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6258987 #
Numero do processo: 13688.000276/2005-71
Data da sessão: Thu Apr 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 Ementa: SIMPLES - EXCLUSÃO - ATIVIDADE NÃO VEDADA. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE TRATORES E MÁQUINAS AGRÍCOLAS - Não se enquadram nas atividades privativas de engenheiros ou de outras profissões cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida a atividade de reparação e manutenção de tratores e máquinas agrícola, na forma exercida pela recorrente.
Numero da decisão: 1103-000.175
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos dos relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Gervásio Nicolau Recktenvald

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ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 Ementa: SIMPLES - EXCLUSÃO - ATIVIDADE NÃO VEDADA. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE TRATORES E MÁQUINAS AGRÍCOLAS - Não se enquadram nas atividades privativas de engenheiros ou de outras profissões cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida a atividade de reparação e manutenção de tratores e máquinas agrícola, na forma exercida pela recorrente.

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5812918 #
Numero do processo: 11080.001459/2008-60
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 28/02/2003 a 31/05/2003 EMBARGOS. REDISCUSSÃO DO MÉRITO. IMPOSSIBILIDADE. Os embargos de declaração não são recursos hábeis na busca da rediscussão do mérito. EMBARGOS CONHECIDOS.E REJEITADOS.
Numero da decisão: 3201-001.839
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, conhecer e rejeitar os embargos de declaração apresentados, nos termos do voto do relator. JOEL MIYAZAKI – Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES - Relator. EDITADO EM: 27/01/2015 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Erika Costa Camargo Autran e Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES

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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 28/02/2003 a 31/05/2003 EMBARGOS. REDISCUSSÃO DO MÉRITO. IMPOSSIBILIDADE. Os embargos de declaração não são recursos hábeis na busca da rediscussão do mérito. EMBARGOS CONHECIDOS.E REJEITADOS.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 11080.001459/2008­60  Acórdão n.º 3201­001.839  S3‐C2T1  Fl. 1.102          2 Relatório  Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão  julgador de primeira instância até aquela fase:  Trata­se de Auto de Infração lavrado em 11/02/2008, fls. 05/08, referente ao  período de 28/02/2003 a 30/05/2003, para exigir o Imposto sobre Produtos  Industrializados  –  IPI,  no  valor  total  de  R$  1.116.224,07,  assim  como  os  respectivos juros de mora e multa de ofício de 75%.  Conforme Relatório de Auditoria Fiscal,  fls. 13/16, o autuado  informou em  DCTFs (fls. 48 a 53) e DCOMPs (fls. 54 a 65) débitos de IPI, nos períodos  do 3o  decêndio de  fevereiro de 2003 ao 3o  decêndio de maio de 2003,  que  estariam extintos por compensação mediante utilização de créditos oriundos  de  decisão  judicial,  no  mesmo  valor,  restando  saldo  “zero”  de  IPI  nos  períodos.  Em  seguida  a  fiscalização  registra,  que  as  compensações  declaradas  –  DCOMPs,  formalizadas  no  processo  administrativo  nº  13003.000439/2002­24,  ainda  estão  pendentes  de  apreciação  por  parte  da  Receita Federal,  conforme decisão da DRJ de Florianópolis  (fls.  22 a  32),  tendo  em  vista  decisão  judicial  provisória  que  impede  eventual  não­ homologação  do  procedimento  (Embargos  de  Declaração  em  AMS  nº  2003.71.00.030183­2/RS – fls. 33 a 47), e que na hipótese de uma futura não­ homologação da compensação,  far­se­ia necessária a  interposição de ação  de cobrança dos débitos em tela, o que poderia ser obstaculizado tendo em  vista a ineficácia do lançamento, baseado em declarações de compensação,  DCOMPs apresentadas no período de 10/03/03 a 15/10/03 (período anterior  a data da vigência da MP no 135/2003), no processo nº 13003.000439/2002­ 24.  Ressalta  que  o  procedimento  adotado,  com  vistas  a  resguardar  a Fazenda  Pública de eventuais argüições do contribuinte de extinção de seu débito com  fulcro  no  instituto  da  decadência  ou  mesmo  na  previsão  de  homologação  tácita do procedimento originário, encontra respaldo no despacho de fls. 294  e 295 do processo de representação nº 11080.000197/2008­16,  juntado nas  fls. 19 a 21 desses autos.   Consta nas fls. 22/32 cópia do acórdão nº 5.574, de 17 de fevereiro de 2005,  da 2a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Florianópolis –  SC, proferido nos autos do processo 13003.000439/2002­24.  Os  enquadramentos  legais  das  irregularidades  apuradas,  bem  assim  dos  acréscimos legais, estão discriminados dos dispositivos das fls. 07 e 11/12.   Regularmente  cientificado,  em  12/02/2008,  conforme  consta  do  auto  de  infração,  fls.  06  e  16,  o  autuado  apresentou  impugnação  tempestiva  em  13/03/2008,  fls.  71/94,  subscrita por procuradores devidamente habilitados  Fl. 525DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 11080.001459/2008­60  Acórdão n.º 3201­001.839  S3‐C2T1  Fl. 1.103          3 nos autos  (instrumento de mandato na  fls. 95), na qual, após breve resumo  dos fatos, alega:  a) A extinção dos créditos tributários, nos termos do inciso II, do artigo 156  do CTN. Diz que “em 11/11/2002 formulou pedido de restituição de créditos  adquiridos  da Cooperativa Regional  de Cafeicultores  em Guaxupé  Ltda.  –  COOXUPÉ,  formalizando  o  Processo  Administrativo  nº  13003.­ 000.439/2002­24 (doc. Nº 12), nos autos do qual promoveu a compensação  dos  referidos  créditos  com  débitos  de  IPI  e  COFINS,  dentre  os  quais  se  incluem os débitos objeto da presente autuação, ...“que o direito creditório é  decorrente de decisão  judicial  transitada em  julgado nos autos da Ação de  Repetição  de  Indébito  nº  91.0007964­2,  ...a  qual  julgou  indevidos  os  recolhimentos efetuados a título de Quota de Contribuição sobre Exportação  de  Café,  em  função  da  declaração  de  inconstitucionalidade  desta  exação  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  (docs.  nºs  13  a  19),  que  tais  créditos  lhe  foram  cedidos  através  de  escritura  pública,  da  qual  a  União  Federal  foi  devidamente cientificada, diz ainda que foi realizada a transferência do pólo  ativo  da  referida  ação,  por  decisão  judicial  também  já  transitada  em  julgado, e que os créditos objeto do auto de infração encontram­se extintos  em  decorrência  da  formalização  dos  pedidos  de  compensação  até  que  sobrevenha  decisão  administrativa  decidindo  sobre  a  homologação  das  respectivas compensações.   b)  A  suspensão  do  prazo  prescricional  para  exigência  dos  créditos  tributários pelo fisco, sustentando que os créditos tributários em questão não  podem  ser  objeto  de  cobrança,  uma  vez  que  sua  exigibilidade  encontra­se  suspensa por  força de decisão  judicial.  Informa que  impetrou Mandado de  Segurança nº 2003.71.00.030183­2, objetivando que os expurgos relativos a  janeiro de 1989,  fevereiro de 1989, março de 1990, abril de 1990, maio de  1990  e  fevereiro  de  1991,  nos  percentuais  de  42,72%,  6,31%,  30,46%,  44,90%, 2,36% e 13,89%, fossem incluídos na apuração do referido indébito.  A seguir discorre sobre o andamento da ação, e conclui que o lançamento só  poderia ser feito quando do trânsito em julgado da decisão final da referida  ação.  c) Que  informou  os  valores  autuados  pelo  fisco  através  de Declaração  de  Contribuições  e  Tributos  Federais  –  DCTFs,  encontrando­se  os  créditos  tributários já constituídos por auto­lançamento – confissão de dívida, sendo  inadmissível a constituição de crédito através do  lançamento de ofício, por  gerar duplicidade de cobrança que é vedada pela Carta Magna.  d) Que a cobrança da multa de ofício é  indevida, porque fundamentada em  dispositivo legal que não mais se encontra em vigor em nosso ordenamento  jurídico, sustentando a aplicação do art. 106, II, “a”, do CTN. Cita ainda o  §  2º  do  art.  5º  do  Decreto  nº  2.124/84,  que  determina,  no  caso  de  não  pagamento de débitos declarados em DCTF, o que diz não  ter ocorrido no  caso em tela, ser cabível somente correção monetária, juros de mora e multa  de 20% (vinte por cento) sobre o valor do débito.  Fl. 526DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 11080.001459/2008­60  Acórdão n.º 3201­001.839  S3‐C2T1  Fl. 1.104          4 Ao final, requer a desconstituição do lançamento.   Consta  nas  fls.  337/338,  cópia  da  decisão  proferida  pelo  Delgado  da  DRF/Uberaba  no  processo  administrativo  nº  15254.000018/2010­87,  tendo  como  interessada  a  pessoa  jurídica  GPC  Química  S/A,  CNPJ  nº  90.195.892/0021­60.   O contribuinte é intimado da decisão, interpondo recurso voluntário.  Julgado o recurso, este foi negado.  O Delegado da RFB, ao receber o processo, interpõe embargos de declaração,  alegando que a multa de mora deveria ter sido interrompida, não afastada.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes, Relator  O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade.  A decisão recorrida discutiu apenas a possibilidade de  lançamento de multa  em processos para evitar a decadência.  Entendendo ser indevida a multa, esta foi excluída.  Os embargos pretendem discutir o mérito da decisão, alegando que a multa  de mora deveria ter sido mantida.  Além  do  recurso  interposto  buscar  rediscutir  o  mérito,  a  decisão  recorrida  bem  tratou  do  tema,  inclusive  dispondo  ser  ilegal  da  decisão  da  DRJ  que  alterou  a  multa  lançada na infração original de ofício para moratória.  A  legislação  pátria  é  clara:  descabe  a  aplicação  de  qualquer  multa  nos  lançamentos para evitar a decadência.  Assim, voto por conhecer e rejeitar os embargos interpostos.  Sala das Sessões, 10 de dezembro de 2014  Luciano Lopes de Almeida Moraes                Fl. 527DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 11080.001459/2008­60  Acórdão n.º 3201­001.839  S3‐C2T1  Fl. 1.105          5                 Fl. 528DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES

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Numero do processo: 13851.000006/91-82
Data da sessão: Fri Mar 24 00:00:00 UTC 1995
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - FINSOCIAL FATURAMENTO EX. 1987 - Não se conhece do recurso, quando declarada, pela autoridade de primeira instância, a intempestividade da impugnação.
Numero da decisão: 102-29.790
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por intempestiva a impugnação, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Nome do relator: Ursula Hansen

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LTDA RECORRIDA :.DRF - RIBEIRA° PRETO - SP PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - FINSOCIAL FATURA- MENTO EX. 1987 - Não se conhece do recurso, quando declarada, pela autoridade de primeira instância, a intempestividade da impugnação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por HILOSHI OKADA 81 CIA. LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conse- lho de Contribuintes, por unanimidade de votos, não conhecer do recur- so por intempestiva a impugnação, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Sala 24 de março de 1995 41111ÉMW auut - PRESIDENTE PR S L; ' N RELATORA VISTO EM LOUREMBERG RIBEIRO NUNES ROCHA - PROCURADOR DA F. SESSAO PE: ZEN-0A A9R 1995 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselhei- ros= Waldevan Alves de Oliveira, Maria ClAlía de Andrade Figueiredo, Júlio César Gomes da Silva e José Carlos Passuello. MINISTERIO DA FAZENDA 2. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO Na. 13851/000.006/91-82 RECURSO Na.: 80.392 ACORDA() Na.: 102-29,790 RECORRENTE : HILOSHI OKADA & CIA. LTDA RE.1.1A.12RIQ . O presente processo trata de Auto de Infração, fia. 05, J nontra HTLOSHI OKADA & CIA. LTDA, CGC Na 52.316:759/0001-81, jurisdicionada à Delegacia da Receita Federal em Ribeirão Preto - SP, formalizando a P:xisência fiscal •de FINSOCIAL FATURAMENTO EX. 1987, no valor originário de 807,15 BTNF, sujeito aos correspondentes acrésci- mos li,,,gais. O lançamento, com base no Artigo la, parágrafo ia do Decreto Lei Na 1940/82 e Artigos 16, 80 e 83 do Regulamento do Finso- ciai, aprovado pelo Decreto Na 92.693/86, decorreu de irregularidades apuradas em procedimento de fiscalização na pessoa jurídica, conforme demonstrado no pronRsso 13851/000,004/91-57. Termo de RevAlia às fls. 06, Inconformado com a exiwência fiscal, o contribuinte, apresentou, sua impugnação de fls. 09/16, fundamentando suas alegações nas razões apresentadas no processo matriz. A decisão da la Instância relativa ao presente proces- so, de número 129/91, foi proferida às fls. 21/23, não tendo a autori- dade julgadora "a quo" tomado conhecimento da impugnação, por intem- pestiva. Ciente da decisão singular em 01/07/91 (fls. 26), o contribuinte apresenta seu recurso voluntário em 15/07/91, conforme petição -1.-. -P1 fls, 98/32, O recurso foi lido na integra em Plenário, ..,-n .E o relatóri0=L ,7/ t- . . MINISTERIO DA FAZENDA 3. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO Na. 13851/000,006/91-82 ACORDA() NQ. 102-29,790 VQIQ Conselheira Ursula Hansen - Relatora: A exigência fiscal constante deste processo é decorrên- cia da que foi apurado do processo matriz de No. 13851/000.004/91-57. O recurso interposto no processo acima mencionado foi submetido à apreciação desta Câmara em sessão realizada em 15/02/93, e, conforme faz certo o Acórdão de No 102-27.817, não se conheceu do recurso, por intempestiva a impugnação, Tendo sido carreado aos presentes autos o Acórdão acima citado (fls. 99 e seguintes), e estando caracterizada neste processo decorrente situação idêntica à ocorrida no processo matriz, peço vênia para adotar o teor daquele voto, considerando-o como se aqui transcri- to g=stivess-R. Considerando o acima exposto e o que mais dos autos consta, Voto pelo não conhecimento do recurso, por intempestiva a impugnação, Brasília - DF, 24 de março de 1995. ) - Relatora. Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1

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Numero do processo: 10235.001587/2008-30
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 TRIBUTAÇÃO. IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. CRITÉRIO DE APURAÇÃO DO IMPOSTO. ERRO DE DIREITO. São tributáveis os valores relativos aos acréscimos patrimoniais a descoberto, apurados mensalmente, quando não justificados pelos rendimentos tributáveis, isentos ou não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. Contudo, a determinação do Acréscimo Patrimonial a Descoberto, considerando o conjunto anual de operações, não pode prevalecer, uma vez que na determinação da omissão, as mutações patrimoniais devem ser levantadas mensalmente (art. 2° da Lei n° 7.713/1988), sendo vedado à Autoridade julgadora de 1ª instância inovar no lançamento regularmente cientificado ao sujeito passivo, para adequá-lo à lei. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2801-003.139
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para declarar a nulidade do lançamento por vício material, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente em exercício. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para declarar a nulidade do lançamento por vício material, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente em exercício. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2022; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­TE01  Fl. 295          1 294  S2­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10235.001587/2008­30  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2801­003.139  –  1ª Turma Especial   Sessão de  13 de agosto de 2013  Matéria  IRPF  Recorrente  ALISON DIEGO DOS SANTOS PINHEIRO  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2006  TRIBUTAÇÃO.  IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO.  CRITÉRIO DE APURAÇÃO DO IMPOSTO. ERRO DE DIREITO.   São tributáveis os valores relativos aos acréscimos patrimoniais a descoberto,  apurados  mensalmente,  quando  não  justificados  pelos  rendimentos  tributáveis, isentos ou não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou  objeto  de  tributação  definitiva.  Contudo,  a  determinação  do  Acréscimo  Patrimonial a Descoberto, considerando o conjunto anual de operações, não  pode  prevalecer,  uma  vez  que  na  determinação  da  omissão,  as  mutações  patrimoniais  devem  ser  levantadas  mensalmente  (art.  2°  da  Lei  n°  7.713/1988), sendo vedado à Autoridade julgadora de 1ª  instância inovar no  lançamento regularmente cientificado ao sujeito passivo, para adequá­lo à lei.  Recurso Voluntário Provido.  Crédito Tributário Exonerado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.   Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  dar  provimento ao recurso para declarar a nulidade do lançamento por vício material, nos termos  do voto do Relator.  Assinado digitalmente  Tânia Mara Paschoalin – Presidente em exercício.   Assinado digitalmente  Marcio Henrique Sales Parada ­ Relator.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 23 5. 00 15 87 /2 00 8- 30 Fl. 295DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21 /08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10235.001587/2008­30  Acórdão n.º 2801­003.139  S2­TE01  Fl. 296          2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin,  José  Valdemir  da  Silva,  Ewan  Teles  Aguiar,  Carlos  César  Quadros  Pierre,  Marcelo  Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.     Relatório  Contra  o  contribuinte  interessado  foi  lavrado,  em  06/08/2008,  o  Auto  de  Infração de fls.03/10, pelo qual se exigiu o pagamento do crédito tributário no montante de R$  54.521,20,  a  título  de  Imposto  sobre  a  Renda  das  Pessoas  Físicas  –  IRPF  suplementar,  do  exercício de 2006, ano calendário de 2005, acrescido de multa de ofício  (75,0%) no valor de  R$  40.890,90  e  mais  juros  de  mora,  tendo  como  objeto  a  constatação  de  “Acréscimo  Patrimonial a Descoberto ­ omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a  descoberto,  onde  verificou­se  excesso  de  aplicações  sobre  origens,  não  respaldado  por  rendimentos declarados / comprovados, conforme descrição dos fatos”.  O enquadramento legal foi obtido nos dispositivos:  “Arts. 1º , 2°, 3°, e §§, da Lei n ° 7.713/88;  Arts. 1° e 2°, da Lei n ° 8.134/90;  Arts. 55, inciso XIII, e parágrafo único, 806 e 807 do RIR/99;  Art. 10 da Lei n°11.119/05.”  E a descrição detalhada dos fatos, da qual transcrevo partes, encontra­se nas  fls. 05 e 06, onde a Auditora Fiscal descreve passo a passo o procedimento empreendido, que  resume a documentação que se encontra nas fls. 13 a 77:  3 ­ Em 28.04.2008 o contribuinte recebeu via postal, por Aviso de  Recebimento (AR), o Termo de Reintimagão Fiscal,  lavrado em  18.04.2008, que o intimava a comprovar a origem dos recursos  declarados como Rendimentos Isentos e não tributáveis no valor  de R$ 201.659,00.  4  ­  Em  06.05.2008  o  contribuinte  atendeu  o  termo  entregando  sua  Declaração  de  Imposto  de  Renda  Pessoa  Física  (DIRPF)  ano calendário 2005 e a DIRPF ano calendário 2005 de Jorge  Evaldo  Edinho  Duarte  Pinheiro,  CPF  066.799.862­49,  que  informou  doação  efetuada  ao  contribuinte  no  valor  de  R$  200.000,00.  5  ­  Em  21.05.2008  o  contribuinte  recebeu  por  AR  o  Termo  de  Intimação  Fiscal,  lavrado  em  15.05.2008,  intimando­o  a  comprovar  a  efetiva  transferência  dos  valores  recebidos  como  doação e apresentar a guia de arrecadação do Imposto sobre a  Doação  de  Quaisquer  Bens  ou  Direitos  ­  ITCD,  referente  ao  valor recebido como doação no valor de R$ 200.000,00.  6  ­  Em  02.06.2008  o  contribuinte  atendeu  o  termo  informando  que  o  motivo  da  doação  foi  permitir  a  aquisição  de  50%  das  Fl. 296DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21 /08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10235.001587/2008­30  Acórdão n.º 2801­003.139  S2­TE01  Fl. 297          3 cotas  sociais  da  empresa  REDE  MARCO  ZERO  DE  COMUNICAÇÕES  E  PUBLICIDADE  LTDA,  CNPJ  n°  14.573.836/0001­90.  (...)  11 ­ No interesse de se confirmar e efetiva ocorrência da doação  foi autorizado o MPF ­ Diligência n° 02.4.01.00­2008­00075, em  nome  da  pessoa  física  JORGE  EVALDO  EDINHO  DUARTE  PINHEIRO,  CPF  066.799.862­49.  Nos  termos  enviados  e  atendidos  o  contribuinte  informou  igual  ao  contribuinte  fiscalizado que o motivo da doação foi permitir a aquisição das  cotas sociais da empresa Rede Marco Zero De Comunicações E  Publicidade  Ltda,  CNPJ  n°  14.573.836/0001­90,  que  o  numerário foi transferido através de cheque do banco Unibanco,  que  a  origem  dos  recursos  para  a  doação  foi  um  empréstimo  tomado no mesmo banco, e intimado a apresentar a guia ITCD,  pois como doador responde solidariamente com o sujeito passivo  do  imposto,  o  contribuinte  informou  como  o  contribuinte  fiscalizado que a apresentação da guia ITCD, referente ao valor  doado, como o objeto do Termo de Intimação Fiscal, é indevido,  uma  vez  que  esse  tributo  é  de  competência  estadual,  logo  a  Receita  Federal  do  Brasil,  órgão  de  fiscalização  da  União  Federal,  em  tese,  não  teria  interesse  ou  mesmo  competência  para adentrar em questões pertencentes a outro órgão e de outro  ente  federativo.  A  diligência  também  não  conseguiu  nenhum  documento  que  comprove  a  efetiva  transferência  dos  valores  declarados como doação no valor de R$ 200.000,00,  12  ­  Pelos  motivos  expostos  foi  lavrado  Auto  de  Infração  decorrente de ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO,  pela  não  comprovação  do  efetivo  recebimento  da  doação,  permanecendo a aquisição de 50% do Capital Social da pessoa  jurídica Rede Marco Zero De Comunicações E Publicidade Ltda  considerado como acréscimo patrimonial a descoberto no valor  de R$ 200.000,00, no mês de junho de 2005, conforme Alteração  Contratual n° 10 para Adequação e Consolidação da Sociedade  Empresarial  Rede Marco  Zero  de  Comunicação  e  Publicidade  Ltda, assinada em 30.06.2005; de acordo com o artigo 55, inciso  XIII, do RIR/99.  Inconformado,  o  contribuinte  apresentou  impugnação,  conhecida  e  tratada  pela DRJ Belém/PA, que externou os seguintes argumentos, dentre outros:  A  doação  em  espécie  está  sujeita  à  comprovação  da  sua  efetivação,  bem  como  da  disponibilidade  econômico­financeira  para tal liberalidade.  6.  Não  houve  a  comprovação  da  efetivação  da  doação  do  numerário  para  o  suposto  donatário.  Não  há  contrato,  não  ha  cheque  ou  transferência  bancária  do doador  para  o  donatário,  não há comprovação do imposto relativo à operação (ITCMD).  Seriam elementos que ajudariam na convicção de que o contrato  teria  efetivado­se.  Os  julgados  do  Conselho  de  Contribuintes  Fl. 297DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21 /08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10235.001587/2008­30  Acórdão n.º 2801­003.139  S2­TE01  Fl. 298          4 apresentados  que  trataram  de  outros  casos  não  obrigam  as  decisões das Delegacias de Julgamento.  7.  Ha'  que  se  indagar,  também,  sobre  disponibilidade  econômico­financeira para  tal  liberalidade,  tendo­se em vista a  impossibilidade  de  doação  de  quem  sequer  demonstra  patrimônio suficiente para doar ou testar. Isto porque, segundo o  que  Prescreve  o  Código  Civil,  a  doação  de  ascendentes  a  descendentes  importa  adiantamento  do  que  lhes  cabe  por  herança. E é nula a doação quanto à parte que exceder à de que  o  doador,  no  momento  da  liberalidade,  poderia  dispor  em  testamento.  (...)  No que se refere à análise da evolução patrimonial para fins de  levantamento  do  acréscimo  patrimonial  a  descoberto,  cuja  finalidade  é  detectar  a  existência  de  omissão  de  rendimentos  tributáveis,  deve­se  reportar  aos  períodos  mensais  para  conformar­se as disposições  legais  (artigos 1º a 3º e §§ da Lei  n°7.713/88 e artigos 1° e 2° da Lei n° 8.134/90).  Vale,  para  se  detectar  variações  patrimoniais  a  descoberto,  os  gastos superiores em cada mês, o que evidencia uma quebra de  caixa.  10.  Além  da  exteriorização  da  omissão  de  rendimentos,  o  levantamento de que se  trata propicia o arbitramento da renda  omitida e, conseqüentemente, a apuração do montante do tributo  devido.  (sublinhei)  ...  Desta forma, ao acréscimo patrimonial constatado em junho de  2005  faltou  diminuir  a  disponibilidade  representada pela  soma  dos rendimentos líquidos comprovados pelas alias financeiras do  contribuinte (fls. 31/32).   Enfim, efetuada uma nova apuração do valor de  tributo omitido, o Acórdão  de  1ª  instância  deu­se  para  “julgar  a  impugnação  procedente  em  parte,  nos  termos  do  relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, mantendo o crédito tributário em  parte.”(grifei)  Cientificado do Acórdão de 1ª  instância em 22/09/2009, apresentou  recurso  voluntário em 21/10/2009. Em sede de recurso, o Recorrente aduz, em síntese, que:  ­  trata­se  de  doação  entre  pai  e  filho,  frise­se,  de  cotas  sociais  de  uma  empresa, não de dinheiro, dai inexistir transferência de recursos financeiros entre o Autuado e  o alienante das cotas ou mesmo entre o doador (pai) e o donatário (filho). Importante salientar  que  o  pai  adquiriu  os  recursos  financeiros  para  a  aquisição  das  cotas  sociais  através  de  empréstimo bancário, questão incontroversa nos autos;  ­ isso porque para o doador e o donatário esse negócio jurídico é indiscutível;  o valor  está declarado em ambas as declarações de  ajuste; a origem do valor doado  também  está cabalmente provado empréstimo bancário, repita­se;  Fl. 298DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21 /08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10235.001587/2008­30  Acórdão n.º 2801­003.139  S2­TE01  Fl. 299          5 ­a  decisão  administrativa  se  imiscuiu  numa  relação  jurídica  privada  para  declarar a nulidade da doação e assim tributar;  ­ a decisão administrativa de primeiro grau usurpou as atribuições do Auditor  Fiscal em exercício na IRF de Macapá, posto que lançou, ao inovar no lançamento, ao invés de  somente rever a legalidade do mesmo. Não é autoridade competente para prática do ato, falta­ lhe atribuição ou competência especifica;  ­ o regimento interno da Secretaria da Receita Federal, em seu art. 224, o qual  confere competência às Delegacias da Receita Federal de Julgamento, não contempla a função  de alterar o lançamento ou o critério jurídico. Ainda, ignorou por completo a forma prevista em  lei para o ato de lançamento, como por exemplo: a necessidade de mandado, a notificação, a  forma do auto de infração etc.  Assim, requer que seja recebido o presente Recurso Voluntário, para, após o  devido processo  legal,  ser  reformada a decisão administrativa a  fim de  julgar  insubsistente o  Auto  de  Infração  e,  alternativamente,  requer  que  esta  Turma  se  pronuncie  explicitamente  acerca  da  violação  aos  princípios  e  disposições  legais  que  menciona,  a  fim  de  permitir  o  Recurso Especial.  Foi encaminhado a este CARF, pela Unidade preparadora ­ DRF Macapá/AP,  pedido do contribuinte de celeridade no julgamento administrativo (fl. 143), sob a alegação de  impetração judicial de Medida Cautelar Preparatória (nº. 2008.31.00.001856­1 — 2a Vara —  Seção Judiciária do Estado do Amapá) em face do Recorrente. Verifico, no sítio eletrônico do  Tribunal Regional Federal da Primeira Região, que se trata de “Cautelar Fiscal”  , distribuída  em  25/08/2008,  tendo  como  Requerente  a  Fazenda  Nacional,  representada  por  sua  Procuradoria (PFN).   Pela movimentação daqueles autos, infere­se que a PFN impetrou tal medida  no  intuito  de  garantir  uma  eventual  execução  fiscal,  considerando  que  o  crédito  tributário  lançado contra o contribuinte alcança expressiva parcela de seu patrimônio, então conhecido.  É o Relatório.  Voto             Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator.  Conheço do recurso, já que tempestivo e com condições de admissibilidade.  Não  entendo  que  a  decisão  administrativa  de  1ª  instância  tenha  declarado  “nulidade  da  doação  efetuada”.  Não  é  possível  à  autoridade  administrativa  de  julgamento  “desconstituir”  atos  civis. O  que  o  parágrafo  único  do  art.  116  do CTN,  acrescido  pela  Lei  Complementar nº 104/2001, traz é que a autoridade administrativa poderá “desconsiderar” atos  ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do  tributo (obtenção de renda).  Assim, o que foi levado a cabo no presente lançamento é a “desconsideração”  da origem informada do recurso (doação) para suportar o acréscimo patrimonial (aquisição de  cotas de empresa), presumindo­se então uma omissão de rendimentos tributáveis.  Fl. 299DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21 /08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10235.001587/2008­30  Acórdão n.º 2801­003.139  S2­TE01  Fl. 300          6 Feitas essas considerações preliminares, passemos ao cerne da questão.  A tributação do acréscimo patrimonial a descoberto pautou­se pelos arts. 1º,  2º e 3º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988:  Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir  de  1º  de  janeiro  de  1989,  por  pessoas  físicas  residentes  ou  domiciliados no Brasil,  serão  tributados pelo  imposto de renda  na  forma  da  legislação  vigente,  com  as  modificações  introduzidas por esta Lei.  Art.  2o  O  imposto  de  renda  das  pessoas  físicas  será  devido,  mensalmente,  à  medida  em  que  os  rendimentos  e  ganhos  de  capital forem percebidos.  Art.  3o  O  imposto  incidirá  sobre  o  rendimento  bruto,  sem  qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta  Lei.  § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do  trabalho  ou  da  combinação  de  ambos,  os  alimentos  e  pensões  percebidas  em  dinheiro,  e  ainda  os  proventos  de  qualquer  natureza,  assim  também entendidos  os  acréscimos  patrimoniais  não correspondentes aos rendimentos declarados.  [...]  §  4º  A  tributação  independe  da  denominação  dos  rendimentos,  títulos  ou  direitos,  da  localização,  condição  jurídica  ou  nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda,  e  da  forma  de  percepção  das  rendas  ou  proventos,  bastando,  para  a  incidência  do  imposto,  o  benefício  do  contribuinte  por  qualquer forma e a qualquer título.   Também pelo previsto no art. 55, inciso XIII, do Regulamento do Imposto de  Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26/03/1999, que assim dispõe:  “Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26,  Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts.  24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I):  (...)  XIII – as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da  pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não  for  justificado  pelos  rendimentos  tributáveis,  não  tributáveis,  tributados  exclusivamente  na  fonte  ou  objeto  de  tributação  definitiva;”  Da  leitura  dos  dispositivos  legais  acima mencionados,  depreende­se  que  se  devem confrontar, mensalmente, as mutações patrimoniais com os rendimentos auferidos para  se apurar a evolução patrimonial do contribuinte.  Fl. 300DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21 /08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10235.001587/2008­30  Acórdão n.º 2801­003.139  S2­TE01  Fl. 301          7 Contudo, como se verifica na apuração efetuada pela Autoridade Fiscal que  efetuou o lançamento, na fl. 08, a fiscalização apurou a variação patrimonial do Recorrente em  bases anuais, e não em bases mensais, como determina a lei.   A jurisprudência deste Conselho Administrativo é pacifica no sentido de não  admitir a variação patrimonial, considerando o conjunto anual de operações. Vejamos:  IRPF.  ACRÉSCIMO  PATRIMONIAL  A  DESCOBERTO.  LEVANTAMENTO EM BASES ANUAIS. NULIDADE.  A apuração do acréscimo patrimonial a descoberto, para fins de  exigência de imposto de renda da pessoa física, deve ser feita a  partir  do  fluxo  mensal  das  receitas  e  despesas.  É  nulo  o  lançamento  que  considera,  para  fins  de  apurar  a  variação  patrimonial,  as  receitas  e  despesas  do  contribuinte  de  forma  anual. Tal procedimento impede a verificação dos meses em que  o  acréscimo  a  descoberto  tenha  ocorrido.  (Acórdão  nº  2102  ­  00.616  Sessão  de  13  de  maio  de  2010).  Entendimento  reproduzido no Acórdão 2201­002.119 de 14 de maio de 2013.  Portanto, a apuração do acréscimo patrimonial a descoberto deve ser feita a  partir de fluxo financeiro que considere, mês a mês, as receitas e despesas para, a partir de tal  critério,  verificar  em  que  mês  ocorreu  o  acréscimo  patrimonial  a  descoberto,  conforme  determina o art. 2o da Lei no 7.713, de 1988.  Verificando  a  impropriedade  no  Lançamento,  a Autoridade  julgadora  de  1ª  instância providenciou corrigi­la, efetuando nova apuração, que inclusive beneficiou em parte  o  Recorrente,  já  que  a  exigência  fiscal  original  foi  reduzida.  Portanto,  constata­se  que  a  equivocada  aplicação  da  lei  teve  reflexo  no  “cálculo  do  montante  do  tributo  devido”  de  competência  privativa  da  autoridade  administrativa  que  constitui  o  crédito  tributário,  pelo  lançamento ( cf. art. 142, do CTN).  “Mudança  de  critério  jurídico”  empregado  no  lançamento  não  se  confunde  com  erro  de  fato  nem mesmo  com  erro  de  direito,  embora  a  distinção,  relativamente  a  este  último,  seja  bastante  sutil.  “Há  mudança  de  critério  jurídico  quando  a  autoridade  administrativa  simplesmente  muda  de  interpretação,  substitui  uma  interpretação  por  outra,  sem  que  se  possa  dizer  que  qualquer  das  duas  seja  correta”,  é  o  que  leciona  HUGO  DE  BRITO MACHADO ( in Curso de Direito Tributário, 33ª ed, Malheiros, 2012, p.180).   Já  o  erro  de  direito  ocorre  quando  não  seja  aplicada  a  lei  ou  quando  a má  aplicação dela seja notória e indiscutível. Creio que seja este o caso.  Assim, verificando­se o erro de direito, ocorrido na aplicação da lei ao caso  concreto,  é  de  ser  citada  a  lição  de  RICARDO  LOBO  TORRES,  referindo­se  a  artigos  do  Código Tributário Nacional ­ CTN:  “A norma do art. 146 ...complementa a irrevisibilidade por erro  de  direito  regulada pelos arts.  145  e 149. Enquanto  o  art.  149  exclui o erro de direito dentre as causas que permitem a revisão  do lançamento anterior feito contra o mesmo contribuinte, o art.  146  proíbe  a  alteração  do  critério  jurídico  geral  da  Administração aplicável ao mesmo sujeito passivo com eficácia  para  os  fatos  pretéritos”  (in  O  Princípio  da  Proteção  da  Fl. 301DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21 /08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10235.001587/2008­30  Acórdão n.º 2801­003.139  S2­TE01  Fl. 302          8 Confiança  do  Contribuinte,  RFDT  06/09,  dez/03  citado  em  PAULSEN,  Leandro.  Direito  tributário:  Constituição  e  Código  Tributário....15.  ed.  ­  Porto  Alegre  :  Livraria  do  Advogado  Editora, ESMAFE, 2013, p.1049)  Conclui­se,  portanto,  que  a  apuração  equivocada  do  montante  do  tributo  devido,  em descompasso  com a  lei  aplicada ao  lançamento,  constituiu­se  em erro de direito,  que não poderia ser corrigido ou suprimido pela Autoridade julgadora de 1ª instância.   Desta feita, independentemente das questões de mérito sobre a efetividade da  doação  entre  pai  e  filho,  levantadas  pelo  Recorrente,  é  de  se  reconhecer  a  nulidade  da  exigência. Assim sendo, voto no sentido de dar provimento ao recurso.     Assinado digitalmente  Marcio Henrique Sales Parada.                               Fl. 302DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21 /08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN

