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Numero do processo: 19515.723053/2012-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
ÁGIO GERADO A PARTIR DO AUMENTO E INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL DE EMPRESA NO BRASIL. INVESTIDOR ESTRANGEIRO. EMPRESA VEÍCULO DE INVESTIMENTO. AUSÊNCIA DE SIMULAÇÃO, FRAUDE OU ABUSO DE DIREITO.
Quando um grupo de investidores estrangeiros consolida os investimentos em uma sociedade holding no Brasil para, a partir dela, promover os investimentos que pretende no país, o ágio gerado a partir dessa operação é real, não havendo que se falar em simulação por inexistência de referida holding. O ágio consolidado na holding, que posteriormente é incorporada pela empresa investida, é passível de dedução nos termos da lei.
FRAUDE. SOCIEDADE HOLDING. ESTRUTURA OPERACIONAL.
Não revela falta de capacidade operacional a ausência de estrutura, com conta de luz, água e telefone, para a sociedade que tem por objeto a atividade de holding, uma vez que o seu objeto social é o gerenciamento de investimentos em outras sociedades, o que não demanda, a princípio, estruturas normais às sociedades industriais e comerciais.
DELIMITAÇÃO DA LIDE. INOVAÇÃO JURÍDICA DO LANÇAMENTO.
O lançamento, enquanto ato administrativo que formaliza o crédito tributário, pode ser revisto durante o processo administrativo que o questiona, nos limites dos fundamentos em que foi lavrado. Não é possível, em sede recursal, inovar os fundamentos jurídicos que sustentam o lançamento.
Numero da decisão: 1401-001.240
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício. Vencidos parcialmente os Conselheiros Fernando Luiz Gomes de Mattos e Jorge Celso Freire da Silva que mantinham o lançamento e desqualificavam a multa de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Os Conselheiros Antonio Bezerra Neto e Karem Jureidini Dias apresentarão declaração de voto. O Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta substituiu o Conselheiro Maurício Pereira Faro que declarou-se impedido.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Karem Jureidini Dias.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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INVESTIDOR ESTRANGEIRO. EMPRESA VEÍCULO DE INVESTIMENTO. AUSÊNCIA DE SIMULAÇÃO, FRAUDE OU ABUSO DE DIREITO. Quando um grupo de investidores estrangeiros consolida os investimentos em uma sociedade holding no Brasil para, a partir dela, promover os investimentos que pretende no país, o ágio gerado a partir dessa operação é real, não havendo que se falar em simulação por inexistência de referida holding. O ágio consolidado na holding, que posteriormente é incorporada pela empresa investida, é passível de dedução nos termos da lei. FRAUDE. SOCIEDADE HOLDING. ESTRUTURA OPERACIONAL. Não revela falta de capacidade operacional a ausência de estrutura, com conta de luz, água e telefone, para a sociedade que tem por objeto a atividade de holding, uma vez que o seu objeto social é o gerenciamento de investimentos em outras sociedades, o que não demanda, a princípio, estruturas normais às sociedades industriais e comerciais. DELIMITAÇÃO DA LIDE. INOVAÇÃO JURÍDICA DO LANÇAMENTO. O lançamento, enquanto ato administrativo que formaliza o crédito tributário, pode ser revisto durante o processo administrativo que o questiona, nos limites dos fundamentos em que foi lavrado. Não é possível, em sede recursal, inovar os fundamentos jurídicos que sustentam o lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 30 53 /2 01 2- 72 Fl. 5899DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente e m 11/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.723053/201272 Acórdão n.º 1401001.240 S1C4T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício. Vencidos parcialmente os Conselheiros Fernando Luiz Gomes de Mattos e Jorge Celso Freire da Silva que mantinham o lançamento e desqualificavam a multa de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Os Conselheiros Antonio Bezerra Neto e Karem Jureidini Dias apresentarão declaração de voto. O Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta substituiu o Conselheiro Maurício Pereira Faro que declarouse impedido. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Karem Jureidini Dias. Fl. 5900DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente e m 11/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.723053/201272 Acórdão n.º 1401001.240 S1C4T1 Fl. 4 3 Relatório Tratase de autos de infração lavrados para exigência de IRPJ e CSLL, relativos ao ano calendário de 2008 em virtude de a Recorrida, na ótica da Fiscalização, ter deduzido de forma indevida despesas com amortização de ágio. Em função da suposta prática de negócios simulados, a multa de ofício relativa aos autos de infração foi majorada para o patamar de 150%. Por descrever os fatos com a riqueza de detalhes necessária para a compreensão da controvérsia, adoto e transcrevo o relatório elaborado pela DRJ: 0.Intróito. A história que na seqüência se apresenta, sobre servir de peça de Relatório, interconecta dois Contribuintes: Companhia Siderúrgica Nacional – CSN (d’ora em diante, apenas CSN), controladora; e Nacional Minérios S/A. – NAMISA (d’ora em diante, apenas NAMISA), controlada. E assim se faz por uma singela razão: para contar a sua versão, a Fiscalização, nos respectivos autos de infração lavrados contra uma e outra (autos sob nº 19515.723039/201279, em face de CSN, e autos sob nº 19515.723053/201272, em face de NAMISA), assenta suas razões na interrelação havida entre ambas; de seu turno, para efeito de completude, num e n’outro caso, as impugnações colacionadas autorreferenciamse e defendem pontos coincidentes. Seguirseá na mesma linha. É dizer: um só Relatório, um só Voto. Garantese uniformidade, privilegiase o entendimento do conjunto, facilitase a construção do próximo discurso que, no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, na cadeia própria de construção de linguagem competencial decisória, sobreporseá ao presente. Quando necessário, a referência às folhas de que autos se cuidem será devidamente explicitada por caso CSN ou por caso NAMISA. Autuação contra a CSN (autos nº 19515.723039/201279). 1.Tratase, aqui, de exigências relativas ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), respeitante ao ano calendário de 2008. Na espécie, apurouse crédito tributário no importe total de R$ 6.079.358.973,81 (fl. 5.107 do caso CSN), então computados juros de mora até novembro/2012 (lavratura havia em 27/12/2012), bem que multa de ofício ao patamar de 150% (fls. 5.095/5.106 do caso CSN). Ao feito em referência, correm apensados os autos sob nº 19515.723040/201201, que guardam Representação Fiscal para Fins Penais. 2.Recuperemse, a propósito, as razões da Fiscalização assim desfiadas no “TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL” de fls. 5.067/5.093 do caso CSN: Fl. 5901DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente e m 11/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.723053/201272 Acórdão n.º 1401001.240 S1C4T1 Fl. 5 4 Fl. 5902DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente e m 11/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.723053/201272 Acórdão n.º 1401001.240 S1C4T1 Fl. 6 5 Fl. 5903DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - 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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente e m 11/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.723053/201272 Acórdão n.º 1401001.240 S1C4T1 Fl. 11 10 Fl. 5908DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente e m 11/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.723053/201272 Acórdão n.º 1401001.240 S1C4T1 Fl. 12 11 Fl. 5909DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente e m 11/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.723053/201272 Acórdão n.º 1401001.240 S1C4T1 Fl. 13 12 Fl. 5910DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente e m 11/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.723053/201272 Acórdão n.º 1401001.240 S1C4T1 Fl. 14 13 Fl. 5911DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente e m 11/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.723053/201272 Acórdão n.º 1401001.240 S1C4T1 Fl. 15 14 Fl. 5912DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente e m 11/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.723053/201272 Acórdão n.º 1401001.240 S1C4T1 Fl. 16 15 Fl. 5913DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente e m 11/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.723053/201272 Acórdão n.º 1401001.240 S1C4T1 Fl. 17 16 Fl. 5914DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente e m 11/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.723053/201272 Acórdão n.º 1401001.240 S1C4T1 Fl. 18 17 [...] Fl. 5915DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente e m 11/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.723053/201272 Acórdão n.º 1401001.240 S1C4T1 Fl. 19 18 [...] [...] Fl. 5916DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente e m 11/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.723053/201272 Acórdão n.º 1401001.240 S1C4T1 Fl. 20 19 3.O Contribuinte (CSN) tomou ciência da corrente autuação em 28/12/2012, sextafeira (fls. 5098, 5103, 5106, do caso CSN), e trouxe sua insurgência em 30/01/2013 (fls. 5115/5.217 do caso CSN). Alega: 3.1.Tempestividade da peça. 3.2.Explica ter sido conduzido e concluído o presente procedimento fiscal junto a si, digase, Companhia Siderúrgica Nacional (controladora) e frente a Nacional Minérios S.A. (controlada), disso resultando autuações distintas: a) Na primeira (CSN) – autos sob nº 19515.723039/201279 –, sob o pálio de omissão de ganho de capital, esse supostamente experimentado quando investidores estrangeiros, por meio de Big Jump Energy Participações S.A. (d’ora em diante, apenas Big Jump), adquirem, com sobrepreço e sob a modalidade jurídicocontratual de compra e venda, participação societária da CSN na NAMISA; e b) Na segunda (NAMISA) – autos sob nº 19515.723053/201272 –, sob a escusa de possível aproveitamento indevido de amortização de ágio, assim iniciado – dito aproveitamento – a partir do momento em que NAMISA incorpora Big Jump. 3.3.Dizia o Contribuinte (CSN): [ ...] (destaques do original) Fl. 5917DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente e m 11/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.723053/201272 Acórdão n.º 1401001.240 S1C4T1 Fl. 21 20 3.4.Pondera sobre o depósito do importe de R$ 7,28 bilhões “em conta corrente da Namisa em integralização de capital, e por ela transferidos à Impugnante [leia se CSN] como antecipações de pagamento por conta dos contratos firmados para prestação de serviços de porto e fornecimento de minério” (destaques do original), recursos esses vindos de Big Jump. Observa que ditos contratos de prestação de serviços e fornecimento de minério seriam dignos de fé, a tanto que “regularmente cumpridos pela CSN”. No particular e para efeito de controle/execução da avenca, em última linha diz que se o preço d’um dado serviço/fornecimento, a cargo da CSN, fosse X, a NAMISA pagaria por isso àquela o importe de XY, e, ao mesmo tempo, a própria CSN abateria Y do total que antes lhe fora antecipado pela NAMISA. Ainda, registra que a CSN remuneraria com juros a NAMISA pelo total que essa última lhe antecipara a título de contraprestação por serviço/fornecimento futuro – parte em espécie, parte com acréscimo do crédito originalmente formado junto à CSN e à conta da multicitada antecipação de pagamento. 3.5.Para o deslinde dos autos contra a CSN, de importância nenhuma seria cogitar/julgar o papel de Big Jump em todo o ocorrido, certo que a questão giraria em torno de saber sob que manto jurídico se teria dado o ingresso de numerário estrangeiro (via Big Jump) no país. Por outra, caberia apenas distinguir se dito numerário veio para adquirir participação societária na NAMISA: (1) via subscrição/integralização de capital nessa última (versão defendida pela CSN), ou (2) via compra e venda de porção do investimento (posição societária) detido pela CSN naquela (versão da Fiscalização). 3.6.Que a circunstância de fatos relevantes serem noticiados e, nessa oportunidade, anunciarem a alienação de participação societária detida pela CSN na NAMISA deveria ser interpretada com restrição, certo que o destinatário de tais publicações seria, de ordinário, o público leigo, não especialista na matéria (menciona, a propósito, que o art. 3º, § 5º, bem que a ementa do art. 12, todos da Instrução CVM nº 358, de 3 de janeiro de 2002, assim ditariam). Em verdade, o negócio enfim vingado – e desde o início guardarseia tal perspectiva – teria sido a integralização de capital, via Big Jump, na NAMISA, e não a compra direta e junto à CSN de posição societária na NAMISA. Aliás, outra não seria a conclusão extraível das próprias letras do Termo de Verificação Fiscal de fls. 5.067/5.093 (caso CSN), especialmente dos parágrafos insertos no seu tópico “3.1 – DO ANÚNCIO DA VENDA DE 40% DO CAPITAL VOTANTE E TOTAL DA NAMISA”. Dizia o Contribuinte (CSN): [...] Fl. 5918DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente e m 11/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.723053/201272 Acórdão n.º 1401001.240 S1C4T1 Fl. 22 21 3.7.Que não se prestaria à descaracterização da ocorrente alienação/aquisição de participação societária na NAMISA, via subscrição/integralização de capital, a circunstância de, num só dia (30/12/2008, na espécie), o capital ali aportado pela Big Jump ser, ato contínuo, transferido para a CSN. De uma, que tal seria o resultado culminante d’um processo de negociação já espraiado no tempo. A duas porque, ao contrário do que infere a Fiscalização, tal não significaria, em linha última, algum tipo de capitalização da CSN, certo que, com base nos contratos firmados entre essa última e a NAMISA (com a primeira a prestar serviços e fornecer de minério de ferro, tudo a tempo futuro, para a segunda), abrirseiam, respectivamente, uma conta de ativo na NAMISA (pela antecipação de numerário) e uma de passivo na CSN (pelo recebimento antecipado de numerário), sendo certo que intacto ficaria o capital da NAMISA (pelo lado conseqüente, o capital da CSN também não teria sido modificado). Dizia o Contribuinte: 3.8.Que os contratos de prestação de serviço e fornecimento de minério de ferro firmados entre CSN e NAMISA se justificariam sob uma perspectiva de integração vertical, certo que de nada adiantaria aos investidores estrangeiros (atores, eles também, no mercado internacional de minério) adquirir posição acionária nessa última sem que garantido fosse o escoamento do próprio bem objeto das avenças (minério de ferro) até os possíveis portos de exportação. Agora, sobre o preciso ponto em que a Fiscalização questiona a verossimilhança do tanto pactuado (a dizer, dúvida posta quanto à formatação do negócio, tais, o adiantamento do preço do serviço/fornecimento, sua remuneração via juros), instaria lembrar que CSN e NAMISA não foram os únicos intervenientes no dito ajuste, em que presentes, também, a vontade de outros sete atores (seis pessoas jurídicas japonesas e uma coreana), todos independentes quer em relação à CSN, quer face à NAMISA. Ainda, ao contrário do que afirma a Fiscalização, os contratos de que se cuidam, pelos seus próprios termos, não criariam situação desfavorável a quaisquer das partes. Disso tudo, no espaço dos contratos ora discutidos, haveria de se reconhecer que na sua gênese rendeuse respeito ao princípio do arm’s length price. Tudo isso, ainda, sem deixar de criticar (pelo viés da nulidade) a atuação da Fl. 5919DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente e m 11/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.723053/201272 Acórdão n.º 1401001.240 S1C4T1 Fl. 23 22 Fiscalização que, sobre autuar a CSN e no preciso tema dos referidos contratos, levantou informações em face da NAMISA (com essa dialogou), e não junto à própria CSN. 3.9.Ainda no terreno da natureza jurídica da aquisição de participação societária na NAMISA, isso por parte de Big Jump, admitida fosse a versão da Fiscalização (compra e venda de posição acionária da CSN, e diretamente em face dessa última, assim detida junto à NAMISA), mesmo assim a autuação (caso CSN) seria impertinente. Nesse cenário, certo que o Contribuinte (CSN), sob a perspectiva de realização no tempo do tanto pactuado, vem de reconhecer porção do que lhe fora adiantado como receita (conforme dito passar do tempo), e oferta isso à tributação, recolhidos IRPJ e CSLL incidentes, o caso seria de postergação de pagamento. Nessa linha, a autuação (caso CSN), no que atina à sua quantificação, estaria comprometida. Nula, pois. Dizia o Contribuinte (fl. 5.196, caso CSN): 3.10.Sobre Big Jump constituir, de per si, um simulacro, nega, até com fundamento no que já antes ponderado, a hipótese de que consciência e vontade foram postas a produzir o engodo. Não teria ocorrido falseamento algum; quer absoluto, quer relativo. Especificamente, ainda que “não existisse a referida sala 85A no 3º andar do edifício situado no número 247 da Rua Consolação no período em que a Big Jump existiu e funcionou”, certo que dita pessoa jurídica se constituiu numa “holding pura”, desnecessário qualquer instalação física para a execução de seu objeto social, a dizer, “a gestão e a comercialização de bens próprios e a participação em outras sociedades, nacionais ou estrangeiras, na qualidade de sócia, acionista ou quotista”, para o que suficiente seria, e é, uma pessoa natural com poder de apresentação, tais “funcionários da Itochu BR, subsidiária de uma das seis consorciadas da BRASIL JAPAN IRON ORE CORPORATION, sócia controladora da Big Jump)”. De toda forma, ainda assim mais assevera o Contribuinte (CSN): 3.10.a)A Fiscalização não teria produzido prova de inexistência da referida “sala nº 85A” à data em que Big Jump era operacional, certo que diligência feita a tal propósito (do que resultaram fotos onde não se vislumbram numeração/divisão em alas) se deu em período posterior à incorporação de Big Jump pela NAMISA (lembra que Big Jump, segundo seus documentos de constituição, existiu no período de 10/03/2008 a 30/07/2009). D’outra, a informação prestada por H. Lara Representação e Administração Ltda., proprietário/locador do locus em questão, sobre apontar como locatários do dito espaço e no período investigado, d’um lado, Machado Meyer, Sendacz e Opice Advogados e, d’outro, Esferatur Passagens e Turismo Ltda., e, ainda, sobre se afirmar inexistir a sala 85A, pondera, primeiro, que tal informação é consentânea com o fato de o escritório de advocacia em referência ter levado a cabo a constituição da pessoa jurídica Big Jump e a ela (bem como a seus sócios) prestar serviços, e, segundo, que seria natural ao locador desconhecer a instalação de divisórias (tal a hipótese de disposição de salas/alas pelo andar), certo que não previsto em contrato quer a sua notificação, quer a vedação de sua postura. A dizer, portanto, que afastada Fl. 5920DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente e m 11/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.723053/201272 Acórdão n.º 1401001.240 S1C4T1 Fl. 24 23 ficaria a hipótese do art. 41, inciso II, da Instrução Normativa RFB nº 748, de 28 de junho de 2007. Quando muito, poderseia argumentar apenas no sentido d’uma mera irregularidade cadastral. 3.10.b)Tivera vida, sim, Big Jump. A demonstrálo estariam, desde o ato primeiro de integralização de seu capital (com respeito ao art. 80, inciso II, da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976), atas de assembléias, contratos de câmbio, transferências de ações, pagamento de impostos, movimentações em conta corrente bancária, aplicações financeiras, contratação de serviços, pagamento de dividendos, aporte de numerário expressivo vindo de investidores estrangeiros. Tudo, enfim, a revelar capacidade operacional e patrimonial de Big Jump. A dizer, portanto, que afastada ficaria a hipótese do art. 41, incisos I e III, da IN RFB nº 748, de 2007. 