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Numero do processo: 16542.000295/2003-88
Data da sessão: Thu Apr 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: SIMPLES, EXCLUSÃO. DÉBITO INSCRITO EM DÍVIDA ATIVA,
VEDAÇÃO
1, cinge-se a presente discussão acerca da exclusão de contribuinte do
SIMPLES por se enquadrar na hipótese arrolada no artigo 9", inciso XV, da
Lei n° 9.317/96, isto é, pela existência de débito inscrito em Dívida Ativa da
União, cuja exigibilidade não esteja suspensa,
2. a Recorrente se encontrava obstada de exercer a opção pelo SIMPLES em
razão da vedação contida no artigo 9', inciso XV, da Lei n° 9..317/96.
.3. Recurso Voluntário conhecido e improvido.
Numero da decisão: 1401-000.214
Decisão: Acordam os membros do Colegiada por unanimidade, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Maurício Pereira Faro
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ementa_s : SIMPLES, EXCLUSÃO. DÉBITO INSCRITO EM DÍVIDA ATIVA, VEDAÇÃO 1, cinge-se a presente discussão acerca da exclusão de contribuinte do SIMPLES por se enquadrar na hipótese arrolada no artigo 9", inciso XV, da Lei n° 9.317/96, isto é, pela existência de débito inscrito em Dívida Ativa da União, cuja exigibilidade não esteja suspensa, 2. a Recorrente se encontrava obstada de exercer a opção pelo SIMPLES em razão da vedação contida no artigo 9', inciso XV, da Lei n° 9..317/96. .3. Recurso Voluntário conhecido e improvido.
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MINISTÉRIO DA FAZENDA N(>42}:.- CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS \k431.(M' PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO•,, Processo n" 16542,000295/2003-88 Recurso n" 141.291 Voluntário Acórdão n° 1401-00.214 — 4° Câmara / 1" Turma Ordinária Sessão de 08 de abril de 2010 Matéria SIMPLES — EXCLUSÃO Recorrente MARLI MACARIO DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL SIMPLES, EXCLUSÃO. DÉBITO INSCRITO EM DÍVIDA ATIVA, VEDAÇÃO 1, cinge-se a presente discussão acerca da exclusão de contribuinte do SIMPLES por se enquadrar na hipótese arrolada no artigo 9", inciso XV, da Lei n° 9.317/96, isto é, pela existência de débito inscrito em Dívida Ativa da União, cuja exigibilidade não esteja suspensa, 2. a Recorrente se encontrava obstada de exercer a opção pelo SIMPLES em razão da vedação contida no artigo 9', inciso XV, da Lei n° 9..317/96. .3. Recurso Voluntário conhecido e improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiada por unanimidade, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Í-- Viviane Vida • Wat er - Presidente 2, M ur , _... :\_. )icio Perei . a ; ro - là'atór \,EDIT .?0 EM: 068/2010 Particiaram do p esente julgamento os Conselheiros: Viviane Vidal Wagner, Alexandre Antônio "min Teixeira, Antonio Bezerra Neto, Mauricio Pereira Faro, Fernando Luis Mattos e Alexei Marcorin Vivam 1 Relatório Consta dos autos que a contribuinte foi excluída do SIMPLES por se enquadrar na hipótese de vedação/exclusão imposta pelo artigo 9 0, inciso XV, da Lei n" 9317/96, qual seja, débito inscrito em Dívida Ativa da União ou do Instituto Nacional do Seguro Social — INSS, cuja exigibilidade não esteja suspensa. Insurgindo-se contra o referida exclusão, a Recorrente apresentou solicitação de revisão da exclusão da opção pelo simples alegando em síntese que (i) a empi esa apresentou todas suas declarações dos últimos 5 (cinco) anos como optante do SIMPLES e nunca foi objeto de recusa e que (ii) a empresa cadastrou-se no SIMPLES conforme documento juntado aos autos. Em nova oportunidade, a Recorrente contestou sua exclusão do SIMPLES ao fundamento de que não teria tomado ciência de sua exclusão e que teria pedido a revisão dos débitos. A DRI/BSA indeferiu o pedido formulado por considerar que os argumentos apresentados não socorrem a Recorrente "para o fim de mantê-la na sistemática do Simples, visto que se encontrava em condição não permitida para permanecer no Sistema, nos termos do inciso XV do art. 9" da Lei 9,317/96' (fl.: 32). Inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera argumentos já expostos por ocasião da apresentação da impugnação. É o sucinto relatório 2 Processo n° 16542.000295/2003-88 S1-C4T1 Acórdão n.° 1401-00214 Fl. 2 Voto Conselheiro Maurício Pereira Faro - Relator Decido, Conforme já exposto anteriormente, cinge-se a presente discussão acerca da exclusão de contribuinte do SIMPLES por se enquadrar na hipótese arrolada no artigo 9°, inciso XV, da Lei ri' 9,317/96, isto é, pela existência de débito inscrito em Dívida Ativa da União, cuja exigibilidade não esteja suspensa Não obstante a irresignação apresentada pela Recorrente, da análise da documentação apresentada, entendo ter sido correta a decisão a qua. Com efeito, na peça recursal, a própria Recorrente reconhece que possuía débito inscrito em DAU, o que, por si só, é causa para exclusão do SIMPLES, conforme determina a legislação então vigente. Nessa ordem de idéias, é forçoso concluir que a Recorrente se encontrava obstada de exercer a opção pelo SIMPLES em razão da vedação contida no artigo 9', inciso XV, da Lei ri° 9.317/96. Por te osto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso.cp Mlaurí ro Peie Faro/ \ \ \.„._ 3 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3 0 , do anexo II, do Regimento Interno do CAIU, aprovado pela Portaria Ministerial IV 256, de 22 de junho de 2009. Brasília, Maristela de Sousa Rodrigues - Secretária da Câmara Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [] apenas com ciência; [J com Recurso Especial; []com Embargos de Declaração. 4
score : 1.0
Numero do processo: 00180.002265/82-55
Data da sessão: Mon Apr 09 00:00:00 UTC 1984
Ementa: CÉDULA "H" - RENDIMENTOS - DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS - Presume-se distribuição disfarçada de lucros o negócio pelo qual a pessoa jurídica empresta dinheiro a pessoa ligada se, na data
do empréstimo, possui lucros acumulados ou reserva de lucros.
Numero da decisão: 104-04.417
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em DAR provimento parcial ao recurso, para excluir da tributação nos exercícios de 1980 e
1981, respectivamente, as quantias de Cr$ 87.477,00 e Cr$ 412,00.
Nome do relator: Eugênio Botinellly Soares
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ACORDÃO N° ...+.9A~A.!A.1.7 Recurso nO Recorrente Recorrido 40.801 - IRPF -'EXS: DE 1980 e 1981 SILVIO OLIVEIRA MARQUES DE JESUS DELEGADO DA RECEITA FEDERAL EM GOIÂNIA - (GO) f ,.!,_ # •• '- - Cf':DULA"H" - RENDIMENTOS - DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS\- Presume-se dis- tribuiçao disfarçada de lucros o negª cio pelo qual a pessoa jurídica empres ta dinheiro a pessoa ligada se, na data do empréstimo, possui lucros acumulados ou reserva de lucros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por SILVIO OLIVEIRA MARQUES DE JESUS, ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Canse lho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em DAR provimento pa!:. cial ao recurso, para excluir da tributação nos exercícios de 1980 e 1981, respectivamente, as quantias de Cr$ 8~.477,00 e Cr$ 412,00. - RELATOR - PRESIDENTE - PROCURADOR DAVISTO EM Sala das Sessões (DF), em 09 de abril de 1984 FRANCISC~NSO ~ V EUG~N~~Y .SOARES MAR~TONIO MENEGHETTI FA SESSÃO DE: 1 ~ ABR 1984 RECURSO DA FA~ENDA NACIONAL: NÃO HOUVE ZENDA NACIONAL Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselhei- ros: Mário Rodrigues Teixeira, Olavo João Galvão, Teresa de Jesus Tor res, Carlos Walberto Chaves Rosas, Helena Cristina Lana de Paula e Luiz Miranda. J) ~k (ÃcÓKol~ ~i ~ovvt!,c1o F(o OLvÓf1.J~ e '5 P- ~ /0.-/- o. C;?S" ~ £0- 03- 7jfJ, ~ oLeC-I'''á~ o1.IL- S-e-- ~.J-.e +eo91.: .-f0>1.- ~~~ofOlc1-e. k tJoj..~, ....•....•.c>:-o vo~- Cvv olo f1.e C/W1 ~ ~c c ~ , ~ ./-.ert A-v't-O s cÁ-o .,L-1.J2( Cl<Jó Pt ~.() e vo~o ~ ~OI. 55 ~ OI. ~ /e-<jrtovt- o ~ ~/C(0<- do. LL PRIMEIRO CONSElHO DE (ONTRIBUINTES (4," CAMARA) EM P..~.j.&:M..+./.4..túx..j 19 ?Jf) _ _-_ ~. L ...........•.__.•_._ ..• MARIA JOSE ROCHA LOPES . Chefe da Secretaria SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO NC? 0180/002.265/82-55 RECURSO NQ: 40.801 ACÓRDÃO NQ: 104-4.417 RECORRENTE: SILVIO OLIVEIRA MARQUES DE JESUS R E L A T 6 R I O Retarnam as presentes autas da repartição. de arigem DRF em Gaiãnia-GO,. em dilig~ncia salicitada par esta Cãmara, atra vés da Resaluçãa n9 104-732 ,para que fassem elabaradas navas ..de- manstrativas das exercicias de 1.980 e 1981, nas maldes do. quadro. de fls. 35, eis que fara cansiderada cama empréstimo. a quantia re manescente, au final do.ana-base, na canta~carrente do.beneficiâria sem que fasse levada em conta a data ..do empréstimo. de cada parce- la, e sem relácionar o. empréstimo. cam a exist~ncia. de. lucro. acumula das au reservas de lucras (não.com lucras au reservas a canstituir), cansiderações. éssasimpresGindiveis', para que haja. subsunção do. fato. cancreta ~.hip6tese de incid~ncia au narma legal. Caberia, ass.im, verificar a exist~ncia de lucras au reservas. após cada saque representado. nas empr.éstimas, camputan- da-se dia a dia as empréstimas efetuadas, na forma do.quadro. aci- ma referido.. Cumprida a.diligência, e elebarada. o. quadro. demans- trativa de fls. 39, está o. pracessa em candições de ser julgado.. É o. relat6rio. DMF - DF/1Q c-c - Secgraf -1600/75 SERViÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0180/002.265/82-55 Acórdão n9 104-4.417 v O T O 2. Conselheiro EUGÊNIO BOTINELLY SOARES Relator Questiona-se nos autos a distribuição disfarçada de lucros constatada através da fiscalização reali.zada na empresa PRO DAL - Produtos Alimentícios S/A, da qual o Recorrente é sócio. A decisão do processo matriz está resumida na emen- ta, assim expressa: "IRPJ - Exercícios 1.980e 1.981, períodos-base de 1.979 e 1.980. 2.36.05.00 - DISTRIBUIÇÃO DISFARÇA- DADE LUCROS - Caracterizam a hipótese legal os em- préstimos, efetuados a sócio da pessoa jurídica,que não se revestirem das condições legais, devendo ser excluídos dos lucros acumulados ou reservas lives, para efeito de correção mbnetária do patrim5nio li quido da empre~a.A responsabilidade tributária re cai sobre o sócio que se beneficiou com o empréstI mo, que responde pelo imposto e ,multa devidos pela pessoa jurídica. Ação fiscal procedente." Sobre os empréstimos feitos ao Recorrente, e que culminaram com a lavr:atura do auto de infração de fls. 04, apurou a fiscalização os ~óntahtes~de Cr$ 149.858,00, no exercício de 198~ e Cr$,.199.946,00, referente ao exercício de 1981, mantidos pela au- toridade "a quo", conforme se observa da decisão ~ fls. 17/19. No recurso (fls. 24/29), o contr~buinte se esten- de em considerações 'doutrinárias, para,' em seguida, alegar o se guinte: "Noutro ponto, a decisão n9 210/82, ._ ,'objeto deste recurso, ~s fls. 17 e 18, quando se refere. ao exercício de 1980 a 1981, deixou de considerar a de fesa do recorrente estampada em sua impugnação,quan do afirma que por ocasião da apuração do resulta=- do de 1980, exercício/81, o recorrente já havia li- quidado o seu débito para"com a empresa de Cr$ 495.157,92 e que nesta data.de 31.12.8D, quem devia ~ PRODAL, era a ,empresaTUTTI-Empreendimentos e Par- ticipações Ltda, que assumiu a dívida do recorrente. Tanto ,é que o próprio julgador em sua Decisão n9 198/82, do processo principal da pessoa jurídica,r~ ~ SERViÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0180/002.265/82-55 Ac6rd~o n9 104-4.417 3. conhece ao se_ referir aos lançamentos contábeis de fls. 33 e 55. N~o v~ pois o recorrente, como respon sabilizá-lo juridicamente por uma obrigação que de! xou d~ existir nos termos da lei tributária. Sabe dor que é qu-e em havendo lucros acumulados ou reser vas de lucros, n~o tipifica distribuição disfarçada de lucros os empréstimos que uma pessoa.jurídica fi zer à outra, jogou toda a responsabilidade na pes- soa fIsica; isto porque seria o finico jeito de con- dená-lo, uma vez que não atingia a pessoa jurídica." N~o prosperam, "data ..venia" as àfirmações do Recor- rente. Com efeito, estando a matéria prevista no art. 367, inciso V, do RIR/80, e configurados os empréstimos feitos pela firma ao Recor- rente, conforme se verifica dos autos, não se pode considerar como nao tributados tais empréstimos. Entretanto a fiscalizaçio partiu do pressuposto de que os empréstimos considerados distribuição disfarçada de lucros es tavam sujeitos a um limite, que era .0. da part.icipaç~o do sócio, apl! cando...,seo percentual sobre as reservas consideradas distribuídas. Tal premissa nao pode, "data venia", ser aceita, h~ ja vista que, primeiro, a lei nao estabelece esse limite .percentual e, segundo, o sócio com participação jnfima jamais seria autuado por infração ao artigo 367, inciso Vdo RIR. A partir das determinações legais, elaborou-se qua- dros em que sao computados os empréstimos, nas datas em que ocorre-.,- ram, simultaneament'e pelos três sócios, até que se verificasse a ex- tinção de toda.a reserva, somente se considerando empréstimos os sa- ques, quando o beneficiário n~odispunha de recursos próprios (pro- -labore e outros créditos). ASsim, no exercício de 1980, o montante correspon- dente ao empréstimo, é o do quadro de fls. 35, sendo a movimenta- ção das quantias emprestadas, no exercício de 1981, a discriminada noquadro. demonstrativo abaixo: ~~ DATA RESERVAS S ! L V I O A N '1' O N I O J O S ~- 4.203.509,73 1AL'5-~.'1ENrO SAIlXl EMPRts'I'n-o IAN;JIMENm . SAIlXl EMPRt:sTJJ-O IAN:;:l\I-llli 'ID sr,IL'O ~.lPRr:SITIJ 1/01 4.203.509,73 - - - - - - - - -7/01 4.200.812,73 - - .•. - - - - 2.697,00 - 2.697,0011/01 4.176.833,73 - 18.000,00 - 18.060,00 - - - - 5.924,00 - 5.92-i,OC22/01 4.151.838,73 - 25.000,00 - 25.000,00 - - - - - -31/01 4.151.888,73 + 30.000,00 30.000,00 - + 30.000,00 . 30.000,00 - - - -31/01 3.517.265,50 - 15.733,31 14.266,69 - - 664.623,23. - 634.623,23 - - - 05/02 3.513.396,50 - - - - 3.869,00. - 3.869,00 - - -05/02 3.507.590,41 - - - - - - - 5.806,09 - 5.606,6915/02 3.505.939,96 - - - - 1.650,45 - 1.650,45 - - -20/02 3.498.406,93 - - - - 1.609 ,03 - 1.609,03 - 5.924,00 - 5.924,0023/02 3.498.406,93 + 30.000,00 30.000,00 - + 30.000,00. 30.000,00 . - - - -23/02 3.498.406,93 - 3.240,50 26.759,50 - - 4.558,50. 25.441,50 - - - -29/02 3.050.917,07 - 56.000,00 - 29.240,50 - 443.690,86. - 418.249,36 - - -07/03 3.049.021,07 - - - - 1.896,00 - 1.896,00 - - -E/03 3.047.214,27 - - - - 1.806,80 - 1.806,80 - - -15/03 3.047.214,27 - - - ~ 394.524,86 394.524,86 . - - - -20/03 3.041.290 ,27 - - - - 4.086,89 390.437,97 - - 5.924,00 - 5.~24,OO21/03 3•.01,1.290,27 - - - - 1.760,10 388.677,87 - - - -31/03 3"041.290,.27 + 30.000,oa 30.000,00 - + 30.000,00 A18.67},87 - - - -31/03 3.006.049,77 - 65.240,50 - 35.240,50 - 4.558,50 414.119,37 - - - - 01/04 3.001.292,37 - - - - - - .- 4.757,40 - 4 ••757,40Oi/OI, 3.001.292,37 - . - - - 1.056,00 413.063,37 - - - -10/04 3.001.292,37 - - - - 3.598,21 409.465,16 - - - -11/0,: 3.0C1.292,37 - - - - 11.253,90 398.211,26 - - - -1";/04 2.956.292,37 - 35.000,00 - 35.000,00 - 1.472,55 396.738,71 - - - -L;/O~ 2.966.292,37 - - - - 1.727,81 395.010,90 - - - -24/04 2.946.292,37 - 20.000,00 - 20.000,00 - - - - - -30/04 2.946.292,37 + 50.000,00 50.000,00 - + 120.000,00 515.010,90 - - - -30/04 2.617.410,20 - 43.467,09 6.532,91 - - 405.684,87 109.326,03 - -328.882,17 - 328.882,17 02/05 2.617.410,20 - - - - 4.757,36 104.568,67 - - - -05/05 2.617.410,20 - - - - 900,00 103.668,67 - - - -09/0S 2.617.410,20 - - - - 1.700,00 101.968,67 - - - -12/05 2.617 .410,20 - - - - 999,03 100.969,64 - - - -]4/05 2.600.920,20 - - - - 100.969,64 - - 16.490,00 - 16.490,0019/05 2.582.453,11 - 25.000,00 - 18.467,09 -- .. - - - -20/05 2.570.605,11 - - - - 1.765,97 99.203,67 . - - 11.848,00 - 11.848,0021/05 2.570.605,11 - - - - 2.000,00 97.203,67 - - - -23/05 2.569.657,11 - - - - - - - 948,00 - 948,0030/05 2.293.533,88 - 18.586,09 - 18.586,09 - 190.923,09 - 93.719,99 -163.817,15 - 163.817,1531/05 2.293.533,88 + 110.000,00 .110.000,00 - + 390.000,00 390.000,00 - - - -31/05 2.293.533,88 - 20.629,50 + 89.370,50 - - 116.846,50 .273.153,50 - - - - 02/06 2.288.776,52 - " - - 140.000,00 133.153,50 - - 4.757,36 - 4.757,3606/06 2.288.776,52 - to - - 900,00 132.853,50 - - - -07/06 2.288.776,52 - n - - 40.000,00 92.253,50 - - - -10/05 2.288.776,52 - .. - - 1.028,41 91.225,09 I - - - -13/06 2.288.776,52 - n - + 2.000,00 93.225,09 - - - -13/05 2.121.209,15 - - - - 260.792,46 - 167.567,37 - - -18/06 2.119.384,46 - n - - 1.824,69 - 1.824,69 - - -20/05 2.113.460,46 - 18.128,50 71.242,00 - - - - - 5.924,00 - 5.92';,002i/06 1.781.810,50 - 17.428,11 53.813,89 - - 178.038,77 - 178.038,77 -153.611,19 - 153.611,193.)/C5 1.777.053,14 + 50.000,00 103.813,89 - + 120.000,00 120.000,00 - - 4.757,36 - 4.757,363.)/CS 1.777.063,14 - 6.871,50 96.942,39 - - 25.522,50 94.477,50 - - - --- :J::'Ul Om O\~ ti <i 0..0 PJI"1l O ffi" r ::Jõ .0 O "f-'aem .1:>-::0 I~ .I:>- .I:>- f-' -....J e f-' (Xl o "-ee N N 0'1 U1 "-(XlN I U1 U1 ----r.----------r,--------. ---- _._- ------- .._.--. ._._-----.01/07 1.777.063,14 + 57.074,02 164.016,41 - +1084.406,36 .178.883,82 _ 07/07 1.777.063,14" - - - _ 40.000,00 .138.883,82 _ 08/07 1.777.063,14 - 43.129,50 110.886,91 - - .138.883,82 _ 15/07 1.777.063,14 - - - _ 990,00 .137.893,82 _ 30/07 1.767.855,14 - 30.000,00 80.886,91 - - 19.221,00 .118.672,82 _ 31/07 1.767.855,14 + 50.000,00 130.886,91 - + 120.000,00 .238.672,82 _ 31/07 1.767.355,14 - 6.871,50 124.015,41 - _ 24.467,00 .214.205,82 _ OJ/J3 I 1.767.855,14 - 13.129,50 110.885,91 - - .214.205,82 _ 12/03 1.707.355,14 - 30.000,00 80.885,91 - - .214.205,82 _ 15/08 1.757.855,14 - 80.885,91 - - 970.229,93 243.975,89 _ 25/08 1.759.926,14 - 80.885,91 - - 16.570,00 227.405,89 _ 30/08 1.759.926,14 + 50.000,00 130.885,91 - + 120.000,00 347.405,89 _ 38/08 1.759.926,14 - 6.870,50 124.015,41 - - 24.366,50 323.039,39 _ o I-' (X) O "-O O N N (j\ lJ1 "-(X) N I lJ1 lJ1 7.92;1,00 9.198,00 7.929,00 7.929,00 7.929,00 117.055,24 - 9.198,00 - 7.929,00 -117.055,24 - 7.929,00 - 7.929,00 22.149,60 1.056,00 120,11')0,00 88.434;30 79.273,91 99.273,91 97.742,91 97.742,91 97.742,91 96.059,91 92.537,91 75.967,91 195.967,91 169.670,41 311.467,27 309.936,27 309.936,27 174.266,71 172.365,02 152.365,02 .147.811,97 117.811,97 101.241,97 221.241,97 63.364,?1 59.538,61 59.538,61 43.276,00 43.276,00 27.276,00 24.420,40 9.420,40 - 11.572,12 - 1.531,00 - 16.262,61 - 135.669,56 - 1.901,69 - 20.000,00 - 4.553,05 - 30.000,00 - 16.570,00 + 120.000,00 - 157.877 ,36 - 3.826,00 - 9.160,39 + 20.000,00 - 1.531,00 - 16.000,00 - 2.855,60 - 15.000,00 - 31.s70,00 - 1.056,00 .••.pn.nnn,n(t - 31.565,70 I - 1.683,00 - 3.522,00 - 16.570;00 + 120.000,00 - 26.297,50 ;- 124.015,41 124.015,41 110.885,91 97.605,30 97.605,30 97.605,30 97.605,30 97.605,30 97.605,30 147.605,30 140.734,80 140.734,80 97.605,30 97.605,30 65.605,30 65.605,30 65.605,30 65.605,30 65.605,30 65.605,30 115.605.30 108.734,80 108.734,80 108.734,80 108.734,80 95.605,30 52.475,80 52.475,80 52.475,80 52.475,80 102.475,80 94.653,80 13.129,50 13.280,61 50.000,00', 6.870,50 50.000,00 6.870,50 32.000,00 43.129,50 1. 634.941,90 1.634.941,90 - 1.634.941,90 1.634.941,90 - 1.634.941,90 1. 63,;' 941,90 1.634.941,90 1.604.863,30 1.603.807,30 1.603. R07, 30 + 1.603.807,30 - 1.759.926,14 1.759.926,14 1.759.926,14 - 1.642.870,90 - 1.642.870,90 1.642.870,90 1.642.870,90 1.642.870,90 1.634.941,90 1.634."ü,90 + 1.634.941,'10 - 1.003.807,30 - 1.603.807,30 - 1.6~3.807,30 - 1.603.807,30 - 13.129,50 1.603.807,30 - 43.129,50 1.603.807,30 - 1.603.807,30 - 1.595.878,30 - 1.595.878,30 + 50.000,00 1.595.878,30 - 7.822,00 06/10 08/10 13/10 16/10 17/10 21/iO 22/10 1.'//10 30/10 31/10 31/10 01/09 05/0" 08/09 11/09 15/09 19/09 22/09 23/0~ 25/'J'J 3G/03 ]'l/J9 03/11 04/11 05/11 08/11 11/H 13/11 19/11 25/11 30/11 30/11 01/12 05/12 09/12 12/12 16/12 22/12 26/12 30/12 31/12 31/12 1. 595 .878 ,30 1.595.878,30 1.595.878,30 - 1.595.878,30 + 1.595.878,30 - 1.595.878,30 1.595.878,30 1.476.075,40 - 1.476.075,40 + 1.471.318,04 - 35.000,00 951,50 5.000,.00 13.591,34 85.000,00 14.803,00 94.653,80 94.653,80 59.653,80 60.605,30 55.605,30 55.605,30 55.605,30 42.013,96 127.013,96 112.210,96 199.534,18 - 1.056,00 - 1.531,00 - 4.705,13 - 16.570,00 - 138.853,50 + 124.757,36 - 26.297,50. 168.614,41 167.083,41 167.083,41 167.083,41 167.083,41 162.378,28 145.808,28 6.954,78 131. 712,14 .105;414;64 1.528.060,29 -119.802,90 4.757,36 19.302,90 4.757,36 1.004.597,22 lJ1 SERViÇO PÚBLICO FEDERAL Ac6rdio nQ 104-4.417 PROCESSO NQ 0180/002.265/82-55 6. À vista destes dados, comparados com os do auto de infraçio de fls. 04, observa-se que,.devem ser excluídas as quantias que excederam os resultados acima. Nestas condições, voto no sentido de que se dê pro- vimento parcial ao recurso, para que sejam excluídas da tributaçio as quantias que ~xcederem os montantes dos quadrQs de fls. 35 e o a cima citado, ou seja: Cr$ 87.477,00 em 1980 e Cr$ 412,00 no exerci cio de 1981. 09 de abril de 1984 RELATOR 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008
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Numero do processo: 10711.000284/94-99
Data da sessão: Fri Apr 17 00:00:00 UTC 1998
Numero da decisão: 302-00.877
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Ubaldo Campello Neto
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: 3020877_107110002849499_199804; xmp:CreatorTool: Smart Touch 1.7; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dcterms:created: 2017-05-12T20:15:28Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: 3020877_107110002849499_199804; pdf:docinfo:creator_tool: Smart Touch 1.7; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:encrypted: false; dc:title: 3020877_107110002849499_199804; Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: ; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:subject: ; meta:creation-date: 2017-05-12T20:15:28Z; created: 2017-05-12T20:15:28Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2017-05-12T20:15:28Z; pdf:charsPerPage: 811; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; pdf:docinfo:custom:Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; meta:keyword: ; producer: Eastman Kodak Company; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Eastman Kodak Company; pdf:docinfo:created: 2017-05-12T20:15:28Z | Conteúdo => !me Brasília-DF, em 17 de abril de 1998 10711.000284/94.99 17 de abril de 1998 302-0.877 118.256 LACHMANN AGÊNCIAS MARÍTIMAS SIA DRJIRIO DE JANEIROIRJ o 5 JUN 1998 /~. //.../."....fi,. ftt;/;? ~AMPELLO NETO Relator Çú~) HENRIQUE RADO MEGDA Presidente R E S O L U ç Ã O N° 302-0-877 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA cÂMARA PROCESSO N° SESSÃO DE RESOLUÇÃO N° RECURSON.o RECORRENTE RECORRIDA. Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ELIZABETH EMÍLIO DE MORAES CHIEREGATTO, ELIZABETH MARIA VIOLATTO, RICARDO LUZ DE BARROS BARRETO, MARIA HELENA COTTA CARDOZO, PAULO ROBERTO CUCO ANTUNES e LUIS ANTONIO FLORA. RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Coriselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o pré~~nte julgado. MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA cÂMARA Contra a empresa acima identificada foi lavrado o Auto de Infração n° 144/94 (fls. 30), acompanhado do Termo de Conferência Final de Manifesto (fls. 31/32) edo Demonstrativo de Classificação e Avaliação de Mercadorias em Falta ou com Acréscimo (fls. 33), ambos de n° 23/94, responsabilizando-a pela falta de 34 (trinta e quatro) cartões, contendo vinhos finos de mesa, ocorrida na descarga das mercadorias cobertas pelo conhecimento de Carga n° 13.153 (fls. 18), do porto de Livomo, e trazidas , I pelo navio "República Di Veneza", entrado no porto do Rio de Janeiro em 18/12/92, Manifesto n° 1.979/92. RECURSO N° RESOLUÇÃO N° RECORRENTE RECORRIDA RELATOR(A) 118.256 302-0.877 LACHMANN AGÊNCIAS MARÍTIMAS S/A DRJ/RIO DE JANEIRO/RJ UBALDO CAMPELLO NETO RELATÓRIO i'J A autuada impugnou o feito (fls. 40/41), instruindo sua defesa com os documentos de fls. 42/44, onde alega que: a) a mercadoria foi recebida para transporte em conteiner, sob a condição "House To Pier", ou seja, estufado pelos exportadores/embarcadores, entregues a bordo já devidamente lacrado; b) de acordo com o conhecimento de transporte, a carga recebida para embarque foi "O 1 conteiner 20 pés, "Said to contain" (dizendo conter) ...", sendo o conteúdo do cofre de carga inteiramente desconhecido do transportador marítimo; c) não houve, por parte da depositária (C.D.RJ. Arm. 37), qualquer ressalva com relação ao lacre a condição física do contêiner, quando da descarga; d) cita em reforço à sua tese, o disposto no art. 30, item V, do Decreto nO 80.145/77; A ação fiscal foi julgada procedente conforme decisão nO275/96 da DRJ/RJ. Inconformada, a empresa apresentou recurso a este Colegiado argüindo o seguinte: 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA cÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° 118.256 302-0.877 Mercadoria transportada em contêiner sob a condição "House To Pier" - Caso em que não pode ser atribuída responsabilidade ao transportador por faltas e avarias. Demonstra a Suplicante que a ação fiscal em epígrafe é completamente Improcedente, pois que não ficou caracterizada a culpa do navio pela falta apurada. É fato inconteste, no presente caso, que a mercadoria envolvida foi dada a transportador, cujo conhecimento de embarque declara, expressamente, que' o exportador efetuou a estufagem por sua conta, o que se confirma pelas expressões indi cativas: "STC (Said To Contain)"ou dizendo Conter e "Shippers Load, Stow & Count". Está assim configurada a condição de transporte "House To Pier", objeto de convenção/acordo internacional, estabelecidos na respectiva Conferência de Fretes. É descabida a tese do fiscal autuante de que caberia ,ao Transportador acompanhar, na origem, a unitização da carga a transportar. Tal posição comprova o completo desconhecimento do transporte marítimo internacional e a movimentação das unidades de carga até a sua efetiva entrega ao constado do navio. Conforme já fartamente explanado, nos embarques com a condição "House" na origem, os contêines vazios são, obrigatoriamente, colocados à disposição dos embarcadores, que efetuarão a estufagem/ovação, em seus depósitos/fábricas, sem qualquer envolvimento do transportador. Assim, o Transportador Marítimo já recebe o container devidamente ovado e lacrado pelo embarcador, desconhecendo, por completo, o seu conteúdo (quantidade, espécie e condições da carga). Daí o porque da cláusula "STC"(Said to contain). Se o mesmo Transportador entrega o container, no porto de destino, em perfeitas condições, devidamente lacrado, sem ressalvas por parte da depositária, é evidente que não pode ser responsabilizado por faltas que venham a ser apuradas por ocasião da desova, Ainda no entender do r. Fiscal Autuante, a condição de transporte "House To Pier" refere-se à uma "convenção particular", que não pode ser oposta à Fazenda Pública, com o fim de alterar a definição legal do sujeito passivo da obrigação tributária (art. 123 do C.T.N.). 3 í I , : 118.256 302-0.877 4 É o relatório. o Procurador da Fazenda Nacional apresentou contra-razões se reportando à decisão monocrática. RECURSO N° RESOLUÇÃO N° MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA cÂMARA Tais condições fazem parte de Acordos Internacionais, firmados nas respectivas Conferências de Fretes, que devem ser obedecidos por todos os membros (Transportadores), que cumprem determinadas linhas de navegação, sendo ratificados pelos países envolvidos. 5 Eis o meu voto. Sala das Sessões, em 17 de abril de 1998 VOTO 118.256 302-0.877 ~~o~- Relator 2. informar quando e onde ocorreu a desconsolidação do Contêiner e se, na ocasião, foi lavrado algum Termo sobre as condições do Cofre de Carga-indícios de avaria, violação, etc. 3. Após a conclusão, abrir vista dos autos às partes para, querendo, pronunciarem-se a respeito das novas informações e documentos trazidos aos autos. Assim proponho diligência à Repartição de Origem para: 1. informar se foi lavrado Termo de Avaria por ocasião da descarga , I do Contêiner no porto do Rio de Janeiro e se foi cumprida a determinação contida no S 2°, do art. 470, do Regulamento Aduaneiro. Em caso positivo, juntar cópia legível do Termo de Avaria e outros documentos contemporâneos à descarga do Contêiner no porto do Rio de Janeiro; MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA cÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° Não há nos autos nenhum documento (Termo de Avaria, etc.), contemporâneo à data da descarga (18/12/92), apontando qualquer irregularidade com o Contêiner ou seu lacre. Também não existe nenhum documento contendo informações sobre a desconsolidação, quando e onde aconteceu e qual o estado do Contêiner na ocasião. 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005
score : 1.0
Numero do processo: 13807.011006/99-55
Data da sessão: Thu Jul 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 1996
GANHO DE CAPITAL. DESAPROPRIAÇÃO.
Consoante dispõe a legislação de regência, o ganho de capital apurado por pessoa jurídica em desapropriação acordada com o poder público, compõe o lucro líquido sujeito à tributação pelo imposto de renda e contribuição social sobre o lucro líquido. (Inteligência do art. 31 do DL n° 1.598/77)
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 1996
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA:
Consoante dispõe a Súmula CARF n° 2, o Conselho Administrativo de
Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a
inconstitucionalidade de lei tributária. Afastar disposição literal da lei invocando ofensa a princípios constitucionais, equivale a reconhecer por via oblíqua a inconstitucionalidade o que é defeso ao julgador administrativo.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Ano-calendário: 1996
LANÇAMENTO REFLEXO OU DECORRENTE.
Pela íntima relação de causa e efeito, aplica-se ao lançamento decorrente de CSLL o decidido em relação ao lançamento de IRPJ
Numero da decisão: 1803-000.447
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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NIQUEL TOCANTINS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1996 GANHO DE CAPITAL. DESAPROPRIAÇÃO. Consoante dispõe a legislação de regência, o ganho de capital apurado por pessoa jurídica em desapropriação acordada com o poder público, compõe o lucro líquido sujeito à tributação pelo imposto de renda e contribuição social sobre o lucro líquido. (Inteligência do art. 31 do DL n° 1.598/77) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1996 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA: Consoante dispõe a Súmula CARF n° 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Afastar disposição literal da lei invocando ofensa a princípios constitucionais, equivale a reconhecer por via oblíqua a inconstitucionalidade o que é defeso ao julgador administrativo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano-calendário: 1996 LANÇAMENTO REFLEXO OU DECORRENTE. Pela íntima relação de causa e efeito, aplica-se ao lançamento decorrente de CSLL o decidido em relação ao lançamento de Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em i gar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Sziline Ferreira de Moraes - Presidente (À101 /e, .. )1É-"-( d27 Walter Adolfo Mares - Relator EDITADO EM: 04/08/2010 Participaram da presente julgamento os Conselheiros: Selene Ferreira de Moraes, Walter Adolfo Maresch, Luciano Inocêncio dos Santos, Roberto Armond Ferreira da Silva, Sérgio Rodrigues Mendes e Benedicto Celso Benício Júnior. Relatório CIA. NIQUEL TOCANTINS, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DM . SAO PAULO/SP I, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ. Em decorrência de ação Fiscal direta, a contribuinte, acima identificada, foi autuada, em 22/09/1999 (fl. 36), e intimada a recolher crédito tributário constituído relativo a multa regulamentar no valor de R580,80. 2. Conforme descrito no Termo de Verificação n o 01 (fis, 32 e 33), no Auto de Infração de Retificação de Prejuízo Fiscal e Multa Regulamentar (fis, 36 e 37) e no Auto de Infração de Ajuste da Base de Cálculo da CSLL (fis. 39), a contribuinte excluiu indevidamente, na apuração do lucro real, indenização recebida por desapropriação de terras. 3. Tendo em vista o apurado, foram lavrados, conforme preceitua o artigo 90 do Decreto n " 70.235, de 06 de março de 1972, os já citados Autos de Infração. Os enquadramentos legais das autuações constam dos autos e do Termo de Verificação, 4. Irresignada com o lançamento, a empresa apresentou, representada por procuradores (fls. 53 a 57) a impugnação de fls. 45 a 53, protocolizada em 22/10/1999, alegando, em síntese, que: 4.1. não está configurado o fato gerador do imposto de renda, previsto no artigo 153, inciso III, da Constituição Federal, pois renda é o acréscimo patrimonial obtido durante determinado período, devendo-se levar em consideração todas as despesas e perdas, e o valor recebido pela desapropriação foi exatamente o valor de mercado do imóvel que já constava de seu patrimônio; 4.2. mesmo que o valor recebido na desapropriação exceda "o valor do , imóvel, o que de fato não ocorreu, tal importância paga a maior consubstancia-se em ,V 2 Processo o' 13807 011006/99-55 S1-1E03 Acórdão n 1803-00.447 Fl. .321 indenização pela diminuição do patrimônio, igualmente não tributada pelo imposto em questão"; 4,3, as alegações contidas nos dois subitens anteriores são confirmadas por jurisprudência administrativa e judicial transcritas; 4,4, a incidência do imposto de renda sobre parcela indenizatória, paga para reparar o desfalque patrimonial do expropriado, faz com que o valor recebido perca o caráter compensatório, pois citada indenização será diminuída, fazendo com que deixe de ser justa, o que fere o artigo 5°, inciso XXIV, da Constituição Federal; 4.5. a aplicação do conceito de renda, para incluir aquilo que não implica em acréscimo patrimonial, também viola o artigo 110 do Código Tributário Nacional, que impede que o legislador tributário defina diversamente institutos já conceituados no direito privado; 4,6. o lançamento é nulo, pois a autoridade lançadora maculou sua formalidade e tomou o crédito ilíquido ao eleger base de cálculo equivocada por não discernir, nos valores integrantes da indenização, a parcela compensatória da parcela ressarcitoria, que é o valor que obteria acaso realizasse a venda do imóvel em contrato de direito privado, segundo as regras do mercado; e 4,7, requer a juntada posterior de outros documentos que se fizerem necessários e a produção de outras provas, especialmente, se necessária, perícia técnica, 5. Em análise preliminar deste processo em 21/09/2004, o presente relatar propôs, e o presidente da 5 Turma desta Delegacia de Julgamento aceitou, devolver o processo à autoridade lançadora para que diligenciasse junto à autuada e esta demonstrasse o ganho de capital obtido com as desapropriações discutidas, inclusive comprovando o valor contábil corrigido monetariamente dos imóveis desapropriados e demonstrasse a contabilização de baixa destes mesmos imóveis desapropriados (fis, 126 e 127). 6. Os documentos produzidos e colhidos na diligência estão às fis, 129 a 285, No Relatório Fiscal de 11, 28.3, cientificado à interessada em 22/03/2006, a autoridade diligenciante opina pela manutenção da autuação, já que a contribuinte afirmou que não localizou os documentos contábeis ou relatórios gereneiais que demonstram o valor contábil dos imóveis corrigido monetariamente. Em sua manifestação (fis, 284 e 285) datada de 30/03/2006, a contribuinte confirma os fatos descritos no Relatório Fiscal, mas declara que se abstém de comentar a conclusão da auditora fiscal por não pretender adentrar novamente no mérito da existência ou não de ganho de capital decorrente da operação de desapropriação de bens imóveis, 7. Finalmente em 11/10/2006, a contribuinte apresenta a petição de Es. 287 e 288, acompanhada dos documentos de fis, 289 a 295, na qual solicita que passe a constar como interessada no presente processo outra empresa que teria sucedido por incorporação a autuada. A DRJ SÃO PAULO/SP I, através do acórdão 16-11,756, de 28 de novembro de 2006 (fis. 296/303), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/1996 R,. PERÍCIA PRESCINDIVEL DESCABIMENTO, r3 Perícia prescindível na apreciação do lançamento tributário deve ser indeferida pelo órgão julgador de primeira instância administrativa. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÀO, A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, não podendo o impugnante apresentá-la em outro momento a menos que demonstre motivo de força maior, refira-se a fato ou direito superveniente, ou destine- se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. NULIDADE, INEXISTÊNCIA. O processo administrativo tributário é nulo somente nos casos de realização de atos por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defèsa do administrado. LANÇAMENTO DECORRENTE, O decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de IRPJ implica o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CS1,L), também se aplica a este outro lançamento naquilo em que for cabível ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. Data do fato gerador: 31/12/1996 DESAPROPRIAÇÃO. RESULTADO POSITIVO. VALOR CONTÁBIL CÔMPUTO NO LUCRO REAL. Deve ser computado na apuração do lucro real o resultado obtido na desapropriação de imóvel que tem como base o valor contábil do bem corrigido monetariamente. Ciente da decisão em 04/0312008, conforme Aviso de Recebimento AR constante das fls., 308v„, a contribuinte apresentou recurso voluntário de fls, 328/336, reiterando os argumentos da inicial de não incidência do imposto de renda em caso de desapropriação, por ofensa aos conceitos de renda e da justa indenização. É o relatório, 4 Processo n" 13807.011006/99-55 81-TE03 Acórdão n." 1803-00.447 Fl. 322 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de auto de infração de IRPJ e CSLL (ajuste de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa) e exigência de multa regulamentar de R$ 80,80, relativos ao ano calendário 1996, por indevida exclusão do valor de R$ 2.367.895,00, decorrente do ganho de capital havido por desapropriação de imóveis. A desapropriação foi motivada por indenização de área inundada por reservatório de represa a ser edificada pela concessionária de energia elétrica FURNAS, convencionado-se o pagamento em energia elétrica, condições pactuadas em comum acordo através de escritura pública. Em seu recurso voluntário, alega a recorrente a ausência de ganho tributável pois ausente o acréscimo patrimonial e malferimento do conceito de justa indenização caso a desapropriação seja tributada. Não assiste razão à recorrente. Com efeito, não obstante respeitáveis decisões administrativas e judiciais considerem a inexistência de acréscimo patrimonial em caso de desapropriação ou de que a sua eventual tributação represente ofensa ao conceito constitucional da justa indenização, tenho que a matéria na estreita via atribuída ao julgador administrativo, não comporta maiores considerações. É que existe no ordenamento jurídico a expressa previsão legal de tributação de ganho de capital auferido por pessoa jurídica, conforme art. 31 do DL n° 1.598/77: Art 31 - Serão classificados como ganhos ou perdas de capital, e computados na determinação do lucro real, os resultados na alienação, inclusive por desapropriação a 4'7, na baixa por perechnento, extinção, desgaste, obsolescência ou exaustão, ou na liquidação de bens do ativo permanente. grifamos § 1" - Ressalvadas as disposições especiais, a determinação do ganho ou perda de capital terá por base o valor contábil do bem, assim entendido o que estiver registrado na escrituração do contribuinte, corrigido monetariamente e diminuído, se for o caso, da depreciação, amortização ou exaustão acumulada. § 2" - Nas vendas de bens do ativo permanente para recebimento do preço, no todo ou em parte, após o término do exercício social seguinte ao da contratação, o contribuinte poderá, para efeito de determinar o lucro real, reconhecer o lucro na proporção da parcela do preço recebida em cada período-base. § 3" - O ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento será determinado com base no valor contábil (§ 19, diminuído da provisão para perdas (art 32) que tiver sido computada na determinação do lucro real. 4" - O contribuinte poderá diferir a tributação do ganho de capital na alienação de bens desapropriados, desde que: a) o transfira para reserva especial de lucros; b) aplique, no prazo máximo de 2 anos do recebimento da indenização, na aquisição de outros bens do ativo permanente, importância igual ao ganho de capital; c) discrimine, na reserva de lucros, os bens objeto da aplicação de que trata a letra b em condições que permitam a determina Ç' O do valor realizado em cada período. 5" - A reserva de que trata o parágrafo anterior será computada na determinação do lucro real nos termos do § I" do artigo 35, ou utilizados para distribuição de dividendos. grifamos Ou seja, a legislação tributária prevê tratamento específico para a tributação do ganho de capital auferido por pessoas jurídicas em virtude de desapropriação. Este tratamento especial contempla o diferimento e até a exclusão total da tributação desde que a expropriada atenda os requisitos estipulados na Lei n 1.598/77., Desta forma, afastar as disposições expressas do art, 31 da Lei n" 1.598/77, equivale reconhecer a sua inconstitucionalidade o que é defeso ao julgador administrativo, consoante dispõe a Súmula ri° 02, a saber: Súmula CAIU e 2.: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Por outro lado, considerando que a própria reemente apurou e calculou o ganho de capital que foi excluído da apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, conforme se depreende da DIN (fls. 09 e 18), não há que se falar em qualquer equívoco na apuração da matéria tributável. Destarte, configurado o ganho de capital e inexistente qualquer justificativa por parte da recorrente que possa justificar o procedimento adotado pela contribuinte, em virtude da desapropriação não litigiosa, impende considerar ilegítima a exclusão do lucro real e base de cálculo da CSLL realizada no ano calendário 1996, no montante de R$ 2367.895,00. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso Walter Adolfo Mares h 1' Seção LP Câmara MINISTÉRIO DA FAZENDA Fls..: CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS - CARF CARF I" SEÇÃO DE JULGAMENTO/4" CÂMARA Processo n° 13807.011006199-55 Interessado(a) VOTORANTIN METAIS NÍQUEL S/A, incorporadora de CIA. NÍQUEL TOCANTINS LTDA. TERMO DE JUNTADA a Seção/4a Câmara Declaro que juntei aos autos o Acórdão n° 1803-00.447, (fis„ ), e certifico que a cópia arquivada neste Conselho confere com o mesmo. Encaminhem-se os presentes autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil Em / / Chefe da Secretaria
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Numero do processo: 15215.720159/2012-48
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2008
DISTRIBUIÇÃO DE PROCESSOS. PROCESSOS CONEXOS.
De conformidade com os arts. 47 e 49, § 7º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, os processos serão distribuídos aleatoriamente às Câmaras para sorteio, juntamente com os processos conexos, devendo os processos conexos, decorrentes ou reflexos ser distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc.
