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Numero do processo: 13688.000276/2005-71
Data da sessão: Thu Apr 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
Ementa: SIMPLES - EXCLUSÃO - ATIVIDADE NÃO VEDADA. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE TRATORES E MÁQUINAS AGRÍCOLAS - Não se enquadram nas atividades privativas de engenheiros ou de outras profissões cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida a atividade de reparação e manutenção de tratores e máquinas agrícola, na forma exercida pela recorrente.
Numero da decisão: 1103-000.175
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos dos relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Gervásio Nicolau Recktenvald
1.0 = *:*
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ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 Ementa: SIMPLES - EXCLUSÃO - ATIVIDADE NÃO VEDADA. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE TRATORES E MÁQUINAS AGRÍCOLAS - Não se enquadram nas atividades privativas de engenheiros ou de outras profissões cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida a atividade de reparação e manutenção de tratores e máquinas agrícola, na forma exercida pela recorrente.
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Numero do processo: 11080.001459/2008-60
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 28/02/2003 a 31/05/2003
EMBARGOS. REDISCUSSÃO DO MÉRITO. IMPOSSIBILIDADE.
Os embargos de declaração não são recursos hábeis na busca da rediscussão do mérito.
EMBARGOS CONHECIDOS.E REJEITADOS.
Numero da decisão: 3201-001.839
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, conhecer e rejeitar os embargos de declaração apresentados, nos termos do voto do relator.
JOEL MIYAZAKI Presidente
LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES - Relator.
EDITADO EM: 27/01/2015
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Erika Costa Camargo Autran e Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 28/02/2003 a 31/05/2003 EMBARGOS. REDISCUSSÃO DO MÉRITO. IMPOSSIBILIDADE. Os embargos de declaração não são recursos hábeis na busca da rediscussão do mérito. EMBARGOS CONHECIDOS.E REJEITADOS.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, conhecer e rejeitar os embargos de declaração apresentados, nos termos do voto do relator. JOEL MIYAZAKI Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES - Relator. EDITADO EM: 27/01/2015 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Erika Costa Camargo Autran e Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1531; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3‐C2T1 Fl. 1.101 1 1.100 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.001459/200860 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3201001.839 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de dezembro de 2014 Matéria IPI Embargante GPC QUÍMICA S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 28/02/2003 a 31/05/2003 EMBARGOS. REDISCUSSÃO DO MÉRITO. IMPOSSIBILIDADE. Os embargos de declaração não são recursos hábeis na busca da rediscussão do mérito. EMBARGOS CONHECIDOS.E REJEITADOS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, conhecer e rejeitar os embargos de declaração apresentados, nos termos do voto do relator. JOEL MIYAZAKI – Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Relator. EDITADO EM: 27/01/2015 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Erika Costa Camargo Autran e Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 14 59 /2 00 8- 60 Fl. 524DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 11080.001459/200860 Acórdão n.º 3201001.839 S3‐C2T1 Fl. 1.102 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Tratase de Auto de Infração lavrado em 11/02/2008, fls. 05/08, referente ao período de 28/02/2003 a 30/05/2003, para exigir o Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, no valor total de R$ 1.116.224,07, assim como os respectivos juros de mora e multa de ofício de 75%. Conforme Relatório de Auditoria Fiscal, fls. 13/16, o autuado informou em DCTFs (fls. 48 a 53) e DCOMPs (fls. 54 a 65) débitos de IPI, nos períodos do 3o decêndio de fevereiro de 2003 ao 3o decêndio de maio de 2003, que estariam extintos por compensação mediante utilização de créditos oriundos de decisão judicial, no mesmo valor, restando saldo “zero” de IPI nos períodos. Em seguida a fiscalização registra, que as compensações declaradas – DCOMPs, formalizadas no processo administrativo nº 13003.000439/200224, ainda estão pendentes de apreciação por parte da Receita Federal, conforme decisão da DRJ de Florianópolis (fls. 22 a 32), tendo em vista decisão judicial provisória que impede eventual não homologação do procedimento (Embargos de Declaração em AMS nº 2003.71.00.0301832/RS – fls. 33 a 47), e que na hipótese de uma futura não homologação da compensação, farseia necessária a interposição de ação de cobrança dos débitos em tela, o que poderia ser obstaculizado tendo em vista a ineficácia do lançamento, baseado em declarações de compensação, DCOMPs apresentadas no período de 10/03/03 a 15/10/03 (período anterior a data da vigência da MP no 135/2003), no processo nº 13003.000439/2002 24. Ressalta que o procedimento adotado, com vistas a resguardar a Fazenda Pública de eventuais argüições do contribuinte de extinção de seu débito com fulcro no instituto da decadência ou mesmo na previsão de homologação tácita do procedimento originário, encontra respaldo no despacho de fls. 294 e 295 do processo de representação nº 11080.000197/200816, juntado nas fls. 19 a 21 desses autos. Consta nas fls. 22/32 cópia do acórdão nº 5.574, de 17 de fevereiro de 2005, da 2a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Florianópolis – SC, proferido nos autos do processo 13003.000439/200224. Os enquadramentos legais das irregularidades apuradas, bem assim dos acréscimos legais, estão discriminados dos dispositivos das fls. 07 e 11/12. Regularmente cientificado, em 12/02/2008, conforme consta do auto de infração, fls. 06 e 16, o autuado apresentou impugnação tempestiva em 13/03/2008, fls. 71/94, subscrita por procuradores devidamente habilitados Fl. 525DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 11080.001459/200860 Acórdão n.º 3201001.839 S3‐C2T1 Fl. 1.103 3 nos autos (instrumento de mandato na fls. 95), na qual, após breve resumo dos fatos, alega: a) A extinção dos créditos tributários, nos termos do inciso II, do artigo 156 do CTN. Diz que “em 11/11/2002 formulou pedido de restituição de créditos adquiridos da Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé Ltda. – COOXUPÉ, formalizando o Processo Administrativo nº 13003. 000.439/200224 (doc. Nº 12), nos autos do qual promoveu a compensação dos referidos créditos com débitos de IPI e COFINS, dentre os quais se incluem os débitos objeto da presente autuação, ...“que o direito creditório é decorrente de decisão judicial transitada em julgado nos autos da Ação de Repetição de Indébito nº 91.00079642, ...a qual julgou indevidos os recolhimentos efetuados a título de Quota de Contribuição sobre Exportação de Café, em função da declaração de inconstitucionalidade desta exação pelo Supremo Tribunal Federal (docs. nºs 13 a 19), que tais créditos lhe foram cedidos através de escritura pública, da qual a União Federal foi devidamente cientificada, diz ainda que foi realizada a transferência do pólo ativo da referida ação, por decisão judicial também já transitada em julgado, e que os créditos objeto do auto de infração encontramse extintos em decorrência da formalização dos pedidos de compensação até que sobrevenha decisão administrativa decidindo sobre a homologação das respectivas compensações. b) A suspensão do prazo prescricional para exigência dos créditos tributários pelo fisco, sustentando que os créditos tributários em questão não podem ser objeto de cobrança, uma vez que sua exigibilidade encontrase suspensa por força de decisão judicial. Informa que impetrou Mandado de Segurança nº 2003.71.00.0301832, objetivando que os expurgos relativos a janeiro de 1989, fevereiro de 1989, março de 1990, abril de 1990, maio de 1990 e fevereiro de 1991, nos percentuais de 42,72%, 6,31%, 30,46%, 44,90%, 2,36% e 13,89%, fossem incluídos na apuração do referido indébito. A seguir discorre sobre o andamento da ação, e conclui que o lançamento só poderia ser feito quando do trânsito em julgado da decisão final da referida ação. c) Que informou os valores autuados pelo fisco através de Declaração de Contribuições e Tributos Federais – DCTFs, encontrandose os créditos tributários já constituídos por autolançamento – confissão de dívida, sendo inadmissível a constituição de crédito através do lançamento de ofício, por gerar duplicidade de cobrança que é vedada pela Carta Magna. d) Que a cobrança da multa de ofício é indevida, porque fundamentada em dispositivo legal que não mais se encontra em vigor em nosso ordenamento jurídico, sustentando a aplicação do art. 106, II, “a”, do CTN. Cita ainda o § 2º do art. 5º do Decreto nº 2.124/84, que determina, no caso de não pagamento de débitos declarados em DCTF, o que diz não ter ocorrido no caso em tela, ser cabível somente correção monetária, juros de mora e multa de 20% (vinte por cento) sobre o valor do débito. Fl. 526DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 11080.001459/200860 Acórdão n.º 3201001.839 S3‐C2T1 Fl. 1.104 4 Ao final, requer a desconstituição do lançamento. Consta nas fls. 337/338, cópia da decisão proferida pelo Delgado da DRF/Uberaba no processo administrativo nº 15254.000018/201087, tendo como interessada a pessoa jurídica GPC Química S/A, CNPJ nº 90.195.892/002160. O contribuinte é intimado da decisão, interpondo recurso voluntário. Julgado o recurso, este foi negado. O Delegado da RFB, ao receber o processo, interpõe embargos de declaração, alegando que a multa de mora deveria ter sido interrompida, não afastada. É o relatório. Voto Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. A decisão recorrida discutiu apenas a possibilidade de lançamento de multa em processos para evitar a decadência. Entendendo ser indevida a multa, esta foi excluída. Os embargos pretendem discutir o mérito da decisão, alegando que a multa de mora deveria ter sido mantida. Além do recurso interposto buscar rediscutir o mérito, a decisão recorrida bem tratou do tema, inclusive dispondo ser ilegal da decisão da DRJ que alterou a multa lançada na infração original de ofício para moratória. A legislação pátria é clara: descabe a aplicação de qualquer multa nos lançamentos para evitar a decadência. Assim, voto por conhecer e rejeitar os embargos interpostos. Sala das Sessões, 10 de dezembro de 2014 Luciano Lopes de Almeida Moraes Fl. 527DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 11080.001459/200860 Acórdão n.º 3201001.839 S3‐C2T1 Fl. 1.105 5 Fl. 528DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES
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Numero do processo: 13851.000006/91-82
Data da sessão: Fri Mar 24 00:00:00 UTC 1995
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - FINSOCIAL FATURAMENTO
EX. 1987 - Não se conhece do recurso, quando
declarada, pela autoridade de primeira instância,
a intempestividade da impugnação.
Numero da decisão: 102-29.790
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por intempestiva a impugnação, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Nome do relator: Ursula Hansen
1.0 = *:*
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - FINSOCIAL FATURAMENTO EX. 1987 - Não se conhece do recurso, quando declarada, pela autoridade de primeira instância, a intempestividade da impugnação.
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LTDA RECORRIDA :.DRF - RIBEIRA° PRETO - SP PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - FINSOCIAL FATURA- MENTO EX. 1987 - Não se conhece do recurso, quando declarada, pela autoridade de primeira instância, a intempestividade da impugnação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por HILOSHI OKADA 81 CIA. LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conse- lho de Contribuintes, por unanimidade de votos, não conhecer do recur- so por intempestiva a impugnação, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Sala 24 de março de 1995 41111ÉMW auut - PRESIDENTE PR S L; ' N RELATORA VISTO EM LOUREMBERG RIBEIRO NUNES ROCHA - PROCURADOR DA F. SESSAO PE: ZEN-0A A9R 1995 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselhei- ros= Waldevan Alves de Oliveira, Maria ClAlía de Andrade Figueiredo, Júlio César Gomes da Silva e José Carlos Passuello. MINISTERIO DA FAZENDA 2. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO Na. 13851/000.006/91-82 RECURSO Na.: 80.392 ACORDA() Na.: 102-29,790 RECORRENTE : HILOSHI OKADA & CIA. LTDA RE.1.1A.12RIQ . O presente processo trata de Auto de Infração, fia. 05, J nontra HTLOSHI OKADA & CIA. LTDA, CGC Na 52.316:759/0001-81, jurisdicionada à Delegacia da Receita Federal em Ribeirão Preto - SP, formalizando a P:xisência fiscal •de FINSOCIAL FATURAMENTO EX. 1987, no valor originário de 807,15 BTNF, sujeito aos correspondentes acrésci- mos li,,,gais. O lançamento, com base no Artigo la, parágrafo ia do Decreto Lei Na 1940/82 e Artigos 16, 80 e 83 do Regulamento do Finso- ciai, aprovado pelo Decreto Na 92.693/86, decorreu de irregularidades apuradas em procedimento de fiscalização na pessoa jurídica, conforme demonstrado no pronRsso 13851/000,004/91-57. Termo de RevAlia às fls. 06, Inconformado com a exiwência fiscal, o contribuinte, apresentou, sua impugnação de fls. 09/16, fundamentando suas alegações nas razões apresentadas no processo matriz. A decisão da la Instância relativa ao presente proces- so, de número 129/91, foi proferida às fls. 21/23, não tendo a autori- dade julgadora "a quo" tomado conhecimento da impugnação, por intem- pestiva. Ciente da decisão singular em 01/07/91 (fls. 26), o contribuinte apresenta seu recurso voluntário em 15/07/91, conforme petição -1.-. -P1 fls, 98/32, O recurso foi lido na integra em Plenário, ..,-n .E o relatóri0=L ,7/ t- . . MINISTERIO DA FAZENDA 3. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO Na. 13851/000,006/91-82 ACORDA() NQ. 102-29,790 VQIQ Conselheira Ursula Hansen - Relatora: A exigência fiscal constante deste processo é decorrên- cia da que foi apurado do processo matriz de No. 13851/000.004/91-57. O recurso interposto no processo acima mencionado foi submetido à apreciação desta Câmara em sessão realizada em 15/02/93, e, conforme faz certo o Acórdão de No 102-27.817, não se conheceu do recurso, por intempestiva a impugnação, Tendo sido carreado aos presentes autos o Acórdão acima citado (fls. 99 e seguintes), e estando caracterizada neste processo decorrente situação idêntica à ocorrida no processo matriz, peço vênia para adotar o teor daquele voto, considerando-o como se aqui transcri- to g=stivess-R. Considerando o acima exposto e o que mais dos autos consta, Voto pelo não conhecimento do recurso, por intempestiva a impugnação, Brasília - DF, 24 de março de 1995. ) - Relatora. Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1
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Numero do processo: 10235.001587/2008-30
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
TRIBUTAÇÃO. IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. CRITÉRIO DE APURAÇÃO DO IMPOSTO. ERRO DE DIREITO.
São tributáveis os valores relativos aos acréscimos patrimoniais a descoberto, apurados mensalmente, quando não justificados pelos rendimentos tributáveis, isentos ou não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. Contudo, a determinação do Acréscimo Patrimonial a Descoberto, considerando o conjunto anual de operações, não pode prevalecer, uma vez que na determinação da omissão, as mutações patrimoniais devem ser levantadas mensalmente (art. 2° da Lei n° 7.713/1988), sendo vedado à Autoridade julgadora de 1ª instância inovar no lançamento regularmente cientificado ao sujeito passivo, para adequá-lo à lei.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2801-003.139
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para declarar a nulidade do lançamento por vício material, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 TRIBUTAÇÃO. IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. CRITÉRIO DE APURAÇÃO DO IMPOSTO. ERRO DE DIREITO. São tributáveis os valores relativos aos acréscimos patrimoniais a descoberto, apurados mensalmente, quando não justificados pelos rendimentos tributáveis, isentos ou não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. Contudo, a determinação do Acréscimo Patrimonial a Descoberto, considerando o conjunto anual de operações, não pode prevalecer, uma vez que na determinação da omissão, as mutações patrimoniais devem ser levantadas mensalmente (art. 2° da Lei n° 7.713/1988), sendo vedado à Autoridade julgadora de 1ª instância inovar no lançamento regularmente cientificado ao sujeito passivo, para adequá-lo à lei. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para declarar a nulidade do lançamento por vício material, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
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IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. CRITÉRIO DE APURAÇÃO DO IMPOSTO. ERRO DE DIREITO. São tributáveis os valores relativos aos acréscimos patrimoniais a descoberto, apurados mensalmente, quando não justificados pelos rendimentos tributáveis, isentos ou não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. Contudo, a determinação do Acréscimo Patrimonial a Descoberto, considerando o conjunto anual de operações, não pode prevalecer, uma vez que na determinação da omissão, as mutações patrimoniais devem ser levantadas mensalmente (art. 2° da Lei n° 7.713/1988), sendo vedado à Autoridade julgadora de 1ª instância inovar no lançamento regularmente cientificado ao sujeito passivo, para adequálo à lei. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para declarar a nulidade do lançamento por vício material, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente em exercício. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 23 5. 00 15 87 /2 00 8- 30 Fl. 295DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21 /08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10235.001587/200830 Acórdão n.º 2801003.139 S2TE01 Fl. 296 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Contra o contribuinte interessado foi lavrado, em 06/08/2008, o Auto de Infração de fls.03/10, pelo qual se exigiu o pagamento do crédito tributário no montante de R$ 54.521,20, a título de Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas – IRPF suplementar, do exercício de 2006, ano calendário de 2005, acrescido de multa de ofício (75,0%) no valor de R$ 40.890,90 e mais juros de mora, tendo como objeto a constatação de “Acréscimo Patrimonial a Descoberto omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, onde verificouse excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados / comprovados, conforme descrição dos fatos”. O enquadramento legal foi obtido nos dispositivos: “Arts. 1º , 2°, 3°, e §§, da Lei n ° 7.713/88; Arts. 1° e 2°, da Lei n ° 8.134/90; Arts. 55, inciso XIII, e parágrafo único, 806 e 807 do RIR/99; Art. 10 da Lei n°11.119/05.” E a descrição detalhada dos fatos, da qual transcrevo partes, encontrase nas fls. 05 e 06, onde a Auditora Fiscal descreve passo a passo o procedimento empreendido, que resume a documentação que se encontra nas fls. 13 a 77: 3 Em 28.04.2008 o contribuinte recebeu via postal, por Aviso de Recebimento (AR), o Termo de Reintimagão Fiscal, lavrado em 18.04.2008, que o intimava a comprovar a origem dos recursos declarados como Rendimentos Isentos e não tributáveis no valor de R$ 201.659,00. 4 Em 06.05.2008 o contribuinte atendeu o termo entregando sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física (DIRPF) ano calendário 2005 e a DIRPF ano calendário 2005 de Jorge Evaldo Edinho Duarte Pinheiro, CPF 066.799.86249, que informou doação efetuada ao contribuinte no valor de R$ 200.000,00. 5 Em 21.05.2008 o contribuinte recebeu por AR o Termo de Intimação Fiscal, lavrado em 15.05.2008, intimandoo a comprovar a efetiva transferência dos valores recebidos como doação e apresentar a guia de arrecadação do Imposto sobre a Doação de Quaisquer Bens ou Direitos ITCD, referente ao valor recebido como doação no valor de R$ 200.000,00. 6 Em 02.06.2008 o contribuinte atendeu o termo informando que o motivo da doação foi permitir a aquisição de 50% das Fl. 296DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21 /08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10235.001587/200830 Acórdão n.º 2801003.139 S2TE01 Fl. 297 3 cotas sociais da empresa REDE MARCO ZERO DE COMUNICAÇÕES E PUBLICIDADE LTDA, CNPJ n° 14.573.836/000190. (...) 11 No interesse de se confirmar e efetiva ocorrência da doação foi autorizado o MPF Diligência n° 02.4.01.00200800075, em nome da pessoa física JORGE EVALDO EDINHO DUARTE PINHEIRO, CPF 066.799.86249. Nos termos enviados e atendidos o contribuinte informou igual ao contribuinte fiscalizado que o motivo da doação foi permitir a aquisição das cotas sociais da empresa Rede Marco Zero De Comunicações E Publicidade Ltda, CNPJ n° 14.573.836/000190, que o numerário foi transferido através de cheque do banco Unibanco, que a origem dos recursos para a doação foi um empréstimo tomado no mesmo banco, e intimado a apresentar a guia ITCD, pois como doador responde solidariamente com o sujeito passivo do imposto, o contribuinte informou como o contribuinte fiscalizado que a apresentação da guia ITCD, referente ao valor doado, como o objeto do Termo de Intimação Fiscal, é indevido, uma vez que esse tributo é de competência estadual, logo a Receita Federal do Brasil, órgão de fiscalização da União Federal, em tese, não teria interesse ou mesmo competência para adentrar em questões pertencentes a outro órgão e de outro ente federativo. A diligência também não conseguiu nenhum documento que comprove a efetiva transferência dos valores declarados como doação no valor de R$ 200.000,00, 12 Pelos motivos expostos foi lavrado Auto de Infração decorrente de ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO, pela não comprovação do efetivo recebimento da doação, permanecendo a aquisição de 50% do Capital Social da pessoa jurídica Rede Marco Zero De Comunicações E Publicidade Ltda considerado como acréscimo patrimonial a descoberto no valor de R$ 200.000,00, no mês de junho de 2005, conforme Alteração Contratual n° 10 para Adequação e Consolidação da Sociedade Empresarial Rede Marco Zero de Comunicação e Publicidade Ltda, assinada em 30.06.2005; de acordo com o artigo 55, inciso XIII, do RIR/99. Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação, conhecida e tratada pela DRJ Belém/PA, que externou os seguintes argumentos, dentre outros: A doação em espécie está sujeita à comprovação da sua efetivação, bem como da disponibilidade econômicofinanceira para tal liberalidade. 6. Não houve a comprovação da efetivação da doação do numerário para o suposto donatário. Não há contrato, não ha cheque ou transferência bancária do doador para o donatário, não há comprovação do imposto relativo à operação (ITCMD). Seriam elementos que ajudariam na convicção de que o contrato teria efetivadose. Os julgados do Conselho de Contribuintes Fl. 297DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21 /08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10235.001587/200830 Acórdão n.º 2801003.139 S2TE01 Fl. 298 4 apresentados que trataram de outros casos não obrigam as decisões das Delegacias de Julgamento. 7. Ha' que se indagar, também, sobre disponibilidade econômicofinanceira para tal liberalidade, tendose em vista a impossibilidade de doação de quem sequer demonstra patrimônio suficiente para doar ou testar. Isto porque, segundo o que Prescreve o Código Civil, a doação de ascendentes a descendentes importa adiantamento do que lhes cabe por herança. E é nula a doação quanto à parte que exceder à de que o doador, no momento da liberalidade, poderia dispor em testamento. (...) No que se refere à análise da evolução patrimonial para fins de levantamento do acréscimo patrimonial a descoberto, cuja finalidade é detectar a existência de omissão de rendimentos tributáveis, devese reportar aos períodos mensais para conformarse as disposições legais (artigos 1º a 3º e §§ da Lei n°7.713/88 e artigos 1° e 2° da Lei n° 8.134/90). Vale, para se detectar variações patrimoniais a descoberto, os gastos superiores em cada mês, o que evidencia uma quebra de caixa. 10. Além da exteriorização da omissão de rendimentos, o levantamento de que se trata propicia o arbitramento da renda omitida e, conseqüentemente, a apuração do montante do tributo devido. (sublinhei) ... Desta forma, ao acréscimo patrimonial constatado em junho de 2005 faltou diminuir a disponibilidade representada pela soma dos rendimentos líquidos comprovados pelas alias financeiras do contribuinte (fls. 31/32). Enfim, efetuada uma nova apuração do valor de tributo omitido, o Acórdão de 1ª instância deuse para “julgar a impugnação procedente em parte, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, mantendo o crédito tributário em parte.”(grifei) Cientificado do Acórdão de 1ª instância em 22/09/2009, apresentou recurso voluntário em 21/10/2009. Em sede de recurso, o Recorrente aduz, em síntese, que: tratase de doação entre pai e filho, frisese, de cotas sociais de uma empresa, não de dinheiro, dai inexistir transferência de recursos financeiros entre o Autuado e o alienante das cotas ou mesmo entre o doador (pai) e o donatário (filho). Importante salientar que o pai adquiriu os recursos financeiros para a aquisição das cotas sociais através de empréstimo bancário, questão incontroversa nos autos; isso porque para o doador e o donatário esse negócio jurídico é indiscutível; o valor está declarado em ambas as declarações de ajuste; a origem do valor doado também está cabalmente provado empréstimo bancário, repitase; Fl. 298DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21 /08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10235.001587/200830 Acórdão n.º 2801003.139 S2TE01 Fl. 299 5 a decisão administrativa se imiscuiu numa relação jurídica privada para declarar a nulidade da doação e assim tributar; a decisão administrativa de primeiro grau usurpou as atribuições do Auditor Fiscal em exercício na IRF de Macapá, posto que lançou, ao inovar no lançamento, ao invés de somente rever a legalidade do mesmo. Não é autoridade competente para prática do ato, falta lhe atribuição ou competência especifica; o regimento interno da Secretaria da Receita Federal, em seu art. 224, o qual confere competência às Delegacias da Receita Federal de Julgamento, não contempla a função de alterar o lançamento ou o critério jurídico. Ainda, ignorou por completo a forma prevista em lei para o ato de lançamento, como por exemplo: a necessidade de mandado, a notificação, a forma do auto de infração etc. Assim, requer que seja recebido o presente Recurso Voluntário, para, após o devido processo legal, ser reformada a decisão administrativa a fim de julgar insubsistente o Auto de Infração e, alternativamente, requer que esta Turma se pronuncie explicitamente acerca da violação aos princípios e disposições legais que menciona, a fim de permitir o Recurso Especial. Foi encaminhado a este CARF, pela Unidade preparadora DRF Macapá/AP, pedido do contribuinte de celeridade no julgamento administrativo (fl. 143), sob a alegação de impetração judicial de Medida Cautelar Preparatória (nº. 2008.31.00.0018561 — 2a Vara — Seção Judiciária do Estado do Amapá) em face do Recorrente. Verifico, no sítio eletrônico do Tribunal Regional Federal da Primeira Região, que se trata de “Cautelar Fiscal” , distribuída em 25/08/2008, tendo como Requerente a Fazenda Nacional, representada por sua Procuradoria (PFN). Pela movimentação daqueles autos, inferese que a PFN impetrou tal medida no intuito de garantir uma eventual execução fiscal, considerando que o crédito tributário lançado contra o contribuinte alcança expressiva parcela de seu patrimônio, então conhecido. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. Conheço do recurso, já que tempestivo e com condições de admissibilidade. Não entendo que a decisão administrativa de 1ª instância tenha declarado “nulidade da doação efetuada”. Não é possível à autoridade administrativa de julgamento “desconstituir” atos civis. O que o parágrafo único do art. 116 do CTN, acrescido pela Lei Complementar nº 104/2001, traz é que a autoridade administrativa poderá “desconsiderar” atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo (obtenção de renda). Assim, o que foi levado a cabo no presente lançamento é a “desconsideração” da origem informada do recurso (doação) para suportar o acréscimo patrimonial (aquisição de cotas de empresa), presumindose então uma omissão de rendimentos tributáveis. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21 /08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10235.001587/200830 Acórdão n.º 2801003.139 S2TE01 Fl. 300 6 Feitas essas considerações preliminares, passemos ao cerne da questão. A tributação do acréscimo patrimonial a descoberto pautouse pelos arts. 1º, 2º e 3º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988: Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2o O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Art. 3o O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidas em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. [...] § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Também pelo previsto no art. 55, inciso XIII, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26/03/1999, que assim dispõe: “Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): (...) XIII – as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva;” Da leitura dos dispositivos legais acima mencionados, depreendese que se devem confrontar, mensalmente, as mutações patrimoniais com os rendimentos auferidos para se apurar a evolução patrimonial do contribuinte. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21 /08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10235.001587/200830 Acórdão n.º 2801003.139 S2TE01 Fl. 301 7 Contudo, como se verifica na apuração efetuada pela Autoridade Fiscal que efetuou o lançamento, na fl. 08, a fiscalização apurou a variação patrimonial do Recorrente em bases anuais, e não em bases mensais, como determina a lei. A jurisprudência deste Conselho Administrativo é pacifica no sentido de não admitir a variação patrimonial, considerando o conjunto anual de operações. Vejamos: IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. LEVANTAMENTO EM BASES ANUAIS. NULIDADE. A apuração do acréscimo patrimonial a descoberto, para fins de exigência de imposto de renda da pessoa física, deve ser feita a partir do fluxo mensal das receitas e despesas. É nulo o lançamento que considera, para fins de apurar a variação patrimonial, as receitas e despesas do contribuinte de forma anual. Tal procedimento impede a verificação dos meses em que o acréscimo a descoberto tenha ocorrido. (Acórdão nº 2102 00.616 Sessão de 13 de maio de 2010). Entendimento reproduzido no Acórdão 2201002.119 de 14 de maio de 2013. Portanto, a apuração do acréscimo patrimonial a descoberto deve ser feita a partir de fluxo financeiro que considere, mês a mês, as receitas e despesas para, a partir de tal critério, verificar em que mês ocorreu o acréscimo patrimonial a descoberto, conforme determina o art. 2o da Lei no 7.713, de 1988. Verificando a impropriedade no Lançamento, a Autoridade julgadora de 1ª instância providenciou corrigila, efetuando nova apuração, que inclusive beneficiou em parte o Recorrente, já que a exigência fiscal original foi reduzida. Portanto, constatase que a equivocada aplicação da lei teve reflexo no “cálculo do montante do tributo devido” de competência privativa da autoridade administrativa que constitui o crédito tributário, pelo lançamento ( cf. art. 142, do CTN). “Mudança de critério jurídico” empregado no lançamento não se confunde com erro de fato nem mesmo com erro de direito, embora a distinção, relativamente a este último, seja bastante sutil. “Há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa simplesmente muda de interpretação, substitui uma interpretação por outra, sem que se possa dizer que qualquer das duas seja correta”, é o que leciona HUGO DE BRITO MACHADO ( in Curso de Direito Tributário, 33ª ed, Malheiros, 2012, p.180). Já o erro de direito ocorre quando não seja aplicada a lei ou quando a má aplicação dela seja notória e indiscutível. Creio que seja este o caso. Assim, verificandose o erro de direito, ocorrido na aplicação da lei ao caso concreto, é de ser citada a lição de RICARDO LOBO TORRES, referindose a artigos do Código Tributário Nacional CTN: “A norma do art. 146 ...complementa a irrevisibilidade por erro de direito regulada pelos arts. 145 e 149. Enquanto o art. 149 exclui o erro de direito dentre as causas que permitem a revisão do lançamento anterior feito contra o mesmo contribuinte, o art. 146 proíbe a alteração do critério jurídico geral da Administração aplicável ao mesmo sujeito passivo com eficácia para os fatos pretéritos” (in O Princípio da Proteção da Fl. 301DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21 /08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10235.001587/200830 Acórdão n.º 2801003.139 S2TE01 Fl. 302 8 Confiança do Contribuinte, RFDT 06/09, dez/03 citado em PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código Tributário....15. ed. Porto Alegre : Livraria do Advogado Editora, ESMAFE, 2013, p.1049) Concluise, portanto, que a apuração equivocada do montante do tributo devido, em descompasso com a lei aplicada ao lançamento, constituiuse em erro de direito, que não poderia ser corrigido ou suprimido pela Autoridade julgadora de 1ª instância. Desta feita, independentemente das questões de mérito sobre a efetividade da doação entre pai e filho, levantadas pelo Recorrente, é de se reconhecer a nulidade da exigência. Assim sendo, voto no sentido de dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21 /08/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN
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Numero do processo: 10580.728447/2009-63
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/10/2008
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - SEGURADOS EMPREGADOS - PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS - DESCUMPRIMENTO DA LEI - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO
Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS - DESCUMPRIMENTO DOS PRECEITOS LEGAIS - ESTIPULAÇÃO NO ACORDO OU CONVENÇÃO DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS.
Não demonstrou o recorrente que os acordos e convenções coletivas estipulavam metas ´para o pagamento de PLR.
PLR - AUSÊNCIA DE ARQUIVAMENTO DO ACORDO AO TEMPO DE SUA VIGÊNCIA
A legislação estabelece regras para atribuir legitimidade aos acordos firmados a título de PLR.
