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Numero do processo: 13836.000264/00-83
Data da sessão: Mon Sep 08 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Mon Sep 08 00:00:00 UTC 2003
Ementa: PIS - COMPENSAÇÃO - Os indébitos oriundos de recolhimentos efetuados nos moldes dos Decretos-Leis nºs 2.445/88 e 2449/88, declarados inconstitucionais pelo STF, deverão ser calculados considerando que a base de cálculo do PIS, até a data em que passou a viger as modificações introduzidas pela Medida Provisória nº 1.212/95 (29/02/1996), era o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária.
Recurso especial improvido.
Numero da decisão: CSRF/02-01.377
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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Recurso Especial Improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos do recurso interposto pela Fazenda Nacional ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado r•ON PE,NW , r I DRIGUES PRESIDENTE N QUE PINHEIRO ORRES RELATOR FORMALIZADO EM. 1 8 N O v 2003 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros. CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, JOSEFA MARIA COELHO MARQUES, ROGÉRIO GUSTAVO DREYER, DALTON CÉSAR CORDEIRO DE MIRANDA, OTACÍLIO DANTAS CARTAXO e FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA Processo n° 13836000264/00-83 Acórdão n° : CSRF/02-01 377 Recurso n ° 2 O 1 -1 1 7 O O 6 Sujeito Passivo PEDRITA PISOS E PEDRAS DECORATIVAS LTDA RELATÓRIO Trata o processo de pedido de restituição/compensação da contribuição ao Programa de Integração Social - PIS, referente ao período de outubro/88 a outubro/95, que a empresa alega ter recolhido indevidamente (a maior) com base nos Decretos-Leis ri° 2445/88 e 2 449/88 declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal Do entendimento de que a regra do artigo 6 2, parágrafo único, da Lei Complementar n-Q 07/70 refere-se à fixação de prazo de recolhimento e não à base de cálculo retroativa da contribuição ao PIS, o Delegado da Receita Federal de Julgamento em Campinas concluiu pela inexistência de direito creditório a favor da contribuinte, indeferindo-lhe, pois, a restituição pleiteada (fls 66/72) Em sessão plenária de 20/02/02, a Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes - por maioria de votos - decidiu dar provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo, nos termos do Acórdão n 201-75926, assim ementado (fl 93) "NORMAS PROCESSUAIS. DECADÊNCIA O Colegiado tem decidido que não ocorre a decadência se o pedido é formalizado dentro dos cinco anos contados da data da publicação da Resolução do Senado Federal PIS/FATURAMEIVTO COMPENSAÇÃO E RESTITUIÇÃO A compensação e a restituição de tributos e contribuições estão asseguradas pelo artigo 66 e seus parágrafos, da Lei n2 8383/91, inclusive com a garantia da devida atualização BASE DE CÁLCULO A base de cálculo do PIS corresponde ao faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, até a edição da M_P n° 1212/95 (Primeira Seção STJ - REsp rr2 144.708 - RS - e CSRF) Aplica-se este entendimento, com base na LC n2 07/70, aos fatos geradores ocorridos até 29 de fevereiro de 1996, consoante dispõe o parágrafo único do art. 1 da IN SRF n2 06, de 19/01/2000 Recurso provido." Com fulcro no artigo 5 9-, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, o Procurador da Fazenda Nacional recorreu à instância especial, sob a alegação de que o julgado em epígrafe foi proferido contrariamente à lei tributária no tocante à questão da semestalidade do PIS (fls. 112/119) Em seu favor, a Fazenda Nacional invoca o entendimento firmado na Declaração de Voto do Conselheiro José Roberto Vieira, ressaltando as considerações expendidas - à luz da interpretação dada aos ditames da LC n' 07/70 - sobre a matéria recorrida A título de demonstração da contrariedade ao desígnio da legislação tributária, o recorrente transcreve excertos do referido voto vencido integrante do julgado recorrido (fls 108/109) "a eleição de uma base de cálculo do sexto mês anterior ao do fato jurídico tributário a que corresponde não constitui em absoluto uma ficção jurídica possível"; " a eleição de uma base de cálculo que não se compagina com o fato descrito na hipótese de incidência, cujo núcleo tem amparo constitucional, compromete o perfil estrutural da regra-matriz de incidência do PIS " ," a eleição de uma base de cálculo que /4/7 Processo n° . 13836000264/00-83 Acórdão n° CSRF/02-01.377 não mede as dimensões econômicas do fato descrito na hipótese de incidência afronta os princz'pios constitucionais da capacidade contributiva e da igualdade" Argúi, ainda, o representante da Fazenda Nacional que a interpretação adequada da norma prevista no artigo 62, parágrafo único, da Lei Complementar n' 07/70 encontra-se consignada no Acórdão n2 202-11107 - anexado por cópia às fls 120/128 - cuja ementa se transcreve "PIS -1) BASE DE CÁLCULO E PRAZO DE RECOLHIMENTO - O fato gerador da Contribuição para o PIS é o exercício da atividade empresarial, ou seja, o conjunto de negócios ou operações que dá ensejo ao faturamento. O art. 62 da Lei Complementar n2 07/70 não se refere à base de cálculo, eis que o faturamento de um mês não é grandeza hábil para medir a atividade empresarial de seis meses depois A melhor exegese deste dispositivo é no sentido de a lei regular prazo de recolhimento de tributo II) ENGARGO DA TRD - Não é de ser exigido no período que medeou de 04.02 a 29 07.91 HO RETROATIVIDADE BENIGNA - A multa de ofício, prevista no art. 42, inc. I, da Medida Provisória n2 297/91, combinado com o art. 37 da Lei n2 8 218/91, e no art. 42, inc. I, da Medida Provisória n 2 298/91, convertida na Lei ri2 8 218/91, foi reduzida para 75% com a superveniência da Lei n2 9 430/96, art 44, inc I, por força do disposto no art.. 106, inc II, alínea "c", do CTN Recurso provido em parte" Por fim, a Fazenda Nacional requer a reforma do Acórdão n' 201-75 926, para que se possa fazer prevalecer a decisão de primeiro grau que bem interpretou e aplicou a legislação de regência ao caso concreto dos autos Pelo Despacho de fls. 129/130, a Presidente da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes recebeu o recurso especial interposto pelo Procurador- Representante da Fazenda Nacional, vez que devidamente revestido dos requisitos de admissibilidade exigidos pela Portaria MF n' 55/98 (decisão não unânime, tempestividade do apelo e demonstração da contrariedade à lei) Às fls. 134/142, contra-razões - tempestivamente apresentadas pelo sujeito passivo - ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional Para fundamentar o entendimento de que o artigo 6, parágrafo único, da Lei Complementar n' 07/70 veicula norma sobre base de cálculo retroativa e não sobre prazo de recolhimento da contribuição ao PIS, como quer fazer crer a recorrente, a contribuinte traz à colação decisões administrativas e judiciárias Neste sentido, alega não haver como se falar em reforma do Acórdão n2 201- 75 926, eis que proferido nos estritos termos da legislação vigente e consoante a pacífica jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais e do Superior Tribunal de Justiça É o relatório I71/ ._ Processo n° 13836 000264/00-83 Acórdão n° CSRF/02-01 377 VOTO Conselheiro HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Relator O recurso merece ser conhecido por ser tempestivo e atender aos pressupostos de admissibilidade previstos no Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais Como relatado, trata-se de pedido de restituição e compensação dos valores recolhidos a título de PIS, nos períodos compreendidos entre 01/08/89 a 31/10/1995, que a contribuinte pretende haver pago a maior, com base nos Decretos-Leis n's 2.445 e 2449, ambos de 1988, posteriormente declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal Por meio da Decisão de fls. 66 a 72, a DRJ em Campinas — SP indeferiu a solicitação do Sujeito Passivo, sob alegação de que o art 6° da Lei Complementar n° 7/70 não se refere à base de cálculo, eis que o faturamento de um mês não é grandeza hábil para medir a atividade empresarial de seis meses depois, por conseguinte a base de cálculo do Pis o faturamento do próprio mês de ocorrência do fato gerador. Essa decisão mereceu reforma da Primeira Câmara do Segundo Conselho de contribuintes que ultrapassou a questão da decadência reconheceu o direito da reclamante a repetir o indébito considerando como base de cálculo do PIS, até a entrada em vigor das alterações trazidas pela Medida Provisória, 1 212/1995, o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador dessa contribuição, sem correção monetária Inconformado, o Sr Procurador da Fazenda Nacional interpôs recurso especial a este colegiado onde postula a reforma do acórdão apenas no tocante