3.11.Ainda na questão retro, acresce o Contribuinte (CSN) que a finalidade da Big Jump era viabilizar, no país e próximo ao negócio portanto, a articulação/coordenação de sete vontades/interesses de pessoas jurídicas estrangeiras distintas (seis de nacionalidade japonesa e uma coreana) junto à própria CSN e à NAMISA, tudo com vistas ao objeto participação societária e contratos correlatos e subseqüentes. Uma holding nacional, de certo, bem se prestaria a um tal desiderato. Enfim, Big Jump tivera um só e específico propósito: “adquirir e gerir o investimento na Namisa”. Não fosse assim, no limite, terseiam não um, mas sete distintas negociações e respectivas réplicas documentalcartorárioadministrativas. Isso tudo sem dizer dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, verdadeiros indutores de negócios que tais, na exata medida do benefício/incentivo fiscal consistente na dedutibilidade de eventual ágio aí pago, ou, por outra, normativos “cuja função foi e é estimular o investimento externo em empresas brasileiras”. 3.12.Descabida seria a imputação de multa qualificada (ao patamar de 150%), certo que não caracterizada quaisquer de suas hipóteses de incidência, seja pelo viés da simulação, seja pelo da fraude. Do que já ponderado, a Impugnante não teria atuado na produção do falso ou na ocultação do efetivamente ocorrido, pois de tudo dado à ciência ao mais lato público (privado ou governamental), e de tudo quanto solicitado fora entregue à Fiscalização. 3.13.Apenas para argumentar, ainda seria equivocada a redução operada contra prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL, pois o fundamento de que se louvara a Fiscalização para assim proceder ainda seria questão não definitivamente decidida em senda administrativa, assim objeto do “procedimento fiscal realizado pela DEFIS/RJ, determinado pelo MPF nº 07190002010025884, [...] concluídos com autos de infração que reduziram o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa da CSLL da CSN, para o quarto trimestre de 2008, ambos em R$ 227.131.540,81” (fl. 5.207 do caso CSN, em cita feita pelo Contribuinte ao termo de verificação fiscal), a partir do que formalizados os autos sob nº 16682.720452/2011 81, devidamente impugnados (fls. 5.524/5.545). Isso sem dizer que, naqueles autos (nº 16682.720452/201181), a multa de ofício estipulada foi de 75%, sendo certo que, por simetria, mesmo que valente o raciocínio da Fiscalização, alguma porção presentemente lançada e em função da redução de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL, deveria ter a correspectiva multa de ofício também reduzida de 150% para 75%. 3.14.Por fim, em juízo prospectivo e para afastar o argumento da preclusão, já antecipa discussão sobre o que acredita ser inaplicável a incidência de juros de mora sobre multa de ofício não vinculada. Assim porque, vencido o Contribuinte em tudo o mais, “o Fisco Fl. 5921DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente e m 11/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.723053/201272 Acórdão n.º 1401001.240 S1C4T1 Fl. 25 24 certamente exigirá da Impugnante juros de mora sobre o valor da multa de ofício, com vem procedendo em outros casos, o que acresce em muito o valor supostamente devido.” (fl. 5.210 do caso CSN; destaques do original). Autuação contra a NAMISA (autos nº 19515.723053/201272). 4.Já aqui, têmse exigências relativas ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), respeitante aos 3º, 4º trimestres de 2009, anocalendário de 2010, todos os trimestres de 2011. Na espécie, apurouse crédito tributário no importe total de R$ 1.746.583.331,87 (fl. 5.127 do caso NAMISA), então computados juros de mora até novembro/2012 (lavratura havia em 27/12/2012), bem que multa de ofício ao patamar de 150% (fls. 5.104/5.128 do caso NAMISA). Ao feito em referência, correm apensados os autos sob nº 19515.723054/201217, que guardam Representação Fiscal para Fins Penais. 5.Recuperemse, a propósito, as razões da Fiscalização assim desfiadas no “TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL” de fls. 5.076/5.103 do caso NAMISA: [para efeito de se evitar repetição, digase que até o item 4.1 do mencionado Termo de Verificação Fiscal, tudo antes dele segue os mesmos dizeres já antes reproduzidos, isso por ocasião do relato do caso CSN] Fl. 5922DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente e m 11/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.723053/201272 Acórdão n.º 1401001.240 S1C4T1 Fl. 26 25 [para efeito de se evitar repetição, digase que o item 4.2 (acerca da afirmada simulação) teor do mencionado Termo de Verificação Fiscal é de idêntico teor àquele alhures reproduzido, isso por ocasião do relato do caso CSN] [...] [...] Fl. 5923DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente e m 11/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.723053/201272 Acórdão n.º 1401001.240 S1C4T1 Fl. 27 26 [para efeito de se evitar repetição, digase que o item 7 (sobre enquadramento legal de multa, juros de mora, especificação do afirmado dolo) do mencionado Termo de Verificação Fiscal é de idêntico teor àquele alhures reproduzido, isso por ocasião do relato do caso CSN] 6.O Contribuinte (NAMISA) tomou ciência da corrente autuação em 28/12/2012, sextafeira (fls. 5.114, 5.124, 5.128 do caso NAMISA), e trouxe sua insurgência em 30/01/2013 (fls. 5.228/5.287 do caso NAMISA). Alega, na voz do mesmo patrono (Leo Krakoviak – Advogado) que teceu a impugnação aos autos do caso CSN: 6.1.Tempestividade da peça. 6.2.Para o deslinde dos autos contra a NAMISA, de importância nenhuma seria cogitar/julgar a natureza jurídica pela qual se teria dado o ingresso de numerário estrangeiro (via Big Jump) no país, assim que adquirida participação em seu capital social. Seria de nenhum interesse, aqui, distinguir se dita aquisição se dera por compra e venda direta junto à CSN, ou por subscrição/integralização de capital junto à NAMISA. D’outra linha, decisivo mesmo para o caso NAMISA restringirseia “à suposta inexistência de fato da Big Jump, que no entendimento do ilustre fiscal autuante por si só justificaria o presente lançamento com imposição de multa qualificada de 150% em razão da suposta simulação” (fl. 5.239 do caso NAMISA). 6.3.Adiante, mais ponto, menos vírgula, repisamse os argumentos antes trazidos para o caso CSN. Particularmente e de diferente, registrase a discussão ao derredor de Big Jump e seu papel nos atos conseqüentes. Digno de nota, assim, ainda pondera o Contribuinte (NAMISA): (i) disputa mais fortemente o ponto de vista de se terem nos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, elementos indutores de rearranjos societários, mas, de então e em diante, devidamente regulamentados (aproveitamento do ágio sim, mas desde que na ambiência d’uma incorporação, fusão, cisão); (ii) marca, d’outra linha, que acusações de “abuso de forma, falta de propósito negocial ou intenção do contribuinte de economizar tributo”, “QUE ALIÁS NÃO FORAM FEITAS NO CASO CONCRETO PELA ILUSTRE FISCAL ATUANTE” (fl. 5.262 do caso NAMISA; destaques do original), nem seriam índices servíveis de eventual contraposição à incidência dos normativos referidos, sendo suficiente e necessário tãosó o cumprimento das condições objetivas ali postas, a dizer, (ii.1) efetivo pagamento do custo de aquisição e do ágio, (ii.2) negociação de raiz entre partes não ligadas e (ii.3) lisura na avaliação do investimento adquirido e de sua rentabilidade futura (faz cita ao Acórdão 140200802, proferido no “Caso Santander”), requisitos esses presentes/comprovados na espécie. A conferir, assinala o Contribuinte (NAMISA; fl. 5.269): Fl. 5924DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente e m 11/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.723053/201272 Acórdão n.º 1401001.240 S1C4T1 Fl. 28 27 Submetida a Impugnação à apreciação da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo I/SP, esta proferiu o acórdão nº 1646.176 (fls. 5.710/5.756), assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2008 AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA SOB A FORMA JURÍDICA DE INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL. CARACTERIZAÇÃO. RECHAÇO DA IMPUTAÇÃO DE GANHO DE CAPITAL. ÁGIO. “EMPRESA VEÍCULO”. NÃO COMPROVAÇÃO DE ELEMENTO CONDUCENTE À SIMULAÇÃO, FRAUDE, OU ABUSO DE DIREITO. POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DO ÁGIO. Se (i) aquisição de participação societária na pessoa jurídica A (impugnante nos autos sob nº 19515.723053/201272)houve, mas sob as vestes de subscrição/aumento de capital por parte de pessoa jurídica B; se (ii) dita pessoa jurídica (B), observada a densidade de sua concretude negocial/operativa, à testa de muitos (desde entes privados a até entes governamentais, que dela receberam influxos de sua própria vida), não pode ser tomada como peça engendrada a produzir o falso, a escamotear o real; se (iii), enfim, sob tais balizas, a pessoa jurídica A (controlada) e a pessoa jurídica C (impugnante nos autos sob nº 19515.723039/201279; controladora de A), e mais sete atores estrangeiros, partes independentes entre si, no espaço do princípio da autonomia de vontades, firmam contratos (de fornecimento de minério de ferro e prestação de serviços de porto) que, de per si considerados, e até então executados, merecem fé; se tudo assim consta dos autos sob atenção, não há espaço para a caracterização da simulação, da fraude, do abuso de direito, ou qualquer outra figura de estraneidade ao direito que possa vingar sobre os Contribuintes A ou C aqui considerados. Afastadas, pois, a imputação de ganho de capital contra a pessoa jurídica C, bem que a glosa de amortização de despesa de ágio contra a pessoa jurídica A, tudo ao limite do que presentemente investigado. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado." Tendo em vista que o valor total do crédito tributário exonerado excedeu R$1.000.000,00, a autoridade de primeira instância interpôs recurso de ofício que passa a ser analisado por esta Turma Julgadora. É o relatório. Fl. 5925DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente e m 11/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.723053/201272 Acórdão n.º 1401001.240 S1C4T1 Fl. 29 28 Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator O recurso preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. As questões analisadas no presente recurso de ofício serão adstritas aos fundamentos do auto de infração e da decisão que cancelou o mesmo. Vêse que o fundamento da glosa do ágio está intrinsecamente relacionado com a premissa de inexistência da Big Jump, que decorre da suposta simulação na alienação das participações societárias da Recorrida para a CSN, conforme foi melhor detalhado na análise do PTA nº 19515.723039/201279. O Termo de Verificação Fiscal trata dos negócios jurídicos supostamente simulados para a CNS não tributar o ganho de capital oriundo da alienação de 40% da participação societária da Recorrida. Acerca da glosa das despesas com ágio, a Autoridade Fiscal tece os seguintes esclarecimentos (fls. 5.095/5.098): "A fiscalizada relatou que, com base no disposto nos artigos 385 e 386 do RIR/1999, após incorporar a BIG JUMP, amortizou o ágio que havia sido constituído na contabilidade dela. Portanto, reduziu seu lucro líquido, com a conseqüente redução do valor de seu Lucro real e de sua base de cálculo da CSLL. Os citados artigos são transcritos a seguir: (...) É claro que o benefício previsto no artigo 386 do RIR/99 só pode ser usufruído quando uma empresa incorpora outra regularmente constituída. Ele não se aplica à incorporação de uma empresa cuja criação e existência foi simulada, como foi o caso da BIG JUMP. Diante disso, cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil glosar as despesas de amortização do ágio constituído através da criação e existência simulada da BIG JUMP e cobrar, com multa e juros, o IRPJ e a CSLL que deixaram de ser recolhidos pela NAMISA. Assim, com base nos artigos 247, 248, 249, inciso I, e 251 do RIR/99, reproduzidos abaixo, procedemos, no auto de infração anexo, à glosa dos valores de ágio que reduziram o Lucro real e consequentemente o IRPJ, relativo a períodos de apuração de 2009, 2010 e 2011 que a NAMISA não recolheu.." A Autoridade Fiscal fundamenta a inexistência da Big Jump pelo fato de não existir a sala 85A no 3º andar do edifício situado no número 247 da Rua da Consolação (endereço constante do seu contrato social) no período em que a Big Jump existiu. A inexistência da referida sala revelaria, portanto, falta de capacidade operacional, já que não tendo sequer uma sede real, a empresa não tinha capacidade operacional para realizar seu Fl. 5926DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente e m 11/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.723053/201272 Acórdão n.º 1401001.240 S1C4T1 Fl. 30 29 objeto social, o que faz com que ela pudesse ser considerada ‘pessoa jurídica inexistente de fato’ (fl. 5.076). É, portanto, por esses fundamentos que foram glosadas as despesas de ágio. Notase que o incômodo da Autoridade fiscal é em virtude de ter sido a Big Jump a personalização de um contrato, com o simples propósito de agrupar os investidores estrangeiros e estruturar as participações societárias da ora Recorrida por aqueles sócios. Neste momento, fazse a mesma indagação do julgador a quo: algum problema? Alguma dificuldade no fato de a Big Jump não ter propósito operacional (vejase bem, dissese propósito operacional e não propósito negocial)? Pelo brilhantismo do voto condutor do acórdão proferido pela DRJ, transcrevo as seguintes passagens: "32. O que normalmente se nomeia por empresa veículo, de papel, de prateleira, de per si, não é ponto de partida para a construção d’um discurso tendente a desaguar na conclusão da simulação, do abuso de direito, da fraude à lei, e locuções correlatas. Não, não pode ser assim. Dito expediente pode sim ser sacado (como ponto a desfavor do Contribuinte) a meio caminho, ou já ao final, d’uma construção lingüística dessa natureza (sobre a caracterização da simulação, fraude, abuso de direito), mas não de saída, como se extrai da increpação da Fiscalização. O argumento da empresa veículo, de papel, de prateleira vem, se o caso, para confirmar, ainda mais confirmar, uma história que se está a contar (e, obviamente, a demonstrar) no sentido do engodo. E engodo, até a presente linha desse Voto, não se teve. E assim se crê por uma singela razão, a dizer: é a própria legislação, melhor e mais preciso ainda, é a própria Lei, que estimulou e estimula a criação de um talvez fantasma que responde pelo epíteto de empresa veículo, de papel, de prateleira. Ou vaise negar que a discussão que se coloca nesses autos, pela via do permissivo posto nos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997 (autorização de aproveitamento do ágio formado na aquisição de participações societárias, assim pela amortização de sua contrapartida e conseqüente redução da base de cálculo do lucro real), e sob o fundo das ditas empresas veículos, de papel, de prateleira, é algo novo no contencioso administrativo? Notese ainda que a autorização legal sobredita, nascida, a sabença de todos, sob o influxo das privatizações, resistiu ao seu próprio tempo. De fato, tentada a revogação do inciso III do art. 7º da Lei nº 9.532, de 1997, isso por meio do Projeto de Lei nº 2.922A, de 2000, tal atalho foi rechaçado na Câmara de Deputados, e sob o argumento final, já superada a ambiência das privatizações, do estímulo ao investimento e à reorganização societária, tais a contribuir para o fortalecimento das bases da economia nacional (registrese, para o devido crédito intelectual, que essa última passagem é a suma de pequeno trecho do voto exarado pelo Conselheiro Valmir Sandri no Acórdão sob nº 1301000.711, disponível em https://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/index.jsf; Fl. 5927DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente e m 11/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.723053/201272 Acórdão n.º 1401001.240 S1C4T1 Fl. 31 30 pesquisa feita em 10/05/2013). O recado enfim que vem do povo (no sentido do art. 1º, parágrafo único, da Constituição: todo poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos [...]): garantase, à toda força, o aproveitamento do ágio formado segundo os parâmetros dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997. Ou, equivalentemente: não é um ponto, um único ponto (o simples fato da empresa veículo, de papel, de prateleira), que há de comprometer o desfrute da benesse fiscal. 33. Isso considerado, estimase que empresas veículo, de papel, de prateleira, não estão a cumprir qualquer atividade operacional, a demandar, de ordinário, a articulação de fatores de produção (mão de obra, capital, recursos naturais, capacidade tecnológica, capacidade empresarial), articulação essa voltada para resolver o clássico problema econômico fundamental (combinar recursos que são escassos para a satisfação de necessidades humanas ilimitadas, isso na cadeia produçãodistribuiçãoconsumo). Empresas veículo servem, isto sim e de imediato, à causa dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997 (normativos afirmados à época das privatizações e também confirmados depois). O abuso pode permear a espécie? Até pode (e essa Turma de Julgamento já enfrentou casos que tais). Ocorre que, presentemente, há legitimidade no expediente: justificase operacionalmente a criação d’uma empresa nacional que, aqui no país, está a coordenar/integrar a vontade, o interesse d’outros sete investidores estrangeiros para, em uníssono, firmar tratativas (aí incluída a conseqüente produção de documentário técnico contratualburocrático)em face de NAMISA e CSN, e mais outros particulares e entes governamentais (verseá na seqüência, aliás). 34. De toda forma e particularmente, mesmo que se jogue às traças o argumento de linhas acima – que, com vênia, se crê um evidente teleológico pulsante nos arts.7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, se nada, com consistência, estimula algum senão –, sobre Big Jump, acresçase: 34.a. Se, sem disputa, Fiscalização e Contribuinte (CSN), assentam sobre a data de encerramento de Big Jump em julho/2009, quando essa última foi incorporada pela NAMISA, e o respectivo procedimento fiscal inaugurouse com a ciência do termo de fl.02 (caso CSN), assim havida em 25/11/2010 (fl. 03 do caso CSN), então e de fato, quando da diligência de que resultaram nas fotos de fls. 4.930/4.951 (caso CSN), nada se prova sobre uma possível inexistência d’uma sala 85A à época da vida de Big Jump (de passagem, ditas fotos não estão datadas). Demais disso, constatouse a existência do nº 247 à rua Consolação, do edifício aí presente (Henrique Toledo Lara), d’um seu terceiro andar, onde, não menos relevante dizer, operava/opera o escritório de advocacia Machado Meyer, Sendacz e Opice Advogados que, de seu turno, detinha poderes de representação de Big Jump. É a própria Fiscalização que o diz (fl. 5.076 do caso CSN): Fl. 5928DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente e m 11/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.723053/201272 Acórdão n.