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Numero do processo: 10980.009106/2007-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/11/2006 a 30/11/2006
CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RETENÇÃO DE 11%. PRESUNÇÃO ABSOLUTA DE REALIZAÇÃO DA RETENÇÃO.
RESPONSABILIDADE EXCLUSIVA DO CONTRATANTE ATÉ O MONTANTE DA RETENÇÃO. PRESUNÇÃO RELATIVA EM RELAÇÃO À CARACTERIZAÇÃO DA CESSÃO DE MÃO DE OBRA.
O art. 31 da Lei 8.212/91 estabelece que o contratante de serviços caracterizados como cessão de mão de obra deve reter 11% do valor das notas fiscais e efetuar o devido recolhimento. O §5º do art. 33 da Lei 8.212/91 estabeleceu uma presunção absoluta de que a retenção é realizada nos casos em que existe a previsão legal para respectiva obrigação, bem como determinou que a responsabilidade do substituto é exclusiva, afastando
a responsabilidade do beneficiário dos pagamentos até o montante da retenção presumida. A caracterização de que a contratação de serviços se deu com cessão de mão de obra é resultado de presunção legal relativa, tendo como fato base a contratação de serviços relacionados no art. 219 do RPS.
Provas apresentadas pela recorrente demonstram que para alguns serviços não havia cessão de mão de obra por não haver disponibilização de trabalhadores para a contratante. Não havendo necessidade de retenção, não pode prosperar a multa decorrente de descumprimento de obrigação acessória.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2301-002.168
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos: a) em dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso. Declaração de voto: Bernadete de Oliveira Barros.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: Mauro Jose Silva
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/11/2006 a 30/11/2006 CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RETENÇÃO DE 11%. PRESUNÇÃO ABSOLUTA DE REALIZAÇÃO DA RETENÇÃO. RESPONSABILIDADE EXCLUSIVA DO CONTRATANTE ATÉ O MONTANTE DA RETENÇÃO. PRESUNÇÃO RELATIVA EM RELAÇÃO À CARACTERIZAÇÃO DA CESSÃO DE MÃO DE OBRA. O art. 31 da Lei 8.212/91 estabelece que o contratante de serviços caracterizados como cessão de mão de obra deve reter 11% do valor das notas fiscais e efetuar o devido recolhimento. O §5º do art. 33 da Lei 8.212/91 estabeleceu uma presunção absoluta de que a retenção é realizada nos casos em que existe a previsão legal para respectiva obrigação, bem como determinou que a responsabilidade do substituto é exclusiva, afastando a responsabilidade do beneficiário dos pagamentos até o montante da retenção presumida. A caracterização de que a contratação de serviços se deu com cessão de mão de obra é resultado de presunção legal relativa, tendo como fato base a contratação de serviços relacionados no art. 219 do RPS. Provas apresentadas pela recorrente demonstram que para alguns serviços não havia cessão de mão de obra por não haver disponibilização de trabalhadores para a contratante. Não havendo necessidade de retenção, não pode prosperar a multa decorrente de descumprimento de obrigação acessória. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Fl. 104DF CARF MF Impresso em 12/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA 2 Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso. Declaração de voto: Bernadete de Oliveira Barros. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Participaram do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antonio Souza Correa, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 12/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10980.009106/200711 Acórdão n.º 230102.168 S2C3T1 Fl. 93 3 Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 30/11/2006, por ter a empresa acima identificada, segundo Relatório Fiscal da Infração, fls. 12/13, deixado de destacar onze por cento do valor bruto da nota fiscal de prestação de serviços, nas competências 04/2004 e 10/2004, tendo resultado na aplicação de multa de R$ 1.156,95 Após tomar ciência postal da autuação em 11/04/2007, fls. 53, a recorrente apresentou impugnação, fls. 22/28, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 6ª Turma da DRJ/Curitiba, no Acórdão de fls. 62/65, julgou o lançamento procedente , tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 07/11/2007, fls. 67. O recurso voluntário, apresentado em 07/12/2007, fls. 68/83, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Teria ocorrido cerceamento de defesa no indeferimento da prova pericial e documental pela decisão a quo. Entende que as notas fiscais apontadas pela fiscalização não ensejavam retenção, pois o caso era de empreitada global. Nesses casos, a IN 100/2003 em seu art. 185, inciso II afasta a necessidade de retenção. Apresenta os documentos de fls. 36/49. É o relatório. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 12/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Conselheiro Mauro José Silva Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. Retenção de 11% sobre notas fiscais de prestação de serviços com cessão de mão de obra. Fatos geradores após fevereiro de 1999. Considerando o aspecto temporal dos fatos geradores objetos do lançamento, devemos observar que a Lei n° 9.711/98 em seu artigo 23 alterou a redação do artigo 31 da Lei n° 8.212/91, estabelecendo uma nova modalidade de substituição tributária, ao determinar que os tomadores de serviço efetuem a retenção de 11% (onze por cento) sobre o valor bruto do pagamento referente à prestação de serviço efetuado com cessão de mão de obra. Assim, a partir de 1° de fevereiro de 1999, com a nova redação do art. 31 da Lei n°8.212/91, alterouse a natureza jurídica da relação entre fisco e a empresa tomadora de serviços com cessão de mão de obra, deixando de existir a solidariedade e criandose a substituição tributária estribada no art. 128 do CTN. Dessa forma, por oportuno, esclarecemos que, no presente caso, não se aplicam as conclusões do Parecer 2.376/2000, pois aquele documento administrativo foi elaborado, conforme consta do seu item 04, para ser aplicado para a “sistemática de responsabilização tributária constante do artigo 31 da Lei 8.212/91, com redação anterior ao advento da citada medida provisória[MP 1.663/98, convertida na Lei 9.718/99]”. Feita tal ressalva, retomamos a análise jurídica do assunto. Com relação à obrigação de reter e recolher a contribuição previdenciária, o §5º do art. 33 da Lei 8.212/91 criou uma presunção de que a retenção, nos casos legalmente previstos, foi realizada, in verbis: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. ... § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. Sabendo tratarse de presunção legal de retenção, restanos esclarecer se tratamos de presunção legal relativa ou absoluta. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 12/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10980.009106/200711 Acórdão n.º 230102.168 S2C3T1 Fl. 94 5 Como se sabe, uma presunção é o processo, que utiliza a lógica, no caso das presunções simples, ou a determinação legal, no caso das presunções legais, partindo do fato base, ou do indício, e resultando no fato presumido. Acrescentese que as presunções legais podem ser absolutas ou juris et de jure e relativas ou juris tantum, sendo que as absolutas são insuscetíveis de serem ilididas por prova em contrário, ao passo que as relativas podem ser ilididas por provas de que o fato ocorrido diverge do fato presumido.(TOMÉ, Fabiana Del Padre. A prova no direito tributário. São Paulo: Noeses, 2005, p. 136). O art. 33, §5º da Lei 8.212/91 dispôs que, para a empresa obrigada à retenção, é vedado “alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto” na mesma Lei. Tendo o §5º do art. 33 da Lei 8.212/91 criado uma presunção com relação a qual é vedado fazer prova em contrário, concluímos tratarse de presunção absoluta. Resulta dizer que, constatando a ocorrência de uma situação na qual a empresa estava obrigada a fazer a retenção, o fisco irá presumir que esta foi feita pelo responsável e dele irá exigir o correspondente crédito tributário, pois a lei prescreveu que o responsável por substituição fica “diretamente responsável”. No caso da retenção de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços executados mediante cessão de mão de obra, o §3º do art. 31 da Lei 8.212/91 criou uma regra geral para determinarmos se a prestação de serviços se deu por meio de cessão de mão de obra. Assim, “entendese como cessão de mão de obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação”. Tratase de, como dissemos, uma regra geral, mas, em adição, quis a mesma lei criar outra presunção, agora relativa, em relação aos serviços que se enquadram com as características de cessão de mão de obra. No §4º do art. 31 da Lei 8.212/91, portanto, temos uma lista de serviços que, por presunção legal relativa, são considerados como executados por cessão de mão de obra. Além de listar alguns serviços, a lei permitiu ao regulamento aumentar a lista de serviços que, por presunção relativa, seriam considerados executados por meio de cessão de mão de obra. Digo que há uma presunção relativa, pois a lista dos serviços submetese à regra geral do § 3º do art. 31. Significa dizer que a empresa contratante poderá demonstrar que, mesmo tendo contratado alguns dos serviços listados pela Lei ou pelo regulamento, a execução dos serviços não se deu de uma forma que caracterize a cessão de mão de obra, nos moldes do §3º do art. 31. Em suma, diante da existência de tal presunção relativa, cabe ao fisco demonstrar que houve a contratação de serviços relacionados na lei ou no regulamento para concluir que foi realizado por meio de cessão de obra, ao passo que, ao contratante, caberá o ônus de demonstrar que a prestação de serviços não se deu com características de cessão de mão de obra. Assim, nos casos que se enquadram no art. 31 da Lei 8.212/91, temos um encadeamento de duas presunções. A primeira, relativa, que trata da caracterização dos serviços que se consideram realizados com cessão de mão de obra. O fato base de tal presunção é a constatação de contratação de serviço relacionado pela lei ou pelo regulamento, sendo o fato presumido a realização do referido serviço com cessão de mão de obra. Cabe ao contratante, nesse caso, demonstrar que a contratação não se deu nos moldes do §3º do art. 8.212/91 para afastar o fato presumido. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 12/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA 6 A segunda presunção, esta absoluta, é a presunção de que, caracterizada a contratação de serviço por meio de cessão de mão obra, considerase efetivada a retenção de 11% e, portanto, deve ser feito o recolhimento. O fato base de tal presunção absoluta é a contratação de serviços por meio de cessão de mão de obra, sendo o fato presumido a retenção de 11%. A par disso, cabe à autoridade fiscal demonstrar que o fiscalizado contratou serviços entre aqueles constantes do art. 219 do Decreto 3.048/99, para que fique caracterizado a existência de contratação de serviços com cessão de mão de obra e, conseqüentemente, surja a obrigação de recolher ao fisco o valor presumidamente retido do contratado. Ao fiscalizado cabe demonstrar que a contratação não se deu nos moldes do §3º do art. 8.212/91 para afastar o fato presumido. Passemos às considerações sobre o caso dos autos. Uma das principais características que distinguem a cessão de mão de obra da empreitada é a existência de um resultado pretendido para a empreitada, ao passo que na cessão de mão de obra a contratada não se compromete com um resultado, apenas coloca trabalhadores à disposição da contratante. A existência de uma data ajustada para os serviços não é característica exclusiva da cessão de mão de obra, ao contrário, a entrega de um produto ou serviço previamente ajustado numa data certa é muito comum em empreitadas. Concordamos com o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior quando este interpretou, no voto do Acórdão 230100.444, o significado de “estar à disposição” como equivalente estar submetido ao poder de comando do contratante. Logo, a realização de um serviço determinado, especificado em contrato ou na nota fiscal, não caracteriza a cessão de mão de obra, uma vez que o trabalhador não ficou sob o poder de comando do contratante. A continuidade do serviço é outra característica exigida pela lei para caracterizar a cessão de mão de obra. Mas é a continuidade do serviço, não do prestador ou do trabalhador. Se mensalmente é trocado o prestador, mas o serviço mostrase contínuo no tempo do ponto de vista da contratante, então, temos a continuidade exigida pela lei. Parecenos que os documentos juntados pela recorrente, particularmente as notas fiscais de fls. 36/40, demonstram que celebrou contrato de empreitada, inclusive com fornecimento de material, e não fez contratação com cessão de mão de obra. Assim, não existindo a obrigação de fazer a retenção e o recolhimento, não pode prevalecer o lançamento da multa por descumprimento acessória, pois esta não existia. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 109DF CARF MF Impresso em 12/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10980.009106/200711 Acórdão n.º 230102.168 S2C3T1 Fl. 95 7 Declaração de Voto Conselheira Bernadete de Oliveira Barros. Permitome divergir do entendimento manifestado pelo Relator, pelas razões a seguir expostas. O Relator vota por dar provimento ao recurso, sob o entendimento de que, como não houve cessão de mão de obra nos serviços prestados, não existe a obrigação de fazer a retenção e o recolhimento, não podendo, portanto, prevalecer o lançamento da multa por descumprimento acessória, já esta não existia. Contudo, entendo que, nos serviços de construção civil, como é o caso presente, os serviços de empreitada, mesmo que não haja cessão de mãodeobra, também estão sujeitos à retenção de que trata o art. 31, da Lei 8.212/91. O referido dispositivo legal, estabelece que: Art. 31 A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5º do art. 33. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) (...) §3 Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Parágrafo renumerado e alterado pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) § 4º Enquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) I limpeza, conservação e zeladoria; II vigilância e segurança; III empreitada de mãodeobra; IV contratação de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974. (grifei) Portanto, a empreitada de mão de obra também está sujeita à retenção, por determinação legal. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 12/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA 8 E o Decreto 3.048/99, cumprindo o seu papel regulamentador, dispõe, em seu art. 219 que: Art.219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. (Nova redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 1º (...) § 2º Enquadramse na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mãodeobra: I limpeza, conservação e zeladoria; II vigilância e segurança; III construção civil; IV serviços rurais; (...) § 3º Os serviços relacionados nos incisos I a V também estão sujeitos à retenção de que trata o caput quando contratados mediante empreitada de mãodeobra.(grifei). Dessa forma, os serviços de construção civil, mesmo quando contratados por empreitada, estão sujeitos ao instituto da retenção. Assim, a empresa autuada, na condição de prestadora de serviços na construção civil por empreitada parcial, está obrigada a fazer o destaque da retenção de 11%, quando da emissão da nota fiscal de serviços ou fatura. Verificase que a alegação da recorrente para afastar a obrigatoriedade da retenção é a de que o contrato firmado para prestação de serviços de construção civil é de empreitada total, e não parcial. Contudo, não comprova o alegado. Não junta, aos autos, o contrato firmado com a tomadora dos serviços, mas apenas uma proposta comercial, não assinada pelas partes. Nas notas fiscais apresentadas, a recorrente faz a observação de que o serviço não está sujeita à retenção, conf. art. 185, II, da IN 100/2003. O citado dispositivo dispõe que não está sujeita à retenção a empreitada total, quando a empresa construtora assume a responsabilidade direta e total por obra de construção civil, o que não restou comprovado no caso presente. O mesmo normativo legal determina, no art. 32, que, na contratação de empreitada total, a matrícula da obra será de responsabilidade da contratada. Não consta que a empresa autuada tenha feito a matrícula da obra realizada na empresa contratante. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 12/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10980.009106/200711 Acórdão n.º 230102.168 S2C3T1 Fl. 96 9 Conforme normativos vigentes à época, apenas cabe retenção facultativa, para elidir a responsabilidade solidária, nos casos de empreitada total. Nos casos de construção civil com empreitada parcial, a retenção é obrigatória, com ou sem cessão de mãodeobra. O conceito de empreitada total trazida na IN 100/03 é o contrato celebrado exclusivamente com empresa construtora que assume a responsabilidade direta pela obra, incluindo todos os serviços a ela inerentes, desde todos os projetos, com ou sem fornecimento de material. Considerase também empreitada total o repasse integral do contrato, desde que na transferência seja mantida as mesmas características do contrato original, principalmente o preço e o objeto. É empreitada parcial: quando celebrado com empresa prestadora de serviço na área de construção civil, para execução de parte da obra. Considerase também empreitada parcial a contratação de empresa sem o registro no CREA ou de empresa prestadora de serviço na área de construção civil, mesmo que execute todos os serviços necessários à realização da obra Assim, a obra realizada pela recorrente recebe o tratamento de empreitada parcial, por expressa determinação dos normativos previdenciários que tratam da matéria. E, como o art. 178, da IN 100/03, vigente à época da ocorrência da infração, estabelece que a prestação de serviços mediante empreitada parcial ou subempreitada de obra de construção civil, com ou sem fornecimento de material, sujeitase à retenção de que trata o art. 149, concluise que o Auto de Infração em tela não merece reparos, devendo ser mantido em sua integralidade. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 12/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /07/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 05/07/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 10840.002593/2002-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 1997
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATIVIDADE PRIVATIVA.
A atividade do lançamento tributário é privativa da autoridade administrativa, vinculada ao texto da lei e obrigatória, nos termos do art. 142 do CTN.
VALORES INFORMADOS EM DCTF E EM DIRPJ. DIVERGÊNCIA.
PROVAS HÁBEIS.
Os valores lançados pela autoridade administrativa, com base em
informações constantes nas DCTFs, somente podem ser desconstituídos com base em elementos e documentos hábeis e suficientes que comprovem a incorreção apontada. A mera divergência entre o valor informado na DCTF com aquele constante na declaração DIRPJ não é motivo suficiente para comprovar a incorreção.