Numero da decisão: 1803-002.264
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, declinar a competência do julgamento do recurso voluntário para a Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção do CARF. Vencida a Conselheira Relatora Carmen Ferreira Saraiva, que negava provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes Redator Designado
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Roberto Armond Ferreira da Silva e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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PROCESSOS CONEXOS. De conformidade com os arts. 47 e 49, § 7º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, os processos serão distribuídos aleatoriamente às Câmaras para sorteio, juntamente com os processos conexos, devendo os processos conexos, decorrentes ou reflexos ser distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, declinar a competência do julgamento do recurso voluntário para a Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção do CARF. Vencida a Conselheira Relatora Carmen Ferreira Saraiva, que negava provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 21 5. 72 01 59 /2 01 2- 48 Fl. 5822DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.815 2 Sérgio Rodrigues Mendes – Redator Designado Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Roberto Armond Ferreira da Silva e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 0311, com a exigência do crédito tributário no valor de R$106.064,95 a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada e agravada apurado pelo regime de tributação com base no lucro presumido referente ao terceiro e quarto trimestres do anocalendário de 2007. O lançamento se fundamenta na omissão de receitas de atividade de revenda de mercadoria, no caso queijo, apurado a partir de depósitos bancários cujos valores foram creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas em instituições financeiras, em nome de pessoa jurídica fictícia, que tem como titulares de fato, os responsáveis solidários Mocair Temponi Dias, CNPJ 03.031.110/000109, Marcio Temponi Dias, CNPJ 01.785.223/000174 e Maria Serafina Temponi de Almeida, CNPJ 07.720.986/000113 enumerados no Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 201100837/001, fls. 103104, conforme Relatório de Auditoria Fiscal nº 201100019/001, fls. 35102. A apuração foi efetivada a partir do cotejo entre os valores creditados na contacorrente nº 223784 da agência nº 3061 do Banco Itaú S/A, fls. 149648 e 671672, e na contacorrente nº 13.838X da agência nº 04898 e na conta corrente nº 30.8951 da agência nº 33685, ambas do Banco do Brasil S/A, fls. 6774844, 48474932 e 51095156, em atendimento às Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), fls. 142 145, 649650, 673676 e 48454846 e aqueles constantes na Declaração de Informações Econômico Fiscais (DIPJ) entregue pela pessoa jurídica Anísio Comércio Representações Ltda com todos os valores zerados, fls. 55155526. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 518, art. 519 e art. 528, do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II – O Auto de Infração às fls. 1219 a exigência do crédito tributário no valor de R$81.229,36 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada e agravada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 2º da Lei nº 8.034, de 12 de abril de 1990, art. 2º e art. 24 da Lei 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 22 da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003, art. 37 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 29 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 5823DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.816 3 III – O Auto de Infração às fls. 2025 com a exigência do crédito tributário no valor de R$225.637,11 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada e agravada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, art. 2º, art. 3º e art. 8º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, e art. 24 da Lei 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 41 da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005 e art. 2º da Medida Provisória nº 2.15835, de 25 de agosto de 2001. III O Auto de Infração às fls. 2631 com a exigência do crédito tributário no valor de R$48.888,02 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, art. 2º, art. 8º e art. 9º da Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, art. 2º, art. 3º e art. 8º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 41 da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005 e art. 2º da Medida Provisória nº 2.15835, de 25 de agosto de 2001. Houve lavratura do Termo de Sujeição Passiva Solidária em relação a Mocair Temponi Dias, CNPJ 03.031.110/000109, Marcio Temponi Dias, CNPJ 01.785.223/000174 e Maria Serafina Temponi de Almeida, CNPJ 07.720.986/000113, fls. 103104, por terem relação direta e pessoal e interesse comum nas situações que constituíram os fatos geradores dos presente créditos tributários, em conformidade com as informações no Relatório de Auditoria Fiscal, 35102 (inciso I do art. 121 e inciso I do art. 124 do Código Tributário Nacional). Cientificada, a Recorrente e as responsáveis solidárias pessoas jurídicas apresentaram a impugnações, com as alegações abaixo transcritas. Anisio Comércio Representações Ltda, fls. 56085626 Faz um relato sobre a ação fiscal e suscita que: I DA FALTA DE ASSINATURA DO CHEFE DO ÓRGÃO EXPEDIDOR DO AUTO DE INFRAÇÃO Verse que o Auto de Infração, instrumento do lançamento fiscal em questão, é falho ao não mencionar o nome ou assinatura do chefe do órgão expedidor, vez que o Mandado de Procedimento Fiscal que originou o auto em questão não mais possibilitava a outorga de poderes ao auditor fiscal para a lavratura do lançamento em tela. Não se pode inobservar tais omissões, ou mesmo atenuálas, se se tratam de requisitos indispensáveis ao aludido documento [ art. 11 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972]. [...] In casu, o Auto de Infração consigna a assinatura apenas de um dos auditores fiscais, e não no respectivo superior hierárquico, omitindo o seu nome, cargo e assinatura, o que seria necessário para a imediata identificação do mesmo. [...] Patente, portanto, a necessidade de se decretar a nulidade do Auto de Infração em epígrafe. II DA FALTA DE INTIMAÇÃO VÁLIDA À EMPRESA AUTUADA. Fl. 5824DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.817 4 Outro vício a ser apontado, não contra o auto de infração em si, mas em face de todo o procedimento fiscal, é quanto à falta de intimação válida da ora impugnante para defesa de interesses e acompanhamento dos atos da investigação fiscal em tela. No relatório apresentado pelo auditor fiscal consta a afirmação de que a autuada foi intimada do Início da Ação Fiscal por edital, eis que a intimação precedente, encaminhada via postal (17/08/2011) para o endereço fiscal da empresa, não teve manifestação desta. No entanto, a autuada, à época, não tomou conhecimento de tal intimação, o que se verifica irregular o procedimento fiscal adotado, e conseqüentemente sua inarredável nulidade. No caso, a ora Impugnante se vê prejudicada no seu direito constitucional ao devido processo legal, bem como no seu direito de ampla defesa. Privações estas de tal gravidade que o prejuízo daí gerado é de ordem absoluta, já que a mesma, no Auto de Infração em tela, não teve oportunidade de questionar os documentos apresentados nos autos, prestar esclarecimentos, em fim acompanhar, na defesa de seus interesses, todos os atos do processo administrativo fiscal em epígrafe. Notase que a fiscalização, para intimar a ora defendente, enviou um Termo de Início de Ação Fiscal a esta, o qual, por não ter sido respondido, gerou dúvida quanto ao seu recebimento, convencendose o fisco por nova intimação, mas agora por edital. Ora, intimação de atos como tais é pressuposto inarredável em processo fiscal, do qual não se pode desconsiderar, sob pena de nulidade absoluta de todos os demais atos em diante praticados. Daí que, se o fisco não logrou êxito em intimar a autuada no endereço fiscal desta, então porque não encaminhou tal intimação aos respectivos sócios, os quais têm endereço conhecido? Na dúvida sobre o recebimento, pela empresa fiscalizada, da intimação no endereço desta, o correto seria então intimar os responsáveis pela mesma, e jamais efetivar intimação via edital, a qual, diante das circunstâncias em comento, é de todo nula. Então, tem a autuada o direito à nulidade de todos os atos do presente processo fiscal, para fins de iniciar novamente contra a mesma os atos de fiscalização, quando poderá defenderse de forma e modo próprios. III OUTRO TANTO, HÁ DE SE ARGUIR A IMPROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO COM BASE NAS PROVAS PROTEGIDAS PELO SIGILO FISCAL. [...] Embora tais afirmações [da fiscalização] não correspondam à verdade dos fatos, sobretudo quanto à participação da autuada no alegado esquema para produzir economia de tributos, tais questões.se referem ao mérito da autuação, o que por ora não há que ser abordado, mas que vale para se arguir mais uma nulidade do processo administrativo fiscal em questão, agora por falta de pressuposto à quebra do sigilo financeiro da defendente. É que o fisco afirma que diligenciou junto à defendente para que esta lhe apresentasse documentos exigidos. No entanto, a impugnante não tem conhecimento Fl. 5825DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.818 5 de tal requisição, podendo asseverar que não foi intimada para apresentar os documentos solicitados, o que acima já foi citado. Notase que a fiscalização, uma vez não tendo conseguido os documentos das mãos da ora impugnante, para exame dos mesmos e definição ou não da existência de qualquer infração à ordem tributária, resolveu adiantarse perante entidades financeiras, a fim de conseguir destas alguns comprovantes de movimentações bancárias, aferindo serem fatos geradores de tributos federais. Assim, aproveitou a Receita Federal de documentos fornecidos por terceiros, mas protegidos pelo sigilo bancário. Então, os comprovantes de movimentações, fornecidos por bancos, não podem ser objeto de investigação pela Receita Federal, nem deles pode valer este erário público contra a empresa defendente, sob pena de quebra do sigilo financeiro que, frisase, não foi autorizado pela impugnante. Temse que há, no caso, uma arbitrariedade da fiscalização que, tendo o dever de vinculação à legalidade (art. 37 da Constituição Federal), inobserva tal princípio, ao arrepio da lei, o que deve ser de pronto visualizado e rechaçado por esse órgão julgador. É de notarse que faltou o requisito previsto na alínea VII, do art. 3º do Decreto 3.274/2001, qual seja, a falta de recusa da empresa em apresentar os documentos solicitados, já que não houve intimação para tanto. Logo, não tendo agido conforme descrito em lei, verificase que há de prevalecer o sigilo fiscal dos documentos em questão, sendo ilegal a utilização dos mesmos contra a ora impugnante, sob pena estar o agende sujeito às penas legais [art. 5º e art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001] [...]. Sobreveio o Decreto nº 3724/01, regulamentando o art. 6º supra transcrito, para condicionar a quebra do sigilo à apresentação do documento denominado Requisição de informações sobre Movimentação Financeira (RMF), expedido em procedimento de fiscalização instaurado por Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). De acordo com §2° do art. 4o do decreto em questão, a expedição da RMF é precedida da intimação do sujeito passivo a prestar informações sobre sua movimentação financeira. É que, se, por um lado, a partir do tratamento que a Corte Suprema tem dispensado a esse tema, é possível vislumbrar sinalizações que levariam à inconstitucionalidade da Lei Complementar nº 105/2001, que, conforme supra transcrito pretende outorgar à autoridade tributária o poder de decretar a quebra de sigilo bancário e financeiro dos contribuintes para fins tributários, de outro lado, há aspectos que ainda não foram devidamente apreciados pelo Supremo Tribunal Federal. O sigilo bancário consiste "na obrigação que têm os bancos de não revelar, salvo justa causa, as informações que detêm, em virtude de sua atividade profissional", é uma decorrência do direito à privacidade, que, por sua vez, integra os chamados direitos da personalidade, ou seja, "aquelas faculdades” [...], cujo objeto são os diversos aspectos da própria pessoa do sujeito, bem assim de sua projeção essencial no mundo exterior. Responsabilizados poderão ser, apenas, o próprio Estado, com base no art. 37, § 6° da CF, por violação ao direito de privacidade do contribuinte, bem como as Fl. 5826DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.819 6 autoridades fazendárias que, com culpa ou dolo, tiverem dado causa à quebra do sigilo de forma arbitrária, se o Estado se utilizar do direito de regresso, sendo certo que a responsabilidade de tais agentes é imprescritível, a teor do § 5° do art. 37 da CF. [...] Induvidoso, pois, que os documentos utilizados pelo fisco federal contra esta Contribuinte são provas vedadas, posto que conquistadas ilegalmente. Imperioso, portanto, que o Auto de Infração em destaque deva ser cancelado já que calcado, integralmente, com base na prova ilícita acima apontada. IV NÃO HOUVE ESQUEMA DE SONEGAÇÃO FISCAL Tenta o fisco fazer crer que a autuada estava envolvida em um esquema de sonegação fiscal, no qual havia conluio com outras empresas para praticar economia de tributos. Pode afirmar que o fisco, utilizandose de premissas falsas, alcançou conclusão equivocada, eis que a autuada, não tendo tido oportunidade de explicar a movimentação bancária em suas contas, foi rechaçada e considerada sonegadora de tributos sem a possibilidade de defenderse desses fatos. A autuada pode afirmar que não manteve vínculo com a Distribuidora de Laticínios Norte Sul Ltda., e o fato de movimentar valores em sua conta bancária, não pressupõe deduzir que se trata de valores tributáveis. No entanto, há de ser dado oportunidade à autuada para, o modo e forma próprios, apresentar seus esclarecimentos sobre os fatos investigados, o que se espera em razão da nulidade do procedimento fiscal, por falta de sua competente intimação, conforme acima já historiado. V DA MULTA DE OFÍCIO DE 150% E SUA MAJORAÇÃO EM 50% Embora confiante nos argumentos acima expendidos para se conquistar a nulidade do procedimento fiscal ora guerreado, cabe, em razão do princípio da eventualidade e por cautela, questionar a imposição da multa isolada de 150%, acrescida da majoração de 50%. O fisco, apegado às suas conclusões, reputadas incorretas, conforme acima noticiado, passou a entender que a conduta da empresa foi dolosa, com o fim de sonegar tributo. Assim, resolveu por arbitrar multa de ofício pela falta de declaração da movimentação bancária em destaque. Porém, arbitrou tal multa de forma majorada, aplicando à empresa a pena de 225% pelos valores sonegados. Para proceder dessa forma, o fisco utilizou das mesmas premissas a que se fundou para presumir e exigir tributos. Porém, tais conjecturas não procedem, muito menos há de prosperar a multa de ofício aplicada, sobretudo qualificada e agravada. Para o entendimento do que seja confisco nos termos aqui ventilados, entendase que é a ação do Estado que promova a absorção total ou parcial do patrimônio do particular, sem a correspondente indenização. Fl. 5827DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.820 7 O tributo instituído poderá produzir este efeito de confisco, o que, em sede constitucional (art. 150, IV, CF), é proibido. Contudo, a multa fiscal não é tributo, o que decorre da constatação diante da leitura do art. 3º do CTN, já que na definição de tributo, ele não pode constituir sanção de ato ilícito, o que poderia levar ao entendimento de que este princípio constitucional aqui não seria aplicado. [...] A natureza da multa moratória não é penal. Tratase de um ônus de natureza civil, mas especificadamente, reparatóriocompensatório do dano que sofre a Fazenda Pública com a impontualidade do devedor. Assim, as multas com finalidade moratória, ou seja, de ressarcimento, reparação ou indenização do Estado, não se confundem com as outras, dês que a ocorrência daquelas se dá quando há violação do direito subjetivo de crédito da Fazenda Pública, não dependendo de qualquer procedimento administrativo prévio para a sua regular constituição, por exemplo, o ato administrativotributário denominado de Auto de Infração realizado pela Autoridade Administrativa Tributária. Em lado diametralmente oposto às multas moratórias, encontramse as multas que não possuem uma finalidade de recomposição do tributo pago em atraso, mas, sim, não estimular de maneira ativa a prática da infração tributária, ficando em segundo plano a finalidade reparatória. [...] Nesse liame, prescreve o artigo 5o, inciso XXXV, da Constituição Federal que "a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito". Destarte, o Poder Judiciário está habilitado a exercer o controle da legalidade e da constitucionalidade das multas fiscais, encontrando seu fundamento de validade no ordenamento jurídico brasileiro e nos seus princípios, podendo o magistrado, inclusive, quando houver provocação nesse sentido, questionar a razoabilidade e proporcionalidade das normas que institui multas desproporcionais. [...] O comando do artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal, não se restringe ao tributo propriamente dito, de maneira que o entendimento até agora adotado pela Fazenda Pública é equivocado. De fato, ao se analisar o princípio da vedação do confisco dentro de seu contexto histórico, a par do nascimento do próprio princípio da legalidade, vêse que subsiste a noção de tributo e de multa consentidos. Por outro lado, a intenção do constituinte foi a de evitar que o patrimônio particular venha a ser anulado com a tributação, situação que poderá ocorrer caso se admita que a multa não esteja afeta a qualquer tipo de limitação. Noutro giro verbal, o princípio da vedação do confisco está intrinsecamente ligado ao direito fundamental de propriedade. Igualmente, é ilógico sustentar a ideia de que o tributo não possa ter efeito de confisco, enquanto a multa o poderia. O próprio Código Tributário Nacional agrupou a obrigação de pagar o tributo e a obrigação de pagar a penalidade pecuniária sob a rubrica "obrigação principal", de maneira que se pode dizer que a obrigação tributária (em substituição ao termo "tributo") não poderá ter efeito de confisco. A propósito, o tributo, por si só, nem sequer pode ter efeito de confisco, pois esse efeito somente pode ser levado a cabo pela obrigação tributária. Fl. 5828DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.821 8 Portanto, improcedente a multa de ofício aplicada na forma majorada, razão pela qual esta deve ser cancelada. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: I Receba a presente impugnação, acolhendo as teses de defesas ora expostas e, via de conseqüências, cancele todo o procedimento fiscal em ;ela pelos diversos motivos, conforme acima historiado, bem como peia ilicitude das provas carreadas aos autos pelo fisco, cancelando, a seu turno, o crédito fiscal impugnado. I I Quanto à multa de ofício aplicada, seja também cancelada pelas mesmas razões acima expostas, e caso alguma penalidade reste, o que se argumenta ad cautelam e em nome do princípio da eventualidade, seja considerada na forma simples, e jamais majorada. III Para provas, requer apresentálas pelos meios admitidos em direito, sobretudo e principalmente, por documentos. Responsáveis Solidárias Pessoas Jurídicas: Mocair Temponi Dias, Marcio Temponi Dias e Maria Serafina Temponi de Almeida, fls. 56315638 Fazem um relato sobre a ação fiscal dizendo que apresentam tempestivamente a impugnação e suscitam que: A [RFB], por intermédio de seus auditores, deu início à procedimento de verificação, sob a alegação de que os ora Contribuintes são signatários de meticuloso esquema de evasão fiscal. Segundo o fisco, duas interpostas sociedades denominadas Distribuidora de Lacticínio Norte e Sul Ltda e Anísio Comércio e Representações Ltda foram sociedades de mera aparência para subsidiar esquema de evasão fiscal objetivando suprimir auxiliar e produzir economia irregular de tributos em favor de múltiplos interessados, incluindo os ora impugnantes. O fisco fundamenta que os ora Impugnantes promoviam a venda de seus produtos, mas documentavam e recebiam os pagamentos e outros recursos financeiros através das interpostas sociedades acima referidas. A Fazenda Nacional alega ainda, que os sócios das referidas sociedades eram laranjas direcionados, detendo em momento concomitante relação de emprego com os ora ¡repugnantes. Após o encerramento das aludidas verificações, concluiu que houve conluio entre os participantes, benefício mútuo operações comerciais e, por fim, após a glosa dos tributos diante do de faturamento, lançou termo de sujeição passiva declarando os Impugnantes como corresponsáveis pelo tributo apurado, aplicando as penalidades conforme legislação vigente. Nesse sentido, o fisco apurou no presente processo, crédito tributário no valor de R$461.819,44. Fl. 5829DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.822 9 Entretanto, entendem os contribuintes não haver razão ao fisco quanto à infração ora imputada, motivo pelo qual interpõe a presente impugnação, pela qual será demonstrado, data venia, o equívoco praticado. [...] PRELIMINAR DE NULIDADE ABSOLUTA DO AUTO DE INFRAÇÃO QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL Notase pelo relatório de auditoria que houve quebra de sigilo bancário dos ora impugnantes sem autorização judicial ao fundamento da incidência do art. 6º da Lei Complementar 105/01. Nesse sentido, o fisco intimou diretamente as instituições bancárias, consoante obtiveram a movimentação financeira das ora impugnantes. Em claro desvio de finalidade o procedimento de apuração da suposta conduta irregular dos contribuintes partiu de informações obtidas sem autorização, ou seja, pela quebra do sigilo bancário sem determinação judicial. Ainda que haja vozes ecoantes no sentido de que o sigilo possa ser quebrado pela requisição da Fazenda Nacional, a jurisprudência pátria remansada o entendimento de que a autorização administrativa de quebra de sigilo bancário conflita com a Constituição da República. [...] Destarte, ainda com o advento da Lei Complementar 105/2001, o afastamento do sigilo bancário depende de autorização judicial. DAS ALEGAÇÕES DO FISCO O fisco interpretou, pelas diligências fiscais promovidas, que houve beneficiamento mútuo entre diversas empresas por intermédio de um esquema sub reptício, conforme historiado e devidamente relatado no auto de infração. Assevera ainda, devido às supostas evidências constatadas a apuração de crédito tributário e multas que julga aplicáveis. DA ILEGITIMIDADE PASSIVA O fisco concluiu pela solidariedade passiva dos impugnantes aos créditos apurados no presente processo sob a égide do art. 124, inciso I do CTN. A autoridade pública circunstanciou que os beneficiários diretos da economia irregular de tributos, dentre outros participantes seriam os ora impugnantes. Entretanto, sem razão o fisco. Os Impugnantes são empresários do ramo de lacticínios na região do interior de Minas Gerais e capital. A ampla e intrincada dinâmica do mercado confere aos empresários diversas movimentações bancárias e créditos com seus parceiros comerciais decorrentes de troca de mercadorias, auxílio e compartilhamento no transporte de carga etc. Por vezes tornase difícil de demonstrar meticulosamente a movimentação bancária de forma coerente com escrituração, mas nem sempre as referidas movimentações constituemse ganhos de capital ou faturamento. Ademais os ora impugnantes sempre escrituraram as/s movimentações e declararam ao fisco os rendimentos de suas atividades empresariais. Fl. 5830DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.823 10 Nem por isso os impugnantes são interessados ou beneficiários dos fatos geradores de atividades de sociedades terceiras que deram ensejo à apuração do crédito tributário. Os impugnantes não podem ser alocados como solidários do crédito tributário apurado baseado somente em presunções ou indícios de movimentações financeiras de outras instituições, ainda que se verifique o uso de recurso de terceiros, consoante, conforme asseverado, as relações comerciais entre empresas do ramo atrelam parcerias na cadeia de produção de maneira extraordinariamente dinâmicas que por vezes transcendem o engessado sistema formal. [...] Nesse sentido, há que se constituir prova cabal e robusta sobre o interesse comum relativo ao fato gerador da obrigação principal das empresas auditadas, conquanto não restou sobejamente comprovado, senão meros indícios. DA IRREGULAR APURAÇÃO DO FATURAMENTO PARA FINS DE APURAÇÃO DE IMPOSTOS Notase que o fisco apurou no presente Auto de Infração o crédito tributário decorrente das movimentações das sociedades "ACR" e "NORTE e SUL" lançando os ora impugnantes como coobrigados. Entretanto, ainda que se considere o termo de sujeição passiva, o que se admite em hipótese, há que se relevar o ônus da prova incumbindo ao fisco demonstrar qual a parcela efetiva do crédito apurado de outras sociedades os ora impugnantes teriam interesse e, além disso, de fato se beneficiaram, vez que há sob a ótica do fisco diversos partícipes além dos ora impugnantes que supostamente se beneficiaram da aventada economia irregular. Pelo exposto, é equivocado o entendimento do fisco atribuir sujeição passiva dos impugnantes em relação à totalidade dos créditos tributários decorrentes das operações financeiras das sociedades "ACR" "NORTE SUL" que não foram efetivamente demonstrados benefício direto aos impugnantes. Logo, forçoso concluir que a sujeição passiva, se mantida, a limitada aos valores que supostamente tenham sido movimentados das contas das referidas sociedades às dos ora impugnantes. DAS MULTAS APLICADAS [...] As multas aplicadas afrontam o principio constitucional da razoabilidade, bem como o art. 150, inciso IV da Constitucional que trata da não confiscatoriedade. Observase do auto de infração, que o fisco aumentou pela metade o percentual de que trata o item 249 do Relatório de Auditoria Fiscal e, sobre os créditos tributários lançados de ofício referidos nas seções II.3.2 e II.3.3, aplicou multa de 225% (duzentos e vinte e cinco por cento). A proibição constitucional do confisco em matéria tributária ainda que se trate de multa fiscal resultante do inadimplemento, pelo contribuinte, de suas obrigações tributárias nada mais representa senão a interdição, pela Carta Política, de qualquer pretensão governamental que possa conduzir, no campo da fiscalidade, à injusta apropriação estatal, no todo ou em parte, do patrimônio ou dos rendimentos dos contribuintes, comprometendolhes, pela insuportabilidade da carga tributária, o exercício do direito a uma existência digna, ou a prática de atividade profissional lícita ou, ainda, a regular satisfação de suas necessidades vitais básicas. Fl. 5831DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.824 11 O Poder Público, especialmente em sede de tributação (mesmo tratandose da definição do "quantum" pertinente ao valor das multas fiscais), não pode agir imoderadamente, pois a atividade governamental achase essencialmente condicionada pelo princípio da razoabilidade que se qualifica como verdadeiro parâmetro de aferição da constitucionalidade material dos atos estatais. Nesse sentido, arbitrar um valor máximo de multa previsto em lei, sugerindo ao contribuinte que essa multa é passível de redução, sob a égide do poder de discricionariedade conferida ao ente tributante redunda em coação confiscatória e desarrazoada. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Concluem que: Pelo exposto e por tudo que consta nos autos do processo fiscal em curso, requer à este órgão julgador: Receba a presente impugnação por ser própria e tempestiva; Preliminarmente seja acolhida a arguição de nulidade vez que há quebra de sigilo bancário, consoante a partir dos dados obtidos irregularmente concluiuse o relatório de auditoria fiscal; Não sendo o entendimento desse órgão julgador, que então acolha as razões da impugnação, para declarar os Impugnantes ilegítimos para integrarem a sujeição passiva atribuída; Alternativamente revisar os lançamentos, julgando pela discriminação detalhada dos tributos efetivamente apurados como benefício dos ora impugnantes. Alternativamente, não entendendo o fisco pelas disposições acima, que então aplique as multas previstas em seu patamar mínimo. Está registrado como ementa do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/JFA/MG nº 09 43.415, de 11.04.2013, fls. 56475664: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizamse como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. LANÇAMENTOS REFLEXOS. A decisão proferida em relação ao lançamento de IRPJ se aplica, no que couber, às exigências dele decorrentes. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 5832DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.825 12 Anocalendário: 2007 SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. A demonstração do interesse comum, entre a pessoa jurídica e o responsabilizado, na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal, na medida em que se beneficiaram do esquema de sonegação fiscal baseado na emissão fraudulenta de documentos fiscais e o uso de “laranja” no quadro societário da empresa, com a indicação da previsão legal específica para a responsabilização solidária, é cabível a responsabilização efetuada com fundamento nos artigos 124, I do CTN. MULTA QUALIFICADA. A supressão na declaração entregue da receita e dos tributos escriturados, relativos ao período fiscalizado, sem qualquer justificativa plausível por parte do contribuinte, além do uso de “laranja” no quadro societário, evidencia o intuito de fraude e sonegação. Cabível a imposição da multa qualificada no percentual de 150% quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase em pelo menos um dos casos previstos nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64 MULTA AGRAVADA. Devidamente respaldado na legislação tributária o agravamento do percentual da multa de ofício, imposta sobre os tributos devidos, quando o contribuinte, apesar de reiteradamente intimado, deixa de prestar os esclarecimentos solicitados pelo Fisco. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 REQUISITOS ESSENCIAIS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Observados os requisitos essenciais de validade, prescritos no art. 142 do CTN e no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e não tendo se configurado qualquer das hipóteses de nulidade do art. 59 deste último Decreto regulamentar, deve ser declarada a validade formal dos lançamentos em apreço. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Notificada por Edital em 21.06.2013, 5804, por ter sido improfícua a intimação via postal, fls. 56715673, a pessoa jurídica Anisio Comércio Representações Ltda não apresentou recurso voluntário. Notificadas, as responsáveis solidárias pessoas jurídicas: Mocair Temponi Dias, fls. 5760 5795, Marcio Temponi Dias, fls. 56785713, e Maria Serafina Temponi de Almeida, fls. 57195751, apresentaram os respectivos recursos voluntários tempestivamente, fl. 5811. Fl. 5833DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.826 13 Discorrem sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurgem reiterando os argumentos apresentados na impugnação. Fazem um relato sobre a ação fiscal dizendo que apresenta a peça de defesa no prazo legal e acrescentam que: II DA HIPÓTESE DOS AUTOS E DA IMPUGNAÇÃO APRESENTADA [...] A autuação teve por objeto a apuração de IRPJ e reflexos, anocalendário 2007, tendose como sujeito passivo principal das obrigações a pessoa jurídica Anísio Comércio e Representações Ltda. (CNPJ n.° 08.909.132/000142, no relatório fiscal denominada ACR), tendose como pressuposto a quebra do sigilo bancário das pessoas jurídicas autuadas. As exigências dos créditos foram controladas mediante o PTA n.° 15215.720159/201248, no qual foi lavrado Termo de Sujeição Passiva n° 201100837/001, estendendose a cobrança dos créditos também às pessoas jurídicas Márcio Temponi Dias (CNPJ nº 01.785.223/000174), Moacir Tempori Dias (CNPJ nº 03.031.110/000109) e Maria Serafina Temponi de Almeida (CNPJ nº 07.720.986/000113). Segundo o trabalho realizado [...], as pessoas jurídicas Anísio Comércio e Representações Ltda (ACR) e a Distribuidora de Laticínio Norte e Sul Ltda (Norte Sul) eram utilizadas como sociedades de mera aparência, para os fins de supressão do recolhimento e economia ilícita de tributo, cujo proveito importava às pessoas dos Impugnantes. Os alegados créditos foram estimados à ordem de R$461.819,44 [...] com a imposição de multa de ofício qualificada agravada no percentual total de 225% [...]. Lado outro, foi devidamente apresentada impugnação às exigências, na qual demonstrouse: nulidade do auto de infração por falta de assinatura do agente expedidor, ex vi o art. 11 do Decreto n.° 70.235/72; nulidade do auto de infração pela realização de citação editalícia; a impossibilidade de quebra do sigilo dos Impugnantes, ao fundamento do art. 6°, da Lei Complementar n.° 105/01, dispensando autorização judicial; da ilegitimidade passiva dos Impugnantes chamados à composição relação de crédito a título de coobrigados, na esteira do art. 124, I do CTN, vez que: ainda que se admitisse a sujeição passiva pretendida, o Auto de Infração incorreu em vício vez que não demonstrou o proveito econômico a que teria se locupletado cada coobrigado, imputando indistintamente a assunção dos créditos tributários havidos a partir da totalidade das operações das pessoas jurídicas "NORTE SUL" e "ACR" às pessoas dos Impugnantes; as multas aplicadas no Auto de Infração afastaramse dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade eis que refletem assoberbado ônus fiscal aos Impugnantes, traduzindo verdadeira perturbação da vedação ao confisco, prevista no art. 150, IV da CF/1988. Entretanto, embora tenham sido arrimadas as razões de acolhimento da impugnação para cancelamento dos lançamentos tributários, a 1ª Turma da Fl. 5834DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.827 14 Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Juiz de Fora, manteve as exigências com base nos fundamentos de direito alinhavados na ementa a seguir descrita. III DO ACÓRDÃO RECORRIDO Nos termos já anunciados, a partir da quebra do sigilo bancário das pessoas jurídicas autuadas foi constituído o crédito tributário exacionado. A despeito de ter sido demonstrado pela Impugnante, ora Recorrente, a inocorrência da pretendida co solidariedade aos créditos, não foram acolhidas as razões, pelo acórdão que manteve as exigências fiscais. [...] Sumuladas as intercorrências dos autos, passase às razões de reforma da decisão comentada. IV DAS PRELIMINARES DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO 4.1. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR FALTA DE ASSINATURA DO AGENTE EXPEDIDOR Conforme narrado na impugnação, o auto de infração foi deflagrado para constituição de crédito tributário decorrente de omissão de receitas. Entretanto, consoante se aferiu na ocasião, não constou no instrumento de formalização do auto de infração, a assinatura do agente fiscal, o que maculou a prestabilidade do documento para os fins do art. 142 do CTN. Tal qual afirmado, ausentes as assinaturas dos agentes fazendários no auto de infração, bem como, da notificação, subsequente, tevese por vulnerada a segurança jurídica. Isto porque em tais hipóteses, não se afigurou possível aferir a competência do agente expedidor das imputações fiscais, consoante a redação dos incisos VI, do art. 10 e inciso IV, do art. 11 do Decreto nº 70.235/72 [...] A despeito do acórdão hostilizado não ter considerado que tais vícios nulificam os atos administrativos, no tocante aos vícios de competência da imputação fiscal, tratase de nulidade insanável, que deve ser acolhida. [...] Portanto, à luz da jurisprudência acerca do tema, reitera a Recorrente o acolhimento da preliminar em testilha para cancelamento do auto de infração face à patente nulidade que o contamina. 4.2. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO PELA REALIZAÇÃO DE CITAÇÃO EDITALÍCIA Também, merece reforma a decisão recorrida no que pertine ao não acolhimento da preliminar de nulidade do auto de infração pelo cerceamento de defesa carreado à Recorrente, haja vista a realização de citação editalícia. Isto porque a citação é o meio idôneo para preservação do contraditório e da ampla defesa, e no caso em testilha, revelouse flagrante o vício de forma, pois, não houve empenho efetivo de realização das notificações aos imputados fiscais para os fins de contraditada das cominações fazendárias, preferindo a Autoridade pela citação via edital. [...] Portanto, necessária a reforma do acórdão para acolhimento da preliminar de cerceamento de defesa do Recorrente pela realização de citação editalícia a contrario sensu da excepcionalidade do art. 23, do Decreto nº 70.235/72, para cancelamento do auto de infração por nulidade. Fl. 5835DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.828 15 V DA NULIDADE DO LANÇAMENTO PELA QUEBRA ILEGAL DE SIGILO FISCAL Preliminarmente, cumpre esclarecer que na autuação originária, a douta Fiscalização consubstanciou todo o lançamento do crédito impugnado a partir da quebra do sigilo bancários das Autuadas pessoas jurídicas, para fundamentar a apuração das supostas obrigações. Contudo, conforme sustentouse na impugnação, a quebra do sigilo não se pautou pela observância do regramento de regência maculando todo os atos subsequentes ao termo de início de início de ação fiscal, razão bastante para reforma da decisão. [...] A) Da matriz constitucional do sigilo de dados No caso em testilha, rechaçando não ter incorrido em ilegalidades, pautouse a Fiscalização pelo argumento de que o "fornecimento de informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei n.° 9.311, de 24 de outubro de 1996" não implica em violação de sigilo fiscal. Ao seu turno e segundo o acórdão recorrido, a quebra do sigilo sem autorização judicial, para constituição dos aventados créditos, não acarreta violação a direito por força das alterações trazidas pela LC n° 105/2001 acerca do tema. [...] Contudo, deve ser revista a cognição eis que a manutenção da higidez do lançamento só subsiste, quando relativizado o regramento que dispõe acerca do sigilo fiscal, como é o caso dos autos. [...] Extraise dos dispositivos constitucionais acima transcritos que o sigilo bancário é garantia constitucional associada à privacidade e à intimidade do cidadão, correspondendo a uma verdadeira forma de proteção, parte da personalidade de cada indivíduo, que possui o direito de ter sua imagem e honra preservadas de qualquer forma de agressão de terceiros. [...] Nesta senda, em atendimento aos comandos constitucionais mencionados previstos nos incisos X e XII do art. 5º da CF/1988, temse que o sigilo é prerrogativa que integra os direitos da personalidade, da privacidade da pessoa humana, estendendose às informações fiscais e bancárias. Ao seu turno, alçado o sigilo de dados ao status de garantia do individual, estabeleceu o texto constitucional de forma harmônica, em seu art. 145, parágrafo 1º, que, os entes tributantes, ao identificarem o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, devem respeitar tais direitos. [...] Em verdade, a garantia do sigilo tratase de cláusula pétrea eis que como direito fundamental do indivíduo está abarcada pela nota de impossibilidade de ser suprimida do ordenamento jurídico [inciso IV do art. 60 da Constituição Federal]. [...] Neste corte se insere o sigilo de dados, garantia do indivíduo que não pode ser turbada sem o devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa. B) Dos requisitos necessários à quebra do sigilo Lei n° 4.595/64 e superveniência da LC n° 105/2001 Fl. 5836DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.829 16 Revisitada a matriz constitucional do sigilo de dados, revelase possível verificar que a autuação não subsiste à leitura deste regramento [art. 38 da Lei n° 4.595, de 31 de dezembro de 1964] [...] Cumpre salientar que tal norma foi recepcionada pela CF/1988 com o status de Lei Complementar, conforme o art. 192 da Carta Magna, tendo sido revogado o dispositivo [pelo art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001] [...]. Embora tenha sido revogado o art. 38, § l° da Lei n.° 4595/64, fato é que, apenas com autorização judicial, pode ser cogitada a quebra do sigilo das movimentações financeiras realizadas pelas autuadas e pela ora Recorrente. [...] Portanto, em sede de controle de constitucionalidade incidental foi reafirmada a necessidade de autorização judicial para quebra do sigilo fiscal dos contribuintes [...] no sentido de que não é dado às autoridades fazendárias relativizarem ao direito à intimidade na espécie do sigilo fiscal, o que pode ocorrer somente mediante decisão judicial. A questão assume tamanho relevo que sua Repercussão Geral foi expressamente reconhecida no âmbito do Pretório Excelso, em sede do Recurso Extraordinário de n°. 601.314/SP, [...] em que se discute a inconstitucionalidade do art. 6o da Lei Complementar n°. 105/2001. Tal dispositivo trouxe a já combatida impossibilidade de quebra de sigilo bancário do contribuinte sem autorização judicial, mesmo tendo sido revogado o art. 38, 1º da Lei n.° 4595/64. Por sua vez, não sendo lícito aos agentes fazendários o acesso a dados bancários dos contribuintes sem a observância do devido processo legal, na espécie autorização judicial, a conclusão que se extrai é a de que o lançamento do crédito tributário não subsiste in casu, por violação direta à CF/1988. Neste prisma, merece reforma o acórdão recorrido, em atendimento ao primado da legalidade, não atendido pela douta Fiscalização, a teor dos princípios e valores contidos nos incisos X e XII do art. 5°, art. 145, § 1° da CF/1988. 5.2. DA INEXISTÊNCIA DE INDÍCIOS A JUSTIFICAR A QUEBRA DE SIGILO DO DESCUMPRIMENTO DOS PRÓPRIOS TERMOS DA LEI COMPLEMENTAR N°. 105/2001 Ainda, que se admitisse a constitucionalidade da Lei Complementar n°. 105/2001, o acórdão recorrido não considerou que sequer foram atendidos os pressupostos ditados por tal norma para a validade do sigilo bancário das pessoas jurídicas autuadas e do redirecionamento da cobrança à Recorrente. De fato, conquanto se possa admitir que o direito ao anonimato da vida particular seja considerado relativo, cedendo às razões de ordem pública, isso não significa dizer que o apoderamento das informações financeiras do contribuinte se professe com a simples indicação do interesse público, sem a indispensável comprovação dos motivos justificantes. Tais considerações são importantes para determinar que a quebra do sigilo deve ser vista como de natureza excepcional, levandose em conta sempre o princípio da proporcionalidade da medida, a garantia individual do cidadão e a observância do procedimento apropriado e legal. [...] Fl. 5837DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.830 17 Com isto em mente, cumpre repisar registrar que nos termos da redação do art. 6° da LC n.° 105/2001 em momento algum, a douta fiscalização expôs os motivos determinantes para o "exame de documento indispensável". Simplesmente, a douta Fiscalização requereu informações sem qualquer pormenorização dos indícios concretos que implicassem a necessidade de exame da movimentação bancária da recorrente. Em outras palavras, não se delineou qual teria sido a suposta conduta da Recorrente, de forma a legitimar a medida extrema, mas sim buscouse a quebra do sigilo para encontrar a hipotética infração cometida, com a nítida inversão dos pressupostos autorizativos da norma. Nesta senda, verificase que a incursão fazendária nos dados dos autuados e da Recorrente, protegidos este pelo sigilo de dados, configurou verdadeira devassa fiscal, ou instrumento de persecução com fim em si mesmo. A quebra de sigilo é medida violenta, que não pode servir ao perigoso intuito de devassa injustificada, sob pena de tornar vazia a garantia constitucional da privacidade do cidadão, somente afastada diante da demonstração de motivos suficientemente hábeis e no mínimo de indícios concretos da conduta supostamente delituosa. [...] Portanto, revelase integralmente devida a reforma da decisão ora combatida por faltar aos lançamentos enunciados pela douta Fiscalização a indicação dos motivos indispensáveis à quebra do sigilo de dados in casu, acarretando manifesta nulidade do auto de infração. Contudo, mesmo que se suplante as ilegalidades retromencionadas, compulsando, ainda a regulamentação legal da Lei Complementar n° 105/2001, não se perfez legítima a quebra do sigilo bancário no caso em tela, por meio do fornecimento dos extratos de movimentação financeira, haja vista que o procedimento fazendário deuse à revelia do regramento de regência. 5.3. INEXISTÊNCIA DE FUNDAMENTO PARA A REQUISIÇÃO DOS EXTRATOS BANCÁRIOS FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO ATO A ADMINISTRATIVO DE QUEBRA DO SIGILO FISCAL Conforme, a autuação que motivou o lançamento dos alegados créditos, a fiscalização partiu da premissa segundo a qual não teriam, as pessoa jurídicas Autuadas e a Recorrente, apresentado Livros e documentos da escrituração contábil e fiscal. [...] Tal cenário, na ótica da Douta Fiscalização, teria ensejado a requisição sem autorização judicial dos extratos e demais dados relacionados ao sigilo bancário das pessoas jurídicas autuadas e da Recorrente, sustentandose a presença de indícios de que o titular do direito é interposta pessoa do titular de fato, como prevê o art. 3°, XI do Decreto n.° 3.724/01, para detecção das incompatibilidades entre a movimentação financeira e as receitas declaradas. Contudo, não se revestiram da legalidade necessária os atos da douta Fiscalização para o lançamento dos créditos em virtude de não ter sido observado o que dispõe o Decreto n° 3.724, de 10.01.2001. [...] Em outras palavras, a [RFB] somente poderia requerer a quebra de sigilo do contribuinte nas hipóteses expressamente previstas no art. 3º do Decreto n° 3.724, de 10.01.2001, como acima visto. Fl. 5838DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.831 18 Ocorre que a todo este regramento fugiu a douta Fiscalização. Fato é que no auto de infração não foi pormenorizado o indício que justificaria a eleição do inciso XI do art. 3° do Decreto n°. 3.724/01 (presença de indício de que o titular de direito é interposta pessoa do titular de fato), para a quebra do sigilo. Muito antes disso, exatamente com a quebra do sigilo é que tentou a fazenda a douta fiscalização conferir validade a tese de que ocorreu omissão de receita/faturamento percebendo terceiros as receitas da pessoa jurídica autuada. Em outras palavras, não foi devidamente fundamentado o ato administrativo de requisição das informações sobre movimentação financeira dos autuados e da recorrente. Com isso em mente, ausente o fundamento legal, falta motivação ao referido ato administrativo. E não se pode olvidar que a motivação é requisito fundamental de todo e qualquer ato administrativo. [...] In casu, inexistem os pressupostos de fato e de direito, conforme acima demonstrado, e, como se tratam de requisitos necessários a todo ato administrativo, faltando estes, resultou maculada por vício e nulidade a obtenção dos documentos protegidos por sigilo, para se justificar a autuação, pelo que flagrante sua ilegalidade. [...] À luz deste panorama, revelase de todo insubsistente o ato administrativo de quebra do sigilo fiscal da Recorrente, que pressupôs a obtenção dos elementos utilizados para os mencionados lançamentos do crédito. Mas não são apenas essas as ilegalidades que conduzem à necessária reconsideração do acórdão recorrido que endossou o lançamento do crédito tributário. 5.4. IMPOSSIBILIDADE DE ENTREGA DOS EXTRATOS BANCÁRIOS AO FISCO § 2°, DO ART. 5º DA LC 105/01 E § 2º DO ART. 11 DA LEI N.° 9.311/06 Ao seu turno, a despeito de não terem sido indicados, a verdade é que os extratos bancários não poderiam ter sido fornecidos em hipótese alguma. Ad argumentandum, entendendose legítima a quebra do sigilo bancário no caso em tela, fato é que os extratos consignados também não poderiam ser fornecidos da forma como estão, pois o §2°, do art. 5o, da Lei Complementar n°. 105/2001: a uma restringe as informações possivelmente prestadas; a duas proíbe textualmente a informação de qualquer elemento que permita identificar a origem ou a natureza dos gastos efetuados. [...] Assim, os extratos das autuadas pessoas jurídicas somente poderiam ser fornecidos, remotamente, se admitida a constitucionalidade da dispensa de autorização judicial, com a identificação dos montantes globais mensalmente movimentados e não a movimentação diária do contribuinte, o que, de igual modo, sinaliza a impossibilidade de entrega dos extratos à Receita Federal do Brasil. Ademais, compulsando o regramento de regência os documentos a que alude o art. 6° da LC n.° 105/2005, cujo exame é considerado indispensável pela autoridade administrativa, referese exatamente aos dados globais da movimentação Fl. 5839DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.832 19 Isto porque, historicamente, o § 2º do art. 11 da Lei n.° 9.311, de 24 de outubro de 1996", apenas os dados gerais de conta é que são passíveis de serem informados pelas instituições financeiras à Receita Federal do Brasil [...]. Neste prisma, ainda que fornecidos os extratos bancários dos autuados pelas instituições financeiras inquiridas, a douta Fiscalização não estava habilitada a acessálos, por ter ido muito além disso, no caso em testilha mediante obtenção de extratos operouse indiscriminada devassa de dados bancários e fiscais. Por tudo exposto, novamente devida a reforma do acórdão ora impugnado. 5.5 da INEXISTÊNCIA DE QUALQUER ILÍCITO Por fim, no tocante à indigitada quebra do sigilo fiscal, a hipótese dos autos não se enquadra também nas hipóteses do § 4°, do art. 1º, da Lei Complementar n°. 105, de 10.01.2001, que justifica a quebra de sigilo, quando constatada a ocorrência de qualquer ilícito sendo apurado em inquérito ou processo judicial [...]. Portanto, sob qualquer prisma que se analise a hipótese do auto de infração, não subsiste o ato de entrega dos extratos financeiros da Recorrente à douta Fiscalização com vistas a conferir fundamentação e lastro à constituição dos créditos tributários inquiridos, sendo devida a reforma do acórdão para acolhimento in totum da impugnação. VI DOS DEMAIS FUNDAMENTOS PARA A REFORMA DO ACÓRDÃO 6.1. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO DE RECEITAS RELATIVIZAÇÃO DA PRESUNÇÃO JURIS TANTUM PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO A) Impossibilidade de constituição de crédito com base em presunção Súmula n.