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Numero do processo: 16045.000038/2007-81
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Data do fato gerador: 31/03/2002, 30/06/2002, 30/09/2002, 31/12/2002, 31/03/2003, 30/06/2003, 30/09/2003, 31/12/2003
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE. Por
intempestivo, não se conhece do recurso voluntário protocolizado após o prazo dos trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância, nos termos do artigo 33 do Decreto nº 70.235/72
Numero da decisão: 1802-000.785
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO
CONHECER do recurso, por intempestivo, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
1.0 = *:*
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2002, 30/06/2002, 30/09/2002, 31/12/2002, 31/03/2003, 30/06/2003, 30/09/2003, 31/12/2003 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE. Por intempestivo, não se conhece do recurso voluntário protocolizado após o prazo dos trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância, nos termos do artigo 33 do Decreto nº 70.235/72
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1682; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 501 1 500 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16045.000038/200781 Recurso nº 522.153 Voluntário Acórdão nº 180200.785 – 2ª Turma Especial Sessão de 26/01/2011 Matéria IRPJ Recorrente A T S CONSULTORIA CONTÁBIL S/C LTDA. Recorrida 2ª.Turma/DRJ/Campinas/SP Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2002, 30/06/2002, 30/09/2002, 31/12/2002, 31/03/2003, 30/06/2003, 30/09/2003, 31/12/2003 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE. Por intempestivo, não se conhece do recurso voluntário protocolizado após o prazo dos trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância, nos termos do artigo 33 do Decreto nº 70.235/72 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso, por intempestivo, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins De Sousa – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José De Oliveira Ferraz Corrêa, André Almeida Blanco, Nelso Kichel, Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior e João Francisco Bianco. Relatório A T S CONSULTORIA CONTÁBIL S/C LTDA, já qualificada nos autos do processo, recorre a este colegiado da decisão de primeira instância, que julgou procedente o Fl. 1DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 lançamento constante dos Autos de Infração, lavrados em 17/01/2007, por irregularidades relativas aos anos calendário de 2002 e 2003, e manteve o seguinte crédito tributário, : Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ no valor de R$ 28 946 64, acrescido de multa de 75% e juros de mora (fls.232/235); Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS no valor de R$ 60.534,78, acrescido de multa de 75% e juros de mora (fls.245/250); Contribuição Social CSLL no valor de R$ 17.367,33, acrescido de multa de 75% e juros de mora (fls. 267/270); Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins no valor de R$ 24.532,72, acrescido de multa de 75% e juros de mora (fls. 257/260); Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF no valor de R$ 139.338;18, acrescido de multa de 75% e juros de mora (fls.275/277). De acordo com o Relatório Fiscal, de fls.228/230, foram constatadas as seguintes irregularidades: 1 Falta de oferecimento à tributação do recebimento das faturas discriminadas à fl.229; 2 Abatimentos sobre Vendas/Serviços: lançados na conta 3.2.1.01.001 (cancelamento de serviços), que foram glosados uma vez que a fiscalizada foi intimada a apresentar os necessários comprovantes e nada apresentou, alegando não possuir nota fiscal tampouco Livro de ISS; 3. Foram efetuados os lançamentos dos débitos de PIS e COFINS do período sob fiscalização — muito embora a empresa tenha informado em DCTF, as entregas das mesmas só ocorreram em 12/06 e 20/11/2006, durante o curso da fiscalização, portanto, sem que a espontaneidade tenha sido adquirida. 4. A fiscalizada também foi intimada (fls. 23/24), a apresentar planilhas de apuração dos cálculos, bem como dos bens utilizados como insumos, serviços e energia elétrica, onde constasse as respectivas bases de calculo PIS não cumulativo, nada apresentou. 5. Imposto de Renda na Fonte sobre Benefícios Indiretos "fingebenefits"— A fiscalizada pagou ao seu sócio majoritário Aloísio Romeu Thiele, alugueis e respectivos encargos, nos anos de 2002 e 2003, (conta 4.3.2.03.001), sem que oferecesse à tributação. A alíquota da tributação é exclusiva na fonte, e deve ser aplicada sobre a base de calculo reajustada (10035) = 100 : 65 = 1,538461. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Campinas/SP) julgou improcedente a impugnação, conforme decisão proferida mediante o venerando Acórdão nº 0527.856, de 16 de dezembro de 2009 (fls.466/474) cientificado ao interessado em 08/02/2010 (segunda feira), fl.482. A empresa interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 11/03/2010, quinta feira, fls.483/487, no qual afirma sua tempestividade. Inconformada com a decisão de primeira instância a recorrente alega no essencial que os valores imputados nos Auto de Infração não são devidos na sua totalidade, Fl. 2DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16045.000038/200781 Acórdão n.º 180200.785 S1TE02 Fl. 502 3 requerendose para tanto a correção da base de cálculo com a exclusão das faturas não recebidas por custos decorrentes (penalidades fiscais, etc) que eram debitados de seus honorários, em conta corrente por motivos de imperícia com seus clientes. Aduz que os recebimentos da empresa transitavam pela conta corrente bancária. Ao final requer o provimento integral do recurso. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Voto Conselheira Relatora Ester Marques Lins De Sousa Conforme relatado acima, a interessada foi cientificada da decisão proferida mediante o Acórdão nº 0527.856, de 16 de dezembro de 2009 (fls.466/474), conforme o Aviso de Recebimento (AR), fl.482, em 08/02/2010, (segunda feira), e, interpôs Recurso ao Conselho de Administrativo de Recursos Fiscais CARF, (fls.483/487), somente em 11/03/2010, portanto, após o prazo dos trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art.33 do Decreto nº 70.235/72, que teve como prazo fatal o dia 10/03/2010 (quarta feira) para a apresentação do mencionado recurso. Diante do exposto, concluo que o presente recurso, é intempestivo, não preenche as condições de admissibilidade, nos termos do art.33 do Decreto nº 70.235/72, razão pela qual voto por não conhecêlo. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins De Sousa Fl. 4DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10140.000194/2005-15
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 2002
PREJUÍZO FISCAL. ATIVIDADE GERAL E RURAL. CONTROLE INDIVIDUALIZADO NO LALUR.
Não possuindo a empresa escrituração do Lalur das atividades gerais e rurais em separado e o controle dos prejuízos fiscais/lucros reais apurados em diversos anos e a sua compensação, de forma a possibilitar a verificação dos
valores pela autoridade fiscal, somado a supostos erros de preenchimento da declaração não comprovados satisfatoriamente, mantém-se o lançamento tributário.
Numero da decisão: 1801-000.393
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator
Matéria: IRPJ - glosa de compensação de prejuízos fiscais
Nome do relator: Ana de Barros Fernandes
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2002 PREJUÍZO FISCAL. ATIVIDADE GERAL E RURAL. CONTROLE INDIVIDUALIZADO NO LALUR. Não possuindo a empresa escrituração do Lalur das atividades gerais e rurais em separado e o controle dos prejuízos fiscais/lucros reais apurados em diversos anos e a sua compensação, de forma a possibilitar a verificação dos valores pela autoridade fiscal, somado a supostos erros de preenchimento da declaração não comprovados satisfatoriamente, mantém-se o lançamento tributário.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2002 PREJUÍZO FISCAL. ATIVIDADE GERAL E RURAL. CONTROLE INDIVIDUALIZADO NO LALUR. Não possuindo a empresa escrituração do Lalur das atividades gerais e rurais em separado e o controle dos prejuízos fiscais/lucros reais apurados em diversos anos e a sua compensação, de forma a possibilitar a verificação dos valores pela autoridade fiscal, somado a supostos erros de preenchimento da declaração não comprovados satisfatoriamente, mantém-se o lançamento tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) ANA DE BARROS FERNANDES – Presidente e Relatora EDITADO EM: 16/11/2010 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Rogério Garcia Peres e Ana de Barros Fernandes. Fl. 176DF CARF MF Emitido em 28/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório A empresa em epígrafe foi submetida à revisão dos valores informados na DIPJ/02, relativa ao ano-calendário de 2001. No procedimento fiscal verificou-se, em confronto com os valores registrados no sistema de acompanhamento dos prejuízos fiscais, bases de cálculo negativas e lucro inflacionário declarados pelos contribuintes – Sapli, que a fiscalizada compensou a maior o IRPJ e a CSLL com os saldos de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa acumulados nos anos anteriores. O referido sistema não acusa os saldos a compensar informados na DIPJ pertinente. Também foi exigido da contribuinte parcela relativa a IRPJ a pagar em virtude de pequena diferença constatada entre o valor informado como devido em DCTF (R$68,13) e aquele informado na DIPJ/02 (R$ 185,78). Tudo conforme consta dos autos: Termo de Intimação à contribuinte – fls. 38 (não atendida); Auto de Infração e demonstrativos – fls. 40 a 44; Sapli – fls. 45 a 52; planilha demonstrativa dos valores declarados e apurados ex officio – fls. 53. Inconformada com a autuação, a empresa interpôs a Impugnação de fls. 60 a 62. Aproveito o relatório do acórdão ora questionado, por oportuno: “Intimada em 27/01/2005 (AR, fls. 56), a contribuinte apresentou impugnação em 23/02/2005 (fls. 60/62), descrevendo sucintamente os fatos e alegando mais o seguinte: a) a atividade da empresa em tela é de Representações comerciais, comercialização de produtos consignados e exploração agrícola. Atividade última que originou no ano calendário de 2000 uma agregação de despesas para compensação em receitas futuras, ou seja, foi constituído o custeio agrícola no preparo do solo, a aquisição de sementes, adubos, conetivos, terraplanagem e outras despesas concernentes, e em seguida o plantio. Todos esses gastos com manejo e recuperação da terra para que tornasse apta para plantação, no período de setembro a dezembro de 2000, para o período de safra em abril de 2001 (sic); b) fato narrado no anterior originou na DIPJ de 2001/2000, o lançamento das despesas operacionais com total não dedutível no exercício, gerando o valor de R$ 512.173,79, na ficha 9, item 01 sub item 03 adicionado originando ao invés de prejuízo lucro de R$ 1.822,87, item 38, caracterizando no item 44 atividade rural período de 2000, ficando no LALUR um prejuízo de R$ 510.350,92 para ser compensado. c) na DIRPJ 2002/2001, este valor especificado no item b foi transferido para a ficha 09, item 42 onde totalizou prejuízos na apuração de 2001 R$ 510.350,92, dando origem a insuficiência de saldos apurados e informados na respectiva Declaração do período anterior. d) segue cópia das demonstrações contábeis de 2001, ano base 2000, e 2002, ano base 2001, para efetiva comprovação; e) com referência ao valor de recolhimento de R$ 185,78 do IRPJ, desde mesmo período foi devidamente recolhido de forma trimestral, apresentado na DIPJ e DCTF, foi apresentado o demonstrativo e protocolado requerimento junto a este órgão, conforme segue cópia anexa. Fl. 177DF CARF MF Emitido em 28/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10140.000194/2005-15 Acórdão n.º 1801-00.393 S1-TE01 Fl. 173 3 Por fim solicita a impugnação total do auto de infração do IRPJ de 2001.” A Segunda Turma de Julgamento da DRJ em Campo Grande/MS exarou o Acórdão de nº 04-13.740/08, mantendo integralmente o lançamento tributário – fls. 111 a 119. Assim fundamentou o aresto: “A primeira alegação foi de que a empresa, além de outras atividades, também exerce a exploração agrícola e que houve prejuízo desta atividade no ano 2000 que foi registrada na DIPJ de 2001/2000, o lançamento das despesas operacionais com total não dedutível no exercício, gerando o valor de R$ 512.173,79, na ficha 9, item 01 sub item 03 adicionado originando ao invés de prejuízo lucro de R$ 1.822,87, item 38, caracterizando no item 44 atividade rural período de 2000, ficando no LALUR um prejuízo de R$ 510.350,92 para ser compensado. Esta atividade não está prevista no seu Contrato de Constituição (fl. 82), cujo objetivo social está previsto na cláusula 3° que se transcreve: Cláusula 3" - O objetivo da sociedade será a exploração, por conta própria, do ramo comercial de Comércio e Representações de Fertilizantes, Sementes, Defensivos Agrícolas Sacaria e Implementas Agrícolas. Logo se não está prevista a atividade rural em seu contrato de constituição e, nas suas Declarações, não está destacado o que é desta atividade e demais atividades, inclusive o prejuízo fiscal, não se pode acatar a alegação. Da análise do SAPLI relativo ao ano-calendário de 2001 (fl. 52), verifica-se que o saldo de prejuízos fiscais de períodos anteriores a compensar era de apenas R$ 13.583,26, relativos à demais atividades e não havia nenhum registro de prejuízos da atividade rural. Do saldo de prejuízos fiscais de períodos anteriores. Os prejuízos apuráveis pela pessoa jurídica são de duas modalidades: [...] 2°) o apurado na Demonstração do Lucro Real e registrado no Livro de Apuração do Lucro Real - Lalur (que parte do lucro líquido contábil do período mais adições menos exclusões e compensações, também conhecido como prejuízo fiscal ou compensável para fins da legislação do imposto de renda). O parágrafo único do art. 15 da Lei nº 9.065, de 1995, transcrito abaixo, determina que a compensação do prejuízo fiscal de períodos anteriores somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação. [...] No presente caso, tendo em vista que a impugnante apresentou as declarações de rendimentos dos exercícios anteriores, para comprovar a existência de prejuízos da atividade rural acumulados ou das atividades em geral compensáveis deveria ter apresentado o Lalur. Note-se que a fiscalização solicitou esclarecimentos sobre a Compensação a maior de Prejuízos Fiscais, no Termo de Intimação — Revisão de DIPJ (fls. 36/37) durante os procedimentos de revisão interna da DIPJ/2002. Também, na fase impugnatória não apresentou os registros do referido livro. Fl. 178DF CARF MF Emitido em 28/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 O controle do valor dos prejuízos fiscais compensáveis, na forma da legislação vigente, deve ser feito na parte B do Lalur, em folhas individualizadas, por período de apuração. A compensação de prejuízo se constitui em uma faculdade que poderá ou não ser utilizada pela pessoa jurídica a seu livro critério. [...] Fica evidenciado que não há nos autos a comprovação da existência de prejuízos fiscais compensáveis por parte da impugnante, tendo em vista, que a mesma não anexou documentos capazes de comprová-los de acordo com a legislação de regência da matéria. Das informações da DIPJ/2002, observa-se, que: na Ficha 01 da DIPJ (fl. 30) foi informado não se tratar de Atividade Rural. O PGD com a informação acima inibe, automática, as fichas, linhas e colunas que sejam da atividade rural. Como conseqüência estas fichas, linhas e colunas não foram preenchidas e o SAPLI não foi alimentado com as informações desta atividade fato também ocorreu na DIPJ/2001 (ano anterior ao da autuação) e DIPJ/2003 (ano posterior à autuação) e nenhuma prova foi apresentada que possa modificar o entendimento da fiscalização. A Ficha 5A — Despesas Operacionais, segundo as orientações do manual de preenchimento da DIPJ/2002, as empresas que operarem somente com atividades em geral preencherão as Linhas 05/01 a 05/31 desta Ficha, enquanto que as empresas que tenham por objeto apenas a atividade rural preencherão as Linhas 06/32 a 06/50. A recorrente preencheu somente as informações das linhas 05/01 a 05/31 (l. 05), ou seja, como empresa com atividades em geral. E, ainda, a pessoa jurídica que explorar outras atividades, além da atividade rural, deverá observar as instruções contidas no manual ao efetuar o rateio das despesas e no que diz respeito à sua respectiva dedutibilidade. Como a contribuinte não preencheu as linhas 05/32 a 05/50 da Ficha 5A antes mencionada nem a coluna da atividade rural das Fichas 6A e 9A (fls. 06/07), transcreve-se parte do Manual de Preenchimento da DIPJ / 2002, no que interessa para esclarecer a presente lide: [...] Como visto, a autuada não procedeu a apuração em separado das bases de cálculo do imposto de renda da atividade incentivada e das atividades em geral, condição necessária para fruição dos incentivos fiscais da atividade rural. Poder-se-ia alegar erro de preenchimento das declarações de rendimentos, como fez a autuada. No entanto, os incentivos fiscais, como é da sua natureza, não são compulsórios, é uma faculdade, um beneficio, que o favorecido usufrui ou não, conforme sua conveniência, devendo, no caso do exercício da faculdade, se sujeitar às exigências da lei. Nesse contexto, o não exercício de uma faculdade no momento apropriado não caracteriza erro de preenchimento da declaração de rendimentos, mas erro de direito, na medida que implica na alteração da forma de apuração do lucro real, principalmente se é praticada também nas demais declarações. [...] Como a impugnante não apresentou os livros e documentos solicitados pela fiscalização, esta se baseou na DIPJ/2000 entregue pela autuada a SRF, e nela não constam as informações provenientes da atividade rural. Fl. 179DF CARF MF Emitido em 28/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10140.000194/2005-15 Acórdão n.