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Numero do processo: 10120.006206/2007-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR.
Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados e dos correspondentes pagamentos. Nessa hipótese, a apresentação tão somente de recibos é insuficiente para comprovar o direito à dedução pleiteada.
Hipótese em que o recorrente teve sucesso em superar os óbices impostos pelo julgador de primeira instância para parte das deduções pleiteadas.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2101-001.181
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer deduções de despesas médicas no valor de R$16.612,00.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Jose Evande Carvalho Araújo
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APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados e dos correspondentes pagamentos. Nessa hipótese, a apresentação tão somente de recibos é insuficiente para comprovar o direito à dedução pleiteada. Hipótese em que o recorrente teve sucesso em superar os óbices impostos pelo julgador de primeira instância para parte das deduções pleiteadas. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer deduções de despesas médicas no valor de R$16.612,00. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Presidente. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator. Fl. 100DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/ 08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10120.006206/200715 Acórdão n.º 2101001.181 S2C1T1 Fl. 95 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Célia Maria de Souza Murphy, Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka. Relatório AUTUAÇÃO Contra a contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 2 a 4, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2005, para glosar as deduções de despesas médicas declaradas no valor de R$24.974,50, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$5.108,53, acrescido de multa de ofício e juros de mora. IMPUGNAÇÃO Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou impugnação (fl. 1), acatada como tempestiva, onde afirmava já ter apresentado os comprovantes das despesas médicas, e juntava novas provas. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente em parte o lançamento, cancelando a glosa de algumas despesas médicas, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 55 a 60): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 Ementa: DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. Mantémse, parcialmente a glosa das despesas médicas por falta de amparo legal para a respectiva dedução na declaração de ajuste do contribuinte. Lançamento Procedente em Parte RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificada da decisão de primeira instância em 12/02/2009 (fl. 64), a contribuinte apresentou, em 16/03/2009, o recurso de fls. 69 a 89, onde busca demonstrar a validade das despesas médicas ainda glosadas. Fl. 101DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/ 08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10120.006206/200715 Acórdão n.º 2101001.181 S2C1T1 Fl. 96 3 O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 93, que também trata do envio dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há arguição de qualquer preliminar. Para fazer jus a deduções na Declaração de Ajuste Anual, tornase indispensável que o contribuinte observe todos os requisitos legais, sob pena de ter os valores pleiteados glosados. Afinal, todas as deduções, inclusive as despesas médicas, por dizerem respeito à base de cálculo do imposto, estão sob reserva de lei em sentido formal, por força do disposto na Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), art. 97, inciso IV. Por oportuno, confirase o estabelecido na Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, a propósito de dedução de despesas médicas: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...). II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...). § 2º O disposto na alínea “a” do inciso II: (...). II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Fl. 102DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/ 08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10120.006206/200715 Acórdão n.º 2101001.181 S2C1T1 Fl. 97 4 Por sua vez, o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999, art. 73, dispõe: Art.73.Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). Verificase, portanto, que a dedução de despesas médicas na declaração do contribuinte está, sim, condicionada ao preenchimento de alguns requisitos legais. Observese que a dedução exige a efetiva prestação do serviço, tendo como beneficiário o declarante ou seu dependente, e que o pagamento tenha se realizado pelo próprio contribuinte. Assim, havendo qualquer dúvida em um desses requisitos, é direito e dever da Fiscalização exigir provas adicionais da efetividade do serviço, do beneficiário deste e do pagamento efetuado. E é dever do contribuinte apresentar comprovação ou justificação idônea, sob pena de ter suas deduções não admitidas pela autoridade fiscal. O problema consiste em saber até que ponto são razoáveis as exigências da autoridade fiscal para comprovação das despesas médicas. Em muitos casos, a fiscalização termina por demandar a apresentação de pagamento diretamente correlacionado com débito, como cheque utilizado para liquidar a despesa, ou saque de valor exato na mesma data. Mas os contribuintes replicam que ninguém é obrigado a pagar suas despesas com cheques nem efetuar saques individuais para cada dispêndio. Penso que a dificuldade já surge quando da informação das despesas na declaração de ajuste. A cada ano, as indicações da Receita Federal são pela possibilidade de comprovação das despesas médicas mediante recibos. A título de exemplo, transcrevo orientações contidas no Perguntas e Respostas do IRPF, exercício 2005, pergunta 337: A dedução dessas despesas é condicionada a que os pagamentos sejam especificados, informados na Relação de Pagamentos e Doações Efetuados da Declaração de Ajuste Anual, e comprovados, quando requisitados, com documentos originais que indiquem o nome, endereço e número de inscrição no CPF ou CNPJ de quem os recebeu. Admitese que, na falta de documentação, a comprovação possa ser feita com a indicação do cheque nominativo com que foi efetuado o pagamento. Assim, a própria Receita Federal orienta que a comprovação, se necessária, pode ser feita com a apresentação de recibo ou nota fiscal originais, podendo ser dar, caso o contribuinte não tenha esse documento, com a apresentação de cheque nominativo. Observese que a opção do cheque nominativo é dada a favor do contribuinte, nos casos em que o profissional se recuse a dar recibo. Verifiquei que essa orientação foi repetida em todos os Perguntas em Respostas dos exercícios seguintes. Apenas no documento do exercício de 2011 foi acrescentada a seguinte informação: Conforme previsto no art. 73 do RIR/1999, a juízo da autoridade fiscal, todas as deduções estarão sujeitas a comprovação ou justificação, e, portanto, poderão ser exigidos outros elementos necessários à comprovação da despesa médica. Fl. 103DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/ 08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10120.006206/200715 Acórdão n.º 2101001.181 S2C1T1 Fl. 98 5 Não se pode ignorar, no entanto, que é bastante comum o expediente de se declarar despesas médicas inexistentes, ou majorar o valor das ocorridas, com o objetivo de diminuir o imposto devido. Contando com a ineficiência da Administração Pública, e com a nefasta idéia, corrente em nosso país, de que a sonegação é um crime aceitável devido à alta carga tributária, alguns contribuintes declaram deduções expressivas, e buscam justificálas com recibos que não refletem o realmente ocorrido. Situação inaceitável que precisa ser coibida pela Administração Pública. Diante desse quadro, os julgamentos administrativos neste CARF são bastante diversos. Existem aqueles que julgam que, uma vez comprovada a despesa mediante recibos, é dever do Fisco provar que a informação é falsa. Por outro lado, é forte a corrente que pensa que, caso a autoridade fiscal exija comprovação adicional do contribuinte, invertese o ônus da prova, sendo função do sujeito passivo produzir a comprovação exigida. Filiome ao segundo grupo, tanto pelas determinações do art. 73 do RIR/99, acima transcrito, que exige que as deduções sejam justificadas a juízo da autoridade lançadora, quanto pelo disposto no art. 333, inciso I, do Código de Processo Civil, que atribui a quem declara o ônus de demonstrar fato constitutivo do seu direito. Mas penso que a fiscalização deve demonstrar criteriosamente porque não aceitou a comprovação mediante recibo que atenda às características da legislação. Somente com a análise das exigências fiscais, bem como das respostas do contribuinte, será possível se concluir pela procedência, ou não, das glosas efetuadas. No caso em tela, a fiscalização glosou todas as despesas médicas declaradas, por falta de atendimento à intimação para que o fiscalizado comprovasse essas deduções (fl. 3). Na impugnação, a contribuinte afirmou já ter apresentado os comprovantes (fl. 1), e o julgador de 1a instância aceitou algumas deduções, mas julgou não comprovadas as seguintes despesas (fls. 55 a 60): Nome do Beneficiário CPF/CNPJ Cód. Valor Pago DR. EDINILSON GOMES 074.040.59852 7 3.000,00 DRA. MARIANA L.N.D. CARMO AZEREDO 634.073.10153 7 9.500,00 DRA CLAUDIA A.C.SIQUEIRA 593.524.42687 7 640,00 DR. JARBAS BARBOSA 004.760.99668 7 130,00 HOSPITAL IMAGEM 16.740.342/000188 9 700,00 A.G.M.P 02.220.135/000198 11 8.304,50 Passo a analisar cada uma dessas glosas. a) Pagamento de R$3.000,00 ao Dr. Edinilson Gomes, CPF no 074.040.59852: Inicialmente, buscouse comprovar essa despesa com dois recibos de R$1.500,00, emitidos em 13/01/2004 e 06/12/2004, referentes à fixação de aparelho ortodôntico na contribuinte (fl. 12). Fl. 104DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/ 08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10120.006206/200715 Acórdão n.º 2101001.181 S2C1T1 Fl. 99 6 A DRJ não admitiu essa dedução porque os recibos foram emitidos sem a identificação do endereço do profissional (fl. 58). No voluntário, a recorrente apresenta cópia dos mesmos recibos, agora com um carimbo da Ortoclínica Ednilson Gomes Ltda, CNPJ no 07.067.560/000102, com a informação de seu endereço (fl. 82). Apesar de considerar que seria possível se exigir maiores comprovações de despesa de valor mais elevado, julgo que, no escopo do presente lançamento, há que se considerar comprovada a dedução. A contribuinte já teve suprimida uma instância, quando a fiscalização deixou de analisar sua documentação comprobatória. Em sede de julgamento de 1a instância, a autoridade rejeitou a prova alegando que faltava ao recibo o endereço do profissional. Agora, no voluntário, cumprida a exigência pela recorrente, não é possível se trazer novos óbices para se admitir a dedução, dos quais o recorrente não disporá de nova oportunidade de contestação. É verdade que o endereço apresentado é de uma pessoa jurídica, e não o do médico que emitiu o recibo. Mas não resta dúvida da correlação entre a Ortoclínica Ednilson Gomes Ltda e o profissional Dr. Edinilson Gomes, sendo razoável a conclusão de identidade de endereços profissionais. Superado o problema apontado pelo julgador de 1a instância, considero comprovada essa dedução. b) Pagamento de R$9.500,00 à Dra. Mariana L.N.D. Carmo Azeredo, CPF no 634.073.10153: De início, a comprovação dessa despesa se deu com a apresentação da ficha odontológica da contribuinte na Clinface Odontologia, onde consta que o motivo da consulta foi uma possível doença degenerativa da ATM, e descreve pormenorizadamente o tratamento realizado no ano de 2004, que envolveu diversas sessões de fisioterapia da ATM, com preços discriminados do material e do serviço, totalizando R$9.500,00 (fl. 22). A DRJ não admitiu essa dedução porque não houve comprovação por documentação hábil da despesa odontológica, bem como não aconteceu a devida identificação do respectivo profissional (fl. 59). No voluntário, foram apresentados os documentos de fls. 86 a 87, onde a Dra. Mariana Azeredo confirma a prestação de serviços odontológicos na recorrente, e o recebimento de R$9.500,00 no ano de 2004, recibo firmado em papel timbrado da Clinface Odontologia, onde consta o endereço da profissional. Considero que a ficha odontológica já apresentada, em conjunto com a documentação complementar, supre os óbices indicados pelo julgador de 1a instância, comprovando de forma hábil a despesa odontológica e trazendo a devida identificação da profissional. Acrescentese que a recorrente possui suficiente suporte financeiro para despesa odontológica elevada, pois possui rendimentos tributáveis declarados, no ano da Fl. 105DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/ 08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10120.006206/200715 Acórdão n.º 2101001.181 S2C1T1 Fl. 100 7 fiscalização, de 247.076,78, além de R$36.426,00 de rendimentos isentos e não tributáveis e R$21.150,88 tributados exclusivamente na fonte. c) Pagamento de R$640,00 à Dra. Claudia A.C.Siqueira, CPF no 593.524.42687: A prova dessa despesa foi um recibo, emitido em 17/10/2004, referente a 17 Sessões de fisioterapia (fl. 6), não admitido pela DRJ porque os recibos não possuíam a identificação do endereço da profissional (fl. 58); No voluntário, o recorrente apresenta declaração da profissional, confirmando ter recebido, em 17/1/2004, R$640,0, referente a 17 Sessões de fisioterapia, apresentando o endereço profissional (fl. 77), e informando que declara seus rendimentos à Receita Federal como pessoa física. Julgo que, mais uma vez, a recorrente teve sucesso em superar os problemas apontados pelo julgador a quo, pelo que considero comprovada essa despesa. d) Pagamento de R$130,00 ao Dr. Jarbas Barbosa, CPF no 004.760.996 68: A comprovação inicial dessa despesa consistiu em declaração firmada pelo profissional que confirmava a prestação do serviço, o recebimento em espécie, o endereço profissional, e a contabilização desse pagamento em sua declaração de ajuste, e encaminhava cópia do canhoto do recibo fornecido, datado de 03/09/2004 (fls. 7 e 8). A DRJ não admitiu essa dedução porque a cópia do canhoto do recibo não possuía a identificação do endereço do profissional (fl. 58). No voluntário, o recorrente apresenta nova declaração do profissional, confirmando ter realizado consulta médica, em 03/09/2004, no valor de R$130,0, e apresentando o endereço profissional (fl. 78), e cópia do mesmo canhoto de recibo da impugnação agora com um carimbo e assinatura do profissional (fl. 79). Considero que as provas apresentadas superam os limites levantados pelo julgador de 1a instância, pelo que considero comprovada essa despesa. e) Pagamento de R$ 700,00 ao Hospital Imagem, CNPJ no 16.740.342/000188: Inicialmente, buscouse comprovar essa despesa com um recibo de R$100,00, emitido em 30/07/2004 (fl. 11) e outro de R$600,00, emitido em 02/08/2004 (fl. 10). A DRJ não admitiu essa dedução porque os recibos foram emitidos por pessoa jurídica, quando o correto seria a emissão de Nota Fiscal de Serviço (fl. 58). No voluntário, o recorrente apresenta documento carimbado e firmado em nome de Imagem Cirurgia Plástica, CNPJ no 16.740.342/000188, onde se afirma que os recibos foram emitidos pelo Dr. José Maurício de Figueiredo, e que foram tributados em nome da pessoa jurídica (fl. 80 e 81). Fl. 106DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/ 08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10120.006206/200715 Acórdão n.º 2101001.181 S2C1T1 Fl. 101 8 No caso, não foi superado o óbice imposto pelo julgador a quo, sendo razoável a exigência de que a comprovação de despesa médica realizada por pessoa jurídica se dê por nota fiscal de serviço. Ademais, a informação de que os recibos foram emitidos por um determinado médico é contraditória com o fato das assinaturas firmadas em cada recibo serem absolutamente diversas. Desta forma, mantenho a glosa dessa despesa. f) Pagamento de plano de saúde à Associação Goiâna do Ministério Público A.G.M.P, CNPJ no 02.220.135/000198, no valor de R$8.304,50: A DRJ não admitiu essa dedução porque, no Demonstrativo do Imposto de Renda emitido pela A.G.M.P, nos valores destacados de R$ 3.342,00 e R$ 4.962,50, não havia a especificação/identificação do referido desconto e dos respectivos beneficiários (fl. 24). No voluntário, é apresentado novo documento da A.G.M.P, especificando que a Contribuição SAMP de R$3.342,00 foi paga em nome de TEREZINHA DE JESUS M. MOTTA, e a de R$4.962,50, em nome de LOURDES MACEDO CALDAS (fl. 85). Como não há dependentes declarados na DIRPF 2005 (fl. 41), há que se admitir apenas o pagamento de plano de saúde com a titular. Desta forma, há que se restabelecer a dedução no valor de R$ 3.342,00 e se manter a glosa de R$4.962,50. O quadro abaixo resume o resultado desse julgamento: Nome do Beneficiário V. Glosado V. Restabelecido DR. EDIMILTON GOMES 3.000,00 3.000,00 DRA. MARIANA L.N.D. CARMO AZEREDO 9.500,00 9.500,00 DRA CLAUDIA A.C.SIQUEIRA 640,00 640,00 DR. JARBAS BARBOSA 130,00 130,00 HOSPITAL IMAGEM 700,00 0,00 A.G.M.P 8.304,50 3.342,00 TOTAL RESTABELECIDO 16.612,00 Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer deduções de despesas médicas no valor de R$16.612,00. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 107DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/ 08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10120.006206/200715 Acórdão n.º 2101001.181 S2C1T1 Fl. 102 9 Fl. 108DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/ 08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13982.000674/2003-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jul 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES INCLUSÃO RETROATIVA.A PARTIR DO ANO CALENDÁRIO DE 2002. Exclusão. - Não pode optar pelo Simples a pessoa jurídica que incorre em uma ou mais das vedações à opção estabelecidas em lei,denominada Simples, por se enquadrar na condição impeditiva prevista no inciso XIII art.9° Lei 9.317/96.
