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Numero do processo: 15889.000378/2009-89
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
ARBITRAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA.
Sempre que o contribuinte apresentar documento ou informação que contenha divergência em relação à realidade, deduzida a partir dos elementos constantes dos autos, ou seja, deficiente, permite-se à fiscalização, obedecido o parâmetro de razoabilidade, o lançamento de ofício do tributo (in casu a contribuição previdenciária) no montante que reputar devido, cabendo, nesta hipótese, ao contribuinte o ônus da prova em contrário.
Numero da decisão: 9202-006.544
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e acordam, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de conversão do julgamento do recurso em diligência, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que votaram pela diligência. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar provimento ao recurso, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que lhe negou provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Ana Paula Fernandes.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício).
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 ARBITRAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. Sempre que o contribuinte apresentar documento ou informação que contenha divergência em relação à realidade, deduzida a partir dos elementos constantes dos autos, ou seja, deficiente, permitese à fiscalização, obedecido o parâmetro de razoabilidade, o lançamento de ofício do tributo (in casu a contribuição previdenciária) no montante que reputar devido, cabendo, nesta hipótese, ao contribuinte o ônus da prova em contrário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e acordam, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de conversão do julgamento do recurso em diligência, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que votaram pela diligência. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar provimento ao recurso, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que lhe negou provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Ana Paula Fernandes. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 88 9. 00 03 78 /2 00 9- 89 Fl. 281DF CARF MF Processo nº 15889.000378/200989 Acórdão n.º 9202006.544 CSRFT2 Fl. 282 2 Mário Pereira de Pinho Filho (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício). Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2301003.101, prolatado pela 1a. Turma Ordinária da 3a. Câmara deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, na sessão plenária de 16 de outubro de 2012 (efls. 232 a 242). Ali, por unanimidade de votos, deuse parcial provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir: EMENTA DA INEXISTÊNCIA DO DEVER DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL A alegação de que a Fiscalização utilizouse de parâmetros inadequados para realizar lançamento por aferição, quanto trata rendimento da Recorrente e número de funcionários, não procede face a previsão legal. E, o dito subjetivismo utilizado pela Fiscalização, atingindo o exagero, improcede porque estes estão substanciados aos fatos apresentados pelo contribuinte. Por outro lado, quanto alega possuir trabalhadores eventuais e não há legislação que impeça, assistiriaalhe razão se fossem mesmos eventuais, contrário o que demonstra nas peças dos autos. EMENTA DO ARBITRAMENTO E DA CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS COMO EMPREGADOS. AUSENCIA DE PROVAS E DE MOTIVAÇÃO SUFICIENTE PARA A PRÁTICA DO ATO EXTREMO. A caracterização de segurados como empregados é medida excepcional e requer a comprovação cabal da existência do vínculo empregatício, nos termos do art. 3º da Consolidação das Leis do Trabalho (“considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário”), bem como do art. 12, inciso I, da Lei 8.212/91. De igual modo o lançamento de débito por arbitramento é medida que deve ser adotada pela fiscalização em situações extremas e, mesmo assim, é preciso que a autoridade teça em seu relatório a justificativa exata que motivou a adoção e o alcance do procedimento. O fato de o recorrente não ter entregue determinados documentos não pode ser motivo único para justificar o ato extremado. DO ARBITRAMENTO DA MÃO DE OBRA E DO TRANSPORTE TERCEIRIZADO Há previsão legal quanto ao arbitramento de mãodeobra. E, considerando que a fiscalização a realizou com base nos rendimentos da Recorrente e de outras empresa do mesmo porte, não há de se considerar subjetiva e prejudicial ao defendente, uma vez que, quanto lançado por aferição, cabe ao contribuinte Fl. 282DF CARF MF Processo nº 15889.000378/200989 Acórdão n.º 9202006.544 CSRFT2 Fl. 283 3 realizar prova ao contrário no momento da impugnação, o que não correu no presente caso. Assim, sem razão a Recorrente. Da mesma forma e razão quanto trata de transporte terceirizado, onde a Recorrente não apresentou razões e documentos assazes de modificarem o lançamento por aferição. DA FALTA DE PREJUÍZO AO FISCO. A alegação de que a conduta infracional não trouxe nenhum prejuízo ao FISCO não prospera, porque a infração, em direito tributário, é qualquer ação ou omissão, ainda que por desejo próprio ou não, praticado pelo contribuinte em desconformidade com a legislação específica, gerando uma sanção, sendo que esta não depende das circunstâncias ou dos efeitos das infrações. MULTA A multa aplicada hodiernamente, considerando a retroatividade benigna estampada no artigo 106, II do CTN e a novel legislação que alterou a Lei 8.212 de 1991, a Lei 11.941 de 2009, neste caso a mais benefica é do Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, deve ser respeitada se melhor para o contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Decisão: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, no que tange ao arbitramento e à caracterização de segurados como empregados, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Wilson Antonio de Souza Correa e Bernadete de Oliveira Barros, que votaram em negar provimento ao recurso nesta questão; b) em negar provimento ao recurso, na questão das contribuições sobre fretes, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, até 11/2008, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do Relator. Redator: Damião Cordeiro de Moraes. Enviados os autos à Fazenda Nacional para fins de ciência do Acórdão em 04/09/2014 (efl. 243), sua Procuradoria apresentou, em 13/10/2014 (efl. 260) Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do Anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009 (efls. 244 a 259). O recurso continha alegação de existência de divergência interpretativa quanto a duas diferentes matérias, a saber: a) utilização de aferição indireta quando da Fl. 283DF CARF MF Processo nº 15889.000378/200989 Acórdão n.º 9202006.544 CSRFT2 Fl. 284 4 caracterização de segurados empregados e b) aplicação de retroatividade benigna da multa, tendo, todavia, restado admitida somente a primeira matéria, na forma de despacho de admissibilidade de efls. 262 a 270. Quanto à aferição indireta (arbitramento) realizada(o), quando da caracterização de segurados como empregados: Alegase, no pleito, quanto à matéria admitida, divergência em relação ao decidido pela 1a Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a. Seção deste Conselho, em 23/01/13, no âmbito do Acórdão no. 2401002.852, de ementa e decisão a seguir transcritas. Acórdão 2401002.852 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2000 a 30/06/2005 DECADÊNCIA Não havendo recolhimento de qualquer contribuição do segurado empregado, a decadência a ser aplicada deve obedecer ao contido no art. 173, I do Código Tributário Nacional. AFERIÇÃO INDIRETA POSSIBILIDADE A apuração do crédito previdenciário por aferição indireta na hipótese de não apresentação de documentos ou informações solicitados pela fiscalização é aplicável, devendo a autoridade fiscal lançar o débito que imputar devido, invertendose o ônus da prova ao contribuinte, com esteio no artigo 33, §§ 3º º, da Lei 8.212/91. CERCEAMENTO DE DEFESA INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. AUDITOR FISCAL. COMPETÊNCIA. INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO E CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. A Auditoria Fiscal detém competência para efetuar a interpretação da legislação previdenciária e constituir o crédito tributário. CONSTATAÇÃO DOS PRESSUPOSTOS DA RELAÇÃO DE EMPREGO. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. Havendo a constatação de que determinados trabalhadores atuaram habitualmente na execução de serviços para a empresa, com subordinação e mediante o pagamento de remuneração, abrese ao Fisco a possibilidade de enquadrálos como segurados empregados. Os serviços prestados por pessoas jurídicas para a realização de serviços de natureza não eventual que, de fato, são realizados por pessoas físicas com subordinação, pessoalidade, habitualidade e mediante remuneração deve ser desconsiderado para efeitos previdenciários. Nesses casos, caracterizase o prestador de serviço pessoa física como segurado empregado, conforme Fl. 284DF CARF MF Processo nº 15889.000378/200989 Acórdão n.º 9202006.544 CSRFT2 Fl. 285 5 previsto na letra "a" do inciso I do art. 12 da Lei n° 8.212/91, e a remuneração paga ou creditada constitui fato gerador de contribuições previdenciárias. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Negado Decisão: I) Por unanimidade de votos negar provimento ao recurso de Ofício. II) Por unanimidade de votos: a) rejeitar a preliminar de decadência; b)rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas; e c) no mérito, negar provimento ao recurso. Alega a Fazenda Nacional quanto à matéria que: a) A Auditoria Fiscal tem a atribuição de aplicar a legislação previdenciária e é competente para, diante do caso concreto, interpretar se determinada relação jurídica se reveste das características do liame de emprego. A fiscalização caracteriza empregado para fins previdenciários aquele cujas peculiaridades da prestação de serviço indiquem a presença dos requisitos da relação de emprego. Em surgindo a obrigação tributária, a fiscalização está autorizada para constituir o crédito tributário, conforme dispõe a Lei nº 11.457/2007; b) No caso sob análise, a motivação para o arbitramento da mãodeobra foi a discrepância entre os valores de faturamento e os valores da mão de obra própria e de terceiros informadas em GFIP e na RAIS. A massa salarial informada era ínfima em relação ao faturamento e acentuadamente menor que a média do segmento econômico da empresa. Registrese também que, no dia da fiscalização, foram encontradas várias pessoas trabalhando sem registro na sede da empresa. Também não cabe, no caso, a alegação de que aqueles trabalhadores foram requisitados em razão aumento extraordinário e momentâneo de serviço, uma vez que eles executavam atividades rotineiras da empresa e, segundo a fiscalização apurou, estes mesmos trabalhadores prestavam serviços habitualmente para a autuada, conforme relatório fiscal; Percebese, pois, que a autoridade fiscal seguiu corretamente o disposto na legislação, razão pela qual merece reforma o acórdão recorrido, reconhecendose, assim, a pertinência do arbitramento efetuado. Após a ciência da autuada em 24/10/2016 (efl. 277), esta quedou inerte quanto à apresentação de contrarrazões e/ou Recurso Especial de sua iniciativa. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Pelo que consta no processo quanto aos requisitos de admissibilidade, o recurso os atende no que diz respeito à matéria admitida e, assim, em linha com o exame de admissibilidade de efls. 262 a 270, conheço do recurso quanto à aferição indireta (arbitramento) realizada (o) quando da caracterização de segurados como empregados. Passo, assim, à análise de mérito. Fl. 285DF CARF MF Processo nº 15889.000378/200989 Acórdão n.º 9202006.544 CSRFT2 Fl. 286 6 De ser reproduzir inicialmente, a propósito, os art. 33, §§ 1°, 2°, 3° e § 6°, da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, bem como os arts. 233, caput e parágrafo único, e 235 do texto apenso ao Decreto no. 3.048, de 06 de maio de 1999 (Regulamento da Previdência Social RPS), vigentes à época do lançamento, todos assim aplicáveis a partir do disposto no art. 144, §1o. do CTN, verbis: Lei 8.212/1991 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Regulamento da Previdência Social (Decreto 3.048/1999) Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de oficio importância que reputarem devida, cabendo ir empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Fl. 286DF CARF MF Processo nº 15889.000378/200989 Acórdão n.º 9202006.544 CSRFT2 Fl. 287 7 Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira.; Art. 235. Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, da receita ou do faturamento e do lucro, esta será desconsiderada, sendo apuradas e lançadas de oficio as contribuições devidas, cabendo a empresa o ônus da prova em contrário. Deflui, de forma expressa, do teor dos dispositivos supra que, sem qualquer ressalva, sempre que o contribuinte apresentar documento ou informação que contenha divergência em relação à realidade, ou seja, deficiente (sendo prevista, notese, expressamente, pelos dispositivos acima, a hipótese específica de constatação de não registro do movimento real de remuneração dos segurados na escrituração contábil da empresa ou em qualquer outro documento da pessoa jurídica), permitese à fiscalização o lançamento de ofício do tributo (in casu a contribuição previdenciária) no montante que reputar devido, cabendo, nesta hipótese, à autuada o ônus da prova em contrário. A partir dos elementos probatórios carreados aos autos, em especial: a) A lista de empregados que se encontravam efetivamente elaborando na empresa quando da realização da auditoria (vide efls. 58/59), em número muito superior aos empregados efetivamente registrados, com evidências no sentido de se estar a tratar, ali, dos "excedentes" de empregados subordinados à empresa e indispensáveis à consecução de seu objeto social (vide, a propósito, coluna "data de admissão", constante da referida lista); b) A inexistência de qualquer prova quanto à veracidade da justificativa da empresa de efl. 66, no sentido de que se tratavam de empregados devidamente registrados junto ao produtor rural Sigheru Sato, CPF n° 792.288.28820, e que, assim, estariam laborando nas dependências da autuada em virtude de fornecimento eventual e temporário da mãode obra desses profissionais (notese inexistir, nos autos, qualquer contrato quanto à tal fornecimento, comprovação da obediência pela prestadora aos ditames da Lei no. 6.019, de 03 de janeiro de 1974, ou sequer o registro contábil de pagamentos decorrentes daquele trabalho prestado, sendo, ainda, de relevância, o indício constituído pelo fato do Sr. Sigheru Sato ser um dos sócios da autuada desde 2009), entendo como plenamente aplicável à situação fática sob análise a hipótese de arbitramento. Rechaço, diante da realidade existente a partir dos elementos probatórios constantes dos autos. tal hipótese. Acedo, assim, aqui, integralmente ao posicionamento esposado pela autoridade julgadora de 1a. instância, do qual me permito reproduzir, a seguir, excerto bastante relevante, adotandoo como parte de minha razão de decidir, uma vez que resume de forma bastante detalhada, também, minha análise acerca do contestado arbitramento, verbis: "(...) Dai, verificase que dos sete registros, seis empregados foram admitidos no exercício de 2006 e três foram demitidos no mesmo ano (dois em agosto e um em setembro), permanecendo apenas três para laborar desde então até 04/2008, nas funções de Fl. 287DF CARF MF Processo nº 15889.000378/200989 Acórdão n.º 9202006.544 CSRFT2 Fl. 288 8 motorista — 02 e agrônomo — 01, quando diminui mais um motorista em maio/2008. Em outubro/2008 é admitido um comprador. E a partir de janeiro/2009 com a retirada do agrônomo, fica o quadro de segurados composto de apenas um motorista e um comprador. E com essa situação, no tocante aos segurados empregados, em 06/02/2009, realiza a Auditoria Fiscal a visita fisica na sede da Autuada e deparase com 22 (vinte e duas) pessoas lá laborando, conforme Lista (fl. 53), onde consta o nome, número de documento e data de admissão, que variou de junho/1995 a dezembro/2008, além de uma de 02/02/2009, com a observação "em teste". Destaco aqui uma outra observação anotada "Enc. Pessoal". (...)" Quanto à justificativa de efl. 66, temse, em plena consonância com o entendimento deste relator, que : "(...) tal justificativa aponta para, pelos menos, uma irregularidade sim. Nada contra parceria comercial, um instrumento tão importante na economia brasileira. Só que uma parceria tem que respeitar a legislação pertinente e, em hipótese alguma, os parceiros perdem a sua autonomia enquanto empresa/contribuinte. E, mais, a escrituração contábil, repitase, deve respeitar os Princípios Contábeis, destacando que cada empresa deve registrar todas as suas despesas e receitas. inadmissível o registro de gastos de uma empresa como custos ou despesas de outra empresa, ainda que empresas parceiras, como já vimos acima. Notase que SIGHERU SATO é produtor rural, fornecedor da Empresa, fez parte do quadro societário e retornou em 06/08/2009. E dentre as atividades do produtor rural não inclui a prestação de serviços. Assim, é irregular simplesmente colocar os empregados da parceira para executar as atividades dentro da Autuada. E embora a Autuada declarou que SIGHERU SATO fornece eventual e temporária mãodeobra, a fim de complementar e colaborar com o exercício das atividades comerciais, duas ressalvas são apropriadas gravar. Primeiro, que a contratação de mãodeobra temporária deve seguir estritamente a legislação especifica que comanda essa modalidade de prestação de serviços e deve, obrigatoriamente, ser executada por uma empresa de trabalho temporário, nos termos da Lei n° 6.019/74. E mais um detalhe. A Autuada atestou o fornecimento de mãodeobra para complementar e colaborar com as atividades comerciais. Só que um dos trabalhadores listados executa a atividade de Encarregado de Pessoal, não ligada diretamente à área comercial, mas imperiosa na atividade meio, mostrando ai indícios que tal fornecimento de mãodeobra não era tão eventual, tão esporádico, tão descontinuo, como quer fazer acreditar a Defendente. Fl. 288DF CARF MF Processo nº 15889.000378/200989 Acórdão n.º 9202006.544 CSRFT2 Fl. 289 9 As empresas em geral, para a execução de seu objeto social, podem contratar profissionais nas categorias de segurados empregados, quando presentes os requisitos do art. 12, inc. I, alínea "a", da Lei n° 8.212/91, ou, eventualmente, contribuintes individuais, e, também, através de contratação de empresas prestadoras de serviço, que em comum tem como contraprestação pelos serviços prestados, a remuneração, o pagamento E onde está a contabilização desses valores, mesmo que seja pagamento pelo "dia trabalhado", como alegado pela Defendente? Mesmo que tais trabalhadores sejam empregados da parceira, ainda assim, é imprescindível o pagamento, e agora por intermédio de notas fiscais de serviço, devidamente contabilizadas em seu Livro Diário. O que é inaceitável é pensar, para a Autuada, em trabalho gratuito, ou não contabilizado, o que fere de morte os Princípios Contábeis da Contabilidade, como já vimos acima. E, muito menos, pensar em trabalho escravo. (grifos não presentes no original) A própria Defendente admite que o § 6° do art. 33 da Lei n° 8.212/91 possibilita a aferição, só que referido procedimento não pode cobrar valor superior ao que o contribuinte supostamente deve. Tem toda razão a Autuada. E justíssimo exigir apenas o que o contribuinte deve. Mas, apenas uma fórmula para que isso aconteça: a apresentação de todos os documentos legalmente exigíveis e observandose as formalidades intrínsecas e extrínsecas. No entanto, quando fica comprovado durante ação fiscal que a contabilidade não registra a totalidade da remuneração paga e, ainda, a não apresentação de documentos e/ou apresentação deficiente, não resta outra alternativa a não ser de se apurar os valores por arbitramento. É bom advertir que a própria Impugnante admite a execução de serviços eventuais e temporários. Mas, onde está em sua contabilidade a contrapartida desses serviços? Onde está o registro desses pagamentos? E mais uma vez, e agora durante o prazo de defesa, foi oportunizado a possibilidade de se apurar somente a parte devida, desde que a Defendente apresentasse documentação comprobatória. E até mesmo provasse que sua contabilidade registra a efetiva remuneração paga pela prestação de serviços, tão necessária ao desempenho de suas atividades, sem a qual não atingiria seu objeto social. Ressaltese que na apuração dos valores por arbitramento a Auditoria deve cercarse de todos os cuidados e utilizar parâmetros razoáveis, como os aqui apresentados, pois se corre o risco de apurar valores até mesmo inferiores ao efetivamente devidos pela contribuinte, o que acaba sendo mais vantajoso procedimentos irregulares por parte dos contribuintes, independentemente de sua intenção em assim agir. Destacou a Auditoria que dentre as atividades dos segurados estão recebimento da mercadoria, lavagem, empacotamento, Fl. 289DF CARF MF Processo nº 15889.000378/200989 Acórdão n.º 9202006.544 CSRFT2 Fl. 290 10 venda e faturamento, atividades essas para uma empresa com objeto de comércio atacadista de frutas, verduras e legumes bem podem ser executadas pelos seus próprios empregados, nos termos do art. 12 da Lei n° 8.212/91, ou pela contratação de uma prestadora de serviços, nos moldes do art. 31 da mesma Lei. Mas, sempre se volta na mesma questão. Independentemente da modalidade contratada é cogente o pagamento desses serviços e, momento nenhum, a Autuada comprova a contabilização da remuneração paga pela mãodeobra, nem mesmo em títulos impróprios. Simplesmente é como se não tivesse pago a remuneração desses segurados. (grifos não presentes no original) (...) Já quanto ao valor arbitrado pela autoridade fiscal autuante, segue a autoridade julgadora de 1a. instância, sem necessidade de qualquer reparo, por se estar, no excerto a seguir, também a evidenciar o posicionamento deste relator acerca do tema, acrescentandose aqui, somente, a importante observação que não está estabelecida, nos preceitos legais que possibilitam o arbitramento sob análise, a necessidade de adoção de qualquer critério ou critérios quantitativos alternativos quando do referido arbitramento, in verbis: : " (...) Deve ser esclarecido que a aferição indireta da mãodeobra é procedimento excepcional, aplicado quando não há meio de aferição direta da remuneração efetivamente despendida e tem como objetivo encontrar um valor aproximado, com base em elementos previamente determinados. E no presente caso, consta nos autos que a Empresa foi devidamente intimada a exibir à fiscalização a documentação pertinente. Contudo, a empresa não exibiu como também não comprovou a real remuneração paga, impossibilitando à fiscalização obter os valores pagos a cada trabalhador e, em conseqüência, identificar corretamente a base de cálculo da contribuição previdenciária devida. Impõe ressaltar que a Auditoria Fiscal tem a prerrogativa legal de inscrever de oficio importância que reputar devida, ou pela contabilidade deficiente e/ou pela não disponibilização dos documentos necessários, apurando os valores por aferição indireta, cabendo a ela — Empresa o ônus de afastar, mediante prova idônea, robusta e inequívoca em contrário. A própria Impugnante admite a prestação de serviços, e mesmo que de forma eventual, obrigatoriamente, deveria ter registrado em seu Livro Diário os pagamentos correspondentes. Assim se confirma que a contabilidade não registra a real remuneração Fl. 290DF CARF MF Processo nº 15889.000378/200989 Acórdão n.º 9202006.544 CSRFT2 Fl. 291 11 paga aos contribuintes que prestaram serviço, quer como segurados empregados quer como transportadores autônomos. Irreparável, portanto, o procedimento fiscal que desaguou no arbitramento da base de cálculo e a decorrente aferição indireta das contribuições devidas, não trazendo o Sujeito Passivo elementos suficientes à alteração dos valores lançados. (...) (...), valeuse a Auditoria Fiscal da prerrogativa contida em lei, e apurou os valores pela técnica do arbitramento. (...) Os índices foram obtidos através da relação Receita Bruta x Massa Salarial GFIP das empresas do mesmo segmento econômico (CNAE 4633801), na jurisdição da DRF de Bauru, cujos dados foram extraídos das declarações prestados pelos contribuintes e adotou se como critério da razoabilidade para aplicação do índice de aferição a partir do faturamento o percentual correspondente a mediana (Anexo I), nos respectivos exercícios. Acrescenta a fiscalização que a relação receita x massa salarial da Autuada é representada pelo menor índice de toda a tabela. A receita bruta mensal foi obtida por intermédio da escrituração contábil, Livro de Registro de saída de Mercadorias e DIPJ — Declaração de Informações Econômico Fiscais de Pessoa Jurídica dos anos calendários 2006/2007/2008. Os valores apurados estão discriminados no Anexo II, onde se tem o valor do faturamento mensal, da aplicação do índice que resultou no valor da massa salarial aferida, da qual foi subtraída o valor da Folha de Pagamento dos empregados registrados na Empresa. Essa foi a técnica tomada pela fiscalização para arbitrar os valores e está assentada em presunção genuinamente admissível e cabia à empresa o ônus da prova em contrário. No entanto, traz apenas alegações (e que, inclusive, ratifica a prestação de serviços executados por trabalhadores fora sua Folha de Pagamento) sem qualquer prova que contradissesse o procedimento fiscal e entende um desrespeito aos princípios do Contraditório e da Ampla Defesa, pois jamais teve acesso as declarações prestadas pelos contribuintes, com o que esta Relatora não pode concordar. A Auditoria se valeu dos dados extraídos do Sistema Informatizado da RFB para criar parâmetros e em nome do sigilo fiscal, em hipótese alguma, poderia ter acostado cópias dessas declarações ou mesmo identificado os contribuintes. Assim, utilizou apenas os números impedindo que se conhecesse os envolvidos, o que, do contrário, seria uma severa violação ao sigilo fiscal. Fl. 291DF CARF MF Processo nº 15889.000378/200989 Acórdão n.º 9202006.544 CSRFT2 Fl. 292 12 Ressaltese, mais uma vez, provasse a Defendente os valores reais da remuneração paga aos segurados enquadrados na categoria de segurados empregados e o procedimento fiscal que acarretou a aferição indireta dos valores cairia por terra. (...)" Assim, diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, reformandose o recorrido, de forma a manter os valores lançados por arbitramento decorrentes da caracterização de segurados como empregados, visto que escorreito o lançamento nesta seara. c) Conclusão: Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, para, no mérito, lhe dar provimento, de forma a que sejam mantidos os valores lançados por arbitramento decorrentes da caracterização de segurados como empregados; É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 292DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.906580/2008-58
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004
DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO APÓS O DESPACHO DECISÓRIO.
A apresentação de DCTF retificadora, ainda que após a prolação de despacho decisório, desde que em hipótese não vedada pela legislação, substitui a original, constituindo-se em indício da certeza e liquidez do crédito tributário. Tendo sido o único motivo de indeferimento da compensação e ignorados os seus efeitos pela decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, há de ser acolhida e determinando novo exame da compensação pela Autoridade Fiscal.
Numero da decisão: 3001-000.213
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para retorno dos autos a unidade de origem para apreciar a DCTF retificadora, vencido o conselheiro Cleber Magalhães que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães.