º 1801-00.393 S1-TE01 Fl. 174 5 Verifica-se, portanto, que a empresa optou por apurar Lucro Real da Atividade em Geral dessa forma se sujeita a esta legislação de imposto de renda, ou seja, para efeito do IRPJ, o lucro liquido ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação, poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento. [...] Insuficiência de recolhimento ou de declaração. [...] A contribuinte alega que foi devidamente recolhido de forma trimestral na DIPJ e DCTF, mas não junta nenhuma prova disto, razão pela qual deve ser mantido o lançamento.” Tempestivamente, a empresa interpôs o Recurso Voluntário de fls. 127 a 129, argumentando sinteticamente que: 1 – A atividade da empresa é representação comercial, comercialização de produtos consignados e exploração agrícola, a qual originou em 2000 despesas para compensação com receitas futuras; este custeio foi transcrito no Diário e na Demonstração de Resultados, no valor de R$ 512.173,79; 2 – o total geral de despesas é R$ 777.031,57, contra um lucro bruto de R$ 266.680,65, advindo de outras atividades, já que a rural não tinha sido realizada a colheita; daí que a empresa apurou o lucro somente da parte comercial e deixou as despesas de custeio para o outro ano, da colheita, apurando um lucro de R$ 1.822,87, como de fato o fez; 3 – houve erro na ficha 09A, item 03, que ao invés de excluir para o próximo período, este adicionou; o valor deveria ser 0,00, e o Lucro Real apurado R$ 1.822,87; 4 – segue cópia do Diário das fls. referentes às demonstrações contábeis, bem como cópias de DARF dos pagamentos realizados em 2001 e 2002, a título de IRPJ e CSLL. Propugna pela insubsistência do lançamento tributário, dizendo que pede que a DIPJ seja retificada no item 03 da ficha 09, donde se verificará que não é caso de glosa de compensação de prejuízo fiscal, mas sim prejuízo verificado. É o relatório. Passo a analisar as razões recursais. Voto Conselheira ANA DE BARROS FERNANDES, relatora. Conheço do recurso voluntário por tempestivo. Analisadas as razões de recurso, verifico que a recorrente não refutou frontalmente os fundamentos do acórdão que pretende ver reformado. Fl. 180DF CARF MF Emitido em 28/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Embora seja inteligível a linha de raciocínio da recorrente, não pode ser acatada, visto que limita-se a apresentar folhas do Diário que demonstram, ao final, um prejuízo contábil. Mas esta prova é insuficiente para ilidir o lançamento tributário em virtude dos vários erros cometidos no preenchimento da DIPJ, segundo alega, salientando-se que, após a autuação fiscal, não pode mais ser retificada. Na verdade, o acórdão vergastado foi muito esclarecedor quanto à forma da recorrente, optante pelo Lucro Real, proceder para a apuração deste lucro. É cediço que o lucro real “...é o lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas...” pelo Decreto-lei nº 1.598/77, conforme preceitua o art. 6º (art. 247 do RIR/99). A forma de realizar as adições e exclusões somente é possível no Lalur, que longe está de ser um livro facultativo para aqueles que optam ou estão obrigados a apurar o Lucro Real. A seguir transcrevo todos os artigos que regem a obrigação da empresa em manter a escrituração do Lalur, ressaltando que provêm de atos legais e não atos normativos complementares: Art. 251. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 7º). Parágrafo único. A escrituração deverá abranger todas as operações do contribuinte, os resultados apurados em suas atividades no território nacional, bem como os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior (Lei nº 2.354, de 29 de novembro de 1954, art. 2º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 25). [...] Livros Fiscais Art. 260. A pessoa jurídica, além dos livros de contabilidade previstos em leis e regulamentos, deverá possuir os seguintes livros (Lei nº 154, de 1947, art. 2º, e Lei nº 8.383, de 1991, art. 48, e Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, arts. 8º e 27): [...] III - de Apuração do Lucro Real - LALUR; [...] Livro de Apuração do Lucro Real Art. 262. No LALUR, a pessoa jurídica deverá (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 8º, inciso I): I - lançar os ajustes do lucro líquido do período de apuração; II - transcrever a demonstração do lucro real; Fl. 181DF CARF MF Emitido em 28/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10140.000194/2005-15 Acórdão n.º 1801-00.393 S1-TE01 Fl. 175 7 III - manter os registros de controle de prejuízos fiscais a compensar em períodos de apuração subseqüentes, do lucro inflacionário a realizar, da depreciação acelerada incentivada, da exaustão mineral, com base na receita bruta, bem como dos demais valores que devam influenciar a determinação do lucro real de períodos de apuração futuros e não constem da escrituração comercial; IV - manter os registros de controle dos valores excedentes a serem utilizados no cálculo das deduções nos períodos de apuração subseqüentes, dos dispêndios com programa de alimentação ao trabalhador, vale-transporte e outros previstos neste Decreto. (grifos não pertencem ao original) Destarte, o próprio Decreto-lei nº 1.598/77, em seu artigo 8º, inciso I, exige que os contribuintes escriturem o Lalur e, por óbvio, escriturem de forma que cada operação seja aferível pelo fisco para checar se foi ou não corretamente oferecido o lucro real à tributação. E, no presente caso, a empresa não escriturou devidamente o Lalur, o que impossibilita de checar e acompanhar os prejuízos acumulados. Como o acórdão combatido expôs, não se trata de como a empresa entende que deveria ter procedido, ao arrepio das normas procedimentais, e agora solicitar que seja lhe facultado compensar o prejuízo ocorrido em ano anterior à percepção das receitas agrícolas, sem comprovar qual a origem das despesas, das alegadas receitas de colheita, enfim todas as operações comerciais e agrícolas e resultados provenientes de vários anos, que, por força da norma tributária, deveriam estar contabilmente registrados e ter sido apurado o lucro/prejuízo em separado – das atividades gerais e da agrícola – no livro hábil para a apuração do lucro ou prejuízo fiscal, já tendo lhe sido esclarecido que o lucro/prejuízo contábil com este não se confunde. O dever de escriturar o Lalur é legal, indiscutivelmente. A forma de escriturar é aquela em que se possibilite verificar individualmente as despesas de custeio, no caso, excluídas e depois a serem computadas à medida que as receitas também agrícolas fossem sendo auferidas. Isto se a empresa apura os resultados pelo regime de competência e não de caixa. A contribuinte autuada não logrou escriturar o Lalur conforme as normas e legislação tributária exigem e, por isso, perdeu o direito, facultativo, de diferir as despesas, aliás que nunca conseguiu demonstrar como foi realizado, de fato, tais diferimentos e proporções entre custeio/receita. O direito, certamente, os contribuintes possuem, mas para exercê-lo há uma condição sine qua non – desde que escriturado corretamente o livro correspondente à apuração do lucro real, mediante o registro dos ajustes – exclusões, adições – e compensações devidos, por período de apuração. Fl. 182DF CARF MF Emitido em 28/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 A verdade material, princípio que norteia o processo administrativo fiscal, neste caso está denotada na ausência dos controles da empresa. Correta, pois, a autuação realizada. Os supostos erros cometidos pela recorrente no preenchimento da DIPJ/02, a meu ver, não foram satisfatoriamente comprovados com documentação hábil e idônea e, concordando com a decisão de primeiro grau, a ausência de escrituração do Lalur – em especial a parte B – consoante determinado pelas normas de regência para a apuração do Lucro Real/Prejuízo Fiscal, com os controles das atividades gerais e rurais em separado, é fundamental para dirimir o litígio. A alegação de que no ano calendário em questão houve prejuízo porque as despesas incorridas no ano anterior só foram computadas no ano em que se obteve as receitas das colheitas, também não pode ser admitida, pois a contabilização destas deveria ter sido realizada no ano pertinente e, como explicado, ser controlada no Lalur, se fosse diferível para o ano seguinte. Sequer pelos documentos acostados nos autos é possível ser verificado se a proporção das tais despesas de custeio corresponde às receitas agrícolas auferidas. E é exatamente para estas verificações, acompanhadas dos documentos pertinentes ressalto, que servem os registros efetuados no Lalur. Uma vez não sendo possível, por ausência de provas, averiguar-se a efetiva realização de despesas, supostamente de custeio, a proporção entre custeio/receita agrícola, a percepção da receita agrícola, a lisura do regime de competências (se é que este foi usado pela empresa para as atividades gerais e rurais), tudo em valores separados das atividades gerais e devidamente controlados no Lalur, livro cuja escrituração é obrigatória para a empresa, também torna-se inviável acolher as razões de defesa da recorrente. Acresço a estas razões todas as demais aventadas pela turma julgadora de primeira instância, as quais adoto por seus próprios fundamentos. Voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ANA DE BARROS FERNANDES – Relatora Fl. 183DF CARF MF Emitido em 28/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 16/11/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10865.720068/2013-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3302-000.659
Decisão: Acordam os membros do colegiado em, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator.
Nome do relator: CHARLES PEREIRA NUNES
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Recorrente ITAIQUARA ALIMENTOS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente (assinatura digital) Charles Pereira Nunes - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Dérouledè (Presidente), Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Prado. Relatório Por ser suficiente para descrever os fatos adoto o relatório da decisão de piso, transcrita na integra: "1. ITAIQUARA ALIMENTOS S.A., empresa acima identificada, foi submetida a procedimento fiscal. Fl. 512DF CARF MF Processo nº 10865.720068/2013-15 Resolução nº 3302-000.659 S3-C3T2 Fl. 2 2 2. Durante a realização dos trabalhos de auditoria, a autoridade fiscal constatou os seguintes fatos, relativos aos anos calendário de 2008 e 2009, narrados no Termo de Verificação de Infração Fiscal de fls. 30/41: - o contribuinte apurou de forma indevida créditos não cumulativos de PIS e de COFINS calculados sobre: aquisição de óleo lubrificante e combustíveis utilizados em veículos ou implementos agrícolas, serviços de construção, transporte de cana e, partes e peças de veículos. Foram desconsiderados os seguintes créditos: - receitas oriundas da venda de álcool deixaram de ser oferecidas à tributação, conforme a seguinte planilha, neste período houve também a dedução indevida de créditos não cumulativos: - com relação ao período de apuração de 09/2008, foi apurado montante devido de PIS e de COFINS superior ao confessado em DCTF. Assim, restou um montante devido de COFINS equivalente a R$ 132.236,03 e um valor devido de PIS igual a R$ 29.004,41, no regime cumulativo. - o ICMS foi excluído de forma indevida da base de cálculo da COFINS e do PIS. Tendo em vista que este procedimento foi calcado em decisão judicial foi constituído crédito tributário com a exigibilidade suspensa. 3. Em decorrência das faltas apuradas, foram lavrados os seguintes autos de infração cientificados ao contribuinte em 23/01/2013: 3.1.Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social- COFINS (fls. 03/04): Total do crédito tributário, R$ 1.866.126,45, incluídos o tributo, multa de ofício e juros de mora calculados até 01/2013. Fundamento legal citado nas fls. 05/09; 3.2.Contribuição para o PIS/PASEP (fls. 16/17): Total do crédito tributário, R$ Fl. 513DF CARF MF Processo nº 10865.720068/2013-15 Resolução nº 3302-000.659 S3-C3T2 Fl. 3 3 409.494,70, incluídos o tributo, multa de ofício e juros de mora calculados até 01/2013. Fundamento legal citado nas fls. 18/21. 4. O contribuinte apresentou impugnação de fls. 445/452 em 19/02/2013, alegando em síntese: a- Quanto às operações com álcool, não teria ocorrido omissão de receitas, mas declaração a menor, pois os valores estão corretamente escriturados. No auto de infração de COFINS não estaria anotada a legislação correspondente, quanto ao auto de infração de PIS não haveria a apuração da base de cálculo; b- O conceito de insumo adotado pela fiscalização foi afastado pelo CARF que entendeu abranger todos os produtos e serviços inerentes à produção; c- De qualquer forma, não há razão para a manutenção da glosa dos créditos, tendo em vista que a cana de açúcar é utilizada na produção de açúcar cristal e do açúcar VHP, além de mel residual para ser utilizado como matéria prima na fabricação de fermento biológico; d- Desta forma, seria indiscutível que os gastos com a plantação e colheita dariam origem a matéria prima utilizada na produção e industrialização dos principais produtos comercializados pela Impugnante, assim assumiriam a natureza de insumo passível de geração de crédito; e- Destaca que não vende a cana de açúcar plantada, pois a utiliza como matéria prima na produção do açúcar. Dessa forma, não caberia fazer referência às regras de venda com suspensão e muito menos ao caso de crédito presumido, pois a cana é plantada pela própria Impugnante; 5. É o relatório." O Acórdão de primeira instância manteve o lançamento do crédito tributário em sua totalidade, com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2008, 2009 INSUMO. CONCEITO. Insumo é a matéria prima, produto intermediário, material de embalagem e qualquer outro bem adquirido de terceiros, não contabilizado no ativo imobilizado, que sofra alteração em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou então seja aplicado ou consumido na prestação de serviços. Consideram-se insumo também os serviços prestados por terceiros aplicados na produção do produto ou prestação de serviço. Cientificado daquela decisão em 18/02/2014, fl. 482, a autuada apresentou Recurso Voluntário em 20/02/2014, onde repisa com outras palavras os principais argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Pereira Nunes O Recurso deve ser conhecido por ter sido apresentado tempestivamente e atender os demais pressupostos e requisitos de admissibilidade. Fl. 514DF CARF MF Processo nº 10865.720068/2013-15 Resolução nº 3302-000.659 S3-C3T2 Fl. 4 4 DA GLOSA DE CRÉDITOS - UTILIZAÇÃO INDIRETA NO PROCESSO PRODUTIVO A Recorrente é uma empresa agro-industrial dedicada ao cultivo de cana-de- açúcar, seu transporte para utilização como matéria prima na fabricação própria de açúcar, álcool e outros produtos que serão finalmente vendidos. Foram glosados e quantificados Glosas créditos relativos a aquisição de óleo lubrificante e combustíveis utilizados em veículos ou implementos agrícolas, serviços de construção, transporte de cana e, partes e peças de veículos. Entende a RFB que tais gastos não têm vinculação direta com a industrialização mas, apenas, com a produção da própria cana-de-açúcar. Na visão daquele órgão tais dispêndios seriam admitidos como créditos se a cana-de-açúcar tivesse sido vendida, pois aí haveria a perfeita vinculação com o produto gerado e comercializado. Argumenta a Recorrente que o crédito apropriado corresponde aos elementos/insumos aplicados na geração da cana-de-açúcar e já foram tributados no PIS e na COFINS pelos terceiros vendedores, assim não se postula crédito de elementos internos e sim de elementos externos tributados na cadeia de comercialização. Esta turma entende que o insumo aplicado no processo produtivo, que confere o direito de crédito de PIS/COFINS não cumulativo, não se restringe ao conceituado como matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, tal qual traçado pela legislação do IPI, nem é tão amplo quanto o conceito de custos operacionais de que trata o IRPJ. Como axioma temos que o processo produtivo objeto dos créditos descontados nestas contribuições admite desdobramento de etapas mais abrangentes do que as da fabricação, em si, do produto, assim, não é obrigatório que o insumo adquirido tenha aplicação direta e imediata na fabricação, podendo sua participação ocorrer de forma indireta. Uma consequência deste entendimento é que a interpretação da expressão "produtos destinados à venda" constante na Lei nº 10.833/2003, art. 3º, inc. II 1 , pode ser mitigada no sentido de que o insumo utilizado em produto acabado não destinado à venda possa gerar crédito, desde que este produto seja utilizado como insumo na fabricação própria de outro produto a ser vendido e tributado (insumo do insumo). No caso em análise admite-se, preliminarmente, que o processo produtivo do da mercadoria vendida tenha início desde a aplicação do insumo no cultivo da cana de açúcar, passando pela sua colheita, transporte para fábrica/usina e aplicação direta na fabricação destes produtos, encerrando o processo com a embalagem de apresentação do produto. O artigo 3º prevê as seguintes hipóteses que geram créditos vinculados à produção dos bens destinados à venda: (II) combustíveis, lubrificantes e outros insumos, (VI) máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado. Outras hipóteses tem natureza mais ampla e exigem vinculação apenas com a utilização dos bens nas atividades da empresa, é o caso de (VII) edificações e benfeitorias em 1 Lei nº 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; Fl. 515DF CARF MF Processo nº 10865.720068/2013-15 Resolução nº 3302-000.659 S3-C3T2 Fl. 5 5 imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa (não inclui valor do terreno), (IV) aluguel de prédios, inclusive rústico2, máquinas e equipamentos pagos a pessoa jurídica. (V) contraprestação de arrendamento mercantil, (IX) armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Despesas com armazenagem do estoque ou sua transposição antes da venda não geram crédito, tampouco as despesas com embalagem para armazenamento e transporte. Importa observar que não há previsão legal de créditos (i) por qualquer despesas em veículo próprio ou alugado quando este não for utilizado diretamente no transporte de insumos (exceto a contraprestação de leasing e frete de produtos vendidos), a exemplo do veículo utilizado em outros serviços, inclusive transporte de pessoal em geral (ii) por mera manutenção predial, salvo quando considerados insumos. As partes e peças utilizadas em veículos, máquinas e equipamento utilizados no processo produtivo podem gerar créditos como insumo, desde que as referidas importâncias não devam ser contabilizadas no ativo imobilizado, caso contrário somente poderão gerar crédito pelas regras do imobilizado. O § 2º do mesmo art. 3º veda o direito a crédito do valor, (i) de mão-de-obra paga a pessoa física, e (ii) da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição. A utilização pertinente, necessária e essencial do insumo no processo produtivo, assim como as demais hipóteses legais geradoras de crédito, exigem demonstração por parte da Recorrente. A falta desta demonstração impede o reconhecimento do direito de crédito pela fiscalização que deve fazer as intimações visando obter tal demonstrativo. Imperioso acrescentar que o