A ausência de arquivamento do acordo no sindicato ao tempo da vigência do acordo, não pode ser convalidado com o arquivamento tardio, quando já extinto o prazo de sua vigência e já realizado todos os pagamentos ao que o mesmo se propunha.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - CONTRIBUIÇÃO DESTINADA A TERCEIROS - PLR PAGO EM DESACORDO COM A LEI
Cumpre observar que fiscalização previdenciária possui competência para arrecadar e fiscalizar as contribuições destinadas a terceiros, conforme art. 94 da Lei 8.212/91.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.959
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Igor Araújo Soares e Marcelo Freitas de Souza Costa, que entendem que o arquivamento tardio do acordo no sindicato não acarreta o descumprimento dos requisitos legais e o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que entende não havido descumprimento do requisito de existência de regras claras e objetivas.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/10/2008 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - SEGURADOS EMPREGADOS - PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS - DESCUMPRIMENTO DA LEI - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS - DESCUMPRIMENTO DOS PRECEITOS LEGAIS - ESTIPULAÇÃO NO ACORDO OU CONVENÇÃO DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. Não demonstrou o recorrente que os acordos e convenções coletivas estipulavam metas ´para o pagamento de PLR. PLR - AUSÊNCIA DE ARQUIVAMENTO DO ACORDO AO TEMPO DE SUA VIGÊNCIA A legislação estabelece regras para atribuir legitimidade aos acordos firmados a título de PLR. A ausência de arquivamento do acordo no sindicato ao tempo da vigência do acordo, não pode ser convalidado com o arquivamento tardio, quando já extinto o prazo de sua vigência e já realizado todos os pagamentos ao que o mesmo se propunha. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - CONTRIBUIÇÃO DESTINADA A TERCEIROS - PLR PAGO EM DESACORDO COM A LEI Cumpre observar que fiscalização previdenciária possui competência para arrecadar e fiscalizar as contribuições destinadas a terceiros, conforme art. 94 da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Negado.
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PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS DESCUMPRIMENTO DOS PRECEITOS LEGAIS ESTIPULAÇÃO NO ACORDO OU CONVENÇÃO DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. Não demonstrou o recorrente que os acordos e convenções coletivas estipulavam metas ´para o pagamento de PLR. PLR AUSÊNCIA DE ARQUIVAMENTO DO ACORDO AO TEMPO DE SUA VIGÊNCIA A legislação estabelece regras para atribuir legitimidade aos acordos firmados a título de PLR. A ausência de arquivamento do acordo no sindicato ao tempo da vigência do acordo, não pode ser convalidado com o arquivamento tardio, quando já extinto o prazo de sua vigência e já realizado todos os pagamentos ao que o mesmo se propunha. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL CONTRIBUIÇÃO DESTINADA A TERCEIROS PLR PAGO EM DESACORDO COM A LEI Cumpre observar que fiscalização previdenciária possui competência para arrecadar e fiscalizar as contribuições destinadas a terceiros, conforme art. 94 da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 84 47 /2 00 9- 63 Fl. 276DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Igor Araújo Soares e Marcelo Freitas de Souza Costa, que entendem que o arquivamento tardio do acordo no sindicato não acarreta o descumprimento dos requisitos legais e o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que entende não havido descumprimento do requisito de existência de regras claras e objetivas. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10580.728447/200963 Acórdão n.º 2401002.959 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado sob o n. 37.201.9170, em desfavor da recorrente tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela destinada a terceiros, levantadas sobre os valores pagos a pessoas físicas na qualidade de empregados à título de Participação nos Lucros e Resultados – PLR.. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 14 a 23, o contribuinte apresentou Convenção Coletiva de Trabalho realizada entre a SERTEB Sindicato das Empresas de Radiodifusão e Televisão do Estado da Bahia e o SINTERP/Ba Sindicato dos Trabalhadores em Rádio, TV e Publicidade da Bahia, referentes aos exercícios de 2005, 2007 e 2008, cuja previsão de pagamento de PLR está na cláusula 9º (cópias anexas ao relatório fiscal). Apresentou também os regulamentos para o pagamento do PLR, relativos aos anos de 2005 a 2008, assinados no dia 1° de janeiro de cada exercício, porém protocolados no SINTERP/BA, a destempo, em 03/03/2009, ou seja, somente após o início desta ação fiscal, conforme Termo de Início Procedimento Fiscal anexo. Além disso, os acordos de 2005 e 2006 não estabeleceram de forma clara e objetiva, consoante legislação específica, as metas a serem atingidas, nem as regras de aferição. Já para os acordos de 2007 e 2008 estabeleceuse como meta o alcance das metas de despesas operacionais da empresa. Meta esta não definida claramente por setores da empresa. Quais as metas de despesas para o setor de execução, recursos humanos ou administração? Quais valores deveriam atingir? Quais seriam os mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado? Desta forma, concluise que a empresa descumpriu a legislação sobre a matéria. Assim, o referido pagamento, embora intitulado "PLR", passou à condição de parcela de natureza remuneratória, integrante, portanto, do salário de contribuição. Ressaltese, a título de esclarecimento, que a PLR foi instituída, no ordenamento jurídico pátrio, como incentivo à produtividade dos empregados, daí a necessidade de estabelecimento de regras claras, objetivas e, principalmente, prévias, para permitir que todos os colaboradores possam estar alinhados com os interesses do empregador e, assim, contribuírem para o seu sucesso na concretização das metas e objetivos almejados. Por óbvio, quando falamos em objetivos e metas, estamos tratando do futuro, jamais do passado, como no caso presente. Quanto a multa imposta, destaca que os fatos geradores apurados não foram declarados nas GFIP o que ensejou a lavratura do presente AI com a multa de 75 % sobre o valor das contribuições apuradas, e a aplicação, após a devida comparação, da multa de ofício de 24% sobre o valor das contribuições apuradas, por descumprimento da obrigação principal. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 14/12/2009, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 17/12/2009. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 Não conformada com a autuação a recorrente apresentou defesa, fls. 128 a 149. Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência do lançamento, fls. 238 a 248. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2005 a 31/08/2008 TERCEIROS. Compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil a arrecadação e fiscalização das contribuições devidas a terceiros, conforme art. 3º, da Lei n.º 11.457/2007. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. DESCARACTERIZAÇÃO. Os pagamentos a título de participação nos lucros ou resultados realizados, pela empresa, sem o cumprimento de todos os requisitos impostos pela Lei n.º 10.101/2000, integram o salário de contribuição e sobre elas incidem as contribuições destinadas à Seguridade Social. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 252 a 274 , contendo em síntese os mesmo argumentos da impugnação, os quais podemos descrever de forma sucinta: 1. Impossibilidade de tributação previdenciária sobre o PLR – Participação nos Lucros e Resultados, posto que a verba não possui caráter remuneratório. Somente as remunerações pagas como retribuição pelo trabalho é que poderão ser objeto de incidência de contribuições, o que não é o caso. 2. Ademais, argumenta que a lei 10.101 e 8.212, apenas disciplinam a expressa ordem do legislador constituinte que , assegura no texto maior tal rubrica aos trabalhadores, excluindo da mesma o caráter remuneratório. Logo a norma infra que disciplina o pagamento da PLR surge em decorrência da CF, devendo regulamentála e não restringi la. 3. Da apreciação da referida lei, resta evidenciado que a participação do empregado nos lucros e resultados da empresa deve gozar de aprovação do sindicato, constando expressamente de acordo de vontade das partes (empregador e empregados) e não pode ser paga em período inferior a seis meses. 4. Pois então, quanto à disposição legal acerca do pagamento de PLR pela ora requerente, há que se frisar que as Convenções Coletivas de Trabalho firmado entre o SERTEB (sindicato patronal) e o SINTERP/BA (sindicato dos empregados) dispõe que podem as empresas negociar livremente com seus funcionários, apenas registrando o acordo no sindicato. 5. Nesta esteira, registrase que, conforme os documentos de formalização dos acordos para PLR, restou comprovado claramente que houve uma negociação entre a empresa e os representantes de seus empregados para o pagamento de PLR, atendendo ao requisito legal. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10580.728447/200963 Acórdão n.º 2401002.959 S2C4T1 Fl. 4 5 6. Quanto a este tópico, impera registrar que apesar da fiscalização ter considerado que o termo de negociação não evidencia de forma clara as regras, as mesmas sempre existiram na empresa e são de conhecimento público, desde que a empresa começou a pagar PLR, antes mesmo da conversão das Medidas Provisórias que culminaram na Lei n.° 10.101/2000, que disciplina a matéria. A regra sempre esteve relacionada ao crescimento do faturamento da empresa em relação ao ano anterior. Sendo, no entanto, levado em consideração a expectativa do mercado publicitário em face cenário comercial esperado para o ano. 7. Como isto vem sendo feito há mais de 10 (dez) anos, jamais houve a preocupação por parte da empresa, de seus funcionários ou até mesmo do sindicato, em que estas regras constassem de modo detalhado no acordo. 8. Com efeito, quanto à verificação efetiva dos resultados, ao final de cada ano calendário a gerência da empresa se reúne com o Setor Financeiro para a demonstração do cumprimento da meta supramencionada, de modo que seja determinado o pagamento da PLR aos funcionários. Válido se faz juntar as atas destas reuniões, elaboradas com cunho de determinar a realização dos pagamentos. 9. Ainda, há que salientar quanto ao segundo fator utilizado pela fiscalização para a descaracterização do PLR, que em relação aos acordos efetuados para com os funcionários, de fato houve atraso nos registros dos mesmos perante o sindicato. No entanto, ressaltese, que o fato do registro ter sido tardio junto ao sindicato não pode acarretar, de sobremaneira, a descaracterização da natureza jurídica dos pagamentos realizados a título de PLR, até porque o acordo coletivo não determina um prazo peremptório para o arquivamento. 10. Jamais houve qualquer deliberação da ora Requerente no sentido de que fosse pago a funcionário algum qualquer valor a título de PLR em período inferior a seis meses, respeitando, portanto, as regras estabelecidas pela Lei n.° 10.101/2000. 11. Do quadro acima, percebese que nenhum dos empregados recebeu participação nos lucros e resultados em intervalo inferior a seis meses, à exceção de um único pagamento realizado em favor da funcionária Lilia Gramacho Calmon no mês de julho de 2005. Neste ponto, especificamente, há que se destacar que este fato decorreu de um caso isolado, posto que houve solicitação de um adiantamento no pagamento da PLR por parte da funcionária Lilia Gramacho Calmon por conta de problemas financeiros. Assim sendo, a ora Impugnante efetuou o pagamento na forma de empréstimo, e no mês subseqüente abateu do PLR que seria pago à funcionária. 12. No entanto, levando já em consideração o constante rigor da Administração Pública Federal, há que se destacar que nos casos em que houve pagamento de PLR sem que fosse respeitado o prazo mínimo de 6 (seis) meses, determinou o STJ que fosse desconsiderada a natureza jurídica do pagamento de PLR apenas daquela parcela que não observou o prazo mínimo legal. 13. O que se vê nos presentes autos é que os valores pagos aos empregados são relativos a bônus oriundos da lucratividade da empresa, e por isso mesmo esporádicos e motivados (lucros), as quantias, portanto, não se constituem em renda tributável pelas contribuições previdenciárias, pois não integra o conjunto salarial. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 6 14. Assim, mantém a ora Impugnante à disposição da fiscalização toda a documentação que esta entender por necessária a fim de comprovar que as metas para o pagamento de PLR não só eram negociadas, como eram de conhecimento de todos, podendo, inclusive, este Julgador determinar a ouvida de funcionários. 15. Portanto, estabelecese uma primeira premissa: o pagamento da PLR, por si só, não acarreta a obrigação tributária do recolhimento de contribuição previdenciária e, conseqüentemente, não gera obrigação de declaração em GFIP. 16. Ressaltase, assim, que somente com a lavratura do presente AI e de sua ciência pela ora recorrente foi que nasceu a obrigação tributária do recolhimento da contribuição previdenciária incidente sobre os pagamentos então realizados a título de PLR. 17. Temse, desta sorte, que até a ciência da presente autuação, não havia obrigação tributária, por conseguinte, tão pouco crédito tributário. Logo, se não havia crédito tributário constituído, não existia também dever de recolhêlo, vencimento e muito menos inadimplemento tributário. 18. Temse, assim, que se firmar uma segunda premissa: sem que haja inadimplemento de obrigação tributária é completamente absurda a cobrança, pela Receita Federal, de qualquer multa, seja ela de caráter moratório ou punitivo. 19. Desta forma, é flagrante a ilegalidade da exigência de multa de caráter moratório ou punitivo no presente Auto de Infração, devendo a mesma ser integralmente anulada. Primeiramente, há que se destacar a tamanha injustiça do tratamento dado pela Receita Federal na presente circunstância em comparação às demais autuações em que os contribuintes são autuados em virtude do não pagamento de tributos não declarados. 20. Na aludida circunstância, o agente administrativo lavra autuação fiscal exigindo do contribuinte inadimplente, frisese, que deixou de oferecer à tributação o fato gerador, uma multa punitiva de 75% (setenta e cinco por cento) além da cobrança do devido crédito tributário. 21. Desta forma, é forçoso evidenciar, compartilham o contribuinte autuado e a Receita Federal do Brasil que o pagamento de PLR não deve sofrer a incidência das contribuições previdenciárias, restando como divergência o fato dos acordos efetuados atenderem ou não ao que determina a lei. 22. Estáse assim, diante de situações completamente distintas: a primeira, do contribuinte que omitiu o fato gerador da tributação, deixando de recolher e declarar tributos, e a segunda, da ora Impugnante, que agiu de acordo com a Lei, já que a PLR não constitui fato gerador das contribuições previdenciárias, mas que o Fisco não concorda com os termos do acordo firmado com os empregados (questão unicamente formal). A sutil diferença, ilustre julgador, reside no intuito do contribuinte, na completa ausência de dolo ou culpa da ora Impugnante, que sequer poderia imaginar em recolher o tributo ora exigido, uma vez que a Lei assim não o determina. 23. Assim, está cabalmente comprovado que a multa aplicada à ora impugnante afronta o texto constitucional, colidindo frontalmente com os princípios constitucionais da Razoabilidade, Proporcionalidade e do Não confisco, devendo, portanto, ser afastada. 24. Diante das razões apresentadas, requer: Fl. 281DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10580.728447/200963 Acórdão n.º 2401002.959 S2C4T1 Fl. 5 7 25. Seja declarada a improcedência do AI, haja vista que o pagamento de PLR não possui natureza salarial, na forma descrita acma. 26. Caso assim não entendam que se autue apenas a rubrica paga no período de julho de 2005, bem como sejam anuladas as multas aplicadas, uma vez que afrontam os princípios constitucionais da razoabilidade, da proporcionalidade e do não confisco. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 8 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 252. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO Em primeiro lugar , cumpre observar que fiscalização da DRFB possui competência para arrecadar e fiscalizar as contribuições destinadas a terceiros, conforme art. 94 da Lei 8.212/91. No mérito, foram atacados o fato de entender que a verba PLR é desvinculada do conceito de remuneração, como salário de contribuição para efeitos previdenciários, bem como a inaplicabilidade da multa imposta. Porém antes mesmo de apreciar cada um dos argumentos trazidos pelo recorrente, convém apreciar o conceito de salário de contribuição e remuneração. DA DEFINIÇÃO DE SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) grifo nosso. A legislação previdenciária é clara quando destaca, em seu art. 28, §9º, quais as verbas que não integram o salário de contribuição. Tais parcelas não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial. Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; Assim, ao não cumprir os dispositivos legais quanto a concessão do PLR entendeu a autoridade fiscal que assumiu o recorrente o ônus de ter os valores dos benefícios Fl. 283DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10580.728447/200963 Acórdão n.º 2401002.959 S2C4T1 Fl. 6 9 integrando o conceito de salário de contribuição, quando pago em desacordo com as respectivas leis. Contudo, entendo que a questão tenha que ser melhor apreciada, considerando as caraterísticas dos pagamentos e as regras impostas pela lei aos seus pagamentos. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS Os argumentos trazidos pelo recorrente foram no sentido que mesmo que não cumprido integralmente o rito procedimental, o pagamento de PLR, por si só, já se encontra afastado do conceito de salário de contribuição, também requer seja excluída a multa, face a ausência de intenção em fraudar e seu caráter confiscatório, contudo entendo que não é esse o entendimento previsto na legislação. Quanto a verba participação nos lucros e resultados, em primeiro lugar deve se ter em mente que é norma constitucional de eficácia limitada. Para fins de esclarecimento, cabe citar, o item 02, do Parecer CJ/MPAS no 547, de 03 de maio de 1996, aprovado pelo Exmo. Sr. Ministro do MPAS, dispõe, verbis: (...) de forma expressa, a Lei Maior remete à lei ordinária , a fixação dos direitos dessa participação. A norma constitucional em foco pode ser entendida, segundo a consagrada classificação de José Afonso da Silva, como de eficácia limitada, ou seja, aquela que depende "da emissão de uma normatividade futura, em que o legislador ordinário, integrandolhe a eficácia, mediante lei ordinária, lhes dê capacidade de execução em termos de regulamentação daqueles interesses". (Aplicabilidade das normas constitucionais, São Paulo, Revista dos Tribunais, 1968, pág. 150). (Grifamos) Vale ressaltar o que o Parecer CJ/MPAS nº 1.748/99 traz em seu bojo acerca da matéria, o que bem esclarece que a CF/88, realmente incentiva as empresas a participarem os seus lucros com seus empregados, todavia o próprio texto constitucional submeteu ditas regras aos limites legais, senão vejamos: EMENTA DIREITO CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO TRABALHADOR PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS ART. 7º , INC. XI DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA POSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. 1) O art. 7º , inciso XI da Constituição da República de 1988, que estende aos trabalhadores o direito a participação nos lucros desvinculado da remuneração é de eficácia limitada. 2) O Supremo Tribunal Federal ao julgar o Mandado de Injunção nº 426 estabeleceu que só com o advento da Medida Provisória nº 794, de 24 de dezembro de 1994, passou a ser lícito o pagamento da participação nos lucros na forma do texto constitucional. 3) A parcela paga a título de participação nos lucros ou resultados antes da regulamentação ou em desacordo com essa norma, integra o conceito de remuneração para os fins de incidência da contribuição social. (...) Fl. 284DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 10 7. No entanto, o direito a participação dos lucros, sem vinculação à remuneração, não é auto aplicável, sendo sua eficácia limitada a edição de lei, consoante estabelece a parte final do inciso anteriormente transcrito. 8. Necessita portanto, de regulamentação para definir a forma e os critérios de pagamento da participação nos lucros, com a finalidade precípua de se evitar desvirtuamento dessa parcela. 9. A regulamentação ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, 29 de dezembro de 1994, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas e dá outras providências, hoje reeditada sob o nº 1.76956, de 8 de abril de 1999. 10. A partir da adoção da primeira Medida Provisória e nos seus termos, passou a ser lícito o pagamento de participação nos lucros desvinculada da remuneração, mas, destaco, a desvinculação da remuneração só ocorrerá se atender os requisitos pré estabelecidos. 11. O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL ao julgar o Mandado de Injunção nº 426, onde foi Relator o Ministro ILMAR GALVÃO, que tinha por escopo suprir omissão do Poder Legislativo na regulamentação do art. 7º, inc. XI, da Constituição da República, referente a participação nos lucros dos trabalhadores, julgou a citada ação prejudicada, face a superveniência da medida provisória regulamentadora. 12. Em seu voto, o Ministro ILMAR GALVÃO, assim se manifestou: O mandado de injunção pretende o reconhecimento da omissão do Congresso Nacional em regulamentar o dispositivo que garante o direito dos trabalhadores de participarem dos lucros e resultados da empresa (art. 7º, inc. IX, da CF), concedendose a ordem para efeito de implementar in concreto o pagamento de tais verbas, sem prejuízo dos valores correspondentes à remuneração. Tendo em vista a continuação da transcrição a edição, superveniente ao julgamento do presente WRIT injuncional, da Medida Provisória nº 1.136, de 26 de setembro de 1995, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e dá outras providências, verificase a perda do objeto desta impetração, a partir da possibilidade de os trabalhadores, que se achem nas condições previstas na norma constitucional invocada, terem garantida a participação nos lucros e nos resultados da empresa. (grifei) 14. O Pretório Excelso confirmou, com a decisão acima, a necessidade de regulamentação da norma constitucional (art. 7º, inc. XI), ficando o pagamento da participação nos lucros e sua desvinculação da remuneração, sujeitas as regras e critérios estabelecidos pela Medida Provisória. 15. No caso concreto, as parcelas referemse a períodos anteriores a regulamentação do dispositivo constitucional, em que o Banco do Brasil, sem a devida autorização legal, efetuou o pagamento de parcelas a título de participação nos lucros. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10580.728447/200963 Acórdão n.º 2401002.959 S2C4T1 Fl. 7 11 16. Nessa hipótese, não há que se falar em desvinculação da remuneração, pois, a norma do inc. XI, do art. 7º da Constituição da República não era aplicável, na época, consoante ficou anteriormente dito. (Grifamos) Neste contexto podemos descrever normas constitucionais de eficácia limitada são as que dependem de outras providências normativas para que possam surtir os efeitos essenciais pretendidos pelo legislador constituinte. Ou seja, enquanto não editada a norma, não há que se falar em produção de efeitos, bem como não acato o argumento de que o pagamento de PLR, por si só, já encontrase excluído do conceito de salário de contribuição. Conforme disposição expressa no art. 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, notase que a exclusão da parcela de participação nos lucros na composição do saláriode contribuição está condicionada à estrita observância da lei reguladora do dispositivo constitucional. Essa regulamentação somente ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, reeditada sucessivas vezes e convertida na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, que veio regular o assunto em tela. De forma expressa, a Constituição Federal de 1988 remete à lei ordinária a fixação dos direitos da participação nos lucros, nestas palavras: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. A Lei nº 8.212/1991, em obediência ao preceito constitucional, na alínea “j”, § 9º, do art. 28, dispõe, nestas palavras: Art. 28 § 9º Não integram o saláriodecontribuição: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. A edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, que dispunha sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas, veio atender ao comando constitucional. Desde então, sofreu reedições e remunerações sucessivamente, tendo sofrido poucas alterações ao texto legal, até a conversão na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000. Os pagamentos referentes à Participação nos Lucros pela recorrente sofrem incidência de contribuição previdenciária, haja vista no período em que foram efetuados terem sido realizadas em desacordo com a totalidade das regras previstas na legislação específica. A Lei nº 10.101/2000 dispõe, nestas palavras : Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: Fl. 286DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 12 I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Art. 3º (...) § 3º Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. (...) Isto posto, não há de se acatar a teoria de que os pagamentos à título de PLR já encontramse, por previsão constitucional, fora da base de cálculo conforme argumentado pelo recorrente. DA ESTIPULAÇÃO DE METAS Quanto a previsão em AC/CC, temos por entendido, que este é apenas um dos requisitos, sendo que não conseguiu o mesmo demonstrar que houve a estipulação de metas, quando da realização do referido acordo. Ainda conforme descrito na informação fiscal, outro ponto que justifica o lançamento de contribuições previdenciárias sobre os pagamentos feitos à título de participação nos lucros é o fato que inexistia estipulação de metas claras e objetivas, destacando os instrumentos o pagamento de uma parcela fixa em meses determinados. O próprio recorrente traz em seu recurso que as metas era de conhecimento, não identificando face a prática realizada nos anos anteriores a necessidade das mesmas constarem de forma clara e objetiva no AC/CC. Vejamos? Quanto a este tópico, impera registrar que apesar da fiscalização ter considerado que o termo de negociação não evidencia de forma clara as regras, as mesmas sempre existiram na empresa e são de conhecimento público, desde que a empresa começou a pagar PLR, antes mesmo da conversão das Medidas Provisórias que culminaram na Lei n.° 10.101/2000, que disciplina a matéria. A regra sempre esteve relacionada ao Fl. 287DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10580.728447/200963 Acórdão n.º 2401002.959 S2C4T1 Fl. 8 13 crescimento do faturamento da empresa em relação ao ano anterior. Sendo, no entanto, levado em consideração a expectativa do mercado publicitário em face cenário comercial esperado para o ano. Como isto vem sendo feito há mais de 10 (dez) anos, jamais houve a preocupação por parte da empresa, de seus funcionários ou até mesmo do sindicato, em que estas regras constassem de modo detalhado no acordo. Nesse sentido, entendo que o grande objetivo do pagamento de participação nos lucros e resultados e a participação do empregado no capital da empresa, de forma que esse se sinta estimulado a trabalhar em prol do empreendimento, tendo em vista que o seu engajamento, resultará em sua participação (na forma de distribuição dos lucros alcançados). Assim, como falar em engajamento do empregado na empresa, se o mesmo não tem conhecimento prévio do quanto a sua dedicação irá refletir em termos de participação, ou mesmo basear o pagamento em condições anteriores. É nesse sentido, que entendo que a lei exigiu não apenas o acordo prévio ao trabalho do empregado, ou seja, no início do exercício, bem como o conhecimento por parte do trabalhador de quais as regras (ou mesmo metas) que deverá alcançar para fazer jus ao pagamento, devendo as mesmas serem negociadas no acordo firmado e não posteriormente em documento apartado junto a empresa. Vejamos o que diz o art. 2º, § 1º da lei 10.101/2000: § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Assim, conforme transcrito acima, “dos instrumentos DEVERÃO constar regras claras e objetivas quanto a fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas (...). Entendo que a expressão “podendo”, descrita no final do dispositivo legal, visou apenas indicar os incisos I e II, como exemplos, mas de forma alguma, afastou o estabelecimento de critérios. Se assim, não fosse, poderseia vislumbrar que o trabalho exaustivo do empregado durante todo um ano, com a promessa por parte do empregador de uma futura participação nos lucros, resultasse no incremento ínfimo em sua remuneração. Ou seja, para que possa sentirse estimulado o empregado, tem que ter a mínima noção do quanto esse seu empenho, trarlheá de resultados. Bastanos apreciar tanto a convenção coletiva, quanto os acordos firmados, que identificamos não existir qualquer critério quanto a participação dos empregados nos lucros. DO ARQUIVAMENTO TARDIO. Outro ponto trazido pelo auditor para caracterizar a verba como salário de contribuição, foi o fato da empresa não ter cumprido a regra do arquivamento do acordo no sindicato respectivo. Quanto a este ponto, passemos a apreciar a lei: Fl. 288DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 14 § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. É sabido, que o alcance de um acordo ou mesmo convenção coletiva restringese a categoria profissional abarcada na base territorial objeto do acordo dentro do seu prazo de vigência. Neste sentido, correto tratamento atribuído pela autoridade fiscal. Vejamos a definição de acordos e convenções coletivas, que já foram esses os instrumentos adotados pela empresa. Art. 611 Convenção Coletiva de Trabalho é o acordo de caráter normativo, pelo qual dois ou mais Sindicatos representativos de categorias econômicas e profissionais estipulam condições de trabalho aplicáveis, no âmbito das respectivas representações, às relações individuais de trabalho.(Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 1º É facultado aos Sindicatos representativos de categorias profissionais celebrar Acordos Coletivos com uma ou mais empresas da correspondente categoria econômica, que estipulem condições de trabalho, aplicáveis no âmbito da empresa ou das acordantes respectivas relações de trabalho.(Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967). Art. 613 As Convenções e os Acordos deverão conter obrigatòriamente:(Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) I Designação dos Sindicatos convenentes ou dos Sindicatos e empresas acordantes;(Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) II Prazo de vigência;(Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) III Categorias ou classes de trabalhadores abrangidas pelos respectivos dispositivos;(Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) IV Condições ajustadas para reger as relações individuais de trabalho durante sua vigência;(Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) V Normas para a conciliação das divergências sugeridas entre os convenentes por motivos da aplicação de seus dispositivos;(Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) VI Disposições sôbre o processo de sua prorrogação e de revisão total ou parcial de seus dispositivos;(Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) VII Direitos e deveres dos empregados e empresas;(Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) VIII Penalidades para os Sindicatos convenentes, os empregados e as empresas em caso de violação de seus dispositivos.(Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) Parágrafo único. As convenções e os Acordos serão celebrados por escrito, sem emendas nem rasuras, em tantas vias quantos Fl. 289DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10580.728447/200963 Acórdão n.º 2401002.959 S2C4T1 Fl. 9 15 forem os Sindicatos convenentes ou as empresas acordantes, além de uma destinada a registro.(Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) Art. 614 Os Sindicatos convenentes ou as empresas acordantes promoverão, conjunta ou separadamente, dentro de 8 (oito) dias da assinatura da Convenção ou Acordo, o depósito de uma via do mesmo, para fins de registro e arquivo, no Departamento Nacional do Trabalho, em se tratando de instrumento de caráter nacional ou interestadual, ou nos órgãos regionais do Ministério do Trabalho e Previdência Social, nos demais casos. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 1º As Convenções e os Acordos entrarão em vigor 3 (três) dias após a data da entrega dos mesmos no órgão referido neste artigo.(Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 2º Cópias autênticas das Convenções e dos Acordos deverão ser afixados de modo visível, pelos Sindicatos convenentes, nas respectivas sedes e nos estabelecimentos das empresas compreendidas no seu campo de aplicação, dentro de 5 (cinco) dias da data do depósito previsto neste artigo.(Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 3º Não será permitido estipular duração de Convenção ou Acordo superior a 2 (dois) anos. Art. 615 O processo de prorrogação, revisão, denúncia ou revogação total ou parcial de Convenção ou Acordo ficará subordinado, em qualquer caso, à aprovação de Assembléia Geral dos Sindicatos convenentes ou partes acordantes, com observância do disposto no art. 612.(Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 1º O instrumento de prorrogação, revisão, denúncia ou revogação de Convenção ou Acordo será depositado para fins de registro e arquivamento, na repartição em que o mesmo originariamente foi depositado observado o disposto no art. 614.(Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 2º As modificações introduzidos em Convenção ou Acordo, por força de revisão ou de revogação parcial de suas claúsulas passarão a vigorar 3 (três) dias após a realização de depósito previsto no § 1º.(Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) Ora, alega a empresa que o arquivamento das mesmas após o início do procedimento fiscal, quase 3 anos após a realização do primeiro acordo, não fere a legislação, visto que a mesma não estabelece prazo para o arquivamento. No caso, a empresa formalizou o pagamento dos PLR por meio dos negociações coletivas, que possuem prazo de validade e referemse ao pagamento da verba em um determinado período. Como admitir que um acordo encontrase válido, se descumprido um requisito formal, que é o seu arquivamento no órgão competente. Se realmente a lei não exigisse o seu arquivamento para dar legitimidade, publicidade e vigência ao ato, qual sentido haveria na sua exigência. Ao arquivar os documentos no ano de 2009, não há que se falar que o Fl. 290DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 16 acordo de 2005, 2006 ou 2007 ainda estivesse em vigor. Pelo contrário, haviam sido finalizados, os valores já haviam sido inclusive pagos. Não entendo que no presente caso, o arquivamento tardio, tenha convalidado um acordo, já inclusive sem validade! Ademais, as fls. 79 dos autos, conta cópia da Convenção coletiva, que em seu art. 9, possibilita o pagamento de PLR, podendo o mesmo ser negociado por meio de acordo coletivo, porém determina o seu arquivamento no sindicato e na DRT. Só para começar os acordos apresentados as fls. 118 a 125 não são acordos coletivos, portanto, não encontramse em consonância com a convecção coletiva firmada. Poderíamos entender tratarse então de acordo realizado entre a empresa e seus empregados, porém os mesmos não tem sequer a indicação do representante do sindicato, e ao não serem arquivados não possuem qualquer legitimidade, para determinar o pagamento de acordo com os propósitos da lei 10.101/2000. Ademais, ao apreciarmos o texto do art. 614, não nos restam dúvidas, a vigência de uma acordo só se inicia após 3 dias do seu arquivamento no órgão correspondente Nos termos do art. 616 da norma citada: “os sindicatos representativos de categorias econômicas ou profissionais e as empresas, inclusive as que não tenham representação sindical, quando provocados, não podem recusar se à negociação coletiva. § 1º Verificandose recusa à negociação coletiva, cabe aos sindicatos ou empresas interessadas dar ciência do fato, conforme o caso, ao Departamento Nacional do Trabalho ou aos órgãos regionais do Ministério do Trabalho e Previdência Social, para convocação compulsória dos sindicatos ou empresas recalcitrantes. § 2ºNo caso de persistir a recusa à negociação coletiva, pelo desatendimento às convocações feitas pelo Departamento Nacional do Trabalho ou órgãos regionais do Ministério do Trabalho e Previdência Social, ou se malograr a negociação entabulada, é facultada aos sindicatos ou empresas interessadas a instauração de dissídio coletivo. No que concerne a desnecessária participação do representante do sindicato, bem como do arquivamento do acordo, também não confiro razão ao recorrente. O sindicato tem por escopo proteger a categoria profissional, frente a superioridade econômica do empregador, dessa forma, não age como mero telespectador, mas intervindo de forma a evitar que o “poder de coerção” do empregador acabe por intimidar empregados a firmar acordos que os prejudicariam mesmo que indiretamente. Ao descumprir os preceitos legais e efetuar pagamentos de participação nos lucros, o recorrente assumiu o risco de não se beneficiar pela possibilidade de que tais valores estariam desvinculados do salário. Assim, entendo correto o julgamento realizado, de que deva a verba ser tida como PLR para fins de incidência de contribuição, uma vez que em relação a essa verba, não houve cumprimento dos requisitos, como já destacado no item acima. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10580.728447/200963 Acórdão n.º 2401002.959 S2C4T1 Fl. 10 17 Em relação ao pagamento de PLR entendo que não logrou o recorrente êxito em demonstrar o cumprimento da legislação para que as verbas sejam excluídas do conceito de salário de contribuição, razão porque correto o lançamento realizado. QUANTO A MULTA IMPOSTA Em relação ao questionamento acerca do caráter confiscatório da multa, observamos, que o item 5 do relatório fiscal, foi muito esclarecedor em relação a multa aplicada. Conforme descrito no referido relatório, a multa originalmente prevista era a do art. 35 da Lei n ° 8.212/1991: No caso, a multa moratória é bem aplicável pelo não recolhimento em época própria das contribuições previdenciárias. Ademais, o art. 136 do CTN descreve que a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente ou do responsável, e da natureza e extensão dos efeitos do ato, sendo que o fato de entender que a verba não constituiria salário de contribuição não é argumento válido para afastar a penalidade. O art. 35 da Lei n ° 8.212/1991 dispõe, nestas palavras: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: Fl. 292DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 18 a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). § 1º Nas hipóteses de parcelamento ou de reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o Caput e seus incisos. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.876/99) Contudo, também como enfatizado pelo auditor, não só a ausência de recolhimento ensejava a aplicação de multa moratória, mas a ausência de informação em GFIP ensejava aplicação de multa, pelo descumprimento de obrigação acessória. Contudo, no que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da referida MP 449, convertida na lei 11.941. A citada MP alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a MP 449/2008, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será Fl. 293DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10580.728447/200963 Acórdão n.º 2401002.959 S2C4T1 Fl. 11 19 intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício (como no presente caso), Fl. 294DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 20 a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, qual seja, aplicação de multa de ofício de 75%. Contudo, ao observar o auditor a ausência de pagamento e ausência de informação em GFIP, procedeu ao auditor ao comparativo da antiga legislação com a atual, de forma, que se aplicasse a multa mais benéfica ao contribuinte. Assim, na planilha as fls. 35, o auditor detalha competência a competência qual a multa seria mais favorável ao recorrente, pois que a aplicação da multa pela ausência e GFIP e a multa de ofício ensejariam bis in idem. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Nesse sentido, entendo que a multa imposta, obedeceu a legislação pertinente, não havendo caráter confiscatório na sua aplicação, posto o estrito cumprimento dos ditames legais. Também entendo que, o fato de não ter tido qualquer intenção de fraudar o fisco, argumentanado que a ausência de incidência deuse em função da interpretação de que o pagamento de PLR não consistiria salário de contribuição, também não afasta a multa imposta, face que a sua aplicação independe da intenção do agente. Ademais, mesmo tange a argüição de inconstitucionalidade de legislação previdenciária que dispõe sobre o recolhimento de contribuições, frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis os prazos regulados na Lei n ° 8.212/1991. Dessa forma, quanto à ilegalidade/inconstitucionalidade na multa imposta, não há razão para a recorrente. Como dito, não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional, razão pela qual são exigíveis a aplicação da taxa de juros SELIC, e a multa pela inadimplência conforme o fez a autoridade fiscal. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, entendo pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) Fl. 295DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10580.728447/200963 Acórdão n.º 2401002.959 S2C4T1 Fl. 12 21 ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. No mesmo sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. SÚMULA N. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos acima expostos, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente são incapazes de refutar em sua totalidade o lançamento. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 296DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10830.004225/2006-10
Data da sessão: Fri Jul 10 00:00:00 UTC 2009
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2004, 2005
PEDIDO DE CANCELAMENTO DE DCOMP. ESPONTANEIDADE.