à questão da semestralidade Essa matéria foi exaustivamente enfrentada pelo Conselheiro Natanael Martins, no voto proferido quando do julgamento do Recurso Voluntário n° 11.004, originário da 7' Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes Rendendo homenagem ao brilhante pronunciamento do insigne relator, transcrevo excerto desse voto para fundamentar minha decisão `51s autoridades administrativas, como visto no presente caso, promoveram o lançamento com base na Lei Complementar n° 07/70, justamente a que a reclamante traz à baila pa a demonstrar a impropriedade do ato tradminisativo levado a efeito i il Processo n° 13836.000264/00-83 Acórdão n° CSRF/02-01.377 É que, na sistemática da Lei Complementar n°07/70, a contribuição devida em cada mês, a teor do disposto no parágrafo único do artigo 6° da Lei Complementar n° 07/70, a seguir transcrito, deve ser calculada com base no faturamento verificado no sexto mês anterior `Art 6° - A efetivação dos depósitos no Fundo correspondente à contribuição referida na alínea 'b' do artigo 3° será processada mensalmente a partir de 1° de julho de 1971 Parágrafo único A contribuição de julho será calculada com base no faturamento de janeiro, a de agosto com base no faturamento de fevereiro, e assim sucessivamente' (grifou-se) Não se trata, à evidência, como crê o Parecer MF/SRF/COSIT/DIPAC n° 56/95, bem como a r. Decisão de fls 110/113, de mera regra de prazo, mas, sim, de regra ínsita na própria materialidade da hipótese da incidência, na medida em que estipula a própria base imponível da contribuição Neste sentido é o pensamento de Mitsuo Narahashi, externado em estudo inédito que realizou pouco após a edição da Lei Complementar n° 07/70 'Decorre, no texto acima transcrito, que a empresa não está recolhendo a contribuição de seis meses atrás. Recolhe a contribuição do próprio mês A base de cálculo é que se reporta ao faturamento de seis meses atrás. O fato gerador (elemento temporal) ocorre no próprio mês em que se vence o prazo de recolhimento. Uma empresa que inicia suas atividades não tem débitos para com o PIS, com base no faturamento, durante os seis primeiros meses de atividade, ainda que já se tenha formado a base de cálculo dessa obrigação. Da mesma forma, uma empresa que encerra suas atividades agora, não recolherá a contribuição calculada sobre o faturamento dos últimos seis meses, pois, quando se completar o fato gerador, terá deixado de existir' Outro não é o entendimento de Carlos Mário Velloso, Ministro do Supremo Tribunal Federal . com a declaração de inconstitucionalidade desses dois decretos-leis, parece-me que o correto é considerar o faturamento ocorrido seis meses anteriores ao cálculo que vai ser pago Exemplo, calcula-se hoje o que se vai pagar em outubro Então, vamos apanhar o faturamento ocorrido seis messes anteriores a esta data' (Mesa de Debates do VIII Congresso Brasileiro de Direito Tributário, `in' Revista de Direito Tributário n°64, pg. 149, Malheiros Editores) Geraldo Ataliba, de inesquecível memória, e J A Lima Gonçalves, em parecer inédito sobre a matéria, espancando qualquer dúvida ainda existente, asseveraram `O PIS é obrigação tributária cio nascimento ocorre mensalmente O fato 'faturar' é instantâneo e renova-se a cada mês, enquanto operante a empresa. , Processo n° . 13836000264/00-83 Acórdão n° : CSRF/02-01 377 A materialidade de sua hipótese de incidência é o ato de 'faturar ', e a perspectiva dimensível desta materialidade — vale dizer, a base de cálculo do tributo — é o volume do faturamento O período a ser considerado —por expressa disposição legal - para 'medir' o referido faturamento, conforme já assinalado, é mensal Mas não é — e nem poderia ser — aleatoriamente escolhido pelo intérprete ou aplicador da lei A própria Lei Complementar n° 7/70 determina que o faturamento a ser considerado, para a quantificação da obrigação tributária em questão, é o do sexto mês anterior ao da ocorrência do respectivo fato imponível Dispõe o transcrito parágrafo único do artigo 6° 'A contribuição de julho será calculada com base no faturamento de janeiro, a de agosto, com base no faturarnento de fevereiro, e assim sucessivamente Não há como tergiversar diante da clareza da previsão Este é um caso em que — ex vi de explícita disposição legal — o autolançainento deve tomar em consideração não a base do próprio momento do nascimento da obrigação, mas, sim, a base de um momento diverso (e anterior) Ordinariamente, há coincidência entre os aspectos temporal (momento do nascimento da obrigação) e aspecto material No caso, porém, o artigo 6° da Lei Complementar n° 7/70 é explícito a aplicação da alíquota legal (essência substancial do lançamento) far-se-á sobre base seis meses anterior, isso configura exceção (só possível porque legalmente estabelecida) à regra geral mencionada A análise da seqüência de atos normativos editados a partir da Lei Complementar n° 7/70 evidencia que nenhum deles com exceção dos já declarados inconstitucionais Decretos-Leis n's 2.445/88 e 2 449/88 — trata da definição da base de cálculo do PIS e respectivo lançamento (no caso, autolançamento) Deveras, há disposição acerca (I) do prazo de recolhimento do tributo e (II) da correção monetária do débito tributário Nada foi disposto, todavia, sobre a correção monetária da base de cálculo do tributo (faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do respectivo fato imponível) Conseqüentemente, esse é o único critério juridicamente aplicável Se se tratasse de mera regra de prazo, a Lei Completar, à evidência, não usaria a expressão 'a contribuição de julho será calculada com base no faturamento de janeiro, a de agosto com base no faturamento de fevereiro, e assim sucessivamente', mas simplesmente diria 'o prazo de recolhimento da contribuição sobre o faturamento, devido mensalmente, será o último dia do sexto mês posterior'. Com razão, pois, a jurisprudência da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, que, por unanimidade de votos, vem assim se expressando Acórdão n° 101-87 950 1r Processo n° 13836000264/00-83 Acórdão n° CSRF/02-01 377 TIS/FATURAMENTO - CONTRIBUIÇÕES NÃO RECOLHIDAS - Procede o lançamento ex-officio das contribuições não recolhidas, considerando-se na base de cálculo, todavia, o faturamento da empresa de seis meses atrás, vez que as alterações introduzidas na Lei Complementar n° 07/70 pelos Dec -leis n's 2 245/88 e 2 449/88 foram considerados inconstitucionais pelo Tribunal Excelso (RE- 148754-2).' Acórdão n° 101-88 969 TIS/ FATURAMENTO -Na forma do disposto na Lei Complementar n°07, de 07/09/70, e Lei Complementar n° 17, de 12/12/73, a contribuição para o PIS/Faturamento tem como fato gerador o faturamento e como base de cálculo o faturamento de seis meses atrás, sendo apurado mediante a aplicação da aliquota de 0,75% Alterações introduzidas pelos Decretos-Leis n's 2 445/88 e 2 449/88, não acolhidas pelas Suprema Corte' Resta registrar que o STJ, através das I a e 2' Turmas da 1' Seção de Direito Público, já pacificou este entendimento Desta forma, não há como negar que, até 29 de fevereiro de 1996, a base de cálculo do PIS era o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador dessa contribuição A partir de março de 1996, quando passaram a viger as alterações introduzidas pela MP n° 1 212/95, suas reedições, e, posteriormente, a Lei n° 9 715/1998, a contribuição passou a ser calculada com base no faturamento do próprio mês Todavia, como o pedido abrange, tão-somente, os fatos geradores ocorridos entre 01/08/1989 a 31/10/1995, é de reconhecer-se que, neste período, o cálculo da contribuição e, por conseguinte, do indébito deve ser feito considerando-se que a base de cálculo da contribuição era o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária Os indébitos calculados na forma expressa neste acórdão, depois de aferida a certeza e liquidez pela administração tributária, poderão ser compensados com parcelas de outros tributos e contribuições administrados pela SRF, observados os critérios estabelecidos na Instrução Normativa SRF n° 21, de 10 03 97, com as alterações introduzidas pela Instrução Normativa SRF n°73, de 15 09 97 Nestes termos, nego provimento ao recurso Sala das Sessões — DF, em 08 de setembro de 2003 ?y-7 NROCÉ PINHEIRO TORRES Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1
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Numero do processo: 10805.002018/2006-38
Data da sessão: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2003, 2004, 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEDUÇÕES INDEVIDAS - MULTA
DE OFÍCIO QUALIFICADA.
A simples apuração de omissão de rendimentos e de deduções indevidas, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula n°. 14, do Primeiro Conselho de Contribuintes).