caso em análise se refere a créditos de custos, despesas e encargos vinculados às receitas cumulativas e não cumulativas, razão pela qual, para seu reconhecimento, deve ser observado um dos métodos de vinculação às receitas não- cumulativas previsto na Lei 10.833, de 2002, art. 3º, § 7º e seguintes 3 . Idênticas disposições 2 Lei 4.504/1964 Art. 4º Para os efeitos desta Lei, definem-se: I - "Imóvel Rural", o prédio rústico, de área contínua qualquer que seja a sua localização que se destina à exploração extrativa agrícola, pecuária ou agro-industrial, quer através de planos públicos de valorização, quer através de iniciativa privada; 3 Lei nº 10.833, 2003 art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: § 7o Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitar-se à incidência não-cumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I - apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II - rateio proporcional, aplicando-se aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não-cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. Fl. 516DF CARF MF Processo nº 10865.720068/2013-15 Resolução nº 3302-000.659 S3-C3T2 Fl. 6 6 constam também da Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, §§ 7º a 9º, em relação à Contribuição ao PIS/Pasep. Os custos, despesas e encargos não serão rateados quando forem exclusivos de cada regime. Da Proposta de Resolução 4 Pois bem, considerando que as glosas ocorreram basicamente por não ser a cana-de-açúcar vendida e sim destinada como matéria prima para a fabricação própria de outros produtos, e também por não terem sido considerados outros insumos, custos, despesas e encargos no processo produtivo, resta evidente que a fiscalização, seguindo as diretrizes da RFB, não se preocupou em verificar o demonstrativo dos créditos com base na ótica desta turma, ou seja, considerando a cultura, colheita e transporte da cana como parte do processo produtivo e amplitude do conceito de insumos e possibilidade de créditos autônomos. Também é evidente que diante de outra verificação fiscal com esse novo enfoque alguns créditos, dentre os já apontados na autuação, ainda poderão ter a glosa mantida como por exemplo, despesas com veículos sem relação com o processo produtivo ou despesas com mera manutenção predial, etc. Pelo exposto e para que não pairem dúvidas quanto ao correto reconhecimento dos créditos pleiteados, voto pela CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA remetendo o processo à unidade de origem para: 1. considerando o enfoque desta turma, acima esclarecido, identificar dentre os créditos glosados a natureza e participação de cada bem/serviço nas atividades da empresa e/ou no seu processo produtivo cuja glosa de créditos remanescer. § 9o O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do § 8o, será aplicado consistentemente por todo o ano-calendário e, igualmente, adotado na apuração do crédito relativo à contribuição para o PIS/PASEP não-cumulativa, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. 4 Nos termos do “Manual de elaboração de atos administrativos” do CARF, 1a Ed., Brasília: 2012, temse que: “Resolução é o ato decisório, interlocutório, expedido por colegiado, que não conclui o julgamento. É adotado quando for cabível à turma pronunciarse sobre o mesmo recurso em momento posterior, como nos casos de sobrestamento ou de conversão do julgamento do litígio em diligência. Como a resolução não conclui o exame da matéria, as questões preliminares ou prejudiciais já examinadas são reapreciadas quando do julgamento do recurso”. (Sem grifo no original). Bem como, de acordo com o “Manual do Conselheiro”, Versão 1.0, Brasília: 2016, dispõe tal documento que: “O voto proferido com vistas à realização de diligência ou perícia, seja pelo relator ou por redator designado, deve conter os motivos que fundamentam a solicitação e que demonstram que o processo não esta em condições de ser julgado sem que as providências sejam atendidas. Além disso, deve conter de forma clara e precisa as providências requeridas e quem as executará, se a unidade de origem, a Câmara a quo, a Secretaria de Câmara etc. No caso de diligência a ser cumprida pela unidade de origem, a resolução deve inclusive especificar os elementos que devam ser solicitados ao interessado no processo, com vistas à obtenção das informações necessárias ao deslinde do feito, ou mesmo especificar o que precisa ser esclarecido nos autos. Recomendase que seja determinada à unidade de origem a elaboração de relatório fiscal conclusivo sobre as apurações, novos documentos juntados aos autos e levantamentos realizados. O parágrafo único do art. 35 do Decreto n. 7.574, de 2011, determina que o sujeito passivo deverá ser cientificado do resultado da realização de diligências e perícias, sempre que novos fatos ou documentos sejam trazidos ao processo, hipótese em que deverá ser concedido prazo de trinta dias para sua manifestação Fl. 517DF CARF MF Processo nº 10865.720068/2013-15 Resolução nº 3302-000.659 S3-C3T2 Fl. 7 7 2. identificar qual método foi aplicado na vinculação dos créditos às receitas não-cumulativas, previstos na Lei 10.833, de 2002, art. 3º, § 7º e seguintes. 3. elaborar os demonstrativos qualitativos e quantitativos das eventuais glosas remanescentes nos termos dos incisos acima (o total dos créditos aceitos deve ser encontrado por exclusão das eventuais glosas remanescentes). Finalmente, cientificar a Recorrente do resultado desta diligência para, se desejar, manifestar-se sobre matéria objeto da diligência, no prazo de até trinta dias nos termos do art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574, de 2011 5 , com posterior retorno a esta turma de julgamento. Charles Pereira Nunes - Relator 5 DECRETO Nº 7.574, DE 29 DE SETEMBRO DE 2011. Art. 35. A realização de diligências e de perícias será determinada pela autoridade julgadora de primeira instância, de ofício ou a pedido do impugnante, quando entendê-las necessárias para a apreciação da matéria litigada (Decreto no 70.235, de 1972, art. 18, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 9 de dezembro de 1993, art. 1o). Parágrafo único. O sujeito passivo deverá ser cientificado do resultado da realização de diligências e perícias, sempre que novos fatos ou documentos sejam trazidos ao processo, hipótese na qual deverá ser concedido prazo de trinta dias para manifestação (Lei no 9.784, de 1999, art. 28). Fl. 518DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.720088/2008-14
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 Ementa: REVENDA DE VEÍCULOS USADOS. EQUIPARAÇÃO À OPERAÇÃO DE CONSIGNAÇÃO. A Lei nº 9.716/98 estabeleceu um mecanismo diferenciado de tributação das receitas auferidas na venda de veículos usados, por pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores. As operações de venda de veículos usados foram equiparadas a operações de consignação. Portanto, tal como ocorre nas operações de consignação por comissão, atualmente tratado no Código Civil Brasileiro (artigo 693) como “contrato de comissão”, para as pessoas jurídicas tipificadas no artigo 5º da Lei nº 9.716, de 1998, a receita bruta, para fins de determinação das bases de cálculo presumidas do IRPJ e da CSLL, é a comissão recebida pelo comissário, assim entendida a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado foi alienado e o seu custo de aquisição. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. PERCENTUAL. Para a determinação da base de cálculo do imposto de renda, pelo lucro presumido, aplica-se o percentual de 32% sobre a diferença apurada entre o preço de venda do veículo usado e o respectivo custo de aquisição. LANÇAMENTO REFLEXO: CSLL Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos a ensejar conclusão diversa.
Numero da decisão: 1802-000.953
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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EQUIPARAÇÃO À OPERAÇÃO DE CONSIGNAÇÃO. A Lei nº 9.716/98 estabeleceu um mecanismo diferenciado de tributação das receitas auferidas na venda de veículos usados, por pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores. As operações de venda de veículos usados foram equiparadas a operações de consignação. Portanto, tal como ocorre nas operações de consignação por comissão, atualmente tratado no Código Civil Brasileiro (artigo 693) como “contrato de comissão”, para as pessoas jurídicas tipificadas no artigo 5º da Lei nº 9.716, de 1998, a receita bruta, para fins de determinação das bases de cálculo presumidas do IRPJ e da CSLL, é a comissão recebida pelo comissário, assim entendida a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado foi alienado e o seu custo de aquisição. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. PERCENTUAL. Para a determinação da base de cálculo do imposto de renda, pelo lucro presumido, aplicase o percentual de 32% sobre a diferença apurada entre o preço de venda do veículo usado e o respectivo custo de aquisição. LANÇAMENTO REFLEXO: CSLL Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos a ensejar conclusão diversa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 19/08/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marco Antonio Nunes Castilho, Marcelo Baeta Ippolito e Nelso Kichel. Ausente justificadamente o conselheiro André Almeida Blanco. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 19/08/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10166.720088/200814 Acórdão n.º 1802000.953 S1TE02 Fl. 2 3 Relatório VITÓRIA VEÍCULOS LTDA, já qualificada nos autos do processo, recorre a este colegiado da decisão de primeira instância, que julgou procedentes os lançamentos constantes dos Autos de Infração, abaixo relacionados, e manteve o seguinte crédito tributário, relativo ao ano calendário de 2004: Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ (Lucro Presumido) no valor principal de R$ 8.759,04, acrescido de multa de 75% e juros de mora calculados até 31/10/2008; Contribuição Social CSLL no valor principal de R$ 39.875,87, acrescido de multa de 75% e juros de mora calculados até 31/10/2008. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal dos autos de infração, os lançamentos de ofício do IRPJ e da CSLL decorrem da constatação de apuração a menor das bases de cálculo presumidas por haver a pessoa jurídica utilizado o percentual de 8% (oito por cento) em vez de 32% sobre a receita bruta (diferença entre o valor de alienação e valor de aquisição de veículos usados), tendo o autuante considerado as parcelas recolhidas ou confessadas em DCTF pela contribuinte, para apurar o IRPJ e a CSLL a pagar. A 2a. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Brasília/DF) julgou procedentes os lançamentos conforme decisão proferida no Acórdão nº 0335.992, de 19 de março de 2010. O contribuinte cientificado da mencionada decisão em 12/04/2010 conforme o Aviso de Recebimento (AR), interpôs recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em 12/05/2010, insurgindose, essencialmente, contra o percentual a ser aplicado para compor a base de cálculo na apuração do IRPJ e da CSLL por entender que o mesmo corresponde a 8% e não 32%. A decisão recorrida relata às fls.55/56 as razões apresentadas pela autuada na impugnação que por serem as mesmas trazidas no presente recurso, por economia processual, adoto e transcrevo a parte do relatório com os argumentos a seguir: A atividade exercida pela empresa é de compra e venda de veículos, assim sendo, não houve intermediação de negócios. O contribuinte não intermediou negócios, como corretor ou consignador, mas sim adquiriu mercadorias, imobilizou seu capital até a respectiva venda do produto. Por sua vez, em operações no qual a empresa eventualmente atuou como consignante de veículos, caberia se considerar a intermediação de negócios. É afirmado no próprio Termo de Verificação Fiscal que o contribuinte exerce atividade de comércio a varejo de automóveis, camionetas e utilitários, sob o código CNAE 4511 101, contudo, caso a empresa fosse intermediadora de negócios, seu código CNAE seria 4512901 ou 4512902, que descreve Fl. 82DF CARF MF Impresso em 19/08/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 intermediários na venda de veículos automotores como sendo “representantes comerciais e agentes do comércio de veículos automotores” ou “comércio sob consignação de veículos automotores”, respectivamente. A Lei nº 9.716/98, em seu artigo 5º, ao dispor sobre a equiparação das operações de compra e venda de veículos automotores com operação de consignação de venda de veículos usados, utiliza a expressão “poderão”, ou seja, não existe obrigatoriedade de tal equiparação, o que, inclusive, seria inconstitucional, vez que acarretaria a majoração de um imposto, em desacordo com o artigo 150, inciso I da Lei Maior, além de dar tratamento igual a dois tipos de negócios jurídicos totalmente diferentes. A IN SRF nº 152/1998 em seu artigo 2º não obececeu os ditames da Lei, tendo em vista que a Lei facultou a equiparação das operações de compra e venda de veículos automotores com operação de consignação de venda de veículos usados à contribuinte, sendo uma opção a ser exercida pela pessoa jurídica, e não pelos órgãos de fiscalização. Caso não sejam acolhidos os argumentos, o contribuinte impugna os valores cobrados como imposto pago a menor, tendo em vista que houve retenção de imposto na fonte, fato que foi desconsiderado pela autoridade fiscal, nos valores de R$860,54, R$664,25, R$743,83 e R$1.021,57, respectivamente referentes ao 1º, 2º, 3º e 4º trimestres de Por fim, a recorrente requer a improcedência do auto de infração e o provimento do recurso voluntário. É o relatório. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 19/08/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10166.720088/200814 Acórdão n.º 1802000.953 S1TE02 Fl. 3 5 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, dele conheço. A discussão gira em torno da aplicação do artigo 5º da Lei nº 9.716/98 que assim dispõe: Lei nº 9.716/98: (...) Art. 5º As pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores poderão equiparar, para efeitos tributários, como operação de consignação, as operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, bem assim dos recebidos como parte do preço da venda de veículos novos ou usados. Parágrafo único. Os veículos usados, referidos neste artigo, serão objeto de Nota Fiscal de Entrada e, quando da venda, de Nota Fiscal de Saída, sujeitandose ao respectivo regime fiscal aplicável às operações de consignação. (...) Como se vê, a Lei nº 9.716/98 estabeleceu um mecanismo diferenciado de tributação das receitas auferidas na venda de veículos usados, por pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores. As operações de venda de veículos usados foram equiparadas a operações de consignação É certo que a Lei permite a equiparação como operação de consignação às operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, e não deixou nessa expresso qual o percentual de determinação de receita aplicável na hipótese de pessoas jurídicas optantes pelo lucro presumido. O objetivo desses dispositivos foi possibilitar às empresas revendedoras de veículos usados computar, na determinação da base de cálculo, a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado foi alienado e o seu custo de aquisição. Ou seja, a base de cálculo tributável será somente essa "diferença", nos moldes aplicáveis às operações de consignação. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 19/08/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Desse modo há de se buscar uma interpretação sistemática para concluir que tal como ocorre nas operações de consignação por comissão, atualmente tratado no Código Civil Brasileiro (artigo 693) como “contrato de comissão”, para as pessoas jurídicas tipificadas no artigo 5º da Lei nº 9.716, de 1998, a receita bruta, para fins de determinação das bases de cálculo presumidas do IRPJ e da CSLL, é a comissão recebida pelo comissário, assim entendida a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado foi alienado e o seu custo de aquisição. Destarte, o percentual de determinação de receita aplicável na hipótese de pessoas jurídicas optantes pelo lucro presumido, é o que está previsto no artigo 15, § 1º, inciso III, alínea “a”, da Lei nº 9.249, de 1995, para as atividades de prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares, ou seja, 32% (trinta e dois por cento) sobre a mencionada diferença/comissão nos termos do artigo 5º da Lei nº 9.716, de 1998. A respeito do percentual de 8% a que alude a recorrente, o mesmo seria aplicado sobre o total da receita bruta (valor da venda) quando a pessoa jurídica não utilizar a faculdade disposta na lei em comento (artigo 5º da Lei nº 9.716, de 1998), o que significa tributação mais elevada para o contribuinte. Entretanto, não é o caso dos presente autos, pois, em nenhum momento a recorrente demonstra haver adotado como receita bruta o valor total da venda e não, a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado foi alienado e o seu custo de aquisição, porquanto somente assim comprovaria não haver utilizado a faculdade disposta no mencionado dispositivo legal. No que diz respeito a afirmação da recorrente que o autuante não teria considerado retenções na fonte, dedutíveis para a apuração dos tributos a pagar; apesar da alegação a recorrente não acosta aos autos os documentos probatórios de tais retenções não deduzidas, em consonância com o artigo 15 do Decreto nº 70.235/72 e alterações posteriores. Ademais, de acordo com o artigo 55 da Lei nº 7.450, de 1985: “ O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos”. Portanto, meras alegações não substituem as provas necessárias para instrução do processo e elidir a autuação. LANÇAMENTO REFLEXO: CSLL Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos a ensejar conclusão diversa. Diante do exposto voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 19/08/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10166.720088/200814 Acórdão n.º 1802000.953 S1TE02 Fl. 4 7 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 19/08/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 17/08/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 13856.000248/2004-93
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Oct 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/07/2004
PIS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. INSUMO DE INSUMO. IMPOSSIBILIDADE
A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre gastos com serviços de transporte de funcionários e aquisições de adesivos, corretivos, cupinicidas, fertilizantes, herbicidas e inseticidas utilizados nas lavouras de cana-de-açúcar.
