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Numero do processo: 14041.000871/2007-36
Data da sessão: Tue Apr 06 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO DE RENDA DAS PESSOAS JURÍDICAS.
Ano-calendário: 2003
EMENTA: COMPENSAÇÃO SEM DARF. POSSIBILIDADE NA
SISTEMÁTICA ANTERIOR. RECONHECIMENTO.
É reconhecida a regularidade de compensação efetuada na vigência da
sistemática anterior, que possibilitava ao contribuinte proceder às
compensações por meio de sua escrituração.
Numero da decisão: 1802-000.415
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria, dar provimento ao recurso, nos teinios do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencida a Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, que negava provimento. O Conselheiro Nelso Kichel declarou-se impedido de votar, por haver participado-do julgamento em primeira instância
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
1.0 = *:*
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ementa_s : IMPOSTO DE RENDA DAS PESSOAS JURÍDICAS. Ano-calendário: 2003 EMENTA: COMPENSAÇÃO SEM DARF. POSSIBILIDADE NA SISTEMÁTICA ANTERIOR. RECONHECIMENTO. É reconhecida a regularidade de compensação efetuada na vigência da sistemática anterior, que possibilitava ao contribuinte proceder às compensações por meio de sua escrituração.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-01-07T11:12:52Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-01-07T11:12:52Z; Last-Modified: 2011-01-07T11:12:52Z; dcterms:modified: 2011-01-07T11:12:52Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:a5c1cabd-3b0f-49bb-8d4a-bb58bf808148; Last-Save-Date: 2011-01-07T11:12:52Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-01-07T11:12:52Z; meta:save-date: 2011-01-07T11:12:52Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-01-07T11:12:52Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-01-07T11:12:52Z; created: 2011-01-07T11:12:52Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2011-01-07T11:12:52Z; pdf:charsPerPage: 1300; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-01-07T11:12:52Z | Conteúdo => EDITADO EM: S1-TE02 Fl. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 14041.000871/2007-36 Recurso n° 179.067 Voluntário Acórdão n° 1802-00.415 — 2" Turma Especial Sessão de 06 de abril de 2010 Matéria IRPJ. Recorrente Comando Auto Peças Ltda. Recorrida DRJ - Brasilia/DF. ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA DAS PESSOAS JURÍDICAS. Ano-calendário: 2003 EMENTA: COMPENSAÇÃO SEM DARF. POSSIBILIDADE NA SISTEMÁTICA ANTERIOR. RECONHECIMENTO. É reconhecida a regularidade de compensação efetuada na vigência da sistemática anterior, que possibilitava ao contribuinte proceder às compensações por meio de sua escrituração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, dar provimento ao recurso, nos teinios do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencida a Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, que negava provimento. O Conselheiro Nelso Kichel declarou-se impedido de votar, por haver participado-do julgamento em primeira instância Edwal Casoni de Páula FemaneterPuniori- Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gilberto Baptista (Suplente Convocado), Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, João Francisco Bianco. Processo n° 14041.000871/2007-36 81-TE02 Acórdão n.° 1802-00.415 Fl. 2 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário apresentado pela contribuinte Comando Autopeças Ltda., por meio do qual se opõe à decisão proferida pela 2 a Turma da DRJ de Brasília/DF. Ocupamo-nos de auto de infração (fls. 08 — 16), lavrado para formalização de crédito tributário afeto ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e correspondentes reflexos, com fato gerador ocorrido em 31/12/2003. Constata-se da Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais, que se teria verificado diferença entre os valores declarados em DC'FF e os valores escriturados, conforme balancetes anuais apresentados pela própria recorrente. Às folhas 433 a 435 está encartado minudente Termo de Verificação Fiscal no qual se narra todo o procedimento fiscalizatório, assentando que a possível omissão de receitas constatou-se por meio dos livros contábeis/fiscais, que a apontada divergência deveu- se às transferências de mercadorias existentes entre o estabelecimento matriz e as filiais da recorrente, conforme planilha de folha 436, sendo que a suspeita de omissão de receitas decorreu do fato de a recorrente ter declarado receita bruta no valor de R$ 44.669.654,74, enquanto que a SEFAZ infoimou saídas no valor de R$ 63.345.896,81. Assentou-se ainda, ter havido suspeita de omissão de Imposto de Renda Retido na Fonte sobre juros de capital próprio. Nesse contexto, relata a Fiscalização ter verificado a não declaração em DCTF, do Imposto de Renda Retido na Fonte relativo aos juros sobre o capital próprio referente ao mês de junho de 2003, constatando-se, todavia, ter havido o recolhimento, pelo que se orientou a recorrente a retificar sua DCTF, apresentando cópia da retificadora e do recibo de entrega (fl. 127). A recorrente apresentou a dita retificadora com o respectivo recibo de entrega contendo o IRRF relativo aos juros de capital próprio. Seguindo o curso fiscalizatório, intimou-se a recorrente a esclarecer as divergências detectadas entre os valores escriturados em seus Balancetes Contábeis Anuais e os valores confessados em DCTF, relativos aos tributos federais do ano calendário 2002 a 2006 (fl. 276). A recorrente prestou seus esclarecimentos às folhas 285 a 302, e a Fiscalização analisando as justificativas da recorrente, por amostragem, chegou à conclusão de algumas inconsistências. Relativamente ao ano calendário 2002, constatou-se que a justificativa apresentada pela recorrente, de que a CSLL de 12/2002 havia sido compensada na DCTF do 4' trimestre de 2002, não procederia tendo em vista, o seu cancelamento decorrente da retificação apresentada pela recorrente em 07/12/2004, de acordo com a tela de consulta (fls. 303 — 304). Confirmou-se, também, a divergência entre o valor escriturado no Balancete Contábil e o informado em DCTF do PIS de 12/2002, visto ter-se contabilizado R$ 66.665,41 como PIS a recolher, e se reconhecido apenas R$ 12.871,35 como tributo devido consoante planilha de folha 437. Processo n° 14041.000871/2007-36 S1-TE02 Acórdão n.° 1802-00.415 Fl. 3 No ano calendário 2003, constatou-se que as divergências entre os valores escriturados e os declarados, relativos ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, deveram-se as alegações de que houve recolhimento efetuado a maior e não compensado em DCTF. Inconformada, a recorrente apresentou Impugnação (fls. 443 — 597), refutando todas as diferenças apontadas. A 2a Turma da DRJ de Brasília/DF julgou o lançamento parcialmente procedente, aduzindo para tanto, que em nada obstante as diferenças apontadas pela Fiscalização nas planilhas de folhas 437 e 438, caberia verificar se a recorrente em sua impugnação logrou comprovar que os tais créditos tributários se encontrariam confessados e extintos. Nesse mister, considerou-se que para os créditos tributários relativos ao IRPJ e CSLL do ano calendário 2003, que a recorrente asseverou a extinção por meio de compensação via PERDCOMP, seria necessário registrar que a partir do comando do § 6 ° do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, incluído pelo artigo 17 da Lei n° 10.833/03, a declaração de compensação passou a ser tida como confissão de dívida, verificando que a data de envio das aludidas PERDCOMP deu-se em 27 de abril de 2004, consoante documentos de folhas 457, 463 e 592, portanto, se constituiriam em confissão de dívida. Ademais, estariam abrangidas pelo instituto da espontaneidade porquanto apresentadas antes do lançamento de ofício aqui discutido. Em razão do exposto, entendeu a decisão recorrida que não caberia lançamento fiscal de IRPJ e CSLL em valores originais de R$ 85.720,02 e R$ 33.831,16, respectivamente. Pois se trataria de créditos tributários já constituídos e devidamente extintos nos termos do inciso II do artigo 156 do Código Tributário Nacional. No entanto, o crédito tributário relativo à CSLL do ano calendário 2002, no valor primitivo de R$ 25.045,25, segundo a decisão recorrida, não encontraria amparo em nenhuma das hipóteses elencadas no artigo 156 do Código Tributário Nacional, e além disso, na DCTF retificadora não se encontraria confessado nenhum crédito referente a essa contribuição consoante extrato de folhas 304, sendo imperiosa a manutenção do lançamento. Cientificada (fl. 976) a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 977 — 991), refutando o lançamento por ser decorrente de mera diferença entre os valores escriturados, e que já teria comprovado nos autos, que em 12/02/2003 encaminhou a DCTF referente aos fatos geradores ocorridos no 4° trimestre de 2002, informando-se o valor do débito de CSLL de R$ 25.045,25, bem como, noticiando sua compensação com saldo negativo da mesma contribuição gerado em exercícios anteriores (compensação sem DARF). Afirma que o procedimento então adotado estava em consonância com as normas de preenchimento da DCTF, e posteriormente ao envio da DCTF do 4° trimestre de 2002, foram verificadas consistências que resultaram na necessidade de retificação, cuja transmissão se deu em 07/12/2004, mas a apuração da CSLL não teia sofrido qualquer alteração. O que teria ocorrido, é que entre o intervalo do envio da DCTF e sua retificadora, os dispositivos noimativos que regiam a matéria sofreram significativa alteração procedimental. Não bastasse isso, a nova regulamentação teria silenciado quanto a Processo n° 14041.000871/2007-36 81-TE02 Acórdão n.° 1802-00.415 Fl. 4 obrigatoriedade do encaminhamento de Declaração de Compensação para os caso em que o crédito utilizado pelo contribuinte fosse da mesma natureza. Teceu outros tantos argumentos e pugnou por provimento. É o relatório. 5 Processo n° 14041.000871/2007-36 81-TE02 Acórdão n.° 1802-00.415 Fl. 5 Voto Conselheiro Relator, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior O recurso é tempestivo e dotado dos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Remanesce para discussão nessa sede recursal, apenas o lançamento afeto à Contribuição Social sobre o lucro Líquido — CSLL do ano calendário 2002 em valor originalmente apurado no montante de R$ 25.045,25 (vinte e cinco mil e quarenta e cinco reais e vinte e cinco centavos). Como narrado acima, e bem descrito nas demais peças que compõem os autos em apreço, a lavratura do auto de infração se deu em decorrência da verificação de diferença entre os valores escriturados nos balancetes da recorrente e os valores constantes nas respectivas DCTF. Com efeito, não prospera a autuação fiscal e o Recurso Voluntário merece, por conseguinte, ser integralmente provido. A contribuinte em seu Recurso Voluntário sintetiza bem os fatos que sucederam e demonstra documentalmente - como já o tinha feito nos arrazoados anteriores — que a CSLL devida no 4° trimestre do ano calendário 2002, objeto do lançamento em tela, fora regularmente confessada na DCTF original, transmitida em 12/02/2003 conforme Recibo de Entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais de folha 1003. O que se deve observar cuidadosamente, é que na mesma DCTF, mais precisamente no campo destinado à CSLL (fl. 1018 — grifos amarelos) a recorrente indicou para compensação SEM DARF os mesmos R$ 25.045,25 (vinte e cinco mil e quarenta e cinco reais e vinte e cinco centavos), deve-se lembrar que à época era exatamente esse o procedimento a ser adotado. O que se verifica para infortúnio da contribuinte, é que se apresentou necessária retificação da DCTF de 2002, quando já se havia alterado os procedimentos regulamentares acerca das compensações. Foi exatamente esse o motivo pelo qual a Fiscalização se deparou com diferenças entre a escrituração da contribuinte, pois toda ela apontava para as compensações realizadas sem DARF (diretamente na DCTF retificada), ocorrendo que a contraposição da qual resultou as indigitadas diferenças foram feitas no âmbito da DCTF retificadora, quando esta já não possuía mais o campo para indicar tais compensações. Diante disso, apesar do aparente imbróglio surgido, o que se tem na concretude dos fatos é que a CSLL exigida no presente auto de infração, foi extinta por meio de regular compensação, em razão do 719, voto no sentido de dar total provimento ao Recurso Voluntário. Edwal Casoni de Páula Eer:Frarrda Junior Processo n° 14041.000871/2007-36 S1-TE02 Acórdão n.° 1802-00.415 Fl. 6 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA - PRIMEIRA SEÇÃO PROCESSO: 14041.00087112007-36 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada nos despachos supra, nos termos do art. 81, § 3 0 , do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009. Brasília, 16 dezembro de 2010. Maria Conceição de Sousa Rodrigues Secretária da Câmara Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ ] apenas com ciência; [ ] com Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração.
score : 1.0
Numero do processo: 13884.002313/2004-88
Data da sessão: Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2008
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 13/04/1999 a 17/04/2000
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Constatado que o voto que norteou o Acórdão caracterizou-se pelo sintetismo exagerado, de forma a não devidamente as razões de decidir, há que se acolher e prover os embargos com o objetivo de sanear o decisório com o acréscimo dos necessários esclarecimentos e rerratificar o Acórdão, mantendo-se a decisão nele prolatada.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS E PROVIDOS
Numero da decisão: 301-34.538
Decisão: ACORDAM os membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, acolher e dar provimento aos Embargos de Declaração, para rerratificar o acórdão embargado, mantida a decisão prolatada. O conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda declarou-se impedido.
Nome do relator: JOSÉ LUIZ NOVO ROSSARI
1.0 = *:*
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 13/04/1999 a 17/04/2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Constatado que o voto que norteou o Acórdão caracterizou-se pelo sintetismo exagerado, de forma a não devidamente as razões de decidir, há que se acolher e prover os embargos com o objetivo de sanear o decisório com o acréscimo dos necessários esclarecimentos e rerratificar o Acórdão, mantendo-se a decisão nele prolatada. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS E PROVIDOS
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decisao_txt : ACORDAM os membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, acolher e dar provimento aos Embargos de Declaração, para rerratificar o acórdão embargado, mantida a decisão prolatada. O conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda declarou-se impedido.