Numero da decisão: 1202-000.482
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: DCTF_IRPJ - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (IRPJ)
Nome do relator: Carlos Alberto Donassolo
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ATIVIDADE PRIVATIVA. A atividade do lançamento tributário é privativa da autoridade administrativa, vinculada ao texto da lei e obrigatória, nos termos do art. 142 do CTN. VALORES INFORMADOS EM DCTF E EM DIRPJ. DIVERGÊNCIA. PROVAS HÁBEIS. Os valores lançados pela autoridade administrativa, com base em informações constantes nas DCTFs, somente podem ser desconstituídos com base em elementos e documentos hábeis e suficientes que comprovem a incorreção apontada. A mera divergência entre o valor informado na DCTF com aquele constante na declaração DIRPJ não é motivo suficiente para comprovar a incorreção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente e Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 03/03/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10840.002593/200281 Acórdão n.º 120200.482 S1C2T2 Fl. 2 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Orlando José Gonçalves Bueno, Flávio Vilela Campos, Valéria Cabral Géo Verçoza, Nereida de Miranda Finamore Horta e Jaci de Assis Júnior. Relatório PEDRA AGROINDUSTRIAL AS, atual denominação de IRMÃOS BIAGI SA AÇÚCAR E ÁLCOOL, inconformada com a decisão da DRJ/Ribeirão Preto, que manteve o lançamento do crédito tributário efetivado, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão mencionada. Trata o presente processo da lavratura de Auto de Infração N° 0001427 para fins da exigência das estimativas mensais do IRPJ relativo aos meses de julho, agosto, outubro e dezembro de 1997, cujo crédito tributário lançado totaliza o montante de R$ 9.584.879,94, já incluídos a multa de ofício, no percentual de 75%, e dos juros de mora, com base na taxa Selic, fls. 05 a 10. De acordo com a descrição dos fatos constante do Auto de Infração, a autuada teria informado em DCTF, fls. 24, 25, 28 e 29, um crédito vinculado aos débitos de estimativas do IRPJ mencionados, originado do processo judicial nº 94.03078294 – “compensações s/ darf – processos judiciais não comprovados”. Inicialmente, a interessada apresentou informação mencionando tratarse de erro de preenchimento da DCTF a qual estaria em desacordo com a DIRPJ entregue, postulando pelo cancelamento da autuação, fls. 01. Verificada a existência de Ação Judicial, a contribuinte foi intimada, pelo Grupo de Acompanhamento Judicial da DRF/Ribeirão Preto, a apresentar cópias da inicial e todos os julgados no curso da Ação n° 94.03078294 informada na DCTF, fls. 67 e 70. Ditos documentos foram entregues mediante juntada das peças, de fls. 71 a 91: 1. Sentença de 1ª instância da Ação Ordinária n° 94.03078294; 2. Decisão proferida em 1ª instância na Ação Ordinária n° 94.03078294, em sede de embargos de declaração; 3. Extrato de andamento processual da Apelação Cível n° 2001.03.99.0336120; 4. Extrato de Andamento processual da Medida Cautelar n° 2001.03.00.0028772; Em seguida foi emitido Despacho pela DRF/Ribeirão Preto com a seguinte informação: “Em sua defesa, o contribuinte alega que os valores cobrados são objeto de compensação autorizada pela ação judicial de no 94.030.78294. A ação judicial em referência discute a possibilidade do aproveitamento e compensação de valores apurados em Fl. 2DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 03/03/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10840.002593/200281 Acórdão n.º 120200.482 S1C2T2 Fl. 3 3 função dos efeitos; sobre a apuração do resultado do período; do afastamento dos expurgos inflacionários nos meses de janeiro e fevereiro de 1989 (Plano Verão). A referida compensação foi informada em DIPJ (fls. 39/50).” Ao final, concluiu que referida Ação Judicial, até aquele momento, não teria o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário lançado, propondo no seguimento da cobrança. Dito despacho foi acatado pelo Delegado da DRF/Ribeirão Preto, fls. 96, concluindo pela inexistência de erro de fato que acarretasse a revisão do lançamento, nos termos do art. 149 do CTN, determinando o prosseguimento da cobrança. Na sequência, a autuada apresentou sua impugnação, mediante arrazoado, de fls, 108 a 115, juntando cópia do LALUR – Parte B, cópias da DIRPJ/98 e DCTFs/97 entregues, fls. 127 a 190, trazendo, em síntese, as alegações que transcrevo de parte do relatório do Acórdão DRJ/Ribeirão Preto, de fls. 196 a 200, o qual adoto: “Cientificada, a autuada impugnou o lançamento, em 28/02/2002 (fl. 01), alegando erro na prestação de informações em DCTF, quanto aos valores dos débitos apurados, pelo que requer sejam os débitos considerados com base nos valores informados na DIRPJ/98. Faz juntar em anexo cópia da referida declaração, bem como da parte B do Lalur, onde estaria demonstrada a compensação. Sustenta que os débitos encontrarseiam com sua exigibilidade suspensa. Por documento às fls. 108/115, a autuada faz reprisar os argumentos acima, acrescentando os seguintes, de acordo com suas próprias razões: que a decisão de fls. 93/96 seria omissa em relação à alegação de erro nas informações prestadas em DCTF; que à vista de embargos à execução, consubstanciados em processos judiciais relacionados a caso idêntico (anoscalendário de 1994, 1995 e 1996), "pelos mesmos motivos devem ser adotadas providências neste processo administrativo, a fim de que esta Receita Federal possa proceder a uma revisão do lançamento tributário realizado pelo auto de infração (art. 149 do CTN), adotando as observações, planilhas, quadros e documentos apresentados ao Fisco"; que faria jus à correção monetária das demonstrações financeiras do ano base de 1989 com base no IPC/IBGE, e não com base nos índices oficiais de correção monetária do balanço; que a ação proposta perante o TRF/3a Região não transitou em julgado, não podendo haver cobrança da dívida tributária; que seria ilegal a inclusão de valor a título de encargos previstos no Decreto lei n.° 1.025/69 no Darf enviado à autuada; requer seja expedida contraordem para que o débito objeto do presente processo não seja inscrito no Cadin ou em dívida ativa.” Em seguida, foi proferido o Acórdão nº 1417.425 da DRJ/Ribeirão Preto, de fls. 196 a 200, contendo o seguinte ementário: COMPENSAÇÃO. PROCESSO JUDICIAL. As compensações de débitos de IRPJ estimativa mensal, sob alegação de vinculação a processo judicial, estão condicionadas à comprovação de provimento judicial vigente ao tempo da Fl. 3DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 03/03/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10840.002593/200281 Acórdão n.º 120200.482 S1C2T2 Fl. 4 4 autuação, que autorize a pretensão, e de sua regular escrituração contábil/fiscal. FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento de débitos de IRPJ, apurada em procedimento fiscal de auditoria de DCTF, enseja o lançamento de oficio do principal e consectários (multa de oficio e juros de mora). Lançamento Procedente Os principais fundamentos utilizados no voto condutor do acórdão recorrido podem ser assim resumidos: a autuada alegou que a decisão de fls. 93/96 seria omissa em relação ao exame do erro nas informações prestadas em DCTF. Entretanto, sucede que à fl. 96 consta expressamente manifestação do titular da DRF/Ribeirão PretoSP atestando a "inocorrência de erro de fato" e a conseqüente inaplicabilidade do art. 149 do Código Tributário Nacional (CTN); com relação à pretensa suspensão de exigibilidade dos créditos tributários, entendeuse que não há nenhuma decisão, no âmbito das ações judiciais apresentadas, capaz de assegurar a inexigibilidade dos créditos tributários controlados por este processo; restaram, assim, prejudicados os argumentos de suspensão da exigibilidade dos débitos declarados pela impugnante, nos termos do que exige o art. 151, incisos IV e V, do Código Tributário nacional (CTN), por ausência de comprovação de provimento judicial favorável a sua pretensão capaz de justificar créditos passíveis de compensações. considerou, ainda, que, em regra, as decisões judiciais e administrativas são eficazes somente em relação aos limites da lide e às questões nela decididas (CPC, art. 468, caput e CTN, art. 100, II). Nesse sentido, eventuais decisões proferidas nos processos mencionados à fl. 112 da impugnação não repercutem sobre o presente processo, visto que, como reconhece a própria interessada, não dizem respeito aos débitos objeto do auto de infração recorrido (anocalendário de 1997), mas sim a débitos apurados nos anoscalendário de 1994 a 1996. quanto à procedência da correção monetária das demonstrações financeiras do anobase de 1989 com base no IPC/IBGE, e não com base no BTN, tal alegação deixou de ser analisada por se tratar de questão submetida à apreciação do Poder Judiciário, conforme documentos de fls. 79/91, situação que impede exame concomitante na esfera administrativa, tendo em vista o princípio da unidade de jurisdição. em relação ao alegado erro na prestação de informações em DCTF, considerou o acórdão recorrido que as informações prestadas em DCTF situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, a quem caberia demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões, consoante disciplina instituída pelo artigo 16, inciso III, do Decreto n° 70.235/72 (PAF). As cópias de páginas do Livro Lalur (parte B) de fls. 127/129, mostraramse insuficientes à comprovação da efetividade, natureza e mensuração dos fatos geradores, apurados mensalmente, sujeitos à tributação do IRPJestimativa. Mostraram tão somente a identidade entre o valor lançado a Fl. 4DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 03/03/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10840.002593/200281 Acórdão n.º 120200.482 S1C2T2 Fl. 5 5 débito sob a rubrica "Valor compensado do IR a pagar relativo ao período de janeiro a dezembro/97" (fl. 128), equivalente a R$ 1.576.307,22, e os valores lançados na Ficha 09 da DIRPJ/98 "IR e CSLL mensal por estimativa/antecip. obrigatórias", linhas 08 e 13, mês de dezembro (fl. 50). verificouse, também, que no caso dos autos, não foi estabelecida lide em relação à alegada imposição de encargos com base no Decretolei n° 1.025, de 1969, já que nenhuma exigência nesse sentido foi levada a efeito pela Fiscalização. O valor informado no campo 09 do Darf de fl. 99 referese aos juros de mora, indicados no item 4.1 do auto de infração. O mesmo se afirmou em relação ao pedido para que o débito objeto do presente processo não fosse inscrito no Cadin ou em dívida ativa. Também nesse caso, não haveria lide, por ausente qualquer procedimento de parte da autoridade preparadora tendente à efetivação de tais atos. em relação às matérias do item precedente, deixouse de analisar as alegações da contribuinte atinentes aos temas, por ausência de objeto. Irresignada com a decisão proferida pela DRJ, a autuada apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, mediante arrazoado, de fls. 212 a 224, repisando praticamente os mesmos argumentos trazidos na peça impugnatória. Juntamente com a peça recursal, anexa Laudo Pericial atinente aos Embargos à Execução Fiscal nº 2001.61.02.006970 9, impetrado pela recorrente, com a finalidade de identificar os valores efetivamente devidos do IRPJ e daqueles declarados em DCTF, nos anoscalendário de 1994 a 1996, onde o Sr. Perito identificou erros nas informações prestadas pela contribuinte, o que viria a confirmar a tese de que os valores informados em DCTF não seriam definitivos, situação análoga ao presente caso. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator. Por estarem presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. A controvérsia principal do presente processo diz respeito em esclarecer a procedência da autuação baseada nos valores de estimativas mensais do IRPJ informados em DCTFs, cujo pagamento/compensação teria ocorrido sem DARF, indicando como origem do crédito a existência do processo judicial nº 94.03078294. Além disso, foi alegada divergência entre os débitos informados em DCTFs com aqueles constantes na declaração DIRPJ, devendo prevalecer esta última. Em síntese, alega a defesa que houve erro na prestação de informações em DCTF quanto aos valores dos débitos apurados, pelo que requer sejam os débitos considerados com base nos valores informados na DIRPJ/98. Como prova, juntou com a impugnação cópia da declaração DIRPJ, bem como da parte B do livro LALUR, onde estaria demonstrada a compensação. Sustenta, ainda, que os débitos encontrarseiam com sua exigibilidade suspensa. Creio não assistir razão à recorrente. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 03/03/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10840.002593/200281 Acórdão n.º 120200.482 S1C2T2 Fl. 6 6 Primeiramente, verifico que as cópias das DCTFs dos meses de julho, agosto, outubro e dezembro de 1997, objeto da autuação, fls. 24, 25, 28 e 29, efetivamente indicam a existência de débitos referentes ao IRPJestimativas mensais. Verifico também, que para pagar/compensar ditos débitos, a empresa autuada prestou as seguintes informações ao pé das respectivas DCTFs: “ Nº. Processo: 9403078294 Medida Judicial: Liminar em Medida Cautelar” Ainda, na descrição dos fatos do Auto de Infração foi consignado o seguinte motivo: “processos judiciais não comprovados”. Intimada a apresentar a apresentar cópias da inicial e todos os julgados no curso da Ação n° 94.03078294, que consta das DCTFs, a interessada juntou: i) sentença relativa à Ação Ordinária n° 94.03078294; ii) decisão proferida em 1ª instância na ação Ordinária n° 94.03078294, em sede de embargos de declaração; iii) extrato de andamento processual da Apelação Cível n° 2001.03.99.0336120; e iv) extrato de andamento processual da Medida Cautelar n° 2001.03.00.0028772; Pois bem. O que se percebe do breve relato acima é que a autuação foi corretamente executada, uma vez que as informações prestadas pela empresa em suas DCTFs estão incorretas, ou seja, o processo judicial nº 94.03078294 não se refere a nenhuma Liminar em Medida Cautelar como lá informado, mas se refere a uma Ação Ordinária proposta pela autuada, conforme cópia da sentença exarada, de fls. 79 a 84. Vejo que esse procedimento induziu o fisco a erro, uma vez que, como se sabe, Ações Ordinárias não estão entre as hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário discriminadas no art. 151 do CTN. Já a Liminar em Medida Cautelar teria o condão de suspender a exigibilidade e, por conseqüência, a compensação sem DARF dos débitos declarados em DCTF, situação pretendida pela recorrente mas que foi prontamente corrigida pela fiscalização. Sob esse ângulo, concluise que os fatos que ensejaram o lançamento consubstanciado no Auto de Infração estão corretos. Quanto à pretensa alegação de erro nas informações dos débitos declarados em DCTF, pretende a recorrente que sejam considerados os débitos informados na DIRPJ/98, alegando que os valores desta última declaração deve prevalecer, posto que aquela não pode ser considerada lançamento tributário. Também sobre esse ponto não assiste razão à recorrente. A discussão em torno do que deva prevalecer, se os débitos declarados em DCTF ou se aqueles declarados na DIRPJ é irrelevante diante do fato de existir um lançamento tributário efetuado por autoridade competente. A esse respeito, cabe dizer que a atividade do lançamento tributário é privativa da autoridade administrativa, vinculada ao texto da lei, e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional pelo seu descumprimento, nos termos no art. 142 do Código Tributário NacionalCTN. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 03/03/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10840.002593/200281 Acórdão n.º 120200.482 S1C2T2 Fl. 7 7 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Assim, uma vez efetuado o lançamento pela autoridade fiscal, o mesmo deve prevalecer sob as demais modalidades de lançamento, cabendo a discussão a respeito da procedência e correção do lançamento, no rito do processo administrativo fiscal, como vem ocorrendo com o presente processo. Quanto à divergência dos valores declarados em DCTF comparados com os declarados em DIRPJ, a recorrente pouco esclarece a respeito dos motivos dessa divergência. Limitase a juntar cópia da declaração DIRPJ e cópia de apenas uma página do livro LALUR – parte B, contendo os registros da –“Conta: 00051 IRPJ Correção monetáriaIPC de janeiro de 1989 (plano verão)”, fl 128. Da análise da documentação trazida, verificase coincidência de valores constantes da DIRPJ e do LALUR relativos unicamente ao mês de dezembro de 1997, equivalente a R$ 1.576.307,22. Esclarecendo melhor. Na DIRPJ, esse valor de R$ 1.576.307,22 foi lançado na Ficha 09 – “IR e CSLL mensal por estimativa/antecip. Obrigatórias”, linha 08 – “Imposto de Renda a Pagar” e linha 13 – “Exigibilidade Suspensa”, de modo que efetuada a compensação na declaração, a linha 14 – “Saldo do Imposto de Renda”, ficou zerada, fls. 150. Já na parte B do LALUR–“Conta: 00051 IRPJ Correção monetáriaIPC de janeiro de 1989 (plano verão)” foi lançado o mesmo valor (R$ 1.576.307,22) sob a rubrica "Valor compensado do IR a pagar relativo ao período de janeiro a dezembro/97", fl. 128, de modo a demonstrar a compensação mencionada no item precedente. Como se vê, pouco esclareceu a empresa a respeito da divergência existente entre o valor declarado em DCTF estimativas mensais do IRPJ de dezembro de 1997– R$ 3.488.855.92, e aquele constante da DIRPJ R$ 1.576.307,22 – esclarecimento que sequer foi prestado em relação aos demais meses lançados na autuação, de julho, agosto e outubro de 1997. Não bastasse isso, a própria compensação dos débitos do IRPJ levada a efeito nas DCTFs e na DIRPJ, conforme já mencionado, traz um crédito relativo ao “IRPJ Correção monetáriaIPC de janeiro de 1989 (plano verão)”, cuja matéria encontrase em discussão no Poder Judiciário por meio da Ação Ordinária n° 94.03078294, fls. 79 a 84, cujo trânsito em julgado ainda não se tem notícia nos autos de ter ocorrido. Assim, não poderia a autuada ter efetivado as compensações mencionadas, por violar o art. 170 do CTN, que exige a presença de créditos líquidos e certos para se efetuar a compensação, situação não verificada no presente caso. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 03/03/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10840.002593/200281 Acórdão n.º 120200.482 S1C2T2 Fl. 8 8 Dessa forma, concluise que o lançamento do crédito tributário foi corretamente executado pela autoridade fiscal, deixando a recorrente de trazer provas suficientes que pudessem contrapor os valores exigidos na autuação. Quanto à alegação de que as decisões da DRF/Ribeirão Preto, de fls. 93/96, seriam omissa em relação à alegação de erro nas informações prestadas em DCTF, cabe dizer que a questão foi bem abordada pelo acórdão recorrido. As decisões emitidas são claras e encontramse devidamente fundamentadas, sem que se vislumbre qualquer tipo de vício ou omissão, de modo que o despacho do Delegado da DRF/Ribeirão PretoSP, fls. 96, atestando a “inocorrência de erro de fato” e conseqüente inaplicabilidade do art. 149 do Código Tributário Nacional (CTN), faz ainda menção expressa ao despacho das fls. 94/95, no qual se fundamentou. No que se refere à alegação de que a contribuinte teria direito de corrigir suas demonstrações financeiras com base no IPC de 1989, o que afetaria a apuração do IRPJ devido, cabe repetir que essa matéria encontrase em discussão no Poder Judiciário por meio da Ação Ordinária n° 94.03078294. A propositura de ação judicial implica a desistência de discutir a mesma matéria na esfera administrativa, conforme prescreve a Súmula CARF nº 1, conforme divulgado pela Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010, com o seguinte teor: Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Por fim, quanto ao exame do Laudo Pericial trazido com o recurso voluntário, cabe dizer que o mesmo não se presta para o caso ora analisado. As informações lá contidas devem ser aproveitadas apenas ao processo a que se refere, de n° 2001.61.02.006970 9, que trata de Embargos à Execução Fiscal relativos aos anos de 1994 a 1996, portanto, distinto do período aqui examinado (1997), de modo que as conclusões lá exaradas não têm nenhuma influência na discussão da matéria aqui tratada. Em face do exposto, voto para que seja negado provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 8DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 03/03/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10840.002593/200281 Acórdão n.º 120200.482 S1C2T2 Fl. 9 9 Fl. 9DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 03/03/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Numero do processo: 10183.003647/2006-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2001
SUSTENTAÇÃO ORAL. INTIMAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO OU DO SEU REPRESENTANTE.
Inexiste previsão normativa para intimação do contribuinte ou do seu representante para realizar sustentação oral ou apresentar memoriais nos julgamentos do CARF.
FASE DE FISCALIZAÇÃO. CONTRADITÓRIO.
A fase investigatória do procedimento, realizada antes do lançamento de ofício, é informada pelo principio inquisitorial, sendo descabido falar-se em violação da garantia ao contraditório até então.
O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário Súmula
CARF nº 46.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2001
IRPF. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO.
MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART.
150, §4º, DO CTN.
O art. 62A
do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC,
decidido na sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações.
No presente caso, houve pagamento antecipado na forma de imposto de renda retido na fonte, e não houve a imputação de existência de dolo, fraude ou simulação, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 150, §4º, do CTN, que fixa o marco inicial na ocorrência do fato gerador.
Como o fato gerador do imposto de renda é complexivo anual, ele só se aperfeiçoa em 31 de dezembro do ano-calendário, o que fez com que o prazo decadencial tenha se iniciado em 31/12/2000 e terminado em 31/12/2005.
Como o lançamento se deu apenas em 30/08/2006, o crédito tributário já havia sido fulminado pela decadência.
Preliminar de nulidade rejeitada.
