Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,050)
- Primeira Turma Ordinária (16,516)
- Primeira Turma Ordinária (16,445)
- Primeira Turma Ordinária (16,325)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,024)
- Segunda Turma Ordinária d (14,547)
- Primeira Turma Ordinária (13,115)
- Primeira Turma Ordinária (12,572)
- Segunda Turma Ordinária d (12,545)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,508)
- Quarta Câmara (85,851)
- Terceira Câmara (68,403)
- Segunda Câmara (57,284)
- Primeira Câmara (21,503)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,359)
- 1ª SEÇÃO (6,891)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,425)
- Segunda Seção de Julgamen (115,920)
- Primeira Seção de Julgame (77,827)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,142)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,440)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,597)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,272)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,147)
- HELCIO LAFETA REIS (3,911)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,936)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,856)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,753)
- WILDERSON BOTTO (2,679)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,474)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,671)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (20,021)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10670.001163/2004-11
Data da sessão: Tue Apr 13 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR
Exercício: 2000
Ementa: ÁREA DE RESEVA LEGAL — A área de reserva legal devidamente
averbada no registro de imóveis, em momento anterior ao fato gerador, deve
ser considerada na apuração da base de cálculo do 1TR, mesmo quando o
requerimento para expedição de ADA, a ela relativo, é realizado após a
ocorrência do fato gerador.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - A não apresentação do Ato
Declaratorio Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado,
não pode motivar o lançarnento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos
até o exercício de 2000 (Súmula CARF 41).
ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA - A comprovação do
cumprimento do cronograma do plano de manejo constitui requisito legal
para a consideração de área com exploração extrativa na apuração da base de
cálculo do ITR.
Recurso voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 2202-000.500
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiada, por unanimidade de votos, DAR
provimento PARCIAL ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência a área de preservação permanente e a área de reserva legal, nos termos do voto do Relator.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: HELENILSON CUNHA PONTES
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201004
ementa_s : Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR Exercício: 2000 Ementa: ÁREA DE RESEVA LEGAL — A área de reserva legal devidamente averbada no registro de imóveis, em momento anterior ao fato gerador, deve ser considerada na apuração da base de cálculo do 1TR, mesmo quando o requerimento para expedição de ADA, a ela relativo, é realizado após a ocorrência do fato gerador. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - A não apresentação do Ato Declaratorio Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançarnento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000 (Súmula CARF 41). ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA - A comprovação do cumprimento do cronograma do plano de manejo constitui requisito legal para a consideração de área com exploração extrativa na apuração da base de cálculo do ITR. Recurso voluntário parcialmente provido.
numero_processo_s : 10670.001163/2004-11
conteudo_id_s : 6127265
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 2202-000.500
nome_arquivo_s : Decisao_10670001163200411.pdf
nome_relator_s : HELENILSON CUNHA PONTES
nome_arquivo_pdf_s : 10670001163200411_6127265.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiada, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência a área de preservação permanente e a área de reserva legal, nos termos do voto do Relator.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 13 00:00:00 UTC 2010
id : 8069436
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:16:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076937364701184
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-09-21T20:35:14Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-09-21T20:35:14Z; Last-Modified: 2010-09-21T20:35:14Z; dcterms:modified: 2010-09-21T20:35:14Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:26f1eede-c6af-4f9b-aafd-e3fa165225dc; Last-Save-Date: 2010-09-21T20:35:14Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-09-21T20:35:14Z; meta:save-date: 2010-09-21T20:35:14Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-09-21T20:35:14Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-09-21T20:35:14Z; created: 2010-09-21T20:35:14Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2010-09-21T20:35:14Z; pdf:charsPerPage: 1507; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-09-21T20:35:14Z | Conteúdo => • S2-C2T2 Fl 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA .A4 • '434tE" .1* .; '‘.-1. CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 1,4 SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO ‘-- Processo n° 10670.001163/2004-11 Recurso n° 339268 Voluntário Acórdão n° 2202-00.500 — r Câmara! r Turma Ordinária Sessão de 13 de abril de 2010 Matéria ITR Recorrente FAZENDA MORRO PRETO LTDA Recorrida Ia TURMA/DRJ-BRASÍLIA-DF Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR Exercício: 2000 Ementa: ÁREA DE RESEVA LEGAL — A área de reserva legal devidamente averbada no registro de imóveis, em momento anterior ao fato gerador, deve ser considerada na apuração da base de cálculo do 1TR, mesmo quando o requerimento para expedição de ADA, a ela relativo, é realizado após a ocorrência do fato gerador. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - A não apresentação do Ato Declaratorio Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançarnento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000 (Súmula CARF 41). ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA - A comprovação do cumprimento do cronograma do plano de manejo constitui requisito legal para a consideração de área com exploração extrativa na apuração da base de cálculo do ITR. Recurso voluntário parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiada, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência a área de preservação permanente e a área de reserva legal, nos termos do voto do Relator. Nels //tr Heleni 0:le e P ontes Re EDITADO EM: E iVd :J,R1 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Júnior, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Helenilson Cunha Pontes, Gustavo Lian Haddad e Nelson Mallmann (Presidente). 2 Processo n° 10670.001163/2004-11 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.500 Fl. 2 Relatório Trata-se de Auto de Infração no qual se exige crédito tributário a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, exercício de 2000, relativo ao imóvel denominado "Fazenda Mono Preto Ltda", localizado no Município de São João da Ponte — MG, com área total de 12.110,6 ha, cadastrado na SRF sob o n° 3.829.925-9, acrescido de multa de lançamento de oficio e de juros de mora. O lançamento decorre de suposta falta de recolhimento do ITR, relativo ao exercício de 2000, em razão de divergências entre os valores declarados pelo contribuinte e os valores apurados pela Fiscalização, que resultaram nas glosas de áreas referentes à área de preservação permanente e de utilização limitada; com produtos vegetais; com atividade granjeira ou aquicola e com atividade de exploração extrativa, que conseqüentemente aumentou a área tributável a título de ITR. O contribuinte comprovou, durante a fase de fiscalização a averbação da área de reserva legal em 18/03/1996 (fls 30/32). No entanto, o requerimento para expedição de Ato Declaratório Ambiental — ADA foi requerido somente em 28/10/2004 (fls. 25), o que, no entender da fiscalização, teria sido intempestivo. Cientificado, em suas razões impugnatórias apresentadas em 21.12.2004, o contribuinte sustenta que: a) Através da verificação de dois laudos técnicos apresentados, constata-se que o Valor da Terra Nua é inferior ao apontado tanto pelo Contribuinte, quanto pela Fiscalização, o que importa em necessidade de revisão do valor apontado como tributável; b) O valor apontado a título de benfeitorias, culturas, pastagens cultivadas e melhoradas e florestas plantadas deve ver mantido, tendo em vista a juntada de laudo comprobatório; c) O contribuinte tem, desde 1994, plano de manejo sustentado aprovado pelo IBAMA para a área declarada como área com atividade de exploração extrativa, cujo cronograma vem sendo cumprido, como faz prova contrato de comodato firmado com a empresa Metalsider Ltda., pelo prazo mínimo de 06 anos; d) Não há determinação legal da necessidade de protocolo de qualquer documentação junto ao IBAMA como condição para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da base de cálculo do ITR. A Delegacia Regional de Julgamento, na apreciação da Impugnação apresentada, considerou procedente em parte o lançamento, por unanimidade de votos, através do acórdão DRJ/BSA n° 03-20.811, de 16 de maio de 2007 (fls. 184/191), consubstanciado na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2000 DAS ÁREAS DE RESERVA LEGAL E DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. A área de utilização limitada /reserva legal, para ser excluída do I7R, além de estar averbada à época do respectivo fato gerador, deveria ser reconhecida, juntamente com a área de preservação permanente, como de interesse ambiental pelo IBAMA/Órgão conveniado, ou ter o protocolo do requerimento tempestivo do Ato Declaratório Ambiental - ADA. DA ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. Deverá ser mantida a glosa, efetuada pela autoridade fiscal, da área de exploração extrativa informada na DITR/2000, por falta de documentos hábeis para comprová-la DO VALOR DA TERRA NUA. - Tendo sido apresentado laudo de avaliação, elaborado por profissional habilitado, com ART/CREA, demonstrando, de maneira inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preços daquela época, deve ser desconsiderado o VIN arbitrado e restabelecido o VTN informado na DITRI2000. Lançamento procedente em parte. Irresignado, o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário, com os seguintes dizeres, em resumo: a) Não há exigência legal relativa à necessidade de protocolo de Ato Declaratório Ambiental — ADA junto ao IBAMA para que haja a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da base de cálculo do ITR, o que afronta o principio da legalidade; b) Houve a apresentação de Termo de Responsabilidade de Manutenção de Florestas em Regime de Manejo de Rendimento Sustentado e o Plano de Manejo de Rendimento Sustentado, protocolado no IEF, além de possuir plano de manejo sustentado aprovado pelo IBAMA, desde 1994, que vem sendo cumprido, conforme demonstra contrato e - omodato- firmado com prazo mínimo de 06 (seis) anos. É o relatório. If 41( '4; 4 Processo n° 10670.001163/2004-11 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.500 Fl. 3 Voto Conselheiro Helenilson Unha Pontes, Relator O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, devendo, portanto ser conhecido. A autoridade fiscal intimou o contribuinte a apresentar os documentos que comprovem as áreas de preservação peimanente (290 ha) e de reserva legal (2.422 ha) (fls. 18/20). O contribuinte apresentou (fls. 32/verso) documento comprobatório da averbação da área de reserva legal junto ao Registro de Imóveis, equivalente a 2.422, 12 ha. O documento levado a registro imobiliário — termo de responsabilidade de preservação de floresta - foi expedido pelo Instituto Estadual de Florestas do Estado de Minas Gerais. • A DRJ reconhece a averbação realizada, no entanto, manteve a glosa por entender que a área de preservação ambiental não foi reconhecida como de interesse ambiental por meio de Ato Declaratório Ambiental — ADA, emitido pelo IBAMA, nem houve comprovação de protocolo de requerimento tempestivo junto a este órgão federal. Tratando-se de 1TR relativo ao exercício de 2000, segundo a DRJ, o contribuinte deveria ter protocolado o citado requerimento até 31 de março de 2001, ou seja, seis meses após a data final de entrega da DITR/2000 (cf. IN/SRF 75. DE 20/07/2000). O contribuinte apresentou requerimento junto ao IBAMA para expedição de ADA no dia 28 de outubro de 2004 (fls. 25), logo após ser intimado para comprovar as exclusões realizadas na sua DITR/00, ocorrida em primeiro de outubro de 2004. Mesmo diante da apresentação do requerimento para expedição do ADA junto ao IBAMA, a DRJ manteve a glosa das áreas de preservação permanente e de reserva legal porque, no seu entender, tal providência foi efetuada intempestivamente. Penso que este entendimento da DRJ merece ser revisto. Legalmente (art. 1°, § 2°, inciso III, da Lei 4.771)65, incluído pela Medida Provisória 2.166-67, de 2001) a reserva legal é definida como a área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas. Doutrinariamente, na dicção de PAULO DE BESSA ANTUNES, reserva legal "é um elemento importante da propriedade florestal, que é constituído por uma área, cujo percentual da propriedade total é definido em lei, variando conforme as peculiares condições ecológicas, em cada urna das regiões geopoliticas do Pais e que não pode ser utilizada economicamente de forma tradicional, isto é, destinar-se à produção de madeira ou de outr • comodity que dependa da derrubada das árvores em pé." (Direito Ambiental. 11' Ed, Editora Lumen Juris : Rio de Janeiro, 2008, p. 526). O art. 16, § 8° da Lei 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação conferida pela Medida Provisória 2.166-67, de 2001, estabelece que "a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer • titulo, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código." , Cabe observar que a normativa legal ambiental impõe o dever de averbar a reserva legal, mas não estabelece o momento em que este dever deve ser cumprido. Para colmatar esta lacuna, foi editado o Decreto 6.514, de 2008, alterado pelo Decreto 6.696, de 2008, fixando multa administrativa para quem estiver com área sem averbação da reserva legal junto ao registro de imóveis (art. 55), a partir de 11 de dezembro de 2009 (art. 152). Este prazo foi prorrogado para o dia 11 de junho de 2011, através do Decreto 7.029, de 10 de dezembro de 2009. Vale dizer, atualmente nem mesmo sob a perspectiva do Direito Ambiental o não registro da reserva legal constitui ilícito possível de imposição de sanção. Por outro lado, deve-se afastar, desde logo, o entendimento equivocado de que a reserva legal depende de registro público para a sua existência jurídica. Se assim fosse, bastaria que este registro nunca fosse realizado para que o conjunto de regras a ela pertinentes caísse no vazio por absoluta falta de suporte fático para sua aplicação. A reserva legal é uma limitação jurídica que adere (juridicamente constitui uma obrigação propter rem) à utilização da propriedade, impondo a ela restrição à sua exploração econômica. A reserva legal é ônus imposto à exploração da propriedade pelo direito, de forma cogente, e independe da vontade do proprietário do imóvel rural e a fortiori de providência formal que este deva tomar junto ao cartório de registro de imóveis. Parece-me de clareza solar que a.citada norma do Código Florestal ao exigir a averbação da área de reserva legal junto ao registro de imóveis tem o notório objetivo de tomar público o atendimento de um dever legal (a observância de determinada área como reserva florestal) e, assim, atuar em consonância com os objetivos preservacionistas da legislação ambiental e permitir a identificação e a apuração de responsabilidades na esfera do Direito Ambiental relativamente ao descumprimento dos seus comandos. O registro da área de reserva legal no registro de imóveis pelo proprietário rural tem o objetivo de demonstrar junto a terceiros (Poder Público e sociedade em geral) o atendimento às exigências de uso sustentável dos recursos naturais e conservação. A reserva legal é uma limitação ao direito de propriedade que, por imposição da legislação ambiental, deve ser publicizada mediante a averbação no registro de imóveis. Este ato registrai, no entanto, não tem o condão de constituir onde fazer existir a reserva legal, e os deveres a ela pertinentes impostos ao seu proprietário. A averbação, por essência, é ato jurídico que diz com a função de publicização inerente ao sistema de registros públicos em vigor no direito Brasileiro, conforme lapidar lição doutrinária de MARIA HELENA DINIZ: "A averbação relaciona-se, portanto, com a necessidade de exarar fatos ou atos que, não sendo constitutivos de domínio ou de ónus, sejam atinentes a alterações dos caracteres do imóvel e do titular do direito real, ocorridas 9após a matrícula e o registro, com o objetivo de assegurar a publicidade14, k V Processo n° 10670.001163/2004-11 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.500 Fl. 4 daquelas mutações objetivas e subjetivas. "(Sistema de registros de imóveis. 41 Ed. Saraiva : São Paulo, 2003, p. 50). A confirmar a estreita vinculação entre o objetivo meramente publicistico, e não constitutivo da averbação da reserva legal, está o art. 167, inciso II, item 22 da Lei de Registros Públicos (Lei 6.015, de 31 de dezembro de 1973) que estabelece a competência do Cartório de Registro de Imóveis para lavra tal ato jurídico registrai. A averbação é ato jurídico que tem natureza meramente declaratória da existência da reserva legal, jamais constitutiva, como ensina PAULO DE DESSA ANTUNES: "A Reserva Florestal Legai deverá ser averbada no Registro de Imóveis para conhecimento de terceiros, a sua não-averbação, no entanto, não exonera o proprietário da obrigação de respeitá-la, pois ela não se constitui pela averbação, que é um simples registro que declara a existência da Reserva Legal e que não a constitui, de forma alguma." (Direito Ambiental. 11° Ed. Editora Lumen Juris : Rio de Janeiro, 2008, p. 516). Este entendimento e aceito pela Jurisprudência do SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC, NÃO OCORRÊNCIA. ITR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. ISENÇÃO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE TRIBUTÁRIA. LEI N° 9.393/96. 1.A área de reserva legal é isenta do ITR, consoante o disposto no art. 10, § 1°, II, "a", da Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996. 2. OITR é tributo sujeito à homologação, por isso o ,¢ 7°, do art. 10, daquele diploma normativo dispõe que: Art. 10. A apuração e o pagamento do 1TR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da' Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. é' 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, ,sç 1 o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória n° 2.166-67, de 2001) 3. A isenção não pode ser conjurada por força de interpretação ou integração analógica, máxime quando a lei tributária especial reafirmou o beneficio através da Lei n." 11.428/1006, reiterando a exclusão da área de reserva legal de incidência da exação (art. 10, II, "a" e IV "b"), verbis: 1/7 Art. 10. A apuração e apagamento do 1TR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. II- área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n°4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n°7.803, de 18 de julho de 1989; V - área aproveitável, a que for passível de exploração agrícola, pecuária, granjeira, agi:dada ou florestal, excluídas as áreas: a) ocupadas por benfeitorias úteis e necessárias; b) de que tratam as alíneas do inciso II deste parágrafo; 4. A imposição fiscal obedece ao principio da legalidade estrita, impondo ao julgador na apreciação da lide ater-se aos critérios estabelecidos em lei. 5. Consectariamente, decidiu com acerto o acórdão a quo ao firmar entendimento no sentido de que "A falta de averbação da área de reserva legal na matricula do imóvel, ou a averbação feita após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo artigo 16 da Lei n°4.771/1965. Reconhece-se o direito à subtração do limite mínimo de 20% da área do imóvel, estabelecido pelo artigo 16 da Lei n°4,771/]965, relativo à área de reserva legal, porquanto, mesmo antes da respectiva averbaÇãO, que não é fato constitutivo, mas meramente declaratório, id havia a proteção lezal sobre tal área". 6. Os embargos de declaração que enfrentam explicitamente a questão embargada não ensejam recurso especial pela violação do artigo 535, II, do CPC. 7. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 8. Recurso especial a que se nega provimento. (REsp 1.060.886, Rel. Min. Luiz Fuz, I'. Turma, DJe 18/12/2009). Assim, o dever de registrar a área de reserva legal no cartório de imóveis imposto pela legislação ambiental, não tem o condão de constitui-la. Segundo o direito positivo vigente na atualidade, o eventual descumprimento do dever de averbar no Registro de imóveis a área de reserva legal, na perspectiva do Direito Ambiental só poderá ser objeto de sanção a partir de 11 de junho de 2011, a teor do previsto no Decreto 7.029, de 10 de dezembro de 2009. No âmbito do Direito Tributário, a norma do art. 10, § 7° da Lei 9.393/96, com a redação conferida pela Medida Provisória n°2.166, de 24 de agosto de 2001, é expressa a Processo n° 10670.001163/2004-11 ' S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.500 F/. 5 no sentido de afastar a comprovação prévia das áreas declaradas pelo contribuinte como isentas do ITR, o que Pão significa que tal comprovação esteja definitivamente dispensada. O que a Medida Provisória 2.166-67 estabelece é que a declaração de áreas isentas de ITR, formulada pelo contribuinte quando do autolançamento do imposto, "não está sujeita à previa comprovação por parte do declarante". Este comando legal, no entanto, deve ser interpretado à luz das normas gerais previstas no Código Tributário Nacional acerca do lançamento por homologação, a que está submetido o ITR, no qual compete sempre ao sujeito passivo demonstrar a realidade dos fatos por eles declarados, especialmente quando influem diretamente na determinação da base de cálculo tributária. O ITR é tributo sujeito ao lançamento por homologação, sendo dever do contribuinte comprovar a veracidade dos fatos jurídicos por ele declarados para efeito de apuração da base de cálculo tributável. Interpreto a norma da MP 2.166-67 como tendo dispensado o contribuinte de previamente provar a existência de área declarada como isenta de ITR, o que não lhe exime do dever de produzir tal prova quando intimado pelo ente tributante, dentro do devido processo legal. Entendimento contrário levaria ao paroxismo de se admitir que o contribuinte possa firmar declarações, com caráter tributário, e não tenha o dever de demonstrar a sua veracidade, o que evidentemente está fora da moldura interpretativa possível e admissivel para o referido texto legal. No caso em análise, o sujeito passivo comprova a averbação da área de reserva legal, ato formalizado inclusive antes da ocorrência do fato gerador. Comprovada a existência e a formalização da área de reserva legal, desnecessária a existência de Ato Declaratório Ambiental — ADA, nos termos do entendimento sumulado do CARF: Súmula CARF N' 41 A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos até o exercido de 2000. O mesmo entendimento se aplica mutatis mutandis à área de preservação permanente. No caso, o lançamento operou a glosa da área de preservação permanente sob o igual fundamento de que o sujeito passivo não teria efetuado o protocolo tempestivo do ADA junto ao IBAMA, na medida em que este protocolo somente ocorreu em 28/10/2204, e o fato gerador foi realizado em 1/1/2000. Tratando-se de fato gerador ocorrido em momento contemplado pelo entendimento sumulado, e o fato de que o lançamento é motivado pela ausência de ADA, considero como indevida a glosa da área de preservação permanente efetuada pela fiscalização. inQuanto à glosa da área com exploração extrativa (3000 ha), a DRJ entendeu que os documentos juntados pelo contribuinte (plano de manejo protocolado no Instituto Estadual de Florestas do Estado de Minas Gerais eia 1994 (fls. 29/33) e o contrato particular d fornecimento de carvão vegetal (fis. 174/178) não são hábeis a comprovar a existência da referida área. De acordo com a Lei 9.393/96 (art. 10, § 5 0), para efeito de comprovação de área sob exploração extrativa, será considerada a área total objeto de plano de manejo sustentado, desde que aprovado pelo órgão competente, e cujo cronograma esteja sendo cumprido pelo contribuinte. A mera aprovação do plano de manejo pelo órgão ambiental competente não é requisito suficiente para a comprovação da exploração extrativa. A comprovação do cumprimento do cronograma do plano de manejo constitui legalmente requisito para a utilização na DITA de área com exploração extrativa. No caso, o contribuinte não cumpriu a exigência legal de comprovar o cumprimento do cronograma de cumprimento do plano de manejo, dai porque assiste razão à DRJ neste particular. Diante do exporto, dou provimento parcial ao recurso voluntário para manter as áreas de preservação permanente e de utilização limitada (reserva legal) constantes da DITR. No entanto, fica mantida a glosa da área utilizada para exploração extrativa efetuada pela fiscalização. et.fril • tes 10 21.,ehK_ MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 8-8:§8uti- r CAMARA/2' SEÇÃO DE JULGAMENTO -Processo n°: 10670.00116312004-11 Recurso n°: 339.268 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3° do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de j unho de 2009, intime-se o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2202-00.500 18 fri.1.; Brasília/DF, EVELINE COELHO DE LO HOMAR Chefe da Secretaria Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Data da ciência: Procurador(a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 10865.000873/2003-57
Data da sessão: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004, 2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO CONTRADIÇÃO ENTRE O VOTO E O DISPOSITIVO DO ACÓRDÃO Constatando-se que a parte dispositiva do acórdão não retrata com fidelidade a conclusão do voto, é de se retificar o
acórdão.