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MINISTÉRIO DA FAZENDA• - 7,4 TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA Processo n" 13884.002313/2004-88 Recurso n" 134.546 Embargos Matéria IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO/IPI - DRAWBACK - ISENÇÃO Acórdão n° 301-34.538 Sessão de 18 de junho de 2008 Embargante Procuradoria da Fazenda Nacional Interessado KODAK BRASILEIRA COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 13/04/1999 a 17/04/2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Constatado que o voto que norteou o Acórdão caracterizou-se pelo sintetismo exagerado, de forma a não fundamentar devidamente as razões de decidir, há que se acolher e prover os embargos com o objetivo de sanear o decisório com o acréscimo dos necessários esclarecimentos e rerratificar o Acórdão, mantendo-se a decisão nele prolatada. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS E PROVIDOS Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, acolher e dar provimento aos Embargos de Declaração, para rerratificar o acórdão embargado, mantida a decisão prolatada. O conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda declarou-se impedido. 411Ink‘ OTACÍLIO DANTA AR AXO - Presidente n J41 —~Pr' • VI ' OS SARI — Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Roberto Domingo, Irene Souza da Trindade Torres, João Luiz Fregonazzi, Valdete Aparecida Marinheiro e Susy Gomes Hoffmann. Processo n° 13884.002313/2004-88 CCO3/C01 Acórdão n.° 301-34.538 Fls. 924 Relatório Trata-se de embargos de declaração suscitados tempestivamente pelo Procurador da Fazenda Nacional José Carlos Brochini (fls. 917/921), nos termos do art. 27 e 28 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes aprovado pela Portaria MF n 55/98, ao Acórdão n' 301-33.333, de 8/11/2006, desta Câmara (fls. 912/915), que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso de oficio interposto pelo Presidente da 2' Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo-II/SP, em virtude de ter sido declarado o lançamento improcedente e o crédito exonerado ter sido superior ao limite de alçada previsto no art. 2 da Portaria MF ri" 375/2001. Expõe o embargante, como razão dos embargos, que "o v. Acórdão de fls. 912 pauta por literal 'economia franciscana na medida em que não aborda as razões pelas quais a Primeira Instância veio desfazer o lançamento. Essa ordem de coisas está a impedir que a Fazenda Nacional possa exercer os direitos recursais que esta fase processual permite, em favor da Fazenda Pública, a não ser que se considere nulo o v. Acórdão proferido por esta Colenda Corte." Em decorrência do exposto, requer o esclarecimento das questões abordadas. No Despacho n2 301-134.546, de 9/5/2007, o Presidente desta Câmara determinou o encaminhamento do processo a este Conselheiro, para exame e inclusão em pauta de julgamento. É o relatório. 2 Processo n° 13884.002313/2004-88 CCO3/C01 Acórdão n.° 301-34.538 Fls. 925 Voto Conselheiro José Luiz Novo Rossari, Relator Os embargos preenchem as condições de admissibilidade, razão por que deles tomo conhecimento. O acórdão embargado diz respeito à apreciação do recurso de oficio interposto pela DRJ em São Paulo-II/SP, que decidiu pela improcedência do lançamento efetuado em relação ao Ato Concessório n 2 0175-99/000018-2, com base nas seguintes fundamentações: a) de nulidade do lançamento, por se ter operado a decadência, no que respeita à exigência fiscal correspondente às declarações de importação registradas antes de 26/8/99, para despachos de mercadorias sob o regime de drawback modalidade de isenção; e b) de improcedência da exigência fiscal quanto às declarações de importação registradas a partir daquela data, em razão de a legislação pertinente a esse regime não prever a obrigação acessória de manter controles de estoques de insumos e produtos acabados distintos da escrituração fiscal e da contabilidade exigidas pelas legislações fiscal e comercial. Admitiu, assim, a comprovação da vinculação entre produto importado e exportado por quaisquer meios de prova lícitos (CPC, art. 332), bem como a fungibilidade entre insumos importados. Verifica-se que o relatório feito pelo Conselheiro no acórdão embargado é por demais sucinto, de forma que não apresenta os elementos processuais com os detalhes necessários à sua devida compreensão. Evidencia-se tal laconismo ao se comparar o relatório do acórdão recorrido, de nove laudas, com o do acórdão embargado, que não passou de quatro frases. De outra parte, o voto do Conselheiro-relator do acórdão embargado é ainda mais resumido. Com efeito, verifica-se que o voto do acórdão da DRJ compreendeu 21 laudas, pela complexidade da matéria, enquanto que o voto embargado foi composto de apenas duas frases, que não ultrapassaram sete linhas, verbis: "Em análise ao processo, nota-se que a decisão de primeira instância confirmou que o Recorrente comprovou a vinculaçã o entre o produto importado e exportado exigido pelo regime drawback, bem como, não houve inadimplemento da obrigação acessória, não havendo, portanto, nova exigência tributária. Assim, não havendo motivos para cobrança dos tributos, extinguindo-se também a multa de oficio e os juros moratórios, voto no sentido de manter a decisão de Primeira Instância cancelando-se, conseqüentemente, o crédito tributário." Entendo que tal voto, a partir do resumido relatório e quase inexistente fundamentação, realmente cerceia a atividade da Fazenda Nacional, e não permite o devido entendimento sobre os fatos ocorridos e a respectiva decisão prolatada nesta Câmara. \-/t 3 Processo n° 13884.002313/2004-88 CCO3/C01 Acórdão n.° 30144.538 Fls. 926 Tal deficiência permite o acolhimento e o provimento dos embargos oferecidos pelo Procurador da Fazenda Nacional, impondo-se a feitura da devida apreciação sobre a decisão recorrida de forma a sanear o julgado. Prazo decadencial No que respeita à parte primeira, pertinente ao prazo permitido à Fazenda Pública para efetuar a exigência do crédito tributário, vejo que o Acórdão embargado sequer mencionou a matéria. No caso, cumpre ressaltar que a decisão recorrida cancelou o imposto de importação incidente sobre 89 declarações de importação, que representam um volume considerável no lançamento levado a efeito sobre 241 declarações. Nessa parte, mais do que a "economia franciscana" alegada pelo embargante, houve, isso sim, uma omissão no julgamento efetuado nesta Câmara, visto que a parcela citada foi excluída do Auto de Infração em razão de a DRJ ter concluído pela decadência e ter considerado nulo o lançamento dos valores correspondentes a tais importações, e não ter havido, sobre essa parte, qualquer pronunciamento no voto que norteou o Acórdão embargado. A respeito, a decisão recorrida concluiu que a contagem do prazo decadencial na forma do art. 173, I, do CTN e do art. 138, caput, do Decreto-lei n 37/66, com a redação que lhe emprestou o Decreto-lei n 2.472/88, de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, caberia na hipótese de não haver antecipação de recolhimento de tributo nem declaração apresentada pelo importador. E que, no presente caso, com base no que dispõe o parágrafo único do art. 173 do CTN, por ter havido apresentação da declaração de importação, poderia a Fazenda Nacional empreender os procedimentos fiscais cabíveis a fim de certificar-se da regularidade da declaração prestada pelo importador, com vistas ao eventual lançamento de oficio. Como o lançamento foi efetuado após o transcurso do prazo decadencial previsto no art. 54 do Decreto-lei n' 37/66 e no art. 173, parágrafo único, do CTN, relativamente às declarações de importação registradas antes de 26/8/99, razão por que foi acolhida a preliminar de decadência. Concordo parcialmente com a interpretação externada no Acórdão recorrido, ou 110 seja, na parte em que conclui que a contagem é de cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, na hipótese de não haver antecipação de recolhimento do tributo. Trata-se de matéria pacífica na esfera administrativa e que, inclusive, tem sido adotada nos decisórios judiciais. No caso ora sob exame, verifica-se que não houve qualquer pagamento de imposto de importação por ocasião do despacho aduaneiro das mercadorias importadas, conforme DIs referidas nos autos, que se destinaram a propor o despacho aduaneiro de mercadorias que foram desembaraçadas sob o regime aduaneiro de drawback na modalidade de isenção, em que não há qualquer pagamento de tributos em razão de as mercadorias estarem sendo introduzidas no País para reposição daquelas que anteriormente foram importadas com os gravames aduaneiros. Depara-se, pois, de situação em que não se cogita de lançamento por homologação, visto que não há imposto cujo pagamento deva ser homologado. Assim, na hipótese dos autos, em que não se configurou o lançamento por homologação, o prazo para o fisco exigir o imposto devido é o de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte 4 Processo n° 13884.002313/2004-88 CCO3/C01 °Acórdão n. 301-34.538• Fls. 927 àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, de acordo com o previsto nos artigos 138 do Decreto-lei n2 37/1966 e 173, inciso I, do CTN. Discordo, no entanto, da interpretação sobre a matéria externada na alegação do acórdão recorrido, de que caberia a aceitação da preliminar de decadência, com base no que dispõe o parágrafo único do art. 173 do CTN, pela existência de notificação de qualquer medida preparatória do Fisco indispensável ao lançamento, o que estaria evidenciado pela apresentação das DIs. Entendeu o órgão julgador de primeira instância que a apresentação das DIs equivaleria ao início da constituição do crédito tributário pela notificação de qualquer medida preparatória e indispensável ao lançamento, como prevê a norma do CTN. Tal interpretação não tem qualquer sustentação. O que a norma estabelece é que o sujeito passivo seja notificado de medida preparatória, o que não foi o caso. Ora, a mera apresentação de declaração de importação não tem o condão de equivaler à notificação fiscal, que tem suas peculiaridades e formalismos regidos por procedimento fiscal próprio. • De outra parte, a valer o entendimento externado na decisão recorrida, o mandamento expresso no inciso I do art. 173 do CTN tornar-se-ia norma inaplicável nos casos pertinentes a despachos de importação sem o pagamento de tributos (isenção, suspensão, etc), visto que todas essas importações, por terem sido feitas mediante apresentação de declaração, teriam sua contagem de prazo decadencial deslocado para os seus respectivos registros. Por isso que no caso em exame deve ser aplicado o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN e no caput do art. 138 do Decreto-lei n2 37/66, na redação que lhe deu o art. 1 2 do Decreto-lei n2 2.472/88. Em decorrência, no que se refere às DIs registradas durante o ano de 1999, o prazo para formalizar a exigência fiscal teve seu início em 1 2/1/2000 e como momento final 31/12/2004. Como os Autos de Infração foram formalizados em 26/8/2004, não se operou a decadência, resultando que os lançamentos gozam de plena eficácia e validade para os efeitos a que se propuseram, do que decorre o provimento do recurso de oficio nesta parte para os efeitos de ser rejeitada a preliminar acolhida pela DRJ. Com base no art. 116, II, do Decreto n2 2.637/98 (RIPI/1998), o mesmo entendimento é valido para a exigência pertinente ao IPI, visto que também não ocorreu qualquer pagamento a título desse imposto. Mérito De citar-se que o voto do acórdão foi expressou textualmente que "a decisão de primeira instância confirmou que a recorrente comprovou a vincula ção entre o produto importado e o exportado". A respeito, verifico que a decisão recorrida não se manifestou dessa forma, tendo registrado na ementa que a não apresentação de relatório interno do beneficiário do regime não significa inadimplemento de obrigação acessória inexistente, e que a falta desse relatório não enseja a inversão do ônus da prova nem a presunção de falta de comprovação do regime ou o lançamento tributário fundado apenas nesse elemento. Entendo ter havido impropriedade nos termos do voto, provavelmente por interpretação diversa da decisão recorrida, visto que se a falta de apresentação do referido \‘' s . , Processo n° 13884.002313/2004-88 CCO3/C01 Acórdão n.° 30134.538 Fls. 928 relatório não significa o inadimplemento de obrigação acessória, por inexistente - como decidido pela DRJ -, de outra parte também é forçoso reconhecer que essa falta também não implica concluir-se pela comprovação do cumprimento do regime. De acordo com a descrição dos fatos nos Autos de Infração, a motivação do fisco foi exclusivamente o fato de a empresa ter deixado de apresentar livros e documentos necessários à comprovação do cumprimento do regime de drawback. No entanto, tal matéria foi devida e corretamente examinada pela decisão recorrida, que assim se pronunciou ao final do voto (fls. 872/873), verbis: "Observa-se que no caso concreto a fiscalização (i) tomou os documentos apresentados pelo interessado como autênticos e legítimos (p. I do Termo de Constatação Fiscal), (h) recebeu a colaboração do interessado (p. 27— contratação de empresa de software para extrair dados em formato pré-espec(icado) e (HO constatou que os livros fiscais da empresa foram elaborados com observância de todas as formalidades legais (pp. 32 111 e 43). A despeito dos procedimentos fiscais executados, a fiscalização (i) não produziu provas de irregularidade nas operações de importação e exportação do interessado, (h) não apontou inconsistências nos documentos apresentados, (iii) não constatou a sonegação de documentos ou livros obrigatórios nem a recusa da empresa em permitir o acesso a seu processo produtivo, (iv) não demonstrou que o interessado poderia ter refeito o Relatório de Consumidos e Fabricados, embora não se trate de obrigação acessória, e (verbis:) não apresentou indícios de fraude ou falsificação de livros ou documentos." A propósito, no que respeita à exigência fiscal, cumpre ressaltar que os livros exigidos da interessada foram apresentados e se mostravam de conformidade com o que exige a legislação especifica, conforme admitido pelo próprio fisco no Relatório de Constatação Fiscal (fl. 431) que "Longe de dizer que isso representa alguma irregularidade. Os livros analisados [Livros de Entradas, Saída, Livros de Controle de Produção] foram elaborados com observância de todas as formalidades legais, mas não se prestam, neste particular, à Auditoria de Drawback". 111/ E o mesmo Relatório acrescentou que (fl. 426): "O Livro Registro de Controle de Produção, mod. 03, exigido pela legislação do IPI, na maioria das vezes não se presta à Auditoria de Drawback, pois não fornece ao Auditor informações necessárias à verificação do requisito da vincula ção fisica entre os insumos importados através das DI's de Aplicação e os produtos exportados." Verifica-se, dai, que os controles exigidos pela legislação foram devidamente observados pela recorrente, e que a motivação fiscal deveu-se à não adoção de sistema que propiciasse comprovação da vinculação entre os insumos importados e os produtos exportados, obrigação essa que não está prevista na legislação pertinente ao regime. As obrigações acessórias previstas na legislação foram devidamente satisfeitas pela recorrente, que atendeu o fisco quando solicitada. Por isso, entendo que a exigência fiscal em decorrência tão-só desse motivo não se justifica, razão pela qual entendo correta, nessa parte, a decisão recorrida. Quanto à parte inicial, mesmo sendo reformada a decisão de primeira instância em virtude da rejeição da preliminar de decadência, as parcelas correspondentes passaram a integrar o montante do 6 •• Processo n° 13884.002313/2004-88 CCO3/C01 • Acórdão n.° 301-34.538 Fls. 929 lançamento, cuja exigência fiscal foi considerada descabida, razão pela qual não cabe alterar a decisão prolatada nesta Câmara. Diante do exposto, voto por que os embargos sejam acolhidos e providos, para que o acórdão embargado seja rerratificado com o acréscimo dos esclarecimentos constantes deste voto, mantida a decisão nele prolatada. Sala das Sessões, em 18 de junho de 2008 _.1-0~1-NOVO ROSSARI - Relator • 7
score : 1.0
Numero do processo: 11543.003326/2001-67
Data da sessão: Wed May 12 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1997
Ementa: ITR — SUJEITO PASSIVO — PROPRIETÁRIO, TITULAR DO
DOMÍNIO ÚTIL OU POSSUIDOR DO IMÓVEL RURAL — COMODATÁRIO NÃO É SUJEITO PASSIVO DO ITR E NÃO TEM LEGITIMIDADE PARA IMPUGNAR OU RECORRER LANÇAMENTO EFETUADO EM DESFAVOR DO PROPRIETÁRIO DO IMÓVEL RURAL
— O contribuinte do ITR é o proprietário rural, o titular do domínio útil ou o possuidor a qualquer título do imóvel rural. O comodatário, que não se enquadra em nenhuma dessas figuras, não figurar no pólo passivo do ITR lançado e, por óbvio, não tem legitimidade para impugnar ou recorrer do lançamento efetuado em desfavor do proprietário.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 2102-000.586
Decisão: Acordam os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO
CONHECER do recurso voluntário interposto, já que o Incarpe não detém legitimidade para combater o lançamento controlado no presente Procedimento administrativo fiscal, nos termos
do voto do Relator.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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O comodatário, que não se enquadra em nenhuma dessas figuras, não figurar no pólo passivo do ITR lançado e, por óbvio, não tem legitimidade para impugnar ou recorrer do lançamento efetuado em desfavor do proprietário. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os Membr9,s-4Uegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso voluntário/nterposto, já que o Incarpe não detém legitimidade para combater o lançamento controlado no presente Procedimento administrativo fiscal, nos teunos do voto do Relator. / ill i ////'''r /I // • , i ii il/ i iGIOVANNI CHRIST ' N NUNt C . POS - Relator e Presidente I ti , iEDITADO EM: 16/W0; 12010 1/ 1 n /,, 11 ( /I Participaram do preserte jjk gamen o os Conselheiros NUbia de Matos Moura, Ewan Teles Aguiar, ¡Rubens Mauricio, e'arvialho,arlos André Rodrigues Pereira de Lima, Roberta de Azeredo Fè eira Paget * "ovÁnn Ch : - stian Nunes Campos. , 1 i Relatório Em face do contribuinte Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa, CNPJ/MF n° 00.348.003/0001-10, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 22/08/2001, auto de infração (fls. 35 a 43), com ciência postal em 13/09/2001 (fl. 48), a partir de ação fiscal iniciada em 14/11/2000 (fl. 02). Abaixo, discrimina-se o crédito tributário constituído pelo auto de infração antes informado, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 68.849,48 - MULTA DE OFICIO R$ 51.637,11 Conforme o demonstrativo de apuração do ITR lançado referente ao imóvel rural Estação Experimental de Linhares, NIRF n° 213.251-6 (fl. 38), cuja DITR-exercído 1997 foi apresentada pela Embrapa (fl. 04), vê-se que a autoridade fiscal glosou totalmente a área de preservação permanente (1.323 hectares) e parcialmente a área de pastagens (de 57,0 hectares para 1,4 hectares). A autoridade fiscal intimou a Embrapa a apresentar o Ato Declaratório Ambiental — ADA da área de preservação permanente, bem como lhe informou da glosa da área de pastagens em decorrência do total do rebanho criado (fl. 02). Aos autos foram juntados os seguintes documentos: • um Termo de Responsabilidade de Preservação de Florestas, da antiga Fazenda Goytacazes, com área de 322,25 hectares, firmado junto ao Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal, datado de 09/12/1985, ficando tal área gravada como de utilização limitada (reserva legal, na forma dos arts. 16 e 44 do Código Florestal — fl. 13); • um Decreto do Governo do Estado do Espírito Santo, de 30/09/1986, que declarou uma área de preservação permanente de aproximadamente 1.000 hectares, na Fazenda Goytacazes, pertencente à Embrapa (fl. 14); • Certidão de propriedade e ônus de um imóvel situado na antiga Fazenda Goitacazes, com área de 1.611,2540 hectares, tendo como adquirente à Embrapa (fl. 23). • Decreto n° 4.498/99, que aprovou o estatuto da Empresa Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural — Emcaper, esta que incorporou a Emcapa — Empresa Capixaba de Pesquisa e Extensão \\ Agropecuária (fls. 15 a 22). O auto de infração lavrado em desfavor do sujeito passivo Embrapa foi enviado para a Rua Afonso Safio, 160, Bento Ferreira, Vitória — ES (fl. 48), sede. Conforme informação do 2 Processo n° 11543.003326/2001-67 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.586 Fl. 160 Sít140 da Receita Federal na Internet, este é o endereço da autarquia estadual INSTITUTO CAPIXABA DE PESQUISA, ASSISTENCIA TECNICA E EXTENSA° RURAL- Incarpe, como se pode ver na tela abaixo, extraída do sítio da Receita Federal da internet: REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL - CADASTRO NACIONAL DA PESSOA JURÍDICA NUMERO DE INSCRIÇAO COMPROVANTE DE INSCRIÇÃO E DE SITUAÇÃO DATA DE ABERTURA27.273.416/0001-30 06/02/1976 MATRIZ CADASTRAL NOME EMPRESARIAL INSTITUTO CAPIXABA DE PESQUISA, ASSISTENCIA TECNICA E EXTENSA° RURAL TÍTULO DO ESTABELECIMENTO (NOME DE FANTASIA) INCAPER CÓDIGO E DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE ECONÓMICA PRINCIPAL 01.61 -0-99 - Atividades de apoio à agricultura não especificadas anteriormente CÓDIGO E DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES ECONÓMICAS SECUNDÁRIAS 01.61-0-01 - Serviço de pulverização e controle de pragas agrícolas 01.61-0-03 - Serviço de preparação de terreno, cultivo e colheita CÓDIGO E DESCRIÇÃO DA NATUREZA JURÍDICA 111-2 - AUTARQUIA ESTADUAL OU DO DISTRITO FEDERAL LOGRADOURO NÚMERO COMPLEMENTO R AFONSO SARLO 160 CEP BAIRRO/DISTRITO MUNICÍPIO UF 29.052-010 BENTO FERREIRA VITORIA ES SITUAÇÃO CADASTRAL DATA DA SITUAÇÃO CADASTRAL ATIVA 30/0912005 MOTIVO DE SITUAÇÃO CADASTRAL SITUAÇÃO ESPECIAL DATA DA SITUAÇÃO ESPECIAL **.lAll! *****-Irlrle Aprovado peia Instrução Normativa RFB n° 748, de 28 de junho de 2007. Emitido no dia 28/04/2010 às 17:53:51 (data e hora de Brasília). l) Inconformado com a autuação, o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural — Incaper (CNPJ — 27.273.41610001-03), criado em decorrência da transformação da Emcaper em autarquia estadual, pela Lei Complementar Estadual n° 194/2000, apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. O Incaper alegou que a área estava em sua posse, conforme contrato de comodato do imóvel rural auditado, firmado entre a Embrapa e a Emcapa, em 15/06/1976 (fls. 62 a 65), pugnando pela não incidência do ITR lançado em decorrência da imunidade constitucional recíproca. No mérito, pugnou pelo reconhecimento da área declarada de preservação permanente, na linha do Decreto Estadual acima citado. A 1' Turma de Julgamento da DRJ-Recife (PE), por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão de fls. 70 a 84, consubstanciada no Acórdão n° 11.086, de 18 de fevereiro de 2005. No voto do relator da decisão acima, não se debateu uma possível ilegitimidade do impugnante para recorrer, porém se afastou a tese da imunidade constitucional recíproca, já que o autuado (Embrapa) seria uma empresa pública de direito privado, não figurando dentre as pessoas jurídicas de direito público. Ato contínuo, o relator apreciou o mérito do recurso, ratificando a exigência do ADA para exclusão da tributação da área de preservação permanente. Em 08/03/2005, a Embrapa foi intimada da decisão acima, no Parque Estação Biológica-PQEB s/n- Edificio Sede — Plano Piloto, Brasília — DF (fl. 87), sede dessa empresa pública federal. Em 20/04/2005, o Incaper pugnou pela decretação da nulidade da intimação acima, solicitando que nova intimação fosse enviada para a Rua Afonso Sarlo, 160, Bento Ferreira — Vitória (ES), endereço no qual foi dada a ciência do auto de infração (vide fl. 88 c/c a 46), com reabertura de prazo para interposição de recurso voluntário. Em 05/05/2005, novamente a Embrapa foi intimada da decisão de primeiro grau em sua sede em Brasília (fl. 103), não interpondo qualquer recurso. Em 1°/10/2008, foi enviada nova intimação para a Embrapa, no endereço da Rua Afonso Sado, n° 160, Bento Ferreira, Vitória — ES (sede do Incarpe — fl. 108). Irresignado, o Incarpe interpôs recurso voluntário em 29/10/2008 (fl. 109). No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que: 1. na época do fato gerador do imposto lançado, o imóvel se encontrava na posse (através de contrato de comodato) do Incarpe, autarquia estadual prestadora de serviços públicos não relacionados com exploração de atividade econômica, devendo ser cancelado o lançamento, por aplicação do principio constitucional da imunidade recíproca, na forma do art. 150, § 2°, da Constituição Federal. Ademais, a própria Embrapa, apesar de empresa pública, também não explora atividade econômica, tendo a União a integalidade de seu capital, sendo mais um motivo para fazer soçobrar o lançamento; II. a área de preservação permanente foi reconhecida por ato do poder público, não podendo o fisco exigir a apresentação do ADA com base em instrução normativa, conforme já assentado em jurisprudência do 4 Processo n° 11543.003326/2001-67 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.586 Fl. 161 Superior Tribunal de Justiça, para exclusão de tal área da incidência do ITR. Considerando que o Incarpe apresentou petição informando que o presente processo estava indevidamente impedindo a expedição de certidão negativa de tributos federais em favor da Embrapa, o Secat/DRF-Vitória (ES) solicitou que o Seort dessa DRF se pronunciasse sobre a legitimidade do Incarpe para recorrer. Pelo Despacho Seort/DRFNIT n° 917/2008, anotou-se que o efetivo sujeito passivo do crédito tributário lançado seria a Embrapa, já que o comodatário Incarpe não detém legitimidade para figurar no pólo passivo da exação lançada, conforme o art. 4 0, § 4°, da 1N SRF 256/2002, razão também que impediria a suspensão do crédito tributário por recorrente diverso do sujeito passivo, no caso o Incarpe. Por fim, determinou-se que estes autos viessem ao Conselho de Contribuintes, para quem havia sido dirigida a petição do Incarpe. Este recurso voluntário compôs o lote n° 04, sorteado para este relator na sessão pública da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção do CARF de 02/12/2009. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Antes de tudo, é preciso esclarecer a sujeição passiva do presente lançamento, bem como quem tem capacidade para recorrer, já que a empresa autuada Embrapa não apresentou qualquer recurso, sendo substituída pelo Incarpe no tocante à capacidade recursal. Na forma do art. 1° da Lei n° 9.393/96, vê-se que o sujeito passivo do ITR é o proprietário, aquele que tem o domínio útil ou a posse do imóvel rural, verbis: Art. I° O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1° de janeiro de cada ano. Proprietário da coisa imóvel é aquele que tem a faculdade de usar, goza, dispor e perseguir a coisa e que detém um título translativo de propriedade registrado na matrícula do bem no Cartório de Registro de Imóveis respectivo (arts. 1228 e 1.245 do Código Civil). Já o domínio útil está vinculado ao instituto da enfiteuse, este que é um contrato perpétuo (se for por tempo limitado, será considerado arrendamento), sendo o mais amplo instituto de domínio e fruição da coisa, excetuando a própria propriedade, ficando o enfiteuta com o domínio útil, pagando ao senhorio direto um foro anual (art. 678 do Código ( Civil de 1916). Por fim, o posseiro é aquele que tem de fato o exercício, pleno ou não, de algum do poderes inerentes à propriedade (art. 1.196 do Código Civil). Na prática, o posseiro é aquele que detém a coisa de modo público, com aparência de proprietário, porém não tendo o justo título translativo da propriedade. Ou ainda, na defmição art. 4°, § 2°, da IN SRF 256/2002, que dispõe sobre normas de tributação relativas ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, ainda vigente, "É possuidor a qualquer título aquele que tem a posse do imóvel rural, seja por direito real de fruição sobre coisa alheia, no caso do usufrutuário, seja por ocupação, autorizada ou não pelo Poder Público". Com os esclarecimentos acima, deve-se observar que o comodatário jamais pode ser considerado como proprietário, posseiro ou enfiteuta do bem imóvel detido, já que sequer o comodato é um direito real (art. 1.225 do Código Civil), sendo apenas um contrato de empréstimo gratuito de coisas fungíveis, de natureza obrigacional (art. 579 do Código Civil). O comodato defere ao beneficiário a mera detenção da coisa (ou uma posse limitada, precária), jamais a posse plena. Não por outra razão, o art. 40, § 4°, da IN SRF 256/2002 exclui expressamente o comodatário do pólo passivo dos lançamentos do ITR, verbis: Art. 4° Contribuinte do ITR é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título. § 1° É titular do domínio útil aquele que adquiriu o imóvel rural por enfiteuse ou aforamento. § 2 0 É possuidor a qualquer título aquele que tem a posse do imóvel rural, seja por direito real de fruição sobre coisa alheia, no caso do usufrutuário, seja por ocupação, autorizada ou não pelo Poder Público. (-) § 4° Para fins do disposto nesta Instrução Normativa, não se considera contribuinte do ITR o arrendatário, com odatário ou parceiro de imóvel rural explorado por contrato de arrendamento, comodato ou parceria Por último, para esclarecer de vez a questão, veja-se a resposta à pergunta n° 36, do PERGUNTAS E RESPOSTAS – ITR 2009, no site da Secretaria da Receita Federal do Brasil: ARRENDATÁRIO, COMODATÁRIO E PARCEIRO 036 — O arrendatário, o comodatá rio e o parceiro são contribuintes do ITR? Não. A relação jurídica estabelecida pelos contratos de arrendamento, de comodato ou de parceria é de natureza obrigacional. Em decorrência destes contratos há a entrega do imóvel sem a intenção de transferir a posse plena; é cedido, temporariamente, apenas o exercício parcial do uso e da fruição (posse limitada). Somente a posse plena, sem subordinação (posse com animus domini), é fato gerador do ITR. Assim, como não têm a posse plena, vale dizer, não têm a posse com animus domini, o arrendatário, o comodatári o e o parceiro não são contribuintes do ITR. 6 Processo o' 11543,003326/2001-67 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00386 Fl. 162 As considerações acima foram feitas em decorrência deste julgador tem apreendido uma aparente confusão entre os institutos do comodato e da enfiteuse feita no voto da decisão recorrida, como se pode ver pelos grifos na fl. 74, quando se deferiu ao Incarpe, comodatário do imóvel auditado, o direito de impugnar o lançamento. Somente assim se encontra justificativa para a decisão recorrida ter considerado como válida a peça impugnatória subscrita pelo Incarpe. Ora, o sujeito passivo da exação lançada é a Embrapa, proprietária da Estação Experimental de Linhares, e, dessa forma, sujeito passivo do ITR lançado. Observe que essa conclusão foi adequadamente percebida no Despacho Seort/DRF/VIT n° 917/2008, quando se asseverou que a legitimidade tributária seria da Embrapa, sujeito passivo do ITR lançado, e não do Incaper. Ora, sendo o Incarpe uma pessoa jurídica totalmente estranha ao lançamento feito em desfavor da Embrapa, por óbvio aquele não tem capacidade para impugnar ou recorrer em desfavor do presente lançamento. Somente a Embrapa, proprietária da Estação Experimental de Linhares, poderia impugnar e recorrer em face do lançamento consubstanciado no auto de infração de fls. 35 a 43. Não existe em qualquer legislação o reconhecimento de uma capacidade postulatória extraordinária para que os comodatários pudessem impugnar ou recorrer de lançamentos tributários. Aqui se observe que sequer haveria qualquer sentido útil em anular a decisão recorrida, por incompetência da autoridade a quo para apreciar a impugnação apresentada pelo Incarpe, pois tanto a impugnação, como o recurso voluntário, foram interpostos por terceira pessoa, não sendo meio hábil para instaurar o contencioso fiscal, ou seja, caso anulássemos a decisão da numa de Julgamento da DRJ-Recife, necessariamente tal instância julgadora não • poderia conhecer da impugnação. Ainda, como mero obiter dictum, deve-se anotar que o presente lançamento em desfavor da Embrapa foi remetido ao endereço do comodatário, com uma clara violação do direito de defesa do autuado Embrapa (fl. 48), sendo que a Emcaper (sucedida pelo Incarpe) parece ter funcionado na fase que antecedeu a autuação, atendendo a intimação da autoridade fiscal, como se pode ver pelos documentos de fls. 15 a 22. A Embrapa somente foi notificada da decisão da DRJ em 08/03/2005, ou seja, efetivamente não há nestes autos uma prova objetiva da ciência do lançamento por parte do autuado, não se podendo suprir tal exigência a partir da notificação da decisão recorrida ao efetivo sujeito passivo, em 08/03/2005, já que não se pode considerar o contribuinte autuado cientificado de um lançamento a partir da notificação de uma decisão que julgou uma impugnação interposta por terceira pessoa. Aqui, em uma leitura preliminar, parece-nos claro que o Delegado da DRF .-Vitória (ES) deve apreciar a legalidade do presente lançamento, dentro de seu poder geral de revisão dos atos administrativos levados a efeito nessa unidade da Receita Federal. Ante o exposto, voto no sentido de não conhecer o recurso voluntário interposto, já que o Incarpe não detém legiti -midad para combater o lançamento controlado no presente procedimento administrativo-fiscal. Sala das Sessões, e lmaio de 2010 ,y/ // ./ I /17 / Giovanni Christiarii Unes Campos ,7 // 7 /7/
score : 1.0
Numero do processo: 10935.002429/00-81
Data da sessão: Thu Jan 27 00:00:00 UTC 2005
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Cabem embargos de declaração quando existir no acórdão obscuridade, dúvida ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a Câmara.
Embargos de Declaração rejeitados.
Numero da decisão: 301-30.830
Decisão: DECIDEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, rejeitar os Embargos de Declaração, nos termos do voto do Relator
Matéria: Finsocial- ação fiscal (todas)
Nome do relator: Valmar Fonseca de Menezes
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Recurso N° 126.581 Embargante PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL Embargada Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Cabem embargos de declaração quando existir no acórdão obscuridade, dúvida ou contradição entre a decisão e os . seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a Câmara. Embargos de Declaração rejeitados .. Vistos, relatados e discutidos os presentes embargos de declaração interpostos por: PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL. DECIDEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, rejeitar os Embargos de Declaração, nos termos do voto do Relator. OTACÍLIO D~ARTAXO Presidente ENEZES Formalizado em: \15 JUL 2005 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: Roberta Maria Ribeiro Aragão, Carlos Henrique Klaser Filho, Atalina Rodrigues Alves, José Luiz Novo Rossari, Luiz Roberto Domingo e Lisa Marini Ferreira dos Santos (Suplente). Esteve presente o Procurador da Fazenda Nacional Leandro Felipe Bueno. Hf/l • .. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO ACÓRDÃO N° 301-30.830 Processo N° 10935.002429/00-81.'. Recurso N° 126.581 Embargante PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir. "O presente processo trata de pedido de restituição (fl. 1), protocolizado em 21/12/2000, no valor de R$ 12.268,16, relativo a contribuições ao Fundo de Investimento Socia1- Finsocial, períodos de apuração 11/1990 a 12/1990 e 04/1991 a 03/1992, recolhidas com base em alíquota superior a 0,5%, posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. 2. Instruiu seu pedido com diversos documentos (fls. 2/62), dos quais se destacam: (a) às fls. 02/23, petição detalhada referente à restituição requerida; (b) à fl. 24, procuração para representação judicial e administrativa da interessada; (c) à fl. 34, demonstrativo dos valores pagos do Finsocia1 e dos valores a serem restituídos, referente aos períodos de apuração 11/1990 a 12/1990 e 04/1991 a 03/1992; • (d) às fls. 35/39, DARF de recolhimentos do Finsocial (código da receita 6120), referentes ao períodos 11/1990 a 12/1990 e 04/1991 a 03/1992, cuja última data de recolhimento foi 03/04/1992 . A Delegacia da Receita Federal em Cascavel (DRF/CVL), conforme Reconhecimento de Direito Creditório n.O 536/2001 (fls. 65/66), indeferiu o pedido por considerar extinto o direito de a contribuinte requerer a restituição. Inconformada com o indeferimento, do qual tomou ClenCla em 16/10/2001 (fl. 66), a interessada apresentou, em 16/11/2001, a tempestiva reclamação de fls. 69/92, assinada por procurador (mandato de fl. 24), trazendo os argumentos, em síntese, a seguir. Após historiar as alterações legislativas referentes à exigência do Finsocial, havidas após a promulgação da Constituição Federal de 1988, afirma que, face o art. 56 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, o Supremo Tribunal Federal (STF) já decidiu pela inconstitucionalidade da exigência do 2 • • EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO ACÓRDÃO N° 301-30.830 Processo N° 10935.002429/00-81 Recurso N° 126.581 Finsocial, no que excede .à alíquota de 0,5%, transcrevendo a ementa e o acórdão do Recurso Extraordinário n.O150764-l/PE. Sustenta que se o STF declarou a inconstitucionalidade da exigência do Finsocial em alíquota superior a 0,5%, todos os tribunais e juízos inferiores estão vinculados a essa decisão, não podendo contrariá-la, independente do fato de não ter sido proferida em ação direta de inconstitucionalidade; cita jurisprudência (fls. 73/76) que estaria de acordo com esse posicionamento. Diz que a necessidade dessa vinculação se mostra evidente por não haver lógica em se devolver ao STF o conhecimento de causas que já se conhece de antemão a decisão final, sendo que a vinculação dos tribunais inferiores tem o condão de desafogar o STF, em respeito ao princípio da economia processual. Assim, requer que se declare que houve pagamentos indevidos do Finsocial, no que excede à alíquota de 0,5%, conforme o pronunciamento do STF, seja pela vinculação antes referida, seja pela inconstitucionalidade dos reajustes de alíquotas acima de 0,5%, por ofensa ao art. 56 do ADCT No seguimento, cita os arts. do Código Civil (art. 1009) e do Código Tributário Nacional (art. 170), que tratam do instituto da compensação, bem como o art. 66 da Lei n.O 8.383, de 30 de dezembro de 1991, que implementou a previsão legal do art. 170 do CTN. Argumenta que o direito de efetuar a compensação do valor pago a maior do Finsocial, com tributo da mesma natureza é líquido e certo, havendo dúvida, entretanto, quanto a com que tributo/contribuição se pode efetuar essa compensação. Após comentar a discussão doutrinária sobre a natureza do Finsocial, entende que o STF já decidiu tratar-se de imposto, sendo que só com imposto pode ser compensado; cita, ainda, decisão do Tribunal Regional Federal da 4a Região (TRF/4a) que decidiu que só é possível pleitear-se a compensação de tributos, quando há decisão judicial específica (caso acaso), declarando a ilegalidade ou inconstitucionalidade de tributo e a existência de pagamento indevido. Por conseqüência, pede para que seja reconhecido o seu direito de compensar os recolhimentos indevidos do Finsocial com outro imposto (IRPJ, IPI), ou com outra contribuição de mesma natureza, conforme o entendimento da autoridade julgadora. Tece, a seguir, considerações sobre a correção dos valores a restituir/compensar, e conclui que cabe aplicar, aos créditos que entende possuir, passíveis de compensação, o IPC integral do ano de 1991, bem como, o índice que reflita a inflação efetivamente ocorrida em 1994, dizendo que a administração 3 • EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO ACÓRDÃO N° 301-30.830 Processo N° 10935.002429/00-81 Recurso N° 126.581 pública federal, por meio de legislação que diz ser inconstitucional, expurgou a inflação ocorrida nos meses de 02/1991 e 06 a 07/1994. Pede, também, que aos valores a serem restituídos/compensados, sejam acrescidos os juros previstos no art. 39, ~ 4°, da Lei n.o 9.250, de 26 de dezembro de 1995. Alega que já é pacífico o entendimento, tanto em nível doutrinário quanto jurisprudencial, de que o PIS (sic) tem natureza jurídica tributária, sujeito ao lançamento por homologação, como previsto no art. 150, ~ 4°, do CTN, e que se conjugando esse dispositivo com o estatuído no art. 168, I, do CTN, é de se concluir que, extinto o crédito tributário com a homologação tácita, pelo decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados do pagamento, inicia-se a contagem do prazo prescricional de 5 (cinco) anos para pleitear a restituição do tributo recolhido indevidamente; cita, quanto ao tema, jurisprudência dos TRF da 4a e 5a regiões e do STJ (fls. 89/91). Por fim, requer o acolhimento de sua reclamação e a modificação da decisão a quo, reconhecendo-se que os créditos não estão prescritos e, em decorrência, que lhe seja declarado o direito à restituição dos valores peticionados." A Delegacia de Julgamento proferiu decisão, nos termos da ementa transcrita adiante: "Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/11/1990 a 31/12/1990, 01/04/1991 a 31/03/1992 Ementa: FINSOCIAL. EXTINÇÃO DO DIREITO DE REQUERER A RESTITUIÇÃO. O direito de a contribuinte pleitear a restituição decai no prazo de cinco anos, a contar da data da extinção do crédito. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. No caso do lançamento por homologação, a data do pagamento do tributo é o termo inicial para a contagem do prazo em que se extingue o direito de requerer a restituição. Solicitação Indeferida" Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme petição de fls. 104 a 117, tendo sido dado provimento parcial ao recurso para admitir que o prazo para solicitação da restituição/compensação não teria sido extrapolado pela recorrente, devolvendo-se o processo para apreciação, pela primeira instância, do mérito da solicitação feita. 4 • EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO ACÓRDÃO N° 301-30.830 Processo N° 10935.002429/00-81 Recurso N° : 126.581 Às fls. 133 a 136 constam embargos de declaração, interpostos pela douta Procuradoria da Fazenda Nacional. É o relatório . 5 c • • EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO ACÓRDÃO N° 301-30.830 Processo N° 10935.002429/00-81 Recurso N° 126.581 VOTO Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes, Relator Os embargos foram interpostos pela douta Procuradoria da Fazenda Nacional, que alega, em suma, que: • O acórdão proferido não considerou, apreciação do litígio, a Medida Provisória 1.110/95, como marCo de contagem do prazo para restituição do FINSOCIAL e sim a Instrução Normativa SRF 31/97; • O relator do feito, em diversos recursos que enumera, casos idênticos ao presente, fundou seu entendimento de que o marco inicial de contagem do prazo seria a Medida Provisória 1110/95, o que, se adotado para este processo, redundaria no não provimento do recurso; • Constata-se, assim, a flagrante obscuridade do acórdão proferido, devendo o acórdão ser retificado, nos termos propostos. Entendo que, no presente caso, o que aponta, com razão, a ilustre Procuradoria, é .que a Câmara, em julgados diversos, adotou interpretação diversa sobre determinado aspecto da Legislação Tributária, não se tratando, porém, de omissão, obscuridade ou contradição presentes no acórdão. Pode-se claramente admitir que há marcos diferentes para contagem do prazo prescricional, mas em julgados diferentes. No entanto, isto não pode ser entendido ocorrência daquelas hipóteses . Dispõe o Regimento Interno deste Colegiado, in verbis: "Art. 27. Cabem embargos de declaração quando existir no acórdão obscuridade, dúvida ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a Câmara. ~ 10 Os embargos serão interpostos, por Conselheiro da Câmara ;ulgadora, pelo Procurador da Fazenda Nacional, pelo sujeito passivo, pela autoridade julgadora de primeira instância ou pela autoridade encarregada da execução do acórdão, mediante petição fundamentada, dirigida ao Presidente da Câmara, no prazo de cinco dias contado da ciênciado acórdão . . (...) 6 , . EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO ACÓRDÃO N° 301-30.830 Processo N° 10935.002429/00-81 Recurso N° 126.581 Art. 32. Caberá recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais: I -de decisão não unânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova; e II - de decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara de Conselho de Contribuintes ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. (..)" Desta forma, considero que poderia se tratar, em verdade, da hipótese de interposição de recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, em caso de se comprovar interpretação divergente de outra Câmara ou da própria Câmara Superior de Recursos Fiscais, motivo pelo qual voto no sentido de que sejam os embargos interpostos rejeitados, ressaltando que, conforme também dispõe o Regimento deste Colegiado, no parágrafo 3° do artigo 27, os embargos de declaração interrompem o prazo para a interposição daquele recurso, o que implica que esta rejeição nenhum prejuízo processual traz para a Fazenda Nacional. EZES - RelatorVAL Sala das Sessões, em 27 de .aneiro de 2005 7 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007
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Numero do processo: 16327.001506/2010-73
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2006, 2007
COOPERATIVAS. RESULTADO DE OPERAÇÕES COM NÃO COOPERADOS. DESPESAS NÃO LEVADAS EM CONTA NO LANÇAMENTO.