Preliminar de decadência acolhida.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2101-001.122
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a decadência, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Jose Evande Carvalho Araújo
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INTIMAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO OU DO SEU REPRESENTANTE. Inexiste previsão normativa para intimação do contribuinte ou do seu representante para realizar sustentação oral ou apresentar memoriais nos julgamentos do CARF. FASE DE FISCALIZAÇÃO. CONTRADITÓRIO. A fase investigatória do procedimento, realizada antes do lançamento de ofício, é informada pelo principio inquisitorial, sendo descabido falarse em violação da garantia ao contraditório até então. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário Súmula CARF nº 46. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001 IRPF. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o, DO CTN. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. Fl. 153DF CARF MF Emitido em 01/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/ 05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 No presente caso, houve pagamento antecipado na forma de imposto de renda retido na fonte, e não houve a imputação de existência de dolo, fraude ou simulação, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 150, §4o, do CTN, que fixa o marco inicial na ocorrência do fato gerador. Como o fato gerador do imposto de renda é complexivo anual, ele só se aperfeiçoa em 31 de dezembro do anocalendário, o que fez com que o prazo decadencial tenha se iniciado em 31/12/2000 e terminado em 31/12/2005. Como o lançamento se deu apenas em 30/08/2006, o crédito tributário já havia sido fulminado pela decadência. Preliminar de nulidade rejeitada. Preliminar de decadência acolhida. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a decadência, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Presidente. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator. EDITADO EM: 16/05/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: presentes José Raimundo Tosta Santos (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, José Evande Carvalho Araujo, Maria Paula Farina Weidlich, Célia Maria De Souza Murphy, Alexandre Naoki Nishioka. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 25 a 32, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2001, para efetuar glosas de deduções de livro caixa e de imposto de renda retido na fonte, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$9.312,62, acrescido de multa de ofício e juros de mora. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 1 a 24), acatada como tempestiva. Alegou, consoante relatório do acórdão de primeira instância (fls. 108 a 109): Fl. 154DF CARF MF Emitido em 01/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/ 05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.003647/200640 Acórdão n.º 210101.122 S2C1T1 Fl. 152 3 a) nulidade do lançamento por cerceamento de defesa e óbice ao contraditório, considerando que não foi intimado a prestar esclarecimentos previamente à autuação, e que não teve acesso ao Mandado de Procedimento Fiscal; b) extinção do crédito tributário em face da decadência do direito ao lançamento tributário dos fatos geradores ocorridos no ano de 2000, uma vez que o IRPF é tributo lançado por homologação que tem por prazo decadencial 5 anos contados da data da ocorrência do fato gerador, conforme art. 150 § 4° do CTN e entendimento do Conselho de Contribuintes e STJ, citados na impugnação; c) ilegalidade da utilização da taxa Selic; d) ilegalidade da aplicação da multa de 75% por afronta ao princípio do não confisco previsto no art. 150, inciso IV, da CF; e) legalidade das deduções a título de imposto de renda retido pela fonte pagadora Tribunal de Justiça/MT, tendo sido retido, por essa fonte pagadora, o imposto de R$ 3.512,25, conforme folha complementar assinada pela Diretora Geral (f. 39/40); f) legalidade das deduções a título de Livro Caixa, conforme comprovam as despesas lançadas no Livro Caixa, no valor de R$ 21.092,25 e os comprovantes de despesas anexados à impugnação; g) inexistência de saldo de imposto a pagar (código 0211) no valor de R$ 217,13, o qual foi devidamente recolhido, conforme Darf anexo. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente em parte o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 106 a 120): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2001 INTIMAÇÃO PARA PRESTAR ESCLARECIMENTOS. É dispensada a audência do contribuinte, antes da autuação, quando desnecessária para a apuração do ilícito e quando as deduções pleiteadas na declaração de ajuste anual forem exageradas em relação aos rendimentos declarados, não se configurando em cerceamento de defesa, nem em ofensa ao contraditório, desde que essas garantias fundamentais sejam plenamente atendidas no processo administrativo tributário. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. É dispensada a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal no procedimento de revisão interna da declaração de ajuste anual. DECADÊNCIA O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário relativo ao imposto de renda pessoa física decai cinco anos após Fl. 155DF CARF MF Emitido em 01/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/ 05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DEDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. Constatado, por documentos hábeis, a retenção do imposto de renda na fonte, o valor retido deve ser deduzido do imposto apurado no lançamento de ofício. DEDUÇÃO. LIVRO CAIXA. O contribuinte que percebe rendimentos do trabalho não assalariado poderá deduzir, da receita decorrente do exercício de sua atividade autônoma, as despesas pagas e necessárias à percepção da remuneração e à manutenção da fonte produtora, devidamente escrituradas no Livro Caixa e comprovadas por documentação hábil e idônea. IMPOSTO DE RENDA PAGO. O imposto de renda apurado na declaração de ajuste anual possui procedimento próprio de cobrança, em sede do qual é cabível a imputação do pagamento. JUROS E MULTA DE OFÍCIO. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe à Administração se manifestar sobre inconstitucionalidade e ilegalidade das normas vigentes. Lançamento Procedente em Parte RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 24/12/2008 (fl. 126), o contribuinte apresentou, em 16/01/2009, o recurso de fls. 129 a 148, onde: a) discorda da conclusão do julgador de 1a instância, que considerou nula a intimação para prestar esclarecimentos, mas julgou que, apesar disso, não houve cerceamento ao direito de defesa, pois a autoridade possuía todos os elementos para efetuar o lançamento. Argumenta que a intimação era necessária, tanto que foi feita pelo Fisco, e que somente não ocorreu por erro da Administração; e que o prejuízo pela impossibilidade de prestar esclarecimentos foi o aumento das penalidades aplicadas; b) defende a decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento, em agosto de 2006, de fatos geradores ocorridos no ano de 2000; c) contesta a glosa das deduções a título de livro caixa referentes a pagamentos ao Sr. Maurício Magalhães Faria Júnior. Alega que, apesar dos recibos não estarem assinados, o conjunto probatório, composto pelo livro caixa e pela declaração de ajuste do prestador de serviço, comprovava as despesas. Acrescenta aos autos declaração de prestação de serviços de informática do Sr. Maurício, na qual, por meio de documento com firma reconhecida, ele declara que prestou serviços de informática (confecção de programa de controle de clientes) à recorrente ao longo do ano de 2000, e que dela percebeu os valores ali informados; Fl. 156DF CARF MF Emitido em 01/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/ 05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.003647/200640 Acórdão n.º 210101.122 S2C1T1 Fl. 153 5 d) questiona, também, a glosa das deduções a título de livro caixa referentes a pagamentos ao Sr. Juarez Pinto Júnior ao longo do ano de 2000 pela prestação serviços de próteses, pelo conjunto probante análogo ao utilizado no item anterior. Ao final requer, preliminarmente, a nulidade do auto de infração por cerceamento de defesa e o reconhecimento da decadência do lançamento, e, no mérito, que se revertam as glosas das deduções a título de livro caixa relativas a pagamentos aos Srs. Maurício Magalhães Faria Júnior e Juarez Pinto Júnior. Requer, também, que o procurador do recorrente seja intimado/notificado com antecedência da data do julgamento para que possa proceder à defesa através de sustentação oral e apresentação de memoriais. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 150, que também trata do envio dos autos ao então Primeiro Conselho de Contribuintes. É o Relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. De início, há que se ressaltar que o recorrente solicitou a intimação prévia de seu procurador da data do julgamento, para que pudesse realizar sustentação oral e apresentar memoriais. O direito à sustentação oral está assegurado ao sujeito passivo, ou seu representante legal, nos termos previstos no art. 58 do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Para exercêlo, o recorrente, ou seu representante, deve comparecer à sessão de julgamento do seu recurso, e se identificar, devidamente documentado, ao presidente da turma, no local e no horário indicados na pauta de julgamento. Entretanto, não existe previsão normativa para a intimação das partes para fazer sustentação oral ou apresentar memoriais, determinando a legislação apenas a indicação, em pauta, do dia, hora e local de cada sessão de julgamento; do nome do relator; dos números do processo e do recurso; e dos nomes do interessado, do recorrente e do recorrido; devendo a pauta ser publicada no Diário Oficial da União com 10 (dez) dias de antecedência e divulgada no sítio do CARF na Internet (art. 55 do RICARF). Em sede de preliminar, o recorrente argúi a nulidade do lançamento por não ter sido previamente intimado para prestar esclarecimentos, uma vez que a intimação foi mandada para um endereço postal que havia sido alterado no mês anterior. O julgador de 1a instância reconheceu a invalidade da intimação, mas considerou que não houve cerceamento ao direito de defesa, pois a autoridade fiscal possuía todos os elementos para efetuar o lançamento independentemente da resposta do contribuinte, em especial quando as deduções pleiteadas são muito grandes em relação aos rendimentos Fl. 157DF CARF MF Emitido em 01/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/ 05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 declarados, e que não houve prejuízo ao sujeito passivo, que pôde realizar sua defesa na impugnação. O recorrente retruca que a intimação era necessária, tanto que foi feita pelo Fisco, e que somente não ocorreu por erro da Administração, e que o prejuízo pela impossibilidade de prestar esclarecimentos foi o aumento das penalidades aplicadas. Contudo, este CARF firmou o entendimento de que o procedimento administrativo de fiscalização é orientado pelo princípio inquisitorial, não se exigindo o contraditório na fase investigatória, que passa a ser obrigatório após a impugnação, com a instauração da lide. Nesse sentido foi recentemente publicada a Súmula CARF nº 46: “O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário”. Assim, improcedente a preliminar de nulidade do lançamento. O recorrente suscita, também, uma preliminar de decadência. No caso em tela, o auto de infração glosou despesas de livro caixa e parte do imposto de renda retido na fonte declarados na Declaração de Imposto de Renda do exercício de 2001, sendo que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento manteve o lançamento apenas com respeito à parte das glosas de livro caixa. O contribuinte tomou ciência do lançamento em 30/08/2006 (fls. 90 e 91). Sabese que a discussão da decadência dos tributos lançados por homologação é questão tormentosa, que vem dividindo a jurisprudência administrativa e judicial há tempos. No âmbito dos antigos Conselhos de Contribuintes, e agora no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, praticamente todas as interpretações possíveis já tiveram seu espaço. É notório que as inúmeras teses que versam sobre o assunto surgiram do fato do nosso Código Tributário Nacional CTN possuir duas regras de decadência, uma para o direito de constituir o crédito tributário (art. 173), e outra para o direito de não homologar o pagamento antecipado de certos tributos previstos em lei (art. 150, §4o). Apesar de serem situações distintas, o efeito atingido é o mesmo, pois, uma vez homologado tacitamente o pagamento, o crédito tributário estará definitivamente extinto, não se permitindo novo lançamento, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Na verdade, a celeuma não está no prazo da decadência, que é de cinco anos nas duas situações, mas na data de início de sua contagem. Enquanto o art. 173 fixa essa data no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou no dia em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o art. 150, §4o, determina o marco inicial na ocorrência do fato gerador. No momento da publicação do CTN, a questão não tinha tanta importância, uma vez que eram poucos os tributos para os quais a legislação atribuía ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Entretanto, atualmente, em nossa sociedade de consumo, onde milhares de operações sujeitas à tributação ocorrem simultaneamente, tornouse impossível para o Fisco efetuar o lançamento direto, e praticamente todas as exações adotaram o modelo de transferir para o contribuinte o dever de apurar e recolher, fazendo a Administração apenas o controle posterior. Fl. 158DF CARF MF Emitido em 01/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/ 05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.003647/200640 Acórdão n.º 210101.122 S2C1T1 Fl. 154 7 As diversas correntes doutrinárias agora se digladiam sobre qual das regras de decadência deve se utilizar para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, sendo que, no âmbito da 2a Seção de Julgamento do CARF, prevalecia a idéia de que seria sempre a do art. 150, §4o, do CTN, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Contudo, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, órgão máximo de interpretação das leis federais, firmou o entendimento de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Vejase a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos Fl. 159DF CARF MF Emitido em 01/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/ 05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 8 sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Observese que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada pelas instâncias inferiores do Poder Judiciário. Recentemente, a Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010, introduziu o art. 62A no Regimento Interno do CARF RICARF, com a seguinte redação: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Desta forma, este CARF forçosamente terá que mudar seu posicionamento, e adotar a interpretação do Recurso Especial nº 973.733 – SC, de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Neste processo, a questão é de fácil deslinde, pois a declaração de ajuste anual do exercício de 2001 do recorrente demonstra a dedução de R$ 9.569,12 a título de imposto retido na fonte (fl. 98), tendo inclusive o julgador de 1a instância cancelado parte da glosa dessa valor, o que evidencia a existência de recolhimento antecipado. Como o fato gerador do imposto de renda é complexivo anual, ele só se aperfeiçoa em 31 de dezembro do anocalendário, o que faz com que, no presente caso, ele tenha se iniciado em 31/12/2000 e terminado em 31/12/2005. Como o lançamento se deu apenas em 30/08/2006, o crédito tributário já havia sido fulminado pela decadência. Fl. 160DF CARF MF Emitido em 01/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/ 05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.003647/200640 Acórdão n.º 210101.122 S2C1T1 Fl. 155 9 Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade e por dar provimento ao recurso para acolher a preliminar de decadência. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 161DF CARF MF Emitido em 01/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/ 05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 12963.000302/2010-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2009
AGROINDÚSTRIA. ENQUADRAMENTO. AUSÊNCIA DE PRODUÇÃO PRÓPRIA.
A recorrente não se enquadra como agroindústria. Para tal enquadramento é imprescindível que haja industrialização de produção própria, conforme previsto no art. 22 A da Lei n º 8.212 de 1991.
AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. ALIMENTAÇÃO IN NATURA.
Incide contribuição previdenciária sobre os valores relativos ao auxílio alimentação, mesmo que concedido aos empregados sob a forma “in natura”, caso o sujeito passivo não seja inscrito no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-001.170
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Wilson Antônio de Souza Correa e Vera Kempers de Moraes Abreu que entenderam não integrar o salário de contribuição.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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ENQUADRAMENTO. AUSÊNCIA DE PRODUÇÃO PRÓPRIA. A recorrente não se enquadra como agroindústria. Para tal enquadramento é imprescindível que haja industrialização de produção própria, conforme previsto no art. 22 A da Lei n º 8.212 de 1991. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. Incide contribuição previdenciária sobre os valores relativos ao auxílio alimentação, mesmo que concedido aos empregados sob a forma “in natura”, caso o sujeito passivo não seja inscrito no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Wilson Antônio de Souza Correa e Vera Kempers de Moraes Abreu que entenderam não integrar o saláriodecontribuição. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 14/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 EDITADO EM: 08/08/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos Vieira (presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Vera Kempers de Moraes Abreu. Fl. 354DF CARF MF Impresso em 14/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 12963.000302/201069 Acórdão n.º 230201.170 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório O presente auto de infração de obrigação principal, lavrado em 17/03/2010, se refere às contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados constantes das folhas de pagamento, de valores pagos a título de alimentação sem a devida inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador, de valores pagos a título de seguro saúde e sobre a remuneração de contribuintes individuais, tudo no período de 07/2008 a 12/2009. O relatório fiscal de fls.31/39, diz que a autuada informou em GFIP o FPAS como agroindústria, mas que tal fato não se confirmou durante a auditoria fiscal, pois o enquadramento como agroindústria pressupõe a industrialização de produção própria, o que não ocorreu, sendo considerado o FPAS 507. Após a impugnação, Acórdão de fls. 300/303, julgou a autuação procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega em síntese: a) que deve ser classificada como agroindústria, pois conta com produção própria e de terceiros; b) que a cana de açúcar é cultivada em imóveis rurais por intermédio de contratos de parceria agrícola; c) que desempenha atividades agrícolas, que assumiu as atividades de outra empresa do grupo a que pertence e também seus funcionários, que só retardou temporariamente o plano de plantio dos canaviais devido à crise mundial e por isso não moe cana própria; d) que a alimentação fornecida pela empresa não possui natureza salarial, que não houve pagamento em pecúnia. Requer a suspensão da exigibilidade dos débitos, o provimento do recurso e a reforma da decisão para desconstituir o lançamento, por ser insubsistente, julgando improcedente o auto de infração. É o relatório. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 14/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Fl. 356DF CARF MF Impresso em 14/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 12963.000302/201069 Acórdão n.º 230201.170 S2C3T2 Fl. 3 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Primeiramente, é de se notar que a recorrente não se enquadra como agroindústria porque para tanto é necessário que haja a industrialização de produção própria, conforme previsto no art. 22 A da Lei n º 8.212 de 1991. Ocorre que além do explicitado no relatório fiscal acerca da não industrialização da produção própria, fls. 31 a 39, a própria recorrente admite que não industrializou sua produção, pois retardou os planos de plantio frente à crise financeira mundial e com isso não pode moer sua própria cana. O artigo 22A da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001, assim dispõe, verbis: Art. 22A. A contribuição devida pela agroindústria, definida, para os efeitos desta Lei, como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 desta Lei, é de: (Incluído pela Lei nº 10.256, de 9.7.2001) I dois vírgula cinco por cento destinados à Seguridade Social; (Iincluído pela Lei nº 10.256, de 9.7.2001) II zero vírgula um por cento para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade para o trabalho decorrente dos riscos ambientais da atividade. (Iincluído pela Lei nº 10.256, de 9.7.2001) (...) § 6º Não se aplica o regime substitutivo de que trata este artigo à pessoa jurídica que, relativamente à atividade rural, se dedique apenas ao florestamento e reflorestamento como fonte de matériaprima para industrialização própria mediante a utilização de processo industrial que modifique a natureza química da madeira ou a transforme em pasta celulósica. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) § 7º Aplicase o disposto no § 6º ainda que a pessoa jurídica comercialize resíduos vegetais ou sobras ou partes da produção, desde que a receita bruta decorrente dessa comercialização represente menos de um por cento de sua receita bruta proveniente da comercialização da produção. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) Fl. 357DF CARF MF Impresso em 14/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Portanto para ser enquadrada como agroindústria a empresa deve industrializar produção própria ou produção própria e de terceiros, o que não aconteceu no caso em tela, estando correto o enquadramento no FPAS 507, como diz a fiscalização, devendo ser cobradas as contribuições previdenciárias com base na folha de pagamento dos segurados empregados e contribuintes individuais. Apenas para corroborar a conclusão exposta, faço menção ao relatório fiscal, onde o auditor relata que: Quando questionada sobre as razões que motivaram a empresa a informar o código FPAS 825 (das Agroindústrias) na GFIP, a alegação era de que além da canadeaçucar adquirida de terceiros, a mesma utilizouse de produção própria de canade açucar na produção de álcool. A empresa foi então intimada através do "Termo de Intimação Fiscal TIF n° 1" de 11.02.2010, a esclarecer se utilizou matériaprima (canade açúcar) de produção própria na produção industrial, e, se confirmado, que comprovasse documentalmente. 0 autuado finalmente apresentou em 25.02.10, a resposta ao esclarecimento solicitado (Anexo B — 1 e 2) informando no item "5", que "No período de apuração apontado de 07/2008 a 12/2009, a CEPAR optou por não moer cana própria, em razão da referida cana não se encontrar no momento adequado de maturação para o corte" (grifo nosso),corroborando o que havia sido constatado através da contabilidade e Registro de Entradas, ou seja, toda a canadeaçucar utilizada na produção de álcool foi proveniente da compra do produto junto a terceiros, o que ensejaria o enquadramento no código FPAS 507, devendo a empresa contribuir para a previdência social com base nas Folhas de Pagamento. Quanto à alimentação, os fatos geradores das contribuições lançadas estão descritos no relatório fiscal e se referem ao fornecimento de alimentação aos segurados empregados na competência 07/2008, sem a devida inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT. A recorrente procedeu a inscrição apenas em 05/08/2008, de forma que os valores relativos ao fornecimento de alimentação antes da inscrição no Programa é considerado salário de contribuição. O lançamento de contribuições previdenciárias incidentes sobre tais valores obedeceu às normas jurídicas aplicáveis para considerálos de natureza remuneratória. Vejamos: • Lei de Custeio da Previdência Social Lei n.o 8.212/91: "Art. 28. Entendese por salário de contribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste Fl. 358DF CARF MF Impresso em 14/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 12963.000302/201069 Acórdão n.º 230201.170 S2C3T2 Fl. 4 7 salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;" (redação atual conferida pela Lei n. o 9.528/97); • Regulamento da Previdência Social. aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99: "Art. 214. Entendese por salário de contribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomados de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa " A empresa que fornece alimentação aos segurados sem inscrição no PAT não pode gozar da isenção concedida pela legislação, como vedado pela Lei n.º 6.321, de 14.04.76, regulamentada pelo Decreto n.º 78.676, de 08.11.76 (DOU de 09.11.76). • Lei n. ° 6.321, de 14 de abril de 1976: "Art. 30 • Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga in natura, pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. " (original sem destaque) No mesmo sentido, dispõe a alínea "c", § 9°, artigo 28, da Lei 8.212/91: • Lei nº 8.212/91 artigo 28: "§9 Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho, nos termos da Lei n. o 6.321, de 14 de abril de 1976; " Decreto nº 5, de 14 de janeiro de 1991 Regulamenta a Lei 6.3211976 Regulamenta a Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976, que Trata do Programa de Alimentação do Trabalhador, Revoga o Decreto nº 78.676, de 8 de novembro de 1976 e dá outras providências. Art. 3º Os Programas de Alimentação do Trabalhador deverão propiciar condições de avaliação do teor nutritivo da alimentação. Fl. 359DF CARF MF Impresso em 14/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Art. 4º Para a execução dos programas de alimentação do trabalhador, a pessoa jurídica beneficiária pode manter serviço próprio de refeições, distribuir alimentos e firmar convênio com entidades fornecedoras de alimentação coletiva, sociedades civis, sociedades comerciais e sociedades cooperativas. (redação dada pelo D00 2.1011996) Parágrafo único. A pessoa jurídica beneficiária será responsável por quaisquer irregularidades resultantes dos programas executados na forma deste artigo. Art. 5º A pessoa jurídica que custear em comum as despesas definidas no Art. 4, poderá beneficiarse da dedução prevista na Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976, pelo critério de rateio do custo total da alimentação. Art. 6º Nos Programas de Alimentação do Trabalhador PAT, previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, a parcela paga "in natura" pela empresa não tem natureza salarial, não se incorpora à remuneração para quaisquer efeitos, não constitui base de incidência de contribuição previdenciária ou do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e nem se configura como rendimento tributável do trabalhador. Inferese da regulamentação que a adesão ao PAT não constitui mera formalidade. É através do conhecimento da existência do programa em determinada empresa que o Ministério do Trabalho e Emprego, através de seu órgão de fiscalização, verificará o cumprimento do disposto no artigo 3° acima transcrito. Ao incentivo fiscal há uma contraprestação por parte da empresa: fornecimento de alimentação com teor nutritivo adequado em ambiente que atenda as condições aceitáveis de higiene. Portanto, enquanto não esteve inscrita no PAT, a empresa se sujeitou ao presente levantamento de débito quanto aos valores relativos à alimentação fornecida aos segurados empregados. O levantamento também se refere aos valores pagos a alguns segurados empregados a título de seguro saúde e aos valores pagos aos contribuintes individuais. Entretanto, como a recorrente não contesta tais rubricas, também não vou me manifestar sobre as mesmas, considerando correto o lançamento fiscal. Ademais a Portaria RFB n.º 10.875/2007, que disciplina o processo administrativo fiscal relativo às contribuições previdenciárias, traz no seu artigo 8º, que a matéria não contestada será considerada como não impugnada: Art. 8º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 360DF CARF MF Impresso em 14/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 12963.000302/201069 Acórdão n.º 230201.170 S2C3T2 Fl. 5 9 Fl. 361DF CARF MF Impresso em 14/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 13702.000721/95-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO
IRPJ - OMISSÃO DE RECEITAS — Para a exigência do tributo é necessário
que se comprove de forma segura a ocorrência do fato gerador do mesmo.