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Numero do processo: 10580.728447/2009-63
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/10/2008 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - SEGURADOS EMPREGADOS - PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS - DESCUMPRIMENTO DA LEI - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS - DESCUMPRIMENTO DOS PRECEITOS LEGAIS - ESTIPULAÇÃO NO ACORDO OU CONVENÇÃO DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. Não demonstrou o recorrente que os acordos e convenções coletivas estipulavam metas ´para o pagamento de PLR. PLR - AUSÊNCIA DE ARQUIVAMENTO DO ACORDO AO TEMPO DE SUA VIGÊNCIA A legislação estabelece regras para atribuir legitimidade aos acordos firmados a título de PLR. A ausência de arquivamento do acordo no sindicato ao tempo da vigência do acordo, não pode ser convalidado com o arquivamento tardio, quando já extinto o prazo de sua vigência e já realizado todos os pagamentos ao que o mesmo se propunha. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - CONTRIBUIÇÃO DESTINADA A TERCEIROS - PLR PAGO EM DESACORDO COM A LEI Cumpre observar que fiscalização previdenciária possui competência para arrecadar e fiscalizar as contribuições destinadas a terceiros, conforme art. 94 da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.959
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Igor Araújo Soares e Marcelo Freitas de Souza Costa, que entendem que o arquivamento tardio do acordo no sindicato não acarreta o descumprimento dos requisitos legais e o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que entende não havido descumprimento do requisito de existência de regras claras e objetivas. Elias Sampaio Freire - Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/10/2008 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - SEGURADOS EMPREGADOS - PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS - DESCUMPRIMENTO DA LEI - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS - DESCUMPRIMENTO DOS PRECEITOS LEGAIS - ESTIPULAÇÃO NO ACORDO OU CONVENÇÃO DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. Não demonstrou o recorrente que os acordos e convenções coletivas estipulavam metas ´para o pagamento de PLR. PLR - AUSÊNCIA DE ARQUIVAMENTO DO ACORDO AO TEMPO DE SUA VIGÊNCIA A legislação estabelece regras para atribuir legitimidade aos acordos firmados a título de PLR. A ausência de arquivamento do acordo no sindicato ao tempo da vigência do acordo, não pode ser convalidado com o arquivamento tardio, quando já extinto o prazo de sua vigência e já realizado todos os pagamentos ao que o mesmo se propunha. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - CONTRIBUIÇÃO DESTINADA A TERCEIROS - PLR PAGO EM DESACORDO COM A LEI Cumpre observar que fiscalização previdenciária possui competência para arrecadar e fiscalizar as contribuições destinadas a terceiros, conforme art. 94 da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Negado.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Igor Araújo Soares e Marcelo Freitas de Souza Costa, que entendem que o arquivamento tardio do acordo no sindicato não acarreta o descumprimento dos requisitos legais e o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que entende não havido descumprimento do requisito de existência de regras claras e objetivas. Elias Sampaio Freire - Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2296; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T1  Fl. 2          1 1  S2­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10580.728447/2009­63  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2401­002.959  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  16 de abril de 2013  Matéria  DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES ­ SALÁRIO INDIRETO, TERCEIROS  Recorrente  TELEVISÃO SALVADOR LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2005 a 31/10/2008  PREVIDENCIÁRIO ­ CUSTEIO ­ AUTO DE INFRAÇÃO ­ OBRIGAÇÃO PRINCIPAL ­  SEGURADOS EMPREGADOS ­ PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS ­  DESCUMPRIMENTO DA LEI ­ INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO   Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias,  para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de  afronta aos princípios da legalidade e da isonomia.  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  ­  DESCUMPRIMENTO  DOS  PRECEITOS  LEGAIS  ­  ESTIPULAÇÃO  NO  ACORDO  OU  CONVENÇÃO  DE  REGRAS  CLARAS E OBJETIVAS.  Não  demonstrou  o  recorrente  que  os  acordos  e  convenções  coletivas  estipulavam metas ´para o pagamento de PLR.  PLR ­ AUSÊNCIA DE ARQUIVAMENTO DO ACORDO AO TEMPO DE SUA  VIGÊNCIA  A legislação estabelece regras para atribuir legitimidade aos acordos firmados  a título de PLR.   A ausência de arquivamento do acordo no sindicato ao tempo da vigência do  acordo,  não  pode  ser  convalidado  com  o  arquivamento  tardio,  quando  já  extinto o prazo de sua vigência e já realizado todos os pagamentos ao que o  mesmo se propunha.  PREVIDENCIÁRIO  ­  CUSTEIO  ­  AUTO  DE  INFRAÇÃO  ­  OBRIGAÇÃO  PRINCIPAL ­ CONTRIBUIÇÃO DESTINADA A TERCEIROS ­ PLR PAGO EM  DESACORDO COM A LEI  Cumpre  observar  que  fiscalização  previdenciária  possui  competência  para  arrecadar e fiscalizar as contribuições destinadas a terceiros, conforme art. 94  da Lei 8.212/91.  Recurso Voluntário Negado.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 84 47 /2 00 9- 63 Fl. 276DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA     2      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento  ao  recurso.  Votaram  pelas  conclusões  os  conselheiros  Igor  Araújo  Soares  e  Marcelo  Freitas  de  Souza  Costa,  que  entendem  que  o  arquivamento  tardio  do  acordo  no  sindicato  não  acarreta  o  descumprimento  dos  requisitos  legais  e  o  conselheiro  Rycardo  Henrique  Magalhães  de  Oliveira,  que  entende  não  havido  descumprimento  do  requisito  de  existência de regras claras e objetivas.    Elias Sampaio Freire ­ Presidente    Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira ­ Relatora    Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire,  Elaine  Cristina  Monteiro  e  Silva  Vieira,  Kleber  Ferreira  de  Araújo,  Igor  Araújo  Soares,  Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.  Fl. 277DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10580.728447/2009­63  Acórdão n.º 2401­002.959  S2­C4T1  Fl. 3          3   Relatório  O  presente  Auto  de  Infração  de  Obrigação  Principal,  lavrado  sob  o  n.  37.201.917­0, em desfavor da recorrente tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao  custeio da Seguridade Social, parcela destinada a terceiros, levantadas sobre os valores pagos a  pessoas físicas na qualidade de empregados à título de Participação nos Lucros e Resultados –  PLR..  Conforme descrito no  relatório  fiscal,  fl. 14 a 23, o contribuinte apresentou  Convenção  Coletiva  de  Trabalho  realizada  entre  a  SERTEB  Sindicato  das  Empresas  de  Radiodifusão e Televisão do Estado da Bahia e o SINTERP/Ba Sindicato dos Trabalhadores  em Rádio, TV e Publicidade da Bahia,  referentes  aos  exercícios de 2005, 2007 e 2008,  cuja  previsão  de  pagamento  de  PLR  está  na  cláusula  9º  (cópias  anexas  ao  relatório  fiscal).  Apresentou também os regulamentos para o pagamento do PLR, relativos aos anos de 2005 a  2008, assinados no dia 1° de janeiro de cada exercício, porém protocolados no SINTERP/BA, a  destempo, em 03/03/2009, ou seja, somente após o início desta ação fiscal, conforme Termo de  Início Procedimento Fiscal anexo.  Além disso, os acordos de 2005 e 2006 não estabeleceram de forma clara e  objetiva, consoante legislação específica, as metas a serem atingidas, nem as regras de aferição.  Já para os acordos de 2007 e 2008 estabeleceu­se como meta o alcance das  metas de despesas operacionais da empresa. Meta esta não definida claramente por setores da  empresa.  Quais  as  metas  de  despesas  para  o  setor  de  execução,  recursos  humanos  ou  administração? Quais valores deveriam atingir? Quais seriam os mecanismos de aferição das  informações pertinentes ao cumprimento do acordado? Desta forma, conclui­se que a empresa  descumpriu  a  legislação  sobre  a  matéria.  Assim,  o  referido  pagamento,  embora  intitulado  "PLR", passou à condição de parcela de natureza remuneratória, integrante, portanto, do salário  de contribuição.  Ressalte­se,  a  título  de  esclarecimento,  que  a  PLR  foi  instituída,  no  ordenamento  jurídico  pátrio,  como  incentivo  à  produtividade  dos  empregados,  daí  a  necessidade  de  estabelecimento  de  regras  claras,  objetivas  e,  principalmente,  prévias,  para  permitir que todos os colaboradores possam estar alinhados com os interesses do empregador e,  assim, contribuírem para o seu sucesso na concretização das metas e objetivos almejados. Por  óbvio, quando falamos em objetivos e metas, estamos  tratando do futuro,  jamais do passado,  como no caso presente.  Quanto a multa imposta, destaca que os fatos geradores apurados não foram  declarados nas GFIP o que ensejou a lavratura do presente AI com a multa de 75 % sobre o  valor das contribuições apuradas, e a aplicação, após a devida comparação, da multa de ofício  de 24% sobre o valor das contribuições apuradas, por descumprimento da obrigação principal.   Importante,  destacar  que  a  lavratura  do AI  deu­se  em  14/12/2009,  tendo  a  cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 17/12/2009.   Fl. 278DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA     4  Não  conformada  com a  autuação  a  recorrente  apresentou  defesa,  fls.  128  a  149.  Foi  exarada  a  Decisão  de  1  instância  que  confirmou  a  procedência  do  lançamento, fls. 238 a 248.  ASSUNTO:  OUTROS  TRIBUTOS  OU  CONTRIBUIÇÕES  Período de apuração: 01/01/2005 a 31/08/2008 TERCEIROS.  Compete  à  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  a  arrecadação e fiscalização das contribuições devidas a terceiros,  conforme art. 3º, da Lei n.º 11.457/2007.  PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS.  DESCARACTERIZAÇÃO.  Os pagamentos a título de participação nos lucros ou resultados  realizados,  pela  empresa,  sem  o  cumprimento  de  todos  os  requisitos impostos pela Lei n.º 10.101/2000, integram o salário  de contribuição e sobre elas incidem as contribuições destinadas  à Seguridade Social.  Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido   Não  concordando  com  a  decisão  do  órgão  previdenciário,  foi  interposto  recurso pela notificada, conforme fls. 252 a 274 , contendo em síntese os mesmo argumentos  da impugnação, os quais podemos descrever de forma sucinta:  1.  Impossibilidade  de  tributação  previdenciária  sobre  o  PLR  –  Participação  nos  Lucros  e  Resultados,  posto  que  a  verba  não  possui  caráter  remuneratório.  Somente  as  remunerações  pagas  como  retribuição  pelo  trabalho  é  que  poderão  ser  objeto  de  incidência de contribuições, o que não é o caso.   2.  Ademais, argumenta que a lei 10.101 e 8.212, apenas disciplinam a expressa ordem do  legislador  constituinte  que  ,  assegura  no  texto  maior  tal  rubrica  aos  trabalhadores,  excluindo  da  mesma  o  caráter  remuneratório.  Logo  a  norma  infra  que  disciplina  o  pagamento da PLR surge em decorrência da CF, devendo regulamentá­la e não restringi­ la.  3.  Da  apreciação  da  referida  lei,  resta  evidenciado  que  a  participação  do  empregado  nos  lucros  e  resultados  da  empresa  deve  gozar  de  aprovação  do  sindicato,  constando  expressamente de acordo de vontade das partes (empregador e empregados) e não pode  ser paga em período inferior a seis meses.  4.  Pois então, quanto à disposição legal acerca do pagamento de PLR pela ora requerente,  há  que  se  frisar  que  as  Convenções  Coletivas  de  Trabalho  firmado  entre  o  SERTEB  (sindicato patronal) e o SINTERP/BA (sindicato dos empregados) dispõe que podem as  empresas  negociar  livremente  com  seus  funcionários,  apenas  registrando  o  acordo  no  sindicato.  5.  Nesta esteira, registra­se que, conforme os documentos de formalização dos acordos para  PLR,  restou  comprovado  claramente  que  houve  uma  negociação  entre  a  empresa  e  os  representantes  de  seus  empregados  para  o  pagamento  de  PLR,  atendendo  ao  requisito  legal.  Fl. 279DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10580.728447/2009­63  Acórdão n.º 2401­002.959  S2­C4T1  Fl. 4          5 6.  Quanto a este  tópico,  impera  registrar que apesar da  fiscalização  ter considerado que o  termo de negociação não evidencia de forma clara as regras, as mesmas sempre existiram  na empresa e são de conhecimento público, desde que a empresa começou a pagar PLR,  antes  mesmo  da  conversão  das  Medidas  Provisórias  que  culminaram  na  Lei  n.°  10.101/2000, que disciplina a matéria. A regra sempre esteve relacionada ao crescimento  do  faturamento  da  empresa  em  relação  ao  ano  anterior.  Sendo,  no  entanto,  levado  em  consideração a expectativa do mercado publicitário em face cenário comercial esperado  para o ano.  7.  Como  isto vem sendo  feito há mais de 10  (dez) anos,  jamais houve a preocupação por  parte da empresa, de seus funcionários ou até mesmo do sindicato, em que estas regras  constassem de modo detalhado no acordo.  8.  Com efeito, quanto à verificação efetiva dos resultados, ao final de cada ano calendário a  gerência  da  empresa  se  reúne  com  o  Setor  Financeiro  para  a  demonstração  do  cumprimento da meta supramencionada, de modo que seja determinado o pagamento da  PLR aos funcionários. Válido se faz juntar as atas destas reuniões, elaboradas com cunho  de determinar a realização dos pagamentos.  9.  Ainda,  há  que  salientar  quanto  ao  segundo  fator  utilizado  pela  fiscalização  para  a  descaracterização  do  PLR,  que  em  relação  aos  acordos  efetuados  para  com  os  funcionários,  de  fato  houve  atraso  nos  registros  dos  mesmos  perante  o  sindicato.  No  entanto,  ressalte­se,  que  o  fato  do  registro  ter  sido  tardio  junto  ao  sindicato  não  pode  acarretar,  de  sobremaneira,  a  descaracterização  da  natureza  jurídica  dos  pagamentos  realizados  a  título  de  PLR,  até  porque  o  acordo  coletivo  não  determina  um  prazo  peremptório para o arquivamento.  10.  Jamais  houve  qualquer  deliberação  da  ora Requerente  no  sentido  de  que  fosse  pago  a  funcionário  algum  qualquer  valor  a  título  de  PLR  em  período  inferior  a  seis  meses,  respeitando, portanto, as regras estabelecidas pela Lei n.° 10.101/2000.  11.  Do  quadro  acima,  percebe­se  que  nenhum  dos  empregados  recebeu  participação  nos  lucros e resultados em intervalo inferior a seis meses, à exceção de um único pagamento  realizado  em  favor  da  funcionária  Lilia  Gramacho  Calmon  no mês  de  julho  de  2005.  Neste  ponto,  especificamente,  há  que  se  destacar  que  este  fato  decorreu  de  um  caso  isolado, posto que houve solicitação de um adiantamento no pagamento da PLR por parte  da funcionária Lilia Gramacho Calmon por conta de problemas financeiros. Assim sendo,  a ora Impugnante efetuou o pagamento na forma de empréstimo, e no mês subseqüente  abateu do PLR que seria pago à funcionária.  12.  No  entanto,  levando  já  em  consideração  o  constante  rigor  da  Administração  Pública  Federal,  há  que  se  destacar  que  nos  casos  em  que  houve  pagamento  de  PLR  sem  que  fosse  respeitado  o  prazo  mínimo  de  6  (seis)  meses,  determinou  o  STJ  que  fosse  desconsiderada a natureza jurídica do pagamento de PLR apenas daquela parcela que não  observou o prazo mínimo legal.  13.  O que se vê nos presentes autos é que os valores pagos aos empregados são relativos a  bônus oriundos da lucratividade da empresa, e por isso mesmo esporádicos e motivados  (lucros), as quantias, portanto, não se constituem em renda tributável pelas contribuições  previdenciárias, pois não integra o conjunto salarial.  Fl. 280DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA     6  14.  Assim, mantém a ora Impugnante à disposição da fiscalização toda a documentação que  esta entender por necessária a fim de comprovar que as metas para o pagamento de PLR  não só eram negociadas, como eram de conhecimento de todos, podendo, inclusive, este  Julgador determinar a ouvida de funcionários.  15.  Portanto,  estabelece­se  uma  primeira  premissa:  o  pagamento  da  PLR,  por  si  só,  não  acarreta  a  obrigação  tributária  do  recolhimento  de  contribuição  previdenciária  e,  conseqüentemente, não gera obrigação de declaração em GFIP.  16.  Ressalta­se, assim, que somente com a lavratura do presente AI e de sua ciência pela ora  recorrente  foi  que  nasceu  a  obrigação  tributária  do  recolhimento  da  contribuição  previdenciária incidente sobre os pagamentos então realizados a título de PLR.  17.  Tem­se,  desta  sorte,  que  até  a  ciência  da  presente  autuação,  não  havia  obrigação  tributária,  por  conseguinte,  tão  pouco  crédito  tributário.  Logo,  se  não  havia  crédito  tributário  constituído,  não  existia  também  dever  de  recolhê­lo,  vencimento  e  muito  menos inadimplemento tributário.  18.  Tem­se,  assim, que se  firmar uma segunda premissa:  sem que haja  inadimplemento de  obrigação  tributária  é  completamente  absurda  a  cobrança,  pela  Receita  Federal,  de  qualquer multa, seja ela de caráter moratório ou punitivo.  19.  Desta  forma,  é  flagrante  a  ilegalidade  da  exigência  de  multa  de  caráter  moratório  ou  punitivo  no  presente  Auto  de  Infração,  devendo  a  mesma  ser  integralmente  anulada.  Primeiramente, há que se destacar a  tamanha  injustiça do  tratamento dado pela Receita  Federal  na  presente  circunstância  em  comparação  às  demais  autuações  em  que  os  contribuintes são autuados em virtude do não pagamento de tributos não declarados.  20.  Na  aludida  circunstância,  o  agente  administrativo  lavra  autuação  fiscal  exigindo  do  contribuinte  inadimplente,  frise­se,  que  deixou  de oferecer  à  tributação  o  fato  gerador,  uma  multa  punitiva  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  além  da  cobrança  do  devido  crédito tributário.  21.  Desta  forma,  é  forçoso  evidenciar,  compartilham  o  contribuinte  autuado  e  a  Receita  Federal  do  Brasil  que  o  pagamento  de  PLR  não  deve  sofrer  a  incidência  das  contribuições  previdenciárias,  restando  como  divergência  o  fato  dos  acordos  efetuados  atenderem ou não ao que determina a lei.  22.  Está­se  assim,  diante de  situações  completamente  distintas:  a primeira,  do  contribuinte  que  omitiu  o  fato  gerador  da  tributação,  deixando  de  recolher  e  declarar  tributos,  e  a  segunda, da ora Impugnante, que agiu de acordo com a Lei, já que a PLR não constitui  fato  gerador  das  contribuições  previdenciárias,  mas  que  o  Fisco  não  concorda  com  os  termos  do  acordo  firmado  com  os  empregados  (questão  unicamente  formal).  A  sutil  diferença, ilustre julgador, reside no intuito do contribuinte, na completa ausência de dolo  ou  culpa  da  ora  Impugnante,  que  sequer  poderia  imaginar  em  recolher  o  tributo  ora  exigido, uma vez que a Lei assim não o determina.  23.  Assim,  está  cabalmente  comprovado  que  a multa  aplicada  à  ora  impugnante  afronta  o  texto  constitucional,  colidindo  frontalmente  com  os  princípios  constitucionais  da  Razoabilidade, Proporcionalidade e do Não confisco, devendo, portanto, ser afastada.  24.  Diante das razões apresentadas, requer:  Fl. 281DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10580.728447/2009­63  Acórdão n.º 2401­002.959  S2­C4T1  Fl. 5          7 25.  Seja declarada a  improcedência do AI, haja vista que o pagamento de PLR não possui  natureza salarial, na forma descrita acma.  26.  Caso  assim  não  entendam  que  se  autue  apenas  a  rubrica  paga  no  período  de  julho  de  2005, bem como sejam anuladas as multas aplicadas, uma vez que afrontam os princípios  constitucionais da razoabilidade, da proporcionalidade e do não confisco.  A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF.  É o relatório.  Fl. 282DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA     8    Voto             Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora  PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE:  O  recurso  foi  interposto  tempestivamente,  conforme  informação  à  fl.  252.  Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito.  DO MÉRITO  Em  primeiro  lugar  ,  cumpre  observar  que  fiscalização  da  DRFB  possui  competência para arrecadar e fiscalizar as contribuições destinadas a terceiros, conforme art. 94  da Lei 8.212/91.  No  mérito,  foram  atacados  o  fato  de  entender  que  a  verba  PLR  é  desvinculada  do  conceito  de  remuneração,  como  salário  de  contribuição  para  efeitos  previdenciários,  bem  como  a  inaplicabilidade  da  multa  imposta.  Porém  antes  mesmo  de  apreciar  cada  um  dos  argumentos  trazidos  pelo  recorrente,  convém  apreciar  o  conceito  de  salário de contribuição e remuneração.  DA DEFINIÇÃO DE SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO  De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado  empregado entende­se por salário­de­contribuição:  Art.28. Entende­se por salário­de­contribuição:  I  ­  para  o  empregado  e  trabalhador  avulso:  a  remuneração  auferida  em  uma  ou  mais  empresas,  assim  entendida  a  totalidade  dos  rendimentos  pagos,  devidos  ou  creditados  a  qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho,  qualquer que seja a sua forma,  inclusive as gorjetas, os ganhos  habituais  sob  a  forma  de  utilidades  e  os  adiantamentos  decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente  prestados,  quer  pelo  tempo  à  disposição  do  empregador  ou  tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda,  de  convenção  ou  acordo  coletivo  de  trabalho  ou  sentença  normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)­ grifo  nosso.  A legislação previdenciária é clara quando destaca, em seu art. 28, §9º, quais  as verbas que não integram o salário de contribuição. Tais parcelas não sofrem incidência de  contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial.  Art. 28 (...)  § 9º Não integram o salário­de­contribuição para os fins desta  Lei,  exclusivamente:  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.528,  de  10/12/97)  j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando  paga ou creditada de acordo com lei específica;  Assim,  ao  não  cumprir  os  dispositivos  legais  quanto  a  concessão  do  PLR  entendeu a autoridade fiscal que assumiu o recorrente o ônus de ter os valores dos benefícios  Fl. 283DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10580.728447/2009­63  Acórdão n.º 2401­002.959  S2­C4T1  Fl. 6          9 integrando  o  conceito  de  salário  de  contribuição,  quando  pago  em  desacordo  com  as  respectivas leis.   Contudo,  entendo  que  a  questão  tenha  que  ser  melhor  apreciada,  considerando  as  caraterísticas  dos  pagamentos  e  as  regras  impostas  pela  lei  aos  seus  pagamentos.  PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS  Os argumentos trazidos pelo recorrente foram no sentido que mesmo que não  cumprido  integralmente o  rito procedimental, o pagamento de PLR, por  si  só,  já  se encontra  afastado do conceito de salário de contribuição,  também requer seja excluída a multa,  face a  ausência de intenção em fraudar e seu caráter confiscatório, contudo entendo que não é esse o  entendimento previsto na legislação.  Quanto a verba participação nos lucros e resultados, em primeiro lugar deve­ se ter em mente que é norma constitucional de eficácia limitada. Para fins de esclarecimento,  cabe  citar,  o  item  02,  do  Parecer CJ/MPAS  no  547,  de  03  de maio  de  1996,  aprovado  pelo  Exmo. Sr. Ministro do MPAS, dispõe, verbis:   (...)  de  forma expressa, a Lei Maior  remete à  lei ordinária  ,  a  fixação dos direitos dessa participação. A norma constitucional  em foco pode ser entendida, segundo a consagrada classificação  de  José  Afonso  da  Silva,  como  de  eficácia  limitada,  ou  seja,  aquela que depende "da emissão de uma normatividade futura,  em  que  o  legislador  ordinário,  integrando­lhe  a  eficácia,  mediante  lei  ordinária,  lhes  dê  capacidade  de  execução  em  termos de regulamentação daqueles interesses". (Aplicabilidade  das  normas  constitucionais,  São  Paulo,  Revista  dos  Tribunais,  1968, pág. 150). (Grifamos)  Vale ressaltar o que o Parecer CJ/MPAS nº 1.748/99 traz em seu bojo acerca  da matéria, o que bem esclarece que a CF/88, realmente incentiva as empresas a participarem  os  seus  lucros  com  seus  empregados,  todavia  o  próprio  texto  constitucional  submeteu  ditas  regras aos limites legais, senão vejamos:  EMENTA  DIREITO  CONSTITUCIONAL  E  PREVIDENCIÁRIO  ­  TRABALHADOR  ­ PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS  ­ ART. 7º  ,  INC.  XI  DA  CONSTITUIÇÃO  DA  REPÚBLICA  ­  POSSIBILIDADE  DE  INCIDÊNCIA  DE  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL. 1) O art. 7º , inciso XI da Constituição da República de  1988, que estende aos trabalhadores o direito a participação nos  lucros desvinculado da remuneração é de eficácia limitada. 2) O  Supremo Tribunal Federal ao  julgar o Mandado de Injunção  nº 426 estabeleceu que só com o advento da Medida Provisória  nº  794,  de  24  de  dezembro  de  1994,  passou  a  ser  lícito  o  pagamento  da  participação  nos  lucros  na  forma  do  texto  constitucional.  3)  A  parcela  paga  a  título  de  participação  nos  lucros ou resultados antes da regulamentação ou em desacordo  com essa norma, integra o conceito de remuneração para os fins  de incidência da contribuição social.  (...)  Fl. 284DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA     10  7.  No  entanto,  o  direito  a  participação  dos  lucros,  sem  vinculação  à  remuneração,  não  é  auto  aplicável,  sendo  sua  eficácia  limitada  a  edição  de  lei,  consoante  estabelece  a  parte  final do inciso anteriormente transcrito.  8. Necessita portanto, de regulamentação para definir a forma e  os  critérios  de  pagamento  da  participação  nos  lucros,  com  a  finalidade precípua de se evitar desvirtuamento dessa parcela.  9.  A  regulamentação  ocorreu  com  a  edição  da  Medida  Provisória nº 794, 29 de dezembro de 1994, que dispõe sobre a  participação  dos  trabalhadores  nos  lucros  ou  resultados  das  empresas  e  dá  outras  providências,  hoje  reeditada  sob  o  nº  1.769­56, de 8 de abril de 1999.  10. A partir da adoção da primeira Medida Provisória e nos seus  termos,  passou  a  ser  lícito  o  pagamento  de  participação  nos  lucros  desvinculada  da  remuneração,  mas,  destaco,  a  desvinculação  da  remuneração  só  ocorrerá  se  atender  os  requisitos pré estabelecidos.  11. O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL ao  julgar o Mandado  de  Injunção  nº  426,  onde  foi  Relator  o  Ministro  ILMAR  GALVÃO,  que  tinha  por  escopo  suprir  omissão  do  Poder  Legislativo  na  regulamentação  do  art.  7º,  inc.  XI,  da  Constituição  da República,  referente  a  participação nos  lucros  dos  trabalhadores,  julgou  a  citada  ação  prejudicada,  face  a  superveniência da medida provisória regulamentadora.  12.  Em  seu  voto,  o  Ministro  ILMAR  GALVÃO,  assim  se  manifestou:   O mandado de injunção pretende o reconhecimento da omissão  do  Congresso  Nacional  em  regulamentar  o  dispositivo  que  garante o direito dos trabalhadores de participarem dos lucros e  resultados da empresa (art. 7º, inc. IX, da CF), concedendo­se a  ordem para  efeito  de  implementar  in  concreto  o  pagamento  de  tais  verbas,  sem  prejuízo  dos  valores  correspondentes  à  remuneração.  Tendo  em  vista  a  continuação  da  transcrição  a  edição,  superveniente  ao  julgamento  do  presente WRIT  injuncional,  da  Medida  Provisória  nº  1.136,  de  26  de  setembro  de  1995,  que  dispõe  sobre  a  participação  dos  trabalhadores  nos  lucros  ou  resultados  da  empresa  e  dá  outras  providências,  verifica­se  a  perda do objeto desta impetração, a partir da possibilidade de os  trabalhadores, que se achem nas condições previstas na norma  constitucional  invocada,  terem  garantida  a  participação  nos  lucros e nos resultados da empresa. (grifei)  14.  O  Pretório  Excelso  confirmou,  com  a  decisão  acima,  a  necessidade de regulamentação da norma constitucional (art. 7º,  inc. XI),  ficando o pagamento da participação nos  lucros e sua  desvinculação  da  remuneração,  sujeitas  as  regras  e  critérios  estabelecidos pela Medida Provisória.  15.  No  caso  concreto,  as  parcelas  referem­se  a  períodos  anteriores  a  regulamentação  do  dispositivo  constitucional,  em  que o Banco do Brasil, sem a devida autorização legal, efetuou o  pagamento de parcelas a título de participação nos lucros.  Fl. 285DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10580.728447/2009­63  Acórdão n.º 2401­002.959  S2­C4T1  Fl. 7          11 16.  Nessa  hipótese,  não  há  que  se  falar  em  desvinculação  da  remuneração,  pois,  a  norma  do  inc.  XI,  do  art.  7º  da  Constituição  da  República  não  era  aplicável,  na  época,  consoante ficou anteriormente dito. (Grifamos)  Neste  contexto  podemos  descrever  normas  constitucionais  de  eficácia  limitada  são  as  que  dependem  de  outras  providências  normativas  para  que  possam  surtir  os  efeitos  essenciais  pretendidos  pelo  legislador  constituinte.  Ou  seja,  enquanto  não  editada  a  norma, não há que se falar em produção de efeitos, bem como não acato o argumento de que o  pagamento de PLR, por si só, já encontra­se excluído do conceito de salário de contribuição.  Conforme disposição expressa no art. 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91,  nota­se  que  a  exclusão  da  parcela  de  participação  nos  lucros  na  composição  do  salário­de­ contribuição  está  condicionada  à  estrita  observância  da  lei  reguladora  do  dispositivo  constitucional. Essa  regulamentação  somente  ocorreu  com a  edição  da Medida Provisória  nº  794, de 29 de dezembro de 1994, reeditada sucessivas vezes e convertida na Lei nº 10.101, de  19 de dezembro de 2000, que veio regular o assunto em tela.   De forma expressa, a Constituição Federal de 1988  remete à  lei ordinária a  fixação dos direitos da participação nos lucros, nestas palavras:  Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de  outros que visem à melhoria de sua condição social:   (...)  XI  ­  participação  nos  lucros,  ou  resultados,  desvinculada  da  remuneração,  e,  excepcionalmente,  participação  na  gestão  da  empresa, conforme definido em lei.   A Lei nº 8.212/1991, em obediência ao preceito constitucional, na alínea “j”,  § 9º, do art. 28, dispõe, nestas palavras:   Art. 28 ­ § 9º Não integram o salário­de­contribuição:   (...)  j)  a participação nos  lucros ou  resultados da  empresa, quando  paga ou creditada de acordo com lei específica.   A  edição  da  Medida  Provisória  nº  794,  de  29  de  dezembro  de  1994,  que  dispunha  sobre  a participação dos  trabalhadores  nos  lucros ou  resultados das  empresas,  veio  atender  ao  comando  constitucional.  Desde  então,  sofreu  reedições  e  remunerações  sucessivamente,  tendo  sofrido  poucas  alterações  ao  texto  legal,  até  a  conversão  na  Lei  nº  10.101, de 19 de dezembro de 2000.  Os pagamentos  referentes  à Participação nos Lucros pela  recorrente  sofrem  incidência de contribuição previdenciária, haja vista no período em que foram efetuados terem  sido realizadas em desacordo com a totalidade das regras previstas na legislação específica.  A Lei nº 10.101/2000 dispõe, nestas palavras :  Art.  2º  A  participação  nos  lucros  ou  resultados  será  objeto  de  negociação  entre  a  empresa  e  seus  empregados,  mediante  um  dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de  comum acordo:  Fl. 286DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA     12  I ­ comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um  representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria;  II ­ convenção ou acordo coletivo.  §  1º  Dos  instrumentos  decorrentes  da  negociação  deverão  constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos  substantivos  da  participação  e  das  regras  adjetivas,  inclusive  mecanismos  de  aferição  das  informações  pertinentes  ao  cumprimento  do  acordado,  periodicidade  da  distribuição,  período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo  ser  considerados,  entre  outros,  os  seguintes  critérios  e  condições:  I  ­  índices  de  produtividade,  qualidade  ou  lucratividade  da  empresa;  II  ­  programas  de  metas,  resultados  e  prazos,  pactuados  previamente.  §  2º  O  instrumento  de  acordo  celebrado  será  arquivado  na  entidade sindical dos trabalhadores.  (...)  Art. 3º (...)  § 3º Todos os pagamentos  efetuados  em decorrência de planos  de  participação  nos  lucros  ou  resultados,  mantidos  espontaneamente  pela  empresa,  poderão  ser  compensados  com  as  obrigações  decorrentes  de  acordos  ou  convenções  coletivas  de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados.  (...)  Isto posto, não há de se acatar a teoria de que os pagamentos à título de PLR  já  encontram­se,  por previsão  constitucional,  fora da base de  cálculo  conforme  argumentado  pelo recorrente.   DA ESTIPULAÇÃO DE METAS  Quanto  a previsão  em AC/CC,  temos  por  entendido,  que  este  é  apenas  um  dos  requisitos,  sendo  que  não  conseguiu  o  mesmo  demonstrar  que  houve  a  estipulação  de  metas, quando da realização do referido acordo.  Ainda  conforme  descrito  na  informação  fiscal,  outro  ponto  que  justifica  o  lançamento de contribuições previdenciárias sobre os pagamentos feitos à título de participação  nos  lucros  é  o  fato  que  inexistia  estipulação  de  metas  claras  e  objetivas,  destacando  os  instrumentos o pagamento de uma parcela fixa em meses determinados.   O próprio recorrente traz em seu recurso que as metas era de conhecimento,  não  identificando  face  a  prática  realizada  nos  anos  anteriores  a  necessidade  das  mesmas  constarem de forma clara e objetiva no AC/CC. Vejamos?  Quanto  a  este  tópico,  impera  registrar  que  apesar  da  fiscalização  ter  considerado  que  o  termo  de  negociação  não  evidencia de forma clara as regras, as mesmas sempre existiram  na empresa e são de conhecimento público, desde que a empresa  começou a pagar PLR, antes mesmo da conversão das Medidas  Provisórias  que  culminaram  na  Lei  n.°  10.101/2000,  que  disciplina  a  matéria.  A  regra  sempre  esteve  relacionada  ao  Fl. 287DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10580.728447/2009­63  Acórdão n.º 2401­002.959  S2­C4T1  Fl. 8          13 crescimento  do  faturamento  da  empresa  em  relação  ao  ano  anterior.  Sendo,  no  entanto,  levado  em  consideração  a  expectativa do mercado publicitário  em  face  cenário  comercial  esperado para o ano.  Como  isto  vem  sendo  feito  há  mais  de  10  (dez)  anos,  jamais  houve a preocupação por parte da empresa, de seus funcionários  ou até mesmo do  sindicato,  em que estas regras  constassem de  modo detalhado no acordo.  Nesse sentido, entendo que o grande objetivo do pagamento de participação  nos lucros e resultados e a participação do empregado no capital da empresa, de forma que esse  se  sinta  estimulado  a  trabalhar  em  prol  do  empreendimento,  tendo  em  vista  que  o  seu  engajamento,  resultará em sua participação (na  forma de distribuição dos  lucros alcançados).  Assim,  como  falar  em  engajamento  do  empregado  na  empresa,  se  o  mesmo  não  tem  conhecimento  prévio  do  quanto  a  sua  dedicação  irá  refletir  em  termos  de  participação,  ou  mesmo basear o pagamento  em condições  anteriores. É nesse  sentido, que  entendo que a  lei  exigiu não apenas o acordo prévio ao trabalho do empregado, ou seja, no início do exercício,  bem como o conhecimento por parte do trabalhador de quais as regras (ou mesmo metas) que  deverá alcançar para fazer jus ao pagamento, devendo as mesmas serem negociadas no acordo  firmado e não posteriormente em documento apartado junto a empresa.  Vejamos o que diz o art. 2º, § 1º da lei 10.101/2000:   §  1º  Dos  instrumentos  decorrentes  da  negociação  deverão  constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos  substantivos  da  participação  e  das  regras  adjetivas,  inclusive  mecanismos  de  aferição  das  informações  pertinentes  ao  cumprimento  do  acordado,  periodicidade  da  distribuição,  período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo  ser  considerados,  entre  outros,  os  seguintes  critérios  e  condições:  Assim,  conforme  transcrito  acima,  “dos  instrumentos  DEVERÃO  constar  regras claras e objetivas quanto a fixação dos direitos substantivos da participação e das regras  adjetivas (...). Entendo que a expressão “podendo”, descrita no final do dispositivo legal, visou  apenas  indicar  os  incisos  I  e  II,  como  exemplos,  mas  de  forma  alguma,  afastou  o  estabelecimento  de  critérios.  Se  assim,  não  fosse,  poder­se­ia  vislumbrar  que  o  trabalho  exaustivo  do  empregado durante  todo  um ano,  com a promessa  por parte  do  empregador  de  uma futura participação nos lucros, resultasse no incremento ínfimo em sua remuneração. Ou  seja, para que possa sentir­se estimulado o empregado, tem que ter a mínima noção do quanto  esse seu empenho, trar­lhe­á de resultados.  Basta­nos  apreciar  tanto  a  convenção  coletiva,  quanto os  acordos  firmados,  que  identificamos  não  existir  qualquer  critério  quanto  a  participação  dos  empregados  nos  lucros.  DO ARQUIVAMENTO TARDIO.  Outro  ponto  trazido  pelo  auditor  para  caracterizar  a  verba  como  salário  de  contribuição,  foi  o  fato  da  empresa não  ter  cumprido a  regra do  arquivamento do  acordo no  sindicato respectivo.  Quanto a este ponto, passemos a apreciar a lei:  Fl. 288DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA     14  §  2º  O  instrumento  de  acordo  celebrado  será  arquivado  na  entidade sindical dos trabalhadores.  É  sabido,  que  o  alcance  de  um  acordo  ou  mesmo  convenção  coletiva  restringe­se a categoria profissional abarcada na base territorial objeto do acordo dentro do seu  prazo de vigência. Neste sentido, correto tratamento atribuído pela autoridade fiscal. Vejamos a  definição de acordos e convenções coletivas, que já foram esses os instrumentos adotados pela  empresa.  Art.  611  ­  Convenção  Coletiva  de  Trabalho  é  o  acordo  de  caráter  normativo,  pelo  qual  dois  ou  mais  Sindicatos  representativos  de  categorias  econômicas  e  profissionais  estipulam  condições  de  trabalho  aplicáveis,  no  âmbito  das  respectivas  representações,  às  relações  individuais  de  trabalho.(Redação dada pelo Decreto­lei nº 229, de 28.2.1967)  §  1º  É  facultado  aos  Sindicatos  representativos  de  categorias  profissionais  celebrar  Acordos  Coletivos  com  uma  ou  mais  empresas da correspondente categoria econômica, que estipulem  condições de trabalho, aplicáveis no âmbito da empresa ou das  acordantes respectivas relações de trabalho.(Redação dada pelo  Decreto­lei nº 229, de 28.2.1967).  Art.  613  ­  As  Convenções  e  os  Acordos  deverão  conter  obrigatòriamente:(Redação  dada  pelo  Decreto­lei  nº  229,  de  28.2.1967)   I ­ Designação dos Sindicatos convenentes ou dos Sindicatos e  empresas  acordantes;(Incluído  pelo  Decreto­lei  nº  229,  de  28.2.1967)   II  ­  Prazo  de  vigência;(Incluído  pelo  Decreto­lei  nº  229,  de  28.2.1967)   III  ­ Categorias  ou  classes  de  trabalhadores  abrangidas  pelos  respectivos  dispositivos;(Incluído  pelo  Decreto­lei  nº  229,  de  28.2.1967)   IV ­ Condições ajustadas para reger as relações individuais de  trabalho durante sua vigência;(Incluído pelo Decreto­lei nº 229,  de 28.2.1967)   V ­ Normas para a conciliação das divergências sugeridas entre  os  convenentes  por  motivos  da  aplicação  de  seus  dispositivos;(Incluído pelo Decreto­lei nº 229, de 28.2.1967)   VI  ­  Disposições  sôbre  o  processo  de  sua  prorrogação  e  de  revisão  total  ou  parcial  de  seus  dispositivos;(Incluído  pelo  Decreto­lei nº 229, de 28.2.1967)   VII  ­ Direitos  e  deveres  dos  empregados  e  empresas;(Incluído  pelo Decreto­lei nº 229, de 28.2.1967)   VIII  ­  Penalidades  para  os  Sindicatos  convenentes,  os  empregados  e  as  empresas  em  caso  de  violação  de  seus  dispositivos.(Incluído pelo Decreto­lei nº 229, de 28.2.1967)   Parágrafo único. As convenções e os Acordos serão celebrados  por  escrito,  sem  emendas  nem  rasuras,  em  tantas  vias  quantos  Fl. 289DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10580.728447/2009­63  Acórdão n.º 2401­002.959  S2­C4T1  Fl. 9          15 forem  os  Sindicatos  convenentes  ou  as  empresas  acordantes,  além  de  uma  destinada  a  registro.(Incluído  pelo Decreto­lei  nº  229, de 28.2.1967)  Art. 614 ­ Os Sindicatos convenentes ou as empresas acordantes  promoverão, conjunta ou separadamente, dentro de 8 (oito) dias  da assinatura da Convenção ou Acordo, o depósito de uma via  do  mesmo,  para  fins  de  registro  e  arquivo,  no  Departamento  Nacional do Trabalho, em se tratando de instrumento de caráter  nacional ou interestadual, ou nos órgãos regionais do Ministério  do Trabalho  e Previdência  Social,  nos  demais  casos.  (Redação  dada pelo Decreto­lei nº 229, de 28.2.1967)   § 1º As Convenções e os Acordos entrarão em vigor 3 (três) dias  após  a  data  da  entrega  dos  mesmos  no  órgão  referido  neste  artigo.(Redação dada pelo Decreto­lei nº 229, de 28.2.1967)   § 2º Cópias autênticas das Convenções e dos Acordos deverão  ser afixados de modo visível, pelos Sindicatos convenentes, nas  respectivas  sedes  e  nos  estabelecimentos  das  empresas  compreendidas no seu campo de aplicação, dentro de 5 (cinco)  dias  da  data  do  depósito  previsto  neste  artigo.(Redação  dada  pelo Decreto­lei nº 229, de 28.2.1967)   §  3º  Não  será  permitido  estipular  duração  de  Convenção  ou  Acordo superior a 2 (dois) anos.  Art.  615  ­  O  processo  de  prorrogação,  revisão,  denúncia  ou  revogação  total  ou  parcial  de  Convenção  ou  Acordo  ficará  subordinado,  em  qualquer  caso,  à  aprovação  de  Assembléia  Geral  dos  Sindicatos  convenentes  ou  partes  acordantes,  com  observância  do  disposto  no  art.  612.(Redação  dada  pelo  Decreto­lei nº 229, de 28.2.1967)   §  1º  O  instrumento  de  prorrogação,  revisão,  denúncia  ou  revogação de Convenção ou Acordo será depositado para fins de  registro  e  arquivamento,  na  repartição  em  que  o  mesmo  originariamente  foi  depositado  observado  o  disposto  no  art.  614.(Incluído pelo Decreto­lei nº 229, de 28.2.1967)   §  2º  As  modificações  introduzidos  em  Convenção  ou  Acordo,  por força de revisão ou de revogação parcial de suas claúsulas  passarão  a  vigorar  3  (três)  dias  após  a  realização  de  depósito  previsto no § 1º.(Incluído pelo Decreto­lei nº 229, de 28.2.1967)  Ora,  alega  a  empresa  que  o  arquivamento  das  mesmas  após  o  início  do  procedimento fiscal, quase 3 anos após a realização do primeiro acordo, não fere a legislação,  visto que a mesma não estabelece prazo para o arquivamento.  No  caso,  a  empresa  formalizou  o  pagamento  dos  PLR  por  meio  dos  negociações coletivas, que possuem prazo de validade e referem­se ao pagamento da verba em  um determinado período. Como admitir que um acordo encontra­se válido, se descumprido um  requisito  formal,  que  é  o  seu  arquivamento  no  órgão  competente.  Se  realmente  a  lei  não  exigisse o seu arquivamento para dar legitimidade, publicidade e vigência ao ato, qual sentido  haveria na sua exigência. Ao arquivar os documentos no ano de 2009, não há que se falar que o  Fl. 290DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA     16  acordo  de  2005,  2006  ou  2007  ainda  estivesse  em  vigor.  Pelo  contrário,  haviam  sido  finalizados,  os valores  já haviam sido  inclusive  pagos. Não  entendo que no presente  caso, o  arquivamento tardio, tenha convalidado um acordo, já inclusive sem validade!  Ademais, as fls. 79 dos autos, conta cópia da Convenção coletiva, que em seu  art. 9, possibilita o pagamento de PLR, podendo o mesmo ser negociado por meio de acordo  coletivo, porém determina o seu arquivamento no sindicato e na DRT.  Só para começar os acordos apresentados as  fls. 118 a 125 não são acordos  coletivos,  portanto,  não  encontram­se  em  consonância  com  a  convecção  coletiva  firmada.  Poderíamos entender  tratar­se  então de  acordo  realizado entre a empresa  e seus empregados,  porém os mesmos não  tem sequer a  indicação do representante do sindicato, e ao não serem  arquivados não possuem qualquer  legitimidade, para determinar o pagamento de acordo com  os propósitos da lei 10.101/2000.  Ademais,  ao  apreciarmos  o  texto  do  art.  614,  não  nos  restam  dúvidas,  a  vigência de uma acordo só se inicia após 3 dias do seu arquivamento no órgão correspondente  Nos termos do art. 616 da norma citada:  “os  sindicatos  representativos  de  categorias  econômicas  ou  profissionais  e  as  empresas,  inclusive  as  que  não  tenham  representação sindical, quando provocados, não podem recusar­ se à negociação coletiva.  §  1º  Verificando­se  recusa  à  negociação  coletiva,  cabe  aos  sindicatos  ou  empresas  interessadas  dar  ciência  do  fato,  conforme o caso, ao Departamento Nacional do Trabalho ou aos  órgãos  regionais  do  Ministério  do  Trabalho  e  Previdência  Social,  para  convocação  compulsória  dos  sindicatos  ou  empresas recalcitrantes.  §  2ºNo  caso  de  persistir  a  recusa  à  negociação  coletiva,  pelo  desatendimento  às  convocações  feitas  pelo  Departamento  Nacional  do  Trabalho  ou  órgãos  regionais  do  Ministério  do  Trabalho  e  Previdência  Social,  ou  se  malograr  a  negociação  entabulada, é facultada aos sindicatos ou empresas interessadas  a instauração de dissídio coletivo.  No que concerne a desnecessária participação do representante do sindicato,  bem como do arquivamento do acordo,  também não confiro  razão ao recorrente. O sindicato  tem  por  escopo  proteger  a  categoria  profissional,  frente  a  superioridade  econômica  do  empregador, dessa forma, não age como mero telespectador, mas intervindo de forma a evitar  que o “poder de coerção” do empregador acabe por intimidar empregados a firmar acordos que  os prejudicariam mesmo que indiretamente.  Ao descumprir os preceitos legais e efetuar pagamentos de participação nos  lucros, o recorrente assumiu o risco de não se beneficiar pela possibilidade de que tais valores  estariam desvinculados do salário.  Assim, entendo correto o julgamento realizado, de que deva a verba ser tida  como PLR para fins de incidência de contribuição, uma vez que em relação a essa verba, não  houve cumprimento dos requisitos, como já destacado no item acima.  Fl. 291DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10580.728447/2009­63  Acórdão n.º 2401­002.959  S2­C4T1  Fl. 10          17 Em relação ao pagamento de PLR entendo que não logrou o recorrente êxito  em demonstrar o cumprimento da legislação para que as verbas sejam excluídas do conceito de  salário de contribuição, razão porque correto o lançamento realizado.  QUANTO A MULTA IMPOSTA  Em  relação  ao  questionamento  acerca  do  caráter  confiscatório  da  multa,  observamos,  que  o  item  5  do  relatório  fiscal,  foi  muito  esclarecedor  em  relação  a  multa  aplicada.  Conforme descrito no referido relatório, a multa originalmente prevista era a  do  art.  35  da  Lei  n  °  8.212/1991:  No  caso,  a  multa  moratória  é  bem  aplicável  pelo  não  recolhimento em época própria das contribuições previdenciárias. Ademais, o art. 136 do CTN  descreve  que  a  responsabilidade  pela  infração  independe  da  intenção  do  agente  ou  do  responsável,  e da natureza e extensão dos efeitos do ato, sendo que o fato de entender que a  verba não constituiria salário de contribuição não é argumento válido para afastar a penalidade.  O art. 35 da Lei n ° 8.212/1991 dispõe, nestas palavras:  Art.  35.  Sobre  as  contribuições  sociais  em atraso, arrecadadas  pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada,  nos  seguintes  termos:  (Redação  dada  pelo  art.  1º,  da  Lei  nº  9.876/99)   I  ­  para  pagamento,  após  o  vencimento  de  obrigação  não  incluída em notificação fiscal de lançamento:  a)  oito  por  cento,  dentro  do mês  de  vencimento  da  obrigação;  (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99).  b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pelo art.  1º, da Lei nº 9.876/99).  c)  vinte  por  cento,  a  partir  do  segundo  mês  seguinte  ao  do  vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº  9.876/99).  II  ­  para pagamento de créditos  incluídos  em notificação  fiscal  de lançamento:   a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento  da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99).  b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da  notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99).  c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que  antecedido de defesa, sendo ambos  tempestivos, até quinze dias  da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência  Social ­ CRPS; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99).  d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da  decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social ­ CRPS,  enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei  nº 9.876/99).  III ­ para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa:  Fl. 292DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA     18  a)  sessenta  por  cento,  quando  não  tenha  sido  objeto  de  parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99).  b)  setenta  por  cento,  se  houve  parcelamento;  (Redação  dada  pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99).  c)  oitenta  por  cento,  após  o  ajuizamento  da  execução  fiscal,  mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito  não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da  Lei nº 9.876/99).  d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo  que  o  devedor  ainda  não  tenha  sido  citado,  se  o  crédito  foi  objeto  de  parcelamento;  (Redação  dada pelo  art.  1º,  da  Lei  nº  9.876/99).  §  1º  Nas  hipóteses  de  parcelamento  ou  de  reparcelamento,  incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora  a que se refere o Caput e seus incisos. (Parágrafo acrescentado  pela  MP  nº  1.571/97,  reeditada  até  a  conversão  na  Lei  nº  9.528/97)  §  2º  Se  houver  pagamento  antecipado  à  vista,  no  todo  ou  em  parte,  do  saldo  devedor,  o  acréscimo  previsto  no  parágrafo  anterior  não  incidirá  sobre  a multa  correspondente  à  parte  do  pagamento que se efetuar. (Parágrafo acrescentado pela MP nº  1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97)  §  3º  O  valor  do  pagamento  parcial,  antecipado,  do  saldo  devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá  ser  utilizado  para  quitação  de  parcelas  na  ordem  inversa  do  vencimento,  sem  prejuízo  da  que  for  devida  no  mês  de  competência  em  curso  e  sobre  a  qual  incidirá  sempre  o  acréscimo  a  que  se  refere  o  §  1º  deste  artigo.  (Parágrafo  acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na  Lei nº 9.528/97)  §  4º Na hipótese de  as  contribuições  terem  sido  declaradas  no  documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se  tratar  de  empregador  doméstico  ou  de  empresa  ou  segurado  dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora  a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta  por cento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.876/99)  Contudo,  também  como  enfatizado  pelo  auditor,  não  só  a  ausência  de  recolhimento ensejava a aplicação de multa moratória, mas a ausência de informação em GFIP  ensejava aplicação de multa, pelo descumprimento de obrigação acessória.  Contudo,  no  que  tange  ao  cálculo  da  multa,  é  necessário  tecer  algumas  considerações, face à edição da referida MP 449, convertida na lei 11.941. A citada MP alterou  a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP.  Para tanto, a MP 449/2008, inseriu o art. 32­A, o qual dispõe o seguinte:  “Art. 32­A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração  de que trata o  inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo  fixado  ou  que  a  apresentar  com  incorreções  ou  omissões  será  Fl. 293DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10580.728447/2009­63  Acórdão n.º 2401­002.959  S2­C4T1  Fl. 11          19 intimado a apresentá­la ou a prestar esclarecimentos e sujeitar­ se­á às seguintes multas:   I  –  de  R$  20,00  (vinte  reais)  para  cada  grupo  de  10  (dez)  informações incorretas ou omitidas; e   II  –  de  2%  (dois  por  cento)  ao  mês­calendário  ou  fração,  incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda  que  integralmente  pagas,  no  caso  de  falta  de  entrega  da  declaração ou entrega após o prazo,  limitada a 20% (vinte por  cento), observado o disposto no § 3o deste artigo.   § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no  inciso  II do  caput  deste  artigo,  será  considerado  como  termo  inicial  o  dia  seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração  e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não­ apresentação,  a  data  da  lavratura  do  auto  de  infração  ou  da  notificação de lançamento.   § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão  reduzidas:   I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo,  mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou   II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação  da declaração no prazo fixado em intimação.   § 3o A multa mínima a ser aplicada será de:   I  –  R$  200,00  (duzentos  reais),  tratando­se  de  omissão  de  declaração  sem  ocorrência  de  fatos  geradores  de  contribuição  previdenciária; e   II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.”   Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35­A que  dispõe o seguinte,   “Art.  35­A.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício  relativos  às  contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplica­se o disposto  no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.”   O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte:  “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as  seguintes multas:  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata “  Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de  forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício (como no presente caso),  Fl. 294DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA     20  a  multa  a  ser  aplicada  passa  a  ser  a  estabelecida  no  dispositivo  acima  citado,  qual  seja,  aplicação de multa de ofício de 75%.  Contudo,  ao  observar  o  auditor  a  ausência  de  pagamento  e  ausência  de  informação em GFIP, procedeu ao auditor ao comparativo da antiga legislação com a atual, de  forma, que se aplicasse a multa mais benéfica ao contribuinte.   Assim, na planilha  as  fls.  35,  o  auditor detalha  competência  a  competência  qual a multa seria mais favorável ao recorrente, pois que a aplicação da multa pela ausência e  GFIP e a multa de ofício ensejariam bis in idem.  Considerando  o  princípio  da  retroatividade  benigna  previsto  no  art.  106.  inciso  II,  alínea  “c”,  do  Código  Tributário  Nacional,  há  que  se  verificar  a  situação  mais  favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas.  Nesse  sentido,  entendo  que  a  multa  imposta,  obedeceu  a  legislação  pertinente, não havendo caráter confiscatório na sua aplicação, posto o estrito cumprimento dos  ditames  legais.  Também  entendo  que,  o  fato  de  não  ter  tido  qualquer  intenção  de  fraudar  o  fisco, argumentanado que a ausência de incidência deu­se em função da interpretação de que o  pagamento de PLR não consistiria salário de contribuição, também não afasta a multa imposta,  face que a sua aplicação independe da intenção do agente.  Ademais,  mesmo  tange  a  argüição  de  inconstitucionalidade  de  legislação  previdenciária que dispõe  sobre o  recolhimento  de contribuições,  frise­se que  incabível  seria  sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusar­se a cumprir  norma  cuja  constitucionalidade  vem  sendo  questionada,  razão  pela  qual  são  aplicáveis  os  prazos regulados na Lei n ° 8.212/1991.   Dessa  forma,  quanto  à  ilegalidade/inconstitucionalidade  na  multa  imposta,  não há razão para a recorrente. Como dito, não é de competência da autoridade administrativa a  recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional, razão pela qual são exigíveis  a aplicação da taxa de juros SELIC, e a multa pela inadimplência conforme o fez a autoridade  fiscal.  Toda  lei  presume­se  constitucional  e,  até  que  seja  declarada  sua  inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame  da matéria,  deve o  agente público,  como executor da  lei,  respeitá­la. Nesse  sentido,  entendo  pertinente  transcrever  trecho  do  Parecer/CJ  n  °  771,  aprovado  pelo Ministro  da  Previdência  Social em 28/1/1997, que enfoca a questão:  Cumpre  ressaltar  que  o  guardião  da Constituição  Federal  é  o  Supremo  Tribunal  Federal,  cabendo  a  ele  declarar  a  inconstitucionalidade  de  lei  ordinária.  Ora,  essa  assertiva  não  quer  dizer  que  a  administração  não  tem  o  dever  de  propor  ou  aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de  uma lei sentir que ela é  inconstitucional o Pretório Excelso é o  órgão  competente  para  tal  declaração.  Já  o  administrador  ou  servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o  seu  destinatário  entende  ser  inconstitucional,  quando  não  há  manifestação definitiva do STF a respeito.  A alegação de  inconstitucionalidade formal de  lei não pode ser  objeto  de  conhecimento  por  parte  do  administrador  público.  Enquanto  não  for  declarada  inconstitucional  pelo  STF,  ou  examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes)  Fl. 295DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10580.728447/2009­63  Acórdão n.º 2401­002.959  S2­C4T1  Fl. 12          21 ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor  e cabe à Administração Pública acatar suas disposições.   No mesmo  sentido  posiciona­se  este  Conselho Administrativo  de Recursos  Fiscais ­ CARF ao publicar a súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão  que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes.  SÚMULA N. 2  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária.  Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo  ser  mantido  nos  termos  acima  expostos,  haja  vista  que  os  argumentos  apontados  pelo  recorrente são incapazes de refutar em sua totalidade o lançamento.  CONCLUSÃO  Pelo  exposto,  voto  pelo  CONHECIMENTO  do  recurso  para  no  mérito  NEGAR­LHE PROVIMENTO.  É como voto.    Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira                              Fl. 296DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA

