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Numero do processo: 13710.002239/99-54
Data da sessão: Mon Aug 19 00:00:00 UTC 2002
Data da publicação: Mon Aug 19 00:00:00 UTC 2002
Ementa: REPETIÇÃO DE INDÉBITO - PDV - É de cinco anos o prazo para repetição do indébito, contados da edição de ato normativo que reconheça a ilegalidade da exigência.
Recurso negado.
Numero da decisão: CSRF/01-04.105
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Cândido Rodrigues Neuber, Leila Maria Scherrer Leitão e Verinaldo Henrique da Silva.
Nome do relator: Mário Junqueira Franco Júnior
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-05T16:26:22Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-05T16:26:22Z; Last-Modified: 2009-07-05T16:26:22Z; dcterms:modified: 2009-07-05T16:26:22Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-05T16:26:22Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-05T16:26:22Z; meta:save-date: 2009-07-05T16:26:22Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-05T16:26:22Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-05T16:26:22Z; created: 2009-07-05T16:26:22Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2009-07-05T16:26:22Z; pdf:charsPerPage: 1318; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-05T16:26:22Z | Conteúdo => i,- MINISTÉRIO DA FAZENDA -Ii, PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n°. 13710.002239/99-54 Recurso n°. 102-125265 (RP/102-0 448) Matéria IRPF — Ano-calendário de 1993 Recorrente FAZENDA NACIONAL Sujeito Passivo CELINA ENEIDA HOYOS DOS SANTOS Recorrida 2a CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Sessão de :19 DE AGOSTO DE 2002 Acórdão n° , CSRF/01-04.105 REPETIÇÃO DE INDÉBITO — PDV — É de cinco anos o prazo para 1 repetição do indébito, contados da edição de ato normativo que reconheça a ilegalidade da exigência Recurso negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Cândido Rodrigues Neuber, Leila Maria Scherrer Leitão e Verinaldo Henrique da Silva. EP '‘.. PEREIRA R ): IGUES PRESIDENTE7.„7 1,.....„ MÁRI T J A *UE FRANCO JÚNIOR FORMALIZADO EM 22 0 UT 2002 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros CELSO ALVES FEITOSA, ANTONIO DE FREITAS DUTRA, MARIA GORETTI DE BULHÕES CARVALHO, VICTOR LUIS DE SALLES FREIRE, REMIS ALMEIDA ESTOL, JOSÉ CARLOS PASSUELLO, ZUELTON FURTADO, WILFRIDO AUGUSTO MARQUES, Processo n° 13710 002239/99-54 Acórdão n° : CSRF/01-04 105 JOSÉ CLOVIS ALVES, CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES e MANOEL ANTONIO GADELHA DIAS. 2 Processo n° ' 13710 002239/99-54 Acórdão n° CS RF/01-04.105 Recurso n° 102-125265 (RP/102-0 448) Recorrente FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO Trata-se recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, com fulcro no permissivo constante do artigo 5°, inciso I, c/c artigo 7°, § 1° do RICSRF, aprovado pela Portaria Ministerial MF n° 55/98„ A matéria subjacente diz respeito a restituição de IRF incidente sobre parcelas recebidas em programa de demissão voluntária — PDV, no ano- calendário de 1993. Nas alentadas e judiciosas razões de apelo, afirma o ilustre Procurador ter o Acórdão recorrido contrariado o disposto no artigo 168 do CTN, sendo certo que o prazo para repetir conta-se da extinção do crédito tributário, independentemente, inclusive, de a matéria ser de inconstitucionalidade e do tipo de controle, difuso ou concentrado, pelo qual tal inconstitucionalidade foi declarada, Relembra que Vormientibus non succurrit jus' Contra-razões, fls. 54, pedindo a manutenção do acórdão vergastado. É o Relatório. 3 Processo n° 13710.002239/99-54 Acórdão n° CSRF/01-04 105 VOTO Conselheiro MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JÚNIOR, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, merecendo ser conhecido A matéria não é nova a esta Egrégia Câmara Superior Maciça jurisprudência tem orientado as decisões pela contagem do prazo, para repetir tributo indevido, a partir do ato administrativo que confere eficácia geral No litígio em tela, tal ato é a Instrução Normativa 165/99, que se transcreve "IN SRF 165/98 — O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso das suas atribuições e tendo em vista que, em decorrência de decisões definitivas das egrégias Primeira e Segunda Turmas do Superior Tribunal de Justiça, o Procurador-Geral da Fazenda Nacional, por meio do despacho de 17 de setembro de 1998, publicado no Diário Oficial da União de 22 de setembro de 1998, baseado no Parecer PGFN/CRJ/N° 1278/98, devidamente aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, dispensou" a interposição de recursos e a desistência dos já interpostos nas ações que cuidam, no mérito, exclusivamente, da não incidência do Imposto de Renda na fonte sobre verbas indenizatórias referentes" a programas de demissão voluntária, resolve 4 Processo n° : 13710 002239/99-54 Acórdão n° . CSRF/01-04 105 Art. 1° Fica dispensada a constituição de créditos da Fazenda Nacional relativamente à incidência do Imposto de Renda na fonte sobre as verbas indenizatórias pagas em decorrência de incentivo à demissão voluntária Art. 2° Ficam os Delegados e Inspetores da Receita Federal autorizados a rever de ofício os lançamentos referentes à matéria de que trata o artigo anterior, para fins de alterar total ou parcialmente os respectivos créditos da Fazenda Nacional § 1° Na hipótese de créditos constituídos, pendentes de julgamento, os Delegados de Julgamento da Receita Federal subtrairão a matéria de que trata o artigo anterior § 2° As autoridades referidas no caput deste artigo deverão encaminhar para a Coordenação-Geral do Sistema de Arrecadação - COSAR, por intermédio das Superintendências Regionais da Receita Federal de sua jurisdição, no prazo de 60 dias, contado da publicação desta Instrução Normativa, relação pormenorizada dos lançamentos revistos, contendo as seguintes informações I - nome do contribuinte e respectivo número de inscrição no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas - CNPJ ou Cadastro da Pessoa Física - CPF, conforme o caso; II - valor atualizado do crédito revisto e data do lançamento, III - fundamento da revisão mediante referência à norma contida no artigo anterior Art. 3° Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação." Inúmeros são os Acórdãos desta Câmara que propugnam pela contagem do prazo para repetição do indébito a partir da edição do ato normativo transcrito, como os seguintes: 5 Processo n° 13710.002239/99-54 Acórdão n° CSRF/01-04 105 "Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF - Primeira Turma / ACÓRDÃO CSRF/01-03 335 em 17 04 2001 IRPF IRPF - PROGRAMA DE INCENTIVO AO DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO - NÃO INCIDÊNCIA - Os rendimentos percebidos em razão da adesão aos planos de desligamento voluntário tem natureza indenizatória, inclusive os motivados por aposentadoria, o que os afasta do campo da incidência do imposto de renda da pessoa física IRPF - RESTITUIÇÃO TERMO INICIAL PROGRAMA DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO Conta-se a partir da publicação da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal n° 165, de 31.12 1998, o prazo decadencial para a apresentação de requerimento de restituição dos valores indevidamente retidos na fonte, relativos aos planos de desligamento voluntário IRPF - PDV - PEDIDO DE RESTITUIÇÃO - ALCANCE - Tendo a Administração considerado indevida a tributação dos valores percebidos como indenização relativos aos Programas de Desligamento Voluntário em 06/01/99, data da publicação da Instrução Normativa n° 165, de 31 12 1998, é irrelevante a data da efetiva retenção, que não é marco inicial do prazo extintivo Recurso negado " "Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF - Primeira Turma / ACÓRDÃO CSRF/01-03 339 em 17.04 2001 IRPF IRPF - PROGRAMA DE INCENTIVO AO DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO - NÃO INCIDÊNCIA - Os rendimentos percebidos em razão da adesão aos planos de desligamento voluntário tem natureza indenizatória, inclusive os motivados por aposentadoria, o que os afasta do campo da incidência do imposto de renda da 6 Processo n°. 13710.002239/99-54 Acórdão n° CSRF/01-04.105 pessoa física IRPF - RESTITUIÇÃO TERMO INICIAL. PROGRAMA DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO Conta-se a partir da publicação da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal n° 165, de 31.12 1998, o prazo decadencial para a apresentação de requerimento de restituição dos valores indevidamente retidos na fonte, relativos aos planos de desligamento voluntário. IRPF - PDV - PEDIDO DE RESTITUIÇÃO - ALCANCE - Tendo a Administração considerado indevida a tributação dos valores percebidos como indenização relativos aos Programas de Desligamento Voluntário em 06/01/99, data da publicação da Instrução Normativa n° 165, de 31 12 1998, é irrelevante a data da efetiva retenção, que não é marco inicial do prazo extintivo Recurso negado" A matéria tem como pressuposto o surgimento do direito tão- somente quando há no ordenamento ato de eficácia geral, como uma decisão em ADIN, decisão com caráter de definitiva proferida pelo pleno do STF ou Resolução do Senado Federal, suspendendo os efeitos de norma específica Tais fundamentos já foram expostos no Acórdão 108-05.791, citado no recurso hostilizado, e da lavra do ilustre Conselheiro José Antônio Minatel, para o qual concorri com meu voto na ocasião Ex positis, voto por negar provimento ao recurso Sala das Sessões - DF, em 19 de agosto de 2002 /e ,"1447 / MÁRI J UEI RANCO JÚNIOR 7 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1
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Numero do processo: 37324.008910/2005-19
Data da sessão: Wed Aug 19 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Aug 19 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/1998 a 31/03/1998
DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante nº 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8,212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Provido,
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2302-000.125
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a).
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1998 a 31/03/1998 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante nº 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8,212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido, Crédito Tributário Exonerado.
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O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante if 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8,212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional, Recurso Voluntário Provido, Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' Câmara / r Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). LIEGE 11ACROIX THOlVIASI — Presidenta R I' k SATO - Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira, Adriana Sato, Edgar da Silva Vidal (suplente), Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior e Liege Lacroix Thomasi (presidenta). • si Relatório Trata-se de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito cujo crédito foi consolidado em 02/12/2005 (fis.01), De acordo com o Relatório Fiscal (fis,19/22) o levantamento foi denominado PLR PLR EM DESACORDO COM A MP e refere-se às contribuições devidas pela Empresa à Seguridade Social, não recolhidas em épocas próprias, incidentes sobre o pagamento de verba salarial a titulo de participação nos lucros ou resultados na competência 03/1998. A Recorrente apresentou defesa tempestiva e a DN julgou procedente o lançamento. Inconformada, a Recorrente interpôs recurso voluntário (fis.97/134), alegando em síntese: o Decadência; o A participação nos lucros paga aos empregados não caracteriza, em hipótese alguma remuneração. A DRP apresentou contra-razões e os autos do processo foram encaminhados a este Conselho. É o Relatório, Voto Conselheira ADRIANA SATO, Relatora Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame das questões preliminares suscitadas pela Recorrente DAS QUESTÕES PRELIMINARES Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal - STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exnio Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relatar. Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei n" 8,212/91 e o parágrafo único do art.5" do Decreto-lei nó 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, nzantémse higida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e RIS(\ decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo 2 Processo n° 37324.008910/2005-19 S2-C3T2 Acórdão rv° 2302-011,125 Fl. 142 das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitam-se, entre outros, aos artigos 150, § 4°, 173 e 174 do CTN, Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts, 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5' do Decreto-lei n° L569/77, ,frente ao § 1° do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69, É COMO voto. Súmula Vinculante n° 08 - "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo .5' do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário", Os efeitos da Súmula Vineularite são previstos no artigo 103-A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11,417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional n°45, de 20042. Lei n° 11 .417, de 19/12/2006: Regulamenta o art., 103-A da Constituição Federal e altera a Lei 7112 9,784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. Art. 2' O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas . federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na .forma prevista nesta Lei, § 10 O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave /3 insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante, Assim sendo, independente de meu entendimento pessoal sobre a matéria, manifestado em meus votos anteriores, inclino-me à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08. Afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional - CTN se aplicar ao caso concreto. Compulsando os autos, constata-se através do Discriminativo Analítico do Débito que a Recorrente não efetuou pagamento parcial de suas obrigações as quais se refere o lançamento. Daí, deve prevalecer a regra trazida pelo artigo 173, I do CTl\L Assim sendo, tendo sido cientificada a Recorrente do lançamento em 02/12/2005, ficam alcançadas pela decadência todas as contribuições objeto do presente lançamento. Em razão do exposto, acato a preliminar de decadência para DAR PROVIMENTO ao recurso interposto Sala das Sessões, em 19 de agosto de 2009 .(, I • A IR AN SATO - Relatora 4
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Numero do processo: 13710.000905/97-11
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1991 a 31/08/1995
DECADÊNCIA - RESERVA DE LEI COMPLEMENTAR - COFINS/PIS - OCORRÊNCIA DE PAGAMENTO - ART. 150, § 4º ART. DO CTN
Havendo prova de pagamento parcial do tributo no período lançado aplica-se o prazo decadencial previsto no art. arts. 150, § 4º do CTN. As normas dos arts. 150, § 4º e 173 do CTN não são de aplicação cumulativa ou concorrente, mas antes são reciprocamente excludentes, tendo em vista a diversidade dos pressupostos da respectiva aplicação: o art. 150, § 4º aplica-se exclusivamente aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa; o art. 173, ao revés, aplica-se tributos em que o lançamento, em princípio, antecede o pagamento
Numero da decisão: 3402-001.985
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos deu-se provimento ao recurso, nos termos do relator. Vencidos Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho e Mário César Fracalossi Bais que acolheram apenas a decadência de a Fazenda Nacional de efetuar o lançamento tributário referentes aos períodos de apuração compreendidos entre 31/03/1991 a 30/07/1992.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
Presidente Substituto
FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA
Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, Mário César Fracalossi Bais (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA
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UNIÃO MANFATURA DE ROUPAS Recorrida DRJ RIO DE JANEIRO RJ ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1991 a 31/08/1995 PIS REVISÃO DE LANÇAMENTO ALÍQUOTA ERRO DE DIREITO IMPOSSIBILIDADE. ARTS. 145, 146 E 149 DO CTN. SÚMULA 227 DO TFR. A declaração de inconstitucionalidade da aplicação retroativa dada à MP 1.212 de 28/11/95 convertida na Lei nº 9715/98, que fixava a alíquota de 0,65% para o PIS e sua aplicação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de outubro de 1995, não autoriza a revisão dos autolançamentos anteriores efetuados, eis que o suposto erro na aplicação de alíquota, por traduzir um erro de direito na aplicação das normas aos fatos e valores já oferecidos à tributação, não autoriza a revisão do lançamento para a adoção de um novo critério de interpretação da Lei ou de ato normativo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1991 a 31/08/1995 DECADÊNCIA RESERVA DE LEI COMPLEMENTAR COFINS/PIS OCORRÊNCIA DE PAGAMENTO ART. 150, § 4º ART. DO CTN Havendo prova de pagamento parcial do tributo no período lançado aplicase o prazo decadencial previsto no art. arts. 150, § 4º do CTN. As normas dos arts. 150, § 4º e 173” do CTN não são de aplicação cumulativa ou concorrente, mas antes são reciprocamente excludentes, tendo em vista a diversidade dos pressupostos da respectiva aplicação: o art. 150, § 4º aplica se exclusivamente aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa; o art. 173, ao revés, aplicase tributos em que o lançamento, em princípio, antecede o pagamento Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 71 0. 00 09 05 /9 7- 11 Fl. 758DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 20/02/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos deuse provimento ao recurso, nos termos do relator. Vencidos Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho e Mário César Fracalossi Bais que acolheram apenas a decadência de a Fazenda Nacional de efetuar o lançamento tributário referentes aos períodos de apuração compreendidos entre 31/03/1991 a 30/07/1992. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, Mário César Fracalossi Bais (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 302/306) contra a r. DECISÃO DRJ/RJO nº 257/99 exarada em 26/02/99 (fls. 283/290) pela DRJ do Rio de Janeiro que, houve por bem “julgar procedente em parte” (apenas para reduzir a multa), o lançamento original de Contribuição para o PIS (fls. 01/04), notificado em 29/06/99 (fls. 58), no valor total de R$ 536.660,42 (PIS R$ 213.317,63; Juros R$ 163.574,51; Multa 75% R$ 159.988,28), que acusou a ora Recorrente de falta de recolhimento do PIS nos períodos de 31/03/91 a 31/08/95, nos seguintes termos: “Em ação fiscal levada a efeito no contribuinte acima citado, foi(ram apurada(s) infração(coes) abaixo descrita(s), aos dispositivos legais mencionados. 1 FALTA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUICAO PARA O PROGRAMA DE INTEGRACAO SOCIAL A empresa acima identificada recolheu e/ou efetuou depósitos judiciais da Contribuição Para o Programa de Integração Social a menor conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal e demonstrativo anexo, Guias de Deposites Judiciais e DARES apresentados pela interessada no período compreendido entre os meses de janeiro de 1991 a agosto de 1995, em razão de ter utilizado a alíquota de 0,65% (zero virgula sessenta e cinco por cento) sobre a base de calculo ( Faturamento mensal), quando deveria ter utilizado a alíquota correta correspondente 0,75% ( zero virgula setenta e cinco por cento ). FATO GERADOR VALOR TRIBUTÁVEL % MULTA 31/03/91 439.557.620,00 75,0 Fl. 759DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 20/02/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13710.000905/9711 Acórdão n.º 3402001.985 S3C4T2 Fl. 3 3 (...) 31/08/95 1.877.407,92 75,0 ENQUADRAMENTO LEGAL: Até 1988 : Artigo 3o., alínea "b", da Lei Complementar 7/70, c/c artigo lo., paragrafo único, da Lei Complementar 17/73. De 01/89 até 06/89 : Artigo 3º., alínea "b", da Lei Complementar 7/70, c/c artigo lo., paragrafo único, da Lei Complementar 17/73, c/c artigos 69, inciso IV, b da Lei 7.799/89, com a nova redação dada pelo artigo 5º da Lei 8.019/90 De 06/91 até 12/91: Artigo 3º, alínea “b”, da Lei complementar 7/70, c/c artigo 1º, parágrafo único, da Lei Complementar 17/73, c/c artigo 2º, inciso IV, b da Lei 8.218/91 De 01/92 até 12/94: Artigo 3º, alínea “b”, da Lei Complementar 7/70, c/c 1º, parágrafo único, da Lei Complementar 17/73, c/c artigo 53, inciso IV da Lei 8.383/91. De 01/95 ate 10/95 : Artigo 3o., alínea "b", da Lei Complementar 7/70, c/c artigo lo., paragrafo único, da Lei Complementar 17/73, c/c artigo 83, inciso III da Lei 8.981/95. De 11/95 em diante: Artigo 3º, alínea “b”, da Lei Complementar 7/70, c/c artigo 1º, parágrafo único, da Lei Complementar 17/73, c/c arts. 2º, inciso I, 3º e 8º, inciso I e 9º da MP 12/12/95 e arts. 2º, inciso I, 3º 8º, inciso I, e 9º da MP 1.249/95 e suas reedições. O conforme o TVF (fls. 207/208) explicita os motivos da autuação nos seguintes termos: “1 A empresa efetuou recolhimentos e/ou fez depósitos judiciais a menor do PISFaturamento, durante o período compreendido entre os meses de janeiro de 1991 a agosto de 1995, conforme cópias dos DARFs a Guias de Depósitos à Ordem da Justiça Federal em anexo ; 2 Os valores do PIS Faturamento recolhidos ou depositados judicialmente foram efetuados a Menor, tendo em vista que a. fiscalizada utilizou a etiqueta de 0,65% ( zero vírgula sessenta e cinco por cento ) sobre o faturamento mensal ( base do cálculo ), quando rios termos da Lei Complementar nº 07, de 07 de setembro de 1970, artigo 3" , letra "b" e Lei Complementar nº 17, de 12 de dezembro de 1973, artigo 1° parágrafo fanico, letra "b", deveria ter utilizado a alíquota de 0,75% ( zero virgula setenta e cinco por cento ); 3 No dia 24/08/92„efetuou o depósito judicial do PIS Faturamento, correspondente aos fato/muentoe doa meses de julho de 1991 a março de 1992, em uma única Guia de Depósito à Ordem da Justiça Federal, no valor total do CR$ 122.579.633,13 e como se pode observar apresentou as seguintes irregularidades Fl. 760DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 20/02/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 4 3.1 Usou alíquota sobre o fatura mento menor que a devida ( 0,65% ); 3.2 Não depositou os juros moratórias que eram devidos em razão doa depósitos terem sido efetuados fora do prazo; A guisa de esclarecimentos e amplo direito de defesa, foi feita na data de 19/05/97, INTIMAÇÃO, para que a empresa demonstrasse as bases de cálculo do PIS mensalmente, bem como desmembrasse o valor da atualização monetária embutida de forma globalizada no valor depositado judicialmente naquela data. Recebido os esclarecimentos, não houve por parte da fiscalizada a demonstração solicitada quanto ao desmembramento da atualização monetária. 