° 182 do TFR Conforme se afere às fls. 5.654 do julgado, o acórdão recorrido entendeu pela higidez do lançamento ao argumento de que as informações obtidas junto às instituições financeiras, ainda que sem autorização judicial, com base no art. 6° da LC nº 105/01, autorizariam o estabelecimento de presunção de omissão de receitas à luz do que preconiza o art. 42 da Lei n.° 9.430/96. [...] No dizer da norma, a falta de comprovação da origem das receitas gera situação tributável, mediante presunção de auferimento de renda, o que leva ao absurdo de que o tributo será devido por qualquer que seja o fundamento da não comprovação. [...] Contudo, a presunção juris tantum ora comentada, não tem o condão de sustentar, por si só, qualquer lançamento de crédito, principalmente porque, consoante já demonstrado, as constituições arrimadas pela douta Fiscalização lastrearamse na utilização de extratos bancários obtidos ao largo da legalidade. [...] Nesse sentido, a simples presunção sem a prova cabal, ou ao menos indícios de auferimento de renda tributável não implica na ocorrência do fato gerador do tributo, fazendose necessária a demonstração do nexo de causalidade entre o depósito e o fato que implica na omissão de rendimentos. Neste prisma, pautandose o acórdão pela aplicação do art. 42 da Lei n.° 9.430/96 ao caso em testilha para fundamentar a omissão de receita/faturamento, Fl. 5840DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.833 20 verificase que incorreu em equívoco eis que, para todos os efeitos, extratos bancários não podem lastrear a constituição de fato gerador de tributo, não se reputando verdadeira, como pretendeu a decisão às fls. 5.655, a presumida omissão. B) Plena aplicação da Súmula n.° 182 do TFR após a extinção do Tribunal Cumpre relembrar que nos autos do RE n.° 389.808/PR, o STF afirmou que mesmo revogado o art. 38, § 1° da Lei n.° 4.895/64 pelo art. 6º da LC N.° 105/01, não foi dispensada a necessidade de autorização judicial para quebra de sigilo bancário. Na mesma intelecção de preservação das garantias fundamentais postas ao contribuinte, a eficácia da Súmula n° 182 do TFR não foi afastada pela extinção do Tribunal. [...] Portanto, pautandose o lançamento pela presunção de omissão de receita mirada no exame de extratos bancários do contribuinte, e, ainda, obtidos estes sem autorização judicial, temse razão suficiente para o acórdão ora recorrido que assim não entendeu. C) Conclusão incontornável: necessária revisão do lançamento Por todo o exposto, tendo em vista que a douta Fiscalização não trouxe indícios para sustentar o lançamento, fazendoo apenas com base em extrato bancário, e ainda, sem a obtenção de autorização judicial para obter tais documentos, temse por totalmente viciado o lançamento dos créditos tributários in casu. Em verdade, descurouse os agentes de constituição do crédito de demonstra ainda com os extratos o nexo de causalidade entre os alegados depósito e os fatos que implicariam na omissão de rendimentos. Isto porque nem toda circulação financeira em conta de disponibilidade dos outrora Impugnantes implica a percepção de valores eis que a Recorrente, e os demais são empresários do ramo de laticínios, tratandose as verbas de valores relacionados e ínsitos à estrutura da atividade, notadamente no que diz respeito ao fluxo de caixa, às atividades de troca, compartilhamento e transporte de mercadoria comuns. Conforme demonstrouse também, na contramão do que entendeu o Acórdão recorrido, todos os rendimentos obtidos pelos autuadas e pela Recorrente foram devidamente escriturados na ocasião das pretendidas operações inquinadas pelo Fisco. Nesse sentido, a [...] omissão de receitas sustentada pelo Acórdão recorrido como núcleo do lançamento merece ser revista, vez que se trata de presunção que relativizou sobremaneira o que dispõe a garantia individual constitucional arrimada pelo art. 5º , II, na qual se lê que "ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei". [...] Impende registrar também que a ventilada existência de depósitos não comprovados pelos Autuados pela Recorrente, não autoriza, segundo o princípio da legalidade, a imposição dos lançamentos pretendidos pelo Fisco em tela, em clara desconformidade ao princípio da segurança jurídica. No caso vertente, merece reforma o acórdão recorrido, pois, as presunções não representam veículo de enunciação da obrigação tributária, exigindose Fl. 5841DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.834 21 necessária comprovação pelo Fisco de nexo de causalidade entre as receitas/faturamento/renda com os recursos em conta o que inocorreu. [...] Com mira em tais arestos, as alegadas omissões de receitas acolhidas pelo acórdão recorrido como fundamento ao lançamento dos créditos à luz do art. 6° da LC 105/01 c/c art. 42 da Lei n.° 9.430/96, não merecem guarida destes Eg. Conselho, eis que atentam contra o primado da segurança jurídica, da legalidade, conforme já fixados historicamente pela Súmula n.° 182 do TFR. Assim, novamente devida a reforma da decisão em testilha. 6.2. DA ILEGITIMIDADE PASSIVA DA RECORRENTE CHAMADA À COMPOSIÇÃO DA RELAÇÃO DE CRÉDITO A TÍTULO DE COOBR1GADA Ao seu turno uma vez demonstrado que todo o trabalho realizado pela douta Fiscalização pautouse pelo expediente da presunção, o que não se admite à luz da Súmula n.° 182 do TFR, merece reforma, também, a imposição da sujeição passiva do tributo, com base no art. 121, I do CTN e a solidariedade invocada pela Fiscalização [...]. Assim se proclama para reforma da decisão em virtude de que realizada a imputação da sujeição tributária à Recorrente, sem a demonstração do vínculo jurídico com os fatos geradores, inexiste a pretendida relação pessoal e direta com a situação que constituiu os respectivos fatos, conforme exigido pelo art. 121, I do CTN. No caso em testilha, a douta Fiscalização, chancelada pela decisão ora recorrida, desconsiderou que as relações comerciais com parceiros do ramo de laticínios, não autoriza o chamamento dos Impugnantes à composição da relação de crédito a título de coobrigados, na esteira do art. 124, I do CTN, haja vista que, a utilização contingencial de recursos de terceiros decorre de parcerias da cadeia de produção do mercado em tela. Portanto, cai por terra a justificativa de atribuição da sujeição passiva tributária à Recorrente, como sustenta o acórdão, ao argumento da ficta vinculação dos autuados aos supostos negócios jurídicos da Anísio Comércio e Representações Ltda (ACR). Da mesma forma, não subsiste a uma leitura mais detida a manutenção do pelo acórdão da solidariedade à Recorrente, eis que para o art. 124, I do CTN, suportase a solidariedade apenas, "as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal." [...] Não tendo, desta feita, a Recorrente praticado as materialidades dos fatos geradores, repitase tomados mediante ilegal procedimento de arbitramento de tributo com base em extrato bancário, não lhe pode ser atribuída a solidariedade sustentada pelo acórdão. Tal óbice decorre do art. 265 do Código de Processo Civil, no qual se inscreve cláusula geral de que: "Art. 265 "A solidariedade não se presume; resulta da lei ou da vontade das partes". Portanto, a solidariedade pelo pagamento dos créditos imputada à Recorrente, repitase terceiros estranhos aos fatos geradores inquinados pela douta Fiscalização, merece reparos eis que a solidariedade tem caráter de excepcionalidade [...]. Fl. 5842DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.835 22 Como se já não fossem suficientes todas as razões expostas acerca da inexistência da pretendida solidariedade imposta à Recorrente, para a atribuição de tal, o Fisco passou ao largo da legalidade. Portanto, por não terem lugar no caso em comento os arts. 121, I e 124, I do CTN, carece de fundamento o Acórdão ao sustentar os argumentos nele contidos quanto à atribuição da sujeição passiva à Recorrente, e ainda, o dever obrigacional de solidariedade, sendo devida sua reforma. 6.3 DA APURAÇÃO EQUIVOCADA DO FATURAMENTO PARA FINS DE APURAÇÃO DO TRIBUTO Por fim, fato é que a imputação de todos os pretensos créditos tributários à Recorrente, não merece subsistir, ainda que se admitisse a regularidade dos lançamentos propugnada pelo acórdão recorrido. Isto porque, ainda que se admitisse a sujeição passiva pretendida, o Auto de Infração incorreu em vício, pois, não demonstrou o proveito econômico a que teria se locupletado cada coobrigado. Entretanto, imputou indistintamente a assunção da responsabilidade dos créditos tributários havidos a partir da totalidade das operações das pessoas jurídicas “Norte Sul" e "Anísio Comécio Representações Ltda" à pessoa da Recorrente. Cumpre salientar que a imputação só seria possível: primus: se transpassados todos os pontos retro argüidos que fulminam o lançamento tributário; secundus: se remotamente validados os atos administrativos de constituição, caberia à douta Fiscalização demonstrar qual a parcela efetiva do crédito tributário relativo às outras sociedades teriam se aproveitado e beneficiado a Recorrente, haja vista a imputação genérica de participação de múltiplos agentes no esquema de não recolhimento de tributo. Neste sentido, também devida a reforma do acórdão para que, se a sujeição passiva for mantida, que se limite a imputação correlacionandose os valores que supostamente tenham sido movimentados nas contas das referidas sociedades aos alegados benefícios diretos dos Impugnantes. 6.4. DO CARÁTER CONFISCATÓRIO DAS MULTAS PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE Finalmente, no que se refere às penalidades aplicadas além da tese de não ocorrência de infração, impende registrar que mesmo que não fossem agasalhadas as premissas de cancelamento das exigências, quando menos seria devida a redução das multas fiscais. Explicase: Como visto, as multas atingem nada mais nada menos do que 225% [...] do valor do crédito tributário, o qual, no mínimo, é controvertido. Diante deste quadro vem à tona evidente que a multa aplicada não foi pautada nos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, sendo por demais excessivas [...]. Conclusão inarredável não é outra senão a de que a fiscalização, na fixação da multa, não atendeu aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, traduzindo se a pena aplicada em medida de natureza confiscatória que, como tal, fixado pelo Fl. 5843DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.836 23 agente de constituição do crédito, devendo ser revista a imposição cm atendimento vedação constitucional ao confisco, art. 150, IV da CF/1988, ou ao menos reduzida. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Ex positis, por tudo quanto demonstrado, espera e requer a Recorrente: a) seja provido o recurso, acolhendose as preliminares de cancelamento dos autos de infração, e consequentemente dos lançamentos neles contidos; b) no caso de traspasse das preliminares supra arguidas, seja acolhida a prejudicial de nulidade do auto de infração pela quebra ilegal de sigilo fiscal; c) em sendo ultrapassada a nulidade supra, seja provido o recurso o reconhecimento da inexistência da sujeição passiva imputada à Recorrente; d) se acaso mantidas as exigências, sejam revistas as multas impostas, em atendimento aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade; e) alternativamente, não entendendo o Conselho pelos requerimentos retro elencados, sejam revistos os lançamentos, discriminandose detalhadamente os tributos efetivamente apurados como benefícios da ora Recorrente. Em relação ao sobrestamento do julgamento do presente processo, vale esclarecer que a Portaria MF nº 545, de 28 de novembro de 2013, revogou os §§ 1º e 2º do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Tendo em vista a edição desse ato normativo foi cancelado o sobrestamento do julgamento do processo referente à matéria (art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001) que está em repercussão geral no Supremo Tribunal Federal (STF) sem trânsito em julgado (art. 543B do Código de Processo Civil CPC) 1. Assim, o julgamento do presente processo deve prosseguir, em conformidade com as normas do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. 1 Recurso Extraordinário com Repercussão Geral nº 610.314 que tramita no Supremo Tribunal Federal, que desde 03.10.2013 está no andamento "conclusos ao Relator". Tema nº 225 a) Fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001; b) Aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudenciaRepercussao/verAndamentoProcesso.asp?incidente=2689108>. Acesso em 04 jul. 2014. Fl. 5844DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.837 24 Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora Os recursos voluntários apresentados pelas Recorrentes atendem aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, fl. 5811. Assim, deles tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. As Recorrentes alegam que a notificação por edital foi efetivada de forma irregular. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes são asseguradas aos litigantes em processo administrativo. Por esta razão há previsão de que a pessoa jurídica seja intimada para apresentar sua defesa, inclusive, por via postal no domicílio fiscal constante nos registros internos da RFB, procedimento este que deve estar comprovado nos autos. Quando resultar improfícuo esse meio, a intimação poderá ser feita por edital publicado na dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação, caso em que considerase efetivada 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. Contra a decisão de primeira instância, cabe recurso voluntário para reexame da sucumbência, que tem efeito suspensivo e que deve ser interposto dentro dos trinta dias seguintes à sua ciência. Este prazo legal é peremptório, já que não pode ser reduzido ou prorrogado pelas partes. Considerase definitivo o ato decisório de primeiro grau, no caso de esgotado o prazo recursal sem que a peça de defesa tenha sido interposta2. O comparecimento espontâneo da Recorrente para se defender supre, entretanto, a falta de notificação, nos termos do § 1º do art. 214 do Código de Processo Civil, que é aplicável subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal (Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Ademais, as intimação é nula quando feita sem observância das prescrições legais, mas o comparecimento do administrado supre sua falta ou irregularidade, em conformidade com o § 5º do art. 26 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. No que diz respeito à pessoa jurídica Anisio Comércio Representações Ltda, temse que foi notificada validamente por Edital em 21.06.2013, 5804, por ter sido improfícua a intimação via postal, fls. 56715673, e não apresentou recurso voluntário, conforme Termo de Perempção de fl. 5810. 2 Fundamentação legal: inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 33 e art. 42 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e art. 182 do Código de Processo Civil. Fl. 5845DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.838 25 Em relação à pessoa jurídica Mocair Temponi Dias, temse que foi notificada validamente via postal em 10.05.2013, em conformidade com o aviso de recebimento de fls. 56745675. Concernente à pessoa jurídica Marcio Temponi Dias, temse que foi notificada validamente via postal em 06.05.2013, em conformidade com o aviso de recebimento de fls. 56765677. Pertinente à pessoa jurídica Maria Serafina Temponi de Almeida, temse que foi improfícua a intimação via postal, fls. 58065808. Por seu turno, a Recorrente apresenta recurso voluntário em 27.05.2013, fls. 58015803. Esta falta foi suprida com o comparecimento da Recorrente aos autos para se defender. Consta que o representante legal das Recorrentes apresentaram os recursos voluntários em relação às pessoas jurídicas Mocair Temponi Dias, fls. 5760 5795, Marcio Temponi Dias, fls. 56785713, e Maria Serafina Temponi de Almeida, fls. 57195751, via postal, de acordo com a indicação da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (EBCT), em 27.05.2013, fls. 58015803. A contestação aduzida pelas defendentes, por isso, não pode ser sancionada. As Recorrentes alegam que os atos administrativos são nulos, inclusive pela falta de assinatura do autuante, e que os lançamentos não poderiam ter sido formalizados. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, os Autos de Infração podem ser lavrados sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes3. As manifestações unilaterais da RFB foram formalizadas por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos que lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade 3 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. Fl. 5846DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.839 26 visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais4. Os Autos de Infração foram lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional. Ainda sobre a matéria, o Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, prevê: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O presente caso não se trata de notificação de lançamento, cujos requisitos estão previstos no art. 11 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, mas sim de lavratura dos Autos de Infração de fls. 0331. Analisando esses atos podese verificar que eles contêm, de forma clara, precisa e congruente que os Autos de Infração foram lavrados por servidor competente, no local da verificação da falta, e contêm: a qualificação do autuado; o local, a data e a hora da lavratura; a descrição do fato; a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; 4 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, § 2º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Fl. 5847DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.840 27 a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula (“01221348 AFRFB: WELLINGTON LOPES DA SILVA Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.2002 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/11/2012 por WELLINGTON LOPES DA SILVA Assinado digitalmente em 09/11/2012 por WELLINGTON LOPES DA SILVA”). As Autoridade Fiscais agiram em cumprimento com o dever de ofício com zelo e dedicação as atribuições do cargo, observando as normas legais e regulamentares e justificando o processo de execução do serviço, bem como obedecendo aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. 5 Desse modo, não tem validade jurídica a petição das Recorrentes no sentido da “ nulidade do auto de infração por falta de assinatura do agente expedidor”. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Ainda, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formou livremente sua convicção, em conformidade do princípio da persuasão racional6. Assim, os Autos de Infração, fls. 0331 e o Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/JFA/MG nº 0943.415, de 11.04.2013, fls. 56475664, contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos no processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pelas defendentes, desse modo, não tem cabimento. Relativamente às alegações nas defesa sobre o lançamento formalizado no processo nº 15215.720214/201119, cujo sujeito passivo é a pessoa jurídica Distribuidora de Laticínios Norte Sul Ltda, CNPJ 03.154.102/000150, cabe esclarecer que não podem ser examinadas nos presentes autos por falta de objeto. Ademais, o referido processo encontrase no Arquivo Digital dos Órgãos Centrais/RFB/MF desde 20.12.20137, ou seja, está findo na esfera administrativa pelo pagamento integral do crédito tributário. A despeito desse fato, tem cabimento contextualizar a situação tratada nos autos, que envolve, entre outros, as seguintes pessoas jurídicas: Anisio Comércio Representações Ltda, a Distribuidora de Laticínios Norte Sul Ltda, Atacadão do Queijo Ltda, Mocair Temponi Dias, Marcio Temponi Dias, e Maria Serafina Temponi de Almeida, em conformidade com o Relatório de Auditoria Fiscal, fls. 35102, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: 4. Inicialmente, esclarecemos que os procedimentos fiscais desenvolvidos em face da DISTRIBUIDORA DE LATICÍNIOS NORTE SUL LTDA (à qual, para simplificar, chamaremos doravante de NORTE SUL) e da ANÍSIO COMÉRCIO E 5 Fundamentação legal: art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 21 de janeiro de 1999 e art. 37 da Constituição Federal. 6 Fundamentação legal: art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. 7 Disponível em: <http://comprot.fazenda.gov.br/e gov/PvC_Mov_Consulta_Movimentos.asp?processoQ=15215720214201119&DDMovimentoQ=20122013&SQO rdemQ=0>. Acesso em 11 julh. 2014. Fl. 5848DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.841 28 REPRESENTAÇÕES LTDA (que chamaremos simplesmente de ACR), embora distintos, serão relatados neste mesmo documento, porque os fatos que levaram à instauração de um e outro são os mesmos, isto é, se referem a um mesmo esquema de evasão de tributos, como será demonstrado adiante. 5. As apurações realizadas no âmbito dos procedimentos fiscais anteriormente referidos demonstraram que a NORTE SUL e a ACR foram sociedades empresárias de existência puramente formal (isto é, existiram apenas no papel), constituídas e utilizadas em um esquema de sonegação fiscal destinado a produzir economia irregular de tributos em favor de empresas fabricantes e distribuidoras de queijos da região mineira de Santa Maria do Suaçuí, Malacacheta, Água Boa e outros municípios próximos, além de Belo Horizonte, a saber: 5.1. ATACADÃO DO QUEIJO LTDA, CNPJ n. 41.760.588/000169, domiciliada em Belo Horizonte; 5.2. JOSÉ MÁRCIO FERNANDES SILVEIRA ME, empresa individual inscrita no CNPJ sob n. 25.263.724/000159, cujo titular participava ainda do quadro social da sociedade empresária referida no subitem precedente; 5.3. MOACIR TEMPONI DIAS EPP, empresa individual inscrita no CNPJ n.03.031.110/000109; 5.4. MARCIO TEMPONI DIAS ME, empresa individual inscrita no CNPJ n. 01.785.223/000174; e, 5.5. MARIA SERAFINA TEMPONI ALMEIDA ME, empresa individual inscrita no CNPJ n. 07.720.986/000113. 6. O esquema de evasão tributária concebido e executado por essas fabricantes e distribuidoras de queijos consistiu, basicamente, na criação de empresas fictícias (pois de fato não existiram), constituídas formalmente em nome de interpostas pessoas (“laranjas”), com o propósito exclusivo de em nome de tais entidades irregulares, de existência puramente formal, realizarem suas operações de vendas de queijos a terceiros. 7. Essas vendas, como veremos, eram realizadas pelas próprias fabricantes e distribuidoras de queijos (pois eram elas as intervenientes de fato – alienantes – nos negócios de compra e venda aqui referidos), mas documentadas fraudulentamente em nome da NORTE SUL (que figurava como emitente das notas fiscais). 8. Ao se substituírem, nos documentos fiscais, por essa empresa de fachada, aquelas outras empresas, fabricantes ou distribuidoras de queijos, ocultavam dos Fiscos – estadual e federal – os faturamentos/receitas relativos às suas próprias operações. 9. Com isso, além de, em um primeiro momento, livraremse do pagamento espontâneo dos tributos devidos sobre suas operações, deixavam preparado o caminho para que, mesmo na eventualidade de posterior autuação e execução fiscal, elas e seus sócios continuassem intocados, como planejaram. E por quê? Porque a sociedade empresária por meio da qual simularam seus negócios (para que ficassem ocultos aos olhos dos Fiscos) era de mera aparência e constituída (formalmente) em nome de “laranjas”. Assim, na pior das hipóteses (execução fiscal), uma eventual tentativa de constrição de bens restaria frustrada, uma vez que nem essa empresa fictícia nem os que figuraram como seus sócios nunca possuíram patrimônio. Fl. 5849DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.842 29 10. Contudo, para que isso funcionasse como concebido, seria preciso não deixar pistas, rastros, de maneira a dificultar ao máximo a descoberta dos que de fato intervieram naqueles negócios realizados em nome da NORTE SUL. 11. Atentos a isso, os titulares daquelas empresas produtoras ou distribuidoras de queijos criaram outra sociedade empresária de fachada (a ACR), também constituída em nome de interpostas pessoas, ou mesmo utilizaram outros “laranjas”, pessoas naturais, empregados seus, e ordenaram que em favor daquela sociedade ou destes “laranjas” fossem efetuados os pagamentos correspondentes às operações de vendas de queijos que realizaram em nome da NORTE SUL. Com isso, ficaria muito difícil descobrir os alienantes de fato nessas operações, mesmo examinando os beneficiários diretos dos pagamentos a elas vinculados. 12. Mas, além de direcionar os pagamentos a “laranjas”, aquelas fabricantes ou distribuidoras que se beneficiaram do esquema de evasão fiscal aqui referido lançaram mão, ainda, de outro recurso: o de determinar aos adquirentes dos queijos vendidos em nome da NORTE SUL que efetuassem os pagamentos diretamente a terceiros, normalmente credores daqueles alienantes, sempre com o mesmo objetivo de não deixar rastros. 13. Em inúmeros casos, porém, as empresas fabricantes ou distribuidoras de queijos receberam diretamente, isto é, em suas próprias contas bancárias, os pagamentos das operações que realizaram fraudulentamente em nome da NORTE SUL. 14. Em um caso (recebimento por meio de “laranjas”) ou outro (recebimento direto em suas contas pessoais ou empresariais), os queijos eram encaminhados aos adquirentes (destinatários das operações) acompanhados de notas fiscais emitidas em nome da NORTE SUL (para ocultar os verdadeiros beneficiários dos faturamentos) e de boletos de cobrança bancária em favor de terceiros (dos laranjas ou das próprias fabricantes e comerciantes, conforme o caso). Em raros casos os pagamentos foram efetuados diretamente por meio de conta bancária da NORTE SUL e, mesmo quando isso ocorreu, os recursos correspondentes eram depois dali sacados por aqueles verdadeiros intervenientes nos negócios realizados em nome dessa empresa fictícia. 15. Depois de realizar dezenas de diligências fiscais em face de terceiros e examinar a movimentação financeira dos envolvidos (com amparo no art. 6º da Lei Complementar nº 105), identificamos, mesmo ante a dificuldade imposta pelos mecanismos subreptícios por eles utilizados, os verdadeiros beneficiários do esquema de evasão fiscal baseado na emissão fraudulenta de notas fiscais da NORTE SUL. 16. É o que passamos a demonstrar de modo circunstanciado. II.1 Do plano de evasão fiscal operacionalizado por meio da NORTE SUL 17. Apresentamos, nesta seção, os diversos fatos reveladores de que a NORTE SUL foi sociedade empresária de mera aparência, constituída em nome de “laranjas”, com o exclusivo propósito de servir a um esquema de economia irregular de tributos concebido e efetivamente executado em benefício de múltiplos interessados. II.1.1 Do início do procedimento fiscal desenvolvido em face da NORTE SUL e das primeiras providências Fl. 5850DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.843 30 18. O procedimento fiscal n. 06.1.03.002011000192, desenvolvido em face da NORTE SUL, foi iniciado em 16/2/2011, data em que o Termo de Início do Procedimento Fiscal n. 2011000192 [DOC1] foi entregue no endereço da filial da sociedade empresária informado no CNPJ, uma vez que a tentativa de entrega da correspondência no endereço da matriz restou frustrada (Avisos de Recebimento – AR – ns. RJ191870687BR e RJ156972530BR [DOC2]). 19. Na ocasião, ficou a NORTE SUL intimada a apresentar os livros Diário e Razão, ou, em substituição a esses, se fosse o caso, o Livro Caixa; Registro de Inventário, Registro de Apuração do ICMS, Utilização de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrências, Registro de Entrada e Saída de Mercadorias; as notas fiscais de entrada e saída; cópias dos atos constitutivos da empresa e das respectivas alterações. 20. O prazo para atendimento à intimação inicial esgotouse sem resposta. Sendo assim, com suporte no art. 23, § 1º, inciso II, e § 2º, inciso IV, do Decreto n. 70.235, de 1972, cientificamos os responsáveis pela sociedade empresária, por meio de edital [DOC3], da existência do procedimento fiscal, informandolhes que estavam à sua disposição, na Delegacia da Receita Federal em Governador Valadares, o Termo de Início do Procedimento Fiscal n. 2011000192 e o Termo de Intimação Fiscal (TIF) n. 201100019/005 [DOC4]. 21. Localizamos, no cadastro da Secretaria de Fazenda do Estado de MG, o escritório de contabilidade que prestou serviços à NORTE SUL, de nome SOMAR CONTABILIDADE S/C LTDA (CNPJ n. 25.578.535/000175, registro no CRC/MG sob o n. MG005066 03) [DOC5]. 22. Fizemos contato (por telefone) com esse escritório e fomos encaminhados à funcionária ÉRICA DA CONCEIÇÃO SILVA, indicada como responsável pela escrita da NORTE SUL. Questionada, ela nos informou que naquele escritório não havia nenhuma documentação dessa empresa, nem mesmo as notas fiscais. 23. Contudo, ao comparecer pessoalmente ao escritório, ali obtivemos diversos documentos, inclusive blocos de notas fiscais, os quais, ao contrário do que nos fora informado anteriormente pela ÉRICA, ali estavam guardados [DOC7]. Efetuamos, assim, a retenção de todos os documentos da NORTE SUL a que tivemos acesso, não apenas para examinálos com mais profundidade, como também para preservar a prova da fraude fiscal que na ocasião fora por nós constatada. 24. Ao examinar os documentos retidos no escritório de contabilidade, apuramos inúmeras evidências que confirmam a existência de um esquema fraudulento de economia tributária, com múltiplos interessados, no qual notas fiscais da NORTE SUL eram emitidas e utilizadas para acobertar vendas que, de fato, foram realizadas por terceiros. II.1.2 Da primeira evidência de irregularidade da NORTE SUL: a empresa nunca funcionou no endereço informado aos órgãos públicos 25. A NORTE SUL foi constituída em 14/5/1999 (data em que o ato constitutivo foi registrado na JUCEMG) e, a partir de 18/11/2004, conforme a terceira alteração contratual, passou a ter como sócios de direito os senhores VALDECI ROSA DE SOUZA, CPF n. 277.089.47812, e ALEANDRO RODRIGUES DE LIMA, CPF n. 048.489.10650 [DOC6]. Fl. 5851DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.844 31 26. O ato de constituição da NORTE SUL e todas as suas alterações, como se nota, mencionam que a empresa teria sede na Fazenda Tabocal, na zona rural de Água Boa (MG). Ali, contudo, essa empresa nunca funcionou. 26.1. Um contrato de locação [DOC8], extraído dentre aqueles documentos mencionados no item 21, menciona que certa senhora, de nome ANA MARIA MIRTES, supostamente cadastrada no CPF sob o n. 416.395.10634, teria alugado a Fazenda Tabocal à NORTE SUL, no período de 18/5/1999 a 18/5/2000 (logo no primeiro ano de atividade da sociedade). 26.2. O CPF indicado nesse contrato é, todavia, falso, pois nem o número, nem o nome correspondem a uma inscrição válida na base da RFB. 26.3. Examinando certidão fornecida pelo Cartório do Registro de Imóveis, apuramos que foram proprietárias do imóvel indicado como a suposta sede da NORTE SUL estas pessoas: ALUÍSIO EUSTÁQUIO DE FREITAS MIRANDA (CPF n. 610.697.95615), desde 1995 até 3/8/2001; SÉRGIO ALBINO DE ALMEIDA (CPF n. 168.438.43620) e outros, até 8/1/2004; JOSÉ AFONSO PIRES GONÇALVES (CPF n. 458.398.83620), a partir de 8/1/2004 até, pelo menos, 15/7/2011, quando foi emitida a certidão da matrícula do imóvel pelo cartório [DOC9]. 26.4. Intimados (TIF ns. 201100016/ 043 e 201100016/ 044), os senhores SÉRGIO ALBINO DE ALMEIDA e JOSÉ AFONSO PIRES GONÇALVES informaram que na Fazenda Tabocal, no tempo em que dela foram proprietários, não funcionou a NORTE SUL ou qualquer outra empresa de produção e/ou comercialização de queijos [DOC10 e DOC11]. 26.5. O senhor ALUÍSIO EUSTÁQUIO DE FREITAS MIRANDA, intimado por meio do Termo de Intimação Fiscal n. 201100016/ 045, compareceu pessoalmente à Fiscalização da RFB e prestou as informações que constam no Termo de Depoimento n. 201100019/ 006 [DOC13]. Afirmou, em resumo, o seguinte: 26.5.1. que, desde 1995 até 2001, foi proprietário da “Fazenda Tabocal”, em Água Boa (MG); 26.5.2. que ali nunca funcionou a NORTE SUL e que nunca sequer ouvira falar de empresa com esse nome; 26.5.3. que, naquele imóvel rural, nem mesmo depois de têlo alienado, nunca funcionou nenhuma empresa dedicada à produção e/ou comercialização de queijos; 26.5.4. que não conhece os senhores GERALDO GONÇALVES DA SILVA, LAFAIETE DE FREITAS GOMES, ALEANDRO RODRIGUES DE LIMA e VALDECI ROSA DE SOUZA, que constam como sócios de direito da NORTE SUL; 26.5.5. que, todavia, depois de receber a intimação fiscal, se informou sobre quem seriam esses senhores e ficou sabendo que um deles – o senhor LAFAIETE DE FREITAS GOMES –seria mecânico em Catequeses, que fica no município de Água Boa (MG); 26.5.6. que nem conhece nem nunca ouviu falar da senhora ANA MARIA MIRTES, a pessoa que, segundo apontamos no item 26.1, alugou a “Fazenda Tabocal” à NORTE SUL. Fl. 5852DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.845 32 27. A inexistência de fato da NORTE SUL no endereço informado aos órgãos públicos foi, inclusive, objeto de comunicação realizada entre CARLOS ROBERTO FERNANDES SILVEIRA (conhecido na região de Santa Maria do Suaçuí (MG) e Água Boa (MG) como “BETO”) e o escritório de contabilidade, em 2/12/2008, como indica o DOC14. Notese que, em referida comunicação, o contador informa que agentes do Fisco mineiro teriam ido à Fazenda Tabocal e lá constatado que “ninguém conhece este laticínio” (sic). Ao final, o contador aconselha BETO a “regularizar esta pendência, caso contrário [o fisco de MG] não vai liberar nota fiscal para a empresa que não consta no endereço informado” (sic). 28. Por fim, registramos que estivemos pessoalmente em Água Boa (MG), pacato município de cerca de 15 mil habitantes, onde supostamente funcionou a NORTE SUL, e ali, conversando com diversas pessoas, inclusive no escritório do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), constatamos que ninguém na cidade nunca ouvira falar dessa empresa. II.1.3 Da segunda evidência de irregularidade da NORTE SUL: a empresa foi constituída em nome de interpostas pessoas 29. As pessoas que, no período abrangido pelo exame fiscal, figuraram como sócias na NORTE SUL (aquelas referidas no item 17), nunca, de fato, o foram. 30. Na tentativa de blindar o esquema de sonegação fiscal criado em torno da NORTE SUL, o mesmo endereço referido no item 25 – a Fazenda Tabocal, em Água Boa (MG) – foi apontado como domicílio fiscal dos sócios da empresa. 31. Contudo, como registramos anteriormente, os proprietários da Fazenda Tabocal –onde, assim, tais sócios supostamente teriam domicílio – informaram que ali nunca atuaram tais pessoas, tanto que sequer as conheceram ou delas ouviram falar. 32. Verificamos, então, com base nos documentos referidos no item 23, que CARLOS ROBERTO FERNANDES SILVEIRA (CPF n. 013.848.67600) – o mesmo BETO referido no item 27 – era PESSOAchave no esquema de sonegação fiscal centralizado na NORTE SUL. 32.1. BETO, irmão de JOSÉ MÁRCIO FERNANDES SILVEIRA (sobre quem falaremos mais adiante), foi uma das pessoas que, conforme o item 50, adiante, se beneficiaram do esquema de sonegação fiscal construído em torno da NORTE SUL. 32.2. Era BETO quem cuidava de todas as questões burocráticas da NORTE SUL perante os contadores e os órgãos públicos. 32.3. Por isso, aliás, a NORTE SUL foi mencionada naqueles documentos referidos no item 23 como uma das “empresas do Beto” (por exemplo, no DOC15). 32.4. GERALDO MAGELA DA COSTA (CPF n. 458.951.80663) afirmou, em depoimento prestado à Fiscalização, que BETO era a pessoa com quem fazia os contatos relativos a diversos negócios de compra e venda de queijos documentados com notas fiscais da NORTE SUL (Termo de Depoimento n. 201100019/ 002 [DOC16]). 32.5. E, ainda, segundo levantamos, era BETO quem autorizava que pagamentos relativos a fornecimentos feitos com amparo em notas fiscais da NORTE SUL fossem efetivados em favor de terceiros (por exemplo, o que consta no [DOC17]). Fl. 5853DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.846 33 32.6. E, por fim, a mais flagrante prova da interposição de pessoas: por meio de procuração passada por VALDECI ROSA DE SOUZA [DOC18], interposta pessoa que figurava como sócioadministrador da NORTE SUL, BETO recebeu amplos e ilimitados poderes para abrir e movimentar contas bancárias em nome dessa empresa fictícia. E de fato exerceu tais poderes, como demonstra, por exemplo, um contrato de crédito tomado pela NORTE SUL junto ao Bradesco [DOC19], que BETO assinou, a um só tempo, como emitente (representando a empresa) e como avalista. 32.7. Enquanto BETO assinava todos os documentos relativos à NORTE SUL, os sócios de direito (“laranjas”), ao contrário, nunca assinaram nenhum documento além do contrato social e da procuração referida no subitem precedente. Tudo o mais – cheques, contratos de empréstimos ou financiamentos, comunicações feitas com contadores e terceiros etc – era assinado por BETO. II.1.4 Da terceira evidência de irregularidade da NORTE SUL: em depoimento pessoal e, depois, intimado por escrito a se manifestar, BETO negouse a esclarecer os fatos acima, os quais demonstram o seu envolvimento no esquema de sonegação fiscal 33. Em diligência realizada em Santa Maria do Suaçuí (MG), submetemos os diversos fatos enumerados acima ao próprio BETO. 33.1. Em uma primeira oportunidade, em depoimento pessoal (Termo de Depoimento n. 201100019/ 003 [DOC20]), ele se limitou a solicitar que formulássemos por escrito as perguntas que então lhe dirigíamos. A cada pergunta que lhe fazíamos pessoalmente, respondia com esta frase padrão, repetida tantas vezes quantas foram as questões que lhe foram formuladas: “PONHAM TUDO NO PAPEL E DEPOIS VOCÊS VÃO TER AS RESPOSTAS!”. 33.2. As perguntas foram, assim, formuladas por escrito, no próprio Termo de Depoimento referido no item precedente, e BETO ficou intimado a comparecer à Fiscalização, em 30 dias, para prestar os esclarecimentos requeridos. Mas, nem compareceu no prazo fixado, nem depois dele, nem mesmo encaminhou qualquer esclarecimento ou justificativa sobre por que não prestou os esclarecimentos que lhe foram solicitados. Preferiu calarse. II.1.5 Da quarta evidência de irregularidade da NORTE SUL: a empresa foi usada para a emissão fraudulenta de blocos de notas fiscais 34. Dentre aqueles documentos referidos no item 23, obtidos no escritório de contabilidade, fazemos referência às notas fiscais inclusas no DOC21 (que faziam parte de um bloco) e às inclusas no DOC22 (que faziam parte de outro bloco). Note se que tais blocos– ambos contendo as notas fiscais de ns. 3176 a 3225 – foram impressos em duplicidade, com base na mesma autorização dada pela Secretaria de Fazenda do Estado de Minas Gerais (autorização n. 00061197/2008, dada pela AF / 3º Nível Diamantina, em 29/4/2008). 35. Chamamos a atenção, no ponto, para o fato de que, um dos blocos impressos em duplicidade foi reservado para as operações de maior valor e o outro, para as de menor. Notese, por exemplo, que a nota fiscal n. 003178, em um bloco, foi utilizada para registrar operação de R$ 6.720,00 [DOC23] ; em outro bloco, operação de R$ 72.615,50 [DOC24]. E, claro, o bloco cujas notas foram reservadas para as operações de menor vulto foi declarado ao Fisco mineiro, de modo que as operações de maior vulto foram afastadas da tributação. Basta ver que o faturamento da NORTE SUL do mês de maio de 2008, informado ao Fisco de MG [DOC5], Fl. 5854DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.847 34 corresponde à soma dos valores das notas fiscais ns. 003176 a 003223, pertencentes ao primeiro bloco [DOC23], no qual foram registradas as operações de menor vulto. 36. Outras notas fiscais – às quais não tivemos acesso – possivelmente foram impressas em duplicidade, uma vez que nem todos os blocos autorizados pelo Fisco mineiro estavam entre aqueles documentos referidos no item 23, encontrados sob a guarda do escritório de contabilidade. 36.1. Por fim, observamos que uma mesma pessoa preencheu a maioria das notas fiscais a que tivemos acesso, como aponta o padrão gráfico da letra utilizada no preenchimento. Essa pessoa, aliás, decerto trabalhava no escritório de contabilidade onde foram obtidos os documentos, pois a letra dela, além de estar nos documentos fiscais, aparece em diversas correspondências trocadas entre aquele escritório e BETO. Comparemse, por exemplo, as grafias utilizadas no preenchimento das notas fiscais referidas acima com as que foram utilizadas para o preenchimento dos documentos inclusos no DOC25, concernentes a observações feitas pelo responsável pela contabilidade da NORTE SUL. Em todos esses documentos, o padrão da escrita – em que as letras parecem ter sido grafadas com o apoio de uma régua – parece ser idêntico. II.1.6 Da quinta evidência de irregularidade da NORTE SUL: as operações realizadas fraudulentamente em nome dessa empresa fictícia cessaram com o advento da Nota Fiscal Eletrônica 37. Os interessados no plano fraudulento de economia tributária aqui descrito, para acobertar suas próprias operações, obtiveram da Fazenda Pública de MG autorizações para a impressão das notas fiscais da NORTE SUL. 38. Como, todavia, não era possível obter novas autorizações para impressão de notas fiscais sem apresentar os blocos anteriormente utilizados1, os responsáveis pelo esquema construído em torno da NORTE SUL viramse obrigados a declarar ao Fisco mineiro, ao menos entre 2006 e 2009 (período examinado nos procedimentos aqui relatados), as operações registradas em nome daquela empresa fantasma. Isso explica por que tais pessoas, muito embora buscassem a economia irregular de tributos, declararam, no período, faturamento de cerca de R$ 21 milhões à Fazenda mineira. 39. Entretanto, como a preocupação em declarar o faturamento ao Fisco mineiro vinculavase tão somente ao mero interesse de obter novas autorizações para emissão de notas fiscais (e não ao propósito de cumprir regularmente com suas obrigações tributárias), aqueles responsáveis não se preocuparam com o efetivo pagamento do ICMS relacionado às operações que geraram os faturamentos declarados. Tal circunstância é revelada, por exemplo, pelos documentos inclusos no DOC27, os quais demonstram que o Fisco mineiro inscreveu na Dívida Ativa do Estado diversos débitos de ICMS da NORTE SUL. 40. Nos termos do Protocolo ICMS n. 42, de 3/7/2009, os Estados e o Distrito Federal estabeleceram a obrigatoriedade de utilização da Nota Fiscal Eletrônica (NFe),em substituição à Nota Fiscal, modelo 1 ou 1A, para os contribuintes enquadrados nos códigos da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) descritos no Anexo Único daquele ato. 41. Ficaram, por isso, obrigados à utilização da NFe, dentre outros, os contribuintes enquadrados no código da CNAE n. 4631100 (COMÉRCIO ATACADISTA DE LEITE E LATICÍNIOS), que se refere à atividade então Fl. 5855DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.848 35 exercida pela NORTE SUL, como consta em seu contrato social [DOC6] e na sua inscrição no CNPJ [DOC28] 42. Os interessados no esquema centralizado na NORTE SUL chegaram mesmo a preencher alguns papéis destinados à obtenção de certificação digital – como revelam os documentos inclusos no DOC29–, pois tal providência era indispensável à emissão da NFe, nos termos da cláusula terceira, inciso IV, do Ajuste SINIEF n. 07/05, celebrado entre o Conselho Nacional de Política Fazendária (CONFAZ) e o Secretário da Receita Federal do Brasil. 43. Contudo, o procedimento de certificação digital da NORTE SUL não prosperou. E isso se deu certamente porque as novas exigências relativas à NFe, se não mesmo obstaram, ao menos desestimularam sobremaneira a continuidade do esquema baseado na emissão fraudulenta de documentos fiscais da empresa fictícia aqui referida. 43.1. O desestímulo a que nos referimos não é apenas aquele decorrente da exigência de uma maior sofisticação dos mecanismos capazes de produzir a fraude em uma NFe. 43.2. Mais que isso, a dificuldade que certamente deu fim ao esquema construído em torno da NORTE SUL devese ao maior risco a que ficaram submetidos os eventuais fraudadores, tendo em vista a exigência de assinatura eletrônica para a emissão da NFe. 43.3. Acrescentamos, ainda, a impossibilidade de emissão fraudulenta de NFe duplicadas (de mesma numeração), prática que os responsáveis pelo esquema aqui descrito adotaram ao emitir notas fiscais em papel [itens 34 a 36]. 44. Por tudo isso, a partir de setembro de 2009, poucos dias depois de instituída a NFe por meio do ato referido no item 42, nenhuma operação em nome da NORTE SUL foi mais declarada ao Fisco mineiro. II.1.7 Da sexta evidência de irregularidade da NORTE SUL: entre 2006 e 2009, cerca de R$21 milhões em operações dessa empresa fictícia foram declarados ao Fisco mineiro, mas omitidos do Fisco federal 45. Desde 2006 (início do período examinado pela Fiscalização) até 2009 (quando supostamente encerrou suas atividades), a NORTE SUL não declarou um único centavo sequer de receita ao Fisco federal. No mesmo período, todavia, declarou ao Fisco mineiro cerca de R$ 21 milhões de faturamento. 45.1. Relativamente ao anocalendário de 2006 e ao primeiro semestre do anocalendário de 2007, foram transmitidas à RFB as declarações constantes do DOC 30. Relativamente ao segundo semestre de 2007 e ao anocalendário de 2008, foram apresentadas as declarações constantes do DOC 31.Em todas essas declarações, nenhuma receita foi informada. 45.2. Para os anoscalendário de 2009 e seguintes, as declarações obrigatórias sequer foram prestadas. Observamos, aliás, que as declarações deixaram de ser prestadas precisamente a partir da época em que, como apontamos na subseção precedente (itens 37 e seguintes), o esquema fraudulento centralizado na NORTE SUL tornouse inviável e, por isso, deixou de ser operado. 46. Ao prestar informações, ainda que falsas ou incompletas, aos Fiscos estadual e federal, os beneficiários do esquema centralizado na NORTE SUL não o fizeram em razão da preocupação de cumprir regularmente a legislação tributária. Fl. 5856DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.849 36 Fizeramno, ao contrário, apenas para garantir a continuidade do esquema fraudulento por eles concebido e implementado, senão vejamos: 46.1. Se o propósito era o da economia ilícita de tributos, por que foram declarados ao Fisco mineiro, entre 2006 e 2009, cerca de R$21 milhões de faturamento? Como já apontamos no item 38, porque era obrigatória a apresentação mensal das notas fiscais já autorizadas, sob pena de se tornar inviável a obtenção de autorizações para impressão de novos blocos. Assim, os responsáveis pelo esquema aqui descrito viramse impedidos de ocultar do Fisco mineiro os faturamentos registrados em nome da NORTE SUL. 46.2. E por que os responsáveis pela NORTE SUL preocuparamse em transmitir as declarações referidas no subitem 45.1 ao Fisco federal? Para que a omissão de tais declarações não tornasse irregular a inscrição daquela empresa de fachada no CNPJ. Com efeito, a regularidade no CNPJ era imprescindível para que a NORTE SUL mantivesse, perante os órgãos públicos e terceiros, a aparência de empresa proba, existente de fato. Por isso a preocupação em transmitir as declarações exigidas pela RFB, ainda que sem o preenchimento dos campos destinados às informações das receitas ou faturamentos. 47. A situação aqui apontada demonstra, assim, uma vez mais, que a NORTE SUL não passou de mero simulacro de sociedade empresária, cuja existência, puramente formal, serviu apenas ao propósito de dissimular operações que substancialmente foram realizadas por terceiros. II.1.8 Da sétima evidência de irregularidade da NORTE SUL: os pagamentos relativos às operações realizadas com amparo em notas fiscais da NORTE SUL foram efetuados, não a essa empresa, mas a terceiros 48. E quem seriam os terceiros cujas operações foram documentadas com notas fiscais da NORTE SUL fraudulentamente emitidas? 49. Para identificálos, intimamos diversas sociedades empresárias que, no período entre 2006 e 2009, informaram, em suas respectivas DIPJ, ter efetuado pagamentos correspondentes a operações em que a NORTE SUL figurou como fornecedora. 50. Ao examinar as respostas a essas intimações, apuramos que os pagamentos que tiveram causa em operações documentadas com notas fiscais da NORTE SUL foram efetuados principalmente a estas pessoas jurídicas ou naturais: 50.1. ATACADÃO DO QUEIJO LTDA, CNPJ n. 41.760.588/000169, domiciliada em Belo Horizonte; 50.2. JOSÉ MÁRCIO FERNANDES SILVEIRA, sócio na empresa referida no subitem precedente e titular de empresa individual inscrita no CNPJ sob n. 25.263.724/000159; 50.3. ANÍSIO COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA, CNPJ n. 08.909.132/000142, domiciliada em Santa Maria do SuaçuíMG; 50.4. JOSÉ LAFAIETE FIGUEIRA DE OLIVEIRA, CPF n. 069.649.79646, empregado dos empresários individuais MÁRCIO TEMPONI DIAS e MOACIR TEMPONI DIAS à época em que se beneficiou dos pagamentos decorrentes das vendas com notas fiscais da NORTE SUL. Fl. 5857DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.850 37 51. Por que esses terceiros se beneficiaram diretamente de pagamentos que aparentemente tiveram causa em vendas de queijos realizadas – não por eles, mas – pela NORTE SUL? Ora, porque a NORTE SUL, como visto, de fato nunca desenvolveu as atividades descritas em seu contrato social e sequer funcionou onde afirmou estar estabelecida; porque essa empresa serviu apenas de fachada para encobrir negócios que, de fato, foram realizados pelos terceiros acima enumerados. [...] II.2.2 Da ATACADÃO DO QUEIJO LTDA e dos seus sócios, JOSÉ MÁRCIO FERNANDES SILVEIRA e MARSONEY FERNANDES SILVEIRA DOS SANTOS 137. Como narrado anteriormente, a NORTE SUL foi uma empresa de mera aparência criada para servir a propósitos de economia irregular de tributos em favor de múltiplos interessados. Na seção anterior, já apontamos alguns deles, os quais se serviram, também, de outra empresa de mera aparência, a ACR. 138. A partir deste ponto, passamos a demonstrar que o senhor JOSÉ MÁRCIO FERNANDES SILVEIRA (CPF n. 421.010.00644) também utilizou a NORTE SUL para ocultar negócios que, de fato, foram realizados ora por sua empresa individual (CNPJ n. 25.263.724/000159), ora pela ATACADÃO DO QUEIJO LTDA (CNPJ n. 41.760.588/000169), sociedade que integrou com a cônjuge, MARSONEY FERNANDES SILVEIRA DOS SANTOS (CPF n. 997.765.70682). II.2.2.1 Dos negócios do empresário individual JOSÉ MÁRCIO FERNANDES SILVEIRA ocultados pelo esquema de sonegação tributária centralizado na NORTE SUL 139. Como empresário individual, com inscrição no CNPJ sob o n. 25.263.724/000159, JOSÉ MÁRCIO FERNANDES SILVEIRA dedicavase, como informou naquele cadastro, ao fabrico de laticínios, atuando sob o nome fantasia de “CRISTAULAT”. 