Numero da decisão: 1102-000.489
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo le 13982.000674;2003-09 Recurso n° 341.256 Voluntário Acórdão n" 1102 -00.489 — la Câmara / 2 a Turma Ordinária Sessão de 01 de julho de 2011 Matéria SIMPLES Recorrente RELATEC ORGANIZAÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES INCLUSÃO RETROATIVA.A PARTIR DO ANO CALENDÁRIO DE 2002.Exclusdo. - Não pode optar pelo Simples a pessoa jurídica que incorre em uma ou mais das vedações à opção estabelecidas em lei,denominada Simples, por se enquadrar na condição impeditiva prevista no inciso XIII art.9 ° Lei 9.317/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. if IVET AQUI-A'S PESSOA MONTEIRO — Presidente e Relatora EDITADO EM: 11/07/ 011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Ivete Mal aquias Pessoa Monteiro (Presidente da Turma), João Otavio Oppen -nan Thorne, Silvana Rescigno Guerra Ban-etto, Leonardo de Andrade Couto , Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo(Suplente Convocada) e João Carlos Lima Junior(Vice-Presidente). Relatório Recorre a interessada da decisão de 1 0 . grau que a excluiu da sistemática de pagamento dos tributos e contribuições de que trata o art. 3' da Lei 9.317/96, denominada Simples, por se enquadrar na condição impeditiva prevista no inciso XIII art.9 ° ., 12,14,1,15,11; MP 2158-34, art.73, INSRF 250 de 26/11/2002, art.20,X11,21,23,I; 24,11 c/c parágrafo único, por realizar operações relativas a propaganda e publicidade, conforme ADE/DRF JOA 461.660 de 07/08/2003, fls.14. Nas razões oferecidas, em síntese, a Contribuinte aduz que exerce a atividade de agência de noticias que não veda sua adesão ao sistema. Através do acórdão 393-00.088, de 20/11/2008, fls.83/86 há anulação da decisão de 1 0. grau sob argumento de que esta inovara na fundamentação que ensejou a exclusão da Recorrente do Sistema Simplificado. Nova decisão é proferida às fls.97/98, acórdão 03-35.738 de 25/02/2010, onde a 4',Turrna da DRJ Salvador julga improcedente a manifestação de inconformidade porque no objeto social da empresa consta corno atividade "elaboração de relatórios informativos", portanto, como criador de material de divulgação enquadra-se como publicitário, ou assemelhado, ou então, realiza operação relativa a propaganda e publicidade. Ciente em 01/04/2010 a Contribuinte oferece o recurso voluntário de fls. 104/107, em 29/04/2010, onde oferece os seguintes argumentos: (.) Agências de Noticias são enquadradas como 'veículos de C07771171iCaçãO; na mesma categoria de emissoras de radio, jornais e televisão, conforme a Lei de Imprensa N° 5.250, de 09/02/1967, vigente a época.Ressalte-se que a atividade principal da interessada assenta-se sobre atividade económica definida como agência de noticias. (.) Na data da ocorrência, 05/09/2001, conforme ato declaratório, o objeto social do contribuinte então contestado, tinha como atividade económica principal: atividades de agência de noticias', código tabela CNAE/Fiscal 9240-1/00. De acordo coin a legislação então vigente apresentada na defesa em 12/09/2003, pessoa jurídica que realize operações relativas a propaganda e publicidade, EXCUIDOS OS VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO', portanto, AGENCIA DE NOTICIAS é uni veiculo de comunicação, garantindo amparo a sua opção pelo Simples, conforme Capitulo 5 das vedações A opção do Simples, no Artigo 9°, alterado pelo Artigo 6 °, da Lei 9.779199. Rezava a Lei de Imprensa N° 5.250, de 09/02/1967, em seu parágrafo 4 ° : "Sao empresas jornalísticas, para fins da presente Lei, aquelas que editarem jornais, revistas ou outros periódicos. Equipara-se 2 Processo n° 13982.000674;2003-09 SI-C1T2 Acórdão n.° 1102-00.489 Fl. 2 as empresas jornalísticas, para ‘fins de responsabilidade civil e penal, aquelas que explorarem serviços de radio difirsão e televisão, agenciamento de noticias, e as empresas cinematogróficas". (.)Ato Declaratorio Executivo expedido pela DRF/JOA, e indeferiu o pedido sob a alegação de que "no objeto social consta como atividade 'elaboração de relatórios informativos', portanto COMO criador de material de divulgação, enquadra-se como publicitário ott assemelhado". Ora, se o Ato Declaratorio inicial era sobre atividade de Agência de Noticias, o que o contribuinte reafi rma mantel- em plena atividade principal como empresa constituída, a banca julgadora não se ateve c‘i atividade principal da empresa. Solução de consulta n° 309, de 23 de outubro de 2006, disponpivel na Receita Federal - Ministério da Fazenda, Secretaria da Receita Federal, Superintendência Regional da Receita Federal, 7' Regido Fiscal, assim .fora decidido: "Con trato social que prevê atividades impeditivas, juntamente CO//i não impeditivas da opção. A op cão e permanência no Simples condicionam-se ao exercício exclusivo de atividades não impeditivas. O fato de contarem do contrato social atividades vedadas a opção pelo Simples, sem que haja efetivo exercício, por si s6 não enseja a exclusão do sistema", (grifo nosso). Se não bastasse, acrescente-se Recurso n° 126143, Processo n° 1086.001532/2001-87, através da Primeira Camara, cai decisão unânime pelo mesmo entendimento, assim publicado: "Simples-exclusão. Exercendo somente atividade que não é vedada ao Simples, apesar de constar no objeto social outra atividade, não deve ser mantida a exclusão da recorrente do regime simplificado (grifo nosso). Recurso voluntário provido". Para reforçar ainda a defesa do contribuinte, recorre a outra decisão unânime do Conselho de Contribuintes, Terceira Camara, recurso n° 124889, processo n° 10530.000518/2001-6: "Simples-exclusão. Ausência de prova do motivo que ensejou a exclusão. Inexistência nos autos do Ato Declaratório de Exclusão, ato que deu ensejo a exclusão do contribuinte do Sistema integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições- Simples. Não há que ser mantida exclusão, sob pena da mesma ser fimdada cai presunção de fato. Recurso a que se dá provimento". O contribuinte recebeu o Ato Declaratório de Exclusão do Simples, apenas COM a descrição da situacão exchulente, sem quaisquer provas,fato que se repetiu na decisão do recurso. Mérito Amparado pelo Artigo 9°, alterado pelo Artigo 6° da Lei n° 9779/99, intern 12 XII, letra "d", das atividades de agência de noticias, e pela Lei de Imprensa n° 5250, parágrafo 4 0, e ainda confbnne solução de consulta n° 309, de 23 de outubro de 2006, publicado no site da Receita Federal - Ministério da Fazenda, Secretaria da Receita Federal, Superintendência Regional da Receita Federal, 7' Região Fiscal, e Recurso n° 126143, Processo n° 1086.001532/2001-87, através da Primeira Cfimara do Conselho de Contribuintes, e decisão da Terceira Camara do Conselho de Contribuintes, recurso n° 124889, processo n° 10530.000518/2001-6. Despacho de fls. 117 dá seguimento ao processo. Recebo-o para relato. Este 4 Processo IV 13982.0006742003-09 SI-C1T2 Acórd5o n.° 1102-00.489 FL 3 Voto Conselheira IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, 0 recurso preenche os pressupostos de admissibilidade e dele conheço. Trata-se de pedido de reinclusdo no SIMPLES, retroativa ao ano calendário de 2002, com revogação do ADE/DRF JOA 461.660 de 07/08/2003, fls.14,.que enquadrou a Recorrente na condição impeditiva prevista no inciso XIII art.9 °, 12,14,1,15,11; da Lei 9317/1996;MP 2158-34, art.73; 1NSRF 250 de 26/11/2002, art.20,X11,21,23,I; 24,11 c/c parágrafo único, por realizar operações relativas a propaganda e publicidade. Em seu favor vem a Recorrente argumentando que sua atividade se inclui: (.--) "pessoa juridica que realize operações relativas a propaganda e publicidade, 'EXCUIDOS OS VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO', portanto, AGÊNCIA DE NOTÍCIAS é um veiculo de comunicaclio, garantindo amparo a sua opção pelo Simples, conforme Capitulo 5 das vedações A opção do Simples, no Artigo 9 0, alterado pelo Artigo 6 °, da Lei 9.779199. "(grifos do original) Todavia este argumento não avança como adiante se verá. 0 art. 9 0, V, da Lei IV 9.317/1996, dispõe: 'Art. 9 0 Não poderá optar pelo Simples., a pessoa jurídica: Xii - que realize operações relativas a.. d) propaganda e publicidade, excluídos os veículos de comunicação; A contribuinte se diz inserta na exclusão, todavia, as notas fiscais juntadas as fls.41/46 apontam em sentido contrário. Também o contrato social da Recorrente (clausula 1,f1s.64) aponta corno objeto social"... agência de noticia, elaboração e comercialização de relatórios informativos e divulgações, e, comércio de jornais e revistas", atividade expressamente vedada no item 13 da Lei 9317/1996, como se vê na transcrição seguinte: X/H que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, musico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, fisico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissJo cujo exercício dependa de habilitacáo profissional legalmente exigida; Portanto, pelo principio da verdade material não há amparo ao pedido da Recorrente. Nesta ordem de juizos nego provimento ao recurso. IV ALA9IJTAS PESSOA MONTEIRO 6
score : 1.0
Numero do processo: 10880.010360/91-34
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1985, 1986, 1987
Ementa: IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. O órgão de primeira instância
não deve conhecer de impugnação intempestiva. Alegação de falta de
funcionamento da repartição por ocorrência de greve deve ser provada pelo sujeito passivo.
Numero da decisão: 1103-000.503
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado negar provimento ao recurso por
unanimidade.
Nome do relator: ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Recorrida Fazenda Nacional Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1985, 1986, 1987 Ementa: IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. O órgão de primeira instância não deve conhecer de impugnação intempestiva. Alegação de falta de funcionamento da repartição por ocorrência de greve deve ser provada pelo sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros do colegiado negar provimento ao recurso por unanimidade. Aloysio José Percínio da Silva – Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes, Eric Moraes de Castro e Silva, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório Tratase de auto de infração de PIS/faturamento (fls. 05) lavrado em razão de omissão de receitas nos exercícios 1986, 1987 e 1988. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA 2 Cientificada do lançamento no dia 21/03/1991, a contribuinte apresentou impugnação no dia 30 do mês seguinte (fls. 09). O Delegado da Receita Federal de Julgamento de São Paulo, por intermédio da Decisão DRJ nº 002871/95.11932 (fls. 18), não conheceu da impugnação e declarou definitivamente constituído o crédito tributário. A decisão recebeu a seguinte ementa: “IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. Dela não se toma conhecimento, e, consequentemente, considerase definitivo o lançamento formalizado.” Cientificada da decisão em 06/11/1996 (fls. 30), a contribuinte formulou pedido de reexame quanto à tempestividade da impugnação no dia 6 do mês seguinte (fls. 31). Alegou ter apresentado a impugnação apenas no dia 30/04/1991 em razão de falta de funcionamento do serviço de protocolo da repartição por motivo de greve de funcionários. Requereu o julgamento do mérito “por ser questão de direito e de justiça”. Por intermédio da Resolução nº 10301.683 (fls. 36), de 20 de agosto de 1998, a colenda Terceira Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes conheceu do pedido da contribuinte como recurso voluntário e converteu o julgamento em diligência para verificação do fato alegado pela contribuinte. Em cumprimento à referida Resolução, a Derat/São Paulo expediu memorando noticiando a inexistência de qualquer “documento comprovando a ocorrência de paralisação entre os dias 22 e 30 de abril de 1991” (fls. 41). O memorando foi cientificado ao contribuinte, por edital (62), em atendimento à determinação contida no Despacho nº 1030.004/2008 (fls. 53). A contribuinte não apresentou contrarazões (fls. 63). É o relatório. Voto Conselheiro ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA, Relator O auto de infração deste processo decorreu de tributação reflexa do auto de infração de IRPJ – imposto de renda pessoa jurídica (principal), lavrado em desfavor da mesma contribuinte, cujo andamento se dá no processo nº 10880.010359/9155. No processo principal (ou matriz), esta mesma turma de julgamento proferiu o Acórdão nº 110300.499/2011, negando provimento ao recurso voluntário interposto, assim resumindo a decisão: “IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. O órgão de primeira instância não deve conhecer de impugnação intempestiva. Alegação de falta de funcionamento da repartição por Fl. 2DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10880.010360/9134 Acórdão n.º 110300.503 S1C1T3 Fl. 2 3 ocorrência de greve deve ser provada pelo sujeito passivo.” Tratandose de tributação reflexa, a decisão relativa ao auto de infração matriz deve ser igualmente adotada no julgamento do auto de infração decorrente ou reflexo, conforme entendimento amplamente consolidado na jurisprudência deste colegiado, uma vez que ambos os lançamentos, matriz e reflexo, estão apoiados nos mesmos elementos de convicção. Conclusão Pelo exposto, nego provimento ao recurso. ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA Fl. 3DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000091/2003-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 18/08/1999 a 15/03/2000
CPMF. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito
passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois
do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo,
sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo,
de matéria distinta da constante do processo judicial.
ALEGAÇÕES DE VIOLAÇÃO À CONSTITUCIONAL. VIAS
ADMINISTRATIVAS. INADEQUABILIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade
de lei tributária.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 18/08/1999 a 15/03/2000
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos
tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são
devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial
de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais.
São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago
no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir
depósito no montante integral.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-000.849
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em negar provimento
ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Matéria: CPMF - ação fiscal- (insuf. na puração e recolhimento)
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. ALEGAÇÕES DE VIOLAÇÃO À CONSTITUCIONAL. VIAS ADMINISTRATIVAS. INADEQUABILIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 18/08/1999 a 15/03/2000 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Fl. 1DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 18471.000091/200353 Acórdão n.º 330200.849 S3C3T2 Fl. 76 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Walber José da Silva Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Andrea Medrado Darzé, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 93 a 136) apresentado em 27 de fevereiro de 2007 contra o Acórdão no 1211.669, de 06 de setembro de 2006, da 9ª Turma da DRJ/RJO I (fls. 78 a 80), cientificado em 29 de janeiro de 2007, que, relativamente a auto de infração de CPMF dos períodos de 18 de agosto de 1999 a 15 de março de 2000, considerou procedente o lançamento, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1999, 2000 Ementa: CPMF. JUROS SELIC. MULTA DE OFÍCIO. CONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. Lançamento Procedente O auto de infração foi lavrado em 30 de janeiro de 2003, de acordo com o termo de fl. 52. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Contra a empresa qualificada em epígrafe foi lavrado auto de infração de fls. 50/65 em virtude da apuração de falta de recolhimento da CPMF com relação a diversos fatos geradores ocorridos ao longo do período de agosto de 1999 a março de 2000, exigindoselhe a referida contribuição no valor de R$ 39.451,74, mais multa de ofício e juros de mora. Segundo consta da descrição dos fatos de fls. 52, foi identificado pela fiscalização que a liminar concedida nos autos do processo Fl. 2DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 18471.000091/200353 Acórdão n.º 330200.849 S3C3T2 Fl. 77 3 nº 99.0173570, e que suspendia a exigência da CPMF devida pela interessada, fora revogada (fls. 04/45). Em vista disso, foram lançados neste processo os valores devidos da contribuição, consoante o demonstrativo denominado “Valores Informados pelos Declarantes” (fls. 46/49), onde se verificam as bases de cálculo de cada fato gerador discriminadas por instituição financeira. O enquadramento legal encontrase a fls. 58, e faz menção aos seguintes dispositivos: arts. 2o, 4o, 5o, 6o e 7o, da Lei nº 9.311/96, e art. 1o da Lei nº 9.539/97, c/c art. 1o da Emenda Constitucional no 21/99; Cientificada em 30/01/2003, a interessada apresentou em 27/02/2003 a impugnação de fls. 01/38 (do processo 10768.001577/200371, em apenso), na qual alegou, em resumo: a) que a EC nº 21, de 1999, apresenta inconstitucionalidade formal; logo, não pode ser usada como base para o lançamento; b) que só com uma nova emenda constitucional é que se pode exigir a CPMF, visto que a vigência do art. 74 do ADCT da CRFB, bem como a vigência das leis nº 9.311, de 1996, e nº 9.539, de 1997, esgotaramse, desaparecendo esses dispositivos do mundo jurídico; c) que, em vista disso, houve ofensa aos princípios constitucionais da legalidade, do nãoconfisco, da capacidade contributiva, da igualdade e da nãocumulatividade; d) que a multa de ofício em percentual de 75% ofende ao princípio do nãoconfisco; e) que os juros de mora calculados à taxa Selic são ilegais e inconstitucionais. Por fim, com base nesses argumentos, pede o cancelamento do auto de infração." No recurso, a Interessada repetiu as alegações da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Conforme a Portaria Carf no 106, de 21 de dezembro de 2009, as alegações da Interessada que coincidem com constantes da ação judicial sujeitamse à renúncia às instâncias administrativas, pela aplicação da Súmula Carf no 1: Fl. 3DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 18471.000091/200353 Acórdão n.º 330200.849 S3C3T2 Fl. 78 4 Súmula CARF no 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Como se vê pela cópia de inicial de fls. 6 a 40, vários argumentos constantes da petição foram reproduzidos na impugnação e no recurso administrativos. Ademais, todas as questões que versam sobre inconstitucionalidade de normas, abrangendo os casos da multa e a suposta ofensa a princípios constitucionais, sujeitamse à Súmula Carf no 2: Súmula CARF no 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Finalmente, a questão da Selic sujeitase às Súmulas Carf no 4 e 5: Súmula CARF no 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF no 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. À vista do exposto, voto por não tomar conhecimento da matéria discutida judicialmente e, no restante, por negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 01 de março de 2011 (ASSINADO DIGITALMENTE) José Antonio Francisco Fl. 4DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 18471.000091/200353 Acórdão n.º 330200.849 S3C3T2 Fl. 79 5 Fl. 5DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
score : 1.0
Numero do processo: 11065.003839/2007-46
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:2001
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. INEXISTÊNCIA. O CARF já pacificou
entendimento quanto a legalidade da quebra de sigilo bancário, nos termos da Lei n. 9.311/96.
IRPJ-PIS-COFINS-CSLL-INSS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF 26. Na
ausência de comprovação da origem dos recursos depositados em instituição financeira, incide a presunção de omissão de rendimentos prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/96.
TABELA PROGRESSIVA. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. Incluem-se na base de cálculo os valores de créditos bancários de origem não comprovada.
Aplicação das novas faixas de enquadramento.
MULTA PUNITIVA. CONFISCO. INEXISTÊNCIA. As multas aplicadas
encontram-se previstas na legislação vigente.