4. Exceto nos meses de julho do /991 a março de 1992, todos os demais valores que serviram do base para a apuração de PIS Refinamento, foram obtidos através dos DARFs, Guias de Depósitos Judiciais e Declaração de IRPJ, fornecidos pela interessada, excluindose os valores das Receitas Financeiras; 5 Para os meses de abril de 1992 a fevereiro de 1993, os valores que serviram de base de cálculo do PIS Futuramente e os valores correspondentes ao PIS Faturamento recolhidos, foram determinados, levandose em consideração somente os valores originais do PIS Faturamento devidos e declarados nos DARFs em cruzeiros, transformados para quantidades de UFIR na data da ocorrência do fato gerador e sua reconversão para cruzeiros na data do efetivo recolhimento, não se incluindo o valor do PIS sobre a Receita Financeira, em razão de haver no valor do total dos DARFs recolhido; a inclusão também da atualização monetária do PIS sobre a Receita Financeira. Assim, em razão dos fitos acima apontados, a fim de salvaguardar os interesses da Fazenda Nacional, foram refeitos todos os cálculos tio PIS Futuramente devidos pela empresa no período descrito, com a aplicação sobre o faturamento mensal da alíquota correta = 0,75% ( zero vírgula setenta e cinco por cento ), porém tomando as devidas cautelas quanto ao aproveitamento dos valores depositados judicialmente e/ou já recolhidos pela interessada, conforme consta dos demonstrativos anexo ao Auto de Infração.” Reconhecendo expressamente que a impugnação atendia aos requisitos de admissibilidade, a r. decisão de fls. 235/242 da 5ª Turma da DRJ de São Paulo SP, houve por bem “julgar procedente”, o lançamento original de Contribuição para o PIS (fls. 49/58), aos fundamentos sintetizados em sua ementa nos seguintes termos: “Assunto: Programa de Integração Social Períodos de Apuração: 03/91 a 08/95 PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL/ FATURAMENTO RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO A MENOR Há que se manter o auto de infração referente ao PIS, de que trata a Lei Complementar n° 07/70, quando constatado o recolhimento a menor desta contribuição. Fl. 761DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 20/02/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13710.000905/9711 Acórdão n.º 3402001.985 S3C4T2 Fl. 4 5 MULTA DE OFÍCIO NÃO RETROATIVIDADE DE LEI POSTERIOR PARA PREJUDICAR Uma lei posterior jamais poderá retroagir para prejudicar. Somente aplicase a ato ou fato não definitivamente julgados, quando lhes comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. Nunca para cominar penalidade mais severa LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE” Em suas razões de Recurso Voluntário (fls. 302/306), a ora Recorrente sustenta a insubsistência da autuação e da decisão de 1ª instância na parte em que a manteve tendo em vista: a) que ajuizou Ação Ordinária com vistas a assegurar o direito de efetivar a compensação tributária dos créditos que possuiria, em decorrência dos recolhimentos indevidos da Contribuição para o PIS, efetuados nos moldes dos Decretosleis nºs 2.445/88 e 2.449/88, requerendo a antecipação dos efeitos da tutela, que embora negada na primeira instância, foi lhe concedida pelo TRF 3ª Região, em sede de Agravo de Instrumento (Processo n° 97.03.0880517); b) que os créditos tributários não poderiam ter sido lançados, por inexistentes, uma vez que já extintos, por meio da compensação a que procedeu, autorizada que fora pelo Poder Judiciário e ademais, as diferenças apuradas pelo auditor fiscal decorrem de erro por este cometido, pois conforme determinado pela Lei Complementar n° 7, de 1970, deveria ser tomada como base de cálculo da contribuição o faturamento do sexto mês anterior ao do vencimento, procedimento este que não foi adotado pelo auditor fiscal; c) que portanto o lançamento não poderia ter sido efetuado em virtude de a matéria estar sendo discutida judicialmente, principalmente existindo, como no caso, expressa autorização judicial para o procedimento realizado pela impugnante; d) que em face da autorização judicial para o procedimento por ela adotado, e de estar a matéria sub judice, não poderia ser lançada a multa, nem lhe poderiam ser exigidos juros de mora. Referido recurso foi contrarazoado pela PGFN (fls. 342/346) que propugnou pelo seu improvimento, tendo a ora Recorrente noticiado (fls. 360/361) o recolhimento em 28/09/99 por Guia DARF da importância de de R$ 247.405,52, corresponderia ao pagamento integral do respectivo crédito tributário, com o benefício do art. 11 da MP nº 18558 de 27/08/99, controvérsia que foi dirimida pela Superintendência Regional da 7ª RF nos seguintes termos através do despacho (fls. 415/422) nos seguintes temos: “ASSUNTO: Benefício Fiscal de que trata o art. 11 da Medida Provisória n° 1.8588, de 1999. O Sr. ChefeSubstituto da SRRF07/Divat encaminhounos os autos deste processo EP para que se retifique ou ratifique o entendimento constante no despacho de fls. 413 e 414. 2. O presente processo trata de Auto de Infração relativo a falta de recolhimento da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS). 3. A interessada recolheu e/ou efetuou depósitos judiciais do PIS a menor, conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 30 e 31) e Demonstrativo de Apuração do PIS (fls. 5 a 14) apresentados pela interessada, no período compreendido entre os meses de janeiro de 1991 a agosto de 1995, em razão de ter utilizado a alíquota de 0,65% sobre a base de cálculo, quando deveria ter utilizado 0,75%. Fl. 762DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 20/02/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 6 4. Na citada Medida Cautelar e na Ação Ordinária 88.0026328 3, a interessada pediu que fosse declarada a inconstitucionalidade dos DecretosLei nºs 2.445 e 2.449; de 1988. Consta na decisão proferida na apelação 90.02.196920 (Ação Ordinária 88.00263283), anexada por cópia às fs. 255 a 260, que a cobrança da contribuição para o PIS deveria ser feita na forma da Lei Complementar n° 7, de 1970, diante da inconstitucionalidade formal dos aludidos decretoslei. Essa decisão transitou em julgado em 1° de julho de 1996 (fl. 266). 5. Foram, também, ajuizadas pela interessada a Medida Cautelar 91.01281275 e a Ação Ordinária 93.00559702, onde foi arguida novamente a inconstitucionalidade dos decretoslei já mencionados e, em caso de não ser aceita tal ponderação, argumentouse não ser devida a contribuição em virtude de não existir instrumento legal para tanto. O acórdão da Apelação Cível nº 95.02.217756 (Ação Ordinária 93.00559702), anexado às fls. 404 a 411, que decidiu pela inconstitucionalidade dos decretoslei, tramitou em julgado em 1996. 6. O presente auto foi impugnada (fls. 150) e Decisão da DRJ (fls. 281) julgou procedente em parte o lançamento. A interessada interpôs recurso voluntário (fls. 300), os autos do processo foram encaminhados ao 2° Conselho de Contribuintes (fls. 346), O referido Conselho, considerando cópia da Sentença Judicial de tis. 350 a 353, restituiu os autos à. DRJ/RJ, que, por sua vez, restituiuos ao CAC/Tijuca (fls. 354). A interessada foi intimada pelo CAC/Tijuca a apresentar o depósito recursal instituído pelo art. 32 da Medida Provisória n° 1.62130/1997 (fls. 357) e apresentou a documentação de fls. 358 a 391. 7. O interessado informa ter efetuado o pagamento do débito deste Auto de Infração com base no disposto no art. 11 da Medida Provisória nº 18588, de 27 de agosto de 1999, solicitando o cancelamento da cobrança e posterior arquivamento dos autos. Apresentou DARF pago (fls. 360). 8. O órgão solicitante informa que o art. 11 da medida provisória já citada remete ao art. 17 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999, e transcreve o capta do artigo. 9. Entende, então, que o caso em tela não se subsume ao disposto no art. 17 da Lei n° 9.779/1999, visto que a interessada não se encontra exonerada do pagamento de tributo ou contribuição, com fundamento em inconstitucionalidade de lei, que houver sido declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em ação direta de constitucionalidade ou inconstitucionalidade. Ademais, suas ações já haviam transitado em julgado, sendo devida a cobrança na forma da Lei Complementar n° 7/1970. 10. Conclui, finalmente, que a cobrança deste Auto de Infração deve prosseguir normalmente, considerandose apagamento de fls. 360, que já se encontra alocado. 11. Solicita, então, que seja retificado ou ratificado o entendimento acima e sejam apresentadas considerações julgadasnecessárias. Fl. 763DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 20/02/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13710.000905/9711 Acórdão n.º 3402001.985 S3C4T2 Fl. 5 7 12. O art. 11 da Medida Provisória n0 1.8588, de 27 de agosto de, 1999, concedeu beneficio fiscal de dispensa de acréscimos legais, de que trata o art. 17 da Lei nº 9.779/1999, na hipótese nele prevista: "Art. 11. Estendese o beneficio da dispensa de acréscimos legais, de que trata o art. 17 da Lei n° 9.779, do 1999, caiu a redação dada pelo artigo anterior, aos pagamentos realizados até o último dia útil do iates de setembro de 1999, em quota única, de débitos de qualquer natureza, junto à Secretaria da Receita Federal ou à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, inscritos ou não em Divida Ativa da União, desde que até o dia 31 de dezembro de 1998 o contribuinte tenha ajuizado qualquer processo judicial onde o pedido abrangia a exoneração do débito, ainda que parcialmente e sob qualquer fundamento. § 1° A dispensa de acréscimos legais, de que trata o caput deste artigo, não envolve multas moratórias ou punitivas e os juros de mora devidos a partir do mês de fevereiro de 1999. § 2º. O pedido de convenção cm renda ao juiz do feito onde depósito com o objetivo de suspender a exigibilidade do crédito, ou garantir o juízo, equivale, para os fins do gozo do benefício, ao pagamento. § 3° O gozo do beneficio e a correspondente baixa do débito envolvido pressupõe requerimento administrativo ao dirigente do órgão da Secretaria da Receita Federal ou da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional responsável pela sua administração, com a prova do pagamento ou do pedido de conversão em ronda. § 4°. No caso do § 2°, a baixa do débito envolvido pressupõe, além do cumprimento do disposto no parágrafo anterior, a efetiva conversão cm renda da União dos valores depositados. § 5º. Se e débito estiver parcialmente solvido ou em regime de parcelamento, aplicarseá o beneficio previsto neste artigo somente sobre o valor consolidado remanescente. § 6.° O disposto neste artigo não implicará restituição de quantias pagas, nem compensação de dividas. § 7°. As execuções judiciais para cobrança de crédito da Fazenda Nacional não se suspendem, mau se interrompem, em virtude do disposto neste artigo. § 8º. O prazo previsto no art. 17 da Lei o° 9.779, do 1999, fica prorrogado para o último dia útil do mês de fevereiro do 1999. § 9°. Relativamente às contribuições arrecadados pelo INSS, o prazo a que se refere o parágrafo anterior fica prorrogado para o último dia útil do mês do abril de 1999," (os grifos não constam do original) 12.1. As reedições seguintes dessa medida provisória (nº 18589 a 18581I, 1.99112 a 1.991 / 8.2.03719 a 2.03725, 2,11326 a 2.11332, 2.15833 a 2,15835) apenas repetiram o texto Fl. 764DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 20/02/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 8 anterior. A atual edição, Medida Provisória a' 2.15835, de 24 de agosto de 2001, não carece de reedição em face do disposto no art. 2* da Emenda Constitucional n° 32/2001. 13. O citado art. 17 da Lei n° 9/79/1999, com os parágrafos incluídos pelo art. 10 da Medida Provisória n° 1.8588/1999, dispõe: "Art. 17. Fica concedido ao contribuinte ou responsável exonerado do pagamento de tributo ou contribuição por decisão judicial proferida; em qualquer grau do jurisdição, com fundamento em inconstitucionalidade do lei; que. houver sido declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, cm ação direta de constitucionalidade ou inconstitucionalidade, o prazo até o último dia útil do mês de janeiro de 1999 para o pagamento, isento de multa e juros de mora, da exação alcançada pela decisão declaratória, cujo fato gerador tenha ocorrido posteriormente à data de publicação do pertinente acórdão do Supremo Tribunal Federal. § 1° O disposto neste artigo estende ao: I aos casos em que a declaração de constitucionalidade tenha sido preferida pelo Supremo Tribunal Federal, em recurso extraordinário; II a contribuinte ou responsável favorecido por decisão judicial definitiva cm matéria tributária, proferida sobre qualquer fundamento, em qualquer grau de jurisdição; III aos processos judiciais ajuizados até 31 de dezembro de 1998, exceto os relativos à execução da Dívida Ativa da União. § 2º. O pagamento na forma do caput deste artigo aplicase à exação relativa a fato gerador: I ocorrido a partir da data da publicação do primeiro Acórdão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, na hipótese do inciso I do parágrafo anterior; II. ocorrido a partir da data da publicação da decisão judicial, na hipótese do inciso I do parágrafo anterior; III alcançado pelo pedido, na hipótese do inciso I do parágrafo anterior. § 3º. O pagamento referido neste artigo: I importa em confissão irretratável da divida; II constitui confissão extrajudicial nos termos dos arts. 348, 353 e 354 do Código do Processo Civil; III poderá ser parcelado em até seis parcelas iguais, mensais e sucessivas, vencendose a primeira no mesmo prazo estabelecido no caput para o pagamento integral e as demais no último dia útil dos meses subsequentes; IV relativamente aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, poderá ser efetuado em quota única, até o último dia útil do mês de julho de 1999. Fl. 765DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 20/02/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13710.000905/9711 Acórdão n.º 3402001.985 S3C4T2 Fl. 6 9 § 4º. As prestações do parcelamento referido no inciso III do parágrafo anterior serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SEM, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês de vencimento da primeira parcela até o mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês do pagamento. § 5° Na hipótese do inciso IV do § 3º, os juros a que se refere a parágrafo anterior serão calculados a partir do mês de fevereiro de 1999. § 6º. O pagamento nas condições deste artigo poderá ser parcial, referente apenas a determinado objeto da ação judicial, quando esta envolver mais do um objeto. §7º. No caso de pagamento parcial, o disposto nos incisos I e II do § 3º alcança exclusivamente os valores pagos. § 8º. Aplicase o disposto neste artigo às contribuições arrecadadas pelo instituto Nacional do Seguro Social INSS. " 14. O art. 11 da Medida Provisória n° 18588/1999 estendeu o beneficio fiscal previsto no art. 17 da Lei n° 9.77911999 aos pagamentos realizados até o último dia do mês de setembro de 1999, em quota única, de débitos de qualquer natureza, junto à SRF ou à PGFN, inscritos ou não em dívida ativa, desde que o contribuinte tenha ajuizado qualquer processo judicial onde o pedido abrangia a exoneração do débito, ainda que parcialmente e sob qualquer fundamento. 15. Convém ressaltar que a hipótese de incidência do art. 11 da medida provisória em tela está contida em seu próprio capei, e não no art. 17 da Lei a° 9379/1999, que contém, tão somente, o beneficio em comento. 16. Com isso, deve ser verificado se o presente caso está contemplado pelo caput do art. 11 retromencionado. Tal verificação está prejudicada, pelas razões que serão apresentadas a seguir. 17. Deve terse em mente que a lei sempre visa a um interesse público, que nesse caso era o recebimento imediato, por parte da Fazenda, de débitos de qualquer natureza, junto à Secretaria da Receita Federal ou à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, inscritos ou não em Divida Ativa da União, desde que até o dia 3 de dezembro de 1998 o contribuinte tivesse ajuizado qualquer processo judicial onde o pedido abrangesse a exoneração do débito, ainda que parcialmente e sob qualquer fundamento. Ao contribuinte, atribuiuse a vantagem de obter o perdão de juros de mora até certo período, mas sob o pressuposto de pagar o crédito remanescente. 18. A afirmação de que o pagamento integral, dentro dos prazos oferecidos pela legislação, é o pressuposto para o gozo do incentivo pode ser buscada no caput do art. 11 da Medida Provisória n° 1.858811999: "Estendese o beneficio da dispensa Fl. 766DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 20/02/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 10 de acréscimos legais, (...), aos pagamentos realizados até o último dia útil do mês de setembro de 1999, em quota única, (...)” 19. Ou seja, o art. 11 em comento permitiu a dispensa de juros de mora incorridos até fevereiro de 1999. No entanto, fixou como pressuposto que o crédito decorrente da matéria discutida judicialmente fosse integralmente pago. Não se pode desviar da finalidade da lei, que era exatamente estimular a regularização dos créditos discutidos judicialmente. Promover o pagamento parcial não supre o pressuposto legal. Admitir o gozo do incentivo em prol daquele que efetuou o pagamento apenas parcial de seu crédito significaria conceder o bônus da lei, sem que seja cumprido o ônus por ela exigido. 20. A interessada expõe, às fls. 400, que recolheu o valor relativo ao principal e aos juros de mora devidos a partir de fevereiro de 1999, conforme estaria disposto no § 1º da Medida Provisória nº. 1.858511999, e requer a emissão de guia correspondente apenas á multa de oficio, conforme despacho de fls. 396 (folha renumerada para 394). 21. Assim sendo, por não ter pago integralmente o crédito tributário, a interessada não poderá usufruir do beneficio fiscal concedido peto art. 11 da medida provisória em comento. 22. Por outro lado, o art. 20 da Medida Provisória n° 66, de 29 de agosto de 2002, estabeleceu: "Art. 20. Poderão ser pagos até a último dia Útil de setembro de 2002, em parcela Única, os débitos a que se refere o art. I 1 da Medida Provisória nº. 2.15835, do 24 de agosto de 2001, não vinculados a qualquer ação judicial, Motivos a fatos, geradores ocorridos até 30 do abril de 2002. § 1º. Na hipótese de que trata este artigo, serão dispensados os juros de mora devidos até janeiro de 1999, sendo exigido esse encargo, na forma do § 4º do art. 17 da Lei 9.779, de 19 de janeiro de 1999, a partir do mês: I de fevereiro do referido ano, no caso de fatos geradores ocorridos ate janeiro de 1999; II seguinte ao da ocorrência do Fato gerador, nos demais casos. § 2º. Na hipótese deste artigo, a multa, de mora ou de ofício, incidente sobra o débito constituído ou não, será reduzida no percentual fixado no copia do art. 62 da Lei nº 8.218, do 29 do agosto de 1991. § 3º. Para efeito do disposto no capa, se os débitos forem decorrentes do lançamento de oficio e se encontrarem com exigibilidade suspensa por força do inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, o sujeito passivo deverá desistir expressamente e de forma irrevogável da impugnação ou do recurso interposta" (os grifos não constam do original) Fl. 767DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 20/02/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13710.000905/9711 Acórdão n.º 3402001.985 S3C4T2 Fl. 7 11 23. Como as ações interpostas pela interessada já transitaram em julgado, os débitos relativos a este auto de infração, não estão vinculados a qualquer ação judicial, logo ela poderá se beneficiar do artigo acima transcrito. Proponho, então, o encaminhamento dos autos á SRRF07/Divat para que a interessada seja cientificada de sua situação, bem como orientada quanto à imputação do montante já pago anteriormente, para que possa proceder ao pagamento previsto na forma do artigo acima transcrito, se assim o desejar.” Finalmente, através do r. despacho de fls.627 o Ilmo Sr. Chefe da Divisão de Tributação do Rio de Janeiro – 7ª RF em 01/09/11 proferiu o seguinte despacho: “Por meio do Oficio n° OFI.0003.0003970/2011, de 01/07/2011, fls. 599/624, a Sra. Diretora de Secretaria da 3' Vara Federal Cível/RJ, de ordem do Exmo. Sr. Juiz da Vara, encaminha cópia da decisão final proferida nos autos do Mandado de Segurança, processo n° 0009110 88.1999.4.02.5101 (99.00091108) – 3a VF/RI, para cumprimento da mesma, determinando a comunicação ao Juízo das providencias tomadas. “De acordo com a decisão, a exigência do depósito prévio de 30% do valor do crédito tributário contestado para interposição do recurso voluntário referente ao processo administrativo n° 13710.000905/9711 foi afastada. Compulsando o presente processo, verificase que o recurso voluntário interposto pela Interessada às fls. 302/339 não foi apreciado pelo Conselho de Contribuintes (fls. 355 e seguintes). Observase, ainda, que a inscrição da dívida ativa n° 70 7 03 00265572, vinculada ao processo, está na situação "ativa ajuizada", conforme extrato de consulta do Sistema de Divida Ativa (SIDA) da PGFN, fl. 625. Assim sendo, proponho a remessa deste processo à DRF Nova Iguaçu para oficiar à Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Petrópolis da decisão final proferida nos autos do Mandado de Segurança, processo n° 000911088.1999.4.023101 (99.00091108) – VF/RJ (fls. 599/624); em seguida, digitalizar o processo e remetêlo, via "eProcesso", ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para julgar o recurso voluntário interposto pela Interessada às fls. 302/339; e, por fim, informar a Disit/SRRFO7 a data do envio do processo ao CARF, a fim de que o juízo da 3ª VF/RJ seja comunicado das providências adotadas. De acordo. Procedase como proposto. Em 01/09/2011” É o Relatório Fl. 768DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 20/02/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 12 Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator O Recurso Voluntário reúne as condições de admissibilidade e, no mérito, merece ser provido. Inicialmente, verifico inexiste no caso a prejudicial de concomitância, eis que o objeto das ações judiciais intentadas pela ora Recorrente em nada interfere com o objeto da presente ação fiscal que tem por objeto a aplicação da alíquota do PIS prevista na LC nº 07/70 no período excogitado no AI, tal como certifica a própria d. Superintendência Regional da 7ª RF através do despacho (fls. 415/422) quando certifica que: “(...) 