140. As evidências enumeradas a seguir demonstram que, nessa condição, JOSÉ MÁRCIO efetivamente participou e se beneficiou do plano de evasão fiscal centralizado na NORTE SUL. II.2.2.1.1 Primeira evidência: as operações registradas em documentos fiscais da NORTE SUL resultaram em pagamentos efetuados diretamente em favor de JOSÉ MÁRCIO 141. JOSÉ MÁRCIO realizou inúmeras operações de vendas de queijos documentadas com notas fiscais da NORTE SUL, encaminhando aos seus clientes, junto com os documentos fiscais dessa empresa fictícia, boletos bancários emitidos em favor de sua própria empresa individual (“CRISTAULAT”), como o demonstram, para exemplificar, os documentos inclusos em DOC107 e DOC109. 142. Outras inúmeras vendas feitas com suporte em notas fiscais da NORTE SUL geraram pagamentos realizados com cheques que, embora emitidos nominalmente em favor dessa empresa, foram depositados em contas da “CRISTAULAT”, como demonstram, por exemplo, os documentos constantes do DOC108. Fl. 5858DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.851 38 II.2.2.1.2 Segunda evidência: concomitantemente à inviabilização da NORTE SUL, o faturamento da empresa individual de JOSÉ MÁRCIO aumentou significativamente 143. Outro fato que demonstra a participação de JOSÉ MÁRCIO no esquema aqui examinado consiste em que, precisamente a partir do mês em que a NORTE SUL se inviabilizou – em setembro de 2009, como demonstrado no item 44, anterior –, o faturamento daquele empresário individual informado ao Fisco de MG atingiu níveis muito superiores àqueles declarados até então. 144. E a explicação é simples: a partir do momento em que deixou de ser possível a utilização da NORTE SUL para ocultar parte de suas operações, o empresário individual viuse compelido a emitir documentos fiscais próprios, obrigandose, por conseguinte, a declarar faturamento maior do que aquele que viera informando ao Fisco mineiro. É isso que explica por que suas receitas cresceram vigorosamente, como demonstra o gráfico abaixo, de modo a atingir, a partir de outubro de 2009, uma média mensal equivalente a cerca de 3,5 vezes aquela registrada até então. [...] II.2.2.1.3 Terceira evidência: a movimentação bancária de JOSÉ MÁRCIO foi significativamente superior aos rendimentos declarados ao Fisco federal 145. Entre 2007 e 2009, isto é, no período em que figurou como beneficiário dos pagamentos de diversas operações realizadas com documentos fiscais da NORTE SUL, JOSÉ MÁRCIO, na condição de empresário individual, movimentou em contas bancárias mais de três vezes o que declarou à Receita Federal do Brasil. II.2.2.2 Dos negócios da ATACADÃO DO QUEIJO LTDA ocultados pelo esquema de sonegação tributária centralizado na NORTE SUL 146. Além de atuar como empresário individual, JOSÉ MÁRCIO FERNANDES SILVEIRA, com sua cônjuge, MARSONEY FERNANDES SILVEIRA DOS SANTOS (CPF n. 997.765.70682), integrava a sociedade empresária ATACADÃO DO QUEIJO LTDA, a qual, operando sob o nome fantasia de “CRISTALMINAS”, se dedicava ao comércio varejista de laticínios e frios. 147. Enumeramos, a seguir, as evidências de que a ATACADÃO DO QUEIJO LTDA efetivamente participou e se beneficiou do esquema de economia tributária irregular centralizado na NORTE SUL. II.2.2.2.1 Primeira evidência: as operações registradas em documentos fiscais da NORTE SUL resultaram em pagamentos efetuados diretamente em favor da ATACADÃO DO QUEIJO LTDA 148. A ATACADÃO DO QUEIJO LTDA realizou inúmeras operações de vendas de queijos documentadas com notas fiscais da NORTE SUL. 149. Os documentos fiscais fraudulentamente emitidos eram encaminhados aos destinatários dessas operações acompanhados de boletos bancários que indicavam como beneficiária dos pagamentos a própria ATACADÃO DO QUEIJO LTDA, diretamente, e não a NORTE SUL. 150. Esse modo de operar ficou bem demonstrado nos documentos DOC110, DOC111, DOC112, DOC113, DOC114, DOC115 e DOC116, aqui citados por amostragem. Fl. 5859DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.852 39 II.2.2.2.2 Segunda evidência: a movimentação bancária da ATACADÃO DO QUEIJO LTDA superou significativamente os rendimentos por ela declarados ao Fisco federal 151. Como decorrência ter participado do esquema aqui examinado, a ATACADÃO DO QUEIJO LTDA, entre 2007 e 2009, movimentou em suas contas bancárias o equivalente a quase 10 vezes os rendimentos declarados à RFB no mesmo período (Anexo D do TIF n. 201100019/ 050 [DOC132]). II.2.2.2.3 Terceira evidência: a movimentação bancária da ATACADÃO DO QUEIJO LTDA superou significativamente o faturamento por ela declarado ao Fisco mineiro 152. Os valores que a ATACADÃO DO QUEIJO LTDA movimentou em suas contas bancárias, entre 2007 e 2009, representam quase 6 vezes o faturamento por ela declarado ao Fisco mineiro (Anexo D do TIF n. 201100019/ 050 [DOC132]). 153. A explicação para essa movimentação bancária muito superior aos rendimentos ou aos faturamentos declarados aos Fiscos é muito lógica: os faturamentos/receitas ocultados nos documentos fiscais fraudulentamente emitidos em nome da empresa fictícia (NORTE SUL) converteramse em pagamentos realizados diretamente nas contas bancárias da ATACADÃO DO QUEIJO LTDA, porque era esta sociedade empresária, e não aquela, a interveniente de fato nos negócios suprimidos do alcance da tributação. II.2.2.2.4 Quarta evidência: as tratativas com clientes da NORTE SUL eram feitas diretamente por JOSÉ MÁRCIO, até mesmo para resolver questões que, aparentemente, eram absolutamente estranhas à sua empresa individual e à sociedade que integrava 154. JOSÉ MÁRCIO, por meio do DOC117, datado de 26/9/2007, lavrado em papel timbrado da CRISTAULAT (sua empresa individual), mas assinado em nome da ATACADÃO DO QUEIJO LTDA, expediu ordem direta à TUDO BOM COMERCIAL LTDA (CNPJ n. 05.169.759/000116), contraparte comercial em operação realizada em nome da NORTE SUL (nota fiscal n. 2604 [DOC118]), determinando que a adquirente efetuasse a um terceiro, diretamente, o pagamento correspondente ao negócio de compra e venda. 155. Questionamos: se JOSÉ MÁRCIO, ao menos aparentemente, nem era sócio, nem administrador, nem gerente, nem exercia qualquer poder de mando na NORTE SUL, que circunstância o levou a falar em nome dessa empresa, para autorizar que o pagamento correspondente a negócio supostamente dela, e não seu, fosse realizado a um terceiro? 156. E mais: por que o documento de conteúdo que interessava exclusivamente a terceiros (à NORTE SUL, à TUDO BOM COMERCIAL LTDA e ao beneficiário do pagamento ali indicado) foi lavrado em papel timbrado da empresa individual de JOSÉ MÁRCIO e assinado por ele na condição de representante da ATACADÃO DO QUEIJO LTDA? Que tipo de relação com esses terceiros justificaria a intervenção de JOSÉ MÁRCIO por meio da autorização passada no documento aqui referido? 157. Nitidamente, a resposta a todas essas questões é uma só: no negócio a que se refere o documento aqui examinado, a NORTE SUL funcionou como interposta pessoa do interveniente de fato na operação, o senhor JOSÉ MÁRCIO. Fl. 5860DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.853 40 II.2.2.2.5 Quinta evidência: os negócios realizados em nome da NORTE SUL eram tratados diretamente com JOSÉ MÁRCIO 158. Em resposta a intimação que lhe encaminhamos, a TUDO BOM COMERCIAL LTDA nos esclareceu, por meio do DOC119, que os negócios de compra e venda respaldados com notas fiscais da NORTE SUL, dos quais participou como adquirente, foram tratados diretamente com a ATACADÃO DO QUEIJO LTDA (o email e o telefone indicados no documento são dessa empresa), por meio de JOSÉ MÁRCIO e de outro representante, a quem se referiu apenas pelo nome de SAMUEL. 159. Aqui, outro questionamento: se, nos negócios aqui referidos, os queijos foram adquiridos da ATACADÃO DO QUEIJO LTDA, por que as operações foram documentadas com as notas fiscais da NORTE SUL? Ou então: se os queijos foram mesmo adquiridos da NORTE SUL, por que as negociações foram feitas diretamente com a ATACADÃO DO QUEIJO LTDA? 160. A solução para essas questões, repisamos, só pode ser uma: quem de fato participou do negócio, isto é, quem vendeu os queijos adquiridos pela TUDO BOM foi a ATACADÃO DO QUEIJO LTDA e seu sócio, também empresário individual, JOSÉ MÁRCIO. A NORTE SUL figurou no negócio – como emitente do documento fiscal que o amparou – com o exclusivo propósito de ocultar dos Fiscos estadual e federal o faturamento e a correspondente receita e, assim, economizar tributos, fraudulentamente. II.2.2.2.6 Sexta evidência: concomitantemente à realização de suas operações em nome da NORTE SUL, JOSÉ MÁRCIO e MARSONEY esvaziaram seu patrimônio 161. À época em que realizavam fraudulentamente os seus negócios (ou os de sua empresa, a ATACADÃO DO QUEIJO LTDA) em nome da NORTE SUL, JOSÉ MÁRCIO FERNANDES SILVEIRA e MARSONEY FERNANDES SILVEIRA DOS SANTOS simularam a constituição (em 20/12/2006, com registro na JUCEMG em 5/9/2007) da JMFS EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA (CNPJ n. 09.240.819/000109) [DOC120]. 162. Para essa nova sociedade (de mera aparência), JOSÉ MÁRCIO e MARSONEY transferiram praticamente todos os bens imóveis que até então constavam em seu patrimônio. E, assim, buscaram aperfeiçoar o esquema de economia tributária irregular de que participavam: de um lado, reduziam ou suprimiam tributos; de outro, blindavam seu patrimônio contra eventual risco de que viessem a responder pessoalmente pelas obrigações vinculadas às operações fraudulentamente realizadas em nome da NORTE SUL 163. Em janeiro de 2011, precisamente no mês em que a Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte constituiu em face da extinta ATACADÃO DO QUEIJO LTDA os créditos tributários controlados por meio do processo administrativo n. 10680720.602/ 201190, JOSÉ MÁRCIO e MARSONEY retiraramse da JMFS EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA e transferiram todas as suas quotas nessa sociedade ao novo sócio REINALDO DO AMARAL FRANCO (CPF n. 010.606.78691) [DOC121]. 164. A sociedade de fachada – que, então, tornouse unipessoal, por ter permanecido nela um único sócio – passou a ser denominada RA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA. Fl. 5861DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.854 41 165. A JMFS EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA (depois RA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA) nunca declarou um único centavo sequer de rendimento de suas atividades à RFB, até mesmo porque, desde sua constituição, em 2007, apresentou apenas as declarações relativas aos anosbase 2007 e 2010 (nos quais afirmou não ter realizado nenhuma atividade), e ficou omissa quanto aos demais períodos. 166. REINALDO DO FRANCO AMARAL (suposto sucessor de JOSÉ MÁRCIO e MARSONEY no quadro social da JMFS, depois denominada RA) faleceu logo depois de ter ingressado nessa sociedade de mera aparência. 167. Intimado (Termo de Intimação Fiscal n. 201100019/ 058 [DOC122]), o representante do espólio de REINADO DO FRANCO AMARAL afirmou que as quotas da JMFS (depois RA) foram adquiridas onerosamente. Todavia, não fez prova de que efetivamente tenha transferido aos supostos cedentes das quotas (JOSÉ MÁRCIO e MARSONEY) o preço por elas supostamente combinado. 168. Esse preço, segundo consta no acordo firmado entre as partes [DOC124], teria sido pago da seguinte forma: uma parte em espécie; outra mediante quitação de empréstimo que os cedentes (JOSÉ MÁRCIO e MARSONEY) deviam ao cessionário das quotas (REINALDO); e, finalmente, a última parte foi dividida em 24 parcelas mensais e sucessivas, vencendo a primeira em 10/1/2011. Contudo, não se comprovou quase nada do que se alegou, pois nem mesmo os documentos comprobatórios de quitação das supostas 24 parcelas mensais foram encaminhados (apenas dois deles foram juntados, ainda assim com base em extratos de conta bancária do próprio JOSÉ MÁRCIO, insuficiente para demonstrar se de fato os créditos ali lançados foram transferidos por REINALDO ou pelo representante de seu espólio). 169. Acrescentese, ainda, que, intimado a apresentar os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal da JFMS (depois RA), o representante do espólio de REINALDO DO FRANCO AMARAL afirmou acreditar “não terem sido escriturados” [DOC125]. 170. Notese, portanto, que: (a) a JMFS (depois RA) foi constituída, porém nunca de fato funcionou; (b) em circunstâncias não esclarecidas, teve a titularidade de seu capital modificada completamente; (c) nunca possuiu contabilidade regular, pois os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal a que estaria obrigada nunca foram escriturados. 171. Ante esses fatos, a que propósito poderia ter servido a JFMS (depois RA) senão ao de esvaziamento do patrimônio pessoal de JOSÉ MÁRCIO e de sua cônjuge, MARSONEY, na tentativa de livrálos de eventual responsabilização pelos tributos suprimidos ou reduzidos por sua participação no esquema centralizado na NORTE SUL? II.2.2.2.7 Sétima evidência: a ATACADÃO DO QUEIJO LTDA foi extinta no mesmo mês em que o esquema centralizado na NORTE SUL inviabilizouse 172. Acrescentamos, ainda, este fato: em outubro de 2009, precisamente o mês seguinte àquele em que a NORTE SUL se inviabilizou – setembro de 2009, conforme o item 44 – a ATACADÃO DO QUEIJO LTDA foi extinta (conforme declaração constante do [DOC126]). 173. Não por acaso, no último trimestre de sua existência, a receita bruta da ATACADÃO DO QUEIJO LTDA submetida à tributação aumentou Fl. 5862DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.855 42 expressivamente, certamente porque lhe foi impossível continuar emitindo notas fiscais da NORTE SUL para acobertar operações próprias, como até então vinha ocorrendo. 174. Assim, uma das razões da extinção da ATACADÃO DO QUEIJO LTDA foi, certamente, o desinteresse de continuar com a empresa em funcionamento, haja vista a impossibilidade de manter o esquema fraudulento que, até então, possibilitara significativa economia de tributos. II.2.2.3 Da oportunidade de manifestação concedida a JOSÉ MÁRCIO e aos sócios da ATACADÃO DO QUEIJO LTDA quanto aos fatos apurados pela Fiscalização 175. Por meio do Termo de Intimação Fiscal n. 201100019/ 049 [DOC127], solicitamos de JOSÉ MÁRCIO, na qualidade de empresário individual, que: 175.1. esclarecesse por que foi o beneficiário direto de inúmeros pagamentos efetuados por destinatários de operações de vendas de queijos realizadas com amparo em notas fiscais da NORTE SUL (evidência referida no item 141, deste documento, submetida ao interessado por meio do Anexo A do Termo de Intimação Fiscal n. 201100019/ 049); 175.2. esclarecesse por que a movimentação financeira em sua(s) conta(s) bancária(s)8, no período entre janeiro de 2007 e dezembro de 2009, superou significativamente o faturamento declarado ao Estado de Minas Gerais e os rendimentos – tributáveis ou não –informados à Receita Federal (situação referida no item 145, deste documento, submetida ao interessado por meio do Anexo B do Termo de Intimação Fiscal n. 201100019/ 049). 176. JOSÉ MÁRCIO não prestou os esclarecimentos que lhe foram solicitados, na forma do item precedente, e, por isso, reiteramos a intimação anterior, não atendida, encaminhandolhe o Termo de Intimação Fiscal n. 201100019/ 054 [DOC134]. 177. Solicitamos também de JOSÉ MÁRCIO FERNANDES SILVEIRA e sua cônjuge, MARSONEY FERNANDES SILVEIRA DOS SANTOS, sócios da ATACADÃO DO QUEIJO LTDA (Termos de Intimação Fiscal ns. 201100019/ 050 [DOC128] e 201100019/ 051 [DOC133]), que: 177.1. esclarecessem por que a sociedade empresária ATACADÃO DO QUEIJO LTDA foi beneficiária direta de inúmeros pagamentos efetuados por destinatários de operações de vendas de queijos realizadas com amparo em notas fiscais da NORTE SUL (situação referida nos itens 148 a 150, deste documento, submetida aos interessados por meio do Anexo A do Termo de Intimação Fiscal n. 201100019/ 050 [DOC129]); 177.2. se manifestassem sobre o documento incluso no Anexo B da referida intimação, por meio do qual a ATACADÃO DO QUEIJO LTDA autorizou, diretamente, que a contraparte comercial de operação realizada em nome da NORTE SUL efetuasse o pagamento, não a esta (NORTE SUL), mas a terceiros (situação referida nos itens 154 a 157, deste documento, submetida aos interessados por meio do Anexo B do Termo de Intimação Fiscal n. 201100019/ 050 [DOC130]); 177.3. se manifestassem sobre o documento incluso no Anexo C da referida intimação, por meio do qual a TUDOBOM COMERCIAL LTDA indicou que as operações realizadas com respaldo em documentos fiscais da NORTE SUL foram Fl. 5863DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.856 43 negociadas com a ATACADÃO DO QUEIJO LTDA, representada pelos senhores JOSÉ MÁRCIO e SAMUEL (situação referida nos itens 158 a 160, deste documento, submetida aos interessados por meio do Anexo C do Termo de Intimação Fiscal n. 201100019/ 050 [DOC131]); 177.4. esclarecessem por que a movimentação financeira em conta(s) bancária(s) da ATACADÃO DO QUEIJO LTDA, no período entre janeiro de 2007 e dezembro de 2009, superou significativamente o faturamento declarado ao Estado de Minas Gerais e os rendimentos – tributáveis ou não – informados à Receita Federal (situação referida nos itens 151 a 153, deste documento, submetida aos interessados por meio do Anexo D do Termo de Intimação Fiscal n. 201100019/ 050 [DOC132]). 178. JOSÉ MÁRCIO e MARSONEY não prestaram os esclarecimentos que lhes foram solicitados por meio das intimações referidas no item precedente. Por isso, reiteramos os pedidos de esclarecimento, encaminhandolhes os Termos de Intimação Fiscal ns. 201100019/ 055 [DOC135] e 201100019/ 056 [DOC136]. II.2.2.3.1 Da manifestação de JOSÉ MÁRCIO, na condição de empresário individual 179. JOSÉ MÁRCIO respondeu, na qualidade de empresário individual, à reintimação referida no item 176, alegando – sem, todavia, nada provar – que [DOC137]: 179.1. a ATACADÃO DO QUEIJO LTDA, da qual era sócio, era credora da NORTE SUL, motivo pelo qual teria recebido diretamente dos devedores desta última valores que foram depositados ora na conta bancária que manteve como empresário individual, ora na conta bancária da sociedade empresária de que fora sócio; 179.2. o excesso da movimentação financeira do empresário individual sobre os faturamentos declarados ao Fisco mineiro e os rendimentos informados ao Fisco federal justificase pela circunstância de que, nas contas bancárias em que foi verificada a referida movimentação, houve o trânsito de recursos pertencentes à ATACADÃO DO QUEIJO LTDA, cuja origem fora objeto de fiscalização tratada no processo administrativo fiscal n.10680720.602/ 201190 (fiscalização feita pela Delegacia da RFB em Belo Horizonte); II.2.2.3.2 Da manifestação dos sócios da ATACADÃO DO QUEIJO LTDA 180. Pretendendo responder à reintimação referida no item 178, a senhora MARSONEY FERNANDES SILVEIRA DOS SANTOS, que consta no CNPJ da sociedade como sóciaadministradora, declarou, por meio do DOC139, que “[...] embora tenha figurado como sóciaadministradora da Atacadão do Queijo Ltda, isso apenas se deu formalmente, nos atos constitutivos da empresa e alterações. No entanto, jamais participei, efetivamente, de qualquer negócio da empresa, desconhecendo por completo as operações mercantis de que tratam a presente intimação fiscal” [sic]. 181. Tomando por verdadeira a afirmação da senhora MARSONEY, acrescentamos aos fatos já relatados anteriormente mais este – só agora declarado –, a denunciar que a prática da simulação era recorrente nos empreendimentos de JOSÉ MÁRCIO: a conduta de substituir o real pelo aparente foi adotada até mesmo para mascarar o verdadeiro responsável pela administração da sociedade. Fl. 5864DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.857 44 182. E o fato não pode ser desprezado, visto que, no Direito Empresarial, bem assim no Direito Tributário – que nos interessa –, não são raros os casos em que o exercício da administração de empresa culmina em responsabilidade do administrador, como, por exemplo, a responsabilidade subsidiária prevista no art. 134, III, do CTN, e, ainda, a responsabilidade pessoal (mais grave) prevista no art. 135 do mesmo diploma. E nem se fale da responsabilidade penal por eventuais crimes cometidos, por exemplo, contra a ordem tributária! 183. Não se pode ignorar, portanto, a importância que assume, no contexto aqui examinado, a simulação subjetiva praticada pelo senhor JOSÉ MÁRCIO, ao que parece com o consentimento da cônjuge, MARSONEY, substituindose aquele (o administrador de fato) por esta na administração da ATACADÃO DO QUEIJO LTDA. 184. Estamos, sem dúvida, diante de uma irregularidade – para dizer pouco – que não é isolada, autônoma, mas se soma às outras diversas condutas igualmente irregulares, já vistas, como a criação da NORTE SUL em nome de “laranjas”, o uso dessa empresa de mera aparência para a emissão fraudulenta de documentos fiscais etc. Cada um desses eventos constitui, portanto, uma etapa, um procedimento a integrar um processo cujo propósito foi, ao final, a economia ilícita de tributos. 185. Concomitantemente à manifestação da senhora MARSONEY – sua cônjuge e suposta sócia na ATACADÃO DO QUEIJO –, JOSÉ MÁRCIO respondeu à intimação referida no item 178, nestes termos [DOC138]: 185.1. acerca do pedido de esclarecimento referido no item 177.1, afirmou que a ATACADÃO DO QUEIJO LTDA, da qual era sócio, era credora da NORTE SUL e, por isso, aquela sociedade empresária recebeu diretamente pagamentos correspondentes a operações desta; 185.2. quanto ao pedido de esclarecimento referido no item 177.2, afirmou que “sendo a Atacadão do Queijo Ltda credora da Distribuidora de Laticínios Norte Sul Ltda, teve desta a autorização para receber a citada e respectiva quantia junto à devedora TuboBom Coml. Ltda. Porém, como preferiu transferir o pagamento para terceiros (Laticínios Santa Cruz Ltda), assim o requereu via do documento ora questionado” (sic). 185.3. sobre o pedido de esclarecimento referido no item 177.4, limitouse a informar que os valores movimentados nas contas bancárias da ATACADÃO DO QUEIJO LTDA, em quantias significativamente superiores aos rendimentos/faturamentos declarados, são objeto de discussão no processo administrativo fiscal n. 10680720.602/ 201190; 185.4. finalmente, quanto ao pedido de esclarecimento referido no item 177.3, por meio do qual lhe fora solicitado manifestarse por que operações de vendas de queijos documentadas com notas fiscais da NORTE SUL foram negociadas diretamente com a ATACADÃO DO QUEIJO LTDA, JOSÉ MÁRCIO limitouse a afirmar laconicamente que “não concorda com o teor do referido documento”. 186. As respostas referidas nos itens 179.1 e 185.1 não convencem, por várias razões, que passamos a enumerar. 186.1. Ora, a NORTE SUL, como já tivemos oportunidade de demonstrar: 186.1.1. era sociedade empresária de mera aparência, constituída em nome de interpostas pessoas (itens 29 a 32); 186.1.2. nunca manteve contabilidade regular (itens 19 e 20); Fl. 5865DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.858 45 186.1.3. nunca funcionou no endereço informado aos órgãos fazendários (itens 25 a 28); 186.1.4. prestouse apenas a servir de pretexto para viabilizar a emissão de documentos fiscais fraudulentos para a ocultação de operações de terceiros (itens 48 a 51), inclusive com a impressão em duplicidade de blocos de notas fiscais, com base em mesma autorização dada pelo Fisco mineiro (itens 34 a 36). 186.2. Se se trata, portanto, de sociedade que de fato nunca existiu, como poderia a NORTE SUL ser parte em negócios realizados efetiva e validamente com quem quer que fosse, como seria o caso das supostas operações pelas quais teria se obrigado perante a ATACADÃO DO QUEIJO LTDA, de modo a que esta se tornasse credora daquela? 186.3. E, ainda, se tais negócios mesmo existiram, e de fato tiveram por objeto a venda, de uma empresa para outra, de produtos derivados do leite, como afirmou JOSÉ MÁRCIO (itens 179.1 e 185.1), onde estão os documentos fiscais correspondentes a tais negócios, uma vez que, em operações comerciais da espécie (circulação de mercadorias de uma empresa para outra), a emissão de nota fiscal é obrigatória? 186.4. E se é mesmo verdade que adquiriu da ATACADÃO DO QUEIJO LTDA produtos derivados de leite, tornandose, por isso, devedora de tal sociedade empresária, por que a NORTE SUL, nas declarações prestadas à RFB, nunca informou um único centavo sequer de compras, desde 1999 (ano do suposto início de suas atividades) até 2009 (ano a que se refere a última declaração prestada à RFB) [DOC140] 9? 186.5. Não há, portanto, nenhum elemento capaz de demonstrar razoavelmente a efetiva existência dos alegados negócios de compra e venda que teriam transformado a ATACADÃO DO QUEIJO LTDA em credora da NORTE SUL, de modo a justificar que, em razão disso, aquela (a ATACADÃO) e os seus sócios passassem a receber, em suas contas bancárias, diretamente, pagamentos decorrentes de negócios documentados com notas fiscais desta (a NORTE SUL). 186.6. Notese, pois, que as alegações de JOSÉ MÁRCIO, além de totalmente desprovidas de documentos hábeis a sustentálas, são incompatíveis com todos os fatos levantados pela Fiscalização (inexistência de fato da NORTE SUL, posto tratarse de sociedade empresária de mera aparência, constituída em nome de interpostas pessoas; falta de documentação fiscal comprobatória dos negócios de compra e venda que teriam transformado a ATACADÃO DO QUEIJO LTDA em credora da NORTE SUL; absoluta falta de indicação, nas declarações prestadas pela NORTE SUL, das compras supostamente contratadas com a ATACADÃO DO QUEIJO LTDA etc). 187. Assim, afastadas as alegações de JOSÉ MÁRCIO, porque desacompanhadas de provas minimamente capazes de sustentálas, restam os inúmeros fatos apontados anteriormente, apurados pela Fiscalização, os quais denunciam a existência de um esquema de economia irregular de tributos que, centralizado na NORTE SUL, serviu a múltiplos beneficiários, inclusive ao próprio JOSÉ MÁRCIO. 188. Aliás, não é por outra razão que, quando foi fiscalizada (processo administrativo fiscal n. 10680720.602/ 201190, conforme itens 179.2 e 185.3), a ATACADÃO DO QUEIJO LTDA viuse impossibilitada de comprovar a origem dos recursos que transitaram em suas contas bancárias. Fl. 5866DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.859 46 188.1. A movimentação bancária equivalente a quase 9 vezes os rendimentos declarados ao Fisco federal (item 151) e quase 6 vezes o faturamento informado ao Fisco mineiro (itens 152153) não é senão mera conseqüência da adoção do plano de evasão fiscal aqui apontado. 188.2. Com efeito, os créditos de origem não comprovada que transitaram em contas bancárias da ATACADÃO DO QUEIJO LTDA decerto tiveram origem naquelas operações comerciais que, documentadas com notas fiscais da NORTE SUL, resultaram em pagamentos efetuados, não a esta empresa, que é de mera aparência, mas diretamente àquela, a interveniente de fato nos negócios (itens 148 a 150). II.2.3 Do senhor CARLOS ROBERTO FERNANDES SILVEIRA 189. Conforme adiantamos no item 32, CARLOS ROBERTO FERNANDES SILVEIRA (CPF n. 013.848.67600), o “BETO”, irmão de JOSÉ MÁRCIO (referido anteriormente), participou, também, efetivamente, do esquema de economia irregular de tributos centralizado na NORTE SUL, como apontam estes diversos fatos, apurados pela fiscalização: 189.1. Por meio da procuração constante do DOC18, BETO recebeu de VALDECI ROSA DE SOUZA (interposta pessoa que figura como sócio administrador) amplos poderes para representar a NORTE SUL perante “qualquer agência Bancária, com o fim específico para abrir e movimentar contas, podendo o dito procurador endossar e assinar talonários de cheques, verificar saldos, fazer depósitos e retiradas, assinar os demais documentos que lhe for apresentado [...], podendo transigir, confessar, dar e receber quitação, ratificar, praticar enfim todos os demais atos que se tornarem necessários [...]” (sic). 189.2. Com amparo nessa procuração BETO abriu e movimentou, no Banco Bradesco S/A, a conta n. 5.6545, da agência n. 06092 [DOC141]. 189.3. Para exemplificar sua atuação, mencionamos que BETO assinou – como emitente, avalista e representante do suposto sócioadministrador, a um só tempo – o contrato de abertura de crédito constante do DOC142. Em outras ocasiões, efetuou, ele mesmo, diversos saques na conta bancária referida no item precedente, de titularidade da NORTE SUL, como demonstram, por exemplo, os documentos de fls. DOC143. 189.4. E BETO assinou, também, praticamente todos os cheques de emissão da NORTE SUL [DOC144], muitos dos quais utilizados para saques. 189.5. BETO, ademais, em contato direto com as contrapartes comerciais de operações documentadas com notas fiscais da NORTE SUL, autorizou, em diversas ocasiões, que pagamentos correspondentes a tais negócios fossem feitos, não àquela empresa, mas diretamente a terceiros. É o caso, por exemplo, dos diversos documentos [DOC145] por meio dos quais BETO autorizou à PROTEINORTE ALIMENTOS S/A que efetuasse o pagamento aos terceiros ali indicados. 189.6. Finalmente, fazemos remissão à seção II.1.3, deste documento, nos quais tivemos oportunidade de demonstrar que BETO figurava, perante terceiros, como verdadeiro “dono” da NORTE SUL. 190. Como registramos no item 33, informado dos fatos acima, que evidenciam sua participação no esquema centralizado na NORTE SUL, BETO – em Fl. 5867DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.860 47 depoimento pessoal e, depois, intimado por escrito, como solicitou –, preferiu calar se a prestar os esclarecimentos que lhe foram solicitados. II.3 Da apuração e do lançamento, de ofício, dos tributos irregularmente suprimidos, e da identificação dos respectivos contribuintes ou responsáveis 191. Nas seções precedentes, demonstramos que a NORTE SUL foi sociedade empresária de mera aparência, constituída e utilizada para simular (ocultandoos dos fiscos federal e estadual) negócios efetivamente realizados por estas pessoas: 191.1. MOACIR TEMPONI DIAS, MÁRCIO TEMPONI DIAS e a mãe deles, MARIA SERAFINA TEMPONI DE ALMEIDA (empresários individuais cujas atividades eram organizadas sob o nome de LATICÍNIOS TEMPONI), os quais, na tentativa de ocultar ainda mais sua participação naqueles negócios realizados fraudulentamente em nome da NORTE SUL, utilizaram, para receber os pagamentos correspondentes a tais operações, outra empresa de fachada, a ACR, em cujo quadro social se fizeram substituir por interpostas pessoas, seus empregados [subseção II.2.1]; 191.2. JOSÉ MÁRCIO FERNANDES SILVEIRA (empresário individual) e a cônjuge, MARSONEY FERNANDES SILVEIRA DOS SANTOS (sócia do marido na ATACADÃO DO QUEIJO LTDA) [subseção II.2.2]; 191.3. CARLOS ROBERTO FERNANDES SILVEIRA [subseção II.2.3]. 192. As receitas brutas conhecidas da NORTE SUL são aquelas que correspondem aos faturamentos informados à Secretaria de Fazenda do Estado de MG [DOC5]. É que, como apontamos anteriormente, os beneficiários do esquema aqui examinado, obrigados a apresentar os blocos de notas fiscais ao Fisco mineiro, viramse impedidos de ocultar do Fisco mineiro os faturamentos decorrentes dos negócios registrados nos documentos fiscais emitidos fraudulentamente em nome da NORTE SUL (item 38), nestes valores: Mês/Ano 2006 [R$] 2007 [R$] 2008 [R$] 2009 [R$] JAN 382.649,49 681.327,93 364.199,90 492.512,39 FEV 376.598,08 394.174,08 536.555,58 105.574,01 MAR 294.482,58 518.884,92 608.747,75 282.162,23 ABR 433.751,56 919.962,78 153.739,16 229.107,03 MAI 506.374,50 774.626,16 259.208,19 733.552,94 JUN 604.861,66 711.100,82 207.991,4 988.649,96 JUL 779.934,69 313.672,88 516.370,33 345.389,11 AGO 301.090,42 649.366,17 177.173,88 1.049.585,01 SET 508.652,62 384.141,10 263.500,56 OUT 523.711,40 173.011,36 139.094,01 NOV 466.424,84 499.756,54 326.833,08 DEZ 971.859,91 730.595,01 282.037,43 Tabela 6: Faturamentos da NORTE SUL informados ao Fisco de MG [...] II.3.1 Da parcela dos faturamentos da NORTE SUL vinculada a operações de JOSÉ MÁRCIO FERNANDES SILVEIRA e MARSONEY FERNANDES SILVEIRA, cujos resultados foram considerados já tributados em outro procedimento fiscal Fl. 5868DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.861 48 194. Em princípio, as pessoas referidas no item 191 seriam contribuintes, em solidariedade, dos créditos tributários incidentes sobre a totalidade das receitas brutas demonstradas na Tabela 7, anterior, porque, como visto, beneficiaramse pessoal e diretamente do esquema de sonegação baseado na emissão fraudulenta de documentos fiscais da NORTE SUL. 195. Todavia, contra a ATACADÃO DO QUEIJO LTDA – da qual eram sócios JOSÉ MÁRCIO FERNANDES SILVEIRA e MARSONEY FERNANDES SILVEIRA –, foram lançados, anteriormente, pela RFB, os créditos tributários controlados no processo administrativo n. 10680720.602/ 201190, constituídos de ofício com fundamento na presunção legal de omissão de rendimentos prevista no art. 42 da Lei n. 9.430, de 1996 [itens 179.2 e 185.3]. 196. Pareceunos mais coerente, por isso, considerar que os excessos da movimentação financeira sobre os rendimentos declarados da ATACADÃO DO QUEIJO LTDA (itens 175.2 e 177.4) decorrem daqueles pagamentos que, embora vinculados a operações realizadas com suporte nos documentos fiscais da NORTE SUL, foram efetuados diretamente nas contas bancárias daquela sociedade empresária ou de seu sócio, JOSÉ MÁRCIO (itens 141 e 149). 197. E a coerência do raciocínio aqui invocado – notese– é de via dupla: de um lado implica reconhecimento de crédito tributário menor no procedimento aqui relatado; de outro, porém, reforça, naquele procedimento fiscal já encerrado, o acerto da tributação com base na presunção legal de omissão de rendimentos. É que, com efeito, os depósitos/créditos cuja origem os responsáveis pela ATACADÃO DO QUEIJO LTDA não tiveram êxito em esclarecer, naquele outro procedimento, certamente são os depósitos/créditos referidos nos itens 141 e 148 a 150, vinculados às vendas efetuadas fraudulentamente com documentos fiscais da NORTE SUL. 198. Assim, pois, em atenção à lógica referida nesses dois itens precedentes, esta Fiscalização entendeu ser mais prudente, inclusive para evitar eventual bis in idem, subtrair das receitas brutas da NORTE SUL (Tabela 7) os valores que muito provavelmente estão já abrangidos pelas omissões de rendimentos de que resultaram os créditos tributários controlados por meio do processo n. 10680720.602/ 201190. 199. Essas omissões de receitas imputadas à ATACADÃO DO QUEIJO LTDA e a seus sócios – das quais resultaram os créditos tributários controlados por meio do processo administrativo n. 10680720.602/ 201190, lançados pela Fiscalização da Delegacia da RFB em Belo Horizonte – representam, consolidadas, estas somas trimestrais: Trimestre Valor [R$] 1º trim/2006 4.573.635,85 2º trim/2006 4.731.806,44 3º trim/2006 3.905.145,96 4º trim/2006 2.854.227,83 1º trim/2007 4.312.521,71 2º trim/2007 3.749.527,65 3º trim/2007 1.914.188,17 4º trim/2007 1.868.434,49 Tabela 8: Faturamentos da NORTE SUL correspondentes aos pagamentos feitos à ATACADÃO DO QUEIJO LTDA e a seus sócios, JOSÉ MÁRCIO e MARSONEY Fl. 5869DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.862 49 Feitas essas considerações, passese assim, ao mérito da matéria tratada nos presentes autos. As Recorrentes discordam: (a) da constituição dos créditos tributários pelo lançamento de ofício com a utilização do critério da quebra de seus sigilos bancários; (b) da aplicação da multa de ofício proporcional qualificada e agravada; e (c) da lavratura dos Termos de Sujeição Passiva Solidária. Em resumo, o presente lançamento se fundamenta na omissão de receitas de atividade de revenda de mercadoria, no caso queijo, apurado a partir de depósitos bancários cujos valores foram creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas em instituições financeiras, em nome de pessoa jurídica fictícia, que tem como titulares de fato, os responsáveis solidários Mocair Temponi Dias, CNPJ 03.031.110/000109, Marcio Temponi Dias, CNPJ 01.785.223/000174 e Maria Serafina Temponi de Almeida, CNPJ 07.720.986/000113 enumerados no Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 201100837/001, fls. 103104, conforme Relatório de Auditoria Fiscal nº 201100019/001, fls. 35102. A apuração foi efetivada a partir do cotejo entre os valores creditados na contacorrente nº 223784 da agência nº 3061 do Banco Itaú S/A, fls. 149648 e 671672, e na contacorrente nº 13.838X da agência nº 04898 e na conta corrente nº 30.8951 da agência nº 33685, ambas do Banco do Brasil S/A, fls. 6774844, 48474932 e 51095156, em atendimento às Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), fls. 142 145, 649650, 673676 e 48454846 e aqueles constantes na Declaração de Informações Econômico Fiscais (DIPJ) entregue pela pessoa jurídica Anísio Comércio Representações Ltda com todos os valores zerados, fls. 55155526, de acordo com a Tabela 1. Tabela 1 – Valores da omissão de receita da atividade no período de janeiro a julho de 2007 Meses do AnoCalendário de 2007 (A) DIPJ R$ (B) Omissão de Receita Movimentação Financeira R$ (C) Julho 0,00 397,36 Agosto 0,00 17.434,21 Setembro 0,00 403.142,10 Outubro 0,00 451.905,26 Novembro 0,00 435.665,78 Dezembro 0,00 472.268,42 Cabe a seguir tecer comentários legais sobre as questões litigiosas. Da constituição dos créditos tributários pelo lançamento de ofício com a utilização do critério da quebra de seus sigilos bancários Fl. 5870DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.863 50 A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, cabendo à autoridade a prova da não veracidade dos fatos registrados. O regime de tributação com base no lucro presumido trimestral é uma opção da pessoa jurídica para todo anocalendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada com o pagamento do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário. É determinado pelo somatório do ganho de capital, da receita financeira e das demais receitas auferidas, bem como do valor resultante da aplicação do coeficiente legal correspondente a sua atividade econômica sobre a receita bruta total auferida no período de apuração. Quando se tratar de pessoa jurídica com atividades diversificadas serão adotados os percentuais específicos para cada uma das atividades econômicas, cujas receitas deverão ser apuradas separadamente. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia incluído o ICMS. Somente podem ser excluídos da receita bruta as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante, uma vez que se presume que uma parcela da receita bruta foi consumida na produção dos rendimentos decorrentes da atividade econômica. A pessoa jurídica deve manter o Livro Registro de Inventário, bem como a escrituração contábil nos termos da legislação comercial, ressalvada a hipótese, neste caso, de escriturar o Livro Caixa, incluindo toda a movimentação financeira, inclusive bancária. Caracterizase como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente8. Em relação à possibilidade jurídica de obtenção dos dados bancários pela autoridade tributária da RFB temse que no caso em que há processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso o agente fiscal pode examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações 8 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 15 e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º, art. 25 e art. 26 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 5871DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.864 51 financeiras, desde que tais exames sejam considerados indispensáveis. É certo que o resultado dos exames, as informações e os documentos devem ser conservados em sigilo9. Prevalece o entendimento de que o sigilo bancário, fundado constitucionalmente no direito à privacidade10, não se reveste de caráter absoluto, possibilitando a lei o seu afastamento em determinadas hipóteses. Não há que se confundir quebra de sigilo bancário com solicitação de informações cadastrais lastreada em processo administrativo fiscal regularmente instaurado e subscrita por autoridade administrativa competente. Ressaltese que o exame dos dados financeiros afigurase como medida necessária e não afeta esfera de privacidade da pessoa jurídica, mormente quando há previsão legal permissiva expressa e esta se destina a identificar a materialidade do ilícito tributário. Além disso esses dados devem ser mantidos em sigilo pela autoridade fiscal. Assim, não há que se falar em obtenção de prova por meio ilícito. Havendo procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos pelo sigilo bancário às autoridades obrigadas a mantêlos no âmbito do sigilo fiscal. No presente caso, os dados foram obtidos junto às instituições financeiras, com amparo no permissivo normativo previsto no art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, que é o fundamento de validade do Decreto nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001, conforme consta nas Requisições de Informações de Movimentação Financeira (RMF), fls. 142145, 649650, 673676 e 48454846, que têm como destinatários o Banco Itaú S/A e o Banco do Brasil S/A. Nesse caso, as instituições financeiras mencionados forneceram os dados bancários com base nas determinação legal em vigor, em observância ao princípio da legalidade e na premissa de que ninguém pode se escusar de cumprir a lei, de acordo com o caput do art. 5º da Constituição Federal e o art. 3º da Lei nº 4.657, de 04 de setembro de 1942, denominada Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro. As autoridade agiram no estrito cumprimento do dever legal, já que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do art. 142, art. 195 e art. 197 do Código Tributário Nacional, não cabendo quaisquer reparos aos Autos de Infração, uma vez que houve o cotejo entre os valores creditados na contacorrente nº 223784 da agência nº 3061 do Banco Itaú S/A, fls. 149648 e 671672, e na contacorrente nº 13.838X da agência 04898 e na conta corrente nº 308951 da agência nº 33685, ambas do Banco do Brasil S/A, fls. 6774844, 48474932 e 51095156, e aqueles constantes na Declaração de Informações Econômico Fiscais (DIPJ) entregue pela pessoa jurídica Anísio Comércio Representações Ltda com todos os valores zerados, fls. 5515 5526. Vale ressaltar que essas normas encontramse em vigor no ordenamento jurídico pátrio, uma vez que o tema nº 225 “a) Fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei 9 Fundamentação legal: art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 e janeiro de 2001. 10 Fundamentação Legal: incisos X e XII do art. 5º da Constituição Federal. Fl. 5872DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.865 52 Complementar nº 105/2001; b) Aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência” tratado no Recurso Extraordinário com Repercussão Geral nº 601314 se encontra na fase “Conclusos ao Relator”, Ministro Ricardo Lewandowski, desde 03.10.201311. Temse que somente as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática prevista no art. 543 B do Código de Processo Civil (CPC), devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF12. Assim, é irrelevante para solução da lide os argumentos referentes à possibilidade jurídica de aplicação da Lei n° 4.595, de 31 de dezembro de 1964, da Lei n.° 9.311, de 24 de outubro de 1996, e do enunciado da Súmula n.° 182 do TFR. Diferentemente do entendimento das Recorrentes, os Autos de Infração foram lavrados pela apuração do ilícito de omissão de receita da atividade de venda de mercadorias e não por omissão de receita de depósitos bancários, previsto no art, 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Nesse sentido não há que se falar em presunção legal, já que foram utilizadas prova direta para constituição dos créditos tributários pelo lançamento de ofício. A infração à legislação tributária está comprovada de forma robusta como se verifica nas provas produzidas nos autos e minuciosamente indicadas no Relatório de Auditoria Fiscal nº 201100019/001, fls. 35102, conforme a seguir transcrito. Da lavratura dos Termos de Sujeição Passiva Solidária A solidariedade passiva apresentase no caso em que a mesma obrigação concorre mais de um devedor/sujeito passivo cada um responsável pela dívida toda. O credor/sujeito ativo, por sua vez, tem o direito de exigir de um deles totalmente a dívida comum13. A responsabilidade tributária é o instituto pelo qual qualquer dos sujeitos passivos que tenham relação direta e pessoal com a situação que constitua o respectivo fato gerador da obrigação principal e estão obrigado ao cumprimento da respectiva obrigação. Como é o sujeito passivo da obrigação principal, para ser responsável solidário é suficiente ser uma pessoa que possua interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, e não comporta benefício de ordem 14. A solidariedade tributária é uma maneira de graduar a responsabilidade dos sujeitos que já compõem o polo passivo em posições congruentes e que recebem o impacto jurídico da exigência fiscal. Eles não têm necessariamente interesse econômico mas é condição imprescindível que tenham interesse jurídico comum em lesar o Erário pela participação na realização conjunta na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária. Cabe esclarecer que é irrelevante a mera participação no resultado dos eventuais lucros auferidos por cada um dos coobrigados, no caso de solidariedade passiva entre pessoas jurídicas. 11 Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudenciaRepercussao/verAndamentoProcesso.asp?incidente=2689108&numero Processo=601314&classeProcesso=RE&numeroTema=225>. Acesso em 11 jul.2014. 12 Fundamentação legal: art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. 13 Fundamentação legal: art. 896 e art. 904 do Código Civil. 14 Fundamentação legal: art. 124 e art. 125 do Código Tributário Nacional. Fl. 5873DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.866 53 No presente caso restou cabalmente comprovada a circunstância de que as pessoas jurídicas Moacir Temponi Dias, Márcio Temponi Dias e Maria Serafina Temponi de Almeida constituíram outra pessoa jurídica, Anísio Comércio e Representações Ltda, mediante interpostas pessoas, com a finalidade de receberem os pagamentos relativos às operações com venda de queijos documentadas com as notas frias emitidas pela pessoa jurídica fictícia Distribuidora de Laticínios Norte Sul Ltda, no valor total de R$1.780.813,13. A pessoa jurídica Anísio Comércio e Representações Ltda foi constituída em nome de interpostas pessoas, quais sejam, Anísio Alves da Silva, CPF 033.386.32673, e Daniel Marcos Carneiro de Oliveira, CPF 070.837.49647, que declararam à RFB que Anísio Comércio e Representações Ltda não auferiu receita. Anísio Alves da Silva tinha vínculos empregatícios com as pessoas jurídicas Mocair Temponi Dias, e Marcio Temponi Dias, bem como, Daniel Marcos Carneiro de Oliveira tinha vínculo empregatício com a pessoa jurídica Marcio Temponi Dias. Caracterizado está o interesse jurídico comum dos responsáveis solidários em lesar o Erário pela participação na realização conjunta na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária. Esses fatos estão comprovados de forma robusta nos autos detalhadamente identificados no Relatório de Auditoria Fiscal nº 201100019/001, fls. 35102, conforme a seguir transcrito. Da aplicação da multa de ofício proporcional qualificada e agravada Via de regra, a norma jurídica secundária impõe uma sanção em decorrência da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A multa de natureza tributária, penalidade que tem como fonte a lei, é imposta em razão do inadimplemento de uma obrigação legal principal ou acessória e expressa a obrigação de dar determinada quantia em dinheiro ao sujeito passivo. A aplicação da multa de ofício proporcional qualificada pressupõe a constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, diante da constatação da falta de pagamento ou recolhimento, pela falta de declaração e pela declaração inexata de obrigações tributárias pelo sujeito passivo. Temse que a multa de ofício proporcional pode ser reduzida nos seguintes percentuais, se o sujeito passivo, uma vez notificado, efetuar o pagamento, a compensação ou o parcelamento dos tributos lançados de ofício: – 50% (cinquenta por cento), se efetuar o pagamento ou a compensação no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado do lançamento; – 40% (quarenta por cento), se requerer o parcelamento no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado do lançamento; – 30% (trinta por cento), se efetuar o pagamento ou a compensação no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado da decisão administrativa de primeira instância; e Fl. 5874DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.867 54 – 20% (vinte por cento), se requerer o parcelamento no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado da decisão administrativa de primeira instância15. No presente caso, houve constituição do crédito tributário pelo lançamento direito e as Recorrentes não efetuaram o pagamento, a compensação ou o parcelamento dos tributos lançados de ofício até a notificação da decisão administrativa de primeira instância, de modo que está correta a aplicação da multa de ofício proporcional. Tem como requisito necessário a comprovação, de plano, da conduta dolosa, que é a vontade livre e consciente de o agente praticar um fato ilícito, ainda que por erro, mas desde de evidenciada a máfé, da qual decorre prejuízo a outrem. Caracterizase pela sonegação, que é a ação ou omissão dolosa do agente de encobrir fatos tributários da Administração Pública, pela fraude, que é a ação ou omissão dolosa de não revelar a ocorrência do fato gerador do tributo ou pelo conluio, que é o ajuste doloso entre pessoas, seja para encobrir fatos tributários da Administração Pública, seja para não revelar a ocorrência do fato gerador do tributo. Há que se perquirir se houve simulação, vício ou falsificação de documentos ou a escrituração de livros fiscais ou comerciais, ou utilização de documentos falsos para iludir a fiscalização ou fugir ao pagamento do imposto16. Evidenciado de maneira precisa, clara e congruente consta no presente processo que a pessoa jurídica Anísio Comércio e Representações Ltda foi constituída por interpostas pessoas, Anísio Alves da Silva, CPF 033.386.32673, e Daniel Marcos Carneiro de Oliveira, CPF 070.837.49647, com a finalidade de receber os pagamentos relativos às operações com venda de queijos documentadas com as notas frias emitidas pela pessoa jurídica fictícia Distribuidora de Laticínios Norte Sul Ltda, no valor total de R$1.780.813,13, e repassá los para os responsáveis solidários pessoas jurídicas Moacir Temponi Dias, Márcio Temponi Dias e Maria Serafina Temponi de Almeida. Por seu turno, a aplicação da multa de ofício proporcional agravada tem como requisito o não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos17. A autoridade tributária tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas18. Vale lembrar que são deveres do administrado perante a Administração, entre outros, expor os fatos conforme a verdade e prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos, de acordo com o art. 4º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. As pessoas jurídicas Anísio Comércio e Representações Ltda, Moacir Temponi Dias, Márcio Temponi Dias e Maria Serafina Temponi de Almeida foram 15 Fundamentação legal: art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 14 de julho de 2007 e art. 6º Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991 com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. 