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Numero do processo: 13629.003949/2008-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004
Ementa:PRECLUSÃO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. INOVAÇÃO EM
RECURSO. MATÉRIA NÃO CONHECIDA.
Conforme expressamente previsto no art. 17 do Decreto n º 70.235 na
redação conferida pela Lei n º 9.532 de 1997, considerarseá
não impugnada
a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.
De acordo com o previsto no inciso III do art. 16 do Decreto n º 70.235, a
impugnação deve conter os motivos de fato e de direito em que se
fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir.
O sujeito passivo tem o ônus da impugnação específica, e caso esta não seja
efetuada, considerarseão
verdadeiros os fatos apontados pela fiscalização
federal. Além de gerar a preclusão processual, não podendo ser alegada a
matéria em grau de recurso, em função da exigência prevista no art. 16,
inciso III do Decreto n º 70.235. No mesmo sentido é do disposto no art. 473
do CPC, aplicado subsidiariamente no processo administrativo tributário, em
que se proíbe à parte discutir, no curso do processo, as questões já decididas,
a cujo respeito se operou a preclusão. Assim, todas as alegações devem ser
concentradas na impugnação, que é a primeira oportunidade que o sujeito
passivo possui para se manifestar nos autos do processo administrativo.
PENALIDADE PECUNIÁRIA – VALOR APLICADO. PRESUNÇÃO DE
CONSTITUCIONALIDADE.
Não há dúvida da importância dos princípios para o ordenamento jurídico,
pois os mesmos são vetores para elaboração dos atos normativos, devendo ser
observados pelo Poder Legislativo na elaboração das leis. Portanto são
direcionados ao legislador, sendo critérios prélegais,
e caso não sejam
observados, e seja publicada uma lei com ofensa a princípios constitucionais,
cabe análise e censura pelo Poder Judiciário. Entretanto, uma vez sendo
publicada a lei, há presunção de constitucionalidade da mesma, e cabe ao Poder Executivo, cumprir e executar as determinações legais, sem que se faça
juízo de valoração do ato, sob pena de fragilidade do ordenamento
constitucional, e invasão de atribuições entre os Poderes. O Poder Executivo
somente utilizará os princípios na hipótese de falta de disposição expressa
legal, conforme previsto no art. 108 do CTN; logo se há dispositivo legal, não
cabe aplicação direta dos princípios em detrimento do ato legal, sob pena de
ofensa ao art. 108 do Codex Tributário.
Numero da decisão: 2302-001.843
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.
Nome do relator: MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 Ementa:PRECLUSÃO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. INOVAÇÃO EM RECURSO. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. Conforme expressamente previsto no art. 17 do Decreto n º 70.235 na redação conferida pela Lei n º 9.532 de 1997, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. De acordo com o previsto no inciso III do art. 16 do Decreto n º 70.235, a impugnação deve conter os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. O sujeito passivo tem o ônus da impugnação específica, e caso esta não seja efetuada, considerarseão verdadeiros os fatos apontados pela fiscalização federal. Além de gerar a preclusão processual, não podendo ser alegada a matéria em grau de recurso, em função da exigência prevista no art. 16, inciso III do Decreto n º 70.235. No mesmo sentido é do disposto no art. 473 do CPC, aplicado subsidiariamente no processo administrativo tributário, em que se proíbe à parte discutir, no curso do processo, as questões já decididas, a cujo respeito se operou a preclusão. Assim, todas as alegações devem ser concentradas na impugnação, que é a primeira oportunidade que o sujeito passivo possui para se manifestar nos autos do processo administrativo. PENALIDADE PECUNIÁRIA – VALOR APLICADO. PRESUNÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE. Não há dúvida da importância dos princípios para o ordenamento jurídico, pois os mesmos são vetores para elaboração dos atos normativos, devendo ser observados pelo Poder Legislativo na elaboração das leis. Portanto são direcionados ao legislador, sendo critérios prélegais, e caso não sejam observados, e seja publicada uma lei com ofensa a princípios constitucionais, cabe análise e censura pelo Poder Judiciário. Entretanto, uma vez sendo publicada a lei, há presunção de constitucionalidade da mesma, e cabe ao Poder Executivo, cumprir e executar as determinações legais, sem que se faça juízo de valoração do ato, sob pena de fragilidade do ordenamento constitucional, e invasão de atribuições entre os Poderes. O Poder Executivo somente utilizará os princípios na hipótese de falta de disposição expressa legal, conforme previsto no art. 108 do CTN; logo se há dispositivo legal, não cabe aplicação direta dos princípios em detrimento do ato legal, sob pena de ofensa ao art. 108 do Codex Tributário.
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Recorrente COTENCO CONSTRUCOES E COMERCIO LTDA Recorrida DRJ BELO HORIZONTE MG Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 Ementa:PRECLUSÃO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. INOVAÇÃO EM RECURSO. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. Conforme expressamente previsto no art. 17 do Decreto n º 70.235 na redação conferida pela Lei n º 9.532 de 1997, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. De acordo com o previsto no inciso III do art. 16 do Decreto n º 70.235, a impugnação deve conter os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. O sujeito passivo tem o ônus da impugnação específica, e caso esta não seja efetuada, considerarseão verdadeiros os fatos apontados pela fiscalização federal. Além de gerar a preclusão processual, não podendo ser alegada a matéria em grau de recurso, em função da exigência prevista no art. 16, inciso III do Decreto n º 70.235. No mesmo sentido é do disposto no art. 473 do CPC, aplicado subsidiariamente no processo administrativo tributário, em que se proíbe à parte discutir, no curso do processo, as questões já decididas, a cujo respeito se operou a preclusão. Assim, todas as alegações devem ser concentradas na impugnação, que é a primeira oportunidade que o sujeito passivo possui para se manifestar nos autos do processo administrativo. PENALIDADE PECUNIÁRIA – VALOR APLICADO. PRESUNÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE. Não há dúvida da importância dos princípios para o ordenamento jurídico, pois os mesmos são vetores para elaboração dos atos normativos, devendo ser observados pelo Poder Legislativo na elaboração das leis. Portanto são direcionados ao legislador, sendo critérios prélegais, e caso não sejam observados, e seja publicada uma lei com ofensa a princípios constitucionais, cabe análise e censura pelo Poder Judiciário. Entretanto, uma vez sendo publicada a lei, há presunção de constitucionalidade da mesma, e cabe ao Fl. 434DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Poder Executivo, cumprir e executar as determinações legais, sem que se faça juízo de valoração do ato, sob pena de fragilidade do ordenamento constitucional, e invasão de atribuições entre os Poderes. O Poder Executivo somente utilizará os princípios na hipótese de falta de disposição expressa legal, conforme previsto no art. 108 do CTN; logo se há dispositivo legal, não cabe aplicação direta dos princípios em detrimento do ato legal, sob pena de ofensa ao art. 108 do Codex Tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato e Manoel Coelho Arruda Júnior. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13629.003949/200891 Acórdão n.º 230201.843 S2C3T2 Fl. 421 3 Relatório O presente lançamento tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social em virtude da utilização de mãodeobra assalariada, na edificação de obra de construção civil de responsabilidade do notificado, fls. 16 a 18. Os valores foram lançados por aferição indireta, relativos à diferença da NFLD n° 37.078.9032, lavrada em 22/2/2007. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela sociedade empresária, fls. 32 a 46. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento analisou os argumentos da autuada e proferiu a decisão de fls. 396 a 401, mantendo o lançamento. Não concordando com a decisão, houve interposição de recuso voluntário conforme fls. 403 a 417. Alegou, em síntese, a autuada: a) Devia ser julgado o presente recurso com as notificações conexas; b) Não cabia a aferição de valores; c) Fora demonstrada a regularidade dos lançamentos contábeis; d) A multa aplicada afrontava o princípio do nãoconfisco; Não foram apresentadas contrarrazões pelo órgão fazendário. É o relato suficiente. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 419. Pressuposto de admissibilidade superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. O recorrente inovou as alegações em recurso. Dessa forma, as matérias que não foram expressamente impugnadas em primeira instância, não serão conhecidas por este Colegiado. Conforme expressamente previsto no art. 17 do Decreto n º 70.235 na redação conferida pela Lei n º 9.532 de 1997, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. De acordo com o previsto no inciso III do art. 16 do Decreto n º 70.235, a impugnação deve conter os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A redação do art. 17 do Decreto n º 70.235 retrata o disposto no art. 302 do CPC, nestas palavras: Art. 302. Cabe também ao réu manifestarse precisamente sobre os fatos narrados na petição inicial. Presumemse verdadeiros os fatos não impugnados, salvo: I se não for admissível, a seu respeito, a confissão; II se a petição inicial não estiver acompanhada do instrumento público que a lei considerar da substância do ato; III se estiverem em contradição com a defesa, considerada em seu conjunto. Parágrafo único. Esta regra, quanto ao ônus da impugnação especificada dos fatos, não se aplica ao advogado dativo, ao curador especial e ao órgão do Ministério Público. Desse modo, analisando em conjunto o Decreto n º 70.235 e o CPC, o sujeito passivo tem o ônus da impugnação específica, e caso esta não seja efetuada, considerarseão verdadeiros os fatos apontados pela fiscalização federal. Além de gerar a preclusão processual, não podendo ser alegada a matéria em grau de recurso, em função da exigência prevista no art. 16, inciso III do Decreto n º 70.235. No mesmo sentido é do disposto no art. 473 do CPC, aplicado subsidiariamente no processo administrativo tributário, em que se proíbe à parte discutir, no curso do processo, as questões já decididas, a cujo respeito se operou a preclusão. Assim, todas as alegações devem ser concentradas na impugnação, que é a primeira oportunidade que o sujeito passivo possui para se manifestar nos autos do processo administrativo. No primeiro momento oportuno para se manifestar nos autos, a parte tem o ônus de impugnar toda a matéria. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13629.003949/200891 Acórdão n.º 230201.843 S2C3T2 Fl. 422 5 Entretanto, há matérias que independentemente de arguição pelo sujeito passivo na impugnação podem ser conhecidas de ofício pelo órgão julgador. São elas: a relativa a direito superveniente, surgida somente após a impugnação, ou no corpo da decisão de primeiro grau; ou as relativas às questões que o julgador pode conhecer de ofício como a decadência e os pressupostos processuais; ou às questões que envolvam nulidade absoluta, que são aquelas não passíveis de convalidação. As nulidades absolutas no processo administrativo estão previstas no art. 59 do Decreto n º 70.235 de 1972, nestas palavras: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Fora das hipóteses do art. 59 do Decreto n º 70.235, as demais irregularidades serão sanadas apenas se resultarem prejuízo ao sujeito passivo, e desde que tenham sido argüidas pelo sujeito passivo, pois caso contrário haverá preclusão, na forma do art. 17 do Decreto n º 70.235. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Conforme previsto no art. 61 do Decreto n º 70.235, a nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Assim, pode o Conselho de Contribuintes como órgão julgador da legitimidade do lançamento fiscal reconhecer a nulidade absoluta, o que não ocorreu in casu. Não procede o argumento recursal de que devia ser julgado o presente recurso com as notificações conexas. Esses autos possuem todos os elementos probatórios suficientes para que seja proferido o julgamento, não havendo prejudicialidade em relação às demais notificações. Ao contrário do afirmado pela recorrente, foi correta a aferição realizada pela fiscalização tributária. Conforme consignado pela Auditoria Fiscal, cujo trecho é transcrito no recurso: "Analisada toda a documentação apresentada e ainda, a solicitada através do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, de 22/11/2007, foi verificado que a obra Fl. 438DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 encerrouse em 31/01/2004 e a empresa, em março, abril, maio, setembro e outubro/2004, efetuou lançamentos de aquisição de materiais empregados na obra (cimento, telhas, tintas), bem como houve contabilização de aquisição de equipamentos de segurança, pagamento de refeições, quando não mais possuía trabalhadores alocados na obra, ou seja, não restando comprovada a mãodeobra necessária para a sua utilização ou os materiais não foram utilizados na referida obra." Desse modo, a contabilidade não registrou o movimento real de todos os fatos geradores, o que possibilitou o arbitramento dos valores na forma do art. 148 do CTN e do art. 33, parágrafos 3º a 6º da Lei n 8.212 de 1991. Os argumentos colacionados pela recorrente confirmam a continuidade da obra, apesar de já encerrada na contabilidade. Quanto à alegação de não observação dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade; da proibição de efeito confiscatório e da capacidade contributiva, teço os seguintes comentários. Não há dúvida da importância dos princípios para o ordenamento jurídico, pois os mesmos são vetores para elaboração dos atos normativos, devendo ser observados pelo Poder Legislativo na elaboração das leis. Portanto são direcionados ao legislador, sendo critérios prélegais, e caso não sejam observados, e seja publicada uma lei com ofensa a princípios constitucionais, cabe análise e censura pelo Poder Judiciário. Entretanto, a lei publicada possui presunção de constitucionalidade, e cabe ao Poder Executivo cumprir e executar as suas determinações, sem que se faça juízo de valoração do ato, sob pena de fragilidade do ordenamento constitucional, e invasão de atribuições entre os Poderes. O Poder Executivo somente utilizará os princípios na hipótese de falta de disposição expressa legal, conforme previsto no art. 108 do CTN; logo se há dispositivo legal, não cabe aplicação direta dos princípios em detrimento do ato legal, sob pena de ofensa ao art. 108 do Codex Tributário. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento do recurso voluntário e pela negativa de provimento a ele. É como voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 439DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13876.001176/2003-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002, 01/05/2002 a 31/05/2002, 01/06/2002 a 30/06/2002
OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. SÚMULA CARF 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA CARF 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. MULTA DE OFÍCIO. INCABÍVEL. Incabível a imposição de multa de ofício, no lançamento para prevenir a decadência de tributo cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002, 01/05/2002 a 31/05/2002, 01/06/2002 a 30/06/2002
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF 4.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no 2 período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 3402-001.766
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, em parte, por submissão da matéria ao Poder Judiciário e, na parte conhecida, em dar provimento parcial ao recurso para cancelar a multa de ofício aplicada. Vencidos os Conselheiros Helder Massaaki Kanamaru (Suplente), João Carlos Cassuli Junior li e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, que davam provimento também para excluir da base de cálculo as receitas de variação cambial decorrentes de exportação.
Nome do relator: SILVIA DE BRITO OLIVEIRA
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002, 01/05/2002 a 31/05/2002, 01/06/2002 a 30/06/2002 OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. SÚMULA CARF 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA CARF 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. MULTA DE OFÍCIO. INCABÍVEL. Incabível a imposição de multa de ofício, no lançamento para prevenir a decadência de tributo cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002, 01/05/2002 a 31/05/2002, 01/06/2002 a 30/06/2002 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no 2 período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
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Recorrida DRJ em RIBEIRÃO PRETOSP ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002, 01/05/2002 a 31/05/2002, 01/06/2002 a 30/06/2002 OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. SÚMULA CARF 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA CARF 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. MULTA DE OFÍCIO. INCABÍVEL. Incabível a imposição de multa de ofício, no lançamento para prevenir a decadência de tributo cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002, 01/05/2002 a 31/05/2002, 01/06/2002 a 30/06/2002 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/ 2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA 2 período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, em parte, por submissão da matéria ao Poder Judiciário e, na parte conhecida, em dar provimento parcial ao recurso para cancelar a multa de ofício aplicada. Vencidos os Conselheiros Helder Massaaki Kanamaru (Suplente), João Carlos Cassuli Junior li e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, que davam provimento também para excluir da base de cálculo as receitas de variação cambial decorrentes de exportação. NAYRA BASTOS MANATTA Presidente. SÍLVIA DE BRITO OLIVEIRA Relatora. EDITADO EM: 11/06/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sílvia de Brito Oliveira, Helder Massaaki Kanamaru (Suplente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Nayra Bastos Manatta Presidente) Relatório Tratase de processo formalizado para recepcionar a parte do crédito tributário constituído no auto de infração de que trata o processo nº 10855.004133/200228, cuja exigibilidade estaria suspensa, conforme representação à fl. 01 destes autos. Estes autos receberam, por transferência, a exigência da Contribuição pra Financiamento da Seguridade Social (Cofins) relativa aos fatos geradores de janeiro, maio e junho de 2002, pois, naqueles autos, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão PretoSP (DRJ/RPO), nos termos do voto condutor do Acórdão cuja cópia consta das fls. 298 a 357, entendeu estar equivocada a apropriação dos depósitos feita pela fiscalização e julgou que, de todo o período autuado, que compreende os fatos geradores de fevereiro de 1999 a junho de 2002, estariam com a exigibilidade suspensa, por força de depósito do montante integral, apenas o crédito tributário relativo aos precitados fatos geradores. Contra essa decisão, a contribuinte interpôs o recurso voluntário das fls. 320 a 355 cuja preliminar de nulidade foi acolhida pela Terceira Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes, conforme Acórdão nº 20310.261, de 6 de julho de 2005, às fls. 524 a 532, o que ensejou o Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN), que, por maioria de votos, foi provido pela Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) e os autos retornaram a este colegiado para julgamento do mérito. Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/ 2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 13876.001176/200382 Acórdão n.º 3402001.766 S3C4T2 Fl. 2 3 No recurso voluntário interposto, quanto ao mérito, alegou a contribuinte, em síntese, que: I – as receitas de variação cambial são decorrentes de exportações realizadas, por isso sobre elas não incide a Cofins, conforme art. 14, inc. II, da Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, e art. 149, § 2º, da Constituição Federal, com a redação dada pela Emenda Constitucional nº 33, de 11 de dezembro de 2001; II – são indevidos a multa de ofício e os juros de mora, tendo em vista que a matéria foi submetida à apreciação judicial e o crédito tributário está com a exigibilidade suspensa por depósito judicial; III – a Lei nº 9.718, de 1998, está eivada de vício formal e é inconstitucional, visto que, ao definir a base de cálculo da Cofins, não guardava nenhuma semelhança com os conceitos de faturamento ou de receita bruta; IV – não se pode dar a interpretação dada pelo Ato Declaratório Normativo (ADN) Cosit nº 3, de 1995, ao art. 38 da Lei nº 6.830, de 22 de setembro de 1980, pois o legislador pretendeu alcançar apenas a hipótese em que a interposição de medida judicial ocorre após a lavratura do auto de infração; e V – ainda que se dê a interpretação do precitado ADN, devese considerar que o art. 51 da Lei nº 9.784, de 1999, revogou a norma do parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.830, de 1980, não sendo mais possível presumir a renúncia à via administrativa. A recorrente alegou ainda a competência desta instância administrativa para afastar disposição legal que afronta a Constituição Federal e a inaplicabilidade da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) para o cálculo dos juros moratórios e, ao final, solicitou que se reforme a decisão recorrida e se reconheça a improcedência do lançamento. Registrese, por fim, que, na peça recursal, sustentouse a nulidade da decisão recorrida, em virtude de não se ter apreciado, no colegiado de piso, a matéria concernente à isenção e imunidade das receitas decorrentes de exportação suscitadas na fase impugnatória. Na sessáo de 16 de novembro de 2009, este colegiado, nos termos da Resolução 340200.042, resolveu converter o julgamento do recurso voluntário em diligência para fosse esclarecido se a decisão judicial de que decorreu a suspensão da exigibilidade do crédito tributário foi anterior ou posterior ao início do procedimento de ofício e se, em relação aos fatos geradores de janeiro, maio e junho de 2002, os valores depositados compreendem o tributo e os acréscimos legais devidos até a data da efetivação do depósito. No bem elaborado despacho das fls. 646 a 649, a unidade preparadora destes autos informou, em apertada síntese, que o crédito tributário objeto destes autos, no início do procedimento fiscal, já estava com a exigibilidade suspensa, por força do Mandado de Segurança (MS) 1999.61.10,0032421, e que os depósitos efetuados foram tempestivos, suficientes e aptos a suspender a exigibilidade desse mesmo crédito tributário. Dessa diligência a recorrente foi cientificada por via postal e não se manifestou. Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/ 2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA 4 É o relatório. Voto Conselheiro Sílvia de Brito Oliveira O recurso é tempestivo e seu julgamento está inserto na esfera de competência da Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), devendo ser parcialmente conhecido, em virtude de parte da matéria aqui tratada ter sido submetida a tutela jurisdicional. Convém então, desde logo, registrar que não se conhece aqui da matéria atinente à inconstitucionalidade da Lei nº 9.718, de 1998, e à tributação das receitas financeiras, tendo em vista a propositura pela recorrente dos Mandados de Segurança seguintes: 1) nº 1999.61.10.0010036, com cópia da petição inicial às fls. 21 a 33, no qual foi concedida liminar em 15 de abril de 1999, confirmada por sentença, para garantir o direito de recolher a Cofins sem a ampliação da base de cálculo promovida pela Lei nº 9.718, de 1998. Posteriormente o Tribunal Regional Federal da 3ª Região reformou a sentença de primeira instância, tendo sido autorizado, em fevereiro de 2002, o depósito judicial correspondente à diferença entre a base de cálculo estabelecia pela Lei Complementar nº 70, de 1991 e a estipulada pela Lei nº 9.718, de 1998; 2) nº 1999.61.10.0032421, com cópia da petição inicial às fls. 39 a 62, no qual foi concedida liminar em 13 de agosto de 1999 para que a Cofins não fosse recolhida com à alíquota de 3%. Todavia, nos termos da sentença prolatada em 19 de outubro de 2000, foi concedida em parte a segurança para reconhecer a inconstitucionalidade do art. 3º, caput e § 1º da Lei nº 9.718, de 1998, confirmando a liminar apenas no que não conflitar com a sentença. Quanto a essa matérias impõese a aplicação da Súmula Carf nº 1, de 2009, cujo teor transcrevese: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (grifouse) Uma vez que a preliminar de nulidade foi superada pela CSRF, cabe, agora, apreciar apenas as arguições de mérito. Sobre a configuração das receitas de variação cambial como decorrentes de exportação para merecer imunidade ou a isenção prevista no art. 14, inc. II, da MP nº 2.15835, de 2001, salientese que, nos termos da Portaria MF nº 356, de 1988, a receita de exportação deve ser apurada com utilização da taxa de câmbio fixada no boletim de abertura pelo Banco Central do Brasil, para compra, em vigor na data do embarque das mercadorias exportadas. Portanto, após essa data de embarque, é receita financeira a receita advinda da variação Fl. 1199DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/ 2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 13876.001176/200382 Acórdão n.º 3402001.766 S3C4T2 Fl. 3 5 cambial e a incidência da Cofins sobre esse tipo de receita foi submetida pela recorrente à tutela jurisdicional. Relativamente à utilização da taxa Selic para cálculo dos juros moratórios, cabe a aplicação da Súmula Carf nº 4,, de 2009, cujo enunciado trascrevese a seguir: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais Quanto à alegada competência das instâncias administrativas para afastar deispositivo legal por inconstitucionalidade, notese que há vedação regimental expressa para impedir que os Conselheiros do Carf afastem ou deixem de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Esse procedimento somente é permitido nas hipóteses relacionadas no art. 62, parágrafo único do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – Regimento Interno do Carf, que estabelece, ipsis litteris: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Nesse ponto, cabe ainda lembrar a Súmula Carf nº 2, de 2009, que transcrevese: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No que diz respeito à imposição da multa de ofício e aos juros de mora, assiste razão à recorrente, pois conforme informação obtida na diligência, o crédito tributário já estava com a exigibilidade suspensa, por ocasião da lavratura do auto de infração e os depósitos efetuados foram suficientes para satisfazer o montante integral do crédito tributário, isto é, o valor do tributo acrescido da multa e dos juros moratórios devidos até a data da efetivação do depósito. Fl. 1200DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/ 2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA 6 Observese, contudo, que os juros moratórios são apenas indicados no auto de infração, pois seu valor exato apenas pode ser determinado na data do pagamento do tributo, visto que sua incidência ocorre a partir da data do vencimento do tributo até a data da efetiva extinção do crédito tributário. Impõese, por conseguinte, a observância do art. 63 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que dispõe, ipsis litteris: Art.63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. (...) Por todo o exposto, voto por não conhecer do recurso em parte, por opção pela via judicial, e, na parte conhecida, dar parcial provimento apenas para cancelar a multa de ofício aplicada. É como voto. Sílvia de Brito Oliveira Relatora Fl. 1201DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/ 2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA
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Numero do processo: 10580.000286/2002-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997
PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA COM PROCESSO ADMINISTRATIVO. LANÇAMENTO.