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2801-000.203
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma Especial da Segunda Seção de
Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso para desqualificar a multa de oficio, nos termos do voto do Relator. Declarou-se impedida de votar a Conselheira Amarylles Reinaldi e Henriques Resende.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: Júlio Cézar da Fonseca Furtado
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A simples apuração de omissão de rendimentos e de deduções indevidas, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula n°. 14, do Primeiro Conselho de Contribuintes). Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso para desqualificar a multa de oficio, nos termos do voto do Relator. Declarou-se impedida de votar a Conselheira Amarylles Reinaldi e Henriques Resende. 0 MARCELO, I,,fr, A _ 7 — IXOTO1 , „ 1Presidente em exerci , lo d., JULIO CEZAR IA FONSECA FURTADO i Processo n° 10805.002018/2006-38 S2-TE01 Acórdão n.° 2801-00.203 FI. 113 Relator FORMALIZADO EM: 25 SET 2009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos (Suplente convocado), Bernardo Augusto Duque Bacelar (Suplente convocado) e Sandro Machado dos Reis. Relatório Adoto, in totum, o relatório de primeira instância, a seguir transcrito: "Em ação levada a efeito no contribuinte acima qualificado, foi constituído crédito tributário no valor de R$ 61.125,33, sendo que R$ 21.853,86a título de Imposto de Renda Pessoa Física, R$ 29.727,27 referente à multa de oficio proporcional e R$ 9.544,20 referentes aos juros de mora, consubstanciado no Auto de Infração de fls. 35 a 44, conforme fundamento legal de em fls. 36 a 38. 2. A infração apurada, que resultou na constituição do crédito tributário referido, encontra-se relatada no Auto de Infração (fls. 36 a 38) e no Termo de Verificação Fiscal (fls. a 34) e nos dá conta dos seguintes aspectos: 2.1, OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrente de aposentadoria por tempo de serviço, ano-calendário 2002, valor tributável de R$ 13.532,90, multa de oficio de 75%; 2.2. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DEPENDENTE. Efetuada a glosa de deduções com dependentes, pleiteadas indevidamente, ano-calendário de 2002, valor tributável • de R$ 1.272,00, multa de oficio de 75%; 2.3. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. Efetuada a glosa de dedução da base de cálculo com despesas médicas, pleiteadas indevidamente, anos- calendário 2002, 2003 e 2004, valores tributáveis R$ 18.600,00, R$ 19.374,08 e R$ 19.193,00, respectivamente, multa de oficio de 150%; 2.4. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESA COM INSTRUÇÃO. Efetuada a glosa de dedução da base de cálculo com despesas de instrução, pleiteadas indevidamente, anos-calendário 2002 e 2003, valores tributáveis R$ 1.998,00 e R$ 1.998,00, respectivamente, multa de oficio de 150%; 2.5. DEDUÇÃO INDEVIDA DE PREVIDÊNCIA PRIVADA/FAPI. Efetuada a glosa de dedução da base de cálculo com despesas de Previdência Privada, pleiteadas indevidamente, ano-calendário 2004, valor tributável R$ 4.952,00, multa de oficio de 150%; 2.6. esclarece a fiscalização que, no caso sob análise, ao contratar escritório com a finalidade de preencher e entregar suas DIRPF's, o contribuinte deu anuência a este, 2 Processo n° 10805.002018/2006-38 S2-TE01 Acórdão n.° 2801-00.203 Fl. 114 responsabilizando-se, portanto, pelos atos por ele praticados e assumindo também o risco por eventuais ilegalidades; 2.7, explica que, a prática reiterada de redução de base tributável através de deduções pleiteadas indevidamente em suas DIRPF de 2003, 2004 e 2005, denota o intuito de fraude, conduta essa, em tese, dolosa, consoante o disposto no art. 72 da Lei 4.502/64,fato que ocasionou a majoração da multa conforme o inciso 11 do caput do artigo 44 da Lei 9.430/1996; 2.8. em razão da conduta adotada pelo contribuinte configurar, em tese, crime contra a ordem tributária, foi formalizada representação fiscal para fins penais em cumprimento ao disposto na portaria n° 326, de 15 de março de 2005; 3. O Auto de Infração foi lavrado em 24/11/2006, tomando o autuado ciência, pessoalmente, em 01112/2006, fl. 35, ingressou com impugnação (fls. 48 a 56), em 27/12/2006, na qual procura demonstrar a improcedência da autuação alegando que: 3.1. que a fundamentação de as deduções foram pleiteadas indevidamente não merecem prosperar já que o contribuinte não agiu com intuito de sonegar ou fraudar o fisco; 3.2. que é cidadão de bem, que sempre cumpriu com suas obrigações fiscais, pessoais, entre outras; 3.3. que não tem noções da área e, por isso, é que contratou terceiros para assim proceder, não imaginando que fossem lançados dependentes e ainda pagamentos que desconhecia ou ainda que não autorizou, fato que casou somente muita preocupação e transtornos e ainda uma divida de valor extremamente alto; 3.4. "Termos e nos mais de direito aplicáveis cujo sofrimento se invoca e, pelos fundamentos aduzidos, dever ser concedido provimento a este recurso, anulando-se o auto de infração ora impugnado, para o fim de EXCLUIR A MULTA DE 150% - cento e cinqüenta por cento, pois não houve má fé de minha parte e por isso não ser penalizado por crimes praticados por terceiros. Requeiro, ainda, respeitosamente, que seja AUTORIZADO o PARCELAMENTO DO VALOR REMANESCENTE EM 60 (SESSENTA) PARCELAS. Requer provar o alegado por todos os meios de provas em direito admitidos." 3.5. em fls. 76, o impugnante apresenta a seguinte DECLARAÇÃO: "declaro que minha impugnação ao auto de infração do processo 10805.002018/2006-38 refere-se à totalidade da multa de oficio de 150%, concordando em parcelar os débitos remanescentes, correspondentes ao principal acrescidos dos correspondentes juros de mora". A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento — São Paulo II (SP), por sua 7a Turma, julgou procedente o lançamento, cujas conclusões encontram-se sintetizadas na ementa do Acórdão 17-18.206, de 16 de maio de 2007, verbis: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 3 Processo n° 10805.002018/2006-38 82-TE01 Acórdão n.° 2801-00.203 FI. 115 MATÉRIA INCONTROVERSA. GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. GLOSA DESPESAS COM INSTRUÇÃO. GLOSA DEDUÇÃO PREVIDÊNCIA PRIVADA. Consideram -se não impugnadas as matérias não contestadas pelo interessado, consolidando-se administrativamente o crédito tributário a elas correspondentes. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Configurada a existência de dolo, impõe-se ao infrator a aplicação da multa qualificada previstas na legislação de regência. Lançamento Procedente." Inconformado, o interessado interpôs o recurso voluntário de fls. 102/105. É o Relatório. Voto Conselheiro JULIO CEZAR DA FONSECA FURTADO, Relator O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Portanto dele torno conhecimento. A matéria objeto do processo relaciona-se, exclusivamente, com a multa qualificada de 150%, como se depreende das razões recursais, tendo em vista que os demais itens do auto de infração não foram contestados, tanto em sede impugnatória como do presente apelo.. Com efeito, a cobrança da multa de lançamento de oficio tem a sua base na Lei n° 9.430, de 27/12/1996, dispõe: "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; § 1 0 O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. A seu turno, estabelecem os artigos 71, 72 e 73, da Lei n°. 4.502/1964: "Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: 4 Processo n° 10805.002018/2006-38 S2-TE01 Acórdão n.° 2801-00.203 Fl. 116 - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; lidas condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação L tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72." Da análise dos dispositivos legais transcritos é cabível a incidência da multa de oficio no percentual de 150% sobre o valor do imposto apurado em procedimento de oficio, quando constatado que houve o intuito doloso por parte do Contribuinte, no sentido de reduzir de forma ilegal o montante do imposto devido, pelo uso de deduções sabidamente indevidas. No caso dos autos a situação se mostra distinta. Vejamos: Conforme se depreende dos autos, a motivação para a aplicação da multa contestada teria sido fundamentada pelo Memorando n.° 0072/2005, de 12 de dezembro de 2005, no qual o Supervisor da equipe de malhas da Delegacia da Receita Federal em Santo André teria proposto a inclusão de 5.417 contribuintes, dentre estes o Recorrente, que utilizaram o serviço de um escritório de contabilidade que foi investigado. Portanto, o universo de contribuintes que teriam, supostamente, lesado o Fisco Federal teria sido bem significativo, sendo certo que não é possível, ao menos atualmente, analisar de forma pormenorizada a conduta de cada um deles. Por esse motivo o Sr. Fiscal autuante foi bem claro ao explicitar que os fatos,"EM TESE", configurariam crime contra a ordem tributária. Ora, não é possível, nesta sede processual, se aferir, com absoluta precisão, se houve, ou não, conduta delituosa por parte de cada um dos 5.417 contribuintes os quais teriam contratado os serviços do referido escritório de contabilidade em Santo André. Logo, no entender deste Relator, na ausência de uma prova cabal da conduta criminosa do Recorrente, mesmo porque o próprio Fiscal afirma ser o suposto crime "EM TESE" não pode a multa qualificada de 150% persistir, sob pena estar sendo condenado com base em mera suposição, o que viola as mais comezinhas normas de direito penal e constitucional. Portanto, diante de tais constatações, entende este Relator que não há se cogitar, como requer o Recorrente, a redução da totalidade da multa à zero, até mesmo porque as infrações cometidas estão caracterizadas, motivo pelo qual deve ser mantida a multa no patamar de 75%, previsto no inciso I do artigo 44 da Lei n.° 9.430/96, acima transcrita. 5 Processo n° 10805.002018/2006-38 S2-TE01 Acórdão n.° 2801-00.203 Fl. 117 Diante do exposto, oriento o meu voto no sentido de DAR PARCIAL provimento ao presente Recurso para reduzir a multa para o percentual de 75%. Sala das Sessões - DF, em 18 de agosto de 2009 4110:-.11% JULIO CEZAR DA 'ONSECA FURTADO • 6
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Numero do processo: 16095.000367/2007-36
Data da sessão: Thu Sep 23 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1996 a 01/12/2000
INCONSTITUCIONALIDADE DA EXIGÊNCIA DE DEPÓSITO OU ARROLAMENTO PRÉVIO DE DINHEIRO OU BENS PARA ADMISSIBILIDADE DE RECURSO ADMINISTRATIVO. SÚMULA VINCULANTE N° 21 DO STF.
O Recurso Administrativo apresentado tempestivamente deve ser processado normalmente, mesmo sem o Depósito Prévio preconizado no § 1° do art. 126 da Lei 8.213/91, uma vez que o dispositivo foi revogado pela Lei 11.727/2008, após reiteradas decisões do STF no sentido de que era inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévio para admissibilidade de remédio recursal na seara administrativa. O entendimento da Egrégia Corte restou pacificado pela Súmula Vinculante n° 21, de observância obrigatória pelos órgãos da Administração Pública (art. 103-A da CF). Ademais, o contribuinte obteve provimento judicial autorizando o processamento do recurso voluntário.
AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS SOLICITADOS PELA FISCALIZAÇÃO ATRAVÉS DE TIAD'S. CONVERSÃO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA EM PRINCIPAL. APLICAÇÃO DO PRAZO DECADENCIAL
1. A falta de apresentação de documentos a que o contribuinte está obrigado a fornecer por força de lei (art. 33 da Lei 8.212/91), configura descumprimento de obrigação tributária acessória, passível de sanção pecuniária, na forma da legislação de regência. 2. No Direito Tributário o cumprimento da obrigação acessória independe da obrigação principal, podendo subsistir ainda que esta não exista, porém descumprida converte-se em principal (art. 113, § 3° do CTN) e se submete ao prazo decadencial, não podendo permanecer exigível ad eternum. Na hipótese, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário, segundo posição pacífica do STJ, é regido pelo art. 173, I, do CTN, tendo em vista tratar-se de lançamento de oficio, consoante a previsão do art. 149, incisos lI, IV e VI. 3. Inobstante, tanto o prazo previsto no art. 150, § 4° quanto o prazo do art. 173, I estariam extrapolados na data do presente lançamento. Decretação da decadência. Extinção do crédito tributário. Improcedência do auto de infração.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2302-000.636
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da TERCEIRA CÂMARA da SEGUNDA SEÇÃO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, conhecer do recurso para no mérito dar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi Relatora ad hoc e Presidente Substituta na época da formalização do Acórdão.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente da Turma), Liege Lacroix Thomasi, Eduardo Oliveira (Suplente), Arlindo da Costa e Silva, Rogério de Lellis Pinto (Suplente) e Thiago D'Ávila Melo Fernandes
Nome do relator: THIAGO D AVILA MELO FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1996 a 01/12/2000 INCONSTITUCIONALIDADE DA EXIGÊNCIA DE DEPÓSITO OU ARROLAMENTO PRÉVIO DE DINHEIRO OU BENS PARA ADMISSIBILIDADE DE RECURSO ADMINISTRATIVO. SÚMULA VINCULANTE N° 21 DO STF. O Recurso Administrativo apresentado tempestivamente deve ser processado normalmente, mesmo sem o Depósito Prévio preconizado no § 1° do art. 126 da Lei 8.213/91, uma vez que o dispositivo foi revogado pela Lei 11.727/2008, após reiteradas decisões do STF no sentido de que era inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévio para admissibilidade de remédio recursal na seara administrativa. O entendimento da Egrégia Corte restou pacificado pela Súmula Vinculante n° 21, de observância obrigatória pelos órgãos da Administração Pública (art. 103-A da CF). Ademais, o contribuinte obteve provimento judicial autorizando o processamento do recurso voluntário. AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS SOLICITADOS PELA FISCALIZAÇÃO ATRAVÉS DE TIAD'S. CONVERSÃO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA EM PRINCIPAL. APLICAÇÃO DO PRAZO DECADENCIAL 1. A falta de apresentação de documentos a que o contribuinte está obrigado a fornecer por força de lei (art. 33 da Lei 8.212/91), configura descumprimento de obrigação tributária acessória, passível de sanção pecuniária, na forma da legislação de regência. 2. No Direito Tributário o cumprimento da obrigação acessória independe da obrigação principal, podendo subsistir ainda que esta não exista, porém descumprida converte-se em principal (art. 113, § 3° do CTN) e se submete ao prazo decadencial, não podendo permanecer exigível ad eternum. Na hipótese, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário, segundo posição pacífica do STJ, é regido pelo art. 173, I, do CTN, tendo em vista tratar-se de lançamento de oficio, consoante a previsão do art. 149, incisos lI, IV e VI. 3. Inobstante, tanto o prazo previsto no art. 150, § 4° quanto o prazo do art. 173, I estariam extrapolados na data do presente lançamento. Decretação da decadência. Extinção do crédito tributário. Improcedência do auto de infração. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da TERCEIRA CÂMARA da SEGUNDA SEÇÃO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, conhecer do recurso para no mérito dar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi Relatora ad hoc e Presidente Substituta na época da formalização do Acórdão. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente da Turma), Liege Lacroix Thomasi, Eduardo Oliveira (Suplente), Arlindo da Costa e Silva, Rogério de Lellis Pinto (Suplente) e Thiago D'Ávila Melo Fernandes
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Descumprimento de Obrigação Acessória.Ausência de apresentação de documentos solicitados pela Fiscalização. Devida intimação por TIAD Recorrente TREFILAÇÃO BANDEIRANTES LTDA. Recorrida SRP SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 01/12/2000 INCONSTITUCIONALIDADE DA EXIGÊNCIA DE DEPÓSITO OU ARROLAMENTO PRÉVIO DE DINHEIRO OU BENS PARA ADMISSIBILIDADE DE RECURSO ADMINISTRATIVO. SÚMULA VINCULANTE N° 21 DO STF. O Recurso Administrativo apresentado tempestivamente deve ser processado normalmente, mesmo sem o Depósito Prévio preconizado no § 1° do art. 126 da Lei 8.213/91, uma vez que o dispositivo foi revogado pela Lei 11.727/2008, após reiteradas decisões do STF no sentido de que era inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévio para admissibilidade de remédio recursal na seara administrativa. O entendimento da Egrégia Corte restou pacificado pela Súmula Vinculante n° 21, de observância obrigatória pelos órgãos da Administração Pública (art. 103A da CF). Ademais, o contribuinte obteve provimento judicial autorizando o processamento do recurso voluntário. AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS SOLICITADOS PELA FISCALIZAÇÃO ATRAVÉS DE TIAD'S. CONVERSÃO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA EM PRINCIPAL. APLICAÇÃO DO PRAZO DECADENCIAL 1. A falta de apresentação de documentos a que o contribuinte está obrigado a fornecer por força de lei (art. 33 da Lei 8.212/91), configura descumprimento de obrigação tributária acessória, passível de sanção pecuniária, na forma da legislação de regência. 2. No Direito Tributário o cumprimento da obrigação acessória independe da obrigação principal, podendo subsistir ainda que esta não exista, porém descumprida convertese em principal (art. 113, § 3° do CTN) e se submete ao prazo decadencial, não podendo permanecer exigível AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 03 67 /2 00 7- 36 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/10/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 ad eternum. Na hipótese, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário, segundo posição pacífica do STJ, é regido pelo art. 173, I, do CTN, tendo em vista tratarse de lançamento de oficio, consoante a previsão do art. 149, incisos lI, IV e VI. 3. Inobstante, tanto o prazo previsto no art. 150, § 4° quanto o prazo do art. 173, I estariam extrapolados na data do presente lançamento. Decretação da decadência. Extinção do crédito tributário. Improcedência do auto de infração. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da TERCEIRA CÂMARA da SEGUNDA SEÇÃO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, conhecer do recurso para no mérito darlhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Relatora ad hoc e Presidente Substituta na época da formalização do Acórdão. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente da Turma), Liege Lacroix Thomasi, Eduardo Oliveira (Suplente), Arlindo da Costa e Silva, Rogério de Lellis Pinto (Suplente) e Thiago D'Ávila Melo Fernandes Fl. 2DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/10/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16095.000367/200736 Acórdão n.º 2302000.636 S2C3T2 Fl. 128 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 53/56) contra a DecisãoNotificação n° 21.4254/001312007 de fls. 44/48, proferida pela Secretaria da Receita Previdenciária de Guarulhos (SP), que julgou procedente o auto de infração lavrado, confirmando a aplicação da multa imposta pelos artigos 283, II, "j" c/c art. 373 do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99; diante da infração ao art. 33, da Lei nº 8.212/91, que determina a obrigatoriedade da empresa de apresentar toda a documentação solicitada pela fiscalização. A empresa foi devidamente intimada pela fiscalização através do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD) datados de 14/0912006 (fls. 09) e 30/10/2006 (fls.10) à apresentação de uma série de documentos, relativos ao período compreendido entre o interstício de 01/1996 a 12/2000. Como demonstra o Relatório Fiscal de fls. 11/14, o presente Auto de Infração DEBCAD n° 37.015.3260, foi lavrado em 27/10/2006 (fls.1) pela fiscalização contra a recorrente, em razão da não apresentação dos documentos relacionados nos TIAD' s, fato que constitui infração aos art. 33, § 2° e 3° da Lei 8.212/91, combinado com os arts. 232 e 233 do Decreto 3.048/99. Por meio do presente auto de infração foi aplicada à recorrente a multa no valor de R$ 11.569,42 (onze mil, quinhentos e sessenta e nove reais e quarenta e dois centavos), consolidada em 30/10/2006. Não conformada com a autuação a sociedade empresária apresentou impugnação às fls. 21 a 24. Sustentou em suas razões de impugnação que a exigência fiscal consubstanciada no Auto de Infração DEBCAD nº 37.015.3260 deveria ser anulada em razão da ocorrência da decadência, que implica na extinção do crédito tributário. Segundo a recorrente a exigência fiscal teria ultrapassado os cinco anos do prazo decadencial, tendo ocorrido a homologação tácita do lançamento e por conseqüência a extinção do crédito tributário, não sendo mais possível a cobrança da obrigação acessória dele decorrente. Sustentou em suas razões de impugnação que a exigência fiscal consubstanciada no Auto de Infração DEBCAD nº 37.015.3260 deveria ser anulada em razão da ocorrência da decadência, que implica na extinção do crédito tributário. Segundo a recorrente a exigência fiscal teria ultrapassado os cinco anos do prazo decadencial, tendo ocorrido a homologação tácita do lançamento e por conseqüência a extinção do crédito tributário, não sendo mais possível a cobrança da obrigação acessória dele decorrente. O decisório de primeira instância considerou procedente o auto de infração por entender que a tese de defesa, ocorrência da decadência somente se aplica a obrigação principal recolhimento das contribuições previdenciárias, não sendo passível de ocorrência na exigência de cumprimento da obrigação acessória (apresentação de documentos). Fl. 3DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/10/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Insatisfeita com a decisão notificação emitida pelo órgão administrativo de primeiro grau, a autuada interpôs o presente recurso voluntário às fls. 53 a 56 dos autos, alegando em síntese que: 1. ofereceu ao Fisco a documentação "necessária", fato que poderia ser comprovado em virtude da formalização pela Administração Tributária de diversos autos, que só poderiam estar baseados na documentação apresentada; 2. Recolheu parcialmente as contribuições previdenciárias devidas na data do vencimento, conforme