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. A apresentação de DCTF retificadora, ainda que após a prolação de despacho decisório, desde que em hipótese não vedada pela legislação, substitui a original, constituindose em indício da certeza e liquidez do crédito tributário. Tendo sido o único motivo de indeferimento da compensação e ignorados os seus efeitos pela decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, há de ser acolhida e determinando novo exame da compensação pela Autoridade Fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para retorno dos autos a unidade de origem para apreciar a DCTF retificadora, vencido o conselheiro Cleber Magalhães que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 65 80 /2 00 8- 58 Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10680.906580/200858 Acórdão n.º 3001000.213 S3C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ/BHE, que não reconheceu o direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos Fatos O Contribuinte, na data de 10/12/2004, transmitiu PER/DCOMP nº 18143.11712.101204.1.3.044077 declarando a compensação de débito de PIS/PASEP (cód.6912) do período de apuração 11/2004 no valor de R$ 3.724,07 e de COFINS (cód.5856) do período 11/2004 no valor de R$ 5.209,93, com crédito de COFINS recolhido a maior que o devido através de DARF na data de 15/04/2004, da competência 03/2004. Do Despacho Decisório A DRF de Belo Horizonte, em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório (efls.3), pela não homologação da compensação pretendida, em face de inexistência de crédito disponível, pois o valor do DARF discriminado na PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitação de débito declarado para a competência 03/2004. Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade (efls.2), justificando que ocorreram equívocos no preenchimento da DCTF do período (1º Trimestre/2004) e que na data de 25/08/2008 foi procedida a retificação da mesma, fazendo a juntada da mesma (efls.9). Demonstrada a existência do crédito, aguarda pela compensação requerida. Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 2ª Turma da DRJ/BHE, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujos fundamentos encontramse sintetizados na ementa assim elabora: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10680.906580/200858 Acórdão n.º 3001000.213 S3C0T1 Fl. 4 3 Do Recurso Voluntário O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário (efls. 48) contra a decisão singular, com o intuito de ver seu pedido atendido, apelando pela busca da verdade material no processo administrativo, visto restar comprovado a existência do crédito que comporta a compensação declarada. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A recorrente buscou através de PER/DCOMP nº 18143.11712.101204.1.3.044077, transmitida na data de 10 de dezembro de 2004, a compensação de débito de PIS/PASEP no valor de R$ 3.724,07 da competência 11/2004 e de COFINS no valor de R$ 5.209,93 da competência 11/2004, em razão do recolhimento a maior que o devido na data de 15/04/2004 através de DARF no valor de R$ 68.618,34 de COFINS, da competência 03/2004. Contudo, ao tomar conhecimento do Despacho Decisório desfavorável ao seu pedido, constatou que havia incorrido em erro quando da transmissão da DCTF para o período do 1º Trimestre de 2004, indicando como valor apurado de COFINS para o período de Março/2004 R$ 68.618,34. Imediatamente, na data de 25/08/2008, transmitiu DCTF retificadora corrigindo o valor devido de COFINS para R$ 60.478,02 de forma a evidenciar o valor de seu pagamento a maior que o devido, resultando daí o crédito utilizado para a compensação requerida de R$ 8.140,32 que atualizado pela SELIC confere com o valor do débito compensado (R$ 3.724,07 + R$ 5.209,93) = R$ 8.934,00. Ressaltase que esses fatos apresentados pela recorrente com relação às DCTFs apresentadas foram objeto de análise do fisco, conforme se depreende das telas juntadas às efls. 33 a 38 e em especial a tela efls 38 que atribui o valor de R$ 8.140,32 como reservado ao Processo/Perdcomp 10680.906580/200858, que ora se discute. A DRJ/REC fundamenta sua decisão que manteve a não homologação da compensação pleiteada, no fato de que: “A DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB 1.110/2010, art. 9º, § 2o, I, c)”. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10680.906580/200858 Acórdão n.º 3001000.213 S3C0T1 Fl. 5 4 A declaração apresentada presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 131 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. O primeiro passo para regularização da divergência apontada entre a DCTF original e a PER/DCOMP foi o de retificar a DCTF, indicando qual o débito efetivamente devido para o período de referência. As demais provas que a contribuinte deve dispor para atender a necessária auditoria fiscal de homologação dos débitos declarados, dependerá de critérios próprios que o fisco julgar apropriadas. Diante das colocações feitas no acórdão recorrido com relação a produção de provas para atestar o direito creditório, a recorrente trouxe aos autos cópia de livro razão, como forma de lhe conferir liquidez e certeza ao crédito declarado. Cito aqui julgado da 3ª Turma da CSRF no acórdão nº 9303005.396, de 25/07/2017, que analisando caso semelhante confirmaram decisão proferida no acórdão da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, sendo entendimento daquele colegiado, “em síntese, que a DCTF retificadora, nas hipóteses admitidas por lei, tem os mesmos efeitos da original, podendo ser admitida para comprovação da certeza e liquidez do crédito, ainda que transmitida após a prolação do despacho decisório”. Oportuno destacar, também, parte do voto da Conselheira Relatora Vanessa Marini Cecconello (CSRF – T3), pelos seus comentários e associados ao Parecer Cosit nº 02/2015, nos orienta a dar o devido seguimento nesse julgado, “verbis”: O crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nascem com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior. Portanto, a apresentação da DCTF retificadora não é requisito indispensável à homologação da compensação, mas a certeza e liquidez do indébito tributário devem restar comprovadas por outros meios nos autos do processo administrativo. Nesse sentido, é o Parecer Cosit nº 02/2015, de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10680.906580/200858 Acórdão n.º 3001000.213 S3C0T1 Fl. 6 5 analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. (...) Vêse que a administração tributária em questão normativa, preocupada com o assunto, já havia se posicionado sobre o tema que diz respeito à possibilidade de ocorrer DCTF retificadora para demonstrar a existência de crédito passível de compensação. Como antes dito, a liquidez e certeza do crédito tributário não se encerra com a simples DCTF retificadora, há outros indicativos a serem seguidos, sendo, por exemplo, os livros contábeis, que de acordo com as razões recursais foi um dos parâmetros utilizados para atestar o erro de declaração cometido. Nesse sentido, em respeito ao princípio constitucional do contraditório e da ampla defesa, na busca da verdade real no processo administrativo tributário, é cabível oportunizar à Recorrente uma melhor análise pela unidade de origem quanto ao crédito pleiteado. Ademais, não pode o CARF suprir deficiência instrutória ainda que em sede de compensação, pois à luz do art. 10 da IN RFB nº 903/2008: "Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna". De se observar que procedimento algum fora realizado em relação à apuração dos valores da compensação, sejam débitos ou créditos. Não podem as autoridades administrativas omitirse de analisar a materialidade dos débitos e créditos em compensação, eis que do contrário comprometem a regularidade do processo administrativo de restituição e compensação de tributos, cuja implicação é a manifesta nulidade nos termos do art. 59, II do PAF. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para que a unidade de origem aprecie a DCTF retificadora com relação ao crédito pleiteado, juntamente com as provas disponibilizadas pela recorrente ou requerendo outras que entender pertinente e lhe confira liquidez e certeza para a realização da compensação requerida. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10680.906580/200858 Acórdão n.º 3001000.213 S3C0T1 Fl. 7 6 Fl. 101DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.720053/2004-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 28/11/2003
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
O indébito tributário reconhecido judicialmente somente pode ser objeto de declaração de compensação após o trânsito em julgado da ação, conforme art. 170-A do CTN.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-003.250
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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REQUISITOS. O indébito tributário reconhecido judicialmente somente pode ser objeto de declaração de compensação após o trânsito em julgado da ação, conforme art. 170A do CTN. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 00 53 /2 00 4- 48 Fl. 123DF CARF MF 2 Relatório Transcrevo relatório da primeira instância: “Tratase o processo de Manifestação de Inconformidade contra o Parecer e o Despacho n° 1123 da SAORT/Feira de Santana, proferido em 2006, que considerou como não declarada a presente compensação de débitos com crédito de Finsocial vinculado ao processo judicial n° 200233000001971, pleiteado na PER/DCOMP, sob a alegação de que à época da apresentação do referido pedido, em 28/11/2003, não havia transito em julgado da ação, que somente se deu em 03/03/2005, o que constitui infração ao art.74, da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e alterações trazidas pela Lei n°11.051, de 29 de dezembro de 2004, que acrescentou o §12, considerando o art.31 da Instrução Normativa SRF n°600, de 28 de dezembro de 2005, que define a hipótese como ato de não declaração. Cientificada do despacho e inconformada com o indeferimento de seu pedido, a interessada apresentou manifestação de inconformidade alegando que é detentora de crédito de Finsocial assegurado por decisão transitada em julgado, cujo crédito foi declarado através do Mandado de Segurança 2002.33.00.0001971, consoante certidão de inteiro teor, que anexa. Alega que por se tratar de mandado de segurança aplicase a Lei n° 1.533, de 31 de dezembro de 1951, cujo art.31 atribui ao MS um caráter de auto executoriedade, que fica a critério dos próprios impetrantes da ação e permite a execução da sentença antes do transito em julgado da ação, pois do contrário o mandamus perderia sua natureza e sentido, que se caracteriza na celeridade e garantia dos direitos líquidos, só que prejudicada pela impossibilidade de produção das provas. Transcreve jurisprudência. Menciona ainda, que o despacho decisório além de indeferir o pleito, entendeu por considerar não declarada a compensação, embasada no art.31 da IN n° 600, que nem mesmo é lei e só veio ao mundo jurídico em 28/12/2005, muito após a realização da compensação, desconsiderando o principio constitucional da irretroatividade tributária, esculpida [sic] no art.150, III, que nem mesmo pode ser suprimido por emenda constitucional (ADIn n° 939) e desobedecendo ao inciso XXXVI do art.5°, que trata do prejuízo ao direito adquirido, razão pela qual requer a reconsideração do despacho para homologar a compensação declarada.” A DRJ/Salvador/BA – 4ª Turma, por meio do acórdão 1512.362, de 27/03/2007, decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10530.720053/200448 Acórdão n.º 3201003.250 S3C2T1 Fl. 123 3 Data do fato gerador: 28/11/2003 COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. INDEFERIMENTO É vedada a compensação de valores pleiteados junto ao Poder Judiciário antes do trânsito em julgado da ação. Solicitação Indeferida A empresa então apresentou o Recurso Voluntário, onde reitera as sustentações de defesa da Manifestação de Inconformidade. Acrescenta os seguintes argumentos: que a compensação de que trata o art. 170 do CTN é aquela que extingue o crédito tributário, enquanto a compensação de que aqui se trata é aquela que depende de homologação da administração; o que se pretende aqui é a compensação precária, ou seja, mediante homologação/fiscalização da autoridade impetrada; que a autoridade impetrada teria descumprido a ordem judicial. Em 20/05/2009 o processo foi a julgamento na então 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, que converteu o julgamento em diligência para que fossem juntadas peças judiciais atualizadas. Em 06/04/2017 lavrase o relatório de diligência fiscal de fls. 115177, onde se informa sobre certidão de objeto e pé da ação judicial, e recuperase o histórico dos eventos do processo administrativo. Transcrevo: 08/01/2002: Data de início da ação judicial já se encontrava em vigor o Art. 170A do CTN introduzido pela LC 104, de 10/01/2001, que veda a compensação de tributo objeto de discussão judicial antes do trânsito em julgado da ação; 05/09/2002: Data em que foi parcialmente concedida a segurança – informada pela contribuinte como sendo a data do trânsito em julgado ao preencher o programa da Declaração de Compensação (Per/Dcomp); · 20/05/2003: Data da decisão do TRF1 que considera os créditos da interessada prescritos (com publicação em 15/08/2003); · 28/11/2003: Data da transmissão do Per/Dcomp – a decisão judicial então vigente (do TRF1, a partir de 15/08/2003) havia considerado os créditos prescritos e esta decisão apenas foi revertida em 01/07/2004 pelo STJ. Como não havia trânsito em julgado e o programa Per/Dcomp possui crítica a esse respeito, impedindo a transmissão, foram inseridas informações incorretas no programa a fim de burlarlhe a crítica e lograr seu envio, conforme gravura extraída da fl. 02 (destaques nossos em vermelho): Fl. 125DF CARF MF 4 03/03/2005: Data do trânsito em julgado – pode ser verificada no extrato do processo obtido na página eletrônica do STJ (fl. 29). Por força de lei, só a partir dessa data as compensações poderiam ter sido realizadas mediante envio do Per/Dcomp. E, por falta de previsão legal, a ocorrência posterior do trânsito em julgado não tem o condão de convalidar uma declaração de compensação que, por ter sido transmitida irregularmente, é considerada não declarada. Cientificada do relatório de diligência fiscal, a empresa não se manifesta. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, relator. O recurso é tempestivo (protocolo em 02/08/2007), e não havendo outros óbices, deve ser conhecido. Verificase que, à data da apresentação da declaração de compensação, não havia o trânsito em julgado da ação judicial. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10530.720053/200448 Acórdão n.º 3201003.250 S3C2T1 Fl. 124 5 A distinção, tentada pela recorrente, entre compensações submetidas ao artigo 170, ditas extintivas, e as compensações do art. 33 da Lei 8.383/91 e art. 74 da Lei 9.430/96, sob condição resolutória, é artificial. Todas as compensações tributárias são extintivas sob condição resolutória, na expressão clara do §2º do art. 741 citado. Todos esses dispositivos tratam do mesmo instituto, a compensação tributária, inclusive os próprios artigos 170 e 170A do CTN. Verificase, ainda, que, ao contrário do que afirma a recorrente, não houve descumprimento de ordem judicial. A sentença decidiu acerca do direito de compensação dos valores recolhidos indevidamente a título de Finsocial, com correção monetária e incluindose os expurgos inflacionários, mas não acatou o pedido, da impetrante, de declarar a inconstitucionalidade do artigo 170A do CTN2. A própria sentença, como de regra, submete a compensação aos controles da Receita Federal, (fls. 10): Não se justifica, porém, a exigência de comprovação, nos presente autos, da liquidez do crédito, tendo em vista que se trata de lançamento por homologação, onde o valor indicado pelo contribuinte ( a ser compensado) está sujeito à posterior aprovação pela autoridade competente, a fim de que se opere a extinção do crédito tributário. Não houve, em momento algum, negativa, por parte da administração tributária, quanto ao direito de crédito de Finsocial, objeto decidido pelo Poder Judiciário. Houve, sim, verificações das formalidades próprias do pedido. A administração tributária, no exercício de seu mister, examinou a compensação e decidiu por estabelecer o pedido de compensação como não declarado, pela constatação de que, à data do pedido, não havia o trânsito em julgado, e por comando inequívoco do art 74, caput, na redação então vigente3, somente se pode fazer declaração de compensação (com todos os seus efeitos legais) a partir do momento em que se tenha o trânsito em julgado da ação judicial. Transcrevo ainda dois julgados do STJ, em regime de decisões repetitivas, vinculando a decisão nesse sentido, por aplicação do art 62 do Anexo II do Regimento Interno do Carf – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 EMENTA 1. A lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e do contribuinte. Precedentes. 1 § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. 2 Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. 3 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Fl. 127DF CARF MF 6 2. Em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização "antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", conforme prevê o art. 170A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo, introduzido pela LC 104/2001. Precedentes. (REsp 1164452 MG, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/08/2010, DJe 02/09/2010) EMENTA 1. Nos termos do art. 170A do CTN, "é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", vedação que se aplica inclusive às hipóteses de reconhecida inconstitucionalidade do tributo indevidamente recolhido. (REsp 1167039 DF, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/08/2010, DJe 02/09/2010) Portanto, não procedem as alegações da recorrente. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Marcelo Giovani Vieira Relator Fl. 128DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10325.000244/2003-34
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO LEGAL PARA A VERIFICAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DOS CRÉDITOS ENVOLVIDOS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DA COMPENSAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
O §5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 confere o prazo de "5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação" para a Receita Federal verificar a certeza e a liquidez do direito creditório utilizado pelo contribuinte para quitar débitos próprios, mediante compensação. O entendimento que pretende deslocar o temo inicial da contagem da homologação tácita da compensação para o dia da ocorrência do fato gerador que está relacionado à formação do alegado indébito (aplicando a regra do art. 150, §4º, do CTN) torna absolutamente inútil a regra estabelecida no §5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, fazendo letra morta do referido prazo legal. A verificação da certeza e liquidez do direito creditório reivindicado pelo contribuinte, e a negativa da compensação em razão do não reconhecimento desse direito creditório são plenamente possíveis dentro do referido prazo legal.
Numero da decisão: 9101-003.303
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no me´rito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Lui´s Fla´vio Neto (relator), Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Votou pelas concluso~es a conselheira Cristiane Silva Costa. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Arau´jo.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Po^ssas Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Luis Flávio Neto Relator
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Arau´jo Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Rodrigo da Costa Po^ssas (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Adriana Gomes Rêgo.
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO LEGAL PARA A VERIFICAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DOS CRÉDITOS ENVOLVIDOS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DA COMPENSAÇÃO. INOCORRÊNCIA. O §5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 confere o prazo de "5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação" para a Receita Federal verificar a certeza e a liquidez do direito creditório utilizado pelo contribuinte para quitar débitos próprios, mediante compensação. O entendimento que pretende deslocar o temo inicial da contagem da homologação tácita da compensação para o dia da ocorrência do fato gerador que está relacionado à formação do alegado indébito (aplicando a regra do art. 150, §4º, do CTN) torna absolutamente inútil a regra estabelecida no §5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, fazendo letra morta do referido prazo legal. A verificação da certeza e liquidez do direito creditório reivindicado pelo contribuinte, e a negativa da compensação em razão do não reconhecimento desse direito creditório são plenamente possíveis dentro do referido prazo legal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no me´rito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Lui´s Fla´vio Neto (relator), Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Votou pelas concluso~es a conselheira Cristiane Silva Costa. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Arau´jo. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Po^ssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luis Flávio Neto Relator (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Arau´jo Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Rodrigo da Costa Po^ssas (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Adriana Gomes Rêgo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2052; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 1.764 1 1.763 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10325.000244/200334 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9101003.303 – 1ª Turma Sessão de 7 de dezembro de 2017 Matéria Decadência Recorrente ALTO MIUDESAS COMERCIAL LTDA Interessado UNIÃO (FAZENDA NACIONAL) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO LEGAL PARA A VERIFICAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DOS CRÉDITOS ENVOLVIDOS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DA COMPENSAÇÃO. INOCORRÊNCIA. O §5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 confere o prazo de "5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação" para a Receita Federal verificar a certeza e a liquidez do direito creditório utilizado pelo contribuinte para quitar débitos próprios, mediante compensação. O entendimento que pretende deslocar o temo inicial da contagem da homologação tácita da compensação para o dia da ocorrência do fato gerador que está relacionado à formação do alegado indébito (aplicando a regra do art. 150, §4º, do CTN) torna absolutamente inútil a regra estabelecida no §5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, fazendo letra morta do referido prazo legal. A verificação da certeza e liquidez do direito creditório reivindicado pelo contribuinte, e a negativa da compensação em razão do não reconhecimento desse direito creditório são plenamente possíveis dentro do referido prazo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator), Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Cristiane Silva Costa. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 5. 00 02 44 /2 00 3- 34 Fl. 2028DF CARF MF Processo nº 10325.000244/200334 Acórdão n.º 9101003.303 CSRFT1 Fl. 1.765 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luis Flávio Neto – Relator (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Adriana Gomes Rêgo. Relatório Tratase de recurso especial interposto por ALTO MIUDEZAS COMERCIAL LTDA (doravante “contribuinte” ou “recorrida”), em face do acórdão n. 110200.432 (doravante “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”), proferido pela então 2a Turma Ordinária, 1a Câmara, desta 1a Seção (doravante “Turma a quo”). No caso, foram apresentadas pelo contribuinte declarações de compensação de saldos negativos, cujos créditos reclamados teriam o origem em fatos ocorridos a partir de 1998 (efls. 6 e seg.). Contudo, as compensações em questão foram homologadas apenas parcialmente (efls. 932 e seg.; 1645 e seg.) pelo despacho cientificado ao contribuinte em 17.03.2008. O acórdão apresenta a seguinte síntese dos fatos relevantes ao caso (efls. 1897 e seg.): “(...) Da Informação Fiscal de fls. 1578 a 1603. destacamse os seguintes pontos: Que a composição do saldo negativo de IRPJ do auocattndás de 2002 demonstrado pelo contribuinte decorreu, além de pagamentos efetuados por estimativa mediante DARF e do imposto de renda retido na fonte IRRF, também de compensações dc estimativas com o saldo negativo do 1RPJ do ano calendário de 2001, cuja formação, por sua vez, remonta ao anocalendário de 1998. Os quadros de fls. 1579 a 1581 detalham a situação, e as fls. 1588 a 1595 estão detalhados os ajustes entendidos procedentes pela autoridade fiscal. A vista de toda a docinnentação apresentada pela empresa em atendimento as Fl. 2029DF CARF MF Processo nº 10325.000244/200334 Acórdão n.º 9101003.303 CSRFT1 Fl. 1.766 3 diversas intimações para comprovação do direito alegado, e dos demais documentos e informações internas ao fisco e também anexas aos autos; Que, da mesma forma, a composição do saldo negativo da CSLL do ano calendário de 2002 seria decorrente , além de pagamentos efetuados por estimativa mediante DARF, também de compensações de estimativas com o saldo negativo da CSLL do ano calendário de 2001, cuja formaca̧õ se deu a partir da CSLL do anocalendário de 1998, o qual, por sua vez, teve na composicã̧o estimativas compensadas com parte do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 1994. Os quadros de fls. 1582 a 1584 detalham a situação, e as fls. 1595 a 1602 estão detalhados os ajustes efetuados pela autoridade fiscal; Que, ainda, a composição do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 1999 se deu a partir do saldo negativo da CSLL do anocalendário de 1998, que por sua vez teve na composição estimativas compensadas com parte do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 1994, conforme ali também demonstrado nos mesmos quadros. Foi então prolatado pelo Delegado Substituto da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Imperatriz/MA o Despacho Decisório (fls. 1603 a 1605), por meio do qual foram reconhecidos parcialmente o saldo negativo do IRPJ do ano calendário de 2002. na importan̂cia de R$ 499.099.58, e o saldo negativo da CSLL do ano calendário de 2002, na importância de R$ 248.480,93, e não foi reconhecida a importan̂cia pleiteada de R$ 114.495,53 a titulo de saldo negativo remanescente da CSLL do ano calendário de 1999. A decisão recorrida restou assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 SALDO NEGATIVO DE IRPJ E CSLL NA DIPJ. HOMOLOGAÇAÕ TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Os artigos 150 e 173 do CTN estabelecem o prazo decadencial aplicável As hipóteses de constituição do crédito tributário pelo lançamento ,mas não implicam a homologaca̧õ tácita dos saldos negativos de IRPJ e CSLL informados nas declarações apresentadas, os quais são passíveis de verificação, quanto A sua certeza e liquidez, no âmbito da análise dos pedidos de restituicã̧o ou das declarações de compensaçaõ apresentadas. DECLARAÇAÕ DE COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. Nos termos da legislaca̧õ, o fisco dispõe do prazo de cinco anos, contado da data da entrega da declação de compensaçao, para homologar a compensação declarada pelo sujeito passivo. PEDIDO DE RESTITUIÇAÕ / DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ONUS DA PROVA. . A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensaca̧õ, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. ASSUNTO: CONTRIBUIÇAÕ SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Anocalendário: 1999 COMPENSAÇÃO DE 1/3 DA COFINS EFETIVAMENTE PAGA. No caso de pessoas jurídicas que apuram a CSLL anualmente, a compensação de até 1/3 da COFINS efetivamente paga entre os meses de fevereiro e dezembro de 1999 pode ser efetuada com o pagamento dos valores devidos por estimativa ou corn o saldo apurado em 31 de dezembro. O contribuinte interpôs recurso especial (efls. 1911 e seg.), requerendo seja reconhecida a decadência. Destacamse os seguintes trechos do recurso interposto: Fl. 2030DF CARF MF Processo nº 10325.000244/200334 Acórdão n.