Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,885)
- Primeira Turma Ordinária (16,419)
- Primeira Turma Ordinária (16,225)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,513)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,488)
- Quarta Câmara (85,202)
- Terceira Câmara (67,872)
- Segunda Câmara (56,642)
- Primeira Câmara (20,751)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,714)
- Segunda Seção de Julgamen (115,210)
- Primeira Seção de Julgame (77,082)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,551)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,905)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,930)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,801)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,615)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,690)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 18088.000128/2010-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/2008 a 30/11/2008
PROCEDIMENTO FISCAL. BASE DE CÁLCULO APURADA COM ESTEIO EM DOCUMENTOS INIDÔNEOS. RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO.
Deve ser retificado o lançamento quando se detecte que os documentos utilizados para fixação da base tributável não mereçam fé.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2401-002.157
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial para excluir do lançamento as diferenças da base de cálculo das contribuições, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201112
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2008 a 30/11/2008 PROCEDIMENTO FISCAL. BASE DE CÁLCULO APURADA COM ESTEIO EM DOCUMENTOS INIDÔNEOS. RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO. Deve ser retificado o lançamento quando se detecte que os documentos utilizados para fixação da base tributável não mereçam fé. Recurso Voluntário Provido em Parte
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 18088.000128/2010-04
anomes_publicacao_s : 201112
conteudo_id_s : 4800092
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 29 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2401-002.157
nome_arquivo_s : 2401002157_18088000128201004_201112.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 18088000128201004_4800092.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial para excluir do lançamento as diferenças da base de cálculo das contribuições, nos termos do voto do relator.
dt_sessao_tdt : Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
id : 4748393
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:44:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044230628179968
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1624; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 460 1 459 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18088.000128/201004 Recurso nº 000.000 Voluntário Acórdão nº 240102.157 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 1 de dezembro de 2011 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente ASSOCIAÇÃO SANTA CASA DE MISERICÓRDIA E MATERNIDADE DONA JULIETA LIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2008 a 30/11/2008 PROCEDIMENTO FISCAL. BASE DE CÁLCULO APURADA COM ESTEIO EM DOCUMENTOS INIDÔNEOS. RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO. Deve ser retificado o lançamento quando se detecte que os documentos utilizados para fixação da base tributável não mereçam fé. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial para excluir do lançamento as diferenças da base de cálculo das contribuições, nos termos do voto do relator. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 460DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Relatório Tratase do Auto de Infração – AI n.º 37.272.7280, lavrado contra o contribuinte acima no qual são apuradas contribuições dos segurados contribuintes individuais que a empresa deixou de arrecadar. De acordo com o Relatório Fiscal, fls. 69/74, os fatos geradores que ensejaram a lavratura foram os pagamentos efetuados a pessoas físicas, enquadrados na categoria de contribuintes individuais, que prestaram serviço à empresa no período do levantamento. Foram colacionados os recibos de pagamento utilizados na apuração e planilha contendo a relação dos prestadores de serviço. Informa o Fisco que foi aplicada multa de 75% por ser mais benéfica, em atendimento ao disposto no art. 106, II, "c" do CTN. A entidade apresentou impugnação, cujas razões não foram acatadas pela DRJ em Ribeirão Preto, que julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito na sua totalidade, fls. 347/352. A empresa interpôs recurso voluntário, qual, em apertada síntese, alegou que: a) os recibos que serviram de base para a apuração fiscal são inconsistentes e não se prestam para sustentar o AI; b) os documentos utilizados são fraudulentos, sendo, inclusive, objeto de Ação Civil Pública e Ação Penal, como atestam os documentos colacionados; c) fraude não pode ser tomada como fato gerador de obrigações tributárias; d) a Ação Civil Pública, que vise o ressarcimento do erário, relaciona todos os recibos de supostos pagamentos efetuados a pedreiros e a serventes, que são os mesmos utilizados para apuração das contribuições lançadas no presente crédito; Ao final pede a reforma da decisão da DRJ, com o consequente cancelamento do AI. É o relatório. Fl. 461DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18088.000128/201004 Acórdão n.º 240102.157 S2C4T1 Fl. 461 3 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Documentação utilizada para apuração Nos termos do art. 28, III, da Lei n.º 8.212/1991, a contribuição previdenciária deverá incidir sobre a remuneração do contribuinte individual recebida como contraprestação pelo serviço executado em uma ou mais empresas. Eis o dispositivo: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (...) Concluise, assim, que a base tributável é a remuneração recebida pelo contribuinte individual pelo serviços prestado a empresas. Para comprovar a ocorrência do fato gerador e o montante da base de cálculo, o Fisco acostou recibos de pagamento, os quais, a princípio, são documentos hábeis a comprovar o pagamento das remunerações por serviços prestados. O contribuinte, por sua vez, busca afastar a imposição, afirmando que os recibos são decorrentes de fraude . Assim os documentos acostados, afirma a recorrente, ou apresentam valores superiores aos que efetivamente foram pagos, ou dizem respeito a operações não relacionadas a prestação de serviços, ou mesmo, expressam pagamentos por serviços que sequer foram executados. Necessário, então, que se faça uma ponderação entre as provas acostadas pelo Fisco e aquelas apresentadas em sede de defesa e recurso. Para a Auditoria, no que foi seguido pelo órgão recorrido, os recibos são documentos suficientes a comprovar a ocorrência do fato gerador e a sua expressão econômica. O sujeito passivo acostou com a defesa representação encaminhada ao Ministério Público pelos gestor da entidade, dando conta das irregularidades supostamente ocorridas na gestão anterior, mormente o superfaturamento de valores relativos a serviços prestados. Foi também juntado a impugnação pedido formulado ao Judiciário pelo Ministério Público objetivando à prisão dos antigos gestores e a busca e apreensão de documentos em poder dos mesmos. Fl. 462DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Com o recurso vieram ao processo cópias da peça inicial da Ação Civil Pública por Ato de Improbidade Administrativa c.c. Cautelar de Sequestro de Bens , além de cópia de Ação Penal Pública Incondicionada movida contra os antigos gestores da entidade pela prática de diversos ilícitos, dentre os quais a emissão de recibos superfaturados relativos a serviços prestados à entidade. Diante desse duelo de provas, devo me debruçar sobre as mesmas de forma a prestigiar o princípio da verdade material, tão caro ao processo administrativo fiscal. É certo que os recibos de pagamento são provas robustas para que evidenciam o pagamento de remuneração, todavia, é necessário que se pondere acerca da veracidade das informações ali contidas, para que se evite a incidência de contribuições sobre bases irreais, que promovam o enriquecimento ilícito da Fazenda Pública. Se por um lado o Fisco tem a prerrogativa de desconsiderar documentos, quando os mesmos não reflitam a realidade econômicofinanceira da empresa, podendo diante dessa situação arbitrar o valor do tributo devido, também, em obediência ao princípio da razoabilidade, deve o Agente Fiscal afastar determinado documento, quando percebe que os valores ali expressos estão bem acima da realidade da operação que se busca tributar. Verifico, numa rápida amostragem, que há casos de pagamentos muito acima dos valores de mercado, como é o caso do trabalhador WALTER AGNALDO MARQUES, que na função de pedreiro, recebeu da entidade recorrente nos meses de agosto, setembro, outubro e novembro de 2008, respectivamente, R$ 17.400, R$ 51.310,00, R$ 17.200,00 e R$ 14.350,00. Diante das inconsistências apontadas, surge um problema de ordem prática, pois, uma vez desconsiderado o recibo de pagamento, é necessário que se determine qual a base de cálculo a ser utilizada. Na situação posta a julgamento, entendo que devem ser tomados como base os valores indicados na inicial da Ação Civil Pública acostada, a qual se baseou nos depoimentos dos próprios envolvidos. Devem, no entanto, permanecer incólumes os pagamentos que não tenham sido objeto de menção na peça do Ministério Público. Façamos, então, um comparativo, por prestador de serviço entre os valores apurados pelo Fisco e os fatos trazidos na ação civil pública. a) Osvaldo Aparecido de Moraes Competência Base apurada R$ Base da ACP R$ Diferença a excluir 06/2008 8.126,65 603,55 7.523,10 07/2008 10.700,00 794,66 9.905,34 08/2008 17.900,00 1.329,39 16.570,61 09/2008 8.000,00 594,14 7.405,86 10/2008 52.430,00 3.878,26 48.551,74 total 96.946,65 7.200,00 (*) Fl. 463DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18088.000128/201004 Acórdão n.º 240102.157 S2C4T1 Fl. 462 5 (*)Valores distribuídos proporcionalmente por competência conforme o valor total indicado na inicial da Ação Civil Pública. b) Claudemir Malaquias Competência Base apurada R$ Base da ACP R$ Diferença a excluir 06/2008 11.279,98 3.600,00 7.679,98 c) Júlio Cezar Malaquias Competência Base apurada R$ Base da ACP R$ Diferença a excluir 06/2008 3.306,71 720,00 2.586,71 d) Claudecir Aparecido de Naday Competência Base apurada R$ Base da ACP R$ Diferença a excluir 06/2008 1.874,99 0 1.874,99 e) Carlos Aparecido Braga Barbosa Competência Base apurada R$ Base da ACP R$ Diferença a excluir 07/2008 4.800,00 0 4.800,00 f) Francisco Antônio de Castro Competência Base apurada R$ Base da ACP R$ Diferença a excluir 06/2008 7.315,69 1.200,00 6.115,69 07/2008 5.675,00 1.200,00 4.475,00 09/2008 8.500,00 1.200,00 7.300,00 g) Anderson Bruderhausen Competência Base apurada R$ Base da ACP R$ Diferença a excluir 06/2008 2.366,30 0 2.366,30 Fl. 464DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 h) Josias Carlos de Oliveira Competência Base apurada R$ Base da ACP R$ Diferença a excluir 06/2008 4.678,38 2.284,13 2.394,25 08/2008 2.900,00 1.415,87 1.484,13 Total 7.578,38 3.700,00 (*)Valores distribuídos proporcionalmente por competência conforme o valor total indicado na inicial da Ação Civil Pública. i) Olderige Garcia Competência Base apurada R$ Base da ACP R$ Diferença a excluir 06/2008 750,00 600,00 150,00 j) Cilso José dos Santos Competência Base apurada R$ Base da ACP R$ Diferença a excluir 07/2008 5.900,00 2.400,00 3.500,00 08/2008n 27.120,00 0 27.120,00 k) Marco Antônio Nunes Competência Base apurada R$ Base da ACP R$ Diferença a excluir 08/2008 580,00 580,00 0 09/2008 3.000,00 820,00 2.180,00 l) Carlos Alberto Malaquias Júnior Competência Base apurada R$ Base da ACP R$ Diferença a excluir 08/2008 15.170,00 900,00 14.270,00 m) Valter Agnaldo Marques Competência Base apurada R$ Base da ACP R$ Diferença a excluir Fl. 465DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18088.000128/201004 Acórdão n.º 240102.157 S2C4T1 Fl. 463 7 08/2008 17.400,00 180,00 17.220,00 09/2008 51.310,00 0 51.310,00 10/2008 17.200,00 0 17.400,00 11/2008 14.350,00 0 14.350,00 Diante das constatações acima, entendo que devam ser excluídos da apuração as remunerações acima apresentadas, recalculandose as contribuições devidas, respeitandose em cada caso o limite máximo do saláriodecontribuição. Conclusão Voto, assim, por dar provimento parcial ao recurso para que sejam excluídas da apuração as remunerações apontadas no item precedente. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 466DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 37361.002370/2006-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1997 a 30/12/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EMPRESA. INCIDENTES SOBRE CONTRIBUIÇÕES SEGURADOS EMPREGADOS. CESTAS BASICAS. PAT.
DECADÊNCIA.
Tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria.
Termo inicial: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º).
No caso em exame, pelo que se verifica dos autos, houve antecipação de pagamento, pois o lançamento refere-se a contribuições incidentes sobre parte da remuneração dos segurados. Assim, há que se aplicar, para efeito da
verificação da decadência , a regra contida no artigo 150 § 4º do CTN.