º 1401001.240 S1C4T1 Fl. 32 31 Considerada uma tal circunstância, não seria muito, já que se foi a tanto, considerarse a hipótese de abertura de diligência com o só fito de se intimar dito escritório de advocacia a responder por Big Jump. Isso tudo sem dizer ainda que o escopo do art. 41 da Instrução Normativa RFB nº 748, de 2007, chamado a lume pela Fiscalização, rende espaço processual próprio (leiase, contraditório) para se chegar à conclusão da pessoa jurídica inexistente de fato. E contraditório sobre esse específico ponto dele não se tem notícia nos presentes autos. Note e por inteiro a subseção III, arts. 41 a 44, da IN RFB nº 748, de 2007, e retirese de lá a conclusão da necessidade d’um contraditório específico e voltado ao objeto pessoa jurídica inexistente de fato (um obrigatório, quando da cassação; outro facultativo, se aprouver ao Contribuinte a reabilitação da inscrição junto ao CNPJ)." Com a devida vênia, não me parece revelar falta de capacidade operacional a ausência de estrutura, com conta de luz, água e telefone, para a sociedade que tem por objeto a atividade de holding. Pareceme, ainda, ter razão a autoridade julgadora a quo quando relaciona documentos que revelam a vida empresária da Big Jump (fls.5.5895.5290): "34.b. A revelar vida empresária, Big Jump (os documentos referenciados a seguir o são por cópia, e estão relacionados na ordem em que aparecem nos autos do caso CSN): i. Em fevereiro/2009, recebe “Proposta para prestação de serviços profissionais de finanças” por parte de “Experience – gestão empresarial”, cujo objeto seria a “elaboração em planilhas Excel do balanço patrimonial e da demonstração do resultado da Big Jump de cada um dos períodos a findar em 31 de março, 30 de Junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de 2009 [e, também, aquele findo em 31 de dezembro de 2008, mas em outra proposta] em conformidade com os US GAAP”. (fls. 1.447/1.457, caso CSN); ii. Em junho/2009, contrata “Itochu Brasil S.A.” para, grande linha, prestarlhe serviço de assessoria contábilfinanceiro jurídicoadministrativa (fls. 1.459/1.464, caso CSN); iii. Em abril/2009 e junho/2009, recebe “Proposta de serviços profissionais” de “KPMG Auditores Independentes” (fls. 1.465/1.500, caso CSN); iv. Em março/2009, fecha contrato com “Libercon Consultoria para Estrangeiros Ltda.” pela prestação de serviço “consistente na elaboração de pedido de autorização de trabalho estrangeiro em caráter permanente a favor de HIRONORI MAKANAE” (fls. 1.501/1.503); v. Em junho/2009, qualificada como parte interessada, figura em contrato firmado entre, d’um lado, “Machado, Meyer, Sendacz e Opice – Advogados” e, d’outro, “Itochu Corporation, JFE Steel Fl. 5929DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente e m 11/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.723053/201272 Acórdão n.º 1401001.240 S1C4T1 Fl. 33 32 Corporation, Kobe Steel, Ltd., Nippon Steel Corporation, Nisshin Steel Co., Ltd., Nissin Steel Co., Ltd., Sumitomo Metal Industries, Ltd., Pohang Iron and Steel Company – POSCO”, o qual teve por objeto a prestação de assessoria legal “related to the acquisition of the stake into NAMISA, acquisition of Casa da Pedra mine and other related matters as evidenced by engagement letters dated May 27, 2008 and January 27, 2009 […]” (fls. 1.504/1.507, caso CSN); vi. Em março/2009, contrata “NK Auditoria e Consultoria Contábil S/C Ltda.” para lhe prestar serviços contábilfiscais (escrituração, cumprimento de obrigações fiscais em face da RFB e municípios; fls. 1.508/1.510, caso CSN); vii. Em abril/2009, contrata “Planconsult – Planejamento e Consultoria Ltda.” para efeito de “Avaliação EconômicoFinanceira da empresa NAMISA Nacional Minérios S/A, através do método fluxo de caixa (DCF), para fins de justificativa de amortização de ágio, conforme especificado na proposta nº 0400036/09, de 14 de abril de 2009, anexa ao presente contrato.” (fls. 1.512/1.538, caso CSN); viii. Em março/2009, recebe proposta de prestação de serviço de “Price Water house Coopers Outsourcing” atinente à elaboração de demonstrações financeiras do anocalendário de 2008, bem que sobre a elaboração de “obrigações acessórias (Dacon 2º. Semestre/2008, DCTF 2º. Semestre/2008, RAIS Negativa, e DIPJ ano calendário 2008/exercício 2009” (fls. 1.539/1.556, caso CSN); ix. Em 26/06/2009, emite cheque a benefício de Itochu Brasil S.A. “cfm NFS 2976 ref. Serviços de assistência em consultoria administrativa, contábil e financeira”, no importe de R$ 91.625,75, já líquido de IRRF, PIS, Cofins e CSLL (a título de que anota a retenção de R$ 6.004,25). Na mesma data, Itochu Brasil S.A. emite o correspondente recibo a favor de Big Jump. Também, nota fiscal de prestação de serviço extraída do sistema eletrônico na internet da Prefeitura do Município de São Paulo foi juntada aos autos, junto à qual, em sobreposição parcial, evidenciase o comprovante da respectiva movimentação financeira, via TED. (fls. 1.617/1.619, caso CSN); x. Em 26/06/2009, emite cheque a benefício de NK Auditoria e Consultoria Contábil Ltda. “cfm Fatura 1073 ref. Honorários contábeis do período de Jun a Jul/09”, no importe de R$ 6.300,00. Na mesma data, NK Auditoria e Consultoria Contábil Ltda. emite o correspondente recibo a favor de Big Jump. Extrato demonstrativo de tal movimentação financeira também vem junto aos autos (fls. 1.621/1.624, caso CSN); xi. Em 26/06/2009, emite cheque a benefício de PS Publicidade e Serviços Ltda. “cfm NFS 5561 ref. Publicação de AGO no jornal Diário Oficial do Estado de SP e Jornal Empresas e Negócios”, Fl. 5930DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente e m 11/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.723053/201272 Acórdão n.º 1401001.240 S1C4T1 Fl. 34 33 no importe de R$ 3.474,00. Cópia de dita nota fiscal de prestação de serviços segue nos autos, bem que extrato demonstrativo de tal movimentação financeira. (fls. 1.626/1.628, caso CSN); xii. Em 26/06/2009, emite cheque a benefício de Machado, Meyer, Sendacz e Opice – Advogados, “cfm Fautra 189794 ref. Honorários advocatícios” e “cfm Fatura 189793 ref. Honorários advocatícios”, tudo no importe de R$ 281.814,92, contra o que o escritório em referência emite o competente recibo em favor de Big Jump. Dito montante já vem líquido de IRRF, PIS, Cofins e CSLL (para o que anotado R$ 9.918,57). Boletos bancários tendo como cedente o escritório de advocacia em consideração, sobre eles impressa a respectiva chancela mecânicobancária indicativa do efetivo pagamento, seguem nos autos também (fls. 1.630/1.649, caso CSN); xiii. Em 30/06/2009, emite cheque no importe de R$ 100,00 para efeito de pagar “DARF referente multa pela entrega em atraso da DCTF do 1º Semestre de 2008”. O respectivo DARF, com chancela mecânicobancária indicativa de pagamento, segue nos autos (fls. 1.651/1.652, caso CSN); xiv. Em 08/07/2009, emite cheque no importe de R$ 250,00 para efeito de pagar “DARF referente multa pela entrega em atraso da DACON do 1º Semestre de 2008”. O respectivo DARF, com chancela mecânicobancária indicativa de pagamento, segue nos autos (fls. 1.654/1.655, caso CSN); xv. Em 23/07/2009, emite cheque no importe de R$ 95.727,00 a benefício de Planconsult – Planejamento e Consultoria Ltda., “cfm Fatura 716 ref. Laudo de avaliação Econômico financeira da Namisa – complemento”, “cfm Fatura 716 ref. Laudo de avaliação Econômico financeira da Namisa”, já líquido IRRF, PIS, Cofins e CSLL (para o que anota retenção de R$ 6.273,00). Também segue extrato demonstrativo de tal movimentação financeira (fls. 1.657/1.663, caso CSN); xvi. Em 12/06/2009, emite cheque a benefício de NK Auditoria e Consultoria Contábil Ltda. “cfm Fatura 1062 ref. Honorários contábeis do período de Jan a Mai/09” e “cfm Fatura 1051 ref. Honorários contábeis do período de Fev a Abri/09”, tudo no importe de R$ 3.250,00. Extrato demonstrativo de tal movimentação financeira também vem junto aos autos (fls. 1.665/1.669, caso CSN); xvi. Em 26/06/2009, emite cheque a benefício de Price Water House Coopers “cfm FS 1397 ref. Honorários profissionais” no importe de R$ 600.444,00, já líquido de IRRF, PIS, Cofins e CSLL (para o que anota retenção de R$ 15.396,00). Boleto bancário tendo como cedente a consultoria retro, sobre ele impressa a respectiva chancela mecânicobancária indicativa do efetivo pagamento, segue nos autos também (fls. 1.671/1.672, caso CSN); xvii. Em 26/06/2009, emite cheque a benefício de Experience – Gestão Empresarial Ltda. “cfm NFS 180 ref. Conversão de Fl. 5931DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente e m 11/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.723053/201272 Acórdão n.º 1401001.240 S1C4T1 Fl. 35 34 balanço de Dez/08 para USGAAP”, “cfm NFS 184 ref. Conversão de balanço de Jun/09 para USGAAP”, e “cfm NFS 186 ref. Conversão de balanço de Mar/09 para USGAAP” no importe total de R$ 18.770,00. Anota a retenção de IRRF, PIS, Cofins e CSLL. Segue junto extrato da respectiva movimentação bancária (fls.1.675/1.680, caso CSN); xvii. Em 23/06/2009, emite cheque a benefício de NK Auditoria e Consultoria Contábil Ltda. “cfm Fatura 1064 ref. Honorários para emissão de Certificado Digital” no importe de R$ 630,00. Segue junto extrato da respectiva movimentação bancária (fls. 1.682/1.683, caso CSN); xviii. Em 12/06/2009, emite cheques a benefício de Libercon – Consultoria Para Estrangeiros Ltda. “cfm NFS 852 ref. Serviços prestados na autorização de cargo de concomitância de Yasushi Nagai” e “cfm NFS 853 ref. Serviços prestados na autorização de cargo de concomitância da Masahiko Ena”, no importe total de R$ 5.384,66. Anota a retenção de IRRF, PIS, Cofins e CSLL. Seguem também as respectivas duplicatas lançadas contra Big Jump, emitidas pela referida consultoria, além das devidas notas fiscais de prestação de serviço conforme extraídas do sistema eletrônico na internet da Prefeitura do Município de São Paulo, e sobre as quais vêm reproduzido extrato das respectivas movimentações financeiras (fls. 1.685/1.691, caso CSN); xix. Em 19/05/2009, emite cheque a benefício de Price Water House Coopers “cfm Nota de Débito 4366, ref. Reembolso de despesas de transporte”, no importe de R$ 159,00. Segue a respectiva nota de débito, e suas especificações, lançada pelo nomeado beneficiário contra Big Jump, bem que boleto e ao pé do qual notase chancela mecânicobancária indicativa do efetivo pagamento (fls. 1.694/1.698, caso CSN); xx. Em 12/06/2009, emite cheque a benefício de PS Publicidade e Serviços Ltda. “cfm recibo ref. Reembolso de despesas com registro na Junta Comercial do Balanço publicado”, no importe de R$ 74,00. Segue respectivo boleto lançado contra Big Jump, e sobreposto a ele extrato da conseqüente movimentação financeira, bem que duas guias– GARE a totalizar o exato monte de R$ 74,00, mais extrato de pagamento em conta bancária, com a anotação “Referente a arquivamento de balanço patrimonial encerrado em 31/12/2008 (publicado no Jornal EMP&NEG em 30/04/2009” (fls. 1.700/1.704, caso CSN); xxi. Em 12/06/2009, emite cheque a benefício de KPMG Auditores Independentes “cfm Nota de Honorários 50322 ref. Honorários p/ serviços de auditoria das demonstrações financeiras findas em Dez/2008”, no importe de R$ 55.277,65, já descontado de IRRF, PIS, Cofins e CSLL incidentes (que anota no importe de R$ 3.622,35). Segue boleto tendo como cedente a auditoria referida, e ao pé do qual vem a chancela mecânico bancária indicativa do efetivo pagamento (fls. 1.706/1.707, caso CSN); Fl. 5932DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente e m 11/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.723053/201272 Acórdão n.º 1401001.240 S1C4T1 Fl. 36 35 xxii. Em 12/06/2009, emite cheque a benefício de Price Water House Coopers “cfm Nota de Débito 4442 ref. Reembolso de despesas com impressões, encadernações e entrega de documentos”, no importe de R$ 196,52. Segue a respectiva nota de débito, e suas especificações, lançada pelo nomeado beneficiário contra Big Jump, bem que boleto e ao pé do qual notase chancela mecânicobancária indicativa do efetivo pagamento (fls. 1.709/1.712, caso CSN); xxiii. Em 19/05/2009, emite cheque a benefício de Price Water House Coopers “cfm Fatura 8888, ref. Honorários de serviços contábeis prestados em 2008”, no importe de R$ 35.523,16, já líquido de IRRF, PIS, Cofins e CSLL (para o que anota retenção de R$ 2.327,84). Segue a respectiva nota de débito, e suas especificações, lançada pelo nomeado beneficiário contra Big Jump, bem que boleto e ao pé do qual notase chancela mecânicobancária indicativa do efetivo pagamento (fls. 1.714/1.718, caso CSN); xxiv. Em 08/05/2009, 19/05/2009, 08/05/2009, 12/06/2009, emite cheques contra pagamento de DARFs, no importe total de R$ 46.655,37, e sobre os quais notamse as respectivas chancela mecânicobancárias (fls. 1.721/1.722, 1.724, 1.727, 1.729/1.730, 1.732/1.740, 1.742/1.743, 1.746, 1.759, 1.774/1.775, caso CSN); xxv. Em 19/05/2009, emite cheque a benefício de PS Publicidade e Serviços Ltda. “cfm NFS 5561 ref. Publicação de Balanço patrimonial no jornal Diário Oficial do Estado de SP e Jornal Empresas e Negócios”, no importe de R$ 10.935,30. Segue respectivo boleto lançado contra Big Jump, e sobreposto a ele chancela mecânicobancária indicativa do efetivo pagamento (fls. 1.777/1.778, caso CSN); xxvi. Em 08/07/2009, fecha contrato de câmbio, na qualidade de comprador da espécie “DÓLAR DOS ESTADOS UNIDOS”, no importe de US$ 3.187.452,43 (R$ 6.373.311,63), especificada a natureza para a operação por “Antecipação de dividendos” / “OUT. REND. CAPINV. DIRLUCROS DIV BONIFICAC. DINHEIRO”, valor esse a ser remetido para o exterior a benefício de “POSCO” (fls. 1.786/1.789). xxvii. Em 08/07/2009, fecha contrato de câmbio, na qualidade de comprador da espécie “IENE”, no importe de 1.553.838.224,00 (R$ 32.967.785,59), especificada a natureza para a operação por “Antecipação de dividendos” / “OUT. REND.CAPINV.DIRLUCROS DIV BONIFICAC. DINHEIRO”, valor esse a ser remetido para o exterior a benefício de “BRAZIL JAPAN IRON ORE CORP.” (fls. 1.792/1.796); identificam os exatos montes referidos nos dois itens acima, entre outros (fls. 1.799/1.826, caso CSN); xxix. Faz realizar assembléias gerais, reuniões de diretoria em 10/10/2008, 05/11/2008, 30/12/2008, 19/02/2009, 12/03/2009, 13/04/2009, 13/05/2009, 18/06/2009, 06/07/2009 (fls. 1.827/1.851, 1.921/1.922, caso CSN); Fl. 5933DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente e m 11/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.723053/201272 Acórdão n.º 1401001.240 S1C4T1 Fl. 37 36 xxx. Parelho às assembléias gerais em que se discutiu a subscrição de ações por parte de Brasil Japan Iron Ore Corporation e Posco em Big Jump, essa última, em 30/12/2008, fecha contrato de câmbio na qualidade de vendedora da espécie “DOLAR DOS ESTADOS UNIDOS”, no importe de US$ 2.590.170.000,00 (R$ 6.202.524.688,80), especificada a natureza para a operação por “CELP – INV. DIR. BRASILEMPR NO PAIS –AUMENTO CAPITAL” / “INGRESSO DE DIVISAS – INVESTIMENTO DIRETO PARA AUMENTO DE CAPITAIS”, valor esse proveniente do exterior a mando de “BRAZIL JAPAN IRON ORE CORP.”, bem que, ainda como vendedora da mesma espécie, também fecha contrato de câmbio no monte de US$ 500.730.000,00 (R$ 1.199.068.087,20), especificada a mesma natureza, valor esse agora vindo do exterior a mando de “POSCO”. Tal movimentação consta de extrato bancário de conta corrente, sendo certo que, ainda no mesmo dia 30/12/2008, o importe de R$ 7.286.153.722,60 foi transferido para a NAMISA, remanescendo um saldo em dita conta corrente no patamar de R$ 86.560.202,49 (fls. 1.924/1.935, 1.937, caso CSN). 35. Isso tudo considerado, e nem o figurino de empresa veículo, de papel, de prateleira bem caberia para Big Jump. Difícil mesmo seria exigir mais concretude negocial/operativa do que aquela acima listada." Finalmente, salientase que os argumentos trazidos pela Procuradoria da Fazenda Nacional em contrarrazões apresentadas (recebidas por este relator como memorial, por tratarse de Recurso de Ofício), acerca da ausência de confusão patrimonial entre investidora e investida e intempestividade do laudo apresentado não serão objeto de análise desse relator já que tais argumentos não constam no Auto de Infração ora analisado. Assim, sob pena de se refazer o Auto de Infração em fundamento diverso, tais questionamentos acerca da dedutibilidade do ágio ora discutido não podem ser analisados. Com estes fundamentos, voto por negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 5934DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente e m 11/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.723053/201272 Acórdão n.º 1401001.240 S1C4T1 Fl. 38 37 Declaração de Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto O fundamento da glosa do ágio centrouse em supostos indícios de inexistência da empresa Big Jump. Conforme bem colocou o relator, há uma confusão aqui entre propósito operacional e propósito negocial: "Notase que o incômodo da Autoridade fiscal é em virtude de ter sido a Big Jump a personalização de um contrato, com o simples propósito de agrupar os investidores estrangeiros e estruturar as participações societárias da ora Recorrida por aqueles sócios. Neste momento, fazse a mesma indagação do julgador a quo: algum problema? Alguma dificuldade no fato de a Big Jump não ter propósito operacional (vejase bem, dissese propósito operacional e não propósito negocial)?" De toda sorte, quando se está diante de uma sociedade que tem por objeto a atividade de Holding a capacidade operacional é de menos relevante que o autuante deveria se apegar. O propósito negocial da criação da empresa, sim, isso é relevante. Mas de fato, o propósito negocial existiu com bem colocou a decisão de piso: "(....) Empresas veículo servem, isto sim e de imediato, à causa dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997 (normativos afirmados à época das privatizações e também confirmados depois). O abuso pode permear a espécie? Até pode (e essa Turma de Julgamento já enfrentou casos que tais). Ocorre que, presentemente, há legitimidade no expediente: justificase operacionalmente a criação d’uma empresa nacional que, aqui no país, está a coordenar/integrar a vontade, o interesse d’outros sete investidores estrangeiros para, em uníssono, firmar tratativas (aí incluída a conseqüente produção de documentário técnicocontratualburocrático)em face de NAMISA e CSN, e mais outros particulares e entes governamentais (verseá na seqüência, aliás)." Outrossim, reforçase a tese acima, o trabalho minucioso em que a autoridade julgadora a quo relaciona documentos que revelam a vida empresária da Big Jump (fls. 5.5895.5290). Posto isso, cabe aqui salientar que tenho tomado alguns critérios objetivos e relevantes para admissão da existência/aproveitamento do ágio, entre eles se destacam: As partes serem não relacionadas, como é o caso; haver o dispêndio econômico na formação da aquisição do ágio, como foi o caso; Fl. 5935DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente e m 11/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.723053/201272 Acórdão n.º 1401001.240 S1C4T1 Fl. 39 38 Em relação a situação de ser ou não empresa veículo, tenho tomado nos meus votos a seguinte linha de orientação que muito se assemelha com a linha também muito bem conduzida pela DRJ: não é pelo simples fato de ser efêmera que a operação estará a priori “contaminada”, mas ser efêmera gera uma necessidade maior do contribuinte explicar o motivo relevante dessa transitoriedade. O ônus da prova se inverte e a carga de prova para desfazer a presunção de abuso de direito ou simulação deve ser maior por parte do contribuinte; E como se viu, o propósito não foi o de somente receber determinado patrimônio em trânsito para uma outra pessoa jurídica, com o fito tão somente de se apropriar indevidamente de um ágio que lhe convinha aproveitar, mas como já se colocou retro, tinha também como propósito negocial o de assegurar a todos os investidores (que eram muitos) que os outros participariam nas condições previamente acordadas. Ou seja tratase de uma questão de garantia e sincronismo do negócio a ser entabulado no Brasil. Isso quer dizer que se na situação em comento só existisse, por exemplo, um único investidor, muito dificilmente pelo meu raciocínio iria vislumbrar um propósito negocial na situação hipotética, fazendo com que a carga de prova para demonstrálo fosse muito maior por parte do interessado, como já aconteceu em outros votos que tive a oportunidade de me manifestar; Outra condição importante que costumo adotar é que a dedução autorizada pelo artigo 386 do RIR/99 decorre de haver um encontro no mesmo patrimônio da participação societária adquirida com o ágio pago por essa participação. Em face dessa "confusão patrimonial" entre o investimento e o ágio pago pela sua aquisição, somente nessa situação a legislação admite que o contribuinte considere perdido o seu capital investido com o ágio e, assim, deduza a despesa que ele teve quando da sua aquisição. Também considero atendida essa condição no caso concreto, uma vez que foi a BIG Jump que fez o aporte de capital a partir do qual surgiu o ágio e ao tempo em que foi incorporada posteriormente. Nesse ponto, não assiste razão à PFN em suas contrarrazões quando leva em consideração que isso não tenha ocorrido em função de os reais adquirentes foram as sete sociedades estrangeiras e não a Big Jump. Ora, mas isso é tomar com premissa já aquilo que se tem que provar, ou seja, que a Big Jump seria apenas uma empresa de simulada, o que já se demonstrou retro que não é o caso; Por fim, utilizome de uma outra condição, porém de forma subsidiária para reforçar outros pontos relevantes não atendidos. É o caso de se noticiar a intempestividade do laudo de rentabilidade futura que não foi levado em consideração como fundamento da glosa. No caso, o fiscal não noticia isso como motivo para a glosa, mas apenas a PFN. Nesse caso, acompanho as conclusões do eminente relator a esse respeito no sentido não levar isso em consideração. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 5936DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente e m 11/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.723053/201272 Acórdão n.º 1401001.240 S1C4T1 Fl. 40 39 Declaração de Voto Conselheira Karem Jureidini Dias Dada a relevância do tema, entendo oportuno apresentar declaração de voto, seja para fins de esclarecer o posicionamento por mim adotado no tocante ao mérito, seja para fins de enaltecer o bem fundamentado acórdão da Delegacia de Julgamento e o voto do ilustre relator. Conforme relatado, o lançamento se refere à exigência de IRPJ e CSLL, em virtude de a Recorrida (Nacional Minérios S.A.), na ótica da Fiscalização, ter deduzido de forma indevida despesas com amortização de ágio. A acusação fiscal assim descreve a operação: “a auditoriafiscal realizada na NAMISA demonstrou que, para dissimular a venda de 40% de seu capital, foi simulada a criação de uma empresa veículo, a Big Jump Energy Participações S.A, empresa que nunca existiu fisicamente”. Referida empresa foi utilizada, segundo acusação, para: “em dezembro de 2008, receber R$ 7,4 bilhões entregues pelas empresas japonesa e coreana e, no mesmo dia, repassar R$ 86,56 milhões à CSN; e repassar R$ 7,28 bilhões à NAMISA, em razão da capitalização. Informouse que a compra envolvia apenas 0,7907% do capital da NAMISA. Em 2009, a empresa foi incorporada pela NAMISA.” Prossegue a fiscalização: “depois de receber a transferência bancária da Big Jump, a Namisa, no mesmo dia 30/12/2008, transferiu todos os 7,28 bilhões para a CSN, como “antecipações de pagamento referente à aquisição futura de minério de ferro e serviços portuários de embarque de minério de ferro para exportação (...) A NAMISA, ao longo de 2009, 2010 e 2011, reduziu em centena de milhões de reais, seu lucro real e base de cálculo da CSLL, a título de despesas de amortização de ágio irregularmente constituído pela Big Jump”. Ou seja, a acusação reside em uma suposta simulação da compra e venda de ações da NAMISA à CSN, a partir de um aumento de capital seguido de pagamento antecipado parte do preço pelo fornecimento de minérios e pela prestação de serviços portuários de modo a “mascarar” o negócio jurídico que teria sido efetivamente realizado. O relator original bem delimitou a presente lide, esclarecendo que as questões objeto do recurso de ofício estão adstritas aos fundamentos do auto de infração e da decisão que cancelou o mesmo. Ou seja, o fundamento da glosa do ágio está intrinsecamente relacionado com a premissa de suposta inexistência da Big Jump, que decorre da suposta simulação na alienação das participações societárias da Recorrida para a CSN, conforme análise do processo nº 19515.723039/201279, no qual também proferi declaração de voto. No mesmo sentido, o ilustre Conselheiro com vistas também explica que o fundamento da glosa do ágio centrouse em supostos indícios de inexistência da empresa Big Jump. Esclarecese aqui que não há efetiva contestação da existência do ágio, mas, em verdade, discutemse os requisitos para sua dedutibilidade. E na linha da acusação feita pela fiscalização, questionase se a utilização da empresa Big Jump implicaria, no presente caso, em uma simulação e impediria a dedutibilidade do ágio. Fl. 5937DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente e m 11/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.723053/201272 Acórdão n.º 1401001.240 S1C4T1 Fl. 41 40 Conforme me manifestei em Declaração de Voto nos autos do processo administrativo nº 19515.723039/201279, compulsandoos, constatase que o lançamento é fundamentado em presunções de fato quanto ao que efetivamente ocorreu. Durante o procedimento de fiscalização, o contribuinte apresentou diversos elementos que fundamentaram a maneira como foi formatado o negócio. Esclarecei naqueles autos, cuja autuada era a CSN, que: "Primeiramente, o negócio foi feito entre partes independentes tendo, inclusive, sócios estrangeiros como intervenientes. Este é um primeiro elemento que afasta as acusações de simulação. A DRJ esclarece que “do ponto que se parte (negociação havida entre partes independentes), de saída, não cabe questionar valores e índices contratuais, tanto mais quando neles (preços e índices) não se identifica o absurdo ao senso comum.” Em segundo lugar, todos os demais indícios apontam, em verdade, para uma venda parcial, acompanhada da prestação de serviços e da entrega de mercadorias, conforme contratos do contribuinte, o que justifica, inclusive, os preços acordados. (...)." O que se constata, sendo despiciendo reiterar o voto dos ilustres conselheiro relator e conselheiro com vistas, é que está devidamente justificada a forma como a operação está estruturada e, inclusive, a existência da empresa Big Jump. Sobre este aspecto, a acusação da fiscalização utiliza como fundamentos a inexistência da sala constante no endereço da pessoa jurídica o que, consequentemente revelaria falta de capacidade operacional: não tendo sequer uma sede real, a empresa não tinha capacidade operacional para realizar seu objeto social, o que faz com que ela pudesse ser considerada ‘pessoa jurídica inexistente de fato’ (fl. 5.076). No entanto, conforme bem fundamentado pelo acórdão recorrido (o que foi seguido pelos demais votos), justificase “operacionalmente a criação d’uma empresa nacional que, aqui no país, está a coordenar/integrar a vontade, o interesse d’outros sete investidores estrangeiros para, em uníssono, firmar tratativas (aí incluída a conseqüente produção de documentário técnicocontratualburocrático) em face de NAMISA e CSN, e mais outros particulares e entes governamentais (verseá na seqüência, aliás)”. Ademais, por se tratar de uma holding, não há relevância em se exigir capacidade operacional. Nada obstante, independentemente da existência ou inexistência de capacidade operacional, é inegável que no presente caso está confirmada a existência de causa a justificar a inafastabilidade da Big Jump, cujo propósito foi, em especial, a viabilização de operação por um grupo de investidores, inclusive estrangeiros, que nela consolida recursos para promover investimentos no país, e a partir do qual há geração de ágio. Em suma, afastada a acusação de simulação e de inexistência da empresa Big Jump, bem como verificados os indícios – provas objetivas – no presente processo demonstram a convergência em relação ao negócio formatado, e o cumprimento dos demais requisitos para dedutibilidade do ágio, declaro o voto no sentido de negar provimento ao Recurso de Ofício, reiterando os bons fundamentos exarados no acórdão recorrido e no voto do ilustre relator. (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias Fl. 5938DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente e m 11/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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Numero do processo: 14041.000056/2009-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/11/2004
REMUNERAÇÃO. CARTÃO PREMIAÇÃO. INCENTIVO. PARCELA SUJEITA À INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS.
A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de cartão premiação em programa de incentivo integra o salário-de-contribuição, por não haver previsão legal de não incidência.
ABONO SALARIAL. VINCULAÇÃO AO SALÁRIO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES.
Incidem contribuições sociais sobre os abonos não desvinculados do salário.
JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.920
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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CARTÃO PREMIAÇÃO. INCENTIVO. PARCELA SUJEITA À INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de cartão premiação em programa de incentivo integra o saláriodecontribuição, por não haver previsão legal de não incidência. ABONO SALARIAL. VINCULAÇÃO AO SALÁRIO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Incidem contribuições sociais sobre os abonos não desvinculados do salário. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 00 56 /2 00 9- 39 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Presidente em Exercício Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO Processo nº 14041.000056/200939 Acórdão n.º 2401003.920 S2C4T1 Fl. 89 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 03 33.742 de lavra da 7.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Brasília (DF) (fls. 44/55), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração n.º 37.202.8020. A lavratura em questão referese a exigência de contribuições dos segurados. De acordo com o Relatório Fiscal, fls. 14/20, os fatos geradores contemplados no lançamento foram constatados mediante análise da contabilidade e das folhas de pagamento apresentadas pelo sujeito passivo e dizem respeito ao pagamento das parcelas denominadas "Abono Salarial" e "Prêmio de Incentivo à Produtividade", as quais são consideradas remuneração nos termos da legislação aplicável. Cientificada em 23/01/2009, a autuada contestou o lançamento, por meio do instrumento de fls. 24/35. Não tendo as razões defensórias sido acolhidas pela DRJ, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário de fls. 58/70, no qual, inicialmente argumentou que o recurso foi apresentado no prazo legal. Depois, passou a mencionar os principais fatos do processo e tratou dos pontos abaixo. Prêmio de Incentivo à Produtividade Em consonância com o mercado em que atua, criou em parceria com a empresa Freecard Marketing de Incentivo programas de motivação e incentivos, para aumento de produtividade, além de programa de fidelidade, utilizandose de sistemas de premiação, baseado num processo contínuo de relacionamento empresaclientes. O programa de incentivo à produtividade é dirigido aos seus funcionários, com vistas a maximizar resultados e recompensar os empregados com base em critérios de desempenho e produtividade. Os contemplados pelo plano recebem cartão magnético, que opera com sistemas de créditos, os quais são aceitos em sistemas de compras e serviços no comércio em geral. Os prêmios somente são concedidos a quem obtiver a performance estabelecida no programa, que é previamente conhecida por todos os participantes. Por outro lado, o sistema sob enfoque não guarda qualquer relação com rendimentos salariais ou utilidades, tampouco possui caráter ordinário, tratandose de premiação conferida a titulo gracioso e de júbilo, com a finalidade de incentivo pela performance profissional. Em que pese a amplitude do conceito de remuneração constante no ordenamento pátrio o programa Freecard Marketing de Incentivo não representa comissão, Fl. 90DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO 4 percentagem, gratificação ou abono, mas prêmio concedido em função do esforço produtivo, não assumindo assim feição salarial, dado o seu caráter de extraordinariedade. Os prêmios, concedidos mediante crédito em cartões, não representam contraprestação pela utilização de mãodeobra, tendo função meramente incentivacional. Por isso não existe qualquer previsão legal de sua inclusão no conceito de remuneração. Não se subsumem estes prêmios às utilidades previstas no art. 458 da CLT, tampouco figuram no conceito de saláriodecontribuição previdenciário. Ainda que se admitisse, ad absurdo, a possibilidade de inclusão dos valores destinados à premiação mediante o valeprêmios, dentro do âmbito do saláriodecontribuição, a simples constatação de sua natureza de pagamento eventual é razão suficiente a afastar a incidência de contribuições sobre a verba, nos termos do item 7 da alínea "e" do § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991. Apresenta precedentes judiciais que atestam a feição eventual desses prêmios e afasta o seu tratamento como salário. Devese ter em conta que o § 1.º do art. 108 do CTN veda a aplicação da analogia para se exigir tributo não previsto em lei. Assim a apuração fiscal sobre essa verba fere o princípio da estrita legalidade. Abono Salarial Não há que se falar em descumprimento de incidência de contribuições sociais sobre abono salarial referente ao mês de maio/2004, porque feito de acordo com a Convenção Coletiva de Trabalho firmado entre o Sindicado dos Empregados no Comércio do Distrito Federal e o Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos do Distrito Federal SINCODIVE. Ao final, requereu que: a) o AI seja declarado improcedente; b) ou caso assim não se entenda, que os juros sejam reduzidos ao percentual permitido em lei. É o relatório. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO Processo nº 14041.000056/200939 Acórdão n.º 2401003.920 S2C4T1 Fl. 90 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Prêmio de Incentivo à Produtividade Sobre a questão da incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores repassados aos empregados da recorrente mediante cartão de premiação, iniciamos a fundamentação lançando comentários sobre a legislação que regula a cobrança de contribuições para financiamento da Seguridade Social. As contribuições incidentes sobre as remunerações pagas às pessoas físicas com e sem vínculo empregatício encontram fundamento máximo de validade no art. 195, alínea “a” do inciso I da Constituição Federal de 1988 (redação dada pela EC n.º 20/1998): Art.195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (...) Observese que a Lei Maior, a princípio permite a exação para a Seguridade Social sobre pagamentos efetuados pelo empregador a qualquer título a pessoa que lhe preste serviço, sendo irrelevante o fato da quantia ter sido paga ou creditada ao obreiro. A Lei n.º 8.212/1991 confere eficácia à citada determinação constitucional, tratando da contribuição patronal sobre as remunerações disponibilizadas aos empregados nos seguintes termos: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, Fl. 92DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO 6 inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26/11/1999). (...) Temos que o conceito previdenciário de remuneração, o chamado saláriode contribuição, é bastante amplo, o qual também é cuidado no inciso I do art. 28 da Lei n.º 8.121/1991, nestes termos: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997). Como se pode observar, a princípio, qualquer rendimento pago em retribuição ao trabalho, qualquer que seja a forma de pagamento, enquadrase como base de cálculo das contribuições previdenciárias. Todavia, tendose em conta a abrangência do conceito de saláriode contribuição, o legislador achou por bem excluir determinadas parcelas da incidência previdenciária, enumerando em lista exaustiva as verbas que estariam fora deste campo de tributação. Essa relação encontrase presente no § 9.º do artigo acima citado. A tese da recorrente é de que esses ganhos seriam eventuais e por isso estariam livres da tributação em razão da norma inserta no item 7 da alínea “e” do § 9. do art. 28 da Lei n. 8.212/1991. A meu ver esse entendimento não se coaduna com a melhor exegese da legislação. Eis a norma citada: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) e) as importâncias: (...) 7.recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (...) A interpretação do dispositivo acima não pode ser dissociada daquele inserto no “caput” do mesmo artigo, acima transcrito, mas que não custa apresentar mais uma vez: Fl. 93DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO Processo nº 14041.000056/200939 Acórdão n.º 2401003.920 S2C4T1 Fl. 91 7 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (...) Em primeiro lugar esse benefício não diz respeito a um ganho eventual, antes se refere a uma parcela repassada aos empregados como forma de aumentar a produtividade destes e aumentar a satisfação da clientela. Eventual é o que depende de evento incerto e futuro. O pagamento dessa verba, ao contrário, surge da existência do vínculo de emprego. O dito benefício não foi pago por um infortúnio (uma eventualidade), por exemplo, uma doação no caso de força maior, mas é na verdade uma concessão negociada, uma retribuição, um agrado, ou qualquer outro nome que se queira dar, que nasce de um pacto laboral, representando um ganho pelo trabalho efetuado com maior produtividade. Não há dúvida de que, no caso concreto sob cuidado, as premiações efetuadas mediante créditos em cartões eram disponibilizadas em razão do vínculo contratual estabelecido entre empresa e os trabalhadores. Na verdade, esses pagamentos, malgrado sejam concedidos em razão do alcance de determinadas metas fixadas pelo empregador, como demonstrado pela documentação colacionada, não podem ser considerados eventuais, uma vez que o segurado, sabe a priori que, uma vez obtido o resultado fixado no regulamento, fará jus ao bônus. Independe, para fins de tributação, que a verba seja paga diretamente pelo empregador, ou se esse repassa a verba ao empregado mediante o crédito em cartões feitos por uma terceira empresa. Os autos revelam que os valores passaram ao patrimônio dos segurados em razão do contrato de trabalho que têm com a recorrente, a qual incontestavelmente fez o repasse dos valores correspondentes, ainda que os mesmos tenham se dado via empresa prestadora de serviços de marketing promocional. Portanto, afasto a alegada natureza de ganhos eventuais da verba sob comento, até porque a mesma foi disponibilizada aos empregados da recorrente em razão de incremento na sua produtividade, conforme programa de incentivo previamente divulgado. Abono Salarial Apreciando a legislação previdenciária, mais precisamente o art. 28 da Lei n.º 8.212/1991, observase que os abonos, de maneira geral, compõe a base de incidência das contribuições, como se pode ver do dispositivo: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: Fl. 94DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO 8 I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (...) Do texto legal é possível se inferir que qualquer vantagem paga ao empregado para lhe retribuir o trabalho prestado, independente da sua denominação, compõe o saláriodecontribuição. Vejamos, então, a cláusula do Convenção Coletiva de Trabalho CCT que propiciou o pagamento dessa parcela: CLÁUSULA PRIMEIRA REAJUSTE SALARIAL (...) PARÁGRAFO PRIMEIRO — Todos os empregados não comissionistas receberão no mês de maio de 2004 abono no percentual de 70% (setenta por cento), sobre o salário base do empregado em vigor no mês de novembro de 2003, ficando o abono limitado ao teto máximo de R$ 1.600,00 (hum mil e seiscentos reais). PARÁGRAFO SEGUNDO — Aos Vendedores, comissionistas puros ou mistos e demais empregados que recebam remuneração variável, será pago no mês de maio de 2004, abono no valor fixo de R$ 320,00 (trezentos e vinte reais). Chama atenção o fato de que o abono para parte dos empregados, conforme o Parágrafo Primeiro acima citado, variava na proporção do salário do trabalhador, portanto, não se pode dizer que a verba era isenta de caráter salarial ou não estaria vinculada à remuneração. Por outro lado, para que os abonos sejam excluídos do saláriode contribuição, nos termos do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999, fazse necessário que seja expressamente desvinculado do salário por força de lei, como se observa do dispositivo abaixo: Art.214.(...) §9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: (...) j)ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados do salário por força de lei; (...) É de se ter em conta que na Lei n.º 8.212/1991 o abono não integrará o conceito de remuneração se, como visto, estiver expressamente desvinculado do salário, sem se referir à lei. Mas, o que seria “expressamente desvinculado do salário”? Entendo que a desvinculação somente pode decorrer de lei, pois, do contrário, poderiam as próprias partes Fl. 95DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO Processo nº 14041.000056/200939 Acórdão n.