Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,050)
- Primeira Turma Ordinária (16,516)
- Primeira Turma Ordinária (16,445)
- Primeira Turma Ordinária (16,325)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,024)
- Segunda Turma Ordinária d (14,547)
- Primeira Turma Ordinária (13,115)
- Primeira Turma Ordinária (12,572)
- Segunda Turma Ordinária d (12,545)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,508)
- Quarta Câmara (85,851)
- Terceira Câmara (68,403)
- Segunda Câmara (57,284)
- Primeira Câmara (21,503)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,359)
- 1ª SEÇÃO (6,891)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,425)
- Segunda Seção de Julgamen (115,920)
- Primeira Seção de Julgame (77,827)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,142)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,440)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,597)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,272)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,147)
- HELCIO LAFETA REIS (3,911)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,936)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,856)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,753)
- WILDERSON BOTTO (2,679)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,474)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,671)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (20,021)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 19647.008650/2007-19
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2004
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO.
A nulidade do auto de infração ocorrerá tão somente quando este não preencher os requisitos disciplinados no artigo 59 do Decreto 70.235/72. Não havendo vício em sua forma, não há que se falar em nulidade do auto de infração.
DO ARBITRAMENTO .
O arbitramento se faz necessário sempre que a autoridade fiscal não detém outra alternativa para apurar os tributos devidos, tomando em conta o Livro RAICMS como único documento presente de toda a escrita contábil da empresa. A empresa que não manifesta interesse em recompor a sua escrita contábil, ainda que intimada a apresentar o restante da documentação, não pode alegar a nulidade do arbitramento.
Numero da decisão: 1803-001.427
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: MEIGAN SACK RODRIGUES
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - AF - lucro arbitrado
dt_index_tdt : Sat Apr 09 09:00:03 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201208
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2004 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. A nulidade do auto de infração ocorrerá tão somente quando este não preencher os requisitos disciplinados no artigo 59 do Decreto 70.235/72. Não havendo vício em sua forma, não há que se falar em nulidade do auto de infração. DO ARBITRAMENTO . O arbitramento se faz necessário sempre que a autoridade fiscal não detém outra alternativa para apurar os tributos devidos, tomando em conta o Livro RAICMS como único documento presente de toda a escrita contábil da empresa. A empresa que não manifesta interesse em recompor a sua escrita contábil, ainda que intimada a apresentar o restante da documentação, não pode alegar a nulidade do arbitramento.
turma_s : Terceira Turma Especial da Primeira Seção
numero_processo_s : 19647.008650/2007-19
conteudo_id_s : 6587836
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 1803-001.427
nome_arquivo_s : Decisao_19647008650200719.pdf
nome_relator_s : MEIGAN SACK RODRIGUES
nome_arquivo_pdf_s : 19647008650200719_6587836.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2012
id : 9266226
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Sat Apr 09 09:55:50 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1729624173830995968
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1887; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 111 1 110 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19647.008650/200719 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 180301.427 – 3ª Turma Especial Sessão de 07 de agosto de 2012 Matéria IRPJ Recorrente BABILÔNIA IND. E COM. DE CONFECÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. A nulidade do auto de infração ocorrerá tão somente quando este não preencher os requisitos disciplinados no artigo 59 do Decreto 70.235/72. Não havendo vício em sua forma, não há que se falar em nulidade do auto de infração. DO ARBITRAMENTO . O arbitramento se faz necessário sempre que a autoridade fiscal não detém outra alternativa para apurar os tributos devidos, tomando em conta o Livro RAICMS como único documento presente de toda a escrita contábil da empresa. A empresa que não manifesta interesse em recompor a sua escrita contábil, ainda que intimada a apresentar o restante da documentação, não pode alegar a nulidade do arbitramento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Fl. 366DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 19647.008650/200719 Acórdão n.º 180301.427 S1TE03 Fl. 112 2 (Assinado Digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman. Relatório Tratase de auto de infração, lavrado contra a empresa recorrente, para cobrança de crédito tributário referente à IRPJ, CSLL, PIS e COFINS do ano calendário de 2004. Temse que o lucro da empresa foi arbitrado (art. 530, III, do RIR/99), com base na receita bruta conhecida de vendas escriturada no livro RAICMS, tendo em vista a não apresentação, à autoridade fiscal, dos livros e documentos da escrituração comercial e fiscal ou o livro Caixa da recorrente. A fiscalização fundamentou o lançamento no fato da empresa recorrente ter escriturado, no livro RAICMS, valores contábeis mensais das vendas em montante superior aos declarados em DIPJ. Os fundamentos fáticos abrangeram os lançamentos do PIS, COFINS e CSLL, além do IRPJ. A empresa recorrente, regularmente cientificada do auto de infração, apresentou impugnação de forma tempestiva para cada um dos tributos lançados. Em síntese argumentou em preliminar nulidade do auto de infração por cerceamento do direito de defesa, posto o prazo para apresentação dos documentos ter sido exíguo. Insurgese também quanto ao arbitramento, aduzindo que apresentou documentos suficientes para sua correta aferição (RAICMS, Registro de Saídas, entre outros documentos) e desse modo, entende que não se configurou a hipótese do art. 530, III, do RIR/99. A empresa prossegue salientando que houve erro nos valores cobrados e que o auto seria nulo em virtude dos recolhimentos efetuados não terem sido considerados pela autoridade fiscal no cômputo do crédito apurado. Ainda, requer que seja deferido o pedido de perícia contábil para que restem evidenciados os valores atualizados dos tributos recolhidos e o saldo remanescente supostamente devido, bem como que seja deduzida a integralidade dos Fl. 367DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 19647.008650/200719 Acórdão n.º 180301.427 S1TE03 Fl. 113 3 valores recolhidos no período cobrado, com redução proporcional da multa e dos juros correspondentes. A autoridade de primeira instância entendeu que o lançamento era procedente apenas em parte. Em seu acórdão rejeita as preliminares suscitadas pela recorrente referindo que a ação fiscal é uma fase préprocessual na qual os agentes da Administração Tributária verificam e investigam o cumprimento das obrigações tributárias, o que resta ao contribuinte uma participação de natureza passiva, devendo cooperar e atender à fiscalização, quando solicitada. Prossegue dizendo que não há que se falar em preterição ao direito de defesa, quando não há fase litigiosa ainda instaurada. Resume a questão das nulidades ao dispor que somente há nulidade do auto, quando este for de encontro ao disposto no artigo 59 do Decreto n. 70.235/72, o que não é o caso, haja vista que não houve desrespeito a nenhum os itens disciplinados no artigo. Quanto ao arbitramento, o julgador a quo referiu que de acordo com a legislação pátria, as pessoas jurídicas não sujeitas à apuração do imposto de renda pelo lucro real podem optar pela apuração pelo lucro presumido ou arbitrado. Temse que as pessoas jurídicas que puderem e não fizerem a opção pelo lucro presumido ou arbitrado sujeitamse à apuração pelo lucro real, devendo apurar o lucro trimestralmente ou, optar pelo recolhimento mensal por estimativa e apurar o lucro real em 31 de dezembro. A forma de apuração, manifestada com o primeiro pagamento, é definitiva para todo o ano calendário. A autoridade salienta ainda que a modalidade de lucro presumido, até por embasarse em lucro apurado por ficção, possui caráter de excepcionalidade e depende de manifestação expressa e tempestiva de cada contribuinte, a qual é manifestada através do pagamento da primeira ou única quota do imposto devido, correspondente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário, consoante dispõe o artigo 26, §1° da Lei n° 9.430/1996, no sentido de que a opção pelo lucro presumido é manifestada com o pagamento da primeira quota ou quota única do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração. Atenta o julgador que a empresa recorrente, em 2004, efetuou o recolhimento do IRPJ, relativo ao 1° trimestre, sob o código 2089, ou seja, conforme a legislação pertinente, fez a opção pela apuração do lucro sob o regime do Lucro Presumido. Assim, estaria a empresa obrigada a manter escrituração contábil nos termos da legislação fiscal ou o Livro Caixa, além do Livro Registro de Inventário e de todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como documentos e demais papéis que sirvam para escrituração comercial e fiscal, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes. Cita o artigo 527 do RIR/99. Nesse caminho, a autoridade observa que a empresa recorrente foi intimada a apresentar os livros fiscais e contábeis a que estava obrigada pela legislação, mas foram apresentados apenas os Livros RAICMS e cópia do Contrato Social. A empresa foi reintimada a apresentar os livros e demais documentos, mas não respondeu, sendo novamente intimada a apresentar o Livro Caixa, que também deixou de apresentálo. Desse modo, como não apresentou a escrituração a que estava obrigada pela legislação pertinente ao Lucro Presumido, restaria a apuração pelo Lucro Real, mas também não possui a escrituração que exige essa modalidade (Livros Diário, Razão, LALUR e demonstrações financeiras), restando ao fisco tão somente a modalidade do arbitramento. Fl. 368DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 19647.008650/200719 Acórdão n.º 180301.427 S1TE03 Fl. 114 4 No tocante à Receita Bruta e a não consideração dos pagamentos efetuados, o julgador de primeira instância entendeu que assiste razão à empresa recorrente, vez que comprova, mediante documentação, que os valores foram recolhidos. No entanto, ao se referir ao pedido de perícia, entendeu não formulado o pedido, porquanto a empresa recorrente não ter observado o disciplinado no artigo 16, IV, do Decreto 70.235/72. Completa salientando que mesmo observando o artigo supracitado, a perícia não seria deferida, vez que pelo que restou evidente da análise já efetuada, não há, quanto ao fato apontado nos lançamentos e na expressa disposição legal revelada, qualquer ponto obscuro para a solução da lide. Devidamente cientificada da decisão de primeira instância, a empresa recorrente apresenta suas razões de inconformidade em recurso voluntário, alegando que o acórdão proferido em primeira instância, por não informar o valor remanescente e os critérios adotados no encontro de contas, acabou por sonegar da empresa recorrente tais dados, retirando a validade da cobrança perpetrada, já que não expôs o valor da dívida perseguida. Isso porque entende que o valor do crédito é condição de validade do auto de infração. De resto, a empresa recorrente alega o já disposto em seara de impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Meigan Sack Rodrigues. O Recurso Voluntário preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Tratase de auto de infração para cobrança de crédito tributário referente a IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, do ano calendário de 2004, apurado em razão da diferença lançada no Livro RAICMS e o que foi declarado em DIPJ. A empresa teve o lucro arbitrado pela fiscalização, vez que deixou de apresentar documentação pertinente, mesmo tendo sido intimada a fazêlo. A empresa recorrente insurgese, em seara de recurso voluntário, novamente contra o cerceamento do direito de defesa, referindo que o auto é nulo por não conter a discriminação real do valor a ser cobrado do crédito tributário. Aduz que em função da nova decisão proferida pela autoridade de primeira instância, que desconsiderou valores pagos pela empresa no lançamento efetuado, não restou esclarecido e bem informado o valor remanescente e os critérios adotados no encontro de contas, gerando com isso a invalidação da cobraça perpetrada. A recorrente também se insurge novamente contra o arbitramento, referindo que o mesmo não pode prevalecer por ferir o princípio da ampla defesa, já que a fiscalização não ofertou à empresa tempo suficiente para que esta apresentasse os Livros pertinentes. No mesmo caminho, alega que se a fiscalização pode lançar com os Livros e documentos que tinha em mãos, deveria abrir prazo para a escrituração de livros auxiliares. Fl. 369DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 19647.008650/200719 Acórdão n.º 180301.427 S1TE03 Fl. 115 5 Nesse ponto, discordo da empresa recorrente quanto às alegações de nulidade suscitadas pela mesma, senão vejamos: Cerceamento do Direto de Defesa Ampla Defesa A empresa recorrente foi intimada e reintimada a apresentar documentação e Livros pertinentes a sua escrita contábil, justamente para que a hipótese de arbitramento fosse a última a ser utilizada, quando esgotada todas as demais. Ocorre que a empresa sequer resposta deu a uma das intimações remetidas e recebidas por ela, não deixando à autoridade fiscalizadora outra saída senão buscar a segunda alternativa, qual seja, a fiscalização do Livro Caixa, para que a apuração se desse então pelo Lucro Real. De igual modo, a empresa não logrou entregar a escrituração e também não requereu dilação de prazo ou demonstrou que estava buscando refazer sua escrituração. Ainda, entendo que à empresa foi oportunizado todos os meios de defesa possível, haja vista a apresentação de impugnação e de recurso voluntário. Cumpre lembrar também que a empresa logrou juntar os comprovantes dos pagamentos dos tributos lançados, que posteriormente foram abatidos pelo acórdão que precedeu a esse. Assim, observo que não há que se falar em descumprimento de princípio constitucional, até porque discussões como essa são delegas à esfera do Poder Judiciário, que detém a capacidade legítima para cuidar de questões que envolvam afronta a princípios defendidos pela Carta Magna e não nesta esfera administrativa, tal como disciplina a Súmula CARF n.02: “O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).” Nulidade do Auto Neste ponto também discordo da empresa quanto à nulidade do auto por não constar bem determinado o valor remanescente, após o julgamento em primeira instância. Isso porque o auto de infração lavrado está correto, com valores determinados, do qual a empresa pode se defender perfeitamente e assim o fez. No mesmo caminho, entendo que a decisão de primeira instância está clara ao determinar os valores remanescentes, quando refere em seu último parágrafo o que a empresa deve pagar de cada tributo, já que diminuiu o que a própria empresa vinha pedindo. Importa que se repita o que o julgado a quo referiu em sua decisão: “30. Assim, tendo em vista o acima exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade arguida, indeferir o pedido de perícia e, no mérito, considerar procedente em parte o lançamento para: I) Manter, do Auto de IRPJ, o Valor de R$ 41.597,26, excluindo o montante de R$ 3.889,83; Fl. 370DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 19647.008650/200719 Acórdão n.º 180301.427 S1TE03 Fl. 116 6 II) Manter, do Auto de CSLL, o Valor de R$ 26.867,26, excluindo o montante de R$3.008,70; III)Manter, do Auto de COFINS, o Valor de R$ 64.138,08, excluindo o montante de R$ 9.724,57; e IV)Manter, do Auto de PIS, o Valor de R$ 13.896,55, excluindo o montante de R$ 2.106,99.” Verificando os autos do processo administrativo, retirase do próprio acórdão atacado pela empresa recorrente o quadro que segue: Assim, do cotejo do quadro acima com a apuração final do acórdão, conclui se perfeitamente que é sim possível verificar com nitidez e clareza os valores devidos pela empresa. Isso sempre lembrando que foi a própria empresa quem aduziu e suscitou os valores que já estavam pagos e que deveriam ser descontados, não restando agora o direito de alegar a sua própria torpeza. E, para deixar esclarecido, elenco os valores que entendo devidos, pela empresa recorrente, e já dispostos no acórdão que precedeu a este: I)Manter, do Auto de IRPJ, o Valor de R$ 41.597,26, II)Manter, do Auto de CSLL, o Valor de R$ 26.867,26 III) Manter, do Auto de COFINS, o Valor de R$ 64.138,08 IV) Manter, do Auto de PIS, o Valor de R$ 13.896,55 Há que se ater ao fato de que o auto de infração será nulo se ir de encontro a um dos requisitos disciplinados no artigo 59 do Decreto 70.235/72. Do contrário, não havendo vício em sua forma, não há que se falar em nulidade do mesmo. Do arbitramento A empresa ao se insurgir quanto ao arbitramento, referindo que a fiscalização deveria ter aberto prazo para a mesma refazer a sua escrita, olvidase de que fora intimada a apresentar tais documentos e não manifestou seu interesse em assim proceder, muito pelo contrário, deixou de responder, inclusive, a uma das intimações para apresentação da Fl. 371DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 19647.008650/200719 Acórdão n.º 180301.427 S1TE03 Fl. 117 7 documentação pertinente. A fiscalização buscou de todos os modos apurar os valores devidos pelas demais formas de cômputo (apuração), deixando o arbitramento como sua última alternativa, depois de esgotadas as demais. Neste contexto, entendo que não resta à empresa pertinência em alegar a abertura de prazo para elaborar a sua escrita, quando esta sequer manifestou esse interesse. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. É o voto. (assinado digitalmente) Meigan Sack Rodrigues – Conselheira Fl. 372DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES
score : 1.0
Numero do processo: 10680.012791/2007-47
Data da sessão: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/1999 a 31/12/2004
PREVIDENCIÁRIO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA COM BASE NO ART. 92 DA LEI N. 8.212/91. RELEVAÇÃO DA MULTA. NÃO CABIMENTO.
Constitui infração deixar de elaborar folhas de pagamento distintas para cada estabelecimento, por empresa contratante de serviço, nos termos do art. 31, § 5o da Lei 8.212/91, c/c os arts. 232 e 233, parágrafo único do Decreto n. 3.048/99.
