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Numero do processo: 11543.002838/2004-59
Turma: Primeira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2007
Ementa: DECADÊNCIA – CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - Segundo jurisprudência do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a decadência das contribuições sociais se submete às regras do CTN.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O ato de oficio que excluir a espontaneidade do sujeito passivo exclui também a dos demais envolvidos nas infrações verificadas, independentemente de notificação.
Numero da decisão: 101-96.341
Decisão: ACORDAM, os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência de todas a exações em relação aos fatos geradores ocorridos até 30 de novembro de 1998, vencido o conselheiro Caio Marcos Cândido, que não a acolhia em relação a COFINS e CSLL e, no mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: SANDRA MARIA FARONI
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Recorrida : 28 Turma-DRJ-RIO DE JANEIRO – RJ. 1 Sessão de : 14 de setembro de 2007 Acórdão n°. : 101-96.341 DECADÊNCIA – CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - Segundo jurisprudência do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a decadência das contribuições sociais se submete às regras do CTN. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O ato de oficio que excluir a espontaneidade do sujeito passivo exclui também a dos demais envolvidos nas infrações verificadas, independentemente de notificação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por COMERCIAL FERNANDES LTDA. ACORDAM, os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência de todas a exações em relação aos fatos geradores ocorridos até 30 de novembro de 1998, vencido o conselheiro Caio Marcos Cândido, que não a acolhia em relação a COFINS e CSLL e, no mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ANTONIO JO É PRAG DE SOUZA PRESIDENTE —c, 4 SANDRA MARIA FARONI RELATORA • Processo n° 11543.002838/2004-59 Acórdão n° 101-96.341 FORMALIZADO EM: I/ 9 NOV 2001 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSÉ RICARDO DA SILVA, PAULO ROBERTO CORTEZ, CAIO MARCOS CÂNDIDO e ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO. Ausente, justificadamente, o Conselheiro JOÃO CARLOS DE LIMA JÚNIOR. Ausentes, justificadamente temporariamente o Conselheiro VALMIR SANDRI e o PresidenteA /41 2 Processo n° 11543.002838/2004-59 Acórdão n° 101-96.341 Recurso n°. : 153.894 Recorrente : COMERCIAL FERNANDES LTDA. RELATÓRIO Contra a empresa Comercial Femandes Ltda foram lavrados autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica — SIMPLES, imposto de renda da pessoa jurídica — IRPJ - Simples, e os dele decorrentes, Programa de Integração Social — SIMPLES, Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido — SIMPLES, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — SIMPLES, Imposto Sobre Produtos Industrializados — SIMPLES e Contribuição Para Seguridade Social — INSS — SIMPLES, notificados à interessada em 29/07/2004. As infrações de que deram causa aos lançamentos consistiram em: (1) omissão de receitas caracterizada por créditos bancários de origem não comprovada, em conta mantida junto a instituição financeira, de titularidade não comprovada, e (2) insuficiência de recolhimento correspondente à diferença do valor devido a título de SIMPLES sobre a receita originalmente declarada, em função dos novos percentuais aplicáveis em conseqüência da mudança de faixa da receita mensal ao nela se computar a parcela omitida. Foi aplicada a multa de 150% sobre a omissão de receitas e de 75% sobre a insuficiência de recolhimento. Em impugnação tempestiva a interessada argúi insuficiência do prazo de 20 dias concedido pela fiscalização para informar quais os recursos depositados na conta-corrente n° 1.537.547 do Banestes lhe pertenciam, requerendo perícia para proceder ao trabalho.Na seqüência, suscita a decadência. Alega, ainda ter ocorrido excesso de exação, uma vez que foi formalizada a exigência de tributos sobre a receita declarada, que já teriam sido recolhidos. Afirma ser descabida a aplicação da multa no percentual de 150%, uma vez que denunciou espontaneamente a sua receita não declarada ao apresentar, em 19/05/2003, a retificadora da Declaração de Informações Econômico-fiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ/99. Nesse sentido, pondera que a ação fiscal somente se iniciou relativamente a ela, interessada, em 01/12/2003, quando tomou ciência do Termo de Intimação Fiscal n°303/2003, sendo 3 Processo n° 11543.002838/2004-59 Acórdão n° 101-96.341 equivocada a afirmação de que a espontaneidade já teria sido afastada a partir de 30/04/2003, data do inicio da ação fiscal no contribuinte Ubiratan Affonso Fernandes. A 5a Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro julgou procedente em parte a ação fiscal, conforme Acórdão 6.105/2004, cuja ementa tem _ _ a seguinte dicção: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 1999 Ementa: PERÍCIA DENEGADA. A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde do litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probando puder ser demonstrado pela juntada de documentos. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte, após iniciada a ação fiscal, como entrega de declaração retificadora referente ao exercício fiscalizado. Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 1999 Ementa: IRPJ. DECADÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Na hipótese de ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a decadência do direito de a Fazenda Nacional formalizar a exigência tributária do IRPJ ocorre 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito tributário poderia ter sido constituído. PIS. COFINS. CSLL. CONTRIBUIÇÃO AO INSS. DECADÊNCIA. A decadência das contribuições que compõem o orçamento da seguridade social ocorre 10 (dez) anos após o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ser constituído pelo lançamento. SIMPLES. RECOLHIMENTOS INSUFICIENTES. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte, ressalvado o controle da legalidade do ato administrativo. 51— 4 Processo n° 11543.002838/2004-59 Acórdão n° 101-96.341 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei 9.430/98 autoriza a presunção de omissão de receitas a partir da existência de depósitos bancários de origem não comprovada. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Configura evidente intuito de fraude o fato de o contribuinte efetuar reiterada movimentação de recursos mantidos a margem da contabilidade através de conta-corrente de interposta pessoa, visando a ocultação da ocorrência do fato gerador. Cabível a multa de 150% sobre a diferença ou totalidade dos tributos apurados de ofício. Não foi impugnada a infração correspondente a insuficiência de recolhimento. Quanto à parte impugnada, acolheu a preliminar de decadência quanto ao IRPJ relativo aos meses de janeiro a novembro de 1998. Ciente da decisão em 20 de dezembro de 2004, a interessada apresentou recurso em 19 de janeiro seguinte, postulando pela decadência para os demais tributos e insistindo no descabimento da multa agravada, em razão da alagada denúncia espontânea. É o relatório. ri 5 Processo n° 11543.002838/2004-59 Acórdão n° 101-96.341 - VOTO Conselheira SANDRA MARIA FARONI, Relatora O recurso é tempestivo e preenche as condições legais para seguimento. Dele conheço. O recurso apresentado cinge-se a duas questões, quais sejam, a decadência para os demais tributos, que não o IRPJ, quanto aos fatos geradores ocorridos até novembro de 1998, e o descabimento da multa, ao argumento de ter ocorrido denúncia espontânea. Passo a apreciá-las. No que se refere à decadência, a decisão de primeira instância afastou-a ao fundamento de que, para as contribuições sociais, a decadência se rege pelo art. 45 da Lei 8.212191. Essa decisão vem de encontro à jurisprudência desta Câmara e da 1 8 Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que firmaram o entendimento de que a decadência das contribuições para o PIS, a COFINS e a CSLL se rege pelas normas do Código Tributário Nacional. Para postular a espontaneidade na retificação da declaração, para fins de desqualificação da multa, alega a interessada que o Termo lavrado contra Ubiratan Afonso Fernandes não exclui a responsabilidade da pessoa jurídica da qual aquele contribuinte é sócio. Nesse ponto, equivoca-se a recorrente. O § 1° do art. 70 do Decreto n° 70.235/72 determina que o início do procedimento de fiscalização exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação a atos anteriores e, independente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. No presente caso, em se tratando de omissão de receitas caracterizada por depósitos efetuados em conta corrente mantida pela empresa sob falsa titularidade, e em nome de Ubiratan Afonso Femandes, o procedimento fiscal instaurado contra essa pessoa física, a fim de averiguar a incompatibilidade da movimentação financeira em conta de sua titularidade com a declaração de isento apresentada , exclui a espontaneidade da pessoa jurídica quanto às receitas omitidas. A pessoa jurídica Comercial Femandes Ltda. está inquestionavelmente 6 Processo n° 11543.00283812004-59 Acórdão n° 101-96.341 relacionada com a infração objeto de Verificação na pessoa física (declaração de rendimentos incompatível com a movimentação financeira da pessoa física). Pelo exposto, acolho a preliminar de decadência para todas as exações, em relação aos fatos geradores ocorridos até novembro de 1998, e no mérito, negar provimento ao recurso. - Sala das Sessões, DF, em 14 de setembro de 2007 —5 42 ,p,771-c_ SANDRA MARIA FARONI 7 Page 1 _0010200.PDF Page 1 _0010300.PDF Page 1 _0010400.PDF Page 1 _0010500.PDF Page 1 _0010600.PDF Page 1 _0010700.PDF Page 1
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Numero do processo: 13888.002482/2006-40
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. CONTAGEM DO PRAZO.
Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, conta-se o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN).
CONSTITUCIONALIDADE. LEI TRIBUTÁRIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2).
IRRETROATIVIDADE. USO DE INFORMAÇÕES DA CPMF.
O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se
retroativamente. (Súmula CARF nº 35).
DEPÓSITO BANCÁRIO. TRIBUTAÇÃO.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26).
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
EXCLUSÃO. DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. LIMITE
DE R$ 80.000,00.
Para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, não será considerado o crédito de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o somatório desses créditos não comprovados não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00, dentro do ano-calendário.
Preliminar rejeitada.
Numero da decisão: 2801-001.485
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência relativamente ao ano-calendário de 2000, bem como para excluir da tributação os
valores apurados a título de omissão de rendimentos no ano-calendário de 2002, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. CONTAGEM DO PRAZO. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, conta-se o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). CONSTITUCIONALIDADE. LEI TRIBUTÁRIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). IRRETROATIVIDADE. USO DE INFORMAÇÕES DA CPMF. O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. (Súmula CARF nº 35). DEPÓSITO BANCÁRIO. TRIBUTAÇÃO. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26). OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO. DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. LIMITE DE R$ 80.000,00. Para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, não será considerado o crédito de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o somatório desses créditos não comprovados não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00, dentro do ano-calendário. Preliminar rejeitada.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência relativamente ao ano-calendário de 2000, bem como para excluir da tributação os valores apurados a título de omissão de rendimentos no ano-calendário de 2002, nos termos do voto da Relatora.