EFEITOS DO ART. 47 DA LEI N° 9.430/96. PAGAMENTO NO
VIGÉSIMO DIA DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL.
Só se pode falar em espontaneidade, nos termos do artigo 47 da Lei n°9.430/96, se o pagamento do tributo for realizado no prazo de 20 dias, contado a partir do início da ação fiscal.
FRAUDE. ARTIGO 72 DA LEI N° 4.502/64. DOLO ESPECÍFICO.
A fraude prevista no artigo 44 da Lei n° 9.430/96, nos termos do artigo 72 da Lei n° 4.502/64, demanda uma ação ou omissão dolosa
tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou
a excluir ou modificar as suas características essenciais, de
modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o
seu pagamento.
Tal conduta, constituindo dolo específico, não pode ser considerada como tendo ocorrido, de maneira generalizada, sem que
sejam apresentadas provas robustas e específicas.
COMPENSAÇÃO. MULTA ISOLADA. É cabível a aplicação da multa isolada sobre as diferenças apuradas em decorrência de compensações indevidas, vez que a Lei n°. 11.051/2004 estabeleceu
tão somente a alteração dos percentuais aplicáveis.
MULTA ISOLADA. REDUÇÃO DO PERCENTUAL. LEI 11.196/2005. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Com a MP n°. 252, de 15/06/2005, mais tarde convertida na Lei n°.
11.196/2005, foram restabelecidos os percentuais de 75% e 150%,
devendo a nova lei ser aplicada retroativamente, em obediência ao
comando do art. 106 do CTN.
MULTA DE OFÍCIO E MULTA DE MORA. CUMULAÇÃO- A multa de oficio absorve a de mora, não sendo admissível a cumulação.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3202-000.004
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em parte; e, na parte conhecida, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reduzir a multa para 75%.
Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda (Relator) e Heroldes Barh Neto, que excluíam a multa.
A Conselheira Susy Gomes hoffmann declarou-se impedida de votar.
Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Irene Souza da Trindade Torres.
Nome do relator: Rodrigo Cardozo Miranda
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2004, 2005 PEDIDO DE CANCELAMENTO DE DCOMP. ESPONTANEIDADE. EFEITOS DO ART. 47 DA LEI N° 9.430/96. PAGAMENTO NO VIGÉSIMO DIA DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. Só se pode falar em espontaneidade, nos termos do artigo 47 da Lei n°9.430/96, se o pagamento do tributo for realizado no prazo de 20 dias, contado a partir do início da ação fiscal. FRAUDE. ARTIGO 72 DA LEI N° 4.502/64. DOLO ESPECÍFICO. A fraude prevista no artigo 44 da Lei n° 9.430/96, nos termos do artigo 72 da Lei n° 4.502/64, demanda uma ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Tal conduta, constituindo dolo específico, não pode ser considerada como tendo ocorrido, de maneira generalizada, sem que sejam apresentadas provas robustas e específicas. COMPENSAÇÃO. MULTA ISOLADA. É cabível a aplicação da multa isolada sobre as diferenças apuradas em decorrência de compensações indevidas, vez que a Lei n°. 11.051/2004 estabeleceu tão somente a alteração dos percentuais aplicáveis. MULTA ISOLADA. REDUÇÃO DO PERCENTUAL. LEI 11.196/2005. RETROATIVIDADE BENIGNA. Com a MP n°. 252, de 15/06/2005, mais tarde convertida na Lei n°. 11.196/2005, foram restabelecidos os percentuais de 75% e 150%, devendo a nova lei ser aplicada retroativamente, em obediência ao comando do art. 106 do CTN. MULTA DE OFÍCIO E MULTA DE MORA. CUMULAÇÃO- A multa de oficio absorve a de mora, não sendo admissível a cumulação. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em parte; e, na parte conhecida, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reduzir a multa para 75%. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda (Relator) e Heroldes Barh Neto, que excluíam a multa. A Conselheira Susy Gomes hoffmann declarou-se impedida de votar. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Irene Souza da Trindade Torres.
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Numero do processo: 10983.004402/84-93
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 1985
Ementa: IRPJ - DESCLASSIFICAÇÃO DE ESCRITA - Procede a desclassificação da escrita cantábil, no caso em que os lançamentos são
feitos em partidas mensais, com histórico incompleto e com espaço em branco, sem fazerem referência aos documentos que os respaldam, sem ordem cronológica alguma e sem a existência de outro livro auxiliar, não procedendo o pedido de diligência para o exame de uma
escrita contábil posterior a uma auditoria fiscal minuciosa e demorada, pois inexiste arbitramento condicional.
Numero da decisão: 101-75.846
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho
de Contribuintes, por unanimidade de votos: a) anular o Acórdão
n9 101-75.669, de 22.01.85; b) rejeitar a preliminar; c) negar provimento ao recurso, as termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Nome do relator: Agostinho Serrano Filho
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Recorrido - PRIMEIRA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES IRPJ - DESCLASSIFICAÇÃO DE ESCRITA - Pra cede a desclassificação da escrita can= tâbil, no caso em que os lançamentos são feitos em partidas mensais, com histó- rico incompleto e com espaço em branco, sem fazerem referência aos documentos' que os respaldam, sem ordem cronológi- ca alguma e sem a existência de outro livro auxiliar, não procedendo o pedi- do de diligência para o exame de uma escrita contêbil posterior a uma audito ria fiscal minuciosa e demorada, poi-s- inexiste arbitramento condicional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por PILÕES TRANSPORTES LTDA.: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Con- selho de Contribuintes, por unanimidade de votos: a) anular o Acórdão n9 101-75.669, de 22.01.85; b) rejeitar a preliminar; c) negar provi- mento ao recurso, as termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julga../0 t/ )1° S. -a das S,f . i.esi _DF), em 17 de abril de 1985 » AMADOR O • dl! "-.. ERNIINDEZ - PR SIDENTE // na .. ar n IF/(E& ..• '" 1 .. Vc -::-. V O •-. 'UNHO S • NO FILHO - •ELATOR ar VISTO EM AGOSTINHO FL.- - PROCURADOR DA FAZEN- SESSÃO DE: -P ' i . ,"4".- DA NACIONAL :u; ‘, it ,,ILJ,,/ v.v• - Participaram, ainda, do presente julgamento, Os. seguintes ConseIhei ros: SYLVIO RODRIGUES, FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA, CARLOS- ALBERTO GONÇALVES NUNES, JOSÉ EDUARDO RANGEL DE ALCKMIN, ALCEU DE - AZEVE- DO FONSECA PINTO e RAUL PIMENTEL. 2. <:)r • SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10983-004.402/84-93 RECURSO N9: 88.709 ACORDÃON9: 101°75.846 RECORRENTE: PILÕES TRANSPORTES LTDA. RELATÓRIO Em decorrência da petição, de fls. 380 a 385, o D.D. sr. Presidente deste Conselho, às fls. 387 dos autos,lavrou o seguinte despacho: "Dado entender que o Colegiada deixou de se pronunciar sobre fato relevante, acolho os em- bargos, determinando que os presentes autos se iam entregues ao Relatar do aresto embargado, a fim de que se digne pronunciar sobre as omis sões apontadas;- submetendo as suas conclusõe-s- ã Câmara para deliberação". Esta é a ementa do acórdão n9 101-75.669, ora embargado: "IRPJ - DESCLASSIFICAÇÃO DE ESCRITA - Procede a desclassificação da escrita contábil no caso em que os lançamentos são feitos em partidas mensais e com históricos incompletos, sem fa- zerem referência aos documentos que os respal- 11 dam, sem ordem cronológica alguma e sem a exis tência de outro livro auxiliar". A petição embargante assim se exprime, em sín- tese.// DM F - DF/19 C-C - Secgraf - 1600/75 SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10983-004.402/84-93 3. Acórdão n9 101-75.846 1 - A recorrente, após a visita do Fisco e a tenta às restrições contidas no Auto de Infração, providenciou a reformulação de toda sua escrituração contábil, dia a dia, e o pra enchimento das demais exigências. 2 - Embora o Acórdão recorrido tenha tomado co nhecimento da preliminar do recurso em seu relatório, quando a em- presa requereu diligencia para examinar tal escrita refeita, igno- rou-a em seus tópicos decisórios, omitindo qualquer deliberação a respeito, o que representa cerceamento do direito de defesa. 3 - A recorrente apresentou cópia xerográfica das folhas de seu livro Diário, como comprovação de que sua escri- ta contábil estava refeita e atendia o quanto era exigido pelo Fisco, o que não foi apreciado no recurso. 4 - Não prevaleceriam mais, portanto,as razões de fato que o Fisco utilizou para a desclassificação, conforme e- xaustiva sucessão de decisões e acórdãos no sentido de que as ir regularidades formais dos , egistros contábeis não justificam a des ] classificação da escrit É o.,r91at6rio. /7 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10983-004 402/84-93 4. Acórdão n9 101-75.846 VOTO Conselheiro AGOSTINHO SERRANO FILHO, Relator: Realmente, como podemos deduzir pela leitura do voto deste Conselheiro, de fls. 347 a 351, a desclassificação da escrita foi mantida sob nove razOes, minuciosamente declaradas. Con tudo, não foi considerado o pedido de diligência, a fim de que fos se examinada a contabilidade, que dizia a recorrente, ter sido re- feita conforme exigia o Fisco. Portanto, ao que foi jã dito no voto, de fls. 347 a 351, acrescentamos mais ainda a seguinte argumentação sobre dois fatos omitidos equivocadamente por este relator: 19) PEDIDO DE DILIGÊNCIA Embora não tenhamos tocado nesse assunto no vo to por esquecimento, contudo afirmamos aqui o que já foi dito no relatório, às fls. 345: "A decisão recorrida manteve integralmente a exigência tributária, com a seguinte argumenta — ção: I -- Preliminarmente, indefere o pedido de pe- rícia, visto que a matéria de fato foi minucio samente examinada durante os trabalhos de fis:: calização". Verdadeiramente, conforme fls. 01, o Termo de Início da fiscalização ocorreu no dia 30 de janeiro de 1984, quan- do a ampresa foi intimada a apresentar os livros e documentos fis cais e contábeis e declarações de rendimentos da pessoa jurídica e das pessoas físicas dos sócios, referentes aos exercícios de 4 1981, 1982 e 1983. No dia 07 de fevereiro foi intimada de novo a CF SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10983-004.402/84-93 5. Acórdão n9 101-75.846 apresentar as declarações de rendimentos no prazo de vinte dias. No dia 27 de fevereiro foi intimada a apresentar, no prazo de dez dias, os Livros Registros de Inventário, de apuração do Lucro Real, de Registro das Demonstrações Financeiras, Relação da Conta Fornecedores, Contratos de empréstimo entre a empresa e os sócios, extratos bancários referentes ao período de 01.01.81 a 31.12.82 e comprovação da origem e efetiva entrega de numerários supridos pe- los sócios. No dia 26 de março de 1984, a empresa foi intimada a apresentar os seguintes livros contábeis: Registro de Duplicatas, Livro Caixa e Registro de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrência. Às fls. 23, a empresa afirma que não usa o li- vro auxiliar Caixa. Após anexar várias cópias de ficha Caixa, sem nenhuma autenticação, às fls. 89 os Srs. Fiscais fazem uma repre- sentação ao Chefe da Divisão de Fiscalização, considerando cinco irregularidades: a - A empresa não tem livro Diário escriturado, sendo que sua escrituração é feita em uma ficha para conta sintéti ca. b - Enquanto as fichas destinadas aos lançamen tos sintéticos são numerados tipograficamente e registrados, os lançamentos analíticos são efetuados em fichas comuns e numeradas à máquina de escrever. c - A empresa não possui livros auxiliares pa- ra o registro individuado das operações. d - O histórico dos lançamentos não é explica- tivo, contendo só o número do slip, não identificando o documento que suporta o lançamento. e - À medida em que as fichas são preenchidas vão sendo transferidas para o arquivo, não existindo um índice ) >2/ SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10983-004.402/84-93 6. Acórdão nç 101-75.846 dicando a que conta corresponde a ficha, nem o periodo de escritu- ração que a mesma cobre. Por essas razões, os Srs. Fiscais submeteram suas apreciações a chefia para aplicar o disposto nos artigos 399, incisos I e IV, e 400, §, 59, do RIR/80. Enfim, após anexar mais de cem cópias de escri turação da empresa, comprovando o alegado, a fiscalização autuou a empresa no dia 22 de maio de 1984, de acordo com Auto de Infração de fls. 246. Em verdade, o trabalho da fiscalização foi de- morado e minucioso. Achamos que não há mais necessidade de diligên cias, pois a fiscalização já analisou a escrita do contribuinte du rante quatro meses. Por isso, o pedido de diligência foi indeferido pela decisão recorrida com fulcro no art. 17 do Decreto número 70.235/72. 29) ESCRITURAÇÃO REFEITA. Às fls. 332 de seu recurso, a empresa alegaque "determinou a elaboração de rol de lançamentos, dia a dia, nos moi des do tradicional Diário, a fim de evidenciar a qualidade e eficji cia de seus registros, contrariamente ao pretendido pelo Fisco. Es te relacionamento diário das partidas de lançamento, que está sen- do transcrita no livro Diário que possui a Empresa, foi de fácil elaboração". (o grifo é nosso). Conforme grifamos, a própria empresa diz clara mente que "o relacionamento diário das partidas de lançamento" es- tava ainda sendo transcrita no livro Diário. Portanto, evidente que o livro Diário era feito com partidas mensais, o que já foi di to e comprovado, com documentos, pela fiscalização. Aindamais, sua í ' escrituração contábil e feita em fichas soltas, utilizando a emprs4 , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10983-004.402/84-93 7. Acõrdão n9 101-75.846 sa uma ficha para cada conta, utilizando contas sintéticas ou ana- líticas, enquanto a empresa não possui livros auxiliares. Isso foi tudo comprovado pela fiscalização e não foi contradito pela defesa em nenhum momento, enquanto o artigo 59 do Decreto-lei n9 486, de 03 de março de 1969, assim diz: "Art. 59 -- Sem prejuizo de exigências espe- ciais da lei, é obrigatOrio o uso de livro Diã rio, encadernado com folhas numeradas seguida- mente, em que serão lançados, dia a dia, dire- tamente ou por reprodução, os atos ou operaçSes da atividade mercantil... § 19 -- O comerciante, que empregar escritura- ção mecanizada, poderá substituir o Diário e os livros facultativos ou auxiliares por fichas seguidamente numeradas, mecânica ou tipografi- camente. .§ 39 -- Admite-se a escrituração resumida do Diário, ... desde que utilizados livros auxi- liares para registro individuado e conservados os documentos que permitam sua perfeita verifi_ cação". (o grifo é nosso). Não há, pois, dúvida alguma de que a escritura_ ção do contribuinte era completamente contrária à lei, tanto assim que a recorrente disse que estava regularizando sua escrita e que ria a diligência para quese verificasse a nova escrita refeita. A este respeito a Câmara Superior de Recursos Fiscais já se pronunciou, por unanimidade de votos, através do a- cOrdão de n9 CSRF/01-0.241, de 24 de junho de 1984, que diz o se- guinte: "IRPJ - ARBITRAMENTO DO LUCRO - Comprovada a inexistência e/ou recusa na apresentação dos livros que amparariam a tributação com base no 1 lucro real, cabível é o arbitramento do lucro. fs Atendidos os pressupostos objetivos e subjeti- vos na prática do ato administrativo de lança- mento, sua modificação ou extinção somente se dará nos casos previstos em lei (C.T.N., art , // SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10983-004.402/84-93 8. Acórdão n9 101-75.846 141). Como inexiste arbitramento condicional, o ato administrativo de lançamento não é modi- ficável pela posterior apresentação do documen tário cuja inexistência e/ou recusa foi:a cau- sa do arbitramento". O D.D. Presidente da Câmara Superior e desta Câmara, que foi o relator do voto, que embasou o acórdão citado,as sim dizia na ocasião: "Se a lei declara que, na ausência de escrita regular ou no caso de recusa de sua apresenta- ção (fatos que impedem a regular apuração do lucro real, eis que o Agente Fiscal é vedado apurar o lucro real, inexistindo ::escrituração contábil, armando-o a lei com os diversos cri- térios de arbitramento,cf. Acórdão n9 1-7/521),, é facultado ao Fisco o arbitramento do lucro,sem prejuízo da imposição da multa de lançamento ex officio cabível; não se pode admitir que a posterior apresentação do documentário, isto é, o arrependimento torne nulo o trabalho fiscal". É evidente que o arbitramento do lucro foi a- plicado porque o Diário não foi regularmente escriturado, pois as fichas eram sintéticas e continham só uma conta, deixando, portan- tofespaço em branco em cada ficha, o que contraria o artigo 29 do Decreto-lei n9 486, que diz: "A escrituração será completa, em idioma e moe da corrente nacionais, em forma mercantil, com individuação e clareza, por ordem cronológica de dia, mês e ano, sem intervalos em branco, nem entrelinhas, borraduras, rasuras, emendas e transportes para as margens". Diante do que já dissemos no voto anterior, de fls. 347 a 351, e ante todas estas consideraçOes, é óbvio que a escrita contábil da empresa era completamente ilegal. Como muito bem disse o D.D. Presidente no acórdão citado da Câmara Superior "inexiste arbitramento condicional e o ato administrativo de lança /-ç) mento não é modificável" pela posterior apresentação de uma escri SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10983-004.402/84-93 9. Acórdão n9 101-75.846 ta, dita regular pela empresa. Considerando, pois, que este Colegiado, quando negou provimento ao recurso no dia 22 de janeiro de 1985,deixou de se pronunciar sobre o pedido de diligência para se fazer uma audi- toria sobre a nova escrituração da empresa, voto no sentido de que: 19) Seja anulado o acórdão n9 101-75.669; 29) Seja rejeitada a prelimi ar de diligência e, no mérito, seja negado provimento ao recurso /P6 : á NHO SERRANO FILHO - LATOR. __ Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1
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Numero do processo: 11516.006348/2009-63
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 2005, 2006
Ementa:
CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. MONTANTE A PAGAR. DETERMINAÇÃO. REVISÃO EM PRIMEIRA INSTÂNCIA. PROCEDÊNCIA. Não é merecedora de reparo a decisão que, constatando que a autoridade fiscal deixou de considerar valores que deveriam integrar a determinação dos montantes a pagar das exações lançadas, promove a revisão dos cálculos, indicando, adequadamente, a fonte da qual os dados foram extraídos e a metodologia empregada.
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CIÊNCIA. VALIDADE.
É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário (SÚMULA CARF Nº 9).
IMPUGNAÇÃO. AUSÊNCIA. INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO. INOCORRÊNCIA.
Na ausência de impugnação, descabe falar em fase litigiosa do procedimento. Revela-se plenamente válida a ciência da intimação para pagar ou impugnar a exigência formalizada, efetivada por meio de EDITAL, quando a intimação por via postal mostrar-se improfícua.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. PROCEDÊNCIA.
Se as provas carreadas aos autos deixam foram de dúvida que a gestão da empresa era exercida, de fato, por pessoa não integrante do seu quadro societário, tendo ela influência direta nos fatos que redundaram em evasão fiscal, tal pessoa deve ser mantida no pólo passivo das obrigações tributárias correspondentes, vez que presente hipótese legal autorizadora. Nos termos do art. 135 do Código Tributário Nacional, os mandatários, prepostos, empregados, diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultante de atos praticados com
infração de lei.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE.
Nos exatos termos do Parecer/PGFN/CRJ/CAT nº 55, de 2009, “a
responsabilidade dos administradores, de acordo com a jurisprudência do STJ, não pode ser entendida como exclusiva (responsabilidade substitutiva), porquanto se admite na Corte Superior que a ação de execução fiscal seja ajuizada, ao mesmo tempo, contra a pessoa jurídica e o administrador”.
Ainda, “para efeito de aplicação do art. 135, III, do CTN, responde também a pessoa que, de fato, administra a pessoa jurídica, ainda que não constem seus poderes expressamente do estatuto ou contrato social.”
PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. PAGAMENTOS SEM CAUSA.
Nos casos de pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a beneficiários não identificados, bem como naqueles efetuados ou entregues a terceiros ou sócios em que não for comprovada a operação ou a sua causa, os valores correspondentes se submetem à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento.
INCONSTITUCIONALIDADES.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (súmula CARF nº 2).
MULTA QUALIFICADA.
Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado do contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação sobre os valores apurados da multa de ofício qualificada de 150%, prevista no inciso II do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996.
DECADÊNCIA.
Na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a teor do parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, a regra de decadência ali prevista não opera. Nesse caso, a melhor exegese é aquela que direciona para aplicação da regra geral estampada no art. 173, I, do mesmo diploma legal (Código Tributário
Nacional). A expressão EXERCÍCIO a que alude o referido comando legal só pode ser concebido como o ano posterior ao correspondente ao da concretização das hipóteses de incidência, pois, em conformidade com a lei (art. 175 da Lei nº 6.404, de 1976), o exercício social tem duração de um ano.
DECADÊNCIA. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. IMPOSTO DE RENDA TRIBUTADO EXCLUSIVAMENTE NA FONTE.
A aplicação do disposto no art. 61 da Lei nº. 8.981/95 (art. 674 do RIR/99) decorre, sempre, de procedimentos investigatórios levados a efeito pela Administração Tributária, não sendo razoável supor que o contribuinte, espontaneamente, promova pagamentos sem explicitação da causa ou a beneficiários não identificados e, em razão disso, antecipe o pagamento do
imposto à alíquota de 35%, reajustando a respectiva base de cálculo. A incidência em referência sustenta-se na presunção (da lei) de que os pagamentos foram utilizados em operação, passível de tributação, em que, em virtude do desconhecimento do beneficiário ou da sua natureza, desloca- se a
responsabilidade pelo recolhimento do tributo correspondente para quem efetuou o pagamento. No caso, a constituição do crédito tributário correspondente só pode ser efetivada com base no art. 149, I, do Código Tributário Nacional, sendo a decadência do direito de se promover tal procedimento disciplinada pelo disposto no art. 173 do mesmo diploma.
REGIME DE TRIBUTAÇÃO. ARBITRAMENTO. IMPROCEDÊNCIA.
Independentemente do montante glosado, a desconsideração de custos lastreados em notas fiscais inidôneas não dá causa ao arbitramento do lucro, vez que a adoção da referida sistemática devolve ao contribuinte o direito de deduzir parcela desses mesmos dispêndios, o que, à luz da moralidade e da legalidade, não é aceitável.
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. LANÇAMENTO. REVISÃO.
Identificadas incorreções na determinação das exações devidas, há de se promover a devida revisão dos lançamentos tributários, de modo a tornar líquidas e certas as exigências tributárias. No caso, descabe falar em mudança de critério jurídico ou constituição de crédito por autoridade incompetente.
JUROS SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais.