Demonstrado que o resultado de operações com não cooperados, sujeito à incidência tributária, foi influenciado por despesas que não foram levadas em conta no levantamento do Fisco, e que, ao serem consideradas tais despesas, não resta base tributável, correta a decisão que afastou as exigências.
Numero da decisão: 1302-000.933
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício.
Nome do relator: Waldir Viega Rocha
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RESULTADO DE OPERAÇÕES COM NÃO COOPERADOS. DESPESAS NÃO LEVADAS EM CONTA NO LANÇAMENTO. Demonstrado que o resultado de operações com não cooperados, sujeito à incidência tributária, foi influenciado por despesas que não foram levadas em conta no levantamento do Fisco, e que, ao serem consideradas tais despesas, não resta base tributável, correta a decisão que afastou as exigências. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Marcos Rodrigues de Mello – Presidente Waldir Veiga Rocha – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Paulo Roberto Cortez, Márcio Rodrigo Frizzo, Eduardo de Andrade, Cristiane Silva Costa e Marcos Rodrigues de Mello. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16327.001506/201073 Acórdão n.º 130200.933 S1C3T2 Fl. 2 2 Relatório COOPERATIVA DE CRÉDITO RURAL DOS PLANTADORES DE CANA DA ZONA DE GUARIBA, já qualificada nestes autos, foi autuada e intimada a recolher crédito tributário no valor total de R$ 9.505.513,75, discriminado no Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo, à fl. 01. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Trata o presente processo de exigência fiscal formulada à interessada acima identificada, por meio dos autos de infração de imposto de renda da pessoa jurídica IRPJ, de fls. 170/175, no valor de R$3.104.992,48 de imposto e R$2.328.744,35 de multa, e da contribuição social sobre o lucro líquido – CSLL, de fls. 176/181, no valor de R$1.135.077,29 de contribuição e R$851.307,96 de multa, ambos acrescidos, ainda, de juros de mora. Integra os autos de infração o Termo de Verificação Fiscal de fls. 184/201. 2. O procedimento é decorrente de ação fiscal promovida pela Delegacia Especial de Instituições Financeiras da 8ª Região Fiscal – Deinf / SP, a partir da qual se apurou que a interessada, na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL referente aos fatos geradores consumados em 31/12/2005 e 31/12/2006, efetuou exclusões indevidas dos resultados positivos provenientes de operações com não associados, conceituadas como atos não cooperativos, implicando redução do lucro real e da base de cálculo da CSLL. 3. Os enquadramentos legais mencionados nos autos de infração são os seguintes: 3.1. IRPJ: artigos 182 e 250, inciso I, do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26/03/1999 (RIR/99); 3.2. CSLL: art. 2º e §§, da Lei nº 7.689/88; art. 1º da Lei nº 9.316/96 e art. 28 da Lei nº 9.430/96; art. 37 da lei nº 10.637/2002. 4. Sobre as diferenças de imposto apuradas se fez incidir a multa de ofício no percentual de 75%, conforme determina o inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96. 5. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 184/201 o autuante relata o seguinte: 5.1. Que a fiscalização teve por objeto a verificação dos recolhimentos de IRRF nos períodos de apuração de janeiro de 2005 a julho de 2010, destacandose a conformidade dos depósitos judiciais efetivados no curso da ação declaratória de n° 1999.61.02.0098737, impetrada na 6a VARA da Justiça Federal de Ribeirão Preto SP, bem como a tributação de valores distribuídos a título de "sobras" apuradas no encerrando de cada anocalendário; 5.2. Que a interessada é uma cooperativa de crédito rural legalmente constituída como instituição financeira e tem como objeto social, entre outros, proporcionar, através da mutualidade, assistência financeira aos cooperados em suas atividades específicas, bem como o desenvolvimento de programas de poupança, de Fl. 336DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16327.001506/201073 Acórdão n.º 130200.933 S1C3T2 Fl. 3 3 uso adequado do crédito e de prestação de serviços. Sua atividade é regulamentada atualmente pela Resolução n° 3.442/2007 do Conselho Monetário Nacional, e por ser instituição financeira organizada sob a forma de cooperativa, está sujeita a apuração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica pelo Lucro Real inciso II do artigo 14 da Lei 9.718/98; 5.3. Que a interessada obtém seus recursos de três fontes: das quotas parte subscritas pelos associados, dos depósitos a vista e a prazo também captados junto a seus associados e de obrigações por empréstimos e repasses captados junto a instituições financeiras oficiais e privadas e instituições participantes do sistema cooperativo nacional. Na ponta da aplicação destes recursos disponíveis, concede financiamentos/operações de crédito a seus associados e aplica os recursos excedentes tanto em instituições do sistema cooperativo nacional como em instituições financeiras oficiais e privadas; 5.4. Que há excesso de captação de recursos em relação ao crédito demandado pelos cooperados, o que gera uma "liquidez", que é aplicada em instituições financeiras privadas, alheias ao sistema cooperativo. Tal conclusão teria sido extraída do Relatório Anual Coopecredi Exercício 2009, disponível no endereço http://www.coplana.com/gxpsites/hgxpp001.aspx?l,9,663,O,P,0 que, apesar de se referir a anos calendário diferentes dos autuados, ajudam a formar a convicção em relação a forma de operação da interessada; 5.5. Que a estratégia de gestão financeira da interessada seria de possuir uma relação de 1:1 entre empréstimos tomados e recursos aplicados junto aos bancos privados, levando à conclusão que o seu interesse principal é a apropriação do diferencial de taxas de juros pagos na captação de linhas de crédito destinadas ao setor rural, com encargos subsidiados 3% (Securitização) e 6,75% (Custeio), conforme fls. 38 do Relatório Operacional, às fls. 71 e os auferidos nas aplicações financeiras no mercado de títulos públicos federais, aplicações estas que alcançaram, no encerramento de 2009, o montante de 30,2% de seus Ativos; 5.6. Que estaria caracterizado que parte das operações da interessada são consideradas como atos não cooperativos, conforme afirmado por ela própria em resposta à Intimação Fiscal n° 02 fls. 94/95 item 5.3 de sua resposta fls. 99 a seguir transcrito: "5.3 Na Coopecredi não é diferente, os Bancos cooperativos não conseguem atender as suas necessidades, obrigandoa a recorrer as Inst ituições Finance iras não cooperat ivas na captação de recursos (grifo nosso) para complementar os financiamentos rurais de seus cooperados. Nas negociações dessa captação a Cooperativa é obrigada a oferecer garantias, e reciprocidade, entre elas apl icações f inance iras (gr i fo no origina l) . É importante esclarecer que essas apl icações f inanceiras não tem f inal idade especulativa (gr ifo nosso) , pois são feitas através de CDI Certificado de Depósitos Interfinanceiros, sendo sua remuneração idêntica a praticada pelos Bancos Cooperativos." 5.7. Que ao contrário do afirmado pela interessada, estas aplicações são claramente especulativas, uma vez que afirmou no item 5.4 do mesmo expediente que "Os recursos para suprir essas aplicações financeiras em Bancos Privados e Cooperativos são oriundos de depósitos à vista e a prazo dos cooperados, que já sofrem Retenção do Imposto de Renda na Fonte sobre seus rendimentos." A fiscalização apresenta, à fl. 188, tabela elaborada a partir dos demonstrativos financeiros de fls. 101/104, que compara o volume de recursos aplicados nos anos calendário de 2005 e 2006 em atividades financeiras em relação às atividades de Fl. 337DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16327.001506/201073 Acórdão n.º 130200.933 S1C3T2 Fl. 4 4 crédito, concluindo que, verbis, “não pode prosperar qualquer alegação por parte da COOPECREDI de que eventuais aplicações de recursos no mercado financeiros sejam atividades esporádicas, oriundas de "sobras de caixa" e caracterizadas como tal como atividades cooperativas: os percentuais de 68% e 64% de recursos totais disponíveis, conforme o ano calendário, aplicados no mercado financeiro ao invés de destinados à atividade fim da COOPECREDI, caracterizam uma deliberada estratégia de atuação e não mera gestão de eventuais sobras de recursos captados junto aos cooperados e no mercado financeiro” (Grifo do original); 5.8. Que o raciocínio lógico é o de que um cooperado que possua recursos para aplicação em depósitos a prazo que depois são reaplicados no mercado financeiro não precisaria tomar empréstimos na proporção de 1:1, a não ser com a finalidade especulativa de apropriação de diferenciais de taxas. Este mesmo raciocínio se aplica ainda que as aplicações financeiras sejam efetuadas com os próprios recursos captados como empréstimos, situação esta ainda pior por caracterizar o desvio do objetivo de subsidiar e incentivar a produção agrícola nacional; 5.9. Que regularmente intimada quanto ao tratamento tributário dispensado aos rendimentos financeiros auferidos junto a instituições financeiras não cooperadas item 7 da Intimação Fiscal n° 01, à fl. 04 – a interessada alegou, à fl. 93, que “o tratamento tributário aplicado aos rendimentos financeiros em Bancos não cooperados é considerado por todo o sistema cooperativo com sendo ato cooperativo, e, portanto, não sujeito à incidência do Imposto de Renda e da Contribuição Social. As receitas de aplicações financeiras com Bancos não cooperativos encontramse demonstradas nos Balanços Patrimoniais que estão sendo apresentados (2005 a 2009), mais especificamente na Demonstração de Sobras e Perdas, na conta "Valores Mobiliários". O embasamento legal encontrase previsto no artigo 79 da Lei n° 5.764/1971, consoante interpretação do Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial n° 717.126. Insta ressaltar que os valores das receitas em Bancos não cooperados, que constam separadamente no Demonstrativo de Sobras e Perdas, na conta valores mobiliários, estão sem a dedução das despesas de intermediação e outras despesas operacionais, para fins de apuração do lucro líquido. As cópias das escriturações contábeis estão sendo apresentadas, constando Inclusive juntamente a este protocolo as cópias das Declarações de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (2005 a 2009), a qual contam na linha 57, ficha 09B, a exclusão do resultado líquido, por se tratar de valor totalmente isento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, dado ser ato essencialmente cooperativo. Finalmente observamos que sobre os rendimentos obtidos em Bancos não cooperativos, inexiste a retenção do Imposto de Renda na Fonte, por ser a cooperativa considerada por Lei como Instituição Financeira autorizada pelo Banco Central." 5.10. Que uma análise preliminar das Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ apresentadas pela interessada referente aos anoscalendário de 2005 e 2006 fls. 105 a 152 indica que a totalidade do resultado anual é excluída na apuração do Lucro Real Ficha 09B fls. 111 e 135, respectivamente sob a rubrica de "Resultados não Tributáveis de Sociedades Cooperativas"; 5.11. Que há incidência do IRPJ sobre as rendas de aplicações financeiras em instituições não cooperativas, nos termos do artigo I o da Instrução Normativa SRF n° 333/03, Súmula STJ n° 262/2002 e Parecer Normativo CST n° 4 de 14 de fevereiro de 1986; Fl. 338DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16327.001506/201073 Acórdão n.º 130200.933 S1C3T2 Fl. 5 5 5.12. Que foram efetuados ajustes na apuração do resultado de cada ano calendario, mediante segregação dos valores relativos às rubricas "Rendas de Títulos de Renda Fixa", "Despesas de Obrigações por Empréstimos e Repasses" e "Resultado não Operacional" dos demais itens da ficha 06B das respectivas DIPJ's, observando que as despesas operacionais foram rateadas conforme o disposto no Parecer Normativo CST n° 73/1975, o qual determina em seu item 6 que após a identificação dos custos diretos, os custos e despesas indiretos devem ser apropriados proporcionalmente ao valor das duas receitas brutas, a saber, receitas das atividades próprias da cooperativas e as receitas derivadas das operações por ela realizadas com terceiros; 5.12. Que as despesas com depósitos a prazo todas foram consideradas como decorrentes de captações junto aos seus associados, na forma de norma expedida pelo Banco Central do Brasil determinando que “As sociedades de crédito, financiamento e investimento podem captar recursos por meio de RDB de pessoas físicas e jurídicas e as cooperativas de crédito de seus associados. (Res 3442 art. 311; Res 3454 art. 2oI, II)"; 5.13. Que antecipando possível alegação da interessada de que as despesas de intermediação financeira decorrentes de captação de recursos junto ao mercado de capitais também devem ser deduzidas na apuração de resultado das atividades com não cooperados, a fiscalização sustenta que os valores lançados na rubrica 7.1.5.10.000 "RENDAS DE TÍTULOS DE RENDA FIXA" já contempla a receita efetiva auferida pela instituição no período, conforme disposto no Plano Contábil das Instituições do SFN COSIF Capítulo 2, Seção 2.2, Função e Funcionamento das Contas; 5.14. Que deve ser atribuído tratamento especial às despesas de obrigações por empréstimos e repasses, uma vez que parte destas despesas são devidas a instituições financeiras do sistema cooperativo. Assim, a partir da Escrituração Contábil Digital ECD apresentada extraiuse planilha (fl. 162) identificando estes valores para cada período de apuração. Devidamente intimada, a interessada confirmou os valores apurados a partir da ECD e apresentou as planilhas de fls. 167 e 168 com a segregação dos valores lançados na linha “Despesas de Obrigações de Empréstimos e Repasses” indicados nas respectivas DIPJ em “Operações de Mercado” e “com Cooperado”; 5.15. Que as tabelas a seguir elaboradas pela fiscalização (fls. 198/199) demonstram os ajustes efetuados para cada um dos anoscalendário analisados: ANO CALENDÁRIO 2005 AC 2005 TOTAL DIPJ COOPERADO NÃO COOPERADO despesas de depósitos de aviso prévio 13.366.619,88 13.366.619,88 despesas de depósitos a prazo despesas de obrigações por empréstimos e repasses 6.358.971,34 381.894,78 5.977.076,56 DESPESAS DE ATIVIDADES FINANCEIRAS 19.725.591,22 13.748.514,66 5.977.076,56 rendas de adiantamentos a depositantes 176.707,98 176.707,98 rendas de empréstimos e títulos descontados 3.447.934,35 3.447.934,35 rendas de financiamentos 17,05 17,05 rendas de financiamentos rurais 4.886.472,99 4.886.472,99 rendas de títulos de renda fixa 19.690.120,79 457.744,40 19.232.376,39 recuperação de créditos baixados como prejuízo rendas de repasses interfinanceiros 31.619,44 31.619,44 RECEITAS DA ATIVIDADE FINANCEIRA 28.232.872,60 9.000.496,21 19.232.376,39 Fl. 339DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16327.001506/201073 Acórdão n.