A propositura de ação judicial antes da lavratura do auto de infração não obstaculiza a formalização do lançamento, visando prevenir a decadência do direito da Fazenda Pública, mas impede a apreciação, pela autoridade administrativa a quem caberia o julgamento, das mesmas razões de mérito submetidas ao Poder Judiciário, cuja decisão faz coisa julgada se sobrepondo ao julgado administrativo. SÚMULA nº 1 CARF. Análise do mérito prejudicada.
Suspensão da exigibilidade do crédito até o trânsito da decisão judicial ou a perda da eficácia da medida liminar.
Recurso Voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3102-001.644
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado, para determinar a suspensão de exigibilidade do crédito até o trânsito em julgado da decisão judicial ou a perda da eficácia da medida liminar.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
(assinado digitalmente)
Álvaro Arthur L. de Almeida Filho Relator
EDITADO EM: 20/02/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Marcelo Guerra de Castro (Presidente da Turma), Ricardo Paulo Rosa, Nanci Gama, Leonardo Mussi, Winderley Morais Pereira e Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho.
Nome do relator: ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA COM PROCESSO ADMINISTRATIVO. LANÇAMENTO. A propositura de ação judicial antes da lavratura do auto de infração não obstaculiza a formalização do lançamento, visando prevenir a decadência do direito da Fazenda Pública, mas impede a apreciação, pela autoridade administrativa a quem caberia o julgamento, das mesmas razões de mérito submetidas ao Poder Judiciário, cuja decisão faz coisa julgada se sobrepondo ao julgado administrativo. SÚMULA nº 1 CARF. Análise do mérito prejudicada. Suspensão da exigibilidade do crédito até o trânsito da decisão judicial ou a perda da eficácia da medida liminar. Recurso Voluntário provido em parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2015; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 300 1 299 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.000286/200273 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3102001.644 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de outubro de 2012 Matéria Ressarcimento de PIS Recorrente Recôncavo Distribuidora de Bebida Ltda Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA COM PROCESSO ADMINISTRATIVO. LANÇAMENTO. A propositura de ação judicial antes da lavratura do auto de infração não obstaculiza a formalização do lançamento, visando prevenir a decadência do direito da Fazenda Pública, mas impede a apreciação, pela autoridade administrativa a quem caberia o julgamento, das mesmas razões de mérito submetidas ao Poder Judiciário, cuja decisão faz coisa julgada se sobrepondo ao julgado administrativo. SÚMULA nº 1 CARF. Análise do mérito prejudicada. Suspensão da exigibilidade do crédito até o trânsito da decisão judicial ou a perda da eficácia da medida liminar. Recurso Voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado, para determinar a suspensão de exigibilidade do crédito até o trânsito em julgado da decisão judicial ou a perda da eficácia da medida liminar. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 02 86 /2 00 2- 73 Fl. 138DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 21/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por ALVARO A RTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO 2 (assinado digitalmente) Álvaro Arthur L. de Almeida Filho – Relator EDITADO EM: 20/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Marcelo Guerra de Castro (Presidente da Turma), Ricardo Paulo Rosa, Nanci Gama, Leonardo Mussi, Winderley Morais Pereira e Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho. Relatório Tratase de recurso voluntário visando a reforma do acórdão nº 1525.258 da 4ª Turma da DRJ/SDR, que não conheceu da matéria submetida ao judiciário, manteve os juros de mora e exonerou a multa de ofício. De acordo com o relatório da decisão recorrida se pode observar que: Contra a empresa acima identificada foi lavrado o Auto de Infração eletrônico n° 0000011 (fls. 10/11 e Demonstrativos de fls.12/13), para exigir a Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, referente aos períodos base de janeiro a março de 1997, no valor de R$19.329,41, acrescido da multa de ofício e dos juros de mora. A infração relatada no auto de infração corresponde à falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata informada na Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), em razão de não ter sido confirmado o crédito vinculado indicado na declaração, com a exigibilidade suspensa, no Processo Judicial não localizado n°9500024675. O enquadramento legal do lançamento aponta infração aos artigos 1ª a 3ªo, alínea "b" da Lei Complementar nº 07, 1ºo a 3ºo alínea "b" da Lei Complementar n° 07, de 07 de setembro de 1970; 83, inciso III, da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995; I da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995; art. 2o e inciso I e parágrafo único, 3o , 5, 6, 8, I da Medida Provisória n° 1.49511, de 02 de outubro de 1996, e reedições; art.2° e inciso I, § Io e 3o , 5o, 6o e 8o, inciso I da Medida Provisória n° 1.546, de 1996, e reedições. Cientificada da exigência em 19/12/2001 (fl.66), a contribuinte apresentou impugnação ao lançamento em 09/01/2002 (fls.01/07), requerendo a anulação do auto de infração por não conter no relatório a descrição do fato, conforme determina o art. 10 do Decreto n°70.235, de 1972. Alega que é contribuinte da contribuição para o PIS, instituída pela LC 07, de 1970, que teve sua sistemática alterada pelos Decretoslei n° 2.445 e 2.449, ambos de 1988, estes que foram declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, extirpados do mundo jurídico através da publicação da Resolução do Senado Federal n°49, de 09/10/1995, razão pela Fl. 139DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 21/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por ALVARO A RTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO Processo nº 10580.000286/200273 Acórdão n.º 3102001.644 S3C1T2 Fl. 301 3 qual passou a ter lídimo direito de ser ressarcida dos pagamentos efetuados indevidamente a maior mediante compensação com parcelas impagas do próprio PIS, por força do art. 66 da Lei n°8.383, de 1991, arts .73 e 74 da Lei n°9.430, de 1996, direito que foi assegurado na Ação Ordinária n°95.00024675, doc.01, perante a 30ª Vara Federal do Rio de Janeiro, sendo deferida a antecipação da tutela, doc.02, autorizando a compensação requerida nos termos da inicial, impedindo sanções quanto as parcelas compensadas, razão pela qual requer que sejam observada a decisão judicial, sendo descabida a incidência da multa de ofício, nos termos do art.63 da Lei n°9.430, de 1996. A contribuinte anexou os documentos pertinentes à ação judicial. O processo foi encaminhado ao Grupo de Ações Judiciais GAJ da DRF/Salvador, fl.70, que informa no Despacho n°5010/2010, à fl.74, ter verificado que na DCTF (fls.8/15) foram informados os créditos tributários como suspensos pela Ação Ordinária n°95.00024675/RJ, cuja decisão em primeira instância foi favorável ao contribuinte em 23/01/2004, tendo sido interpostas Apelações Cíveis por ambas as partes, que permanecem pendentes de julgamento definitivo pelo TRF da 2a Região, fls.71/73. Confirmase entretanto, que à data da lavratura do auto de infração, em 29/10/2001, existia decisão favorável ao contribuinte em sede de antecipação de tutela, o que tornaria inexigível a exação (fls.58/61), promovendo a suspensão dos valores exigidos no SIEF Fiscalização. Após analisar a impugnação, decidiu a 4ª Turma da DRJ/SDR, pelo indeferimento, consoante se depreende da ementa abaixo: A S S U N T O : C O N T R I B U I Ç Ã O P A R A O P I S / PASEP Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. É correta a lavratura de auto de infração de crédito tributário em discussão judicial e com exigibilidade suspensa, posto que tal procedimento não traz qualquer prejuízo ao contribuinte e é a forma adequada de a Fazenda Nacional se resguardar do instituto da decadência. JULGAMENTO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO A propositura de ação judicial com antecipação de tutela impede a apreciação de idêntica matéria na esfera administrativa, impondose, assim, o cumprimento da sentença definitiva emanada do Poder Judiciário. Tornase preclusa na esfera administrativa matéria levada pelo contribuinte ao Poder Judiciário e naquele âmbito já decidida ou ainda em tramitação. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 21/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por ALVARO A RTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO 4 EXIGIBILIDADE SUSPENSA. MULTA DE OFÍCIO. Cancelase, por inaplicável, penalidade incidente sobre crédito tributário com exigibilidade suspensa em face de decisão judicial. Impugnação Procedente em Parte Inconformada com a decisão acima, a contribuinte apresenta recurso voluntário alegando em síntese que: a) Em atenção a concessão de tutela antecipada, proferida nos autos do processo nº. 95.00024675 em trâmite na 30ª Vara Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro, a exigibilidade do crédito está suspensa; b) É ilegal o art. 3º da lei nº. 9.718/98, o qual alargou a base de cálculo do PIS e da COFINS, abragendo a incidência desses sobre a totalidade das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas; c) O auto de infração deve ficar com a exigibilidade suspensa; d) Todos os procedimentos de compensação obedeceram aos parâmetros estabelecidos em juízo; e) Deve ser excluída da base de cálculo do PIS todas as receitas que extrapolem a atividade da empresa, ou que seja suspensa a exigibilidade do crédito tributário até o trânsito em julgado da decisão judicial; É o relatório. Voto Conselheiro Álvaro Almeida Filho Conheço do presente recurso por ser tempestivo e tratar de matéria de competência da terceira sessão. Como demonstrado foi lavrado contra a recorrente auto de infração visando a exigência da contribuição para o Programa de Integração Social – PIS referente ao período de janeiro a março de 1997, entretanto restou incontroverso nos autos que a matéria foi levada ao judiciário, antes mesmo do lançamento, portanto seu objetivo foi prevenir a decadência. A decisão recorrida reconheceu a concomitância e afastou a multa de ofício ao identificar que havia a concessão de tutela antecipada suspendendo a exigibilidade dos créditos. Assim, percebese que o objeto do lançamento é o mesmo apresentado no judiciário, portanto quanto ao mérito do julgamento resta prejudicada sua análise em face da propositura da demanda judicial, posicionamento este consolidado nos termos da súmula CARF nº 1: Fl. 141DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 21/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por ALVARO A RTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO Processo nº 10580.000286/200273 Acórdão n.º 3102001.644 S3C1T2 Fl. 302 5 Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Pelas razões acima, resta prejudica a análise do mérito da presente questão. Quanto o pedido de suspensão da exigibilidade do crédito, até o trânsito em julgado da medida judicial, é oportuno observar que o parágrafo único do art. 62 do decreto 70.235/1972, define que se a matéria apresentada na medida judicial for a mesma do processo administrativo fiscal, esse terá seu curso normal, exceto quanto aos seus atos executórios, nos seguintes termos: Art. 62. Durante a vigência de medida judicial que determinar a suspensão da cobrança, do tributo não será instaurado procedimento fiscal contra o sujeito passivo favorecido pela decisão, relativamente, à matéria sobre que versar a ordem de suspensão. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) Parágrafo único. Se a medida referirse a matéria objeto de processo fiscal, o curso deste não será suspenso, exceto quanto aos atos executórios. A norma acima contempla as situações, nas quais o contribuinte se antecipa ao lançamento visando obstar a exigência de um tributo que não entende devido, assim a norma determina a suspensão da exigibilidade do crédito quando a medida judicial determinar suspensão da cobrança do tributo. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, ao se posicionar sobre o tema, emitiu o parecer PGFN/CRJN nº 1.064/93, o qual concluiu em seu item ‘d” que: d) Preexistindo processo fiscal à liminar concedida, deve aquele seguir seu curso normal com a prática dos atos administrativos que lhe são próprios, exceto quanto aos atos executórios que aguardarão a sentença judicial ou, se for o caso, a perda da eficácia da medida liminar concedida. Por todo exposto conheço do recurso e dou parcial provimento, restando prejudicada a análise do mérito da questão, em atenção a concomitância, por fim determinase a suspensão da exigibilidade do crédito até o trânsito da decisão judicial ou a perda da eficácia da medida liminar. Sala de sessões 23 de outubro de 2012. (assinado digitalmente) Fl. 142DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 21/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por ALVARO A RTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO 6 Álvaro Arthur L. de Almeida Filho Relator Fl. 143DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 21/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por ALVARO A RTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO Processo nº 10580.000286/200273 Acórdão n.º 3102001.644 S3C1T2 Fl. 303 7 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 21/03/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por ALVARO A RTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO
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Numero do processo: 15504.100261/2010-13
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE. Por intempestivo, não se conhece do recurso voluntário protocolizado após o prazo dos trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância, nos termos do artigo 33 do Decreto nº 70.235/72
Numero da decisão: 1802-001.304
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestvo, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE. Por intempestivo, não se conhece do recurso voluntário protocolizado após o prazo dos trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância, nos termos do artigo 33 do Decreto nº 70.235/72 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestvo, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marco Antonio Nunes Castilho, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Relatório O contribuinte acima identificado foi autuado e notificado a recolher o crédito tributário, referente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ, fls.02/11 e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL, fls.12/17, relativos ao ano calendário de 2007, conforme abaixo discriminado: Por economia processual e bem descrever os fatos adoto a seguinte parte do relatório da decisão recorrida (fls.226/227) que a seguir transcrevo: No Relatório Fiscal de fls. 137/138, foram descritos os procedimentos fiscais, com destaque para as intimações expedidas e manifestações do contribuinte no curso da ação fiscal. Constatou a autoridade fiscal que a empresa não entregou a DIPJ Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica, relativa ao ano calendário 2007, exercício 2008, nem declarou em DCTF o IRPJ e a CSLL devidos, tendo sido intimada a preencher a DIPJ, prestar informação acerca da forma de tributação para o ano calendário e apresentar o Livro Diário. Analisando a documentação apresentada pelo contribuinte, foi apurada insuficiência de declaração e recolhimento de IRPJ e CSLL, tendo sido efetuado o lançamento de ofício das diferenças apuradas. Os demais documentos que fundamentaram a exigência fiscal constam das fls. 18/136 e 139/141. Cientificado dos lançamentos em 11/11/2010, conforme Aviso de Recebimento (AR) de fl. 144, o contribuinte, por meio de seu procurador, apresentou a impugnação de fls. 153/222, em Fl. 262DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.100261/201013 Acórdão n.º 1802001.304 S1TE02 Fl. 2 3 10/12/2010, separadamente em relação a cada um dos tributos lançados. Relativamente ao IRPJ, os argumentos do impugnante podem ser assim sintetizados: Dos fatos Nesse tópico, foi feito um resumo da autuação. Do lançamento de ofício Multa Fazendo remissão às disposições do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, relativamente à multa de ofício de 75%, o defendente sustentou que referida norma não pode ser aplicada no caso em tela, uma vez que o contribuinte transmitiu a DIPJ 2008, ano calendário de 2007, informando os valores devidos a título de IRPJ e CSLL. Também escriturou os valores das provisões de IRPJ e CSLL no ano calendário de 2007 no livro razão, o qual foi devidamente apresentado à fiscalização. Assim, considerou que os lançamentos realizados pela autoridade fiscal devem ser cancelados, sob pena de duplicidade de lançamento. No caso, não foi a autoridade fiscal quem constituiu o crédito tributário. O próprio contribuinte declarou a existência dos créditos tributários a favor da União. Assim, não ocorreu o lançamento de ofício, pois a empresa transmitiu a DIPJ. Sustentou ainda que a multa a ser aplicada sobre os impostos e contribuições declarados em DIPJ deve limitarse a 20%, ao amparo do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996. Da ofensa aos princípios do não confisco, da capacidade contributiva, da proporcionalidade e da razoabilidade. Com base em entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, o impugnante destacou aspectos acerca da inconstitucionalidade da multa de ofício exigida, tendo defendido a sua redução para o percentual de 20%. Dos pedidos Ao final, o impugnante postulou o acolhimento da impugnação para: a) que seja cancelado o auto de infração, uma vez que já havia declarado, por meio da DIPJ, o IRPJ e a CSLL do exercício 2008 ano calendário 2007; b) que a multa aplicada seja de no máximo 20%, considerandose que o lançamento do crédito tributário foi feito pelo próprio impugnante ao transmitir a DIPJ, e não de ofício, sob pena de ofensa ao artigo 61, da Lei nº 9.430, de 1996; c) ainda que se considere que o lançamento foi feito de ofício, o que se admite pelo amor ao debate, que seja a Fl. 263DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 multa reduzida para 20%, tendo em vista a inconstitucionalidade da multa no percentual de 75% por ofensa expressa aos artigos 5º, inciso XXII, 145, § 1° e 150, inciso IV da CF/88, aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade e entendimento dos Tribunais. O conteúdo da impugnação apresentada em relação ao lançamento da Contribuição Social, em termos gerais, guarda consonância com o contraditório oferecido no tocante ao IRPJ. A 2a. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Belo Horizonte/MG) por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento conforme decisão proferida no Acórdão nº 0232.694, de 07 de junho de 2011 (fls.224/230), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2008 DIPJ AUSÊNCIA DE ATRIBUTO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA A DIPJ, por seu caráter meramente informativo, não constitui instrumento de confissão de dívida, ficando os débitos relativos a impostos e contribuições nela apurados sujeitos a lançamento de ofício, quando os valores pertinentes não foram recolhidos nem declarados em DCTF. MULTA DE OFÍCIO Nos casos de lançamento de ofício, será aplicada multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de tributo, quando constatada a falta de pagamento ou recolhimento, a falta de declaração e declaração inexata. TRIBUTAÇÃO REFLEXA O decidido para o lançamento de IRPJ estendese ao lançamento da Contribuição Social que com ele compartilha o mesmo fundamento factual e para o qual não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso. O contribuinte cientificado da mencionada decisão em 07/12/2011 conforme o Aviso de Recebimento (AR), interpôs recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 10/01/2012. As razões aduzidas na peça recursal são, no essencial, as mesmas apresentadas na impugnação, acima relatadas, portanto, desnecessário repetilas. É o relatório. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15504.100261/201013 Acórdão n.º 1802001.304 S1TE02 Fl. 3 5 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Conforme relatado acima, a pessoa jurídica foi cientificada da decisão proferida mediante o Acórdão nº 0232.694, de 07 de junho de 2011 (fls.224/230), conforme o Aviso de Recebimento (AR), em 07/12/2011, quarta feira, e, interpôs recurso ao Conselho de Administrativo de Recursos Fiscais CARF, somente em 10/01/2012, terça feira, portanto, após o prazo dos trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art.33 do Decreto nº 70.235/72, que teve como prazo fatal o dia 06/01/2012 (sexta feira) para a apresentação do mencionado recurso. Diante do exposto, concluo que o presente recurso, é intempestivo, não preenche as condições de admissibilidade, nos termos do art.33 do Decreto nº 70.235/72, razão pela qual voto por não conhecêlo. (Assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10940.900089/2006-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Sun Mar 25 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3202-000.058
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Irene Souza da Trindade Torres Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro José Luiz Novo Rossari. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: “Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório resultante da apreciação do Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação — PER/DCOMP n° 31300.44532.271003.1.1.01 1336 de fls. 013/103, transmitido em 27/10/2003, por meio do qual a contribuinte pretende ter compensado o saldo credor do 3° Trimestre de 2000, no valor de R$ 12.071,87, em débitos do estabelecimento. O valor a ser compensado é originário da apuração de crédito presumido de IPI, registrado na escrita fiscal (Livro Registro de Apuração do IPI RAIPI) no 1° decêndio de julho de 2000 (fl. 015). Fl. 270DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10940.900089/200643 Resolução n.º 3202000.058 S3C2T2 Fl. 266 2 A análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado foi efetuada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ponta Grossa, em 18/07/2008, mediante Despacho Decisório de fl. 011, no qual a autoridade competente indeferiu o pedido de ressarcimento, não reconheceu o direito creditório e não homologou as compensações declaradas neste processo. O pedido foi indeferido por ter sido constatada a "utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subseqüentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP". Cientificada do Despacho Decisório, em 01/08/2008 (fl. 107), a contribuinte ingressou, em 02/09/2008, com a manifestação de inconformidade de fls. ¼ e documentos anexos, na qual alega, em síntese, o disposto a seguir. 1. Afirma ser regular o pedido de ressarcimento apresentado, por ter fundamento na lei e na Instrução Normativa no 210/2002, por ter sido declarado em DCP (Demonstrativo do Crédito Presumido) e por estar dentro do qüinqüênio legal. 2. Alega que, à época do protocolo, era recente a inovação constante da IN SRF n° 320/2003, que substituiu o processo físico pelo processo eletrônico, o que acarretou interpretações equivocadas quanto à forma de solicitação de ressarcimento de valores, em especial o entendimento por parte da requerente que o crédito presumido de IPI deveria ser solicitado informandose o trimestre de origem do crédito, ainda que o pedido fosse formalizado em períodos posteriores, enquanto que a escrituração e o estorno do crédito ocorreriam no dia do pedido, da mesma forma como eram feitos os pedidos efetuados por protocolo físico. Encerra pedindo a reforma da decisão para reconhecer o crédito solicitado e homologar a compensação realizada.” A DRJRibeirão Preto/SP julgou improcedente a manifestação de inconformada, não reconhecendo o direito creditório pleiteado (fls. 11/114v), nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 Ementa: RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DE IPI. MENOR SALDO CREDOR. O valor do ressarcimento limitase ao menor saldo credor apurado entre o encerramento do trimestre em que se originou o saldo a ressarcir e o período de apuração anterior ao da protocolização do pedido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário perante este Colegiado (fls. 118/121), alegando que a autoridade fiscal deixou evidente a existência do crédito, mas que negou o ressarcimento dos valores, única e exclusivamente, por força do abatimento desses créditos com os débitos do mesmo imposto, referentes às saídas tributadas; entretanto, referidos Fl. 271DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10940.900089/200643 Resolução n.º 3202000.058 S3C2T2 Fl. 267 3 débitos foram efetivamente pagos nas respectivas datas de vencimento, consoante se verifica pelos comprovantes de recolhimento juntados ao recurso, não havendo que se falar, portanto, em abatimento do crédito objeto do pedido de ressarcimento. Ao final, requereu provimento do recurso voluntário, sendo deferido o ressarcimento do crédito de IPI relativo ao 3º trimestre de 2000, bem como homologada a compensação realizada com o referido crédito. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, razões pelas quais dele conheço. A contribuinte, em 27/10/2003, transmitiu a PER/DCOMP nº. 31300.44532.271003.1.1.01 1336 (fls. 13/103), por meio da qual pretendeu a compensação de alegados créditos presumidos de IPI, referentes ao 3º trimestre de 2000, no valor de R$ 12.071,87, com débitos próprios. A DRFPonta Grossa/PR indeferiu o pleito da contribuinte ao seguinte argumento: Analisadas as informações prestadas no PER/DCOMP e período de apuração acima identificados, constatouse o seguinte: Valor do crédito solicitado/utilizado: R$ 12.071,87 Valor do crédito reconhecido: R$ 0,00 O valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): Constatação de utilização Integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subseqüentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP. (grifo não constante do original) Diante tal conclusão, não foi homologada a compensação declarada no PER/DCOMP nº.11128.33090.291003.1.3.013401 e foi inferido o pedido de restituição/ressarcimento apresentado no PER/DCOMP: 411300.44532.271003.1.1.011336, restando glosados os créditos no valor principal de R$ 12.071,87, acrescidos de multa e juros. A DRJRibeirão Preto/SP manteve a glosa fiscal, ao argumento de que houve utilização do saldo credor objeto do presente pedido de ressarcimento (que foi transferido para os períodos seguintes) no abatimento de débitos gerados no período entre o encerramento do 2° trimestre de 1999 e o período de apuração anterior à data de protocolização do referido pedido, em outubro de 2003. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10940.900089/200643 Resolução n.º 3202000.058 S3C2T2 Fl. 268 4 Demonstrou, por meio de tabelas descritivas da evolução dos registros na escrita fiscal da contribuinte, referentes ao período entre o 2° trimestre de 1999 (primeiro trimestre em que foi apurado saldo credor e solicitado ressarcimento pela contribuinte, por meio do PER/DCOMP n° 31651.98129.281003.1.1.01 3514) e o 2° decêndio de outubro de 2003 (período de apuração imediatamente anterior aos pedidos de ressarcimento), que não houve apuração de saldo credor do imposto no segundo decêndio de dezembro de 2002, ou seja, que todo o crédito de IPI acumulado ao longo do período de 01/04/1999 a 20/12/2002 teria sido utilizado para abatimento dos débitos do mesmo imposto referentes às saídas tributadas, não restando, desta forma, valor a ressarcir. As tabelas foram extraídas no sítio da RFB na Internet (www.fazenda.receita.gov.br), na seguinte opção de menu: "Empresa" "Serviços e Informações de Pessoa Jurídica" "Restituição, Ressarcimento, Reembolso e Compensação" "PER/DCOMP Despacho Decisório" (preencher com o CNPJ 00.257.332/000156 e o PER/DCOMP n° 31651.98129.281003.1.1.01 3514) "Informações Complementares da Análise de Crédito". Por outro lado, em fase de recurso, a recorrente afirma que não ocorreram tais abatimentos e informa que os débitos pelas saídas tributadas foram efetivamente pagos nas respectivas datas de vencimento. Para comprovar ao alegado, juntou ao recurso inúmeros comprovantes de recolhimentos (“Comprovantes de Arrecadação”, às fls. 131/263), concluindo que não haveria, portanto, que se falar em abatimento do crédito objeto do pedido de ressarcimento. Diante das informações opostas que se vêem nos autos, todas lastreadas em documentação que, a princípio, seriam capazes de conferirlhes veracidade, entendo de bom alvitre sejam os autos baixados em diligência para que a autoridade preparadora verifique se houve a apropriação dos créditos para lançamento nos períodos subsequentes na escrita fiscal da contribuinte ou se houve os pagamentos alegados pela recorrente, informando conclusivamente se, até o decêndio anterior à protocolização do pedido de ressarcimento (2º decêndio de outubro 2003), havia ou não crédito de IPI a ser ressarcido. Ao término do procedimento, deve ser elaborado Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, inclusive manifestandose sobre a existência de outras informações e/ou observações julgadas pertinentes para esclarecer os fatos. Encerrada a instrução processual, a interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para julgamento. Pelo exposto, voto no sentido de que seja CONVERTIDO O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, na forma acima posta . É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Fl. 273DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 13707.003544/2002-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano calendário: 1995
Ementa.:
DECADÊNCIA. PEDIDO ANTERIOR À VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118 DE 2005. APLICAÇÃO DA DECISÃO PROFERIDA NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 566.621/RS, – RECURSO PROVIDO.
Aplica-se aos pedidos de restituição ou compensação, formulados antes de 962005, o prazo decadencial consubstanciado na tese dos 5+5, do STJ.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 1402-000.991
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer a inexistência da caducidade do direito de pleitear a restituição e determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro para apreciação do mérito do pedido, retomando-se o trâmite processual a partir daí.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 1995 Ementa.: DECADÊNCIA. PEDIDO ANTERIOR À VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118 DE 2005. APLICAÇÃO DA DECISÃO PROFERIDA NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 566.621/RS, – RECURSO PROVIDO. Aplica-se aos pedidos de restituição ou compensação, formulados antes de 962005, o prazo decadencial consubstanciado na tese dos 5+5, do STJ. Recurso Provido.
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PEDIDO ANTERIOR À VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118 DE 2005. APLICAÇÃO DA DECISÃO PROFERIDA NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 566.621/RS, – RECURSO PROVIDO. Aplicase aos pedidos de restituição ou compensação, formulados antes de 962005, o prazo decadencial consubstanciado na tese dos 5+5, do STJ. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer a inexistência da caducidade do direito de pleitear a restituição e determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro para apreciação do mérito do pedido, retomandose o trâmite processual a partir daí. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 13707.003544/200298 Acórdão n.º 1402000.991 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório Globex Administração e Serviços Ltda, já qualificada nos autos, com fundamento no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre da decisão de primeira instância, que julgou procedente a exigência. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: 1. 0 presente processo foi protocolizado em 16.09.2002 e versa sobre pedido de compensação de créditos decorrentes de recolhimentos que teriam sido efetuados a maior, referentes ao FINSOCIAL, em 11.04.1995. Tais créditos, atualizados monetariamente pela contribuinte, importariam em R$ 86.305,45. 2. Em despacho proferido pela Divisão de Orientação e Análise Tributária — DIORT/EQPEJ, fls.33 a 35 consta, em resumo, que: A interessada quer compensar créditos no valor de R$ 86.305,45. 0 crédito teria origem em pagamento a maior ou indevido de FINSOCIAL, anobase de 1992, relativos aos períodos de apuração de janeiro, fevereiro e março. 0 Pedido de Compensação foi convertido em DCOMP. Considerando os DARF'S de fls. 20, e tendo sido o Pedido de Compensação formalizado em 16.09.2002, encontrase extinto o direito de pleitear a restituição, pelo decurso de prazo de cinco anos, pois os pagamentos foram efetuados em 11.04.1995. Desta forma não foi reconhecido o direito creditório, nem homologada a compensação objeto das Declarações de Compensação de fls. 01 a 02. 3. Na manifestação de inconformidade, de fls: 49 a 53, a interessada alegou, em síntese: 3.1 A aplicação do prazo decadencial de dez anos adotado pelo STJ. 3.2 A inaplicabilidade do art. 3°, da Lei Complementar n° 118 aos fatos anteriores à sua edição, sob pena de ofensa aos princípios constitucionais da irretroatividade das leis e da segurança jurídica. 3.3 Ao final requer seja acolhida a manifestação de inconformidade e homologada a compensação efetiva:da pela requerente. A decisão recorrida está assim ementada: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. 0 direito do contribuinte pleitear a restituição/compensação de contribuição paga em valor maior que o devido, extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos, contados da data da Fl. 171DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 13707.003544/200298 Acórdão n.º 1402000.991 S1C4T2 Fl. 0 3 extinção do crédito, assim entendida como sendo a do pagamento antecipado, nos casos de lançamento por homologação. INCONSTITUCIONALIDADE. ESFERA ADMINISTRATIVA. As arguições de inconstitucionalidade, que visam afastar a aplicação de norma legal inserta no ordenamento jurídico, não são oponíveis na esfera administrativa, cabendo tal controle ao Poder Judiciário. Solicitação Indeferida Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 13707.003544/200298 Acórdão n.º 1402000.991 S1C4T2 Fl. 0 4 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33, do Decreto nº. 70.235 de 06/03/1972, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado e preenche os requisitos de admissibilidade. Assim, conheçoo e passo ao exame da matéria. No caso concreto o recurso não discute da existência ou não de pagamento a maior, mas sim o marco inicial do prazo decadencial. Tratase de alegado pagamento a maior realizado em 11.04.1995, com pedido de compensação protocolizado em 16.09.2002, portanto antes da vigência da Lei Complementar nº 118, de 2005, que entrou em vigor em 09 de junho de 2005. Em face ao que dispõe o artigo 62A do Regimento Interno do Carf, adoto o entendimento consolidado pelo STF, quando do julgamento do RE 566.621/RS, submetido à repercussão geral, com aplicação da regra do artigo 543B, do CPC, ocasião em que a Corte acabou por definir, em votação por maioria, que a sistemática de cálculo trazida pela LC nº 118, de 2005 (cinco anos a contar do recolhimento), deveria ser aplicada somente para aos pedidos de repetição formulados após 09/06/05, sendo que para os pedidos formulados anteriormente a tal data permanece o sistema de cálculo consolidado no âmbito do STJ (tese dos 5+5). Neste sentido, segue transcrita a ementa da decisão do STF. DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como Fl. 173DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 13707.003544/200298 Acórdão n.º 1402000.991 S1C4T2 Fl. 0 5 qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. ISSO POSTO, voto no sentido dar provimento ao recurso para reconhecer a inexistência da caducidade do direito de pleitear a restituição e determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro para apreciação do mérito do pedido, retomandose o trâmite processual a partir daí. É o voto. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva Relator Fl. 174DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 11060.900059/2008-77
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2004 PERDCOMP. RETIFICAÇÃO O pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. (IN SRF n º 900, de 2008, art. 77).