Numero da decisão: 1301-001.079
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento: a) quanto à responsabilidade tributária do Sr. Mário Kenji Iriê, negar provimento ao RECURSO VOLUNTÁRIO, por maioria; vencido o Conselheiro Carlos Augusto de Andrade Jenier; b) quanto à incidência do Imposto sobre a Renda na Fonte, negar provimento ao RECURSO VOLUNTÁRIO, pelo voto de qualidade; vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier;
c) quanto ao regime de tributação adotado pela autoridade fiscal para o ano-calendário de 2004, negar provimento ao RECURSO VOLUNTÁRIO, por maioria; vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, e Carlos Augusto de Andrade Jenier; d) quanto aos juros de mora sobre a multa de ofício, negar provimento ao RECURSO VOLUNTÁRIO, por maioria; vencidos os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima e Wilson Fernandes Guimarães, que entenderam pela aplicação do percentual de juros de mora de 1%; e) quanto às demais matérias suscitadas, negar provimento ao RECURSO VOLUNTÁRIO, por unanimidade; e f) negar provimento, por unanimidade, ao RECURSO DE OFÍCIO, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Wilson Fernandes Guimarães
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2005, 2006 Ementa: CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. MONTANTE A PAGAR. DETERMINAÇÃO. REVISÃO EM PRIMEIRA INSTÂNCIA. PROCEDÊNCIA. Não é merecedora de reparo a decisão que, constatando que a autoridade fiscal deixou de considerar valores que deveriam integrar a determinação dos montantes a pagar das exações lançadas, promove a revisão dos cálculos, indicando, adequadamente, a fonte da qual os dados foram extraídos e a metodologia empregada. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CIÊNCIA. VALIDADE. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário (SÚMULA CARF Nº 9). IMPUGNAÇÃO. AUSÊNCIA. INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO. INOCORRÊNCIA. Na ausência de impugnação, descabe falar em fase litigiosa do procedimento. Revela-se plenamente válida a ciência da intimação para pagar ou impugnar a exigência formalizada, efetivada por meio de EDITAL, quando a intimação por via postal mostrar-se improfícua. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. PROCEDÊNCIA. Se as provas carreadas aos autos deixam foram de dúvida que a gestão da empresa era exercida, de fato, por pessoa não integrante do seu quadro societário, tendo ela influência direta nos fatos que redundaram em evasão fiscal, tal pessoa deve ser mantida no pólo passivo das obrigações tributárias correspondentes, vez que presente hipótese legal autorizadora. Nos termos do art. 135 do Código Tributário Nacional, os mandatários, prepostos, empregados, diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultante de atos praticados com infração de lei. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. Nos exatos termos do Parecer/PGFN/CRJ/CAT nº 55, de 2009, “a responsabilidade dos administradores, de acordo com a jurisprudência do STJ, não pode ser entendida como exclusiva (responsabilidade substitutiva), porquanto se admite na Corte Superior que a ação de execução fiscal seja ajuizada, ao mesmo tempo, contra a pessoa jurídica e o administrador”. Ainda, “para efeito de aplicação do art. 135, III, do CTN, responde também a pessoa que, de fato, administra a pessoa jurídica, ainda que não constem seus poderes expressamente do estatuto ou contrato social.” PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. PAGAMENTOS SEM CAUSA. Nos casos de pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a beneficiários não identificados, bem como naqueles efetuados ou entregues a terceiros ou sócios em que não for comprovada a operação ou a sua causa, os valores correspondentes se submetem à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento. INCONSTITUCIONALIDADES. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (súmula CARF nº 2). MULTA QUALIFICADA. Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado do contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação sobre os valores apurados da multa de ofício qualificada de 150%, prevista no inciso II do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996. DECADÊNCIA. Na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a teor do parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, a regra de decadência ali prevista não opera. Nesse caso, a melhor exegese é aquela que direciona para aplicação da regra geral estampada no art. 173, I, do mesmo diploma legal (Código Tributário Nacional). A expressão EXERCÍCIO a que alude o referido comando legal só pode ser concebido como o ano posterior ao correspondente ao da concretização das hipóteses de incidência, pois, em conformidade com a lei (art. 175 da Lei nº 6.404, de 1976), o exercício social tem duração de um ano. DECADÊNCIA. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. IMPOSTO DE RENDA TRIBUTADO EXCLUSIVAMENTE NA FONTE. A aplicação do disposto no art. 61 da Lei nº. 8.981/95 (art. 674 do RIR/99) decorre, sempre, de procedimentos investigatórios levados a efeito pela Administração Tributária, não sendo razoável supor que o contribuinte, espontaneamente, promova pagamentos sem explicitação da causa ou a beneficiários não identificados e, em razão disso, antecipe o pagamento do imposto à alíquota de 35%, reajustando a respectiva base de cálculo. A incidência em referência sustenta-se na presunção (da lei) de que os pagamentos foram utilizados em operação, passível de tributação, em que, em virtude do desconhecimento do beneficiário ou da sua natureza, desloca- se a responsabilidade pelo recolhimento do tributo correspondente para quem efetuou o pagamento. No caso, a constituição do crédito tributário correspondente só pode ser efetivada com base no art. 149, I, do Código Tributário Nacional, sendo a decadência do direito de se promover tal procedimento disciplinada pelo disposto no art. 173 do mesmo diploma. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. ARBITRAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. Independentemente do montante glosado, a desconsideração de custos lastreados em notas fiscais inidôneas não dá causa ao arbitramento do lucro, vez que a adoção da referida sistemática devolve ao contribuinte o direito de deduzir parcela desses mesmos dispêndios, o que, à luz da moralidade e da legalidade, não é aceitável. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. LANÇAMENTO. REVISÃO. Identificadas incorreções na determinação das exações devidas, há de se promover a devida revisão dos lançamentos tributários, de modo a tornar líquidas e certas as exigências tributárias. No caso, descabe falar em mudança de critério jurídico ou constituição de crédito por autoridade incompetente. JUROS SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
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MONTANTE A PAGAR. DETERMINAÇÃO. REVISÃO EM PRIMEIRA INSTÂNCIA. PROCEDÊNCIA. Não é merecedora de reparo a decisão que, constatando que a autoridade fiscal deixou de considerar valores que deveriam integrar a determinação dos montantes a pagar das exações lançadas, promove a revisão dos cálculos, indicando, adequadamente, a fonte da qual os dados foram extraídos e a metodologia empregada. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CIÊNCIA. VALIDADE. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário (SÚMULA CARF Nº 9). IMPUGNAÇÃO. AUSÊNCIA. INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO. INOCORRÊNCIA. Na ausência de impugnação, descabe falar em fase litigiosa do procedimento. Revelase plenamente válida a ciência da intimação para pagar ou impugnar a exigência formalizada, efetivada por meio de EDITAL, quando a intimação por via postal mostrarse improfícua. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. PROCEDÊNCIA. Se as provas carreadas aos autos deixam foram de dúvida que a gestão da empresa era exercida, de fato, por pessoa não integrante do seu quadro societário, tendo ela influência direta nos fatos que redundaram em evasão fiscal, tal pessoa deve ser mantida no pólo passivo das obrigações tributárias correspondentes, vez que presente hipótese legal autorizadora. Nos termos do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 63 48 /2 00 9- 63 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/200963 Acórdão n.º 1301001.079 S1C3T1 Fl. 2.235 2 art. 135 do Código Tributário Nacional, os mandatários, prepostos, empregados, diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultante de atos praticados com infração de lei. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. Nos exatos termos do Parecer/PGFN/CRJ/CAT nº 55, de 2009, “a responsabilidade dos administradores, de acordo com a jurisprudência do STJ, não pode ser entendida como exclusiva (responsabilidade substitutiva), porquanto se admite na Corte Superior que a ação de execução fiscal seja ajuizada, ao mesmo tempo, contra a pessoa jurídica e o administrador”. Ainda, “para efeito de aplicação do art. 135, III, do CTN, responde também a pessoa que, de fato, administra a pessoa jurídica, ainda que não constem seus poderes expressamente do estatuto ou contrato social.” PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. PAGAMENTOS SEM CAUSA. Nos casos de pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a beneficiários não identificados, bem como naqueles efetuados ou entregues a terceiros ou sócios em que não for comprovada a operação ou a sua causa, os valores correspondentes se submetem à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento. INCONSTITUCIONALIDADES. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (súmula CARF nº 2). MULTA QUALIFICADA. Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado do contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação sobre os valores apurados da multa de ofício qualificada de 150%, prevista no inciso II do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996. DECADÊNCIA. Na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a teor do parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, a regra de decadência ali prevista não opera. Nesse caso, a melhor exegese é aquela que direciona para aplicação da regra geral estampada no art. 173, I, do mesmo diploma legal (Código Tributário Nacional). A expressão EXERCÍCIO a que alude o referido comando legal só pode ser concebido como o ano posterior ao correspondente ao da concretização das hipóteses de incidência, pois, em conformidade com a lei (art. 175 da Lei nº 6.404, de 1976), o exercício social tem duração de um ano. DECADÊNCIA. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. IMPOSTO DE RENDA TRIBUTADO EXCLUSIVAMENTE NA FONTE. A aplicação do disposto no art. 61 da Lei nº. 8.981/95 (art. 674 do RIR/99) decorre, sempre, de procedimentos investigatórios levados a efeito pela Administração Tributária, não sendo razoável supor que o contribuinte, Fl. 2DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/200963 Acórdão n.º 1301001.079 S1C3T1 Fl. 2.236 3 espontaneamente, promova pagamentos sem explicitação da causa ou a beneficiários não identificados e, em razão disso, antecipe o pagamento do imposto à alíquota de 35%, reajustando a respectiva base de cálculo. A incidência em referência sustentase na presunção (da lei) de que os pagamentos foram utilizados em operação, passível de tributação, em que, em virtude do desconhecimento do beneficiário ou da sua natureza, deslocase a responsabilidade pelo recolhimento do tributo correspondente para quem efetuou o pagamento. No caso, a constituição do crédito tributário correspondente só pode ser efetivada com base no art. 149, I, do Código Tributário Nacional, sendo a decadência do direito de se promover tal procedimento disciplinada pelo disposto no art. 173 do mesmo diploma. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. ARBITRAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. Independentemente do montante glosado, a desconsideração de custos lastreados em notas fiscais inidôneas não dá causa ao arbitramento do lucro, vez que a adoção da referida sistemática devolve ao contribuinte o direito de deduzir parcela desses mesmos dispêndios, o que, à luz da moralidade e da legalidade, não é aceitável. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. LANÇAMENTO. REVISÃO. Identificadas incorreções na determinação das exações devidas, há de se promover a devida revisão dos lançamentos tributários, de modo a tornar líquidas e certas as exigências tributárias. No caso, descabe falar em mudança de critério jurídico ou constituição de crédito por autoridade incompetente. JUROS SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento: a) quanto à responsabilidade tributária do Sr. Mário Kenji Iriê, negar provimento ao RECURSO VOLUNTÁRIO, por maioria; vencido o Conselheiro Carlos Augusto de Andrade Jenier; b) quanto à incidência do Imposto sobre a Renda na Fonte, negar provimento ao RECURSO VOLUNTÁRIO, pelo voto de qualidade; vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier; c) quanto ao regime de tributação adotado pela autoridade fiscal para o anocalendário de 2004, negar provimento ao RECURSO VOLUNTÁRIO, por maioria; vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, e Carlos Augusto de Andrade Jenier; d) quanto aos juros de mora sobre a multa de ofício, negar provimento ao RECURSO VOLUNTÁRIO, por maioria; vencidos os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima e Wilson Fernandes Guimarães, que entenderam pela aplicação do percentual de juros de mora de 1%; e) quanto às demais matérias suscitadas, negar provimento ao RECURSO VOLUNTÁRIO, por unanimidade; e f) negar provimento, por unanimidade, ao RECURSO DE OFÍCIO, nos termos do voto do Relator. “documento assinado digitalmente” Fl. 3DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/200963 Acórdão n.º 1301001.079 S1C3T1 Fl. 2.237 4 Plínio Rodrigues Lima Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães – Relator Paulo Jakson da Silva Lucas Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/200963 Acórdão n.º 1301001.079 S1C3T1 Fl. 2.238 5 Relatório Trata o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Imposto de Renda retido na Fonte (IRRF), Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS), relativas aos exercícios de 2005 e de 2006. Transcrevo a seguir excertos do relato feito em primeira instância acerca dos fatos apurados no procedimento fiscal em questão. A infração apontada no lançamento de IRPJ referese à CUSTO DOS BENS OU SERVIÇOS VENDIDOS GLOSAS DE CUSTOS (fls. 576, verso), sendo objeto também de lançamentos de CSLL, PIS NãoCumulativo e COFINS Não Cumulativo (lançamentos decorrentes). Com relação ao lançamento do IRFONTE, tratase de exação fundamentada no art.61 da lei n° 8.981/95 (art.674 do RIR/99) por conta de pagamentos a beneficiários não identificados (Auto de Infração às fls.581 a 585). Arrolados no pólo passivo, na condição de sujeito passivo solidário, as pessoas de Eliseu Machado de Lima (administrador da empresa à época dos fatos geradores dos lançamentos) e Mário Kenji Iriê, este último considerado pela Fiscalização também como o administrador de fato da empresa. Do Termo de Verificação (fls.543 a 573), extraise, resumidamente: III DA AUDITORIA DOS CUSTOS 3.1 Os saldos e movimentações atípicos nas contas contábeis de Fornecedores Nacionais. A MKJ é empresa comercial varejista que, em 2004 e 2005, dedicavase, basicamente, à revenda de roupas adquiridas de fornecedores nacionais. Como nestes anos, a empresa apurou o IRPJ e a CSLL com base no lucro real, um dos componentes mais relevantes para a determinação do resultado e, portanto, da base de cálculo dos tributos, é o Custo das Mercadorias Vendidas. O Custo das Mercadorias Vendidas deve ser apurado pelo contribuinte com base nos estoques e nas compras efetuadas em cada período. Contudo, a confiabilidade da apuração do custo depende da correta escrituração dos Livros de Registro de Inventário, no qual podese verificar as mercadorias estocadas fisicamente no inicio e no final de cada período, bem como o custo pelo qual estão estocadas, e, também, dos Livros de Entrada nos quais .fica registrada a quantidade e o valor de cada nova mercadoria adquirida. A MKJ não apresentou os Livros de Registro de Inventário de todas as ,filiais, o que prejudica a verificação da apuração do custo das mercadorias em estoque. Em 2004 e 2005, a empresa Fl. 5DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/200963 Acórdão n.º 1301001.079 S1C3T1 Fl. 2.239 6 chegou a ter em atividade, conforme a 23ª Alteração do Contrato Social. datada de 14/10/2004, 42 .filiais (Anexo I, fls.84 a 92). Só foram apresentados Livros de Registro de Inventário relativos a 22 filiais. Ou seja, a MKJ não apresentou os Livros de Registro de Inventário de quase metade de seus estabelecimentos! Ademais os livros tem as seguintes deficiências, que podem ser verificadas nas cópias que, a título exemplificativo,compõe o Anexo II: [...] Embora o contribuinte não tenha cumprido as obrigações legais de escriturar corretamente, manter em boa ordem e apresentar à fiscalização os Livros de Registro de Inventário, a auditoria do custo das mercadorias vendidas talvez pudesse ser realizada caso o sistema informatizado de controle de estoque (sistema Esata) apresentasse confiabilidade. Contudo, conforme .ficará cristalino neste Termo, também o sistema Exata utilizado pela fiscalizada não apresenta confiabilidade. Desta forma, a fiscalização voltouse para o exame das contas de fornecedores, em especial para a auditoria de compras. Inicialmente, selecionamos por amostragem, os fornecedores de maior relevância,seja pelo saldo inicial, seja pela movimentação a débito ou a crédito durante o ano de 2005, conforme previa originariamente o Mandado de Procedimento Fiscal. Assim, intimamos o contribuinte por meio de Termo de Intimação 01/2009 (doc. fls. 23 a 25) a comprovar os saldos , as compras e os pagamentos dos seguintes fornecedores: [...] 3.2 Retenção de documentos contábeis relativos às operações atípicas Na mesma data em que intimamos o contribuinte a comprovar os lançamentos nas contas de fornecedores, conforme acima descrito, lavramos o Termo de Retenção nº 02/2009, por meio do qual retivemos duplicatas e notas fiscais dos fornecedores Blue River Comercial, Central Industrial e Comercial Têxtil Ltda., Green Way Comercial e USion Indústria e Comércio Ltda. Os documentos retidos foram localizados nos arquivos de documentos contábeis apresentados pelo contribuinte à fiscalização no endereço da matriz em São Paulo ,SP. [...] Ao comparar as operações destes fornecedores com os demais, vemos que: • os saldos inicial e final dos demais fornecedores são muito menores; • as compras normais dos demais fornecedores eram em volumes Fl. 6DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/200963 Acórdão n.º 1301001.079 S1C3T1 Fl. 2.240 7 significativamente menores; • as compras e os pagamentos dos demais fornecedores ocorrem de forma rotineira ao longo do ano; • Os pagamentos dos demais fornecedores não são feitos em regra por Caixa, mas através de banco. 3.3 Dados cadastrais dos fornecedores A partir dos indícios acima realizamos pesquisa cadastral dos fornecedores Blue River, Central Ind. e Com. Têxtil, Green Way Comercial e USion Ind. e Com.Ltda., junto aos sistemas da RFB, onde apuramos que: Blue River (docs. Fls.02 a 12 do Anexo 5): a) Foi baixada na Receita Federal em 29/07/2004, embora haja registros de pagamentos na contabilidade da MKJ entre janeiro e agosto de 2005, no montante de RS 279.270.00; b) Declarouse inativa em 2002 e 2003, embora as notas fiscais retidas sejam datadas de 2003; 2 – Usion (docs. Fls. 02 a 25 do Anexo 4): a) Foi baixada na Receita Federal em 07/01/2005, embora, supostamente, houvesse emitido em dezembro de 2004 notas fiscais para a MKJ em montante superior a R$ 1.700.000.00 e haja registro de pagamentos na contabilidade da MKJ entre janeiro e dezembro de 2005, em montante superior a R$ 10.800.000,00: b) Declarouse inativa nos anos de 2001 a 2005; 3 Green Way (docs. fls.02 a 35 do Anexo 3): a) Foi baixada na Receita Federal em 08.08.2006; b) Apresentou para o ano calendário 2005 três D1PJ: (i) Em 11/042006 com opção pelo lucro real; (ii) em 30.05.2006, declaração de inatividade e (iii) em 17.11.2006, com opção pelo lucro real; 3 Central (docs. fls. 02 a 21 do Anexo 6): a) está ativa na Receita Federal; b) no início do procedimento fiscal, estava omissa de DIPJ nos anoscalendário 2006 a 2008; c) Após o início do procedimento fiscal, em 07.04.2009, apresentou em 22.06.2009, as DIPJ dos anos 2007 e 2008, conforme descrito no item 3.10 deste termo; cl) Permanece omissa em 2006: Fl. 7DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/200963 Acórdão n.º 1301001.079 S1C3T1 Fl. 2.241 8 3.4 As inconsistências entre o controle de estoque (sistema Exata) e a contabilidade (sistema Microsiga) Em 03 de agosto de 2009, estivemos em diligência no estabelecimento do contribuinte situado na Avenida Fúlvio Aducci nº 597, bairro Estreito, município de Florianópolis.S.C. Neste endereço funciona o depósito no qual as mercadorias são estocadas antes de serem distribuídas para as lojas da empresa. No mesmo endereço funcionam os departamentos contábil, fiscal, de logística, financeiro, de tecnologia da informação e de recursos humanos. Nesta diligência, a empresa esclareceu procedimentos acerca do registro das mercadorias recebidas dos fornecedores, da armazenagem destas mercadorias e da distribuição para as lojas. Também apresentou o sistema informatizado de controle de estoque e CMV (sistema Exata) e o sistema de escrituração contábil e controle financeiro (sistema Microsiga). 3.4.1 Sistema Esata Usion No relatório do sistema Esata de notas fiscais recebidas da U sion (CNPJ 04.823.708/000101), conforme (docs. fls. 50). podemos observar que: a) Constam notas fiscais que teriam sido emitidas pela Usion em 2002, 2003, 2004 e 2005: h) O sistema Esata, que faz o controle do estoque físico de mercadorias, apresenta apenas 15 notas fiscais da Usion que teriam sido emitidas e recebidas em 2004, demonstrando haver grave inconsistência com a contabilidade (sistema Microsiga), na qual o número de notas fiscais em 2004 é muito maior (doc. fis.52 a 62) [...] 3.4.2 Sistema Esata Green Way No relatório do sistema Esata de notas fiscais recebidas da Green Way Comercial (CNPJ 05.869.538/000150), conforme (doc fls.51) podemos observar que: a) Constam apenas notas fiscais que teriam sido emitidas e recebidas em 2005, embora a fiscalização tenha retido diversas notas fiscais que teriam sido emitidas e recebidas em 2004; b) há grave inconsistência com a contabilidade, na qual está registrado grande número de pagamentos em 2005 de notas fiscais que teriam sido emitidas e recebidas ainda em 2004, tanto que o saldo inicial em 01.01.2005 do passivo com. a Green Way chega a quase RS 8.000.000.00; 3.4.3 Sistema Microsiga Usion No relatório de títulos pagos do sistema Microsiga relativo ao fornecedor Usion em 2005, podemos observar que: Fl. 8DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/200963 Acórdão n.º 1301001.079 S1C3T1 Fl. 2.242 9 a) No sistema Microsiga que controla os pagamentos e a contabilidade aparecem títulos pagos em quantidade substancialmente maior (R$ 10.887.540,84) do que as notas fiscais da Usion registradas no sistema Exata que foi descrito no item 3.4.1 anterior; h) Os registros contábeis de saldo inicial, compras e pagamentos na conta de fornecedor não apresentam relação com a quantidade de notas fiscais registradas no relatório do sistema Exata e entregue fiscalização; [...] 3.4.4 Sistema Microsiga Green Way No relatório de títulos pagos do sistema Microsiga relativo ao fornecedor Green Way em 2005, podemos observar que: a) No sistema Microsiga, que controla os pagamentos e a contabilidade, aparecem títulos pagos em quantidade maior (R$ 7.703.759,36) do que as notas fiscais da Green Way registradas no sistema Exata, que foi descrito acima; b) Os registros contábeis de saldo inicial, compras e pagamentos na conta de fornecedor não apresentam relação com a quantidade de notas fiscais registradas no relatório do sistema Exata e entregue à fiscalização:, [...] Em 11 de agosto de 2009, a contribuinte apresentou à fiscalização novos relatórios gerenciais dos sistemas Exata e Microsiga (docs. fls.86 a 145), sendo que os relatórios do sistema Exata não correspondem às notas fiscais emitidas pelos fornecedores e recebidas no estoque da MKJ.. Portanto, não sanam as inconsistências constatadas na diligência realizada em 03 de agostos de 2009 acerca da falta de registro da entrega das mercadorias no estoque. Os relatórios do sistema Microsiga apenas informam os mesmos passivos e os mesmos pagamentos que a fiscalização já havia constatado no contabilidade. A partir dos fatos descritos anteriormente, é inescapável a conclusão de que há grave inconsistência entre os dados no sistema Esata, que controla o ingresso de mercadorias no estoque físico da empresa, e os dados no sistema Microsiga, no qual são feitos a contabilidade e o controle dos pagamentos aos fornecedores. O sistema Microsiga registra que a MKJ escriturou no passivo e que teria pago a estes fornecedores diversas compras de mercadorias cujas notas fiscais sequer constam do sistema que controla fisicamente o estoque (Exata). A inconsistência gera uma conclusão: o Custo das Mercadorias Vendidas apurado na contabilidade é muito maior do que o apurado no sistema Exata. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/200963 Acórdão n.º 1301001.079 S1C3T1 Fl. 2.243 10 [...] 3.5 A escrituração irregular dos Livros de entradas, Saídas e Inventário Conforme dito anteriormente, a correta escrituração dos livros fiscais seria condição “sine qua nom” para a confiabilidade da apuração do Custo das Mercadorias Vendidas (CMV). [...] É oportuno lembrar que a auditoria .fiscal tem acesso aos fatos de forma mediata através dos documentos e livros escriturados na época dos fatos geradores. Por isso, a lei determina que os contribuintes tem a obrigação de registrar os .fatos corretamente e manter livros e documentos em boa ordem. Somente nestas condições a escrituração contábil e fiscal teria confiabilidade e poderia fazer prova a favor do contribuinte. [...] Em 04 de junho de 2009, quase dois meses depois do início do procedimento fiscal, a .fiscalização lavrou o Termo de Constatação e Reintimação (doc. fls. 34 a 36) onde ficou registrado que o contribuinte ainda não havia apresentado nenhum Livro de Registro de Inventário e que não havia apresentado os Livros de Saídas de diversas filiais. Somente em 09 de junho de 2009 foram entregues diversos livros, conforme doc.424/427. Estes 22 Livros de Inventario apresentados, além de terem os defeitos citados no item 3.1 acima e de terem sido impressos e registradas após o início do procedimento de .fiscalização, não abarcam inteiramente os estoques da empresa, já que em 2005 a mesma possuía 42 filiais. Ora, a obrigatoriedade legal de escriturar e registrar os livros existe para dar confiabilidade à apuração do patrimônio e do resultado da empresa comercial. A falta de parte dos livros, os defeitos constatados e a confecção destes após iniciado o procedimento .fiscal retiram a confiabilidade dos registros contábeis. Contabilmente, o contribuinte registra os estoques de mercadorias para venda em duas contas: 1112114001 Estoque lojas e 1112114091 Estoque depósitos. Como o contribuinte tinha, na época dos fatos, dezenas de lojas, e como não foram entregues à fiscalização todos os Livros de Inventario, ficou inviabilizada a checagem da veracidade dos saldos inicial e final das contas de estoque na contabilidade. A falta de parte dos Livros de Saídas e Inventário e a falta de registro destes na Junta Comercial não são motivos suficiente para a completa desconsideração da contabilidade do contribuinte. Todavia, a falta destes livros compromete severamente a confiabilidade da apuração dos estoques, dos Fl. 10DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/200963 Acórdão n.º 1301001.079 S1C3T1 Fl. 2.244 11 fluxos de mercadorias (entradas e saída) e,consequentemente, da apuração do patrimônio e do resultado na atividade do comercial. 3.6 A informação da MKJ sobre os pagamentos aos fornecedores Usion; Green.Way, Blue River e Central Considerando as inconsistências anteriormente descritas e considerando que a MKJ teria realizado, ao longo de 2005, dezenas de vultosos pagamentos por Caixa aos fornecedores U sion, Green Way, Blue River e Central, mediante simples duplicatas sem elementos legais mínimos, intimamos a fiscalizada, em 22.09.2009, através do Termo de Intimação 04 2009 (doc. Fls. 195 a 197) a: esclarecer e comprovar como eram feitos tais pagamentos; indicar local, responsável, representante dos fornecedores e detalhes sobre os documentos; identificar as pessoas cujos nomes aparecem em carimbos apostos nas duplicatas; Em resposta a empresa informou que "não tem conhecimento como eram feitos tais pagamentos” (doc. fls.198 a 199). Limitouse a informar que os pagamentos eram feitos exclusivamente pelo Senhor Elizeu Machado de Lima que era o administrador da empresa à época e que desta desligouse há tempo. De fato, conforme os contratos e procurações coletados durante o procedimento, o Senhor Elizeu Machado de Lima constava como administrador da empresa à época dos fatos. Mas a informação da MKJ sobre o desconhecimento acerca das operações contrasta com as informações prestadas em 24 de abril de 2009 pelo Senhor Elizeu Machado de Lima (docs.fls.07). Nesta data, o depoente afirmou que "a empresa durante todo o período (de sua gestão ,formal como administrador) era efetivamente administrada pelo Sr. Mário Kenji. Sra. Regina Celi Zaguini e Ketherine Zaguini Irie.” Tendo a MKJ alegado que somente o Senhor Elizeu Machado de Lima teria conhecimento acerca dos referidos pagamentos, a fiscalização voltou a tomar o seu depoimento em 08 de outubro de 2009. Neste novo depoimento, o antigo administrador afirmou (fls..206 a 207): Que a Sra. Regina Iriê era responsável pelo setor de compras e que o procedimento normal de compras era: 1) desenvolvimento da coleção 2) diretora de compras aprovadas 3) emitia pedidos 4) recebia produtos 5) distribuía para as lojas 6) pagamento da NF (cadastro de contas a pagar); Que as mercadorias das empresas citadas, que ele saiba, nunca entraram na empresa e que, contabilmente, as mercadorias Fl. 11DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/200963 Acórdão n.º 1301001.079 S1C3T1 Fl. 2.245 12 destas empresas estavam no estoque, mas fisicamente não estavam (grifamos); Que as compras destas empresas não seguiam o trâmite normal acima descrito, que o volume de compras da MKJ era incompatível com os estoques e com as vendas, e que isso provocava inconsistências nos relatórios (grifamos): Que teve conhecimento que estes procedimentos irregulares com .fornecedores vinham peio menos desde 2001 e que acha que estas notas fiscais são inidôneas (grifamos): Que 100% dos pagamentos da MKJ eram feitos por bancos, que pagamentos por Caixa eram irregulares e que nunca viu fornecedor vir receber pagamento em dinheiro na empresa (grifamos): [...] É relevante destacar que as informações prestadas pelo Senhor Elizeu Machado de Lima devem ser recebidas com cuidado em virtude deste com a MKJ em processo trabalhista, conforme detalhado no item 3.7 deste Termo. Mas, também é de se destacar igualmente, que as informações vêm ao encontro das conclusões a que chegou a fiscalização por outros meios de prova. [...] É de se considerar que, por definição, a conta Caixa representa os recursos efetivamente disponíveis em moeda corrente na empresa para fazer face as pequenas despesas do dia a dia. Caso estes pagamentos houvessem sido efetivamente por Caixa (que fica em Florianópolis onde se concentra a atividade mercantil), a cada pagamento um representante do fornecedor teria de deslocarse de São Paulo para Santa Catarina para receber dezenas de milhares de reais em notas e moedas. Se o pagamento ocorresse em São Paulo, um representante da MKJ teria de ir até lá. Além disso, os pagamentos da Usion e da Blue River teriam acontecido após a extinção destas empresas. Este procedimento não seria nada prático e usual, dada a .falta de segurança física envolvida Certamente estes procedimentos de pagamento seriam lembrados por todos os envolvidos. Por que ninguém se lembra de nada acerca destes pagamentos? Simplesmente porque estes pagamentos não ocorreram! O que fica provado neste relatório e documentos anexos é que estas operações de compras e os respectivos pagamentos são fictícios e fazem parte de um esquema de empresas "laranjas" montado exclusivamente para fornecer notas .fiscais inidôneas para diversos contribuintes interessados em majorar custos, aproveitar créditos de tributos não cumulativos (como ICMS, PIS e COFINS) e efetuar pagamentos a beneficiários não identificados. Também ficará demonstrado que, ao participar do Fl. 12DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/200963 Acórdão n.º 1301001.079 S1C3T1 Fl. 2.246 13 esquema, a MKJ agiu dolosamente com o intuito de reduzir ou suprimir os tributos incidentes sobre sua atividade comercial. O depoimento do Senhor Elizeu Machado de Lima confirma parte destas conclusões a que a fiscalização já havia chegado por outros meios de prova. Segundo ele, as notas fiscais dos fornecedores sob investigação não são idôneas e não correspondem a efetivas entradas de mercadorias. A fiscalização prova que os fornecedores não tinham nenhuma capacidade física. econômica e operacional de estocar, confeccionar, vender e transportar as mercadorias que estão nas notas fiscais. A inconsistência entre os sistemas Exata (estoque) e Microsiga (contabilidade e .financeira) relatada pelo exadministrador foi também constatada pela .fiscalização na diligência anteriormente descrita. 