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Numero do processo: 10865.000450/2008-41
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2001 a 30/06/2007
PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. NULIDADE DA NFLD. NÃO OCORRÊNCIA. MULTA DE MORA.
Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos dos arts. 150, § 4º, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal.
Não há que se falar em nulidade da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, quando não houver qualquer tipo de vício.
Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-001.124
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, nas preliminares, por unanimidade de votos em reconhecer a decadência em relação ao período compreendido entre 01/2001 a 02/2003, inclusive, com base no art. 150, § 4º do CTN. No Mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora.
Nome do relator: MARCELO MAGALHÃES PEIXOTO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 30/06/2007 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. NULIDADE DA NFLD. NÃO OCORRÊNCIA. MULTA DE MORA. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos dos arts. 150, § 4º, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. Não há que se falar em nulidade da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, quando não houver qualquer tipo de vício. Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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DECADÊNCIA. NULIDADE DA NFLD. NÃO OCORRÊNCIA. MULTA DE MORA. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos dos arts. 150, § 4º, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. Não há que se falar em nulidade da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, quando não houver qualquer tipo de vício. Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, nas preliminares, por unanimidade de votos em reconhecer a decadência em relação ao período compreendido entre 01/2001 a 02/2003, inclusive, com base no art. 150, § 4º do CTN. No Mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente Fl. 406DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/03 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Marcelo Magalhães Peixoto – Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Jhonatas Ribeiro da Silva, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 407DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/03 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10865.000450/200841 Acórdão n.º 2403001.124 S2C4T3 Fl. 2 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD (DEBCAD n. 37.075.9877), emitida em 27/02/2008, cuja notificação ocorreu em 04/03/2008 (fl. 304), lavrada em face do SINDICATO DOS EMPREGADOS NO COMÉRCIO SÃO JOÃO DA BOA VISTA, no valor de R$ 52.930,52 (cinquenta e dois mil, novecentos e trinta reais e cinquenta e dois centavos), referente às contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais não descontadas — contribuições da empresa, inclusive para financiamento dos benefícios concedidos em razão da incapacidade laborativa — RAT, e contribuições destinadas a outras entidades e fundos — Terceiros (Salárioeducação e INCRA). O período de apuração corresponde às competências: 01/2001 a 06/2007. Segundo o Relatório Fiscal de fls. 59/72, a NFLD teve como base a análise de recibos de pagamentos e cópias de cheques relativos à prestação de serviços não integrantes dos holleriths e folhas de pagamento. Ainda segundo o Relatório Fiscal, no item 3.12, a Fiscalização considerou os pagamentos realizados aos supostos prestadores de serviços como pagamentos feitos a contribuinte individual (levantamento PSE, sem arbitramento) e a empregado (levantamento PS2), conforme o caso, procedendose à tributação na modalidade adequada, conforme previsto no art. 28, I e III, cumulado com o art. 20 e parágrafos; 21 e parágrafos e com o art. 22 da Lei n. 8.212/91. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a Recorrente apresentou, tempestivamente, Impugnação de fls. 307/312. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, a 9a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) – DRJ/RPO, prolatou o Acórdão n° 1421.153, de fls. 375/379, mantendo procedente em parte o lançamento, conforme ementa que abaixo se transcreve, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 30/06/2007 DECADÊNCIA. INÍCIO DA CONTAGEM DO PRAZO. PAGAMENTO PARCIAL DA OBRIGAÇÃO. Sujeitamse ao prazo decadencial de cinco anos contados a partir da ocorrência do fato gerador as contribuições relativas às competências em que se verifique o pagamento parcial da obrigação. DECADÊNCIA. INÍCIO DA CONTAGEM DO PRAZO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO PARCIAL DA OBRIGAÇÃO. Fl. 408DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/03 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Inexistindo o pagamento parcial da obrigação, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. Lançamento Procedente em Parte DO RECURSO Inconformada, a Recorrente interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 255/262, com os seguintes argumentos: 1 – Preliminar 1.1 – Da Decadência das Contribuições Destinadas a Terceiros (Competência 02/2003) A Recorrente se insurge pela aplicação da decadência nos termos do art. 173, I do CTN, em decorrência da ausência de recolhimento parcial destinados a outras entidades e fundos (Terceiros). 1.2 – Cerceamento de Defesa e Princípio do Contraditório A Recorrente entende que não teve tempo hábil para elaborar a defesa, tendo em vista que a Fiscalização teve 7 (sete) meses para elaborar a NFLD, fato esse que contraria a ampla defesa e o contraditório. Cita Doutrina para fundamentar o alegado. 1.3 – Nulidade do Processo pela não Disponibilidade de Carga dos Autos para Verificação Fora de Cartório A não autorização para retirada dos autos do Cartório para avaliação dos documentos e consequente elaboração da defesa, torna nulo o processo, tendo em vista que a vista dos autos advém de previsão legal, conforme disposição do inciso XV do art. 7o da Lei n. 8.906/94 e inciso II do art. 40 do CPC. 2 – Do Mérito 2.1 – Da Inevitável Necessidade de se Evitar o “Bis in Idem” A Recorrente alega que ao deixar de atender ao pedido de vistas dos autos, aborado acima, teve cerceado o seu direito constitucional de Ampla Defesa. Ademais, o acórdão foi omisso ao não reconhecer o direito do contribuinte e a obrigação da Administração de proceder a conferência dos trabalhos realizados pela Fiscalização para apurar a exigência de duplas contribuições. Ao final requer provimento do Recurso. É o relatório. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/03 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10865.000450/200841 Acórdão n.º 2403001.124 S2C4T3 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fl. 394, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. PRELIMINARMENTE DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária de 12 de Junho de 2008, aprovou a Súmula Vinculante nº 8, nos seguintes termos: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Referida Súmula declara inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que impõem o prazo decadencial e prescricional de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias, o que significa que tais contribuições passam a ter seus respectivos prazos contados em consonância com os artigos 150, § 4º, 173 e 174, do Código Tributário Nacional: CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; De acordo com o art. 103A, da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 vincula toda a Administração Pública, inclusive este Colegiado: Fl. 410DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/03 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 CF/88 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal, poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder a sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. In casu, como se trata de contribuições sociais previdenciárias que são tributos sujeitos a lançamento por homologação, contase o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, caso se verifique a antecipação de pagamento (mesmo que parcial) ou, nos termos do art. 173, I, do CTN, quando o pagamento não foi antecipado pelo contribuinte. Nesse diapasão, mister destacar que para que seja aplicado o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, basta que haja a antecipação no pagamento de qualquer Contribuição Previdenciária, ou seja, não é necessária a antecipação em todas as competências. Havendo a antecipação parcial em uma única competência, já se aplica as regras do art. 150, § 4º do CTN. Também é entendimento deste Relator, que a antecipação a título de Contribuição Previdenciária abrange o pagamento para todas as rubricas relacionadas, tais como: destinadas a outras entidades e fundos — Terceiros (Salárioeducação e INCRA), dentre outras. Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, referente às contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais não descontadas — contribuições da empresa, inclusive para financiamento dos benefícios concedidos em razão da incapacidade laborativa — RAT, e contribuições destinadas a outras entidades e fundos — Terceiros (Salárioeducação e INCRA). O presente caso importa a aplicação do prazo previsto no art. 150, § 4º do CTN, pois, da análise do Acórdão de fls. 375/379, verificase que houve pagamento parcial da Contribuição Previdenciária em várias competências. O período de apuração compreendeu as competências 01/2001 a 06/2007. A notificação ocorreu em 04/03/2008. Logo, o prazo decadencial ocorreu em relação ao período compreendido entre 01/2001 a 02/2003, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, conforme explicado. CERCEAMENTO DE DEFESA E PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO Sustenta a Recorrente que não teve tempo hábil para elaborar a defesa, tendo em vista que a Fiscalização teve cerca de 7 (sete) meses para concluir o procedimento de fiscalização, enquanto que ela teve apenas 30 (trinta) dias para elaborar a defesa. O prazo de 30 (trinta) dias para a apresentação da impugnação advém do art. 15 do Decreto n. 70.235/72, verbis: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/03 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10865.000450/200841 Acórdão n.º 2403001.124 S2C4T3 Fl. 4 7 Nesse diapasão, por ausência de previsão legal, não merece prosperar a alegação da Recorrente. NULIDADE DO PROCESSO PELA NÃO DISPONIBILIDADE DE CARGA DOS AUTOS PARA VERIFICAÇÃO FORA DE CARTÓRIO A Recorrente alega que fora impedida de fazer carga dos autos, para ter acesso fora do Cartório. Ocorre que a Recorrente não estava desincubida de provar o alegado. Nesse diapasão, por ausência de prova, não há como prosperar o pleito da Recorrente. DA INEVITÁVEL NECESSIDADE DE SE EVITAR O “BIS IN IDEM” No que tange à eventual cobrança em duplicidade, cabe à Recorrente comprovar o alegado, não bastando suposições. A Fiscalização reuniu as provas necessárias para a sua convicção, razão pela qual, caso entendesse por haver cobrança em duplicidade, à Recorrente competiria provar o alegado. DO MÉRITO Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, referente às contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais não descontadas — contribuições da empresa, inclusive para financiamento dos benefícios concedidos em razão da incapacidade laborativa — RAT, e contribuições destinadas a outras entidades e fundos — Terceiros (Salárioeducação e INCRA), conforme previsto no art. 28, I e III, cumulado com o art. 20 e parágrafos; 21 e parágrafos e com o art. 22 da Lei n. 8.212/91, verbis: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o;(Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (...) Art. 20. A contribuição do empregado, inclusive o doméstico, e a do trabalhador avulso é calculada mediante a aplicação da correspondente alíquota sobre o seu saláriodecontribuição Fl. 412DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/03 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 mensal, de forma não cumulativa, observado o disposto no art. 28, de acordo com a seguinte tabela: (Redação dada pela Lei n° 9.032, de 28.4.95). § 1º Os valores do saláriodecontribuição serão reajustados, a partir da data de entrada em vigor desta Lei, na mesma época e com os mesmos índices que os do reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social.(Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) § 2º O disposto neste artigo aplicase também aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que prestem serviços a microempresas. (Parágrafo acrescentado pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) Art. 21. A alíquota de contribuição dos segurados contribuinte individual e facultativo será de vinte por cento sobre o respectivo saláriodecontribuição. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I revogado; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II revogado. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Os valores do saláriodecontribuição serão reajustados, a partir da data de entrada em vigor desta Lei , na mesma época e com os mesmos índices que os do reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). (Renumerado pela Lei Complementar nº 123, de 2006). § 2o No caso de opção pela exclusão do direito ao benefício de aposentadoria por tempo de contribuição, a alíquota de contribuição incidente sobre o limite mínimo mensal do salário de contribuição será de: (Redação dada pela Lei nº 12.470, de 2011) I 11% (onze por cento), no caso do segurado contribuinte individual, ressalvado o disposto no inciso II, que trabalhe por conta própria, sem relação de trabalho com empresa ou equiparado e do segurado facultativo, observado o disposto na alínea b do inciso II deste parágrafo; (Incluído pela Lei nº 12.470, de 2011) II 5% (cinco por cento): (Incluído pela Lei nº 12.470, de 2011) a) no caso do microempreendedor individual, de que trata o art. 18A da Lei Complementar no 123, de 14 de dezembro de 2006; e (Incluído pela Lei nº 12.470, de 2011) (Produção de efeito) b) do segurado facultativo sem renda própria que se dedique exclusivamente ao trabalho doméstico no âmbito de sua residência, desde que pertencente a família de baixa renda. (Incluído pela Lei nº 12.470, de 2011) § 3o O segurado que tenha contribuído na forma do § 2o deste artigo e pretenda contar o tempo de contribuição correspondente para fins de obtenção da aposentadoria por tempo de contribuição ou da contagem recíproca do tempo de contribuição a que se refere o art. 94 da Lei no 8.213, de 24 de Fl. 413DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/03 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10865.000450/200841 Acórdão n.º 2403001.124 S2C4T3 Fl. 5 9 julho de 1991, deverá complementar a contribuição mensal mediante recolhimento, sobre o valor correspondente ao limite mínimo mensal do saláriodecontribuição em vigor na competência a ser complementada, da diferença entre o percentual pago e o de 20% (vinte por cento), acrescido dos juros moratórios de que trata o § 3o do art. 5o da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 12.470, de 2011) (Produção de efeito) § 4o Considerase de baixa renda, para os fins do disposto na alínea b do inciso II do § 2o deste artigo, a família inscrita no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal CadÚnico cuja renda mensal seja de até 2 (dois) salários mínimos. (Redação dada pela Lei nº 12.470, de 2011) § 5o A contribuição complementar a que se refere o § 3o deste artigo será exigida a qualquer tempo, sob pena de indeferimento do benefício. (Incluído pela Lei nº 12.507, de 2011) Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 414DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/03 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1o No caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização, agentes autônomos de seguros privados e de crédito e entidades de previdência privada abertas e fechadas, além das contribuições referidas neste artigo e no art. 23, é devida a contribuição adicional de dois vírgula cinco por cento sobre a base de cálculo definida nos incisos I e III deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (Vide Medida Provisória nº 2.15835, de 2001). § 2º Não integram a remuneração as parcelas de que trata o § 9º do art. 28. § 3º O Ministério do Trabalho e da Previdência Social poderá alterar, com base nas estatísticas de acidentes do trabalho, apuradas em inspeção, o enquadramento de empresas para efeito da contribuição a que se refere o inciso II deste artigo, a fim de estimular investimentos em prevenção de acidentes. § 4º O Poder Executivo estabelecerá, na forma da lei, ouvido o Conselho Nacional da Seguridade Social, mecanismos de estímulo às empresas que se utilizem de empregados portadores de deficiências física, sensorial e/ou mental com desvio do padrão médio. § 6º A contribuição empresarial da associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional destinada à Seguridade Social, em substituição à prevista nos incisos I e II deste artigo, corresponde a cinco por cento da receita bruta, decorrente dos espetáculos desportivos de que participem em todo território nacional em qualquer modalidade desportiva, inclusive jogos internacionais, e de qualquer forma de patrocínio, licenciamento de uso de marcas e símbolos, publicidade, propaganda e de transmissão de espetáculos desportivos. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 7º Caberá à entidade promotora do espetáculo a responsabilidade de efetuar o desconto de cinco por cento da receita bruta decorrente dos espetáculos desportivos e o respectivo recolhimento ao Instituto Nacional do Seguro Social, no prazo de até dois dias úteis após a realização do evento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 8º Caberá à associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional informar à entidade promotora do espetáculo desportivo todas as receitas auferidas no evento, discriminandoas detalhadamente.(Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Fl. 415DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/03 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10865.000450/200841 Acórdão n.º 2403001.124 S2C4T3 Fl. 6 11 § 9º No caso de a associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional receber recursos de empresa ou entidade, a título de patrocínio, licenciamento de uso de marcas e símbolos, publicidade, propaganda e transmissão de espetáculos, esta última ficará com a responsabilidade de reter e recolher o percentual de cinco por cento da receita bruta decorrente do evento, inadmitida qualquer dedução, no prazo estabelecido na alínea "b", inciso I, do art. 30 desta Lei.(Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 10. Não se aplica o disposto nos §§ 6º ao 9º às demais associações desportivas, que devem contribuir na forma dos incisos I e II deste artigo e do art. 23 desta Lei. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 11. O disposto nos §§ 6º ao 9º deste artigo aplicase à associação desportiva que mantenha equipe de futebol profissional e atividade econômica organizada para a produção e circulação de bens e serviços e que se organize regularmente, segundo um dos tipos regulados nos arts. 1.039 a 1.092 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil. (Redação dada pela Lei nº 11.345, de 2006). § 11A. O disposto no § 11 deste artigo aplicase apenas às atividades diretamente relacionadas com a manutenção e administração de equipe profissional de futebol, não se estendendo às outras atividades econômicas exercidas pelas referidas sociedades empresariais beneficiárias. (Incluído pela Lei nº 11.505, de 2007). § 12. (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.170, de 2000). § 13. Não se considera como remuneração direta ou indireta, para os efeitos desta Lei, os valores despendidos pelas entidades religiosas e instituições de ensino vocacional com ministro de confissão religiosa, membros de instituto de vida consagrada, de congregação ou de ordem religiosa em face do seu mister religioso ou para sua subsistência desde que fornecidos em condições que independam da natureza e da quantidade do trabalho executado. (Incluído pela Lei nº 10.170, de 2000). No que tange às razões do mérito alegadas pela Recorrente, as mesmas já foram devidamente enfrentadas em sede preliminar. Logo, não tendo apresentado razões suficientes para inviabilizar a NFLD, deve a mesma ser mantida. MULTA DE MORA A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabelece que os débitos referentes a contribuições não recolhidas no prazo previsto em lei, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61, da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/03 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 12 Tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, cominelhe penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo), para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. CONCLUSÃO Do exposto, preliminarmente, reconheço a decadência em relação ao período compreendido entre 01/2001 a 02/2003, nos termos do art. 150, § 4º do CTN; no mérito julgo procedente em parte o recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 417DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/03 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 10711.005050/88-17
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 1993
Data da publicação: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 1993
Ementa: Classificação.