Embargos acolhidos.
Acórdão retificado.
Preliminares rejeitadas.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-000.978
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos apresentados para, retificando o Acórdão n.º 220200.426, de 04/02/2010, sanando a contradição apontada, atribuir efeitos infringentes para rejeitar as preliminares suscitadas pelo
Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201102
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004, 2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO CONTRADIÇÃO ENTRE O VOTO E O DISPOSITIVO DO ACÓRDÃO Constatando-se que a parte dispositiva do acórdão não retrata com fidelidade a conclusão do voto, é de se retificar o acórdão. Embargos acolhidos. Acórdão retificado. Preliminares rejeitadas. Recurso negado.
numero_processo_s : 10865.000873/2003-57
conteudo_id_s : 6140480
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 2202-000.978
nome_arquivo_s : Decisao_10865000873200357.pdf
nome_relator_s : ANTONIO LOPO MARTINEZ
nome_arquivo_pdf_s : 10865000873200357_6140480.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos apresentados para, retificando o Acórdão n.º 220200.426, de 04/02/2010, sanando a contradição apontada, atribuir efeitos infringentes para rejeitar as preliminares suscitadas pelo Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
id : 8109550
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:16:50 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076937397207040
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1533; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.000873/200357 Recurso nº 164.699 Embargos Acórdão nº 220200.978 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 08 de fevereiro de 2011 Matéria IRPF Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado CARLOS ALBERTO BISSOLI GOMES ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004, 2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO CONTRADIÇÃO ENTRE O VOTO E O DISPOSITIVO DO ACÓRDÃO Constatandose que a parte dispositiva do acórdão não retrata com fidelidade a conclusão do voto, é de se retificar o acórdão. Embargos acolhidos. Acórdão retificado. Preliminares rejeitadas. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos apresentados para, retificando o Acórdão n.º 220200.426, de 04/02/2010, sanando a contradição apontada, atribuir efeitos infringentes para rejeitar as preliminares suscitadas pelo Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Fl. 1DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/03/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/03/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, João Carlos Cassuli Junior, Antonio Lopo Martinez, Ewan Teles Aguiar, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/03/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/03/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10865.000873/200357 Acórdão n.º 220200.978 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Fazenda, sob alegação de existência de uma contradição no acórdão, pois se verifica que na parte dispositiva do acórdão figura informação diversa da conclusão a que chegou o colegiado. Registrese por pertinente que o voto na parte dispositiva foi por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a base de cálculo da exigência ao percentual de 20% (Atividade Rural), entretanto o voto condutor se pronuncia no sentido de rejeitar preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. O relator ao apreciar o embargo, propôs o acolhimento pelo fato da omissão ser evidente. A presidência da Câmara, às fls. 282, solicitou que o processo fosse encaminhado ao Conselheiro para inclusão em pauta. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/03/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/03/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Os presentes Embargos foram opostos objetivando a manifestação desta C. Câmara quanto à contradição existente no acórdão embargado. A omissão é clara e os embargos devem ser acolhidos. De fato, identificase uma evidente contradição entre a parte dispositiva do acórdão e o voto condutor. Da análise da pauta de julgamento, notase que por lapso, foi registrado decisão incorreta. Para todos os efeitos a decisão dever ser aquela transcrita na pauta oficial devidamente publicada, ou seja que por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Em razão de todo o exposto, voto no sentido de acolher os Embargos apresentados para, retificando o Acórdão n.º 220200.426, de 04/02/2010, sanando a contradição apontada, atribuir efeitos infringentes para rejeitar as preliminares suscitadas pelo Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 4DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 16/03/201 1 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/03/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 35464.001425/2006-67
Data da sessão: Wed Jun 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/11/1999 a 30/06/2002
DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. ART. 150, § 40
DO CTN. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias
NFLD. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Realizado o lançamento de modo a
garantir ao contribuinte a perfeita compreensão da obrigação imposta, com a clara e precisa demonstração da ocorrência do fato gerador, de modo que este possa exercer plenamente o seu direito de defesa, não subsiste ofensa ao disposto no art. 142 do CTN.
OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
Nos termos do art. 30, IV da Lei 8.212/91 e art. 124 do Código Tributário Nacional, o dono ou proprietário da obra responde solidariamente com o construtor pelo cumprimento das obrigações previdenciárias incidentes, não lhe beneficiando, o privilégio do beneficio de ordem.
SELIC. APLICAÇÃO. LEGALIDADE. Nos termos da Súmula n. 03 do EL
Segundo Conselho de Contribuintes é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 2402-000.881
Decisão: ACORDAM os membros da 4ªCâmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda.
Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) nas preliminares, em negar provimento ao recurso, na questão da decadência, devido à aplicação da regra expressa no I, Art. 173, do CTN, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Rogério de Lellis Pinto, que votou pela aplicação da regra expressa no § 4°, Art. 150 do CTN. II) Por unanimidade de votos a) no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: LOURENÇO FERREIRA DO PRADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Oct 09 09:00:03 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201006
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/1999 a 30/06/2002 DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. ART. 150, § 40 DO CTN. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias NFLD. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Realizado o lançamento de modo a garantir ao contribuinte a perfeita compreensão da obrigação imposta, com a clara e precisa demonstração da ocorrência do fato gerador, de modo que este possa exercer plenamente o seu direito de defesa, não subsiste ofensa ao disposto no art. 142 do CTN. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Nos termos do art. 30, IV da Lei 8.212/91 e art. 124 do Código Tributário Nacional, o dono ou proprietário da obra responde solidariamente com o construtor pelo cumprimento das obrigações previdenciárias incidentes, não lhe beneficiando, o privilégio do beneficio de ordem. SELIC. APLICAÇÃO. LEGALIDADE. Nos termos da Súmula n. 03 do EL Segundo Conselho de Contribuintes é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
numero_processo_s : 35464.001425/2006-67
conteudo_id_s : 6495829
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Oct 08 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2402-000.881
nome_arquivo_s : Decisao_35464001425200667.pdf
nome_relator_s : LOURENÇO FERREIRA DO PRADO
nome_arquivo_pdf_s : 35464001425200667_6495829.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 4ªCâmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda. Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) nas preliminares, em negar provimento ao recurso, na questão da decadência, devido à aplicação da regra expressa no I, Art. 173, do CTN, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Rogério de Lellis Pinto, que votou pela aplicação da regra expressa no § 4°, Art. 150 do CTN. II) Por unanimidade de votos a) no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 09 00:00:00 UTC 2010
id : 9010981
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:18:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076937403498496
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-08-17T14:36:15Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-08-17T14:36:15Z; Last-Modified: 2010-08-17T14:36:15Z; dcterms:modified: 2010-08-17T14:36:15Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:5256db05-8f2b-40e0-a4dd-8a8303592c99; Last-Save-Date: 2010-08-17T14:36:15Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-08-17T14:36:15Z; meta:save-date: 2010-08-17T14:36:15Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-08-17T14:36:15Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-08-17T14:36:15Z; created: 2010-08-17T14:36:15Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2010-08-17T14:36:15Z; pdf:charsPerPage: 1945; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-08-17T14:36:15Z | Conteúdo => S2-C4T2 Fl. 221 e là MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS• SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 35464.001425/2006-67 Recurso n° 149.210 Voluntário Acórdão n° 2402-00.881 — 4" Câmara / 2 a Turma Ordinária Sessão de 9 de junho de 2010 Matéria RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Recorrente ATENTO BRASIL SA Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA - SRP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/11/1999 a 30/06/2002 DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. ART. 150, § 40 DO CTN. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias NFLD. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Realizado o lançamento de modo a garantir ao contribuinte a perfeita compreensão da obrigação imposta, com a clara e precisa demonstração da ocorrência do fato gerador, de modo que este possa exercer plenamente o seu direito de defesa, não subsiste ofensa ao disposto no art. 142 do CTN. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Nos termos do art. 30, IV da Lei 8.212/91 e art. 124 do Código Tributário Nacional, o dono ou proprietário da obra responde solidariamente com o construtor pelo cumprimento das obrigações previdenciárias incidentes, não lhe beneficiando, o privilégio do beneficio de ordem. SELIC. APLICAÇÃO. LEGALIDADE. Nos teunos da Súmula n. 03 do EL Segundo Conselho de Contribuintes é cabível a cobrança de juros de mo com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuiçõ - administrados pela Secretaria da Receita Federal. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4a Câmara / 2 Turma Ordinária da Segund. Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) nas preliminares, em negar provimento ao recurso, na questão da decadência, devido à aplicação da regra expressa no I, Art. 173, do CTN, nos termos do voto do relator. Vencido o ' eiro Rogério de Lellis Pinto, que votou pela aplicação da regra expressa no § 4°, Art. 150 do CTN. II) Por unanimidade de votos a) no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. y i AR * OLI 71" " - Presidente LO NÇO FERREIRA DO PRADO — Relator - Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Marcelo Oliveira, Ana Maria Bandeira, Rogério de Lellis Pinto, Lourenço Ferreira do Prado e Ronaldo de Lima Macedo. • 2 Processo n°35464.001425/2006-67 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.881 Fl. 222 Relatório • Trata-se de crédito tributário lançado em desfavor de ATENTO BRASIL S.A., por meio de NFLD e na qualidade de responsável solidária, consubstanciada na cobrança de contribuições previdenciárias, parte da empresa e segurados, incidentes sobre o valor das notas fiscais de contratação da empresa .ARIPUANÃ ENGENHARIA E OBRAS LTDA, para a execução de serviços de reforma em geral, por empreitada global. O lançamento compreende as competências de 05/1999 a 06/2002, tendo sido o contribuinte cientificado em 27/12/2004 (fls. 01) Mantida a integfalidade da notificação pela r. decisão de primeira instancia (fls. 142 a 168), foi interposto recurso voluntário, por meio do qual, sustenta a contribuinte: .• a nulidade da NFLD, na medida em que deixou o fiscal de proceder de forma a demonstrar a efetiva ocorrência dos fatos • geradores das contribuições, sem descrever os motivos de fato e direito, bem come; os fundamentos legais que expressam a sua atuação; • da inaplicabilidade do procedimento de aferição indireta, já que a empresa não possui escrituração contábil irregular; • • a decadência do direito de o fisco efetuar o lançamento das contribuições objeto da NFLD, com arrimo no art. 150 § 40 do CTN; • que não pode ser responsabilizado solidariamente pelas contribuições objeto da NFLD quando não foi verificado junto a prestadora de serviços, responsável principal, se esta efetuou os recolhimentos devidos; • que a época do lançamento o INSS reconhecia que a empresa Aripuanã estava regular junto ao órgão pela emissão das respectivas CND; e • ilegalidade da cobrança de juros pela taxa SELIC. Processado o recurso com contrarrazões da Secretaria da Receita Previdenciária (fls. 201 a 220), sub." am os • •s a este Eg. Conselho. É o relatóri . • 3 Voto - Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator Tempestivo o recurso e presentes os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. Inicialmente, quanto à preliminar aventada, há de se levar em consideração, que o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, em observância aquilo que disposto no artigo 146, III, "b", da Constituição Federal, à unanimidade de votos, negou provimento aos Recursos Extraordinários n° 556.664, 559.882, 559.943 e 560.626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n. 8.212/91, os quais concediam à Previdência Social o prazo de 10 (dez) anos para a constituição de seus créditos. Na mesma assentada, inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, o STF editou a Súmula Vinculante de n ° 8, cujo teor é o seguinte: Súmula Vinculante n° 8 "São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito -tributário". Dessa forma, em observância ao que disposto no artigo 103-A e parágrafos da Constituição Federal, inseridos pela Emenda Constitucional n° 45/2004, as súmulas vinculantes, por serem de observância e aplicação obrigatória pelos entes da administração pública direta e indireta, devem ser aplicadas por este Eg. Conselho de Contribuintes, in verbis: "Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder -Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Logo, inaplicável o prazo de 10 (dez) anos para a aferição da decadência no âmbito das contribuições previdenciárias, resta necessário, para a solução da demanda, a aplicação das normas legais relativas à decadência e constantes no Código Tributário Nacional, a saber, dentre os artigos 150, § 40 ou 173, I, diante da verificação, caso a caso, se tenha ou não havido dolo, fraude, simulação ou o recolhimento de parte dos valores das contribuições sociais objeto da NFLD, conforme mansa e pacifica orientação desta Eg. Câmara. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, motivo pelo qual, em regra, devem observar o previsto no art. 150, § 4° do CTN. Dessa foima, verificado o pagamento antecipado, observar-se-á a regra de extinção inscrita no art. 156, inciso VII do CTN, que condiciona o a -is *e ---. mento efetuado pelo contribuinte a ulterior homologação por parte de Fisco. - 44 Processo rio 35464.001425/2006-67 S2-C4T2 Acórdão ri." 2402-00.881 Fl. 223 Ao revés, caso não exista pagamento ou mesmo a parcialidade deste, não há o que ser homologado, motivo que enseja a incidência do disposto no art. 173, inciso I do CTN, hipótese na qual o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. No caso dos autos, trata-se de situação na qual não se verifica tenha havido o recolhimento antecipado, mesmo que parcial, das contribuições ora sob exigência, na medida em que trata-se de responsabilização solidária por recolhimentos não comprovados, com esteio na legislação previdenciária, de modo que, para análise da decadência deve ser aplicado o disposto no art. 173, I, do CTN. Deste modo, em tendo sido o contribuinte cientificado do lançamento em 27/12/2004, nenhuma das competências objeto do lançamento foi atingida pela decadência, sem nada a ser provido sobre este ponto. Passo, então, a analise do MÉRITO do recurso voluntário. Também não merece guarida o recorrente quando sustenta a impropriedade do lançamento em razão da fiscalização ter-se pautado em desacordo com o disposto no art. 142 do CTN. Ao que se verifica, da análise do relatório fiscal, bem como da documentação a ele anexada, restou devidamente comprovada a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias, bem como os motivos que levaram a responsabilização da recorrente pela ausência do seu recolhimento a bom tempo. Da leitura de referido relatório, verifica-se dele contar a devida fundamentação do lançamento levado a efeito, com a descrição clara e precisa do fato gerador, o que garante ao contribuinte o exercício do seu pleno direito de defesa e do contraditório, com a perfeita compreensão de todo o procedimento levado a efeito, estando devidamente motivado e, portanto, em consonância com o disposto nos arts. 142 do Código tributário Nacional e, inclusive com o próprio artigo 37 da Lei 8.212/91. Ademais, verifica-se que a fiscalização determinou, ainda, fosse intimada de todos os termos da NFLD a empresa prestadora de serviços, tendo-a cientificado do lançamento, entretanto, sem ter esta sido encontrada, pois, esgotados os meios aptos a identificar o endereço da mesma, veio a ser publicado Edital de Intimação. A tese sustentada no presente recurso voluntário é no sentido da impossibilidade de responsabilização da recorrente pelo adimplemento da obrigação tributária, pois haveria a necessidade prévia de cobrança das contribuições da empresa prestadora de serviços ou, ao menos a verificação do adimplemento da obrigação tributária. Ora, conforme já afirmado, fato é que a empresa prestadora também fora cientificada do lançamento, contudo, não fora localizada, de modo que, apenas por este fundamento já cai por terra a tese sustentada, na medida em que a Secretaria Previdenciária demonstrou a impossibilidade de exigir o cumprimento da obrigação, ou mesmo a comprovação de seu cumprimento da empresa prestadora, não restando dúvidas, com base no art. 30 da Lei 8.212/91, acerca de necessidade deresp bilização do dono da obra, tomador do serviço. 5 Confira-se o teor de referida disposição legal: "Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) VI - o proprietário, o incorporador definido na Lei n° 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) Certo é que a solidariedade tributária não constitui simples foinia de eleição de responsável tributário, mas hipótese de garantia pelo adimplemento da obrigação tributária em favor do Fisco. Tem por objetivo precípuo garantir a arrecadação, sendo sua finalidade a de facilitar a satisfação dos interesses da Administração, permitindo a ação do Estado diretamente sobre quem melhor lhe aprouver, pautando-se, por óbvio, nos princípios da legalidade, eficiência, entre outros, inafastáveis da atuação estatal. A figura da responsabilidade solidária, portanto, surge no Direito Tributário com o único fim de resguardar o adimplemento do crédito tributário criando mecanismo para o Estado indicar, com exclusividade, contra quem irá agir, não havendo que se falar em beneficio de ordem e nem em condições para o exercício desse direito não impostas pela lei. Logo, verificada a ocorrência do fato gerador, fica o Fisco autorizado a proceder ao lançamento, constituindo o devido crédito tributário. Este crédito tributário pode ser constituído tanto em face do contribuinte, como do responsável tributário, porque ambos são solidários em relação a obrigação tributária, não cabendo, nos termos do parágrafo único do artigo 124 do Código Tributário Nacional, beneficio de ordem, a seguir: "Art. 124. São solidariamente obrigadas: I - as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; - as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta beneficio de ordem." Assim, não merece prosperar a alegação da recorrente no sentido da prévia necessidade de que a prestadora do serviço deva ser anteriormente cobrada, ainda mais quando esta foi cientificada do lançamento e não foi encontrada. Há de se ressaltar, ademais, que poderia o ora recorrente ter elidido a cobrança em seu desfavor, desde que optasse por efetuar a retenção, como garantia, do valor da contribuição devida quando efetuado o pagamento ao prestador de serviço. Em não o fazendo, lhe resta, apenas, a ação regressiva contra o construtor Cumpre ressaltar que a tese aventada pelo contribuinte já foi alvo de varias discussões por esta 2a Seção, que já pacificou - - to quanto ao assunto, inclusive, " Processo n°35464.001425/2006-67 S2-C4T2 Acórdão ri.° 2402-00.881 Fl. 224 conforme se demonstra a seguir a partir de precedentes cujo interessado era o próprio recorrente, verbis: "Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1995 a 31/07/1998 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA - CONSTRUÇÃO CIVIL. O contratante de serviços de construção civil responde solidariamente com o contratado pelas contribuições destinadas à Seguridade Social, nos termos do art 30, inciso VI da Lei n° 8.212/1991. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA - APURAÇÃO PRÉVIA JUNTO AO PRESTADOR - DESNECESSIDADE - BENEFÍCIO DE ORDEM - INEXISTÊNCIA. Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco tem aprerrogativa de constituir os créditos no tomador de servi os mesmo • ue não ha'a a • ura ão e révia no • restador de servi o. A responsabilidade solidária não comporta beneficio de ordem. Não havendo comprovação, por parte do tomador, de que o prestador efetivou os recolhimentos devidos, a autoridade fiscal poderá efetuar o lançamento contra qualquer um dos solidários. Recurso Voluntário Negado." (Rel. Cons. Ana Maria Bandeira, Recurso 241.473, sessão de 07/10/2008, Int. MAIA E BORBA LTDA) Ainda com relação ao tema, a alegação da recorrente de que a época do lançamento a empresa contratada possuia Certidões Negativas junto a Receita Previdenciária, não enseja o entendimento de que todas as contribuições devidas e passiveis de recolhimento o tenham sido perfeitamente adimplidas, mas sim que ao tempo de sua expedição, ainda não fora verificado qualquer débito, pois o próprio documento expressa a ressalva do direito do INSS em cobrar qualquer importância que venha ser reputada devida, logicamente, dentro do prazo decadencial. Por fim, a insurgência quanto a aplicação da taxa SELIC também não merece amparo. A sua aplicação, enquanto juros moratórios e multa aplicadas sobre as contribuições objeto do lançamento, foi efetivada com supedâneo em previsão legal consubstanciada no art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito: Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia-SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo reestabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Não obstante a matéria já foi objeto de inúmeras discussões neste Eg. Conselho, quando então fora editada a Súmula n. 03 do Segundo Conselho de Contribuintes, aplicável ao presente caso e cuja redação fora assim aprovada na sessão plenária de 18/09/2007: "SÚMULA N. 3 - É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União • s de tributos e 7 contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — Selic para titulo federal. Ante todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso e NEGAR- LHE PROVIMENTO. E como voto. Sala das Sessões, em 9 de junho de 2010 LOUR ÇO FERREIRA DO PRADO - Relator 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA Y.44 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo n": 35464.001425/2006/67 Recurso n°: 149.210 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2402-00.881. Brasília, 05 de julho de 2010 I ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ 1 Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 10845.000406/2002-84
Data da sessão: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 1999
IRPF - PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA - MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA.