º 2401003.920 S2C4T1 Fl. 92 9 estabelecer a natureza dos abonos, o que afronta o princípio da estrita legalidade e, portanto toda a lógica vigente no custeio previdenciário. Para mim, mesmo a lei não tendo distinguido entre desvinculação pela lei ou pelas partes, aqui cabe ao intérprete distinguir com base na interpretação sistemática, pois o ordenamento oferece adequada solução ao intérprete, toda calcada na reserva de lei, mormente para o estabelecimento de isenção (art. 176 do CTN), nunca permitindo às próprias partes convencionarem tal benesse. Não esquecendo que, como bem asseverou a DRJ, o fato da disponibilização da verba estar previsto em norma coletiva de trabalho não altera sua natureza frente às normas tributárias. É certo que as Convenções e Acordos Coletivas de Trabalho são de observância obrigatória para as partes, todavia, não estão acima da legislação de custeio da Seguridade Social. Em razão do princípio da estrita legalidade tributária, nosso ordenamento não admite que acordos entre patrões e empregados venham afastar a incidência tributária sobre determinado fato gerador. Para finalizar este tópico, irei tratar da aplicabilidade ao presente caso das disposições do Ato Declaratório PFN n. 16/2011, o qual transcrevo: ATO DECLARATÓRIO Nº 16 /2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2114 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 09/12/2011 , DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não há incidência de contribuição previdenciária”. JURISPRUDÊNCIA: REsp nº 434.471/MG (DJ 14/2/2005), REsp nº 1.125.381/SP (DJe 29/4/2010), REsp nº 840.328/MG (DJ 25/9/2009) e REsp nº 819.552/BA (DJe 18/5/2009). Brasília, 20 de dezembro de 2011. Como se percebe do texto acima a Fazenda, curvandose a jurisprudência dominante do Egrégio STJ, abriu mão de insistir na cobrança de contribuições incidentes sobre abonos, que guardem, além da previsão em Convenção Coletiva de Trabalho, as seguintes características: a) seja único; Fl. 96DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO 10 b) não tenha vinculação com o salário; e c) não seja habitual. Assim, para que a verba seja excluída do saláriodecontribuição por força do referido Ato Declaratório, há de se encontrar na norma coletiva de trabalho as três condições acima mencionadas. O termo “único” aí utilizado pode ser entendido no sentido de exclusividade, ou seja, que cada CCT somente poderia conter um abono desta natureza, ou no sentido de quantidade de pagamentos, hipótese em que desembolso teria que ser feito em parcela única. Para mim, a melhor interpretação é de que esse abono, para se compatibilizar com o Ato Declaratório, deve ser pago em parcela única, posto que no sentido contrário as partes, para fugir da tributação, poderiam substituir parte do salário por um abono pago em, por exemplo, doze parcelas, situação que não pode ser admitida. Quanto à vinculação com o salário, o sentido desse termo pode ser extraído da jurisprudência citada no Parecer PGFN/CRJ n. 2.114/2011, o qual originou o Ato Declaratório em questão. Vejamos: 2. Acompanho o relator apenas quanto à inexistência de violação ao artigo 535 do CPC. Divirjo, todavia, em relação à questão da incidência ou não da contribuição previdenciária e do FGTS sobre os valores pagos a título de "abono único" decorrentes de convenção coletiva de trabalho. (...) Ora, considerando a disposição contida no art. 28, § 9. , 'e', item 7, da Lei 8.212/91, é possível concluir que o referido abono não integra a base de cálculo do salário de contribuição, já que o seu pagamento não é habitual observese que, na hipótese, a previsão de pagamento é única, o que revela a eventualidade da verba, e não tem vinculado ao salário notese que, no caso, o benefício tem valor fixo para todos os empregados e não representa contraprestação por serviços, tendo em vista a possibilidade dos empregados afastados do trabalho também receberem a importância. Nesse contexto, é indevida a incidência da contribuição previdenciária sobre as importâncias recebidas a título de "abono único" previstas na cláusula acima referida. (...) (grifou se) (STJ, REsp 819.552/BA, 1. Turma, Rel. Min. Luiz Fux, Rel. p/ ac Teori Albino Zavascki, DJe 18/5/2009) Percebese então que pelo julgado acima um dos elementos a serem analisados para não inclusão do abono no saláriodecontribuição é que o valor a ser pago seja o mesmo para todos os empregados e que seja recebido por todos, o que lhe retiraria o caráter contraprestacional. No caso sob apreciação observase que apesar da parcela ser paga apenas uma vez, não havia isonomia para todos os trabalhadores, sendo certo que parte deles recebiam Fl. 97DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO Processo nº 14041.000056/200939 Acórdão n.º 2401003.920 S2C4T1 Fl. 93 11 a verba em proporção ao seu salário. Assim, é de se concluir que o "Abono Salarial" deve ser tratado como verba contraprestativa, posto que vinculado ao salário. Vêse, portanto, que o Ato Declaratório PFN n. 16/2011 não é aplicável a situação sob análise, haja vista que o abono era um adiantamento salarial com vinculação ao patamar remuneratório, pelo menos para parte dos empregados. Juros SELIC Quanto ao pedido para redução dos juros, não pode ser atendido. A aplicação da taxa Selic é matéria que já se encontra sumulada nesse Tribunal Administrativo, nos termos da Súmula CARF n. 04: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Nesse sentido, sendo a Súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos temos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF1., não pode esse colegiado afastar a utilização da taxa de juros aplicada às contribuições lançadas no presente lançamento. Por outro lado, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, decidiu com base na sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC) que é legítima a aplicação da taxa SELIC aos débitos tributários, o que faz com que essa discussão tornese, até certo ponto, desnecessária. Eis a ementa do julgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL SUBMETIDO À SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃOOCORRÊNCIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC. ART. 39, § 4º, DA LEI 9.250/95. PRECEDENTES DESTA CORTE. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. Aplicase a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária. 3. Se os pagamentos foram efetuados após 1º.1.1996, o termo inicial para a incidência do acréscimo será o do pagamento indevido; no entanto, havendo pagamentos indevidos anteriores à data de vigência da Lei 9.250/95, a incidência da taxa SELIC 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 98DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO 12 terá como termo a quo a data de vigência do diploma legal em tela, ou seja, janeiro de 1996. Esse entendimento prevaleceu na Primeira Seção desta Corte por ocasião do julgamento dos EREsps 291.257/SC, 399.497/SC e 425.709/SC. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão sujeito à sistemática prevista no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/STJ. (REsp 1111175 / SP, Relatora Ministra Denise Arruda, DJe. 01/07/2009) Não devemos acolher, portanto, o requerimento para redução dos juros incidentes sobre as contribuições devidas. Conclusão Voto por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 25/03/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por KLEBER FERR EIRA DE ARAUJO
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Numero do processo: 10380.004449/2002-43
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997
OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE NO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS.
Rejeitam-se os embargos de declaração quando não presentes os pressupostos do recurso em tela.
Embargos conhecidos mas rejeitados.
Numero da decisão: 3802-004.065
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração formulados pela interessada, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator designado.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Recamond Cia. Ltda. Interessado J. Recamond Cia. Ltda. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997 OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE NO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. Rejeitamse os embargos de declaração quando não presentes os pressupostos do recurso em tela. Embargos conhecidos mas rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração formulados pela interessada, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator designado. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 44 49 /2 00 2- 43 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 Relatório Em sessão transcorrida em 27 de maio de 2014, esta Segunda Turma Especial, por unanimidade de votos, conheceu em parte do recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo em epígrafe, para negarlhe provimento, nos termos do acórdão nº 3802003.061, acostado às fls. 67/71 numeração automática do eprocesso, utilizada como referência doravante assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997 PREJUDICIAL DE MÉRITO. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em decadência quando o lançamento foi formalizado dentro do prazo qüinqüenal para a constituição do crédito tributário previsto no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, dispositivo aplicável para os casos em que não houve pagamento antecipado do tributo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ARGUMENTOS JÁ ADUZIDOS EM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso do qual se conhece em parte para negarlhe provimento. De acordo com o Termo de Abertura de Documento de fls. 75, c/c despacho de fls. 80, a interessada fora cientificada da referida decisão em 27/06/2014. Em 18/07/2014 (conf. termo de análise de solicitação de juntada de fls. 79 e despacho de fls. 80), a interessada apresentou petição de embargos de declaração, os quais não foram conhecidos em vista da intempestividade, nos termos do despacho desta Turma Especial, datado de 03/09/2014 (fls. 83/84). Cientificada do não conhecimento do recurso em 04/12/2014 (fls. 87), a reclamante, em 09/12/2014 (fls. 89), apresentou a petição de fls. 90/92 onde aduz que a decisão que não acolheu os embargos estaria maculada por erro material, tendo aduzido, nesse sentido, o seguinte, verbis: I. – DO ERRO MATERIAL 2. O Despacho em questão declara que os Embargos de Declaração antes apresentados o foram fora do prazo legal de cinco dias. Há erro material, é o que, permissa vênia, demonstrarseá. 3. Tomemos em primeiro ponto o Validador de Assinaturas, site da SRFB, em que se constata a data da adesão ao domicílio eletrônico em 19 de novembro de 2013, poucos dias após a promulgação da Lei nº 12.884, que é (DOU) de 19.7.213. Em suma, o sistema ainda estava em zona de transição. 4. Em segundo ponto, a ficha Acesso à Informação, também do site da SRFB, com a informação de cada um dos processos em tramitação no sistema virtual de domicílio. Nesse segundo documento oficial, dentre outras, as informações: Fl. 103DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10380.004449/200243 Acórdão n.º 3802004.065 S3TE02 Fl. 103 3 • Data da Postagem: 26.06.2014; • Data da ciência: 11.07.2014. • A data da ciência, para fins de prazos processuais, será o 15º (décimo quinto) dia após a data de entrega acima indicada. 5. Evidente que o Administrado há de confiar no Administrador, PRINCÍPIO DA MORALIDADE, vide art. 37 da CRFB, de todo impensável que matéria tão explícita possa constituirse em armadilha ou pegadinha. Em suma, papeis expressos garantem o direito do contribuinte. 6. Independentemente da materialidade do direito em questão, há que levar em conta a Portaria Ministerial MF nº 517/2010, que disciplina o assunto permanece até aqui sem qualquer modificação por conta das normas alteradas pela lei nº 12.884/2013 [na verdade, Lei nº 12.844/2013]. Se vigente está, vigente há de ser acatada. Deveras, a modificação de prazos do artigo 23 do Decreto nº 70.235/72 exige regulamentação, assim o vejamos: Art. 23. Farseá a intimação: (…) § 6º As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) 7. Em conclusão: não é possível ler qualquer alteração à redação primitiva do artigo 23 leve em consideração o seu § 6º. Regulamentação até a qui, com certeza, é a vigente Portaria MF 527/2010. II PEDIDO 3. Nestas condições, pedese a essa egrégia Turma, dê provimento a estes embargos, determinando que os embargos antes apresentados sejam considerados hábeis quanto ao prazo, fazendoselhe a devida apreciação. Anexo ao recurso foram acostados o impresso do eprocesso relativo a "Ciência do Processo/Procedimento nº 10380.004449/200243" (fls. 93), tela do sistema eCAC onde consta, dentre outras informações, a data de postagem e a data da ciência do acórdão de recurso voluntário objeto do presente processo (fls. 94), e o Termo de Opção por Domicílio Tributário Eletrônico (fls. 95). É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Do conhecimento dos embargos de declaração em vista das informações errôneas veiculadas pela Receita Federal a respeito da data da ciência do acórdão de recurso voluntário A reclamante defende que a ciência do acórdão somente deveria ser considerada 15 dias depois da entrega de documento na sua caixa postal junto ao eCAC. Assim, considerando que a intimação do resultado do acórdão (fls. 73/74) foi disponibilizada Fl. 104DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 na caixa postal da interessada em 26/06/2012 (nos termos da tela do sistema do eCAC fls. 94), a ciência só teria ocorrido em 11/07/2014, uma sextafeira. A teor do disposto no artigo 210 do CTN1, combinado com o parágrafo único do artigo 5º do Decreto nº 70.235/722, assim como com o artigo 183, § 2º, do CPC3, o início da contagem darseia na segundafeira subsequente, dia 14, de sorte que, como os embargos foram protocolizados em 18/07/2014, os mesmos seriam tempestivos. Mas, para que fosse conhecido do recurso, necessitarseia menosprezar a data em que o sujeito passivo legalmente teve ciência do acórdão, ou seja, em 27/06/2014, como comprovam o Termo de Abertura de Documento de fls. 75, c/c despacho de fls. 80. Tais documentos atestam que a ciência do julgamento ocorreu na aludida data, quando o sujeito passivo abriu os “[...] arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC) através da opção Consulta Comunicados/Intimações” (conf. fls. 75). O entendimento em tela está em sintonia com o disposto no artigo 23, inciso III, "b", do Decreto nº 70.235/72, abaixo reproduzido: Art. 23. Farseá a intimação: [...] § 2° Considerase feita a intimação: [...] III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 12.844, de 2013) (grifo nosso) Da leitura do preceito supra vêse que a redação do artigo 23 do Decreto nº 70.235/72 decorre da edição da Lei nº 12.884/2013, publicada em 19/07/2013. A nova redação, com efeito, já se encontrava vigente à época em que a recorrente fora notificada pela abertura do documento correspondente em sua caixa postal, ou seja, em 27/06/2014, quase um ano depois de terem entrado em vigor as alterações acima referenciadas. Não há, pois, que se falar que o sistema, à época, "ainda estava em zona de transição". 1 Art. 210. Os prazos fixados nesta Lei ou legislação tributária serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o de vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal na repartição em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. 2 Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. 3 § 2º Os prazos somente começam a correr do primeiro dia útil após a intimação (art. 240 e parágrafo único). Fl. 105DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10380.004449/200243 Acórdão n.º 3802004.065 S3TE02 Fl. 104 5 Não obstante todo o entendimento acima desenvolvido, consta, às fls. 94, tela do eCAC onde está consignado que a data da ciência do acórdão se deu em 11/07/2014. Também às fls. 93 foi acostada tela da caixa postal da interessada relativa ao processo em evidência, segundo a qual "A data da ciência, para fins de prazos processuais, será o 15º (décimo quinto) dia após a data de entrega acima informada", no caso, o dia 26/06/2014. Não se pode, pois, admitir que a reclamante arque com prejuízo decorrente das informações errôneas veiculadas no sítio da própria Receita Federal. Assim, em homenagem aos princípios da moralidade e da lealdade processual, deverá ser admitida como data da ciência do acórdão o dia 11/07/2014, uma sextafeira. Como a contagem se inicia na segundafeira subsequente, dia 14, o término do prazo para apresentação de embargos ocorreu no dia 18/07/2014, ou seja, a data em que os mesmos foram protocolizados. Diante do exposto, conheço dos embargos apresentados pelo sujeito passivo. Dos embargos de declaração Os embargos de declaração estão alicerçados em suposto erro material no acórdão, conforme argumentos apresentados pela embargante, abaixo transcritos: 2. Os autos referem, fls. 27/29, planilhas de suposta comprovação dos excessos de compensação. Atentese para o detalhe de que o processo referido, de outro número, 10.380.501516/200435, não está nestes autos, de modo que, erro material da acusação sem prova, implicou cerceamento ao direito de defesa. Nem o processo referido está nos autos, nem qualquer demonstração numérica foi apresentada, de modo que o contribuinte pudesse conferila. 3. Nestas condições, pedese a essa egrégia Turma, dê provimento a estes embargos de declaração, determinando que o processo retorne à origem, anulandose assim a Decisão da DRJ, a fim de que as supostas provas materiais da insuficiência sejam trazidas aos autos, reabrindose assim o prazo do contribuinte, anulandose destarte o erro material do cerceamento. Não obstante, não há nenhuma razão para se dar provimento ao recurso, uma vez que o sujeito passivo busca rediscutir matéria que sequer foi objeto de exame pelo contencioso administrativo, já que submetida integralmente ao Poder Judiciário. O lançamento decorre da execução da sentença proferida nos autos da ação declaratória nº 97.00191141, conforme disposto na informação fiscal de fls. 27/29. O processo nº 10380.501516/200435, ao qual alude a embargante, é o processo administrativo formalizado para o controle do processo judicial em nome da empresa, não havendo a menor necessidade da juntada dos correspondentes autos ao presente processo, que, como dito, não pode discutir matéria submetida ao crivo do judiciário. No mais, no que tange à suposta legitimidade das compensações, não conheço dos argumentos desenvolvidos pelo sujeito passivo uma vez que o objeto do presente processo administrativo foi integralmente submetido a exame pelo Poder Judiciário. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 6 Vêse na informação fiscal de fls. 27/29 que os créditos tributários objeto do presente processo, dentre outros reconhecidos judicialmente, foram tratados nos termos deferidos pelo Poder Judiciário, não se podendo mais admitir que essa questão seja rediscutida na instância administrativa. (conforme fls. 70 dos autos acórdão de recurso voluntário) Não há, pois, que se falar em cerceamento a direito de defesa relativo a assunto que nem sequer pode ser objeto de apreciação por esta instância administrativa. Enfim, inexiste no acórdão vergastado obscuridade, omissão ou contradição passíveis de saneamento via embargos de declaração, razão pela qual os mesmos deverão ser rejeitados. Da conclusão Diante do exposto, e mesmo admitindo como tempestivos os embargos formalizados pela interessada, voto para que os mesmos sejam rejeitados, uma vez demonstrada a inexistência de quaisquer dos pressupostos elencados no artigo 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (Portaria MF no 256, de 22/06/2009). Sala de sessões, em 24 de fevereiro de 2015. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 107DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 03/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
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Numero do processo: 15504.018526/2009-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
SALÁRIO INDIRETO. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. EMPRESA NÃO INSCRITA NO PAT. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura sem inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), conforme entendimento contido no Ato Declaratório n° 03/2011 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN).