Numero da decisão: 9303-005.535
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama - Relatora
(Assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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REGIME NÃOCUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. INSUMO DE INSUMO. IMPOSSIBILIDADE A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre gastos com serviços de transporte de funcionários e aquisições de adesivos, corretivos, cupinicidas, fertilizantes, herbicidas e inseticidas utilizados nas lavouras de canadeaçúcar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 6. 00 02 48 /2 00 4- 93 Fl. 269DF CARF MF Processo nº 13856.000248/200493 Acórdão n.º 9303005.535 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3403001.283, da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso para afastar a glosa do “transporte de funcionários” e, em relação ao estoque, para que sejam computados os bens correspondentes aos Adesivos, Corretivos, Cupinicida, Fertilizantes, Herbicidas e Inseticidas Produtos, não devendo computar no estoque o valor de serviço de transporte de pessoas. O Colegiado, assim, consignou a seguinte ementa: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 07/2004 Ementa: PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO. ART. 3º, II DA LEI 10.833/2003. CONCEITO DE INSUMO. PERTINÊNCIA COM AS CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE PRODUTIVA. USINA DE AÇÚCAR E ÁLCOOL. SERVIÇO DE TRANSPORTE DE PESSOAS ENTRE A SEDE DA EMPRESA E O LOCAL DO CORTE DA CANA DE AÇÚCAR. POSSIBILIDADE. A análise do direito ao crédito deve atentar para as características específicas da atividade produtiva do contribuinte. Na atividade de usinagem de cana de açúcar, o transporte dos funcionários até o local do corte da cana de açúcar é uma atividade integrante, porquanto necessária, do processo produtivo. Fl. 270DF CARF MF Processo nº 13856.000248/200493 Acórdão n.º 9303005.535 CSRFT3 Fl. 4 3 Situação em que o transporte do funcionário não configura pagamento de um benefício ao empregado, mas a contratação de um serviço que viabiliza a produção, integrando o processo produtivo. Também devem ser computados como insumos os adesivos, corretivos, cupinicidas, fertilizantes, herbicidas e inseticidas, pois devem ser consideradas como processo produtivo todas as etapas desenvolvidas pelo contribuinte para a obtenção do produto final. ” Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão proferido pela Eg. 3ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF, requerendo a não admissão do creditamento de PIS e Cofins pertinente aos produtos indicados no aresto desafiado. Ou seja, requerendo o restabelecimento da glosa do “transporte de funcionários” e, em relação aos bens correspondentes aos Adesivos, Corretivos, Cupinicida, Fertilizantes, Herbicidas e Inseticidas Produtos. Em Despacho às fls. 195 a 197, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Contrarrazões foram apresentadas pelo sujeito passivo, trazendo, entre outros, que: · Os insumos utilizados na lavoura de cana de açúcar foram incorporados à cana de açúcar que, por sua vez, foi utilizada como matériaprima na produção do açúcar e álcool, de tal forma que tais insumos acabaram por ser consumidos ao longo do processo de industrialização; · Os gastos com transporte de cortadores de cana até a lavoura são essenciais à atividade. É o relatório. Voto Vencido Fl. 271DF CARF MF Processo nº 13856.000248/200493 Acórdão n.º 9303005.535 CSRFT3 Fl. 5 4 Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecêlo, eis que atendidos os critérios de conhecimento trazidos pelo art. 67 do RICARF/2015 – com alterações posteriores. O que concordo com o despacho de exame de admissibilidade. Contrarrazões devem ser consideradas, eis que tempestivas. Ventiladas tais considerações, passo a discorrer a priori sobre o conceito de insumos. Primeiramente, sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito do PIS e da Cofins trazida pela Lei 10637/02 e Lei 10.833/03, não é demais enfatizar que se trata de matéria controvérsia. Vêse que a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária para se definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, concluo que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pelo contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante elucidar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Fl. 272DF CARF MF Processo nº 13856.000248/200493 Acórdão n.º 9303005.535 CSRFT3 Fl. 6 5 Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins nãocumulativo, não se restringe aos conceitos de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, vêse que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo. Não obstante à jurisprudência dominante, importante discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. Fl. 273DF CARF MF Processo nº 13856.000248/200493 Acórdão n.º 9303005.535 CSRFT3 Fl. 7 6 É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/03, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante Fl. 274DF CARF MF Processo nº 13856.000248/200493 Acórdão n.º 9303005.535 CSRFT3 Fl. 8 7 recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. Ademais, a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, vêse que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admite se também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/02 e 10.833/03 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Fl. 275DF CARF MF Processo nº 13856.000248/200493 Acórdão n.º 9303005.535 CSRFT3 Fl. 9 8 Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio de Marco Aurélio Greco traz, pra tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: Fl. 276DF CARF MF Processo nº 13856.000248/200493 Acórdão n.º 9303005.535 CSRFT3 Fl. 10 9 · O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: (Incluído) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído) [...]” · art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais Fl. 277DF CARF MF Processo nº 13856.000248/200493 Acórdão n.º 9303005.535 CSRFT3 Fl. 11 10 como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Fl. 278DF CARF MF Processo nº 13856.000248/200493 Acórdão n.º 9303005.535 CSRFT3 Fl. 12 11 Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: · Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; · Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Fl. 279DF CARF MF Processo nº 13856.000248/200493 Acórdão n.º 9303005.535 CSRFT3 Fl. 13 12 Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. Fl. 280DF CARF MF Processo nº 13856.000248/200493 Acórdão n.º 9303005.535 CSRFT3 Fl. 14 13 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido.” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Fl. 281DF CARF MF Processo nº 13856.000248/200493 Acórdão n.º 9303005.535 CSRFT3 Fl. 15 14 Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: “COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos.” Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Passadas tais considerações, ressurgindo ao caso vertente, é de se recordar que o sujeito passivo exerce atividade agroindustrial, tendo como objeto social a fabricação de açúcar e o álcool, sendo imprescindível para o exercício dessa atividade a observância de todas as etapas relativas ao processo produtivo, que abrange o plantio, o Fl. 282DF CARF MF Processo nº 13856.000248/200493 Acórdão n.º 9303005.535 CSRFT3 Fl. 16 15 corte, o carregamento, o transporte, a pesagem e amostragem, a produção do açúcar e álcool, a distribuição e a venda deste produto. Notase que, para tanto, desde a colheita e recebimento da canadeaçúcar até o empacotamento e armazenamento do açúcar, diversas etapas são vislumbradas no processo de produção, tornando necessária a verificação de todos os dispêndios efetivamente incorridos na produção, para se entender tais custos serem essenciais à atividade/produção do sujeito passivo. Sendo assim, considerando que as etapas de corte, carregamento e transporte da cana até o estabelecimento industrial são representativas e envolvem grande parte dos custos operacionais necessários para o exercício da atividade de produção, é de se constatar que, nessa etapa, se faz essencial o transporte de trabalhadores rurais para o corte de canade açúcar, eis o acesso restrito a essas áreas de produção. Diferentemente de mero transporte de funcionários da residência para o “trabalho” – local da prestação de serviço. Dessa forma, concordo com o acórdão recorrido que considerou que na atividade de usinagem de cana de açúcar, o transporte dos funcionários até o local do corte da cana de açúcar é uma atividade integrante, porquanto necessária, do processo produtivo. Situação em que o transporte do funcionário não configura pagamento de um benefício ao empregado, mas a contratação de um serviço que viabiliza a produção, integrando o processo produtivo. Quanto às aquisições de “adesivos, corretivos, cupinicidas, fertilizantes, herbicidas e inseticidas”, entendo correto o entendimento dado pelo acórdão recorrido, eis que, consta dos autos do processo as etapas de produção do sujeito passivo: “Após a colheita, a cana de açúcar passa pela pesagem e pela análise no laboratório “PCTS”, onde se verifica a qualidade do produto recebido; Na sequência a cana é lavada com água e cal e, após ser picada, passa por um eletroímã para a retirada de metais eventualmente existentes; Depois de moída, a cana passa por seis termos de moenda, onde é extraído o caldo ao qual é adicionado o biocida para inibição de bactérias; Fl. 283DF CARF MF Processo nº 13856.000248/200493 Acórdão n.º 9303005.535 CSRFT3 Fl. 17 16 O caldo passa por peneiras rotativas para retirada de excesso de bagaço; Para a produção do álcool: · O caldo é bombeado para um tanque de recepção e, em seguida, passa por um regenerador de calor, que altera sua temperatura para 35 ou 40º C; · Após é aquecido até 115ºC para eliminação de bactéria; · Na sequência é levado para decantação, onde é adicionado polímero para retenção do Iodo, melhorando assim a qualidade do caldo; · Após a decantação, o caldo passa por peneiras rotativas, onde se elimina possíveis resíduos de bagaço e é enviado para um tanque pulmão (que gerencia a troca de calor); · Finalmente é preparado o Mosto (caldo), que passa por um processo de resfriamento para fermentação, dando origem ao produto final – álcool. Para produção do açúcar: · O caldo é bombeado para um tanque de recepção e, em seguida, é adicionado ácido fosfórico (que ajuda a decantação desse caldo, melhorando a sua transparência); · Na sequência o calado para o regenerador, onde ocorre uma troca de calor; · Após o caldo passar por um tratamento de sulfitação e caleação, recebendo o enxofre, cal e clarificante; · Aquecimento do caldo, aquecimento do caldo até 110ºC para concentração do caldo (retirada de água) · No decantador é adicionado polímero para retenção do iodo, melhorando assim a qualidade do caldo; · Após a decantação o caldo passa por peneiras rotativas, onde se elimina possíveis resíduos de bagaço; · Préevaporação e Evaporação – é um processo de concentração do caldo até obtenção de xarope com alta concentração, neste processo utilizase antiescustrante e amônia. Fl. 284DF CARF MF Processo nº 13856.000248/200493 Acórdão n.º 9303005.535 CSRFT3 Fl. 18 17 · Após a obtenção do xarope este é aquecido e passa por um processo de flotação, que é a retirada de impurezas (utilizase ácido fosfórico e polímero), dando origem ao produto final – açúcar. Obs.: o vapor utilizado como energia é obtifo através do processo de geração de vapor, nesta etapa a água é tratada com os seguintes produtos: hipoclorito de sódio (cloro), sal grosso e optisperse (fosfato).” Nesse ínterim, vêse claro que os insumos utilizados na lavoura de cana de açúcar adesivos, corretivos, cupinicidas, fertilizantes, herbicidas e inseticidas – foram incorporados à cana de açúcar que, por sua vez, foram utilizados como matériaprima na produção do açúcar e álcool – eis que acabaram por ser consumidos ao longo do processo de industrialização/produção. Inegável que tais itens são essenciais à atividade do sujeito passivo. Em vista de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Redator designado. Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo de suas conclusões. A discussão gira em torno do conceito de insumos para fins do creditamento da contribuição para o PIS no regime da nãocumulatividade previsto na Lei 10.637/2002. Como visto a relatora aplicou o entendimento, bastante comum no âmbito do CARF, de que para dar direito ao crédito basta que o bem ou o serviço adquirido seja essencial para o exercício da atividade produtiva por parte do contribuinte. É uma interpretação bastante Fl. 285DF CARF MF Processo nº 13856.000248/200493 Acórdão n.º 9303005.535 CSRFT3 Fl. 19 18 tentadora do ponto de vista lógico, porém, na minha opinião não tem respaldo na legislação que trata do assunto. Confesso que já compartilhei em parte deste entendimento, adotando uma posição intermediária quanto ao conceito de insumos. Porém, refleti melhor, e hoje entendo que a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. O objeto de discussão no recurso do contribuinte é quanto a possibilidade de manutenção de créditos da não cumulatividade do PIS e da Cofins sobre gastos com serviços de transporte de funcionários e aquisições de adesivos, corretivos, cupinicidas, fertilizantes, herbicidas e inseticidas utilizados nas lavouras de canadeaçúcar. O acórdão recorrido entendeu pela possibilidade de tal creditamento, afirmando que tais itens integram o conceito de insumos utilizados na produção dos bens produzidos e vendidos pelo produtor/vendedor. A Fazenda Nacional insurgese contra esta possibilidade argumentando em apertada síntese pela falta de previsão legal para a concessão dos créditos nesta hipótese. Porém, como já dito, adoto um conceito de insumos bem mais restritivo do que o conceito da essencialidade, adotados pelo acórdão recorrido e pelo voto vencido. Nesse sentido, importante transcrever o art. 3º da Lei nº 10.637/2002, que trata das possibilidades de creditamento do PIS: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou Fl. 286DF CARF MF Processo nº 13856.000248/200493 Acórdão n.º 9303005.535 CSRFT3 Fl. 20 19 importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 287DF CARF MF Processo nº 13856.000248/200493 Acórdão n.º 9303005.535 CSRFT3 Fl. 21 20 § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...) Ora, segundo este dispositivo legal, somente geram créditos da contribuição custos com bens e serviços utilizados como insumo na fabricação dos bens destinados a venda. Note que o dispositivo legal descreve de forma exaustiva todas as possibilidades de creditamento. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita não necessitaria ter sido elaborado desta forma, bastava um único artigo ou inciso. Não necessitaria ter descido a tantos detalhes. No presente caso é incontroverso que os gastos com serviços de transporte de funcionários e aquisições de adesivos, corretivos, cupinicidas, fertilizantes, herbicidas e inseticidas utilizados nas lavouras de canadeaçúcar não foram utilizados diretamente na produção dos bens produzidos/vendidos. Tais gastos foram incorridos com o custeio agrícola da canadeaçúcar e não com a fabricação do bens industrializados e vendidos pelo produtor/vendedor. Não discordo da conclusão do acórdão recorrido de que os gastos com aqueles bens e serviços são necessários à produção dos produtos fabricados e vendidos pelo contribuinte. Mas o legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda e na prestação de serviços. Portanto considerando que tais gastos não se enquadram no conceito de insumos nem foram utilizadas diretamente na fabricação dos produtos (açúcar e álcool) não é possível tal creditamento. Assim, por se tratar de despesas com bens e serviços que não foram utilizados no processo de produção dos bens produzidos/vendidos, mas no custeio agrícola da canadeaçúcar, as glosas dos créditos da contribuição, efetuadas pela autoridade administrativa, devem ser mantidas. Fl. 288DF CARF MF Processo nº 13856.000248/200493 Acórdão n.º 9303005.535 CSRFT3 Fl. 22 21 Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 289DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.905760/2012-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
COFINS. DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL.
Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF.
Numero da decisão: 3401-003.923
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, acolhendo a informação prestada em diligência.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2007 COFINS. DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL. Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, acolhendo a informação prestada em diligência. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL. Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, acolhendo a informação prestada em diligência. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 57 60 /2 01 2- 18 Fl. 305DF CARF MF 2 Relatório Versa o presente sobre PER/DCOMP utilizando créditos de COFINS, no valor total de R$ 27.911,51. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação não foi homologada, visto que o pagamento foi localizado, mas integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Cientificada da decisão de piso, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, basicamente, que: (a) o crédito se refere a COFINSimportação de serviços recolhida indevidamente, e que a informação de que o valor foi utilizado integralmente para quitar débito da empresa se deve a ter sido originalmente informado em DCTF valor igual ao total do recolhimento; (b) que foi retificada a DCTF, após o despacho decisório, sendo que o valor não era devido por tratarse de remessa ao exterior em pagamento de licença de uso de marca, a título de royalties, não caracterizando contrapartida de serviços provenientes do exterior, conforme Solução de Consulta RFB no 263/2011; e (c) a DCTF retificadora não foi recepcionada pela RFB tendo em vista ter se esgotado o prazo de cinco anos para a apresentação. A decisão de primeira instância foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob o fundamento de carência probatória a cargo do postulante, que não apresenta contrato que discrimine os royalties dos serviços técnicos e de assistência técnica, de forma individualizada, e de que a prazo para retificação de DCTF já havia se esgotado quando da apresentação de declaração retificadora pela empresa. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, afirmando que: (a) celebrou contrato exclusivamente referente a licenciamento para uso de marcas, não envolvendo a importação de quaisquer serviços conexos, e que em 52 despachos decisórios distintos, a autoridade administrativa não homologou as compensações, por simples cotejo com DCTF, e que a DRJ manteve a decisão sob os fundamentos de ausência de apresentação de contrato e de retificação extemporânea de DCTF; (b) há necessidade de reunião dos 52 processos conexos para julgamento conjunto; (c) deve o CARF receber de ofício a DCTF retificadora, em nome da verdade material; e (d) o crédito foi documentalmente comprovado, figurando no contrato celebrado, anexado aos autos, que o objeto é exclusivamente o licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos, aplicandose ao caso o entendimento externado na Solução de Divergência no 11, da COSIT, como tem entendido o CARF em casos materialmente e faticamente idênticos (Acórdão no 3801001.813). No CARF, o julgamento foi convertido em diligência por meio da Resolução no 3803000.472, para que a autoridade local da RFB informasse “...acerca dos valores devidos pela recorrente na data de transmissão da DComp, bem assim se o valor reconhecido a título de direito creditório (original ou atualizado) é o bastante para solver os débitos existentes nessa data, mediante o confrontamento de valores ou, informar acerca da diferença encontrada” (sic). Em resposta a fiscalização informa que o pagamento objeto do direito creditório não se encontra disponível, uma vez que utilizado para quitação de débito declarado em DCTF, e que, relativamente ao confronto de valores, restou demonstrado “... ser bastante o valor do pagamento pleiteado nestes autos para extinção do débito declarado pela Fl. 306DF CARF MF Processo nº 13603.905760/201218 Acórdão n.º 3401003.923 S3C4T1 Fl. 294 3 contribuinte por meio de compensação”, não havendo necessidade de se dar ciência ao contribuinte da informação. O processo foi a mim distribuído, mediante sorteio, em maio de 2017. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O cumprimento dos requisitos formais de admissibilidade já foi verificado na conversão em diligência, passandose, então, aqui, à análise de mérito. De fato, não se tem dúvidas de que, ao tempo da análise massiva, por sistema informatizado, das DCOMP apresentadas, os débitos declarados em DCTF correspondiam aos pagamentos efetuados, ainda que estes fossem eventualmente indevidos. Daí os despachos decisórios eletrônicos, limitados a cotejamento entre dados declarados em DCOMP e DCTF, e pagamentos efetuados com DARF, terem sido pelo indeferimento. No entanto, também não se tem dúvidas de que a empresa já entendia, na data de protocolo dos PER/DCOMP, serem indevidos os pagamentos efetuados, independente de ter ou não retificado as respectivas DCTF. Não há que se falar, assim, em decurso de prazo para repetir o indébito, visto que os PER/DCOMP foram transmitidos dentro do prazo regular para repetição. Após o indeferimento eletrônico da compensação é que a empresa esclarece que a DCTF foi preenchida erroneamente, tentando retificála (sem sucesso em função de trava temporal no sistema informatizado), e explica que o indébito decorre de serem os pagamentos referentes a COFINSserviços incabíveis pelo fato de se estar tratando, no caso, exclusivamente de licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos. No presente processo, como em todos nos quais o despacho decisório é eletrônico, a fundamentação não tem como antecedente uma operação individualizada de análise por parte do Fisco, mas sim um tratamento massivo de informações. Esse tratamento massivo é efetivo quando as informações prestadas nas declarações do contribuinte são consistentes. Se há uma declaração do contribuinte (v.g. DCTF) indicando determinado valor, e ele efetivamente recolheu tal valor, o sistema certamente indicará que o pagamento foi localizado, tendo sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Houvesse o contribuinte retificado a DCTF anteriormente ao despacho decisório eletrônico, reduzindo o valor a recolher a título da contribuição, provavelmente não estaríamos diante de um contencioso gerado em tratamento massivo. A detecção da irregularidade na forma massiva, em processos como o presente, começa, assim, com a falha do contribuinte, ao não retificar a DCTF, corrigindo o valor a recolher, tornandoo diferente do (inferior ao) efetivamente pago. Esse erro (ausência de retificação da DCTF) provavelmente seria percebido se a análise inicial empreendida no despacho decisório fosse individualizada/manual (humana). Fl. 307DF CARF MF 4 Assim, diante dos despachos decisórios eletrônicos, é na manifestação de inconformidade que o contribuinte é chamado a detalhar a origem de seu crédito, reunindo a documentação necessária a provar a sua liquidez e certeza. Enquanto na solicitação eletrônica de compensação bastava um preenchimento de formulário DCOMP (e o sistema informatizado checaria eventuais inconsistências), na manifestação de inconformidade é preciso fazer efetiva prova documental da liquidez e da certeza do crédito. E isso muitas vezes não é assimilado pelo sujeito passivo, que acaba utilizando a manifestação de inconformidade tãosomente para indicar porque entende ser o valor indevido, sem amparo documental justificativo (ou com amparo documental deficiente). O julgador de primeira instância também tem um papel especial diante de despachos decisórios eletrônicos, porque efetuará a primeira análise humana do processo, devendo assegurar a prevalência da verdade material. Não pode o julgador (humano) atuar como a máquina, simplesmente cotejando o valor declarado em DCTF com o pago, pois tem o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Nesse contexto, relevante passa a ser a questão probatória no julgamento da manifestação de inconformidade, pois incumbe ao postulante da compensação a prova da existência e da liquidez do crédito. Configurase, assim, uma das três situações a seguir: (a) efetuada a prova, cabível a compensação (mesmo diante da ausência de DCTF retificadora, como tem reiteradamente decidido este CARF); (b) não havendo na manifestação de inconformidade a apresentação de documentos que atestem um mínimo de liquidez e certeza no direito creditório, incabível acatarse o pleito; e, por fim, (c) havendo elementos que apontem para a procedência do alegado, mas que suscitem dúvida do julgador quanto a algum aspecto relativo à existência ou à liquidez do crédito, cabível seria a baixa em diligência para sanála (destacandose que não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante). Em sede de recurso voluntário, igualmente estreito é o leque de opções. E agregase um limitador adicional: a impossibilidade de inovação probatória, fora das hipóteses de que trata o art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. No presente processo, o julgador de primeira instância não motiva o indeferimento somente na ausência de retificação da DCTF, mas também na ausência de prova do alegado, por não apresentação de contrato. Diante da ausência de amparo documental para a compensação pleiteada, chegase à situação descrita acima como “b”. Contudo, no julgamento inicial efetuado por este CARF, que resultou na baixa em diligência, concluiuse pela ocorrência da situação “c”, diante dos documentos apresentados em sede de recurso voluntário. Entendeu assim, este colegiado, naquele julgamento, que o comando do art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972 seria inaplicável ao caso, e que diante da verossimilhança em relação a alegações e documentos apresentados, a unidade local deveria se manifestar. E a informação da unidade local da RFB, em sede de diligência, atesta que os valores recolhidos são suficientes para saldar os débitos indicados em DCOMP, entendendo a fiscalização, inclusive que, diante do exposto, não haveria necessidade de se dar ciência ao contribuinte da informação, apesar de ainda estarem os pagamentos alocados à DCTF original. Resta pouco, assim, a discutir no presente processo, visto que o único obstáculo que remanesce é a ausência de retificação da DCTF, ainda que comprovado o direito Fl. 308DF CARF MF Processo nº 13603.905760/201218 Acórdão n.º 3401003.923 S3C4T1 Fl. 295 5 de crédito, como se atesta na conversão em diligência, mediante o respectivo contrato, acompanhado da invoice correspondente. Atribuir à retificação formal de DCTF importância superior à comprovação do efetivo direito de crédito é típico das máquinas, na análise massiva, mas não do julgador, humano, que deve ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Como atesta a Solução de Divergência COSIT no 11/2011: “Não haverá incidência da CofinsImportação sobre o valor pago a título de Royalties, se o contrato discriminar os valores dos Royalties, dos serviços técnicos e da assistência técnica de forma individualizada. Neste caso, a contribuição sobre a importação incidirá apenas sobre os valores dos serviços conexos contratados. Porém, se o contrato não for suficientemente claro para individualizar estes componentes, o valor total deverá ser considerado referente a serviços e sofrer a incidência da mencionada contribuição.” (grifo nosso) E a cópia do contrato de licença apresentada e analisada, e de seus adendos, atesta que o contrato se refere “exclusivamente a licenciamento de uso de marcas”, não tratando de serviços. Assim, é indevida a COFINS, não havendo qualquer manifestação em sentido contrário pela própria unidade diligenciante. Aliás, efetivamente apreciou turma especial do CARF assunto idêntico, no Acórdão no 3801001.813, de 23/04/2013, acordando unanimemente pela não incidência de COFINSserviços em caso de contrato de “knowhow” que não engloba prestação de serviços: “CONTRATO DE “KNOW HOW”. REMESSAS AO EXTERIOR RELATIVAS A ROYALTIES E DIREITOS PELO USO DE MARCAS E TRANSFERÊNCIA DE CONHECIMENTO E TECNOLOGIA. NÃO INCIDÊNCIA DA COFINS IMPORTAÇÃO. Uma vez discriminados os valores dos Royalties dos demais serviços, de forma individualizada, não incidirá a COFINSImportação.” Há ainda outros precedentes recentes e unânimes deste tribunal, no mesmo sentido, e com características adicionais em comum com o presente processo: “NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não é nulo o despacho decisório que se fundamenta no cotejo entre documentos apontados como origem do crédito (DARF) e nas declarações apresentadas que demonstram o direito creditório (DCTF). APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE. DEMONSTRAÇÃO DE INDÍCIO DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO ANTERIORMENTE AO DESPACHO DECISÓRIO. VERDADE MATERIAL. Indícios de provas apresentadas anteriormente à prolação do despacho decisório que denegou a homologação da compensação, consubstanciados na apresentação de DARF de pagamento e DCTF retificadora, ratificam os argumentos do contribuinte Fl. 309DF CARF MF 6 quanto ao seu direito creditório. Inexiste norma que condiciona a apresentação de declaração de compensação à prévia retificação de DCTF, bem como ausente comando legal impeditivo de sua retificação enquanto não decidida a homologação da declaração. ROYALTIES. REMUNERAÇÃO EXCLUSIVA PELO USO DE LICENÇA E TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. INEXISTÊNCIA DE SERVIÇOS CONEXOS. NÃO INCIDÊNCIA DE PIS/COFINSIMPORTAÇÃO. A disponibilização de "informações técnicas" e "assistência técnica", por intermédio de entrega de dados e outros documentos pela licenciadora estrangeira, para utilização na fabricação de produtos licenciados no País, não configura prestação de serviços conexos ao licenciamento para efeitos de incidência de Contribuições para o PIS/Pasepimportação e Cofinsimportação. À luz do contrato de licenciamento e dos efetivos pagamentos realizados ao exterior, não incidem as Contribuições para o PIS/Pasepimportação e Cofins importação, pois tais pagamentos, cujos cálculos baseiamse nas vendas líquidas de produtos licenciados, referemse, exclusivamente, à remuneração contratual pela transferência de tecnologia, com natureza jurídica de royalties. (grifo nosso) (Acórdãos no 3201002.404 a 420, Rel. Cons. Windereley Morais pereira, sessão de 28 set. 2016) Deve, então, ser acolhido o pleito da empresa, removido o derradeiro obstáculo indevido ao reconhecimento do direito creditício e à compensação. Resta, por fim, tecer comentários sobre o pleito da recorrente para análise conjunta dos 52 processos referentes a suas DCOMP, visto que este relator recebeu, em sorteio, apenas 44 dos referidos processos. Em nome da verdade material, efetuei consulta ao sistema eprocessos, sobre a situação dos oito processos restantes, verificando o que se resume na tabela abaixo: N. do processo Situação atual Observações 13603.905762/201207 CARF – “Distribuir/Sortear” (indevidamente) Julgamento convertido em diligência, nas mesmas circunstâncias do presente, mas ainda não enviado à unidade local, para diligência, tendo em vista necessidade de saneamento (erro na anexação do arquivo contendo a Resolução de conversão em diligência). 13603.905764/201298 Idem Idem 13603.905772/201234 Idem Idem 13603.905785/201211 Idem Idem 13603.905790/201216 Idem Idem Fl. 310DF CARF MF Processo nº 13603.905760/201218 Acórdão n.º 3401003.923 S3C4T1 Fl. 296 7 13603.905775/201278 CARF – SEDIS/GECAP – Verificar Processo Processo sequer apreciado pelo CARF ainda, nem para converter o julgamento em diligência. 13603.905793/201250 Idem Idem 13603.905794/201202 Idem Idem Assim, há efetivamente apenas 44 processos maduros para julgamento, visto que os 8 restantes, por falhas processuais (5 deles com juntada incorreta de arquivos e 3 com pendência de verificação de procedimentos pelo setor competente do CARF) acabaram não chegando à unidade local, para realização da diligência. E os 44 processos, prontos para julgamento, serão efetivamente julgados conjuntamente, nesta sessão. Pelo exposto, e acolhendo a informação prestada em sede de diligência, voto por dar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 311DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.721590/2009-15
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.566
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 15 90 /2 00 9- 15 Fl. 959DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. Importante mencionar que, conforme termo de desapensação de fls. 956, este processo encontravase apenso ao Processo 10166.721589/200991, principal, e foi desapensado para permitir o julgamento do respectivo recurso na sistemática prevista no art.47, §§1º e2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de2015. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 960DF CARF MF Processo nº 10166.721590/200915 Acórdão n.º 9202005.566 CSRFT2 Fl. 960 3 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 961DF CARF MF 4 A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não Fl. 962DF CARF MF Processo nº 10166.721590/200915 Acórdão n.º 9202005.566 CSRFT2 Fl. 961 5 apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) Fl. 963DF CARF MF 6 cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão Fl. 964DF CARF MF Processo nº 10166.721590/200915 Acórdão n.º 9202005.566 CSRFT2 Fl. 962 7 do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Fl. 965DF CARF MF 8 Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 966DF CARF MF Processo nº 10166.721590/200915 Acórdão n.º 9202005.566 CSRFT2 Fl. 963 9 Fl. 967DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.000284/00-38
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Oct 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL.