16 Fundamentação legal: art. 142 e art. 149 do Código Tributário Nacional, art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 68, art. 70, art. 71, art. 72, art. 73, art. 74 e art. 85 da Lei n.º 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 13 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 20 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002. 17 Fundamentação legal: § 2º do art. 44 da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996. 18 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999. Fl. 5875DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.868 55 reiteradamente notificadas pelas autoridades fiscais a prestarem esclarecimentos, fls. 105106, 49344954, 50045024, 50865106, porém permaneceram inertes, deixando de atender às intimações que lhes foram encaminhadas.Por conseguinte está correta a aplicação da multa de ofício proporcional qualificada e agravada. Com a finalidade de pormenorizar as circunstâncias que evidenciam a prática do ilícito tributário e demonstrar que todos os fatos estão comprovados nos autos, tem cabimento transcrever o trabalho meticuloso constante no Relatório de Auditoria Fiscal nº 201100019/001, fls. 35102, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: II.2 Dos terceiros que se beneficiaram do esquema de economia irregular de tributos construído em torno da NORTE SUL 52. A partir deste ponto, demonstramos pormenorizadamente a participação de cada um daqueles terceiros enumerados no item 50 no esquema irregular de economia tributária construído em torno da NORTE SUL. II.2.1 Da ACR (empresa de mera aparência) e dos intervenientes de fato nas operações comerciais em nome dela realizadas 53. Uma das maiores beneficiárias dos pagamentos vinculados a operações respaldadas em notas fiscais emitidas fraudulentamente em nome da NORTE SUL foi a ANÍSIO COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA (neste relatório referida simplesmente pelo nome de ACR, para simplificar). 54. A ACR, assim como a NORTE SUL, também nunca declarou um único centavo sequer de rendimento à RFB, muito embora, entre 2006 e 2009 (período examinado pela Fiscalização) tenha apresentado expressiva movimentação em suas contas bancárias. 55. Como decorrência do procedimento fiscal principal desenvolvido em face da NORTE SUL, instauramos em face da ACR o procedimento de fiscalização n. 06.1.03.002011000192, cujas conclusões passamos a apresentar. 56. A fiscalização em face da ACR foilhe comunicada por meio do Termo de Início do Procedimento Fiscal n. 2011008371 [DOC39]. 57. Essa intimação inicial foi entregue, por via postal, em 17/8/2011, no endereço eleito como domicílio fiscal da ACR2 [DOC37]. 58. Como não houve manifestação, a intimação inicial foi reiterada por meio do Edital DRF/GVS/SAFIS n. 201100837/ 001 [DOC40]. 59. Os responsáveis pela ACR mantiveramse, todavia, inertes. II.2.1.1 Da constituição da ACR em nome de interpostas pessoas 60. A ACR foi constituída em 11/6/2007, em nome de ANÍSIO ALVES DA SILVA, CPF n. 033.386.32673, e DANIEL MARCOS CARNEIRO DE OLIVEIRA, CPF n. 070.837.49647 [DOC37 e DOC32]. 60.1. ANÍSIO ALVES DA SILVA, que consta no ato de constituição da sociedade como administrador, intercalou, desde 1º/1/2001, vínculos de emprego com os empresários individuais MARCIO TEMPONI DIAS e MOACIR TEMPONI DIAS [DOC33]. Fl. 5876DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.869 56 60.2. Notese que, na data em que foi constituída a ACR, ANÍSIO era empregado de MÁRCIO TEMPONI DIAS; mais tarde (a partir de julho de 2010), o seu vínculo passou a ser com MOACIR TEMPONI DIAS. 60.3. Trabalhando para um e outro dos empregadores mencionados anteriormente, ANÍSIO desempenhou atribuições muito simples, de remuneração geralmente baixa (pouco mais de um salário mínimo mensal), segundo consta no CNIS3. 60.4. Dentre as atividades de que se ocupou destacamse a de trabalhador de carga e descarga (carregador ou ajudante de motorista, CBO n. 7.832), trabalhador artesanal na pasteurização de leite ou fabricação de laticínios (pasteurizador, queijeiro ou manteigueiro, CBO n. 8.482), almoxarife e armazenista (CBO n. 4.141). 60.5. DANIEL MARCOS CARNEIRO DE OLIVEIRA, o outro sócio de direito da ACR, trabalhou para o empresário individual MÁRCIO TEMPONI DIAS de 1º/3/2006 a 1º/10/2007 e se ocupou, também, de atribuições muito simples, de remuneração geralmente baixa [DOC34]. II.2.1.2 Da incompatibilidade entre a movimentação financeira e a situação da ACR declarada perante a RFB 61. Os empresários individuais MÁRCIO TEMPONI DIAS e MOACIR TEMPONI DIAS, além da mãe deles, MARIA SERAFINA TEMPONI DE ALMEIDA, constituíram a ACR com o propósito de, por meio de contas bancárias abertas em nome dessa sociedade empresária constituída em nome de interpostas pessoas (empregados seus), receberem os pagamentos correspondentes às operações de vendas de queijos documentadas com as notas frias da NORTE SUL. 62. Com isso, aquela primeira sociedade (a ACR) movimentou, entre 2007 e 2009, quase R$15 milhões, nestas contas bancárias, das quais constou como titular: Banco Agência Número da Conta Banco do Brasil 04898(Santa Maria do Suaçuí) 13.838X Banco do Brasil 33685(Savassi, Belo Horizonte) 30.8951 Banco Itaú 30619(Malacacheta) 22.3784 Tabela 1: contas bancárias abertas e movimentadas em nome da ACR 63. Contraditoriamente, no mesmo período em que movimentou em banco as cifras milionárias referidas acima, a ACR declarou à RFB ter permanecido inativa (foi o que informou em relação ao ano de 2010) ou não ter recebido um único centavo sequer de receita (2007, 2008 e 2009). 63.1. Em relação a 2007, os responsáveis de fato pela ACR apresentaram a declaração constante do DOC35, porém nela informaram que, naquele ano, a empresa não obteve nenhuma receita. 63.2. Em relação a 2008 e 2009, as declarações a que estava obrigada a sociedade empresária sequer foram apresentadas. 63.3. Por fim, quanto ao anocalendário de 2010, a ACR, por meio do contabilista GILDÁSIO KLIER PASSOS (CPF n. 998.783.30630, CRC n. 69552/MG), declarouse inativa (DOC36). Fl. 5877DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.870 57 64. A incompatibilidade entre a movimentação financeira da ACR e a situação por ela declarada à RFB é absoluta, senão vejamos: Mês Receitas declaradas Movimentação Financeira Jul/2007 0,00 397,36 Ago/2007 0,00 17.434,21 Set/2007 0,00 403.142,10 Out/2007 0,00 451.905,26 Nov/2007 0,00 435.665,78 Dez/2007 0,00 472.268,42 Subtotal (2007) 0,00 1.780.813,13 Jan/2008 0,00 372.994,68 Fev/2008 0,00 522.372,06 Mar/2008 0,00 247.259,43 Abr/2008 0,00 588.133,51 Maio/2008 0,00 373.215,75 Jun/2008 0,00 454.846,82 Jul/2008 0,00 371.928,54 Ago/2008 0,00 610.680,91 Set/2008 0,00 568.348,91 Out/2008 0,00 252.778,10 Nov/2008 0,00 406.820,55 Dez/2008 0,00 588.509,20 Subtotal (2008) 0,00 5.357.888,46 Jan/2009 0,00 495.854,43 Fev/2009 0,00 749.446,95 Mar/2009 0,00 913.570,09 Abr/2009 0,00 528.723,10 Maio/2009 0,00 650.839,78 Jun/2009 0,00 636.689,31 Jul/2009 0,00 910.147,51 Ago/2009 0,00 981.816,61 Set/2009 0,00 735.297,53 Out/2009 0,00 506.246,63 Nov/2009 0,00 268.478,39 Dez/2009 0,00 306.540,16 Subtotal (2009) 0,00 7.683.650,49 Total (2007 – 2009) 0,00 14.822.352,08 Tabela 2: comparativo entre as receitas declaradas e a movimentação financeira da ACR, de 2007 a 2009 II.2.1.3 Da não emissão, pela ACR, dos documentos fiscais obrigatórios, nos períodos em que se beneficiou de pagamentos milionários relativos a operações de vendas de queijo. Mesmo tendo movimentado, como demonstramos, quase R$15 milhões (entre 2007 e 2009), decorrentes de operações de vendas de queijos, a ACR nem emitiu notas fiscais, nem declarou um único centavo sequer de faturamento ao Fisco de MG [DOC38]. II.2.1.4.1 Primeira evidência: a ACR nunca funcionou, de fato, no endereço que informou aos órgãos públicos e os seus sócios de direito são pessoas de condição incompatível com os milionários recursos movimentados em nome da empresa supostamente por eles titularizada Fl. 5878DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.871 58 67. Por meio da intimação inicial referida nos itens 56 a 58, solicitamos da ACR que apresentasse os livros e documentos de sua escrituração contábil e fiscal, bem como cópias de seu ato constitutivo e das respectivas alterações. 68. Como não foi apresentada nenhuma resposta à intimação formulada, estivemos, em 1º/7/2011, para inspeção pessoal, no endereço informado aos órgãos públicos como sede da sociedade empresária, e ali constatamos existir apenas o casebre inabitado [...] 69. Vizinha do local, a senhora MARIA DO ROSÁRIO GOMES PENA (CPF n. 028.544.32673) – quem, aliás, recebeu a intimação referida no item 56 –, informou nos ter sido a proprietária do imóvel à época em que ele foi apontado como sede da ACR e, questionada por nós, prestou, ainda, estas informações (Termo de Depoimento n. 201100019/005 [DOC41]): 69.1. que ANÍSIO ALVES DA SILVA (sócio de direito da ACR, como apontado no item 60) vive em união estável com sua filha e reside em Belo Horizonte; 69.2. que ele já morou na casa que consta como domicílio fiscal da ACR; 69.3. que ele trabalha em Belo Horizonte, há muitos anos, para MÁRCIO TEMPONI DIAS e MOACIR TEMPONI DIAS; 69.4. que MÁRCIO e MOACIR atuam na fabricação e distribuição de queijos; 69.5. que a fabricação de queijos nos laticínios daqueles senhores (conhecido na região como LATICÍNIOS TEMPONI) era realizada, anteriormente, em diversos lugares, mas hoje está centralizada em Malacacheta (MG); 69.6. que os queijos fabricados em Malacacheta (MG) são distribuídos em Belo Horizonte; 69.7. que, nos LATICÍNIOS TEMPONI, quem cuida da fabricação dos queijos, em Malacacheta (MG), é principalmente o senhor MOACIR (conhecido por “MOCA”) e quem cuida da distribuição, em Belo Horizonte, é principalmente o senhor MÁRCIO; 69.8. que depois que ANÍSIO ALVES DA SILVA se mudou de sua casa (a mesma que foi indicada como sede da ACR), chegaram ali diversas correspondências e que, certa vez, ela (MARIA DO ROSÁRIO), que não sabia ler, pediu a outra pessoa que verificasse do que se tratava; soube, então, nessa ocasião, que um dos documentos cuidava de um extrato bancário que demonstrava altas quantias de dinheiro, valores que nem ela nem ANÍSIO nunca teriam condições de possuir; 69.9. que, indagando sua filha (que vive em união estável com ANÍSIO) sobre isso, ela lhe disse que ANÍSIO ALVES DA SILVA teria aceitado que seu empregador à época (MÁRCIO TEMPONI DIAS ou MOACIR TEMPONI DIAS) abrisse uma firma em nome dele (ANÍSIO); 69.10. que, pelo que sabe, em troca desse “favor”, ANÍSIO ALVES DA SILVA não recebeu nada além da manutenção do emprego com os TEMPONI; 69.8. que depois que ANÍSIO ALVES DA SILVA se mudou de sua casa (a mesma que foi indicada como sede da ACR), chegaram ali diversas correspondências e que, certa vez, ela (MARIA DO ROSÁRIO), que não sabia ler, pediu a outra pessoa que verificasse do que se tratava; soube, então, nessa ocasião, Fl. 5879DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.872 59 que um dos documentos cuidava de um extrato bancário que demonstrava altas quantias de dinheiro, valores que nem ela nem ANÍSIO nunca teriam condições de possuir; 69.9. que, indagando sua filha (que vive em união estável com ANÍSIO) sobre isso, ela lhe disse que ANÍSIO ALVES DA SILVA teria aceitado que seu empregador à época (MÁRCIO TEMPONI DIAS ou MOACIR TEMPONI DIAS) abrisse uma firma em nome dele (ANÍSIO); 69.10. que, pelo que sabe, em troca desse “favor”, ANÍSIO ALVES DA SILVA não recebeu nada além da manutenção do emprego com os TEMPONI; 69.11. que, inclusive, ANÍSIO ALVES DA SILVA é de condição econômica muito humilde (“deve ser lavador de queijos [...] e reside em uma casa extremamente simples”, disse); 69.12. que ANÍSIO ALVES DA SILVA sempre se ocupou de trabalhos que não lhe dariam condições de tornarse sócio de empresa e menos ainda de movimentar as altas quantias que apareciam nos extratos em seu nome; 69.13. que, antes de ir trabalhar para os LATICÍNIOS TEMPONI, ANÍSIO ALVES DA SILVA trabalhava como vaqueiro e fazia serviços gerais de roça em fazenda de pessoa conhecida como ANTÔNIO BRETAS, em Santa Maria do Suaçuí (MG); 69.14. que, desde que começaram a chegar as correspondências de bancos em sua casa, e principalmente depois de questionar sua filha, tem conhecimento de que ANÍSIO ALVES DA SILVA foi usado como “laranja”. 70. MARIA DO ROSÁRIO, que prestou os esclarecimentos acima, era mesmo a proprietária do imóvel indicado no contrato social como sede da ACR. Comprova isso o DOC42, utilizado como comprovante de endereço perante o Banco do Brasil S.A., no ato da abertura das contas referidas no item 62, mantidas naquela instituição financeira. II.2.1.4.2 Segunda evidência: os recursos que ingressavam nas contas bancárias da ACR não eram empregados em negócios dessa empresa, mas transferidos para contas bancárias de MOACIR TEMPONI DIAS e MÁRCIO TEMPONI DIAS e da mãe deles, MARIA SERAFINA TEMPONI DE ALMEIDA 71. Em razão da negativa de atendimento à intimação referida no item 67 e, principalmente, a par das informações enumeradas na seção precedente, que revelavam a interposição de pessoas, requisitamos dos bancos, diretamente, com fundamento no art. 6º da Lei Complementar n. 105, de 2001, e no art. 3º, XI, do Decreto n. 3.724, de 2001, os extratos e outros documentos relativos às contas da ACR5. 72. Examinando os documentos obtidos junto aos bancos, constatamos que as contas bancárias da ACR receberam, entre 2007 e 2009, cerca de R$10 milhões, a maior parte proveniente de cobranças bancárias. Outros quase R$3 milhões foram creditados nessas contas em operações de crédito contratadas junto ao Banco do Brasil S/A. Não estão consideradas, nessas somas, as transferências bancárias entre contas da própria ACR, bem como entre essas contas e as contas dos empresários individuais MOACIR TEMPONI DIAS, MÁRCIO TEMPONI DIAS e MARIA SERAFINA TEMPONI DE ALMEIDA. Fl. 5880DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.873 60 73. Os valores que ingressaram nas contas da ACR eram dali retirados geralmente por meio de transferências bancárias ou cheques emitidos em favor de terceiros. 74. Entre 2007 e 2009, MÁRCIO TEMPONI DIAS, MOACIR TEMPONI DIAS e MARIA SERAFINA TEMPONI DE ALMEIDA foram beneficiários, em inúmeras operações, de recursos transferidos das contas bancárias da ACR para suas próprias contas individuais. 74.1. Mencionamos, para exemplificar, estas transferências bancárias, selecionadas por amostragem: 74.1.1. as discriminadas no DOC43, realizadas em favor de MÁRCIO TEMPONI DIAS; 74.1.2. as discriminadas no DOC44 e DOC45, realizadas em favor de MOACIR TEMPONI DIAS; 74.1.3. as discriminadas no DOC46 e DOC47, realizadas em favor de MARIA SERAFINA TEMPONI DE ALMEIDA. II.2.1.4.3 Terceira evidência: os recursos que ingressavam nas contas bancárias da ACR não eram empregados em negócios dessa empresa, mas sacados, na boca do caixa, por JOSIANE DE SOUSA FÉLIX, empregada de MOACIR TEMPONI DIAS e MÁRCIO TEMPONI DIAS 75. JOSIANE DE SOUSA FÉLIX (CPF n. 051.391.06620) é empregada dos empresários individuais MOACIR TEMPONI DIAS e MÁRCIO TEMPONI DIAS desde 1º/3/2004 [DOC48]. 76. Em inúmeras oportunidades, ela sacou, na boca do caixa, milhões de reais da conta n. 13.838X, de titularidade da ACR, mantida na agência do Banco do Brasil em Santa Maria do Suaçuí (MG). 77. Constatamos, pelo volume dos cheques por ela sacados na boca do caixa, e mesmo por depoimentos colhidos de outras pessoas, sobre os quais falaremos adiante, que JOSIANE não era uma funcionária qualquer, sem nenhum poder de decisão. Ao contrário, era ela quem se ocupava dos assuntos estratégicos dos LATICÍNIOS TEMPONI, como, por exemplo, a negociação e efetivação de pagamentos a fornecedores. 78. Por meio de JOSIANE, os recursos que originariamente ingressaram nas contas da ACR (isto é, os recursos decorrentes de operações de vendas de queijos dos TEMPONI acobertadas por notas fiscais da NORTE SUL) chegavam, finalmente, aos seus verdadeiros titulares (os empresários individuais MOACIR TEMPONI DIAS, MÁRCIO TEMPONI DIAS e MARIA SERAFINA TEMPONI DE ALMEIDA), de cujos negócios JOSIANE funcionava como uma gerente. 79. Além dos que foram utilizados em saques na boca do caixa pela senhora JOSIANE, outros inúmeros cheques da ACR serviram para o pagamento de fornecedores e funcionários dos LATICÍNIOS TEMPONI. 80. Isso foi constatado ao ouvirmos estas pessoas, selecionadas por amostragem, beneficiárias de cheques de emissão da ACR: WELINGTON JOSÉ LEAL (CPF n. 701.437.49668), GILDAZIO GOMES BARROSO (CPF n. 565.823.40697), JACI MEIRA DE ARAÚJO (CPF n. 223.212.09615), DIMAS NUNES DOS SANTOS (CPF n. 076.378.91860), GUSTAVO MARTINS KRULL (CPF n. 062.061.84692), SOCIEDADE DE PETRÓLEO ARFLA LTDA (CNPJ n. 25.296.138/000100), LATICÍNIO LACBOM LTDA EPP (CNPJ n. 03.862.607/000179), NOVA CRUZEIRO COMERCIO DE PRODUTOS Fl. 5881DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.874 61 ALIMENTÍCIOS LTDA EPP (CNPJ n. 09.070.968/000169) e BRUZZONE REPRESENTAÇÃO COMERCIAL LTDA (CNPJ n. 07.018.766/000142). 81. Em diligência realizada em Malacacheta (MG), onde funciona a fábrica dos LATICÍNIOS TEMPONI, fizemos contato por telefone com JOSIANE, e, tendo ela concordado, agendamos dia e horário para que nos prestasse seu depoimento, a fim de esclarecer os fatos anteriormente narrados. Logo antes, porém, de comparecer e prestar depoimento, JOSIANE nos contatou, afirmando que, por motivo de evento fortuito, estaria impossibilitada de prestar os esclarecimentos dela solicitados, no dia e hora combinados. Comprometeuse, então, a comparecer pessoalmente na Seção de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal em Governador Valadares, para prestar depoimento. Outra vez, porém, deixou de comparecer para prestar esclarecimentos e, em contato por telefone, agendou nova oportunidade para fazêlo. De novo não compareceu, mas, desta vez representada por advogado, pediu que lhe formulássemos, por escrito, os pedidos de esclarecimentos [DOC57]. 82. Assim, pois, por meio do Termo de Intimação Fiscal n. 201100837/ 011 [DOC52], solicitamos que JOSIANE se manifestasse a respeito dos fatos que a envolveram, apurados pela Fiscalização. Submetemoslhe, inclusive, por meio do referido Termo de Intimação, uma listagem de cheques da ACR – selecionados por amostragem –, os quais, emitidos nominalmente a ela, foram sacados na boca do caixa. 83. JOSIANE, porém, deixou de prestar os esclarecimentos que lhe foram solicitados, muito embora, como dissemos, manifestandose anteriormente por meio de advogado, tenha indicado que os prestaria por escrito. 84. Reintimada (Termo de Intimação Fiscal n. 201100837/ 015, [DOC56]) – inclusive com imposição de multa (art. 968, do RIR/99) –, JOSIANE, outra vez, nem atendeu à intimação, nem apresentou as razões pelas quais deixou de prestar os esclarecimentos que lhe foram solicitados. II.2.1.4.4 Quarta evidência: os recursos que ingressavam nas contas bancárias da ACR foram utilizados para o pagamento de queijos que os LATICÍNIOS TEMPONI adquiriram de WELINGTON JOSÉ LEAL 85. WELINGTON JOSÉ LEAL, CPF n. 701.437.49668, em depoimento pessoal prestado em 16/5/2012 [DOC64], nos informou o seguinte: 85.1. que, entre 2007 e 2009, produziu queijos parmesão em sua Fazenda, em Peçanha (MG); 85.2. que vendeu esses queijos aos laticínios dos senhores MOACIR TEMPONI DIAS e MÁRCIO TEMPONI DIAS (LATICÍNIOS TEMPONI), que funcionavam em Santa Maria do Suaçuí (MG), mas hoje funcionam em Malacacheta (MG); 85.3. que as vendas de queijos eram negociadas com a senhora JOSIANE DE SOUSA FÉLIX, a quem tinha por gerente dos LATICÍNIOS TEMPONI; 85.4. que, algumas vezes, foi pessoalmente aos LATICÍNIOS TEMPONI para negociar tais vendas; 85.5. que era a própria JOSIANE DE SOUSA FÉLIX quem lhe encaminhava os cheques de emissão da ACR, para pagamento dos queijos que vendera aos LATICÍNIOS TEMPONI; Fl. 5882DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.875 62 85.6. que, porém, nunca questionou a procedência desses cheques (embora nunca tivesse ouvido falar da empresa que figurava como emitente deles), pois sabia que JOSIANE era funcionária de confiança de MOACIR TEMPONI DIAS e MÁRCIO TEMPONI DIAS, pessoas com fama de pontualidade em seus compromissos. II.2.1.4.5 Quinta evidência: os recursos que ingressavam nas contas bancárias da ACR foram utilizados para o pagamento de combustíveis que os LATICÍNIOS TEMPONI adquiriram do “Posto Avenida” 86. GILDAZIO GOMES BARROSO, CPF n. 565.823.40667, sócio administrador do “Posto Avenida”, com sede em Santa Maria do Suaçuí (MG), em depoimento pessoal prestado em 17/5/2012 [DOC65], nos informou isto: 86.1. que, entre 2007 e 2009, vendeu combustíveis aos LATICÍNIOS TEMPONI; 86.2. que praticamente todos os pagamentos recebidos por essas vendas eram feitos com cheques de emissão da ACR; 86.3. que esses cheques lhes foram entregues ou encaminhados pela senhora JOSIANE DE SOUSA FÉLIX, depois que informava a ela, por telefone, a soma mensal dos fornecimentos de combustíveis; 86.4. que a JOSIANE DE SOUSA FÉLIX era pessoa de confiança do senhor MOACIR TEMPONI DIAS e, segundo sabia, gerente do setor de pagamentos dos LATICÍNIOS TEMPONI. II.2.1.4.6 Sexta evidência: os recursos que ingressavam nas contas bancárias da ACR foram utilizados para o pagamento de queijos que os LATICÍNIOS TEMPONI adquiriram de JACI MEIRA DE ARAÚJO 87. JACI MEIRA DE ARAÚJO, CPF n. 223.212.09615, em depoimento pessoal prestado em 17/5/2012 [DOC66], nos informou o seguinte: 87.1. que, em sua fazenda, localizada no distrito de Glucínio, em Santa Maria do Suaçuí (MG), produziu queijos “minas” e os vendeu, entre 2007 e 2009, aos LATICÍNIOS TEMPONI; 87.2. que os queijos, já prontos, eram recolhidos em sua fazenda por caminhões dos LATICÍNIOS TEMPONI; 87.3. que mensalmente a senhora JOSIANE DE SOUSA FÉLIX (que, sabia, trabalhava nos LATICÍNIOS TEMPONI) lhe telefonava, para pedir que fosse receber o pagamento relativo às vendas efetuadas no mês; 87.4. que, embora desconhecesse a ACR, nunca questionou os cheques de emissão dessa empresa que lhe eram encaminhados pelos LATICÍNIOS TEMPONI, por confiar que esses cheques não seriam devolvidos, dada sua procedência. II.2.1.4.7 Sétima evidência: os recursos que ingressavam nas contas bancárias da ACR foram utilizados para o pagamento de combustíveis que os LATICÍNIOS TEMPONI adquiriram do “Posto Tropical” 88. A Sociedade de Petróleo Arfla Ltda (“Posto Tropical”), CNPJ n. 25.296.138/000100, com sede em Poté (MG) e filiais em Malacacheta (MG) e Teófilo Otoni (MG), nos confirmou, por escrito, que os diversos cheques de emissão Fl. 5883DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.876 63 da ACR de que foi beneficiária foram recebidos para pagamento de fornecimentos efetuados a motoristas dos LATICÍNIOS TEMPONI [DOC67]. II.2.1.4.8 Oitava evidência: os recursos que ingressavam nas contas bancárias da ACR foram utilizados para o pagamento de resfriadores de leite que os LATICÍNIOS TEMPONI adquiriram de DIMAS NUNES DOS SANTOS 89. DIMAS NUNES DOS SANTOS, CPF n. 076.378.91860, por meio de resposta escrita a intimação que lhe dirigimos [DOC68], nos informou o seguinte: 89.1. que os cheques de que foi beneficiário, de emissão da ACR, foram recebidos diretamente do senhor MOACIR TEMPONI DIAS, dos LATICÍNIOS TEMPONI, localizado na zona rural de Malacacheta (MG); 89.2. que esses cheques foram recebidos em pagamento de resfriadores (de leite, supomos), cujas vendas foram tratadas diretamente com o senhor MOACIR TEMPONI DIAS, por meio dos telefones (33)34311578 e (33)35141602 (telefones que pertencem aos LATICÍNIOS TEMPONI, conforme o item 94, adiante). II.2.1.4.9 Nona evidência: os recursos que ingressavam nas contas bancárias da ACR foram utilizados para o pagamento de funcionários dos LATICÍNIOS TEMPONI 90. GUSTAVO MARTINS KRULL, CPF n. 062.061.84692, em resposta escrita a intimação que lhe dirigimos [DOC69], e também por meio de depoimento pessoal prestado em 4/6/2012 [DOC70], apresentounos estes esclarecimentos: 90.1. que, em 3/3/2008, foi contratado como auxiliar administrativo e exerceu a função de gerente administrativo dos LATICÍNIOS TEMPONI, em Malacacheta (MG); 90.2. que seu superior imediato era o senhor MOACIR TEMPONI DIAS; 90.3. que, na condição de responsável por intermediar o pagamento de funcionários dos LATICÍNIOS TEMPONI, recebeu a incumbência de efetuar saques (na boca do caixa) com inúmeros cheques, de emissão da ACR, que lhe foram entregues por MOACIR TEMPONI DIAS; 90.4. que esses cheques “eram emitidos dentro da empresa [de] MOACIR TEMPONI DIAS, sei disso porque, muitas vezes, fiquei esperando os mesmos serem preenchidos para então poder ir ao banco sacálos” (transcrição literal de trecho da resposta contida no [DOC69]) ; 90.5. que, no tempo em que lá trabalhou, soube que os LATICÍNIOS TEMPONI funcionavam como um só negócio, no qual intervinham MOACIR TEMPONI DIAS – a quem cabia cuidar da produção de queijos, na região de Malacacheta (MG), Santa Maria do Suaçuí (MG) e São Sebastião do Maranhão (MG) – e, ainda, MÁRCIO TEMPONI DIAS – a quem cabia cuidar da distribuição dos queijos em Belo Horizonte; 90.6. que está certo de que tanto o MOACIR quanto o MÁRCIO exerceram poder de gestão nos negócios dos LATICÍNIOS TEMPONI; que, para exemplificar, o primeiro (MOACIR), certa vez, não lhe autorizou a compra de uma máquina envasadora de leite do tipo “C” e o segundo (MÁRCIO) expediulhe ordem contrária, autorizando a compra da máquina, o que caracterizaria o poder de mando de ambos sobre os negócios dos LATICÍNIOS TEMPONI; Fl. 5884DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.877 64 90.7. que os LATICÍNIOS TEMPONI não apenas fabricavam como também adquiriam queijos já prontos, para revenda; 90.8. que os fornecedores eram pagos com cheques de emissão da ACR e, também, da MARIA SERAFINA TEMPONI DE ALMEIDA; 90.9. que a senhora JOSIANE DE SOUSA FÉLIX era pessoa de confiança do senhor MOACIR TEMPONI, e atuava como uma gerente financeira dos LATICÍNIOS TEMPONI; 90.10. que já presenciou o senhor MOACIR TEMPONI entregando à JOSIANE cheques assinados em branco, de emissão da ACR, para serem utilizados em pagamentos dos LATICÍNIOS TEMPONI; 90.11. que era JOSIANE quem preenchia esses cheques dentro do escritório dos LATICÍNIOS TEMPONI; 90.12. que, em sua função de gerente administrativo, lhe foram entregues cheques de emissão da ACR ou da MARIA SERAFINA TEMPONI DE ALMEIDA, destinados a pagamentos de funcionários e fornecedores dos LATICÍNIOS TEMPONI; 90.13. que, antes de ir ao Banco Itaú S/A, em Malacacheta, para sacar os cheques que lhe eram entregues, ligava para a gerente da agência bancária, para efetuar a provisão para os saques; que, algumas vezes, a gerente bancária se antecipava e ligava para o escritório dos LATICÍNIOS TEMPONI, a fim de consultar os valores a serem provisionados para os saques a serem feitos com os cheques da ACR. 91. A gerente responsável pela conta da ACR no Banco Itaú S.A., em Malacacheta, era a senhora ADÁLIA BARBOSA COUY, CPF n. 544.602.47615, como nos informou a própria instituição financeira [DOC85]. II.2.1.4.10 Décima evidência: em operação comercial de vendas de queijos à BRUZZONE REPRESENTAÇÃO COMERCIAL LTDA, os LATICÍNIOS TEMPONI autorizaram que os pagamentos fossem depositados em conta bancária da ACR 92. BRUZZONE REPRESENTACAO COMERCIAL LTDA (MEGA G ATACADISTA DE ALIMENTOS), CNPJ n. 07.018.766/000142, por meio de resposta escrita a intimação que lhe dirigimos [DOC71], nos informou que, mediante autorizações dadas por email pelos LATICÍNIOS TEMPONI, fizera depósitos na conta n. 308951, agência n. 33685, do Banco do Brasil S.A., de titularidade da ACR. Para comprovar o que afirmou, a BRUZZONE nos encaminhou cópia dos email [DOC72] em que referidas autorizações lhe foram passadas. II.2.1.4.11 Décima primeira evidência: os bancos, para tratar de assuntos relativos às contas da ACR, faziam contato com os LATICÍNIOS TEMPONI 93. Os contatos dos gerentes do Banco do Brasil S.A. e do Banco Itaú S.A. para tratar de assuntos relativos às contas movimentadas em nome da ACR eram feitos por meio dos telefones (33) 34311578 e (31) 34662277. 94. O telefone n. (33) 34311578 consta no cadastro da ACR no Banco do Brasil S.A. [DOC74]. Esse telefone pertence a MÁRCIO TEMPONI DIAS, segundo apuramos por meio desta consulta, efetuada na Internet [...] Fl. 5885DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.878 65 95. Em diligência realizada na agência do Banco do Brasil em Santa Maria do Suaçuí (MG), verificamos ainda que constou no cadastro da ACR, naquela instituição financeira, o telefone n. (31) 34662277, o qual pertence, também, aos LATICÍNIOS TEMPONI, como aponta esta outra consulta [...]. 96. O telefone acima, dos LATICÍNIOS TEMPONI, consta, também, no cadastro da conta da ACR no Banco Itaú S.A. [DOC98]. Isso, aliás, confirma o teor do depoimento referido no item 90.13, segundo o qual a gerente do Banco Itaú S.A. em Malacacheta (referida no item 91) ligava para o telefone dos LATICÍNIOS TEMPONI, a fim de se informar sobre os saques a serem efetuados com cheques da ACR. 97. O Banco do Brasil S.A., atendendo a intimação formulada com amparo na Lei Complementar n. 105, de 2001, nos informou (por meio dos expedientes IAT 3 – 2012/0910, de 19/7/2012 [DOC99] e IAT 3 – 2012/1150, de 29/8/2012 [DOC101]): 97.1. que o gerente das contas da ACR naquela instituição era o senhor MARCIANO TEMPONI ALMEIDA, CPF n. 695.272.29634 (item 3 do IAT 3 – 2012/0910, de 19/7/2012 [DOC99]); 97.2. que, para tratar de assuntos relativos às contas da ACR, o gerente responsável fazia “contatos de maneira informal”, dentre outros, com os senhores MÁRCIO TEMPONI DIAS (CPF n. 737.225.45668) e ARMANDO DE ASSIS TEMPONI DIAS (CPF n. 075.009.95695) (item 2 do IAT 3 – 2012/1150 [DOC101] e lista constante do DOC100, encaminhada pelo Banco do Brasil por meio do IAT 3 – 2012/0910). 98. Estranhounos a afirmação feita pelo Banco do Brasil de que fez contatos “de maneira informal” com terceiros, ao menos por estas razões: (i) a única pessoa cadastrada como contato da ACR no sistema do banco era, como informou a própria instituição financeira, o senhor ANÍSIO ALVES DA SILVA (item 2 do IAT 3 – 2012/1150 [DOC101]) ; (ii) o banco não recebera nenhuma procuração outorgando lhe poderes para tratar com terceiros dos assuntos relativos às contas da ACR (item 2 do IAT 3 – 2012/0910 [DOC99]). 99. Questionamos ainda o Banco do Brasil S.A. sobre o financiamento vinculado à Cédula de Crédito Comercial n. 40/003442 [DOC102], aprovado por aquele banco, que culminou com a liberação, em conta da ACR, de recursos expressivos do FINAME e do BNDES. 99.1. A Cédula de Crédito Comercial menciona que o financiamento destinavase à compra de “16 tanques de resfriamento por expansão”, no valor de R$198.100,00. Para garantir a operação, esses bens tiveram o seu domínio fiduciário transferido ao Banco do Brasil S.A. 99.2. Consta na Cédula de Crédito Rural que os bens financiados e dados em garantia à operação “estão localizados em SANTA MARIA DO SUAÇUÍMG, na RUA ALVORADA 222, SÃO JOSÉ DO PUBA [...]” (sic). 99.3. Questionado sobre se confirmou o endereço de instalação dos bens financiados e dados em garantia ao financiamento liberado por meio da Cédula de Crédito Comercial n. 40/003442, o Banco do Brasil S.A. (item 2 do IAT 3 – 2012/1114 [DOC103]) nos respondeu que sim, nestes termos: “conforme agência de relacionamento do cliente o endereço de instalação dos bens [...] foi confirmado e vistoriado” [sic, com destaques acrescentados]. Fl. 5886DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.879 66 99.4. Ora, o endereço em questão é aquele que consta no contrato social como sede da empresa de fachada, isto é, aquele casebre a que nos referimos no item 68. Ali, como nos asseverou a proprietária do imóvel (item 69), nunca funcionou a ACR. E o mais importante: o imóvel jamais comportaria os dezesseis tanques de resfriamento nele supostamente instalados. Logo, a informação prestada pelo Banco do Brasil S.A., por meio do gerente responsável pelas contas da ACR, é notoriamente falsa. 100. Registramos, por oportuno, que o nome do gerente referido no item 97.1 indica ser ele parente dos senhores MOACIR TEMPONI DIAS, MÁRCIO TEMPONI DIAS e MARIA SERAFINA TEMPONI DE ALMEIDA, titulares dos LATICÍNIOS TEMPONI. 100.1. Seria em razão do parentesco que esse gerente facilitou a abertura e a movimentação milionária de contas da ACR, empresa fictícia constituída irregularmente em nome de interpostas pessoas dos proprietários dos LATICÍNIOS TEMPONI? 100.2. Seria em razão do parentesco que esse gerente liberou, nas contas da empresa de fachada, financiamento de expressiva monta, feito com recursos do FINAME/BNDES e amparado em garantias irregulares (uma vez que os bens oferecidos em garantia passaram a integrar o patrimônio de terceiros, e não da ACR, a devedora)? 100.3. Seria em razão desse parentesco que o Banco do Brasil, questionado especificamente sobre isso, nos declarou que confirmou e vistoriou o endereço de instalação dos bens dados em garantia do financiamento feito com recursos do FINAME/BNDES, muito embora esse endereço seja sabidamente falso, pois ali a ACR nunca funcionou? 100.4. Seria ainda em razão desse parentesco que, embora o único contato da ACR cadastrado no Banco do Brasil fosse o senhor ANÍSIO ALVES DA SILVA, o gerente aqui mencionado fez contatos informais com os terceiros discriminados no item 97.2, acima? 100.5. Não há outra explicação razoável para todas essas questões, a não ser esta: o gerente do Banco do Brasil mencionado no item 97.1 – cujo sobrenome indica ser parente dos terceiros com quem fez os ditos contatos “feitos de maneira informal” – sabia que as contas da ACR pertenciam, de fato, aos LATICÍNIOS TEMPONI. Sabia aquele gerente que o senhor ANÍSIO ALVES DA SILVA (suposto sócioadministrador da ACR) era mero “laranja” e que os titulares de fato dos recursos movimentados em banco em nome dessa empresa fictícia eram os proprietários dos LATICÍNIOS TEMPONI. II.2.1.4.12 Décima segunda evidência: JOSIANE DE SOUSA FÉLIX e JANINE ALMEIDA ALVES DE OLIVEIRA, empregadas dos LATICÍNIOS TEMPONI, e, ainda, ARMANDO DE ASSIS TEMPONI CABRAL DIAS, filho de MÁRCIO TEMPONI DIAS, atuaram perante o Banco do Brasil S.A. para tratar de assuntos relativos às contas da ACR. 101. Alguns funcionários dos LATICÍNIOS TEMPONI e o filho de MÁRCIO TEMPONI DIAS atuaram perante o Banco do Brasil S.A. para tratar de assuntos relativos às contas da ACR [DOC75]. 101.1. JOSIANE DE SOUSA FÉLIX, funcionária de MOACIR TEMPONI DIAS e MÁRCIO TEMPONI DIAS desde 1/3/2004 [DOC62], atuou como Fl. 5887DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.880 67 procuradora da ACR junto ao Banco do Brasil S.A. desde 11/6/2008 [DOC77]. Anotamos, aliás, que o instrumento particular que nomeou JOSIANE procuradora foi abonado, naquele banco, pelo gerente de relacionamento MARCIANO TEMPONI ALMEIDA, aquele mesmo que, conforme o item 100, parece ser parente dos titulares dos LATICÍNIOS TEMPONI. 101.2. Também atuou perante o Banco do Brasil S.A. para tratar de assuntos da ACR a senhora JANINE ALMEIDA ALVES DE OLIVEIRA, funcionária de MÁRCIO TEMPONI DIAS até o ano de 2008 [DOC76]. A autorização para que o fizesse foi passada em 2007 por meio de instrumento particular abonado, também, pelo gerente de relacionamento MARCIANO TEMPONI ALMEIDA [DOC78]. Por meio de referido documento, o Banco do Brasil S.A. teria sido autorizado tão somente a conceder a JANINE “acesso por meio eletrônico ao extrato [...]” da n. 30.8951, da ACR. 101.3. Embora a autorização fosse só para acesso eletrônico aos extratos da ACR, JANINE fez muito mais do que isso. É que o Banco do Brasil S.A., ao pagar o cheque n. 850037 (da agência 3368, localizada na Savassi, em Belo Horizonte), ligou para os LATICÍNIOS TEMPONI, no telefone mencionado no item 95, e obteve, de JANINE, a confirmação de que referido cheque poderia ser pago. Essa informação consta no verso do próprio cheque, cuja cópia obtivemos junto à instituição financeira [DOC79]. 101.4. Atuou, também, perante o Banco do Brasil S.A., para tratar de assuntos relativos às contas da ACR, o senhor ARMANDO DE ASSIS TEMPONI CABRAL DIAS, filho de MÁRCIO TEMPONI DIAS [DOC75]. 102. A atuação de tais pessoas – todas ligadas aos LATICÍNIOS TEMPONI – no trato de assuntos da ACR, empresa com a qual, em princípio, não possuíam nenhum vínculo –confirma o que foi demonstrado pelos inúmeros fatos enumerados anteriormente: a ACR é mera empresa de fachada, criada com o exclusivo propósito de tornarse um véu a encobrir negócios que, de fato, foram realizados pelos empresários individuais MOACIR TEMPONI DIAS, MÁRCIO TEMPONI DIAS e MARIA SERAFINA TEMPONI ALMEIDA, titulares dos LATICÍNIOS TEMPONI. II.2.1.4.13 Décima terceira evidência: em contrato de desconto de títulos, para abertura de crédito em favor da ACR, o Banco do Brasil S.A. exigiu fiança prestada por MÁRCIO TEMPONI DIAS 103. Como visto, para encobrir suas próprias operações de venda, afastandoas da tributação, os LATICÍNIOS TEMPONI (por meio dos empresários individuais MOACIR TEMPONI DIAS, MÁRCIO TEMPONI DIAS e MARIA SERAFINA TEMPONI DE ALMEIDA) fizeram com que seus produtos (queijos) circulassem com notas fiscais da NORTE SUL. E, para operacionalizar os recebimentos correspondentes a tais operações, na tentativa de não deixar rastro, os responsáveis pelos LATICÍNIOS TEMPONI emitiram boletos de cobrança em nome da ACR. 104. Esses boletos foram utilizados, no próprio Banco do Brasil S.A., em operações de descontos de títulos, conforme o contrato n. 336.805.062, firmado em 23/4/2008 [DOC80]. 105. No contrato para desconto de títulos aqui referido, o Banco do Brasil S.A. exigiu fiança, prestada por MÁRCIO TEMPONI DIAS. Fl. 5888DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.881 68 106. O que levaria alguém aparentemente estranho ao devedor principal a ser fiador em operação de crédito de grande monta, na qual assumiria a condição de “principal pagador” e “devedor solidário”, como consta expressamente no contrato referido acima? Certamente, o interesse que justifica isso não é outro senão o de que os recursos liberados em favor da ACR– ente de mera aparência – destinavamse mesmo aos LATICÍNIOS TEMPONI, cujos titulares atuavam sob o véu daquela sociedade empresária de fachada. E uma outra razão: como provavelmente sabia que os recursos movimentados em nome da ACR pertenciam de fato aos titulares dos LATICÍNIOS TEMPONI, o gerente do banco, para resguardar a instituição financeira, exigiu que essas pessoas respondessem pelo crédito liberado. II.2.1.4.14 Décima quarta evidência: em financiamento concedido à ACR, o Banco do Brasil S.A. exigiu aval prestado por MÁRCIO TEMPONI DIAS 107. Certamente pelas mesmas razões apresentadas na subseção precedente, na cédula de crédito comercial n. 40/003442, emitida em operação de financiamento da aquisição de dezesseis tanques de resfriamento por expansão, em que foram liberados recursos do FINAME/BNDES da ordem de R$200.000,00, o Banco do Brasil S.A. exigiu que MÁRCIO TEMPONI DIAS prestasse aval em garantia à operação de crédito [DOC81]. II.2.1.4.15 Décima quinta evidência: cheque da ACR foi utilizado para pagamento de financiamento de MÁRCIO TEMPONI DIAS, no Bradesco 108. Aqui, mais uma evidência – verdadeira fratura exposta – de que os titulares dos LATICÍNIOS TEMPONI eram os beneficiários de fato dos recursos movimentados nas contas bancárias da ACR: um deles, MÁRCIO TEMPONI DIAS, utilizou o cheque n. 850103, da conta bancária n. 30.8951, do Banco do Brasil S.A., de titularidade da ACR, para pagar financiamento próprio de que era devedor perante o Bradesco. É o que consta no verso do referido cheque [DOC104], onde se lê: “pagamento parcela do contrato FINAME 698968– Márcio Temponi Dias”. Esse cheque – notese– não foi emitido em favor de MÁRCIO TEMPONI DIAS e depois endossado ao Bradesco, mas, ao contrário, foi preenchido diretamente em favor daquele banco, e ali compensado para pagamento da dívida que –frisamos – não era da ACR, mas daquele senhor. 109. Por que isso ocorreu? Porque os recursos movimentados em banco em nome da ACR pertenciam, de fato, aos titulares dos LATICÍNIOS TEMPONI, dentre eles MÁRCIO TEMPONI DIAS. II.2.1.4.16 Décima sexta evidência: diversas vendas acobertadas com notas da NORTE SUL e que resultaram em créditos nas contas bancárias da ACR foram intermediadas por FLÁVIO JOSÉ RODRIGUES, empregado dos LATICÍNIOS TEMPONI 110. Selecionamos, por amostragem, as seguintes notas fiscais [DOC82], emitidas em nome da NORTE SUL e encaminhadas aos clientes acompanhadas de boletos de cobrança em que consta como cedente a ACR: Cliente Nota Fiscal Nome CNPJ Nº Emissão em M W BRASIL IND. COM. E REPR. LTDA 05.866.414/000111 002.622 19/09/2007 M W BRASIL IND. COM. E REPR. LTDA 05.866.414/000111 002.775 05/11/2007 M W BRASIL IND. COM. E REPR. LTDA 05.866.414/000111 002.781 18/11/2007 M W BRASIL IND. COM. E REPR. LTDA 05.866.414/000111 003.068 07/02/2008 Fl. 5889DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.882 69 Tabela 3: relação exemplificativa de notas frias da NORTE SUL utilizadas para acobertar operações dos LATICÍNIOS TEMPONI 111. Essas notas fiscais referemse a vendas de queijos intermediadas pelo senhor FLÁVIO JOSÉ RODRIGUES (CPF n. 035.785.23623). A informação foi prestada pelo sócio da MW BRASIL IND. COM. E REPR. LTDA, adquirente dos queijos encaminhados com as notas fiscais acima, em depoimento pessoal prestado em 22/6/2011 [DOC83]. 112. FLÁVIO JOSÉ RODRIGUES era, na época, empregado dos LATICÍNIOS TEMPONI [DOC84]. 113. As negociações com ele eram feitas por meio do telefone (31) 34662277, o qual, como apontamos no item 95, pertence aos LATICÍNIOS TEMPONI. II.2.1.4.17 Décima sétima evidência: diversas vendas acobertadas com notas da NORTE SUL e que resultaram em créditos em favor de MARIA SERAFINA TEMPONI DE ALMEIDA foram intermediadas por FLÁVIO JOSÉ RODRIGUES, empregado dos LATICÍNIOS TEMPONI 114. Selecionamos, ainda, por amostragem, estas notas fiscais [DOC86] emitidas em nome da NORTE SUL, em 2008, e encaminhadas aos clientes acompanhadas de boletos de cobrança em que consta como cedente MARIA SERAFINA TEMPONI DE ALMEIDA (CPF n. 860.566.89620), uma das titulares de fato dos LATICÍNIOS TEMPONI: Cliente Nota Fiscal Nome CNPJ Nº Emissão em M W BRASIL IND. COM. E REPR. LTDA 05.866.414/000111 003.151 19/03/2008 M W BRASIL IND. COM. E REPR. LTDA 05.866.414/000111 003.179 05/05/2008 M W BRASIL IND. COM. E REPR. LTDA 05.866.414/000111 003.222 15/05/2008 Tabela 4: relação exemplificativa de notas frias da NORTE SUL utilizadas para acobertar operações dos LATICÍNIOS TEMPONI 114.1. Nas operações correspondentes a essas notas fiscais, foram encaminhados aos clientes boletos de cobrança nos quais consta como cedente a ACR. Contudo, nos comprovantes bancários relativos a esses mesmos boletos, consta como beneficiária da cobrança bancária a senhora MARIA SERAFINA TEMPONI DE ALMEIDA, na condição de empresária individual, CNPJ n. 07.720.986/000113. 114.2. Citamos, por exemplo, boleto bancário que, ao ser preenchido, apontou como cedente a ACR [DOC87] e, mais tarde, ao ser pago, apresentou como beneficiária da cobrança a empresa individual de MARIA SERAFINA TEMPONI DE ALMEIDA [DOC88]. 115. MARIA SERAFINA TEMPONI DE ALMEIDA, como apontamos no item 74, beneficiouse, em inúmeras oportunidades, por meio de transferências bancárias, dos recursos que ingressaram nas contas da ACR. Essas transferências são mera decorrência das operações acobertadas por notas fiscais da NORTE SUL. O mecanismo era simples: em uma primeira etapa, circulavase o produto com notas fiscais desta empresa de fachada e com boletos daquela; depois, os recursos recebidos por meio de tais boletos eram creditados em conta bancária da ACR, de onde, por meio de transferência bancária, eram finalmente transferidos para os Fl. 5890DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.883 70 verdadeiros beneficiários, quais sejam, os titulares de fato dos LATICÍNIOS TEMPONI, dentre eles a senhora MARIA SERAFINA. 116. Não restam dúvidas de que as operações aqui referidas – simuladas com documentos da NORTE SUL e da ACR – resultaram, de fato, de vendas dos LATICÍNIOS TEMPONI. Basta ver que tais operações foram negociadas diretamente com FLÁVIO JOSÉ RODRIGUES, por meio do telefone (31) 34662277 (item 112). Esse telefone, como apontamos no item 113, pertence aos LATICÍNIOS TEMPONI, empresa de cujos titulares FLÁVIO figura como empregado [DOC84] desde 2006. II.2.1.4.18 Décima oitava evidência: antes mesmo de criar a ACR, os LATICÍNIOS TEMPONI já adotavam a prática de dissimular suas operações comerciais, realizandoas em nome de JOSÉ LAFAIETE FIGUEIRA DE OLIVEIRA, um de seus empregados 117. A prática de interposição de pessoas para mascarar operações comerciais que de fato eram realizadas pelos LATICÍNIOS TEMPONI remonta a época anterior à criação da ACR. 118. Antes de 2007, quando ainda não haviam criado a ACR, os LATICÍNIOS TEMPONI, para receber os valores correspondentes a operações de vendas de queijos acobertadas por notas fiscais da NORTE SUL, utilizaram como interposta pessoa o senhor JOSÉ LAFAIETE FIGUEIRA DE OLIVEIRA, CPF n. 069.649.79646. 119. JOSÉ LAFAIETE foi empregado de MÁRCIO TEMPONI DIAS, no período compreendido entre 2/8/2004 e 31/1/2008, desempenhando ocupações classificadas no Código Brasileiro de Ocupações (CBO) n. 4.142 (“apontadores e conferentes”) e 7.825 (“motoristas de veículos de cargas em geral”) [DOC89]. 120. No período em que durou esse vínculo de emprego, os LATICÍNIOS TEMPONI efetuaram diversas vendas nas quais os queijos eram remetidos aos clientes com notas fiscais da NORTE SUL e boletos de cobrança para recebimento por meio de conta bancária aberta em nome de JOSÉ LAFAIETE. 121. Mencionamos, para exemplificar, as seguintes operações [DOC90], selecionadas por amostragem: Cliente Nota Fiscal Nome CNPJ Nº Emissão em RYCO ALIM. IND. E COM. LTDA 58.901.117/000126 001.935 29/12/2006 RYCO ALIM. IND. E COM. LTDA 58.901.117/000126 002.081 04/03/2007 RYCO ALIM. IND. E COM. LTDA 58.901.117/000126 002.082 04/03/2007 RYCO ALIM. IND. E COM. LTDA 58.901.117/000126 002.185 16/04/2007 RYCO ALIM. IND. E COM. LTDA 58.901.117/000126 002.186 16/04/2007 RYCO ALIM. IND. E COM. LTDA 58.901.117/000126 002.220 20/04/2007 COPROSUL COM, IMP E EXP LTDA 44.077.378/000169 002.221 20/04/2007 COPROSUL COM, IMP E EXP LTDA 44.077.378/000169 002.252 27/04/2007 COPROSUL COM, IMP E EXP LTDA 44.077.378/000169 002.278 04/05/2007 COPROSUL COM, IMP E EXP LTDA 44.077.378/000169 002.311 11/05/2007 COPROSUL COM, IMP E EXP LTDA 44.077.378/000169 002.324 18/05/2007 POLI VITA DISTRIB. [...] LTDA 07.796.433/000144 002.327 20/05/2007 COPROSUL COM, IMP E EXP LTDA 44.077.378/000169 002.338 20/05/2007 LATICÍNIOS MARILIA S/A 19.278.613/000113 001.861 22/11/2006 Fl. 5891DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.884 71 Tabela 5: relação exemplificativa de notas frias da NORTE SUL utilizadas para acobertar operações dos LATICÍNIOS TEMPONI 122. Como decorrência disso, foram movimentados, entre 2006 e 2007, em conta bancária aberta em nome de JOSÉ LAFAIETE recursos muito expressivos, incompatíveis com a situação que ele declarou à RFB e com as remunerações por ele auferidas na condição de empregado dos LATICÍNIOS TEMPONI, sobretudo porque ali exerceu atribuições que, em geral, são de muito baixa remuneração. II.2.1.4.19 Décima nona evidência: em operações comerciais de vendas de queijos à RYCO ALIMENTOS INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, os LATICÍNIOS TEMPONI encaminharam os produtos acompanhados de notas fiscais da NORTE SUL e de boletos emitidos em nome de FLÁVIO DOS SANTOS COSTA 123. A RYCO ALIMENTOS INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA (CNPJ n. 50.901.117/000126), atendendo a intimação que lhe fizemos [DOC91], nos informou que, por meio dos telefones ns. (33) 34311578 e (31) 34662277, realizou diversas compras de queijos documentadas com notas fiscais emitidas em nome da NORTE SUL [DOC92]. Conforme o item 93, esses telefones pertenciam aos LATICÍNIOS TEMPONI. 124. Os valores correspondentes às vendas que os LATICÍNIOS TEMPONI efetuaram à empresa referida no item precedente foram recebidos por meio de boletos bancários nos quais constaram como cedente ou JOSÉ LAFAIETE FIGUEIRA DE OLIVEIRA ou FLÁVIO DOS SANTOS COSTA. 124.1. Acima, já enumeramos, por amostragem, diversos boletos bancários e as respectivas notas fiscais, vinculados a operações que resultaram em pagamentos em favor de JOSÉ LAFAIETE, então empregado dos LATICÍNIOS TEMPONI. 124.2. Nessas vendas efetuadas à RYCO, em outras diversas ocasiões, como demonstram documentos selecionados por amostragem [DOC93], foram emitidos boletos em nome de FLÁVIO DOS SANTOS COSTA (CPF n. 063.734.25690), que também já teve vinculo com MÁRCIO TEMPONI DIAS, um dos titulares do LATICÍNIOS TEMPONI [DOC94]. 124.3. Em razão desses pagamentos direcionados à conta bancária aberta em seu nome, FLÁVIO DOS SANTOS COSTA titularizou, entre 2005 e 2007 (período examinado pela Fiscalização), movimentação financeira milionária, absolutamente incompatível com a situação por ele declarada à RFB. II.2.1.4.20 Vigésima evidência: as movimentações financeiras milionárias de JOSÉ LAFAIETE FIGUEIRA DE OLIVEIRA e FLÁVIO DOS SANTOS COSTA, incompatíveis com as situações por eles declaradas à RFB, cessaram a partir da criação da ACR 125. A movimentação financeira atípica de JOSÉ LAFAIETE FIGUEIRA DE OLIVEIRA cessou em setembro de 2007. A de FLÁVIO DOS SANTOS COSTA cessou, também, em setembro de 2007. Coincidentemente, a movimentação financeira da ACR, também atípica, teve início em agosto de 2007 e, a partir de setembro de 2007, passou a apresentar valores mensais muito próximos aos que até então eram movimentados por JOSÉ LAFAIETE e FLÁVIO. Fl. 5892DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.885 72 126. Isso demonstra, uma vez mais, que o uso de interpostas pessoas para ocultar suas próprias operações é prática já antiga dos titulares dos LATICÍNIOS TEMPONI, que remonta a época anterior à da criação da ACR. 127. O esquema, desde muito tempo, é o mesmo. Trocamse apenas os “laranjas”. II.2.1.4.21 Vigésima primeira evidência: MÁRCIO TEMPONI DIAS, um dos titulares dos LATICÍNIOS TEMPONI, transferiu recursos financeiros à LATICÍNIO LACBOM LTDA por meio de cheques da ACR 128. Em resposta a intimação que lhe fizemos [DOC105 e DOC106], a LATICINIO LACBOM LTDAEPP (CNPJ n. 03.862.607/000179) confirmou ter recebido de MÁRCIO TEMPONI DIAS diversos cheques de emissão da ACR. Informou ainda que tais cheques foram recebidos em decorrência de empréstimos documentados apenas com notas promissórias já “resgatadas e canceladas”. 