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. CONTAGEM DO PRAZO. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). CONSTITUCIONALIDADE. LEI TRIBUTÁRIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). IRRETROATIVIDADE. USO DE INFORMAÇÕES DA CPMF. O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. (Súmula CARF nº 35). DEPÓSITO BANCÁRIO. TRIBUTAÇÃO. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26). OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO. DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. LIMITE DE R$ 80.000,00. Para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, não será considerado o crédito de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o somatório desses créditos não comprovados não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00, dentro do anocalendário. Preliminar rejeitada. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/04/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 25/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, 24/04/2011 por TANIA MARA PA SCHOALIN 2 Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência relativamente ao anocalendário de 2000, bem como para excluir da tributação os valores apurados a título de omissão de rendimentos no anocalendário de 2002, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Tania Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis e Jose Evande Carvalho Araujo. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Salvador, BA. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “O interessado contesta o auto de infração do imposto de renda apurado com base em depósitos bancários de origem não comprovada, efetuados em contas de sua responsabilidade entre 2000 e 2004, e que resultou em imposto de R$ 194.338,83. Foi aplicada ainda multa isolada de R$ 50,00 por recolhimento a menor do carnê leão em julho de 2004. Com a multa de ofício e os juros de mora, a exigência total elevase para R$ 452.729,05. A ação fiscal iniciouse a partir de representação formulada pelo juiz da 6ª Vara Cível de Piracicaba (SP), comunicando à Fazenda Nacional possível prática de sonegação fiscal (fls. 04) e encaminhando cópias dos autos judiciais, onde LUIZ CARLOS GALLO movia ação indenização por ato ilícito contra o seu irmão, JOSÉ ADALBERTO GALLO, sujeito passivo no presente processo (fls. 05/08). O autor afirmava que teria descontado para o seu irmão duplicatas emitidas pela Femhil Oleodinâmica Ltda.; que este afirmara ser sócio da empresa, garantindo ainda a licitude do negócio; que parte destas duplicatas, porém, fora recusada pelo devedor, a Valtra do Brasil S/A, que impugnara a validade dos documentos. Sem ter sucesso em obter do seu irmão a quitação da dívida, ingressara com queixa policial para apuração do crime de estelionato. Apesar de a notitia criminis ter sido acatada pelo representante do Ministério Público, a ação penal somente foi julgada extinta porque, por desconhecimento de sua parte, não formulara no prazo legal a devida representação. Em sua réplica (fls. 19), o réu, JOSÉ ADALBERTO GALLO, entre outras razões de defesa, incriminava o seu irmão, LUIZ CARLOS GALLO, pela prática ilícita de desconto de títulos de crédito com taxas de juros exorbitantes e irregulares, revelando a atividade de agiotagem exercida por este, o que inclusive poderia ser Fl. 2DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/04/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 25/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, 24/04/2011 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13888.002482/200640 Acórdão n.º 280101.485 S2TE01 Fl. 392 3 comprovado com a oitiva de testemunhas. Procurava assim demonstrar que a obrigação seria nula pela forma ilícita como se constituíra. Sem acatar estas razões, por falta de documentação que comprovasse os termos do negócio, o juiz, porém, reconhece, em sua sentença, que o desconto de títulos de crédito, nos termos da Lei n° 4.595/1964, é atividade reservada às instituições financeiras, e que a sua prática por pessoas físicas, mesmo que eventual, as equipara, para fins de tributação, a estas instituições. Por este motivo decide enviar aos órgãos fazendários cópias dos autos judiciais "a fim de iniciarem investigação acerca de possível prática de delito de sonegação fiscal ou usura" (fls. 25). Iniciada a ação fiscal, o autuante, de acordo com o seu relatório às fls. 277, analisou as informações da CPMF de ambos os litigantes e constatou que o contribuinte autuado, JOSÉ ADALBERTO GALLO, havia realizado movimentação financeira elevada e não declarada. Em conseqüência, o procedimento fiscal foi instaurado contra este, que foi intimado a apresentar os extratos de suas contas bancárias e a comprovar a origem dos depósitos. Desatendidas estas exigências, providenciouse a quebra do sigilo bancário através de requisições dirigidas diretamente às instituições financeiras (fls. 52/58), com base no art. 40, § 6°, do Decreto n° 3.724/2001. De posse dos extratos, os depósitos a serem comprovados foram relacionados pelo autuante e o interessado mais uma vez intimado a comprovarlhes as origens. Mais uma vez não se manifestou, motivando o lançamento com base no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Os argumentos do impugnante são em síntese os seguintes (fls. 282): 1) Nos termos da petição inicial de da defesa nos autos judiciais é notório que somente o seu irmão, LUIZ CARLOS GALLO, poderia ter praticado agiotagem, sonegação fiscal ou usura. 2) A investigação ultrapassa os limites do ofício judicial, pois a queixa se referia a fato ocorrido em 1998, já abrangido pela decadência, o que revela excesso de exação da autoridade lançadora, também caracterizado pelo fato de o autuante haver ligado diversas vezes para a sua residência exigindo a apresentação de documentos, intimidando os seus filhos e sua esposa, mesmo depois dos documentos terem sido apresentados, revelando o interesse pessoal do agente em caracterizar a qualquer custo uma situação de punibilidade. O caráter de perseguição pessoal se revela também pelo fato de não se ter fiscalizado o seu irmão, verdadeiro infrator. 3) Houve quebra irregular do sigilo bancário, pois não havia autorização judicial para os anos posteriores a 1998, bem como porque até 2001 esta autorização era indispensável, considerando a irretroatividade da Lei Complementar n° 105/2001 e da Lei n° 10174/2001. Mesmo quanto aos períodos posteriores, deve prevalecer a vedação contida no art. 5º, incisos X e XII da Constituição, que não poderia ser alterado por normas infraconstitucionais. Além disso, o Fisco deveria demonstrar a necessidade destas informações, com estrito cumprimento das condições legais.” Conforme Acórdão de fls. 350/352, o lançamento foi julgado procedente sob os fundamentos consubstanciados nas seguintes ementa: SIGILO BANCÁRIO. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/04/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 25/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, 24/04/2011 por TANIA MARA PA SCHOALIN 4 As normas que autorizam o acesso às informações bancárias aplicamse aos procedimentos em curso, ainda que relativos a fatos anteriores à sua promulgação. Regularmente cientificado daquele Acórdão em 26/06/2009 (fl. 355), o interessado, representado por seu advogado (fls. 281 e 376), interpôs recurso voluntário de fls. 363/375, em 24/07/2009, no qual suscita a decadência do lançamento, considerando que a investigação ultrapassa os limites do ofício judicial, que se restringia a fato ocorrido em 1998, bem como a nulidade do auto de infração, em razão da inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário e da indevida aplicação retroativa das Leis nº 105/2001 e 10.174/2001. No mérito, defende a impossibilidade de aplicação da norma do artigo 42 da Lei nº 9.430/1996, pretendendo seja reconhecida a impropriedade e a ilegalidade do lançamento do tributo imposto de renda pessoa física tão somente baseado em meros depósitos bancários. Requer, ainda, a suspensão do presente Processo Administrativo Fiscal até Julgamento do Recurso Extraordinário n° 261.278, pelo Supremo Tribunal Federal, quando haverá pronunciamento do Poder Judiciário acerca da (in) constitucionalidade da quebra de sigilo bancário por autoridade administrativa sem prévia Ordem Judicial. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O recorrente suscita em preliminar a decadência e a nulidade do lançamento. De plano, importa registrar que não houve a imposição de multa de oficio qualificada para as exigências formalizadas no presente lançamento. Quanto à decadência do direito de a Fazenda Pública constituir crédito tributário, o Superior Tribunal de Justiça STJ firmou o entendimento de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Vejase a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento Fl. 4DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/04/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 25/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, 24/04/2011 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13888.002482/200640 Acórdão n.º 280101.485 S2TE01 Fl. 393 5 antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Observese que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada por este Colegiado, em obediência ao art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, com alterações da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Fl. 5DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/04/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 25/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, 24/04/2011 por TANIA MARA PA SCHOALIN 6 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes Assim, tendo em vista que o fato gerador do IRPF é complexivo, completandose apenas em 31 de dezembro do anocalendário, qualquer pagamento do imposto, seja como retenção da fonte, seja como antecipação obrigatória ou voluntária, ou ainda como ajuste, desloca a contagem da decadência para o fato gerador. Em inexistindo pagamento a ser homologado, a regra de contagem do prazo decadencial aplicável deve ser a regra geral do art. 173, inciso I, do CTN. No presente caso, verificase que houve pagamento antecipado em todos os anos submetidos à autuação, conforme registrado nas respectivas DIRPF em anexo e, inclusive, no próprio auto de infração. Portanto o prazo decadencial contase a partir de 31 de dezembro de cada ano sob exame. Considerando que, em 30/06/2006 (fl. 275), o contribuinte foi cientificado do auto de infração, deve ser cancelado, por força da decadência, somente o lançamento referente ao anocalendário de 2000. Ainda, em preliminar, afasto a suscitada nulidade do auto de infração amparada nas teses de ilegalidade/inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário e de indevida aplicação retroativa da Lei nº 10.174, de 2001. Isto porque tais matérias já estão sumuladas de forma contrária ao entendimento do contribuinte, pelas Súmulas CARF nº 2 e 35, transcritas a seguir: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 35 O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. No mérito, a discussão cingese à aplicação do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que prevê a possibilidade de se efetuar lançamentos tributários por presunção de omissão de rendimentos, tendo por base os depósitos bancários de origem não comprovada. A constituição do crédito tributário, no presente caso, decorreu em face de o contribuinte não ter logrado comprovar, por meio do necessário lastro documental hábil e idôneo, a origem dos depósitos bancários que transitaram em contas bancárias de sua titularidade, dando ensejo à omissão de receita ou rendimento (Lei nº 9.430/1996, art. 42) e, refletindo, conseqüentemente, na lavratura do instrumento de autuação em causa. O artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, definiu que os depósitos bancários, de origem não comprovada, caracterizam omissão de rendimentos e não meros indícios de omissão, razão pela qual, também, não há que se estabelecer o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão de receita, ou mesmo restringir a hipótese fática à ocorrência de variação patrimonial ou a indícios de sinais exteriores de riqueza, como previa a Lei nº 8.021, de 1990. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/04/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 25/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, 24/04/2011 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13888.002482/200640 Acórdão n.º 280101.485 S2TE01 Fl. 394 7 Tal entendimento, aliás, encontrase consolidado no CARF, conforme enunciado da Súmula CARF n° 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Assim, restando não comprovada a origem dos recursos depositados nas contascorrentes de titularidade da contribuinte, considerase acertada a tributação do total dos depósitos bancários não justificados, nos termos do art. 42 da Lei no 9.430/1996, in verbis: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: (...) II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais).” (Redação inserida pela Lei nº 9.481, de 1997.) Como se vê, por determinação legal, devem ser retirados da tributação os depósitos que não ultrapassarem o valor individual de R$ 12.000,00, desde que o somatório anual dos valores depositados no conjunto de contas correntes seja igual ou inferior a R$ 80.000,00. No caso, verificase que os valores depositados no anocalendário 2002 somam R$ 10.750,51 (fl. 270), logo, aplicável a norma supra do inciso II do §3°, excluindose da tributação os valores apurados relativos ao referido período. Por fim, esclareçase que, por falta de amparo legal, não há como suspender o presente Processo Administrativo Fiscal até Julgamento do Recurso Extraordinário n° 261.278, pelo Supremo Tribunal Federal. Destarte, o crédito tributário em litígio estará com a exigibilidade suspensa até o julgamento final deste processo, nos termos do art. 151, inciso III, do CTN. Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência relativamente ao anocalendário de 2000, bem como para excluir da tributação os valores apurados a título de omissão de rendimentos no anocalendário de 2002. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 7DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/04/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 25/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, 24/04/2011 por TANIA MARA PA SCHOALIN 8 Fl. 8DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/04/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 25/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, 24/04/2011 por TANIA MARA PA SCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 13706.000786/2008-25
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Ano-Calendário: 2004
ISENÇÃO RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA DE PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE.
A isenção de imposto de renda sobre proventos de aposentadoria de portador de moléstia grave deve ser concedida quando houver a comprovação de que os rendimentos são efetivamente provenientes de aposentadoria, reforma ou pensão.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-001.581
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: SANDRO MACHADO DOS REIS
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Ano-Calendário: 2004 ISENÇÃO RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA DE PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. A isenção de imposto de renda sobre proventos de aposentadoria de portador de moléstia grave deve ser concedida quando houver a comprovação de que os rendimentos são efetivamente provenientes de aposentadoria, reforma ou pensão. Recurso Voluntário Provido.
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A isenção de imposto de renda sobre proventos de aposentadoria de portador de moléstia grave deve ser concedida quando houver a comprovação de que os rendimentos são efetivamente provenientes de aposentadoria, reforma ou pensão. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Sandro Machado dos Reis Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Antonio de Padua Athayde Magalhaes, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Sandro Machado dos Reis, Luiz Claudio Farina Ventrilho, Carlos Cesar Quadros Pierre e Tania Mara Paschoalin. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 16/11/2 011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GAL Processo nº 13706.000786/200825 Acórdão n.º 2801001.581 S2TE01 Fl. 56 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: “Versa o presente processo sobre a Notificação de Lançamento de fls.2 a 4, lavrada pela DRF/Niteroi, relativa ao ano calendário 2004, exercício 2005, mediante o qual foi apurado crédito tributário no valor de R$ 6.862,23. De acordo com a descrição dos fatos foi apurada omissão de rendimentos da fonte pagadora INSS. Inconformado, o interessado alega em síntese que é portador de moléstia grave conforme documentos apresentados. A f1.5 consta indeferimento da SRL apresentada. À fl.30 consta pedido de prioridade com base no Estatuto do Idoso.” Passo adiante, a DRJ entendeu por bem julgar procedente o lançamento, em decisão que restou assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 ISENÇÃO PROVENTOS DE APOSENTADORIA, REFORMA OU PENSÃO MOLÉSTIA GRAVE. Somente são isentos do imposto de renda os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão percebidos pelos portadores das moléstias enumeradas no inciso XIV do artigo 6° da Lei 7.713/1988 e alterações. Lançamento Procedente” Irresignado, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário, reiterando os argumentos expostos quando da apresentação da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Sandro Machado dos Reis, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, razão pela qual conheço do mesmo. Tratase, na origem, de Auto de Infração lavrado com o escopo de promover a cobrança de suposto débito de IRPF incidente sobre valor percebido pela Recorrente, sob o argumento de que os valores por ela percebidos, decorrentes de pensão, não poderiam se beneficiar da isenção prevista no art. 6º, inciso XXI, da Lei nº 7.713/88, já que a sua doença, não teria sido reconhecida em perícia médica realizada por órgão oficial. Ocorre que, anexo ao Recurso Voluntário interposto, o Recorrente logrou êxito em comprovar ser efetivamente portador de doença desencadeadora da isenção pleiteada. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 16/11/2 011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GAL Processo nº 13706.000786/200825 Acórdão n.º 2801001.581 S2TE01 Fl. 57 3 Tanto é assim que, em fls. 42, o próprio INSS, mediante laudo pericial exarado por médica oficial, asseverou que o Recorrente é portador de doença que se enquadra sob a C.I.D. – X B24, a partir de agosto de 1996. Na folha seguinte (fl. 43), o mesmo INSS reconhece que o Recorrente, haja vista a moléstia identificada, é beneficiário da isenção do IR. Nesse sentido, não há dúvida alguma quanto ao enquadramento da doença do Recorrente dentre aquelas que fazem jus ao benefício isencional, motivo pelo qual não há como prosperar a decisão combatida. Em vista do exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário. Assinado digitalmente Sandro Machado dos Reis Fl. 64DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 16/11/2 011 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 21/11/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GAL
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Numero do processo: 13502.001353/2008-83
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
NULIDADE. OMISSÃO PELO ÓRGÃO JULGADOR. INOCORRÊNCIA.
O órgão julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos
apresentados pelo contribuinte, devendo demonstrar, ao motivar a sua decisão, que o lançamento questionado encontra-se em conformidade com as disposições legais aplicáveis.
RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV. MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃO INCIDÊNCIA
TRIBUTÁRIA.
Inexistindo dispositivo de lei federal atribuindo às verbas recebidas por membros de Ministério Público Estadual a mesma natureza indenizatória do abono variável previsto pelas Leis nºs 10.474 e 10.477, de 2002, descabe excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda, haja vista ser vedada a extensão com base em analogia em sede de não incidência
tributária.
MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL.
Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF N° 4.
A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais.
Preliminar Rejeitada.
Numero da decisão: 2801-001.676
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa de ofício, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Sandro Machado dos Reis, Eivanice Canário da Silva e Luiz Cláudio Farina Ventrilho que davam provimento ao recurso.
Nome do relator: ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 NULIDADE. OMISSÃO PELO ÓRGÃO JULGADOR. INOCORRÊNCIA. O órgão julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos apresentados pelo contribuinte, devendo demonstrar, ao motivar a sua decisão, que o lançamento questionado encontra-se em conformidade com as disposições legais aplicáveis. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV. MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃO INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Inexistindo dispositivo de lei federal atribuindo às verbas recebidas por membros de Ministério Público Estadual a mesma natureza indenizatória do abono variável previsto pelas Leis nºs 10.474 e 10.477, de 2002, descabe excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda, haja vista ser vedada a extensão com base em analogia em sede de não incidência tributária. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF N° 4. A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Preliminar Rejeitada.