PROVA PERICIAL ARTIGO 16 DO DECRETO 70.235/72. Mantido o
indeferimento da produção de prova pericial por ausência de cumprimento dos pressupostos necessários para a sua concessão
Numero da decisão: 1802-000.929
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recuso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário:2001 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. INEXISTÊNCIA. O CARF já pacificou entendimento quanto a legalidade da quebra de sigilo bancário, nos termos da Lei n. 9.311/96. IRPJ-PIS-COFINS-CSLL-INSS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF 26. Na ausência de comprovação da origem dos recursos depositados em instituição financeira, incide a presunção de omissão de rendimentos prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/96. TABELA PROGRESSIVA. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. Incluem-se na base de cálculo os valores de créditos bancários de origem não comprovada. Aplicação das novas faixas de enquadramento. MULTA PUNITIVA. CONFISCO. INEXISTÊNCIA. As multas aplicadas encontram-se previstas na legislação vigente. PROVA PERICIAL ARTIGO 16 DO DECRETO 70.235/72. Mantido o indeferimento da produção de prova pericial por ausência de cumprimento dos pressupostos necessários para a sua concessão
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1857; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 513 1 512 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.003839/200746 Recurso nº 888.089 Voluntário Acórdão nº 180200.929 – 2ª Turma Especial Sessão de 29 de junho de 2011 Matéria IRPJ Recorrente BTL MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. INEXISTENCIA. O CARF já pacificou entendimento quanto a legalidade da quebra de sigilo bancário, nos termos da Lei n. 9.311/96. IRPJPISCOFINSCSLLINSS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF 26. Na ausência de comprovação da origem dos recursos depositados em instituição financeira, incide a presunção de omissão de rendimentos prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/96. TABELA PROGRESSIVA. INEXISTENCIA DE VÍCIO. Incluemse na base de cálculo os valores de créditos bancários de origem não comprovada. Aplicação das novas faixas de enquadramento. MULTA PUNITIVA. CONFISCO. INEXISTENCIA. As multas aplicadas encontramse previstas na legislação vigente. PROVA PERICIAL ARTIGO 16 DO DECRETO 70.235/72. Mantido o indeferimento da produção de prova pericial por ausência de cumprimento dos pressupostos necessários para a sua concessão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recuso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. Fl. 522DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 11065.003839/200746 Acórdão n.º 180200.929 S1TE02 Fl. 514 2 (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente da Turma), José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, André Almeida Blanco, Gilberto Baptista e Marco Antonio Nunes Castilho Fl. 523DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 11065.003839/200746 Acórdão n.º 180200.929 S1TE02 Fl. 515 3 Relatório Adoto o relatório da decisão de 1ª instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: “Trata o presente processo de exigência fiscal formulada ao interessado acima identificado, optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte — Simples, por meio dos autos de infração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica — IRPJ/Simples, de fls. 307/313, no valor de R$ 9.491,29; da Contribuição para o PIS/Pasep — PIS/Simples, de fls. 314/321, no valor de R$ 9.491,29; da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL/Simples, de fls. 322/328, no valor de R$ 20.694,47; da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins/Simples, de fls. 329/335, no valor de R$ 41.389,08; da Contribuição para a Seguridade Social — INSS/Simples, de fls. 336/342, no valor de R$ 57.093,14. Sobre esses valores foram ainda acrescidos a multa de ofício e os juros de mora calculados até 31/10/2007. Segundo o Relatório do Trabalho Fiscal, de fls. 343/358, o contribuinte apresentou extratos bancários das contas mantidas junto a instituições financeiras ( Banco Bradesco e Banco Banrisul), com depósitos no montante de R$ 1.047.036,20 em 2003 (fls. 344 ), eliminados cheques depositados e devolvidos e depósitos identificados como empréstimos bancários. Havendo contas bancárias à margem da escrituração, foi o contribuinte intimado a comprovar, mediante documentos hábeis e idôneos, a origem dos depósitos feitos' em suas contas bancárias. A empresa informou que havia solicitado às instituições financeiras a emissão dos extratos bancários de forma discriminada, contendo os valores e números dos cheques depositados, bem como a cópia dos contratos de operações de desconto e custódia de cheques e apresentou cópia dos requerimentos encaminhados ao Banrisul e ao Bradesco. Informou, também, que após o recebimento destes documentos, seria necessário a realização de análise do demonstrativo de caixa, para comprovar a origem dos valores creditados em conta corrente, bem como a apuração de eventual valor que não foi Fl. 524DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 11065.003839/200746 Acórdão n.º 180200.929 S1TE02 Fl. 516 4 levado à tributação. Mais tarde, fala da dificuldade em comprovar a origem dos depósitos, tendo em vista que as instituições bancárias apresentaram parte do solicitado, justificando não mais possuir esta documentação em seus arquivos, dado o decurso do prazo legal. Faltou, entretanto, a demonstração pelo contribuinte desta negativa. Apesar do contribuinte ter atendido a algumas solicitações de informações e documentos, só conseguiu comprovar o valor de R$ 6.583,60 como sendo referente a uma operação de empréstimo. Intimada a identificar outros valores decorrentes de empréstimos bancários, a fiscalizada não procedeu a esta identificação. Quanto aos demais depósitos, apesar de intimada e reintimada, não conseguiu comprovar sua origem. Não logrando êxito na comprovação da origem dos depósitos realizados nas contas mantidas pelo contribuinte no ano calendário de 2003, foi lançado no Auto de Infração os tributos e contribuições devidos sobre o total dos créditos bancários realizados às contas mantidas pelo fiscalizado junto às instituições bancárias, nos meses de janeiro a dezembro/2003, excluído o valor de R$ 6.583,60 identificado como operação de empréstimo, os depósitos com origem comprovada e declarados na PJSI 2004, cheques depositados e devolvidos, os quais, pela não comprovação da origem, configuram presunção de omissão de receita com fundamento no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. O quadro abaixo demonstra, de forma resumida, os valores considerados pelo Agente Fiscal: (...) Acrescido o montante de receita omitida à receita originalmente declarada em PJSI 2004, anocalendário 2003, as alíquotas pertinentes ao Simples sofreram realinhamento, sendo lançadas as diferenças correspondentes aos tributos e contribuições insuficientemente recolhidos pelo fiscalizado. A fundamentação legal de cada lançamento pode ser observada no campo próprio dos autos de infração. A ciência do Auto de Infração ocorreu em 10/12/2007, conforme Termo de Encerramento de fls. 367 e em 08/01/2008, o interessado apresentou a impugnação de fls. 369/377, na qual alega, em síntese: 1 O índice da tabela progressiva não foi aplicado corretamente, encontrandose viciado o Auto de Infração; Fl. 525DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 11065.003839/200746 Acórdão n.º 180200.929 S1TE02 Fl. 517 5 2 A fiscalização atribuiu à circulação de valores em conta corrente o caráter de receita, tributando na sua totalidade, desconsiderando as informações prestadas, visto que parte é oriundo de empréstimos bancários. Apresentou prova através de documentação hábil e idônea e declarações prestadas pelas pessoas físicas e jurídicas que realizaram atividade negocial com a empresa, sendo as mesmas desconsideradas pelo Fisco; 3 Ao deixar de produzir prova relativa a desconstituir a idoneidade dos documentos trazidos aos autos, decaiu a Fazenda Pública do direito de produzilas, fato que enseja a análise do processo apenas com a prova material trazida pela empresa; 4 O Fisco arbitrou imposto de renda com base apenas em depósitos bancários, todavia para lograr êxito a sua pretensão, deve demonstrar a ocorrência de sinais exteriores de riqueza capaz de demonstrar a discrepância entre a evolução patrimonial e os valores efetivamente declarados; 5 Os depósitos bancários por si só não constituem fato gerador do imposto de renda, sendo admissível o lançamento quando comprovado o nexo causal entre o depósito e o fato que represente a omissão de rendimentos, o que não foi comprovado pelo fiscal e nem objeto de apreciação ou detalhamento na ação fiscal; 6 Analisa os conceitos de fato gerador e obrigação tributária, concluindo que a norma tributária deve ser interpretada em favor do contribuinte, de acordo com o art. 112 do CTN, ou no mínimo dentro de seus limites, para aplicação da legislação dentro dos parâmetros da realidade fática, que não foram considerados pelo Agente Fiscal; 7 Diante de toda prova documental e material apresentada, provando que os valores lançados restaram equivocados, não havendo intuito doloso ou culposo para ensejar o caráter fraudulento, não cabe a incidência da multa punitiva no critério aplicado; e 8 O art. 106, inciso II do CTN estabelece casos de retroatividade da lei mais benigna, sendo um direito do Impugnante a aplicação desta regra. Ao final, requer seja julgado totalmente improcedente o lançamento, reconhecida a comprovação da origem dos valores e as operações de empréstimos de dinheiro a juros, reconhecida a falta de comprovação por parte da autoridade fazendária de indícios que embasam o auto de lançamento, que seja aplicado corretamente o índice de contribuição relativo ao Simples, que lhe seja facultado a produção de todos os meios de prova admitidos e, em especial, a realização de perícia nos documentos contábeis existentes, bem como aqueles que serão trazidos aos autos com os quesitos legais a serem encaminhados ao expert..” Fl. 526DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 11065.003839/200746 Acórdão n.º 180200.929 S1TE02 Fl. 518 6 Ato seguinte, a decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte Ementa: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003 SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITA COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARBITRAMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO. LANÇAMENTOS DECORRENTES SIMPLES PIS COFINS CSLL IRPJ INSS. TABELA PROGRESSIVA. MULTA PUNITIVA/CONFISCATÓRIA. MEIOS DE PROVA. PERÍCIA. A Lei n° 9.430/1996, vigente a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu, art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito. O arbitramento da receita poderá ser efetuado com base em depósitos bancários realizados junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. A verificação de omissão de receitas constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário o decidido quanto ao lançamento do IRPJ Simples deve nortear a decisão dos lançamentos decorrentes, dada a relação que os vincula. A multa de ofício é de aplicação obrigatória nos casos de exigência de tributos decorrentes de lançamento de ofício. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a institui. O protesto pela juntada de novos documentos aos autos, deve ser fundamentado e concomitante à apresentação da correspondente documentação, ficando prejudicado, destarte, o pedido efetuado no desfecho da peça impugnatória, no sentido de posterior juntada de documentos, frisandose que, até a data do presente julgamento, o suplicante não trouxe qualquer documentação adicional que pudesse justificar o referido pedido. Considerase não formulado o pedido de perícia em desacordo com os requisitos formais estabelecidos em lei para sua interposição. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” Fl. 527DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 11065.003839/200746 Acórdão n.º 180200.929 S1TE02 Fl. 519 7 Restando inconformada com a decisão de 1ª instância, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 463/511), alegando, em síntese a ilegalidade da presunção de omissão de receitas prevista no artigo 42 da Lei n. 9430/96. Oportunamente, os autos foram enviados a este Colegiado. Tendo sido designado relator do caso, requisitei a inclusão em pauta para julgamento do recurso. É o relatório, passo a decidir Fl. 528DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 11065.003839/200746 Acórdão n.º 180200.929 S1TE02 Fl. 520 8 Voto Conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar A Recorrente alega, em sede preliminar, a impossibilidade da autoridade administrativa utilizar sua movimentação financeira para apurar crédito tributário, bem como tenta afastar a presunção de receita decorrente dessa movimentação. No entanto, nos termos do artigo 42 da lei nº 9430/96: “os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, serão considerados receita tributável”. No caso em tela a Recorrente não juntou aos autos nenhuma prova que pudesse afastar a presunção acima, embora seja dele o ônus probatório. De acordo com o artigo supra referido, não cabe à Administração Pública demonstrar que os valores creditados em conta corrente constituem, efetivamente, receita tributável, pois tal a prova deve ser feita pelo contribuinte. Esse entendimento, inclusive, já foi consolidado por esta Corte através da Súmula 26, que ora se transcreve: “Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.” Ainda, a possibilidade da Administração Pública utilizar as informações financeiras obtidas para a constituição de crédito tributário está prevista no parágrafo 3º do artigo 11 da Lei nº 9.311/96, com redação dada pela Lei nº 10.174/2001. Desta forma, estão afastados os argumentos suscitados pela Recorrente quanto à ilegalidade do uso das informações bancárias na lavratura do auto de infração, bem como os argumentos de que a Fisco deve comprovar o acréscimo patrimonial para configurar omissão de receitas, pois tal prova cabe ao contribuinte. Com efeito, não prospera o recurso da Recorrente nesse particular. Fl. 529DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 11065.003839/200746 Acórdão n.º 180200.929 S1TE02 Fl. 521 9 Prova Pericial Também não vislumbro nos autos a necessidade de realização de diligência ou perícia. A única matéria em discussão diz respeito à comprovação de omissão de receitas e o ônus de comprovar a inexistência delas é do Contribuinte. Não é função da diligência/perícia a produção de provas no interesse e sob a responsabilidade das partes. A propósito, a Segunda Seção assim se posicionou: “(...) PAF. DILIGÊNCIA . CABIMENTO. A diligência deve ser determinada pela autoridade julgadora, de oficio ou a requerimento do impugnante/recorrente, para o esclarecimento de fatos ou a realização de providências considerados necessários para a formação do seu convencimento sobre as matérias em discussão no processo e não para produzir provas de responsabilidade das partes.(...)” (Recurso Voluntário nº: 343.666. 2ª Câmara da 1ª Turma da Segunda Seção da Câmara de Recursos Fiscais. Processo nº 13971.002405/200641. Recorrente Induma Indústria de Madeiras S/A Recorrida DRJ Campo Grande/MS. Fazenda Nacional. Sessão: 13/05/2010. Relator: Pedro Paulo Pereira Barbosa. Acórdão 220100.660. Resultado: NPU negado provimento por unanimidade). Além disso, a Recorrente deixou de atender os requisitos previstos no inciso IV do artigo 16 do Decreto n. 70.235/72 transcrito abaixo: “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (...)” Ora, a Recorrente se limitou apenas a requerer perícia para verificação de informações que lhe competiam sem quaisquer justificativas palatáveis para o seu deferimento e em desacordo com os ditames supra mencionados. Por esses motivos, indefiro a produção de prova pericial. Da Multa Aplicada. Confisco. Inconstitucionalidade. Fl. 530DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 11065.003839/200746 Acórdão n.º 180200.929 S1TE02 Fl. 522 10 A Recorrente requer a não aplicação da multa punitiva, em face de toda a prova documental apresentada e, diante de não ter havido intuito doloso ou culposo para ensejar o caráter fraudulento e a aplicação da penalidade. Compulsandose os autos constatase que a Recorrente não elidiu em sua defesa as diferenças apuradas pela fiscalização. Desta forma, a multa de ofício de 75%, foi corretamente aplicada sobre as divergências identificadas pela autoridade fiscal entre o valor apurado pelo contribuinte e o valor devido, encontrandose amparo legal no artigo 44, inciso I, parágrafo 1º da Lei 9.430/96. Desta forma, resta mantida aplicação da multa de ofício de 75%. Por fim, a multa aplicada está prevista em lei, não havendo o que se falar em confisco. A alegação de inconstitucionalidade na aplicação das multas de ofício, enquanto a norma não é declarada inconstitucional pelo Poder Judiciário e, conseqüentemente, não é extirpada do sistema jurídico pátrio, tem presunção de validade que é vinculante para administração pública, que não tem competência para entrar do mérito da constitucionalidade da norma. Este entendimento também já foi pacificado no CARF por meio da súmula no. 2, abaixo transcrito. “Súmula 2 do CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Com efeito, rejeito as alegações de ilegalidade inconstitucionalidade da aplicação das multas de oficio pelos argumentos acima expostos. Mérito Por fim, a Recorrente alega que o índice da tabela progressiva não foi aplicado corretamente encontrandose viciado ao Auto de Infração. Também não merece guarida alegação da Recorrente. Isto porque, ajustandose a base de cálculo mensal, com os valores dos créditos bancários de origem não comprovada, incide sobre essa base as novas faixas de enquadramento, conforme consta no Demonstrativo de Apuração dos Valores Devidos anexo ao Auto de Infração, não havendo o que se falar em erro na apuração do crédito tributário a eivar o Auto de Infração de nulidade. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 531DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 11065.003839/200746 Acórdão n.º 180200.929 S1TE02 Fl. 523 11 (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Fl. 532DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA
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Numero do processo: 10980.011132/2008-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do Fato Gerador: 04/07/2008, 28/07/2008
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIRO E NÃO ADMINISTRADO PELA RFB. MULTA ISOLADA. APLICABILIDADE.
Exige-se multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado, quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses em que o crédito seja de terceiro, refira-se a título público ou quando não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, previstas no inciso II, alíneas “a”, “c” e “e”, do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996,.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3202-000.354
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negarprovimento ao recurso voluntário.