2. O presente processo trata de Auto de Infração relativo a falta de recolhimento da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS). 3. A interessada recolheu e/ou efetuou depósitos judiciais do PIS a menor, conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 30 e 31) e Demonstrativo de Apuração do PIS (fls. 5 a 14) apresentados pela interessada, no período compreendido entre os meses de janeiro de 1991 a agosto de 1995, em razão de ter utilizado a alíquota de 0,65% sobre a base de cálculo, quando deveria ter utilizado 0,75%. 4. Na citada Medida Cautelar e na Ação Ordinária 88.0026328 3, a interessada pediu que fosse declarada a inconstitucionalidade dos DecretosLei nºs 2.445 e 2.449; de 1988. Consta na decisão proferida na apelação 90.02.196920 (Ação Ordinária 88.00263283), anexada por cópia às fs. 255 a 260, que a cobrança da contribuição para o PIS deveria ser feita na forma da Lei Complementar n° 7, de 1970, diante da inconstitucionalidade formal dos aludidos decretoslei. Essa decisão transitou em julgado em 1° de julho de 1996 (fl. 266). 5. Foram, também, ajuizadas pela interessada a Medida Cautelar 91.01281275 e a Ação Ordinária 93.00559702, onde foi arguida novamente a inconstitucionalidade dos decretoslei já mencionados e, em caso de não ser aceita tal ponderação, argumentouse não ser devida a contribuição em virtude de não existir instrumento legal para tanto. O acórdão da Apelação Cível nº 95.02.217756 (Ação Ordinária 93.00559702), anexado às fls. 404 a 411, que decidiu pela inconstitucionalidade dos decretoslei, tramitou em julgado em 1996. (...) 23. Como as ações interpostas pela interessada já transitaram em julgado, os débitos relativos a este auto de infração, não estão vinculados a qualquer ação judicial, ...” Fl. 769DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 20/02/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13710.000905/9711 Acórdão n.º 3402001.985 S3C4T2 Fl. 8 13 Como há muito já assentou o antigo 1º CC que: “só existe concomitância quando no processo administrativo se discutir o mesmo objeto da ação judicial” e “se isso não ocorrer, então não há concomitância e a autoridade administrativa julgadora deve conhecer o mérito do litígio” (cf. Ac. nº 10808494 da 8ª Câm. do 1º CC, em sessão de Sessão de 13/09/05, Rel. José Henrique Longo), sob pena de nulidade da decisão, por desatender aos requisitos essenciais que os artigos 31 e 59, inc. II do Decreto nº 70.235/72 enumeram como condição de sua validade (Ac. da 3ª Turma da CSRF no Recurso de Divergência nº 301 122696, Proc. nº 13149.000230/9605 em sessão de 17/05/05 Acórdão de CSRF/0304.421, Rel. Cons. Paulo Roberto Cucco Antunes, em nome de VIAÇÃO XAVANTE LTDA). Assim, não há concomitância, quando não coincidentes os objetos dos processo judicial e administrativa, ou quando o objeto do processo administrativo for mais abrangentes que o judicial, tal como já reconheceu a Jurisprudência Administrativa e judicial e se pode ver das seguintes e elucidativas ementas: “TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA. AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA DE RECORRER NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IDENTIDADE DO OBJETO. ART. 38, PARÁGRAFO ÚNICO DA LEI Nº 6.830/80. 1. Incide o parágrafo único do art. 38, da Lei nº 6.830/80, quando a demanda administrativa versar sobre objeto menor ou idêntico ao da ação judicial. 2. A exegese dada ao dispositivo revela que: "O parágrafo em questão tem como pressuposto o princípio da jurisdição una, ou seja, que o ato administrativo pode ser controlado pelo judiciário e que apenas a decisão deste é que se torna definitiva, com o trânsito em julgado, prevalecendo sobre eventual decisão administrativa que tenha sido tomada ou pudesse vir a ser tomada. (...) Entretanto, tal pressupõe a identidade de objeto nas discussões administrativa e judicial". (Leandro Paulsen e René Bergmann Ávila. Direito Processual Tributário. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2003, p. 349). 3. In casu, os mandados de segurança preventivos, impetrados com a finalidade de recolher o imposto a menor, e evitar que o fisco efetue o lançamento a maior, comporta o objeto da ação anulatória do lançamento na via administrativa, guardando relação de excludência. 4. Destarte, há nítido reflexo entre o objeto do mandamus – tutelar o direito da contribuinte de recolher o tributo a menor (pedido imediato) e evitar que o fisco efetue o lançamento sem o devido desconto (pedido mediato) com aquele apresentado na esfera administrativa, qual seja, anular o lançamento efetuado a maior (pedido imediato) e reconhecer o direito da contribuinte em recolher o tributo a menor (pedido mediato). 5. Originárias de uma mesma relação jurídica de direito material, despicienda a defesa na via administrativa quando seu objeto subjugase ao versado na via judicial, face a Fl. 770DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 20/02/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 14 preponderância do mérito pronunciado na instância jurisdicional. 6. Mutatis mutandis, mencionada exclusão não pode ser tomada com foros absolutos, porquanto, a contrario sensu, tornase possível demandas paralelas quando o objeto da instância administrativa for mais amplo que a judicial. 7. Outrossim, nada impede o reingresso da contribuinte na via administrativa, caso a demanda judicial seja extinto sem julgamento de mérito (CPC, art. 267), pelo que não estará solucionado a relação do direito material. 8. Recurso Especial provido, divergindo do ministro relator. (cf. Ac. da 1ª Turma do STJ no REsp nº 840.556AM; Reg. nº 2006/00851969, em sessão de 26/09/06, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, Rel p/Ac Min. LUIZ FUX, publ. in DJU de 20/11/06 p. 286) "IRF Aplicações financeiras de renda fixa Instituições de Previdência Privada Pessoas jurídicas imunes opção pela via judicial as questões postas ao conhecimento do judiciário implica a impossibilidade de discutir o mesmo mérito na instância administrativa, (...), posto que a decisão daquele Poder detém, no sistema jurídico pátrio, o poder jurisdicional, ou seja, somente ao Poder Judiciário é outorgado o poder de examinar as questões a ele submetido de forma definitiva, com efeito, de coisa julgada. Todavia, sendo a autuação posterior à demanda judicial, nada obsta que se conheça o recurso quanto à legalidade no lançamento em si, que não o mérito litigado no judiciário. (...)." (Ac un da 4ª C do 1° CC n° 10418.397 Rel. Cons. Nelson Mallmann j 17/10/01 DOU 1 07/01/02, p 61 ementa oficial, publ. in RJIOB1 Trib., Const. e Adm. nº 02/2001, E116839) Exatamente este é o caso dos autos onde se verifica que embora havendo decisões em ações judiciais intentadas pela Recorrente, as mesmas não versam sobre a alíquota do PIS, que não foi objeto daquelas decisões. Superada a questão da concomitância passo ao exame do mérito. Desde logo verificase que o Auto de Infração de PIS (fls. 01/04), notificado em 30/07/97 (cf. AR fls. 149), não poderiam abranger operações ocorridas no período anterior a 30/07/92, sobre as quais já se achava extinto o direito da Fazenda Pública de proceder ao lançamento, por se ter consumado o prazo decadencial e a conseqüente extinção do crédito tributário nos expressos termos dos arts. 150, § 4º e 156, inc. V do CTN, impondose a exclusão das referidas operações do lançamento, tal como já proclamou a Jurisprudência judicial (Súmula vinculante do STF nº 8) e administrativa (cf. Acórdão nº 10194.394, da 1ª Câmara do 1º CC Relator: Raul Pimentel publ. in DOU 1 28.01.2004, pág. 9 e in "JurisprudênciaIR anexo ao Bol. IOB nº 11/04; Acórdão nº 10194.602 da 1ª Câm. do 1.º CC/MF, publ. no DJ de 28/04/2005 e in RDDT 118/146; cf. Acórdão nº 10707049, da 7ª Câm. do 1º CC, Rel. Cons. Natanael Martins; publ. DOU 1 de 10/12/03, pág. 38 e in "Jurisprudência IR anexo ao Bol. IOB nº 1/04; cf. ACÓRDÃO 20310412 da 3ª Câm. do 2º CC, Rec. nº 129448,Proc. nº 16327.001090/200445,em sessão de 13/09/2005, Rel. Cons. Sílvia de Brito Oliveira, publ. in D.O.U. de 12/03/2007, Seção 1, pág. 45). Fl. 771DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 20/02/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13710.000905/9711 Acórdão n.º 3402001.985 S3C4T2 Fl. 9 15 Embora não ventilada em primeira instância nem reeditada em sede de recurso voluntário, tratandose de matéria de ordem publica, a decadência pode ser reconhecida de ofício e a qualquer tempo pelas instâncias ordinárias de primeiro e segundo graus, tal como unissonamente reconhecem a Doutrina (cf. Luciano Amaro in Direito Tributário Brasileiro, 12ª. Ed.Saraiva, 2006, pág. 401) e a Jurisprudência (cf. AC. da 1ª Turma do STJ no AgRg no REsp nº 1130314SP, Reg. nº 2009/01461235, em sessão de 21/09/10, Rel. Min. BENEDITO GONÇALVES, publ. in DJU de 28/09/10; cf. AC. da 2ª Turma do STJ no REsp nº 1082600 PR, Reg. nº 2008/01853337, em sessão de 03/03/09, Rel. Min. CASTRO MEIRA, publ. in DJU de 17/03/09). Por outro lado, no caso concreto a própria d. Fiscalização (fls. 415/422) certifica que “a interessada recolheu e/ou efetuou depósitos judiciais do PIS a menor, conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 30 e 31) e Demonstrativo de Apuração do PIS (fls. 5 a 14) apresentados pela interessada, no período compreendido entre os meses de janeiro de 1991 a agosto de 1995, em razão de ter utilizado a alíquota de 0,65% sobre a base de cálculo, quando deveria ter utilizado 0,75%”, o que impõe a aplicação da Jurisprudência do E. STJ em sede de repetitivos que tem reiterado que “a decadência do direito de constituir o crédito tributário é regida pelo art. 150, § 4°, do CTN, quando se trata de tributo sujeito a lançamento por homologação e o contribuinte realiza o respectivo pagamento parcial antecipado, sem que se constate a ocorrência de dolo, fraude ou simulação”, como se pode ver das seguintes ementas: “TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. PAGAMENTO PARCIAL REALIZADO ANTES DE PRÉVIO EXAME DA AUTORIDADE FISCAL. ART. 150, § 4°, DO CTN. INEXISTÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO CONSTATADOS NO ACÓRDÃO RECORRIDO. 1. Discutese a ocorrência de decadência do direito de o Fisco realizar lançamento de ofício de créditos tributários cujos fatos geradores ocorreram entre janeiro a novembro de 2001. 2. O Tribunal a quo confirmou a sentença de improcedência, por entender que a decadência deve ser regida pelo art. 173, I, do CTN, em razão de o pagamento atribuído ao contribuinte ter ocorrido após o vencimento. 3. De acordo com a jurisprudência consolidada do STJ, a decadência do direito de constituir o crédito tributário é regida pelo art. 150, § 4°, do CTN, quando se trata de tributo sujeito a lançamento por homologação e o contribuinte realiza o respectivo pagamento parcial antecipado, sem que se constate a ocorrência de dolo, fraude ou simulação (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 18.9.2009, submetido ao art. 543C do CPC). 4. A referência ao pagamento antecipado diz respeito à previsão legal do dever de o sujeito passivo antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade fiscal, nos termos do caput do art. 150 do CTN, de modo que o simples fato de a apuração e o pagamento do crédito terem ocorrido após o vencimento do prazo previsto na legislação tributária não desloca o termo inicial da decadência para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado (art. 173, I, do CTN). Fl. 772DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 20/02/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 16 5. Vale ressaltar que, não tendo o acórdão recorrido consignado a existência de dolo, fraude ou simulação na conduta do contribuinte que efetuou o pagamento após o vencimento, inexiste, no presente caso, fundamento para afastar a incidência do art. 150, § 4°, do CTN. Em outras palavras, o termo inicial da decadência é o fato gerador. 6. Como os fatos geradores sob análise ocorreram no período de janeiro a novembro de 2001, e o lançamento de ofício foi realizado em dezembro de 2006, após o transcurso do prazo quinquenal, está caracterizada a decadência. 7. Recurso Especial provido.” (Ac. da 2ª Turma do STJ no REsp 1344130/AL, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, em sessão de 18/10/2012, publ. in DJU de 05/11/2012) “TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO PARCIAL. TERMO INICIAL. FATO GERADOR. ART. 150, § 4°, DO CTN. IMPOSSIBILIDADE DE CUMULAÇÃO COM O ART. 173, I, DO CTN. ORIENTAÇÃO CONFIRMADA EM RECURSO REPETITIVO. RECURSO MANIFESTAMENTE DESCABIDO. MULTA. 1. Na hipótese de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando o contribuinte constitui o crédito, mas efetua pagamento parcial, sem constatação de dolo, fraude ou simulação, o termo inicial da decadência é o momento do fato gerador. Aplicase exclusivamente o art. 150, § 4°, do CTN, sem a possibilidade de cumulação com o art. 173, I, do mesmo diploma (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 18/9/2009, submetido ao regime do art. 543C do CPC). 2. In casu, os fatos geradores dizem respeito aos meses de julho a novembro de 1998, e a constituição do crédito pelo Fisco ocorreu apenas em dezembro de 2003, após o transcurso do prazo quinquenal (fl. 480). Acrescentese que o Tribunal a quo constatou a existência de pagamento antecipado a menor, o que atrai a regra do art. 150, § 4°, do CTN (fl. 479). 3. Agravo Regimental não provido. Multa fixada em 10% do valor atualizado da causa.” (cf. Ac. da 2ª Turma do STJ no AgRg no AREsp 200.933/SC, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, em sessão de 20/09/2012, publ. in DJU de 10/10/2012) “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. ALEGAÇÃO GENÉRICA. SÚMULA 284/STF. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. TRIBUTO PAGO A MENOR. CONSTITUIÇÃO DA DIFERENÇA. PRAZO DECADENCIAL. ART. 150, § 4º, DO CTN. SÚMULA 83/STJ. (...) 3. A Primeira Seção, no julgamento dos Embargos de Divergência no Recurso Especial 1.199.262/MG, relatoria do Min. Benedito Gonçalves, ressaltou que o pagamento a menor feito sem observância dos parâmetros legais é desinfluente para a fixação do prazo decadencial, em vista de que a jurisprudência Fl. 773DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 20/02/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13710.000905/9711 Acórdão n.º 3402001.985 S3C4T2 Fl. 10 17 desta Corte, firmada inclusive em recurso repetitivo (REsp 973.733/SC), dirime a questão jurídica do prazo decadencial para a constituição do tributo sujeito à homologação a partir da existência, ou não, de pagamento antecipado por parte do contribuinte, sendo despiciendo questionar o motivo pelo qual o contribuinte não realizou o pagamento integral do tributo. AgRg no EREsp 1.199.262/MG, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Seção, julgado em 26.10.2011, DJe 7.11.2011. 4. O Tribunal de origem concluiu que ocorrera o pagamento a menor, sendo aplicável o disposto no art. 150, § 4º, do CTN. Incidência da Súmula 83/STJ. Agravo regimental improvido.” (cf. Ac. da 2ª Turma do STJ no AgRg no AREsp 187.108/MG, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, em sessão de 11/09/2012, pub. In DJU de 18/09/2012) Portanto impõese a exclusão do lançamento das operações ocorridas no período de 31/03/91 a 30/07/92, sobre as quais já se achava extinto o direito da Fazenda Pública de proceder ao lançamento, por se ter consumado o prazo decadencial e a conseqüente extinção do crédito tributário nos expressos termos dos arts. 150, § 4º e 156, inc. V do CTN, impondose a exclusão das referidas operações do lançamento, tal como já proclamou a Jurisprudência (administrativa e judicial) retro citada. Relativamente ao período não abrangido pela decadência, o lançamento também não merece subsistir. De fato, no caso concreto verificase que a lançamento de ofício acusa recolhimento a menor da contribuição para o PIS relativamente ao período períodos de 03/91 a 08/95, vez que, segundo esclarece o TVF o contribuinte teria recolhido/depositado a contribuição com base na receita bruta operacional utilizando a alíquota de 0,65%, conforme preconizado nos Decretos leis nºs 2.445/88 e 2.449/88 e, considerando a suspensão da execução dos Decretosleis nºs 2.445/88 e 2.449/88 determinada nos termos da Resolução do Senado Federal n° 49 de 09/10/95 (DOU de 30/10/95), a d. Fiscalização entende que o cálculo da contribuição ao PIS voltou a ser regido pelas Leis Complementares 07/70 e 17/73, a aplicando a alíquota de 0,75%, com fulcro no art. 3º, alínea "b" da Lei Complementar n° 07/70, c/c art. 1°, parágrafo único da Lei Complementar no 17/73; título 5, capitulo 1, seção I, alínea "b", itens I e II, do Regulamento do PIS/PASEP, aprovado pela Portaria MF n° 142/82. Nesse ordem de idéias, desde logo verificase que o pretexto invocado para justificar a sua pretensão à revisão dos autolançamentos anteriores e dos créditos tributários já extintos seria o suposto erro na alíquota do PIS, aplicada pelo contribuinte de acordo com os Decretosleis nºs 2.445/88 e 2.449/88, posteriormente suspensos nos termos da Resolução do Senado Federal n° 49 de 09/10/95 (DOU de 30/10/95) Entretanto, a posterior declaração de inconstitucionalidade dos Decretosleis nºs 2.445/88 e 2.449/88, suspensos pela Resolução do Senado Federal n° 49 de 09/10/95, e que fixavam a alíquota de 0,65% para o PIS, data vênia, não autoriza a revisão dos auto lançamentos anteriormente efetuados, para aplicação da alíquota de 0,75% prevista na legislação repristinada (LC nº 7/70) com a declaração de inconstitucionalidade , ao período de 07/94 a 09/95, excogitado no presente lançamento de ofício. Fl. 774DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 20/02/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 18 A pretendida aplicação retroativa da Resolução do Senado Federal n° 49 de 09/10/95 (DOU de 30/10/95) a operações efetuadas em período anterior à sua vigência como as excogitadas no lançamento (período de 03/91 a 08/95), por si só já enseja manifesta ilegalidade, por violação ao “princípio da irretroatividade da lei tributária” e ao disposto nos arts. 140 e 144 do CTN. Se não bastasse, o pretexto invocado no lançamento para justificar a pretensão à revisão de auto lançamentos anteriores – suposto erro na aplicação de alíquota e aplicação da alíquota de 0,75% prevista na legislação repristinada com a declaração de inconstitucionalidade – na realidade traduz um erro de aplicação das normas aos fatos e valores já oferecidos à tributação, ou seja, consubstancia um erro de direito que não autoriza a revisão do lançamento, pois está na lei (arts. 145, 146 e 149 do CTN), e proclama a Jurisprudência há muito pacificada (v. Ac. STF nº. RE nº 104.226SC in RTJ 113/908; Súmula 227 do TFR), que o erro de direito no lançamento anterior não autoriza a sua revisão, eis que esta não pode ser promovida para a adoção de um novo critério de interpretação da Lei ou de ato normativo (nova classificação), tal como recentemente proclamado pelo E. STJ e se pode ver da seguinte e elucidativa ementa: “TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. MANDADO DE SEGURANÇA. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA. AUTUAÇÃO POSTERIOR. REVISÃO DE LANÇAMENTO. ERRO DE DIREITO. SÚMULA 227/TRF. PRECEDENTES. “Á mudança de critério jurídico adotado pelo fisco não autoriza a revisão do lançamento” (Súmula 227 do TFR). A revisão de lançamento do imposto, diante de erro de classificação operada pelo Fisco aceitando as declarações do importador, quando do desembaraço aduaneiro, constituise em mudança de critério jurídico, vedada pelo CTN. O lançamento suplementar resta, portanto,motivado por erro de direito. (Precedentes: Ag 918.833/DF, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, DJ 11.03.2008; AgRg no REsp 478.389/PR, Min. HUMBERTO MARTINS, DJ. 05.10.2007, REsp 741.314/MG, Rela. Min. ELIANA CALMON, DJ. 19.05.2005; REsp 202958/RJ, Rel. Ministro FRANCIULLI NETTO, DJ 22.03.2004; REsp 412904/SC, Rel. Min. LUIZ FUX, DJ 27/05/2002, p. 142; Resp n° 171.119/SP, Rela. Min. ELIANA CALMON, DJ em 24.09.2001). Recurso Especial desprovido” (cf. AC. da 1ª Turma do STJ no REsp nº 1.112.702SP, Reg. nº 2008/01053272, em sessão de 20/10/09, Rel. Min. Luiz Fux, publ. in DJU de 06/11/09) Na mesma linha, solidamente apoiado na doutrina, o E. STJ recentemente assentou que “’o artigo 146 do CTN positiva, em nível infraconstitucional, a necessidade de proteção da confiança do contribuinte na Administração Tributária, abarcando, de um lado, a impossibilidade de retratação de atos administrativos concretos que implique prejuízo relativamente à situação consolidada à luz de critérios anteriormente adotados e, de outro, a irretroatividade de atos administrativos normativos quando o contribuinte confiou nas normas anteriores’. (Leandro Paulsen, in Direito Tributário Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência, 8ª ed., Ed. Livraria do Advogado, Porto Alegre, 2006, pág. 1.086)” (cf. AC. da 1ª Turma do STJ no REsp nº 810565SP, REg. nº 2006/00085950, em sessão de 11/12/07, Rel. Min LUIZ FUX, publ. in DJU de 03/03/2008) Fl. 775DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 20/02/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13710.000905/9711 Acórdão n.º 3402001.985 S3C4T2 Fl. 11 19 Isto posto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, reformando a r. decisão recorrida, para reconhecer a decadência em relação período de 03/91 a 07/92 nos termos do art. 150, § 4º do CTN, com a conseqüente extinção do crédito tributário dela decorrente nos termos do art. 156, inc. V do CTN e, no mérito, julgar improcedente o lançamento, cancelando as exigências remanescentes não abrangidas pela decadência. É o como voto. Sala das Sessões, em 29 de janeiro de 2013. FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Fl. 776DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 20/02/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 11128.004718/2001-44
Data da sessão: Thu May 21 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu May 21 00:00:00 UTC 2009
Ementa: REGIMES ADUANEIROS
Data do fato gerador: 06/12/1999
ADMISSÃO TEMPORÁRIA. PENALIDADE. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO.