Tratando-se de atividade plenamente vinculada (Código Tributário Nacional,
arts. 3° e 142), cumpre à fiscalização realizar as inspeções necessárias à
obtenção dos elementos de convicção e certeza indispensáveis à constituição
do crédito tributário. Havendo dúvida sobre a exatidão dos elementos em que
se baseou o lançamento, a exigência não pode prosperar, por força do
disposto no art. 112 do CTN. 0 imposto, por definição (CTN. art.3°), não
pode ser usado como sanção.
Numero da decisão: 1101-000.516
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, NEGAR
PROVIMENTO ao recurso de oficio e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Ausente a Conselheira Nara Cristina Takeda Taga, substituida pelo Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: José Sérgio Gomes
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SI-C1T1 Fl. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13702.000721/95-34 Recurso n° 118.368 De Oficio e Voluntário Acórdão n° 1101-00.516 — la Câmara / la Turma Ordinária Sessão de 03 de agosto de 2011 Matéria IRPJ Recorrentes Centrifugal S/A e Fazenda Nacional RECURSO VOLUNTÁRIO IRPJ - OMISSÃO DE RECEITAS — Para a exigência do tributo é necessário que se comprove de forma segura a ocorrência do fato gerador do mesmo. Tratando-se de atividade plenamente vinculada (Código Tributário Nacional, arts. 3° e 142), cumpre à fiscalização realizar as inspeções necessárias à obtenção dos elementos de convicção e certeza indispensáveis à constituição do crédito tributário. Havendo dúvida sobre a exatidão dos elementos em que se baseou o lançamento, a exigência não pode prosperar, por força do disposto no art. 112 do CTN. 0 imposto, por definição (CTN. art.3°), não pode ser usado como sanção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de oficio e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Ausente a Conselheira Nara Cristina Takeda Taga, substituida pelo Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta • E VALMAR FONSE MENEZES - Presidente. 11. JOSE t. - val_Tes ilEmn wor articiparam da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Benedict° Celso Benicia Júnior, José Ricardo da Silva (Relator) e Nara Cristina Takeda Taga. rsçk Relatório CENTRIFUGAL S/A recorre a este colegiado (fls. 841/864), contra decisão proferida pela 3 a Turma da DRJ/Rio de Janeiro, que julgou parte do lançamento tributário procedente, no qual apresenta Recurso de Oficio (fls. 803/812). Cuida-se de Autos de Infração (fls. 03/106) lavrados pela DRF/RJ/Centro Norte para exigir créditos tributários de 1RPJ, PIS, CSLL, Cofins e de IRRF, acrescidos de multa de 450% e de juros de mora, pela constatação de omissão de receitas pela falta de registro contábil da venda de produtos, de acordo com as seguintes irregularidades fiscais: 1) emissão de notas fiscais de remessa entre as empresas sem registro contábil ou com registro parcial; 2) falta de registro, no Livro Inventário, dos produtos ditos remetidos de uma para outra empresa; 3) falta de apresentação de qualquer prova da efetividade das operações de remessa; 4) falta de apresentação de qualquer controle permanente de estoque; 5) falta de comprovação de haver inventariado as mercadorias discriminadas nas referidas notas; 6) não comprovação do efetivo reingresso e da reincorporação ao estoque dos produtos apontados nas notas fiscais de remessa; 7) não atendimento das intimações para indicar os lançamentos contábeis das referidas notas no Livro diário. Baseando-se nas notas emitidas como de remessa, foi elaborada a planilha de fls. 153/206, com aplicação de multa qualificada sob o entendimento da ocorrência de evidente intuito de fraude, justificando a autoridade fiscal estar presente a falsidade ideológica, simulação e conluio, haja vista a falta de atendimento a todas intimações efetuadas para prestarem esclarecimentos. Ao apresentar impugnação, alegou a Recorrente que: a) os autos de infração foram lavrados em decorrência de lançamento a titulo de IPI pela suposta omissão, dolosa, de receitas no período de 06/92 e 12/94 de IRPJ, PIS, Cofins, IRRF e CSLL; b) inúmeros documentos contábeis e fiscais relativos as despesas operacionais, contas bancárias, contratos, mapas de correção monetária, registros do ativo permanente e diversas notas ficais foram auditadas por mais de um ano pela fiscalização tributária, sem ter sido produzida nenhuma prova material, preferindo a autoridade inverter o ônus da prova, supondo que estaria autorizada a presumir omissão de receita, violando o artigo 223, §2° do RIR/94; c) a tese da autuação calcou-se em equivoco formal de registro de estoques de camisas em 1992, onde tirou-se a ilação de que deveria desclassificar toda a movimentação de bens entre a Recorrente e sua filial e sua interdependente, como se existisse algum liame lógico entre a premissa e conclusão; d) a falta de compensação de prejuízos e de bases de cálculo negativas da contribuição social sobre o lucro acumulados, constantes das declarações de rendimentos e do LALUR e não considerados pela fiscalização, a exigência de PIS com base em lei inconstitucional, de imposto na fonte com fundamento no artigo 8° do Decreto-Lei 2.065/83, revogado pela Lei 7.713/88 e tantas outras deficiências contidas nos 2 Processo n° 13702 000721/95-34 SI-C1T1 Acórdão n.° 1101-00.516 Fl. 2 autos, embora devam ser consideradas pela autoridade julgadora, até mesmo por dever de oficio, perdem expressão. A DRJ no Rio de Janeiro, por entender não presentes os elementos necessários para formar convicção do julgado, converteu o julgamento em diligência (fls.428/429), cujos resultados encontram-se em Relatório de fls. 545/547, que culminou na lavratura de novos autos de infração (448/544) que, em substituição aos originais passaram a comportar novos valores de IRPJ, PIS, Cofins e Contribuição Social, que lá se encontram descriminados. Após tomar ciência dos novos autos lavrados em substituição aos originais, a contribuinte aditou a sua defesa (fls. 562/565), os seguintes argumentos: e) reitera que os fatos e o enquadramento legal contidos nos autos de infração em comento são reproduções dos que foram lavrados em setembro de 1995, cujas impugnações foram apresentadas e pendem de julgamento; f) novos defeitos foram agregados, sendo a primeira mácula o artigo 59, I, do Decreto 70.235/72, com a assinatura da Resolução, estendendo-se aos autos, ex vi do disposto no §1° do mesmo artigo, face ao artigo 951, §3° do RIR/94; g) houve cerceamento de defesa, pois a Recorrente não compreende se as imputações são complementares ou modificam o lançamento, ao arrepio do artigo 145 do CTN; h) multa de 450% fundamentada em dispositivo de lei revogado; i) o art. 35 da Lei 7.713 não se aplica as sociedades por ações. Ao apreciar o mérito do processo, a DRJ/RJ deu provimento parcial a autuação, conforme se extrai da ementa: IMPOSTO DE RENDA — PESSOA JURÍDICA Aplica-se aos procedimentos intitulados decorrentes ou reflexos o decidido sobre o lançamento que lhes deu origem, por terem suporte fático comum. RETROATIVIDADE BENIGNA — REDUÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO A lei nova aplica-se a ato ou fato não definitivamente julgados, quando lhes comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. Incidência do artigo 44 da Lei 9.430/96, por força do disposto no artigo 106, inciso II, letra (Õ\ c, do Código Tributário nacional e no Ato Declaratório (Normativo) SRF/COSIT n° 01 m de 07-01-97. A suspensão da execução dos DL 2.445/88 e DL 2.229/88 em nada afetou a permanência do vigor pleno da Lei Complementar 7/70 e a administração está obrigada a exigir a contribuição nos termos desse diploma. COFINS e CONTRIBUIÇÃO SOCIAL Substituindo o lançamento matriz, igual sorte colhem os que tenham sido formalizados por mera decorrência daquele. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE 0 Ato Declaratório Normativo 6/96 declara que o disposto no artigo 8° do Decreto-lei 2.065/83 foi revogado pelos artigos 35 e 36 da Lei 7.713/88, aplicando-se, em relação aos fatos geradores ocorridos no período de 01.01.89 a 31.12.92, as normas dos art. 35 e 36 da Lei 7.713/88 e, a partir de 01.01.93 ate 31.12.95, a norma do art. 44 da Lei 8.451/92. Entretanto, de acordo com a IN 63/97, o art. 35 da Lei 7.713/88 não se aplica as sociedades por ações. IPRJ, PIS COF1NS, IRRF (FLS. 517/518 E 520/523) e CONTRIBUIÇÃO SOCIAL — LANÇAMENTO PROCEDENTES EM PARTE. IRRF de fls. 507/516 E 519 — LANÇAMENTO IMPROCEDENTE. Da decisão, recorreu-se de oficio, os quais vieram acompanhados do recurso voluntário (fls. 653/675) apresentado pela Recorrente, na qual, em apertada síntese, se extrai: j) reporta-se A impugnação e as razões apresentadas quanto ao processo matriz de IN 13702.000700/95-64, anexado As fl s. 665/677; k) incredibilidade, inversosimilhança, irrealizibilidade do montante que lhe está sendo cobrado em face do porte da empresa; 1) nulidade dos novos Autos de Infração e de todos os atos processuais que lhe são posteriores por não ter havido decisão sobre matéria originalmente litigada, referindo-se aos Autos originals; m) cita jurisprudência contrária ao novo lançamento após o contencioso administrativo sem ter havido decisão sobre a matéria litigada. A Procuradoria da Fazenda Nacional pleiteou a manutenção da decisão de primeira instância, conforme se extrai de suas contrarrazões As fls. 680/683. Ao apreciar os recursos voluntário e de oficio, a Primeira Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes, em 01 de julho de 2003, decidiu declarar a nulidade dos 4 Processo n° 13702.000721/95-34 SI-C1T1 Acórdão ri.° 1101-00.516 Fl. 3 atos a partir da impugnação, nos termos do Acórdão n° 101-94.260, de cujo voto condutor, reproduzo os excertos abaixo: "Nos autos deste processo, além do relato do Fisco e das peças de impugnação, so há relações das notas fiscais tomadas pelo Fisco, além de umas poucas juntadas com a defesa. A preliminar, levantada pela recorrente, impede-me, nesta oportunidade de votar em sentido de que o processo baixasse ern diligência para a juntada de elementos que instruíram o processo de IN, já julgado, com determinação de cruzamento por períodos a ser determinado àquela, das remessas e retornos, a seus diversos títulos, de modo a apurar os estoques, no final de cada exercício, de modo a constatar problemas de custo. Contudo, como a preliminar e prejudicial da questão posta, voto no sentido de que se tomem por inválidos os atos processuais praticados a partir da impugnação, para que sejam julgados os lançamentos como inicialmente postos, abrindo-se os prazos decorrentes." Contudo, constou na decisão proferida pela Primeira Camara, o seguinte: "DECLARAR a nulidade dos atos a partir da impugnação, inclusive, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado". Em vista da dubiedade da partícula "inclusive" inserida no dispositivo do acórdão, a 3a Turma de Julgamento da DRJ/RII apresentou embargos declaração ao acórdão (fls. 762/763), questionando se haveria necessidade de intimar a Recorrente a apresentar nova Impugnação, além de determinar o alcance da nulidade relativa ao Recurso de Oficio, ao qual foi negado provimento, e cujos créditos tributários, separados do processo principal e reunidos no processo 13702.000653/97-48 já se encontravam extintos (fls. 698/721) e, por via de conseqüência, baixados no sistema Profisc. Ao apreciar os embargos declaratórios interpostos, a Primeira Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes acolheram-nos para declarar a nulidade dos atos praticados a partir da impugnação (fls. 773/777), conforme ementa: DÚVIDA NA INTERPRETAÇÃO DE ACÓRDÃO. Manifestada dúvida quanto ao alcance do Acórdão, e constatada contradição entre a decisão e seus fundamentos, acolhem-se os embargos para sanar os vícios e para esclarecer a extensão do julgado. Retornando os autos a DRJ/RJ, com os devidos esclarecimentos, foi proferido em 14/08/2008 o Acórdão n° 12-20.497, pela 3' Turma de Julgamento (fls. 803/812), cujo provimento foi parcial, conforme ementa abaixo: 5 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURIDICA — IRPJ Ano-calendário: 1992, 1993, 1994 OMISSÃO DE RECEITAS. Não elididos os fatos apurados pela fiscalização, suficientes para caracterizar a omissão de receitas, deve ser mantido o lançamento. COMPENSAÇÃO DE PREJUIZOS. A compensação de prejuízos é direito do contribuinte.Assim, na apuração do IRPJ exigido de oficio, deve ser considerado o prejuízo fiscal porventura existente. A partir do ano-calendário de 1993, no entanto, o valor da receita omitida deixou de compor a determinação do lucro real, não cabendo se levar em contra a compensação de prejuízos fiscais. MULTA DE OFICIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Por força da retroatividade benigna, o percentual da multa deve ser reduzido de 450% para 225%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano-calendário: 1992, 1993, 1994 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. CSLL. COFINS. IRRF. Aplica-se ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. PIS. A suspensão da execução dos Decretos-lei 2.445/1998 e 2.449/1988 não afetou a vigência da Lei Complementar 7/1970. CSLL A compensação de bases negativas da CSLL é direito do contribuinte. Assim, na apuração da CSLL exigida de oficio, deve ser considerada a base negativa da CSLL porventura existente. No entanto, a partir de 31/05/1994, a tributação sobre as receitas omitidas passou a ser definitiva, não cabendo se levar em conta a compensação de base negativa da CSLL. IRRF. 0 lançamento com base no artigo 8° do Decreto-lei 2.065/1983 deve ser cancelado Lançamento Procedente em Parte. Foi apresentado Recurso de Oficio por parte da autoridade prolatora da decisão, e de Recurso Voluntário, onde a Recorrente (fls. 841/864), aduz quê: (61 6 Processo n° 13702.000721/95-34 S1 -C1T1 Acórao n..