Declarou-se impedido o Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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HOLDING S/C LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 04/07/2008, 28/07/2008 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIRO E NÃO ADMINISTRADO PELA RFB. MULTA ISOLADA. APLICABILIDADE. Exigese multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado, quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses em que o crédito seja de terceiro, refirase a título público ou quando não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, previstas no inciso II, alíneas “a”, “c” e “e”, do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996,. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Declarouse impedido o Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior. José Luis Novo Rossari Presidente. Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Júnior e Paulo Sergio Celani. Relatório Para fins de resumir a controvérsia, adoto o relatório do acórdão recorrido. Fl. 169DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 2 “Através do auto de infração de fls. 03/05 foi constituída Multa Exigida Isoladamente, no percentual de 150%, sobre os débitos que foram objeto de compensação apresentada pela interessada através de declarações de compensação (formulários de fls. 09/13, retificados pelos formulários de fls. 31/35), consideradas nãodeclaradas, conforme Despacho Decisório de fls. 37/39, emitido no Processo Administrativo Fiscal (PAF) n.º 10768.003927/200849. Instruindo a autuação, no Relatório Fiscal (fls. 96/96), parte integrante do auto de infração, a autoridade lançadora tece comentários e adota esclarecimentos contidos no mencionado despacho decisório. Dessa forma, é dada notícia de que as precitadas declarações de compensações de fls. 09/13 (retificadas às fls. 31/35), protocolizadas no PAF n.º 10768.003927/200849, tinham por origem crédito de terceiro e sem natureza tributária, e visavam a quitação de débitos fiscais (códigos de receitas 8109, 2172, 2089 e 2372, de períodos de apuração entre janeiro e dezembro de 2007). Assim, por meio do precitado despacho decisório de fls. 37/39, a DRF/Curitiba decidiu considerar não declaradas (art. 74, § 12, II, “a”, “c” e “e”, da Lei n.º 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 4º da Lei n.º 11.051, de 2004) as compensações dos débitos conforme demonstrativo de fl. 40, a seguir transcrito: ... Falando sobre a multa qualificada, o autuante diz (fl. 95): “por esta razão, é de se considerar presente, sim, o intuito de fraude, tal como previsto na legislação a seguir transcrita, sujeitandose à multa isolada de 150%, conforme apurado na planilha, à fl. 40, uma vez que o contribuinte, sabendo o que não podia fazer (compensar débitos próprios com crédito de terceiros e de natureza não tributária), assumiu o risco de fazêlo – apresentou as Dcomps. E, feito isto, retificou também as DCTFs informando a compensação, com isso suspendendo a exigibilidade dos débitos também por esta via.”; transcreve, a seguir, o art. 72 da Lei n.º 4.502, de 1964, art. 44, I e § 1º, da Lei n.º 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei n.º 11.488, de 2007 e o ADI SRF n.º 17, de 2002; menciona, ainda, à fl. 96, que foi formalizada representação fiscal para fins penais, cuja tramitação se encontra no processo administrativo n.º 10980.011135/200823. Cientificada da autuação em 20/08/2008 (fl. 42), a interessada apresenta, em 10/09/2008, por meio de procurador (mandato de fl. 87), a impugnação de fls. 44/78, a seguir sintetizada. Após breve exposição sobre a autuação, diz: “o auto de infração merece total reforma por ser ofensiva ao consenso comum e estranho ao ordenamento jurídico”. No item “I.1 O princípio da vedação ao confisco: um freio ao poder de tributar” (fls. 45/50), tece considerações, apoiado na doutrina e jurisprudência sobre o art. 150, IV, da Constituição Federal de 1988, que estabelece proibição da utilização de tributo com efeito confiscatório. Já, no item “II – As multa fiscais” (fls. 50/55), discorre sobre as classificações doutrinarias das multas fiscais, com base nas finalidades a elas atribuídas; fala, ainda, sobre os fundamentos para a gradação de tais multas, bem como no controle pelo Judiciário da legalidade e constitucionalidade das referidas multas. Sob o título “III – O princípio da proporcionalidade aplicado ao direito tributário” (fls. 55/60), faz explanações, com base na doutrina e jurisprudência, sobre o princípio da proporcionalidade (ou razoabilidade), onde diz que “em que pese o axioma da proporcionalidade ser um instrumento de limitação do Poder Estatal, sua aplicabilidade está cristalinamente adstrita ao excesso de poder cometido por toda e qualquer pessoa que atue em nome do Estado.”; diz, ainda, que: “a aplicação da sanção tributária em concreto pode ser considerada inválida, ainda que Fl. 170DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10980.011132/200890 Acórdão n.º 3202000.354 S3C2T2 Fl. 149 3 seja prevista na norma tributária, por lesão ao princípio da proporcionalidade, se da imposição da multa desaguar numa absoluta destruição do acervo patrimonial do contribuinte”. No item “IV – Aplicabilidade da vedação ao confisco às multas fiscais à luz do axioma da proporcionalidade” (fls. 60/65), onde comenta a discussão doutrinária sobre a aplicabilidade do princípio do nãoconfisco (art. 150, IV, CF/1988) às multas por infrações tributárias, concluindo pela possibilidade de sua aplicação e diz: “diante do exposto, já em preliminar espera a impugnante seja anulado o auto de infração em razão da impossibilidade de aplicação de multa isolada, reconhecido o seu efeito confiscatório proibido pela doutrina e jurisprudência administrativa”. Sob o tópico “V – Mérito” (fls. 65/71), argumenta que no caso inexiste fraude, posto que as compensações declaradas teriam obedecido a um planejamento tributário, que é forma lícita (elisão fiscal) de procurar praticar (ou absterse de praticar) atos visando a anular, reduzir ou postergar o ônus financeiro, de modo a incorrer na menor carga tributária possível; na seqüência tece extenso arrazoado sobre a prática do planejamento tributário e sobre a impossibilidade de caracterizar seu comportamento como fraude, e conclui: “dessa maneira, tendo em vista que as compensações foram realizadas em obediência a legislação em vigor (DecretoLei 6.019/43 e Lei 10.179/2001, não pode uma simples instrução normativa (ato hierarquicamente menor) negarlhe efeito, motivo pelo qual, também no mérito improcede a autuação acontecida devendo o auto ser anulado.”. No item “VI – Conclusões iniciais” (fls. 71/77), volta a pedir a anulação da multa aplicada em face dos princípios de vedação ao confisco e da proporcionalidade; na seqüência, falando da necessidade de as obrigações acessórias estarem de acordo com os princípios constitucionais (legalidade, não confisco, solidariedade, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade e eficiência), inclusive havendo previsão em lei quanto a isso (art. 2º da Lei n.º 9.784, de 1999), diz que: “no caso concreto, sendo o atuar da impugnante planejamento tributário lícito, eis que, compensou tributos com créditos existentes (reconhecidos pelo DecretoLei 6.019/43), e passíveis de utilização pelo próprio ou por terceiros (artigo 6º da Lei 10.179/2001) não há que se falar em multa punitiva, apresentandose o auto como verdadeiro confisco o que é repelido pelo atual ordenamento pátrio.”. Por fim, no item “VII – Mérito – Ausência da fraude alegada” (fls. 77/78), reafirma que o fisco não comprovou a fraude que teria cometido, limitandose a alegar a utilização dolosa de crédito de terceiro e de origem não tributária e como tal, de impossível utilização; volta a considerar que agiu dentro da lei, conforme antes explicitou, tendo praticado planejamento tributário, pelo que o autuante estaria, em tese, cometendo o crime previsto no art. 316, § 1º, do Código Penal..” A impugnação foi considerada procedente em parte pela unidade julgadora da RFB, nos termos do acórdão recorrido, cuja ementa está assim redigida: “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do Fato Gerador: 04/07/2008, 28/07/2008 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIRO E NÃO ADMINISTRADO PELA RFB. MULTA ISOLADA. APLICABILIDADE. PERCENTUAL. BASE DE CÁLCULO. Considerada nãodeclarada a compensação em face de pretensão de utilização de crédito de terceiro e não Fl. 171DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 4 administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, cabível a aplicação da multa isolada, no percentual de 75%, sendo impingida a multa qualificada de 150% somente na hipótese de ser caracterizado o “evidente intuito de fraude” referido pela legislação. MULTA DE OFÍCIO. NORMAS LEGAIS. EXAME DE VALIDADE. COMPETÊNCIA. A exigência de multa de ofício está prevista em normas regularmente editadas, não tendo o julgador administrativo competência para apreciar argüições de invalidade e/ou inconstitucionalidade contra a sua cobrança. Impugnação Procedente em Parte.” Contra a decisão, a contribuinte ingressou com o recurso voluntário em análise, no qual afirma que a unidade julgadora de primeira instância teria competência para analisar os argumentos apresentados na impugnação concernentes às compensações; que reitera os termos da impugnação no tocante à inexistência de fraude; pois as compensações basearam se em planejamento tributário lícito, logo deveriam ser consideradas procedentes; que a multa deveria ser anulada porque estaria em desacordo com os princípios da razoabilidade e proporcionalidade; que deveria ser juntado ao presente o processo 10768.003927/200849, para que fossem apreciadas as compensações. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Recebo o recurso, por ser tempestivo, atender aos demais requisitos formais de admissibilidade e ser da competência da 3a. Seção de Julgamento. Observo, inicialmente, que os julgadores de primeira instância afastaram a qualificação da multa, reduzindoa de 150% para 75%, por entenderem que não ficou caracterizado o “evidente intuito de fraude” referido pela legislação. Tal redução não foi objeto de recurso de ofício, logo, ainda que entendamos de modo diferente quanto a ter ocorrido fraude, não cabe reformar a decisão para retornar a qualificação da multa. Com relação à juntada ao presente do processo 10768.003927/200849, não há norma que a imponha, porque, tendo em vista referirse a compensações definidas como nãodeclaradas, o que, por força do art. 74, § 13, da Lei nº 9.430, de 1996, incluído pela Lei nº 11.051, de 2004, não enseja manifestação de inconformidade, o caso não se enquadra na situação prevista no art. 18, § 3o, da Lei n.º 10.833/2003, que exige, para a juntada, a existência da referida manifestação. Além disso, entendoa desnecessária, pois a recorrente nada alega contra a constatação fiscal, segundo a qual a ora recorrente pretendeu efetivar compensações de débitos com a utilização de créditos de terceiro e nãoadministrados pela Secretaria da Receita Federal Fl. 172DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10980.011132/200890 Acórdão n.º 3202000.354 S3C2T2 Fl. 150 5 do Brasil, nem contra a interpretação segundo a qual tais créditos não poderiam ser utilizados na compensação pretendida. Assim, quanto aos fatos descritos no auto de infração, estes são incontroversos; e quanto à possibilidade de utilização de créditos de terceiros ou não relativos a tributos administrados pela RFB, este processo contém todos os elementos necessários e suficientes para se decidir sobre a exigência formalizada. Logo, restanos verificar se os fatos descritos no auto de infração caracterizam infração punível com a multa isolada. A Lei n.º 10.833/2003 dispõe: “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de não homologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6o a 11 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 3o Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. § 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1o, quando for o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 5o Aplicase o disposto no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas nos §§ 2o e 4o deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)” A Lei n.º 9.430/96, por seu turno, diz o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 173DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 6 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) ... § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) ...” “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) ... § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 8o Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7o, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9o. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 174DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 10980.011132/200890 Acórdão n.º 3202000.354 S3C2T2 Fl. 151 7 § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) ... II em que o crédito: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) a) seja de terceiros; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) ... c) refirase a título público; ... e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) ... § 13. O disposto nos §§ 2o e 5o a 11 deste artigo não se aplica às hipóteses previstas no § 12 deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) ...” Da leitura destes dispositivos evidenciase que: nas hipóteses em que o crédito seja de terceiros ou não se refira a tributos e contribuições administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, a compensação considerarseá não declarada; uma vez considerada não declarada, será exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado. Portanto, no caso em discussão, em que os créditos utilizados para compensação não se referiam a tributos administrados pela RFB e eram de terceiro, o que não foi contestado pela contribuinte, a multa isolada deve ser exigida. Verificase também da leitura das normas acima que aplicarseá o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1o, quando for o caso. Quanto a qual seria o percentual aqui aplicável, a DRJ de Curitiba, PR, decidiu pela aplicação de 75%, o que não foi objeto de recurso de ofício, haja vista que o valor excluído não atingiu o montante previsto para que tal recurso tivesse lugar. Por causa disto e por entender que decisão deste colegiado em julgamento de recurso voluntário não pode prejudicar resultado mais favorável ao contribuinte obtido em decisão de primeira instância que não foi submetida a recurso de ofício, ainda que eu Fl. 175DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 8 considere, como de fato considero, que a multa, no caso, deveria ser aplicada no percentual de 150%, devese manter o percentual fixado na decisão de primeira instância. Finalmente, quanto aos argumentos da recorrente constantes da impugnação e reiterados no recurso sobre ser a exigência contrária aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade e possuir efeito de confisco, não podem ser acolhidos neste julgamento administrativo, vez que a sanção está prevista em lei e este Órgão Colegiado não pode afastar aplicação de lei sob o argumento de ofensa a princípios constitucionais, pois, assim, contrariar seiam o art. 26A do Decreto n.º 70.235, de 06/03//72, com redação dada pela Lei n.º 11.941, de 27/05/2009, e o art. 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n.º 256, de 22/06/2009. Ademais, esta matéria está pacificada no âmbito administrativo, tendo sido objeto da Súmula CARF no 2, consolidada na Portaria CARF no 52, de 21/12/2010 (DOU de 23/12/2010), que dispôs, verbis: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Paulo Sergio Celani Fl. 176DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/11/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI
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Numero do processo: 35524.000188/2007-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/2000 a 31/10/2006
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS ENTRE COOPERATIVAS DE TRABALHO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. CONSULTA AMPARANDO O RECORRENTE.
A resposta por meio de consulta ampara o direito do contribuinte, não podendo ser instaurado procedimento fiscal em relação ao mesmo, uma vez que a resposta vincula a administração tributária.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Processo Anulado
Numero da decisão: 2302-000.949
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em anular o lançamento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1622; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 1.968 1 1.967 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 35524.000188/200746 Recurso nº 248.684 Voluntário Acórdão nº 230200.949 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de março de 2011 Matéria Cooperativa de Trabalho. Recorrente UNIMED NORTE CAPIXABA COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO Recorrida SRP SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2000 a 31/10/2006 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS ENTRE COOPERATIVAS DE TRABALHO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. CONSULTA AMPARANDO O RECORRENTE. A resposta por meio de consulta ampara o direito do contribuinte, não podendo ser instaurado procedimento fiscal em relação ao mesmo, uma vez que a resposta vincula a administração tributária. Recurso Voluntário Não Conhecido Processo Anulado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em anular o lançamento, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Edgar Silva Vidal, Manoel Coelho Arruda Júnior, Adriana Sato. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Relatório A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, a cargo da empresa, referentes ao valor bruto das faturas de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe foram prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. O período compreende as competências março de 2000 a outubro de 2006 (relatório fiscal às fls. 61 a 64). As cooperativas de trabalho que prestaram serviços à Unimed Norte Capixaba, as quais fazem parte da presente NFLD, são as seguintes: UNIMED VITORIA; UNIMED PIRAQUEAÇU; UNIMED VALE DO RIO DOCE; UNIMED SUL CAPIXABA. Não conformado com a notificação, foi apresentada defesa pela notificada, fls. 178 a 261. A DecisãoNotificação confirmou a procedência do lançamento, fls. 1.544 a 1.555. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 1.560 a 1.646. Em síntese, o recorrente em seu recurso alega o seguinte: a) decaído em parte o direito da Fazenda Pública em lançar o crédito fiscal; b) necessária a realização de diligência para a correta quantificação dos supostos serviços prestados por cooperados; c) Recorrente, como sociedade cooperativa que é, e tendo em vista as especificidades das transferências de responsabilidade/intercâmbio, não pode, como cooperativa cedente, ser caracterizada como tomadora de serviços dos médicos cooperados da cooperativa cessionária; d) É inexigível a contribuição em função de vícios existentes na Lei 9.876/99; e) Não pode ser tributado o ato cooperativo perfeito; f) resulta em bitributação a pretensa exigência; g) a multa aplicada ofende os Princípios da Proporcionalidade, Capacidade Contributiva e do NãoConfisco, sendo indevida a aplicação da Taxa Selic. Não foram apresentadas contrarazões pelo órgão fazendário. É o relato suficiente. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 35524.000188/200746 Acórdão n.º 230200.949 S2C3T2 Fl. 1.969 3 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme fls. 1.951. Pressuposto de admissibilidade superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES AO MÉRITO: Quanto à questão preliminar suscitada pela recorrente, na peça recursal, de que o lançamento já fora atingido pela decadência, razão lhe confiro em parte. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. No presente caso tratase de tributo sujeito a lançamento por homologação, cujo pagamento não foi realizado, sendo necessário o lançamento de ofício. Por não ter pago, nem declarado em GFIP, os valores somente conseguiriam ser apurados em ação fiscal, daí a aplicabilidade do art. 173, inciso I do CTN, para efeitos da contagem do prazo decadencial. A obrigação não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de março de 2000 a outubro de 2006. O lançamento foi realizado em 14 de fevereiro de 2007. Caso o sujeito passivo não antecipe o pagamento, porque entende que o tributo não é devido, obviamente não haverá crédito a ser extinto por homologação. Seguindo a interpretação da 1a Seção do STJ (Recurso Especial n 973.733, cuja ementa foi publicada no DJe de 18/09/2009) contase do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o Fl. 3DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário quando, a despeito da previsão legal para pagamento antecipado, o mesmo não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte. Pelo exposto encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial os fatos geradores apurados pela fiscalização ocorridos anteriormente à competência novembro de 2001, inclusive esta, bem como o décimo terceiro desse ano. A competência dezembro de 2001 não decaiu, pois o crédito somente poderia ser constituído após o vencimento, ou seja em 2 de janeiro de 2002; assim o prazo de decadência, para tal competência, possui como termo de início o primeiro dia do exercício seguinte, ou seja o dia 1o de janeiro de 2003, a qual findaria em 1o de janeiro de 2008. A recorrente transcreve cópia de consulta, formulada em 2000 ao INSS sobre o assunto ora objeto da presente notificação fiscal, conforme fls. 1.578 a 1.650. O entendimento emanado pela Central UNIMED foi o seguinte: “entende a consulente que a UNIMED origem não está sujeita ao recolhimento de contribuição ao INSS em relação aos serviços médicos prestados pelos cooperados da UNIMED destino (intercâmbio entre cooperativas), pois, se assim não o fosse, haveria uma dupla incidência da mesma contribuição sobre os mesmos serviços.” (fl. 1.579). De acordo com a consulta formulada, a UNIMED origem é a que detém o contrato com a empresa/usuário, nesse caso representaria a ora recorrente na relação jurídica ora tributada. Assim, a consulta formulada casa perfeitamente, tem o mesmo objeto, da hipótese que suscitou o presente levantamento. A resposta exarada pela Coordenação Geral de Arrecadação foi a seguinte, em relação ao questionamento 1: “ Correto. As Unimed origem emitem fatura ou nota fiscal às empresas contratantes, não só dos serviços prestados pelos seus próprios cooperados, mas também daqueles prestados por cooperados de outras cooperativas. A totalidade dos serviços médicos cobrados constitui a base de cálculo da contribuição ao INSS a cargo das empresas contratantes.” (fl. 1.581) Assim, fica claro que a Coordenação Geral do INSS corroborou o entendimento da Central UNIMED ao afirmar que o entendimento desta estava correto. A Unimed de origem de acordo com a consulta formulada, já ocuparia a figura da contratante em relação à Unimed de destino. A figura da contratante mencionada na resposta da Coordenação, e na consulta formulada, referese à empresa que contrata a Unimed de origem. Desse modo, não deve persistir o entendimento do fisco previdenciário, explícito na decisãonotificação. A recorrente está amparada por consulta, conforme dispõe o art. 51 do Decreto n ° 70.235/1972, nestas palavras: Art. 51. No caso de consulta formulada por entidade representativa de categoria econômica ou profissional, os efeitos referidos no art. 48 só alcançam seus associados ou filiados depois de cientificado o consulente da decisão. Uma vez tendo o amparo de consulta não poderia a fiscalização previdenciária lançar as contribuições que possuem o mesmo objeto. Assim, o procedimento fiscal merece ser anulado. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 35524.000188/200746 Acórdão n.º 230200.949 S2C3T2 Fl. 1.970 5 A resposta por meio de consulta regularmente formulada vincula a administração tributária. Não pode ser instaurado procedimento fiscal tratando do mesmo objeto, em desfavor do contribuinte, enquanto estiver válida a consulta formulada. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por ANULAR o lançamento fiscal. É como voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 5DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13873.000208/2008-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2004
Ementa: ANO-CALENDÁRIO 2003. DESPESAS COM INSTRUÇÃO.
DISPÊNDIOS COM LIVROS, APOSTILAS E CURSOS LIVRES.
DESPESAS INDEDUTÍVEIS. Pela simples leitura do art. 8º, II, “b”, da Lei nº 9.250/95, vê-se que somente há autorização para despesas incorridas com pagamentos a estabelecimentos de ensino (da pré escola ao 3º grau, passando por cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e seus dependentes), não havendo para dedução de despesas com livros, apostilas e
com pagamento de anuidade de conselho de classe. Ainda, somente
pagamentos com cursos profissionalizantes ou de especialização prestados por estabelecimentos regidos pela Lei nº 9.394/96 podem ser deduzidos, não abrangendo cursos livres (idiomas, cursos prestados por associações profissionais etc.).
DESPESAS MÉDICAS VULTOSAS. AUSÊNCIA DE QUALQUER COMPROVAÇÃO DA MATERIALIDADE DA DESPESA INCORRIDA, EXCETO RECIBOS E DECLARAÇÕES DOS PRESTADORES.
NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. Em princípio, a apresentação de recibos médicos é prova bastante para comprovar
as despesas médicas, como se vê pela leitura do art. 8º, II, “a” e § 2º, III, da Lei nº 9.250/95. Entretanto, trata-se de uma comprovação formal, indireta do serviço prestado, não sendo uma presunção absoluta, de direito, da prestação do serviço. Tal prova pode ceder quando, da análise dos autos, levantam-se
fundadas dúvidas sobre a execução da prestação do serviço médico, como ocorre, por exemplo, com despesas exageradas, com contribuinte que alega que todos os pagamentos de valores vultosos foram feitos em espécie ou que faz uso reconhecido de despesa indevida ou inidônea. Ocorrendo algum dos casos citados, necessariamente o contribuinte tem que fazer uma prova robusta da execução do serviço, além dos recibos médicos, que pode passar
por documentário médico que comprove de forma iniludível a prestação do serviço médico ou mesmo o efetivo pagamento da despesa.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2102-001.368
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DISPÊNDIOS COM LIVROS, APOSTILAS E CURSOS LIVRES. DESPESAS INDEDUTÍVEIS. Pela simples leitura do art. 8º, II, “b”, da Lei nº 9.250/95, vêse que somente há autorização para despesas incorridas com pagamentos a estabelecimentos de ensino (da préescola ao 3º grau, passando por cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e seus dependentes), não havendo para dedução de despesas com livros, apostilas e com pagamento de anuidade de conselho de classe. Ainda, somente pagamentos com cursos profissionalizantes ou de especialização prestados por estabelecimentos regidos pela Lei nº 9.394/96 podem ser deduzidos, não abrangendo cursos livres (idiomas, cursos prestados por associações profissionais etc.). DESPESAS MÉDICAS VULTOSAS. AUSÊNCIA DE QUALQUER COMPROVAÇÃO DA MATERIALIDADE DA DESPESA INCORRIDA, EXCETO RECIBOS E DECLARAÇÕES DOS PRESTADORES. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. Em princípio, a apresentação de recibos médicos é prova bastante para comprovar as despesas médicas, como se vê pela leitura do art. 8º, II, “a” e § 2º, III, da Lei nº 9.250/95. Entretanto, tratase de uma comprovação formal, indireta do serviço prestado, não sendo uma presunção absoluta, de direito, da prestação do serviço. Tal prova pode ceder quando, da análise dos autos, levantamse fundadas dúvidas sobre a execução da prestação do serviço médico, como ocorre, por exemplo, com despesas exageradas, com contribuinte que alega que todos os pagamentos de valores vultosos foram feitos em espécie ou que faz uso reconhecido de despesa indevida ou inidônea. Ocorrendo algum dos casos citados, necessariamente o contribuinte tem que fazer uma prova robusta da execução do serviço, além dos recibos médicos, que pode passar por documentário médico que comprove de forma iniludível a prestação do serviço médico ou mesmo o efetivo pagamento da despesa. Fl. 122DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 15/06/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Em face do contribuinte WALMAR KERCHE DE OLIVEIRA, CPF/MF nº 120.325.01856, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 18/02/2008, auto de infração (fls. 4 a 8), com ciência postal em 25/02/2008 (fl. 91). Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 7.209,60 MULTA DE OFÍCIO R$ 5.407,20 Ao contribuinte foram imputadas as seguintes infrações: Dedução Indevida de Despesas Médicas. Glosa do valor de R$ ********24.810,00, indevidamente deduzido a titulo de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Glosa de despesas médicas no valor de R$ 24.810,00. Contribuinte intimado não apresentou comprovantes das efetivas prestações dos serviços médicos, apresentou comprovantes de pagamentos (extratos bancários), mas não vinculou o nº do cheque e os saques em dinheiro com os respectivos recibos, e ainda, não há , compatibilidade entre as datas dos Saques bancários/valores efetuados com as datas dos pagamentos (recibos). Dedução Indevida com Despesa de Instrução Fl. 123DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13873.000208/200867 Acórdão n.º 2102001.368 S2C1T2 Fl. 2 3 Glosa do valor de R$ 1.406,72, indevidamente deduzido a titulo de Despesas com Instrução, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Glosa de despesas com instrução no valor de R$ 1.406,72 Despesas não dedutíveis por falta de previsão legal. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A 8ª Turma da DRJ/SP2, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 1742.144, de 24 de junho de 2010 (fls. 100 a 108), que restou assim ementado: GLOSA DE DEDUÇÃO DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DESPESAS INDEDUTÍVEIS POR FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Não podem ser deduzidos como despesas com instrução, por falta de previsão legal, os pagamentos efetuados a entidades de classe, os destinados à aquisição de livros e os referentes a inscrição em congresso médico. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO PARCIAL. A dedução das despesas médicas na declaração de ajuste anual está condicionada A comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados e restrita aos pagamentos efetuados pela contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, assim a parcela comprovada deverá ser restabelecida. O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 19/07/2010 (fl. 111). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 13/08/2010 (fl. 113). No voluntário, o recorrente alega textualmente (fl. 113): No que se refere à dedução de despesas com instrução pleiteada pelo recorrente, entendeuse que os recibos apresentados não preenchem os requisitos previstos na legislação tributária para dedução, uma vez que os mesmos referemse a despesas com aquisição de livros e apostilas, bem como a cursos de atualização profissional, e segundo entendimento adotado pela relatora a referida legislação somente admite a dedução em casos de curso de especialização e pósgraduação. Contudo, quando da prolação do acórdão, os ilustres julgadores interpretaram a norma tributária em seu sentido mais estrito, tendo em vista que o artigo 8°, inciso II, alínea b, da Lei n° 9.250/1995, dispõe que são passíveis de dedução fiscal além de cursos de especialização e pósgraduação, despesas relativas à aperfeiçoamento profissional. Fl. 124DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 Dessa forma, verificase que o recorrente quando da apresentação de sua impugnação comprovou documentalmente que tais despesas referiramse justamente a gastos despendidos com materiais e cursos que contribuíram para sua especialização profissional, razão pela qual deve ser acolhido o pleito do recorrente de dedução de despesas com instrução, visto que há previsão legal acerca de tal dedução. Já no que tange à dedução de despesas médicas e odontológicas, a pretensão do recorrente foi parcialmente acolhida pela Turma Julgadora, que entendeu por acolher somente parte dos recibos e comprovantes de pagamentos outrora apresentados, sob o argumento de que a apresentação de recibos não constitui prova absoluta de pagamento. Ora, vejase, todos os recibos apresentados preenchem os requisitos previstos na legislação tributaria vigente, não restando lacunas para seu não acolhimento, uma vez que foi acostado à impugnação além dos recibos, propriamente ditos, declarações dos profissionais que prestaram serviços ao recorrente, sendo certo que tais provas devem ser tidas por si só como incontroversas. Há que salientar que revelase totalmente descabido que a prova definitiva da prestação de serviços de saúde deve pautar se na apresentação de exames, receitas médicas, prontuários, pois apresentação de tais documentos enseja a exposição desnecessária de questões que envolvem o foro íntimo e pessoal do contribuinte e que não devem, nem podem ser expostas sob pena de violar a privacidade do interessado. Outro argumento controverso presente no acórdão ora combatido, se dá pelo fato de que alguns recibos só foram aceitos por terem sido comprovados sua validade pela emissão de cheques em valor correspondente ao recibo emitido, fato este que afronta os preceitos mais basilares do direito tributário. Os julgadores simplesmente utilizaramse de uma faculdade prevista na legislação tributária para rechaçar o pedido de dedução fiscal pretendido pelo recorrente, como se vê: Lei n° 9250, art. 8°, §2°, III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas — CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes — CGC de quem os recebeu, PODENDO, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. (grifo constante no original) Ou seja, somente seria necessário a apresentação dos cheques nominativos nos casos em que houvesse a falta do documento comprobatório do pagamento, diversamente do que ocorre no caso em tela, onde, o recorrente efetuou o pagamento de parte dos serviços contratados em DINHEIRO, tendo em mãos, como prova disto, os recibos, o que toma desnecessária a apresentação de outros meios comprobatórios. Fl. 125DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13873.000208/200867 Acórdão n.º 2102001.368 S2C1T2 Fl. 3 5 Ademais, o prazo prescricional dos recibos em análise encontrase expirado, já que o presente acórdão versa sobre declaração de renda referente ao exercício de 2004, ano calendário de 2003, isto é, o prazo para reclamar possíveis dívidas prescreveu, o que desobriga o contribuinte a manter a posse dos mesmos. Assim, não há que se questionar a validade dos recibos apresentados pelo recorrente tendo em vista que os documentos já fornecidos ao Fisco são capazes de comprovar a veracidade de suas alegações. A lei é clara ao dizer que as deduções poderão ser efetuadas mediante a comprovação da despesa por meio de documento com indicação do nome, endereço e número do CPF ou CNPJ de quem recebeu, conforme transcrito no artigo acima. Portanto, o recorrente esta amparado pela lei, pois nada mais fez do que comprovar suas despesas por meio de documentos que a lei exige, sendo oportuno ressaltar o direito fundamental de todo cidadão descrito no art. 5°, II, da Constituição Federal, de que 'ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei", ou seja, o recorrente simplesmente fez o que a lei determinava. A vista de todo o exposto e principalmente em honra ao princípio constitucional da legalidade exposto anteriormente, bem como tendo demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso cancelandose o débito fiscal reclamado. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 19/07/2010 (fl. 111), segundafeira, e interpôs o recurso voluntário em 13/08/2010 (fl. 113), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 18/08/2010, quartafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Inicialmente, passase a apreciar a glosa de despesas com instrução. Busca o recorrente restabelecer despesas com aquisição de livros e apostilas, bem como com cursos de atualização profissional. Para a aclarar a questão, colacionase a legislação vigente no anocalendário 2003, período em discussão nestes autos: Art. 8º da Lei nº 9.250/95. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: Fl. 126DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 6 I omissis; II das deduções relativas: b) a pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação préescolar, de 1o, 2o e 3o graus, creches, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, até o limite anual individual de R$ 1.998,00 (um mil, novecentos e noventa e oito reais);(Redação dada pela Lei nº 10.451, de 10.5.2002) (grifos nossos) Instrução Normativa nº 15/2001 Despesas com instrução Art. 39. Na determinação da base de cálculo do imposto devido na Declaração de Ajuste Anual das pessoas físicas podem ser deduzidos, a título de despesas com instrução, os pagamentos efetuados a instituições de ensino relativamente à educação infantil (creche e educação préescolar), fundamental, médio, superior e aos cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, até o limite anual individual de R$ 1.700,00 (um mil e setecentos reais). § 1º e § 2º omissis. § 3º As despesas relativas a cursos de especialização são passíveis de dedução somente quando comprovadamente realizadas com cursos inerentes à formação profissional daquele com quem foram efetuadas. § 4º omissis. Art. 40. Não se enquadram no conceito de despesas de instrução: I as despesas com uniforme, material e transporte escolar, as relativas à elaboração de dissertação de mestrado ou tese de doutorado, contratação de estagiários, computação eletrônica de dados, papel, xerox, datilografia, tradução de textos, impressão de questionários e de tese elaborada, gastos postais e de viagem; II as despesas com aquisição de enciclopédias, livros, revistas e jornais; III o pagamento de aulas de música, dança, natação, ginástica, tênis, pilotagem, dicção, corte e costura, informática e assemelhados; IV o pagamento de cursos preparatórios para concursos ou vestibulares; V o pagamento de aulas de idiomas estrangeiros; VI os pagamentos feitos a entidades que tenham por objetivo a criação e a educação de menores desvalidos e abandonados; VII as contribuições pagas às Associações de Pais e Mestres e às associações voltadas para a educação. Fl. 127DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13873.000208/200867 Acórdão n.º 2102001.368 S2C1T2 Fl. 4 7 Art. 41. Considerase instituição de ensino aquela regularmente autorizada, pelo Poder Público, a ministrar educação básica – educação infantil, ensino fundamental e ensino médio – e educação superior, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. § 1º Educação infantil, primeira etapa da educação básica, é aquela que precede o ensino fundamental obrigatório, oferecida em creches ou entidades equivalentes e préescolas, compreendendo a educação de menores na faixa etária de zero a seis anos de idade. § 2º Ensino fundamental é aquele, obrigatório, que precede o ensino médio e tem duração mínima de oito anos. § 3º Ensino médio é a etapa final da educação básica e tem duração mínima de três anos. § 4º A educação superior abrange os seguintes cursos e programas: I de graduação, abertos a candidatos que tenham concluído o ensino médio ou equivalente e tenham sido classificados em processo seletivo; II de pósgraduação, compreendendo programas de mestrado e doutorado, bem assim cursos de especialização abertos a candidatos diplomados em cursos de graduação e que atendam às exigências das instituições de ensino. § 5º A educação profissional compreende os seguintes níveis: I técnico, destinado a proporcionar habilitação profissional a alunos matriculados ou egressos de ensino médio, e cuja titulação pressupõe a conclusão da educação básica de 11 anos; II tecnológico, corresponde a cursos de nível superior na área tecnológica, destinados a egressos do ensino médio e técnico. (grifos nossos) Pela simples leitura do art. 8º, II, “b”, da Lei nº 9.250/95, vêse que somente há autorização para despesas incorridas com pagamentos a estabelecimentos de ensino (da pré escola ao 3º grau, passando por cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e seus dependentes), não havendo previsão para dedução de despesas com livros, apostilas e com pagamento de anuidade de conselho de classe, este como despesa com instrução, como pugnado pelo recorrente. No ponto, devese manter a glosa perpetrada pela fiscalização. Agora, remanesce a discussão sobre as despesas de inscrição no Gastrão 2003, em prol do Centro de Estudos em Coloproctologia e Cirurgia do Aparelho Digestivo, e a despendida com Curso de Atualização em Cirurgia do Aparelho Digestivo, que o contribuinte que albergar como cursos de especialização ou profissionalizante. Aqui me parece que não assiste razão ao contribuinte, pois não foi demonstrado nestes autos que as entidades acima se enquadrassem como estabelecimentos de Fl. 128DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 8 ensino, nos termos da Lei nº 9.394/1996 (lei de diretrizes e bases da educação nacional). A exigência de enquadramento nessa lei citada, feita pelo IN SRF nº 15/2001, está dentro do poder regulamentar do executivo, não parecendo desbordar do comando do art. 8º, II, “b”, da Lei nº 9.250/95. Se assim não fosse, poderseia enquadrar, por exemplo, as escolas de idiomas como cursos de especialização ou profissionalizantes, na estrita dicção legal, e é assente que despesas com cursos de idiomas são indedutíveis da base de cálculo do imposto de renda, pois se trata de cursos livres, não regidos pela Lei nº 9.394/96, como parece ser o caso dos cursos ofertados pelo Centro de Estudos em Coloproctologia e Cirurgia do Aparelho Digestivo, bem como a despendida com Curso de Atualização em Cirurgia do Aparelho Digestivo. Assim, sem razão o recorrente. Dando seqüência, passase a debater a glosa de despesas médicas. De plano, devese anotar que a presente ação fiscal foi efetuada dentro do qüinqüênio legal, com ciência do lançamento em 25/02/2008 (fl. 91), referente a despesas deduzidas do IR do anocalendário 2003, sendo correta a exigência da documentação comprobatória de tais despesas feita pela autoridade fiscal. A autoridade julgadora a quo manteve as seguintes glosas (fls. 105 e 106): >Recibos firmados pelo Dr. Moacir Forti Junior, no total de R$ 960,00 não contemplam as especificações e indicações exigidas no incisos III do § 2° do art. 8° da Lei no 9.250, de 1995 e do inciso III do §1° do art.80 do RIR/99, eis que não consta a identificação do destinatário da prestação dos serviços e não trazem o endereço do emitente, portanto, não podem ser aceitos. Ademais, um dos recibos encontrase, datado de 09/02/2004 (fl. 30), anocalendário que diverge do anocalendário em questão que corresponde a 2003; (...) > Recibos da Psicóloga Sonia Aparecida Nogueira de Oliveira (fls. 36/39), no valor total de R$ 10.500,00 — não podem ser acatados, de vez que não preenchem os requisitos exigidos pela legislação fiscal, pois não informam a quem foram prestados os serviços e nem consta dos mesmos o endereço da profissional e não vieram acompanhados de provas da prestação dos serviços e do efetivo pagamento; > Recibos da Fisioterapeuta Juliana F. L. Barbosa (fls. 41/44), no valor total de R$ 10.700,00— não preenchem os requisitos exigidos no inciso III do § 2° do art. 8° da Lei n° 9.250, de 1995 e do inciso III do §1° do art.80 do RIR/99, pois não informam a quem foram prestados os serviços e nem consta dos mesmos o endereço da profissional e não vieram acompanhados de provas da prestação dos serviços e do efetivo pagamento do valor de R$ 10.500,00, já que restou comprovado o pagamento do valor de R$ 200,00, através do cheque n° 108.744, em nome da profissional (fl. 47). O cheque compensado n°108.743 (fl 51), no valor de R$ 600,00, que, segundo alega o Impugnante foi repassado a terceiro pela fisioterapeuta, por si só não comprova Fl. 129DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13873.000208/200867 Acórdão n.º 2102001.368 S2C1T2 Fl. 5 9 o pagamento desse valor à profissional Juliana, vez que se encontra nominal a outra pessoa; > Recibo emitido pela Fonoaudióloga Elaine Lara Mendes Tavares (fl 54), no valor de R$ 2.500,00 — não pode ser aceito, em virtude de não informar a quem os serviços foram prestados, o endereço da profissional e não terem vindo acompanhados de provas da prestação dos serviços e respectivos pagamentos. O contribuinte trouxe com sua impugnação, além dos recibos, as declarações da Psicóloga Sonia Aparecida de Oliveira (fl. 35), da Fisioterapeuta Juliana Ferreira Lima Barbosa (fl. 40) e da Fonoaudióloga Elaine Lara Mendes Tavares (fl. 53), nas quais as duas primeiras atestam que o Impugnante foi seu paciente e que esteve sob tratamento continuo durante o ano de 2003, e a última que recebeu a importância de R$ 2.500,00 pelo tratamento fonoaudiológico da dependente Laura Lima Kerche. Entretanto, tais documentos vieram desacompanhados de quaisquer elementos probantes que os substanciassem, assim, insuficientes a qualquer comprovação. Pareceme que não merece reparos a decisão recorrida. Explicase. Em princípio, a apresentação de recibos médicos é prova bastante para comprovar as despesas médicas, como se vê pela leitura do art. 8º, II, “a” e § 2º, III, da Lei nº 9.250/95. Entretanto, tratase de uma comprovação formal, indireta do serviço prestado, não sendo uma presunção absoluta, de direito, da prestação do serviço. Tal prova pode ceder quando, da análise dos autos, levantamse fundadas dúvidas sobre a execução do serviço, como ocorre, por exemplo, com despesas exageradas, com contribuinte que alega que todos os pagamentos de valores vultosos foram feitos em espécie ou que faz uso reconhecido de despesa indevida ou inidônea. Ocorrendo algum dos casos citados, necessariamente o contribuinte tem que fazer uma prova robusta da execução do serviço, além dos recibos médicos, que pode passar por documentário médico que comprove os serviços prestados ou mesmo o efetivo pagamento. Compulsando os autos, causa estranheza que, para as vultosas despesas acima listadas, não haja comprovação da liquidação financeira de quaisquer das despesas, ficando o contribuinte a escudarse, unicamente, nos recibos médicos (e na declaração de ratificação dos mesmos recibos). Assim, este relator entende, em linha com o procedimento da autoridade fiscalizadora, que não é possível acatar a dedutibilidade de despesas médicas vultosas, sem qualquer comprovação iniludível de sua materialidade, apenas com o cumprimento da formalidade da apresentação dos recibos, ratificados pelas declarações dos prestadores. Neste caso, a autoridade fiscal pode exigir que o contribuinte comprove a efetiva comprovação do pagamento, como ocorreu nestes autos, quando se viu que o contribuinte não conseguiu se desincumbir desse ônus, devendo, assim, ser mantida a decisão recorrida. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Fl. 130DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 10 Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 131DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 10166.722850/2009-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2005
CONHECIMENTO PARCIAL DO RECURSO.
Não se conhece de matéria não impugnada, sob pena de supressão de
instância, bem como em razão da preclusão processual.
MEMBROS DE CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO, ASSEMBLEIA GERAL E CONSELHO FISCAL.
A teor do disposto no artigo 12, inciso V, alínea f, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, são considerados contribuintes individuais. Logo a sobre remuneração paga deve incidir contribuição previdenciária.
MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA
Havendo beneficiamento da situação do contribuinte, incide a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada no presente AI ser calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212,
de 24 de julho de 1991, incluído pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, desde que mais benéfica.