Numero da decisão: 1801-001.088
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 PERDCOMP. RETIFICAÇÃO O pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. (IN SRF n º 900, de 2008, art. 77). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Ana de Barros Fernandes. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/08/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o acórdão n º 1235.750, de 17/02/2011, da 1a. Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ (fls. 36/39) que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o Despacho Decisório da DRF em Santa Maria/RS, que não homologou as compensações declaradas em PERDCOMP. Histórico Trata o presente processo de PERDCOMPs transmitidos em 07/06/2005 e 01/08/2005 (fls. 01/06) que informam direito creditório relativo a saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2004, no valor de R$ 3.616,81, para compensar débitos de estimativa de IRPJ do anocalendário 2005. Pelo Despacho Decisório a DRF em Santa Maria/RS (fl. 10) não reconheceu a existência do direito creditório, uma vez que na DIPJ do respectivo exercício teria sido apurado saldo de imposto a pagar, no valor de R$ 1.681,63. Foi apresentada manifestação de inconformidade tempestiva (fls. 16/17), na qual alegou, a interessada, que havia cometido erro de preenchimento na DIPJ e nos PERCOMPs. Argüiu que a DIPJ do exercício 2005 foi retificada para constar resultado de saldo negativo de R$ 91,86, mas que também teria sido apurado saldo negativo de IRPJ no anocalendário 2003, no valor de R$ 3.774,94, parcialmente utilizado em outras compensações, restando direito creditório relativo a saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2003, no valor de R$ 3.053,22 para ser utilizado nas compensações pleiteadas. As PERDCOMP teriam sido preenchidas com erro uma vez que deveria ter sido informado saldo negativo do anocalendário 2003 e não anocalendário 2005. A 1a. Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, por unanimidade de votos, indeferiu a manifestação de inconformidade ao fundamento de que retificações de PERDCOMP somente podem ser solicitadas antes da emissão de Despacho Decisório. Consignou, ainda, que a interessada teria inovado no pleito ao incluir o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2003, não analisado pelo órgão de origem (fls. 36/39). Notificada da decisão, em 11/03/2011, como demonstra a cópia do AR à fl. 43, apresentou, a interessada, em 01/04/2011, o recurso voluntário de fls. 44/45. Nas razões de defesa aduz que teria efetuado várias retenções de imposto no anocalendário 2004, em vista do fato de ser uma empresa de propaganda e publicidade e que o valor de R$ 3.616,81 existiria de fato na escrituração contábil, embora tenha cometido erros de preenchimento na DIPJ e nos PERDCOMPs. Em suas palavras: O valor de retenções pode ser verificado através de planilha em anexo. A empresa efetuou um controle desse crédito, não tentou se compensar de crédito inexistente, houve um erro de preenchimento na DIPJ onde não havia sido informado as retenções existentes (FICHA 12, Linha 13). Por isso foi efetuada a retificação e onde constava 1.681,63 a pagar, resultou em saldo negativo de 91,86. Solicitamos que seja revista a decisão. É o relatório. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/08/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11060.900059/200877 Acórdão n.º 180101.088 S1TE01 Fl. 79 3 Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Nos PERDCOMP apresentados a recorrente informa, a título de direito creditório, saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2004, no valor de R$ 3.616,81. Antes de proferir o Despacho Decisório a DRF em Santa Maria/RS emitiu intimação, observando que na DIPJ do respectivo anocalendário 2004 havia sido apurado saldo de imposto a pagar, no valor de R$ 1.681,63. Assim, deveria a interessada apresentar DIPJ e/ou PERDCOMP retificadores, a fim de corrigir os valores pleiteados. A intimação encontrase acostada à fl. 6, e dela teve ciência a empresa em 12/03/2007, conforme demonstra a tela do sistema anexada à fl. 7. Entretanto, a interessada silenciou quanto à intimação da DRF de origem. Diante da inércia da empresa em corrigir seus procedimentos a DRF em Santa Maria não teve alternativa, senão indeferir o pedido, não reconhecer o direito creditório e não homologar as compensações. Somente depois de proferida a decisão da DRF em Santa Maria/RS, a recorrente veio a alegar que teria cometido erro no preenchimento dos PERDCOMP, nos quais deveria ter constado o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2003, assim como teria cometido erro de preenchimento na DIPJ do anocalendário 2003 e na DIPJ do anocalendário 2004. Apenas esta última foi retificada. Em verdade a interessada alterou o seu pedido inicial somente depois de terem sido analisados os PERDCOMPs pelo órgão de origem e proferido o despacho que não homologou as compensações. Assim como no Direito Processual Civil, no processo administrativo fiscal a exordial fixa os limites da controvérsia sobre o qual deverá se dar a jurisdição. O PERDCOMP transmitido eletronicamente encerra um pedido de restituição de crédito e um pedido de compensação de débitos com o crédito reclamado. Nele deve indicar, o interessado, o tipo e valor do direito creditório que julga possuir, assim como os débitos que pretende compensar com o crédito reivindicado. Entretanto, além de meras questões formais de preenchimento, o pedido de restituição eletrônico contém, necessariamente, a reivindicação de um direito, questão que deverá ser dirimida: a existência e a suficiência daquele direito creditório alegado pela parte interessada. Nesse contexto o PERDCOMP equivale à exordial. No caso em apreço a recorrente formalizou PERDCOMPs indicando o seu desejo de ver reconhecido o direito de reaver saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2004, no valor de R$ 3.616,81, conforme demonstrou na página 2 do referido PERDCOMP (fl. 01, verso). Na página 2 do PERDCOMP apresentou os valores que compõem o saldo negativo e na Fl. 93DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/08/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 página 6 do PERDCOMP (fl. 3, verso), os débitos que pretendia compensar. Nestes termos, a interessada fixou os limites do seu pedido. Somente depois de ser cientificada do despacho decisório eletrônico que negou a restituição e a compensação em vista das inconsistências de informações entre o quanto consignado na DIPJ do anocalendário 2004 e o informado nos PERDCOMP é que a interessada veio alegar que cometeu “erros” no preenchimento tanto da DIPJ quanto dos PERDCOMP. E os erros residiriam na indicação do tipo do crédito reclamado, que passou a ser o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2003. O Artigo 74 da Lei n º 9.430, de 1996, estabelece as regras para a restituição e a compensação de tributos. Nesse sentido a Lei expressamente confere à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), competência para disciplinar as regras sobre a compensação estabelecidas no art. 74. Para além disso, a lei, direta e expressamente determina que a compensação poderá ser efetuada exclusivamente mediante a entrega de declaração em que constem as informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Portanto, a única via admissível para a compensação é a entrega da respectiva declaração, a qual deve, obrigatoriamente, (a) seguir as regras de preenchimento estabelecidas pela RFB, conforme o §14, acima; e (b) informar os créditos que foram utilizados naquela declaração de compensação, conforme o §1º. Regulamentando os procedimentos da compensação a IN SRF n º 900, de 2008, assim dispõe: Art. 77. O pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, observado o disposto nos arts. 78 e 79 no que se refere à Declaração de Compensação. À interessada foi dada a oportunidade de retificar os PERDCOMP e as DIPJ antes de ser proferido o despacho decisório denegatório das compensações, mas optou por omitirse. Após a emissão de decisão denegatória não é mais possível a retificação de PERCOMP, ainda que se trate de erro material no seu preenchimento. Por todo o exposto voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 94DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/08/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11060.900059/200877 Acórdão n.º 180101.088 S1TE01 Fl. 80 5 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/08/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 13971.003491/2010-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2005 a 30/11/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. FASE PREPARATÓRIA DO LANÇAMENTO. NATUREZA INQUISITIVA. CONTRADITÓRIO INEXISTENTE.
O procedimento administrativo do lançamento é inaugurado por uma fase preliminar, de natureza eminentemente inquisitiva, na qual a autoridade fiscal promove a coleta de dados e informações, examina documentos, procede à auditagem de registros contábeis e fiscais e verifica a ocorrência ou não de fato gerador de obrigação tributária aplicando-lhe a legislação tributária.
Dada à sua natureza inquisitorial, tal fase de investigação não se submete ao contraditório nem à ampla defesa, direito reservados ao sujeito passivo somente após a ciência do lançamento, com o oferecimento de impugnação, quando então se instaura o contencioso fiscal.
AIOP. RELATÓRIO FISCAL. NÃO REPRODUÇÃO DOS DOCUMENTOS. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Não incorre em cerceamento do direito de defesa o lançamento tributário cujo Relatório Fiscal deixar de reproduzir os documentos de onde foram coletados os fatos geradores lançados, nas hipóteses em que estes forem apurados a partir do exame das informações prestadas pelo sujeito passivo, ou por este declaradas em documentos públicos, elaborados pela própria empresa, confeccionados sob sua orientação, comando, domínio e responsabilidade, uma vez que são do seu inteiro conhecimento.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CERCEAMENTO DE DEFESA. RELATÓRIOS FISCAIS. INEXISTÊNCIA.
Não incorre em cerceamento do direito de defesa o lançamento tributário cujos fatos geradores tenham sido apurados, diretamente, nos documentos da empresa, e cujos relatórios típicos, incluindo o Relatório Fiscal e seus anexos, descrevam de forma clara, discriminada e detalhada a natureza e origem de todos os fatos geradores lançados, suas bases de cálculo, alíquotas aplicadas, montantes devidos, as deduções e créditos considerados em favor do contribuinte, assim como, os fundamentos legais que lhe dão amparo jurídico, permitindo dessarte a perfeita identificação dos tributos lançados na autuação fiscal.
RECURSO VOLUNTÁRIO. ALEGAÇOES ALHEIAS AOS FUNDAMENTOS DA EXIGÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO.
Não se instaura litígio entre questões trazidas à baila unicamente pelo impugnante e que não sejam objeto da exigência fiscal nem tenham relação direta com os fundamentos do lançamento.
AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM.
As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35-A à Lei nº 8.212/91.
Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35-A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.445
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa aplicada deve obedecer ao disposto no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, até a competência 11/2008, inclusive, e no artigo 35-A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, para as competências de 12/2008, inclusive, em diante.
Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Wilson Antonio de Souza Correa, André Luis Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2005 a 30/11/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. FASE PREPARATÓRIA DO LANÇAMENTO. NATUREZA INQUISITIVA. CONTRADITÓRIO INEXISTENTE. O procedimento administrativo do lançamento é inaugurado por uma fase preliminar, de natureza eminentemente inquisitiva, na qual a autoridade fiscal promove a coleta de dados e informações, examina documentos, procede à auditagem de registros contábeis e fiscais e verifica a ocorrência ou não de fato gerador de obrigação tributária aplicando-lhe a legislação tributária. Dada à sua natureza inquisitorial, tal fase de investigação não se submete ao contraditório nem à ampla defesa, direito reservados ao sujeito passivo somente após a ciência do lançamento, com o oferecimento de impugnação, quando então se instaura o contencioso fiscal. AIOP. RELATÓRIO FISCAL. NÃO REPRODUÇÃO DOS DOCUMENTOS. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não incorre em cerceamento do direito de defesa o lançamento tributário cujo Relatório Fiscal deixar de reproduzir os documentos de onde foram coletados os fatos geradores lançados, nas hipóteses em que estes forem apurados a partir do exame das informações prestadas pelo sujeito passivo, ou por este declaradas em documentos públicos, elaborados pela própria empresa, confeccionados sob sua orientação, comando, domínio e responsabilidade, uma vez que são do seu inteiro conhecimento. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CERCEAMENTO DE DEFESA. RELATÓRIOS FISCAIS. INEXISTÊNCIA. Não incorre em cerceamento do direito de defesa o lançamento tributário cujos fatos geradores tenham sido apurados, diretamente, nos documentos da empresa, e cujos relatórios típicos, incluindo o Relatório Fiscal e seus anexos, descrevam de forma clara, discriminada e detalhada a natureza e origem de todos os fatos geradores lançados, suas bases de cálculo, alíquotas aplicadas, montantes devidos, as deduções e créditos considerados em favor do contribuinte, assim como, os fundamentos legais que lhe dão amparo jurídico, permitindo dessarte a perfeita identificação dos tributos lançados na autuação fiscal. RECURSO VOLUNTÁRIO. ALEGAÇOES ALHEIAS AOS FUNDAMENTOS DA EXIGÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. Não se instaura litígio entre questões trazidas à baila unicamente pelo impugnante e que não sejam objeto da exigência fiscal nem tenham relação direta com os fundamentos do lançamento. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35-A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35-A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa aplicada deve obedecer ao disposto no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, até a competência 11/2008, inclusive, e no artigo 35-A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, para as competências de 12/2008, inclusive, em diante. Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Wilson Antonio de Souza Correa, André Luis Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
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FASE PREPARATÓRIA DO LANÇAMENTO. NATUREZA INQUISITIVA. CONTRADITÓRIO INEXISTENTE. O procedimento administrativo do lançamento é inaugurado por uma fase preliminar, de natureza eminentemente inquisitiva, na qual a autoridade fiscal promove a coleta de dados e informações, examina documentos, procede à auditagem de registros contábeis e fiscais e verifica a ocorrência ou não de fato gerador de obrigação tributária aplicandolhe a legislação tributária. Dada à sua natureza inquisitorial, tal fase de investigação não se submete ao contraditório nem à ampla defesa, direito reservados ao sujeito passivo somente após a ciência do lançamento, com o oferecimento de impugnação, quando então se instaura o contencioso fiscal. AIOP. RELATÓRIO FISCAL. NÃO REPRODUÇÃO DOS DOCUMENTOS. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não incorre em cerceamento do direito de defesa o lançamento tributário cujo Relatório Fiscal deixar de reproduzir os documentos de onde foram coletados os fatos geradores lançados, nas hipóteses em que estes forem apurados a partir do exame das informações prestadas pelo sujeito passivo, ou por este declaradas em documentos públicos, elaborados pela própria empresa, confeccionados sob sua orientação, comando, domínio e responsabilidade, uma vez que são do seu inteiro conhecimento. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CERCEAMENTO DE DEFESA. RELATÓRIOS FISCAIS. INEXISTÊNCIA. Não incorre em cerceamento do direito de defesa o lançamento tributário cujos fatos geradores tenham sido apurados, diretamente, nos documentos da empresa, e cujos relatórios típicos, incluindo o Relatório Fiscal e seus anexos, descrevam de forma clara, discriminada e detalhada a natureza e origem de todos os fatos geradores lançados, suas bases de cálculo, alíquotas aplicadas, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 34 91 /2 01 0- 95 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 montantes devidos, as deduções e créditos considerados em favor do contribuinte, assim como, os fundamentos legais que lhe dão amparo jurídico, permitindo dessarte a perfeita identificação dos tributos lançados na autuação fiscal. RECURSO VOLUNTÁRIO. ALEGAÇOES ALHEIAS AOS FUNDAMENTOS DA EXIGÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. Não se instaura litígio entre questões trazidas à baila unicamente pelo impugnante e que não sejam objeto da exigência fiscal nem tenham relação direta com os fundamentos do lançamento. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa aplicada deve obedecer ao disposto no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, até a competência 11/2008, inclusive, e no artigo 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, para as competências de 12/2008, inclusive, em diante. Liége Lacroix Thomasi – Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Wilson Antonio de Souza Correa, André Luis Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Fl. 91DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13971.003491/201095 Acórdão n.º 2302002.445 S2C3T2 Fl. 91 3 Período de apuração: 01/08/2005 a 30/11/2007 Data da lavratura do AIOP: 30/07/2010. Data da Ciência do AIOP: 30/07/2010 Tratase de auto de infração lançado em desfavor da empresa acima identificada, mediante o qual se formaliza o lançamento tributário de contribuições previdenciárias destinadas ao custeio da Seguridade Social a cargo dos segurados empregados, incidentes sobre seus respectivos Salários de Contribuição mensal, as quais deveriam ter sido arrecadas pela empresa mediante desconto das respectivas remunerações mensais e recolhidas no prazo e na forma previstas na legislação previdenciária, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 39/40. Constituemse fatos geradores das contribuições lançadas as remunerações pagas “por fora” para o administrador contratado Charles Edouard Koehler, formalmente registrado na Indústria de Malhas Isensee ltda, e reconhecido pela ré no processo RT 04953/2008 da 1ª Vara do Trabalho de Blumenau, nos circunstâncias consignadas no Termo de Audiência, a fl. 41. De acordo com Relatório Fiscal, os saláriosdecontribuição (remunerações) lançados no presente Auto Infração foram declarados em GFIP da empresa Indústria de Malhas Isensee durante a ação fiscal. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o Autuado apresentou impugnação a fls. 44/49. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC lavrou Decisão Administrativa textualizada n o Acórdão a fls. 60/65, julgando procedente o lançamento em debate e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 04 de julho de 2011, conforme Avisos de Recebimento – AR, a fl. 68. Inconformada com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 235/243, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: · Que é parte ilegítima para figurar no polo passivo, uma vez que toda a fiscalização realizada se deu sobre empresa distinta (Deth Malhas), possuidora de outro CNPJ, não possuindo qualquer relação com a Impugnante; · Cerceamento de defesa, uma vez que a Recorrente, em momento algum, teve disponibilizado pelo Auditor Fiscal os documentos utilizados para subsidiar os autos de infração, fazendo mera referência, ou seja, até no momento da entrega dos referidos autos de infração a Recorrente, não teve acesso a tal documentação, impedindo assim, o exercício do pleno direito de defesa, alijando a fruição dos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa; Fl. 92DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 · Que a empresa Deth Malhas Ltda teve seu CNPJ suspenso de ofício, verdadeira arbitrariedade, onde principio do contraditório e ampla defesa foram alijados, expurgados, em busca do interesse único da Recorrida; · Recorrida tem o poder de fiscalização, Entretanto, tal poder de polícia não pode prejudicar a manutenção e a viabilidade do próprio funcionamento da atividade, em respeito, repitase exaustivamente, ao princípio da preservação da empresa, que, como visto, foi erigido ao nível de garantia constitucional; · Que a criação do CNPJ se deu através do Decreto n° 3.000/99 e que somente um ato normativo de hierarquia igual ou superior poderia modificálo. Aduz que a decretação de suspensão do CNPJ, instituída por Instrução Normativa, extrapola os limites impostos pelo Decreto instituidor do CNPJ, que nada dispôs quanto a isso; · Que é inconcebível atribuir a existência de grupo econômico diante de pessoas jurídicas distintas e que possuem vínculos distintos. Ao fim, requer o cancelamento do Auto de Infração. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi valida e eficazmente cientificado da decisão recorrida em 04/07/2011. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 02 de agosto do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. 1.2. DO CONHECIMENTO DO RECURSO Argumenta o Recorrente que a empresa Deth Malhas Ltda teve seu CNPJ suspenso de ofício, verdadeira arbitrariedade, onde principio do contraditório e da ampla defesa foram alijados, expurgados, em busca do interesse único da Recorrida. Aduz que a Secretaria da Receita Federal tem o poder de fiscalização, mas que tal poder de polícia não pode prejudicar a manutenção e a viabilidade do próprio Fl. 93DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13971.003491/201095 Acórdão n.º 2302002.445 S2C3T2 Fl. 92 5 funcionamento da atividade, em respeito ao princípio da preservação da empresa, que foi erigido ao nível de garantia constitucional. Acrescenta que a criação do CNPJ se deu através do Decreto n° 3.000/99 e que somente um ato normativo de hierarquia igual ou superior poderia modificálo. Aduz que a decretação de suspensão do CNPJ, instituída por Instrução Normativa, extrapola os limites impostos pelo Decreto instituidor do CNPJ, que nada dispôs quanto a isso. Pondera, ainda, o Recorrente ser inconcebível atribuir a existência de grupo econômico diante de pessoas jurídicas distintas e que possuem vínculos distintos. Tais alegações, no entanto, não poderão ser objeto de deliberação por esta Corte Administrativa eis que as matérias nelas aventadas não integram o litígio em julgamento. O Recorrente aproveitou a oportunidade concedida pela lei para se manifestar nos autos para deduzir arrazoado a respeito de questões inerentes a outros Lançamentos Tributários lavrados na mesma ação fiscal, as quais somente poderão ser apreciadas e decidas nos autos dos Processos Administrativos Fiscais correspondentes, não detendo este Conselho competência para, nestes autos, proferir decisão sobre matéria que não lhe é atávica. Registrese que, no rito do Processo Administrativo Fiscal, a fase litigiosa do procedimento é instaurada mediante o oferecimento tempestivo de Impugnação à exigência fiscal contida em cada demanda administrativa, cujo instrumento de bloqueio deve mencionar, no mérito, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta bem como os pontos de discordância. Nessa perspectiva, para que se instaure o litígio, é imperioso o confrontamento de posições entre o fisco e o sujeito passivo, sendo, por tal motivo, consideradas como não impugnadas as matérias que não tenham sido expressamente contestadas pelo impugnante. Também não se instaura litígio entre questões trazidas à baila unicamente pelo Impugnante e que não tenham sido objeto da exigência fiscal contida na contenda de per se considerada, ou que não guardem relação direta com os fundamentos do lançamento em debate, como se consubstanciam, exatamente, as alegações deduzidas pelo Recorrente nos parágrafos preambulares deste tópico. Com efeito, o lançamento em questão decorreu da apuração de pagamentos de salário a segurado obrigatório do RGPS, reconhecidos pela Autuado em Termo de Audiência, e por esta declarados em suas GFIP na curso da ação fiscal, nada tendo a ver com a contratação de trabalhadores por interposta pessoa (Deth Malhas Ltda) ou com a caracterização de grupo econômico, fatos estes que são totalmente irrelevantes para o julgamento do presente Recurso Voluntário. Por tais motivos, esquivamonos de apreciar as questões acima ventiladas, eis que em seu obséquio não se houve por instaurado, nos vertentes autos, qualquer controvérsia ou litígio a ser dirimida por este Colegiado. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço parcialmente. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DO CERCEAMENTO DE DEFESA Alega o Recorrente o cerceamento do seu direito de defesa, uma vez que não lhe foi disponibilizado pelo Auditor Fiscal os documentos utilizados para subsidiar os autos de infração, fazendo mera referência. Afirma que, até o momento da entrega dos presentes autos de infração, ele Recorrente não teve acesso a tal documentação, impedindo assim, o exercício do pleno direito de defesa, alijando a fruição dos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa. A razão, todavia, não lhe sorri. Em primeiro plano, mostrase auspicioso destacar que o lançamento tributário se configura legalmente como um procedimento administrativo, privativo da autoridade fiscal competente, com o objetivo de apurar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. O procedimento administrativo delineado no parágrafo precedente é inaugurado, em regra, por uma fase preliminar, de natureza eminentemente inquisitiva, na qual a autoridade fiscal promove a coleta de dados e informações, examina documentos, procede à auditagem de registros contábeis e fiscais e verifica a ocorrência ou não de fato gerador de obrigação tributária aplicandolhe a legislação tributária. Durante a fase oficiosa, os atos ex officio praticados pelo agente fiscal bem como os procedimentos que antecedem o ato de lançamento são unilaterais da fiscalização, sendo juridicamente inexigível a presença do contraditório na fase de formalização do lançamento. A fase oficiosa ou não contenciosa encerrase com a ciência do contribuinte do lançamento tributário levado a cabo, se for o caso, podendo ele, aquiescendo, nada alegar, vindo a pagar ou a parcelar o que lhe é exigido, ou, numa atitude diametralmente oposta, discordando da exigência, impugnar o lançamento, exercendo assim o seu direito ao contraditório e à ampla defesa, inaugurando, assim, a fase litigiosa do Processo Administrativo Fiscal, a teor do art. 14 do Decreto nº 70.235/72. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Nessa perspectiva, tanto as provas coletadas diretamente pela fiscalização quanto àquelas obtidas por intermédio dos trabalhos complementares de investigação não se submetem ao contraditório e à ampla defesa nessa fase inquisitorial, mas, sim, posteriormente, com a impugnação ao lançamento pelo sujeito passivo, quando então se instaura o contencioso fiscal. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13971.003491/201095 Acórdão n.º 2302002.445 S2C3T2 Fl. 93 7 Ao contrário do que entende o Recorrente, em virtude de sua natureza inquisitiva, a ausência do contraditório na fase preparatória do lançamento não o nulifica. Anotese que o auditor fiscal possui a prerrogativa, mas não a obrigação, de exigir do sujeito passivo a prestação de esclarecimentos e informações de interesse da fiscalização. O contribuinte, sim, encontrase jungido pelo dever jurídico de prestar à autoridade fiscal todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, conforme assim preceitua o inciso III do art. 32 da Lei nº 8.212/91. O Recorrente, de fato, demonstra total desconhecimento do rito utilizado no Processo Administrativo Fiscal. Com efeito, o forum próprio, específico e único, no âmbito administrativo, para o exercício do contraditório e da ampla defesa em face de lançamento tributário da natureza do presente é exatamente este, no qual ora nos encontramos, cuja fase litigiosa, conforme já salientado, se inaugura com o oferecimento de impugnação à exigência fiscal, no prazo de trinta dias contados da data da intimação da exigência, devendo ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, sendo certo que a matéria que não for expressamente contestada pelo Impugnante será tida, para todos os efeitos, como verdadeira, nos termos dos artigos 14 a 17 do Decreto nº 70.235/72. Processo Administrativo Fiscal Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) §1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748/93) §2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748/93) §3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748/93) Fl. 96DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532/97) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532/97) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532/97) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532/97) §5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532/97) §6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532/97) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532/97) Não procede a alegação de cerceamento de defesa aviada pelo Recorrente, ao fundamento de não lhe terem sido disponibilizados, pelo Auditor Fiscal, os documentos utilizados para subsidiar os autos de infração, fazendo mera referência. Temse observado nos últimos tempos a banalização da alegação de “cerceamento de defesa” por aqueles que, não dispondo de argumentos substanciais para a impugnação do Auto de Infração, a levantam de maneira infundada, como se fosse uma panaceia universal hábil a afastar todos os efeitos decorrentes do lançamento tributário. Mas não é bem nesse tom que a banda toca. O cerceamento de defesa se configura quando ocorre uma limitação ilegal na produção de provas de uma das partes no processo, que acaba por prejudicar a parte em relação ao seu objetivo processual. Assim, qualquer obstáculo que impeça uma das partes de se defender, na forma e nas condições de contorno legalmente permitidas pela lei processual correspondente e fixa o rito processual específico em questão, gera o cerceamento da defesa, causando a nulidade do ato e dos que se seguirem, por violação ao devido processo legal. No caso dos autos, os fatos geradores houveramse por apurados diretamente dos assentamentos registrados nos documentos da própria empresa autuada, confeccionas sob sua responsabilidade, orientação e domínio, beirando ao escárnio a alegação de que “a Recorrente, em momento algum teve disponibilizado pelo Auditor Fiscal, os documentos utilizados para subsidiar os autos de infração, fazendo mera referência, ou seja, até no momento da entrega dos referidos autos de infração a Recorrente, não teve acesso a tal documentação, impedindo assim, o exercício do pleno direito de defesa, alijando a fruição dos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa”. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13971.003491/201095 Acórdão n.º 2302002.445 S2C3T2 Fl. 94 9 O vínculo formal entre a empresa e o trabalhador em questão houvese, também, por reconhecido no Termo de Audiência, a fl. 41, no qual consta, expressamente, o reconhecimento por parte da autuada do pagamento “por fora” de salário mensal de R$ 900,00 desde a admissão até dezembro/2005 e de R$ 1.800,00 desde janeiro/2006 até a rescisão contratual. O Relatório Fiscal descreve, de maneira clara e precisa os fatos geradores que compõem o presente lançamento, assim como as fontes documentais de onde foram coletados. Descreve, também, de maneira extremamente detalhada a motivação do lançamento em desfavor da empresa autuadas, discorrendo pausadamente sobre todos os elementos de convicção da autoridade fiscal para a imputação sobre a qual ora nos debruçamos. Aditese que o Relatório Fiscal, em seu item 18, elenca todos os documentos examinados pela fiscalização e que forneceram esteio fático ao presente lançamento: 18. Documentos examinados 18.1. Para apuração dos valores lançados neste AI, foram analisados os seguintes documentos: a) Folha de pagamento; b) Documentos de caixa; c) Livros contábeis de 2005 da Malhas Isensee; d) GFIP; e) Contratos Sociais e Alterações. OBS. Não foram apresentados pela Malhas Isensee os livros contábeis de 2006 a 2009 e autuada por isso. É de pueril percepção que os fatos geradores lançados pela fiscalização houveramse por apurados a partir de documentos da titularidade da Autuada, apresentados pelo sujeito passivo à fiscalização, elaborados sob o seu domínio e responsabilidade, e confeccionados sob seu comando e orientação. Nesse contexto, sendo do conhecimento do Recorrente a origem e materialidade dos fatos geradores que constituem o lançamento, e estando os documentos de apuração em sua posse e responsabilidade, despicienda se revela a reprodução de tais elementos de prova no corpo do Relatório Fiscal, sendo bastante e suficiente a mera referência. O Relatório Fiscal suso referido informa igualmente os procedimentos adotados pela Autoridade Lançadora na condução da ação fiscal, os documentos de fundamentação do procedimento administrativo assim desencadeado, os documentos exigidos para exame da fiscalização, bem como aqueles analisados e considerados na apuração do débito. De outro eito, as informações pertinentes às contribuições sociais objeto do presente lançamento encontram dispostas no Discriminativo Analítico de Débito, de forma discriminada por competência e estabelecimento, sendo especificadas as rubricas lançadas, os fatos geradores apurados, suas bases de cálculo, valores absolutos e as alíquotas Fl. 98DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 correspondentes a cada uma das contribuições sociais exigidas, de molde que sua correcção e consistência podem ser sindicadas a qualquer tempo e oportunidade pelo sujeito passivo. O documento descrito no parágrafo precedente informa também, de forma individualizada por rubrica lançada, os valores dos créditos de titularidade do contribuinte que foram considerados no presente lançamento, as GPS recolhidas, os valores de dedução legal considerados e as diferenças a recolher, assim como os códigos de cada levantamento que integra a presente notificação fiscal e os códigos do Fundo de Previdência e Assistência Social, de terceiros e a Classificação Nacional de Atividades Econômicas a que se enquadra a empresa recorrente. O Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados – RADA realiza de maneira discriminada por lançamento, estabelecimento e competência, a exposição de como os créditos em favor do contribuinte, constituídos segundo os seguintes documentos: GRPS, GPS, LDC, CRED (créditos diversos) e DNF (valores destacados em nota fiscal ainda não recolhidos), houveramse por apropriados pelo sistema informatizado da Secretaria da Receita Federal do Brasil e distribuídos pelos diversos documentos de constituição de crédito tributário lavrados pela fiscalização (autos de infração e notificações de lançamento), indicando para cada documento os valores apropriados para cada item de apuração e código de levantamento, assim como a prioridade de apropriação. De forma idêntica, guardadas as devidas particularidades, os preceitos normativos que fornecem sustentação jurídica ao lançamento então operado foram devidamente especificados no corpo dos relatórios fiscais acima desfraldados, assim como no relatório intitulado Fundamentos Legais do Débito – FLD, o qual se houve por elaborado de maneira extremamente individualizada por lançamento, sendo estruturado de forma atomizada por tópicos específicos condizentes com os mais diversos e variados aspectos relacionados com procedimento fiscal e o crédito tributário ora em apreciação, descrevendo, pormenorizadamente, em cada horizonte temporal, todos os instrumentos normativos que dão esteio às atribuições e competências do auditor fiscal, às contribuições sociais lançadas e seus acessórios pecuniários, às substituições tributárias, aos prazos e obrigações de recolhimento, às obrigações acessórias pertinentes ao caso espécie, dentre outras, especificando, não somente o Diploma Legal invocado, mas, igualmente, os dispositivos normativos correspondentes, permitindo ao Autuado a perfeita compreensão dos fundamentos e razões da autuação, favorecendo dessarte o contraditório e da ampla defesa. Não se mostra prolixidade destacar que o lançamento fiscal é constituído por uma diversidade de Termos, Relatórios e Discriminativos, sendo certo que a captação e compreensão das condições de contorno que individualizam e modelam a exação exigida decorrem não de um único relatório, mas, sim, da interpretação conjunta, sistemática e teleológica de todos os documentos que integram o lançamento de ofício, apreciados à luz da legislação de regência, atividade essa que exige profissionais capacitados e com conhecimento específico sobre o tema, como assim sói ocorrer em toda e qualquer área da atividade governamental, econômica e intelectual da era pósmoderna. A complexidade e a sinergia dos diversos ramos do conhecimento assim exigem. O lançamento encontrase revestido de todas as formalidades exigidas por lei, dele constando, além dos relatórios já citados, os MPF, TIPF, TIF e TEPF, dentre outros, havendo sido o Sujeito Passivo cientificado de todas as decisões de relevo exaradas no curso do presente feito, restando garantido dessarte o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao Notificado. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13971.003491/201095 Acórdão n.º 2302002.445 S2C3T2 Fl. 95 11 O relatório intitulado “Instruções para o Contribuinte – IPC” instrui o sujeito passivo quanto ao seu exercício de defesa, salientado, expressamente, que esta deve ser “formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamenta ou com as razões porque não os apresenta, especificando as provas que se pretenda produzir”. Especifica, ainda, o prazo legal para a impugnação, bem como o local para a sua apresentação, bem como os elementos essenciais à instrução de defesa. Inexiste, portanto, qualquer óbice procedimental da parte da fiscalização ao pleno exercício de defesa pelo Autuado. Malgrado as alegações apostas nesta preliminar de mérito, a empresa demonstrou, tanto em sua impugnação ao lançamento como no recurso em face da decisão de primeira instância, ter compreendido como perfeição os motivos ensejadores da vertente notificação de lançamento. Com efeito, os Diplomas Jurídicos e os preceitos normativos sobre os quais se alicerça a exação ora atacada foram enfrentados pelo Recorrente com precisão cirúrgica, da mesma forma que o fora a descrição dos fatos jurígenos tributários apurados pelo fisco, não se vislumbrando nos instrumentos de bloqueio acima delineados qualquer argumentação desvinculada ou alheia ao lançamento que tornasse verossímil a alegação de que, concretamente, houve por cerceado o direito de defesa do sujeito passivo recorrente, fato que revela terem os relatórios fiscais integrantes deste Processo Administrativo Fiscal cumprido fielmente o papel que lhe fora atribuído pela lei. 2.2. DA LEGITIMIDADE PASSIVA O Recorrente alega ser parte ilegítima para figurar no polo passivo, uma vez que toda a fiscalização realizada se deu sobre empresa distinta (Deth Malhas), possuidora de outro CNPJ, não possuindo qualquer relação com a Impugnante. Tal alegação beira à galhofa. Anotese que o Termo de Início de Procedimento Fiscal houvese lavrado em face da empresa Indústria de Malhas Isensee ltda, CNPJ 83.107.714/000120, intimando esta a apresentar uma miríade de documentos, havendo sido assinado, inclusive, pelo Sr. Otavio Isensee, diretor / sóciogerente, CPF 309.040.80900. Por outro lado, o Termo de Intimação Fiscal foi lavrado, igualmente, em face da empresa Indústria de Malhas Isensee ltda, CNPJ 83.107.714/000120, intimando esta a apresentar uma serie de outros documentos, havendo sido assinado pela Sra. Roberta Baptista Simas, Auxiliar de Recursos Humanos, CPF 003.696.22952. Além disso, o Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal foi lavrado em louvor à empresa Indústria de Malhas Isensee ltda, CNPJ 83.107.714/000120, estando assinado, pelo Sr. Otavio Isensee, diretor / sóciogerente, CPF 309.040.80900. Alguém saberia dizer quem são essas pessoas? Registrese, ainda, que constituemse fatos geradores das contribuições lançadas as remunerações pagas “por fora” para o administrador contratado Charles Edouard Fl. 100DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 Koehler, formalmente registrado na Indústria de Malhas Isensee ltda, e reconhecido pela ré no processo RT 04953/2008 da 1ª Vara do Trabalho de Blumenau, nos circunstâncias consignadas no Termo de Audiência, a fl. 41, no qual resta consignado, expressamente, o reconhecimento por parte da autuada do pagamento “por fora” de salário mensal de R$ 900,00 desde a admissão até dezembro/2005 e de R$ 1.800,00 desde janeiro/2006 até a rescisão contratual. Notem que a Reclamada na Reclamatória Trabalhista suso referida é a própria Indústria de Malhas Isensee ltda e não a Deth Malhas Ltda. O reconhecimento da filiação do segurado Charles Edouard Koehler com a Autuada é tão evidente que esta, no curso da ação fiscal, promoveu a declaração em GFIP dos saláriosdecontribuição lançados no presente Auto Infração. Com que fundamento vem então o Recorrente, em sede de Recurso Voluntário, alegar a ilegitimidade passiva? Vencidas as preliminares, passamos a análise do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que, em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho. 3.1. DA PENALIDADE PECUNIÁRIA PELA MORA NO RECOLHIMENTO. Malgrado não haja sido suscitada pelo Recorrente, a condição intrínseca de matéria de ordem pública nos autoriza a examinar, ex officio, a questão relativa à multa de mora aplicada mediante lançamento de ofício. Urge, de plano, ser destacado que no Direito Tributário vigora o princípio tempus regit actum, conforme expressamente estatuído pelo art. 144 do CTN, de modo que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Código Tributário Nacional CTN Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. §1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, Fl. 101DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13971.003491/201095 Acórdão n.º 2302002.445 S2C3T2 Fl. 96 13 neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Nessa perspectiva, dispõe o código tributário, ad litteram, que o fato de a norma tributária haver sido revogada, ou modificada, após a ocorrência concreta do fato jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o crédito tributário correspondente. O princípio jurídico suso invocado, no entanto, não é absoluto, sendo excepcionado pela superveniência de lei nova, nas estritas hipóteses em que o ato jurídico tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso vertente, o lançamento tributário sobre o qual nos debruçamos promove a constituição formal do crédito tributário relativo a fatos geradores ocorridos em competências anteriores à vigência da MP nº 449/2008, ocasião em que fulgurava, vigente e eficaz, as normas atinentes à incidência de multa de mora irradiadas pelo art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Com efeito, as normas jurídicas que disciplinavam a cominação de penalidades pecuniárias decorrentes do não recolhimento tempestivo de contribuições previdenciárias foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator no caso do recolhimento espontâneo a destempo pelo obrigado, porém, mais severas para o sujeito passivo, no caso de lançamento de ofício, do que aquelas então derrogadas. Nesse panorama, a supracitada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, revogou o art. 34 e deu nova redação ao art. 35, ambos da Lei nº 8.212/91, estatuindo que os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, seriam acrescidos de multa de mora e juros de mora nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96. Mas não parou por ai. Na sequência da lapidação legislativa, a mencionada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, fez inserir no texto da Lei de Custeio da Seguridade Social o art. 35A que fixou, nos casos de lançamento de ofício, a aplicação de multa de ofício de 75%, verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) §1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) V (revogado pela Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) §2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 103DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13971.003491/201095 Acórdão n.º 2302002.445 S2C3T2 Fl. 97 15 III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Como visto, o regramento da penalidade pecuniária a ser aplicada ao recolhimento espontâneo feito a destempo e ao lançamento de ofício de contribuições previdenciárias que, antes da metamorfose legislativa promovida pela MP nº 449/2008, encontravamse acomodados em um mesmo dispositivo legal, citese, incisos I e II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, agora se encontram dispostos em separado, respectivamente, nos artigos 61 e 44 da Lei nº 9.430/96, por força dos preceitos inscritos nos art. 35 e 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Assim, coloquialmente falando, a lei que deu com uma mão, retirou com a outra. Se por um lado reduziu o percentual da multa moratória, incentivando dessarte a denúncia espontânea, pelo outro, fez inserir no ordenamento jurídico, em ádito, uma outra penalidade, assim denominada multa de ofício, visando a desencorajar o inadimplemento tempestivo da obrigação tributária principal. No novo regime legislativo, em se tratando de recolhimento espontâneo, o atraso no recolhimento de contribuições previdenciárias é apenado com a multa moratória assinalada no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c.c. art. 61 da Lei nº 9.430/96. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 Dispensando agora um enfoque, exclusivamente, ao lançamento de ofício, que é a matéria posta em apreciação no vertente caso, observamos que a novel legislação severizou a penalidade a ser aplicada ao descumprimento total ou parcial da obrigação tributária principal. Com efeito, tratandose de lançamento de ofício, como assim se configura o presente caso, enquanto que a legislação anterior à MP nº 449/2008 previa multa pecuniária variando de 24% a 50%, em função da fase processual em que se encontrar o correspondente Processo Administrativo Fiscal de constituição do crédito tributário, antes da inscrição em dívida ativa, a legislação atual prevê, em qualquer caso, a multa de ofício prevista no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela Lei nº 11.941/2009, c.c. art. 44 da Lei nº 9.430/96, à razão fixa de 75%, circunstância que demonstra que a novel legislação sempre se mostrará mais gravosa ao sujeito passivo do que a legislação então revogada, enquanto não ajuizada a execução fiscal. Diante de tal cenário, tratandose de lançamento de ofício, o atraso objetivo no recolhimento de contribuições previdenciárias pode ser apenado de duas formas distintas, a saber: a) Tratandose de fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores, circunstância que implica a incidência de multa de mora nos termos do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, na razão variável de 24% a 50%, enquanto não inscrito em dívida ativa. b) Tratandose de fatos geradores ocorridos após a vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, que promoveu a inserção do art. 35A na Lei de Custeio da Seguridade Social, situação que importa na incidência de multa de ofício de 75%. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro de 2008, o cotejo entre as hipóteses acima elencadas revela que a multa de mora aplicada nos termos do art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, sempre se mostrará menos gravoso ao contribuinte que a multa de ofício prevista no art. 35A do mesmo Diploma Legal, inserido pela MP nº 449/2008, circunstância que justifica a não retroatividade da Lei nº 11.941/2009, uma vez que a penalidade por ela imposta se revela mais ofensiva ao infrator. Dessarte, para os fatos geradores ocorridos até a competência novembro/2008, inclusive, devese observância aos comandos inscritos no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela lei nº 9.876/99. Na sequência, para os fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro/2008, inclusive, incide a regra estampada nos artigos 35 e 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. O raciocínio acima delineado é válido enquanto não for ajuizada a correspondente ação de execução fiscal. Como se depreende do art. 35 da Lei n° 8.212/91, na redação da Lei nº 9.876/99, o valor da multa de mora decorrente de lançamento de ofício de Fl. 105DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13971.003491/201095 Acórdão n.º 2302002.445 S2C3T2 Fl. 98 17 obrigação principal é variável em função da fase processual em que se encontre o Processo Administrativo Fiscal de constituição do crédito tributário. Ocorre que, após o ajuizamento da execução fiscal, a multa de mora é majorada para 80% ou 100%, circunstância que torna a multa de ofício (75%) menos ferina, operandose, a partir de então, a retroatividade da lei mais benéfica ao infrator. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro/2008, considerando a necessidade de se observar o preceito insculpido no art. 106, II, "c" do CTN, concernente à retroatividade benigna, o novo mecanismo de cálculo da penalidade pecuniária decorrente da mora de recolhimento trazida pela MP n° 449/08 deverá operar como um limitador legal do quantum máximo a que a multa poderá alcançar, in casu, 75%, mesmo que o crédito tributário seja objeto de ação de execução fiscal. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO PARCIALMENTE do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo o regramento a ser dispensado à aplicação de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal obedecer à lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, observado o limite máximo de 75%, em atenção à retroatividade da lei tributária mais benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’ do CTN. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Relator Fl. 106DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/04/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 11020.003031/2008-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2006
IRPF. RENDIMENTOS DO CÔNJUGE. DECLARAÇÃO EM CONJUNTO.