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Numero do processo: 10830.004225/2006-10
Data da sessão: Fri Jul 10 00:00:00 UTC 2009
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2004, 2005 PEDIDO DE CANCELAMENTO DE DCOMP. ESPONTANEIDADE. EFEITOS DO ART. 47 DA LEI N° 9.430/96. PAGAMENTO NO VIGÉSIMO DIA DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. Só se pode falar em espontaneidade, nos termos do artigo 47 da Lei n°9.430/96, se o pagamento do tributo for realizado no prazo de 20 dias, contado a partir do início da ação fiscal. FRAUDE. ARTIGO 72 DA LEI N° 4.502/64. DOLO ESPECÍFICO. A fraude prevista no artigo 44 da Lei n° 9.430/96, nos termos do artigo 72 da Lei n° 4.502/64, demanda uma ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Tal conduta, constituindo dolo específico, não pode ser considerada como tendo ocorrido, de maneira generalizada, sem que sejam apresentadas provas robustas e específicas. COMPENSAÇÃO. MULTA ISOLADA. É cabível a aplicação da multa isolada sobre as diferenças apuradas em decorrência de compensações indevidas, vez que a Lei n°. 11.051/2004 estabeleceu tão somente a alteração dos percentuais aplicáveis. MULTA ISOLADA. REDUÇÃO DO PERCENTUAL. LEI 11.196/2005. RETROATIVIDADE BENIGNA. Com a MP n°. 252, de 15/06/2005, mais tarde convertida na Lei n°. 11.196/2005, foram restabelecidos os percentuais de 75% e 150%, devendo a nova lei ser aplicada retroativamente, em obediência ao comando do art. 106 do CTN. MULTA DE OFÍCIO E MULTA DE MORA. CUMULAÇÃO- A multa de oficio absorve a de mora, não sendo admissível a cumulação. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3202-000.004
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em parte; e, na parte conhecida, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reduzir a multa para 75%. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda (Relator) e Heroldes Barh Neto, que excluíam a multa. A Conselheira Susy Gomes hoffmann declarou-se impedida de votar. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Irene Souza da Trindade Torres.
Nome do relator: Rodrigo Cardozo Miranda

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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2004, 2005 PEDIDO DE CANCELAMENTO DE DCOMP. ESPONTANEIDADE. EFEITOS DO ART. 47 DA LEI N° 9.430/96. PAGAMENTO NO VIGÉSIMO DIA DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. Só se pode falar em espontaneidade, nos termos do artigo 47 da Lei n°9.430/96, se o pagamento do tributo for realizado no prazo de 20 dias, contado a partir do início da ação fiscal. FRAUDE. ARTIGO 72 DA LEI N° 4.502/64. DOLO ESPECÍFICO. A fraude prevista no artigo 44 da Lei n° 9.430/96, nos termos do artigo 72 da Lei n° 4.502/64, demanda uma ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Tal conduta, constituindo dolo específico, não pode ser considerada como tendo ocorrido, de maneira generalizada, sem que sejam apresentadas provas robustas e específicas. COMPENSAÇÃO. MULTA ISOLADA. É cabível a aplicação da multa isolada sobre as diferenças apuradas em decorrência de compensações indevidas, vez que a Lei n°. 11.051/2004 estabeleceu tão somente a alteração dos percentuais aplicáveis. MULTA ISOLADA. REDUÇÃO DO PERCENTUAL. LEI 11.196/2005. RETROATIVIDADE BENIGNA. Com a MP n°. 252, de 15/06/2005, mais tarde convertida na Lei n°. 11.196/2005, foram restabelecidos os percentuais de 75% e 150%, devendo a nova lei ser aplicada retroativamente, em obediência ao comando do art. 106 do CTN. MULTA DE OFÍCIO E MULTA DE MORA. CUMULAÇÃO- A multa de oficio absorve a de mora, não sendo admissível a cumulação. Recurso Voluntário Provido em Parte.

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Numero do processo: 10983.004402/84-93
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 1985
Ementa: IRPJ - DESCLASSIFICAÇÃO DE ESCRITA - Procede a desclassificação da escrita cantábil, no caso em que os lançamentos são feitos em partidas mensais, com histórico incompleto e com espaço em branco, sem fazerem referência aos documentos que os respaldam, sem ordem cronológica alguma e sem a existência de outro livro auxiliar, não procedendo o pedido de diligência para o exame de uma escrita contábil posterior a uma auditoria fiscal minuciosa e demorada, pois inexiste arbitramento condicional.
Numero da decisão: 101-75.846
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos: a) anular o Acórdão n9 101-75.669, de 22.01.85; b) rejeitar a preliminar; c) negar provimento ao recurso, as termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Nome do relator: Agostinho Serrano Filho

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Recorrido - PRIMEIRA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES IRPJ - DESCLASSIFICAÇÃO DE ESCRITA - Pra cede a desclassificação da escrita can= tâbil, no caso em que os lançamentos são feitos em partidas mensais, com histó- rico incompleto e com espaço em branco, sem fazerem referência aos documentos' que os respaldam, sem ordem cronológi- ca alguma e sem a existência de outro livro auxiliar, não procedendo o pedi- do de diligência para o exame de uma escrita contêbil posterior a uma audito ria fiscal minuciosa e demorada, poi-s- inexiste arbitramento condicional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por PILÕES TRANSPORTES LTDA.: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Con- selho de Contribuintes, por unanimidade de votos: a) anular o Acórdão n9 101-75.669, de 22.01.85; b) rejeitar a preliminar; c) negar provi- mento ao recurso, as termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julga../0 t/ )1° S. -a das S,f . i.esi _DF), em 17 de abril de 1985 » AMADOR O • dl! "-.. ERNIINDEZ - PR SIDENTE // na .. ar n IF/(E& ..• '" 1 .. Vc -::-. V O •-. 'UNHO S • NO FILHO - •ELATOR ar VISTO EM AGOSTINHO FL.- - PROCURADOR DA FAZEN- SESSÃO DE: -P ' i . ,"4".- DA NACIONAL :u; ‘, it ,,ILJ,,/ v.v• - Participaram, ainda, do presente julgamento, Os. seguintes ConseIhei ros: SYLVIO RODRIGUES, FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA, CARLOS- ALBERTO GONÇALVES NUNES, JOSÉ EDUARDO RANGEL DE ALCKMIN, ALCEU DE - AZEVE- DO FONSECA PINTO e RAUL PIMENTEL. 2. <:)r • SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10983-004.402/84-93 RECURSO N9: 88.709 ACORDÃON9: 101°75.846 RECORRENTE: PILÕES TRANSPORTES LTDA. RELATÓRIO Em decorrência da petição, de fls. 380 a 385, o D.D. sr. Presidente deste Conselho, às fls. 387 dos autos,lavrou o seguinte despacho: "Dado entender que o Colegiada deixou de se pronunciar sobre fato relevante, acolho os em- bargos, determinando que os presentes autos se iam entregues ao Relatar do aresto embargado, a fim de que se digne pronunciar sobre as omis sões apontadas;- submetendo as suas conclusõe-s- ã Câmara para deliberação". Esta é a ementa do acórdão n9 101-75.669, ora embargado: "IRPJ - DESCLASSIFICAÇÃO DE ESCRITA - Procede a desclassificação da escrita contábil no caso em que os lançamentos são feitos em partidas mensais e com históricos incompletos, sem fa- zerem referência aos documentos que os respal- 11 dam, sem ordem cronológica alguma e sem a exis tência de outro livro auxiliar". A petição embargante assim se exprime, em sín- tese.// DM F - DF/19 C-C - Secgraf - 1600/75 SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10983-004.402/84-93 3. Acórdão n9 101-75.846 1 - A recorrente, após a visita do Fisco e a tenta às restrições contidas no Auto de Infração, providenciou a reformulação de toda sua escrituração contábil, dia a dia, e o pra enchimento das demais exigências. 2 - Embora o Acórdão recorrido tenha tomado co nhecimento da preliminar do recurso em seu relatório, quando a em- presa requereu diligencia para examinar tal escrita refeita, igno- rou-a em seus tópicos decisórios, omitindo qualquer deliberação a respeito, o que representa cerceamento do direito de defesa. 3 - A recorrente apresentou cópia xerográfica das folhas de seu livro Diário, como comprovação de que sua escri- ta contábil estava refeita e atendia o quanto era exigido pelo Fisco, o que não foi apreciado no recurso. 4 - Não prevaleceriam mais, portanto,as razões de fato que o Fisco utilizou para a desclassificação, conforme e- xaustiva sucessão de decisões e acórdãos no sentido de que as ir regularidades formais dos , egistros contábeis não justificam a des ] classificação da escrit É o.,r91at6rio. /7 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10983-004 402/84-93 4. Acórdão n9 101-75.846 VOTO Conselheiro AGOSTINHO SERRANO FILHO, Relator: Realmente, como podemos deduzir pela leitura do voto deste Conselheiro, de fls. 347 a 351, a desclassificação da escrita foi mantida sob nove razOes, minuciosamente declaradas. Con tudo, não foi considerado o pedido de diligência, a fim de que fos se examinada a contabilidade, que dizia a recorrente, ter sido re- feita conforme exigia o Fisco. Portanto, ao que foi jã dito no voto, de fls. 347 a 351, acrescentamos mais ainda a seguinte argumentação sobre dois fatos omitidos equivocadamente por este relator: 19) PEDIDO DE DILIGÊNCIA Embora não tenhamos tocado nesse assunto no vo to por esquecimento, contudo afirmamos aqui o que já foi dito no relatório, às fls. 345: "A decisão recorrida manteve integralmente a exigência tributária, com a seguinte argumenta — ção: I -- Preliminarmente, indefere o pedido de pe- rícia, visto que a matéria de fato foi minucio samente examinada durante os trabalhos de fis:: calização". Verdadeiramente, conforme fls. 01, o Termo de Início da fiscalização ocorreu no dia 30 de janeiro de 1984, quan- do a ampresa foi intimada a apresentar os livros e documentos fis cais e contábeis e declarações de rendimentos da pessoa jurídica e das pessoas físicas dos sócios, referentes aos exercícios de 4 1981, 1982 e 1983. No dia 07 de fevereiro foi intimada de novo a CF SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10983-004.402/84-93 5. Acórdão n9 101-75.846 apresentar as declarações de rendimentos no prazo de vinte dias. No dia 27 de fevereiro foi intimada a apresentar, no prazo de dez dias, os Livros Registros de Inventário, de apuração do Lucro Real, de Registro das Demonstrações Financeiras, Relação da Conta Fornecedores, Contratos de empréstimo entre a empresa e os sócios, extratos bancários referentes ao período de 01.01.81 a 31.12.82 e comprovação da origem e efetiva entrega de numerários supridos pe- los sócios. No dia 26 de março de 1984, a empresa foi intimada a apresentar os seguintes livros contábeis: Registro de Duplicatas, Livro Caixa e Registro de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrência. Às fls. 23, a empresa afirma que não usa o li- vro auxiliar Caixa. Após anexar várias cópias de ficha Caixa, sem nenhuma autenticação, às fls. 89 os Srs. Fiscais fazem uma repre- sentação ao Chefe da Divisão de Fiscalização, considerando cinco irregularidades: a - A empresa não tem livro Diário escriturado, sendo que sua escrituração é feita em uma ficha para conta sintéti ca. b - Enquanto as fichas destinadas aos lançamen tos sintéticos são numerados tipograficamente e registrados, os lançamentos analíticos são efetuados em fichas comuns e numeradas à máquina de escrever. c - A empresa não possui livros auxiliares pa- ra o registro individuado das operações. d - O histórico dos lançamentos não é explica- tivo, contendo só o número do slip, não identificando o documento que suporta o lançamento. e - À medida em que as fichas são preenchidas vão sendo transferidas para o arquivo, não existindo um índice ) >2/ SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10983-004.402/84-93 6. Acórdão nç 101-75.846 dicando a que conta corresponde a ficha, nem o periodo de escritu- ração que a mesma cobre. Por essas razões, os Srs. Fiscais submeteram suas apreciações a chefia para aplicar o disposto nos artigos 399, incisos I e IV, e 400, §, 59, do RIR/80. Enfim, após anexar mais de cem cópias de escri turação da empresa, comprovando o alegado, a fiscalização autuou a empresa no dia 22 de maio de 1984, de acordo com Auto de Infração de fls. 246. Em verdade, o trabalho da fiscalização foi de- morado e minucioso. Achamos que não há mais necessidade de diligên cias, pois a fiscalização já analisou a escrita do contribuinte du rante quatro meses. Por isso, o pedido de diligência foi indeferido pela decisão recorrida com fulcro no art. 17 do Decreto número 70.235/72. 29) ESCRITURAÇÃO REFEITA. Às fls. 332 de seu recurso, a empresa alegaque "determinou a elaboração de rol de lançamentos, dia a dia, nos moi des do tradicional Diário, a fim de evidenciar a qualidade e eficji cia de seus registros, contrariamente ao pretendido pelo Fisco. Es te relacionamento diário das partidas de lançamento, que está sen- do transcrita no livro Diário que possui a Empresa, foi de fácil elaboração". (o grifo é nosso). Conforme grifamos, a própria empresa diz clara mente que "o relacionamento diário das partidas de lançamento" es- tava ainda sendo transcrita no livro Diário. Portanto, evidente que o livro Diário era feito com partidas mensais, o que já foi di to e comprovado, com documentos, pela fiscalização. Aindamais, sua í ' escrituração contábil e feita em fichas soltas, utilizando a emprs4 , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10983-004.402/84-93 7. Acõrdão n9 101-75.846 sa uma ficha para cada conta, utilizando contas sintéticas ou ana- líticas, enquanto a empresa não possui livros auxiliares. Isso foi tudo comprovado pela fiscalização e não foi contradito pela defesa em nenhum momento, enquanto o artigo 59 do Decreto-lei n9 486, de 03 de março de 1969, assim diz: "Art. 59 -- Sem prejuizo de exigências espe- ciais da lei, é obrigatOrio o uso de livro Diã rio, encadernado com folhas numeradas seguida- mente, em que serão lançados, dia a dia, dire- tamente ou por reprodução, os atos ou operaçSes da atividade mercantil... § 19 -- O comerciante, que empregar escritura- ção mecanizada, poderá substituir o Diário e os livros facultativos ou auxiliares por fichas seguidamente numeradas, mecânica ou tipografi- camente. .§ 39 -- Admite-se a escrituração resumida do Diário, ... desde que utilizados livros auxi- liares para registro individuado e conservados os documentos que permitam sua perfeita verifi_ cação". (o grifo é nosso). Não há, pois, dúvida alguma de que a escritura_ ção do contribuinte era completamente contrária à lei, tanto assim que a recorrente disse que estava regularizando sua escrita e que ria a diligência para quese verificasse a nova escrita refeita. A este respeito a Câmara Superior de Recursos Fiscais já se pronunciou, por unanimidade de votos, através do a- cOrdão de n9 CSRF/01-0.241, de 24 de junho de 1984, que diz o se- guinte: "IRPJ - ARBITRAMENTO DO LUCRO - Comprovada a inexistência e/ou recusa na apresentação dos livros que amparariam a tributação com base no 1 lucro real, cabível é o arbitramento do lucro. fs Atendidos os pressupostos objetivos e subjeti- vos na prática do ato administrativo de lança- mento, sua modificação ou extinção somente se dará nos casos previstos em lei (C.T.N., art , // SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10983-004.402/84-93 8. Acórdão n9 101-75.846 141). Como inexiste arbitramento condicional, o ato administrativo de lançamento não é modi- ficável pela posterior apresentação do documen tário cuja inexistência e/ou recusa foi:a cau- sa do arbitramento". O D.D. Presidente da Câmara Superior e desta Câmara, que foi o relator do voto, que embasou o acórdão citado,as sim dizia na ocasião: "Se a lei declara que, na ausência de escrita regular ou no caso de recusa de sua apresenta- ção (fatos que impedem a regular apuração do lucro real, eis que o Agente Fiscal é vedado apurar o lucro real, inexistindo ::escrituração contábil, armando-o a lei com os diversos cri- térios de arbitramento,cf. Acórdão n9 1-7/521),, é facultado ao Fisco o arbitramento do lucro,sem prejuízo da imposição da multa de lançamento ex officio cabível; não se pode admitir que a posterior apresentação do documentário, isto é, o arrependimento torne nulo o trabalho fiscal". É evidente que o arbitramento do lucro foi a- plicado porque o Diário não foi regularmente escriturado, pois as fichas eram sintéticas e continham só uma conta, deixando, portan- tofespaço em branco em cada ficha, o que contraria o artigo 29 do Decreto-lei n9 486, que diz: "A escrituração será completa, em idioma e moe da corrente nacionais, em forma mercantil, com individuação e clareza, por ordem cronológica de dia, mês e ano, sem intervalos em branco, nem entrelinhas, borraduras, rasuras, emendas e transportes para as margens". Diante do que já dissemos no voto anterior, de fls. 347 a 351, e ante todas estas consideraçOes, é óbvio que a escrita contábil da empresa era completamente ilegal. Como muito bem disse o D.D. Presidente no acórdão citado da Câmara Superior "inexiste arbitramento condicional e o ato administrativo de lança /-ç) mento não é modificável" pela posterior apresentação de uma escri SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10983-004.402/84-93 9. Acórdão n9 101-75.846 ta, dita regular pela empresa. Considerando, pois, que este Colegiado, quando negou provimento ao recurso no dia 22 de janeiro de 1985,deixou de se pronunciar sobre o pedido de diligência para se fazer uma audi- toria sobre a nova escrituração da empresa, voto no sentido de que: 19) Seja anulado o acórdão n9 101-75.669; 29) Seja rejeitada a prelimi ar de diligência e, no mérito, seja negado provimento ao recurso /P6 : á NHO SERRANO FILHO - LATOR. __ Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1

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Numero do processo: 11516.006348/2009-63
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2005, 2006 Ementa: CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. MONTANTE A PAGAR. DETERMINAÇÃO. REVISÃO EM PRIMEIRA INSTÂNCIA. PROCEDÊNCIA. Não é merecedora de reparo a decisão que, constatando que a autoridade fiscal deixou de considerar valores que deveriam integrar a determinação dos montantes a pagar das exações lançadas, promove a revisão dos cálculos, indicando, adequadamente, a fonte da qual os dados foram extraídos e a metodologia empregada. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CIÊNCIA. VALIDADE. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário (SÚMULA CARF Nº 9). IMPUGNAÇÃO. AUSÊNCIA. INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO. INOCORRÊNCIA. Na ausência de impugnação, descabe falar em fase litigiosa do procedimento. Revela-se plenamente válida a ciência da intimação para pagar ou impugnar a exigência formalizada, efetivada por meio de EDITAL, quando a intimação por via postal mostrar-se improfícua. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. PROCEDÊNCIA. Se as provas carreadas aos autos deixam foram de dúvida que a gestão da empresa era exercida, de fato, por pessoa não integrante do seu quadro societário, tendo ela influência direta nos fatos que redundaram em evasão fiscal, tal pessoa deve ser mantida no pólo passivo das obrigações tributárias correspondentes, vez que presente hipótese legal autorizadora. Nos termos do art. 135 do Código Tributário Nacional, os mandatários, prepostos, empregados, diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultante de atos praticados com infração de lei. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. Nos exatos termos do Parecer/PGFN/CRJ/CAT nº 55, de 2009, “a responsabilidade dos administradores, de acordo com a jurisprudência do STJ, não pode ser entendida como exclusiva (responsabilidade substitutiva), porquanto se admite na Corte Superior que a ação de execução fiscal seja ajuizada, ao mesmo tempo, contra a pessoa jurídica e o administrador”. Ainda, “para efeito de aplicação do art. 135, III, do CTN, responde também a pessoa que, de fato, administra a pessoa jurídica, ainda que não constem seus poderes expressamente do estatuto ou contrato social.” PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. PAGAMENTOS SEM CAUSA. Nos casos de pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a beneficiários não identificados, bem como naqueles efetuados ou entregues a terceiros ou sócios em que não for comprovada a operação ou a sua causa, os valores correspondentes se submetem à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento. INCONSTITUCIONALIDADES. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (súmula CARF nº 2). MULTA QUALIFICADA. Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado do contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação sobre os valores apurados da multa de ofício qualificada de 150%, prevista no inciso II do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996. DECADÊNCIA. Na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a teor do parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, a regra de decadência ali prevista não opera. Nesse caso, a melhor exegese é aquela que direciona para aplicação da regra geral estampada no art. 173, I, do mesmo diploma legal (Código Tributário Nacional). A expressão EXERCÍCIO a que alude o referido comando legal só pode ser concebido como o ano posterior ao correspondente ao da concretização das hipóteses de incidência, pois, em conformidade com a lei (art. 175 da Lei nº 6.404, de 1976), o exercício social tem duração de um ano. DECADÊNCIA. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. IMPOSTO DE RENDA TRIBUTADO EXCLUSIVAMENTE NA FONTE. A aplicação do disposto no art. 61 da Lei nº. 8.981/95 (art. 674 do RIR/99) decorre, sempre, de procedimentos investigatórios levados a efeito pela Administração Tributária, não sendo razoável supor que o contribuinte, espontaneamente, promova pagamentos sem explicitação da causa ou a beneficiários não identificados e, em razão disso, antecipe o pagamento do imposto à alíquota de 35%, reajustando a respectiva base de cálculo. A incidência em referência sustenta-se na presunção (da lei) de que os pagamentos foram utilizados em operação, passível de tributação, em que, em virtude do desconhecimento do beneficiário ou da sua natureza, desloca- se a responsabilidade pelo recolhimento do tributo correspondente para quem efetuou o pagamento. No caso, a constituição do crédito tributário correspondente só pode ser efetivada com base no art. 149, I, do Código Tributário Nacional, sendo a decadência do direito de se promover tal procedimento disciplinada pelo disposto no art. 173 do mesmo diploma. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. ARBITRAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. Independentemente do montante glosado, a desconsideração de custos lastreados em notas fiscais inidôneas não dá causa ao arbitramento do lucro, vez que a adoção da referida sistemática devolve ao contribuinte o direito de deduzir parcela desses mesmos dispêndios, o que, à luz da moralidade e da legalidade, não é aceitável. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. LANÇAMENTO. REVISÃO. Identificadas incorreções na determinação das exações devidas, há de se promover a devida revisão dos lançamentos tributários, de modo a tornar líquidas e certas as exigências tributárias. No caso, descabe falar em mudança de critério jurídico ou constituição de crédito por autoridade incompetente. JUROS SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 1301-001.079
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento: a) quanto à responsabilidade tributária do Sr. Mário Kenji Iriê, negar provimento ao RECURSO VOLUNTÁRIO, por maioria; vencido o Conselheiro Carlos Augusto de Andrade Jenier; b) quanto à incidência do Imposto sobre a Renda na Fonte, negar provimento ao RECURSO VOLUNTÁRIO, pelo voto de qualidade; vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier; c) quanto ao regime de tributação adotado pela autoridade fiscal para o ano-calendário de 2004, negar provimento ao RECURSO VOLUNTÁRIO, por maioria; vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, e Carlos Augusto de Andrade Jenier; d) quanto aos juros de mora sobre a multa de ofício, negar provimento ao RECURSO VOLUNTÁRIO, por maioria; vencidos os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima e Wilson Fernandes Guimarães, que entenderam pela aplicação do percentual de juros de mora de 1%; e) quanto às demais matérias suscitadas, negar provimento ao RECURSO VOLUNTÁRIO, por unanimidade; e f) negar provimento, por unanimidade, ao RECURSO DE OFÍCIO, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Wilson Fernandes Guimarães

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Revela-se plenamente válida a ciência da intimação para pagar ou impugnar a exigência formalizada, efetivada por meio de EDITAL, quando a intimação por via postal mostrar-se improfícua. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. PROCEDÊNCIA. Se as provas carreadas aos autos deixam foram de dúvida que a gestão da empresa era exercida, de fato, por pessoa não integrante do seu quadro societário, tendo ela influência direta nos fatos que redundaram em evasão fiscal, tal pessoa deve ser mantida no pólo passivo das obrigações tributárias correspondentes, vez que presente hipótese legal autorizadora. Nos termos do art. 135 do Código Tributário Nacional, os mandatários, prepostos, empregados, diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultante de atos praticados com infração de lei. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. Nos exatos termos do Parecer/PGFN/CRJ/CAT nº 55, de 2009, “a responsabilidade dos administradores, de acordo com a jurisprudência do STJ, não pode ser entendida como exclusiva (responsabilidade substitutiva), porquanto se admite na Corte Superior que a ação de execução fiscal seja ajuizada, ao mesmo tempo, contra a pessoa jurídica e o administrador”. Ainda, “para efeito de aplicação do art. 135, III, do CTN, responde também a pessoa que, de fato, administra a pessoa jurídica, ainda que não constem seus poderes expressamente do estatuto ou contrato social.” PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. PAGAMENTOS SEM CAUSA. Nos casos de pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a beneficiários não identificados, bem como naqueles efetuados ou entregues a terceiros ou sócios em que não for comprovada a operação ou a sua causa, os valores correspondentes se submetem à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento. INCONSTITUCIONALIDADES. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (súmula CARF nº 2). MULTA QUALIFICADA. Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado do contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação sobre os valores apurados da multa de ofício qualificada de 150%, prevista no inciso II do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996. DECADÊNCIA. Na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a teor do parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, a regra de decadência ali prevista não opera. Nesse caso, a melhor exegese é aquela que direciona para aplicação da regra geral estampada no art. 173, I, do mesmo diploma legal (Código Tributário Nacional). A expressão EXERCÍCIO a que alude o referido comando legal só pode ser concebido como o ano posterior ao correspondente ao da concretização das hipóteses de incidência, pois, em conformidade com a lei (art. 175 da Lei nº 6.404, de 1976), o exercício social tem duração de um ano. DECADÊNCIA. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. IMPOSTO DE RENDA TRIBUTADO EXCLUSIVAMENTE NA FONTE. A aplicação do disposto no art. 61 da Lei nº. 8.981/95 (art. 674 do RIR/99) decorre, sempre, de procedimentos investigatórios levados a efeito pela Administração Tributária, não sendo razoável supor que o contribuinte, espontaneamente, promova pagamentos sem explicitação da causa ou a beneficiários não identificados e, em razão disso, antecipe o pagamento do imposto à alíquota de 35%, reajustando a respectiva base de cálculo. A incidência em referência sustenta-se na presunção (da lei) de que os pagamentos foram utilizados em operação, passível de tributação, em que, em virtude do desconhecimento do beneficiário ou da sua natureza, desloca- se a responsabilidade pelo recolhimento do tributo correspondente para quem efetuou o pagamento. No caso, a constituição do crédito tributário correspondente só pode ser efetivada com base no art. 149, I, do Código Tributário Nacional, sendo a decadência do direito de se promover tal procedimento disciplinada pelo disposto no art. 173 do mesmo diploma. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. ARBITRAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. Independentemente do montante glosado, a desconsideração de custos lastreados em notas fiscais inidôneas não dá causa ao arbitramento do lucro, vez que a adoção da referida sistemática devolve ao contribuinte o direito de deduzir parcela desses mesmos dispêndios, o que, à luz da moralidade e da legalidade, não é aceitável. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. LANÇAMENTO. REVISÃO. Identificadas incorreções na determinação das exações devidas, há de se promover a devida revisão dos lançamentos tributários, de modo a tornar líquidas e certas as exigências tributárias. No caso, descabe falar em mudança de critério jurídico ou constituição de crédito por autoridade incompetente. JUROS SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.