129. Embora evasiva quanto aos negócios que realmente deram causa ao recebimento dos cheques (pois nada se comprovou quanto aos alegados empréstimos), a resposta da LATICÍNIO LACBOM LTDA vai ao encontro do que os inúmeros fatos descritos anteriormente já denunciaram: os sócios de fato dos LATICÍNIOS TEMPONI – um deles o senhor MÁRCIO TEMPONI DIAS – tinham como próprios os recursos movimentados nas contas bancárias da ACR. Por isso, para pagar ou transferir recursos a terceiros, como aqui demonstrado, utilizavam cheques dessa empresa de fachada. E o faziam porque a ACR era apenas uma fachada, uma máscara para ocultar operações que, de fato, foram realizadas em verdadeira sociedade, mas por outros sócios (MOACIR TEMPONI DIAS, MÁRCIO TEMPONI DIAS e MARIA SERAFINA TEMPONI DE ALMEIDA), e não por aqueles sócios. II.2.1.4.22 Vigésima segunda evidência: a ACR movimentou contas bancárias nos mesmos lugares em que os LATICÍNIOS TEMPONI concentravam suas atividades industriais e comerciais 130. Em nome da ACR foram mantidas, como demonstrado no item 61, três contas bancárias: uma em agência do Banco do Brasil S.A. em Santa Maria do Suaçuí (MG); outra em agência do Banco Itaú S.A. em Malacacheta (MG); e, por fim, outra em agência do Banco do Brasil S.A. em Belo Horizonte. 131. Em princípio, estranhamos que uma firma que nunca de fato funcionou em Santa Maria do Suaçuí (MG) ou em qualquer outro lugar (seção II.2.1.4.1), tenha mantido uma conta bancária, com movimentação milionária, em agência daquela cidade. Estranhamos ainda, em primeira análise, que tal empresa tenha movimentado cifras milionárias em contas mantidas em agências bancárias de Malacacheta (MG) e de Belo Horizonte, lugares em que nunca de fato realizou qualquer atividade, até porque neles não teve filiais. 132. Contudo, depois de analisados os fatos referidos nas seções precedentes, aquilo que, em princípio, causounos estranheza passou a ganhar contornos lógicos, posto que a distribuição geográfica da movimentação financeira da ACR (empresa de fachada, fictícia, só de papel) guarda estreita relação com os lugares em que os LATICÍNIOS TEMPONI (empresa que de fato atuou) realizavam suas atividades. Vejamos: 132.1. A ACR, como visto, não passa de mero simulacro de sociedade, constituída em nome de interpostas pessoas, cujo objetivo não é outro senão o de Fl. 5893DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.886 73 simular negócios que, de fato, foram realizados pelos empresários individuais MOACIR TEMPONI DIAS, MÁRCIO TEMPONI DIAS e MARIA SERAFINA TEMPONI DE ALMEIDA. 132.2. Esses senhores, por meio de empresa conhecida na região pelo nome de LATICÍNIOS TEMPONI, desenvolviam suas atividades em dois pólos, como visto no item 90.5: um deles em Malacacheta (MG), Santa Maria do Suaçuí (MG) e adjacências, onde são produzidos (e, às vezes, até mesmo adquiridos, já prontos, de outros produtores) os queijos; o outro, em Belo Horizonte, onde esses queijos são distribuídos. 132.3. As contas bancárias da ACR em Malacacheta (MG) e em Santa Maria do Suaçuí (MG) explicavamse pelo fato de que, nesses lugares e nas adjacências, estão concentradas as relações dos LATICÍNIOS TEMPONI com a maioria de seus fornecedores de leite e queijos. Isso explica, aliás, por que os pagamentos a fornecedores ou funcionários dos LATICÍNIOS TEMPONI foram feitos, em geral, com cheques sacados naquelas contas bancárias, conforme apontamos nas seções II.2.1.4.4, II.2.1.4.5, II.2.1.4.6, II.2.1.4.7, II.2.1.4.8 e II.2.1.4.9. 132.4. Por outro lado, a conta da ACR em Belo Horizonte explicavase pelo fato de que naquela capital estão concentradas as relações dos LATICÍNIOS TEMPONI com seus clientes. Por isso, para receber os valores correspondentes às vendas de seus queijos, os LATICÍNIOS TEMPONI realizavam, em regra, cobrança bancária em nome da ACR, para crédito na conta bancária dessa empresa mantida na agência do Banco do Brasil S.A. em Belo Horizonte, conforme apontamos na seção II.2.1.4.10. 132.5. E se na conta da ACR, em Belo Horizonte, ingressava o dinheiro das vendas dos LATICÍNIOS TEMPONI, também nessa conta foram liberadas operações de crédito de cerca de R$2,8 milhões, entre 2007 e 2009, incluindo empréstimos, financiamentos e operações de descontos de cheques e de títulos. Decerto foi mais fácil obter crédito tão significativo na agência onde a empresa de mera aparência manteve maior movimentação financeira. 132.6. Mas a significativa movimentação financeira em Belo Horizonte explicase, também, pelo fato de que ANÍSIO ALVES DA SILVA, suposto sócio administrador da ACR (quem, portanto, estaria habilitado a assinar documentos da empresa), residia na capital mineira, onde trabalhava como empregado dos LATICÍNIOS TEMPONI (item 69.3). II.2.1.5 Da oportunidade de manifestação concedida aos titulares dos LATICÍNIOS TEMPONI 133. Os fatos narrados anteriormente evidenciam que, para suprimir tributos, os titulares dos LATICÍNIOS TEMPONI (os empresários individuais MOACIR TEMPONI DIAS, MÁRCIO TEMPONI DIAS e MARIA SERAFINA TEMPONI DE ALMEIDA) valeramse de duas pessoas jurídicas, constituídas em nome de interpostas pessoas: a NORTE SUL, em nome da qual emitiram notas fiscais para acobertar as vendas de queijos dos LATICÍNIOS TEMPONI; a ACR, utilizada para operacionalizar os recebimentos dos valores correspondentes a essas vendas. 134. No curso do procedimento fiscal aqui relatado, concedemos aos envolvidos a oportunidade de se manifestarem e de, assim, esclarecerem os fatos narrados acima, os quais evidenciam sua participação no plano de evasão fiscal que, centralizado na NORTE SUL, envolveu ainda outra empresa fictícia constituída em nome de “laranjas”, a ACR. Fl. 5894DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.887 74 134.1. A oportunidade para que MÁRCIO TEMPONI DIAS se manifestasse foi dada por meio do Termo de Intimação Fiscal n. 201100837/ 008 [DOC49]. 134.2. A intimação a MOACIR TEMPONI DIAS foi feita por meio do Termo de Intimação Fiscal n. 201100837/ 009 [DOC50]. 134.3. A intimação a MARIA SERAFINA TEMPONI DE ALMEIDA foi feita por meio do Termo de Intimação Fiscal n. 201100837/ 010 [DOC51], entregue por via postal no endereço que consta como domicílio fiscal de sua pessoa natural. 135. MOACIR TEMPONI DIAS, MÁRCIO TEMPONI DIAS e MARIA SERAFINA TEMPONI DE ALMEIDA, utilizandose, porém, de mesma estratégia, deixaram de atender às intimações que lhes foram encaminhadas, as quais foram, então, reiteradas. 135.1. A MÁRCIO TEMPONI DIAS encaminhamos a nova intimação constante do Termo de Intimação Fiscal n. 201100837/ 012 [DOC53]. 135.2. A MOACIR TEMPONI DIAS encaminhamos a nova intimação constante do Termo de Intimação Fiscal n. 201100837/ 013 [DOC54]. 135.3. A MARIA SERAFINA TEMPONI DE ALMEIDA encaminhamos a nova intimação constante do Termo de Intimação Fiscal n. 201100837/ 014 [DOC55]. 136. Outra vez, essas pessoas deixaram de atender às intimações que lhes foram encaminhadas. [...] II.3.2 Da parcela dos faturamentos da NORTE SUL vinculada a operações realizadas em comum por MOACIR TEMPONI DIAS, MÁRCIO TEMPONI DIAS e MARIA SERAFINA TEMPONI DE ALMEIDA. Do lançamento, de ofício, dos tributos correspondentes 200. Como visto, tal qual fizeram os responsáveis pela ATACADÃO DO QUEIJO LTDA, também os empresários individuais MOACIR TEMPONI DIAS (CNPJ n. 03.031.110/000109), MÁRCIO TEMPONI DIAS (CNPJ n. 01.785.223/000174) e MARIA SERAFINA TEMPONI DE ALMEIDA (CNPJ n. 07.720.986/000113) documentaram suas próprias operações com notas fiscais da NORTE SUL, com o propósito de omitir faturamentos/receitas e, assim, suprimir ou reduzir tributos. 201. Os sócios da ATACADÃO DO QUEIJO LTDA receberam, em suas próprias contas bancárias, ou em contas bancárias de sua empresa, os pagamentos relativos às operações que simularam por meio da NORTE SUL (daí porque já foram tributados com base nos excessos verificados naquelas suas contas, conforme a seção precedente). 202. Agindo, porém, de outro modo, os empresários individuais referidos no item 200– certamente com o propósito de dificultar ainda mais a descoberta de sua participação no plano de evasão fiscal apontado neste documento – receberam os pagamentos correspondentes aos negócios ocultados por meio da NORTE SUL em contas bancárias abertas e movimentadas em nome de outra empresa de mera aparência: a ACR (seção II.2.1 deste relatório). Fl. 5895DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.888 75 203. Essa simulação subjetiva resultou em absoluta incompatibilidade entre a movimentação financeira e os rendimentos declarados da ACR (na verdade, a despeito de movimentação financeira milionária, nenhum rendimento foi declarado para essa empresa de mera aparência). 204. E a incompatibilidade aqui referida resulta, decerto, daquelas operações que, não obstante amparadas em nota fiscal em cujo corpo consta como emitente a NORTE SUL, se reverteram em pagamentos diretamente efetuados em favor da ACR. II.3.2.1 Da omissão de receitas apurada com fundamento no art. 42 da Lei n. 9.430, de 1996 205. O art. 42 da Lei n. 9.430, de 1996, regulamentado pelo art. 849 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99, aprovado pelo Decreto n. 3.000, de 1999) e disciplinado pela Instrução Normativa SRF n. 246, de 2002, estabelece uma presunção legal relativa (juris tantum) de omissão de rendimentos, caracterizada pela existência de depósitos ou quaisquer outros créditos de origem não comprovada lançados em conta mantida junto a instituição financeira [...]. 206. As presunções legais, cuja adoção, na ordem jurídica brasileira, encontra respaldo no art. 334, IV, do CPC, têm por efeito prático a inversão do ônus da prova. 207. Assim é que o aludido art. 42 da Lei n. 9.430, de 1996 (art. 849, do RIR/99), autoriza que a autoridade lançadora fique dispensada de provar, no caso concreto, o fato presumido (a omissão de receitas), se ficar provado o fato indiciário (a existência de depósitos ou quaisquer outros créditos lançados em conta bancária cuja origem o contribuinte, regularmente intimado, não comprove por meio de documento hábil e idôneo). 208. Posto, todavia, tratarse, no caso, de presunção relativa (juris tantum), ao contribuinte cabe o ônus, que não deixa de ser, também, verdadeira oportunidade, de provar que o fato presumido (a omissão de rendimentos) substancialmente não existiu. 209. Nesse contexto, intimamos, como já dito, os senhores MÁRCIO TEMPONI DIAS (anexo B da intimação referida no subitem 134.1), MOACIR TEMPONI DIAS (anexo B da intimação referida no subitem 134.2) e MARIA SERAFINA TEMPONI DE ALMEIDA (anexo B da intimação referida no subitem 134.3) e a eles submetemos, de modo individualizado, para que comprovassem a origem, os depósitos e outros créditos que circularam nas contas bancárias abertas e movimentadas em nome da ACR. 210. E o fizemos porque, como sobejamente demonstrado, os empresários individuais referidos no item precedente são os titulares de fato daqueles depósitos/créditos lançados nas contas bancárias da ACR. 211. Esses empresários individuais, porém, como apontamos (subseção II.2.1.5), não responderam às intimações e às reintimações que lhes foram dirigidas. E nem mesmo se preocuparam em justificar as razões por que deixaram de apresentar os esclarecimentos deles solicitados. Preferiram o silêncio. 212. Assim, pois, em face de todas as evidências enumeradas na seção II.2.1, os depósitos/créditos discriminados no Anexo B dos Termos de Intimação Fiscal referidos no item 134 (reproduzidos no DOC148) constituem omissões de receitas (art. 42 da Lei n. 9.430, de 1996) imputáveis aos empresários individuais MOACIR Fl. 5896DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.889 76 TEMPONI DIAS, MÁRCIO TEMPONI DIAS e MARIA SERAFINA TEMPONI DE ALMEIDA. 213. Consolidados, esses depósitos/créditos – cuja origem não foi comprovada pelos interessados (eis que preferiram não se manifestar a responder as intimações que lhes foram dirigidas) – representam os seguintes valores trimestrais: Trimestre Valor [R$] 2º trim/2007 728.048,01 4º trim/2007 1.278.594,58 1º trim/2008 1.105.742,15 2º trim/2008 1.428.314,99 3º trim/2008 1.361.200,05 4º trim/2008 979.389,64 1º trim/2009 1.662.106,78 2º trim/2009 1.031.473,19 3º trim/2009 1.846.061,65 4º trim/2009 719.229,31 Tabela 9: Faturamentos da NORTE SUL correspondentes aos pagamentos feitos à ACR II.3.2.2 Da presunção do lucro, para fins de apuração do IRPJ e da CSLL 214. Seguindo a opção eleita na Declaração de Informações Econômico Fiscais (DIPJ) apresentada em nome da ACR (DOC149), utilizamos, para os fatos geradores relativos ao anocalendário de 2007, a sistemática do lucro presumido, para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL (arts. 516 a 528, do RIR/99). II.3.2.3 Dos créditos tributários constituídos de ofício 215. E, assim, tomando por base de cálculo o lucro presumido, constituímos, de ofício, os créditos tributários relativos ao anocalendário 2007, controlados por meio do processo administrativo n. 15215720.159/ 201248. 216. Embasam o lançamento, além daqueles referidos acima, os demais dispositivos legais e regulamentares mencionados em auto de infração cujo teor este documento passa a integrar. 217. Os créditos tributários correspondentes aos anoscalendário de 2008 e 2009 serão constituídos em outro processo, pois quanto a esses períodos ainda há providências pendentes. II.3.2.4 Dos contribuintes (devedores solidários) dos créditos tributários vinculados aos negócios subtraídos da tributação por meio da ACR 218. Em diversos pontos deste documento deixamos demonstradas as evidências da participação comum, conjunta e cooperativa dos TEMPONI nas atividades que, realizadas com notas frias da NORTE SUL, resultaram nos pagamentos que circularam em contas bancárias movimentadas em nome da ACR. 219. Os TEMPONI, ao realizarem tais atividades, atuaram como verdadeira sociedade, tanto que, perante terceiros, como demonstramos, eram – todos eles, e não apenas um ou outro – conhecidos como proprietários dos LATICÍNIOS TEMPONI. Fl. 5897DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.890 77 220. Sendo assim, ao afirmamos, neste documento, a inexistência de fato da NORTE SUL e da ACR, o fazemos sob a ótica de que, sob a configuração externada nos respectivos contratos sociais (isto é, com os sócios ali registrados, nos endereços ali apontados etc), tais sociedades de fato não existiram. A inexistência de fato da NORTE SUL e da ACR a que aludimos em diversos pontos deste documento refere se, portanto, à não verificação, no plano fático, de atividade empresarial com a configuração aparentemente externada nos atos constitutivos e demais documentos (como as próprias notas fiscais) relativos àquelas sociedades; isto é, à falta de ajuste entre forma e substância, entre vontade aparente e vontade real, entre negócio aparente e negócio real, caracterizando simulação. 221. É todavia inegável que, sob outra configuração, distinta daquela que se fez aparente, aquelas pessoas enumeradas no item 200 realizaram, sim, atividades comerciais de vendas de queijos, documentadas em nome da NORTE SUL e da ACR. 222. Assim, a simulação, nos fatos aqui examinados, foi apenas simulação relativa, na acepção que lhe deu Greco10, uma vez que, por trás daquelas sociedades empresariais de mera aparência, em vez de nada (o que configuraria a simulação absoluta), houve uma atuação conjunta daqueles agentes, com o propósito real de exercerem atividade comercial, como de fato exerceram. 223. Logo, sobre tais negócios reais deve incidir a tributação, pois o fenômeno gerador do tributo independe da validade jurídica dos atos efetivamente praticados, ou dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos (art. 118, do CTN), bastando que se verifique, no plano fático, a existência de situação jurídica definitivamente constituída ou de circunstâncias materiais aptas ao surgimento da obrigação tributária (art. 116, do CTN), ainda que a pessoa jurídica obrigada não esteja regularmente constituída (art. 126, do CTN). 224. Disso resulta que os empresários individuais enumerados no item 200 revestemse da condição de contribuintes de fato das obrigações tributárias com origem nos negócios simulados em nome da ACR, como dispõe o art. 121, I, do CTN. 225. E, ainda, como os tributos suprimidos, agora lançados de ofício, decorrem de um mesmo plano de sonegação fiscal, tais pessoas, que o conceberam e o executaram conjuntamente, dele se beneficiando, são solidariamente obrigadas pelos créditos tributários de que trata a presente seção, consoante o disposto no art. 124, I, do CTN. 226. Para fins de dar ciência, aos envolvidos, de sua condição de devedores solidários dos créditos tributários aqui referidos, lavramos o Termo de Sujeição Passiva Solidária n. 201100837/ 001, constante do DOC147. 227. Por fim, seguindo o mesmo raciocínio adotado em relação à ATACADÃO DO QUEIJO LTDA, as omissões de receitas apuradas na ACR foram subtraídas das receitas brutas discriminadas na Tabela 7, uma vez que decerto têm fundamento naqueles faturamentos informados ao Fisco mineiro com base em notas fiscais emitidas fraudulentamente em nome da NORTE SUL. II.3.3 Da parcela dos faturamentos da NORTE SUL imputada a todos os beneficiários do esquema de sonegação fiscal em torno dela concebido e executado. Do lançamento, de ofício, dos tributos correspondentes Fl. 5898DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.891 78 228. Imputamos, finalmente, a todos os que participaram do esquema centralizado na NORTE SUL os excessos dos faturamentos dessa empresa de fachada, apurados pela diferença entre as receitas brutas demonstradas na Tabela 7 e as omissões trimestrais indicadas na Tabela 8 (item 175) e na Tabela 9 (item 213), desta forma: (A) (B) (C) Trimestre Omissões Apuradas na Norte Sul [R$] Omissões Já tributada na Atacadão Queijo Ltda [R$] Omissões Tributadas na Anísio Com. E Repr. Ltda [R$] Excesso de (A) sobre (B + C) [R$] 1º trim/2006 1.053.730,15 4.573.635,85 2º trim/2006 1.544.987,72 4.731.806,44 3º trim/2006 1.589.677,73 3.905.145,96 4º trim/2006 1.961.996,1 2.854.227,83 1º trim/2007 1.594.386,93 4.312.521,71 2º trim/2007 2.405.689,76 3.749.527,65 3º trim/2007 1.347.180,15 1.914.188,17 728.048,01 4º trim/2007 1.403.362,91 1.868.434,49 1.278.594,58 1º trim/2008 1.509.503,23 1.105.742,15 403.761,08 2º trim/2008 620.938,81 1.428.314,99 3º trim/2008 957.044,77 1.361.200,05 4º trim/2008 747.964,52 979.389,64 1º trim/2009 880.248,63 1.662.106,78 2º trim/2009 1.951.309,93 1.031.473,19 919.836,74 3º trim/2009 1.394.974,12 1.846.061,65 3º trim/2009 719.229,31 Tabela 10: Excessos das omissões da NORTE SUL sobre as omissões tributadas na ATACADÃO DO QUEIJO LTDA e na ACR 229. Seguindo a lógica referida anteriormente – mais benéfica aos contribuintes, porque afasta eventual bis in idem, como dissemos –, os valores apresentados na última coluna da tabela acima correspondem às omissões de receitas da NORTE SUL que extrapolam as omissões já apuradas na ACR (pela qual respondem os TEMPONI), de um lado, e na ATACADÃO DO QUEIJO LTDA, de outro. 230. Ao adotar esse critério, imputamos a uns (os TEMPONI) e a outros (ATACADÃO DO QUEIJO e seus sócios), na medida de sua participação no esquema aqui examinado, os tributos incidentes sobre os faturamentos que ocultaram na NORTE SUL, cujos valores estão demonstrados nas colunas B e C, da Tabela 10. 231. A todos, porém, imputamos os excedentes demonstrados na última coluna da Tabela 10, os quais correspondem, como dissemos, ao faturamentos que, mesmo registrados em nome da NORTE SUL, não puderam ser atribuídos exclusivamente a um ou outro dos diversos integrantes do plano de evasão fiscal mencionado neste documento. 232. Aliás, frisese, essa impossibilidade de vincular os valores da última coluna da Tabela 10 com este ou aquele beneficiário decorre do modo subreptício como tais pessoas atuaram (criação de empresas de mera aparência, uso de Fl. 5899DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.892 79 “laranjas”, impressão fraudulenta de blocos de notas fiscais em duplicidade etc), sempre no sentido de procurar não deixar rastros. 233. Assim, pois, pelos tributos incidentes sobre as parcelas de faturamento discriminadas na última coluna da Tabela 10, acima, devem responder todos os que participaram do esquema de evasão fiscal aqui examinado, sob pena de, se assim não for feito, beneficiaremse, ao fim, de sua própria torpeza, em grave prejuízo ao interesse público! II.3.3.1 Da presunção do lucro, para fins de apuração do IRPJ e da CSLL 234. Seguindo a opção eleita na Declaração de Informações Econômico Fiscais (DIPJ) apresentada em nome da NORTE SUL (DOC31),utilizamos, para os fatos geradores relativos ao anocalendário de 2008, a sistemática do lucro presumido, para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL (arts. 516 a 528, do RIR/99). II.3.3.2 Dos créditos tributários constituídos de ofício 235. E, assim, tomando por base de cálculo o lucro presumido, constituímos, de ofício, os créditos tributários relativos ao anocalendário de 2008, controlados por meio do processo administrativo n. 15215720.214/201119. 236. Embasam o lançamento, além daqueles referidos acima, os demais dispositivos legais e regulamentares mencionados em auto de infração cujo teor este documento passa a integrar. 237. Para o anocalendário de 2009, não foi apresentada DIPJ em nome da NORTE SUL. Por isso, relativamente aos fatos geradores desse período, há ainda providências em andamento, com a finalidade de verificação da sistemática adequada à apuração dos respectivos créditos tributários. 238. Assim, por ora, o procedimento fiscal desenvolvido contra a NORTE SUL é encerrado apenas parcialmente, com lançamento só dos créditos tributários relativos aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2008. Em relação ao anocalendário de 2009, o lançamento será feito posteriormente, tão logo sejam concluídas as providências referidas no item precedente. II.3.3.3 Dos contribuintes (devedores solidários) dos créditos tributários vinculados aos negócios subtraídos da tributação por meio da NORTE SUL 239. Porque se associaram com a finalidade de ocultar suas operações do Fisco, beneficiandose do esquema de sonegação fiscal aqui examinado, e tendo em conta, ainda, as considerações feitas na seção II.3.2.4, são coobrigadas pelos créditos tributários de que tratou a seção precedente estas pessoas, naturais ou jurídicas, as quais, como dissemos, foram as intervenientes de fato nas operações de vendas de queijos documentadas com notas frias da NORTE SUL: 239.1. JOSÉ MÁRCIO FERNANDES SILVEIRA, na condição de empresário individual (CNPJ n. 25.263.724/000159), que se encontra obrigado nos termos do art. 121, I, do CTN, porque se beneficiou do esquema ao ocultar na NORTE SUL suas próprias operações [seção II.2.2.1]. 239.2. O mesmo JOSÉ MÁRCIO FERNANDES SILVEIRA (CPF n. 421.010.00644) e a cônjuge, MARSONEY FERNANDES SILVEIRA DOS SANTOS (CPF n. 997.765.70682), que se encontram obrigados na condição de sócios da ATACADÃO DO QUEIJO LTDA, com fundamento no art. 134, VII, do Fl. 5900DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.893 80 CTN, posto que: (i) assim que o esquema de sonegação fiscal centralizado na NORTE SUL foi inviabilizado, tais sócios extinguiram a ATACADÃO DO QUEIJO LTDA, para evitar que esta sociedade viesse a responder pelas obrigações tributárias decorrentes das vendas que, não obstante próprias, foram realizadas, com simulação, em nome daquela empresa de fachada [seção II.2.2.2]; (ii) a ATACADÃO DO QUEIJO LTDA, precisamente porque extinta (DOC150), não mais possui patrimônio para dar suporte à cobrança dos tributos relativos às obrigações que, não obstante suas, foram realizadas fraudulentamente em nome da NORTE SUL. 239.3. Além de sua responsabilidade estar fundamentada no art. 134, VII, do CTN (responsabilidade dos sócios no caso de liquidação de sociedade de pessoas), JOSÉ MÁRCIO FERNANDES SILVEIRA (CPF n. 421.010.00644) responde, ainda, pessoalmente, pelas operações da ATACADÃO DO QUEIJO LTDA realizadas com simulação em nome da NORTE SUL, uma vez que, ao administrar de fato aquela extinta sociedade [item 180], atuou com infração de lei, ajustandose essa conduta também na previsão do art. 135, do CTN. 239.4. CARLOS ROBERTO FERNANDES SILVEIRA (CPF n. 013.848.67600), que se encontra obrigado com fundamento no art. 121, I, do CTN, porque também interveio e se beneficiou do esquema de sonegação fiscal aqui referido [seção II.2.3]; 239.5. os empresários individuais MOACIR TEMPONI DIAS (CNPJ n. 03.031.110/000109), MÁRCIO TEMPONI DIAS (CNPJ n. 01.785.223/000174) e MARIA SERAFINA TEMPONI DE ALMEIDA (CNPJ n. 07.720.986/000113), que se encontram obrigados nos termos do art. 121, I, do CTN, na medida em que também se beneficiaram do esquema de sonegação fiscal baseado na emissão fraudulenta de documentos fiscais da NORTE SUL [seção II.2.1]. 239.6. E como os tributos referidos neste ponto decorrem de um mesmo plano de sonegação fiscal, as pessoas enumeradas no item precedente, que o conceberam e dele se beneficiaram, são solidariamente obrigadas pelos créditos tributários referidos na seção II.3.3.2, consoante o disposto no art. 124, I, do CTN. 240. Para fins de dar ciência, aos envolvidos, de sua condição de devedores solidários dos créditos tributários aqui referidos, lavramos o Termo de Sujeição Passiva Solidária n. 201100019/ 001, constante do DOC146. II.3.4 Da incidência, sobre os créditos tributários lançados de ofício, da multa qualificada prevista no art. 44, § 1º, da Lei n. 9.430, de 1996 241. O art. 44, I, da Lei n. 9.430, de 1996, exige que, no lançamento de ofício, deve ser aplicada a multa de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença do imposto ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. O parágrafo primeiro do mesmo dispositivo traz, todavia, regra excepcionalíssima de duplicação dessa multa, elevandoa a 150% (cento e cinqüenta por cento), independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, nos casos em que, em vez de mera irregularidade no pagamento ou declaração, a supressão ou redução de tributo decorreu de sonegação, fraude ou conluio, como respectivamente definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502, de 1964. 242. Os fatos narrados anteriormente revelam claramente que as condutas das quais resultaram a supressão ou redução dos tributos lançados de ofício se ajustam a essa previsão excepcionalíssima do art. 44, § 1º, da Lei n. 9.430, de 1996. Fl. 5901DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.894 81 243. Como visto, os tributos que agora são objeto de lançamento de ofício foram anteriormente suprimidos por meio de um plano de evasão fiscal baseado, dentre outras, nestas condutas: 243.1. a criação de sociedades empresárias fictícias (NORTE SUL e ACR), constituídas em nome de interpostas pessoas (“laranjas”), destinadas a ocultar, por meio da emissão fraudulenta de notas fantasmas11, os intervenientes de fato em operações comerciais cujos correspondentes faturamentos/receitas foram suprimidos da tributação; 243.2. a apresentação, à RFB, de declarações falsas, uma vez que, de fato, as pessoas que se beneficiaram do esquema aqui descrito, auferiram, nos períodos examinados, rendimentos muito superiores aos efetivamente declarados; 243.3. o ajuste das vontades conscientes de diversas pessoas que, agindo coordenadamente, tornaram possível a concepção e plena execução do plano de sonegação tributária descrito pormenorizadamente neste documento (sonegação praticada mediante conluio). 244. Por tudo o que foi demonstrado, não é razoável conceber que a supressão dos tributos agora lançados de ofício tenha decorrido de mero equívoco, de mero erro na percepção dos fatos ou na interpretação das normas tributárias. Não é isso o que houve e, portanto, o caso não é de simples falta de pagamento. 245. Bem diferente disso, as condutas – reiteradas ao longo de vários anos – das quais resultou a economia irregular dos tributos agora lançados – sobretudo porque baseadas em emissão fraudulenta de notas fantasmas – revelam a vontade consciente das pessoas enumeradas no item 191 de impedir ou retardar o conhecimento, pelas autoridades fiscais, dos fatos geradores correspondentes às operações comerciais que, com simulação, realizaram em nome da NORTE SUL. 246. Sendo assim, tais comportamentos caracterizam o que o art. 71 da Lei n. 4.502, de 1964, define como sonegação. 247. Mas não é só! Notese que o plano de economia irregular de tributos aqui referido, como demonstrado, foi concebido e executado por múltiplos interessados. Todas aquelas pessoas enumeradas no item 191 beneficiaramse do mesmo esquema de evasão fiscal centralizado na NORTE SUL. E, para se vincularem a esse esquema e dele tirarem proveito, tais pessoas agiram conjunta e coordenadamente. Como admitir que diferentes pessoas utilizassem uma mesma empresa fictícia (NORTE SUL) para emitir notas frias, destinadas a acobertar suas operações, sem um mínimo de coordenação de suas condutas? Logo, o desdobramento lógico do raciocínio é o de que cada um daqueles beneficiários enumerados no item 191 agiu, não isolada, mas coletivamente, coordenando suas condutas com a dos demais, para que ao fim todos usufruíssem do mesmo plano de economia irregular de tributos. 248. Houve, portanto, no caso em exame, não apenas sonegação, mas conluio, tal como definido no art. 73 da Lei n. 4.502, de 1964. 249. E assim, uma vez que a supressão de tributos foi obtida por sonegação praticada mediante conluio (art. 71 combinado com o art. 73 da Lei n. 4.502, de 1964), impõese a aplicação, sobre os créditos tributários referidos nas seções II.3.2 e II.3.3, lançados de ofício, da multa qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento) prevista no art. 44, § 1º, da Lei n. 9.430, de 1996 (art. 957, do RIR/99). Fl. 5902DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.895 82 II.3.5 Da incidência, sobre os créditos tributários lançados de ofício, da multa agravada prevista no art. 44, § 2º, da Lei n. 9.430, de 1996 250. Como mencionamos nos itens 18 a 20, ainda no início do procedimento fiscal, quando não dispúnhamos dos elementos suficientes e necessários para o exame da regularidade fiscal da NORTE SUL, mas precisamente buscávamos obtê los, até porque a contribuinte não vinha cumprindo regularmente com suas obrigações instrumentais relativas à entrega de declarações à RFB, intimamos os responsáveis por aquela sociedade empresária (que ainda não sabíamos ser de mera aparência) – primeiro, no endereço que constava como domicílio tributário de sua sede; depois, no domicílio tributário da filial – a apresentar livros e documentos de sua escrituração comercial e fiscal. 251. Essas duas intimações iniciais não foram atendidas e, por isso, os responsáveis pela NORTE SUL foram cientificados do procedimento fiscal e da intimação inicial a eles dirigida por meio de Edital (item 20). Mantiveramse, porém, omissos em relação ao objeto das intimações que lhes foram dirigidas, pois, nem no prazo estipulado, nem depois dele, apresentaram os elementos que, exigidos pela autoridade fiscal, eram imprescindíveis ao regular andamento do procedimento fiscal. 252. A omissão foi intencional, pois decerto os verdadeiros beneficiários do esquema de evasão fiscal descrito neste documento pretendiam, naquele momento, dificultar ao máximo os trabalhos da Fiscalização, na esperança de que não fossem descobertos. Claro, não era de se esperar outro comportamento de quem se evade da tributação lançando mão de mecanismos subreptícios, como a criação de empresa de mera aparência, em nome de “laranjas”, a emissão de notas frias, só para citar algumas das diversas condutas enumeradas anteriormente. 253. Nos itens 55 a 59, demonstramos ainda que no procedimento fiscal desenvolvido em face da ACR, como decorrência do procedimento originalmente instaurado em face da NORTE SUL, os responsáveis por aquela sociedade empresária – que, só depois, apuramos ser também de mera aparência – se esquivaram de atender à intimação e à reintimação inicial que lhes encaminhamos. 254. Os que constituíram a ACR e por meio dela simularam seus próprios negócios deixaram de atender, ainda, aos diversos pedidos de esclarecimentos formulados por meio das intimações referidas nos itens 133 a 136. 255. Mencionamos, ainda, a omissão referida no item 190, de que resultou a negativa de fornecimento de elementos indispensáveis às fiscalizações aqui relatadas. 256. Em razão das omissões aqui referidas, os resultados apresentados anteriormente (com identificação dos verdadeiros intervenientes e, por isso mesmo, contribuintes nas operações realizadas em nome da NORTE SUL e da ACR) só foram finalmente alcançados depois de instaurados e executados, em face de terceiros, quase uma centena de procedimentos, entre diligências fiscais (mais de sessenta), requisições de informações a bancos e outras providências. 257. Se, de um lado, a omissão pode ser explicada pelo contexto em que adotada (pois, como dito, o comportamento omissivo do sonegador ao deixar de atender uma intimação fiscal é coerente com seu propósito de esquivarse da tributação), a negativa de atendimento à intimação fiscal apresenta, sob outro aspecto, uma conseqüência consentânea com o princípio segundo o qual a ninguém é dado beneficiarse de sua própria torpeza. Fl. 5903DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.896 83 258. E tal conseqüência serve, inclusive, para permitir que se distinga o contribuinte que deixa de pagar o tributo e, depois, quando fiscalizado, insiste em obstar o regular andamento do procedimento fiscal daquele que, embora tenha se afastado da tributação, em um primeiro momento, consente, depois, em colaborar com a investigação fiscal, prestando os esclarecimentos que lhe são exigidos. 259. A conseqüência aqui referida tem previsão no art. 44, § 2º, da Lei n. 9.430, de 1996, que estabelece a majoração, em 50% (cinqüenta por cento), da multa de ofício, nos casos em que o sujeito passivo, no prazo marcado, deixa de atender intimação para apresentar documentos ou prestar esclarecimentos de interesse da Fiscalização. 260. Assim, pois, aumentamos de metade o percentual de que trata o item 249 e, sobre os créditos tributários lançados de ofício, referidos nas seções II.3.2 e II.3.3, aplicamos a multa de 225% (duzentos e vinte e cinco por cento). II.4 Do crime contra a ordem tributária em tese realizado (art. 1º da Lei n. 8.137, de 1990) e dos respectivos agentes 262. Os comportamentos descritos anteriormente não só evidenciam a prática dos ilícitos tributários previstos arts. 71 e 73 da Lei n. 4.502, de 1964, como também indicam a realização do crime contra a ordem tributária tipificado no art. 1º da Lei n. 8.137, de 1990. 262.1. Com efeito, estas diversas condutas – só para citar algumas daquelas às quais fizemos referência anteriormente – levaram ao resultado que o tipo penal em questão visa evitar, isto é, a economia irregular de tributos e a conseqüente lesão aos cofres públicos: 262.1.1. a omissão de rendimentos, nas declarações apresentadas à RFB (seções II.1.7 e II.2.1.2), comportamento descrito no art. 1º, II, da Lei n. 8.137, de 1990; 262.1.2. o uso de documento falso (contrato de locação), para servir de comprovante de endereço perante órgãos públicos, com a finalidade de emprestar aparência de regularidade a sociedade empresária de fato inexistente (NORTE SUL), criada com o propósito exclusivo de produzir economia irregular de tributos (item 26), comportamento descrito no art. 1º, IV, da Lei n. 8.137, de 1990; 262.1.3. a impressão, em duplicidade, com base em uma mesma autorização dada pelo Fisco mineiro, de blocos de notas fiscais destinados ao registro fraudulento de operações comerciais (seção II.1.5), comportamento que se ajusta ao art. 1º, III, da Lei n. 8.137, de 1990; 262.1.4. e, principalmente, o uso de notas frias (notas fantasmas, como demonstramos no item 243.1), com o propósito de dar guarida a operações que, de fato, foram realizadas pelas pessoas enumeradas no item 191, e não pelo estabelecimento emitente (que sequer existia de fato) constante no corpo do documento fiscal, comportamento que se ajusta ao art. 1º, III, da Lei n. 8.137, de 1990. 263. Das condutas anteriormente enumeradas, descritas em pormenores nas seções precedentes, decorreu efetiva supressão ou redução dos tributos ora lançados de ofício, o que indica a ocorrência, no plano fático, do resultado exigido para a configuração do delito tipificado no art. 1º da Lei n. 8.137, de 1990. Fl. 5904DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.897 84 264. Há nexo objetivo entre as condutas acima enumeradas e o resultado consistente na supressão/redução dos tributos ora lançados. Ora, se não tivessem sido adotados os diversos comportamentos descritos pormenorizadamente ao longo deste documento, certamente a lesão aos cofres públicos, obtida via sonegação fiscal, não teria ocorrido. 265. Há, ainda, nexo jurídico, uma vez que, ao adotarem tais condutas, os que se beneficiaram do plano de evasão fiscal centralizado na NORTE SUL comportaramse de modo não determinado/não incentivado por lei. Ao contrário, foi precisamente de condutas proibidas por lei, praticadas por tais agentes, que decorreu o resultado não socialmente tolerado e, por isso mesmo, combatido pelo art. 1º da Lei n. 8.137, de 1990. 266. Além disso, como tivemos oportunidade de registrar na seção anterior, e aqui ainda falando em tese, verificase, no caso, a presença de nexo psíquico, uma vez que as condutas descritas acima foram adotadas conscientemente, isto é, com a firme intenção de obter aquele resultado que a norma penal em questão visa evitar. 266.1. Basta ver que os tributos outrora suprimidos, agora lançados de ofício, não resultaram de comportamento meramente isolado, acidental, imputável a simples equívoco ou erro na percepção dos fatos ou na interpretação das normas tributárias. 266.2. Diferente disso, a economia relativa aos créditos tributários agora constituídos foi alcançada por meio de um plano concebido e executado durante longo período. E esse plano incluiu o uso de documentos forjados, a constituição de sociedades empresariais de mera aparência, o uso de interpostas pessoas (“laranjas”), a entrega de declarações falsas aos órgãos fazendários, a emissão de notas fiscais frias e, enfim, uma diversidade de outras condutas de grave desvalor social que, reiteradas, tornaram possível a economia de milhões de reais de tributos, com expressivo prejuízo ao Erário. 266.3. Não há, pois, como negar que os diversos comportamentos descritos anteriormente – dos quais resultou efetiva supressão ou redução de tributos – foram realizados, ao menos em tese, dolosamente. 267. Assim, o que foi demonstrado anteriormente indica a realização, no campo fático, de crime contra a ordem tributária, uma vez que: (i) os fatos descritos ajustam perfeitamente à infração penal tipificada do art. 1º da Lei n. 8.137, de 1990 (tipicidade formal); (ii) os comportamentos adotados – não determinados e não incentivados, mas, ao contrário, proibidos por lei – causaram intolerável lesão aos cofres públicos. 268. Estas pessoas, as quais adotaram os comportamentos descritos anteriormente, são, em tese, autores do crime contra a ordem tributária referido no item precedente: 268.1. MARCIO TEMPONI DIAS (CPF n. 737.225.45668); 268.2. MOACIR TEMPONI DIAS (CPF n. 911.807.67691); 268.3. MARIA SERAFINA TEMPONI DE ALMEIDA (CPF n. 860.566.89620); 268.4. JOSÉ MÁRCIO FERNANDES SILVEIRA (CPF n. 421.010.00644); Fl. 5905DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.898 85 268.5. MARSONEY FERNANDES SILVEIRA DOS SANTOS (CPF n. 997.765.70682); 268.6. CARLOS ROBERTO FERNANDES SILVEIRA (CPF n. 013.848.67600). 269. Tais pessoas, para “suprimir ou reduzir tributo” devido por si mesmas ou pelas empresas de que eram titulares (LATICÍNIOS TEMPONI, ATACADÃO DO QUEIJO LTDA etc), dentre outras condutas enumeradas neste documento, utilizaram, como visto, notas fantasmas (notas frias em cujo corpo figurava como emitente a NORTE SUL, empresa de fato inexistente) e realizaram, assim, em tese, a infração penal tipificada no art. 1º da Lei n. 8.137, de 1990. 270. Outras pessoas, ainda, mediante condutas acessórias, colaboraram para a realização do crime contra a ordem tributária aqui referido em tese. A participação dessas demais pessoas, porém, será examinada em momento oportuno, por ocasião da elaboração de representação para fins penais (art. 83 da Lei n. 9.430, de 1996), até porque nos interessa, aqui, deixar demonstrada apenas a repercussão penal, em tese, dos comportamentos adotados pelas pessoas enumeradas acima, às quais este documento se dirige diretamente. III CONCLUSÃO 271. Encerramos parcialmente o procedimento fiscal n. 06.1.03.002011000192, desenvolvido em face da DISTRIBUIDORA DE LATICÍNIOS NORTE SUL LTDA (CNPJ n. 03.154.102/000150), e, também parcialmente, o procedimento fiscal dele decorrente, de n. 06.1.03.002011008371, desenvolvido em face de ANÍSIO COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA (CNPJ n. 08.909.132/000142). 272. Por meio de autos de infração dos quais este relatório é parte indissociável, constituímos, de ofício, os créditos tributários controlados por meio dos processos administrativos n. 15215720.214/ 201119 e 15215720.159/ 201248. 272.1. O primeiro processo controla a exigência dos créditos tributários lançados no âmbito da fiscalização realizada contra a DISTRIBUIDORA DE LATICÍNIOS NORTE SUL LTDA, relativos ao anocalendário de 2008, dos quais são devedores, solidariamente, conforme o Termo de Sujeição Passiva Solidária n. 201100019/ 001, as pessoas referidas no item 239 [seção II.3.3]. 272.2. O segundo processo controla a exigência dos créditos tributários lançados no âmbito da fiscalização realizada contra a ANÍSIO COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA, relativos ao anocalendário de 2007, dos quais são devedores, em solidariedade, conforme o Termo de Sujeição Passiva Solidária n. 201100837/ 001, os empresários individuais referidos no item 200 [seção II.3.2]. 273. As obrigações relativas aos demais períodos abrangidos pela fiscalização (anoscalendário de 2008 e 2009, quanto à ANÍSIO COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA; anocalendário de 2009, quanto à DISTRIBUIDORA DE LATICÍNIOS NORTE SUL LTDA) continuam sob exame fiscal, aguardando o deslinde de providências solicitadas, mediante intimação, dos respectivos contribuintes. 274. Os créditos tributários constituídos de ofício foram acrescidos da multa qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento) prevista no artigo 44, § 1º, da Lei n. 9.430 de 1996, uma vez que a supressão de tributos foi obtida por sonegação Fl. 5906DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.899 86 praticada mediante conluio (art. 71 combinado com o art. 73 da Lei n. 4.502, de 1964) [seção II.3.3]. 275. A multa qualificada referida no item precedente foi, ainda, acrescida de metade, perfazendo o percentual de 225% (art. 44, § 2º, da Lei n. 9.430, de 1996), pois as pessoas referidas no item 272 deixaram de atender, nos prazos assinalados, intimações para apresentar documentos ou prestar esclarecimentos imprescindíveis à fiscalização [seção II.3.4]. Constatações fáticas Há que se averiguar o conjunto probatório robusto produzido nos autos pelas autoridades fiscais utilizandose de meios lícitos e suas consequências jurídicas nas quais tem como pressuposto a convicção que permite aferir a verossimilhança das situações discutidas, em função do princípio da persuasão racional da prova. Pela reunião de elementos provados e suas circunstâncias evidenciase a ocorrência dos ilícitos tributários, como se pode aferir no período de julho a dezembro de 2007. Em apertada síntese, reiterese que restou plenamente comprovado que Anísio Comércio e Representações Ltda é uma pessoa jurídica sem existência de fato, que se beneficiou das operações realizadas com notas fiscais emitidas de forma fraudulenta, conhecidas como “notas frias”, que não são condizentes com as reais operações com venda de mercadorias, no caso queijos. Não declarou qualquer valor a título de receita bruta auferida para a RFB, não emitiu qualquer nota fiscal e permaneceu inerte a todas aos termos emitidos pelas autoridades fiscais para prestação de esclarecimentos. A pessoa jurídica Anísio Comércio e Representações Ltda foi constituída em nome de interpostas pessoas, quais sejam, Anísio Alves da Silva, CPF 033.386.32673, e Daniel Marcos Carneiro de Oliveira, CPF 070.837.49647, que declararam à RFB que a Recorrente não auferiu receita. Anísio Alves da Silva tinha vínculos empregatícios com as pessoas jurídicas Mocair Temponi Dias, CNPJ 03.031.110/000109 e Marcio Temponi Dias, CNPJ 01.785.223/000174, e Daniel Marcos Carneiro de Oliveira tinha vínculo empregatício com a pessoa jurídica Marcio Temponi Dias, CNPJ 01.785.223/000174. A pessoa jurídica Anísio Comércio e Representações Ltda, de fato, não era sediada no domicílio fiscal informado à RFB. Mocair Temponi Dias e Marcio Temponi Dias e sua mãe Maria Serafina Temponi de Almeida, todos empresários individuais, constituíramna, mediante interpostas pessoas, com a finalidade de receberem os pagamentos relativos às operações com venda de queijos documentadas com as notas frias emitidas pela pessoa jurídica fictícia Distribuidora de Laticínios Norte Sul Ltda, no valor total de R$1.780.813,13. Esses recursos financeiros que ingressaram na Recorrente não eram destinados ao desenvolvimento de sua atividade produtiva, mas sim transferidos para as contas bancárias Mocair Temponi Dias e Marcio Temponi Dias e sua mãe Maria Serafina Temponi de Almeida, todos empresários individuais, que utilizaramna para simular negócios por eles realizados. Vale esclarecer que todos eles foram intimados pelas autoridades fiscais a prestarem esclarecimentos, mas permaneceram inertes, deixando de atender às intimações que lhes foram encaminhadas. Restou comprovada a incompatibilidade entre a movimentação financeira e os dados informados à RFB apurada a partir do procedimento previsto no permissivo legal do art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001. Parte dos recursos pessoa jurídica Anísio Comércio e Representações Ltda foram utilizados para pagamentos (a) de Fl. 5907DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.900 87 compra de queijo, (b) de combustíveis, (c) de resfriadores de leite, (d) de empregados, de outra pessoa jurídica (Laticínios Temponi). Por seu turno, Laticínios Temponi, autorizava que o pagamento da venda de queijo fosse depositado na conta bancária de Anísio Comércio e Representações. As instituições financeiras tratavam das transações de Anísio Comércio e Representações com a Laticínios Temponi, cujos titulares eram Moacir Temponi Dias, Márcio Temponi Dias e Maria Serafina Temponi de Almeida. Ademais, na abertura de crédito junto ao Banco do Brasil S/A a fiança foi prestada por Márcio Temponi Dias e que o financiamento deste junto ao Bradesco S/A foi quitado por Anísio Comércio e Representações. Ela movimentou as contas bancárias nos mesmos lugares em que a Laticínios Temponi exercia sua atividade comercial. Ficou evidenciado, assim, que as contas de titularidade de Anísio Comércio e Representações eram utilizadas pela Laticínios Temponi. Nesse sentido estão corretos os procedimentos de: (a) constituição dos créditos tributários pelo lançamento de ofício com a utilização do critério da quebra de seus sigilos bancários, (b) aplicação da multa de ofício proporcional qualificada e agravada e (c) lavraturas dos Termos de Sujeição Passiva Solidária, cujos fatos e fundamentos estão minuciosamente descritos no Relatório de Auditoria Fiscal, fls. 35102, e exaustivamente comprovados mediante documentação hábil e idônea no presente processo. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A inferência denotada pelas defendentes, nesse caso, não é acertada. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso19. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade20. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam 19 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 20 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 5908DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.901 88 relativos ao mesmo sujeito passivo 21. Os lançamentos PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 21 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 5909DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.902 89 Voto Vencedor Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Redator Designado Dispõem os arts. 47 e 49, § 7º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (grifouse): Art. 47. Os processos serão distribuídos aleatoriamente às Câmaras para sorteio, juntamente com os processos conexos e, preferencialmente, organizados em lotes por matéria ou concentração temática, observandose a competência e a tramitação prevista no art. 46. [...]. Art. 49. Os processos recebidos pelas Câmaras serão sorteados aos conselheiros. [...]. § 7º Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc. Considerou a Turma, em sessão, por maioria, que, no presente caso, haveria íntima conexão entre este processo e o do ATACADÃO DO QUEIJO (nº 10680.720602/201190), tendo em vista que, conforme se observa deste processo: a) o ATACADÃO DO QUEIJO já foi autuado pela DRF/Belo Horizonte MG, por meio do processo nº 10680.720602/201190; e b) o lucro foi arbitrado tendo como base as receitas brutas conhecidas da NORTE SUL que correspondem aos faturamentos informados à Secretaria de Fazenda do Estado de MG nos anoscalendário de 2006 a 2009 desconsiderando, por prudência, as receitas brutas consideradas como omissão de rendimentos de que resultaram os créditos tributários controlados por meio do processo nº 10680.720602/201190. Em pesquisa no site do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) (http://carf.fazenda.gov.br), observei que o processo nº 10680.720602/201190 foi distribuído à Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção do CARF (Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno). Dessa forma, voto por declinar da competência à Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção do CARF, tendo em vista a íntima conexão com o processo de nº 10680.720602/201190 (Atacadão do Queijo Ltda.), com fundamento nos arts. 47 e 49, § 7º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fl. 5910DF CARF MF Processo nº 15215.720159/201248 Acórdão n.º 1803002.264 S1TE03 Fl. 5.903 90 Fiscais (RI/CARF), e tendo em vista os princípios da uniformidade de decisão deste CARF e da eliminação de duplicidade de esforços. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Redator Designado Fl. 5911DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.001444/2004-05
Data da sessão: Mon Jul 05 00:00:00 UTC 2010
Ementa: sistema integrado de pagamento de impostos e contribuições das
microempresas e das empresas de pequeno porte — simples, ENSINO
MÉDIO.