3.8 Procedimento de circularização de informações Considerando todos os fatos apurados, a fiscalização identificou a necessidade de circularizar as informações e de fazer um esforço para diligenciar junto aos fornecedores a fim de conferir a exatidão dos documentos e registros contábeis da MKJ. Ao longo deste termo, fica patente a dificuldade da fiscalização para localizar os sócios responsáveis pelos fornecedores, bem como a impossibilidade ter acesso aos livros e documentos contábeis e fiscais. Grande parte da dificuldade vem do fato de as empresas serem usadas pelo esquema durante um período e, subitamente, serem encerradas. Diante desta situação, a .fiscalização não apenas empreendeu um grande esforço para localizar os sócios e contadores das empresas, como passou a buscar informações de forma indireta, através de outros clientes destes fornecedores e de terceiros como a Junta Comercial de São Paulo, a Secretaria de Estado de Fazenda de São Paulo e o proprietário de imóveis onde estariam localizadas as empresas. Das fls.555 a 564 do Termo de Verificação, constam o resultado destas circularizações, que aqui deixam de ser relatoriadas, tendo em vista que não foi objeto de impugnação específica neste sentido. [...] 3.16 Conclusão pela inidoneidade Ao longo do presente capítulo procuramos transcrever com bastante minúcia e detalhamento todos os fatos documentais que foram colhidos no intuito de se confirmar a idoneidade dos documentos apresentados pela fiscalizada para comprovar a efetividade das compras efetuadas junto aos fornecedores U Sion, Green Way, Central e Blue River, uma vez que essas compras representaram parcela expressiva do custo operacional da empresa no ano fiscalizado. Fl. 13DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/200963 Acórdão n.º 1301001.079 S1C3T1 Fl. 2.247 14 A seguir apresentaremos de forma resumida os motivos que não deixaram margem para dúvida quanto à conclusão obtida pela fiscalização. As compras contabilizadas pela empresa MKJ em relação aos fornecedores citados não ocorreram de .fato e os documentos apresentados para comproválas são inidôneos. [...] Desta forma, todos os valores relacionados às compras relativas a esses fornecedores, conforme demonstrativo a seguir, serão considerados custo indedutível, conforme as constatações relatadas no presente Termo. Os valores que compõe esse demonstrativo foram extraídos da contabilidade da empresa (doc. Fls.429 a 461). [...] IV DA AMPLIAÇÃO DO PERÍODO FISCALIZADO PARA O ANO DE 2004 E DA INCLUSÃO DAS CONTRIBUIÇÕES PARA O PIS E COFINS Conforme explicitado anteriormente, os saldos em 01.01.2005 das contas de passivo com estes.fornecedores demonstram que grande parte das notas fiscais inidôneas foi aproveitada pela MKJ em 2004. Neste ano, foi registrada na contabilidade grande parte das compras fictícias. Desta forma, considerando que a MKJ não manteve em boa ordem os livros fiscais obrigatórios para que fosse possível apurar os estoques efetivos e a correta apuração do Custo das Mercadorias Vendidas foi necessário estender o período abrangido pelo Mandado de Procedimento Fiscal para que as compras fictícias pudessem ser corretamente excluídas do custo nos anos de 2004 e 2005. Assim sendo, o contribuinte foi regularmente intimado para tomar conhecimento da ampliação do período fiscalizado e para apresentar, em meio magnético, as contas contábeis de estoque e de passivo com estes fornecedores em 2004. (docs. fls.230 a 231). Em resposta, a empresa encaminhou. em 05.11.2009 os arquivos magnéticos solicitados, cuja impressão foi acostada ao processo (docs..fls. 235 a 286). Considerando que as compras fictícias lastreadas em documentos fiscais inidôneos também tem repercussão na apuração dos créditos de PIS e de COFINS de 2004 e 2005, na modalidade não cumulativa (obrigatória para os contribuintes optantes pelo Lucro Real), estas contribuições foram incluídas no presente procedimento de .fiscalização, conforme Mandado de Procedimento Fiscal emitido em 04.11.2009. [...] V DOS PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS Fl. 14DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/200963 Acórdão n.º 1301001.079 S1C3T1 Fl. 2.248 15 Conforme amplamente explicitado no item 111 Da glosa de custos, acima, a MKJ aproveitouse dolosamente de um esquema de “empresas laranjas” que lhe forneceram notas .fiscais inidôneas. Resumidamente, as compras realizadas de Gren Way, Blue River, Central e USion não.foram comprovadas, pois tais operações não ocorreram de fato. Todavia, a MKJ registrou na contabilidade nos anos fiscalizados dezenas de milhares de reais em supostos pagamentos a estes fornecedores em valores expressivos. Os pagamentos foram feitos quase exclusivamente por caixa, sem nenhum outro comprovante a não ser os documentos inidôneos. As operações de compras são fictícias e tem como objetivo não apenas a irregular ou supressão dos tributos IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, mas também encobrir a saída de recursos do patrimônio da pessoa física para pagamentos a beneficiários não identificados. O art. 674 do Regulamento do Imposto de Renda, determina que, no caso de pagamento a beneficiários não identificados, tais pagamentos estão sujeitos à tributação exclusiva na fonte à alíquota de trinta e cinco por cento, verbis: "Art.674. Está sujeito à incidência do imposto exclusivamente, na .fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei nº 8.981, de 1995. art. 61). §1º. A incidência prevista neste artigo aplicase, também. aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa (Lei n° 8.981 de 1995. art.61, §1º). §2º Considerase vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância (Lei n° 8.981. de 1995. art.61. §2º). §3°. O rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei n ° 8.981 de 1995. art.61. §3º). [...] VI DA RESPONSABILIDADE DO SENHOR MÁRIO KENJI IRIÊ Neste item a Fiscalização relatou, em detalhes, as situações que a levaram a concluir pela responsabilidade do Sr. Mário Kenji Iriê e controle total do grupo Makenji, da qual a empresa ora autuada faz parte. Em função do extenso arrazoado (fls.568 a 571 do Termo de Verificação, verso), deixo aqui de relatoriar tais situações, até mesmo porque, como se verá na Fl. 15DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/200963 Acórdão n.º 1301001.079 S1C3T1 Fl. 2.249 16 apreciação da matéria em questão, estas questões trazidas pela Fiscalização passaram ao largo das alegações demandadas por este senhor em sua impugnação. VII DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA Os fatos acima descritos, especialmente a larga utilização de notas fiscais inidôneas com o objetivo de efetuar pagamentos a beneficiários e reduzir suprimir ilicitamente o lucro contábil e as bases de cálculo de IRPJ, CSLL,.PIS e COFINS, caracterizam sobejamente a fraude, que, neste caso, definese pela ação dolosa do contribuinte tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Desta forma, estamos constituindo de ofício os créditos tributários de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e IRRF do período fiscalizado com a multa majorada de 150% conforme determinação do art.44. §1º da Lei 9.430/96. com redação dada pela Lei nº 11.488/2007. XI DA APREENSÃO DE DOCUMENTOS FISCAIS Tendo em vista todos os fatos descritos no presente Termo e com base no §1º do art. 35 da Lei nº 9.430/96, estão sendo apreendidos nesse ato as primeiras vias das Notas Fiscais e duplicatas apresentadas pela fiscalizada, referentes aos fornecedores Green Way Comercia Ltda., USion Ind. e Com Têxtil, Blue river Comercial Lida. e Central Industrial e Comercial Ltda. que passam a compor os Anexos 3, 4, 5 e 6, respectivamente. [...] XII DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA No que diz respeito ao pólo passivo da relação tributária, trazse à luz da discussão os seguintes dispositivos do Código Tributário Nacional: Art.124 .São .solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal: [...] Parágrafo único A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Art. 128 Sem prejuízo do disposto neste Capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo credito tributário a terceira pessoa vinculada ao .fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. Fl. 16DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/200963 Acórdão n.º 1301001.079 S1C3T1 Fl. 2.250 17 [...] Art.135 São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes às obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos.: 1 as pessoas referidas no artigo anterior; II – mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. A jurisprudência, sabiamente, tem se manifestado de forma mansa e pacífica no sentido de que a responsabilização dos sócios, em caráter solidário à empresa impõe, precipuamente. a constatação prática de atos abusivos e o vínculo dos terceiros (sócios ou administradores com poderes de gestão) com esta conduta. No presente caso, atos abusivos sobejam, conforme exaustivamente se historiou e comprovou. De acordo com o contrato social e procurações colhidas durante o procedimento fiscal, o administrador da MKJ na época dos fatos geradores era o senhor Elizeu Machado de Lima, CPF n º 160.436.26934. Os próprios depoimentos demonstram que o senhor Elizeu conhecia todas as operações glosadas, além de ser um dos ordenadores de pagamentos e um dos responsáveis pela movimentação financeira da empresa. Contudo, conforme o exposto no item Responsabilidade do senhor Mário Kenji 1riê acima, este exercia a administração superior de fato da sociedade, tendo, em conjunto com o Sr. Elizeu, o domínio sobre os fatos narrados. O dolo de Elizeu Machado de Lima e de Mário Kenji Iriê fica patente nas seguintes passagens do depoimento daquele, tomado em 08.10.2009: "que as mercadorias das empresas citadas, que ele saiba , nunca entraram na empresa; que, contabilmente, as mercadorias destas empresas estavam no estoque, mas fisicamente na estavam; que as compras destas empresas não seguiam o trâmite normal acima descrito; que o volume de compras da MKJ era incompatível com os estoques e com as vendas e que isso provocava inconsistências nos relatórios e que estas inconsistências eram sempre informadas ao Sr. Mário Kenji e Sra. Regina Iriê que administravam de fato a empresa; que teve conhecimento que estes procedimentos irregulares com fornecedores vinham pelo menos desde 2001 e que neste período o depoente não estava na empresa.” Diante do exposto, para garantia do amplo direito de defesa e do devido processo legal, estamos dando ciência deste termo, assim como dos autos de infração e anexos, ao Sr. Mário Kenji Irié, CPF 007.091.15920, e ao Sr. Elizeu Machado de Lima, CPF Fl. 17DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/200963 Acórdão n.º 1301001.079 S1C3T1 Fl. 2.251 18 160.436.26934, ambos na condição de sujeitos passivos solidários. A autuada, MKJ Importação e Comércio Ltda., apresentou sua impugnação (fls.619 a 717, munida de documentos de fls. 718 a 1.106), que ora se resume: [...] RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO: IMPUGNAÇÃO Na condição de Responsável Solidário, que lhe foi atribuído pela Fiscalização, o Sr. Mário Kenji lriê, por intermédio de seus representantes outorgados, apresentou sua impugnação, acostada as fls.1.107 a 1.170, que ora se resume: [...] A 3ª Turma Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis, Santa Catarina, tendo exonerado parte do crédito tributário constituído, recorreu de ofício a este Colegiado administrativo. O referido julgado foi assim ementado: FISCALIZAÇÃO. JURISDIÇÃO DIVERSA DA DE LOCALIZAÇÃO DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE LEGAL. O Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, no § 2° do seu artigo 9º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993, estabelece claramente a possibilidade de que a autuação fiscal seja lavrada por servidor competente de jurisdição administrativa diversa da do domicilio fiscal do sujeito passivo, prevenindo a jurisdição e prorrogando a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E DE ILEGALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, e são incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. PESSOA JURÍDICA. CONTRIBUINTE. SUJEITO PASSIVO. PRELIMINAR DE ILEGITIMIDADE PASSIVA REJEITADA. Se a pessoa jurídica promove o fato econômico, surge para si a obrigação tributária, independentemente de haver ilicitude ou não por parte dos administradores. Não há o menor sentido em "desonerar" dos respectivos tributos a pessoa jurídica que "auferiu faturamento", "vendeu mercadorias", "prestou serviços". Portanto, deve ser excluída a tese da responsabilidade tributária exclusiva, por substituição propriamente dita. RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO. GERENTE. ADMINISTRADOR DE PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PRIVADO. PRÁTICA DE ATOS COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO A LEI. CTN, ART. 135. CONFIGURAÇÃO. Provado pela fiscalização nos autos do processo que o administrador/gerente agiu com excesso de poderes e/ou com infração à lei, a teor do art. 135 do CTN, ao Fl. 18DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/200963 Acórdão n.º 1301001.079 S1C3T1 Fl. 2.252 19 lado da sociedade contribuinte dos tributos, é também responsável pelos créditos correspondentes. MULTA DE OFÍCIO. DUPLICAÇÃO DO PORCENTUAL DA MULTA DE OFICIO. LEGITIMIDADE. Constatado que na conduta da fiscalizada existem as condições previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, cabível a duplicação porcentual da multa de que trata o inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996 (com a redação do artigo dada pela Medida Provisória n° 351, de 2212007, convertida na Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007). LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE. DECADÊNCIA. ART. 173 DO CTN. IRRF. Nos casos em que comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial deslocase daquele previsto no art. 150, § 4º para as regras estabelecidas no art. 173 (ambos do CTN), pelas quais ficou constatado que não ocorreu a decadência para qualquer fato gerador considerado no lançamento. IRPJ. GLOSA DE CUSTOS. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. São indedutíveis os custos sustentados em notas fiscais inidôneas, fato atestado em diligência, e ante a falta de comprovação da efetividade das operações. CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. EFEITOS DA DECISÃO RELATIVA AO LANÇAMENTO PRINCIPAL (IRPJ). Em razão da vinculação entre o lançamento principal (IRPJ) e os que lhe são decorrentes, devem as conclusões relativas àquele prevalecer na apreciação destes, desde que não presentes arguições específicas ou elementos de prova novos. Mantido o lançamento de IRPJ, mantém aquele tido como decorrente, no caso, a CSLL. NÃOCUMULATIVIDADE. GLOSA DE CRÉDITOS. Ante a constatação do registro de custos das mercadorias comercializadas, baseados em notas fiscais inidôneas, e consequente glosa pela autoridade fiscal, há que ser reconstituído o fluxo mensal de créditos e débitos da contribuição não cumulativa para que apenas seja mantida a exigência de ofício em relação àqueles que efetivamente tenham reduzido a tributação devida, ou, se for o caso, a redução do "Saldo de Crédito do Mês". PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. A pessoa jurídica que efetuar pagamento a beneficiário não identificado ou não comprovar a operação ou a causa do pagamento efetuado ou recurso entregue a terceiros, contabilizados ou não, sujeitarseá à incidência do imposto, exclusivamente na fonte. Nos tópicos em que julgou parcialmente procedente a impugnação interposta pela contribuinte autuada, o voto condutor da decisão exarada em primeira instância assinalou: [...] Fl. 19DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/200963 Acórdão n.º 1301001.079 S1C3T1 Fl. 2.253 20 Importante registrar que, embora não tenha demonstrado, a fiscalização realizou um raciocínio juridicamente razoável, ainda que incompleto. O raciocínio é o seguinte: a fiscalizada apurou créditos indevidamente; créditos reduzem a contribuição a pagar; portanto, a contribuição a pagar foi reduzida indevidamente. Assim, embora juridicamente razoável porque se valeu dos critérios legais da não cumulatividade o raciocínio foi incompleto porque desconsiderou a possibilidade (apontada pela impugnante) de haver, em determinado mês, saldo de créditos não glosados e não utilizados na apuração levada a efeito pela contribuinte antes da fiscalização, fato que absorveria (naquele mês), no todo ou em parte, a glosa de créditos. Obviamente, o efeito dessa absorção seria sentido à medida que esse excesso de créditos na apuração original de determinado mês fosse utilizado para descontar débitos de meses subsequentes. Essa é a apuração reclamada pela impugnante (o que demonstra seu pleno conhecimento da sistemática de apuração das contribuições no regime nãocumulativo) e que, também no entender deste voto vencedor, é a correta. Em face da circunstância acima apontada, a impugnante requer a anulação do lançamento relativo às contribuições. Impende, portanto, transcrever os dispositivos que tratam das nulidades no ato legal que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, o Decreto n° 70.235, de 1972 (destaques acrescidos): [...] Embora tenha razão a impugnante quando afirma que a apuração foi incorreta, obviamente, à luz do que dispõe o Decreto n° 70.235, de 1972, não se trata de caso de nulidade, afinal, os autos de infração foram lavrados por pessoa competente, e o defeito identificado na apuração não causou preterição do direito de defesa da contribuinte. Á luz do indigitado art. 60, tratase, apenas, de considerar o efeito da glosa de créditos, de modo a determinar, mês a mês, o valor eventualmente devido preservando os demais valores declarados pela impugnante (débitos e créditos) e que não foram questionados pela fiscalização. O que aqui se está defendendo é algo análogo a procedimento amplamente adotado em sede de julgamento administrativo. Tratase, por exemplo, dos casos em que sempre que comprovadamente possível reconhecer valores dedutíveis de base de cálculo (a título de prejuízo fiscal não considerado no lançamento) quando da liquidação de valores lançados de IRPJ, tal reconhecimento e dedução podem ser e efetivamente têm sido feitos em sede de julgamento por esta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, sem que sua falta por ocasião do lançamento constitua hipótese de nulidade. Neste momento é importante ressaltar que a apuração não cumulativa foi efetivamente realizada, a despeito de o título do tópico da impugnação conduzir a conclusão diversa ("Falta de Apuração na Sistemática NãoCumulativa"). Essa é a razão pela qual é possível, em sede de julgamento, considerar o efeito da glosa de créditos, de modo a determinar, mês a mês, o valor eventualmente devido preservando os demais valores declarados pela impugnante (débitos e créditos) e que não foram questionados pela fiscalização. Conforme visto acima, para lançar PIS/Pasep e Cofins com base em glosa de compras a fiscalização, necessariamente, valeuse da não cumulatividade. As alíquotas adotadas (1,65% e 7,6%) e a base legal também não deixam dúvidas de que o lançamento se deu segundo as regras da não cumulatividade, embora a apuração tenha sido incompleta. Em outra passagem, a própria impugnante reconhece a adoção da nãocumulatividade quando aponta a ocorrência de "falta da correta apuração [...] pela sistemática não cumulativa – Fl. 20DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/200963 Acórdão n.º 1301001.079 S1C3T1 Fl. 2.254 21 Neste passo, cabe atenderlhe o pleito de forma a que possa pagar apenas as contribuições efetivamente devidas, mês a mês, após o desconto de créditos eventualmente não utilizados, existentes (após a glosa de compras) e declarados. Para a liquidação dos valores efetivamente devidos foram utilizados os valores informados pela impugnante em seus Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais Dacon; os valores por ela informados em suas Declarações de Débitos e Créditos de Tributários Federais DCTF, e os valores resultantes da glosa de custo correspondentes. O ponto de partida da liquidação é o Dacon em razão de (i) ser a obrigação acessória própria para a apuração das contribuições; (ii) seu conteúdo é de conhecimento da contribuinte o que não lhe acarreta qualquer surpresa ou prejuízo ao direito de ampla defesa; (iii) seu conteúdo não foi contestado pela fiscalização; e (iv) seus resultados, na apuração levada a efeito pela contribuinte antes da fiscalização, são compatíveis com o que foi declarado em DCTF. Neste momento processual, às f. 1626 a 1681 foram juntadas aos autos cópias dos Dacon apresentados pela contribuinte relativamente a fatos ocorridos nos anos calendário de 2004 e 2005. A metodologia adotada na liquidação é a seguinte: a) foram elaboradas duas planilhas como forma de facilitar a compreensão da interessada acerca da metodologia empregada, bem assim a conferência dos resultados. Uma demonstra a apuração levada a efeito pela contribuinte antes da fiscalização, enquanto que a outra, tendo a apuração da contribuinte como base, demonstra o resultado da inserção da glosa de créditos; b) em cada planilha há a indicação da origem dos dados, com referência às linhas e fichas dos demonstrativos apresentados pela contribuinte; c) a glosa incide sobre o custo de aquisição de bens para revenda. Para esse fim foram considerados os valores que constam , mês a mês, do demonstrativo de f. 565, integrante do Termo de Verificação Fiscal. Aqui cabe ressaltar que a glosa de compras do mês de janeiro de 2004 (R$ 2.434.784,00) é superior ao custo levado à base dos créditos pela contribuinte (R$ 1.575.289,99), razão pela qual a glosa ficou limitada ao custo utilizado como base para o crédito. d) considerando a glosa e os demais créditos informados do Dacon, bem assim os débitos apurados no Dacon, o valor da contribuição resultante da liquidação é a diferença entre a contribuição devida após o desconto dos créditos (indicada por 'A' na planilha) e a contribuição apurada pela contribuinte no Dacon e declarada em DCTF (indicada por 'B' na planilha); e) o resultado do julgamento, mês a mês, considera eventual diferença entre o valor lançado e o valor da contribuição mantida, esta última correspondente ao resultado da liquidação. Não havendo diferença, não há nada a exonerar. Havendo diferença e sendo o valor lançado superior ao valor mantido, a diferença é exonerada. Havendo diferença e sendo o valor lançado inferior ao valor mantido, a diferença apenas foi indicada como "não lançada", e que, por ora, não serão exigidos visto não ser juridicamente aceitável o agravamento da exigência fiscal pela instância administrativa de julgamento. Demonstramse a seguir os resultados da liquidação empreendida. As mesmas planilhas foram juntadas às f. 1682 a 1697 destes autos. Fl. 21DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/200963 Acórdão n.º 1301001.079 S1C3T1 Fl. 2.255 22 [...] Consolidando os resultados acima temse o seguinte: LANÇADO EXONERADO MANTIDO PIS/PASEP 2004 722.872,08 108.409,01 614.463.07 2005 47.849.60 0,00 47.849.60 Total 770.721,68 108.409,01 662.312,67 COFINS 2004 3.144.549,25 533.115,98 2.611.433.27 2005 220.398,17 0.00 220.398,17 Total 3.364.947,42 533.115,98 2.831.831,44 MKJ IMPORTAÇÃO E COMÉRCIO LTDA., já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão em referência, interpôs o recurso de fls. 1.796/1.898, por meio do qual sustenta: a nulidade da intimação relativa ao resultado da decisão exarada em primeira instância; a incompetência da Fiscalização da Delegacia da Receita Federal em Florianópolis para proceder as investigações fiscais; a sua ilegitimidade passiva, face a responsabilidade pessoal do Sr. Elizeu Machado de Lima; a ausência de previsão legal para incidência do imposto de renda na fonte; a caducidade do direito de se constituir o crédito tributário em relação à parte dos fatos geradores; a ocorrência de erro na apuração dos fatos geradores do imposto de renda na fonte; a impossibilidade da exigência do imposto de renda na fonte sobre pagamentos sem causa na situação em que foi efetuada a glosa das despesas; a impossibilidade de revogação do art. 43 do Código Tributário Nacional pela Lei nº 8.981, de 1995; a ofensa aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade e da vedação de utilização de tributo com efeito de confisco ao se reajustar a base de cálculo do imposto de renda na fonte; a incompetência da Delegacia da Receita Federal de Julgamento para constituir crédito tributário e a impossibilidade de mudança no critério jurídico da autuação; a impossibilidade de qualificação da multa de ofício em virtude da ausência de fraude; Fl. 22DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/200963 Acórdão n.º 1301001.079 S1C3T1 Fl. 2.256 23 a ilegalidade da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício; e a ilegalidade da utilização da taxa selic para a cobrança de juros de mora. O Sr. Mário Kenji Iriê, incluído no pólo passivo da obrigação formalizada como responsável tributário, apresentou o recurso voluntário de fls. 2.012/2.133, sustentando: a insubsistência da imputação de sujeição passiva solidária; a ausência de procedimento fiscalizatório em relação ao apontado como sujeito passivo solidário; a ausência de interesse, de sua parte, na situação que constituiu o fato gerador da obrigação; a configuração da hipótese de responsabilidade pessoal do Sr. Elizeu Machado de Lima; e a impossibilidade de se imputar ao responsável a penalidade pecuniária.; O Recorrente ainda tece considerações acerca da responsabilidade tributária, abordando aspectos jurídicos relacionados aos arts. 124 e 135 do Código Tributário Nacional. Por fim, repisa argumentos apresentados na peça recursal interposta pela MKJ IMPORTAÇÃO E COMÉRCIO LTDA. (incompetência da Fiscalização da Delegacia da Receita Federal em Florianópolis para proceder as investigações fiscais; ilegitimidade passiva, face a responsabilidade pessoal do Sr. Elizeu Machado de Lima; ausência de previsão legal para incidência do imposto de renda na fonte; caducidade do direito de se constituir o crédito tributário em relação à parte dos fatos geradores; ocorrência de erro na apuração dos fatos geradores do imposto de renda na fonte; impossibilidade da exigência do imposto de renda na fonte sobre pagamentos sem causa na situação em que foi efetuada a glosa das despesas; impossibilidade de revogação do art. 43 do Código Tributário Nacional pela Lei nº 8.981, de 1995; ofensa aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade e da vedação de utilização de tributo com efeito de confisco ao se reajustar a base de cálculo do imposto de renda na fonte; ofensa ao artigo 3º do Código Tributário Nacional; incompetência da Delegacia da Receita Federal de Julgamento para constituir crédito tributário e a impossibilidade de mudança no critério jurídico da autuação; impossibilidade de qualificação da multa de ofício em virtude da ausência de fraude; ilegalidade da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício; e ilegalidade da utilização da taxa selic para a cobrança de juros de mora). É o Relatório. Fl. 23DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/200963 Acórdão n.º 1301001.079 S1C3T1 Fl. 2.257 24 Voto Vencido Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Aprecio em primeiro lugar o recurso de ofício impetrado pela Turma Julgadora a quo, destacando que a sua interposição atende os requisitos estampados pela Portaria MF nº 3, de 2008. Como visto, o recurso de ofício interposto repousa sobre a exclusão de parte de crédito tributário constituído relativamente às contribuições para o PIS e à COFINS. Constatase que referida exclusão decorreu do fato de a autoridade autuante ter excluído os créditos fiscais provenientes de notas fiscais tidas como inidôneas na apuração não cumulativa do PIS e da COFINS. Não obstante ter sido correto o procedimento adotado pela referida autoridade, diante da existência de créditos fiscais devidamente escriturados que não foram objeto de qualquer questionamento e que não haviam sido considerados pela contribuinte na apuração das citadas contribuições, a autoridade julgadora de primeira instância, acolhendo argumentação trazida em sede de impugnação, revisou a apuração feita de ofício, recalculando, a partir do cômputo dos referidos créditos, os montantes a pagar a título de PIS e de COFINS. O recálculo em referência, que tomou por base Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais – DACON entregues pela contribuinte, encontrase devidamente lastreado por planilhas demonstrativas e teve a sua metodologia devidamente explicitada no ato decisório. Não existe, pois, reparo a ser feito à decisão de primeiro grau, razão pela NEGO PROVIMENTO ao recurso de ofício. Passo a analisar os recursos voluntários interpostos. Em conformidade com o aviso de recebimento de fls. 1.749, a empresa autuada (MKJ IMPORTAÇÃO E COMÉRCIO LTDA.) foi cientificada da decisão exarada em primeira instância (INTIMAÇÃO nº 270/2010 – fls. 1.744) em 04 de novembro de 2010. O recurso voluntário impetrado pela referida empresa foi recepcionado em 21 de março de 2011 pela Delegacia da Receita Federal em Florianópolis. Para justificar a interposição da peça recursal fora do prazo legal, a contribuinte argumenta, in verbis: [...] 11.1 Da Nulidade da Intimação da Recorrente 12. Em 17.02.2011, a Recorrente recebeu CartaCobrança relativa ao presente processo, o que lhe Fl. 24DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/200963 Acórdão n.º 1301001.079 S1C3T1 Fl. 2.258 25 13. causou espécie, pois nada havia recebido até então. Assim, contatou seus patronos para que tivessem vistas dos autos e, concomitantemente, tomassem ciência da decisão proferida pela DRJ. 14. Ocorre que, da consulta dos autos, verificouse que havia Aviso de Recebimento AR em nome da Recorrente, constando que esta havia sido intimada da decisão a quo em 04.11.2010, via correspondência. 15. Tal fato causou enorme surpresa à Recorrente, pois nenhum de seus funcionários acusou o recebimento ou assinou qualquer intimação ou correspondência em nome da Recorrente. 16. Assim, para esclarecer o fato, foi realizada verdadeira devassa em sua sede e nas demais unidades da empresa, para onde se acreditava que a intimação pudesse ter sido enviada. 17. Como resultado, a Recorrente não conseguiu localizar a intimação, não sabe quem recebeu, onde recebeu etc. Mas o que se verificou com certeza foi que tal intimação jamais passou pelas mãos de alguém da empresa, muito menos alguém que tenha poderes para representála legalmente. De fato, a pessoa que consta como signatária da intimação (Renato Oscar Gonzaga), conforme se apurou, seria vigilante de empresa terceirizada de segurança, ou seja, nem ao menos é empregado ou ex empregado da empresa. 18. Diante disso, a Recorrente registrou Boletim de Ocorrência na Delegacia Geral da Policia Civil do Estado de Santa Catarina (doc. 03), comunicando a autoridade policial e requerendo a apuração de possível conduta delituosa o furto de que a Recorrente pode ter sido vitima. 19. Ora, é evidente que a Recorrente não pode ser considerada formalmente intimada se o signatário do Aviso de Recebimento não tem relação alguma com a Recorrente ou até mesmo agiu de máfé ao receber intimação que não lhe dizia respeito. 20. Entender o contrário significa desrespeitar os mais basilares princípios processuais, garantidos constitucionalmente, quais sejam, a ampla defesa e o contraditório. 21. De fato, embora o processo administrativo seja marcado pelo menor apego à forma, ainda assim requer certas formalidades mínimas para garantir o devido processo legal e a segurança jurídica exigida pela sociedade. Dentre tais formalidades estão as citações e intimações, que precisam conferir certeza de que a parte efetivamente tomou ciência de seu conteúdo. 22. No entanto, no presente caso, a intimação foi recebida por pessoa alheia, que não se sabe quem é ou mesmo se é funcionário da Recorrente. Na verdade, o mais provável é que tenha sido recebida por funcionário terceirizado, que obviamente não tem poderes para representar a Recorrente. 23. Importante salientar que o parágrafo único do artigo 27 da Lei n° 9.784/99, que regula o processo administrativo em âmbito federal, determina, expressamente, que seja garantido o direito à ampla defesa e ao contraditório caso o administrado desatenda a alguma intimação. 24. Aliás, o próprio artigo 27 da referida Lei estabelece que "o desatendimento da intimação não importa o reconhecimento da verdade dos fatos, nem a renúncia a direito pelo administrado". Fl. 25DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/200963 Acórdão n.º 1301001.079 S1C3T1 Fl. 2.259 26 25. Logo, é evidente que essa intimação é nula, não podendo ser considerara como prazo inicial para contagem do prazo prescricional de interposição do Recurso Voluntário. Como medida de segurança jurídica e de garantia da ampla defesa e do contraditório, tal prazo deve ser contado a partir da ciência da decisão pelos patronos da Recorrente, que ocorreu em 22.02.2011. O único documento apresentado pela Recorrente para comprovar o alegado está representado pela cópia de um Boletim de Ocorrência (fls. 1994), por meio do qual noticiou à autoridade policial a suposta prática de delito por parte do signatário do aviso de recebimento. A contribuinte não trouxe aos autos, portanto, documentos adicionais que possibilitem criar a convicção de que, de fato, foi vítima de ação deliberada de pessoa estranha ao seu quadro funcional no sentido de lhe causar prejuízo por meio de apropriação da documentação encaminhada pela Receita Federal. Não há, por exemplo, indicação das providências que porventura foram tomadas em relação à empresa contratada (de acordo com o Boletim de Ocorrência, BACK Vigilância); notícia acerca de outros documentos que eventualmente teriam sido furtados; das circunstâncias em que o fato se deu (local de trabalho dentro da empresa, horário e atividades exercidas pelo suposto recebedor da documentação). A entrega da documentação, conforme aviso de recebimento, foi efetuada na sede da empresa, tendo sido registrado, inclusive, o número do documento de identificação do recebedor. Diante de tais circunstâncias, tenho por INTEMPESTIVO o recurso voluntário interposto, eis que aplicável ao caso as disposições da súmula CARF nº 9 abaixo reproduzida. Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. O Sr. Elizeu Machado de Lima, por sua vez, foi cientificado da decisão de primeira instância por meio da Intimação nº 175/2011 (fls. 1.760) em 28 de fevereiro de 2011, conforme aviso de recebimento de fls. 1.766. A citada Intimação foi enviada para o seguinte endereço: Rua Martinico Prado, 90, apto. 74, Higienópolis, São Paulo, SP. Às fls. 612 consta despacho da Delegacia da Receita Federal em Florianópolis informando que o Sr. Elizeu Machado de Lima teria se recusado a receber o Termo de Verificação Fiscal, motivo pelo qual estava sendo afixado edital. Às fls. 613 identificase aviso de recebimento datado de 17 de dezembro de 2009, com registro de recusa, relativo ao encaminhamento da documentação acima mencionada para o Sr. Elizeu Machado de Lima. A correspondência em referência foi enviada para o seguinte endereço: Rua Martinica Prado, 90, apto. 74, Higienópolis, São Paulo, SP. Por meio de documento recepcionado em 18 de março de 2011 pela Delegacia da Receita Federal em Florianópolis (fls. 1785/1787), o Sr. ELIZEU MACHADO DE LIMA apresentou os seguintes esclarecimentos (in verbis): Fl. 26DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/200963 Acórdão n.º 1301001.079 S1C3T1 Fl. 2.260 27 O REQUERENTE recebeu como Sujeito Passivo Solidário a intimação em referência para pagar valor de tributos federais, conforme apurado pelo processo em referência contra a Empresa MKJ IMPORTAÇÃO E COMÉRCIO LTDA., dando prazo de 30 dias do recebimento da intimação sob pena de remessa da cobrança à Procuradoria da Fazenda Nacional. Analisando a súmula emitida pelos Srs. Conselheiros, verificase a menção de que o REQUERENTE recusouse a receber a citação para defesa no Processo Administrativo Fiscal, o que não é verdade. O REQUERENTE jamais foi procurado por qualquer agente do Fisco para receber tal intimação ou devolveu qualquer intimação recebida pelos correios em seu domicilio fiscal. O REQUERENTE mantém seu domicílio fiscal no mesmo endereço à Rua Dr. Martinico Prado n° 90 apto. 74, CEP 01224010 em São Paulo SP há mais de 20 anos. É de se revelar que no período de junho de 2003 a junho de 2007 o REQUERENTE residiu em Florianópolis SC, e no período de janeiro de 2009 a maio de 2010 residiu em São Francisco do Sul SC. Considerando a possibilidade de nulidade do processo a partir de possíveis vícios a serem apurados nos procedimentos de citação DO REQUERENTE para defesa no processo Administrativo Fiscal, pela falta da ampla defesa, REQUER em causa própria a suspensão da presente intimação para pagamento até que se possa apresentar a defesa no respectivo Processo Administrativo Fiscal. Aproveitandose de uma situação de ausência de defesa do REQUERENTE no Processo Administrativo Fiscal, tanto a empresa Ré, MKJ Importação e Comércio Ltda. quanto seu controlador econômico e administrador de fato, Sr. Mário Kenji Iriê, assacaram uma série de acusações contra o REQUERENTE, tais como que O REQUERENTE administrava a Empresa, que o REQUERENTE praticou atos de sonegação em nome da Empresa e que era o responsável por sua administração, quando os próprios fiscais que elaboraram o trabalho quanto o Conselho da 3ª Turma da DRJ/FNS, através do acórdão 0721231, comprovam e atestam cabalmente que de fato o Sr. Mário Kenji Iriê administrava de fato a Empresa Ré, sendo inclusive considerado sujeito passivo solidário. É de Direito que se abra espaço para que o REQUERENTE apresente sua defesa ao Processo Administrativo Fiscal, oportunidade em que apresentará mais provas concretas sobre as atividades da Empresa Ré MKJ — Importação e Comércio Ltda. e de seu controlador econômico, dono e administrador de fato, Sr. Mário Kenji Iriê e família, comprovando que o REQUERENTE ocupava cargo na Empresa para dar "cara" pública à mesma, uma vez que a imagem pública do dono do Grupo Makenji tinha péssima reputação, que o REQUERENTE de fato não detinha poder algum de gestão e não teve nenhuma participação em procedimentos de sonegação fiscal, tanto é que em todo o período em que ocupou a posição não efetuou qualquer "compra" ilegal ou sequer assinou qualquer cheque de pagamento ou saque bancário para dar suporte ou cobertura financeira às atividades base do auto de infração. Se essas existiram, devese cobrar ao Sr. Mário Kenji Iriê, dono do Grupo Makenji e administrador de fato da Empresa objeto do auto de infração. Fará ainda o REQUERIDO averiguações quanto aos meandros para obtenção do documento de negativa de intimação de defesa ao Processo Administrativo Fl. 27DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/200963 Acórdão n.º 1301001.079 S1C3T1 Fl. 2.261 28 Fiscal, uma vez que nunca foi procurado por ninguém da Receita Federal, nunca recebeu nenhuma intimação pelo correio, tendo tomado conhecimento destes fatos apenas através do Acórdão proferido pela 3ª Turma da DRJ/FNS. Ressaltese que o REQUERIDO reside no mesmo endereço há mais de 20 anos, e sempre esteve à total disposição da Receita Federal de Florianópolis, tendo lá comparecido algumas vezes pessoalmente e sem nenhuma intimação para prestar esclarecimentos acerca das atividades da Empresa Ré e do Grupo Makenji, tendo inclusive trocado contatos telefônicos em diversas oportunidades com os fiscais responsáveis. Ressaltese ainda que a Receita Federal, em seu cadastro, e ainda junto ao próprio Processo em causa, mantém dados de identificação e localização do REQUERENTE, como endereço, telefones, email etc. Por todos estes fatos REQUER a suspensão do prazo da intimação para pagamento dos tributos, que aliás não deve e pelos quais não pode ser responsabilizado, para que se faça a devida justiça. O REQUERENTE receberá qualquer intimação ou comunicado em seu domicílio fiscal sito à Rua Dr. Martinico Prado n° 90 apto. 74, CEP 01224010 em São Paulo, email: elima1@uol.com.br e fone (11) 99915439. Certo de ser acatado neste pedido como medida de justiça, espera o deferimento. Em primeiro lugar, assevero que o pedido formulado pelo Sr. ELIZEU MACHADO DE LIMA (suspensão do prazo da intimação para pagamento dos tributos) não encontra ressonância na legislação de regência. No caso, poderseia decretar a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em razão da instauração do litígio decorrente da interposição de impugnação. Contudo, não houve apresentação de impugnação. Se, não obstante a falta de apresentação de impugnação, recepcionarmos a petição de fls. 1785/1787 como recurso voluntário, cabem as seguintes considerações: a) a referida petição, embora tangencie a questão da imputação de responsabilidade, aborda essencialmente a ausência de ciência dos autos de infração lavrados (o que teria levado à não apresentação da defesa inaugural); e b) acolhida a tese expendida pelo responsável tributário, nova intimação deverá ser providenciada, oportunizandose prazo para a apresentação de impugnação, para posterior apreciação pela Turma Julgadora de primeira instância. Creio, contudo, que não seja esse o tratamento a ser dispensado à matéria posta em discussão. Com efeito, o registro de recusa foi feito pela Empresa de Correios e Telégrafos – ECT, não existindo nos autos elemento indicativo de que tal informação não seja expressão da verdade. O próprio contribuinte, ao tempo em que afirma que “reside no mesmo endereço há mais de 20 anos”, noticia, por outro lado, fato que pode servir de explicação para o ocorrido, eis que informa que no período de janeiro de 2009 a maio de 2010 residiu em São Francisco do Sul, Santa Catarina (a tentativa de entrega da correspondência por parte da ECT foi em 17 de dezembro de 2009). Fl. 28DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/200963 Acórdão n.º 1301001.079 S1C3T1 Fl. 2.262 29 Inexiste nos autos qualquer indicação de que providências tenham sido tomadas junto à Receita Federal no sentido da alteração, ainda que temporária, da mudança de domicílio, até porque o próprio contribuinte afirma que “mantém seu domicílio fiscal no mesmo endereço à Rua Dr. Martinico Prado n° 90 apto. 74, CEP 01224010 em São Paulo SP há mais de 20 anos”. Diante de tais circunstâncias e à luz da legislação de regência, a providência adotada pelo órgão preparador no sentido de cientificar o contribuinte por meio de edital revelase plenamente válida, pois, nos termos do disposto no parágrafo 1º do art. 23 do Decreto nº 70.235/72, sendo improfícua a intimação por via postal, esta é a modalidade prevista na norma processual para efetivar a intimação do sujeito passivo. Tenho, pois, por ausente a instauração da fase litigiosa do procedimento por parte do Sr. Elizeu Machado de Lima. O Sr. Mário Kenji Iriê foi cientificado da decisão de primeira instância por meio da Intimação nº 174/2011 (fls. 1.757) em 28 de fevereiro de 2011, conforme aviso de recebimento de fls. 1.764. Não obstante, consta emissão de EDITAL em 11 de março de 2011, cuja desafixação se deu em 1º de abril de 2011 (fls. 1.765). Tenho por TEMPESTIVO o recurso voluntário interposto, eis que apresentado em 21 de março de 2011. Analiso, pois, os argumentos aportados aos autos. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Em que pese a argumentação preliminar da defesa acerca do histórico de vida do Sr. Mário Kenji Iriê, penso que encontramse reunidos nos autos elementos suficientes à caracterização da sua responsabilidade tributária, como decorrência dos fatos apurados pela Fiscalização. Consubstancio tal apreciação nos elementos retratados pela autoridade fiscal no Termo de Verificação (fls. 543/573) e nos documentos carreados ao processo. É certo que, formalmente, a fiscalizada (MKJ Importação e Comércio Ltda.) apresenta estrutura societária que não indica, à época da ocorrência dos fatos, o Sr. Mário Kenji Iriê como seu sócio ou administrador. Contudo, elementos subsidiários colhidos pela Fiscalização apontam na direção de que, de fato, a gestão do denominado Grupo MAKENJI sempre permaneceu na esfera de decisão do referido senhor e de sua família. Em convergência com o destacado pela autoridade fiscal de que a “MKJ faz parte do grupo econômico criado há mais de trinta anos, cujas empresas participantes sucedemse com múltiplas cisões e incorporações” e de que “as constantes mudanças nos quadros societários das empresas e as constantes sucessões entre as empresas fazem parte de uma complexa estratégia de blindagem do patrimônio do Sr. Mário Kenji Iriê e família com a utilização de interpostas pessoas”, merece destaque o fragmento, transcrito no Termo de Verificação, do pronunciamento do Juiz do Trabalho nos autos do processo nº 02738.2008.037.12.00.8, Dr. Paulo André Cardoso Botto Jacon, o qual peço licença para reproduzir. Fl. 29DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/200963 Acórdão n.º 1301001.079 S1C3T1 Fl. 2.263 30 [...] O certo é que o histórico acima demonstra a vida empresarial atribulada e em constante ebulição dessas sociedades, e o pesado manto a obscurecer a visão da composição do quadro social do segundo réu [MKJ]. Optaram os réus [PWA e MKJ], para não mostrar sua verdadeira face, em continuar omitindo as informações, mas sem apresentar qualquer justificativa plausível para tanto. [...] O segundo, MKJ, não traz qualquer informação que permita desvendar a composição societária de seu controlador (Texas Global LLC, com 99,9999872% do capital e sede nos Estados Unidos da América), o que é essencial para a análise da questão do grupo econômico e sucessão. Isso é estranho, pois em sendo legal sua composição, como se alega, não haveria razão para a ocultação. A estratégia desenvolvida no sentido de ocultar a participação do Sr. Mário Kenji Iriê na gestão do Grupo MAKENJI e, por decorrência, evitar a eventual responsabilização pelos ilícitos praticados, fica patente na seguinte narrativa da autoridade autuante (Termo de Verificação – fls. 569/verso e 570): [...] As provas recolhidas durante o procedimento fiscal mostram que o senhor Mário Kenji Iriê é responsável por todo o grupo "Makenji". Winner Financial Ltd Segundo o Contrato Social, datado de 06/09/1999, a sócia majoritária da MKJ seria a Winner Financial Ltd, com sede nas Ilhas Virgens Britânicas. Esta empresa tem duas inscrições no CNPJ, números 05.530.131/0001 02 e 05.713.350/000119 (doc. fls. 520 a 523). Nesta última, o CPF do responsável está cancelado na base porque não existe (000.000.00191). Interposta pessoa Chama atenção no Contrato Social da MKJ o ingresso, em 22/12/2000, no quadro societário, de JUCELI FARIAS SCHUTZ, CPF 707.421.70934. A senhora Juceli, segundo o Contrato Social, teria passado a administrar (SOZINHA!) a MKJ. Esta situação teria perdurado até 30/09/2003, quando a MKJ incorporou a LZC Importação e Comércio Ltda. A senhora Juceli Farias Schutz, segundo o Cadastro Nacional de Informações Sociais, era funcionária do grupo, com carteira de trabalho assinada, entre 01/06/1990 e 02/10/2007 (doc. fls. 531 a 533). Em 1999, o salário da senhora Juceli era de R$ 372,28 (trezentos e setenta e dois reais e vinte e oito centavos). A partir de 09/2000, seu salário passou a ser de R$ 761,29 (setecentos e sessenta e um reais e vinte e nove centavos). A senhora Juceli, não tinha capacidade econômica para ser sócia de uma empresa que fatura dezenas de milhões de reais por ano. Evidentemente, também não era a real administradora da sociedade. Em suma, era simples trabalhadora que foi usada como "laranja" no contrato social. Interpostas pessoas com sede em paraíso fiscal A partir de 30/09/2003, com a incorporação da LZC Importação e Comércio Ltda., o capital social da MKJ passou a ser integralmente dividido entre duas pessoas jurídicas com sede em paraíso fiscal: Winner Financial Ltd e Bridge Financial Ltda, ambas localizadas na 325 Waterfront Drive, 2° andar, Ilhas Virgens Britânicas. As duas sócias eram representadas pelo senhor Elizeu Machado de Lima, que passou a ser o Fl. 30DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/200963 Acórdão n.º 1301001.079 S1C3T1 Fl. 2.264 31 administrador da MKJ. Posteriormente, ambas passaram a ser representadas pelo senhor Rafael Paiva Cabral, CPF 526.853.90006. A partir de 21/02/2008, a maior parte do capital da MKJ passou para o controle de Texas global LLC, com sede no Panamá, que é outro paraíso fiscal. A Texas Global também é representada pelo senhor Rafael Paiva Cabral (doc. fls. 524 a 526). A relação comercial do senhor Rafael Paiva Cabral com Mário Kenji Iriê é bastante forte, sendo aquele procurador da MRI Incorporações e Participações Ltda. junto ao INPI e, também, tendo sido representante da Makenji Administração e Comércio Ltda. junto a Receita Federal (doc. fls. 526). A marca MAKENJI, conforme o Instituto Nacional da Propriedade Industrial – INPI, pertence a empresa MRI Incorporações e Participações Ltda., cuja titularidade integral do capital é do Sr. Mário Kenji Iriê e esposa. Transações financeiras entre o Sr. Mário Kenji Iriê ou empresa de sua propriedade e a fiscalizada, na mesma linha, denunciam a efetiva participação do referido senhor nos negócios do Grupo. Enquadramse nesta situação o mútuo firmado entre a MKJ e o Sr. Mário Kenji Iriê (R$ 50.000,00), em que simplesmente a credora (MKJ) perdoa a dívida, e firmado pela mesma MKJ (credora) com a MAKENJI ADMINISTRAÇÃO E COMÉRCIO LTDA., cujo saldo atingiu a cifra de R$ 3.706.617,75, sem previsão de juros e extinto por meio de confusão de dívidas. A localização física das empresas que integram o denominado Grupo MAKENJI, como retrata a Fiscalização, reflete a existência de uma administração centralizada, convergindo, assim, para sedimentar a gestão do Grupo por parte do Sr. Mário Kenji Iriê. Com efeito, as empresas (do Grupo) LZC, MAKENJI ADMINISTRAÇÃO, MKJ e PWA, têm ou tiveram endereço (matriz e filial) no mesmo endereço (rua Fúlvio Aducci, 597, Estreito, Florianópolis), local em que por meio de diligência restou apurado que funcionam os departamentos contábil, fiscal, logístico, financeiro, de tecnologia da informação e de recursos humanos do Grupo. Em anexo ao presente processo (ANEXO 2 – fls. 74/109), a Fiscalização juntou o documento denominado PROPOSTA PRELIMINAR DE REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA, SUCESSÓRIA E FISCAL DO GRUPO MAKENJI – MARÇO DE 2005, em que, não obstante a MKJ apresentar estrutura societária formal (capital dividido entre duas empresas domiciliadas em paraíso fiscal – WINNER e BRIDGE), o Sr. Mário Kenji Iriê é indicado no vértice do organograma do Grupo. As sugestões trazidas pela referida PROPOSTA PRELIMINAR DE REORGANIZAÇÃO, abaixo descritas, deixam foram de dúvida a quem elas foram endereçadas (o Sr. MÁRIO, como indicado no quadro de fls. 78). passagem do controle da MKJ para empresa sediada no exterior (UK LLP), que passaria a deter o controle das MARCAS; realização de contratos de compra e venda das quotas de empresas de propriedade do Sr. Mário Kenji e esposa (CURIPOTIBA e MAKENJI) para a MKJ, por meio de incorporação e alteração do contrato social da MKJ; Fl. 31DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/200963 Acórdão n.º 1301001.079 S1C3T1 Fl. 2.265 32 proposta alternativa na qual o capital social da MKJ (e da PVA) voltaria ao controle do Sr. Mário Kenji Iriê e esposa, criandose no exterior uma empresa que deteria as MARCAS. Na linha do concluído pela autoridade fiscal, não é razoável imaginar que tais propostas fossem factíveis sem a participação decisiva do indicado no vértice da estrutura organizacional do Grupo, isto é, o Sr. Mário Kenji Iriê. Com as ressalvas adiante apresentadas acerca do pronunciamento, o Sr. Elizeu Machado de Lima, que, formalmente, administrava a fiscalizada à época da ocorrência dos fatos, declarou à Fiscalização (fls. 07) que a empresa era efetivamente administrada pelo Sr. Mário Kenji, Sra. Regina Celi Zaguine Iriê e Ketherine Zaguine Iriê, durante todo o período. Como bem destacado pela Fiscalização, tal depoimento constitui mero elemento subsidiário na caracterização da responsabilidade tributária do Sr. Mário Kenji Iriê, eis que foram aportados aos autos indícios que, apreciados de forma conjunta, tornam inafastável a conclusão acerca da gestão de fato do Grupo MAHENJI pelo referido senhor. Nos termos do assinalado pela autoridade fiscal, a alteração do quadro societário da fiscalizada “põe uma pá de cal em qualquer dúvida que ainda pudesse restar sobre o verdadeiro controle da MKJ.” Com efeito, em 2009, o Sr. Mário Kenji Iriê passou a deter pessoalmente 86,1% do capital da MKJ, isto é, nas palavras do autuante, “passou a controlar de direito o que já detinha de fato.” A outra sócia da MKJ, WINTER NEGÓCIOS PARTICIPAÇÕES LTDA. é também de propriedade do Sr. Mário Kenji Iriê e esposa, vez que este detém 99% do seu capital, sendo o 1% restante de propriedade da MRI Incorporações e Participações, cujo capital é integralmente controlado por eles (Sr. Mário Kenji Iriê e esposa). Diferentemente do alegado na defesa, não se trata, como se vê, de imputação de responsabilidade baseada no simples fato de o imputado ser sócio de empresa, mas, sim, de providência amparada em conjunto probatório robusto, autorizador da medida de garantia dos interesses da Fazenda Pública. Irrelevante, no contexto das provas coligidas, o fato de inexistir carta, emails ou depoimentos outros, indicativos do exercício de fato da gestão dos negócios por parte do Sr. Mário Kenji Iriê. Apesar de concordar com o Recorrente acerca da impropriedade da referência às disposições do art. 124 do Código Tributário Nacional, observo que a imputação de responsabilidade tributária que ora se aprecia foi fundamentada, também, nas disposições do art. 135 do referido diploma, que, a meu ver, revelamse apropriadas ao caso vertente. Destaco que grande parte dos argumentos trazidos em sede de recurso voluntário não foi direcionada no sentido de contestar os elementos colhidos pela Fiscalização para justificar a imputação de responsabilidade. A bem da verdade, tais argumentos buscam defender teses acerca da responsabilidade tributária e a identificar supostas falhas formais na imputação feita pela Fiscalização. Fl. 32DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/200963 Acórdão n.º 1301001.079 S1C3T1 Fl. 2.266 33 Absolutamente improcedente a argüição de nulidade com base no argumento de não ter havido expedição de Mandado de Procedimento Fiscal específico, de modo que o procedimento de fiscalização fosse levado a efeito em relação ao Sr. Mário Kenji Iriê. À evidência, a imputação de responsabilidade tributária, como regra, resulta de procedimento investigativo empreendido em relação a determinada pessoa, em que, a partir dos elementos colhidos, sobressai conduta de terceiro vinculada aos fatos representativos de subtração de créditos tributários. Resta indubitável, pois, que a imputação em referência só pode ser formalizada ao final do procedimento de fiscalização, cabendo à autoridade fiscal oportunizar prazo na forma da norma processual para que o imputado, exercendo o seu direito de defesa, apresente contestação ao ato de ofício praticado. Com o devido respeito, a súmula CARF nº 29 referenciada no recurso não guarda qualquer correspondência com a responsabilidade tributária imputada por meio do feito administrativo que ora se aprecia, eis que, ali, cuidouse, apenas, de preservarse a observância do preceito legal na aplicação da presunção, que, nos exatos termos do disposto no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, exige intimação regular do titular (ou cotitular) acerca da origem dos recursos utilizados nas operações bancárias. No que diz respeito à alegação de que a responsabilidade tributária de que trata o art. 135 do Código Tributário Nacional teria natureza exclusiva, em que pese pronunciamentos em sentido diverso, alinhome ao entendimento esposado no Parecer/PGFN/CRJ/CAT nº 55, de 2009. Nessa linha, reproduzo excertos do referido Parecer, reveladores do entendimento ali esposado. [...] 20. A solidariedade entre contribuinte e responsável, por sua vez, ocorre quando a obrigação nasce em face do contribuinte mas, em decorrência de fato posterior, passa um terceiro a responder solidariamente com aquele, sem benefício de ordem. Nesse caso, respondem os dois igualmente, sendo a pretensão fiscal dirigida diretamente contra os dois. Eis a responsabilidade tributária solidária em sentido estrito. [...] 84. Realmente, preocupandose o Direito Tributário com o fato econômico da circulação de riqueza, se a pessoa jurídica promove esse fato econômico, surge para si a obrigação tributária, independentemente de haver ilicitude ou não por parte dos administradores. Não há o menor sentido em “desonerar” dos respectivos tributos a pessoa jurídica que “auferiu faturamento”, “vendeu mercadorias”, “prestou serviços”. Portanto, deve ser excluída a tese da responsabilidade tributária exclusiva, por substituição propriamente dita. [...] 86. De fato, representando as normas de responsabilidade tributária “garantia” especial ao crédito tributário, não faz sentido algum interpretar o Código Tributário Fl. 33DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/200963 Acórdão n.º 1301001.079 S1C3T1 Fl. 2.267 34 Nacional de modo a dotar essa espécie de crédito de menor garantia que os créditos comuns da empresa para com terceiros. Assim, se, por força do Código Civil, respondem os administradores solidariamente com a pessoa jurídica pelos atos ilícitos que cometerem, não é possível aceitar que, se o ato ilícito for cometido contra a Administração Tributária, a responsabilidade desse administrador fique condicionado à ausência de bens da sociedade, bem como não é correto defender que a pessoa jurídica fique desonerada1. [...] 88. Por sua vez, a tese da responsabilidade por substituição, pessoal e exclusiva, peca por prever implícito no art. 135 do CTN a desoneração da pessoa jurídica contribuinte, coisa que não está dita nem insinuada nesse dispositivo legal. A desoneração do contribuinte não pode ocorrer por obra de mera interpretação extensiva; demanda, rigorosamente, norma expressa de desoneração. Logo, não havendo qualquer preceito que afaste o dever da pessoa jurídica de pagar o crédito tributário, continua ela com este dever, sem óbice para a exigência de pagamento também do terceiro responsável. 89. Em verdade, a responsabilidade tributária imposta ao administrador em decorrência da prática de ato ilícito é, no que tange ao nascimento, à natureza e à cobrança, autônoma da responsabilidade (em sentido amplo) da pessoa jurídica contribuinte pelo pagamento do crédito tributário. O dever desta decorre de ato lícito: o fato jurídico tributário propriamente dito (evento econômico – produção, circulação ou detenção de riqueza). Já a responsabilidade daquele decorre de ato ilícito: a “infração de lei” prevista no caput do art. 135 do CTN. A hipótese normativa de nascimento duma obrigação é fato lícito; a doutra, fato ilícito. Em substância, as naturezas de ambas as obrigações são distintas. A obrigação do responsável é tributária tãosó mediatamente, pois a norma que a impõe remete seu prescritor à obrigação tributária stricto sensu. Em suma, tratase de obrigações distintas, autônomas (nesses termos), atadas entre si simplesmente pelo nexo de adimplemento: o pagamento duma extingue a outra. 90. Assim, surgindo a responsabilidade do administradorinfrator, não temos uma obrigação solidária propriamente dita, senão obrigações solidárias. Explicamos. Não temos uma obrigação unitária com pluralidade de sujeitos passivos na relação jurídica. Temos, isto sim, duas ou mais obrigações, ligadas pelo vínculo da solidariedade. É o que a doutrina antiga chamava de solidariedade imprópria. [...] 95. Por fim, ressalvamos que o art. 135, III, do CTN pode ser aplicado para responsabilizar não só o administrador de direito, mas também o administrador de fato da empresa. Assim, ainda que o estatuto ou contrato social não confira poderes a um dos sócios para praticar atos de gerência, se este é o administrador de fato da pessoa jurídica, deve ser igualmente responsabilizado pela prática de atos ilícitos. [...] 106. Em resumo, alinhamos aqui os fundamentos e as conclusões do presente Parecer: 1 A menção ao regramento do Código Civil, que também impõe a responsabilidade solidária dos administradores que infringirem a lei, é feita com maestria pelo eminente Procurador da Fazenda Nacional Dr. Marcus Abraham, em artigo científico ainda pendente de publicação. Também faz referência à responsabilidade solidária dos sócios gerentes, em decorrência do Código Civil, José Eduardo SOARES E MELO: Curso de Direito Tributário, 4ª ed., São Paulo, Dialética, 2005, p. 211. Fl. 34DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/200963 Acórdão n.º 1301001.079 S1C3T1 Fl. 2.268 35 [...] c) Para efeito de aplicação do art. 135, III, do CTN, responde também a pessoa que, de fato, administra a pessoa jurídica, ainda que não constem seus poderes expressamente do estatuto ou contrato social; d) A responsabilidade dos administradores, de acordo com a jurisprudência do STJ, não pode ser entendida como exclusiva (responsabilidade substitutiva), porquanto se admite na Corte Superior que a ação de execução fiscal seja ajuizada, ao mesmo tempo, contra a pessoa jurídica e o administrador; e) A tese da responsabilidade substitutiva também deve ser excluída pela inexistência de norma legal de desoneração da pessoa jurídica em razão da prática de ato ilícito por parte do administrador; f) A tese da responsabilidade subsidiária, em sentido próprio, dos administradores é incompatível com a adoção da tese da responsabilidade subjetiva, acolhida pelo STJ, visto que não se pode conceber que o terceiro, sendo sancionado pela prática de ato ilícito, condicione sua responsabilidade à inexistência de bens da pessoa jurídica, suficientes para a satisfação do crédito; g) A tese da responsabilidade subsidiária, em sentido próprio, dos administradores também deve ser afastada em razão da jurisprudência do STJ que admite que a execução fiscal seja ajuizada, desde logo, contra sociedade e administrador; não se trata de mera questão de legitimidade, como seria no processo de conhecimento, pois que, no processo de execução, não se admite o processamento da ação sem que se tenha presente, desde o início, a exigibilidade da pretensão em face do executado; h) Os acórdãos do STJ que fazem referência à “responsabilidade subsidiária” somente podem ser entendidos no sentido impróprio da expressão, que exige, além da existência de poderes de gerência e da prática de ilicitude pelo administrador, a ausência de pagamento pontual da obrigação tributária, e não a insolvabilidade da pessoa jurídica, o que se aproxima, na prática, da responsabilidade solidária decorrente de ato ilícito; i) Os acórdãos do STJ que fazem referência à “responsabilidade por substituição” somente podem ser entendidos no sentido de que respondem os terceiros “em lugar” do contribuinte (pessoa jurídica), o que é válido para qualquer tipo de responsabilidade; j) A jurisprudência do STJ aponta para a responsabilidade solidária, inclusive em precedentes desfavoráveis à Fazenda Nacional, em que se afirma que o “sócio” só pode ser responsabilizado solidariamente se detiver poderes de gerência e se tiver praticado ato ilícito no exercício dessa gerência, na forma do art. 135, III, do CTN; k) a análise sistemática da ordem jurídica aponta para a responsabilidade solidária dos administradores, visto que estes, no regramento do Código Civil (art. 1.016), respondem solidariamente perante terceiros (inclusive o Estado) pela prática de atos ilícitos; não haveria sentido em ser o crédito tributário menos garantido que o crédito comum; l) a obrigação do responsável é autônoma à da pessoa jurídica no que tange à natureza (licitude ou ilicitude do fato jurídico), ao nascimento (momento do surgimento) e à cobrança (exigência simultânea ou não), mas é subordinada no que Fl. 35DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/200963 Acórdão n.º 1301001.079 S1C3T1 Fl. 2.269 36 tange à existência, validade e eficácia; a obrigação da pessoa jurídica contribuinte, por sua vez, independe da obrigação do responsável no que tange a esses elementos; A meu ver, o fato de o imputado, ora Recorrente, dirigir a tese de exclusividade para o Sr. Elizeu Machado de Lima, não invalida o entendimento expendido no Parecer/PGFN/CRJ/CAT nº 55, de 2009, vez que este fundase na natureza solidária da responsabilidade prevista no inciso III do art. 135 do Código Tributário Nacional e no caráter autônomo das obrigações. O ilícito tributário apontado pela Fiscalização, propulsor da constituição dos créditos tributários, está representado pela inserção de notas fiscais inidôneas (“frias”) na apuração do resultado fiscal. Nesse contexto, a imputação de responsabilidade pessoal ao Sr. Mário Kenji Iriê não pode ser dissociada de tal conduta, pois, do contrário, ela própria (a responsabilidade) não subsistiria. Assim, reponde o Sr. Mário Kenji Iriê pela integralidade do crédito tributário constituído, não havendo que se falar em exclusão de penalidades. PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO A alegação do Recorrente de que a Delegacia da Receita Federal em Florianópolis não seria competente para promover a fiscalização, efetivamente não pode ser recepcionada. Ainda que se despreze o fato de que a questão acerca da recusa do domicílio eleito pela pessoa jurídica fiscalizada seja objeto de outro processo administrativo (11516.000002/200447), este Colegiado, em razão de inúmeros pronunciamentos no mesmo sentido, emitiu a súmula nº 27, a qual estabelece que “é válido o lançamento formalizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo.” Assim, independentemente da ocorrência de eventual inobservância de normas internas, o que, registrese, não é o caso, não há que se falar em nulidade de lançamento em razão de o procedimento fiscal ter sido conduzido por agente fiscal lotado e em exercício em unidade de jurisdição diversa da do domicílio tributário eleito pelo fiscalizado. SUJEIÇÃO PASSIVA A argüição de ilegitimidade passiva, com base no argumento de que a responsabilidade pelos atos praticados é pessoal daquele que administrava a pessoa jurídica à época da ocorrência dos fatos, não pode, em virtude das razões já expendidas, ser recepcionada. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE Relativamente à incidência do imposto de renda na fonte, cabe destacar, de início, que a efetivação dos pagamentos, fato autorizador da aplicação da presunção prevista no art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, constitui matéria incontroversa nos presentes autos, eis que admitida pela própria contribuinte no curso do procedimento fiscal, conforme transcrição abaixo (resposta apresentada no curso da ação fiscal – fls. 198/199) Prezados Senhores: Fl. 36DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/200963 Acórdão n.º 1301001.079 S1C3T1 Fl. 2.270 37 Na qualidade de administrador de MKJ IMPORTAÇÃO E COMÉRCIO LTDA. ("Contribuinte"), inscrito no CNPJ/MF sob o n.° 03.403.405/000169, e em atenção ao TI em referência, vimos, pela presente, tecer os seguintes esclarecimentos. Os pagamentos objeto das questões constantes do TI eram feitos exclusivamente pelo então administrador da empresa, Sr. Elizeu Machado de Lima, que geria o caixa da empresa. O Sr. Elizeu Machado de Lima desligouse da empresa há tempos, de modo que os atuais administradores não têm conhecimento sobre como eram feitos tais pagamentos. Assim, a única pessoa apta a prestar os esclarecimentos requeridos no TI é o mencionado Sr. Elizeu Machado de Lima. Estamos à inteira disposição para quaisquer esclarecimentos adicionais. Rejeito, mais uma vez, a tese de que a responsabilidade pelos citados pagamentos é exclusiva e pessoal do Sr. Elizeu Machado de Lima, haja vista o entendimento, lastreado no Parecer/PGFN/CRJ/CAT nº 55, de 2009, de que a responsabilidade referenciada no art. 135 do Código Tributário Nacional é de natureza solidária. O fato de ter sido assinalado, na peça de autuação, o último dia do mês dos respectivos pagamentos como data da ocorrência do fato gerador, ao invés do dia da sua efetiva realização, a meu ver, não traduz mácula capaz de decretar a nulidade do feito. Tal impropriedade não provocou iliquidez ou incerteza ao crédito tributário constituído, vez que não teve qualquer influência na determinação do imposto devido e na incidência dos acréscimos legais, não afetando sequer a contagem do prazo decadencial. Equivocase o Recorrente quando sustenta não ser possível a exigência do imposto de renda retido na fonte concomitantemente com a glosa da despesa (ou do custo). Com efeito, as infrações são de naturezas absolutamente distintas, motivo pelo qual geram conseqüências tributárias da mesma forma distintas (“uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa”). A glosa de despesa/custo, no caso vertente, tomou por base a constatação de inserção de documentos inidôneos para servir de suporte para os dispêndios realizados. Se, por outro lado, inexiste controvérsia acerca da efetivação dos pagamentos, e, em relação a estes, o contribuinte não faz prova de quem foram os verdadeiros beneficiários dos recursos, é perfeitamente cabível a aplicação da presunção estampada no art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995. Incorre em equívoco novamente o Recorrente ao afirmar que a consideração de que houve pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado significa dizer que os valores referentes a esses pagamentos não transitaram pela contabilidade. A ausência de contabilização de pagamentos autoriza a aplicação de presunção de omissão receitas, nos exatos termos do disposto no art. 40 da Lei nº 9. 