meio do qual se exige do sujeito passivo acima identificado o montante de R$ 20.081,48, a título de imposto, acrescido da multa de oficio equivalente a 75% do valor do tributo apurado, além de juros de mora, em face da glosa de valores apresentados na declaração do tributo, referente ao exercício 2002, com supedâneo nos artigos 1 0, 70, 90, 10, 11 e 14 da Lei n° 9,393, de 19/11/1996, nos seguintes moldes: i) Área de Utilização Limitada — 4.250,00 ha para 0,00 ha. 2. Em contraposição ao lançamento, foi apresentada a impugnação de fis, 20 a 21. 3. Submetida a lide a julgamento, os membros da P Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) acordaram por dar o lançamento como procedente, resumindo o seu entendimento nos termos da ementa a seguir transcrita: ASSUNTO; IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício 2002 DÁS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL, Ás áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, cabem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado ou ,pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente ADA Lançamento Procedente. 4, Intimado aos 24/12/2007, o sujeito passivo apresenta sua irresignação por meio de recurso voluntário (fis. 47 a 56). 5, defesa: No apelo interposto, o sujeito passivo aduz os seguintes argumentos em sua I — em preliminar, a ilegitimidade do sujeito passivo, vez que trata o imóvel em questão de terras devolutas pertencentes ao Estado de Minas Gerais, objeto de contrato de arrendamento, em que figura como arrendatária, o que fora reconhecido em julgamentos administrativos anteriores; 2 Processo n p 10670.001531/2006-84 S2-C1T1 Acórdão n. 2101-00.705 Fl. 80 II — no mérito, por se tratarem as áreas em questão de terras devolutas, não existe a matrícula do imóvel em cartório do registro imobiliário, não havendo como providenciar o registro das áreas preservacionistas, sendo pertinente o Termo de Ajustamento de conduta, firmado com o órgão ambiental; III — apresentou ao agente fiscal o Termo de Ajustamento de Conduta (fls. 27 a 28), datado de 05/11/2001, firmado perante o IBAMA/MG; IV — o Estado de Minas Gerais, que detém a propriedade do imóvel em questão, é imune ao imposto, por força do disposto no artigo 150, VI, a, da Constituição Federal, 6. tributária. Ao final, defende o acatamento do apelo, com o cancelamento da exação 7. Vieram os autos a julgamento nesse colegiado, de acordo com as determinações de competência veiculadas pela Portaria MF rf 256, de 22/06/2009, em seu artigo 3', III. É o Relatório. Voto Conselheira Ana Neyle Olímpio Holanda, Relatora O recurso preenche os requisitos para sua admissibilidade, dele tomo conhecimento. O objeto do presente processo é o auto de infração para cobrança de valores que dizem respeito a imposto sobre a propriedade territorial rural (ITR), imóvel rural denominado Fazenda Sucesso Lagoa da Veada, localizado no município de São João do Paraíso (MG), no exercício 2001, em face da glosa parcial de valores apresentados na declaração do tributo, por falta de comprovação, mediante documentação hábil e idônea das informações prestadas na declaração do 1TR, a título de Arca de Utilização Limita — 4.250,00 ha para 0,00 ha. Apesar de ter apresentado a declaração de 1TR como detentora do imóvel, a recorrente argui em sua defesa a ilegitimidade passiva, vez que trata o bem em questão de área de terras devolutas pertencentes ao Estado de Minas Gerais, objeto de contrato de arrendamento, em que figura como arrendatária. Compulsando-se os autos, verifica-se Contrato de Arrendamento de Terias Devolutas Integrantes dos Distritos Florestais, firmado entre a autuada e a Fundação Rural Mineira, Colonização e Desenvolvimento — RURALMINAS, fundação pública instituída pelo Estado de Minas Gerais. Para que se deslinde a questão, necessário que se tragam à baila as características do arrendamento, frente a incidência do ITR. 3 A relação jurídica estabelecida pelos contratos de arrendamento, de comodato ou de parceria é de natureza obrigacional, ou seja, em decorrência destes contratos há a entrega do imóvel sem a intenção de transferir a posse plena; é cedido, temporariamente, apenas o exercício parcial do uso e da fruição (posse limitada), O sujeito passivo do ITR é somente aquele que tem a posse plena, sem subordinação - posse com animus domini, que possa gozar e dispor da coisa com plena liberdade, dentro dos limites legais. Os titulares do direito sobre a propriedade imóvel, portanto, obrigados na relação jurídica tributária em questão, são os que têm o exercício pleno da propriedade. É por assim dizer: o titular do direito real de propriedade, o co-proprietário ou condômino (mesmo em situação especial), o fiduciário com propriedade, o enfiteuta, o usufrutuário, o cornpromissário-comprador imitido na posse, o usuário que demonstre ou tenha intuito de posse duradoura, o titular do direito real de habitação, o possuidor com ânimo de propriedade com domínio. Com efeito, por não terem a posse plena, vale dizer, a posse com animus domini, o arrendatário, o comodatário e o parceiro não são contribuintes do ITR, Assim, o sujeito passivo do ITR sobre as terras devolutas objeto do lançamento deveria ser Fundação Rural Mineira, Colonização e Desenvolvimento — RURALMINAS, que, entretanto, por se tratar de fundação pública instituída pelo Estado de Minas Gerais, é imune ao tributo. Forte no exposto, somos por acolher a preliminar de ilegitimidade do sujeito passivo para dar provimento ao recurso voluntário apresentado. Sala das Sessões, em 19 de agosto de 2010 ojv -ÁrrtZU O Iírri'pTHICi?rata 4
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Numero do processo: 15983.000702/2007-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/2002 a 31/12/2005
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO GFIP TERMO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA SEGURADOS EMPREGADOS INCLUÍDOS EM FOLHA DE PAGAMENTO PROLABORE SÓCIOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS.
A GFIP é termo de confissão de dívida em relação aos valores declarados e não recolhidos.
A apuração de fatos geradores apurados em Folha de Pagamento constitui base de cálculo de contribuições previdenciárias, mesmo se não declarados devidamente em GFIP.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/05/2002 a 31/12/2005
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA DOS FATOS GERADORES
A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD.
REGULAR PROCESSAMENTO DE EXCLUSÃO RESPALDO PARA LANÇAMENTO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE EFEITO SUSPENSIVO NO PEDIDO DE REINCLUSÃO
Havendo regular processamento de exclusão do SIMPLES, possível a
realização de lançamento para cobrança de contribuições previdenciárias patronais.
O pedido de reinclusão no Sistema SIMPLES, sem a comprovação de “efeito suspensivo” não é suficiente para desconstituição do lançamento.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/05/2002 a 31/12/2005
DECADÊNCIA. EMPRESA COM RECOLHIMENTO PARA O SIMPLES. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Constatando-se
recolhimentos na sistemática do SIMPLES, a contagem do prazo decadencial deve ser feito pela regra constante do art. 150, § 4.º, do CTN, ou seja, a partir da ocorrência do fato gerador.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2401-001.623
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, I) Por maioria de votos declarar a
decadência até a competência 08/2002. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que votou por rejeitar a decadência; e II) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo. Ausente momentaneamente o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2002 a 31/12/2005 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO GFIP TERMO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA SEGURADOS EMPREGADOS INCLUÍDOS EM FOLHA DE PAGAMENTO PROLABORE SÓCIOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. A GFIP é termo de confissão de dívida em relação aos valores declarados e não recolhidos. A apuração de fatos geradores apurados em Folha de Pagamento constitui base de cálculo de contribuições previdenciárias, mesmo se não declarados devidamente em GFIP. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2002 a 31/12/2005 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA DOS FATOS GERADORES A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD. REGULAR PROCESSAMENTO DE EXCLUSÃO RESPALDO PARA LANÇAMENTO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE EFEITO SUSPENSIVO NO PEDIDO DE REINCLUSÃO Havendo regular processamento de exclusão do SIMPLES, possível a realização de lançamento para cobrança de contribuições previdenciárias patronais. O pedido de reinclusão no Sistema SIMPLES, sem a comprovação de “efeito suspensivo” não é suficiente para desconstituição do lançamento. Recurso Voluntário Provido em Parte. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2002 a 31/12/2005 DECADÊNCIA. EMPRESA COM RECOLHIMENTO PARA O SIMPLES. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Constatando-se recolhimentos na sistemática do SIMPLES, a contagem do prazo decadencial deve ser feito pela regra constante do art. 150, § 4.º, do CTN, ou seja, a partir da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário Provido em Parte
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A GFIP é termo de confissão de dívida em relação aos valores declarados e não recolhidos. A apuração de fatos geradores apurados em Folha de Pagamento constitui base de cálculo de contribuições previdenciárias, mesmo se não declarados devidamente em GFIP. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2002 a 31/12/2005 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA DOS FATOS GERADORES A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD. REGULAR PROCESSAMENTO DE EXCLUSÃO RESPALDO PARA LANÇAMENTO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE EFEITO SUSPENSIVO NO PEDIDO DE REINCLUSÃO Havendo regular processamento de exclusão do SIMPLES, possível a realização de lançamento para cobrança de contribuições previdenciárias patronais. Fl. 179DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 23/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 O pedido de reinclusão no Sistema SIMPLES, sem a comprovação de “efeito suspensivo” não é suficiente para desconstituição do lançamento. Recurso Voluntário Provido em Parte. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2002 a 31/12/2005 DECADÊNCIA. EMPRESA COM RECOLHIMENTO PARA O SIMPLES. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Constatandose recolhimentos na sistemática do SIMPLES, a contagem do prazo decadencial deve ser feito pela regra constante do art. 150, § 4.º, do CTN, ou seja, a partir da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) Por maioria de votos declarar a decadência até a competência 08/2002. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que votou por rejeitar a decadência; e II) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo. Ausente momentaneamente o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Kleber Ferreira de Araújo – Redator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 180DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 23/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15983.000702/200729 Acórdão n.º 240101.623 S2C4T1 Fl. 178 3 Relatório A presente NFLD de n. 37.073.2081, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e a destinada aos Terceiros, levantadas sobre os valores pagos a pessoas físicas na qualidade de empregados e sócios contribuintes individuais. O lançamento compreende competências entre o período de 05/2002 a 13/2005, sendo que os fatos geradores incluídos nesta NFLD foram apurados por meio do documento GFIP, considerando as informações constantes dos sistemas informatizados da previdência Social e a documentação apresentada à fiscalização. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 25/09/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 28/09/2007. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela notificada, fls. 69 a 71, alegando em síntese serem indevidas as contribuições por ser a empresa optante pelo SIMPLES, tendo inclusive colacionado documentos à fls. 72 a 162. A DecisãoNotificação confirmou a procedência, total do lançamento, fls. 167 a 169 Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 172 a 173. Em síntese, a recorrente em seu recurso alega o seguinte: 1. Não há que se falar em exclusão do SIMPLES, uma vez que ainda existe em tramitação um processo administrativo referente à suposta EXCLUSÃO DO SIMPLES, sob o n. 10845.003041/200410 (Pedido de Reinscrição no regime SIMPLES). 2. Segundo o recorrente enquanto o ato de exclusão estiver protegido por recurso administrativo, não cabe a Receita Federal do Brasil, efetuar lançamentos de oficio para exigências de eventuais diferenças entre os valores recolhidos no SIMPLES/Federal,e os devidos pelo Lucro Real, bem como pelo Presumido. 3. Face o exposto, requer seja julgada inteiramente procedente o presente recurso, para fim de ser reconhecida a total improcedência da NFLD. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Fl. 181DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 23/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Voto Vencido Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 176. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO Em primeiro lugar, mesmo não tendo o recorrente suscitado em seu recurso, entendo que deva ser apreciada de ofício a aplicação da decadência. Assim, quanto a preliminar referente ao prazo de decadência para o fisco constituir os créditos objeto desta NFLD, subsumo todo o meu entendimento quanto a legalidade do art. 45 da Lei 8212/91 (10 anos), outrora defendido à decisão do STF. Nesse sentido exponho meu posicionamento. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. Citese o posicionamento do STJ quando do julgamento proferido pela 1a Seção no Recurso Especial de n º 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ISS. ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE DA CDA. Fl. 182DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 23/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15983.000702/200729 Acórdão n.º 240101.623 S2C4T1 Fl. 179 5 IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA ISS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO LEI Nº 406/68. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA. FIXAÇÃO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO § 3.º DO ART. 20 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. SÚMULA 07 DO STJ. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. 1. O Imposto sobre Serviços é regido pelo DL 406/68, cujo fato gerador é a prestação de serviço constante na lista anexa ao referido diploma legal, por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo. 2. A lista de serviços anexa ao Decretolei n.º 406/68, para fins de incidência do ISS sobre serviços bancários, é taxativa, admitindose, contudo, uma leitura extensiva de cada item, no afã de se enquadrar serviços idênticos aos expressamente previstos (Precedente do STF: RE 361829/RJ, publicado no DJ de 24.02.2006; Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e AgRg no Ag 577068/GO, publicado no DJ de 28.08.2006). 3. Entrementes, o exame do enquadramento das atividades desempenhadas pela instituição bancária na Lista de Serviços anexa ao DecretoLei 406/68 demanda o reexame do conteúdo fático probatório dos autos, insindicável ante a incidência da Súmula 7/STJ (Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e REsp 445137/MG, publicado no DJ de 01.09.2006). 4. Deveras, a verificação do preenchimento dos requisitos em Certidão de Dívida Ativa demanda exame de matéria fáticoprobatória, providência inviável em sede de Recurso Especial (Súmula 07/STJ). 5. Assentando a Corte Estadual que "na Certidão de Dívida Ativa consta o nome do devedor, seu endereço, o débito com seu valor originário, termo inicial, maneira de calcular juros de mora, com seu fundamento legal (Código Tributário Municipal, Lei n.º 2141/94; 2517/97, 2628/98 e 2807/00) e a descrição de todos os acréscimos" e que "os demais requisitos podem ser observados nos autos de processo administrativo acostados aos autos de execução em apenso, onde se verificam: a procedência do débito (ISSQN), o exercício correspondente (01/12/1993 a 31/10/1998), data e número do Termo de Início de Ação Fiscal, bem como do Auto de Infração que originou o débito", não cabe ao Superior Tribunal de Justiça o reexame dessa inferência. 6. Vencida a Fazenda Pública, a fixação dos honorários advocatícios não está adstrita aos limites percentuais de 10% e 20%, podendo ser adotado como base de cálculo o valor dado à causa ou à condenação, nos termos do artigo 20, § 4º, do CPC (Precedentes: AgRg no AG 623.659/RJ, publicado no DJ de 06.06.2005; e AgRg no Resp 592.430/MG, publicado no DJ de 29.11.2004). 7. A revisão do critério adotado pela Corte de origem, por eqüidade, para a fixação dos honorários, encontra Fl. 183DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 23/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 óbice na Súmula 07, do STJ, e no entendimento sumulado do Pretório Excelso: "Salvo limite legal, a fixação de honorários de advogado, em complemento da condenação, depende das circunstâncias da causa, não dando lugar a recurso extraordinário" (Súmula 389/STF).8. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Assim, contase do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do CTN, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal. 12. Por seu turno, nos Fl. 184DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 23/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15983.000702/200729 Acórdão n.º 240101.623 S2C4T1 Fl. 180 7 casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de ofício) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do CTN. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidamse simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad , pág. 170). 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigurase como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operarseá ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de ofício, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Por fim, o artigo 173, II, do CTN, cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da verificação de vício formal. Neste caso, o marco decadencial iniciase da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória. 16. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado do ISSQN pelo contribuinte não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante Fl. 185DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 23/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 8 apurado pela Fazenda Pública Municipal em sede de procedimento administrativo fiscal; (c) a notificação do sujeito passivo da lavratura do Termo de Início da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao lançamento direto substitutivo, deuse em 27.11.1998; (d) a instituição financeira não efetuou o recolhimento por considerar intributáveis, pelo ISSQN, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 01.09.1999. 17. Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contandose o prazo da data da notificação de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 27.11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência dos fatos imponíveis apurados), donde se dessume a higidez dos créditos tributários constituídos em 01.09.1999. 18. Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido.(GRIFOS NOSSOS) Podemos extrair da referida decisão as seguintes orientações, com o intuito de balizar a aplicação do instituto da decadência qüinqüenal no âmbito das contribuições previdenciárias após a publicação da Súmula vinculante nº 8 do STF: Conforme descrito no recurso acima: “A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210) O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito Fl. 186DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 23/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15983.000702/200729 Acórdão n.º 240101.623 S2C4T1 Fl. 181 9 tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições omitidas bem como a existência de recolhimentos antecipados, para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. No caso, a aplicação do art. 150, § 4º, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, antecipar o pagamento de uma contribuição significa delimitar qual o seu fato gerador e em processo contíguo realizar o seu pagamento. Deve ser possível ao fisco, efetuar de forma, simples ou mesmo eletrônica a conferência do valor que se pretendia recolher e o efetivamente recolhido. Neste caso, a inércia do fisco em buscar valores já declarados, ou mesmo continuamente pagos pelo contribuinte é que lhe tira o direito de lançar créditos pela aplicação do prazo decadencial consubstanciado no art. 150, § 4º. Assim, deverseá considerar que houve antecipação para aplicação do § 4º do art. 150 do CTN, quando ocorreu por parte do contribuinte o reconhecimento do valor devido e o seu parcial recolhimento, sendo em todos os demais casos aplicável o art. 173 do referido diploma. Fl. 187DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 23/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 10 No caso ora em análise, observamos o lançamento de contribuições patronais sobre a remuneração paga aos segurados empregados, onde só é possível identificar o recolhimento da contribuição de segurados, tendo o contribuinte recolhido contribuições indevidamente por meio do SIMPLES já que sua exclusão foi devidamente processada, inclusive na base de dados da Receita Federal. Assim o fato de ter ingressado com pedido de reinclusão no SIMPLES não o exime do recolhimento na modalidade de empresa excluída. Face o exposto e considerando que no lançamento em questão foi efetuado em 25/09/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 28/09/2007 e os fatos geradores ocorreram entre as competências 05/2002 a 13/2005, pela aplicação do art. 173, I do CTN não existem competências a serem excluídas. Superadas as preliminares passo ao exame do mérito. DO MÉRITO No recurso em questão, o contribuinte resumiuse a atacar a validade do procedimento fiscal, sem refutar, qualquer dos fatos geradores apurados . Dessa forma, em relação aos fatos geradores objeto da presente notificação, como não houve recurso expresso aos pontos da DecisãoNotificação (DN) presumese a concordância da recorrente com a DN. Contudo os argumentos apresentados pelo recorrente remontam na impossibilidade de realização do lançamento uma vez que o mesmo ingressou com pedido de reinclusão no Sistema SIMPLES após demonstrar que sua exclusão deuse em função de recolhimento em DARF incorreto. Contudo, entendo que razão não assiste ao recorrente uma vez que o processo de exclusão deuse na forma devida com o regular processamento, sendo que na base de dados da Receita Federal do Brasil (cópia fl. 166), consta a informação de exclusão no período correspondente ao lançamento. Entendo que o fato de a empresa ter identificado o erro que levou a exclusão com a correspondente correção da falta, não produz efeitos retroativos, tanto que se fez necessário ingressar com pedido de reinclusão, o qual, conforme o recorrente, ainda encontra se pendente de julgamento. Não demonstrou o recorrente que o recebimento do pedido, deuse com efeitos suspensivos, razão porque deve se considerar regular a exclusão e por conseqüência devidas as contribuições. Face o exposto, o lançamento processouse na forma devida, não existindo motivos para sua improcedência, ou mesmo nulidade. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo o lançamento efetuado. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 188DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 23/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15983.000702/200729 Acórdão n.º 240101.623 S2C4T1 Fl. 182 11 Voto Vencedor Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Redator Designado Em que pese a boa fundamentação apresentada pela relatora, concluo de forma diversa no que diz respeito ao critério para fixação do prazo decadencial. Passarei, de imediato, a expressar meu entendimento, posto que a legislação aplicável já foi suficientemente mencionada no voto da Conselheira Elaine Cristina Vieira. A bem da verdade, tanto esse Conselheiro quanto a Ilustre Relatora entendemos que, havendo recolhimento antecipado da contribuição, há de se contar o prazo decadencial pela norma do art. 150, § 4.º do CTN, qual seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Divergimos, todavia, para no presente caso quando há recolhimentos efetuados pela empresa no bojo da sistemática de recolhimento do SIMPLES. Nessa situação, a Conselheira Elaine Cristina pondera que as guias de recolhimento do SIMPLES não devam ser consideradas antecipação de pagamento para fins da fixação do termo inicial para contagem do prazo decadencial. Ouso divergir dessa tese. É cediço que nos recolhimentos efetuados para o SIMPLES uma parcela referese às contribuições previdenciárias, sendo destinada à Seguridade Social. Nesse sentido, devo reconhecer que essas guias, embora quitadas de forma globalizada, contemplam também o tributo em questão, devendo assim serem tidas como recolhimento antecipado, justificando a aplicação da regra do art. 150, § 4.º, do CTN, para contagem do prazo decadencial. Assim, considerandose que a ciência do lançamento deuse em 25/09/2007, voto pela declaração de decadência para o período de 05 a 08/2002. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 189DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 23/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 24/03/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 19647.004739/2004-55
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 11 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Nov 11 00:00:00 UTC 2010
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO
PORTE - SIMPLES
Ano-calendário: 1997
SIMPLES FEDERAL. INCLUSÃO RETROATIVA.
Deve ser deferida a inclusão retroativa no SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96), inexistente na data do pedido, qualquer situação impeditiva para o pleno exercício da opção e presentes os requisitos do ADI SRF nº 16/2002. Fatos supervenientes devem ser tratados de acordo com as normas que regem o processo administrativo fiscal e de conformidade com a situação fática
cronologicamente apresentada na data de eventual ato de exclusão.
Numero da decisão: 1803-000.696
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 1997 SIMPLES FEDERAL. INCLUSÃO RETROATIVA. Deve ser deferida a inclusão retroativa no SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96), inexistente na data do pedido, qualquer situação impeditiva para o pleno exercício da opção e presentes os requisitos do ADI SRF nº 16/2002. Fatos supervenientes devem ser tratados de acordo com as normas que regem o processo administrativo fiscal e de conformidade com a situação fática cronologicamente apresentada na data de eventual ato de exclusão.
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BARBOSA Recorrida 1ª TURMA DRJ RIO DE JANEIRO/RJ I ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 1997 SIMPLES FEDERAL. INCLUSÃO RETROATIVA. Deve ser deferida a inclusão retroativa no SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96), inexistente na data do pedido, qualquer situação impeditiva para o pleno exercício da opção e presentes os requisitos do ADI SRF nº 16/2002. Fatos supervenientes devem ser tratados de acordo com as normas que regem o processo administrativo fiscal e de conformidade com a situação fática cronologicamente apresentada na data de eventual ato de exclusão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira De Moraes - Presidente. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch - Relator. EDITADO EM: 29/11/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Benedicto Celso Benício Júnior, Sérgio Rodrigues Mendes, Luciano Inocêncio dos Santos, Walter Adolfo Maresch e Marcelo Fonseca Vicentini. Fl. 91DF CARF MF Emitido em 29/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2010 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 29/11/2010 por WALTER ADOLFO MARE SCH 2 Relatório PAULO J. BARBOSA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ RIO DE JANEIRO/RJ I, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ. Trata o presente da manifestação de inconformidade de fls. 62/63 contra a decisão de fls. 55/56 que indeferiu seu pedido de inclusão retroativa no Simples (fl. 01). A Autoridade Fiscal da DRF/Recife fundamentou o indeferimento do pedido na existência de débito da interessada inscrito em Dívida Ativa da União, circunstância impeditiva ao Simples, de acordo com o art. 9°, inc. XV, da Lei n°9.317/96. Esta Turma de Julgamento, nos termos do Acórdão n° 12-15.719 (fls. 47 a 52), de 30/08/2007, havia declarado nulo o despacho decisório de fl. 36, anteriormente proferido, por ter sido praticado por servidor incompetente. Em sua manifestação de inconformidade, a interessada alega, em síntese, que: - optou tempestivamente pelo Regime de Tributação Simples, no ano de 1997; - a SRF acatou as declarações; - após a mudança do sistema de recepção de declarações continuou a apresentar suas declarações pelo Simples, sem qualquer óbice; - em 2005 foi surpreendida com a não aceitação da transmissão de sua declaração pela internet, que informava não ser ela optante por tal regime; - ao comparecer a SRF, recebeu a informação de que não era optante pelo regime; - solicitada a apresentar o documento de inclusão, não o encontrou em seus arquivos; - entende que o citado documento é inexigível, pois o prazo de guarda de documentos é de cinco anos; - em junho de 2007 parcelou os seus débitos juntos à SRF e à PGFN. O processo foi remetido a esta DRJ, em atendimento à Portaria RFB n° 10.733, de 20/07/2007 (DOU 24/07/2007), que transferiu a competência para julgamento do presente processo a este órgão (fl. 43). A DRJ RIO DE JANEIRO/RJ I, através do acórdão 12-22.209, de 12 de dezembro de 2008 (fls. 69/71), julgou improcedente a manifestação de inconformidade, ementando assim a decisão: Fl. 92DF CARF MF Emitido em 29/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2010 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 29/11/2010 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 19647.004739/2004-55 Acórdão n.º 1803-000.696 S1-TE03 Fl. 82 3 ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 1997 SIMPLES DÉBITOS NA PGFN. A existência de débitos inscritos na Divida Ativa da União impede a opção/inclusão retroativa no Regime do SIMPLES Solicitação Indeferida Ciente da decisão em 15/01/2009, conforme Aviso de Recebimento - AR (fl. 73.v), apresentou em 03/02/2009 o recurso voluntário de fls. 76/77, onde reitera os termos da inicial de que a Secretaria da Receita Federal teria reconhecido a opção nos períodos de 1997 a 2004, tendo inclusive enviado débitos remanescentes do SIMPLES para inscrição em Dívida Ativa. A contribuinte por sua vez cumpriu todos os requisitos para fruição do regime simplificado tendo quitado ou parcelado todos os débitos devidos. É o relatório. Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de pedido de inclusão retroativa ao SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96), formulado em 31/05/2004, tendo a solicitação sido indeferida pela Administração Tributária em face da existência de débitos inscritos em Dívida Ativa na PGFN (art. 9º, inciso XV da Lei nº 9.317/96). A recorrente alega que a própria Secretaria da Receita Federal teria tacitamente reconhecido a opção pelo regime simplificado, pois recebeu as Declarações Simplificadas e respectivos recolhimentos, tendo adicionalmente enviado débitos do SIMPLES para inscrição em Dívida Ativa. Afirma adicionalmente a recorrente, que recolheu integralmente os débitos bem como parcelou eventuais débitos remanescentes que haviam sido enviados para inscrição em Dívida Ativa. Entendo que assiste razão à interessada. Com efeito, inicialmente se constata que se aplicam integralmente as disposições contidas no Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 16, de 02 de outubro de 2002, com o seguinte teor: Fl. 93DF CARF MF Emitido em 29/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2010 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 29/11/2010 por WALTER ADOLFO MARE SCH 4 Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 16, de 2 de outubro de 2002 DOU de 4.10.2002 -Dispõe sobre a retificação de ofício, por parte da autoridade fiscal, da opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), nos casos de erros de fato. O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 259, de 24 de agosto de 2001, e considerando o disposto no art. 8º da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, no art. 16 da Instrução Normativa SRF nº 34, de 30 de março de 2001, e no processo 10168.004370/2002-37, declara: Artigo único. O Delegado ou o Inspetor da Receita Federal, comprovada a ocorrência de erro de fato, pode retificar de ofício tanto o Termo de Opção (TO) quanto a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para a inclusão no Simples de pessoas jurídicas inscritas no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ), desde que seja possível identificar a intenção inequívoca de o contribuinte aderir ao Simples. Parágrafo único. São instrumentos hábeis para se comprovar a intenção de aderir ao Simples os pagamentos mensais por intermédio do Documento de Arrecadação do Simples (Darf- Simples) e a apresentação da Declaração Anual Simplificada. EVERARDO MACIEL Portanto, não há óbice algum para reconhecer que a interessada preenchia os requisitos para retificação de ofício do Termo de Opção e da Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica – FCPJ, pois apresentou regularmente as Declarações Simplificadas e efetuou o recolhimento dos tributos de forma unificada, nos termos da Lei nº 9.317/96 (SIMPLES FEDERAL). As conclusões da Administração Tributária para indeferir o pedido são equivocadas e foram indevidamente convalidadas pela decisão de primeira instância, merecendo reforma. Inicialmente revela-se inequívoca contradição da Administração Tributária em inscrever débitos do SIMPLES FEDERAL em Dívida Ativa e ao mesmo tempo, negar a inclusão retroativa no sistema com fulcro justamente nestes mesmos débitos. Ou seja, ou a empresa era do SIMPLES FEDERAL e assim os débitos eram devidos ou então a inscrição em Dívida Ativa era indevida pois NÃO existiam débitos do SIMPLES FEDERAL. Por outro lado, deve-se considerar ainda que conforme se observa do pedido de inclusão retroativa (fl. 01) o mesmo foi formulado em 31/05/2004, enquanto a inscrição dos débitos em dívida ativa ocorreu somente em 22/09/2005 (fl. 46) o que faz cair por terra o óbice aventado pela Administração Tributária para negar o pedido, em face da evidente falta de identidade cronológica na situação fática apresentada. Fl. 94DF CARF MF Emitido em 29/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2010 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 29/11/2010 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 19647.004739/2004-55 Acórdão n.º 1803-000.696 S1-TE03 Fl. 83 5 Outrossim, comprova a recorrente a adesão em duas oportunidades à parcelamentos dos débitos inscritos – uma no PAES – Parcelamento Especial (fls. 15/16 e 26) e outra - no parcelamento especial para adesão ao SIMPLES NACIONAL (fl. 44), o que implicou suspensão da exigibilidade dos débitos nos respectivos períodos de vigência dos parcelamentos concedidos. Destarte, deve ser reformada a decisão de primeira instância, deferindo-se a inclusão retroativa ao SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96), desde o ano calendário 1997. A critério da Administração Tributária existindo situação fática a partir do ano calendário 2005, poderia ter sido editado ato de exclusão do SIMPLES FEDERAL, na forma da legislação que rege o processo administrativo federal, observando-se a situação fática cronologicamente existente na data da edição do ato administrativo. Tal ato no entanto não é mais possível considerando os efeitos previstos para estes casos somente a partir do ano seguinte à ciência do ato declaratório, conforme disposto no art. 15, inciso VI da Lei nº 9.317/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 11.196/2005. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado eletronicamente) Walter Adolfo Maresch - Relator Fl. 95DF CARF MF Emitido em 29/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2010 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 29/11/2010 por WALTER ADOLFO MARE SCH
score : 1.0
Numero do processo: 19647.005756/2007-52
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 03 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/1996 a 31/01/1999
PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN.
0 Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei n 08.212 de 1991, conforme Súmula Vinculante n° 8, de 12 de junho de 2008.
Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I, do CTN.
Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2803-000.420
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Segunda Seção de
Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a).
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 19647.005756/2007-52 Recurso n° 269.593 Voluntário Acórdão n° 2803-00.420 — 3' Turma Especial Sessão de 2 de dezembro de 2010 Matéria DECADÊNCIA Recorrente COMPANHIA INDUSTRIAL DE VIDROS Recorrida DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM RECIFE- PE ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/02/1996 a 31/01/1999 PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. 0 Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei n 08.212 de 1991, conforme Súmula Vinculante n° 8, de 12 de junho de 2008. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I, do CTN. Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3" Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). .4140k. 44 VET • ATO - Relator OrM, Participaram do presente julgamento os conselheiros: Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbit Júnior, Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, Amilcar Barca Júnior, Gustavo Vettorato e Helton Carlos Praia de Lima (presidente). Relatório O presente Recurso Voluntário apresentado por Paulo R. Tarossi Transportes - ME (fls. 512-523) busca a revisão total da decisão a quo (fis.441-446), que manteve crédito constituído pela NFLD a titulo de contribuições securitarias (patronal e SAT) e a terceiros (mera e Sebrae), lançados pela presente NFLD de forma substitutiva à NFLD n. 35.028.731-7 (ciência em 09.10.2000), anulada por vicio formal pelo Ac. 1903/2005, da 4aCAJ do CRPS (26.08.2006). A ocorrência dos eventos sobre os quais incidiu a norma de imposição tributária se deu nas competências de 02/1996 a 01/1999, sendo o lançamento cientificado no dia 15.06.2007 (t1s.01). Em seu recurso, a contribuinte alegou a presente NFLD, mesmo substitutiva da NFLD que foi anulada por decisão que informou que os vícios formais, os mesmos seriam de natureza material, pois ser referiam à ausência de fundamentação legal, exposição fatica e critérios de apuração adequados. Logo, não teriam o condão de que se aplicasse o art. 173, II, do CTN, bem como do art. 45, II, da Lei n. 8.212/1991 em razão da Súmula Vinculante n. 8 do STF. O recurso foi considerado tempestivo pela autoridade preparadora, seguindo originalmente para o 2° Conselho de Contribuintes ; que teve suas competências transferidas 2" Seção de Julgamento do CARF/MF, e, por conseguinte, veio distribuído à presente Turma Especial e relator. Este é o Relatório. Voto Conselheiro GUSTAVO VETTORATO, Relator Ao caso, observa-se a tempestividade do recurso voluntário e o inconfonnismo com a decisão a quo, bem como a inexigibilidade do deposito recursal ou arrolamento de bens (Súmula Vinculante n. 21 do STF), assim o mesmo deve ser admitido e conhecido. Preliminarmente, em face à análise do Recurso e dos autos do processo, atenta-se à extinção dos créditos constituídos em razão da ocorrência de decadência, contudo por outros motivos, indiferente de futuros vícios ou nulidades que venham ser apontadas. Ao verificar o inteiro teor do Acórdão Decisório n. 1903/2005, da 4aCAJ do Conselho de Recursos da Previdência Social, em 26.08.2006, mesmo ao identificar a nulidade da NFLD substituída como vicio formal, ele se refere a urn vicio intrínseco ao fenômeno da subsunção da regra-matriz tributária e sua positivação, várias vezes mencionados do indicado acórdão: pois ser referiam ?it ausência de fundamentação legal, exposição e comprovação fática e critérios de apuração adequados. Ou seja, vícios tipicamente vinculados à materialidade do tributo. 2 Processo n° 19647.005756/2007-52 S2-TE03 Acórclao n.° 2803-00.420 Fl. 2 Por aplicação subsidiária do art. artigo 469, I do CPC, os motivos jurídicos da nulidade anterior não fazem coisa julgada (Ac. 2301-00.502, da 1" Turma Ordinária da 3" Câmara da 2" Seção de Julgamento do CARF, 07.07.2009). Portanto, chamar-se atenção para a demonstração deficitária da relação jurídica tributaria no instrumento constituidor do crédito tributário, representante de um verdadeiro vicio material insanável, por ao art. 37, da Lei n. 8.212/1992, ao art.142, do CTN, e ao direito de ampla defesa e contraditório. A deficitária construção da norma individual e concreta do tributo, algo além da mera formalidade extrínseca do ato de constituição do credito, como um erro material na identificação do sujeito passivo (art. 10 e 11, do Dec. 70.235/1997). De tal forma, que não ha o caso de reinicio de contagem do prazo decadencial qüinqüenal a partir da decisão de anulação do lançamento por vicio formal, contido no art. 173, II, do CTN, porque o vicio em questão tern natureza totalmente material. Conforme jurisprudência do Conselho de Contribuintes: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – NULIDADE - VICIO FORMAL - LANÇAMENTO FISCAL COM ALEGADO ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO – INEXISTÊNCIA – Os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos . fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevem-se a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de oficio, mas não pertencem ao seu conteúdo material. 0 suposto erro na identificação do sujeito passivo caracteriza vicio substancial, 11117(1 nulidade absoluta, não permitindo a contagem do prazo especial para decadência previsto no art. 173, II, do CTN. (Acórdão n° 108-08.174 IRPJ, de 23/02/2005 da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes). "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO EX OFFICIO — É nulo o Ato Administrativo de Lançamento, formalizado com inegável insuficiência na descrição dos fatos', não permitindo que o sujeito passivo pudesse exercitar, COMO lhe outorga o ordenamento jurídico, o amplo direito de defesa, notadamente por desconhecer, Coln a necessária nitidez, o conteúdo do ilícito que lhe está sendo imputado. rata-se, no caso, de nulidade por vicio material, na medida em que alia conteúdo ao ato, o que implica illOCOrrênCia da hipótese deincidência." (1° Câmara do l'' Conselho de Contribuintes, Recurso n"132.213 — Acórdão n°101-94049, Sessão de 06/12/2002, unânime,) Dessa forma, por não ter havido o reinicio do prazo decadencial qüinqüenal, a data de cientificação da NFLD objeto deste recurso ter sido em 28.09.2006, e a última competência que teve créditos tributários lançados foi 01/1999, esta clara a extinção do credito pelo alcance da decadência. 0 Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado e obrigatório administração pública, emitiu a Sumula Vinculante de n " 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, que pacificou o entendimento da inconstitucionalidade do art. 45 da Lei ri " 8.212 de 1991, nestas palavras: 3 Sala das Sessões, em .2/de de embro de 2010 :5)11 USTAVO VETTORA 0 - Snnntla Vinculante n" 8 "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5" do Decreto-lei 1569/77 e oS artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Con Comic previsto no art. 103-A da Constituição Federal a Súmula de n ° 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicá-la. Art. 103-A. 0 Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, apás reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar sumula que, a partir de sua publicação na imprensa terá efeito vinca/ante em relação aos demais órgdos do Potter Judiciário e á administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder ti sua revi.s.ão ou cancelamento, na . forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n ° 8.212, lad que serem observadas as regras previstas no CTN. Observe-se a NFLD é referente As fatos geradores declarados ou não em instrumentos próprios nos períodos de 02/1996 a 01/1999. Neste caso, as contribuições tendentes ao lançamento por homologação, mas segundo o colocado no Relatório Fiscal que os créditos foram constituídos por levantamento fiscal sobre documentos diversos além daqueles obrigatórios de registro, inclusive utilizando-se de aferição indireta, o que torna-o em lançamento por oficio (art. 150, §4°, e 149, CF/1998), devendo-se seguir o disposto no art. 173, I, c/c art. 156, inciso V, do CTN, contando o prazo de 5(cinco) anos do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sick) efetuado. Assim, estarão extintos os créditos oriundos da incidência da norma tributária sobre fatos geradores anteriores à 1°.01.2001, ou seja, a decadência operou em todos os créditos constituídos nas competências anteriores A 11/2000, antes mesmo da lavratura da NFLD substitutiva. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso do notificado, para no mérito CONCEDER-LHE TOTAL PROVIMENTO, reformando a decisão recorrida, declarando a improcedência do lançamento e decretando a nulidade por vicio material da NFLD em razão da decadência do credito tributário constituído. 4
score : 1.0
Numero do processo: 18108.002386/2007-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Feb 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2002 a 30/11/2002
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO RETENÇÃO DE 11% APLICAÇÃO DA SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. DECADÊNCIA.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a “Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””.
A empresa contratante não efetuou a regular retenção nas notas fiscais ou faturas da empresa contratada.
O crédito tributário foi lançado na forma preconizada no art. 33, § 5º da Lei n.º 8.212/91.
O sujeito passivo passou a suportar o ônus de não ter realizado a retenção que era obrigada a realizar na condição de substituto tributário, passando a ficar diretamente responsável pela retenção que deixou de realizar e, consequentemente, pelo recolhimento do tributo devido
Para fins de averiguação da antecipação de pagamento, as contribuições previdenciárias a cargo da empresa na condição de responsável direto devam ser apreciadas como um todo.
Os documentos constantes nos autos impossibilitam concluir acerca da ausência de antecipação de pagamento de contribuições previdenciárias por parte do sujeito passivo.
A regra do art. 150, § 4º, do CTN trata-se de regra específica a ser aplicada a tributo sujeito ao lançamento por homologação, que prefere à regra geral prevista no art. 173, I do CTN.Para que se aplique a regra do art. 173, I do CTN, em detrimento a regra do
art. 150, § 4º, deve os fisco comprovar a ocorrência de uma das seguintes situações: (i) ocorrência de dolo, fraude ou simulação; ou (ii) que não houve antecipação do pagamento. O que não ocorreu no presente caso.
Na data em que o sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 03/12/2007, os fatos geradores objeto da presente NFLD, compreendidos entre as competências 01/2002 a 11/2002, encontravam-se fulminados pela decadência.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2401-001.654
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, declarar a
decadência do lançamento. Vencidos os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora) e Kleber Ferreira de Araújo, que votaram por não acolher a decadência. Designado para redigir o voto vencedor o(a) Conselheiro(a) Elias Sampaio Freire.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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DECADÊNCIA. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a “Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””. A empresa contratante não efetuou a regular retenção nas notas fiscais ou faturas da empresa contratada. O crédito tributário foi lançado na forma preconizada no art. 33, § 5º da Lei n.º 8.212/91. O sujeito passivo passou a suportar o ônus de não ter realizado a retenção que era obrigada a realizar na condição de substituto tributário, passando a ficar diretamente responsável pela retenção que deixou de realizar e, consequentemente, pelo recolhimento do tributo devido Para fins de averiguação da antecipação de pagamento, as contribuições previdenciárias a cargo da empresa na condição de responsável direto devam ser apreciadas como um todo. Os documentos constantes nos autos impossibilitam concluir acerca da ausência de antecipação de pagamento de contribuições previdenciárias por parte do sujeito passivo. A regra do art. 150, § 4º, do CTN tratase de regra específica a ser aplicada a tributo sujeito ao lançamento por homologação, que prefere à regra geral prevista no art. 173, I do CTN. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 10/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Assinado digitalmente em 24/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 22/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SIL 2 Para que se aplique a regra do art. 173, I do CTN, em detrimento a regra do art. 150, § 4º, deve os fisco comprovar a ocorrência de uma das seguintes situações: (i) ocorrência de dolo, fraude ou simulação; ou (ii) que não houve antecipação do pagamento. O que não ocorreu no presente caso. Na data em que o sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 03/12/2007, os fatos geradores objeto da presente NFLD, compreendidos entre as competências 01/2002 a 11/2002, encontravamse fulminados pela decadência. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, declarar a decadência do lançamento. Vencidos os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora) e Kleber Ferreira de Araújo, que votaram por não acolher a decadência. Designado para redigir o voto vencedor o(a) Conselheiro(a) Elias Sampaio Freire. Elias Sampaio Freire – Presidente e Redator designado Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 10/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Assinado digitalmente em 24/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 22/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SIL Processo nº 18108.002386/200736 Acórdão n.º 240101.654 S2C4T1 Fl. 225 3 Relatório A presente NFLD, lavrada sob o n. 37.132.8454, A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa sobre a contratação de pessoas jurídicas mediante empreitada e cessão de mão de obra nas atividades de portaria e limpeza.. O lançamento compreende competências entre o período de 01/2002 a 11/2002, sendo que os fatos geradores incluídos nesta NFLD O fato foi constatado através de notas fiscais de janeiro a Julho de 2002, e setembro a novembro de 2002 (Dunamis Levantamento RT1); janeiro a outubro de 2002 (World Clean Levantamento RT2), conforme discriminado no Relatório de Lançamentos. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 29/11/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 03/12/2007. Não conformada com a notificação, a recorrente apresentou defesa, fls. 79 a 93, alegando o alcance do crédito pelo instituto da decadência, bem como a nulidade da NFLD face o cerceamento de defesa por não terem sido devidamente esclarecidos e fundamentados os fatos geradores descritos na NFLD. Foi emitida DecisãoNotificação confirmando a procedência total do lançamento, fls. 106 a 113. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 136 a 148, trazendo a mesma alegação da peça impugnatória, quais sejam: 1. Tratandose de declaração constitutiva de crédito, os relatórios e documentos integrantes do processo administrativofiscal previdenciário devem conter a narrativa dos fatos verificados no procedimento fiscal e que deram origem ao lançamento, com a identificação clara e precisa (i) da hipótese de incidência tributaria; (ii) da base imponível — 'base de cálculo' — e do fato imponivel — 'fato gerador' — da obrigação • previdenciaria inadimplida; (iii) do período a que se refere; (iv) do fundamento legal utilizado; e (v) das alíquotas aplicadas. 2. Aplicação da decadência qüinqüenal ao teor da súmula vinculante n. 08. Pelo exposto, requer a recorrente que seja acolhido o presente recurso, para fins de declarar a insubsistência total da NFLD em questão. 3. Requer seja acolhida a nulidade pleiteada, ou em assim, não entendendo seja declarada a decadência do direito de lançar as contribuições. A empresa INVESTMOV descrita como empresa do grupo econômico apresentou recurso, fls. 159 a 171, no qual argumenta ser incabível a formação de grupo econômico, bem como que os créditos encontramse decadentes. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 10/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Assinado digitalmente em 24/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 22/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SIL 4 A empresa L'ATELIER MÓVEIS LTDA apresentou recurso, fls. 193 a 203, onde descreve cerceamento do direito de defesa tendo em vista não ter sido notificada para apresentar impugnação, bem como que os créditos encontramse decadentes. O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 10/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Assinado digitalmente em 24/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 22/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SIL Processo nº 18108.002386/200736 Acórdão n.º 240101.654 S2C4T1 Fl. 226 5 Voto Vencido Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 223. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: O primeiro ponto a ser apreciado diz respeito a exoneração do crédito alegada pelo recorrente, face a aplicação da decadência qüinqüenal em relação ao período de 01/2002 a 11/2002. Quanto a preliminar referente ao prazo de decadência para o fisco constituir os créditos objeto desta NFLD, subsumo todo o meu entendimento quanto a legalidade do art. 45 da Lei 8212/91 (10 anos), outrora defendido, à decisão do STF. Dessa forma, quanto a aplicação da decadência qüinqüenal, assiste razão em parte ao recorrente. Senão vejamos: O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. Citese o posicionamento do STJ quando do julgamento proferido pela 1a Fl. 5DF CARF MF Emitido em 10/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Assinado digitalmente em 24/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 22/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SIL 6 Seção no Recurso Especial de n º 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ISS. ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE DA CDA. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA ISS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO LEI Nº 406/68. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA. FIXAÇÃO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO § 3.º DO ART. 20 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. SÚMULA 07 DO STJ. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. 1. O Imposto sobre Serviços é regido pelo DL 406/68, cujo fato gerador é a prestação de serviço constante na lista anexa ao referido diploma legal, por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo. 2. A lista de serviços anexa ao Decretolei n.º 406/68, para fins de incidência do ISS sobre serviços bancários, é taxativa, admitindose, contudo, uma leitura extensiva de cada item, no afã de se enquadrar serviços idênticos aos expressamente previstos (Precedente do STF: RE 361829/RJ, publicado no DJ de 24.02.2006; Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e AgRg no Ag 577068/GO, publicado no DJ de 28.08.2006). 3. Entrementes, o exame do enquadramento das atividades desempenhadas pela instituição bancária na Lista de Serviços anexa ao DecretoLei 406/68 demanda o reexame do conteúdo fático probatório dos autos, insindicável ante a incidência da Súmula 7/STJ (Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e REsp 445137/MG, publicado no DJ de 01.09.2006). 4. Deveras, a verificação do preenchimento dos requisitos em Certidão de Dívida Ativa demanda exame de matéria fáticoprobatória, providência inviável em sede de Recurso Especial (Súmula 07/STJ). 5. Assentando a Corte Estadual que "na Certidão de Dívida Ativa consta o nome do devedor, seu endereço, o débito com seu valor originário, termo inicial, maneira de calcular juros de mora, com seu fundamento legal (Código Tributário Municipal, Lei n.º 2141/94; 2517/97, 2628/98 e 2807/00) e a descrição de todos os acréscimos" e que "os demais requisitos podem ser observados nos autos de processo administrativo acostados aos autos de execução em apenso, onde se verificam: a procedência do débito (ISSQN), o exercício correspondente (01/12/1993 a 31/10/1998), data e número do Termo de Início de Ação Fiscal, bem como do Auto de Infração que originou o débito", não cabe ao Superior Tribunal de Justiça o reexame dessa inferência. 6. Vencida a Fazenda Pública, a fixação dos honorários advocatícios não está adstrita aos limites percentuais de 10% e 20%, podendo ser adotado como base de cálculo o valor dado à causa ou à condenação, nos termos do artigo 20, § 4º, do CPC (Precedentes: AgRg no AG 623.659/RJ, publicado no DJ de Fl. 6DF CARF MF Emitido em 10/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Assinado digitalmente em 24/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 22/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SIL Processo nº 18108.002386/200736 Acórdão n.º 240101.654 S2C4T1 Fl. 227 7 06.06.2005; e AgRg no Resp 592.430/MG, publicado no DJ de 29.11.2004). 7. A revisão do critério adotado pela Corte de origem, por eqüidade, para a fixação dos honorários, encontra óbice na Súmula 07, do STJ, e no entendimento sumulado do Pretório Excelso: "Salvo limite legal, a fixação de honorários de advogado, em complemento da condenação, depende das circunstâncias da causa, não dando lugar a recurso extraordinário" (Súmula 389/STF).8. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Assim, contase do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido Fl. 7DF CARF MF Emitido em 10/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Assinado digitalmente em 24/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 22/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SIL 8 efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do CTN, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal. 12. Por seu turno, nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de ofício) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do CTN. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidamse simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad , pág. 170). 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigurase como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operarseá ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de ofício, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Por fim, o artigo 173, II, do CTN, cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da verificação de vício formal. Neste caso, o marco decadencial iniciase da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória. 16. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de Fl. 8DF CARF MF Emitido em 10/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Assinado digitalmente em 24/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 22/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SIL Processo nº 18108.002386/200736 Acórdão n.º 240101.654 S2C4T1 Fl. 228 9 pagamento antecipado do ISSQN pelo contribuinte não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante apurado pela Fazenda Pública Municipal em sede de procedimento administrativo fiscal; (c) a notificação do sujeito passivo da lavratura do Termo de Início da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao lançamento direto substitutivo, deuse em 27.11.1998; (d) a instituição financeira não efetuou o recolhimento por considerar intributáveis, pelo ISSQN, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 01.09.1999. 17. Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contandose o prazo da data da notificação de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 27.11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência dos fatos imponíveis apurados), donde se dessume a higidez dos créditos tributários constituídos em 01.09.1999. 18. Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido.(GRIFOS NOSSOS) Podemos extrair da referida decisão as seguintes orientações, com o intuito de balizar a aplicação do instituto da decadência qüinqüenal no âmbito das contribuições previdenciárias após a publicação da Súmula vinculante nº 8 do STF: Conforme descrito no recurso descrito acima: “A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210) O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 9DF CARF MF Emitido em 10/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Assinado digitalmente em 24/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 22/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SIL 10 II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições omitidas, bem como a existência de recolhimentos antecipados, para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. No caso, a aplicação do art. 150, § 4º, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, antecipar o pagamento de uma contribuição significa delimitar qual o seu fato gerador e em processo contíguo realizar o seu pagamento. Deve ser possível ao fisco, efetuar de forma, simples ou mesmo eletrônica a conferência do valor que se pretendia recolher e o efetivamente recolhido. Neste caso, a inércia do fisco em buscar valores já declarados, ou mesmo continuamente pagos pelo contribuinte é que lhe tira o direito de lançar créditos pela aplicação do prazo decadencial consubstanciado no art. 150, § 4º. No lançamento ora em análise, identificamos a cobrança de contribuição sobre valores não descontados pela tomadora de serviços à título de retenção , portanto não há Fl. 10DF CARF MF Emitido em 10/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Assinado digitalmente em 24/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 22/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SIL Processo nº 18108.002386/200736 Acórdão n.º 240101.654 S2C4T1 Fl. 229 11 de se falar em recolhimento antecipado para aplicação do art. 150, § 4º, devendo a decadência ser aplicada pelo disposto no art. 173 do CTN. Assim, no lançamento em questão a lavratura da NFLD deuse em 29/11/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 03/12/2007; os fatos geradores ocorreram entre as competências 01/2002 a 11/2002, dessa forma em aplicandose o art. 173, I não há decadência a ser apreciada. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Em segundo lugar cumprenos apreciar a nulidade avençada pelo recorrente, de que o lançamento não preenche os requisitos legais para sua lavratura, importando cerceamento do direito de defesa. Cumprenos destacar que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento de defesa. Destacase como passos necessários a realização do procedimento: Ø autorização por meio da emissão do Mandato de Procedimento Fiscal – MPF F e complementares, com a competente designação do auditor fiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; Ø intimação para a apresentação dos documentos conforme Termos de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; Ø autuação dentro do prazo autorizado pelo referido mandato, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes. Neste sentido, as alegações de que o procedimento não poderia prosperar por não ter a autoridade realizado a devida fundamentação das contribuições não lhe confiro razão. Não só o relatório fiscal, como também o relatório FLD – Fundamentos Legais do Débito, trazem toda a fundamentação legal que embasou a constituição da presente NFLD. Confome decrito no relatório fiscal o lançamento referese a prestação de serviços mediante cessão de mão de obra ou empreitada, senão vejamos trecho do REFISC: Trata a presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, das contribuições devidas à Previdência Social, relativas à onze por cento incidente sobre valor bruto da nota fiscal pela empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mão de obra. 4. O levantamento teve como fato gerador, os serviços prestados pelas empresas Dunamis Comércio Consultoria e Assessoria Ltda. CNP) 00.541.591/0001,04 (levantamento R11) e world Clean comércio Consultoria e ASSESSORIA Ltda. CNPJ Fl. 11DF CARF MF Emitido em 10/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Assinado digitalmente em 24/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 22/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SIL 12 03.505.494/000154 (levantamento R12), de portada e limpeza, respectivamente. 5. Não houve o destaque em notas fiscais, motivo pelo qual foi a empresa autuada por ter deixado na qualidade de contratante, de efetuar a retenção. Conforme descrito o auditor esclareceu os fatos geradores, indicou a alíquota aplicada, bem como nomeou as empresas contratadas em que se identificou a ausência da retenção, descrevendo mensalmente a base de cálculo. Portanto, não acato a preliminar de nulidade avençada. NULIDADE DO ACORDÃO PELA AUSÊNCIA DE CIENTIFICAÇÃO DA EMPRESA L’ ATELIER MOVEIS Ao contrário do alegado pela empresa em sede de recurso a mesma foi devidamente cientificada por meio de seu procurador, assim, como todas as demais empresas do grupo formado. Às fls. 62 a 64 consta termo de cientificação, portanto não assiste razão quanto a nulidade do acórdão proferido. Segue trecho do termo de cientifgicação, fl. 63: A segunda via dos documentos constitutivos dos créditos, bem como os relatórios e elementos que vinculam as empresas como grupo econômico foram entregues a cada contribuinte auditado, tendo sido em todas elas, recebidas pelo Senhor Sérgio Manini, na qualidade de Procurador. DO MÉRITO Quanto ao mérito de ser devida a retenção ressaltese que no recurso em questão, o contribuinte resumiuse a atacar a decadência sem refutar, e a nulidade da NFLD, sem refutar qualquer dos fatos geradores apurados . Dessa forma, em relação aos fatos geradores objeto da presente notificação, como não houve recurso expresso aos pontos da DecisãoNotificação (DN) presumese a concordância da recorrente com a DN. Uma vez que houve concordância, lide não se instaurou e, portanto, deve ser mantida a DecisãoNotificação. Notese por fim, que a empresa “Investmov” descrita como empresa do grupo econômico apresentou recurso, no qual argumenta ser incabível a formação de grupo econômico, bem como que os créditos encontramse decadentes. Quanto a decadência a apreciação da mesma em relação ao recurso apresentado pela empresa principal notificada, aproveita as demais empresas do grupo econômico, devendo ser adotado o mesmo resultado. Porém, restanos averiguar a alegação de incabível a formação do grupo econômico. Quanto a este ponto não há o que ser apreciado, tendo em vista que na fase impugnatória não apresentou a empresa “Investmov” impugnação aos termos da NFLD lavrada. Notese que as empresas do grupo foram devidamente cientificadas, conforme descrito no relatório de ciência do grupo, fls. 65 (exemplo): A segunda via dos documentos constitutivos dos créditos, bem como os relatórios e elementos que vinculam as empresas como grupo econômico foram entregues a cada contribuinte auditado, tendo sido em todas elas, recebidas pelo Senhor Sérgio Manini, na qualidade de Procurador. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 10/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Assinado digitalmente em 24/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 22/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SIL Processo nº 18108.002386/200736 Acórdão n.º 240101.654 S2C4T1 Fl. 230 13 Importante ressaltar, que a empresa L.A. também não fez qualquer alegação quanto a formação do grupo. Nos termos do § 6.º do art. 9.º da Portaria MPS/GM n.º 520/2004 c/c art. 17 do Decreto n.º 70.235/1972, a abrangência da lide é determinada pelas alegações constantes na impugnação, não devendo ser consideradas no recurso as matérias que não tenham sido aventadas na peça de defesa. Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos da DecisãoNotificação, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente são incapazes de refutar a presente notificação. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento, rejeitar a preliminar de nulidade da Decisão Notificação, bem como , rejeitar a preliminar de decadência e no mérito NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Voto Vencedor Conselheiro Elias Sampaio Freire, Redator Designado No que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação temos o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do Fl. 13DF CARF MF Emitido em 10/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Assinado digitalmente em 24/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 22/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SIL 14 débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser Fl. 14DF CARF MF Emitido em 10/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Assinado digitalmente em 24/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 22/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SIL Processo nº 18108.002386/200736 Acórdão n.º 240101.654 S2C4T1 Fl. 231 15 reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). Em suma, inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). No presente caso, como bem salientou a relatora, o contribuinte está sendo tributado em decorrência de não ter efetuado o regular recolhimento das contribuições que deveriam ter sido retidas do contratado, previsto no art. 31 da Lei nº 8212/91, in verbis: “Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5o do art. 33 desta Lei.” Sobre esta questão há de se fazer distinção entre duas situações. A primeira diz situação diz respeito às hipóteses nas quais a empresa contratante efetua a retenção da empresa contratada e não recolhe estes valores aos cofres públicos. Sobre esta hipótese já se manifestou o STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC (REsp 1131047 / MA, sendo relator o ministro Teori Albino Zavascki), no sentido de que a empresa contratante é responsável, com exclusividade, pelo recolhimento da contribuição previdenciária por ela retida do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, afastada, em relação ao montante retido, a responsabilidade supletiva da empresa prestadora, cedente de mãodeobra, assim ementado: “TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE. RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. FORNECEDOR E TOMADOR DE MÃODEOBRA. ART. 31 DA LEI 8.212/91, COM A REDAÇÃO DA LEI 9.711/98. 1. A partir da vigência do art. 31 da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei 9.711/98, a empresa contratante é responsável, com exclusividade, pelo recolhimento da contribuição previdenciária por ela retida do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, afastada, em relação ao montante retido, a responsabilidade supletiva da empresa prestadora, cedente de mãodeobra. 2. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08.” Fl. 15DF CARF MF Emitido em 10/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Assinado digitalmente em 24/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 22/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SIL 16 A segunda situação, que é a dos autos, diz respeito à hipótese na qual o fisco tributa a empresa contratante em virtude de esta empresa não ter efetuado a regular retenção nas notas fiscais ou faturas da empresa contratada. Sobre a natureza jurídica da retenção de 11% incidente sobre as notas fiscais ou faturas de prestação de serviços o STJ proferiu o seguinte entendimento em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC (REsp 1036375 / SP, sendo relator o ministro Luiz Fux): PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇO. RETENÇÃO DE 11% SOBRE FATURAS. ART. 31, DA LEI Nº 8.212/91, COM A REDAÇÃO DA LEI Nº 9.711/98. NOVA SISTEMÁTICA DE ARRECADAÇÃO MAIS COMPLEXA, SEM AFETAÇÃO DAS BASES LEGAIS DA ENTIDADE TRIBUTÁRIA MATERIAL DA EXAÇÃO. 1. A retenção de contribuição previdenciária determinada pela Lei 9.711/98 não configura nova exação e sim técnica arrecadatória via substituição tributária, sem que, com isso, resulte aumento da carga tributária. 2. A Lei nº 9.711/98, que alterou o artigo 31 da Lei nº 8.212/91, não criou nova contribuição sobre o faturamento, tampouco alterou a alíquota ou a base de cálculo da contribuição previdenciária sobre a folha de pagamento. 3. A determinação do mencionado artigo configura apenas uma nova sistemática de arrecadação da contribuição previdenciária, tornando as empresas tomadoras de serviço como responsáveis tributários pela forma de substituição tributária. Nesse sentido, o procedimento a ser adotado não viola qualquer disposição legal. 4. Precedentes: REsp 884.936/RJ, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/08/2008, DJe 20/08/2008; AgRg no Ag 906.813/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/10/2007, DJe 23/10/2008; AgRg no Ag 965.911/SP, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/04/2008, DJe 21/05/2008; EDcl no REsp 806.226/RJ, Rel. MIN. CARLOS FERNANDO MATHIAS (JUIZ CONVOCADO DO TRF 1ª REGIÃO), SEGUNDA TURMA, julgado em 04/03/2008, DJe 26/03/2008; AgRg no Ag 795.758/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 19/06/2007, DJ 09/08/2007. 5. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Este intróito se fez necessário para demonstrar as razões pelas quais ouso divergir da ilustre conselheira relatora no que diz respeito à aplicação da regra a ser utilizada para definir o termo inicial do prazo decadencial, ao afirmar que: “No lançamento ora em análise, identificamos a cobrança de contribuição sobre valores não descontados pela tomadora de serviços à título de retenção , portanto não há de se falar em recolhimento antecipado para aplicação do art. 150, § 4º, devendo a decadência ser aplicada pelo disposto no art. 173 do CTN.” Fl. 16DF CARF MF Emitido em 10/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Assinado digitalmente em 24/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 22/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SIL Processo nº 18108.002386/200736 Acórdão n.º 240101.654 S2C4T1 Fl. 232 17 No caso de tributo lançado por homologação, quando não há pagamento antecipado, ou há a ocorrência de fraude, dolo ou simulação, o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional). A minha divergência diz respeito especificamente ao que se considera como pagamento antecipado ou não para fins de enquadramento na regra prevista no art. 150, § 4º do CTN. Inicialmente ressalto que no presente caso a empresa contratante não efetuou a regular retenção nas notas fiscais ou faturas da empresa contratada. O crédito tributário foi lançado na forma preconizada no art. 33, § 5º da Lei n.º 8.212/91, in verbis: Art. 33................ ........................... § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei” Ou seja, o sujeito passivo passou a suportar o ônus de não ter realizado a retenção que era obrigada a realizar na condição de substituto tributário, passando a ficar diretamente responsável pela retenção que deixou de realizar e, consequentemente, pelo recolhimento do tributo devido. Para fins de averiguação da antecipação de pagamento, as contribuições previdenciárias a cargo da empresa na condição de responsável direto devam ser apreciadas como um todo. Os documentos constantes nos autos impossibilitam concluir acerca da ausência de antecipação de pagamento de contribuições previdenciárias por parte do sujeito passivo. A regra do art. 150, § 4º, do CTN tratase de regra específica a ser aplicada a tributo sujeito ao lançamento por homologação, que prefere à regra geral prevista no art. 173, I do CTN. Ou seja, para que se aplique a regra do art. 173, I do CTN, em detrimento a regra do art. 150, § 4º, deve os fisco comprovar a ocorrência de uma das seguintes situações: (i) ocorrência de dolo, fraude ou simulação; ou (ii) que não houve antecipação do pagamento. O que não ocorreu no presente caso. Assim, na data em que o sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 03/12/2007, os fatos geradores objeto da presente NFLD, compreendidos entre as competências 01/2002 a 11/2002, encontravamse fulminados pela decadência. Fl. 17DF CARF MF Emitido em 10/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Assinado digitalmente em 24/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 22/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SIL 18 Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso, em virtude da ocorrência da decadência. É como voto. Elias Sampaio Freire Fl. 18DF CARF MF Emitido em 10/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Assinado digitalmente em 24/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 22/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SIL
score : 1.0
Numero do processo: 11522.000266/2002-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP.Ano-calendário: 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995PIS. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE.Com a declaração de inconstitucionalidade dos Decretos Lei nº 2.445/88 e 2.449/88, a base de cálculo do PIS, eleita pela LC nº 7/70, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. Situação que perdurou até o pertinente efeito da MP nº 1.212/95. Aplicação da Súmula CARF nº 15.COMPENSAÇÃO. COISA JULGADA. APLICAÇÃO DE LEI SUPERVENIENTE FAVORÁVEL.O sujeito passivo pode compensar créditos relativos ao PIS a ele reconhecidos em sentença judicial transitada em julgado com débitos próprios referentes a outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, ainda que a sentença, fundada em dispositivos legais restritivos vigentes à época de sua prolação (posteriormente modificados), disponha diversamente.Recurso Voluntário Provido.Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 3302-000.821
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Walber José da Silva.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: ALAN FIALHO GANDRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995 PIS. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. Com a declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLei nº 2.445/88 e 2.449/88, a base de cálculo do PIS, eleita pela LC nº 7/70, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. Situação que perdurou até o pertinente efeito da MP nº 1.212/95. Aplicação da Súmula CARF nº 15. COMPENSAÇÃO. COISA JULGADA. APLICAÇÃO DE LEI SUPERVENIENTE FAVORÁVEL. O sujeito passivo pode compensar créditos relativos ao PIS a ele reconhecidos em sentença judicial transitada em julgado com débitos próprios referentes a outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, ainda que a sentença, fundada em dispositivos legais restritivos vigentes à época de sua prolação (posteriormente modificados), disponha diversamente. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Walber José da Silva. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 08/02/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/02/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 2 (assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra Relator. EDITADO EM: 08/02/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 0112.545, da DRJ/Belém, o qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada pela interessada. Usando do princípio da economia processual e no intuito de ilustrar aos pares a matéria, adoto e ratifico excertos do relatório objeto da decisão recorrida, que bem descrevem os fatos até aquela fase dos autos, ipsis verbis: “Trata o presente processo de pedidos de restituição de PIS e de FINSOCIAL cumulados com pedidos e declarações de compensação. 2. Ao apreciar o pleito do contribuinte, assim se manifestou a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Rio Branco (fls. 429/441): PIS Após o lançamento das parcelas recolhidas à época no Sistema da Secretaria da Receita Federal denominado CTSJ — Crédito Tributário Sub Judice, concluiuse que, além de não haver crédito em favor do contribuinte, o recolhimento efetuado à época a título de PIS deuse em valor menor que o devido, [...] FINSOCIAL [...], podese verificar a existência de crédito perante a Fazenda Nacional passíveis de compensação com débitos de COFINS, por terem mesma destinação constitucional conforme estabeleceu a decisão relativa ao processo em epígrafe. 3. Irresignado com a decisão da qual tomou ciência em 10.01.2007 (fl. 533), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 18.01.2007 (fls. 534/549) alegando: a) Que a base de cálculo do PIS seria o faturamento do sexto mês anterior (semestralidade), razão pela qual não poderia incidir correção monetária sobre ela; b) Que o crédito reconhecido a título de pagamento indevido de FINSOCIAL poderia ser compensado com quaisquer impostos e contribuições devidas à Receita Federal. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 08/02/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/02/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 11522.000266/200250 Acórdão n.º 330200.821 S3C3T2 Fl. 2 3 4. Por fim, requereu a reforma da decisão atacada para que fosse reconhecido o crédito a título de PIS e o direito de utilização dos créditos de PIS e FINSOCIAL para compensação com quaisquer tributos administrados pela Receita Federal”. A DRJ não acolheu as alegações do contribuinte e manteve a glosa do crédito pretendido, em acórdão resumido na seguinte ementa: “PIS. SEMESTRALIDADE. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6° da Lei Complementar n° 07/70, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. PIS. SEMESTRALIDADE. DIREITO CREDITÓRIO. APURAÇÃO. Na aferição do direito creditório referente ao PIS, devese apurar a base de cálculo de acordo com o critério da semestralidade e fazer o encontro com o pagamento a ela referente. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES DECISÃO JUDICIAL. CUMPRIMENTO. Administração Pública deve obediência às decisões judiciais, razão pela qual tem que cumprilas em sua integridade. Solicitação Indeferida”. Cientificada do acórdão, a interessada insurgese contra seus termos, interpondo recurso voluntário a este Eg. Conselho, repisando os mesmos argumentos aduzidos anteriormente. O processo foi a mim distribuído na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Alan Fialho Gandra, Relator Admissibilidade O recurso voluntário merece ser conhecido, pois é tempestivo e preenche os demais requisitos formais e materiais exigidos para sua admissibilidade. PIS Semestralidade Fl. 3DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 08/02/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/02/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 4 Sobre a chamada semestralidade da base de cálculo do PIS, até o início dos efeitos da Medida Provisória no 1.212/95, firmouse, no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o entendimento de que (i) o art. 6°, parágrafo único, da LC nº 7/70 não se refere ao prazo para recolhimento do PIS, mas sim à sua base de cálculo e (ii) a base de cálculo do PIS apurada na forma da LC nº 7/70 não está, por falta de previsão legal, sujeita à atualização monetária. Tal entendimento resultou na edição da seguinte súmula: Súmula CARF no 15 A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6o da Lei Complementar no 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. Portanto, deve ser reconhecido o direito de restituição dos valores pagos a maior, correspondentes à diferença entre a contribuição realmente devida (calculada com base no faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária), e os valores efetivamente pagos. FINSOCIAL Compensação com Outros Tributos Conforme acima relatado, a decisão recorrida indeferiu o pleito de compensação de créditos de PIS, reconhecido judicialmente, com débitos próprios referentes a FINSOCIAL, sob a fundamentação de obediência às decisões judiciais. Opostamente, a Recorrente alega que a decisão recorrida merece ser reformada, em suma, pelas seguintes razões: Alteração sofrida na legislação, mais favorável ao contribuinte, in casu a Lei nº 10.637/02 que deu nova redação ao art. 74 da Lei nº 9.430/96, regulamentada pela Instrução Normativa da Receita Federal do Brasil IN nº. 210/2002 e 600/2005; A legislação aplicável é a vigente do pedido de compensação. Não sendo considerado descumprimento judicial se realizado dentro dos ditames permitidos em lei. Teor das Solução de Consulta SRF/SRRF10ª RF nº 347/04 e SRF/SRRF6ª RF nº 258/04. Da análise da matéria, verificase que o art. 74 da Lei nº 9.430/96, com redação dada pela Lei nº 10.637/02, autoriza a compensação em apreço. Pelo exposto, entendo possível a compensação de crédito de PIS, reconhecido em sentença judicial transitada em julgado, com débitos próprios referentes a outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, ainda que a sentença, fundada em dispositivos legais restritivos vigentes à época de sua prolação (posteriormente modificados), disponha diversamente. Conclusão Com essas considerações, voto por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito de compensar créditos relativos ao PIS com débitos próprios referentes a outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 08/02/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/02/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 11522.000266/200250 Acórdão n.º 330200.821 S3C3T2 Fl. 3 5 (assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra Relator Fl. 5DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 08/02/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/02/2011 por ALAN FIALHO GANDRA
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Numero do processo: 13896.000112/2001-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 23 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Sep 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 1998
Ementa: IRPF. IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO.
O imposto pago no exterior é compensável quando há reciprocidade de
tratamento e o contribuinte faz a prova do pagamento por meio da
apresentação de documento devidamente traduzido por tradutor juramentado.
Hipótese em que não há prova do pagamento do imposto no exterior.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-000.750
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em
NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 1998 Ementa: IRPF. IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO. O imposto pago no exterior é compensável quando há reciprocidade de tratamento e o contribuinte faz a prova do pagamento por meio da apresentação de documento devidamente traduzido por tradutor juramentado. Hipótese em que não há prova do pagamento do imposto no exterior. Recurso negado.