A falta de apresentação de extratos bancários solicitados pela fiscalização não autoriza o agravamento da multa de ofício, na medida em que tal situação não prejudica a elaboração do lançamento cujo fundamento é a presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Diante desta situação os extratos bancários foram obtidos através de RMF. Aplicabilidade ao caso do artigo 112, inciso IV, do Código Tributário Nacional, com a manutenção da decisão recorrida, que reduziu a penalidade de 112,5% para 75%.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.982
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Gonçalo Bonet Allage
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201202
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 1999 IRPF - PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA - MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. A falta de apresentação de extratos bancários solicitados pela fiscalização não autoriza o agravamento da multa de ofício, na medida em que tal situação não prejudica a elaboração do lançamento cujo fundamento é a presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Diante desta situação os extratos bancários foram obtidos através de RMF. Aplicabilidade ao caso do artigo 112, inciso IV, do Código Tributário Nacional, com a manutenção da decisão recorrida, que reduziu a penalidade de 112,5% para 75%. Recurso especial negado.
numero_processo_s : 10845.000406/2002-84
conteudo_id_s : 6268048
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 15 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 9202-001.982
nome_arquivo_s : Decisao_10845000406200284.pdf
nome_relator_s : Gonçalo Bonet Allage
nome_arquivo_pdf_s : 10845000406200284_6268048.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2012
id : 8453340
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:17:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076937411887104
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1671; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 472 1 471 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10845.000406/200284 Recurso nº 149.270 Especial do Procurador Acórdão nº 920201.982 – 2ª Turma Sessão de 16 de fevereiro de 2012 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ALEXANDRE ULISSES MARCELO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999 IRPF PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. A falta de apresentação de extratos bancários solicitados pela fiscalização não autoriza o agravamento da multa de ofício, na medida em que tal situação não prejudica a elaboração do lançamento cujo fundamento é a presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Diante desta situação os extratos bancários foram obtidos através de RMF. Aplicabilidade ao caso do artigo 112, inciso IV, do Código Tributário Nacional, com a manutenção da decisão recorrida, que reduziu a penalidade de 112,5% para 75%. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Fl. 744DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10845.000406/200284 Acórdão n.º 920201.982 CSRFT2 Fl. 473 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage – Relator EDITADO EM: 24/02/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado) Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Alexandre Ulisses Marcelo foi lavrado o auto de infração de fls. 0407, para a exigência de imposto de renda pessoa física, exercício 1999, em razão da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, com multa de ofício agravada para o patamar de 112,5%. O trabalho desenvolvido pela autoridade lançadora encontrase sintetizado no próprio auto de infração, de onde extraio as seguintes assertivas (fls. 04): Omissão de rendimentos provenientes de valores creditados em contas de depósito, mantidas em instituições Financeiras, cuja origem dos recursos utilizados nessas operações, não foram comprovados mediante documentação hábil e idônea. O contribuinte alegou que os recursos depositados por ele, no BANCO BANESPA e no BANCO DO BRASIL, durante o ano calendário de 1998, tiveram origem em transações efetuadas com a compra e venda de tíquetes refeição e com a compra e venda de veículos usados. Porém, não apresentou um documento sequer que comprovasse esse tipo de comércio, assim como não apresentou nenhum registro, livro, ou documento que comprovasse qualquer operação desse tipo. Alegou apenas não possuílos. O agravamento da multa de ofício aplicada deveuse ao fato do contribuinte não ter atendido a intimação exarada no Termo de Início de Fiscalização de 20/03/2001, reiterada em 10/05/2001, para apresentar os extratos bancários. As informações bancárias foram requisitadas, por este Fisco, ao Banco BANESPA e ao Banco do Brasil, nos termos do art 6 da, Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001. Os depósitos bancários de origem não comprovada estão Fl. 745DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10845.000406/200284 Acórdão n.º 920201.982 CSRFT2 Fl. 474 3 relacionados no EXTRATO DE CRÉDITO ORIGEM NÃO COMPROVADA, anexo, que faz parte integrante deste Auto de Infração. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza (CE) considerou o lançamento procedente (fls. 230250). Por sua vez, a Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, apreciando o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, proferiu o acórdão n° 10615.635, que se encontra às fls. 316331 (Volume II), cuja ementa é a seguinte: PAF. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Cabem as Delegacias da Receita Federal de Julgamento, em primeira instância, o exame dos recursos administrativos. Por delegação do Ministro do Estado da Fazenda tem o Secretario da Receita Federal competência para definir a matéria e a jurisdição de competência de cada DRJ. LEGISLAÇÃO QUE AMPLIA OS MEIOS DE FISCALIZAÇÃO. INAPLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE – Incabível falarse em irretroatividade da lei que amplia os meios de fiscalização, pois esse princípio atinge somente os aspectos materiais do lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, quando o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA Invocando uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora exime se de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO Reduzse o percentual da multa para 75%, uma vez que a falta de atendimento a intimação não prejudicou a elaboração do lançamento. Recurso parcialmente provido. A decisão recorrida, por maioria de votos, rejeitou a preliminar de nulidade do lançamento em razão da irretroatividade da Lei n° 10.174/2001, vencidos os Conselheiros Roberta de Azevedo Ferreira Pagetti e Gonçalo Bonet Allage. No mérito, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de ofício para 75%. Na seqüência, o contribuinte opôs embargos de declaração às fls. 339349, os quais foram acolhidos por intermédio do acórdão n° 10616.471 (fls. 355368, Volume II), sem alteração do resultado do julgamento. Fl. 746DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10845.000406/200284 Acórdão n.º 920201.982 CSRFT2 Fl. 475 4 Intimada do acórdão em 12/12/2007 (fls. 370), a Fazenda Nacional interpôs, com fundamento no artigo 7°, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria n° 147/2007, recurso especial às fls. 373379, acompanhado dos documentos de fls. 380381, cujas razões podem ser assim sintetizadas: a) Insurgese a Fazenda Nacional contra o r. acórdão proferido pela e. Câmara a quo que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso do contribuinte para reduzir a multa de ofício, agravada em razão do não atendimento à intimação do fisco para apresentação de extratos bancários, de 112,5% para 75%; b) A e. Câmara a quo entendeu que o não cumprimento à intimação formulada pela fiscalização não prejudicou a elaboração do lançamento; c) Ocorre que o entendimento firmado pela Câmara a quo, ao reduzir a multa de ofício, agravada ante a não obediência às intimações do Fisco, está em desacordo com decisão proferida pela 8ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes (Acórdão Paradigma n° 10808356); d) Enquanto o acórdão recorrido decidiu por reduzir a multa de ofício de 112,5% para 75%, mesmo restando configurada a inobservância pelo Contribuinte de intimação fiscal, o acórdão paradigma adotou solução diversa, qual seja, a manutenção do agravamento da multa ante o descumprimento da intimação fiscal; e) É preciso mencionar, inicialmente, que a legislação põe à disposição da Fiscalização uma série de instrumentos para que se possa chegar à verdade dos fatos e, conseqüentemente, aferir o valor tributável; f) Assim, em casos como os dos autos, de omissão de rendimentos, a fiscalização possui diversas alternativas para descobrir os montantes tidos por sonegados. Com efeito, pode, por exemplo, emitir intimações para que o contribuinte apresente extratos bancários, como pode buscar tais informações diretamente junto às instituições financeiras; g) Caso a fiscalização, por conta das circunstâncias do caso concreto, opte por buscálas diretamente com o contribuinte e, para tanto, expede as intimações pertinentes, não pode o contribuinte furtarse em cumprilas, sob pena de sanção legal; h) No caso em tela, a sanção está expressamente prevista no § 2° do Art. 44 da Lei n° 9.430/96; i) Neste sentido, não podemos concordar com o entendimento do ilustre Relator que, grosso modo, admite o descumprimento de intimações fiscais, sem agravamento de multa, sempre que houver possibilidade de o fisco buscar os esclarecimentos pretendidos de outra forma; j) Como se observa, a prosperar tal entendimento, isso aniquilaria todo o trabalho da fiscalização tributária, uma vez que as intimações passariam a ser meras solicitações, de cumprimento facultativo pelos contribuintes; Fl. 747DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10845.000406/200284 Acórdão n.º 920201.982 CSRFT2 Fl. 476 5 k) Merece reforma, portanto, o acórdão a quo, por ofensa à legislação aplicável à matéria (Art. 44, § 2° da Lei n° 9.430/96), bem como por divergir do entendimento, que entendemos acertado, constante do Acórdão Paradigma n° 10808356; l) Requer a Fazenda Nacional seja conhecido e provido o presente recurso, para reformar o respeitável acórdão recorrido, sendo mantida a multa em seu percentual agravado de 112,5%. Admitido o recurso através do despacho n° 21010006/2009 (fls. 399400), proferido em sede de agravo, o contribuinte foi intimado e, devidamente representado, apresentou contrarrazões às fls. 407413, onde defendeu, fundamentalmente, a necessidade de manutenção do acórdão recorrido. Interpôs, também, recurso especial às fls. 415438, o qual teve seu seguimento negado pelo despacho n° 220100.072 (fls. 460469), confirmado pelo despacho n° 2202072 (fls. 470471, Volume III). É o Relatório. Voto Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Reitero que o acórdão proferido pela Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, além de rejeitar a preliminar suscitada pelo sujeito passivo, no mérito, por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao recurso voluntário para desagravar a penalidade de ofício, reduzindoa de 112,5% para 75%. A recorrente suscitou que o contribuinte descumpriu intimações fiscais e deve ser apenado da forma prevista no artigo 44, § 2°, da Lei n° 9.430/96, ou seja, com a multa agravada, invocando como paradigma o acórdão n° 10808.356. Eis a matéria em litígio. Segundo a autoridade lançadora, o fato de o contribuinte ter deixado de atender aos termos de intimação de 20/03/2001 e de 10/05/2001, por intermédio dos quais deveria apresentar seus extratos bancários do anocalendário 1998, deu ensejo ao agravamento da multa de ofício para o patamar de 112,5%. Em sua defesa com relação à matéria, o sujeito passivo alegou que não se negou a apresentar os documentos solicitados, apenas não pode fazêlo em face da extrema dificuldade em obter, das respectivas instituições financeiras, os extratos bancários solicitados, posto que não os possuía e se referiam a acontecimentos ocorridos há mais de 03 (três) anos. Fl. 748DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10845.000406/200284 Acórdão n.º 920201.982 CSRFT2 Fl. 477 6 Ao tempo dos fatos em apreço, a multa agravada de 112,5% estava prevista no artigo 44, inciso I, § 2°, da Lei n° 9.430/961, nos seguintes termos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I – de 75% (setenta e cinco por cento), nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte: (...) § 2°. As multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de 112,5% (cento e doze inteiros e cinco décimos por cento) e 225% (duzentos e vinte e cinco por cento), respectivamente, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: a) prestar esclarecimentos; b) apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei n° 8.218, de 29 de agosto de 1991, com as alter ações introduzidas pelo art. 62 da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991; c) apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38. Entendo que a ausência de resposta às intimações da autoridade lançadora, neste caso, não caracteriza nenhuma das previsões do dispositivo acima transcrito, pois a não apresentação dos extratos bancários não prejudicou, de forma nenhuma, a elaboração do lançamento, na medida em que a fiscalização pode fazer uso da regra prevista no artigo 6° da Lei Complementar n° 105/2001, obtendo os extratos bancários necessários à lavratura do auto de infração por intermédio de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF. A Relatora do acórdão recorrido, Conselheira Sueli Efigênia Mendes de Britto, fez as seguintes ponderações a respeito da matéria (fls. 331, Volume II): O que dá origem ao agravamento da multa é a não prestação dos esclarecimentos solicitados nos prazos e condições exigidos pela autoridade fiscal. Reclama o recorrente do agravamento da multa para 112%, sob a justificativa de que respondeu a todas as intimações que lhe foram dirigidas e não apresentou os extratos bancários, referentes às suas contascorrentes, devido a grande dificuldade em obtêlos junto às instituições financeiras. Esta matéria por diversas vezes foi examinada pelos componentes desta Câmara, e o entendimento pacificado é de que a falta de apresentação dos extratos bancários pelo 1 Atualmente tal regra encontrase expressa no § 2°, do artigo 44, da Lei n° 9.430/96. Fl. 749DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10845.000406/200284 Acórdão n.º 920201.982 CSRFT2 Fl. 478 7 contribuinte, não impede e tampouco prejudica o lançamento uma vez que a lei garante ao Fisco o acesso a buscar as informações junto as instituições financeiras. Dessa forma, entendo que o percentual da multa deve ser reduzido de 112% para 75%. Posto isto, voto por dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de 112% para 75%. Estou integralmente de acordo com tais assertivas. Tenho como aplicável à situação em voga a regra do artigo 112, inciso IV, do Código Tributário Nacional, segundo a qual “Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: (...) IV – à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação.” Sob minha ótica, não resta justificada a exasperação da penalidade para 112,5%. Conforme mencionado no acórdão recorrido, a antiga Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes adotava referido posicionamento com muita freqüência, conforme ilustra a ementa do seguinte acórdão: (...) MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA NÃO ATENDIMENTO ÀS INTIMAÇÕES DA AUTORIDADE AUTUANTE AUSÊNCIA DE PREJUÍZO PARA O LANÇAMENTO DESCABIMENTO – Como a fiscalização já detinha informações suficientes para concretizar a autuação, devese desagravar a multa de ofício. O não atendimento às intimações da fiscalização não obstou a lavratura do auto de infração. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA – OMISSÃO DE RENDIMENTOS –– ALEGAÇÃO DE QUE OS DEPÓSITOS BANCÁRIOS ERAM DE PROPRIEDADES DE TERCEIROS NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS, COM IDENTIDADE DE DATA E VALOR – INOCORRÊNCIA – A alegação de que os depósitos bancários eram recursos de terceiros não restou comprovada nos autos. Assim, ausente a comprovação da origem dos depósitos, com identidade de data e valor, devese manter o lançamento vergastado. Recurso voluntário parcialmente provido. (Primeiro Conselho, Sexta Câmara, Recurso Voluntário n° 148.837, Acórdão n° 10617.015, Relator Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, julgado em 07/08/2008) Este entendimento também prevalece no âmbito desta Segunda Turma da CSRF há longa data, sendo que na sessão de novembro de 2011 foi proferido o acórdão n° 920201.856, exatamente neste sentido. Fl. 750DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10845.000406/200284 Acórdão n.º 920201.982 CSRFT2 Fl. 479 8 Com tais singelas considerações, concluo que a decisão recorrida merece ser confirmada, pois não se justifica, no caso, o agravamento da penalidade de ofício. Voto, portanto, no sentido de negar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Fl. 751DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 12045.000493/2007-25
Data da sessão: Tue Mar 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/02/1997 a 30/09/2005
NULIDADE NA FASE FISCALIZATÓRIA. NATUREZA INQUISITORIAL DO PROCEDIMENTO. INAPLICABILIDADE DOS IMPERATIVOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA.
No rito do procedimento administrativo fiscal, a fase de investigação, preliminar à lavratura do Auto de Infração, é inquisitória, sendo o contraditório e a ampla defesa exercidos quando da instauração do litígio, mediante a apresentação de impugnação instruída com os argumentos e provas de que disponha o sujeito passivo.
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.
INOCORRÊNCIA QUANDO TODOS OS ARGUMENTOS RELEVANTES
SÃO APRECIADOS.
A nulidade da decisão de primeira instância é declarada naqueles casos nos quais o decisório a quo deixa de apreciar argumento relevante da recorrente, em obediência ao disposto nos arts. 31 e 59, inciso II do Decreto 70.235/72.
MULTA POR DESATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO. PRAZO RAZOÁVEL. INÉRCIA E SILÊNCIO DO CONTRIBUINTE.
CABIMENTO.
Encontra-se em conformidade com a legislação a aplicação de multa ao contribuinte que, sendo intimado para apresentar documentos em prazo razoável, permanece inerte quanto à apresentação, ainda que parcial, do solicitado, bem como silente, naquela oportunidade, quanto à eventual exigüidade do prazo estabelecido para atendimento completo da intimação.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 2301-001.277
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e no mérito negar provimento ao recursos, nos termos do voto do(a) Relator(a)
Nome do relator: MAURO JOSÉ SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201003
ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/02/1997 a 30/09/2005 NULIDADE NA FASE FISCALIZATÓRIA. NATUREZA INQUISITORIAL DO PROCEDIMENTO. INAPLICABILIDADE DOS IMPERATIVOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. No rito do procedimento administrativo fiscal, a fase de investigação, preliminar à lavratura do Auto de Infração, é inquisitória, sendo o contraditório e a ampla defesa exercidos quando da instauração do litígio, mediante a apresentação de impugnação instruída com os argumentos e provas de que disponha o sujeito passivo. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA QUANDO TODOS OS ARGUMENTOS RELEVANTES SÃO APRECIADOS. A nulidade da decisão de primeira instância é declarada naqueles casos nos quais o decisório a quo deixa de apreciar argumento relevante da recorrente, em obediência ao disposto nos arts. 31 e 59, inciso II do Decreto 70.235/72. MULTA POR DESATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO. PRAZO RAZOÁVEL. INÉRCIA E SILÊNCIO DO CONTRIBUINTE. CABIMENTO. Encontra-se em conformidade com a legislação a aplicação de multa ao contribuinte que, sendo intimado para apresentar documentos em prazo razoável, permanece inerte quanto à apresentação, ainda que parcial, do solicitado, bem como silente, naquela oportunidade, quanto à eventual exigüidade do prazo estabelecido para atendimento completo da intimação. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido.