A inclusão do cônjuge como dependente caracteriza a opção pela tributação em conjunto, portanto, os rendimentos do cônjuge devem ser somados aos do declarante para efeito de ajuste na declaração anual.
Numero da decisão: 2201-001.683
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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RENDIMENTOS DO CÔNJUGE. DECLARAÇÃO EM CONJUNTO. A inclusão do cônjuge como dependente caracteriza a opção pela tributação em conjunto, portanto, os rendimentos do cônjuge devem ser somados aos do declarante para efeito de ajuste na declaração anual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Relatório Fl. 64DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2006, consubstanciado na Notificação de Lançamento, pela qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 1.519,10, calculados até 31/03/2008. Constatou a fiscalização, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fl. 24: ... omissão de rendimentos do trabalho com vinculo e/ou sem vínculo empregatício, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 8.784,63 recebido(s) pelo titular e/ou dependentes, da(s) fonte(s) pagadora(s) relacionada(s) abaixo. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 0,00. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, que: O contribuinte apresentou impugnação tempestiva informando os rendimentos próprios e os rendimentos da esposa que declarou. Alega que não é declaração conjunta, que se trata de declaração individual, na qual apenas foram informados os rendimentos percebidos pela esposa, os quais são isentos de tributação. Que os rendimentos devem ser considerados isoladamente para fins de tributação. Solicita a restituição apurada em sua Declaração de Ajuste Anual anocalendário 2005 no valor de R$ 388,50 e o provimento à impugnação para declarar insubsistente a presente Notificação de Lançamento. A 8ª Turma da DRJ em Porto Alegre/RS julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado na ementa abaixo transcrita: OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO CÔNJUGE DECLARADO COMO DEPENDENTE. A declaração incluindo esposa como dependente, sem que esta tenha apresentado declaração em separado, é opção feita pelo contribuinte e os rendimentos do cônjuge devem ser somados aos do declarante para efeito de ajuste na declaração anual. Crédito Tributário Mantido Intimado da decisão de primeira instância em 18/05/2011 (fl. 53), Antonio Cirilo da Silva Santos apresenta Recurso Voluntário em 18/08/2009 (fl. 74), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação, sobretudo: ... houve um erro de preenchimento, visto que os rendimentos de minha esposa foram indicados no campo destinado as informações do cônjuge, circunstância que demonstra que não havia a intenção de realizar declaração conjunta e muito menos de omitir rendimentos. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11020.003031/200866 Acórdão n.º 2201001.683 S2C2T1 Fl. 2 3 Então, há de ser dado provimento ao presente recurso, para o fim especial de declarar insubsistente a Notificação de Lançamento, considerando a declaração separado e a minha concordância em abrir mão das deduções correspondentes a indicação involuntária de minha esposa como dependente. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A matéria em debate nos autos é por demais conhecida pelos membros deste Conselho, já que se trata de solicitação para a exclusão do cônjuge da relação de dependência, após o lançamento de ofício. No julgamento de questões semelhantes este Órgão Administrativo pacificou entendimento, conforme se observa de alguns julgados idênticos ou similares que transcrevo: IRPF RENDIMENTOS DO CÔNJUGE DECLARAÇÃO EM CONJUNTO No caso de declaração em que um dos cônjuges figura como dependente na declaração apresentada em nome do outro cônjuge, os rendimentos do primeiro devem ser oferecidos à tributação nessa mesma declaração. As omissões poderão ser objeto de lançamento de ofício. (Acórdão nº: 10420.419) RPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS Se o contribuinte optou pela declaração de rendimentos em conjunto, incluindo sua esposa como dependente, os rendimentos tributáveis recebidos pela cônjuge devem ser somados aos rendimentos do contribuinte para efeito de tributação na declaração. (Acórdão 10246378) IRPF MANUTENÇÃO DA OPÇÃO FEITA. DECLARAÇÃO Tendo o contribuinte optado por apresentar a Declaração de Ajuste Anual em conjunto, incluindo sua esposa como dependente, cabe a autoridade fiscal respeitar a opção e não modificála; portanto, correta a tributação de rendimentos do trabalho assalariado comprovadamente omitido em nome do cônjuge varoa. (Acórdão 10613130) DECLARAÇÃO EM CONJUNTO – Na declaração em conjunto, os rendimentos do cônjuge e dependentes, devem ser somados aos do declarante para efeito de ajuste na declaração anual. (Acórdão 10616543) Com efeito, o contribuinte exerceu uma opção beneficiandose das deduções da base de cálculo e deseja alterar a sua opção após ser cientificado do auto de infração. Em verdade, essa opção não se confunde com erro, portanto, não tem abrigo no artigo 147 do Código Tributário Nacional. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Nessa conformidade, entendo que o lançamento foi efetuado corretamente e, conseqüentemente, não há que se falar em exclusão do rendimento da dependente da exigência fiscal. Ante ao exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 67DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 15563.000772/2009-90
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2005 COMPRA E VENDA DE JORNAIS, REVISTAS E PERIÓDICOS EM CONSIGNAÇÃO. RECEITA BRUTA. A receita bruta auferida pelo consignatário com a venda de mercadorias que lhe foram entregues em consignação, na modalidade de contrato estimatório, é o produto da venda destas mercadorias, aí incluído o valor de aquisição mais o lucro, se houver, podendo ser excluídos desse cômputo somente os valores correspondentes às vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos. EXCLUSÃO DO SIMPLES. APURAÇÃO DE RECEITA ACIMA DO LIMITE LEGAL. Apurada receita acima do limite legal, o Contribuinte é excluído da sistemática do Simples, com efeitos a partir do ano seguinte.
Numero da decisão: 1802-001.376
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2005 COMPRA E VENDA DE JORNAIS, REVISTAS E PERIÓDICOS EM CONSIGNAÇÃO. RECEITA BRUTA. A receita bruta auferida pelo consignatário com a venda de mercadorias que lhe foram entregues em consignação, na modalidade de contrato estimatório, é o produto da venda destas mercadorias, aí incluído o valor de aquisição mais o lucro, se houver, podendo ser excluídos desse cômputo somente os valores correspondentes às vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos. EXCLUSÃO DO SIMPLES. APURAÇÃO DE RECEITA ACIMA DO LIMITE LEGAL. Apurada receita acima do limite legal, o Contribuinte é excluído da sistemática do Simples, com efeitos a partir do ano seguinte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 COMPRA E VENDA DE JORNAIS, REVISTAS E PERIÓDICOS EM CONSIGNAÇÃO. RECEITA BRUTA. A receita bruta auferida pelo consignatário com a venda de mercadorias que lhe foram entregues em consignação, na modalidade de contrato estimatório, é o produto da venda destas mercadorias, aí incluído o valor de aquisição mais o lucro, se houver, podendo ser excluídos desse cômputo somente os valores correspondentes às vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos. EXCLUSÃO DO SIMPLES. APURAÇÃO DE RECEITA ACIMA DO LIMITE LEGAL. Apurada receita acima do limite legal, o Contribuinte é excluído da sistemática do Simples, com efeitos a partir do ano seguinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15563.000772/200990 Acórdão n.º 180201.376 S1TE02 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15563.000772/200990 Acórdão n.º 180201.376 S1TE02 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ I, que manteve lançamento para exigência de tributos no regime do Simples em 2005, bem como Ato de Exclusão do Simples com efeitos a partir de 01/01/2006, em razão de a Contribuinte ter ultrapasso o limite de receitas em 2005. A exigência fiscal abrange créditos tributários relativos ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS e à Contribuição para Seguridade Social INSS, conforme os autos de infração de fls. 98 a 162, lavrados de acordo com o regime de tributação simplificada – Simples, com a rubrica principal nos valores de R$ 35.963,22, R$ 35.963,22, R$ 56.734,07, R$ 113.468,15 e R$ 232.431,34, respectivamente, aos quais foram ainda somados a multa de 75% e os juros moratórios. Os fatos geradores ocorreram ao longo do anocalendário 2005. Foram imputadas à Contribuinte duas infrações: diferenças em relação à base de cálculo oferecida à tributação (omissão de receitas) e insuficiência de recolhimento gerada pela mudança nos coeficientes para apuração do Simples, após a adição das receitas que não haviam sido declaradas. Em conseqüência do montante das receitas auferidas em 2005, a Contribuinte foi excluída do Simples a partir de 01/01/2006, conforme o Ato Declaratório Executivo nº 88, de 28/12/2009, às fls. 26. Os fundamentos para o lançamento e, conseqüentemente, para a exclusão do Simples, bem como os argumentos da primeira peça de defesa que foi apresentada após o procedimento fiscal estão muito bem descritos na decisão de primeira instância, Acórdão nº 12 38.548 (fls. 291 a 306): Conforme Termo de Verificação de fls. 43/50, a ação fiscal constatou que a movimentação financeira da interessada estava totalmente escriturada e que sua incompatibilização com as receitas declaradas decorria da forma e critérios de apuração das bases de cálculo do tributo. A interessada tem sua atividade ligada à distribuição de jornais, revistas e periódicos e entende que a receita a ser oferecida à tributação são as diferenças entre os valores recebidos e aqueles pagos a seus fornecedores, citando a Decisão 168 da SRRF/7ª RF, de 24/06/1998. Assim, segregou os valores totais recebidos de seus clientes jornaleiros entre as rubricas RECTO. POR CONTA DE TERCEIROS e DISTR. E MANUSEIO DE JORNAIS E REVISTAS, nºs 21110102 e 310202, sendo que apenas a última corresponderia à sua receita bruta oferecida à tributação. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15563.000772/200990 Acórdão n.º 180201.376 S1TE02 Fl. 5 4 Ocorre que, em recurso especial de divergência a Coordenação Geral de Tributação reformou a Decisão citada, através da Solução de Divergência n° 9COSIT, cuja principal ementa é: “COMPRA E VENDA DE JORNAIS, REVISTAS E PERIÓDICOS EM CONSIGNAÇÃO. RECEITA BRUTA. A receita bruta das vendas de mercadorias em consignação é o produto da venda dos bens, aí incluído o valor de aquisição mais o lucro, se houver, podendo ser excluídos desse cômputo somente os valores correspondentes às vendas canceladas, aos descontos incondicionais concedidos e aos impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário. Dispositivos legais: Lei 5172/1966, art.44, Lei 8981/1995, art. 31; Decreto n° 3000/1999, art. 219 e 224;” A fiscalização apurou que tanto a interessada quanto seus clientesjornaleiros comercializavam as publicações por sua própria conta e risco, de tal sorte que se a restituição do encalhe não fosse possível, por quaisquer motivos, não se cogitaria em desoneração da obrigação de pagar o preço. Portanto, a natureza jurídica dos negócios é do contrato estimatório, caracterizado nos art. 534 e 535 do novo Código Civil. Assim, tratase de consignação por vendas, na qual a receita bruta advém da venda a terceiros das publicações recebidas em consignação, consideradas apenas as exclusões previstas: vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos, já considerados. Foram apuradas omissão de receitas com base nos valores contabilizados na rubrica RECTO. POR CONTA DE TERCEIROS e DISTR. E MANUSEIO DE JORNAIS E REVISTAS, conta n°. 21110102 no Livro Razão n° 20, conforme Anexo I, fls. 51/56. Enquadramento legal da infração de omissão de receitas: art. 24 da Lei 9.249/95, art. 2°, §2°, 3°, §1°, alínea “a”, 5°, 7°, §1°, 18 da Lei 9.317/96, art. 3º da Lei 9.732/98 e arts. 186, 188 e 199 do RIR/99; Foi autuada também por insuficiência de recolhimento em virtude do art. 5° da Lei 9.317/96 c/c o art. 3° da Lei 9.732/98 e arts.186 e 188 do RIR/99. Considerandose os valores acumulados das receitas presumidas apuradas mês a mês, constantes da soma de valores declarados e de valores omitidos, conforme Planilha de fl. 49, a interessada está sendo objeto de representação fiscal fls. 21/25 para sua exclusão do SIMPLES, pois sua Receita total acumulada no ano calendário de 2005 atingiu R$ 5.180.014,52. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15563.000772/200990 Acórdão n.º 180201.376 S1TE02 Fl. 6 5 O Ato Declaratório Executivo n° 88 de 28/12/2009 que comunica a Exclusão do Simples a partir de 01/01/2006 encontrase à fl. 26. Cientificada dos autos de infração e do Ato Declaratório de Exclusão do SIMPLES em 30/12/2009, fls. 169 e 26, respectivamente, a interessada apresentou a impugnação de fls. 174/178, em 29/01/2010, onde contesta o auto de infração e o Ato de exclusão, alegando, em síntese, o seguinte: • suas distribuições não são intermediações de vendas e considera como Receita bruta a soma dos valores recebidos de comissões pelas distribuições de jornais e revistas; • recebeu da "Editora Abril S/A” e Fernando Chinaglia Distribuidora S/A, principais distribuidoras de todas as revistas do país e ainda, Jornais “O Globo Infoglobo Comunicações Ltda.”, "Editora O Dia S/A” e outras empresas e editoras, jornais, revistas e periódicos em consignação, enviadas através de notas fiscais e outros documentos, para distribuição às bancas de jornais e revistas da cidade de Teresópolis e outros municípios do interior do Estado do Rio de Janeiro; • a fiscalização, ao tomar por base a Solução de Divergência n° 9 Cosit de 01/08/2007, autuou a empresa por valores muito maiores que a soma das comissões recebidas, tornando inviável a atividade; • a sua atividade é a consignação por comissão, onde consignantes remetem as mercadorias à distribuidora — consignatário — e esta vende por conta e ordem do consignante, ao preço previamente ajustado por este (preço de capa de jornais e revistas), ficando com direito a uma comissão pelo serviço prestado e devendo prestar conta pelo total do preço de venda, sendo a distribuidora apenas um comissionário; • na Solução de divergência n° 09Cosit foi citada a definição de Rubens Gomes de Souza, que diferencia “consignação por comissão” de “consignação por vendas”, onde nesta, o consignante fixa o preço que pretende pela mercadoria e o consignatário vende até mesmo acima desse preço, constituindo a diferença o lucro do consignatário, que fica obrigado a prestar conta apenas do preço fixado pelo consignante; • traça um paralelo com a Solução de consulta n° 112/2008 que trata da atividade de comércio sob consignação de veículos, para protestar que neste caso a Lei beneficia para dar tratamento de “por comissão”, quando deveria ser “por vendas”, já que a venda de veículos pode ser por preço superior ao contratado, e no caso dos jornais e revistas, tal não ocorre e não há o benefício da Lei; • recebeu em 2005 comissões por distribuição o total de R$ 440.181,18 e foi autuada em R$ 516.591,09, o que somando, teria que trabalhar 03 anos com entrega total das comissões Fl. 379DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15563.000772/200990 Acórdão n.º 180201.376 S1TE02 Fl. 7 6 para pagar, o que esbarra no limite constitucional de utilização do tributo como confisco, citando a ADIN 551/RJ nesse sentido; • a fiscalização ainda fez os cálculos majorados pelo Simples quando até seria de melhor intenção e menos espoliação ter calculado sobre o regime do Lucro real, onde se deduzem as despesas e o custo das mercadorias vendidas, e o Pis e a Cofins seriam calculados 1,65% e 7,6% e ainda teriam direito ao crédito; Como mencionado, a DRJ Rio de Janeiro I manteve o lançamento e o ato de exclusão do Simples, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 DISTRIBUIÇÃO DE JORNAIS E REVISTAS. RECEITA BRUTA. Para efeito do pagamento devido mensalmente por empresa optante pelo Simples, considerase receita bruta na operação de distribuição de jornais e revistas, o produto da venda, excluídas apenas as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos nãocumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. As insuficiências de recolhimentos, apuradas em decorrência de auditoria fiscal, sujeitamse a lançamento de oficio, cabendo à autoridade administrativa constituir o crédito tributário, nos termos do art. 142 do CTN. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. CSLL. INSS. Aplicase aos lançamentos reflexos o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz em razão da relação de causa e efeito que os vincula. EXCLUSÃO DO SIMPLES. APURAÇÃO DE RECEITA ACIMA DO LIMITE LEGAL. Apurada receita acima do limite legal, o contribuinte será excluído da sistemática do Simples, com efeitos a partir do ano seguinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 380DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15563.000772/200990 Acórdão n.º 180201.376 S1TE02 Fl. 8 7 Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 26/01/2012 (quintafeira), a Contribuinte postou recurso voluntário em 27/02/2012 (segundafeira), onde reitera os mesmos argumentos de sua impugnação, conforme descrito nos parágrafos anteriores. Este é o Relatório. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15563.000772/200990 Acórdão n.º 180201.376 S1TE02 Fl. 9 8 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a matéria em litígio diz respeito a lançamento para a exigência de tributos abrangidos pelo regime de tributação simplificada – Simples nos meses do anocalendário 2005, bem como à exclusão deste sistema a partir de 01/01/2006, em conseqüência do excesso de receitas no ano autuado. O lançamento está fundamentado em diferenças na base de cálculo oferecida à tributação (omissão de receitas), apuradas pelo confronte entre as receitas escrituradas e as receitas declaradas. Além disso, em razão da alteração nas faixas de receita bruta acumulada e, conseqüentemente, nos percentuais para a apuração do Simples, as diferenças acima mencionadas repercutiram em outra infração insuficiência de recolhimento sobre a receita declarada, que também foi objeto de lançamento. O aspecto central da controvérsia reside na interpretação que se dá à atividade desenvolvida pela Recorrente e a implicação disso na apuração da base de cálculo do Simples: O entendimento da Recorrente é que: (...) sua atividade é a consignação por comissão, onde consignantes remetem as mercadorias à distribuidora — consignatário — e esta vende por conta e ordem do consignante, ao preço previamente ajustado por este (preço de capa de jornais e revistas), ficando com direito a uma comissão pelo serviço prestado e devendo prestar conta pelo total do preço de venda, sendo a distribuidora apenas um comissionário; Sendo assim, sua receita bruta seria apenas a comissão recebida dos editores e fornecedores de jornais, revistas, etc., pela comercialização destes produtos. A Fiscalização, por sua vez, considera que a atividade da Contribuinte configura “consignação por vendas, na qual a receita bruta advém da venda a terceiros das publicações recebidas em consignação, consideradas apenas as exclusões previstas: vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos, já considerados.” Nesse caso, a receita bruta corresponderia ao total recebido dos clientes, admitidas apenas as deduções normais, previstas na lei. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15563.000772/200990 Acórdão n.º 180201.376 S1TE02 Fl. 10 9 A Lei 9.317/1996, que tratava do Simples Federal, dá os contornos para se compreender o conceito de receita bruta: Art. 2º (...) (...) § 2° Para os fins do disposto neste artigo, considerase receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. É interessante observar que para as “operações em conta alheia” a lei delimita o conceito de receita bruta ao “resultado” obtido nestas operações, restringindo a sua dimensão. O mesmo ocorre com a legislação normal do imposto de renda das pessoas jurídicas (Lei 8.981/1995, art. 31), relativamente à receita bruta nas operações de conta alheia, que também é caracterizada e medida pelo “resultado”. Assim, é necessário verificar se a receita bruta da Recorrente configurase como um “resultado”, representado na comissão recebida dos editores e fornecedores de jornais, revistas, etc., ou se, ao contrário, esta mesma receita bruta consiste no produto da venda de bens (jornais, revistas, etc.) em operações de conta própria. Para dirimir essa questão, a decisão recorrida buscou fundamento em uma solução de divergência em processos de consulta proferida pela Cosit (Solução de Divergência n° 09/2007), a qual reformou uma resposta de consulta dada pela 7ª Região Fiscal, que ia na linha do que está sendo sustentado pela Recorrente. É oportuno transcrever novamente o conteúdo desta solução de divergência em processos de consulta: 1. A Decisão SRRF/7ª RF/Disit nº 168, de 24 de junho de 1998, assim dispôs a respeito das bases de cálculo do IRPJ, da CSLL, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: “VENDAS SOB CONSIGNAÇÃO. A pessoa jurídica que realiza a venda de mercadorias em consignação deverá registrálas contabilmente de modo a caracterizar esta condição. Em decorrência, a receita bruta da empresa que opere exclusivamente com a distribuição de livros, jornais e periódicos recebidos em consignação constitui se no produto das comissões efetivamente recebidas de cada editor, relativas às vendas realizadas no período, respeitadas as condições pactuadas entre as partes (consignante e consignatário).” 