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MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO 13896.000112/2001-64 176.830 Voluntário 2101-00.750 — 1" Câmara / 1' Turma Ordinária 23 de setembro de 2010 IRPF - Imposto pago no exterior WALTER JOSÉ DA SILVA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA F iSICA IRPF Exercício: 1998 • Ementa: IRPF. IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO. O imposto pago no exterior 6 compensável quando há reciprocidade de tratamento e o contribuinte faz a prova do pagamento por meio da apresentação de documento devidamente traduzido por tradutor juramentado. Hipótese em que não há prova do pagamento do imposto no exterior. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colew,:ado, por unanimidade de votos, em NEGAR provim nto ao recurso, nos termos do votidao elator. EDITADO EM: 0 5 SAN 2011 Participaram do julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido, Alexandre Naoki Nishioka, Ana Neyle Olímpio Holanda, José Raimundo Tosta Santos, Odmir Fernandes e Gonçalo Bonet Allage. Vocesso ri° 13896000112/2001-64 S2-C111 córdão n'2I0I -00.750 Fl. 118 elatório Trata-se de recurso voluntário (fis. 45/59) interposto em 12 de janeiro de 009 contra o acórdão de fls. 31/37, do qual o Recorrente teve ciência em 11 de dezembro de 068 (f1. 43, verso), proferido pela 1' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento m 'Fortaleza (CE), que, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente o auto de nfriação de fls. 04/07, lavrado em 16 de agosto de 2000, em decorrência de dedução indevida e (a) imposto de renda retido na fonte e (b) imposto pago no exterior, verificada no ano- alênddrio de 1997. relatório contido no acórdão recorrido resume as infrações apontadas e as egaçeies do Recorrente da seguinte forma: "Contra o contribuinte identificado nos autos foi lavrado Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF, fls. 04/07, relativo ao ano- calendário de 1997, exercício de 1998, para formalização de exigência e cobrança de crédito tributário no valor total de R$ 122656,79, incluindo multa de oficio e juros de mora, estes calculados até 09/2000 As infrações apuradas pela Fiscalização, relatadas no Demonstrativo das Infrações, fl. 06, foram: - Dedução indevida de imposto de renda retido na fonte. Segundo registros no IRF/CONS o contribuinte so possui R$ 140,17 de imposto de renda retido na fonte, código 0561, trabalho corn vinculo ernpregaticio; - Dedução indevida do imposto pago no exterior. O contribuinte não apresentou os valores pagos no exterior. Foi glosado o valor de R$ 48.359,75 . Os dispositivos legais infringidos e a penalidade aplicável encontram-se discriminados As Es. 05/06. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação em 08/02/2001, fls. 01/03, mediante instrumento proem atório, Es 23/24, com_as. alegações a seguir transcritas: (—) 3) Da glosa do imposto pago no exterior — Corn fulcro no artigo 103 d Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999): "As pessoas físicas que declararem rendimentos provenientes de fontes situadas no exterior poderão deduzir, do imposto apurado na forma do art. 86, o cobrado pela nação de origem daqueles rendimentos, desde que: - em conformidade com o previsto no acordo ou convenção internacional firmado com o pais de origem dos rendimentos, quando não houver sido restituído ou compensado naquele país; ou II - haja reciprocidade de tratamento em relação aos rendimentos produzidos no Brasil." Sendo assim dito, e em. conformidade A legislação, o Impugnante apresenta LEI DO IMPOSTO DE RENDA DO MEXICO (documento 05), cujo artigo sexto salva: "As pessoas residentes no México podem aplicar o Imposto de Renda que 2 I tiverem pago no exterior sobre rendas provenientes de fontes situadas no exterior como crédito do imposto pagável por elas nos termos do presente, desde que essas rendas sejam de natureza em que haja obrigação de pagar imposto nos termos do presente. A aplicação como crédito mencionada neste parágrafo só estará em ordem quando o Imposto de Renda pago no exterior for incluído na renda obtida ou auferida e acumulada como tributável". Podemos por analogia ao Ato Declaratório SRF no 28, de 26 de abril de 2000 (documento 06) compensar o imposto pago no México na declaração brasileira da mesma maneira que é feito com o imposto pago nos EUA. Tal Ato declara compensável com o imposto devido, no Brasil, o imposto pago nos EUA sobre receitas e rendimentos auferidos, naquele pais Todo o exposto em acordo corn a IN SRF n° 73, de 23 de julho de 1998, art. 1° § 2°: "A prova de reciprocidade de tratamento far-se-á com cópia da lei publicada em órgão de imprensa oficial do pais de origem do rendimento, traduzida por tradutor juramentado e mediante declaração desse órgão atestando a reciprocidade de tratamento tributário." IL DO PEDIDO Diante do exposto, requer seja considerada válida a compensação do imposto pago no exterior conforme valores são demonstrados no informe emitido pela Receita Federal (documento 07); que seja considerado o valor total de imposto retido na fonte de R$ 14.017,60 para que o Impugnante tenha direito á sua restituição original no valor de R$ 8.239,03 anulando o lançamento do imposto suplementar de R$ 53.998,15. (...)." Neste sentido, a Recorrida julgou procedente em parte o lançamento, por meio de acórdão que teve a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 1997 COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. O imposto de ienda retido na fonte devidamente comprovado pode ser compensado com o devido na Declaração de Ajuste Anual. COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. RECIPROCIDADE DE TRATAMENTO. COMPROVAÇÃO. Incabível a compensação de imposto pago no exterior quando não atendidos os requisitos estabelecidos na legislação tributária brasileira. Lançamento Procedente em Parte" (fl. 31). Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. r 45/59, por meio do qual procura demonstrar, em síntese, que: (a) comprovou a reciprocidade de tratamento tributário nos termos do que preconiza a Lei n° 4.862/65, aplicável na época dos fatos, sobretudo por meio dos documentos acostados que instruem sua manifestação; S2-C1T1 Processo n° 13396 000112/2001-64 Ac • rtliio n 2101-00:75-ir FI 119 3 rocesso n" 13896.000112/2001-64 cOrd -do n ° 2101-00.750 S2-C1T1 FL 120 (b) não se aplicam ao caso concreto os requisitos da TN SRF 73/98, uma vez que se trata de autuação fiscal relativa ao ano-calendário de 1997 (art. 105 e 144 do CTN). Ainda que assim não fosse, estar-se-ia diante de enunciado que extrapolou os preceitos da Lei 4.862/65, o que viola o principio da legalidade e da hierarquia entre normas jurídicas; (c) a Lei n° 4.862/65 deve ser interpretada literalmente (art. 111. do CTN), t'isto que trata de beneficio tributário (possibilidade de compensação do imposto pago no xterior com o imposto pago no Brasil), o que reforça, ainda mais, a violação pela IN SU* a° 3/98 de seus preceitos; e (d) qualquer imposição de formalismo excessivo para fins de comprovação • a reciprocidade de tratamento tributário, tendo em vista a juntada de documentos que por si só *6 comprovam devidamente o direito à compensação, viola frontalmente os princípios da erdade material, razoabilidade e proporcionalidade. Se é possível verificar que a legislação do éxico atribui a possibilidade de compensação do imposto pago no estrangeiro, nada mais há • ue se exigir do contribuinte. E o relatório. oto Conselheiro ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele onheço. No mérito, a questão debatida cinge-se b. alegada possibilidade de dedução do mposto pago no exterior, com o exame da prova da reciprocidade de tratamento entre Brasil-e exico e conseqüente análise da comprovação dos pagamentos efetuados. O Recorrente funda sua pretensão recursal no artigo 12, alínea IV, da Lei n.° 9.250/1995, que prevê a dedutibilidade do valor cobrado pela nação de origem dos eridimentos, desde que haja a reciprocidade de- tratamento em relação aos rendimentos •rOduzidos no Brasil. Veja-se: "Art, 12. Do imposto apurado na forma do artigo anterior, poderão ser deduzidos: (—) VI - o imposto pago no exterior de acordo com o previsto no art. 5° da Lei n" 4.862, de 29 de novembro de 1965. (—)-" Eis o teor do citado art. 5° da Lei n.° 4.862/1976: "Art 5° As pessoas físicas, residentes ou domiciliadas no território nacional, que declarem rendimentos provenientes de fontes situadas no estrangeiro, poderão deduzir do impósto progressivo, calculado de acórdo com o art. 1' importância-cm cruzeiros equivalente ao imp6sto de renda cobrado pela nação de origem daqueles 4 Processo O 13896000112/2001-64 82-C1TI 4córdiio n.° 2101-00.750 FL 121 rendimentos, desde que haja reciprocidade de tratamento em relação aos rendimentos produzidos no Brasil." No mesmo sentido dispõe o art. 103, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n.° 3.000/1999): . "Art. 103. As pessoas físicas que declararem rendimentos provenientes de fontes situadas no exterior poderão deduzir, do imposto apurado na forma do art. 86, o cobrado pela nação de origem daqueles rendimentos, desde que (Lei n 2 4.862, de 1965, art.. 5 2, e Lei n2 5.172, de 1966, art. 98): (---) 11 - haja reciprocidade de tratamento em relação aos rendimentos produzidos no Brasil. § 1 2 A dedução não poderá exceder a diferença entre o imposto calculado corn a inclusão daqueles rendimentos e o imposto devido sem a inclusão dos mesmos rendimentos, § 22 0 imposto pago no exterior sera convertido em Reais mediante utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América informado para compra pelo Banco Central do Brasil para o Ultimo dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do recebimento do rendimento (Lei n 2 9.250, de 1995, art. 6 2)," Em seu recurso, demonstra o Recorrente que a Lei do Imposto de Renda do México, na época dos fatos, em seu art. 6°, caput, primeira parte — cuja cópia traduzida por tradutora juramentada foi acostada nas fls. 16/20 dos autos, bem como novamente aPresentada com o recurso voluntário, juntamente com o comprovante das respectivas atualizações, nas fig 78/115 — , prescreve a aplicação do mesmo tratamento, com o reconhecimento como crédito do imposto pago no exterior. Veja-se o seu teor, extraído da fl. 16 dos autos: "Artigo 6°. As pessoas residentes no Mexico podem aplicar o Imposto de Renda que tiverem pago no exterior sobre rendas provenientes de fontes situadas no- exterior corno crédito do imposto pagável por elas nos termos do presente, desde qu essas rendas sejam de natureza em que haja obrigação de pagar imposto nos termos do presente . A aplicação como crédito mencionada neste parágrafo so estará em ordem quando o Imposto de Renda pago no exterior for incluido na renda obtida ou auferida e acumulada como tributável. (...)." O v. acórdão recorrido, contudo, entendeu incabível a compensação do imposto pago no exterior, sob o fundamento de que, "embora o contribuinte tenha acostado aos autos cópia da Lei do México, pais de origem dos rendimentos percebidos, esse documento não atende aos requisitos postos pela legislação tributária brasileira, pois a mesma não se encontra autenticada pela representação diplomática do Brasil naquele pais como também não há declaração desse órgão atestando a reciprocidade de tratamento "(fl. 36). Para tanto, invoca o teor da Instrução Normativa SRF n.° 073/1998 que, em seu artigo 1°, assim estabelece: "Art. 1°. Os rendimentos e ganhos de capital auferidos por pessoa fisica residente no Pais, de fontes situadas no exterior, inclusive de órgãos do Governo brasileiro localizados fora do Brasil, e os rendimentos e ganhos de capital auferidos P acesso n° 13896 000112/2001-64 S2-C111 córclilo n.° 2101-00.750 Fl. 122 no Brasil por pessoa fisica não-residente no Pais estão sujeitos à tributação pe -lo imposto de renda, conforme o disposto nesta Instrução Normativa, sem prejuízo dos acordos, tratados e convenções internacionais firmados pelo Brasil, para evitar a dupla tributação, ou da existência de reciprocidade de tratamento, §2. A prova de reciprocidade de tratamento far-se-a com copia da lei publicada em órgão de imprensa oficial do pais de origem do rendimento, traduzida por tradutor juramentado e autenticada pela representação diplomática do Brasil naquele pais, ou mediante declaração desse órgão atestando a reciprocidade de tratamento tributário, §3. A Secretaria da Receita Federal editará ato declaratório informando os países que adotam reciprocidade de tratamento fiscal de que trata este artigo." Entendo, contudo, que a mera falta da autenticação, pela representação ipliomática do Brasil naquele pais, da prova da reciprocidade não tem o condão de eSqualificd-la como tal. Com efeito, a legislação que atesta a reciprocidade de tratamento no éxico foi devidamente juntada aos autos corn tradução juramentada, não havendo qualquer úvida fundada acerca da legitimidade do documento. Aliás, posteriormente à data dos fatos, rasil e México inclusive firmaram Tratado para evitar a dupla tributação e prevenir a evasão scal em relação aos impostos sobre a renda, o qual foi aprovado pelo Decreto Legislativo n.° 8/N:KW A existência de tradução juramentada dos documentos estrangeiros, alias, tem ido considerada suficiente pela jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais. t . o ue se extrai dos acórdãos cujas ementas seguem transcritas: ,,(..,) IRPF - IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR - Pode ser deduzido do imposto apurado na declaração de ajuste anual o valor equivalente ao imposto pago no exterior, desde que haja reciprocidade de tratamento em relação aos rendimentos produzidos no Brasil ou, ainda, nos casos de acordo ou convenção firmado com o pais de origem dos rendimentos: 9 ordenamento jurídico pátrio exige, ainda, para a produção de efeitos de documentos redigidos em lingua estrangeira, que sejam acompanhados de versão em vernáculo, firmada por tradutor juramentado, Recurso parcialmente provido," (Recurso n.° 140.080, 6a Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, Relator Gonçalo Bonet Allage, j. 11/08/2005, m.v.). *** "IRPE - IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR - Os valores relativos a imposto pago no exterior poderão ser deduzidos do imposto apurado na Declaração Anual, observadas as regras fixadas nos acordos firmados corn o pais de origem dos rendimentos, desde que acompanhados pela documentação pertinente e a respectiva tradução formalizada por tradutor juramentado_ Recurso provido." (Recurso n..." 136.335, 6° Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes, Relator Romeu Bueno de Camargo, j. 09/07/2004, v.u.). Quanto a esse aspecto, o Superior Tribunal de Justiça tem dispensado, inc usive, a tradução juramentada, nos casos em que não se contesta a validade do documento n lingua espanhola e a tradução é dispensável para sua compreensão, como no caso dos autos. o Processo 13896.000112/2001-64 S2-CITI Acórdão 2101-00.750 11 123 E o que se extrai do seguinte trecho do voto do Ministro Teori Albino Zavascki no julgamento dO Recurso Especial n,* 616.103, nos seguintes termos: "2. Dispõe o artigo 157 do CPC o seguinte: "So poderd ser junto aos autos documento redigido em lingua estrangeira, quando acompanhado de versão em vernáculo, firmada por tradutor juramentado" No caso, não se alega a falsidade dos documentos apresentados, nem qualquer prejuízo a sua compreensão. Alega-se, simplesmente, a falta de tradução. Ora, conforme ressaltou o acórdão recorrido, "os orçamentos apresentados pelo autor, escritos em idioma espanhol, são de fácil compreensão" (fl. 95). Sendo documento cuja validade não se contesta e cuja tradução não é indispensável para a sua compreensão, não é razoável negar-lhe eficácia de prova. 0 art. 157 do CPC, como toda regra instrumental, deve ser interpretado sistematicamente, levando em consideração, inclusive, os princípios que regem as nulidades, nomeadamente o de que nenhum ato será declarado nulo, se da nulidade não resultar prejuízo para acusação ou para a defesa (pas de nulitté sans grief). Não havendo prejuízo, não se pode dizer que a falls de tradução, 110 caso, tenha importado violação ao art. 157 do CPC.. 3. Diante do exposto, nego provimento ao recurso especial. É. o voto." (Rrisp 616103/SC, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 14/0912004, DI 27/09/2004, p. 255). Não obstante o meu entendimento, já consignado no voto do Recurso Voluntário n.° 155.261, sob minha relatoria, no sentido de que "o imposto pago no exterior é diclutivel quanto há reciprocidade de tratamento e o contribuinte faz a prova do pagamento através da apresentação de documento devidamente traduzido por tradutor juramentado", o Recorrente não fez prova, no caso concreto, do efetivo pagamento do tributo no exterior. Como se extrai do "Demonstrativo das Infrações", constante na fl. 06 dos autos, o contribuinte foi autuado pela "dedução indevida do imposto pago no exterior" sob o fundamento de que "não apresentou os valores pagos no exterior". Compulsando-se os autos, constata-se que, tanto na impugnação como no recurso voluntário, e nos documentos a eles anexados, busca o Recorrente demonstrar a , existência de reciprocidade entre o Brasil e o México, porém não apresentou qualquer documento que pudesse fazer prova do pagamento realizado no exterior, não sendo suficiente para tanto a mera declaração do contribuinte. Assim, em que pese a existência de reciprocidade de tratamento entre os .,,paises ern referencia, não logrou o Recorrente comprovar o efetivo pagamento do tributo no exterior, razão pela qual é de ser mantida a exação, Eis os motivos pelos quais voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. Sala das Sessões-DF, em 23 de setembØ de 2010. rtt, Alexandre I■lao i Nishioka S2-C1T1 ocgsso n° 13896 000112/2001-64 córdão 11. 0 2101-00.750 Ft .124 8
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000536/2007-29
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 27 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Jul 27 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2003
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
Para a aplicação da multa qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento) é indispensável a plena caracterização e comprovação da prática de conduta fraudulenta por parte do contribuinte, ou seja, é absolutamente necessário restar demonstrada a materialidade dessa conduta, ou que fique configurado o
dolo especifico do agente, evidenciando não somente a intenção, mas também o seu objetivo.
GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INÍCIO PARA CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL.
A tributação dos ganhos de capital na alienação de bens e direitos é definitiva e em separado. 0 ganho não integra a base de cálculo do imposto anual, nem pode o valor pago ser deduzido daquele apurado na declaração de ajuste, amoldando-se assim a modalidade do lançamento por homologação. Dessa forma, o termo inicial para a contagem do interstício decadencial é a data de
ocorrência do fato gerador, qual seja, a da realização da alienação do bem ou direito.
Recurso voluntário provido.
Crédito tributário exonerado .
Numero da decisão: 2802-000.400
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR
PROVIMENTO ao recurso interposto par a desqualificar o apenamento aplicado no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento) e, por via de conseqüência, acolher a preliminar de decadência suscitada pelo recorrente. Vencidos os Conselheiros os José Evande Carvalho de Araújo e Dayse Fernandes Leite (suplentes convocados) que votaram pela manutenção da qualificação da penalidade, além de não acolherem a preliminar decadência por considerarem que se aplicaria ao caso as disposições contidas no art. 173, I, do CTN. 0 Conselheiro José Evande Carvalho de Araújo apresentará declaração de voto.