1. O produto importado, de nome comercial SANDOGEN NH SÓLIDO 220%, segundo laudo nº 1193/87 e Informações Técnicas nº 23/90 e 49/90, todos do LABANA/RJ, trata-se de "cera artificial de éter poliglicólico" e se classifica no código TAB 34.04.01.99.
2. Negado provimento ao recurso. Excluída de oficio, a multa de mora.
Numero da decisão: 301-27.311
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, quanto à classificação e por maioria de votos, em excluir
de ofício a multa de mora, vencido o Conselheiro Ronaldo Lindimar
José Marton, que negava provimento integral, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ITAMAR VIEIRA DA COSTA
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I, . ')/•• ~, c."• MINISTERIO DA ECONOMIA. FAZENDA E PLANEJAMENTO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA PROCESSO N9 10711.005050/88-17 -A C O RDAO N! _ 3O1-27.311 • Senõo d.J~~J~~eL~ir0 de 1.99_2 Recurson2.' 110.860 Recorrente. SANDOZ S/A Recorrida: lRF - PORTO DO RIO DE JANElRO/RJ Classificação. 1. O produto importado, de nome comercial SANDOCaiN NII SClLlJJO220%, segundo laudo n9 1193/87 e Informações T6cnic'ls n9 23/90 e 49/90, todos do LABANA/RJ, trata- se de "cera artificial de éter poliglicólico" e se classifica no código TAB 34.04.01.99. 2. Negado provimento ao recurso. Excluida de oficio, a multa de mora. Vi.stos, re.Litados e di scutidos os presentes 'lutos, ACORDAM os Membros da PrimeirOl Ciimara do Terceiro Conse- lho de 'Oontribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, quanto ~ classificação e por maioria de votos, eDI ex- cluir de oLtcio a muI ta de mora, vencido o Conselheiro Ronal do Lin- dimar José Marton, que negava provimento integral, na forma do rela tório e voto que passam a integrar o presente julgado. BrasiIi a-DF, em 16' ,'fevereiro" deI 993 .• VISTO EM SESSÃO DE: ITA lAR I<UY relator - I'rocur'l(or da F'lzenda Nacional ParticipOlrOlm ainda do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Elizabeth Maria Violatto (Suplente), José Theodoro Mas carenhas Menck, Miguel Calmon VillOls-Boas (Suplente) e Sandra Mi~ riam de ,Azev'edo Mello. Ausentes os Conse.lhei ros Lu:iz Antonio JaC'IlleS, ,João Baptista Moreira e Maria de Fjtilna P. de Mello Cartaxo. 0."1'''/0' - n:cOl Nt 047/'2 _ ".H. .. • • MF - TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES - PRIMEIRA CAMARA RECURSO N. 110.860 ACORDA0 N. 301-27.311 RECORRENTE: SANDOZ - S.A. RECORRIDA IRF - PORTO DO RIO DE JANEIRO RELATOR Conselheiro ITAMAR VIEIRA DA COSTA R E r, A T O R I o A empresa submeteu a despacho aduaneiro mer- cadoria que classificou e descreveu (fls. 11 e 20): 38.19.99.00 - Igualizante à base de um poli- glicoleter cationativo, em for- ma cerosa, estável em tingimen- to de fibras poliamídicas a al- tas temperaturas. Tensoativida- de de 49,9 dyn/cm (Solução aquosa a 0,5% de concentração a 20 C). SANDOGEN NH SOLIDO 220%. O LABANA/RJ emitiu os laudos n. 1536 e 3819/87 declarando tratar-se de "cera artificial de éter po- liglicólico~ e a fiscalização enquadrou o produto no código TAB 34.04 01 99 tendo sido lavrado o Auto de Infração de fls. 01. Devidamente intimada (fls. 27), a Autuada, tempestivamente, apresentou impugnação (fls. 28/31), ins- truída com literatura técnica (fls. 32/41), alegando, em síntese, que: a) o produto SANDOGEN NH SOLIDO 220% é uma preparação que tem como caráter químico éter poliglicólico, de diluição aquosa, de caráter catiônico/não iônico, e seu campo de aplicação é para tingimento por esgota- mento, tingimento contínuo, não se tratan- do de um glicol de polietileno, nem tão pouco de uma cera artificial; b) seu uso é exclusivo na indústria de tingi- mentos e é um agente igualizante com afi- nidade ao corante, sendo um agente disper- sante para corantes aniônicos e catiônicos (banho único); c) a literatura anexa define as caracteristi- cas do produto e seu campo de aplicação, descartando qualquer possibilidade de seu uso como cera artificial; d) o laudo n. 116/81, do mesmo laboratório de Análises (fls. 42), conclui que o produto não é uma cera artificial; e) trata-se de um agente igualizante e dis- persante de aspecto ceroso, emulsionável em água com a presença de um éter de po- lietileno glicol de uma~'amina graxa; f) solicita ao Laboratório de Análises exame da contraprova, para que esclareça se o .. 2 produto Sandogen NH Sólido é ou não cons- tituído de uma amina graxa. A AFTN designada encaminhou o processo ao LA- BANA para reexame, face aos termos da defesa. Através da Informação Técnica n. 267/88 (fls.45/46), esclareceu aquele Laboratório, entre outros as- pectos, que: • • ~OOlheu a) "o parecer exarado em um laudo prende-se exclusivamente à amostra objeto daquela análise (veja-se carimbo no verso do pedi- do de análise 116/81, às fls. 42) e não deve ser estendido a análises posterio- res" ; b) "o laudo 116/81 foi emitido antes da re- forma geral deste laboratório e, nessa época, a casa não dispunha dos recursos técnicos e materiais de hoje. Nestas cir- cunstâncias, via-se na contingência de emitir pareceres, muitas vezes, calcados em informações fornecidas pelo próprio in- teressado ou constantes da literatura. Na prática, observa-se que tais informações muitas vezes não se confirmam"; c) "verifica-se ser improcedente e absurda a literatura anexada às fls. 32/41 por tra- tar-se do produto Sandogen NH líquido, di- ferente, portanto, do declarado pelo im- portador e analisado por este Laboratório (Sandogen sólido)"; d) "uma vez sendo as ceras artificiais subs- tituintes das ceras naturais, seu uso é o mais diversificado possível. Tem-se conhe- cimento, dentre outros, o de aditivo de tintas para impressão offset, na indústria de papel como aditivo em recobrimento pa- rafínico, em processos de vulcanização de borracha, como adjuvante na extrusão da mesma, preparação de aprestos e acabamen- tos têxteis e até mesmo na preparação de certos cosméticos. Imaginar, portanto, que o emprego de uma cera artificial limita-se a dar brilho e afins constitui profunda ignorância dos aspectos técnicos que cer- cam a questão"; e) a análise da contraprova arquivada refe- rente ao produto Sandogen NH objeto do PA 3819/87 torna-se dispensável, uma vez que a evidência ou não de amina graxa presente na amostra não altera sua classificação como cera artificial; e f) ratifica, na íntegra, o laudo PA 3819/87. O produto de nome comercial Sandogen NH sólido atende a todas as propriedades de cera previstas nas NENCCA, pág. 453, cons- tituindo, portanto, uma cera artificial. Na réplica (fls. 47), a AFTN designada não as razões da defesa, argumentando que, conforme In- I _ J .. • • 3 formação Técnica n. 267/88, o produto constitui uma cera ar- tificial. A ação fiscal foi julgada procedente em la. Instância, conforme Decisão n. 47/89 (fls. 48/53). A empresa recorreu a este Colegiado, tempes- tivamente, tendo esta Câmara convertido o julgamento em di- ligência ao Instituto Nacional de Tecnologia - INT, pela Re- solução n. 301-419, de 20.09.89. Em 04.11.92, o INT encaminhou seu parecer de 20.10.92 em cumprimento àqUel~eSoluçãO. E o "",.t6"'O''(" clusivamente, ser estendido 45/46). tivas à para quelcomo cera çpticas das \ • • V o T o Conselheiro ITAMAR VIEIRA DA COSTA, relator: O recurso é tempestivo e dele tomo conheci- mento. A decisão de la. Instância está assim ementa- da: "REVISAO. Procedimento fiscal quanto ao en- quadramento tarifário de SANDOGEN NH SOLIDO 220%. AÇAO FISCAL PROCEDENTE." A autoridade julgadora "a quo" assim jusfifi- ca sua decisão: "A classificação de mercadoria para lançamen- to do Imposto de Importação consiste no seu enquadramento na TAB, mediante observância das Regras Gerais e Complementares para interpretação da NBM, combinadas com as notas tarifá- rias e demais dispositivos aplicáveis da legislação tributá- ria (D.L. 1753/79 e art. 100, caput, do Regulamento Aduanei- ro, aprovado pelo Decreto n. 91.030/85). As Notas Explicativas da Nomenclatura do Con- selho de Cooperação Aduaneira (NENCCA) são reconhecidas, por lei, como fonte subsidiária de interpretação do conteúdo das posições e desdobramentos da Nomenclatura Brasileira de Mer- cadorias (parágrafo único do art. 100 do R.A.). A mercadoria despachada, de conformidade com os documentos de importação, foi igualizante à base de um poliglicoleter cationativo, em forma cerosa, estável em tin- gimento de fibras poliamídicas e altas temperaturas, tensoa- tividade de 49,9 dyn/cm (solução aquosa a 0,5% de concentra- ção a 20 graus C). Os Laudos de Análises números 1536/87 e 3819/ 87 (fls. 15 e 24) identificaram o produto como cera artifi- cial de éter poliglic61ico. O parecer exarado em um laudo prende-se, ex- à amostra objeto daquela análise e não deve a análises posteriores (INF. 267/88 fls. A literatura técnica anexada às fls. 32/41 refere-se ao produto "Sandogen NH Líquido", e não ao produto objeto do presente processo (Sandogen NH Sólido). A análise da contraprova do referido produto é dispensável, uma vez que a evidência ou não de amina graxa presente na amostra não altera sua classificação como cera artificial (INF. 267/88, fls. 46). As NENCCA estabelecem, nas observações rela- posição 34.04 (pág. 453), parâmetros obrigatórios determinado produto químico possa ser considerado artificial. O produto em foco possui todas as caracteris- ceras artificiais, conforme citação das NENCCA nas • • 2 já mencionadas observações relativas à pOSlçao 34.04 (pág. 453) e dados fornecidos pelo Laboratório de Análises (Laudos números 1536/87 e 3819/87 e INF. 267/88). O referido produto tem classificação no códi- go TAB 34.04.01.99, relativo a "ceras artificiais qualquer outra", com aliquotas de 85% para o 1.1. e 15% para o IPI." Para que não fosse, no futuro, alegado cer- ceamento do direito de defesa, esta Cfunara determinou dili- gência ao INT, pela Resolução n. 301-419/89. Ouviu-se opi- nlao técnica do Instituto Nacionala de Tecnologia, cujo re- sultado de sua Informação Técnica, de 20/10/92 - Oficio n. 621/INT foi o seguinte: "O produto de nome comercial "SANDOGEN NH Só- lido 200% tem aspecto caracteristico de ce- ras (segundo NESH), sendo solúvel em água." Isto posto, entendo que foi correta a autua- ção feita e, nesse passo, voto no sentido de negar provimen- to ao recurso. Excluo, de oficio, a multa de mora, acompa- nhando a jurisprudência pacifica deste Colegiado . Sala das Sessões, 16 de:.fevereiro- de 1993. d-bITAMAR VIEIRA DA COSTA Re~atorl 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006
score : 1.0
Numero do processo: 11474.000022/2007-02
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/12/2006
Ementa:
ARBITRAMENTO.
A autoridade lançadora se utilizará do arbitramento sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados pelo sujeito passivo.
MULTA REDUÇÃO LEI MENOS SEVERA APLICAÇÃO RETROATIVA CTN,
ART. 106 Tratando-se de crédito não definitivamente julgada, aplica-se o disposto no art. 106 do CTN que permite a redução da multa prevista na lei mais nova, por ser mais benéfica ao contribuinte, mesmo a fatos anteriores à legislação aplicada.
PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO.
O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada sua prescindibilidade.
Considerar-se-á como não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, IV c/c §1° do Decreto n° 70.235/72.
CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA.
É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA.
SEBRAE
É legítima a cobrança da contribuição para o SEBRAE.
Numero da decisão: 2403-001.218
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que seja recalculada a multa de mora de acordo com a redação do artigo 35 da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei n o 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fazendo prevalecer a mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2005 a 31/12/2006 Ementa: ARBITRAMENTO. A autoridade lançadora se utilizará do arbitramento sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados pelo sujeito passivo. MULTA REDUÇÃO LEI MENOS SEVERA APLICAÇÃO RETROATIVA CTN, ART. 106 Tratando-se de crédito não definitivamente julgada, aplica-se o disposto no art. 106 do CTN que permite a redução da multa prevista na lei mais nova, por ser mais benéfica ao contribuinte, mesmo a fatos anteriores à legislação aplicada. PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada sua prescindibilidade. Considerar-se-á como não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, IV c/c §1° do Decreto n° 70.235/72. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA. SEBRAE É legítima a cobrança da contribuição para o SEBRAE.