A nacionalização dos bens admitidos temporariamente, fora do prazo do regime de admissão e antes da execução do termo de responsabilidade, enseja a incidência da penalidade aplicada, art. 521, II, "b" do RA.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-00.256
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: Luciano Lopes de Almeida Moraes
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-11-17T10:30:58Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-11-17T10:30:57Z; Last-Modified: 2009-11-17T10:30:58Z; dcterms:modified: 2009-11-17T10:30:58Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-11-17T10:30:58Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-11-17T10:30:58Z; meta:save-date: 2009-11-17T10:30:58Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-11-17T10:30:58Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-11-17T10:30:57Z; created: 2009-11-17T10:30:57Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; Creation-Date: 2009-11-17T10:30:57Z; pdf:charsPerPage: 1225; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-11-17T10:30:57Z | Conteúdo => S3-CIT2 F1.95 '‘ MINISTÉRIO DA FAZENDA (.1 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 11128.004718/2001-44 Recurso n° 141.000 Voluntário Acórdão n° 3102-00.256 — P Câmara / 2" Turma Ordinária Sessão de 21 de maio de 2009 Matéria RESTITUIÇÕES DIVERSAS Recorrente MOPYC LTDA. Recorrida DRJ - FORTALEZA/CE ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 06/12/1999 ADMISSÃO TEMPORÁRIA. PENALIDADE. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. A nacionalização dos bens admitidos temporariamente, fora do prazo do regime de admissão e antes da execução do termo de responsabilidade, enseja a incidência da penalidade aplicada, art. 521, II, "h" do RA. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. k r4431.gt RCIA ELENA A NO DAMORIM - Presidente LUCIANO LOPES rà E • DA MO - Relator EDITADO EM: 14 de outubro de 2019 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mercia Helena Trajano Damorim, Ricardo Paulo Rosa, Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Veríssimo de Sena, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes Armando. 1 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Trata o presente processo, de pedido de restituição da multa a que se referente o art. 521, inciso II, alínea "h" do Regulamento Aduaneiro, no valor de R$ 53.682,46, por não retorno dos bens sob regime de Admissão Temporária, no prazo fixado. Inicialmente alega o interessado em sintese(fls. 02/05) que não há fundamentos para a cobrança, por parte do AFTN, da multa por descumprimento de prazo de Admissão Temporária, se aplicarmos os mesmos conceitos e jurisprudências existentes sobre a negativa de Prorrogação de Admissão Temporária. Analisando o pleito (fls. 44 a 47), a autoridade administrativa competente, indeferiu o pedido, com base nos seguintes argumentos: "Ao assim proceder, o recorrente não foi diligente no trato dos seus interesses, pois, bastaria a sua simples recusa quanto ao pagamento de eventual multa, para obrigar o servidor a proceder à lavratura do Auto de Infração, onde seria discutida a procedência, ou não, da exigência resultante da ação fiscal. Ao efetuar o pagamento, abrindo mão da discussão da matéria na esfera administrativa, o interessado assim procedeu por sua conta e risco, mas, sem nenhuma razão aparente, pois, não basta ao agente do Fisco informar ao contribuinte sobre a existência de determinada infração para torná-la compulsória, o que somente sucede após o lançamento na peça fiscal que seria lavrada. Além do mais, há de se notar que o não retorno ao exterior, no prazo fixado, de bens ingressados no País sob regime de admissão temporária, sujeita-se à multa capitulada na alínea "h" Inciso II — Art. 106 do Decreto Lei 37/66, regulamentado pelo art. 521-II-b do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto 91.030/85. Sendo assim, somente cabe propor seja indeferida a pretensão aqui formulada, vez que carente de amparo legal." Cientificado o interessado do indeferimento em menção, apresenta a manifestação de inconformidade às fls. 51/54, nos seguintes termos: 1.Alega o Chefe da DISIT, através de seu parecer, que bastaria apenas o recorrente se recusar quanto ao pagamento de eventual multa, para obrigar o servidor a proceder a lavratura de Auto de Infração, onde seria discutida a procedência, ou não, da exigência resultante da ação fiscal. 2. Alega, também, que a empresa ao efetuar o pagamento abriu mão da discussão da matéria na esfera administrativa, procedendo por sua conta e risco, sem nenhuma razão aparente, 2 Processo n° 11128.004718/2001-44 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.256 Fl. 96 pois não basta ao agente do Fisco informar ao contribuinte sobre a existência de determinada infração para torná-la compulsória, o que somente sucede após o lançamento na peça fiscal que seria lavrada. Sustenta, ainda, o Ilustre Julgador, que o não retorno ao exterior dos bens ingressados no país sob regime de admissão temporária, no prazo fixado, sujeita-se à multa capitulada na alínea "h" Inciso II - Art. 106 do Decreto Lei 37/66, regulamentado pelo art. 521- b do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto 91.030/85. 4.Sucede, no entanto, que tais alegações não devem prosperar, sendo julgado procedente o presente pedido de restituição, conforme se demonstrará a seguir. 5. Inicialmente cabe demonstrar que a empresa, ao efetuar o recolhimento da multa que lhe fora aplicada indevidamente, o fez para evitar o processo administrativo que a multa imposta iria lhe trazer. 6. A multa se consubstancia em obrigação acessória, que, se não cumprida, torna-se principal, de acordo com o Artigo 113, parágrafo 3', do Código Tributário Nacional, "in verbis": "Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. Parágrafo 3". A obrigação acessória, pelo simples fato de sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária". 7. Dessa forma, a empresa evitou a conversão de sua obrigação que era acessória, em principal, não permitindo a abertura de um processo administrativo, com a conseqüente lavratura de Auto de Infração. 8.Como é cediço, o trâmite administrativo é demasiadamente longo, havendo a possibilidade da empresa ter o presente débito inscrito na Divida Ativa, levando a discussão ao Judiciário, onde para se defender e pleitear seus interesses correria o risco de ter seus bens constritos. 9. Comprova-se que a empresa agiu de boa fé, recolhendo regularmente os tributos devidos e a multa indevida, vez que não poderia correr o risco de ter a mercadoria apreendida, prejudicando, assim, futuros negócios, pois já estava agendado várias demonstrações do equipamento por todo o pais. 10.No que se refere ao descumprimento prazo de admissão temporária, o Ilustre Julgador equivoca-se, pois de acordo com o art. 7°, parágrafo 7° da Regulamento Aduaneiro: "Parágrafo 7° - Na hipótese de indeferimento do pedido de prorrogação de prazo ou dos requerimentos a que se referem os incisos II a V, o beneficiário deverá promover a reexportação dos bens em 30 (trinta dias) da ciência da decisão, salvo se superior o pedido restante". 3 Esse entendimento é confirmado pelo Advogado, Despachante Aduaneiro e Agente Fiscal dos Tributos Federais (aposentado), Sr. Haroldo Gueiros Bernardes, como descrito em seu livro "Admissão Temporária", Edições Aduaneiras, pág. 63, item 14.1, como descrito seguir: "14.1. Negativa de Prorrogar o Regime (Admissão Temporária): Embora a IN SRF n° 164/98 tenha silenciado neste tópico, o parágrafo 7° do artigo 307 do Regulamento Aduaneiro diz que, negada a prorrogação ou pedido de extinguir o regime pelas modalidades de lia V do art. 307 (destruição, Nacionalização) o beneficiário tem 30 dias da ciência da decisão para reexportar a mercadoria. Deve inferir dai que, negada a prorrogação, cabe, dentro do prazo de 30 dias, a adoção de qualquer das providências dos incisos II a V. Algumas repartições tem entendido que só cabe a reexportaçã o, impondo ao importador uma só opção, quando o art. 307 abre um leque de cinco, que a ninguém é dado a restringir." A Receita Federal nos deu 15 (quinze) cumprirmos as exigências processuais. Sendo eminente o não cumprimento de exigências, tomamos uma das cinco providências previstas no art. 307(Despacho para consumo), dentro do prazo fixado, sendo indevida a da multa. No item 14.2 da mesma obra do Sr. fica clara a base legal de seu entendimento, como escrito a seguir: "14.2. Jurisprudência Administrativa: Proc. N°10611.00051619-30 Rec. 115.729 - Acórdão 302-33211 EMENTA: ADMISSÃO TEMPORÁRIA - De acordo com as disposições do art. 97 da IN SRF n° 136/97, das decisões denegatórias de concessão ou prorrogação do regime, cabia recurso ao Superintendente da Receita Federal, após o que teria ainda a beneficiária direito de adotar algumas das alternativas previstas no item 98.1 da mesma IN, no prazo de 30 dias, caso a decisão final fosse denegatória do pedido. Auto de Infração lavrado sem observância a tal procedimento, não pode prosperar. Recurso provido." Também citamos como jurisprudência o 303-28.441 da sessão de 21/05/96 do 3° Conselho de Contribuintes, o descumprimento do Regime de Admissão Temporária meramente administrativos, uma vez que incorreu o fato gerador do tributo. Diante de todo o exposto, a interessada requer a reforma integral da decisão que não concedeu a restituição do valor cobrada e paga indevidamente." Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Fortaleza/CE indeferiu o pleito da recorrente, conforme Decisão DRJ/FOR n° 11.898, de 05/10/07, fls. 70/79: 4 Processo n° 11128.004718/2001-44 S3-C1T2 Acórdão n.°3102-00.256 Fl. 97 Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 06/12/1999 ADMISSÃO TEMPORÁRIA. PENALIDADE. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. A nacionalização dos bens admitidos temporariamente, fora do prazo do regime de admissão e antes da execução do termo de responsabilidade, enseja a incidência da penalidade aplicada, art. 521, II, "b" do RA. Solicitação Indeferida. Às fls. 84 o contribuinte foi intimado da decisão supra, motivo pelo qual apresenta Recurso Voluntário de fls. 85/89, tendo sido dado, então, seguimento ao mesmo. É o Relatório. Voto Conselheiro LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Como se verificam dos autos, a recorrente foi multada por não ter adimplido o pactuado no prazo previsto no Regime de Admissão temporária realizado, forte no art. 521, II, b. Entendo que a irresginação pela aplicação da multa não procede. Efetivamente a recorrente não obedeceu à legislação aduaneira nos procedimentos tomados, visto não ter apresentado toda a documentação pertinente para pleitear a mudança do Regime de Admissão Temporária sem pagamento de impostos para o de Admissão Temporária com pagamento proporcional de impostos. Desta decisão não foram interpostos os recursos previstos na IN n.° 164/98, art. 11, 0° (pedido de reconsideração e/ou recurso voluntário). Desta feita, o Regime que possuía findou em 06/12/1999. Fato seguinte, a recorrente registra a DI para suportar o despacho para consumo da mercadoria, em 27/12/1999. A legislação é clara ao tratar da aplicabilidade da multa nestes casos, prevista no art. 521, II, b do Regulamento Aduaneiro. A recorrente não insurgiu á época desta multa, quitando-a. O que se verifica da situação é que a recorrente não procedeu da forma prevista na legislação para pleitear a mudança do Regime Pretendido, motivo pelo qual correta a multa aplicada. Neste sentido bem dispôs a decisão recorrida: Como se depreende dos autos que integram este processo, a situação que deu ensejo ao pedido de restituição, formalizado conforme fl.01, tem sua origem na exigência da multa constante no art. 521, inciso II, alínea "h" do Regulamento Aduaneiro, no valor de R$ 53.682,46, pelo não retorno dos bens sob regime de Admissão Temporária, no prazo fixado. Compulsando-se os autos verifica-se qua a requerente admitiu temporariamente o bem descrito na DSI 11128.1932/1999, de 02/08/00, (fis. 27), destinado à exposição na Feira M & T EXP 99 - Feira Ind. de Equipamentos p/a Construção e Mineração, realizada em São Paulo 'SP, no período de 09 à 14 de agosto de 1999. O prazo foi inicialmente concedido pelo período de 60 dias, com vencimento em 05/10/1999 (fls. 50), sendo lavrado o Termo de Responsabilidade n" 00001932/99 (fls. 43). Em seguida, a requerente, tempestivamente, solicitou prorrogação pelo prazo de 60 dias (fls. 53), nos termos do artigo 11 da Instrução Normativa n° 164/98, sob alegação de que necessitaria efetuar demonstrações do equipamento à clientes visando futuros negócios. A solicitação de prorrogação foi deferida (fls. 70) sendo o prazo estendido até 06/12/1999, ocasião em que lhe foi esclarecido, que com base na IN/SRF 164/98, a prorrogação do regime se daria uma única vez e, que não se tomaria conhecimento de qualquer outro pleito que visa-se a extensão do prazo além da prorrogação concedida. No dia do vencimento, 06/12/99, protocolizou petição (lis. 74) solicitando a transferência do enquadramento legal de Admissão Temporária Sem Pagamento de Impostos (art. 5° da IN/SRF 164/98) para Admissão Temporária Com Pagamento Proporcional de Impostos (art. 7° da IN/SRF 164/98), ocasião em que confundiu mudança de enquadramento legal com mudança de regime a que alude o artigo 16, inciso IV, da retrocitada instrução normativa, chegando, inclusive a preencher o Documento de Transferência de Regime Aduaneiro DTR (fls. 48) Em 14/12/1999 tomou ciência da Intimação SETLAP/DIDAD N° 1318/99, datada de 07/12/99 (fls. 49), através da qual foi lhe solicitado a apresentar no prazo de 15 (quinze) dias: Fatura comercial original relativa a operação; Contrato original de locação; Contratos sociais das empresas envolvidas nessa transação e Documentação relativa ao seguro aduaneiro. Atendendo parcialmente a intimação somente nos informou que não conseguiu obter o seguro aduaneiro e apresentou cópia da Declaração de Importação n° 99/1121493-1 (lls. 58) através da qual pretende nacionalizar a mercadoria. Assim, a Divisão de Despacho Aduaneiro da Alfândega do Porto de Santos indeferiu o pedido de prorrogação, considerando que a IN/SRF e 164/98, artigo II, parágrafo 1°, item II, estabelece que o prazo de permanência será fixado pelo prazo do contrato, 6 Processo n° 11128.004718/2001-44 S3-C IT2 Acórdão o.° 3102-00.256 Fl. 98 que não foi apresentado, e que o registro da DI n° 99/112149-3- 1, em 27/12/1999, foi intempestivo. Por seguinte, deveria ser recolhida a multa capitulada no artigo 521, II, "b", do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 91030/85, conforme Parecer Normativo CST n° 53, de 08 de outubro de 1987. Primeiramente é de se ressaltar que a admissão temporária é um regime aduaneiro especial que permite a importação de determinados bens que devam permanecer no Pais em caráter temporário, por determinado prazo fixado pela autoridade aduaneira, com suspensão de tributos, cujas disposições regulamentares estão disciplinadas nos artigos 290 a 313 do Regulamento Aduaneiro, sujeitando-se, no caso de descumprimento da condição resolutiva, retorno ao exterior, ao pagamento de tributos e penalidades de acordo com a legislação de regência. A questão posta cinge-se à aplicabilidade da multa do art. 521, II,"b", quando da providência de despacho para consumo dos bens discriminados nas DIs acima destacada. Considerando os fatos acima, minudentemente relatados, a autoridade aduaneira após apreciação do respectivo pleito, concluiu pelo indeferimento da prorrogação do prazo de Admissão Temporária, do bem descrito na DSI 11128.1932/1999, visto que a IN/SRF n o 164/98, artigo II, parágrafo 1°, item II, estabelece que o prazo de permanência será fixado pelo prazo do contrato, que não foi apresentado. Referida autoridade determinou que poderia a interessada proceder ao despacho para consumo, se atendidas as exigências legais e regulamentares que regem as importações, mediante o pagamento da multa do art. 521, inciso II, do Regulamento Aduaneiro, nos termos do artigo 16, parágrafos 70 e 8°, da IN SRF 150, de 20/10/99, combinado com o entendimento expresso no item 10.1 do Parecer Normativo CST n° 53, de 08/10/87. O artigo 307 do RA dispõe sobre as hipóteses de extinção do regime, conforme a seguir elencadas: "Extinção do Regime Art. 307 — Na vigência do regime, deverá ser adotada, com relação aos bens, uma das seguintes providências, para a liberação da garantia e baixa do termo de responsabilidade; (1) o reexportação; II) (..); III)(..); (.); 10 despacho para consumo, se nacionalizados. 7 § 1° — A reexportação de bens poderá ser efetuada parceladamente, assim como perante repartição diversa daquela que concedeu o regime. § 2' — Os bens entregues à Fazenda Nacional terão a destinaçã o prevista nas normas especfficas. § 30_ A aplicação do disposto nos incisos II e III não obriga ao pagamento dos tributos suspensos. § 4"— Se, na vigência do regime, for autorizada a nacionalização dos bens por terceiro, a este caberá promover o despacho para consumo. 5"— No caso do inciso V, ter-se-á por adotada tempestivamente a providência na data do pedido de Guia de Importação, se esta for concedida. (gr(ei). 55' 6°- omissis § 7° - na hipótese de indeferimento do pedido de prorrogação de prazo ou dos requerimentos a que se referem os incisos II e V, o beneficiário deverá promover a reexportação dos bens em 30 (trinta) dias da ciência da decisão, salvo se superior o período restante." "Art. 308 — A nacionalização dos bens e o despacho para consumo serão realizados com observância das exigências legais e regulamentares, inclusive as relativas ao controle administrativo das importações." Observa-se da leitura do § 5° acima gizado, que somente ter-se-á por adotada tempestivamente a providência na data do pedido de Guia de Importação, se esta for concedida. Compulsando -se os autos, constata-se que o registro da Declaração de Importação somente se deu em 27/12/1999(ver fls. 58), portanto, após o vencimento do pedido de prorrogação ocorrido em 06/12/1999. Da análise das peças processuais constata-se que embora nem sempre adequado estivesse o pleito da interessada em face dos trâmites processuais exigidos para o caso, todos eles foram analisados pela autoridade aduaneira local, que concluiu pelo indeferimento da prorrogação do prazo de Admissão Temporária do bem objeto da DI n° 99/1121493-1 retro- assinalado. Assim constata-se que não houve interpretação equivocada pela autoridade aduaneira cuja análise do pleito nas diversas formas apresentadas pela interessada, prendeu-se à matéria submetida à apreciação em face da legislação de regência da matéria. O caso em tela comporta a seguinte análise. Tratando-se de situação excepcional, a interpretação há de ser estrita ex vi do artigo 111 do Código Tributário Nacional, logo submetem-se os fatos colacionados às disposições legais e regulamentares, nos seus devidos termos, não comportando interpretação extensiva ou aplicação analógica por parte da Administração Tributária. Importa ainda salientar que estando a administração tributária 8 Processo n° 11128.00471812001-44 S3 -C1T2 Acórdão n.° 3102-00.256 Fl. 99 submetida em todos os seus atos ao princípio da estrita legalidade, pautou seu entendimento às disposições legais formuladas, de modo que não prospera a abordagem da defesa de que "não há fundamentos para a cobrança, por parte do AFTN, da multa por descumprimento de prazo de Admissão Temporária, se aplicarmos os mesmos conceitos e jurisprudências existentes sobre a negativa de Prorrogação de Admissão Temporária", tampouco as providências elencadas no art. 307 do RA como extintivas do regime em tela estão hierarquizadas. A legislação pertinente à espécie dos autos' dispõe de forma inequívoca sobre as providências que poderão ser adotadas pelo importador, na vigência do regime. Entendo-se vigência do regime à luz das normas colacionadas na presente peça, o lapso temporal autorizado pela autoridade aduaneira para a permanência dos bens no país, tal como a seguir demonstrado. A Instrução Normativa SRF n° 150, de 20 de dezembro de 1999, vigente à época do despacho para consumo, revogou a Instrução Normativa SRF n° 164, de 31 de dezembro de 1998, disciplina em seu artigo 16: Extinção do Regime Art. 16. O regime de admissão temporária se extingue com a adoção de uma das seguintes providências, pelo beneficiário, dentro do prazo fixado para a permanência do bem no País: I-reexportação;II - entrega à Fazenda Nacional, livre de quaisquer despesas, desde que a autoridade aduaneira concorde em recebê-lo;III - destruição, às expensas do beneficiário;IV - transferência para outro regime aduaneiro especial ou atípico, nos termos da Instrução Normativa n°156, de 22 de dezembro de 1998; e V - despacho para consumo. § 1° A extinção do regime poderá ser processada em qualquer unidade aduaneira da SRF, que comunicará o fato àquela que concedeu o regime, para fins de baixa do TR., § 2° Na hipótese de despacho aduaneiro de reexportação processado em unidade da SRF que não jurisdicione porto, aeroporto ou ponto de fronteira alfandegado, a movimentação do bem até o ponto de saída do território aduaneiro será realizada em regime de trânsito aduaneiro. § 3' O despacho aduaneiro de reexportação de bens importados na forma do inciso X do art. 5" deverá ser instruido com cópia do contrato de prestação de serviços que serviu de base à concessão do regime, bem assim do relatório detalhado do processo industrial realizado, apresentado por ocasião da concessão do regime. § 4 0 A reexportaçá" o realizada fora do prazo estabelecido somente será autorizada após o pagamento da multa prevista no 9 art. 521, inciso II, alínea "b", do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n°91.030, de 5 de março de 1985. § 5° Nos casos de extinção referidos nos incisos II a IV do caput deste artigo: I - as providências poderão ser requeridas fora do prazo de vigência do regime, desde que antes de iniciada a execução do TR e mediante o pagamento da multa referida no parágrafo anterior;II - não caberá o pagamento dos impostos suspensos por força da aplicação do regime. § 6° O eventual resíduo da destruição, se economicamente utilizável, deverá ser despachado para consumo como se tivesse sido importado no estado em que se encontre, sem cobertura cambial e com base em DSI. § 70 0 despacho para consumo, como modalidade de extinção do regime, far-se-á com observância das exigências legais e regulamentares que regem as importações, vigentes à data do registro da correspondente declaração de importação. áç 8" O despacho referido no parágrafo anterior poderá ocorrer após o término do prazo de vigência do regime, observadas as condições estabelecidas no inciso Ido § 5°. (grifei). (grifei). A leitura do caput do art. 307 do RA c/c o caput do artigo art. 16 da IN SRF n° 150/99, vigente à época do despacho para consumo, deixa cristalina a evidência de as medidas extintivas do regime de admissão temporária deverão ser adotadas, dentro do prazo fixado para a permanência do bem no País, logo tendo a autoridade aduaneira, indeferido a prorrogação de prazo de Admissão Temporária para os bens em tela, tem-se por expirado o prazo de permanência dos bens no Pais, subsistindo como medida procedimental para a efetiva reexportação o lapso temporal de 30 (trinta) dias, conforme hospeda a disposição normativa do § 70 do art. 307 do RA. Assim, de acordo com o corpo normativo pertinente à hipótese em referência, expirado o prazo para a permanência dos bens no país, qualquer providência quanto às modalidades elencadas no art. 307 do RA, adotada pela interessada, logicamente distinta do não retorno ao exterior no prazo fixado pela autoridade aduaneira, far-se-á com o recolhimento da multa do art. 521,11,"b", litteris: "Art. 521 — Aplicam-se as seguintes multas, proporcionais ao valor do imposto incidente sobre a importação da mercadoria ou o que incidiria se não houvesse isenção ou redução (Decreto-Lei n°37/66, artigo 106, I, II, IV e T II) de 50% (cinqüenta por cento): a) (.); b) pelo não-retorno ao exterior, no prazo fixado, de bens ingressados no País sob regime de admissão temporária"; Assim, após o pedido de prorrogação do prazo do regime de admissão temporária, e ainda ante a inconclusa tentativa de Admissão Temporária Com Pagamento Proporcional de 10 Processo n° 11128.004718/2001-44 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.256 Fl. 100 Impostos como medida extintiva do regime na vigência do mesmo, ocorreu efetivamente o despacho para consumo, da referida mercadorias, após o término do prazo de vigência do regime, providência essa abrigada pela legislação desde que cumulada com o recolhimento da multa do art. 521, II, "b", do RA, por ser extemporânea ao regime, não se enquadrando mais como extintiva deste, tanto que a disposição normativa que a ampara assenta-se no §. 8° do art. 16 da IN SRF n°150/99, como medida excepcional às disposições emanadas do caput do referido dispositivo. Em face da existência de comandos expressos nas normas legais e regulamentares formuladas para o caso em apreço, carecem de suporte legal as razões da requerente no sentido de ser a ela restituída a multa paga em questão. Tendo expirado o prazo, com a manifestação fundamentada da autoridade competente pela não prorrogação, não se pode mais cogitar de estarem abrigadas pelo regime em tela. As normas que disciplinam a matéria são bastante claras quanto a isso. O prazo concedido para a reexportação se destina à satisfação dos trâmites operacionais para a conclusão da operação, não se confundindo com o regime em tela. A esse respeito dispõe o Parecer Normativo CST n° 53, de 8/10/87: "10.1 - A expressão " vigência do regime" a que se refere o artigo 307 do RA compreende, exclusivamente, o período fixado para a permanência do bem no País. 10.1 — Tal expressão não compreende o prazo referido no 7°, do artigo 307, do RA, que é específico para a reexportação dos bens. 11. Após vencido o prazo de Admissão temporária, mas antes de iniciada a execução do Termo de Responsabilidade, o beneficiário do regime poderá, ainda, requerer a adoção de qualquer das providências previstas no artigo 307 do RA, sujeito, todavia, à multa pelo não retorno dos bens no prazo fixado." Ao fim, registre-se que compete aos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda, no âmbito administrativo, o julgamento de processos fiscais quanto aos recursos de oficio e voluntário, no entanto, em que pesem as respeitáveis decisões dos referidos órgãos colegiados, estas não têm o condão de vincular o julgamento em primeira instância. "Ex vi" do art. 29 do Decreto n° 70.235, de 1972, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, portanto diante das provas dos autos e com esteio nos atos legais e normativos que regem o assunto, a fundamentação acerca da matéria dos autos está respaldada nos atos que a normatizam. 11 Irretocável pois a exigência da multa capitulada no artigo 521, "b", do Regulamento Aduaneiro, consoante IN SRF n° 150/99, vigente à época do despacho para consumo, tendo em vista ter ocorrido tal fato após o término do prazo de vigência do regime, sem que fossem observados os requisitos legais e regulamentares. Ante o exposto, vote por negar provimento ao recurso interposto, prejudicados os demais argumentos. LUCIANO LOPE: D EIDA MORAES 12
score : 1.0
Numero do processo: 19647.006559/2007-51
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2006
DECADÊNCIA - ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 - INCONSTITUCIONALIDADE - STF - SÚMULA VINCULANTE
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência o que dispõe o § 4º do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal
ISENÇÃO - MANTENEDORA/MANTIDA
O usufruto pela entidade mantida da isenção concedida à sua mantenedora era possível até a edição do Decreto º 2.173/1997. Até então, a perda da isenção da entidade mantenedora correspondia, de igual forma, à perda do benefício por parte da entidade mantida, por via reflexa
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2402-003.215
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para reconhecer a decadência de parte do período lançado pelo artigo 173, I do CTN.