Só há relevação da multa quando o contribuinte estiver inserido nas exigências do art. 291, § 1º do Decreto n. 3.048/99, bem como o fato tiver ocorrido antes da sua revogação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2403-000.873
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: MARCELO MAGALHÃES PEIXOTO
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
dt_index_tdt : Sat Apr 09 09:00:03 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201110
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1999 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA COM BASE NO ART. 92 DA LEI N. 8.212/91. RELEVAÇÃO DA MULTA. NÃO CABIMENTO. Constitui infração deixar de elaborar folhas de pagamento distintas para cada estabelecimento, por empresa contratante de serviço, nos termos do art. 31, § 5o da Lei 8.212/91, c/c os arts. 232 e 233, parágrafo único do Decreto n. 3.048/99. Só há relevação da multa quando o contribuinte estiver inserido nas exigências do art. 291, § 1º do Decreto n. 3.048/99, bem como o fato tiver ocorrido antes da sua revogação. Recurso Voluntário Negado
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10680.012791/2007-47
anomes_publicacao_s : 201110
conteudo_id_s : 4835540
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 2403-000.873
nome_arquivo_s : 2403000873_10680012791200747_201110.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : MARCELO MAGALHÃES PEIXOTO
nome_arquivo_pdf_s : 10680012791200747_4835540.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
id : 4751233
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Sat Apr 09 09:55:43 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1729624173837287424
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1560; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.012791/200747 Recurso nº 000.000 Voluntário Acórdão nº 2403000.873 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 27 de outubro de 2011 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente DINEX ENGENHARIA MINERAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1999 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA COM BASE NO ART. 92 DA LEI N. 8.212/91. RELEVAÇÃO DA MULTA. NÃO CABIMENTO. Constitui infração deixar de elaborar folhas de pagamento distintas para cada estabelecimento, por empresa contratante de serviço, nos termos do art. 31, § 5o da Lei 8.212/91, c/c os arts. 232 e 233, parágrafo único do Decreto n. 3.048/99. Só há relevação da multa quando o contribuinte estiver inserido nas exigências do art. 291, § 1o do Decreto n. 3.048/99, bem como o fato tiver ocorrido antes da sua revogação. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Fl. 675DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 28/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Jhonatas Ribeiro da Silva. Fl. 676DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 28/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10680.012791/200747 Acórdão n.º 2403000.873 S2C4T3 Fl. 2 3 Relatório Assim relatou a DRJ, verbis: “Tratase de infração ao disposto no artigo 31, parágrafo 5.° da Lei n.° 8.212, de 24 de julho de 1991, na redação dada pela Medida Provisória n.° 166315, de 20 de outubro de 1998, convertida na Lei n.° 9.711, de 20 de novembro de 1998, uma vez que a empresa deixou de elaborar folhas de pagamento distintas para as empresas contratantes de seus serviços, mediante cessão de mãodeobra, constantes da planilha de fls.15 a 17, nas competências 05/1999, 08/1999 e 09/1999,02/2000 a 12/2000, 01/2001, 02/2001, 04/2001, 05/2001, 07/2001 a 09/2001, 11/2001 e 12/2001, 01/2002 a 04/2002, 07/2002, 08/2002, 10/2002 a 12/2002, 01/2003 a 04/2003, 10/2003, 03/2004, 04/2004, 07/2004, 09/2004 a 12/2004, conforme Relatório Fiscal de fls.18/19. Ainda de acordo com o Relatório, tendo em vista a ausência de circunstâncias agravantes e da atenuante, previstas respectivamente nos artigos 290 e 291 do RPS — Regulamento da Previdência Social (Decreto n.° 3.048/99), a penalidade, prevista nos artigos 92 e 102 da Lei n.° 8.212/91, combinados com os artigos 283, caput, § 3o do RPS (aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99), foi aplicada no valor de R$1.195,13 (um mil cento e noventa e cinco reais e treze centavos), considerando o disposto na Portaria MPS n° 142 de 11/04/2007. A ação fiscal foi comandada através do Mandado de Procedimento Fiscal de fls. 08, datado de 19/01/2007. O Auto de Infração AI foi lavrado em 23 de abril de 2007, tendo o autuado dele sido cientificado nesta mesma data, consoante assinatura de seu representante legal aposta as fls.01. A empresa contestou a autuação através da impugnação e documentos, fls.19 a 622, alegando, em síntese: Invoca, inicialmente, a tempestividade da impugnação. Alega que a capitulação utilizada no AI se deu em razão de descumprimento de obrigação acessória, não evidenciando ausência de recolhimento de tributo devido uma vez que sempre recolheu os valores devidos aos cofres públicos. Solicita que sejam recebidos os documentos já retificados, sanando as irregularidades do presente AI para, aplicando o artigo 656 da Instrução Normativa IN n° 3/2005 e artigo 291, § 10 do Regulamento da Previdência Social — RPS aprovado pelo Decreto 3.048/98 seja relevada a multa aplicada ou, alternativamente, seja a mesma atenuada em 50%, conforme previsto no inciso V do artigo 292 do RPS e § 2° do artigo 656 da IN n° 3. Fl. 677DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 28/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Ultrapassado o primeiro pedido, requer, ainda, a nulidade do AI por ausência do Termo de Inicio de Ação Fiscal — TIAF. Aduz a decadência qüinqüenal do crédito lançado e a ilegalidade e inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/1991. Cita doutrina e jurisprudência a respeito e assevera que é dever do órgão de julgamento administrativo a apreciação da matéria, haja vista que a questão foi sobejamente julgada pelo Supremo Tribunal de Justiça e pelo Supremo Tribunal Federal, no sentido de que o prazo decadencial é de cinco anos, em qualquer hipótese. Acrescenta que a não apreciação pelo órgão administrativo de julgamento da constitucionalidade de atos ou dispositivos normativos vai totalmente contra os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório, que nos termos do inciso LV do artigo 5° da Constituição da República de 1988, devem ser observados tanto no processo judicial quanto administrativo. Argumenta que a revisão de atos administrativos eivados de vícios é um dever do agente público e, conseqüentemente, da Administração Pública, em decorrência dos princípios constitucionais da legalidade, da moralidade e da eficiência. Por fim, solicita que caso não seja declarado nulo o AI, seja reconhecida a decadência do direito de lançar as multas referentes as obrigações acessórias anteriores competência de 04/2002, cancelandose as multas referentes a 02/1997 a 03/2002, como determina o art. 150, § 4° do CTN, ou caso se entenda pela inteligência do art. 173, I, cancelese os valores anteriores ao exercício de 2002 (1997 a 2001). Requer que sejam decotados do presente lançamento todos os débitos referentes ao período 02/1997 a 03/2002. Junta, à peça de impugnação, Guias de Recolhimento do FGTS e Informações Previdência Social — GFIP.” DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da impugnante, a 6a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte – MG DRJ/BHE, emitiu o Acórdão n° 0218.102, mantendo procedente o lançamento. DO RECURSO Inconformada, a empresa interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 638/660, com os mesmos argumentos de sua defesa. É o relatório. Fl. 678DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 28/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10680.012791/200747 Acórdão n.º 2403000.873 S2C4T3 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fl. 665, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO A recorrente pleiteia que seja considerado nulo o Auto de Infração objeto da lide, por ausência da TIAF. Ocorre que, como bem frisou a DRJ no seu acórdão, a IN MPS/SRP n. 23 de 30/04/2007, entrou em vigor após o início do procedimento fiscal. Ademais, mesmo que assim não fosse, não é qualquer falha que torna um Auto de Infração nulo, nesse sentido são pacíficas as Doutrina e Jurisprudência. Assim lecionam Marcos Vinícios Neder e Maria Teresa Martínez López (Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 3a edição, Dialética, 2010, pág. 65), verbis: “Não resta dúvida, portanto, que o ato administrativo necessita de motivação. Entretanto, o cerne da discussão está em verificar os limites da fundamentação usada pela autoridade administrativa, isto é, se o fornecimento é suficiente ou não para a análise do caso, o que apenas pode ser verificado com o exame criterioso do ato em comento. Ada Pellegrini Grinover sustenta ‘o princípio do prejuízo constitui seguramente a viga mestra do sistema das nulidades e decorre da idéia geral de que as formas processuais representam tãosomente um instrumento para a correta aplicação do direito; sendo assim, a desobediência a formalidades estabelecidas pelo legislador só deve conduzir ao reconhecimento da invalidade do ato quando a própria finalidade pela qual a forma foi instituída estiver comprometida’. Nessa linha de raciocínio, são admitidas pequenas falhas formais no ato administrativo se não ficar caracterizado o prejuízo por elas causado. É o que se pode verificar na decisão da Primeira Seção do Tribunal Regional Federal da 4a Região, a saber: ‘Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – Artigo 11 do Decreto 70.235/72 – Falta do Nome, Cargo e Matrícula do Expedidor – Ausência e Nulidade. 1. A falta de indicação, no auto de notificação de lançamento fiscal expedido por meio Fl. 679DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 28/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 eletrônico, do nome, cargo e matrícula do servidor público que o emitiu, somente acarreta nulidades no processo administrativo quando evidente o prejuízo causado ao contribuinte. 2. No caso dos autos, a notificação deve ser tida como válida, uma vez que cumpriu suas finalidades, cientificando o recorrente da existência do lançamento e oportunizandolhe prazo para defesa. Embargos Infringentes improvidos.’” (grifo nosso) Portanto, levandose em consideração que o objeto do Auto de Infração é o descumprimento de uma obrigação acessória, eventual ausência de um documento que o contribuinte tinha conhecimento, não deve ser motivo ensejador para a anulação do Auto de Infração. Em outras palavras, não obstante o AI em tela não conter vício, o Auto de Infração está fundamentado e cristalino, tanto que impugnado em todos os seus termos pela recorrente. DA DECADÊNCIA Pleitia a recorrente o reconhecimento da decadência quinquenal. Ocorre que seu reconhecimento é irrelevante para o caso em tela, haja vista que não há qualquer variação em relação ao valor da multa. Explico: O descumprimento das obrigações acessórias compreende o período, não contínuo, entre 05/1999 a 12/2004. Tendo sido notificada em 23/04/2007, resta evidente que não houve a decadência total. Logo, não há que se falar em decadência, haja vista que a existência de uma única competência não abrangida por ela enseja na multa aplicada, conforme restará demonstrado. DO MÉRITO O auto de infração lançado contra a empresa teve por base a obrigação de elaborar folhas de pagamentos distintas para as empresas contratantes de seus serviços, mediante cessão de mãodeobra em relação às competências compreendidas entre 05/1999 a 12/2004, de forma não cotínua. O descumprimento dessas obrigações acessórias contrariou a disposição constante no art. 31, § 5o que assim dispõe, verbis: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5o do art. 33 desta Lei. (...) § 5o O cedente da mãodeobra deverá elaborar folhas de pagamento distintas para cada contratante. Fl. 680DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 28/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10680.012791/200747 Acórdão n.º 2403000.873 S2C4T3 Fl. 4 7 Pelo descumprimento da citada obrigação acessória, foi aplicada, com base nos arts. 92 e 102 da Lei n. 8.212/91. Diante disso, foi instaurada a multa prevista nos artigos 283, § 3o e 373 do RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048/99, com base na Portaria MPS/GM n. 142/07, no valor de R$ 1.195,13, verbis: Lei n. 8.212/91: Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Decreto n. 3.048/99: Art.283.Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (...) § 3o As demais infrações a dispositivos da legislação, para as quais não haja penalidade expressamente cominada, sujeitam o infrator à multa de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos). Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Portaria MPS/GM n. 142: Art. 9º A partir de 1º de abril de 2007: (...) V o valor da multa pela infração a qualquer dispositivo do Regulamento da Previdência Social RPS, para a qual não haja penalidade expressamente cominada (art. 283), varia, conforme a gravidade da infração, de R$ 1.195,13 (um mil cento e noventa e cinco reais e treze centavos) a R$ 119.512,33 (cento e dezenove mil quinhentos e doze reais e trinta e três centavos); Fl. 681DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 28/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 DO PEDIDO DE RELEVAÇÃO DA MULTA A recorrente pleiteia relevação da multa, com base no art. 291, § 1o do Decreto n. 3.048/99, então vigente há época, verbis: Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. § 1º A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. (grifo nosso) A recorrente juntou nas fls. 61/622 dos autos vários documentos para embasar a correção das faltas ensejadoras da aplicação da multa. Convertido o julgamento em diligência, para que o fiscal autuante se manifestasse acerca da documentação juntada, o mesmo, na fl. 629, informou que a recorrente não juntou documentos que demonstrassem a correção. Diante disso, verificase que a recorrente não corrigiu a falta dentro do prazo para impugnação, conforme previsão legal. Por esse motivo, não deve ser aplicada a relevação da multa. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto pelo não provimento do presente Recurso Voluntário. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 682DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 28/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10865.001251/2008-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2007
SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. ABONO SALARIAL PREVISTO EM CONVENÇÃO COLETIVA. DESVINCULAÇÃO DO SALÁRIO. INEXISTÊNCIA.
Deve integrar o salário de contribuição e ser base de cálculo para a incidência das contribuições sociais previdenciárias o abono salarial pago aos segurados empregados por força de convenção coletiva, mas não desvinculado do salário por lei em sentido formal.
ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF N°. 02
Aplicação da Súmula CARF n°. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2201-009.472
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Debora Fofano dos Santos, Thiago Buschinelli Sorrentino (suplente convocado(a)), Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: Daniel Melo Mendes Bezerra
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 09 09:00:03 UTC 2022
anomes_sessao_s : 202112
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2007 SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. ABONO SALARIAL PREVISTO EM CONVENÇÃO COLETIVA. DESVINCULAÇÃO DO SALÁRIO. INEXISTÊNCIA. Deve integrar o salário de contribuição e ser base de cálculo para a incidência das contribuições sociais previdenciárias o abono salarial pago aos segurados empregados por força de convenção coletiva, mas não desvinculado do salário por lei em sentido formal. ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF N°. 02 Aplicação da Súmula CARF n°. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2022
numero_processo_s : 10865.001251/2008-51
anomes_publicacao_s : 202204
conteudo_id_s : 6588037
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 2201-009.472
nome_arquivo_s : Decisao_10865001251200851.PDF
ano_publicacao_s : 2022
nome_relator_s : Daniel Melo Mendes Bezerra
nome_arquivo_pdf_s : 10865001251200851_6588037.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Debora Fofano dos Santos, Thiago Buschinelli Sorrentino (suplente convocado(a)), Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2021
id : 9270452
ano_sessao_s : 2021
atualizado_anexos_dt : Sat Apr 09 09:55:50 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1729624173862453248
conteudo_txt : Metadados => date: 2022-03-23T22:54:44Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.7; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2019; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2022-03-23T22:54:44Z; Last-Modified: 2022-03-23T22:54:44Z; dcterms:modified: 2022-03-23T22:54:44Z; dc:format: application/pdf; version=1.7; xmpMM:DocumentID: uuid:8E18B761-74AF-46A1-BED1-5ED4C8B833DA; Last-Save-Date: 2022-03-23T22:54:44Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2019; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2022-03-23T22:54:44Z; meta:save-date: 2022-03-23T22:54:44Z; pdf:encrypted: true; modified: 2022-03-23T22:54:44Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2022-03-23T22:54:44Z; created: 2022-03-23T22:54:44Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2022-03-23T22:54:44Z; pdf:charsPerPage: 1762; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2022-03-23T22:54:44Z | Conteúdo => S2-C 2T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10865.001251/2008-51 Recurso Voluntário Acórdão nº 2201-009.472 – 2ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 01 de dezembro de 2021 Recorrente IBERIA INDUSTRIA DE EMBALAGENS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2007 SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. ABONO SALARIAL PREVISTO EM CONVENÇÃO COLETIVA. DESVINCULAÇÃO DO SALÁRIO. INEXISTÊNCIA. Deve integrar o salário de contribuição e ser base de cálculo para a incidência das contribuições sociais previdenciárias o abono salarial pago aos segurados empregados por força de convenção coletiva, mas não desvinculado do salário por lei em sentido formal. ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF N°. 02 Aplicação da Súmula CARF n°. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Debora Fofano dos Santos, Thiago Buschinelli Sorrentino (suplente convocado(a)), Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 12 51 /2 00 8- 51 Fl. 270DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-009.472 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.001251/2008-51 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo contra decisão da DRJ que julgou o lançamento procedente em parte. Reproduzo o relatório da decisão de primeira, por bem sintetizar os fatos: Trata-se o presente processo de Auto de Infração de obrigação principal - AI/DEBCAD n° 37.152.232-3. lavrado em face do contribuinte acima identificado, referente às contribuições devidas às outras entidades e fundos, ditas ‘terceiros, quais sejam: SESI, SENAI, SEBRAE, INCRA e SALÁRIO-EDUCAÇÃO. Constituíram-se em fatos geradores da contribuição os valores pagos aos empregados a título de 'abono pecuniário convenção ”, apurados nas folhas de pagamento e registrados na contabilidade da empresa autuada, em período descontínuo compreendido entre as competências janeiro/2002 a janeiro/2007, verbas estas não oferecidas à tributação. O lançamento assim constituído importou em R$ 90.442,18 (noventa mil, quatrocentos e quarenta e dois reais e dezoito centavos), consolidado em 30/05/2008. A empresa interessada apresentou impugnação tempestiva alegando, em síntese, que: i) as contribuições cujos fatos geradores remontam às competências entre 01/2002 a 06/2003 estão atingidas pela decadência, conforme recente Súmula Vinculante n° 8, que declarou inconstitucional o art. 45 da Lei n° 8.212/91, o mesmo ocorrendo com as obrigações acessórias que lhe seguiram; ii) as verbas pagas a título de “ Pecuniário Convenção’’ estão previstas nas Convenções Coletivas da qual a autuada é signatária e nela se encontram expressamente desvinculados do salário, por serem únicas e excepcionais; sustenta sua tese dizendo que “ nunca se tem certeza se nos próximos acordos haverá a sua ” (destacado no original), que seu pagamento não era mensal, e que as convenções coletivas tem força para assim o dispor; busca ainda enquadrar tais pagamentos sob a égide da Lei de Custeio da Previdência Social, art. 28, § 9o, ‘e\ 7; iii) é inconstitucional as contribuições cobradas em favor dos ‘terceiros’, transcrevendo doutrinas e jurisprudências. Posto nestes argumentos, requer o cancelamento do lançamento em escopo, com a conseqüente extinção do crédito tributário. É a síntese dos autos. A DRJ julgou o lançamento procedente em parte nos termos da seguinte ementa: DECADÊNCIA. TERCEIROS. OCORRÊNCIA PARCIAL. A partir da publicação da Súmula Vinculante n° 08 do STF, em 20/06/2008, que reconheceu a inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, aplica-se aos créditos previdenciários o prazo decadencial quinquenal, previsto no Código Tributário Nacional. É pacifico o entendimento de que as contribuições devidas às outras entidades ou fundos, ditas ‘terceiros’, na forma da legislação em vigor, são de natureza tributária. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. HIPÓTESE DE NÃO INCIDÊNCIA. Fl. 271DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-009.472 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.001251/2008-51 A contribuição a cargo da empresa incide sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditas, a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviço. O salário de contribuição do empregado corresponde à remuneração auferida, assim entendida como sendo a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados, a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. As hipóteses de não-incidência ao salário de contribuição são aquelas arroladas em relação exaustiva no § 9o do art. 28 da Lei n° 8.212/91. Entende-se por abono desvinculado do salário aqueles assim expressamente previstos em Lei. INCONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS. ESFERA ADMINISTRATIVA. A lei, cuja invalidade ou inconstitucionalidade não tenha sido declarada, surte os seus efeitos enquanto estiver vigente e deve, obrigatoriamente, ser cumprida pela autoridade administrativa por força do ato administrativo vinculado, não sendo o fórum administrativo próprio para albergar discussões dessa ordem. TERCEIROS. SESI. SENAI. SEBRAE. INCRA. SALÁRIO-EDUCAÇÃO. LEGALIDADE. Contribuição adicional devida por todas as empresas que contribuem para o SESC/SENAC ou SESI/SENAI, a contribuição ao SEBRAE se constitui em contribuição de intervenção no domínio econômico, que dispensa seja o contribuinte virtualmente beneficiado. A contribuição devida ao INCRA foi instituída pela Lei n° 2.613/55, sendo devida por todas as empresas, e não somente pelas vinculadas ao setor rural. Intimado da referida decisão em 10/03/2009 (fl.223), o sujeito passivo apresentou recurso voluntário em 07/04/2009 (fls.228/251), alegando, em síntese, que: - A decadência parcial do crédito tributário, em razão da aplicação da regra inserta no art. 150, § 4º do CTN; - A não incidência da contribuição previdenciária sobre o abono pecuniário previsto em Convenção Coletiva; - A Constituição prevê que em relação a contribuição destinadas a outras entidades e fundos (terceiros) só deve haver incidência sobre a folha de salários. O abono pecuniário pago não está compreendido no conceito de salário, mas sim de remuneração. - A inconstitucionalidade das contribuições destinadas ao INCRA, Salário Educação e a inexigibilidade das contribuições ao SESI, SEBRAE e SENAI. É o relatório. Voto Fl. 272DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-009.472 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.001251/2008-51 Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Da Decadência A recorrente roga pleiteia o reconhecimento da decadência em maior extensão, com o fundamento de que houve antecipação do pagamento, atraindo a regra de contagem do prazo decadencial estabelecida pelo art. 150, § 4º do CTN. A ciência do lançamento se deu em 11/06/2008 (fl.46). A decisão de piso aplicou a contagem do prazo decadencial do art. 173, I, do CTN, em razão de concluir não ter havido antecipação do pagamento das contribuições objeto do lançamento. As telas dos sistemas informatizados colacionadas às fls. 442/443, do processo nº 10865.000954/2008-61, não atestam antecipação do pagamento das contribuições destinadas a outras entidades e fundos (terceiros), mas tão somente o recolhimento das contribuições previdenciárias. Assim sendo, entendo que a decisão recorrida não merece retoque quanto a este tocante. No Mérito O presente lançamento tem por escopo apurar e constituir os créditos relativos às contribuições sociais previdenciárias e destinadas a terceiros não recolhidas no prazo legal estabelecido, não declaradas em GFIP - Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre o abono pecuniário pago de acordo com o estabelecido em Convenção Coletiva de Trabalho. Em que pesem os notórios esforços do redator da Convenção Coletiva de Trabalho para desvincular o abono pago aos trabalhadores da respectiva remuneração, sem nenhuma repercussão nas esferas trabalhista e tributária, o referido instrumento normativo não pode se sobrepor à lei, que é taxativa ao prevê que não integram o salário de contribuição os abonos expressamente desvinculados da remuneração por força de lei. Prevê o art. 28, § 9º, “e”, 7, da Lei nº 8.212/91: Art. 28. Entende-se por salário-de-contribuição: (...) § 9º Não integram o salário-de-contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) e) as importâncias: (...) 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário. Fl. 273DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-009.472 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.001251/2008-51 Verifica-se, pois, que o abono recebido pelos empregados da recorrente não se enquadra em nenhuma das condições estabelecidas no supra citado item 7 da legislação de regência. Não é um ganho eventual, eis que se repetiu em vários anos consecutivos, nem é desvinculado da remuneração, diante da ausência de lei nesse sentido. De outro lado, o abono não pode ser considerado como uma ajuda de custo isenta da tributação, vez que que não visa custear despesas com a mudança do local de trabalho do empregado, hipótese prevista na alínea “g” do citado dispositivo legal. Por fim, deve ser ressaltado que a folha de salários utilizada para o lançamento da contribuição destinada a terceiros, que, por força de lei, utiliza a mesma base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias, é a integralidade dos proventos recebidos pelo empregado que não se enquadram nas exceções previstas no art. 28, § 9º e incisos da Lei nº 8.212/91. Assim sendo, não assiste razão ao sujeito passivo. Da Alegação de Inconstitucionalidade de Normas Vigentes O recorrente baseou integralmente o seu recurso na afronta a normas e princípios constitucionais. No que pertine às alegações de inconstitucionalidade de lei válida, vigente e eficaz não cabe manifestação desse colegiado. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula CARF n° 02: Súmula CARF n°. 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. A autoridade administrativa é vinculada à legalidade estrita, seja nos termos da Lei 8.112 de 1990, em seu artigo 116, III, seja pelo artigo 41, inciso IV, do Anexo II, do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09/06/2015. Assim, a partir do momento em que a norma é inserida em nosso sistema legislativo, é obrigação da autoridade administrativa a sua aplicação, não cabendo ao julgador administrativo expressar seu juízo de valor por eventuais injustiças que esta norma tenha causado, papel este incumbido aos tribunais competentes. A hipótese colocada, sem dúvida alguma, configura aquela situação prevista na Súmula CARF n° 02 supra transcrita. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário para, no mérito, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Fl. 274DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-009.472 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.001251/2008-51 Fl. 275DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002457/2008-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 20/06/2008
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DEIXAR DE APRESENTAR DOCUMENTOS OU LIVROS RELACIONADOS COM AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
Constitui infração à legislação deixar de exibir livros ou documentos relacionados com as contribuições sociais previdenciárias.