numero_processo_s : 12045.000493/2007-25
conteudo_id_s : 6228344
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 08 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 2301-001.277
nome_arquivo_s : Decisao_12045000493200725.pdf
nome_relator_s : MAURO JOSÉ SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 12045000493200725_6228344.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e no mérito negar provimento ao recursos, nos termos do voto do(a) Relator(a)
dt_sessao_tdt : Tue Mar 23 00:00:00 UTC 2010
id : 8343423
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:17:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076937416081408
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-07-13T13:40:27Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-07-13T13:40:27Z; Last-Modified: 2010-07-13T13:40:27Z; dcterms:modified: 2010-07-13T13:40:27Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:86c8810f-93b2-4054-9522-8a3294bc859b; Last-Save-Date: 2010-07-13T13:40:27Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-07-13T13:40:27Z; meta:save-date: 2010-07-13T13:40:27Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-07-13T13:40:27Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-07-13T13:40:27Z; created: 2010-07-13T13:40:27Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2010-07-13T13:40:27Z; pdf:charsPerPage: 1766; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-07-13T13:40:27Z | Conteúdo => S2-C3T1 Fl. 84 odti n • MINISTÉRIO DA FAZENDA - CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO „ Processo n° 12045.000493/2007-25 Recurso n° 249.138 Voluntário Acórdão n° 2301-01.277 — 3' Câmara / ia Turma Ordinária Sessão de 23 de março de 2010 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS EM GERAL Recorrente HÓTÉIS ELDORADO CUIABÁ SjA Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/02/1997 a 30/09/2005 NULIDADE NA FASE FISCALIZATÓRIA. NATUREZA INQUISITORIAL DO PROCEDIMENTO. INAPLICABILIDADE DOS IMPERATIVOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. No rito do procedimento administrativo fiscal, a fase de investigação, preliminar à lavratura do Auto de Infração, é inquisitória, sendo o contraditório e a ampla defesa exercidos quando da instauração do litígio, mediante a apresentação de impugnação instruída com os argumentos e provas de que disponha o sujeito passivo. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA QUANDO TODOS OS ARGUMENTOS RELEVANTES SÃO APRECIADOS. A nulidade da decisão de primeira instância é declarada naqueles casos nos quais o decisório a quo deixa de apreciar argumento relevante da recorrente, em obediência ao disposto nos arts. 31 e 59, inciso II do Decreto 70.235/72. MULTA POR DESATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO. PRAZO RAZOÁVEL. INÉRCIA E SILÊNCIO DO CONTRIBUINTE. CABIMENTO. Encontra-se em conformidade com a legislação a aplicação de multa ao contribuinte que, sendo intimado para apresentar documentos em prazo razoável, permanece inerte quanto à apresentação, ainda que parcial, do solicitado, bem como silente, naquela oportunidade, quanto à eventual exigüidade do prazo estabelecido para atendimento completo da intimação. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido. , , , Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3° Câmara / 1' Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e no mérito negar provimento ao recursõs, noçtermos do voto do(a) Relator(a). t t ,, f ) \\, , \,,,, \J \„,(n,\),. V\sU,- JULIO CISAR VIEIRA GOMES — Presidente 11~-.... ) ' MAtfl iji OSÉ S . ', - - Relator Partic p. am, .inda, do presente julgamento, os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros, Leonare 3 enrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Edgar Silva Vidal (Suplente) Damião Cordeiro de Moraes e Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente). Relatório Trata-se de Auto de Infração, lavrado em 01/03/2006, por ter a empresa acima identificada, segundo Relatório Fiscal da Infração, fls. 06, deixado de apresentar documentos solicitados pela fiscalização, o que estaria em ofensa à obrigação acessória prevista no art. 32, inciso III da Lei 8.212/91, tendo resultado na aplicação de multa. A autuação teve como origem o descumprimento do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD) de fls. 09/10 por meio do qual foi solicitada, em 03/02/2006, a apresentação de documentos de interesse da fiscalização relacionados ao período de 02/1997 a 09/2005. Os documentos deveriam ser enviados para a Av. Getúlio Vargas, 553, décimo andar, Centro, Cuiabá/M para que ficassem à disposição da autoridade fiscal a partir de 06/02/2006. Não havendo a apresentação dos documentos ou qualquer manifestação da fiscalizada, ocorreu a lavratura do auto de infração em 01/03/2006. A interessada não apresentou defesa no prazo legal, sendo que a Delegacia da Receita Previdenciária em Cuiabá/MT julgou procedente a autuação, fls. 32/34, por meio da Decisão-Notificação da qual a empresa foi cientificada em 11/08/2006, fls. 36. O recurso voluntário, apresentado em 11/0912006, contém os argumentos que resumimos a seguir na ordem que constam do documento de fls. 39/50. A argumentação da recorrente aborda os seguintes pontos: falta de clareza em relação ao prazo de entrega da documentação; exigüidade do prazo; cerceamento do direito de defesa; inexistência de recusa em entregar os documentos; utilização de presunção simples; e ofensa ao devido processo legal Entende que o TIAD não foi claro e objetivo quanto ao prazo para atendimento da solicitação, pois ficou estabelecido somente que a documentação deveria ficar à disposição da fiscalização a partir de 06/02/2006 às 08:00 hs e durante todo o procedimento fiscal. Portanto, não havia um prazo final para entrega da documentação. Por conta disso, estaria o auto de infração em desacordo com o art. 1° da Lei 11.098/2005 e teria havido cerceamento de seu direito a defesa e ofensa ao devido processo legal. 2 Processo n° 12045.000493/2007-25 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-01.277 Fl. 85 Alega que entrou em contato com a autoridade fiscal e, considerando o prazo insuficiente, solicitou a dilação deste, tendo a fiscalização inicialmente concordado. No entanto, no mesmo dia foi informada que os AIs e NFLDs já haviam sido enviados para a fiscalizada por via postal. Conclui que, por conta disso e de outros vícios, houve violação ao princípio do devido processo legal Insiste que toda a documentação estava há muito tempo a disposição da fiscalização na sede da empresa e que não havia meios para transportar a grande quantidade de documentos referentes a oito anos d operação. Afirma ter apresentado parte dos documentos exigidos pela fiscalização. Quanto à decisão de primeira instância, entende que falta motivação à DN, pois esta não contém as razões que justificariam a manutenção da autuação. Protesta, ao final, pela anulação do auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro MAURO JOSÉ SILVA, Relator Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. Enfrentaremos os argumentos da recorrente na ordem que entendemos mais apropriada. Da violação ao devido processo legal por ofensa ao contraditório e/ou ao direito à ampla defesa na fase fiscalizatória A recorrente aduz que houve violação do devido processo legal durante a fase fiscalizatória, na medida em que o prazo originalmente concedido era muito curto e seu pedido de dilação deste não foi atendido. Não há como acolher a pretensão da recorrente de violação ao devido processo legal, seja por ofensa ao contraditório ou à ampla defesa , pois os procedimentos da autoridade fiscalizadora têm natureza inquisitória não se sujeitando ao contraditório os atos lavrados nesta fase. Somente depois de lavrado o auto de infração e instalado o litígio administrativo com a apresentação da impugnação é que se pode falar em obediência aos ditames do princípio do contraditório e da ampla defesa. Nesse sentido, temos julgados deste Colegiado: NORMAS PROCESSUAIS- NULIDADE DO AUTO DE INFRA ÇÃO-A fase de investigação e formalização da exigência, que antecede à fase litigiosa do procedimento, é de natureza inquisitorial, não prosperando a argüição de nulidade do auto de infração por não observância do principio do contraditório. Assim também a mesma argüição, quando fundada na alegação 3 de falta de motivação do ato administrativo, que, de fato, não ocorreu.(Acórdão 101-93425) Sem que fique demonstrado que após o início do litígio houve ofensa ao contraditório ou à ampla defesa, não há como acatar a pretensão da recorrente de nulidade. Nulidade da decisão de primeira instância. Inocorrência. A nulidade da decisão de primeira instância é declarada naqueles casos nos quais o decisório a quo deixa de apreciar argumento relevante da recorrente, em obediência ao disposto nos arts. 31 e 59, inciso II do Decreto 70.235/72. Destacamos que se faz necessário que a omissão esteja relacionada com questão que tenha relevância, ou seja, tenha o poder de modificar algum item do decisório. O não enfrentamento de alegação sem nenhuma importância para lide ou o acréscimo de algum esclarecimento que não altera o deslinde desta, não toma, necessariamente, nula a decisão recorrida. Na peça recursal, a recorrente pretende a nulidade da decisão a quo por entender ter faltado motivação. No entanto, não vislumbramos ter ocorrido qualquer omissão na DN que enseje a nulidade, pois, na ausência de impugnação da interessada, apreciou corretamente a legalidade do auto de infração com relação aos aspectos formais. Do prazo para atendimento das intimações O prazo para atendimento de exigências da fiscalização, quando não expressamente previsto na legislação, deve ser compatível com o volume e a complexidade dos documentos requisitados. A exigência de que seja concedido um prazo razoável para atendimento das intimações decorre dos imperativos da boa-fé e da moralidade administrativa que devem nortear a ação do agente estatal. É o que determina o caput do art. 37 da Constituição Federal (CF), bem como o caput e inciso IV do parágrafo único do art. 2° da Lei 9.784;99, in verbis: Art 2° A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: 1- atuação conforme a lei e o Direito; II - atendimento afins de interesse geral, vedada a renúncia total ou parcial de poderes ou competências, salvo autorização em lei; III - objetividade no atendimento do interesse público, vedada a promoção pessoal de agentes ou autoridades; IV - atuação segundo padrões éticos de probidade, decoro e boa-fé; Por seu turno, a jurisprudência deste Tribunal Administrativo já contempla a exigência de um prazo razoável para atendimento das intimações, conforme podemos extrair dos julgados a seguir transcritos: Processo n° 12045.000493/2007-25 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-01.277 Fl. 86 IRPJ — ARBITRAMENTO DE LUCROS — APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS — CONCESSÃO DE PRAZO - Incabível o arbitramento do lucro tributável motivado pela falta de apresentação de livros, documentos e demonstrativos contábeis e fiscais, base para a tributação pelo lucro real, quando o Fisco não concede prazo razoável para o atendimento à intimação que exigia tais elementos. (Acórdão 108-09574) ARBITRAMENTO. VÍCIOS NA ESCRITURAÇÃO DE LIVROS FISCAIS. Cabível o arbitramento do lucro da pessoa jurídica quando comprovado que a autoridade administrativa não tinha alternativa por ocasião da lavratura do Auto de Infração. Feita intimação para que a contribuinte corrija as irregularidades em sua escrita em prazo razoável, não como aceitar a escrita em fase processual administrativa. (Acórdão CSRF/01-05.519) Assim, no caso em concreto há que ser observado se a fiscalização concedeu o prazo previsto na legislação ou que, na ausência de tal previsão, este era razoável para que o sujeito passivo cumprisse o exigido. No caso do autos, entendemos que esse requisito foi cumprido. A recorrente foi intimada em 03/02/2006 a apresentar os documentos a partir de 06/02/2006 e permaneceu inerte e silente até a data da lavratura do auto de infração em 01/03/2006. Foi-lhe concedida, portanto, mais de vinte dias para providenciar aquilo que lhe foi exigido no interesse da fiscalização. Dissemos que permaneceu inerte e silente, pois não há nos autos prova de que houve qualquer manifestação da recorrente afirmando estarem os documentos disponibilizados em sua sede; ou que entregou parcialmente os documentos ou mesmo que pleiteou prazo adicional. Suas alegações apresentadas na peça recursal de que assim teria agido não foram acompanhadas de comprovação, tornando oportuna a lembrança do brocardo jurídico allegatio et non probatio, quasi non allegatio , ou seja, alegar sem provar equivale a não alegar. Tendo ficado comprovado o descumprimento do dever instrumental previsto no art. 32, inciso III, cabível a aplicação da multa prevista no art. 92 da Lei 8.212/91. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER DO RECURSO e NEGAR PROVIMENTO. Sala das Sessões, em 23 de março de 2010 , révf ; • • — e ator 5
score : 1.0
Numero do processo: 10480.903685/2012-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 28 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Oct 13 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 3301-010.663
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, conhecer em parte o recurso voluntário, e na parte conhecida, dar provimento. Vencida a Conselheira Juciléia de Souza Lima que votou por negar provimento ao recurso voluntário, acompanhada pelos Conselheiros Sabrina Coutinho Barbosa e José Adão Vitorino de Morais. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-010.662, de 28 de julho de 2021, prolatado no julgamento do processo 10480.903684/2012-43, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira Presidente Redatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liziane Angelotti Meira (Presidente), Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, José Adão Vitorino de Morais, Sabrina Coutinho Barbosa (Suplente convocada) e Juciléia de Souza Lima (Relatora).
Nome do relator: Wilson Fernandes Guimarães
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Oct 16 09:00:03 UTC 2021
anomes_sessao_s : 202107
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s :
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 13 00:00:00 UTC 2021
numero_processo_s : 10480.903685/2012-98
anomes_publicacao_s : 202110
conteudo_id_s : 6497956
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 14 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 3301-010.663
nome_arquivo_s : Decisao_10480903685201298.PDF
ano_publicacao_s : 2021
nome_relator_s : Wilson Fernandes Guimarães
nome_arquivo_pdf_s : 10480903685201298_6497956.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, conhecer em parte o recurso voluntário, e na parte conhecida, dar provimento. Vencida a Conselheira Juciléia de Souza Lima que votou por negar provimento ao recurso voluntário, acompanhada pelos Conselheiros Sabrina Coutinho Barbosa e José Adão Vitorino de Morais. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-010.662, de 28 de julho de 2021, prolatado no julgamento do processo 10480.903684/2012-43, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liziane Angelotti Meira (Presidente), Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, José Adão Vitorino de Morais, Sabrina Coutinho Barbosa (Suplente convocada) e Juciléia de Souza Lima (Relatora).
dt_sessao_tdt : Wed Jul 28 00:00:00 UTC 2021
id : 9015823
ano_sessao_s : 2021
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:18:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076937419227136
conteudo_txt : Metadados => date: 2021-10-08T18:38:52Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-10-08T18:38:52Z; Last-Modified: 2021-10-08T18:38:52Z; dcterms:modified: 2021-10-08T18:38:52Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2021-10-08T18:38:52Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-10-08T18:38:52Z; meta:save-date: 2021-10-08T18:38:52Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-10-08T18:38:52Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-10-08T18:38:52Z; created: 2021-10-08T18:38:52Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; Creation-Date: 2021-10-08T18:38:52Z; pdf:charsPerPage: 2133; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-10-08T18:38:52Z | Conteúdo => S3-C 3T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10480.903685/2012-98 Recurso Voluntário Acórdão nº 3301-010.663 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28 de julho de 2021 Recorrente VOTORANTIM CIMENTOS N/NE S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 IPI. GLOSA DE CRÉDITOS. INSUMOS ENSEJADORES DE CREDITAMENTO O direito ao crédito do IPI condiciona-se a que esteja compreendido na conceituação de matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem estabelecida no art. 11 da Lei 9.779/99. Assim, ensejam o direito creditório acima as aquisições de coque de petróleo, utilizado como combustível no processo produtivo. INDEFERIMENTO DE DILIGÊNCIA. ARGUIÇÃO DE NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO A realização de diligência depende da convicção do julgador, que pode indeferir, ao seu livre arbítrio, as diligências que entender prescindível, sem que isso gere nulidade do processo. PRECLUSÃO. INOVAÇÃO DE DEFESA. NÃO CONHECIMENTO Considerar-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela manifestante, precluindo o direito de defesa trazido somente no recurso voluntário. O limite da lide circunscreve-se aos termos da Manifestação de Inconformidade. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, conhecer em parte o recurso voluntário, e na parte conhecida, dar provimento. Vencida a Conselheira Juciléia de Souza Lima que votou por negar provimento ao recurso voluntário, acompanhada pelos Conselheiros Sabrina Coutinho Barbosa e José Adão Vitorino de Morais. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301- 010.662, de 28 de julho de 2021, prolatado no julgamento do processo 10480.903684/2012-43, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente Redatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 36 85 /2 01 2- 98 Fl. 275DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-010.663 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.903685/2012-98 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liziane Angelotti Meira (Presidente), Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, José Adão Vitorino de Morais, Sabrina Coutinho Barbosa (Suplente convocada) e Juciléia de Souza Lima (Relatora). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário apresentado pela Recorrente contra o indeferimento parcial do Pedido de Ressarcimento (PER) eletrônico, requerendo ressarcimento de créditos de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que foi objeto de análise pela r. fiscalização através de Relatório Fiscal do Manifestação de Procedimento Fiscal. Entretanto, considerando que as condições para apuração e a utilização do crédito do IPI estão regulamentadas no art. 11 da Lei 9.779/99, foi analisada a escrituração fiscal da Recorrente, ocasião que formulou-se Demonstrativos de créditos acatados e Demonstrativos de créditos não acatados, quando, segundo o entendimento do Ilmo. Fiscal, constatou-se que a maior parte do crédito correspondia à aquisição de coque de petróleo que é utilizado como combustível na indústria do cimento e, que por sua vez, que não se caracterizaria como matéria- prima ou produto intermediário. Daí, não se comprovando a legitimidade do pleito, verifica-se que o indeferimento parcial do direito creditório pleiteado se deveu às glosas das aquisições de coque de petróleo: A Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade contra a decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que considerou improcedente a defesa apresentada pela Recorrente. Entretanto, de início, cabe ressaltar que o litígio se estabeleceu apenas quanto às glosas de créditos referente às aquisições de coque de petróleo, uma vez que a Manifestação de Inconformidade não impugnou quaisquer outra. Por derradeiro, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário perante este Tribunal Administrativo de Recursos Fiscais, em breve síntese, pleiteando: i) Reconhecimento à suspensão da exigibilidade do crédito tributário enquanto pendente estiver o presente recurso administrativo; ii) Requer a conversão do presente julgamento em diligência/perícia técnica; iii) Por último, requer direito de ressarcimento do IPI decorrentes da aquisição de: iii.1) Coque de petróleo; Fl. 276DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-010.663 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.903685/2012-98 iii.2) Parafuso Smidth e CJ; iii.3) Chapa para industrialização do cimento. É o Relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto condutor consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: 1 A dissensão da maioria deste colegiado se prende ao conceito de insumo nos moldes da legislação do IPI para o coque que, neste caso específico em exame nos presentes autos, como material intermediário, se imiscui no produto final, o cimento, pois que, ao se infiltrar na matéria-prima do cimento, o clinquer, torna- se insumo. Confirmando tal fato, extraímos trecho dos seguintes documentos apresentados pela recorrente, constantes dos autos: 1 – RELATÓRIO TÉCNICO 115562-205 elaborado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), em 04/02/2010, pelo seu Centro de Tecnologia de Obras de Infra Estrutura (CT-OBRAS) – e-fls.123-221 : 1 Deixa-se de transcrever o voto do relator, que pode ser consultado no acórdão paradigma desta decisão, transcrevendo o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado. Fl. 277DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-010.663 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.903685/2012-98 Fl. 278DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-010.663 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.903685/2012-98 Fl. 279DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-010.663 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.903685/2012-98 2 - PARECER DE e-fls. 268-311, de autoria de Humberto Ávila : Fl. 280DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-010.663 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.903685/2012-98 3 – LAUDO TÉCNICO DO PROCESSO PRODUTIVO elaborado pela recorrente (e-fls. 312- 318) : Fl. 281DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-010.663 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.903685/2012-98 De todos estes documentos concluí-se que o coque, ao imiscuir- se ao clínquer, e este último, matéria prima essencial á produção do cimento, assume a característica de produto intermediário que acaba sendo consumido no processo produtivo, sendo, portanto, insumo á produção do cimento, sendo gerador de crédito do IPI. Por derradeiro, o Regulamento do IPI (Decreto nº 7.212/2010) assim estabelece : Art. 4 o Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como ( Lei nº 5.172, de 1966, art. 46, parágrafo único , e Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único) : I - a que, exercida sobre matérias-primas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova (transformação); II - a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); Fl. 282DF CARF MF Documento nato-digital http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L5172.htm#art46p http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L5172.htm#art46p http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L4502.htm#art3p http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L4502.htm#art3p Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-010.663 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.903685/2012-98 III - a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem); IV - a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); ou V - a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento). Parágrafo único. São irrelevantes, para caracterizar a operação como industrialização, o processo utilizado para obtenção do produto e a localização e condições das instalações ou equipamentos empregados. Citando a I. Relatora, que em seu voto afirma “A partir do exame da legislação do IPI, através do inciso I do art. 66 do RIPI/79, o qual corresponde aos arts. 82, I, do RIPI/82, 147, I, do RIPI/98, 164, I, do RIPI/2002 e, 226, I do RIPI/2010, por sua vez, menciona que a possibilidade de creditamento decorre da aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos, incluindo-se os insumos que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente da empresa. “ Já o Parecer Normativo da Coordenação do Sistema de Tributação (CST) da Secretaria da Receita Federal definiu que: A partir da vigência do RIPI/79, "ex vi" do inciso I de seu art. 66, geram direito ao crédito ali referido, além dos que se integram ao produto final (matérias-primas e produtos intermediários "stricto sensu", e material de embalagem), quaisquer outros bens, desde que não contabilizados pelo contribuinte em seu ativo permanente, que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas. Inadmissível a retroação de tal entendimento aos fatos ocorridos na vigência do RIPI/72 que continuam a se subsumir ao exposto no PN CST nº 181/74. O art. 25 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, com a redação que lhe foi dada pela alteração 8ª do art. 2º do Decreto-lei nº 34, de 18 de novembro de 1966, repetida ipsis verbis pelo art. 1º do Decreto-lei nº 1.136, de 07 de dezembro de 1970, dispõe: "Art. 25. A importância a recolher será o montante do imposto relativo aos produtos saídos do estabelecimento, em cada mês, diminuído do montante do imposto relativo aos produtos nele entrados, no mesmo período, obedecidas as especificações e normas que o regulamento estabelecer." Fl. 283DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3301-010.663 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.903685/2012-98 Como se vê, trata-se de norma não auto-aplicável, de vez que ficou atribuído ao regulamento especificar os produtos entrados que geram o direito à subtração do montante de IPI a recolher. Diante disto, ressalte-se serem ex nunc os efeitos decorrentes da entrada em vigência do inciso I do art. 66 do RIPI/79, ou seja, usando da atribuição que lhe foi conferida em lei, o novo Regulamento estabeleceu as normas e especificações que a partir daquela data passaram a reger a matéria, não se tratando, como há quem entenda, de disposição interpretativa e, por via de conseqüência, retroativa, somente sendo, portanto, aplicável a norma em análise, a seguir transcrita, aos fatos ocorridos a partir da vigência do RIPI/79: "Art. 66. Os estabelecimentos industriais e os que lhe são equiparados, poderão creditar-se (Lei nº 4.502/64, arts. 25 a 30 e Decreto-lei nº 3.466, art. 2º, alt. 8ª): I - do imposto relativo a matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo-se, entre as matérias-primas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando no novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente." Note-se que o dispositivo está subdividido em duas partes, a primeira referindo- se às matérias-primas, aos produtos intermediários e ao material de embalagem; a segunda relacionada às matérias-primas e aos produtos intermediários que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização. Observe-se, ainda, que enquanto na primeira parte da norma "matérias-primas" e "produtos intermediários" são empregados stricto sensu, a segunda usa tais expressões em seu sentido lato: quaisquer bens que, embora não se integrando ao produto em fabricação se consumam na operação de industrialização. Assim, somente geram o direito ao crédito os produtos que se integrem ao novo produto fabricado e os que, embora não se integrando, sejam consumidos no processo de fabricação, ficando definitivamente excluídos aqueles que não se integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização. No que diz respeito à primeira parte da norma, que se refere a matérias-primas e produtos intermediários stricto sensu, ou seja, bens dos quais, através de quaisquer das operações de industrialização enumeradas no Regulamento, resulta diretamente um novo produto, tais como, exemplificativamente, a madeira com relação a um móvel ou o papel com referência a um livro, nada há que se comentar de vez que o direito ao crédito, diferentemente do que ocorre com os referidos na segunda parte, além de não se vincular a qualquer requisito, não sofreu alteração com relação aos dispositivos constantes dos regulamentos anteriores. Todavia, relativamente aos produtos referidos na segunda parte, matérias- primas e produtos intermediários entendidos em sentido amplo, ou seja, aqueles que embora não sofram as referidas operações são nelas utilizados, se consumindo em virtude de contato físico com o produto em fabricação, tais Fl. 284DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3301-010.663 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.903685/2012-98 como lixas, lâminas de serra e catalisadores, além da ressalva de não gerarem o direito se compreendidos no ativo permanente, exige-se uma série de considerações. No que se refere a matérias-primas e produtos intermediários stricto sensu, ou seja, bens dos quais, através de quaisquer das operações de industrialização enumeradas no Regulamento, resulta diretamente um novo produto, tais como, exemplificativamente, a madeira com relação a um móvel ou o papel com referência a um livro, nada há que se comentar de vez que o direito ao crédito. Contudo, com relação a matérias-primas e produtos intermediários entendidos em sentido amplo, ou seja, aqueles que embora não sofram as referidas operações são nelas utilizados, se consumindo em virtude de contato físico com o produto em fabricação, tais como lixas, lâminas de serra e catalisadores, além da ressalva de não gerarem o direito se compreendidos no ativo permanente, exige-se uma série de considerações. Há quem entenda, tendo em vista a ressalva de não gerarem direito a crédito os produtos compreendidos entre os bens do ativo permanente, que automaticamente gerariam o direito ao crédito os produtos não inseridos naquele grupo de contas, ou seja, que a norma em questão teria adotado como critério distintivo, para efeito de admitir ou não o crédito, o tratamento contábil emprestado ao bem. Entretanto, uma simples análise lógica do dispositivo já demonstra a improcedência do argumento, de vez que, consoante regra fundamental de lógica formal, de uma premissa negativa (os produtos ativados permanentemente não gerarem o direito) somente conclui-se por uma negativa, não podendo, portanto, em função de tal premissa, ser afirmativa a conclusão, ou seja, no caso, a de que os bens não ativados permanentemente geram o direito de crédito. No caso, entretanto, a própria análise histórica da norma desmente esta acepção, de vez que a expressão "incluindo-se, entre as matérias-primas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando no novo produto, forem consumidos no processo de industrialização" é justamente a única que consta de todos os dispositivos anteriores ao RIPI/2010 (inciso I do art. 27 do Decreto nº 56.791/65, inciso I do art. 30 do Decreto nº 61.514/67 e inciso I do art. 32 do Decreto nº 70.162/72), o que equivale a dizer que foi sempre em função dela que se fez a distinção entre os bens que, não sendo matérias-primas nem produtos intermediários stricto sensu, geram ou não direito ao crédito, isto é, segundo todos estes dispositivos, geravam o direito os produtos que, embora não se integrando no novo produto, fossem consumidos no processo de industrialização. A norma constante do direito anterior (inciso I do art. 32 do Decreto nº 70.162/72), todavia, restringia o alcance do dispositivo, dispondo que o consumo do produto, para que se aperfeiçoasse o direito ao crédito, deveria se dar imediata e integralmente. O dispositivo constante do inciso I do art. 66 do RIPI/79, por sua vez, deixou de registrar tal restrição, acrescentando, a título de inovação, a parte final referente à contabilização no ativo permanente. Fl. 285DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 3301-010.663 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.903685/2012-98 Como se vê, o que mudou não foi o critério, que continua sendo o do consumo do bem no processo industrial, mas a restrição a este. Resume-se, portanto, o problema na determinação do que se deva entender como produtos "que, embora não se integrando no novo produto, forem consumidos, no processo de industrialização", para efeito de reconhecimento ou não do direito ao crédito. Como o texto do Parecer Normativo afirma que "incluindo-se entre as matérias- primas e os produtos intermediários", é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matérias-primas e os produtos intermediários stricto sensu, semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida. A expressão "consumidos", sobretudo levando-se em conta que as restrições "imediata e integralmente", constantes do dispositivo correspondente do Regulamento anterior, foram omitidas, há de ser entendida em sentido amplo, abrangendo, exemplificativamente, o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o insumo. Passam, portanto, a fazer jus ao crédito, distintamente do que ocorria em face da norma anterior, as ferramentas manuais e as intermutáveis, bem como quaisquer outros bens que, não sendo partes nem peças de máquinas, independentemente de suas qualificações tecnológicas, se enquadrem no que ficou exposto (se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida). Note-se, ainda, que a expressão "compreendidos no ativo permanente" deve ser entendida faticamente, isto é, a inclusão ou não dos bens, pelo contribuinte, naquele grupo de contas deve ser juris tantum aceita como legítima, somente passível de impugnação para fins de reconhecimento, ou não, do direito ao crédito quando em desrespeito aos princípios contábeis geralmente aceitos. Em resumo, geram o direito ao crédito, além dos que se integram ao produto final (matérias-primas e produtos intermediários, stricto sensu, e material de embalagem), quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou, vice-versa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, desde que não devam, em face de princípios contábeis geralmente aceitos, ser incluídos no ativo permanente. Não havendo tais alterações, ou havendo em função de ações exercidas indiretamente, ainda que se dêem rapidamente e mesmo que os produtos não estejam compreendidos no ativo permanente, inexiste o direito ao crédito. Por todo o exposto, o coque, ao integrar-se ao produto final em exame (cimento) gera direito ao crédito do IPI. Fl. 286DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 3301-010.663 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.903685/2012-98 CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de conhecer em parte o recurso voluntário, e na parte conhecida, dar provimento. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente Redatora Fl. 287DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 18050.003176/2008-59
Data da sessão: Tue Nov 17 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Tue Jan 12 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/03/1993 a 31/12/1998
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL.