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.550
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Nereu Miguel Ribeiro Domingues Presidente em Exercício
Luciana de Souza Espíndola Reis- Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente os conselheiros Julio César Vieira Gomes e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
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ALIMENTAÇÃO IN NATURA. EMPRESA NÃO INSCRITA NO PAT. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura sem inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), conforme entendimento contido no Ato Declaratório n° 03/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 85 26 /2 00 9- 99 Fl. 645DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por NEREU MIGUE L RIBEIRO DOMINGUES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Nereu Miguel Ribeiro Domingues – Presidente em Exercício Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente os conselheiros Julio César Vieira Gomes e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 646DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por NEREU MIGUE L RIBEIRO DOMINGUES Processo nº 15504.018526/200999 Acórdão n.º 2402004.550 S2C4T2 Fl. 646 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão n.º 0228.800 da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Belo Horizonte (MG), fl. 167169, com ciência ao sujeito passivo em 25/02/2011, fl. 175, que julgou improcedente a impugnação apresentada contra o Auto de Infração de Obrigação Acessória (AIOA) lavrado sob o Debcad no 37.234.5433, do qual o sujeito passivo foi cientificado pessoalmente em 03/12/2009, fl. 2. De acordo com o relatório fiscal, fl. 56, o AIOA trata de aplicação de penalidade por infração ao art. 32, inciso I, da Lei n.° 8.212/1991, e § 9o do inciso I do art. 225 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, em decorrência de a empresa ter deixado de incluir em folhas de pagamento a parcela in natura referente à alimentação fornecida aos empregados (café, lanches, refeições e cestas básicas), sem a inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), no período de 01/2005 a 12/2005. A autuada apresentou impugnação, fl. 132151, solicitando o cancelamento do crédito tributário, alegando, em síntese, não incidência de contribuições previdenciárias sobre alimentação in natura concedida aos seus empregados, conforme decisões judiciais, efeito confiscatório da multa e ilegalidade da pretensa atribuição de coresponsabilidade dos representantes legais. A decisão de primeira instância julgou a impugnação improcedente e manteve o crédito tributário lançado. Em 29/03/2011, a autuada interpôs recurso voluntário, fl. 172191, solicitando o provimento ao recurso voluntário e reiterando as razões da defesa. Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, os autos foram enviados a este Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 647DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por NEREU MIGUE L RIBEIRO DOMINGUES 4 Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora Recurso Voluntário Conheço do recurso por estarem presentes os requisitos de admissibilidade. Alimentação in natura fornecida pela empresa aos empregados. Não incidência A interpretação literal do art. 28, § 9o, alínea "c", da Lei 8.212/1991 combinado com a Lei 6.321/1976, leva ao entendimento de que só ocorre isenção da parcela in natura quando concedida nos termos do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), pois, do contrário, a verba paga a título de alimentação in natura é considerada salário indireto e, por consectário lógico, integra a remuneração do trabalhador: Lei 8.212/91 § 9o Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei no 9.528, de 10.12.97) ... c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei n° 6.321, de 14 de abril de 1976; Entretanto, o Superior Tribunal de Justiça passou a interpretar esse dispositivo legal à luz dos arts. 195, I, alínea "a", e 201, § 11, da Constituição Federal, pacificando o entendimento de que este pagamento se trata de verba indenizatória não sujeita à incidência de contribuição social previdenciária, sendo irrelevante o fato de a empresa estar ou não inscrita no PAT. O entendimento de que o pagamento in natura não configura hipótese de incidência de contribuição previdenciária por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no PAT, foi adotado pelo Ato Declaratório n° 03/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), publicado no D.O.U. de 22/12/2011, que dispõe o seguinte: A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5° do Decreto n° 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/N° 2117/2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: Fl. 648DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por NEREU MIGUE L RIBEIRO DOMINGUES Processo nº 15504.018526/200999 Acórdão n.º 2402004.550 S2C4T2 Fl. 647 5 "nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária". JURISPRUDÊNCIA: Resp n° 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp n° 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp n° 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp n° 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp n° 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp n° 977.238/RS (dJ 29/11/2007). Conforme previsão do art. 62, parágrafo único, II, “a”, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº256, de 22 de junho de 2009, é permitido aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação de lei com base em ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002. Assim, a parcela relativa à alimentação in natura fornecida ao empregado não integra o salário de contribuição independente de a empresa ter ou não efetuado adesão ao Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), uma vez que o pagamento não possui natureza salarial. Portanto, não há respaldo para se exigir a inclusão dessas parcelas em folha de pagamento, com base no fundamento de que elas integram o salário de contribuição, conforme constou do auto de infração. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, darlhe provimento. Luciana de Souza Espíndola Reis. Fl. 649DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por NEREU MIGUE L RIBEIRO DOMINGUES
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Numero do processo: 11634.001026/2009-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
período de apuração: 01/01/2004 a 30/06/2008
SÚMULA CARF N.º 1. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. RECURSO NÃO CONHECIDO.
A propositura, pelo contribuinte, de mandado de segurança, ação anulatória ou declaratória de nulidade de crédito da Fazenda Nacional, importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto.
Numero da decisão: 2302-003.630
Decisão: Recurso Voluntário Não Conhecido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, em atenção à Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial
LiegeLacroixThomasi - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes Relator
Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias período de apuração: 01/01/2004 a 30/06/2008 SÚMULA CARF N.º 1. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. RECURSO NÃO CONHECIDO. A propositura, pelo contribuinte, de mandado de segurança, ação anulatória ou declaratória de nulidade de crédito da Fazenda Nacional, importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto.
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decisao_txt : Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, em atenção à Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial LiegeLacroixThomasi - Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
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PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. RECURSO NÃO CONHECIDO. A propositura, pelo contribuinte, de mandado de segurança, ação anulatória ou declaratória de nulidade de crédito da Fazenda Nacional, importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, em atenção à Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial LiegeLacroixThomasi Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 10 26 /2 00 9- 81 Fl. 310DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº11634.001026/200981 Acórdão n.º 2302003.630 S2C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase do Auto de Infração por descumprimento de dever instrumental, DEBCAD nº 372230474, consolidado em 09/12/20009, em face da CENTRO INTEGRADO E APOIO PROFISSIONAL, aplicando multa no valor total de R$ 2.618.484,60 (dois milhões seiscentos e dezoito mil quatrocentos e oitenta quatro reais e sessenta centavos) por ter apresentadoas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social —GFIP do período fiscalizadosem informar todos os fatos geradores ocorridos, incidentes sobre remunerações pagas aossegurados que lhe prestaram serviços no período. Segundo relatório fiscal, a empresa não possui documentação ou sequer reúne as condições de estilo para se enquadrar como entidade filantrópica, concluindo, inarredavelmente, não gozar de isenção fiscal, e,portanto, caracterizadas as ofensas às obrigações tributárias em tela. Apresentada impugnação pela entidade, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RSentendeu por manter o crédito tributário. A ementa de tal decisão foi proferida nos seguintes termos: AÇÃO JUDICIAL. MATÉRIA IDÊNTICA À DO PROCESSOADMINISTRATIVO Tratando o lançamento de matéria idêntica àquele que se acha sobdiscussão judicial, qual seja exigibilidade das contribuições ou suainexigibilidade pela via da declaração da imunidade tributária, carece decompetência o julgador administrativo para examinar e se pronunciar sobretal matéria. LANÇAMENTO DO CRÉDITO. INEXISTÊNCIA DE IMPEDIMENTOAinda que esteja suspensa a exigibilidade do crédito tributário, por decisãojudicial, não constando da sentença respectiva impedimento à suaconstituição, há que ser mantido inalterado o lançamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada com a decisão, a Empresa interpôs Recurso Voluntário tempestivo, alegando, em síntese: a) preliminarmente, que a decisão de primeira instância é nula, por negarlhe prestação jurisdicional, ao deixar de apreciar as matérias suscitadas na impugnação, especialmente em relação a aoreconhecimento judicial da imunidade que goza; Fl. 311DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº11634.001026/200981 Acórdão n.º 2302003.630 S2C3T2 Fl. 4 3 b) no mérito, pleiteia a reforma do decisum recorrido, também apelando para o reconhecimento, nos autos de processo judicial, de imunidade, e reafirma as razões, fáticas e jurídicas, que lhe garantem tal condição, por exercer atividade essencial de caráter público – instituição assistencial beneficente; Sem contrarrazões. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator. Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo o presente Recurso Voluntário tempestivo e apresentando os requisitos de admissibilidade, passo ao seu exame. Do Mérito Consta nos autos a proposição pela recorrente de ação declaratória de inexistência de relação jurídica contra o INSS (nº 2003.70.01.0038362), perante a Justiça Federal da 4ª Região, requerendo o afastamento da exigência das contribuições previdenciárias, em virtude de ser, no seu sentir, imune a estas exações. Ato contínuo, ao compulsar as informações processuais no Supremo Tribunal Federal referentes ao AI/631093, interposto pelo INSS, nos autos da citada ação judicial, deparamonos com a decretação de sobrestamento do feito, até que o RE 566.622RG/RS, em que fora reconhecida a repercussão geral da mesma matéria, seja julgada. O Plenário desta Corte, em 20/8/2008, ao apreciar Questão de Ordem suscitada no RE 540.410/RS, Rel. Min. Cezar Peluso, decidiu estender a aplicação do art. 543B do Código de Processo Civil aos recursos cujo tema constitucional apresente repercussão geral reconhecida pelo Plenário, ainda que interpostos contra acórdãos publicados antes de 3 de maio de 2007. No caso, o recurso extraordinário versa sobre matéria imunidade tributária de entidades beneficentes de assistência social cuja repercussão geral já foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal(RE 566.622RG/RS, Rel. Min. Marco Aurélio). Isso posto, em juízo de reconsideração, anulo a decisão de fl. 150 e uma vez Fl. 312DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº11634.001026/200981 Acórdão n.º 2302003.630 S2C3T2 Fl. 5 4 que preenchidos os demais requisitos de admissibilidade, dou provimento ao agravo de instrumento para admitir o recurso extraordinário e, com base no art. 328, parágrafo único do RISTF, determino a devolução destes autos ao Tribunal de origem para que seja observado, quanto ao recurso extraordinário, o disposto no art. 543B do CPC, visto que nele discutese questão idêntica à apreciada no RE 566.622RG/RS. Ministro RICARDO LEWANDOWSKI Relator – Em vista disso, a Turma de piso, reconhecendo que a ação judicial interposta pela Recorrente poderá refletir no presente lançamento, uma vez que o resultado definitivo com o seu julgamento no Poder Judiciário poderá substituir integralmente um suposto julgamento administrativo, julgou, a improcedência da impugnação interposta pela Recorrente. Pela clareza e alto grau elucidativo, transcrevese, nas próximas linhas, excerto do acórdão de Impugnação, onde se relata a concomitância das matérias: “Tratando o lançamento de matéria idêntica àquele que se acha sob discussão judicial, qual seja exigibilidade das contribuições ou sua inexigibilidade pela via da declaração da imunidade tributária, carece de competência o julgador administrativo para examinar e se pronunciar sobre tal matéria.” Nada obstante, frisese que a decisão recorrida não merece reparo, à medida que foi prolatada de acordo com o disposto no art. 126, §3º, da Lei no 8.213/91 combinado com o art. 307 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99: Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (...) § 3º A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. (Incluído pela Lei nº 9.711, de 20.11.98). O art. 38, parágrafo único da Lei nº 6.830/1980 traz dispositivo semelhante: Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. O fundamento de tais dispositivos legais é evitar decisões conflitantes entre o órgão administrativo e o judicial. O Princípio da Tutela Jurisdicional Absoluta, previsto no Fl. 313DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº11634.001026/200981 Acórdão n.º 2302003.630 S2C3T2 Fl. 6 5 artigo 5º, XXXV, da Constituição Federal, veda que sejam afastadas da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito. Quem se sentir ameaçado ou violado em seus direitos pode recorrer ao judiciário e este não pode eximirse da apreciação e solução da matéria. Sobrepondose suas decisões às soluções na esfera administrativa sobre a mesma matéria, seria inócuo um julgamento por este colegiado que, após a decisão judicial, observaria o afastamento da solução proposta. Pela descrição narrativa supra, verificase claramente a concomitância deste processo administrativo e de processo judicial tratando do mesmo objeto, qual seja, a incidência, ou não, das contribuições previdenciárias à Recorrente. Ante o exposto, devese recordar o ordenado no Ato Declaratório de nº 03/1996, da Coordenação Geral do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal, segundo o qual “a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto”. O referido Ato Declaratório foi formulado em observância ao art. 1º, § 2º, do Decreto Lei nº 1.737/1979 e ao art. 38, parágrafo único, da Lei nº 6.830/1980, que deixam claro que a propositura, pelo contribuinte, de mandado de segurança, ação anulatória ou declaratória de nulidade de crédito da Fazenda Nacional, importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. Outrossim, é mister salientar que a concomitância de processo administrativo e de processo judicial tratando do mesmo objeto já é matéria sumulada por este órgão: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Desta forma, o presente processo administrativo resta ineficaz em face da identidade de questionamentos com a ação judicial já proposta pela Recorrente e ainda em trâmite, haja vista que o setor competente deverá observar a decisão final a ser proferida na ação judicial em comento. Conclusão Ante o exposto, não conheço do Recurso Voluntário, em atenção a Súmula CARF n.º 01, mantendo o lançamento fiscal contido no DEBCAD nº372230474. Sala das Sessões, em 11 de fevereiro de 2015.11 de fevereiro de 2015 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 314DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº11634.001026/200981 Acórdão n.º 2302003.630 S2C3T2 Fl. 7 6 Fl. 315DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI
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Numero do processo: 10932.000881/2007-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2002 a 30/04/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PLANO DE SAÚDE. COBERTURA. ABRANGÊNCIA A TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTES DA EMPRESA. EXIGÊNCIA ÚNICA. DESNECESSIDADE DE PREVISÃO DE COBERTURA IGUAL PARA TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTES.
A condição estabelecida no art. 28, § 9º, alínea q da Lei 8.212/91 para que não se incluam no salário de contribuição e não sejam objeto de incidência de contribuição previdenciária os valores relativos à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado é que exista cobertura abrangente a todos os empregados e dirigentes da empresa. Exigir que haja cobertura a todos os empregados e dirigentes da empresa é diferente de exigir que haja a mesma cobertura a todos estes funcionários. A condição imposta pelo legislador para a não incidência da contribuição previdenciária é, simplesmente, a existência de cobertura que abranja a todos os empregados e dirigentes, não cabendo ao intérprete estabelecer qualquer outro critério discriminativo.
Numero da decisão: 2301-004.241
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Sustentação oral: Maurício Pernambuco. OAB: 170.872/SP.
Marcelo Oliveira - Presidente.
Adriano Gonzales Silvério - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, ANDREA BROSE ADOLFO, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANO GONZALES SILVERIO.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2002 a 30/04/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PLANO DE SAÚDE. COBERTURA. ABRANGÊNCIA A TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTES DA EMPRESA. EXIGÊNCIA ÚNICA. DESNECESSIDADE DE PREVISÃO DE COBERTURA IGUAL PARA TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTES. A condição estabelecida no art. 28, § 9º, alínea q da Lei 8.212/91 para que não se incluam no salário de contribuição e não sejam objeto de incidência de contribuição previdenciária os valores relativos à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado é que exista cobertura abrangente a todos os empregados e dirigentes da empresa. Exigir que haja cobertura a todos os empregados e dirigentes da empresa é diferente de exigir que haja a mesma cobertura a todos estes funcionários. A condição imposta pelo legislador para a não incidência da contribuição previdenciária é, simplesmente, a existência de cobertura que abranja a todos os empregados e dirigentes, não cabendo ao intérprete estabelecer qualquer outro critério discriminativo.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Sustentação oral: Maurício Pernambuco. OAB: 170.872/SP. Marcelo Oliveira - Presidente. Adriano Gonzales Silvério - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, ANDREA BROSE ADOLFO, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANO GONZALES SILVERIO.
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PLANO DE SAÚDE. COBERTURA. ABRANGÊNCIA A TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTES DA EMPRESA. EXIGÊNCIA ÚNICA. DESNECESSIDADE DE PREVISÃO DE COBERTURA IGUAL PARA TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTES. A condição estabelecida no art. 28, § 9º, alínea “q” da Lei 8.212/91 para que não se incluam no salário de contribuição e não sejam objeto de incidência de contribuição previdenciária os valores relativos à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado é que exista cobertura abrangente a todos os empregados e dirigentes da empresa. Exigir que haja cobertura a todos os empregados e dirigentes da empresa é diferente de exigir que haja a mesma cobertura a todos estes funcionários. A condição imposta pelo legislador para a não incidência da contribuição previdenciária é, simplesmente, a existência de cobertura que abranja a todos os empregados e dirigentes, não cabendo ao intérprete estabelecer qualquer outro critério discriminativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Sustentação oral: Maurício Pernambuco. OAB: 170.872/SP. Marcelo Oliveira Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 08 81 /2 00 7- 86 Fl. 489DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 18/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 Adriano Gonzales Silvério Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, ANDREA BROSE ADOLFO, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANO GONZALES SILVERIO. Relatório Tratase de NFLD Nº 37.108.7376, a qual exige contribuições previdenciárias, parte da empresa, incidente sobre valores despendidos pelo contribuinte na forma de custeio integral de planos de saúde, considerados como remuneração. Segundo o relatório fiscal, o sujeito passivo teria descumprido o que dispõe a letra “q” do § 9° do art. 28 da Lei n°. 8.212/91, na medida em que ofertou planos de saúde diferenciados entre seus segurados (diretores, gerentes, supervisores e demais empregados). O sujeito passivo apresentou sua impugnação alegando em síntese que todos os segurados faziam jus a plano de saúde e que o fato de haver planos diferenciados não contraria o disposto na Lei 8.212/91. A DRJ de Campinas manteve o lançamento na íntegra, o que ensejou a interposição do recurso voluntário, o qual repisa as razões expostas na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério O recurso voluntário reúne as condições de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Mérito Conforme exposto acima a controvérsia dos autos está na interpretação conferida à letra “q” do § 9° do art. 28 da Lei n°. 8.212/91. De um lado o Fisco alega que para o gozo da isenção prevista nesse dispositivo legal o plano de saúde ofertado pela empresa deve ser idêntico para todos os empregados. De outro lado, o sujeito passivo entende que basta ter cobertura a todos, não havendo impedimento em diferenciar a qualidade ou abrangência do plano em virtude do cargo ocupado pelo segurado. A r. decisão recorrida expõe bem a controvérsia: Assim, é condição fundamental que “a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa”. Fl. 490DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 18/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10932.000881/200786 Acórdão n.º 2301004.241 S2C3T1 Fl. 438 3 Ora, a norma determina a “identidade da cobertura” ' ' ”, ou seja: a mesma . cobertura para “a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa . Assim, havendo “coberturas” distintas, estas perdem sua condição de custeio de assistência médica e passam a se constituir pagamentos adicionais ao empregado e, como tal, integram sua remuneração, sujeitandose, por conseqüência, a incidência de contribuições previdenciárias. Não se pode admitir que empregados que exerçam cargos diretivos possam ser distinguidos, para efeito de benefício social, dos demais empregados. Não é o caso de tratar desigualmente os desiguais. Ao contrário: ao se oferecer planos de saúde (“coberturas”) diferentes para os empregados, de acordo com a posição hierárquica destes, os iguais estão sendo desigualmente tratados. Ou trabalhadores de ambas condições com e sem cargos de chefia não são empregados? Essa divergência interpretativa já foi dirimida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme se pode verificar pelo julgado abaixo (Acórdão nº 9202003.256 – Conselheiro Relator Gustavo Lian Haddad): Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2001 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ASSISTÊNCIA MÉDICA / PLANO / SEGURO SAÚDE. COBERTURA. ABRANGÊNCIA A TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTES DA EMPRESA. EXIGÊNCIA ÚNICA. DESNECESSIDADE DE PREVISÃO DE COBERTURA IGUAL PARA TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTES. A condição estabelecida no art. 28, § 9º, alínea “q” da Lei 8.212/91 para que não se incluam no salário de contribuição e não sejam objeto de incidência de contribuição previdenciária os valores relativos à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médico hospitalares e outras similares, é que exista cobertura abrangente a todos os empregados e dirigentes da empresa. Exigir que haja cobertura a todos os empregados e dirigentes da empresa é diferente de exigir que haja a mesma cobertura a todos estes funcionários. A condição imposta pelo legislador para a não incidência da contribuição previdenciária é, simplesmente, a existência de cobertura que abranja a todos os empregados e dirigentes, não cabendo ao intérprete estabelecer qualquer outro critério discriminativo. Recurso especial negado. Nesse sentido também o Acórdão 920200.295, julgado em 22.09.2009: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ASSISTÊNCIA MÉDICA PLANO DE SAÚDE. EXTENSÃO / COBERTURA À TOTALIDADE DO EMPREGADOS / FUNCIONÁRIOS. REQUISITO LEGAL ÚNICO. Fl. 491DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 18/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 4 De conformidade com a legislação previdenciária, mais precisamente o artigo 28, § 9°, alínea "q", da Lei n° 8.212/91, o Plano de Saúde e/ou Assistência Médica concedida pela empresa tem como requisito legal, exclusivamente, a necessidade de cobrir, ou seja, ser extensivo à totalidade dos empregados e dirigentes, para que não incida contribuições previdenciárias sobre tais verbas. A exigência de outros pressupostos, como a necessidade de planos idênticos à todos os empregados, é de cunho subjetivo do aplicador/intérprete da lei, extrapolando os limites da legislação específica em total afronta aos preceitos dos artigos 111, inciso II e 176, do Código Tributário Nacional, os quais estabelecem que as normas que contemplam isenções devem ser interpretadas literalmente, não comportando subjetivismos. Recurso especial negado.” Pelo exposto, VOTO no sentido de CONHECER o recurso voluntário e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 492DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 18/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
score : 1.0
Numero do processo: 10909.004205/2008-50
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3403-000.488
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso até que sobrevenha decisão definitiva no RE 606.107.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Alexandre Kern, Mônica Monteiro Garcia de los Rios, Ivan Allegretti e Marcos Ortiz Tranchesi.