Portanto as competências até SALÁRIO INDIRETO Integra o salário de contribuição, nos termos do artigo 28, inciso I, da Lei nº
8.212/91, c/c artigo 22 da mesma lei, os valores referentes às cestas básicas, pagos pela empresa, sem seu devido cadastramento no PAT.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-002.122
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, declarar a
decadência até a competência 06/2001. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que declarava a decadência até a competência 11/2000. II) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: CLEUSA VIEIRA DE SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201110
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 30/12/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EMPRESA. INCIDENTES SOBRE CONTRIBUIÇÕES SEGURADOS EMPREGADOS. CESTAS BASICAS. PAT. DECADÊNCIA. Tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. Termo inicial: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). No caso em exame, pelo que se verifica dos autos, houve antecipação de pagamento, pois o lançamento refere-se a contribuições incidentes sobre parte da remuneração dos segurados. Assim, há que se aplicar, para efeito da verificação da decadência , a regra contida no artigo 150 § 4º do CTN. Portanto as competências até SALÁRIO INDIRETO Integra o salário de contribuição, nos termos do artigo 28, inciso I, da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 22 da mesma lei, os valores referentes às cestas básicas, pagos pela empresa, sem seu devido cadastramento no PAT. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 37361.002370/2006-96
anomes_publicacao_s : 201110
conteudo_id_s : 4800428
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 27 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2401-002.122
nome_arquivo_s : 2401002122_37361002370200696_201110.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : CLEUSA VIEIRA DE SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 37361002370200696_4800428.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, declarar a decadência até a competência 06/2001. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que declarava a decadência até a competência 11/2000. II) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
id : 4745737
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:43:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044230662782976
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2006; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 246 1 245 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 37361.002370/200696 Recurso nº 144.464 Voluntário Acórdão nº 240102.122 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de outubro de 2011 Matéria SALÁRIOS INDIRETOS Recorrente EMBRAED EMPRESA BRASILEIRA DE EDIFICAÇÕES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 30/12/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EMPRESA. INCIDENTES SOBRE CONTRIBUIÇÕES SEGURADOS EMPREGADOS. CESTAS BASICAS. PAT. DECADÊNCIA. Tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. Termo inicial: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). No caso em exame, pelo que se verifica dos autos, houve antecipação de pagamento, pois o lançamento referese a contribuições incidentes sobre parte da remuneração dos segurados. Assim, há que se aplicar, para efeito da verificação da decadência , a regra contida no artigo 150 § 4º do CTN. Portanto as competências até SALÁRIO INDIRETO Integra o salário de contribuição, nos termos do artigo 28, inciso I, da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 22 da mesma lei, os valores referentes às cestas básicas, pagos pela empresa, sem seu devido cadastramento no PAT. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 249DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 27/10/20 11 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, declarar a decadência até a competência 06/2001. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que declarava a decadência até a competência 11/2000. II) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente. Cleusa Vierira de Souza Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cirstina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 250DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 27/10/20 11 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 37361.002370/200696 Acórdão n.º 240102.122 S2C4T1 Fl. 247 3 Relatório Tratase de crédito lançado pela fiscalização da atual Secretaria da Receita Previdenciária, contra a empresa acima identificada, que de acordo com o Relatório Fiscal (fls.123/128) e demais documentos juntados nos autos, teve como fatos geradores das contribuições lançadas os valores pagos no período 01/01/1997 A 31/12/2005 e foram considerados considerados com salários in natura (cestas básicas), sem que a empresa estivesse regularmente inscrita do Programa de Alimentação do Trabalhador — PAT. O montante dos salários de contribuição e o valor das respectivas contribuições apuradas encontramse especificados por competência no Discriminativo Analítico de Débito DAD, no Discriminativo Sintético do Débito DSD e em outros documentos constantes dos autos. O montante do crédito lançado é de R$ 367.569,09 (trezentos e sessenta e sete mil e quinhentos e sessenta e nove reais e nove centavos), consolidados em 11/07/2006. Tempestivamente a contribuinte, regularmente, apresentou sua impugnação, arguindo a decadência dos débitos objetos dos lançamentos anteriores a 07/2001, arguindo que existe inconstitucionalidade nas disposições do art. 45 da Lei n° 8.212/91, que prevê o prazo decadencial de dez anos. Argumenta que o artigo 173 do Código Tributário Nacional — CTN estipula a decadência após cinco anos contados do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Argumenta sobre o lançamento por homologação, que alega ter o prazo também de cinco anos, com base no Art. 150 do CTN. Alega a não incidência de contribuição previdenciária sobre o pagamento in natura – cesta básica (fls. 150/160, cita (fls. 150/151) as Convenções Coletivas de Trabalho entre o Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil de Balneário Camboriú e Região e o Sindicato da Industria da Construção de Balneário Camboriu — SINDUSCON BC, período 1997/2005, clausula n° 4, § 5°, que estabelece que o valor da cesta básica não incorporará o salário para fins de recolhimento de encargos sociais. Informa que a empresa aderiu ao PAT em 24/01/1996 (fl. 152). Aduz que que a portaria n°1.151 de 17/09/1993 do Ministério do Trabalho foi revogada pela portaria n° 87 de 28/01/1997 e não trouxe a obrigatoriedade de recadastramento (fl. 153) e com base nesta tese a empresa estaria devidamente inscrita no programa no período 1997 a 2004. Alega (f1.155) que a portaria n° 05 de 30/11/1999 regulamenta a forma de adesão, que pode ser efetuada a qualquer tempo e terá validade por prazo indeterminado. Cita que o recadastramento foi obrigatório somente por edição das portarias 66, de 19/12/2003 e 81 de 27/05/2004. Com base nesta tese a empresa estaria regularmente inscrita no programa (fl. 156) no período 24/01/1996 a 30/08/2004, sendo que estaria irregular a partir desta data (01/09/2004), devido ao fato de não ter se recadastrado. Assevera que não foi aplicada a redução de 50% da multa para contribuições que tenham sido declaradas em GFIP, ou que estariam dispensadas da apresentação, alem de ter sido aplicado multa em percentual superior ao previsto no Art. 35 da Lei 8.212/91. Fl. 251DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 27/10/20 11 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Por fim, requer que seja declarado a decadência para o período 01/1997 a 06/2001, que seja revista a multa de mora e solicita diligencia para comprovar que a empresa estava regular junto ao Ministério do Trabalho — MTE. A Secretaria da Receita Previdenciária em Blumenau/SC, por meio da Decisão Notificação – DN nº 20.421.4/0438/2006, julgou procedente o lançamento, trazendo a referida decisão, a seguinte ementa: SALARIO IN NATURA. Integra o Salário de Contribuição a parcela in natura recebida pelo trabalhador em desacordo com o Programa de Alimentação do Trabalhador— PAT. O CONTROLE DA CONSTITUCIONALIDADE DE LEI E DECRETO COMPETE AO JUDICIÁRIO. O INSS não tem competência legal para apreciar e declarar ilegalidade ou inconstitucionalidade de 410 dispositivo de Lei ou Decreto, frente ao sistema normativo; o controle da constitucionalidade é exercido, via de regra, pelo Poder Judiciário. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Irresignada, a contribuinte interpôs recurso a este Conselho, em que alega, em síntese o seguinte: Foi levantado pelo respeitável Auditor Fiscal e mantido o lançamento pelo Julgado Singular, à falta de pagamento das contribuições previdenciárias incidentes sobre salário in natura (cesta básica de alimentos) nos períodos de 01/1997 a 12/2005, conforme consta do relatório fiscal do auditor. Alega que no período supra mencionado, ocorreu a decadência do direito da Receita Previdenciária de constituir o crédito tributário no período de 01/1997 a 06/2001, em razão do transcurso do prazo de 5 (cinco) anos para lançamento dos tributos por homologação, conforme art. 150, §4° do CTN, Alega, ainda, que mesmo se não houvesse ocorrido a decadência, o salário in natura (cesta básica de alimentos) levantado pelo r. Auditor Fiscal não teria tributação de encargos sociais, em especial da contribuição previdenciária ao INSS, pois a Convenção Coletiva de Trabalho do Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil de Balneário Camboriú e Região 1997 a 2005 constante dos autos, estabelece na cláusula n°. 4, § 5°: "Parágrafo Quinto O valor da cesta básica não incorporará ao salário para fins de recolhimento de encargos sociais e pagamento de verbas rescisórias, exceto quando não fornecida em espécie, condição esta que implicará na obrigação do seu pagamento equivalente em dinheiro, devendo constar da folha de pagamento a titulo de auxilio alimentação." No caso em tela, as cestas básicas eram fornecidas em alimentos, conforme se depreende e comprova pelo relatório fiscal do Auditor onde fez constar os lançamentos contábeis, os fornecedores e suas respectivas datas. Como já se sabe as contribuições previdenciárias a que os empregadores estão sujeitos, por força do artigo 195, I, da Constituição Federal têm como base de cálculo o salário de contribuição. Fl. 252DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 27/10/20 11 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 37361.002370/200696 Acórdão n.º 240102.122 S2C4T1 Fl. 248 5 Desta feita, percebese que, a teor do art. nº. 28, I, da Lei nº. 8.212/91 a totalidade de rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, os ganhos habituais ainda que sob a forma de utilidades integram o salário de contribuição. O que nos interessa mais de perto é a única hipótese da alimentação fornecida habitualmente ao empregado que não se configura como salário de contribuição é aquela em que o empregador o faz, com base no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, aprovado pelo Ministério do Trabalho, ou seja, que o benefício seja dado ao trabalhador em alimentos, e não em dinheiro. No caso em tela nobre julgador, a Recorrente concedeu o benefício aos trabalhadores em forma de cesta básica de alimentos, conforme relato do próprio Auditor Fiscal e escrita contábil na qual comprova os lançamentos contábeis das notas fiscais de compra das mercadorias. Aduz que a Recorrente antes de começar a dar os benefícios da básica de alimentos aos trabalhadores, por força da Convenção Coletiva do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Balneário Camboriú em anexo, realizou a adesão ao PAT Programa de Alimentação ao Trabalhador de acordo com a Lei n°. 6.321/76, em conformidade com o protocolo de adesão constante dos autos devidamente protocolizado nas agências do correio em 24/01/1996. Alega, mais, que a portaria 1.156/93 e demais disposições em contrário, foram revogadas pela portaria MTB n°. 87, de 28/01/1997, na qual já entrou em vigor na data de sua publicação, e não trouxe nenhum dispositivo determinando que as empresas beneficiárias que possuíam inscrição no PAT fossem recadastradas, simplesmente disciplinou as novas adesões. Transcreveu o artigo 2 da referida Portaria. Portanto, de acordo com a adesão do PAT realizada através do registro do formulário na ECT em 24/01/1996 1 e em conformidade com a legislação da época da adesão e portarias posteriores a empresa ficou regularmente inscrita no PAT durante o período de 24/01/1996 a 30/08/2004, passando apenas a estar na condição de não inscrita no PAT devido o cancelamento de sua inscrição em razão do não recadastramento somente a partir de 01/09/2004. Além da empresa ter inscrição no PAT desde o ano de 1996, no qual contempla o período lançado pelo Auditor Fiscal, à matéria já foi pacificada em última instância no Superior Tribunal de Justiça, na qual esclarece que se os trabalhadores recebem a alimentação "in natura" estando ou não inscrito no PAT, tais valores não integram a base de cálculo para incidência das contribuições previdenciárias. Portanto, os valores ora levantados e notificados a titulo de salário in natura, deverão ser excluídos da NFLD, por ser medida de inteira justiça e bom senso. Ao final requer: Seja declarada a decadência do período de Sejam revistos os cálculos da NFLD aplicando as multas de mora em conformidade com a legislação da época dos fatos geradores. Seja determinada diligência para confirmar que a que a empresa respeitava e cumpria o Programa de Alimentação ao Trabalhador de acordo com a adesão ao PAT realizado Fl. 253DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 27/10/20 11 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 no ano de 1996, e que a referida inscrição estava devidamente regular junto ao Ministério do Trabalho e Emprego. Seja anulada ou modificada a NFLD supra mencionado, considerando as provas, os fundamentos fáticos e jurídicos apresentados na presente. A Secretaria da Receita Previdenciária ofereceu contrarrazões. É o relatório. Fl. 254DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 27/10/20 11 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 37361.002370/200696 Acórdão n.º 240102.122 S2C4T1 Fl. 249 7 Voto Conselheira Cleusa Vieira de Souza Relatora O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, Devendo, portanto, ser conhecido. Antes de adentrar à análise das razões aduzidas, mister se faz proceder à análise de decadência arguída. Nesse sentido, impõe considerar que o Supremo Tribunal Federal STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. No REsp 879.058/PR, DJ 22.02.2007, a 1ª Turma do STJ pronunciouse nos temos da seguinte ementa: "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ACÓRDÃO RECORRIDO ASSENTADO SOBRE FUNDAMENTAÇÃO DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL: (A) PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, SE NÃO HOUVE ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO (CTN, ART. 173, I); (B) FATO GERADOR, CASO TENHA OCORRIDO RECOLHIMENTO, AINDA QUE PARCIAL (CTN, ART. 150, § 4º).PRECEDENTES DA 1ª SEÇÃO. 1. omissis 2. omissis 3. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art.173, I, do CTN, segundo o qual 'direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado '. 4. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação — que, segundo o art. 150 do CTN, 'ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa' e 'operase pelo ato em que a referida Fl. 255DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 27/10/20 11 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa' —, há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Precedentes da 1ª Seção: ERESP 101.407/SP, Min. Ari Pargendler, DJ de 08.05.2000; ERESP 278.727/DF, Min.Franciulli Netto, DJ de 28.10.2003; ERESP 279.473/SP, Min. Teori Zavascki, DJ de 11.10.2004; AgRg nos ERESP 216.758/SP, Min. Teori Zavascki, DJ de 10.04.2006. 5. No caso concreto, todavia, não houve pagamento. Aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 173, I, do CTN. 6. Recurso especial a que se nega provimento." E ainda, no REsp 757.922/SC, DJ 11.10.2007, a 1ª Turma do STJ, mais uma vez, pronunciouse nos temos da ementa colacionada: “EMENTA CONSTITUCIONAL, PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ARTIGO 45 DA LEI 8.212/91. OFENSA AO ART. 146, III, B, DA CONSTITUIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL: (A) PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, SE NÃO HOUVE ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO (CTN, ART. 173, I); (B) FATO GERADOR, CASO TENHA OCORRIDO RECOLHIMENTO, AINDA QUE PARCIAL (CTN, ART. 150, § 4º). PRECEDENTES DA 1ª SEÇÃO. 1. "As contribuições sociais, inclusive as destinadas a financiar a seguridade social (CF, art. 195), têm, no regime da Constituição de 1988, natureza tributária. Por isso mesmo, aplicase também a elas o disposto no art. 146, III, b, da Constituição, segundo o qual cabe à lei complementar dispor sobre normas gerais em matéria de prescrição e decadência tributárias, compreendida nessa cláusula inclusive a fixação dos respectivos prazos. Conseqüentemente, padece de inconstitucionalidade formal o artigo 45 da Lei 8.212, de 1991, que fixou em dez anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais devidas à Previdência Social" (Corte Especial, Argüição de Inconstitucionalidade no REsp nº 616348/MG) 2. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art. 173, I, do CTN, segundo o qual "o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado ". 3. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação — que, segundo o art. 150 do CTN, "ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade Fl. 256DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 27/10/20 11 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 37361.002370/200696 Acórdão n.º 240102.122 S2C4T1 Fl. 250 9 administrativa " e "operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa " — , há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Precedentes jurisprudenciais. 4. No caso, tratase de contribuição previdenciária, tributo sujeito a lançamento por homologação, e não houve qualquer antecipação de pagamento. Aplicável, portanto, a regra do art. 173, I, do CTN. 5. Recurso especial a que se nega provimento. É a orientação também defendida em doutrina: “Há uma discussão importante acerca do prazo decadencial para que o Fisco constitua o crédito tributário relativamente aos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Nos parece claro e lógico que o prazo deste § 4º tem por finalidade dar segurança jurídica às relações tributárias da espécie. Ocorrido o fato gerador e efetuado o pagamento pelo sujeito passivo no prazo do vencimento, tal como previsto na legislação tributária, tem o Fisco o prazo de cinco anos, a contar do fato gerador, para emprestar definitividade a tal situação, homologando expressa ou tacitamente o pagamento realizado, com o que chancela o cálculo realizado pelo contribuinte e que supre a necessidade de um lançamento por parte do Fisco, satisfeito que estará o respectivo crédito. É neste prazo para homologação que o Fisco deve promover a fiscalização, analisando o pagamento efetuado e, entendendo que é insuficiente, fazendo o lançamento de ofício através da lavratura de auto de infração, em vez de chancelálo pela homologação. Com o decurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador, pois, ocorre a decadência do direito do Fisco de lançar eventual diferença. A regra do § 4º deste art. 150 é regra especial relativamente à do art. 173, I, deste mesmo Código. E, em havendo regra especial, prefere à regra geral. Não há que se falar em aplicação cumulativa de ambos os artigos.” (Leandro Paulsen, Direito Tributário, Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência , Ed. Livraria do Advogado, 6ª ed., p. 1011) “Ora, no caso da homologação tácita, pela qual se aperfeiçoa o lançamento, o CTN estabelece expressamente prazo dentro do qual se deve considerar homologado o pagamento, prazo que corre contra os interesses fazendários, conforme § 4o do art. 150 em análise. A conseqüência –homologação tácita, extintiva do crédito – ao transcurso in albis do prazo previsto para a homologação expressa do pagamento está igualmente nele consignada” (Misabel A. Machado Derzi, Comentários ao CTN, Ed. Forense, 3a ed., p. 404) Fl. 257DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 27/10/20 11 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 No caso em exame, pelo que se verifica dos autos, há que se considerar que houve antecipação de pagamento uma vez que o lançamento referese a contribuições incidentes sobre parte das remunerações dos segurados empregados. Assim, há que se aplicar, para efeito da verificação da decadência , a regra contida no artigo 150 § 4º do CTN. Assim, na data da ciência da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, que se deu em 13/07/2006, as contribuições relativas ao período de 01/01/1997 a 30/06/2001, já se encontravam fulminadas pela decadência. Em suas razões de recurso a este Conselho, o Recorrente alega que no caso em tela, as cestas básicas eram fornecidas em alimentos, conforme se depreende e comprova pelo relatório fiscal do Auditor onde fez constar os lançamentos contábeis, os fornecedores e suas respectivas datas. Como já se sabe as contribuições previdenciárias a que os empregadores estão sujeitos, por força do artigo 195, I, da Constituição Federal têm como base de cálculo o salário de contribuição. Desta feita, percebese que, a teor do art. 28, I, da Lei n o . 8.212/91 a totalidade de rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, os ganhos habituais ainda que sob a forma de utilidades integram o salário de contribuição. Nesse sentido, importa recordar a definição de salário de contribuição, contida no citado art 28 da Lei nº 8212/91: “Art 28 Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado (...): a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;” Assim, não é incorreto afirmar que tudo aquilo que é pago em caráter retributivo e de forma habitual, ao empregado pelo empregador, constitui a base cálculo sobre a qual vai incidir a contribuição previdenciária. Tal dispositivo foi mais além, prevendo que não somente os valores diretamente recebidos ou creditados compõem o saláriodecontribuição, mas igualmente os ganhos decorrentes de utilidades, desde que também habituais e em caráter oneroso. Conforme se infere do dispositivo legal encimado, não resta dúvida que os valores recebidos pelos empregados a título de cesta básicas devem integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias, uma vez que considerados remuneração, na forma de utilidade, se enquadrando perfeitamente no conceito de salário de contribuição, inscrito no artigo 28 inciso I acima transcrito, bem como no artigo 22, inciso I, da Lei nº 8.212/91, que assim prescreve: “Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados Fl. 258DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 27/10/20 11 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 37361.002370/200696 Acórdão n.º 240102.122 S2C4T1 Fl. 251 11 empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa Nesse sentido, é importante ressaltar que, pelo fato de ser concedido aos funcionários da empresa, tem origem no contrato de trabalho e surgem em decorrência da prestação de serviços e além disso, é evidente que representa um acréscimo no patrimônio do trabalhador. O Recorrente alega, ainda, que o salário in natura (cesta básica de alimentos) levantado pelo r. Auditor Fiscal não teria tributação de encargos sociais, em especial da contribuição previdenciária ao INSS, pois a Convenção Coletiva de Trabalho do Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil de Balneário Camboriú e Região 1997 a 2005 constante dos autos, estabelece na cláusula n°. 4, § 5°: Com efeito, não procedem as alegações da impugnante, pois as convenções coletivas de trabalho trazidas aos autos são meros instrumentos particulares entre as categorias envolvidas, que tem como objetivo delinear procedimentos comuns no que se refere a direitos e deveres dos empregadores e empregados, porém, não podem opor à fazenda pública. Outrossim, nos termos do § 9º, alínea "c" , do art. 28, § 9°, da Lei n° 8.212/91 e alterações posteriores, não integra o saláriodecontribuição para fins desta lei, exclusivamente, a parcela "in natura" , desde que recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei n° 6.321, de 14 de abril de 1976. No caso em tela, a Recorrente não comprovou que os referidos pagamentos foram feito de acordo com o PAT, urna vez que para isto deveria estar regularmente inscrito no programa, no período do lançamento fiscal, em que pese a alegação de que estava inscrita no PAT dese 1996, como já devidamente enfrentado na decisão de 1ª instância, valer lembrar que em momento algum foi questionado. Entretanto, para o período entre 1997 e 2005, a empresa não apresentou qualquer documentação que comprovasse sua manutenção no PAT. Quanto à alegação de que não seria obrigatório o recadastramento no programa, tendo em vista que as portarias do ministério do trabalho posteriores não tomavam obrigatório um eventual recadastramento para as empresas já inscritas. Esta argumentação, j´s sobejamente enfrentada na decisão de primeira instância, não se permeia de consistência jurídica para prevalecer. Para o período 1991 até 1999, as portarias emitidas pelo Ministério do Trabalho, deixam muito claro que a cada ano a empresa interessada em aderir ao programa deveria apresentar sua carta de adesão de 1° de janeiro até 31 de IP março de cada ano, com validade a partir do seu inicio efetivo, limitada a retroação a 1° de janeiro. Caso a adesão ocorresse após 31 de março, o PAT teria validade a partir da data da formalização do registro junto à ECT até 31 de dezembro. A partir de 03/12/99, data da publicação da Portaria Interministerial n° 05, de 30/11/99, a adesão ao PAT poderia ser efetuada a qualquer tempo e Fl. 259DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 27/10/20 11 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 teria validade a partir da data de registro do Formulário de Adesão na ECT, por prazo indeterminado, podendo ser cancelada por iniciativa da empresa . No presente caso, contudo, a partir de 1997 a empresa deixou de efetuar sua adesão ao programa. Da mesma forma em 1999 e também não efetuou o recadastramento em 2004. Desta forma, não procede a argumentação de que estaria irregular apenas para o período posterior a 01/09/2004, devido ao fato de não ter se recadastrado. Por derradeiro, com relação à alegação de que não foi aplicada a redução de 50% da multa para contribuições que tenham sido declaradas em GFIP, ou que estariam dispensadas da apresentação, alem de ter sido aplicado multa em percentual superior ao previsto no Art. 35 da Lei 8.212/91. Nesse sentido, importa salientar que previsão de redução ocorre, portanto, no prazo de vigência da obrigatoriedade de entrega da GFIP, fato este que não ocorreu com relação aos fatos geradores em teia. Para o período anterior a edição da Lei 9.876 de 26/11/1999, foi considerado corretamente a multa de 15% e para o período posterior, foi considerado a alíquota de 30%, utilizando o mesmo critério, ou seja, para regularização após o 15° dia do recebimento da notificação e sem a redução de 50%, a qual se daria apenas para o caso da empresa ter incluído os fatos geradores que motivaram o presente lançamento na correspondente GFIP. Por fim, o lançamento obedeceu aos critérios estabelecidos pela legislação previdenciária, especialmente aqueles do art. 37, da Lei n. º 8.212/91, e a despeito da argumentação apresentada pelo recorrente, não vejo nela qualquer fundamento que possa levar à desconstituição do crédito previdenciário ora atacado, uma vez que se encontra revestido das formalidades legais exigidas para a sua constituição. Pelo exposto VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO, declarar a decadência do período de 01/01/1997 a 30/06/2001 e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO Cleusa Vieira de Souza. Fl. 260DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 27/10/20 11 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 35540.000876/2007-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/12/2000 a 31/01/2003
APRESENTAÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO FORA DO PRAZO LEGAL. NÃO CONHECIMENTO.