° 1101-00.516 Fl. 4 n) reitera a necessidade do exame em conjunto do presente feito com os processos 13702.000702/95-90 (desmembrado no PAF 13702.000641/97-65) e 13702.000701/95-27 (desmembrado no PAF 13702.000639/97-17), uma vez que o próprio acórdão recorrido toma como razões de decidir as aduzidas nos julgamentos proferidos naqueles feitos, conforme exposto no voto condutor do acórdão; o) na narrativa contida na peça básica da autuação relativa ao IRPJ (fls. 11), cita-se planilha CENTRI91.XLS, que ao serem compulsadas pelo Recorrente, afirma não ter localizado, ou mesmo copia das notas fiscais citadas pelo autor do feito; p) os créditos tributários referentes ao processo 13702.000701/95-27 (desmembrado no PAF 13702.000639/97-17) foram cancelados pela 1° Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes por completa ausência de substância das imputações formalizadas; q) se o resultado que chegou a fiscalização fosse verdadeiro, implicaria, necessariamente, em declarar a escrituração da Recorrente imprestável para exame, com o conseqüente arbitramento do seu lucro tributável, o que não ocorreu; que a Recorrente se silenciou a respeito das intimações da fiscalização porque as respostas encontravam-se claramente na própria contabilidade; s) informa que fabricava camisas para pistões de motores a partir de cilindros que eram vendidos para CENTRINEL fabricar e vender anéis de motores; t) ocorre que algumas camisas fabricadas pela Recorrente eram remetidas para a CENTRINEL aplicar tratamento térmico e, depois de submetidas a esses serviços, eram devolvidas a Recorrente para venda; u) o procedimento fiscal da Recorrente consistia em pagar o IPI quando das vendas de cilindros para a CENTRINEL e de camisas para terceiros, reconhecendo as receitas provenientes dessas operações e, o da CENTRINAL, em pagar aquele imposto quando das vendas dos anéis fabricados, reconhecendo como receitas o produto dessas vendas, assim como os serviços prestados a recorrente; v) na remessa de algumas camisas para industrialização — tratamento térmico, a Recorrente aproveitava-se do regime de suspensão dos tributos — IPI e ICMS -, assim como a Centrinel quando da respectiva devolução ou retorno; w) que em 27 de maio de 1992 a Recorrente decidiu abrir um depósito fechado em parte do estabelecimento da Centrinel, em virtude de não possuir espaço vago em seu estabelecimento, com finalidade de guardar 7 e armazenar produtos acabados, conforme cópia da Ata de Diretoria arquivada na JUCERJ e anexado As fls. 876/877; x) com a criação do depósito foram regularizadas inscrições federal, estadual e municipal, conforme documentos as fls. 878/881; y) passou a remeter as camisas por ela fabricadas para guarda no seu depósito fechado, emitindo as competentes notas ficais, ocasião em que o funcionário responsável pela respectiva emissão cometeu erro formal ao indicar como destinatário nas notas fiscais o estabelecimento fechado da Recorrente criado e com inscrições federal, estadual e municipal, apontou o estabelecimento da Centrinel onde se localizava o mesmo depósito fechado; z) que esses erros formais na emissão de documentos de interesse da legislação de IPI não interferiu em sua escrituração comercial, menos ainda sua contabilização das receitas e lucros dos períodos que ocorreram; aa) que a fiscalização não encontrou nenhuma prova material de fraude, menos ainda omissão de venda em operação com terceiros foi apurada; bb) como o depósito fechado não atenderia As necessidades da empresa, afirma a Recorrente que a transformou em filial, conforme documentos anexados As fls. 883; cc) a partir dessa data a Centrinel deixou de comprar os cilindros da Recorrente, pois esta se tornou uma simples prestadora de serviços de industrialização; dd) as operações de movimentação de mercadorias realizadas entre a Recorrente e a Centrinel nos anos-calendário de 1991 até 1994 foram consideradas, de forma equivocada pela fiscalização, como vendas sem nota fiscal; ee) assim, calcou-se suas conclusões sobre cometimento de falsidade ideológica e simulação dolosa somente pela falta de data de saída dos produtos nas notas fiscais, como se de fato elas caracterizassem o imaginário ilícito; ff)a tentativa de infirmar os esclarecimentos prestados pela Recorrente teve fundamento exclusivo em alegações de descumprimento de aspectos de natureza puramente formal, que não poderão prosperar, como não tem prosperado ações fiscais em que o Fisco efetivamente procura realizar levantamento de produção, mas incorre em equívocos menos graves que os estampados nos autos deste processo, conforme se pode ver nas decisões proferidas pelo Segundo Conselho de Contribuintes nos Acórdãos 201-69704, 202-08272, 202-08541 e 201-59493; gg) é inadmissível acreditar que tenha um contribuinte que, intencionalmente sonega, frauda, falsifica ou simula tenha, item a item, em sua escrituração fiscal, emitido documentos descritivos de toda a movimentações dos bens; c61 8 Processo n° 1 3702 .000721 /95-34 Si-C1T1 Acórdão n.° 1101-00.516 Fl. 5 hh) é impossível que não se tenha constatado que o simples somatório das quantidades arroladas confirma a real ausência de conteúdo econômico nas transferências entre estabelecimentos das duas empresas, bem como a natureza das operações descritas nos documentos emitidos; ii) é inconcebível que a autoridade julgadora de primeiro grau que apreciou os processos relativos ao IPI não tenha enxergado que os demonstrativos elaborados pela fiscalização configuram uma cortina de fumaça, cujo volume tem por objetivo criar a ilusão de transações de monta, mas que são vazios, sem refletir a verdade; jj) é intolerável ser viável o não enfrentamento pelo julgador das alegações da recorrente a respeito da natureza das atividades de cada empresa, respaldando a existência fisica e concreta dos próprios equipamentos pertencentes ao ativo imobilizado de cada uma, fechando os olhos às provas coligidas pela defesa e se escondendo do dever de aprecia-las, sob o argumento de tratarem-se de documentos sem valor por falta de indicação da data de saída dos produtos, enquanto o §4° do art. 277 do RIPI182 oferece solução para o caso, onde se considera a data da emissão do documento; Mc) é deplorável a recusa da autoridade apreciadora do processo principal de IPI em recusar examinar as deficiências especificamente apontadas pela Recorrente, omitindo-se a respeito do art. 252, I, do RIPI/82, quando está ciente de que a conjunção aditiva "e" inserta no enunciado deste dispositivo de que o fato somente subtrai-se virus probandi ao documento quando, cumulativamente, forem desatendidos os requisitos exigidos nos incisos I, II, IV, V, VI e VII do artigo 242 do mesmo Regulamente, o que definitivamente não é o caso; 11) não cabe invocar a aplicação do artigo 343 do RIPI182; mm) os citados produtos saiam e voltavam no mesmo dia para a empresa de origem, sempre acompanhados pelas devidas notas fiscais, significando dizer que nas datas dos respectivos balanços inexistia qualquer estoque em poder de terceiros efetuando a Recorrente do IPI quando as saídas não estavam acobertadas por suspensão d imposto; nn) não se pode manter o lançamento concernente ao PIS, pois os Decretos- Leis 2.445 e 2.449/88 foram ha muito suspensas pela Resolução do Senado 49/95; oo) a simples menção a Lei 07/70 não tem o condão de aperfeiçoar o lançamento, e foi por esse motivo que no afai de "salvar" o lançamento foram lavrados os autos de infração complementares, posteriormente anulados pela Primeira Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, que seguiu jurisprudência unânime, conforme se depreende dos acórdãos 105-12.095, 108-05.078 e 107-04.721; pp) ao final, pede provimento do recurso. 9 o relatório. Voto Conselheiro José Ricardo da Silva Como visto do relato, a recorrente teria omitido dolosamente receitas operacionais no período compreendido entre 06/92 e 12/94, as quais foram apuradas por decorrência da ação fiscal levada a efeito na área do IPI, nos termos dos Processos n° 13702.000702/95-90 (posteriormente desmembrado no PAF n° 13702.000641/97-65) e n° 13702.000701/95-27 (posteriormente desmembrado no PAF n° 13702.000639/97-17), ambos referentes ao IN - Imposto sobre Produtos Industrializados, tendo sido lavrado os autos de infração de IRPJ, CSLL, Contribuição para o PIS, COFINS e Imposto sobre a Renda na Fonte, constantes do presente processo. Os processos que foram gerados na área do IPI e apreciados pelo extinto Segundo Conselho de Contribuintes, tiveram decisões favoráveis ao contribuinte conforme se depreende das ementas abaixo transcritas: Processo n°13702.000701/95-21 Acórdão: 201-73.854 Sessão: 07 de junho de 2000 Ementa: IPI — Indevida a imposição da multa prevista no art. 365 do RIPI/82, quando a autuação da como saídas as mercadorias indicadas nas notas fiscais. Incabível multa regulamentar, quando se aplica a multa de que trata o art. 364, III, do RIPI/82. Aplicabilidade da retrocição benigna quando a norma posterior fixa pena menos gravosa para a hipótese. RECURSO DE OFÍCIO NEGADO. Processo n°13702.000702/95-90 Acórdão: 201-73.853 Sessão: 07 de junho de 2000 Ementa: IPI — Indevida a imposição da multa prevista no art. 365 do RIPI/82, quando a autuação da como saídas as mercadorias indicadas nas notas fiscais. Incabível multa regulamentar, quando se aplica a multa de que trata o art. 364, III, do RIPI/82. Aplicabilidade da retroação benigna quando a norma posterior fixa pena menos gravosa para a hipótese. RECURSO DE OFICIO NEGADO. 10 Processo n° 13702.000721/95-34 SI-C1T1 Acórdão 11.0 1101-00.516 Fl. 6 Processo n°13702.000639/97-17 Acórdão: 201-76.821 Sessão: 18 de março de 2003 Ementa: IPI — ERRO DO SUJEITO PASSIVO. Para a legislação do IPI, o estabelecimento é considerado autônomo em relação a cada fato gerador que praticar. INIDONEIDADE. Não havendo caracterização de inidoneidade, nem tendo o Fisco contestado os documentos, é de se afastar a acusação. SUSPENSÃO. ARTIGO 36, XVII, DO RIPI/82. A remessa dos produtos para outro estabelecimento da mesma empresa é hipótese de suspensão do IPI. Recurso provido por unanimidade. Do voto condutor do Acórdão n° 201-76.821, reproduzo abaixo os principais fundamentos que levaram a colenda P Camara do 2° Conselho de Contribuintes ao provimento integral ao recurso voluntário: "Quanto it acusação de inidoneidade em razão de não constar data da efetiva saída das mercadorias do estabelecimento emitente, tenho que tal fato não pode levar a imprestabilidade dos documentos fiscais se não houver qualquer dúvida quanto ao preenchimento dos demais requisitos para emissão dos mesmos. Na hipótese, new foi contestado pelo Fisco que as operações não ocorreram, que destinatário, endereço e inscrições fiscais não existem, que as mercadorias não correspondem a descrição, que o valor da operação é imprestável, em suma, não há qualquer indicio efetivo de inidoneidade das operações realizadas. 0 fato de a Recorrente não haver escriturado nos livros fiscais o retorno dos produtos remetidos com suspensão, exatamente porque não possui Livros de Inventário e de Controle da Produção e do Estoque, não conduz a que não poderia ela ter remetido os produtos com suspensão para a sua matriz. Entendo que a não comprovação do retorno dos produtos saídos com suspensão daria margem a fundamento diverso para a exigência constante da peça básica que não a de glosar o beneficio da suspensão nas remessas para a matriz. Deveria ser exigido o tributo em função de não haver prova do retorno desses produtos remetidos com suspensão para a matriz exatamente pela não escrituração dos Livros de Controle da Produção e do Estoque e o de Inventário. 11 (.) Em face a todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, ao mesmo dar integral provimento para julgar improcedente os itens 1 e 2 do Auto de Infração, únicos que ainda subsistiam." Com efeito, a exigência de tributo por meio de lançamento de oficio requer prova segura da ocorrência do fato gerador do tributo. 0 Código Tributário Nacional, em seus arts. 3° e 142, estabelece que esta atividade de lançamento é plenamente vinculada, assim, cumpre â fiscalização realizar as inspeções necessárias à obtenção dos elementos de convicção e certeza indispensáveis â constituição do crédito tributário. Havendo dúvida sobre a exatidão dos elementos em que se baseou o lançamento, a exigência não pode prosperar, por força do disposto no art. 112 do CTN. 0 imposto, por definição (CTN. art.3°), não pode ser usado como sanção. Para a exigência de crédito tributário sob a acusação de omissão de receitas, referida circunstância deve ser conhecida e devidamente comprovada pois, caso contrário, estaria se lançando tributo de forma presuntiva e não prevista em lei. A legislação de regência autoriza a autuação por presunção somente nos casos especificamente previstos, tais como, saldo credor de caixa, passivo fictício, suprimentos não comprovados, etc., porém, é indispensável que a irregularidade fiscal fique devidamente caracterizada e demonstrada na acusação fiscal. O próprio diploma legal estabelece os limites da presunção. Fora disso, a autuação por omissão de receita deve ser assentada em dados concretos, objetivos e não em circunstâncias não suficientemente provadas, que se mostrem incapazes de estabelecer fonte segura para o convencimento do julgador. Quando o auto de infração trata de omissão de receita, o ônus da prova é de inteira responsabilidade do Fisco que, para tanto, tem poderes de investigação não apenas sobre o contribuinte como sobre terceiros, ligados ou não à operação, desde que sobre ela. E desses poderes, na apuração da verdade material, não pode abdicar. Não é licito formular acusação de omissão de receitas sob o simples fato de que o contribuinte teria emitido notas fiscais de transferências de produtos com algumas falhas e/ou omissões, com a finalidade de beneficiamento por parte de sua filial. Sobre a matéria em pauta, Alberto Xavier nos ensina in "Do Lançamento Teoria Geral do Ato do Procedimento e do Processo Tributário, Ed. Forense, p. 146/147: "Dever de prova e "in dub lo contra fiscum" Que o encargo da prova no procedimento administrativo de lançamento incumbe ci Administração fiscal, de modo que em caso de subsistir a incerteza por falta de prova, esta deve abster- se de praticar o lançamento ou deve praticá-lo com um conteúdo quantitativo inferior, resulta claramente da existência de normas excepcionais que invertem o dever da prova e que são as presunções legais relativas. Com efeito, a lei fiscal não raro 12 Processo n° 13702.000721/95-34 Si-C1T1 Acórdão n.° 1101-00.516 Fl. 7 estabelece presunções deste tipo em beneficio do Fisco, liberando-o deste modo do concreto encargo probatório que na sua ausência cumpriria realizar; nestes termos a Administração fiscal exonerar-se-6 do seu encargo probatório pela simples prova do fato índice, competindo ao particular a demonstração do contrário. É o que resulta do ,sç 3° do artigo 9 0 do Decreto-lei n° 1.598/77, ao afirmar que a regra de que cabe 6 autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados na contabilidade regular não se aplica aos casos em que a lei, por disposição especial, atribua ao contribuinte o ônus da prova dos fatos registrados na sua escrituração." Olvidou-se o autuante, de investigar mais a fundo a ocorrência da omissão e comprová-la. Além disso, o fato de não ter a contribuinte respondido a contento as intimações feitas pela fiscalização, por si s6, não autoriza a presunção de omissão de receitas através de eventuais irregularidades no preenchimento de notas fiscais de simples remessas de mercadorias. A autoridade fiscal não procedeu a qualquer levantamento contábil a nível de estoques. Também não realizou qualquer procedimento de circularização, para confirmar sua suspicácia. Deixou de aprofundar as investigações e a coleta de provas concretas e seguras capazes de autorizar a convicção de que o contribuinte agiu de forma a subtrair receitas da tributação para confirmar ou não as conclusões hauridas dos indícios apurados. Afinal, trata-se de uma presunção comum ou de "hominis" extraída dos indícios apurados e que podem se prestar a conclusões diversas. Os argumentos apresentados pela recorrente procedem. 0 lançamento não tem a necessária consistência para justificar a acusação de desvio de receitas da fiscalizada. Pelas razões acima expostas, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. 13 Sala das Sessões, em 03 de agosto de 2011 c '7. José Ric tcir Quanto ao recurso de oficio, o qual teve por motivação a redução da multa de oficio qualificada de 450% para 225%, bem como pela compensação de bases de cálculo negativas da CSLL, deixo de tomar conhecimento do mesmo por falta de objeto. É como voto. 14
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Numero do processo: 10880.010822/98-44
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 1993
DESPESAS OPERACIONAIS PREVIDÊNCIA PRIVADA Despesas pagas a entidades de previdência privada só são dedutíveis quando destinadas indistintamente a todos os empregados da empresa.
INSUFICIÊNCIA DE PROVAS
A falta de provas de alegações, não implicam em procedimento de ofício para a verificação das alegações.