GPS anexados ao Recurso; 3. No caso de recolhimento parcial de tributo sujeito a lançamento por homologação o prazo decadencial de 5 anos se iniciará na data da ocorrênciado fato gerador, aplicandose a regra do § 4°, do art. 150 do CTN; 4. O prazo decadencial de 5 anos transcorreu sem que a Administração tivesse homologado o pagamento, razão pela qual está extinta a obrigação tributária e deve ser decretada a improcedência da presente exigência fiscal; 5. Por fim, pede para que lhe seja fomecida cópia com o inteiro teor do acórdão que será lavrado por este órgão colegiado. Juntamente com o Recurso Voluntário o contribuinte além de apresentar cópias do processo administrativo fiscal (decisãonotificação, impugnação, CNPJ etc), juntou cópia de decisão liminar proferida pelo TRF da 3a Região (fls. 9194), em sede de Agravo de Instrumento, nos autos do Mandado de Segurança de n° 2007.03.00.0215781, determinando o processamento do remédio recursal, independentemente do recolhimento do depósito prévio de 30% da exigência fiscal, previsto no art. 126, § 1° da Lei 8.213/91. Não foram opostas contrarrazões pelo órgão fazendário, que, ao analisar o Recurso Voluntário (fls. 98), determinou o encaminhamento do processo ao 2° Conselho de Contribuintes (órgão à época competente) para regular apreciação, em virtude da liminar obtida judicialmente pelo contribuinte, dispensandoo da referida obrigação. Após o protocolo do recurso voluntário, houve interposição de nova petição da recorrente às fls. 104 a 106, juntando informação de que o STF declarara inconstitucionais os art. 45 e 46 da Lei 8.212/91, afirmando que o prazo decadencial das contribuições é aquele definido no CTN, isto é, de 5 anos. Desse modo, reiterou o pedido de nulidade total do auto de infração, conforme pleiteado no recurso voluntário. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/10/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16095.000367/200736 Acórdão n.º 2302000.636 S2C3T2 Fl. 129 5 Fl. 5DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/10/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi Relatora ad hoc 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Corno se aduz de simples vista de fls. 51 dos autos, a recorrente foi intimada da Decisão Notificação n° 21.4254/001312007 da SRP de Guarulhos em 16 de fevereiro de 2007 e interpôs o Recurso no dia 16 de março de 2007 (v. fls. 53). Sendo assim, atestada está atempestividade do recurso interposto. Juntamente com a petição do Recurso Voluntário, o contribuinte anexou cópia de decisão do TRF da 3ª Região, que em sede de mandado de segurança determinou o processamento do remédio recursal independentemente do depósito prévio de 30% da exigência fiscal que era exigido pelo § lº do art. 126 da Lei de Benefícios da Previdência Social. Não obstante a decisão judicial, não há mais motivos para debate acerca da exigibilidade do depósito prévio para admissibilidade recursal, urna vez que o STF já que é inconstitucional a exigência de depósito prévio para a admissibilidade de Recurso Administrativo, consolidando o entendimento por meio da Súmula Vinculante n° 21, aprovada na sessão plenária de 29 de outubro de 2009: "É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo", As Súmulas Vinculantes do STF vinculam todos os órgãos da Administração Federal, conforme preconizado no caput do art. 103A da Carta Magna: "O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei". Ante o exposto, não havendo que se falar em deserção ou intempestividade, pelas razões acima aduzidas, deve ser conhecido o presente recurso voluntário, atribuindolhe o efeito suspensivo da decisão de primeira instância, nos moldes do Art. 33 do Decreto 70.235/72. Superados os pressupostos de admissibilidade, passo desde já à análise do recurso. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/10/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16095.000367/200736 Acórdão n.º 2302000.636 S2C3T2 Fl. 130 7 2. DA QUESTÃO PRELIMINAR 2.1 DA APLICAÇÃO DO PRAZO DECADENCIAL ÀS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS A exigência fiscal objeto do presente auto de infração convertida em penalidade pecuniária, advém do descumprimento de uma obrigação acessória. Atualmente, é patente que à obrigação principal previdenciária se aplica o prazo decadencial qüinqüenal, estabelecido no CTN (art. 150 § 4º e 173, I), aplicável às contribuições previdenciárias, que possuem natureza tributária. No ramo do direito tributário a obrigação principal é definida como aquela que surge com a ocorrência do fato gerador (art. 113, § lº do CTN). A obrigação principal nada mais é do que o dever do contribuinte de recolher as contribuições previdenciárias aos cofres públicos. Por outro lado as obrigações acessórias constituem em prescrições de fazer ou não fazer diretamente estatuídas em lei, tais quais: a apresentação de declaração de rendimentos, de GFIP's, emissão de notas fiscais. Essas obrigações instituídas ao contribuinte são destituídas de valor patrimonial. Não obstante a distinção entre as referidas obrigações, a ambas é aplicável o prazo decadencial qüinqüenal. O raciocínio é simples e decorre da simples leitura do parágrafo terceiro do artigo 113 do CTN, que dispõe: "Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. (..) §3º A obrigação acessória, pelo simples fato de sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente a penalidade pecuniária. " Assim, como o descumprimento da obrigação acessória implica em sua conversão em obrigação principal, é indiscutível a sua subsunção ao prazo decadencial quinquenal. Não é outro o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, segundo o qual se aplica a regra do art. 173, I do CTN também para a lavratura do auto de infração por descumprimento de obrigações acessórias, como se aduz do seguinte julgado, cuja ementa, e trecho de voto ora se transcreve: ''TRIBUTÁRIO EXECUÇÃO FISCAL CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA APRESENTAÇÃO DA GFIP OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DESCUMPRIMENTO DECADÊNCIA REGRA APLICÁVEL: ART. 173, I, DO CTN. 1. A falta de apresentação da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), assim como O fornecimento de dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias devidas Fl. 7DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/10/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 configura descumprimento de obrigação tributária acessória, passível de sanção pecuniária, na forma da legislação de regência. 2. Na hipótese, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário é regido pelo art. 173, I, do CTN, tendo em vista tratarse de lançamento de ofício, consoante a previsão do art. 149, incisos 11, IV e VI. 3. Ausente a figura do lançamento por homologação, não há que se falar em incidência da regra do art. 150, § 4°, do CTN. 4. Recurso especial não provido. (REsp 1055540/SC, ReI. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/02/2009, DJe 27/03/2009) (grifo nosso) Em seu voto, a insigne Ministra Relatora Eliana Calmon, leciona: "Tratase de recurso especial interposto com fundamento nas alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional contra acórdão do TRF da 4" Região assim ementado (f. 213): TRIBUTÁRIO. CONTRlBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. OBRlGAÇÃO ACESSÓRlA. ART. 45 DA LEI 8.212/91. INCONSTITUCIONALIDADE. 1 A multa pelo descumprimento de obrigação acessória sujeitase ao prazo decadencial de cinco anos, nos termos do art. 173, I, do CTN. 2. omissis. 3. Apelação a que se nega provimento. Alega o recorrente contrariedade do art. 150, § 4°, do CTN, defendendo, em síntese, que: a) não é razoável aplicar critérios diferentes a obrigações tributárias decorrentes de um mesmo fato gerador, cuja única diferença é o fato de uma ser acessória e a outra principal; e b) admitir tal raciocínio pode conduzir a uma situação tal que mesmo estando extinta pela decadência a obrigação tributária principal, persista a possibilidade de constituição do lançamento pelo descumprimento da obrigação acessória, cujo fato gerador é precisamente o mesmo (. ..) Esta Corte tem firmado o entendimento de que o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário pode ser estabelecido da seguinte maneira: a) em regra, seguese o disposto no art. 173, I, do CTN, ou seja, o prazo é de cinco anos, contado "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado"; b) nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo é de cinco anos, contado do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4°, do CTN. Ausente qualquer pagamento por parte do contribuinte, e iniciado o procedimento administrativo de fiscalização, o fisco dispõe de cinco anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, para proceder ao lançamento direto substitutivo a que se refere o art. 149 do CTN, sob pena de decadência. Na hipótese dos autos, segundo se depreende do acórdão recorrido, a recorrente foi autuada por ter apresentado à Previdência Social dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias devidas, ou seja, pelo descumprimento de obrigação acessória, que tem por objeto, segundo explica o art. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/10/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16095.000367/200736 Acórdão n.º 2302000.636 S2C3T2 Fl. 131 9 113, § 2°, do CTN, as prestações, positivas ou negativas, previstas na legislação tributária, no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. A obrigação principal tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente, nos termos do art. 113, § 1°, do CTN, tendo por fato gerador, de acordo com o art. 114 do mesmo diploma legal, a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Já o fato gerador da obrigação tributária acessória, diz o art. 115 do CTN, é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Estabelecidas essas premissas, sobressai nítido o equívoco da tese defendida pela recorrente, no sentido de que não seria razoável aplicar critérios diferentes a obrigações tributárias decorrentes de um mesmo fato gerador, pois, como demonstrado, os fatos geradores da obrigação principal e da acessória não se confundem. Ademais, pelo simples fato da sua inobservância, a obrigação acessória é convertida em principal (CTN, art. 113, § 3°), sujeitandose ao lançamento de ofício, na forma do art. 149, incisos 11, IV e VI, do CTN. Tratandose de lançamento de ofício, a regra a ser observada é a do art. 173, I, do CTN, como bem decidiu o Tribunal de origem." (grifos nossos) Portanto, diante do comando estabelecido pelo art. 113, § 3° do CTN, não resta dúvidas de que a lavratura do auto de infração impondo multa por descumprimento da obrigação acessória deve se submeter a prazo decadencial, disposto no inciso I do art.173 do CTN, ou seja cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado. O raciocínio é lógico. Ainda que independentes, as obrigações acessórias não podem permanecer exigíveis ad eternum, estando submetidas igualmente a prazo decadencial de cinco anos para lavratura do auto de infração que embasará futura cobrança da penalidade imposta pelo seu descumprimento. Dessa forma, no caso em tela, o ato do lançamento ocorreu em 27/10/2006 (fls. 03), há mais de cinco anos da data de ocorrência dos fatos geradores do período fiscalizado: 01/1996 a 12/2000. Ressaltese, tanto pela regra do art. 150, §4°, quanto pela regra mais alargada do art. 173, I do CTN já se encontra caduco o direito ao ato de lançamento, no dia de sua efetivação pelo fisco no caso em tela: 27/10/2006. Em suma, aplicase a mesma lógica de cálculo do prazo de decadência das contribuições previdenciárias, à multa aplicada pelo descumprimento das obrigações acessórias, tendo sido atingido pela decadência o direito do Fisco de lavrar o presente auto de infração referente a não apresentação de documentos relativos ao interstício de janeiro de 1996 e dezembro de 2000. Ante o exposto, deve ser cancelado o presente auto de infracão DEBCAD n° 37.015.3260, em face do acolhimento da preliminar de decadência (art. 173, I do CTN) para lavratura do documento, extinguindose o direito do Fisco efetuar a cobrança do valor que seria devido a título de multa. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/10/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 3. DO MÉRITO Tendo em vista o acolhimento da preliminar de decadência, ficam prejudicados todos os demais argumentos lançados no Recurso Voluntário. 4. CONCLUSÃO: Pelo exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para no mérito CONCEDERLHE PROVIMENTO, excluindo a penalidade pecuniária do presente Auto de Infração aplicada nos termos dos artigos 283, lI, "j" c/c art. 373 do RPS (aprovado pelo Decreto n° 3.048/99), no valor de R$ 11.569,42 (onze mil, quinhentos e sessenta e nove reais e quarenta e dois centavos), por ter sido atingida pela decadência, tomando extinto o crédito tributário, nos termos do art. 156, V do CTN. É como voto. Liege Lacroix Thomasi Relatora ad hoc Fl. 10DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/10/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10620.000781/2002-69
Data da sessão: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1997
ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. ATO CONSTITUTIVO.
A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá suprimi-la da base de cálculo para apuração do ITR.
BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. PRESCINDIBILIDADE.
Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, somente após a vigência da Lei n° 10.165, de 27/12/2000 é que se tornou imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-000.110
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial para manter a tributação sobre a área declarada como de reserva legal. Vencidos os Conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Gonçalo Bonet Allage, que negaram provimento ao recurso.
Nome do relator: Júlio César Vieira Gomes
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ementa_s : Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 1997 ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. ATO CONSTITUTIVO. A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá suprimi-la da base de cálculo para apuração do ITR. BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. PRESCINDIBILIDADE. Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, somente após a vigência da Lei n° 10.165, de 27/12/2000 é que se tornou imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal. Recurso especial provido em parte.
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Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 1997 ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. ATO CONSTITUTIVO. A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá suprimi-la da base de cálculo para apuração do ITR. BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. PRESCINDIBILIDADE. Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, somente após a vigência da Lei n° 10.165, de 27/12/2000 é que se tornou imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal. Recurso especial provido em parte. 1.1 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 1 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial para manter a tributação sobre a área declarada como de reserva legal. Vencidos os Conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Gonçalo Bonet Allage, que negaram provimento ao recurso. I Processo n° 10620.000781/2002-69 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.110 Fl. 2 I , / _........,- , nr CARL o. r: T e FREITAS : ARRETO — Presidente JULIO I'S'Il 'VIEIRA GO ES — Relator EDITADO EM: .1 8 S1 kuu9 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (substituto do Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Julio Cesar Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Júnior, Moisés Giaconelli Nunes da Silva, Nelson Mallmann (convocado), I Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. , Relatório Trata-se de recurso especial de interposto pela Fazenda Nacional contra Acórdão, no qual decidiu-se pela exclusão da base de cálculo do ITR da área do imóvel de correspondente à reserva legal, ainda que à época dos fato gerador não houvesse sua averbação do registro de imóveis e que não incide ITR sobre a área do imóvel destinada à preservação ambiental permanente, ainda que não informada em ato declaratório ambiental ou informada intempestivamente. Alega o ilustre represent ante da Fazenda Nacional que o acórdão diverge da tese prevalente em outra turma deste Conselho que reconheceu a contrariedade à legislação tributária. Ao prover o recurso voluntário, o acórdão recorrido acabou por malferir o art. 10, § 40, inciso I, da IN/SRF N° 43/1997, que disciplinou a Lei 9.393/96, com a redação dada pela IN/SRF N° 67/97 e ofender o artigo 111 e 114, ambos do CTN. E continua: a) A exigência existe desde a Lei n° 6.938, de 31/08/1981 com a redação dada pela Lei n° 10.165/2000, reiterando-se os termos da supracitada instrução normativa; b) A exigência alinha-se com a norma que consagrou o beneficio, servindo como meio para comprovação da área alcançada; c) A declaração evita que o direito seja comprovado por meios mais gravosos e dispendiosos, como a nomeação de peritos; e d) Não se discute a materialidade, isto é, ser ou não a área de preservação permanente ou reserva legal, mas apenas o descumprimento de exigência essencial para que se valha do direito legal ao beneficio tributário, sempre interpretado literalmente. Em contra-razões, o interessado sustenta a inadmissibilidade do recurso e, no mérito, reprisa os argumentos em seu recurso voluntário. É o relatório. 2 Processo n° 10620.000781/2002-69 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.110 Fl. 3 Voto Conselheiro JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Relator Uma vez atendidos os pressupostos para admissibilidade conheço do recurso e passo ao seu exame. Devolve-se a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais o exame quanto à essencialidade ou não do cumprimento de determinadas exigências ou formalidades para fins de inclusão na base de cálculo do imposto territorial rural - ITR das áreas rurais de proteção ambiental, conforme artigo 11 da Lei n° 8.847/94, verbis: Art. 11. São isentas do imposto as áreas: 1— de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 1965, com a nova redação dada pela Lei n° 7.803, de 1989. (.) Embora ambas as áreas sejam protegidas, há distinção na legislação no que se refere ao tratamento fiscal a elas dispensado, especialmente quanto às exigências a serem cumpridas. Para a área conceituada como reserva legal pelo artigo 16, §2° do Código Florestal, com a redação trazida pela Lei n° 7.803/89, a exigência é a averbação no órgão competente de registro da destinação para preservação ambiental de área não inferior a 20% do total do imóvel, conforme região. É o que se conclui da combinação com a parte final do artigo 11 inciso I da Lei n° 8.847/94, acima transcrito. Tem-se que a, ao alterar o art. 16 da Lei n° 4.771/65, acrescentou-lhe dois parágrafos, sendo que, na hipótese dos autos, interessa-nos o 2°, com a seguinte redação, in verbis: "Art. 16. § 1° ,§ 2°. A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área." Além da definição, merecem ressaltos os efeitos da averbação de determinada área imobiliária como reserva legal. Não se trata de formalidade, mas sim de ato constitutivo. Ela modifica o direito real sobre o imóvel e para tanto deve ser adotada a mesma forma, que é o registro no órgão competente, nos termos do artigo 1.227 do Código Civil, verbis: Art. 1.227. Os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com o registro 3 Processo n° 10620.000781/2002-69 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.110 Fl. 4 no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts. 1.245 a 1.247), salvo os casos expressos neste Código. Por essa razão é que o Código Florestal passou a exigir a averbação no registro de propriedade do imóvel, fazendo com que a partir de então sobre aquela área o proprietário se submeta às limitações administrativas que lhe são impostas pela lei. Nesse sentido, transcrevo voto do Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro (Acórdão n° 303- 34.883 de 07/11/2007, da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes): Consoante pródiga jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, v.g. os EDcl no AgRg no REsp 255170 / SP, Min. Luiz Fux e o RMS 18301 / MG, Min. João Otávio de Noronha, a reserva legal representa uma modalidade de limitação administrativa à propriedade rural. Como tal, tanto pode sujeitar o proprietário a obrigações de não fazer (o corte raso) quanto de fazer (de delimitar a área de reserva e averbá-la junto ao órgão competente). Veja-se a lição Maria Silvia di Pietro (Direito Administrativo. São Paulo. Atlas. 2003. 15" ed., p. 128) As limitações podem, portanto, ser definidas como medidas de caráter geral, impostas com fundamento no poder de policia do Estado, gerando para os proprietários obrigações positivas ou negativas, com o fim de condicionar o exercício do direito de propriedade ao bem-estar social. (destaquei) De se notar, que, para a solução da lide, interessa definir em que momento se considera constituída tal restrição administrativa, pois somente após a sua constituição é que se configura a debatida hipótese de incidência "negativa", que exclui as áreas submetidas à restrição do pagamento do ITR. Com as devidas vênias, portanto, não me filio ao entendimento de que a averbação seria apenas uma mera formalidade, cujo descumprimento implicaria multa administrativa, e só: Não se admite que o Fisco afirme sustentaçã o legal no Código Florestal para exigir averbação das áreas como condição ao seu reconhecimento como isentas de tributação pelo ITR. Esse tipo de infração ao Código Florestal pode e deve acarretar sanção punitiva, mas que não atinge em nada o direito de isenção do ITR quanto a essas áreas se elas forem de fato de preservação permanente, de reserva legal ou de servidão federal, conforme definidas na Lei 4.771/65 (Código Florestal) (.) De fato agrediria a lógica elementar estabelecer como condição prévia à isenção de área sob reserva legal, o mero ato de averbaçã o, acessório, complementar na tarefa central de buscar a preservação da área, e que cumpre a finalidade específica de dar conhecimento erga omnes, de forma a que qualquer adquirente posterior esteja ciente e possa ser responsabilizado 4 Processo n° 10620.000781/2002-69 CS RF-T2 Acórdão n.