Falta ou deficiência quanto ao fundamento da autuação configura vício de natureza material.
Numero da decisão: 9202-009.227
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(documento assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Joao Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Marcelo Milton da Silva Risso (suplente convocado(a)), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício),
Nome do relator: Pedro Paulo Pereira Barbosa
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 202011
ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/1993 a 31/12/1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. Falta ou deficiência quanto ao fundamento da autuação configura vício de natureza material.
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 12 00:00:00 UTC 2021
numero_processo_s : 18050.003176/2008-59
anomes_publicacao_s : 202101
conteudo_id_s : 6317313
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jan 13 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 9202-009.227
nome_arquivo_s : Decisao_18050003176200859.PDF
ano_publicacao_s : 2021
nome_relator_s : Pedro Paulo Pereira Barbosa
nome_arquivo_pdf_s : 18050003176200859_6317313.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Joao Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Marcelo Milton da Silva Risso (suplente convocado(a)), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício),
dt_sessao_tdt : Tue Nov 17 00:00:00 UTC 2020
id : 8623630
ano_sessao_s : 2020
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:17:42 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076937423421440
conteudo_txt : Metadados => date: 2020-12-23T14:53:38Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2020-12-23T14:53:38Z; Last-Modified: 2020-12-23T14:53:38Z; dcterms:modified: 2020-12-23T14:53:38Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2020-12-23T14:53:38Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2020-12-23T14:53:38Z; meta:save-date: 2020-12-23T14:53:38Z; pdf:encrypted: true; modified: 2020-12-23T14:53:38Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2020-12-23T14:53:38Z; created: 2020-12-23T14:53:38Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2020-12-23T14:53:38Z; pdf:charsPerPage: 1981; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2020-12-23T14:53:38Z | Conteúdo => CSRF-T2 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 18050.003176/2008-59 Recurso Especial do Procurador Acórdão nº 9202-009.227 – CSRF / 2ª Turma Sessão de 17 de novembro de 2020 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado PRAIA OCEÂNICA HOTEL LTDA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/1993 a 31/12/1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. Falta ou deficiência quanto ao fundamento da autuação configura vício de natureza material. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Joao Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Marcelo Milton da Silva Risso (suplente convocado(a)), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício), Relatório Cuida-se de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 2401-02.222, proferido na Sessão de 19 de janeiro de 2012, que declarou a nulidade do lançamento por vício material, nos termos do dispositivo a seguir reproduzido: ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, declarar a decadência até a competência 08/1998. II) Por maioria de votos anular o lançamento por vício material. Vencida a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que declarava a nulidade por vício formal. Designado para redigir o voto vencedor o(a) Conselheiro(a) Kleber Ferreira de Araújo. O Acórdão foi assim ementado: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 31 76 /2 00 8- 59 Fl. 369DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9202-009.227 - CSRF/2ª Turma Processo nº 18050.003176/2008-59 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/1993 a 31/12/1998 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO AFERIÇÃO INDIRETA RAIS NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS AUSÊNCIA DE CARACTERIZAÇÃO DA SUCESSÃO Não logrou êxito o auditor em demonstrar a aquisição de fundo de comércio, para que possa se possa determinar a existência de sucessão. Competiria ao auditor apresentar os elementos de prova, sendo que a ausência dos mesmos implica nulidade do lançamento. RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. OMISSÕES. VÍCIO MATERIAL. NULIDADE. É nulo, por vício material, o Relatório Fiscal que não demonstra de forma clara e precisa todas as circunstâncias em que ocorreram os fatos geradores, bem como, os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito tributário, de forma a possibilitar ao contribuinte o pleno direito à ampla defesa e ao contraditório. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO PERÍODO ATINGINDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL SÚMULA VINCULANTE STF. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: “Súmula Vinculante nº 8“ - São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””. Tratando-se de apuração de diferenças por aferição indireta, a decadência deve ser apreciada a luz do art. 150, § 4º do CTN. RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. OMISSÕES. VÍCIO MATERIAL. NULIDADE. É nulo, por vício material, o Relatório Fiscal que não demonstra de forma clara e precisa todas as circunstâncias em que ocorreram os fatos geradores, bem como, os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito tributário, de forma a possibilitar ao contribuinte o pleno direito à ampla defesa e ao contraditório. Segundo o despacho de admissibilidade, o recurso visava rediscutir três matérias, tendo dado seguimento ao recurso apenas em relação à terceira, que cuida da definição da natureza do vício, se formal ou material. Em suas razões recursais a Fazenda Nacional aduz, em síntese, quanto à matéria que teve seguimento, que a suposta ausência de clareza na descrição do fato gerador gera nulidade por vício formal, que nessa linha é a jurisprudência de Leandro Paulsen, para quem os vícios formais são aqueles atinentes ao procedimento e ao documento que tenha formalizado a existência do crédito tributário. Vícios materiais são os relacionados à validade e à incidência da lei. O contribuinte não apresentou Contrarrazões. É o relatório. Voto Fl. 370DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9202-009.227 - CSRF/2ª Turma Processo nº 18050.003176/2008-59 Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Dele conheço. Quanto ao mérito, como se colhe do Relatório, a matéria devolvida ao Colegiado é a natureza do vício que ensejou a nulidade do lançamento, se formal ou material. O Acórdão recorrido declarou a nulidade do lançamento por vício material, ponto contra o qual se insurge a Fazenda Nacional, que propugna pela declaração do vício como sendo formal. Para maior clareza, faço breve resumo dos fatos. O lançamento foi realizado na contribuinte Praia Oceânica Hotel Ltda. na qualidade de responsável tributário por sucessão, conforme se constata do seguinte trecho do Relatório Fiscal: 8. Detectamos a existência de três empresas no mesmo endereço da Praia Oceânica Hotel e com mesmo ramo de atividade, as duas mais recentes (Nautipesca e Carvalho Tourinho) totalmente ativas perante a Junta Comercial da Bahia-JUCEB, enquanto a 1-4 (Ondina Plaza Hotel) foi extinta, há apenas 3 anos, em 13.07.00, em anexo. 9. Primeiramente, reza o Código Tributário Nacional (CTN (Lei n° 5.172, de 25/10/66), em seu Capitulo V . (Responsabilidade Tributária), Seção II (Responsabilidade dos Sucessores): 10. Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer titulo, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até a data do ato: I - integralmente, se o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade; II - subsidiariamente com o alienante, se este prosseguir na exploração ou iniciar dentro de 6 (seis) meses, a contar da data da alienação, nova atividade no mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão. 11. Portanto, as condições em que ocorreram a sucessão preenchem os requisitos legais da responsabilidade tributária de sucessores, comprovada pela existência do liame necessário entre as quatro empresas, quais sejam: 11.1. A Praia Oceânica Hotel ocupa o endereço anteriormente ocupado pelas empresas sucedidas, motivo pelo qual não mais se encontram as sucedidas em atividade de fato. 11.2. 0 ramo de atividade explorado pelas quatro empresas é exatamente o mesmo, além disso, o nome fantasiar utilizado pelas duas primeiras empresas, também, é o mesmo: Ondina Plaza Hotel, conforme cartões CNPJ (anexos). 11.2.1 . Estes dois elementos: a) aquisição, por qualquer titulo, de fundo de comércio; e b) continuidade de exploração da atividade; já satisfazem o disposto no art. 133 do CTN, para caracterizar a Sucessão comercial e a responsabilidade tributária. 11.3. A data de constituição das 04 empresas obedece a uma ordem cronológica, conforme cartões CNPJ e extratos da JUCEB em anexo. 11.4. 0 ex-sócio-gerente da Nautipesca, Sr. Luciano Benjamin Tourinho, é o atual da Praia Oceânica, conforme 2ª alteração contratual registrada na JUCEB em 22.11702; em anexo. Fl. 371DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9202-009.227 - CSRF/2ª Turma Processo nº 18050.003176/2008-59 11.5. 0 ex-empregado da Nautipesca, Sr. Antônio Carlos Santos_Barnabé é, - atualmente, sócio-cotista da Praia Oceânica, conforme contrato social registrado na JUCEB em 22.11.02, em anexo. 11.6. Constatamos, através dos extratos das, RAIS pertinentes às empresas sucedidas, folhas de pagamento e Carteiras de Trabalho dos empregados da Praia Oceânica (anexos), a migração de empregados de uma empresa para outra: • José Baqueiro Duran • Gilvane Cordeiro Ferreira • Claudia Chaves Lago • Cláudio Augusto de Jesus Ramos • Derenilson Januário dos Santos, • Eugênia Santos da Rochà- • Gilmar Melo Pacheco • Renhida dos Santos de Santana 11.7. Outra constatação foi o fato da linha telefônica da Nautipesca 245-8158 ser a mesma da Praia Oceânica Hotel. 12. Em resumo, além dos elementos formais, a presente sucessão está caracterizada pelos seguintes elementos de fato: • Mesma atividade e mesmo endereço do antecessor; • Manutenção parcial dos empregados; e • Mesmas instalações. Analisando esses fatos e os elementos probatórios disponíveis, o Acórdão recorrido, após transcrever os fundamentos da autuação sobre o ponto, assim se manifestou: Voto vencido: Contudo, entendo que ditas considerações por si só não foram capazes de demonstrar a existência da sucessão, visto que não logrou êxito o auditor em demonstrar a efetiva aquisição do negócio, diga-se “fundo de comércio”. Ressalte-se que não estou a dizer que inexiste sucessão, mas para responsabilizar a empresa ora notificada, compete ao auditor apresentar os elementos de prova. Note-se, que até mesmo o julgador de primeira instância, requereu esclarecimentos do auditor notificante, acerca dos elementos apresentados em sede de impugnação, requerendo manifestação conclusiva da referida autoridade, fls. 211 e 217. Observa-se que a primeira informação prestada diz respeito basicamente a defesa apresentada ao TIAD, sendo após dita manifestação, até porque não emitido parecer conclusivo acerca dos documentos apresentados, encaminhou novamente a autoridade julgadora o processo para manifestação com reiteração de manifestação conclusiva, que diga-se nunca ocorreu. Fosse evidente, a caracterização de sucessão, não teria a autoridade julgadora baixado e reiterado a manifestação a autoridade fiscal. Mesmo após pairarem dúvidas, razão da conversão em diligência e não tendo a mesmo sido respondida, entendeu a autoridade julgadora que houve a devida caracterização da sucessão, o que não concordo. Importante, destacar, que a autoridade fiscal, até mesmo após receber a defesa ao TIAD, ou seja, de posse de documentos trazidos pela empresa em ação fiscal, de que inexistia sucessão, não buscou ir fundo na caracterização, razão porque entendo que existe um vício que importa na nulidade da parcela remanescente do lançamento. Fl. 372DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 9202-009.227 - CSRF/2ª Turma Processo nº 18050.003176/2008-59 A fiscalização não fez prova de indícios de ocorrência de aquisição do negócio, posto que nulo todo o procedimento. A simples coincidência de logradouro, sem demonstração de venda não é capaz, no meu entender de demonstrar a sucessão. É pertinente também destacar, que entendo que a nulidade que alcança os levantamentos acima descritos é formal, visto não ter o auditor formalizado da maneira devida a sucessão. O voto vencedor, por sua vez, valendo-se das mesmas considerações do voto vencido, concluiu que o vício é material. Pois bem, concordo com as conclusões do voto vencedor de que o vício descrito pelo voto vencido, e aqui sem discutir o mérito sobre aquelas considerações, é material. Fala-se ali na ausência de prova da sucessão e não de aspectos formais da descrição dos fatos. A questão, portanto, é de fundamento, e não de fundamentação. Vício formal é aquele em que a mácula está no documento que formalizou a exigência, em elementos formais, em deficiência, por exemplo, na fundamentação, vícios que podem ser sanado com a mera repetição do ato, com a supressão dessas deficiência, o que não acontece quando o vício está na falta ou deficiência no próprio fundamento, como falta ou insuficiência de prova, vício cuja reparação demanda a introdução no processo de novos elementos. Dito isso, é fácil perceber que no presente caso o vício não é de natureza formal quando se imagina a possibilidade de repetição do lançamento com fundamento no art. 173, II do CTN, com a eliminação do vício. Seria impossível fazê-lo com a mera alteração do instrumento de autuação. Ter-se-ia, necessariamente, que apresentar elementos adicionais de prova, pois, como se disse, é de falta de prova que se trata. Ante o exposto, conheço do Recurso Especial da Procuradoria e, no mérito, nego- lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 373DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 17546.001217/2007-57
Data da sessão: Thu Apr 29 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 01/12/1998
Ementa: DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vineulante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2301-001.435
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201004
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 01/12/1998 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vineulante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado.
numero_processo_s : 17546.001217/2007-57
conteudo_id_s : 6236408
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 20 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 2301-001.435
nome_arquivo_s : Decisao_17546001217200757.pdf
nome_relator_s : JULIO CESAR VIEIRA GOMES
nome_arquivo_pdf_s : 17546001217200757_6236408.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator
dt_sessao_tdt : Thu Apr 29 00:00:00 UTC 2010
id : 8365081
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:17:20 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076937426567168
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-09-01T16:43:46Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-09-01T16:43:46Z; Last-Modified: 2010-09-01T16:43:46Z; dcterms:modified: 2010-09-01T16:43:46Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:3e056e45-9457-417f-9824-a0491b73862d; Last-Save-Date: 2010-09-01T16:43:46Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-09-01T16:43:46Z; meta:save-date: 2010-09-01T16:43:46Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-09-01T16:43:46Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-09-01T16:43:46Z; created: 2010-09-01T16:43:46Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 2; Creation-Date: 2010-09-01T16:43:46Z; pdf:charsPerPage: 1808; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-09-01T16:43:46Z | Conteúdo => S2-C3T 1 Fl 1 ..i ..j .k2k?, MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAISm,,. .4......- SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" I 7546,001.217/2007-57 Recurso n" 272,265 Voluntário Acórdão n" 2301-01435 — 3" Câmara / 1" Turma Ordinária Sessão de 29 de abril de 2010 Matéria DECADÊNCIA Recorrente JOHNSON E JOHNSON PRODS PROF E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 01/12/1998 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vineulante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3" Câmara / 1" Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. No presente julgamento foi adotado o procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, regulamentado pela Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos.. Ressaltase que no campo "Data do fato gerador:" foi apresentada a competência de ocorrência ido fat6 ' erador. mais recente do lançamento. A data de 20/12 corresponde ao décimo te?ceiri \ L''''\ W w_\\ .... , .JULIO MAR L.V iIRA GOMES — Presidente e Relator„ . ' Participara\Vi do presente julgamento, os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Edgar Silva Vidal (suplente), Damião Cordeiro de Moraes e Julio Cesar Vieira Gomes (presidente), i Relatório Adotou-se no julgamento do presente recurso o procedimento previsto na Portaria CAIU n° 83, de 24/09/2009 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos. Dessa forma, a solução que foi adotada no julgamento do recurso-padrão, abaixo discriminado, foi aplicada a este recurso e a todos os demais repetitivos, conforme divulgado através da pauta de julgamento: No julgamento dos itens 59 (recurso-padrão) e 60 a 104 (demais recursos repetitivos) será adotado o procedimento previsto na Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 DOU de 29/09/2009, tendo como idêntica questão de direito a aplicação da Súmula Vinculante n° 08 do STF, de 12/06/2008. 59 - Recurso- 264191 Tipo. RV Processo.- 11330.000468/2007- 63 Recorrente . INPM, SÃ INDUSTRIAS OUIMICAS Recorrida DR' NO RIO DE JANEIRO I - RJ Matéria . CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a) O julgamento do recurso-padrão acima resultou o Acórdão n" 2301-01.406, É o relatório, Voto Conselheiro JULIO CESAR VIEIRA COMES, Relatou Sendo tempestivo, conheço do recurso. Confrontando-se a data da ciência do lançamento, 20/12/2006, com os relatórios preparados pela fiscalização, contata-se que todo o período objeto do lançamento está integralmente alcançado pela decadência, independentemente da regra aplicável, artigo 173, I ou artigo 150, §40 do CTN; motivo pelo qual adoto a decisão proferida no recurso- padrão, conforme relatório acima. Assim, voto pelo provimento do recurso. É como voto. Sala das SeSSões,.b 29 de abril de 2010. , , . .4 JULIO CESAR VIEIRA GOMES - Relator 2
score : 1.0
Numero do processo: 10215.720143/2007-54
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2006
NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendo-se,
então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentação de documentos e esclarecimentos.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. A COMPETÊNCIA PARA O AUDITOR-FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL LANÇAR TRIBUTOS FEDERAIS INDEPENDE DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF.
IMPOSSIBILIDADE DE CARACTERIZAÇÃO DE NULIDADE DO LANÇAMENTO.
A autoridade fiscal tem competência fixada em lei para lavrar o Auto de Infração. Na falta de cumprimento de norma administrativa a referida autoridade fica sujeita, se for o caso, a punição administrativa, mas o ato produzido continua válido e eficaz.
GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS OU DIREITOS.
INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL SOCIAL. INCIDÊNCIA DE
IMPOSTO DE RENDA.
Está sujeito ao imposto de renda o ganho de capital auferido na alienação de
bens a qualquer título, inclusive aqueles utilizados para integralização de
capital social em empresa, posto que esta operação se caracteriza como uma
alienação. Assim, se a avaliação dos bens integralizados é superior à
constante na declaração de bens da pessoa física, verifica-se
a ocorrência de
ganho de capital.
GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS OU DIREITOS.
ALIENAÇÃO A QUALQUER TÍTULO PARA FINS FISCAIS.
Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou
promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por
compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento,
procuração em causa própria, promessa de compra e venda de direitos ou
promessa de cessão de direitos e contratos afins.
GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS OU DIREITOS POR
PESSOAS FÍSICAS. INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA.
TRIBUTAÇÃO DEFINITIVA.
O lucro apurado na alienação, a qualquer título, de bens ou direitos de
qualquer natureza, deve ser considerado ganho de capital. Os ganhos serão
apurados no mês em que forem auferidos e tributados em separado, não
integrando a base de cálculo do imposto na declaração de rendimentos, e o
valor do imposto pago não poderá ser deduzido do devido na declaração.
GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS OU DIREITOS.
COMPROVAÇÃO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO.