Ano — calendário 2003
OPÇÃO PELO SIMPLES, EXCLUSÃO.É vedada a opção pelo SIMPLES à
pessoa jurídica que presta erviços profissionais de professor, consultoria, ou assemelhados, e de qualquer profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida. Também é vedada a opção pelo SIMPLES à pessoa jurídica que tenha débitos inscritos em dívida ativa da União. (artigo 90, incisos XIII e XV, da Lei n° 9317/1996).
Numero da decisão: 1202-000.324
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Nereida De Miranda Finamore
1.0 = *:*
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Recorrida Delegacia da RF de Julgamento em Ribeirão Preto Assunto: sistema integrado de pagamento de impostos e contribuições das microempresas e das empresas de pequeno porte — simples, ENSINO MÉDIO. Ano — calendário 2003 OPÇÃO PELO SIMPLES, EXCLUSÃO.É vedada a opção pelo SIMPLES à pessoa jurídica que presta erviços profissionais de professor, consultoria, ou assemelhados, e de qualquer profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida. Também é vedada a opção pelo SIMPLES à pessoa jurídica que tenha débitos inscritos em dívida ativa da União. (artigo 90, incisos XIII e XV, da Lei n° 9317/1996). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Nelson Lóss Fil > residente, jl L.---'--UCGLd.:7( d(/ riÁ7L-77 Nereida de Miranda mam e, o a - Relatora EDITADO EM: n 2 t..)c, FT ? rvin. .. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho (Presidente), Carlos Alberto Donassolo, Valéria Cabral Géo Verçoza, Darei Mendes de Carvalho Filho (Suplente Convocado), Nereida de Miranda Finamore Horta, Orlando Jose Gonçalves Bueno (Vice Presidente da Turma). 1 Relatório Trata-se de recurso interposto pela contribuinte empresa LICEU PEDRO II S/C RESPONSABILIDADE LTDA., pelo qual requer a revisão da decisão contida no Despacho Decisório n" 309, de 2004, da Delegacia da RF em Sorocaba, o qual indeferiu o pedido de inclusão no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES), pelo exercício de atividade vedada pelo art, 9°, incisos XIII e XV, da Lei n° 9.317/96. Entendeu a DRF que a empresa exerce atividade de exploração do ramo de organização, manutenção e exploração, com fins lucrativos, de estabelecimento de educação básica ou educação profissionalizante (fi 79), e outros cursos, cuja instalação lhe seja conveniente, e conforme a sua classificação no CNAE n° 8020-9-00 — Ensino Médio. Além disso, também possui débito inscrito em divida ativa. Inicia-se os autos com correspondência da interessada à Delegacia da RF em Sorocaba, infbrmando que se encontra em tramitação na DRJ, processo em grau de impugnação pendente de julgamento, apresentado em 24 de janeiro de 2001, contra a não inclusão da empresa na sistemática do SIMPLES, e requer a anulação do Termo de Intimação ou suspensão desse até a decisão final. O referido Termo solicita a apresentação da Certidão de Débitos Negativa do INSS e Dívida Ativa junto à União - PGFN. No período de 18 de fevereiro de 2004 até 18 de junho de 2004, quando houve ao final indeferimento, a interessada pediu prorrogação sempre por 30 dias para cumprir o referido Termo, sucessivamente. Em 25 de junho, 15 de julho, 9 de agosto do mesmo ano, insiste novamente pela prorrogação que já lhe fora negada. Na Manifestação de Inconformidade, a interessada alega que o artigo 9 0, XIII e XV, da Lei n0 9317/1996, é inconstitucional e solicita sua inclusão na sistemática do SIMPLES. A DRJ indefere o pedido da interessada, Em seu acórdão, de plano, esclarece que não é autoridade competente a julgar a constitucionalidade da Lei n" 9317, de 1996 Esclarece ainda que a atividade da interessada é de ensino, portanto, de professor, a qual está vedada não só consoante a Lei n" 9317/1996, artigo 9 0, XIII, como também consoante o Ato Declaratório Executivo de n° 29, 1999. Inforiiia também que, quanto aos débitos inscritos em divida ativa da União, a interessada não nega sua existência, o que também é fato impeditivo para a opção pela sistemática do SIMPLES, nos termos do artigo 9°, XV, da referida Lei. Regularmente intimada da decisão supra mencionada em 20 de setembro de 2007 (AR), a Interessada apresentou Recurso Voluntário no dia 16 de outubro do mesmo ano. Nessa ocasião reiterou os argumentos apresentados na Manisfestação de Inconformidade/Impugnação apresentada anteriormente. É o relatório. ( 2 Processo n" 10855 001444/2004-05 S1-C2T2 Acórdão n." 1202-00324 El 1 236 Voto Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta, Relatora O Recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n°70.235, de 1972. Assim sendo, dele conheço. Inicialmente, esclareço que este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, consoante enunciado da Súmulas n"2 do 1' e 2° CC, consolidado na PORTARIA do CARF n" 106, de 21 de 21 de dezembro de 2009. Dispõe o artigo 9", XIII e XV, da Lei n" 9.317, de 1996, que: "Art. 9' - Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: , _VII- que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor 171ÚSiCO, dançarino, medico, dentista, enfermeiro,veterinário, engenheiro, arquiteto, tísico, químico, economista, contador; auditor consultor, estatístico,administrador programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, proféssor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemalhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; XV - que tenha débito inscrito em Divida Ativa da União ou do Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, cuja exigibilidade não esteja suspensa;" Em relação à atividade da empresa, como consta do seu objeto social, exerce atividades de professor, educação, portanto, de profissão legalmente regulamentada, a saber: organização, manutenção e exploração, com fins lucrativos, de estabelecimento de educação básica ou educação profissionalizante Vale notar que a interessada, a todo momento nos autos, debate a constitucionalidade da Lei e o conceito de escola, que não se resume apenas a atividade de professor, tendo em vista que tem laboratórios, limpeza, etc., portanto, em nenhum momento nega que exerça a atividade. Por esse fato apenas, ou seja, não negar que exerce a atividade de professor e de educação, a interessada não poderia optar pela sistemática do SIMPLES, consoante o inciso XIII acima transcrito. Cif . 3 Adicionado a isso, temos o impeditivo do inciso XV do artigo 9 0, também transcrito acima , fato que, em nenhum momento nos autos, a interessada provou não existir ou comprovou que os débitos estivessem com sua exigibilidade suspensa. Isto posto, voto pelo não provimento do recurso, mantendo o Despacho Decisório de n" 309, de 2004. Sala das Sessões, em 5 de julho de, 2, 01 ( .Át Nereida c e Miranda Fina tr---ló a 4
score : 1.0
Numero do processo: 11444.000859/2007-09
Data da sessão: Wed Apr 07 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoas Jurídicas e Outros
Exercício: 2004
Ementa: DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA — AUSÊNCIA DE
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA — Se a fundamentação do ato
decisório, ainda que sucinta, permite ao contribuinte o pleno conhecimento das razões que levaram ao indeferimento de seu pleito, é de se afastar a qualquer nulidade por conta de suposto cerceamento de direito de defesa.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL — NORMAS DE CONTROLE
INTERNO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL — As normas que
regulamentam a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal - MPF dizem respeito ao controle interno das atividades da Receita Federal do Brasil. Eventual ausência do documento não afeta, por si só, a validade dos lançamentos.
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO — Não provada violação das
disposições contidas no art, 142 do CTN e nos artigos 10 e 59 do Decreto n° 70.235/72, e não se identificando, no instrumento de autuação, nenhum vício prejudicial ao autuado, não há que se falar em nulidade, quer do lançamento, quer do procedimento fiscal que lhe deu origem, quer do documento que
formalizou a exigência tributária.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS — PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE
RENDIMENTOS — Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei n° 9.430/96, em seu art, 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos identificados com valores depositados em conta bancária, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove,
mediante documentação hábil e idônea, a origem ou a causa econômica.
MULTA QUALIFICADA — INTUITO DE SONEGAÇÃO — COMPROVAÇÃO ARCABOUÇO PROBATÓRIO QUE DEMONSTRA DOLO ESPECÍFICO — Somente é justificável a exigência da multa qualificada, prevista no artigo art. 44, § 1°, da Lei n 9.430/96, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de sonegação, fraude ou
conluio, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. 0 desiderato infracional deve ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos. No caso, a perscrutação conjunta dos elementos de prova indica, de forma suficiente, que o contribuinte buscou camuflar ou sonegar suas operações tributáveis, encobertando a concretização dos fatos geradores, na
forma do artigo 71 da Lei no 4.502/64.
DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA- IMPOSSIBILIDADE NA VIA ADMINISTRATIVA — E vedado aos membros julgadores do CARF afastar a aplicação ou deixar de
observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto vigentes, sob fundamento de inconstitucionalidade ou de ilegalidade.
PEDIDO DE PERÍCIA NÃO ATENDIMENTO DOS REQUISITOS
LEGAIS — DESNECESSIDADE — Quanto à prova pericial a mesma tem que
ser requerida na peça inaugural da defesa, conforme disposição expressa no regulamento do Processo Administrativo.
Numero da decisão: 1803-000.341
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoas Jurídicas e Outros Exercício: 2004 Ementa: DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA — AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA — Se a fundamentação do ato decisório, ainda que sucinta, permite ao contribuinte o pleno conhecimento das razões que levaram ao indeferimento de seu pleito, é de se afastar a qualquer nulidade por conta de suposto cerceamento de direito de defesa. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL — NORMAS DE CONTROLE INTERNO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL — As normas que regulamentam a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal - MPF dizem respeito ao controle interno das atividades da Receita Federal do Brasil. Eventual ausência do documento não afeta, por si só, a validade dos lançamentos. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO — Não provada violação das disposições contidas no art, 142 do CTN e nos artigos 10 e 59 do Decreto n° 70.235/72, e não se identificando, no instrumento de autuação, nenhum vício prejudicial ao autuado, não há que se falar em nulidade, quer do lançamento, quer do procedimento fiscal que lhe deu origem, quer do documento que formalizou a exigência tributária. DEPÓSITOS BANCÁRIOS — PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS — Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei n° 9.430/96, em seu art, 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos identificados com valores depositados em conta bancária, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem ou a causa econômica. MULTA QUALIFICADA — INTUITO DE SONEGAÇÃO — COMPROVAÇÃO ARCABOUÇO PROBATÓRIO QUE DEMONSTRA DOLO ESPECÍFICO — Somente é justificável a exigência da multa qualificada, prevista no artigo art. 44, § 1°, da Lei n 9.430/96, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de sonegação, fraude ou conluio, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. 0 desiderato infracional deve ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos. No caso, a perscrutação conjunta dos elementos de prova indica, de forma suficiente, que o contribuinte buscou camuflar ou sonegar suas operações tributáveis, encobertando a concretização dos fatos geradores, na forma do artigo 71 da Lei no 4.502/64. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA- IMPOSSIBILIDADE NA VIA ADMINISTRATIVA — E vedado aos membros julgadores do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto vigentes, sob fundamento de inconstitucionalidade ou de ilegalidade. PEDIDO DE PERÍCIA NÃO ATENDIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS — DESNECESSIDADE — Quanto à prova pericial a mesma tem que ser requerida na peça inaugural da defesa, conforme disposição expressa no regulamento do Processo Administrativo.
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 11444.000859/2007-09 Recurso n° 167.565 Voluntário Acórdão le 1803-00.341 — 3' Turma Especial Sessão de 07 de abril de 2010 Matéria IRPJ Recorrente D & F ARMAZÉNS GERAIS LTDA, Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoas Jurídicas e Outros Exercício: 2004 Ementa: DECISÃO DE PRIMEIRA INSTANCIA — AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA — Se a fundamentação do ato decisório, ainda que sucinta, permite ao contribuinte o pleno conhecimento das razões que levaram ao indeferimento de seu pleito, é de se afastar a qualquer nulidade por conta de suposto cerceamento de direito de defesa. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL — NORMAS DE CONTROLE INTERNO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL — As normas que regulamentam a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal - MPF dizem respeito ao controle interno das atividades da Receita Federal do Brasil. Eventual ausência do documento não afeta, por si só, a validade dos lançamentos. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO — Não provada violação das disposições contidas no art, 142 do CTN e nos artigos 10 e 59 do Decreto n° 70.235/72, e não se identificando, no instrumento de autuação, nenhum vício prejudicial ao autuado, não há que se falar em nulidade, quer do lançamento, quer do procedimento fiscal que lhe deu origem, quer do documento que formalizou a exigência tributária. DEPÓSITOS BANCÁRIOS — PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS — Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei n° 9.430/96, em seu art, 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos identificados com valores depositados em conta bancária, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem ou a causa econômica. 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DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA- IMPOSSIBILIDADE NA VIA ADMINISTRATIVA — E vedado aos membros julgadores do CARP afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto vigentes, sob fundamento de inconstitucionalidade ou de ilegalidade. PEDIDO DE PERÍCIA NÃO ATENDIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS — DESNECESSIDADE — Quanto à prova pericial a mesma tem que ser requerida na peça inaugural da defesa, conforme disposição expressa no regulamento do Processo Administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. EDITADO E 1 2 NOV 2010 ' Participaram\do_p esente julgamento os Conselheiros: Selene Fermira de Moraes, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Rodrigues Mendes, Marcelo de Assis Guerra, Benedicto Celso Benicio Júnior e Luciano Inocêncio dos Santos. Relatório Em ação fiscal levada a efeito no contribuinte acima identificado, foi apurada omissão de receitas da atividade caracterizada por vendas não escrituradas e nem declaradas, bem como omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, fatos estes ocorridos no ano de 2003. Como consequência, foram lavrados os autos de infração de IRPJ (fls. 06-09), PIS (fls. 12-14), CSLL (fls. 19-21) e COFINS (fls. 25- 27). Sobre os créditos tributários apurados com base na omissão de receitas da atividade caracterizada por vendas não escrituradas e nem declaradas foi aplicada multa qualificada (150%) e sobre os créditos tributários apurados com base na omissão de receitas constatada em razão de depósitos bancários de origem não comprovada foi aplicada multa de oficio de 75%. 2 Processo n° 11444.000859/2007-09 SI-TE03 AcOrdlIo ri.° 1803-00341 Fl. 3 Conforme descrito no "Relatório Fiscal" de fls. 32-39, a ação fiscal teve inicio em razão da incompatibilidade entre a receita declarada (R$ 416.050,46) e a movimentação bancária (R$ 6.362.697,03). Em procedimento de circularização junto aos clientes do contribuinte, realizada com o fim de investigar a causa dos créditos constatados em suas contas bancárias, apurou-se que foram efetuadas vendas às empresas RUBI S.A. COM. IND. AGRICULTURA e CEAGRO AGRÍCOLA LTDA., conforme atestam as notas fiscais por estas apresentadas. Estas notas não constam do Livro Registro de Saidas. Diante destes fatos, o contribuinte foi intimado a apresentar todas as notas fiscais emitidas no ano de 2003. Constatou-se, então, que não foram apresentadas 78 notas fiscais, sendo que 75 não foram registradas no Livro Registro de Saídas e 3 foram registradas na condição de cancel adas. Intimado a apresentar estas notas, o contribuinte informou que foram perdidas e que publicou o aviso de extravio em jornal de circulação regional, em meados de janeiro de 2004. 0 contribuinte afirmou, ademais, que, por descuido de funcionário, após perder o talão de notas fiscais, acreditou que o caminho seria informar a sua perda, sem atentar para o fato de ter preenchido algumas notas fiscais do talão, ressaltando que não teve intenção de prejudicar a arrecadação dos tributos. Com base nos fatos assim constatados, a autoridade autuante lançou os tributos devidos sobre as receitas omitidas assim apuradas (R$ 379.442,00), impondo multa de oficio qualificada sobre tais créditos tributários (150 %), já que o fato de não haver registrado em seu Livro de Registro de Saídas vendas de tamanho vulto (cerca de 90% de seu faturamento declarado) revelaria seu evidente intuito de fraude. Notificado a comprovar a origem dos depósitos bancários, o contribuinte afirmou que utilizava suas contas bancárias para receber e repassar valores de produtores rurais. Asseverou que recebia dos produtores rurais a respectiva produção, na condição de depositário, e que, quando da venda, era emitida nota fiscal de devolução do produto depositado, para que o produtor emitisse nota fiscal de venda para a empresa adquirente. Para comprovar estas afirmações, apresentou planilhas com identificação da origem dos recursos, comprovantes de inscrições e situações cadastrais de clientes, além dos extratos bancários. Posteriormente, apresentou outros documentos, corno tiquetes de pesagem, cópias de formulários de "cópia de cheque" e cópias das fichas de produtores pagos. Diante desses fatos, a autoridade autuante intimou diversas empresas que teriam efetuado depósitos bancários nas contas do contribuinte, colhendo as seguintes informações: a) as empresas CEAGRO AGRÍCOLA LTDA. e RUBI S.A. COMERCIO INDUSTRIA E AGRICULTURA, após apresentarem notas fiscais de vendas que o contribuinte não havia escriturado, informaram que não tinham outros pagamentos registrados para o fiscalizado; b) a empresa CEREALISTA SANTA RITA LTDA. afirmou que os valores pagos referem-se a financiamento de compra de milho junto a produtores rurais, sem, contudo, apresentar documentação comprobatória; c) a empresa GRANOL INDUSTRIA COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO S.A. informou que não localizou pagamento realizado diretamente ao fiscalizado, ressalvando a eventual possibilidade de pagamento por conta e ordem de terceiros, sem anexar documentação comprobatória; d) a empresa VEJA ARMAZÉNS GERAIS LTDA. afirmou que os valores pagos referem-se a distribuição de lucro, sem apresentar prova destes fatos; e) a empresa COMÉRCIO DE CEREAIS IPUÃ. LTDA. afirmou que fez diversas aquisições junto a produtores da regido de Maracai — SP, com intermediação e corretagem da fiscalizada, ressaltando que os valores pagos seriam comissões devidas, sem apresentar documentação comprobatória; f) as empresas BRAMILHO EXP. E COM. DE CEREAIS LTDA., F. W. COM. E EXPORTAÇÃO DE CEREAIS LTDA., GRANCEREAL MERCANTIL AGRÍCOLA LTDA., MAURO GARCIA BARBOSA GUAIRA, Processo n° 11444.000859/2007-09 S1-1E03 Acórdão n.° 1803-00341 Fl 4 RUTHERFORD TRADING S.A., SERRA GOIANA AGROPECUÁRIA LT DA. e TANJUMINAS COMÉRCIO DE CEREAIS LTDA. não foram localizadas pelo Correio. A autoridade autuante, ademais, buscou informações junto aos produtores rurais Alcides Piovesana, Jose de Lima Ruela, Jose Carlos Rodrigues e Maurilio Ferreira Coutinho. Todos afirmaram que desconheciam para quem o contribuinte revendia os produtos que eles lhe haviam vendido. Concluiu a autoridade autuante que as provas colhidas e os documentos apresentados pelo contribuinte não davam suporte à alegação deste no sentido de que os depósitos bancários efetuados em suas contas no ano de 2003 eram provenientes de recursos dos produtores rurais. Pelo contrário, as provas indicam que a movimentação financeira é decorrência de compras e revendas realizadas pelo contribuinte, com ou sem emissão de nota fiscal. Assim, dos depósitos bancários apurados foram excluídos aqueles cuja origem foi comprovada e elaborado o "Demonstrativo dos Créditos Bancários de Origem Não Comprovada" (fls. 1195-1203), intimando-se o contribuinte a manifestar-se acerca destes fatos. Mais uma vez o contribuinte afirmou que os valores movimentados são de titularidade dos produtores rurais, asseverando que, em 20/03/2003, alterou o objeto social de comércio atacadista de grãos para armazém geral, de modo que, a partir desta data, não mais efetuou comercialização de mercadorias, limitando-se a prestar serviços de armazenagem, secagem, classificação de mercadorias, auferindo receitas, ademais, de corretagem ou intermediação na venda das mercadorias depositadas nos armazéns, corn autorização previa dos produtores. Apresentou cópias de documentos denominados "Autorização de Venda", parcialmente preenchidos (sem datas e valores). Alem disso, apresentou declaração subscrita por Antonio Batista Rocha, ex-funcionário de empresas que tiveram contato com o contribuinte, em que aquele relata como eram as negociações com este. Sem embargo, não foi apresentado qualquer documento para comprovar esta versão. Finalmente, reconheceu o contribuinte que deixou de tributar receitas da prestação de serviços, elaborando demonstrativo, com base nos valores escriturados no Livro Caixa, para apurar a receita a tributar. A autoridade autuante ressalta que o demonstrativo apresentado pelo contribuinte contem equívocos evidentes, já que não segrega as alegadas receitas de prestação de serviços das receitas comprovadamente provenientes de vendas de produtos. Afirma, ainda, que é equivocada a afirmação de que o contribuinte deixou de vender as mercadorias após a alteração de seu contrato social em 20/03/2003, já que as notas fiscais localizadas dão conta de que foram efetuadas vendas. Finalmente, assevera que o contribuinte teve movimentação bancária na casa dos seis milhões de reais e que os valores dos produtos movimentados, conforme as notas fiscais que emitiu e registrou nos Livros de Entradas e de Saídas (inclusiva as entradas como depósito e as saídas como devolução de depósito), estão na caso dos dois milhões de reais. Tal discrepância é uma evidência de que o contribuinte não emitiu e registrou notas fiscais para todas as operações. Em conclusão, os depósitos bancários de origem não comprovada foram reputados receitas omitidas, com base na regra prescrita pelo art. 42 da Lei n° 9.430/96, lançando-se os tributos apurados sane tais receitas, com imposição de multa de oficio (75%). Processo no 11444.000859/2007-09 S1-TE03 Acórd5o n.° 1803-00-341 Fl 5 6 , Inconformado com a autuação, da qual foi devidamente intimado em 03112/2007, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 1297-1323, na qual deduz as alegações a seguir resumidamente discriminadas: - o AFRF Luis Alberto Tonet se encontrava na execução, desde 08/02/2007, dos trabalhos de fiscalização autorizados pelo Mandado de Procedimento Fiscal n° 08.1.18.00- 2007-00055-0, e assim permaneceu até a conclusão dos trabalhos, em 29/11/2007, com ciência do auto de infração em 03/12/2007. Formalmente, teria ocorrido a alternância na execução dos MPF de prorrogação entre os AFRF Luiz Alberto Tonet e Rudnei Aparecido da Silva. No entanto, tendo em vista que ambos figuravam no MPF inicial, conclui-se que estavam impedidos de atuar nos novos MPF's, conforme determina o art. 16 da Portaria RFB n° 4.06612007. Com exceção da intimação de fl. 248, não constam dos autos comprovantes de prorrogação e ciência do sujeito passivo acerca dos novos MPFs expedidos, cujos prazos de validade estão discriminados no documento de fl. 04. Quando da conclusão da fiscalização, já havia transcorrido o prazo de 120 dias do MPF originário, de modo que este documento já não amparava os trabalhos. Não podem os AFRF's mencionados continuar a executar os atos e termos processuais decorrentes de sua prorrogação. Estas autoridades tornaram-se incompetentes para realizar a fiscalização a partir do decurso do prazo estipulado no artigo 12, 1, da Portaria RFB no 4.066/2007. A prorrogação de que trata o art. 13 deve ocorrer dentro do prazo previsto no art. 12, já que o art. 16 contempla vedação peremptória à extrapolação do prazo previsto no art. 12. Não se prorroga o que tem limitação maxima. Ademais, deve a autoridade dar ciência ao contribuinte não apenas do MPF inicial, mas de todas as renovações e abrangências temporais da auditoria, conforme prescrito pelo art. 13, § 2°, da mencionada Portaria. 0 MPF é ato bilateral, que vincula a Administração e o contribuinte. 0 prazo máximo previsto na Portaria preserva o principio da impessoalidade no procedimento fiscal, já que impede que a atuação da autoridade fiscal se renove excessivamente, perpetuando-se junto ao contribuinte. Portanto, a inobservância do disposto no parágrafo único do art. 16 da referida Portaria configura vicio insanável, conforme se infere do disposto no art. 19 deste ato normativo. Assim, são nulos os autos de infração, pois foram lavrados por autoridade incompetente, pelo decurso do prazo do MPF e pela nomeação, nos MPF's de prorrogação, de auditor impedido de atuar; - no tocante aos créditos tributários lançados com base ern notas fiscais não escrituradas nem declaradas, embora tenham sido emitidas por exigência das empresas adquirentes dos produtos, já que os produtores rurais raramente emitiam tais documentos, e a despeito da autuação da impugnante apenas na condição de intermediadora, tem-se por correta a tributação sobre tais valores, já que a expedição de notas fiscais de compra e venda por si só se amolda na legislação tributária em vigor. é descabido o lançamento dos créditos tributários sobre as receitas consideradas omitidas com base em depósitos bancários de origem não comprovada, pois foi apresentada farta documentação demonstrando que o contribuinte atuava a penas como intermediário entre os produtores rurais e os adquirentes da produção destes . Foram apresentados vários documentos no curso da ação fiscal, tais como cópias de cheque identificado, demonstrando o repasse de numerário aos produtores, em razão da venda intennediada, notas fiscais de devolução aos produtores rurais da mercadoria depositada, comprovantes de embarque dos produtos, extratos bancários etc. O contribuinte atuou como armazém geral, recebendo o produto em sua unidade, realizando a secagem, limpeza e respectivo armazenamento, e, finalmente, quando necessário, realizando a intermediação na venda entre produtores e compradores. Recebia o depósito em sua conta bancária e transferia os valores aos produtores, descontando sua comissão pelo serviço de intermediação prestado. A Processo n 11444.000859/2007-09 S I-I E03 Acérdrio n ° 1803-00341 Fl. 6 verificação destes fatos pode ser feita pelo cruzamento de dados entre os valores dos depósitos realizados na conta bancária, os comprovantes de cópias de cheques emitidos em favor dos produtores, a quantidade de produto vendido e os comprovantes de embarque dos produtos. Por vezes, os produtores rurais não emitiam notas fiscais de venda, mas tal falta não pode ser imputada ao impugnante; - após 20/03/2003, data em que alterou o objeto social de comércio atacadista de grãos para armazém geral, não houve mais o exercício de atividade de comercialização, mas apenas de prestação de serviços de armazenagem, secagem, classificação de mercadorias e corretagem, tudo com autorização prévia dos produtores/clientes. As conclusões da autoridade autuante fundam-se em presunção de culpa do contribuinte; - as informações prestadas pelas empresas adquirentes dos produtos corroboram a afirmação de que houve apenas interrnediação. A empresa 3R COMÉRCIO DE CEREAIS afirmou que o impugnante atuava como intermediário. A empresa RUBI S.A. admitiu que não havia realizado nenhum outro pagamento ao impugnante, fato este que revela que a nota fiscal ficou por conta do produtor rural. A empresa CEREALISTA SANTA RITA afirmou que os pagamentos são oriundos de financiamento para compra de milho junto aos produtores rurais, mas tal operação, a rigor, consistia na intermediação de negócios. A empresa GRANOL S.A., a despeito de afirmar que não encontrou nenhum pagamento diretamente efetuado ao impugnante, admitiu a possibilidade de ter efetuado pagamentos por conta e ordem de terceiros, de modo que implicitamente admite a possibilidade de que houve intermediação. A empresa VEGA ARMAZÉNS GERMS informa que o sócio comum ao impugnante remeteu recursos a este, recursos estes provenientes de distribuição de lucros daquela. A não localização das empresas BRAMILHO EXPORTAÇÃO, F W COM. E EXP., MAURO GARCIA BARBOSA GUAIRA e SERRA GOIANA E TANJUMINAS COM. DE CEREAIS não autoriza a conclusão de que o impugnante não realizou operações com elas, já que, conforme atesta a documentação apresentada, encontravam-se perfeitamente ativas h. época dos fatos apurados. A localização destas empresas cabe à Receita Federal, não sendo cabível a conclusão de que os depósitos bancários delas provenientes não tiveram a origem comprovada. O Sr. Antonio Batista Rocha, ex-funcionário das empresas GRANCEREAL MERCANTIL e CEAGRO, confirmou, por meio de declaração, que o impugnante atuava apenas corno intermediário entre as empresas compradoras e os produtores rurais. Foi realizada apenas uma operação, em março de 2003, com a empresa RUTHERFORD TRADING S.A., também não localizada, consistente em uma exportação no valor de R$ 372.000,00, da qual foram tiradas todas as notas correspondentes. A não localização de pagamentos ao impugnante feitos pela CEAGRO AGRÍCOLA deve-se ao fato de que as notas fiscais de venda foram emitidas pelos produtores rurais, a quem foram repassados os recursos. A eventual falta de emissão de notas fiscais pelos produtores rurais não é de responsabilidade do impugnante; - as informações prestadas pelos produtores rurais Alcides Piovesana, José de Lima Ruela, José Carlos Rodrigues e Maurilio Ferreira Coutinho, no sentido de que venderam soja e milho para o impugnante, de que desconheciam a quem este efetuava as vendas de suas mercadorias e de que a negociação de preços era realizada com o impugnante, devem ser avaliadas com cuidado, já que se trata de pessoas do meio rural que desconhecem o significado técnico dos termos empregados. Aos produtores rurais interessa apenas a venda por um preço justo e o recebimento do preço ajustado. Na prática, o impugnante informava aos produtores rurais o preço praticado pelo mercado e o interesse de terceiros na aquisição de seus produtos, solicitando a autorização para a venda. Com o fechamento do negócio, o impugnante recebia os valores de todos os agricultores que optaram pela venda, repassando o montante correspondente a cada um e ficando corn a parte correspondente à prestação de serviços. A Processo n° 11444,00085912007-09 S1-TE03 Acórdão n.° 1803-00341 Fl 7 autoridade não exigiu dos produtores rurais as notas fiscais de vendas destes ao impugnante, fato este que poderia comprovar sua suposição de que estas vendas ocorreram. Se estas notas fiscais não existissem, seria necessário concluir que não houve a negociação suposta. - todos os documentos apresentados foram sumariamente rejeitados pela autoridade, que não considerou o respectivo valor probatório, acarretando cerceamento ao direito de defesa, presunção de culpa do impugnante e violação ao disposto nos arts. 2° e 3° da Lei n° 9.784/99. E precário o fundamento dos créditos tributários lançados a partir da presunção de omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada, já que os documentos apresentados comprovam a origem e o destino dos recursos. A autoridade inverteu o ônus da prova, já que supôs que o contribuinte deveria provar sua inocência; - foi demonstrada a inexistência de interesse de burlar o fisco, razão pela qual não se justifica a imposição de penalidades desproporcionais, que devem ser afastadas ou, caso assim não se entenda, relevadas ou reduzidas. A multa aplicada tem efeito confiscatório; - por fim, pediu o impugnante que fosse admitida a apresentação posterior de documentos e que fosse deferida a produção de todos os meios de prova admitidas, inclusive pericial e testemunhal. Requereu que suas alegaçaes fossem apreciadas, hem como a produção de prova oral. Solicitou o acolhimento da preliminar suscitada, consistente na nulidade do lançamento por desrespeito as normas inscritas na Portaria RFB n° 4.066/2007. Pediu que se julgasse insubsistente o lançamento ou, caso assim não se entendesse, requereu a relevação da multa por ausência de dolo, fraude ou simulação, ou sua redução, por falta destes pressupostos. Ao cuidar dos argumentos apresentados pelo contribuinte na citada impugnação, a la TURMA – DRI EM RIBEIRAO PRETO – SP julgou totalmente procedentes os lançamentos, ementando seu aresto nos seguintes termos: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2003, 30/06/2003, 30/09/2003, 31/12/2003 MPF - ATIVIDADE DE ARMAZENAGEM DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - OMISSÃO DE RECEITAS — MULTA. A Portaria SRF n° 6,087/2005 e a Portaria RFB n° 4.066/2007 autorizam a prorrogaglio do MPF e também a substituição da autoridade responsável pela condução dos trabalhos. Eventual irregularidade relacionada ao MPF não tern o condão de invalidar o lançamento. A atividade de armazenagem de produtos agropecuários é regulada pela Lei n° 9.973/2000 e pelo Decreto n° 3.855/2001, devendo o contribuinte observar as exigências legais. Cabe ao contribuinte a prova da origem dos recursos depositados ern suas contas bancárias, caso contrario é autorizada a presunção de omissão de receitas, com base no art. 42 da Lei n° 9.430/96. Multa aplicada nos termos da lei." Processo n° 11444.000859/2007-09 Acórd5o n.° 1803-00341 S1-TE03 Fl 8 Cientificado do acórdão em 21/07/2008, o contribuinte apresentou recurso a este conselho, em 20/08/2008, repetindo, em suma, a mesma argumentação já sustentada na seara impugnatória, É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Benedicto Celso Benicio Junior, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais para seu seguimento. Dele conheço. As razões elencadas pelo contribuinte são de cinco ordens, a saber: (I) Da falta de fundamentação da decisão recorrida Inicialmente, bate-se a recorrente por pretensa falta de fundamentação do acórdão prolatado pela 1" TURMA — DRJ EM RIBEIRAO PRETO — SP. Segundo seu entendimento, o colégio julgador ad quo não logrou justificar seu posicionamento, limitando-se a reproduzir dispositivos legais pertinentes ás matérias conhecidas. Tal sorte de argumento não merece prosperar. A análise mais superficial do aresto já permite constatar que a autoridade julgadora competente embasou de modo satisfatório seu provimento, instruindo sua posição com colações da legislação vigente. De forma nenhuma se está em face de decistun imotivado. Desde que, da leitura do ato decisório, seja possível ao contribuinte a ciência dos motivos e das bases normativas que impuseram a denegação de sua impugnação, não há que se falar em qualquer nulidade. Afasto, por absurda, a alegação preliminar em estudo. (2) Da ineficácia dos lançamentos por decurso de prazo e dos demais vícios dos MPF's emitidos Ainda ern sede preliminar, sustenta a peticionária que as autuações a ela desfavoráveis foram concretizadas depois de esgotado o prazo de fiscalização preceituado em NTPF. De igual forma, teria sido irregular a indicação de mesmos Auditores Fiscais tanto no Mandado inaugural, extinto pelo decurso do interregno de vigência, quanta no MPF de Prorrogação, ulteriormente emitido. Consoante esta versão, a constatação dos vícios apontados implicaria na nulidade de todo o trabalho fiscal, de um lado, e das peças acusatórias formalizadas, de outro, em decorrência da superveniente incompetência dos AFRFB's para proceder A. continuidade das investigações. A respeito do tema, reitero entendimento já consagrado neste colegiado, no sentido da impossibilidade de reconhecimento de nulidades resultantes de eventual constatação de equívocos na formalização dos Mandados de Procedimento Fiscal. As normas que regem a emissão destas peças dizem respeito, primacialmente, a controle interno das atividades desenvolvidas pela Receita Federal do Brasil. Ainda que a formalização do MPF possa, indiretamente, servir para informar o investigado das medidas instrutórias a serem tomadas, função precipua do instrumento somente azeitar a administração interna corporis dos órgãos fiscalizadores. Observem-se alguns precedentes desta Corte: Processo n° 11444,000859/2007-09 S 1-TE03 Acórdão n.° 1803-00.341 F l 9 "MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - NORMAS DE CONTROLE INTERNO DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL - As normas que regulamentam a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal - MPF dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do langamento. (Ac. 1° CC— 104-22.087/06)" "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - PORTARIA SRF 1\1° 1.265/99, MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL — MPF — INSTRUMENTO DE CONTROLE - O MPF constitui-se enz elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades, tampouco deslocar a data do inicio do procedimento fiscal no âmbito do processo administrativo, (Ac. 1 0 CC — 102-48.251/07)" Em todo caso, as circunstâncias que tornam nulas as peças acusatórias são apenas aquelas subsumiveis ao artigo 59 do Decreto n° 70.235/72, de um lado, ou as que se originarem da desobediência aos requisitos do artigo 10 do mesmo diploma, de outro lado. Seguem os dois indigitados dispositivos', para ratificação do exposto: "Art. 59. Silo nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1° A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2 0 Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3 0 Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandara repetir o ato ou suprir-lhe a falta," "Art, 10, 0 auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: 1- a qualificação do autuado; II - o local, a data e a hora da lavratura; III - a descrição do fato; IV - a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V - a determinação da exigência e a intima cão para cumpri-la ou impugná-la no prazo de trinta dias; Processo n° 11444,000859/2007-09 SI-TE03 Acórdão n.° 1803-00341 Fl. 10 VI - a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matricula." Outros eventuais vícios ou omissões só ensejariam a nulidade do trabalho fiscal ou das autuações decorrentes se deles resultassem prejuízo à defesa do contribuinte — o que, por obvio, não é o caso, já que o interessado teve amplo acesso as informações do processo, em perfeita observância do contraditório administrativo. Nessa esteira, veja-se também o teor do artigo 60 do citado Decreto n° 70.235/72: "Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio." Esta claro que a mera emissão irregular de MPF, alegadamente verificada no caso, jamais invalidaria, por si só, o procedimento fiscal. Nab representa tal fato vicio insanável dos autos de infração lavrados, como afirmado nas razões recursais. A competência do agente autuante, no mais, decorre diretamente de lei, sendo irrelevante, para a lidimidade do trabalho, eventual "ratificação" ou identificação dos poderes da autoridade competente, como quer fazer crer a pleiteante. (3) Da omissão de receitas bancárias. Artigo 42 da Lei n°9.430/96 No que toca - ao mérito das autuações, Peticiona o contribuinte para que se reconheça a comprovação de sua movimentação bancária, com o consequente afastamento da presunção facultada pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Aventa ele, para tanto, que a documentação carreada aos autos ("cópias de cheque identificado demonstrando o repasse de numerário aos produtores em razão da venda intermediada; notas fiscais de devolução, aos produtores rurais, da mercadoria depositada; comprovantes de embarque dos produtos; extratos bancários etc.") é suficiente e adequada para registrar as origens e as causas dos creditamentos bancários apurados . Nessa esteira, o mero encontro das informações fornecidas pela recorrente — constantes dos comprovantes de cópias de cheques emitidos em favor dos produtores, das descrições das quantidades de produtos vendidos e dos comprovantes de embarque — possibilitaria ao Fisco, por si só, perceber a fundamentação fática das receitas bancárias citadas. Tal procedimento também serviria, ademais, para demonstrar que a empresa interessada jamais realizou venda de produtos agropecuários, tendo os rendimentos apurados sido resultado da mera prestação de serviços de armazenagem e de intertnediação da venda das mercadorias. Pois bem, A solução da controvérsia tange à análise da suficiência das provas anexadas aos autos. A respeito do tópico, não vejo como se possa afastar o entendimento manifestado pela Fazenda, declinado, com detalhes, DO Relatório Fiscal aposto as fls. 32 e ss. Consoante de depreende da perscrutação dos autos, o agente fiscal competente intimou o contribuinte a explicar, documentalmente, a origem e a causa econômica dos depósitos bancários arrolados em fls. 255/262. Em resposta, anexada as fls. 265/268, a empresa peticionaria aduziu que as movimentações em conta corrente tangirun a repasses de valores de titularidade de produtores rurais, que depositavam sua produção nos armazéns da CC-4j 10 Processo n° 11444.000859/2007-09 SI-TE03 Acórdão ri. 0 1803-00.341 Fl 11 peticionária, visando a posterior venda. Quando ocorrida a alienação, a fiscalizada emitiria nota fiscal de devolução, recebendo do adquirente o prego acertado, a ser posteriormente repassado ao produtor, já descontado da taxa de corretagem cobrada. Para ilustrar suas argumentações, juntou a interessada, aos autos, os documentos de fls. 269/352. Estes, no entanto, como é fácil perceber, correspondem apenas a planilhas descritivas da pretensa origem dos recursos bancários, apresentadas em conjunto com extratos de conta corrente, de um lado, e fichas e comprovantes de inscrição dos clientes indicados, de outro lado. Ora, não é dificil notar que tais elementos instrutórios não servem para dar cumprimento à obrigação do contribuinte de provar, documental e idoneamente, os depósitos bancários constatados. A realidade das fontes pagadoras e dos negócios jurídicos subjacentes a estes rendimentos, apontados pela empresa, não foram comprovados por documentos de força probante objetiva, passível de aceitação pelo Fisco e por este Conselho. Apresentou a fiscalizada, posteriormente, em fls. 528 e ss., outros documentos variados (planilhas, cópias de tiquetes de pesagem, cópias de formulários de "cópia de cheque" e cópias das fichas dos produtores pagos), buscando ratificar a pretendida explanação da origem dos creditamentos bancários imotivados. No entanto, mais uma vez não foi possível, do estudo destas informações, constatar-se a causa das movimentações bancárias em xeque, haja vista não ter sido empreendido o necessário apontamento individualizado da fonte de cada uma das operações em destaque. É de se recordar, frente a todo o panorama descrito, que a comprovação da origem dos recursos pertinentes a depósitos bancários apurados precisa ser feita de forma minudente, mediante documentação hábil e idônea. O permissivo insculpido no artigo 42 da Lei n° 9.430/96 inverteu o ônus da prova, atribuindo-o ao contribuinte, de molde a caber a este produzir elementos probatórios suficientes para afastar a tributação dos montantes integrais averiguados pelo Fisco. A presunção assim formatada encerra natureza iuris tantzun; por esta razão, insuficientes ou inexistentes eventuais contra-provas, deve ser reconhecido o perfazimento definitivo da hipótese presumida, que passa a vigorar como situação factual indubitável, para todos os fins de direito. Cabe A. recorrente, e somente a ela, impugnar a tributação dos rendimentos bancários constatados. Não havendo cabal demonstração, pela via documental, das origens destas receitas, vigora, em prol do Fisco, o beneficio da dúvida. Trata-se de exceção, definida em lei, à regra geral preceituadora do dever fazenddrio de demonstrar a efetiva concretização dos fatos geradores. Incabível, por conseguinte, a alegação recursal de que o Fisco deveria realizar o cruzamento dos dados insertos na documentação carreada. Ainda que os elementos juntados fossem capazes, em tese, de indicar a origem dos depósitos bancários em debate — o que, corno se afirmou, não é o caso — certo é que imputaria à empresa autuada apontar a correlação entre as provas juntadas, de um turno, e as movimentações em conta corrente, de outro. Não é viável deixar à Fazenda a desincumbência de tal tarefa. Toda sorte de argumentação adicional, não fundamentada objetivamente em documentos idôneos, não passa de arguição retórica, que deve ser desconsiderada, para efeito de deslinde do presente imbróglio. Mantidas devem ser as autuações, portanto. Processo no 11444.000859/2007-09 S1-TE03 Acórd5o n ° 1803-00341 F I 12 (4) Do cerceamento de defesa derivado da não concessão da oportunidade de prova pericial Também guerreia a interessada o fato de ter-lhe sido denegado, em primeira instância julgadora, o pedido de produção de prova pericial, para comprovação das origens dos depósitos bancários inexplicados. A instrução probatória, no seio do Processo Administrativo Fiscal, tem pedra angular colocada no artigo 18 do Decreto no 70.235/72, cujo caput abaixo se reproduz: "Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instancia determinará, de oficio ou a requerimento do irnpugnante, a realização de diligências ou pendas, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art, 28, in fine. Fica claro, do enunciado suso copiado, que a decisão de concessão da prova pericial se pauta pelos critérios da pertinência e da necessidade. No caso, o contribuinte não foi capaz de explicar os motivos que determinariam a imprescindibilidade desta espécie de prova, restringindo-se a formular requerimento genérico sobre a matéria. Mormente quando se trata de explicação das causas das movimentações bancárias constatadas ônus atribuído ao contribuinte, ex vi do estresido artigo 42 da Lei n° 9.430/96 —, deve haver firmes motivos para a determinação da perícia. Conjetura-se, em principio, que a simples juntada de documentos idôneos pode alcançar os mesmos efeitos, sendo obrigação do contribuinte demonstrar a oportunidade e a impreseindibilidade da intervenção do perito. Correto, destarte, o posicionamento abraçado pelo colégio recorrido, não se podendo cogitar de cerceamento de defesa. 65) Da multa qualificada e do caráter confiscatório desta penalidade Por fim, discute a recorrente o mérito da qualificação da multa de oficio imposta. Neste sentido, conforme entendimento manifestado nas razões de recurso, defende que a conduta da empresa, ainda que identificada à omissão de receitas exacionáveis, jamais poderia ser subsumida a qualquer dos tipos legais erigidos pelos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, Vislumbro incorreção na pretensão da interessada. O brilhantismo do trabalho fazenciário impele A. consideração da razoabilidade da impingência da multa de oficio qualificada, haja vista ter sido comprovada, com a necessária certeza que o tópico requer, a ocorrência de nítida sonegação fiscal. certo que a imposição da sanção de 150% não pode se embasar na mera constatação da omissão de rendimentos tributáveis, não declarados ou não escriturados. No presente caso, entretanto, todo o panorama probatório parece indicar o nítido desiderata sonegatório do contribuinte, que buscou, a todo custo, elidir a fiscalização, impedindo a apuração e a cobrança dos tributos devidos. A respeito, é de se lembrar que os agentes lançadores constataram a existência de reiterada conduta omissiva da empresa. Esta deixou de declinar, no Livro Registro de Saídas, número considerável de notas fiscais, ulteriormente descobertas junto aos adquirentes das mercadorias que comercializa. A alegação do extravio do talão, não comprovada pela interessada, não obsta a ostentação do nítido intuito elisivo. Igualmente, Mesmo 'nas hipóteses em que sequer houve emissão das notas fiscais pertinentes, pôde-se s?, Processo n° 11444.000859/2007-09 SI-TE03 Acórdão n.° 18034 10.341 Fl. 13 apurar a existência de operações comerciais encobertas, não documentadas, refletidas em vultosa e inexplicada movimentação bancária do período. Ademais, é também de se considerar, como indicativo do intuito de infração lei tributária, os testemunhos dos produtores rurais ouvidos pela Fazenda, segundo os quais ficou claro que a empresa autuada não realizava simples intennediação de compra e venda de mercadorias agrícolas. Ao revés, a atividade do contribuinte, consoante se apurou, identificava- se, sim, com a efetiva aquisição de produtos, em conta própria, para posterior revenda ao mercado. A modificação do objeto social da peticionaria, arquivada nos idos de março de 2003, não significou a cessação desta atividade empresária. Tanto os depósitos bancários apurados, de um turno, quanto as notas fiscais posteriores a esta data, não apresentadas e não escrituradas, de outro, indicam que a sociedade ainda operava no ramo de compra e de revenda de commodities. A análise do todo probatório carreado aos autos parece sugerir que a alteração societária citada configurou apenas mais uma das várias medidas elusivas promovidas pela empresa, voltadas a desfigurar suas reais atividades. Em suma, pois, parece claro que a realização de negócios de compra e revenda de mercadorias agrícolas, camufladas sob a forma de inexistente intermediação, com ou sem a emissão e sem o registro das imprescindíveis notas fiscais, era objeto principal da empresa do contribuinte, exercido comezinhamente, Tendo-se em conta a reiterada oposição de embaraços à atuação do Fisco, com fins claramente sonegatórios, resta evidente a subsunção do comportamento do contribuinte ao tipo do artigo 71 da Lei n° 4.502/64. Mantida deve ser, por conseguinte, a qualificação das multas de oficio cominadas. No mais, não pode ser admitida qualquer adução tendente a classificar como confiscatárias as sanções pecuniárias em tela. Consoante pacificado na jurisprudência deste colegiada, esta espécie de alegação sequer deve ser estudada pelo Conselho, já que a multa debatida colhe fundamento explicito no artigo 44, § 1°, da Lei n° 9.430/96, já vigente ao tempo da lavratura dos autos: "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de .falta de declaração e nos de declaração inexata; (-) sg 12 O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei e 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis." Tal qual a conduta do agente fazenddrio, a atuação deste órgão se mostra irremediavelmente condicionada pelos termos da legislação posta. Mais uma vez nos remetemos b. Súmula n° 2 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, abaixo transcrita, para ressaltar nossa incompetência quanto ao julgamento da constitucionalidade das normas fiscais: Processo n° 11444.000859/2007-09 SI-I E03 AccirdElo n.° 1803-00341 Fl 14 "Súmula CARP n° 2: 0 CARF não é competente para se pronunciar sobre a inponstitucionalidade de lei tributária" Isto posto, NEGO PROVIMENTO ao recurso. Benedicto Celso eniclo Júnior
score : 1.0
Numero do processo: 10120.000562/98-64
Data da sessão: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 15/01/1990 a 20/10/1995
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - OMISSÃO DE PONTO SOBRE O QUAL DEVERIA PRONUNCIAR- SE O COLEGIADO.