º 130200.933 S1C3T2 Fl. 6 6 RESULTADO DA ATIVIDADE FINANCEIRA 8.507.281,38 (4.748.018,45) 13.255.299,83 rendas de prestação de serviços 176.127,52 176.127,52 reversão dos saldos de provisões operacionais 174.049,75 174.049,75 outras receitas operacionais 2.301.784,13 2.301.784,13 () despesas com Provisões para Operações de Crédito* (415.770,36) (415.770,36) () demais despesas operacionais rateáveis* (6.030.482,30) (1.922.487,09) (4.107.995,21) () total despesas operacionais* (6.446.252,66) (2.338.257,45) (4.107.995,21) LUCRO OPERACIONAL 4.712.990,12 (4.434.314,50) 9.147.304,62 RESULTADO NÃO OPERACIONAL 30.182,00 30.182,00 SOBRA/LUCRO DO EXERCÍCIO 4.743.172,12 (4.434.314,50) 9.177.486,62 ANO CALENDÁRIO 2006 AC 2006 TOTAL DIPJ COOPERADO NÃO COOPERADO despesas de depósitos de aviso prévio 14.775.055,55 14.775.055,55 despesas de depósitos a prazo - despesas de obrigações por empréstimos e repasses 10.145.515,39 655.955,47 9.489.559,92 DESPESAS DE ATIVIDADES FINANCEIRAS 24.920.570,94 15.431.011,02 9.489.559,92 rendas de adiantamentos a depositantes 156.310,29 156.310,29 rendas de empréstimos e títulos descontados 3.323.974,99 3.323.974,99 rendas de financiamentos 232,94 232,94 rendas de financiamentos rurais 8.207.916,51 8.207.916,51 rendas de títulos de renda fixa 16.082.993,02 16.082.993,02 recuperação de créditos baixados como prejuízo - rendas de repasses interfinanceiros 23.401,85 23.401,85 RECEITAS DA ATIVIDADE FINANCEIRA 27.794.829,60 11.711.836,58 16.082.993,02 RESULTADO DA ATIVIDADE FINANCEIRA 2.874.258,66 (3.719.174,44) 6.593.433,10 rendas de prestação de serviços 263.49,1,28 263.491,28 reversão dos saldos de provisões operacionais 862.790,68 862.790,68 outras receitas operacionais 8.471.542,43 8.471.542,43 () despesas com Provisões para Operações de Credito* (640.985,22) (640.985,22) () demais despesas operacionais rateáveis* (5.626.040,46) (2.370.630,34) (3.255.410,12) () total despesas operacionais* (6.267.025,68) (3.011.615,56) (3.255.410,12) LUCRO OPERACIONAL 6.205.057,37 2.867.034,39 3.338.022,98 RESULTADO NÃO OPERACIONAL 96.460,38 96.460,38 SOBRA/LUCRO DO EXERCÍCIO 6.301.517,75 2.867.034,39 3.434.483,36 * DESPESAS OPERACIONAIS INDIRETAS RATEADAS CONFORME DISPOSTO NO PN CST 73/75. 5.16. Que os valores a serem tributados pelo IRPJ e CSLL decorrentes da apuração do lucro real com os ajustes promovidos e demonstrados nos exercícios de 2006 e 2007, anoscalendário de 2005 e 2006, é de, respectivamente, R$9.177.486,62 e R$3.434.483,36. 6. Inconformada com a exigência, a interessada interpôs a petição de fls. 205/234, na qual alega, em síntese, o seguinte: 6.1. Preliminarmente, requer seja declarada a nulidade do lançamento fiscal, uma vez que o mesmo desrespeitaria cláusula formal constante no artigo 142 do CTN, baseado no seguinte: Fl. 340DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16327.001506/201073 Acórdão n.º 130200.933 S1C3T2 Fl. 7 7 6.1.1. Porque o ajuste da base de cálculo realizada pela fiscalização teria majorado o tributo, por não deduzir das rendas de título de renda fixa as correspondentes despesas de depósito de aviso prévio que delas se originam, que são dedutíveis, tal como previsto no Regulamento do Imposto de Renda (artigo 226, inciso I, do RIR), incorrendo desta forma, independentemente do conceito de ato cooperativo ou não, na violação do disposto no artigo 142 do CTN; 6.1.2. Porque a incidência do IRPJ e da CSLL sobre as rendas de títulos de renda fixa na cooperativa implica bitributação sobre o mesmo fato imponível, considerando que os depósitos de aviso prévio são dos cooperados e que a aplicação dos mesmos junto ao mercado financeiro visa remunerar o capital deste cooperado, que já sofre a incidência do Imposto de Renda na Fonte sobre os juros pagos, os quais são os mesmos juros remunerados à cooperativa pela renda fixa nas instituições bancárias privadas. A renda é do cooperado, e não da cooperativa, já que a cooperativa não obtém qualquer sobra ou lucro sobre tais movimentações financeiras, mesmo tratandose de aplicações pela cooperativa junto ao mercado financeiro; 6.2. Que é improcedente o lançamento fiscal, uma vez que a base de apuração do lucro real é trimestral e o auto de infração foi lavrado pelo regime anual. Entende a interessada que desde a entrada em vigor da Lei n º 9.430/96 tornouse direito subjetivo do contribuinte escolher a forma de apuração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, sendo certo que não efetuou a opção pela apuração anual, visto não ter efetuado o pagamento da estimativa de janeiro, que seria a forma de opção pela apuração anual prevista na Lei. Assim, jamais poderia a fiscalização, ao perpetrar o lançamento do tributo, exercer tal escolha sponte própria, mesmo porque a variação de regime importa em significativas alterações na base de cálculo do tributo; 6.3. Que, de forma subsidiária ao argumento formulado no item anterior e seguindo o raciocínio acima descrito a respeito da tributação trimestral, alega a interessada que estaria atingido pela decadência o lançamento referente aos três primeiros trimestres do anocalendário 2005, haja vista que somente tomou ciência do auto de infração no dia 30/11/2010; 6.4. Que é improcedente o lançamento, porque toda a movimentação financeira das cooperativas de crédito, incluindo a captação de recursos, a realização de empréstimos aos cooperados bem como a efetivação de aplicações financeiras no mercado, constitui ato cooperativo, nos termos da remansosa jurisprudência do STJ, seguida administrativamente pelo CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e pela Câmara Superior. Complementa dizendo que a doutrina utilizada bem como a súmula 262/2002 do STJ esboçam interpretação jurídica acerca do "ato cooperativo" e seu alcance, em se tratando de "cooperativas de produção", que não é o seu caso; 6.5. Que a multa deve ser reduzida o patamar máximo de 20%, assim como cancelada a cobrança de juros sobre a multa. A 6ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro I / RJ analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1237.349, de 19/05/2011 (fls. 308/321), considerou improcedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Exercício: 2006, 2007 Fl. 341DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16327.001506/201073 Acórdão n.º 130200.933 S1C3T2 Fl. 8 8 COOPERATIVAS. APLICAÇÕES FINANCEIRAS. TRIBUTAÇÃO DAS OPERAÇÕES COM NÃO COOPERADOS. As aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas de crédito em outras instituições financeiras, não cooperativas, se caracterizam como atos não cooperativos, incidindo o imposto de renda sobre o resultado positivo obtido pela cooperativa nessas operações. Descabe exigência de crédito tributário, entretanto, quando os custos e as despesas dos atos não cooperativos são superiores às receitas advindas de tais atos, gerando prejuízo nas operações com não cooperados. Como o sujeito passivo foi exonerado de crédito tributário em valor superior ao limite de alçada (R$ 1.000.000,00), a Turma Julgadora recorreu de ofício a este Colegiado. À época, esse procedimento era disciplinado pelo art. 34 do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações introduzidas pela Lei nº 9.532/1997, e, ainda, pela Portaria MF nº 3/2008. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator Quanto à admissibilidade do recurso de ofício, devese ressaltar o teor do art. 1º da Portaria MF nº 3, de 03/01/2008, publicada no DOU de 07/01/2008, a seguir transcrito: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). No caso em tela, ao somar os valores correspondentes a tributo e multa afastados em primeira instância (fl. 01), verifico que superam o limite de um milhão de reais, estabelecido pela norma em referência. Portanto, o recurso de ofício é cabível, e dele conheço. Quanto ao mérito, a Autoridade Julgadora em primeira instância firmou entendimento de que as operações financeiras efetuadas pela autuada com instituições do mercado financeiro, não cooperadas, não constituem ato cooperativo e estão, desta forma, sujeitas à incidência do IRPJ e da CSLL. Não obstante, da análise das razões de impugnação, foi possível constatar que a base de cálculo apurada pelo Fisco não levou em consideração parcela expressiva das despesas incorridas com a modalidade de aplicação financeira de renda fixa denominada Depósitos de Aviso Prévio. Ao serem consideradas tais despesas, não há qualquer resultado positivo sobre o qual incida a tributação de IRPJ e CSLL, motivo pelo qual foi afastada a exigência. O seguinte excerto do voto condutor do acórdão recorrido é elucidativo quanto aos fundamentos adotados, e peço vênia para transcrevêlo: Fl. 342DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16327.001506/201073 Acórdão n.º 130200.933 S1C3T2 Fl. 9 9 11. Da apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL: 11.1. A interessada contesta o valor tributável apurado na auditoria fiscal, alegando que o ajuste da base de cálculo teria majorado o tributo, por não deduzir das rendas de título de renda fixa as correspondentes despesas de depósito de aviso prévio que delas se originam, que seriam dedutíveis, tal como previsto no Regulamento do Imposto de Renda (artigo 226, inciso I, do RIR). 11.2. A matéria foi previamente suscitada no Termo de Verificação Fiscal, no qual a fiscalização justifica que não deduziu as despesas de intermediação financeira decorrentes de captação de recursos junto ao mercado de capitais na apuração de resultado das atividades com não cooperados, por entender que os valores lançados na rubrica 7.1.5.10.000 "RENDAS DE TÍTULOS DE RENDA FIXA" já contemplaria a receita efetiva auferida pela instituição no período, conforme disposto no Plano Contábil das Instituições do SFN COSIF Capítulo 2, Seção 2.2, Função e Funcionamento das Conta. 11.3. Sobre o Depósito de Aviso Prévio – DAP, em particular, é certo que o mesmo é semelhante à aplicação CDB de Longo Prazo oferecida no mercado financeiro. Seu objetivo principal é possibilitar a renovação de aplicações sem a correspondente passagem do resgate pela conta corrente com conseqüente recolhimento de IOF/CPMF. Tratase de uma aplicação a prazo, inicialmente fixado para 360 dias, com repacto periódico de taxas. É, portanto, modalidade de aplicação de renda fixa. 11.4. Segundo o Plano Contábil das Instituições do SFN – COSIF, a conta “7.1.5.10.000 RENDAS DE TÍTULOS DE RENDA FIXA" teria como função registrar as rendas de títulos de renda fixa, que constituam receitas efetivas da instituição no período, e seu funcionamento se daria pelo creditamento pelo valor das rendas auferidas, recebidas ou não, sendo debitadas por ocasião do balanço, para apuração do resultado. 11.5. Por sua vez, o Plano Contábil das Instituições do SFN também contempla a conta “8.1.1.25.007 DESPESAS DE DEPÓSITOS DE AVISO PRÉVIO”, indicando que se refere a despesa de captação de recursos cuja função é a de registrar as despesas de depósitos de aviso prévio no período, que constituam custo efetivo da instituição. Seu funcionamento, ainda segundo o Cosif, seria de ser debitada pelo valor das despesas incorridas, pagas ou não, de conformidade com o Regime de Competência, sendo creditada por eventuais estornos, de conformidade com as NBC Normas Brasileiras de Contabilidade e com o previsto no art. 2º do DecretoLei 486/69 (art. 269 do RIR/99) e por ocasião do balanço, para apuração do resultado. 11.6. A motivação da fiscalização para não deduzir as despesas relacionadas a depósitos de aviso, ao apurar o resultado das operações com títulos de renda fixa, seria o de que a rubrica "RENDAS DE TÍTULOS DE RENDA FIXA" já contemplaria a receita efetiva auferida pela instituição no período. Pela motivação dada pela fiscalização, depreendese que o termo “receita efetiva” foi entendido como sinônimo de receita líquida, o que me parece inadequado. 11.7. Ocorre que o termo “receita efetiva”, como esclarecido pelas notas constantes do Plano Contábil das Instituições do SFN, seriam as rendas auferidas, recebidas ou não, e, ademais, a conta somente seria debitada por ocasião do encerramento do resultado. Não há qualquer referência no Cosif de que o saldo da conta representaria a receita líquida, já descontado das despesas relacionadas, Fl. 343DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16327.001506/201073 Acórdão n.º 130200.933 S1C3T2 Fl. 10 10 mesmo porque a conta não deve ser debitada no valor dos custos ou despesas relacionados às receitas, mas somente quando do encerramento do resultado. 11.8. A interessada deixou evidente seu entendimento de que as receitas efetivas auferidas com renda fixa não deve ser considerada a receita líquida, pois ao apurar o resultado do anocalendário de 2005 (Ficha 06B da DIPJ/2006 fl. 110) havia informado na linha 11 as rendas de títulos de renda fixa do anocalendário de 2005 no valor de R$19.690.120,79 e deduzido na linha 34 da mesma Ficha 06B as despesas de atividades financeiras no valor de R$19.725.591,22, sendo certo que no valor das despesas financeiras ali deduzido está embutido o valor de R$13.366.619,88, correspondente às despesas de depósitos de aviso prévio, conforme detalhamento das despesas financeiras constante da Ficha 04B da DIPJ/2006, à fl. 108. 11.9. Procedeu a interessada da mesma forma no anocalendário de 2006, informando na linha 11 da Ficha 06B da DIPJ/2004 as rendas de títulos de renda fixa no valor de R$16.082.993,02 e deduzindo na linha 34 da mesma Ficha 06B as despesas de atividades financeiras no valor de R$24.920.570,94, no qual já está considerado o valor de R$14.775.055,55, correspondente às despesas de depósitos de aviso prévio, segundo composição das despesas financeiras constante da Ficha 04B da DIPJ/2007, à fl. 108. 11.10. Considerando que a DIPJ, até prova em contrário, é mera transcrição da escrituração do contribuinte, vale citar os artigos 923 e 924 do RIR/99, segundo os quais a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte, cabendo à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos nela registrados. 11.11. Assim, além da pouco convincente motivação dada pela fiscalização de que a rubrica "RENDAS DE TÍTULOS DE RENDA FIXA" já contemplaria a receita líquida auferida, também não foi apresentada qualquer prova por parte da fiscalização de que a interessada teria registrado indevidamente as despesas de depósitos de aviso prévio na apuração do resultado do exercício. 11.12. Neste sentido, considerando que todas as receitas advindas de aplicações em títulos de renda fixa foram atribuídas pela fiscalização como decorrentes de operações com não cooperados, temse que as despesas também relacionadas a operações com títulos de renda fixa devem ser abatidas das receitas correlatas, e seu valor integralmente deduzido na apuração do resultado com não cooperados. 11.13. Procedendo desta forma, tanto nos anoscalendário de 2005 e 2006 devese diminuir dos valores tributáveis apurados pela fiscalização (R$9.177.486,62 em 2005 e R$3.434.483,36 em 2006) as despesas de depósitos de aviso prévio dos respectivos períodos (R$13.366.619,88 em 2005 e R$14.775.055,55 em 2006), o que resulta, em ambos períodos de apuração analisados, em prejuízos nas operações com não cooperados. 11.14. Por óbvio, se da apuração de operações com não cooperados não resulta valor tributável, não há que se exigir qualquer valor a título de crédito tributário devido a título de IRPJ ou CSLL. Não faço reparos ao quanto decidido em primeira instância. Demonstrado que o resultado de operações com não cooperados, sujeito à incidência tributária, foi influenciado por despesas que não foram levadas em conta no levantamento do Fisco, e que, ao serem Fl. 344DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16327.001506/201073 Acórdão n.º 130200.933 S1C3T2 Fl. 11 11 consideradas tais despesas, não resta base tributável, correta a decisão que afastou as exigências. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. Waldir Veiga Rocha Fl. 345DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA
score : 1.0
Numero do processo: 15374.903551/2008-11
Data da sessão: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Exercício: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSTOS RECOLHIDOS DIANTE DA INOVAÇÃO NO SISTEMA JURÍDICO POSITIVO APÓS IMUNIDADE RECONHECIDA POR DECISÃO JUDICIAL. É ponto pacífico na jurisprudência e nos precedentes desse CARF que a coisa julgada não obsta que lei nova possa reger a matéria em termos diversos do disposto em decisão judicial, o que implicaria, inarredavelmente, em desrespeito ao sistema de freios e contrapesos decorrente da tripartição dos poderes.