° 9202-00.110 Fl. 5 pelo descumprimento da limitação de utilização imposta por lei, para áreas com certas características geográficas, ecológicas, históricas, de interesse ambiental, que constituem patrimônio nacional a ser obrigatoriamente preservado, independentemente de qualquer ato declarató rio do fisco ou de qualquer outro órgão administrativo. A definição de área de reserva legal é estabelecida no Código Florestal, a existência de áreas conforme a definição caracteriza a obrigação imposta não apenas ao proprietário, mas a todos, inclusive a administraç'd o pública, de preservação de tal área (Recurso Voluntário n° 127.562, de lavra do i. Conselheiro Zenaldo Loibman) É uma peculiaridade da reserva legal a eleição pelo próprio proprietário ou possuidor de qual parte da propriedade, não inferior a 20%, será reservada para a proteção ambiental. É a única modalidade que apresenta essa característica, nas demais, por exemplo a área de preservação permanente, a própria lei cuida de delimitá-la. Repito: somente se constitui reserva legal com a averbação da área eleita pelo proprietário/possuidor. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal pacificou-se nesse mesmo sentido. Transcrevo o resultado de pesquisa realizada pelo Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro (Acórdão n° 303-34.883 de 07/11/2007, da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes): No Pretório Excelso, tal posição firmou-se a partir do julgamento do Mandado de Segurança n° 22688-9/PB (Tribunal Pleno, relatado pelo Ministro Moreira Alves, DJ de 28/04/2000) em que se discutia os efeitos da constituição de reserva legal sobre o cálculo da produtividade de imóvel em processo de desapropriação para fins de reforma agrária. A questão, portanto, é saber, a despeito de não averbada se a área correspondente à reserva legal deveria ter sido excluída da área aproveitável total do imóvel para fins de apuração da sua produtividade nos termos do art. 6°, caput, parágrafo, da Lei 8.629/93, tendo em vista o disposto no art.. 10, IV dessa Lei de Reforma Agrária. Diz o art 10: Art. 10. Para efeito do que dispõe esta lei, consideram-se não aproveitáveis: (.) IV - as áreas de efetiva preservação permanente e demais áreas protegidas por legislação relativa à conservação dos recursos naturais e à preservação do meio ambiente. Entendo que esse dispositivo não se refere a uma fração ideal do imóvel, mas as áreas identificadas ou identificáveis. Desde que sejam conhecidas as áreas de efetiva preservação permanente e as protegidas pela legislação ambiental devem ser tidas como aproveitadas. Assim, por exemplo, as matas ciliares, as nascentes, as margens de cursos de água, as áreas de encosta, os manguezais. 5 Processo n° 10620.000781/2002-69 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.110 Fl. 6 I A reserva legal não é uma abstração matemática. Há de ser entendida como uma parte determinada do imóvel. Sem que esteja identificada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe. Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel, o que dos novos proprietários só estaria obrigado por a preservar vinte cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional à diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinaçã o nos casos de transmissão a qualquer título ou de desmembramento, que a lei florestal prescreve. Estou assim em que, sem a averbação determinada pelo § 2° do art 16 da Lei n° 4.771/65 não existe a reserva legal. (os destaques não constam do original) Nessa mesma linha, o MS 23.370-2/GO, Tribunal Pleno, Relator designado Min. Sepúlveda Pertence, DJ de 28/04/2000: EMENTA: 1 - Reforma agrária: apuração da produtividade do imóvel e reserva legal: A "reserva legal", prevista no art. 16, § 2° do Código Florestal, não é quota ideal que possa ser subtraída da área total do imóvel rural, para o fim do cálculo de sua produtividade (cf L. 8.629/93, art. 10, II9,sem que esteja identificada na sua averbação (v.g MS 22.688) MI • Apenas para demonstrar a manutenção desse entendimento jurisprudencial na Excelsa Corte, trago à colação o MS 25186 / DF, Tribunal Pleno, de relatoria do Ministro Carlos Brito, publicado no DJ de 02/03/2007: Segundo a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, a área de reserva florestal não identificada no registro imobiliário não é de ser subtraída da área total do imóvel para o fim de cálculo da produtividade. Precedente: MS 22.688. Peço licença para transcrever novamente outro trecho do voto condutor onde tal entendimento fica consignado: Relembrando o que observou o Ministro Pertence, uma diferença essencial entre as áreas de reserva legal e de preservação permanente, é exatamente a ausência de pré-definição de quais são as áreas efetivamente sujeitas a proteção diferenciada. 6 Processo n° 10620.000781/2002-69 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.110 Fl. 7 Antes da demarcação, portanto, o efeito invocado no voto condutor resta esvaziado, pois inexiste área a proteger, apenas a obrigação de se constituir um percentual sujeito a proteção. Ressalta-se que permanece firme a jurisprudência do STF (MS 28.1561DF, de 02/03/2007). Por fim, adverte-se para a vedação prevista no artigo 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Quanto às exigências relacionadas à reserva legal, portanto, conclui-se que a averbação junto ao registro de imóveis competente é essencial para a sua constituição como tal, o que implica a inclusão na base de cálculo do ITR da área ainda não averbada quando da ocorrência do fato gerador do tributo. A outra divergência é quanto à necessidade ou não do Ato de Declaração Ambiental - ADA para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR. Em complemento ao Código Florestal e ao artigo 11 da Lei n° 8.847/94, abaixo transcrita, tem-se o artigo 10, caput, da Lei n° 9.393, de 19/12/1996, in verbis: Art. 11. São isentas do imposto as áreas: 1— de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 1965, com a nova redação dada pela Lei n° 7.803, de 1989. (.) Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. ,f 1° Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: (.) II — área tributável, a área total do imóvel menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989; • • • 7 Processo n° 10620.000781/2002-69 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.110 Fl. 8 Mas, a exigência é encontrada no artigo 10 da Instrução Normativa SRF n° 43, de 07/05/1997, com a redação dada pelo art. 1° da Instrução Normativa SRF n° 67, de 01/09/1997, verbis: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel excluídas as áreas: 1- de preservação permanente; II - de utilização limitada. § 1°A área total do imóvel deve se referir à situação existente à época da entrega do DIA 7', e a distribuição das áreas, à situação existente em 1° de janeiro de cada exercício, de acordo com os incisos I e II. (.) § 3 0 São áreas de utilização limitada: § 4° As áreas de preservação permanente e as de utilização limitada serão reconhecidas mediante ato declaratório do IBAMA, ou órgão delegado através de convênio, para fins de apuração do ITR, observado o seguinte: II - o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado da data da entrega da declaração do ITR, para protocolar requerimento do ato declarató rio junto ao IBAMA; III - se o contribuinte não requerer, ou se o requerimento não for àlt‘1\ reconhecido pelo IBAMA, a Secretaria da Receita Federal fará lançamento suplementar recalculando o ITR devido. (.) Nos termos acima está claro que o contribuinte tem o prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR, para protocolizar requerimento do ato declaratório junto ao Ibama. Sendo que para o exercício de 1998, o prazo se expirou em 31/05/1999, ou seja, seis meses após o prazo final para a entrega da DITR/1998, que foi 30/11/1998, conforme Instrução Normativa SRF n° 136, de 20/11/1998. A questão é saber se tal regra, veiculada por instrução normativa, encontra guarida no ordenamento jurídico. Entendo que não. De fato, não recebeu a autoridade administrativa delegação legal para criar exigências necessárias ao gozo da isenção: Constituição Federal: Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: IV - sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução; 8 Processo n° 10620.000781/2002-69 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.110 Fl. 9 Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional: V - sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa; Isto porque o artigo 10, caput, da Lei n° 9.393, de 19/12/1996, cuidou somente de adotar como modalidade o lançamento por homologação, conforme artigo 150, §4° do CTN, o que implica, necessariamente, a ulterior verificação do pagamento realizado pelo sujeito passivo. Contraria o disposto no artigo 150, §6° da Constituição Federal e o artigo 97, inciso IV do CTN o entendimento de que criar exigências por instrução normativa para o gozo do beneficio de redução da base de cálculo estaria em consonância com a expressão "nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal". Art. 10. A apuração e o pagamento do 1TR serão efetuados pelo contribuinte independentemente de prévio procedimento da administraçã o tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4° Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulaçéio. Art. 150 (.) § 6.° Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.°, NI, g. (Redação dada pela Emenda Constitucional n°3, de 1993). Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: IV - a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; 9 Processo n° 10620.000781/2002-69 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.110 Fl. 10 1 ' Reitero que a delegação através da expressão "nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal" cinge-se às verificações necessárias para a homologação do pagamento realizado pelo contribuinte, não alcançando, muito menos, os procedimentos praticados junto aos órgãos de proteção do meio ambiente, no caso o IBAMA. E, em arremate, traz-se também as disposições dos artigos 176 e 179 do CTN que reservam apenas à lei a competência para especificar as condições e requisitos necessários ao gozo da isenção, seja ela específica ou geral: Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. — Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. Concluindo, entendo que para o período lançado a ausência do Ato de Declaração Ambiental — ADA não é impedido para o gozo da isenção; caso distinto da exigência de averbação, que é requisito para constituição da área de reserva legal. Em razão do exposto, entendo que deve ser incluído na base de cálculo do ITR o valor correspondente à reserva legal e excluído o valor correspondente à área de preservação permanente. Sala das : es lei., em 18 de agosto de 2009 " I il A Pdl tÁ0 JULIO n .t" VIEIRA GOMES , io 1 , ,
score : 1.0
Numero do processo: 12268.000281/2007-23
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Dec 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1997 a 30/04/1998
DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN.