º 9101003.303 CSRFT1 Fl. 1.767 4 “Ocorre, Ilustre Relator, para se chegar aos valores reconhecidos dos saldos negativos de IRPJ e CSLL de 2002 a fiscalização procedeu a reconstituição dos saldos negativos de IRPJ e CSLL desde o ano de 1998, realizando as glosas que entendeu serem previstas na legislação. Ao proceder a auditoria considerou indevidos, valores a titulo de estimativas de IRPJ e CSLL, que tinham sido pelo contribuinte, compensadas com saldos neqativos de IRPJ e CSLL de períodos anteriores, já homologada tacitamente. Isto se deu, devido insuficiência dos saldos negativos remanescentes após a realização das glosas. O demonstrativo das glosas realizadas e a recomposição dos saldos encontramse detalhados ás fls. 1.588 a 1.602 deste processo. (...) Ora, mesmo inexistindo dispositivo legal expresso acerca do prazo para análise da fiscalização da composição do saldo negativo do IRPJ e do saldo negativo da CSLL elaborada pelo contribuinte, o Código Tributário Nacional no parágrafo único do art. 195 é claro ao afirmar que "os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram." O prazo prescricional a que se refere o dispositivo legal acima mencionado é aquele previsto no art. 174 do CTN, que é de 5 (cinco) anos conforme a redação trazida do no seu caput, tendo em vista que o contribuinte tem também cinco anos para requerer a restituição ou compensação dos valores pagos indevidamente apurados através do saldo negativo do IRPJ e CSLL apontado em sua declaração de rendimento apresentado a Secretaria da Receita Federal do Brasil. Assim, não é viável a fiscalização de período relativo ao qual a empresa não tem mais obrigação de guardar a 'respectiva documentação contábil e fiscal. Não se pode apontar irregularidades documentais e divergências no pagamento de tributos se aguarda da documentação já não é mais exigível, e os valores compensados estão tacitamente homologados. A fiscalização não pode ignorar a dispensa do dever de guarda da documentação prevista na própria legislação a que estão sujeitos tanto o contribuinte como a Administração. Impende à fiscalização que aja no prazo legal, com presteza, sob pena de não mais poder exigir a documentação nem efetuar qualquer tipo de lançamento ou glosa a período anterior a 5 (cinco) anos. (...) Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo à declaraçaõ do contribuinte informando o seu direito creditório junto ao Fisco, por meio da entrega da DIPJ, a autoridade administrativa goza de 5 (cinco) anos para rever o ato praticado pelo contribuinte, sob pena de preclusão do seu direito. O crédito liquido e certo do saldo credor de IRPJ e CSLL são apurados com base na DIPJ entregue pelo contribuinte, situaçaõ a qual ocorreu nos anos calendários de 1.998, 1.999, 2.000, 2.001 e 2.002. O saldo credor de IRPJ e CSLL apurados pela recorrente pode ser utilizado para fins de compensaca̧õ com qualquer tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, num prazo de 5 (cinco) anos, o mesmo prazo também é válido para o fisco conferir a validade dos créditos. Assim, se o contribuinte apurar saldo credor em 31 de dezembro de 2002, o seu pedido de restituica̧õ ou compensação deverá ser feito até 31 de dezembro de 2007, sob pena de prescrever o seu direito a repetição do indébito. Tal prazo (5 anos) também é aplicável ao Fisco Federal, pois segundo a Portaria SRF n° 1.265, de 22 de novembro de 1999, a fiscalização poderá verificar a correspondência entre os valores declarados e os valores apurados pelo sujeito Fl. 2031DF CARF MF Processo nº 10325.000244/200334 Acórdão n.º 9101003.303 CSRFT1 Fl. 1.768 5 passivo em sua escrituração contábil e fiscal, em relação aos tributos e contribuições administrados pela SRF, nos últimos cinco anos.” O despacho de admissibilidade deu integral seguimento ao recurso especial interposto (efls. 2.013 e seg.), a partir dos dois primeiros acórdãos paradigmas de divergência apresentados pelo contribuinte (acórdão n° 1402000.479 e acórdão 1402000.454). A PFN apresentou contrarrazões ao recurso especial do contribuinte (efls. 2018 e seg.), pugnando pela manutenção do acórdão recorrido. A PFN não se opôs ao conhecimento do recurso especial. Concluise, com isso, o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luís Flávio Neto, Relator. Compreendo que o despacho de admissibilidade bem analisou o cumprimento dos requisitos para a interposição do recurso especial de divergência interposto, razão pela qual não merece reparo, adotandose neste voto os seus fundamentos. Quanto ao mérito, vale observar os fundamentos adotados pelo acórdão recorrido, in verbis (efls. 1897 e seg.): “Entende a recorrente que o fisco não poderia ter efetuado glosas nos montantes dos seus créditos, legitima e tempestivamente declarados, por estarem estes tacitamente homologados, em razão do decurso do prazo de mais de cinco anos entre o encerramento dos anoscalendário cujos créditos a fiscalização pretendeu rever (1998 a 2002) e a cien̂cia do Despacho Decisório, que se deu em 17.03.2008. Não lhe assiste razão neste ponto. No presente processo não está em litígio qualquer forma de lançamento, assim entendido como o procedimetito pelo qual se constitui o crédito tributário, nos termos do CTN. Não houve qualquer contestação fiscal quanto às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL declaradas pela contribuinte. As glosas efetuadas fiscalização, conforme se constata na Informação Fiscal de fls. 1578 a 1603, dizem respeito a tributos que não tiveram sua retencã̧o na fonte comprovada, e a estimativas que não tiveram a sua compensação reconhecida. Assim, não se aplica nem o artigo 173 do CTN, que trata do direito do fisco de constituir o crédito tributário pelo lanca̧mento, nem o artigo 150, § 4°, que trata da homologação tácita do lançamento e consequente extincã̧o do crédito tributário correspondente por este motivo. Não há como inferir que, a partir do transcurso do prazo decadencial para efetuar o lançamento, nos termos dos artigos acima citados, estariam tacitamente homologados também quaisquer outros fatos jurídicos tributários capazes de repercutir em períodos de apuraçaõ futuros, como quer fazer crer a recorrente. Quando se trata de compensação, não se está a tratar de lanca̧mento, e tampouco é o crédito tributário o foco. Ao contrário , o foco é o crédito que venha a ser alegado pelo sujeito passivo, sendo certo, portanto, que é a este que cabe fazer a prova do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso 1. Assim, o prazo decadencial apropriado à Fl. 2032DF CARF MF Processo nº 10325.000244/200334 Acórdão n.º 9101003.303 CSRFT1 Fl. 1.769 6 espécie a ser considerado é, antes de mais nada, o do artigo 168 do CTN, que versa sobre o direito do sujeito passivo de pleitear a restituição do tributo pago a maior ou indevidamente. Uma vez formalizada em tempo hábil a compensaçaõ, deve o sujeito passivo ter instrumentos hábeis a comprovar a regularidade do direito invocado, cabendo ao Fisco verificar a consistência das informações necessárias ao procedimento de homologação da compensação. Aliás, o artigo 170 do CTN é expresso ao atribuir A lei o poder de autorizar a compensação tão somente com créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda pública, e sob as condições e garantias que a própria lei vier a estipular. Assim, é somente a partir da formalização da compensaca̧õ que há sentido em se falar ern prazo para que a autoridade administrativa se pronuncie acerca do direito alegado. Neste sentido, cumpre observar que o art. 74 da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pela Lei n° 10.833/03, veio a suprir lacuna antes existente na legislação, no sentido de que naõ havia um prazo estabelecido em lei para a análise do pleito. E o prazo que foi estabelecido pela lei para a homologação da compensacã̧o declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensacã̧o (art. 74, § 5 0, da Lei n° 9.430/96). No caso concreto, a declaracã̧o de compensacã̧o mais antiga foi apresentada em 27.03.2003, e a ciência do Despacho Decisório se deu em 17.03.2008. portanto dentro do prazo previsto na lei para a apreciacã̧o do direito invocado, de sorte que não há que se alegar a decadência do direito do fisco nem a homologação tácita de qualquer crédito. Importante ressaltar, mais uma vez, que o ato praticado pela autoridade administrativa competente foi de nãohomologação da compensaçaõ declarada, por falta de comprovação da existen̂cia do direito creditório, e não de constituição de oficio de crédito tributário. Ainda, importante ressaltar, também, que a lei é expressa no sentido de que o que está sujeito a ser homologado tacitamente. com o decurso do prazo quinquenal, são as compensações declaradas pelo sujeito passivo e fundadas em certo crédito, e o crédito propriamente dito, o que apenas reforça a assertiva de que a liquidez e certeza do crédito há sempre de ser aferida pela autoridade administrativa ante a presença de pleito repetitório/compensatário”. Após refletir detidamente sobre a questão e revendo julgados anteriores deste Tribunal, passei a compreender que assiste razão ao contribuinte em casos como esse. A questão envolve o tema da decadência. Na clara lição de Paulo de Barros Carvalho, “a decadência ou caducidade é tida como o fato jurídico que faz perecer um direito pelo seu nãoexercício durante certo lapso de tempo”. O valor prestigiado pelas normas de decadência é a segurança jurídica. Realizado um determinado ato pelo contribuinte, o Direito positivo prescreve um lapso temporal para a atuação da administração fiscal. Transcorrido in albis o prazo decadencial previsto em lei complementar (Constituição, art. 146; Sumula Vinculante STF n. 8), tornase definitivo o status decorrente daquele ato praticado pelo contribuinte. É pressuposto da norma de decadência a existência de marcos iniciais e finais claramente definidos pelo legislador competente. Em face da escolha pela segurança jurídica, a consequência jurídica da inércia da administração fiscal até o instante definido como termo final é a extinção da competência da administração para questionar os respectivos fatos jurídicotributários. Fl. 2033DF CARF MF Processo nº 10325.000244/200334 Acórdão n.º 9101003.303 CSRFT1 Fl. 1.770 7 No caso sob julgamento, a apuração de saldo negativo de IRPJ e CSLL, apurado pelo contribuinte quanto ao ano de 1998, o que daria ensejo à contagem do prazo decadencial. Aplicandose a regra do art. 150 do CTN, o termo inicial para essa contagem corresponderia a 31/12/1998 e, o seu termo final, 31/12/2003. Daí sucessivamente e, finalmente, quanto aos saldos negativos apurados em 31/12/2002, o termo final do prazo decadencial se daria 31/12/2007. Em 17/03/2008, quando tais compensações foram apenas parcialmente homologadas, os créditos em questão já possuíam a nota da definitividade, gozando o contribuinte de segurança jurídica plena quanto à sua imutabilidade de sua situação. As declarações de compensação apresentadas pelo contribuinte não interferiram na fruição do direito da administração fiscal para fiscalizar e glosar, por meio de competente lançamento de ofício, os referidos saldos negativos (CTN, art. 142 e 150). Não se trata de causa de suspensão ou interrupção da contagem do prazo decadencial. Se a revisão do saldo negativo não poderia mais ser realizada por via do formal procedimento de lançamento tributário, em razão de indubutável decadência, da mesma forma não pode essa revisão ser realizada mediante simples glosa em procedimento de compensação fiscal. Não se pode deixar de considerar a preocupação suscitada no Colegiado de que tal entendimento poderia vir a favorecer atos fraudulentos, de contribuintes maliciosos que poderiam requerer compensações indevidas. No entanto, compreendo que não se pode analisar o caso da recorrente sob a perspectiva de patologias que não lhe dizem respeito. Não há nos autos nenhuma evidência de atos máfé do contribuinte. Além disso, também considero determinante a inexistência de qualquer enunciado positivado pelo legislador competente capaz de resguardar um prazo indefinido para que a administração fiscal se oponha aos atos do contribuinte, na hipótese deste pleitear a restituição ou compensação de tributos. Na verdade, por ter raízes profundas no princípio da segurança jurídica, a norma de decadência prescrita pelo legislador brasileiro não dá lugar a deslocamentos ou mesmo desconsideração de prazos finais, o que tornaria permanentemente indefinidas as relações jurídicas. Por todo o exposto, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Fl. 2034DF CARF MF Processo nº 10325.000244/200334 Acórdão n.º 9101003.303 CSRFT1 Fl. 1.771 8 Voto Vencedor Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Redator designado. Em que pesem as razões de decidir do eminente relator, peço vênia para dele divergir quanto ao entendimento de que o Fisco não poderia mais indeferir as compensações pleiteadas pelo contribuinte, por motivo de decadência. É oportuno transcrever novamente os fundamentos do voto que orientou o acórdão recorrido, na parte em que ele trata da matéria objeto do presente recurso especial: Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Entende a recorrente que o fisco não poderia ter efetuado glosas nos montantes dos seus créditos, legitima e tempestivamente declarados , por estarem estes tacitamente homologados, em razão do decurso do prazo de mais de cinco anos entre o encerramento dos anoscalendário cujos créditos a fiscalização pretendeu rever (1998 a 2002) e a ciência do Despacho Decisório, que se deu em 17.03.2008. Não lhe assiste razão neste ponto. No presente processo não está em litígio qualquer forma de lançamento, assim entendido como o procedimento pelo qual se constitui o crédito tributário, nos termos do CTN. Não houve qualquer contestação fiscal quanto às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL declaradas pela contribuinte. As glosas efetuadas pela fiscalização, conforme se constata na Informação Fiscal de fls. 1578 a 1603, dizem respeito a tributos que não tiveram sua retenção na fonte comprovada, e a estimativas que não tiveram a sua compensação reconhecida. Assim, não se aplica nem o artigo 173 do CTN, que trata do direito do fisco de constituir o crédito tributário pelo lançamento, nem o artigo 150, §4°, que trata da homologação tácita do lançamento e consequente extinção do crédito tributário correspondente por este motivo. Não há como inferir que, a partir do transcurso do prazo decadencial para efetuar o lançamento, nos termos dos artigos acima citados, estariam tacitamente homologados também quaisquer outros fatos jurídicos tributários capazes de repercutir em períodos de apuração futuros, como quer fazer crer a recorrente. Quando se trata de compensação, não se está a tratar de lançamento, e tampouco é o crédito tributário o foco. Ao contrário, o foco é o crédito que venha a ser alegado pelo sujeito passivo, sendo certo, portanto, que é a este que cabe fazer a prova do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Assim, o prazo decadencial apropriado à espécie a ser considerado é, antes de mais nada, o do artigo 168 do CTN, que versa sobre o direito do sujeito passivo de pleitear a restituição do tributo pago a maior ou indevidamente. Uma vez formalizada em tempo hábil a compensação, deve o sujeito passivo ter instrumentos hábeis a comprovar a regularidade do direito invocado, cabendo ao Fisco verificar a consistência das informações necessárias ao procedimento de homologação da compensação. Aliás, o artigo 170 do CTN é expresso ao atribuir à Fl. 2035DF CARF MF Processo nº 10325.000244/200334 Acórdão n.º 9101003.303 CSRFT1 Fl. 1.772 9 lei o poder de autorizar a compensação tão somente com créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda pública, e sob as condições e garantias que a própria lei vier a estipular. Assim, é somente a partir da formalização da compensação que há sentido em se falar em prazo para que a autoridade administrativa se pronuncie acerca do direito alegado. Neste sentido, cumpre observar que o art. 74 da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pela Lei n° 10.833/03, veio a suprir lacuna antes existente na legislação, no sentido de que não havia um prazo estabelecido em lei para a análise do pleito. E o prazo que foi estabelecido pela lei para a homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação (art. 74, §5º, da Lei n° 9.430/96). No caso concreto, a declaração de compensação mais antiga foi apresentada em 27.03.2003, e a ciência do Despacho Decisório se deu em 17.03.2008, portanto dentro do prazo previsto na lei para a apreciação do direito invocado, de sorte que não há que se alegar a decadência do direito do fisco nem a homologação tácita de qualquer crédito. Importante ressaltar, mais uma vez, que o ato praticado pela autoridade administrativa competente foi de nãohomologação da compensação declarada, por falta de comprovação da existência do direito creditório, e não de constituição de oficio de crédito tributário. Ainda, importante ressaltar, também, que a lei é expressa no sentido de que o que está sujeito a ser homologado tacitamente, com o decurso do prazo quinquenal, são as compensações declaradas pelo sujeito passivo e fundadas em certo crédito, e não o crédito propriamente dito, o que apenas reforça a assertiva de que a liquidez e certeza do crédito há sempre de ser aferida pela autoridade administrativa ante a presença de pleito repetitório/compensatário. Não há muito o que acrescentar aos argumentos acima transcritos. O relator do presente recurso especial, para fins de reconhecer a decadência, faz a seguinte afirmação no final de seu voto: "também considero determinante a inexistência de qualquer enunciado positivado pelo legislador competente capaz de resguardar um prazo indefinido para que a administração fiscal se oponha aos atos do contribuinte, na hipótese deste pleitear a restituição ou compensação de tributos." Realmente, não há nenhum enunciado legal que garanta um prazo indefinido à administração fiscal para o exame das compensações tributárias. Ao contrário, há um prazo legal para que isso seja feito, e esse prazo está previsto especificamente no art. 74, §5º, da Lei 9.430/1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] §2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. [...] Fl. 2036DF CARF MF Processo nº 10325.000244/200334 Acórdão n.º 9101003.303 CSRFT1 Fl. 1.773 10 §4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. §5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. É esse prazo de "5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação" que é dado à Receita Federal para que ela verifique a certeza e a liquidez do direito creditório utilizado pelo contribuinte para quitar débitos próprios, mediante compensação. O entendimento que pretende deslocar o temo inicial da contagem da homologação tácita da compensação para o dia da ocorrência do fato gerador que está relacionado à formação do alegado indébito (aplicando a regra do art. 150, §4º, do CTN) torna absolutamente inútil a regra estabelecida no §5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, fazendo letra morta do referido prazo legal. A declaração de compensação mais antiga foi apresentada em 27/03/2003, e o despacho decisório que negou uma parte das compensações foi cientificado ao contribuinte em 17/03/2008, antes portanto que findasse o prazo para que a Receita Federal examinasse as compensações pleiteadas pelo contribuinte. No caso sob exame, não houve lançamento de tributo. O que ocorreu foi a verificação da certeza e liquidez do direito creditório reivindicado pelo contribuinte, e a negativa parcial das compensações por ele pretendidas, uma vez que o direito creditório não foi totalmente reconhecido. A verificação da certeza e liquidez do direito creditório, e a negativa da compensação em razão do não reconhecimento do alegado direito creditório são plenamente possíveis dentro do referido prazo legal. Desse modo, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 2037DF CARF MF
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Numero do processo: 12466.003969/2008-18
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 09/10/2008
EQUIPAMENTOS MULTIFUNCIONAIS. FUNÇÕES DE IMPRESSÃO, TELERREPRODUÇÃO, COPIAGEM, OUTRAS. PARTES E ACESSÓRIOS. CARTUCHOS DE TONER.
Mercadoria identificada como cartuchos de toner, para ser utilizada como parte/acessório de equipamentos multifuncionais com mais do que uma função (impressão, telerreprodução, copiagem etc) combinadas, classificam-se no código tarifário NCM/TEC 8443.99.39. RGI 1, RGI 3 "c" e RGC 1.
Numero da decisão: 9303-006.252
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
(Assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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FUNÇÕES DE IMPRESSÃO, TELERREPRODUÇÃO, COPIAGEM, OUTRAS. PARTES E ACESSÓRIOS. CARTUCHOS DE TONER. Mercadoria identificada como cartuchos de toner, para ser utilizada como parte/acessório de equipamentos multifuncionais com mais do que uma função (impressão, telerreprodução, copiagem etc) combinadas, classificam se no código tarifário NCM/TEC 8443.99.39. RGI 1, RGI 3 "c" e RGC 1.” Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 39 69 /2 00 8- 18 Fl. 562DF CARF MF Processo nº 12466.003969/200818 Acórdão n.º 9303006.252 CSRFT3 Fl. 3 2 (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 3202001.434, da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que, por maioria de votos, negou provimento ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 09/10/2008 PARTES E ACESSÓRIOS PARA MÁQUINAS MULTIFUNCIONAIS. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Por aplicação da RGI/SH 3C, combinada com a RGI/SH 6 e a RGC1, os cartuchos de toner e demais partes e acessórios de máquina multifuncional devem ser classificados no código 8443.99.39. MULTA POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA NA NCM. Mantida a reclassificação fiscal efetuada, é cabível a multa de 1% sobre o valor aduaneiro decorrente da incorreção na classificação fiscal na NCM adotada pela contribuinte na DI. MULTA DE OFÍCIO. O não cumprimento da legislação fiscal sujeita o infrator à multa de ofício no percentual de 75% do valor do imposto lançado de ofício, nos termos da legislação tributária específica. JUROS DE MORA Os juros de mora decorrem de lei e, por terem natureza compensatória, são devidos em relação ao crédito não integralmente pago no vencimento, seja qual for o motivo determinante da falta de recolhimento no prazo legal. Recurso voluntário negado” Irresignado, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial, trazendo, entre outros, que: · A função principal das multifuncionais seria a de impressão, de forma a se afastar a incidência da Regra 3c das RGISH, posto haver uma NCM mais específica, conforme Regras 3ª e 3b; Fl. 563DF CARF MF Processo nº 12466.003969/200818 Acórdão n.º 9303006.252 CSRFT3 Fl. 4 3 · A função de impressão é a que prevalece nas multifuncionais para fins de classificação fiscal, o que dizer de seus acessórios – o cartucho do toner; · É cediço que em equipamentos multifuncionais prevalece a característica de constituírem máquinas impressoras para que possa operar, seja porque a atividade de “impressão” é a mais visada e utilizada por consumidores que buscam tais equipamentos; · Nessa toada, os seus acessórios importados utilizados nesses equipamentos multifuncionais são mais comum e claramente identificados em razão da sua aplicação para a realização de impressões, e não de cópias; · É de clareza hialina que uma impressora pode exercer a função de uma copiadora, porém uma copiadora jamais exercerá a função de impressão; · A posição NCM 8443.99.29 é mais específica do que a posição NCM 8443.99.39; · Na remota hipótese de não ser reconhecido que a classificação fiscal adotada não tenha sido a correta, devese afastar as penalidades, nos termos do art. 100, inciso III e parágrafo único do CTN ante as inúmeras Soluções de \consultas exaradas pela 7ª Região Fiscal. Em Despacho às fls. 386 a 391, foi dado seguimento parcial ao recurso especial apenas em relação à interpretação e aplicação da regra 3 das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado. Sendo assim, considerouse que não houve comprovação de divergência em relação ao afastamento das penalidades com base no disposto no art. 100 do CTN. Em Despacho de Reexame de Admissibilidade de Recurso Especial às fls. 392 a 393, o Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais decidiu por manter na íntegra o despacho do Presidente da Câmara – que deu seguimento parcial ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo. Contrarrazões ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo pela Fazenda Nacional, trazendo, entre outros, que: Fl. 564DF CARF MF Processo nº 12466.003969/200818 Acórdão n.º 9303006.252 CSRFT3 Fl. 5 4 “Ab initio, cabe arguir que o recurso especial não deve ser conhecido, haja vista tem por objeto a rediscussão do conjunto probatório. Outrossim, no mérito melhor sorte não acolhe a tese sustentada pela Recorrente. A respeito da questão diz a jurisprudência pacífica do Sistema de Contencioso Fiscal, verbis: “DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM FLORIANÓPOLIS, 2 º TURMA ACÓRDÃO Nº 0730684 de 22 de Fevereiro de 2013, ASSUNTO: Classificação de Mercadorias, EMENTA: PARTES E ACESSÓRIOS PARA MÁQUINAS MULTIFUNCIONAIS. Os cartuchos de toner e demais partes e acessórios compatíveis para uso em máquinas multifuncionais classificamse no código NCM 8443.99.39 da TE C, aprovada pela Resolução Camex 43/2006, em virtude do disposto na alínea “c” da 3ª Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado combinado com o preceito contido na Regra Geral Complementar nº 1. Período de apuração: 29/07/2008 a 08/08/2008 ACÓRDÃO Nº 0727002 de 13 de Dezembro de 2011, ASSUNTO: Classificação de Mercadorias, EMENTA: CARTUCHO DE TONER COMPATÍVEL COM EQUIPAMENTOS MULTIFUNCIONAIS. Os cartuchos de toner compatíveis para uso em equipamentos multifuncionais classificamse no código tarifário NCM 8443.99.39 da TEC, aprovada pela Resolução Camex 43/2006, em virtude do disposto na alínea “c” da 3ª Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado combinado com o preceito contido na 1ª Regra Geral Complementar. Data do fato gerador: : 23/01/2007 a 23/01/2007, 09/02/2007 a 09/02/2007, 16/02/2007 a 16/02/2007, 12/03/2007 a 12/03/2007, 01/02/2008 a 01/02/2008, 06/05/2008 a 06/05/2008, 26/05/2008 a 26/05/2008 ACÓRDÃO Nº 0731070 de 05 de Abril de 2013, ASSUNTO: Classificação de Mercadorias, EMENTA: PARTES E ACESSÓRIOS PARA MÁQUINAS MULTIFUNCIONAIS. Os cartuchos de toner, de tinta e demais partes e acessórios compatíveis para uso em máquinas multifuncionais classificamse no código NCM 8443.9 9.39 da TEC, aprovada pela Resolução Camex 43/2006, em virtude do disposto na alínea “c” da 3ª Regra Geral para Fl. 565DF CARF MF Processo nº 12466.003969/200818 Acórdão n.