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Recorrida FAZENDA NACONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2005 a 31/12/2006 Ementa: ARBITRAMENTO. A autoridade lançadora se utilizará do arbitramento sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados pelo sujeito passivo. MULTA REDUÇÃO LEI MENOS SEVERA APLICAÇÃO RETROATIVA CTN, ART. 106 Tratandose de crédito não definitivamente julgada, aplicase o disposto no art. 106 do CTN que permite a redução da multa prevista na lei mais nova, por ser mais benéfica ao contribuinte, mesmo a fatos anteriores à legislação aplicada. PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada sua prescindibilidade. Considerarseá como não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, IV c/c §1° do Decreto n° 70.235/72. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA. SEBRAE É legítima a cobrança da contribuição para o SEBRAE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que seja recalculada a multa de mora de acordo com a redação do artigo 35 da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fazendo prevalecer a mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Carlos Alberto Mees Stringari Relator/Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Cid Marconi Gurgel de Souza, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11474.000022/200702 Acórdão n.º 2403001.218 S2C4T3 Fl. 117 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis, Acórdão 0711.258 da 6ª Turma, que julgou procedente o lançamento. A autuação foi assim apresentada no relatório do acórdão recorrido: Tratase de lançamento de crédito tributário lavrado em 30/03/2007 no valor de RS 123.629,31 (cento e vinte e três mil e seiscentos e vinte e nove reais c trinta e um centavos), referente ao período de 05/2005 a 12/2006, em razão da falta de recolhimento de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa e dos segurados, inclusive aquelas destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e as contribuições destinadas a outras entidades, quais sejam o SalárioEducação, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE. O lançamento foi efetuado por arbitramento, diante da constatação de que a escrituração contábil da Notificada não registra o movimento real de sua receita e das remunerações dos segurados a seu serviço. Em 25/04/2007, apresenta o Sujeito Passivo impugnação ao lançamento mediante instrumento de fls. 55 a 70, onde alega, em síntese: que o valor devido já foi devidamente quitado, existindo até mesmo saldo a ser compensado, e não débito a ser pago; que os serviços foram prestados exclusivamente pelo sócio administrador da empresa, dada a natureza intelectual do serviço prestado; que é incabível o arbitramento no caso ora debatido, pois a reclamante colocou a disposição do Fiscal todos os livros, notas e demais documentos contábeis, que permitiriam a apuração da base de cálculo real da contribuição previdenciária que entende devida; que, para o arbitramento, não basta que a escrita esteja irregular, mas fazse necessário que essa irregularidade acarrete obstáculos insuperáveis para a aferição dos fatos geradores e das bases de cálculo efetivamente ocorridos; que não há previsão legal que impute ao contribuinte/administrado uma penalidade no patamar de 40%, Fl. 127DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 sendo que esta obrigação advém de instrução normativa, que não tem o condão de impor punição em decorrência do princípio da legalidade; que é necessária perícia perante os tomadores de serviços para comprovação de todo o alegado; que o Auditor Fiscal ultrapassou/extrapolou sua competência ao alegar que os lançamentos contábeis contém informações diversas da realidade, não registrando o movimento real de seu faturamento, pois o faturamento da empresa não possui reflexos previdenciários; que as contribuições ao INCRA e ao SEBRAE encontramse revogadas, não podendo ser exigidas da impugnante; Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: • O valor devido ao INSS já foi devidamente quitado, ou seja, já havia sido recolhido pela tomadora de serviços, havendo, na verdade, em decorrência destes valores (já recolhidos na fonte pagadora), saldo a ser compensado pela recorrente, e não débito a ser pago. • A recorrente protocolizou, junto à Unidade de Atendimento da SRP, em Jaraguá do Sul, pedido de Restituição de Retenção e, a partir deste, o Órgão Previdenciário apurou diferenças a serem recolhidas pela recorrente. • Os serviços prestados pela empresa (basicamente a instalação/ligação de equipamentos elétricos e consultoria), ora recorrente, foram realizados exclusivamente por seu sócio administrador, dada a natureza intelectual do serviço prestado, cai especial sua complexidade que demanda grande treinamento e destreza. • Importante destacar que jamais houve qualquer outra pessoa física que prestasse serviços à recorrente (nenhum empregado). • Arbitramento. Não basta que a escrita este" irregular, mas fazse necessário que essa irregularidade acarrete obstáculos insuperáveis para a aferição dos fatos geradores e das bases de cálculo efetivamente ocorridos. • INCRA. • SEBRAE. • Perícia. É o reatório. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11474.000022/200702 Acórdão n.º 2403001.218 S2C4T3 Fl. 118 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS APURADAS POR AFERIÇÃO INDIRETA Tratase o presente processo de lançamento de contribuições previdenciárias apuradas por meio da aferição indireta, em decorrência de evidente atitude dolosa por parte da recorrente. Consta registro de Representação Fiscal para Fins Penais. 11. Foi elaborada Representação Fiscal Para Fins Penais, em virtude das divergências entre os valores das 1ª . e 2ª . vias das notas fiscais acima citadas. Segundo o Relatório Fiscal, a base de cálculo foi aferida em 40% do valor bruto das notas fiscais de serviço. A aferição está fundamentada no artigo 33 da Lei 8.212/91. Art. 33 da Lei 8.212/91: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. "§ 3° Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de oficio importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 § 6° Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Consta do processo e está comprovado por meio de documentos, que o Fisco comparou as 1ª vias das notas fiscais (obtidas junto aos tomadores de serviço) com as 2ª vias (apresentadas pela recorrente nos pedidos de restituição) e verificou que os valores das 2ª vias eram menores que os das 1ª vias. Os recolhimentos, efetuados pelas tomadoras em nome da Notificada, são idênticos aos valores das retenções destacadas na 1ª via das notas fiscais (documentos de fls.140 a 142). Concluise que os valores corretos são os constantes da 1ªvia, sendo a 2ª via uma fraude. O Livro Diário n° 02, que contém lançamentos com valores constantes da 2ª via das Notas Fiscais, por conseqüência, também é uma fraude. Os fatos acima citados não foram questionados pela recorrente. 5. Motivaram a lavratura da presente Notificação, por arbitramento, a constatação de que a escrituração contábil da Notificada não registra o movimento real de sua receita e das remunerações dos segurados a seu serviço, conforme exposições nos subitens abaixo: • 5.1 A notificada apresentou o Livro Diário No. 02 cujas páginas 10, 17 e 18 foram rubricadas durante a ação fiscal registrado na Junta Comercial do Estado de Santa Catarina sob No, 07/0376506, em 12/02/2007, o qual contém lançamentos com informações diversas da realidade, não registrando o movimento real de seu faturamento. Constam lançamentos, relativos à prestação de serviços e respectivas retenções de 11%, escriturados em valores inferiores aos constantes das 1ª . vias das notas fiscais, conforme discriminado abaixo: Fl. 130DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11474.000022/200702 Acórdão n.º 2403001.218 S2C4T3 Fl. 119 7 ... 5.1.4 Do confronto entre os valores constantes das 1ª vias das notas fiscais doravante identificadas como "vias das tomadoras" com os valores das 2ª vias doravante identificadas como "vias da notificada" com os valores contabilizados e os valores recolhidos, a título de retenção, constatase que: a) Os valores, relativos aos serviços prestados e retenções de 11%, constantes das "vias das tomadoras" são superiores aos valores das "vias da notificada" e aos valores contabilizados; b) Os recolhimentos, efetuados pelas tomadoras em nome da Autuada, são idênticos aos valores das retenções destacadas nas "vias das tomadoras", o que corrobora a veracidade das informações contidas nessas vias das notas fiscais. Outro ponto a se destacar é a afirmação que todos os serviços foram realizados exclusivamente por seu sócio administrador e que jamais houve qualquer outra pessoa física que prestasse serviços à recorrente (nenhum empregado). Consta do acórdão recorrido e também não foi questionado pela recorrente que num mesmo dia foram prestados serviços em Pirajuba/MG e Porto União/SC. Noutro dia serviços prestados em Videira/SC, Atalaia/AL e Caçador/SC. Entendo que uma única pessoa não poderia trabalhar dessa forma. A planilha anexada de fls. 129 a 133, com a relação dos serviços prestados no período dos fatos geradores constantes deste lançamento, apresenta diversos tomadores de serviços, para atividades de manutenção e consertos diversos, além de consultoria. Estes serviços eram executados em urna área de atuação que inclui nove estados brasileiros, muitas vezes incluindo dois serviços prestados no mesmo dia em diferentes estados, como, por exemplo, em 11/07/2005, que constam serviços prestados em Pirajuba/MG e Porto União/SC, ou em 19/10/2005, com serviços prestados em Videira/SC, Atalaia/AL e Caçador/SC, fatos Fl. 131DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 altamente incompatíveis com a ausência de empregados contratados para o adimplemento dos serviços. Concluo que os fatos narrados no processo conduziram o Fisco para o legal e correto caminho de apurar as contribuições devidas pela via da aferição indireta. À recorrente cabia o ônus da prova em contrário, o que não aconteceu. INCRA Quanto à improcedência de contribuição ao INCRA, esclarecemos à recorrente que não há razão na sua alegação. A contribuição ao INCRA é uma contribuição social criada no interesse de promover e equilibrar o ambiente rural e não há exigência legal para que as empresas contribuintes tenham qualquer vínculo com o setor rural ou mesmo com o regime de previdência dos rurícolas. O próprio Supremo Tribunal Federal já analisou a questão e entendeu ser legítima a cobrança das empresas urbanas, uma vez que interessa à coletividade dos trabalhadores. (RE’s nºs 225.368, Rel. Min. Ilmar Galvão, 263.208, Rel. Min. Néri da Silveira, 254.634, Rel. Min. Sydney Sanches) Assim, não há que se alegar improcedência dessa exigência. Ressaltase, por fim, que é vedado a este órgão julgador afastar a aplicação de normas legais sob fundamento de inconstitucionalidade. Neste sentido, foi aprovada pelo Conselho Pleno do Segundo Conselho de Contribuintes a Súmula 02, publicada no DOU de 26/09/2007: “O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária” SEBRAE A cobrança das contribuições destinadas a outra entidades e fundos estão regularmente previstas em lei, conforme relatório de fundamentação legal, não assistindo razão à recorrente quanto aos vícios que suscita. Em relação à contribuição destinada ao SEBRAE, segue ementa do entendimento firmado pelo TRF da 4ª Região: Tributário – Contribuição ao Sebrae – Exigibilidade. 1. O adicional destinado ao Sebrae (Lei nº 8.029/90, na redação dada pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no DecretoLei nº 2.318/86 (Senai, Senac, Sesi e Sesc), prescindível, portanto, sua instituição por lei complementar. 2. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11474.000022/200702 Acórdão n.º 2403001.218 S2C4T3 Fl. 120 9 Prevê a Magna Carta tratamento mais favorável às micro e pequenas empresas para que seja promovido o progresso nacional. Para tanto submete à exação pessoas jurídicas que não tenham relação direta com o incentivo. 3. Precedente da 1ª Seção desta Corte (EIAC n 2000.04.01.1069909). ACÓRDÃO: Vistos e relatados estes autos entre as partes acima indicadas, decide a Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório, voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Porto Alegre, 17 de junho de 2003. (TRF 4ª R – 2ª T – Ac. nº 2001.70.07.0020183 – Rel. Dirceu de Almeida Soares – DJ 9.7.2003 – p. 274) No mesmo sentido se consolidou a jurisprudência no STJ, conforme ementa do Agravo Regimental no Agravo de Instrumento de n ° 840946 / RS, publicado no Diário da Justiça em 29 de agosto de 2007: TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÕES AO SESC, AO SEBRAE E AO SENAC RECOLHIDAS PELAS PRESTADORAS DE SERVIÇO – PRECEDENTES. 1. A jurisprudência renovada e dominante da Primeira Seção e da Primeira e da Segunda Turma desta Corte se pacificou no sentido de reconhecer a legitimidade da cobrança das contribuições sociais do SESC e SENAC para as empresas prestadoras de serviços. 2. Esta Corte tem entendido também que, sendo a contribuição ao SEBRAE mero adicional sobre as destinadas ao SESC/SENAC, devem recolher aquela contribuição todas as empresas que são contribuintes destas. 3. Agravo regimental improvido. Por fim, assim também vem entendendo o Supremo Tribunal Federal, conforme julgamento dos Embargos de Declaração no Agravo de Instrumento n ° 518.082, publicado no Diário da Justiça em 17 de junho de 2005, cuja ementa é abaixo transcrita: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OPOSTOS À DECISÃO DO RELATOR: CONVERSÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEBRAE: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. Lei 8.029, de 12.4.1990, art. 8º, § 3º. Lei 8.154, de 28.12.1990. Lei 10.668, de 14.5.2003. CF, art. 146, III; art. 149; art. 154, I; art. 195, § 4º. I. Embargos de declaração opostos à decisão singular do Relator. Conversão dos embargos em agravo regimental. II. As contribuições do art. 149, CF contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse de categorias profissionais ou econômicas posto estarem sujeitas à lei complementar do art. 146, III, CF, isso não quer dizer que deverão ser instituídas por lei complementar. A contribuição social do art. 195, § 4º, CF, decorrente de "outras fontes", é que, Fl. 133DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 para a sua instituição, será observada a técnica da competência residual da União: CF, art. 154, I, ex vi do disposto no art. 195, § 4º. A contribuição não é imposto. Por isso, não se exige que a lei complementar defina a sua hipótese de incidência, a base imponível e contribuintes: CF, art. 146, III, a. Precedentes: RE 138.284/CE, Ministro Carlos Velloso, RTJ 143/313; RE 146.733/SP, Ministro Moreira Alves, RTJ 143/684. III. A contribuição do SEBRAE Lei 8.029/90, art. 8º, § 3º, redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003 é contribuição de intervenção no domínio econômico, não obstante a lei a ela se referir como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais relativas às entidades de que trata o art. 1º do DL 2.318/86, SESI, SENAI, SESC, SENAC. Não se inclui, portanto, a contribuição do SEBRAE no rol do art. 240, CF. IV. Constitucionalidade da contribuição do SEBRAE. Constitucionalidade, portanto, do § 3º do art. 8º da Lei 8.029/90, com a redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003. V. Embargos de declaração convertidos em agravo regimental. Não provimento desse. Pro tudo, não procede o argumento da recorrente de que as contribuições destinadas ao SEBRAE somente podem ser exigidas de microempresas e de empresas de pequeno porte. PERÍCIA A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde de litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probando puder ser demonstrado pela juntada de documentos e neste caso, a prova documental carreada aos autos era suficiente para o esclarecimento da questão. A perícia deve ser deferida apenas quando a prova do fato depender de conhecimento técnico especial, hipótese inocorrente nos autos. A Empresa não apresentou nenhum aspecto inédito evidenciado após a auditoria fiscal, cuja apreciação requeira exame especial ou técnico. Não constam da peça defensiva elementos que justifiquem a peritagem, o que torna desnecessária a perícia solicitada. MULTA DE MORA A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 61 da Lei 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11474.000022/200702 Acórdão n.º 2403001.218 S2C4T3 Fl. 121 11 Visto que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. CONCLUSÃO À vista do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 135DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 15586.001970/2008-21
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/04/2004 a 31/12/2004
PREVIDENCIÁRIO. GUIA DE RECOLHIMENTO DO FUNDO DE GARANTIA DO TEMPO DE SERVIÇO E INFORMAÇÕES À PREVIDÊNCIA SOCIAL GFIP.