O recurso apresentado após o trigésimo dia da ciência da decisão a quo não merece ser conhecido.
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO
Numero da decisão: 2401-002.160
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não
conhecer do recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201112
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2000 a 31/01/2003 APRESENTAÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO FORA DO PRAZO LEGAL. NÃO CONHECIMENTO. O recurso apresentado após o trigésimo dia da ciência da decisão a quo não merece ser conhecido. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 35540.000876/2007-16
anomes_publicacao_s : 201112
conteudo_id_s : 4786372
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 29 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2401-002.160
nome_arquivo_s : 2401002160_35540000876200716_201112.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 35540000876200716_4786372.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso.
dt_sessao_tdt : Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
id : 4748402
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:44:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044230673268736
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1417; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 99 1 98 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 35540.000876/200716 Recurso nº 000.000 Voluntário Acórdão nº 240102.160 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 1 de dezembro de 2011 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente JOSE HELENO RESENDE SOUSA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2000 a 31/01/2003 APRESENTAÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO FORA DO PRAZO LEGAL. NÃO CONHECIMENTO. O recurso apresentado após o trigésimo dia da ciência da decisão a quo não merece ser conhecido. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 99DF CARF MF Emitido em 15/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Relatório Tratase do Auto de Infração – AI n.º 35.766.7514, lavrado contra a pessoa física acima em razão de infração à legislação previdenciária cometida na Câmara Municipal de Teolândia (BA), no período em que o autuado era o presidente do ente público. Nos termos Relatório Fiscal da Infração: 1. Em ação fiscal no Município de Teolândia — Câmara Municipal CNPJ n.° 02.795.1891000181, verificouse que a mesma não apresentou Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP. Desta forma, infringiu o disposto no art. 32, inciso IV da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei 9.528/97. 2. A infração ocorreu no seguinte período 12/2000 a 01/2003. 3. O prazo para entrega da GFIP é até o dia 07 do mês seguinte àquele em que a remuneração foi paga, devida ou creditada ao trabalhador. 4. Solicitamos ao autuado, através dos Termos de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, para apresentar no dia 17/05/2005, a legislação referente à delegação de competência a subordinados para cumprir obrigações acessórias perante à Previdência Social. O contribuinte não apresentou nenhum documento. 5. Diante do exposto, estamos autuando o Presidente da Câmara, com base no artigo 41 da Lei 8.212/91, no período de sua gestão. O autuado apresentou defesa, cujo pedido para relevação da multa não foi atendido pela Seção do Contencioso Administrativo da Delegacia da Receita Feral do Brasil Previdenciária em Itabuna (BA). Transcorrido o prazo para apresentação de recurso, sem que o autuado se manifestasse, foi lavrado o Termo de Trânsito em Julgado, fl. 71. Posteriormente o autuado interpôs recurso, no qual, em apertada síntese, alegou que estaria encaminhando os comprovantes da correção da infração, merecendo a relevação da penalidade. É o relatório. Fl. 100DF CARF MF Emitido em 15/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35540.000876/200716 Acórdão n.º 240102.160 S2C4T1 Fl. 100 3 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso foi apresentado a destempo, conforme data da ciência do acórdão da DRJ em 20/02/2006, fl. 59, e data de protocolização da peça recursal em 18/07/2007, fl. 76. Portanto não deve ser conhecido, posto que o dia 22/03/2006 foi a data limite para a apresentação do recurso. Eis que a Portaria MPS n.º 520, de 19/05/2004, que disciplinava, na época da apresentação do recurso, o contencioso administrativo tributário de exigência de contribuições sociais, fixava em trinta dias, contados da ciência da decisão original, o prazo para interposição de recurso, nos seguintes termos: Art. 24. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social caberá recurso voluntário, com efeito suspensivo, dirigido ao Conselho de Recursos da Previdência Social. § 1º É de trinta dias o prazo para interposição do recurso ou oferecimento de contrarazões, contados, respectivamente, da ciência da decisão ou da entrada do processo no órgão responsável pelo julgamento. (...) Conclusão Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso, em face de sua intempestividade. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 101DF CARF MF Emitido em 15/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10825.000669/2005-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2004
RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO.
Não se conhece de recurso voluntário apresentado após o prazo de 30 dias, previsto no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972 e alterações.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2101-001.259
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Jose Evande Carvalho Araújo
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201108
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2004 RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. Não se conhece de recurso voluntário apresentado após o prazo de 30 dias, previsto no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972 e alterações. Recurso Voluntário Não Conhecido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10825.000669/2005-74
anomes_publicacao_s : 201108
conteudo_id_s : 5045232
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2101-001.259
nome_arquivo_s : 210101259_10825000669200574_201108.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : Jose Evande Carvalho Araújo
nome_arquivo_pdf_s : 10825000669200574_5045232.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
id : 4744580
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:42:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044230717308928
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1501; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 226 1 225 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10825.000669/200574 Recurso nº 169.809 Voluntário Acórdão nº 2101001.259 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de agosto de 2011 Matéria IRPF Recorrente RENAN SANTANA CAIRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2004 RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. Não se conhece de recurso voluntário apresentado após o prazo de 30 dias, previsto no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972 e alterações. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) _____________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, José Raimundo Tosta Santos, Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka. Fl. 235DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/ 09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 10825.000669/200574 Acórdão n.º 2101001.259 S2C1T1 Fl. 227 2 Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 3 a 16, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2004, para lançar infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$115.520,33, acrescido de multa de ofício e juros de mora. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 143 a 159), acatada como tempestiva. Alegou, consoante relatório do acórdão de primeira instância (fls. 174 a 176): 1) Fls. 145/149. Nulidade do Auto de Infração. Erro na identificação do sujeito passivo. Invoca o art. 845, §° do RIR/99. Tributação em desacordo com a Intimação. O impugnante foi intimado a comprovar apenas a origem dos depósitos bancários e não a origem de todos os créditos lançados nas referidas contas. Por isso não pode a fiscalização arrolar valores lançados nas contas correntes a títulos outros, tais como DOC, CEI, TED, TBI, AG. TEF, CEI TEF, TRANSFERÊNCIA. Quebra do Sigilo Bancário. O lançamento resulta de procedimento ofensivo à Constituição Federal e à Lei n° 4.595/64, e por isso é nulo de pleno direito; 2) Fls. 149/159. Tributação dos Depósitos Bancários. A tributação do valor dos depósitos bancários como omissão de receitas já se encontra viciado em sua fonte, posto que somente seria cabível por meio de lei complementar. O simples depósito em conta corrente não é pressuposto suficiente para a ocorrência do fato gerador do imposto de renda. A luz do art. 43 do CTN, é defeso ao Fisco exigir tributo do contribuinte sem a demonstração de que os créditos ou depósitos bancários deram origem a uma disponibilidade econômica ou jurídica de renda, a um enriquecimento do contribuinte, traduzido em aumento de seu patrimônio, em uma riqueza nova, ou em efetiva disponibilidade financeira. Caso contrário, resta desvirtuado o conceito de renda insculpido no artigo 153, inciso III, da Constituição Federal. Atropela, também, o dispositivo inserto no artigo 110 do CTN. Os valores tributáveis apurados no procedimento ora litigado constituem prova inequívoca do fantasioso e imponderável rendimento resultante da presunção. Agride a razão e o bom senso admitir que um auxiliar de escritório de pequena empresa possa ter auferido a renda estratosférica atribuída pela fiscalização, da ordem de R$ 441.635,45 no ano de 2003, sem qualquer incremento patrimonial resultante. O tributo exigido está além da capacidade econômica do contribuinte, caracterizando se em verdadeiro confisco que é vedado pelo artigo 150, inciso IV da Constituição Federal. A possibilidade do contribuinte elidir a presunção de omissão de rendimentos é praticamente nula, pois a própria legislção tributária não obriga as pessoas físicas a manter escrituração de receitas e despesas capazes de identificar a origem dos recursos depositados, nem tampouco a guarda de documentos e extratos bancários por determinado prazo. Somente com o advento dessa obrigatoriedade é possível exigir a identificação da origem de cada crédito bancário; Fl. 236DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/ 09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 10825.000669/200574 Acórdão n.º 2101001.259 S2C1T1 Fl. 228 3 3) Fls. 156/159. Análise da tributação. Os extratos bancários contém identificação de transferências efetuadas de contas de seu progenitor, Luiz Antonio Damico Cairo, sua irmã, Cynthia Santana Cairo, da pessoa jurídica Collector e das empresas de fomento mercantil Baurufac de Fomento Financeiro e Centro Invest de Fomento Mercantil Ltda. As contas bancárias serviram exclusivamente aos interesses da empresa Collector, diretamente ou através do progenitor e irmã do peticionário. Com isso, encontrase perfeitamente identificada a origem das importâncias movimentadas, impossibilitando a aplicação da presunção de que trata o art. 42 da Lei n° 9.430/96. Conhecida a motivação dos créditos, deveriam ser expurgados pela própria fiscalização e atribuído à pessoa jurídica, que também seria o sujeito passivo de eventual autuação deles decorrentes. Em relação aos mesmos, não fosse a latente nulidade da exação, resta configurado erro na identificação do sujeito passivo. Por todas essas circunstâncias, se o auto não fosse nulo em conseqüência dos vícios apontados, o trabalho apresentado pela fiscalização contém imprecisões na apuração da matéria tributável. É totalmente improcedente pelas imperfeições e incertezas em que se fundamenta. Mesmo se fosse legítima a tributação de depósitos bancários, e não fosse reconhecida a nulidade das autuações ora combatidas, é imperioso reconhecer que o rendimento tido por omitido a cada mês, deve ser computado como disponibilidade no mês seguinte, pois a fiscalização não logrou provar o consumo dessa pretensa renda. Importante notar que efetuadas as exclusões das importâncias de origem comprovada nas fontes assinaladas, o remanescente situase nos limites estabelecidos pelo art. 849, § 2°, II, do RIR199, sendo dispensada sua tributação. Além disso, a eleição de fato gerador mensal para tributação apenas na declaração de ajuste anual afronta o parágrafo 3° desse artigo. 4) Cita doutrina e jurisprudência administrativa e dos Tribunais. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 172 a 188): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003 Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO VEDADA. ENTENDIMENTO ADMINISTRATIVO. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade dos preceitos legais que embasaram o ato de lançamento. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. As alegações de inconstitucionalidade ou de ilegalidade somente são apreciadas nos julgamentos administrativos quando houver expressa autorização. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais Fl. 237DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/ 09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 10825.000669/200574 Acórdão n.º 2101001.259 S2C1T1 Fl. 229 4 decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial. ENTENDIMENTO DOMINANTE DOS TRIBUNAIS SUPERIORES. VINCULAÇÃO DA ADMINISTRATIVA. A autoridade julgadora administrativa não se encontra vinculada ao entendimento dos Tribunais Superiores pois não faz parte da legislação tributária de que fala o art. 96 do Código Tributário Nacional, desde que não se traduzam em súmula vinculante nos termos da Emenda Constitucional n° 45, DOU de 31/12/2004. Da mesma forma, não há vinculação do julgador administrativo à doutrina jurídica. NULIDADE DO LANÇAMENTO. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa. SIGILO BANCÁRIO. EXAME DE EXTRATOS. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n° 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. OMISSÃO DE RENDIMENTOS PROVENIENTES DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Para os fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1997, a Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base em valores depositados em conta bancária para os quais o titular não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. ÔNUS DA PROVA. DISTRIBUIÇÃO. O ônus da prova existe afetando tanto o Fisco como o sujeito passivo. Não cabe a qualquer delas manterse passiva, apenas alegando fatos que a favorecem, sem carrear provas que os sustentem. Assim, cabe ao Fisco produzir provas que sustentem Fl. 238DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/ 09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 10825.000669/200574 Acórdão n.º 2101001.259 S2C1T1 Fl. 230 5 os lançamentos efetuados, como, ao contribuinte as provas que se contraponham à ação fiscal. Lançamento Procedente RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 11/8/2008 (fl. 194), o contribuinte apresentou, em 12/9/2008, o recurso de fls. 195 a 212, onde aponta erro na identificação do sujeito passivo e discorda da tributação dos depósitos bancários O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 224, que também trata do envio dos autos ao então Primeiro Conselho de Contribuintes, contendo ainda a fl. 225, sem numeração, referente ao Despacho de Encaminhamento dos autos do SECOJ/SECEX/CARF para a 1a Câmara da 2a Seção. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator. O contribuinte foi cientificado do julgamento de 1a instância em 11/8/2008 (fl. 194), uma segundafeira, e só apresentou o recurso voluntário em 12/9/2008 (fl. 195), uma sextafeira, ou seja, 32 (trinta e dois) dias após a ciência. Entretanto, o prazo legal previsto para a interposição desse tipo de recurso é de 30 (trinta) dias, nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972 e alterações, sendo, portanto, o recurso intempestivo. Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso, por sua intempestividade. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 239DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/ 09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 10825.000669/200574 Acórdão n.º 2101001.259 S2C1T1 Fl. 231 6 Fl. 240DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/ 09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001710/2006-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Dec 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2001
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO EX OFFICIO.
Considerando-se que a instância a quo, ao decidir o presente litígio, ateve-se às provas dos autos, dando correta interpretação aos dispositivos legais aplicáveis às questões submetidas à sua apreciação, confirma-se o ato decisório submetido ao reexame necessário.
Numero da decisão: 2101-001.381
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e votos que integram o presente
julgado.