Numero da decisão: 1301-000.550
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1505; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.903551/200811 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 130100.550 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de maio de 2011 Matéria Compensação Recorrente Fundação de Seguridade Social Brasilight Recorrida 1ª Turma DRJ Rio de Janeiro ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Exercício: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSTOS RECOLHIDOS DIANTE DA INOVAÇÃO NO SISTEMA JURÍDICO POSITIVO APÓS IMUNIDADE RECONHECIDA POR DECISÃO JUDICIAL. É ponto pacífico na jurisprudência e nos precedentes desse CARF que a coisa julgada não obsta que lei nova possa reger a matéria em termos diversos do disposto em decisão judicial, o que implicaria, inarredavelmente, em desrespeito ao sistema de freios e contrapesos decorrente da tripartição dos poderes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Presidente. (assinado digitalmente) EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR – Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 21/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/07/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri, Paulo Jackson da Silva Lucas, Waldir Weiga Rocha, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada, contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro/RJ. Versa o presente processo sobre o PER/DCOMP n° 18742.29751.150604.1.3.047204 (fls. 1/7)., do qual resultou o Despacho Decisório de folha 06, que diante da verificada inexistência do crédito apontado pela recorrente não homologou a compensação declarada. Devidamente notificada, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando em síntese que o crédito indicado decorria de pagamento realizado por equívoco, em face da coisa julgada (trânsito em julgado em 22/08/1991) proferida no Mandado de Segurança no qual se reconheceu sua imunidade à incidência de todos os impostos, tendo direito, na forma da legislação, à utilização de créditos decorrentes de pagamentos indevidos, acrescidos de taxa Selic. A 1ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro/RJ indeferiu a solicitação fundamentando, em resumo, que a recorrente não teria comprovado ser indevido o pagamento com base no qual alega ser detentor de direito creditório. Devidamente notificada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, argumentando que seria imune conforme reconhecido por provimento jurisdicional transitado em julgado e, portanto, os pagamentos efetivados foram flagrantemente indevidos, dando lastro às restituições/compensações pleiteadas. É o relatório. Voto Conselheiro EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de admissibilidade, admitoo para julgamento. Cuidase como visto, de apresentação de DCOMPs cujo crédito seria oriundo de pagamentos efetivados indevidamente porquanto a recorrente, na qualidade de ente imune, pagou impostos à União. Argumentou a recorrente que a referida imunidade teria sido reconhecida por provimento jurisdicional transitado em julgado, decorrendo daí, diante de pagamento espontâneo de impostos, o seu direito creditório. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 21/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/07/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE Processo nº 15374.903551/200811 Acórdão n.º 130100.550 S1C3T1 Fl. 2 3 A decisão recorrida, reportandose aos fundamentos também contidos no Despacho Decisório, refutou o crédito pleiteado já que os recolhimentos foram efetivados pela recorrente espontaneamente em 2002 e decorreram das disposições contidas na MP nº 2.222, de 04 de setembro de 2001. A recorrente, por seu turno, insiste que tem reconhecida a imunidade por decisão judicial transitada em julgado, e diante disso, ainda que tenha efetivado os recolhimentos, esses se revestiriam de caráter de “tributo pago indevidamente”. Temse, portanto, que o deslinde do caso concreto passa necessariamente pelo cotejo dos efeitos da norma individual e concreta obtida pela recorrente. Inegavelmente (“vide” documentos de folhas 35 a 52 – cópias do processa judicial, incluindo certidão de trânsito em julgado), a recorrente obteve do Poder Judiciário, posicionamento no qual se assinalou que entidades fechadas de previdência privada (como seu caso), embora cobrando dos seus associados contribuições mensais a título de remuneração pelos serviços prestados, gozam de imunidade tributária. Por essa razão é que se reafirma que o enfrentamento da questão da recorrente deve ser realizado à luz da eficácia das decisões do Poder Judiciário, já que não se discute a efetividade dos pagamentos, como também não se discute o mandamento legal que impôs a superveniente obrigação à recorrente, tampouco, a mudança de posicionamento do Supremo Tribunal Federal acerca das entidades fechadas de previdência. Relembrese, portanto, que o óbice encontrado pela decisão recorrida consiste no fato de o Supremo Tribunal Federal, em caso alheio ao processo da ora recorrente, ter decidido que as entidades de previdência privada não gozavam da imunidade de impostos de que trata a alínea "c" do inciso VI do art. 150 da CF (sendo este o fundamento da imunidade da recorrente), e que a lei inovadora não encontra limites na sua eficácia em razão de decisão judicial anterior, evitando eternizarse os efeitos da coisa julgada. Tem razão a decisão recorrida. Por óbvio não se olvida que em determinado período, cotejando a legislação e a jurisprudência que vigoravam, a recorrente obteve do Poder Judiciário declaração de ser ente imune, ocorre, que também na se pode olvidar, que o quadro normativo vigente, as leis que regem a matéria e o posicionamento do Poder Judiciário, evoluíram para os fins de obrigar a recorrente, ao pagamento do imposto tido por ela como indevido. Confirase, nesse propósito, o teor do artigo 1º da Medida Provisória nº 2.222/2001, convertida na Lei nº 11.053/2004, e cuja disciplina hospedou os recolhimentos efetivados pela ora recorrente, in verbis: Art. 1º A partir de 1º de janeiro de 2002, os rendimentos e ganhos auferidos nas aplicações de recursos das provisões, reservas técnicas e fundos de entidades abertas de previdência complementar e de sociedades seguradoras que operam planos de benefícios de caráter previdenciário, ficam sujeitos à incidência do imposto de renda de acordo com as normas de tributação aplicáveis às pessoas físicas e às pessoas jurídicas nãofinanceiras. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 21/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/07/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE 4 Parágrafo único. O imposto correspondente à parcela do rendimento ou ganho apropriada ao participante ou assistido pelo plano não pode ser compensado com qualquer imposto ou contribuição devido pelas pessoas jurídicas referidas neste artigo ou pela pessoa física participante ou assistida. Como bem observou a decisão recorrida, a recorrente gozou incontinente da reconhecida imunidade, até que sobreveio alteração no sistema jurídico vigente, fato que a obrigou ao pagamento do imposto, como de fato o fez nos recolhimentos por ela considerados, posteriormente, como se indevidos fossem. Ademais, é ponto pacífico na jurisprudência e nos precedentes desse CARF que a coisa julgada não obsta que lei nova possa reger a matéria em termos diversos, o que implicaria, inarredavelmente, em desrespeito ao sistema de freios e contrapesos decorrente da tripartição dos poderes. Dito isso, verificase que os pagamentos realizados pela recorrente, não se revestem do caráter de “pagamento indevido”, motivo pelo qual, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 25 de maio de 2011 (assinado digitalmente) EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 21/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/07/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE
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Numero do processo: 18471.000318/2005-22
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2009
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano calendário:2000
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PRECLUSÃO MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na impugnação, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72, na redação dada pela Lei 9.532/97, operando-se
a preclusão.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:2000
LANÇAMENTO DE OFÍCIO PENALIDADE MULTA DE OFÍCIO.
Tratando-se de lançamento de ofício, nos termos do art. 44, I, da Lei 9.430/96 é cabível a multa de ofício de 75%.
Numero da decisão: 1402-000.065
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, não conhecer do
recurso em relação à discussão sobre o arbitramento do lucro, por preclusão, e no mérito negar provimento ao recurso. Ausente momentaneamente o Conselheiro Marcos Shigueo Takata.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Albertina Silva Santos de Lima
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Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na impugnação, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72, na redação dada pela Lei 9.532/97, operandose a preclusão. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 LANÇAMENTO DE OFÍCIO PENALIDADE MULTA DE OFÍCIO. Tratandose de lançamento de ofício, nos termos do art. 44, I, da Lei 9.430/96 é cabível a multa de ofício de 75%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso em relação à discussão sobre o arbitramento do lucro, por preclusão, e no mérito negar provimento ao recurso. Ausente momentaneamente o Conselheiro Marcos Shigueo Takata. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima – Presidente e Relatora Fl. 1DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 16/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 18471.000318/200522 Acórdão n.º 140200.065 S1C4T2 Fl. 180 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Albertina Silva Santos de Lima, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Ana de Barros Fernandes, Marcos Shigueo Takata, José Ricardo da Silva e Carmen Ferreira da Silva. Relatório Tratase de recurso voluntário contra a decisão da 6ª Turma da DRJ Rio de Janeiro I, que considerou procedentes os lançamentos do IRPJ e CSLL do anocalendário de 2000. Conforme Termo de Constatação Fiscal de fls. 92/93, a contribuinte não apresentou o Livro de Registro de Inventário dos produtos em elaboração e produtos acabados, informou não ter escriturado o Livro mencionado e não possui sistema de apuração de custo integrado com a contabilidade, o que segundo a fiscalização inviabilizou a manutenção do lucro real como base de cálculo do imposto de renda, em razão de o lucro líquido não poder ser apurado corretamente, impondose o arbitramento do lucro com base nas receitas constantes da DIPJ. A base legal para o arbitramento é o art. 530, III, do RIR/99. Na impugnação, a contribuinte não se contrapôs ao arbitramento do lucro, discordou da multa de 75% e dos juros de mora calculados pela taxa selic e pediu prazo levandose em conta a capacidade e viabilidade de pagamento para o parcelamento da dívida, e pediu uma reunião para que as partes pudessem conciliar em relação à multa. A ciência da decisão de primeira instância foi dada em 13.09.2006 e o recurso foi apresentado em 13.10.2006. No recurso, a contribuinte discute o arbitramento do lucro. Argumenta que sua contabilidade atende ao disposto nas Resoluções 563/83 e 597/85 do Conselho Federal de Contabilidade, razão pela qual sua contabilidade não poderia ser descartada ante a ausência de um dos livros obrigatórios; que sua contabilidade é hábil para prestar as informações à fiscalização, tanto que os autos foram lavrados com base nas informações da DIPJ; argumenta que a fiscalização utilizouse de dois pesos e duas medidas porque não aproveitou a contabilidade para apurar a correção dos lançamentos efetuados com base no lucro real, mas aproveitoua para apurar as receitas e impor o arbitramento do lucro, o que feriria o princípio da isonomia e da busca da verdade material. Cita o art. 846 e §§ 1º a 4º do RIR/99, para concluir que a legislação do imposto de renda determina que em caso de arbitramento, o lançamento deve ser feito considerandose as receitas após as deduções legalmente autorizadas, mas que a fiscalização não procedeu a qualquer dedução, implicando em base de cálculo dissociada da realidade, com afronta ao art. 43 do CTN. Requer, caso o colegiado não fique convencido desses argumentos que seja o recurso baixado em diligência para que seja procedida nova fiscalização, com o objetivo de aferição do lucro, mesmo sem o Livro Registro de Inventário, em homenagem ao princípio da Fl. 2DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 16/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 18471.000318/200522 Acórdão n.º 140200.065 S1C4T2 Fl. 181 3 verdade material, para verificar se houve a ocorrência do fato gerador (142 do CTN), em observação ao princípio da estrita legalidade (art. 5º, II, c/c art. 150, I, da CF/88). Acrescenta que o lançamento tem natureza de declaração e como tal, pode apenas declarar algo realmente ocorrido, o que não comportaria presunções, principalmente em se tratando de tributo, exigível apenas em decorrência da lei. Salienta que para que seja possível o arbitramento do lucro de determinada empresa é necessário que a mesma tenha desrespeitado algumas normas contábeis/fiscais, de modo a tornar impossível a verificação por parte do fisco de qual foi a real base de cálculo utilizada para a apuração de determinado tributo, o que não seria o presente caso, uma vez que apenas deixou de apresentar o Livro Registro de Inventário e não, os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, de que trata o art. 530, III, do RIR/99. Ademais o fisco poderia ter feito a fiscalização com base nos demais livros e documentos apresentados e poderia ter colhido informações junto à entidade de classe da qual faz parte a recorrente, ou seja, SIMEFRE – Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviários e Rodoviários, que disponibiliza em seu site, o índice de custo padrão por período. Salienta que o Conselho já se manifestou no sentido de aceitar essa informação (acórdão 10247.475, IRPF), mas que a fiscalização ignorou toda a contabilidade, para arbitrar o lucro, de forma contrária ao princípio da verdade material. Cita jurisprudência. Destaca que os valores apurados pelo fisco para o arbitramento do lucro são exorbitantes e que no anocalendário objeto do lançamento a empresa encerrou o exercício com perdas. Argumenta que não pretende com tais alegações demonstrar a ilegalidade pura e simples do arbitramento do lucro da empresa e da conseqüente base de cálculo para apuração do imposto de renda, visando, simplesmente, não arcar com qualquer tributo apesar de devido, segundo entendimento do fisco, mas sim demonstrar que o declarado é a mais estrita realidade, devendo ser considerados os dados constantes da DIPJ para apuração de qualquer tributo. Também discute a ofensa ao direito de propriedade, em razão do lançamento da multa de 75%. Argui que a CF proíbe a utilização de tributos com efeito confiscatório (art. 150) e que esse princípio também está assegurado pelo art. 5º, XXII, e pelo art. 170, II, da CF. Salienta que atribuir à recorrente o pagamento de multa de 75% afronta também o direito de propriedade, e que ademais, após cinco anos de estabidade econômica do País, cuja inflação anual sequer chega a dois dígitos, significa que atribuise à exigência em combate o efeito confiscatório. Cita doutrina. Aduz que mesmo sob o enfoque do direito constitucional positivo, moralidade, pelo menos a administrativa, e justiça, não podem ser mais desconsiderados, uma vez que expressas no texto da CF, a primeira no art. 37 e a segundo no art. 3º. Diz que nos dias presentes o jurista, se quiser continuar jurista e não se converter em um emasculado repetidor da lei, deve mergulhar de cabeça nas questões atinentes à justiça, que não pode mais ser ignorada no exame da juricidade das normas. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 16/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 18471.000318/200522 Acórdão n.º 140200.065 S1C4T2 Fl. 182 4 Finaliza esse tópico, fazendo as seguintes considerações: (i) o princípio da vedação ao confisco tem como fundamento, em primeiro lugar, a proteção ao direito de propriedade, e em segundo a concretização da justiça fiscal; (ii) a lei reguladora de exigência fiscal, que não levar em conta o princípio da vedação ao confisco é injusta, (iii) pode lei injusta, por força do art. 3º, I, da CF ser inconstitucional, (iv) é inconstitucional a lei reguladora de exigência de fiscal que não observa o princípio da vedação ao confisco. Com base nessas considerações requer que a multa seja reduzida para os patamares da multa de mora, por ser no grau em que se encontra, confiscatória. Também discute a aplicação dos juros de mora com base na taxa selic. Argumenta ser incontestável o seu direito à utilização de juros de mora de 1% ao mês para atualização de seus débitos, pois a taxa selic que a lei pretende equiparar a juros moratórios, possui natureza remuneratória, e a sua utilização desobedece a regra contida nos art. 161, § 1º do CTN, 150, I, e 192, § 3º da CF. Cita jurisprudência judicial. Em síntese, pede: a) que o auto de infração seja considerado nulo, porque não teria se configurado a hipótese de arbitramento e que a fiscalização tinha outros meios para apurar os tributos combatidos; b) Se não for esse o entendimento do colegiado, requer seja o presente recurso baixado em diligência para aferir o IRPJ e CSLL devidos pelo lucro real, na medida em que a contabilidade da recorrente permitiria aferir tais informações; c) caso não sejam acatados os pedidos anteriores, requer a redução da multa aplicada de 75% para 20%, tendo em vista que à recorrente não deve ser imputada a penalidade tão alta; d) requer a substituição da taxa de juros com base na selic para juros de 1% ao mês, nos termos do art. 161, § 1º do CTN. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 16/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 18471.000318/200522 Acórdão n.º 140200.065 S1C4T2 Fl. 183 5 Voto Conselheira Albertina Silva Santos de Lima, Relatora O recurso atende às condições de admissibilidade e deve ser conhecido. Tratase de lançamento do IRPJ e CSLL do anocalendário de 2000. A contribuinte não escriturou o Livro Registro de Inventário dos produtos em elaboração e produtos acabados, e não possuía sistema de apuração de custo integrado com a contabilidade, o que segundo a fiscalização, teria inviabilizado a manutenção do lucro real como base de cálculo do imposto de renda, visto que o lucro líquido não poderia ser apurado corretamente, impondose o arbitramento do lucro com base nas receitas constantes da DIPJ. Na impugnação, a contribuinte discute a aplicação da multa de ofício por falta de proporcionalidade e razoabilidade e a exigência dos juros de mora calculados com base na taxa selic. Já no recurso, discute essas matérias e também o arbitramento do lucro. Vejamos o seguintes trecho de sua impugnação: (...) A empresa está, aos poucos, recuperando seus arquivos e refazendo sua contabilidade. A falta de pessoal habilitado e preparado decorreu desses problemas, ora aduzidos. Basta verificar que, o Sistema de Custos era feito, insatisfatoriamente, de forma rudimentar, tudo isso, em função da crise, ora historiada. Assim, a convicção é de que, o Sistema de apuração de Custos integrado com a Contabilidade inviabilizou a apuração do Lucro Real. Ao final da impugnação requereu: a) desconsideração das PENALIDADES aplicadas; b) concessão de prazo, considerando a capacidade e viabilidade de pagamento, para o parcelamento da dívida; c) designação de uma reunião especial ou audiência, nos moldes do judiciário, para que as partes possam conciliar em relação à MULTA (PENALIDADES), podendo dirimir o conflito estabelecido. Portanto, não há dúvidas de que nos termos art. 17 do Decreto 70.235/72, na redação dada pela Lei 9.532/97, ocorreu a preclusão quando à discussão sobre o arbitramento do lucro, o que abrange o pedido de diligência para aferimento do IRPJ e CSLL devidos pelo lucro real. Conseqüentemente, tratase de matéria que não deve ser conhecida. Quanto à discussão sobre a redução da multa de ofício de 75% para 20% (multa de mora), tratandose de lançamento de ofício, nos termos do art. 44, I, da Lei 9.430/96 é cabível a multa de 75%. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 16/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 18471.000318/200522 Acórdão n.º 140200.065 S1C4T2 Fl. 184 6 Quanto ao seu argumento de que na aplicação da multa de 75% estaria configurado o efeito de confisco e a inconstitucionalidade de lei, e em relação ao argumento de inconstitucionalidade de lei, na discussão sobre a exigência da taxa selic, cabe aplicar a súmula nº 2 do 1º CC. Súmula 1ºCC nº 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ainda em relação à discussão sobre a taxa de juros calculada com base na taxa selic, de que deveria ser aplicada a taxa de juros de 1% ao mês, cabe aplicar a súmula nº 4 do 1º CC. Súmula 1º CC nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Do exposto, oriento meu voto para não conhecer do recurso em relação à discussão sobre o arbitramento do lucro, por preclusão, e no mérito negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Fl. 6DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 16/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 10880.022929/99-16
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2002
Numero da decisão: 202-00.436
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, declinar competência ao Terceiro Conselho de Contribuintes para o julgamento do recurso, em razão da matéria.
Nome do relator: Gustavo Kelly Alencar
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Numero do processo: 10580.721984/2008-00
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. IRRF.