Relatório
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso até que sobrevenha decisão definitiva no RE 606.107. Antonio Carlos Atulim - Presidente. Domingos de Sá Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Alexandre Kern, Mônica Monteiro Garcia de los Rios, Ivan Allegretti e Marcos Ortiz Tranchesi. Relatório
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score : 1.0
Numero do processo: 10830.906120/2012-45
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 14/06/2006
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.774
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Demes Brito e Cássio Schappo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 14/06/2006 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. Recurso Voluntário Negado.
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DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 61 20 /2 01 2- 45 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906120/201245 Acórdão n.º 3801004.774 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Demes Brito e Cássio Schappo. Relatório Inicialmente, esclarecese que estão em julgamento nesta 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF trinta e três processos da mesma contribuinte, em que o cerne da discussão é o mesmo: a certeza e liquidez de crédito pleiteado, decorrente de pagamento indevido ou a maior de cofins ou contribuição para o PIS/Pasep, e o ônus da prova deste direito. Em alguns processos, foi indeferida totalmente a declaração de compensação de débitos da contribuinte com o crédito pleiteado, por falta de comprovação da liquidez e certeza de todo o crédito, em outros, foi homologada parcialmente a declaração de compensação, porque foi comprovada a certeza e liquidez de parte do crédito pleiteado. Esta diferença não exige mudanças nos acórdãos dos julgamentos, pois o que está sob julgamento é justamente o crédito não reconhecido e a parte não homologada das declarações de compensação. O crédito reconhecido e a parte homologada não estão em discussão. Feitas estas observações, passase ao relato propriamente dito. Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo HorizonteDRJ/BHE que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. O processo se iniciou com PER/DCOMP, por meio do qual a contribuinte pleiteou o reconhecimento de direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de contribuição social e a compensação de débitos tributários com o crédito pleiteado. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF informado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível suficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906120/201245 Acórdão n.º 3801004.774 S3TE01 Fl. 4 3 Assim, diante da inexistência/insuficiência de crédito, a compensação declarada não foi homologada ou foi homologada apenas parcialmente. Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, conforme quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório “ Extraio do relatório da decisão recorrida resumo das alegações apresentadas pela contribuinte contra o despacho decisório, em expediente que foi recebido como manifestação de inconformidade: “Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade em 10/08/2012, alegando que a Receita Federal mantém os controles de apropriação e pagamento dos impostos federais, assim como uma conta corrente de cada contribuinte, na qual podem ser visualizados os pagamentos efetuados de forma correta, os pagamentos a maior e os pagamentos a menor. Assevera que o despacho decisório não pode progredir, porque a RFB cobra o mesmo valor pago pelo contribuinte, quando, na verdade, foi preenchido um PER/DCOMP que demonstra de forma clara que aquele pagamento foi efetuado a maior e dele se extraí os valores devidos a título de impostos. Apresenta um demonstrativo da composição do PER/DCOMP nº 27613.24430.280909.1.3.047698, identificando o valor devido de COFINS, o valor da guia de recolhimento, o saldo do pagamento a maior e as compensações efetuadas. Alega ainda que houve a retificação da DIPJ do anobase de 2005, na qual a receita foi apropriada de forma errada e, por isto, originou também a retificação de todos os cálculos dos impostos federais. Ressalta que havendo necessidade de retificação do PER/DCOMP, solicita autorização para o ajuste, porém, o valor original disponível desde a data especificada, corrigido monetariamente, possibilitou a compensação declarada. A ementa do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo HorizonteDRJ/BHE que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contém o seguinte teor: “Assunto: ... Data do fato gerador: ... DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado.” No recurso voluntário a recorrente alega o seguinte: Fl. 82DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906120/201245 Acórdão n.º 3801004.774 S3TE01 Fl. 5 4 i) O ICMS que faz parte do valor total de conhecimentos de transporte não compõe o valor tributado pela cofins e pela contribuição para o PIS/Pasep. ii) Juntou cópia da DIPJ 2006/2005, retificada, que demonstra que estas contribuições foram reduzidas em seus valores anteriormente apresentados. iii) No próprio PER/DCOMP apresentado, verificase que houve pagamento a maior. iv) Não apresentou retificação da DCTF e do DACON, primeiro, por problemas com o contador; depois, porque teria ocorrido prescrição para a retificação. v) Calculou a cofins e a contribuição para o PIS/Pasep sobre um valor que incluía o ICMS e, após, corrigiu o faturamento, excluindo este imposto da base de cálculo, logo, tem direito ao crédito pleiteado. É o relatório. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906120/201245 Acórdão n.º 3801004.774 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Certeza e liquidez do crédito pleiteado. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de contribuição social. Foi constatado pela RFB que o pagamento informado como indevido ou a maior fora integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório. Esta constatação baseouse em dados constantes do sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias. Uma vez que o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum A DRJ/BHE, tendo em vista que a contribuinte não apresentou documentação fiscal e contábil hábil e suficiente para comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, manteve o despacho decisório. As decisões da DRF e da DRJ estão amparadas no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do Código Tributário NacionalCTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972). Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, nenhum documento ou livro fiscal ou contábil foi apresentado com o recurso voluntário. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906120/201245 Acórdão n.º 3801004.774 S3TE01 Fl. 7 6 A recorrente afirma que juntou cópia da DIPJ 2006/2005 retificada, a qual demonstraria redução dos valores das contribuições anteriormente apresentados, e apresenta justificativas para não ter retificado a DCTF e o DACON. Não encontrei nos autos nenhuma DIPJ, original ou retificada. Logo, inócua a alegação. Quanto à falta de retificação da DCTF e do DACON, esta não é determinante para o julgamento, uma vez que o CARF tem reconhecido o direito ao crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, independentemente de retificação da DCTF e do DACON, desde que o direito seja comprovado por documentos e livros fiscais e contábeis hábeis. Tratandose de despacho eletrônico, admitese a apresentação destes documentos e livros após a decisão da DRJ, pois alguns Conselheiros entendem que o princípio da verdade material assim autoriza, outros entendem que se está diante de caso em que a prova se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, hipótese prevista no art. 16, §4º, letra “c” do Decreto nº 70.235, de 1972. De qualquer modo, o importante é que a contribuinte, até o presente, não apresentou nenhum documento ou livro, fiscal ou contábil, que pudesse comprovar seu direito. Logo, não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Não é só isso. A recorrente sequer argumentou sobre os fatos ou direito que ensejariam o crédito pleiteado. Há menção de que seria decorrente da inclusão do ICMS integrante de conhecimento de transporte na base de cálculo da cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, porém, não é tecido nenhum argumento sobre esta matéria. Por estas razões, com fundamento no art. 170 do CTN e no art. 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, não cabe o reconhecimento do crédito pleiteado. Declaração de compensação errada e competência do CARF No recurso, ao contrário da manifestação de inconformidade, nada foi dito sobre erro na Declaração de Compensação ou sobre a necessidade de sua retificação. Apenas se afirmou que, no PER/DCOMP apresentado, verificase que houve pagamento a maior. Porém, tendo em vista que possível erro na DCOMP é questão que permeia os autos e que a decisão da DRJ tratou desta matéria; que a Administração deve atender aos princípios da legalidade, da moralidade, do interesse público e da eficiência; e que o princípio da verdade material é especialmente levado em consideração nos julgamentos neste Conselho; teço algumas considerações que me levam a concluir pela manutenção da decisão recorrida na íntegra. O processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União e o de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal é regido pelo Decreto nº 70.235, de 6/3/1972. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906120/201245 Acórdão n.º 3801004.774 S3TE01 Fl. 8 7 O rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235, de 1972, não se aplica, em princípio, aos processos administrativos de pedidos de compensação, pois não são processos de determinação e exigência de créditos tributários, tampouco de consulta sobre aplicação da legislação tributária federal.. Porém, por força do art. 74, §§ 9º e 10, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, não homologada a compensação, o sujeito passivo poderá apresentar manifestação de inconformidade contra a decisão administrativa de não homologação e recurso contra decisão que julgue improcedente a manifestação de inconformidade. Ambos, manifestação de inconformidade e recurso, seguirão o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235, de 1972, conforme parágrafo 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais_CARF, que, conforme art. 37 do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/5/2009, é competente para julgar, em segunda instância, processos que seguem o rito deste decreto, possui competência para julgar recursos contra decisões da DRJ que julgaram improcedentes manifestações de inconformidade contra não homologação de declarações de compensação. Quanto à retificação de declarações de compensação, a situação é diferente. Cito o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 86DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906120/201245 Acórdão n.º 3801004.774 S3TE01 Fl. 9 8 § 8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)” Vejase que os §§ 6º a 8º acima dispõem que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados e que, não homologada a compensação e não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União A exigência do pagamento destes débitos não deve ser submetida a julgamento administrativo; e, ainda que a declaração de compensação contenha erro, não cabe nesta instância sua correção, o que deve realizarse pela entrega de declaração retificadora, tal como estabelecido nos arts. 6º a 8º das Instruções Normativas SRF nº 360. de 24/02/2003, e nº 376, de 23/12/2003; nos arts. 55 a 58 da IN SRF nº 460, de 18/10/2004, e IN SRF nº 600, de 28/12/2005; nos arts. 76 a 79 da IN SRF nº 900, de 30/12/2008; e nos arts. 88 a 90 da IN RFB nº 1.300, de 20/11/2012. Conforme assentado no acórdão recorrido, a retificação de declaração de compensação deveria ser requerida por meio de documento retificador gerado a partir do programa PER/DCOMP. Não há nos autos nenhum documento retificador gerado nesta condição. Assim, não pode o CARF determinar a homologação da DCOMP tal como formalizada, ainda que errada, pois esta extingue o crédito tributário, sob condição resolutória, e constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906120/201245 Acórdão n.º 3801004.774 S3TE01 Fl. 10 9 Conclusão Pelo exposto, em especial pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10325.721883/2012-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
PERÍCIA E DILIGÊNCIA. PEDIDO. COLETA DE PROVAS PARA FINS DE DEFESA DO CONTRIBUINTE. INCABÍVEL.
A realização de diligência e perícia é desnecessária quando há nos autos elementos suficientes à solução da lide. Conforme dispõem os artigos 16, 18, 28 e 29 do Decreto n° 70.235, de 1972, a sua realização está diretamente relacionada à formação da livre convicção do julgador. Não cabe para coleta de prova de interesse único para a defesa do contribuinte.
INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONO DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO
O art. 23 da Lei nº 70.235, de 1972, não prevê a possibilidade de a intimação darse na pessoa do advogado do autuado, tampouco o RICARF apresenta regramento nesse sentido. Pretensão sem amparo.
SERVENTUÁRIO DE JUSTIÇA. CUSTAS E EMOLUMENTOS. TRIBUTAÇÃO NA PESSOA FÍSICA. LIVRO CAIXA. APURAÇÃO. SUJEITO AO RECOLHIMENTO MENSAL. CARNÊ-LEÃO.
Os emolumentos e custas dos serventuários de justiça, como tabeliães, notários e oficiais de registros públicos, são tributados na pessoa física, obedecidos os procedimentos atinentes ao livro-caixa e ao recolhimento mensal pelo carnê-leão, exceto quando remunerados exclusivamente pelos cofres públicos.
MULTA DE OFICIO. ISOLADA. OMISSÃO. AUSÊNCIA DO PAGAMENTO DO CARNÊ-LEÃO. INCIDÊNCIA
É procedente a exigência de multa isolada com base na falta de recolhimento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física devido a título de carnê-leão, decorrente da omissão dos emolumentos e custas dos serventuários de justiça, como tabeliães, notários e oficiais de registros públicos.
MULTA DE OFÍCIO. RENDIMENTOS OMITIDOS. INEXISTÊNCIA DE QUALIFICAÇÃO OU AGRAVAMENTO. ALÍQUOTA DE SETENTA E CINCO POR CENTO.
É aplicável a multa de 75%, conforme determina o art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996, quando não há qualquer majoração por qualificação ou agravamento.
Numero da decisão: 2201-002.679
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares. No mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da omissão de rendimentos sujeitos ao ajuste anual as despesas já deduzidas de ofício das bases de cálculo das multas isoladas do carnê-leão. Vencidos os Conselheiros NATHALIA MESQUITA CEIA, GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ e GUSTAVO LIAN HADDAD, que além disso excluíram a multa isolada do carnê-leão.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi de Oliveira, Nathalia Mesquita Ceia e Eduardo Tadeu Farah.