Numero da decisão: 2301-002.116
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos: a) em dar
provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada. II)Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a)
Nome do relator: Adriano González Silvério
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DE ECON. E CRED. MUTUO DE INST. FINANC Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 30/06/2005 CONHECIMENTO PARCIAL DO RECURSO. Não se conhece de matéria não impugnada, sob pena de supressão de instância, bem como em razão da preclusão processual. MEMBROS DE CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO, ASSEMBLÉIA GERAL E CONSELHO FISCAL. A teor do disposto no artigo 12, inciso V, alínea f, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, são considerados contribuintes individuais. Logo a sobre remuneração paga deve incidir contribuição previdenciária. MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA Havendo beneficiamento da situação do contribuinte, incide a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada no presente AI ser calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, incluído pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, desde que mais benéfica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada. II)Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a) Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 09/08 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. EDITADO EM: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Damião Cordeiro de Moraes, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério. Relatório Tratase de Auto de Infração nº 37.143.5510, o qual exige contribuição previdenciária relativa à contribuição de segurado empregado e retenção de 11% de contribuintes individuais, não descontada pela empresa. Segundo o Relatório Fiscal foram identificados na contabilidade da empresa lançamentos em nome de pessoas físicas, membros de Conselho Fiscal, Conselho Administrativo e Delegados da autuada. Ademais, segundo análise feira por meio de DIRF, foram identificados pagamentos sobre a rubrica “rendimentos de trabalho assalariado” e “rendimentos sem vínculo empregatício”, os quais não constam ou foram declaradas a menos em GFIP e folhas de pagamento. A empresa autuada apresentou sua impugnação alegando, em breve síntese, os argumentos a seguir: i) o lançamento tem efeito confiscatório, sendo nulo o lançamento em virtude de agressão ao inciso IV do artigo 150 da Constituição Federal; ii) que o lançamento contraria o artigo 142 do Código Tributário Nacional, pois foi lavrado sem a clareza e precisão dos fatos geradores, motivo pela qual está criando dificuldades para o exercício da defesa; iii) não incide contribuição previdenciária sobre os pagamentos efetuados a membros de Conselho Fiscal, Conselho Administrativo e Delegados, uma vez que esses não são vinculados obrigatório ao RGPS; iv) que os diretores e os presidentes não podem figurar como coresponsáveis pelo débito; Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 09/08 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10166.722850/200970 Acórdão n.º 230102.116 S2C3T1 Fl. 2 3 v) que é inaplicável a multa haja vista que os pagamentos efetuados a membros de Conselho Fiscal, Conselho Administrativo e Delegados não constituem fato gerador das contribuições previdenciárias; vi) que é impossível gerar a GFIP, pois não houve a ocorrência do fato gerador; vii) que a representação fiscal para fins penais ofende o princípio da verdade material. A DRJ de Brasília manteve integralmente o presente AI, conforme se extrai da ementa transcrita: “LANÇAMENTO FISCAL. FATO GERADOR Os artigos 195 e 201 da Constituição Federal, no que concerne ao trabalhador, expressamente determinam que o fato gerador das contribuições sociais é o exercício de atividade remunerada, a qualquer título, mesmo sem vínculo empregatício. COOPERATIVA DE CRÉDITO. NÃO ISENÇÃO. A cooperativa do ramo de crédito que, para o exercício específico das funções de conselheiro de administração, conselheiro fiscal ou delegado, remunera os trabalhadores, independentemente da denominação adotada, cédulas de presença/verba de representação, é contribuinte obrigatória da Seguridade Social. Nem a Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971, nem outra lei específica isenta esse tipo de remuneração da incidência do recolhimento das contribuições sociais. PRINCÍPIO DO NÃOCONFISCO O princípio constitucional do nãoconfisco não se reporta às sanções por atos ilícitos, pois as multas objetivam punir o contribuinte que não cumpre suas obrigações tributárias; portanto, de caráter sancionador. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. Estando enunciadas as razões técnicas e jurídicas que serviram de calço ao lançamento fiscal, o que possibilitou, amplamente, à autuada manifestar sua posição, por meio da impugnação apresentada, cumpremse todos os pressupostos quanto ao princípio do contraditório e da ampla defesa.” A autuada, devidamente intimada em interpôs recurso voluntário alegando o que segue: i) que o crédito tributário aqui versado está conectado com aquele apurado no processo 10166.722849/200945, razão pela qual transcreve os argumentos sustentados naquele processo no sentido de que em relação à diferença verificada em DIRF, tratase de adiantamento de férias pagas, havendo, na legislação, um desencontro de fato gerador. Para o Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 09/08 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 4 imposto de renda ocorre quando do pagamento e para as contribuições previdenciárias, apenas quando do efetivo gozo das férias; ii) não incide contribuição previdenciária sobre os pagamentos efetuados a membros de Conselho Fiscal, Conselho Administrativo e Delegados, uma vez que esses não são vinculados obrigatório ao RGPS; e ii) o auto de infração incorreu em erro, pois tributou despesas com passagens aéreas; abono produtividade de conselheiros, etc. É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério O recurso há de ser conhecido em parte, uma vez que no meu entender a recorrente suscitou questões não levadas em sede de impugnação e, portanto, ao conhecimento do órgão colegiado de primeira instância. Como visto no relatório acima, a recorrente suscita equívoco no lançamento das contribuições previdenciárias, uma vez que os fatos geradores para o imposto de renda ocorre em momento diverso do das contribuições, não podendo a fiscalização ter considerado a DIRF como prova para efetuar o lançamento. Ora essa questão não foi suscitada quando da impugnação e, assim, creio que houve preclusão processual. Conhecer dessa matéria nessa segunda instância administrativa ensejaria a supressão da primeira instância como órgão que primeiro analisa e decide sobre a matéria impugnada. Outro ponto que merece não ser conhecido diz respeito à tributação sobre despesas com passagens aéreas ou abono produtividade de conselheiros da autuada, eis que também não foi sustentada em sede de impugnação. Assim, o recurso merece ser analisado apenas no que diz respeito à caracterização dos membros de Conselho Fiscal, Conselho Administrativo e Delegados como contribuintes individuais do RGPS. Segundo o artigo 12, inciso V, alínea f da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, são segurados obrigatórios do RGPS na condição de contribuinte individual o “associado eleito para o cargo de direção em cooperativa”. A Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971, ao definir a Política Nacional de Cooperativismo e instituir o regime jurídico das sociedades cooperativas, estabelece em seu artigo 47 que a cooperativa “será administrada por uma Diretoria ou Conselho de Administração, composto exclusivamente de associados eleitos pela Assembléia Geral”. Já em seu artigo 56 assinala que a “administração da sociedade será fiscalizada, assídua e minuciosamente, por um Conselho Fiscal”. Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 09/08 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10166.722850/200970 Acórdão n.º 230102.116 S2C3T1 Fl. 3 5 No tocante aos Delegados, esses representarão os associados na Assembléia Geral da cooperativa, conforme o artigo 27 do estatuto da autuada. A Assembléia, por sua vez, é o “órgão deliberativo supremo” da cooperativa, de acordo com o artigo 24 do Estatuto. A assembléia geral, o conselho fiscal e o conselho de administração, de acordo com o artigo 23 do Estatuto da autuada são os seus órgãos sociais, isto é, os órgãos responsáveis pela direção da cooperativa. Ao contrário do que sustenta a recorrente, penso que a legislação previdenciária ao versar sobre “cargo de direção” não restringiu a obrigatoriedade de filiação ao regime geral da Previdência Social, como contribuinte individual, aos membros do conselho de administração. A meu ver a lei é mais ampla, caracterizando como contribuinte individual todo aquele cooperado que exerça qualquer cargo que implique na direção da cooperativa. E essa direção, como visto, não é realizada apenas pelos membros do conselho de administração, mas também pelos membros da Assembléia Geral e do Conselho Fiscal. Nesse sentido destaco julgado do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, o qual se alinha ao entendimento ora manifestado: “TRIBUTÁRIO – ART. 22 DA LEI N. 8.212/91 – MEMBROS DO CONSELHO FISCAL E ADMINISTRATIVO – COMPARECIMENTO A REUNIÕES – INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INDEPENDENTE DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO. 1. Cingese a controvérsia à incidência ou não da contribuição previdenciária sobre a remuneração paga aos membros do conselho fiscal e de administração pelo comparecimento em reuniões. 2. Os cargos de direção existentes nas cooperativas, desde que pelo seu exercício venham a ser remunerados, qualquer que seja o nome dado a essa remuneração, se prolabore ou honorários, estão sujeitos à incidência de contribuições previdenciárias, mesmo que essa função, nessas circunstâncias, seja exercida por cooperados, pois o exercício de atividade remunerada vem a ser a condição preponderante, no direito previdenciário, da filiação do regime de que trata o caso. 3. As funções de Diretor e de Conselheiro Fiscal, por serem remuneradas, in casu, são consideradas como integrantes do saláriodecontribuição; estão incluídas do regime previdenciário urbano. Agravo regimental improvido.” (AgRg no REsp 1117023/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/08/2010, DJe 19/08/2010) Outrossim, há de se registrar que o dispositivo legal da multa aplicada foi alterado pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, merecendo verificar a questão relativa à Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 09/08 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 6 retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. Segundo as novas disposições legais, a multa de mora que antes respeitava a gradação prevista na redação original do artigo 35, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, passou a ser prevista no caput desse mesmo artigo, mas agora limitada a 20% (vinte por cento), uma vez que submetida às disposições do artigo 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A meu ver houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo qual incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER PARCIALMENTE O RECURSO e, na parte conhecida DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para determinar a aplicação da multa nos termos da fundamentação acima, se mais benéfica ao contribuinte, sendo que no mais, fica mantido, na íntegra, o Auto de Infração nº . 37.143.5510. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 09/08 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
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Numero do processo: 10680.020328/2007-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IRPJ
EXERCÍCIO 2004 E 2005
PAF - NULIDADES – Não provada violação As regras do artigo 142 do CTN nem dos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235/1972, não há que se falar em nulidade, do lançamento, do procedimento fiscal que lhe deu origem, ou do documento que formalizou a exigência fiscal.
PAF: NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL - CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – AUSÊNCIA – O contribuinte se pronunciou nos autos no momento oportuno e se não logrou êxito é que seus argumentos não se compaginaram com a verdade dos fatos.
PAF — PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO — Os princípios são as diretrizes que devem ser observadas pelo administrador tributário. A constituição traz em si normas e princípios jurídicos vinculantes que apontam o sentido no qual a decisão deve seguir.
PAP – ESPONTANEIDADE – ART.138 DO CTN – Ausente a figura do arrependimento eficaz quando o Contribuinte promove a entrega de declarações retificadoras dois dias após recebimento do termo de inicio de fiscalização e não providencia o pagamento do débito com os juros correspondentes.
PAF – SUJEITO PASSIVO – RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA – SOLIDARIEDADE São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes as obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei os sócios, mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado
IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS — CONFRONTO ENTRE DOCUMENTOS FISCAIS E A ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL — Caracteriza ocorrência de omissão no registro de receitas a constatação de diferenças entre o total das receitas auferidas e espontaneamente declaradas, e aquelas detectadas ern procedimento de oficio.
IRPJ - APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA - A conduta da contribuinte de não informar a totalidade de suas receitas nas declarações de rendimentos entregues ao Fisco durante anos consecutivos, indicando valores ínfimos nas suas DIPJs, além de escriturar as notas fiscais com valores diferentes dos faturamentos reais, denota o elemento subjetivo da pratica dolosa e enseja a aplicação de multa qualificada pela ocorrência de fraude prevista no art. 72 da Lei nº 4.502/1964.
PAF — INCONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS — O afastamento da aplicabilidade de lei ou de ato normativo, pelos órgãos judicantes da Administração Fazendária, está necessariamente condicionado à existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal declarando sua inconstitucionalidade.Sumula CARF N. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
PAF — JUROS .COBRANÇA — Sumula CARF Nº4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
CSLL — PIS — COFINS — LANÇAMENTOS DECORRENTES — O decidido no julgamento do lançamento principal do Imposto de Renda Pessoa Jurídica faz coisa julgada nos lançamentos dai decorrentes , ante a intima relação de causa e efeito entre eles existente.
Numero da decisão: 1102-000.502
Decisão: Acordam os membros do colegiado,pelo voto de qualidade manter a responsabilidade dos arrolados no termo de sujeição passiva, vencidos os Conselheiros Silvana Resigno Guerra Barretto, Manoel Mota Fonseca e João Carlos de Lima Junior que os cancelavam. No mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.
Nome do relator: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro
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PAF: NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL - CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – AUSÊNCIA – 0 contribuinte se pronunciou nos autos no momento oportuno e se não logrou êxito é que seus argumentos não se compaginaram corn a verdade dos fatos. PAF — PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO — Os princípios são as diretrizes que devem ser observadas pelo administrador tributário. A constituição traz em si normas e princípios jurídicos vinculantes que apontam o sentido no qual a decisão deve seguir. PAP – ESPONTANEIDADE – ART.138 DO CTN – Ausente a figura do arrependimento eficaz quando o Contribuinte promove a entrega de declarações retificadoras dois dias após recebimento do termo de inicio de fiscalização e não providencia o pagamento do débito corn os juros correspondentes. PAF – SUJEITO PASSIVO – RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA – SOLIDARIEDADE Sao pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes as obrigações tributárias resultantes de atos praticados corn excesso de poderes ou infração de lei os sócios, mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado Processo n ° 1 0680.020328/2007-79 SI-C1T2 AcórcIdo n.° 1102-00502 Fl. 500 IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS — CONFRONTO ENTRE DOCUMENTOS FISCAIS E A ESCRITURAÇÃO CONTABIL — Caracteriza ocorrência de omissão no registro de receitas a constatação de diferenças entre o total das receitas auferidas e espontaneamente declaradas, e aquelas detectadas ern procedimento de oficio. IRPJ - APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA - A conduta da contribuinte de não informar a totalidade de suas receitas nas declarações de rendimentos entregues ao Fisco durante anos consecutivos, indicando valores ínfimos nas suas DIPJs, além de escriturar as notas fiscais com valores diferentes dos faturamentos reais, denota o elemento subjetivo da pratica dolosa e enseja a aplicação de multa qualificada pela ocorrência de fraude prevista no art. 72 da Lei no 4.502/1964. PAF — INCONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS — O afastamento da aplicabilidade de lei ou de ato normativo, pelos órgãos judicantes da Administração Fazenddria, está necessariamente condicionado à existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal declarando sua inconstitucionalidade.Sumula CARF N. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PAF — JUROS .COBRANÇA — Sumula CARF N4 A partir de 1 0 de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. CSLL — PIS — COFINS — LANÇAMENTOS DECORRENTES — O decidido no julgamento do lançamento principal do Imposto de Renda Pessoa Jurídica faz coisa julgada nos lançamentos dai decorrentes , ante a intima relação de causa e efeito entre eles existente. vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado,pelo voto de qualidade manter a responsabilidade dos arrolados no termo de sujeição passiva, vencidos os Conselheiros Silvana Resigno Guerra Barretto, Manoel Mota Fonseca e Joao Carlos de Lima Junior que os cancelavam. No mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado. AffliJI,AS PESSOA MONTEIRO —Presidente e Relatora EDITADO EM: Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente da Turma), João Otavio Oppennan Thomé, Silvana Rescigno Barreto, Manoel Mota Fonseca (Suplente convocado),Leonardo de Andrade Couto e João Carlos Lima Junior(Vice-Presidente). 2 Processo n° 10680.020328/2007-79 SI-CIT2 Acórdão n." 1102-00502 Fl. 501 Relatório Trata-se de exigência para o IRPJ, Ils.10/25, e reflexos para CSLL, fls. 26/43; da Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, fls. 44/58; da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins, fls. 59/73, referentes as infrações apuradas, cujos fatos geradores ocorreram nos períodos de apuração findos em 31/03/2003, 30/06/2003, 30/09/2003, 31/12/2003, 31/03/2004, 30/06/2004, 30/09/2004 e 31/12/2004. enquadramento legal nos respectivos termos. Há Representação Fiscal para Fins Penais, formalizada no Processo n° 10680.020517/2007-41, (juntada aos autos). Igualmente constam dois anexos do Processo e 14 Anexos (01 a 14). Conforme descrição dos fatos as fl. 12, houve omissão de receitas, nas seguintes modalidades: 1. OMISSÃO DE RECEITAS. -Receitas do Estabelecimento Matriz e da Filial de Rio Acima (Notas Fiscais 0001 a 5.000). os lançamentos decorreram de ação fiscal levada a efeito junto ci contribuinte que apurou infração a legislação tributária, caracterizada pela "constatação da prática deliberada e reiterada de omissão de receitas por parte da empresa, de modo fraudulento, coin dupla escrituração de livros comerciais e fiscais, falsificação de documento páblico (AIDF), e ainda com a utilização comprovada c/c notas .fiscais falsas, artificio esse montado para que a empresa deixasse deliberadamente de recolher os tributos devidos nos anos de 2003 e 2004, conforme informações constantes do Termo de Verificação Fiscal em Anexo, que é parte integrante deste Auto de Infração." "Os valores declarados em DCTF/ recolhidos pela contribuinte, bent conto as retenções na fonte, estão sendo deduzidos para apuração dos valores líquidos dos tributos a serem exigidos, que resultaram da prática das infrações acima descritas." Enquadramento Art. 528 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999, aprovado pelo Decreto n°3.000, de 26 de março de 1999.Multa de Oficio de 75%: 2. OMISSÃO DE RECEITAS.Receitas Constantes das Notas Fiscais emitidas em nome da Filial de Rio Acima (5.000 a 60.000) - Utilização de Notas Fiscais Falsas. Processo n° 10680,020328/2007-79 SI-C1T2 Acórd5o n.