O valor de aquisição do bem ou direito para apuração do ganho de capital
deverá ser comprovado com documentação hábil e idônea, usual para o tipo
de operação de que houver resultado a aquisição.
ESCRITURA PÚBLICA DE INCORPORAÇÃO DE BENS IMÓVEIS AO
PATRIMÔNIO DE SOCIEDADE COMERCIAL. INTEGRALIZAÇÃO DE
CAPITAL SOCIAL ATRAVÉS DA ENTREGA DE BENS IMÓVEIS.
DOCUMENTO PÚBLICO. VALIDADE.
Somente deixa de prevalecer à data, forma e valor da alienação constante da
escritura pública de incorporação de bens imóveis ao patrimônio de
sociedade comercial, para os efeitos fiscais, quando restar comprovado de
maneira inequívoca que o teor contratual da escritura não foi cumprido ou
não corresponde com a realidade, circunstância em que a fé pública do citado
ato cede à prova de que a integralização de capital social deuse
de forma
diversa.
INFORMAÇÃO E COMPROVAÇÃO DOS DADOS CONSTANTES DA
DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. DEVER DO CONTRIBUINTE.
CONFERÊNCIA DOS DADOS INFORMADOS. DEVER DA
AUTORIDADE FISCAL.
É dever do contribuinte informar e, se for o caso, comprovar os dados nos
campos próprios das correspondentes declarações de rendimentos e,
conseqüentemente, calcular e pagar o montante do imposto apurado, por outro lado, cabe a autoridade fiscal o dever da conferência destes dados.
Assim, na ausência de comprovação, por meio de documentação hábil e idônea, dos valores atribuídos aos bens declarados, é dever de a autoridade fiscal efetuar a sua glosa.
Preliminares rejeitadas.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-001.347
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pelo Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. A Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga votou pelas conclusões quanto a preliminar de nulidade do lançamento em função de possíveis irregularidades no Mandado de Procedimento Fiscal – MPF.
Nome do relator: NELSON MALLMAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201108
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendo-se, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentação de documentos e esclarecimentos. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. A COMPETÊNCIA PARA O AUDITOR-FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL LANÇAR TRIBUTOS FEDERAIS INDEPENDE DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. IMPOSSIBILIDADE DE CARACTERIZAÇÃO DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. A autoridade fiscal tem competência fixada em lei para lavrar o Auto de Infração. Na falta de cumprimento de norma administrativa a referida autoridade fica sujeita, se for o caso, a punição administrativa, mas o ato produzido continua válido e eficaz. GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS OU DIREITOS. INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL SOCIAL. INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. Está sujeito ao imposto de renda o ganho de capital auferido na alienação de bens a qualquer título, inclusive aqueles utilizados para integralização de capital social em empresa, posto que esta operação se caracteriza como uma alienação. Assim, se a avaliação dos bens integralizados é superior à constante na declaração de bens da pessoa física, verifica-se a ocorrência de ganho de capital. GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS OU DIREITOS. ALIENAÇÃO A QUALQUER TÍTULO PARA FINS FISCAIS. Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, procuração em causa própria, promessa de compra e venda de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS OU DIREITOS POR PESSOAS FÍSICAS. INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTAÇÃO DEFINITIVA. O lucro apurado na alienação, a qualquer título, de bens ou direitos de qualquer natureza, deve ser considerado ganho de capital. Os ganhos serão apurados no mês em que forem auferidos e tributados em separado, não integrando a base de cálculo do imposto na declaração de rendimentos, e o valor do imposto pago não poderá ser deduzido do devido na declaração. GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS OU DIREITOS. COMPROVAÇÃO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. O valor de aquisição do bem ou direito para apuração do ganho de capital deverá ser comprovado com documentação hábil e idônea, usual para o tipo de operação de que houver resultado a aquisição. ESCRITURA PÚBLICA DE INCORPORAÇÃO DE BENS IMÓVEIS AO PATRIMÔNIO DE SOCIEDADE COMERCIAL. INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL SOCIAL ATRAVÉS DA ENTREGA DE BENS IMÓVEIS. DOCUMENTO PÚBLICO. VALIDADE. Somente deixa de prevalecer à data, forma e valor da alienação constante da escritura pública de incorporação de bens imóveis ao patrimônio de sociedade comercial, para os efeitos fiscais, quando restar comprovado de maneira inequívoca que o teor contratual da escritura não foi cumprido ou não corresponde com a realidade, circunstância em que a fé pública do citado ato cede à prova de que a integralização de capital social deuse de forma diversa. INFORMAÇÃO E COMPROVAÇÃO DOS DADOS CONSTANTES DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. DEVER DO CONTRIBUINTE. CONFERÊNCIA DOS DADOS INFORMADOS. DEVER DA AUTORIDADE FISCAL. É dever do contribuinte informar e, se for o caso, comprovar os dados nos campos próprios das correspondentes declarações de rendimentos e, conseqüentemente, calcular e pagar o montante do imposto apurado, por outro lado, cabe a autoridade fiscal o dever da conferência destes dados. Assim, na ausência de comprovação, por meio de documentação hábil e idônea, dos valores atribuídos aos bens declarados, é dever de a autoridade fiscal efetuar a sua glosa. Preliminares rejeitadas. Recurso negado.
numero_processo_s : 10215.720143/2007-54
conteudo_id_s : 6155630
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 2202-001.347
nome_arquivo_s : Decisao_10215720143200754.pdf
nome_relator_s : NELSON MALLMAN
nome_arquivo_pdf_s : 10215720143200754_6155630.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pelo Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. A Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga votou pelas conclusões quanto a preliminar de nulidade do lançamento em função de possíveis irregularidades no Mandado de Procedimento Fiscal – MPF.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
id : 8152974
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:16:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076937428664320
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2128; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10215.720143/200754 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 220201.347 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de agosto de 2011 Matéria IRPF GANHO DE CAPITAL Recorrente LUIZ FRANCISCO FELTRIM Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendose, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentação de documentos e esclarecimentos. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. A COMPETÊNCIA PARA O AUDITORFISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL LANÇAR TRIBUTOS FEDERAIS INDEPENDE DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. IMPOSSIBILIDADE DE CARACTERIZAÇÃO DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. A autoridade fiscal tem competência fixada em lei para lavrar o Auto de Infração. Na falta de cumprimento de norma administrativa a referida autoridade fica sujeita, se for o caso, a punição administrativa, mas o ato produzido continua válido e eficaz. GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS OU DIREITOS. INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL SOCIAL. INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. Está sujeito ao imposto de renda o ganho de capital auferido na alienação de bens a qualquer título, inclusive aqueles utilizados para integralização de capital social em empresa, posto que esta operação se caracteriza como uma alienação. Assim, se a avaliação dos bens integralizados é superior à constante na declaração de bens da pessoa física, verificase a ocorrência de ganho de capital. GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS OU DIREITOS. ALIENAÇÃO A QUALQUER TÍTULO PARA FINS FISCAIS. Fl. 194DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN 2 Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, procuração em causa própria, promessa de compra e venda de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS OU DIREITOS POR PESSOAS FÍSICAS. INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTAÇÃO DEFINITIVA. O lucro apurado na alienação, a qualquer título, de bens ou direitos de qualquer natureza, deve ser considerado ganho de capital. Os ganhos serão apurados no mês em que forem auferidos e tributados em separado, não integrando a base de cálculo do imposto na declaração de rendimentos, e o valor do imposto pago não poderá ser deduzido do devido na declaração. GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS OU DIREITOS. COMPROVAÇÃO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. O valor de aquisição do bem ou direito para apuração do ganho de capital deverá ser comprovado com documentação hábil e idônea, usual para o tipo de operação de que houver resultado a aquisição. ESCRITURA PÚBLICA DE INCORPORAÇÃO DE BENS IMÓVEIS AO PATRIMÔNIO DE SOCIEDADE COMERCIAL. INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL SOCIAL ATRAVÉS DA ENTREGA DE BENS IMÓVEIS. DOCUMENTO PÚBLICO. VALIDADE. Somente deixa de prevalecer à data, forma e valor da alienação constante da escritura pública de incorporação de bens imóveis ao patrimônio de sociedade comercial, para os efeitos fiscais, quando restar comprovado de maneira inequívoca que o teor contratual da escritura não foi cumprido ou não corresponde com a realidade, circunstância em que a fé pública do citado ato cede à prova de que a integralização de capital social deuse de forma diversa. INFORMAÇÃO E COMPROVAÇÃO DOS DADOS CONSTANTES DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. DEVER DO CONTRIBUINTE. CONFERÊNCIA DOS DADOS INFORMADOS. DEVER DA AUTORIDADE FISCAL. É dever do contribuinte informar e, se for o caso, comprovar os dados nos campos próprios das correspondentes declarações de rendimentos e, conseqüentemente, calcular e pagar o montante do imposto apurado, por outro lado, cabe a autoridade fiscal o dever da conferência destes dados. Assim, na ausência de comprovação, por meio de documentação hábil e idônea, dos valores atribuídos aos bens declarados, é dever de a autoridade fiscal efetuar a sua glosa. Preliminares rejeitadas. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 195DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 10215.720143/200754 Acórdão n.º 220201.347 S2C2T2 Fl. 2 3 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pelo Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. A Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga votou pelas conclusões quanto a preliminar de nulidade do lançamento em função de possíveis irregularidades no Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Odmir Fernandes, Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 196DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN 4 Relatório LUIZ FRANCISCO FELTRIM, contribuinte inscrito no CPF/MF 004.710.10839, com domicílio fiscal na cidade de Itaituba, Estado do Pará, à Rua Dr. Hugo de Medeiros, nº 376, Bairro Centro, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santarém PA, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 172/178, prolatada pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém PA, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 169/170. Contra o contribuinte acima mencionado foi lavrado, em 23/10/2007, Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 96/102), com ciência através de AR, em 29/10/2007 (fls. 110), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 313.711,24 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de Imposto de Renda sobre Ganhos de Capital, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do imposto de renda incidente sobre os ganhos de capital na alienação de bens e direitos, relativo ao exercício de 2006, correspondente ao anocalendário de 2005, fato gerador 31/08/2005. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização de revisão de Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício de 2006, onde a autoridade lançadora entendeu haver omissão de ganhos de capital obtidos na alienação de bens e direitos Infração capitulada nos artigos 1º, 2°, 3º e §§, 16, 18 a 22, da Lei n° 7.713, de 1988; artigos 1° e 2º, da Lei n° 8.134, de 1990; artigos 7º, 21 e 22, da Lei n° 8.981, de 1995; artigos 17, 23 e §§, da Lei n ° 9.249, de 1995; artigos 22 a 24, da Lei n ° 9.250, de 1995 e artigos 16, 17 e §§, da Lei n°9.532, de 1997; O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela constituição do crédito tributário lançado esclarece, ainda, através do Termo de Verificação Fiscal de fls. 103/109, entre outros, os seguintes aspectos: que, inicialmente, foi feito diligência na empresa Jotan Táxi Aéreo Ltda., CNPJ 151.056/2007, para verificar a forma de aumento de capital realizada por essa empresa, que apresentou cópia do contrato social (fls. 61/81, e cópias das escrituras das fazendas Iriri I, Iriri II e Iriri III (fls. 82/93), no instrumento constitutivo da Jotan consta que o aumento de capital se deu por meio de integralização de capital efetuada por um dos sócios, o sujeito passivo objeto desta ação fiscal, com três fazendas que são: fazendas Iriri I, Iriri II e Iriri III, no valor de R$ 522.000,00, cada uma, no total de 1.566.000,00; que nas Certidões de Registro de Imóveis (fls. 85, 89 e 93), constam que a empresa Jotan Táxi Aéreo Ltda. adquiriu as três fazendas anteriormente citadas por incorporação cedido pelo Sr. Luiz Francisco Feltrim, sujeito passivo desta ação fiscal, na realidade como fica demonstrado no contrato social da empresa acima mencionada, fl. 61, "...foi adquirido pela Empresa JOTAN TAXI AÉREO LTDA., PESSOA JURÍDICA, (...) por Incorporação cedido pelo Sr. LUIZ FRANCISCO FELTRIM, acima já qualificado, ...", o que de fato ocorreu foi integralização de capital na empresa Jotan Táxi Aéreo Ltda. pelo Sr. Luiz Francisco Fe!trim, conforme consta na Reformulação do Contrato Social dessa empresa, fl. 61, que era de R$ 120.000,00, e passou a ter o capital social no valor de R$ 1.890.000,00, sendo Fl. 197DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 10215.720143/200754 Acórdão n.º 220201.347 S2C2T2 Fl. 3 5 que R$ 1.770.000,00 é representado pelas fazendas Iriri I, Iriri II e Iriri III, cada uma avaliada em R$ 590.000,00; que ressalto que esse valor de R$ 590.000,00 de cada fazenda não está de acordo com a Registro de Imóveis cujo valor é de R$ 522.000,00, dessa forma a diferença entre o valor constante do registro de imóveis e o constante no contrato social R$ 68.000,00 para cada fazenda não possui documento de suporte; que como não foi informado na declaração de imposto de. renda do sujeito passivo referente ao ano calendário de 2005 nenhum ganho de capital, ele foi intimado, termo de intimação fiscal 485/2007 (fls. 47/48), a informar se apurou o referido ganho de capital decorrente dessa integralização, em resposta, fls. 50, ele informou que não apurou ganho de capital nem recolheu o imposto de renda devido; que a integralização de capital, seja para formação ou aumento, em pessoas jurídicas pode se dar mediante a transferência de bens e direitos; que esses bens e direitos podem ser transferidos pelo valor constante na declaração de bens, que deve coincidir com o custo de aquisição, ou pelo valor de mercado, porém se a transferência for pelo valor de mercado a diferença deve ser tributada como ganho de capital, conforme determina o art. 23 da Lei nº 9.249/95; que o contribuinte lavrou a escritura de compra das três fazendas, Iriri I, Iriri II e Iriri III, fls. 83, 87 e 91, em 06/04/1990, onde consta o preço de aquisição, NCz$ 150.000,00 (cento e cinqüenta mil cruzados novos) e como estabelece o art. 70 da IN SRF 84/2001, esses imóveis têm o valor de custo atualizados até 31/12/1995 de R$ 4.505,02 cada um que foi obtido dividindo se o valor em cruzados novos pelo índice constante no anexo único da IN SRF 84/2001 (NCz$ 150.000,00 dividido por 33,296); que conforme consta no contrato social as fazendas anteriormente mencionadas foram transferidas a Jotan Táxi Aéreo Ltda., pelo valor de R$ 590.000,00, cada uma das fazendas, perfazendo o total de R$ 1.566.000,00, o que representa um aumento na participação no capital social nessa empresa no mesmo valor; que então como o contribuinte declarou somente na Declaração de Ajuste Anual 2002 que as fazendas foram declaradas pela primeira vez pelo valor de R$ 150.000,00, indevidamente, pois o custo de aquisição de cada fazenda atualizado até 31 de dezembro de 1995 é de R$ 4.505,02, conforme já demonstrado; que na declaração de imposto de renda referente ao ano de 1991 o contribuinte poderia ter declarado essas fazendas pelo então valor de mercado e a diferença entre o valor de mercado e o custo de aquisição representariam rendimentos isentos, conforme estabelece o § 1º do art. 96 da Lei 8.383/1991 abaixo transcrito, o que não foi feito. Porém essa isenção não alcança os bens adquiridos até 31 de dezembro de 1990, não relacionados na declaração de bens relativa o exercício de 1991; que analisando as declarações apresentadas pelo contribuinte relativas aos anos de 2000 a 2006 (fls. 04/30), ele somente declarou tais fazendas na Declaração de Ajuste Anual 2002, dessa forma ele não faz jus a isenção estabelecida no art. 91 da Lei 8.383/1991, ou seja, o custo original é aquele constante na escritura de compra, NCz$ 150.000,00 (cento e cinqüenta mil cruzados novos) e como estabelece o art. 70 da IN SRF 84/2001, cada um desses Fl. 198DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN 6 imóveis têm o valor de custo atualizado até 31/12/1995 de R$ 4.505,02, conforme já mencionado. Em sua peça impugnatória de fls. 112/115, instruída pelos documentos de fls. 116/153, apresentada, tempestivamente, em 14/11/2007 o contribuinte, se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência do Auto de Infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos; que, inicialmente, se questiona o procedimento da fiscalização em ter dado ciência do Mandado de Procedimento Fiscal, na mesma data da lavratura do Auto de Infração, ou seja, no dia 26.10.2007, contrariando o que determina a Portaria nº 3.007, que trata dos procedimentos a serem adotados para a realização da fiscalização, que se constitui em vicio formal; que também é questionável o prazo de 24 (vinte e quatro) horas para cumprimento da Intimação, de acordo com o Termo de Intimação Fiscal n° 485/2007, cuja cópia segue anexa, quando normalmente em obediência aos procedimentos que devem ser adotados pela fiscalização o prazo é de 20 (vinte) dias, para não haver cerceamento ao direito de defesa do contribuinte; que considerando que o anocalendário fiscalizado é o de 2005, e que o prazo decadencial previsto no § 4º do art. 150 da Lei n° 5.172/66 (Código Tributário Nacional) é de cinco (anos), essa Secretaria ainda disporia de mais de três (03) para realizar a fiscalização, e se fosse o caso, efetuar qualquer lançamento sobre o período fiscalizado; que a autoridade fiscalizadora descreveu em quadro próprio do Auto de Infração que houve "Omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos adquiridos", considerou como data do Fato Gerador 31/08/2005, e fez citação de todo o enquadramento legal que entendeu infringido, na mesma folha; que o que levou a fiscalização a entender que houve omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos adquiridos decorreu da transferência que o autuado realizou de três (03) fazendas denominadas IRIRI I, IRIRI II e IRIRI III que se encontravam declaradas na sua Declaração de Ajuste Anual de Imposto de Renda Pessoa Física para aumento de capital da empresa JOTAN TAXI AÉREO LTDA., da qual é sócio majoritário, avaliadas cada uma no valor de R$ 590.000,00 (quinhentos e noventa mil reais), totalizando R$ 1.770.000,00 (um milhão, setecentos e setenta mil reais), descrito no Termo de Verificação Fiscal, no qual ressaltou ainda, que no Registro de Imóveis está em desacordo com a alteração do capital social, haja vista ter constado a quantia de R$ 522.000,00 (quinhentos e vinte e dois mil reais) para cada fazenda transferida; que a fiscalização não levou em consideração foi que na operação efetuada não houve "torna em dinheiro", e também não houve na Declaração de Ajuste Anual de Imposto de Renda de Pessoa Física apresentada valorização das cotas de capital, ou seja, houve simplesmente uma permuta de bens, o que comprova com cópia da declaração de ajuste anual apresentada, inclusive a relativamente ao exercício de 2007, anocalendário de 2006, ano subseqüente ao ano de transferência; que a autoridade julgadora poderá verificar que antes havia bens representados pelas três (03) fazendas já acima descritas, e posteriormente as cotas de capital, no mesmo valor, o que indica claramente que não houve ganho de capital quando da incorporação dos citados bens ao capital da empresa, ao que deve ser dado o mesmo tratamento Fl. 199DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 10215.720143/200754 Acórdão n.º 220201.347 S2C2T2 Fl. 4 7 de permuta de bens imóveis "sem torna" em dinheiro, em que não há que se falar em ganho de capital; que concorda o impugnante que se no futuro vier a alienar as suas cotas de capital da empresa JOTAN TAXI AÉREO LTDA., o que não é sua intenção até porque obtém renda desta empresa para sua manutenção e de sua família, por valor superior ao que se encontra declarado, deverá apurar o ganho de capital que vier a obter na alienação dessas cotas, mas não neste momento; que nesse particular entende o impugnante que é sábia a disposição da Lei, que dispõe sobre a tributação do ganho de capital no momento em que houver efetiva alienação dos bens, ou permuta, com torna em dinheiro, obedecendo estritamente ao regime de Caixa a que está sujeito o Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas, quer seja, de rendimentos de salários (até mesmo os recebidos acumuladamente), de serviços prestados, etc., ou seja, no momento em que o contribuinte disporá de recursos financeiros para pagamento do imposto devido. Tanto é assim que até nas vendas a prazo, o ganho de capital é calculado proporcionalmente aos valores recebidos; que no caso em tela, é perceptível o equivoco cometido pela autoridade fiscalizadora quando desprezou as informações constantes na Declaração de Ajuste Anual da Pessoa Física, do contribuinte ora autuado, que transferiu bens de sua Pessoa Física para integralização do Capital Social da empresa JOTAN TAXI AÉREO LTDA., da qual é sócio, mas que manteve nos mesmos valores dos bens transferidos, por não ter havido alienação de bens e sim permuta de bens; que na declaração do exercício de 2007, anocalendário de 2006, já procedeu a alteração de bens em sua declaração, quando juntou aos valores das cotas antes de R$ 114.000,00 os valores das terras incorporadas ao capital da empresa no valor de R$ 450.000,00, passando assim, para R$ 564.000,00 (R$ 114.000,00 + R$ 450.000,00), conforme cópia anexa; que cabe à Autoridade Julgadora analisar as declarações apresentadas pelo impugnante (original e retificadoras), relativamente ao exercício de 2006, anocalendário de 2005, período fiscalizado que gerou o Auto de Infração ora impugnado, todas antes do inicio do procedimento fiscal, em que o valor das cotas da empresa J0TAN TAXI AÉREO LTDA., figuraram pelo mesmo valor de antes da transferência dos bens particulares do impugnante à empresa, somente para reforçar a verdade „dos fatos de que não houve valorização das cotas, portanto, não houve ganho de capital. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante a Segunda Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém PA conclui pela procedência da ação fiscal e pela manutenção do crédito tributário, com base nas seguintes considerações: que é importante se discutir os efeitos da transcrição da operação no Registro de Imóveis, ato indispensável para a aquisição civil da propriedade, regulada pelo Código Civil, nos arts. 530, 531 e 533, cuja existência foi comprovada mediante juntada aos autos de cópia das matriculas dos imóveis. A definição de alienação para o Direito Tributário, para o qual o registro imobiliário é a maior prova, quando se fala em imóveis, é disposta no § 3°, do art. 3°, da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988; Fl. 200DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN 8 que esse dispositivo legal expressamente estabelece que a alienação de imóveis, para fins tributários, independe da transcrição do titulo no registro imobiliário (apesar desta ser a maior prova da transferência da propriedade), quando relaciona como alienação a procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos, promessa de cessão de direitos e contratos afins, títulos esses que não comportam a transcrição no Cartório de Registro de Imóveis. Para a lei, o que importa é a disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza, que constitui o fato gerador do respectivo imposto (CTN, art. 43); que a segurança e a garantia da aquisição da propriedade concedida pela transcrição do titulo ou escritura no Registro de Imóveis não é prérequisito para fins de alienação perante o Direito Tributário. As conseqüências que podem advir do retardamento ou da não transcrição do titulo é matéria afeta ao direito civil e, se for o caso, penal. Mas a referida transcrição é clara prova da aquisição de disponibilidade do imóvel, inclusive quanto ao valor adotado para efeito da apuração do ganho de capital devido pelo contribuinte em face da operação nela mencionada. Para o fisco interessa, como visto, a disponibilidade econômica ou jurídica da renda ou do provento de qualquer natureza, que é o que ocorreu no presente caso, em 18/08/2005; que quanto à apuração do ganho de capital, dispõe o § 22 do art. 132 do Decreto 3000/99, que, quando a transferência a pessoas jurídicas, a titulo de integralização de capital, de bens e direitos, for feita pelo valor de mercado, apurarseá ganho de capital, quando for positiva a diferença entre este valor de mercado e o valor de custo. Só não haverá integralização quando o valor da integralização se fizer pelo exato valor dos bens e direitos, constante na declaração de bens; que, no presente caso, a integralização se fez por valor de mercado (R$ 522.000,00 para cada um dos três imóveis), bem superior ao presente na declaração de ajuste (R$ 150.000,00 para cada um dos três imóveis). Este último valor mostrouse incorreto, pois se refere ao valor nominal (150.000,00) da aquisição em outra moeda (cruzados novos) vigente na data da primeira aquisição (06/04/1990). Convertendose este valor, chegase ao valor de custo da aquisição dos imóveis (R$ 4.505,02 cada). Portanto, foi correto o procedimento da autuação. Este valor referese ao montante do custo e será usado na apuração do ganho de capital como valor histórico, quando da venda do mesmo bem. Logo, não está sujeito a prazo decadencial; que quanto ao prazo para a apresentação de esclarecimentos, ressaltese que o contribuinte respondeu à intimação (fl. 50), sem reclamar sobre dificuldades devidas a possível exigüidade do prazo, prometendo apresentar os motivos que levaram à não apuração do ganho de capital — o que não aconteceu. Adiantese que não há prazo padrão para a apresentação de esclarecimentos referentes a dados ou omissões constantes em declaração de rendimentos de pessoa física, conforme art. 3 ° da Instrução Normativa SRF n° 579, de 8 de dezembro de 2005. A ementa que consubstancia a presente decisão é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 GANHOS DE CAPITAL ALIENAÇÃO DE BENS IMÓVEIS INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL – A escritura pública de incorporação de bens imóveis ao patrimônio de sociedade comercial faz prova do ato e dos fatos nela declarados, inclusive Fl. 201DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 10215.720143/200754 Acórdão n.º 220201.347 S2C2T2 Fl. 5 9 o valor adotado para efeito da apuração do ganho de capital devido pelo contribuinte em face da operação nela mencionada. Lançamento Procedente Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 17/06/2008, conforme Termo constante às fls. 167/168, e, com ela não se conformando, o contribuinte interpôs, em tempo hábil (18/06/2008), o recurso voluntário de fls. 169/170, instruído pelos documentos de fls. 171/177, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória. É o relatório. Fl. 202DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN 10 Voto Conselheiro Nelson Mallmann, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Resta claro nos autos, que a discussão nesta fase recursal está restrita as preliminares de nulidade do Auto de Infração e, no mérito, a omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos na integralização de capital social, multa com fins de confisco e constitucionalidade. Da análise preliminar da matéria, verificase que a autoridade lançadora entendeu haver omissão de ganhos de capital em decorrência de integralização de capital social mediante a entrega de bens, conforme o apurado através do Termo de Verificação Fiscal de fls. 103/109, no qual houve a confrontação entre os valores declarados em sua Declaração de Ajuste Anual do exercício de 2006 e os ganhos de capital recolhidos. Inconformado, em virtude de não ter logrando êxito na instância inicial, o contribuinte apresenta a sua peça recursal a este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pleiteando a reforma da decisão prolatada na Primeira Instância onde, argúi, em síntese, as mesmas razões apresentadas na fase impugnatória. Quanto a preliminar de nulidade do lançamento argüida pelo suplicante, sob o entendimento de que tenha ocorrido ofensa aos princípios constitucionais do devido processo legal, entendendo que a autoridade lançadora feriu diversos princípios fundamentais, não deve ser acolhida pelo colegiado pelos motivos abaixo expostos. Entendo, que o procedimento fiscal realizado pelo agente do fisco foi efetuado dentro da estrita legalidade, com total observância ao Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, não se vislumbrando, no caso sob análise, qualquer ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo legal. O princípio da verdade material tem por escopo, como a própria expressão indica, a busca da verdade real, verdadeira, e consagra, na realidade, a liberdade da prova, no sentido de que a Administração possa valerse de qualquer meio de prova que a autoridade processante ou julgadora tome conhecimento, levandoas aos autos, naturalmente, e desde que, obviamente dela dê conhecimento às partes; ao mesmo tempo em que deva reconhecer ao contribuinte o direito de juntar provas ao processo até a fase de interposição do recurso voluntário. O Decreto n.º 70.235/72, em seu artigo 9º, define o auto de infração e a notificação de lançamento como instrumentos de formalização da exigência do crédito tributário, quando afirma: A exigência do crédito tributário será formalizado em auto de infração ou notificação de lançamento distinto para cada tributo. Fl. 203DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 10215.720143/200754 Acórdão n.º 220201.347 S2C2T2 Fl. 6 11 Com nova redação dada pelo art. 1º da Lei n.º 8.748/93: A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. O auto de infração e a notificação de lançamento por constituírem peças básicas na sistemática processual tributária, a lei estabeleceu requisitos específicos para a sua lavratura e expedição, sendo que a sua lavratura tem por fim deixar consignado a ocorrência de uma ou mais infrações à legislação tributária, seja para o fim de apuração de um crédito fiscal, seja com o objetivo de neutralizar, no todo ou em parte, os efeitos da compensação de prejuízos a que o contribuinte tenha direito, e a falta do cumprimento de forma estabelecida em lei torna inexistente o ato, sejam os atos formais ou solenes. Se houver vício na forma, o ato pode invalidarse. Ora, não procede à nulidade do lançamento argüida sob o argumento de que o auto de infração não foi lavrado dentro dos parâmetros exigidos pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, ou seja, demonstração da base de cálculo, descrição confusa dos fatos, bem como curto espaço de tempo em relação a auditoria realizada para apresentar a sua defesa inicial. Verificase, através do documento de fls. 98, que foi concedido o prazo legal de 30(trinta) dias, a contar da ciência do auto de infração, para apresentar a impugnação, sendolhe assegurado vistas ao processo, bem como a extração de cópias das peças necessárias a sua defesa, caso quisesse, garantindose desta forma o contraditório e a ampla defesa. Quanto ao procedimento fiscal realizado pela agente do fisco, verificase que foi efetuado dentro da estrita legalidade, com total observância ao Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, não se vislumbrando, no caso sob análise, qualquer ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo legal. Verificase, ainda, que o Auto de Infração identifica por nome e CPF o autuado, esclarece que foi lavrado na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santarém PA, cuja ciência foi através de AR em 29/10/2007, e descreve a irregularidade praticada e o seu enquadramento legal assinado pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, cumprindo o disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, ou seja, o ato é próprio do agente administrativo investido no cargo de AuditorFiscal. Não tenho dúvidas, que o excesso de formalismo, a vedação à atuação de ofício do julgador na produção de provas e a declaração de nulidades puramente formais são exemplos possíveis de serem extraídos da prática forense e estranhos ao ambiente do processo administrativo fiscal. A etapa contenciosa caracterizase pelo aparecimento formalizado no conflito de interesses, isto é, transmudase a atividade administrativa de procedimento para processo no momento em que o contribuinte registra seu inconformismo com o ato praticado pela administração, seja ato de lançamento de tributo ou qualquer outro ato que, no seu entender, Fl. 204DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN 12 causalhe gravame com a aplicação de multa por suposto nãocumprimento de dever instrumental. Assim, a etapa anterior à lavratura do auto de infração e ao processo administrativo fiscal, constitui efetivamente uma fase inquisitória, que apesar de estar regrada em leis e regulamentos, faculta à Administração a mais completa liberdade no escopo de flagrar a ocorrência do fato gerador. Nessa fase não há contraditório, porque o fisco está apenas coletando dados para se convencer ou não da ocorrência do fato imponível ensejador da tributação. Não há, ainda, exigência de crédito tributário formalizada, inexistindo, conseqüentemente, resistência a ser oposta pelo sujeito fiscalizado. Ora, o lançamento, como ato administrativo vinculado, celebrase com estrita observância dos pressupostos estabelecidos pelo art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, cuja motivação deve estar apoiada estritamente na lei, sem a possibilidade de realização de um juízo de oportunidade e conveniência pela autoridade fiscal. O ato administrativo deve estar consubstanciado por instrumentos capazes de demonstrar, com segurança e certeza, os legítimos fundamentos reveladores da ocorrência do fato jurídico tributário. Isso tudo foi observado quando da determinação do tributo devido, através do Auto de Infração lavrado. Assim, não há como pretender premissas de nulidade do auto de infração, nas formas propostas pelo recorrente, neste processo, já que o mesmo preenche todos os requisitos legais necessários. Nunca é demais lembrar, que até a interposição da peça impugnatória pelo contribuinte, o conflito de interesses ainda não está configurado. Os atos anteriores ao lançamento referemse à investigação fiscal propriamente dita, constituindose medidas preparatórias tendentes a definir a pretensão da Fazenda. Ou seja, são simples procedimentos que tãosomente poderão conduzir a constituição do crédito tributário. Na fase procedimental não há que se falar em contraditório ou ampla defesa, pois não há ainda, qualquer espécie de pretensão fiscal sendo exigida pela Fazenda Pública, mas tãosomente o exercício da faculdade da administração tributária em verificar o fiel cumprimento da legislação tributária por parte do sujeito passivo. O litígio só vem a ser instaurado a partir da impugnação tempestiva da exigência, na chamada fase contenciosa, não se podendo cogitar de preterição do direito de defesa antes de materializada a própria exigência fiscal por intermédio de auto de infração ou notificação do lançamento. Assim, após a impugnação, oportunizase ao contribuinte a contestação da exigência fiscal. A partir daí, instaurase o processo, ou seja, configurase o litígio. No caso dos autos, a autoridade lançadora cumpriu todos os preceitos estabelecidos na legislação em vigor e o lançamento foi efetuado com base em dados reais sobre o suplicante, conforme se constata nos autos, com perfeito embasamento legal e tipificação da infração cometida. Como se vê, não procede à situação conflitante alegada pelo recorrente, ou seja, não se verificam, por isso, os pressupostos exigidos que permitam a declaração de nulidade do Auto de Infração. O Processo Administrativo Fiscal, aprovado pelo Decreto n.º 70.235, de 19/72, se manifesta da seguinte forma: Art. 59 São nulos: I Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Fl. 205DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 10215.720143/200754 Acórdão n.º 220201.347 S2C2T2 Fl. 7 13 II Os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Como se verifica do dispositivo legal, não ocorreu, no caso do presente processo, a nulidade. O auto de infração foi lavrado e a decisão foi proferida por funcionários ocupantes de cargo no Ministério da Fazenda, que são as pessoas, legalmente, instituídas para lavrar e para decidir sobre o lançamento. Igualmente, todos os atos e termos foram lavrados por funcionários com competência para tal. Haveria possibilidade de se admitir a nulidade por falta de conteúdo ou objeto, quando o lançamento que, embora tenha sido efetuado com atenção aos requisitos de forma e às formalidades requeridas para a sua feitura, ainda assim, quer pela insuficiência na descrição dos fatos, quer pela contradição entre seus elementos, efetivamente não permitir ao sujeito passivo conhecer com nitidez a acusação que lhe é imputada, ou seja, não restou provada a materialização da hipótese de incidência e/ou o ilícito cometido. É de se esclarecer, que os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. Por outro lado, quando a descrição defeituosa dos fatos impede a compreensão dos mesmos, e, por conseqüência, das infrações correspondentes, temse o vício material. No presente caso, houve o perfeito conhecimento dos fatos descritos e das infrações imputadas. Além disso, o Art. 60 do Decreto n.º 70.235, de 1972, prevê que as irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no art. 59 do mesmo Decreto não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Por fim, fazse necessário esclarecer, que a Secretaria da Receita Federal é um órgão apolítico, destinada a prestar serviços ao Estado, na condição de Instituição e não a um Governo específico dando conta de seus trabalhos à população em geral na forma prescrita na legislação. Neste diapasão, deve agir com imparcialidade e justiça, mas, também, com absoluto rigor, buscando e exigindo o cumprimento das normas por parte daqueles que faltam com seu dever de participação. Assim sendo, é de se rejeitar a preliminar de nulidade argüida pelo suplicante. Quanto a preliminar de nulidade do lançamento sob o entendimento de que houve irregularidade na emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, é de se dizer que, como visto no relatório o suplicante argúi a nulidade do auto de infração sob o argumento de que o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF fora expedido de forma irregular já que expedido juntamente com o auto de infração. Indiscutivelmente, o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, disciplinado pela Portaria SRF nº 1.265, de 1999, com as alterações incluídas pela Portaria SRF nº 1.614, de 2000 e Portaria SRF nº 3.007, de 2001, é um instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais relativo aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Desta forma, o mandado consiste em uma ordem emanada de Fl. 206DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN 14 dirigentes das unidades da Receita Federal para que seus auditores, em nome desta, executem atividades fiscais, tendentes a verificar o cumprimento das obrigações tributárias por parte do sujeito passivo. A competência para a verificação fiscal inerente aos tributos e contribuições administrados pela União encontrase determinada desde a Lei n° 2.354, de 29 de novembro de 1954, artigo 7°, que alterou o artigo 124 do Decreto n° 24.239, de 1947. O cargo de AuditorFiscal da Receita Federal foi criado pelo Decretolei n° 2.225, de 1985, que por sua vez substituiu o anterior de Fiscal de Tributos Federais, Grupo TAF601. Este último decorreu da Lei n° 5.645, de 10 de dezembro de 1970, que estabeleceu diretrizes para a classificação de cargos do Serviço Civil da União e das autarquias federais. Sobre a competência do agente, também dispõe o art. 6° da Lei nº 10.593, de 2002, in verbis: Art. 6° São atribuições dos ocupantes do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal, no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal, relativamente aos tributos e às contribuições por ela administrados: I – em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário. Ora, as referidas Portarias não tem o condão de limitar o dispositivo legal. Ou seja, extrair o poder de investigação fiscal da autoridade competente para esse fim. O poder/dever do AuditorFiscal da Receita Federal foi atribuído pelo Decretolei n° 2.225, de 1985. De outro lado, somente a ele incumbe efetuar o lançamento, na forma do artigo 142 do CTN. Como visto, o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, disciplinado pela Portaria SRF nº 1.265, de 1999, com as alterações incluídas pela Portaria SRF nº 1.614, de 2000 e da Portaria SRF nº 3.007, de 2001, é um instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da receita Federal e não pode obstar o exercício da atividade de lançamento estabelecida por força de lei. Assim, estando o AuditorFiscal em pleno exercício de suas funções e tendo formalizado administrativamente o procedimento, mesmo a falta de Mandado de Procedimento Fiscal – MPF não invalida o feito, se não ausentes outras irregularidades formais ou materiais. Esta posição não é isolada e combina com a jurisprudência dominante deste Conselho de Contribuintes, conforme se observa nas ementas dos Acórdãos abaixo citados: Acórdão n° 20177049 PAF. MPF. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) advém de norma administrativa que tem por objetivo o gerenciamento da ação fiscal. Por tal, eventuais vícios em relação ao mesmo, desde que evidenciado que não houve qualquer afronta aos direitos do administrado, não ensejam a nulidade do lançamento .” Acórdão n° 108.07458 Fl. 207DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 10215.720143/200754 Acórdão n.º 220201.347 S2C2T2 Fl. 8 15 NULIDADE – INOCORRÊNCIA – MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – O MPF constituise em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância de norma infralegal não pode gerar nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal. Acórdão n° 202.14949 NORMAS PROCESSUAIS. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). IRREGULARIDADE FORMAL. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. NULIDADE INEXISTENTE. Irregularidade formal em MPF não tem o condão de retirar a competência do agente fiscal de proceder ao lançamento, atividade vinculada e obrigatória (art. 142, CTN), se verificados os pressupostos legais. Ademais, não tendo havido prejuízo à defesa do contribuinte, não há se falar em nulidade de ato. Acórdão n° 107.06797 MPF. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSTULADOS. INOBSERVÂNCIA. CAUSA DE NULIDADE. ARGÜIÇÃO RECURSAL. IMPROCEDÊNCIA. O Mandado de procedimento Fiscal (MPF) fora concebido com o objetivo de disciplinar a execução dos procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições sociais administrados pela Secretaria da Receita Federal. Não atinge a competência impositiva dos seus Auditores Fiscais que, decorrente de ato político por outorga da sociedade democraticamente organizada e em benefício desta, há de subsistir em qualquer atos de natureza restrita e especificamente voltados para as atividades de controle e planejamento das ações fiscais. A não observância – na instauração ou amplitude do MPF – poderá ser objeto de repreensão disciplinar, mas não terá fôlego jurídico para retirar a competência das autoridades fiscais na concreção plena de suas atividades legalmente próprias. A incompetência só ficará caracterizada quando o ato não se incluir nas atribuições legais do agente que o praticou. Acórdão n° 107.06820 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – MPF – A atividade de seleção do contribuinte a ser fiscalizado, bem assim a definição do escopo da ação fiscal, inclusive dos prazos para a execução do procedimento, são atividades que integram o rol dos atos discricionários, moldados pelas diretrizes de política administrativa de competência da administração tributária. Neste sentido, o MPF tem tripla função: a) materializa a decisão da administração, trazendo implícita a fundamentação requerida para a execução do trabalho de auditoria fiscal, b) atende ao princípio constitucional da cientificação e define o escopo da fiscalização e c) reverencia o princípio da pessoalidade. Questões ligadas ao descumprimento do escopo do MPF, inclusive do prazo e das prorrogações, devem ser resolvidas no Fl. 208DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN 16 âmbito do processo disciplinar e não tem o condão de tornar nulo o lançamento tributário que atendeu aos ditames do art. 142 do CTN. Ora, com a devida vênia, neste processo, não há que se falar em nulidade, porquanto, todos os requisitos previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o processo administrativo fiscal, foram observados quando da lavratura do auto de infração. É equivocada a conclusão do suplicante no sentido de que as informações sucintas e/ou falta de Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, válido à época da lavratura do auto ou a indicação de qualquer matéria a ser analisada, levaria à incompetência do agente fiscal para o ato. A competência do auditor fiscal para os procedimentos de fiscalização e lavratura dos autos de infração não advém da existência do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, mas de lei que determina as atribuições do agente, estabelecendo os limites de sua atuação. Assim, não é passível de nulidade o lançamento elaborado por servidor competente, sob os argumentos de ter ultrapassado o prazo de encerramento do procedimento fiscal; ou porque do novo Mandado de Procedimento Fiscal só foi dado ciência no dia da lavratura do Auto de Infração; ou porque o Mandado foi transformado de procedimento de diligência para procedimento de fiscalização sem a substituição do AuditorFiscal que iniciou o procedimento; ou porque não houve a emissão de Mandado Complementar, haja vista o dever de ofício que o obriga a observar as normas que subordinam o exercício desse dever e que não contraria o disposto na Portaria SRF de nº 1.265, de 1999 e suas edições posteriores, que dispõe sobre o planejamento das atividades fiscais e estabelece normas para execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administradas pela Secretaria da Receita Federal. É de se observar, ainda, que nenhuma lei estabelece como requisito elementar do auto de infração a existência de Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, aqueles estão previstos no art. 10 do Decreto 70.235, de 1972. O Mandado de Procedimento Fiscal – MPF é necessário apenas para o controle administrativo dos atos dos fiscais na realização de exames e intimação de contribuintes ou terceiros para que apresentem documentos ou prestem informações, jamais para efetivação do lançamento que é procedimento imposto pela lei e não por norma infra legal. Verificase, pelo exame do processo, que não ocorreram os pressupostos previstos no Processo Administrativo Fiscal, tendo sido concedido ao sujeito passivo o mais amplo direito, pela oportunidade de apresentar, na fase de instrução do processo, em resposta às intimações que recebeu, argumentos, alegações e documentos no sentido de tentar elidir as infrações apuradas pela fiscalização. Dessa maneira, se revela totalmente improfícua sua alegação de nulidade, porque a apuração da infração foi feita com estrita observância das normas legais e a Portaria SRF nº 1.265, de 1999 (e portarias posteriores), é norma interna da Secretaria da Receita Federal do Brasil que não acarreta a nulidade levantada pelo suplicante. Eventuais falhas na emissão ou na prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal não têm o condão de macular ação fiscal e tampouco o lançamento dela decorrente. O processo administrativo fiscal é regulado pelo Decreto nº 70.235, de 1972, que tem status de lei, e não pode ser alterado por um instrumento (MPF) instituído por uma portaria da SRFB, hierarquicamente inferior. Fl. 209DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 10215.720143/200754 Acórdão n.