Numero da decisão: 1103-000.406
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª câmara / 3ª turma ordinária do primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Gervásio Nicolau Recktenvald e Eric Moraes de Castro e Silva quanto à glosa das deduções com despesas de previdência privada. O Conselheiro Marcos Shigueo Takata acompanha pelas conclusões o item C do voto do Relator.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1993 DESPESAS OPERACIONAIS PREVIDÊNCIA PRIVADA Despesas pagas a entidades de previdência privada só são dedutíveis quando destinadas indistintamente a todos os empregados da empresa. INSUFICIÊNCIA DE PROVAS A falta de provas de alegações, não implicam em procedimento de ofício para a verificação das alegações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª câmara / 3ª turma ordinária do primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Gervásio Nicolau Recktenvald e Eric Moraes de Castro e Silva quanto à glosa das deduções com despesas de previdência privada. O Conselheiro Marcos Shigueo Takata acompanha pelas conclusões o item C do voto do Relator. HUGO CORREA SOTERO Presidente em exercício Mário Sérgio Fernandes Barroso Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HUGO CORREIA SOTERO, 03/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES B ARROSO 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros, Marcos Shigeo Takata, Gervásio Nicolau Recktenvald, Eric Moraes de Castro e Silva, José Sérgio Gomes (substituto convocado). Ausente, justificadamente, o conselheiro Aloysio José Percínio da Silva. Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário interposto pela contribuinte acima qualificada a respeito da decisão da DRJ que negou provimento a impugnação apresentada. O contribuinte acima identificado foi autuado e notificado a recolher o crédito tributário, no valor de R$ 109.786,29, referente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, multa e acréscimos legais. Termo de Verificação Nº 01 (fls. 336 a 339) apresenta as seguintes constatações: O contribuinte realizou, no decorrer do ano de 1993, diversas operações financeiras de renda variável, operando nos mercados à vista de ações, ouro, mercado de opções, mercado a termo e mercado futuro. Os resultados apurados em tais operações, conforme as determinações contidas na Lei 8.541 de 23/12/1992, foram tributados separadamente, constando do Mapa de Apuração de Ganhos e Perdas em Aplicações de Renda Variável (Anexo 5 da Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – DIRPJ – do anocalendário 1993). No intuito de verificar os valores declarados pelo contribuinte, a Bolsa de Mercadorias e Futuros foi intimada a apresentar todas as operações celebradas pelo contribuinte no ano de 1993, no mercado administrado por aquela instituição. Da análise dos valores declarados pelo contribuinte em operações day trade e dos valores apurados pela fiscalização nestas mesmas operações, foram encontradas as seguintes diferenças (valores em moeda da época): Período de apuração Resultado apurado pela fiscalização em operações day trade Resultado declarado pelo contribuinte em operações day trade Janeiro/1993 7.875.000,00 0,00 Fevereiro/1993 23.500.00,00 0,00 Março/1993 69.375.000,00 21.375.000,00 Abril/1993 67.000.000,00 0,00 Maio/1993 41.500.000,00 120.415.000,00 Fl. 2DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HUGO CORREIA SOTERO, 03/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES B ARROSO Processo nº 10880.010822/9844 Acórdão n.º 110300.406 S1C1T3 Fl. 2 3 Junho/1993 159.750.000,00 51.298.000,00 Julho/1993 131.853.000,00 209.286.000,00 Agosto/1993 249.750,00 25.139,00 Setembro/1993 609.500,00 434.000,00 Outubro/1993 590.500,00 47.909,00 Novembro/1993 732.500,00 144.620,00 Dezembro/1993 937.500,00 70.838,00 O contribuinte foi cientificado destas diferenças e intimado a justificalas, que, por sua vez, não respondeu à intimação e não justificou as razões das diferenças encontradas. Foi recalculado o resultado apurado pelo contribuinte nas operações de renda variável, de forma a tributar as diferenças apuradas. Termo de Verificação Nº 02 (fls. 342 a 345) apresenta as seguintes constatações: O contribuinte lançou no Mapa de Apuração de Ganhos e Perdas em Renda Variável, constante do Anexo 5 da DIRPJ do anocalendário 1993, relativamente às operações comuns (não day trade) realizadas no mês de abril, os seguintes valores: Discriminação Abril/1993 Mercado a vista – ações 183.735,00 Mercado a vista – ouro 0,00 Mercado a termo – ouro/ações 0,00 Mercado a termo – outros 0,00 Mercado de opções – ouro/ações 42.262,00 Mercado de opções – outros 339,00 Mercado de futuro – índices 1.870,00 Mercado de futuro – outros 18.261,00 Resultado líquido do mês 206.205,00 Resultado líquido do mês – em Ufir 10.696,50 Fl. 3DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HUGO CORREIA SOTERO, 03/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES B ARROSO 4 Conforme Lei 8.541/1992, os resultados auferidos em aplicações de renda variável devem ser tributados separadamente, de forma que as perdas obtidas nestas aplicações devam ser adicionadas ao lucro líquido do período, para fins de apuração do Lucro Real. Foi verificado que o contribuinte não procedeu a esta adição e excluiu do lucro líquido do período o montante de CR$ 17.396,90 (valor convertido para Cruzeiros Reais), a título de “Lucro com renda variável”. Tal valor lançado no Lalur está em total desacordo com o resultado auferido no período. Além de não adicionar ao Lucro Líquido as perdas obtidas, o contribuinte excluiu deste mesmo lucro ganhos inexistentes. Procedendo desta forma, o contribuinte reduziu indevidamente o Lucro Real do mês de abril de 1993, diminuindo a base de cálculo do imposto de renda e conseqüentemente o imposto a pagar, no seguinte valor: Perdas que deveriam ser adicionadas ao Lucro Líquido CR$ 206.205,00 + Valor indevidamente excluído do Lucro Líquido CR$ 17.396,00 = Valor tributável CR$ 223.601,90 Termo de Verificação Nº 03 (fl. 346) apresenta as seguintes constatações: Verificouse a contratação, por parte do contribuinte de contrato de previdência privada de nº 001/00/0223, datado de 12/11/1993, com as seguintes características: a) O contribuinte, na qualidade de instituidora, assumiu o custo total da contribuição única, paga em 15/12/1993, no valor de CR$ 18.360.430,00. b) Os beneficiários, na qualidade de participantes, são: Renato Alves Rabelo (Diretor Executivo), na quantia de CR$ 4.590.108,00, Marcelo Ciampolini (Diretor Executivo), na quantia de CR$ 2.868.817,00, Carlos Ciampolini (Diretor Executivo), na quantia de CR$ 2.868.817,00, Oscar Lacerda Ribeiro (Diretor Executivo), na quantia de CR$ 2.868.817,00, Luiz Masagão Ribeiro (Diretor Presidente), na quantia de CR$ 2.868.817,00 e Antonio Nelson Naime (Diretor), na quantia de CR$ 2.295.054,00. Ocorre que, o referido pagamento foi considerado pelo contribuinte como despesa operacional, não tendo sido adicionado para fins de apuração do Lucro Real e tal procedimento afronta o disposto no art. 239 do RIR/1980, bem como a orientação constante do PN 64/1976, posto que o referido benefício não foi destinado indistintamente a todos os funcionários da empresa, restringindose a estes dirigentes. Foi lavrado, em 30/04/1998, auto de infração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (fls. 353 a 355), com fundamento nos arts. 154; 157 e § 1º; 173; 191 e parágrafos; 239; 242; 243 e 387, I do Regulamento para o Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 85.450 de 04/12/1980 (RIR/1980); art. 55 da Lei 7.799/1989 e art. 29 da Lei 8.541/1992. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HUGO CORREIA SOTERO, 03/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES B ARROSO Processo nº 10880.010822/9844 Acórdão n.º 110300.406 S1C1T3 Fl. 3 5 Em 29/05/1998 a empresa apresentou, por seu procurador (procuração à fl. 381), impugnação (fls. 359 a 380), alegando, basicamente, o seguinte: Quanto aos custos do contrato de previdência privada: a) O entendimento da fiscalização é que a glosa deveuse ao fato de que o benefício não houvera sido destinado indistintamente a todos os funcionários, ferindo, assim, o disposto no art. 239 do RIR/1980 e orientação do PN 64/1976. b) Cita parecer dos Drs. Agenor Manzano e Jorge Victor Rodrigues: “10. No passado, houve interpretação divergente a respeito dessa matéria, em virtude da técnica legislativa utilizada no regulamento do imposto de renda de 1980, em que os pagamentos relacionados com planos de previdência privada estavam disciplinados no § 3º do art. 239 do RIR. O referido art. 239, ‘caput’, tratava dos gastos realizados pelas empresas com serviços de assistência médica, odontológica, farmacêutica e social, destinadas indistintamente a todos os seus empregados. Como as contribuições patronais a planos de previdência estavam regulados em parágrafo do referido artigo e, de acordo com entendimento acerca de técnica legislativa, os parágrafos constituem disposição secundária de um artigo, em que se explica a disposição principal, restaram dúvidas sobre se as normas do § 3º (planos de previdência) também estavam submetidas à restrição, constante do ‘caput’ do artigo, ou seja, de que devessem – os planos de previdência – ser destinados indistintamente a todos os empregados da empresa. 11. A própria Secretaria da Receita Federal, todavia, em resposta a processo de consulta, dirimiu corretamente as dúvidas, esclarecendo que a exigência contida no ‘caput’ do artigo 239 do RIR/80, de que os serviços assistenciais ali mencionadas sejam destinados, indistintamente, a todos os empregados diz respeito, apenas, a esses serviços assistenciais, custeados inteiramente pela empregadora, não se aplicando, assim, aos demais benefícios complementares ou assemelhados ao da previdência social, de que constava o § 3º do mesmo artigo. 12. Se dúvida ainda houvesse, esta ficou literalmente eliminada com a edição do Regulamento do Imposto de Renda de 1994, que tratou da matéria em dispositivo específico (art. 301), sem a cláusula restritiva de que os planos devam ser dirigidos indistintamente a todos os empregados. Esta cláusula restritiva restou aplicável, apenas, aos gastos realizados com serviços de assistência médica, odontológica, farmacêutica e social, ratificando, assim, o regulamento, a orientação anteriormente manifestada pela Secretaria da Receita Federal.” c) O art. 301 do RIR/1994 colocou no devido lugar a dedução relativa às contribuições e encargos com os benefícios complementares e assemelhados aos da previdência oficial, quando pagos a entidades de previdência privada, nos termos da lei, tirandoa da vala comum do art. 239 do RIR/1980, consolidando o entendimento da requerente da desnecessidade de que tal benefício seja destinado indistintamente a todos os funcionários, o art. 13, V da Lei 9.249/1995, apesar de estabelecer várias restrições à dedutibilidade de despesas e provisões, corrobora tal entendimento. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HUGO CORREIA SOTERO, 03/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES B ARROSO 6 d) Cita outro parecer dos Drs. Agenor Manzano e Jorge Victor Rodrigues: “9.1 – As contribuições pagas por pessoa jurídica, mesmo sob a forma de contribuição única, à entidade aberta de previdência privada, legalmente constituída e expressamente autorizada a funcionar, para custeio de plano de complementação de aposentadoria de seus empregados e dirigentes, são dedutíveis como despesas operacionais, segundo o disposto no artigo 301 do RIR/94 e no artigo 13, inciso V, da Lei 9.249/95; 9.2 – Para de dedução dos pagamentos como despesa operacional, não é exigido – pela legislação do Imposto de Renda – que os planos de previdência privada sejam destinados a todos os empregados da empresa; 9.3 – A inclusão de dirigentes no programa de previdência não prejudica a dedutibilidade, como despesa operacional, dos pagamentos efetuados pela pessoa jurídica. A dedutibilidade é igualmente assegurada, mesmo que o plano previdenciário seja destinado exclusivamente aos diretores da empresa” e) Por fim, resta examinar a única vedação possível à dedutibilidade, ou seja, a empresa com a qual a requerente contratou os planos de previdência privada era autorizada a funcionar? Apesar de que tal condição não fora questionada pela fiscalização, a resposta é clara ao se verificar, no Regulamento do Plano, sua aprovação pela Susep. Quanto à infringência ao disposto na Lei 8.541/1992: a) O que ocorreu, na verdade, é que a requerente, no mês de abril de 1993 efetuou provisão para ajuste do custo de ativos ao valor de mercado. b) Tal procedimento deveuse à enorme oscilação havida, em tal período, nas Bolsas de Valores. c) Ademais, tal procedimento era expressamente previsto no art. 222 do RIR. O PN CST nº 24/76 respalda o entendimento da requerente. d) No mês de abril de 1993, a requerente teve resultado positivo em operações de renda variável, no valor de CR$ 17.397,84, o que motivou a exclusão de tal valor do lucro líquido, de acordo com o disposto na Lei 8.541/92, artigo 4º, inciso I (sic). e) Neste mesmo mês a requerente provisionou CR$ 243.878,74 para ajuste de custo ao valor de mercado, fato que gerou os valores constantes do Anexo 5. f) Se engano houve, foi totalmente involuntário, quando do preenchimento do Anexo 5. g) Mas nenhum prejuízo adveio para o Fisco já que não haveria nenhum imposto a pagar h) Não tendo ocorrido perdas no mercado de renda variável, a requerente não poderia adicionar perdas inexistentes a seu lucro líquido no Lalur. i) Os Srs. Auditores Fiscais louvaramse, tão somente, no Anexo 5, não examinando os demais elementos contábeis. E os valores apontados no Anexo 5 decorrem da provisão para ajuste de ativos. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HUGO CORREIA SOTERO, 03/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES B ARROSO Processo nº 10880.010822/9844 Acórdão n.º 110300.406 S1C1T3 Fl. 4 7 Quanto à apuração de resultado diverso do auferido em aplicações de renda variável: a) Conforme se verifica no item 2 do Termo de Verificação Fiscal nº 01, a fiscalização intimou a Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) a apresentar todas as operações celebradas pela requerente no ano de 1993, no mercado administrado por aquela instituição. b) A fiscalização obteve os arquivos magnéticos com base em solicitação à BM&F embasada na existência do Processo Administrativo Fiscal nº 10880.030046/9798. Tal processo não era do conhecimento da requerente, além disso, é vedada por lei a quebra do sigilo bancário com base em processo administrativo fiscal, tal procedimento fere o art. 5º, X da Constituição Federal. c) Ao não obedecer a garantia constitucional do art. 5º, X, a fiscalização que lavrou o Auto de Infração, com relação a este tópico, valeuse de prova obtida de forma ilícita, o que invalida totalmente o Auto de Infração com relação a este tópico. d) A fiscalização alega que a requerente apresentou, com relação a operações de índice na BM&F, valores inferiores ao por ela efetivamente auferidos, embasando seu entendimento em informações obtidas, de forma ilícita, junto à BM&F. e) Isto não é verdade, a requerente apresentou os valores corretos. A fiscalização louvouse, tãosomente, nos valores de compra e venda de índices, não observando os custos e taxas cobrados pela BM&F. f) O parágrafo 1º do art. 29 da Lei 8.541/1992 admite a dedução dos custos e despesas efetivamente incorridos, necessários à realização das operações. Não se admitir a dedução dos custos e taxas é absurdo e ilegal. g) A requerente, ainda, efetuou a compensação dos resultados positivos em operações day trade com resultados negativos em operações longas, o que não é vedado pela legislação. h) O art. 28 da Lei 8.383/1991 veda a compensação de prejuízos em operações day trade com ganhos em outras operações, todavia não veda que lucros em operações day trade compensem prejuízos em operações longas. i) Se a lei não veda a compensação efetuada pela requerente, a fiscalização não pode fazer interpretação extensiva ou analógica que redunde na exigência de pagamento de tributo. j) As planilhas anexadas pela requerente suportam e dão supedâneo aos valores apresentados pela requerente com relação às suas operações day trade. A DRJ decidiu (ementa): “Ementa: DESPESAS OPERACIONAIS – PREVIDÊNCIA PRIVADA – Despesas pagas a Fl. 7DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HUGO CORREIA SOTERO, 03/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES B ARROSO 8 entidades de previdência privada só são dedutíveis quando destinadas indistintamente a todos os empregados da empresa. SIGILO – PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO – BOLSA DE MERCADORIAS & FUTUROS – A legislação tributária autoriza que sejam solicitados às bolsas esclarecimentos e informações concernentes a operações por elas praticadas, para fins de verificação do cumprimento de obrigações tributárias pelos contribuintes. As informações assim obtidas ficam protegidas pelo sigilo fiscal. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE Não compete à autoridade administrativa a apreciação das questões de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendolhe observar a legislação em vigor. DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA – PESSOA JURÍDICA – RETIFICAÇÃO DE DADOS – A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento.” Em recurso a contribuinte, ora recorrente afirmou: PRELIMINAR Estar decaído, pois, o crédito tributário começara a ser constituído em 07 de agosto de 1997, e a decisão recorrida data de 27 de janeiro; A fiscalização obtivera os arquivos magnéticos com base em solicitação à BM&F embasada na existência do Processo Administrativo Fiscal nº 10880.030046/9798. Tal processo não era do conhecimento da requerente, além disso, é vedada por lei a quebra do sigilo bancário com base em processo administrativo fiscal, tal procedimento fere o art. 5º, X da Constituição Federal. Ao não obedecer à garantia constitucional do art. 5º, X, a fiscalização que lavrou o Auto de Infração, com relação a este tópico, valeuse de prova obtida de forma ilícita, o que invalida totalmente o Auto de Infração com relação a este tópico; MÉRITO a)Os custos do contrato de previdência privada Ao considerar indedutível o valor pago a entidade de previdência privada, cujo benefício não haja sido destinado a todos os funcionários, face ao disposto no art. 239 do Fl. 8DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HUGO CORREIA SOTERO, 03/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES B ARROSO Processo nº 10880.010822/9844 Acórdão n.º 110300.406 S1C1T3 Fl. 5 9 RIR/80, o decisum não levou em consideração o quanto alegado pela recorrente na impugnação, e não observou o disposto no art. 106 do CTN. O art, 301 do RIR/94 dispõe: “As contribuições patronais e outros encargos das empresas com os demais benefícios complementares ou assemelhados aos da previdência oficial somente poderão ser deduzidos como despesas operacionais quando pagos a entidades de previdência privada expressamente autorizadas a funcionar ressalvado o disposto no artigo 37 do Decreto n.º 81.240, de 20 de janeiro de 1978, referente a empresas que mantinham plano de benefícios antes daquela data.” Corrobora o art. 13, inciso V, da Lei n.º 9.249/95 “Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: (...) V das contribuições não compulsórias, exceto as destinadas a custear seguros e planos de saúde, e benefícios complementares assemelhados aos da previdência social, instituídos em favor dos empregados e dirigentes da pessoa jurídica;” Portanto, estando provado fls. 404 a 413 – que a empresa com a qual a recorrente contratou o plano de Previdência Privada estava autorizada a funcionar pela SUSEP, não há que se falar em indedutibilidade de tais despesas. b)Quanto à infringência ao disposto na lei n.º 8.541/92 As planilhas apresentadas foram de molde a facilitar a verificação do alegado; O §2.º do art. 147 do CTN determina a retificação de ofício pela autoridade administrativa, de erro comprovado; A recorrente teria comprovado o alegado engano quando do preenchimento do anexo 5; A recorrente agiu de conformidade com o disposto no art. 222 do RIR, bem como com o PN CST n.º 24/76; Fl. 9DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HUGO CORREIA SOTERO, 03/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES B ARROSO 10 Ou seja, no mês de abril de 1993, o resultado positivo em operações de renda variável foi excluído do lucro líquido, de acordo com o determinado pelo art. 4.º, inciso I, da Lei n.º 8.541/92 – fls. 417/418; Neste mesmo mês, a recorrente provisionou a importância de CR$ 243.878,74 para ajuste de custo ao valor de mercado, o que gerou os números constantes do Anexo 5; Não teria havido prejuízo ao fisco, posto que não haveria qualquer imposto a ser recolhido (planilhas de fl. 414/417); Não tendo ocorrido perdas no mercado de renda variável, a recorrente não poderia adicionar perdas inexistentes a seu lucro líquido no LALUR; Só foi levado em consideração pela fiscalização o anexo 5 e não teria sido examinado os elementos contábeis de fl. 421/432; c)Quanto à apuração de resultado diverso do auferido em aplicações de renda variável Os Srs. Auditores Fiscais autuantes levaram em consideração unicamente os valores de compra e venda de índices não observando os custos e taxas cobrados pela BM&F; As planilhas apresentadas são de molde a facilitar verificação do afirmado; Caso os Auditores tivessem dúvida deveriam solicitar à BM&F o valor dos custos e taxas incorridos; A legislação não veda a compensação de resultados positivos em operações day trade com resultados negativos em operações longas; Por fim, se os Auditores tivessem analisado as respectivas notas de corretagem, com certeza, atestariam a correção dos valores ofertados à tributação. Voto Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. PRELIMINAR A recorrente ao falar de decadência se refere a prescrição intercorrente a inércia do andamento do processo administrativo , contudo, sabemos que na esfera administrativa não há tal prescrição. A súmula CARF n.