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Ana Maria Bandeira- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2006 DECADÊNCIA - ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 - INCONSTITUCIONALIDADE - STF - SÚMULA VINCULANTE De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência o que dispõe o § 4º do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal ISENÇÃO - MANTENEDORA/MANTIDA O usufruto pela entidade mantida da isenção concedida à sua mantenedora era possível até a edição do Decreto º 2.173/1997. Até então, a perda da isenção da entidade mantenedora correspondia, de igual forma, à perda do benefício por parte da entidade mantida, por via reflexa Recurso Voluntário Provido em Parte
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Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal ISENÇÃO MANTENEDORA/MANTIDA O usufruto pela entidade mantida da isenção concedida à sua mantenedora era possível até a edição do Decreto º 2.173/1997. Até então, a perda da isenção da entidade mantenedora correspondia, de igual forma, à perda do benefício por parte da entidade mantida, por via reflexa Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 65 59 /2 00 7- 51 Fl. 711DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para reconhecer a decadência de parte do período lançado pelo artigo 173, I do CTN. Júlio César Vieira Gomes – Presidente Ana Maria Bandeira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 712DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19647.006559/200751 Acórdão n.º 2402003.215 S2C4T2 Fl. 355 3 Relatório Tratase de lançamento de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à da empresa incidente sobre valores pagos a contribuintes individuais, bem como a contribuição destes contribuintes, cuja arrecadação e recolhimento passou a ser responsabilidade da empresa após a vigência da Lei nº 10.666/2003. Segundo o Relatório Fiscal (fls. 48/54), a autuada gozou de isenção como entidade mantida pelo Centro de Educação Técnica e Cultural – CETEC sob a égide da Lei n° 3.577, de 04/07/59, regulamentada pelo Decreto n° 1.117, de 01/06/62. Com a edição da Lei n° 8.212/91, a entidade dotada de personalidade jurídica própria deixou de ter direito ao benefício da isenção na condição de mantida. Entretanto, o §2° do art. 30 do Decreto n° 356, de 07/12/1991, ressalvou a hipótese de que se estendesse a isenção à empresa ou entidade mantida por outra que, em 24/11/91, estivesse no exercício do direito à isenção, desde que esse direito fosse a ela extensivo. A auditoria fiscal destacou que com o advento da Lei n° 8.212/91 e do Decreto n° 356/91, ressalvados os direitos adquiridos, a isenção deveria ser requerida ao INSS. Assim, a entidade beneficente que já usufruísse do beneficio estaria dispensada de requerer nova isenção. No entanto, estava obrigada ao cumprimento dos requisitos constantes do art. 55 da citada lei , cabendo ao INSS, à época verificar o cumprimento destes. No entanto, é informado que o Centro de Educação Técnica e Cultural CETEC, entidade mantenedora da Associação Colégio Nóbrega, perdeu o direito de isenção de contribuições sociais a partir de 01/01/1993, conforme Ato Cancelatório n° 15.401.1/001/2005, de 22/02/2005, por infração ao inciso III, do art. 55 da Lei n° 8.212/91. O Relatório Fiscal ainda informa que a Associação Colégio Nóbrega tentou obter a certificação junto ao CNAS – Conselho Nacional de Assistência Social, sem sucesso, até que no requerimento constante nos autos do processo n° 44006.001597/9975, O Certificado lhe foi deferido em grau de reconsideração com validade assegurada até 20/12/2003. Os fatos geradores das contribuições lançadas são os valores pagos a contribuintes individuais que prestaram serviços a autuada, apurados em contas contábeis. A autuada teve ciência do lançamento em 03/07/2007 e apresentou defesa (fls. 291/295) onde alega que nos próprios fundamentos do Relatório residem os elementos que dão conta de que a notificada não perdeu, em tempo algum, o direito ao beneficio da imunidade. Argumenta que há contradição no Relatório Fiscal que afirma que a entidade usufruiu da isenção previdenciária por dependência até o ano de 1998, conclui que a notificada perdeu o direito de gozar da isenção a partir de 1996, em virtude da sua mantenedora ter Fl. 713DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 perdido o direito à isenção de contribuições sociais a partir de 01/01/1993, em decorrência de Ato Cancelatório. Alega que se lhe foi conferido o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos em dezembro de 2000, com validade até 2003 e sua renovação ainda esta pendente de análise no CNAS, implica dizer que a entidade não perdeu o direito em 1996 como ventilado. Entende que a concessão de CEAS tem o condão de projetar seus efeitos para trás retroagindo até mesmo ao momento da criação da própria entidade, ou do último certificado renovado. Aduz que o cancelamento da isenção da mantenedora por Ato Cancelatório estaria com os efeitos sobrestados em face de recurso junto ao Conselho de Recursos da Previdência Social. Pelo Acórdão nº 1121.203 (fls. 322/336) a 6ª Turma da DRJ/Recife considerou a autuação procedente, mantendo o crédito em sua integralidade. Contra tal decisão, a autuada apresentou recurso tempestivo (fls. 342/348) onde efetua a repetição das alegações de defesa, reforçando o argumento de que faria jus à isenção das contribuições patronais. É o relatório. Fl. 714DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19647.006559/200751 Acórdão n.º 2402003.215 S2C4T2 Fl. 356 5 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. Ainda que não alegada pela recorrente, a decadência, se verificada, deve ser declarada de ofício. O lançamento em questão foi efetuado com amparo no art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Entretanto, o Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, negou provimento aos mesmos por unanimidade, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91. Na oportunidade, os ministros ainda editaram a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, a qual transcrevo abaixo: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” É necessário observar os efeitos da súmula vinculante, conforme se depreende do art. 103A, caput, da Constituição Federal que foi inserido pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (g.n.) Da leitura do dispositivo constitucional, podese concluir que, a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Da análise do caso concreto, verificase que o lançamento em tela referese a período compreendido entre 01/1999 a 06/2006 e foi efetuado em 03/07/2007, data da intimação do sujeito passivo. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: Fl. 715DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 “Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Por outro lado, ao tratar do lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 4º o seguinte: “Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ..................................... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Entretanto, tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Se, no entanto, o sujeito passivo não efetuar pagamento algum, nada há a ser homologado e, por conseqüência, aplicase o disposto no art. 173 do CTN, em que o prazo de cinco anos passa a ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Para corroborar o entendimento acima, colaciono alguns julgados no mesmo sentido: "TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL. INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 173, I, E 150, § 4º, DO CTN. 1. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art. 173, I, do CTN, segundo o qual 'o direito de a Fl. 716DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19647.006559/200751 Acórdão n.º 2402003.215 S2C4T2 Fl. 357 7 Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado'. 2. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação —que, segundo o art. 150 do CTN, 'ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa' e 'operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa' —,há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Precedentes jurisprudenciais. 3. No caso concreto, o débito é referente à contribuição previdenciária, tributo sujeito a lançamento por homologação, e não houve qualquer antecipação de pagamento. É aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 173, I, do CTN. 4. Agravo regimental a que se dá parcial provimento." (AgRg nos EREsp 216.758/SP, 1ª Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 10.4.2006) "TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. MANDADO DE SEGURANÇA. MEDIDA LIMINAR. SUSPENSÃO DO PRAZO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), que é de cinco anos. 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Omissis. 4. Embargos de divergência providos." (EREsp 572.603/PR, 1ª Seção, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 5.9.2005) No caso em tela, tratase do lançamento de contribuições, para as quais não houve qualquer antecipação, visto que a recorrente consideravase isenta do recolhimento das contribuições patronais e, não pode ser considerado antecipação, o recolhimento da parte dos segurados. Nesse sentido, aplicase o art. 173, inciso I do CTN, para considerar que estão Fl. 717DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 abrangidos pela decadência os créditos correspondentes aos fatos geradores ocorridos até 11/2001, inclusive. A recorrente argumenta que o lançamento seria improcedente em razão de alegado usufruto de isenção das contribuições patronais. Não assiste razão à recorrente. A concessão de isenção de contribuições previdenciárias teve início com a Lei nº 3.577, de 04/07/1959 e abrangia as entidades de fins filantrópicos, reconhecidas como de utilidade pública, cujos membros de suas diretorias não percebessem remuneração; Posteriormente, com a edição do DecretoLei nº 1.572 de 01/09/1977 que revogou a Lei nº 3.577/1959, ficou resguardado o direito à isenção das entidades que tinham sido reconhecidas como de utilidade pública pelo Governo Federal até a data de publicação do citado DecretoLei e que fossem portadoras do certificado de entidade de fins filantrópicos com validade por prazo indeterminado; Ressaltese que as entidades filantrópicas criadas após a publicação do DecretoLei nº 1.572 de 01/09/1977 não puderam fazer jus à isenção por falta de amparo legal; Em 1988, a Constituição Federal veio disciplinar sobre a isenção de contribuições previdenciárias em seu art. 195, § 7º, dispondo que serão isentas de tais contribuições as entidades beneficentes de assistência social que atendam às condições estabelecidas em lei; A lei que estabeleceu as condições para que uma entidade fosse isenta das contribuições previdenciárias foi a Lei nº 8.212/91 que dispôs em seu art. 55 os requisitos para o benefício; Portanto, a entidade que, em 1º de setembro de 1977, data da vigência do DecretoLei nº 1.572, detinha Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, era reconhecida como de Utilidade Pública Federal, encontravase em gozo de isenção e cujos diretores não percebiam remuneração, nos termos da Lei nº 3.577, de 04 de julho de 1959, teve garantido o direito à isenção até 31/10/1991, independente de qualquer outro requisito. A partir daí, para a manutenção da isenção passou a ser obrigada a observar os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91. No caso em questão, a recorrente usufruía da isenção de sua mantenedora que se enquadrava na situação acima descrita. No entanto, a partir da vigência da Lei nº 8.212/1991, as entidades que já vinham usufruindo de isenção, não tiveram a necessidade de formular o pedido de reconhecimento do benefício, porém, estavam obrigadas a cumprir os requisitos estabelecidos no art. 55 da referida lei para continuar em gozo da isenção. Ocorre que a entidade mantenedora da recorrente, o Centro de Educação Técnica e Cultural CETEC, perdeu o direito de isenção de contribuições sociais a partir de 01/01/1993, conforme Ato Cancelatório n° 15.401.1/001/2005, de 22/02/2005, por infração ao inciso III, do art. 55 da Lei n° 8.212. A recorrente alega que tal cancelamento ainda estaria sendo discutido administrativamente, no entanto, a decisão de primeira instância informa que o Ato Cancelatório foi mantido pelo Acórdão 1123/2006 da 4ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social — CRPS e não há notícia nos autos de que a recorrente tenha conseguido reverter essa decisão. Fl. 718DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19647.006559/200751 Acórdão n.º 2402003.215 S2C4T2 Fl. 358 9 Assim sendo, em face da perda da isenção da mantenedora a partir de 01/01/1993, não poderia a recorrente estar em gozo de isenção no período do lançamento. Não obstante a perda da isenção da entidade mantenedora, a recorrente não poderia continuar usufruindo de isenção, por dependência, após a vigência do Decreto nº 2.173/1997. A Lei nº 8.212/1991 foi regulamentada, inicialmente, pelo Decreto nº 356/1991 que estabelecia em seu art. 30 e parágrafos, o seguinte: Art. 30. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 25, 26 e 28 a entidade beneficente de assistência social que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: (...) § 2° A isenção não abrange empresas ou entidades que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja, no exercício do direito a isenção, exceto no caso de que trata o § 11. § 6° A entidade filantrópica que em 24 de julho de 1991 gozava da isenção de que trata este artigo, estará, a partir de 25 de julho de 1991, sujeita ao cumprimento das exigências referidas nos incisos I a VIII para manter a isenção, que poderá ser cancelada, a qualquer tempo, caso o INSS venha a verificar a falta de qualquer delas, ainda que isoladamente. § 7° 0 disposto no inciso II somente sera exigido da entidade beneficiada pela isenção em 24 de julho de 1991, na forma do Decretolei no 1.572, de 01 de setembro de 1977, quando da renovação do Certificado ou do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos. (...) § 11. 0 disposto nos § 6° e 7° aplicase à empresa ou entidade mantida por outra que, em 24 de julho de 1991, estava no exercício do direito a isenção, desde que esse direito fosse a ela extensivo. (g.n.) Como se vê, era possível à entidade mantida usufruir da isenção concedida à sua mantenedora. Tal disposição foi mantida no Decreto nº 612/1992 que revogou o Decreto nº 356/1991. Posteriormente, o Decreto nº 2.173/1997 efetuou alterações nas disposições a respeito da isenção e do seu usufruto retirando o dispositivo que permitia que a entidade mantida usufruísse a isenção concedida à mantenedora. Tal vedação ficou expressa na nova redação do § 2º do art. 30, abaixo transcrito: Art. 30. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, a pessoa jurídica Fl. 719DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 beneficente de assistência social que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: (...) § 2°A isenção concedida a uma pessoa jurídica não é extensiva e nem abrange outra pessoa jurídica, ainda que esta seja mantida por aquela, ou por ela controlada. Assim, quando a auditoria fiscal argumenta que a partir de 1998 a entidade não estaria em gozo de isenção está destacando a impossibilidade do benefício a partir de então e não afirmando que a recorrente teria perdido a isenção neste momento, uma vez que conforme já argüido o cancelamento do benefício decorreu da perda da isenção pela entidade mantenedora a partir de 01/01/1993. Quanto à menção que a auditoria fiscal faz no sentido de que a recorrente não poderia usufruir da isenção a partir de 1996, é necessário analisar o contexto em que tal afirmação foi proferida. A auditoria fiscal informa que a recorrente tentou a certificação e o registro junto ao CNAS. Apresentou o pedido, processo nº 28988.000922/9423, que resultou na concessão do certificado. No entanto, quando do pedido de renovação, este foi negado. A entidade recorreu da decisão, a qual foi mantida pelo parecer CJ nº 1467/1998. Embora a recorrente não tenha em nenhum momento requerido o reconhecimento da isenção junto ao INSS, esta não possuía certificado a partir de 1996, uma das condições para o usufruto da isenção. Assim, não há contradição no Relatório Fiscal como argumenta a autuada. A recorrente deixou de gozar isenção a partir de 01/01/1993 em razão da perda do benefício por parte de sua mantenedora. Além disso, como entidade mantida, não poderia continuar isenta, por via reflexa, após a edição do Decreto nº 2.173/1997. Com a retirada do dispositivo legal que autorizava às entidades mantidas usufruir a isenção de suas mantenedoras, só restaria às primeiras requerer a isenção demonstrando cumprir, elas próprias, os requisitos necessário ao benefício. No entanto, após 1996, nem mesmo essa possibilidade restou à recorrente, em face ao indeferimento da renovação do CEAS pelo CNAS, em grau de recurso. A recorrente informa que em dezembro de 2000 lhe foi concedido o CEAS, com validade até 2003. No entanto, tal informação não pode alterar o lançamento, uma vez que, caso a recorrente tivesse solicitado o reconhecimento da isenção, esta se daria a contar da data do pedido e não há informação de que a recorrente tenha apresentado o requerimento. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Fl. 720DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19647.006559/200751 Acórdão n.º 2402003.215 S2C4T2 Fl. 359 11 Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para reconhecer que ocorreu a decadência até 11/2001, inclusive. É como voto. Ana Maria Bandeira Relatora Fl. 721DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10865.000741/2006-78
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
DECADÊNCIA DO DIREITO DA FAZENDA NACIONAL CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. GANHOS DE CAPITAL. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. CARACTERIZAÇÃO DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. TERMO INICIAL PARA A CONTAGEM DO PRAZO.
A tributação das pessoas físicas fica sujeita ao ajuste na declaração anual, em 31 de dezembro do ano-calendário, e independente de exame prévio da autoridade administrativa o lançamento é por homologação, o mesmo se aplica aos ganhos de capital e imposto de renda retido na fonte. Havendo pagamento antecipado o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos contados do fato gerador, que no caso do imposto de renda pessoa física ocorre em 31 de dezembro de cada ano-calendário questionado e que, nos casos de ganhos de capital e imposto de renda retido na fonte, ocorre no mês da alienação do bem e/ou direito ou pagamento do rendimento. Entretanto, na inexistência de pagamento antecipado ou nos casos em que for caracterizado o evidente intuito de fraude, a contagem dos cinco anos deve ser a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, em conformidade com o art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Somente ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do Código Tributário Nacional.