Constatado que sobre os rendimentos percebidos incidiu o IRRF, este deve ser considerado para fins de apuração do imposto devido.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-005.660
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para fins de que seja realizado o recálculo do imposto de renda devido, tendo em vista a retenção de imposto de renda constatada.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. IRRF. Constatado que sobre os rendimentos percebidos incidiu o IRRF, este deve ser considerado para fins de apuração do imposto devido. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para fins de que seja realizado o recálculo do imposto de renda devido, tendo em vista a retenção de imposto de renda constatada. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo - Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 814; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 1.816 1 1.815 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.721984/200800 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402005.660 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 08 de fevereiro de 2017 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente AUGUSTO JOSE JOAQUIM DE SANTANA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. IRRF. Constatado que sobre os rendimentos percebidos incidiu o IRRF, este deve ser considerado para fins de apuração do imposto devido. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 19 84 /2 00 8- 00 Fl. 143DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para fins de que seja realizado o recálculo do imposto de renda devido, tendo em vista a retenção de imposto de renda constatada. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10580.721984/200800 Acórdão n.º 2402005.660 S2C4T2 Fl. 1.817 3 Relatório Examinase recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador (BA) DRJ/SDR, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), relativo ao ano calendário 2005. Tratandose de retorno de diligência, peço a devida vênia para reproduzir o seguinte trecho do relatório da Resolução que demandou tal feito: A autuação decorreu de omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude processo trabalhista movida contra a Petrobrás, bem como de compensação indevida a título de IRRF. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 02 a 04, 61 e 62), alegando, em apertada síntese, que não recebeu a integralidade dos rendimentos tributáveis considerados omitidos no lançamento no anocalendário 2005. Ponderou que parcelas foram recebidas nos anos de 2001 e 2004. A 3ª Turma/DRJSalvador/BA, conforme acórdão de fls. 75 a 78, analisando os argumentos e elementos de prova trazidos aos autos pelo contribuinte, julgou parcialmente procedente o lançamento, eis que entendeu que os rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual recebidos no anocalendário 2005 foram aqueles declarados. Por outro lado, ponderou que, no exercício em exame, não era cabível a compensação de IRRF incidente sobre os valores recebidos em decorrência da ação judicial. Assim, restou mantida a glosa de compensação indevida do IRRF, porém com a redução da multa de ofício (75%) para a multa de mora (20%). Cientificado da decisão de primeira instância em 05/05/2009 (fls. 79), o contribuinte apresentou, em 29/05/2009, o Recurso de fls. 80 e 81, solicitando, em síntese, que o lançamento seja revisto. Argumenta que, se nos documentos 8, 9 e 10 (fls. 87, 88 e 83, respectivamente. Cópias dos documentos de fls. 28, 29 e 22, respectivamente) o saldo remanescente foi corrigido monetariamente, acrescidos dos juros e calculado o desconto do imposto de renda, faria jus à compensação de IRRF proporcional à parcela recebida em 2005. Além disso, em 23/09/2008, no setor Malha Fiscal, após a análise da documentação apresentada, foi excluída a parcela de FGTS da base de cálculo do imposto. Inclusive a funcionária que o atendeu informou o número do recibo da retificadora realizada: 331406049635. Este fato não foi mencionado na análise do processo. Por tal motivo, junta certidão da 2ª Vara do Trabalho de Salvador informando que diferença de FGTS foi incluída na base de cálculo do IR com reflexo no pagamento de 2005. Assim, pede que sejam considerados a compensação de IRRF proporcional à parcela recebida em 2005, devidamente corrigido, bem como o reflexo do FGTS na base de cálculo. Por fim, autoriza que saldo de imposto a restituir apurado em outras declarações sejam utilizados para abater o imposto que venha a ser apurado neste processo. Os documentos de fls. 82 a 92 são cópia de: carteira de identidade do contribuinte, alvará judicial nº 182/2005, certidão da 2ª Vara do Trabalho de Salvador, planilhas referentes à ação trabalhista e cópia do acórdão recorrido. Fl. 145DF CARF MF 4 A extinta 1ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento, expôs, na prolação da Resolução nº 2801000.037, em 24/9/2010, seu entendimento no sentido de que não houve a apresentação de documentos suficientes para corroborar as alegações recursais, decidindo, então, determinar a conversão do feito em diligência, nos seguintes termos: Portanto, a fim de formar um juízo acerca da matéria em litígio, entendo que se faz necessário que os autos retornem à DRF de origem a fim de que o interessado seja intimado: • a apresentar, no prazo de trinta dias, as cópias devidamente identificadas das planilhas de fls. 5353/5354 a que se refere a certidão de fls. 84, bem como quaisquer outras memórias de cálculo contidas no processo judicial que julgar necessárias, com o propósito de demonstrar, inequivocamente, que valor de FGTS compôs o montante percebido no anocalendário 2005; • tendo em vista a percepção de parcelas da ação judicial nos anos calendário 2001 e 2004, a informar que proporções do IRRF em decorrência da ação judicial foram compensadas nos exercícios 2002 e 2005, juntando cópias das declarações de rendimentos apresentadas ou das notificações de lançamento correspondentes; • a esclarecer a que exercício se referia ao afirmar que, em 23/09/2008, no setor Malha Fiscal, após a análise da documentação apresentada, foi excluída a parcela de FGTS da base de cálculo do imposto, juntando elemento de prova de sua alegação. Por oportuno, as informações que o interessado vier a prestar acerca de compensação do IRRF e exclusão de parcelas de FGTS nas declarações dos exercícios 2002 e 2004 devem ser ratificadas (ou retificadas) pela autoridade preparadora, após a consulta aos bancos de dados administrados pela RFB e/ou outros instrumentos de controle interno. Na hipótese de haver divergência entre as informações do contribuinte e as da repartição, o interessado deverá ser cientificado dessas divergências, reabrindose prazo para sua manifestação. Realizada tal providência, conforme documentos de fls. 118/136, e devidamente cientificado o contribuinte do resultado (fls. 137/140), retornaram os autos para prosseguimento do julgamento. É o relatório. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10580.721984/200800 Acórdão n.º 2402005.660 S2C4T2 Fl. 1.818 5 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson Relator O recurso já foi conhecido pelo CARF, motivo pelo qual passo direto ao seu exame. O Termo de Encerramento de Diligência (fls. 137/138) elaborado pela fiscalização assim concluiu acerca das questões levantadas quando da Resolução: (...) após análise da documentação apresentada pelo contribuinte em resposta à intimação datada de 19/09/2012 constatamos que: 1Nas folhas 5353/5354 do processo trabalhista nº 02660 199800205001 , fls 122 a 128 do processo impugnação nº10580.721984/200800, não há nenhuma coluna discriminando as verbas, não sendo possível afirmar se houve ou não valores referentes ao FGTS. Fazse necessário apresentar a planilha de verbas com valores discriminados mês a mês. 2 Em relação a proporção do IRRF apresentada pelo Contribuinte temos a informar que o valor líquido correto do 3º levantamento é R$2.881,94 como pode ser verificado nas fls 122 a 128 do processo impugnação citado no item 1 , passando o cálculo do IRRF ser o constante no Demonstrativo anexo a este Termo de Intimação. O contribuinte, consoante já mencionado, não apresentou divergência quanto a essas conclusões, a despeito de ter sido devidamente intimado para realizar as manifestações que entendesse cabíveis. Desse modo, não prosperam suas pretensões no que tange ao suposto reflexo do FGTS na base de cálculo da infração, à míngua de respaldo probatório. Noutro giro, temse que a omissão de rendimentos constatada, após a reforma no lançamento realizada pela instância recorrida, foi de R$ 2.854,37, correspondentes a "Rendimentos Petrobrás (parcela da ação judicial", de acordo com o demonstrativo de fl. 77, integrante da decisão guerreada. Não obstante, a fiscalização reconheceu, face à diligência efetuada, que sobre tais rendimentos houve a incidência de IRRF no montante de R$ 1.241,89 (ver fl. 138), o que deve ser levado em consideração na apuração do imposto devido. Fl. 147DF CARF MF 6 Ante o exposto, voto no sentido dar parcial provimento ao recurso voluntário para fins de que seja realizado o recálculo do imposto de renda devido, tendo em vista a retenção de imposto de renda constatada. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson. Fl. 148DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.016785/2003-35
Data da sessão: Thu Apr 15 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2001, 2002, 2003
MPF. PRORROGAÇÃO. NÃO ENTREGA AO
CONTRIBUINTE DO DEMONSTRATIVO DE EMISSÃO E
PRORROGAÇÃO. EFEITO.
A prorrogação de procedimento fiscal regulainiente cientificado
ao contribuinte dá-se mediante registro eletrônico disponível na
internet, a teor do art. 13, § 1°, da Portaria SRF n° 3.007, de 2001,
e não pela ciência ao fiscalizado. A falta de fornecimento do
Demonstrativo de Emissão e Prorrogação do Mandado de
Procedimento Fiscal não é causa de nulidade do lançamento.
MULTA POR FALTA / ATRASO NA ENTREGA DA
DECLARAÇÃO SOBRE TRANSAÇÃO IMOBILIÁRIA.
Estando o contribuinte obrigado a apresentar a Declaração sobre
Operações Imobiliárias (DOI), a falta ou a sua apresentação fora
do prazo fixado sujeita o serventuário da justiça à multa
equivalente a 0,1% ao mês ou fração sobre o valor da operação
imobiliária, limitada a 1%, observado o limite mínimo.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2201-00.633
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: JANAÍNA MESQUITA LOURENÇO DE SOUZA
1.0 = *:*
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003 MPF. PRORROGAÇÃO. NÃO ENTREGA AO CONTRIBUINTE DO DEMONSTRATIVO DE EMISSÃO E PRORROGAÇÃO. EFEITO. A prorrogação de procedimento fiscal regulainiente cientificado ao contribuinte dá-se mediante registro eletrônico disponível na internet, a teor do art. 13, § 1°, da Portaria SRF n° 3.007, de 2001, e não pela ciência ao fiscalizado. A falta de fornecimento do Demonstrativo de Emissão e Prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal não é causa de nulidade do lançamento. MULTA POR FALTA / ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO SOBRE TRANSAÇÃO IMOBILIÁRIA. Estando o contribuinte obrigado a apresentar a Declaração sobre Operações Imobiliárias (DOI), a falta ou a sua apresentação fora do prazo fixado sujeita o serventuário da justiça à multa equivalente a 0,1% ao mês ou fração sobre o valor da operação imobiliária, limitada a 1%, observado o limite mínimo. Recurso negado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-03-30T11:47:47Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-03-30T11:47:47Z; Last-Modified: 2011-03-30T11:47:47Z; dcterms:modified: 2011-03-30T11:47:47Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:505f4c85-5f26-408e-a89a-956bf18634c3; Last-Save-Date: 2011-03-30T11:47:47Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-03-30T11:47:47Z; meta:save-date: 2011-03-30T11:47:47Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-03-30T11:47:47Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-03-30T11:47:47Z; created: 2011-03-30T11:47:47Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; Creation-Date: 2011-03-30T11:47:47Z; pdf:charsPerPage: 1544; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-03-30T11:47:47Z | Conteúdo => provimento ao recurso, nos term vs d a Relat CISCO SSIS DE OLIVEIRA JÚNIOR - Presidente S2-C2T 1 Fl. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10680.016785/2003-35 Recurso n° 163.078 Voluntário Acórdão n° 2201-00.633 — 2 Câmara / l a Turma Ordinária Sessão de 15 de abril de 2010 Matéria IRPF - Ex(s).: 2001 a 2003 Recorrente CARLOS FERNANDO VICTOR BOLIVAR MOREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003 MPF. PRORROGAÇÃO. NÃO ENTREGA AO CONTRIBUINTE DO DEMONSTRATIVO DE EMISSÃO E PRORROGAÇÃO. EFEITO. A prorrogação de procedimento fiscal regulainiente cientificado ao contribuinte dá-se mediante registro eletrônico disponível na internet, a teor do art. 13, § 1°, da Portaria SRF n° 3.007, de 2001, e não pela ciência ao fiscalizado. A falta de fornecimento do Demonstrativo de Emissão e Prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal não é causa de nulidade do lançamento. MULTA POR FALTA / ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO SOBRE TRANSAÇÃO IMOBILIÁRIA. Estando o contribuinte obrigado a apresentar a Declaração sobre Operações Imobiliárias (DOI), a falta ou a sua apresentação fora do prazo fixado sujeita o serventuário da justiça à multa equivalente a 0,1% ao mês ou fração sobre o valor da operação imobiliária, limitada a 1%, observado o limite mínimo. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os mei bros do Colegiado, or unanimidade de votos, negar JA AINA MESQUITA LOURENÇO DE SOUZA - Relatora EDITADO E Participaram d p esente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Eduardo , Tadeu Farah, J\an ina Mesquita Lourenço de Souza, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Rayana Alves de Oliveira França. 2 Processo n 0 10680.016785/2003-35 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.633 Fl. Relatório 0 contribuinte foi autuado através de ação fiscal na qual apurou-se falta ou atraso na apresentação das Declarações sobre Operação Imobiliária — DOI, e correção em declarações apresentadas pelo Cartório do 3° Oficio de Registro de Imóveis de Belo Horizonte, cujo contribuinte em epígrafe é o titular, de acordo com descrição contida no Auto de Infração de fls.03/284, depurando-se um crédito tributário no valor de R$ 579.641,24. Cabe ressaltar que, quando intimado, o contribuinte apresentou as declarações constantes das fls. 48 a 250 que instruem os autos. Devidamente intimado da autuação fiscal, o contribuinte apresentou impugnação As fls. 299/357, trazendo os seguintes argumentos: a) que o procedimento fiscal foi ilegal devido à supressão da ampla defesa e do contraditório, pleiteando pela sua extinção por ter ultrapassado mais de 120 dias sem que o impugnante tivesse conhecimento de qualquer MPF complementar; alem de ter sido o mesmo auditor fiscal que iniciou o procedimento e que lavrou o auto de infração b) afirma que se os documentos não caracterizarem aquisição ou alienação de imóveis, não existe obrigação de comunicar A. Receita, sendo que referidos documentos são atos de averbação de formais de partilha e de adjudicações "mortis causa", ou decorrentes de partilhas amigáveis ou judiciais de bens de casais, conforme certidões que alega anexar; A Delegacia da Receita Federal de Belo Horizonte/ MG, apreciou a impugnação do contribuinte e julgou o lançamento procedente em parte, conforme acórdão abaixo: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2000, 2001, 2002 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL 0 Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da fiscalização, não implicando nulidade dos procedimentos as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. MULTA POR FALTA / ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO SOBRE TRANSAÇÃO IMOBILIÁRIA. Estando o contribuinte obrigado a apresentar a Declaração sobre Operações Imobiliárias (DOI), a falta ou a sua apresentação fora do prazo fixado sujeita o serventuário da justiça à multa equivalente a 0,1% ao mês ou fração sobre o valor da operação imobiliária, limitada a 1%, observado o limite mínimo. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em matéria de infrações e penalidades, a lei nova retroage para alcançar fatos ainda não definitivamente julgados. Lançamento Procedente em Parte" 3 O contribuinte foi intimado da decisão de primeira instância administrativa, de acordo corn AR juntado as fls. 460, recebido em 27/08/2007. Todavia, inconformado com a decisão "a quo", o contribuinte ingressou corn Recurso Voluntário de fls. 461/482, aduzindo em sua defesa os seguintes argumentos: 1. A invalidade do procedimento fiscal por desobediência aos arts. 10, § 1 0, 12, I, 13 § 2°, 15, II, 16, § único, e 20 c/c 4° da Portaria 3007 de 26/11/2001, bem como do art. 23 do Dec. 70.235/72, com relação à formalidades do MPF; 2. Alega violação ao principio da legalidade administrativa, corn violação do art. 37 da CF/88 e da segurança jurídica, devido à. ausência dos demonstrativos de prorrogação do MPF nos autos, e não observância do período de 120 dias para realização do MPF. Requer, portanto, a extinção do MPF; 3. Aduz a inexistência de suporte fático para aplicação da pena, pois a penalidade é cabível para quem deixar de entregar as DOI's relativas às operações descritas no art. 154, do RIR/99, que são hipóteses taxativas, acarretando na obrigação descrita no art. 940 do RIR/99. Contudo, segundo o contribuinte alega, nenhuma das hipóteses mencionadas na lei teria ocorrido, o que o isenta da obrigação de comunicar à Secretaria da Receita Federal. Portanto, para aplicação da penalidade do art. 976 do RIR/99 seria necessária a ocorrência dos elementos fáticos. 4. Em continuidade, o impugnante aduz nunca ter deixado de apresentar as declarações sobre operações imobiliárias com relação aos atos descritos no art. 154 do RIR/99, portanto, não poderiam ser aplicadas referidas penalidades, devendo o auto de infração ser anulado com relação às mesmas (fls. 11 a 40 item 1 do termo de verificação fiscal); 5. Alega que não foi observado o conceito legal de aquisição e alienação, previstos na legislação pertinente, sendo que as transações realizadas pelo impugnante tratam-se de atos de averbação de formais de partilha e de adjudicações "causa mortis" ou decorrentes de partilhas amigáveis ou judiciais de bens de casais (fls. 19). 6. Argumenta que as instruções nonnativas que fundamentaram a autuação, quais sejam, 56/2001 e 473/2004 não rechaçam o argumento utilizado pelo impugnado, além do que, a ultima não pode ser aplicada ao caso, pois os fatos geradores são anteriores à sua publicação. 7. Ademais, alega que instruções normativas são atos inferiores em relação ao Regulamento do Imposto de Renda, pois tais atos se submetem também aos Decretos. 4 Processo n° 10680.016785/2003-35 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.633 Fl. 3 8. Por fim, requer seja reformada a decisão da primeira instancia administrativa, sendo integralmente anulado o auto de infração. o relatório. 