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201112
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO EX OFFICIO. Considerando-se que a instância a quo, ao decidir o presente litígio, ateve-se às provas dos autos, dando correta interpretação aos dispositivos legais aplicáveis às questões submetidas à sua apreciação, confirma-se o ato decisório submetido ao reexame necessário.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Dec 02 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 18471.001710/2006-70
anomes_publicacao_s : 201112
conteudo_id_s : 4884401
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2101-001.381
nome_arquivo_s : 2101001381_18471001710200670_201112.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
nome_arquivo_pdf_s : 18471001710200670_4884401.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Fri Dec 02 00:00:00 UTC 2011
id : 4748528
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:44:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044230730940416
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1819; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 192 1 191 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.001710/200670 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 2101001.381 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 02 de dezembro de 2011 Matéria IRPF Imposto sobre a Renda de Pessoa Física Recorrente Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II Interessado Paulo Buarque de Macedo ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO EX OFFICIO. Considerandose que a instância a quo, ao decidir o presente litígio, atevese às provas dos autos, dando correta interpretação aos dispositivos legais aplicáveis às questões submetidas à sua apreciação, confirmase o ato decisório submetido ao reexame necessário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) _______________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) _________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka, José Raimundo Tosta Santos, Fl. 192DF CARF MF Impresso em 14/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO 2 Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de Recurso de Ofício interposto pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II, em razão da determinação do artigo 34, I, do Decreto n.° 70.235, de 1972. O valor do tributo exonerado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no presente processo foi da ordem de R$ 423.113,60, que, acrescido de juros moratórios e multa, perfaz um valor total de R$ 1.463.973,05, valor este que excede o estipulado como limite de alçada pelo artigo 1.° da Portaria MF n.° 375, de 2001, vigente na época da decisão exarada pelo mencionado órgão. O Acórdão recorrido, por unanimidade de votos, afastou a preliminar de decadência e, no mérito, considerou improcedente o lançamento, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001 DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173, I). OMISSÃO DE RENDIMENTOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO DA PROCEDÊNCIA E DA NATUREZA DOS RENDIMENTOS. A infração de omissão de rendimentos só pode prosperar quando comprovadas, de forma inconteste pelo fisco, a procedência e a natureza dos rendimentos considerados omitidos. Lançamento Improcedente O Recurso de Ofício limitase ao crédito exonerado, deixando de versar sobre qualquer outro aspecto da decisão a quo. A Relatora do Acórdão recorrido assim aduziu as razões pelas quais entendeu por bem votar pela improcedência do lançamento: “Passase a analisar, em seguida, a autuação caracterizada pela fiscalização como omissão de rendimentos. O Fisco embasou sua autuação coletando informações sobre remessas de divisas ao exterior, em que o contribuinte foi apontado pela Promotoria do Distrito de Nova Iorque como ordenante de US$ 430.000,00, em Fl. 193DF CARF MF Impresso em 14/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 18471.001710/200670 Acórdão n.º 2101001.381 S2C1T1 Fl. 193 3 06/11/2000, na conta da empresa Beacon Hill Service Corporation (fl. 48), sediada naquela cidade, que convertidos em reais teriam resultado na quantia de R$ 1.546.624,00. Diante da natureza da exação lançada de oficio (omissão de rendimentos — fl. 44) é de extrema importância a identificação precisa da fonte pagadora que teria originado tal omissão, o que a autoridade fiscal não logrou fazêlo. Caberia à Administração Fazendária a prova cabal da efetiva ocorrência e da autoria dos pagamentos, assim como da natureza dos rendimentos recebidos. Argúi o impugnante que não houve nenhuma remessa de divisas ao exterior que tivesse ensejado a autuação fundamentada na omissão de rendimentos, já que o montante de US$ 430.000,00, objeto da mencionada remessa, já se encontrava em conta corrente do contribuinte naquele país em data anterior à operação questionada, ou melhor, já no ano calendário de 1999, conforme correspondência enviada pelo The Citigroup Private Bank (Citibank — New York), de fls. 102/104. Por outro lado, da leitura do documento de fl. 48, constatase uma movimentação financeira no exterior incompatível com os valores informados pelo contribuinte em sua Declaração de Ajuste Anual/exercício 2001, de fls. 04/06. Todavia, no entender desta instância julgadora, este fato serviria de indício para a caracterização de uma hipotética omissão de rendimentos calcada em acréscimo patrimonial a descoberto, presunção esta disponibilizada pelo legislador e que não foi observada pela autuante. Acrescentese ainda que a autoridade fiscal não procurou embasar a presente autuação em elementos outros formadores de convicção, com o intuito de esclarecer não só a procedência como a natureza de eventual omissão de rendimentos a fim de comprovála de forma indubitável. Além disso, o enquadramento legal apontado no auto de infração à fl. 44, transcrito a seguir, não apresenta uma correlação entre a suposta omissão de rendimentos apurada no procedimento fiscal e o teor da própria legislação suscitada pelo fisco: Arts. 1° a 3° da Lei n° 8.134/1990: [...] Arts. 1° a 3.° e §§, da Lei n° 7.713/1988: [...] Arts. 37, 38, 43, 55, incisos I a IV, VI, IX a XII, XIV a XIX, 56 e 83 do RIR/1999 (Decreto n° 3.000/1999): [...] Art. 1° da Lei n° 9.887/1999. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 14/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO 4 [...]' Cumpre reiterar que o depósito efetuado no Beacon Hill Service Corporation (fl. 48) por si só não é suficiente para caracterizar a infração de omissão de rendimentos capitulada no presente auto de infração. Sendo assim, desnecessário analisar as demais alegações do autuado, tendo em vista que o próprio fato gerador não ocorreu. Destarte, com base em todo o exposto supra, voto pela IMPROCEDÊNCIA do Lançamento em tela.” É o relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy Da análise dos autos, verificase que o crédito tributário objeto do lançamento é o Imposto sobre a Renda de Pessoa Física correspondente ao exercício 2001, anocalendário 2000. O lançamento de ofício constante do presente processo se deu com base em omissão de rendimentos. Conforme consta da Folha de Continuação do Auto de Infração (fls. 44), teve como suporte legal os artigos 1° a 3° da Lei n° 8.134/90; artigos 1° a 3° e §§ da Lei n° 7.713/88; artigos 37, 38, 43, 55, incisos I a IV, VI, IX a XII, XIV a XIX, 56 e 83 do RIR/99 e artigo 1° da Lei n° 9.887/99. Em primeiro lugar, ressaltase que o lançamento com base em omissão de rendimentos pressupõe a perfeita caracterização dos valores supostamente omitidos como rendimento do sujeito passivo. Se a Fiscalização entende ter havido omissão de rendimentos, é necessário haver, nos autos, comprovação de que o valor tido por omitido se trata, efetivamente, de rendimento. Caso não fique demonstrado nos autos que o valor recebido pelo contribuinte é, de fato, rendimento, não há como tributar sua omissão. Além do mais, e corroborando a idéia inicial exposta, se é que se trata de omissão de rendimentos, deve haver a identificação da fonte pagadora do rendimento que supostamente originou tal omissão. Nada disso ficou comprovado nos autos. A Fiscalização, em momento algum, demonstrou que os valores supostamente omitidos seriam, de fato, rendimento do interessado, assim como também não identificou a fonte pagadora desse “rendimento”. Sendo assim, não ficou demonstrada a ocorrência do fato gerador do tributo. Acrescentese ainda que, conforme apontado pela Relatora da Decisão a quo, a capitulação legal constante do Auto de Infração às fls. 44 não apresenta correlação com o lançamento com base em omissão de rendimentos. Por fim, tal como destacado pela Relatora da Decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro II, verificase, da análise do documento de fls. 48, uma movimentação financeira no exterior incompatível com os valores informados pelo contribuinte em sua Declaração de Ajuste Anual correspondente ao exercício 2001 (fls. 04 a Fl. 195DF CARF MF Impresso em 14/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 18471.001710/200670 Acórdão n.º 2101001.381 S2C1T1 Fl. 194 5 06). No entanto, este fato serviria de indício para a investigação e tributação sob caracterização diversa, e isso não foi feito pela Fiscalização. Ante todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) __________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 196DF CARF MF Impresso em 14/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 16/ 12/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO
score : 1.0
Numero do processo: 10665.000519/00-29
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre Renda de Pessoa Física
Exercício: 1997 e 1998
GANHO DE CAPITAL ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA PERMUTA
POR IMÓVEL COM TORNA.
Não incide o imposto de renda na permuta de bens, exceto sobre o valor da toma em moeda corrente, se apurado ganho de capital na operação. Irrelevante, nesse caso, a retificação pelas partes do valor do bem recebido em permuta, efetuada antes do inicio da ação fiscal.
Numero da decisão: 9202-001.819
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Francisco Assis de Oliveira Junior e Henrique Pinheiro Torres. Votou pelas conclusões o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Manoel Coelho Arruda Junior
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201110
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Imposto sobre Renda de Pessoa Física Exercício: 1997 e 1998 GANHO DE CAPITAL ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA PERMUTA POR IMÓVEL COM TORNA. Não incide o imposto de renda na permuta de bens, exceto sobre o valor da toma em moeda corrente, se apurado ganho de capital na operação. Irrelevante, nesse caso, a retificação pelas partes do valor do bem recebido em permuta, efetuada antes do inicio da ação fiscal.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10665.000519/00-29
anomes_publicacao_s : 201111
conteudo_id_s : 4885072
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 08 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 9202-001.819
nome_arquivo_s : 920201819_106650005190029_201110.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : Manoel Coelho Arruda Junior
nome_arquivo_pdf_s : 106650005190029_4885072.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Francisco Assis de Oliveira Junior e Henrique Pinheiro Torres. Votou pelas conclusões o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2011
id : 4747082
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:43:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044230770786304
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1486; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10665.000519/0029 Recurso nº 141.114 Especial do Procurador Acórdão nº 920201.819 – 2ª Turma Sessão de 25 de outubro de 2011 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado GERALDO MAGELA MARTINS Assunto: Imposto sobre Renda de Pessoa Física Exercício: 1997 e 1998 GANHO DE CAPITAL ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA PERMUTA POR IMÓVEL COM TORNA. Não incide o imposto de renda na permuta de bens, exceto sobre o valor da toma em moeda corrente, se apurado ganho de capital na operação. Irrelevante, nesse caso, a retificação pelas partes do valor do bem recebido em permuta, efetuada antes do inicio da ação fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Francisco Assis de Oliveira Junior e Henrique Pinheiro Torres. Votou pelas conclusões o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior – Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 EDITADO EM: 11/11/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (PresidenteSubstituto), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Oliveira. Relatório Em 17/08/2006, a então Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes decidiu, por maioria de votos, considerar o valor da alienação no importe de R$ 1.550.000,00, entendimento esse consubstanciado nos Acórdãos n. 10247.844 (fls. 195/207), reratificado por meio do decisum 10248.691 (fls. 216/220): Acórdão n. 10247.844 GANHO DE CAPITAL ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA PERMUTA POR IMÓVEL COM TORNA Não incide o imposto de renda na permuta de bens, exceto sobre o valor da toma em moeda corrente, se apurado ganho de capital na operação. Acórdão n. 10248.691 Assunto: Imposto de Renda Pessoa Física IRPF Anoscalendário: 1997 e 1998 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Existindo contradição entre a anotação de que o provimento da peça recursal se dera à unanimidade de votos e a ressalva de que no julgamento ficara vencidos dois conselheiros, cumpre ao colegiado rerratificar a decisão. Embargos acolhidos. Inconformada com o r. acórdão supracitado, a i. Procuradoria da Fazenda Nacional protocolizou Recurso Especial, com fulcro no art. 7º, I, do Regimento Interno do CARF (Portaria MF n. 47/2007). A r. PGFN alega que o decisum recorrido viola o art. 21, da Lei n. 8981/95 e à evidência das provas: Art. 21. O ganho de capital percebido por pessoa física em decorrência da alienação de bens e direitos de qualquer natureza sujeitase à incidência do Imposto de Renda, à alíquota de quinze por cento. § 1º O imposto de que trata este artigo deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente ao da percepção dos ganhos. § 2º Os ganhos a que se refere este artigo serão apurados e tributados em separado e não integrarão a base de cálculo do Fl. 2DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10665.000519/0029 Acórdão n.º 920201.819 CSRFT2 Fl. 2 3 Imposto de Renda na declaração de ajuste anual, e o imposto pago não poderá ser deduzido do devido na declaração. A Recorrente afirma que (fls. 226): (...) as provas revelam que a operação de entrega das cotas de capital da empresa Rádio Divinópolis pelo terreno à rua Goiás n. 1985 em Divinópolis (MG) não se revestiu como uma simples permuta. Isto porque o valor correspondente ao imóvel, à data da operação, correspondeu a metade do valor efetivamente devido. É dize, o que efetivamente custava R$ 550.000,00 foi transferido pelo preço de R$ 275.000,00, conforme se depreende das fls. 205 dos autos. Ao que tudo indica, a transferência de bens com valores reputados inverossímeis não poderia ser considerada como uma permuta justamente porque, para fins de isenção do Imposto de Renda, deve haver compatibilidade entre os valores permutados. De fato, na hipótese de os valores serem diversos, tal como no presente caso e, ao contrário do que asseverado pelo acórdão recorrido,’data venia’, o valor do imóvel passa sim a ser de indubitável importância para fins de aferição de ganho de capital. Nesse rumo, o art. 21 da Lei 8981/95 prevê que o “O ganho de capital percebido por pessoa física em decorrência da alienação de bens e direitos de qualquer natureza sujeitase à incidência do Imposto de Renda, à alíquota de quinze por cento”. Ora, quando a norma se refere ao ganho de capital em decorrência da alienação de bens, certo é que a sua aferição depende do cotejo entre o efetivo valor do bem e o valor da sua transferência. E, nesse caso, o valor adquirido ‘a mais’ pelo contribuinte corresponde ao ganho de capital. Mas não é só. A lógica desenvolvida pelo douto Conselheiro – de que o reflexo do valor do bem ‘permutado’ darseá com a torna eventualmente recebida no negócio e o segundo na eventual alienação desse bem – peca em dois aspectos, ‘concessa venia’. Primeiro, pois é possível que nunca venha a existir esse momento posterior, bastando o imóvel não seja repassado a outrem, ocasião em que teria o fato gerador de ganho de capital na primeira e única operação, mas, o contribuinte não viria a ser tributado !!!! Com todas as ‘venias’, inferese que o acórdão recorrido partiu de uma situação hipotética, eventual, fantasiosa, isto porque examinou situação que não trazida aos autos, isto é, a eventual alienação do imóvel ‘permutado’ não pode ser antecipada para fins de exonerar a incidência tributária. Tal hipótese não pode ser admitida. Segundo, pois, ainda que exista eventual alienação do bem ‘permutado’, haveria um segundo fato gerador para contribuinte diverso daquele que obteve o ganho de capital na primeira Fl. 3DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 operação. Em outras palavras, tratase de uma segunda operação que eventualmente ensejaria outro fato gerador de ganho de capital e com sujeitos diversos. Tal hipótese também não pode ser admitida. (...) Outrossim, há violação das provas dos autos na medida em que o acórdão considerou uma operação de mera permuta de bens revela que o valor de capital deve incidir sobre o real valor do imóvel foi de R$ 1.000.000,00 e, não, de R$ 500.000,00. Logo o ganho de capital deve incidir sobre o real valor do imóvel transferido e não sobre o valor declarado pelo contribuinte. Por fim, a Recorrente ressalta que o acórdão recorrido diverge de precedentes deste e. Conselho, que, determinação do ganho de capital, excluem apenas a permuta de imóveis sem recebimento de parcela complementar em dinheiro – apresenta como paradigma de divergência, o acórdão nº 10611157, prolatado pela então Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes: IRPF GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS POR PESSOAS FÍSICAS Sobre o rendimento obtido à título de ganho de capital deve haver tributação, considerandose como ganho de capital a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente. Na determinação do ganho de capital serão excluídos exclusivamente a permuta de unidades imobiliárias, objeto de escritura pública, sem recebimento de parcela complementar em dinheiro, denominada toma. Assim, não cabe, para efeito de excluir lucro imobiliário tributável, pretender, contra a prova dos autos, que a transação se operou na forma de permuta. Recurso negado. Portanto, na sua visão, apurada a existência de ganho de capital sobre o valor efetivo do imóvel percebido pelo contribuinte, tendo em vista o documento de fls. 19 dos autos, deve incidir IRRF de acordo com a base de cálculo constante do lançamento na sua origem. Ato contínuo, a então Presidente da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes em análise de admissibilidade, proferiu Despacho de n°568 [fls.228229], que deu seguimento ao recurso da Fazenda Nacional por entender preenchidos os pressupostos de admissibilidade. Ciente do acórdão e do Recurso Especial da Fazenda Nacional, o Contribuinte mantevese silente. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10665.000519/0029 Acórdão n.º 920201.819 CSRFT2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior, Relator O recurso é tempestivo, tendo sido demonstrada a divergência entre as decisões, pressupostos de admissibilidade previstos no Regimento Interno, razão pela qual conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda. Realizandose o cotejo entre os argumentos colacionados no acórdão recorrido e aqueles consignados no Recurso Especial interposto, entendo que o decisum questionado não merece qualquer reparo. Nesse sentido, peço licença aos ilustres Conselheiros para transcrever o voto condutor do Acórdão n. 10247.844, proferido pelo Conselheiro Leonardo Henrique M. Oliveira: A matéria que remanesceu em litígio neste processo é a mesma apreciada e decidida por esta Câmara no recurso n.° 141.108, que na sessão de 25/01/2006 proferiu o acórdão n.° 10247.325, cujo provimento parcial foi no sentido de considerar a importância de R$ 1.550.000,00 como sendo o valor da alienação para fins do Ganho de Capital. No voto condutor, de autoria da ilustre Conselheira Silvana Mancini Karam, destacamse os seguintes fundamentos (verbis): "Cabe registrar inicialmente que, o documento de fls.. 19 intitulado 'compromisso de compra e venda das Rádios Divinópolis e Candidés' não pode se sobrepor ao Contrato de tis. 100. Referido documento de fls. 19 não pode sequer ser considerado um précontrato, porque não contém os elementos básicos da operação comercial a ser realizada, • tais como, partes, representação legal, objeto, preço, condições de ) pagamento, prazo de entrega, etc. Em outra palavras, um pré contrato • somente obriga quando as principais condições da negociação estão todas contidas no documento e desde que devidamente assinado por seus representantes legais, o que não ocorre na presente hipótese. O novo Código Civil em seu artigo 462 dispõe que: 'O contrato preliminar, exceto quanto à forma, deve conter todos os requisitos essenciais ao contrato a ser celebrado'. 'Conforme ensina Orlando Gomes, a validade do contrato preliminar, ou précontrato, requer a observância das exigências legais quanto à • capacidade das partes, ao objeto e à forma relativas, também, ao contrato projetado. De fato, a doutrina divergia quanto à este último requisito. Para alguns deve ser autônoma em relação à do definitivo. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 6 A utilidade do contrato preliminar residiria, precisamente, nessa liberdade de forma. Outros todavia, entendiam que deveria ser seguida a forma do contrato definitivo, se esta for solene, pois do contrário se iria contra as finalidades das normas que impõem a forma. O novo Código Civil, no entanto, acabou com este antigo dilema, seguindo a jurisprudência • mais atual, ao dispor que o contrato preliminar não precisa necessariamente conter a forma relativa ao contrato projetado (ou • definitivo). No mais todos os outros requisitos, devem ser observados.' (Luiz Guilherme Loureiro, in Teoria Geral dos Contratos no Novo Código Civil, Ed. Método,fis. 193). Por esta razão é que juridicamente não se pode considerar válido e eficaz o documento de lis. 19, cuja natureza pode ser de no máximo, mera carta de intenções que não vincula as partes, posto que não contém os requisitos de um contrato preliminar. Dito isto, devese levar em consideração as cláusulas contratuais expostas no documento de lis. 100 Com todos estes elementos verificase que o valor atribuído pelo lançamento e mantido pela DRJ esta absolutamente correio, exceto no que se refere ao valor atribuído ao terreno que resta comprovado como sendo de R$ 550.000,00. Com isso a operação resta totalizada em R$ 1.550.000,00 e não em R$ 2.000.000,00 como considerada pela r.DRJ. de origem, dada a diferença atribuída ao valor do terreno. Em outras palavras, não se trata de considerar o documento de lis. 19 dos autos, mas de considerar o Contrato de lis. 100 e os recibos e notas promissórias quitadas descritas acima e os laudos relativos aos imóveis que, somados compõem o valor apontado como correto para fins de apuração de ganho de capital do Recorrente." Naquela votação acompanhei a douta Conselheira pelas conclusões, isso porque, à luz do artigo 148 do Código Tributário Nacional (Lei 5.172 de 1966),'Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial." Portanto, para fins de constituição do credito tributário, a autoridade fiscal poderia sim acatar os termos do instrumento contratual de fl. 19, lavrado em 13/03/1996, em detrimento ao contrato de fls. 75 e seguintes, apresentado contribuinte, segundo o qual a operação teria ocorrido em 16/08/2006, pelo valor de R$ 1.250.000,00. É evidente que, nesse caso, o ônus da prova é do fisco. Ocorre que a fiscalização logrou comprovar pelos recibos de fls. 20, 20 verso, 107 e 118, bem assim • notas promissórias de fls. 2129, documentos corroborados pela escrita contábil da Mitra Diocesana de Divinópolis (fls. 3041), que os vendedores Fl. 6DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10665.000519/0029 Acórdão n.º 920201.819 CSRFT2 Fl. 4 7 receberam no negócio R$ 1.000.000,00 em espécie, alem do terreno sito à rua Goiás em Divinópolis (MG). Formei pleno convencimento de que cabe razão ao fisco quanto isso, conforme já asseverado no voto condutor da decisão recorrida, cujos fundamentos, a seguir transcritos, peço vênia ao julgador Luciano Coimbra Teixeira, para adotálos como razões de decidir. Esclareçase que o fato de o documento à fl. 19 ser um documento preliminar não lhe retira a validade para fins de comprovar a ocorrência do fato gerador, conforme se depreende da leitura do art. 3° da IN SRF n°31, de 1996, anteriormente transcrito. Entretanto, no caso, cabe analisar se as condições de alienação ali expressas são as que efetivamente se verificaram, como entendeu a fiscalização, ou não, como defende o impugnante. É o que se faz a seguir. O impugnante alega que o sinal de R$ 300.000,00 jamais foi recebido, que o recibo correspondente foi emitido com erro, e que os documentos à II. 107 comprovam que o valor em questão foi aportado pelos adquirentes à Rádio Divinópolis Ltda., a titulo de mútuo efetuado • pela Mitra Diocesana de Divinópolis. • Observese que o recibo à fl. 118 (cópia • extraída do processo n° 10665.000518/0066, de interesse de Jaime Martins do Espirito Santo) está assinado não só por Jaime Martins do Espirito Santo (em seu nome e pelo contribuinte, Geraldo Magela Martins) como também por Jaime Martins Filho. Neste recibo os sócios afirmam que receberam a quantia em questão a titulo de sinal e principio de pagamento de cotas de capital da Rádio Divinópolis Ltda., ressalvando que as condições gerais de venda e pagamento estão discriminadas em documento • próprio. Já o "recibo" à ft 107 está assinado apenas por Jaime Martins Espirito Santo, pela Rádio Divinópolis Ltda., fazendo alusão a um • "contrato de mútuo", sem identificar as partes, que teria sido firmado em 15/03/1996. Registrese que nenhum contrato de mútuo foi apresentado e que a Mitra Diocesana de Divinópolis, conforme demonstra o documento à fi. 30, contabilizou essa saída de recursos como "pg. ao D. José Belvino do Nascimento ref. contrib. p/ aquisição de ações Rádio Divinópolis Ltda. em 15". Portanto, a mera apresentação dos documentos às tis. 107 e 109, passíveis de confecção a qualquer tempo, não é suficiente para descaracterizar o recebimento do sinal computado pela autoridade lançadora e indicado .no documento à fi. 118. Registrese que o fato de os sócios terem feito o depósito dos cheques recebidos da Mitra Diocesana de Divinópolis na conta bancária da Rádio Divinópolis Ltda. não exclui o recebimento do • sinal, pois os sócios poderiam ter tomado empréstimos da pessoa jurídica anteriormente, ou poderiam estar, em 15103/1996, firmando contrato de mútuo com a Rádio Fl. 7DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 8 Divinópolis Ltda., ou seja, várias são as possibilidades para justificar essa transação e colocar em dúvida o argumento do contribuinte. Em adição, outros elementos de convicção militam a favor do entendimento da fiscalização, conforme se verá a seguir. O "Contrato de Compra e Venda de Direitos Acionários da Rádio Divinópolis Ltda. com Dação em Pagamento e Outras Avenças" (fls. 75 a 82), datado de 16/08/1996, estabelece: "estando justas e contratadas as partes assinam o presente instrumento em 4 (quatro) vias de igual teor e forma, na presença das testemunhas abaixo, retroagindo os I seus efeitos a partir de 15.03.96". Ora, 15 de março de 1996 foi a data estipulada no Compromisso de Compra e Venda à fl. 19 para o pagamento da entrada e coincide com a data do recebimento do sinal de R$ 300.000,00 (documentos às fis. 118, 30 e recibo de depósito à fl.107). O impugnante defende que o Compromisso de Compra e Venda à 19 não merece fé pois a participação societária não teria sido adquirida pela Diocese de Divinópolis e nem por Dom José Belvino Nascimento —que firmou o compromisso à fl. 19, representando a Diocese de Divinópolis. Entretanto, conforme se vê do "Contrato de Compra e Venda e Direitos Acionários da Rádio Divinópolis Ltda. com Dação em Pagamento e Outras Avenças", a Mitra Diocesana de Divinópolis, representada por Dom José Belvino Nascimento, aparece como interveniente supridora solidária, "coresponsável com os débitos vincendos dos adquirentes, bem como com a dação em pagamento" (fis. 77, 78 e 82). Quando da assinatura do "Contrato de Compra e Venda e Direitos Acionários da Rádio Divinópolis Ltda. com Dação em Pagamento e Outras Avenças", ou seja, em 16/08/1996, os documentos que constam dos autos comprovam que Geraldo Magela Martins e seus sócios já haviam recebido o sinal de R$ 300.000,00 (t7s. 30, 107 e 118), as parcelas de R$ 200.000,00 (tis. 20 e 31), R$ 50.000,00 (ti. 20 v e 32), bem como já haviam sido emitidas todas as notas promissórias às fls. 21 a 29. Ou seja, o documento que dá amparo, sustentação, aos pagamentos já feitos e à emissão das notas promissórias não é, como pretende o impugnante, o "Contrato de Compra e Venda e Direitos Acionários da Rádio Divinópolis Ltda. com Dação em Pagamento e Outras Avenças" (fls. 75 a 82), mas o Compromisso de Compra e Venda à fl. 19. Assim sendo, constatase que, diferentemente do alegado, o documento que efetivamente demonstra a transação ocorrida é aquele em que se baseou a autoridade lançadora, ou seja, o Compromisso de Compra e Venda à fl. 19. E sendo assim, também não merece a acolhida o argumento de que contribuinte e seus sócios teriam recebido o valor da transação na forma estipulada no "parágrafo 2°" do "Contrato de Compra e Venda e Direitos Acionários da Rádio Divinópolis Ltda. com Dação em Pagamento e Outras Avenças", cabendo manter o entendimento da fiscalização. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10665.000519/0029 Acórdão n.º 920201.819 CSRFT2 Fl. 5 9 Registrese, que não há qualquer reparo a ser feito relativamente ao custo de aquisição considerado pela autoridade lançadora, eis que o interessado teve seu pleito de retificação de valor de mercado das cotas objeto de alienação julgado no processo de n° 10665.000493/96 89, que já se encontra arquivado, indeferido pelo Conselho de Contribuintes (documentos às t7s. 120 e 121). (..)" Porém, a um aspecto relevante nessa operação comum a ambos os instrumentos contratuais, qual seja, a permuta das cotas de capital da empresa Rádio Divinópolis pelo terreno à rua Goiás n° 1.985 em Divinópolis (MG). A Declaração do Imposto de Renda exercício 1997 do contribuinte às fls. 5253, apresentada tempestiva e espontaneamente no dia 29/04/1997, bem antes do início da ação fiscal, registra tal fato. O contribuinte deu baixa em sua participação na aludida emissora de rádio (item 12 II. 53), registrando no item 4, fl. 52, que recebeu 50% do imóvel pelas cotas na empresa. À sua parte no imóvel atribuiu o valor de R$ 275.000,00, ou seja metade dos R$ 550.000,00. Ressaltese que a então Câmara recorrida firmou entendimento majoritário que não incide ganho de capital na permuta de bens, seja qual for a natureza desses (terrenos, participações societárias, veículos etc.), conforme Acórdão n° 10247.681, proferido na sessão de 22/06/2006. Entendeu o Colegiado que na operação de permuta não há acréscimo patrimonial do contribuinte; logo, a não incidência do ganho de capital não poderia ser restrita às operações entre imóveis mediante escritura pública de permuta. Nessa linha de raciocínio, o valor atribuído ao imóvel na operação passa a ser irrelevante à medida que não há incidência do ganho de capital sobre aquela parcela do negócio. O reflexo do valor ao bem permutado darseá em dois momentos: o primeiro na tributação da torna eventualmente recebida no negócio, o segundo numa eventual alienação desse bem. Ora, ao atribuir um valor menor ao bem recebido como parte do pagamento, a tributação incidente sobre o ganho de capital apurado com base na torna em espécie, se cabível, também sofre redução; todavia, quando esse bem vier a ser alienado, o custo de aquisição será menor, aumentando o ganho de capital. Foi o que aconteceu no presente caso, os vendedores em comum acordo com a outra parte, retificaram o valor do imóvel envolvido na operação. Por outro lado, se o valor do imóvel na operação fosse mantido em R$ 1.000.000,00, conforme contrato à fl. 19, a tributação do ganho de capital incidente sobre a toma seria maior, mas o custo de aquisição do terreno declarado pelo contribuinte (50%) seria de R$ 500.000,00. Assim, correta a decisão que acatou a redução no valor do imóvel permutado na operação, para R$ 550.000,00, logo, deve o ganho de capital ser calculado a partir do valor de R$ 1.550.000,00, haja vista que foi comprovado nos autos o recebimento de R$ 1.000.000,00 em espécie Torna valor sobre o qual deve incidir a tributação, caso seja apurado ganho de capital na operação. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 10 Portanto, voto por conhecer do recurso, para no mérito, NEGAR PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 10DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
score : 1.0
Numero do processo: 10183.004240/2005-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACÓRDÃO REVISOR.
Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão ou contradição deve-se proferir novo Acórdão, para rerratificar o Acórdão embargado.
PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Considera-se definitivamente consolidada na esfera administrativa a matéria não contestada de forma expressa na impugnação, de sorte que não se conhece da argüição apresentada somente na peça recursal em homenagem aos princípios da preclusão e do duplo grau de jurisdição.
Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 2102-001.693
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em
ACOLHER os embargos de declaração apresentados, para rerratificar o Acórdão nº 301-34.311, de 28/02/2008, com efeitos infringentes, para não conhecer das matérias preclusas e afastar a preliminar de ilegitimidade passiva, negando provimento ao recurso.