Numero da decisão: 2201-009.490
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Debora Fofano dos Santos, Thiago Buschinelli Sorrentino (suplente convocado(a)), Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: Daniel Melo Mendes Bezerra
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 09 09:00:03 UTC 2022
anomes_sessao_s : 202112
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 20/06/2008 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DEIXAR DE APRESENTAR DOCUMENTOS OU LIVROS RELACIONADOS COM AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Constitui infração à legislação deixar de exibir livros ou documentos relacionados com as contribuições sociais previdenciárias.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2022
numero_processo_s : 19515.002457/2008-42
anomes_publicacao_s : 202204
conteudo_id_s : 6588038
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 2201-009.490
nome_arquivo_s : Decisao_19515002457200842.PDF
ano_publicacao_s : 2022
nome_relator_s : Daniel Melo Mendes Bezerra
nome_arquivo_pdf_s : 19515002457200842_6588038.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Debora Fofano dos Santos, Thiago Buschinelli Sorrentino (suplente convocado(a)), Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2021
id : 9270454
ano_sessao_s : 2021
atualizado_anexos_dt : Sat Apr 09 09:55:50 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1729624173875036160
conteudo_txt : Metadados => date: 2022-03-31T02:52:59Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.7; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2019; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2022-03-31T02:52:59Z; Last-Modified: 2022-03-31T02:52:59Z; dcterms:modified: 2022-03-31T02:52:59Z; dc:format: application/pdf; version=1.7; xmpMM:DocumentID: uuid:195EB6F1-970D-4652-9F22-28F0F084F877; Last-Save-Date: 2022-03-31T02:52:59Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2019; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2022-03-31T02:52:59Z; meta:save-date: 2022-03-31T02:52:59Z; pdf:encrypted: true; modified: 2022-03-31T02:52:59Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2022-03-31T02:52:59Z; created: 2022-03-31T02:52:59Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2022-03-31T02:52:59Z; pdf:charsPerPage: 1610; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2022-03-31T02:52:59Z | Conteúdo => S2-C 2T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 19515.002457/2008-42 Recurso Voluntário Acórdão nº 2201-009.490 – 2ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 01 de dezembro de 2021 Recorrente AVIGNON COMERCIAL E IMPORTADORA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 20/06/2008 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DEIXAR DE APRESENTAR DOCUMENTOS OU LIVROS RELACIONADOS COM AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Constitui infração à legislação deixar de exibir livros ou documentos relacionados com as contribuições sociais previdenciárias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Debora Fofano dos Santos, Thiago Buschinelli Sorrentino (suplente convocado(a)), Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo contra decisão da DRJ que julgou o lançamento procedente. Reproduzo o relatório da decisão de primeira, por bem sintetizar os fatos: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 24 57 /2 00 8- 42 Fl. 136DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-009.490 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.002457/2008-42 Trata-se de Auto de Infração (Al) DEBCAD n.° 37.089,645-9. 20/06/2008. lavrado pela fiscalização, contra a empresa retro identificadá, por infração ao disposto no artigo 33, parágrafos 2° e 3o da Lei n.° 8.212/91 e nos artigos '232 e 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social- RPS, aprovado pelo Decreto n 0 3.048/99, tendo em vista que, de acordo com o Relatório Fiscal da Infração, de fls. 14, ela deixou de apresentar à fiscalização os seguintes documentos: a) Cópia do CPF, RG e comprovantes de residência dos sócios pessoas físicas; b) Declaração contendo os dados (Identificação, CPF ou CNPJ, endereço e CRC) das pessoas responsáveis pela escrituração contábil; c) Livro Diário; d) Livro Razão; e) Livro Registro de Inventário; f) Balancetes contábeis mensais; g) Balanço Patrimonial; h) Demonstração do Resultado do Exercício; i) Livro de Inspeção do Trabalho; k) Livro ou Fichas de Registro de Empregados. Acresce ainda que, para os fins previstos no art.6 4, da lei 9.532/97 e no art. 7o da IN SRF n° 264/02, embora conste no Balanço da DIPJ/2005 Bens Móveis e Imóveis, a empresa não apresentou e nem justificou a falta de apresentação de Certidões de Bens Imóveis. Certificados de Propriedade de Veículos ou outros documentos como Notas Fiscais de compra de bens ou direito suscetíveis de registro público ou de outros bens e direitos para complementar o montante dos créditos constituídos. O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, de fls. 15, por sua vez, informa que a multa aplicada para esta infração foi de R$ 37.646,31 (trinta e sete mil, seiscentos e quarenta e seis reais e trinta e um centavos), conforme previsto no art. 283, II, “j” do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048, de 06/05/1999, na gradação estabelecida pelo artigo 292, inciso IV deste mesmo diploma legal, sendo que esta foi atualizada, como disposto no art. 102 da Lei n.° 8.212/91, através da Portaria Interministerial MPS/MF n° 77, de 11 de março de 2008, publicada no D.O.U., de 12/03/2008, pois a empresa incorreu em reincidência específica, tendo em vista que: Consta no Sistema Informatizado da Previdência Social o AI n 0 35.4t de 28/02/2005, lavrado em ação fiscal anterior, por infração ao art. 33, §§ 2o e 3o da Lei 8.212/91, combinado com os arts. 232 e 233, § único, do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3048/99, com decisão administrativa definitiva em 12/07/2005. Não ocorreram outras circunstâncias agravantes. DA IMPUGNAÇÃO Tempestivamente, conforme despacho de fls.43, a Autuada impugnou o lançamento através da defesa de fls. 25/30, juntando procuração e cópias de contrato social e relatórios fiscais, às fls.31/41, alegando em síntese: DA NULIDADE DA IMPOSIÇÃO DA SANÇÃO De acordo com o Relatório Fiscal da Aplicação de Multa, item "1", a Impugnante foi autuada sob idêntica fundamentação e enquadramento legal, em 28/02/2005, Debcad n° 35.468.828-6. O procedimento que culminou na lavratura do mencionado Auto, abrangia o mesmo período que ora se impugna, sendo certo que houve, na ocasião, a verificação de todos os itens repetidos no presente. É certo que a manutenção deste Auto que ora se impugna caracteriza “bis in idem”. Transcreve julgados sobre bis in idem. Ressalta que trata-se de idêntica infração, tendo por objetos os mesmos fatos e períodos, tomando-se claro a repetição da pena, motivo pelo qual deve ser cancelado o presente Auto. DA EXIBIÇÃO DOS DOCUMENTOS Alega que ao contrário do que afirma o fisco a Impugnante apresentou cópia do CPF, RG e comprovante de residência de seu sócio vivo, não fornecendo do outro por tratar- se de espólio. Quanto às “Certidões de Bens Imóveis, Certificados de Propriedade de Veículos e Notas Fiscais de compra de bens ou direito suscetíveis de registro público”, não foram exibidas pelo fato de a impugnante não possuir, por ocasião da fiscalização, bens imóveis, veículos ou outros bens passíveis de registro público em seu ativo. Fl. 137DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-009.490 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.002457/2008-42 Portanto, não havendo documentos relacionados ao item requerido a serem apresentados não pode prosperar a sanção por sua falta. DOS DEMAIS DOCUMENTOS SOLICITADOS Também não pode prosperar o presente Auto em relação aos demais documentos não especificados no tópico anterior. Como informado à fiscalização, referidos documentos encontravam-se arquivados em local que, sem que se pudesse evitar, foi inundado por forte chuva ocorrida no mês de fevereiro do corrente ano, sendo que nesta ocasião boa parte dos arquivos da Impugnante, dentre os quais os relativos ao período objeto de fiscalização perdeu-se pela deterioração, tomando-se imprestáveis para qualquer fim. A impugnante vem se esforçando para recompô-los, sendo certo que a não apresentação desses documentos não decorreram de simples negativa da autuada, mas sim de motivo de força maior. Portanto, não pode prosperar sanção imposta por fato que a empresa não deu causa, sequer concorreu de alguma forma. É o relatório. A DRJ julgou o lançamento procedente nos termos da seguinte ementa: DIREITO PREVIDENCIÁRIO. INFRAÇÃO. EXIBIR DOCUMENTOS. OBRIGATORIEDADE. Deixar a empresa de exibir qualquer livro ou documento reiacionado com as contribuições para a Seguridade Social ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira constitui infração à legislação previdenciária. NORMAS PROCESSUAIS. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. PRODUÇÃO DE PROVAS. PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA. INDEFERIMENTO. O momento para a produção de provas, no processo administrativo, é juntamente com a impugnação. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências e ou perícia, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Intimado da referida decisão em 10/09/2009 (fl.57), o sujeito passivo apresentou recurso voluntário em 13/10/2009 (fls.60/65), reiterando as razões apresentadas na peça impugnatória. É o relatório. Fl. 138DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-009.490 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.002457/2008-42 Voto Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Da Aplicação do art. 57, § 3º do Regimento Interno do CARF Em razão de as alegações do recurso coincidirem com as manifestações já aduzidas por ocasião do protocolo da impugnação e por este Relator estar de acordo com os fundamentos insertos no acórdão recorrido, adoto-o como minha razão de decidir, com base no art. 57, 3º do Regimento Interno do CARF, o que faço nos termos da transcrição abaixo: Tendo sido a impugnação apresentada com a observância do prazo estipulado no artigo 293, parágrafo 1o do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado peio Decreto n,° 3.048, de 06/05/1999, na redação dada pelo Decreto n.° 6.103, de 30/04/2007, dela tomo conhecimento. Em que pesem as alegações apresentadas pela empresa, estas não têm o condão de elidir o presente procedimento fiscal, como será demonstrado a seguir. Ressalte-se, no caso, que, nos-termos do artigo 17 do Decreto n.° 70.235, de 06/03/1972, na redação dada pela Lei n.° 9.532 de 10/12/1997,,e considerada como não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Cabe observar, no caso, que a empresa incorreu em infração ao artigo 33, parágrafos 2o e 3o da Lei n° 8.212, de 24/07/1991 e aos artigos 232 e 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n.° 3.048, de 06/05/1999, a seguir transcritos, ao deixar de apresentar à fiscalização livros e documentos relacionados as contribuições previdenciárias, descritos no relatório fiscal: Lei 8.212/91: Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social - INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançare normalizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal - SRF compele arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. II, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei n° 10.256, de 9/7/2001) § 2o A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o sindico ou seu representante, o comissário e o liqüidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. § 3n Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social-INSS e o Departamento da Receita Federal-DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de oficio importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Fl. 139DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-009.490 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.002457/2008-42 RPS aprovado pelo Decreto 3.048/99: Art.232. A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Art.233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de oficio importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considera-se deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira, A fiscalização, ao constatar a ocorrência de infração a dispositivo da legislação previdenciária, lavrou o presente Auto de Infração, cumprindo o que determina os artigos 2° e 3° da Lei n° 11457 de 16/03/2007, D.O.U. 19/03/2007, bem como o artigo 293 do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n° 3048/99. A multa aplicada para esta infração foi de RS 37.646,31 ( trinta e sete mil, seiscentos e quarenta e seis reais e trinta e um centavos), conforme disposto nos artigos 92 e 102 da Lei n.° 8.212/91, e nos artigos 283, inciso II, alínea “j” e 373 do RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99, na gradação estabelecida pelo artigo 292, inciso IV deste mesmo diploma legal, sendo que esta foi atualizada através da Portaria Interministerial MPS/MF n° 77, de 11 de março de 2008, publicada no D.O.U., de 12/03/2008, pois, por ter a empresa incorrido em reincidência específica o valor mínimo de RS 12.548,77 foi elevado em três vezes. No que diz respeito à reincidência, e sua influência na gradação da multa aplicada em AI, tem-se que devem ser observados os dispositivos legais a seguir transcritos. RPS. aprovado pelo Decreto n° 3.048/99: Art.290. Constituem circunstâncias agravantes da infração, das quais dependerá a gradação da multa, ter o infrator: (...) V - incorrido em reincidência. Parágrafo único.Caracteriza reincidência a prática de nova infração a dispositivo da legislação por uma mesma pessoa ou por seu sucessor dentro de cinco anos da data em que se tornar irrecorrível administrativamente a decisão condenatória, da data do pagamento ou da data em que se configurou a revelia, referentes à autuação anterior. (Redação dada pelo Decreto n° 6.032, de 2007) (...) Art.292. As multas serão aplicadas da seguinte forma: (...) ÍV - a asravante do inciso V do art. 290 eleva a multa em três vezes a cada reincidência no mesmo tipo de infração, e em duas vezes em caso de reincidência em infrações diferentes, observados os valores máximos estabelecidos no caput dos arts. 283 e 286, conforme o caso; e (...) Fl. 140DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-009.490 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.002457/2008-42 INSTRUÇÃO NORMATIVA MPS/SRP N° 3, DE 14/07/2005 - DOU DE 15/07/2005 Art. 655. Constituem circunstâncias agravantes da infração, das quais dependerá a gradação da multa, ter o infrator: V - incorrido em reincidência. § Io Caracteriza-se reincidência a prática de nova infração a dispositivo da legislação por uma mesma pessoa ou por seu sucessor, dentro de cinco anos da data em que se tornar irrecorrível administrativamente a decisão condenatória, da data do pagamento ou da data em que se configurou a revelia, referentes à autuação anterior. (Novo redaçüo dada peto IN MPS/SRP n* 23, de 30/04/2007) (...) § 3o Reincidência específica é a prática de nova infração ao mesmo dispositivo levai e reincidência genérica, a prática de nova infração de natureza diversa. (grifos nossos) No presente caso, foi verificada, pela fiscalização, a existência do AI n.° 35.468.828-6, de 28/02/2005, com código de fundamentação legal (CFL) 38, lavrado em ação fiscal anterior, por infração ao mesmo dispositivo legal, ou seja, artigo 33, parágrafo 2o e 3o da Lei n.° 8.212/91, com decisão administrativa definitiva em 12/07/2005 e, a prática de nova infração neste Auto, ocorreu em 20/06/2008, dentro de cinco anos da data em que se tornou irrecorrível administrativamente a decisão condenatória, caracterizando assim, a reincidência específica considerada no cálculo da multa aplicada neste Auto. Conforme dispositivos acima transcritos, verifica-se que uma mesma conduta por parte do contribuinte poderá ser objeto de mais de uma autuação em diferentes ações fiscais, não caracterizando o bis- in- idem alegado. Portanto, cabe salientar, se a empresa incorrer novamente na referida infração - deixar de exibir os documentos e livros relacionados com as contribuições previdenciárias - solicitados pela fiscalização, caberá tantas autuaçi quantas forem as diferentes ações fiscais, com base na mesma infração. De acordo com o relatório fiscal da infração são vários os documentos não apresentados, exemplificando: Livro Diário - Livro Razão -Livro Registro de Inventário - Balancetes contábeis mensais - Balanço Patrimonial - Demonstração do Resultado do Exercício, ou seja, toda a documentação relativa à contabilidade da empresa e, a autuada ao se defender da presente autuação apenas alega genericamente que não pode apresentar os documentos solicitados por motivo de força maior, pois os mesmos encontravam-se arquivados em local que foi inundado por forte chuva, deteriorando-se. Todavia, a impugnante não trouxe aos autos nenhum elemento comprobatório de suas alegações visando à modificação dos valores lançados. Neste sentido, manifesta-se com precisão Lídia Maria Lopes Rodrigues Ribas, em sua obra Processo Administrativo Tributário, Malheiros Editores, 2000, pg. 184-185: "As alegações de defesa que não estiverem acompanhadas de produção das competentes e eficazes provas desfiguram-se e obliteram os arrazoados defensórios, pelo que prospera a exigibilidade fiscal ”. (...) A parte que não produz prova, convincentemente, dos fatos alegados sujeita-se às consequências do sucumbimento, porque não basta alegar. O contribuinte pode argüir diversas matérias pertinentes à sua defesa, a participação processual do contribuinte deve ser a mais abrangente possível, porém, sua impugnação há de ser específica, deve indicar o que pretende refutar e produzir provas, no prazo de defesa, trazer a este julgado todos os dados comprovadores dos fatos que alega e que entende como suficientes para reformar o lançamento. De forma contrária, o que temos é mera alegação sem prova, fato este que não deve ter campo favorável dentro do Fl. 141DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-009.490 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.002457/2008-42 processo administrativo.A parte que não produz prova, convincentemente, dos fatos alegados, sujeita-se às consequências do sucumbimento, porque não basta alegar. Ao alegar fato modificativo ou extintivo, o ônus da prova é do Contribuinte. Cabe salientar ainda que, a fiscalização afirma no relatório fiscal que, embora conste no Balanço da DIPJ/2005 Bens Móveis c Imóveis, a empresa não apresentou e nem justificou a falta de apresentação de Certidões de Bens Imóveis, Certificados de Propriedade de Veículos ou outros documentos como Notas Fiscais de compra de bens ou direito suscetíveis de registro público ou de outros bens e direitos para complementar o montante dos créditos constituídos e, a autuada em relação a este tópico também simplesmente alega que tais documentos não foram exibidos pelo fato de a impugnante não possuir, por ocasião da fiscalização, bens imóveis, veículos ou outros bens passíveis de registro público em seu ativo, todavia, não traz aos autos nenhuma prova de suas alegações. Entretanto, poderia a mesma ter facilmente comprovado este fato, apresentando à fiscalização ou juntando à defesa os seus registros contábeis. Visto que a multa foi aplicada conforme a legislação determina, ela não pode ser afastada. De acordo com o inciso VI do art. 97 do CTN, somente a lei pode estabelecer as hipóteses de dispensa ou redução de penalidades. Não há lei que contemple as hipóteses alegadas como razão para a dispensa da multa em lide. Ocorre que a autoridade fiscal não sei pode furtar ao cumprimento da legislação vigente, pois sua atividade é plenamente vinculada, sob pena de responsabilidade funcional (parágrafo único do art. 142 do CTN). Quanto ao pedido para a produção de novas provas, cumpre esclarecer que, no processo administrativo fiscal, regido pelo Decreto n.° 70.235, de 1972, só se admite prova documental. Não há previsão de provas testemunhais. Acrescenta-se que o momento oportuno para a juntada de provas em que se fundamentam as alegações é quando da apresentação da impugnação (art. 15 do Dec. n.° 70.235, de 1972). O § 4o e o § 5o do art.16 do Dec. n.° 70.235, de 1972, instituídos pelo art. 67 da Lei n.° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, estabelecem a preclusão da juntada de prova documental após trazida a impugnação, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação por motivo de força maior; b) refira- se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Sem a comprovação da ocorrência de uma dessas condições, não há falar em juntada de novos documentos. Da mesma forma, considera-se não formulado o pedido de diligência e perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do Dec. n.° 70.235, de 1972, acrescido pelo art. l.° da Lei n.° 8.748, de 09 de dezembro de 1993 (§ Io do mesmo art. 16). A impugnante não indica perito, não formula quesitos nem esclarece que exames deseja realizar. Cabe salientar que, não obstante o pedido de realização de diligência e perícia serem indeferido, em razão da ausência dos motivos que a justifiquem, e tendo sido este efetuado em desconformidade com o prescrito no inciso IV do artigo 16 do Decreto n° 70.235/72, o que se verifica é que não foram trazidas aos autos nenhuma razão subsistente ou ao menos foi juntada documentação que a justificasse, ainda que tal pedido tivesse sido feito nos parâmetros legais. O que se verifica nos autos é um pedido de diligência e/ou perícia para produção regular de provas, onde bastaria à empresa apresentar documentação que pudesse comprovar suas alegações, motivo pelo qual entende esta autoridade julgadora ser a diligência e/ou perícia desnecessária e protelatória. Finalizando, os autos encontram-se corretamente constituídos quanto aos seus aspectos: formal e de mérito, tendo sido fornecidos ao Contribuinte, na forma das normas em vigor, os meios a ele inerentes ao exercício do direito constitucional do contraditório e da ampla defesa, conforme atestam as peças que compõem a presente Autuação e o presente procedimento administrativo, mas que deles não se desincumbiu, seja pela utilização de argumentos consistentes, ou juntada de documentos capazes de elidir o feito fiscal. Fl. 142DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2201-009.490 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.002457/2008-42 no sentido de considerar PROCEDENTE a AUTUAÇÃO. Nestes termos, a decisão recorrida deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário para, no mérito, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Fl. 143DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 17460.000219/2007-79
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/10/2006
Ementa:
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP OMISSÃO DE FATOS GERADORES.
Constitui infração à legislação previdenciária apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
MULTA APLICADA A MENOR. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO. NULIDADE.
Constatada a aplicação de multa em valor inferior ao correto impõe-se o reconhecimento da nulidade do auto de infração,
ante a impossibilidade de retificação do valor da multa aplicada para maior.