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OMISSÃO PELO ÓRGÃO JULGADOR. INOCORRÊNCIA. O órgão julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos apresentados pelo contribuinte, devendo demonstrar, ao motivar a sua decisão, que o lançamento questionado encontrase em conformidade com as disposições legais aplicáveis. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV. MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃOINCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Inexistindo dispositivo de lei federal atribuindo às verbas recebidas por membros de Ministério Público Estadual a mesma natureza indenizatória do abono variável previsto pelas Leis nºs 10.474 e 10.477, de 2002, descabe excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda, haja vista ser vedada a extensão com base em analogia em sede de não incidência tributária. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF N° 4. A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Preliminar Rejeitada. Fl. 311DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 13502.001353/200883 Acórdão n.º 280101.676 S2TE01 Fl. 305 2 Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa de ofício, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Sandro Machado dos Reis, Eivanice Canário da Silva e Luiz Cláudio Farina Ventrilho que davam provimento ao recurso. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Sandro Machado dos Reis, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Tânia Mara Paschoalin e Eivanice Canário da Silva. Relatório Trata o presente processo de auto de infração, às fls. 03/13, onde está o fisco a exigir do contribuinte o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 43.113,20, sendo R$ 21.345,30 a título de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), além de R$ 16.008,96 de multa de oficio, e R$ 5.758,94 de juros de mora, estes calculados até 30 de junho de 2008. A exigência fiscal decorreu da revisão efetuada nas declarações de ajuste anual apresentadas pelo contribuinte, relativas aos exercícios 2005, 2006, e 2007. Asseverou a autoridade fiscal que o autuado classificou indevidamente, nestas declarações, rendimentos tributáveis como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Tais valores foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 08 de setembro de 2003. A autoridade lançadora destacou que estas diferenças recebidas estão sujeitas à incidência do imposto de renda. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou em 27/08/2008, por meio de representante legal, a impugnação às fls. 62/125, juntamente com a documentação às fls. 126/172. Em sua defesa, alegou que: o lançamento fiscal teve como objeto verbas recebidas pelo impugnante a título de diferenças de URV, que não representaram qualquer acréscimo patrimonial, mas sim o ressarcimento por erro cometido pela fonte pagadora no cálculo da remuneração paga no período de 1° de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001; o referido erro ocorreu no procedimento de conversão de cruzeiro real para URV a que eram submetidos os salários pagos Fl. 312DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 13502.001353/200883 Acórdão n.º 280101.676 S2TE01 Fl. 306 3 aos membros do Ministério Público Estadual. Tal procedimento tinha o intuito de preservar o ganho mensal, compensando as perdas em face dos altos índices de inflação, o que evidencia a feição indenizatória da URV; o acordo para o pagamento das diferenças de URV se deu através da Lei Estadual Complementar n° 20, de 08 de setembro de 2003, tendo o impugnante recebido tais valores ao longo dos anos de 2004, 2005 e 2006; a referida diferença consistiu apenas em correção do capital, ou seja, recomposição de quantias que deveriam integrar a remuneração ao longo do tempo passado. Não correspondeu a qualquer permuta do trabalho/serviço por moeda que configurasse a natureza salarial. Assim, por ser mera atualização do principal, e por não ter sido implementada em tempo certo, não deveria ser levada à tributação, haja vista o entendimento doutrinário e jurisprudencial, que veda a tributação da correção monetária; a mera correção monetária não aumenta ou acresce patrimônio do contribuinte, apenas lhe torna indene das perdas inflacionárias, portanto, não integra a base de cálculo do imposto de renda; havia um evidente caráter compensatório da URV desde sua gênese, e as diferenças recebidas representaram uma reparação por danos, tendo clara natureza de indenização, e não de salário. Dessa maneira, por não caracterizar aumento patrimonial, a verba recebida não subsume nos conceitos de renda e proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN; o STF, através da Resolução n° 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos magistrados federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo está isento da contribuição previdenciária e do imposto de renda; apesar da citada resolução ter sido dirigida à magistratura federal, é impositiva e legítima a equiparação do tema por analogia às verbas recebidas pelos magistrados estaduais, conforme preceitua o art. 108 do CTN. Negar o caráter indenizatório destas verbas é afrontar o princípio constitucional da isonomia, não só na sua concepção geral, mas, também, no que tange a tratamento diferenciado entre membros do Ministério Público Federal da União e Estadual. Viola, também, o disposto no inciso II do art. 150 da Constituição Federal que proíbe o tratamento desigual entre os contribuintes que se encontrem em situação equivalente; o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do imposto ao estabelecer no art. 3° da Lei Estadual Complementar n° 20, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga. Implementou todos os pagamentos sem qualquer retenção de IR e informou Fl. 313DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 13502.001353/200883 Acórdão n.º 280101.676 S2TE01 Fl. 307 4 aos beneficiários dos rendimentos a natureza desta parcela como indenizatória; o sujeito passivo da obrigação de tributária, na condição de responsável, era a fonte pagadora, que estava obrigada a reter o imposto. Desta forma, a discussão acerca da classificação dos rendimentos pagos deveria ser travada entre o fisco federal e a fonte pagadora. Entretanto, não se instaurou qualquer procedimento fiscal contra a fonte pagadora, mas sim contra o impugnante, que sofreu os dissabores e ônus da ação fiscal, inclusive com a imposição de multa de oficio e juros moratórios; de forma transversa o Estado Membro devedor da obrigação mensal de retenção não exauriu sua obrigação e gerou para o contribuinte o dever de pagar mais imposto; conseqüentemente o Estado Fraudador da Legislação se beneficia com os acréscimos que sua inação causou. Assim, ao lançar o tributo nos termos da autuação gera quebra da capacidade contributiva do signatário; o impugnante não agiu com intuito de fraude, simulação ou conluio, simplesmente seguiu a informação prestada pela fonte pagadora, e fez constar em suas declarações de rendimentos relativas aos períodos bases de 2004 a 2006 as parcelas recebidas como isentas de tributação. Isto posto, mantida a exigência fiscal, devese observar o princípio da boafé, da qual estava imbuído o impugnante, e afastar a exigência da multa de oficio e juros de mora; a informação prestada pela fonte pagadora estava fundamentada na Lei Estadual Complementar n° 20, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV. Portanto, os valores declarados pelo impugnante tratase de informação lastreada em ato normativo expedido por autoridade administrativa, que se enquadra na hipótese do inciso I do art. 100 do CTN. Assim, de acordo com o parágrafo único do mesmo artigo, devem ser afastados a multa de ofício e os juros de mora; o lançamento fiscal tributou isoladamente os rendimentos apontados como omitidos, deixando de considerar os rendimentos e deduções já declarados, conforme determina o art. 837 do RIR/1999. Caso fosse mantida a tributação das verbas recebidas, caberia sujeitálas ao ajuste anual, o que resultaria em um imposto devido menor; parte dos valores recebidos a título de URV se referia à correção incidente sobre 13° salários e férias indenizadas (abono férias), que respectivamente estão sujeitas à tributação exclusiva e isentas, conseqüentemente, mesmo que prevalecesse o entendimento do órgão fiscalizador, caberia a exclusão de tais parcelas na apuração da base de cálculo sujeita ao lançamento fiscal; os juros de mora constantes no cálculo da diferença de URV representam uma indenização pelos danos emergentes do não uso do patrimônio. Assim, os juros de mora têm natureza distinta Fl. 314DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 13502.001353/200883 Acórdão n.º 280101.676 S2TE01 Fl. 308 5 da originária do principal ao qual incidiu acessoriamente, porque não se constituíram em aquisição de disponibilidade de renda, produto do trabalho remunerado pelo Estado da Bahia; Na seqüência, após análise dos autos, a 3a Turma de Julgamento da DRJ/Salvador(BA) resolveu converter o julgamento em diligência, devolvendo o processo ao órgão de origem, para que este adotasse as medidas cabíveis para ajustar o lançamento fiscal em questão ao disposto no Parecer PGFN/CRJ/N° 287/2009, emitido em 12/02/2009, pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. Em resposta, a unidade lançadora elaborou relatório e demonstrativo, anexados às fls. 184/186. Cientificado do resultado da diligência fiscal o sujeito passivo reiterou a impugnação já apresentada. Sustentou, ainda, que formam computados equivocadamente na apuração do imposto devido relativo aos meses de janeiro de 2000 e fevereiro de 2001 valores recebidos a titulo de 13° salário e abono de férias. Retornando à apreciação do litígio, o órgão colegiado a quo decidiu, por unanimidade de votos, pela procedência em parte da impugnação, mantendo o imposto no valor R$ 19.544,70, e exonerando o valor de R$ 1.800,60, juntamente com os acréscimos legais devidos, nos termos do Acórdão DRJ/SDR nº 1524.875, de 22/09/2010, às fls. 200/203. Com essa decisão, foram excluídos da base de cálculo do imposto lançado valores recebidos a titulo de 13° salário e abono de férias nos meses de janeiro de 2000 e fevereiro de 2001 que haviam sido indevidamente incluídos na planilha de cálculo elaborada pela fiscalização. Cientificado do resultado do julgamento de primeira instância em 21/10/2010, conforme AR Aviso de Recebimento à fl. 207, o contribuinte, interpôs, em 11/11/2010, o Recurso Voluntário às fls. 208/291. Em sua defesa, argumenta o recorrente, preliminarmente, que a decisão recorrida não enfrentou questão suscitada na impugnação relativa à falta de legitimidade da União para cobrar imposto de renda que pertence, por determinação constitucional, ao Estado. Neste sentido, afirma o recorrente que referida omissão caracterizaria supressão da instância administrativa, em ofensa ao seu direito ao devido processo legal, contraditório e ampla defesa, assegurados constitucionalmente a todos, inclusive no âmbito administrativo. Diante disso, sustenta o recorrente que a solução correta para o caso seria fazer voltar o processo à instância originária, para que possa formular e ver decidida, em cada uma delas, suas alegações contra o lançamento efetuado. No entanto, requer que, caso assim não entenda essa instância superior, ao menos que enfrente a questão, concluindo pela mesma compreensão da defesa, reiterada na peça recursal. Assevera ainda que a decisão guerreada desconsiderou totalmente a boafé do recorrente, indo em direção contrária à jurisprudência pátria e ao ordenamento jurídico nacional. Quanto ao mérito, reiterou os argumentos apresentados na impugnação, relativamente às seguintes questões: caráter indenizatório das parcelas referente às diferenças da URV; violação ao princípio constitucional da isonomia; Fl. 315DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 13502.001353/200883 Acórdão n.º 280101.676 S2TE01 Fl. 309 6 isenção pela resolução do STF e lei estadual no exercício da competência residual; erro no cálculo apresentado em razão dos valores terem sido tributados isoladamente sem levar em conta as deduções cabíveis, alíquotas incorretas, tributação efetivada sobre férias indenizadas e 13º Salário; responsabilidade tributária da fonte pagadora e boafé do contribuinte; exclusão da multa de ofício e dos juros de mora lançados. Ao final, requer seja acolhido e totalmente provido o seu recurso, para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado, e na hipótese de ser mantida a ação fiscal, que leve em consideração os argumentos lançados precedentemente. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Relator. O recurso em julgamento foi tempestivamente apresentado, preenchendo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. De início cumpre apreciar a preliminar de cerceamento do direito de defesa arguida na peça recursal. Sustenta o defendente que a decisão de primeira instância não teria se pronunciado sobre questão suscitada na impugnação relativa à ilegitimidade da União para cobrança dos valores lançados no auto de infração constante dos autos. A respeito, cabe destacar inicialmente que, conforme jurisprudência pacífica do STJ, o julgador não é obrigado a rebater todos os argumentos apresentados pelo recorrente, desde que sua decisão esteja devidamente fundamentada, o que ocorreu no presente caso. Assim, verifico que a decisão DRJ faz menção clara ao fato de que a cobrança do referido tributo tem como base legislação federal, fundamentação esta, no meu entender, suficiente a refutar a argumentação do recorrente, porquanto somente a União tem a competência constitucional para legislar sobre imposto de renda e proventos de qualquer natureza (art. 153, inciso III, da CF). Neste sentido, os excertos do aludido acórdão a seguir reproduzidos: (...) Quanto ao art. 3° da Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, que dispõe expressamente que as diferenças em questão são de natureza indenizatória, cabe lembrar que o imposto de renda é regido por legislação federal, portanto, tal dispositivo não tem qualquer efeito tributário. Além disso, deve se observar que a incidência do imposto independe da denominação do rendimento, e que as indenizações não gozam de isenção indistintamente, mas tão somente as previstas em lei Fl. 316DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 13502.001353/200883 Acórdão n.