º 9303006.252 CSRFT3 Fl. 6 5 Interpretação do Sistema Harmonizado combinado com o preceito contido na Regra Geral Complementar nº 1.” É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo na parte admitida em Despacho, vez que comprovada a divergência a ser observada, conforme reza o art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. Ora, recordase que o acórdão recorrido expressou a não aplicação das Regras 3a e 3b para cartuchos de toner importados utilizados para impressão e para cópia. Enquanto, os acórdãos indicados como paradigmas envolvem casos em que impressoras multifuncionais importadas devem ser classificadas observando as Regras 3a e 3b, sendo imprescindível apurar qual a sua função principal ou predominante. Sendo assim, vêse inegável o contraste das ementas e do teor dos votos das decisões no que tange à aplicação e interpretação da Regra 3 das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado. Em vista do exposto, entendo que devo conhecer o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo na parte admitida em Despacho de Admissibilidade. Ventiladas tais considerações, passo ao cerne da lide – qual seja, se os cartuchos de toner – partes e acessórios devem ser classificados: · Na posição 8443.99.29 – partes e acessórios/ de impressoras ou traçadores gráficos (“plotters”/outros), com alíquotas de Imposto de Importação de 8% e IPI de 10%; ou · Na posição 8443.99.39 (partes e acessórios/de máquinas copiadoras/outros). A priori, antes de adentrarmos à essa discussão, importante para clarificar, lembrar que a classificação fiscal é feita por meio do código NCM Nomenclatura Comum do Fl. 566DF CARF MF Processo nº 12466.003969/200818 Acórdão n.º 9303006.252 CSRFT3 Fl. 7 6 Mercosul, e que tem por base o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (SH) adotado no País por meio do Decreto n° 97.409, de 1988, o qual promulgou à Convenção Internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias. Para sua composição, O Brasil, a Argentina, o Paraguai e o Uruguai adotam, desde janeiro de 1995, a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), que tem por base o Sistema Harmonizado (SH). Assim, dos oito dígitos que compõem a NCM, os seis primeiros são formados pelo Sistema Harmonizado, enquanto o sétimo e oitavo dígitos correspondem a desdobramentos específicos atribuídos no âmbito do MERCOSUL. O Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, ou simplesmente Sistema Harmonizado (SH), é um método internacional de classificação de mercadorias, baseado em uma estrutura de códigos e respectivas descrições. Este Sistema foi criado para promover o desenvolvimento do comércio internacional, assim como aprimorar a coleta, a comparação e a análise das estatísticas, particularmente as do comércio exterior. Além disso, o SH facilita as negociações comerciais internacionais, a elaboração das tarifas de fretes e das estatísticas relativas aos diferentes meios de transporte de mercadorias e de outras informações utilizadas pelos diversos intervenientes no comércio internacional. A composição dos códigos do SH, formado por seis dígitos, permite que sejam atendidas as especificidades dos produtos, tais como origem, matéria constitutiva e aplicação, em um ordenamento numérico lógico, crescente e de acordo com o nível de sofisticação das mercadorias. Desta forma, a classificação de mercadorias no Mercosul é realizada com base em seis Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado (6 RGI/SH) e na Regra Geral Complementar (RGC —1). Regras previstas na Resolução Camex n° 42, de 2001 e também na Instrução Normativa SRF n° 99, de 2001 – sendo a classificação de um produto determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo, e pelas demais regras de classificação (Regra Geral n° 1 de Interpretação do Sistema Harmonizado — RGI 1). A classificação nas subposições de uma mesma posição é determinada pelos textos dessas subposições e das Notas de Subposição correspondentes (RGI 6). Essas mesmas regras aplicamse para o enquadramento de um produto nos itens e subitens de uma subposição (Regra Geral Complementar n° 1 — RGC 1). Fl. 567DF CARF MF Processo nº 12466.003969/200818 Acórdão n.º 9303006.252 CSRFT3 Fl. 8 7 Clarificada a composição dos códigos, quanto à classificação do produto, importante trazer que a lide versa sobre as máquinas multifuncionais. Sabese que a função principal das multifuncionais seria a de impressão, o que entendo que se deve afastar a incidência da Regra 3c das RGISH, posto haver uma NCM mais específica, conforme Regras 3ª e 3b. Ora, a função de impressão é a que prevalece nas multifuncionais para fins de classificação fiscal – o que torna inegável trazer que os acessórios – o cartucho do toner deve seguir o racional dessa classificação. Em equipamentos multifuncionais sempre deve prevalecer a característica e essencialidade principal – sendo que, nessas máquinas impressoras multifuncionais a atividade de “impressão” é a mais visada e utilizada por consumidores que buscam tais equipamentos. Tanto é assim que em vários estabelecimentos que comportam atividades administrativas e comerciais, todos os computadores, a rigor, devem ser configurados para se vincular à rede corporativa para “imprimir” os trabalhos feitos pelos colaboradores. Uma sociedade dificilmente efetuaria a compra de uma máquina multifuncional para que a principal função fosse copiar/”xerocar” documentos. Incontestável que a principal função/a atividade preponderante das máquinas multifuncionais seja “impressão”. Nesse ínterim, os acessórios importados utilizados nesses equipamentos multifuncionais devem ser claramente identificados em razão da sua aplicação para a realização de impressões, e não de cópias. Como bem trazido pela recorrente – “uma impressora pode exercer a função de uma copiadora, porém uma copiadora jamais exercerá a função de impressão”. Em vista de todo o exposto, considerando que a posição NCM 8443.99.29 é mais específica do que a posição NCM 8443.99.39, devese considerar a mais específica. Para tanto, importante ressurgir que a Regra 3ª traz que a mercadoria na posição em discussão deve ser a mais específica – ou seja, que identifica a mercadoria com descrição mais precisa e completa. E a Regra 3b traz que devese observar para fins de classificação fiscal a característica essencial. Frisese os seguintes entendimentos proferidos à época: “ACÓRDÃO DRJ/SPO Nº 76164, 22 FEVEREIRO 2017 Fl. 568DF CARF MF Processo nº 12466.003969/200818 Acórdão n.º 9303006.252 CSRFT3 Fl. 9 8 ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS DATA DO FATO GERADOR: 2008 CARTUCHO DE TONER CLASSIFICAÇÃO FISCAL. OS PRODUTOS DESCRITOS COMO CARTUCHOS DE TONER PARA IMPRESSORAS CLASSIFICAMSE NO CÓDIGO TARIFÁRIO NCM/TEC 8443.99.29, MEDIANTE A APLICAÇÃO DA RGI 1 E 6, E DA DA RGC 1.” SOLUÇÃO DE CONSULTA DIANA/SRRF07 Nº 76, 30 OUTUBRO 2008 ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS CÓDIGO TEC 8443.99.29 CARTUCHO DE TONER, MARCA REGISTRADA RICOH, FABRICADO POR RICOH CORPORTATION¿, NAS CORES PRETO, CIANO, MAGENTA E AMARELO, UTILIZADOS EM EQUIPAMENTOS RICOH, MULTIFUNCIONAIS E/OU IMPRESSORAS A LASER, MODELOS E TIPOS 8105D, 1130D E 1150D, DENOMINADO VULGARMENTE TONER RICOH, TÉCNICOS E CIENTIFICO RICOH TONER PARA IMPRESSÃO E COMERCIALMENTE RICOH TONER, TIPOS 8105D,1130D E 1150D. No mesmo sentido, refletiram as Soluções de Consulta de nºs 84/2008, 83/2008, 82/2008, 81/2008, 80/2008, 79/2008, 78/2008, 77/2008, 75/2008, 74/2008, 72/2008, 71/2008, 68/2008, 50/2008, 47/2008, 300/2007. Sendo assim, conheço o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo na parte admitida em Despacho, dandolhe provimento. É como voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 569DF CARF MF Processo nº 12466.003969/200818 Acórdão n.º 9303006.252 CSRFT3 Fl. 10 9 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal Redator Designado Antes de adentrar ao mérito do litígio, quero registrar minha concordância com a i. Relatora do processo no que diz respeito ao preenchimento dos requisitos de admissão do recurso especial. Outrossim, peço vênia para acrescentar que, ao contrário do que alega a Contrarrazoante, não se trata aqui de rediscussão do conjunto probatório do autos, mas de dissenso jurisprudencial quanto à correta aplicação das regras de classificação fiscal de mercadorias, no fito de determinar o correto enquadramento tarifário de cartuchos de toner utilizados em equipamentos multifuncionais. Também pareceme que seja oportuno trazer a lume algumas considerações adicionais sobre o divergência suscitada pela recorrente. Como não é difícil perceber, os dois acórdãos paradigma carreados aos autos decidiram sobre a classificação de equipamentos multifuncionais. Neste processo, contudo, discutese a classificação de cartuchos para serem utilizados nesses equipamentos e não dos equipamentos propriamente ditos. Nos paradigma, entendeuse que a função principal dos equipamentos multifuncionais é a impressão, enquanto que, no recorrido, entendeuse que nenhuma das classificações possíveis para cartuchos era mais específica do que as outras. Por força dessas circunstâncias, a primeira impressão que tive foi a de que as decisões não teriam como ser comparadas. Em primeiro lugar, são mercadorias diferentes. Tanto as características merceológicas são diferentes, quanto o texto das NCM a ser cotejados para classificar um e outro produto o são. Segundo, os paradigmas decidiram com base na função principal, que não é um critério definido nas Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado, mas em Nota de Seção. Já o recorrido decidiu, principalmente, com base na especificidade (ou falta dela) do texto do código tarifário (Regra Geral 3a). Fl. 570DF CARF MF Processo nº 12466.003969/200818 Acórdão n.º 9303006.252 CSRFT3 Fl. 11 10 Assim, a comparação parecia ser entre uma decisão tomada com base na identificação da função principal de um equipamento multifuncional, com uma decisão tomada com base na especificidade do texto do código tarifário escolhido para classificação de partes/acessórios destinados a esses equipamentos. Embora isso, terminei por concluir que o recurso deveria ser, ainda assim, admitido. Com efeito, a leitura do inteiro teor da decisão vergastada não deixa dúvidas de que a escolha da correta classificação dos equipamentos multifuncionais foi uma das razões decisivas na determinação do código tarifário apropriado para os cartuchos de toner. Observe se o excerto a seguir, extraído do voto condutor da decisão recorrida. Importante observar que o critério decisivo e fundamental para a correta classificação, em geral, deve ser buscado nas características e propriedades objetivas da própria mercadoria, tal como definidas nos textos das posições/subposições e nas notas de Seção e de Capítulo (RGI/SH 1 e 6) e, mutatis mutandis, dentro de cada posição e subposição, o item e subitem aplicável (RGC1), e não em elementos subjetivos. Isto implica dizer que não se deve considerar, no caso em tela, a denominação “popular” ou “comercial” atribuída à máquina multifuncional, ou mesmo ao uso mais “comum” dado ao produto, por tratarem se de elementos subjetivos e não determinantes para fins da ciência da merceologia. (grifos meus) E, de fato, como a seguir será demonstrado, não há mesmo como decidir sobre a classificação dos cartuchos importados pela recorrente, sem determinar a classificação do equipamento ao qual estão destinados. Assim, aduzo ao voto as considerações acima para corroborar o entendimento expresso pela i. Relatora do processo no sentido de que o recurso deve ter seguimento. Passo ao mérito. Fl. 571DF CARF MF Processo nº 12466.003969/200818 Acórdão n.º 9303006.252 CSRFT3 Fl. 12 11 Como se sabe, a classificação fiscal de mercadorias deve observar (i) as Regras Gerais para a Interpretação do Sistema Harmonizado1, (ii) as Regras Gerais Complementares do Mercosul e (iii) as Regras Gerais Complementares da TIPI. São também levados em consideração os pareceres de classificação do Comitê do Sistema Harmonizado da Organização Mundial das Aduanas (OMA), os Ditames do Mercosul, e, subsidiariamente, das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (Nesh). Releva destacar que as Nesh foram internadas no Brasil por meio do Decreto nº 435, de 27 de janeiro de 1992 e, portanto, não têm força legal. Ainda assim, tratamse de orientações e esclarecimentos de caráter complementar de grande importância, constituindose em um instrumento indispensável de apoio na atividade de classificação. Conforme reza a RGI 1, a classificação de mercadorias é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não contrariem a própria RGI 1, pelas RGI subsequentes. No caso em apreço, discutese a correta classificação fiscal da mercadoria identificada na declaração de importação nº 08/16049089 como cartuchos de toner para impressora. A Nota nº 2 Seção XVI da Nomenclatura Comum do Mercosul estabelece que, ressalvada a hipótese de constituíremse em artigos compreendidos em uma posição específica, as partes de máquinas2, quando possam ser identificadas como exclusiva ou principalmente destinadas a uma máquina, classificamse na posição correspondente a esta máquina. 2. Ressalvadas as disposições da Nota 1 da presente Seção e da Nota 1 dos Capítulos 84 e 85, as partes de máquinas (exceto as partes dos artigos das posições 84.84, 85.44, 85.45, 85.46 ou 85.47) classificamse de acordo com as regras seguintes: a) As partes que constituam artigos compreendidos em qualquer das posições dos Capítulos 84 ou 85 (exceto as posições 84.09, 1 Anexo à Convenção Internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, aprovada no Brasil pelo Decreto Legislativo nº 71, de 11 de outubro de 1988, e promulgada pelo Decreto nº 97.409, de 23 de dezembro de 1988. 2 A expressão "máquinas" aqui, deve ser compreendida em sentido lato. Fl. 572DF CARF MF Processo nº 12466.003969/200818 Acórdão n.º 9303006.252 CSRFT3 Fl. 13 12 84.31, 84.48, 84.66, 84.73, 84.87, 85.03, 85.22, 85.29, 85.38 e 85.48) incluemse nessas posições, qualquer que seja a máquina a que se destinem; b) Quando se possam identificar como exclusiva ou principalmente destinadas a uma máquina determinada ou a várias máquinas compreendidas numa mesma posição (mesmo nas posições 84.79 ou 85.43), as partes que não sejam as consideradas na alínea a) anterior, classificamse na posição correspondente a esta ou a estas máquinas ou, conforme o caso, nas posições 84.09, 84.31, 84.48, 84.66, 84.73, 85.03, 85.22, 85.29 ou 85.38; todavia, as partes destinadas principalmente tanto aos artigos da posição 85.17 como aos das posições 85.25 a 85.28, classificamse na posição 85.17; É incontroverso nos autos que os cartuchos de toner são partes/acessórios de equipamentos que têm a capacidade de exercer diversas funções combinadas impressão, reprodução e telerreprodução. Assim, como já havia antecipado, a primeira definição necessária diz respeito à correta classificação tarifária dessas máquinas multifuncionais nas quais os cartuchos serão utilizados. Pois bem, até o ano de 2007, uma vez que não houvesse um código tarifário específico para os equipamentos multifuncionais do tipo dos que são objeto do presente processo, e considerando que as impressoras se classificavam no capítulo 84; as copiadoras, no capítulo 85; e os faxes no capítulo 90, a classificação tarifária desses equipamentos era feita segundo critério estabelecido na Nota 3 da Seção XVI da Nomenclatura Comum do Mercosul. 3. Salvo disposições em contrário, as combinações de máquinas de espécies diferentes, destinadas a funcionar em conjunto e constituindo um corpo único, bem como as máquinas concebidas para executar duas ou mais funções diferentes, alternativas ou complementares, classificamse de acordo com a função principal que caracterize o conjunto. Desta forma, até então, a controvérsia girava em torno da definição de qual fosse a função primordial desses equipamentos multifuncionais: a impressão, a copiagem ou a Fl. 573DF CARF MF Processo nº 12466.003969/200818 Acórdão n.º 9303006.252 CSRFT3 Fl. 14 13 telerreprodução. Acaso se entendesse que não seria possível determinar uma dentre todas como sendo a função principal, lançavase mão da RGI 3 "c". Em 2007, contudo, a IV Emenda do Sistema Harmonizado determinou a migração dos equipamentos multifuncionais para a reformada posição 84.43, que, à época dos fatos geradores objeto dos autos, tinha a seguinte estrutura: 8443 Máquinas e aparelhos de impressão por meio de blocos, cilindros e outros elementos de impressão da posição 84.42; outras impressoras, máquinas copiadoras e telecopiadoras (fax), mesmo combinados entre si; 8443.9 Partes e acessórios 8443.99 Outros 8443.99.1 – De telecopiadores (fax) 8443.99.19 Outros 8443.99.2 – De impressoras ou traçadores gráficos (“plotters”) 8443.99.29 Outros 8443.99.3 De máquinas copiadoras 8443.99.39 Outros Assim, como a importação que deu azo à autuação sub judice ocorreu no dia 09 de outubro de 2008, a classificação dos equipamentos multifuncionais aos quais estão destinados os cartuchos de toner já estava pacificada como sendo na posição 8443, não envolvendo mais a discussão sobre qual fosse a sua função principal. Isso significa que a controvérsia do presente litígio reside na escolha do item/subitem no qual os cartuchos, na qualidade de partes/acessórios dos equipamentos multifuncionais, devem ser classificados. No código 8443.99.1, se considerados como destinados aos telecopiadores (fax); no código 8443.99.2, se considerados como destinados às impressoras ou traçadores gráficos (plotters); ou no código 8443.99.3, se considerados como destinados às máquinas copiadoras. Isto posto, se não remanescem dúvidas de que os produtos importadas identificamse como equipamentos multifuncionais, uma vez que desempenhem mais do que uma das funções acima relacionadas, parece mais do que óbvio que nenhum dos três códigos Fl. 574DF CARF MF Processo nº 12466.003969/200818 Acórdão n.º 9303006.252 CSRFT3 Fl. 15 14 acima identifica especificamente as partes e acessórios destinados a esses equipamentos, mas apenas a uma parte/função deles. A curiosa consequência disso, é, por força dessas circunstâncias, se restabelece a antiga controvérsia em torno de qual seria função principal de um equipamento com essas características, já que, à época dos fatos, não havia uma posição específica para as partes e acessórios destinadas aos equipamentos multifuncionais, mas apenas àquelas destinadas às telecopiadoras (fax), às impressoras ou traçadores gráficos (“plotters”) ou às máquinas copiadoras. Quanto a isso, na modesta opinião deste Redator, revelase ingênua a tentativa de definir uma dentre as diversas funções desempenhadas por esses equipamentos multifuncionais como sendo a principal. Se para determinada usuário a função de imprimir é a primordial, para outro, que supostamente pretende utilizar o equipamento basicamente para escanear, haverá de ser secundária. Já para um terceiro, a reprodução por cópias poderá de ser o mais importante, e assim por diante. Mutatis mutandis, essa é, precisamente, a ocorrência identificada na RGI 3 "a" quando trata da circunstância na qual duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte do todo que especifica a mercadoria. a) A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerarse, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. A RGI 3 define critérios para classificação da mercadorias quando o classificador deparase como uma situação como essa, nos seguintes termos. c) Nos casos em que as Regras 3 a) e 3 b) não permitam efetuar a classificação, a mercadoria classificase na posição Fl. 575DF CARF MF Processo nº 12466.003969/200818 Acórdão n.º 9303006.252 CSRFT3 Fl. 16 15 situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração. A RGC 1, por seu turno, determina que 1. (RGC1) As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão, "mutatis mutandis", para determinar dentro de cada posição ou subposição, o item aplicável e, dentro deste último, o subitem correspondente, entendendose que apenas são comparáveis desdobramentos regionais (itens e subitens) do mesmo nível. À luz de todas as considerações até aqui postas, a conclusão insofismável é a de que revelase correta a classificação dos cartuchos de toner na NCM 8443.99.39, tal como entendeu a Fiscalização Federal ao lavrar o auto de infração objeto do vertente litígio, uma vez que seja esse o código situado em último lugar na ordem numérica, dentre os suscetíveis de, validamente, se tomarem em consideração. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 576DF CARF MF
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Numero do processo: 19647.005657/2004-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 15 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.244
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado). Relatório Cuida o presente processo de Declaração de Compensação, entregue em papel no dia 11/07/2004, na qual a Recorrente acima identificado informou crédito da Contribuição para o PIS nãocumulativo (Exportação) relativo ao mês de janeiro de 2004 (fls. 04/05), no valor original de R$ 19.397,31, e débito da COFINS PA de dezembro de 2002 no valor original 13.255,87. Posteriormente, o sujeito passivo apresentou Pedido de Ressarcimento Eletrônico nº 25042.09357.070406.1.1.085988 (fls. 31/33), transmitido em 07/04/2006, no qual informou crédito da Contribuição para o PIS nãocumulativo (Exportação), relativo ao 1º trimestre de 2004, no valor de R$ 81.953,42. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 96 47 .0 05 65 7/ 20 04 -2 8 Fl. 1886DF CARF MF Processo nº 19647.005657/200428 Resolução nº 3402001.244 S3C4T2 Fl. 1.887 2 Por bem descrever os fatos ocorridos nestes autos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, nº 1145.151, de 26/02/2014, prolatada pela 2ª Turma da DRJ em Recife (PE), a seguir transcrito (fls. 1.720/1.738): "(...) O Chefe do Serviço de Orientação e Análise Tributária (SEORT) da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Recife (PE), por meio do Despacho Decisório DRF/REC/PESSOA JURIDICA/2008, de fl. 143, datado de 18/12/2008, concordando com os fundamentos expostos no Termo de Informação Fiscal (fls. 141142), na Informação Fiscal SEFIS/DRF/RECIFE (fls. 129136) e no Demonstrativo de fls. 137140, reconheceu o direito creditório no valor de R$ 33.823,64, referente ao PIS não cumulativo (Exportação) do 1º trimestre de 2004. Dessa forma, foi homologada integralmente a compensação do débito da Cofins de dezembro de 2002, no valor original de R$ 13.255,87, e determinado o ressarcimento do valor de R$ 14.426,33, referente ao excesso de crédito após a mencionada compensação. 1 O processo administrativo em julgamento, originalmente em papel, foi digitalizado, razão pela qual todas as referências a documentos observam a nova numeração digital, salvo ressalva expressa em contrário. A autoridade fiscal responsável pela aferição do crédito em exame consignou no Termo de Informação Fiscal que parte dos créditos informados pelo contribuinte no DACON2 deixaram de ser acatados, pelos seguintes motivos: (i) Bens adquiridos para revenda ou utilizados como insumos: A partir dos Livros de Registro de Apuração do ICMS, incluindo aquisições de pessoas físicas e pessoas jurídicas, foi constatado excesso de crédito. (ii) Aquisição de pessoas físicas de produtos da agroindústria: A partir de informações (arquivos digitais fornecidos pelo contribuinte) foram apuradas diferenças em relação aos valores informados no DACON (conforme fl. 120) (iii) Entradas de mercadorias recebidas com o fim específico de exportação: A Fiscalização, com base no Livro de Apuração do ICMS, apurou volume significativo de mercadorias recebidas com o fim específico de exportação, adquiridas de pessoas físicas e jurídicas, sendo indicado que o §2º do art. 1º da Instrução Normativa SRF nº 379, de 30/12/2003, que veda às empresas comerciais exportadoras apurarem créditos correspondentes às aquisições dessas mercadorias. (iv) Ajustes negativos de créditos: Foi constatado que o contribuinte deixou de computar ajustes negativos decorrentes de devoluções de compras da empresa. (v) Outros valores com direito a crédito (despesa de frete e armazenagem): Por falta de amparo legal, deixaram de ser considerados os créditos oriundos dos valores pagos a título de fretes sobre vendas realizados em janeiro de 2004, já que somente a partir de fevereiro de 2004 houve a autorização legal para tal aproveitamento. Fl. 1887DF CARF MF Processo nº 19647.005657/200428 Resolução nº 3402001.244 S3C4T2 Fl. 1.888 3 3.1. No mencionado levantamento do crédito, a Fiscalização também verificou que o contribuinte deixou de computar, na formação da base de cálculo das Contribuições do PIS e da Cofins não cumulativas, valores de diversas receitas (Receitas Recuperadas do Crédito Presumido do IPI, Receitas Recuperadas do Crédito Prêmio do IPI e Receitas de Variação Cambial Ativa), o que resultou em lançamento de ofício, com suspensão de sua exigibilidade3, formalizado no processo nº 19647.008747/200802. 4. Cientificado de tal decisão em 05/01/2009 (fl. 145), o contribuinte, por meio de seu procurador, assim identificado no Instrumento de Procuração de fl. 205, apresentou manifestação de inconformidade, às fls. 147192, na data de 20/02/2009, contestando o indeferimento parcial sob os seguintes argumentos, em síntese: Da inexistência de remessa com fim específico de exportação 4.1. Disse que o art. 2º do Decretolei nº 1.248, de 1972, prevê que somente se enquadram no conceito de comercial exportadora aquelas empresas conhecidas como "trading company", o que não é o caso da recorrente, visto que não possui registro na CACEX, bem como só se tornou sociedade anônima em 2006. 2 Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais. 3 A suspensão da exigibilidade foi justificada por ter sido identificado pela autoridade fiscal que o sujeito passivo possui demanda judicial tratando da mesma matéria. 4.2. Alegou que as referidas mercadorias não saíram do produtorvendedor direto para o porto de embarque ou para o recinto alfandegado, pois foram destinadas, antes de serem exportadas, às indústrias do impugnante, para processo de beneficiamento. 