Matéria: ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201111
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACÓRDÃO REVISOR. Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão ou contradição deve-se proferir novo Acórdão, para rerratificar o Acórdão embargado. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considera-se definitivamente consolidada na esfera administrativa a matéria não contestada de forma expressa na impugnação, de sorte que não se conhece da argüição apresentada somente na peça recursal em homenagem aos princípios da preclusão e do duplo grau de jurisdição. Embargos acolhidos.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10183.004240/2005-59
anomes_publicacao_s : 201111
conteudo_id_s : 5041984
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2102-001.693
nome_arquivo_s : 210201693_10183004240200559_201111.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : NUBIA MATOS MOURA
nome_arquivo_pdf_s : 10183004240200559_5041984.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em ACOLHER os embargos de declaração apresentados, para rerratificar o Acórdão nº 301-34.311, de 28/02/2008, com efeitos infringentes, para não conhecer das matérias preclusas e afastar a preliminar de ilegitimidade passiva, negando provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
id : 4748191
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:44:20 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044230776029184
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1810; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 264 1 263 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10183.004240/200559 Recurso nº 337.902 Embargos Acórdão nº 210201.693 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 30 de novembro de 2011 Matéria ITR Embargos Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado ERNESTO MILANI ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACÓRDÃO REVISOR. Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão ou contradição devese proferir novo Acórdão, para rerratificar o Acórdão embargado. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase definitivamente consolidada na esfera administrativa a matéria não contestada de forma expressa na impugnação, de sorte que não se conhece da argüição apresentada somente na peça recursal em homenagem aos princípios da preclusão e do duplo grau de jurisdição. Embargos acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em ACOLHER os embargos de declaração apresentados, para rerratificar o Acórdão nº 301 34.311, de 28/02/2008, com efeitos infringentes, para não conhecer das matérias preclusas e afastar a preliminar de ilegitimidade passiva, negando provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora Fl. 607DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10183.004240/200559 Acórdão n.º 210201.693 S2C1T2 Fl. 265 2 EDITADO EM: 12/12/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Atilio Pitarelli, Eivanice Canário da Silva, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Ausente justificadamente a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório Contra ERNESTO MILANI foi lavrado Auto de Infração, fls. 02/07, para para formalização de exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), relativa ao imóvel denominado Gleba Bem Fica, com área total de 24.000,0 ha (NIRF 4.444.9771), exercício 2001, no valor de R$ 2.112.921,67, incluindo multa de ofício e juros de mora, calculados até 29/07/2005. A infração imputada ao contribuinte foi falta de recolhimento do ITR, em razão das seguintes alterações promovidas na Declaração de ITR, apresentada pelo contribuinte, conforme quadro a seguir: ITR 2001 Declarado Apurado no Auto de Infração 02Área de Preservação Permanente 4.800,00 ha 0,0 ha 03Área de Utilização Limitada 18.400,0 ha 0,0 ha 16Valor da Terra Nua R$ 58.896,44 R$ 4.340.880,00 A glosa da área de preservação permanente se deu por falta de apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) e de Laudo comprobatório da existência de tal área, enquanto a glosa da área de utilização limitada ocorreu por falta de apresentação do ADA e da comprovação da averbação da respectiva área à margem da matrícula do imóvel junto ao Cartório de Registro de Imóveis. Já o arbitramento do Valor da Terra Nua (VTN) justificouse pela não apresentação do Laudo de Avaliação de Imóveis Rurais, conforme NBR 14653 da ABNT. Assim sendo, substituiuse o VTN declarado pelo VTN constante no Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal (SIPT), nos termos do disposto no art. 14, § 1º, da Lei nº 9.393, de 1996. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 34/36, onde suscita tãosomente a alegação de ilegitimidade passiva e a autoridade julgadora de primeira instância julgou procedente o lançamento, conforme Acórdão DRJ/CGE nº 0410.164, de 18/08/2006, fls. 90/96. Cientificado da decisão de primeira instância o contribuinte apresentou recurso, fls. 101/111, trazendo em síntese as seguintes alegações: (i) ilegitimidade passiva, (ii) que na Amazônia Legal a área de reserva legal consiste em 80% da área do imóvel, de sorte Fl. 608DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10183.004240/200559 Acórdão n.º 210201.693 S2C1T2 Fl. 266 3 que o imposto somente pode incidir sobre 20% da área do imóvel e nunca em 80%, conforme utilizado pela fiscalização, e (iii) que a taxa da Selic, assim como a TR/TRD, configurase como juros de remuneração e não de mora, logo, não pode ser aplicado como juros moratórios. Em sessão plenária realizada em 28/02/2008, a Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes apreciou o recurso interposto pelo contribuinte, conforme Acórdão nº 30134.311, fls. 249/255, onde restou decidido, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva e, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso para afastar o arbitramento do VTN. Insta frisar, que no voto condutor da decisão acima mencionada restou assentado que a alegação trazida pelo recorrente no que pertine à área de reserva legal seria matéria preclusa, dado que não suscitada na impugnação. Já quanto as alegações do recorrente no que se refere à taxa Selic, a relatora do voto limitouse a afirmar que é devida por estrito cumprimento de mandamento legal. Cientificada do acórdão, acima mencionado, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional apresentou embargos de declaração, fls. 259/261, nos seguintes termos: Da análise detida do referido julgado, confrontandoo com todos os documentos constantes dos presentes autos, constatase a existência de contradição justamente no pertinente ao afastamento do valor da terra nua promovido pelo auto de infração. Isto porque a referida questão não foi, em momento algum, alegada pelo contribuinte, seja por ocasião da apresentação da impugnação ao auto de infração, seja por ocasião da interposição do recurso voluntário. Considerandose, portanto, que a matéria em comento não foi impugnada pelo contribuinte, consoante o disposto no artigo 17 do Decreto nº 70.235/72, não poderia esta egrégia Corte Administrativa reconhecêla de oficio. O acórdão ora embargado é evidentemente contraditório na medida em que declara a impossibilidade de conhecimento do recurso quanto à matéria não impugnada pelo contribuinte no pertinente à questão da área de reserva legal decorrente da localização do imóvel – e, em contrapartida, aprecia e julga questão que não foi aventada pelo contribuinte em nenhum momento processual o valor da terra nua constante do auto de infração. Patente, portanto, a contradição do acórdão ora recorrido, já que apreciou, de maneira sobejamente diversa questões de natureza idêntica. É o Relatório. Fl. 609DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10183.004240/200559 Acórdão n.º 210201.693 S2C1T2 Fl. 267 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora Os embargos de declaração apresentados pelo representante da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional preenchem os requisitos legais para sua admissibilidade e devem ser conhecidos. Cuidase de embargos de declaração, onde é apontada a existência de contradição no Acórdão nº 30134.311, de 28/02/2008, na medida em que considerou matéria preclusa a alegação do recorrente no que diz respeito à área de reserva legal, porque não suscitada na impugnação. Entretanto, apreciou o arbitramento do VTN, matéria que sequer foi combatida pela defesa, seja na impugnação ou no recurso voluntário. Da leitura da impugnação apresentada pelo contribuinte, verificase que suas alegações de defesa versaram tãosomente sobre a preliminar de ilegitimidade passiva. Já o recurso inovou a defesa, na medida que além de abordar a preliminar de ilegitimidade passiva, também discorreu sobre aspectos relativos à área de reserva legal e aos juros de mora, calculados com base na taxa Selic. Por seu turno, o acórdão embargado afastou a preliminar de ilegitimidade passiva, considerou matéria preclusa as alegações trazidas pela defesa acerca da área de reserva legal, afirmou serem devidos os juros de mora, calculados com base na taxa Selic, por tratarse de estrito cumprimento de mandamento legal e cancelou o arbitramento do VTN, que sequer foi suscitado pela defesa, seja na impugnação ou no recurso, sob a seguinte fundamentação: A autoridade fiscal glosou o VTN declarado pelo contribuinte em sua DITR, sendo considerado o VTN constantes da tabela SIPT. Ocorre que, as declarações realizadas pelo declarante devem ser consideradas verdadeiras até prova em contrário, o que, na espécie, não ocorreu, pois o fiscal limitouse a considerar o valor do SIPT sem, contudo, realizar uma vistoria in loco no imóvel, fazendo letra morta da declaração do contribuinte. Assim, no que tange à retificação do valor da terra nua, em que pese a legalidade do Sistema Integrado de Preços de Terras SIPT, a fiscalização não demonstrou as fontes, nem tãopouco há publicidade suficiente para legitimar os valores adotados. Como se isso não bastasse, não há prova nem mesmo descrição das áreas existentes na propriedade que atendam às classes de terras relacionadas no SIPT (tais como, pastagens/pecuária, floresta, cultura, cerrado, mista inaproveitável, terra para reflorestamento, arenosa, outras). Por todo o exposto, voto no sentido de não acolher a preliminar de ilegitimidade passiva, haja vista que o contribuinte não comprovou transferência da propriedade nem da posse. No mérito DOU PROVIMENTO PARCIAL para afastar o Fl. 610DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10183.004240/200559 Acórdão n.º 210201.693 S2C1T2 Fl. 268 5 arbitramento do valor da terra nua promovido pelo auto de infração, mas mantenho o lançamento no tocante à Área de Preservação Permanente e de Reserva Legal, tendo em vista que não foram objeto de litígio, bem como a aplicação da taxa SELIC por cumprimento estrito do mandamento legal. De fato, assiste razão à Fazenda Nacional quando aponta a existência de contradição no acórdão embargado. Como se sabe, a apresentação da impugnação instaura a fase litigiosa no processo administrativo fiscal, sendo certo que questões não provocadas a debate em primeira instância constituem matérias preclusas das quais não pode a autoridade julgadora de segunda instância tomar conhecimento, por afrontar o princípio do duplo grau de jurisdição a que está submetido o processo administrativo fiscal. No presente caso, temse que o contribuinte inovou sua linha de defesa sobre duas matérias que não foram atacadas na impugnação: área de reserva legal e juros de mora calculados com base na taxa Selic, para as quais o acórdão embargado adotou duas condutas diversas: considerou as alegações acerca das áreas de reserva legal matéria preclusa e quanto aos juros de mora afirmou tratarse de estrito cumprimento de mandamento legal. Por outro lado, apreciou e cancelou o arbitramento do VTN, matéria não suscitada pela defesa na impugnação, tampouco no recurso. Ora, se o princípio da preclusão se aplica às matérias que somente foram suscitadas pelo contribuinte na fase recursal, mais razão existe para sua aplicação no que tange às matérias que não foram abordadas pelo contribuinte nas fases de impugnação e de recurso. Assim, assiste razão à Fazenda Nacional quando afirma que o acórdão embargado incorreu em contradição, na medida que deu tratamentos diversos para matérias preclusas, ora não conhecendo das alegações somente trazidas no recurso, ora apreciando matérias que não foram suscitadas pela defesa nas fases de impugnação e de recurso. Ante o exposto, voto por acolher os embargos de declaração apresentados, para rerratificar o Acórdão nº 30134.311, de 28/02/2008, com efeitos infringentes, para não conhecer das matérias preclusas e afastar a preliminar de ilegitimidade passiva, negando provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 611DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10183.004240/200559 Acórdão n.º 210201.693 S2C1T2 Fl. 269 6 Fl. 612DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 12/12/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
score : 1.0
Numero do processo: 14120.000090/2010-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Dec 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/2007 a 31/05/2007, 01/08/2007 a
31/08/2007,01/10/2007 a 30/10/2007, 01/05/2008 a 31/05/2008, 01/08/2008 a 31/08/2008, 01/10/2008 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÃO PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE
A empresa adquirente fica subrogada nas obrigações do produtor rural pessoa física com empregados e do segurado especial, relativas ao recolhimento da contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural estabelecida no art. 25 da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001.
INCONSTITUCIONALIDADE.
A inconstitucionalidade declarada pelo STF no Recurso Extraordinário nº 363.852 não produz efeitos aos lançamentos de fatos geradores ocorridos após a Emenda Constitucional nº 20/98.
MULTA
Quanto à multa, não possui natureza de confisco a exigência da multa moratória, conforme previa o art. 35 da Lei n ° 8.212/1991, com a redação vigente à época do lançamento, válido para as competências até 11/12008. a partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício.Não recolhendo na época própria o contribuinte tem
que arcar com o ônus de seu inadimplemento.
JUROS/SELIC
As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91.
Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2302-001.534
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Eduardo Augusto Marcondes de Freitas e Manoel Coelho Arruda Júnior que votaram pelo provimento do recurso.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201112
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2007 a 31/05/2007, 01/08/2007 a 31/08/2007,01/10/2007 a 30/10/2007, 01/05/2008 a 31/05/2008, 01/08/2008 a 31/08/2008, 01/10/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE A empresa adquirente fica subrogada nas obrigações do produtor rural pessoa física com empregados e do segurado especial, relativas ao recolhimento da contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural estabelecida no art. 25 da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade declarada pelo STF no Recurso Extraordinário nº 363.852 não produz efeitos aos lançamentos de fatos geradores ocorridos após a Emenda Constitucional nº 20/98. MULTA Quanto à multa, não possui natureza de confisco a exigência da multa moratória, conforme previa o art. 35 da Lei n ° 8.212/1991, com a redação vigente à época do lançamento, válido para as competências até 11/12008. a partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício.Não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Dec 02 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 14120.000090/2010-67
anomes_publicacao_s : 201112
conteudo_id_s : 4876728
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jan 13 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2302-001.534
nome_arquivo_s : 230201534_14120000090201067_201112.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : Liege Lacroix Thomasi
nome_arquivo_pdf_s : 14120000090201067_4876728.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Eduardo Augusto Marcondes de Freitas e Manoel Coelho Arruda Júnior que votaram pelo provimento do recurso.
dt_sessao_tdt : Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
id : 4748499
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:44:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044230780223488
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2259; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 1 1 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14120.000090/201067 Recurso nº 893.637 Voluntário Acórdão nº 230201.534 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 2 de dezembro de 2011 Matéria Produtor Rural Recorrente TRANSPORTES E REPRESENTAÇÕES GOMES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2007 a 31/05/2007, 01/08/2007 a 31/08/2007,01/10/2007 a 30/10/2007, 01/05/2008 a 31/05/2008, 01/08/2008 a 31/08/2008, 01/10/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE A empresa adquirente fica subrogada nas obrigações do produtor rural pessoa física com empregados e do segurado especial, relativas ao recolhimento da contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural estabelecida no art. 25 da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade declarada pelo STF no Recurso Extraordinário nº 363.852 não produz efeitos aos lançamentos de fatos geradores ocorridos após a Emenda Constitucional nº 20/98. MULTA Quanto à multa, não possui natureza de confisco a exigência da multa moratória, conforme previa o art. 35 da Lei n ° 8.212/1991, com a redação vigente à época do lançamento, válido para as competências até 11/12008. a partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício.Não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 19/12/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Eduardo Augusto Marcondes de Freitas e Manoel Coelho Arruda Júnior que votaram pelo provimento do recurso. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. EDITADO EM: 19/12/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Eduardo Augusto Marcondes de Freitas, Manoel Coelho Arruda Junior e Adriana Sato. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 19/12/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14120.000090/201067 Acórdão n.º 230201.534 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Trata o presente de Auto de Infração de Obrigações Principais, lavrado e cientificado ao sujeito passivo em 12/10/2010, relativo às contribuições previdenciárias, incidentes sobre a comercialização de produção rural apuradas por arbitramento nas competências de 05/2007, 08/2007, 10/2007, 05/2008, 08/2008 e 10/2008 a 12/2008. O relatório fiscal de fls.16/18, traz que o crédito foi arbitrado com base nas notas fiscais do produtor, obtidas na Secretaria Estadual de Receita e Controle do Mato Grosso do Sul, mediante convênio de cooperação técnica com a Receita Federal do Brasil, conforme planilhas de fls. 30/55, porque a autuada não apresentou seus Livros Diário, Razão e arquivos magnéticos da contabilidade, tampouco as notas fiscais de entrada, conforme formalmente solicitados pelo Termo de Início de Procedimento Fiscal às fls. 20/21, assinado pelo sócio administrador da empresa. Foi lavrado o pertinente auto de infração de obrigações acessórias, n.º 37.256.6197, devido à falta de apresentação de documentos. Após a impugnação, Acórdão de fls. 95/101, julgou procedente a exação. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso argüindo, em síntese: a) que não há razão para a cobrança do tributo, pois está com parte de suas obrigações em dia; b) que o acórdão foi omisso ao não apreciar todas as impugnações, pois não houve crime de fraude, não foi provada a fraude; c) que não houve crime de sonegação previdenciária; d) que a multa é insubsistente porque a presunção de fraude não pode agravar a multa; e) que os valores de juros e multa são confiscatórios, exorbitantes e o confisco é ilegal. Requer que seja declarada a nulidade do acórdão por omissão, a reforma da decisão para declarar nulo o auto de infração e a reforma da decisão no tocante a juros e multa para reduzilos ao mínimo legal. É o relatório. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 19/12/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Da Preliminar A recorrente argúi a nulidade do Acórdão recorrido por omissão. Entretanto, do exame do mesmo, tal tese não se confirma, posto que a decisão recorrida atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ.çç 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo o ato praticado: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 19/12/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14120.000090/201067 Acórdão n.º 230201.534 S2C3T2 Fl. 3 5 Do Mérito É inócua a alegação da recorrente de que está com parte de suas obrigações em dia e por isso não poderia ter sido autuada, pois justamente a regularidade de parte das contribuições indica a existência de falta de recolhimento do total das exações devidas, o que está sendo regularmente cobrado nesta autuação. Ademais, a recorrente não trouxe qualquer prova de suas alegações, tampouco se insurgiu contra o mérito do levantamento, limitandose a argüir a falta de motivação para a cobrança das contribuições e de que não ocorreu fraude ou sonegação. Quanto a este argumento, já foi sobejamente informado à recorrente no Acórdão recorrido, que o Auto de Infração não tratou de fraude ou sonegação, que não houve agravamento da penalidade aplicada por conta da existência de qualquer ilícito. O relatório fiscal de fls. 16 a 18, em nenhum momento menciona fraude ou sonegação, não havendo que se tratar deste assunto neste processo. O mérito da autuação e a aferição indireta não foram contestados pela recorrente, devendo ser observado o disposto na Portaria RFB n.º 10.875/2007, que disciplina o processo administrativo fiscal relativo às contribuições previdenciárias e que traz no seu artigo 8º, que a matéria não contestada será considerada como não impugnada: Art. 8º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. De toda forma, quanto ao mérito, o lançamento se refere à contribuição incidente sobre a comercialização dos produtos rurais adquiridos de produtor rural pessoa física, no período de 05/2007 a 12/2008, quando já estava em vigor a Emenda Constitucional n.º 20, de 15/12/12998, que incluiu a receita e o faturamento como base de incidência contributiva previdenciária. O Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal – STF, julgou em 23/04/2010, o Recurso Extraordinário n.º 363852, declarando inconstitucional a exação tributária do artigo 1º da Lei n.º 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VIII, 25, I e II e artigo 30, IV da Lei n.º 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei n.º 9.528/97. Entretanto, o julgado ressalva “até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional n.º 20/98, venha a instituir a contribuição...”. Portanto, é de se asseverar que a recente decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal pela inconstitucionalidade formal do artigo 25 da Lei n.º 8.212/91, não se aplica ao presente processo, já que a Lei n.º 10.256/2001, apesar de Ordinária, é suficiente para respaldar o lançamento após a EC n.