A apresentação da GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa .
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
A lei aplica-se a ato ou a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-001.140
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, para que se recalcule o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32-A da Lei 8.212/91, na redação dada pela
Lei 11.941/2009.
Nome do relator: IVANCIR JÚLIO DE SOUZA
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GUIA DE RECOLHIMENTO DO FUNDO DE GARANTIA DO TEMPO DE SERVIÇO E INFORMAÇÕES À PREVIDÊNCIA SOCIAL GFIP. A apresentação da GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa . MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A lei aplicase a ato ou a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que se recalcule o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Carlos Alberto Mees StriongariPresidente Ivacir Júlio de SouzaRelator Fl. 259DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/04/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, e Jhonatan Ribeiro da Silva. Convocada a conselheira Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente o Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/04/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001970/200821 Acórdão n.º 240301.140 S2C4T3 Fl. 2 3 Relatório A instância “ ad quod ” produziu o Relatório em tela que li, compulsei com os autos e tendo corroborado abaixo reproduzo com grifos de minha autoria: “ Conforme esclarece o relatório fiscal de fls. 69/74: 1. A empresa apresentou a GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições Previdenciárias. 2. Informa a Auditoria Fiscal que a Autuada deixou de informar em GFIP as contribuições incidentes sobre remunerações de segurados empregados e contribuintes individuais, relativas ao fornecimento pela ITABRASCO de refeições e cestas alimentação a segurados da previdência social em desconformidade com a legislação, uma vez que para que essas parcelas não integrem o saláriodecontribuição, devem ser fornecidas de acordo com o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Assevera a Auditoria Fiscal que a empresa autuada, durante ação fiscal, não comprovou estar inscrita no referido programa, apesar de instada a efetuar dita comprovação. 3. Acrescenta a Auditoria que solicitou através de email (pat@mte.gov.br ) informações sobre a situação da empresa junto ao PAT, tendo sido informada que a Autuada não é cadastrada no referido programa. 4. Segundo a Auditoria, os valores referentes ao fornecimento de refeições foram contabilizados de forma deficiente, vez que a Autuada registrava na mesma conta verbas sujeitas, e não sujeitas, à incidência de contribuições previdenciárias (ver itens 5.1.12. a 5.1.16. do relatório fiscal). O mesmo aconteceu em relação aos valores das despesas com cesta alimentação. Dos valores apurados foram deduzidos os valores descontados dos segurados. 5. No entender da Auditoria Fiscal, a Autuada deixou de declarar em GFIP as contribuições incidentes sobre valores reembolsados a empregados e diretores da empresa, referentes aos benefícios "(0159) reembolso despesa educacional 3 0 grau" e "(0077) – verba material escolar". Tais verbas visam reembolsar despesas com ensino superior dos empregados da Autuada e despesas com material escolar dos dependentes dos empregados e diretores da empresa autuada. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/04/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 6. Assinala o relatório fiscal que o reembolso de despesas com educação de nível superior está sujeito à incidência de contribuições previdenciárias segundo esclarecimentos prestados pela CoordenaçãoGeral de Matéria Tributária, através do Parecer CGMT/AAE n° 04/2006. Por sua vez, o reembolso de despesas com material escolar dos empregados e diretores da empresa autuada também está sujeito à incidência de contribuições previdenciárias, no entender da Auditoria, por se tratarem de um beneficio proporcionado aos segurados, tendo natureza remuneratória, e por não haver previsão legal que torne tais pagamentos isentos da incidência de contribuições. 7. Consta do relatório fiscal que não ficaram configuradas circunstâncias agravantes, previstas no artigo 290 do RPS. Foram elaboradas pela Auditoria as planilhas explicativas de fls. 75/103. 9. Acompanha o relatório fiscal da aplicação da multa de fls. 104, a planilha explicativa de fls. 105. DA IMPUGNAÇÃO 10. A Autuada foi intimada pessoalmente, em 04/11/2008, conforme se verifica às fls. 01, tendo ingressado com a defesa de fls. 137/154, protocolada em 03/12/2008 (conforme se verifica às fls. 137). 11. Alega a Impugnante que: "Com relação à autuação sobre o reembolso de despesas com mensalidades e materiais escolares, cabenos soerguer a impossibilidade da incidência das contribuições previdenciárias sobre tais valores". 12. E acrescenta: "Ocorre que o inciso II do parágrafo 2" do artigo 458 da CLT, com redação dada pela Lei n'10.24312001, expressamente exclui do cômputo do salário do empregado a educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos à matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático " e que "Da redação de tais dispositivos inferese que reembolso com despesas educacionais creditados a qualquer título não é salário ou remuneração para `todos os efeitos legais', inclusive para efeitos prévidenciários ". 13. A Notificada, em sua peça impugnatória, alega, ainda: "O C. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA já decidiu pela não incidência das contribuições previdenciárias sobre o auxílio alimentação concedido 'in natura' mesmo não estando o empregador inscrito no PAT... " (Cita jurisprudência do STJ) 14. E que: "Nesse sentido, é incabível fazer incidir as contribuições previdenciárias sobre auxílio alimentação 'in natura' concedido em refeitório próprio, mesmo que não registrado o empregador no PAT, justamente por tal parcela não ter natureza salarial, e, consistir em beneficio em prol do trabalhador para a produção industrial ". 15. Conclui a Impugnante que, uma vez que as questionadas verbas não estão sujeitas à incidência de contribuições previdenciárias, não estaria obrigada a declarar tais contribuições em GFIP. 16. É o relatório.” Fl. 262DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/04/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001970/200821 Acórdão n.º 240301.140 S2C4T3 Fl. 3 5 DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, na forma do registro de fls. 183, a 14 ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil do Rio de Janeiro – RJ – DRJ/RJ1, em 29 de setembro de 2009, exarou o Acórdão n° 1226.404 mantendo procedente o lançamento. DO RECURSO Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, fls.198 onde reiterou as alegações que fizera em instancia “ad quod ”. É o Relatório Fl. 263DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/04/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fls. 233, recurso é tempestivo. Aduz que reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO Tendo como certo que o presente lançamento referese ao DEBCAD n° 37.180.2725, a Recorrente no início de sua peça recursal , no item 3°, daquele documento destaca que : “ Não obstante a regularidade fiscal da ora RECORRENTE, instaurouse procedimento administrativo fiscal cujo resultado foi a lavratura dos seguintes autos administrativos: DEBCAD n° 37.200.1360 DEBCAD n° 37.200.1378 DEBCAD n° 37.200.1386 DEBCAD n° 37.180.2717 DEBCAD n° 37.180.2725.” Assim, de plano o contribuinte admite que em se tratando o lançamento em análise de OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS, este resta vinculado ao destino das decisões sobre as obrigações principais que lhes deram causa. Desse modo, muito embora tenha trazido à colação argumentos que guerreiam a motivação dos Auditores ao efetuarem aqueles lançamentos, estes não serão apreciados em razão da específica motivação da constituição do crédito ora em comento qual seja a apresentação das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIPs com dados não correspondentes aos fatos geradores. Em síntese alega a Recorrente que não se subsumindo aos critérios estabelecidos para obrigações principais, não haveria razões para obrigações de fazer vinculadas. Neste sentido, na condução do voto a quo, às fls. 186, o I.Relator, no mesmo diapasão de meu entendimento, assim se manifestou : “18. Cabe assinalar que os argumentos apresentados pela Impugnante já foram apreciados quando do julgamento do processo n° 15586.001965/200819, o qual foi julgado procedente, através do acórdão n° 1223.020, de 19/02/2009. Também foi julgado procedente o processo n° 15586.001966/200863, referente a verbas da mesma natureza, e no qual foi proferido o acórdão n° 1223.490, de 26/03/2009. Também foi mantido o crédito fiscal referente ao processo n° Fl. 264DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/04/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001970/200821 Acórdão n.º 240301.140 S2C4T3 Fl. 4 7 15586.001968/200852, também referente a verbas de mesma natureza, e no qual foi prolatado o acórdão n°1223.491, de 26/03/2009.” Da multa A instância “ad quod” rendeuse à hipótese de se observar retroatividade benigna, no pagamento, quando da ocasião do eventual trânsito em julgado sem que os argumentos da Recorrente tenham prosperado. E assim concluiu: “ 27. Em síntese, a retroatividade benigna deve ser observada e aplicada no momento do pagamento, razão pela qual devese manter integralmente o seu valor no presente instante, posto que procedente o levantamento originalmente feito. ” Neste ponto devo admitir corroborar o entendimento entretanto pelas conclusões, divergindo dos motivos alegados. Aduz que o sujeito passivo, na forma do relatório de fls.01, da DESCRIÇÃO SUMÁRIA DA INFRAÇÃO E DISPOSITIVO LEGAL INFRINGIDO, consta a infração capitulada nos termos da a Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV e parágrafo 3 e 5. A autuação ocorreu em 04/11/2008, abrangendo fatos geradores ocorridos no período 01/2004 a 12/2004 antes da revogação do artigo em tela com a introdução do artigo 32 A, na forma da redação dada pela Lei 11.941 de 2009, verbis: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 265DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/04/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). ” Fazendo a retrospectiva, a recorrente foi autuada sob os preceitos do então revogado artigo 32. Desse modo, não percebo razões para buscar fundamentos e parâmetros noutros artigos da legislação senão exclusivamente no revogado e no revogador. Isto colocado, incluídos pela Lei no 11.941, de 2009, nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 32 a Lei 8.212/91, verificase o comando do Art. 32 A. DA RETROATIVIDADE O artigo 106 do Código Tributário Nacional CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna: “ Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Visto do prisma exposto, impõese o recálculo da multa ocorra com base no artigo 32A da Lei nº 11.941/ 2009 em razão do novo comando expressado e também preceituado na forma do artigo 32, § 9o da Lei 8.212/91 para comparálo com o valor da multa aplicada com prevalência da multa mais benéfica: “Lei 8.212/91 Fl. 266DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/04/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.001970/200821 Acórdão n.º 240301.140 S2C4T3 Fl. 5 9 § 9o A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV do caput deste artigo ainda que não ocorram fatos geradores de contribuição previdenciária, aplicandose, quando couber, a penalidade prevista no art. 32A desta Lei. ” CONCLUSÃO Diante de tudo que foi exposto, conheço do recurso para , NO MÉRITO, dar lhe PROVIMENTO PARCIAL determinando que por ocasião do pagamento se observe o recálculo da multa de mora de acordo com a redação do artigo 32A da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, fazendo prevalecer a multa mais benéfica para o contribuinte. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Fl. 267DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/04/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 14479.000270/2007-93
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. EMPRESAS URBANAS. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. ENQUADRAMENTO COMO FUNCIONÁRIOS DE TRABALHADORES AUTÔNOMOS. MULTA DE MORA.
Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos dos arts. 150, § 4º, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal.
É legitima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural.
É possível o enquadramento como empregados de trabalhadores autônomos, desde que previstas as condições do art. 229, § 2o do Decreto n. 3.048/99.
Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-001.155
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, nas preliminares, por unanimidade de votos em reconhecer a decadência até a competência de 08/2002, inclusive, com base no art. 150, § 4º do CTN. No Mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o
valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
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DECADÊNCIA. EMPRESAS URBANAS. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. ENQUADRAMENTO COMO FUNCIONÁRIOS DE TRABALHADORES AUTÔNOMOS. MULTA DE MORA. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos dos arts. 150, § 4º, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. É legitima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural. É possível o enquadramento como empregados de trabalhadores autônomos, desde que previstas as condições do art. 229, § 2o do Decreto n. 3.048/99. Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, nas preliminares, por unanimidade de votos em reconhecer a decadência até a competência de 08/2002, inclusive, com base no art. 150, § 4º do CTN. No Mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/03 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente Marcelo Magalhães Peixoto – Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Jhonatas Ribeiro da Silva, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/03 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14479.000270/200793 Acórdão n.º 2403001.155 S2C4T3 Fl. 2 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD (DEBCAD n. 37.013.5482), emitida em 05/09/2007, cuja notificação ocorreu em 05/09/2007 (fl. 01), lavrada em face da SINDAL S/A SOCIEDADE INDUSTRIAL DE ARTEFATOS PLÁSTICOS, no valor de R$ 671.737,07 (seiscentos e setenta e um mil, setecentos e trinta e sete reais e sete centavos), referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte dos segurados empregados da empresa, do financiamento aos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – SAT/RAT, e às destinadas às outras entidades – Terceiros, sobre pagamentos efetuados aos contribuintes individuais e prólabore aos diretore. O período de apuração corresponde às competências: 10/1998 a 12/2006. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a Recorrente apresentou, tempestivamente, Impugnação de fls. 157/174. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, a 9a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo (SP) – DRJ/SPOII, prolatou o Acórdão n° 1722.157, de fls. 234/242, mantendo procedente o lançamento, conforme ementa que abaixo se transcreve, verbis: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/2006 NFLD n°37.013.5482, de 05/09/2007. Decadência A decadência para as contribuições previdenciárias é decenal nos termos da legislação em vigor. Vinculo Empregatício A Auditoria Fiscal é competente para efetuar o enquadramento do segurado como empregado, desde que preenchidos os requisitos estabelecidos por lei. Incra Incide contribuição para o INCRA sobre os pagamentos efetuados a segurados empregados, nos termos do art. 1 °, inciso I, item 2, e art. 3° do Decreto Lei n° 1.146/1970 c/c art. 15, inciso II, da Lei Complementar n° 11/1971. Acréscimos Legais Contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, não recolhidas no prazo legal, ficam sujeitas aos juros equivalentes taxa referencial SELIC e à multa de mora, ambos de caráter irrelevável, conforme disposto nos artigos 34 e 35 da Lei n°8.212/91. Lançamento Procedente” DO RECURSO Fl. 280DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/03 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Inconformada, a Recorrente interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 248/265, com os seguintes argumentos: Do Direito Da Tempestividade do Recurso Apresentado A Recorrente recebeu a intimação do Acórdão em 07/03/2008, sendo, portanto, tempestivo o Recurso interposto até o dia 08/04/2008. Da Decadência A Fiscalização exige Contribuições Previdenciárias em relação ao período de 10/1998 a 12/2006, inclusive o 13o salário. Como a NFLD foi lavrada em 05/09/2002, decaíram os períodos de 10/1998 a 05/09/2002, nos termos do ar. 150, § 4o do CTN. Da Ilegalidade da Exigência de Contribuição para o INCRA A Recorrente entende que a parcela destinada ao INCRA deve ser excluída da NFLD, por ser indevida a sua cobrança, conforme entendimento pacífico do STJ, uma vez que está vinculada exclusivamente à previdência urbana. Nesse sentido, traz Jurisprudência do STJ e Doutrina. Da Inexistência de Vínculo Empregatício entre a Recorrente e os Trabalhadores Autônomos Apenas a Justiça do Trabalho é competente para reconhecer o vínculo empregatício. Não podendo, portanto, a Fiscalização considerar os empregados autônomos como funcionários da Recorrente. Traz artigo da Constituição Federal e jurisprudências para fundamentar o alegado. Da Multa e dos Juros de Mora A Recorrente alega que sendo desconstituída a obrigação principal, devem ser desconstituídas a multa e os juros de mora. Conclusão Requer a revisão do Acórdão preferido pela 9a Turma da DRJ/SPOII e seja anulado o AI DEBCAD n. 37.013.5458, tendo em vista a decadência do período de 01/1999 a 03/2001, nos termos do art. 150, § 4o do CTN, assim como em respeito aos pricípios da razoabilidade e proporcionalidade no que tange à multa aplicada, ou para reduzila com base no art. 112 do CTN. É o relatório. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/03 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14479.000270/200793 Acórdão n.º 2403001.155 S2C4T3 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fl. 272, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. PRELIMINARMENTE DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária de 12 de Junho de 2008, aprovou a Súmula Vinculante nº 8, nos seguintes termos: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Referida Súmula declara inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que impõem o prazo decadencial e prescricional de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias, o que significa que tais contribuições passam a ter seus respectivos prazos contados em consonância com os artigos 150, § 4º, 173 e 174, do Código Tributário Nacional: CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; De acordo com o art. 103A, da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 vincula toda a Administração Pública, inclusive este Colegiado: Fl. 282DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/03 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 CF/88 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal, poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder a sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. In casu, como se trata de contribuições sociais previdenciárias que são tributos sujeitos a lançamento por homologação, contase o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, caso se verifique a antecipação de pagamento (mesmo que parcial) ou, nos termos do art. 173, I, do CTN, quando o pagamento não foi antecipado pelo contribuinte. Nesse diapasão, mister destacar que para que seja aplicado o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, basta que haja a antecipação no pagamento de qualquer Contribuição Previdenciária, ou seja, não é necessária a antecipação em todas as competências. Havendo a antecipação parcial em uma única competência, já se aplica as regras do art. 150, § 4º do CTN. Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte dos segurados empregados da empresa, do financiamento aos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – SAT/RAT, e às destinadas às outras entidades – Terceiros, sobre pagamentos efetuados aos contribuintes individuais e prólabore aos diretores. O presente caso importa a aplicação do prazo previsto no art. 150, § 4º do CTN, pois, da análise do Discriminativo Analítico de Débito – DAD, especificamente nas fls. 07/24, dos autos, verificase que houve o pagamento parcial da Contribuição Previdenciária em várias competências. O período de apuração compreendeu as competências 10/1998 a 12/2006. A notificação ocorreu em 05/09/2007. Logo, o prazo decadencial ocorreu em relação ao período compreendido entre 10/1998 a 08/2002, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, conforme explicado. DO MÉRITO Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte dos segurados empregados da empresa, do financiamento aos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – SAT/RAT, e às destinadas às outras entidades – Terceiros, sobre pagamentos efetuados aos contribuintes individuais e prólabore aos diretores. No mérito, a Recorrente sustenta ser indevida a contribuição destinada ao INCRA, por se tratar de uma empresa urbana, assim a incompetência da Fiscalização Previdenciária, em enquadrar autônomos como funcionários da Recorrente, tendo em vista que apenas a Justiça do Trabalho pode reconhecer a existência de vínculo empregatício. DA CONTRIBUIÇÃO AO INCRA Fl. 283DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/03 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14479.000270/200793 Acórdão n.º 2403001.155 S2C4T3 Fl. 4 7 Para fundamentar a ilegalidade da contribuição devida ao INCRA, a recorrente tomou por base o antigo entendimento do Colendo STJ. Ocorre que tal entendimento está superado e, conforme a atual jurisprudência, é devida a contribuição ao INCRA, verbis: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AÇÃO RESCISÓRIA. CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. LEI N. 8.212/91. QUESTÃO INFRACONSTITUCIONAL. MODIFICAÇÃO DE ENTENDIMENTO. APLICAÇÃO DA SÚMULA 343/STF. 1. A ação rescisória foi manejada para desconstituir acórdão que entendeu indevida a contribuição para o INCRA, porquanto teria sido revogada pela Lei n. 8.212/91, entendimento este perfilhado pelo STJ à época de sua prolação. 2. A modificação do referido entendimento aconteceu somente a partir de 2006, quando se conclui que a contribuição destinada ao INCRA não foi extinta, nem pela a Lei n. 7.787/89, nem pela Lei n. 8.212/91, ainda estando em vigor. Tal entendimento foi exarado com o julgamento proferido pela Primeira Seção, nos EREsp 770.451/SC, Rel. Min. Castro Meira, Sessão de 27.9.2006. 3. Com efeito, a mudança de entendimento adotado no Superior Tribunal de Justiça não pode justificar, somente por este motivo, a impugnação por via da ação rescisória. Isso porque, após o trânsito em julgado, a lei beneficia a segurança jurídica em lugar da justiça. O fato de a matéria ter entendimento pacificado, à época, afasta a possibilidade de violação de "literal disposição de lei", ainda que a jurisprudência posteriormente tenhase firmada consoante a pretensão da parte. 4. Cumpre reiterar que tanto o STF quanto o STJ firmaram o entendimento de que a questão referente à exigibilidade da contribuição destinada ao INCRA após a edição das Leis 7.787/89 e 8.212/91 é de cunho infraconstitucional. Precedentes: RE 540.304 AgR, Rel. Min. Cezar Peluso, Segunda Turma, DJe 25/3/2010; AI 612.433 AgR, Rel. Min. Joaquim Barbosa, Segunda Turma, DJe 22/10/2009; REsp 902.349/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 3/8/2009; AgRg no REsp 597.069/SC, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 25/11/2008. 5. Incide, portanto, a Súmula 343 do STF. A título de reforço, precedentes idênticos: AgRg na AR 4.439/PR, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 22.9.2010, DJe 1.10.2010; AgRg na AR 3.509/PR, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 9.8.2006, DJ 25.9.2006, p. 202). Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1244089/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 26/04/2011, DJe 03/05/2011) (grifo nosso) Fl. 284DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/03 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 Nesse diapasão, em 09 de julho de 2009, no julgamento do Proc. n. 37311.010070/200676, a 3a Câmara / 2a Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento prolatou o Acórdão n. 230200.073, no sentido de ser devida a contribuição destinada ao INCRA, mesmo por empresas urbanas, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1996 a 31/03/2000, 01/05/2000 a 31/08/2001, 01/12/2001 a 20/12/2001 (...) EMPRESAS URBANAS. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. É legitima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural. (...) Recurso Voluntário Provido em Parte (...) ACORDAM os membros da 3a Câmara / 2a Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, com fundamento nos artigos 150, § 4° e 173, 1 do CTN, acatar a preliminar de decadência de parte do período a que se refere o lançamento para provimento parcial do recurso. Os Conselheiros Edgar Silva Vidal e Manoel Coelho Arruda Junior acompanharam o Relator pelas conclusões entendendo que se aplica o artigo 150, § 4° do CTN para ambos os levantamentos; no mérito, por unanimidade de votos, mantidos os demais valores. (grifo nosso) Portanto, reconhecida a legalidade da contribuição devida ao INCRA, não deve ser reformado o Acórdão da DRJ no qua tange a esse pedido. DO VÍNCULO EMPREGATÍCIO ENTRE A RECORRENTE E OS TRABALHADORES AUTÔNOMOS A Recorrente negou de forma genérica a existência de vínculo empregatício com os serviços prestados pelos autônomos, assim como alega que a Fiscalização considerou como empregados os trabalhadores autônomos de forma indevida, vez que a competência para reconhecimento de vínculo trabalhista seria da Justiça do Trabalho e não da Fiscalização Previdenciária. Nesse sentido, conforme restará demonstrado, pode a Fiscalização atribuir vículo empregatício aos autônomos, caso verifique que o contratado exerce atividade de empregado, conforme disposição constante no art. 229, § 2o do Decreto n. 3.048/99, abaixo transcrito, verbis: Art. 229. O Instituto Nacional do Seguro Social é o órgão competente para: (...) Fl. 285DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/03 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14479.000270/200793 Acórdão n.º 2403001.155 S2C4T3 Fl. 5 9 § 2o Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) Nesse diapasão, há várias razões para concordar com o procedimento da fiscalização, conforme passa a expor: (i) A Fiscalização demonstrou o caráter de pessoalidade no serviço prestado, ou seja, o serviço deveria ser realizado pelo profissional específico, não podendo delegálo para outra pessoa. Grande parte dos funcionários, em seguida, passaram a contribuir como contribuintes individuais pela Recorrente; (ii) Os serviços eram executados de forma não eventual e decorrentes da atividade fim da empresa, no caso, como vendedores; (iii) Havia subordinação, ou seja, os autônomos eram subordinados às ordens emanadas pela Recorrente; Diante das razões acima, chegase à conclusão que a Fiscalização agiu em consonância com a supracitada legislação ao considerar como empregados os autônomos, nos termos do art. 12, I, “a” da Lei n. 8.212/91, verbis: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; Diante da correta atuação da Fiscalização, deve o lançamento ser mantido no que tange ao vínculo empregatício. MULTA DE MORA A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabelece que os débitos referentes a contribuições não recolhidas no prazo previsto em lei, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61, da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, cominelhe penalidade menos Fl. 286DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/03 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo), para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. CONCLUSÃO Do exposto, preliminarmente, reconheço a decadência em relação ao período compreendido entre 10/1998 a 08/2002, nos termos do art. 150, § 4º do CTN; no mérito, julgo procedente em parte o recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 287DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/03 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 10711.003322/88-44
Data da sessão: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 1989
Numero da decisão: 301-00.420
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência ao INT, através da R.O., vencido os Conselheiros José Maria de Melo e Wlademir Clóvis Moreira, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