4.3. Argumentou que as mercadorias indicadas com o fim específico de exportação (CFOP 1501 e 2501) não se enquadram na definição prevista Decretolei nº 1.248, de 1972, apenas se enquadrando na definição prevista na legislação do ICMS4, a qual: (i) não exige a remessa da mercadoria diretamente para porto ou recinto alfandegado, não exigindo que o produto esteja definitivamente acabado; (ii) autoriza empresas com registro no SISCOMEX operarem como comercial exportadora, independente da forma societária adotada; (iii) permite que a mercadoria sofra beneficiamento antes de ser exportada. Do beneficiamento das mercadorias 4.4. Disse que realiza alguns procedimentos de beneficiamento nas mercadorias adquiridas, considerados pela legislação do IPI como industrialização, indicando que: (i) as mercadorias são remetidas para a indústria, ou seja, não saem do produtorvendedor para o porto ou recinto alfandegado; (ii) o produtor rural não pode exportar seus produtos (direta ou indiretamente), via comercial exportadora, sem antes passar pela certificação sanitária, a qual apenas é concedida para indústrias beneficiadoras, que é o caso da recorrente; (iii) todas as mercadorias exportadas são acondicionadas pela impugnante em embalagens com sua marca; (iv) comparando notas fiscais de entrada Fl. 1888DF CARF MF Processo nº 19647.005657/200428 Resolução nº 3402001.244 S3C4T2 Fl. 1.889 4 e de saída, verificase que a mercadoria que entra é diferente da que sai. Do direito da impugnante em creditarse do PIS referente às aquisições de mercadorias com fim específico de exportação 4.5. Indicou ofensa ao princípio da legalidade, pois a Lei nº 10.637, de 2002, não estabelece nenhuma vedação ao aproveitamento do contestado crédito por parte das comerciais exportadoras e que tal óbice foi imposto por norma infralegal (no caso, a Instrução Normativa SRF nº 379, de 2003). Do direito ao crédito de PIS referente às despesas com frete sobre vendas 4.6. Discordou do entendimento de que a legislação vigente até o mês de janeiro de 2004 não autorizava o aproveitamento dos créditos de PIS relativos às despesas com frete sobre vendas, asseverando que o frete é insumo essencial para a revenda das mercadorias adquiridas ou dos produtos fabricados, devendo ser considerado custo de produção. Discordou do entendimento dado pelo inc. IX do art. 3º do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 2, de 2005, justificando que a Lei nº 10.833, de 2003, apenas restringiu um direito já assegurado nos inc. I e II do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, condicionandoo à comprovação do ônus da despesa a cargo do vendedor. Citou, para amparar sua assertiva, ementa do Processo de Consulta nº 220, de 2003, da Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil na 6ª Região Fiscal (SRRF06). Do direito à correção monetária do crédito presumido de PIS sobre o estoque de abertura 4 Convênio ICMS nº 113, de 1996, e Regulamento do ICMS do Estado de Pernambuco (Decreto nº 14.876, de 1991) 4.7. Contestou a acusação constante no Termo de Verificação Fiscal, segundo o qual teria majorado indevidamente o valor do crédito presumido relativo ao estoque de abertura, apontando que o art. 13 da Lei nº 10.833, de 2003, de forma indireta, assegurou o direito à correção monetária do crédito presumido de PIS. Afirmou ainda que a Lei nº 10.637, de 2002, não fez nenhuma ressalva à correção monetária em tela. Da possibilidade de concomitância de discussão na seara administrativa e judicial 4.8. Alegou que está prevalecendo no Supremo Tribunal Federal (STF) o entendimento5 sobre a inconstitucionalidade do parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.830, de 1980, o qual estabelece o impedimento da concomitância de discussão da mesma matéria na esfera judicial e administrativa. Suscita ainda o disposto no art. 5º (inc. LIV) da Constituição Federal para que a sua impugnação seja conhecida. Da não incidência do PIS sobre as receitas decorrentes de exportação, inclusive variação cambial Fl. 1889DF CARF MF Processo nº 19647.005657/200428 Resolução nº 3402001.244 S3C4T2 Fl. 1.890 5 4.9. Justificou que as variações cambiais decorrentes das operações de exportação não foram computadas na base de cálculo da aludida contribuição pois considera que não são tributadas, por força de norma de isenção, posteriormente alçada à imunidade constitucional. 4.10. Sustentou que o Ato Declaratório SRF nº 73, de 09/08/1999, perdeu a sua eficácia em face da Emenda Constitucional nº 33, de 2001, e conclui que o valor correspondente à variação cambial integra o conjunto das receitas decorrentes de exportação ou receitas de venda de mercadorias para o exterior, não estando, portanto, sujeito à exigência do PIS. Do crédito prêmio e do crédito presumido do IPI exclusão da base de cálculo do PIS 4.11. Afirmou que os incentivos legais do créditoprêmio e crédito presumido do IPI não podem ser considerados na composição da base de cálculo do PIS porque: (i) não possui decisão administrativa ou judicial que lhe assegure escrituração e utilização do créditoprêmio de IPI e, por este motivo, não poderia incluir na base de cálculo uma “receita” inexistente; (ii) ainda não possui decisão administrativa definitiva que lhe assegure o direito de utilizar o crédito presumido de IPI para compensação ou ressarcimento; (iii) o créditoprêmio e o crédito presumido do IPI não compõem a base de cálculo do PIS e da Cofins porque representam recuperação de custos de caráter compensatório. Da necessidade de realização de diligências e prova pericial 4.12. Propugnou pela realização de diligência ou de uma perícia técnica para que sejam aferidas todas as etapas do processo industrial, requerendo o acolhimento de sua defesa e o reconhecimento integral do crédito. Da 1ª diligência 5. Por não conter os elementos necessários para o julgamento do processo, a então Presidente da 2a Turma da DRJ/Recife, acatando proposta deste relator, determinou o encaminhamento dos autos à unidade de origem (DRF/Recife) com a finalidade de: “12.1. Aferir se as mercadorias adquiridas de pessoas físicas e jurídicas no 1º trimestre de 2004, indicadas no Livro de Apuração de ICMS com o fim específico de exportação (CFOP 1501 e 2501), sofreram algum tipo de beneficiamento (processo de industrialização) antes de serem exportadas, identificando, se for o caso, o tipo de beneficiamento e em qual estabelecimento industrial fora processado. 12.2. Verificar se nas aquisições de pessoas físicas e jurídicas citadas os produtos foram remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados. 12.3. Elaborar demonstrativo, classificando as mencionadas aquisições pela sua natureza: (i) aquisições passíveis de beneficiamento industrial antes de serem exportadas; (ii) aquisições de produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de Fl. 1890DF CARF MF Processo nº 19647.005657/200428 Resolução nº 3402001.244 S3C4T2 Fl. 1.891 6 exportação ou para recintos alfandegados; e (iii) outros tipos de aquisições; 12.4. Elaborar novos demonstrativos de apuração do direito creditório (fls. 116125), caso haja necessidade, ou seja, se eventualmente houver alteração de algum valor constante dos demonstrativos já existentes; (...);” 6. O cumprimento da apontada diligência resultou na elaboração da Informação Fiscal de fls. 956970, nela constando que a Fiscalização considerou de fundamental importância a comprovação do vínculo entre as mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação, após eventual processo de industrialização, com as respectivas exportações. Assim, após análise das informações apresentadas pelo sujeito passivo (planilhas, notas fiscais, documentos de embarque e de exportação), a autoridade fiscal considerou não comprovado, com documentos hábeis e idôneos, coincidentes com datas e valores, o processo de industrialização das mercadorias adquiridas com fim específico de exportação. 7. Em relação a estas conclusões o recorrente apresentou as seguintes considerações (fls. 976981): 7.1. Afirmou que a Fiscalização limitouse a intimar a recorrente para fosse demonstrada a vinculação das notas fiscais das aquisições (CFOP 1501 e 2501) com as notas fiscais de transferências para industrialização e com as notas fiscais dos produtos exportados. 7.2. Apontou preciosismo da autoridade fiscal, desamparado de legalidade, referindose à exigência de indicação nas notas fiscais de remessa e retorno para industrialização das correspondentes notas fiscais de aquisições, bem como a indicação nas notas fiscais de exportação das correspondentes notas de retorno de industrialização. 7.3. Disse que é inviável, especialmente no caso das aquisições de pescado de pessoas físicas, detectarse, com a precisão requerida pela Fiscalização, quais notas fiscais de aquisição os diversos itens remetidos se referem. 7.4. Afirmou que a Netuno não comercializa produtos "frescos", isto é, livre de qualquer beneficiamento após sua retirada da natureza, pois todos os produtos adquiridos pela empresa (matriz e filiais) sofrem algum tipo de beneficiamento (complexo ou simples). 7.5. Acostou aos autos todas as notas fiscais de venda ou transferência para venda emitidas no período abrangido na ação fiscal, com a finalidade de demonstrar que todos os produtos vendidos (ou transferidos para venda) sofrem algum tipo de beneficiamento (industrialização). 7.6. Apresentou demonstrativo, obtido a partir do Livro de Apuração do ICMS, para filial localizada no Estado da Paraíba, com o intuito de evidenciar o beneficiamento do pescado adquirido, inclusive para fins de exportação (CFOP 1501 e 2501). Fl. 1891DF CARF MF Processo nº 19647.005657/200428 Resolução nº 3402001.244 S3C4T2 Fl. 1.892 7 7.7. Ao final, reiterou os termos de sua manifestação de inconformidade. Da 2ª diligência 8. Ao retornarem os autos a esta 2ª Turma da DRJ/Recife foi verificado que acervo probatório acostado ainda se revelava insuficiente para o deslinde do caso. Assim, por intermédio do Despacho DRJ/REC nº 3172, de 23/08/201, foi solicitado à unidade de origem (Delegacia da Receita Federal do Brasil em Recife) o seguinte: “11.1. Elaborar demonstrativo mensal relativo às notas fiscais de compras efetuadas a pessoas físicas (aquisições) das mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação (CFOP 1501 e 2501), efetuadas no 1º Trimestre de 2004. O demonstrativo deverá apresentado agrupado por unidade (estabelecimento), conter os totais de cada período e as seguintes informações das notas fiscais: número, data de emissão, CFOP, valor da operação, identificação do emitente/destinatário (nome, CPF/CNPJ). 11.2. Elaborar demonstrativo mensal relativo às notas fiscais de compras efetuadas a pessoas jurídicas (aquisições) das mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação (CFOP 1501 e 2501), efetuadas no 1º Trimestre de 2004. O demonstrativo deverá apresentado agrupado por unidade (estabelecimento), conter os totais de cada mês e as seguintes informações das notas fiscais: número, data de emissão, CFOP, valor da operação, identificação do emitente/destinatário (nome, CPF/CNPJ). 11.3. Apresentar as cópias das notas fiscais relacionadas nos demonstrativos indicados nos itens 11.1 e 11.2, para serem acostadas aos autos de forma ordenada a facilitar a sua conferência.” 9. Providências cumpridas conforme fls. 11681714, após o que os autos foram devolvidos para esta 2ª Turma da DRJ/REC, para prosseguimento das análises. É o relatório. No entanto, os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, foram parcialmente acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito (fl. 1.720): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. CARACTERIZAÇÃO. São requisitos básicos para a caracterização de empresa comercial exportadora apenas o fim comercial de suas atividades e a realização de operações de exportação, em especial de produtos recebidos com destino ao comércio exterior. Sujeitase unicamente ao registro junto à RFB, indispensável para operação do sistema Siscomex, e à inscrição no Registro de Exportadores e Importadores (REI) da Fl. 1892DF CARF MF Processo nº 19647.005657/200428 Resolução nº 3402001.244 S3C4T2 Fl. 1.893 8 Secex/MDIC, decorrência automática da realização de sua primeira exportação. PIS NÃO CUMULATIVO. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. NÃO CONFIGURAÇÃO. Somente se consideram adquiridas com o fim específico de exportação as mercadorias encaminhadas diretamente à exportação, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, ou a recinto alfandegado. EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. APURAÇÃO DE CRÉDITO. Empresas comerciais exportadoras se encontram legalmente impedidas de apurar créditos de PIS vinculados à aquisição de mercadorias com o fim específico de exportação. Podem apurálos unicamente em relação às receitas relativas a suas vendas no mercado interno e a suas exportações de mercadorias que não tenham sido adquiridas com o fim específico de exportação. PIS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. DESPESAS COM FRETES. VIGÊNCIA. Somente a partir de 01/02/2004, os valores referentes ao frete na operação de venda de produtos, desde que suportados pelo vendedor, podem compor o somatório dos créditos a serem descontados do PIS. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Em 31/03/2014 a Recorrente foi devidamente cientificada conforme recibo do AR Correios de fls. 1.764/1.765, e não resignada com a r. decisão, a empresa em 30/04/2014 (fl. 1.767), interpôs o presente Recurso Voluntário (RV) de fls. 1.767/1.803) no qual, repisa os argumentos de sua impugnação e em suma, alega o descabimento das glosas dos créditos, argumentando as seguintes razões: que a Netuno Alimentos S/A, é uma sociedade anônima que se dedica, dentre outras atividades, à aqüicultura, ao processamento beneficiamento e comércio de pescados, moluscos, crustáceos e frutos do mar cm geral destinados ao mercado interno e internacional, conforme se depreende da leitura do seu objeto social; e que: A) DA INEXISTÊNCIA DE MATÉRIAS NÃO CONTESTADAS: equivocada a conclusão a que chegou o Acórdão recorrido, pois todas as matérias apontadas na Informação Fiscal foram devidamente refutadas pela Recorrente quando da apresentação da manifestação de inconformidade. Da análise das razões expendidas naquela petição, facilmente se vislumbra, que em seu item III, a ora recorrente refutou todas as afirmações levantadas na Informação Fiscal para glosar os créditos considerados no DACON; B) DA GLOSA DE CRÉDITOS APONTADOS PELA NETUNO COMO AQUISIÇÕES DE BENS PARA REVENDA (CFOP 6152) E AQUISIÇõ4s COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO (CFOP 2501): ao contrário do que restou assentado pela DRJ, as NFs apontadas na decisão recorrida e emitidas pela Netuno Alimentos S.A. com o CFJOP 6152 (Transferência de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros) e com o CFOP Fl. 1893DF CARF MF Processo nº 19647.005657/200428 Resolução nº 3402001.244 S3C4T2 Fl. 1.894 9 2501 dizem respeito, respectivamente, à transferências de aquisição de bens para revenda e à aquisição com o fim específico de exportação, tal como apontado no demonstrativo de crédito elaborado pela empresa; C) DO DIREITO AO CRÉDITO DE PIS REFERENTE ÀS DESPESAS COM FRETE SOBRE VENDAS: considerando que a recorrente suportou integralmente as despesas com frete sobre vendas, revelase insubsistente a glosa dos créditos apurados no calendário de 2003 e janeiro/2004, impondose, por mais esse motivo, a reforma do Acórdão recorrido; D) DO DIREITO A CORREÇÃO MONETÁRIA DO CREDITO PRESUMIDO DE PIS SOBRE ESTOQUE DE ABERTURA: revelase mais uma inconsistência da Fiscalização que foi mantida pela DRJ , uma vez que a Lei n° 10.637/02 assegura o direito à correção monetária do crédito presumido de PIS relativo a estoque de abertura; E) DO DIREITO A CORREÇÃO MONETÁRIA DO SALDO CREDOR DE PIS: Dessarte, revelase mais uma inconsistência da Fiscalização, uma vez que a Lei n° 10.637/02 assegura o direito à correção monetária do saldo credor de PIS. F) DA INCORRETA CONSIDERAÇÃO DE ALGUMAS RECEITAS NA DE CÁLCULO DO PIS: tendo em vista que as alegações da recorrente não foram devidamente analisadas quando do julgamento da manifestação de inconformidade, passase a expor, em sede recursal, novamente, as razões que impõem a improcedência do Termo de Verificação Fiscal nesse particular. F.l) DA NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS SOBRE AS RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO, INCLUSIVE A VARIAÇÃO CAMBIAL. F.2) DA POSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DO CREDITOPREMIO E DO CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES AO PIS E À COFINS: F.2.1) A Recorrente não possui decisão administrativa ou judicial que lhe assegure a escrituração e utilização do créditoprêmio de IPI. F.2.2) A recorrente não possui decisão administrativa definitiva que lhe assegure a utilização do credito presumido de IPI e não teve pedido de ressarcimento ou compensação apreciado. F.2.3) O créditoprêmio e o crédito presumido de IPI não compõem a base de cálculo do PIS/COFINS, pois representam recuperação de custos de caráter compensatório. Da CONCLUSÃO, a Recorrente requer o conhecimento e provimento do presente recurso, para o fim de reconhecerse integralmente o direito creditório referente ao ressarcimento de PIS nãocumulativo do período de janeiro a março de 2004, formulado através do Pedido de Ressarcimento Eletrônico n° 25042.09357.070406.1.1.05988. DA PETIÇÃO PROTOCOLADA Ressaltase que consta dos autos que em 15/04/2014, a Recorrente protocolou uma Petição, endereçada à DRF em Recife/PE, nos seguintes termos (fl. 1.827): Fl. 1894DF CARF MF Processo nº 19647.005657/200428 Resolução nº 3402001.244 S3C4T2 Fl. 1.895 10 Em 23/06/2017, a DRF/Recife/PE, expediu a Comunicação S/N (com um anexo relacionando os respectivos débitos fazendários) de fls. 1.857/1.863, informando a empresa Netuno Alimentos S/A, que: Essa Comunicação foi recebida pela empresa em 27/06/2017, conforme consta do documento ARCorreios à fl. 1.885. Em 29/06/2016, a DRF/Recife/PE, efetuou a INTIMAÇÃO COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO, com uma relação dos débitos fazendários, nos seguintes termos (fl. 1.850/1.851): Fl. 1895DF CARF MF Processo nº 19647.005657/200428 Resolução nº 3402001.244 S3C4T2 Fl. 1.896 11 Na sequencia, observase que consta nos autos que em 31/08/2017, a Recorrente protocola uma nova PETIÇÃO de fl. 1.856 (devidamente assinada pelos seus representantes), endereçada à DRF/Recife/PE, aduzindo os seguintes argumentos e informações relevantes, que abaixo reproduzo: "ILUSTRÍSSIMO SENHOR AUDITOR FISCAL DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM RECIFE/PE "Rcf. ao processo n° 19647005.657/200428 NETUNO ALIMENTOS S/A, já devidamente qualificada nos autos, vem, por intermédio de seu(s) representante(s) devidamente habilitado(s), em atenção à Intimação recebida no último dia 27/06/2017 (anexa), relativa ao processo acima identificado, informar que não concorda com a compensação de ofício proposta pela autoridade fiscal, i ignando que seus créditos retidos no processo acima sejam LIBERADOS, tendo em vista a existência de ordem judicial nesse sentido, transitada em julgado, de que esta Receita Federal do Brasil foi intimada há mais de ano. Informase, outrossim, que todos os débitos listados na Comunicação cm anexo encontramse devidamente parcelados no âmbito do PRT Programa de Regularização Tributário (que, por força da própria MP de regência, abrange a integralidade dos débitos exigíveis do sujeito passivo art. 1o, §3º, da MP nº 766), conforme comprovantes ora anexos". (Grifei) Os autos, então, foram distribuídos para este Relator, proceder a analise do Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 1896DF CARF MF Processo nº 19647.005657/200428 Resolução nº 3402001.244 S3C4T2 Fl. 1.897 12 Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator. 1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 3. Objeto da lide Como relatado, cuida o presente processo de Declaração de Compensação, entregue em papel em 11/07/2004, que a Recorrente informou crédito da Contribuição para o PIS nãocumulativo (Exportação) relativo ao mês de janeiro de 2004, e débito da COFINS PA de dezembro de 2002. Posteriormente, apresentou Pedido de Ressarcimento Eletrônico nº 25042.09357.070406.1.1.085988 (fls. 31/33), de 07/04/2006, no qual informou crédito da Contribuição para o PIS nãocumulativo (Exportação), relativo ao 1º trimestre de 2004. Como consignado no Relatório da Fiscalização, o presente feito trata de divergências apontadas pelo Fisco apurada na base de cálculo do crédito presumido de PIS nos anos de 2003 e 2004. 3. Da análise do Recurso Voluntário Entendo que não é possível, todavia, adentrar no mérito do presente processo por este órgão Colegiado. Isto porque, antes disso, uma questão prejudicial deve ser adequadamente respondida, saneando o processo, para que nenhuma das partes que compõe o litígio tenha tratamento desconforme a legislação tributária que rege o processo administrativo fiscal (PAF). Tratase de questão acerca da PETIÇÃO protocolada pela Recorrente em 31/08/2017 (fl. 1.856) que encontrase endereçada à DRF/Recife/PE, aduzindo os seguintes argumentos e informações, que entendo ser relevantes e que podem interferir no deslinde deste processo. Ocorre que no texto do documento, a Recorrente afirma duas situações independentes, mas importantes para o deslinde desta lide. Vejase trechos abaixo reproduzido: (a) "(...) informar que não concorda com a compensação de ofício proposta pela autoridade fiscal, pugnando que seus créditos retidos no processo acima sejam LIBERADOS, tendo em vista a existência de ordem judicial nesse sentido, transitada em julgado, de que esta Receita Federal do Brasil foi intimada há mais de ano", e (b) "(...) que todos os débitos listados na Comunicação em anexo encontramse devidamente parcelados no âmbito do PRT Programa de Regularização Tributário (que, por força da própria MP de regência, abrange a integralidade dos débitos exigíveis do sujeito passivo art. 1o, §3º, da MP nº 766), conforme comprovantes ora anexos". (Grifei) Dessarte, é impossível dar prosseguimento ao julgamento do processo, sem antes, verificarmos a consistências das informações acima referenciadas na Petição da Recorrente, uma vez que não há nos autos, documentos que informe sobre a "ordem judicial Fl. 1897DF CARF MF Processo nº 19647.005657/200428 Resolução nº 3402001.244 S3C4T2 Fl. 1.898 13 transitada em julgado" e nem sobre a comentada "adesão ao PERT Programa de Regularização Tributária" dos débitos informados. Em situações como a ora sob análise, este Colegiado tem entendido pelo cabimento de diligência para a averiguação das informações complementares que se faz necessárias ao caso, para então poder decidir pelo prosseguimento do julgamento. 4. Da Conversão Julgamento em Diligência Em face do acima exposto, nos termos dos artigos 18 e 29 do Decreto n° 70.235/72, proponho a realização de diligência para que a autoridade tributária da DRF/ RECIFE/PE, proceda à análise dos fatos e dos argumentos apresentados na PETIÇÃO de fl. 1.856, e após concluir, apresentar a INFORMAÇÃO FISCAL, sobre as duas afirmações elaboradas pela Recorrente no itens (a) e (b) acima, quais sejam: a) "(...) a existência de ordem judicial nesse sentido, transitada em julgado, de que esta Receita Federal do Brasil foi intimada há mais de ano", e que b) "(...) todos os débitos listados na Comunicação em anexo encontramse devidamente parcelados no âmbito do PRT Programa de Regularização Tributário". Para tanto, se entender necessário, poderá intimar a interessada para apresentar documentos e/ou informações, a critério da fiscalização, com vistas a bem esclarecer e comprovar a veracidade das alegações acima. Desta forma, o processo deve retornar à repartição de origem Delegacia da Receita Federal em RECIFE (PE), para realização da diligência. Ao término dos trabalhos, a autoridade fiscal da DRF/RECIFE/PE, deverá elaborar Relatório Conclusivo (com anexação de documentos comprobatórios, caso haja, como cópia da Sentença Judicial, Pedido de Parcelamento, etc), sobre os fatos apurados nesta solicitação de diligência, podendo inclusive, manifestarse sobre a possível existência saldos de crédito líquido e certo suscetível de ser utilizado pela Recorrente na respectiva Declaração de Compensação contestada nos demais itens do Recurso Voluntário (fls. 1.767/1.803). Encerrada a instrução processual a Interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, conforme art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento. É como voto. (assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 1898DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.730632/2013-21
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2013
SIMPLES NACIONAL. ADESÃO. INDEFERIMENTO.
Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitando-se ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo.
Numero da decisão: 1001-000.370
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ADESÃO. INDEFERIMENTO. Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (efls. 36/37) para o ano calendário 2013, tendose em vista a existência de débito com a Secretaria da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 73 06 32 /2 01 3- 21 Fl. 76DF CARF MF 2 Receita Federal, de natureza previdenciária e não previdenciária, com exigibilidade não suspensa, além de atividade econômica vedada, nos termos da Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17. Após tomar ciência do contido do Termo de Indeferimento a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade. A decisão de primeira instância (efls. 55/58) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender, com base no Parecer SEORT da DRF Belo Horizonte (efls. 51/52) que os débitos não foram integralmente regularizados até 31/01/2013 e que o contribuinte alterou suas atividades econômicas, excluindo de seu Contrato Social e do cadastro CNPJ as atividades cujo exercício impede o ingresso no Simples Nacional somente em 19/03/2013. Cientificada da decisão de primeira instância em 05/08/2014 (efl. 62) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 28/08/2014 (efl. 74), em que aduz, em resumo, que está ciente que alterou sua atividade somente em 19/03/2013 e que regularizou parte dos débitos somente em outubro de 2013, mas que perseguiu a regularização e pediu a adesão ao Simples Nacional para 2014, no que foi atendido, e que vem mantendo suas obrigações fiscais em dia. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. Tratase, nestes autos, exclusivamente do Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (efls. 36/37) para o ano calendário 2013. Cabe verificar o que dispõe o artigo 17 da Lei nº 123/2006, inciso V e XI, e o art. 15, inciso XV, da Resolução CGSN nº 94, de 29 de novembro de 2011: “Art. 15. Não poderá recolher os tributos na forma do Simples Nacional a ME ou EPP: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 17, caput): (...) XV que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 17, inciso V)”;(destaquei). (...) A opção pelo Simples Nacional está regulamentada pela mesma Resolução CGSN nº 94/2011: Art. 6º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio do Portal do Simples Nacional na internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) (...) Fl. 77DF CARF MF Processo nº 15504.730632/201321 Acórdão n.º 1001000.370 S1C0T1 Fl. 77 3 § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 5º. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 2º) § 2º Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; O contribuinte não diligenciou de forma a regularizar as pendências no prazo legal. Prescreve o § 2º do art. 6º citado que, enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo. Mas, conforme Parecer SEORT da DRF Belo Horizonte, efls. 51/52, as pendências não foram integralmente regularizadas até 31/01/2013. Por fim, não cabe julgamento por considerações que atendam à equidade quando há expressa disposição legal a regular a matéria (art. 108, IV, do CTN). Assim, voto para negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 78DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12898.000016/2010-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO. INTEGRALIZAÇÃO AO CAPITAL. REGISTRO.
A integralização de capital mediante incorporação de bens ao patrimônio de empresa por valores superiores aos constantes da declaração de bens e direitos configura espécie do gênero alienação e enseja a tributação da diferença a maior como ganho de capital.