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FAZENDA NACIONAL              MKJ IMPORTAÇÃO E COMÉRCIO LTDA    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Exercício: 2005, 2006  Ementa:  CONTRIBUIÇÕES  NÃO  CUMULATIVAS.  MONTANTE  A  PAGAR.  DETERMINAÇÃO.  REVISÃO  EM  PRIMEIRA  INSTÂNCIA.  PROCEDÊNCIA.  Não  é  merecedora  de  reparo  a  decisão  que,  constatando  que  a  autoridade  fiscal deixou de considerar valores que deveriam integrar a determinação dos  montantes  a  pagar  das  exações  lançadas,  promove  a  revisão  dos  cálculos,  indicando,  adequadamente,  a  fonte  da  qual  os  dados  foram  extraídos  e  a  metodologia empregada.  DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CIÊNCIA. VALIDADE.  É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal  eleito  pelo  contribuinte,  confirmada  com  a  assinatura  do  recebedor  da  correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário  (SÚMULA CARF Nº 9).  IMPUGNAÇÃO.  AUSÊNCIA.  INSTAURAÇÃO  DO  LITÍGIO.  INOCORRÊNCIA.  Na ausência de impugnação, descabe falar em fase litigiosa do procedimento.  Revela­se plenamente válida a ciência da intimação para pagar ou impugnar a  exigência  formalizada, efetivada por meio de EDITAL, quando a  intimação  por via postal mostrar­se improfícua.   RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. PROCEDÊNCIA.  Se  as  provas  carreadas  aos  autos  deixam  foram  de  dúvida  que  a  gestão  da  empresa  era  exercida,  de  fato,  por  pessoa  não  integrante  do  seu  quadro  societário,  tendo  ela  influência  direta  nos  fatos  que  redundaram  em  evasão  fiscal, tal pessoa deve ser mantida no pólo passivo das obrigações tributárias  correspondentes, vez que presente hipótese legal autorizadora. Nos termos do     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 63 48 /2 00 9- 63 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/2009­63  Acórdão n.º 1301­001.079  S1­C3T1  Fl. 2.235          2 art.  135  do  Código  Tributário  Nacional,  os  mandatários,  prepostos,  empregados,  diretores,  gerentes  ou  representantes  de  pessoas  jurídicas  de  direito  privado,  são  pessoalmente  responsáveis  pelos  créditos  correspondentes  a  obrigações  tributárias  resultante  de  atos  praticados  com  infração de lei.  RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE.  Nos  exatos  termos  do  Parecer/PGFN/CRJ/CAT  nº  55,  de  2009,  “a  responsabilidade  dos  administradores,  de  acordo  com  a  jurisprudência  do  STJ, não pode ser entendida como exclusiva (responsabilidade substitutiva),  porquanto se admite na Corte Superior que a ação de execução  fiscal  seja  ajuizada,  ao  mesmo  tempo,  contra  a  pessoa  jurídica  e  o  administrador”.  Ainda, “para efeito de aplicação do art. 135, III, do CTN, responde também  a pessoa que, de fato, administra a pessoa jurídica, ainda que não constem  seus poderes expressamente do estatuto ou contrato social.”  PAGAMENTOS  A  BENEFICIÁRIOS  NÃO  IDENTIFICADOS.  PAGAMENTOS SEM CAUSA.  Nos  casos  de  pagamentos  efetuados  pelas  pessoas  jurídicas  a  beneficiários  não identificados, bem como naqueles efetuados ou entregues a terceiros ou  sócios  em  que  não  for  comprovada  a  operação  ou  a  sua  causa,  os  valores  correspondentes  se  submetem  à  incidência  do  Imposto  de  Renda  exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento.  INCONSTITUCIONALIDADES.  O  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de  lei  tributária  (súmula CARF nº  2).  MULTA QUALIFICADA.  Se os  fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o  intuito  deliberado  do  contribuinte  de  subtrair  valores  à  tributação,  é  cabível  a  aplicação sobre os valores apurados da multa de ofício qualificada de 150%,  prevista no inciso II do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996.  DECADÊNCIA.  Na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a teor do parágrafo 4º do art. 150  do Código Tributário Nacional, a regra de decadência ali prevista não opera.  Nesse caso, a melhor exegese é aquela que direciona para aplicação da regra  geral estampada no art. 173,  I, do mesmo diploma  legal  (Código Tributário  Nacional). A expressão EXERCÍCIO a que alude o referido comando legal só  pode  ser  concebido  como  o  ano  posterior  ao  correspondente  ao  da  concretização das hipóteses de  incidência, pois, em conformidade com a  lei  (art. 175 da Lei nº 6.404, de 1976), o exercício social tem duração de um ano.  DECADÊNCIA.  PAGAMENTO  A  BENEFICIÁRIO  NÃO  IDENTIFICADO.  IMPOSTO  DE  RENDA  TRIBUTADO  EXCLUSIVAMENTE NA FONTE.  A aplicação do disposto no art. 61 da Lei nº. 8.981/95 (art. 674 do RIR/99)  decorre,  sempre,  de  procedimentos  investigatórios  levados  a  efeito  pela  Administração  Tributária,  não  sendo  razoável  supor  que  o  contribuinte,  Fl. 2DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/2009­63  Acórdão n.º 1301­001.079  S1­C3T1  Fl. 2.236          3 espontaneamente,  promova  pagamentos  sem  explicitação  da  causa  ou  a  beneficiários  não  identificados  e,  em  razão  disso,  antecipe o  pagamento  do  imposto  à  alíquota  de  35%,  reajustando  a  respectiva  base  de  cálculo.  A  incidência  em  referência  sustenta­se  na  presunção  (da  lei)  de  que  os  pagamentos foram utilizados em operação, passível de tributação, em que, em  virtude do desconhecimento do beneficiário ou da sua natureza, desloca­se a  responsabilidade  pelo  recolhimento  do  tributo  correspondente  para  quem  efetuou  o  pagamento.  No  caso,  a  constituição  do  crédito  tributário  correspondente  só  pode  ser  efetivada  com  base  no  art.  149,  I,  do  Código  Tributário  Nacional,  sendo  a  decadência  do  direito  de  se  promover  tal  procedimento disciplinada pelo disposto no art. 173 do mesmo diploma.  REGIME DE TRIBUTAÇÃO. ARBITRAMENTO. IMPROCEDÊNCIA.  Independentemente  do  montante  glosado,  a  desconsideração  de  custos  lastreados em notas fiscais inidôneas não dá causa ao arbitramento do lucro,  vez que a adoção da referida sistemática devolve ao contribuinte o direito de  deduzir parcela desses mesmos dispêndios, o que, à  luz da moralidade e da  legalidade, não é aceitável.  DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. LANÇAMENTO. REVISÃO.  Identificadas  incorreções  na  determinação  das  exações  devidas,  há  de  se  promover  a  devida  revisão  dos  lançamentos  tributários,  de  modo  a  tornar  líquidas e certas as exigências tributárias. No caso, descabe falar em mudança  de critério jurídico ou constituição de crédito por autoridade incompetente.  JUROS SELIC.  A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos  tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,  ACORDAM  os  membros  da  3ª  Câmara  /  1ª  Turma  Ordinária  da  Primeira  Seção  de  Julgamento:  a)  quanto  à  responsabilidade  tributária  do  Sr. Mário Kenji  Iriê,  negar  provimento  ao  RECURSO  VOLUNTÁRIO,  por  maioria;  vencido  o  Conselheiro  Carlos  Augusto de Andrade Jenier; b) quanto à incidência do Imposto sobre a Renda na Fonte, negar  provimento ao RECURSO VOLUNTÁRIO, pelo voto de qualidade; vencidos os Conselheiros  Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier;  c) quanto ao regime de tributação adotado pela autoridade fiscal para o ano­calendário de 2004,  negar  provimento  ao  RECURSO  VOLUNTÁRIO,  por  maioria;  vencidos  os  Conselheiros  Valmir Sandri, e Carlos Augusto de Andrade Jenier; d) quanto aos juros de mora sobre a multa  de  ofício,  negar  provimento  ao  RECURSO  VOLUNTÁRIO,  por  maioria;  vencidos  os  Conselheiros  Plínio  Rodrigues  Lima  e  Wilson  Fernandes  Guimarães,  que  entenderam  pela  aplicação do percentual de juros de mora de 1%; e) quanto às demais matérias suscitadas, negar  provimento  ao  RECURSO  VOLUNTÁRIO,  por  unanimidade;  e  f)  negar  provimento,  por  unanimidade, ao RECURSO DE OFÍCIO, nos termos do voto do Relator.  “documento assinado digitalmente”  Fl. 3DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/2009­63  Acórdão n.º 1301­001.079  S1­C3T1  Fl. 2.237          4 Plínio Rodrigues Lima ­ Presidente   “documento assinado digitalmente”  Wilson Fernandes Guimarães – Relator  Paulo Jakson da Silva Lucas ­ Redator Designado  Participaram do presente julgamento os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima,  Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de  Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.  Fl. 4DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/2009­63  Acórdão n.º 1301­001.079  S1­C3T1  Fl. 2.238          5 Relatório  Trata o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica  (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Imposto de Renda retido na Fonte  (IRRF),  Contribuição  para  o  Programa  de  Integração  Social  (PIS)  e  Contribuição  para  Financiamento da Seguridade Social (COFINS), relativas aos exercícios de 2005 e de 2006.  Transcrevo a seguir excertos do relato feito em primeira instância acerca dos  fatos apurados no procedimento fiscal em questão.  A infração apontada no lançamento de IRPJ refere­se à CUSTO DOS BENS  OU  SERVIÇOS  VENDIDOS  ­  GLOSAS  DE  CUSTOS  (fls.  576,  verso),  sendo  objeto  também  de  lançamentos  de  CSLL,  PIS  Não­Cumulativo  e  COFINS  Não­ Cumulativo (lançamentos decorrentes).  Com relação ao lançamento do IR­FONTE, trata­se de exação fundamentada  no  art.61  da  lei  n°  8.981/95  (art.674  do  RIR/99)  por  conta  de  pagamentos  a  beneficiários não identificados (Auto de Infração às fls.581 a 585).  Arrolados  no  pólo  passivo,  na  condição  de  sujeito  passivo  solidário,  as  pessoas de Eliseu Machado de Lima  (administrador da empresa  à  época dos  fatos  geradores  dos  lançamentos)  e  Mário  Kenji  Iriê,  este  último  considerado  pela  Fiscalização também como o administrador de fato da empresa.  Do Termo de Verificação (fls.543 a 573), extrai­se, resumidamente:  III ­ DA AUDITORIA DOS CUSTOS  3.1  ­ Os  saldos  e movimentações  atípicos  nas  contas  contábeis  de Fornecedores Nacionais.  A  MKJ  é  empresa  comercial  varejista  que,  em  2004  e  2005,  dedicava­se,  basicamente,  à  revenda  de  roupas  adquiridas  de  fornecedores nacionais. Como nestes anos, a empresa apurou o  IRPJ  e  a  CSLL  com  base  no  lucro  real,  um  dos  componentes  mais  relevantes  para  a  determinação  do  resultado  e,  portanto,  da  base  de  cálculo  dos  tributos,  é  o  Custo  das  Mercadorias  Vendidas.  O  Custo  das  Mercadorias  Vendidas  deve  ser  apurado  pelo  contribuinte com base nos estoques e nas compras efetuadas em  cada período. Contudo,  a  confiabilidade  da  apuração do  custo  depende  da  correta  escrituração  dos  Livros  de  Registro  de  Inventário,  no  qual  pode­se  verificar  as mercadorias  estocadas  fisicamente  no  inicio  e  no  final  de  cada  período,  bem  como  o  custo  pelo  qual  estão  estocadas,  e,  também,  dos  Livros  de  Entrada  nos  quais  .fica  registrada  a  quantidade  e  o  valor  de  cada nova mercadoria adquirida.  A MKJ  não  apresentou  os  Livros  de Registro  de  Inventário  de  todas  as  ,filiais,  o  que  prejudica  a  verificação da  apuração do  custo das mercadorias em estoque. Em 2004 e 2005, a empresa  Fl. 5DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/2009­63  Acórdão n.º 1301­001.079  S1­C3T1  Fl. 2.239          6 chegou a ter em atividade, conforme a 23ª Alteração do Contrato  Social. datada de 14/10/2004, 42 .filiais (Anexo I, fls.84 a 92). Só  foram apresentados Livros de Registro de Inventário relativos a  22 filiais. Ou seja, a MKJ não apresentou os Livros de Registro  de  Inventário  de  quase  metade  de  seus  estabelecimentos!  Ademais os  livros  tem as  seguintes deficiências, que podem ser  verificadas  nas  cópias  que,  a  título  exemplificativo,compõe  o  Anexo II:  [...]  Embora o contribuinte não tenha cumprido as obrigações legais  de escriturar corretamente, manter em boa ordem e apresentar à  fiscalização os Livros de Registro de Inventário, a auditoria do  custo  das  mercadorias  vendidas  talvez  pudesse  ser  realizada  caso  o  sistema  informatizado  de  controle  de  estoque  (sistema  Esata)  apresentasse  confiabilidade.  Contudo,  conforme  .ficará  cristalino  neste  Termo,  também  o  sistema  Exata  utilizado  pela  fiscalizada não apresenta confiabilidade.  Desta  forma,  a  fiscalização  voltou­se  para  o  exame das  contas  de fornecedores, em especial para a auditoria de compras.   Inicialmente, selecionamos por amostragem, os fornecedores de  maior relevância,seja pelo saldo inicial, seja pela movimentação  a  débito  ou  a  crédito  durante  o  ano  de  2005,  conforme  previa  originariamente  o  Mandado  de  Procedimento  Fiscal.  Assim,  intimamos  o  contribuinte  por  meio  de  Termo  de  Intimação  01/2009 (doc. fls. 23 a 25) a comprovar os saldos , as compras e  os pagamentos dos seguintes fornecedores:  [...]  3.2  ­ Retenção de documentos  contábeis  relativos às operações  atípicas  Na mesma data em que intimamos o contribuinte a comprovar os  lançamentos  nas  contas  de  fornecedores,  conforme  acima  descrito, lavramos o Termo de Retenção nº 02/2009, por meio do  qual retivemos duplicatas e notas  fiscais dos  fornecedores Blue  River  Comercial,  Central  Industrial  e  Comercial  Têxtil  Ltda.,  Green Way Comercial e U­Sion Indústria e Comércio Ltda.  Os  documentos  retidos  foram  localizados  nos  arquivos  de  documentos  contábeis  apresentados  pelo  contribuinte  à  fiscalização no endereço da matriz em São Paulo ­,SP.  [...]  Ao comparar as operações destes  fornecedores com os demais,  vemos que:  •  os  saldos  inicial  e  final  dos  demais  fornecedores  são  muito  menores;  • as compras normais dos demais fornecedores eram em volumes  Fl. 6DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/2009­63  Acórdão n.º 1301­001.079  S1­C3T1  Fl. 2.240          7 significativamente menores;  • as compras e os pagamentos dos demais fornecedores ocorrem  de forma rotineira ao longo do ano;  •  Os  pagamentos  dos  demais  fornecedores  não  são  feitos  em  regra por Caixa, mas através de banco.  3.3 ­ Dados cadastrais dos fornecedores  A  partir  dos  indícios  acima  realizamos  pesquisa  cadastral  dos  fornecedores Blue River, Central Ind. e Com. Têxtil, Green Way  Comercial  e  U­Sion  Ind.  e  Com.Ltda.,  junto  aos  sistemas  da  RFB, onde apuramos que:  ­ Blue River (docs. Fls.02 a 12 do Anexo 5):  a) Foi baixada na Receita Federal em 29/07/2004, embora haja  registros de pagamentos na contabilidade da MKJ entre janeiro  e agosto de 2005, no montante de RS 279.270.00;  b) Declarou­se inativa em 2002 e 2003, embora as notas fiscais  retidas sejam datadas de 2003;  2 – U­sion (docs. Fls. 02 a 25 do Anexo 4):  a)  Foi  baixada  na  Receita  Federal  em  07/01/2005,  embora,  supostamente,  houvesse  emitido  em  dezembro  de  2004  notas  fiscais  para a MKJ em montante  superior  a R$ 1.700.000.00 e  haja  registro  de  pagamentos  na  contabilidade  da  MKJ  entre  janeiro  e  dezembro  de  2005,  em  montante  superior  a  R$  10.800.000,00:  b) Declarou­se inativa nos anos de 2001 a 2005;  3 ­ Green Way (docs. fls.02 a 35 do Anexo 3):  a) Foi baixada na Receita Federal em 08.08.2006;  b)  Apresentou  para  o  ano  calendário  2005  três  D1PJ:  (i)  Em  11/042006  com  opção  pelo  lucro  real;  (ii)  em  30.05.2006,  declaração de inatividade e (iii) em 17.11.2006, com opção pelo  lucro real;  3 ­ Central (docs. fls. 02 a 21 do Anexo 6):  a) está ativa na Receita Federal;  b) no  início do procedimento fiscal, estava omissa de DIPJ nos  anos­calendário 2006 a 2008;  c)  Após  o  início  do  procedimento  fiscal,  em  07.04.2009,  apresentou  em  22.06.2009,  as  DIPJ  dos  anos  2007  e  2008,  conforme descrito no item 3.10 deste termo;  cl) Permanece omissa em 2006:  Fl. 7DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/2009­63  Acórdão n.º 1301­001.079  S1­C3T1  Fl. 2.241          8 3.4  ­  As  inconsistências  entre  o  controle  de  estoque  (sistema  Exata) e a contabilidade (sistema Microsiga)  Em  03  de  agosto  de  2009,  estivemos  em  diligência  no  estabelecimento  do  contribuinte  situado  na  Avenida  Fúlvio  Aducci nº 597, bairro Estreito, município de Florianópolis.S.C.  Neste endereço funciona o depósito no qual as mercadorias são  estocadas antes de serem distribuídas para as lojas da empresa.  No  mesmo  endereço  funcionam  os  departamentos  contábil,  fiscal, de logística, financeiro, de tecnologia da informação e de  recursos  humanos.  Nesta  diligência,  a  empresa  esclareceu  procedimentos acerca do registro das mercadorias recebidas dos  fornecedores,  da  armazenagem  destas  mercadorias  e  da  distribuição  para  as  lojas.  Também  apresentou  o  sistema  informatizado de controle de estoque e CMV (sistema Exata) e o  sistema  de  escrituração  contábil  e  controle  financeiro  (sistema  Microsiga).  3.4.1 Sistema Esata ­ Usion  No  relatório do  sistema Esata de notas  fiscais  recebidas da U­ sion  (CNPJ  04.823.708/0001­01),  conforme  (docs.  fls.  50).  podemos observar que:  a)  Constam  notas  fiscais  que  teriam  sido  emitidas  pela  U­sion  em 2002, 2003, 2004 e 2005:  h)  O  sistema  Esata,  que  faz  o  controle  do  estoque  físico  de  mercadorias,  apresenta  apenas  15  notas  fiscais  da U­sion  que  teriam sido emitidas e  recebidas em 2004, demonstrando haver  grave  inconsistência  com  a  contabilidade  (sistema Microsiga),  na qual o número de notas fiscais em 2004 é muito maior (doc.  fis.52 a 62)  [...]  3.4.2 Sistema Esata ­ Green Way  No  relatório  do  sistema  Esata  de  notas  fiscais  recebidas  da  Green  Way  Comercial  (CNPJ  05.869.538/0001­50),  conforme  (doc fls.51) podemos observar que:  a)  Constam  apenas  notas  fiscais  que  teriam  sido  emitidas  e  recebidas em 2005, embora a fiscalização tenha retido diversas  notas fiscais que teriam sido emitidas e recebidas em 2004;  b)  há  grave  inconsistência  com  a  contabilidade,  na  qual  está  registrado  grande  número  de  pagamentos  em  2005  de  notas  fiscais que teriam sido emitidas e recebidas ainda em 2004, tanto  que o saldo inicial em 01.01.2005 do passivo com. a Green Way  chega a quase RS 8.000.000.00;  3.4.3 Sistema Microsiga ­ U­sion  No  relatório  de  títulos  pagos  do  sistema Microsiga  relativo  ao  fornecedor U­sion em 2005, podemos observar que:  Fl. 8DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/2009­63  Acórdão n.º 1301­001.079  S1­C3T1  Fl. 2.242          9 a)  No  sistema  Microsiga  que  controla  os  pagamentos  e  a  contabilidade  aparecem  títulos  pagos  em  quantidade  substancialmente  maior  (R$  10.887.540,84)  do  que  as  notas  fiscais  da U­sion  registradas  no  sistema Exata  que  foi  descrito  no item 3.4.1 anterior;  h) Os registros contábeis de saldo inicial, compras e pagamentos  na  conta  de  fornecedor  não  apresentam  relação  com  a  quantidade  de  notas  fiscais  registradas  no  relatório do  sistema  Exata e entregue fiscalização;  [...]  3.4.4 Sistema Microsiga ­ Green Way  No  relatório  de  títulos  pagos  do  sistema Microsiga  relativo  ao  fornecedor Green Way em 2005, podemos observar que:  a)  No  sistema  Microsiga,  que  controla  os  pagamentos  e  a  contabilidade, aparecem títulos pagos em quantidade maior (R$  7.703.759,36) do que as notas fiscais da Green Way registradas  no sistema Exata, que foi descrito acima;  b) Os registros contábeis de saldo inicial, compras e pagamentos  na  conta  de  fornecedor  não  apresentam  relação  com  a  quantidade  de  notas  fiscais  registradas  no  relatório do  sistema  Exata e entregue à fiscalização:,  [...]  Em  11  de  agosto  de  2009,  a  contribuinte  apresentou  à  fiscalização  novos  relatórios  gerenciais  dos  sistemas  Exata  e  Microsiga  (docs.  fls.86  a  145),  sendo  que  os  relatórios  do  sistema Exata não correspondem às notas fiscais emitidas pelos  fornecedores  e  recebidas  no  estoque  da  MKJ..  Portanto,  não  sanam as inconsistências constatadas na diligência realizada em  03 de agostos de 2009 acerca da falta de registro da entrega das  mercadorias no estoque.  Os relatórios do sistema Microsiga apenas informam os mesmos  passivos  e  os  mesmos  pagamentos  que  a  fiscalização  já  havia  constatado no contabilidade.  A  partir  dos  fatos  descritos  anteriormente,  é  inescapável  a  conclusão  de  que  há  grave  inconsistência  entre  os  dados  no  sistema  Esata,  que  controla  o  ingresso  de  mercadorias  no  estoque físico da empresa, e os dados no sistema Microsiga, no  qual são feitos a contabilidade e o controle dos pagamentos aos  fornecedores.  O  sistema  Microsiga  registra  que  a  MKJ  escriturou  no  passivo  e  que  teria  pago  a  estes  fornecedores  diversas  compras  de  mercadorias  cujas  notas  fiscais  sequer  constam do sistema que controla fisicamente o estoque (Exata).  A inconsistência gera uma conclusão: o Custo das Mercadorias  Vendidas  apurado  na  contabilidade  é  muito  maior  do  que  o  apurado no sistema Exata.  Fl. 9DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/2009­63  Acórdão n.º 1301­001.079  S1­C3T1  Fl. 2.243          10 [...]  3.5  ­A  escrituração  irregular  dos  Livros  de  entradas,  Saídas  e  Inventário  Conforme dito  anteriormente,  a  correta  escrituração dos  livros  fiscais seria condição “sine qua nom” para a confiabilidade da  apuração do Custo das Mercadorias Vendidas (CMV).  [...]  É oportuno lembrar que a auditoria .fiscal tem acesso aos fatos  de  forma mediata através dos documentos e  livros escriturados  na  época dos  fatos geradores. Por  isso,  a  lei  determina que os  contribuintes tem a obrigação de registrar os .fatos corretamente  e  manter  livros  e  documentos  em  boa  ordem.  Somente  nestas  condições a escrituração contábil e fiscal  teria confiabilidade e  poderia fazer prova a favor do contribuinte.  [...]  Em 04 de  junho de 2009, quase dois meses depois do  início do  procedimento  fiscal,  a  .fiscalização  lavrou  o  Termo  de  Constatação  e  Reintimação  (doc.  fls.  34  a  36)  onde  ficou  registrado  que  o  contribuinte  ainda  não  havia  apresentado  nenhum  Livro  de  Registro  de  Inventário  e  que  não  havia  apresentado os Livros de Saídas de diversas filiais.  Somente  em  09  de  junho  de  2009  foram  entregues  diversos  livros, conforme doc.424/427.  Estes  22  Livros  de  Inventario  apresentados,  além  de  terem  os  defeitos  citados no  item 3.1 acima e de  terem  sido  impressos  e  registradas após o  início do procedimento de  .fiscalização, não  abarcam inteiramente os estoques da empresa, já que em 2005 a  mesma possuía 42 filiais.  Ora, a obrigatoriedade  legal de  escriturar e  registrar os  livros  existe  para  dar  confiabilidade  à  apuração  do  patrimônio  e  do  resultado da empresa comercial. A  falta de parte dos  livros, os  defeitos  constatados  e  a  confecção  destes  após  iniciado  o  procedimento  .fiscal  retiram  a  confiabilidade  dos  registros  contábeis.  Contabilmente,  o  contribuinte  registra  os  estoques  de  mercadorias  para  venda  em  duas  contas:  1112114001 Estoque  lojas  e  1112114091  Estoque  ­  depósitos.  Como  o  contribuinte  tinha,  na  época  dos  fatos,  dezenas  de  lojas,  e  como não  foram  entregues  à  fiscalização  todos  os  Livros  de  Inventario,  ficou  inviabilizada a checagem da veracidade dos saldos inicial e final  das contas de estoque na contabilidade.  A  falta  de  parte  dos Livros  de Saídas  e  Inventário  e  a  falta  de  registro  destes  na  Junta  Comercial  não  são  motivos  suficiente  para  a  completa  desconsideração  da  contabilidade  do  contribuinte.  Todavia,  a  falta  destes  livros  compromete  severamente  a  confiabilidade  da  apuração  dos  estoques,  dos  Fl. 10DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/2009­63  Acórdão n.º 1301­001.079  S1­C3T1  Fl. 2.244          11 fluxos de mercadorias (entradas e saída) e,consequentemente, da  apuração  do  patrimônio  e  do  resultado  na  atividade  do  comercial.  3.6  ­  A  informação  da  MKJ  sobre  os  pagamentos  aos  fornecedores U­sion; Green.Way, Blue River e Central  Considerando  as  inconsistências  anteriormente  descritas  e  considerando  que  a  MKJ  teria  realizado,  ao  longo  de  2005,  dezenas de vultosos pagamentos por Caixa aos fornecedores U­ sion,  Green  Way,  Blue  River  e  Central,  mediante  simples  duplicatas  sem  elementos  legais  mínimos,  intimamos  a  fiscalizada,  em  22.09.2009,  através  do  Termo  de  Intimação  04  2009 (doc. Fls. 195 a 197) a:  ­ esclarecer e comprovar como eram feitos tais pagamentos;  ­  indicar  local,  responsável,  representante  dos  fornecedores  e  detalhes sobre os documentos;  ­  identificar  as  pessoas  cujos  nomes  aparecem  em  carimbos  apostos nas duplicatas;  Em  resposta  a  empresa  informou  que  "não  tem  conhecimento  como  eram  feitos  tais  pagamentos”  ­  (doc.  fls.198  a  199).  Limitou­se  a  informar  que  os  pagamentos  eram  feitos  exclusivamente pelo Senhor Elizeu Machado de Lima que era o  administrador  da  empresa  à  época  e  que  desta  desligou­se  há  tempo.  De fato, conforme os contratos e procurações coletados durante  o  procedimento,  o  Senhor  Elizeu  Machado  de  Lima  constava  como  administrador  da  empresa  à  época  dos  fatos.  Mas  a  informação  da  MKJ  sobre  o  desconhecimento  acerca  das  operações  contrasta  com  as  informações  prestadas  em  24  de  abril de 2009 pelo Senhor Elizeu Machado de Lima (docs.fls.07).  Nesta data, o depoente afirmou que "a empresa durante  todo o  período  (de  sua  gestão  ,formal  como  administrador)  era  efetivamente  administrada  pelo  Sr.  Mário  Kenji.  Sra.  Regina  Celi Zaguini e Ketherine Zaguini Irie.”  Tendo a MKJ alegado que somente o Senhor Elizeu Machado de  Lima  teria  conhecimento  acerca  dos  referidos  pagamentos,  a  fiscalização voltou a tomar o seu depoimento em 08 de outubro  de 2009. Neste novo depoimento, o antigo administrador afirmou  (fls..206 a 207):  ­ Que a Sra. Regina Iriê era responsável pelo setor de compras e  que o procedimento normal de compras era: 1) desenvolvimento  da coleção 2) diretora de compras aprovadas 3) emitia pedidos  4) recebia produtos 5) distribuía para as lojas 6) pagamento da  NF (cadastro de contas a pagar);  ­ Que as mercadorias das empresas citadas, que ele saiba, nunca  entraram  na  empresa  e  que,  contabilmente,  as  mercadorias  Fl. 11DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/2009­63  Acórdão n.º 1301­001.079  S1­C3T1  Fl. 2.245          12 destas  empresas  estavam  no  estoque,  mas  fisicamente  não  estavam (grifamos);  ­ Que as compras destas empresas não seguiam o trâmite normal  acima  descrito,  que  o  volume  de  compras  da  MKJ  era  incompatível  com  os  estoques  e  com  as  vendas,  e  que  isso  provocava inconsistências nos relatórios (grifamos):  ­  Que  teve  conhecimento  que  estes  procedimentos  irregulares  com  .fornecedores  vinham  peio  menos  desde  2001  e  que  acha  que estas notas fiscais são inidôneas (grifamos):  ­  Que  100%  dos  pagamentos  da MKJ  eram  feitos  por  bancos,  que  pagamentos  por  Caixa  eram  irregulares  e  que  nunca  viu  fornecedor  vir  receber  pagamento  em  dinheiro  na  empresa  (grifamos):  [...]  É relevante destacar que as informações prestadas pelo Senhor  Elizeu Machado de Lima devem ser  recebidas  com cuidado em  virtude  deste  com  a  MKJ  em  processo  trabalhista,  conforme  detalhado  no  item  3.7  deste  Termo.  Mas,  também  é  de  se  destacar  igualmente,  que  as  informações  vêm  ao  encontro  das  conclusões  a  que  chegou  a  fiscalização  por  outros  meios  de  prova.  [...]  É de se considerar que, por definição, a conta Caixa representa  os  recursos  efetivamente  disponíveis  em  moeda  corrente  na  empresa para fazer face as pequenas despesas do dia a dia. Caso  estes  pagamentos  houvessem  sido  efetivamente  por  Caixa  (que  fica em Florianópolis onde se concentra a atividade mercantil),  a  cada  pagamento  um  representante  do  fornecedor  teria  de  deslocar­se  de  São  Paulo  para  Santa  Catarina  para  receber  dezenas de milhares de reais em notas e moedas. Se o pagamento  ocorresse  em  São  Paulo,  um  representante  da MKJ  teria  de  ir  até  lá.  Além  disso,  os  pagamentos  da  U­sion  e  da  Blue  River  teriam  acontecido  após  a  extinção  destas  empresas.  Este  procedimento  não  seria  nada  prático  e  usual,  dada  a  .falta  de  segurança  física  envolvida  Certamente  estes  procedimentos  de  pagamento seriam lembrados por todos os envolvidos.  Por que ninguém se lembra de nada acerca destes pagamentos?  Simplesmente porque estes pagamentos não ocorreram!  O que  fica  provado neste  relatório  e  documentos  anexos  é  que  estas  operações  de  compras  e  os  respectivos  pagamentos  são  fictícios  e  fazem  parte  de  um  esquema  de  empresas  "laranjas"  montado  exclusivamente  para  fornecer  notas  .fiscais  inidôneas  para  diversos  contribuintes  interessados  em  majorar  custos,  aproveitar  créditos  de  tributos  não  cumulativos  (como  ICMS,  PIS  e  COFINS)  e  efetuar  pagamentos  a  beneficiários  não  identificados. Também ficará demonstrado que, ao participar do  Fl. 12DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/2009­63  Acórdão n.º 1301­001.079  S1­C3T1  Fl. 2.246          13 esquema, a MKJ agiu dolosamente com o  intuito de  reduzir ou  suprimir os tributos incidentes sobre sua atividade comercial.  O  depoimento  do  Senhor  Elizeu  Machado  de  Lima  confirma  parte  destas  conclusões  a  que  a  fiscalização  já  havia  chegado  por  outros  meios  de  prova.  Segundo  ele,  as  notas  fiscais  dos  fornecedores  sob  investigação  não  são  idôneas  e  não  correspondem a efetivas entradas de mercadorias. A fiscalização  prova  que  os  fornecedores  não  tinham  nenhuma  capacidade  física. econômica e operacional de estocar, confeccionar, vender  e  transportar  as  mercadorias  que  estão  nas  notas  fiscais.  A  inconsistência  entre  os  sistemas  Exata  (estoque)  e  Microsiga  (contabilidade  e  .financeira)  relatada pelo  ex­administrador  foi  também  constatada  pela  .fiscalização  na  diligência  anteriormente descrita.  3.8 ­ Procedimento de circularização de informações  Considerando todos os fatos apurados, a fiscalização identificou  a  necessidade  de  circularizar  as  informações  e  de  fazer  um  esforço para diligenciar junto aos fornecedores a fim de conferir  a exatidão dos documentos e registros contábeis da MKJ.  Ao longo deste  termo, fica patente a dificuldade da fiscalização  para  localizar  os  sócios  responsáveis  pelos  fornecedores,  bem  como  a  impossibilidade  ter  acesso  aos  livros  e  documentos  contábeis e fiscais.  Grande parte da dificuldade vem do fato de as empresas serem  usadas pelo esquema durante um período e, subitamente, serem  encerradas.  Diante  desta  situação,  a  .fiscalização  não  apenas  empreendeu  um  grande  esforço  para  localizar  os  sócios  e  contadores  das  empresas, como passou a buscar informações de forma indireta,  através  de  outros  clientes  destes  fornecedores  e  de  terceiros  como a Junta Comercial de São Paulo, a Secretaria de Estado de  Fazenda de São Paulo e o proprietário de imóveis onde estariam  localizadas as empresas.  Das  fls.555  a  564  do  Termo  de  Verificação,  constam  o  resultado  destas  circularizações,  que  aqui  deixam  de  ser  relatoriadas,  tendo  em  vista  que  não  foi  objeto de impugnação específica neste sentido.  [...]  3.16 Conclusão pela inidoneidade  Ao  longo  do  presente  capítulo  procuramos  transcrever  com  bastante minúcia e detalhamento todos os fatos documentais que  foram  colhidos  no  intuito  de  se  confirmar  a  idoneidade  dos  documentos  apresentados  pela  fiscalizada  para  comprovar  a  efetividade  das  compras  efetuadas  junto  aos  fornecedores  U­ Sion,  Green  Way,  Central  e  Blue  River,  uma  vez  que  essas  compras representaram parcela expressiva do custo operacional  da empresa no ano fiscalizado.  Fl. 13DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/2009­63  Acórdão n.º 1301­001.079  S1­C3T1  Fl. 2.247          14 A seguir apresentaremos de forma resumida os motivos que não  deixaram margem para dúvida  quanto à  conclusão  obtida  pela  fiscalização.  As  compras  contabilizadas  pela  empresa MKJ  em  relação  aos  fornecedores  citados  não  ocorreram  de  .fato  e  os  documentos apresentados para comprová­las são inidôneos.  [...]  Desta forma, todos os valores relacionados às compras relativas  a  esses  fornecedores,  conforme  demonstrativo  a  seguir,  serão  considerados  custo  indedutível,  conforme  as  constatações  relatadas  no  presente  Termo.  Os  valores  que  compõe  esse  demonstrativo  foram  extraídos  da  contabilidade  da  empresa  (doc. Fls.429 a 461).  [...]  IV  ­ DA AMPLIAÇÃO DO PERÍODO FISCALIZADO PARA O  ANO DE 2004 E DA INCLUSÃO DAS CONTRIBUIÇÕES PARA  O PIS E COFINS   Conforme  explicitado  anteriormente,  os  saldos  em  01.01.2005  das  contas  de  passivo  com  estes.fornecedores  demonstram  que  grande  parte  das  notas  fiscais  inidôneas  foi  aproveitada  pela  MKJ em 2004. Neste ano, foi registrada na contabilidade grande  parte das compras fictícias.  Desta  forma,  considerando  que  a  MKJ  não  manteve  em  boa  ordem  os  livros  fiscais  obrigatórios  para  que  fosse  possível  apurar os estoques  efetivos  e a  correta apuração do Custo das  Mercadorias  Vendidas  foi  necessário  estender  o  período  abrangido  pelo Mandado  de  Procedimento  Fiscal  para  que  as  compras fictícias pudessem ser corretamente excluídas do custo  nos anos de 2004 e 2005.  Assim  sendo,  o  contribuinte  foi  regularmente  intimado  para  tomar conhecimento da ampliação do período fiscalizado e para  apresentar, em meio magnético, as contas contábeis de estoque e  de  passivo  com  estes  fornecedores  em  2004.  (docs.  fls.230  a  231).  Em resposta, a empresa encaminhou. em 05.11.2009 os arquivos  magnéticos solicitados, cuja impressão foi acostada ao processo  (docs..fls. 235 a 286).  Considerando  que  as  compras  fictícias  lastreadas  em  documentos  fiscais  inidôneos  também  tem  repercussão  na  apuração dos créditos de PIS e de COFINS de 2004 e 2005, na  modalidade  não  cumulativa  (obrigatória  para  os  contribuintes  optantes  pelo  Lucro  Real),  estas  contribuições  foram  incluídas  no  presente  procedimento  de  .fiscalização,  conforme Mandado  de Procedimento Fiscal emitido em 04.11.2009.  [...]  V  ­  DOS  PAGAMENTOS  A  BENEFICIÁRIOS  NÃO  IDENTIFICADOS  Fl. 14DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/2009­63  Acórdão n.º 1301­001.079  S1­C3T1  Fl. 2.248          15 Conforme  amplamente  explicitado  no  item  111  ­  Da  glosa  de  custos, acima, a MKJ aproveitou­se dolosamente de um esquema  de  “empresas  laranjas”  que  lhe  forneceram  notas  .fiscais  inidôneas.  Resumidamente,  as  compras  realizadas  de  Gren  Way,  Blue  River,  Central  e  U­Sion  não.foram  comprovadas,  pois  tais  operações não ocorreram de fato.  Todavia, a MKJ registrou na contabilidade nos anos fiscalizados  dezenas  de  milhares  de  reais  em  supostos  pagamentos  a  estes  fornecedores  em  valores  expressivos.  Os  pagamentos  foram  feitos  quase  exclusivamente  por  caixa,  sem  nenhum  outro  comprovante a não ser os documentos inidôneos.  As operações de compras são fictícias e tem como objetivo não  apenas a irregular ou supressão dos tributos IRPJ, CSLL, PIS e  COFINS,  mas  também  encobrir  a  saída  de  recursos  do  patrimônio da pessoa física para pagamentos a beneficiários não  identificados.  O art. 674 do Regulamento do Imposto de Renda, determina que,  no  caso  de  pagamento  a  beneficiários  não  identificados,  tais  pagamentos  estão  sujeitos  à  tributação  exclusiva  na  fonte  à  alíquota de trinta e cinco por cento, verbis:  "Art.674.  Está  sujeito  à  incidência  do  imposto  exclusivamente,  na .fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento  efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado,  ressalvado  o  disposto  em  normas  especiais  (Lei  nº  8.981,  de  1995. art. 61).  §1º.  A  incidência  prevista  neste  artigo  aplica­se,  também.  aos  pagamentos efetuados ou aos  recursos entregues a terceiros ou  sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não  for  comprovada  a  operação  ou  a  sua  causa  (Lei  n°  8.981  de  1995. art.61, §1º).  §2º  Considera­se  vencido  o  imposto  no  dia  do  pagamento  da  referida importância (Lei n° 8.981. de 1995. art.61. §2º).  §3°.  O  rendimento  será  considerado  líquido,  cabendo  o  reajustamento  do  respectivo  rendimento  bruto  sobre  o  qual  recairá o imposto (Lei n ° 8.981 de 1995. art.61. §3º).  [...]    VI  ­  DA  RESPONSABILIDADE  DO  SENHOR  MÁRIO  KENJI  IRIÊ  Neste item a Fiscalização relatou, em detalhes, as situações que a  levaram a  concluir  pela  responsabilidade  do  Sr.  Mário  Kenji  Iriê  e  controle  total  do  grupo  Makenji, da qual a empresa ora autuada faz parte.  Em  função  do  extenso  arrazoado  (fls.568  a  571  do  Termo  de  Verificação,  verso), deixo aqui de relatoriar  tais  situações, até mesmo porque, como se verá na  Fl. 15DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/2009­63  Acórdão n.º 1301­001.079  S1­C3T1  Fl. 2.249          16 apreciação  da  matéria  em  questão,  estas  questões  trazidas  pela  Fiscalização  passaram ao largo das alegações demandadas por este senhor em sua impugnação.  VII ­ DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA  Os  fatos  acima  descritos,  especialmente  a  larga  utilização  de  notas fiscais  inidôneas com o objetivo de efetuar pagamentos a  beneficiários e reduzir suprimir ilicitamente o lucro contábil e as  bases  de  cálculo  de  IRPJ,  CSLL,.PIS  e  COFINS,  caracterizam  sobejamente  a  fraude,  que,  neste  caso,  define­se  pela  ação  dolosa do contribuinte  tendente a  impedir ou retardar,  total ou  parcialmente,  a  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal,  ou  a  excluir  ou  modificar  as  suas  características  essenciais,  de  modo  a  reduzir  o  montante  do  imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento.  Desta  forma,  estamos  constituindo  de  ofício  os  créditos  tributários  de  IRPJ,  CSLL,  PIS,  COFINS  e  IRRF  do  período  fiscalizado  com  a  multa  majorada  de  150%  conforme  determinação do art.44. §1º da Lei 9.430/96. com redação dada  pela Lei nº 11.488/2007.  XI ­ DA APREENSÃO DE DOCUMENTOS FISCAIS  Tendo em vista todos os fatos descritos no presente Termo e com  base  no  §1º  do  art.  35  da  Lei  nº  9.430/96,  estão  sendo  apreendidos  nesse  ato  as  primeiras  vias  das  Notas  Fiscais  e  duplicatas  apresentadas  pela  fiscalizada,  referentes  aos  fornecedores  Green  Way  Comercia  Ltda.,  U­Sion  Ind.  e  Com  Têxtil,  Blue  river  Comercial  Lida.  e  Central  Industrial  e  Comercial  Ltda.  que  passam  a  compor  os  Anexos  3,  4,  5  e  6,  respectivamente.  [...]  XII ­ DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA  No que diz respeito ao pólo passivo da relação tributária, traz­se  à luz da discussão os seguintes dispositivos do Código Tributário  Nacional:  Art.124 ­ .São .solidariamente obrigadas:  I  ­  as  pessoas  que  tenham  interesse  comum  na  situação  que  constitua o fato gerador da obrigação principal:  [...]  Parágrafo  único  ­  A  solidariedade  referida  neste  artigo  não  comporta benefício de ordem.  Art.  128  ­  Sem prejuízo  do  disposto  neste  Capítulo,  a  lei  pode  atribuir  de  modo  expresso  a  responsabilidade  pelo  credito  tributário  a  terceira  pessoa  vinculada  ao  .fato  gerador  da  respectiva  obrigação,  excluindo  a  responsabilidade  do  contribuinte  ou  atribuindo­a  a  este  em  caráter  supletivo  do  cumprimento total ou parcial da referida obrigação.  Fl. 16DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/2009­63  Acórdão n.º 1301­001.079  S1­C3T1  Fl. 2.250          17 [...]  Art.135  ­  São  pessoalmente  responsáveis  pelos  créditos  correspondentes  às  obrigações  tributárias  resultantes  de  atos  praticados com excesso de poderes ou  infração de  lei,  contrato  social ou estatutos.:  1 ­ as pessoas referidas no artigo anterior;  II – mandatários, prepostos e empregados;  III ­ os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas  de direito privado.  A  jurisprudência,  sabiamente,  tem  se  manifestado  de  forma  mansa  e  pacífica  no  sentido  de  que  a  responsabilização  dos  sócios, em caráter solidário à empresa impõe, precipuamente. a  constatação  prática  de  atos  abusivos  e  o  vínculo  dos  terceiros  (sócios  ou  administradores  com  poderes  de  gestão)  com  esta  conduta.  No  presente  caso,  atos  abusivos  sobejam,  conforme  exaustivamente se historiou e comprovou.  De acordo com o contrato social e procurações colhidas durante  o  procedimento  fiscal,  o  administrador  da  MKJ  na  época  dos  fatos geradores era o senhor Elizeu Machado de Lima, CPF n º  160.436.269­34.  Os  próprios  depoimentos  demonstram  que  o  senhor Elizeu conhecia todas as operações glosadas, além de ser  um dos ordenadores de pagamentos e um dos responsáveis pela  movimentação financeira da empresa.  Contudo,  conforme  o  exposto  no  item  Responsabilidade  do  senhor  Mário  Kenji  1riê  acima,  este  exercia  a  administração  superior  de  fato  da  sociedade,  tendo,  em  conjunto  com  o  Sr.  Elizeu, o domínio sobre os fatos narrados.  O dolo  de Elizeu Machado de Lima e  de Mário Kenji  Iriê  fica  patente nas seguintes passagens do depoimento daquele, tomado  em 08.10.2009: "que as mercadorias das empresas citadas, que  ele saiba  ,  nunca entraram na empresa; que, contabilmente,  as  mercadorias  destas  empresas  estavam  no  estoque,  mas  fisicamente  na  estavam;  que  as  compras  destas  empresas  não  seguiam  o  trâmite  normal  acima  descrito;  que  o  volume  de  compras  da  MKJ  era  incompatível  com  os  estoques  e  com  as  vendas e que isso provocava inconsistências nos relatórios e que  estas  inconsistências  eram  sempre  informadas  ao  Sr.  Mário  Kenji e Sra. Regina  Iriê que administravam de  fato a empresa;  que teve conhecimento que estes procedimentos irregulares com  fornecedores vinham pelo menos desde 2001 e que neste período  o depoente não estava na empresa.”  Diante do exposto, para garantia do amplo direito de defesa e do  devido processo legal, estamos dando ciência deste termo, assim  como  dos  autos  de  infração  e  anexos,  ao  Sr. Mário Kenji  Irié,  CPF  007.091.159­20,  e  ao  Sr.  Elizeu Machado  de  Lima,  CPF  Fl. 17DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/2009­63  Acórdão n.º 1301­001.079  S1­C3T1  Fl. 2.251          18 160.436.269­34,  ambos  na  condição  de  sujeitos  passivos  solidários.  A autuada, MKJ  Importação  e Comércio Ltda.,  apresentou  sua  impugnação  (fls.619 a 717, munida de documentos de fls. 718 a 1.106), que ora se resume:  [...]  RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO: IMPUGNAÇÃO  Na condição de Responsável Solidário, que lhe foi atribuído pela Fiscalização,  o Sr. Mário Kenji lriê, por intermédio de seus representantes outorgados, apresentou  sua impugnação, acostada as fls.1.107 a 1.170, que ora se resume:  [...]  A 3ª Turma Delegacia da Receita Federal  de  Julgamento  em Florianópolis,  Santa  Catarina,  tendo  exonerado  parte  do  crédito  tributário  constituído,  recorreu  de  ofício  a  este Colegiado administrativo.  O referido julgado foi assim ementado:  FISCALIZAÇÃO.  JURISDIÇÃO DIVERSA DA DE  LOCALIZAÇÃO DO  CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE LEGAL.  O Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal,  no § 2° do seu artigo 9º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993,  estabelece  claramente  a  possibilidade  de  que  a  autuação  fiscal  seja  lavrada  por  servidor  competente de  jurisdição administrativa diversa da do domicilio  fiscal do  sujeito passivo, prevenindo a jurisdição e prorrogando a competência da autoridade  que dela primeiro conhecer.  ARGUIÇÕES  DE  INCONSTITUCIONALIDADE  E  DE  ILEGALIDADE  DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA.  As  autoridades  administrativas  estão  obrigadas  à  observância  da  legislação  tributária  vigente  no  País,  e  são  incompetentes  para  a  apreciação  de  arguições  de  inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados.  PESSOA  JURÍDICA.  CONTRIBUINTE.  SUJEITO  PASSIVO.  PRELIMINAR DE ILEGITIMIDADE PASSIVA REJEITADA.  Se  a  pessoa  jurídica  promove  o  fato  econômico,  surge  para  si  a  obrigação  tributária,  independentemente  de  haver  ilicitude  ou  não  por  parte  dos  administradores. Não há o menor sentido em "desonerar" dos respectivos tributos a  pessoa jurídica que "auferiu faturamento", "vendeu mercadorias", "prestou serviços".  Portanto,  deve  ser  excluída  a  tese  da  responsabilidade  tributária  exclusiva,  por  substituição propriamente dita.  RESPONSÁVEL  TRIBUTÁRIO.  GERENTE.  ADMINISTRADOR  DE  PESSOA  JURÍDICA  DE  DIREITO  PRIVADO.  PRÁTICA  DE  ATOS  COM  EXCESSO  DE  PODERES  OU  INFRAÇÃO  A  LEI.  CTN,  ART.  135.  CONFIGURAÇÃO.  Provado pela fiscalização nos autos do processo que o administrador/gerente  agiu com excesso de poderes e/ou com infração à lei, a teor do art. 135 do CTN, ao  Fl. 18DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/2009­63  Acórdão n.º 1301­001.079  S1­C3T1  Fl. 2.252          19 lado  da  sociedade  contribuinte  dos  tributos,  é  também  responsável  pelos  créditos  correspondentes.  MULTA DE OFÍCIO. DUPLICAÇÃO DO PORCENTUAL DA MULTA DE  OFICIO. LEGITIMIDADE.  Constatado que na conduta da fiscalizada existem as condições previstas nos  arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, cabível a duplicação porcentual da multa  de que trata o inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996 (com a redação do artigo  dada pela Medida Provisória n° 351, de 22­1­2007, convertida na Lei n° 11.488, de  15 de junho de 2007).  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  FRAUDE.  DECADÊNCIA.  ART. 173 DO CTN. IRRF.  Nos casos em que comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o  prazo  decadencial  desloca­se  daquele  previsto  no  art.  150,  §  4º  para  as  regras  estabelecidas  no  art.  173  (ambos  do  CTN),  pelas  quais  ficou  constatado  que  não  ocorreu a decadência para qualquer fato gerador considerado no lançamento.  IRPJ. GLOSA DE CUSTOS. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS.  São  indedutíveis  os  custos  sustentados  em  notas  fiscais  inidôneas,  fato  atestado em diligência, e ante a falta de comprovação da efetividade das operações.  CSLL.  LANÇAMENTO  DECORRENTE.  EFEITOS  DA  DECISÃO  RELATIVA AO LANÇAMENTO PRINCIPAL (IRPJ).  Em razão da vinculação entre o lançamento principal (IRPJ) e os que lhe são  decorrentes, devem as conclusões relativas àquele prevalecer na apreciação destes,  desde  que  não  presentes  arguições  específicas  ou  elementos  de  prova  novos.  Mantido  o  lançamento  de  IRPJ, mantém  aquele  tido  como  decorrente,  no  caso,  a  CSLL.  NÃO­CUMULATIVIDADE. GLOSA DE CRÉDITOS.  Ante  a  constatação  do  registro  de  custos  das  mercadorias  comercializadas,  baseados em notas fiscais inidôneas, e consequente glosa pela autoridade fiscal, há  que  ser  reconstituído  o  fluxo  mensal  de  créditos  e  débitos  da  contribuição  não­ cumulativa para que apenas  seja mantida a exigência de ofício em relação àqueles  que efetivamente tenham reduzido a tributação devida, ou, se for o caso, a redução  do "Saldo de Crédito do Mês".  PAGAMENTO  SEM  CAUSA  OU  A  BENEFICIÁRIO  NÃO  IDENTIFICADO.  A  pessoa  jurídica  que  efetuar  pagamento  a  beneficiário  não  identificado  ou  não comprovar a operação ou a causa do pagamento efetuado ou recurso entregue a  terceiros,  contabilizados  ou  não,  sujeitar­se­á  à  incidência  do  imposto,  exclusivamente na fonte.  Nos tópicos em que julgou parcialmente procedente a impugnação interposta  pela contribuinte autuada, o voto condutor da decisão exarada em primeira instância assinalou:  [...]  Fl. 19DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/2009­63  Acórdão n.º 1301­001.079  S1­C3T1  Fl. 2.253          20 Importante  registrar  que,  embora  não  tenha  demonstrado,  a  fiscalização  realizou um raciocínio juridicamente razoável, ainda que incompleto. O raciocínio é  o  seguinte:  a  fiscalizada  apurou  créditos  indevidamente;  créditos  reduzem  a  contribuição  a pagar;  portanto,  a contribuição a pagar  foi  reduzida  indevidamente.  Assim, embora juridicamente razoável ­ porque se valeu dos critérios legais da não­ cumulatividade  ­ o  raciocínio foi  incompleto porque desconsiderou a possibilidade  (apontada  pela  impugnante)  de  haver,  em determinado mês,  saldo  de  créditos  não  glosados  e  não  utilizados  na  apuração  levada  a  efeito  pela  contribuinte  antes  da  fiscalização,  fato  que  absorveria  (naquele  mês),  no  todo  ou  em  parte,  a  glosa  de  créditos.  Obviamente,  o  efeito  dessa  absorção  seria  sentido  à  medida  que  esse  excesso  de  créditos  na  apuração  original  de  determinado mês  fosse  utilizado  para  descontar  débitos  de  meses  subsequentes.  Essa  é  a  apuração  reclamada  pela  impugnante  (o que demonstra  seu pleno conhecimento da  sistemática de  apuração  das contribuições no regime não­cumulativo) e que, também no entender deste voto  vencedor, é a correta.  Em face da circunstância acima apontada, a impugnante requer a anulação do  lançamento relativo às contribuições. Impende, portanto, transcrever os dispositivos  que  tratam  das  nulidades  no  ato  legal  que  dispõe  sobre  o  processo  administrativo  fiscal, o Decreto n° 70.235, de 1972 (destaques acrescidos):  [...]  Embora tenha razão a impugnante quando afirma que a apuração foi incorreta,  obviamente, à luz do que dispõe o Decreto n° 70.235, de 1972, não se trata de caso  de nulidade, afinal, os autos de infração foram lavrados por pessoa competente, e o  defeito  identificado  na  apuração  não  causou  preterição  do  direito  de  defesa  da  contribuinte. Á luz do indigitado art. 60, trata­se, apenas, de considerar o efeito da  glosa de créditos, de modo a determinar, mês a mês, o valor eventualmente devido  preservando os demais valores declarados pela impugnante (débitos e créditos) e que  não foram questionados pela fiscalização.  O  que  aqui  se  está  defendendo  é  algo  análogo  a  procedimento  amplamente  adotado em sede de julgamento administrativo. Trata­se, por exemplo, dos casos em  que sempre que comprovadamente possível reconhecer valores dedutíveis de base de  cálculo  (a  título  de  prejuízo  fiscal  não  considerado  no  lançamento)  quando  da  liquidação de valores lançados de IRPJ, tal reconhecimento e dedução podem ser e  efetivamente  têm sido feitos em sede de julgamento por esta Delegacia da Receita  Federal do Brasil de Julgamento ­ DRJ, sem que sua falta por ocasião do lançamento  constitua hipótese de nulidade.  Neste  momento  é  importante  ressaltar  que  a  apuração  não  cumulativa  foi  efetivamente  realizada,  a despeito de o  título do  tópico da  impugnação conduzir a  conclusão diversa  ("Falta de Apuração na Sistemática Não­Cumulativa"). Essa é a  razão pela qual é possível, em sede de julgamento, considerar o efeito da glosa de  créditos,  de  modo  a  determinar,  mês  a  mês,  o  valor  eventualmente  devido  preservando os demais valores declarados pela impugnante (débitos e créditos) e que  não  foram  questionados  pela  fiscalização.  Conforme  visto  acima,  para  lançar  PIS/Pasep e Cofins com base em glosa de compras a fiscalização, necessariamente,  valeu­se da não cumulatividade. As alíquotas adotadas (1,65% e 7,6%) e a base legal  também não deixam dúvidas de que o lançamento se deu segundo as regras da não­ cumulatividade,  embora  a  apuração  tenha  sido  incompleta.  Em  outra  passagem,  a  própria  impugnante  reconhece  a  adoção  da  não­cumulatividade  quando  aponta  a  ocorrência de "falta da correta apuração [...] pela sistemática não cumulativa –   Fl. 20DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/2009­63  Acórdão n.º 1301­001.079  S1­C3T1  Fl. 2.254          21 Neste passo, cabe atender­lhe o pleito de forma a que possa pagar apenas as  contribuições  efetivamente  devidas,  mês  a  mês,  após  o  desconto  de  créditos  eventualmente não utilizados, existentes (após a glosa de compras) e declarados.  Para  a  liquidação  dos  valores  efetivamente  devidos  foram  utilizados  os  valores  informados  pela  impugnante  em  seus  Demonstrativos  de  Apuração  das  Contribuições Sociais ­ Dacon; os valores por ela informados em suas Declarações  de Débitos  e Créditos de Tributários Federais  ­ DCTF, e os valores  resultantes da  glosa de custo correspondentes.  O ponto de partida da liquidação é o Dacon em razão de (i) ser a obrigação  acessória  própria  para  a  apuração  das  contribuições;  (ii)  seu  conteúdo  é  de  conhecimento da contribuinte o que não lhe acarreta qualquer surpresa ou prejuízo  ao direito de ampla defesa; (iii) seu conteúdo não foi contestado pela fiscalização; e  (iv)  seus  resultados,  na  apuração  levada  a  efeito  pela  contribuinte  antes  da  fiscalização, são compatíveis com o que foi declarado em DCTF.  Neste momento processual, às f. 1626 a 1681 foram juntadas aos autos cópias  dos Dacon apresentados pela contribuinte relativamente a fatos ocorridos nos anos­ calendário de 2004 e 2005.  A metodologia adotada na liquidação é a seguinte:  a) foram elaboradas duas planilhas como forma de facilitar a compreensão da  interessada  acerca  da  metodologia  empregada,  bem  assim  a  conferência  dos  resultados.  Uma  demonstra  a  apuração  levada  a  efeito  pela  contribuinte  antes  da  fiscalização,  enquanto  que  a  outra,  tendo  a  apuração  da  contribuinte  como  base,  demonstra o resultado da inserção da glosa de créditos;  b)  em cada planilha há  a  indicação da origem dos dados,  com  referência  às  linhas e fichas dos demonstrativos apresentados pela contribuinte;  c) a glosa incide sobre o custo de aquisição de bens para  revenda. Para esse  fim foram considerados os valores que constam , mês a mês, do demonstrativo de f.  565, integrante do Termo de Verificação Fiscal. Aqui cabe ressaltar que a glosa de  compras do mês de janeiro de 2004 (R$ 2.434.784,00) é superior ao custo levado à  base dos créditos pela contribuinte (R$ 1.575.289,99), razão pela qual a glosa ficou  limitada ao custo utilizado como base para o crédito.  