RETIFICAÇÃO DO RESULTADO.
Uma vez verificado o erro material incorrido, há de ser sanado o
aludido vício com a finalidade de ajustar o lançamento de votos
quanto à matéria não debatida nos autos, in casu, decadência.
Embargos de declaração acolhidos.
Numero da decisão: 202-16.546
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento aos embargos de declaração para retificar o resultado do julgamento e corrigir o erro material apontado, nos termos do voto do Relator
Nome do relator: Dalton Cesar Cordeiro de Miranda
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M ~~ ~ '1"1;' r9.f.)~~15.5~1.(-202-16.546 -~)J~ PROCURADOR DAFAZENDANACIONAL Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes Irmãos Matieli Ltda. Rubrica 2º C(}"MF FI.~, PUBLlt;ADO NO D. O. U: 2.º ::+D.JkL/_.Q.~ ../ 0 ..1 C G Ministéno da Fazenda 'Segundo Conselho de Contribuintes Processo n~ Recurson~ Acórdão n~ Embargante Embargada Interessada EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. RETIFICAÇÃO DO RESULTADO. Uma vez verificado o erro material incorrido, há de ser sanado o aludido vício com a finalidade de ajustar o lançamento de votos quanto à matéria não debatida nos autos, in casu, decadência. Embargos de declaração acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes embargos interpostos pelo PROCURADOR DA FAZENDA NACIONAL. MINISTÉRIO DA FAZENDA Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE COM O QRIG!NAr-- Brasilia-OF. em_/_'" '_'_TJUJ_G_ ~L~k' ..é~za Ta afuJI . Secretána da Segunda Câmara ....f ,l=\ {.:. ';. ; : l~ .~'. ',',. 13áei~etenibr~\,'de.:2005., ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento aos embargos de declaração para retificar o resultado do julgamento e corrigir o erro material apontado, nos termos dovoto do Relator.' ,'" Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Evandro Francisco Silva Araújo (Suplente), Maria Cristina Roza da Costa, Raquel Motta Brandão Minatel (Suplente), Raimar da Silva Aguiar, Antonio Zomer e Marcelo Marcondes Meyer-Kozlowski. 2ºCG~MF FI. Zn- . ÉRIO DA FAZENDAMINISTc. lho de Contribuintesse.gundoonse M.. O QBIGINA~ CONFERE CO -t Ilj]Oó Brasllia.DF.~em. /'1 ,_- ~ )--' .. leuza akafuJl . d CâmaraSecretária da Segun a RELATÓRIO 10855.000284/00-38 121.561 202-16.546 PROCURADOR DA FAZENDA NACIONAL Ê o relatório. .Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Processo n!! Recurso no!! Acórdão n!! Embargante Trata-se de embargos de declaração opostos pelo Procurador da Fazenda Nacional requerendo "a suspensão da palavra "decadência" no resultado do julgamento de fi. 251, por não se enquadrar ao objeto posto em análise na decisão de segunda instância administrativa." (fi. 260). 2ºCC-MF 0'fI. 2~ MINISTÉRIO DA FAZENDA Segundo Conselho de Contribuintes CONFERECO~ 0.ORIG~r Brasllis"DF. em / I..:L-J--.L A'JJc~ ..é~za Taka,uJl Secretana da Segunda Cãmara 10855.000284/00-38 121.561 202-16.546 Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes I Proc~$.só:Ii~ IRecurson~ . . \1Acórdão n~ VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR DALTON CESAR CORDEIRO DE MIRANDAi I I Como relatado, os embargos opostos têm por objeto sanar erro material apurado v no resUltado do julgamento do Recurso Voluntário n!! 121.561, consubstanciado no Acórdão n!! /202-15.544 (fIs. 251 e seguintes), uma vez que "consta como vencidos em relação à decadência" y' - matéria não discutida na oportunidade e não ventilada nos autos -, "os Conselheiros Nayra Bastos Manatta e Henrique Pinheiro Torres. " (fi. 260). Com razão o Embargante, pois a matéria decadência não foi debatida em , momento algum nestes autos, muito menos quando do julgamento do apelo voluntário interposto ,\pela interessada. Assim, acolho os presentes embargos para retificar o resultado do acórdão embargado, o que, conseqüentemente, implicará a exclusão da menção elou lançamento da :' expressão "Vencidos os Cõnselheiros Nayra Bastos Manatta e Henrique Pinheiro Torres, quanto a decadênc.ia" (fi. 251), por se tratar de matéria não analisada nestes autos. Por fim, recomendo nova juntada do Acórdão n!! 202-15.544 a estes autos, i devidamente retificado, nos exatos termos em que ora acolhidos os embargos opostos. É como voto. Sala das Sessões, ep113 de setembro de 2005. . .:.> \ r.'~".. e":. r <.:{ .... _';. I I ~ J ',: ~~~~""'---~~-~~'.c.::~02,:;:-:-' ~----_iQF....'.".-'''0:'::':,,'. :,'.. ."'c,:. .. '.,... . .";:,,"é,:~ ...; : .•.•• ,., .... c. c ::,::::;.';_' .•• :~:,:... o, . .., ~S' 00000009 00000010 00000011
score : 1.0
Numero do processo: 10840.002544/2004-18
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. AUSÊNCIA DE PARADIGMA VÁLIDO. NÃO CONHECIDO.
Não pode ser tido como paradigma o acórdão cuja tese adotada contraria decisão judicial transitada em julgado nos moldes dos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973 - Código de Processo Civil (CPC) ou dos artigos 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105/2015 - Novo Código de Processo Civil, consoante disposição do art. 67, §12, inciso II do art. 67 do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Assim, não comprovada a divergência jurisprudencial, não deve ser conhecido o recurso especial neste ponto.
RECURSO ESPECIAL POR CONTRARIEDADE À LEI. NÃO CONHECIDO. LEI DECLARADA INCONSTITUCIONAL. SÚMULA VINCULANTE.
O Recurso Especial interposto com base em contrariedade à lei não deve ser conhecido se esta foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal e a decisão foi objeto de edição de súmula com efeitos vinculantes.
Numero da decisão: 9303-005.446
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello (Relatora) e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. AUSÊNCIA DE PARADIGMA VÁLIDO. NÃO CONHECIDO. Não pode ser tido como paradigma o acórdão cuja tese adotada contraria decisão judicial transitada em julgado nos moldes dos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC) ou dos artigos 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105/2015 Novo Código de Processo Civil, consoante disposição do art. 67, §12, inciso II do art. 67 do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Assim, não comprovada a divergência jurisprudencial, não deve ser conhecido o recurso especial neste ponto. RECURSO ESPECIAL POR CONTRARIEDADE À LEI. NÃO CONHECIDO. LEI DECLARADA INCONSTITUCIONAL. SÚMULA VINCULANTE. O Recurso Especial interposto com base em contrariedade à lei não deve ser conhecido se esta foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal e a decisão foi objeto de edição de súmula com efeitos vinculantes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 25 44 /2 00 4- 18 Fl. 1073DF CARF MF Processo nº 10840.002544/200418 Acórdão n.º 9303005.446 CSRFT3 Fl. 1.074 2 (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello (Relatora) e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência e por contrariedade à lei ou à observância da prova interposto pela Fazenda Nacional (fls. 1.005 a 1.037) com fulcro no art. 7º, incisos I e II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, vigente à época da apresentação do recurso, buscando a reforma do Acórdão nº 20217.745 (fls. 993 a 1.003) proferido pela Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, em 27 de fevereiro de 2007, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS ESSENCIAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Garantida a ampla defesa, restam insubsistentes as alegações de cerceamento e de nulidade do procedimento fiscal. PRAZO PARA LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. O prazo de que dispõe a Fazenda Pública para constituir o crédito tributário referente ao PIS, em havendo antecipação de pagamento, extinguese em cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, conforme disposto no art. 150, § 4º, do CTN. BASE DE CALCULO. AMPLIAÇÃO. ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Ao julgar os recursos extraordinários n ºs 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840, em 09/11/2005, o pleno do STF declarou a inconstitucionalidade Fl. 1074DF CARF MF Processo nº 10840.002544/200418 Acórdão n.º 9303005.446 CSRFT3 Fl. 1.075 3 do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, por entender que a ampliação da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins, por meio de lei ordinária, violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO STF. EXTENSÃO ADMINISTRATIVA. Nos termos do art. 4º, parágrafo único, do Decreto nº 2.346/97, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA EXIGÍVEL. No lançamento de oficio decorrente da falta de recolhimento de tributo federal é cabível a aplicação da multa de 75% prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. CABIMENTO. É cabível a exigência, no lançamento de oficio, de juros de mora calculados com base na variação acumulada da taxa Selic, nos termos da previsão legal expressa no art. 13 da Lei ri2 9.065, de 20/06/1995. Recurso provido em parte. ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES em dar provimento parcial ao recurso, nos seguintes termos: I) por maioria de votos, para reconhecer a decadência dos períodos de apuração até agosto de 1999. Vencida a Conselheira Maria Cristina Roza da Costa, que votou pela tese dos 10 anos; e II) por unanimidade para excluir da base de cálculo as "outras receitas" que não sejam provenientes da venda de mercadorias e serviços. [...](grifouse) O transcurso do processo administrativo encontrase bem relatado no acórdão recorrido, razão pela qual adotase o seu relatório, com os devidos acréscimos, in verbis: [...] Trata o presente processo de auto de infração lavrado para exigência da Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, relativa aos períodos apuração de fevereiro/99, abril/99 a julho/2000, setembro/2000, novembro/2000, janeiro/2001 a junho/2001, agosto/2001 a novembro/2002 e janeiro/2003 a dezembro/2003. A fiscalização apurou insuficiência de recolhimento nos anos de 1999 e 2000, em vista da utilização de base de cálculo diversa da legalmente Fl. 1075DF CARF MF Processo nº 10840.002544/200418 Acórdão n.º 9303005.446 CSRFT3 Fl. 1.076 4 prevista (fls. 07/10), e nos anos de 2001 a 2003, em razão de diferença entre o valor escriturado e o declarado (fls. 10/14). Com relação ao período de janeiro de 2001 a dezembro de 2002, o autuante informa que os valores apurados pelo Fisco foram objeto de DCTF retificadoras, consideradas nãoespontâneas, porque apresentadas após o inicio do procedimento fiscal. No que diz respeito aos períodos de apuração ocorridos no ano de 2003, não houve retificação das DCTF anteriormente apresentadas. Do credito tributário lançado, incluindo multa e juros, foi dado ciência a contribuinte em 16/09/2004. Consignou, ainda, o fiscal autuante que, ao retificar as DCTF para acrescentar os valores apurados, a empresa declarou que os débitos correspondentes teriam sido compensados com créditos do IPI, legitimados por antecipação de tutela concedida no Processo Judicial nº 2001.61.02.0120004, no qual, segundo consta na Certidão de fl. 75, expedida pelo TRF da 3ª Região, não houve deferimento de tutela antecipada, sendo que o pedido da requerente foi indeferido na sentença de mérito. Não havendo direito reconhecido por liminar ou sentença, a informação aposta pela contribuinte nas DCTF retificadoras não foi levada em conta pela fiscalização. Irresignada, a autuada apresentou a impugnação de fls. 424/446, na qual alegou, preliminarmente, que: os valores que serviram de base de cálculo para imposição da multa de oficio não correspondem àqueles inscritos contabilmente; a aplicação do enquadramento legal ocorreu de forma complexa e impede a ampla defesa; faltou consignar no auto da infração a hora em que foi lavrado, formalidade essencial que macula de nulidade a imposição tributária, conforme jurisprudência do Conselho de Contribuintes. No mérito, argüiu que: nas importâncias contabilizadas como receita financeira encontramse valores relativos a descontos incondicionais de IPI, em discussão judicial, que não integram a base de calculo do tributo; a desconsideração da denuncia espontânea é improcedente para efeitos de constituição da multa de oficio, em face de que os períodos em que houve retificação das DCTF não foram objeto do termo inicial de fiscalização; no percentual em que foi imposta, a multa tem caráter confiscatório e fere o principio constitucional da capacidade contributiva. Fl. 1076DF CARF MF Processo nº 10840.002544/200418 Acórdão n.º 9303005.446 CSRFT3 Fl. 1.077 5 Ao final, pleiteou a anulação total do crédito tributário, propugnando pelo direito de provar o alegado por meio de sustentação oral, com vistas a se preservar o direito a ampla defesa. O Colegiado de Primeira Instância, no Acórdão DRJ/RPO nº 7.694, fls. 471/480, manteve integralmente o lançamento, pelos seguintes motivos: a falta de indicação da hora da lavratura não implica nulidade do auto de infração, se nenhum prejuízo causou h. contribuinte. Além disto, a descrição dos fatos e o enquadramento legal constantes do auto de infração são claros, não merecendo acolhida as alegações de nulidade argüidas; a autoridade julgadora administrativa não é competente para apreciar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo; a alegação de que há variações monetárias ativas, derivadas de créditos a receber objetos de ação judicial, na conta de Receitas Financeiras tributada pela fiscalização, não foi esclarecida ao agente fiscal, apesar de intimada para tal. Além disto, a ação judicial que visava a declaração da não incidência do IPI sobre os descontos incondicionais concedidos, bem como a restituição do que havia sido pago anteriormente foi negada, tanto liminarmente quanto por sentença, o que impede a sua exclusão da base de cálculo da contribuição; a multa de oficio é cabível pois, a teor do disposto no parágrafo único do art. 138 do CTN, não importa em denuncia espontânea a retificação das DCTF efetuadas após o inicio do procedimento fiscal; a cobrança da multa de ofício, no percentual de 75%, encontra amparo na legislação tributária, não se aplicando ao caso o Código de Defesa do Consumidor. No recurso voluntário de fls. 494/518, a contribuinte reedita suas razões de defesa, requerendo a reforma da decisão recorrida, com o fim de determinar o cancelamento da exigência fiscal, inclusive os acréscimos moratórios e punitivos. À fl. 519, consta informação de que o arrolamento de bens efetuado no Processo nº 10840.002641/200401 garante o crédito tributário e o seguimento deste recurso voluntário. O recurso foi apreciado por este Colegiado na sessão de 28/06/2006, ocasião em que o julgamento foi convertido em diligência, para que a autoridade fiscal identificasse a parcela do lançamento decorrente de receitas incluídas na base de cálculo pela Lei nº 9.718/98. Em decorrência, vieram aos autos os documentos de fls. 540/560, estando entre eles o relatório de diligência e a manifestação da contribuinte. É o Relatório. [...] Fl. 1077DF CARF MF Processo nº 10840.002544/200418 Acórdão n.