º 280101.676 S2TE01 Fl. 310 7 especifica que conceda a isenção, conforme previsto no art. 150, § 6°, da Constituição Federal. O art. 55, inciso XIV, do RIR/99 dispõe claramente que tanto os juros moratórios, quanto quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, estão sujeitos à tributação, a menos que correspondam a rendimentos isentos ou não tributáveis, conforme abaixo transcrito: Art.55. São também tributáveis (Lei n° 4.506, de 1964, art. 26, Lei n° 7.713, de 1988, art. 3°, §4°, e Lei n° 9.430, de 1996, arts. 24, §2°, inciso IV, e 70, §3°, inciso I): .... XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis; (...) (destaquei) Ademais, quanto a essa questão, mostrase desnecessário maior debate, pois como dito, a Constituição Federal, norma maior a qual todas as outras se vinculam obrigatoriamente, em regras e princípios, define a competência sobre o tributo em apreço: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: I importação de produtos estrangeiros; II exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados; III renda e proventos de qualquer natureza; (grifei) Assim, a distribuição da renda arrecadada com outros entes da federação não altera a competência da União quanto ao Imposto sobre a Renda, conforme o preceito contido no art. 6º, parágrafo único, do Código Tributário Nacional CTN: Art. 6º. A atribuição constitucional de competência tributária compreende a competência legislativa plena, ressalvadas as limitações contidas na Constituição Federal, nas Constituições dos Estados e nas Leis Orgânicas do Distrito Federal e dos Municípios, e observado o disposto nesta Lei. Parágrafo único. Os tributos cuja receita seja distribuída, no todo ou em parte, a outras pessoas jurídicas de direito público pertencerá à competência legislativa daquela a que tenham sido atribuídos. Fl. 317DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 13502.001353/200883 Acórdão n.º 280101.676 S2TE01 Fl. 311 8 (destaquei) Cabe frisar que as atribuições de arrecadar e fiscalizar o Imposto de Renda, compreendidas na competência tributária, jamais foram transferidas pela União aos Estados ou Municípios, ocupando aquela, indubitavelmente, a posição de sujeito ativo nas relações que versam sobre o tributo em comento. Observase, portanto, que não houve qualquer prejuízo ao interessado que o impedisse de apresentar suas razões de defesa, haja vista que o mesmo foi devidamente intimado da lavratura do lançamento que compõe a lide, tendo apresentado sua impugnação, e posteriormente o recurso, ora em análise, alegando tudo o que entendeu cabível, tendo novamente a possibilidade de trazer à colação documentos que pudessem elidir a exigência fiscal. E nesse ponto, destaquese, por relevante, que a decisão da 3a Turma de Julgamento da DRJ/Salvador(BA) se pautou nos elementos de prova que foram trazidos aos autos, mediante a lavratura do auto de infração, bem como naqueles acostados pelo contribuinte por ocasião da apresentação de sua impugnação, não havendo que se cogitar em ofensa ao princípio constitucional do devido processo legal. Assim, a contrariedade do recorrente com a fundamentação esposada no acórdão guerreado não constitui qualquer vicio capaz de incorrer em sua desconsideração, até porque, tal decisão obedeceu a todos os ditames da legislação de regência (Decreto nº 70.235/72). Rejeitase, portanto, a preliminar suscitada na peça recursal. No mérito, com relação ao alegado caráter indenizatório dos valores recebidos, ressaltese que o imposto em questão incide sempre que houver aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda e de proventos de qualquer natureza. O termo “proventos de qualquer natureza” é fórmula ampla da qual lançou mão o legislador para evitar controvérsias sobre o conceito de renda. Nele se inclui todo o acréscimo do patrimônio contábil do contribuinte, mensurável monetariamente. No presente caso, o contribuinte enquadrou no campo de rendimentos isentos e não tributáveis de suas declarações de ajuste anual dos exercícios 2005, 2006 e 2007, valores recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia. Segundo o interessado, tais importâncias recebidas seriam isentas de imposto de renda, com base na Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 08/09/2003, e por analogia à Resolução nº 245, de 12/12/2002, do Supremo Tribunal Federal (STF), que teria deixado claro que o abono conferido aos magistrados federais em razão das diferenças de URV possui natureza indenizatória. Ora, de acordo com a Resolução do Supremo Tribunal Federal (STF) nº 245, de 2002, o abono, tratado no artigo 2º da Lei nº 10.474, de 27 de junho de 2002 e no artigo 6º da Lei nº 9.655, de 2 de junho de 1998, foi considerado de natureza indenizatória. Entretanto, o referido ato do STF atribuiu natureza jurídica indenizatória ao abono variável devido apenas aos Magistrados do Poder Judiciário Federal, tratado pela Lei nº 9.655, de 1998 e pela Lei nº 10.474, de 2002. Fl. 318DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 13502.001353/200883 Acórdão n.º 280101.676 S2TE01 Fl. 312 9 Registrese ainda que somente com o advento da Lei nº 10.477, de 2002, os membros do Ministério Público da União passaram a fazer jus ao abono variável criado pela Lei nº 9.655, de 1998, nos termos do art. 2º, abaixo transcrito: Art. 2o O valor do abono variável concedido pelo art. 6º da Lei nº 9.655, de 2 de junho de 1998, é aplicável aos membros do Ministério Público da União, com efeitos financeiros a partir da data nele mencionada, passa a corresponder à diferença entre a remuneração mensal percebida pelo membro do Ministério Público da União, vigente à data daquela Lei, e a decorrente desta Lei. §1o Serão abatidos do valor da diferença referida neste artigo todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados pelos membros do Ministério Público da União, a qualquer título, por decisão administrativa ou judicial, após a publicação da Lei nº 9.655, de 2 de junho de 1998. §2o Os efeitos financeiros decorrentes deste artigo serão satisfeitos em 24 (vinte e quatro) parcelas mensais e sucessivas, a partir do mês de janeiro de 2003. §3o O valor do abono variável da Lei nº 9.655, de 2 de junho de 1998, é inteiramente satisfeito na forma fixada neste artigo. Destaquese que referido abono variável, nos moldes da Lei nº 10.477, de 2002, se restringia ao Ministério Público da União. Todavia, neste caso, o contribuinte não faz parte dos quadros da Magistratura Federal nem do Ministério Público da União, pertencendo ao Ministério Público do Estado da Bahia, não podendo tal Resolução do STF ser estendida às verbas pagas ao recorrente, pois isto resultaria na concessão de isenção sem lei federal especifica. Salientese que, em momento algum, houve pronunciamento do STF ou do Ministro da Fazenda acerca das naturezas jurídica e tributária dos rendimentos recebidos com fulcro na Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 08/09/2003. Atribuir aos rendimentos em exame a mesma natureza do abono variável destacado nas Leis nºs 10.474 e 10.477, de 2002, seria estender os limites da não incidência tributária sem previsão de lei federal para tal exegese. Não se pode olvidar que é defeso ao aplicador do direito valerse da analogia para excluir rendimentos do campo de incidência tributária. As exceções fiscais devem verter expressamente do texto legal, em respeito ao princípio contido no art. 111, do citado CTN. Assim, descabe na hipótese dos autos atribuir aos rendimentos recebidos pelo recorrente idêntica natureza do abono variável pago aos Magistrados Federais e aos membros do Ministério Público da União, não havendo nisso nenhuma ofensa ao Princípio Constitucional da Isonomia (art. 150, II, da Constituição Federal), posto que inexiste lei federal conferindo identidade de tratamento tributário entre essas verbas. Deveras, segundo a legislação de regência, o interessado estava obrigado a informar na declaração de ajuste, independente da existência de retenção, todos os seus rendimentos, sendo que a tributação da renda das pessoas físicas é feita essencialmente em Fl. 319DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 13502.001353/200883 Acórdão n.º 280101.676 S2TE01 Fl. 313 10 bases anuais. A tributação mensal não exclui a anual. Em verdade, o valor do imposto devido que prevalece é o apurado na declaração de ajuste anual, que tem por base todos os rendimentos do anocalendário. Os valores pagos pelo contribuinte durante o ano, inclusive mediante retenção na fonte, são meras antecipações do imposto calculado na declaração (art. 8º e inciso II do art. 15 da Lei n° 8.383, de 1991, inciso III do art. 16 da Lei nº 8.981, de 1995). Havendo diferença entre o pago e o devido, esta diferença deve ser recolhida aos cofres da União, no prazo fixado em lei (inciso III do art. 15 e art. 17 da Lei nº 8.383, de 1991 e art. 17 da Lei nº 8.981, de 1995). Destarte, a própria sistemática do regime de fonte e de declaração de ajuste anual confere ao Fisco Federal o poder de exigir do contribuinte o imposto devido sobre rendimentos tributáveis, mesmo que não retido anteriormente pela fonte pagadora. Há, com isso, mero deslocamento temporal do gravame a ser suportado pelo contribuinte, que deixa de ser o momento da percepção dos rendimentos e passa a ser o do vencimento do imposto devido na declaração. A jurisprudência firmada neste Conselho Administrativo quanto à matéria, após prolongado estudo e debate, firmouse no sentido da legitimidade da exigência na figura do contribuinte pessoa física. Transcritas a seguir algumas ementas: IMPOSTO DE RENDA NA FONTE FALTA DE RETENÇÃO OBRIGATORIEDADE DE INCLUSÃO DOS RENDIMENTOS NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL A falta de retenção do imposto de renda pela fonte pagadora não exonera o beneficiário dos rendimentos da obrigação de incluílos, para tributação, na declaração de rendimentos, já que se a previsão da tributação na fonte se dá por antecipação do imposto devido na declaração de ajuste anual e se a ação fiscal ocorrer após o anocalendário da ocorrência do fato gerador, incabível a constituição de crédito tributário através do lançamento de imposto de renda na fonte na pessoa jurídica pagadora dos rendimentos. O lançamento, a título de imposto de renda, se for o caso, deverá ser efetuado em nome do contribuinte, beneficiário do rendimento, exceto no regime de exclusividade do imposto na fonte. (Ac 10418928) IMPOSTO DE RENDA NA FONTE A TÍTULO DE ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL — AÇÃO FISCAL INICIADA APÓS A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR E DATA DA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL — BENEFICIÁRIOS IDENTIFICADOS — EXCLUSÃO DA RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA PELO RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DEVIDO — Sendo o imposto de renda na fonte tributo devido mensalmente pelo beneficiário do rendimento, cujo "quantum" deverá ser informado na Declaração de Ajuste Anual para a determinação de diferenças a serem pagas ou restituídas, e se a ação fiscal desenvolveuse após a ocorrência do fato gerador e data da entrega da Declaração de Ajuste Anual, incabível a constituição de crédito tributário através do lançamento de imposto de renda na fonte na pessoa jurídica pagadora dos rendimentos. O lançamento, a título de imposto de renda pessoa física, se for o caso, há que ser efetuado em nome Fl. 320DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 13502.001353/200883 Acórdão n.º 280101.676 S2TE01 Fl. 314 11 do sujeito passivo direto da obrigação tributária, ou seja, o beneficiário e titular da disponibilidade jurídica e econômica do rendimento, exceto no regime de exclusividade do imposto na fonte. A falta de retenção do imposto de renda na fonte pela fonte pagadora não exonera o beneficiário dos rendimentos da obrigação de incluílos, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual. Esta inclusão deverá ser efetuada pelo sujeito passivo direto da obrigação tributária ou, "exofficio", pela Autoridade Fiscal. (Ac. 10245717 e 10245379). (grifos nossos) Acrescentese que esta matéria já se encontra pacificada no âmbito deste Conselho, por meio da Súmula nº 12, em vigor desde de 22/12/2009: Súmula CARF nº 12 Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. No mais, verificase que foram utilizadas as alíquotas corretas na apuração do imposto devido, consideradas as deduções pertinentes, como também foram excluídas da base de cálculo do tributo as parcelas reclamadas pelo recorrente como incidentes sobre abono de férias indenizadas e 13° salário, procedendo acertadamente a decisão recorrida. Na esteira das considerações precedentes, concluise que, no caso vertente, não há embasamento legal para se considerar os rendimentos em causa como isentos ou não tributáveis, uma vez que estão explicitamente definidos em lei como rendimentos tributáveis, devendo a autoridade administrativa basearse na legislação tributária vigente, em consonância com o princípio da estrita legalidade estabelecido na Constituição Federal. No tocante à multa de ofício, revejo o entendimento que havia manifestado em julgados anteriores relativamente a essa mesma matéria. Assim, curvome ao posicionamento adotado majoritariamente por este Egrégio Conselho no sentido de que é incabível a exigência de tal penalidade quando o contribuinte demonstra ter sido induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora quanto à não tributação dos rendimentos recebidos, incorrendo, deste modo, em erro escusável. Nesse mesmo sentido, cito os acórdãos 10616801 e 19600065, do então Primeiro Conselho de Contribuintes, e mais, o acórdão 104145.376, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a seguir transcritos: MULTA DE OFÍCIO. EXCLUSÃO. Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. (...) (Acórdão 10616801, de 06/03/2008, relator o Conselheiro Luiz Antonio de Paula) MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável Fl. 321DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 13502.001353/200883 Acórdão n.º 280101.676 S2TE01 Fl. 315 12 quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.(...) (Acórdão nº 19600065 de 02/12/2008, relatora a Conselheira Valéria pestana Marques) IRPF. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Tendo a fonte pagadora (Assembléia Legislativa do Estado de Roraima) prestado informação equivocada aos deputados estaduais com relação à natureza dos valores pagos a título de ajuda de custo, o erro cometido pelo contribuinte no preenchimento das declarações de ajuste anual é escusável. Assim, o lançamento que reclassificou ditos rendimentos de isentos e não tributáveis para tributáveis não comporta a exigência da penalidade de ofício. (Acórdão 106145.376, de 18/08/2009, relator o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage) Por fim, com relação aos juros de mora, estes constituem mera atualização do valor do tributo para assegurarlhe a manutenção do seu valor quando pago a destempo, não se trata de sanção e possui previsão legal de incidência. Destaquese a Súmula CARF n° 4, a seguir reproduzida: Súmula CARF n° 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Isto posto, VOTO por rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência tributária a multa de ofício de 75%. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Fl. 322DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL
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Numero do processo: 10830.001743/2006-81
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias
Exercício: 2005
IRPF MULTA
POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO.
ESPÓLIO. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO — A apresentação da
declaração de ajuste anual do imposto de renda feita pelo inventariante relativa a ano-calendário que o de cujus, em vida, deixou de cumprir, não está sujeita à multa por atraso de que trata o art. 88 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995.