d)  considerando  a  glosa  e  os  demais  créditos  informados  do  Dacon,  bem  assim os débitos apurados no Dacon, o valor da contribuição resultante da liquidação  é a diferença entre a contribuição devida após o desconto dos créditos (indicada por  'A' na planilha) e a contribuição apurada pela contribuinte no Dacon e declarada em  DCTF (indicada por 'B' na planilha);  e) o resultado do julgamento, mês a mês, considera eventual diferença entre o  valor  lançado  e  o  valor  da  contribuição  mantida,  esta  última  correspondente  ao  resultado da  liquidação. Não havendo diferença, não há nada a exonerar. Havendo  diferença  e  sendo  o  valor  lançado  superior  ao  valor  mantido,  a  diferença  é  exonerada. Havendo diferença e sendo o valor lançado inferior ao valor mantido, a  diferença apenas foi indicada como "não lançada", e que, por ora, não serão exigidos  visto  não  ser  juridicamente  aceitável  o  agravamento  da  exigência  fiscal  pela  instância administrativa de julgamento.  Demonstram­se a seguir os resultados da liquidação empreendida. As mesmas  planilhas foram juntadas às f. 1682 a 1697 destes autos.  Fl. 21DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/2009­63  Acórdão n.º 1301­001.079  S1­C3T1  Fl. 2.255          22 [...]  Consolidando os resultados acima tem­se o seguinte:  LANÇADO  EXONERADO  MANTIDO  PIS/PASEP   2004   722.872,08   108.409,01     614.463.07  2005   47.849.60   0,00       47.849.60  Total   770.721,68   108.409,01     662.312,67  COFINS  2004   3.144.549,25   533.115,98     2.611.433.27  2005   220.398,17   0.00       220.398,17  Total      3.364.947,42   533.115,98     2.831.831,44  MKJ  IMPORTAÇÃO  E  COMÉRCIO  LTDA.,  já  devidamente  qualificada  nestes autos, inconformada com a decisão em referência, interpôs o recurso de fls. 1.796/1.898,  por meio do qual sustenta:  ­  a  nulidade  da  intimação  relativa  ao  resultado  da  decisão  exarada  em  primeira instância;  ­  a  incompetência  da  Fiscalização  da  Delegacia  da  Receita  Federal  em  Florianópolis para proceder as investigações fiscais;  ­  a  sua  ilegitimidade passiva,  face  a  responsabilidade pessoal  do Sr. Elizeu  Machado de Lima;  ­ a ausência de previsão legal para incidência do imposto de renda na fonte;  ­  a  caducidade  do  direito  de  se  constituir  o  crédito  tributário  em  relação  à  parte dos fatos geradores;  ­ a ocorrência de erro na apuração dos fatos geradores do imposto de renda na  fonte;  ­  a  impossibilidade  da  exigência  do  imposto  de  renda  na  fonte  sobre  pagamentos sem causa na situação em que foi efetuada a glosa das despesas;  ­  a  impossibilidade de  revogação do  art.  43 do Código Tributário Nacional  pela Lei nº 8.981, de 1995;  ­ a ofensa aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade e da vedação de  utilização  de  tributo  com efeito  de  confisco  ao  se  reajustar  a  base de  cálculo  do  imposto  de  renda na fonte;  ­  a  incompetência  da  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  para  constituir crédito tributário e a impossibilidade de mudança no critério jurídico da autuação;  ­ a impossibilidade de qualificação da multa de ofício em virtude da ausência  de fraude;  Fl. 22DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/2009­63  Acórdão n.º 1301­001.079  S1­C3T1  Fl. 2.256          23 ­ a ilegalidade da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício; e  ­ a ilegalidade da utilização da taxa selic para a cobrança de juros de mora.  O Sr. Mário Kenji  Iriê,  incluído  no  pólo  passivo  da  obrigação  formalizada  como responsável tributário, apresentou o recurso voluntário de fls. 2.012/2.133, sustentando:  ­ a insubsistência da imputação de sujeição passiva solidária;  ­  a  ausência  de  procedimento  fiscalizatório  em  relação  ao  apontado  como  sujeito passivo solidário;  ­  a  ausência  de  interesse,  de  sua  parte,  na  situação  que  constituiu  o  fato  gerador da obrigação;  ­  a  configuração  da  hipótese  de  responsabilidade  pessoal  do  Sr.  Elizeu  Machado de Lima; e  ­ a impossibilidade de se imputar ao responsável a penalidade pecuniária.;   O Recorrente ainda tece considerações acerca da responsabilidade tributária,  abordando aspectos jurídicos relacionados aos arts. 124 e 135 do Código Tributário Nacional.  Por fim, repisa argumentos apresentados na peça recursal interposta pela MKJ IMPORTAÇÃO  E COMÉRCIO  LTDA.  (incompetência  da  Fiscalização  da Delegacia  da Receita  Federal  em  Florianópolis  para  proceder  as  investigações  fiscais;  ilegitimidade  passiva,  face  a  responsabilidade  pessoal  do  Sr.  Elizeu  Machado  de  Lima;  ausência  de  previsão  legal  para  incidência  do  imposto  de  renda  na  fonte;  caducidade  do  direito  de  se  constituir  o  crédito  tributário  em  relação  à  parte  dos  fatos  geradores;  ocorrência  de  erro  na  apuração  dos  fatos  geradores do imposto de renda na fonte; impossibilidade da exigência do imposto de renda na  fonte  sobre  pagamentos  sem  causa  na  situação  em  que  foi  efetuada  a  glosa  das  despesas;  impossibilidade de revogação do art. 43 do Código Tributário Nacional pela Lei nº 8.981, de  1995; ofensa aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade e da vedação de utilização de  tributo com efeito de confisco ao se reajustar a base de cálculo do imposto de renda na fonte;  ofensa  ao  artigo  3º  do  Código  Tributário  Nacional;  incompetência  da  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  para  constituir  crédito  tributário  e  a  impossibilidade  de mudança  no  critério jurídico da autuação; impossibilidade de qualificação da multa de ofício em virtude da  ausência  de  fraude;  ilegalidade  da  incidência  de  juros  de  mora  sobre  a  multa  de  ofício;  e  ilegalidade da utilização da taxa selic para a cobrança de juros de mora).  É o Relatório.  Fl. 23DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/2009­63  Acórdão n.º 1301­001.079  S1­C3T1  Fl. 2.257          24 Voto Vencido  Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães  Aprecio  em  primeiro  lugar  o  recurso  de  ofício  impetrado  pela  Turma  Julgadora  a  quo,  destacando  que  a  sua  interposição  atende  os  requisitos  estampados  pela  Portaria MF nº 3, de 2008.  Como visto, o recurso de ofício interposto repousa sobre a exclusão de parte  de crédito tributário constituído relativamente às contribuições para o PIS e à COFINS.  Constata­se que referida exclusão decorreu do fato de a autoridade autuante  ter excluído os créditos fiscais provenientes de notas fiscais tidas como inidôneas na apuração  não cumulativa do PIS e da COFINS. Não obstante  ter  sido correto o procedimento adotado  pela referida autoridade, diante da existência de créditos fiscais devidamente escriturados que  não  foram  objeto  de  qualquer  questionamento  e  que  não  haviam  sido  considerados  pela  contribuinte  na  apuração  das  citadas  contribuições,  a  autoridade  julgadora  de  primeira  instância, acolhendo argumentação trazida em sede de impugnação, revisou a apuração feita de  ofício, recalculando, a partir do cômputo dos referidos créditos, os montantes a pagar a título  de PIS e de COFINS.  O recálculo em referência, que tomou por base Demonstrativos de Apuração  das  Contribuições  Sociais  –  DACON  entregues  pela  contribuinte,  encontra­se  devidamente  lastreado por planilhas demonstrativas e teve a sua metodologia devidamente explicitada no ato  decisório.  Não  existe,  pois,  reparo  a  ser  feito  à  decisão  de  primeiro  grau,  razão  pela  NEGO PROVIMENTO ao recurso de ofício.  Passo a analisar os recursos voluntários interpostos.  Em  conformidade  com  o  aviso  de  recebimento  de  fls.  1.749,  a  empresa  autuada (MKJ IMPORTAÇÃO E COMÉRCIO LTDA.) foi cientificada da decisão exarada em  primeira instância (INTIMAÇÃO nº 270/2010 – fls. 1.744) em 04 de novembro de 2010.  O recurso voluntário impetrado pela referida empresa foi recepcionado em 21  de março de 2011 pela Delegacia da Receita Federal em Florianópolis.  Para  justificar  a  interposição  da  peça  recursal  fora  do  prazo  legal,  a  contribuinte argumenta, in verbis:  [...]  11.1 ­ Da Nulidade da Intimação da Recorrente  12. Em 17.02.2011, a Recorrente recebeu Carta­Cobrança relativa ao presente  processo, o que lhe   Fl. 24DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/2009­63  Acórdão n.º 1301­001.079  S1­C3T1  Fl. 2.258          25 13. causou espécie, pois nada havia recebido até então. Assim, contatou seus  patronos para que tivessem vistas dos autos e, concomitantemente, tomassem ciência  da decisão proferida pela DRJ.  14.  Ocorre  que,  da  consulta  dos  autos,  verificou­se  que  havia  Aviso  de  Recebimento ­ AR em nome da Recorrente, constando que esta havia sido intimada  da decisão a quo em 04.11.2010, via correspondência.  15.  Tal  fato  causou  enorme  surpresa  à  Recorrente,  pois  nenhum  de  seus  funcionários  acusou  o  recebimento  ou  assinou  qualquer  intimação  ou  correspondência em nome da Recorrente.  16.  Assim,  para  esclarecer  o  fato,  foi  realizada  verdadeira  devassa  em  sua  sede  e  nas  demais  unidades  da  empresa,  para  onde  se  acreditava  que  a  intimação  pudesse ter sido enviada.  17.  Como  resultado,  a  Recorrente  não  conseguiu  localizar  a  intimação,  não  sabe quem recebeu, onde recebeu etc. Mas o que se verificou com certeza foi que tal  intimação  jamais  passou  pelas mãos  de  alguém  da  empresa, muito menos  alguém  que tenha poderes para representá­la legalmente. De fato, a pessoa que consta como  signatária da intimação (Renato Oscar Gonzaga), conforme se apurou, seria vigilante  de empresa  terceirizada de  segurança, ou seja, nem ao menos é empregado ou ex­ empregado da empresa.  18. Diante disso, a Recorrente registrou Boletim de Ocorrência na Delegacia  Geral  da  Policia  Civil  do  Estado  de  Santa  Catarina  (doc.  03),  comunicando  a  autoridade policial e requerendo a apuração de possível conduta delituosa ­ o furto ­  de que a Recorrente pode ter sido vitima.  19. Ora, é evidente que a Recorrente não pode ser considerada formalmente  intimada se o signatário do Aviso de Recebimento não  tem relação alguma com a  Recorrente  ou  até  mesmo  agiu  de  má­fé  ao  receber  intimação  que  não  lhe  dizia  respeito.  20.  Entender  o  contrário  significa  desrespeitar  os  mais  basilares  princípios  processuais,  garantidos  constitucionalmente,  quais  sejam,  a  ampla  defesa  e  o  contraditório.  21. De fato, embora o processo administrativo seja marcado pelo menor apego  à  forma,  ainda  assim  requer  certas  formalidades  mínimas  para  garantir  o  devido  processo  legal  e  a  segurança  jurídica  exigida  pela  sociedade.  Dentre  tais  formalidades estão as citações e intimações, que precisam conferir certeza de que a  parte efetivamente tomou ciência de seu conteúdo.  22. No entanto, no presente caso, a intimação foi recebida por pessoa alheia,  que não se  sabe quem é ou mesmo se é  funcionário da Recorrente. Na verdade, o  mais  provável  é  que  tenha  sido  recebida  por  funcionário  terceirizado,  que  obviamente não tem poderes para representar a Recorrente.  23.  Importante  salientar  que  o  parágrafo  único  do  artigo  27  da  Lei  n°  9.784/99,  que  regula  o  processo  administrativo  em  âmbito  federal,  determina,  expressamente, que seja garantido o direito à ampla defesa e ao contraditório caso o  administrado desatenda a alguma intimação.  24.  Aliás,  o  próprio  artigo  27  da  referida  Lei  estabelece  que  "o  desatendimento da intimação não importa o reconhecimento da verdade dos fatos,  nem a renúncia a direito pelo administrado".  Fl. 25DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/2009­63  Acórdão n.º 1301­001.079  S1­C3T1  Fl. 2.259          26 25. Logo, é evidente que essa intimação é nula, não podendo ser considerara  como prazo inicial para contagem do prazo prescricional de interposição do Recurso  Voluntário. Como medida de segurança jurídica e de garantia da ampla defesa e do  contraditório, tal prazo deve ser contado a partir da ciência da decisão pelos patronos  da Recorrente, que ocorreu em 22.02.2011.  O único documento  apresentado pela Recorrente  para  comprovar o  alegado  está  representado  pela  cópia  de  um  Boletim  de  Ocorrência  (fls.  1994),  por  meio  do  qual  noticiou  à  autoridade policial  a  suposta prática de delito por parte do  signatário do  aviso de  recebimento.  A  contribuinte  não  trouxe  aos  autos,  portanto,  documentos  adicionais  que  possibilitem criar a convicção de que, de fato, foi vítima de ação deliberada de pessoa estranha  ao  seu  quadro  funcional  no  sentido  de  lhe  causar  prejuízo  por  meio  de  apropriação  da  documentação  encaminhada  pela  Receita  Federal.  Não  há,  por  exemplo,  indicação  das  providências que porventura foram tomadas em relação à empresa contratada (de acordo com o  Boletim  de  Ocorrência,  BACK  Vigilância);  notícia  acerca  de  outros  documentos  que  eventualmente teriam sido furtados; das circunstâncias em que o fato se deu (local de trabalho  dentro da empresa, horário e atividades exercidas pelo suposto recebedor da documentação).   A entrega da documentação, conforme aviso de recebimento, foi efetuada na  sede da empresa, tendo sido registrado, inclusive, o número do documento de identificação do  recebedor.  Diante  de  tais  circunstâncias,  tenho  por  INTEMPESTIVO  o  recurso  voluntário  interposto,  eis que  aplicável  ao  caso  as disposições da  súmula CARF nº 9  abaixo  reproduzida.  Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada  no  domicílio  fiscal  eleito  pelo  contribuinte,  confirmada  com  a  assinatura  do  recebedor  da  correspondência,  ainda  que  este  não  seja  o  representante  legal  do  destinatário.  O Sr. Elizeu Machado de Lima, por  sua vez,  foi cientificado da decisão de  primeira instância por meio da Intimação nº 175/2011 (fls. 1.760) em 28 de fevereiro de 2011,  conforme aviso de recebimento de fls. 1.766. A citada Intimação foi enviada para o seguinte  endereço: Rua Martinico Prado, 90, apto. 74, Higienópolis, São Paulo, SP.  Às  fls.  612  consta  despacho  da  Delegacia  da  Receita  Federal  em  Florianópolis  informando  que  o  Sr.  Elizeu Machado  de  Lima  teria  se  recusado  a  receber  o  Termo de Verificação Fiscal, motivo pelo qual estava sendo afixado edital.  Às fls. 613 identifica­se aviso de recebimento datado de 17 de dezembro de  2009,  com  registro  de  recusa,  relativo  ao  encaminhamento  da  documentação  acima  mencionada  para  o  Sr.  Elizeu  Machado  de  Lima.  A  correspondência  em  referência  foi  enviada para o seguinte endereço: Rua Martinica Prado, 90, apto. 74, Higienópolis, São  Paulo, SP.   Por  meio  de  documento  recepcionado  em  18  de  março  de  2011  pela  Delegacia da Receita Federal  em Florianópolis  (fls.  1785/1787),  o Sr. ELIZEU MACHADO  DE LIMA apresentou os seguintes esclarecimentos (in verbis):  Fl. 26DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/2009­63  Acórdão n.º 1301­001.079  S1­C3T1  Fl. 2.260          27 O REQUERENTE  recebeu  como  Sujeito  Passivo  Solidário  a  intimação  em  referência para pagar valor de tributos federais, conforme apurado pelo processo em  referência  contra  a Empresa MKJ  IMPORTAÇÃO E COMÉRCIO LTDA.,  dando  prazo de 30 dias do recebimento da  intimação sob pena de  remessa da cobrança à  Procuradoria da Fazenda Nacional.  Analisando a súmula emitida pelos Srs. Conselheiros, verifica­se a menção de  que  o  REQUERENTE  recusou­se  a  receber  a  citação  para  defesa  no  Processo  Administrativo Fiscal, o que não é verdade.  O REQUERENTE  jamais  foi  procurado  por  qualquer  agente  do  Fisco  para  receber tal intimação ou devolveu qualquer intimação recebida pelos correios em seu  domicilio fiscal.  O REQUERENTE mantém seu domicílio fiscal no mesmo endereço à Rua Dr.  Martinico Prado n° 90 apto. 74, CEP 01224­010 em São Paulo ­ SP há mais de 20  anos.  É  de  se  revelar  que  no  período  de  junho  de  2003  a  junho  de  2007  o  REQUERENTE residiu em Florianópolis  ­ SC,  e no período de  janeiro de 2009 a  maio de 2010 residiu em São Francisco do Sul ­ SC.  Considerando  a  possibilidade  de  nulidade  do  processo  a  partir  de  possíveis  vícios  a  serem  apurados  nos  procedimentos  de  citação  DO  REQUERENTE  para  defesa no processo Administrativo Fiscal, pela falta da ampla defesa, REQUER em  causa própria  a  suspensão da presente  intimação para pagamento  até que se possa  apresentar a defesa no respectivo Processo Administrativo Fiscal.  Aproveitando­se  de  uma  situação  de  ausência de  defesa  do REQUERENTE  no  Processo  Administrativo  Fiscal,  tanto  a  empresa  Ré,  MKJ  Importação  e  Comércio  Ltda.  quanto  seu  controlador  econômico  e  administrador  de  fato,  Sr.  Mário Kenji  Iriê, assacaram uma série de acusações contra o REQUERENTE,  tais  como  que  O  REQUERENTE  administrava  a  Empresa,  que  o  REQUERENTE  praticou atos de  sonegação em nome da Empresa  e que  era o  responsável por  sua  administração,  quando  os  próprios  fiscais  que  elaboraram  o  trabalho  quanto  o  Conselho  da  3ª Turma da DRJ/FNS,  através  do  acórdão  07­21­231,  comprovam e  atestam  cabalmente  que  de  fato  o  Sr.  Mário  Kenji  Iriê  administrava  de  fato  a  Empresa Ré, sendo inclusive considerado sujeito passivo solidário.  É  de  Direito  que  se  abra  espaço  para  que  o  REQUERENTE  apresente  sua  defesa  ao  Processo  Administrativo  Fiscal,  oportunidade  em  que  apresentará  mais  provas concretas sobre as atividades da Empresa Ré MKJ — Importação e Comércio  Ltda. e de seu controlador econômico, dono e administrador de fato, Sr. Mário Kenji  Iriê e família, comprovando que o REQUERENTE ocupava cargo na Empresa para  dar  "cara"  pública  à  mesma,  uma  vez  que  a  imagem  pública  do  dono  do  Grupo  Makenji  tinha péssima reputação, que o REQUERENTE de fato não detinha poder  algum de gestão e não teve nenhuma participação em procedimentos de sonegação  fiscal, tanto é que em todo o período em que ocupou a posição não efetuou qualquer  "compra" ilegal ou sequer assinou qualquer cheque de pagamento ou saque bancário  para dar suporte ou cobertura financeira às atividades base do auto de infração.  Se  essas  existiram,  deve­se  cobrar  ao  Sr. Mário Kenji  Iriê,  dono  do Grupo  Makenji e administrador de fato da Empresa objeto do auto de infração.  Fará ainda o REQUERIDO averiguações quanto aos meandros para obtenção  do  documento  de  negativa  de  intimação  de  defesa  ao  Processo  Administrativo  Fl. 27DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/2009­63  Acórdão n.º 1301­001.079  S1­C3T1  Fl. 2.261          28 Fiscal,  uma  vez  que  nunca  foi  procurado  por  ninguém  da Receita  Federal,  nunca  recebeu nenhuma  intimação pelo correio,  tendo  tomado conhecimento destes  fatos  apenas através do Acórdão proferido pela 3ª Turma da DRJ/FNS.  Ressalte­se  que  o  REQUERIDO  reside  no  mesmo  endereço  há mais  de  20  anos, e sempre esteve à total disposição da Receita Federal de Florianópolis, tendo lá  comparecido  algumas  vezes  pessoalmente  e  sem  nenhuma  intimação  para  prestar  esclarecimentos  acerca  das  atividades  da Empresa Ré  e  do Grupo Makenji,  tendo  inclusive  trocado  contatos  telefônicos  em  diversas  oportunidades  com  os  fiscais  responsáveis.   Ressalte­se  ainda  que  a  Receita  Federal,  em  seu  cadastro,  e  ainda  junto  ao  próprio  Processo  em  causa,  mantém  dados  de  identificação  e  localização  do  REQUERENTE, como endereço, telefones, email etc.  Por  todos  estes  fatos  REQUER  a  suspensão  do  prazo  da  intimação  para  pagamento  dos  tributos,  que  aliás  não  deve  e  pelos  quais  não  pode  ser  responsabilizado, para que se faça a devida justiça.  O  REQUERENTE  receberá  qualquer  intimação  ou  comunicado  em  seu  domicílio fiscal sito à Rua Dr. Martinico Prado n° 90 apto. 74, CEP 01224­010 em  São Paulo, email: elima1@uol.com.br e fone (11) 99915439.  Certo  de  ser  acatado  neste  pedido  como  medida  de  justiça,  espera  o  deferimento.  Em  primeiro  lugar,  assevero  que  o  pedido  formulado  pelo  Sr.  ELIZEU  MACHADO DE LIMA (suspensão do prazo da  intimação para pagamento dos  tributos) não  encontra  ressonância na  legislação de regência. No caso, poder­se­ia decretar a suspensão da  exigibilidade do crédito tributário em razão da instauração do litígio decorrente da interposição  de impugnação.  Contudo, não houve apresentação de impugnação.  Se,  não  obstante  a  falta  de  apresentação  de  impugnação,  recepcionarmos  a  petição  de  fls.  1785/1787  como  recurso  voluntário,  cabem  as  seguintes  considerações:  a)  a  referida  petição,  embora  tangencie  a  questão  da  imputação  de  responsabilidade,  aborda  essencialmente a ausência de ciência dos autos de infração lavrados (o que teria levado à não  apresentação da defesa inaugural); e b) acolhida a  tese expendida pelo responsável  tributário,  nova  intimação  deverá  ser  providenciada,  oportunizando­se  prazo  para  a  apresentação  de  impugnação, para posterior apreciação pela Turma Julgadora de primeira instância.  Creio,  contudo,  que  não  seja  esse  o  tratamento  a  ser  dispensado  à matéria  posta em discussão.  Com  efeito,  o  registro  de  recusa  foi  feito  pela  Empresa  de  Correios  e  Telégrafos – ECT, não existindo nos autos elemento indicativo de que tal informação não seja  expressão da verdade.  O  próprio  contribuinte,  ao  tempo  em  que  afirma  que  “reside  no  mesmo  endereço há mais de 20 anos”, noticia, por outro lado, fato que pode servir de explicação para  o ocorrido, eis que informa que no período de janeiro de 2009 a maio de 2010 residiu em São  Francisco do Sul, Santa Catarina (a tentativa de entrega da correspondência por parte da ECT  foi em 17 de dezembro de 2009).  Fl. 28DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/2009­63  Acórdão n.º 1301­001.079  S1­C3T1  Fl. 2.262          29 Inexiste  nos  autos  qualquer  indicação  de  que  providências  tenham  sido  tomadas junto à Receita Federal no sentido da alteração, ainda que temporária, da mudança de  domicílio, até porque o próprio contribuinte afirma que “mantém seu domicílio fiscal no mesmo  endereço à Rua Dr. Martinico Prado n° 90 apto. 74, CEP 01224­010 em São Paulo ­ SP há  mais de 20 anos”.  Diante de tais circunstâncias e à luz da legislação de regência, a providência  adotada  pelo  órgão  preparador  no  sentido  de  cientificar  o  contribuinte  por  meio  de  edital  revela­se plenamente válida, pois, nos termos do disposto no parágrafo 1º do art. 23 do Decreto  nº  70.235/72,  sendo  improfícua  a  intimação  por  via  postal,  esta  é  a modalidade  prevista  na  norma processual para efetivar a intimação do sujeito passivo.  Tenho, pois, por ausente a instauração da fase litigiosa do procedimento por  parte do Sr. Elizeu Machado de Lima.   O Sr. Mário Kenji  Iriê  foi cientificado da decisão de primeira  instância por  meio  da  Intimação  nº  174/2011  (fls.  1.757)  em  28  de  fevereiro  de 2011,  conforme  aviso  de  recebimento de fls. 1.764. Não obstante, consta emissão de EDITAL em 11 de março de 2011,  cuja desafixação se deu em 1º de abril de 2011 (fls. 1.765).  Tenho  por  TEMPESTIVO  o  recurso  voluntário  interposto,  eis  que  apresentado em 21 de março de 2011.  Analiso, pois, os argumentos aportados aos autos.  RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA  Em que pese a argumentação preliminar da defesa acerca do histórico de vida  do Sr. Mário Kenji  Iriê,  penso  que  encontram­se  reunidos  nos  autos  elementos  suficientes  à  caracterização  da  sua  responsabilidade  tributária,  como  decorrência  dos  fatos  apurados  pela  Fiscalização.  Consubstancio tal apreciação nos elementos retratados pela autoridade fiscal  no Termo de Verificação (fls. 543/573) e nos documentos carreados ao processo.  É certo que, formalmente, a fiscalizada (MKJ Importação e Comércio Ltda.)  apresenta estrutura societária que não indica, à época da ocorrência dos fatos, o Sr. Mário Kenji  Iriê  como  seu  sócio  ou  administrador.  Contudo,  elementos  subsidiários  colhidos  pela  Fiscalização apontam na direção de que, de  fato, a gestão do denominado Grupo MAKENJI  sempre permaneceu na esfera de decisão do referido senhor e de sua família.  Em convergência com o destacado pela autoridade fiscal de que a “MKJ faz  parte  do  grupo  econômico  criado  há  mais  de  trinta  anos,  cujas  empresas  participantes  sucedem­se  com  múltiplas  cisões  e  incorporações”  e  de  que  “as  constantes  mudanças  nos  quadros societários das empresas e as constantes sucessões entre as empresas fazem parte de  uma complexa estratégia de blindagem do patrimônio do Sr. Mário Kenji Iriê e família com a  utilização  de  interpostas  pessoas”,  merece  destaque  o  fragmento,  transcrito  no  Termo  de  Verificação,  do  pronunciamento  do  Juiz  do  Trabalho  nos  autos  do  processo  nº  02738.2008.037.12.00.8,  Dr.  Paulo  André  Cardoso  Botto  Jacon,  o  qual  peço  licença  para  reproduzir.  Fl. 29DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/2009­63  Acórdão n.º 1301­001.079  S1­C3T1  Fl. 2.263          30 [...]  O certo é que o histórico acima demonstra a vida empresarial atribulada e em  constante  ebulição  dessas  sociedades,  e  o  pesado  manto  a  obscurecer  a  visão  da  composição do quadro social do segundo réu [MKJ].  Optaram  os  réus  [PWA  e MKJ],  para  não mostrar  sua  verdadeira  face,  em  continuar  omitindo  as  informações,  mas  sem  apresentar  qualquer  justificativa  plausível  para  tanto.  [...]  O  segundo,  MKJ,  não  traz  qualquer  informação  que  permita desvendar a composição societária de seu controlador (Texas Global LLC,  com  99,9999872%  do  capital  e  sede  nos  Estados  Unidos  da  América),  o  que  é  essencial para a análise da questão do grupo econômico e sucessão. Isso é estranho,  pois  em  sendo  legal  sua  composição,  como  se  alega,  não  haveria  razão  para  a  ocultação.   A estratégia desenvolvida no sentido de ocultar a participação do Sr. Mário  Kenji  Iriê  na  gestão  do  Grupo  MAKENJI  e,  por  decorrência,  evitar  a  eventual  responsabilização  pelos  ilícitos  praticados,  fica  patente  na  seguinte  narrativa  da  autoridade  autuante (Termo de Verificação – fls. 569/verso e 570):  [...]  As  provas  recolhidas  durante  o  procedimento  fiscal  mostram  que  o  senhor  Mário Kenji Iriê é responsável por todo o grupo "Makenji".  Winner Financial Ltd ­ Segundo o Contrato Social, datado de 06/09/1999, a  sócia majoritária da MKJ seria a Winner Financial Ltd, com sede nas Ilhas Virgens  Britânicas. Esta empresa  tem duas  inscrições no CNPJ, números 05.530.131/0001­ 02 e 05.713.350/0001­19 (doc. fls. 520 a 523). Nesta última, o CPF do responsável  está cancelado na base porque não existe (000.000.001­91).  Interposta pessoa  ­ Chama atenção no Contrato Social da MKJ o  ingresso,  em  22/12/2000,  no  quadro  societário,  de  JUCELI  FARIAS  SCHUTZ,  CPF  707.421.709­34.  A  senhora  Juceli,  segundo  o  Contrato  Social,  teria  passado  a  administrar  (SOZINHA!)  a  MKJ.  Esta  situação  teria  perdurado  até  30/09/2003,  quando  a MKJ  incorporou  a LZC  Importação  e Comércio Ltda. A  senhora  Juceli  Farias Schutz, segundo o Cadastro Nacional de Informações Sociais, era funcionária  do grupo, com carteira de trabalho assinada, entre 01/06/1990 e 02/10/2007 (doc. fls.  531  a  533).  Em  1999,  o  salário  da  senhora  Juceli  era  de  R$  372,28  (trezentos  e  setenta e dois reais e vinte e oito centavos). A partir de 09/2000, seu salário passou a  ser de R$ 761,29 (setecentos e sessenta e um reais e vinte e nove centavos).  A  senhora  Juceli,  não  tinha  capacidade  econômica  para  ser  sócia  de  uma  empresa  que  fatura  dezenas  de milhões  de  reais  por  ano.  Evidentemente,  também  não era a real administradora da sociedade.  Em suma, era simples trabalhadora que foi usada como "laranja" no contrato  social.  Interpostas pessoas  com sede  em paraíso  fiscal  ­ A partir  de  30/09/2003,  com a incorporação da LZC Importação e Comércio Ltda., o capital social da MKJ  passou  a  ser  integralmente  dividido  entre  duas  pessoas  jurídicas  com  sede  em  paraíso fiscal: Winner Financial Ltd e Bridge Financial Ltda, ambas localizadas na  325  Waterfront  Drive,  2°  andar,  Ilhas  Virgens  Britânicas.  As  duas  sócias  eram  representadas  pelo  senhor  Elizeu  Machado  de  Lima,  que  passou  a  ser  o  Fl. 30DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/2009­63  Acórdão n.º 1301­001.079  S1­C3T1  Fl. 2.264          31 administrador  da MKJ.  Posteriormente,  ambas  passaram  a  ser  representadas  pelo  senhor Rafael Paiva Cabral, CPF 526.853.900­06.  A  partir  de  21/02/2008,  a  maior  parte  do  capital  da  MKJ  passou  para  o  controle de Texas global LLC, com sede no Panamá, que é outro paraíso fiscal. A  Texas Global também é representada pelo senhor Rafael Paiva Cabral (doc. fls. 524  a 526).  A  relação comercial  do  senhor Rafael Paiva Cabral com Mário Kenji  Iriê  é  bastante forte, sendo aquele procurador da MRI Incorporações e Participações Ltda.  junto  ao  INPI  e,  também,  tendo  sido  representante  da  Makenji  Administração  e  Comércio Ltda. junto a Receita Federal (doc. fls. 526).   A marca MAKENJI, conforme o Instituto Nacional da Propriedade Industrial  – INPI, pertence a empresa MRI Incorporações e Participações Ltda., cuja titularidade integral  do capital é do Sr. Mário Kenji Iriê e esposa.  Transações  financeiras  entre  o  Sr.  Mário  Kenji  Iriê  ou  empresa  de  sua  propriedade  e  a  fiscalizada,  na  mesma  linha,  denunciam  a  efetiva  participação  do  referido  senhor nos negócios do Grupo. Enquadram­se nesta situação o mútuo firmado entre a MKJ e o  Sr. Mário Kenji Iriê (R$ 50.000,00), em que simplesmente a credora (MKJ) perdoa a dívida, e  firmado  pela mesma MKJ  (credora)  com  a MAKENJI  ADMINISTRAÇÃO E  COMÉRCIO  LTDA., cujo saldo atingiu a cifra de R$ 3.706.617,75, sem previsão de juros e extinto por meio  de confusão de dívidas.  A  localização  física  das  empresas  que  integram  o  denominado  Grupo  MAKENJI, como retrata a Fiscalização, reflete a existência de uma administração centralizada,  convergindo, assim, para sedimentar a gestão do Grupo por parte do Sr. Mário Kenji Iriê.  Com efeito, as empresas  (do Grupo) LZC, MAKENJI ADMINISTRAÇÃO,  MKJ e PWA, têm ou tiveram endereço (matriz e filial) no mesmo endereço (rua Fúlvio Aducci,  597,  Estreito,  Florianópolis),  local  em  que  por  meio  de  diligência  restou  apurado  que  funcionam os departamentos contábil, fiscal, logístico, financeiro, de tecnologia da informação  e de recursos humanos do Grupo.  Em  anexo  ao  presente  processo  (ANEXO  2  –  fls.  74/109),  a  Fiscalização  juntou  o  documento  denominado  PROPOSTA  PRELIMINAR  DE  REORGANIZAÇÃO  SOCIETÁRIA, SUCESSÓRIA E FISCAL DO GRUPO MAKENJI – MARÇO DE 2005, em  que,  não  obstante  a MKJ  apresentar  estrutura  societária  formal  (capital  dividido  entre  duas  empresas  domiciliadas  em  paraíso  fiscal  – WINNER  e  BRIDGE),  o  Sr. Mário  Kenji  Iriê  é  indicado no vértice do organograma do Grupo.  As  sugestões  trazidas  pela  referida  PROPOSTA  PRELIMINAR  DE  REORGANIZAÇÃO,  abaixo  descritas,  deixam  foram  de  dúvida  a  quem  elas  foram  endereçadas (o Sr. MÁRIO, como indicado no quadro de fls. 78).  ­ passagem do controle da MKJ para empresa sediada no exterior (UK LLP),  que passaria a deter o controle das MARCAS;  ­  realização  de  contratos  de  compra  e  venda  das  quotas  de  empresas  de  propriedade do Sr. Mário Kenji e esposa (CURIPOTIBA e MAKENJI) para a MKJ, por meio  de incorporação e alteração do contrato social da MKJ;  Fl. 31DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/2009­63  Acórdão n.º 1301­001.079  S1­C3T1  Fl. 2.265          32 ­ proposta alternativa na qual o capital social da MKJ (e da PVA) voltaria ao  controle do Sr. Mário Kenji  Iriê e esposa, criando­se no exterior uma empresa que deteria as  MARCAS.   Na linha do concluído pela autoridade fiscal, não é razoável imaginar que tais  propostas  fossem  factíveis  sem  a  participação  decisiva  do  indicado  no  vértice  da  estrutura  organizacional do Grupo, isto é, o Sr. Mário Kenji Iriê.  Com  as  ressalvas  adiante  apresentadas  acerca  do  pronunciamento,  o  Sr.  Elizeu Machado de Lima, que, formalmente, administrava a fiscalizada à época da ocorrência  dos fatos, declarou à Fiscalização (fls. 07) que a empresa era efetivamente administrada pelo  Sr.  Mário  Kenji,  Sra.  Regina  Celi  Zaguine  Iriê  e  Ketherine  Zaguine  Iriê,  durante  todo  o  período.  Como  bem  destacado  pela  Fiscalização,  tal  depoimento  constitui  mero  elemento subsidiário na caracterização da responsabilidade tributária do Sr. Mário Kenji  Iriê,  eis  que  foram  aportados  aos  autos  indícios  que,  apreciados  de  forma  conjunta,  tornam  inafastável a conclusão acerca da gestão de fato do Grupo MAHENJI pelo referido senhor.  Nos  termos  do  assinalado  pela  autoridade  fiscal,  a  alteração  do  quadro  societário  da  fiscalizada  “põe  uma  pá  de  cal  em  qualquer  dúvida  que  ainda  pudesse  restar  sobre o verdadeiro controle da MKJ.”   Com  efeito,  em  2009,  o  Sr. Mário  Kenji  Iriê  passou  a  deter  pessoalmente  86,1% do capital da MKJ, isto é, nas palavras do autuante, “passou a controlar de direito o que  já detinha de fato.”   A outra sócia da MKJ, WINTER NEGÓCIOS PARTICIPAÇÕES LTDA. é  também  de  propriedade  do  Sr. Mário  Kenji  Iriê  e  esposa,  vez  que  este  detém  99%  do  seu  capital, sendo o 1% restante de propriedade da MRI Incorporações e Participações, cujo capital  é integralmente controlado por eles (Sr. Mário Kenji Iriê e esposa).  Diferentemente do alegado na defesa, não se trata, como se vê, de imputação  de responsabilidade baseada no simples fato de o imputado ser sócio de empresa, mas, sim, de  providência amparada em conjunto probatório robusto, autorizador da medida de garantia dos  interesses da Fazenda Pública.  Irrelevante, no contexto das provas coligidas, o fato de inexistir carta, e­mails  ou depoimentos outros, indicativos do exercício de fato da gestão dos negócios por parte do Sr.  Mário Kenji Iriê.  Apesar de concordar com o Recorrente acerca da impropriedade da referência  às  disposições  do  art.  124  do  Código  Tributário  Nacional,  observo  que  a  imputação  de  responsabilidade  tributária que ora  se aprecia  foi  fundamentada,  também, nas disposições do  art. 135 do referido diploma, que, a meu ver, revelam­se apropriadas ao caso vertente.  Destaco  que  grande  parte  dos  argumentos  trazidos  em  sede  de  recurso  voluntário não foi direcionada no sentido de contestar os elementos colhidos pela Fiscalização  para  justificar  a  imputação  de  responsabilidade. A bem da  verdade,  tais  argumentos  buscam  defender  teses acerca da responsabilidade tributária e a  identificar supostas  falhas  formais na  imputação feita pela Fiscalização.  Fl. 32DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/2009­63  Acórdão n.º 1301­001.079  S1­C3T1  Fl. 2.266          33 Absolutamente improcedente a argüição de nulidade com base no argumento  de não  ter havido expedição de Mandado de Procedimento Fiscal  específico, de modo que o  procedimento de fiscalização fosse levado a efeito em relação ao Sr. Mário Kenji Iriê.  À evidência, a imputação de responsabilidade tributária, como regra, resulta  de procedimento investigativo empreendido em relação a determinada pessoa, em que, a partir  dos  elementos  colhidos,  sobressai  conduta  de  terceiro  vinculada  aos  fatos  representativos  de  subtração de créditos tributários.  Resta  indubitável,  pois,  que  a  imputação  em  referência  só  pode  ser  formalizada ao final do procedimento de fiscalização, cabendo à autoridade fiscal oportunizar  prazo na forma da norma processual para que o imputado, exercendo o seu direito de defesa,  apresente contestação ao ato de ofício praticado.  Com o  devido  respeito,  a  súmula CARF nº  29  referenciada  no  recurso  não  guarda qualquer correspondência com a responsabilidade tributária imputada por meio do feito  administrativo que ora se aprecia, eis que, ali, cuidou­se, apenas, de preservar­se a observância  do preceito legal na aplicação da presunção, que, nos exatos termos do disposto no art. 42 da  Lei nº 9.430, de 1996, exige intimação regular do titular (ou co­titular) acerca da origem dos  recursos utilizados nas operações bancárias.  No que diz  respeito  à  alegação  de que  a  responsabilidade  tributária  de  que  trata  o  art.  135  do  Código  Tributário  Nacional  teria  natureza  exclusiva,  em  que  pese  pronunciamentos  em  sentido  diverso,  alinho­me  ao  entendimento  esposado  no  Parecer/PGFN/CRJ/CAT nº 55, de 2009.  Nessa  linha,  reproduzo  excertos  do  referido  Parecer,  reveladores  do  entendimento ali esposado.  [...]  20.  A  solidariedade  entre  contribuinte  e  responsável,  por  sua  vez,  ocorre  quando  a  obrigação  nasce  em  face  do  contribuinte  mas,  em  decorrência  de  fato  posterior, passa um terceiro a  responder solidariamente com aquele, sem benefício  de  ordem.  Nesse  caso,  respondem  os  dois  igualmente,  sendo  a  pretensão  fiscal  dirigida  diretamente  contra  os  dois.  Eis  a  responsabilidade  tributária  solidária  em  sentido estrito.  [...]    84. Realmente, preocupando­se o Direito Tributário com o fato econômico da  circulação de riqueza, se a pessoa jurídica promove esse fato econômico, surge para  si a obrigação tributária, independentemente de haver ilicitude ou não por parte dos  administradores. Não há o menor sentido em “desonerar” dos respectivos tributos a  pessoa  jurídica  que  “auferiu  faturamento”,  “vendeu  mercadorias”,  “prestou  serviços”. Portanto, deve ser excluída a tese da responsabilidade tributária exclusiva,  por substituição propriamente dita.  [...]  86. De fato, representando as normas de responsabilidade tributária “garantia”  especial ao crédito tributário, não faz sentido algum interpretar o Código Tributário  Fl. 33DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/2009­63  Acórdão n.º 1301­001.079  S1­C3T1  Fl. 2.267          34 Nacional de modo a dotar essa espécie de crédito de menor garantia que os créditos  comuns  da  empresa  para  com  terceiros.  Assim,  se,  por  força  do  Código  Civil,  respondem  os  administradores  solidariamente  com  a  pessoa  jurídica  pelos  atos  ilícitos  que  cometerem,  não  é  possível  aceitar  que,  se  o  ato  ilícito  for  cometido  contra  a  Administração  Tributária,  a  responsabilidade  desse  administrador  fique  condicionado  à  ausência  de  bens  da  sociedade,  bem  como  não  é  correto  defender  que a pessoa jurídica fique desonerada1.  [...]  88.  Por  sua  vez,  a  tese  da  responsabilidade  por  substituição,  pessoal  e  exclusiva,  peca por prever  implícito no  art.  135 do CTN a desoneração da pessoa  jurídica contribuinte, coisa que não está dita nem insinuada nesse dispositivo legal.  A  desoneração  do  contribuinte  não  pode  ocorrer  por  obra  de  mera  interpretação  extensiva;  demanda,  rigorosamente,  norma  expressa  de  desoneração.  Logo,  não  havendo qualquer preceito que afaste o dever da pessoa jurídica de pagar o crédito  tributário,  continua  ela  com este  dever,  sem óbice  para  a  exigência  de  pagamento  também do terceiro responsável.  89.  Em verdade, a responsabilidade tributária imposta ao administrador em  decorrência da prática de ato  ilícito é, no que  tange ao nascimento, à natureza e à  cobrança,  autônoma  da  responsabilidade  (em  sentido  amplo)  da  pessoa  jurídica  contribuinte  pelo  pagamento  do  crédito  tributário.  O  dever  desta  decorre  de  ato  lícito:  o  fato  jurídico  tributário  propriamente  dito  (evento  econômico  –  produção,  circulação  ou  detenção  de  riqueza).  Já  a  responsabilidade  daquele  decorre  de  ato  ilícito:  a  “infração  de  lei”  prevista  no  caput  do  art.  135  do  CTN.  A  hipótese  normativa  de  nascimento  duma  obrigação  é  fato  lícito;  a  doutra,  fato  ilícito.  Em  substância,  as  naturezas  de  ambas  as  obrigações  são  distintas.  A  obrigação  do  responsável é tributária tão­só mediatamente, pois a norma que a impõe remete seu  prescritor  à  obrigação  tributária  stricto  sensu.  Em  suma,  trata­se  de  obrigações  distintas,  autônomas  (nesses  termos),  atadas  entre  si  simplesmente  pelo  nexo  de  adimplemento: o pagamento duma extingue a outra.  90.  Assim,  surgindo  a  responsabilidade  do  administrador­infrator,  não  temos  uma  obrigação  solidária  propriamente  dita,  senão  obrigações  solidárias.  Explicamos. Não temos uma obrigação unitária com pluralidade de sujeitos passivos  na relação jurídica. Temos, isto sim, duas ou mais obrigações, ligadas pelo vínculo  da solidariedade. É o que a doutrina antiga chamava de solidariedade imprópria.  [...]  95.  Por fim, ressalvamos que o art. 135, III, do CTN pode ser aplicado para  responsabilizar não só o administrador de direito, mas  também o administrador de  fato da empresa. Assim, ainda que o estatuto ou contrato social não confira poderes  a um dos sócios para praticar atos de gerência, se este é o administrador de fato da  pessoa jurídica, deve ser igualmente responsabilizado pela prática de atos ilícitos.  [...]  106.  Em  resumo,  alinhamos  aqui  os  fundamentos  e  as  conclusões  do  presente Parecer:                                                              1 A menção ao regramento do Código Civil, que também impõe a responsabilidade solidária dos administradores  que infringirem a lei, é feita com maestria pelo eminente Procurador da Fazenda Nacional Dr. Marcus Abraham,  em artigo científico ainda pendente de publicação. Também faz referência à responsabilidade solidária dos sócios­ gerentes, em decorrência do Código Civil, José Eduardo SOARES E MELO: Curso de Direito Tributário, 4ª ed., São  Paulo, Dialética, 2005, p. 211.  Fl. 34DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/2009­63  Acórdão n.º 1301­001.079  S1­C3T1  Fl. 2.268          35 [...]  c)  Para  efeito  de  aplicação  do  art.  135,  III,  do  CTN,  responde  também  a  pessoa  que,  de  fato,  administra  a  pessoa  jurídica,  ainda  que  não  constem  seus  poderes expressamente do estatuto ou contrato social;  d) A responsabilidade dos administradores, de acordo com a jurisprudência do  STJ,  não  pode  ser  entendida  como  exclusiva  (responsabilidade  substitutiva),  porquanto se admite na Corte Superior que a ação de execução fiscal seja ajuizada,  ao mesmo tempo, contra a pessoa jurídica e o administrador;  e)  A  tese  da  responsabilidade  substitutiva  também  deve  ser  excluída  pela  inexistência de norma legal de desoneração da pessoa jurídica em razão da prática de  ato ilícito por parte do administrador;  f)  A  tese  da  responsabilidade  subsidiária,  em  sentido  próprio,  dos  administradores é incompatível com a adoção da tese da responsabilidade subjetiva,  acolhida pelo STJ, visto que não se pode conceber que o terceiro, sendo sancionado  pela prática de ato ilícito, condicione sua responsabilidade à inexistência de bens da  pessoa jurídica, suficientes para a satisfação do crédito;  g)  A  tese  da  responsabilidade  subsidiária,  em  sentido  próprio,  dos  administradores  também deve  ser  afastada  em  razão da  jurisprudência do STJ que  admite  que  a  execução  fiscal  seja  ajuizada,  desde  logo,  contra  sociedade  e  administrador; não se trata de mera questão de legitimidade, como seria no processo  de conhecimento, pois que, no processo de execução, não se admite o processamento  da ação sem que se tenha presente, desde o início, a exigibilidade da pretensão em  face do executado;  h) Os acórdãos do STJ que fazem referência à “responsabilidade subsidiária”  somente podem ser entendidos no sentido impróprio da expressão, que exige, além  da existência de poderes de gerência e da prática de ilicitude pelo administrador, a  ausência de pagamento pontual da obrigação  tributária,  e não a  insolvabilidade da  pessoa  jurídica,  o  que  se  aproxima,  na  prática,  da  responsabilidade  solidária  decorrente de ato ilícito;  i)  Os  acórdãos  do  STJ  que  fazem  referência  à  “responsabilidade  por  substituição”  somente  podem  ser  entendidos  no  sentido  de  que  respondem  os  terceiros “em lugar” do contribuinte (pessoa jurídica), o que é válido para qualquer  tipo de responsabilidade;  j) A jurisprudência do STJ aponta para a responsabilidade solidária, inclusive  em precedentes desfavoráveis à Fazenda Nacional, em que se afirma que o “sócio”  só pode ser responsabilizado solidariamente se detiver poderes de gerência e se tiver  praticado ato ilícito no exercício dessa gerência, na forma do art. 135, III, do CTN;  k)  a  análise  sistemática  da  ordem  jurídica  aponta  para  a  responsabilidade  solidária dos administradores, visto que estes, no regramento do Código Civil (art.  1.016), respondem solidariamente perante terceiros (inclusive o Estado) pela prática  de atos ilícitos; não haveria sentido em ser o crédito tributário menos garantido que  o crédito comum;  l) a obrigação do responsável é autônoma à da pessoa jurídica no que tange à  natureza  (licitude  ou  ilicitude  do  fato  jurídico),  ao  nascimento  (momento  do  surgimento) e à cobrança (exigência simultânea ou não), mas é subordinada no que  Fl. 35DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/2009­63  Acórdão n.º 1301­001.079  S1­C3T1  Fl. 2.269          36 tange à existência, validade e eficácia; a obrigação da pessoa jurídica contribuinte,  por sua vez, independe da obrigação do responsável no que tange a esses elementos;  A  meu  ver,  o  fato  de  o  imputado,  ora  Recorrente,  dirigir  a  tese  de  exclusividade para o Sr. Elizeu Machado de Lima, não invalida o entendimento expendido no  Parecer/PGFN/CRJ/CAT  nº  55,  de  2009,  vez  que  este  funda­se  na  natureza  solidária  da  responsabilidade prevista no inciso III do art. 135 do Código Tributário Nacional e no caráter  autônomo das obrigações.   O ilícito tributário apontado pela Fiscalização, propulsor da constituição dos  créditos  tributários,  está  representado  pela  inserção  de  notas  fiscais  inidôneas  (“frias”)  na  apuração do resultado fiscal. Nesse contexto, a  imputação de  responsabilidade pessoal ao Sr.  Mário  Kenji  Iriê  não  pode  ser  dissociada  de  tal  conduta,  pois,  do  contrário,  ela  própria  (a  responsabilidade) não subsistiria.  Assim, reponde o Sr. Mário Kenji Iriê pela integralidade do crédito tributário  constituído, não havendo que se falar em exclusão de penalidades.   PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO  A  alegação  do  Recorrente  de  que  a  Delegacia  da  Receita  Federal  em  Florianópolis  não  seria  competente  para  promover  a  fiscalização,  efetivamente  não  pode  ser  recepcionada.  Ainda que se despreze o fato de que a questão acerca da recusa do domicílio  eleito  pela  pessoa  jurídica  fiscalizada  seja  objeto  de  outro  processo  administrativo  (11516.000002/2004­47),  este Colegiado, em  razão de  inúmeros pronunciamentos no mesmo  sentido, emitiu a súmula nº 27, a qual estabelece que “é válido o lançamento formalizado por  Auditor­Fiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio  tributário  do sujeito passivo.”  Assim,  independentemente  da  ocorrência  de  eventual  inobservância  de  normas  internas,  o  que,  registre­se,  não  é  o  caso,  não  há  que  se  falar  em  nulidade  de  lançamento em razão de o procedimento fiscal ter sido conduzido por agente fiscal lotado e em  exercício em unidade de jurisdição diversa da do domicílio tributário eleito pelo fiscalizado.  SUJEIÇÃO PASSIVA  A  argüição  de  ilegitimidade  passiva,  com  base  no  argumento  de  que  a  responsabilidade pelos atos praticados é pessoal daquele que administrava a pessoa jurídica à  época  da  ocorrência  dos  fatos,  não  pode,  em  virtude  das  razões  já  expendidas,  ser  recepcionada.  INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE  Relativamente à  incidência do  imposto de renda na  fonte,  cabe destacar, de  início, que a efetivação dos pagamentos, fato autorizador da aplicação da presunção prevista no  art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, constitui matéria  incontroversa nos presentes autos, eis que  admitida  pela  própria  contribuinte  no  curso  do  procedimento  fiscal,  conforme  transcrição  abaixo (resposta apresentada no curso da ação fiscal – fls. 198/199)  Prezados Senhores:  Fl. 36DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/2009­63  Acórdão n.º 1301­001.079  S1­C3T1  Fl. 2.270          37 Na  qualidade  de  administrador  de  MKJ  IMPORTAÇÃO  E  COMÉRCIO  LTDA. ("Contribuinte"), inscrito no CNPJ/MF sob o n.° 03.403.405/0001­69, e em  atenção  ao  TI  em  referência,  vimos,  pela  presente,  tecer  os  seguintes  esclarecimentos.  Os  pagamentos  objeto  das  questões  constantes  do  TI  eram  feitos  exclusivamente pelo  então  administrador da  empresa,  Sr. Elizeu Machado de  Lima, que geria o caixa da empresa.  O Sr. Elizeu Machado de Lima desligou­se da empresa há tempos, de modo  que  os  atuais  administradores  não  têm  conhecimento  sobre  como  eram  feitos  tais  pagamentos. Assim, a única pessoa apta a prestar os esclarecimentos requeridos no  TI é o mencionado Sr. Elizeu Machado de Lima.  Estamos à inteira disposição para quaisquer esclarecimentos adicionais.  Rejeito,  mais  uma  vez,  a  tese  de  que  a  responsabilidade  pelos  citados  pagamentos é exclusiva e pessoal do Sr. Elizeu Machado de Lima, haja vista o entendimento,  lastreado no Parecer/PGFN/CRJ/CAT nº 55, de 2009, de que a  responsabilidade referenciada  no art. 135 do Código Tributário Nacional é de natureza solidária.  O fato de ter sido assinalado, na peça de autuação, o último dia do mês dos  respectivos pagamentos como data da ocorrência do fato gerador, ao invés do dia da sua efetiva  realização, a meu ver, não traduz mácula capaz de decretar a nulidade do feito.  Tal  impropriedade não provocou  iliquidez ou  incerteza ao  crédito  tributário  constituído,  vez  que  não  teve  qualquer  influência  na  determinação  do  imposto  devido  e  na  incidência dos acréscimos legais, não afetando sequer a contagem do prazo decadencial.   Equivoca­se  o Recorrente  quando  sustenta  não  ser  possível  a  exigência  do  imposto de renda retido na fonte concomitantemente com a glosa da despesa (ou do custo).  Com  efeito,  as  infrações  são  de  naturezas  absolutamente  distintas,  motivo  pelo qual geram conseqüências tributárias da mesma forma distintas (“uma coisa é uma coisa,  outra coisa é outra coisa”).  A glosa de despesa/custo, no caso vertente, tomou por base a constatação de  inserção de documentos inidôneos para servir de suporte para os dispêndios realizados. Se, por  outro lado, inexiste controvérsia acerca da efetivação dos pagamentos, e, em relação a estes, o  contribuinte  não  faz  prova  de  quem  foram  os  verdadeiros  beneficiários  dos  recursos,  é  perfeitamente cabível a aplicação da presunção estampada no art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995.  Incorre em equívoco novamente o Recorrente ao afirmar que a consideração  de que houve pagamento sem causa ou a beneficiário não  identificado significa dizer que os  valores  referentes  a  esses  pagamentos  não  transitaram  pela  contabilidade.  A  ausência  de  contabilização  de  pagamentos  autoriza  a  aplicação  de  presunção  de  omissão  receitas,  nos  exatos termos do disposto no art. 40 da Lei nº 9. 430, de 1996, não guardando qualquer relação  com a prevista no citado art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995.  O pressuposto,  no  caso,  é que,  não havendo a  identificação do beneficiário  dos pagamentos ou não  sendo  justificada a  causa da  sua  realização, estamos diante de  renda  que  deveria  ser  submetida  à  tributação,  estabelecendo  a  lei  que,  em  tais  circunstâncias,  a  incidência  se  dará  naquele  que  efetuou  os  referidos  pagamentos,  devendo,  inclusive,  ser  Fl. 37DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/2009­63  Acórdão n.º 1301­001.079  S1­C3T1  Fl. 2.271          38 reajustada  a  base  para  fins  de  tributação,  eis  que  se  considera  que  o  valor  do  pagamento  representa o montante líquido recebido pelo beneficiário.  Os  demais  argumentos,  quais  sejam,  desconformidade  do  art.  61  da  Lei  nº  8.981,  de  1995,  com  o  art.  43  do  Código  Tributário  Nacional;  ofensa  aos  princípios  da  razoabilidade, proporcionalidade e da vedação de utilização de tributo com efeito de confisco,  face ao reajustamento da base de cálculo na determinação do imposto; e ofensa ao conceito de  tributo  em  virtude  da  natureza  sancionatória  da  norma  prevista  no  referido  art.  61,  cabe,  apenas,  esclarecer  que,  nos  termos  da  súmula  CARF  nº  2,  o  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade  de  lei  tributária.  DECADÊNCIA  A  questão  posta  em  discussão  no  presente  item  tem  sua  apreciação  condicionada  à  análise  da  qualificação  da  multa  aplicada  pela  Fiscalização,  pois,  uma  vez  concluído  que  o  prazo  a  ser  observado  é  o  estampado  no  inciso  I  do  art.  173  do  Código  Tributário  Nacional,  o  termo  inicial  do  prazo  decadencial  a  ser  considerado  deve  levar  em  conta o exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado.  A expressão EXERCÍCIO a que alude o referido comando legal só pode ser  concebido  como  o  ano  posterior  ao  correspondente  ao  da  concretização  das  hipóteses  de  incidência, pois,  em conformidade com a lei  (art. 175 da Lei nº 6.404, de 1976), o exercício  social tem duração de um ano.  Discordo, assim, do argumento do Recorrente de que o  termo “exercício” a  que faz referência o Código Tributário Nacional não se confunde com o exercício social.  QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO  No  que  diz  respeito  à  alegada  responsabilidade  exclusiva  do  Sr.  Elizeu  Machado de Lima, a questão já foi suficientemente apreciada.  No que tange ao argumento de que não estamos, no presente caso, diante de  FRAUDE, penso diferente.  