Matéria: IRPF- ação fiscal (AF) - ganho de capital ou renda variavel
Nome do relator: VALERIA PESTANA MARQUES
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Para a aplicação da multa qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento) é indispensável a plena caracterização e comprovação da prática de conduta fraudulenta por parte do contribuinte, ou seja, é absolutamente necessário restar demonstrada a materialidade dessa conduta, ou que fique configurado o dolo especifico do agente, evidenciando não somente a intenção, mas também o seu objetivo. GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INÍCIO PARA CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. A tributação dos ganhos de capital na alienação de bens e direitos é definitiva e em separado. 0 ganho não integra a base de cálculo do imposto anual, nem pode o valor pago ser deduzido daquele apurado na declaração de ajuste, amoldando-se assim a modalidade do lançamento por homologação. Dessa forma, o tenno inicial para a contagem do interstício decadencial é a data de ocorrência do fato gerador, qual seja, a da realização da alienação do bem ou direito. Recurso voluntário provido. Crédito tributário exonerado . Vistos, relatados e discutidos os presentes autos." C.2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso interposto par a desqualificar o apenamento aplicado no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento) e, por via de conseqüência, acolher a preliminar de decadência suscitada pelo recorrente. Vencidos os Conselheiros os José Evande Carvalho de Araújo e Dayse Fernandes Leite (suplentes convocados) que votaram pela manutenção da qualificação da penalidade, além de não acolherem a preliminar decadência por considerarem que se aplicaria ao caso as disposições contidas no art. 173, I, do CTN. 0 Conselheiro José Evande Carvalho de Araújo apresentará declaração de voto. Valéria Pestana Marques - Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Nogueira Nicácio, Dayse Fernandes Leite (suplente convocada), Guilherme Barranco de Souza (suplente convocado), José Evande Carvalho Araújo (suplente convocado), Sidney Ferro Barros e Valéria Pestana Marques (Presidente). Ausentes justificadamente os Conselheiros Ana Paula Locoselli Erichsen, Jorge Cláudio Duarte Cardoso e Lúcia Reiko Sakae, FORMALIZADO EM: 0 3 DEZ 7.010 Relatório Trata-se de Auto de Infração lavrado ern face de ação fiscal levada a efeito contra o contribuinte em epigrafe com aplicação da multa qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento). A infração imputada foi omissão de rendimentos correspondente a 50% (cinqüenta por cento) do ganho de capital obtido quando da alienação, em fevereiro de 2002, do direito de uso das marcas "Esso Brasileiro de Petróleo S/A" e" Hungry Tiger". Consta do relatório do julgado de 1° grau, à fl. 49, que a autuação da parcela restante do ganho em comento foi atribuida ao sócio do requerente nos autos de 18471.000531/2007-04. O presente procedimento, conforme consta as fls. 17/21, originou-se da necessidade de verificação da existência ou não de valores a serem exigidos a titulo de PIS e CORNS da empresa Auto Posto Castelo de Paiva Ltda., tendo em vista tutela antecipada concedida pelo Poder Judiciário determinando o repasse de dada quantia à referida empresa pela Petrobras. 2 Processo n° 18471 000536/2007-29 82-TE02 Acórdão n 0 2802.00.400 0 FL 77 Na ocasião foi verificado pela autoridade fiscal que o aludido posto promovera alteração em seu contrato social ern 01/02/2002 modificando seu domicilio fiscal, o qual passara constar em Area estritamente residencial . Informa ainda o agente fiscal que a referida alteração, registrada na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro em 03/05/2002, afetou também a composição do quadro societário da empresa em comento, com o ingresso de Cléber da Silva Barros e Selma Maria da Silva e a retirada do ora recorrente e de Alcides Gaspar de Pina da sociedade. Intimações enviadas aos novos sócios da empresa permitiram a verificação de que o Sr. Cleber da Silva Barros falecera em 01/07/2003 e a Sra. Selma Maria da Silva não foi localizada . Já os antigos sócios informaram ao autuante, conforme o relatório de fls. 17/21, que a operação realmente se dera em 01/02/2003 pelo valor de R$ 10_000,00 mais a assunção dos débitos da empresa junto A Receita Federal, De outra banda, foi ainda salientado pela autoridade fiscal que em diligência procedida no antigo domicilio da referida empresa verificou-se o funcionamento naquele local de outra firma em face da alienação do fundo de comércio do Auto Posto Castelo de Paiva Ltda. por R$ 350.000,00, conforme o Instrumento Particular de Cessão de Uso de Marcas e Patentes e Padrões e Outras Avenças, colacionado por cópia As fls. 09/10 do presente processo. Dessa forma, concluiu a Fiscalização que no caso concreto restara caracterizada a simulação de negócio pelo interessado, que deixara de registrar em sua declaração de rendas referente ao exercício financeiro de 2002 a alienação de 50% (cinqüenta por cento) do aludido fundo de comércio Em face do exposto, foi calculado o ganho de capital não declarado e exigido o imposto decorrente acompanhado da multa qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento), haja vista o apontamento, no relatório fiscal, de evidente intuito de fraude por parte do contribuinte. Registre-se, por oportuno, que também foi lavrada "Representação Fiscal para Fins Penais" contra o peticionário por meio dos autos de ri.° 18471.0005333/2007-95, apensos ao presente processo. Irresignado, o pólo passivo apresentou impugnação contra o lançamento efetuado, a qual foi apreciada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro- DRJ/RJO-II — através do acórdão de fls. 47/54. No precitado julgado, aquele órgão julgador considerou o lançamento procedente, depois de afastar a preliminar de decadência suscitada pelo recorrente e manter a qualificação da multa sob o argumento de que o peticionário omitira "dolosamente do .fisco o recebimento de recursos e até mesmo a alienagdo do fundo de comércio, com o fin: de evitar o pagamento de tributos, conforme definido no art. 71 da lei 4.502/65...". Cientificado do inteiro teor do decisório de la instância, mediante edital publicado no Diário Oficial da União de 24/03/2008, fl. 60, o contribuinte apresentou, em 3 15/04/2008, recurso voluntário dirigido ao então Primeiro Conselho de Contribuintes, fls. 61/ 73. Na peça recursal, o pólo passivo ratifica a tese da decadência do direito do Fisco de lançar com relação a faro gerador ocorrido ern fevereiro de 2002 — mês da alienação de seu findo de comércio — a teor do disposto no art. 150, § 4 0 do CTN, e não em face do inc. I do art. 173, do Código Tributário Nacional — o CTN — como adotado pela autoridade de 1" gran, Em assim sendo, assevera que na data em que foi cientificado da exigência em tela — 26/06/2007 já houveram decor ridos mais de 5 (cinco) anos do faro gerador. Aduz, ainda, que a autoridade a quo assim decidiu "não por entender que em caso de evidente intuito de fraude aplica-se a regra geral prevista no art, 173, inc. I do CTN, mas sim pela/alta de pagamento do tributo". Quanto à manutenção do agravamento da penalidade aplicada argUi de plano qual teria sido a omissão dolosa por ele praticada para eximir-se do pagamento de tributo mencionada no voto condutor do acórdão de 10 grau. Alega que na realidade o que houve foi a falta de apuração e recolhimento do imposto por "pura ignorância ou esquecimento". Assim sendo, conclui que a exasperação de seu apenamento exigiria a comprovação material do evidente intuito de fraude ou dolo e não se fundar em "meras suposições e pré-julgamentos". E o relatório. Voto Conselheira Valéria Pestana Marques, Relatora 0 recurso de fls. 61/73 é tempestivo. Estando dotado, ainda, dos demais requisitos formais de admissibilidade, dele conheço. Vestibularmente cumpre registrar que, como alegado pelo contribuinte ao fim de sua peça recursal, descabe a análise de qualquer premissa que vincule o direito dos contribuintes de interpor recurso voluntário a este colegiado ao arrolamento de bens ou â realização de depósito administrativo em valor equivalente a 30% (trinta por cento) do montante em lide, por constituir tema totalmente superado de acordo com o decidido na Ação Direta de Inscontitucionalidade n.° 1.976, de 2007, acolhida pela então Secretaria da Receita Federal por meio do Ato Declaratõrio Interpretativo n." 9, também de 2007. Isto posto, é de se salientar que a lide em apreço cinge-se num primeiro momenta a discussão acerca da decadência do direito do Fisco de lançar tributo relativo a ganho de capital, cujo fato gerador teria ocorrido em fevereiro de 2002. Todavia, antes de se proceder ao exame de tal preliminar, há de se analisar a procedência, ou não, da qualificação da multa procedida pelo autuante, haja vista ser tal fato de fundamental relevância na determinação do marco inicial para a contagem do interstício decadencial. Processo n° 18471. 000536/2007-29 S2-TE02 Acórdão 2802-00.400 Fl. 78 E isso porque nos casos de apuração de ganhos de capital na alienação de bens e direitos a tributação se dá em separado. 0 ganho não integra a base de cálculo do imposto anual, nem pode o valor pago ser deduzido daquele apurado na declaração de rendas, consoante o § 2' do art. 18, da Lei n.° 8,134/1990 e § 1° do art. 12 da Lei n.° 8,383/1991. Ou seja, como cabe ao próprio beneficiário proceder ao recolhimento do imposto e em prazo especifico, caracterizadamente tem-se um lançamento por homologação, tal corno concebido pelo § 4°, do art. 150 do Código Tributário Nacional CTN, in verbis: Art, 150. (. ) ,§ 4". Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação " (Grifo não original) Mas, ficando evidente indícios de que tenha havido a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, é incompatível a aplicação da contagem do prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador, uma vez que, nessas hiptiteses,.-o .. lançamento não ocorre por homologação, mas sim, é de oficio, a teor do art. 149, VII, do já citado CTN, a saber: Art. 149. 0 lançamento é efetuado e revisto de offal° pela autoridade administrativa nos seguintes casos: ( .) VII - quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em beneficio daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; ) Havendo, pois, a pratica dolosa, a rega de contagem do prazo decadencial é deslocada daquela estabelecida no § 4° do art. 150 (lançamento por homologação) para a regra geral do art. 173, inciso I, do CTN (lançamento de oficio), passando o marco inicial para o inicio da referida contagem a ser o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado". Por outro lado, in casu, tem -se no relatório fiscal de fls. 19/21 que: a) "a transferência das cotas da empresa Auto Posto Castelo de Paiva Ltda... caracteriza negócio simulado"; b) "pelo exame das declarações de IRPF verifica-se, em tese, a existência de ganho de capital não declarado relativamente à alienação do fundo de comércio no valor de R$ 350.000,00"; c) "evidencia-se, assim, o claro intuito do contribuinte de eximir-se do pagamento de tributos - devidos, coma objetivamente circunstanciado, caracterizando, desta forma, o evidente intuito de fraude, cabendo assim a aplicação da multa de 150%...(negritos do original)", Por sua vez, a autoridade de 1" instância, em seu voto condutor, assim justifica a manutenção do apenamento qualificado: "Os documentos dos autos demonstram que o impugnante omitiu dolosamente ao fisco o recebimento de recursos e até mesmo a alienação do fundo de comércio, com o fim de evitar o pagamento de tributos, conforme de fi nido no art. 71 da lei 4.502/64, o que autoriza a aplicação da multa de 150%, por ficar evidenciado o intuito defraude". 5 Concomitantemente, é de se verificar as disposições contidas em alguns dos dispositivos contidos na Lei n.° 4.502/1964: ) Art. 71 — Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardai; total ou parcialmente, o conhecinzento por parte da autoridade.fazenddria: I — da ocorrência do ,fato gerador da obriga cão tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; — das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária ou o crédito tributário correspondente, Art. 72 — Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardai; total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar au diferir o seu pagamento. Art, 73 — Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos no artigo 71 e 72. Ou seja, o autuante fala em simulação quando da transferência das cotas do autuado do Auto Posto Castelo de Paiva Ltda., para depois falar em fraude pela existência, "em tese'', de ganho de capital não declarado, lançando corn relação a este a multa qualificada. A aludida transferência de cotas — simulada segundo a autoridade fiscal - não objeto dos presentes autos, não obstante indícios de irregularidades descritos no que tange a tal operação. De outra banda, me parece que, na espécie, não tese, como afirma o autuante, mas efetivamente, já que tributado, foi considerado ocorrido, em fevereiro de 2002, o fato gerador de uma obrigação que tem como pólo passivo a pessoa fisica do autuado. Ou seja, sem simulação e não em tese, o Instrumento Particular de Cessão de Uso de Marcas e Patentes e Padrões e Outras Avenças colacionado por cópia as fls. 09/10 foi tomado como documento hábil para amparar a constituição do crédito tributário em lide. JA a autoridade julgadora de 10 grau, realmente como asseverado pelo fiscalizado, afastou a preliminar de decadência argüida não por entender que em caso de evidente intuito de fraude aplica-se a regra geral prevista no art, 173, inc. I do CTN, mas sim pela falta de pagamento do ttibuto. .É o que se extrai do excerto do voto condutor a seguir transcrito: "No caso em tela, a autuada não recollieu o tributo, portanto aplica-se o inc. I, do art:1 73, CTN ..". Por fim, quanto à manutenção da exigência da multa quali ficada fulcra-se a autoridade de la instância na omissão dolosa ao Fisco pelo contribuinte do recebimento de recursos e até mesmo da alienação do fundo de comércio com o jito de evitar o pagamento de tributos, o que, no seu entender, evidencia o intuito de fraude. 6 Processo n° 18471 000536/2007-29 S2-TE02 Acenxiiio n.° 2802-00,400 Fl 79 Meu alcance, no entanto, nesse ponto 6 de que tanto o autuante, quanto a autoridade de 1' instância, estariam, nestes autos, até mesmo inovando na caracterização do ilícito tributário, pois se fala em negócio simulado e depois em fraude com intenção dolosa de não pagamento do tributo, mas é a sonegação 6 que visa que a autoridade fiscal não conheça ou tome ciência postergada de um fato gerador já ocorrido. Falo tudo isso, logicamente sob um ponto de vista exclusivamente formal, haja vista, corno já dito, todos os indicativos de absoluta falta de clareza dos reais objetivos intentados no conjunto das ações descritas no presente processo envolvendo o contribuinte e seu sócio. Ou melhor, repise-se, considerando tão-somente o que consta do presente processo, não considero nitidamente caracterizado o evidente intuito de fraude do contribuinte no que tange ao fato gerador objeto da presente autuação, que é a omissão de ganho de capital pela pessoa fisica. Vejo até indícios de irregularidades no conjunto das averiguações descritas pela autoridade fiscal, sobremaneira no que concerne à pessoa jurídica Auto Posto Castelo de Paiva Ltda. Mas, a aplicação da multa de oficio qualificada deve obedecer toda cautela possível e requer prova material: há que aflorar na instrução processual, devendo ser inconteste e demonstrada de forma cabal. Ou seja, deve ser evidente como diz a lei. Não vejo, pois, como se manter o apenamento agravado, porque ausente no presente processo a conduta material bastante para sua caracterização na pessoa fisica do autuado. Isto posto, passo a enfrentar a preliminar de decadência suscitada pelo interessado. Como já dito, comungo corn a corrente de que o imposto de renda devido em face da verificação de ganho de capital tributável se amolda ao lançamento por homologação. Em face do exposto, 6 de se concluir que o fato gerador da infração em lide teria se dado em 28/02/2002. Nesse diapasão, ter-se-iam decorridos 5 (cinco) anos — completados em 28/02/2007- quando da ciência pelo pio passivo da exigência litigada, ocorrida em 04/07/2007, conforme o AR de fl, 22. Acolho, portanto, a preliminar de decadência argüida pelo litigante, Em resumo, voto no sentido de se dar provimento â. peça recursal no que tange ao descabimento da qualificação do apenamento aplicado e, por via de conseqüência, em se acatar a preliminar de decadência suscitada pelo recorrente, descabendo por incompatível o exame de qualquer outra questão de mérito. Valéria Pestana Marques 7 Declaração de Voto Em análise do bem fundamentado voto da Hustle Relatora, ouso discordar de seus fundamentos, Primeiramente quanto h. desqualificação da multa de oficio . As provas coligidas aos autos me convenceram do evidente intuito de fraude na forma em que se processou a venda do Auto Posto Castelo de Paiva Ltda. De inicio, vendeu-se a empresa por valor ínfimo, juntamente com todas suas dividas, para duas pessoas comprovadamente sem capacidade financeira, sendo que uma delas não foi nem ao menos localizada, enquanto a outra já faleceu, Ato continuo, transferiu-se o empreendimento para. Lea residencial, em endereço que se verificou ser inexistente, enquanto o antigo posto de gasolina passou a funcionar sob nova denominação social, pois o fundo de comercio havia sido vendido peio valor de R$350,000,00. No meu entender, resta cristalina a operação que permitiu que os sócios do Auto Posto Castelo de Paiva Ltda se livrassem das incâmodas dividas da sociedade, deixando a "parte podre" da empresa em nome de sócios laranjas, e vendendo a parte nobre para terceiros, em clara fraude contra credores. Não me parece correto o entendimento que, se fraude houve, esta estaria caracterizada na venda do posto de gasolina, e não no ganho de capital, que estava explicitamente caracterizado no contrato de cessão. A fraude está no negócio como um todo, e entendo que é correta a qualificação da multa em todas as operações decorrentes do ilícito. De