5 Voto Conselheira JANAINA MESQUITA LOURENQO DE SOUZA, Relatora Trata-se de Recurso Voluntário contra decisão da d. 5' Turma da DRJ de Belo Horizonte-MG que julgou o lançamento procedente em parte na autuação fiscal que apurou-se falta ou atraso na apresentação das Declarações sobre Operação imobiliária — DOI, e correção declarações apresentadas pelo Cartório do 3° Oficio de Registro de Imóveis de Belo Horizonte, cujo contribuinte em epígrafe é o titular, de acordo corn descrição contida no Auto de Infração de fls.03/284. A priori, conheço do presente Recurso Voluntário por ser tempestivo, atendendo ao requisito legal de admissibilidade constante no Decreto n° 70.235/72. Preliminarmente o recorrente alega irregularidades quanto ao Mandado de Procedimento Fiscal. Aduz invalidade do procedimento fiscal por desobediência aos arts. 10, § 1', 12, I, 13 § 2°, 15, II, 16, § único, e 20 c/c 4° da Portaria 3007 de 26/11/2001, bem como do art. 23 do Dec. 70.235/72, com relação à formalidades do MPF. Alega, ainda, violação ao principio da legalidade administrativa, corn violação do art. 37 da CF/88 e da segurança jurídica, devido à. ausência dos demonstrativos de prorrogação do MPF nos autos, e não observância do período de 120 dias para realização do MPF. Requer, portanto, a extinção do MPF Entende-se, entretanto, que os fatos arguidos não dão ensejo a nulidade do Auto de Infração pelo que passamos a justificar. 0 Mandado de Procedimento Fiscal foi constituído pela Secretaria da Receita Federal do Brasil como medida de planejamento e controle das ações fiscais em execução e passou a ser considerado um importante instrumento de transparência da administração tributária, pois o contribuinte passou a ter conhecimento das ações fiscais levadas a efeito por auditores-fiscais da RFB: agentes fiscais designados, local, abrangência da auditoria e período examinado. Instituído pela Portaria SRF n° 1.265, de 22 de novembro de 1999, o MPF estava à época de que trata o caso em análise, regrado pela Portaria SRF n° 3.007, de 2001, com as alterações das Portarias SRF n' 1238, 1432 e 1.468, de 2003, cujos arts. 2°, 7°, 12 e 13 assim dispõem: Art. 2°- Os procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF serão executados, 071 nome desta, pelos Auditores Fiscais da Receita Federal — AFRF e instaurados mediante ordem especifica denominada Mandado de Procedimento Fiscal — MPF. Parágrafo único. Para o procedimento de fiscalização será emitido Mandado de Procedimento Fiscal - Fiscalização (MPF-F), no caso de diligência, Mandado de Procedimento Fiscal - Diligência (MPF-D). 6 Processo ri° 10680.016785/2003-35 S2-C2T1 Acárciiio n.° 2201-00.633 Fl. 4 • Art. 7" 0 MPF-F, o MPF-D e o MPF-E conterão: I - a numeração de identificação e controle, composta de dezessete dígitos; - os dados identificadores do sujeito passivo; III - a natureza do procedimento fiscal a ser executado (fiscalização ou diligência); IV - o prazo para a realização do procedimento fiscal; V - o nome e a matricula do AFRF responsável pela execução cio mandado; VI - o nome, o ntimero cio telefone e o endereço funcional do chefe cio AFRF a que se refere o inciso anterior; VII - o nome, a matricula e a assinatura da autoridade outorgante e, na hipótese de delegação de competência, a indicação do respectivo ato; VIII - o código de acesso à Internet que permitirá ao sujeito passivo, objeto do procedimento .fiscal, identificar o MPF. Art. 12. Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade: I - cento e vinte dias, nos casos de MPF-F e de MPF-E; II - sessenta dias, no caso de MPF-D. Art. 13. A prorrogação do prazo c/c que trata o artigo anterior poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de trinta dias. I" A prorrogação de que trata o caput far-se-6 por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação estará disponível na Internet, nos termos do art. 70, inciso VIII. 2" Após cada prorrogação, o AFRF responsável pelo procedimento ,fiscal fornecerá ao sujeito passivo, quando do primeiro ato de oficio praticado junto ao mesmo, o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação, contendo o MPF emitido e as prorrogações efetuadas, reproduzido a partir das informações apresentadas na Internet, corzforme modelo constante do Anexo VI. Portanto, é forçoso afirmar que o Auto de Infração está condenado pela existência de um vicio insanável gerado pela inobservância de um procedimento "interna corporis" estabelecido pela própria administração pública em seu próprio prejuízo. Não me parece coerente, motivo pelo qual rejeito a argüição de nulidade do lançamento. Abaixo, reproduz-se jurisprudência administrativa acerca da matéria: IRPJ. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE. 0 MPF-Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. A \_7. 7 extrapolação no prazo de sua prorrogação não constitui, por si só, causa de nulidade do lançamento. [1" CC Ac. n°103-21.933, de 14/04/2005] MPF — FALTA DE RENOVAÇÃO NO PRAZO REGULAMENTAR — NULIDADE — INOCORRENCIA —O desrespeito à renovação do MPF no prazo previsto na Portaria SRF 1265/99 não implica na nulidade dos atos administrativos posteriores. [CSRF/01-05.189, de 14/03/2005] MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL — INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. 0 Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não tem o condão de limitar a atuação da Administração Pública na realização do lançamento. Não é o mesmo sequer pressuposto obrigatório para tal ato administrativo, sob pena de contrariar o Código Tributário Nacional, o que não se permite a uma Portaria. Assim, o fato de haver contradição entre as datas em que houve a prorrogação do MPF e aquelas em i que deste ato foi intimado o contribuinte não implica em nulidade cio lançamento. Também, esta não se verifica se o Agente Fiscal responsável pelo MPF prorrogado for o mesmo daquele responsável pelos MPFs posteriores e pela autuação. 0 art. 16 da Portaria n" 3.007/2002, ainda que fosse vinculante, seria aplicável somente ãs situações em que houve extinção do Mandado de Procedimento Fiscal, o que não ocorreu no presente caso. [1° CC Ac. n°107-07.268, de 13/08/2003] NORMAS PROCESSUAIS - INOCORRÊNCIA DE NULIDADE - MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - O MPF, primordialmente, presta-se como um instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência ã relação Fisco-contribuinte, que objetiva assegurar ao sujeito passivo que seu nome foi selecionado segundo critérios objetivos e impessoais, e que o agente .fiscal nele indicado recebeu do Fisco a incumbência para executor aquela ação .fiscal. Pelo MPF o auditor está autorizado dar inicio ou a levar adiante o procedimento fiscal. 0 MPF sozinho não é suficiente para demarcar o inicio do procedimento .fiscal, o que reform o seu caráter de subsidiariedade aos atos de fiscalização e implica em que, ainda que ocorram problemas com o MPF, não teria como efeito tornar inválido os trabalhos de .fiscalização desenvolvidos, nem dados por imprestáveis os documentos obtidos para respahlar o lançamento de créditos tributários apurados. A prorrogação após o vencimento do prazo do mandado de procedimento fiscal (MPF) 11a0 se constitui hipótese legal de nulidade do lançamento. [2" CC Ac. 203-09205, de 14/10/2003] E diante da alegação de nulidade, cumpre notar que não se verifica nesses autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, verbis: "Art. 59. Sao nulos; I — os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; ii — os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." 8 Processo n° 10680.016785/2003-35 S2-C2T1 Accird5o n.° 2201-00.633 Fl. 5 Sendo, os atos e termos, lavrados por pessoa competente, dentro da estrita legalidade e garantido o mais absoluto direito de defesa, não há que se cogitar de nulidade do auto de infração. DOI Quanto ao mérito da autuação fiscal, vejamos: A legislação pertinente ao assunto encontra-se citada na decisão "a quo", todavia, peço vénia para reproduzi-la: "A matriz legal do lançamento encontra-se no Decreto-lei no 1.510, de 1976, art. 15 e seus parágrafos: "Art. 15 Os serventuários da Justiça responsáveis por Cartórios de Notas ou de Registro de Imóveis, Títulos e Documentos, ficam obrigados a fazer comunicação a Secretaria da Receita Federal dos documentos lavrados, anotados, averbados ou registrados em seus Cartórios e que caracterizem aquisição ou alienação de imóveis por pessoas físicas, conforme definido no art. 2°, § 1° , do Decreto-lei no 1.381, de 23 de dezembro de 1974. § 1 ° A comunicação deve ser efetivada em formulário padronizado e em prazo a ser fixado pela Secretaria da Receita Federal. § 2" 0 não cumprimento do disposto neste artigo sujeitara o infrator a multa correspondente a 1% (tun por cento) do valor do ato." A partir de I" de janeiro de 1998, coin o advento da Lei n°9.532, de 1997 (art. 71), também passou a ser obrigatória a informação de aquisição de imóveis por pessoas jurídicas. Essa fundamentação legal foi compilada nos arts. 976 e 1.010 do RIR/1994 e reproduzida nos arts. 940 e 976 do RIR/1999. Por sua vez, o art. 8" da Lei n°10.426, de 2002 (conversão da MP n°16, de 2001) estabelece: "Art. 8" Os serventuários da Justiça deverão informar as operações imobiliárias anotadas, averbadas, lavradas, matriculadas ou registradas nos Cartórios de Notas ou de Registro de Imóveis, Títulos e Documentos sob sua responsabilidade, mediante a apresentação de Declaração sobre Operações Imobiliárias (DOI), em meio magnético, nos termos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. § 1" A cada operação imobiliária corresponderá tuna DOI, que deverá ser apresentada até o ultimo dia útil do mês subseqüente ao da anotação, averbação, lavratura, matrícula ou registro da respectiva operação, sujeitando-se o responsável, no caso de falta de apresentação, ou apresentação da declaração após o prazo fixado, multa de 0,1% ao mês-calendário ou .fração, sobre o valor da operação, limitada a um por cento, observado o disposto no inciso III do § 2 " . 9 ,ss' 2°A multa de que trata o ssç I": I - terá como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não-apresentação, da lavratura do auto de infração; II - será reduzida: a) a metade, caso a declaração seja • apresentada antes de qualquer procedimento de oficio; b) a setenta e cinco por cento, caso a declaração seja apresentada no prazo fixado em intimação; III — será de, no minim, R$ 20,00 (vinte reais). (Redação dada pela Lei n°10.865, cie 2004) 3" 0 responsável que apresentar DOI com incorreções ou °mini:7es será intimado a apresentar declaração retificadora, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal, e sujeitar-se-á à multa de R$ 50,00 (cinqüenta reais) por informação inexata, incompleta ou omitida, que será reduzida em cinqüenta por cento, caso a retificadora seja apresentada no prazo fixado." Assim, a multa de que trata o art. 8" da Lei n° 10.426, de 2002, será reduzida it metade se a entrega da DOI foi efetuada espontaneamente, ou seja, antes do inicio de qualquer procedimento de oficio, ou será reduzida a 75% se apresentada dentro do prazo fixado em intimação. Tal dispositivo não torna obrigatória a intimação que ocorrerá nos casos em que a autoridade fiscal julgar necessário. Frise-se que após iniciado o procedimento de oficio o contribuinte perde a espontaneidade. A Lei n" 10.865, de 30 de abril de 2004, mantém os mesmos dispositivos legais, reduzindo a multa minima pela falta ou atraso na apresentação da DOI de R$500,00 para R$20,00. Merece destacar, quanto aos prazos de entrega da DOI e as transações abrangidas pela obrigatoriedade de entrega, o que dispunha a Instrução Normativa SRF n" 4, de 12 de janeiro de 1998: "Prazo e Local de Entrega Art. 4°A declaração deverá ser apresentada até o dia 20 (vinte) do inês subseqüente ao que ocorrer a operação que caracterize a aquisição ou alienação do imóvel. Art. 5" A entrega deverá ser feita na unidade da Secretaria chi Receita Federal que jurisdiciona o Cartório. Limite de Valor para Apresentação da Declaração Art. 6" Os Cartórios estão obrigados a apresentar a DOI, quando o valor de alienação do imóvel for superior a R$ 20.000,00 (vinte mil reais). 10 Processo n° 10680.016785/2003-35 S2-C2T1 AcOrd5o n •° 2201-00.633 Fl. 6 Parágrafo único. Será considerado como valor .fiscal o valor da operação imobiliária informado entre as partes ou, na ausência deste, o valor que serviu de base para o cálculo do Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis - ITBI. (..) Multa por Atraso na Entrega Art. 9" 0 atraso na entrega da declaração ou a não comunicação de operação imobiliária no prazo previsto no artigo 4", sujeitará o serventuário da justiça à multa correspondente a 1% (um por cento) do valor da operação (Decreto-lei n" 1.510 de 1976, art. 15, ,sç 2)." 0 art. 4" da IN SRF n°4, de 1998, estabeleceu o prazo de entrega das DOls; o art. 9", a muita por atraso na entrega ou a falta de comunicação, em peifeita consonância coin o ssç 1" do art. 15 do Decreto-lei n°1.510, de 1976, que disciplinou que a comunicação deve ser efetivada em formulário padronizado e em prazo a ser fixado pela Secretaria da Receita Federal. A multa por atraso é decorrência do não cumprimento do prazo de entrega. Com o advento da IN SRF n" 163, de 23 de dezembro 1999, o prazo de entrega das DOls foi alterado, a partir de 01/01/2000, para o último dia útil do Ines subseqüente ao da lavratura, anotação, averbação, matricula ou registro do documento. mesmo diploma legal estabeleceu que os cartórios estão obrigados a apresentar a DOI, independente do valor da operação imobiliária e que a declaração deverá ser apresentada sempre que ocorrer operação que caracterize aquisição ou alienação de imóvel, realizada por pessoa fisica ou jurídica, cujos documentos sejam lavrados, anotados, averbados, matriculados ou registrados em seus cartórios. 0 recorrente repetindo o argumento da impugnação aduz a inexistência de suporte fático para aplicação da pena, pois a penalidade é cabível para quem deixar de entregar as DOI's relativas As operações descritas no art. 154, do RIR/99, que são hipóteses taxativas, acarretando na obrigação descrita no art. 940 do RIR/99, afirmando, ainda, que nenhuma das hipóteses mencionadas na lei teria ocorrido, o que o isenta da obrigação de comunicar A Secretaria da Receita Federal. Portanto, para aplicação da penalidade do art. 976 do RIR199 seria necessária a ocorrência dos elementos fáticos. Em continuidade, repete nunca ter deixado de apresentar as declarações sobre operações imobiliárias com relação aos atos descritos no art. 154 do RIR/99, portanto, não poderiam ser aplicadas referidas penalidades, devendo o auto de infração ser anulado com relação As mesmas (fls. 11 a 40 item 1 do termo de verificação fiscal). Alega que não foi observado o conceito legal de aquisição e alienação, previstos na legislação pertinente, sendo que as transações realizadas pelo impugnante tratam-se de atos de averbação de formais de partilha e de adjudicações "causa mortis" ou decorrentes de partilhas amigáveis ou judiciais de bens de casais (fls. 19). Quanto as afirmações que se resumem em não ter cometido infração a legislação que dispõe sobre a DOI, cabe avocar as seguintes Instruções Normativas. 11 "Instrução Normativa SRF n°56, de 31 de Maio de 2001 DOU de 4.6.2001 Aprova o programa gerador de Declaração sobre Operações Imobiliárias - DOI, versão 4.0, define regras para a sua apresentação e dá outras providências.Revogada pela IN SRF n" 324 , de 28 de abril de 2003. (.) Art. 2" A declaração deverá ser apresentada sempre que ocorrer operação imobiliária de aquisição ou alienação, realizada por pessoa física ou jurídica, independente de seu valor, cujos documentos sejam lavrados, anotados, averbados, matriculados ou registrados no respectivo cartório. (..) ssç 2" 0 preenchimento da DOI deve ser feito: (..) III - pelo Cartório de Registro de Imóveis, quando o documento tiver sido: celebrado por instrumento particular;b) celebrado por autoridade particular com força de escritura pública;c) emitido por autoridade judicial (adjudicação, herança, legado ou meação) ou em decorrência de arrematação em hasta pública;d) lavrado pelo Cartório de Oficio de Notas e não constar a expressão "EMITIDA A DOI". (.) Dispensa de Apresentação da Declaração Art. 6" Os cartórios ficam dispensados de preencher a DOI, quando: I - se tratar de desapropriação para fins de reforma agrária, conforme disposto no 6Ç 5" do art. 184 da Constituição Federal; II - a lavratura, a anotação, (1 matricula, o registro e a averbação decorrerem de instrumentos celebrados há mais de cinco anos, contados: a) da data de lavratura, se instrumento público,) da data do registro, se instrumento particular;c) da data da emissão do documento, se emitido por autoridade judicial (adjudicação, herança, legado ou meação) ou em decorrência de arrematação em hasta pública; 111 - a lavratura, a anotação, a matricula, o registro e a averbação tiverem sido comunicados a SRF e no documento apresentado constar a expressão "EMITIDA A DOI"; IV- o imóvel financiado retornar ao agente.financeiro; V -a transferência do imóvel se der por usucapião. Instrução Normativa SRF n°473, de 23 de novembro de 2004 DOU de 24.11.2004 Aprova o programa e as instruções para preenchimento da Declaração sobre Operações Imobiliárias, versão 6.0, define regras para a sua apresentação e dá outras providências. (..) 12 Processo n° 1 0680.0 1 6785/2003-35 S2-C2T1 Acórddo n.° 2201-00.633 Fl. 7 Art. 2° A declaração deverá .ser apresentada sempre que ocorrer operação imobiliária de aquisição ou alienação, realizada por pessoa fisica ou jurídica, independentemente de seu valor, cujos documentos sejam lavrados, anotados, averbados, matriculados ou registrados no respectivo cartório. (..) sss' 3" 0 preenchimento da DOI deve ser feito: (..) II - pelo Serventuário da Justiça titular ou designado para o Cartório de Registro de Imóveis, quando o documento tiver sido: a) celebrado por instrumento particular; b) celebrado por autoridade particular coin força de escritura pública; c) emitido por autoridade judicial (adjudicação, herança, legado ou 711eaça o); d) decorrente de arrematação ern hasta pública; ou e) lavrado pelo Cartório de Oficio de Notas e não constar a expressão "EMITIDA A DOI". (..) Dispensa de Apresentação da Declaração Art. 5° Os Serventuários da Justiça .ficam dispensados de preencher a DOI, quando: I - tratar-se de desapropriação for para fins de reforma agrária, cor?forme disposto no § 50(10 art. 184 da Constituição Federal; II - a lavratura, a anotação, a matricula, o registro e a averbação decorrerem de instrumentos celebrados há mais de cinco anos, contados da data: a) da lavratura, se instrumento público; b) do registro, se instrumento particular; ou c) da emissão do documento, se emitido por autoridade judicial (adjudicação, herança, legado ou meação) ou em decorrência de arrematação em hasta pública. III - a lavratura, a anotação, a matricula, o registro e a averbação tiverem sido comunicados a SRF e no documento apresentado constar a expressão "EMITIDA A DOI"; IV- o imóvel financiado retornar ao agente financeiro; V- a transferência do imóvel se der por usucapião." (grifos não são do original) Portanto, a hipótese aventada pelo recorrente em sua defesa quanto não haver hipótese legal de apresentação da DOI nos casos de aquisição e alienação, pois as transações realizadas pelo impugnante tratam-se de meros atos de averbação de formais de partilha e de adjudicações "causa mortis" ou decorrentes de partilhas amigáveis ou judiciais de bens de casais, não pode ser acatada. \ ,t 13 Cabe ressaltar que as Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal n"s 56/2001 e 473/2004 não prevêem dispensa da apresentação da DOI nos casos acima citados pelo recorrente. Desse modo não lhe cabe razão pois a operação imobiliária de aquisição ou alienação obriga aos serventuários da Justiça responsáveis por Cartórios de Notas ou de Registro de Imóveis, Títulos e Documentos a informarem a Secretaria da Receita Federal através da Declaração sobre Operações Imobiliárias — DOI. Pelo exposto vo sent de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. .- JA INA MESQUITA LOURENQO DE SOUZA 14
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