Numero da decisão: 2401-005.267
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Alfredo Duarte Filho e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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ALIENAÇÃO. INTEGRALIZAÇÃO AO CAPITAL. REGISTRO. A integralização de capital mediante incorporação de bens ao patrimônio de empresa por valores superiores aos constantes da declaração de bens e direitos configura espécie do gênero alienação e enseja a tributação da diferença a maior como ganho de capital. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 00 16 /2 01 0- 24 Fl. 697DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Alfredo Duarte Filho e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Fernanda Melo Leal. Fl. 698DF CARF MF Processo nº 12898.000016/201024 Acórdão n.º 2401005.267 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratam os presentes de Auto de Infração de fls. 320/325, acompanhado do demonstrativo de apuração fls. 333/332 e do Termo de Verificação Fiscal de fls. 326/332, relativo ao imposto sobre a renda de pessoa física do anocalendário 2005, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 3.541.887,61, composto da seguinte forma: R$ 1.501.899,21 relativo ao Imposto; R$ 913.564,00 de Juros de mora (calculados até 30/12/2009); e R$ 1.126.424,40 de Multa Proporcional. Consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 322), que o lançamento é decorrente de ganhos de capital obtidos na alienação de bens e direitos por parte do autuado, cujos fatos geradores ocorreram em 31/01 e 31/05 de 2005. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 326/332), pelo exame da documentação apresentada pelo contribuinte e dos Boletins de Subscrição de quotas subordinadas representativas do ASM Fundo de Investimentos em Direitos Creditórios – FCSV obtidos na CVM, concluiu a fiscalização que: O fiscalizado adquiriu da empresa Estratégia Investimentos S/A – Corretora de Valores e Câmbio, conforme “Contrato de Cessão de Créditos e Outras Avenças”, créditos contra o Fundo de Compensação de Variações Salariais – FCVS, relativos a contratos de financiamento habitacional, em 28/01/05, pelo valor total de R$ 17.053.773,04, integralmente pago à vista na mesma data, correspondentes a 2.216 contratos habitacionais. Parte do crédito adquirido foi alienada, na mesma data e em datas posteriores, à Nominal DTVM Ltda, conforme “Contratos de Cessão de Créditos e Outras Avenças”. A parte restante dos créditos adquiridos e não alienada à Nominal DTVM Ltda, foi apresentada, na mesma data da aquisição, em 28/01/05 (1.178 contratos) e em 13/05/05 (35 contratos) ao ASM Fundo de Investimentos em Direitos Creditórios – FCVS, CNPJ 07.142.172/000149, conforme “Boletim de Subscrição” para integralização de aquisição à vista de quotas subordinadas, representativas do citado Fundo. Confrontando as operações referentes à aquisição e alienações dos créditos contra o FCVS, consubstanciadas nos contratos de financiamento, com os ganhos de capital declarados pelo fiscalizado, em 2005, referentes aos mesmos créditos, verificou a autora do lançamento que não houve apuração do ganho relativo às alienações representadas pela subscrição de quotas subordinadas do FCSV por valor superior ao da aquisição desses créditos. Reproduz a fiscalização legislação sobre a matéria e conclui que as transferências dos direitos relacionados aos créditos ocorridas na subscrição estão sujeitas ao pagamento do imposto sobre ganho de capital, pois a aquisição de quotas subordinadas constitui, inegavelmente, uma alienação à vista com imediata cessão de direitos. Fl. 699DF CARF MF 4 Devidamente cientificado, o Interessado apresentou, tempestivamente, impugnação (fls.353/385), alegando, resumidamente, o que segue: (I) É errônea a premissa de que haveria ganho de capital por ocasião da subscrição das cotas subordinadas da ASM Fundo de Investimento em Direitos Creditórios – FCVS, pois nesse caso não lhe foi disponibilizado qualquer lucro ou ganho, o que somente ocorre quando da efetiva alienação das referidas cotas; (II) A interpretação sistêmica da legislação tributária torna claro que o ganho de capital só é tributável quando se percebe efetivamente os ganhos, quando os realiza, o que só ocorreu, no presente caso, na data da alienação desses ativos financeiros com variação positiva entre custo de aquisição e valor de venda; (III) Por ocasião da alienação a Eduardo Jorge Chame Saad, em 15/07/2005, das cotas subordinadas do ASM Fundo de Investimento em Direitos Creditórios – FCVS, a qual foi paga em duas parcelas, em 29/11/2005 e 17/02/2006, apurou, declarou e pagou, à medida em que se realizou, o ganho de capital devido, o qual foi erroneamente considerado omitido pela autoridade lançadora; (IV) Assim, apurou o ganho de capital auferido por meio da diferença positiva entre o valor de alienação e o custo de aquisição das cotas subordinadas do ASM Fundo de Investimento em Direitos Creditórios – FCVS; (V) Uma vez que já procedeu ao recolhimento do ganho de capital, é indevida a exigência da multa de ofício, pois está só se dá nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, conforme previsto no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, além de que a multa pune o descumprimento consciente e voluntário da obrigação, a máfé, a intenção de induzir o fisco a erro e de se locupletar indevidamente, o que não ocorreu no presente caso; (VI) Pelos mesmos motivos expostos logo acima, é indevida a incidência de juros, os quais são devidos apenas no caso de créditos tributários não pagos, conforme previsto no art. 61, § 3º da Lei nº 9.716, de 1998; (VII) As regras que regem o funcionamento dos negócios de créditos decorrentes de carteiras imobiliárias com cobertura FCVS envolvem riscos e a realização de eventos futuros e incertos, motivo pelo qual no momento em que ocorreu a subscrição das cotas do ASM Fundo de Investimento em Direitos Creditórios – FCVS não se podia falar em disponibilidade econômica ou jurídica que autorizasse a tributação por ganho de capital; (VIII) Por isso, se o rendimento estimado na data da subscrição das cotas subordinadas dependia de condição suspensiva, e o lucro sobrevindo só foi efetivamente disponibilizado ao impugnante por ocasião da alienação e posterior pagamento pelas cotas subordinadas vendidas, não há que se falar em acréscimo patrimonial no momento da subscrição dessas referidas cotas; (IX) Em razão do risco envolvendo esse tipo de negócio, as cotas subordinadas poderiam “virar pó” ou não serem resgatadas, o que reforça a tese de que só poderia haver ganho de capital quando tais cotas fossem alienadas; (X) Portanto, quem adquire cotas subordinadas só pode obter ganho se as alienar por valor superior ao custo de aquisição; Fl. 700DF CARF MF Processo nº 12898.000016/201024 Acórdão n.º 2401005.267 S2C4T1 Fl. 4 5 (XI) É inequívoco, portanto, que não há crédito tributário devido, pois este já foi satisfeito por meio de pagamento realizado a tempo e de forma correta; (XII) Embora a autoridade lançadora tenha considerado corretamente o custo de aquisição dos contratos de créditos imobiliários cedidos ao ASM Fundo de Investimento em Direitos Creditórios – FCVS, não considerou que na integralização das cotas subordinadas houve uma parte paga em moeda no valor de R$ 105.000,00 que deve ser considerado no caso de decisão pela manutenção do crédito tributário lançado; Ao final, requer o conhecimento e provimento da Impugnação, cancelando o lançamento levado a efeito, ou, alternativamente, caso entendase que deva ser mantido o lançamento, que seja cancelada a multa de ofício e que haja a compensação do imposto já recolhido no montante de R$ 1.125.031,77 com a exclusão dos juros a partir da data do referido recolhimento voluntário e que seja considerado para fins de cálculo do ganho de capital o valor de R$ 105.000,00 desembolsado na aquisição de 98,4339024 cotas subordinadas da ASM Fundo de Investimento em Direitos Creditórios – FCVS. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS) lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0437.190 da 4ª Turma da DRJ/FNS, às fls. 617/625, julgando improcedentes as impugnações apresentadas em face do lançamento, mantendo o crédito tributário exigido em sua integralidade. Recordese: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Data do fato gerador: 31/01/2005, 31/05/2005 BENS E DIREITOS. INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO. GANHO DE CAPITAL. IMPOSTO DE RENDA. Incide imposto de renda sobre o acréscimo patrimonial referente ao ganho de capital apurado na transferência de bens e direitos a sociedades como forma de integralização de capital.Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” O contribuinte foi cientificado da decisão de 1ª instância em 30/01/2015, conforme Aviso de Recebimento (AR) de fl. 630. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 637/679), argumentando que o acórdão recorrido está “calcado em premissa falsa, equivocada interpretação da lei fiscal e erro de cálculo, bem como em confronto direto com a própria posição deste eg. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o que o torna manifestamente imprestável e merecedor da necessária reforma.” Em seguida, apresenta os mesmos argumentos lançados em sua peça de Impugnação, acrescentando julgados que entende favoráveis à sua tese. É o relatório. Fl. 701DF CARF MF 6 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa – Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 30/01/2015 conforme Aviso de Recebimento (AR) à fl. 630, e o Recurso Voluntário foi interposto, TEMPESTIVAMENTE, no dia 25/02/2015, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DO MÉRITO 2.1. Do ganho de capital na alienação de bens e direitos. Conforme relatado, o lançamento é decorrente de ganhos de capital obtidos na alienação de bens e direitos adquiridos em reais. Os autos revelam que de acordo com os documentos apresentados durante a fiscalização, na fase de defesa, e a teor dos esclarecimentos prestados no Termo de Verificação Fiscal, parte do crédito de R$ 17.053.773,04 adquirido pelo Recorrente contra o Fundo de Compensação de Variações Patrimoniais – FCVS, foi alienada a Nominal DTVM Ltda. A outra parte do crédito adquirido foi utilizada na integralização de aquisição, à vista, de quotas subordinadas representativas do ASM Fundo de Investimentos em Direitos Creditórios, CNPJ 07.142.172/000149. No caso em tela, consoante Boletins de Subscrição (fls. 75/80), o Recorrente subscreveu e integralizou em 28/01/05, à vista, quotas subordinas, no valor de R$ 10.538.136,00 e, em 13/05/2005, uma no valor de R$ 105.000,00 e outra no valor de R$ 1.678.000,24 representativas do ASM Fundo de Investimentos em Direitos Creditórios – FCVS, mediante o conferimento da totalidade dos créditos consubstanciados nos contratos listados no Anexo I dos referidos instrumentos. De acordo com a fiscalização, o total das alienações chegou a R$ 44.101.482,96 e que na operação específica de subscrição e integralização de quotas subordinadas, o Recorrente não apurou ganho de capital. O Recorrente se defende no sentido de que se trata de simples transferência patrimonial, sem ganho. Todavia, razão não lhe assiste. Sobre o tema imposto sobre a renda incidente sobre o ganho de capital, assim dispõe a Lei nº 7.713/1998: Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. Fl. 702DF CARF MF Processo nº 12898.000016/201024 Acórdão n.º 2401005.267 S2C4T1 Fl. 5 7 § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. § 2º Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei. § 3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. No caso de transferência de bens e direitos a título de integralização de capital, efetuados por pessoa física, assim dispõe a Lei nº 9.249/95: Art. 23. As pessoas físicas poderão transferir a pessoas jurídicas, a título de integralização de capital, bens e direitos pelo valor constante da respectiva declaração de bens ou pelo valor de mercado. § 1º Se a entrega for feita pelo valor constante da declaração de bens, as pessoas físicas deverão lançar nesta declaração as ações ou quotas subscritas pelo mesmo valor dos bens ou direitos transferidos, não se aplicando o disposto no art. 60 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e no art. 20, II, do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. § 2º Se a transferência não se fizer pelo valor constante da declaração de bens, a diferença a maior será tributável como ganho de capital. Nos termos da legislação acima reproduzida, há incidência do imposto sobre o ganho de capital apurado na alienação de bens e direitos e cessão de direitos pela pessoa física, inclusive nas operações envolvendo integralização de capital em pessoa jurídica, quando a transferência ocorre por valor maior do que aquele registrado na Declaração de Ajuste Anual do alienante. Portanto, inconteste que havendo integralização de capital social de pessoa jurídica mediante transferência de bem de pessoa física, a diferença entre o valor de aquisição e da alienação, representado pelas quotas, constitui acréscimo patrimonial sujeito à tributação. Fl. 703DF CARF MF 8 Ademais, conforme verificado na espécie, o Recorrente lançou o valor R$ 14.850.298,26 do total dos créditos adquiridos da ESTRATÉGIA — R$ 17.053.773,04 como custo de aquisição dos créditos alienados à NOMINAL DTVM, restando R$ 2.203.474,79 para o custo da subscrição de cotas de 28/01/2005. Dessa forma, à alienação ao ASM — FUNDO FCVS, em 28/01/2005, foi atribuído o custo de R$ 1.908.231,75 e à alienação realizada em 13/05/2005 de R$ 295.243,04, tendo em vista que o valor pago na aquisição da totalidade dos créditos R$17.053.773,04 já foi em parte (R$ 14.850.298,26) utilizado e apropriado pelo contribuinte como custo de aquisição dos demais créditos cedidos à NOMINAL DTVM. Assim, não restam dúvidas de que a integralização de capital com bens imóveis implica em alienação para fins de incidência do IRPF, a título de ganho de capital, classificável como proventos de qualquer natureza. Desta forma, não há quaisquer fundamentos para se reformar a decisão de primeiro grau. O Recorrente afirma, ainda, que se houve ganho de capital, deveria ser aproveitado o valor já pago na alienação das quotas. Todavia, o fato de ter havido posterior cessão dessas mesmas quotas, em 23/05/05, a Eduardo Jorge Chame Saad, não tem o condão de afastar a tributação quando da operação anterior, de integralização dessas quotas subordinadas representativas do ASM Fundo de Investimentos em Direitos Creditórios. Sobre o tema, cumpre transcrever trecho do voto condutor do acórdão guerreado. Recordese: “O impugnante alega que o lançamento do crédito tributário, da multa de ofício e dos juros seria indevido, pois já teria apurado, declarado e recolhido o imposto incidente sobre o ganho de capital auferido no momento em que ele vendeu as cotas subordinadas do ASM Fundo de Investimento em Direitos Creditórios – FCVS. Não assiste razão ao sujeito passivo. A alienação é uma forma de transmissão da propriedade de um bem ou direito, que somente pode ser feita pelo detentor da propriedade. No caso sob exame, após a integralização das cotas subordinadas do ASM Fundo de Investimento em Direitos Creditórios – FCVS, o sujeito passivo deixou de ser proprietário dos contratos de créditos, pois estes foram transferidos (alienados) ao referido fundo. Além disso, ao patrimônio do sujeito passivo foram incorporadas as cotas subordinadas do ASM Fundo de Investimento em Direitos Creditórios – FCVS, a um custo de aquisição de R$ 12.216.136,24. Conforme alegado pelo sujeito passivo, houve a alienação dessas cotas subordinadas, sendo então apurado, declarado e pago o imposto incidente sobre o ganho de capital. Fl. 704DF CARF MF Processo nº 12898.000016/201024 Acórdão n.º 2401005.267 S2C4T1 Fl. 6 9 Contudo, pelas explicações dadas pelo impugnante, observase que houve um erro na apuração do ganho de capital na venda das cotas subordinadas do ASM Fundo de Investimento em Direitos Creditórios – FCVS, pois o preço de alienação delas foi confrontado com o custo de aquisição dos contratos de créditos, e não com o custo de aquisição das cotas. Ou seja, levouse em consideração dois bens distintos para a apuração do ganho de capital: o custo de aquisição dos contratos de créditos; e o valor de venda das cotas subordinadas do ASM Fundo de Investimento em Direitos Creditórios – FCVS. Observase, portanto, que houve duas operações distintas: alienação dos contratos de créditos ao ASM Fundo de Investimento em Direitos Creditórios – FCVS; e a alienação das cotas subordinadas do ASM Fundo de Investimento em Direitos Creditórios – FCVS ao senhor Eduardo Jorge Chame Saad. Por serem distintas as alienações, para cada uma delas, separadamente, deveria o sujeito passivo ter apurado ganho de capital e recolhido o imposto devido em cada operação. Os presentes autos tratam apenas do lançamento do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital decorrente da alienação dos contratos de créditos utilizados na integralização de cotas subordinadas do ASM Fundo de Investimento em Direitos Creditórios – FCVS, e pelo que foi dito acima, o lançamento não merece qualquer reparo, quer seja no principal, ou nos acessórios (multa de ofício e juros demora). Destacase que a multa de ofício incide nas situações previstas no art. 44, inciso I da Lei nº 9.430, de 1996, independentemente da intenção ou dolo do contribuinte, conforme disciplina o art. 136 do CTN: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Não se pode acolher o pedido para compensar com o crédito tributário lançado o pagamento de imposto incidente sobre alegado ganho de capital ocorrido na alienação das cotas subordinadas do ASM Fundo de Investimento em Direitos Creditórios – FCVS, pois o imposto lançado referese a um fato gerador (ganho de capital na alienação dos contratos de créditos), e o alegado pagamento a outro (ganho de capital na alienação das cotas subordinadas). Além disso, se porventura o sujeito passivo apurou ganho de capital decorrente da alienação das cotas subordinadas do ASM Fundo de Investimento em Direitos Creditórios – FCVS, em valor maior que o Fl. 705DF CARF MF 10 devido, ele deve seguir os procedimentos específicos para pleitear restituição ou compensação desses valores, o que não pode ser tratado nessa instância de julgamento. Por fim, o pagamento feito em dinheiro no valor de R$ 105.000,00 na integralização de 98,4339024 cotas subordinadas do ASM Fundo de Investimento em Direitos Creditórios – FCVS, diferentemente do alegado pelo impugnante, em nada interfere no ganho de capital apurado pela autoridade lançadora, pois esta considerou na apuração do referido ganho apenas o valor de R$ 12.216.136,24 correspondente a 11.951,5415113 cotas subordinadas integralizadas somente por meio dos contratos de créditos contra o FCVS. Verificase, na espécie, que a respeitável decisão acima foi proferida com proficiência, razão pela qual adoto como razões de decidir. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário do Recorrente para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 706DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.903164/2008-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1301-000.480
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1519; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 321 1 320 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10783.903164/200840 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1301000.480 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 22 de fevereiro de 2018 Assunto DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO PAGAMENTO INDEVIDO ESTIMATIVAS Recorrente T V V TERMINAL DE VILA VELHA S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão 1229.678, proferido pela 4ª Turma da DRJ/RJ1, que, ao apreciar a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte, entendeu, por unanimidade de votos, rejeitála, não reconhecendo o direito creditório. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório proferido por ocasião do julgamento de primeira instância: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 83 .9 03 16 4/ 20 08 -4 0 Fl. 321DF CARF MF Processo nº 10783.903164/200840 Resolução nº 1301000.480 S1C3T1 Fl. 322 2 Versa o presente processo sobre a DCOMP eletrônica de n° final 1519 (fls.21/26), transmitida em 16/12/2004, através da qual a interessada declara a compensação de débito de estimativa mensal de Contribuição Social (período de apuraçãoset/2004, vencimento em 31/10/2004 e valor principal de R$ 24.196,39), com a utilização de crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior. 0 referido pagamento teria sido efetuado em 31/08/2004, sob o código 2484 (CSLL — Demais PJ que apuram o IRPJ com base em estimativa mensal), no total de R$ 237.860,20 (fl.24). Através de Despacho Decisório (fl.146), a DRF Vitória não reconheceu a existência do crédito pleiteado, não homologando, em conseqüência, a compensação declarada, por ter sido verificado que o valor recolhido através do DARF indicado já fora integralmente utilizado. Tendo tomado ciência do Despacho Decisório em 21/08/2008 (fl.151), a interessada apresenta, em 22/09/2008, manifestação de inconformidade (fls.01/04), invocando, preliminarmente, a anulação do despacho decisório, em face das seguintes razões: a) o despacho decisório de que se trata é extremamente sucinto, carecendo de informações elementares para sua procedência, não atendendo as condições do art.9° do Decreto n° 70.235/1972; e b) a ausência de informações relevantes para a elaboração da manifestação de inconformidade restringe o direito à ampla defesa, consagrado na Lei n° 9.784/1999, art.2°. Quanto ao mérito, a interessada aduz que o despacho decisório em causa deve ser reformado, com a expressa homologação integral da compensação correspondente, em face das seguintes razões: a) a afirmação do auditor fiscal de que o crédito utilizado era de valor insuficiente para fazer frente ao débito compensado, devese exclusivamente a um erro material que a interessada cometeu no preenchimento da DCTF referente ao 3° trimestre de 2004; b) conforme pág.14 da DIPJ/2005 (anocalendário 2004) o valor original do débito de CSLL era de R$ 213.663,81 (fl.71); c) contudo, realizou a quitação do tributo mencionado por meio de um DARF no valor de R$ 237.860,20 (fl.131), apurando um crédito referente ao pagamento a maior da CSLL no valor de R$ 24.196,39; e d) no entanto, ao preencher a DCTF referente ao 3° trim/2004 (fl..46), em patente erro material, indicou, no campo onde deveria constar o valor do débito apurado de CSLL do mês de julho/2004 (R$ 213.663,81), o valor referente ao DARF recolhido a maior, qual seja, R$ 237.860,20. É O RELATÓRIO Naquela oportunidade, a r.turma julgadora entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade apresentada, conforme sintetizado pela seguinte Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 322DF CARF MF Processo nº 10783.903164/200840 Resolução nº 1301000.480 S1C3T1 Fl. 323 3 Anocalendário: 2004 ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Uma vez atendidos os princípios do contraditório, do amplo direito de defesa e do devido processo legal, com obediência a todos os passos determinados pela legislação de regência, fica afastada a hipótese de ocorrência de nulidade. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 DIREITO CREDITÓRIO. CONDIÇÕES DE LIQUIDEZ E CERTEZA. Somente pode ser reconhecido o direito creditório pleiteado pela pessoa jurídica junto à Fazenda Nacional, quando sejam atendidos os requisitos de liquidez e certeza. COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA. A partir da edição da INSRF n° 460/2004, a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuasse pagamento indevido ou a maior de IRPJ ou de CSLL a título de estimativa mensal somente poderia utilizar o valor pago na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houvesse o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Ciente do acórdão recorrido, e com ele inconformado, a recorrente apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, com documentos que supostamente validam seu direito creditório, pugnando por provimento, onde apresenta argumentos que serão a seguir analisados. É o relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais, portanto, dele conheço. Porém, do exame dos autos, considero que o processo não reúne condições de julgamento, pelos motivos que passo a expor. Preliminarmente, deve ser submetida à deliberação deste Colegiado a possibilidade de juntada de novos documentos, e que eles sejam admitidos como provas no processo. Esses documentos foram acostados ao processo quando da apresentação do recurso voluntário. Em relação a esse ponto, é importante destacar a disposição contida no §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que trata da apresentação da prova documental na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. Fl. 323DF CARF MF Processo nº 10783.903164/200840 Resolução nº 1301000.480 S1C3T1 Fl. 324 4 No caso, penso ser possível a análise dos documentos juntados pela recorrente, em seu recurso, aplicandose a exceção do inciso “c” do mesmo dispositivo legal, que permite a juntada de provas em momento posterior quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Afinal, o contribuinte trouxe na defesa inicial os documentos que julgava aptos a comprovar seu direito, e, ao analisar os argumentos do julgador a quo, que não lhe foram favoráveis, trouxe provas complementares. Assim, no caso concreto, a apresentação das novas provas é resultado da marcha natural do processo, sendo razoável sua admissão. Por outro lado, ainda que não se aceite a aplicação da regra estatuída no inciso "c", do §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 ao caso presente, entendo que não se deve cercear o direito de defesa do contribuinte, impedindoo de apresentar provas em sua defesa. Aceitandoas, privilegiase tanto o princípio da verdade material, como o princípio da formalidade moderada, entre outros, além do artigo 38, da Lei nº 9.784/1999, pois os documentos apresentados podem revestirse de elementos suficientes para a confirmação, pelo menos em parte, do crédito pleiteado. Semelhante raciocínio chegou o CSRF, no julgamento do Acórdão nº 9101 002.781, que ocorreu na sessão de 06 de abril de 2017, onde foi reconhecida a possibilidade de juntada de documentos posterior à apresentação de impugnação administrativa, em observância a estes princípios e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/1999: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. JUNTADA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. 38. É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/199 (G.N) Por entender pertinente, colaciono trechos extraídos do voto vencedor deste mesmo acórdão, exarado pela I. Conselheira Cristiane Silva Costa, cujos argumentos evidenciam o atual posicionamento da CSRF sobre a matéria: Com a devida vênia ao Ilustre Relator, divirjo da interpretação conferida ao artigo 16, do Decreto nº 70.235/1972. Como mencionado pelo Ilustre Relator, prescreve o artigo 16, do Decreto nº 70.235/1972: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) A interpretação isolada do artigo 16 e seu §4º poderia implicar na interpretação bastante rigorosa da impossibilidade de juntada de documentos depois da apresentação de impugnação administrativa, ressalvadas as hipóteses dos incisos do §4º, acima colacionado (impossibilidade de apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos). Fl. 324DF CARF MF Processo nº 10783.903164/200840 Resolução nº 1301000.480 S1C3T1 Fl. 325 5 No entanto, não me parece seja o caso de adotar interpretação tão rigorosa. A Lei nº 9.784/1999 trata dos processos administrativos no âmbito da Administração Pública Federal, explicitando a necessidade de observância aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade proporcionalidade, ampla defesa e contraditório: Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade,proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: A mesma Lei acrescenta que os processos administrativos devem atender aos critérios dos quais se destacam: Art. 2º: (...) Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I atuação conforme a lei e o Direito; (...) VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio. Os processos administrativos, portanto, devem atender a formalidade moderada, com a adequação entre meios e fins, assegurandose aos contribuintes a produção de provas e, principalmente, resguardandose o cumprimento à estrita legalidade, para que só sejam mantidos lançamentos tributários que efetivamente atendam à exigência legal. Especificamente sobre a possibilidade de juntada de provas, o artigo 38, da Lei nº 9.784/1999 prescreve que: Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Fl. 325DF CARF MF Processo nº 10783.903164/200840 Resolução nº 1301000.480 S1C3T1 Fl. 326 6 Ao tratar do artigo 16, §4º, do Decreto nº 70.235/1972, são as pertinentes considerações de Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez López: Ao se levar às últimas consequências, as regras atualmente vigentes para o Decreto nº 70.235/72, estarseia mitigando a aplicação de um dos princípios mais caros ao processo administrativo que é o da verdade material. (...) Assim, revela destacar que a depender da situação é possível flexibilizar a norma, desde que evidentemente, a prova apresentada seja inconteste e nesse sentido independa da análise de uma instância inferior, eis que a preclusão ligase ao princípio do impulso processual. (...) Na prática, quer nos parecer que, o direito à parte à produção de provas comporta graduação a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade desejável e a segurança indispensável na realização da justiça. (Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 3ª edição, Dialética, 2010, fls. 305 e 306.) Diante de tais razões, voto por dar provimento ao recurso especial do contribuinte, determinando a baixa dos autos para que a Turma a quo aprecie os documentos apresentados pelo contribuinte. Assim, embora o artigo 16, §4ª, do Decreto nº 70.235/72, estabeleça ser regra geral para efeito de preclusão que a prova documental seja apresentada juntamente com a impugnação do contribuinte, isso não impede, segundo meu juízo, com base em outros princípios contemplados no processo administrativo fiscal, em especial princípio da verdade material e formalidade moderada, que o julgador conheça e analise novos documentos ofertados após a defesa inaugural, sobretudo quando se prestam a corroborar com tese aventada em sede de primeira instância e contemplada pelo Acórdão recorrido. Dessa forma, os documentos apresentados e colacionados juntamente com o recurso voluntário devem ser admitidos e apreciados, de forma a verificar se eles se prestam a comprovar o direito creditório alegado. Da Conversão do Julgamento em Diligência Consoante relatado, por meio de DCOMP eletrônica, o contribuinte informou a existência de crédito no valor de R$ 24.196,39, correspondente a pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal de CSLL, correspondente ao mês julho/2004, em face de ter efetuado o recolhimento do tributo devido via DARF no valor de R$ 237.860,20, quando o correto deveria ser R$ 213.663,81. Da análise da decisão recorrida, verificase que a DRJ não homologou a compensação pleiteada sob dois fundamentos. O Primeiro: Fl. 326DF CARF MF Processo nº 10783.903164/200840 Resolução nº 1301000.480 S1C3T1 Fl. 327 7 Na sua manifestação, a interessada afirma que a conclusão a que chegou a fiscalização deveuse a um erro material que ela, a interessada, cometera no preenchimento da DCTF referente ao 3° trimestre de 2004. Ocorre que a fiscalização efetua a análise e a validação dos créditos informados em PER/DCOMP, mediante o confronto dos dados desse PER/DCOMP com as informações constantes nos sistemas da RFB. Esses sistemas são alimentados pelas diversas declarações apresentadas pelos próprios contribuintes, que constituem obrigações acessórias, como DCTF, DIPJ, DIRF, etc, e pelos recolhimentos efetuados através dos documentos de arrecadação pertinentes, com o preenchimento de diversos dados, também pelos contribuintes, para a sua perfeita identificação. Tratandose de pagamentos declarados como indevidos ou a maior, pleiteados em restituição ou utilizados em declaração de compensação, a análise é realizada considerandose os saldos disponíveis dos pagamentos nos sistemas de cobrança. No presente caso, a interessada pleiteia, como crédito, o saldo remanescente de R$ 24.196,39, relativo ao recolhimento efetuado em 31/08/2004, a titulo de estimativa mensal de CSLL, correspondente a julho/2004, código 2484, no valor de R$ 237.860,20, uma vez que o valor do débito seria de somente R$ 213.663,81. Acontece que não há saldo disponível relativamente ao pagamento informado, conforme pesquisa no sistema SIEF (fl.173), uma vez que o valor recolhido está totalmente vinculado ao valor declarado na DCTF pela própria interessada, relativamente estimativa mensal de CSLL (código: 2484, PA: julho/2004, débito apurado: R$ 237.860,20), fls.171/172. O fato de ter sido declarado, posteriormente, o valor de R$ 213.663,81, na DIPJ/2005 — AC 2004 (fl.160) não é suficiente para retificar a DCTF, uma vez que o procedimento correto para tal fim teria sido a apresentação oportuna de uma DCTF retificadora. (...) Dessa forma, entendo que o crédito pleiteado de CSLL sob análise não atende os requisitos de liquidez e certeza de que trata o art.. 170 do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito: O Segundo: Além do mais, é relevante observar que o assunto de que se trata pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal e sua utilização em compensação pode ser, também, analisado sob outro aspecto, como se verá a seguir. A declaração de compensação foi instituída por intermédio da Medida Provisória n° 66/2002, posteriormente convertida na Lei 10.637/2002, a qual alterou o artigo 74 da Lei 9.430/96. No plano infralegal, foi publicada a INSRF210/2002, a qual lançou as sementes para o sistema de restituição, ressarcimento e Fl. 327DF CARF MF Processo nº 10783.903164/200840 Resolução nº 1301000.480 S1C3T1 Fl. 328 8 compensação que se conhece atualmente. Após algumas mudanças ocorridas em matéria de restituição, ressarcimento e compensação, fezse necessária a aprovação de uma nova Instrução Normativa, que passou a consolidar a matéria, além de introduzir algumas novidades a esse cenário. Assim, em 29/10/2004, a INSRF n° 210/2002 foi revogada pela INSRF n° 460/2004. O artigo 10 da INSRF n° 460/2004 estabeleceu: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. (destaque no original) Portanto, a partir de 29/10/2004, por força do dispositivo acima reproduzido, a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuasse pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal somente poderia utilizar o valor pago na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que tivesse ocorrido o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Assim, à época da transmissão da DCOMP de que se trata 16/12/2004 era vedada a compensação na forma como foi efetuada pela interessada, sendo esta mais uma razão para que a compensação em foco não possa ser homologada. Ou seja, o não reconhecimento do direito creditório pleiteado teve como fundamento: i) não haver saldo disponível relativamente ao pagamento informado, uma vez que o valor recolhido foi totalmente vinculado ao valor declarado na DCTF, relativamente à estimativa mensal de CSLL, PA: julho/2004 e, por isso, o crédito pleiteado não atendeu aos requisitos de liquidez e certeza de que trata o art. 170 do CTN; ii) a impossibilidade do pleito, em face do dever de observar a vedação estabelecida no art. 10 da Instrução Normativa nº 460, de 18 de outubro de 2004, que estabelecia que qualquer recolhimento a título de estimativa, fosse utilizado apenas para redução do CSLL devido no final do período, ou para composição do eventual saldo negativo. O contribuinte, por sua vez, se insurge quanto ao primeiro fundamento, sustentando ter ocorrido equívoco no preenchimento da DComp e divergência desta última com as informações contidas em DIPJ, além de entender que os documentos juntados comprova a ocorrência de recolhimento indevido aos cofres públicos, no valor do crédito pleiteado. Analisando as provas dos autos, verifico que a fiscalização desprezou completamente a DIPJ apresentada pelo contribuinte. Penso não ser possível negar validade a informações originadas de envio de DIPJ por mera divergência com as informações colhidas em DCTF, mesmo porque aquelas informações poderiam ter sido verificadas perante o sistema da RFB. Fl. 328DF CARF MF Processo nº 10783.903164/200840 Resolução nº 1301000.480 S1C3T1 Fl. 329 9 A Fiscalização não pode se limitar, em sua análise, apenas às informações prestadas em Dcomp. e DCTF, já que existiam informações provenientes de outra declaração nos bancos de dados da Receita que permitiam a análise quanto ao crédito pleiteado, cabendo à Fiscalização, ao menos, questionar a divergência existente entre as declarações transmitidas e proceder a intimação do contribuinte para retificar uma delas. Compulsando os autos, não encontro comprovação de ter sido intimado o contribuinte para proceder a retificação de quaisquer das declarações. Por conseqüência lógica, também não existe prova nos autos que o contribuinte quedouse inerte, em face de eventual intimação para correção da divergência existente entre suas declarações. À propósito, o procedimento da Administração Tributária em emitir os Despachos Decisórios eletronicamente, sem a intimação prévia dos contribuintes para justificarem as Per/Dcomp rejeitadas pelo sistema, tem causado vários transtornos. De um lado, indeferese o pedido de restituição porque foram alocadas automaticamente a débitos que constaram em DCTF, sem facultar ao contribuinte oportunidade para esclarecer a sua conduta. Por outro lado, impedese simultaneamente que, ao ser notificado do Despacho Decisório emitido de forma sumária, o contribuinte possa retificar ou até mesmo cancelar a Per/Dcomp para adequála de forma devida. A Administração Tributária consciente destes problemas modificou os Despachos Decisórios emitidos eletronicamente e o seu procedimento. Atualmente, ao verificar a inconsistência das Per/Dcomp com as informações registradas nos sistemas do fisco, antes de emitir o despacho denegatório, intima o contribuinte para esclarecimentos. Se o contribuinte não responder à intimação fiscal, o Despacho é emitido, porém faculta ao contribuinte, no prazo de trinta dias, contados do recebimento, retificar as declarações entregues ao fisco para a compatibilização dos dados – DIPJ, DCTF e a própria Per/Dcomp. Acrescentese ainda que no caso de erro de fato no preenchimento de declarações, a própria Receita Federal tem se manifestado no sentido de que é possível rever de ofício lançamento ou despacho decisório na hipótese de ocorrência de erro de fato no preenchimento de declaração. Nesse sentido, transcrevo parcialmente ementa do Parecer Normativo COSIT/RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO REVISÃO E RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO – DE LANÇAMENTO E DEDÉBITO CONFESSADO, RESPECTIVAMENTE – EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. CABIMENTO. ESPECIFICIDADES. A revisão de ofício de lançamento regularmente notificado, para reduzir o crédito tributário, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, no caso de ocorrer uma das hipóteses previstas nos incisos I, VIII e IX do art. 149 do Código Tributário Nacional – CTN, quais sejam:quando a lei assim o determine, aqui incluídos o vício de legalidade e as ofensas em matéria de ordem pública; erro de fato; fraude ou falta funcional; e vício formal especial, desde que a matéria não esteja submetida aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes. Fl. 329DF CARF MF Processo nº 10783.903164/200840 Resolução nº 1301000.480 S1C3T1 Fl. 330 10 A retificação de ofício de débito confessado em declaração, para reduzir o saldo a pagar a ser encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional – PGFN para inscrição na Dívida Ativa, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese da ocorrência de erro de fato nopreenchimento da declaração. REVISÃO DE DESPACHO DECISÓRIO QUE NÃO HOMOLOGOUCOMPENSAÇÃO, EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. A revisão de ofício de despacho decisório que não homologou compensação pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese de ocorrer erro de fato no preenchimento de declaração (na própria Declaração de Compensação – Dcomp ou em declarações que deram origem ao débito, como a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais– DCTF e mesmo a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, quando o crédito utilizado na compensação se originar de saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ ou de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL), desde que este não esteja submetido aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes. [...]Assim, se a própria Administração Pública revisa de ofício atos que se basearam em declarações com erros de fato no preenchimento, não há porque se negar a adoção do mesmo critério em sede de julgamento do litígio administrativofiscal. Por outro lado, para negar reconhecimento ao crédito pleiteado, a DRJ utilizase de um outro fundamento consubstanciado no entendimento de que, tratandose de antecipação obrigatória (estimativa), o eventual pagamento a maior ou indevido só pode ser aproveitado na determinação do resultado correspondente ao final do período de apuração. Em virtude desse entendimento, hoje superado em face do que prevê a Súmula CARF nº 84, e aquele outro, nenhum juízo foi feito acerca do pagamento efetuado pela Recorrente representar, efetivamente e à época em que foi realizado, pagamento a maior ou indevido. Nos termos do preconizado pelo art. 2º da Lei nº 9.430, de 1996, a pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real tem a opção de promover o pagamento do imposto mensalmente, de forma estimada, com base na receita bruta. O art. 35 da Lei nº 8.891, de 1995, recepcionado pela Lei nº 9.430/96, admite que o recolhimento com base na receita bruta possa ser suspenso ou reduzido, desde que o contribuinte demonstre, por meio de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o calculado com base no lucro real do período em curso. Resta evidente, assim, que, para que o pagamento reste caracterizado como tendo sido feito a maior ou indevidamente, é necessário, primeiro, definir qual a forma adotada pelo contribuinte para calcular o recolhimento mensal, se com base na receita bruta ou com suporte em balanços ou balancetes de suspensão ou redução, e, depois, confrontálo com o que foi apurado à época em que a estimativa era devida Obviamente, se o contribuinte Fl. 330DF CARF MF Processo nº 10783.903164/200840 Resolução nº 1301000.480 S1C3T1 Fl. 331 11 recolhe a estimativa com base na receita bruta e, em momento posterior, levanta um balanço de suspensão e redução que aponta para prejuízo fiscal no período acumulado, descabe falar em pagamento a maior ou indevido, eis que o recolhimento foi efetuado com base na legislação de regência. No caso, o contribuinte simplesmente deixou de exercer a opção prevista pelo art. 35 da Lei nº 8.981/95 (elaboração de balanço de suspensão/redução). No caso vertente, embora o contribuinte tenha alegado recolhimento a maior, ele não informa qual teria sido esse erro ou equívoco. Por outro lado, as instâncias administrativas precedentes rejeitaram o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação pleiteada, utilizandose de fundamentos, já apreciados, sem, portanto, examinarem a existência (ou não) do alegado pagamento à maior de estimativas. Assim, restando, entendo razoável oportunizar à interessada trazer novos elementos e esclarecimentos que possam demonstrar que tratase de erro de fato na apuração do imposto que resultou em pagamento indevido e não mera reapuração de estimativa promovida após a sua determinação e recolhimento regulares. Conclusão Ante ao exposto, conduzo meu voto, no sentido de converter o julgamento em diligência para que a Autoridade Administrativa da Unidade de Origem: a) Intimar a recorrente a esclarecer e comprovar o erro que levou ao alegado recolhimento a maior de estimativa mensal de CSLL, PA: julho/2004, facultando a oportunidade de apresentar outros documentos, conforme o caso. b) Elabore relatório conclusivo acerca das alegações e documentos apresentados pelo contribuinte, seja quando da apresentação de sua impugnação, seja quando do seu recurso ou quando intimado em sede de diligências, manifestando ao final sobre a existência, ou não, de recolhimento em valor maior do que o devido de estimativa mensal de CSLL, PA: julho/2004, além de apresentar outras considerações relevantes para o deslinde da questão. Ao final do relatório conclusivo, o contribuinte deverá ser cientificado do seu resultado, facultandolhe a oportunidade de se manifestar nos autos sobre suas conclusões, no prazo de 30 dias, em conformidade com o parágrafo único, art. 35, do Decreto 7.574/2011. Na seqüência, o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento, sendo distribuído a este Conselheiro independentemente de sorteio. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 331DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001653/2004-03
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2000, 2001
DECADÊNCIA. INADMISSIBILIDADE DO RECURSO.
Não se conhece de recurso especial na parte em que suscita violação ao disposto no art. 45 da Lei nº 8.212/91, em face da edição da Súmula Vinculante nº 8 pelo C. Supremo Tribunal Federal.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2000, 2001
CONSTITUIÇÃO DE USUFRUTO DE COTAS E AÇÕES. RECEITA DA PROPRIETÁRIA. RECONHECIMENTO PELO REGIME DE COMPETÊNCIA.
A contraprestação pela constituição do usufruto de cotas/ações não se confunde com o rendimento produzido por estas, pois derivam de relações jurídicas distintas, devendo ser tributado integralmente o valor recebido como receita da proprietária. A apropriação, contudo, deve ser realizada em conformidade com o regime de competência pelo prazo determinado no contrato.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Exercício: 2000, 2001
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
O decidido quanto ao IRPJ estende-se aos demais tributos lançados de forma reflexa.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS
Exercício: 2000, 2001
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
O decidido quanto ao IRPJ estende se aos demais tributos lançados de forma reflexa.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Exercício: 2000, 2001
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
O decidido quanto ao IRPJ estende se aos demais tributos lançados de forma reflexa.
Numero da decisão: 9101-001.140
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso quanto à decadência; na parte conhecida, pelo voto de qualidade, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Claudemir Rodrigues Malaquias, Karem Jureidini Dias, Orlando José Gonçalves Bueno, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Susy Gomes Hoffmann. Declararam-se impedidos os Conselheiros Valmir Sandri e Antônio Carlos Guidoni Filho
Matéria: IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: Viviane Vidal Wagner
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ADM. E PARTICIPAÇOES LTDA ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2000, 2001 DECADÊNCIA. INADMISSIBILIDADE DO RECURSO. Não se conhece de recurso especial na parte em que suscita violação ao disposto no art. 45 da Lei nº 8.212/91, em face da edição da Súmula Vinculante nº 8 pelo C. Supremo Tribunal Federal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2000, 2001 CONSTITUIÇÃO DE USUFRUTO DE COTAS E AÇÕES. RECEITA DA PROPRIETÁRIA. RECONHECIMENTO PELO REGIME DE COMPETÊNCIA. A contraprestação pela constituição do usufruto de cotas/ações não se confunde com o rendimento produzido por estas, pois derivam de relações jurídicas distintas, devendo ser tributado integralmente o valor recebido como receita da proprietária. A apropriação, contudo, deve ser realizada em conformidade com o regime de competência pelo prazo determinado no contrato. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2000, 2001 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido quanto ao IRPJ estendese aos demais tributos lançados de forma reflexa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Exercício: 2000, 2001 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Fl. 384DF CARF MF Excluído Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP26.0318.15480.DHMB. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.001653/200403 Acórdão n.º 910101.140 CSRFT1 Fl. 2 2 O decidido quanto ao IRPJ estendese aos demais tributos lançados de forma reflexa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 2000, 2001 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido quanto ao IRPJ estendese aos demais tributos lançados de forma reflexa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso quanto à decadência; na parte conhecida, pelo voto de qualidade, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Claudemir Rodrigues Malaquias, Karem Jureidini Dias, Orlando José Gonçalves Bueno, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Susy Gomes Hoffmamm. Declararamse impedidos os Conselheiros Valmir Sandri e Antônio Carlos Guidoni Filho. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Valmar Fonseca de Menezes, João Carlos de Lima Júnior, Alberto Pinto Souza Júnior, Karem Jureidini Dias, Claudemir Rodrigues Malaquias, Orlando José Gonçalves Bueno, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Viviane Vidal Wagner e Susy Gomes Hoffmann. Fl. 385DF CARF MF Excluído Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP26.0318.15480.DHMB. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.001653/200403 Acórdão n.º 910101.140 CSRFT1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso especial interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 10322.935, o qual restou assim ementado: LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. A Fazenda Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir do fato gerador, para promover o lançamento de tributos e contribuições sociais enquadrados na modalidade do art. 150 do CTN, a do lançamento por homologação, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Inexistência de pagamento ou descumprimento do dever de apresentar declarações não alteram o prazo decadencial nem o termo inicial da sua contagem. CONSTITUIÇÃO DE USUFRUTO DE AÇÕES AVALIADAS PELO MÉTODO DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. CLASSIFICAÇÃO COMO RECEITA APROPRIADA PELO REGIME DE COMPETÊNCIA. LUCRO REAL O valor correspondente à contrapartida pela constituição de usufruto de ações e quotas de capital avaliadas pelo método da equivalência patrimonial, recebido integralmente no inicio da vigência do contrato, constitui receita operacional da proprietária a ser apropriada ao longo do prazo de vigência do usufruto segundo o regime de competência. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. A decisão relativa ao auto de infração matriz deve ser igualmente aplicada no julgamento do auto de infração decorrente ou reflexo, uma vez que ambos os lançamentos, matriz e reflexo, estão apoiados nos mesmos elementos de convicção. A autuação decorreu, na parte que interessa relatar, da constatação de “reduções indevidas das bases de cálculo do IRPJ, da CSLL, do PIS e da Cofins em decorrência de registro de receita operacional auferida, em cessão de usufruto de cotas e de ações, contra direitos de participações societárias do ativo permanente, como se lucros distribuídos fossem”, conforme descrito no termo de verificação fiscal. Os documentos juntados aos autos como prova da infração correspondem aos seguintes contratos: 1 “Instrumento de constituição de usufruto de cotas” (fls. 23/24), firmado em 29/10/1999, tendo como usufrutuário o BANCO ITAÚ S/A. e por objeto 210.381 cotas de emissão de CORCON PART. ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA, com vigência até 29/10/2000, pelo valor de R$ 892.000,00; 2 “Instrumento de constituição de usufruto de ações” (fls. 25/26), firmado em 29/10/1999, tendo como usufrutuário o BANCO ITAÚ S/A. e por objeto 210.381 ações nominativas ordinárias, de emissão da CIA. ITAÚ DE Fl. 386DF CARF MF Excluído Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP26.0318.15480.DHMB. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.001653/200403 Acórdão n.º 910101.140 CSRFT1 Fl. 4 4 CAPITALIZAÇÃO, com vigência até 29/10/2000, pelo valor de R$ 39.070.000,00; 3 “Instrumento de constituição de usufruto de ações” (fls. 27/28), firmado em 08/11/1999, tendo como usufrutuário o BANCO ITAÚ S/A e por objeto 147.264.518 ações nominativas ordinárias de emissão de ITAÚ CAPITALIZAÇÃO S/A, com vigência até 08/11/2000, pelo valor de R$ 186.410.000,00; e 4 “Instrumento de constituição de usufruto de ações” (fls. 29/30), firmado em 27/11/2000, tendo como usufrutuário o BANCO BANESTADO S/A. e por objeto 147.264.518 ações escriturais nominativas ordinárias de emissão da ITAÚ CAPITALIZAÇÃO S/A., com vigência pelo prazo de 3 (três) anos, pelo valor de entrada de R$ 45.800.000,00 e restante a combinar. Em todos os contratos, é assegurado ao usufrutuário o direito à percepção dos lucros cuja distribuição for declarada no período de sua vigência, sendo previsto, inclusive, que os juros sobre o capital próprio atribuídos às cotas/ações gravadas serão pagos ao usufrutuário, nos mesmos termos dos lucros a distribuir. Consta, ainda, que o usufruto não abrange direitos políticos, mas estendese a cotas/ações oriundas de capitalização de lucros e reservas ou de agrupamento ou desagrupamento e que as despesas ordinárias de administração e conservação das cotas/ações correm por conta do usufrutuário, devendo a proprietária providenciar a averbação do usufruto. O procedimento contábil da proprietária (recorrida) era de, no momento do recebimento do valor, registrar essa entrada a débito da conta “disponibilidades” e “aplicações financeiras” e a crédito de conta retificadora do ativo investimento. Na data do recebimento dos dividendos ou juros sobre capital próprio pelo usufrutuário, a recorrida debitava a conta retificadora do ativo investimento e creditava a conta de investimento. A autoridade fiscal considerou que os valores recebidos pela cessão temporária do usufruto de ações/cotas de capital, em decorrência dos contratos mencionados, devem ser apropriados como receitas operacionais, tendo em vista que os rendimentos provêem da cessão do exercício de um direito inerente a um ativo (participação societária). O lançamento foi efetuado com fundamento nos arts. 248; 249, inciso II; 251 e parágrafo único; 277; 288; 279 e 280, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/99), c/c artigo 24 da Lei 9.249/95. Em julgamento de primeira instância, a autuação foi integralmente mantida. Em segunda instância, a Câmara a quo, além de reconhecer a decadência parcial, deu provimento ao recurso voluntário para cancelar o lançamento quanto às receitas decorrentes da constituição de usufruto. No mérito, o relator do voto condutor adotou as mesmas razões de decidir aprovadas pela Câmara no julgamento de recurso voluntário de outro contribuinte integrante do mesmo grupo econômico (conglomerado Itaú), através do acórdão nº 10322.934, reconhecendo a natureza de receita operacional do valor recebido pelo usufruto e dando provimento ao recurso para anular o lançamento em função do erro quanto à determinação da base de cálculo pelo regime de caixa, ao invés do regime de competência aplicável ao caso. Fl. 387DF CARF MF Excluído Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP26.0318.15480.DHMB. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.001653/200403 Acórdão n.º 910101.140 CSRFT1 Fl. 5 5 Inconformada com a decisão majoritária, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional interpõe recurso especial com fulcro no art. 7º, inciso I, do Regimento Interno da CSRF aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25.06.2007. Alega em seu recurso que a Câmara a quo: a) ao julgar que o auto de infração do PIS e da Cofins, relativos aos fatos geradores ocorridos até o mês de outubro de 1999, deveria ser anulado em função do decurso do prazo decadencial, nos termos do art. 150, §4º do CTN, contrariou frontalmente o art. 45 da Lei nº 8.212/91; e b) ao anular integralmente o lançamento por entender que houve erro na determinação da base de cálculo pelo regime de caixa, violou o art. 187, §1º da Lei nº 6.404/76 (Lei das Sociedades Anônimas), que dispõe sobre o Princípio da competência, eis que não preservou o lançamento na parte que contempla as receitas reconhecidas segundo esse regime. Pede, ao final, que seja mantido o lançamento quanto às receitas operacionais oriundas dos contratos de usufruto firmados pela recorrida nos anoscalendário de 1999 e 2000, em parte corretamente apropriadas segundo o regime de competência, proporcionalmente aos dias decorridos entre as datas de celebração dos contratos (29/10/99, 08/11/99 e 27/11/00) e o último dia dos anoscalendário objeto do lançamento (1999 e 2000). Após admitido o recurso da Fazenda Nacional, o contribuinte apresentou contrarrazões em que alega que o auto não foi elaborado com observância do princípio da competência, mas com base no regime de caixa e que não se trata de simples divergência de valores, mas de alteração de critérios que refletem na base de cálculo dos tributos em discussão. É o relatório. Fl. 388DF CARF MF Excluído Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP26.0318.15480.DHMB. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.001653/200403 Acórdão n.