Numero da decisão: 2403-000.848
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso de ofício.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 09 09:00:03 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201110
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/10/2006 Ementa: OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP OMISSÃO DE FATOS GERADORES. Constitui infração à legislação previdenciária apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. MULTA APLICADA A MENOR. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO. NULIDADE. Constatada a aplicação de multa em valor inferior ao correto impõe-se o reconhecimento da nulidade do auto de infração, ante a impossibilidade de retificação do valor da multa aplicada para maior.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 17460.000219/2007-79
conteudo_id_s : 5328510
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 2403-000.848
nome_arquivo_s : Decisao_17460000219200779.pdf
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
nome_arquivo_pdf_s : 17460000219200779_5328510.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso de ofício.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
id : 5326927
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Sat Apr 09 09:55:44 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1729624173884473344
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1376; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 226 1 225 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 17460.000219/200779 Recurso nº 260.269 De Ofício Acórdão nº 2403000.848 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 26 de outubro de 2011 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente BICAL BIRIGUI CALÇADOS INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA Interessado DRJ RIBEIRÃO PRETO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/10/2006 Ementa: OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP OMISSÃO DE FATOS GERADORES. Constitui infração à legislação previdenciária apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. MULTA APLICADA A MENOR. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO. NULIDADE. Constatada a aplicação de multa em valor inferior ao correto impõese o reconhecimento da nulidade do autodeinfração, ante a impossibilidade de retificação do valor da multa aplicada para maior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso de ofício. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 226DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Presidente/Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Cid Marconi Gurgel de Souza e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 227DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 17460.000219/200779 Acórdão n.º 2403000.848 S2C4T3 Fl. 227 3 Relatório Tratase de recurso de ofício apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, Acórdão 14 17.129 9ª Turma, que julgou nulo o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal acessória por ter sido a multa aplicada em valor inferior ao devido. O crédito inicialmente lançado era de R$ 1.646.741,42. A fiscalização, no Relatório Fiscal da Infração, folhas 15 e 16, assim descreveu os fatos que motivaram a autuação: 2. A empresa apresentou o documento previsto no artigo 32, inciso IV da Lei n2 8.212 de 24/07/1991, acrescentado pela Medida Provisória n , 159614/1997, convertida na Lei n 2 9.528 de 10/12/1997, regulamentada pelo Decreto n° 2.803 de 20/10/1998 e Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n°3.048/99 as Guias de Recolhimentos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP's e Guias de Recolhimentos Rescisórios do FGTS e Informações à Previdência Social — GRFP, do período objeto de fiscalização (01/1999 a 10/06), com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições. Este procedimento constitui infração ao disposto no artigo 32, inciso IV, § 5. 2 , da Lei n. 8212, de 24/07/91, acrescentado pela Lei n. 2 9.528/97, para o período de 01/99 a 10/2006, conforme destacamos: 2.1. Remuneração pagas e/ou creditadas a contribuintes individuais (autônomos) constantes de Planilha anexa, conforme Códigos de Levantamento inc uído na NFLD No. 37069.6255: LEVANTAMENTO PLAPROLABORE E AUTÔNOMOS Período de 01/99 a 08/2006; 22. Remuneração pagas e/ou creditadas a contribuintes individuais (Prólabore a Autônomos), constantes de Planilha Anexa, cujas contribuições foram regularmente recolhidas. 2.3. Remuneração pagas e/ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais (empresários) das empresas LA DOS SANTOS GARCIA CALÇADOS LTDA—EPP, LC FINATI CALÇADOS LTDA—EPP, GONÇALEZ & BOSQUETTE LTDA—EPP, DEBORTOLI & DEBORTOLI CALÇADOS LTDA—EPP, V A VITORETTE CALÇADOS LTDA—EPP e STÁBILE & BENASSE CALÇADOS LTDA—EPP, todos considerados pela fiscalização como empregados da BICAL – BIRIGUI CALÇADOS IND. E COM. LTDA, face a existência dos pressupostos caracterizadores da relação de emprego: não eventualidade, pessoalidade, onerosidade e subordinação. Os valores constam de Planilhas Anexas e foram incluidos na NFLD No. 37.069.6220 Fl. 228DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 A ciência do lançamento ocorreu em 17/04/2007, após o que a recorrente apresentou impugnação. A DRJ, na sessão de 04 de outubro de 2007, onde foi proferido o Acórdão n° 1417.129 9ª Turma, por unanimidade de votos, entendeu que houve a infração porém, como o valor da multa aplicada estava incorreto decidiu pela nulidade do auto de infração e assim se manifestou: Quanto ao valor da multa aplicada, a mesma foi calculada, conforme já dito, com base na Portaria MPS 342, de 16 de agosto de 2006 (DOU 17/08/2007)(sic) que estabelece R$ 1.156,95 (um mil cento e cinqüenta e seis reais e noventa e cinco centavos) como o valor mínimo da multa pela infração a qualquer dispositivo do RPS para a qual não haja penalidade expressamente cominada. Ocorre que tal Portaria foi revogada pela Portaria MPS 142, de 11 de abril de 2007 que estabeleceu, a partir de 01/04/2007, o valor mínimo da multa pelas infrações mencionadas no parágrafo anterior, de R$ 1.195,13 (um mil cento e noventa e cinco reais e treze centavos). A Portaria 142 foi publicada no DOU de 12/04/2007 e seu artigo 12 dispõe que a mesma entra em vigor na data de sua publicação. Tendo sido lavrado o autodeinfração em 13/04/2007, se sujeita o mesmo aos valores estabelecidos pela Portaria 142, publicada no dia anterior. Assim, o fundamento legal, no que tange à Portaria de atualização dos valores da multa aplicada, está incorreto, e conseqüentemente, o valor mínimo que foi levado em consideração para cálculo da multa nas competências: 05 a 08/2003, 10/2003, 11/2003, 01 a 11/2004, 01 a 12/2005 e 01 a 10/2006 está a menor posto que a fiscalização utilizou como tal R$ 1.156,95 (com base na Portaria 342) quando o correto seria R$ 1.195,13 (Portaria 142). A Portaria RFB 10.875, de 16 de agosto de 2007 (DOU 24/08/2007), ao dispor em seu artigo 28, que serão sanadas as irregularidades, incorreções e omissões diversas daquelas previstas no artigo 27, referese aos vícios passíveis de saneamento. No presente caso é impossível corrigir o valor do autode infração para maior, sendo que o sistema que gerencia os processos decorrentes de lançamentos efetuados pela fiscalização não admite essa possibilidade. Considerando o vício formal insanável relatado nos parágrafos anteriores, não serão apreciadas as argüições preliminares formuladas pela autuada. Fl. 229DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 17460.000219/200779 Acórdão n.º 2403000.848 S2C4T3 Fl. 228 5 Assim, diante da situação apresentada, não resta a este órgão julgador outra decisão que não seja o reconhecimento e a declaração da NULIDADE do presente autodeinfração em decorrência do mesmo ter sido lavrado em valor a menor, e o conseqüente CANCELAMENTO da multa aplicada. É o relatório. Fl. 230DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é exclusivamente de ofício e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões. O crédito inicialmente lançado era de R$ 1.646.741,42 e foi julgado nulo. O artigo 366 do Decreto 3.048/99 juntamente com Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008 estabelecem a obrigatoriedade do recurso de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), verificado por processo. Art.366.O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil recorrerá de ofício sempre que a decisão: (Redação dada pelo Decreto nº 6.224, de 2007). Ideclarar indevida contribuição ou outra importância apurada pela fiscalização; e (Redação dada pelo Decreto nº 6.224, de 2007). IIrelevar ou atenuar multa aplicada por infração a dispositivos deste Regulamento. (Redação dada pelo Decreto nº 6.224, de 2007). §2oO recurso de que trata o caput será interposto ao Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. (Redação dada pelo Decreto nº 6.224, de 2007). §3oO Ministro de Estado da Fazenda poderá estabelecer limite abaixo do qual será dispensada a interposição do recurso de ofício previsto neste artigo. (Incluído pelo Decreto nº 6.224, de 2007). Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008 Estabelece limite para interposição de recurso de ofício pelas Turmas de Julgamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ). O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, no uso da atribuição que lhe confere o inciso II do parágrafo único do art. 87 da Constituição Federal e tendo em vista o disposto no inciso I do art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com a redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e no § 3º do art. 366 do Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, com a redação dada pelo art. 1º do Decreto nº 6.224, de 4 de outubro de 2007, resolve: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de Fl. 231DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 17460.000219/200779 Acórdão n.º 2403000.848 S2C4T3 Fl. 229 7 ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 375, de 7 de dezembro de 2001. NULIDADE Está registrado no acórdão da DRJ e confirmado por este conselheiro que o auto de infração, quando de sua lavratura, em 13/04/2007, tomou como referencia os valores estabelecidos pela Portaria MPS 342/2006. Ocorre que esses valores não mais estavam em vigor pois haviam sido substituídos pelos estabelecidos pela Portaria 14/2007, publicada em 12/04/2007 e que estabelecia novos valores para vigorar a partir de 01/04/2007. O cálculo da multa foi assim descrito no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, folhas 17 e 18: RELATORIO FISCAL DA APLICAÇÃO DA MULTA 1. A multa aplicada para a infração capitulada é a prevista nos artigos 32, inciso IV § 5. 2 da Lei n.2 8.212/91, acrescentado pela Lei n. g 9.528, de 10/12/97 e Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n. , 3.048, de 06/05/99, art. 284, inciso II, cujo valor corresponde a 100% (cem por cento) do valor devido relativo à contribuição não declarada por competência, respeitado o limite estabelecido pelo art. 284, inciso I. 1.1. Aplicamos a multa, no valor de R$.1.646.741,42 (um milhão, seiscentos e quarenta e seis mil, setecentos e quarenta e um reais e quarenta e dois centavos). 2. O valor mínimo é de R$.1.156,95 (hum mil, cento e cinqüenta e seis reais e noventa e cinco centavos), atualizados conforme Portada MPS n° 342 de 16/08/06, nos termos do art. 373 do citado Decreto, em função do número total de segurados da empresa, como segue: de 501 a 1000 segurados = 20 vezes o valor mínimo e de 1001 a 5000 segurados = 35 vezes o valor mínimo. (grifei) No Diário Oficial da União do dia 12/04/2007 foi publicada a Portaria MPS 142 com o seguinte texto: Art. 9º A partir de 1º de abril de 2007: ... Fl. 232DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 IV o valor da multa pelo descumprimento das obrigações, indicadas no: a) caput do art. 287 do Regulamento da Previdência Social RPS, varia de R$ 157,24 (cento e cinqüenta e sete reais e vinte e quatro centavos) e R$ 15.724,15 (quinze mil setecentos e vinte e quatro reais e quinze centavos); b) inciso I do parágrafo único do art. 287, é de R$ 34.942,55 (trinta e quatro mil novecentos e quarenta e dois reais e cinqüenta e cinco centavos); e c) inciso II do parágrafo único do art. 287, é de R$ 174.712,72 (cento e setenta e quatro mil setecentos e doze reais e setenta e dois centavos); V o valor da multa pela infração a qualquer dispositivo do Regulamento da Previdência Social RPS, para a qual não haja penalidade expressamente cominada (art. 283), varia, conforme a gravidade da infração, de R$ 1.195,13 (um mil cento e noventa e cinco reais e treze centavos) a R$ 119.512,33 (cento e dezenove mil quinhentos e doze reais e trinta e três centavos); VI o valor da multa indicado no inciso II do art. 283 do RPS e de R$ 11.951,21 (onze mil novecentos e cinqüenta e um reais e vinte e um centavos); VII é exigida Certidão Negativa de Débito CND da empresa na alienação ou oneração, a qualquer título, de bem móvel incorporado ao seu ativo permanente de valor superior a R$ 29.877,79 (vinte e nove mil oitocentos e setenta e sete reais e setenta e nove centavos); VIII o valor de que trat a o § 3º do art. 337A do Código Penal, aprovado pelo Decreto nº 2.848, de 1940, é de R$ 2.555,18 (dois mil quinhentos e cinqüenta e cinco reais e dezoito centavos); ... Art. 12. Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. Entendo que o valor da multa está errado e que assiste razão à decisão da DRJ. CONCLUSÃO À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 233DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 17460.000219/200779 Acórdão n.º 2403000.848 S2C4T3 Fl. 230 9 Fl. 234DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 14485.000020/2007-74
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 04/05/2007 a 27/08/2007
Origem: AI DEBCAD 37.012.7528 RECURSO. AUSÊNCIA DE ATAQUE AOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO “A QUO”. NÃO CONHECIMENTO.
A parte que não se conformar com a decisão proferida deve atacar
expressamente os fundamentos lançados pela r. decisão recorrida, apontando de forma inequívoca as razões pelas quais pretende vêla
reformada.
Deixando de fazê-lo, a parte nada devolve à apreciação o que inviabiliza o conhecimento do recurso por ausência de fundamentação específica.
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO
Numero da decisão: 2403-000.825
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer do recurso. Vencidos os conselheiros Cid Marconi Gurgel de Souza, Ivacir Julio de Souza e Marcelo Magalhães Peixoto.
Matéria: Outros proc. que não versem s/ exigências cred. tributario
Nome do relator: MARTHIUS SAVIO CAVALCANTE LOBATO
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Outros proc. que não versem s/ exigências cred. tributario
dt_index_tdt : Sat Apr 09 09:00:03 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201109
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 04/05/2007 a 27/08/2007 Origem: AI DEBCAD 37.012.7528 RECURSO. AUSÊNCIA DE ATAQUE AOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO “A QUO”. NÃO CONHECIMENTO. A parte que não se conformar com a decisão proferida deve atacar expressamente os fundamentos lançados pela r. decisão recorrida, apontando de forma inequívoca as razões pelas quais pretende vêla reformada. Deixando de fazê-lo, a parte nada devolve à apreciação o que inviabiliza o conhecimento do recurso por ausência de fundamentação específica. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 14485.000020/2007-74
anomes_publicacao_s : 201109
conteudo_id_s : 4891373
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 2403-000.825
nome_arquivo_s : 2403000825_14485000020200774_201109.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : MARTHIUS SAVIO CAVALCANTE LOBATO
nome_arquivo_pdf_s : 14485000020200774_4891373.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer do recurso. Vencidos os conselheiros Cid Marconi Gurgel de Souza, Ivacir Julio de Souza e Marcelo Magalhães Peixoto.
dt_sessao_tdt : Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
id : 4745547
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Sat Apr 09 09:55:42 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1729624173888667648
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1670; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 92 1 91 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14485.000020/200774 Recurso nº 000.000 Voluntário Acórdão nº 2403000.825 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 30 de setembro de 2011 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente ELETRISOL IND. COM. LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 04/05/2007 a 27/08/2007 Origem: AI DEBCAD 37.012.7528 RECURSO. AUSÊNCIA DE ATAQUE AOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO “A QUO”. NÃO CONHECIMENTO. A parte que não se conformar com a decisão proferida deve atacar expressamente os fundamentos lançados pela r. decisão recorrida, apontando de forma inequívoca as razões pelas quais pretende vêla reformada. Deixando de fazêlo, a parte nada devolve à apreciação o que inviabiliza o conhecimento do recurso por ausência de fundamentação específica. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em não conhecer do recurso. Vencidos os conselheiros Cid Marconi Gurgel de Souza, Ivacir Julio de Souza e Marcelo Magalhães Peixoto Carlos Alberto Mees Stringari, Presidente Marthius Sávio Cavalcante Lobato, Relator Fl. 68DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por MARTHIUS SAVIO CAVALCANTE LOBA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mess Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto e Marthius Sávio Cavalcante Lobato, Fl. 69DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por MARTHIUS SAVIO CAVALCANTE LOBA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14485.000020/200774 Acórdão n.º 2403000.825 S2C4T3 Fl. 93 3 Relatório Adoto integralmente o relatório de fls. 50, in verbis: 1. Tratase de Auto de Infração lavrado por infringência ao artigo 32, inciso IV da Lei 8.212/91 combinado com o art. 225, III e parágrafo 22 do Decreto 3.048/99 e alterações posteriores, uma vez que, de acordo com o Relatório Fiscal da Infração (fls. 13), a emprega deixou de prestar todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse e na forma estabelecida pelo INSS, no caso, em meio digital com leiaute previsto no Manual Normativo de Arquivos Digitais — MANAD (art. 8° da Lei 10.666, de 08/05/2003 c/c Portaria MPS/SRP n° 63/200 e n° 58/2005 e Instrução Normativa SRP n° 12/2006), solicitado pela fiscalização através do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD de fls. 09/10. 1.1. A multa aplicada está prevista no artigo 283, II, alínea "b" do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, com valor atualizado ela Portaria MPS n° 142 de 11/04/2007, em função do disposto nos artigos 92 e 102, ambos da Lei no. 8.212/91 e art. 373 do Decreto 3.048/99. O montante da multa corresponde a R$ 11.951,21 (onze mil, novecentos e cinqüenta e um reais e vinte e um centavos), pertinente à infração, em ocorrência de agravantes ou atenuantes (fls. 13/14). DA IMPUGNAÇÃO 2. Dentro do prazo regulamentar a empresa impugnou o presente crédito, através do instrumento de fls. 27/30, tendo juntado consolidação do Contrato Social (fls. 3 /39), procuração (fls. 40) e identificação do procurador (fls. 31). Alega, em síntese: 2.1. que o auditorfiscal teve acesso a todos os documentos solicitados, ficando faltando apenas o livro Razão dos anos de 2000 a 2002; 2.2. informa que foi requerida, verbalmente, a concessão (dilação) de pra o para apresentação de tais documentos, pois a contabilidade da impugnante sofreu troca de programa e aqueles livros estariam disponíveis após alguns dias; 2.3. reitera que necessitava de um prazo de 10 (dez) dias para transferir s dados contábeis para o CDROM, como de fato disponibilizado neste momento, e que, no entanto, foi lavrada a autuação neste ínterim; 2.4. insurgese contra a autuação, sob o fundamento de que todos os documentos foram entregues, foi solicitada a dilação de prazo para a entrega do Livro Razão, e, ainda, que tais livros não eram necessários à realização da fiscalização, pois demonstram, de forma sintética, os lançamento diários; 2.5. afirma que a autuação é equivocada, pois a fiscalização possuía todos os elementos para os levantamentos, não encontrando qualquer óbice em seus exames documentais, quer nas folhas de pagamentos, quer nas contabilizações, não necessitando dos Razões de 2000 a 2002; 2.6. informa que juntou, aos autos do processo do AI DEBCAD n° 37.012.753 6, CDROM contendo os Razões dos anos de 2000, 2001 e 2002, com a finalidade de comprovar a regularidade dos lançamentos. DO PEDIDO Fl. 70DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por MARTHIUS SAVIO CAVALCANTE LOBA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 3. Requer, a impugnante, seja dado integral provimento à impugnação, relevandose a multa aplicada e determinandose o cancelamento do auto de infração. Julgado procedente o lançamento. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, aonde reitera todos os termos da sua impugnação. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por MARTHIUS SAVIO CAVALCANTE LOBA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14485.000020/200774 Acórdão n.º 2403000.825 S2C4T3 Fl. 94 5 Voto Conselheiro Marthius Sávio Cavalcante Lobato, Relator Recurso é adequado e tempestivo. A r. decisão recorrida afastou os fundamentos da recorrente integralmente julgando procedente o lançamento. Desta decisão, a recorrente apresenta o presente recurso voluntário. Ocorre que, conforme se pode constatar a recorrente limitouse a repetir ipsis literis os mesmos argumentos lançados em sua sua impugnação, sem nada acrescentar. Como se constata, a recorrente não atacou o raciocínio desenvolvido pela r. decisão “a quo” para chegar à procedência do lançamento; ou seja, não rebateu os fundamentos utilizados para sua condenação. Como é cediço, o efeito devolutivo conferido ao recurso ordinário não pode chegar às rais da mera repetição da impugnação. Os recursos têm a função justamente de permitir que a decisão proferida em um processo seja reformada dentro da mesma relação processual, por órgão hierarquicamente superior. Não dispensa, assim, a fundamentação. Como nos ensina Amaral Santos: Por meio dos recursos, a parte vencida, apontando e demonstrando o vício da decisão, provoca o reexame da matéria decidida, visando a obter sua reforma ou modificação. Competente para o reexame, regra geral, será o órgão judiciário hierarquicamente superior ao que proferiu a decisão recorrida, admitindose que seja, entretanto, em dadas hipóteses, o próprio juiz que a profira. Recurso é, pois, o poder de provocar o reexame de uma decisão, pela mesma autoridade judiciária, ou por outra hierarquicamente superior, visando a obter a sua reforma ou modificação (in Primeiras linhas de direito processual civil, 3º volume. São Paulo: Saraiva, 2003, p.83/84). Portanto, ao se limitar a repetir os mesmos fundamentos da sua impugnação, sem qualquer fundamentação que viesse a atacar a r. decisão, configurase o presente recurso meramente protelatório. O amplo direito de defesa previsto constitucionalmente não pode se transformar em mecanismo para que a parte se recuse a cumprir a decisão proferida. O exercício do direito de recorrer deve estar pautada na possibilidade concreta de ver a decisão revisada. Sendo esta a finalidade primeira do recurso, frisese constitucionalmente previsto, Fl. 72DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por MARTHIUS SAVIO CAVALCANTE LOBA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 não é permitido à parte utilizálo de maneira a não consignar fundamentos que visem a reforma do julgado. O não ataque à decisão, na realidade, é a própria renúncia ao exercício do recurso. Ressalto ainda, que o presente recurso fora efetuado por profissional habilitado o que significa a possibilidade concreta de uma defesa técnica. Por esta razão, a parte deve enfrentar e atacar expressamente os fundamentos lançados pela r. decisão “a quo” de forma inequívoca demonstrando os fundamentos pelos quais pretende vêla reformada. Não havendo fundamentação específica, nada é devolvido à aprecisão do Tribunal revisor. Face a ausência de fundamentação específica à decisão “a quo”, não merece conhecimento o recurso interposto pela parte. Ante todo o exposto e do que mais nos autos consta, não conheço do recurso por ausência de ataque aos fundamentos da r. decisão “a quo”. É o voto. CONCLUSÃO Não conheço do recurso por ausência de ataque aos fundamentos da r. decisão “a quo”. Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por MARTHIUS SAVIO CAVALCANTE LOBA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10980.007970/2007-88
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/2003
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO INOBSERVÂNCIA DE REGULARIDADE NO LANÇAMENTO NÃO OCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA EMPRESA
URBANA SUJEIÇÃO
A contribuição para o INCRA, mesmo após a publicação das Leis n°
7.787/89 e n° 8.212/91, permanece plenamente exigível, inclusive em relação às empresas dedicadas a atividades urbanas.