Os embargos de declaração é o remédio processual adequado para corrigir error no procedimento na elaboração do decisum. Uma vez constatada omissão de ponto sobre o qual deveria pronunciar-se o Colegiado, este deve conhecer dos declaratórios e enfrentar o ponto omitido com vista a sanar o vício ocorrido na elaboração do acórdão embargado
CONCESSÃO, DE OFÍCIO, DE DIREITO NÃO POSTULADO PELAS PARTES - IMPOSSIBILIDADE.
O julgamento da causa é limitado pelo pedido, devendo haver perfeita correspondência entre o postulado pela parte e a decisão, não podendo o julgador afastar-se do que lhe foi pleiteado, sob pena de vulnerar a imparcialidade e a isenção, bases em que se assenta a atividade judicante.
Embargos conhecidos e acolhidos
Numero da decisão: 9303-000.811
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em conhecer, com efeitos infringentes, e acolher os embargos apresentados pela Fazenda Nacional para enfrentar o ponto omitido no acórdão vergastado e alterar o resultado do julgamento de recurso negado para recurso parcialmente provido. Vencidos os Conselheiros Nanei Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que conheciam, mas rejeitavam os declaratórios, mantendo o resultado do julgamento consignado no acórdão embargado
Matéria: Outros proc. que não versem s/ exigências cred. tributario
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 15/01/1990 a 20/10/1995 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - OMISSÃO DE PONTO SOBRE O QUAL DEVERIA PRONUNCIAR- SE O COLEGIADO. Os embargos de declaração é o remédio processual adequado para corrigir error no procedimento na elaboração do decisum. Uma vez constatada omissão de ponto sobre o qual deveria pronunciar-se o Colegiado, este deve conhecer dos declaratórios e enfrentar o ponto omitido com vista a sanar o vício ocorrido na elaboração do acórdão embargado CONCESSÃO, DE OFÍCIO, DE DIREITO NÃO POSTULADO PELAS PARTES - IMPOSSIBILIDADE. O julgamento da causa é limitado pelo pedido, devendo haver perfeita correspondência entre o postulado pela parte e a decisão, não podendo o julgador afastar-se do que lhe foi pleiteado, sob pena de vulnerar a imparcialidade e a isenção, bases em que se assenta a atividade judicante. Embargos conhecidos e acolhidos
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Numero do processo: 10805.000220/92-78
Data da sessão: Tue Feb 17 00:00:00 UTC 1998
Ementa: IPI - LEVANTAMENTO DE PRODUÇÃO - OMISSÃO DE COMPRAS.
I - Arbitramento. A presunção legal somente alcança a hipótese em que a produção apurada no levantamento fiscal é superior à registrada pelo sujeito passivo (RIPI/82, art. 343, S 1°).
11.. Inexistência de documentos. Incabível o arbitramento e exigência do tributo quando o sujeito passivo logra comprovar a ocorrência de incêndio que destruiu a documentação comprobatória, após o fornecimento das informações exigidas pelo Fisco, por meio das declarações próprias.
III - Redução da Penalidade. Por aplicação do principio da retroatividade benigna disposta no art. 106,11, 'a' e 'b' do CTN (art. 4S da Lei n. 9.430/96 e Ato Declaratório/CST n. 9, de 16.01.97).
IV - Encargos da TRD. Inaplicabilidade. A titulo de juros de mora no período anterior a 01.08_91. Principio da irretroatividade da lei tributária.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 202-09.876
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Antonio Carlos Bueno Ribeiro, Tarásio Campelo Borges e Marcos Vinicius Neder de Lima, que mantinham a parcela relativa a omissão de vendas do ano de 1988. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Antonio Sinhiti Myasava.
Nome do relator: Jose Cabral Garofano
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DRF em Santo André .. SP 2.º . PUBLICADO NO D. o. uol C 0.--º-9._.l -0.3:-_..1 19~;J _ C -------- - ~, - . RubrIca - 20 RE~CORRI DESTA DECISÃO - ~ P r:; Oc2 - O ' 19 cZc -.....-----..---.--... EM,. _.__..._de _' .. de 19f1 _ C IPI ..LEVANTAMENTO DE PRODUÇÃO ..OMISSÃO DE COMPRAS. I .. Arbitramento. A presunção legal somente alcança a hipótese em que a produção apurada no levantamento fiscal é superior à registrada pelo sujeito passivo (RIPI/82, art. 343, S 1°). 11 .. Inexistência de documentos. Incabivel o arbitramento e exigência do tributo quando o sujeito passivo logra comprovar a ocorrência de incêndio que destruiu a documentação comprobatória, após o fornecimento das informações exigidas pelo Fisco, por meio das declarações próprias. III - Redução da Penalidade. Por aplicação do principio da retroatividade benigna disposta no art. 106,11, 'a' e 'b' do CTN (art. 4S da Lei n. 9.430/96 e Ato Declaratório/CST n. 9, de 16.ül.97). IV .. Encargos da TRD. Inaplicabilidade. A titulo de juros de mora no periodo anterior a 01.08_91. Principio da irretroatividade da lei tributária. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e. discutidos os presentes autos de recurso interposto por: ADRYSIL RESINAS SINTÉTICAS S.A. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Antonio Carlos Bueno Ribeiro, Tarásio Campelo Borges e Marcos Vinicius Neder de Lima, que mantinham a parcela relativa a omissão de vendas do ano de 1988. Ausente, justific mente, o Conselheiro Antonio Sinhiti Myasava. Sala das S s, em 17 de fevereiro de 1998 Participaram, aind o presente julgamento, os Conselheiros Oswaldo Tancredo de Oliveira, José de Almeida Coelho, Helvio Escovedo Barcellos e José Berjas (Suplente). cl/cf 1, Processo Acórdão Recurso Recorrente : MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 10805.000220/92-78 202-09.876 96.581 ADRYSIL RESINAS SINTÉTICAS S.A. RELATÓRIO Este apelo já constou de pauta da sessão de 19.03.97, oportunidade em que o Colegiado decidiu converter o julgamento do recurso em diligência junto á Repartição Fiscal de origem. Na oportunidade, como consta da Diligência n. 202-01.873 (fls.392/395) foi feito o seguinte relato: "O Termo de Verificação Fiscal (fls. 02) dá conta que o núcleo da acusação repousa no fato de que a ora recorrente omitiu receitas operacionais, à vista dos saldos das fichas de estoque de produtos e matérias-primas, nos anos de 1987 a 1990. Citadas fichas apresentam discrepâncias além delas constarem o desconto da percentagem de perdas e quebras -- se confrontados com os valores encontrados no levantamentofisico, o que levou a fiscalização da Fazenda Nacional a concluir pela ocorrência de omissão de compras e vendas em tados os exercicios. Após oferecimento da impugnação do sujeito passivo (fls.19/28), através da Decisão n. 058/93 (fls. 225/226) a Sra. Delegada da Receita Federal em Santo André/SP indeferiu o pleito da autuada, consubstanciando seus fundamentos denegatórios na ementa: , IPI - Períodos de 1987 a 1990. Vendas não escrituradas. Diferenças entre fichas de controle de estoque e inventáriofísico. Valor arbitrado. Decorrência de lançamento do IRPJ por omissão de receitas. Impugnação indeferída. " Em suas razões de recurso (fls. 230/253) sustenta argumentação já oferecida na petição impugnativa reporta-se ao laudo apresentado pelo Instituto de Criminalística, o qual mencionou a documentação que foi destruída pelo incêndio. Juntou aos autos laudo pericial de empresa de consultoria empresarial, que pela improcedência das presunções que dão suporte à denúncia fiscal, tendo em vista os diversos fatores que justificam as diferenças encontradas no 2 Processo Acórdão MINIST~RIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 10805.000220/92-78 202-09.876 confronto de seus controles com o inventário físico. Causas e fatores foram descritos aos detalhes no laudopericial. As fls. 384/390 a Secretaria desta Câmarajuntau, por cópia, o Acórdão n. 108- 03.157, da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, sendo que na parte que julgau matéria tributável comum de omissão de receita (IRPJ e IPI) o ilustre Conselheiro-Relator deu pela procedência parcial da pleito, sob estafundamentação: 'No tocante à matéria tributada nos exercícios de 1988 a 1991, assiste razão em parte à Recorrente, na parte concernente a saldos a maior dos produtos AC. FENICO e FORMOL INIBIDO, no Balanço encerrado em 31/12/88, cujas diferenças entre o saldo da Ficha de Estoques e Inventário podem ser atribuídas ao incêndio ocorrido no ano de 1988, merecendo ser excluido da exigência o valor de CZ$ 3.034.776,79 no exercício de 1989. No entanto, no que respeita ao restante da exação o contribuinte 'não logrou infirmar a constataçãofiscal de diferenças entre os materiais inventariados e controle de estoque existente, materialmente configurado através dos controles mantidos pelo sujeito passivo, razãopela qual merece subsistir a imposição em tela. '" ,..•" E os fundamentos pelos quais o Colegiado decidiu a baixa dos autos à Repartição Fiscal, estão assim descritos: "Como se lê na íntegra do Relatório do Acórdão n. 108-03.157, da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, o Sr. Conselheiro-Relator antes de decidir a questão baixou os autos em diligência junto à repartição fiscal de origem,para que algumponto da linha de defesafosse esclarecido. Tendo a denunciada trazido aos presentes autos, nesta fase recursal, o laudo pericial de empresa de consultoria empresarial (fls. 254/380), o qual contém, sob aforma de anexos, alentada documentaçãoproveniente da escritafiscal da mesma e a determinação de diligência acima comentada, para o deslinde da questão contida neste processo administrativo fiscal, voto no sentido de converter o julgamento do apelo em diligência junto à repartição fiscal de origempara que sejunte a este o inteiro teor do Processo n. 10805,000214/92- 75, relativo à exigência do IRPJ. Deverá ainda a repartição fiscal informar se os produtos AC.FENICO e FORMOL INIBIDO são utilizados exclusivamente como matérias-primas au se também são destinados à revendapela apelante. " 3 Processo Acórdão MINIST~RIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 10805.000220/92-78 202-09.876 Cumpridos os termos da diligência, retomam os autos à esta Câmara com informações e documentos juntados às fls. 399/530. É o relatório. 4 Processo Acórdão MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 10805.000220/92-78 202-09.876 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR JOSÉ CABRAL GARÓFANO Compulsando detidamente os autos do processo, tenho a segurança de que a fiscalização da Fazenda Nacional levou em consideração todos os documentos e informações prestadas pelo sujeito passivo, e para constituição do crédito tributário por arbitramento levado a efeito com base em auditoria de produção, se serviu de metodologia idônea que levam á convicção de ocorrência de omissão de receita operacional. Nesta linha, muito embora a apelante tenha se esforçado no sentido de fazer prova contrária aos elementos objetivos em que se sustenta a denúncia fiscal, a mesma não logrou êxito, inclusive, no que respeita ao levantamento trazido junto com o recurso voluntário, com as conclusões expostas no Laudo Pericial e seus anexos (fls. 254/380). Por isto mesmo acompanho as razões de decidir lançadas no voto condutor do Acórdão n. 108-03.157, da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, que deu provimento parcial ao apelo interposto no processo de IRPJ - na parte em que as exigências do IRPJ e IPI são comuns (omissão de receita apurada na omissão de registros de vendas) - da base tributável do ano de 1.988 a quantia de CZ$ 3.034.776,79. Ainda tem mais. Como descrito na denúncia fiscal (fls. 02/06), a apelante é acusada de ter omitido registro de compras nos valores de CZ$ 2.248.442,00; CZ$ 53.885.804,00; NCz$ 48.613,00 e Cr$ 2.979.983,00, nos anos de 1.988; 1.989; 1.990 e 1.991, respectivamente, e isto não autoriza a Fazenda Nacional a exigir o Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, com o enquadramento legal apontado como tendo sido infringido. Esta matéria é pacifica nas três Câmaras do Segundo Conselho de Contribuintes, como dá conta, entre vários, o Acórdão n. 202-09.430, de 27/08/97, oportunidade em que assim me manifestei: "Contudo, pela descrição dos fatos e o enquadramento legal do Auto de Infração, a denúncia fiscal apresenta uma impropriedade. Este Colegiado, por unanimidade de votos, já decidiu apelos sobre a mesma matéria - omissão de compras apuradas em auditoria de produção por elementos subsidiários (art. 343, 9 1°, RlPI/82), pelo que peço vênia ao ilustre Conselheiro Tarásio Campelo Borges para transcrever suas razões de decidir lançada no voto-vencedor do Acórdão n. 202-08.278 (Recurso n. 97.609), de 07.02.96, as quais adoto no presente julgado: 5 Processo Acórdão MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 10805.000220/92-78 202-09.876 "No caso presente, em que foi apurada sobra na produção calculada quando confrontada com a registrada pelo estabelecimento, entendo incorreta a presunção de que a empresa adquiriu insumos sem nota fiscal, com recursos provenientes de omissão de receitas em montante equivalente ao valor da compra dos insumos, utilizando como base legal o S 2° do artigo 343 do RIPV82, haja vista que o mesmo não trata de receitas presumidas; trata de receita apuradas, porém, de origem não comprovada. As receitas omitidas de que trata o parágrafo 2° do artigo 343 do RIPV82, são por exemplo: as entradas de capital apuradas por meios diversos, inclusive por movimentação financeira, saldos credores de caixa, etc.; nunca receitas presumidas com base em auditoria de produção. Ademais, a existência do insumo não comprova o seu pagamento, e a norma legal fala, não em presunção de receitas oriunda da presunção do pagamento, mas simem receita que o Fisco apure omitidas. Por tratar de igual matéria, adoto e transcrevo parte do brilhante voto condutor do Acórdão nO201-69.520, da lavra da Ilustre Conselheira SELMA SANTOS SALoMÃo WOLSZCZAK: "A atividade de .lançamento é vinculada, e subordina-se aos princípios da tipicidade cerrada e da estrita legalidade. Em suma, há que lastrear o lançamento na certeza e na perfeita identidade entre o fato ocorrido e o fato-gerador da obrigação tributária principal. Por isso, não se pode, em princípio, efetuar lançamento por presunção. A lei, é verdade, estabelece presunções de ocorrência de fato- gerador. Trata-se de situações de exceção. que como tal devem ser tratadas. A tributação com base em praesumptio hominis é incompatível com os princípios basilares a tipicidade cerrada e a estrita legalidade. Dai que somente cabe o lançamento quando devidamente provada a ocorrência do fato-tipo, ou quando essa ocorrência é estabelecida empraesumptio legis. Por conseqüência, deve-se cuidar com cautela dos limites em que é admissivel a presunção no direito tributário, especialmente quando nela se quer encontrar o único sustentáculo do lançamento do imposto. 6 Processo Acórdão MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 10805.000220/92-78 202-09.876 Cabe ao Fisco atender com cuidado às caracteristicas que diferenciam a prova com base em indicios veementes e a simples presunção partida de uma premissa que admite concomitantemente outras conclusões. No caso do IPI a legislação estipula a atribuição do Fisco de apurar a produção industrial, através do cálculo dos elementos subsidiàrios (art. 343 do RIPI, art. 108 da Lei 4502/64). Estipula, também, que, apuradas diferenças (produção registrada menor que a apurada), serão elas consideradas provenientes de saidas de produtos finais sem registro (~ 1° do art. 108, da Lei 4.502/64). Trata-se de uma presunção, que se assenta evidentemente no raciocinio lógico, mas que tem força especifica, convertida que foi em presunção legal. Ela tem o efeito de inverter o ônus probatório. A lei não estabelece, entretanto, que se a produção registrada for maior que a apurada, se há de considerar tal diferença como decorrente de aquisição de insumos sem registro. Essa é uma ilação que se extrai de simples raciócinio, não exclusivo, nem apoiado em regra impositiva de direito. No caso. a fiscalização nem se limita a presumir a aquisição sem nota, o que seria dedução normal. Pretende ela, a partir dessa suposição (razoável que seja), concluir que a aquisição foi efetuada com recursos à margem da escrita e cuja natureza é de receita. Não há embasamento legal para tanto. A seguir por esse rumo, os recursos assim omitidos teriam por sua vez origem em outras produções não registradas, obtidas com outros insumos não escriturados, também adquiridos com outras receitas omitidas, e assim em cadeia interminável que segue para trás no tempo sem perspectivas de solução. Tratando-se de IPI, o levantamento da produção, quando evidencia uma produção inferior à registrada, pode ao máximo conduzir à primeira ilação: a de que houve aquisição de insumos sem registro. Desse fato, sim, tem-se alguma evidência. Nesse caso, cabe apenas ao industrial a responsabilidade como adquirente e nos limites que a lei estabelece, tanto em relação ao tributo como às penas concernentes a esses insumos e aquisições, mantendo-se entretanto em vista que o 7 Processo Acórdão MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 10805.000220/92-78 202-09.876 produto final já saiu com registro. Tratando-se de produto com tributação positiva, há que considerar, então, que a incidência final ocorreu, ocasião em que havia que compensar o crédito do imposto incidente sobre o insumo (lançado espontaneamente ou ex-officio ). Assim, nessa hipótese, tem-se que houve a postergação do pagamento do imposto incidente sobre o insumo, mas não a sua falta. De nenhuma forma, entretanto, pode a fiscalização ignorar a legislação de regência do imposto, para efetuar ação fiscal considerando "exercícios" e "anos-base" como se estivesse tratando de imposto de renda, para sobre uma presunção de aquisição de insumos sem nota, criar uma suposição de auferimento de receitas. o artigo 343 do RIPI (art. 108 da Lei 4.502/64), quando trata de levantamento de produção com base em elementos subsidiários lirrúta- se a estabelecer a presunção legal de saída de produtos tributados para a hipótese em que a produção regi é menor que a apurada Gl 1°). Quando em seguida (~ 2°) trata de situação em que se apure receitas de origem não comprovada, está dispondo sobre situação inteiramente diversa, em que o levantamento se opera sobre valores em numerário. e não sobre insumos e produtos final. Em outras palavras, quando a lei dispõe sobre a hipótese em que se constata a presença de receitas, não está alcançando suposições de ingressos financeiros. A ação fiscal confundiu as duas hipóteses regidas pelo artigo 108 da Lei 4.502, e efetuou um lançamento sem suporte legal ...". A Lei nO8.383/91, pelos seus artigos 80 a 87, ao autorizar a compensação e a restituição dos valores pagos a título de encargos da TRD, instituídos pela Lei nO 8.177/91, considerou indevidos taís encargos e, ainda, pelo fato da não-aplicação retroativa do disposto no artigo 30 da lei nO8218/91, devem ser excluídos da exigência os valores da TRD relativos ao penodo anterior a 01.08.91, quando, então, foram instituídos os juros de mora equivalentes a TRD, pela Medida Provisória n° 298/91 e a Lei nO8.218/91. Entendimento este já adrrútido pela Adrrúnistração Fazendária, como faz certo a IN/SRF n. 032, de 09.04.97 (art. 1°). Por fim, tendo em vista a edição da Lei n. 9.430, de 27 de dezembro de 1.996, em seu artigo 45, e a expedição do Ato Declaratório (Normativo) nO9, de 16 de janeiro de 1.997, da Coordenação-Geral do Sistema de Tributação da SRF, a milita de 100% deverá reduzida a 75%, por aplicação do disposto no artigo 106, inciso 11,letras "a" e "b", do CTN. 8 Processo Acórdão MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 10805.000220/92-78 202-09.876 Assim, forte nas razões, voto pelo PROVIMENTO PARCIAL do recurso voluntário para excluir da exigência originária as parcelas de CZ$ 2.248.442,00 (1.987); CZ$ 53.885.804,00 e 3.034.776,00 (1.988); NCz$ 48.613,00 (1.989) e Cr$ 2.979.983,00 (1.990), reduzir a multa de oficio a 75%, assim como reduzir os encargos da TRD cobrados a titulo de juros de mora no periodo anterior a 01.08.91 Sala das Sessões, em 17 de fevereiro de 1998 9 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009
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Numero do processo: 10183.002139/86-21
Data da sessão: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 1991
Ementa: I.R.P.J. - RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO, MULTA FISCAL - Não responde o sucessor pela multa de natureza fiscal que deva ser aplicada em razão de infração .cometida pela pessoa jurídica sucedida. Inteligência do artigo 133 da Lei nº 5.172, de 1.966.
Recurso Especial improvido.
Numero da decisão: CSRF/01-01.254
Decisão: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos', negar provimento ao recurso,nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Nome do relator: Mariam Seif
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I.R.P.J. - RESPONSABILIDADE POR SU- CESSÃO, MUtTA FISCAL - N~o responde o sucessor pela multa denatureza fis cal que deva ser aplicada emrazão de infração .cometida pela pessoa juridi ca sucedida. Inteligência do artigo 133 da Lei n9 5.172, de 1.966. Recurso Especial improvido. ,Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos', negar provimento ao recurso,nos termos do relatório e voto aue passam a integrar o presente julga- do. em 05 de dezembro de 1991. -'PRESIDENTE E RELATORA - PROCURADOR DA FAZENDA NACIDNAL Participaram, ainda~ do presente julgamerito os seguintes Conselhe! ros: JOSE EDUARDO RANGEL DE A.LCKMIN, JOÃO DIAS NETO, WALDEVAN AL7 VES DE OLIVEIRA, MÁRCIO MACHADO CALDEIRA, LUl:Z ALBERTO CAVA MACEI- RA ,JUAREZ DE'MORAIS, CARLOS' WALBERTO CHAVES ROSAS., MANOEL ANTONIO GADELHA DIAS, SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL, BENEDICTO ONOFRE EVANGE- LLSTA e AQULLES RODRrGUES DE OLrVELRA. ~ SERVIÇO P~BLICO FEDERAL PROCESSO No: 10183/002.139/86-21 RECURSO NQ: RP/I01-0.096 ACCRD~O NQ: CSRF/01-01.254 RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL RECORRIDA: PRIMEIRA CAMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: FRIGOMAT-FRIGORIFICO MATO GROSSO LTDA. R E L A T O R I O o Procurador Representante da Fazenda Nacional junto à Primeira C~mara do Primeiro Conselho de Contribuintes~ com fundamento no artigo 3Q~ inciso 11, do Decreto nQ 83.304. de 28.03.79, recorre a esta C~mara Superior de Recursos Fiscais, contra a decis~o prolatada por aquele Colegiado que, ao apreciar o Recurso Voluntário nQ 91.614, de interesse da empresa FRIGDMAT FROGORIFICO MATO GROSSO LTDA., por maioria de votos, lhe deu provimento parcial, como faz certo o Ac6rd~0 nQ 101-78.761, de 19.06.89~ cuja ementa declara: "RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA DO SUCESSOR AQUISIÇ~O DE ESTABELECIMENTO COMERCIAL OU FUNDO DE COMERCIO p, aquisi~~o de estabE,IE'cirnE'nto comercial ou fundo de comércio implica em sucess~o, assumindo o sucessor a responsabilidade pelo pagamento dos tributos pertinentes ao fundo ou estabelecimento adquirido, por fatos ocorridos at~ a data da aliena~~o, n~o~ porém, pela multa que. mesmo de nat'ureza tr-ibutár ia, tem car-áter pun it.ivo (CTN, ar-L 13::::.)I!. Inconformada~ a Fazenda Nacional interp6s o Recurso Especial sob exame, sustentando que a decisào prolatada no Ac6rdào em causa diverge das oroferidas nos Ac6rdàos nos. CSRF/OI-0.134 e 105-0.737, de cujos fundamentos extraiu as razbes do seu apelo, sintetizadas nas seguintes conclusbes: "I. A multa de oficio, assim como <:to multe! cj<:? rriol'-a, juros e corre~ào monetária, adere ao imposto como o acessório integra o principal, devendo compor a exigência h-i butá,- ia que se tcans.mite ao sucessoc ~ , " I' SERVIÇO PIJBLICO FEDERAL Ac6rd~o nQ CSRF/01-Ql.254 PROCESSO No: 10183/002.139/86-21 2. ,-, ...::..,. A multa de oficio tem carat~r patrimonial nâo se confundindo pecuniàrias, de n::-sponcler p(::-lo qualquer titulo juridic:a. com penas crlminais, mesmo caráter sancionatório, devendo seu pagamento os sucessores a do infrator, pessoa hatural ou ~. Inaceitável e injuridica a interpreta~ào literal e de forma isolada, do art. 133 do C.T.N. como se nào exi~tisse um conjunto sistemático de normas a incidir sobre o crédito tributário exigivel e a inspirar o intérprete na exegese do te:-:tolegal. 4. "O CTN garante os dit-eitos do contt-ibuinte, resguarda com o mesmo rigor os privilégios Fisco, inclusive pela solidariedade responsabilidade de sucessores e terceiros adqui rem o patrimtm io do suj eito passivo ". E o diz Alioma~ Baleeiro, em sua condena~ào intet-peta~ào literal do at-t. :33 do C. T .N.". do (::.'! que que .,~-~ o recurso foi admitido pelo ilustre Presidente da C~mara recorrida~ através do despacho de fls. 405/406. de fls. Intimada, a contribuinte ofereceu as contra-razbes 409/412, postu 1é.~ndoc~ manutE'~I-1cao do êlt-esto'ih E o relatór:l.o. ~ " 3. SERVIÇO P~BLICO FEDERAL PROCESSO NQ= 10183/002.139/86-21 Acórd~o nQ CSRF/01-01.254 V O T O Conselheira MARIAM SEIF, Relatora o recurso foi interposto com guarda do prazo e com observància dos demais requisitos legais, razào pela dE.le conhf.':!"-o. I f.':!gctl qual Conforme evidenciado no relatório, a questao básica submetida ao deslinde desta Càmara Superior, diz respeito à responsabilidade ou n~o do sucessor pela multa de natureza fiscal que deva ser aplicada em razao de infra~ao cometida pela pessoa juridica sucedida. A matéria já foi alvo de inúmeras polêmicas no êmbito das diversas C~maras integrantes do Primeiro Conselho de Contribuintes, tendo merecido, por isso mesmo, aprofundados exames e estudos, levados a efeito pelos Conselheiros, membros do referido Tribunal Administrativo. Dai a diverqência de decisbes prolatadas pelas diferentes C~maras daquele Conselho, incluindo-se, dentre essas, as decisbes consubstanciadas no acórdao ora recorrido e nos ac6rdaos trazidos à confronto. Reapreciando a questao nesta instància especial, o Cc\bt-",tI , eIaborou CSRF/01-01.098, de fundamentos ali Conselheiro Sebastiao Rodrigues voto, condutor do Acórdao nQ do qual transcrevo parte dos para solucionar ° presente caso: insignE' magistt-al :?9/10/91, destacados, "I\lao colhe o ay"gumento e:-:pendido pelo ilustr'e Relator do Acórdao nQ 105-0.737/84, no sentido de que o C. T.~~., quando t.r"atadE' "F~e~".por"I~.;abilidaclE'dos SuCeS!õ;ol'-es",ao dispor" de fot-'magenérica qUE?: "[) disposto nes,tc.i~:;E,~àoaplica-se pOr iÇlual aos créditos tributários definitivamente constituidos ou em curso de contitui~ào à data dos atos nela referidos, e aos constituidos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obriga~bes tributárias surgldas E\té c\r-E.fericladat.a" (.(-irt..1':;'9) ~ ~ .. ~ SERVIÇO PDBLICO FEDERAL Ac6rd~o CSRF/OI-01.254 PROCESSO NQ 10183/002.139/86-21 4. implicaria dizer que tanto o tributo quanto a multa podem ser cobrados mediante lan~amento efetuado contra a pessoa do sucessor. Com efeito, o cr-t~:,'dito,tt-'ibut,~H-iod,ecot"Te da obt-'igac;:~oj:wincipc:\l, teol a n}esma natureza desta (C.T.NQ~ art. 12;9)~ surgindo, portãnto, a teor do lo_do art. 113, da Lei nQ 5.172, de 1966, com a ocorr~ncia do fato gerador, tem por objeto o pagamento do tributo ou penalidade pecuniária ... DE F'LP,CIDO E SIL'v'A, in "NOÇLJES 'DE DIREITO FISCAL", 2ª_ ed., Ed. Guaira, págs. 189/190, nos ensina: F' I 1'-Jt::li\It;P,[; E Curi t:iba--PF:, "Há repcu-ti c;:besé'lrrecadadot-as, que benE.ficiam os contribuintes com certas quando pagam seus impostos por Est~ medida, em principio, ê impostos lan~ados, cobrados por semestrf.?. boni ficar;.~Des:. antec:ipa;;:àou ap 1ic:à'v'E': I aos:. trimes'tt-e ou. Por outro lado, a falta de pagamento do impos:.to devido, seja lanc;:adoou nào lan;ado, no prazo determinado, ou a sua sonegac;:ao, sujeita o contribuinte às penalidades fiscais, como repressào à falta de seu pagamento ou à violac;:~o dos preceitos legals. As penalidades fiscais, que nào se podem confundir com as penalidades criminais, objetivam-se, em regra pelas revalidac;:bes e pelas multas impostas ao infrator, seja pela falta de pagamento do imposto, seja pela sua sonegaçào, que se entende meio ardiloso de fugir ao cumprimento ou exigibilidade do tributo, seja pelo pagamento irregular. Ao trac;:ar os principios reguladores do imposto decretado. as leis fiscais já estabelecem também as penalidades a que se sujeitam os contribuintes pelas infrac;:bes às suas regras, marcando as revalida~bes e as multas, que ser~o atribuidas para os casos ccmc r~?tos. As multas ~lscalS n~o se confundem, vé, com a multa contratual ou com pe~uniària.~ bem se a mult.a .' SERVÇO P~BLICO FEDERAL AcOrdâo nQ CSRF/Ol-01.254 PROCESSO N~ 10183/002.139/86-21 5. A multa, como pena pecunlá~ia que o C6digo Penal consagra quanto à sua efetividade e execu~ào, é constituida pela presta~ào de uma soma, que se determina pelo que o condenado pode ganha~ em cada dia e por seus bens, emp~egos, indÚstria ou t~abalho e na falta de meios pa~a pagar a multa, ou se nào qUlse~ pagar em oito dias, depois de intimado, será con~ertida em Qrisào celular. como for~ .. . liquidado. E o que nos ensina DIDIMO DA VEIGA (ob. cit., pág. ;5l}.). A cláusula penal ou multa contratual é a que decorre da conven~ào e que soment~ se exigé pela rescisào ou inadimplemento de obriga~~es contratuais. Como se v@, é a multa instituida pelas próprias partes contratantes para assegurarem o cumprimento das obriga~~es, contidas em um contrato ou conven~ào, e devidas nas transgressôes correntes. A multa fiscal tem conceito bem diverso. ~ indeniza~ào pela fraude praticada e nào uma pena pecuniária propriamente dita, embora nela t"'esuIte. E, em consE'quencie!, peni::~Iidade' sancionada pela infra~ào à regra meramente fiscal, embora em certos casos, como no contrabando, além dessa san~ào, possa estar o infrator sujeito as que se consignam no Dit-eito F'enal. Por outro lado, a multa difere da revalida~ào que se entend~ o cumprimento regular do imposto, co~ ou sem majora~ào. As multas em consequ@ncia de infraç~es fiscais tomam diferentes modalidades: sào Tlxas. majoram os impostos. dizem-se de mora ou de t"'evi::d.idaçào" . Resta evidenciado, pois, que a denominada MULTA FISCAL, incidente, na maioria dos casos, sobre o valor do imposto devido, tem natureza diversa da PENALIDADE PECUNIARIA de que cuida o artigo 113, parágrafo primeiro, do C.T.N., que, ao erigir como responsável a pessoa do sucessor, o pr6prio C6digo tributário Nacional elege tào somente o tributo como limite dessa responsabilidade, nào pOdendo invocado, como fundamento para se imputar ,. SERVIÇO P~BLICO FEDERAL Acórd~o nQ CSRF/OI-01.254 PROCESSO NQ 10183/002.139/86-21 6. sucessor a responsabilidade pela MULTA FISCAL, o conceito de crédito tributário. iflE'S",maobra, do Insigne mestre De PLACIDO F os ensinamentos (pàgs. 166/167): ~3IL'.JA~, liAclassiticaçao do imposto em real (? pessoal conforme já assinalamos, é decorrente de sua incidência, que nos dois aspectos, varia em relaç~o às rendas tributadas. No imposto real, cuja tributaç~o mais expressiva se encontra no imposto territorial e sobre imÓveis, cada matéria tributada é vista pela própria valia, sem qualquer aten~ào à pessoa do contribuinte. Nele, a coisa se sobrepbe ao individuo, embora sela ele o direto E' pt-incipal t-esponsável POt- seu adimplemE'nto. o impostd pessoal é o que incide pessoa, sem mera atenç~o' coisa, sua renda total; impbe-se diante da pessoal do contribuinte. sobt-e a atingindo situaçao Além disso, enquanto b imposto real,incidente sobre a propriedade ou bens de qualquer natureza, nao atende qualquer sorte de situaçào econOmica do contribuinte, o imposto pessoal se interpbe entre ele e seu patrimonio perquerindo de suas prÓprias posiçbes econOmicas, para que exerça sua funçào fiscal. Em razao disso, DIDIMO DA VEIGA julga que a sua determina~ào tanto decorre da incidência, fenOme~o de apreensào do tributado pelo tributo, como do assento, que é a autua~ào do tributo sobre a coisa tributada. Nos Estados modernos, como acentua NITTI, os impostos pessoais tendem a reunir elementos patrimoniais e a considerar o patrimÓnio em conjunto, porquanto desse modo é possivel adotar um critério de renda em relaçào as condiçbes da pessoa. E por isso o considera como 11 cor respondendo a con cepc;:bes de ot-dE'm sanal muito mais elevadas".~ SERVIÇO P~BLICO FEDERAL Ac6r-dâo nQ CSRF /01-01. 254 PROCESSO NQ 10l83/002.139/86-21 7. S~o modalidades de impostos reais: os territoriais, de consumo, predial, aduaneir-os; de impostos pessoais~ os de r-enda, de indústr ia E' pt-o:fiss;~o". Também as multas, na visào do citado autor, se classificam em REAL e PESSOAL, em razào da natureza dos tributos ao qual estejam vinculadas. Se a obriga~ào tributária nasce em consequéncia da imposi~ào de um tributo que tenha natureza r-eal, também a penalidade aplicada guar-da essa mesma nê:"\tut-ezaE' " t-ecairá, também, sobre os bens em ~eferência, mesmo que posteriormente, se transfiram ou mudem de propr-ietário. Nessa hip6tese, o Estado mantém o pr-ivilégio real sobre a coisa, para assegurar o pagamento do imposto (obriga~ào principal) e de todas as obriga~bes acess6~ias (multas)". Por outro lado,seo tr-ibuto tem natureza pessoal, e, por consequência, a multa também guarda essa mesma natureza, atinge tào somente a pessoa do infrator," é de ordem pessoal, atingindo, simplesmente, o infrator, embora, eventualmente, possa o cumprimento ou satisfa~ào delas ser assegurado pelos bens do mesmoll~ Nessa hip6tese o sucessor nào responde pelas penalidades aplicadas em razào de infra~bes praticadas pelo sucedido, ou seja, sào as multas intransferiveis da pessoa do sucedido para a pessoa do sucessor a qualquer- titulo. Do acima exposto, resta evidente que tem razào a Cêmara recorr-ida ao excluir- da exigência a penalidade aplicada sobre a pessoa juridica sucessora, estando tal decisào conforme com a Lei, a Doutrina e êl Jurispr-ud6encia dominantE's sobre o assunto em exame. '",loto, EspE'ciaI pois, pelo n~o intecposto". ~ pro\/imE'nto do SERVIÇO PDBLICO FEDERAL Acórd~o nQ CSRF/OI-01.254 PROCESSO NQ 10183/002.139/86-21 8. Pelos mesmos fundamentos~ também voto pelo n~o provimento do presente Recurso Especial. Bt-as,ília, DF,. E.m 05 de dezembro de 1991. - .... _. RELATOR;') 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009
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