° 1102-00502 Fl. 502 "constatação da prática deliberada e reiterada de omissão de receitas por parte da empresa, de modo fi-ctudulento, com dupla escrituração de livros comerciais e .fiscais, falsificação de doettmento pftblico (AID), e ainda com a ufilLação comprovada de notas fiscais . falsas, artificio esse montado para que a empresa deixasse deliberadamente de recolher os tributos devidos nos anos de 2003 e 2004, conforme informações constantes do Termo de Verificação Fiscal em Anexo, que é parte integrante deste Auto de Infração." (.-.) "Os valores declarados em DCTF/ recolhidos pela contribuinte, hem como as retenções na fonte, estão sendo deduzidos para apuração dos valores líquidos dos tributos a serem exigidos, que resultaram da prática das infrações acima descritas." Enquadramento legal: Art. 528 do RJR de 1999.Multa de Oficio Qualificada de 150%:Enquadramento legal: art. 44, inc. II, da Lei n"9.430, de 1996. 003. RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS DE RENDA FIXA.( descrição dos fatos á. tI. 16): "Para a composição da base de cálculo, as receitas financeiras .foram somadas its receitas operacionais mencionadas nos outros tópicos deste Auto de infração." (ipsis litteris) "Os valores declarados em DCTF/ recolhidos pela contribuinte, bem como as retenções na .fonte, estão sendo deduzidos para apuração dos valores líquidos dos tributos a serem exigidos, que resultaram i prática das infrações já descritas." Enquadramento legal: Art. 521 do RIR de 1999.Multa de Oficio de 75%:Enquadramento legal: art. 44, inc. I, da Lei n" 9.430, de 1996. São responsáveis pelo crédito tributário constituído os sócios e administradores da empresa à época da ocorrência das irregularidades constatadas, discriminados, na condição de SUJEITOS PASSIVOS SOLIDÁRIOS, conforme Termo de Sujeição Passiva Solidária lavrados pela fiscalização:.Margareth Maria de Queiroz Freitas — CPF n" 469.565.906-97.Francisco Marcos Castilho Santos - CPF n° 098.486.226-91.Cristiano de Mello Paz — CPF n° 129.449.476-72.Ramon Hollerbach Cardoso — CPF n° 143.322.216- 72.Renilda Maria Santiago Fernandes de Souza — CPF 492.881.806-72.Marcos Valério Fernandes de Souza — CPF N" 403.760.956-87" Os autos foram instruidos com copias dos referidos Ten-nos de Sujeição Passiva Solidária (fls. 126/148), que foram cientificados aos sócios e administradores: Francisco Marcos Castilho Santos, Margareth Maria Queiroz Freitas, Cristiano de Mello Paz, Ramon Hollerbach Cardoso, Renilda Maria Santiago Fernandes de Souza e Marcos Valerio Fernandes de Souza. Cientificada em 19/12/2007, fls. 11, 27, 45, 60 e 199, inconformada com as exigências, apresenta a Contribuinte impugnação conjunta englobando os lançamentos do 4 Processo IV 10680.020328/2007-79 SI-C1T2 AcOreio n.° 11.02-00502 FL 503 IRPJ, da CSLL, do PIS e da Cofins, em 18/01/2008, fls. 229/247, onde expendendo, em síntese, observados os subtítulos da petição, as seguintes razões: (Conforme relatório do voto condutor do acórdão combatido), onde se contrapõe ao lançamento com matérias preliminares e de mérito. Quanto as preliminares oferece: I) "PRIMEIRA PRELIMINAR ARGUIDA: A EXISTÊNCIA DE TERMOS DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA, QUE ACOMPANHAM 0 AUTO DE INFRAÇÃO, NÃO ESTÁ PREVISTA NO ART. 10, DO DECRETO N" 70.235/72, 0 QUE CONFIGURA UM CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA." .o lançamento conteria, en tilo duas nulidades flagrantes: i) a primeira, que na realidade teria havido dois lançamentos do mesmo tributo; ii) a segunda, que teria sido aplicada multa majorada de 150% sobre valores de receitas declaradas espontaneamente, sem explicações ou justificativas de o procedimento ter sido considerado como mci fé. e dolo; II - "SEGUNDA NULIDADE ARGUIDA: DA ILEGALIDADE DA APLICAÇÃO DOS JUROS SELIC SOBRE OS DÉBITOS DE NATUREZA TRIBUTÁRIA." NO MÉRITO" "INAPLICABILIDADE DA MULTA AGRAVADA DE 150%". DO PEDIDO": "31. A impugnante requer( ...) o acolhimento de seus argumentos de defesa, além do seguinte: 40.1 Sejam excluídos dos autos os Termos de Sujeição Passiva Solidária, por se tratar de documentos fiscais não previstos em lei, desconhecidos do Direito Tributário, e desnecessários ao lançamento e notificação de tributos, conforme previsto no art. 10 do Decreto n° 70.235/72, constituindo um indevido cerceamento de direito de defesa da Recorrente e de seus sócios; 40.2. Sejam acolhidas as preliminares arguidas e a improcedência da majora cão da multa de oficio; 40.3. No mérito, seja cancelado o lançamento constante no auto de infração e mantido o contido nas D1PJs retificadoras entregues, que corresponde rigorosamente às receitas e despesas incorridas nos anos calendário de 2003 e 2004 pela autuada; 40.4. Por Ultimo, caso venha remanescer alguma parcela do crédito tributário lançado, que seja excluído do seu cômputo a taxa SELIC exigida a titulo de juros de mora, haja vista o pronunciamento neste sentido dos tribunais federais." Processo n° 10680.02032 8/2007-79 Sl-C1T2 Acórdão 0.0 1102-00502 Anexos a Impugnação: documentos as fls. 250/492. Sobrevém a decisão de fls.494/569, assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2003, 30/06/2003, 30/09/2003, 31/12/2003, 31/03/2004, 30/06/2004, 30/09/2004, 31/12/2004 OMISSÃO DE RECEITAS. Iniciado o procedimento fiscal, compete á fiscalização constituir, de oficio, eventuais créditos tributários, cuja génese decorra de receitas subtraídas à tributação e que não tenham sido declarados, até a perda da espontaneidade, na Declaração de Contribuições e Tributos Federais - DCTF. RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS DE RENDA FIXA. Os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos allferidOS e711 aplicações .financeiras, as denial's receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo art. 519 do RIR de 1999, serão acrescidos à base de cálculo do lucro presumido. PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Afigura-se despropositada a alegação de cerceamento ao legitimo direito de defesa quando as infrações apuradas estiverem perfeitamente identificadas e os elementos dos autos demonstrarem, inequivocamente, a que se refere a autuação, dando suporte material suficiente para que o sujeito passivo possa conhecê-los e apresentar sua defesa e também para que o julgador possa formar livremente a sua convicção e proferir a decisão do feito. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. A circunstiincia de o feito ter sido instruido coin os "Termos de Sujeição Passiva", atribuída aos sécios-gerentes e administradores, inequivocamente, não caracteriza cerceamento de direito de defesa, razão pela qual afigura-se descabida a suscitação de nulidade. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL Data do fato gerador: 31/03/2003, 30/06/2003, 30/09/2003, 31/12/2003, 31/03/2004, 30/06/2004, 30/09/2004, 31/12/2004 CSLL SOBRE OMISSÃO DE RECEITAS. CSLL SOBRE RECEITAS NÃO OPERACIONAIS. CSLL - PRESTADORA DE SERVIÇOS. FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL. Fl. 504 Processo no 10680.020328/2007-79 SI-CIT2 Fl. 505 Acórdão n.° 1102-00502 O entendimento adotado relativamente aos autos de infração reflexos acompanha ao do principal, em vista da intima relação de causa e efeito existente entre eles. Assunto: Contribuição para o PIS/Pa.sep Data do fato gerador: 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003 FALTA DE RECOLHIMENTO DO PIS. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO OCASIONADO PELO USO DE NOTAS FISCAIS FALSAS. O entendimento adotado relativamente aos autos de infração reflexos acompanha ao do principal, em vista da intima relação de causa e efeito existente entre eles. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Co/Ins Data do fato gerador: 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003 FALTA DE RECOLHIMENTO / DECLARACA -0 DA COFINS. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO OCASIONADO PELO USO DE NOTAS FISCAIS FALSAS'. O entendimento adotado relativamente aos autos de infração reflexos acompanha ao do principal, em vista da intima relação de causa e efeito existente entre eles. JUROS MORATORIOS. TAXA SELIC. Sao devidos os juros de mora decorrentes da aplicação do percentual equivalente à taxa referencial SELIC, calculados nos termos da Lei n". 9.065, de 1995. Não cabe a autoridade julgadora conhecer de eventuais alegações de inconstitucionalidade e ilegalidade de diploma legitimamente inserido no ordenamento legal. MULTA DE OFICIO QUALIFICADA DE 150%. Em se tratando de langamento de oficio, configuradas as hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei 17° 4.502, de 30 de novembro de 1964, sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição serão aplicadas multas de 150% (cento e cinqüenta por cento). Ciência do acórdão é realizada para a pessoa jurídica e as pessoas fisicas solidariamente responsáveis, as quais interpuseram recursos voluntários, conforme quadro seguinte: ciência Fls. Contribuinte/responsável Recurso fls data 04/06/08 621 Francisco M. C. Santos 735/754 09/07/08 Idem 622 Ramom H.Cardoso 683/702 23/06/08 Processo n° 10680.020328/2007-79 SI-C1T2 Acórdzio n.° 1102-00502 Fl. 506 idem 623 Renilda M.S.F.Souza 662/680 20/06/08 idem 625 Cristiano Mello Paz não apresentou 05/06/08 624 Margareth M.Q.Freitas 755/774 09/07/08 27/06/08 639 DNA Propaganda 643/661 09/07/08 27/06/08 640 Marcos V.F.Souza 704/723 09/07/08 São comuns as razões oferecidas pelas pessoas físicas e jurídica, iniciando coin a argüição de ilegitimidade do "Termo de Sujeição Passiva Solidária" eis que o processo administrativo fiscal de que trata o Decreto n° 70.235, de 1972, e alterações posteriores, a ele não faz nenhuma referência. Também não cabia alegar que o artigo 8° do Decreto n° 70.235/72 e o art. 135 do CTN dariam embasamento legal ao documento. Repete que este termo é documento desconhecido na legislação que rege o processo administrativo fiscal. E que sua inclusão neste procedimento difere dos procedimentos anteriores, se constituindo em "verdadeiro corpo estranho à intimação e ao auto de infração", motivo pelo qual pede o seu cancelamento, bem como arquivamento dos autos, por se apoiar a pretensão fiscal espúria. Segue para dizer que no mérito, melhor sorte não acolhe a Fazenda Nacional. 0 direito não concede base legal para manutenção dos termos de sujeição passiva, porque no rot dos requisitos necessários e obrigatórios do art. 10 do Decreto 70.235, de 1972, o qual descreve a conformação a ser obedecida pelo auto de infração, o seu redirecionamento aos sócios, indistintamente, não é previsto. Transcreve o art. 142 da Lei 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional), e comenta que , no auto de infração, como instrumento substancial do lançamento, não há que constar o nome dos possíveis responsáveis, mas apenas o do sujeito passivo, que, no caso é a empresa DNA PROPAGANDA LTDA.Incluir os sócios em tal relação implica em erro de identificação do sujeito passivo. A transferência de responsabilidade dever á ser apurada em juizo, mediante a manifestação de exclusiva competência do Poder Judiciário. 0 fato da pessoa jurídica não ter recolhido o IRPJ devido declarado na retificadora não a invalida como sujeito passivo. Entregue a declaração, a autoridade já tomara ciência da receita omitida e do imposto devido. Comenta sobre procedimento anteriormente sofrido (anos de 2001 e 2002), quando os Auditores confessam que: "Contudo, três dias antes do inicio da auditoria fiscal, retificou a DIPJ, no intuito de incluir as receitas anteriormente omitidas, e, no decorrer do procedimento fiscal, escriturou e apresentou novos livros contábeis e fiscais, com o mesmo objetivo." Reclama do não acolhimento do seu pedido comentando que a lei não delimita os prazos ou os períodos de tempo nos quais existe a espontaneidade. Limita-se a dizer que as iniciativas adotadas antes do inicio da fiscalização estão ao abrigo dela. Alega não ter invocado o instituto da "denúncia espontânea"(art. 138 do Código Tributário Nacional — Lei n°5.172/66).Retificou suas declarações para levar ao Processo n° 10680.020328/2007-79 SI-C1T2 Fl. 507 Acórdão n.° 1102-00502 conhecimento do fisco receitas anteriormente não declaradas. Corn isto, nos anos calendários para os anos de 2003 e 2004, com declarações retificadoras entregues num período de tempo em que persistia sua espontaneidade plena, as mesmas devem ser acolhidas e encaminhadas ao Setor de Arrecadação ou a. Procuradoria da Fazenda Nacional para cobrança administrativa ou judicial. Embora ausente o pagamento houve o lançamento do tributo, descabendo, portanto sua exigência de oficio, por implicar em duplicidade de exigência ("bis in idem", tendo em z vista que o fisco lançou aquilo que jcí estava lançado. Á esta altura, é de se perguntar: O que autoridade fiscal pretendenzfafer coin as D1RIS retificadoras?) Aponta vícios no procedimento, corn, no mínimo, duas nulidades: a primeira, relativa ao fato de que houve, na realidade, dois lançamentos do mesmo tributo, e a segunda, consistente no fato de que o fisco aplicou urna multa majorada de 150% sobre valores e receitas declaradas espontaneamente, considerando, sem maiores explicações ou justificativas, o procedimento como ma fé e dolo. Finaliza, neste item, com o pedido de cancelamento das exigências, por indevidas, absurdas e redundantes e a continuidade dos lançamentos constante na DIPJ retificadora, por tratarem de um só débito. SEGUNDA NULIDADE ARGUIDA: DA ILEGALIDADE DA APLICAÇÃO DOS JUROS SELIC SOBRE OS DÉBITOS DE NATUREZA TRIBUTARIA. Neste item afirma que a exigência de juros com suporte no art. 13 da Lei n° 9.065/95, não avança. 0 legislador ordinário da norma citada, ao impor a aplicação da taxa SELIC, não se ocupou de esclarecer o que seria essa taxa ou de determinar como ela deveria ser calculada. Pede a obediência ao artigo 161, caput e §1° do Código Tributário Nacional, em sintonia corn a competência estabelecida no art. 146, III, "b", da Constituição Federal de 1988). A taxa SELIC reflete a liquidez dos recursos financeiros do mercado monetário. Por isto seu uso para correção de débitos tributários, da forma realizada pelo auto de infração é inadequado, devendo ser afastada. A taxa destina-se a. area e ao risco de mercado financeiro, com suas oscilações, objetivando alcançar uma remuneração a investidores. Todavia, contribuinte não é investidor e tributo devido não é titulo federal, o que é aplicável para um, obviamente, não o é para outro. Inaplicabilidade da multa agravada de 150% - Refere-se a. impertinência da manutenção da multa qualificada. Informa que não entregou seus livros fiscais, de imediato, pois os mesmos foram extraviados e apreendidos pela Policia Federal, durante a operação denominada "mensaldo" já descrita nos autos. Por isto possuem absoluta veracidade os dados e informações contidos nas declarações de rendimentos DIPJ RETIFICADORAS apresentadas para os anos calendário de 2003 e 2004, antes do inicio do procedimento fiscal, conforme anteriormente afirmara. Aponta e transcreve voto proferido no Acórdão n° 103-21527, Processo n° 10120.002314/2001-23, Recurso n° 136268, da então Terceira Câmara do Conselho de Contribuintes, no qual é examinada a impropriedade de se aplicar a multa qualificada imposta sobre supostos ilícitos, não comprovados como tais, semelhantes aos descritos no auto de infração. 9 Processo n° 10680.020328/2007-79 S1-C1T2 Acórdão n.° 1102-00502 FL 508 Comenta as características da ação dolosa dizendo-a ausente em seu caso. Apenas informou a menor suas receitas constantes dos livros fiscais, (comparadas aquelas constantes da retificadora) mas sem distorção das formas jurídicas e falsidade material ou ideológica. 0 Fisco, coin base nas informações colhidas na sua própria escrituração fez a comparação os dados declarados e, tendo constatado as declarações inexatas, efetuou o lançamento de oficio. Aduz- que a irregularidade descrita nos autos não representa uma modalidade de infração fraudulenta, mas um caso de declaração inexata, para a qual o próprio art. 44 da Lei no 9.430/96 determina, no seu inciso 1, a aplicação da multa de 75%. E estabelecida a duvida "quanto natureza da penalidade aplicável, ou a sua graduação" é forçoso observar - se o conteúdo do artigo 112, inciso IV, do CTN, o qual recomenda que há de ser a lei tributária, que define infrações ou comina penalidades, em existindo duvida, interpretada de modo mais favorável ao acusado, portanto, aplicando-se a multa de 75% em vez de 150%. Informa que justificou a divergência, no entendimento de que a receita tornada como base do lucro presumido era seu lucro bruto excluído o 1CMS.Aponta várias ementas de acórdãos que secundariam sua conclusão (Ac. 101-81.974; Ac. 101-85.012; 101- 92.700 ;Ac. n° CSRF 01/1.0605. Acresce que não houve a má-fé necessária para agravamento da multa. Ao contrário, o que existiu foi apenas urna diferença apurada entre a receita declarada, num primeiro momento, e a receita declarada num segundo momento, mediante a entrega de uma declaração retificadora.Quando muito ocorrera omissão de receitas que foi cocrigida, mas sem falsificação de documentos e livros fiscais. A própria fiscalização afirmou no auto de infração que tomou como base para o lançamento o total das receitas constantes na declaração retificadora entregue pelo Recorrente. Ora, se tal ocorreu, não há que se falar em má-fé e, por via de conseqüência, não há que se falar também em multa agravada. Além do que a tributação se faz por presunção legal, sem o levantamento prévio de quaisquer provas, descabendo a qualificação imposta. Resume o pedido na seguinte ordem: (...) 28.1 Sejam excluídos dos autos os Termos de Sujeição Passiva Solidária, por se tratar de documentos fiscais 77J0 previstos em lei, desconhecidos do Direito Tributário, e desnecessários ao lançamento e 6 notificação de tributos, C011fOrnle previsto no art. 10 do Decreto n° 70.235/72, constituindo I1171 indevido cerceamento do direito de defesa do Recorrente e de seus sócios; 28.2 Sejam acolhidas as preliminares argüidas e a improcedência da majoração da multa de oficio; 28.3 No mérito, seja cancelado o lançamento constante no auto de infração e mantido o contido nas DIPJs retificadoras entregues, que corresponde rigorosainente ás receitas e despesas incorridas 170s anos calendário de 2003 e 2004 pela Autuada 28.4 Por Otimo, caso venha remanescer alguma parcela do 10 Processo n° 10680.020328/2007-79 SI-C1T2 Acórd5o n.° 1102-00502 Fl. 509 crédito tributário lançado, que seja excluído do seu cômputo taxa SELIC exigida a titulo de juros de mora, haja vista o pronunciamento neste sentido dos tribunais federais. Despacho de fls. 776 encaminha os autos para o CARP. Por sorteio os recebo para relato. o Relatório. Processo n° 10680.020328/2007-79 SI-C1T2 Acórd5o n.° 1102-00502 Fl. 510 Voto Conselheiro Ivete Malaquias Pessoa Monteiro , Relatora 0 recurso preenche os pressupostos de validade e dele conheço. Trata-se de exigência do IRPJ e reflexos, para os anoscalenddrio de 2003 e 2004, conforme anteriormente relatado. 0 termo de verificação fiscal consigna, as fls. 90 e seguintes, os fatos que suportam a exigência fiscal. A pessoa jurídica impugnou o lançamento nela realizado, bem como se contrapôs aos termos de sujeição passiva dos solidariamente responsabilizados. Todavia, em sede de impugnação não foram apresentadas peças especificas pelos coobrigados, fato somente verificado na interposição do recurso voluntário. A impugnação da pessoa jurídica abordou a responsabilidade solidária dos sócios e, frente ao princípio do formalismo moderado, tern-se corno prequestionada a matéria referente aos mesmos, passo A. sua análise. A Recorrente invoca a falta de previsão legal no Decreto 70235/1972, para responsabilização pessoal dos sócios, por colisão com o art. 10 e por desobedecer parte do art. 142 do Código Tributário Nacional - CTN , a que faz alusão à atividade de lançamento compreendida na, "identificação do sujeito passivo", sob entendimento de que no auto de infração não deve constar o nome dos possíveis responsáveis, mas apenas o do sujeito passivo, sob pena de cerceamento de direito de defesa e de erro na identificação do sujeito passivo. Ainda, que a responsabilidade faz parte de etapa posterior, sendo o caso, na esfera do poder judiciário, após a decisão administrativa. Aqui mais um motivo para cancelamento dos Termos de Sujeição Passiva Solidária, sob pena de representar autuação paralela corn prejuízos futuros aos sócios. Cabe destaque o fato de que o teor da impugnação apresentada pela contribuinte (pessoa jurídica), resume-se, substancialmente, em atacar os Termos de Sujeição Passiva Solidária. A matéria não está pacificada no Colegiado administrativo, principalmente nesta tunna.Contudo, filio-me a corrente que entende a necessidade de sua constituição, no nascimento do credito tributário, quando presentes as figuras tipificadas nos artigos 124 e 135 do Código Tributário Nacional, exatamente o caso dos autos. Determina o artigo 124 do CTN: Art. 124. São solidariamente obrigadas: 1 - as pessoas que tenham interesse C017111111 na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal E o artigo 135: 12 Processo n° 10680.020328/2007-79 SI-CIT2 Acórdão n.