Recurso provido
Numero da decisão: 2801-001.527
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- auto infração - multa por atraso na entrega da DIRPF
Nome do relator: WALTER REINALDO FALCÃO LIMA
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ESPÓLIO. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO — A apresentação da declaração de ajuste anual do imposto de renda feita pelo inventariante relativa a anocalendário que o de cujus, em vida, deixou de cumprir, não está sujeita à multa por atraso de que trata o art. 88 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Recurso provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende Presidente. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima Relator. EDITADO EM: 21/04/2011 Fl. 57DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA Assinado digitalmente em 21/04/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, 25/04/2011 por AMARYLLES REINAL DI E HENRIQUES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Amarylles Reinaldi e Henriques Resende (Presidente), Tânia Mara Paschoalin, Ewan Teles Aguiar, Walter Reinaldo Falcão Lima, Sandro Machado dos Reis. Relatório AUTUAÇÃO Contra a contribuinte acima identificada foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 08, relativa à multa por atraso na entrega da na entrega da Declaração de Ajuste Anual – DAA do IRPF do exercício 2005, anocalendário 2004 no valor de R$ 1.563,40. IMPUGNAÇÃO Cientificada do lançamento, a inventariante do espólio da contribuinte (documento de fls. 50), falecida em 03/03/05, conforme documento de fls. 52, apresentou a impugnação (fls. 01 a 03), acatada como tempestiva, em que alega, em síntese, segundo relatório do acórdão de primeira instância (fls. 37) o seguinte: a falta de entrega de declaração ocorreu pelo fato da falecida estar na época acometida por gravíssima doença degenerativa, o que a impossibilitou de cumprir as formalidades para com a RFB, sendo que ainda que devida à multa objeto desta notificação, a mesma deverá ser compensada com os valores a restituir a que o espólio tem direito, conforme cálculos contidos na impugnação, sob pena de onerar por demasiado os herdeiros. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A DRJSão PauloII julgou procedente o lançamento em virtude de a contribuinte ter auferido rendimentos tributáveis em valor superior ao limite de isenção para apresentar a respectiva declaração e que, no caso de falecimento do contribuinte, a obrigatoriedade de apresentar a citada declaração recai sobre o espólio. Destacou, ainda, que problemas de saúde não eximem a contribuinte de cumprir a referida obrigação e que a solicitação para abater saldo de imposto a restituir do valor da multa por atraso, por se tratar de procedimento de cobrança, não pode ser operacionalizada pela DRJ, mas que esse direito está assegurado pela alínea “a” do parágrafo único do artigo 27 da Lei n.º 9.532/97. A decisão foi fundamentada nos artigos 11, 12 e 787 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000/99, artigo 88, I, , da Lei nº 8.981/95, artigo 7°, da Lei nº 9.250/95, artigo 27 da Lei nº 9.532/97, e artigo 1º, inciso I, da Instrução Normativa – IN SRF nº 507 de 11/02/2005. RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificada da decisão de primeira instância em 13/05/08, fls. 36, a inventariante apresentou, em 03/06/08, o Recurso de fls. 38/39, juntamente com a documentação de fls. 40/52. Não contesta a obrigatoriedade da entrega da declaração, nem a responsabilidade dos herdeiros sobre a multa aplicada tampouco o atraso na entrega do documento, todavia alega que a contribuinte era isenta do imposto de renda por ser portadora de moléstia grave, nos termos dos incisos XIV e XXI (sic) da Lei nº 7.713/1988, com a redação Fl. 58DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA Assinado digitalmente em 21/04/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, 25/04/2011 por AMARYLLES REINAL DI E HENRIQUES Processo nº 10830.001743/200681 Acórdão n.º 2801001.527 S2TE01 Fl. 58 3 dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541/92, tendo apresentado o laudo médico de fls. 46. Por conseguinte, sustenta que, como o imposto devido é igual a zero, cabe aplicação somente da multa mínima de R$ 165,74, ou mesmo nenhum valor se considerada a tese de espontaneidade assegurada pelo art. 138 do CTN. Afirma, ainda, que foi apresentada declaração retificadora antes do início do procedimento de ofício e que a multa foi aplicada com base na declaração original que, de acordo com o disposto no § 1º do art. 7º, da IN nº 820/2008, deve ser substituída integralmente pela declaração retificadora. Acrescenta que esta foi objeto de análise e processamento pela Receita Federal, resultando em imposto a restituir, não havendo razão para que não seja acatada, para fins de manutenção da exigência da multa em discussão. Diante do exposto requer o cancelamento da multa aplicada ou a aplicação de seu valor mínimo. É o Relatório. Voto Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima O recurso é tempestivo e atende as demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Cumpre informar, inicialmente, que a DAA que motivou o lançamento da multa por atraso, foi apresentada em 03/02/06 (fls. 17) pela inventariante, haja vista o falecimento da contribuinte ter ocorrido em 03/03/05, conforme documento de fls. 52. O art. 131, I, do Código Tributário Nacional, determina que o espólio é pessoalmente responsável pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da abertura da sucessão. O art. 23 da Instrução Normativa – IN SRF nº 81, de 11/10/01, trata da responsabilidade dos sucessores e do inventariante. Vejamos o seu teor: Instrução Normativa – IN SRF nº 81, de 11/10/01 Art. 23. São pessoalmente responsáveis: I o espólio, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da abertura da sucessão; II o sucessor a qualquer título e o cônjuge meeiro, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da partilha ou adjudicação, limitada essa responsabilidade ao montante do quinhão, do legado, da herança ou da meação; III o inventariante, pelo cumprimento das obrigações tributárias do espólio resultantes dos atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei. Fl. 59DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA Assinado digitalmente em 21/04/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, 25/04/2011 por AMARYLLES REINAL DI E HENRIQUES 4 § 1º Na impossibilidade de se exigir, do espólio, o pagamento do imposto, o inventariante responde solidariamente com ele quanto aos atos em que intervier ou pelas omissões de que for responsável, não se sujeitando à multa de ofício. § 2º A falta de apresentação das declarações de espólio, se obrigatórias, bem como sua apresentação fora dos prazos fixados, sujeita o espólio à multa prevista no art. 88 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações posteriores, observado o máximo de vinte por cento do imposto devido pelo espólio e o mínimo de R$ 165,74 (cento e sessenta e cinco reais e setenta e quatro centavos). § 3º Quando se apurar, pela abertura da sucessão, que o de cujus não apresentou as declarações de rendimentos de anos calendário anteriores, a cuja entrega estivesse obrigado, ou o fez com omissão de rendimentos até a abertura da sucessão, deve ser cobrado do espólio o imposto respectivo, acrescido de juros moratórios e a multa prevista no art. 49 do Decretolei n° 5.844, de 23 de setembro de 1943, de dez por cento calculada sobre o imposto devido. Pela leitura dos dispositivos legais acima citados verificase que o espólio, o sucessor a qualquer título e o cônjuge meeiro são responsáveis pelos tributos devidos pelo de cujus, seja até a data da abertura da sucessão ou até a data da partilha ou adjudicação. Não há qualquer menção de que a responsabilidade inclua penalidades, tal qual a multa por atraso na entrega da declaração de ajuste anual. Vale lembrar que, de acordo com o art. 5°, inciso XLV, da Constituição Federal, nenhuma pena passará da pessoa do infrator. O § 3º do art. 23 supracitado trata de casos de falta de apresentação de declarações de espólio e de declarações de rendimentos de anoscalendário anteriores, a cuja entrega o de cujus estivesse obrigado. Esta última hipótese amoldase ao caso em discussão, posto que a contribuinte faleceu em 03/03/05, deixando de apresentar a declaração de ajuste anual do anocalendário 2004, que foi entregue com atraso pela inventariante em 03/02/06 (fls. 17). Cabe ressaltar que essa declaração não pode ser caracterizada como declaração de espólio, tendo em vista o disposto no § 1º do art. 3º da citada IN, in verbis: Instrução Normativa – IN SRF nº 81, de 11/10/01 Art. 3° Consideramse declarações de espólio aquelas relativas aos anoscalendário a partir do falecimento do contribuinte. § 1º Ocorrendo o falecimento a partir de 1º de janeiro, mas antes da entrega da declaração correspondente ao anocalendário anterior, esta não se caracteriza como declaração de espólio, devendo ser apresentada como se o contribuinte estivesse vivo e assinada pelo inventariante, cônjuge ou convivente, sucessor a qualquer título ou por representante do de cujus. (...) Assim, conforme disposto no § 3º do art. 23 da IN SRF nº 81/01, no presente caso não cabe aplicação de multa por atraso na entrega da declaração de ajuste anual do ano calendário 2003, por falta de previsão legal, devendo ser cobrado do espólio, relativo ao ano calendário mencionado, tão somente o imposto respectivo, acrescido de juros moratórios e a multa prevista no art. 49 do Decretolei n° 5.844, de 23 de setembro de 1943, de dez por cento calculada sobre o imposto devido. Por conseguinte o disposto no art. 88 da Lei n° 8.981/95 não Fl. 60DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA Assinado digitalmente em 21/04/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, 25/04/2011 por AMARYLLES REINAL DI E HENRIQUES Processo nº 10830.001743/200681 Acórdão n.º 2801001.527 S2TE01 Fl. 59 5 se aplica aos casos em a declaração de ajuste anual não entregue pelo falecido foi apresentada com atraso pelo espólio. O entendimento acima exposto foi consagrado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, como pode ser constatado pela ementa do Acórdão CSRF/0400.414, reproduzida a seguir: IRPF MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. ESPÓLIO. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO — A apresentação da declaração de ajuste anual do imposto de renda feita pelo inventariante relativa a ano calendário que o de cujos, em vida, deixou de cumprir, não incide multa por atraso de que trata o art. 88 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Recurso especial negado. Embora tais fundamentos não tenham sido objeto de questionamento no recurso voluntário, não posso deixar de aplicálos ao presente caso, sob pena de ratificar lançamento efetuado em descompasso com a legislação pertinente, o que constituiria um desvirtuamento da função precípua desta autoridade, que é realizar a justiça. Diante do exposto acima voto por DAR PROVIMENTO ao recurso para exonerar o crédito tributário apurado. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima – Relator Fl. 61DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA Assinado digitalmente em 21/04/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, 25/04/2011 por AMARYLLES REINAL DI E HENRIQUES
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Numero do processo: 10640.003177/2007-61
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS.
São dedutíveis, do rendimento recebido em ação trabalhista, os honorários profissionais pagos a advogado, não sendo cabível que a dedução se dê apenas pelo valor proporcional aos rendimentos tributáveis auferidos.
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS.
Mantém-se a glosa de despesas médicas quando o contribuinte não comprova a efetividade dos serviços e nem dos pagamentos alegados.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2801-001.463
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a omissão de rendimentos tributáveis, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Amarylles Reinaldi e Henriques Resende e Antônio de
Pádua Athayde Magalhães, que negavam provimento ao recurso. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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São dedutíveis, do rendimento recebido em ação trabalhista, os honorários profissionais pagos a advogado, não sendo cabível que a dedução se dê apenas pelo valor proporcional aos rendimentos tributáveis auferidos. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. Mantémse a glosa de despesas médicas quando o contribuinte não comprova a efetividade dos serviços e nem dos pagamentos alegados. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a omissão de rendimentos tributáveis, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Amarylles Reinaldi e Henriques Resende e Antônio de Pádua Athayde Magalhães, que negavam provimento ao recurso. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Fl. 279DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/03/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 20/03/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, 25/03/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAY DE MAGAL 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Sandro Machado dos Reis, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Julio Cezar da Fonseca Furtado, Tânia Mara Paschoalin e Carlos César Quadros Pierre. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 4ª Turma de Julgamento da DRJ em Juiz de Fora, MG. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “Para a contribuinte retroqualificada foi emitida em 20/08/2007 a Notificação de Lançamento — IRPF de fls. 2/4, que lhe deu o direito à restituição do imposto no valor R$46.182,51. O lançamento decorreu do procedimento de revisão da DIRPF/2005, a fls. 27/30, apresentada à RF pela notificada, cujo resultado era de imposto a restituir no valor de R$61.562,52. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fl. 3, nesse procedimento a autoridade fiscal verificou terem ocorridos: 1) omissão de rendimentos, no valor de R$21.765,34, percebidos de processo judicial trabalhista, em razão de ter sido considerado para a exclusão dos honorários advocatícios apenas 81,12% do total pago a esse título, proporção referente aos rendimentos tributáveis percebidos; 2) dedução indevida de despesas médicas: "os recibos apresentados em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal.. ”não foram considerados suficientes para comprovação da efetividade da realização dos pagamentos neles mencionados. Tal comprovação poderia ter sido efetuada através de apresentação de cópias de cheques, comprovantes de depósitos na conta do prestador dos serviços, comprovantes de transferências de fundos, comprovantes de ordens de pagamentos. No caso de pagamentos efetuados em dinheiro, conforme informado pela contribuinte em atendimento ao Termo de Intimação..., e considerandose a expressividade das quantias declaradas corno pagas, a comprovação poderia ter sido efetuada com a apresentação de extratos bancários que apresentassem saques em datas e valores compatíveis com os pagamentos em questão. Vale ressaltar que a grande totalidade dos rendimentos declarados pela contribuinte (99%) foram recebidos no mês de novembro/2007 e nas datas constantes nos recibos apresentados a contribuinte não dispunha de recursos declarados para efetivação de tais pagamentos..."; tal fato provocou a alteração do valor informado para essa dedução, de R$34.162,00 para R$0,00. Cientificada da Notificação em 31/08/2007, conforme AR — Aviso de Recebimento de fl. 26, a interessada apresentou, em 18/09/2007, a peça impugnatória de 11. 1, instruída com os elementos de fls. 5/25. Nessa oportunidade, contesta o feito fiscal, fazendo anexar os documentos que comprovam os honorários advocatícios pagos entendendo que não existiu a omissão de rendimentos lançada. Com relação às despesas médicas afirma que tinha disponibilidade financeira declarada na DIRPF/2005 revisada, dinheiro em espécie em 31/12/2003, compatível para as realizações das despesas médicas glosadas; anexa um fluxo de caixa para demonstrar sua disponibilidade e os extratos de fls. 13/17. Fl. 280DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/03/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 20/03/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, 25/03/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAY DE MAGAL Processo nº 10640.003177/200761 Acórdão n.