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B9 ACORDÃO N.' . R E S O L U ç Ã O .Nº ..30 1- 420• Recurso n,O Recorrente Recorrid 11.0.861 POLO INDÚSTRIA IRF - PORTO DO Processo nº 10711-003322/88~44 E COMtRCIO LTDA. RIO DE JANEIRO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Con selho de Contribuintes, por maioria de votos, em converter o jul- .gamento em diligência' ao INT, através da R.O., vené'ido os Cons'eIhei .ros Jos~ Maria de Melo e Wlademir Clovis Moreira,' na fonma do rela- t6rio e voto que passam a integrar o presente julgado. • • VISTO EM SESSÃO DE: ROSA MARTA 22 SET 1989 setembro de 1989 . - Presidente. DE OLIVEIRA - Relatora • Vi - Procurador da Fazenda Nacional. Participaram, ainda do presente julgamento os segui~- tes Conselheiros: JOÃO HOLANDA COSTA, FAUSTO FREITAS DE CASTRO NETO, jOSt MARIA DE MI LO, MARIA LUCIA SILVA CASTELO BRANCO, WLADEMIR CLOVIS MOREIRA, . E HAMILTON DE SÁ DANTAS. -2- SERViÇO PÚBLICO FEDERAL MF - TERCEIRO RECURSO NQ RECORRENTE ; RECORRIDA RELATORA CONSELHO DE CONTRIBUINTES 110.861 RESOlUÇÃO NQ 301-420 POlO INDÚSTRIA E COM~RCIO lTDA. IRF-PORTO.DO,RIO DE JANEIRO~ ROSA MARTA MAGALHÃES DE OLIVEIRA. • • RELATÓRIO Pela DI nQ 17.771/85 (fI. 9), Pólo Indústria e Co- m~rcio lTDAsubmeteu a despacho aduaneiró""5.000 Kg de Terpolí- mero Randômico a base de propileno, Etileno e Butano tipo HFE - 2380, com índice de fluidez 5,5 a serrutilizado' como' mat~ria prima na fabricação:-direta"de filme de polipropileno, estado fi sico-s6Iido", classificando no c6digo TAB 39.02.41.99, com alí- quotas de 55% para 11 e 12% para IPI. Súbmetido a análise do lA BANA verificou-se tratar de polipropileno cuja classificação correta na TAB ~ 39.02.25.99 com alíquotas idinticas ~s do item anterior. Em,'decorrinciã foi lavrado Auto de Infração ficando o...i.mportador sujeito ao reco- lhimento da multa devida, art. 526, 11 do R.A. (Dec:9L030/85). Devidamente notificada,:a autuada apresenta; tem- pestivamente, suas razões de defesa; argumentando em síntese: a) a mercadoria foi desembaraçada amparada por to- dos os documentos exigidos por lei, inclusive G I; b) o laudo de Análise do laborat6rio afirmou ser o : espectro do material semelhante ao do 'poli~ro- p,ileno, concluCndo por semelhança, tratar-se de um polipro~ileno, sendo que tal afirmação s6 veio confirmar a nossa declaração nos documen- tos de importação, 'da presença do propileno no produto importado; c) O material ~ um Terpolímero Randômico a base de propi leno, eti leno e buteno"e o laudo do labo- rat6rio s6 confirma a presença do propileno;' d) o material foi desembaraçado com pagamento In- tegraI dos tributos; SERViÇO PÚBLICO FEDERAL - 3- Rec.110.861 Res.301-420 e) não ficou caracterizado infração fiscal pOIS na9 houve prejuízo para o Tesouro Nacional, nem fi- cou evidenciada intenção dolosa ou culposa por parte dd-empresa; f) que o Código tributário Nacional-CTN determina no seu artigo 112 que, em caso de. d~vida Quanto à capitulação legal do fato, interprete-se a legislação, tributária, que define infração ou ou lhes comina penalidades, de maneira mais fa- vorá~el ao acusado". • g) inexistindo razão de ordem legal para odramento pretendido, solicita a anulaçãonal idade imposta no Auto de Infr~ção'; enqua-de pe- Para que fossem dirimidas as d~vidas suscitadas no item 2 da impugnação a fiscalização solicitou nossos esclareci- mentos ao LABANA. A informação Técnica de fls. 45 confirma o laudo • o fiscal autuante'não acolheu as razoes de defesa da interessada e opinou pela manutenção do feito. A autoridade de primeiro grau, ;com base nos "Gon- siderandos" de fls. 54/55, que leio em sessão julga procedente a~açao fiscal, assIm ementada: "Revisão. Desclassificação i'tarifáriã do produto Terpolímero Randômico à base de propileno etileno e buteno tipo HFE - 2380. Ação'fiscal"proceden- te" . Inconformada, a empresa interpõe recurso a este COl!. selho. fececonsideração a respeito do laudo Labana e da InfórF mação Técnica, com base em alguns aspectos químicos dos Pôlí- meros. No mais reitera os argumentos':expendidos na Impug- naçao e requer o provimento do~recurso. t O RELATÚRIO.~ -4- Rec.110.861 Res.301-420 SERViço PÚBLICO FEDERAL v O T O Trata, em princIpIo, de problema de classificação de mercadoria.- O fato de se exigir somente a multa administrativa decorre da que as alíquotas das mercadorias são idinticas tanto p~ ra a classificação pleiteada pelo contribuinte como para a classi fi cação adotada pelo fiscal autuante. Caso as alíquotas não fossem as mesmas as diferen ças dos tributos (11 e IPI) seriam cobradas normalmente. • Daí, a fiscal ização entendeu devida somente a multa do art. 526, 11, do R.A. (Dec. 91.030/85). fls. 12, e pelo ensaio de espectrofotQ o LABANA constatou ser o produto um e~ polipropileno, de onde conclui ~tratar- • No Laudo de metria no infra-vermelho, pectro semelhante ao de um se de polipropileno. Solicitadas pelo fiscal autuante, foram apresent~ das pelo LABANA as informações técnicas de fls. 13, através das quais se pede esclarecimento ao material desembaraçado,se é ó me~ mo mencionado no Laudo. A esta pergunta o LABANA respondeu que nao, porque foi declarado um terpolímeroe ter-se-ia encontrado, pelo exame, um polímero (polipropileno) . Instado a se pronunciar sobre a divergência encon trada, entre o resultado do Laudo de fls. 12 e o Laudo PA-7246/85 (fI s. 45), referente a outro processo da mesma empresa, o LaboratQ rio retificou a conclusão do último, afirmando que ali também se tratava de polipropileno e não de copolímero de propileno e etile- no, como constatou à epoca. Tendo em vista que os próprios Laudos e Informações Técnicas do LABANA divergem entre si, tendo inclusive merecido r~ tificações, voto no sentido de que se converta o julgamento em di ligência ao INT para que, através da Repartição de origem,para jun tad,a de amostra do produto, responda aos seguintes quesitos, re~ salvando-se o direito da Recorrente de acrescentar outros que po~ sam ajudar a dirimir as dúvidas existentes: ",' ," - -5-Rec.110.861 Res.301-420 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL um terpolÍmero randômi etileno e buteno, ou sob exame é propileno, um polímero? a) a mercadoria co à base de simplesmente b) qual a diferença fundamental entre os dois prodQ tos acima mencionados? • c) o terpolímero randômico à base de propileno, eti leno e butano, tipo HFE-2380, com índice de flui dez 5,5, é utilizado como matéria prima na fabri cação direta de filme de polipropileno ? E o sim pIes polímero (polipropileno)? Sala das Sessões, em 20 de setembro de 1989. ROSA M~E OLIVEIRA -Relatora . • • 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005
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Numero do processo: 15956.000006/2008-21
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2000
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal
No presente caso, o fato gerador ocorreu entre as competências 01/1999 a 12/2000, o lançamento tendo sido cientificado em 27.12.2007, dessa forma, irrelevante a apreciação de qual dispositivo legal deve ser aplicado, ora o art. 150, § 4º, CTN ora o art. 173, I, CTN, o que fulmina em sua totalidade o
direito do fisco de constituir o lançamento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-001.252
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário em face da decadência total do crédito tributário, por quaisquer dos critérios adotados no CTN, ora o art. 150, § 4º, CTN, ora o Art. 173, I, CTN.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal No presente caso, o fato gerador ocorreu entre as competências 01/1999 a 12/2000, o lançamento tendo sido cientificado em 27.12.2007, dessa forma, irrelevante a apreciação de qual dispositivo legal deve ser aplicado, ora o art. 150, § 4º, CTN ora o art. 173, I, CTN, o que fulmina em sua totalidade o direito do fisco de constituir o lançamento. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário em face da decadência total do crédito tributário, por quaisquer dos critérios adotados no CTN, ora o art. 150, § 4º, CTN, ora o Art. 173, I, CTN. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15956.000006/200821 Acórdão n.º 240301.252 S2C4T3 Fl. 102 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, fls. 88 a 95, apresentado contra Acórdão nº 1419.408 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto SP, fls. 75 a 82, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação acessória, Auto de Infração nº. 37.049.6426, às fls. 01, sendo o valor da multa aplicada originalmente R$ 1.195,13. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 14, o Auto de Infração nº. 37.049.6426, Código de Fundamentação Legal – CFL 38 foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ter a empresa deixado de preparar folhas de pagamento, das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, ou seja, deixou de fazer constar das mesmas os segurados autônomos ou equiparados (assim denominados até 28/11/99) e contribuintes individuais (assim denominados a partir de 29/11/99), procedendo dessa maneira no período de 01/1999 a 11/2000. Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. I, alínea "a" e art. 373. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. I, alínea "a" e art. 373. Não foi relatada circunstância atenuante e não se aplica a circunstância agravante prevista no art. 290, inciso V e § único do RPS. A ciência do Auto de Infração ocorreu em 27.12.2007, conforme Aviso de Recebimento – AR nº SE463354399, às fls. 34. O período objeto do auto de infração, conforme o do Relatório Fiscal da Multa, é de 01/1999 a 12/2000. A Recorrente apresentou impugnação tempestiva. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 1419.408 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto SP, fls. 75 a 82, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 21/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração de obrigação acessória deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os Fl. 104DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social. DECADÊNCIA. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após dez anos contados do primeiro dia do exercício seguinte em que o crédito poderia ter sido constituído, ou da data em que tornar definitiva a decisão em que houver anulado, por vício formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada. INCONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS. ESFERA ADMINISTRATIVA. A lei cuja invalidade ou inconstitucionalidade não tenha sido declarada, surte os seus efeitos enquanto estiver vigente e deve, obrigatoriamente, ser cumprida pela autoridade administrativa por força do ato administrativo vinculado, não sendo o fórum administrativo próprio para albergar discussões dessa ordem. Autuação Procedente. Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, em apertada síntese: Da decadência total. A extinção da obrigação tributária acessória pela ocorrência de decadência, nos termos do art. 173 do CTN e da Súmula Vinculante n. 08 do Supremo Tribunal Federal. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 97. É o Relatório. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15956.000006/200821 Acórdão n.º 240301.252 S2C4T3 Fl. 103 5 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação prestada às fls. 97. DAS QUESTÕES PRELIMINARES Preliminarmente, devese verificar a ocorrência, ou não, da decadência. O Supremo Tribunal Federal STF, conforme o Informativo STF nº 510 de 19 de junho de 2008, por entender que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, b, da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nºs 556664/RS, 559882/RS, 559.943 e 560626/RS, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8.212/91, atribuindose, à decisão, eficácia ex nunc apenas em relação aos recolhimentos efetuados antes de 11.6.2008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela administrativa. Após, o STF aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nestes termos: Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Publicada no DOU de 20/6/2008, Seção 1, p.1. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa Fl. 106DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Portanto, da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, deve adequar a decisão administrativa ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 107DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15956.000006/200821 Acórdão n.º 240301.252 S2C4T3 Fl. 104 7 I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. (g.n.)” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, nos termos dos artigos 150, § 4o, e 173 do Código Tributário Nacional. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. (g.n.)” Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: “Art.150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (g.n.)” Essas interpretações estão em sintonia com decisões do Poder Judiciário. “Ementa: ....1. O entendimento jurisprudencial consagrado no Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo decadencial de que dispõe o Fisco para constituir o crédito tributário é de cinco anos, contados a partir do fato gerador.Todavia, se não houver pagamento antecipado, incide a regra do art. 173, I, do Código Tributário Nacional.” (STJ.1ª Turma, AgRg no Ag 972.949/RS, Rel.: Min.Denise Arruda.,ago/08.) (g.n.) “Ementa: ....4. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). Somente quand onão há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Em normais circunstâncias, não se conjugam os dispositivos legais. Precedentes das Turmas de Direito Público e da Primeira Seção. 5.Hipótyese dos autos em que não houve pagamento antecipado, aplicandose a regra do art. 173, I, do CTN.” (STJ. 2ª Turma, AgRg no Ag 939.714/RS, Rel.: Min. Eliana Calmon., fev/08.) . (g.n.) “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. (...) Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN..” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) . (g.n.) Fl. 109DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15956.000006/200821 Acórdão n.º 240301.252 S2C4T3 Fl. 105 9 Portanto, para que possa identificar o dispositivo legal a ser aplicado seja o art. 173, I, do CTN ou seja o art. 150, § 4°, do CTN – devese identificar a ocorrência, ou não, de pagamentos parciais, pois só assim se pode declarar os efeitos da decadência no lançamento. Verificase, da análise dos autos, que a cientificação do Auto de Infração pela Recorrente se deu em 27.12.2007, conforme Aviso de Recebimento – AR às fls. 34, e o período objeto da autuação se refere a 01/1999 a 12/2000, segundo o Relatório Fiscal às fls. 14. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, tanto nos termos do artigo 150, § 4o, CTN quanto nos termos do artigo 173, I, do CTN. CONCLUSÃO Voto pelo CONHECIMENTO do Recurso, para, nas preliminares, DAR LHE PROVIMENTO, face à aplicação da decadência qüinqüenal, por quaisquer dos critérios adotados no CTN, ora o art. 150, § 4º, CTN, ora o art.. 173, I, CTN. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 110DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 15868.001994/2009-03
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2008
PREVIDENCIÁRIO. MULTA ISOLADA. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS EXIGIDOS PELA FISCALIZAÇÃO. ERRO DE CAPITULAÇÃO DA INFRAÇÃO. VÍCIO MATERIAL. NULIDADE.
Havendo antinomia, aplica-se a norma especial. Devendo, por conseguinte, ser anulado o Auto de Infração capitulado com base na norma geral.
Processo Anulado
Numero da decisão: 2403-001.195