430, de 1996, não guardando qualquer relação com a prevista no citado art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995. O pressuposto, no caso, é que, não havendo a identificação do beneficiário dos pagamentos ou não sendo justificada a causa da sua realização, estamos diante de renda que deveria ser submetida à tributação, estabelecendo a lei que, em tais circunstâncias, a incidência se dará naquele que efetuou os referidos pagamentos, devendo, inclusive, ser Fl. 37DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/200963 Acórdão n.º 1301001.079 S1C3T1 Fl. 2.271 38 reajustada a base para fins de tributação, eis que se considera que o valor do pagamento representa o montante líquido recebido pelo beneficiário. Os demais argumentos, quais sejam, desconformidade do art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, com o art. 43 do Código Tributário Nacional; ofensa aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade e da vedação de utilização de tributo com efeito de confisco, face ao reajustamento da base de cálculo na determinação do imposto; e ofensa ao conceito de tributo em virtude da natureza sancionatória da norma prevista no referido art. 61, cabe, apenas, esclarecer que, nos termos da súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DECADÊNCIA A questão posta em discussão no presente item tem sua apreciação condicionada à análise da qualificação da multa aplicada pela Fiscalização, pois, uma vez concluído que o prazo a ser observado é o estampado no inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional, o termo inicial do prazo decadencial a ser considerado deve levar em conta o exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. A expressão EXERCÍCIO a que alude o referido comando legal só pode ser concebido como o ano posterior ao correspondente ao da concretização das hipóteses de incidência, pois, em conformidade com a lei (art. 175 da Lei nº 6.404, de 1976), o exercício social tem duração de um ano. Discordo, assim, do argumento do Recorrente de que o termo “exercício” a que faz referência o Código Tributário Nacional não se confunde com o exercício social. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO No que diz respeito à alegada responsabilidade exclusiva do Sr. Elizeu Machado de Lima, a questão já foi suficientemente apreciada. No que tange ao argumento de que não estamos, no presente caso, diante de FRAUDE, penso diferente. Creio não restar dúvida de que aquele que insere em sua escrituração registros relativos a redutores do seu resultado que correspondem a operações efetivamente não realizadas, visto que suportados por documentos inidôneos, busca modificar as características essenciais do fato gerador, de modo a reduzir o montante do imposto devido ou a evitar ou diferir o seu pagamento. A conduta da fiscalizada, portanto, amoldase às disposições do art. 72 da Lei nº 4.502, de 1964, autorizando, assim, a aplicação da multa qualificada no percentual de 150%. A conclusão acerca da referida inserção, na contabilidade, de documentos inidôneos, é extraída a partir dos fatos retratados nos autos pela autoridade fiscal, cuja síntese passo a enumerar. 1. nenhuma das notas fiscais relativas aos fornecedores BLUE RIVER COMERCIAL, CENTRAL INDUSTRIAL E COMERCIAL TÊXTIL LTDA., GREEN WAY Fl. 38DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/200963 Acórdão n.º 1301001.079 S1C3T1 Fl. 2.272 39 COMERCIAL e USION INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. localizadas nos arquivos da fiscalizada correspondia à primeira via (que é a via do destinatário), eram todas terceira e quarta vias; 2. os pagamentos das referidas notas fiscais, feitos por meio de CAIXA e mediante emissão de DUPLICATAS, duplicatas essas cuja maior parte não apresenta a data de pagamento e o valor efetivamente pago; 3. as assinaturas das duplicatas não guardam relação com os carimbos nela apostos; 4. as notas fiscais emitidas não indicam a empresa transportadora ou a placa do veículo utilizado no transporte; 5. inexiste aposição de carimbo de posto fiscal nas notas fiscais; 6. os valores das notas fiscais, confrontados com as relativas aos demais fornecedores, apresentamse em montantes significativamente superiores; 7. significativa parcela das notas fiscais foram emitidas no mês de dezembro, o que também revela distinção quando comparado com as emitidas pelos demais fornecedores; 8. os prazos de pagamento, considerados os registros contábeis, são excepcionalmente longos, refletindo incoerência em relação às práticas usuais de mercado; 9. não obstante o fato de diversos pagamentos relativos às notas fiscais terem sido efetuados fora do prazo, a escrituração analisada não indica qualquer registro a título de acréscimos moratórios (não foi apresentada à Fiscalização qualquer declaração de prorrogação do prazo da duplicata); 10. as duplicatas não têm data e assinatura do devedor (a fiscalizada), isto é, não têm aceite; 11. comparação efetuada entre as notas fiscais emitidas pela empresa U SION INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. levam à conclusão de que referida empresa teria emitido nos espaço de quinze dias seiscentas e noventa e cinco notas; 12. no caso da GREEN WAY COMERCIAL, a comparação indica que, em dezesseis dias, a referida empresa emitiu trezentos e cinquenta e oito notas fiscais; 13. a CENTRAL INDUSTRIAL E COMERCIAL TÊXTIL LTDA., por sua vez, teria emitido trinta notas fiscais em dois dias; 14. os registros analisados indicam interrupção abrupta do fornecimento de mercadorias por parte das empresas em referência, sendo que, em alguns casos, apesar da interrupção, o fornecimento voltou a ser feito no final do ano de 2005; 15. comparando as operações relativas as empresas em questão com as efetuadas com os demais observadores, restou constatado que: os saldos inicial e final dos demais fornecedores são muito menores; as compras promovidas com os demais fornecedores envolveram volumes significativamente menores; as compras e pagamentos com os demais Fl. 39DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/200963 Acórdão n.º 1301001.079 S1C3T1 Fl. 2.273 40 fornecedores apresentamse de forma pulverizada ao longo do ano; e os pagamentos aos demais fornecedores, em regra, foram feitos via banco; 16. a situação cadastral das empresas, conforme investigação feita pela Fiscalização, era a seguinte: BLUE RIVER COMERCIAL: baixada na Receita Federal em 29/07/2004, embora haja registros de pagamentos na contabilidade da fiscalizada entre janeiro e agosto de 2005, no montante total de R$ 279.270,00; declarouse inativa em 2002 e 2003, apesar de as notas fiscais retidas serem datadas de 2003; USION INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA.: baixada na Receita Federal em 07/01/2005, embora, supostamente, houvesse emitido em dezembro de 2004 notas fiscais para a fiscalizada em montante superior a R$ R$ 1.700.000,00 e haja registros de pagamentos entre janeiro e dezembro de 2005, em montante superior a R$ 10.800.000,00; declarouse inativa nos anos de 2001 a 2005; GREEN WAY COMERCIAL: baixada na Receita Federal em 08/08/2006; apresentou para o ano calendário 2005 três Declarações de Informação (DIPJ) (em 11/04/2006, com opção pelo lucro real; em 30/05/2006, declaração de inatividade; em 17/11/2006, com opção pelo lucro real); CENTRAL INDUSTRIAL E COMERCIAL TÊXTIL LTDA.: está ativa na Receita Federal; no início do procedimento fiscal, estava omissa na apresentação de DIPJ nos anoscalendário de 2006 a 2008, após o inicio do procedimento, em 07/04/2009, apresentou, em 22/06/2009, as DIPJs dos anos 2007 e 2008, permanecendo omissa em 2006; 17. o sistema de controle dos pagamentos aos fornecedores (MIRCOSIGA) indica que foram efetuados desembolsos que não encontram correspondência em notas fiscais registradas no sistema de controle físico do estoque (ESATA); 18. em depoimento prestado à Fiscalização, o Sr. Elizeu Machado de Lima afirmou que as mercadorias das empresas antes referenciadas nunca entraram na fiscalizada, apesar de constarem contabilmente do estoque (fls. 206/207); 19. na linha do destacado pela autoridade fiscal, ainda que se possa ter o devido cuidado com as informações prestadas pelo Sr. Elizeu Machado de Lima, visto que ele move ação judicial contra a Fiscalizada, as afirmações feitas por ele no sentido de que os procedimentos irregulares com fornecedores vinham pelo menos desde 2001; de que cem por cento dos pagamentos da MKJ eram feitos por bancos; de que pagamentos por Caixa eram irregulares; de que nunca teria visto fornecedor receber pagamento em dinheiro na empresa; e de que os prazos normais de parcelamento dos fornecedores era 30, 60 e 90 dias, podendo chegar a 120, ao mesmo tempo em que evidencia excepcionalidades suspeitas nas transações suportadas pelas notas fiscais auditadas, revela inteira relação com as operações efetuadas entre a fiscalizada e os demais fornecedores. 20. cabe notar ainda que, em conformidade com o expendido no Termo de Verificação (fls. 554 e 554/verso), o Sr. Elizeu Machado de Lima, diante das procurações que lhe foram outorgadas, detinha amplos poderes, incluindose aí o de representar o Sr. Mário Kenji Iriê, o que denota que o referido senhor possuía pleno acesso às informações relacionadas à atuação do Grupo Econômico. Fl. 40DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/200963 Acórdão n.º 1301001.079 S1C3T1 Fl. 2.274 41 21. a fiscalizada, ao prestar esclarecimentos acerca dos procedimentos relacionados às compras e aos pagamentos efetuados aos fornecedores (envolvimento de diversos departamentos), incorreu em contradição ao informar que não tinha conhecimento como eram feitos os pagamentos e que estes eram efetuados exclusivamente pelo Sr. Elizeu Machado de Lima; 22. não se apresenta como verossímil o quadro retratado pela Fiscalização a partir da análise dos controles da auditada e dos pronunciamentos feitos no curso do procedimento, qual seja: o sistema de controle dos departamentos de contabilidade e financeiro registra pagamentos a fornecedores que, ao do ano de 2005, totalizaram R$ 23.000.000,00, e, nos termos da resposta apresentada pela empresa (fls. 198/199), “a única pessoa apta a prestar os esclarecimentos requeridos [...] é o mencionado Sr. Elizeu Machado de Lima.”; 23. considerado o fato de que, de acordo com os registros contábeis, os pagamentos foram efetuados por meio do CAIXA, admitir a tese de que os beneficiários destes foram os fornecedores indicados nas notas fiscais significa aceitar que parte foi feita a empresas extintas (USION e BLUE RIVER) e de que montantes consideráveis “viajaram” de Florianópolis (local de concentração da atividade mercantil) para São Paulo (ou viceversa), de modo a efetivar a operação; 24. os fornecedores em questão não apresentam capacidade física, econômica e operacional para estocar, confeccionar, vender e transportar as mercadorias indicadas nas notas fiscais; 25. investigações levadas a efeito pela Fiscalização apontaram para a existência de um “esquema” envolvendo contadores e empresas “laranjas”, cujo objetivo era emitir notas fiscais inidôneas (a Fiscalização apresenta quadro descritivo da estrutura societária das empresas supostamente integrante do referido “esquema” – Termo de Verificação – fls. 556); 26. a transcrição abaixo, extraída do Termo de Verificação, permitindo uma visualização sobre a estrutura societária e supostas operações realizadas pelas emitentes das notas fiscais, aponta na direção das conclusões trazidas pela autoridade fiscal acerca da inidoneidade dos referidos documentos; [...] 3.10 Família Abbud/Bunducki Ao circularizar informações acerca dos fornecedores Usion, Green Way, Blue River e Central, a fiscalização se deparou seguidamente com membros das famílias Abbud e Bunducki (conforme diagrama do item anterior). O Senhor Samir Bunducki, CPF 029.299.45834, era sócio da Usion Indústria e Comércio Têxtil Ltda., junto com o Senhor Orlando Muraca, CPF 457.991.30863 (este, segundo informações do Cadastro Nacional de Informações Sociais, já falecido). (doc. fls. 02 a 03 do Anexo 4). O Senhor Samir Bunducki também era sócio administrador da Blue River Comercial Ltda., junto com o Senhor Milton Paz, CPF 001.801.39886 (doc. fls. 03 a 04 do Anexo 5). A fiscalização encaminhou, por via postal, Termo de Intimação para o Senhor Milton Paz, mas a correspondência retornou com a anotação "Mudou se" (doc. fls. 154 a 157). Fl. 41DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/200963 Acórdão n.º 1301001.079 S1C3T1 Fl. 2.275 42 Também foi encaminhado, por via postal, Termo de Intimação para o Senhor Samir Bunducki, intimandoo a prestar esclarecimentos e apresentar livros e documentos da Usion e da Blue River. Porém, sua esposa, Yvonne Abbud Bunducki, encaminhou à fiscalização declaração de que as empresas estavam encerradas e que a solicitação de documentos estava "prejudicada". Informou no mesmo ato que o Senhor Samir estava internado no hospital com grave enfermidade. Posteriormente, ainda durante o procedimento fiscal, fomos informados que o Senhor Samir Bunducki faleceu. (doc. fls. 158 a 169). O nome da senhora Yvonne Abbud Bunducki, CPF 033.001.29834, aparece nos carimbos apostos nas duplicatas da Usion, embora ela não seja sócia da empresa. (Anexo 4). O nome do senhor Cícero Atallah Abbud CPF 215.738.46856 aparece nos carimbos apostos nas duplicatas da Central Ind e Com Têxtil, da qual é sócio (Anexo 6). Nas duplicatas da Blue River estão apostos carimbos com o nome do senhor Marcelo Victor Abbud, CPF 261.601.84890, irmão de Cícero Atallah Abbud (Anexo 5). O Senhor Marcelo Victor Abbud não é sócio da Blue River (doc. fls. 03 do Anexo 5). Cícero Atallah Abbud, Marcelo Victor Abbud e o irmão Vitor Nacim Abbud Junior, CPF 134.411.81867, são sócios da Central Ind e Com Têxtil (doc. fls. 02 a 03 do Anexo 6). Em nome dos três irmãos Abbud e de seus pais, Guilnar Atallah Abbud, CPF 106.988.15890, e Vitor Nacim Abbud, CPF 108.726.39800, aparecem também outras empresas nos mesmos prédios da Central e da Green Way, conforme será descrito no item 3.11 a seguir. Como não foi possível contatar nenhum dos responsáveis pelas empresas nos seus endereços cadastrais, e nem tampouco os contabilistas que constam em suas declarações de rendimentos, foram encaminhadas, por via postal, para os endereços cadastrais dos sócios, Termo de Intimação visando a obtenção das informações necessárias. Chama a atenção, além das freqüentes mudanças de endereço apontadas pela ECT, o fato dos sócios da empresa Central (Cícero Abbud, Marcelo Abbud e Victor Abbud), todos com domicílio perante a RFB à Rua Canadá 107, Jardim Paulista, São Paulo, SP, terem recusado o recebimento da correspondência que continha os referidos Termos de Intimação (doc. fls. 208 a 223). Isso denota a intenção de não prestar qualquer informação relativa à empresa para a RFB, numa atitude que corrobora a conclusão de que as operações comerciais dessas empresas não ocorriam de fato. 3.11 Os contadores das empresas USion, Green Way, Blue River e Central 3.11.1 Ana Luiza Ghiraldini Em 05/08/2009, a fiscalização tomou a termo as declarações de Ana Luíza Ghiraldini, CPF 066.251.46889, que figura nos sistemas da Receita Federal como responsável pelo preenchimento das DIPJs da Blue River Comercial, dos anos calendário 2003 e 2004 e da Usion Ind e Com Têxtil, dos anos calendário 2004 e 2005 (doc. fls. 06 do Anexo 5 e doc. fls. 10 a 11 do Anexo 4). Em síntese, a depoente afirmou que não trabalha como contadora desde 1991, que teve a carteira Fl. 42DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/200963 Acórdão n.º 1301001.079 S1C3T1 Fl. 2.276 43 do CRC furtada em 1995, conforme cópia de Boletim de Ocorrência (doc. fls. 77 a 81), e que não conhece estas empresas, que não fez as contabilidades e que não apresentou estas DIPJs. 3.11.2 Eduardo Adda Em 22/09/2009, a fiscalização tomou a termo as declarações de Eduardo Adda, contador, sócio do escritório de contabilidade Santa Rosa, CPF 028.762.568 00, que figura na base de dados da Receita Federal como responsável pelo preenchimento das DIPJ das seguintes pessoas jurídicas: • Green Way Comercial Ltda., do ano calendário 2003 (declaração de inatividade apresentada em 25/6/2004, posteriormente cancelada), ano calendário 2003 (lucro real, apresentada em 27/3/2006, processada pela RFB), ano calendário 2005 (lucro real, apresentada em 11/4/2006, posteriormente cancelada) e ano calendário 2005 (lucro real apresentada em 17/11/2006, processada pela RFB); • Usion Indústria e Comércio Têxtil Ltda., do ano calendário 2004 (duas declarações de inatividade, ambas transmitidas em 28/3/2005). Em síntese, o depoente afirmou que fez a contabilidade da Usion, da Green Way e da Blue River, mas que não tem mais nenhum documento ou livro destas empresas. Não soube explicar porque foram apresentadas declarações de inatividade para a Usion. Não soube explicar porque apresentou duas declarações de lucro real para a Green Way em 2006 (ano calendário 2005) e porque a Sra. Ana Luísa Gheraldini apresentou uma declaração de inatividade para o mesmo ano. Não se lembrou dos principais clientes e fornecedores da Green Way e não se lembrou como eram feitos os pagamentos dos clientes da Green Way (doc. fls. 170 a 183). Curiosamente, o contador não se lembra de informações operacionais básicas sobre estas três empresas que, teoricamente, teriam comprado, estocado, industrializado e vendido milhares de unidades de tecido e roupas, gerando centenas de milhões de reais em receitas. Caso estas empresas tivessem mesmo este porte, a perda de clientes tão importantes teria ocasionado uma queda brusca na receita do próprio escritório de contabilidade. O Senhor Eduardo Adda certamente se lembraria. 3.11.3 Romualdo Mendonça Gomes Em 25 de setembro de 2009, a fiscalização tomou a termo as declarações de Romualdo Mendonça Gomes, contador, CPF 043.120.86893, que figura como responsável pelas DIPJs dos anos calendário 2007 e 2008 apresentadas pela Central Industrial e Comercial Têxtil Ltda. (doc. fls. 187 a 190). Estas declarações foram apresentadas em 22/06/2009, após o início do procedimento fiscal e após a lavratura do primeiro termo no qual a fiscalização intimou a MKJ a apresentar documentos relativos às operações da Central (04/06/2009). Em síntese, o depoente afirmou que foi procurado em junho de 2009 pelo Senhor Vitor, do escritório Santa Rosa (Vitor Ottone Mastrorosa, sócio de Eduardo Adda), que pediu ao depoente que fizesse as DIPJs da Central dos anos de 2006, 2007 e 2008 (estava omissa); que não fez a contabilidade desta empresa e nem a conhecia anteriormente; que não quis fazer a DIPJ de 2006 porque havia uma filial ainda ativa no Sintegra (até agosto de 2006) e porque não havia documentação; que elaborou as declarações de 2007 e 2008 sem movimento confiando na informação do Sr. Vitor de que as empresas estavam inativas e que tinham sido baixadas; que as declarações foram transmitidas para a RFB a partir do escritório do Sr. Vitor. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/200963 Acórdão n.º 1301001.079 S1C3T1 Fl. 2.277 44 3.12 As diligências nos endereços cadastrais das fornecedoras Em 04 de agosto de 2009, estivemos em diligência no endereço da Usion Indústria e Comércio Têxtil Ltda., conforme o cadastro na RFB, na Rua Saguairu, 1.367, bairro Casa Verde, São Paulo SP. Neste endereço há uma pequena loja onde, atualmente, funciona o "Lava Jato Saguairu", conforme fotos a seguir. Neste local, em função da área do imóvel, seria fisicamente impossível estocar, movimentar ou confeccionar as milhares de peças de vestuário e de tecidos que aparecem nas notas fiscais da Usion em poder da MKJ e de outros clientes nos quais foram feitas diligências. [...] Em 25 de setembro de 2009, estivemos em diligência nos endereços da Green Way, Rua Georgina de Albuquerque 31, sala 41, e da Central, Rua Cândido Portinari 22, sala 05 (fotos a seguir). São dois imóveis localizados aproximadamente a 50 metros um do outro no bairro Vila Cercado Grande, município de Embu SP. Nos dois casos, tratase de pequenas salas comerciais nas quais, em função da pequena área de cada sala, não seria possível estocar, movimentar ou confeccionar as milhares de peças de vestuário e tecido que constam das notas fiscais da Green Way e da Central que estão em poder da MKJ e dos demais clientes nos quais foram feitas diligências. No mesmo prédio da Green Way, Rua Georgina de Albuquerque 31, ficam os domicílios tributários da Senhora Guilnar Atallah Abbud e da empresa VMC Automação S/A, CNPJ 05.362.760/000162 (ambos na sala 37). Os sócios da VMC automação são Victor Nacim Abbud e Guilnar Atallah Abbud. Ainda no mesmo prédio da Green Way Rua Georgina de Albuquerque 31, ficava a sede da empresa Fashion Mercantil, CNPJ 05.809.045/000125 (sala 07). Nas diligências efetuadas nos clientes da Green Way, Usion, Central e Blue River, localizamos notas fiscais da Fashion com as mesmas características. Além da coincidência do endereço, as DIPJs dos anoscalendário 2005 e 2006 foram preenchidas pelo contador Eduardo Adda (o mesmo da Green Way, Usion e Blue River) e a DIPJ do anocalendário 2007 foi entregue pelo contador Romualdo Mendonça Gomes (o mesmo da Central, a pedido do senhor Vitor Ottone Mastrorosa, sócio de Eduardo Adda). No mesmo prédio da Central, Rua Cândido Portinari 22, fica o domicílio tributário da empresa América Comercial Têxtil (sala 03), cujo sócioadministrador é Cícero Atallah Abbud. [...] O proprietário dos dois imóveis, onde estariam localizadas as empresas, é o Senhor Demetrio Andrade de Melo, CPF 599.193.37820, que foi intimado a apresentar os contratos de locação e a prestar esclarecimentos por escrito e informou, mediante resposta (doc. fls. 287 a 295) encaminhada à fiscalização que: a Das empresas questionadas, a única que ainda mantém contrato de locação de sala comercial é a Central Ind e Com Têxtil (Rua Cândido Portinari, 30 antigo 22 sala 05, vila Cercado Grande, Embu SP); b A empresa VMC tinha contrato de locação, que foi rescindido (Rua Georgina de Albuquerque, 31, sala 37); Fl. 44DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/200963 Acórdão n.º 1301001.079 S1C3T1 Fl. 2.278 45 c Que os pagamentos dos aluguéis eram feitos através de depósitos em espécie na conta corrente; d "nunca houve atividade alguma das empresas acima citadas, somente para correspondências" (grifamos); e Não conhece Green Way, América, Stillus, Blue River e Usion. A afirmação de que Central e VMC não têm atividade comercial no local, apesar dos contratos de locação das salas comerciais, vem ao encontro do que foi constatado pela fiscalização em visita ao endereço da Central: a sala é muito pequena, não havia mercadoria estocada, não havia espaço ou móveis (mesas, cadeiras) para reuniões, e não havia sequer linha telefônica. Enfim, na sala não há condição de se desenvolver qualquer atividade comercial, muito menos comprar, armazenar e comercializar milhares de peças de tecido e vestuário. Havia apenas uma pessoa que nos informou ser responsável por receber correspondências. Também chama atenção a informação de que desconhece a empresa Green Way, pois esta teria sede no endereço Rua Georgina de Albuquerque 31, sala 41, que é de propriedade do Sr. Demétrio Andrade de Melo, segundo a afirmação deste durante a diligência da fiscalização. 3.13 Diligências em outros clientes dos fornecedores da Usion, Central, Green Way e Blue River Ao examinar as informações na base de dados da Secretaria da Receita Federal, constatamos que diversas empresas declararam nas DIPJs que adquiriram significativas quantidades de mercadorias dos fornecedores Usion, Central, Green Way e Blue River. Destacamos, de pronto, que a MKJ não está entre as empresas que declararam haver adquirido mercadorias destas empresas. A falta desta declaração reforça a conclusão de que estas operações são completamente fictícias. Na busca de informações acerca destes fornecedores, realizamos, então, diligências em alguns clientes, por amostragem. 3.13.1 K2 Comércio de Confecções Ltda Em 23 de setembro de 2009, estivemos em diligência na empresa K2 Comércio de Confecções Ltda;, CNPJ 02.220.900/000170, que comercializa confecções próprias e roupas prontas (doc. fls. 93 a 104 do Anexo 9). Segundo a DIPJ, teria adquirido da Green Way, em 2004, R$ 4.765.899,09, e em 2005, R$ 6.588.116,49. Nos documentos contábeis da K2, a fiscalização localizou notas fiscais da Green Way, da Usion e da Central. Também foram localizadas duplicatas semelhantes às apresentadas pela MKJ, sendo que algumas sequer tinham carimbo ou assinatura de emitente e recibo. Chama atenção nas notas fiscais que, para a K2, as empresas Usion, Green Way e Central teriam vendido tecido (tecido 1/2 malha 100% algodão; tecido malha 95% viscose 5% elastano; charm nature; malha 100% poliéster; 97% algodão 3% elastano; malha 71% poliéster 29% viscose), enquanto estas empresas teriam vendido, para a MKJ, roupas prontas (terno em tropical; calça jeans capri; camisa polo). A mudança na descrição das mercadorias nas notas fiscais (de roupas na MKJ, para tecidos diversos na K2) demonstra que o esquema "adaptava" o conteúdo das Fl. 45DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/200963 Acórdão n.º 1301001.079 S1C3T1 Fl. 2.279 46 notas fiscais à realidade do cliente para quem estava fornecendo as notas fiscais inidôneas. Novamente, nas notas fiscais não há registro de empresa transportadora ou do veículo transportador. Há apenas menção genérica a "Nossa entrega". Importa destacar que, novamente, ninguém na K2 se lembrava destes fornecedores. 3.13.2 Drastosa SA Em 24 de setembro de 2009, estivemos em diligência na empresa Drastosa S.A., CNPJ 61.088.936/000100, que confecciona roupas esportivas (doc. fls. 02 a 92 do Anexo 9). Segundo a contabilidade (Razão Analítico), a Drastosa teria adquirido mercadorias de três dos fornecedores sob análise, nos seguintes montantes: Blue River: R$ 6.938.853,39, em 2003; Usion: R$ 1.209.242,00, em 2003; Central: R$ 80.350.256,99, entre 2003 e 2006. Também aqui impressiona o número de notas fiscais que teriam sido emitidas pelas fornecedoras: Blue River: a primeira nota fiscal teria sido emitida em 05/03/2003 com o número 000944. A última teria sido emitida em 29/12/2003 com o número 010880. Ou seja, subtraindose do número da última nota fiscal o número da primeira, constatamos que a Blue River teria emitido pelo menos 9.936 notas fiscais em dez meses de 2003. Foram 97 notas fiscais emitidas para a Drastosa com média de valores de R$ 71.534,57; Usion: a primeira nota fiscal teria sido emitida em 15/05/2003 com o número 006583. A última teria sido emitida em 17/09/2003 com o número 008811. Ou seja, seriam pelo menos 2.228 notas fiscais emitidas em 4 meses. Para a Drastosa, neste período, foram 17 notas fiscais no valor médio de R$ 71.131,88. Central: a primeira nota fiscal teria sido emitida em 15/01/2003 com o número 7.321. A última teria sido emitida em 01/08/2006 com o número 26.345. Ou seja, seriam pelo menos 19.024 notas fiscais emitidas em 3 anos e 7 meses. Destacamos que as notas fiscais em 2006 chegaram a ter valores acima de R$ 200.000,00. Para a Drastosa, as notas fiscais registravam vendas de outros tecidos, diferentes dos que teriam sido vendidos para a K2 (microfibra 100% poliéster; 88% poliéster com lycra 12%). Chama atenção outro detalhe relevante: as notas fiscais da Central e da Blue River que estavam na contabilidade continham a expressão "Direto PH" impressa na mesma posição, que, no formulário da Central era o espaço do vendedor, e, no formulário da Blue River, o final do espaço das condições de venda. Indica que as notas fiscais foram impressas no mesmo equipamento e a partir do mesmo arquivo eletrônico. (doc. fls. 71, 73, 75, 77 e 79 do Anexo 9 e doc. fls. 65, 67, 69, 81 e 83 do Anexo 9). Nas notas fiscais auditadas na Drastosa, embora contenham o registro "Nossa entrega" no espaço da transportadora, apresentam indicação de placas de veículos Fl. 46DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/200963 Acórdão n.º 1301001.079 S1C3T1 Fl. 2.280 47 transportadores. Todavia, consultando o sistema RENAVAM, verificamos que nenhum dos veículos pertence às empresas em comento: Notas fiscais da Blue River: veiculo placa CGL 6784, de propriedade de Bruck Importação, Exportação e Comércio Ltda., CNPJ 60.613.767/000249 (doc. fls. 65, 67, 69, 81 e 83 do Anexo 9); Notas fiscais da Usion: veiculo placa BPL 7997, de propriedade de Volkswagen do Brasil Indústria de Veículos Automotores Ltda., CNPJ 59.104.422/005976 (bairro Ipiranga, São Paulo — SP) (doc. fls. 61 e 63 do Anexo 9); Notas fiscais da Central: veiculo placa ETL 2000, de propriedade de Resolve Transportes e Logística Ltda (doc. fls. 71, 73, 75, 77, 79, 89 e 91 do Anexo 9). A diferença mais importante nas operações destes fornecedores em relação à MKJ e à K2 é que, no caso da Drastosa, os pagamentos eram feitos por banco, mediante boletos. A mudança na descrição das mercadorias nas notas fiscais e de forma de cobrança confirma a "adaptação" do esquema à realidade do cliente para quem estava fornecendo as notas fiscais inidôneas. A fraude na Drastosa apresentase mais elaborada, mas permanece o fato principal: as empresas fornecedoras não tinham capacidade física, econômica, operacional para realizar vendas nestes volumes e freqüência. Importa destacar que o contador da Drastosa, Sr. Patrocínio Rodrigues, que trabalha na empresa desde o seu inicio, também não se lembrava destes fornecedores. 3.13.3 Miguel Ângelo Balduíno Encaminhamos Termo de Intimação, em 07/10/2009, por via postal para Miguel Ângelo Balduíno, CNPJ 60.943.396/000132, cuja atividade é confecção de calçados (doc. fls. 224 a 226). Segundo a informação prestada (Anexo 8), Green Way, Blue River, Central e Vision (antiga razão social da Usion) teriam (todas!) fornecido "tecido nylon". Este tipo de tecido não se apresentava como produto adquirido por nenhuma outra empresa, nem MKJ, nem K2 e nem Drastosa. Novamente, os produtos descritos nas notas fiscais inidôneas emitidas pelo esquema foram adaptados para a realidade do cliente. Além disso, chamam atenção a freqüência e os volumes atípicos das notas fiscais inidôneas. 3.13.4 Aulik Indústria e Comércio Ltda. Encaminhamos Termo de Intimação, em 07/10/2009, por via postal para Aulik Indústria e Comércio Ltda., CNPJ 05.256.426/000132, solicitando que fornecesse informações relativas às compras realizadas junto às empresas USion, Blue River, Green Way e Central (doc. fls. 227 a 229). A empresa Aulik, de acordo com a 10ª alteração e consolidação contratual (doc. fls. 12 a 17 do Anexo 10) apresenta objeto social bastante diversificado, estando cadastrada perante a RFB sob o Código Nacional de Atividade Econômica (CNAE) 4649402 Comércio atacadista de aparelhos eletrônicos de uso pessoal e doméstico (doc. fls. 02 a 06 do Anexo 10). Fl. 47DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/200963 Acórdão n.º 1301001.079 S1C3T1 Fl. 2.281 48 Em 02/12/2009 a empresa, por intermédio de seus procuradores, encaminhou as informações solicitadas (Anexo 10), informando que só possuía operações comerciais com a empresa Green Way. O demonstrativo fornecido pela AULIK, relacionando os dados básicos das referidas compras (doc. fls. 39 a 41 do Anexo10), indica que a AULIK comprou da Green Way Comercial Ltda. "componentes eletroeletrônicos"!!! Essa constatação confirma e reforça a conclusão já apontada pela fiscalização de que o "esquema" ao produzir notas fiscais frias adaptava as mercadorias à realidade comercial da empresa beneficiária, uma vez que as notas fiscais da empresa Green Way Comercial Ltda. emitidas para a fiscalizada referiase a roupas prontas, para outras empresas, citadas anteriormente, referiase a tecidos com especificações diversas e para a Aulik, surpreendentemente, referiase a componentes eletrônicos. Fosse a empresa Green Way uma empresa com grande estrutura produtiva e comercial tal diversificação já causaria estranheza, porém para uma empresa que, comprovadamente, jamais apresentou estrutura produtiva alguma isso demonstra a total falta de idoneidade das operações comerciais relativas às empresas do "esquema". 3.14 Exame Documentoscópico A análise dos documentos dos fornecedores Usion, Green Way, Central e Blue River (notas fiscais e duplicatas), fornecidos pela MKJ em atendimento à solicitação da fiscalização, apontou as seguintes questões: • Por que as assinaturas nos versos das duplicatas não correspondiam àquelas apostas nos carimbos das mesmas? • Por que empresas sem qualquer vínculo societário haviam produzido documentos tão semelhantes e com assinaturas similares? • Por que as datas anotadas nos versos das duplicatas apresentam grafia tão similar, quando foram emitidas por empresas distintas sem qualquer vínculo conhecido? Com base no exposto, e convicta de que os documentos apresentavam deficiências importantes, a fiscalização encaminhou, mediante o Oficio n° 212/2009 (doc. fls. 191), solicitação de exame pericial num grupo de documentos coletados por amostragem à Superintendência da Policia Federal em Santa Catarina, relacionando as questões que gostaria de ter esclarecidas (doc. fls. 192 a 194). O Laudo de Exame Documentoscópico n° 1229/2009 (doc. fls. 297 a 303) emitido pelo Setor TécnicoCientífico da Policia Federal, em 18/11/2009, esclarece que: • Apesar da semelhança no aspecto formal entre as assinaturas contidas nas duplicatas das empresas Blue River e Green Way, há divergências gráficas que permitem afirmar não terem todas partido do mesmo punho escritor; • As datas manuscritas no verso das duplicatas emitidas pelas empresas USion, Green Way e Blue River apresentam semelhança de elementos gráficos quando comparadas entre si, em número e qualidade suficientes para se afirmar que foram produzidas pelo mesmo punho escritor. (grifamos) 3.15 Falta de registro de empregados Fl. 48DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/200963 Acórdão n.