º 220201.347 S2C2T2 Fl. 9 17 Assim, não há dúvidas que todas as autoridades fiscais estão sujeitas às regras aplicáveis ao Mandado de Procedimento Fiscal, e caso sejam descumpridas, cabe ao funcionário, autor do feito, se for o caso, punição administrativa. Porém, entendo que jamais provocam a nulidade do lançamento. Quanto ao mérito, resta claro, nos autos, de que foi feito diligência na empresa Jotan Táxi Aéreo Ltda., CNPJ 151.056/2007, para verificar a forma de aumento de capital realizada por essa empresa e que a mesma apresentou cópia do contrato social (fls. 61/81) e cópias das escrituras das fazendas Iriri I, Iriri II e Iriri III (fls. 82/93), no instrumento constitutivo da Jotan consta que o aumento de capital se deu por meio de integralização de capital efetuada por um dos sócios, o sujeito passivo objeto desta ação fiscal, com três fazendas que são: fazendas Iriri I, Iriri II e Iriri III, no valor de R$ 522.000,00, cada uma, no total de 1.566.000,00. Além disso, nas Certidões de Registro de Imóveis (fls. 85, 89 e 93), constam que a empresa Jotan Táxi Aéreo Ltda. adquiriu as três fazendas anteriormente citadas por incorporação cedido pelo Sr. Luiz Francisco Feltrim, sujeito passivo desta ação fiscal. Ademais, resta demonstrado no contrato social da empresa acima mencionada (fl. 61)"...foi adquirido pela Empresa JOTAN TAXI AÉREO LTDA., PESSOA JURÍDICA, (...) por Incorporação cedido pelo Sr. LUIZ FRANCISCO FELTRIM, acima já qualificado, ...", demonstrando a integralização de capital na empresa Jotan Táxi Aéreo Ltda. pelo Sr. Luiz Francisco Feltrim, conforme consta na Reformulação do Contrato Social dessa empresa (fl. 61), que era de R$ 120.000,00, e passou a ter o capital social no valor de R$ 1.890.000,00, sendo que R$ 1.770.000,00 é representado pelas fazendas Iriri I, Iriri II e Iriri III, cada uma avaliada em R$ 590.000,00. Da mesma forma restou claro no autos de que da análise das declarações apresentadas pelo contribuinte relativas aos anos de 2000 a 2006 (fls. 04/30), o contribuinte somente declarou tais fazendas na Declaração de Ajuste Anual 2002, dessa forma ele não faz jus a isenção estabelecida no art. 91 da Lei nº 8.383, de 1991, ou seja, o custo original é aquele constante da escritura de compra, NCz$ 150.000,00 (cento e cinqüenta mil cruzados novos). Fazse necessário observar de que é dever do contribuinte informar e, se for o caso, comprovar os dados nos campos próprios das correspondentes declarações de rendimentos e, conseqüentemente, calcular e pagar o montante do imposto apurado, por outro lado, cabe a autoridade fiscal o dever da conferência destes dados. Assim, na ausência de comprovação, por meio de documentação hábil e idônea, dos valores atribuídos aos bens declarados, é dever de a autoridade fiscal efetuar a sua glosa. É de se observar, também, que a jurisprudência assentada neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais sobre a contagem do prazo decadencial para a revisão das Declarações de Ajuste Anual originais é de 5(cinco) anos contados na forma prevista no art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional – CTN. Observando, que para as Declarações de Ajuste Anual retificadoras o prazo tem início no momento da retificação da declaração. Não tenho dúvidas de que quando tratamos de imposto de renda, um dos pontos que surgem para discussão é o que trata da incidência do IR sobre o lucro imobiliário, ou seja, um ganho de capital. Aqui neste processo, um dos pontos é se saber se é devido imposto de renda sobre ganho de capital na integralização de capital com patrimônio particular dos sócios e em que momento esse imposto é devido. Fl. 210DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN 18 A Lei nº 9.249, de 1995, em seu artigo 23, trata da matéria estabelecendo que se a integralização do capital social for feita pelo mesmo valor do bem constante da declaração de imposto de renda da pessoa física do sócio, devidamente comprovado através da apresentação de documentação hábil e idônea de seu valor de aquisição, não haverá tributação. Porém se o valor informado a titulo de integralização for maior do que aquele constante da declaração o imposto é devido: Art. 23. As pessoas físicas poderão transferir a pessoas jurídicas, a título de integralização de capital, bens e direitos pelo valor constante da respectiva declaração de bens ou pelo valor de mercado.§ 1º Se a entrega for feita pelo valor constante da declaração de bens, as pessoas físicas deverão lançar nesta declaração as ações ou quotas subscritas pelo mesmo valor dos bens ou direitos transferidos, não se aplicando o disposto no art. 60 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e no art. 20, II, do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983.§ 2º Se a transferência não se fizer pelo valor constante da declaração de bens, a diferença a maior será tributável como ganho de capital. Não tenho dúvidas, que a Lei 6.404, de 1976, na seção “Formação do Capital Social”, estipula as regras sobre a integralização do capital social da pessoa jurídica. Segundo aquele comando legal, o capital social poderá ser formado com contribuições em dinheiro ou em qualquer espécie de bens suscetíveis de avaliação em dinheiro (art. 7º). A avaliação dos bens será feita por três peritos ou por empresa especializada, nomeados em assembléia geral dos subscritores, convocados pela empresa e presidida por um dos fundadores. Esses peritos deverão avaliar os bens e emitir um laudo fundamentado, com indicação dos critérios de avaliação e de elementos de comparação adotados e instruídos com os documentos relativos aos bens avaliados. Se o subscritor aceitar o valor aprovado pela assembléia (no caso de SA.), os bens se incorporarão ao patrimônio da empresa, cabendo aos primeiros cumprir as formalidades necessárias para ser efetuada a respectiva transmissão. Estabelece o § 4º do art. 8º que os bens não poderão ser incorporados ao patrimônio da empresa por valor acima do que lhes tiver dado o subscritor. De acordo com o art. 62 da IN SRF 11, de 1996, as pessoas físicas poderão transferir a pessoas jurídicas, a título de integralização de capital, bens e direitos pelo valor constante da respectiva declaração de bens ou pelo valor de mercado. Caso a entrega seja feita pelo valor constante da Declaração de Bens, as pessoas físicas deverão lançar nesta declaração as ações ou quotas subscritas pelo mesmo valor dos bens ou direitos transferidos, não se lhe aplicando as regras de distribuição de lucros de que tratam o art. 60 do Decretolei 1.598, de 1977 e o art. 20, II, do Decretolei 2.065, de 1983. Se a transferência não se fizer pelo valor constante da Declaração de Bens, a diferença a maior será tributável como ganho de capital. O PN CST 18, de 1981 já trazia este entendimento por parte do Fisco, definindo que a transferência de imóvel à pessoa jurídica para a subscrição de seu capital, Fl. 211DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 10215.720143/200754 Acórdão n.º 220201.347 S2C2T2 Fl. 10 19 implicaria alienação para fins de incidência de imposto sobre o lucro imobiliário, atualmente denominado de “ganho de capital”. Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, procuração em causa própria, promessa de compra e venda de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. O lucro apurado na alienação, a qualquer título, de bens ou direitos de qualquer natureza, deve ser considerado ganho de capital. Os ganhos serão apurados no mês em que forem auferidos e tributados em separado, não integrando a base de cálculo do imposto na declaração de rendimentos, e o valor do imposto pago não poderá ser deduzido do devido na declaração. O valor de aquisição do bem ou direito para apuração do ganho de capital deverá ser comprovado com documentação hábil e idônea, usual para o tipo de operação de que houver resultado a aquisição. Restam claro nos autos, que para determinação do ganho de capital foram utilizados os dados informados pelo próprio contribuinte em sua declaração e registrados na contabilidade da empresa que recebeu os bens, além do contrato de compra e venda pelo qual foram adquiridas os bens pelo contribuinte. Assim, não procede a tese do recorrente de que a transferência dos bens do seu patrimônio para o da pessoa jurídica, destinada à integralização de capital, não se constitua em ganho de capital, ou que o mesmo tenha sido meramente presumido. A alienação fora informada pelo próprio contribuinte nos contratos assinados, correspondente ao aumento de sua participação no capital da empresa, representado pelos bens (fazendas) em questão e a própria empresa registrara em seu ativo imobilizado estes bens pelo valor utilizado pela autoridade fiscal lançadora. Portanto, não restam dúvidas, de que o contribuinte adquirira um direito de R$ 1.566.000,00 (o valor do aumento de sua participação no capital da empresa) em troca de dos bens que lhe custara R$ 13.515,06 (conforme escritura pública de aquisição das fazendas), o que se caracteriza como ganho de capital, nos termos do § 4° do artigo 117 do Decreto n° 3.000, de 1999. Quanto à discussão em torno do ganho de capital é de se observar, que da análise da legislação de regência verificase que embora a Lei Civil condicione a eficácia da operação de transmissão de bem imóvel à existência de escritura pública e à sua inscrição no Registro de Imóveis, para ter plena validade perante terceiros, para a Legislação Tributária ocorre alienação e aquisição em qualquer operação que importe em transmissão ou promessa de transmissão de imóveis, a qualquer título, ou na cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, ainda que efetuada por meio de instrumento particular não inscrito em registro público, tais como as realizadas por: compra e venda, permuta, adjudicação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos à aquisição de imóveis, etc. Esses dispositivos não são conflitantes, pois cada um deles tem finalidade legal específica, gerando direitos e deveres em seus respectivos campos, sem prejudicar um ao outro. Fl. 212DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN 20 Verificase também que em regra geral, o valor da transmissão é o preço efetivo da operação de venda ou da cessão de direitos; nas operações em que o valor não se expressar em dinheiro, o valor da transmissão será arbitrado segundo o valor de mercado. Verificase, ainda, que se utiliza o valor que serviu de base para o lançamento do imposto de transmissão, como valor referencial de aquisição, nos seguintes casos: doação, adiantamento da legítima, herança ou legado, dissolução de sociedade conjugal, usucapião extraordinário, revogação de doação, etc. A própria legislação vigente na época do fato gerador (§ 3º do artigo 3º da Lei n.º 7.713/88) define, com clareza, que na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação a qualquer título de bens ou direitos. Não restam dúvidas nesta Câmara, que dado à abrangência do conceito de alienação, quando há uma operação, a qual, por importar em transmissão de imóvel se situa dentro da hipótese de incidência do imposto, podendo gerar ganho de capital, em caso positivo, será tributado na forma da Lei. Indiscutivelmente, para serem considerados custos e entrarem no cálculo do ganho de capital, é indispensável que os dispêndios se revistam, cumulativamente, das seguintes condições (a) que possam ser classificados como benfeitorias; (b) que as benfeitorias e seus custos sejam incluídos na declaração de bens no anocalendário da aplicação; (c) que sejam comprováveis, se a comprovação for exigida pela autoridade lançadora. Como já se disse, o simples fato de informar um valor de um bem na Declaração de Bens e Direitos, por si só, não constitui prova da realização do negócio nas condições ali informadas, visto que, para efeitos fiscais considerase como data de alienação ou de aquisição aquela em que foi celebrado o contrato inicial da operação imobiliária correspondente, ainda que efetuada através de documento particular, sem referência a qualquer condição suspensiva, não sendo válido, para esses fins, contrato verbal. Não há dúvidas, de que o regime jurídico na análise das provas no Processo Administrativo Fiscal é a de prevalecer o princípio da verdade material, por oposição ao princípio da verdade formal. Enquanto que no processo civil o juiz deve necessariamente limitarse a julgar segundo as provas aportadas pelas partes (verdade formal), no processo administrativo o julgador que deve decidir está sujeito ao princípio da verdade material e deve, em conseqüência, ajustarse aos fatos, prescindindo de que eles hajam sido alegados e provados pelo suplicante ou não. Por outro lado, no caso em questão, não é possível se esquecer, como num passe de mágica, a existência da Escritura Pública de Compra e Venda lavrada (fls. 83, 87 e 91), bem como as Certidões de Registro de Imóveis de fls. 85, 89 e 93, onde constam os assentamentos da Escritura Pública de Incorporação de Bem Imóvel, datada de 18/08/2005. Assim, ao assinar a Escritura Pública de Incorporação de Bem Imóvel, datada de 18/008/2005, para fins de integralização de capital social, o suplicante dá publicidade ao mundo jurídico da plena satisfação de seus interesses. Como também não tenho dúvidas, que a regra do bom direito estabelece que os contratos existem para serem cumpridos, nessa linha de pensamento, entendo que a Escritura Pública de Incorporação de Bem Imóvel, desde que contenha todos os requisitos legais que regem esse negócio jurídico, constitui direito entre as partes, sendo instrumento suficientemente válido para configurar a transmissão dos direitos sobre o imóvel objeto do contrato, pois por força do artigo 117, inciso II, do Código Tributário Nacional, o ato ou Fl. 213DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 10215.720143/200754 Acórdão n.º 220201.347 S2C2T2 Fl. 11 21 negócio jurídico de alienação do imóvel reputase perfeito e acabado, para os efeitos fiscais, a partir da data do instrumento particular ou público de promessa de compra e venda, celebrado entre as partes. É de se lembrar, que, somente, deixa de prevalecer à data, forma e valor da alienação constante da Escritura Pública de Compra e Venda ou da Escritura Pública de Incorporação de Bem Imóvel, para os efeitos fiscais, quando restar provado de maneira inequívoca que o teor contratual da escritura não foi cumprido, circunstância em que a fé pública do citado ato cede à prova de que a alienação deuse da forma diversa. Assim, a informação inicial do contribuinte de que a entrega dos imóveis para a pessoa jurídica da qual é sócia para fins de integralização de capital social teriam sido efetivada em data e valor divergente dos dados constantes em escritura pública, sem estar apoiada em documentos, hábeis e idôneos coincidentes em datas e valores, que suportem essa alegação, não tem peso algum diante de um documento público. É de se reforçar, que o contribuinte não apresentou qualquer documento que comprove ter sido realizada a entrega dos bens para a pessoa jurídica na época e valor por ele pretendida. Os documentos referentes a negócios de terceiros, nos quais o contribuinte não interveio, não servem para comprovar a realização da alienação nas condições alegadas pelo recorrente. Assim, na ausência de contrato particular ou qualquer outra prova da entrega por parte do recorrente dos imóveis objeto da apuração do ganho de capital em data e condições diversas das que constaram na Escritura Pública de Incorporação de Bem Imóvel, é de se admitir que as alienações tenham sido realizadas conforme constou neste documento. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido de rejeitar as preliminares suscitadas pelo recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Fl. 214DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por NELSON MALLMANN
score : 1.0
Numero do processo: 10880.034514/99-68
Data da sessão: Wed Oct 20 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
1TR. LANÇAMENTO. NULIDADE,
É. nula, por vício formal, a notificação de lançamento que não contenha a identificação da autoridade que a expediu. Súmula 3º CC nº 1 / Súmula CARF nº 21.
Recurso especial negado
Numero da decisão: 9202-001.227
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Gustavo Lian Haddad, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto. Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: Elias Sampaio Freire
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201010
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR 1TR. LANÇAMENTO. NULIDADE, É. nula, por vício formal, a notificação de lançamento que não contenha a identificação da autoridade que a expediu. Súmula 3º CC nº 1 / Súmula CARF nº 21. Recurso especial negado
numero_processo_s : 10880.034514/99-68
conteudo_id_s : 6251584
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 10 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 9202-001.227
nome_arquivo_s : Decisao_108800345149968.pdf
nome_relator_s : Elias Sampaio Freire
nome_arquivo_pdf_s : 108800345149968_6251584.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Gustavo Lian Haddad, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto. Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 20 00:00:00 UTC 2010
id : 8397622
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:17:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076937455927296
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-12-21T10:13:25Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-12-21T10:13:25Z; Last-Modified: 2010-12-21T10:13:25Z; dcterms:modified: 2010-12-21T10:13:25Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:7f836c4a-99ef-4667-9be0-83265d351f34; Last-Save-Date: 2010-12-21T10:13:25Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-12-21T10:13:25Z; meta:save-date: 2010-12-21T10:13:25Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-12-21T10:13:25Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-12-21T10:13:25Z; created: 2010-12-21T10:13:25Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2010-12-21T10:13:25Z; pdf:charsPerPage: 965; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-12-21T10:13:25Z | Conteúdo => Carlos Albertd eità-s Bapret — Presidente Elias Sai kfó Freh'e - Relatar 19 NOV 2010 CSRF-T2 El MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n" 10880.034514/99-68 Recurso n" .326.99,3 Especial do Procurador. Acórdão n° 9202-01.227 — 2" Turma Sessão de 20 de outubro de 2010 Matéria ITR Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BELKISS RONDON DA ROCHA AZEVEDO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR 1TR. LANÇAMENTO. NULIDADE, É. nula, por vício formal, a notificação de lançamento que não contenha a identificação da autoridade que a expediu. Súmula 3 0 CC if 1 / Súmula CARF n" 21, Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso,. Vencidos os Conselheiros Gustavo Lian Haddad, Susy Gomes Hoffiriann e Carlos Alberto Freitas Barreto Por unanimidade de votqs, em negar provimento ao recurso EDITADO EM: 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Anuda Coelho Júnior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão ir 301-3L358, proferido pela 1" Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes em 09/07/2004 (fls. 111/115), interpôs recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais, fls, 117/132, com fulcro no art. 5, II do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Segue abaixo a ementa do acórdão recorrido: "ITRa 994. FALTA DE IDENTIFICAÇÃO DA AUTORIDADE FISCAL NA NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. NULIDADE. É nula, por vicio formal, a notificação de lançamento que não contenha a identificação da autoridade que a expediu, requisito essencial expressamente previsto no Decreto n2 70.235/72" Segundo a recorrente, a decisão ora atacada anulou a notificação de lançamento por considerar que nela não havia a identificação da autoridade que a expediu. Entende que tal entendimento diverge do esposado no paradigma que apresenta, o Acórdão n." 302-34.831, cuja ementa será transcrita abaixo: "O Auto de Infração ou a Notificação de Lançamento que trata de mais de um imposto, contribuição ou penalidade não é instrumento hábil para exigência de crédito tributário (CTN e Processo Administrativo Fiscal assim o estabelecem) e, portanto, não se sujeita às regras traçadas pela legislação de regência. É um instrumento de cobrança dos valores indicados, contra o qual descabe a argüição de nulidade, prevista no art 59, do Decreto 70,235/72. REJEITADA A PRELIMINAR DE NULIDADE DA NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO" Pondera que deve ser corroborado o entendimento majoritário exarado no paradigma, segundo o qual não é nula a notificação de lançamento do 1TR, por falta de identificação da autoridade que a expediu. Argumenta que o contribuinte, em momento algum, reconhece que teria pago o 1TR que lhe está sendo cobrado pelo Fisco ou suscita dúvidas acerca da identificação constante na notificação de lançamento ou dificuldades em sua defesa diante do aludido fato. Pugna pela aplicação do Princípio da Instrumentalidade das Formas, de forma que o julgador se desapegue do formalismo, procurando agir de modo a propiciar às partes o atingimento da finalidade do processo. Lembra que a chamada Notificação de Lançamento do ITR não é, propriamente, uma das formas de exigência de crédito tributário, uma vez que não segue os ditames do CTN e Processo e 10880.0.34514/99-68 Acórdão n 9202-0L227 CSRF-T2 Fl 2 do PAF. Dessa forma, não se sujeita às normas legais que cuidam de nulidade, conforme entendeu equivocadamente o acórdão ora recorrido. Ao final, requer o provimento do recurso especial para que seja cassado o acórdão recorrido, afastando-se a preliminar de nulidade da notificação, de forma que se analise o mérito do recurso voluntário interposto. Nos termos da Informação Técnica e do Despacho n.° .301-209/10/04 (fls. 13.3/136), negou-se seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Às fls. 1.37/141, a POFN apresenta agravo. O contribuinte ofereceu contra- razões (fls. 147/148). Às fls. 156/157, nos termos do Despacho de Reexame de Admissibilidade n.° 02/2006, acolheu-se o agravo interposto, admitindo-se o recurso especial. O contribuinte veio aos autos novamente, desta vez para apresentar contra- razões ao recurso especial (fl. 166/169). Inicialmente, afirma que a matéria objeto do recurso encontra-se superada, prevalecendo o enunciado do acórdão recorrido. Cita a Súmula n.° 1 do Terceiro Conselho de Contribuintes, que apresenta a seguinte redação: "É nula, por vicio formal, a notificação de lançamento que não contenha a identificação da autoridade que a expediu." Lista decisões que demonstram a aplicação da Súmula n.° 1 em casos semelhantes ao destes autos. Ao final, requer seja julgado improcedente o recurso especial de divergência, para que se mantenha na integralidade o acórdão recorrido. Eis o breve relatório. 3 Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator O Recurso preenche os pressupostos regimentais indispensáveis à sua admissibilidade. Assim, conheço do Recurso Especial interposto A controvérsia acerca da nulidade ou não do lançamento que não contenha a identificação da autoridade que a expediu foi dirimida com a aprovação da Súmula 3 0 CC IV 1 / Súmula CARI' n° 21, in verbis: "É nula, por vício formal, a notificação de lançamento que não contenha a identificação da autoridade que a expediu Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É como voto. 41, Elias • paro Freire 4
score : 1.0