2. Para bem caracterizar a divergência, a recorrente confronta as duas soluções de consulta por meio do seguinte quadro: Fl. 383DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15563.000772/200990 Acórdão n.º 180201.376 S1TE02 Fl. 11 10 DIVERGÊNCIA Decisão n° 168, da 7ª Região Fiscal Solução de Consulta nº 75, da 8ª Região Fiscal A receita bruta da empresa que opere exclusivamente com a distribuição de livros, jornais e periódicos recebidos em consignação constituise no produto das comissões efetivamente recebidas de cada editor, relativas às vendas realizadas no período, respeitadas as condições pactuadas entre as partes (consignante e consignatário). A atividade de empresa que opere exclusivamente com a distribuição de livros, jornais e periódicos recebidos em consignação caracteriza operação de conta própria e, desse modo, sua receita bruta compreende o produto total da venda das publicações a terceiros. MATÉRIA Receita bruta de empresa que opere exclusivamente com a distribuição de livros, jornais e periódicos recebidos em consignação. Receita bruta de empresa que opere exclusivamente com a distribuição de livros, jornais e periódicos recebidos em consignação. NORMAS JURÍDICAS Consignação — não tinha regime jurídico específico antes do Código Civil em vigor. Decreto nº 1.041/94 (RIR/94), artigo 226, cuja cabeça e § 1º tinham como matrizes legais, respectivamente, o artigo 12 do Decretolei nº 1.598/77 e o artigo 44 da Lei nº 4.506/64. Lei nº 5.172/66 (CTN), artigos 116 e 117. Contrato Estimatório — Código Civil (Lei nº 10.406/2002), artigos 534 a 537. Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), art. 279, cuja cabeça tem como matrizes legais o artigo 12 do Decretolei nº 1.598/77 e o artigo 44 da Lei nº 4.506/64. Lei nº 5.172/66 (CTN), artigos 116 e 117. 3. Ressalta a recorrente que o demonstrativo acima transcrito evidencia apenas a identidade das normas jurídicas que solucionam ambas as consultas no tocante ao IRPJ, mas a identidade deve estar presente também nas normas pertinentes às contribuições sociais em questão. Salienta, entretanto, ser fundamental a inquestionável subsunção do negócio que caracteriza a atividade exclusiva da consulente — a consignação ou contrato estimatório — na concepção jurídica a que corresponde o conjunto vocabular operação de conta alheia, haja vista ser esta expressão empregada no art. 44 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964 que, combinado com o art. 12 do Decretolei n2 1.598, de 30 de dezembro de 1977, compõe a definição legal em vigor de receita bruta, definição que entende também ser aplicável à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins, por força do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. 4. Pede, seja seu recurso conhecido e provido, para o fim de dirimirlhe as seguintes dúvidas: a) se “o negócio que caracteriza sua atividade exclusiva — a consignação ou contrato estimatório — como demonstrado no início da consulta, subsumese na concepção jurídica a que corresponde o conjunto Fl. 384DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15563.000772/200990 Acórdão n.º 180201.376 S1TE02 Fl. 12 11 vocabular operações de conta alheia”, empregado no artigo 44 da Lei nº 4.506, de 1964”; b) se, “para efeito de incidência dos tributos sobre os quais versa a consulta, é correto, no seu caso, interpretar receita bruta como resultado das mencionadas operações de conta alheia”. 5. Entende a Disit da 8ª Região Fiscal estar configurada a divergência, tendo em vista que, enquanto a 7ª Região Fiscal, em sua Decisão SRRF/7ªRF/Disit nº 168, de 24 de junho de 1998, exarou o entendimento de que a receita bruta auferida pela pessoa jurídica cuja atividade seja a compra e venda de jornais, revistas e periódicos em consignação constituise no produto das comissões efetivamente recebidas de cada editor, relativas às vendas realizadas no período, a Solução de Consulta SRRF/8ª RF/Disit nº 75, de 2003, defende ser receita bruta, no caso, o valor total das vendas efetivadas, admitidas como exclusões e deduções somente aquelas expressamente previstas na legislação. Por essa razão, solicita a esta Cosit que dirima a dúvida em questão. Fundamentos: 6. Dispõe o art. 48 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 que, havendo diferença de conclusões entre soluções de consultas relativas a uma mesma matéria, fundada em idêntica norma jurídica, cabe recurso especial, sem efeito suspensivo, para o órgão emissor da solução de consulta impugnada, no prazo de trinta dias, contados da ciência da solução, cabendo a quem interpuser o recurso, comprovar a existência das soluções divergentes sobre idênticas situações. 7. Atendidos os pressupostos legais de admissibilidade, esta Cosit conhece do recurso especial de divergência, o qual passa a analisar. 8. Cabe, por primeiro, definir a natureza da atividade exercida pela recorrente. 9. A recorrente, em consulta protocolizada em 28 de maio de 2002, informou que atua no ramo de atividade de compra e venda de revistas, e declara realizar somente operações de conta alheia. Esclarece que as operações que efetua se repetem a cada fornecimento e em relação a cada fornecedor (consignante), segundo um contrato não escrito, rigorosamente respeitado pelas partes. Divide tal roteiro em doze operações, a saber: 1) Recebimento das publicações — ocorre todo dia útil, e a remessa é acompanhada de Nota Fiscal, com natureza de operação de “consignação”, contendo: DATA DE RECOLHIMENTO (data em que o jornaleiro deve devolver à consulente as publicações recebidas, mas não vendidas), VALOR UNITÁRIO (preço de capa — preço máximo admitido no contrato), DESCONTO (resultado bruto máximo que pode ser auferido com a venda, Fl. 385DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15563.000772/200990 Acórdão n.º 180201.376 S1TE02 Fl. 13 12 compreendendo o resultado bruto máximo da distribuidora e do jornaleiro), e VALOR TOTAL (quantia a ser paga pela distribuidora caso não devolva nada até a data de recolhimento); 2) Distribuição das publicações aos jornaleiros — todo dia útil os jornaleiros recebem as publicações acompanhadas de um documento interno denominado Nota de Envio; 3) Chamada de Encalhe do Consignante — documento interno, de controle de devolução das publicações não vendidas, posto à disposição da consulente, semanalmente, pelo fornecedor (consignante), na qual se apura o valor total da devolução a preço de custo da distribuidora; 4) Chamada de Encalhe da Consulente — documento interno, de controle de devolução das publicações não vendidas pelos jornaleiros, posto à disposição dos mesmos, semanalmente pelo distribuidor (recorrente), em sistemática baseada na Chamada de Encalhe do Consignante; 5) Recebimento do Encalhe do jornaleiro — semanalmente, o jornaleiro devolve ao distribuidor as publicações não vendidas, acompanhadas de uma via da Chamada de Encalhe; 6) Levantamento da conta do jornaleiro — semanalmente, o distribuidor faz o levantamento da conta de cada jornaleiro, emitindo documento denominado “Lista de Recolhimento”. Nesse documento, de acordo com o que consta nas fls. 47 e 48 deste processo, se apura o valor total a ser pago pelo jornaleiro ao distribuidor da seguinte forma: Total Enviado () Total Devolvido (=) Venda Total () Desconto (=) Venda Liquida ou Valor a ser pago pelo jornaleiro à distribuidora; 7) Recebimento do preço — semanalmente, o jornaleiro paga ao distribuidor (recorrente) o débito apontado na Lista de Recolhimento; 8) Levantamento da conta do distribuidor (recorrente) — semanalmente o distribuidor procede ao levantamento de sua conta, devolvendo ao fornecedor (consignante), a última página da Chamada de Encalhe, na qual se apura Fl. 386DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15563.000772/200990 Acórdão n.º 180201.376 S1TE02 Fl. 14 13 o Valor a ser pago pela distribuidora da seguinte maneira (conforme fl. 44): Valor Bruto a pagar () Valor das Devoluções () Diferença Chamada de Encalhe (+/) Acertos — Créd/Débito () Débito Disk Banca (=) Valor a Depositar Este levantamento gerará o boleto bancário a ser pago pela recorrente; 9) Emissão de Nota Fiscal de devolução de encalhe — no dia do levantamento da conta do distribuidor (consulente) é emitida Nota Fiscal correspondente à devolução do encalhe do distribuidor ao fornecedor (consignante), pelo preço de custo, isto é, o valor de capa menos 24 %; 10) Devolução do encalhe — semanal; 11) Pagamento das publicações vendidas — semanal, utilizando boleto bancário gerado na operação de Levantamento da conta do distribuidor; 12) Emissão da Nota Fiscal das vendas — mensalmente, conforme declara a recorrente distribuidora, é emitida Nota fiscal de venda a cada jornaleiro, pelo preço real de venda, geralmente o preço de capa da publicação, tudo, de acordo com alegação da recorrente, em consonância com o regime especial de emissão de documentos concedido pela Secretaria de Estado dos Negócios da Fazenda do Estado de São Paulo 10. Rubens Gomes de Souza, citado por Amilcar de Araújo Falcão, na Revista de Direito Administrativo, Rio de Janeiro, Fundação Getúlio Vargas, outdez de 1960, vol. 62, p. 36, analisando o instituto da consignação mercantil no sentido rigorosamente técnico do vocábulo, à luz da Lei nº 187, de 15 de janeiro de 1936, visualizara a existência de duas modalidades de consignação, a consignação por comissão e a consignação por venda, conceituandoas: “Consignação é a remessa de mercadorias por um comerciante a outro, para que este as venda, nas condições previamente ajustadas entre ambos. A Lei n° 187 prevê duas hipóteses diferentes nos arts. 8° e 9° , que podem ser designadas respectivamente consignação por comissão e consignação por venda. No primeiro caso (art. 82) o consignante remete a mercadoria ao consignatário para que este a venda por conta e ordem do consignante, ao preço previamente ajustado por este, Fl. 387DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15563.000772/200990 Acórdão n.º 180201.376 S1TE02 Fl. 15 14 ficando com direito apenas a uma comissão pelo serviço prestado e devendo prestar contas ao consignante pelo total do preço da venda: nesta hipótese ocorre somente uma venda, do consignante ao comprador, porquanto o consignatário é simples representante ou comissário do vendedor consignante, e portanto o imposto [sobre vendas e consignações] incide uma só vez. No segundo caso, art. 92, o consignante remete a mercadoria ao consignatário para que este a venda por sua própria conta: o consignante fixa o preço que pretende pela mercadoria e o consignatário vende acima desse preço, constituindo a diferença o lucro do consignatário que fica obrigado a prestar contas ao consignante apenas do preço fixado por este. Nesta hipótese, como o consignatário vende em seu próprio nome, ocorrem evidentemente duas vendas simultâneas: uma do consignante ao consignatário e outra do consignatário ao comprador; sobre cada uma delas incide o imposto.” Negrito nosso 11. Pelos elementos conceituais expostos por Rubens Gomes de Souza, na “consignação por comissão”, o consignante remete a mercadoria ao consignatário, que vende por conta e ordem do consignante, a preço previamente ajustado por este. Nesse caso, o consignante tem apenas o direito a uma comissão pelo serviço prestado (de comercialização da mercadoria) e presta contas ao consignatário, pelo preço total da venda. Esta modalidade de consignação corresponde ao contrato de comissão mercantil, antes regulado pelo Código Comercial, na parte em que foi revogado, hoje contrato de comissão, regulado pelos arts. 683 a 709 do Novo Código Civil (Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002). 12. Na “consignação por vendas”, o consignante remete a mercadoria ao consignatário, que a vende por sua própria conta e ordem, a um preço geralmente acima do fixado pelo consignante. O consignatário fica obrigado a prestar contas ao consignante apenas pelo preço fixado por este, salvo se preferir, no prazo estabelecido, restituirlhe a mercadoria consignada. Esta modalidade corresponde ao contrato estimatório, hoje regulado pelo Novo Código Civil, nos seus arts. 534 a 537. 13. De acordo com o roteiro apresentado pela recorrente acerca de suas operações, recebe a mesma, mercadorias (jornais, revistas e periódicos) de seu fornecedor, pelas quais deverá pagar valores previamente fixados por este (preço de venda do fornecedor para o distribuidor), salvo se devolver essas mercadorias, o que ocorre normalmente nos casos de encalhe. No momento seguinte, a recorrente remete essas mercadorias aos jornaleiros, que deverão pagar pelas mesmas, valores previamente determinados (preço de venda do distribuidor para o jornaleiro), exceto pelas que devolver. E por fim, o jornaleiro vende esses jornais, revistas ou periódicos ao consumidor final, geralmente a preços de capa. Tanto a recorrente quanto o jornaleiro (seu cliente) comercializam referidas mercadorias por sua própria conta e ordem, tendo em vista que responderão por Fl. 388DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15563.000772/200990 Acórdão n.º 180201.376 S1TE02 Fl. 16 15 quaisquer eventos que os impossibilitem de devolver aquelas mercadorias no prazo estipulado, estando sujeitos ao pagamento dos valores relativos às mercadorias não restituídas. Tal fato se evidencia em trecho da consulta da recorrente constante na fl. 04, transcrito abaixo, ao qual não caberia outra interpretação em relação às atividades da recorrente, senão a de que as mesmas são exercidas por sua própria conta e risco, respondendo à sua fornecedora, não pelo valor que receberá do jornaleiro ou pelo valor de capa de citadas publicações, mas sim pelo valor préestabelecido que constará no boleto bancário gerado pelo Levantamento de conta do distribuidor (item 13, subitem 08): “3ª operação: chamada de encalhe do consignante (...) (...) É importante destacar a cláusula contratual inserida nesse documento, vazada nos seguintes termos: “PRAZO LIMITE PARA CHEGADA EM NOSSO DEPÓSITO: 00/00/2002 — APÓS A DATA AO LADO INDICADA SERÃO CONSIDERADOS FORA DO PRAZO”. Noutras palavras: se o encalhe não chegar ao depósito do consignante até a data limite indicada, a consulente fica obrigada a pagar o preço ajustado, como se vendido fosse. A última página da Chamada de Encalhe destinase ao encontro de contas (consignante e consulente). (..)” 14. O mesmo também se pode dizer em relação ao jornaleiro, que responderá à distribuidora recorrente pelo valor apurado no “Levantamento de conta do jornaleiro” (item 13, subitem 06), pagando à distribuidora o valor correspondente aos exemplares que não restituir até o prazo estipulado, qualquer que seja o motivo. 15. Pelo exposto, a atividade de compra e venda de jornais, revistas e periódicos, praticada pela recorrente possui características do contrato estimatório, correspondente à “consignação por vendas”, tendo em vista que esta recebe do consignante (fornecedor) bens móveis (jornais, revistas e periódicos), os quais fica autorizada a vender, pagando a seu fornecedor um preço previamente ajustado, a não ser que prefira restituirlhe a coisa consignada, situação que ocorre, por exemplo, em caso de encalhe. Verificase ainda do exposto, ser a compra e venda de mercadorias em consignação por vendas — contrato estimatório — diferente da compra e venda de mercadorias única e tãosomente quanto ao momento da transferência do domínio do bem. Na compra e venda, ela ocorre com a tradição; no contrato estimatório, no momento em que o consignatário vende os bens a terceiro ou decide ficar com eles, pagando ao consignante o preço previamente ajustado. No momento da venda a terceiro dos bens recebidos em consignação, ocorrem duas operações simultâneas de venda: do consignante para o consignatário e deste para o terceiro. A receita bruta auferida pelo consignatário nessa modalidade de Fl. 389DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15563.000772/200990 Acórdão n.º 180201.376 S1TE02 Fl. 17 16 consignação decorre assim, da venda a terceiros, por conta própria, dos bens recebidos em consignação, admitidas apenas as exclusões e deduções expressamente previstas na legislação. 16. As duas operações simultâneas de venda que ocorrem no momento da venda aos jornaleiros, dos jornais, revistas e periódicos recebidos em consignação, ficam bem caracterizadas nas disposições do Ajuste Sinief nº 2, de 1993, ao qual está sujeita a recorrente: "Cláusula primeira. Na saída de mercadoria a título de consignação mercantil: I. o consignante emitirá nota fiscal contendo, além dos demais requisitos exigidos, o seguinte: a) natureza da operação: Remessa em consignação '; (...) Cláusula terceira. Na venda da mercadoria remetida a título de consignação mercantil: I. o consignatário deverá: a) emitir nota fiscal contendo, além dos demais requisitos exigidos, como natureza da operação, a expressão 'Venda de mercadoria recebida em consignação'; (...) II. o consignante emitirá nota fiscal, sem destaque do ICMS e do IPI, contendo, além dos demais requisitos exigidos, o seguinte: a) natureza da operação: Venda; (...)” 17. Em relação ao art. 5º da Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998, e à Instrução Normativa nº 152, de 16 de dezembro de 1998, informese que referidos dispositivos legais se prestam tão somente a fixar os efeitos da equiparação das operações de venda de veículos usados operação de consignação, equiparação esta feita por lei. Portanto, exceto por autorização legal, inexiste a possibilidade de interpretação extensiva desses dispositivos, no sentido de ampliar os efeitos de referida equiparação a outras operações, como por exemplo, a praticada pela recorrente. 18. Ademais, tendo em vista que: a) a operação de consignação a que se refere o art. 5º da Lei nº 9.716, de 1998, se considerada como contrato estimat6rio, seja enquanto venda sob condição suspensiva ou resolutiva, seja enquanto alternativa do comerciante de vender, comprar ou restituir, não resultaria em outro efeito sendo o da alteração do aspecto temporal nas Fl. 390DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15563.000772/200990 Acórdão n.º 180201.376 S1TE02 Fl. 18 17 hipóteses de incidência tributária e tão somente em relação ao consignante, (em relação ao consignatário, sequer haveria tal alteração) e b) não se presumem na lei, palavras inúteis, entendese que a “consignação” de que trata o art. 5º da Lei nº 9.716, de 1998, é a consignação por comissão ou contrato de comissão. Isto porque a equiparação implicaria em considerarse como receita do revendedor de carros (e tão somente deste, em razão de expressa autorização legal), não a integralidade da sua receita de venda, mas o que seria do comissário, que nada mais é do que a comissão pelos serviços prestados. Esse foi o sentido do vocábulo “consignação” utilizado pelo legislador quando da edição de referido dispositivo legal. Portanto, por mais esse motivo, não há como equiparar a atividade exercida pela recorrente, que de acordo com roteiro apresentado se caracteriza como contrato estimatório, às operações de venda de veículos usados de que trata o art. 5º da Lei nº 9.716, de 1998. 19. A base de cálculo do Imposto de Renda é o montante, real, presumido ou arbitrado, da renda ou dos proventos tributáveis (Lei nº 5.172, de 1966 — Código Tributário Nacional, art. 44), na forma do art. 219 do Decreto nº 3.000, de 1999 — Regulamento do Imposto de Renda. 20. A Contribuição Social sobre o Lucro Líquido tem como base de cálculo o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda, apurado com observância das leis comerciais e ajustado pelas adições e exclusões previstas no art. 2º, § 1º, alínea 'c', da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988. 21. A receita bruta da pessoa jurídica que tem como atividade a compra e venda de jornais, revistas e periódicos em consignação, para fins de apuração da base de cálculo do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido é aquela definida pela Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, ipsis litteris: “Art. 31. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia Parágrafo único. Na receita bruta, não se incluem as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos nãocumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário.” 22. O art. 224 do Decreto nº 3.000, de 1999 — Regulamento do Imposto de Renda, regulamentou o dispositivo legal acima transcrito nos seus exatos termos. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15563.000772/200990 Acórdão n.º 180201.376 S1TE02 Fl. 19 18 23. Concluise, desse modo, que, no cômputo da receita bruta da recorrente devem ser considerados os valores totais consignados nas Notas Fiscais das vendas das mercadorias aos jornaleiros, aí incluído o valor de aquisição mais o lucro, se houver, sendo admitidas somente as exclusões previstas no parágrafo único do art. 31 da Lei nº 8.981, de 1995, acima transcrito. Não é admissível, portanto, considerarse como receita bruta o valor equivalente ao lucro auferido nessas operações, como pretende a recorrente. 24. Em relação à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins, de acordo com o inciso IX do art. 10 e inciso V do art. 15 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, as receitas decorrentes da venda de jornais e periódicos estão excluídas do regime não cumulativo dessas contribuições. 29. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins para referidas receitas foi definida pela Lei nº 9.718 de 27 de novembro de 1998. Seu art. 2º estabelece que as contribuições devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado são calculadas com base no seu faturamento, o qual, nos termos do caput do art. 3º da mesma lei, corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, assim definida pelo § 1º do art. 3º de referida lei: “Art. 3º (...) §1º. Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas.” 30. Ao tratar das exclusões da receita bruta, para a determinação da base de cálculo das referidas contribuições, assim prescreve o art. 3º, § 2º, da citada Lei nº 9.718, de 1998, com as alterações introduzidas pela Medida Provisória nº 2.158 35: “Art. 3º (...) § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I. as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação — ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II. as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo Fl. 392DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15563.000772/200990 Acórdão n.º 180201.376 S1TE02 Fl. 20 19 custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; III. (revogado) IV. a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente.” 31. Observase, da leitura dos dispositivos acima, que, uma vez tenha determinada importância ingressado e sido contabilizada como receita da pessoa jurídica (ressalvadas apenas e tão somente as exclusões previstas no § 2º do art. 3º da aludida Lei), sobre a totalidade dessa receita incidirão a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins. De acordo com o roteiro apresentado, a importância ingressada e contabilizada como receita da recorrente não pode ser outra além do valor que a mesma recebe de seus clientes jornaleiros pelos exemplares não restituídos no prazo préestabelecido. 32. Adicionese também, que o inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, que permitia a exclusão da receita bruta dos valores que, computados como receita, tivessem sido transferidos para outra pessoa jurídica, além de não ter sido objeto de regulamentação por parte do Poder Executivo, foi expressamente revogado pelo art. 93, inciso V, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. 33. Salientese por fim, que o Comunicado DEATG, série “Regime Especial” n° 442/96 — DOE de 5/11/96 (fls. 35 e 36) apenas autoriza à recorrente, adotar documento interno para acompanhar as operações de saída e retorno de suas mercadorias, ordenando que até o final do mês, emita Nota Fiscal globalizando todas as operações do período. Nada versa a respeito do montante da definição da base de cálculo de quaisquer tributos. Conclusão: 34. Ante o exposto, concluise: a) segundo a legislação que rege o Imposto de Renda e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, a receita bruta da pessoa jurídica cuja atividade seja a compra e venda de mercadorias em consignação é o produto da venda dos bens, aí compreendido o valor de aquisição mais o lucro, se houver. Podem ser excluídos desse cômputo somente os valores correspondentes às vendas canceladas, aos descontos incondicionais concedidos e aos impostos nãocumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário; b) em relação à Contribuição para o PIS/Pasep e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins, receita bruta é a totalidade das receitas Fl. 393DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15563.000772/200990 Acórdão n.º 180201.376 S1TE02 Fl. 21 20 auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas, admitidas somente as exclusões previstas no art. 3º, § 2º, da Lei nº 9.718, de 1998, com as alterações introduzidas pela Medida Provisória nº 2.158 35, de 2001. Tal regra aplicase inclusive as operações de compra e venda de jornais, revistas e periódicos exercidas pela recorrente. 35. Nos termos do artigo 48 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, é pressuposto de admissibilidade do recurso de divergência a existência de diferença de conclusões entre soluções de consulta relativas a uma mesma matéria, fundada em idêntica norma jurídica. Sendo assim, não se conhece do questionamento quanto à definição da expressão “operações de conta alheia”, suscitada pela recorrente, por não constituir divergência entre as conclusões das soluções de consultas trazidas a análise. 36. Diante do exposto, solucionase a divergência ratificandose as Soluções de Consulta nº 75, de 25 de abril de 2003, e nº 21, de 12 de fevereiro de 2003, ambas da Disit/SRRF/8ª RF, com as observações contidas nesta Solução de Divergência. 37. Fica, portanto, reformada a Decisão SRRF/7ªRF/Disit/Nº 168, de 24 de junho de 1998. Em vista de tudo o que foi acima exposto, a Delegacia de Julgamento teceu as seguintes considerações sobre o caso em análise: Constatase nos autos que a interessada contabilizou no Livro Razão a conta 21110102 “Recto. Por conta de terceiros”, fls. 58/96 com a seguinte Descrição: “VLR. RECEBIDO DOS JORNALEIROS REF. JORNAIS E REVISTAS VENDIDAS NO PERÍODO, PARA PAGTO. A EDITORA ....” Assim, entendeu a fiscalização que tanto a interessada quanto seus clientes, comercializavam as publicações por sua conta e risco, sendo a natureza jurídica dos seus negócios o do contrato estimatório, nos termos dos art. 534 e 535 do Novo Código Civil, conforme apreciado na Solução de Consulta acima exposta. Consta dos autos, a cópia do “Instrumento Particular de retificação e ratificação da alteração de Contrato para Venda e compra em regime de consignação e outras avenças”, firmado entre a interessada e a TREELOG, de fls. 32/39, datado de 30/10/2007, portanto, posterior ao anocalendário de 2005, objeto da autuação, porém, nele consta: “Considerando a) que as partes haviam firmado em 13 de dezembro de 2000, de forma equivocada, um instrumento de contrato de prestação de serviços de Fl. 394DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15563.000772/200990 Acórdão n.º 180201.376 S1TE02 Fl. 22 21 distribuição, quando na verdade, de fato e de direito, tratavase de uma contratação de outra natureza jurídica, correspondente a uma Venda e Compra em Regime de Consignação de Mercadorias, por meio do qual a DINAP entregava à Distribuidora, em regime de consignação de mercadorias, Publicações que a mesma viesse a adquirir junto às Editoras, nacionais ou estrangeiras, para que a DISTRIBUIDORA, sem exclusividade, pudesse revendêlas a terceiros, bancas de jornais e revistas e/ou em pontos alternativos por ela tradiconalmente atendidos;” Ainda, consta também: “... Cláusula 3ª Todas as Publicações serão adquiridas pela DISTRIBUIDORA em regime de consignação de mercadorias suportada pelos documentos fiscais previstos na legislação respectiva. Parágrafo 1° Os documentos fiscais citados conterão, obrigatoriamente, as seguintes informações: .......... Parágrafo 2°.... Parágrafo 3° Expirado esse prazo, será tido entre as partes como correta a emissão da documentação fiscal correspondente às Publicações encaminhadas, presumindose como vendida a quantidade de exemplares que não for devolvida por ocasião do acerto das vendas em consignação, devendo a DISTRIBUIDORA pagar o preço correspondente líquido do percentual de desconto aplicável ...” Dessa forma, apesar de o Contrato apresentado pela interessada ser posterior aos fatos geradores do período autuado, ele menciona expressamente que se trata de uma reratificação de Contrato firmado no ano de 2000, e define o seu “modus operandi”, que é o tratado pela Administração na Solução de Consulta, e, ao contrário do que alega a interessada, se aproxima do conceito de “consignação por venda” e não de “consignação por comissão”, conforme os termos negritados no Contrato: “adquiridas”, “revendêlas”, “presumindose como vendida”, e “acerto de vendas”. Assim, entendo que a autuação é procedente, pois os valores recebidos dos clientes — jornaleiros, etc., pela interessada, devem compor a sua Receita Bruta, excetuados as deduções legais. Fl. 395DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15563.000772/200990 Acórdão n.º 180201.376 S1TE02 Fl. 23 22 Também entendo que a atividade da Recorrente se dá por meio de operações de “consignação por venda”, atualmente tipificadas no Código Civil Brasileiro como contrato estimatório (CCB, art. 534/537), não se caracterizando, portanto, a execução de contrato de comissão (CCB, art. 693/709), antigamente designado “consignação por comissão”. Nesse caso, conforme já restou esclarecido pelas transcrições anteriores, o consignatário realiza venda de mercadorias, por conta própria, e não prestação de serviços àquele que lhe enviou mercadorias em consignação. Não bastassem as considerações da DRJ sobre o conteúdo do “contrato para venda e compra em regime de consignação e outras avenças”, cabe mencionar também que esse contrato já foi elaborado na vigência do atual Código Civil Brasileiro, onde a expressão “consignação” não gera mais aquela antiga dubiedade de sentido, eis que os seus derivativos (consignante, consignatário e coisa consignada) são expressa e exclusivamente empregados no capítulo do contrato estimatório, e não no contrato de comissão. Com efeito, desde 10/01/2003 (data da vigência do atual CCB) só existe um tipo de contrato que pode ser chamado de contrato de consignação, que é justamente o contrato estimatório. Além disso, o referido contrato que tem a Recorrente como parte (fls. 32/39) em nenhum momento faz referência ao pagamento/recebimento de comissão, e nem define critérios ou percentuais para apuração de comissão, etc. Aliás, em todo o contrato a expressão “comissão” nem mesmo aparece. Deste modo, não se sustenta a afirmação de que a remuneração da Recorrente se dá por recebimento de comissões. Realmente, o ganho ou resultado produzido pelas atividades da Recorrente se dá, grosso modo, pela diferença entre o que ela recebe de seus clientes (bancas de jornais/revistas) e o que ela paga a seus fornecedores. Evidentemente que há outros custos/ despesas necessários à sua atividade. Mas ainda que a margem desse ganho esteja limitada pelo conjunto da cadeia de distribuição (porque os produtos tem um preço máximo no varejo – preço de capa), este ganho não configura remuneração por serviços de comissário (comissão). A distinção entre o contrato estimatório e o contrato de comissão nem sempre é tarefa fácil. Ambos, consignatário e comissário atuam em nome próprio. Mas o comissário, embora atue em seu próprio nome, realiza a compra ou venda de bens à conta do comitente (CCB, art. 693), ou seja, realiza “operação em conta alheia”, ao passo que o consignatário realiza operações em conta própria. É em razão disso que o comissário, via de regra, não responde junto ao comitente pela insolvência das pessoas com quem tratar, exceto em caso de culpa (CCB, art. 697). Fl. 396DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15563.000772/200990 Acórdão n.º 180201.376 S1TE02 Fl. 24 23 No máximo, constando a cláusula del credere no contrato de comissão (CCB, art. 698), o comissário responde solidariamente com as pessoas com que houver tratado. O consignatário, ao contrário, responde junto ao consignante pela insolvência do cliente (comprador). No caso do contrato estimatório, vencido o prazo acordado para a venda da coisa consignada, o consignatário ou paga o preço anteriormente ajustado ou restitui a coisa ao consignante. Ele não se desonera destas obrigações, ainda que a restituição da coisa se torne impossível por fato a ele não imputável (CCB, art. 535). O contrato constante dos autos (fls. 32/39), do qual a Recorrente é parte, evidencia bem essa situação: DOS REGISTROS DE VENDA E COMPRA: CLÁUSULA 3º Todas as Publicações serão adquiridas pela DISTRIBUIDORA em regime de consignação de mercadorias suportada pelos documentos fiscais previstos na legislação respectiva. Parágrafo 1º (...) Parágrafo 2° A DISTRITBUIDORA terá 5 (cinco) dias úteis, a partir da data do recebimento das Publicações, para informar qualquer divergência encontrada entre os documentos fiscais e a quantidade de Publicações recebida; Parágrafo 3° Expirado esse prazo, será tido entre as partes como correta a emissão da documentação fiscal correspondente às Publicações encaminhadas, presumindose como vendida a quantidade de exemplares que não for devolvida por ocasião do acerto das vendas em consignação, devendo a DISTRIBUIDORA pagar o preço correspondente liquido do percentual de desconto aplicável. (...) DO PREÇO CLÁUSULA 6ª A DISTRIBUIDORA deverá pagar a TREELOG o preço correspondente às vendas das publicações a ser obtido mediante a adoção dos seguintes procedimentos: a) na Chamada de Encalhe a DISTRIBUIDORA fará constar a quantidade de exemplares que estão sendo devolvidos, e a venda apurada em relação a cada edição das Publicações entregues para venda; b) nessa Chamada de Encalhe constará também o percentual de desconto previamente ajustado entre as partes para cada Publicação que, via de regra, será de 27,84% sobre o preço de capa. Para as situações de exceção as partes deverão definir previamente o percentual de desconto aplicável sobre o preço de capa, fazendo constar essa informação da respectiva Chamada de Encalhe; Fl. 397DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15563.000772/200990 Acórdão n.º 180201.376 S1TE02 Fl. 25 24 c) A Chamada de Encalhe conterá, ainda, a data de vencimento da obrigação de pagamento devida pela DISTRIBUIDORA à TREELOG; d) O pagamento devido pela DISTRIUIDORA à TREELOG poderá ser feito mediante boleto bancário ou depósito em conta corrente no prazo fixado conforme letra”"c” anterior. Parágrafo 1° Caso a DISTRIBUIDORA não pague o valor líquido das publicações vendidas ou não devolvidas à TREELOG no prazo estipulado na solicitação de devolução, deverá pagar esse valor, acrescido de juros de 1% (um por cento) ao mês, multa de 2% (dois por cento), sem prejuízo da compensação pela perda do poder aquisitivo da moeda no período da inadimplência, com base na variação do índice geral de Preços de Mercado IGPM, publicado pela. revista “Conjuntura Econômica”, da Fundação Getúlio Vargas, calculado pro rota dies, ou na falta deste, em outro índice que venha a substituílo. (...) DA VIGÊNCIA E RESCISÃO CLÁUSULA 9ª (...) CLÁUSULA 10ª No caso de rescisão ou término deste Contrato, a DISTRIBUIDORA pagará à TREELOG os valores devidos com relação às quantidades de Publicações por ela efetivamente revendidas, devendo a DISTRIBUIDORA devolver as publicações que ainda estejam em seu poder. Parágrafo 1º Para a verificação dos exemplares que ainda se encontrem em poder da DISTRIBUIDORA e o respectivo acerto final entre as partes, fica assegurado à TREELOG, às suas próprias custas, o direito de realizar auditoria sobre os registros físicos e digitais do movimento das publicações entregues nas dependências da DISTRIBUIDORA. Tal auditoria será conduzida pela TREELOG ou seu representante autorizado e não interferirá nas atividades normais da DISTRIBUIDORA. Caso tal auditoria identifique diferenças entre os dados apresentados e os efetivamente apurados ao término de seu trabalho, a DISTRIBUIDORA deverá efetuar, de imediato, o pagamento de todas as diferenças apuradas. A TREELOG utilizará as informações recebidas durante a auditoria unicamente dentro dos objetivos do contrato e, em outras circunstâncias, manterá a confidencialidade de tais informações. Vêse que, além das observações já feitas sobre o referido contrato, em nenhum momento ele prevê qualquer tipo de tratamento para a insolvência do comprador, ou seja, para a falta de pagamento por parte dos clientes da Recorrente (bancas de revistas, jornaleiros, etc.). Com efeito, vencido o prazo acordado para a venda da coisa consignada, só há mesmo duas alternativas para o consignatário (no caso, a Recorrente): ou paga o preço anteriormente ajustado ou restitui a coisa ao consignante. Fl. 398DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15563.000772/200990 Acórdão n.º 180201.376 S1TE02 Fl. 26 25 Nesse sentido, vale novamente transcrever trecho da referida solução de divergência em processos de consulta proferida pela Cosit, que também se aplica ao caso sob exame: Tanto a recorrente quanto o jornaleiro (seu cliente) comercializam referidas mercadorias por sua própria conta e ordem, tendo em vista que responderão por quaisquer eventos que os impossibilitem de devolver aquelas mercadorias no prazo estipulado, estando sujeitos ao pagamento dos valores relativos às mercadorias não restituídas. Tal fato se evidencia em trecho da consulta da recorrente constante na fl. 04, transcrito abaixo, ao qual não caberia outra interpretação em relação às atividades da recorrente, senão a de que as mesmas são exercidas por sua própria conta e risco, respondendo à sua fornecedora, não pelo valor que receberá do jornaleiro ou pelo valor de capa de citadas publicações, mas sim pelo valor pré estabelecido que constará no boleto bancário gerado pelo Levantamento de conta do distribuidor (...) Deste modo, adotando os mesmos fundamentos da decisão recorrida, com os comentários adicionais contidos neste voto, concluo que a Recorrente realiza a venda de mercadorias por conta própria, e que, sendo assim, todos os valores recebidos dos clientes (bancas de revistas, jornaleiros, etc.) devem compor a sua Receita Bruta para apuração do Simples, excetuadas apenas as deduções previstas no § 2º do art. 2º da Lei 9.317/1996 (vendas canceladas e descontos incondicionais concedidos). Portanto, mantenho integralmente o lançamento. Finalmente, quanto às demais questões suscitadas pela Recorrente, reproduzo abaixo os fundamentos da decisão recorrida, que também adoto nesta decisão: Quanto às suas alegações de que a fiscalização ainda fez os cálculos majorados pelo Simples quando até seria de melhor intenção e menos espoliação ter calculado sobre o regime do Lucro real, onde se deduzem as despesas e o custo das mercadorias vendidas, e o Pis e a Cofins seriam calculados 1,65% e 7,6% e ainda teriam direito ao crédito, observo que inexiste previsão legal para que o Fisco no lançamento de ofício altere a forma de tributação escolhida pelo contribuinte, ou que um contribuinte, ao constatar que não lhe convém ter estado no Simples, requeira ser tributado em outra sistemática porque assim lhe passou a ser mais conveniente. No presente caso, a previsão legal de exclusão do SIMPLES por excesso de receita somente produz efeito a partir do anocalendário seguinte. Em relação à sua menção de que a multa de ofício também é confiscatória, vale lembrar que ela é calculada sobre o valor do imposto, cuja falta de recolhimento se apurou, e está em consonância com a legislação de regência, uma vez que foi mantida nas alterações da Lei n° 9.430, de 1996, sendo o percentual de 75% o legalmente previsto para o lançamento de ofício, calculado sobre a totalidade de imposto ou contribuição no caso de falta de pagamento ou recolhimento ou de falta de declaração, de onde se evidencia a legalidade da sua aplicação. Fl. 399DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15563.000772/200990 Acórdão n.º 180201.376 S1TE02 Fl. 27 26 Importante frisar que a forma presumida ou simplificada de apuração de tributos nem sempre é a mais interessante, eis que o contribuinte deixa de deduzir gastos efetivamente incorridos (seja como custos/despesas, seja como créditos relacionados à não cumulatividade). Todavia, realizada esse tipo de opção, e sendo ela válida, realmente não pode o Fisco modificála de ofício, com o argumento de que estaria sendo economicamente desvantajosa para o Contribuinte. É oportuno também esclarecer que o CARF não está autorizado a apreciar argüição de inconstitucionalidade de lei tributária. A matéria já foi inclusive sumulada: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em função de o lançamento ter sido mantido, caracterizouse a situação prevista para a exclusão do Simples, eis que apurada receita acima do limite legal para o ano de 2005. Assim, fica também mantido o ato de exclusão do Simples, com efeitos a partir de 01/01/2006. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 400DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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