º 910101.140 CSRFT1 Fl. 6 6 Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora O recurso especial da Fazenda Nacional questiona a decisão a quo quanto à preliminar de decadência e quanto ao mérito propriamente dito. O acórdão recorrido reconheceu a decadência do crédito tributário de PIS e COFINS relativos aos fatos geradores ocorridos até o mês de outubro de 1999, pela aplicação do art. 150, §4º, do CTN, em razão dos fatos geradores terem ocorrido há mais de 5 (cinco) anos, contados da data da ciência do lançamento. A recorrente, em suas razões recursais, nesse ponto, alega exclusivamente a contrariedade da decisão guerreada em relação ao disposto no art. 45 da Lei nº 8.212/91. Ocorre que, posteriormente à data do despacho de admissibilidade prolatado pelo presidente da Câmara recorrida, a alegada violação legal deixou de existir, com a edição da Súmula vinculante nº 8, pelo Colendo Supremo Tribunal Federal, que declarou, com efeito erga omnes, a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91 (DOU de 20.06.2008). Diante da vinculação de toda a administração pública à decisão da Corte Suprema, em observância ao art. 103A, da Constituição Federal, esvaziase o objeto do presente recurso quanto à questão da decadência do direito de constituir o crédito tributário. Assim, deixo de conhecer o recurso em relação a esse item. Quanto ao mérito do litígio, a Fazenda Nacional questiona a anulação do lançamento por falta de apropriação das receitas pelo regime de competência, receitas essas oriundas da contraprestação pela constituição de usufruto de cotas ou ações firmado pela recorrida. Sustenta a recorrente que parte do lançamento corresponde ao reconhecimento das receitas pelo regime de competência e deve ser mantido. Em razão da anulação total do lançamento, a restauração parcial nesta instância especial, conforme solicitado pela recorrente, se for o caso, pressupõe a consistência da autuação. Nos termos descritos pela fiscalização (fls. 40), foi verificado que a recorrida, in verbis: contabilizou os valores recebidos de usufrutuários e correspondentes à cessão temporária de usufruto de cotas de capital, inicialmente, a crédito da conta transitória retificadora do investimento, e posteriormente transferiu esses valores a crédito da conta investimento, reduzindo seu valor contábil a titulo de "custo da operação", para, finalmente, ajustar o Fl. 389DF CARF MF Excluído Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP26.0318.15480.DHMB. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.001653/200403 Acórdão n.º 910101.140 CSRFT1 Fl. 7 7 saldo da conta investimento com o valor do patrimônio liquido da empresa investida, através da equivalência patrimonial. Enquanto a recorrida adotou a sistemática de registrar o preço do usufruto como redução do valor do investimento objeto desse usufruto, tratandoo como adiantamento dos dividendos, a fiscalização tomou por base o reconhecimento de receita autônoma para lavrar o auto de infração por redução indevida das bases de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, entendendo que houve cessão de ativo com contrapartida pecuniária. A análise do caso atrai a incidência do art. 109 do CTN que determina que “os princípios gerais do direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários.” Para fins de tributação, interessa a natureza intrínseca do ato e não o conceito dado pelas partes contratantes. O instituto do usufruto é reconhecido pelo Direito Tributário em sua concepção civilista de direito real em que o usufrutuário tem o direito de possuir e receber os frutos da coisa, enquanto o proprietário mantém a nua propriedade. Essa definição constava do art.713 do Código Civil de 1916, vigente à época dos fatos, verbis: Art. 713. Constitui usufruto o direito real de fruir as utilidades e frutos de uma coisa, enquanto temporariamente destacado da propriedade. No usufruto, ocorre a transferência temporária dos direitos de usar e fruir da coisa, enquanto o titular do domínio retém o poder de dispor da mesma. Impõese, assim, a coexistência de dois titulares do direito sobre o objeto do usufruto: o usufrutuário e o nu proprietário. Em outras palavras, na constituição do usufruto, o direito de propriedade é bipartido pela imposição do ônus temporário. Ambos os titulares passam a exercer direitos sobre cada uma das parcelas do domínio desmembrado. No usufruto de ações, como é o caso dos autos, o usufrutuário goza do direito aos dividendos e bonificações. Como em qualquer outra hipótese de cláusula ou ônus que gravem a ação, o usufruto deve ser averbado, para ter eficácia perante terceiros, em se tratando de ação nominativa, no livro de Registro de Ações Nominativas ou, se escritural, nos livros da instituição financeira que registrará no extrato da conta de depósito do acionista. É o que determina o art. 40 da Lei nº 6.404/76, aplicável subsidiariamente às sociedades limitadas, à época dos fatos, por força do art. 18 do Decreto nº 3.078/19, no caso do usufruto de cotas. Os contratos analisados demonstram a constituição onerosa de usufruto, através do qual o usufrutuário pagou o preço avençado pelo direito à percepção dos frutos equivalentes a dividendos e juros sobre capital próprio durante determinado período e a nu proprietária incumbiuse de sua averbação. A fiscalização, após afastar a ocorrência de ganho de capital, uma vez que inexistiu transmissão de direito caracterizando alienação, considerou a operação realizada pela recorrida equivalente a locação, conforme demonstram os seguintes trechos do Termo de verificação fiscal, às fls. 43: 3.6 0 usufruto oneroso tem uma semelhança estreita com a locação, pois, tanto na locação como no usufruto uma das partes (locador, na locação; e proprietário/cedente, no usufruto) cede à Fl. 390DF CARF MF Excluído Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP26.0318.15480.DHMB. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.001653/200403 Acórdão n.º 910101.140 CSRFT1 Fl. 8 8 outra (locatário e usufrutuário, respectivamente), por tempo determinado ou não e mediante retribuição previamente pactuada, o uso e gozo de uma coisa não fungível. A principal diferença consiste em que enquanto na locação o direito é pessoal, no usufruto é real; o direito do locatário se exerce contra o locador; o do usufrutuário, erga omnes. [...] 3.8 Como se depreende, além da semelhança entre os dois institutos, o bem objeto de usufruto pode ser alugado pelo usufrutuário. Ora, se o usufrutuário tem esse direito, o nu proprietário ao ceder o exercício do direito do usufruto a titulo oneroso estará também "alugando" esse direito a outrem, determinado usufrutuário. A recorrida, por outro lado, sustenta que não se está diante de uma receita operacional equivalente a aluguel, mas sim de uma variação inerente ao direito adquirido anteriormente (investimento), tendo havido a transmissão do direito real de uso e gozo do bem. Por certo que se deve distinguir o direito real de usufruto propriamente dito da cessão do exercício do usufruto por título gratuito ou oneroso. Ao ceder o exercício do usufruto, o usufrutuário cede a percepção dos frutos da coisa (direito pessoal), mantendo o direito real que é intransferível a terceiros. Através do Parecer Normativo Cosit nº 4/95, citado na acusação, a Administração Tributária, visando orientar a tributação da pessoa física, manifestouse sobre o tema analisando os arts. 717 e 724 do Código Civil de 1916, e concluindo que podem ocorrer duas operações típicas no usufruto: (i) a alienação, que só pode ter como adquirente aquele que detém a nua propriedade; e (ii) a cessão de exercício do usufruto, que pode ser a título gratuito ou oneroso, e realizada com terceiros. De acordo com o referido parecer, enquanto na alienação, o alienante (usufrutuário) deve tributar o ganho de capital apurado, na cessão do exercício do usufruto as importâncias recebidas pelo cedente são consideradas receitas de aluguel e tributadas como tal. A fiscalização referiuse ao PN Cosit nº 4/95 como um dos fundamentos da equiparação por analogia com receitas de aluguel, para fins de tributação, o que não tem o condão de afastar a realidade dos fatos corretamente descritos no termo de verificação fiscal. Assim, se é certo que o parecer não analisa exatamente a hipótese do presente caso, disso se apercebeu a fiscalização, que o citou apenas subsidiariamente, referindose, em verdade, à cessão do direito de usar e fruir da coisa. A impropriedade técnica incorrida pela fiscalização ao se referir a “cessão de usufruto” não prejudicou a defesa, já que a divergência entre fisco e contribuinte limitase à natureza do valor recebido pela recorrida, na condição de proprietária das ações/cotas, pelo prazo contratual, em função da operação realizada, e sua consequente contabilização. Em todos os contratos analisados, a proprietária (recorrida) constitui usufruto sobre determinadas cotas/ações, por determinado período, com termo final, cujo preço foi pago Fl. 391DF CARF MF Excluído Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP26.0318.15480.DHMB. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.001653/200403 Acórdão n.º 910101.140 CSRFT1 Fl. 9 9 pelo usufrutuário na assinatura do mesmo, com exceção do quarto contrato, em que parte do pagamento foi diferido para outro momento. Notase que o Parecer Normativo Cosit nº 4/95, analisa a questão sob o ponto de vista do usufrutuário, a partir do usufruto já constituído, tratado no art. 717 do Código Civil de 1916, verbis: Art. 717. O usufruto só se pode transferir, por alienação, ao proprietário da coisa; mas o seu exercício pode cederse por título gratuito ou oneroso. Assim, o usufruto poderia ser transferido, por alienação, pelo usufrutuário, apenas ao proprietário, para consolidação da propriedade plena, mas seu exercício poderia ser cedido a terceiro a título gratuito ou oneroso. Todavia, no novo Código Civil de 2002, a regra constante do dispositivo em questão foi alterada para excluir a hipótese de alienação: Art. 1.393. Não se pode transferir o usufruto por alienação; mas o seu exercício pode cederse por título gratuito ou oneroso. A novel redação dada ao dispositivo pelo Código Civil de 2002 veio esclarecer, a contrario sensu, que sem a transmissão da propriedade de forma integral não há alienação. O usufrutuário, que é quem detém o usufruto, pode cedêlo, mas não alienálo, por não deter a propriedade integral. O que antes se denominada “alienação” pelo usufrutuário correspondia meramente à extinção do usufruto, pelo devolução dos poderes de usar e fruir ao nu proprietário. Analisando sob o ponto de vista do proprietário, na constituição de usufruto ocorre a transmissão do direito real de usar e fruir do bem por determinado período, ficando o bem dado em usufruto gravado com um ônus real, enquanto o direito de dispor permanece como o nu proprietário. Não há transmissão da propriedade, mas de uma parcela do domínio. Na forma da lei, a alienação do bem é pressuposto da ocorrência do ganho de capital, como se depreende do seguinte dispositivo do RIR/99: Art.225. Os ganhos de capital, demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo artigo anterior, serão acrescidos à base de cálculo de que trata esta Subseção, para efeito de incidência do imposto (Lei nº 8.981, de 1995, art. 32, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º). §1ºO disposto neste artigo não se aplica aos rendimentos tributados pertinentes às aplicações financeiras de renda fixa e renda variável, bem como aos lucros, dividendos ou resultado positivo decorrente da avaliação de investimento pela equivalência patrimonial (Lei nº 8.981, de 1995, art. 32, §1º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º). §2ºO ganho de capital, nas alienações de bens do ativo permanente e de aplicações em ouro não tributadas como renda variável, corresponderá à diferença positiva verificada entre o valor da alienação e o respectivo valor contábil (Lei nº 8.981, de 1995, art. 32, §2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º). (destaquei) Fl. 392DF CARF MF Excluído Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP26.0318.15480.DHMB. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.001653/200403 Acórdão n.º 910101.140 CSRFT1 Fl. 10 10 Como na constituição do usufruto o poder de disposição permanece com o nu proprietário, não se tem valor de alienação. No presente caso, a recorrida tratou o recebimento do preço do usufruto como adiantamento dos dividendos em conta redutora do investimento e apurou o resultado em momento posterior, após a distribuição dos dividendos ao usufrutuário, considerando o montante dos dividendos distribuídos como custo dessa operação. Caso se tratasse de efetiva de alienação de investimento avaliado pelo valor de patrimônio líquido, a apuração de ganho ou perda de capital deveria seguir a regra do art. 426 do RIR/99, computandose como custo os valores reconhecidos na forma da lei, in verbis: Art.426. O valor contábil para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido (art. 384), será a soma algébrica dos seguintes valores (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 33, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso V): I valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; II ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte, excluídos os computados nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real; III provisão para perdas que tiver sido computada, como dedução, na determinação do lucro real, observado o disposto no parágrafo único do artigo anterior. (destaquei) Todos os custos permitidos pela legislação para fins de apuração de ganho de capital deveriam estar reconhecidos na contabilidade da investidora, o que não ocorreu no presente caso. Nesse sentido, entendo que procedeu corretamente a fiscalização ao afastar a hipótese de apuração de ganho de capital na constituição do usufruto, pois de alienação não se trata e não se apura lucro ou prejuízo em razão de custos estimados. Na constituição do usufruto, foi estipulado um preço fixo pela transmissão da expectativa de direito de receber os dividendos a serem eventualmente disponibilizados pela investida. A álea do contrato, para o usufrutuário, consistia no risco de inexistirem dividendos a serem distribuídos ou existirem em valor menor do que aquele pago pelo usufruto. Por outro lado, a nu proprietária (recorrida), ao receber o preço fixo pelo usufruto, superou o risco de receber dividendos eventualmente distribuídos em montante menor do que aquele preço. O investimento objeto do usufruto era avaliado pelo método da equivalência patrimonial, conforme determinado no art. 248 da Lei nº 6.404/76. De acordo com o Pronunciamento Técnico do Comitê de Pronunciamentos Contábeis CPC 18, o método de equivalência patrimonial “é o método de contabilização por Fl. 393DF CARF MF Excluído Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP26.0318.15480.DHMB. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.001653/200403 Acórdão n.º 910101.140 CSRFT1 Fl. 11 11 meio do qual o investimento é inicialmente reconhecido pelo custo e posteriormente ajustado pelo reconhecimento da parte do investidor nas alterações dos ativos líquidos da investida.” Contabilmente, o valor da participação societária registrada pela investidora (proprietária das ações) deve acompanhar as variações do valor do patrimônio líquido da investida, como esclarecem os autores do Manual de Contabilidade Societária (FIPECAFI, 2010, p. 174175): O valor do investimento é determinado mediante a aplicação, sobre o valor de cada mutação do Patrimônio Líquido da investida, da percentagem de participação em seu capital.[...] Qualquer mutação ocorrida nesse patrimônio líquido corresponderá a um ajuste no saldo contábil do investimento, na contabilidade do investidor, mas somente as mutações provenientes de lucro ou prejuízo apurado pela coligada (ou controlada) é que serão reconhecidas no resultado do período do investidor. Da mesma forma, na distribuição de dividendos, a contabilidade da investidora deve reconhecer a realização parcial do investimento, conforme se extrai do mesmo manual (p.176177): 10.4.2 Dividendos distribuídos Pelo MEP, os lucros são reconhecidos no momento de sua geração pela investida. Dessa forma, quando se efetivar a distribuição de tais lucros como dividendos, estes devem ser registrados em caixa ou bancos e deduzidos da conta de Investimentos. O fato é que os dividendos recebidos em dinheiro representam uma realização parcial do investimento, ou dizendo melhor, dos lucros anteriormente reconhecidos no investimento pelo MEP. Na investida, representam uma redução do patrimônio líquido que deve ser acompanhada por uma redução proporcional do investimento, como as demais variações. O lançamento contábil, portanto, é: Débito Crédito BANCOS X a INVESTIMENTOS EM COLIGADAS X No caso de a coligada distribuir dividendos sobre o resultado de exercício a ser encerrado, o procedimento na controladora será o de registrar somente a parcela já formalmente deliberada (não enquanto proposta apenas) pela investida. Vejase que o procedimento estará coerente com a investida, uma vez que esta irá contabilizar esses dividendos como conta redutora do Patrimônio Líquido na parcela formalmente aprovada também. Em resumo, os dividendos devem ser reconhecidos (reduzindo se o saldo contábil do investimento) quando estiver estabelecido o direito do investidor de recebêlos. (destaquei) Fl. 394DF CARF MF Excluído Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP26.0318.15480.DHMB. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.001653/200403 Acórdão n.º 910101.140 CSRFT1 Fl. 12 12 Notase que a avaliação pelo equivalência patrimonial obedece ao princípio da competência na medida em que se trata de investimento de caráter permanente, cujas modulações ocorrem ao longo do tempo e devem refletir a realidade dos fatos. Em decorrência da sistemática do MEP, ordinariamente, a percepção de lucros e dividendos pela investida deixaria de ser tributada na investidora em razão de já ter sido tributada como receita na investida. Nesse sentido, a legislação do Imposto de Renda, ao conceder o benefício da isenção aos rendimentos de participações societárias, restringese aos lucros e dividendos da investida, como se depreende dos dispositivos seguintes do RIR/99: Art. 379. Ressalvado o disposto no art. 380 e no §1º do art. 388, os lucros e dividendos recebidos de outra pessoa jurídica integrarão o lucro operacional (DecretoLei nº 1.598, de 1977, arts. 11 e 19, inciso II). §1ºOs rendimentos de que trata este artigo serão excluídos do lucro líquido, para efeito de determinar o lucro real, quando estiverem sujeitos à tributação nas firmas ou sociedades que os distribuíram (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 43, §2º, alínea "c" , e Lei nº 3.470, de 1958, art. 70). [...] Art.388.O valor do investimento na data do balanço (art. 387, I), deverá ser ajustado ao valor de patrimônio líquido determinado de acordo com o disposto no artigo anterior, mediante lançamento da diferença a débito ou a crédito da conta de investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 22). §1ºOs lucros ou dividendos distribuídos pela coligada ou controlada deverão ser registrados pelo contribuinte como diminuição do valor de patrimônio líquido do investimento, e não influenciarão as contas de resultado (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 22, parágrafo único). [...] Em resumo, ao apurar lucros, a empresa investida tem seu patrimônio líquido aumentado e, posteriormente, na distribuição de dividendos, o patrimônio se reduz na mesma proporção. Esse acompanhamento da variação patrimonial da investida através da avaliação pelo método da equivalência patrimonial deve ocorrer enquanto a investidora detém a propriedade plena das ações ou cotas de capital. No caso sob análise, todavia, durante a vigência do usufruto, o pagamento dos dividendos foi feito diretamente à usufrutuária, em conformidade com o disposto na Lei nº 6.404/76, litteris: Art. 205. A companhia pagará o dividendo de ações nominativas à pessoa que, na data do ato de declaração do dividendo, estiver inscrita como proprietária ou usufrutuária da ação. Fl. 395DF CARF MF Excluído Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP26.0318.15480.DHMB. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.001653/200403 Acórdão n.º 910101.140 CSRFT1 Fl. 13 13 [...] § 3º O dividendo deverá ser pago, salvo deliberação em contrário da assembléiageral, no prazo de 60 (sessenta) dias da data em que for declarado e, em qualquer caso, dentro do exercício social. (destaquei) A partir do momento em que deixa de ter o direito de receber os dividendos, pela constituição do usufruto, o valor do seu investimento deixa de variar conforme a variação patrimonial da investida em decorrência da distribuição de dividendos (cujas cotas/ações constituem o objeto do usufruto), porquanto a investidora (nu proprietária), não terá direito ao recebimento desses frutos. Na prática contábil, enquanto durar o usufruto, a participação societária detida pela investidora não sofrerá reflexo da constituição do mesmo. Nesse sentido, trago à colação o seguinte trecho da declaração de voto da ilustre exconselheira Sandra Faroni proferida no Acórdão nº 10195960, in verbis: Admitindo que as controladas, sobre cujas ações foi constituído o usufruto, tenham lucro e distribuam dividendos, as conseqüências serão as seguintes: No balanço de 31/12/99 o valor do investimento (de cada uma das participações) deverá ser ajustado pela equivalência patrimonial, e o ajuste positivo em decorrência dos lucros da controlada constituirá receita de participação societária, não afetando o lucro real (será excluído). Na distribuição dos dividendos a Recorrente nada contabilizará, porque quem receberá os dividendos será o usufrutuário (o Banco nau). A receita de equivalência antes contabilizada pela Recorrente ( e que não foi tributada), será neutralizada pela distribuição, que reduzirá o patrimônio liquido da investida pelo valor distribuído. Assim, com abstração de resultados supervenientes, na nova avaliação do investimento pela equivalência patrimonial, o valor do investimento será reduzido em função da distribuição dos dividendos, e o valor do ajuste constituirá despesa de participação societária, que também não influenciará o lucro real (será adicionado). Quanto ao valor recebido pela instituição do usufruto, não há dúvida de que representa uma receita do proprietário. Tratarse, de fato, de importância recebida pela cessão, por prazo determinado (um ano), da faculdade de fruir (receber os dividendos) das ações. O proprietário de bem sobre o qual instituiu usufruto em favor de terceiro está, inquestionavelmente, cedendo a esse terceiro seu direito de fruir do bem pelo prazo de duração do usufruto. A receita recebida pela constituição do usufruto representa, sem dúvida, receita decorrente de cessão de direito (direito de fruir). Não se trata, repitase, de cessão do exercício do usufruto , que, como se sabe, só pode ser feito pelo usufrutuário, e não pelo proprietário (art.1.393 do CC.). Fl. 396DF CARF MF Excluído Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP26.0318.15480.DHMB. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.001653/200403 Acórdão n.º 910101.140 CSRFT1 Fl. 14 14 Ressaltese que o contrato de constituição de usufruto não prevê qualquer contraprestação por parte da proprietária das ações em função da distribuição ou não de dividendos, ou seja, não há qualquer vinculação com os resultados futuros da investida. Como já referido, aqui reside a álea do negócio. Pela independência dos resultados futuros oriundos do investimento, a percepção do valor ajustado em função da constituição do usufruto não pode ser considerado antecipação de dividendos ou de juros sobre capital próprio, não tendo qualquer reflexo no valor do investimento avaliado pelo método da equivalência patrimonial. Ao contabilizar o valor recebido pela constituição do usufruto como redução do investimento avaliado pelo método da equivalência patrimonial, a recorrida indevidamente equiparou a relação jurídica entre nu proprietária e usufrutuário com a relação entre investidora e investida. Como demonstrado anteriormente, não se pode dar o mesmo tratamento contábil de reconhecimento pela equivalência patrimonial quando do recebimento do valor pela constituição do usufruto e da distribuição dos dividendos ou juros ao usufrutuário. Em razão disso, a relação jurídica entre investidora e investida é completamente distinta da relação entre nu proprietária e usufrutuária, ao contrário do que entende a recorrida. Disso se conclui que a contabilização da operação de constituição de usufruto de cotas/ações por meio de conta retificadora do ativo investimento, sem transitar pela conta de resultado, não se coaduna com a melhor técnica contábil e não encontra suporte legal. Logo, o preço ajustado na constituição do usufruto, pela cessão onerosa do direito de usar e fruir de parte dos seus investimentos, é receita integral da proprietária, referente ao período de vigência do contrato, devendo ser reconhecida em conta de resultado e tributada na forma da legislação de regência. Assim decidiu o acórdão recorrido, que, todavia, entendeu pela nulidade total do auto de infração lavrado sem observância ao princípio da competência, o que, para a maioria dos julgadores do colegiado a quo, caracterizou erro insanável. No recurso contra aquela decisão, ora examinado, o equívoco do lançamento apontado pela recorrente restringese à apuração da base de cálculo pela tributação de toda a receita, correspondente a 12 (ou 36) meses de contrato, integralmente ao final dos anos calendário 1999 e 2000, pois a receita recebida pela recorrida no momento da constituição do usufruto ou em contraprestação a esse correspondia ao direito de uso e fruição das ações/cotas pelo prazo de um ano ou de três anos, no caso do último contrato. Em se tratando de operação de longo prazo, cujos efeitos se refletirão no curso do tempo – e aqui reside a semelhança com o contrato de locação –, recomenda o regime de competência, previsto no art.177 e referido no art. 187, §1º, ambos da Lei nº 6.404/76, que o reconhecimento da receita seja distribuído durante todo o prazo de vigência do contrato, sendo transferido mensalmente para a conta de receita operacional. Seguindo a boa técnica contábil, em consonância com o disciplinado no art. 9º da Resolução CFC nº 750, de 29/12/93, o montante assim recebido deve ser reconhecido Fl. 397DF CARF MF Excluído Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP26.0318.15480.DHMB. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.001653/200403 Acórdão n.º 910101.140 CSRFT1 Fl. 15 15 como receita em parcelas mensais, proporcionalmente pro rata die ao período de tempo transcorrido desde a assinatura do contrato até sua extinção, considerando a opção da recorrida pelo regime do lucro real anual. O valor recebido a título de usufruto equivale a receita operacional, daí, não caber a aplicação do art. 146 do CTN. Nesse sentido, quanto à alteração do lançamento na fase litigiosa, a jurisprudência do CARF mostrase largamente favorável, por não se tratar de alteração do critério jurídico do lançamento, mas de mero ajuste na base de cálculo, sem modificação no enquadramento legal, nem na forma como a fiscalização interpretou os fatos. Esse foi o entendimento recentemente manifestado por esta 1ª Turma da CSRF em caso semelhante, dado por votação com ampla maioria, em 6 de julho de 2010, no acórdão nº 910100.630, o qual teve a seguinte ementa: USUFRUTO DE AÇÕES, RECEITA, REGIME DE COMPETÊNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Ajustado o valor da exigência nos termos definidos pela decisão do Colegiado, descabe falar em nulidade que implicaria em cancelar a parcela do tributo efetivamente devido. Por todo o exposto, conheço parcialmente do recurso da Fazenda Nacional e, na parte conhecida, doulhe provimento para restabelecer o lançamento do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins quanto às receitas operacionais oriundas dos contratos de usufruto firmados em 1999 e 2000, na parte corretamente apropriada segundo o regime de competência, ou seja, proporcionalmente aos dias decorridos entra a data de celebração dos respectivos contratos (29/10/99, 08/11/99 e 27/11/00) e o último dia do anocalendário objeto da autuação respectiva (31/12/99, para os contratos celebrados em 1999 e 31/12/2000, para o contrato celebrado em 2000). É como voto. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 398DF CARF MF Excluído Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP26.0318.15480.DHMB. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por VIVIANE VIDAL WAGNER em 12/09/2011 19:58:08. Documento autenticado digitalmente por VIVIANE VIDAL WAGNER em 12/09/2011. Documento assinado digitalmente por: OTACILIO DANTAS CARTAXO em 17/11/2011 e VIVIANE VIDAL WAGNER em 12/09/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por VALERIA JOSE VIEIRA DA COSTA em 26/03/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP26.0318.15480.DHMB Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: A489B1384E1A68607D774177D6739D444330DF18 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Outros". 3) Selecione a opção "eAssinaRFB - Validação e Assinatura de Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 16327.001653/2004-03. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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