º 11 dispõe: Fl. 10DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HUGO CORREIA SOTERO, 03/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES B ARROSO Processo nº 10880.010822/9844 Acórdão n.º 110300.406 S1C1T3 Fl. 6 11 “Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal” Quanto a segunda preliminar temos que o art. 7º da Lei n.º 8.021 de 13/04/1990 dispõe especificamente sobre a obtenção de informações junto às bolsas: “Art. 7º A autoridade fiscal do Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento poderá proceder a exames de documentos, livros e registros das bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas, bem como solicitar a prestação de esclarecimentos e informações a respeito de operações por elas praticadas, inclusive em relação a terceiros. § 1º As informações deverão ser prestadas no prazo máximo de dez dias úteis contados da data da solicitação. O não cumprimento desse prazo sujeitará a instituição à multa de valor equivalente a mil BTN Fiscais por dia útil de atraso. § 2º As informações obtidas com base neste artigo somente poderão ser utilizadas para efeito de verificação do cumprimento de obrigações tributárias. § 3º O servidor que revelar informações que tiver obtido na forma deste artigo estará sujeito às penas previstas no art. 325. do Código Penal Brasileiro.” (Grifei). Como se vê, a Lei 8.021/1990, em seu artigo 7º autoriza os Auditores Fiscais a solicitar prestação de informações e esclarecimentos junto às bolsas para efeito de verificação do cumprimento de obrigações tributárias pelos contribuintes. Esta foi justamente a razão da busca de dados junto à BM&F: certificar o cumprimento das obrigações tributárias da ora impugnante em relação às negociações, no Mercado de Renda Variável, realizadas em 1993, cujo resultado havia sido consignado no Anexo 5 da DIRPJ/1994. O fato de a fiscalizada ter conhecimento ou não do processo administrativo que gerou à diligência é irrelevante para a solução da lide. O que importa é que, na data em que as informações foram solicitadas à BM&F, (15/10/1997 – vide intimação à fl. 41) a interessada já se encontrava sob procedimento fiscal (data do início da fiscalização 07/08/1997 – fl. 38). Tanto é assim que a FM 97/00.7012 que ampara os procedimentos da fiscalização sobre a interessada é citada no Termo de Intimação dirigido à BM&F. Assim, a diligência teve por objeto a verificação do cumprimento de obrigações tributárias, nos exatos termos da norma que disciplina o assunto, não podendo prosperar a alegação de que a prova da infração foi obtida de forma ilícita. Quanto a possíveis inconstitucionalidades temos a súmula CARF n.º 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a constitucionalidade de lei tributária.” Fl. 11DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HUGO CORREIA SOTERO, 03/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES B ARROSO 12 MÉRITO a)Quanto aos custos do contrato de previdência privada Termo de Verificação Nº 03 constata a existência de contrato de previdência privada cujos beneficiários são apenas os dirigentes ali mencionados. A impugnante teve glosadas as respectivas despesas com o contrato de previdência, porque o benefício não foi destinado indistintamente a todos os funcionários da empresa. A autuação se baseou no art. 239 do RIR/1980, a seguir transcrito: “Art. 239 Consideramse despesas operacionais os gastos realizados pelas empresas com serviços de assistência médica, odontológica, farmacêutica e social, destinados indistintamente a todos os seus empregados. § 1º O disposto deste art. alcança os serviços assistenciais que sejam prestados diretamente pela empresa, por entidades afiliadas para este fim constituídas com penalidades jurídica própria e sem fins lucrativos, ou, ainda, por terceiros especializados, como no caso da assistência médicohospitalar. § 2º Os recursos despendidos pelas empresas na manutenção dos programas assistenciais somente serão considerados como despesas operacionais quando devidamente comprovados, mediante manutenção de sistema de registro contábeis específicos capazes de demonstrar os custos pertinentes a cada modalidade de assistência e quando as entidades prestadoras também mantenham sistema contábil que especifique as parcelas de receita e de custos dos serviços prestados. § 3º As contribuições patronais e outros encargos das empresas com os demais benefícios complementares ou assemelhados aos da previdência oficial somente poderão ser deduzidos como despesas operacionais quando pagos a entidades de previdência privada expressamente autorizadas a funcionar, ressalvado o disposto no artigo 37 do Decreto nº 81/240, de 20/01/78, referente a empresas que mantinham plano de benefícios antes daquela data.” (Grifei). Portanto, está correto o entendimento da fiscalização quanto a necessidade de que o contrato de previdência deva ser destinado indistintamente a todos os empregados da empresa. Só assim a sua despesa correspondente será dedutível, na medida em que o § 3º do art. 239 do RIR/1980 submetese às disposições expressas no caput do artigo. Quanto a alegação do art. 106 do CTN, temos: “tratandose de ato não definitivamente julgado: a) Quando deixe de definílos como infração” Ora, não estamos diante de nenhuma infração, mas sim diante de uma despesa não dedutível, despesa incorrida com previdência privada de 1993. Lgo não se aplica o art. 106 do CTN. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HUGO CORREIA SOTERO, 03/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES B ARROSO Processo nº 10880.010822/9844 Acórdão n.º 110300.406 S1C1T3 Fl. 7 13 Quanto as alterações legislativas citadas pela recorrente, informo que o lançamento se reporta a legislação da época do ao fato gerador de acordo com o 144 do CTN a saber: “Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada.” Como o referido contrato de previdência privada é datado de 12/11/1993, o Regulamento do Imposto de Renda que estava em vigor é o aprovado pelo Decreto nº 85.450 de 04/12/1980 (RIR/1980), não cabe, portanto, análise de alterações efetuadas pela edição do RIR/94. Assim, o fato de o art. 301 do RIR/94 não vedar a dedução pleiteada pela recorrente é irrelevante, pois, como já vimos o fato gerador é anterior ao RIR/94. b)Quanto à infringência ao disposto na lei n.º 8.541/92 Foi apurado pela fiscalização com relação ao Mapa de Apuração de Ganhos e Perdas em Renda Variável, constante do Anexo 5 da DIRPJ do anocalendário 1993, relativamente às operações comuns (não day trade) realizadas no mês de abril, que a recorrente obteve um resultado líquido no mês (perda) de CR$ (206.205,05) e que não adicionou tal perda ao lucro líquido do período, conforme ordenamento da Lei 8.541/1992. Além disso, também foi verificado que a impugnante excluiu do lucro líquido do período o montante de CR$ 17.396,90, a título de “Lucro com renda variável”. A recorrente alega que, no mês de abril de 1993 efetuou provisão para ajuste do custo de ativos ao valor de mercado e que neste mesmo mês obteve resultado positivo em operações de renda variável, no valor de CR$ 17.397,84, o que motivou a exclusão de tal valor do lucro líquido. Quanto à alegação de erro no preenchimento da declaração, especificamente do Anexo 5 da do anocalendário 1993, e à alegação de que efetuou provisão para ajuste do custo de ativos ao valor de mercado; deve ser observado o artigo 147 do CTN que assim dispõe: “Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HUGO CORREIA SOTERO, 03/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES B ARROSO 14 § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela” . A recorrente limitase a apresentar planilhas (fls. 414 a 418) elaboradas por ela própria para, tãosomente, apontar o erro no preenchimento da declaração devido à suposta provisão para ajuste do custo de ativos ao valor de mercado. Tais Planilhas, produzidas pela própria impugnante, não tem o valor probante a que se refere o § 1º acima transcrito. Assim defesa ficou só nas alegações. c)Quanto à apuração de resultado diverso do auferido em aplicações de renda variável Novamente, a recorrente limitase a apresentar planilhas (fls. 437 a 448) elaboradas por ela própria para apontar supostas taxas cobradas pela BM&F. Tais Planilhas, produzidas pela própria impugnante, não tem o valor probante a que se refere o § 1º do art. 147 do CTN. A defesa ficou, portanto, mais uma vez, no campo das alegações. A recorrente afirma que o art. 28 da Lei 8.383/1991 veda a compensação de prejuízos em operações day trade com ganhos em outras operações, todavia não veda que lucros em operações day trade compensem prejuízos em operações longas. Mesmo que tal assertiva fosse verdadeira a recorrente nada provaria pela falta de documentação que embase os valores apresentados nas planilhas elaboradas por ela própria. De qualquer maneira o art. 26 e o 28 da Lei n.º 8.383/91 dispõe: “Art. 26. Ficam sujeitas ao pagamento do imposto de renda, à alíquota de vinte e cinco por cento, a pessoa física e a pessoa jurídica não tributada com base no lucro real, inclusive isenta, que auferirem ganhos líquidos nas operações realizadas nas bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas, encerradas a partir de 1° de janeiro de 1992. (...) § 2° O Poder Executivo poderá baixar normas para apuração e demonstração dos ganhos líquidos, bem como autorizar a compensação de perdas em um mesmo ou entre dois ou mais mercados ou modalidades operacionais, previstos neste artigo, ressalvado o disposto no art. 28 desta lei.” “Art. 28. Os prejuízos decorrentes de operações financeiras de compra e subseqüente venda ou de venda e subseqüente compra, realizadas no mesmo dia (daytrade), tendo por objeto ativo, título, valor mobiliário ou direito de natureza e características semelhantes, somente podem ser compensados com ganhos auferidos em operações da mesma espécie ou em operações de cobertura (hedge) à qual estejam vinculadas nos termos admitidos pelo Poder Executivo.”. Portanto, fica claro que não é qualquer compensação que é permitida, mas tão somente aquelas que o Poder Executivo tiver autorizado. Fl. 14DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HUGO CORREIA SOTERO, 03/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES B ARROSO Processo nº 10880.010822/9844 Acórdão n.º 110300.406 S1C1T3 Fl. 8 15 Em face do exposto, voto por afastar as preliminares, e no mérito negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 23 de fevereiro de 2011 Mário Sérgio Fernandes Barroso Fl. 15DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 04/08/2011 por HUGO CORREIA SOTERO, 03/03/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES B ARROSO
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Numero do processo: 35067.004640/2006-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Feb 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002, 01/05/2002 a 31/07/2002
Ementa:
AUTODEINFRAÇÃO.
A empresa deve de lançar mensalmente em títulos próprios de sua
contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Art. 32, inciso II, da Lei n.º 8.212/91.
A falta de registro contábil discriminado das parcelas passíveis de incidência contributiva previdenciária, acarreta lavratura de auto de infração.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-000.873
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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A empresa deve de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Art. 32, inciso II, da Lei n.º 8.212/91. A falta de registro contábil discriminado das parcelas passíveis de incidência contributiva previdenciária, acarreta lavratura de auto de infração. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 26/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Thiago D’ Ávila Melo Fernandes,Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato Fl. 2DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 26/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 35067.004640/200601 Acórdão n.º 230200.873 S2C3T2 Fl. 283 3 Relatório Trata o presente de autodeinfração, lavrado em 13/06/2006, em desfavor do sujeito passivo acima identificado, em virtude do descumprimento o artigo 32, inciso II da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso II e parágrafos 13 a 17, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, por não ter lançado em títulos próprios de sua contabilidade de forma discriminada as contribuições incidentes sobre a mão de obra de segurados que lhe prestaram serviço através de cooperativa de trabalho, mais especificamente UNIMED Vitória Cooperativa de Trabalho Médico, nas competências de 02/2002 e 05/2002 a 07/2002. A multa punitiva foi aplicada de acordo com artigo 283, inciso II, letra “a”, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99 e atualizada pela Portaria Ministerial n.º 119, de 18/04/2006. O relatório fiscal de fls. 16/22, diz que a autuada e a empresa Sociedade Educacional do Espírito Santo — SEDES/UVV, formam um grupo econômico de fato, onde possuem os mesmos coresponsáveis, o mesmo responsável pela contabilidade, as despesas incorridas com uma entidade com docentes são pagas pela outra, assim como as receitas relativas às mensalidades de uma, também são contabilizadas na outra, a execução de contrato firmado por uma empresa utiliza mão de obra de outra e vários outros fatos que corroboram a existência de grupo econômico estão descritos no citado relatório. Após a apresentação de defesa por parte da autuada, DecisãoNotificação de fls. 191/200, julgou a autuação procedente. Inconformados os sujeitos passivos apresentaram recurso tempestivo. A Sociedade Educacional do Espírito Santo /sedesUVV, argúi: a) a inconstitucionalidade do depósito recursal; b) que a configuração do grupo econômico baseouse em mera presunção; c) que declarou em GFIP todos os trabalhadores a seu serviço; d) que seu objeto é educação especial, diferentemente da outra empresa arrolada; e) que o auditor deixou de descontar várias guias de recolhimento e valores parcelados. Requer a reforma da decisão, a sua exclusão do pólo passivo, a nulidade do auto de infração, que seja refeita a decisão quanto à falta de informação em GFIP e relevada a multa. A autuada Fundação Universidade de Pesquisa Econômica e Social Vila Velha, argúi : Fl. 3DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 26/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 4 a) que o auto de infração foi motivado pela falta de apresentação de documentos; b) que o depósito recursal cerceia a defesa do contribuinte; c) que a configuração do grupo econômico é mera presunção; d) que apresentou todos os documentos solicitados, mas o auditor não teve paciência para examinálos; e) que não foram descontadas as guias recolhidas; f) que seu objeto é educação especial , diferentemente da outra empresa arrolada. Requer a sua exclusão do pólo passivo da autuação,afastando a sua co responsabilidade na exação lançada; a nulidade do auto de infração, que a decisão seja refeita para solicitar as notas fiscais aos contratantes e que seja relevada a multa aplicada. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 26/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 35067.004640/200601 Acórdão n.º 230200.873 S2C3T2 Fl. 284 5 Voto Conselheiro Liege Lacroix Thomasi Da Preliminar As recorrentes argúem a inconstitucionalidade do depósito recursal para garantia de instância, contudo tal pressuposto não é mais exigido por este Colegiado em obediência ao Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. De acordo com o previsto no parágrafo único do art. 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria n ° 256/2009 do Ministério da Fazenda, no julgamento de recurso voluntário ou de ofício, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Não se aplicando aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo, que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. O STF já se posicionou no julgamento do Recurso Extraordinário n ° 389383, transitado em julgado, pela inconstitucionalidade dos parágrafos 1º e 2º do art. 126 da Lei n ° 8.212. Quanto à caracterização do grupo econômico, não procede o argumento das recorrentes de que não há, nos autos, prova da existência do mesmo, eis que o relatório fiscal foi detalhado ao especificar a existência e configuração do mesmo, fls. 16/22; ao qual me reporto, por economia processual. A composição do grupo foi especificada no relatório fiscal, sendo que as empresas possuem o mesmo endereço, onde se encontram os documentos fiscais, os mesmos coresponsáveis e administradores, arcam entre si com despesas e auferem receitas em uma entidade para cobrir despesas em outra. As empresas exercem atividades complementares. A mão de obra de uma empresa visa cumprir contrato da outra, os docentes que prestam serviço em uma, são pagos por outra, além de outros detalhes bem explicitados no relatório fiscal. Portanto, por todos os elementos fáticos trazidos pelo fisco é de se configurar a existência do grupo econômico de fato e a solidariedade prevista expressamente na lei previdenciária, art. 30, inciso IX da Lei n º 8.212 de 1991: IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta lei; (Ver § 4º do art. 2º da Lei nº 9.719/98) Do Mérito À época da autuação, em decorrência da relação jurídica existente entre o contribuinte ou o responsável (sujeito passivo) e o fisco (sujeito ativo), tem aquele duas Fl. 5DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 26/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 6 obrigações para com este. Uma obrigação denominada principal, que é a de verter contribuições para a Seguridade Social; outra denominada acessória que tem por objeto a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. O descumprimento da obrigação principal, acarreta a constituição do crédito da Seguridade Social, através da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, como no presente caso. E, o descumprimento da obrigação acessória, que decorre da legislação tributária e tem por objeto prestações positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos (art. 113, § 2º, do CTN), acarreta a lavratura do Auto de Infração. A obrigação se diz acessória, quando se tem por objeto o fazer ou não fazer algo no interesse da fiscalização ou da arrecadação. Portanto, o não recolhimento do tributo acarreta a aplicação dos juros legais e da multa moratória, enquanto o descumprimento de obrigação acessória, que vem definida em lei, acarreta a multa punitiva, como no caso presente, onde a empresa foi autuada por não lançar na sua contabilidade, de forma discriminada, os valores referentes à contribuição previdenciária incidente sobre serviços prestados por cooperados através de cooperativas de trabalho. Tal fato não foi argüido nas peças recursais, trazendo, as recorrentes, assuntos diversos daquele aqui autuado, como a não apresentação de documentos e a falta de informação em GFIP. Estes tópicos não fazem parte da autuação em tela, bem como é estranho ao processo o não aproveitamento de valores recolhidos e parcelados, motivo pelo qual deixo de me manifestar sobre tais assuntos. Este processo trata, exclusivamente, de auto de infração pelo descumprimento de obrigação acessória e é obrigação da empresa registrar de forma discriminada os fatos geradores de contribuição previdenciária. O art. 32, inciso II da Lei n.º 8.212/91, traz que a empresa é obrigada a lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Esse ordenamento encontra respaldo, também, no art. 225, inc. II e §13, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, verbis: Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; (...) § 13. Os lançamentos de que trata o inciso II do caput, devidamente escriturados nos livros Diário e Razão, serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições, devendo obrigatoriamente: I – atender ao princípio contábil do regime de competência; e Fl. 6DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 26/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 35067.004640/200601 Acórdão n.º 230200.873 S2C3T2 Fl. 285 7 II – registrar, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do saláriodecontribuição, bem como as contribuições descontadas do segurado, as da empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços. § 14. A empresa deverá manter à disposição da fiscalização os códigos ou abreviaturas que identifiquem as respectivas rubricas utilizadas na elaboração da folha de pagamento, bem como os utilizados na escrituração contábil. Em face dos comandos normativos acima transcritos e à vista dos fatos relatados no "Relatório Fiscal da Infração", revelase procedente a autuação, eis que é disposição legal trazida na Lei 8212/91, conforme citado acima que a empresa discrimine em sua contabilidade os fatos geradores das contribuições previdenciárias. Por derradeiro, é totalmente improcedente a solicitação da autuada para ser excluída do pólo passivo da autuação, uma vez que ela foi o sujeito passivo da fiscalização e foi autuada pelo descumprimento de obrigação acessória de sua direta responsabilidade. A entidade SEDES, é que foi arrolada como solidária em vista da existência de grupo econômico. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 7DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 26/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA
score : 1.0
Numero do processo: 36378.000341/2007-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2000 a 30/03/2005
Ementa: COMPENSAÇÃO – GLOSA Toda
empresa é obrigada a recolher a contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração paga aos segurados empregados que lhe prestam serviços.
Constatada a compensação de valores efetuada indevidamente pela empresa ou em desacordo com o permitido pela legislação previdenciária, será efetuada a glosa dos valores e constituído o crédito tributário por meio do instrumento competente, sem prejuízo das penalidades cabíveis.
PERÍCIA INDEFERIMENTO
A perícia será indeferida sempre que a autoridade julgadora entender ser prescindível e meramente protelatória e quando não houver dúvidas a serem sanadas.