º 20/98. Inclusive, no anexo Relatório de Fundamentos Legais do Débito às fls.12 e 13, verificase que a contribuição foi lançada com fundamento nos dispositivos da redação dada pela Lei nº 10.256/2001. Sobre a questão peço licença e reproduzo o voto da ilustre Conselheira Ana Maria Bandeira, da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, que já abordou a questão, cujos fundamentos passo a adotar: Fl. 130DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 19/12/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 É sabido que está em julgamento pelo STF o Recurso Extraordinário nº 363.852, cujo Plenário deu provimento ao recurso em acórdão com a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO – PRESSUPOSTO ESPECÍFICO – VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO – ANÁLISE – CONCLUSÃO – Porque o Supremo, na análise da violência à Constituição, adora entendimento quanto à matéria de fundo extraordinário, a conclusão a que chega deságua, conforme sempre sustentou a melhor doutrina – José Carlos Barbosa Moreira , em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS – PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS – SUBROGAÇÃO – LEI Nº 8.212/91 – ART. 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL – PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 – UNICIDADE DE INCIDÊNCIA – EXCEÇÕES – COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE – INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR – Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos, por produtores rurais, pessoas naturais, prevista os artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e 9.528/97. Aplicação de leis no tempo – considerações (g.n.) Notase que o objeto do RE 363.852 referese à discussão da constitucionalidade dos dispositivos da Lei nº 8.212/1991 nas redações dadas pelas Leis 8.540/1992 e 9.528/1997, ambas anteriores à Emenda Constitucional nº 20/1998. Ou seja, decidiu o STF que a inovação da contribuição sobre comercialização de produção rural da pessoa física não estava albergada na Carta Magna até a Emenda Constitucional 20/98, decidindo expressamente acerca das Leis 8.540/92 e 9.528/97. Tal inconstitucionalidade residiria no fato de que seria necessária lei complementar para a instituição da contribuição incidente sobre a comercialização da produção do empregador rural pessoa física. Esta exigência decorreria do art. 195, §4º, da Carta Magna Até a edição da Emenda Constitucional nº 20/98 o art. 195, inciso I, da CF previa como bases tributáveis de contribuições previdenciárias a folha de salários, o faturamento e o lucro, não havendo qualquer menção à receita como base tributável. Assim, a Lei nº 8.540/1992 ao instituir contribuições sobre receita bruta sobre a comercialização da produção dos produtores rurais pessoas físicas levou ao questionamento sobre sua constitucionalidade, culminando com a decisão plenária do STF no julgamento do RE 363.852. No entanto, a Emenda Constitucional nº 20/98 deu nova redação ao art. 195, inciso I da CF/88, a qual passou a dispor que: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Fl. 131DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 19/12/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14120.000090/201067 Acórdão n.º 230201.534 S2C3T2 Fl. 4 7 Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998 Como se vê, a partir da EC nº 20/1998, a própria Constituição Federal passa a admitir a receita como base tributável para as contribuições previdenciárias. Assim, há que se destacar que a Lei nº 10.256/2001, deu nova redação ao art. 25 da Lei nº 8.212/1991 que passou a assim vigorar: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. Cumpre enfatizar que o fundamento jurídico adotado pelo Relator no julgamento do RE 363.852 demonstra que apenas foi abordada a constitucionalidade da redação do art. 25 da Lei 8.212/91 conferida pela Lei 8.540/92, não havendo apreciação da constitucionalidade da redação atual do art. 25 da Lei de Custeio, conferida pela Lei 10.256/01 e, segundo o Ministro Marco Aurélio, a superveniência de lei ordinária, posterior à EC 20/98 1998, seria suficiente para afastar a pecha de inconstitucionalidade da contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física, ao menos no que tange à necessidade de Lei Complementar para sua instituição, conforme se depreende do trecho abaixo transcrito: ...conheço e dou provimento ao recurso extraordinário para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, Fl. 132DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 19/12/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência. (g.n.) Asseverese que a contribuição lançada com fulcro no dispositivo com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001 já teve a constitucionalidade confirmada pelo Judiciário conforme se depreende da decisão abaixo colacionada: “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA EMPREGADOR. PRESCRIÇÃO. LC 118/05. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. 1 O STF, ao julgar o RE nº 363.852, declarou inconstitucional as alterações trazidas pelo art. 1º da Lei nº 8.540/92, eis que instituíram nova fonte de custeio por meio de lei ordinária, sem observância da obrigatoriedade de lei complementar para tanto. 2 Com o advento da EC nº 20/98, o art. 195, I, da CF/88 passou a ter nova redação, com o acréscimo do vocábulo "receita". 3 Em face do novo permissivo constitucional, o art. 25 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 10.256/01, ao prever a contribuição do empregador rural pessoa física como incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, não se encontra eivado de inconstitucionalidade.” (Apelação nº 000242212.2009.404.7104, Rel. Des. Fed. Mª de Fátima Labarrère, 01ª Turma do TRF4, julgada em 11/05/10) No presente caso, a contribuição cuja omissão em GFIP levou à lavratura do presente Auto de Infração, referese a período posterior à edição da Lei nº 10.256/2001, portanto, sob a vigência da mesma. Além disso, no anexo Relatório de Fundamentos Legais do Débito que ampararam o lançamento da obrigação principal correspondente, cujo recurso também foi objeto de análise por parte desta conselheira, verificase que a contribuição foi lançada com fundamento nos dispositivos já na redação dada pela Lei nº 10.256/2001. Assim, a meu ver, não há que se sobrestar os presentes autos em razão de não estarmos diante recurso que se enquadre no § 1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Portanto, no período lançado neste auto de infração de obrigações principais a contribuição relativa à comercialização da produção rural de produtor rural pessoa física está expressamente prevista no ordenamento jurídico posterior à Emenda Constitucional n.º 20/98, não cabendo o afastamento da exação pelo argumento de inconstitucionalidade. Quanto à multa, não possui natureza de confisco a exigência da multa moratória, conforme previa o art. 35 da Lei n ° 8.212/1991, com a redação vigente para as competências até 11/12008. Não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Se não houvesse tal exigência haveria violação ao principio da Fl. 133DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 19/12/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14120.000090/201067 Acórdão n.º 230201.534 S2C3T2 Fl. 5 9 isonomia, pois o contribuinte que não recolhera no prazo fixado teria tratamento similar àquele que cumprira em dia com suas obrigações fiscais. No caso em tela, à época do fatos geradores, até a competência 11/2008, pelo não recolhimento em época própria do tributo devido, a legislação previdenciária previa a aplicação de multa moratória,conforme disposto pelo 35 da Lei n° 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99. A MP n° 449/08, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2008, excluiu do ordenamento jurídico a gradação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91, conferindolhe outras condições, eis que se tratando de recolhimento espontâneo pelo contribuinte de contribuições previdenciárias pagas em atraso, a multa de mora a ser aplicada será de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, contados a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento, limitado a vinte por cento: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2 O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Quando se tratar de lançamento de ofício, como no caso da presente notificação fiscal de lançamento de débito –NFLD, a legislação superveniente determinou a incidência de multa de ofício, correspondente a 75% da totalidade ou diferença de imposto ou Fl. 134DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 19/12/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 contribuição devidos e não recolhidos, podendo, inclusive ser duplicado o valor em caso de fraude, simulação ou conluio, o que, repito, não ocorreu no presente lançamento: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) §1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) §2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 135DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 19/12/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14120.000090/201067 Acórdão n.º 230201.534 S2C3T2 Fl. 6 11 §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Portanto, no exame do caso em questão é de se ver que foi seguida rigorosamente a aplicação do artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores até a competência 11/2008 e o artigo 35 A da Lei n.º 8.212/91, com a redação dada pela Medida Provisória n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2008, para a competência 12/2008. No tocante à taxa SELIC, cumpre asseverar que sobre o principal apurado e não recolhido, incidem os juros moratórios, aplicados conforme determina o artigo 34 da Lei 8.212/91: “... As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC, a que se refere o artigo 13, da Lei n.º 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável.” O art. 161 do CTN prescreve que os juros de mora serão calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. No caso das contribuições em tela, há lei dispondo de modo diverso, ou seja, o aludido art. 34 da Lei 8.212/91 dispõe que sobre as contribuições em questão incide a Taxa SELIC. Portanto, está correta a aplicação da referida taxa a título de juros, perfeitamente utilizável como índice a ser aplicado às contribuições em questão, recolhidas com atraso, objetivando recompor os valores devidos. Ainda, quanto à admissibilidade da utilização da taxa SELIC, ressaltamos que o Segundo Conselho, do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, aprovou na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicada no D.O.U. de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28 a Súmula 3, que dita: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais. E, com a criação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, tal súmula foi consolidada na Súmula CARF n.º 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à Fl. 136DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 19/12/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 137DF CARF MF Impresso em 23/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 19/12/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10935.002063/2005-26
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias
Exercícios: 2004, 2005
Ementa: RECURSO ESPECIAL - DISSENSO JURISPRUDENCIAL
Não se conhece de recurso especial que tenha por fundamento divergência jurisprudencial já superada pela Corte mediante edição de súmula sobre o tema.
Numero da decisão: 9101-000.861
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso.
Nome do relator: Antonio Carlos Guidoni Filho
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201102
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Obrigações Acessórias Exercícios: 2004, 2005 Ementa: RECURSO ESPECIAL - DISSENSO JURISPRUDENCIAL Não se conhece de recurso especial que tenha por fundamento divergência jurisprudencial já superada pela Corte mediante edição de súmula sobre o tema.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10935.002063/2005-26
anomes_publicacao_s : 201102
conteudo_id_s : 4850997
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 9101-000.861
nome_arquivo_s : 9101000861_10935002063200526_201102.PDF
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : Antonio Carlos Guidoni Filho
nome_arquivo_pdf_s : 10935002063200526_4850997.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
id : 4746224
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:43:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044230809583616
conteudo_txt : Metadados => date: 2011-06-27T13:41:23Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 9; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-06-27T13:41:23Z; Last-Modified: 2011-06-27T13:41:23Z; dcterms:modified: 2011-06-27T13:41:23Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:c16cfcd4-0709-4f8b-b7ab-bc39b644a421; Last-Save-Date: 2011-06-27T13:41:23Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-06-27T13:41:23Z; meta:save-date: 2011-06-27T13:41:23Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-06-27T13:41:23Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-06-27T13:41:23Z; created: 2011-06-27T13:41:23Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2011-06-27T13:41:23Z; pdf:charsPerPage: 1223; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-06-27T13:41:23Z | Conteúdo => do recurso. Caio'Marcos Cân Antonio Carlo - Relator. • CSRF-T1 FL 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 10935.002063/2005-26 Recurso n° 337.127 Especial do Contribuinte Acórdão n° 9101-000.861 — la Turma Sessão de 22 de fevereiro de 2011 Matéria NORMAS GERAIS - OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente BIGOLIN MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL Assunto: Obrigações Acessórias Exercícios: 2004, 2005 Ementa: RECURSO ESPECIAL - DISSENSO JURISPRUDENCIAL Não se conhece de recurso especial que tenha por fundamento divergência jurisprudencial já superada pela Corte mediante edição de súmula sobre o tema. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer Editado em: 25 Nti 2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Marcos Cândido, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Leonardo de Andrade Couto, Claudemir Rodrigues Malaquias, Antonio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri e Susy Gomes Hoffmann. Ausente, momentaneamente a Conselheira Karen Jureidini Dias. Relatório Corn base no permissivo do Regimento Interno da Camara Superior de Recursos Fiscais, a Contribuinte interpõe recurso especial em face de acórdão proferido pela extinta 2a Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, assim ementado: "Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 15/05/2003, 15/08/2003, 14/11/2003, 13/02/2004 Ementa: DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. A apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF pelas pessoas jurídicas obrigadas, quando intempestiva, enseja a aplicação da multa por atraso na entrega. DCTF. DENÚNCIA ESPONTANEA. A responsabilidade acessória autônoma não é alcançada pelo art. 138 do CTN. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO." 0 caso foi assim relatado pela Camara recorrida, verbis: "Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Trata o presente processo do auto de infração deft. 13, cientificado em 02/08/2005 (fi . 103), consubstanciando exigência de multa por atraso na entrega das DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) relativas ao ano-calendário de 2003, no valor de R$ 197.719,69. 0 enquadramento legal do lançamento encontra-se discriminado no campo 05 (Descrição dos Fatos/Fundamentação) do auto de infração. Conforme descrito no precitado auto de infração, o lançamento em causa originou-se da entrega, enz 17/08/2004, das DCTF relativas, I - respectivamente, aos 1°, 2°, 3 0 e 4° trimestres do ano-calendário de 2003, fora dos prazos limite estabelecidos pela legislação tributária, previstos para 15/05/2003 (I° trimestre), 15/08/2003 (2° trimestre), 14/11/2003 (3° trimestre) e 13/02/2004 (4° trimestre). Inconformada com a autuação, a contribuinte, por meio de representante legal, protocolizo", em 31/08/2005, a impugnação de fls. 01/12, instruída com os documentos de fls. 13/25, cujo teor é sintetizado a seguir. Após breve relato dos fatos que levaram et autuação, afirma que a imposição da multa em tela é manifestamente ilegal. Sustenta (item II, "Do Direito. Da inaplicabilidade de multa quando da denúncia espontânea pelo contribuinte') 2 Processo n° 10935.002063/2005-26 Acórdão n.° 9101-000.861 que a entrega das DCTF de 2003 foi feita de forma espontânea, ainda que fora do prazo, e, por assim ter procedido, não lhe pode ser exigida multa, sob pena de ofensa ao disposto no art. 138 do CTN; agrega que, no caso, o pagamento integral dos valores de tributos/contribuições indicados nas DCTF foi feito dentro dos prazos legais, restando somente a destempo o cumprimento da obrigação acessória, mas que, no entanto, o ato da entrega da declaração se deu espontaneamente, antes de qualquer ação fazendciria, devendo-se afastar a aplicação de penalidades; a propósito do tema, transcreve jurisprudência judicial (STJ,Ils. 04 e 07) e administrativa (2° CC/MF, fls. 04/05); prossegue, afirmando (fi . 05): "como se pode depreender, não se pode aplicar qualquer espécie de penalidade. E não se alegue o cabimento de multa moratória destituída de cunho sancionatório", e, após citar doutrina de Sacha Calnion Navarro Coelho, diz HL 06): "se multa moratória tem efetivamente, caráter sancionatório, é evidente que não pode ser aplicada nos casos, em que o contribuinte, apresentou denuncia espontânea, prestando as informações que lhe cabem por meio da entrega da declaração, sob pena de violação ao art. 138 do Código Tributário Nacional"; conclui esse item afirmando que é ilegal e arbitrária a imposição de multa, emface do art. 138 do CTN. Alega (item III, "Ainda do direito) que a entrega fora do prazo das DCTF se deu de forma continuada, ou seja, a infração teria ocorrido continuamente, mês a mês, no período compreendido entre janeiro/2003 a janeiro/2004, e, dessa forma, as infrações cometidas devem ser consideradas em conjunto, como se fossem um todo; uma única infração, e nãÓ isoladamente, como se cada entrega extemporânea de DCTF fosse uma infração autônoma; afirma que a jurisprudência tem se manifestado favoravelmente a existência de infração continuada para casos como o aqui em discussão, citando ementas de julgados dos TRF da 1° e 5° Regiões (Ils. 08109), após o que, conclui argumentando que 07. 09): "caso se entenda que a multa seja devida, data venha, esta deve ser fixada com base em uma única infração (ainda que de caráter continuado), ao invés de somar-se as multas de acordo com o número de vezes ern que ocorreu o atraso na entrega das DCTFs . Diz' (item IV, "Ainda do direito. Da acesisoriedade da obrigação) que embora o fisco entenda cabível a multa, com base no art. 113, § 3°, do CTN (conversão da obrigação acessória em principal, em razão da • sua inobservância), não obstante tenha entregado as DCTF em causa com atraso, verifica-se que não deixou :de observar o cumprimento da obrigação acessória em questão, o que afastaria a aplicação de penalidade CSRF-T1 F3. 2 3 pecuniária; acrescenta que a obrigação principal foi integralmente cumprida a seu tempo, não havendo que se falar em lesão ao erário público, mas mero descumprimento de obrigação formal, e que, nesse sentido, a jurisprudência diz ser inaplicável penalidade, mencionando, a propósito, jurisprudências administrativa e Por fim, requer que de se declare improcedente o lançamento. Na decisão de primeira instancia, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba/PR indeferiu o pleito da recorrente, conforme Decisão DRECTA n° 12.234, de 20/09/2006, (fls. 105/110), assim ementada: Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 15/05/2003, 15/08/2003, 14/11/2003, 13/02/2004 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. SUJEIÇÃO. A contribuinte que, obrigada à entrega da DCTF, a apresenta fora do prazo legal, mesmo que espontaneamente, sujeita-se a multa estabelecida na legislação de regência. DCTF. APRESENTAÇÃO INTEMPESTIVA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. RESPONSABILIDADE ACESSÓRIA AUTÔNOMA. As infrações por descumprimento de obrigações Acessórias autônomas, sem vinculo direto coin a existência de fato gerador de tributo, não são elididas por denúncia espontânea. Lançamento Procedente. As fls. 112 o contribuinte foi intimado da decisão supra, motivo pelo qual apresenta Recurso 'Voluntário de fls. 113/126 e arrolamento de bens de fls. 128, tendo sido dado, então, seguimento ao mesmo." 0 acórdão impugnado negou provimento ao recurso voluntário interposto pela Contribuinte, sob o fundamento de que é cabível a aplicação de multa pelo atraso na entrega da DCTF na época dos fatos, pois não ha que se falar em aplicação do disposto no art. 138 do CTN para as hipóteses de descumprimento tempestivo de obrigações acessórias. Em sede de recurso especial, argüi a Contribuinte, em síntese, a divergência entre o acórdão recorrido e arestos do extinto Segundo Conselho de Contribuintes, os quais assentam o entendimento de que a apresentação espontânea da Declaração de Contribuições e Tributos Federais, obrigação acessória, mesmo fora do prazo, exclui a responsabilidade e afasta a exigência de multa, nos termos do art. 138, parágrafo único do CTN. 4 Processo n° 10935.002063/2005-26 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101 -000.861 Fl. 3 0 recurso especial foi admitido pelo Sr. Presidente do Colegiado a quo (Despacho n. 302-193 (fls. 197/199)), ante a configuração da alegada divergência jurisprudencial. A Fazenda Nacional apresentou contra -razões. o relatório. 5 Voto Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, Relator 0 recurso especial interposto pelo Contribuinte não merece ser conhecido. Tal assertiva decorre do fato de que está absolutamente superado por essa Corte Administrativa o dissenso jurisprudencial que a Contribuinte pretende ver solucionado por este Colegiado a respeito da aplicação do disposto no art. 138 do CTN às hipóteses de cumprimento intempestivo de obrigações acessórias. De fato, não bastasse o fato de os acórdãos paradigmas terem sido reformados pelas respectivas Turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais, o que por si só j á seria hipótese de não conhecimento da insurgência, diga-se que a matéria em referencia encontra-se sumulada pelo Pleno deste Tribunal Administrativo (enunciado 04), nos seguintes tenuos, verbis "a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração" Por tais fundamentos, voto no sentido de não conhecer do recurso especial interposto pela Contribuinte. Sala das Sessões, 2 e 2011. Antonio Carl ido i Fit o - Relator 6
score : 1.0
Numero do processo: 15586.000963/2010-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano calendário: 2007
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos ou declarados, via de regra é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para aplicação do percentual de 150%, depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência da fraude ou do evidente intuito desta, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim.