Quanto às empresas urbanas terem que recolher contribuição destinada ao INCRA, não há óbice normativo para tal exação. Não se olvida que a contribuição destinada ao INCRA tenha natureza distinta das contribuições sociais da Seguridade Social. As competências do INCRA são atribuídas pela sua lei de criação e o Estatuto da Terra.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO CONTRIBUIÇÃO PARA O SAT/RAT INCIDÊNCIA
DE CONTRIBUIÇÃO. O art. 22, II, Lei n° 8.212/1991,define todos os elementos capazes de fazer nascer obrigação tributária válida.
Os conceitos de atividade preponderante e grau risco de acidente de trabalho não precisam estar definidos em lei, pois o Regulamento é ato normativo suficiente para definição de tais conceitos, uma vez que são complementares e não essenciais na definição da exação.
Considera-se preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN
Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava
sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício.
Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito
lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica.
Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos
legais mais benéficos ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-000.888
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, para que se recalcule o valor da multa de mora de acordo com o disposto no art. 35, "caput", da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, com prevalência da mais benéfica ao contribuinte.
Nome do relator: PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 09 09:00:03 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201111
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/2003 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO INOBSERVÂNCIA DE REGULARIDADE NO LANÇAMENTO NÃO OCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA EMPRESA URBANA SUJEIÇÃO A contribuição para o INCRA, mesmo após a publicação das Leis n° 7.787/89 e n° 8.212/91, permanece plenamente exigível, inclusive em relação às empresas dedicadas a atividades urbanas. Quanto às empresas urbanas terem que recolher contribuição destinada ao INCRA, não há óbice normativo para tal exação. Não se olvida que a contribuição destinada ao INCRA tenha natureza distinta das contribuições sociais da Seguridade Social. As competências do INCRA são atribuídas pela sua lei de criação e o Estatuto da Terra. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO CONTRIBUIÇÃO PARA O SAT/RAT INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O art. 22, II, Lei n° 8.212/1991,define todos os elementos capazes de fazer nascer obrigação tributária válida. Os conceitos de atividade preponderante e grau risco de acidente de trabalho não precisam estar definidos em lei, pois o Regulamento é ato normativo suficiente para definição de tais conceitos, uma vez que são complementares e não essenciais na definição da exação. Considera-se preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10980.007970/2007-88
anomes_publicacao_s : 201111
conteudo_id_s : 4894509
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 2403-000.888
nome_arquivo_s : 2403000888_10980007970200788_201111.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
nome_arquivo_pdf_s : 10980007970200788_4894509.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que se recalcule o valor da multa de mora de acordo com o disposto no art. 35, "caput", da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, com prevalência da mais benéfica ao contribuinte.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
id : 4748089
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Sat Apr 09 09:55:43 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1729624173921173504
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 25; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2389; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 1.095 1 1.094 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.007970/200788 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 240300.888 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 30 de novembro de 2011 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA Recorrente EMPRESA AUXILIAR SERV GERAIS DO PARANA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/2003 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO INOBSERVÂNCIA DE REGULARIDADE NO LANÇAMENTO NÃO OCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA EMPRESA URBANA SUJEIÇÃO A contribuição para o INCRA, mesmo após a publicação das Leis n° 7.787/89 e n° 8.212/91, permanece plenamente exigível, inclusive em relação às empresas dedicadas a atividades urbanas. Quanto às empresas urbanas terem que recolher contribuição destinada ao INCRA, não há óbice normativo para tal exação. Não se olvida que a contribuição destinada ao INCRA tenha natureza distinta das contribuições Fl. 1116DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 2 sociais da Seguridade Social. As competências do INCRA são atribuídas pela sua lei de criação e o Estatuto da Terra. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO CONTRIBUIÇÃO PARA O SAT/RAT INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O art. 22, II, Lei n° 8.212/1991,define todos os elementos capazes de fazer nascer obrigação tributária válida. Os conceitos de atividade preponderante e grau risco de acidente de trabalho não precisam estar definidos em lei, pois o Regulamento é ato normativo suficiente para definição de tais conceitos, uma vez que são complementares e não essenciais na definição da exação. Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalvase a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que se recalcule o valor da multa de mora de acordo com o disposto no art. 35, "caput", da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, com prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Fl. 1117DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10980.007970/200788 Acórdão n.º 240300.888 S2C4T3 Fl. 1.096 3 Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Igor Araújo Souza (suplente) e Jhonatas Ribeiro da Silva (suplente). Ausentes o Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza, o Conselheiro Marthius Sávio Cavalcante Lobato e o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 1118DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, às fls. 1036 a 1067, com Anexo às fls. 1068 a 1082, apresentado contra Acórdão nº 0616.670 – 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba PR, fls. 1019 a 1032, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, NFLD – Notificação Fiscal de Lançamento de Débito nº. 35.582.2652, com ciência da Recorrente em 01.12.2003, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 832.652,76 (oitocentos e trinta e dois mil, seiscentos e cinqüenta e dois reais e setenta e seis centavos). O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social correspondente à parte dos segurados empregados, à contribuição da empresa, à contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, e aos Terceiros SEBRAE, INCRA e Salário Educação. O Relatório Fiscal, às fls. 103 a 107, com Anexo às fls. 108 a 110, observa que constituem fatos geradores das contribuições lançadas: (i) Levantamento FP — FOPAG Declarada GFIP (multa reduzida). As parcelas de remunerações pagas aos segurados empregados discriminadas em folhas de pagamentos, termos de rescisão de contratos de trabalho e recibos de férias e declaradas em GFIP, GRFP, GRFC. No período de 01/2000 a 07/2000 houve glosa de dedução de valores de salário maternidade; remunerações pagas a segurados contribuintes individuais (empresários) a título de pro labore; remunerações pagas a contribuintes individuais (autônomos), discriminadas em folhas e recibos e declaradas em GFIP; (ii) Levantamento FP 3 — Declaração GFIP — FOPAG (multa reduzida) As parcelas de remunerações pagas aos segurados empregados declaradas em GFIP, GRFP, GRFC, em valor superior às discriminadas em folhas de pagamentos, termos de rescisão de contrato de trabalho e recibo de férias; (iii) Levantamento FP 2 — FOPAG — Declaração GFIP As parcelas de remunerações pagas aos segurados empregados, não declaradas em GFIP/GRFP/GRFC, discriminadas em folhas de pagamento, termos de rescisão de contrato de trabalho e recibos de férias em valor superior ao declarado em GFIP, GRFP, GRFC; (iv) Levantamento FP 1 — FOPAG Não reconhecida As parcelas de remunerações pagas aos segurados empregados, não declaradas em GFIP, GRFP, GRFC, discriminadas em folhas de pagamento, termos de rescisão de contrato de trabalho Fl. 1119DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10980.007970/200788 Acórdão n.º 240300.888 S2C4T3 Fl. 1.097 5 e recibo de férias (diferença de base de cálculo na folha, abono, ajuda alimentação paga em espécie, reembolso de vale transporte pago em espécie e cesta básica paga em espécie) e não reconhecidas pelo contribuinte como salário de contribuição; as remunerações pagas a contribuintes individuais (empresários) a título de pro labore, discriminadas em folhas e recibos de pagamento, não reconhecidas e não declaradas em GFIP; as remunerações pagas a contribuintes individuais (autônomos) discriminadas em folhas e recibos de pagamento, não reconhecidas e não declaradas em GFIP; (v) Levantamento DAL — Diferença de Acréscimos Legais Diferença de acréscimos legais apurada em recolhimentos efetuados fora do prazo legal. O período de apuração, de acordo com o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 09047222, foi de 01/1999 a 01/2003, fls. 42. O período objeto da NFLD, conforme o Relatório Discriminativo Sintético de Débito DSD, às fls. 42, é de 01/1999 a 01/2003. A Recorrente teve ciência do Auto de Infração no dia 01.12.2003, conforme fls. 01. Contra a autuação, a Recorrente apresentou impugnação tempestiva, de fls. 114 a 117, com Anexo às fls. 118 a 379, alegando, em apertada síntese: (i) o levantamento efetuado parte de dados equivocados, que não correspondem à realidade dos fatos. Que o Auditor tomou por base os dados da GFIP que constam no sistema informatizado da Previdência e não da declaração da GFIP entregue. (ii) Cita como exemplo o mês de fevereiro de 2000, que foram consideradas pelo Fiscal declarações da GFIP do sistema informatizado no valor de R$.408.360,02, quando a soma das GFIP apresentadas é de R$.223.009,20. Dessa forma apurou uma diferença de R$.189.454,41, inexistente, sendo ela considerada como base de cálculo para a apuração de débito, resultando num valor indevido de R$47.934,80 (fls.115). (iii) Cita também o mês de maio de 2002, que consta no sistema da Previdência o valor de apenas R$288.719,77, quando a empresa declarou R$342.504,03. O Fiscal calculou a diferença entre a GFIP do sistema e a folha de pagamento e incluiu a diferença de R$56.523,29 como base de cálculo para a cobrança de contribuições que não são devidas (fls.116). (iv) Diz que no mês de setembro de 2002, a folha de pagamento de R$345.862,32, apresenta um valor líquido a recolher de R$16.239,43, quantia que foi paga conforme cópia de guias anexas (fls.116). Fl. 1120DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 6 (v) No período de janeiro de 1999 a janeiro de 2000, que já foi objeto de parcelamento no REFIS, o Auditor apresenta diferenças que não existem (fls.116). (vi) No mês de janeiro de 1999, o total líquido a pagar encontrado foi de R$51.095,70, ao considerar uma alíquota de 3,3% para a parcela referente a terceiros quando a empresa considerou 5,8%. Com o abatimento da guia de recolhimento de R$7.890,64, o saldo de R$47.815,18 foi incluído no REFIS, não havendo nenhuma outra diferença (fls.116). (vii) Diz que o mesmo ocorre nos demais meses. Cita exemplo de março e abril de 1999. Afirma que considerando os valores das folhas de pagamentos de R$180.887,15 e R$179.914,33, respectivamente, aplicandose os percentuais devidos e após as deduções e compensações, os saldos líquidos a recolher de R$11.249,30 e R$11.813,88 foram incluídos no REFIS (fls.116). O Auditor Fiscal, entretanto, apresenta como diferença os valores de R$.3.224,29 e R$2.789,12, que são indevidos (fls.117). (viii) Diz que em todos os meses apurados houve divergências entre o sistema informatizado do INSS e os valores efetivamente informados pela empresa nas GFIP e que por isso a NFLD está eivada de vícios, com erro essencial. Foram os autos baixados em Diligência Fiscal, às fls. 384 a 385, a fim de que a AuditoriaFiscal se manifestasse a respeito das alegações da Recorrente. A Informação Fiscal prestada pela Auditoria, às fls. 391 a 393, após a análise das alegações da Recorrente, manteve integralmente o lançamento fiscal efetuado. O Contribuinte cientificado da Informação Fiscal, se manifestou às fls. 397 a 405, com Anexo às fls. 406 a 962, no sentido de que não se conforma em verse autuada com base em informações e dados que não correspondem à realidade e contrariam aqueles que apresentou e que não foram contraditados por prova em contrário, em síntese: (i) Diz que no mês de fevereiro de 2000 a discrepância de valores é muito grande, tendo sido apontada uma diferença de R$ 189.454,41, entre o valor do sistema e o valor da folha de pagamento, quando na realidade não existe tal diferença. (ii) Que reconstituiu a SEFIP do mês de fevereiro de 2000 na versão atualizada, conforme documentos anexos, e, mesmo utilizando a nova versão não ocorrem as diferenças apontadas. (iii) Comprova que os dados reais das declarações da GFIP não são aqueles encontrados pelo Auditor Fiscal e que resultou na diferença de R$189.454,41 e no débito de R$ 47.934,89, que não deve prevalecer. (iv) Cita o mês de maio de 200. O valor informado na GFIP foi de R$ 342.504,03, conforme os documentos juntados comprovando tal valor. Mas que o Auditor insiste em manter o valor que consta no sistema informatizado do INSS de R$ 288.719,77. Fl. 1121DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10980.007970/200788 Acórdão n.º 240300.888 S2C4T3 Fl. 1.098 7 (v) Que somente nos meses de fevereiro de 2000 e maio de 2002, consta um débito de R$ 127.613,97. Verificamse apontamentos de valores indevidos também nos demais meses incluídos na fiscalização. (vi) O item 6.5 da informação fiscal, que se refere a erro de enquadramento de alíquota referente a terceiros (SAT, FNDE, INCRA, SENAC, SESC, SEBRAE), ressalta que utilizou alíquota diversa da apontada porque estava amparada por liminar que lhe autorizava excluir os valores devidos a título de SAT, SESC e SENAC. Afirma que não há diferenças quanto a essa rubrica. Às fls. 965 a 967 foi feita nova Requisição de Diligência para posicionamento da AuditoriaFiscal acerca dos argumentos juntados pelo Contribuinte. A nova Informação Fiscal prestada pela Auditoria, às fls. 972 a 974, após a análise das alegações da Recorrente, manteve integralmente o lançamento fiscal efetuado. Após ciência do Contribuinte, este em Manifestação Complementar, às fls. 980 a 1000, com Anexo às fls. 1003 a 1013, argumenta, em síntese: (i) a NFLD além de lançar débitos de contribuições diversas, também o faz para entes credores diversos, como Salário Educação, INCRA e SEBRAE. Que deveriam ter sido lavradas quatro notificações, uma para cada contribuição e entidade credora. (ii) Incra ataca a contribuição para o INCRA e após várias considerações entende indevida a citada contribuição. (ii) SAT – Seguro de Acidente do Trabalho diz que é indevida tal contribuição, pois houve erro na classificação da natureza preponderante da empresa. Após análise dos autos, a 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba PR, emitiu o Acórdão nº 0616.670, às fls. 1019 a 1032, julgando procedente a autuação e mantendo a multa aplicada, conforme a Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/2003 NFLD 35.582.2652 NOTIFICAÇÃO DE DÉBITO Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas na Lei 8.212, de 1991, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem. FATO GERADOR DECLARADO EM GFIP A Guia de Recolhimento ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP se constitui Fl. 1122DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 8 em termo de confissão de dívida e é documento válido tanto para apuração das bases de cálculo das contribuições previdenciárias como para a constituição do crédito tributário. INCRA A contribuição destinada ao INCRA é exigida do empregador urbano como ocorre desde a sua origem, quando foi instituída pela Lei 2.613, de 1955, em benefício do então criado Serviço Social Rural. SAT/RAT É devida à Seguridade Social as contribuições previdenciárias correspondentes ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. Lançamento Procedente Acordam os membros da 5a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido. Sala de Sessões, em 29 de janeiro de 2008. Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 1036 a 1067, com Anexo às fls. 1068 a 1082, na qual alega em síntese que: (i) o levantamento efetuado parte de dados equivocados, que não correspondem à realidade dos fatos. Que o Auditor tomou por base os dados da GFIP que constam no sistema informatizado da Previdência e não da declaração da GFIP entregue. (ii) Cita como exemplo o mês de fevereiro de 2000, que foram consideradas pelo Fiscal declarações da GFIP do sistema informatizado no valor de R$.408.360,02, quando a soma das GFIP apresentadas é de R$.223.009,20. Dessa forma apurou uma diferença de R$.189.454,41, inexistente, sendo ela considerada como base de cálculo para a apuração de débito, resultando num valor indevido de R$47.934,80 (fls.1041). (iii) Cita também o mês de maio de 2002, que consta no sistema da Previdência o valor de apenas R$288.719,77, quando a empresa declarou R$342.504,03. O Fiscal calculou a diferença entre a GFIP do sistema e a folha de pagamento e incluiu a diferença de R$56.523,29 como base de cálculo para a cobrança de contribuições que não são devidas (fls.1041). (iv) Diz que no mês de setembro de 2002, a folha de pagamento de R$345.862,32, apresenta um valor líquido a recolher de R$16.239,43, quantia que foi paga conforme cópia de guias anexas (fls.1042). (v) No período de janeiro de 1999 a janeiro de 2000, que já foi objeto de parcelamento no REFIS, o Auditor apresenta diferenças que não existem (fls.1042). (vi) No mês de janeiro de 1999, o total líquido a pagar encontrado foi de R$51.095,70, ao considerar uma alíquota de Fl. 1123DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10980.007970/200788 Acórdão n.º 240300.888 S2C4T3 Fl. 1.099 9 3,3% para a parcela referente a terceiros quando a empresa considerou 5,8%. Com o abatimento da guia de recolhimento de R$7.890,64, o saldo de R$47.815,18 foi incluído no REFIS, não havendo nenhuma outra diferença (fls.1042). (vii) Diz que o mesmo ocorre nos demais meses. Cita exemplo de março e abril de 1999. Afirma que considerando os valores das folhas de pagamentos de R$180.887,15 e R$179.914,33, respectivamente, aplicandose os percentuais devidos e após as deduções e compensações, os saldos líquidos a recolher de R$11.249,30 e R$11.813,88 foram incluídos no REFIS (fls.1043). O Auditor Fiscal, entretanto, apresenta como diferença os valores de R$.3.224,29 e R$2.789,12, que são indevidos (fls.1043). (viii) Diz que em todos os meses apurados houve divergências entre o sistema informatizado do INSS e os valores efetivamente informados pela empresa nas GFIP e que por isso a NFLD está eivada de vícios, com erro essencial. (fls. 1044) (ix) INCRA ataca a contribuição para o INCRA e após várias considerações entende indevida a citada contribuição. (x) SAT – Seguro de Acidente do Trabalho diz que é indevida tal contribuição, pois houve erro na classificação da natureza preponderante da empresa. (xi) Da Multa Assim, o que se faz tão somente em respeito ao princípio da eventualidade e da ampla , defesa, a cobrança dos juros, multa e atualização monetária são abusivas, todas acima dos limites legais constitucionais. Após, o Recorrente atravessa petição, às fls. 1088 a 1092, requerendo a aplicação de forma retroativa da Lei mais benéfica, com fundamento no artigo 106, inciso II, alínea "c" do Código Tributário Nacional — CTN, reduzindo a multa moratória para o percentual de 20% (vinte por cento), nos termos do art. 35, Lei 8.212/1991 (nova redação). Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 1086. É o Relatório. Fl. 1124DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 10 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 1086. Anotase ainda que o Supremo Tribunal Federal – STF ao editar a Súmula Vinculante nº. 21 afastou a exigência de depósito para a admissibilidade de recurso na esfera administrativa. Súmula Vinculante 21 É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. Fonte de Publicação: DJe nº. 210, p. 1, em 10/11/2009. DOU de 10/11/2009, p. 1. Avaliados os pressupostos, passo para as questões preliminares. DAS PRELIMINARES (a) Inconstitucionalidades. Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10980.007970/200788 Acórdão n.º 240300.888 S2C4T3 Fl. 1.100 11 Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 12 (b) Da regularidade do lançamento Analisemos. Não obstante a argumentação da Recorrente, não confiro razão à Recorrente pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Foi realizada auditoriafiscal que resultou no lançamento da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD, de contribuições destinadas à Seguridade Social correspondente a parte patronal e a Terceiros. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 35.582.2652que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: (redação à época da lavratura da NFLD nº 35.582.2652) Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Não obstante a argumentação da Recorrente, não confiro razão à Recorrente pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, com a clara discriminação de cada débito apurado e dos acréscimos legais incidentes, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: • A autorização por meio da emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10980.007970/200788 Acórdão n.