º 1301001.079 S1C3T1 Fl. 2.282 49 Pesquisas realizadas junto as informações previdenciárias das empresas em questão revelou que nenhuma delas apresenta registro de empregados junto ao INSS no período sob fiscalização, conforme a seguinte documentação acostada: Green Way doc. fls. 22 a 25 do Anexo 3; USion doc. fls. 23 a 25 do Anexo 4; Blue River doc. fls. 11 a 12 do anexo 5; Central doc. fls. 13 do Anexo 6. Esse fato confirma a conclusão de que as empresas apresentavam atuação de "fachada”, pois a ausência de empregados denota ausência de efetiva operação no período. Sendo procedente, pois, a qualificação da multa, não há como acolher o argumento de que, no caso, houve caducidade parcial do direito de lançar. A ciência dos lançamentos foi efetivada em 11 de dezembro de 2009, e estes alcançaram fatos geradores ocorridos no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2005. Como é cediço, presente o dolo, descabe falar em aplicação do disposto no parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional para fins de decadência. Nesse caso a regra aplicável é a estampada no inciso I do art. 173 do referido diploma. Assim, ultrapassada a questão do significado da expressão “exercício” a que alude o dispositivo acima e ainda que se acolha o entendimento de que “o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível”, a autoridade fiscal poderia constituir os créditos tributários até 31 de dezembro de 2009. REGIME DE TRIBUTAÇÃO Sustenta o Recorrente que, dada a impossibilidade da apuração do custo das mercadorias vendidas, o lançamento deveria ter sido efetuado pela sistemática do lucro arbitrado. Penso que não seja exatamente esta a situação. Com efeito, o que observo é que a autoridade fiscal pretendeu efetuar o procedimento fiscal por meio de uma auditoria de custos. Entretanto, diante da ausência de apresentação, por parte da fiscalizada, da totalidade dos Livros Registros de Inventário e da falta de confiabilidade do sistema informatizado de controle de estoque, o procedimento de fiscalização foi direcionado para o exame das contas de fornecedores. Não cuidou a autoridade fiscal, portanto, de prosseguir na averiguação acerca das deficiências inicialmente detectadas na escrituração da fiscalizada, preferindo redirecionar o processo investigativo para contas onde existiam indícios da prática de ilícitos fiscais. Em regra, nas situações em que parcela significativa do custo é objeto de glosa por parte da Fiscalização, devese, de fato, arbitrar o lucro da fiscalizada, vez que em tais circunstâncias a aferição do lucro real resta comprometida. Fl. 49DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/200963 Acórdão n.º 1301001.079 S1C3T1 Fl. 2.283 50 Também como regra geral, o arbitramento em referência se dá pela ausência de comprovação dos custos, isto é, não foi apresentada a documentação que serviu de suporte para os registros contábeis ou a documentação apresentada não é considerada hábil para fins de dedutibilidade. No caso vertente, contudo, não se trata de falta de apresentação ou de documentação julgada não hábil, mas, sim, de inserção de registros de custos suportados por documentos inidôneos (“frios”). Enquanto na primeira situação (custos não comprovados), o arbitramento se justifica, eis que não é razoável supor que as receitas tenham sido auferidas sem que a empresa tenha incorrido em dispêndios, na segunda (inserção de documentos inidôneos), o arbitramento do lucro significaria, em razão da aplicação do percentual, o aproveitamento de custos comprovadamente inidôneos. Diante da natureza da receita auferida pela fiscalizada (revenda de mercadorias), mesmo restando comprovado que a maior parte do custo apropriado na apuração do resultado fiscal está lastreada em documentos inidôneos, admitirseia, a partir do arbitramento, o cômputo de parcela significativa destes custos inidôneos na determinação do lucro real. O Recorrente, buscando chamar a atenção para o montante de custo glosado, o que, para ele, justificaria o arbitramento do lucro, diz que 93,97% do custo das mercadorias vendidas (CMV) foi desconsiderado, o que não deixa de ser verdade (R$ 43.810.432,59 glosados, de um total de R$ 46.621.684,56 de CMV). Porém, se considerarmos o valor total dos custos e despesas apropriados, esta relação passa a ser de 63% (R$ 43.810.432,59 de R$ 70.085.581,89). Pelas razões expostas, não encontro reparo a ser feito na forma de tributação adotada pela autoridade fiscal. INCOMPETÊNCIA DA TURMA JULGADORA DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Para o Recorrente, o fato de a Turma julgadora de primeira instância, acolhendo alegação trazida em sede defesa, revisar os lançamentos das contribuições sociais apuradas e, a partir daí, computar créditos que não foram considerados pela autoridade lançadora, constituiria mudança do critério jurídico da autuação e constituição de crédito tributário sem que existisse competência para tal. Com a devida permissão, enganase o reclamante. À evidência, nada mais fez a autoridade julgadora a quo do que acolher, como redutores dos montantes lançados, valores que inadvertidamente não foram levados em conta por ocasião do lançamento. Admitir a tese esposada pelo Recorrente significaria dar ao lançamento total caráter de imutabilidade, de modo que para toda e qualquer contestação trazida pelo autuado, das duas uma, rejeitarseia o argumento, ou, na hipótese de ser procedente a alegação, simplesmente decretarseia a nulidade da constituição do crédito. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/200963 Acórdão n.º 1301001.079 S1C3T1 Fl. 2.284 51 O critério jurídico a ser observado na determinação da contribuição não cumulativa é o de deduzir do débito apurado os créditos decorrentes da incidência havida nas operações anteriores. Penso que a autoridade lançadora, ao desconsiderar créditos decorrentes de notas fiscais inidôneas, aplicou o referido critério, e, a Turma julgadora, ao observar que outros créditos que não os contaminados pelas referidas notas deveriam ser considerados, também observou o critério jurídico previsto para a apuração da exação. Se, da aplicação do critério, resulta redução do montante lançado, cabe ao órgão julgador exonerar o sujeito passivo da parcela correspondente do crédito tributário. Resta claro, pois, que não houve mudança de critério jurídico e muito menos constituição de crédito tributário. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Sustenta a Recorrente que, na hipótese de os lançamentos tributários serem mantidos, não deverão ser exigidos os juros de mora sobre a multa de ofício lançada por inexistir amparo legal. No que diz respeito à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, em que pese a existência de densos pronunciamentos deste Colegiado em sentidos diversos, mantenho o entendimento de que a expressão “ ...débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal” assinalada pelo artigo 61 da Lei nº 9.430/96, não dá respaldo para que, com base no parágrafo 3º do mesmo artigo, possa ser cobrado juros SELIC sobre a multa de ofício. Diante de tais circunstâncias, inclinome no sentido de acolher os argumentos trazidos pela ilustre Conselheira Sandra Maria Farone no acórdão nº 10194.441, de 03 de dezembro de 2003. Ali restou ementado, verbis: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO – Acolhemse os embargos de declaração para deixar claro que, na execução do acórdão, os juros de mora à taxa selic só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa aplicada. Sobre a multa podem incidir juros de mora à taxa de 1% ao mês, contados a partir do vencimento do prazo para impugnação. Os fundamentos de tal entendimento encontramse a seguir reproduzidos. [...] O art. 161 do CTN determina que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, ressalvando apenas a pendência de consulta formulada dentro do prazo legal para pagamento do crédito. O § 1º do mesmo artigo determina que, se a lei não dispuser de forma diversa, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. No caso de multa por lançamento de ofício, seu vencimento dáse no prazo de 30 dias contados da ciência do auto de infração. Assim, o valor da multa lançada, se não pago no prazo de impugnação, sujeitase aos juros de mora. As disposições legais que tratam dos juros de mora são as seguintes: Lei 8.383/91 Fl. 51DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/200963 Acórdão n.º 1301001.079 S1C3T1 Fl. 2.285 52 Art. 59. Os tributos e contribuições administrados pelo Departamento da Receita Federal, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de vinte por cento e a juros de mora de um por cento ao mês calendário ou fração, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição corrigido monetariamente. Lei 8.981/95 Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; Lei 9.065/95 Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. (Obs. A alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei 8.847/94 e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei 8.981/95 referemse a juros sobre parcelamentos). Lei 9.430/96 Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Como se vê, só há dispositivo legal autorizando a cobrança de juros de mora à taxa SELIC sobre a multa no caso de lançamento de multa isolada, não porém quando ocorrer a formalização da exigência do tributo acrescida da multa proporcional. Nesse caso, só podem incidir juros de mora à taxa de 1%, a partir do trigésimo dia da ciência do auto de infração, conforme previsto no § 1o do art. 161 do CTN. [...] Nessa mesma linha, os acórdãos abaixo indicados: ACÓRDÃO nº 10709.344, julgado em 16/04/2008: Fl. 52DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/200963 Acórdão n.º 1301001.079 S1C3T1 Fl. 2.286 53 MULTA DE OFÍCIO JUROS DE MORA – Sobre a multa de ofício lançada juntamente com o tributo ou contribuição, não paga no vencimento, incidem juros de mora de 1% (um por cento) ao mês, nos termos do art. 161 do Código Tributário Nacional. ACÓRDÃO nº 10196.448, julgado em 09/11/2007: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO – No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de ofício não paga no vencimento incidem juros de mora. Em se tratando de tributos cujos fatos geradores tenham ocorrido após 31/12/1994, sobre a multa por lançamento de ofício incidem juros de mora de 1% ao mês. TAXA SELIC Quanto à utilização da TAXA SELIC em si, a questão já se encontra pacificada no âmbito deste Colegiado, conforme súmula CARF nº 4, abaixo reproduzida. Súmula CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Assim, considerado tudo que do processo consta, conduzo meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para determinar que na execução da presente decisão sejam cobrados juros de mora de 1% sobre a multa de ofício lançada. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães – Relator Fl. 53DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/200963 Acórdão n.º 1301001.079 S1C3T1 Fl. 2.287 54 Voto Vencedor Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas. Em que pese o bem elaborado e fundamentado voto do Ilustre Relator, durante as discussões ocorridas por ocasião do julgamento do presente litígio surgiu divergência quanto ao entendimento acerca da incidência dos juros de mora com base na taxa SELIC sobre a multa de ofício lançada. Para o Relator, sobre a multa por lançamento de ofício incidem juros de mora de 1% ao mês. Não foi essa, contudo, a conclusão, por maioria, a que chegou esta Turma Ordinária. Sobre esse tema a jurisprudência tem sido muito controvertida. Confrontemos, pois, a legislação com o fato concreto. Tratase de multa por lançamento de ofício, formalizado em 2009, relativo a fatos geradores ocorridos em 2004 e 2005. O art. 161 do CTN determina que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, ressalvando apenas a pendência de consulta formulada dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Seu § 1° determina que, se, a lei não dispuser de forma diversa, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Para uma melhor compreensão da matéria, vejamos o que diz os dispositivos legais acerca das multas e dos juros de mora, incidentes sobre os créditos tributários não pagos nos respectivos vencimentos. Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991 CAPÍTULO VII – Das Multas e dos Juros de Mora Art. 59 – Os tributos e contribuições administrados pelo Departamento da Receita Federal, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de um por cento ao mêscalendário ou fração, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição corrigido monetariamente. § 1° A multa de mora será reduzida a dez por cento, quando o débito for pago até o último dia útil do mês subseqüente ao do vencimento. § 2° A multa incidirá a partir do primeiro dia após o vencimento do débito; os juros, a partir do primeiro dia do mês subseqüente. .......................... Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/200963 Acórdão n.º 1301001.079 S1C3T1 Fl. 2.288 55 Art. 84 – Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Recita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1° de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I – juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; ............................. Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. ......................................... Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002 Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de UFIR, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1° de janeiro de 1997. § 1° A partir de 1° de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. § 2° Para fins de inscrição dos débitos referidos neste artigo em Dívida Ativa da União, deverá ser informado à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional o valor originário dos mesmos, na moeda vigente à época da ocorrência do fato gerador da obrigação. § 3° Observado o disposto neste artigo, bem assim a atualização efetuada para o ano de 2000, nos termos do art. 75 da Lei n° Fl. 55DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/200963 Acórdão n.º 1301001.079 S1C3T1 Fl. 2.289 56 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fica extinta a Unidade de Referência Fiscal – UFIR, instituída pelo art. 1° da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1° de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. Da leitura dos dispositivos legais transcritos, se depreende claramente que os legisladores definiram inicialmente como base de incidência de juros de mora, tributos e contribuições e, posteriormente, débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União. Ou seja, o valor originário do débito (débitos de qualquer natureza), sobre o qual incidem os juros de mora, não exclui a multa de ofício. Com efeito, o próprio artigo 161, § 1º, do CTN dispõem exatamente que “crédito” não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas em lei, e que, se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Sendo assim, não se concebe conclusão outra, diversa daquela consagradora de sobre o crédito tributário (sua totalidade, principal e consectários), não pago no vencimento incidem sempre juros de mora (exceto na pendência de consulta, conforme § 2º do mesmo artigo 161). Logo, em consonância com o art. 139 do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Portanto, no crédito tributário estão compreendidos o valor do tributo e o valor da multa. No caso de multa por lançamento de ofício, seu vencimento é no prazo de 30 dias contados da ciência do auto de infração. Assim, o valor da multa lançada, se não pago no prazo, sujeitase aos juros de mora com base na taxa SELIC. Portanto, nos termos da legislação transcrita, procede a incidência de juros de mora com base na taxa SELIC sobre a multa de ofício não paga no vencimento. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas – Redator Designado Fl. 56DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11516.006348/200963 Acórdão n.º 1301001.079 S1C3T1 Fl. 2.290 57 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 25/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 13017.000266/2003-76
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. FALTA DE CRÉDITOS SUFICIENTES PARA LIQUIDAÇÃO DO DÉBITO. PROCEDÊNCIA PARCIAL.
Constatado, através de diligência fiscal realizada pela Delegacia da Receita Federal, que os créditos indicados pelo contribuinte são insuficientes para liquidar a totalidade dos débitos do pedido de compensação, deve ser dado provimento parcial ao Recurso Voluntário.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3801-001.924
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso no sentido de reconhecer o direito creditório do Recorrente, até o limite consignado na informação fiscal.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Borges, Paulo Guilherme Déroulède (Suplente), Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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FALTA DE CRÉDITOS SUFICIENTES PARA LIQUIDAÇÃO DO DÉBITO. PROCEDÊNCIA PARCIAL. Constatado, através de diligência fiscal realizada pela Delegacia da Receita Federal, que os créditos indicados pelo contribuinte são insuficientes para liquidar a totalidade dos débitos do pedido de compensação, deve ser dado provimento parcial ao Recurso Voluntário. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso no sentido de reconhecer o direito creditório do Recorrente, até o limite consignado na informação fiscal. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 01 7. 00 02 66 /2 00 3- 76 Fl. 198DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 05/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Borges, Paulo Guilherme Déroulède (Suplente), Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJPorto Alegre/RS (fl. 90), abaixo transcrito: “Trata o presente processo de Declaração de Compensação de créditos de PIS nãocumulativo com débito de PIS apurado pela sistemática da cumulatividade. A Delegacia da Receita Federal de Caxias do Sul não homologou a compensação, tendo em vista que o Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais (DACON) informa apuração de créditos de PIS que teriam gerado receita apenas no mercado interno, não sendo apontado nenhum valor para o mercado externo (exportação). 2. A interessada insurgese, tempestivamente, contra o Despacho Decisório alegando não se tratar de compensação com créditos decorrentes de operações no mercado externo. Argumenta que estaria 'compensando débito de PIS com créditos provenientes de operações no mercado interno. Apcinta equívoco de sua parte ao entregar Declaração de Compensação, acreditando ser necessário apenas a informação na Declaração de Apuração das Contribuições Sociais — DACON. Afirma que procedeu a retificação da DACON, ao tomar conhecimento do equívoco incorrido por meio cià • Despacho Decisório atacado a fim de explicitar os créditos do mercado interno a que faria jus e Contrapôlos ao débito do próprio PIS. Invoca os princípios da razoabilidade, da finalidade, da proporcionalidade e da verdade material a fim de justificar a retificação da DACON efetuada após a ciência do Despacho Decisório. Anexa cópia da DACON retificadora.” Analisando o litígio, a DRJPorto Alegre/RS entendeu por bem não homologar a compensação declarada (fls. 89 a 93), conforme ementa abaixo transcrita: PISnãocumulativo X PIScumulativo Necessária a entrega de Declaração de Compensação para que ocorra o encontro de contas entre débitos de PIS apurados pela sistemática da cumulatividade (código 8109) e créditos provenientes da sistemática da nãocumulatividade. Até a entrada em vigor da IN Secretaria da Receita Federal 600/2005, apenas os créditos vinculados a receitas de exportação, apurados pela sistemática da nãocumulativa do PIS, poderiam ser utilizados na extinção de débitos oriundos de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal por meio de compensação. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 05/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 3 Às fls. 98 a 108 consta recurso voluntário apresentado tempestivamente, no qual a empresa traz as seguintes alegações, em resumo: O simples fato de não haver a Recorrente promovido o registro, nos campos próprios do Dacon e da DIPJ 2004, dos custos vinculados às receitas de exportação, não autoriza a interpretação de que não tenha ela realmente incorrido em custos para geração de tais receitas e que, em razão disto, não faça jus aos créditos de PIS a que alude o art. 5º., § 1º. , I, da Lei 10.637/02; Não se trata de omissão de informação, já que os dados relativos às receitas sujeitas à incidência nãocumulativa (exportação) constam expressamente da DIPJ 2004 e no Dacon, muito embora não tenha sido informado pelo contribuinte o rateio dos custos para apuração dos referidos créditos; A Requerente providenciou, de imediato, a retificação do Dacon, para fins de segregar os custos vinculados às receitas provenientes dos mercados interno e externo, de modo a permitir a correta análise, pela Receita Federal, das declarações de compensação apresentadas, dentre as quais aquela que é objeto do presente processo; Apesar de haver uma dose de discricionariedade ao julgador, quando não entender necessária a diligência, no caso concreto o voto condutor do acórdão afirmou a necessidade de se provar o alegado, da análise de provas da ocorrência de exportação, e, entretanto, a diligência não foi determinada pela autoridade julgadora; O equívoco no preenchimento do Dacon foi constatado pela própria Receita Federal no momento da análise das declarações de compensação apresentadas pela Recorrente, tanto é assim que um dos Despachos Decisórios (Notificação DRF/CLX/Saort no. 99, de 01 de março de 2005) homologou parcialmente a compensação até a importância de R$ 1.592,47, referente ao crédito de PIS apurado pelo rateio com base na proporção da receita bruta auferida, informada na DIPJ 2003; Em julgamento realizado por este egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tendo em vista que, em um primeiro momento, a Delegacia de Julgamento não considerou as retificações das declarações realizadas pelo Contribuinte, ora Recorrente, restou determinado o retorno dos autos à instância de origem para que, com base nas aludidas retificações, fosse verificado o direito creditório do Recorrente, em especial, se havia crédito suficiente para liquidar os débitos indicados no pedido de compensação apresentada. Atendendo o comando deste Conselho, a douta Delegacia da Receita Federal de Caxias do Sul, em analise às DACON’s retificadas do Contribuinte, bem como dos documentos fiscais, constatou que, de fato, o contribuinte tinha créditos passíveis de compensação, contudo, estes créditos não eram suficientes para liquidar a totalidades dos débitos indicados pelo Recorrente no PERDCOMP analisado. Mesmo devidamente intimado das conclusões da fiscalização, o Recorrente quedouse inerte, retornando os autos para análise deste colegiado. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 05/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 É o relatório. Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora Os pressupostos de admissibilidade do presente Recurso Voluntário já foram analisados, quando da determinação pela realização de diligência pela instância originária.. Portanto, dele conheço. Conforme mencionado alhures, a manifestação de inconformidade do Recorrente não foi provida pela Delegacia da Receita Federal de Caxias do Sul, sob o argumento de que “o Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais (Dacon) referente ao 3° trimestre de 2003, às fls. 21 a 23, informa apuração de crédito de Pis no mercado interno e não no externo (exportação). Assim, tais créditos não preenchem os requisitos previstos no inciso II do § 1° . do art. 50 da Lei n° 10.637, de 2002, sendo a sua utilização permitida somente como dedução do valor de Pis a recolher.” (fl. 27). Ocorre, contudo, que o Recorrente retificou o DACON, segregando as receitas do mercado interno e do mercado externo, fazendo jus, a princípio, aos créditos utilizados na compensação não homologada pela Douta Delegacia da Receita Federal de Caxias do Sul. Tal fato ensejou na decisão que determinou a remessa dos autos à instância de origem, para que fosse analisado o direito creditório do Recorrente. Contudo, nos termos da Informação Fiscal acostada aos autos, cujas conclusões adoto neste voto, constatouse que os créditos apurados pelo Recorrente não foram suficientes para liquidar a totalidade dos débitos por ele também indicados no pedido de compensação. Por outro lado, intimado das conclusões da fiscalização, o Recorrente não se manifestou, nem trouxe novos elementos que pudessem rebater a detalhada apuração feita pela Delegacia da Receita Federal de Caxias do Sul. Desta forma, sem maiores delongas, voto no sentido de reconhecer o direito creditório do Recorrente, até o limite consignado na informação fiscal, devendo ser cobrada, pela fiscalização, a diferença dos débitos não liquidados através do pedido de compensação, com os devidos acréscimos legais. Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 201DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 05/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 5 Fl. 202DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 05/07/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 29 /07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 12466.001433/2005-15
Data da sessão: Thu Feb 04 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 31/03/2003 a 05/08/2004
OCULTAÇÃO DO REAL SUJEITO PASSIVO. FRAUDE OU SIMULAÇÃO. MULTA. EXAME DE PROVAS
Não se aplica a multa prevista no art. 23, § 3°, art. 23, do Decreto-Lei n° 1.455/1976, com a redação dada pelo art. 59 da Lei n° 10.637/2002, quando não demonstrada nos autos do processo administrativo a existência de sujeito passivo oculto, mediante fraude ou simulação, em operações de importação.
Recurso de Oficio Negado.
Numero da decisão: 3102-00.590
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
Nome do relator: Beatriz Veríssimo de Sena
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 31/03/2003 a 05/08/2004 OCULTAÇÃO DO REAL SUJEITO PASSIVO. FRAUDE OU SIMULAÇÃO. MULTA. EXAME DE PROVAS Não se aplica a multa prevista no art. 23, § 3°, art. 23, do Decreto-Lei n° 1.455/1976, com a redação dada pelo art. 59 da Lei n° 10.637/2002, quando não demonstrada nos autos do processo administrativo a existência de sujeito passivo oculto, mediante fraude ou simulação, em operações de importação. Recurso de Oficio Negado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-06-16T12:02:38Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-06-16T12:02:38Z; Last-Modified: 2010-06-16T12:02:38Z; dcterms:modified: 2010-06-16T12:02:38Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-06-16T12:02:38Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-06-16T12:02:38Z; meta:save-date: 2010-06-16T12:02:38Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-06-16T12:02:38Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-06-16T12:02:38Z; created: 2010-06-16T12:02:38Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2010-06-16T12:02:38Z; pdf:charsPerPage: 1295; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-06-16T12:02:38Z | Conteúdo => S3-C1T2 Fl. 398 .9f-it%-ttlytt> MINISTÉRIO DA FAZENDA 1:....(t..4 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO -."4:4•Wx1rIr Processo n" 12466.001433/2005-15 Recurso n° 343.635 De Oficio Acórdão n° 3102-00.590 - l a Câmara / r Turma Ordinária Sessão de 04 de fevereiro de 2010 Matéria Multa diversa Recorrente MIDEL COMERCIAL LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 31/03/2003 a 05/08/2004 OCULTAÇÃO DO REAL SUJEITO PASSIVO. FRAUDE OU SIMULAÇÃO. MULTA. EXAME DE PROVAS Não se aplica a multa prevista no art. 23, § 3°, art. 23, do Decreto-Lei n° 1.455/1976, com a redação dada pelo art. 59 da Lei n° 10.637/2002, quando não demonstrada nos autos do processo administrativo a existência de sujeito passivo oculto, mediante fraude ou simulação, em operações de importação. Recurso de Oficio Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio. IRO Luiv • rce uerra de Castro - Presidente r- eatriz Veríssimo de Sena - Relatora EDITADO EM: 01/03/2010 • Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, José Femandes do Nascimento, Celso Lopes Pereira Neto, Nanci Gama, Beatriz Veríssimo de Sena e Nikon Luiz Bartoli. Relatório Trata-se de auto de infração lavrado para a cobrança da multa prevista no art. 23, § 3', art. 23, do Decreto-Lei n° 1.455/1976, com a redação dada pelo art. 59 da Lei n° 10.637/2002 (importação de mercadorias, mediante simulação ou fraude, com a ocultação do real importador ou adquirente). Segundo a descrição dos fatos e enquadramento legal objeto do auto de infração em evidência (fis. 1-12), o Contribuinte Midel Comercial Ltda. promoveu a importação de diversas mercadorias declarando-se como importadora e adquirente das mesmas. Contudo, a Fiscalização verificou que o Contribuinte estaria, na verdade, agindo mediante simulação, a fim de intermediar operação de importação em favor de terceiro. A Fiscalização concluiu que teria havido simulação em relação à venda da empresa-interessada, mediante conluio entre as partes, com o intuito de iludir terceiros, dado que oculto o verdadeiro adquirente das mercadorias importadas. Assim concluiu a Fiscalização por depreender da documentação apresentada pelo próprio contribuinte que a aquisição da empresa interessada por sociedades uruguaias não teria alterado, de fato, a posse e a administração da empresa, que permaneceram inalteradas. A Fiscalização apontou, ainda, irregularidade na contrafação do único funcionário da empresa em Vitória, por ser esse também empregado de outra empresa concorrente, recebendo ordens apenas do antigo dono da empresa-interessada, e não dos novos adquirentes uruguaios. Afirmou, ademais, que o sr. Tomas Roberto Kovari não apenas seria o real proprietário e gerente da empresa Midel Comercial Ltda., como também seria dono de empresa concorrente no Estado do Espírito Santo, qual seja, Vanral Comercial Ltda. O sr. Tomas Roberto Kovari foi incluído no pólo passivo. Enretanto, não obstante devidamente intimado, o sr. Tomas Roberto Kovari não apresentou impugnação, correndo o processo em revelia em relação ao mesmo. O Contribuinte Midel Comercial Ltda apresentou impugnação no sentido de demonstrar ser empresa existente de fato, com sede, funcionário e funcionamento autorizado. Admite que a administração da empresa é feita por intermédio da sede em São Paulo, porém, aduz que tal fato não seria irregular ou ilegal. Quanto ao funcionário, aduz que a sua contratação foi realizada de acordo com os termos previstos na Consolidação das Leis do Trabalho — CLT. A DRJ-Florianópolis afastou a preliminar de irregularidade do mandado de procedimento fiscal por entende serem inaplicáveis os arts. 15 e 16 da Portaria n° SRF 3.007/2001 quando o MPF é extinto em caso de necessidade especial, como na hipótese presente, em que constatado problemas nos sistemas informatizados de controle da Receita Federal do Brasil. No mérito, julgou improcedente o lançamento por entender que as irregularidades constatadas na alteração societária da interessada não teria dado ensejo à ocultação do real adquirente das mercadorias importadas. Do mesmo modo, não haveria nos autos de infração manifestação sobre a transferência de recursos utilizados nas operações realizadas (fl. 385). Os autos vieram a este Conselho para reexame, por meio de recurso de oficio. É o relatório. • Processo n° 12466.001433/2005-15 S3-C1T2 Acórdão n.° 310240.590 R 399 Voto Conselheira Beatriz Veríssimo de Sena, Relatora Como bem expôs o r. acórdão regional, os arts. 15 e 16 da Portaria n° SRF 3.007/2001 não são aplicáveis à hipótese em exame. O MPF não foi extinto pela conclusão do procedimento fiscal, nem pelo decurso do prazo legal. Houve, na verdade, substituição do Mandado de Procedimento Fiscal a fim de evitar futuros transtornos, haja vista problemas nos sistemas informatizados da unidade fiscalizadora, então constatados. Por outro lado, não merece prosperar o lançamento. Ainda que hajam irregularidades na alteração contratual do Contribuinte Midel Comercial Ltda, é certo que essas irregularidades não culminaram na ocultação, mediante fraude ou simulação, do real adquirente das mercadorias importadas, como se faz necessário para a aplicação da multa prevista no art. 23, § 3°, art. 23, do Decreto-Lei n° 1.455/1976, com a redação dada pelo art. 59 da Lei n° 10.637/2002. Com efeito, o Auto de Infração não indica objetivamente qual seria o terceiro beneficiado, o sujeito oculto, nas operações comerciais realizadas pelo Contribuinte Midel Comercial Ltda. Infere-se da documentação acostada aos autos que os lucros e beneficios auferidos das operações de importação ficariam com a própria empresa Midel Comercial Ltda, restando a dúvida, na verdade, quanto à efetiva propriedade da empresa Midel. Não se confundem, contudo, questionamentos quanto à propriedade da empresa-contribuinte com dúvidas acerca das operações comerciais par esta realizadas. Ademais, não há manifestação no auto de infração sobre a origem ou a transferência dos recursos utilizados nas operações de importação analisadas. Por isso, não demonstrada a ocultação do sujeito passivo, apta a justificar eventual aplicação de multa. Friso, por fim, que a contratação de unpregado por mais de uma empresa é, a priori, admitida pela legislação trabalhista, não caracterizando, por si só, dado apto a comprovar a ocultação fraudulenta ou mediante fraude de operação comercial. Por outro lado, o fato dos adquirentes uruguaios terem mantido o antigo proprietário da empresa-interessada na sua administração não é suficiente para descaracterizar a personalidade jurídica da mesma. Pelo exposto, nego provimento ao recurso de ofício. ____----- rd.re;t-riz Veríssimo de Sena . 3
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