º 280101.463 S2TE01 Fl. 261 3 Conforme Acórdão de fls. 160/167, o lançamento foi julgado procedente em parte sob os fundamentos consubstanciados nas seguintes ementas: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AÇÃO TRABALHISTA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. Nas situações de recebimento de valores provenientes de ação trabalhista, relativos a rendimentos tributáveis, tributáveis exclusivamente na fonte e isentos, para fins de apuração da base de cálculo do IRPF, somente admitese a exclusão das despesas judiciais em quantia proporcional aos rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual; nesses casos, procedendose à exclusão do valor integral dessas despesas fica caracterizada omissão dc rendimentos. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Restabelecese uma parte da dedução pleiteada a título de despesas médicas quando, na fase impugnatória, o efetivo pagamento ficar comprovado por meio de documentação que atenda as exigências fiscais; mantendose, no entanto, a parcela restante, para cujos recibos não ficou evidenciada a efetividade dos pagamentos correspondentes. Regularmente cientificada daquele Acórdão em 08/09/2008 (fl. 167), a interessada interpôs recurso voluntário de fls. 168/172, em 30/09/2008, no qual repete os argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. A recorrente defende a inexistência de omissão de rendimentos no valor de R$ 21.765,34, uma vez que tal valor referese a parcela dos honorário advocatícios, conforme comprovam os documentos acostados aos autos. A decisão recorrida considerou acertado o procedimento fiscal que deduziu da base de cálculo da exação apenas a parte dos honorários advocatícios proporcional aos rendimentos tributáveis auferidos. O artigo 12 da Lei n° 7.713, de 1888, determina que: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Fl. 281DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/03/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 20/03/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, 25/03/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAY DE MAGAL 4 Observase que o mandamento da norma legal autoriza a exclusão dos honorários advocatícios em sua totalidade, sem que seja levada em conta a natureza tributável ou não dos rendimentos recebidos. A atividade do advogado foi exercida para a obtenção de todas as verbas determinadas por meio do provimento jurisdicional, não cabendo a segregação do valor tomandose por base a característica dos rendimentos auferidos. Dessa forma, necessário apenas que reste comprovado ter o sujeito passivo arcado com o ônus do pagamento dos honorários advocatícios, para que seja admitida a diminuição do valor integral pago a tal título da base de cálculo da imposição tributária. Na espécie, a interessado comprova o pagamento dos honorários advocatícios, no montante de R$ 115.282,51, mediante a apresentação dos recibos de fls. 08/10. A autoridade lançadora admitiu somente a exclusão de R$ 93.517,17, com efeito, nessa instância de julgamento deve ser excluída a diferença de R$ 21.765,34, referente àqueles honorários, o que perfaz o total desembolsado pelo recorrente. Relativamente à glosa de despesas médicas, importa salientar que a autuação está fundamentada na falta de comprovação da efetividade da realização dos pagamentos consignados nos recibos apresentados. Conforme bem destacou a decisão de primeira instância, para ter direito à dedução de despesas médicas, além de possuir disponibilidade financeira, é indispensável que o contribuinte observe todos os requisitos legais, sob pena de ter os valores pleiteados glosados. Nesse sentido, é equivocado entenderse que basta para comprovação de despesas médicas a apresentação de recibo, declaração ou notas fiscais contendo o nome, endereço e número do CPF ou CNPJ de quem prestou o serviço. Esta não é a correta interpretação do dispositivo legal. A indicação referese aos dados que devem constar na declaração de ajuste, relacionados dentre os pagamentos efetuados, que devem estar baseados em documentação idônea. A tônica do dispositivo é a especificação e comprovação não só dos serviços prestados como dos pagamentos, tanto que se admite o cheque nominativo como documento comprobatório, por ser prova cabal de transferência de numerários entre pessoas. Entretanto, mesmo essa forma de prova pode estar sujeita à justificação da efetiva prestação do serviço, quando dúvidas razoáveis acudirem ao fisco, pois a prestação do serviço ao contribuinte ou a seus dependentes, aliada ao pagamento, é o substrato material a dar guarida à dedução, consoante o inciso II do mesmo art. 8º da Lei 9.250, de 1995, que estabelece: “Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames Fl. 282DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/03/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 20/03/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, 25/03/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAY DE MAGAL Processo nº 10640.003177/200761 Acórdão n.º 280101.463 S2TE01 Fl. 262 5 laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III – limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” (Grifouse) Não bastasse isso, o art. 73 e § 1º do RIR/1999, aprovado pelo Decreto n.º 3.000, de 26 de março de 1999, com a correspondente matriz legal indicada, estabelece: “Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º).” Depreendese dos dispositivos transcritos que o direito à dedução a título de “despesas médicas” na declaração de rendimentos está sempre vinculado à comprovação prevista em lei e restringese aos pagamentos efetuados pelos contribuintes, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. É regra geral no direito que o ônus da prova cabe a quem alega. Entretanto, a lei também pode determinar a quem caiba a incumbência de provar determinado fato. É o que ocorre no caso das deduções. O art. 11, § 3º do DecretoLei nº 5.844, de 1943, estabeleceu expressamente que os contribuintes podem ser instados a comproválas ou justificálas, deslocando o ônus probatório. A inversão legal do ônus da prova, do fisco para os contribuintes, transfere para esses a obrigação de comprovação e justificação das deduções; não o fazendo, sofrem as conseqüências legais, ou seja, o não cabimento das deduções, por falta de comprovação e justificação. Também importa dizer que o ônus de provar significa trazer elementos que não deixem qualquer dúvida quanto ao fato questionado. Nesse contexto, verificando que as deduções são elevadas, cabe ao fisco, por imposição legal, tomar as cautelas necessárias a preservar o interesse público implícito na defesa da correta apuração do tributo, que se infere da interpretação do art. 11, § 4º, do DecretoLei nº 5.844, de 1943. Fl. 283DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/03/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 20/03/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, 25/03/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAY DE MAGAL 6 No caso, a recorrente não apresentou elemento de prova adicional e, pelo que consta dos autos, inexistem documentos hábeis a comprovar a efetividade dos serviços ou dos pagamentos das despesas médicas em litígio. Ressaltese que, na análise de prova, à instância julgadora é assegurada a liberdade de convicção, a teor do art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972: “Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias.” Portanto, no caso, além da apresentação dos recibos competentes (que devem preencher os requisitos da lei), caberia à contribuinte demonstrar, ainda que minimamente, que os serviços foram efetivamente prestados e que os valores foram realmente pagos. Sem que tais provas sejam feitas, considerase correta a glosa das despesas médicas. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para cancelar o valor lançado a título de omissão de rendimentos. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 284DF CARF MF Emitido em 03/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/03/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN Assinado digitalmente em 20/03/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, 25/03/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAY DE MAGAL
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Numero do processo: 10850.000364/2003-93
Data da sessão: Wed May 27 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed May 27 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício . 1998
DECADÊNCIA - CONTAGEM DO PRAZO - DOLO. FRAUDE OU SIMULAÇÃO - A
contagem do prazo decadencial, em caso de dolo, fraude ou simulação, se faz nos moldes previstos no art. 173, I, do CTN, iniciando-se no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
Preliminar rejeitada.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3804-000.056
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado por maioria de votos, REJEITAR a
argüição de decadência. Vencido o Conselheiro Júlio Cezar da Fonseca Furtado (Relator).
Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Amarylles Reinaldi E Henriques Resende. No mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: JULIO CEZAR DA FONSECA FURTADO
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FRAUDE OU SIMULAÇÃO - A contagem do prazo decadencial, em caso de dolo, fraude ou simulação, se faz nos moldes previstos no art. 173, I, do CTN, iniciando-se no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado Preliminar rejeitada. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiada por maioria de votos, REJEITAR a argüição de decadência Vencido o Conselheiro fatio Cezar da Fonseca Furtado (Relator). Desigiada para redigir o voto vencedor a Conselheira Amarylles Reinaldi E Henriques Resende. No mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. NE ONi A -1(E. Presidente 131 AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES RESENDE - Redatora- desigiada EDITADO EM . 1 MAR 2010 Participaram do presente julgamento, os Censelheiros: Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Marcelo Magalhães Peixoto, Júlio Cezar da Fonseca Furtado e Nelson Mallmann (Presidente). Relatório Por uma questão de economia processual será reproduzido em integra o Relatório de fls. 120/122 dos autos, cujo teor este Relatar o ratifica in totum, verbis "Contra o contribuinte, devidamente identificado nos autos, foi lavrado Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física — IRPF, fls. 03(06, para cobrança do Imposto de Renda, no valor de R$ 9.073,67, acrescido de Multa de Ofício, no percentual de 75% e no percentual de 150%, e Juros de Mora. O crédito tributário totalizou, em 31/01/2003,0 valor de R$ 25.522,88. De acordo com o Termo de Constatação Fiscal, fis. 07/09, o crédito tributário é relativo à Declaração de Ajuste Anual do exercício financeiro de 1998, ano-calendário 1997, e decorreu de Ação Fiscal contra o contribuinte, que foi feita através de Mandado de Procedimento Fiscal e Termo de Início de Fiscalização. Na Ação Fiscal, foi apurada infração de dedução indevida de despesas médicas. Regularmente intimado a comprovar as despesas médicas informadas na Declaração de Ajuste Anual, no valor total de R$ 39.280,00, o contribuinte não logrou comprovar a utilização dos serviços médicos nem a efetivação dos correspondentes pagamentos, apesar de possuir os recibos fornecidos pelos beneficiários dos pagamentos e de tê-los fornecidos à fiscalização. Ao mesmo tempo, os beneficiários dos pagamentos foram objeto de Ação Fiscal tendo sido intimados a prestar esclarecimentos acerca dos serviços médicos prestados. Os beneficiários apresentaram respostas às intimações, apresentando declaração na qual asseveram a prestação de serviços, e documentos relacionados à profissão (diploma da faculdade e carteira profissional). As despesas médicas declaradas foram todas glosadas, pelos seguintes motivos: a)pagamentos feitos a Jéferson Alciati Thome (CPF 022.263.478-28), no valor total de R$ 10.000,00, por tratamento de fisioterapia, recibos anexados às fls. 65/68. Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz (processo n° 10850.001930/2002-01). Aplicação de Multa de Oficio Qualificada de 150%; b)pagamentos feitos a Solange_Aparecida_cle_Paula Caíres (CPF—n° 01-7.610.068 478), no valor total de R$ 11.000,00, por tratamento de odontologia, recibos anexados às fls. 46/57. Falta de comprovação da utilização dos serviços de odontologia e da efetividade dos pagamentos. Aplicação de Multa de Oficio de 75%; c)pagamentos feitos a Cândido Garcia Soler (CPF n° 073.479.578-50), no valor total de R$ 4.000,00, por tratamento de odontologia, recibos anexados às fls. 30/38. Falta de comprovação da utilização dos serviços de odontologia e da efetividade dos pagamentos. Aplicação de Multa de Oficio de 75%; d)pagamentos feitos a Vanessa Ovídio (CPF 255.174.388-57), no valor total de R$ 3.500,00, por tratamento de odontologia, recibos anexados às fis. 58/64. Falta de comprovação da utilização dos serviços de odontologia e da efetividade dos pagamentos. Aplicação de Multa de Oficio de 75%; (32 • 2 Processo n° 10850 000364/2003-93 S3-TE04 Acórdão n.° 3804-00.056 • F/. 2 e)pagamentos feitos a Silvia Regina Ovídio Pinhel Gambera (CPF n° 070.350.698-60), no valor total de R$ 6.00000, por tratamento de odontologia, recibos anexados às fls. 40/45. Falta de comprovação da utilização dos serviços de odontologia c da efetividade dos pagamentos. Aplicação de Multa de Oficio de 75%. Além das despesas medicas acima discriminadas, a fiscalização glosou a despesa médica declarada ene nome da empresa SAN-SAÚDE ASSISTÊNCIA MÉDICA HOSPITALAR (CNRI n°56.357.379/0001-46), declarada no valor total de R$ 4.780,00, por falta de apresentação dos recibos, da comprovação da utilização dos serviços e da efetividade dos pagamentos. Em decorrência dessas infrações, dedução indevida de despesas médicas, apurou-se Imposto de Renda Pessoa Fisica, no valor total de R$ 9.073,67, lançando-se Multa de Oficio no percentual de 150%, relativamente à glosa da despesa relacionada aos pagamentos — - —feitos ao profissional Jéferson Alciati Thome, no_valor total de R$ 10.000,00, e de 75%, relativamente aos demais pagamentos, conforme demonstrativo abaixo: Infrações IRPF Percentual da Multa Valor da Multa 10.000,00 1.753,67 150% 2.630,50 29.280,00 7.320,00 75% 5.490,00 Os dispositivos legais infringidos e a penalidade aplicável encontram se discriminados na Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais, no Demonstrativo da Apuração e no Demonstrativo de Multa e Juros de Mora, anexos ao Auto de Infração, às fls. 04/06. Inconformado com o Auto de Infração, do qual tomou ciência, em 12/02/2003, conforme Auto de Infração, fls. 03, o contribuinte apresentou, em 12/03/2003, impugnação, documento anexo às fls. 97/99, insurgindo-se contra o feito, conforme o resumo a seguir exposto: relativamente à glosa da despesa relacionada aos pagamentos feitos ao profissional Jéferson Alciati Thome, no valor total de R$ 10.000,00 1)tendo car vista a Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz relativa aos recibos emitidos pelo profissional Jeferson Alciate Thomé, reconheceu a infração e recolheu o correspondente Imposto de Renda, acrescido de Multa de Oficio e Juros de Mora, conforme Documento de Arrecadação Federal - DARF, fls. 102; 2)quanto ao pagamento feito à empresa SAN-SAÚDE ASSISTÊNCIA MEDICA HOSPITALAR (CNP' n° 56.357.379/0001-46), informou que a empresa havia encerrado as atividades e que a Secretaria da Receita Federal buscasse informações nas declarações de rendimentos fornecidas pela empresa; 3)quanto aos pagamentos feitos aos profissionais, Solange Aparecida de Paula Caíres, Cândido Garcia Solei, Vanessa Ovídio e Silvia Regina Ovídio Pinhel Gambera, informou que a documentação acostada aos autos (declaração de prestação de serviços, endereço do local , de trabalho, diploma da faculdade) comprova a utilização dos serviços médicos e a efetividade dos pagamentos, conforme os recibos, uma vez que os profissionais apresentaram Declarações de Ajuste Anual; 3 4)os recibos não foram objeto de suspeição de inidoneidade; 5)os recibos apresentados estão de conformidade com as exigências da legislação do Imposto de Renda; 6)a legislação não impõe a comprovação da utilização dos serviços e da efetividade dos pagamentos, quando os recibos não demonstram indícios de falsidade material ou ideológica; 7)caberia a autoridade fiscal averiguar a idoneidade dos recibos através de investigações contra os emitentes, ou seja, os prestadores de serviços; 8)acaso a fiscalização tivesse realizado a investigação, ela teria constatado a realização dos serviços médicos de odontologia pelos respectivos profissionais; Finalizando a impugnação, o contribuinte requereu a improcedência do Auto de Infração." A Delegacia da Receita Federal de Julgamento — Fortaleza/CE julgou procedente o julgamento, através do Acórdão a° 08-9.980 da sua l a turma, cuja Ementa sintetiza as suas conclusões: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1997 DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO EFETIVIDADE DOS PAGAMENTOS. A comprovação da efetiva utilização dos sei-Viços médicos e dos pagamentos correspondentes se faz necessária para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda devido na Declaração de Ajuste Anual. Lançamento Procedente" Cientificado dessa decisão, em 09/02/2007, o contribuinte intelpOs, em 09/03/2007, o Recurso Voluntário de fls. 1321135: É o relatório 4 Processo IP 10850.000364/2003-93 S3-TE04 Acórdão ri.