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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MULTA ISOLADA. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS EXIGIDOS PELA FISCALIZAÇÃO. ERRO DE CAPITULAÇÃO DA INFRAÇÃO. VÍCIO MATERIAL. NULIDADE. Havendo antinomia, aplicase a norma especial. Devendo, por conseguinte, ser anulado o Auto de Infração capitulado com base na norma geral. Processo Anulado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Cid Marconi Gurgel de Souza, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/06/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 2 Relatório DA AUTUAÇÃO Tratase auto de infração lavrado contra a empresa acima identificada por infração ao disposto no art. 8°, da Lei no 10.666/03 e art. 62 da Instrução Normativa SRP no 03 de 14 de julho de 2005 e na Lei no 8.218/91, art. 11, parágrafos 1o, 3o e 4o, com redação dada pela Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, situação em que a autuada deixou de apresentar as informações solicitadas em meio digital, de acordo com o layout previsto no Manual Normativo de Arquivos Digitais da Secretaria da Receita Previdenciária (Portaria MPS/SRP no 058 de 28/01/2005). De acordo com o relatório fiscal, embora intimada através de Termos próprios de intimação e reintimação, em relação aos períodos de 01/01/2006 a 30/06/2008. Diante da ausência de agravantes, foi lavrada a multa de R$ 995.000,51 (novecentos e noventa e cinco mil e cinquenta e um centavos), com base no art. 12, III e parágrafo único da Lei no 8.218/91, com redação dada pela Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001l; emitida em 19/10/2009, cuja notificação ocorreu em 23/10/2009. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a Recorrente apresentou, tempestivamente, Impugnação de fls. 192/200. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão PretoSP, através da 7a Turma da DRJ/RPO, prolatou o Acórdão n° 1427.886, de fls. 209/215, mantendo procedente o lançamento, conforme ementa que abaixo se transcreve, verbis: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do Fato Gerador: 19/10/2009 AUTODEINFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ENTREGA DE ARQUIVOS EM MEIO DIGITAL. DESCUMPRIMENTO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de entregar, em meio digital, arquivos com informações relacionadas com as contribuições para a Seguridade Social, contábeis e trabalhistas. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento de defesa quando a autuada teve tempo suficiente para a apresentação dos documentos solicitados pela fiscalização. PROVAS. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO. A prova documental no contencioso administrativo previdenciário deve ser apresentada juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento Fl. 234DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/06/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 15868.001994/200903 Acórdão n.º 2403001.195 S2C4T3 Fl. 2 3 processual, salvo se fundada nas hipóteses expressamente previstas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO Inconformada, a empresa interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 218/224, com os seguintes argumentos: II Preliminarmente Do Cerceamento de Defesa A empresa teve a sua defesa cerceada, quando o fiscal autuante não concedeu mais prazo para a apresentação da documentação solicitada, assim como se recusou a receber o novo requerimento de dilação no prazo, injustificadamente, contrariando o direito de petição. Ao final requer prazo suplementar de 20 (vinte) dias para a apresentação de documentos. Do Mérito Não há provas da irregularidade apontada, vez que jamais houve por parte da Recorrente a prática do ato tido como fato gerador da obrigação tributária (remuneração a contribuintes individuais em contraprestação de serviços tomados de terceiros sem vínculo empregatício a título de comissões pela compra de bovinos e vendas de produtos derivados da carne ou carretos para transporte), as quais não fossem efetivamente contabilizadas com os recolhimentos previdenciários respectivos. A Fiscalização deixou de apresentar provas cabais e intransponíveis da suposta irregularidade, o que torna insubsistente o auto de infração aplicado. Não ocorreram os supostos fatos geradores do tributo, razão pela qual não constam nas guias de FGTS e GFIP. Os apontamentos do Fiscal foram feitos por “amostragem”, por esse motivo não servem como meio de prova, assim como as planilhas elaboradas. Os pagamentos feitos aos segurados/funcionários, através de cestas básicas de alimentos, conforme determina a Convenção Coletiva de Trabalho da Categoria, não necessitam ser computados junto a folha de pagamento, tendo em vista que já foram relacionados em recibos próprios. Não há incidência tributária por se tratar de verba tipicamente alimentar. Não houve prejuízo ao fisco a não apresentação da documentação contábil através de meio magnético, tendo em vista que toda a documentação necessária constava de meio papel. Ademais, a Recorrente não apresentou a documentação em meio magnético uma vez que no decorrer da implantação ocorreram várias mudanças e prorrogações que ocasionaram muitas dúvidas aos contribuintes, não havendo tempo hábil para a Recorrente adequarse corretamente por se tratar de “empresa nova” no mercado. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/06/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 4 Não procede a alegação de omissão de fatos geradores em GFIP, uma vez que os lançamentos foram todos realizados, com todos os beneficiários identificados e, em que pese estarem englobados pessoas físicas com jurídicas, o fato é que não há razão para aplicação da multa, haja vista que não houve sonegação. Em relação ao não recolhimento da contribuição rural, devida pelo produtor rural – pessoa física, na condição de pessoa jurídica, adquirente, subrogado da onrigação principal, há uma liminar concedida nos autos do Proc. no 2007.03.00.0946465 do Tribunal Regional Federal da 3a Região, suspendendo a obrigatoriedade. Por esse motivo, não há que se falar em multa, sob pena de crime de desobediência. Os efeitos da liminar são ex tunc. Não há que se falar em lançamento para evitar a decadência. Ao final requer a apreciação da preliminar e no mérito a total improcedência do auto de infração. Protesta pela produção de todos os meios de provas admitidos em direito, inclusive o depoimento pessoal do Gerente Administrativo e do Contrador. É o relatório. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/06/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 15868.001994/200903 Acórdão n.º 2403001.195 S2C4T3 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fl. 225, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. PRELIMINARMENTE DO CERCEAMENTO DE DEFESA A Recorrente entende que teve cerceado o seu direito de defesa, tendo em vista que o Fiscal autuante não aceitou a petição requerendo mais prazo para apresentação da documentação solicitada. Requer anulação do auto e a concessão de mais 20 (vinte) dias para a apresentação de toda a documentação. Na fl. 06 do Relatório Fiscal, verificase que o Procedimento Fiscal teve início em 23/01/2009 e terminou em 21/09/2009 (data que se encerrou o prazo de 10 dias), ou seja, durou quase 8 (oito) meses. Ademais, já faz mais de 3 (três) anos e a Recorrente ainda não comprovou o cumprimento da Obrigação Acessória que deu ensejo ao Auto de Infração em tela. Nesse diapasão, resta evedenciado que a Recorrente não apresentou a documentação necessária durante a fiscalização, muito menos durante a fase instruória do Processo Administrativo Fiscal, por esse motivo, não assiste razão à Recorrente, devendo a Preliminar ser negada. DO MÉRITO O auto de infração lançado em face da Recorrente teve por base o descumprimento da obrigação de apresentar informações contábeis, em meio digital com o layout previsto no Manual Normativo de Arquivos Digitais. O Fiscal entendeu que a Recorrente descumpriu os preceitos do art. 8°, da Lei no 10.666/03 e art. 62 da Instrução Normativa SRP no 03 de 14 de julho de 2005 e na Lei no 8.218/91, art. 11, parágrafos 1o, 3o e 4o, com redação dada pela Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Para tanto, desconsiderou o Regulamento da Previdência Social – RPS, o Decreto n. 3.048/99, no art. 283, II, “b” e, equivocadamente, aplicou a multa prevista no art. 12, III e parágrafo único da Lei no 8.218/91, com redação dada pela Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, no valor de R$ 995.000,51 (novecentos e noventa e cinco mil e cinquenta e um centavos). Fl. 237DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/06/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 6 A Portaria MPS/SRP n° 58, de 28/01/2005, a qual a Fiscalização tomou como base, traz especificamente, como Fundamentação Legal a Lei n. 10.666/03 e, em seu parágrafo 1o do art. 1o, traz especificamente a menção ao artigo supracitato, verbis: Art. 1º A empresa que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados para o registro de negócios e atividades econômicas, escrituração de livros ou produção de documentos de natureza contábil, fiscal, trabalhista e previdenciária, quando intimada por AuditorFiscal da Previdência Social (AFPS), deverá apresentar documentação técnica completa e atualizada de seus sistemas, bem como os arquivos digitais contendo informações relativas aos seus negócios e atividades econômicas, observadas as orientações; e especificações contidas no Manual Normativo de Arquivos Digitais – MANAD aplicado à Fiscalização da Secretaria da Receita Previdenciária SRP. § 1º O Manual Normativo de Arquivos Digitais MANAD definirá a forma de cumprimento da obrigação acessória, criada pelo art. 8º da Lei nº 10.666 de 08 de maio de 2003, discriminando sua aplicabilidade nas empresas sob o regime de direito privado e as pessoas jurídicas de direito público cujas obrigações orçamentárias, financeiras, contábeis e patrimoniais estão elencadas na Lei nº 4.320 de 17 de março de 1964 e naLei Complementar nº 101 de 04 de maio de 2000. (grifo nosso) Nesse diapasão, o Regulamento da Previdência Social – RPS, o Decreto n. 3.048/99, no art. 283, II, “b”, com redação dada pelo Decreto n. 4.862/03, tratou a Lei n. 10.666/03 como norma especial no que se refere a Contribuições Previdenciárias, tanto que traz a multa a ser aplicada em caso de descumprimento de Obrigação contida na Lei n. 10.666/03, verbis: Art.283.Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (...) II a partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos) nas seguintes infrações: (...) b) deixar a empresa de apresentar ao Instituto Nacional do Seguro Social e à Secretaria da Receita Federal os documentos que contenham as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, ou os esclarecimentos necessários à fiscalização; Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices Fl. 238DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/06/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 15868.001994/200903 Acórdão n.º 2403001.195 S2C4T3 Fl. 4 7 utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Tanto é assim, que a Fiscalização, em casos idênticos, costumeiramente capitula a citada infração nos termos do art. 8o, da Lei n. 10.666/03, como se pode constatar nos autos dos Procs. ns. 19515.006076/200832, 14485.000034/200798 e 15983.000970/200741. Todos os citados Processos são desta Turma, porém, a fim de ilustrar, transcrevese, abaixo, ementa e trechos do voto do Proc. n. 15983.000970/200741, julgado em 24 de agosto de 2011, que ensejou no Acórdão n. 2403000.694, onde estavam presentes os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza, Marthius Savio Cavalcante Lobato e Jhonatas Ribeiro da Silva, verbis: PREVIDENCIÁRIO. GFIP. DADOS RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES. INFRAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS EXIGIDOS PELA FISCALIZAÇÃO. MULTA COM BASE NO ART. 92 DA LEI N. 8.212/91. Constitui infração prevista no art. 32, III da Lei n. 8.212/91, c/c o art. 225, III, § 22 do Decreto n. 3.048/99, e art. 8o da Lei n. 10.666/03, deixar de apresentar informações financairas e contábeis necessárias à fiscalização relacionadas com as contribuições para a Seguridade Social. (...) DO MÉRITO O auto de infração lançado contra a empresa teve por base o descumprimento da obrigação de apresentar informações contábeis, em meio digital com o leiaute previsto no Manual Normativo de Arquivos Digitais MANAD, bem como deixou de apresentar DIPJ e RAIS do período de 1999 a 2007. Esses documentos são relacionados às contribuições previdenciárias, infringindo assim, o disposto no artigo 32, III da Lei 8.212/91 (vigente há época), c/c o art. 225, III, § 22 do Regulamento da Previdência Social, Decreto n. 3.048/99 e art. 8o da Lei n. 10.666/03, verbis: (grifo nosso) Restou amplamente demonstrado que a Lei n. 8.218/91 é a norma geral, enquanto que a Lei n. 10.666/03 é a norma especial em relação a Contribuiçã Previdenciária, seja pela menção da legislação previdenciária (Portaria MPS/SRP n° 58) à Lei n. 10.666/03, seja pela capitulação reiterada por parte da Fiscalização da infração prevista no art. 8o da Lei n. 10.666, conforme destacado alhures. Nesse diapasão, é pacífico o hodierno entendimento jurisprudencial no sentido de que havendo dúvida quanto à aplicação de determinadas normas, aplicarse a norma especial, vez que essa prevalece sobre a norma geral, verbis: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. EFEITO SUSPENSIVO. NÃO INCIDÊNCIA DO ART. 739A DO CPC. NORMA DE Fl. 239DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/06/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 8 APLICAÇÃO SUBSIDIÁRIA À LEI 6.830/80. INTELIGÊNCIA DE SEU ART. 1º INTERPRETADO EM CONJUNTO COM OS ARTIGOS 18, 19, 24 E 32 DA LEF E 151, DO CTN. (...) 2. A Lei 6.830/80 é norma especial em relação ao Código de Processo Civil, de sorte que, em conformidade com as regras gerais de interpretação, havendo qualquer conflito ou antinomia entre ambas, prevalece a norma especial. Justamente em razão da especialidade de uma norma (LEF) em relação à outra (CPC), é que aquela dispõe expressamente, em seu artigo 1º, que admitirá a aplicação desta apenas de forma subsidiária aos procedimentos executivos fiscais, de sorte que as regras do Código de Processo Civil serão utilizadas nas execuções fiscais apenas nas hipóteses em que a solução não possa decorrer da interpretação e aplicação da norma especial. (...) 6. Recurso especial provido. (REsp 1291923/PR, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 01/12/2011, DJe 07/12/2011) (grifo nosso) Logo, diante da constatação de que a Lei n. 10.666/03 é norma especial, verificase que a Fiscalização se equivocou na capitulação da infração, ensejando num vício material passível de nulidade do Auto de Infração. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto pela nulidade material processo. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 240DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/06/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI
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Numero do processo: 10845.004450/89-71
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 1992
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 1992
Ementa: Importação de mercadoria em volume superior ao licenciado na G.I. Aplicável a multa do art. 526, II, do R.A.
Negado provimento ao recurso.
Numero da decisão: 303-27.157
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, apenas para exigir a multa do inciso II, do art. 526, do R.A., na forma do relatório e voto que passam a integrar o
presente julgado.
Nome do relator: SANDRA MARIA FARONI
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ementa_s : Importação de mercadoria em volume superior ao licenciado na G.I. Aplicável a multa do art. 526, II, do R.A. Negado provimento ao recurso.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: 30327157_108450044508970_199203; xmp:CreatorTool: Smart Touch 1.7; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dcterms:created: 2017-10-06T12:03:15Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: 30327157_108450044508970_199203; pdf:docinfo:creator_tool: Smart Touch 1.7; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:encrypted: false; dc:title: 30327157_108450044508970_199203; Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: ; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:subject: ; meta:creation-date: 2017-10-06T12:03:15Z; created: 2017-10-06T12:03:15Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2017-10-06T12:03:15Z; pdf:charsPerPage: 1058; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; pdf:docinfo:custom:Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; meta:keyword: ; producer: Eastman Kodak Company; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Eastman Kodak Company; pdf:docinfo:created: 2017-10-06T12:03:15Z | Conteúdo => -- MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCE IRA CÂMARA • Sessão de ...?Ad.~.....lllarç.() .....de 19.....9..2 ACORDÃO N.,}O}.::.?I.,157 Recurso n." 1l1.860 - Processo nº 10845.004450/89-71 Recorrente C INTE R INTE RNAT IONA L BRANOS IN D 11 ST R IA E COM tRC IO LTO A . Recorrid DRF - SANTOS - SP Importação de mercadoria em volume superior ao licen- ciado na G.I. Aplicável a multa do art. 526, lI, do R.A. Negado provimento ao recurso. VISTOS, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Con selho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, apenas para exigir a multa do inciso lI, do art. 526, do R.A., na forma do relatório e voto que passam a integrar opresente julgado. Brasília-DF, em 24 de março de 1992. ~ JOÃO ANDA COSTA - Presidente SANDRA MARIA FARONI - Relatora - Jk?~-= 2.1AeBtRC.IO FREIRE MÁRMORA - Procurador da Fazenda Nac.VISTO EM 92SESSÃO DE: 2 4 JUl 19 Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselheiros: ROSA MARTA MAGALHÃES DE OLIVEIRA, ELIZABE~H MARIA VIOLATTO (Suplente), RONALDO LINDIMAR JOSt MARTON, HUMBERTO ESMERALDO BARRETO FILHO e MIl TON DE SOUZA COELHO. Ausente a Cons. MALVINA CORUJO DE AZEVEDO LOPES. SERViÇO PÚBLICO FEDERAL MEFP - TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES - TERCEIRA CÂMARA 02. RECURSO Nº 111.860 - ACÓRDÃO 303-27.157 RECORRENTE: CINTER INTERNATIONAL BRANDS INDÚSTRIA E COMtRCIO LTDA. RECORRIDA DRF - SANTOS - SP RELATOR : SANDRA MARIA FARONI RE L A T Ó R I O Contra a empresa aCIma identificada, foi lavrado auto de infraçio nos seguintes termos: "Em ato de coftferincia aduaneira das mer- cadorias despachadas pela D.I. 025.321/89, registrada em 18.07.89, atinente à G.ls nº 018-029835-2 e . 