º 240300.888 S2C4T3 Fl. 1.101 13 • A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; • A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DAD Discriminativo Analítico do Débito (que discrimina os valores originários das contribuições devidas pelo contribuinte, abatidos os valores já recolhidos e as deduções legais); c. DSD Discriminativo Sintético do Débito (que apresenta os valores devidos em cada competência, referentes aos levantamentos indicados agrupados por estabelecimento); d. RL Relatório de Lançamentos (que relaciona os lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo); e. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); f. CORESP Relatório de Coresponsáveis do Débito; g. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); h. MPF – Mandado de Procedimento Fiscal; i. TIAD – Termo de Intimação para Apresentação de Documentos;. j. TEAF Termo de Encerramento da Ação Fiscal;. k. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 14 “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose a NFLD nº 35.582.2652, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. DO MÉRITO. A Recorrente alega: (i) o levantamento efetuado parte de dados equivocados, que não correspondem à realidade dos fatos. Que o Auditor tomou por base os dados da GFIP que constam no sistema informatizado da Previdência e não da declaração da GFIP entregue. (ii) Cita como exemplo o mês de fevereiro de 2000, que foram consideradas pelo Fiscal declarações da GFIP do sistema informatizado no valor de R$.408.360,02, quando a soma das GFIP apresentadas é de R$.223.009,20. Dessa forma apurou uma diferença de R$.189.454,41, inexistente, sendo ela considerada como base de cálculo para a apuração de débito, resultando num valor indevido de R$47.934,80 (fls.1041). (iii) Cita também o mês de maio de 2002, que consta no sistema da Previdência o valor de apenas R$288.719,77, quando a empresa declarou R$342.504,03. O Fiscal calculou a diferença Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10980.007970/200788 Acórdão n.º 240300.888 S2C4T3 Fl. 1.102 15 entre a GFIP do sistema e a folha de pagamento e incluiu a diferença de R$56.523,29 como base de cálculo para a cobrança de contribuições que não são devidas (fls.1041). (iv) Diz que no mês de setembro de 2002, a folha de pagamento de R$345.862,32, apresenta um valor líquido a recolher de R$16.239,43, quantia que foi paga conforme cópia de guias anexas (fls.1042). (v) No período de janeiro de 1999 a janeiro de 2000, que já foi objeto de parcelamento no REFIS, o Auditor apresenta diferenças que não existem (fls.1042). (vi) No mês de janeiro de 1999, o total líquido a pagar encontrado foi de R$51.095,70, ao considerar uma alíquota de 3,3% para a parcela referente a terceiros quando a empresa considerou 5,8%. Com o abatimento da guia de recolhimento de R$7.890,64, o saldo de R$47.815,18 foi incluído no REFIS, não havendo nenhuma outra diferença (fls.1042). (vii) Diz que o mesmo ocorre nos demais meses. Cita exemplo de março e abril de 1999. Afirma que considerando os valores das folhas de pagamentos de R$180.887,15 e R$179.914,33, respectivamente, aplicandose os percentuais devidos e após as deduções e compensações, os saldos líquidos a recolher de R$11.249,30 e R$11.813,88 foram incluídos no REFIS (fls.1043). O Auditor Fiscal, entretanto, apresenta como diferença os valores de R$.3.224,29 e R$2.789,12, que são indevidos (fls.1043). (viii) Diz que em todos os meses apurados houve divergências entre o sistema informatizado do INSS e os valores efetivamente informados pela empresa nas GFIP e que por isso a NFLD está eivada de vícios, com erro essencial. (fls. 1044) Analisemos. De plano, observase que nos itens (i) a (viii) a Recorrente repete a mesma linha de argumentação utilizada em Sede de Impugnação, de modo a que não apresenta argumento novo em sede de Recurso Voluntário. Ainda assim, temse que considerar que os itens (i) a (viii) da linha de argumentação da Recorrente se referem à matérias fáticas que foram aduzidas em sede de Impugnação pela Recorrente, às fls. 114 a 117 com Anexo às fls. 118 a 379, e em sede de Manifestações às Informações Fiscais, às fls. 397 a 405 com Anexo às fls. 406 a 962, e às fls. 980 a 1000 com Anexo às fls. 1003 a 1013, as quais foram amplamente analisadas e debatidas em sede de julgamento de primeira instância, inclusive com a análise de toda a documentação acostada aos autos tanto pela AuditoriaFiscal, em sede de Informação Fiscal, primeiramente às fls. 391 a 393, e após às fls. 972 a 974, quanto pela autoridade julgadora de primeira instância, tanto em sede de Requisição de Diligência Fiscal, às fls. 384 a 385, e às fls. 965 a 967, quanto Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 16 em sede da própria decisão, no Acórdão nº 0616.670, às fls. 1019 a 1032 emitido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba – PR. Desta forma, em função dos argumentos (i) a (viii) da Recorrente não serem novos mas sim trataremse de matérias exclusivamente fáticas já amplamente debatida em sede de julgamento de primeira instância, além de considerarse a aplicação dos princípios da ampla defesa, do contraditório, da celeridade, da eficiência e da economia processual, acato a decisão do julgamento de primeira instância que afastou toda a argumentação da Recorrente, em todos os pontos acima questionados. (ix) INCRA ataca a contribuição para o INCRA e após várias considerações entende indevida a citada contribuição. Analisemos. Quanto às empresas urbanas terem que recolher contribuição destinada ao INCRA, não há óbice normativo para tal exação. Não se olvida que a contribuição destinada ao INCRA tenha natureza distinta das contribuições sociais da Seguridade Social. As competências do INCRA são atribuídas pela sua lei de criação e o Estatuto da Terra: DECRETOLEI Nº 1.110, DE 9 DE JULHO DE 1970. Regulamento Cria o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), extingue o Instituto Brasileiro de Reforma Agrária, o Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário e o Grupo Executivo da Reforma Agrária e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o artigo 55, item I, da Constituição, DECRETA: Art. 1º É criado o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), entidade autárquica, vinculada ao Ministério da Agricultura, com sede na Capital da República. Art. 2º Passam ao INCRA todos os direitos, competência, atribuições e responsabilidades do Instituto Brasileiro de Reforma Agrária (IBRA), do Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário (INDA) e do Grupo Executivo da Reforma Agrária (GERA), que ficam extintos a partir da posse do Presidente do novo Instituto. LEI Nº 4.504, DE 30 DE NOVEMBRO DE 1964. Dispõe sobre o Estatuto da Terra, e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 37. São órgãos específicos para a execução da Reforma Agrária: (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10980.007970/200788 Acórdão n.º 240300.888 S2C4T3 Fl. 1.103 17 I O Grupo Executivo da Reforma Agrária (GERA); (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) Il O Instituto Brasileiro de Reforma Agrária (IBRA), diretamente, ou através de suas Delegacias Regionais; (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) III as Comissões Agrárias. (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) Art. 43. O Instituto Brasileiro de Reforma Agrária promoverá a realização de estudos para o zoneamento do país em regiões homogêneas do ponto de vista sócioeconômico e das características da estrutura agrária, visando a definir: I as regiões críticas que estão exigindo reforma agrária com progressiva eliminação dos minifúndios e dos latifúndios; II as regiões em estágio mais avançado de desenvolvimento social e econômico, em que não ocorram tenções nas estruturas demográficas e agrárias; III as regiões já economicamente ocupadas em que predomine economia de subsistência e cujos lavradores e pecuaristas careçam de assistência adequada; IV as regiões ainda em fase de ocupação econômica, carentes de programa de desbravamento, povoamento e colonização de áreas pioneiras. Art. 74. É criado, para atender às atividades atribuídas por esta Lei ao Ministério da Agricultura, o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário (INDA), entidade autárquica vinculada ao mesmo Ministério, com personalidade jurídica e autonomia financeira, de acordo com o prescrito nos dispositivos seguintes: I o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário tem por finalidade promover o desenvolvimento rural nos setores da colonização, da extensão rural e do cooperativismo; II o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário terá os recursos e o patrimônio definidos na presente Lei; III o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário será dirigido por um Presidente e um Conselho Diretor, composto de três membros, de nomeação do Presidente da República, mediante indicação do Ministro da Agricultura; IV Presidente do Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário integrará a Comissão de Planejamento da Política Agrícola; Quanto à alegação de aplicação do artigo 240 da Constituição Federal, não é em razão desse dispositivo que as contribuições ao INCRA não se destinem à Seguridade Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 18 Social, mas em razão das competências atribuídas à autarquia federal, como já exposto acima. A redação é clara quanto sua restrição apenas às entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical, onde não se enquadra o INCRA: Art. 240. Ficam ressalvadas do disposto no art. 195 as atuais contribuições compulsórias dos empregadores sobre a folha de salários, destinadas às entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...) A contribuição ao INCRA não alcança exclusivamente a produção rural, conforme sua lei de instituição, que relaciona atividades industriais que podem ser desenvolvidas tanto no meio rural como nas regiões urbanas: DECRETOLEI Nº 1.146, DE 31 DE DEZEMBRO DE 1970. Consolida os dispositivos sôbre as contribuições criadas pela Lei número 2.613, de 23 de setembro de 1955 e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA , no uso da atribuição que lhe confere o artigo 55, item II, da Constituição, DECRETA: Art 1º As contribuições criadas pela Lei nº 2.613, de 23 de setembro 1955, mantidas nos têrmos dêste DecretoLei, são devidas de acôrdo com o artigo 6º do DecretoLei nº 582, de 15 de maio de 1969, e com o artigo 2º do DecretoLei nº 1.110, de 9 julho de 1970: I Ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA: 1 as contribuições de que tratam os artigos 2º e 5º dêste DecretoLei; 2 50% (cinqüenta por cento) da receita resultante da contribuição de que trata o art. 3º dêste Decretolei. II Ao Fundo de Assistência do Trabalhador Rural FUNRURAL, 50% (cinqüenta por cento) da receita resultante da contribuição de que trata o artigo 3º dêste Decretolei. Art 2º A contribuição instituída no " caput " do artigo 6º da Lei número 2.613, de 23 de setembro de 1955, é reduzida para 2,5% (dois e meio por cento), a partir de 1º de janeiro de 1971, sendo devida sôbre a soma da fôlha mensal dos salários de contribuição previdenciária dos seus empregados pelas pessoas naturais e jurídicas, inclusive cooperativa, que exerçam as atividades abaixo enumeradas: I Indústria de canadeaçúcar; Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10980.007970/200788 Acórdão n.º 240300.888 S2C4T3 Fl. 1.104 19 II Indústria de laticínios; III Indústria de beneficiamento de chá e de mate; IV Indústria da uva; V Indústria de extração e beneficiamento de fibras vegetais e de descaroçamento de algodão; VI Indústria de beneficiamento de cereais; VII Indústria de beneficiamento de café; VIII Indústria de extração de madeira para serraria, de resina, lenha e carvão vegetal; IX Matadouros ou abatedouros de animais de quaisquer espécies e charqueadas. Nesse sentido é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, que também se consolidou no Supremo Tribunal Federal: PROCESSUAL CIVIL EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNRURAL E INCRA EMPRESA URBANA LEGALIDADE ORIENTAÇÃO DESTA PRIMEIRA SEÇÃO, SEGUINDO A JURISPRUDÊNCIA DO STF RECURSO NÃO ADMITIDO SÚMULA 168/STJ AGRAVO REGIMENTAL AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA MERA REPETIÇÃO DAS RAZÕES DOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA IRRESIGNAÇÃO MANIFESTAMENTE INFUNDADA RECURSO NÃO CONHECIDO, COM APLICAÇÃO DE MULTA. 1. Nos termos da orientação desta Primeira Seção e do Supremo Tribunal Federal, é legítimo o recolhimento da contribuição social para o FUNRURAL e INCRA pelas empresas urbanas. Considerando que o acórdão embargado corroborou esse entendimento, correta é a aplicação da Súmula 168 desta Corte Superior. 2. Não tendo a agravante rebatido especificamente os fundamentos da decisão recorrida, limitandose a reproduzir as razões oferecidas nos embargos de divergência, é inviável o conhecimento do recurso. 3. Tratandose de agravo interno manifestamente infundado, impõese a condenação da agravante ao pagamento de multa de 10% (dez por cento) sobre o valor corrigido da causa, nos termos do art. 557, § 2º, do Código de Processo Civil. 4. Agravo interno não conhecido, com aplicação de multa. (AgRg nos EREsp 530802/GO. Primeira Seção. Relatora Ministra DENISE ARRUDA. Julgamento 13/04/2005. DJ 09/05/2005, p. 291) (sem grifos no original). Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 20 Ementa no Agravo Regimental do Recurso Extraordinário de n ° 211.190, publicado no Diário da Justiça em 29 de novembro de 2002: EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA A FINANCIAR O FUNRURAL. VIOLAÇÃO DO PRECEITO INSCRITO NO ARTIGO 195 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. ALEGAÇÃO INSUBSISTENTE. A norma do artigo 195, caput, da Constituição Federal, preceitua que a seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, sem expender qualquer consideração acerca da exigibilidade de empresa urbana da contribuição social destinada a financiar o FUNRURAL. Precedentes. Agravo regimental não provido. Ressaltase, por fim, que é vedado a este órgão julgador afastar a aplicação de normas legais sob fundamento de inconstitucionalidade. Neste sentido, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Desta forma, há que se manter a cobrança da contribuição ao INCRA. (x) SAT – Seguro de Acidente do Trabalho diz que é indevida tal contribuição, pois houve erro na classificação da natureza preponderante da empresa. Analisemos. A exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho é prevista no art. 22, II da Lei n ° 8.212/1991, alterada pela Lei n ° 9.732/1998, que fixou as alíquotas distintas, 1%, 2% e 3%, para a incidência da contribuição ao SAT: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10980.007970/200788 Acórdão n.º 240300.888 S2C4T3 Fl. 1.105 21 a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. O Regulamento da Previdência Social, no art. 202, define a atividade preponderante, para o enquadramento legal nos correspondentes graus de riscos das atividades desenvolvidas pelas empresas: (Decreto n°3.048/1999) Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. § 1º As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. § 2º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. § 3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. § 4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. Fl. 1136DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 22 § 5º O enquadramento no correspondente grau de risco é de responsabilidade da empresa, observada a sua atividade econômica preponderante e será feito mensalmente, cabendo ao Instituto Nacional do Seguro Social rever o autoenquadramento em qualquer tempo. ... § 10. Será devida contribuição adicional de doze, nove ou seis pontos percentuais, a cargo da cooperativa de produção, incidente sobre a remuneração paga, devida ou creditada ao cooperado filiado, na hipótese de exercício de atividade que autorize a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 11. Será devida contribuição adicional de nove, sete ou cinco pontos percentuais, a cargo da empresa tomadora de serviços de cooperado filiado a cooperativa de trabalho, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, conforme a atividade exercida pelo cooperado permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 12. Para os fins do § 11, será emitida nota fiscal ou fatura de prestação de serviços específica para a atividade exercida pelo cooperado que permita a concessão de aposentadoria especial. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003). Quanto ao Decreto 612/92 e posteriores alterações (Decretos 2.173/97 e 3.048/99) que, regulamentando a contribuição em causa, estabeleceram os conceitos de “atividade preponderante” e “grau de risco leve, médio ou grave”, repelese a argüição de contrariedade ao princípio da legalidade, uma vez que a lei fixou padrões e parâmetros, deixando para o regulamento a delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta da norma. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, no RE n ° 343.446SC, cujo relator foi o Min. Carlos Velloso, em 20.3.2003, assentou a constitucionalidade da contribuição para o SAT incidente sobre o total das remunerações pagas aos empregados e trabalhadores avulsos: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. Lei 7.787/89, arts. 3° e 4°; Lei 8.212/91, art. 22, II, redação da Lei 9.732/98. Decretos 612/92, 2.173/97 e 3.048/99. C.F., artigo 195, § 4°; art. 154, II; art. 5°, II; art. 150,I. I. Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT. Lei 7.787/89, art. 3°, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4°, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, 1 Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II. O art. 3°, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao principio da igualdade, por isso que o art. 4° da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. Fl. 1137DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10980.007970/200788 Acórdão n.º 240300.888 S2C4T3 Fl. 1.106 23 III. As Leis 7.787/89, art. 3°, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao principio da legalidade genérica, C.F., art. 5°, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I(STF — RE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. Processo 343446 – SC Decisão 20/03/2003. Tribunal Pleno. Relator MM. Carlos Venoso. DJ 04/04/2003). Assim, os conceitos de atividade preponderante e grau risco de acidente de trabalho não precisariam estar definidos em lei, o Regulamento é ato normativo suficiente para definição de tais conceitos, uma vez que são complementares e não essenciais na definição da exação. No Relatório Discriminativo Analítico de Débito – DAD, às fls. 04, observa se que a Classificação Nacional de Atividades Econômicas CNAE da empresa é 7470.5 ATIVIDADES DE LIMPEZA EM PRÉDIOS E DOMICÍLIOS e o percentual do grau de risco nesses casos é 2%, conforme o Anexo V RELAÇÃO DE ATIVIDADES PREPONDERANTES E CORRESPONDENTES GRAUS DE RISCO (CONFORME A CLASSIFICAÇÃO NACIONAL DE ATIVIDADES ECONÔMICAS) do Decreto 3.048/1999, o que foi corretamente aplicado pela AuditoriaFiscal. Outrossim, a Recorrente não questiona diretamente o enquadramento realizado e tampouco aponta qual seria, em seu posicionamento, o enquadramento correto. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (xi) Da Multa Assim, o que se faz tão somente em respeito ao princípio da eventualidade e da ampla , defesa, a cobrança dos juros, multa e atualização monetária são abusivas, todas acima dos limites legais constitucionais. Analisemos. Em relação à questão de inconstitucionalidade, já analisamos conforme o item (a) das Preliminares. Desta forma, não prospera a argumentação da Recorrente. DA MULTA DE MORA Fl. 1138DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 24 Esta Colenda Turma de Julgamento vem se posicionando reiteradamente, por maioria, em relação ao recálculo dos acréscimos legais, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte: A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ressalvase a posição do Relator, posição vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10980.007970/200788 Acórdão n.º 240300.888 S2C4T3 Fl. 1.107 25 CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, no MÉRITO, DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 1140DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 11077.000237/2008-89
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/2004 a 28/02/2008
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO COMPENSAÇÃO GLOSA CESSÃO DE CRÉDITOS.
Serão glosados pelo Fisco os valores compensados indevidamente pelo sujeito passivo. A cessão de crédito, nos termos do Código Civil, não descaracteriza o crédito como sendo de terceiros para fins de compensação.
Nos termos do art. 89, § 1°, Lei n° 8.212/1991, a comprovação da não transferência ao custo de bem ou serviço oferecido à sociedade, como atributo da compensação/restituição é obstáculo intransponível para o aproveitamento de créditos de terceiros.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN. Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava
sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A, para disciplinar a multa de ofício.
Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito
lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica.
Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos
legais mais benéficos ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-000.835
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Ausente momentaneamente o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto.