TAXA SELIC
A utilização da taxa de juros SELIC encontra amparo legal no artigo 34 da Lei 8.212/91.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-001.952
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2000 a 30/03/2005 Ementa: COMPENSAÇÃO – GLOSA Toda empresa é obrigada a recolher a contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração paga aos segurados empregados que lhe prestam serviços. Constatada a compensação de valores efetuada indevidamente pela empresa ou em desacordo com o permitido pela legislação previdenciária, será efetuada a glosa dos valores e constituído o crédito tributário por meio do instrumento competente, sem prejuízo das penalidades cabíveis. PERÍCIA INDEFERIMENTO A perícia será indeferida sempre que a autoridade julgadora entender ser prescindível e meramente protelatória e quando não houver dúvidas a serem sanadas. TAXA SELIC A utilização da taxa de juros SELIC encontra amparo legal no artigo 34 da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Negado
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Constatada a compensação de valores efetuada indevidamente pela empresa ou em desacordo com o permitido pela legislação previdenciária, será efetuada a glosa dos valores e constituído o crédito tributário por meio do instrumento competente, sem prejuízo das penalidades cabíveis. PERÍCIA INDEFERIMENTO A perícia será indeferida sempre que a autoridade julgadora entender ser prescindível e meramente protelatória e quando não houver dúvidas a serem sanadas. TAXA SELIC A utilização da taxa de juros SELIC encontra amparo legal no artigo 34 da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 10/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 28/06/2011 por MARCELO OLIVEIR A 2 Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete De Oliveira Barros Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Bernadete De Oliveira Barros, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Ausência momentânea: Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antonio De Souza Correa Fl. 2DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 10/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 28/06/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 36378.000341/200729 Acórdão n.º 230101.952 S2C3T1 Fl. 117 3 Relatório Tratase de recurso interposto contra a DecisãoNotificação que julgou procedente o débito lançado contra a empresa acima identificada. Conforme Relatório Fiscal (fls. 52), o crédito previdenciário lançado por intermédio da NFLD se refere a contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à rubrica “Empresa”, e teve origem na glosa da compensação efetuada pela empresa nas competências compreendidas entre 11/2000 a 03/2005, para o estabelecimento 33.920.299/000313. A autoridade notificante informa que o contribuinte deixou de recolher parte da contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração dos contribuintes individuais que lhe prestaram serviços porque deduziu, em suas próprias GPS, valores que foram recolhidos em CNPJ de outras empresas. Consta que a notificada declarou que compensou, nas guias das competências anteriormente citadas, valores que foram retidos em notas fiscais de prestadores de serviços, julgados indevidos pela empresa, quer pelo cancelamento, quer pelo serviço não estar sujeito à retenção de 11%. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Previdenciária, por meio da DecisãoNotificação nº 11.401.4/0488/2006 (fls. 120), julgou o débito procedente. A notificada, inconformada com a decisão, apresentou recurso tempestivo (fls. 130), repetindo basicamente as alegações trazidas na impugnação. Entende que a decisão é equivocada ao manter as indevidas glosas realizadas pelo Auditor Fiscal, considerandose principalmente que os valores das contribuições que deveriam ser retidos dos prestadores de serviço, objeto das compensações glosadas, efetivamente não o foram, como atesta o relatório da NFLD, fls. 2, juntado aos autos, que evidencia ter a RECORRENTE utilizado nestas compensações valores que ela é que efetivamente recolheu. Informa que tratase, na verdade, de cancelamentos de pagamentos de serviços, ou constatações de que não era devida a retenção ou até mesmo de recolhimentos em duplicidade, constatados posteriormente às quitações das GPS. Sustenta que o fato de as guias dos valores retidos estarem em nome dos prestadores de serviços não significa que o valor foi recolhido por aqueles, não podendo ser fato impeditivo ao direito de compensação quando demonstrado que foi a contratante(SOEICOM S.A) quem arcou com todos os custos. Defende a necessidade de reconsideração do indeferimento do pedido de perícia, face ao fato de que se faz necessária a conciliação contábil dos valores, como forma de também provar que quem arcou com o ônus dos valores objeto das GLOSAS foi a Recorrente. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 10/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 28/06/2011 por MARCELO OLIVEIR A 4 Reitera o pedido da perícia e insurgese contra a multa e os juros de mora aplicados. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 10/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 28/06/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 36378.000341/200729 Acórdão n.º 230101.952 S2C3T1 Fl. 118 5 Voto Conselheira Bernadete De Oliveira Barros O recurso é tempestivo e não há qualquer óbice ao seu conhecimento. Verificase dos autos, que o objeto do presente lançamento é a glosa da compensação realizada pela empresa. Constatase que a empresa compensou, quando do recolhimento de contribuições por ela devidas, valores que foram recolhidos em nome das empresas que lhe prestaram serviços. Justifica seu procedimento alegando que foi a própria empresa recorrente quem arcou com o custo dos recolhimentos indevidos. Contudo, a conduta da notificada não encontra amparo legal. Esse valor compensado foi recolhido em nome de outras empresas, cabendo somente a elas efetuar a compensação, caso reste comprovado que houve recolhimento indevido. A IN 03/2005, citada pela recorrente, estabelece que: Art. 203. A empresa prestadora de serviços que sofreu retenção no ato da quitação da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, conforme previsto nos arts. 140 e 172, poderá compensar o valor retido quando do recolhimento das contribuições devidas à Previdência Social, desde que a retenção esteja destacada na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços. (...) § 1º Se a retenção não tiver sido destacada na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, a empresa contratada poderá efetuar a compensação do valor retido, desde que a contratante tenha efetuado o recolhimento desse valor. (...) § 6º A compensação do valor retido deverá ser feita no documento de arrecadação do estabelecimento da empresa que sofreu a retenção, sendo vedada a compensação em documento de arrecadação referente a outro estabelecimento. Essa matéria também é tratada no Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, que dispõe: Art. 219 (...) Fl. 5DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 10/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 28/06/2011 por MARCELO OLIVEIR A 6 § 4º O valor retido de que trata este artigo deverá ser destacado na nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços, sendo compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa contratada quando do recolhimento das contribuições destinadas à seguridade social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados. Portanto, somente a prestadora dos serviços pode efetuar a compensação, sendo vedada a compensação referente a outro estabelecimento. Esse é o procedimento correto, uma vez que é a prestadora de serviços que sofre a retenção sobre o valor bruto da nota fiscal/fatura, e não a tomadora. Nem mesmo a contribuição do segurado, quando indevidamente descontada pela empresa, pode ser restituída ao empregador, que foi quem reteve e recolheu a contribuição correspondente, pois o valor recolhido não mais pertence à empresa, conforme parágrafo único, do art. 248, do citado RPS, transcrito a seguir: Art. 249. Somente poderá ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, valor decorrente das parcelas referidas nos incisos I, II, III, IV e V do parágrafo único do art. 195. Parágrafo único. A restituição de contribuição indevidamente descontada do segurado somente poderá ser feita ao próprio segurado, ou ao seu procurador, salvo se comprovado que o responsável pelo recolhimento já lhe fez a devolução. Fazendo uma analogia, a pretensão da recorrente se equivale à uma pessoa que efetua o depósito em uma contacorrente de uma outra pessoa, em um banco qualquer, e depois, ao vislumbrar algum equívoco no valor depositado, tenta retirar daquela conta que não lhe pertence o valor depositado. Sabemos que tal procedimento não lhe é possível, como também não é possível à empresa compensar valores recolhidos em nome de outra pessoa jurídica. A notificada insiste na produção de prova pericial, que foi indeferida com muita propriedade pelo julgador monocrático, que demonstrou a desnecessidade de realização de perícia. A necessidade de perícia para o deslinde da questão tem que restar demonstrada nos autos, o que não ocorreu no presente caso, já que os documentos apresentados pela própria recorrente demonstram que os recolhimentos foram realizados no CNPJ das prestadoras. Ademais, o Decreto nº 70.235/1972 estabelece o seguinte: Art.16 A impugnação mencionará: .................................. IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito; Fl. 6DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 10/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 28/06/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 36378.000341/200729 Acórdão n.º 230101.952 S2C3T1 Fl. 119 7 § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. Da leitura do dispositivo, verificase que a recorrente não cumpriu os requisitos necessários à formulação de perícia pois limitouse a requerêla, sem indicar o perito ou formular os quesitos a serem respondidos. A recorrente insurgese, ainda, contra a multa e os juros de mora aplicados. Contudo, cumpre salientar que a utilização da Taxa SELIC para atualizações e correções dos débitos apurados encontra respaldo no art. 34, da Lei 8.212/91 e a multa encontrase amparada no art. 35 do mesmo diploma legal, vigentes à época do lançamento. Cabe destacar, ainda, que a atividade administrativa é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais. Nesse sentido, o ilustre jurista Alexandre de Moraes ( curso de direito constitucional, 17ª ed. São Paulo. Editora Atlas 2004.314) colaciona valorosa lição: “o tradicional princípio da legalidade, previsto no art. 5º, II, da CF, aplicase normalmente na administração pública, porém de forma mais rigorosa e especial, pois o administrador público somente poderá fazer o que estiver expressamente autorizado em lei e nas demais espécies normativas, inexistindo, pois, incidência de vontade subjetiva. Esse principio coadunase com a própria função administrativa, de executor do direito, que atua sem finalidade própria, mas sem em respeito à finalidade imposta pela lei, e com a necessidade de preservarse a ordem jurídica” Ademais, o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, veda aos Conselhos de Contribuintes afastar aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, conforme disposto em seu art. 62. E o Conselho Pleno, no exercício de sua competência, uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria, por meio do Enunciado 03/2007, transcrito a seguir: Enunciado nº 03: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais. Voto no sentido de CONHECER do recurso e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Bernadete De Oliveira Barros Relatora Fl. 7DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 10/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 28/06/2011 por MARCELO OLIVEIR A 8 Fl. 8DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 10/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 28/06/2011 por MARCELO OLIVEIR A
score : 1.0
Numero do processo: 10830.004452/2004-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2000
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO.
A inclusão na Declaração de Ajuste Anual do rendimento, pelo seu valor reajustado, e a compensação do imposto considerado ônus da fonte pagadora somente é possível caso o beneficiário dos rendimentos possua comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, onde esteja consignado o rendimento pelo seu valor reajustado e o imposto assumido pela fonte pagadora.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-001.154
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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materia_s : IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. A inclusão na Declaração de Ajuste Anual do rendimento, pelo seu valor reajustado, e a compensação do imposto considerado ônus da fonte pagadora somente é possível caso o beneficiário dos rendimentos possua comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, onde esteja consignado o rendimento pelo seu valor reajustado e o imposto assumido pela fonte pagadora. Recurso Voluntário Negado
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COMPROVAÇÃO. A inclusão na Declaração de Ajuste Anual do rendimento, pelo seu valor reajustado, e a compensação do imposto considerado ônus da fonte pagadora somente é possível caso o beneficiário dos rendimentos possua comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, onde esteja consignado o rendimento pelo seu valor reajustado e o imposto assumido pela fonte pagadora. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 28/03/2011 Fl. 87DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 10830.004452/200483 Acórdão n.º 210201.154 S2C1T2 Fl. 82 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho e Vanessa Pereira Rodrigues Domene. Relatório Contra HUMBERTO RIBEIRO DO VALLE PEROCCO foi lavrado Auto de Infração, fls. 03/07, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 1999, exercício 2000, no valor total de R$ 4.106,39, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até julho de 2004. A infração apurada pela autoridade fiscal foi glosa de imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 9.312,41, e alteração do valor dos rendimentos tributáveis de R$ 41.379,31 para R$ 30.000,00. Esclareceuse, ainda, que se trata de rendimento recebido em razão de ação de cobrança de honorários por serviço autônomo. Nesta ação, o contribuinte e a empresa chegaram a uma composição amigável na esfera administrativa, sendo pago ao contribuinte o valor de R$ 30.000,00, sem retenção de imposto de renda na fonte. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 01/02, que foi devidamente apreciada pela autoridade julgadora de primeira instância, conforme Acórdão DRJ/SPOII nº 1729.973, de 11/02/2009, fls. 68/70, decidindose, por unanimidade de votos, pela procedência do lançamento. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 14/09/2009, Aviso de Recebimento (AR), fls. 73, o contribuinte apresentou, em 14/10/2009, recurso voluntário, fls. 74/78, no qual traz as alegações a seguir resumidas: Os documentos apresentados pelo recorrente são perfeitamente legais em todos os aspectos, contábeis, jurídicos, etc..., devendo ser considerados aptos, portanto, a certificar que a empresa reteve o imposto da operação e deve sofrer a ação do Fisco. A Receita Federal deve cancelar o lançamento do imposto em desfavor do recorrente e restituirlhe parte do imposto que deveria ter sido recolhido pela fonte pagadora, independentemente deste recolhimento, já que o recorrente não pode suportar a omissão da fonte pagadora. No entanto, concluindose que a restituição do imposto deveria ficar condicionada ao recolhimento do imposto retido na fonte, a ação do Fisco contra a empresa é medida que se impõe. É o Relatório. Fl. 88DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 10830.004452/200483 Acórdão n.º 210201.154 S2C1T2 Fl. 83 3 Voto Conselheira Núbia Matos Moura O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. O contribuinte apresentou sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), fls. 29/30, exercício 2000, onde informou rendimentos tributáveis recebidos de Mancuso Chemicals Limited e Antonio Mancuso, no valor de R$ 41.379,31 e imposto na fonte de R$ 9.312,41. Durante o procedimento fiscal, o recorrente foi intimado a apresentar comprovantes de rendimentos, conforme Pedido de Esclarecimento, fls. 35. Em atendimento, o contribuinte apresentou documentos, fls. 37/40, dos quais restou comprovado que recebeu a quantia de R$ 30.000,00, em razão de ação de cobrança de honorários por serviço autônomo, movida contra a pessoa jurídica Mancuso Chemicals Limited e Antônio Mancuso. Prosseguindo com a ação fiscal, o contribuinte foi cientificado de Termo de Intimação Fiscal, fls. 33, onde lhe foi solicitado a apresentação de cópia autenticada do DARF, comprovando o recolhimento do imposto de renda retido na fonte, face a reclamação trabalhista do processo n° 3.314/98, movido contra a empresa Mancuso Chemicals Limited e Antonio Mancuso. Em atendimento o contribuinte apresentou resposta, fls. 08/09, onde esclarece o que se segue: Inicialmente, cumpre esclarecer que não se trata de ação trabalhista movida por Humberto Ribeiro do Valle Perocco contra a empresa Mancuso Chemical Limited e Antonio Mancuso, mas de ação de cobrança de honorários por serviço autônomo prestado, na qualidade de engenheiro mecânico, que redundou na respectiva cobrança judicial na esfera civil; portanto, operação tributária que se amolda ao art. 628 do RIR, salvo melhor juízo. Nos moldes do art. 628 do RIR, este signatário, por ocasião da satisfação do acordo firmado em decorrência da ação judicial, teve o imposto de renda retido pela fonte pagadora, no caso, a empresa Mancuso Chemicals Limited, a quem incumbiu a responsabilidade pelo recolhimento, o que justifica o fato de não ter cópia e, portanto, ficar impossibilitado de apresentar o DARF referente ao recolhimento do imposto de renda retido na fonte. Em suma, por conta dos serviços nãoassalariados prestados, este firmatário recebeu o valor líquido de R$ 30.000,00 (trinta mil reais) da empresa Mancuso Chemicals Limited, isto é, após deduzidas “as obrigações tributárias”, tal como ficou consignado expressamente no “Recibo Provisório” de quitação do recebimento, firmado em 28/07/1999, o qual trás o “De Fl. 89DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 10830.004452/200483 Acórdão n.º 210201.154 S2C1T2 Fl. 84 4 Acordo” do procurador e advogado da empresa (anexos recibo provisório e procuração do advogado da Mancuso Chemicals). Diante da nãoapresentação do DARF solicitado, a autoridade fiscal lavrou o Auto de Infração, de sorte que reduziu os rendimentos tributáveis de R$ 41.379,31 para R$ 30.000,00 e glosou o imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 9.312,41. Para apreciar a questão, importa observar o parágrafo 2º do art. 87 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), a seguir reproduzido: Art. 87. Do imposto apurado na forma do artigo anterior, poderão ser deduzidos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 12): (...) § 2º O imposto retido na fonte somente poderá ser deduzido na declaração de rendimentos se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos, ressalvado o disposto nos arts. 7º, §§ 1º e 2º, e 8º, § 1º (Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 55). Como se vê, o comprovante de rendimentos emitido pela fonte pagadora em nome do contribuinte é o documento hábil para comprovar a retenção na fonte. No presente caso, o contribuinte não apresentou o comprovante de rendimentos fornecido pela fonte pagadora, conforme previsto na legislação de regência, buscando a sua substituição pelo recibo provisório, fls. 15. Nesse ponto, destacase que o referido recibo não faz a identificação de valores retidos na fonte à título de imposto de renda. Restringese a afirmar que o recorrente recebeu a quantia de R$ 30.000,00 e que a importância é recebida pelo seu valor líquido, ficando a cargo da empresa Mancuso as obrigações tributárias incidentes na presente transação. É bem verdade, que o referido recibo, contém o “de acordo” do representante da fonte pagadora, entretanto, tal documento não pode ser tomado como substituto do comprovante de rendimentos. Veja que sequer consta do recibo, os valores consignados na DAA apresentada pelo contribuinte. Muito pelo contrário, caso prosperassem os valores consignados na DAA, o valor líquido recebido seria de R$ 32.066,90 e não de R$ 30.000,00, conforme consta no recibo. E mais, a inclusão na DAA do rendimento, pelo seu valor reajustado, e a compensação do imposto considerado ônus da fonte pagadora somente é possível caso o beneficiário dos rendimentos possua comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, onde esteja consignado o rendimento pelo seu valor reajustado e o imposto assumido pela fonte pagadora. Nestes termos, considerado que o contribuinte não logrou comprovar a retenção do imposto de renda, cabível o lançamento, nos termos em que consignado no Auto de Infração. Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. Fl. 90DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 10830.004452/200483 Acórdão n.º 210201.154 S2C1T2 Fl. 85 5 Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 91DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO
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Numero do processo: 11330.000670/2007-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1999 a 31/12/2002
Ementa: LANÇAMENTO, RECURSO, INTEMPESTIVIDADE.
É de trinta dias o prazo para interposição de recurso ao CARF, sob pena de não conhecimento.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2301-001.882
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado em não conhecer do recurso, nos
termos do voto do Relator.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS E SERVIÇOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/1999 a 31/12/2002 Ementa: LANÇAMENTO, RECURSO, INTEMPESTIVIDADE. É de trinta dias o prazo para interposição de recurso ao CARF, sob pena de não conhecimento. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator. MARCELO OLIVEIRA Presidente Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Leôncio Nobre de Medeiros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes. Fl. 267DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 01/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRFBJ), Rio de Janeiro I / RJ, fls. 0200 a 0205, que julgou procedente o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal, fl. 001. Segundo a fiscalização, de acordo com o Relatório Fiscal (RF), fls. 043 a 050, o lançamento referese a contribuições destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados, correspondentes a contribuição dos empregados. Ainda segundo o RF, os valores da base de cálculo foram obtidos em GFIP elaboradas e apresentadas pela empresa à fiscalização. Os motivos que ensejaram o lançamento estão descritos no RF e nos demais anexos da NFLD. Em 12/11/2003 foi dada ciência à recorrente do lançamento, fls. 0162. Contra o lançamento, a recorrente apresentou impugnação, fls. 0169, acompanhada de anexos. Diante dos argumentos da defesa, foram solicitados esclarecimentos à fiscalização, fl. 0176. A fiscalização respondeu aos questionamentos da DRP, fl. 0178 e 0179. A Delegacia encaminhou os pronunciamentos fiscais à recorrente e reabriu seu prazo para defesa, fl. 0182. A recorrente não apresentou novos argumentos. A DRFBJ analisou o lançamento, a impugnação e a diligência, julgando procedente o lançamento. A recorrente foi cientificada da decisão em 23/10/2007, fls. 0258. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 0212 a 0216, acompanhado de anexos, em 29/11/2007. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. A Segunda Turma Ordinária, da Quarta Câmara, da Segunda Seção do CARF analisou os autos e converteu o julgamento em diligência, a partir das fls. 0235. O Fisco respondeu a diligência, fls. 0251. A recorrente, apesar de intimada, não apresentou novos argumentos. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. Fl. 268DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 01/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11330.000670/200795 Acórdão n.º 230101.882 S2C3T1 Fl. 255 3 É o Relatório. Fl. 269DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 01/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Conselheiro MARCELO OLIVEIRA, Relator Quanto à apresentação do recurso, verificase que a recorrente foi intimada da decisão de primeira instância em 23/10/2007, fls. 0258, e apresentou recurso em 29/11/2007, fls. 0212, portanto, após findo o prazo para apresentação do mesmo. A legislação determina que o prazo para apresentação de recurso é de trinta dias. Assim, o recurso apresentado pela interessada foi intempestivo e, dessa forma, não foi cumprido requisito de admissibilidade o que impede o seu conhecimento. CONCLUSÃO Nesse sentido e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto por NÃO CONHECER DO RECURSO, por ser intempestivo, nos termos do voto. MARCELO OLIVEIRA Fl. 270DF CARF MF Emitido em 13/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA Assinado digitalmente em 01/04/2011 por MARCELO OLIVEIRA
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