018-029836-2, bem cmo se depreende da fatura comerci- al e do campo 11 do anexo lI, adições 001 e 002 da cl tada D.I.,ficou constatado que nos 108 barris acondi- cionados nos containers STTU-21317-6 e DLLU 80B658-0 encontrBm-se 14.141 litros de destilado alcoólico ch~ ma do "Cereal Uisque" e 6.124 litros de destilado alcQ ólico chamado "malte whisky", portanto, 5.703,8 .'li- tros e 2.477~2 litros, respectivamente, a méior, desa cobertados de Guia de Importaçio, das mercadorias em tela. Diante do exposto, torna-se evidente a in fringincia aos artigos 524, "caput" e 526, inciso lI, do Decreto 91.030/85 - Regulamento Aduaneiro, e arti- go 364, inciso lI, da Lei 87.891/82. Por conseguinte, fica o contribuinte intl mado a recolher a diferença de tributos, multas e de- mais encargos legais, ... " A autuada apresentou impugnaçio tempestiva, da qual-transcrevo as principais razoes de defesa: Imprensa Nacional " puro inexiste importaçio de destilado alcoólico para fabricaçio de uísque. Acontece que as 100% G. I s . SERViÇO PÚBLICO FEDERAL Recurso: Acórdão: 03. 111.860 303-27.157 • Imprensa Nacional saíram mencionando, apenas, o teor alcoólico da maté- ria prima importada, fato demonstrado pela clareza das faturas de exportação (fls. 12/15), pela especifi cidade do conhecimento de transporte.(fls. 11), pelos anexos 11 (fls. 6 e 7) da D.I., tudO tendo passado p~ lo crivo da CACEX que licenciou, autorizando a impor- tação. 17. ,A análise procedida pelo Ministério da Agricultura que expediu os certificados de inspe - ção nº 1019 a 1020, existentes às fls. 16 e 17 dos aQ tos, prova tratar-se a mercadoria importada de maté - ria-prima própria para fabricação de uísque de cereal e de malte, contendo, respectivamente, 60% e 59% de álcool por volume. 18. Ora, 60% e 59% de álcool por volume significa tratar-se de destilado alcóólico diluído em outra matéria química, pois, do contrário, seriam 100% de álcool puro. A declaração anexa (doc. 2), expedida pelo Diretor Presidente da Associação Brasileira de Bebidas ("ABRABE") atesta a prática dos "engarrafados de whisky escocês de importar malt e grain em forma concentrada entre 55° GL e 65° GL de álcool e não em forma de ilcool puro." 19. nao existe álcool 100% puro, sen- do 98° GL o máximo, o que significa 2% de água. No tQ cante ao destilado alcóolico de cereal ou de malte matéria-prima para fabricação de uísque, tampouco e~ xiste 100% de teor alcóolico. A matéria-prima, como dito e provado, é importada sob a forma de um concen- trado, "in casu", 59,4° GL sendo o restante de desti- lado alcóolico diluído em água com outras matérias qui micas, subprodutos da destilação, os quais contribu~m para dar o especial sabor da bebida. 20. Em verdade, a matéria-prima, cujo con centrado atinge 59,4° GL, é diluída em agua para che- gar a 40° GL, que é o padtão normal de teor êlcóolico para consumo de uísque . 22. Ninguém importa sem cobertura de G.ls. matéria-prima tão claramente especificada nas D.ls. , SERVICO PÚBLICO FEDERAL Recurso: Acórdão: 04. 111.860 303-27.157 nas faturas de exportação, no conhecimento de embar - que, onde não existe discrepância entre os litros de álcool, os litros reais, os barris nos quais os mes- mos vêm acondicionados e os "containers" nos quais fQ ram transportados. 23. A lista de preços apresentada, pela Impugnante à CACEX atesta o preço da matéria-prima por litro de alcóol:; (doc. 3). Tendo em conta a inexis- tência de destilado alcóolico 100% puro, o preço de 1,99 libra esterlina por litro de destilado alcóolico de "malte uisque" significa que virá um pouco mais de um litro real, eis que o concentrado vem diluído em 59,4° GL por volume. Daí a especificação, na fatura de exportação, de 3.646,8 litros de destilado alcóolico de "malte uísque" com três anos de envelhecimento, a ser usado como matéria-prima na fabricação de uísque, com 59,4 de graduação alcóolica; 6.124 litros reais acondicionados em 33 barris, ao preço de 1,99 libra esterlina por litro ou 7.257,13 libras esterlinas pe- lo total (conj. fatura fls. 7, 14 e 15). O mesmo ra- ciocínio aplica-se ao "cereal uísque". 24. Portanto, não há se falar em diferen- ça de preço ou coisa semelhante pois, os 3.646,8 li- tros de destilado alcóolico de "malte uísque" que COL respondem a 6.141 litros reais custaram 7.257,13 li- b~as esterlinas, tendo o 1.1. e o IPI sido devidamen- te pagos, conforme provas existentes nos autos. Igual procedimento houve no tocante ao I~cereal uísque", tam bém pago. "......................................... A autoridade julgadora de primeira instância conside- rou a ação fiscal procedente em parte; exonerando o contribuinte ap~ nas da exigência correspondente à multa do art. 364, inciso II do RIPI (Dec. 87.891/82). Em recurso apresentado a a interessada argumenta, em síntese, que: Imprensa Nacional e s t e Colegiado, SERVICO PUBLICO FEOERAl Recurso: Acórdã"o: 05. 111.860 303-27.157 a) Pela fatura do exportador e pela guia de importa _ ção verifica-se que o valor pago pela Recorrente foi de 1,10 libra esterlina por litro de cereal uísque, o que equivale, no total, a 9.280,92 libras esterlinas, já que foram importados efetivamente 8.437,2 litros e não 14.171 litros; não pode a Recorrente sofrer trl butação sobre a água adicionada ao produtos sujeito à tributação. O mesmo se diz "em relação ao malte de uísque; b) Se tivessem sido importados 14.171 litros de cere- al uísque e 6.124 litros de malte uísque a 59,4° GL teriam sido co- brados pelo exportador o equivalente a tais quantidades; c) A TAS faz alusão a que o IPI e o 1.1. incidam so- bre o destilado alcóolico 59,4° GL e o laudo só chegou à conclusão •• de que se trata de destilado alcóolico desta gradação porque o mal- te uísque e o cereal de uísque estavam diluídos em água, do contrá _ rio estar-se-ia diante de destilado alcóolico muito mais concentrado e, inevitavelmente, em todo processo de destilação há liberação de água, sendo por esta razão que a concentração máxima obtÍvel e de 98° GL; d) A discriminação feita na fatura quanto a quantida- de de li"tros de destilado alcóolico e a de litros reais tem fundamen to em que não se obtém 59,6° GL se não forem acrescentadas outras substâncias que tornem menos concentrado o destilado alcóolico, o que, de outra forma, impossibilitaria o transporte da mercadoria,sob risco de perecimento; e) O laudo favorece os argumentos da Recorrente ao f~ zer alusão a que a mercadoria importada compunha-se não somente de uísque de cereais e malte de cereais, mas também de outras substâncl as. Se a TAS não menciona que a tributação incidirá sobre estas ou- tras substâncias, há de se considerar tão somente o que os documen- tos juntados atestam, isto é, a importação autorizada de 8.437,2 li- tros de cereal uísque e 3.646,8 litros de malte de uísque, não obs _ tante tais quantidades terem se imiscuído em outra substâncias e re- presentem, cada qual, em litros reais, 14.171 litros e 6.124 litros; f) As quantidades discriminadas na fatura levam ao en tendimento inequívoco de que os litros reais apontados não represen- tam a totalidade de mercadoria tributável, vez que a diferença entre 14.171 litros reais e 8.437,2 litros de cereal uísque, e 7.257,13 litros e 3.546,8 litros de malte uísque representam exatamente a quantidade necessária d~ •• • - " • .lo •outras substanclas que, por nao estarem mencionadas na TAB e por crnstar611da analiseqUlmlca SERVICO PÚBLICO FEDERAL Recurso: Acórdão: 06. 111.860 303-27.157 feita, não podem ser passíveis de tributação. Requer seja julgado totalmente improcedente a lavratQ ra do auto de infração. t o relatório. Imprense Nacional SERViÇO PÚBLICO FEOERAL v O T O Recurso: Acórdão: 07. III.B60 303-27.157 A recorrente obteve Guia de Importação para importar 8.512 litros de destilado alcóolico chamado cereal uísque com gradu~ ção alcóolica de 59,4° GL e 3.696 litros de destilado alcóolico cha- mado malte uísque com graduação 59,4° GL. As faturas especificam "B.437,2 litros de destilado alcóolico chamado cereal uísque ( grain whisky) obtido de cereal não maltado com três anos de envelhecimento. A ser usado como matéria-prima na fabricação de whisky, com gradua - ção alcóolica de 59,4%; 14.171 litros reais acondicionados em 75 bar ris" e "6.646,B litros de destilado alcóolico chamado malte uísque (malt whisky) obtido de cevada maltada com três anos de envelhecimen to, a ser usado como matéria-prima na fabricação de whisky, com 59,4 de graduação alcóolica. 6.124 litros reais aoondicionados em 33 bar- r is 11 • Os laudos do Ministéria da Agriculitúl1acertificam tr~ tar-se de destilado adcóolico com 60% e 59% de álcool em volume - Os laudos do LABANA atestam tratar-se de destilado alcóolico simples de cevada e de malte, com teor alcóolico de 59,7% e 60,3% V.v. ou Q GL. A NBM/SH apresenta uma classificação (capítulo 22, PQ sição OB, subposição lO) para as preparações alcóolicas compostas dos tipos utilizados na fabricação de bebidas. O item OI da mesma a- briga as próprias para a preparação de uísque, sendo que seus subi - tens OI e 02 correspondem, respectivamente, aos destilados alcóoli - cos chamados uísque de malte e uísque de cereais, com graduação al- cóolica de 59,5° ! 1,5° em volume (graus gay lussac) e o seu subitem 99 corresponde a qualquer outro. Tem-se, assim, que em cada litro de líquido classificável nos códigos 220B.IO.OIOI e 2208.10.0102 há en- tre 0,5B L e 0,61 L de álcool e 0,42 L e 0,39 L de água e outras s~~ tâncias. Por outro lado, destilado alcóolico malte uísque ou cereal uísque com graduação alcóolica diferente de 59,5° ! 1,5° deve ser classificado no código 220B.IO.0199. Assim, ao obter G.l. para importar B.512 litros de c~ real uísque com graduação alcóolica 59,4° GL, a recorrente nao pode- Imprensa Nacional , . SERVICO PUBLICO FEDERAL Recurso: Acórdão: 08. 111.860 303-27.157 ria importar volume superior àquele, cujo conteúdo de álcool seria de, aproximadamente 5.056,12 litros. A quantidade de matéria-prima I necessária à fabricação de cerca de 21.000 litros de whisky para con sumo (graduação de 40° Gl) tanto pode ser 14.141 litros de destilado de graduação 59,4° classificável no código 2208.10.0101 (ou 0102) ,cQ mo pode ser, por exemplo, 8.570 litros de destilado-de graduação 98~ classificável no código 2208.10.0199. Não prospera a argumentação de que as faturas compro- vam que foram importados, respectivamente, 8.437,2 litros e 3.646,8 litros porque os valores faturados (9.280,92 £ e 7.257,73 £) corres- pondem àqueles quantitativos multiplicados pelos preços unitários (1,1 £ e 1,99 f). A lista de preços apresentada (fls. 51) mostra que os preços cotados são por litro de álcool, e não por litro de prepa- ração. O fato de o exportador fixar seu preço segundo o volume de álcool, independentemente do volume total da preparação, não si9flif.i ca que uma G.I. ppra determinado volume de preparação possa abrigar qualquer volume superior, desde que o volume de álcool seja o mesmo. Considero, todavia, que não houve insuficiência de p£ gamento de tributos, uma vez que o valor da transação, serviu de ba- se ao recolhimento, se refere ao volume total despachado. Por todo o exposto, dou provimento parcial ao recurso, para manter apenas a multa do art. 526, 11, do R.A. Sala das Sessões, em 24 de março de 1992. Ig I Imprensa Nacional SANDRA MARIA FARONI - Relatora 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008
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Numero do processo: 10711.007133/90-38
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 1991
Numero da decisão: 301-00.733
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência ao INT, através da Repartição de origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: FLAVIO ANTONIO QUEIROGA MENDLOVITZ
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Sessão de ..17JQ.u.t.u.b.ro de 19 9..1... ACORDÃO N.' . Recurso n." 113.706 PROCESSO Nº 10711-007133/90-38. Recorrente HERGAINDÚSTRIAS QU,fMICAS LTDA. Recorrida IRF- PORTO - RJ. I •• R E S O L U ç A O Nº 301-733 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Cons,g, julg-ª-forma residente. RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro lho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em converter o menta em diligência ao INT, através da Repartição de origem, na do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasilia~DF, 7 d outubro de 1991 . FLÁVIO ANTO 10 QUEIR GA~ CON"~ v~s " F ",d, N"i",I. VI STO EM 1. 3 1 " .SESS1Io'~iPl,:'.'.JAN199i / Participaram, ainda do pr~sente julgamento os seguintes Conselheiros: LUIZ ANTONIO JACQUES, J01l0 BAPTISTA MOREIRA, SANDRA M,fRIAM DE AZEVEDO MELLO (Suplente), wtADEMIR CLOVIS MOREIRA, FAUSTO FREITAS DE CASTRO I i NETO. Ausentes os Conselheiros: JOSt THEODORO MASCARENHAS MENCK e IVAR• ..) GAROTT I. .P SERVICO PUBLICO FEOERAl MEFP - TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES - PRIMEIRA CÂMARA RECURSO Nº 113.706 - RESOLUÇ~O Nº 301-733 RECORRENTE: HERGA INDÚSTRIAS QUíMICAS LTDA. RECORRIDA IRF - PORTO DO RIO DE JANEIRO RELATOR FLÁVIO ANTÔNIO QUEIROGA MENDLOVITZ R E L A T Ó R I O 02. ves da Decla:ç-açãode Importação (D.I.) nQ 3381/90_ (fls. 2/7), submeteu a despacho 22861 quilos de "SDAD - ESTEARIL DIMETIL AMINA DEST., cla~ se: AMINA terciária, teor de pureza: mín. 97%", ao amparo da Guia de Importação (G.I.) nQ 1-89/35816-6. (.tls.09).,classificando o produto no código TAB 2921.19.9999, com aiíquotas de 30% para o Imposto de I~ portação (1.1.) e zero para o Imposto sobre Produtos Industrializados (I.P.I.). • • :A _ R E C O R _R .E N T E. -' atra- Encaminhada a amostra do produto ao Laboratóriode Análises, este emitiu o Laudo nQ 3708/90,{fls.ll)., declarando tratar- se de alquil dimetil amina- '.unaprE:paração química à base de aminas terciárias. Em ato de revisão, o produto foi desclassificado para o código TAB 3823.90.9999 com alíquotas de 60% para o 1.1. e 10% para o I.P.I., sendo exigido, através do Auto de Infração nQ 378/90 (fl.Ol), o recolhimento da diferença do 1.1., o'I.P.I. apurado e as multas previstas nos arts. 524 e 526,11, do Regulamento Aduaneiro (R.A. ), aprovado pelo Decreto nQ 91030/85, e art. 80, 11, da Lei. .••. 4502/64, com a redação dada pelo Decreto-Lei nQ 34/66, a.16m dos cn- sargos legais cabíveis. Devidamente iritimada (fls.15), a autuada, tempe~ tivamente, apresentou impugnação (fls.16/24), discordando do resul- tado do Laudo, alegando que: a) trata-se de um mesmo produto, que vem sendo importado há anos na mesma classificação na TAB (2922 na antiga e 2921.19.9900 na nova), como composto de função amina, produto de constitui- ção química definida, condição confirmada em lau dos de análise do LABANA; SrnV1CO PÚBLICO FEOERAL 03. Rec.113.706 Res. 301-733 • • • • • b) a fiscalização quer classificar no código •... 3823.90.9999 da nova TAB,' em razão de que o mes- mo LABANA vem agora afirmando trata~-se de pro- duto sem composição quimicadefinida; c) deve ser solicitado pronunci~~ento' do INT ou de outro órgão técnico; d) o produto consiste de aminas graxas industri- ais obtidas a partir do ácido graxo de sebo e tem constituição quimica definida; e) se o produto não possuisse constituição quimi ca definida, necessariamente teria classificação própria na posição 3402; f) não cabe a aplicação das multas previstas nos artigos 524 e 526 do Regulamento Aduaneiro, vis- to que não houve decla~ação indevida e nem impoE tação de mercadoria sem guia; Por solicitação do GREDA-GRUPO DE REVISÃO DE DE~ PACHO ADUANEIRO ( fls.30 v.), o LABANA emitiu a 1nformação Técnica n2 50/91 (fls. 31/32), ratificando os termos do Laudo n23708/90 (fls. Ll) • Na réplica (fls.33), o AFTN autuante nao acolheu as razões da defesa, propondo a mànut~nção do feito, em face do re- su.1tado .1aboratorial. A autoridade de Iª Instância julgou procedente a açao fiscal, para declarar "devida a diferença do 1.1., no valor de Cr$ 428.270,59 e o I,P.I., no valor de Cr$ 228.410,98, impondo, outrossim, à autuada as multas previstas nos artigos 524 e 526, lI, do R.a. e no artigo 80, lI, da Lei nº 4.502/64 e DL 34/66, além dos encargos legais cabíveis." Intimada em 10.05.91, interpôs o recurso voluntÁ riO em 10.06.91, tempestivamente com as razões de fls. 41 a 50, re- querendo ao final novo exame laboratorial. t o relatório . Imprensa Nacional Rec. 113.706 Res •. 301-733 SERViÇO PUBUCO FEDERAL •I v O T O Trata o presente recurso de desclassificaçio de mercad~ rIa.,' com base em laudo do Laboratório Nacional de. Análise de nº3708 / 90, não tendo a autoridade de 1ª instância apreciado pedido na impuQ nação, que solicitava diligência ao INT para se manifestar quanto a matéria técnica apresentada. •~I Ao prolatar a decisão ignorando o requerido, infringiu a autoridade singular disposto vêlculado na Carta Magna de 1988, conSA grando principio constitucional da ampla defesa, que diz em seuinci so LV do art. 5º: "LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrA tivo, e aos acusados em geral são assegurados o contradi tório e ampla;, defesa, com os meios e recursos a ela inerentes". Assim sendo, para restabelecer à recorrente o seu direito de ampla defesa, voto para acolher a preliminar de cerceamento de d~ fesa e em o fazendo, declarar nula a decisão de primeira instância,d~ vendo o processo retornar à Repartição de origem para providenciar a diligência solicitadà. elator • Sala das Sessões, em 1 • • I.' Imnmn<;'fl N;u~inn;ll 00000001 00000002 00000003 00000004
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