fhto, a Fiscalização poderia ter reincluído de oficio os verdadeiros donos como sócios do Auto Posto Castelo de Paiva Ltda e tributado a venda da empresa naquela pessoa jurídica, o que responsabilizaria, inclusive, os novos donos pelas antigas dividas, Entretanto, pelo conjunto probatório ou por questões de conveniência, optou validamente por tributar os ganhos nas pessoas fisicas dos verdadeiros proprietários. Mas a mácula do evidente intuito de fraude não deixou de impregnar essa operação. Por esse motivo, votei no sentido de manter a qualificação da multa de oficio. Discordo, também, da aplicação da regra de decadência do art 150, §4 il, do CTN ao caso. Sabe-se que a discussão da decadência dos tributos lançados por homologação é questão tormentosa, que vem dividindo a jurisprudência administrativa e judicial ha. tempos. No âmbito dos antigos Conselhos de Contribuintes, e agora no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, praticamente todas as interpretações possíveis já tiveram seu espaço. Tenho ciência de que, no momento, prevalece, no âmbito da 2' Seção de Julgamento, a tese abraçada no presente julgado, e muito bem defendida pela Ilustre Relatora. Entretanto, pela evolução da jurisprudência no Superior Tribunal de Justiça, penso ser necessária a reformulação do entendimento deste CARR a Processo n" 18471 000536/2007-29 82-TE02 Acórdão n ° 2802-00.400 Fl 80 É notório que as inúmeras teses que versam sobre o assunto surgiram do fato do nosso Código Tributário Nacional - CTN possuir duas regras de decadência, uma para o direito de constituir o credito tributário (art. 173), e outra para o direito de não homologar o pagamento antecipado de certos tributos previstos em lei (art. 150, §4 °). Apesar de serem situações distintas, o efeito atingido é o mesmo, pois, uma vez homologado tacitamente o pagamento, o crédito tributário estará definitivamente extinto, não se permitindo novo lançamento, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Na verdade, a celeuma não está no prazo da decadência, que é de cinco anos nas duas situações, mas na data de início de sua contagem. Enquanto o art. 173 fixa essa data no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou no dia em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado, o art. 150, §40, determina o marco inicial na ocorrência do fato gerador. No momento da publicação do CTN, a questão não tinha tanta importância, urna vez que eram poucos os tributos para os quais a legislação atribuía ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Entretanto, atualmente, em nossa sociedade de consumo, onde milhares de operações sujeitas a tributação ocorrem simultaneamente, tornou-se impossível para o Fisco efetuar o lançamento direto, e praticamente todas as exações adotaram o modelo de transferir para o contribuinte o dever de apurar e recolher, fazendo a Administração apenas o controle posterior. As diversas correntes doutrinárias agora se digladiam sobre qual das regras de decadência deve se utilizar para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, sendo que, no âmbito da 2 u Seção de Julgamento do CARP, como já mencionado, prevalece a ideia de que é sempre a do art. 150, §4°, do CTN, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Apesar do debate já ter propiciado discussões acaloradas, adoto posição mais pragmática. Entendo que todas as teses são plenamente defensáveis, não existindo, no caso, apenas uma interpretação correta, uma vez que a dúvida surge de deficiência na legislação. Mas enquanto nossos legisladores não se ocupam do assunto, é necessário trazer o mínimo de segurança jurídica A' discussão. No presente, ao ingressar com um processo administrativo ou judicial, é impossível para o contribuinte saber como será decidido seu caso. Do mesmo modo, o Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil não sabe se ainda possui, ou não, prazo para tributar os ilícitos que apura cotidianamente, Pela urgência do assunto, eu não teria qualquer dificuldade de adotar a tese do presente voto, que considero tão boa quanto todas as outras, se julgasse que essa interpretação pacificaria a discussão. Contudo, verifico que o Poder Judiciário, que, em última instância, é quem diz o direito a ser aplicado, vem uniformizando seu entendimento em sentido diferente, e penso ser necessário um alinhamento da jurisprudência administrativa. O Superior Tribunal de Justiça — STJ, órgão máximo de interpretação das leis federais, firmou o entendimento de que a regra do art. 150, §4 °, do CTN, só deve set adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de doh), fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173 .; nos demais casos. Veja-se a ementa do Recurso Especial no 973.733 - SC (2007/0176994-0), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: \ti k 9 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE 0 FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4°, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal .ara o Fisco constituir o crédito tributário (lancamento de oficio) conta-se do primeiro dia do exercício ,seguinte aquele em que o lancamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sent a constatação de dolo, .fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Re! Ministro Luiz Fux,.julgado em 28.11.2007, DJ 25 02,2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03,2006, DJ 10.04 2006; e EREsp 276.142/SP, Re! Ministry Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28 02,2005). 2. E que a decadência ou caducidade, no ámbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de oficio, ou nos casos dos tributos sujeitos co lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3" ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, pigs. 163/210). 3. 0 dies a quo do prazo qiiinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTIV, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter siao efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte ocorrência do fato impanivel, ainda que se trine de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 1.50, § 4", e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3" ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro "Direito Ti ibutário Brasileiro", 10" ed., Ed Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3" ed., Max Limonad, Sao Paulo, 2004, págs 183/199). 7. Recurso especial desprovido Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) 1 0 Plocesso n° 18471,0005 .36/2007-29 S2-1E02 Acórd5o n 2802-00A00 Fl 81 Observe-se que o acórdão do REsp no 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543-C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada pelas instâncias inferiere's do Poder Judiciário. Desta forma, não é possível que a instância maxima da esfera judicial tenha entendimento diverso da instância maxima da esfera administrativa. E certo que nosso julgamento não está subordinado ao do Poder Judiciário, mas, pelas vias ordinárias, é o Ultimo que possui a palavra final sobre as lides tributdrias. Entretanto, essa disputa tem caráter esdrúxulo: como a decadência do art. 150, §4 0 , do CTN é mais favorável ao contribuinte, porque torna o prazo para o lançamento mais curto, e como a Fazenda Nacional não pode recorrer à Justiça contra as decisões deste Conselho, o Judiciário não terá a possibilidade de alterar as decisões desta casa. Isso, ao invés de reforçar a importância deste CARF, traz insustentável insegurança jurídica, uma vez que aqueles que optarem pelas vias judiciais terão resultados diversos dos que ingressarem na via administrativa. E bem verdade que as duas regras de decadência têm pouca repercussão no âmbito dos lançamentos do Imposto de Renda das Pessoas Físicas - IRPF. Isto porque, como o fato gerador deste tributo é coinplexivo, completando-se apenas em 31 de dezembro do ano- calendário, qualquer pagamento do imposto, seja como retenção da fonte, seja como antecipação obrigatória ou voluntária, ou ainda como ajuste, desloca a contagem da decadência para o fato gerador, mesmo nos casos em se apure omissão de receitas. Mas, no âmbito deste tributo, existe uma honrosa exceção: o ganho de capital. Isto porque, como bem asseverou a relatora, o ganho de capital é tributado em separado, não integrando o ajuste anual. Por esse motivo, seu fato gerador ocorre no mês de sua apuração, não se deslocando para o final do ano-calendário. Do mesmo modo, os pagamentos que podem ser computados no ajuste anual não se aproveitam para trazer a regra de decadência para o art. 150, §4°, do CTN. Assim, para os ganhos de capital omitidos, aplica- se a regra do art. 173, inciso I, do CTN, iniciando-se a contagem do prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Desta forma, corno o fato gerador do ganho de capital apurado nos presentes autos ocorreu em 28/02/2002, o prazo decadencial só começou a contar em 01/01/2003, sendo possível o lançamento até 31/12/2007. Lídimo, portanto, o credito tributário constituído por auto de infração cuja ciência se deu em 04/07/2007. Esse foi meu entendimento divergente para o caso, que achei por bem, corn as devidas vênias, registrar. ‘1. cr-yo—L. (- Jo Evande Carvalho Arauj II
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Numero do processo: 11971.000003/2002-52
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 05 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Aug 05 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e Outro
Exercício: 1998
Ementa: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO – DIPJ RETIFICADORA –
INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO – DÉBITO APURADO A MAIOR – QUITAÇÃO DO SALDO DEVEDOR RETIFICADO – COBRANÇA DO DÉBITO ORIGINAL – IMPOSSIBILIDADE – Se, ao apresentar Declaração Retificadora, constata o contribuinte não haver o crédito pleiteado, de um
lado, e a existência de saldo debitório a maior, de outro, este deve ser o valor passível de cobrança pela Fazenda. Provada a integral quitação dos passivos apurados na DIPJ/Retificadora, não pode subsistir a exigência concomitante da dívida originalmente aduzida, objeto do ajuste de contas formatado. Impossibilidade de atribuição de efeito confessor a Pedido de Consideração
apresentado antes da edição da Medida Provisória nº 135/03.
Numero da decisão: 1803-000.552
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da PRIMEIRA SEÇÃO DEJULGAMENTO, DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: CSL- que não versem sobre exigência de cred. trib. (ex.:restituição.)
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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Recorrida 3ª TURMA DRJ EM RECIFE PE Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e Outro Exercício: 1998 Ementa: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO – DIPJ RETIFICADORA – INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO – DÉBITO APURADO A MAIOR – QUITAÇÃO DO SALDO DEVEDOR RETIFICADO – COBRANÇA DO DÉBITO ORIGINAL – IMPOSSIBILIDADE – Se, ao apresentar Declaração Retificadora, constata o contribuinte não haver o crédito pleiteado, de um lado, e a existência de saldo debitório a maior, de outro, este deve ser o valor passível de cobrança pela Fazenda. Provada a integral quitação dos passivos apurados na DIPJ/Retificadora, não pode subsistir a exigência concomitante da dívida originalmente aduzida, objeto do ajuste de contas formatado. Impossibilidade de atribuição de efeito confessor a Pedido de Consideração apresentado antes da edição da Medida Provisória nº 135/03. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) SELENE FERREIRA DE MORAES Presidente (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JUNIOR Fl. 190DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR Processo nº 11971.000003/200252 Acórdão n.º 1803000.552 S1TE03 Fl. 2 2 Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Benedicto Celso Benício Júnior, Walter Adolfo Maresch, Marcelo Fonseca Vicentini e Sérgio Rodrigues Mendes. Relatório A interessada acima qualificada formalizou Pedido de Restituição (fl. 01) no valor de R$ 27.006,79, cumulado com Pedido de Compensação de débito do IRPJ (fl. 02). De acordo com os documentos acostados pela contribuinte, o crédito pleiteado é alusivo à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, que teria sido paga a maior no ano calendário de 1997. Em Termo de Informação Fiscal de fls. 51/52, propôsse o indeferimento do pleito, por concluirse que não houve pagamento a maior da contribuição. A proposta foi acolhida pela autoridade a quo, que indeferiu o pedido de restituição/compensação e autorizou a cobrança de saldo devedor porventura existente (fl. 53). A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 57/59), arguindo que, após formalizar o pedido em lide, reconheceu a impossibilidade de haver apresentado a DIPJ pelo Lucro Presumido, relativamente ao anocalendário de 1997, em razão do que apresentou declaração retificadora com apuração pelo Lucro Real. Diz que, nessas condições, desistiu do pleito de restituição/compensação de que tratam os autos, haja vista que apurou saldo positivo de imposto de renda, que teria sido integralmente pago por meio dos DARF’s que menciona. Requereu a impugnante, ao final, que fosse deferido o cancelamento da cobrança. A 3ª TURMA – DRJ EM RECIFE – PE, ao julgar a manifestação inconformista, houve por bem indeferir o pleito formulado, em virtude do entendimento de que “não há demanda a ser solucionada neste processo”. Neste sentido, consignou o colegiado inferior que “a disputa administrativa, acaso existente exorbita os limites do presente processo”, porquanto não estaria claro se ocorrera, de fato, a ventilada cobrança. Cientificado da decisão em 19/09/2008, interpôs o contribuinte recurso a este conselho, em 17/10/2008, aduzindo razões similares às apresentadas em primeiro grau administrativo. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JUNIOR, Relator: Fl. 191DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR Processo nº 11971.000003/200252 Acórdão n.º 1803000.552 S1TE03 Fl. 3 3 O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais para seu seguimento. Dele conheço. O pleito em tela toca, exclusivamente, à análise da legitimidade da cobrança do valor de R$ 21.915,50 – indicado, na origem, como débito de IRPJ, passível de compensação. Consoante já explicado, o contribuinte formulou, em fls. 01 e 02, Pedidos de Restituição e de Compensação, por meio dos quais buscou realizar ajuste de contas entre pagamento a maior de CSLL (R$ 27.006,79, relativo ao anocalendário de 1997), de um lado, e saldo debitório de IRPJ (R$ 21.915,50, referente ao mesmo período de apuração), de outro. O próprio contribuinte, contudo, reconhecendo a correção de entendimento fazendário manifestado nos autos, averiguou a insubsistência de seus pleitos, em virtude do fato de ter apresentado, para o anocalendário de 1997, indevida declaração de ajuste pelo lucro presumido, em lugar do correto instrumento de apuração calcado no regime do lucro real. Foi entregue, então, pela recorrente, DIPJ/Retificadora, pertinente ao estresido anobase. Os reais débitos de IRPJ e de CSLL do período foram, por conseguinte, computados, procedendo a interessada a seu integral adimplemento, nos termos dos extratos de fls. 46 a 50. Logrou o contribuinte, com isso, regularizar sua situação. Tãologo notada a incorreta eleição do regime do lucro presumido, verificou a interessada a imprecisão de seus pleitos de restituição e de compensação, procedendo, por isso, à cabível renúncia. Por outro lado, ao apurar, na Declaração Retificadora, saldos debitórios de IRPJ e de CSLL ainda maiores que os inauguralmente visualizados, realizou ela o escorreito pagamento, na forma reconhecida pelo próprio Termo de Informação Fiscal de fls. 51/52. A despeito da solução regular das claudicações cometidas – acompanhada da quitação de todos os débitos em aberto, supervenientemente contabilizados –, a interessada, ao ser intimada do indeferimento de seus pedidos, de um lado, e da manifestação de inconformidade oposta, de outro, foi notificada a recolher o passivo de IRPJ indicado em fl. 02, comprovadamente irreal. Esta cobrança, pois, é o único objeto da irresignação da recorrente. O recurso em análise versa apenas sobre a manutenção, em aberto, desta pretensa dívida, e não sobre o mérito dos próprios Pedidos de Restituição e de Compensação – matérias já superadas. Pois bem. O aresto prolatado a quo optou por indeferir a peça inconformista, por entender que a cobrança deste débito é estranha aos lindes do presente processo. Entendo, contudo, que deve ser dado ao caso um tratamento mais detido, para que se evitem futuros e eventuais desmandos ou claudicações. Nesse diapasão, entendo ser possível, nestes próprios autos, determinar o cancelamento da cobrança intentada, em homenagem aos princípios da economia processual e da busca pela verdade material. A ausência de suporte fático para a manutenção da exigência é patente, eis que a apresentação da DIPJ/Retificadora indicou, para o período, outro passivo de IRPJ, integralmente quitado pela interessada, ainda maior que o presentemente exigível. Nem se diga que a indicação da dívida, em Pedido de Compensação, implicou em confissão, capaz de legitimar a exigência em foco. O efeito confessor dos pleitos de ajustes de contas só passou a ser realidade jurídica com a edição da Medida Provisória nº 135/03, convertida na Lei nº 10.834/02, posterior ao presente pedido. É imperioso o impedimento da cobrança intentada, da qual foi a peticionária por duas vezes intimada. Seja por mero costume, seja por conta de equívoco, certo é que não Fl. 192DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR Processo nº 11971.000003/200252 Acórdão n.º 1803000.552 S1TE03 Fl. 4 4 pode o Fisco pretender exigir, no presente caso, eventual saldo devedor, dadas as peculiaridades que cercam a situação concreta em comento. Isto posto, DOU PROVIMENTO ao recurso, para cancelar a cobrança do débito indicado no Pedido de Compensação de fl. 02. Sala das Sessões, em 05 de agosto de 2010 (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JUNIOR Fl. 193DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 17/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR
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