° 3804-00.056 121. 3 Voto Vencido Conselheiro JÚLIO CEZAR DA FONSECA FURTADO, Relatos O recurso é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra Acórdão n° 08.9.980, proferido pela l a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Fortaleza/CE, que julgou procedente- o lançamento de oficio formalizado no Auto de Infração - — de fls. 03/06, cujo crédito tributário é relativo à Declaração de Ajuste Anual do exercício financeiro de 1998, ano-calendário de 1997. O lançamento é decorrente de glosas de todas as despesas médicas, conforme consta do relatório, a saber: a)pagamentos feitos a Jeferson Aleiati Thome (CPF 0 022263.478-28); no valor total de RS 10.000,00, por tratamento de fisioterapia, recibos anexados às fls. 65/68. Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz (processo M 10850.001930/2002-01). Aplicação de Multa de Oficio Qualificada de 150%; b)pagamentos feitos a Solange Aparecida de Paula Caíres (CPF ré' 017.610.068-78), no valor total de R$ 11.000,00, por tratamento de odontologia, recibos anexados às fls. 46/57. Falta de comprovação da utilização dos serviços de odontologia e da efetividade dos pagamentos. Aplicação de Multa de Oficio de 75%; Qpagamentos feitos a Cândido Garcia Soles (CPF n° 073.479.578-50), no valor total de R$ 4.00000, por tratamento de odontologia, recibos anexados às fls. 30/38. Falta de comprovação da utilização dos serviços de odontologia e da efetividade dos pagamentos. Aplicação de Multa de Oficio de 75%; d)pagamentos feitos a Vanessa Ovídio (CPF n° 255.174.388-57), no valor total de RS 3.50000, por tratamento de odontologia, recibos anexados às fis. 58/64. Falta de comprovação da utilização dos serviços de odontologia e da efetividade dos pagamentos. AplicaçãO de Multa de Oficio de 75%; Com relação à glosa da despesa da letra "a", referente aos pagamentos feitos ao profissional Jéferson Alciati Thome, no valor total de 128 10.000,00, cujo recibo foi considerado ineficaz, inclusive objeto da multa de 150%, o Recorrente reconheceu o lançamento, e satisfez a exigência, conforme DARF de fi. 102. Portanto, a matéria objeto deste recurso se relaciona com as demais glosas acima descrita, sendo certo que o Recorrente ; praticamente, repete as razões já aduzidas cm sede de impugnação. Inicialmente deve ser analisada a questão da decadência do direito de lançar o imposto de renda de pessoa fisica, em virtude do lapso temporal transcorrido entre o fato gerador e a lavratura do Auto de Infração. Embora não tenha sido argüida na impugnação e no recurso, porém, considerando que o procedimento administrativo se prima pela legalidade e pela verdade material, em razão do princípio da moralidade administrativa, e em sendo a decadência matéria de ordem pública e hipótese de extinção da obrigação tributária principal, seu reconhecimento no processo deve ser feito de oficio, posto que não há preclusão. Dessa forma, tem-se que o lançamento é relativo ao ano-calendário de 1997, c foi lavrado em 04/0212003, do qual o Recorrente teve ciência, em 12/02/2003. O Código Tributário Nacional, ao se referir ao imposto sobre a renda, estabelece no seu art. 43, in verbis: "Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I - de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; 11 — de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior." Por sua vez, o art. 150 do citado diploma legal;estabelece: "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1° O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2' Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3° Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo ponentura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4' Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." Da análise da legislação de regência, conclui-se que o fato gerador do imposto de renda pessoa fisiea é a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza. Considerando que a legislação do imposto de renda dete mina expressamente que o contribuinte deve antecipar o pagamento sem o exame da autoridade administrativa, ou n si) Processo n°10850.000364/2003-93 S3-TE04 Acórdão n3 3804-00.056 H. 4 seja, que cabe ao próprio beneficiário o recolhimento do imposto, conclui-se tratar de imposto cujo lançamento se dá por homologação. Dessa forma, uma vez identificada a forma de tributação dos rendimentos auferidos por pessoa fisica c também sua modalidade de lançamento, por homologação, entendo que, de fato, ocorreu a perda do direito do Fisco em constituir o crédito tributário pelo lançamento. Senão, vejamos. Como já . mencionado acima, o imposto de renda incidente sobre os rendimentos auferidos por pessoa fisica é um tributo que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar seu pagamento sem exame da autoridade administrativa, classificando-se, portanto, como lançamento por homologação, nos termos do disposto no já citado art. 150, do Código Tributário Nacional. Nesse sentido, o mesmo artigo 150, em seu § 4° estabelece que se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, e- — caso transcorrido esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e extinto definitivamente o credito, ou seja, estará precluso o direito da Fazenda de promover o lançamento de oficio. Portanto, o Código Tributário Nacional estabelece que a decadência do direito de lançar se dá com o transcurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador, que no caso em pauta não poderá ser outro senão o último dia do ano-calendário tomado como base para a tributação, ou seja, 31/12/1997. No presente caso, verifica-se que o Auto de Infração de fls. 03/17 foi lavrado em 04/02/2003, que o fato gerador objeto da autuação ocorreu em 31112/1997 e que o Recorrente tornou ciência do lançamento apenas em 12/02/2003. Assim sendo, do confronto da data do fato gerador e do lançamento, verifica- se a ocorrência da decadência, uma vez que o prazo para que o Fisco promovesse o lançamento tributário relativo ao fato gerador ocorrido em 31/12/1997 começou a fluir em 01/01/1998, expirando-se em 31/12/2002, ficando evidente que em 12/0212003 a Fazenda Pública não poderia mais constituir o crédito tributário, restando decadente o direito de a Fazenda constituir crédito tributário relativamente ao exercício de 1998. Ante o exposto, oriento o meu voto no sentido de DAR integral provimento ao recurso. • JULIO CEZAR F ATADO DA FONSECA Voto Vencedor Conselheira AMARYLLES RE1NALDI E HENRIQUES RESENDE, Redatora-Designada • Com a devida vênia do nobre relator da matéria, Conselheiro Júlio Cezar da Fonseca Furtado, permito-me divergir quanto à preliminar de decadência. Cumpre observar que, no caso, para o ano-calendário 1997, houve a fonnalização de exigências com acréscimo de multa de oficio e com multa de oficio qualificada, da qual o interessado foi cientificado em 12/02/2003, confaime Auto de Infração, fls. 03. E mais, a exigência com multa de oficio qualificada foi aceita pelo interessado e não mais está em discussão nos autos. Ora, para os exercícios em que foi lançada multa de oficio qualificada (150%), pela constatação de evidente intuito de fraude, não se conta o prazo decadencial nos moldes do art. 150, § 40, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional — CTN, a seguir transcrito: "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre ,quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (..)§ 4° Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fido gerador; espirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." caso,—a—contagem do prazo decadencial observa a rega geral estabelecida no art. 173, I, do CTN, ou seja, inicia-se no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado: "Art. 173 - O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: 1 - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;" 8 Processo n°10250.000364/2003-93 53-1/E04 Acórdão n°3804-00056 Fl. 5 Portanto, nas circunstâncias dos autos, o crédito tributário relativo ao ano- calendário 1997 poderia ser formalizado até 31/12/2003. Como a ciência do lançamento ocorreu em 12/02/2003 (fls. 03), incabível a preliminar de decadência. Diante do exposto, voto por REJEITAR a preliminar. — AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES RESENDE 9
score : 1.0
Numero do processo: 10882.002333/2006-42
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. ORIGEM DE RECURSOS. EMPRÉSTIMOS. LUCROS
DISTRIBUÍDOS
Os empréstimos e lucros distribuídos passíveis de serem computados como origem de recursos são apenas aqueles comprovados por meio de elemento hábil de prova da efetividade da operação alegada.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. APLICAÇÕES DE RECURSOS. GASTOS COM
CONSTRUÇÃO.
Estando os gastos com construções computados nas aplicações de recursos respaldados por elementos hábeis de prova, mera alegação de que os dispêndios teriam sido inferiores é inábil para permitir a revisão do valor lançado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-001.409
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza
Nome do relator: AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES RESENDE
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. ORIGEM DE RECURSOS. EMPRÉSTIMOS. LUCROS DISTRIBUÍDOS Os empréstimos e lucros distribuídos passíveis de serem computados como origem de recursos são apenas aqueles comprovados por meio de elemento hábil de prova da efetividade da operação alegada. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. APLICAÇÕES DE RECURSOS. GASTOS COM CONSTRUÇÃO. Estando os gastos com construções computados nas aplicações de recursos respaldados por elementos hábeis de prova, mera alegação de que os dispêndios teriam sido inferiores é inábil para permitir a revisão do valor lançado. Recurso Voluntário Negado.
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ORIGEM DE RECURSOS. EMPRÉSTIMOS. LUCROS DISTRIBUÍDOS Os empréstimos e lucros distribuídos passíveis de serem computados como origem de recursos são apenas aqueles comprovados por meio de elemento hábil de prova da efetividade da operação alegada. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. APLICAÇÕES DE RECURSOS. GASTOS COM CONSTRUÇÃO. Estando os gastos com construções computados nas aplicações de recursos respaldados por elementos hábeis de prova, mera alegação de que os dispêndios teriam sido inferiores é inábil para permitir a revisão do valor lançado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Fl. 208DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Assinado digitalmente em 25/03/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, 29/03/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL 2 Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Sandro Machado dos Reis, Tânia Mara Paschoalin, Julio Cezar da Fonseca Furtado e Carlos César Quadros Pierre. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 82 e 83, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2003, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$42.961,28, acrescido de multa de ofício e juros de mora. A autuação foi assim resumida no relatório do acórdão de primeira instância (fls. 108): Acréscimo Patrimonial a Descoberto. Omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, nos anos calendário 2002, em que se verificou excesso de aplicações sobre origens não respaldado por rendimentos declarados ou comprovados, conforme demonstrativos constantes do Termo de Verificação Fiscal de fls. 77/81. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 89 a 93), acatada como tempestiva. Alegou, consoante relatório do acórdão de primeira instância (fls. 108 e 109): 1 o lançamento fiscal não pode prosperar, porquanto se acha embasado em mera presunção sem o necessário respaldo da legislação tributária vigente; 2 é importante reconhecer que o procedimento está escorado única e exclusivamente nas saídas de numerário da conta bancária do Itaú e os ingressos são apenas os rendimentos declarados em DIRPF; 3 nos trabalhos desenvolvidos pelo Auditor Fiscal não foram investigadas as origens dos depósitos efetuados na conta bancária do fiscalizado; 4 o contribuinte não tem outra atividade além da declarada. Os recursos creditados em sua conta foram recebidos em forma de empréstimo; Fl. 209DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Assinado digitalmente em 25/03/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, 29/03/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10882.002333/200642 Acórdão n.º 280101.409 S2TE01 Fl. 206 3 5 para fazer face aos seus gastos, o impugnante lançou mão de empréstimos junto a pessoas ligadas por amizade e parentesco; 6 a título de exemplo, citamse os créditos do dia 21/03/2002, nos valores de R$ 500,00 e R$ 36.500 que foram recebidos de sua mãe, Maria Tereza Monteiro Geras e o valor de R$ 40.000,00 que foi recebido de Eliseu Estima Correia; 7 outros depósitos estão sendo buscados. A dificuldade é que a maior parte deles foi remetida por via eletrônica e os documentos ficaram em poder dos remetentes; 8 junta à impugnação, extrato bancário que registra a entrada do numerário em sua conta; o contrato de empréstimo entre o contribuinte e os mutuantes; comprovante de emissão de TED relativo à devolução do empréstimo contraído com a sua mãe; 9 aviso de regularização de obra que demonstra o valor de referência do imóvel como sendo de R$ 530.180,94. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A 3ª Turma DRJ São Paulo II/SP, conforme Acórdão de fls. 107 a 11, julgou procedente o lançamento. Ponderou, em síntese que: Os documentos apresentados pelo impugnante sequer identificam os depositantes dos valores. Os contratos de mútuo não estão assinados e o alegado pagamento do empréstimo feito à Maria Teresa Monteiro Geras, conforme documento de fl. 99, não guarda qualquer relação com as cláusulas estabelecidas e o valor indicado. Restam, pois, não comprovados os alegados empréstimos e o acréscimo patrimonial permanece não justificado. RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 07/07/2009 (fls. 113), o contribuinte, por intermédio de representante (Procuração às fls. 125), apresentou, em 04/08/2009, o Recurso de fls. 116 a 124. Principia recapitulando os fatos e os argumentos da impugnação. Prossegue ponderando que recebeu mais de R$200.000,00 a título de lucros distribuídos pela empresa GEAP Gerenciamento, Assistência e Pesquisa em Saúde S/C Ltda, da qual fazia parte do quadro societário à época dos fatos aqui em discussão. Quanto aos empréstimos obtidos, invoca os contratos firmados com HewlettPackard Comercial do Brasil Ltda./HP Brasil S.A., CNPJ/MF n°89.411.771/000185 (R$46.811,71), Maria Tereza Monteiro Geras, Eliseu Estima Correia e Ricardo Corazza. Assevera que os contratos com as pessoas físicas anteriormente mencionadas, dado o grau de confiança existente entre as partes, não foram assinados, porém os extratos bancários comprovam a transferência de recursos entre mutuantes e mutuário. Quanto às aplicações de recursos, pondera que na declaração de ajuste anual de 2003 declarou, seguindo orientações recebidas, o valor do imóvel em Alphaville pelo preço de mercado, enquanto em 2002 havia declarado pelo valor venal atribuído pela Prefeitura. Fl. 210DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Assinado digitalmente em 25/03/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, 29/03/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL 4 Assim, destaca que o valor informado para 31/12/2001 é compatível com o custo líquido da obra para a construção do imóvel, o qual foi de R$530.180,94, como descrito no Aviso para Regularização de Obra ARO, expedido pelo INSS em maio de 2005 . Instruindo o recurso foram apresentados os documentos de fls. 125 a 202, a saber, cópias de: instrumento de procuração; documentos de identificação do contribuinte e da procuradora; Auto de Infração; declaração de ajuste anual do exercício 2003; Acórdão recorrido e correspondência que o acompanhou; alteração contratual da pessoa jurídica GEAP; Balanço Patrimonial e Demonstração de Resultado Acumulado, ambos da mencionada PJ, referentes a 2002; ementa de julgado do Conselho de Contribuintes; Aviso de Regularização de Obra (ARO) perante o Ministério da Previdência Social; correspondência enviada pela HP Brasil S.A. mencionando valor do saldo devedor de empréstimo em 31/12/2002; contratos de mútuo; extratos bancários e comprovante de emissão de TED. O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até as fls. 204, que também trata do envio dos autos a este Conselho. É o Relatório. Voto Conselheira Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. No caso, o interessado foi autuado por omissão de rendimentos caracterizada por Acréscimo Patrimonial a Descoberto (APD). Em sua defesa, invoca origens de recursos não computadas no lançamento, mais precisamente, lucros distribuídos e valores provenientes de mútuo. Discorda ainda das aplicações invocando custo de construção de imóvel referenciado em Aviso de Regularização de Obra (ARO). Sobre tais pontos, algumas ponderações se fazem necessárias. Inicialmente, quanto aos lucros distribuídos, insta frisar que somente em sede de recurso voluntário o interessado os invoca. Não constou de sua declaração de ajuste anual, oportunamente apresentada (fls. 08 a 12 e cópia às fls. 135 a 139), nenhuma informação a esse respeito. Ou seja, além de não haver a indicação de recebimento de lucros distribuídos, sequer foi informada a participação societária em questão. Tal participação também não foi ventilada quando da apresentação da impugnação. Não obstante todos esses fatos, o certo é que se o interessado tivesse trazido aos autos elemento de prova robusto da efetiva distribuição dos lucros e correspondente recebimento dos valores alegados poderseia dar crédito ao seu argumento. Entretanto, os elementos de prova apresentados limitamse cópias de Balanço Patrimonial e de Demonstração de Resultado Acumulado, destituídas de maiores formalidades e passíveis de serem confeccionadas a qualquer tempo. Fl. 211DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Assinado digitalmente em 25/03/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, 29/03/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10882.002333/200642 Acórdão n.º 280101.409 S2TE01 Fl. 207 5 Dada a extemporaneidade do argumento e fragilidade da prova, no contexto dos autos, não vejo como acatar o pleito do contribuinte. Ademais, os acréscimos apurados foram referentes aos meses de janeiro, março, novembro e dezembro de 2002. Ainda que o interessado comprovasse a efetiva percepção de lucros distribuídos, tendo em vista que seu ingresso na pessoa jurídica só teria ocorrido em julho de 2002, a distribuição em questão apenas o beneficiaria parcialmente. Relativamente à possibilidade de se acatarem origens de recursos provenientes de mútuo, quanto aos valores recebidos de pessoas físicas, nenhum reparo deve ser feito no acórdão recorrido, eis que os elementos de prova que instruem o recurso são os mesmos que já foram acertadamente analisados quando do julgamento de primeira instância e já mencionado no relatório deste voto, confirase: Os documentos apresentados pelo impugnante sequer identificam os depositantes dos valores. Os contratos de mútuo não estão assinados e o alegado pagamento do empréstimo feito à Maria Teresa Monteiro Geras, conforme documento de fl. 99, não guarda qualquer relação com as cláusulas estabelecidas e o valor indicado. Restam, pois, não comprovados os alegados empréstimos e o acréscimo patrimonial permanece não justificado. No tocante ao empréstimo que teria recebido da HP Brasil S.A., o interessado informa que declarou o montante de R$46.811,71 e invoca os documentos de fls. 160 e 161 em seu favor. Examinandoos, verifico que não há menção à data em que o empréstimo teria sido concedido e que o valor em questão corresponde ao valor emprestado pela companhia, reduzido dos desembolsos de km ocorridos, atualizados mensalmente até a data de 31/12/2002. Diante dessas informações, analisando a declaração de ajuste anual de fls. 08 a 12, constato que o empréstimo fora concedido em ano anterior ao em lide, eis que no quadro de “dívidas e ônus reais” na coluna referente a 31/12/2001, já encontrava grafada a quantia de R$ 39.643,29. A diferença entre os dois valores não se refere a novo empréstimo, mas apenas atualização do antigo empréstimo. Portanto, para fins de cômputo de nova origem de recurso, os documentos em questão são inábeis. O contribuinte protesta, ainda pela consideração do custo de construção de imóvel referenciado em Aviso de Regularização de Obra (ARO), ponderando que se equivocara ao declarar no ajuste anual 2003 o valor de mercado do imóvel. Ora, embora na declaração do interessado tenha constado que os gastos com a obra, no anocalendário 2002, atingiram o montante de R$1.500.000 (fls. 11), a autoridade lançadora limitouse a computar os gastos referentes a títulos pagos (planilhas de fls. 59 a 61). Além disso, o interessado não cuidou de destacar em que meses teria havido erros nos cálculos do lançamento referentes a gastos com a construção do imóvel e demonstrar, comprovando por meio de documentos hábeis e idôneos, quais os valores seriam os montantes acertados para cada um dos meses do anocalendário em apreço. Observese que o invocado ARO, emitido em 2005, para fins de regularização da obra, não discrimina gastos mensais durante a construção, não sendo elemento hábil de prova para o propósito pretendido. Portanto, nesse tocante, não há reparos a serem feitos no demonstrativo que embasa o lançamento. Por fim, quanto aos julgados invocados, destaquese que não foram trazidas à colação posições que vinculariam as decisões prolatadas por este Colegiado. Fl. 212DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Assinado digitalmente em 25/03/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, 29/03/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL 6 Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende Fl. 213DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Assinado digitalmente em 25/03/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, 29/03/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL
score : 1.0
Numero do processo: 13807.012843/2003-76
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 1993, 1994, 1995, 1996, 1997, 1998, 1999
PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. INÍCIO.
A isenção dos proventos de aposentadoria percebidos pelos portadores de moléstias graves se aplica: a partir do mês da concessão da aposentadoria ou reforma; do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia ou da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial, emitido por serviço médico oficial, se esta for contraída após a aposentadoria ou reforma.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-001.313
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES RESENDE
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 1993, 1994, 1995, 1996, 1997, 1998, 1999 PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. INÍCIO. A isenção dos proventos de aposentadoria percebidos pelos portadores de moléstias graves se aplica: a partir do mês da concessão da aposentadoria ou reforma; do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia ou da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial, emitido por serviço médico oficial, se esta for contraída após a aposentadoria ou reforma. Recurso Voluntário Negado.
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MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. INÍCIO. A isenção dos proventos de aposentadoria percebidos pelos portadores de moléstias graves se aplica: a partir do mês da concessão da aposentadoria ou reforma; do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia ou da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial, emitido por serviço médico oficial, se esta for contraída após a aposentadoria ou reforma. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente. Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende - Relatora. Fl. 102DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/01/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Assinado digitalmente em 25/01/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, 25/01/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Sandro Machado dos Reis, Tânia Mara Paschoalin e Eivanice Canário da Silva. Relatório SOLICITAÇÃO O contribuinte acima identificado formalizou pedido de restituição de imposto de renda retido na fonte sobre proventos de aposentadoria sob a alegação de que é considerado portador de molesta grave desde 1975. O Delegado da Receita Federal em São Paulo/SP indeferiu o pedido, por entender que não foi apresentado Laudo Médico Pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na forma estabelecida pelo art. 30 da Lei n° 9.250, de 1995. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 33), acatada como tempestiva. Alegou, consoante relatório do acórdão de primeira instância (fls. 61): (...) que o documento anexado aos autos foi expedido por órgão do serviço médico oficial do Estado, do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual, da Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo e apresenta Laudo n.° RM 1643/07, datado de 07/05/2007, do mesmo Instituto e declaração do Instituto do Coração — INCOR, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, comprovando ser portador de moléstia grave. ACÓRDÃO DA DELEGACIA DE JULGAMENTO A 4ª Turma da DRJ São Paulo/SP II deferiu em parte a solicitação, eis que (fls. 64): (...) restou comprado que o requerente encontra-se aposentado desde 06/1991 e é portador de moléstia grave desde 01/01/1999, pode ser reconhecido o direito à isenção do imposto de renda sobre proventos de aposentadoria e/ou pensão desde 01/01/1999, com reflexos no ajuste dos anos-calendários 1999 a 2002. Cabe esclarecer que no ano-calendário 2002 o interessado também auferiu rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício da fonte pagadora "Fundação Faculdade de Medicina", no valor de R$ 10.000,00 (fl. 54), os quais não se encontram abrangidos pela isenção ora pleiteada. RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Fl. 103DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/01/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Assinado digitalmente em 25/01/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, 25/01/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 13807.012843/2003-76 Acórdão n.º 2801-01.313 S2-TE01 Fl. 101 3 Cientificado da decisão da DRJ-São Paulo/SP II, o contribuinte apresentou, em 10/01/2008, o Recurso de fls. 70, argumentando que faz jus à restituição referente ao período de janeiro de 1992 a dezembro de 1998. Esclarece que os (...) Laudos n° 2202/03 e n°1643/07, ambos elaborados pelo Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual, da Secretaria de Estado da Saúde, o peticionário desta representação foi submetido no ano de 1975 à cirurgia de Comissurotomia, com o diagnóstico de Estenose Mitral Reumática, tendo posteriormente, no ano de 2003, o Instituto do Coração — INCOR, do Hospital das Clínicas, declarado ser portador de cardiopatia grave. O reconhecimento da existência de moléstia grave a partir de 1999, por parte do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual —IAMSPE- foi em razão de ter sido diagnosticado Câncer de Próstata, fato que determinou o tratamento com radioterapia, braquiterapia e o uso de medicamentos contínuos. O interessado apresentou, ainda, cópia do acórdão recorrido e da intimação que o acompanhou (fls. 71 a 77), bem como de documentos médicos (fls. 78 a 80). Os documentos de fls. 81 a 98 são referentes à restituição deferida pela DRJ São Paulo II/SP. O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até as fls. 99, que também trata do envio dos autos ao então Primeiro Conselho de Contribuintes. Voto Conselheira Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. No caso, o recorrente já teve reconhecido o direito à isenção a partir do ano- calendário 1999, com base nos documentos de fls. 37 e 38. Em sede de recurso, pleiteia a restituição referente ao período de janeiro de 1992 a dezembro de 1998. Assevera que seria portador de cardiopatia grave desde 1975. Para comprovar seus argumentos, traz aos autos os documentos médicos de fls. 78 a 80. Sobre a matéria, assim dispõe o inciso XIV da Lei nº 7.713, de 1988: “Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) Fl. 104DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/01/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Assinado digitalmente em 25/01/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, 25/01/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL 4 XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004)” (Grifos acrescidos) Por sua vez, o art. 30 da Lei nº 9.250, de 1995 determina: “Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. § 2º Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrose cística (mucoviscidose).”(Grifos acrescidos) Cumpre destacar que a partir de 1º de janeiro de 1996, para a concessão da isenção pleiteada, a moléstia enumerada no art. 6º, inc. XIV da Lei nº 7.713, de 1988 e alterações deve ser comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Em conformidade com o disposto no §5º, art. 39, Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999, a isenção em comento se aplica aos rendimentos recebidos a partir: I – do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II – do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III – da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. No caso, examinando os documentos trazidos aos autos, verifico que os documentos de fls. 79 e 80 são cópias, respectivamente, dos documentos de fls. 37 e 38, que acertadamente já foram analisados e acatados no acórdão recorrido. Quanto ao documento de fls. 78, trata-se de cópia do documento de fls. 03, a saber, informações prestadas pelo Instituto de Assistência Médica ao Servidos Público Estadual (SP) a partir do prontuário do interessado. Ali estão registradas informações acerca do estado de saúde do contribuinte desde 1975, sem, contudo, fazer qualquer alusão à cardiopatia grave. Observe-se, ainda, que todas as informações ali prestadas constam também do Relatório Médico de fls. 80, emitido pelo mesmo Instituto, o qual, inclusive, está mais detalhado. Fl. 105DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/01/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Assinado digitalmente em 25/01/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, 25/01/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 13807.012843/2003-76 Acórdão n.º 2801-01.313 S2-TE01 Fl. 102 5 Portanto, como já bem exposto no acórdão recorrido, pelos documentos acostados aos autos, somente é possível reconhecer a isenção em questão a partir de 1999. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende Fl. 106DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/01/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Assinado digitalmente em 25/01/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, 25/01/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL
score : 1.0
Numero do processo: 10380.012405/2006-11
Data da sessão: Thu May 28 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu May 28 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002, 2003
IRPF. DESPESAS MÉDICAS. SÚMULA ADMINISTRATIVA DE DOCUMENTAÇÃO TRIBUTARIAMENTE INEFICAZ.
As despesas realizadas com profissional cujos recibos foram considerados inidôneos para efeitos tributários, por serem ideologicamente falsos, segundo Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, são imprestáveis como dedução de despesas médicas.
IRPF. MULTA DE 150%.
Sendo o prestador de serviços objeto de Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, e, na ausência de outros elementos comprobatórios da efetiva realização dos serviços, é de se manter a multa qualificada.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3805-000.087
Decisão: ACORDAM os Membros da Quinta Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: SIDNEY FERRO BARROS
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