Nome do relator: PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 09 09:00:03 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201110
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2004 a 28/02/2008 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO COMPENSAÇÃO GLOSA CESSÃO DE CRÉDITOS. Serão glosados pelo Fisco os valores compensados indevidamente pelo sujeito passivo. A cessão de crédito, nos termos do Código Civil, não descaracteriza o crédito como sendo de terceiros para fins de compensação. Nos termos do art. 89, § 1°, Lei n° 8.212/1991, a comprovação da não transferência ao custo de bem ou serviço oferecido à sociedade, como atributo da compensação/restituição é obstáculo intransponível para o aproveitamento de créditos de terceiros. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN. Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 11077.000237/2008-89
anomes_publicacao_s : 201110
conteudo_id_s : 4890588
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 2403-000.835
nome_arquivo_s : 2403000835_11077000237200889_201110.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
nome_arquivo_pdf_s : 11077000237200889_4890588.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Ausente momentaneamente o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
id : 4751732
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Sat Apr 09 09:55:44 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1729624173949485056
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2411; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 303 1 302 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11077.000237/200889 Recurso nº 516.669 Voluntário Acórdão nº 240300.835 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 26 de outubro de 2011 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA Recorrente COOPERATIVA TRITICOLA SAMBORJENSE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2004 a 28/02/2008 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO COMPENSAÇÃO GLOSA CESSÃO DE CRÉDITOS. Serão glosados pelo Fisco os valores compensados indevidamente pelo sujeito passivo. A cessão de crédito, nos termos do Código Civil, não descaracteriza o crédito como sendo de terceiros para fins de compensação. Nos termos do art. 89, § 1°, Lei n° 8.212/1991, a comprovação da não transferência ao custo de bem ou serviço oferecido à sociedade, como atributo da compensação/restituição é obstáculo intransponível para o aproveitamento de créditos de terceiros. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 Fl. 408DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 2 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalvase a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Ausente momentaneamente o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Jhonatas Ribeiro da Silva (suplente). Ausente o Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 11077.000237/200889 Acórdão n.º 240300.835 S2C4T3 Fl. 304 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, às fls. 654 a 696, apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Santa Maria RS, Acórdão nº 18 10.650 – 3ª Turma, fls. 646 a 650, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, AIOP – Auto de Infração de Obrigação Principal nº. 37.170.3158, com ciência da Recorrente em 13.06.2008, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 1.915.351,52 (um milhão, novecentos e quinze mil, trezentos e cinqüenta e um reais e cinqüenta e dois centavos). Conforme o Relatório Fiscal, às fls. 225 a 228: Constituem fatos geradores deste lançamento de débito, as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais pela retribuição aos serviços prestados à cooperativa e pagamentos efetuados à cooperativa de trabalho que prestou serviços nesta condição à contratante. Este AI n° 37.170.3158 se refere exclusivamente às contribuições a cargo da empresa para financiamento dos benefícios em razão de incapacidade laborai —GILRAT e para o fundo de previdência e assistência social — FPAS. Estão incluídas também diferenças de acréscimos legais em competências que foram calculadas e recolhidas a menor. Serviram de base de cálculo, os valores das remunerações dos empregados constantes nas folhas de pagamentos, nos recibos de salários, recibos de férias, nas rescisões de contratos de trabalho. Dos contribuintes individuais, as remunerações • constantes nas folhas de pagamentos e recibos de pagamentos à autônomos e na Guia de Recolhimento do FGTS e informações à Previdência Social — GFIP e ainda os registros contábeis da cooperativa. No decorrer da auditoria, verificouse que a cooperativa lançou na sua contabilidade e informou em GFIP valores a titulo de compensação, num percentual aproximado de 30% (trinta por cento) do total das contribuições incidentes sobre a folha de pagamentos de todos os estabelecimentos da empresa, sem que para isto tivesse autorização, recolhimentos indevidos ou decisão judicial favorável. A fiscalização entendeu necessário glosar tais lançamentos, para que a GFIP, que é o instrumento que alimenta o banco de Fl. 410DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 4 dados, não proporcionasse um valor menor a recolher, nos sistemas informatizados da Previdência Social. Resumidamente, os lançamentos: Contribuições patronais: 20% sobre folha e avulsos/administradores; SAT/RAT; e 15% sobre contratação cooperativas de trabalho. O Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 1010900.2008.00102, fls. 220 a 223, foi informado por meio do TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal, com ciência da Recorrente em 07.04.2008. O período objeto do AIOP, conforme o Relatório Discriminativo Sintético do Débito DSD, às fls. 66, é de 05/2004 a 02/2008. A Recorrente teve ciência do Auto de Infração no dia 13.06.2008, conforme fls. 01. Contra a autuação, a Recorrente apresentou impugnação tempestiva, de fls. 229 a 273, com Anexos às fls. 274 a 641. Após análise, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Santa Maria RS, emitiu o Acórdão nº 1810.650 – 3ª Turma, fls. 646 a 650, julgando procedente a autuação e mantendo a multa aplicada, conforme a Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2004 a 28/02/2008 CESSÃO DE CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. A cessão de crédito, nos termos do Código Civil, não descaracteriza o crédito como sendo de terceiros para fins de compensação. A comprovação) da não repercussão financeira do indébito como atributo da compensação/restituição (§ 1° do art. 89 da Lei n° 8.212/91) é garantia de créditos recíprocos entre duas pessoas, e, assim, óbice intransponível para o aproveitamento de créditos de terceiros. Lançamento Procedente Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, em sessão realizada hoje, acordam os membros da 3' Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar procedente o lançamento, de acordo com o voto do relator e sua fundamentação. À Delegacia da Receita Federal do Brasil em Uruguaiana (RS) para cientificar a empresa deste acórdão, fornecendolhe cópia, e intimála a recolher o débito no prazo de 30 dias, a contar da ciência, ressalvado, no mesmo prazo, o direito de parcelar, nas Fl. 411DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 11077.000237/200889 Acórdão n.º 240300.835 S2C4T3 Fl. 305 5 hipóteses legais, ou interpor recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda. Sala de Sessões, em 5 de maio de 2009. Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 654 a 696, na qual alega em síntese que: No Mérito: (a) Da compensação com precatórios federais. A recorrente, nos termos do artigo 286, do Código Civil (Lei n° 10.406/2002), e artigo 567, III, do CPC, bem como, da Emenda Constitucional n° 30, de 1492000, a qual acrescenta o art. 78 no ADCT, celebrou, mediante instrumento público, a aquisição de créditos advindos dos Processos n's 9900036360, 9510018007, 9600112665, 9503017386, 199903990796881 e 9200458726, o que se comprova a partir dos documentos juntados na defesa encaminhada, que demonstram toda a operação realizada nas competências abril a novembro de 2006. Os processos em questão discutem a constitucionalidade e a exigibilidade da contribuição previdenciária incidente sobre o "Prólabore", regida pelas Leis n° 7.787/89 e 8.212/91. As decisões proferidas nos processos são favoráveis, tendo transitado em julgado, conforme confirmam as peças processuais que foram anexadas ao processo administrativo. A partir do trânsito em julgado acerca do mérito discutido nos processos, as partes ingressaram com execuções de sentença dos valores, (docs. fls.), das quais não houve discordância, tendo sido, por conta disto, encaminhados os precatórios para pagamento (docs. fls.). Considerando que os valores executados transitaram em julgado, são líquidos, certos e exigíveis, conforme precatórios enviados, as autoras das ações os transferiram para a Autuada, nos termos legais antes descritos. A legislação vigente à época do crédito não impunha resistência ao procedimento adotado pela empresa, a Lei n° 8.383/91 apenas exigia do contribuinte declarações prévias de compensação. Não se trata de crédito de terceiros, já que transferido para o patrimônio da empresa por meio de instrumento público de cessão, contabilizado e com a titularidade transferida nos termos do artigo 567, do CPC e autorização da Carta Magna, artigo 78 do ADCT. (b) Da cessão de créditos – previsão legal Fl. 412DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 6 Conforme previsão constante na Lei n° 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil Brasileiro), uma vez revestida das formalidades necessárias, a cessão de créditos se torna perfeitamente viável e oponível contra todos. Toda a previsão constitucional e legal acerca do instituto obrigacional da cessão de créditos, amparada, sobretudo, pela jurisprudência hodierna, não pode ser simplesmente desconsiderada, a ponto de negar patrimônio da cessionária, com direito ao seu pleno uso e gozo. (c) Dos créditos de terceiros. o crédito adquirido por instrumento público, conforme autoriza a Carta Magna, artigo 78 do ADCT, o Código Civil, artigos 288, 289 e 290, e o Código de Processo Civil, artigo 567, transferese da esfera patrimonial do cedente e passa a integrar a da cessionária, este é que passa a ter o direito de propriedade sobre aquele crédito, é o novo titular da execução de sentença judicial, e o único que passa ter o pleno direito de usufruilo, logo, não há que se falar em CRÉDITO DE TERCEIRO. (d) da inexigibilidade da contribuição de 15% sobre contratação de cooperativas de trabalho – inconstitucionalidade – ofensa do art. 22, IV, Lei 8.212/1991 ao disposto no art. 195, I, a, CRFB/1988 e no art. 195, I, b, CRFB/1988. Consoante depreendese da leitura do artigo 22, IV, lei 8.212/1991, instituiuse nova contribuição social, cuja aliquota é de 15% (quinze por cento) a incidir sobre os serviços prestados por cooperativas de trabalho, e determinando que os tomadores serão os sujeitos passivos da obrigação tributária. Entretanto, tal exigência não guarda consonância com nossa Carta Magna, sendo claramente inconstitucional, consoante restará demonstrado na análise dos dispositivos constitucionais que regulam a tributação das empresas, através de contribuições sociais. (e) Taxa SELIC – ilegalidade e inconstitucionalidade. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 698. É o Relatório. Fl. 413DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 11077.000237/200889 Acórdão n.º 240300.835 S2C4T3 Fl. 306 7 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 698. Anotase ainda que o Supremo Tribunal Federal – STF ao editar a Súmula Vinculante nº. 21 afastou a exigência de depósito para a admissibilidade de recurso na esfera administrativa. Súmula Vinculante 21 É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. Fonte de Publicação: DJe nº. 210, p. 1, em 10/11/2009. DOU de 10/11/2009, p. 1. Avaliados os pressupostos, passo para as questões Preliminares e ao Mérito. DAS PRELIMINARES Violação a preceitos constitucionais. A Recorrente argumenta em relação à violação a preceitos constitucionais: Fl. 414DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 8 (d) da inexigibilidade da contribuição de 15% sobre contratação de cooperativas de trabalho – inconstitucionalidade – ofensa do art. 22, IV, Lei 8.212/1991 ao disposto no art. 195, I, a, CRFB/1988 e no art. 195, I, b, CRFB/1988. (e) Taxa SELIC – ilegalidade e inconstitucionalidade. Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Fl. 415DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 11077.000237/200889 Acórdão n.º 240300.835 S2C4T3 Fl. 307 9 Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DO MÉRITO. A Recorrente argumenta: (a) Da compensação com precatórios federais. A recorrente, nos termos do artigo 286, do Código Civil (Lei n° 10.406/2002), e artigo 567, III, do CPC, bem como, da Emenda Constitucional n° 30, de 1492000, a qual acrescenta o art. 78 no ADCT, celebrou, mediante instrumento público, a aquisição de créditos advindos dos Processos n's 9900036360, 9510018007, 9600112665, 9503017386, 199903990796881 e 9200458726, o que se comprova a partir dos documentos juntados na defesa encaminhada, que demonstram toda a operação realizada nas competências abril a novembro de 2006. Os processos em questão discutem a constitucionalidade e a exigibilidade da contribuição previdenciária incidente sobre o "Prólabore", regida pelas Leis n° 7.787/89 e 8.212/91. As decisões proferidas nos processos são favoráveis, tendo transitado em julgado, conforme confirmam as peças processuais que foram anexadas ao processo administrativo. A partir do trânsito em julgado acerca do mérito discutido nos processos, as partes ingressaram com execuções de sentença dos valores, (docs. fls.), das quais não houve discordância, tendo sido, por conta disto, encaminhados os precatórios para pagamento (docs. fls.). Considerando que os valores executados transitaram em julgado, são líquidos, certos e exigíveis, conforme precatórios enviados, as autoras das ações os transferiram para a Autuada, nos termos legais antes descritos. A legislação vigente à época do crédito não impunha resistência ao procedimento adotado pela empresa, a Lei n° 8.383/91 Fl. 416DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 10 apenas exigia do contribuinte declarações prévias de compensação. Não se trata de crédito de terceiros, já que transferido para o patrimônio da empresa por meio de instrumento público de cessão, contabilizado e com a titularidade transferida nos termos do artigo 567, do CPC e autorização da Carta Magna, artigo 78 do ADCT. (b) Da cessão de créditos – previsão legal Conforme previsão constante na Lei n° 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil Brasileiro), uma vez revestida das formalidades necessárias, a cessão de créditos se torna perfeitamente viável e oponível contra todos. Toda a previsão constitucional e legal acerca do instituto obrigacional da cessão de créditos, amparada, sobretudo, pela jurisprudência hodierna, não pode ser simplesmente desconsiderada, a ponto de negar patrimônio da cessionária, com direito ao seu pleno uso e gozo. (c) Dos créditos de terceiros. o crédito adquirido por instrumento público, conforme autoriza a Carta Magna, artigo 78 do ADCT, o Código Civil, artigos 288, 289 e 290, e o Código de Processo Civil, artigo 567, transferese da esfera patrimonial do cedente e passa a integrar a da cessionária, este é que passa a ter o direito de propriedade sobre aquele crédito, é o novo titular da execução de sentença judicial, e o único que passa ter o pleno direito de usufruilo, logo, não há que se falar em CRÉDITO DE TERCEIRO. Analisemos. Observese que, por ocasião do levantamento do AIOP nº 37.170.3158, a Fazenda Pública deve proceder ao lançamento de débito, pois, nos termos do parágrafo único do art. 142 do CTN, a atividade administrativa lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional razão pela a autoridade fiscal procedeu à lavratura da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito. A compensação como modalidade de extinção do crédito tributário está prevista no art. 156, II, do Código Tributário Nacional. O mesmo diploma legal, artigos 170 e 170A, prevê regras gerais sobre a matéria; as regras específicas são objeto de lei ordinária. Transcrevemos abaixo os artigos do CTN que tratam da compensação: “Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) II a compensação;” Fl. 417DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 11077.000237/200889 Acórdão n.º 240300.835 S2C4T3 Fl. 308 11 “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento.” “Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.” (Artigo incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) O Plano de Custeio da Seguridade Social, Lei n. 8.212/91, art. 89, que ora transcrevemos, traz comando no sentido de que somente serão compensados os valores pagos ou recolhidos indevidamente a título de contribuição para a Seguridade Social. “Art.89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro SocialINSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido”. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) O direito à compensação surgirá após o pagamento indevido de contribuição destinada à Seguridade Social, de atualização monetária, de multa ou de juros de mora, observadas as seguintes condições, conforme art. 193 da Instrução Normativa MPS/SRP nº 03/2005: • a compensação deverá ser realizada com contribuições sociais destinadas à Seguridade Social, excluídas as destinadas para Outras Entidades ou Fundos (Terceiros); • o sujeito passivo deverá estar em situação regular, considerando todos os seus estabelecimentos e obras de construção civil, em relação à NFLD, LDC, AI, LDCG e DCG, cuja exigibilidade não esteja suspensa;(LDCG – Lançamento de Débito Confessado em GFIP e DCG – Débito Confessado em GFIP: documentos em implementação) • o sujeito passivo deverá estar em dia com as parcelas relativas a acordos de parcelamento, considerados todos os seus estabelecimentos e obras de construção civil; • somente é permitida a compensação de valores que não tenham sido alcançados pela prescrição; Fl. 418DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 12 • a compensação somente poderá ser realizada em recolhimento de períodos subseqüentes àqueles a que se refiram os valores pagos indevidamente. Os valores indevidamente compensados devem ser recolhidos pelo contribuinte, sobre os quais incidirão juros e multa de mora. Caso o contribuinte não recolha espontaneamente os valores compensados de forma indevida, cabe ao Fisco a glosa da compensação efetuada. Também cabe referida glosa na hipótese de compensação efetuada sem que houvesse recolhimento ou pagamento indevido; ou atualizada em desconformidade com os índices de correção previstos na legislação previdenciária; ou sem decisão judicial que tenha autorizado a compensação. Por fim, não houve qualquer ato perfeito e acabado, posto que uma compensação indevida não pode ser considerada como um ato jurídico perfeito, já que se sujeita à verificação de sua regularidade pela fiscalização. Como se vê, a compensação entre crédito e débito tributário efetivase por iniciativa do contribuinte, mas com risco para ele. A compensação feita, no âmbito de tributo sujeito ao lançamento por homologação, como no caso, fica a depender da homologação da autoridade fiscal, que pode e deve fiscalizar o contribuinte, examinar seus livros e documentos, verificar os cálculos e efetuar o lançamento de valor de compensação indevida, no todo ou em parte. Outrossim, ao contrário do que pretende a Recorrente, a cessão de direito de crédito não afasta a natureza de crédito de terceiro. Em outros termos, o crédito objeto de lide nunca deixará de ser originário de cessão de terceiros, por isso que, também, não poderá ser considerado como um crédito próprio. Neste sentido, pela Recorrente ser cessionária do crédito, se por um lado admitese seu direito de usufruir do crédito nas formas previstas no Direito Civil, por outro lado, todavia, por expressa determinação legal, vide art. 89, Lei 8.212/1991, tal crédito não pode ser aproveitado para efeitos de restituição/compensação tributária na pessoa do cessionário. Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995). § 1º Admitirseá apenas a restituição ou a compensação de contribuição a cargo da empresa, recolhida ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que, por sua natureza, não tenha sido transferida ao custo de bem ou serviço oferecido à sociedade. (Incluído pela Lei nº 9.032, de 1995). Neste diapasão, anotase que a Recorrente pretendeu compensar com as contribuições devidas à Seguridade Social contribuições pagas indevidamente não por ela, mas por outro contribuinte, ao qual cabe o exercício do direito de restituição ou compensação das contribuições pagas indevidamente, segundo o art. 89, Lei 8.212/1991. Naturalmente a hipótese exposta no presente Recurso Voluntário, ou seja, da Recorrente como cessionária do crédito tributário, não se coaduna com o previsto nos artigos 132 e 133 do CTN, que tratam de fusão, transformação e incorporação, o que poderia ensejar a utilização dos créditos tributários, em questão, para efeitos de compensação. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 11077.000237/200889 Acórdão n.º 240300.835 S2C4T3 Fl. 309 13 Ainda em sede de argumentação, temse que o Código Tributário Nacional, nos art. 121 a 123, dispõe que as convenções particulares não podem ser opostas à Fazenda Pública: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Art. 122. Sujeito passivo da obrigação acessória é a pessoa obrigada às prestações que constituam o seu objeto. Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Dessa forma, considerando a inobservância das condições de compensação previstas na legislação acima, a glosa realizada pela fiscalização encontrase correta. (e) Taxa SELIC. Insurgese a recorrente contra a aplicação da taxa SELIC ao argumento de que seria ilegal. Registrese, porque importante, que a legislação de regência, sobretudo a Lei nº 8.212/91, afasta literalmente os argumentos erguidos pelo recorrente. De fato, as contribuições sociais arrecadadas estão sujeitas à incidência da taxa referencial SELIC Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, nos termos do artigo 34 da Lei nº 8.212/91: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, Fl. 420DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 14 incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei nº 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei) Neste sentido, há a Súmula nº 4 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente estabelece a aplicação da taxa SELIC. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Nesse contexto, correta a aplicação da taxa SELIC como juros de mora, com fulcro no artigo 34 da Lei nº 8.212/91, na redação anterior à dada pela Lei 11.941/2009. MULTA DE MORA Esta Colenda Turma de Julgamento vem se posicionando reiteradamente, por maioria, em relação ao recálculo dos acréscimos legais, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte: A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: Fl. 421DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 11077.000237/200889 Acórdão n.º 240300.835 S2C4T3 Fl. 310 15 a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ressalvase a posição do Relator, posição vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, rejeitar as PRELIMINARES, NO MÉRITO DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 422DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10920.000066/2004-11
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Feb 06 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Feb 06 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Período de apuração: 03/01/1990 a 23/06/1992
PRAZO PARA FRUIÇÃO DE BENEFÍCIO. CONTAGEM ANUAL.
Sendo o beneficio fiscal concedido por prazo contado em anos,
na data do aniversário da concessão o beneficio está em plena
vigência, até o número de anos concedido.
SENTENÇA JUDICIAL. ALCANCE.
Não fazem coisa julgada os motivos, ainda que importantes para
determinar o alcance da parte dispositiva da sentença.
RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS
PELA TAXA SELIC.