° 1102-00502 H. 511 Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributáricts resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos.. (.) iii - os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Nos termos de sujeição passiva está claro a razão do arrolamento das pessoas físicas sócias e diretores da pessoa jurídica, conforme se depreende a leitura dos mesmos: (..) Durante os trabalhos, verificamos que ao longo dos anos- calendário de 2003 e 2004 a DNA omitiu receitas, assim como declarou e recolheu tributos federais em valores menores do que os incidentes sobre cis receitas efetivamente airferidas. Constatou-se ainda que nesses dois anos a empresa efetuou pagamentos a terceiros e não comprovou a causa, a necessidade e indispensctbilidade dos mesmos para o desenvolvimento e/ou manutenção de suas atividades, Também não identificou os beneficiários destes pagamentos. Alem disso, os Laudos Periciais do Instituto Nacional c/c Criminalistica / Departamento de Policia Federal de Os. 3042/2005 e 3058/2005 comprovaram a falsifica cão de Autorização para Impressão de Documentos Fiscais AIDF e, por decorrência, a utilização de notas fiscais também falsas, nas quais estavam consignadas as receitas não escrituradas. Foi constatada ainda a duplicidade de Livros Comerciais e Fi,scais. A esse respeito deve-se assinalar que a contribuinte possuía, em relação aos anos de 2003 e 2004, os livros Diário n° 36, registrado na JUCEMG em 03/05/2004, sob o n° 00.830.600, e Diário n° 37, registrado na JUCEMG em 28/04/2005, sob o n° 00.859.634. Contudo, em 16/09/2005 e 23/09/2005, ou seja, jó no decorrer do procedimento de .fiscalização, a DNA registrou nesse 111es1110 órgão, e em relação a esse mesmo período, os Diários de n° 38 e 39, sob os n's 00.875.415 e 00.875.913, respectivamente, para incluir registros contábeis antes omitidos, inclusive os referentes a pagamentos efetuados a terceiros, objeto do Auto de Infração de Imposto de Renda na Fonte. Observou-se, também, que os sócios-gerentes apropriaram-se dos recursos c/a empresa, em detrimento do recolhimento dos tributos, haja vista que foram contabilizadas nos novos livros, constantes e volumosas saídas de numerários ct titulo c/c distribuição de lucros. 6. ) 13 Processo n° 10680.02032812007-79 SI-C1T2 Acórciao n.° 1102-00502 Fl. 512 Nesse contexto, importa registrar que a contabilização de grandes saídas de numerários a titulo de distribuição de lucros aos sócios-gerentes, em detrimento do recolhimento dos tributos devidos, deixa evidente o interesse comum no lato gerador da obrigação principal, realizado pela empresa. Mas é na pessoa dos sócios-gerentes e administradores que esse interesse se cozporilica, uma vez que sua realização se dá pela conduta ativa destas pessoas, ao gerirem os negócios da empresa. Ou seja, no caso do sócio-gerente, o interesse C011111111 se manifesta não apenas no resultado ,final produzido (lucro e lucro distribuído), mas também na condução de auto operação (fzto gerador da obrigação principal) voltada àquele propósito, exatamente como prevêem os artigos 124, I, e 135 do CTN. Nestes termos, registra-se que os sócios da pessoa jurídica, conforme definido no seu contrato social e alterações, são os gerentes e achninistradores (la empresa, e nesta condição, pelo disposto nas normas legais mencionadas acima, são solidariamente responsáveis pelas obrigações tributárias não pagas pela empresa autuada. Assim, restando caracterizada a sujeição passiva solidária nos termos dos artigos 121, .124, I e 135, Ilf, da Lei ns! 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional), .fica o sujeito passivo solidário supra mencionctdo CIENTIFICADO da exigência tributária de que trata os Autos de Infração de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e IRF, lavrados contra a pessoa jurídica DNA Propaganda Ltda. na data de 19/12/2007, e controlados pelos processos acima indicados, cujas cópias acompanham o presente Termo. Já no tocante ao argumento de que o artigo 10 do Decreto 70235/1972 impediria a lavratura do termo de responsabilidade solidária dos sócios, vê-se, a partir da análise do dispositivo que o argumento no avança: "Art. 10. 0 auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da .falta, e conterá obrigatoriamente; I— a qualificação do autuado; II— o local, a data e a hora da lavratura; HI— a descrição do fato; IV— a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; 14 Processo n° 10680.020328/2007-79 SI-CIT2 Acórdão n.° 1102-00502 Fl. 513 — a determinaccio da exigência e a intima cão para cumpri-la ou impugná-la no prazo de 30 (trinta) dias; VI — a assinatura do autuante e a indicacao de seu cargo ou funçi7o e o 171 .1111eM da matricula. " Diante desses requisitos obrigatórios confere-se a correção tanto do lançamento sobre o autuado pessoa jurídica (DNA Propaganda Ltda, CNPJ 17.397.076/0001- 03, com domicilio fiscal à Rua Aimorés, 981, bairro Funcionários, Belo Horizonte — MG), observando a parte do comando do art. 142 do CTN, que na conceituação, dentre outros aspectos, preceitua que o lançamento é procedimento administrativo tendente a "identificar o sujeito passivo". JA a atribuição de responsabilidade é matéria tratada em parte própria do CTN, que é o Capitulo IV, que versa sobre o Sujeito Passivo. Ou seja, a lei não traz palavras vazias, então para que serviriam os dispositivos se não para casos como esses? 0 sujeito passivo da obrigação tributaria, cuja obrigação do seu pagamento lhe é cometida, é a pessoa obrigada ao pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária e pode revestir a figura de contribuinte ou a figura de responsável. Desse modo, nos autos de infração das exigências do IRPJ, da CSLL, do PIS e da Cofins, foram identificados a contribuinte como sendo a DNA Propaganda Ltda, CNPJ 17.397.076/0001-03 e, diante dos fatos como explicitado tanto no termo de verificação fiscal restaram identificados na descrição dos fatos no auto de infração, como "igualmente responsáveis" pelos créditos tributários os sócios e administradores da empresa, na qualidade de "SUJEITOS PASSIVOS SOLIDÁRIOS", com fundamento nos arts. 121, 124 e 135 do CTN, procedimento que passa pelo controle de legalidade dos atos administrativos nesta instância. Convém destacar, ainda, que não se verifica, no processo nenhum vicio que prejudique sua validade. Tampouco cerceamento do direito de defesa, porque a Contribuinte e os responsáveis tiveram conhecimento dos autos e se neles não se pronunciaram especificamente,quanto à matéria de fato, o fizeram por opção. Cabe notar que nenhuma linha foi expendida quanto ao mérito, propriamente dito, quer seja sobre o lançamento em si ou mesmo no tocante à responsabilidade solidária constituída nos autos. Sua defesa se fez ,apenas em supostas preliminares que não prosperam. Ao pedido que postula a aceitação das declaraçães retificadoras oferecidas e prosseguimento da cobrança do débito, sem multa de oficio, se opõe a legislação de regência. Primeiro porque a contribuinte quando providenciou a declaração retificadora, na qual fez constar as receitas omitidas, já se encontrava em procedimento de fiscalização (art. 7 °.,I do Decreto 70235/1972) e, segundo porque não providenciou o pagamento dos débitos acompanhados dos juros (art.138 do CTN) E o seguinte o teor do artigo 7'. do Decreto 70235/1972: 15 Processo n° 10680.020328/2007-79 S1-C1T2 Fl. 514 Ac6rdi.lo n.° 1102-00502 Artigo - 0 procedimento fiscal tem inicio coin: I - 0 primeiro ato de oficio, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; E conforme se vê das fls.91, (Termo de Verificação Fiscal de fls.74/119) a providência só ocorreu dois dias depois de iniciado o procedimento: (...) Ocorre que em 01/07/2005, dois dias depois de iniciado o procedimento fiscal, a DNA retificou sua DIP] cio ano- calendário 2003, pcira incluir nesta nova Declaração grandes montantes de receitas não informadas na anterior, conforme cópia de DIP] retificadoraas/Is. 52 as 100 do Anexo 3. (-) Os fatos prejudicam os argumentos expendidos nas razões oferecidas, em relação à suposta espontaneidade, posto que a mesma não se verificou. No que tange a impossibilidade da manutenção da multa qualificada, cabe observar o termo de verificação fiscal, cujo trecho a titulo de ilustração ora é reproduzido (retirado das fls. 91;6): (...) Além disso, conforme também observado pelos Peritos do INC no já mencionado Laudo de Exame Contábil 3058/2005, há enormes diferenças entre os Balcuiços Patrimoniais levantados CO/fl base na contabilidade original e na contabilidade retificadora, como demonstrcido abaixo: Outro fato relevante apontado pelos Peritos do INC, no tópico deste mesmo Laudo, é a utilização pela contribuinte de um sistema de informática que possibilitava controles contábeis paralelos: 111.4 – Retificação da Contabilidade 46. Quanto a intencionalidade da empresa, os Peritos apresentam a "tela" extraída do sistema contábil da empresa DNA, em que evidenciam haver controles contábeis distintos para a filial Rio Acima, existindo os controles para a "DNA — FILIAL — RIO ACIMA" e para a "DNA — RIO ACIMA — EXTRA", a seguir: 47. Pela análise da documentação, o reprocessamento realizado na CO ntabilidade da empresa DNA foi proCedilnellto recente, posto eat prática a partir da integração dos sistemas financeiro e con tail, Coln a inclusão dos registros antes não contabilizados, ein flagrante desacordo a todos procedimentos definidos nas normas vigentes." 16 Processo no 10680.020328/2007-79 SI-CIT2 Acórdão n.° 1102-00502 Fl. 515 As diferenças entre os valores de receita constantes nas DIPJ apresentadas pela DNA evidenciam dues contabilidades muito distintas: Os totais apresentam os seguintes valores: Total 4.533.979,76 (original) e 26.573.832,87(retificadora) E também não deixam dúvidas, haja vista os outros fatos já relatados, sobre a prática reiterada e intencional de omissão de receitas por parte da empresa .fiscalizada, durante todo o ano de 2003. Para explicitar melhor esta questão é interessante registrar, conforme informação prestada pela DNA ein 06/02/2006 (fls. 85 às 91 do Anexo 10), já considerando a "nova" contabilidade, que os intervalos de notas emitidas por cada 11111 de seus estabelecimentos em 2003 teria sido o seguinte: Matriz -> 47.598 a 49.440 Filial Rio Acima -) 27.370 a 35.324 35.330 a 35.339 121 a 157 Mas, conforme já mencionado anteriormente neste Termo, o INC informou que foram escriturados no Diário n° 36, relativamente a 2003, a seqüência de notas .fiscais de no 47.598 a 49.439, ou seja, apenas notas fiscais do estabelecimento matriz, restando totalmente comprovackt a omissão das receitas .faturadas por meio das notas fiscais emitidas coin o CNPJ do estabelecimento filial de Rio Acima/MG. A par disso, importa registrar que a DNA, em 01/11/2005, promoveu a retificação de suas DCTF trimestrais de 2003, conforme extratos de fls. 159 as 167 do Anexo 3, da mesma forma que já havia retificado a sua DIPJ. No entanto, como já estava cm curso o procedimento de .fiscalização, estas Declarações não alimentaram os sistemas de cobrança da Receita Federal. Todos os débitos constantes nestas Declarações estão inativos/bloqueados, conform/le representação fiscal de fls. 116 do Anexo 10 e extratos de fls. 177 as 200 do Anexo 3. (-) Observa-se que a fiscalizada buscou apenas regularizar sua situação cio ponto de vista meramente formal, quando os fatos já eram conhecidas de todos, retificando as declarações já apresentadas à Receita Federal e renovando os seus livros comerciais e fiscais depois de iniciado o procedimento fiscal, expediente esse que não tem o condão de descaracterizar o dolo e a .fraude já consumados anteriormente, uma vez que eat nada reverte o prejuízo sofrido pela fazenda pública. Junta-se a tudo isso a constatação de que durante os anos de 2003 e 2004 a DNA contabilizou saídas de numerários a titulo 17 Processo n° 10680.020328/2007-79 S1-C1T2 Fl. 516 AcOrd5o n.° 1102-00502 de distribuição de lucros aos sócios, em montantes que superam os valores dos tributos devidos e não pagos, o que reforça a idéia de que o não recolhimento dos tributos foi, de fato, intencional (DOLOSO), e não decorrente de uni problema econômico, de uma conjuntura de.sfavoreivel de mercado, de eventual insucesso na atividade empresarial, ou fato semelhante Os lançamentos contábeis correspondentes a tais saídas de numerários estão relacionados nos demonstrativos anexos, intitulados "Livro Razão Eletrônico - Lançamentos Efetuados na Conta 23030010002 - Lucros Acumulados" (lis. 297 às 312 do Anexo 9), e sintetizados nos demonstrativos "Lucros Distribuídos em 2003" e "Lucros Distribuídos em i 2004" (f/s. 307 e 313 do Anexo 9, respectivamente). Em resumo, nos anos de 2003 e 2004, a DNA contabilizou saídas a titulo de distribuição de lucros aos sócios nos montantes c/c R$ 8.611.691,94 e R$ 8.960.067,41, respectivamente. Não bastassem todos esses elementos já apontados, há ainda a gravidade dos fatos envolvendo o estabelecimento filial da DNA no município de Rio Acima, confOrmeja relatado. Realmente, a manifestação da Prefeitura daquele 11111110.1540 revelou inicialmente fortes indícios de .falsificação de documentos fiscais, ulna vez que não foram reconhecidas pelo órgão fazendário municipal as AIDF apresentadas pelo contribuinte. Tudo indicava que teria havido impressão ele documentos fiscais sem a autorização do órgão .fazenclario competente, no evidente intuito, por parte do contribuinte fiscalizado, de omitir infOrmações para os fiscos municipal e federal, o que, de lido, acabou acontecendo, coniojá demonstrado. Na cronologia dos episódios, antes de se tornar público o "caso mensalcio", chamou a atenção o fato de a DNA, ao requisitar a baixa de sua inscrição municipal, CM 12104/2005, ter mencionado apenas as notas .fiscais até a numeração 5.000, sem fazer qualquer menção as notas de no. 5.001 a 60.000. Soma-se a isso a tentativo, por meio do pedido de cancelamento de baixa, datado de 19/09/2005, de regularizar esta seqüência de notas, manobra que foi prontamente repelidct por aquela Prefeitura Municipal. Finalmente, os dois Laudos Periciais do Instituto Nacional de Criminalistica / Departamento de Policiei Federal, conforme transcrição anterior, não deixaram qualquer dúvida sobre a falsificação de documentos fiscais. Importante registrar que durante o ano de 2003 o estabelecimento filial de Rio Acima, além de emitir notas fiscais pertencentes ao intervalo de 0001 a 5.000 (de 121 a 157), utilizou também as notas fiscais de no. 27.370 a 35.339, seqüência essa não autorizada pelo órgão competente, conforme já denionstrado. 18 Processo n" 10680.020328/2007-79 SI-C1T2 AcOraro n.° 1102-00502 Fl. 517 Por- outro lado, pode-se observar, conforme quadro abaixo, que os valores da D1PJ ORIGINAL são mil° próximos (em alguns meses, coincidentes) do somatório das receitas constantes das notas fiscais do estabelecimento matri: e das notas fiscais de Rio Acima - seqüência 001 a 5.000, o que demonstra, por mais uma via, a conduta intencional (dolosa) por parte dos administradores da DNA no sentido de omitirem as receitas faturadas na segunda seqüência de notas fiscais do estabelecimento de Rio Acima (5.001 cm diante). De fato, diante da qualidade de tais documentos, não se podia esperar outra conduta Os mesmos eventos são verificados para o ano de 2004 No ano de 2004 o modo de operação é semelhante e há, também, utilização de notas fiscais falsas (conforme fls.96 do referido termo). Portanto, a autoridade lançadora provou a ocorrência do fato constitutivo do direito de lançar do fisco e este é incontroverso. Conforme se depreende dos autos a prática adotada pelo sujeito passivo demonstrou, inequivocamente, seu erro consciente e ate sinalizou para a possibilidade de ocorrência de crime contra a ordem tributária. A cobrança ora realizada tenta recompor operações comerciais com efeitos tributários realizadas de forma irregular, pois houve oferecimento à tributação em valor insuficiente frente à. verdade material, em estrita observância a legislação de regência. Nenhuma contraprova foi apresentada, diversamente da pretensão espelhada nas razões oferecidas, que insistem no argumento de suposta nulidade do lançamento e na reclamação da cobrança da multa agravada, dos juros e de falta de base legal para tanto. Alberto Xavier lembra que neste quesito a resposta do Direito Tributário é bem clara. Dominado todo ele por um principio de legalidade, tendente A. proteção da esfera privada contra os arbítrios do poder, a solução não poderia deixar de se consistir em submeter a investigação a um principio inquisitório e a valoração dos fatos a urn principio da verdade material)': Entre as características deste procedimento, sua natureza inquisitória é ressaltada no que tange as provas e ao objeto do processo, completa o raciocínio afirmando: " Na verdade, nenhuma das manifesta cães que pode assumir o principio dispositivo tern qualquer relevo no campo do Direito Tributário. Não o tem quanto ao direito material, pois que,em virtude da nature:a pública dos interesses em causa, do princiPio da legalidade e, em especial, da rígida inderrogabilidade das normas tributárias, o Fisco não pode dispor do seu direito, renunciando a aplicação do tributo, au a sua cobrança, ou aceitando a tributação em medida diversa da prevista na lei. Por outro lado, também não pode o contribuinte consentir espontanearnente no pagamento dam tributo indevido,por não lhe caber HO caso concreto, ou por ser devido em medida inferior, o que significa que a limitação da esfera patrimonial dos particulares que tenha como fimdamento uma lei tributária não está na livre disponibilidade dos particulares." Xavier, Alberto. Do lançamento teoria geral do ato, do procedimento e do processo tributdrio.2.ed.Rio de Janeiro:forense 2002, 19 Processo n° 10680.020328/2007-79 SI-C1T2 Accirciao n." 1102-00502 FL 518 Por isto se confirma a decisão recorrida em seus termos, pois a esses princípios se atrela o da indisponibilidade dos bens públicos, como leciona Aliomar Baleeiro: 2 "No Direito Tributário onde se fortalece ao extremo a segurança jurídica, os princípios da especificidade legal são de sabida relevância. O agente dci Administração Tributária que fiscaliza e apura créditos tributários está sujeito ao principio da indisponibilidade dos bens públicos e deverá atuar aplicando a lei — que disciplina o tributo — ao caso concreto, sem margem de cliscricionariedade. A renúncia total ou parcial e a redução de suas garantias pelo ,fitncionário, fora das hipóteses estabelecidas na Lei n. 5172/66, acarretará a sua responsabilidade Quando a fiscalização apura omissão de declaração e pagamentos de tributos por contribuinte que manteve expressivo faturamento, sem qualquer justificativa plausível é de se manter o lançamento de oficio, corn a multa qualificada, vez que a pratica habitual da omissão de pagamento e informação dos fatos geradores, conduz a caracterização de evidente intuito de fraude. De acordo corn o artigo 957, II, do Regulamento do Imposto sobre a Renda, RIR/1999, a multa será de 150%, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, que dispõe: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardai; total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazenclária; I — do ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstáncias materiais; lI — das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardai; total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento." Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas, naturais ou jurídicas, visando a qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72." Por este dispositivos a lei exige que o intuito de fraude seja evidente, que o ato não suscite dúvida quanto sua Ind fé, corn o claro propósito de violar a lei. A conduta, além de contrária à lei como fraudulenta, deve ter o objetivo de escusar-se ao pagamento do tributo ou de pagar importância a menor, ou seja, a intenção dolosa de esconder o fato gerador da obrigação tributária da Administração. Por fim, cabível a aplicação da multa qualificada quando restar comprovado que o envolvido na prática da infração tributária conseguiu o objetivo de deixar de recolher, intencionalmente, impediu ou retardou a apuração do crédito tributário por meios de atos ou omissão de fatos visando os objetivos mencionados. 2 BALEEIRO, Al iomar. Direito tributário brasileiro.11.ed.Rio de janeiro:Forense, I 999.p.799. Processo 10680.020328/2007-79 SI-CIT2 Acórd5o n.° 1102-00502 Fl. 519 Aos argumentos expendidos que pedem a análise de inconstitucionalidade e ilegalidade de matérias submetidas as instâncias administrativas se opõe a súmula n.2 do CARF: Sumula CARE N„_ 2 0 CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucioncdidade de lei tributaria. Igualmente sumulada encontra -se a matéria referente a cobrança dos juros, a saber: Súmula CARF N. 4 A partir de I" de abril de 1995, os juros morató rios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimpléncia, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SEL1C para títulos federais. Com relação a tributação dita reflexa, ausentes argumentos diversos da matéria que norteou o principal, a este seguem , em razão da relação de causa e efeito existente entre eles. Nesta ordem de juizos Nego provimento ao recurso. lye aquirsoa Monteiro 21
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