Argüição de decadência acolhida.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2202-002.028
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher a arguição de decadência suscitada pelo Recorrente para declarar extinto o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário lançado, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Rafael Pandolfo.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: NELSON MALLMANN
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IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. GANHOS DE CAPITAL. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. CARACTERIZAÇÃO DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. TERMO INICIAL PARA A CONTAGEM DO PRAZO. A tributação das pessoas físicas fica sujeita ao ajuste na declaração anual, em 31 de dezembro do anocalendário, e independente de exame prévio da autoridade administrativa o lançamento é por homologação, o mesmo se aplica aos ganhos de capital e imposto de renda retido na fonte. Havendo pagamento antecipado o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos contados do fato gerador, que no caso do imposto de renda pessoa física ocorre em 31 de dezembro de cada anocalendário questionado e que, nos casos de ganhos de capital e imposto de renda retido na fonte, ocorre no mês da alienação do bem e/ou direito ou pagamento do rendimento. Entretanto, na inexistência de pagamento antecipado ou nos casos em que for caracterizado o evidente intuito de fraude, a contagem dos cinco anos deve ser a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, em conformidade com o art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Somente ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do Código Tributário Nacional. Argüição de decadência acolhida. Recurso provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 07 41 /2 00 6- 78 Fl. 483DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher a arguição de decadência suscitada pelo Recorrente para declarar extinto o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário lançado, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Rafael Pandolfo. Fl. 484DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10865.000741/200678 Acórdão n.º 2202002.027 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório GLAUCO BERETTA ROSSI, contribuinte inscrito no CPF/MF sob o nº 027.683.10808, com domicílio fiscal na cidade de Americana, Estado de São Paulo, na Rua. Fortunato Faraone, n.º 965 – apto 42 4º andar Bairro V. Cechino, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Limeira SP, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 345/361, prolatada pela 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo – SP II, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 364/383. Contra o contribuinte acima mencionado foi lavrado, em 23/03/2006, o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 03/07), com ciência por AR, em 04/04/2006 (fls. 321), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 466.821,34 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculado sobre o valor do imposto de renda relativo ao exercício de 2000, correspondente ao anocalendário de 2001. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização de revisão de Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício 2001, onde a autoridade fiscal lançadora constatou omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta(s) de depósito ou de investimento, mantida(s) em instituição (oes) financeira(s), em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme termo de verificação de infração exarado pelo AFRF autuante, o qual fica fazendo parte do presente auto de infração, art. 849 do RIR/99; art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996; art.4° da Lei n° 9.481, de 1997; art. 1° da Lei n° 9.887, de 1999. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela constituição do crédito tributário lançado esclarece, ainda, através do Termo de Verificação de Infração, datado de 20/09/2005 (fls. 10/25), entre outros, os seguintes aspectos: que no exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal, em cumprimento as normas tributárias, nos termos do regulamento do imposto de Renda vigente (decreto n° 3.000, de 26 de março de 1.999), e em obediência ao mandado de procedimento fiscal acima especificado, emitido nos moldes da portaria SRF n° 3.007, de 26 de novembro de 2001, designado fui para analisar o conteúdo da(s) DIRPF (declaração (ões) Anual (is) de ajuste — IRPF) apresentada(s) pela pessoa física supra identificada, e examinar os números referentes as contas bancárias mantidas pela mesma, tudo em decorrência da operação IRPF 91232 movimentação financeira incompatível com os rendimentos declarados; que os extratos bancários referentes às contas movimentadas foram fornecidos diretamente pelas instituições financeiras, em atendimento às respectivas RMF adequadamente expedidas, uma vez que, regularmente intimada, a pessoa física em tela deixou de atender plenamente à intimação recebida, não apresentando, conseqüentemente, a integra dos extratos bancários relativos às contas bancárias que deram origem a movimentação financeira nas precitadas instituições bancárias, e nem a documentação hábil e idônea, Fl. 485DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN 4 coincidente em data e valor, comprovando a origem dos recursos depositados naquelas contas bancárias; que ato continuo, a pessoa física em tela foi regularmente intimada a apresentar documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, comprovando a origem dos recursos depositados, constantes dos respectivos extratos bancários. Referida comprovação ocorreu apenas de forma parcial; que conforme o estabelecido no artigo 849 do Regulamento aprovado pelo Decreto n.° 3000, de 26/03/1999 (RIR199), caracterizamse como omissão de receita ou de rendimento, sujeitos a lançamento de oficio, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil ou idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (Lei nº 9.430, de 1996, artigo 42). Esse é também o entendimento da Quarta Câmara do primeiro conselho de contribuintes (recurso no125. 986, Seção de 19.09.2001, Acórdão nº 10418.307). O valor das receitas ou dos rendimentos omitido considerase auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira; que a presente fiscalização restringiuse operação IRPF — 91232 movimentação financeira incompatível com os rendimentos declarados, o que não impede, por conseqüência, a fiscalização de outras verificações posteriores ao encerramento da ação fiscal relativamente a quaisquer deduções ou itens específicos das mesmas Declarações de Ajuste Anuais do sujeito passivo, de acordo com o disposto no art. 902 do Regulamento do Imposto de Renda vigente (Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1.999). Irresignado com o lançamento o autuado apresenta, tempestivamente, em 28/04/2006, a sua peça impugnatória de fls. 321/337, instruído pelos documentos de fls. 338/342, solicitando que seja acolhida a impugnação e determinado o cancelamento do crédito tributário amparado, em síntese, nos seguintes argumentos: que como visto, o auto de infração foi cientificado ao contribuinte em 04/04/2006 e alcançou os depósitos bancários realizados no anocalendário de 2000. Assim, ainda que se admita que o fato gerador correspondente aos depósitos bancários mensais tenha se materializado no último dia do anocalendário (31/12/2000), e não nos respectivos meses autuados, o questionado lançamento esta fulminado pela decadência, tendo em conta que o termo inicial dessa causa extintiva, também na pessoa física, é definido pela data de ocorrência do fato gerador; que o Recurso Especial em destaque foi interposto pela Fazenda Nacional na tentativa de superar a decisão da Câmara de origem que já havia reconhecido a incidência da decadência, por entender que o imposto de renda das pessoas enquadrase no contexto do lançamento por homologação. A Fazenda Nacional forçou a nova apreciação da causa e foi vencida. Assim, esse precedente tem o condão de marcar a efetividade e a uniformização da jurisprudência administrativa no tocante A decadência em discussão no presente processo; que, portanto, essa diretriz é imperativa no caso presente por duas razões básicas. Em primeiro lugar, a autuação esta apoiada numa presunção legal, o que constitui óbice intransponível para configurar o dolo, a fraude ou a simulação, pois essa prova indireta permite apenas formar o juízo de probabilidade nunca de certeza — em relação ao fato tributado. Em segundo lugar, pela ausência de acusação no sentido da configuração das referidas figuras típicas, pois foi aplicada a multa simples de 75%, na qual não se avalia o caráter subjetivo (dolo, principalmente) da responsabilidade ou da conduta do agente; Fl. 486DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10865.000741/200678 Acórdão n.º 2202002.027 S2C2T2 Fl. 4 5 que compendiando, no caso vertente, a decadência deve ser contada a partir do fato gerador ocorrido em 31/12/2000, já que o lançamento de oficio, por estar centrado unicamente em presunção legal, não apresenta as excludentes do dolo, fraude ou simulação. A prova definitiva da ausência dessas excludentes está na aplicação da multa por infração objetiva de 75%; que vigência da Lei n° 4.595/64, a quebra do sigilo bancário somente era permitida, após a apreciação do Judiciário ou das Comissões Parlamentares de Inquérito, nas hipóteses previstas no art. 38 da citada lei; que a fiscalização habitualmente se dá em relação a fatos pretéritos, cuidou o Código Tributário Nacional, em seu art. 144, de impedir a possibilidade de conflito intertemporal de norma, ao definir que o lançamento reportase A data da ocorrência do fato gerador, e regese pela lei então vigente, mesmo que posteriormente modificada ou revogada; que deveras, o § 1°, do art. 144, não dispõe sobre retroatividade de normas, posto que se esse dispositivo disciplinasse vigência de normas no tempo e espaço, não estaria inserido no capitulo "Constituição do Crédito Tributário", mas sim no capitulo "Vigência da Legislação Tributária". Assim, um parágrafo deve ser interpretado em consonância com o tema abordado no caput do artigo, e o caput do art. 144 não dispõe, nem indiretamente, sobre vigência de normas, mas sim sobre procedimentos para lançamento do crédito tributário; que a despeito da indicação dos valores mensais, para fins de tributação, indicou um único fato gerador para ano, em 31 de dezembro, tendo por vencimento da obrigação a data prevista para entrega das Declarações de Ajuste Anual do contribuinte, ou seja, 30 de abril (AIIM Folha Demonstrativo de Multa e Juros de Mora); que, Lei n° 9.430, de 27.12.1996, encontrase a previsão para considerar como omissão de rendimentos os depósitos bancários sobre os quais o titular não puder comprovar a origem dos recursos utilizados para sua realização; que no que tange As pessoas físicas, essa inadequação está presente na presunção legal estabelecida pelo art. 42, da Lei n° 9.430/96, posto que entre os depósitos bancários e a omissão de rendimentos não há uma correlação lógica direta e segura; que o inciso II, do § 3°, do art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 4°, da Lei n° 9.481, de 1997, determina que, no caso de pessoa física, devem ser excluídos os depósitos inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, os membros da 10º Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em São Paulo – SP II, concluíram pela procedência da ação fiscal e pela manutenção do crédito tributário, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que o contribuinte alega que o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário relativo ao anocalendário de 2000 expirou em 31/12/2005, em razão de tratarse de lançamento por homologação; que o primeiro pressuposto básico para o lançamento por homologação é a existência efetiva do pagamento a que estava obrigado o contribuinte pela legislação tributária. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN 6 0 segundo é a homologação expressa pela autoridade fazendária dessa atividade exercida pelo contribuinte, antes de operados cinco anos da ocorrência do fato gerador. Veio o legislador, contudo, admitir que a homologação se de dê forma tácita, como hipótese de exceção, desde que a Fazenda Pública não tenha se pronunciado quanto A atividade exercida pelo contribuinte (pagamento) no prazo mencionado. A homologação tácita, portanto, somente se opera quando caracterizada a omissão da autoridade fazendária quanto à verificação da correta apuração do imposto pelo sujeito passivo da obrigação tributária; que a autoridade administrativa, ao solicitar às instituições financeiras os extratos bancários do contribuinte, se vale de meios e instrumentos de fiscalização criteriosamente dados pelo ordenamento jurídico para que a ação fiscal possa ter o mínimo de eficácia que a sociedade espera dos órgãos de fiscalização. Assim, a Lei possibilita o inicio de procedimento fiscal, com a devida intimação do contribuinte, em face da existência de informações aparentemente conflitantes, tendo em vista os valores declarados pelo contribuinte em sua Declaração de Ajuste Anual e sua movimentação financeira. E necessário ressaltar, ainda, que o fato de o contribuinte ser intimado pelo Fisco a prestar esclarecimentos não significa nada além do dever de informar que a todos abrange; que assim, a partir de janeiro de 2001, a Receita Feral do Brasil continuava obrigada ao sigilo das informações referentes à CPMF, porém, tais informações poderiam ser utilizadas para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a outros tributos e contribuições, observando o disposto no artigo 42 da Lei n.° 9.430/96; que o sujeito passivo parece entender que o contido no art. 38 da Lei n° 4.565/64 e no art. 11, §3°, da Lei n° 9.311/96 constituem direito adquirido e não poderiam deixar de ser observados pela Administração. Descabe tal entendimento, pois não há que se falar em direito adquirido a lei procedimental ou processual. O que existe é direito adquirido do contribuinte a, antes da Lei n° 9.430/96, não sofrer a presunção prevista em seu art. 42. A partir de sua edição, o sujeito passivo passou a ser fiscalizado com a lei processual vigente no momento da fiscalização, sem que isso implicasse violação do principio da segurança jurídica do cidadão; que desse modo, a presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram na contacorrente do contribuinte. Tratase de autorização legal para considerar ocorrido o fato gerador quando o contribuinte não conseguir comprovar a origem dos depósitos/créditos efetuados em sua conta bancária, o que deve ser feito mediante apresentação de documentação hábil e idônea que possa identificar a fonte do crédito, o valor, a data e, principalmente, que demonstre de forma inequívoca a que titulo os créditos foram efetuados na conta corrente. Há necessidade de se estabelecer uma relação biunívoca entre cada crédito em conta e a origem que se deseja comprovar, com coincidências de data e valor; que equivocase o interessado quanto à interpretação do art. 42, § 3°, da Lei n.° 9.430/96, acima transcrito. No caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso I, não serão considerados os depósitos de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais); que novo equivoco do impugnante que, neste tópico, trata o presente lançamento como se decorrente de acréscimo patrimonial a descoberto fosse. E na determinação do acréscimo não justificado que deve ser elaborado fluxo financeiro de modo a levantar as mutações patrimoniais, mensalmente, confrontandoas com os rendimentos do Fl. 488DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10865.000741/200678 Acórdão n.º 2202002.027 S2C2T2 Fl. 5 7 respectivo mês, com transporte para o período seguinte dos saldos positivos apurados em um período mensal, dentro do mesmo anocalendário, evidenciando, desta forma, a omissão de rendimentos a ser tributada em cada mês; A decisão de Primeira Instância está consubstanciada nas seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF:Anocalendário: 2000 DECADÊNCIA. 0 direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS: Após 1º de janeiro de 1997, com a entrada em vigor da Lei n.° 9.430, de 1996, consideramse rendimentos omitidos, autorizando o lançamento do imposto correspondente, os depósitos junto a instituições financeiras, quando o contribuinte, regularmente intimado, não logra comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. UTILIZAÇÃO DAS INFORMAÇÕES RELATIVAS À CPMF: A utilização das informações sobre as movimentações financeiras relativas A. CPMF para instaurar procedimento administrativo que resulte em lançamento de outros tributos é legitimada pelo art. 144,§1°, do Código Tributário Nacional, por se tratar de procedimento que ampliou os poderes de investigação das autoridades fiscais. PROVA ILÍCITA. SIGILO BANCÁRIO. Havendo procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais do Ministério da Fazenda, não constitui quebra do sigilo bancário. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR: 0 imposto de renda pessoa física é tributo de fato gerador complexivo, apurado em ajuste anual. Rendimentos presumidamente omitidos com base no art. 42, da Lei n.° 9.430/96, tem origem desconhecida e não podem ser considerados de tributação exclusiva ou definitiva, únicas hipóteses, no caso de IRPF, de ocorrência de fato gerador mensal. Lançamento Procedente. Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 24/07/2008, conforme Termo constante nas fls. 345/361, e, com ela não se conformando, o recorrente interpôs, em tempo hábil (05/09/2008), o recurso voluntário de fls. 364/38, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória. É o relatório. Fl. 489DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN 8 Voto Conselheiro Nelson Mallmann, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Da análise dos autos do processo se verifica que a ação fiscal em discussão teve início em razão da movimentação financeira do recorrente e que pela análise dos extratos bancários apurouse a omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta de depósito, mantida em instituição financeira, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações já na vigência do artigo 42, da Lei 9.430, de 1996. Inconformado, em virtude de não ter logrando êxito total na instância inicial, o contribuinte apresenta a sua peça recursal a este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pleiteando a reforma da decisão prolatada na Primeira Instância onde, em sua defesa, apresenta a argüição de decadência do direito da Fazenda Nacional de constituir o crédito tributário, suscita, ainda, preliminares de nulidade do lançamento, bem como apresenta razões de mérito sobre lançamentos efetuados sobre depósitos bancários. Desta forma, a discussão neste colegiado se prende a argüição de decadência, preliminares de nulidade do lançamento/decisão recorrida e, no mérito, a discussão se prende sobre o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que prevê a possibilidade de se efetuar lançamentos tributários por presunção de omissão de rendimentos, tendo por base os depósitos bancários de origem não comprovada. Quanto à preliminar de decadência, levantada pelo suplicante, sob o argumento de que o lançamento de imposto de renda das pessoas físicas é por homologação, estou com a corrente que entende que a modalidade de lançamento a que se sujeita o imposto sobre a renda das pessoas físicas é a do lançamento por homologação, cujo fato gerador se completa no encerramento do anocalendário (31/12) para os casos de existência de pagamento antecipado de imposto renda. Observase, no caso do autos, que o contribuinte recolheu imposto de renda, conforme se constata às fls. 06, 26 e 27. Nestes casos, entendo, que numa situação normal, ou seja, sem qualificação da multa de lançamento de ofício o imposto lançado já estava alcançado pelo prazo decadencial na data da ciência do auto de infração (04/04/2006 – fls. 321), de acordo com a regra contida no artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional. Da análise preliminar do lançamento observase que o fato gerador referese ao anocalendário de 2000 e por se tratar de imposto de renda pessoa física (omissão de rendimentos), mais especificamente a 31/12/2000 e a ciência do lançamento se deu em 04/04/2006. Portanto, já havia passado mais de cinco anos da data da ciência pelo sujeito passivo do lançamento efetuado de ofício pela autoridade lançadora, razão pela qual é de se dar razão ao recorrente. Nesta linha de raciocínio entendo que imposto lançado (IRPF) já se encontrava alcançado pelo prazo decadencial na data da ciência do auto de infração (04/04/2006), de acordo com as regras contidas nos artigo 150, § 4° e 173, inciso I, do Código Fl. 490DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10865.000741/200678 Acórdão n.º 2202002.027 S2C2T2 Fl. 6 9 Tributário Nacional, cuja regra seria a mais favorável possível para o contribuinte (existência de pagamento antecipado para o IRPF, sem constatação do evidente intuito de fraude em razão da desqualificação da multa de ofício). A decadência em matéria tributária consiste na inércia das autoridades fiscais, pelo prazo de cinco anos, para efetivar a constituição do crédito tributário, tendo por início da contagem do tempo o instante em que o direito nasce. Durante o qüinqüênio, qualquer atividade por parte do fisco em relação ao tributo faz com que o prazo volte ao estado original, ou seja, no caso de um tributo cujo prazo para sua decadência esteja para ocorrer faltando um dia, e ocorrendo o lançamento por parte do fisco, não há mais que se falar em decadência. Inércia em matéria tributária é a falta de iniciativa das autoridades fiscais em tomar uma atitude para reparar a lesão sofrida. Tal inércia, dia a dia, corrói o direito de agir, até que ele se perca – é a fluência do prazo decadencial. É de se esclarecer, que os fatos geradores das obrigações tributárias são classificados como instantâneos ou complexivos. O fato gerador instantâneo, como o próprio nome revela, dá nascimento à obrigação tributária pela ocorrência de um acontecimento, sendo este suficiente por si só (imposto de renda na fonte). Em contraposição, os fatos geradores complexivos são aqueles que se completam após o transcurso de um determinado período de tempo e abrangem um conjunto de fatos e circunstâncias que, isoladamente considerados, são destituídos de capacidade para gerar a obrigação tributária exigível. Este conjunto de fatos se corporifica, depois de determinado lapso temporal, em um fato imponível. Exemplo clássico de tributo que se enquadra nesta classificação de fato gerador complexivo é o imposto de renda da pessoa física, apurado no ajuste anual. Aliás, a despeito da inovação introduzida pelo artigo 2° da Lei n° 7.713, de 1988, pelo qual se estipulou que “o imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida que os rendimentos e ganhos de capital forem recebidos”, há que se ressaltar a relevância dos arts. 24 e 29 deste mesmo diploma legal e dos arts. 12 e 13 da Lei n° 8.383, de 1991 mantiveram o regime de tributação anual (fato gerador complexivo) para as pessoas físicas. Não há dúvidas, que a base de cálculo da declaração de rendimentos abrange todos os rendimentos tributáveis recebidos durante o anocalendário diminuído das deduções pleiteadas. Não é sem razão que o § 2º do art. 2º do Decreto nº. 3.000, de 1999 – RIR/99, cuja base legal é o art. 2º da lei nº. 8.134, de 1990, dispõe que: “O imposto será devido mensalmente na medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, sem prejuízo do ajuste estabelecido no art. 85”. O ajuste de que trata o artigo 85 do RIR/99 refere se à apuração anual do imposto de renda, da declaração de ajuste anual, relativamente aos rendimentos percebidos no anocalendário. Em relação ao cômputo mensal do prazo decadencial, como dito, anteriormente, é de se observar que a Lei nº. 7.713, de 1988, instituiu, com relação ao imposto de renda das pessoas físicas, a tributação mensal à medida que os rendimentos forem auferidos. Contudo, embora devido mensalmente, quando o sujeito passivo deve apurar e recolher o imposto de renda, o seu fato gerador continuou sendo anual. Durante o decorrer do ano calendário o contribuinte antecipa, mediante a retenção na fonte ou por meio de pagamentos espontâneos e obrigatórios, o imposto que será apurado em definitivo quando da apresentação Fl. 491DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN 10 da Declaração de Ajuste Anual, nos termos, especialmente, dos artigos 9º e 11 da Lei nº. 8.134, de 1990. É nessa oportunidade que o fato gerador do imposto de renda estará concluído. Por ser do tipo complexivo, segundo a classificação doutrinária, o fato gerador do imposto de renda surge completo no último dia do exercício social. Só então o contribuinte pode realizar os devidos ajustes de sua situação de sujeito passivo, considerando os rendimentos auferidos, as despesas realizadas, as deduções legais por dependentes e outras, as antecipações feitas e, assim, realizar a Declaração de Imposto de Renda a ser submetida à homologação do Fisco. Ora, a base de cálculo da declaração de rendimentos abrange todos os rendimentos tributáveis recebidos durante o anocalendário. Desta forma, o fato gerador do imposto apurado relativamente aos rendimentos sujeitos ao ajuste anual se perfaz em 31 de dezembro de cada ano. No caso em discussão, vale a pena traçar alguns comentários acerca do denominado lançamento por homologação, previsto no art. 150, caput, do Código Tributário Nacional, no qual o contribuinte auxilia ostensivamente a Fazenda Pública na atividade do lançamento, cabendo ao fisco realizálo de modo privativo, homologandoo, conferindo a sua exatidão. Verificase, que o grau de participação do particular nesta espécie de lançamento atinge nível de suficiência capaz de compor a pretensão tributária limitandose a autoridade administrativa competente tãosomente a uma atividade de controle a posteriori do procedimento de apuração exercido. No lançamento por homologação, o direito subjetivo da Fazenda Nacional em constituir créditos tributários decai em cinco anos a contar da ocorrência do fato imponível, nos termos do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. A jurisprudência pacificouse no sentido de que o prazo decadencial para Fazenda Pública constituir crédito tributário no lançamento por homologação é de 5 (cinco) anos a contar da ocorrência do fato gerador, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Por outro lado, nos precisos termos do artigo 150 do Código Tributário Nacional, ocorre o lançamento por homologação quando a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, a qual, tomando conhecimento da atividade assim exercida, expressamente a homologa. Inexistindo essa homologação expressa, ocorrerá ela no prazo de 05(cinco) anos, a contar do fato gerador do tributo. Com outras palavras, no lançamento por homologação, o contribuinte apura o montante e efetua o recolhimento do tributo de forma definitiva, independentemente de ajustes posteriores. Ora, o próprio Código Tributário Nacional fixou períodos de tempo diferenciados para atividade da administração tributária. Se a regra era o lançamento por declaração, que pressupunha atividade prévia do sujeito ativo determinou o art. 173 do Código, que o prazo qüinqüenal teria início a partir “do dia primeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”, imaginando um tempo hábil para que as informações pudessem ser compulsadas e, com base nelas, a administração tributária preparasse o lançamento. Essa é a regra básica da decadência. De outra parte, sendo exceção o recolhimento antecipado, fixou o Código, também, regra excepcional de tempo para a prática dos atos da administração tributária, onde os mesmos cinco anos já não mais dependem de uma carência para o início da contagem, uma vez que não se exige a prática de atos administrativos prévios. Ocorrido o fato gerador, já nasce para o sujeito passivo à obrigação de apurar e liquidar o crédito tributário, sem qualquer Fl. 492DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10865.000741/200678 Acórdão n.º 2202002.027 S2C2T2 Fl. 7 11 participação do sujeito ativo que, de outra parte, já tem o direito de investigar a regularidade dos procedimentos adotados pelo sujeito passivo a cada fato gerador, independente de qualquer informação serlhe prestada. É o que está expresso no § 4º, do artigo 150, do Código Tributário Nacional. Nesta ordem, sempre refutei nos meus votos o argumento daqueles que entendem que só pode haver homologação se houver pagamento e, por conseqüência, como o lançamento efetuado pelo fisco decorre da falta de recolhimento de imposto de renda, o procedimento fiscal não mais estaria no campo da homologação, deslocandose para a modalidade de lançamento de ofício, sempre sujeito à regra geral de decadência do art. 173 do Código Tributário Nacional. É fantasioso. Em primeiro lugar, porque não é isto que está escrito no caput do art. 150 do Código Tributário Nacional, cujo comando não pode ser sepultado na vala da conveniência interpretativa, porque, queiram ou não, o citado artigo define com todas as letras que “o lançamento por homologação (...) operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa”. O que é passível de ser ou não homologada é a atividade exercida pelo sujeito passivo, em todos os seus contornos legais, dos quais sobressaem os efeitos tributários. Limitar a atividade de homologação exclusivamente à quantia paga significa reduzir a atividade da administração tributária a um nada, ou a um procedimento de obviedade absoluta, visto que toda quantia ingressada deveria ser homologada e, a contrário sensu, não homologando o que não está pago. Em segundo lugar, mesmo que assim não fosse, é certo que a avaliação da suficiência de uma quantia recolhida implica, inexoravelmente, no exame de todos os fatos sujeitos à tributação, ou seja, o procedimento da autoridade administrativa tendente à homologação fica condicionado ao “conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, na linguagem do próprio Código Tributário Nacional”. Nos dias atuais esta discussão se tornou irrelevante já que em 21/12/2010, houve a edição da Portaria MF nº. 586, que alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009. Diante disso, a redação do art.62 do RICARF dispôs: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; Fl. 493DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN 12 b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº. 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Diante disso, resta claro que os julgados proferidos pelas turmas integrantes do CARF devem se adaptar, nos casos de decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº. 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, a estes julgados. Assim sendo, a contagem do prazo decadencial é um destes temas. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça decidiu, por ocasião do julgamento do Recurso Especial nº. 973.733 – SC (2007/01769940), que a contagem do prazo decadencial dos tributos ou contribuições, cujo lançamento é por homologação, deveria seguir o rito do julgamento do recurso especial representativo de controvérsia, cuja ementa é a seguinte: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Fl. 494DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10865.000741/200678 Acórdão n.