Por ausência de previsão legal, descabe falar-se em atualização
monetária ou juros incidentes sobre o eventual valor a ser objeto
de ressarcimento.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 201-81.742
Decisão: ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao
recurso para incluir no cálculo do beneficio a exportação embarcada no dia 24/06/1992. Vencidos os Conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça e Alexandre Gomes, que davam provimento para incluir a correção pela Selic.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
dt_index_tdt : Sat Apr 16 09:00:03 UTC 2022
anomes_sessao_s : 200902
ementa_s : OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 03/01/1990 a 23/06/1992 PRAZO PARA FRUIÇÃO DE BENEFÍCIO. CONTAGEM ANUAL. Sendo o beneficio fiscal concedido por prazo contado em anos, na data do aniversário da concessão o beneficio está em plena vigência, até o número de anos concedido. SENTENÇA JUDICIAL. ALCANCE. Não fazem coisa julgada os motivos, ainda que importantes para determinar o alcance da parte dispositiva da sentença. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS PELA TAXA SELIC. Por ausência de previsão legal, descabe falar-se em atualização monetária ou juros incidentes sobre o eventual valor a ser objeto de ressarcimento. Recurso voluntário provido em parte.
turma_s : Primeira Câmara
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 06 00:00:00 UTC 2009
numero_processo_s : 10920.000066/2004-11
anomes_publicacao_s : 200902
conteudo_id_s : 4111325
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 201-81.742
nome_arquivo_s : 20181742_153840_10920000066200411_005.PDF
ano_publicacao_s : 2009
nome_relator_s : WALBER JOSE DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 10920000066200411_4111325.pdf
secao_s : Segundo Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para incluir no cálculo do beneficio a exportação embarcada no dia 24/06/1992. Vencidos os Conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça e Alexandre Gomes, que davam provimento para incluir a correção pela Selic.
dt_sessao_tdt : Fri Feb 06 00:00:00 UTC 2009
id : 4756492
ano_sessao_s : 2009
atualizado_anexos_dt : Sat Apr 16 15:10:44 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1730278175193169920
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-10-15T20:50:51Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-10-15T20:50:51Z; Last-Modified: 2009-10-15T20:50:51Z; dcterms:modified: 2009-10-15T20:50:51Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-10-15T20:50:51Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-10-15T20:50:51Z; meta:save-date: 2009-10-15T20:50:51Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-10-15T20:50:51Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-10-15T20:50:51Z; created: 2009-10-15T20:50:51Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2009-10-15T20:50:51Z; pdf:charsPerPage: 1271; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-10-15T20:50:51Z | Conteúdo => CCO2/C0 I Fls. 2.726 414Á^". MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 44.1=4,-'' PRIMEIRA CÂMARA Processo n° 10920.000066/2004-11 Recurso n° 153.840 Voluntário Matéria Ressarcimento de Crédito-Prêmio de IPI Acórdão n° 201-81.742 Sessão de 06 de fevereiro de 2009 Recorrente BUSSCAR ÔNIBUS S/A Recorrida DRJ em Ribeirão Preto - SP ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 03/01/1990 a 23/06/1992 PRAZO PARA FRUIÇÃO DE BENEFÍCIO. CONTAGEM ANUAL. Sendo o beneficio fiscal concedido por prazo contado em anos, na data do aniversário da concessão o beneficio está em plena vigência, até o número de anos concedido. SENTENÇA JUDICIAL. ALCANCE. Não fazem coisa julgada os motivos, ainda que importantes para determinar o alcance da parte dispositiva da sentença. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS PELA TAXA SELIC. Por ausência de previsão legal, descabe falar-se em atualização monetária ou juros incidentes sobre o eventual valor a ser objeto de ressarcimento. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para incluir no cálculo do beneficio a exportação embarcada no dia 24/06/1992. nfl Processo n° 10920.000066/2004-11 CCO2/C01 Acórdão n.° 201-81.742 Fls. 2.727 Vencidos os Conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça e Alexandre Gomes, que davam provimento para incluir a correção pela Selic. • - Oaaxe,a, OSE A MARIA COELHO MARQ ES Presidente - 4 WALBER JOSÉ DA LVA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maurício Taveira e Silva e José Antonio Francisco. Ausente o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto. Relatório A empresa recorrente apresentou PER/DComp pleiteando o ressarcimento de crédito-prêmio de IPI reconhecido em decisão judicial transitada em julgado, relativo às exportações realizadas no período de 03/01/1990 a 24/06/1992, no valor atualizado do crédito de R$ 8.027.445,57. Segundo a autoridade administrativa competente, foram glosados e/ou recalculados valores que não estavam abarcados pela decisão judicial, pelos seguintes motivos: 1 - exportações cujo embarque ocorreu no dia 24/06/1992, ou seja, após o término do programa Befiex, que teria acontecido no dia 23/06/1992; 2 - conversão do dólar, na data do embarque, pela taxa de venda, quando a legislação determinava que seria pela taxa de compra; 3 - o crédito da empresa foi corrigido pelos índices da NE/Cosit/Cosar ri' 08/97, sem os expurgos inflacionários, não concedidos pela decisão judicial, bem como a variação da Ufir verificada no período de 02/01/1992 a 01/1996; e 4 - não foi aplicada a taxa Selic, incabível nos ressarcimentos, e nem foi determinado pela decisão judicial. Não se conformando, a empresa recorrente apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em apertada síntese, que: 2 Processo n° 10920.000066/2004-11 CCO2/C01 Acórdão n.° 201-81.742 Fls. 2.728 1 - o termo final do Befiex é 24/06/1992 (data do aniversário) porque o beneficio não foi concedido em dias, mas em anos; 2 - a ilegalidade da Portaria SRF n" 292/81 foi reconhecida na sentença transitada em julgado, portanto, poderia fazer a conversão do dólar pela taxa de venda; e 3 - desconsiderar os expurgos inflacionários é ir contra a decisão judicial que garantiu o recebimento do crédito-prêmio corrigido monetariamente, sem qualquer restrição ou limitação, o mesmo se aplicando à Ufir e à taxa Selic, esta aplicada, a partir de 01/01/1996 (há precedentes da CSRF). A 2 Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto - SP indeferiu o pleito da recorrente, nos termos do Acórdão ri' 14-17.036, de 20/ 12/2007, cuja ementa abaixo transcrevo: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIAL.12;4 DOS - IPI Período de apuração: 03/01/1990 a 24/06/1990 SENTENÇA JUDICIAL. ALCANCE. Não fazem coisa julgada os motivos, ainda que irtzportantes para determinar o alcance da parte dispositiva da sentença. CORREÇÃO MONETÁRIA. Inexiste previsão legal para escriturar ou ressarcir cr-éditos do IPI acrescidos de correção monetária. RESSARCIMENTO. JUROS PELA TAXA SELIC. Inexiste previsão legal para abonar atualizaçcio "onetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a vczlores objeto de ressarcimento de crédito de IPL Solicitação Indefèrida". A empresa interessada tomou ciência da decisão de primeira instância em 13/02/2008, fl. 2.675, e interpôs recurso voluntário em 25/02/2008, no qual repisa os argumentos da manifestação de inconformidade. Na forma regimental, o processo foi a mim distribuído, conforme despacho exarado na última folha dos autos - fl. 2.722. É o Relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele conheço. 1 3 Processo n° 10920.000066/2004-1 I CCO2/C0 I Acórdão n.° 201-81.742 Fls. 2.729 Como relatado, a empresa recorrente está pleiteando o ressarcimento de crédito- prêmio de IPI relativo a exportações realizadas no período de 06/01/1990 a 24/06/1992, reconhecido em decisão judicial transitada em julgado. A DRF competente deferiu, em parte, o pedido pelas seguintes razões: 1 - excluiu do cálculo do beneficio a GE cujo embarque foi realizado no dia 24/06/1992, após o término do beneficio, que ocorreu no dia 23/0611 992; 2 - utilizou o valor da taxa de compra do dólar para a conversão, para a moeda nacional, do valor do beneficio; e 3 - corrigiu o crédito da empresa pelos índices da 1nTE/Cosit/Cosar n' 08/97, os mesmos aplicados para a restituição, sem os expurgos inflacionários e sem o acréscimo de juros calculados pela taxa Selic. A recorrente contesta a contagem do prazo para_ fruição do beneficio; a aplicação da Portaria MF ri' 292/81 e a correção monetária do beneficio. Sobre o prazo para fruição do benefício, a. decisão recorrida reconhece que o mesmo é de dez anos e que terminou no dia 23/06/1 992, porque concedido no dia 24/06/1982. Por seu turno, a recorrente alega que o termo final dos 10 (dez) anos concedidos para fruição do beneficio ocorreu no dia do aniversário do pacto celebrado com a União, e não no dia anterior, portanto, até o dia 24/06/1992 o pacto estava em vigor. Com razão a recorrente. De fato, o incentivo foi concedido por 10 (dez) anos (e não por 9 anos e 363 dias). Na data do aniversário do 'Ferino de Aprovação Befiex n' 112/82 é que se completou os 10 (dez) anos a que a recorrente poderia usufruir o beneficio e o embarque feito no dia 24/06/1992 está dentro do prazo acordado de 10 (dez) anos. Portanto, a decisão recorrida deve ser reformada para incluir, no cálculo do beneficio, a exportação realizada a que se refere a GE ri 1956-92/6006-2. Quanto à taxa cambial utilizada para a conversão do beneficio, entendo que não há reparos a fazer na decisão recorrida. De fato, não 1-iá decisão judicial declarando a ilegalidade da Portaria MF ri' 292/92. Mesmo tendo a recorrente pedido a decretação de sua ilegalidade na Ação ri' 91.0003276-0 e estando este fato consignado no relatório da sentença, a conclusão do Juiz, tanto nos fundamentos da sentença como ria sua parte dispositiva, não faz referência a ilegalidade pleiteada. Portanto, não há que se falar em decretação de ilegalidade da referida portaria, bem como de todas as demais Portarias N4F citadas na sentença acostada às fls. 167/169. Quanto à correção monetária do crédito pleiteado, também não há reparos a fazer na decisão recorrida, que manteve a utilização dos índices de correção monetária aplicáveis à restituição e negou a aplicação dos expurgos inflacionários e dos juros calculados pela taxa Selic, à mingua de decisão judicial a este respeito, em favor da recorrente, e da falta de previsão legal. Sem razão a recorrente quando pretende aplicai- ao caso concreto jurisprudência judicial sobre a matéria, que não vincula a autoridade administrativa, bem como resolução do 4¥Sk' 4 Processo n° 10920.000066/2004-11 CCOI'CO I Acórdão n.° 201-81.742 Fls. 2.730 CNJ que trata de execução de decisões que reconhecem os chamados expurgos inflacionários, o que não é o caso dos autos. Relativamente à jurisprudência deste Segundo Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, engana-se a recorrente ao afirmar que a posição final destes Colegiados é no sentido de que é devida a aplicação da taxa Selic no ressarcimento, a teor do Acórdão CSRF/02-02.824, da CSRF, e diversos acórdãos deste 2CC (p. ex. n 2s 203- 02.414 e 203-02.427). No mais, com fulcro no art. 50, § 1, da Lei ri 9.784/1999 1 , adoto os fundamentos do Acórdão de primeira instância. Por tais razões, que reputo suficientes ao deslinde, ainda que outras tenham sido alinhadas, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para incluir no cálculo do beneficio a GE ri' 1956-92/6006-2. Sala das Sessões, em O r de fevereiro de 2009. n WALB . J IISE DA LVA oxis i "Ar!. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: § 1' A motivação deve ser explicita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fardamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que. neste caso, serão parte integrante do ato."
score : 1.0
Numero do processo: 16682.901024/2011-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1103-000.083
Decisão: ACORDAM es Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: HUGO CORREIA SOTERO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 16 09:00:03 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201303
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 16682.901024/2011-57
conteudo_id_s : 6590973
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 1103-000.083
nome_arquivo_s : Decisao_16682901024201157.pdf
nome_relator_s : HUGO CORREIA SOTERO
nome_arquivo_pdf_s : 16682901024201157_6590973.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM es Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
id : 9282678
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Sat Apr 16 15:10:55 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1730278175203655680
conteudo_txt : Metadados => date: 2014-03-17T16:29:07Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2014-03-17T16:29:07Z; Last-Modified: 2014-03-17T16:29:07Z; dcterms:modified: 2014-03-17T16:29:07Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:c86ccf8f-71e2-494a-bfbd-70b90a7a4502; Last-Save-Date: 2014-03-17T16:29:07Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2014-03-17T16:29:07Z; meta:save-date: 2014-03-17T16:29:07Z; pdf:encrypted: true; modified: 2014-03-17T16:29:07Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2014-03-17T16:29:07Z; created: 2014-03-17T16:29:07Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2014-03-17T16:29:07Z; pdf:charsPerPage: 1113; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2014-03-17T16:29:07Z | Conteúdo => SI-CIT3 Fl. 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 16682.901024/2011-57 Recurso n° Voluntário Resolução n° 1103-000.065 — 1' Camara /32 Turma Ordinária Data 05 de marco de 2013 Assunto DCOMP Recorrente TNL PCS S.A Recorrida FAZENDANACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM es Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento rn diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. S VA — Presidente ALOYSIO HUG E . SOT RO —Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mario Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Sergio Luiz Bezerra Presta, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percinio da Silva. 1 Fl. 290DF CARF MF Cópia autenticada administrativamente Documento de 5 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0422.12057.JO2Y. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo n° 16682.901024/2011-57 S1-C1T3 Resolução n° 1103-000.065 Fl. 6 A Recorrente formalizou, através do sistema PER/DCOMP, pedido de restituição de saldo negativo do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) apurado no ano- calendário de 2004, no valor de R$ 2.421.291,06, e, ato continuo, apresentou declaração de compensação postulando a quitação de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no valor de R$ 1.536.867,13, sendo a compensação parcialmente homologada, dado o reconhecimento, pela Delegacia da Receita Federal (DEMAC RJ), de saldo negativo de R$ 55.479,37— Despacho Decisório de fl. 11. Inconformada, apresentou a Recorrente manifestação de inconformidade (fls. 18/31), arguindo: (a) nulidade da decisão por deficiência de fundamentação; (b) decadência do direito da Administração Tributária de rever a composição do saldo negativo pertinente ao ano- calendário de 2004; (c) estar devidamente comprovada, nos assentamentos contábeis, a existência do saldo negativo postulado originalmente; e, (d) necessidade de realização de diligência para apuração do valor do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), justificada a postulação pelo argumento de que, tendo a Recorrente apurado prejuízo no 2° trimestre-calendário de 2004, o valor do saldo negativo equivale as retenções efetuadas. A manifestação de inconformidade foi rechaçadas pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro (RJ I) por decisão assim ementada: "PEDIDO DR DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. DESNECESSIDADE. Indefere-se, por desnecessário, o pedido de diligência que tem por objetivo a verificação de documentos que já poderiam e deveriam ter sido anexados et impugnação. ARGUIÇÃO DE NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. FALTA DE CLAREZA NA FUNDAMENTAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Estando perfeitamente claros os fundamentos do despacho decisório, e tendo sido o mesmo lavrado por autoridade competente, com observância do devido processo legal, rejeita-se a argitição de nulidade. ANÁLISE DO DIREITO CREDITO RIO. POSSIBILIDADE DE REVISÃO DO SALDO NEGATIVO DE IRPJ APURADO PELO CONTRIBUINTE APÓS O PRAZO DECADENCIAL DE CINCO ANOS. O prazo decadencial de cinco anos previsto no art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, constitui limite temporal apenas para a constituição do crédito tributário, não inibindo a Fazenda Pública de conferir e glosar pagamentos e retenções informados pelo contribuinte, para fins de reconhecimento de direito creditório. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. GLOSA DE IRFONTE. AUSÊNCIA DO COMPROVANTE DE RETENÇÃO. 47 2 Fl. 291DF CARF MF Cópia autenticada administrativamente Documento de 5 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0422.12057.JO2Y. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo n° 16682.901024/2011-57 SI-CIT3 Resolução n° 1103-000.065 Fl. 7 Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto a Fazenda Nacional, para que seja aferida sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditério Não Reconhecido." Da decisão, quanto ao essencial, extrai -se: "0 contribuinte alega ainda ter reunido prova das retenções sofridas, a partir da sua escrituração contábil em diversas contas de seu livro razão, conforme documentação que junta aos autos, extraída do sistema SAP contendo a apuração dos valores retidos (doc. n° 06 —fls. 111/112), devendo ser cancelada a glosa das retenções sofrida pela empresa. Deve ser destacado que a escrituração do contribuinte nos termos do art. 251 do RIR/1999 (art. 7° do Decreto-lei n° 1.598/1977) tem de estar necessariamente apoiada em documentos idôneos, que sejam hábeis a demonstrar a sua existência, bem como a sua conexão com a atividade explorada e com a manutenção da fonte de receita. Somente a juntada do demonstrativo da conta contábil 11320005 IRE SOBRE APLICAÇÕES FINANCEIRAS (doc. 17 ° 06 — fls. 111/112), desacompanhada de documentos que lhe dêem suporte não é suficiente para comprovação das alegadas retenções. Particularmente, quanto ao caso em exame, o documento necessário comprovação da retenção na fonte para que a mesma pudesse ser deduzida ou compensada pela beneficiaria dos rendimentos é o Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte Pessoa Jurídica, que a interessada não juntou. Neste sentido a interessada deveria ter juntado os seguintes informes de rendimento: Logo, por não estar comprovada a certeza e liquidez do direito creditório, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, cujo ônus que compete a interessada, não há como se reconhecer o direito ereditério pleiteado, no valor de RS 2.365.811,69." Em escorço, a rejeição da pretensão veiculada na manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente decorreu da falta de apresentação dos "Comprovantes Anuais de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte Pessoa Jurídica" expedidos pelas fontes pagadoras. Em face da decisão aviou o contribuinte o recurso voluntário de fls. 136/153, afirmando, em síntese, que as retenções realizadas pelas fontes pagadoras no exercício em questão se encontram registradas no sistema "Dirt" da Secretaria da Receita Federal, de modo a caracterizar a incorreção do acórdão atacado, fundado exclusivamente na ausência de apresentação dos comprovantes de retenção. Juntou o contribuinte, ao recurso voluntário, 3 Fl. 292DF CARF MF Cópia autenticada administrativamente Documento de 5 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0422.12057.JO2Y. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo n° 16682.901024/2011-57 S1-C1T3 Resolução n° 1103-000.065 Fl. 8 informações extraídas do sitio da Receita Federal na rede mundial de computadores que, alega, comprovariam a existência do saldo negativo postulado. o relatório. 'Vo to : Recurso tempestivo. Preenchidos os requisitos de admissibilidade. Como se infere dos termos em que foi vertida a decisão impugnada, foram os valores do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) desconsiderados da apuração do saldo negativo do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica (ERN) referente ao ano-calendário de 2004 (2° trimestre) por questões formais — falta de apresentação dos "Comprovantes Anuais de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte Pessoa Jurídica" expedidos pelas fontes pagadoras, exclusivamente. Alega a Recorrente, nas razões de recurso voluntário, que as informações pertinentes As retenções efetuadas pelas fontes pagadoras no exercício fiscal em questão se encontram detalhadas e discriminadas no sistema "Dirt" da Secretaria da Receita Federal (junta comprovantes extraídos do sitio da Receita Federal na internet), o que determinaria a consideração das informações e consequente deferimento do pedido de restituição e da declaração de compensação. Entendo que, na esteira do que prescreve o art. 142 do Código Tributário Nacional, está a autoridade fiscal comprometida com a obtenção da verdade real, afastando-se de presunções e de conclusões formalistas. No caso, nada obstante comprovem os registros contábeis da Recorrente os valores pleiteados, bem corno haja noticia nos autos de inclusão das informações pertinentes As retenções alegadas nos sistemas de controle da Receita Federal, preferiu a autoridade julgadora, desconsiderá-los, sob o argumento de essencialidade da apresentação de "comprovantes" de retenção. Em algumas oportunidades firmou esse Colendo Conselho de Contribuintes o entendimento de que há de se privilegiar a obtenção da verdade real, assim: "CSLL — AUSÊNCIA DE MA TERIA TRIBUTiVEL — PREVALÊNCIA DA VERDADE REAL — Cancela-se a exigência quando constam dos autos elementos suficientes mostrando que o lançamento está baseado unicamente, em erro cometido pelo contribuinte na contabilização dos efeitos do resultado de investimentos relevantes, avaliados pela equivalência patrimonial." (Acórdão 107-07632, 7! Cóimara, rel. Lutz Martins Valero) Diante da obrigatoriedade da busca da verdade real, decorrência direta da regra do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo o contribuinte comprovado as retenções do Imposto sobre a Renda através dos documentos acostados A manifestação de inconformidade e ao recurso voluntário, não se justifica a decisão vergastada, posto que obrigatória a consideração dos valores retidos na apuração do saldo negativo de IRPJ postulado pela Recorrente. 4 Fl. 293DF CARF MF Cópia autenticada administrativamente Documento de 5 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0422.12057.JO2Y. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo n° 16682.901024/2011-57 S1-CIT3 Resolução n° 1103-000.065 Fl. 9 Nesse sentido já se posicionou este Conselho: "IRF — EXERCÍCIO 1994 — FUNDO DE APLICAÇÃO FINANCEIRA — COMPROVAÇÃO DE RETENÇÃO MEDIANTE EXTRATOS FORNECIDOS PELA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA — POSSIBILIDADE DE SUA COMPENSAÇÃO — '0 Imposto Retido na Fonte incidente sobre rendimentos auferidos pela pessoa jurídica no exercício de 1994, relativos a Fundo de Aplicação Financeira, comprovados por meio de extratos emitidos pela instituição financeira, passível de compensação". (Acórdão le. 107-06250, 7". Câmara, rel. Natanael Martins). Com estas considerações, comprovada a desconsideração de valores de IRRF pela autoridade lançadora, converto o julgamento em diligência para que proceda a autoridade preparadora A. verificação da existência de registro, nos sistemas de controle da Receita Federal do Brasil, dos valores indicados nela Recorrente a guisa de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte, bem como informe, se comprovada a retenção efetiva dos valores ali descritos, a repercussão na apuração do IRPJ devido pela Recorrente no 2° trimestre de 2004. Por fim, que se verifique se os aludidos rendimentos foram oferecidos a tributação. Concluída a diligência, com fulcro no art. 35 do Decreto n° 7574/11, dê-se prazo de 30 (trinta) dias para Recorrente se manifestar acerca das conclusões. Concluído esse prazo, remetam-se os presentes autos para julgamento desse Conselho. COITIO \TOW. 5 Fl. 294DF CARF MF Cópia autenticada administrativamente Documento de 5 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0422.12057.JO2Y. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento autenticado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Corresponde à fé pública do servidor, referente à igualdade entre as imagens digitalizadas e os respectivos documentos ORIGINAIS. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por JOSE ANTONIO DA SILVA em 17/03/2014 13:32:00. Documento autenticado digitalmente por JOSE ANTONIO DA SILVA em 17/03/2014. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 14/04/2022. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP14.0422.12057.JO2Y Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 3509486341EF592407782C3F6A0E483CCA2A142A Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 16682.901024/2011-57. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
score : 1.0