Nome do relator: FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
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PEDIDO. COLETA DE PROVAS PARA FINS DE DEFESA DO CONTRIBUINTE. INCABÍVEL. A realização de diligência e perícia é desnecessária quando há nos autos elementos suficientes à solução da lide. Conforme dispõem os artigos 16, 18, 28 e 29 do Decreto n° 70.235, de 1972, a sua realização está diretamente relacionada à formação da livre convicção do julgador. Não cabe para coleta de prova de interesse único para a defesa do contribuinte. INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONO DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO O art. 23 da Lei nº 70.235, de 1972, não prevê a possibilidade de a intimação darse na pessoa do advogado do autuado, tampouco o RICARF apresenta regramento nesse sentido. Pretensão sem amparo. SERVENTUÁRIO DE JUSTIÇA. CUSTAS E EMOLUMENTOS. TRIBUTAÇÃO NA PESSOA FÍSICA. LIVRO CAIXA. APURAÇÃO. SUJEITO AO RECOLHIMENTO MENSAL. CARNÊLEÃO. Os emolumentos e custas dos serventuários de justiça, como tabeliães, notários e oficiais de registros públicos, são tributados na pessoa física, obedecidos os procedimentos atinentes ao livrocaixa e ao recolhimento mensal pelo carnêleão, exceto quando remunerados exclusivamente pelos cofres públicos. MULTA DE OFICIO. ISOLADA. OMISSÃO. AUSÊNCIA DO PAGAMENTO DO CARNÊLEÃO. INCIDÊNCIA É procedente a exigência de multa isolada com base na falta de recolhimento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física devido a título de carnêleão, decorrente da omissão dos emolumentos e custas dos serventuários de justiça, como tabeliães, notários e oficiais de registros públicos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 5. 72 18 83 /2 01 2- 28 Fl. 383DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 6/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 2 MULTA DE OFÍCIO. RENDIMENTOS OMITIDOS. INEXISTÊNCIA DE QUALIFICAÇÃO OU AGRAVAMENTO. ALÍQUOTA DE SETENTA E CINCO POR CENTO. É aplicável a multa de 75%, conforme determina o art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996, quando não há qualquer majoração por qualificação ou agravamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares. No mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da omissão de rendimentos sujeitos ao ajuste anual as despesas já deduzidas de ofício das bases de cálculo das multas isoladas do carnêleão. Vencidos os Conselheiros NATHALIA MESQUITA CEIA, GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ e GUSTAVO LIAN HADDAD, que além disso excluíram a multa isolada do carnêleão. (ASSINADO DIGITALMENTE) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi de Oliveira, Nathalia Mesquita Ceia e Eduardo Tadeu Farah. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 6/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10325.721883/201228 Acórdão n.º 2201002.679 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Neste processo foi lavrado o auto de infração do Imposto de Renda de Pessoa Física, exercício 2010, no qual se apurou o imposto suplementar no valor de R$ 677.186,33, com multa de ofício, no percentual de 150%, no valor de R$ 1.015.779,50, e multa de ofício isolada, no valor total de R$ 305.087,50. Conforme dispõe o Termo de Verificação Fiscal, o contribuinte, que é o tabelião titular do Cartório do 6º Ofício Extrajudicial, informou na Declaração de Ajuste Anual do exercício financeiro de 2010, anocalendário 2009, a título de rendimentos isentos e não tributáveis, o montante de R$ 2.060.329,69 (dois milhões, sessenta mil, trezentos e vinte e nove reais e sessenta e nove centavos) como advindos de lucros e dividendos. Intimado a apresentar o LivroCaixa, o contribuinte esclareceu que a movimentação do Cartório – receitas e despesas – era tratada como pessoa jurídica. Em função disso, apresentou o Livro Diário e o Livro Razão. Na DIPJ apresentada no modelo de entidade imune, verificose que o Cartório auferiu receita bruta (receita de vendas de serviços) no valor total anual de R$ 2.517.795,74 e Superavit no valor de R$ 2.061.329,29. Também, que foi efetuado o pagamento de salário ao contribuinte, no valor total anual de R$ 55.300,00. Esse foi o valor informado na Declaração de Ajuste Anual da pessoa física como rendimento tributável recebido do Cartório do 6º Ofício. Diante da falta de respostas em relação ao montante de receitas do Cartório, foi intimada a Corregedoria Geral de Justiça do Estado do Maranhão, que informou o valor total de R$ 175.492,40 (cento e setenta e cinco mil, quatrocentos e noventa e dois reais e quarenta centavos) de taxas incidentes sobre os emolumentos repassados durante o ano de 2009. Considerando a divergência em relação aos R$ 300.175,90 (trezentos mil, cento e setenta e cinco reais e noventa centavos) escriturados nos Livros Diário e Razão, e tendo em vista o contribuinte ter deixado de apresentar os esclarecimentos por não saber os motivos da discrepância, a auditoria fiscal reintimou a Corregedoria a informar as importâncias relativas a emolumentos e taxas percebidos pelo contribuinte como tabelião responsável pelo Cartório do 6º Ofício Extrajudicial. A resposta foi de que o valor da arrecadação bruta da serventia, no ano de 2009, foi de R$ 1.462.436,67 (um milhão, quatrocentos e sessenta e dois mil, quatrocentos e trinta e seis reais, sessenta e sete centavos). Também foi intimada a Prefeitura Municipal de Imperatriz, que disse não ter havido o recolhimento de ISSQN. Diante disso, a fiscalização considerou como omissão de rendimentos a diferença entre os emolumentos recebidos e os valores já declarados (R$ 2.517.795,74 R$ 55.300,00), totalizando R$ 2.462.495.74 (dois milhões, quatrocentos e sessenta e dois mil, quatrocentos e noventa e cinco reais e setenta e quatro centavos). Considerando que o contribuinte utilizou de artifício para eximirme do pagamento do imposto na pessoa física, a multa de ofício foi qualificada. Também foi lançada a multa de ofício isolada pela falta de recolhimento do carnêleão. O interessado apresentou a impugnação, cujos argumentos foram assim relatados na decisão recorrida: Fl. 385DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 6/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 4 1) deixou de recolher Carnêleão sobre rendimentos da atividade de tabelião do 6º Ofício Extrajudicial (Serventia Extrajudicial do 6º Ofício), durante o anocalendário de 2009, no valor total anual de R$ 1.462.436,67, uma vez que os rendimentos eram tidos como da pessoa jurídica do cartório; 2) percebia prólabore do cartório, tendo havido retenção de IRRF; 3) Percebia lucros distribuídos do cartório que eram informados na Declaração de Ajuste Anual como rendimentos isentos; 4) a movimentação financeira do cartório era de responsabilidade de um profissional, contador. Havia escrituração de Livro Diário e Livro Caixa. O cartório era tratado como pessoa jurídica, apresentava DIPJ, era imune do IRPJ por ser pessoa jurídica de direito público, autarquia estadual. O superávit era informado com lucros distribuídos na Declaração de Ajuste Anual. Na Declaração de Ajuste Anual, informava rendimentos tributáveis do cartório, como prólabore; 5) o superávit, conforme a DIPJ, era na Declaração de Ajuste Anual informado como rendimentos isentos ou não tributáveis; Dadas essas informações e reconhecendo a infração de omissão de rendimentos, por erro do profissional responsável pela contabilidade, o senhor contribuinte vem contestando o valor da omissão de rendimentos, solicitando a retificação da sua Declaração de Ajuste Anual, com a finalidade de tributar os rendimentos informados como isentos ou não tributáveis, no valor que considera correto, e impugnando a Multa de Ofício Qualificada, no percentual de 150%, por não ter havido dolo. Os membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza (CE), por meio do Acórdão nº 0824.758, de 18 de fevereiro de 2013, consideraram a impugnação procedente parte, excluindo a qualificação da multa de ofício. Cientificado, por meio postal em 13 de março de 2013 (fl. 360), o contribuinte interpôs o recurso voluntário no dia 11 do mês subsequente, no qual cita os pontos arguidos em sede de impugnação e destaca que abandona a questão relacionada à possibilidade de retificação da Declaração de Ajuste, mantendo os demais pontos, a saber: “(i) Cabimento do lançamento por omissão de rendimentos; (ii) Cabimento da multa ofício de 75% (antes de 150%); e (iii) Cabimento da multa isolada de 50% sobre o carnêleão que deixou de ser recolhido” É o relatório. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 6/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10325.721883/201228 Acórdão n.º 2201002.679 S2C2T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira O recurso voluntário é tempestivo e, atendidas as demais formalidades, dele tomo conhecimento. Preliminares O contribuinte solicita que seja realizada diligência para a correta quantificação dos rendimentos e que seja notificado o seu patrono para fazer sustentação oral. Inicialmente, afastase o pedido de intimação prévia dos representantes do recorrente para a sustentação oral, pois o pleito não tem amparo no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), que regulamenta o julgamento em segunda instância e na instância especial do contencioso administrativo fiscal federal, na forma do art. 37 do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Entretanto, garantese à parte a publicação da Pauta de Julgamento no DOU com antecedência de 10 dias e na página da internet do CARF, na forma do art. 55, parágrafo único, do Anexo II, do RICARF, devendo a parte acompanhar tais publicações, podendo, então, na sessão respectiva, efetuar a sustentação oral, pessoalmente ou por intermédio de patrono. Porém, repisese, não há previsão para intimação nominal aos patronos para informarlhes a data da sessão de julgamento do recurso. Por sua vez, a realização de diligências e perícias somente se aplica quando há necessidade de formação de convicção por parte da autoridade lançadora ou do julgador, conforme dispõe os art. 16, 18, 28 e 29 do Decreto n° 70.235, de 1972, que não é o caso. Omissão de rendimentos O contribuinte, inicialmente, insiste na tese de que o cartório seria pessoa jurídica de direito público (Pessoa Jurídica Estadual – Autarquia Especial) e entidade Imune do IRPJ. Por isso, teria informado na DIPJ a receita bruta anual de R$ 2.517.795,74, e receita líquida, superávit, de R$ 2.061.329,29. Ocorre que essa tese, como já debatida na decisão recorrida, não merece acolhida. Os emolumentos e custas dos serventuários de justiça, como tabeliães, notários e oficiais de registros públicos, são tributados na pessoa física, obedecidos os procedimentos atinentes ao livrocaixa e ao recolhimento mensal pelo carnêleão, exceto quando remunerados exclusivamente pelos cofres públicos. Isso é o que se depreende da Lei nº 7.713, de 1988: Art. 8º Fica sujeito ao pagamento do imposto de renda, calculado de acordo com o disposto no art. 25 desta Lei, a pessoa física que receber de outra pessoa física, ou de fontes situadas no exterior, rendimentos e ganhos de capital que não tenham sido tributados na fonte, no País. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 6/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 6 § 1º O disposto neste artigo se aplica, também, aos emolumentos e custas dos serventuários da justiça, como tabeliães, notários, oficiais públicos e outros, quando não forem remunerados exclusivamente pelos cofres públicos. (grifos nossos). [...] Art. 11. Os titulares dos serviços notariais e de registro a que se refere o art. 236 da Constituição da República, desde que mantenham escrituração das receitas e das despesas, poderão deduzir dos emolumentos recebidos, para efeito da incidência do imposto: I a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, inclusive encargos trabalhistas e previdenciários; II os emolumentos pagos a terceiros; III as despesas de custeio necessárias à manutenção dos serviços notariais e de registro. (grifos nossos). Assim, tais rendimentos são tributados pela sistemática do “recolhimento mensal obrigatório” (carnêleão), estabelecida em lei e regulamentada pelo Decreto nº 3.000/1999 (RIR/1999), artigos 106 a 112, devendo integrar a base de cálculo do imposto na Declaração de Ajuste Anual. Erro na base de cálculo do lançamento Vencido o primeiro ponto, o contribuinte argui que a autoridade fiscal não teria obedecido à legislação ao arbitrar os rendimentos auferidos pelo contribuinte, uma vez que o art. 845, incido I, do RIR/1999 determina que o lançamento de ofício seja feito arbitrandose os rendimentos com os elementos que se dispuser. E no caso, esses elementos seriam as informações prestadas pela Corregedoria de Justiça do Estado do Maranhão, que respondeu ser a sua receita no ano de R$ 1.462.436,67. Argumenta que o art. 37 do RIR/1999 estabelece que o rendimento bruto é todo produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, os proventos de qualquer natureza, assim também entendido os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados, e que o § 2º do art. 839 do RIR fala em “disponibilidade econômica ou jurídica da renda”. E que não se poderia considerar toda a arrecadação do cartório como rendimento bruto da pessoa física titular do cartório, mas apenas os R$ 1.462.436,67 repassados ao titular, pois devem ser levadas em conta as despesas do cartório. Não teriam sido considerado as deduções legais permitidas que estavam registradas no Livro Diário, cuja documentação foi entregue à autoridade fiscal. Em relação à base de cálculo apurada, verificase nos autos que o valor dos emolumentos foi apurado conforme os registros no Livro Diário e no Livro Razão elaborados pelo cartório. A auditoria discriminou, mês a mês, o valor dos emolumentos recolhidos ao Fundo Especial de Modernização e Reaparelhamento, cujas guias encontramse anexadas no processo. Vale observar, foram verificadas divergências entre as guias recolhidas ao FERJ e a informação prestada pela Corregedoria, prevalecendo os valores efetivamente recolhidos. Assim, do valor apurado de R$ 300.175,90 chegouse ao valor de R$ 2.517.795,74 de receita bruta, que era o próximo ao valor escriturado como receita bruta pelo Cartório. Deste valor foi subtraído os R$ 55.300,00 declarados como rendimentos tributáveis. Assim, não há qualquer dúvida em relação ao montante das receitas apuradas pelo Cartório. Porém, observase que a auditoria não considerou as deduções, sob argumento que o contribuinte teria optado pelo regime simplificado, fazendo seu uso apenas para fins de apuração da base de cálculo da multa de ofício isolada. Nessa questão, não se pode concordar Fl. 388DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 6/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10325.721883/201228 Acórdão n.º 2201002.679 S2C2T1 Fl. 5 7 com o lançamento e com a decisão recorrida, pois a se a auditoria considerou as despesas para fins de apuração do carnêleão, reconhecendoas como devidas, também deveria ter ajustado a base de cálculo do imposto apurado no ajuste anual. Assim sendo, entendo que devem ser consideradas as despesas registradas no Livro Diário utilizadas e aceitas pela autoridade lançadora para fins de deduções na apuração da multa isolada. Multa de Ofício de 75% e Multa de Ofício Isolada de 50%. O contribuinte alega que a redução da multa de Oficio para 75% não é a solução para a questão e solicita o seu cancelamento. E, também, que a DRJ teria extrapolado sua atividade julgadora ao modificar a base legal do lançamento. Primeiro lugar, que a redução da multa de 150% para 75, decorrente da decisão de primeira instância, não modificou o lançamento ou a base legal da multa de ofício. Apenas, retirou dela a sua qualificação. Em segundo, que é devido a aplicação da multa de ofício nos casos de lançamento de ofício nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, e a multa de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal de conforme determina a Lei nº 9.430, de 1966: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] Portanto, entendese correta a aplicação das multas sobre os rendimentos omitidos no anocalendário 2009. Isto posto, voto em rejeitar as preliminares e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da omissão de rendimentos sujeitos ao ajuste anual as despesas deduzidas de ofício das bases de cálculo das multas isoladas pelo não recolhimento do carnêleão. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator Fl. 389DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 6/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 8 Fl. 390DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 6/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO
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Numero do processo: 10320.720234/2010-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o, DO CTN.
De acordo com o artigo 62-A do anexo II do Regimento Interno deste Conselho, As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, deve ser aplicada a regra do REsp nº 973.733 - SC, decidido na sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4º, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do inciso I do art. 173 do CTN nas demais situações. Como no presente caso não restou comprovado o pagamento do ITR do exercício, verificamos que não ocorreu a decadência.
ITR. LEGITIMIDADE.
O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel rural. Restando comprovado que a Recorrente não poderia ser caracterizada como contribuinte do imposto e nem que poderia ser responsabilizada por sucessão, não há que se falar em ITR lançado em seu nome.
Numero da decisão: 2101-002.701
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Realizou sustentação oral o patrono da recorrente, Dr. Rodrigo Tosto Lascala - OAB/SP - 292935.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
DANIEL PEREIRA ARTUZO - Relator.
EDITADO EM: 12/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), DANIEL PEREIRA ARTUZO (Relator), MARIA CLECI COTI MARTINS, EDUARDO DE SOUZA LEÃO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR e ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
Nome do relator: DANIEL PEREIRA ARTUZO
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TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o, DO CTN. De acordo com o artigo 62A do anexo II do Regimento Interno deste Conselho, “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. Assim, deve ser aplicada a regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4º, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do inciso I do art. 173 do CTN nas demais situações. Como no presente caso não restou comprovado o pagamento do ITR do exercício, verificamos que não ocorreu a decadência. ITR. LEGITIMIDADE. O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel rural. Restando comprovado que a Recorrente não poderia ser caracterizada como contribuinte do imposto e nem que poderia ser responsabilizada por sucessão, não há que se falar em ITR lançado em seu nome. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 72 02 34 /2 01 0- 98 Fl. 223DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 13/02/201 5 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Realizou sustentação oral o patrono da recorrente, Dr. Rodrigo Tosto Lascala OAB/SP 292935. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. DANIEL PEREIRA ARTUZO Relator. EDITADO EM: 12/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), DANIEL PEREIRA ARTUZO (Relator), MARIA CLECI COTI MARTINS, EDUARDO DE SOUZA LEÃO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR e ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relatório Em 2010 foi emitida a Notificação de Lançamento de efls. 03 a 07, para a exigência de ITR do Exercício 2005, relativo ao imóvel rural “FAZENDA ALDEIAS”, NIRF 7.371.8041, localizado no município de Paulo Ramos/MA. De acordo com a “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, “Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a área declarada de benfeitorias úteis e necessárias destinadas à atividade rural." e também "não comprovou por meio de Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.6533 da ABNT, o valor da terra nua declarado.” Cientificada do lançamento, a Recorrente apresentou a Impugnação de efls. 47/57, alegando, em síntese, a sua ilegitimidade passiva, uma vez que nunca foi proprietária do imóvel objeto do lançamento tributário atacado. Ao analisar a Impugnação, a DRJ de Brasília negou provimento à Impugnação apresentada nos seguintes termos: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 Fl. 224DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 13/02/201 5 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10320.720234/201098 Acórdão n.º 2101002.701 S2C1T1 Fl. 223 3 DA LEGITIMIDADE PASSIVA O sujeito passivo da obrigação principal dizse contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador da obrigação tributária. Contribuinte do Imposto Territorial Rural é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título. DO ÔNUS DA PROVA Cabe ao contribuinte, quando solicitado pela autoridade fiscal, comprovar com documentos hábeis, os dados cadastrais informados na sua DITR, posto que é seu o ônus da prova. DA PROVA PERICIAL A perícia técnica destinase a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitandose ao aprofundamento de questões sobre provas e elementos incluídos nos autos, não podendo ser utilizada para suprir o ônus da prova do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” (acórdão de fls. 93/102) Inconformada com o resultado do julgamento, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (efls. 106/145), reiterando os argumentos já expendidos em sua Impugnação e alegando a ocorrência de decadência. É o relatório. Voto Conselheiro DANIEL PEREIRA ARTUZO O recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, motivo pelo qual dele conheço. Inicialmente, a Recorrente alega que teria ocorrido a decadência do direito do Fisco lançar, uma vez que o fato gerador do imposto exigido ocorreu em 1º/01/2005 e a Recorrente somente foi cientificada do lançamento em 11/11/2010 (efl. 23). Ora, de acordo com o artigo 62A do anexo II do Regimento Interno deste Conselho, “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos Fl. 225DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 13/02/201 5 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 artigos 543B e 543C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” Assim, no presente caso, devemos observar o entendimento do STJ, o qual, através de sua Primeira Seção, no julgamento do REsp 973.733/SC de relatoria do Min. Luiz Fux, submetido ao rito dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), firmou entendimento no sentido de que, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, para a fixação do prazo decadencial para a constituição do crédito tributário é necessária a consideração sobre a existência ou não de pagamento antecipado para se decidir sobre a aplicação do inciso I do art. 173 ou do § 4º do art. 150, ambos do CTN: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal Fl. 226DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 13/02/201 5 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10320.720234/201098 Acórdão n.º 2101002.701 S2C1T1 Fl. 224 5 (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) Compulsando os autos não encontramos evidências de que teria havido pagamento antecipado do imposto. Assim, aplicandose a regra do art. 173, I do CTN, fica clara a inocorrência da decadência. Por outro lado, analisando os documentos juntados aos autos, podemos fazer o seguinte relato cronológico dos fatos relacionados à legitimidade para figurar no polo passivo do lançamento fiscal em análise: 1) Em 09.08.2006, o Sr. João Pereira da Pereira, firmou o Contrato Particular de Compra e Venda de Imóvel Rural com o promitente vendedor, Sr. Carlos Francisco Schimidt de Oliveira, por meio do qual adquiriu o imóvel rural objeto do presente lançamento (efls. 183/188); 2) Em 18.01.2007, houve a constituição da Sociedade JKL Internacional Agro Negócios Rurais Ltda., tendo sido integralizada a Fazenda Aldeias (efls. 191/197); 3) Em 22.10.2007 a Recorrente apresentou a DITR referente ao exercício de 2005; 4) Em 05.05.2008, foi realizada a redução do capital social da Recorrente para exclusão do imóvel rural Fazenda Aldeias (efls. 199/201); 5) 08/11/2010: emitida a Notificação de Lançamento de efls. 03 a 07, para a exigência de ITR do Exercício 2005, relativo ao imóvel rural “FAZENDA ALDEIAS”, NIRF 7.371.8041, localizado no município de Paulo Ramos/MA. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 13/02/201 5 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 6) 06/12/2010: Emissão da certidão/declaração de efls. 208/209, na qual a Serventia Extrajudicial de Paulo Ramos atesta que o imóvel objeto da presente autuação fiscal nunca foi de propriedade da ora Recorrente. Esclarecidos os fatos, passamos à análise do argumento da Recorrente. De acordo com o art. 29 do CTN e o art. 1º da Lei 9.393/96, o Imposto Territorial Rural – ITR tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, em 1º de janeiro de cada ano. Ainda, o art. 31 do CTN prevê que “Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título”. Assim, para que a Autoridade Fiscal promova o lançamento suplementar do imposto, deve verificar se o sujeito passivo possuía a propriedade, o domínio útil ou a posse do imóvel na data do fato gerador ou se ele pode ser responsabilizado por sucessão. No presente caso, a Recorrente não poderia ser considerada proprietária, detentora ou possuidora do imóvel objeto do lançamento na data da ocorrência do fato gerador, uma vez somente foi constituída em 18/01/2007. Dessa forma, para que pudesse ser responsabilizada pelo ITR do exercício de 2005, a Fiscalização deveria ter demonstrado a ocorrência de alguma hipótese prevista nos arts. 128 a 133 do CTN, conforme previsão legal do art. 5º da Lei 9.393/96: “Art. 5º É responsável pelo crédito tributário o sucessor, a qualquer título, nos termos dos arts. 128 a 133 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Sistema Tributário Nacional).” Ora, nos termos da Lei Civil, a propriedade de um imóvel somente é transferida mediante o registro do título translativo no Registro de Imóveis. Como em 06/12/2010 (após a lavratura da presente Notificação de Lançamento) a Serventia Extrajudicial de Paulo Ramos atestou que o imóvel objeto da presente autuação fiscal nunca foi de propriedade da ora Recorrente, não resta dúvida de que ela não poderia figurar como sujeito passivo do presente lançamento. Por todo o exposto, reconheço a ilegitimidade passiva da Recorrente para figurar no polo passivo do lançamento e voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para anular o lançamento fiscal por erro na identificação do sujeito passivo. É o meu voto. (assinado digitalmente) DANIEL PEREIRA ARTUZO Relator Fl. 228DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 13/02/201 5 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10320.720234/201098 Acórdão n.º 2101002.701 S2C1T1 Fl. 225 7 Fl. 229DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 13/02/201 5 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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