Creio  não  restar  dúvida  de  que  aquele  que  insere  em  sua  escrituração  registros relativos a redutores do seu resultado que correspondem a operações efetivamente não  realizadas, visto que suportados por documentos inidôneos, busca modificar as características  essenciais  do  fato  gerador,  de modo  a  reduzir  o montante  do  imposto  devido  ou  a  evitar ou  diferir o seu pagamento.  A conduta da fiscalizada, portanto, amolda­se às disposições do art. 72 da Lei  nº 4.502, de 1964, autorizando, assim, a aplicação da multa qualificada no percentual de 150%.  A  conclusão  acerca  da  referida  inserção,  na  contabilidade,  de  documentos  inidôneos, é extraída a partir dos fatos retratados nos autos pela autoridade fiscal, cuja síntese  passo a enumerar.  1.  nenhuma  das  notas  fiscais  relativas  aos  fornecedores  BLUE  RIVER  COMERCIAL, CENTRAL INDUSTRIAL E COMERCIAL TÊXTIL LTDA., GREEN WAY  Fl. 38DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/2009­63  Acórdão n.º 1301­001.079  S1­C3T1  Fl. 2.272          39 COMERCIAL  e  U­SION  INDÚSTRIA  E  COMÉRCIO  LTDA.  localizadas  nos  arquivos  da  fiscalizada  correspondia  à  primeira  via  (que  é  a  via  do  destinatário),  eram  todas  terceira  e  quarta vias;  2.  os  pagamentos  das  referidas  notas  fiscais,  feitos  por meio  de  CAIXA  e  mediante emissão de DUPLICATAS, duplicatas essas cuja maior parte não apresenta a data de  pagamento e o valor efetivamente pago;  3.  as  assinaturas das duplicatas não  guardam  relação com os  carimbos nela  apostos;  4. as notas fiscais emitidas não indicam a empresa transportadora ou a placa  do veículo utilizado no transporte;  5. inexiste aposição de carimbo de posto fiscal nas notas fiscais;  6.  os  valores  das  notas  fiscais,  confrontados  com  as  relativas  aos  demais  fornecedores, apresentam­se em montantes significativamente superiores;  7. significativa parcela das notas fiscais foram emitidas no mês de dezembro,  o que também revela distinção quando comparado com as emitidas pelos demais fornecedores;  8.  os  prazos  de  pagamento,  considerados  os  registros  contábeis,  são  excepcionalmente longos, refletindo incoerência em relação às práticas usuais de mercado;  9. não obstante o fato de diversos pagamentos relativos às notas fiscais terem  sido efetuados fora do prazo, a escrituração analisada não indica qualquer registro a  título de  acréscimos moratórios (não foi apresentada à Fiscalização qualquer declaração de prorrogação  do prazo da duplicata);  10. as duplicatas não têm data e assinatura do devedor (a fiscalizada), isto é,  não têm aceite;  11.  comparação  efetuada  entre  as  notas  fiscais  emitidas  pela  empresa  U­ SION INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA.  levam à conclusão de que  referida empresa  teria  emitido nos espaço de quinze dias seiscentas e noventa e cinco notas;  12. no caso da GREEN WAY COMERCIAL, a comparação indica que, em  dezesseis dias, a referida empresa emitiu trezentos e cinquenta e oito notas fiscais;  13. a CENTRAL INDUSTRIAL E COMERCIAL TÊXTIL LTDA., por sua  vez, teria emitido trinta notas fiscais em dois dias;  14.  os  registros  analisados  indicam  interrupção  abrupta  do  fornecimento  de  mercadorias  por  parte  das  empresas  em  referência,  sendo  que,  em  alguns  casos,  apesar  da  interrupção, o fornecimento voltou a ser feito no final do ano de 2005;  15.  comparando  as  operações  relativas  as  empresas  em  questão  com  as  efetuadas  com  os  demais  observadores,  restou  constatado  que:  os  saldos  inicial  e  final  dos  demais fornecedores são muito menores; as compras promovidas com os demais fornecedores  envolveram  volumes  significativamente  menores;  as  compras  e  pagamentos  com  os  demais  Fl. 39DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/2009­63  Acórdão n.º 1301­001.079  S1­C3T1  Fl. 2.273          40 fornecedores  apresentam­se  de  forma  pulverizada  ao  longo  do  ano;  e  os  pagamentos  aos  demais fornecedores, em regra, foram feitos via banco;  16.  a  situação  cadastral  das  empresas,  conforme  investigação  feita  pela  Fiscalização, era a seguinte:  BLUE  RIVER  COMERCIAL:  baixada  na  Receita  Federal  em  29/07/2004,  embora haja registros de pagamentos na contabilidade da fiscalizada entre janeiro e agosto de  2005, no montante total de R$ 279.270,00; declarou­se inativa em 2002 e 2003, apesar de as  notas fiscais retidas serem datadas de 2003;  U­SION  INDÚSTRIA  E  COMÉRCIO  LTDA.:  baixada  na  Receita  Federal  em 07/01/2005, embora, supostamente, houvesse emitido em dezembro de 2004 notas  fiscais  para a fiscalizada em montante superior a R$ R$ 1.700.000,00 e haja registros de pagamentos  entre  janeiro  e  dezembro  de  2005,  em  montante  superior  a  R$  10.800.000,00;  declarou­se  inativa nos anos de 2001 a 2005;  GREEN WAY COMERCIAL:  baixada  na Receita  Federal  em  08/08/2006;  apresentou para o ano calendário 2005 três Declarações de Informação (DIPJ) (em 11/04/2006,  com  opção  pelo  lucro  real;  em  30/05/2006,  declaração  de  inatividade;  em  17/11/2006,  com  opção pelo lucro real);  CENTRAL  INDUSTRIAL E COMERCIAL TÊXTIL LTDA.:  está  ativa na  Receita Federal; no início do procedimento fiscal, estava omissa na apresentação de DIPJ nos  anos­calendário de 2006 a 2008, após o  inicio do procedimento,  em 07/04/2009, apresentou,  em 22/06/2009, as DIPJs dos anos 2007 e 2008, permanecendo omissa em 2006;  17. o  sistema de controle dos pagamentos  aos  fornecedores  (MIRCOSIGA)  indica que foram efetuados desembolsos que não encontram correspondência em notas fiscais  registradas no sistema de controle físico do estoque (ESATA);  18. em depoimento prestado à Fiscalização, o Sr. Elizeu Machado de Lima  afirmou que  as mercadorias das  empresas  antes  referenciadas nunca  entraram na  fiscalizada,  apesar de constarem contabilmente do estoque (fls. 206/207);  19.  na  linha  do  destacado  pela  autoridade  fiscal,  ainda  que  se  possa  ter  o  devido cuidado com as informações prestadas pelo Sr. Elizeu Machado de Lima, visto que ele  move  ação  judicial  contra  a  Fiscalizada,  as  afirmações  feitas  por  ele  no  sentido  de  que  os  procedimentos irregulares com fornecedores vinham pelo menos desde 2001; de que cem por  cento  dos  pagamentos  da MKJ  eram  feitos  por  bancos;  de  que  pagamentos  por  Caixa  eram  irregulares; de que nunca teria visto fornecedor receber pagamento em dinheiro na empresa; e  de  que  os  prazos  normais  de  parcelamento  dos  fornecedores  era  30,  60  e  90  dias,  podendo  chegar a 120, ao mesmo tempo em que evidencia excepcionalidades suspeitas nas  transações  suportadas pelas notas fiscais auditadas, revela inteira relação com as operações efetuadas entre  a fiscalizada e os demais fornecedores.   20.  cabe notar  ainda que,  em conformidade  com  o expendido no Termo de  Verificação (fls. 554 e 554/verso), o Sr. Elizeu Machado de Lima, diante das procurações que  lhe  foram  outorgadas,  detinha  amplos  poderes,  incluindo­se  aí  o  de  representar  o  Sr. Mário  Kenji  Iriê,  o  que  denota  que  o  referido  senhor  possuía  pleno  acesso  às  informações  relacionadas à atuação do Grupo Econômico.  Fl. 40DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/2009­63  Acórdão n.º 1301­001.079  S1­C3T1  Fl. 2.274          41 21.  a  fiscalizada,  ao  prestar  esclarecimentos  acerca  dos  procedimentos  relacionados  às  compras  e  aos  pagamentos  efetuados  aos  fornecedores  (envolvimento  de  diversos  departamentos),  incorreu  em  contradição  ao  informar  que  não  tinha  conhecimento  como eram  feitos os pagamentos  e que  estes  eram efetuados  exclusivamente pelo Sr. Elizeu  Machado de Lima;  22. não se apresenta como verossímil o quadro retratado pela Fiscalização a  partir  da  análise  dos  controles  da  auditada  e  dos  pronunciamentos  feitos  no  curso  do  procedimento, qual seja: o sistema de controle dos departamentos de contabilidade e financeiro  registra pagamentos a fornecedores que, ao do ano de 2005, totalizaram R$ 23.000.000,00, e,  nos termos da resposta apresentada pela empresa (fls. 198/199), “a única pessoa apta a prestar  os esclarecimentos requeridos [...] é o mencionado Sr. Elizeu Machado de Lima.”;  23.  considerado  o  fato  de  que,  de  acordo  com  os  registros  contábeis,  os  pagamentos foram efetuados por meio do CAIXA, admitir a tese de que os beneficiários destes  foram  os  fornecedores  indicados  nas  notas  fiscais  significa  aceitar  que  parte  foi  feita  a  empresas extintas (U­SION e BLUE RIVER) e de que montantes consideráveis “viajaram” de  Florianópolis (local de concentração da atividade mercantil) para São Paulo (ou vice­versa), de  modo a efetivar a operação;  24. os fornecedores em questão não apresentam capacidade física, econômica  e  operacional  para  estocar,  confeccionar,  vender  e  transportar  as  mercadorias  indicadas  nas  notas fiscais;  25.  investigações  levadas  a  efeito  pela  Fiscalização  apontaram  para  a  existência de um “esquema” envolvendo contadores  e empresas  “laranjas”,  cujo objetivo  era  emitir notas fiscais inidôneas (a Fiscalização apresenta quadro descritivo da estrutura societária  das  empresas  supostamente  integrante  do  referido  “esquema”  – Termo  de Verificação  –  fls.  556);  26. a transcrição abaixo, extraída do Termo de Verificação, permitindo uma  visualização  sobre  a  estrutura  societária  e  supostas  operações  realizadas  pelas  emitentes  das  notas  fiscais,  aponta  na  direção  das  conclusões  trazidas  pela  autoridade  fiscal  acerca  da  inidoneidade dos referidos documentos;  [...]  3.10 ­ Família Abbud/Bunducki  Ao  circularizar  informações  acerca  dos  fornecedores  U­sion,  Green  Way,  Blue  River  e  Central,  a  fiscalização  se  deparou  seguidamente  com  membros  das  famílias Abbud e Bunducki (conforme diagrama do item anterior).  O  Senhor  Samir  Bunducki,  CPF  029.299.458­34,  era  sócio  da  U­sion  Indústria  e  Comércio  Têxtil  Ltda.,  junto  com  o  Senhor  Orlando  Muraca,  CPF  457.991.308­63  (este,  segundo  informações  do Cadastro Nacional  de  Informações  Sociais, já falecido). (doc. fls. 02 a 03 do Anexo 4).  O  Senhor  Samir  Bunducki  também  era  sócio  administrador  da  Blue  River  Comercial Ltda., junto com o Senhor Milton Paz, CPF 001.801.398­86 (doc. fls. 03  a 04 do Anexo 5). A fiscalização encaminhou, por via postal, Termo de Intimação  para o Senhor Milton Paz, mas a correspondência retornou com a anotação "Mudou­ se" (doc. fls. 154 a 157).  Fl. 41DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/2009­63  Acórdão n.º 1301­001.079  S1­C3T1  Fl. 2.275          42 Também foi encaminhado, por via postal, Termo de Intimação para o Senhor  Samir  Bunducki,  intimando­o  a  prestar  esclarecimentos  e  apresentar  livros  e  documentos  da  U­sion  e  da  Blue  River.  Porém,  sua  esposa,  Yvonne  Abbud  Bunducki,  encaminhou  à  fiscalização  declaração  de  que  as  empresas  estavam  encerradas  e  que  a  solicitação  de  documentos  estava  "prejudicada".  Informou  no  mesmo ato que o Senhor Samir estava internado no hospital com grave enfermidade.  Posteriormente,  ainda  durante  o  procedimento  fiscal,  fomos  informados  que  o  Senhor Samir Bunducki faleceu. (doc. fls. 158 a 169).  O nome da senhora Yvonne Abbud Bunducki, CPF 033.001.298­34, aparece  nos  carimbos  apostos  nas  duplicatas  da  U­sion,  embora  ela  não  seja  sócia  da  empresa. (Anexo 4).  O  nome  do  senhor Cícero Atallah Abbud CPF  215.738.468­56  aparece  nos  carimbos apostos nas duplicatas da Central Ind e Com Têxtil, da qual é sócio (Anexo  6).  Nas duplicatas da Blue River estão apostos carimbos com o nome do senhor  Marcelo  Victor  Abbud,  CPF  261.601.848­90,  irmão  de  Cícero  Atallah  Abbud  (Anexo 5). O Senhor Marcelo Victor Abbud não é sócio da Blue River (doc. fls. 03  do Anexo 5).  Cícero Atallah Abbud, Marcelo Victor Abbud e o irmão Vitor Nacim Abbud  Junior, CPF 134.411.818­67, são sócios da Central Ind e Com Têxtil (doc. fls. 02 a  03 do Anexo 6).  Em nome dos três irmãos Abbud e de seus pais, Guilnar Atallah Abbud, CPF  106.988.158­90,  e  Vitor  Nacim  Abbud,  CPF  108.726.398­00,  aparecem  também  outras  empresas  nos  mesmos  prédios  da  Central  e  da  Green Way,  conforme  será  descrito no item 3.11 a seguir.  Como não foi possível contatar nenhum dos responsáveis pelas empresas nos  seus  endereços  cadastrais,  e  nem  tampouco  os  contabilistas  que  constam  em  suas  declarações de rendimentos, foram encaminhadas, por via postal, para os endereços  cadastrais  dos  sócios,  Termo  de  Intimação  visando  a  obtenção  das  informações  necessárias.  Chama a atenção, além das freqüentes mudanças de endereço apontadas pela  ECT, o fato dos sócios da empresa Central (Cícero Abbud, Marcelo Abbud e Victor  Abbud), todos com domicílio perante a RFB à Rua Canadá 107, Jardim Paulista, São  Paulo,  SP,  terem  recusado  o  recebimento  da  correspondência  que  continha  os  referidos Termos de Intimação (doc. fls. 208 a 223). Isso denota a  intenção de não  prestar  qualquer  informação  relativa  à  empresa  para  a  RFB,  numa  atitude  que  corrobora a conclusão de que as operações comerciais dessas empresas não ocorriam  de fato.  3.11 ­ Os contadores das empresas U­Sion, Green Way, Blue River e Central  3.11.1 Ana Luiza Ghiraldini  Em  05/08/2009,  a  fiscalização  tomou  a  termo  as  declarações  de Ana Luíza  Ghiraldini, CPF 066.251.468­89, que figura nos sistemas da Receita Federal como  responsável  pelo  preenchimento  das  DIPJs  da  Blue  River  Comercial,  dos  anos  calendário 2003 e 2004 e da U­sion Ind e Com Têxtil, dos anos calendário 2004 e  2005  (doc.  fls.  06  do  Anexo  5  e  doc.  fls.  10  a  11  do  Anexo  4).  Em  síntese,  a  depoente afirmou que não trabalha como contadora desde 1991, que teve a carteira  Fl. 42DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/2009­63  Acórdão n.º 1301­001.079  S1­C3T1  Fl. 2.276          43 do CRC furtada em 1995, conforme cópia de Boletim de Ocorrência (doc. fls. 77 a  81),  e  que  não  conhece  estas  empresas,  que  não  fez  as  contabilidades  e  que  não  apresentou estas DIPJs.  3.11.2 Eduardo Adda  Em  22/09/2009,  a  fiscalização  tomou  a  termo  as  declarações  de  Eduardo  Adda, contador, sócio do escritório de contabilidade Santa Rosa, CPF 028.762.568­ 00,  que  figura  na  base  de  dados  da  Receita  Federal  como  responsável  pelo  preenchimento das DIPJ das seguintes pessoas jurídicas:  •  Green  Way  Comercial  Ltda.,  do  ano  calendário  2003  (declaração  de  inatividade  apresentada  em  25/6/2004,  posteriormente  cancelada),  ano  calendário  2003 (lucro real, apresentada em 27/3/2006, processada pela RFB), ano calendário  2005  (lucro  real,  apresentada  em  11/4/2006,  posteriormente  cancelada)  e  ano  calendário 2005 (lucro real apresentada em 17/11/2006, processada pela RFB);  •  U­sion  Indústria  e  Comércio  Têxtil  Ltda.,  do  ano  calendário  2004  (duas  declarações de inatividade, ambas transmitidas em 28/3/2005).  Em síntese, o depoente afirmou que fez a contabilidade da U­sion, da Green  Way  e  da Blue River, mas  que  não  tem mais  nenhum documento  ou  livro  destas  empresas. Não soube explicar porque foram apresentadas declarações de inatividade  para a U­sion. Não soube explicar porque apresentou duas declarações de lucro real  para  a  Green  Way  em  2006  (ano  calendário  2005)  e  porque  a  Sra.  Ana  Luísa  Gheraldini  apresentou  uma  declaração  de  inatividade  para  o  mesmo  ano.  Não  se  lembrou  dos  principais  clientes  e  fornecedores  da  Green Way  e  não  se  lembrou  como eram feitos os pagamentos dos clientes da Green Way (doc. fls. 170 a 183).  Curiosamente, o contador não se lembra de informações operacionais básicas  sobre  estas  três  empresas  que,  teoricamente,  teriam  comprado,  estocado,  industrializado e vendido milhares de unidades de tecido e roupas, gerando centenas  de milhões de reais em receitas. Caso estas empresas tivessem mesmo este porte, a  perda de clientes  tão  importantes  teria ocasionado uma queda brusca na receita do  próprio  escritório  de  contabilidade.  O  Senhor  Eduardo  Adda  certamente  se  lembraria.  3.11.3 Romualdo Mendonça Gomes  Em 25 de setembro de 2009, a fiscalização tomou a termo as declarações de  Romualdo  Mendonça  Gomes,  contador,  CPF  043.120.868­93,  que  figura  como  responsável pelas DIPJs dos anos calendário 2007 e 2008 apresentadas pela Central  Industrial  e Comercial Têxtil Ltda.  (doc.  fls.  187  a  190). Estas  declarações  foram  apresentadas em 22/06/2009, após o início do procedimento fiscal e após a lavratura  do primeiro  termo no qual  a  fiscalização  intimou a MKJ a apresentar documentos  relativos às operações da Central (04/06/2009). Em síntese, o depoente afirmou que  foi procurado em junho de 2009 pelo Senhor Vitor, do escritório Santa Rosa (Vitor  Ottone Mastrorosa, sócio de Eduardo Adda), que pediu ao depoente que fizesse as  DIPJs  da Central  dos  anos  de  2006,  2007  e  2008  (estava  omissa);  que  não  fez  a  contabilidade desta empresa e nem a conhecia anteriormente; que não quis  fazer a  DIPJ de 2006 porque havia uma filial ainda ativa no Sintegra (até agosto de 2006) e  porque não havia documentação; que elaborou as declarações de 2007 e 2008 sem  movimento  confiando  na  informação  do  Sr.  Vitor  de  que  as  empresas  estavam  inativas  e que  tinham sido baixadas;  que  as declarações  foram  transmitidas para  a  RFB a partir do escritório do Sr. Vitor.  Fl. 43DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/2009­63  Acórdão n.º 1301­001.079  S1­C3T1  Fl. 2.277          44 3.12 ­ As diligências nos endereços cadastrais das fornecedoras  Em  04  de  agosto  de  2009,  estivemos  em  diligência  no  endereço  da U­sion  Indústria e Comércio Têxtil Ltda., conforme o cadastro na RFB, na Rua Saguairu,  1.367,  bairro  Casa  Verde,  São  Paulo  ­  SP.  Neste  endereço  há  uma  pequena  loja  onde, atualmente, funciona o "Lava Jato Saguairu", conforme fotos a seguir. Neste  local,  em  função  da  área  do  imóvel,  seria  fisicamente  impossível  estocar,  movimentar  ou  confeccionar  as  milhares  de  peças  de  vestuário  e  de  tecidos  que  aparecem  nas  notas  fiscais  da  U­sion  em  poder  da MKJ  e  de  outros  clientes  nos  quais foram feitas diligências.  [...]  Em 25 de setembro de 2009, estivemos em diligência nos endereços da Green  Way, Rua Georgina de Albuquerque 31, sala 41, e da Central, Rua Cândido Portinari  22,  sala  05  (fotos  a  seguir).  São  dois  imóveis  localizados  aproximadamente  a  50  metros um do outro no bairro Vila Cercado Grande, município de Embu ­ SP. Nos  dois casos, trata­se de pequenas salas comerciais nas quais, em função da pequena  área  de  cada  sala,  não  seria  possível  estocar,  movimentar  ou  confeccionar  as  milhares de peças de vestuário e tecido que constam das notas fiscais da Green Way  e  da  Central  que  estão  em  poder  da MKJ  e  dos  demais  clientes  nos  quais  foram  feitas diligências.  No mesmo prédio da Green Way, Rua Georgina de Albuquerque 31, ficam os  domicílios  tributários  da  Senhora  Guilnar  Atallah  Abbud  e  da  empresa  VMC  Automação S/A, CNPJ 05.362.760/0001­62 (ambos na sala 37). Os sócios da VMC  automação são Victor Nacim Abbud e Guilnar Atallah Abbud.  Ainda  no mesmo  prédio  da  Green Way  Rua Georgina  de  Albuquerque  31,  ficava  a  sede  da  empresa Fashion Mercantil, CNPJ  05.809.045/0001­25  (sala 07).  Nas diligências efetuadas nos clientes da Green Way, U­sion, Central e Blue River,  localizamos  notas  fiscais  da  Fashion  com  as  mesmas  características.  Além  da  coincidência  do  endereço,  as  DIPJs  dos  anos­calendário  2005  e  2006  foram  preenchidas pelo contador Eduardo Adda (o mesmo da Green Way, U­sion e Blue  River)  e  a  DIPJ  do  ano­calendário  2007  foi  entregue  pelo  contador  Romualdo  Mendonça  Gomes  (o  mesmo  da  Central,  a  pedido  do  senhor  Vitor  Ottone  Mastrorosa, sócio de Eduardo Adda).  No  mesmo  prédio  da  Central,  Rua  Cândido  Portinari  22,  fica  o  domicílio  tributário da empresa América Comercial Têxtil (sala 03), cujo sócio­administrador  é Cícero Atallah Abbud.  [...]  O proprietário dos dois  imóveis, onde estariam  localizadas as empresas,  é o  Senhor  Demetrio  Andrade  de  Melo,  CPF  599.193.378­20,  que  foi  intimado  a  apresentar  os  contratos  de  locação  e  a  prestar  esclarecimentos  por  escrito  e  informou, mediante resposta (doc. fls. 287 a 295) encaminhada à fiscalização que:  a­ Das empresas questionadas, a única que ainda mantém contrato de locação  de sala comercial é a Central Ind e Com Têxtil (Rua Cândido Portinari, 30 ­ antigo  22 ­ sala 05, vila Cercado Grande, Embu ­ SP);  b­  A  empresa  VMC  tinha  contrato  de  locação,  que  foi  rescindido  (Rua  Georgina de Albuquerque, 31, sala 37);  Fl. 44DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/2009­63  Acórdão n.º 1301­001.079  S1­C3T1  Fl. 2.278          45 c­  Que  os  pagamentos  dos  aluguéis  eram  feitos  através  de  depósitos  em  espécie na conta corrente;  d­  "nunca  houve  atividade  alguma  das  empresas  acima  citadas,  somente  para correspondências" (grifamos);  e­ Não conhece Green Way, América, Stillus, Blue River e U­sion.  A  afirmação  de  que  Central  e VMC  não  têm  atividade  comercial  no  local,  apesar dos contratos de  locação das  salas  comerciais,  vem ao encontro do que  foi  constatado  pela  fiscalização  em  visita  ao  endereço  da  Central:  a  sala  é  muito  pequena,  não  havia  mercadoria  estocada,  não  havia  espaço  ou  móveis  (mesas,  cadeiras) para reuniões, e não havia sequer linha telefônica. Enfim, na sala não há  condição  de  se  desenvolver  qualquer  atividade  comercial,  muito  menos  comprar,  armazenar  e  comercializar milhares  de  peças  de  tecido  e  vestuário.  Havia  apenas  uma pessoa que nos informou ser responsável por receber correspondências.  Também  chama  atenção  a  informação  de  que  desconhece  a  empresa  Green  Way, pois esta teria sede no endereço Rua Georgina de Albuquerque 31, sala 41, que  é  de  propriedade  do  Sr.  Demétrio  Andrade  de  Melo,  segundo  a  afirmação  deste  durante a diligência da fiscalização.  3.13  Diligências  em  outros  clientes  dos  fornecedores  da  U­sion,  Central,  Green Way e Blue River  Ao  examinar  as  informações  na  base  de  dados  da  Secretaria  da  Receita  Federal,  constatamos  que diversas  empresas declararam nas DIPJs  que  adquiriram  significativas quantidades de mercadorias dos  fornecedores U­sion, Central, Green  Way e Blue River.  Destacamos, de pronto, que a MKJ não está entre as empresas que declararam  haver  adquirido  mercadorias  destas  empresas.  A  falta  desta  declaração  reforça  a  conclusão de que estas operações são completamente fictícias.  Na  busca  de  informações  acerca  destes  fornecedores,  realizamos,  então,  diligências em alguns clientes, por amostragem.  3.13.1 K2 Comércio de Confecções Ltda  Em  23  de  setembro  de  2009,  estivemos  em  diligência  na  empresa  K2  Comércio  de  Confecções  Ltda;,  CNPJ  02.220.900/0001­70,  que  comercializa  confecções  próprias  e  roupas  prontas  (doc.  fls.  93  a 104  do Anexo 9).  Segundo  a  DIPJ,  teria  adquirido  da Green Way,  em  2004,  R$  4.765.899,09,  e  em  2005,  R$  6.588.116,49.  Nos  documentos  contábeis  da  K2,  a  fiscalização  localizou  notas  fiscais da Green Way, da U­sion e da Central. Também foram localizadas duplicatas  semelhantes às apresentadas pela MKJ, sendo que algumas sequer tinham carimbo  ou assinatura de emitente e recibo.  Chama atenção nas notas  fiscais que, para a K2, as empresas U­sion, Green  Way e Central teriam vendido tecido (tecido 1/2 malha 100% algodão; tecido malha  95% viscose  5% elastano;  charm nature; malha  100% poliéster;  97% algodão  3%  elastano;  malha  71%  poliéster  29%  viscose),  enquanto  estas  empresas  teriam  vendido, para a MKJ,  roupas prontas  (terno  em  tropical;  calça  jeans capri;  camisa  polo).  A mudança na descrição das mercadorias nas notas fiscais (de roupas na MKJ,  para tecidos diversos na K2) demonstra que o esquema "adaptava" o conteúdo das  Fl. 45DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/2009­63  Acórdão n.º 1301­001.079  S1­C3T1  Fl. 2.279          46 notas  fiscais  à  realidade  do  cliente  para  quem  estava  fornecendo  as  notas  fiscais  inidôneas.  Novamente, nas notas fiscais não há registro de empresa transportadora ou do  veículo transportador. Há apenas menção genérica a "Nossa entrega".  Importa  destacar  que,  novamente,  ninguém  na  K2  se  lembrava  destes  fornecedores.  3.13.2 Drastosa SA  Em 24  de  setembro  de  2009,  estivemos  em  diligência  na  empresa Drastosa  S.A., CNPJ 61.088.936/0001­00, que confecciona roupas esportivas  (doc.  fls. 02 a  92  do  Anexo  9).  Segundo  a  contabilidade  (Razão  Analítico),  a  Drastosa  teria  adquirido  mercadorias  de  três  dos  fornecedores  sob  análise,  nos  seguintes  montantes:  Blue River: R$ 6.938.853,39, em 2003;  U­sion: R$ 1.209.242,00, em 2003;  Central: R$ 80.350.256,99, entre 2003 e 2006.  Também aqui impressiona o número de notas fiscais que teriam sido emitidas  pelas fornecedoras:  ­ Blue River: a primeira nota  fiscal  teria sido emitida em 05/03/2003 com o  número 000944. A última teria sido emitida em 29/12/2003 com o número 010880.  Ou  seja,  subtraindo­se  do  número  da  última  nota  fiscal  o  número  da  primeira,  constatamos que a Blue River  teria emitido pelo menos 9.936 notas fiscais em dez  meses  de  2003.  Foram  97  notas  fiscais  emitidas  para  a  Drastosa  com  média  de  valores de R$ 71.534,57;  U­sion: a primeira nota fiscal teria sido emitida em 15/05/2003 com o número  006583. A última teria sido emitida em 17/09/2003 com o número 008811. Ou seja,  seriam pelo menos 2.228 notas fiscais emitidas em 4 meses. Para a Drastosa, neste  período, foram 17 notas fiscais no valor médio de R$ 71.131,88.  Central: a primeira nota fiscal teria sido emitida em 15/01/2003 com o número  7.321. A última  teria  sido emitida em 01/08/2006 com o número 26.345. Ou seja,  seriam pelo menos 19.024 notas fiscais emitidas em 3 anos e 7 meses. Destacamos  que as notas fiscais em 2006 chegaram a ter valores acima de R$ 200.000,00.  Para  a  Drastosa,  as  notas  fiscais  registravam  vendas  de  outros  tecidos,  diferentes dos que teriam sido vendidos para a K2 (microfibra 100% poliéster; 88%  poliéster com lycra 12%).  Chama atenção outro detalhe relevante: as notas fiscais da Central e da Blue  River que estavam na contabilidade continham a expressão "Direto ­ PH" impressa  na mesma posição, que, no  formulário da Central era o espaço do vendedor, e, no  formulário da Blue River, o final do espaço das condições de venda. Indica que as  notas fiscais foram impressas no mesmo equipamento e a partir do mesmo arquivo  eletrônico. (doc. fls. 71, 73, 75, 77 e 79 do Anexo 9 e doc. fls. 65, 67, 69, 81 e 83 do  Anexo 9).  Nas notas fiscais auditadas na Drastosa, embora contenham o registro "Nossa  entrega"  no  espaço  da  transportadora,  apresentam  indicação  de  placas  de  veículos  Fl. 46DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/2009­63  Acórdão n.º 1301­001.079  S1­C3T1  Fl. 2.280          47 transportadores.  Todavia,  consultando  o  sistema  RENAVAM,  verificamos  que  nenhum dos veículos pertence às empresas em comento:  Notas  fiscais  da  Blue  River:  veiculo  placa  CGL  6784,  de  propriedade  de  Bruck  Importação, Exportação e Comércio Ltda., CNPJ 60.613.767/0002­49  (doc.  fls. 65, 67, 69, 81 e 83 do Anexo 9);  Notas  fiscais  da  U­sion:  veiculo  placa  BPL  7997,  de  propriedade  de  Volkswagen  do  Brasil  Indústria  de  Veículos  Automotores  Ltda.,  CNPJ  59.104.422/0059­76 (bairro Ipiranga, São Paulo — SP) (doc. fls. 61 e 63 do Anexo  9);  Notas fiscais da Central: veiculo placa ETL 2000, de propriedade de Resolve  Transportes e Logística Ltda (doc. fls. 71, 73, 75, 77, 79, 89 e 91 do Anexo 9).  A diferença mais importante nas operações destes fornecedores em relação à  MKJ  e  à  K2  é  que,  no  caso  da  Drastosa,  os  pagamentos  eram  feitos  por  banco,  mediante boletos.  A  mudança  na  descrição  das  mercadorias  nas  notas  fiscais  e  de  forma  de  cobrança  confirma  a  "adaptação"  do  esquema  à  realidade  do  cliente  para  quem  estava fornecendo as notas fiscais inidôneas. A fraude na Drastosa apresenta­se mais  elaborada, mas  permanece  o  fato  principal:  as  empresas  fornecedoras  não  tinham  capacidade  física,  econômica,  operacional  para  realizar  vendas  nestes  volumes  e  freqüência.  Importa  destacar  que  o  contador  da Drastosa,  Sr.  Patrocínio Rodrigues,  que  trabalha  na  empresa  desde  o  seu  inicio,  também  não  se  lembrava  destes  fornecedores.  3.13.3 Miguel Ângelo Balduíno  Encaminhamos  Termo  de  Intimação,  em  07/10/2009,  por  via  postal  para  Miguel Ângelo Balduíno, CNPJ 60.943.396/0001­32, cuja atividade é confecção de  calçados  (doc.  fls.  224  a  226).  Segundo  a  informação  prestada  (Anexo  8),  Green  Way, Blue River, Central  e Vision  (antiga  razão  social  da U­sion)  teriam  (todas!)  fornecido  "tecido  nylon".  Este  tipo  de  tecido  não  se  apresentava  como  produto  adquirido  por  nenhuma  outra  empresa,  nem  MKJ,  nem  K2  e  nem  Drastosa.  Novamente, os produtos descritos nas notas fiscais inidôneas emitidas pelo esquema  foram  adaptados  para  a  realidade  do  cliente.  Além  disso,  chamam  atenção  a  freqüência e os volumes atípicos das notas fiscais inidôneas.  3.13.4 Aulik Indústria e Comércio Ltda.  Encaminhamos  Termo  de  Intimação,  em  07/10/2009,  por  via  postal  para  Aulik  Indústria  e  Comércio  Ltda.,  CNPJ  05.256.426/0001­32,  solicitando  que  fornecesse  informações  relativas  às  compras  realizadas  junto  às  empresas U­Sion,  Blue River, Green Way e Central (doc. fls. 227 a 229).  A  empresa Aulik,  de  acordo  com  a  10ª  alteração  e  consolidação  contratual  (doc.  fls.  12  a  17  do  Anexo  10)  apresenta  objeto  social  bastante  diversificado,  estando cadastrada perante a RFB sob o Código Nacional de Atividade Econômica  (CNAE) 4649­4­02 ­ Comércio atacadista de aparelhos eletrônicos de uso pessoal e  doméstico (doc. fls. 02 a 06 do Anexo 10).  Fl. 47DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/2009­63  Acórdão n.º 1301­001.079  S1­C3T1  Fl. 2.281          48 Em 02/12/2009 a empresa, por intermédio de seus procuradores, encaminhou  as  informações  solicitadas  (Anexo  10),  informando  que  só  possuía  operações  comerciais com a empresa Green Way.  O demonstrativo  fornecido  pela AULIK,  relacionando os  dados  básicos  das  referidas compras (doc. fls. 39 a 41 do Anexo10), indica que a AULIK comprou da  Green Way Comercial  Ltda.  "componentes  eletro­eletrônicos"!!!  Essa  constatação  confirma e reforça a conclusão já apontada pela fiscalização de que o "esquema" ao  produzir  notas  fiscais  frias  adaptava  as  mercadorias  à  realidade  comercial  da  empresa  beneficiária,  uma  vez  que  as  notas  fiscais  da  empresa  Green  Way  Comercial Ltda. emitidas para a fiscalizada referia­se a roupas prontas, para outras  empresas, citadas anteriormente,  referia­se a  tecidos com especificações diversas e  para  a  Aulik,  surpreendentemente,  referia­se  a  componentes  eletrônicos.  Fosse  a  empresa Green Way uma  empresa  com grande  estrutura produtiva  e  comercial  tal  diversificação  já  causaria  estranheza,  porém  para  uma  empresa  que,  comprovadamente,  jamais apresentou estrutura produtiva  alguma  isso demonstra  a  total  falta  de  idoneidade  das  operações  comerciais  relativas  às  empresas  do  "esquema".  3.14 Exame Documentoscópico  A  análise  dos  documentos  dos  fornecedores  Usion,  Green Way,  Central  e  Blue  River  (notas  fiscais  e  duplicatas),  fornecidos  pela  MKJ  em  atendimento  à  solicitação da fiscalização, apontou as seguintes questões:  • Por que as assinaturas nos versos das duplicatas não correspondiam àquelas  apostas nos carimbos das mesmas?  •  Por  que  empresas  sem  qualquer  vínculo  societário  haviam  produzido  documentos tão semelhantes e com assinaturas similares?  • Por que as datas  anotadas nos versos das  duplicatas  apresentam grafia  tão  similar,  quando  foram  emitidas  por  empresas  distintas  sem  qualquer  vínculo  conhecido?  Com  base  no  exposto,  e  convicta  de  que  os  documentos  apresentavam  deficiências importantes, a fiscalização encaminhou, mediante o Oficio n° 212/2009  (doc.  fls.  191),  solicitação de  exame pericial  num grupo de documentos  coletados  por  amostragem  à  Superintendência  da  Policia  Federal  em  Santa  Catarina,  relacionando as questões que gostaria de ter esclarecidas (doc. fls. 192 a 194).  O  Laudo  de  Exame Documentoscópico  n°  1229/2009  (doc.  fls.  297  a  303)  emitido pelo Setor Técnico­Científico da Policia Federal, em 18/11/2009, esclarece  que:  • Apesar da  semelhança no  aspecto  formal  entre  as assinaturas contidas nas  duplicatas  das  empresas  Blue  River  e  Green  Way,  há  divergências  gráficas  que  permitem afirmar não terem todas partido do mesmo punho escritor;  • As datas manuscritas no verso das duplicatas emitidas pelas empresas  USion, Green Way e Blue River apresentam semelhança de elementos gráficos  quando  comparadas  entre  si,  em  número  e  qualidade  suficientes  para  se  afirmar que foram produzidas pelo mesmo punho escritor. (grifamos)  3.15 Falta de registro de empregados  Fl. 48DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/2009­63  Acórdão n.º 1301­001.079  S1­C3T1  Fl. 2.282          49 Pesquisas  realizadas  junto  as  informações  previdenciárias  das  empresas  em  questão revelou que nenhuma delas apresenta registro de empregados junto ao INSS  no período sob fiscalização, conforme a seguinte documentação acostada:  Green Way ­ doc. fls. 22 a 25 do Anexo 3;  U­Sion ­ doc. fls. 23 a 25 do Anexo 4;  Blue River ­ doc. fls. 11 a 12 do anexo 5;  Central ­ doc. fls. 13 do Anexo 6.  Esse fato confirma a conclusão de que as empresas apresentavam atuação de  "fachada”, pois  a  ausência de  empregados denota  ausência de  efetiva operação no  período.  Sendo  procedente,  pois,  a  qualificação  da  multa,  não  há  como  acolher  o  argumento de que, no caso, houve caducidade parcial do direito de lançar.  A ciência dos lançamentos foi efetivada em 11 de dezembro de 2009, e estes  alcançaram fatos geradores ocorridos no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2005.  Como é cediço, presente o dolo, descabe falar em aplicação do disposto no  parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional para fins de decadência. Nesse caso a  regra aplicável é a estampada no inciso I do art. 173 do referido diploma.  Assim, ultrapassada a questão do significado da expressão “exercício” a que  alude  o  dispositivo  acima  e  ainda  que  se  acolha  o  entendimento  de  que  “o  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível”,  a  autoridade fiscal poderia constituir os créditos tributários até 31 de dezembro de 2009.   REGIME DE TRIBUTAÇÃO  Sustenta o Recorrente que, dada a impossibilidade da apuração do custo das  mercadorias  vendidas,  o  lançamento  deveria  ter  sido  efetuado  pela  sistemática  do  lucro  arbitrado.  Penso que não seja exatamente esta a situação.  Com  efeito,  o  que  observo  é  que  a  autoridade  fiscal  pretendeu  efetuar  o  procedimento  fiscal  por meio  de  uma  auditoria  de  custos.  Entretanto,  diante  da  ausência  de  apresentação,  por  parte  da  fiscalizada,  da  totalidade  dos Livros Registros  de  Inventário  e  da  falta  de  confiabilidade  do  sistema  informatizado  de  controle  de  estoque,  o  procedimento  de  fiscalização foi direcionado para o exame das contas de fornecedores.  Não cuidou a autoridade fiscal, portanto, de prosseguir na averiguação acerca  das deficiências inicialmente detectadas na escrituração da fiscalizada, preferindo redirecionar  o processo investigativo para contas onde existiam indícios da prática de ilícitos fiscais.  Em  regra,  nas  situações  em  que  parcela  significativa  do  custo  é  objeto  de  glosa por parte da Fiscalização, deve­se, de fato, arbitrar o lucro da fiscalizada, vez que em tais  circunstâncias a aferição do lucro real resta comprometida.  Fl. 49DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/2009­63  Acórdão n.º 1301­001.079  S1­C3T1  Fl. 2.283          50 Também como regra geral, o arbitramento em referência se dá pela ausência  de comprovação dos custos, isto é, não foi apresentada a documentação que serviu de suporte  para os registros contábeis ou a documentação apresentada não é considerada hábil para fins de  dedutibilidade.  No  caso  vertente,  contudo,  não  se  trata  de  falta  de  apresentação  ou  de  documentação  julgada não hábil, mas, sim, de  inserção de registros de custos  suportados por  documentos inidôneos (“frios”).   Enquanto na primeira situação (custos não comprovados), o arbitramento se  justifica, eis que não é razoável supor que as receitas tenham sido auferidas sem que a empresa  tenha incorrido em dispêndios, na segunda (inserção de documentos inidôneos), o arbitramento  do  lucro  significaria,  em  razão  da  aplicação  do  percentual,  o  aproveitamento  de  custos  comprovadamente inidôneos.  Diante  da  natureza  da  receita  auferida  pela  fiscalizada  (revenda  de  mercadorias), mesmo restando comprovado que a maior parte do custo apropriado na apuração  do  resultado  fiscal  está  lastreada  em  documentos  inidôneos,  admitir­se­ia,  a  partir  do  arbitramento, o  cômputo de parcela  significativa destes custos  inidôneos na determinação do  lucro real.  O Recorrente, buscando chamar a atenção para o montante de custo glosado,  o que, para ele, justificaria o arbitramento do lucro, diz que 93,97% do custo das mercadorias  vendidas  (CMV)  foi  desconsiderado,  o  que  não  deixa  de  ser  verdade  (R$  43.810.432,59  glosados, de um  total de R$ 46.621.684,56 de CMV). Porém,  se considerarmos o valor  total  dos custos e despesas apropriados, esta  relação passa a ser de 63% (R$ 43.810.432,59 de R$  70.085.581,89).  Pelas razões expostas, não encontro reparo a ser feito na forma de tributação  adotada pela autoridade fiscal.  INCOMPETÊNCIA  DA  TURMA  JULGADORA  DE  PRIMEIRA  INSTÂNCIA  Para  o  Recorrente,  o  fato  de  a  Turma  julgadora  de  primeira  instância,  acolhendo  alegação  trazida  em sede defesa,  revisar os  lançamentos das  contribuições  sociais  apuradas  e,  a  partir  daí,  computar  créditos  que  não  foram  considerados  pela  autoridade  lançadora,  constituiria  mudança  do  critério  jurídico  da  autuação  e  constituição  de  crédito  tributário sem que existisse competência para tal.  Com a devida permissão, engana­se o reclamante.  À  evidência,  nada  mais  fez  a  autoridade  julgadora  a  quo  do  que  acolher,  como redutores dos montantes lançados, valores que inadvertidamente não foram levados em  conta por ocasião do lançamento.  Admitir a tese esposada pelo Recorrente significaria dar ao lançamento total  caráter de imutabilidade, de modo que para toda e qualquer contestação trazida pelo autuado,  das  duas  uma,  rejeitar­se­ia  o  argumento,  ou,  na  hipótese  de  ser  procedente  a  alegação,  simplesmente decretar­se­ia a nulidade da constituição do crédito.  Fl. 50DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/2009­63  Acórdão n.º 1301­001.079  S1­C3T1  Fl. 2.284          51 O  critério  jurídico  a  ser  observado  na  determinação  da  contribuição  não  cumulativa é o de deduzir do débito apurado os créditos decorrentes da incidência havida nas  operações anteriores. Penso que a autoridade lançadora, ao desconsiderar créditos decorrentes  de notas  fiscais  inidôneas,  aplicou o  referido  critério,  e,  a Turma  julgadora,  ao observar que  outros  créditos  que  não  os  contaminados  pelas  referidas  notas  deveriam  ser  considerados,  também observou o critério  jurídico previsto para a apuração da exação. Se, da aplicação do  critério,  resulta  redução  do  montante  lançado,  cabe  ao  órgão  julgador  exonerar  o  sujeito  passivo da parcela correspondente do crédito tributário.  Resta claro, pois, que não houve mudança de critério jurídico e muito menos  constituição de crédito tributário.  JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO   Sustenta  a Recorrente que,  na hipótese de os  lançamentos  tributários  serem  mantidos,  não  deverão  ser  exigidos  os  juros  de  mora  sobre  a  multa  de  ofício  lançada  por  inexistir amparo legal.   No que diz respeito à  incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício,  em que pese  a  existência  de densos  pronunciamentos  deste Colegiado  em  sentidos  diversos,  mantenho o  entendimento de que  a  expressão  “ ...débitos para  com a União, decorrentes de  tributos  e  contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal”  assinalada  pelo  artigo 61 da Lei nº 9.430/96, não dá respaldo para que, com base no parágrafo 3º do mesmo  artigo, possa ser cobrado juros SELIC sobre a multa de ofício.  Diante de tais circunstâncias, inclino­me no sentido de acolher os argumentos  trazidos  pela  ilustre  Conselheira  Sandra Maria  Farone  no  acórdão  nº  101­94.441,  de  03  de  dezembro de 2003.  Ali restou ementado, verbis:  EMBARGOS DE DECLARAÇÃO – Acolhem­se os embargos de declaração  para  deixar  claro  que,  na  execução  do  acórdão,  os  juros  de  mora  à  taxa  selic  só  incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa aplicada. Sobre a  multa  podem  incidir  juros  de  mora  à  taxa  de  1%  ao  mês,  contados  a  partir  do  vencimento do prazo para impugnação.   Os fundamentos de tal entendimento encontram­se a seguir reproduzidos.  [...]  O  art.  161  do  CTN  determina  que  o  crédito  não  integralmente  pago  no  vencimento  é  acrescido  de  juros  de mora,  seja  qual  for  o motivo  determinante da  falta,  ressalvando apenas a pendência de consulta  formulada dentro do prazo  legal  para  pagamento  do  crédito.  O  §  1º  do mesmo  artigo  determina  que,  se  a  lei  não  dispuser de forma diversa, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao  mês. No caso de multa por lançamento de ofício, seu vencimento dá­se no prazo de  30 dias contados da ciência do auto de infração. Assim, o valor da multa lançada, se  não  pago  no  prazo  de  impugnação,  sujeita­se  aos  juros  de  mora.  As  disposições  legais que tratam dos juros de mora são as seguintes:  Lei 8.383/91  Fl. 51DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/2009­63  Acórdão n.º 1301­001.079  S1­C3T1  Fl. 2.285          52 Art.  59.  Os  tributos  e  contribuições  administrados  pelo  Departamento  da  Receita  Federal,  que  não  forem  pagos  até  a  data  do  vencimento,  ficarão  sujeitos  à multa  de mora  de  vinte  por cento e a juros de mora de um por cento ao mês calendário  ou  fração,  calculados  sobre  o  valor  do  tributo  ou  contribuição  corrigido monetariamente.  Lei 8.981/95  Art.  84.  Os  tributos  e  contribuições  sociais  arrecadados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  cujos  fatos  geradores  vierem  a  ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos  previstos na legislação tributária serão acrescidos de:  I ­ juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação  do  Tesouro  Nacional  relativa  à  Dívida  Mobiliária  Federal  Interna;  Lei 9.065/95  Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a  alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de  janeiro  de  1994,  com  a  redação  dada  pelo  art.  6º  da  Lei  nº  8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981,  de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea  a.2,  da  Lei  nº  8.981,  de  1995,  serão  equivalentes  à  taxa  referencial  do  Sistema Especial  de  Liquidação  e  de Custódia  ­  SELIC  para  títulos  federais,  acumulada  mensalmente.  (Obs.  A  alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei 8.847/94 e o art.  91,  parágrafo  único,  alínea  a.2,  da  Lei  8.981/95  referem­se  a  juros sobre parcelamentos).  Lei 9.430/96  Art.  43. Poderá  ser  formalizada  exigência  de  crédito  tributário  correspondente  exclusivamente  a  multa  ou  a  juros  de  mora,  isolada ou conjuntamente.  Parágrafo  único.  Sobre  o  crédito  constituído  na  forma  deste  artigo,  não  pago  no  respectivo  vencimento,  incidirão  juros  de  mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir  do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até  o mês anterior ao do pagamento  e de um por cento no mês de  pagamento.  Como se vê, só há dispositivo legal autorizando a cobrança de juros de mora à  taxa  SELIC  sobre  a  multa  no  caso  de  lançamento  de  multa  isolada,  não  porém  quando  ocorrer  a  formalização  da  exigência  do  tributo  acrescida  da  multa  proporcional. Nesse caso, só podem incidir juros de mora à taxa de 1%, a partir do  trigésimo dia da ciência do auto de infração, conforme previsto no § 1o do art. 161  do CTN.  [...]  Nessa mesma linha, os acórdãos abaixo indicados:  ACÓRDÃO nº 107­09.344, julgado em 16/04/2008:  Fl. 52DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/2009­63  Acórdão n.º 1301­001.079  S1­C3T1  Fl. 2.286          53 MULTA DE OFÍCIO  ­  JUROS DE MORA –  Sobre  a multa  de  ofício  lançada  juntamente  com  o  tributo  ou  contribuição,  não  paga  no  vencimento,  incidem  juros  de  mora  de  1%  (um  por  cento)  ao  mês,  nos  termos  do  art.  161  do  Código  Tributário  Nacional.  ACÓRDÃO nº 101­96.448, julgado em 09/11/2007:  JUROS  DE  MORA  SOBRE  MULTA  DE  OFÍCIO  –  No  lançamento  de  ofício,  o  valor  originário  do  crédito  tributário  compreende  o  valor  do  tributo  e  da  multa  por  lançamento  de  ofício.  Sobre  a  multa  por  lançamento  de  ofício  não  paga  no  vencimento  incidem  juros  de mora.  Em  se  tratando de  tributos  cujos fatos geradores tenham ocorrido após 31/12/1994, sobre a  multa por lançamento de ofício incidem juros de mora de 1% ao  mês.  TAXA SELIC  Quanto  à  utilização  da  TAXA  SELIC  em  si,  a  questão  já  se  encontra  pacificada no âmbito deste Colegiado, conforme súmula CARF nº 4, abaixo reproduzida.  Súmula CARF Nº 4  A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos  tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil  são devidos,  no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e  Custódia ­ SELIC para títulos federais.  Assim,  considerado  tudo  que  do  processo  consta,  conduzo  meu  voto  no  sentido  de  DAR  PROVIMENTO  PARCIAL  ao  recurso  voluntário  para  determinar  que  na  execução  da  presente  decisão  sejam  cobrados  juros  de mora  de  1%  sobre  a multa  de  ofício  lançada.   “documento assinado digitalmente”  Wilson Fernandes Guimarães – Relator    Fl. 53DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/2009­63  Acórdão n.º 1301­001.079  S1­C3T1  Fl. 2.287          54 Voto Vencedor  Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas.  Em  que  pese  o  bem  elaborado  e  fundamentado  voto  do  Ilustre  Relator,  durante  as  discussões  ocorridas  por  ocasião  do  julgamento  do  presente  litígio  surgiu  divergência quanto ao entendimento acerca da incidência dos juros de mora com base na taxa  SELIC sobre a multa de ofício lançada.  Para o Relator, sobre a multa por lançamento de ofício incidem juros de mora  de  1%  ao mês.  Não  foi  essa,  contudo,  a  conclusão,  por  maioria,  a  que  chegou  esta  Turma  Ordinária.  Sobre  esse  tema  a  jurisprudência  tem  sido  muito  controvertida.  Confrontemos, pois, a legislação com o fato concreto.  Trata­se de multa por lançamento de ofício, formalizado em 2009, relativo a  fatos geradores ocorridos em 2004 e 2005.  O  art.  161  do  CTN  determina  que  o  crédito  não  integralmente  pago  no  vencimento  é  acrescido  de  juros  de  mora,  seja  qual  for  o  motivo  determinante  da  falta,  ressalvando apenas a pendência de consulta formulada dentro do prazo legal para pagamento  do crédito. Seu § 1° determina que, se, a lei não dispuser de forma diversa, os juros de mora  são calculados à taxa de um por cento ao mês.  Para uma melhor compreensão da matéria, vejamos o que diz os dispositivos  legais acerca das multas e dos juros de mora, incidentes sobre os créditos tributários não pagos  nos respectivos vencimentos.   Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991  CAPÍTULO VII – Das Multas e dos Juros de Mora  Art.  59  –  Os  tributos  e  contribuições  administrados  pelo  Departamento  da  Receita  Federal,  que  não  forem  pagos  até  a  data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de um por  cento ao mês­calendário ou fração, calculados sobre o valor do  tributo ou contribuição corrigido monetariamente.  § 1° ­ A multa de mora será reduzida a dez por cento, quando o  débito  for pago até o último dia útil do mês subseqüente ao do  vencimento.  §  2°  ­  A  multa  incidirá  a  partir  do  primeiro  dia  após  o  vencimento do débito; os juros, a partir do primeiro dia do mês  subseqüente.  ..........................  Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995  Fl. 54DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/2009­63  Acórdão n.º 1301­001.079  S1­C3T1  Fl. 2.288          55 Art.  84  –  Os  tributos  e  contribuições  sociais  arrecadados  pela  Secretaria  da  Recita  Federal,  cujos  fatos  geradores  vierem  a  ocorrer a partir de 1° de janeiro de 1995, não pagos nos prazos  previstos na legislação tributária serão acrescidos de:   I – juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação  do  Tesouro  Nacional  relativa  à  Dívida  Mobiliária  Federal  Interna;  .............................  Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996  Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e  contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal,  cujos  fatos  geradores  ocorrerem  a  partir  de  1°  de  janeiro  de  1997,  não  pagos  nos  prazos  previstos  na  legislação  específica,  serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e  três centésimos por cento, por dia de atraso.  § 1° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do  primeiro  dia  subseqüente  ao  do  vencimento  do  prazo  previsto  para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que  ocorrer o seu pagamento.  § 2° O percentual de multa a ser aplicado  fica  limitado a vinte  por cento.  § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros  de mora  calculados  à  taxa  a  que  se  refere  o  §3°  do  art.  5°,  a  partir  do  primeiro  dia  do  mês  subseqüente  ao  vencimento  do  prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no  mês de pagamento.  .........................................  Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002  Art.  29.  Os  débitos  de  qualquer  natureza  para  com  a  Fazenda  Nacional  e  os  decorrentes  de  contribuições  arrecadadas  pela  União,  constituídos  ou  não,  cujos  fatos  geradores  tenham  ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto  de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos  em  quantidade  de  UFIR,  serão  reconvertidos  para  real,  com  base no valor daquela fixado para 1° de janeiro de 1997.  §  1°  A  partir  de  1°  de  janeiro  de  1997,  os  créditos  apurados  serão lançados em reais.  § 2° Para fins de inscrição dos débitos referidos neste artigo em  Dívida  Ativa  da União,  deverá  ser  informado  à  Procuradoria­ Geral da Fazenda Nacional o valor originário dos mesmos, na  moeda  vigente  à  época  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação.  § 3° Observado o disposto neste artigo, bem assim a atualização  efetuada  para  o  ano  de  2000,  nos  termos  do  art.  75  da  Lei  n°  Fl. 55DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/2009­63  Acórdão n.º 1301­001.079  S1­C3T1  Fl. 2.289          56 9.430,  de  27  de  dezembro  de  1996,  fica  extinta  a  Unidade  de  Referência Fiscal – UFIR, instituída pelo art. 1° da Lei n° 8.383,  de 30 de dezembro de 1991.  Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como  aos  inscritos  em  Dívida  Ativa  da  União,  passam  a  incidir,  a  partir  de  1°  de  janeiro  de  1997,  juros  de mora  equivalentes  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação  e  de  Custódia  –  SELIC  para  títulos  federais,  acumulada  mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento,  e de 1% (um por cento) no mês de pagamento.  Da leitura dos dispositivos legais transcritos, se depreende claramente que os  legisladores  definiram  inicialmente  como  base  de  incidência  de  juros  de  mora,  tributos  e  contribuições e, posteriormente, débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional  e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União.  Ou seja, o valor originário do débito (débitos de qualquer natureza), sobre o  qual incidem os juros de mora, não exclui a multa de ofício.  Com  efeito,  o  próprio  artigo  161,  §  1º,  do  CTN  dispõem  exatamente  que  “crédito” não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o  motivo  determinante  da  falta,  sem  prejuízo  da  imposição  das  penalidades  cabíveis  e  da  aplicação  de quaisquer medidas  de  garantia previstas  em  lei,  e  que,  se  a  lei  não  dispuser de  modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês.  Sendo assim, não se concebe conclusão outra, diversa daquela consagradora  de sobre o crédito tributário (sua totalidade, principal e consectários), não pago no vencimento  incidem  sempre  juros  de mora  (exceto  na  pendência  de  consulta,  conforme  §  2º  do mesmo  artigo 161).  Logo, em consonância com o art. 139 do CTN, o crédito tributário decorre da  obrigação  principal  e  tem  a  mesma  natureza  desta.  Portanto,  no  crédito  tributário  estão  compreendidos o valor do tributo e o valor da multa.  No caso de multa por lançamento de ofício, seu vencimento é no prazo de 30  dias contados da ciência do auto de infração. Assim, o valor da multa lançada, se não pago no  prazo, sujeita­se aos juros de mora com base na taxa SELIC.  Portanto, nos termos da legislação transcrita, procede a incidência de juros de  mora com base na taxa SELIC sobre a multa de ofício não paga no vencimento.  (assinado digitalmente)  Paulo Jakson da Silva Lucas – Redator Designado                  Fl. 56DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/2009­63  Acórdão n.º 1301­001.079  S1­C3T1  Fl. 2.290          57   Fl. 57DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA

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Numero do processo: 13017.000266/2003-76
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. FALTA DE CRÉDITOS SUFICIENTES PARA LIQUIDAÇÃO DO DÉBITO. PROCEDÊNCIA PARCIAL. Constatado, através de diligência fiscal realizada pela Delegacia da Receita Federal, que os créditos indicados pelo contribuinte são insuficientes para liquidar a totalidade dos débitos do pedido de compensação, deve ser dado provimento parcial ao Recurso Voluntário. Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3801-001.924
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso no sentido de reconhecer o direito creditório do Recorrente, até o limite consignado na informação fiscal. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Borges, Paulo Guilherme Déroulède (Suplente), Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1697; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE01  Fl. 140          1 139  S3­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13017.000266/2003­76  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3801­001.924  –  1ª Turma Especial   Sessão de  25 de junho de 2013  Matéria  COMPENSAÇÃO PIS NÃO CUMULATIVO  Recorrente  METALCAN S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003  PEDIDO  DE  COMPENSAÇÃO.  FALTA  DE  CRÉDITOS  SUFICIENTES  PARA LIQUIDAÇÃO DO DÉBITO. PROCEDÊNCIA PARCIAL.  Constatado,  através de diligência  fiscal  realizada pela Delegacia da Receita  Federal,  que  os  créditos  indicados  pelo  contribuinte  são  insuficientes  para  liquidar  a  totalidade dos débitos do pedido de  compensação, deve  ser dado  provimento parcial ao Recurso Voluntário.  Recurso Voluntário Provido em Parte      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros  do Colegiado,  por  unanimidade  de  votos  em  dar  provimento parcial ao recurso no sentido de reconhecer o direito creditório do Recorrente, até o  limite consignado na informação fiscal.  (assinado digitalmente)  Flávio de Castro Pontes ­ Presidente    (assinado digitalmente)  Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel ­ Relatora         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 01 7. 00 02 66 /2 00 3- 76 Fl. 198DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 05/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES       2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Borges, Paulo  Guilherme Déroulède  (Suplente), Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antônio Caliendo Velloso da  Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).      Relatório  Por  bem  descrever  os  fatos,  adoto  o  relatório  da DRJ­Porto Alegre/RS  (fl.  90), abaixo transcrito:  “Trata o presente processo de Declaração de Compensação de  créditos de PIS não­cumulativo com débito de PIS apurado pela  sistemática da cumulatividade. A Delegacia da Receita Federal  de Caxias do Sul não homologou a compensação, tendo em vista  que  o  Demonstrativo  de  Apuração  das  Contribuições  Sociais  (DACON)  informa  apuração  de  créditos  de  PIS  que  teriam  gerado receita apenas no mercado interno, não sendo apontado  nenhum valor para o mercado externo (exportação).  2. A interessada insurge­se, tempestivamente, contra o Despacho  Decisório alegando não se tratar de compensação com créditos  decorrentes  de  operações  no  mercado  externo.  Argumenta  que  estaria  'compensando  débito  de  PIS  com  créditos  provenientes  de operações no mercado interno. Apcinta equívoco de sua parte  ao  entregar  Declaração  de  Compensação,  acreditando  ser  necessário apenas a informação na Declaração de Apuração das  Contribuições  Sociais  —  DACON.  Afirma  que  procedeu  a  retificação  da  DACON,  ao  tomar  conhecimento  do  equívoco  incorrido por meio  cià  • Despacho Decisório atacado a  fim de  explicitar  os  créditos  do  mercado  interno  a  que  faria  jus  e  Contrapô­los ao débito do próprio PIS. Invoca os princípios da  razoabilidade, da finalidade, da proporcionalidade e da verdade  material  a  fim  de  justificar  a  retificação  da  DACON  efetuada  após a ciência do Despacho Decisório. Anexa cópia da DACON  retificadora.”  Analisando  o  litígio,  a  DRJ­Porto  Alegre/RS  entendeu  por  bem  não  homologar a compensação declarada (fls. 89 a 93), conforme ementa abaixo transcrita:  PIS­não­cumulativo X PIS­cumulativo ­ Necessária a entrega de  Declaração  de  Compensação  para  que  ocorra  o  encontro  de  contas  entre  débitos  de  PIS  apurados  pela  sistemática  da  cumulatividade  (código  8109)  e  créditos  provenientes  da  sistemática da nãocumulatividade.  Até  a  entrada  em  vigor  da  IN  Secretaria  da  Receita  Federal  600/2005,  apenas  os  créditos  vinculados  a  receitas  de  exportação,  apurados  pela  sistemática  da  não­cumulativa  do  PIS, poderiam ser utilizados na extinção de débitos oriundos de  tributos  e  contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Receita Federal por meio de compensação.  Fl. 199DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 05/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES       3 Às fls. 98 a 108 consta recurso voluntário apresentado  tempestivamente, no  qual a empresa traz as seguintes alegações, em resumo:  O simples fato de não haver a Recorrente promovido o registro,  nos  campos  próprios  do  Dacon  e  da  DIPJ  2004,  dos  custos  vinculados  às  receitas  de  exportação,  não  autoriza  a  interpretação  de  que  não  tenha  ela  realmente  incorrido  em  custos para geração de tais receitas e que, em razão disto, não  faça jus aos créditos de PIS a que alude o art. 5º., § 1º. , I, da Lei  10.637/02;  Não se trata de omissão de informação, já que os dados relativos  às  receitas  sujeitas  à  incidência  não­cumulativa  (exportação)  constam expressamente da DIPJ 2004 e no Dacon, muito embora  não  tenha  sido  informado pelo  contribuinte o  rateio dos  custos  para apuração dos referidos créditos;  A Requerente providenciou, de imediato, a retificação do Dacon,  para  fins  de  segregar  os  custos  vinculados  às  receitas  provenientes dos mercados interno e externo, de modo a permitir  a  correta  análise,  pela  Receita  Federal,  das  declarações  de  compensação apresentadas, dentre as quais aquela que é objeto  do presente processo;  Apesar  de  haver  uma  dose  de  discricionariedade  ao  julgador,  quando não entender necessária a diligência, no caso concreto o  voto condutor do acórdão afirmou a necessidade de se provar o  alegado,  da  análise  de  provas  da  ocorrência  de  exportação,  e,  entretanto,  a  diligência  não  foi  determinada  pela  autoridade  julgadora;   O  equívoco  no  preenchimento  do  Dacon  foi  constatado  pela  própria Receita Federal no momento da análise das declarações  de  compensação  apresentadas  pela  Recorrente,  tanto  é  assim  que um dos Despachos Decisórios (Notificação DRF/CLX/Saort  no.  99,  de  01  de  março  de  2005)  homologou  parcialmente  a  compensação  até  a  importância  de  R$  1.592,47,  referente  ao  crédito  de PIS  apurado pelo  rateio  com base  na  proporção da  receita bruta auferida, informada na DIPJ 2003;    Em  julgamento  realizado  por  este  egrégio  Conselho  Administrativo  de  Recursos Fiscais,  tendo em vista que, em um primeiro momento, a Delegacia de Julgamento  não  considerou  as  retificações  das  declarações  realizadas  pelo  Contribuinte,  ora  Recorrente,  restou determinado o retorno dos autos à instância de origem para que, com base nas aludidas  retificações,  fosse verificado o direito creditório do Recorrente, em especial,  se havia crédito  suficiente para liquidar os débitos indicados no pedido de compensação apresentada.  Atendendo o comando deste Conselho, a douta Delegacia da Receita Federal  de  Caxias  do  Sul,  em  analise  às  DACON’s  retificadas  do  Contribuinte,  bem  como  dos  documentos  fiscais,  constatou  que,  de  fato,  o  contribuinte  tinha  créditos  passíveis  de  compensação,  contudo,  estes  créditos  não  eram  suficientes  para  liquidar  a  totalidades  dos  débitos indicados pelo Recorrente no PERDCOMP analisado.  Mesmo devidamente  intimado das  conclusões  da  fiscalização,  o Recorrente  quedou­se inerte, retornando os autos para análise deste colegiado.  Fl. 200DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 05/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES       4 É o relatório.    Voto             Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora  Os pressupostos de admissibilidade do presente Recurso Voluntário já foram  analisados,  quando  da  determinação  pela  realização  de  diligência  pela  instância  originária..  Portanto, dele conheço.  Conforme  mencionado  alhures,  a  manifestação  de  inconformidade  do  Recorrente  não  foi  provida  pela  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Caxias  do  Sul,  sob  o  argumento de que “o Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais (Dacon) referente  ao  3°  trimestre  de  2003,  às  fls.  21  a  23,  informa  apuração  de  crédito  de  Pis  no  mercado  interno  e  não  no  externo  (exportação).  Assim,  tais  créditos  não  preenchem  os  requisitos  previstos no  inciso II do § 1°  . do art. 50 da Lei n° 10.637, de 2002, sendo a sua utilização  permitida somente como dedução do valor de Pis a recolher.” (fl. 27).  Ocorre,  contudo,  que  o  Recorrente  retificou  o  DACON,  segregando  as  receitas  do  mercado  interno  e  do  mercado  externo,  fazendo  jus,  a  princípio,  aos  créditos  utilizados  na  compensação  não  homologada  pela  Douta  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Caxias do Sul. Tal fato ensejou na decisão que determinou a remessa dos autos à instância de  origem, para que fosse analisado o direito creditório do Recorrente.  Contudo,  nos  termos  da  Informação  Fiscal  acostada  aos  autos,  cujas  conclusões adoto neste voto, constatou­se que os créditos apurados pelo Recorrente não foram  suficientes  para  liquidar  a  totalidade  dos  débitos  por  ele  também  indicados  no  pedido  de  compensação.  Por outro lado, intimado das conclusões da fiscalização, o Recorrente não se  manifestou, nem trouxe novos elementos que pudessem rebater a detalhada apuração feita pela  Delegacia da Receita Federal de Caxias do Sul.   Desta forma, sem maiores delongas, voto no sentido de reconhecer o direito  creditório do Recorrente,  até o  limite consignado na  informação  fiscal,  devendo ser  cobrada,  pela  fiscalização,  a diferença dos débitos não  liquidados  através do pedido de compensação,  com os devidos acréscimos legais.  Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel                              Fl. 201DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 05/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES       5   Fl. 202DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 05/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES

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Numero do processo: 12466.001433/2005-15
Data da sessão: Thu Feb 04 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 31/03/2003 a 05/08/2004 OCULTAÇÃO DO REAL SUJEITO PASSIVO. FRAUDE OU SIMULAÇÃO. MULTA. EXAME DE PROVAS Não se aplica a multa prevista no art. 23, § 3°, art. 23, do Decreto-Lei n° 1.455/1976, com a redação dada pelo art. 59 da Lei n° 10.637/2002, quando não demonstrada nos autos do processo administrativo a existência de sujeito passivo oculto, mediante fraude ou simulação, em operações de importação. Recurso de Oficio Negado.
Numero da decisão: 3102-00.590
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
Nome do relator: Beatriz Veríssimo de Sena

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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 31/03/2003 a 05/08/2004 OCULTAÇÃO DO REAL SUJEITO PASSIVO. FRAUDE OU SIMULAÇÃO. MULTA. EXAME DE PROVAS Não se aplica a multa prevista no art. 23, § 3°, art. 23, do Decreto-Lei n° 1.455/1976, com a redação dada pelo art. 59 da Lei n° 10.637/2002, quando não demonstrada nos autos do processo administrativo a existência de sujeito passivo oculto, mediante fraude ou simulação, em operações de importação. Recurso de Oficio Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio. IRO Luiv • rce uerra de Castro - Presidente r- eatriz Veríssimo de Sena - Relatora EDITADO EM: 01/03/2010 • Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, José Femandes do Nascimento, Celso Lopes Pereira Neto, Nanci Gama, Beatriz Veríssimo de Sena e Nikon Luiz Bartoli. Relatório Trata-se de auto de infração lavrado para a cobrança da multa prevista no art. 23, § 3', art. 23, do Decreto-Lei n° 1.455/1976, com a redação dada pelo art. 59 da Lei n° 10.637/2002 (importação de mercadorias, mediante simulação ou fraude, com a ocultação do real importador ou adquirente). Segundo a descrição dos fatos e enquadramento legal objeto do auto de infração em evidência (fis. 1-12), o Contribuinte Midel Comercial Ltda. promoveu a importação de diversas mercadorias declarando-se como importadora e adquirente das mesmas. Contudo, a Fiscalização verificou que o Contribuinte estaria, na verdade, agindo mediante simulação, a fim de intermediar operação de importação em favor de terceiro. A Fiscalização concluiu que teria havido simulação em relação à venda da empresa-interessada, mediante conluio entre as partes, com o intuito de iludir terceiros, dado que oculto o verdadeiro adquirente das mercadorias importadas. Assim concluiu a Fiscalização por depreender da documentação apresentada pelo próprio contribuinte que a aquisição da empresa interessada por sociedades uruguaias não teria alterado, de fato, a posse e a administração da empresa, que permaneceram inalteradas. A Fiscalização apontou, ainda, irregularidade na contrafação do único funcionário da empresa em Vitória, por ser esse também empregado de outra empresa concorrente, recebendo ordens apenas do antigo dono da empresa-interessada, e não dos novos adquirentes uruguaios. Afirmou, ademais, que o sr. Tomas Roberto Kovari não apenas seria o real proprietário e gerente da empresa Midel Comercial Ltda., como também seria dono de empresa concorrente no Estado do Espírito Santo, qual seja, Vanral Comercial Ltda. O sr. Tomas Roberto Kovari foi incluído no pólo passivo. Enretanto, não obstante devidamente intimado, o sr. Tomas Roberto Kovari não apresentou impugnação, correndo o processo em revelia em relação ao mesmo. O Contribuinte Midel Comercial Ltda apresentou impugnação no sentido de demonstrar ser empresa existente de fato, com sede, funcionário e funcionamento autorizado. Admite que a administração da empresa é feita por intermédio da sede em São Paulo, porém, aduz que tal fato não seria irregular ou ilegal. Quanto ao funcionário, aduz que a sua contratação foi realizada de acordo com os termos previstos na Consolidação das Leis do Trabalho — CLT. A DRJ-Florianópolis afastou a preliminar de irregularidade do mandado de procedimento fiscal por entende serem inaplicáveis os arts. 15 e 16 da Portaria n° SRF 3.007/2001 quando o MPF é extinto em caso de necessidade especial, como na hipótese presente, em que constatado problemas nos sistemas informatizados de controle da Receita Federal do Brasil. No mérito, julgou improcedente o lançamento por entender que as irregularidades constatadas na alteração societária da interessada não teria dado ensejo à ocultação do real adquirente das mercadorias importadas. Do mesmo modo, não haveria nos autos de infração manifestação sobre a transferência de recursos utilizados nas operações realizadas (fl. 385). Os autos vieram a este Conselho para reexame, por meio de recurso de oficio. É o relatório. • Processo n° 12466.001433/2005-15 S3-C1T2 Acórdão n.° 310240.590 R 399 Voto Conselheira Beatriz Veríssimo de Sena, Relatora Como bem expôs o r. acórdão regional, os arts. 15 e 16 da Portaria n° SRF 3.007/2001 não são aplicáveis à hipótese em exame. O MPF não foi extinto pela conclusão do procedimento fiscal, nem pelo decurso do prazo legal. Houve, na verdade, substituição do Mandado de Procedimento Fiscal a fim de evitar futuros transtornos, haja vista problemas nos sistemas informatizados da unidade fiscalizadora, então constatados. Por outro lado, não merece prosperar o lançamento. Ainda que hajam irregularidades na alteração contratual do Contribuinte Midel Comercial Ltda, é certo que essas irregularidades não culminaram na ocultação, mediante fraude ou simulação, do real adquirente das mercadorias importadas, como se faz necessário para a aplicação da multa prevista no art. 23, § 3°, art. 23, do Decreto-Lei n° 1.455/1976, com a redação dada pelo art. 59 da Lei n° 10.637/2002. Com efeito, o Auto de Infração não indica objetivamente qual seria o terceiro beneficiado, o sujeito oculto, nas operações comerciais realizadas pelo Contribuinte Midel Comercial Ltda. Infere-se da documentação acostada aos autos que os lucros e beneficios auferidos das operações de importação ficariam com a própria empresa Midel Comercial Ltda, restando a dúvida, na verdade, quanto à efetiva propriedade da empresa Midel. Não se confundem, contudo, questionamentos quanto à propriedade da empresa-contribuinte com dúvidas acerca das operações comerciais par esta realizadas. Ademais, não há manifestação no auto de infração sobre a origem ou a transferência dos recursos utilizados nas operações de importação analisadas. Por isso, não demonstrada a ocultação do sujeito passivo, apta a justificar eventual aplicação de multa. Friso, por fim, que a contratação de unpregado por mais de uma empresa é, a priori, admitida pela legislação trabalhista, não caracterizando, por si só, dado apto a comprovar a ocultação fraudulenta ou mediante fraude de operação comercial. Por outro lado, o fato dos adquirentes uruguaios terem mantido o antigo proprietário da empresa-interessada na sua administração não é suficiente para descaracterizar a personalidade jurídica da mesma. Pelo exposto, nego provimento ao recurso de ofício. ____----- rd.re;t-riz Veríssimo de Sena . 3

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