º 2202002.027 S2C2T2 Fl. 8 13 julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose Documento: 6162167 EMENTA / ACÓRDÃO Site certificado DJe: 18/09/2009 Página 1 de 2 Superior Tribunal de Justiça inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Nos julgados posteriores, sobre o mesmo assunto (contagem do prazo decadencial), o Superior Tribunal de Justiça aplicou a mesma decisão acima transcrita, conforme se constata no julgado do AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº. 1.203.986 MG (2010/01395597), verbis: Fl. 495DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN 14 PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. MATÉRIA DECIDIDA NO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA N° 973.733/SC. ARTIGO 543C, DO CPC. PRESCRIÇÃO DO DIREITO DE COBRANÇA JUDICIAL PELO FISCO. PRAZO QÜINQÜENAL. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA. 1. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados:I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado,por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 2. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). Documento: 12878841 EMENTA / ACÓRDÃO Site certificado DJe: 24/11/2010 Página 1 de 2 Superior Tribunal de Justiça 3. A Primeira Seção, quando do julgamento do REsp 973.733/SC, sujeito ao regime dos recursos repetitivos, reafirmou o entendimento de que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício Fl. 496DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10865.000741/200678 Acórdão n.º 2202002.027 S2C2T2 Fl. 9 15 seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em FALTA O JULGAMENTO AGUARDAR) 4. À luz da novel metodologia legal, publicado o acórdão do julgamento do recurso especial, submetido ao regime previsto no artigo 534C, do CPC, os demais recursos já distribuídos, fundados em idêntica controvérsia, deverão ser julgados pelo relator, nos termos do artigo 557, CPC (artigo 5º, I, da Res. STJ 8/2008). 5. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado de contribuição social foi omitida pelo contribuinte concernente ao fato gerador compreendido a partir de 1995, consoante consignado pelo Tribunal a quo; (c) o prazo do fisco para lançar iniciou a partir de 01.01.1996 com término em 01.01.2001; (d) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 15.07.2004, data da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito que formalizou os créditos tributários em questão, sendo a execução ajuizada tão somente em 21.03.2005. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Agravo regimental desprovido. É de se esclarecer, que na solução dos Embargos de Declaração impetrado pela Fazenda Nacional no Recurso Especial nº. 674.497 PR (2004/01099782), houve o acolhimento em parte do embargo pelo STJ para modificar o entendimento sobre os fatos geradores ocorridos em dezembro cuja exação só poderia ser exigida a partir de janeiro do ano seguinte, verbis: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN 16 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. O ministro Mauro Campbell Marques, relator do processo, em síntese, assim se manifestou em seu voto: Sobre o tema, a Primeira Seção desta Corte, utilizandose da sistemática prevista no art. 543C do CPC, introduzido no ordenamento jurídico pátrio por meio da Lei dos Recursos Repetitivos, ao julgar o REsp 973.733/SC, Rel Min. Luiz Fux (j. 12.8.2009), reiterou o entendimento no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação não declarado e inadimplido, como o caso dos autos, o Fisco dispõe de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado para a constituição do crédito tributário, nos termos do art. 173, I, do CTN. Somente nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN) (...) Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. Desta forma, para lançamentos em que não houve pagamento antecipado, é de se observar que os julgados do Superior Tribunal de Justiça firmaram posição no sentido de que o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado corresponde, de fato, ao primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Código Tributário Nacional. Por outro lado, para os lançamentos em que houve pagamento antecipado a contagem do prazo decadencial tem início na data do fato gerador da obrigação tributária discutida. O caso em questão trata de imposto de renda pessoa física, cujo lançamento é por presunção de omissão de rendimentos, por via de conseqüência o fato gerador do imposto de renda é 31/12/2000 (ajuste anual). Fl. 498DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10865.000741/200678 Acórdão n.º 2202002.027 S2C2T2 Fl. 10 17 Sob o meu ponto de vista o maior obstáculo neste tipo de interpretação dada pelo Superior Tribunal de justiça está em definir o que seria considerado “pagamento antecipado” nos futuros julgados por este tribunal Administrativo. Ora, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o escoamento do prazo do art. 150, § 4º, sem manifestação do Fisco, significa a aquiescência implícita aos valores declarados pelo contribuinte, porque o silêncio, neste caso, é qualificado pela lei, trazendo efeitos. A única diferença de regime está consubstanciada na hipótese em que não há pagamento antecipado, que de acordo com Superior Tribunal de Justiça, se aplicaria, para efeitos de marco inicial do prazo decadencial, o art. 173, I, do Código Tributário Nacional (regra geral, que deverá ser seguido conforme a interpretação dada pelo STJ), por força do que dispõe o parágrafo único deste mesmo preceptivo. Exaurido o prazo, o Fisco não poderá manifestar qualquer intenção de cobrar os valores. Há, pois, falarse em decadência nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. No presente caso se torna irrelevante continuar a discussão sobre qual seria o significado de “pagamento antecipado”, já que houve recolhimento de imposto de renda pelo recorrente, como restou consignado em sua Declaração de Ajuste Anual, relativo ao ano calendário de 2000 (fls. 26/27), considerado no cálculo do Auto de Infração e demonstrativos (fls. 06). Assim sendo, no ponto de vista dos julgados do Superior Tribunal de Justiça, o termo inicial da contagem do prazo decadencial é 31/12/2000, já que o fato gerador ocorreu em 31/12/2000. Ou seja, de acordo com a linguagem do Superior Tribunal de Justiça “o termo inicial para contagem do prazo decadencial, nos casos em que houve pagamento antecipado, é a data do fato gerador da exigência tributária". O prazo fatal para a constituição do lançamento ocorreria em 31/12/2005, tendo ocorrido a ciência do lançamento em 04/04/2006, está decadente o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário questionado para o anocalendário de 2000. Somente para fins de argumentação, é de se dizer, que nos casos de argüição de decadência quanto restar caracterizado o evidente intuito de fraude, que não se aplica ao presente caso, já que não houve a qualificação da multa de ofício, merece transcrição à lição de SÍLVIO RODRIGUES (Direito Civil. São Paulo: Saraiva, 1995, p. 226): Age em fraude à lei a pessoa que, para burlar princípio cogente, usa de procedimento aparentemente lícito. Ela altera deliberadamente a situação de fato em que se encontra, para fugir à incidência da norma. O sujeito se coloca simuladamente em uma situação em que a lei não o atinge, procurando livrarse de seus efeitos. A simulação consiste na "prática de ato ou negócio que esconde a real intenção" (SILVIO DE SALVO VENOSA. Direito Civil. São Paulo: Atlas, 2003, p. 467), sem necessidade de prejuízo a terceiros (2003, p. 470). A verificação do fato de determinada vontade tendente a ocultar a ocorrência do fato gerador ou encobrir suas reais dimensões, manifestada de forma efetiva na consecução distorcida das obrigações formais do contribuinte, serve como base material para a verificação da existência de dolo, fraude ou simulação. Fl. 499DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN 18 Assim, a configuração desse ilícito interessa ao direito tributário na medida em que colabora na determinação da regra da decadência aplicável ao caso concreto. O fato jurídico da existência ou não de dolo, fraude ou simulação (parte final do art. 150, § 4º., do CTN) deve, para consecução dos objetivos estabelecidos nestes dispositivos, ser constituída na via administrativa, determinando, desse modo, a obrigatoriedade do lançamento de ofício (art. 149, VII, do CTN) ou a impossibilidade da extinção do crédito pela homologação tácita. Devese observar que a ocorrência de dolo, fraude ou simulação só é relevante nos casos de efetivo pagamento antecipado. Se não houver pagamento antecipado, seja porque o contribuinte não o efetuou, ou porque o tributo por sua natureza se sujeita ao lançamento de ofício, o dolo, a fraude e a simulação hão de ser apurados no procedimento administrativo de fiscalização realizado de ofício, não servindo como hipóteses determinantes no prazo diferenciado de decadência. O fato jurídico da existência ou não de dolo, fraude ou simulação (parte final do art. 150, § 4º., do CTN) deve, para consecução dos objetivos estabelecidos nestes dispositivos, ser constituída na via administrativa, determinando, desse modo, a obrigatoriedade do lançamento de ofício (art. 149, VII, do CTN) ou a impossibilidade da extinção do crédito pela homologação tácita. Devese observar que a ocorrência de dolo, fraude ou simulação só é relevante nos casos de efetivo pagamento antecipado. Se não houver pagamento antecipado, seja porque o contribuinte não o efetuou, ou porque o tributo por sua natureza se sujeita ao lançamento de ofício, o dolo, a fraude e a simulação hão de ser apurados no procedimento administrativo de fiscalização realizado de ofício, não servindo como hipóteses determinantes no prazo diferenciado de decadência. Nestes casos o Código Tributário Nacional não fixa um prazo específico para operar a decadência, exigindo um esforço enorme do hermeneuta para a solução dessa questão sem deixar, no entanto, de atender, também, o princípio da segurança nas relações jurídicas, de modo que os prazos não fiquem ad eternum em aberto. Os prazos do Direito Civil são inaplicáveis por serem específicos às relações de natureza particular. A solução mais adequada e pacífica nos tribunais superiores é no sentido de se aplicar à regra do art. 173, I (exercício seguinte) para os casos do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional (lançamento por homologação); e a regra do art. 173, parágrafo único do Código Tributário Nacional nos demais casos – lançamento não efetuado em época própria ou a partir da data da notificação de medida preparatória do lançamento pela Fazenda Pública . Embora o prejuízo a terceiro, que, no caso, é a Administração Pública, não seja requisito desses vícios, o fato é que, conforme já dito acima, não se concebe que alguém deles se utilize sem interesse econômico. Por isso, ainda que tenha havido pagamento, a existência de dolo, fraude ou simulação causa suspeita, razão pela qual o Código Tributário Nacional impede a extinção do crédito tributário no caso da ocorrência desses ilícitos. É nessa linha que autores como JOSÉ SOUTO MAIOR BORGES, mencionado por EURICO MARCOS DINIZ DI SANTI (Decadência e Prescrição no Direito Tributário. São Paulo: Max Lomonad, 2001, p. 165), assinala que ao direito tributário o que importa não é o dolo, a fraude ou a simulação, mas seu resultado. Quanto a isso, vale lembrar o que dispõe o art. 136 do Código Tributário Nacional, verbis: Fl. 500DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 10865.000741/200678 Acórdão n.º 2202002.027 S2C2T2 Fl. 11 19 Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Isso, obviamente, não afasta a aplicação de eventuais sanções especificamente pelas condutas dolosas, fraudulentas ou simuladas, conforme se infere, por exemplo, da Lei Federal n.º 8.137, de 1990, e do art. 137 do próprio Código Tributário Nacional. Sem embargo da exposição feita nesse tópico, costumase apontar nessa parte final do § 4.º do art. 150 do Código Tributário Nacional uma lacuna, uma vez que não haveria tratamento legal quanto ao prazo para lançar quando presente dolo, fraude ou simulação (LUCIANO AMARO. Direito Tributário Brasileiro. São Paulo: Saraiva, 2002, p. 356; p. 394). Seguindo esse entendimento, alguns doutrinadores defendem que se deveria aplicar, por analogia, a regra do art. 173, I, do Código Tributário Nacional. Assim, por exemplo, PAULO DE BARROS CARVALHO (Curso de Direito Tributário. São Paulo: Saraiva,1996, p. 291): b) falta de recolhimento, integral ou parcial, de tributo, cometida com dolo, fraude ou simulação – o trato de tempo para a formalização da exigência e para a aplicação de penalidades é de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado. Assim sendo e tendo em vista, que o Código Tributário Nacional, como norma complementar à Constituição, é o diploma legal que detém legitimidade para fixar o prazo decadencial para a constituição dos créditos tributários pelo Fisco e inexistindo regra específica, no tocante ao prazo decadencial aplicável aos casos de evidente intuito de fraude (fraude, dolo, simulação ou conluio) deverá ser adotada a regra geral contida no artigo 173 do Código Tributário Nacional, tendo em vista que nenhuma relação jurídicotributária poderá protelarse indefinidamente no tempo, sob pena de insegurança jurídica. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido de acolher a arguição de decadência suscitada pelo Recorrente para declarar extinto o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário lançado. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Fl. 501DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN 20 Fl. 502DF CARF MF Impresso em 15/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por NELSON MALLMANN
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Numero do processo: 11065.003296/2006-86
Data da sessão: Tue Jul 28 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Jul 28 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO
A multa qualificada de 150% é cabível nos casos de sonegação, fraude ou
conluio, conforme definidos na Lei 4.502/1964. Não havendo um volume de
fatos que possa caracterizar a reiteração de conduta, e nem um fato especifico
a evidenciar o dolo de omissão, deve ser afastada a hipótese da qualificadora.
CSLL, PIS E COFINS - LANÇAMENTOS DECORRENTES
Tratando-se da mesma matéria fática, e não havendo questões de direito
específicas a serem apreciadas, o decidido quanto ao lançamento de IRPJ
deve ser estendido aos lançamentos reflexos.
Numero da decisão: 1802-000.112
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar
provimento ao recurso, para reduzir a multa de oficio de 150%(cento e cinqüenta por cento) para 75 % (setenta e cinco por cento) nos termos do relatório e voto que integram o presente
julgado.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: Jose de Oliveira Ferraz Correa
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO A multa qualificada de 150% é cabível nos casos de sonegação, fraude ou conluio, conforme definidos na Lei 4.502/1964. Não havendo um volume de fatos que possa caracterizar a reiteração de conduta, e nem um fato especifico a evidenciar o dolo de omissão, deve ser afastada a hipótese da qualificadora. CSLL, PIS E COFINS - LANÇAMENTOS DECORRENTES Tratando-se da mesma matéria fática, e não havendo questões de direito específicas a serem apreciadas, o decidido quanto ao lançamento de IRPJ deve ser estendido aos lançamentos reflexos.
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA • CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS - PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 11065.003296/2006-86 Recurso n° 167.208 Voluntário Acórdão n° 1802-00.112 — r Turma Especial Sessão de 28 de julho de 2009 Matéria IRPJ E OUTROS Recorrente ASA ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA. Recorrida V 'TURMA/DRJ-PORTO ALEGRE/RS Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO A multa qualificada de 150% é cabível nos casos de sonegação, fraude ou conluio, conforme definidos na Lei 4.502/1964. Não havendo um volume de fatos que possa caracterizar a reiteração de conduta, e nem um fato especifico a evidenciar o dolo de omissão, deve ser afastada a hipótese da qualificadora. CSLL, PIS E COFINS - LANÇAMENTOS DECORRENTES Tratando-se da mesma matéria fática, e não havendo questões de direito específicas a serem apreciadas, o decidido quanto ao lançamento de IRPJ deve ser estendido aos lançamentos reflexos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso, para reduzir a multa de oficio de 150%(cento e cinqüenta por cento) para 75 % (setenta e cinco por cento) nos t- •..s do relatório e voto que integram o presente julgado. • • • Q L I• O : • - Presidente J$'9EDE OLIVE 't FERRAZ CORRÊA - Relator EDITADO EM : 2 7 AGO 2009 _ - Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente da Turma), Leonardo Lobo de Almeida, Décio Lima Jardim (Suplente Convocado), Edwal Casoni de Paula Femandes Júnior e João Francisco Bianco. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, que considerou procedente o lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa da Jurídica — IRPJ, à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL, à Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS, conforme autos de infração de fls. 86 a 106, nos valores de R$ 14.378,55, R$ 5.394,13, R$ 1.992,46 e R$ 9.196,02, respectivamente. A estes tributos foram ainda adicionados a multa qualificada de 150% e os juros moratórios. A infração consignada nos autos de infração está descrita como "receita da atividade, escriturada e não declarada, apurada conforme relatório em anexo". O lançamento abrangeu o segundo e terceiro trimestres de 2003, com o IRPJ e a CSLL apurados no regime do Lucro Presumido. De acordo com o Relatório da Ação Fiscal, fls. 81 a 85, o procedimento de fiscalização foi motivado pela incompatibilidade existente entre as receitas declaradas pela contribuinte em sua Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ, os débitos declarados pela mesma em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF e as informações recebidas pela SRF por meio da Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte — DIRF, que é apresentada por terceiros. O mencionado relatório também registra que a contribuinte apresentou a documentação solicitada no Termo de Início da Ação Fiscal, e que, por meio do Livro de Apuração do ISSQN e das notas fiscais por ela emitidas (fls. 4 a 18), restaram confirmados os valores informados em DIRF. Posteriormente, estes valores também foram confirmados junto às fontes pagadoras. Na seqüência dos trabalhos de auditoria, em atendimento à intimação para se manifestar sobre as divergências apuradas, a contribuinte informou, às fls. 43, "que os valores apurados referem-se a notas fiscais não lançadas em DCTF por erro ou esquecimento do contador, sendo que as mesmas estão emitidas no talão de notas e no livro de registros". Assim, da análise conjunta do Livro de Apuração do ISSQN, dos valores resultantes da circularização e dos valores declarados em DIPJ/DCTF, a fiscalização apurou valores de receitas omitidas nos meses de junho, julho, agosto e setembro de 2003, o que ensejou o lançamento a título de IRPJ e seus reflexos (CSLL, PIS e COFINS). No lançamento, foram ainda consideradas as retenções de Imposto de Renda realizadas pelas fontes pagadoras. Quanto à qualificação da multa, a fiscalização consignou no mencionado relatório que a fraude, a sonegação e o conluio somente se caracterizam quando da existência de dolo. Para esse caso específico, considerou a fiscalização que a contribuinte deixou de declarar à Receita Federal expressiva parcela de seu faturamento, relativamente ao ano- calendário de 2003, com o único objetivo de evitar que a autoridade tomasse conhecimento da ocorrência dos fatos geradores dos tributos objeto do lançamento. f 2 Processo n° 11065.003296/2006-86 SI-TE02 Acórdão n.° 1802-00.112 Fl. 2 Segundo a autoridade fiscal, "não se pode afirmar que esse fato tenha sido decorrente de um simples erro da fiscalizada, restando configurada a intenção dolosa na conduta adotada pelo contribuinte, com o propósito de impedir ou retardar o conhecimento, pelo fisco, do fato gerador do tributo." Portanto, considerando a ocorrência de fraude, nos termos do art. 72 da Lei 4.502/64, foi aplicada a multa qualificada de 150%. Instaurado o contencioso, a contribuinte apresentou em sua impugnação de fls. 109 a 114 os seguintes argumentos, conforme descritos na decisão de primeira instância — Acórdão n°10-14.862, fls. 135 e 136: O impugnante não ataca o principal (tributos), reconhecendo a dívida. Refuta, entretanto, a imputação de atitude fraudulenta e a •conseqüente multa dela decorrente. Indica contradição dos Fiscais, porquanto identificaram a fraude e, ao mesmo tempo, teriam reconhecido o encaminhamento, pelo impugnante, de todos os documentos requeridos, bem como a correção das informações prestadas com cotejo com aquelas obtidas junto aos clientes da impugnante. Teria havido erro, não fraude. Ademais, ao apresentar todos os documentos solicitados, o contribuinte teria agido de boa-fé. O procedimento do impugnante em outros períodos reforçaria a sua tese, pois inexistentes outras divergências, tendo sido declaradas receitas da ordem de R$ 800.000,00 em relação ao ano-calendário de 2005. Refere que um simples esclarecimento dos contadores daria fim a controvérsia, não apresentado por entender que "não cabe nesta instância todo o tipo de prova". A exigência da multa seria nula, pois abusiva e arbitrária, bem como contrária c Constituição Federal em 1988. Culmina sua impugnação com duplo pedido: (a) nulidade da aplicação da multa, por inexistência de motivo e fundamentação, e (b) revisão da multa. Conforme já mencionado, a DRJ em Porto Alegre/RS considerou procedente o lançamento, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 Multa de oficio. A multa aplicável aos casos de sonegação, fraude ou simulação é a qualificada (150%), que poderá ser agravada pela metade quando não prestados esclarecimentos ou não apresentados os documentos previstos em lei. Lançamento Procedente O fundamento para a manutenção da multa qualificada está assim descrito no voto que orientou a decisão de primeira instância: Nos meses de julho a setembro de 2003, o impugnante emitiu 12 notas fiscais, sendo que 4 dessas notas foram anuladas (vide documentos de folhas 8 a 19). Das oito notas válidas, três deixaram de ser declaradas no mês de junho (todas daquele mês — vide documentos das folhas 8, 9 e 13), uma no mês de julho (a fr3 única daquele mês, de n° 8, declarada parcialmente —folha 15), uma (a de n° 10) no mês de agosto (houve duas naquele mês — folhas 16 e 17) e uma (a de n" 12) no mês de setembro (houve duas naquele mês — folhas 18 e 19). Duas, apenas, foram as notas declaradas: as de n" 9 e n° 11. Não bastasse isso, é importante referir que a receita total dos meses de junho a setembro de 2003 montou R$ 401.812,09, enquanto a receita declarada ao Fisco Federal restou reduzida ao montante de R$ 95.277,00, ou seja, 23,71% da receita efetiva. Fundamental referir, também, que as receitas omitidas para o Fisco Federal não foram omitidas ao Fisco Municipal (vide documentos das folhas 4 a 7). Inviável, a meu juizo, identificar erro com tamanhas omissões parciais (só para o Fisco Federal) e seqüenciais. Concluo o contrário: as provas denotam a vontade do impugnante de omitir, repetidamente, valores à tributação. Quanto ao comportamento da contribuinte durante o procedimento de auditoria, a Delegacia de Julgamento asseverou que: Diante do texto legal, caso o contribuinte não houvesse apresentado os esclarecimentos solicitados, a multa não teria sido de 150% (o percentual de 75% - inciso 1 - duplicado em razão de sonegação, fraude ou conluio - § I"), mas 225% (o percentual de 150% aumentado de metade - § O comportamento posterior do contribuinte, em que pese elogiável, não tem relação com atos pretéritos. O relevante é o juízo de valor que se forma em razão dos fatos provados nos autos. Quanto a esses fatos, formei convicção de que eivados de dolo. O impugnante não quis efetivar o devido pagamento ao Fisco Federal, lembrando-se, entretanto, das mesmas notas fiscais omitidas ao Fisco Federal para quitar seus débitos para com o Fisco Municipal Omitiu 6 das 8 notas fiscais do período de 4 meses, declarando apenas 23,71% da receita efetiva. Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 18/03/2008, a contribuinte apresentou em 14/04/2008 o recurso voluntário de fls. 142 a 150, onde reitera as mesmas razões de sua impugnação, conforme descrito nos parágrafos anteriores, acrescentado ainda os seguintes argumentos: - o fato detectado pelos fiscais aconteceu em função de um desencontro de informações entre a contribuinte e o escritório de contabilidade, ou seja, o livro foi preenchido pelo representante da recorrente (Sr. Sérgio Bellebone), entretanto, a DCTF e a Declaração do Imposto de Renda foram feitas pela equipe contábil, dai o desencontro de informações. O ocorrido não passou de um erro material; - no procedimento administrativo o ônus de comprovar a existência de dolo é do fisco, assim, faz-se necessária uma segurança jurídica ao contribuinte, de forma que não pode o julgador simplesmente formar convicções sem provas contundentes, conforme já decidiu a 1 Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais; - o dia a dia dos negócios acontece com muita velocidade, própria do mercado, fazendo com que as pessoas cometam equívocos, e isso deve ser levado em conta no exame da validade das operações, sob pena de dar à multa um caráter eminentemente confiscatório. q 4 Processo n° 11065.003296/2006-86 SI-TE02 Acórdão n.° 1802-00.112 Fl. 3 Este é o Relatório. Voto Conselheiro JOSÉ DE OLIVEIRA FERRAZ CORRÊA, Relator O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a controvérsia, desde a primeira instância, está resumida à questão da qualificação da multa Em relação ao tributo propriamente dito, não houve qualquer contestação por parte da contribuinte. A infração apurada pela fiscalização consistiu no fato de a contribuinte não ter incluído, tanto em sua DIPJ, quanto na DCTF, as receitas auferidas em 6 das 8 notas fiscais emitidas entre junho e setembro de 2003, declarando apenas 23,71% da receita efetiva. Para tratar desse tema, considero importante afirmar inicialmente que o Dolo, como elemento subjetivo do tipo tributário-penal qualificado, pode também estar presente nas condutas omissivas, e não apenas naquelas onde se constata uma falsidade materializada documentalmente. Como elemento subjetivo do tipo, o Dolo é a consciência e a vontade de o agente realizar a conduta que está descrita em cada um dos tipos legais. E como vontade e consciência, jamais estará colado ao próprio fato que está sendo taxado como infração ou delito, ao contrário, o Dolo é sempre revelado no contexto geral dos fatos, ou seja, nos elementos que circundam o ocorrido. Não fosse assim, não haveria nenhum dos crimes omissivos impróprios previstos pelo Direito Penal, todos eles dolosos. Em razão disso, no âmbito das relações jurídico-tributárias, cada vez mais está sendo superado o tabu em relação à possibilidade de visualização do dolo nas condutas omissivas, ou seja, naquelas em que o contribuinte se omite na prática de algum ato, visando eximir-se do recolhimento de tributos, por exemplo, quando sistematicamente não apresenta a devida declaração de rendimentos. Realmente, não é correta a idéia de que, para a qualificação da multa, deve haver necessariamente uma prova material do dolo, até porque, dada a sua natureza, como consciência e vontade, isto nem mesmo é possível. O que se prova materialmente são fatos, por meio do chamado corpo de delito, mas não o dolo do agente. E é justamente por isso que o dolo pode estar na omissão, ou seja, em uma não ação. Os próprios tipos legais para a qualificação da multa, nos termos da Lei 4.502/1964, não deixam qualquer dúvida a esse respeito: Ar:. 71. Sonegação é :tida ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: s I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tóda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do inv.-nisto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. (grifos acrescidos) No entanto, a caracterização do dolo, no caso das condutas omissivas, demanda algumas circunstâncias, de modo que, dentre outras coisas, seja afastada, por exemplo, a possibilidade de erro não intencional cometido pelo contribuinte. Em relação a essas situações, a Câmara Superior de Recursos Fiscais — CSRF tem se manifestado no seguinte sentido: QUALIFICAÇÃO DE MULTA — INTUITO DOLOSO — PRÁTICA REITERADA DE ENTREGA DE DECLARAÇÃO Á FAZENDA FEDERAL COM VALORES INFERIORES AO ESCRITURADO NOS LIVROS - A reiteração da entrega de declaração em valor significativamente inferior ao constante em seus livros fiscais por longo período caracteriza o intuito doloso e autoriza a qualificação da multa. Recurso especial provido. (Número do Recurso: 103-142281, Acórdão . CSRF/01-05.697, Data da Sessão: 10/09/2007) Retomando ao caso sob exame, observo que a infração que ensejou a qualificação da multa consistiu na omissão, em DIPJ e DCTF, das receitas auferidas em 6 notas fiscais (num total de oito emitidas), fatos ocorridos entre os meses de junho e setembro de 2003. Não percebo aí, dado o volume dos fatos, a figura da conduta reiterada, de modo a afastar a possibilidade de um erro não intencional, de um equivoco ocorrido em razão de um desencontro de informações, etc. Por outro lado, o fato de as receitas estarem corretamente escrituradas no livro de apuração do ISSQN, que também é um livro fiscal a ser apresentado à Receita Federal, da mesma forma, desagrava a conduta da recorrente. Além disso não há nos autos qualquer indicação de que houve omissão do registro de receitas nos outros livros contábeis e fiscais, problema esse que ficou restrito à DIPJ e à DCTF. Outro aspecto a ser levado em conta é a conduta da contribuinte durante a auditoria fiscal. Como bem registrou a Delegacia de Julgamento, o cumprimento do dever de colaboração com a fiscalização não afasta a fraude já cometida anteriormente. De fato, durante a fase de auditoria, o que pode ocorrer é a hipótese de agravamento da multa, figura que não se confunde com a sua qualificação. 9,6 Processo n° 11065.003296/2006-86 81-TE02 Acórdão n.° 1802-00.112 Fl. 4 Contudo, a forma de proceder da contribuinte é mais um elemento para a interpretação dos fatos que circundam a infração, e que podem ajudar na caracterização de sua natureza. Nesse sentido, é interessante observar que, uma vez intimada a apresentar livros e documentos fiscais, sem que o Termo de Inicio fizesse qualquer menção às divergências em pauta, a contribuinte prontamente atendeu à fiscalização, encaminhando os livros devidamente escriturados, juntamente com as notas fiscais não incluídas na DIPJ e DCTF, o que também colabora para enfraquecer a idéia de que havia uma omissão dolosa. Por todo esse contexto, e não havendo um volume de fatos que possa caracterizar a reiteração de conduta, diferentemente da Delegacia de Julgamento, considero que não deve ser mantida a multa qualificada de 150%. Este entendimento vale para o IRPJ e também para os lançamentos reflexos. Diante o exposto, dou provimento ao recurso voluntário, para reduzir a multa de oficio de 150% para 75%. DE OLIVEIRA FERRAZ A 7 Processo n°11065.003296/2006-86 SI-TE02 Acórdão n.° 1802-00.112 Fl. 5 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3 0, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009. Brasília, JOSÉ ROBERTO FRANÇA Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ I apenas com ciência; [ I com Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração; [ 9
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Numero do processo: 10875.001961/2002-76
Data da sessão: Tue Sep 22 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Sep 22 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1995
IRPF. PEDIDO DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA. REQUERIMENTO DE RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. PRAZO.