º 9303005.446 CSRFT3 Fl. 1.078 6 Sobreveio julgamento de provimento parcial do recurso voluntário, nos termos do Acórdão nº 20217.745 (fls. 993 a 1.003) proferido pela Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, em 27 de fevereiro de 2007, ora recorrido. Não resignada, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial por divergência jurisprudencial e por contrariedade à lei ou evidência de prova, nos seguintes termos: (a) a divergência foi suscita em face do provimento unânime ao recurso voluntário para excluir do lançamento as receitas financeiras, em face da declaração de inconstitucionalidade em controle difuso do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98, pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral; e (b) além disso, insurgiuse contra a parte não unânime do acórdão que aplicou o prazo de 5 (cinco) anos para decadência da COFINS, afrontando o disposto no art. 45 da Lei nº 8.212/91. Nas razões recursais, a Fazenda Nacional, alega, em síntese, que: (a) são constitucionais as alterações produzidas na legislação do PIS e da COFINS pela Lei nº 9.718/98, pois o conceito de receita bruta é equivalente ao conceito de faturamento, não tendo a EC nº 20/98, neste ponto, introduzido mudança significativa, senão no sentido de tornar mais explícita a identidade entre os dois conceitos, fundamento já presente no art. 195, inciso I da CF/88; (b) a Lei nº 9.718/98 só produziu efeitos, com relação às mudanças na base de cálculo e na alíquota da COFINS e do PIS, em relação a fatos geradores ocorridos após a vigência da EC nº 20/98, que se deu a partir de 1º de fevereiro de 1999; (c) as decisões proferidas pelo STF no julgamento dos recursos extraordinários nºs 357.950, 390.840, 358.273 e 346.084, concluindo pela inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98, são inaplicáveis ao caso em tela, pois a conclusão só produz efeitos entre as partes do processo correspondente e não faz coisa julgada em relação à lei declarada inconstitucional, somente tendo esse efeito se o Senado Federal, por resolução, suspender a executoriedade do diploma legal; (d) alega ter o acórdão recorrido violado o artigo 45 da Lei nº 8.212/91, ao prover em parte o recurso voluntário para reconhecer a decadência do PIS no tocante aos períodos de apuração até agosto de 1999; (e) o Colegiado a quo, ao estabelecer a premissa de que o art. 45 da Lei nº 8.212/91 estaria regulando matéria reservada à lei complementar, teria declarado, incidentalmente, a inconstitucionalidade da norma, competência que não é deste Conselho quando as questões ainda não tenham sido objeto de decisão definitva do STF; Fl. 1078DF CARF MF Processo nº 10840.002544/200418 Acórdão n.º 9303005.446 CSRFT3 Fl. 1.079 7 (f) defende, em síntese, a aplicação do prazo decadencial de dez anos estabelecido no art. 45 da Lei nº 8.212/91 à contribuição para o PIS, por também se tratar de espécie de contribuição destinada à Seguridade Social. Aduz que o próprio art. 150, §4º do CTN, prevê a edição de norma específica, que estipule prazo decadencial para a homologação do pagamento. Requer seja provido o recurso especial e reformado o acórdão no que tange ao prazo decadencial para constituição do crédito tributário de PIS. O recurso especial da Fazenda Nacional teve seguimento quanto à divergência e à contrariedade à lei, nos termos do Despacho s/nº, de 17 de março de 2015 (fls. 1.048 a 1.51). A Contribuinte foi intimada por Edital (fls. 1.059), no entanto, não apresentou contrarrazões ao apelo especial da Fazenda Nacional e/ou recurso especial em relação à parte do auto de infração mantida no acórdão. A parte incontroversa do débito foi transferida para o processo de representação nº 10840721.871/201606 (fls. 1.066e 1.072). O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora O recurso especial de divergência jurisprudencial e por contrariedade à lei apresentado pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando analisarse o atendimento dos demais pressupostos de admissibilidade constantes no art. 7º, incisos I e II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, vigente à época de sua interposição 1. Da divergência jurisprudencial. Declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98 pelo STF A Fazenda Nacional suscitou divergência jurisprudencial quanto à aplicação, para o caso dos autos, da declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98, pelo STF, quando julgados os Recursos Extraordinários nºs 346.084, 357.950 e 390.840, e consequente cancelamento parcial do lançamento. Para comprovar o dissenso interpretativo, Fl. 1079DF CARF MF Processo nº 10840.002544/200418 Acórdão n.º 9303005.446 CSRFT3 Fl. 1.080 8 colacionou como paradigma o acórdão nº 20311.788, cuja ementa se deu nos seguintes termos: NORMAS PROCESSUAIS. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. LIMITES DE APRECIAÇÃO DA MATÉRIA PELA AUTORIDADE JULGADORA ADMINISTRATIVA. Somente é possível o afastamento da aplicação de normas por razão de inconstitucionalidade, em sede de recurso administrativo, nas hipóteses de haver resolução do Senado Federal suspendendo a execução de lei declarada inconstitucional pelo STF, de decisão do STF em ação direta, de autorização da extensão dos efeitos da decisão pelo Presidente da República, ou de dispensa do lançamento pelo Secretário da Receita Federal ou desistência da ação pelo ProcuradorGeral da Fazenda Nacional. COFINS. DECADÊNCIA. 10 ANOS. Sendo a COFINS contribuição social necessariamente se sujeita ao prazo decadencial de 10 anos, estabelecido pela lei nº 8212/91. COFINS. BASE DE CÁLCULO. PERÍODOS DE APURAÇÃO A PARTIR DE 02/99. VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS. TRIBUTAÇÃO. LEI Nº 9.718/98, ART. 9º. REGIME DE COMPETÊNCIA OU DE CAIXA. OPÇÃO. MP Nº 2.158/35/2001, ARTS. 30 E 31. Nos termos do art. 9º da Lei nº 9.718/98, as variações cambiais ativas são incluídas na base de cálculo da COFINS, bem como do PIS Faturamento, a partir de fevereiro de 1999, devendo ser apropriadas pelo regime de caixa ou de competência a partir do ano 2000, à opção do contribuinte e desde que adotado o mesmo regime para as duas Contribuições, o IRPJ e a Contribuição Social sobre o Lucro, consoante o art. 30 da MP nº 2.15835/2001. Excepcionalmente e a critério do contribuinte, em relação ao ano de 1999 poderão ser feitos ajustes de modo a deduzir o excedente ao valor da variação monetária efetivamente realizada, ainda que a operação correspondente já tenha sido liquidada. Recurso negado. No acórdão recorrido, houve o cancelamento parcial do lançamento, excluindo se da base de cálculo do PIS as receitas que não sejam provenientes da venda de mercadorias, da prestação de serviços ou da venda de mercadorias e prestação de serviços, em razão da declaração de inconstitucionalidade, em sessão plenária do STF, do alargamento da base de cálculo instituída pelo art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. A decisão paradigma, por sua vez, afastou as alegações de inconstitucionalidade tecidas pelo Sujeito Passivo e manteve o alargamento da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS estabelecida na Lei nº 9.718/98, art. 3º, §1º, ainda que referido dispositivo tenha sido declarado em desconformidade com a Constituição Federal, sob o argumento de não haver Resolução do Senado Federal suspendendo a eficácia da referida norma. Fl. 1080DF CARF MF Processo nº 10840.002544/200418 Acórdão n.º 9303005.446 CSRFT3 Fl. 1.081 9 Ocorre que o Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, em julgado proferido no RE nº 585.235, pela sistemática da repercussão geral (tema nº 110), publicado em 28/11/2008, o qual recebeu a seguinte ementa: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Portanto, decidida a questão em sede de recurso extraordinário pela sistemática da repercussão geral, impende a sua observância pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, consoante disposto no art. 62, §2º do Regimento Interno RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (grifouse) Além disso, o acórdão nº 20311.788, ainda que estampe entendimento divergente da decisão recorrida, não pode ser tido como paradigma, pois a tese adotada contraria decisão judicial transitada em julgado nos moldes dos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC) ou dos artigos 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105/2015 Novo Código de Processo Civil, consoante disposição do art. 67, §12, inciso II do art. 67 do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Diante dessas considerações, não se conhece do recurso especial da Fazenda Nacional neste tópico. 2. Da contrariedade ao art. 45 da Lei nº 8.212/91 Fl. 1081DF CARF MF Processo nº 10840.002544/200418 Acórdão n.º 9303005.446 CSRFT3 Fl. 1.082 10 No que tange à interposição do recurso especial com fundamento na contrariedade à lei ou à evidência de prova, centrase a controvérsia na suposta violação ao art. 45 da Lei nº 8.212/91 e ao art. 150, §4º do CTN ao ser reconhecido, pelo acórdão recorrido, como aplicável à COFINS o prazo decadencial de 5 (cinco) anos constante no CTN. Em razão da declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei 8.212/91 pelo Supremo Tribunal Federal, ao julgar os recursos extraordinários nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que aprovou a Súmula Vinculante STF nº 08, não se conhece do recurso especial por contrariedade à lei interposto pela Fazenda Nacional, uma vez que não há mais artigo de lei sujeito à violação. Súmula Vinculante STF nº 08 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam da prescrição e decadência do crédito tributário. Na hipótese de ser o recurso especial fundado em contrariedade à dispositivo de lei que foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal e cuja decisão foi convertida em Súmula Vinculante, o mesmo não deve ser conhecido. No mesmo sentido, é o acórdão nº 9303003.294 proferido por esta 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em 24 de março de 2015, de relatoria do Ilustre Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, cujos fundamentos passam a integrar a presente decisão, in verbis: [...] Como visto no relatório, o apelo fazendário arrimouse em suposta contrariedade à lei do acórdão recorrido, mais precisamente, ao art. 45 da Lei 8.212/1991. Acontece, porém, que esse dispositivo legal foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal federal, em controle difuso, é verdade, mas a decisão foi sumulada, com efeito vinculante STF Súmula Vinculante nº 8. Com isso, a decisão proferida interpartes, passou a ter efeitos erga omnis, vinculando a todos. De outro lado, a declaração de inconstitucionalidade tem efeitos ex tunc, retroagindo à data da edição do dispositivo legal eivado de vício, anulando em sua origem, como se a lei nunca tivesse existido. Essa retroatividade persiste mesmo no caso de haver sido modulados os efeitos da decisão, pois, uma vez declarada a inconstitucionalidade, a nódoa macula o dispositivo permanentemente desde a origem, o que a modulação faz é estender no tempo certos efeitos decorrentes da vigência da lei inconstitucional. A norma inconstitucional, salvo nas hipóteses de inconstitucionalidade superveniente, é natimorta, apenas sua certidão de óbito é que é emitida posteriormente. Fl. 1082DF CARF MF Processo nº 10840.002544/200418 Acórdão n.º 9303005.446 CSRFT3 Fl. 1.083 11 [...] Com essas considerações, voto no sentido de não conhecer do recurso da Fazenda Nacional. [...] Portanto, também não se conhece do recurso especial da Fazenda Nacional com relação à alegação de contrariedade à lei. 3. Dispositivo Diante do exposto, não se conhece do recurso especial da Fazenda Nacional. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 1083DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.014107/2006-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DIVERSOS.
A pessoa jurídica tributada pelo lucro presumido que exerce a atividade de prestação de serviços de diversas modalidades deve comprovar documentalmente a receita auferida em cada atividade para efeito de aplicação do percentual de presunção. Inexistente tal demonstração, cabe a utilização do percentual correspondente à prestação de serviços gerais sobre as receitas não especificadas.
Numero da decisão: 1402-002.684
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reduzir o imposto devido em valores originais a R$ 165.709,70 (1º trimestre); R$ 325.455,94 (2º trimestre); R$ 348.417,61 (3º trimestre) e R$ 331.120,96 (4º trimestre).