Recurso Voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 1402-000.819
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de oficio, reduzindo-se de 150% para 75%., nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Antonio José Praga de Souza
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201111
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos ou declarados, via de regra é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para aplicação do percentual de 150%, depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência da fraude ou do evidente intuito desta, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Recurso Voluntário provido em parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 15586.000963/2010-27
anomes_publicacao_s : 201111
conteudo_id_s : 4841392
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1402-000.819
nome_arquivo_s : 140200819_15586000963201027_201111.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : Antonio José Praga de Souza
nome_arquivo_pdf_s : 15586000963201027_4841392.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de oficio, reduzindo-se de 150% para 75%., nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
id : 4747547
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:43:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044230821117952
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1997; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1 1 0 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15586.000963/201027 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 140200.819 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de novembro de 2011 Matéria AUTO DE INFRACAO. SIMPLES FEDERAL Recorrente BRUMOL MADEIRAS LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos ou declarados, via de regra é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para aplicação do percentual de 150%, depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência da fraude ou do evidente intuito desta, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Recurso Voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de oficio, reduzindose de 150% para 75%., nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 950DF CARF MF Emitido em 18/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 15586.000963/201027 Acórdão n.º 140200.819 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório BRUMOL MADEIRAS LTDA EPP recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo de auto de infração (fls.794/863) e Termo de Verificação Fiscal e anexos (fls. 770/793), na sistemática do SIMPLES, do período de janeiro a junho de 2007 nos seguintes valores: (...) Total R$ 1.714.706,38 O auto de infração foi lavrado em virtude de omissão de receitas com base em depósito bancário não comprovado. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, a interessada informou que não ofereceu a tributação e nem escriturou no livro diário a totalidade das receitas de vendas da empresa, bem como não foram emitidos os documentos fiscais pertinentes ou às vezes foram emitidos em valor inferior. Justificou o total de depósitos ocorridos em 2007, conforme abaixo: R$ 496.235,85 – receita de serviços prestados R$ 7.471.573,04 – receita de vendas R$ 3.008.309,26 – crédito a título de mútuo rotativo feito de maneira verbal oriundo da empresa BRM Indústria e Comércio. Diante disso, tributouse a diferença entre o declarado e os depósitos como omissão de receita na forma do art. 42 da Lei 9.430/1996. Considerando que o contribuinte não apresentou o contrato de mútuo, não comprovou a efetiva transferência dos recursos da empresa BRM Indústria e Comércio Ltda para a empresa Brumol Madeiras Ltda e não registrou na sua contabilidade a origem desses recursos, o valor de R$ 3.008.309,26 foi considerado omissão de receita nos temos do art. 42 da Lei 9.430/96 A interessada foi cientificada em 04/11/2010 e apresentou em 03/12/2010 impugnação de fls. 865/879 alegando em síntese: que o mútuo não exige forma especial podendo ser firmado oralmente; que deveria ser verificado junto à mutuante a confirmação da operação; em virtude do disposto no art. 3º do Decreto 3.724/2001; “(...) apesar da empresa impugnante apresentar um relatório contendo todas as operações de vendas e serviços do ano de 2007 incluindo data da operação e nome do cliente, o ilustre auditor considerou (fl.09) que não comprovação hábil e idônea “de que as receitas omitidas ... não se originasse das atividades normais da empresa”; que não há nos autos provas materiais que evidenciem de maneira inequívoca qualquer ação de sonegação, fraude ou conluio, portanto, não deve prosperar a multa de 150%; Fl. 951DF CARF MF Emitido em 18/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 15586.000963/201027 Acórdão n.º 140200.819 S1C4T2 Fl. 0 3 A decisão recorrida está assim ementada: PROVA DOCUMENTAL. A informalidade dos negócios celebrados entre as partes não pode eximir o contribuinte de apresentar prova da efetividade das transações. Tal informalidade diz respeito, apenas, a garantias mútuas que deixam de ser exigidas em razão da confiança entre as partes, ou de quaisquer outros motivos, mas não se pode querer aplicar a mesma informalidade ou vínculo de confiança na relação do contribuinte com a Fazenda Pública. A relação entre fisco e contribuinte não é informal; é formal e vinculada à lei, sem exceção. MULTA AGRAVADA. CABIMENTO Cumpre reconhecer a fraude, na tentativa da contribuinte de impedir ou retardar o conhecimento pelo Fisco Federal das receitas auferidas na sua atividade operacional, mediante a apresentação à RFB de falsa declaração (DSPJ Simples), quanto às bases tributáveis e aos tributos devidos ao longo do anocalendário de 2007 o que denota o elemento subjetivo da prática dolosa e enseja a aplicação de multa agravada de 150% (cento e cinqüenta por cento), de que trata o art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/1996, pela ocorrência de sonegação prevista no art. 71 da Lei nº 4.502/1964. Impugnação Improcedente. Credito Tributário Mantido. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido quanto a parte mantida, repisando as alegações da peça impugnatória, a seguir coladas, e ao final requer provimento, vejamos: Fl. 952DF CARF MF Emitido em 18/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 15586.000963/201027 Acórdão n.º 140200.819 S1C4T2 Fl. 0 4 (...) (...) É o relatório. Fl. 953DF CARF MF Emitido em 18/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 15586.000963/201027 Acórdão n.º 140200.819 S1C4T2 Fl. 0 5 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado tratase de autos de infração em face de omissão de receitas apurada a partir de depósitos bancários cuja origem alegada pelo contribuinte não foi aceita pela fiscalização. De inicio verificase que o contribuinte não faz prova quanto aos alegados empréstimos, no valor total de R$ 3.008.309,26, que teria recebido da empresa BR, de forma verbal, pelo que devem ser confirmados os fundamentos da decisão de 1a. instancia, abaixo: Da alegação de operação de mútuo A interessada justificou 63 depósitos efetuados em sua conta corrente (fls. 118/119) como crédito oriundo da empresa BRM Indústria e Comércio Ltda a título de mútuo rotativo. Esclareceu que as remessas e pagamentos são realizados informalmente em virtude da relação de parentesco entre o sócio da BRM e da Brumol. Acrescenta que o mútuo ocorre verbalmente e com controles simples, apresentando declaração firmada pela empresa BRM confirmando as operações. A fiscalização não aceitou a justificativa apresentada em virtude da ausência de instrumento de contrato de mútuo, da comprovação da efetiva transferência dos recursos da BRM e da falta de registro na contabilidade. Na impugnação alegase a ausência de determinação legal para formalização de contrato de mútuo e que a mutuante deveria ser intimada em virtude do que dispõe o artigo 3º do Decreto 3.724/2001. Contudo, a forma convencionada entre as partes diz respeito somente às partes; não exime o contribuinte de apresentar a prova da efetiva realização dos negócios jurídicos em toda a sua extensão. Ainda que o contrato fosse apresentado, seria necessária a comprovação da efetiva realização do negócio à época dos fatos, da liquidação das obrigações ali representadas. Ademais, é imperioso destacar a fragilidade da prova apresentada por se tratar de mera declaração da parte (mutuante), interessada em provar a regularidade das transferências de recursos entre as empresas. A documentação apresentada pela Impugnante acerca da natureza das operações como mútuo é frágil, principalmente, tendo em conta a ligação de parentesco entre os sócios, a ausência de qualquer elemento externo a validar a contemporaneidade entre os contratos e os depósitos, a falta de apresentação da escrituração das operações, e a falta de provas acerca da liquidação das operações contratadas. Assim, apesar dos recursos teriam sido depositados nas contas correntes da fiscalizada, restam não comprovadas as operações que teriam dado origem a tais transferências de recursos, sendo perfeitamente cabível, até prova em contrário, a Fl. 954DF CARF MF Emitido em 18/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 15586.000963/201027 Acórdão n.º 140200.819 S1C4T2 Fl. 0 6 imputação de omissão de receitas por falta de comprovação das operações que teriam dado causa aos depósitos. Na verdade, conforme já anteriormente elucidado, a prova da origem dos recursos, hábil a afastar a imputação de omissão de receitas, não é apenas a prova da pessoa física ou jurídica, depositante dos recursos, mas a da natureza da operação que teria amparado as transferências desses recursos: (i) em se tratando de operação tributável, confirmase a omissão de receitas, devendo ser mantida a autuação; (ii) em se tratando de operação não tributável, no caso, por exemplo, de comprovação das operações de mútuo, então afastase a imputação de omissão de receitas, devendo ser cancelada a autuação. Juridicamente não se pode acatar a tese da defesa de que porque os representantes da mutuante e da mutuária (autuada) seriam parentes, “As remessas e pagamentos são realizados de maneira informal ”. Se os recursos são assim transferidos entre as empresas, sem qualquer garantia de cumprimento poderseia, mesmo, questionar a real validade dos contratos uma vez que constitui ofensa ao princípio da entidade, assim explicitado no texto “Princípios Fundamentais de Contabilidade Noções gerais Roteiro de Procedimentos”, publicado no site da FISCOSoft em 21/10/2009: Este princípio reconhece o patrimônio como objeto da contabilidade e afirma sua autonomia patrimonial, a necessidade da diferenciação de um patrimônio particular no universo dos patrimônios existentes, independentemente de pertencer a uma pessoa, um conjunto de pessoas, uma sociedade ou instituição. No caso em questão, o fato de as empresas pertencerem a pessoas com ligações de parentesco, não as desobriga da preservação de sua autonomia patrimonial e, conseqüentemente, da demonstração de transparência das relações entre elas estabelecidas. Se os recursos foram depositados nas contas correntes de titularidade da empresa, é dela o ônus de provar a regularidade fiscal dos recursos assim a ela disponibilizados. Em relação a indispensabilidade prevista no art 3º do Decreto 3.724/2001, tal conceito aplicase ao § 5º do artigo 2º que trata do acesso a registros de instituições financeiras de terceiros, conforme pode ser entendido da leitura dos artigos abaixo: Art. 2º (...) § 5o A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio de servidor ocupante do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, somente poderá examinar informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. (Redação dada pelo Decreto no 6.104, de 30 de abril de 2007) Art. 3º Os exames referidos no § 5o do art. 2o somente serão considerados indispensáveis nas seguintes hipóteses: (...) Fl. 955DF CARF MF Emitido em 18/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 15586.000963/201027 Acórdão n.º 140200.819 S1C4T2 Fl. 0 7 II obtenção de empréstimos de pessoas jurídicas não financeiras ou de pessoas físicas, quando o sujeito passivo deixar de comprovar o efetivo recebimento dos recursos; Desta forma, diferentemente do que entende a interessada, o artigo 3º não torna indispensável o exame de documentação de terceiro. Na verdade, o artigo restringe o acesso à informação bancária de terceiros para os casos que a lei considera o exame indispensável, situação que não tem relação com o auto de infração em análise. A interessada não apresenta contrato, registro em contabilidade, comprovação de liquidação, registro do débito na conta da mutuante, mas, apenas uma declaração afirmando tratarse de mútuo, assim sendo, considerase procedente o lançamento com base no art. 42 da Lei 9.430/96. 2 – Da alegação de que as receitas omitidas não são oriundas das atividades normais da empresa A interessada alega que a fiscalização “(... ) não se preocupou em certificarse através de pedidos de confirmação (circularização) sobre a legitimidade das informações apresentadas, pois se assim o fizesse comprovaria que as receitas declaradas pela empresa impugnante eram sim oriundas de suas atividades normais.” A fiscalização concluiu exatamente isto, como não houve prova de que os depósitos não eram oriundos de receita, por esta razão tributou os rendimentos, conforme se verifica do trecho abaixo transcrito: “ (...) não houve comprovação, mediante documentação hábil e idônea, de que as receitas omitidas, como demonstrado na tabela acima, não se originasse das atividades normais da empresa. Tratase de autuação de omissão de receita decorrente de depósitos bancários mantidos em contas correntes de titularidade da impugnante, considerados receita não oferecida à tributação, cujo respaldo legal achase previsto no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, a saber: Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; Fl. 956DF CARF MF Emitido em 18/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 15586.000963/201027 Acórdão n.º 140200.819 S1C4T2 Fl. 0 8 Portanto, é conseqüência da lei que permite considerarse como verdadeiro o resultado obtido, até prova em contrário. Desse modo, basta a comprovação dos depósitos em nome da contribuinte, para os quais ela não comprovou a origem dos recursos ou o efetivo oferecimento à tributação, para que sejam considerados receita omitida. Cabe destacar que tanto na resposta a intimação (fls. 17/18 e 41/43) e na impugnação, a interessada confirma que não ofereceu a tributação a totalidade das receitas da empresa. A interessada alega que ofereceu os valores a tributação quando intimada, contudo, de acordo com as expressas disposições do art. 138 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966) e do art. 7º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, apenas a denúncia espontânea da infração, acompanhada do pagamento do tributo devido com os acréscimos legais cabíveis, é que teria o condão de excluir a responsabilidade da empresa pela infração apurada. No caso concreto, somente após instaurada a fiscalização é que a empresa teria adotado as providências tendentes a retificar a declaração apresentada ao Fisco. A redação dos artigos é a seguinte: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração”. “Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos”. No que tange a aplicação da multa qualificada, entendo que cabe razão à recorrente quando afirma que não agiu com intuito doloso. Nos termos do art. 72 da Lei 4.502/64, já transcrito neste acórdão, a prática de fraude pressupõe o dolo. Fl. 957DF CARF MF Emitido em 18/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 15586.000963/201027 Acórdão n.º 140200.819 S1C4T2 Fl. 0 9 Entendese por dolo a consciência e a vontade de realização dos elementos objetivos (materiais) da conduta que se adjetiva como dolosa. O dolo é “saber e querer a realização da conduta” e exige a consciência da ilicitude. Observase que nos recentes julgamentos deste Conselho tem prevalecido considerarse a ocorrência de fraude em procedimentos que envolvam adulteração de documentos comprobatórios (notas fiscais, contratos, escrituras públicas, dentre outros), notas fiscais calçadas, notas fiscais frias, notas fiscais paralelas, notas fiscais fornecidas a título gracioso, contabilidade paralela (Caixa 2), conta bancária fictícia, falsidade ideológica, declarações falsas ou errôneas(quanto apresentadas reiteradamente). Citese nesse sentido recente decisão deste colegiado, acórdão 140200.770 de 20/10/2011, cuja ementa elucida: MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos ou declarados, via de regra é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para aplicação do percentual de 150%, depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência da fraude ou do evidente intuito desta, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Na situação versada nos autos, em que pese a patente intenção de deixar de recolher e declarar tributos devidos, não houve dolo por parte do contribuinte, que nada fez para impedir ou retardar o conhecimento das infrações por parte do Fisco, muito menos para desconfigurar a ocorrência dos fatos geradores, logo incabível a aplicação da multa qualificada No caso presente, não há registros de documentos inidôneos, empresas fictas, fraudes em registros contábeis ou de qualquer natureza. Noutro diapasão todos os atos societários foram registrados nos órgãos competentes, assim como na escrituração contábil e fiscal da contribuinte. O que se verifica são infrações e irregularidades que convergem ao entendimento de que realmente o contribuinte buscava evadirse da tributação, mas repito em nenhuma delas há carga dolosa, seja para ocultar ao fisco o conhecimento da ocorrência dos fatos geradores, seja para modificar suas características. Tanto é assim que os valores tributados se deram por presunção legal. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de oficio para reduzila de 150% para 75%. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 958DF CARF MF Emitido em 18/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 12/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA
score : 1.0