Tratando-se de pedido de restituição/compensação de Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física, incidente sobre as verbas pagas em decorrência de adesão a Programa de Demissão Voluntária — PDV, o termo a quo do prazo prescricional de 05 (cinco) anos para o pleito da contribuinte é a data da publicação da Instrução Normativa SRF n° 165, de 06/01/1999, que reconheceu a natureza indenizatória de aludidas importâncias, não sujeitas, portanto, à incidência do IRPF, conforme precedentes jurisprudenciais
Administrativos e Judiciais.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-000.268
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso especial e determinar o retorno dos autos à Unidade local da RFB para que aprecie as demais questões relacionadas ao pleito. Vencido o Conselheiro Carlos Alberto
Freitas Barreto que dava provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1995 IRPF. PEDIDO DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA. REQUERIMENTO DE RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. PRAZO. Tratando-se de pedido de restituição/compensação de Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física, incidente sobre as verbas pagas em decorrência de adesão a Programa de Demissão Voluntária — PDV, o termo a quo do prazo prescricional de 05 (cinco) anos para o pleito da contribuinte é a data da publicação da Instrução Normativa SRF n° 165, de 06/01/1999, que reconheceu a natureza indenizatória de aludidas importâncias, não sujeitas, portanto, à incidência do IRPF, conforme precedentes jurisprudenciais Administrativos e Judiciais. Recurso especial negado.
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MINISTÉRIO DA FAZENDA 3„ CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS rf944tr* 0,1 Processo n° 10875.001961/2002-76 Recurso n° 147.263 Especial do Procurador Acórdão n° 9202-00.268 — 2a Turma Sessão de 22 de setembro de 2009 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado NELCIDES RIBEIRO Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1995 IRPF. PEDIDO DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA. REQUERIMENTO DE RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. PRAZO. Tratando-se de pedido de restituição/compensação de Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física, incidente sobre as verbas pagas em decorrência de adesão a Programa de Demissão Voluntária — PDV, o termo a quo do prazo prescricional de 05 (cinco) anos para o pleito da contribuinte é a data da publicação da Instrução Normativa SRF n° 165, de 06/01/1999, que reconheceu a natureza indenizatória de aludidas importâncias, não sujeitas, portanto, à incidência do IRPF, conforme precedentes jurisprudenciais Administrativos e Judiciais. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial e determinar o retorno dos autos à Unidade local da RFB para que aprecie as demais questões relacionadas ao pleito. Vencido o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto que dava provimento ao recurso. ck) A k 4 fialrn CARLOS AL : • FREITAS BA " TO — Presidente dei & latkikk RYCARDO H .21 • UE MAGALHÃES) OLIVEIRA — Relator EDITADO EM: eeEi,. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Gon:.lo : onet Allage (substituto do Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gustavo Lian Hade :•convocado), Julio Cesar Vieira Gomes„ Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Nelson Mallmann (convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, temporariamente, o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes (convocado) Relatório NELCIDES RIBEIRO, contribuinte, pessoa fisica, já devidamente qualificado nos autos do processo administrativo em epígrafe, apresentou requerimento de retificação de declaração de ajuste anual, com respectivo Pedido de Restituição de Imposto de Renda Pessoa Física, em 20 de fevereiro de 2002, em relação ao ano-calendário 1995, incidente sobre as verbas indenizatórias percebidas em virtude de adesão a Plano de Demissão Voluntária, conforme Petição Inicial, às fls. 01/15, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário ao Primeiro Conselho de Contribuintes contra Decisão da DRJ em São Paulo/SP, consubstanciada no Acórdão n o 10.015/2004, às fls. 29/33, que indeferiu integralmente o Pedido em referência, a Egrégia 4 a Câmara, em 07/12/2005, por maioria de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DA CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão n° 104-21.221, sintetizados na seguinte ementa: "PDV — RESTITUIÇÃO DE TRIBUTO PAGO (RETIDO) INDEVIDAMENTE — PRAZO — DECADÊNCIA — INOCORRÊNCIA — Parecer COSIT n° 4, de 1999, estabelece o prazo de 5 anos para restituição do tributo pago indevidamente a partir do ato administrativo que reconhece, no âmbito administrativo fiscal, o indébito tributário, in casu, a Instrução Normativa n°165, de 31 de dezembro de 1998 (DOU de 06 de janeiro de 1999). Afastada a decadência, deve o processo ser remetido à DRJ de origem para análise do mérito do pedido. Recurso Provido." Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 55/61, com arrimo no artigo 5°, inciso I, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 55/1998, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: 2 Processo n° 10875.001961/2002-76 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.268 Fl. 2 Após breve relato dos fatos ocorridos no decorrer do processo administrativo fiscal, insurge-se contra o Acórdão atacado, por entender ter contrariado os preceitos contidos nos artigos 165, inciso I, e 168, inciso I, do Código Tributário Nacional. Assevera que a Instrução Normativa n° 165/1998, que reconheceu a não incidência de IRPF sobre as verbas pagas a título de PDV, em razão de sua natureza indenizatória, não exerce qualquer influência na contagem do prazo para repetição de indébito e/ou, compensação, sobretudo quando referida norma secundária, por esse próprio caráter, não tem o coritkollda extinguir exigência tributária. Alega que privilegiando a segurança jurídica, o Código Tributário Nacional, no artigo 168, traz o prazo de 5 anos para exercício do direito de repetir o tributo que indevidamente lhe fora corado (art. 165, inciso 1, do CTN, contado a partir do pagamento indevido, consoante jurisprudência dos Tribunais Superiores, transcrita na peça recursal. Nesse sentido, sustenta que, para o CTN, a causa do recolhimento indevido é irrelevante, eis que não definiu como termo a quo para contagem da prescrição a, edição de Instruções Normativas, Resolução do Senado Federal ou declaração de inconstitucionalidade pelo STF, não podendo o julgador dar à norma legal em comento interpretação que dela não decorre, sob pena de tornar indefinido o termo inicial do prazo para o pedido de restituição, destruindo o instituto da decadência, em total afronta a segurança jurídica. Suscita que os artigos 3° e 4°, da Lei Complementar n° 118/2005, c/c artigo 106, inciso I, do CTN, corroboram seu entendimento, possibilitando, inclusive, a aplicação retroativa do artigo 3°, da LC n° 118, em virtude de sua natureza interpretativa. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, a ilustre Presidente da então Lla Câmara do 1° Conselho, entendeu por bem admitir o Recurso Especial do Procurador, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão recorrido, em tese, contrariou a legislação tributária, especialmente os artigos 165, inciso I e 168, inciso I, do Código Tributário Nacional, conforme Despacho n°104-119/2006, às fls. 62/63. Instado a se manifestar a propósito do Recurso Especial do Procurador, o contribuinte ofereceu suas contra-razões, às fls. 67, corroborando as razões de decidir do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção. É o relatório. 3 Voto Conselheiro RYCARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pela ilustre Presidente da então 4 a Câmara do 1° Conselho a contrariedade à lei suscitada, conheço do Recurso Especial e passo à análise das razões recursais. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende a Procuradoria a reforma do Acórdão recorrido, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram os preceitos contidos nos artigos 165, inciso I, e 168, inciso I, do Código Tributário Nacional, afrontando, ainda, a jurisprudência dos Tribunais Superiores. Em que pesem os argumentos da recorrente, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, conclui-se que o Acórdão recorrido apresenta-se incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude. Antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão, cumpre trazer à baila os dispositivos legais que regulamentam a matéria, que assim prescrevem: " Art.165 - O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4° do art. 162, nos seguintes casos: I - cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido;" "Art.168 - O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I - nas hipóteses dos incisos I e II do art. 165, da data da extinção do crédito tributário," Na hipótese dos autos, não há dúvidas quanto a existência do indébito, tendo em vista tratar-se de pedido de restituição de Imposto de Renda Pessoa Física — IRPF incidente sobre as verbas concedidas em virtude de adesão a Programa de Demissão Voluntária - PDV, reconhecidas como indenizatórias e, por conseguinte, não integrantes da base de cálculo do tributo sob análise, mediante edição da Instrução Normativa SRF n° 165, de 06/01/1999. Nesse sentido, a discussão centra-se tão somente no prazo prescricional para o contribuinte exercer seu direito de repetição de indébito, mais precisamente em relação ao termo a quo de referido prazo. s 4 Processo n° 10875.001961/2002-76 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.268 Fl. 3 A Procuradoria da Fazenda Nacional, com amparo nos artigos 106, inciso I, 165 inciso I, e 168, inciso I, do Códex Tributário, c/c os artigos 3° e 4°, da Lei Complementar n° 118/2005, entende que o termo a quo do prazo prescricional em comento é a data do pagamento do tributo indevido. Por sua vez, a Câmara recorrida, em sua maioria, determinou que o prazo para a contribuinte pleitear a restituição e/ou compensação dos tributos em referência (IRPF) inicia-se na data da publicação da Instrução Normativa SRF n° 165, de 06/01/1999, entendimento compartilhado por este conselheiro, pelas razões de fato e de direito que passamos a desenvolver. Afora as várias discussões doutrinárias a propósito do tema, o certo é que o IRPF, cobrado sobre as verbas recebidas pela pessoa fisica em decorrência de adesão a PDV, só passou a ser indevido quando do definitivo reconhecimento pela autoridade fazendária da não incidência de tal imposto sobre aludidos valores, ou seja, a partir da publicação da Instrução Normativa SRF n° 165, de 06/01/1999. Em outras palavras, antes da IN SRF n° 165/1999, o tributo em debate era devido e deveria ser recolhido em época própria, ou melhor, os pagamentos foram efetuados com fulcro na legislação de regência vigente, só passando a ser indébito quando da edição daquela Instrução Normativa. Nessa toada, ao admitir como termo a quo do prazo prescricional sub examine a data do pagamento do tributo indevido, estamos privilegiando o contribuinte que não o pagou, eis que não cumpriu a legislação de regência válida à época e não suportará lançamento fiscal com o fito de exigir tal exação, porquanto declarada inconstitucional posteriormente. Em outra via, o contribuinte que cumpriu com suas obrigações tributárias, pagando o tributo em dia, será penalizado por seguir os preceitos dos malfadados dispositivos legais que regulamentavam a matéria. Mais a mais, repita-se, à época dos pagamentos do IRPF incidentes sobre as importâncias recebidas em razão de adesão a Programa de Demissão Voluntária, tal tributo era efetivamente devido, só passando a ser indébito quando do reconhecimento de sua natureza indenizatória pela própria autoridade fazendária e, por conseguinte, fora do alcance do IRF'' F, mediante edição da Instrução Normativa SRF n° 165/1999. Na esteira desse entendimento, as razões de decidir do Acórdão atacado representam, além da observância ao principio da legalidade, o cumprimento do dever legal do julgador de se fazer justiça. Assim, não se pode admitir como termo inicial do prazo prescricional em análise, a data do pagamento do tributo. Este, aliás, é o entendimento majoritário da doutrina e jurisprudência judicial e administrativa, conforme restou circunstanciadamente demonstrado no Acórdão recorrido, bem como nas peças recursais da contribuinte. A propósito da matéria, somente como ilustração, por se referir à indébito decorrente de norma declarada inconstitucional pelo STF, mister transcrever excerto da obra de Leandro Paulsen, que assim preleciona: " [...] O STJ, contudo, tem se pronunciado reiteradamente no sentido de que, em se tratando de tributo declarado inconstitucional, o prazo qüinqüenal conta-se da publicação da decisão do STF em ação direta ou da publicação da Resolução do Senado. havendo precedente no sentido da contagem a partir da publicação da decisão do recurso extraordinário. [..] - Procuramos identificar a origem da posição do STJ no sentido de que o prazo para repetição contar-se-ia da decisão do STF. A 1° Seção firmou tal entendimento por ocasião do julgamento dos Embargos de Div. no Recurso Especial n°43.502 e também no 44.952. Houve transcrição, pelo Min. Américo Luz, de voto anteriormente proferido pelo Min. Pádua Ribeiro no Resp 44.221/PR, em que resgatava voto proferido por Hugo de Brito Machado na AC 44.403-3, na 1° T. do TRF%, em abril de 1994, sendo que também Hugo valera-se da lição alheia (de Ricordo Lobo Torres), conforme segue de seu voto: "O direito de pleitear a resituição, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que se tenha por inconstitucional, somente nasce com a declaração de inconstitucionalidade, em ação direta. Ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta. RICARDO LOBO TORRES, ensina: 'Na declaração de inconstitucionalidade da lei a decadência ocorre depois de cinco anos da data do trânsito em julgado da decisão do STF proferida em ação direta ou da publicação da Resolução do Senado que suspendeu a lei com base em decisão proferida incidenter tantum pelo STF." ("DIREITO TRIBUTÁRIO — Constituição e Código Tributário Nacional à luz da Doutrina e da Jurisprudência", Leandro Paulsen — 5' edição, pág. 991) (grifamos) Igualmente, a jurisprudência consolidada nesse Colendo Tribunal Administrativo oferece proteção ao pleito da contribuinte, senão vejamos: "IRPF — RESTITUIÇÃO — TERMO INICIAL — PROGRAMA DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO — Conta-se a partir da publicação da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal n° 165, de 31 de dezembro de 1998, o prazo decadencial para a apresentação de requerimento de restituição dos valores indevidamente retidos na fonte, relativos aos planos de desligamento voluntário. . IRPF — PDV — PEDIDO DE RESTITUIÇÃO - ALCANCE — Tendo a Administração considerado indevida a tributação dos valores percebidos como indenização relativos aos Programas de Desligamento Vonluntário em 06/01/99, data da publicação da Instrução Normativa n o 165 de 31 de dezembro de 1998, é irrelevante a data da efetiva retenção, que não é marco inicial do prazo extintivo. — Recurso Especial negado." (l a Turma da Câmara 6 Processo n° 10875.001961/2002-76 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.268 Fl. 4 Superior de Recursos Fiscais, Recurso n° 127.011, Acórdão n° CSRF/01-04.174 — Sessão de 14/10/2002) "IRRF — RESTITUIÇÃO DE TRIBUTO. PRAZO DECADENCIAL — Nos casos de retenção pela fonte pagadora de importância a título de imposto de renda na fonte considerado indevido por legislação superveniente, o termo inicial para o sujeito passivo apresentar o pedido de restituição junto ao órgão competente é a data em que vigora os efeitos da nova legislação. PDV — PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. TERMO DE INÍCIO — No caso de retenções relativas a Programa de Demissão Voluntária ocorridas além do prazo de cinco anos, o termo inicial para protocoliza ção de pedido de restituição ocorre em 06.01.1999, data da publicação de ato administrativo que reconheceu indevida referida exação. Recurso negado" (1' Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Recurso n° 126.098, Acórdão n° CSRF/01-05.133 — Sessão de 29/11/2004) No caso vertente, não se cogita em prescrição do direito da contribuinte, tendo em vista que apresentou pedido de restituição em 20 de fevereiro de 2002, dentro do prazo prescricional de 05 (cinco) anos, contados da publicação da Instrução Normativa SRF n° 165, DOU de 06/01/1999. Assim, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento ao recurso voluntário do contribuinte, na forma decidida pela 4' Câmara do 1° Conselho de Contribuintes, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO REC ' SO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima espo. as. 40~111) 1„,th $1 _ 111w."1—, - Rycard; que Magalliks de Oliveira - Relator 7
score : 1.0
Numero do processo: 10925.000851/2006-88
Data da sessão: Wed Apr 14 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Apr 14 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2002
ÁREA DE RESERVA LEGAL - NECESSIDADE OBRIGATÓRIA DA AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS - RESERVA LEGAL RECONHECIDA EM LAUDO TÉCNICO E AVERBADA EM EXERCÍCIO IMEDIATAMENTE POSTERIOR ÀQUELE FISCALIZADO - DEFERIMENTO DA ISENÇÃO -
Apesar de obrigatória a averbação cartorária da área de reserva legal, essa não necessita ser feita em momento prévio ao fato gerador, de maneira peremptória, já que, havendo uma área de reserva legal preservada e comprovada por laudos técnicos ou por atos do poder público, mesmo com averbação posterior ao fato gerador, notadamente se anterior ao início da ação fiscal, não parece razoável arrostar o benefício tributário, quando se sabe que áreas ambientais preservadas levam longo tempo para sua recomposição, ou seja, uma área averbada e comprovada em exercício posterior, certamente existia nos exercícios logo precedentes, como redutora da área total do imóvel passível de tributação, não podendo ter sido utilizada diretamente nas atividades agrícolas, pecuárias ou extrativistas. Ademais, nem a Lei tributária nem o Código Florestal definem a data de averbação, como condicionante à isenção do ITR.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2102-000.551
Decisão: Acordam os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso para reconhecer a área de reserva legal de 201,28 hectares, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho que negavam provimento.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: Giovanni Christian Nunes Campos
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2002 ÁREA DE RESERVA LEGAL - NECESSIDADE OBRIGATÓRIA DA AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS - RESERVA LEGAL RECONHECIDA EM LAUDO TÉCNICO E AVERBADA EM EXERCÍCIO IMEDIATAMENTE POSTERIOR ÀQUELE FISCALIZADO - DEFERIMENTO DA ISENÇÃO - Apesar de obrigatória a averbação cartorária da área de reserva legal, essa não necessita ser feita em momento prévio ao fato gerador, de maneira peremptória, já que, havendo uma área de reserva legal preservada e comprovada por laudos técnicos ou por atos do poder público, mesmo com averbação posterior ao fato gerador, notadamente se anterior ao início da ação fiscal, não parece razoável arrostar o benefício tributário, quando se sabe que áreas ambientais preservadas levam longo tempo para sua recomposição, ou seja, uma área averbada e comprovada em exercício posterior, certamente existia nos exercícios logo precedentes, como redutora da área total do imóvel passível de tributação, não podendo ter sido utilizada diretamente nas atividades agrícolas, pecuárias ou extrativistas. Ademais, nem a Lei tributária nem o Código Florestal definem a data de averbação, como condicionante à isenção do ITR. Recurso provido em parte.
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Data da sessão: Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2008
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Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT.
O direito ao credito presumido do IPI, instituído pela Lei n° 9.363, de 1996, condiciona-se a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, não estando, por conseguinte, alcançados pelo benefício, os produtos não-tributados (NT).
JUROS SELIC.
Inexiste previsão legal para atualização dos valores objeto de ressarcimento. Recurso especial negado.
Numero da decisão: CSRF/02-03.547
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, pelo voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Dalton César Cordeiro de Miranda, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto, Leonardo Siade Manzan, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior (Substituto convocado) e Antônio Carlos Guidoni Filho que deram provimento ao recurso.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: Gilson Macedo Rosenburg Filho
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