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DIVERSOS. A pessoa jurídica tributada pelo lucro presumido que exerce a atividade de prestação de serviços de diversas modalidades deve comprovar documentalmente a receita auferida em cada atividade para efeito de aplicação do percentual de presunção. Inexistente tal demonstração, cabe a utilização do percentual correspondente à prestação de serviços gerais sobre as receitas não especificadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reduzir o imposto devido em valores originais a R$ 165.709,70 (1º trimestre); R$ 325.455,94 (2º trimestre); R$ 348.417,61 (3º trimestre) e R$ 331.120,96 (4º trimestre). Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 41 07 /2 00 6- 81 Fl. 2090DF CARF MF 2 Fl. 2091DF CARF MF Processo nº 10680.014107/200681 Acórdão n.º 1402002.684 S1C4T2 Fl. 2.091 3 Relatório Contra a contribuinte Terragama do Brasil Empreendimentos e Construções Ltda. foi lavrado o auto de infração de fls. 02 e 03, para a exigência da diferença de IRPJ, referente ao anocalendário de 2002, no valor de R$ 3.663.057,34, em razão da constatação da aplicação indevida de coeficiente de determinação da base de cálculo para apuração do lucro. De acordo com a fiscalização, a contribuinte aplicou incorretamente o coeficiente de 8% (oito por cento) sobre as receitas da atividade de prestação de serviços, quando deveria ter aplicado 32% (trinta e dois por cento), conforme dispõe o relatório fiscal de fls. 07 a 10, que assim descreve os motivos que ensejaram o lançamento: No anocalendário de 2002, o sujeito passivo optou pelo pagamento do imposto de renda com base nas regras de tributação pelo lucro presumido, e com aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida. Nos dados cadastrais no CNPJ o Código de Atividade Econômica (CNAE Fiscal) é 74.993/99 Outros serviços prestados principalmente às empresas. Em seu contrato social, doc. de fls. 34 a 37, o objeto social é: Prestação de serviços de transporte, logística rodoviária, ferroviária, aérea, fluvial e marítima; Atividades gerais de mineração,...; Industrialização de Insumos, objetos, produto,...; Manutenção e operação de instalações industriais em geral,...; Limpeza de vias e pátios de forma mecanizada ou manual; Locação de mãodeobra especializada ou não; Atividades gerais de engenharia civil, etc. Intimada a apresentar justificativa à aplicação daquele percentual, o sujeito passivo alegou que "as atividades efetivamente exercidas pela empresa são o de transporte de cargas e a industrialização por encomenda, com o material fornecido pelo contratante, estando pois, em nosso entender, claramente sujeita à alíquota de 8% conforme legislação e orientações da Secretaria da Receita Federal. De acordo com os contratos de prestação de serviços e notas fiscais emitidas, docs. de fls. 25 a 33, a receita bruta auferida pelo sujeito passivo no anocalendário de 2002, foi obtida através da locação de máquinas e pela prestação de serviços de logística a outras empresas, tais como ensaque e expedição de produtos, movimentação interna de matéria prima, manutenção de instalações, limpeza de pistas e pátios, etc., que devem ser tributadas à alíquota de 32% (trinta e dois por cento), conforme a letra "f" do item IV, § 20 do art. 30, da IN/SRF 93/97 As atividades de prestação de serviços que têm percentuais diferenciados para apuração da base de cálculo do lucro presumido estão expressamente mencionadas no art. 15 da Lei nº 9.249/95 (transporte de passageiros, transporte de cargas e serviços hospitalares) dentre as quais não se enquadram as atividades praticadas pelo sujeito passivo no anocalendário de 2002 A partir das premissas acima referidas, a autoridade fiscal calculou os valores devidos do imposto com aplicação da alíquota de 32% (trinta e dois por cento) sobre a receita bruta auferida, considerandose os valores declarados ou pagos no anocalendário de 2002, conforme demonstrativo de fls. 10. Fl. 2092DF CARF MF 4 Ciente da autuação em 03/01/2007 (fl. 228), a contribuinte, tempestivamente, apresentou impugnação (fls. 233/278), alegando os seguintes fundamentos: a) que todas as atividades que desenvolveu estão ligadas ao "transporte multimodal" cuja definição e abrangência estão contidas nos artigos 2º e 3º da Lei nº 9.611, de 1998, a seguir transcritos: Art. 2º. Transporte Multimodal de Cargas é aquele que, regido por um único contrato, utiliza duas ou mais modalidades de transporte, desde a origem até o destino, e é executado sob a responsabilidade única de um Operador de Transporte Multimodal. ... Art. 3º. O Transporte Multimodal de Cargas compreende, além do transporte em si, os serviços de coleta, unitização, desunitização, movimentação, armazenagem e entrega de carga ao destinatário, bem como a realização dos serviços correlatos que forem contratados entre a origem e o destino, inclusive os de consolidação e desconsolidação documental de cargas. b) que as funções de limpeza e manutenção de equipamentos e vias por onde trafega são decorrentes dos contratos de transporte multimodal que têm com suas clientes; c) colacionou cópias de contratos de prestações de serviços e de notas fiscais emitidas e requereu a realização de perícia para apurar a definição do que vem a ser “logística” e “transporte multimodal", no intuito de comprovar que o serviço realizado está respaldado na legislação que rege a matéria; d) sustenta, ao final, a aplicação da alíquota de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida em suas atividades, salientando que o transporte e a movimentação, tanto de matériaprima, quanto de produto final, é a sua atividade básica. A Segunda Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Belo Horizonte/MG, por meio do acórdão de fls. 334/341, por unanimidade de votos, indeferiu o pedido de perícia e julgou procedente o lançamento, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA –IRPJ Anocalendário: 2002 LUCRO PRESUMIDO. DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO A base de cálculo do imposto e do adicional, em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração. Nas atividades de prestação de serviços em geral ou de qualquer espécie de serviços não abrangida por outros percentuais, será aplicado o percentual de trinta e dois por cento. No caso de atividades diversificadas, será aplicado o percentual correspondente a cada atividade. Lançamento Procedente’’ Fl. 2093DF CARF MF Processo nº 10680.014107/200681 Acórdão n.º 1402002.684 S1C4T2 Fl. 2.092 5 Intimada em 07/05/2009 (fl. 358), em 01/06/2009, a contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 359 a 378), alegando, preliminarmente, cerceamento de defesa em razão do indeferimento da perícia requerida. No mérito, reiterou os fundamentos já articulados em sua peça impugnatória acerca da aplicação correta do percentual de 8% (oito por cento) na apuração da base de cálculo quando da apuração do IRPJ sobre o lucro presumido, em razão de sua atividade básica. Em primeira apreciação, este colegiado prolatou a Resolução 140200.025 pela qual rejeitou o pedido de perícia e converteu o julgamento em diligência nos seguintes moldes: [...] ISSO POSTO, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, converter o julgamento em diligência para que a recorrente seja intimada para, no prazo de 30 (trinta) dias, trazer aos autos todas as notas as notas fiscais do anocalendário de 2002 e, caso existentes, planilha especificando os objetos transportados e quais os serviços que não estão vinculados ao transporte. Caso a recorrente reconhecer que parte dos seus serviços não está relacionado ao segmento de transporte, seja ele multimodal ou não, poderá, se assim desejar, especificálos e quantificálos em termo de valores. [...] Realizado o procedimento com emissão do competente relatório fiscal e manifestação do sujeito passivo, retornaram os autos para julgamento. É o relatório. Fl. 2094DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto A tempestividade do recurso voluntário e a legitimidade do signatário foram reconhecidas na Resolução 140200.025. Sendo assim, reiterase aqui as condições de conhecimento da peça de defesa. O argumento quanto à necessidade de perícia foi devidamente enfrentado e rejeitado na Resolução e endosso aqui as razões lá expostas. Ainda assim, tal questão será retomada quando da análise da manifestação do sujeito passivo em relação ao resultado da diligência. Ao analisar os documentos apresentados pelo sujeito passivo, esta turma julgadora firmou um juízo inicial no sentido de que, ao menos em tese, a interessada exercia a atividade de transporte modal de cargas, conforme por ela defendido. Nesse sentido, transcrevese trecho do voto condutor da Resolução referindose a um dos contratos apresentados: [...] Quando se conjuga o disposto na cláusula primeira do contrato com os anexos anteriormente analisados, percebese que os serviços executados pela recorrente, em tese, ainda que parcialmente, podem estar contemplados no conceito de transporte multimodal, pois envolve a realização de atividades que têm por finalidade transportar carga de um local para o outro, conjugado com serviços de abastecer o equipamento denominado tremonha, bem como a limpeza da área onde os serviços são realizados. [...] Ao mesmo tempo, a decisão registra que nem todas as atividades por ela exercidas poderiam ser caracterizadas como transportes de cargas. No caso do contrato formalizado com a GENERAL MOTORS DO BRASIL, o voto ressalva: [...] No caso dos autos, sem antecipar juízo definitivo de valor, a primeira vista e em juízo perfunctório, pareceme que o aluguel mensal de locomotiva, sem operador, não caracterizam serviços de transporte de cargas. [...] Constatase que nem todos os contratos indicavam a prestação de serviços de transporte de cargas. Assim, o objetivo da diligência não era apenas atestar que a recorrente exercia a atividade de transporte modal de cargas mas, principalmente, qual seria a representatividade da receita correspondente a essa atividade em relação ao total auferido pois, conforme disposição legal, no caso do exercício de atividades diversificadas a apuração do lucro presumido darseá pela aplicação do percentual correspondente a cada atividade. Daí a preocupação da Resolução em obter documentos conclusivos em relação a essa questão. Transcrevese novamente o requerido naquela decisão: Fl. 2095DF CARF MF Processo nº 10680.014107/200681 Acórdão n.º 1402002.684 S1C4T2 Fl. 2.093 7 [...] ISSO POSTO, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, converter o julgamento em diligência para que a recorrente seja intimada para, no prazo de 30 (trinta) dias, trazer aos autos todas as notas as notas fiscais do anocalendário de 2002 e, caso existentes, planilha especificando os objetos transportados e quais os serviços que não estão vinculados ao transporte. Caso a recorrente reconhecer que parte dos seus serviços não está relacionado ao segmento de transporte, seja ele multimodal ou não, poderá, se assim desejar, especificálos e quantificálos em termo de valores. [...] A autoridade responsável pela diligência intimou o sujeito passivo exatamente na linha do requerido pelo Colegiado. Isso implica dizer que foram solicitadas TODAS as notas fiscais de prestação emitidas pela empresa no anocalendário de 2002. Mais ainda, foi requerido que a intimada apresentasse uma planilha ou demonstrativo indicando quais seriam concernentes aos serviços de transporte e respectivo valor. Assim foi feito. O relatório de diligência acatou integralmente os valores informados pela fiscalizada em atendimento à intimação fiscal. Em outras palavras, as notas fiscais apresentadas pela interessada e que, segundo ela, representavam atividade de transporte de cargas, foram aceitas como tal em sua totalidade pela autoridade fiscal Importa ressaltar que na planilha apresentada pela recorrente foram segregados, por nota fiscal, os valores que representariam remuneração por serviços de transporte multimodal de cargas daqueles referentes à prestação de serviços de outra natureza, nesse último caso sujeito ao percentual de presunção de 32%. Significa dizer que a interessada reconhece que nem todas as atividades que exercia à época a que se refere o procedimento fiscal representariam serviços de transporte de carga. Tais documentos fiscais em sua quase totalidade eram referentes a contratos de prestação de serviços anteriormente apresentados nas peças de defesa e confirmaram a convicção inicial emanada na Resolução. Ainda que o relatório de diligência tenha mencionado que todos o contratos foram trazidos aos autos, no que se refere à prestação de serviços de transporte de carga (ainda que parcial) só localizei contratos firmados com a ULTRAFERTIL S/A e com a SOEICOM, justamente aqueles em relação aos quais a interessada apresentou as notas fiscais e a planilha. Por outro lado, não foram apresentadas notas fiscais referentes à integralidade das receitas auferidas pela recorrente, nos termos requeridos pela diligência. Para uma receita total de serviços declarada no anocalendário em torno de R$ 23 milhões, foram trazidas notas fiscais que montavam a pouco mais de R$ 5 milhões. Convém lembrar que o objeto social da fiscalizada envolve várias atividades: • Prestação de serviços de transporte, logística rodoviária, ferroviária, aérea, fluvial e marítima; Fl. 2096DF CARF MF 8 • Atividades gerais de mineração, planejamento de lavra de longo, médio e curto prazo, desenvolvimento de mina, extração, britagem, lavação, apuração, polimento, blendagem e acondicionamento de todo e qualquer tipo de minério, em lavras a céu aberto, subterrânea, aluviões e submersas, com transporte dos insumos e.produtos para os pontos de processamento e destino; • Industrialização de insumos, objetos, produto, podendo os mesmos, bem como embalagens serem de fornecimento ou não do encomendante, com ou sem transporte para os pontos de processamento e destino; • Manutenção e operação de instalações industriais em geral, veículos, máquinas e equipamentos diversos de transporte, fornos, britadores, correias transportadoras, moinhos, elevadores, painéis e torres, em qualquer etapa mecânica, elétrica, eletrônica e informatizada com ou sem o fornecimento de materiais, peças e mãodeobra; • Limpeza de vias e pátios de forma mecanizada ou manual; • Locação de mãodeobra especializada ou não; • Atividades gerais de engenharia civil, construção e manutenção de estradas, prédios, barragens, terraplenagens, topografia e demais atividades inerentes; • Consultoria em todo o âmbito da engenharia, bem como das atividades acima enunciadas. Considerando que a interessada não trouxe qualquer indicativo da realização de industrialização por encomenda, apenas a atividade definida no primeiro item implicaria na apuração do lucro presumido com o percentual de 8%. Daí porque, conforme registrou a decisão de primeira instância, cabe ao sujeito passivo segregar as receitas auferidas de acordo com o tipo de serviço prestado para fins de aplicação do percentual correspondente. Originalmente a interessada não fez tal distinção, assumindo que toda a receita auferida corresponderia a transporte de cargas. Questionada pela Fiscalização, após a autuação teve três oportunidades de demonstrar tal fato (impugnação, recurso voluntário e diligência). Durante a diligência, admitiu que mesmo os contratos apresentados para justificar a atividade de transporte de cargas traziam em seu bojo a previsão de atividades diversas, conforme notas fiscais. Sob esse prisma, em relação aos valores sem comprovação documental da natureza dos serviços a que se referem, não há como presumir que envolvem transporte de cargas. Sem querer trazer ilações quanto à questões de conduta, é muito estranho que a empresa simplesmente tenha perdido ou não tenha emitido documentos fiscais indicativos de quase oitenta por cento do faturamento (80%), tendo apresentado apenas as notas fiscais que atestariam as razões de defesa. Do exposto, não merece qualquer crítica a diligência efetuada pois acatou sem ressalvas aquilo que foi demonstrado. Fl. 2097DF CARF MF Processo nº 10680.014107/200681 Acórdão n.º 1402002.684 S1C4T2 Fl. 2.094 9 Na manifestação em relação ao resultado da diligência, a recorrente insiste na realização de perícia que, segundo defende, deveria ocorrer nos locais onde a empresa presta serviços. A perícia revelase inócua por várias razões. Em primeiro lugar, o motivo principal que justificaria esse procedimento perdeu a razão pois foi reconhecido que a empresa realizava no anocalendário de 2002 período objeto do procedimento fiscal atividade de transporte de cargas sujeita ao percentual de 8% para efeitos de apuração do lucro presumido. Daí porque foi dado provimento parcial ao recurso para excluir da exigência os valores que comprovadamente decorreriam dessa atividade. Lembrando que durante a diligência o sujeito passivo elaborou planilha reconhecendo que as notas fiscais apresentadas indicavam serviços prestados estranhos ao transporte de cargas, a questão não esclarecida referese aos valores de receita em relação aos quais não foram apresentados os documentos que identificassem a natureza dos serviços prestados. Conforme mencionado em momento anterior deste voto, o objeto social da empresa envolve as mais diversas atividades. Como saber a que tipo de serviço ou serviços pertencem esses valores sem documentos que os relacionem? Se o sujeito passivo não consegue identificar documentalmente a efetiva origem de oitenta por cento (80%) das receitas auferidas perguntase: onde deveria ocorrer a "perícia local" requerida? Temse ainda um detalhe crucial que mostra a irrelevância da perícia local nos termos requeridos. O procedimento fiscal foi encerrado no anocalendário de 2006 referente a fatos ocorridos em 2002. Já nessas circunstâncias existe um intervalo de quatro (4) anos onde as atividades da empresa poderiam ter sofrido alterações na essência. Mesmo que por hipótese, E APENAS POR HIPÓTESE, a interessada tivesse exercido em 2002 apenas atividade de transporte de cargas, essa situação poderia já não ser a mesma em 2006. Tal circunstância fica ainda mais premente em 2016, quando a diligência foi realizada, quatorze (14) anos após os fatos sob exame. Essas últimas colocações servem apenas para reforçar o raciocínio de que a memória dos fatos são os documentos. Aqueles apresentados pelo sujeito passivo foram integralmente aceitos. Ainda que registrado em destaque na manifestação do sujeito passivo frente à diligência, não é verdade que foram apresentadas todas as notas fiscais referentes aos ano calendário de 2002. Como já mencionado neste voto, só foram apresentadas notas fiscais referentes aos contratos com a ULTRAFERTIL S/A e com a SOEICOM. No que se refere ao argumento de que a redução do valor foi insignificante, acatouse a parcela demonstrada pelas notas fiscais que corresponde a aproximadamente vinte por cento (20%) das receitas auferidas. Fl. 2098DF CARF MF 10 É improcedente a afirmativa de que a empresa auferiu um total de receitas em torno de R$ 6 milhões no anocalendário de 2002. O montante anual foi mais de R$ 23 milhões. De todo o exposto, voto por acatar integralmente as conclusões emanadas na Informação Fiscal decorrente da diligência e dar provimento parcial ao recurso para reduzir o imposto devido aos valores de R$ 165.709,70 (1º trimestre); R$ 325.455,94 (2º trimestre); R$ 348.417,61 (3º trimestre) e R$ 331.120,96 (4º trimestre). (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 2099DF CARF MF
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