É irrelevante designar a aplicação do art. 150, §4º ou o art. 173 do CTN quando ambas as regras fulminarem o crédito tributário pela decadência.
Numero da decisão: 2301-003.128
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Marcelo Oliveira - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes - Relator
Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, MAURO JOSE SILVA e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1997 a 30/04/1998 DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. É irrelevante designar a aplicação do art. 150, §4º ou o art. 173 do CTN quando ambas as regras fulminarem o crédito tributário pela decadência.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira - Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes - Relator Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, MAURO JOSE SILVA e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
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BANCO MULTIPLO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1997 a 30/04/1998 DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. É irrelevante designar a aplicação do art. 150, §4º ou o art. 173 do CTN quando ambas as regras fulminarem o crédito tributário pela decadência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, MAURO JOSE SILVA e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 8. 00 02 81 /2 00 7- 23 Fl. 415DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 8/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 12268.000281/200723 Acórdão n.º 2301003.128 S2C3T1 Fl. 211 2 Relatório Trata se de NFLD lavrada em face de HSBC BANK BRASIL S.A. – BANCO MULTIPLO, referente, conforme se infere do Relatório Fiscal de fls. 73/78, às seguintes contribuições previdenciárias: Contribuição social devida pelos segurados que prestaram serviços à empresa sem a devida dedução da remuneração destes, o que constitui infração ao disposto nos arts. 20 e 30, Inciso I, alínea “a” e “b” da Lei 8.212/91; Contribuição a cargo da empresa direcionada à Previdência Social, incidentes sobre a remuneração paga, devida ou creditada ao trabalhador que lhe preste serviço, conforme prevê o art. 22, Inciso I e § 1º da Lei 8.212/91; Contribuição a cargo da empresa para financiamento do benefício determinado nos arts. 57 e 58 da Lei 8.213/91; Contribuição destinada ao FNDE e INCRA. A ora Recorrente foi intimada em 06/11/2007, conforme Termo de Iniciação Fiscal de fls. 32/33. Posteriormente, apresentou impugnação tempestiva de fls. 84/97. Entretanto, foi mantida a autuação pelo acórdão de fls. 168/172, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS), cuja ementa assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1997 a 30/04/1998 Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD DEBCAD nº 37.144.1013 . 1. CONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE. A constitucionalidade e legalidade dos dispositivos legais são vinculadas para a Administração Pública. 2. NULIDADE. Estando as competências notificadas abrangidas pelo Mandado de Procedimento Fiscal – MPF não há que se falar na nulidade alegada. 3. DECADÊNCIA. Decadência não configurada, tendo em vista a data da autuação da empresa. 4. DILIGÊNCIA. Descabe a realização de diligência para suprir prova cuja produção incumbe à empresa notificada. 5. JUROS DE MORA. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 8/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 12268.000281/200723 Acórdão n.º 2301003.128 S2C3T1 Fl. 212 3 A inclusão de contribuições em NFLD dá ensejo à incidência de juros de mora equivalentes à taxa Selic, de caráter irrelevável. Lançamento Procedente. Inconformada, interpôs o Recurso Voluntário de fls.177/190 sob exame, cujas razões podem ser resumidas às seguintes: 1) Preliminarmente, afirma que o Mandado de Procedimento Fiscal foi expedido para Ação Fiscal relativa apenas aos meses de abril a dezembro de 1997, devendo ser anulado o lançamento relativo às competências 13/1997, 01/1998 e 04/1998, por não ser abrangido pelo Mandado. 2) Defende que o período objeto da autuação já fora atingido pela decadência, com fulcro no artigo 150 do CTN, sem que possa ser aplicado o disposto no artigo 45 da Lei 8.212/91 por ir de encontro ao artigo 146, inciso III, alínea “b”, da CF/88; 3) No mérito, aduz que, por ser complexa a matéria e imprecisa a contabilidade da empresa, decretada pela fiscalização no momento da lavratura do AI, deve ser realizada diligência; 4) Sustenta que deve ser aplicada à multa, juros limitados a 1% ao mês, em conformidade com o artigo 161, parágrafo 1º do CTN, sendo inconstitucional a aplicação da tava SELIC como juros moratórios por não ter sido esta criada por lei; 5) Por fim, requer a total improcedência da NFLD DEBCAD nº 37.144.101 3. Sem contrarrazões. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo tempestivo, conheço do Recurso e passo ao seu exame. Da Decadência Fl. 417DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 8/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 12268.000281/200723 Acórdão n.º 2301003.128 S2C3T1 Fl. 213 4 No caso em apreço, o lançamento foi realizado enquanto vigorava os art. 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, segundo os quais os prazos decadencial e prescricional das contribuições previdenciárias seria de 10 anos. Ocorre que, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12.06.2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal–STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais aqueles dispositivos legais e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A da Constituição Federal O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Lei n° 11.417, de 19/12/2006 Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. (...). ...Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a Fl. 418DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 8/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 12268.000281/200723 Acórdão n.º 2301003.128 S2C3T1 Fl. 214 5 partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. Temos que a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficaram obrigados a acatar a Súmula Vinculante. Assim, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplica ao caso concreto, uma vez que existem duas regras, aparentemente conflitantes, dispondo sobre a decadência de créditos tributários, tomando a primeira como termo inicial o pagamento indevido (art. 150, §4º), e a segunda o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado (art. 173, I). Cumpre transcrever os referidos dispositivos legais: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Harmonizando os referidos dispositivos legais, o Superior Tribunal de Justiça esclareceu a aplicação do art. 173 para os casos em que o tributo sujeitarse a lançamento por homologação: 1) Quando não tiver havido pagamento antecipado; 2) Quando tiver ocorrido dolo, fraude ou simulação; 3) Quando não tiver havido declaração prévia do débito. Cumpre transcrever o acórdão prolatado em sede de Recurso Especial representativo da controvérsia: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 8/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 12268.000281/200723 Acórdão n.º 2301003.128 S2C3T1 Fl. 215 6 INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009). Fl. 420DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 8/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 12268.000281/200723 Acórdão n.º 2301003.128 S2C3T1 Fl. 216 7 No voto lavrado no referido REsp 973.733/SC, foi transcrito entendimento firmado em outros julgamento (REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, DJ 25.02.2008), que limitam a aplicação do art. 150, §4º do CTN às hipóteses que tratam de tributo sujeito a lançamento por homologação, “quando ocorrer pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias” . A comprovação da presença de tais circunstâncias seria imprescindível para o afastamento do art. 150, §4º do CTN e aplicação do seu art. 173, I, o que não se vislumbra em qualquer momento da autuação. Ocorre que, no caso dos autos, é irrelevante se a contagem do prazo decadencial tem como fundamento o art. 150, §4º ou o art. 173 do CTN, uma vez que ambos levam à conclusão de que está decaído todo o período fiscalizado, na medida em que o crédito tributário foi definitivamente constituído quando já decorridos mais de 8 anos do fato gerador, já que o período do lançamento abrange as competências de 04/97 a 04/98, tendo ocorrido a ciência do lançamento em 14/12/2007. Desta feita, considerando que a consolidação do crédito previdenciário se deu em 14/12/2007, e que a autuação abrange fatos geradores ocorridos de 04/97 a 04/98, tenho como certo que todas essas competências foram atingidas pela decadência. Da Conclusão Ante ao exposto, conheço do Recurso Voluntário, para, no mérito, DARLHE TOTAL PROVIMENTO face a decadência do crédito tributário. É como voto. Sala das Sessões, em 17 de outubro de 2012 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 421DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 8/11/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCELO OLIVEIR A
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Numero do processo: 10660.003539/2007-85
Data da sessão: Thu Sep 24 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Sep 24 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2003,2004
PERÍCIA/DILIGÊNCIA FISCAL - INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA DE PRIMEIRA INSTÂNCIA - A determinação de realização de diligências e/ou perícias compete à autoridade julgadora de Primeira Instância, podendo a mesma ser de ofício ou a requerimento do impugnante. A sua falta não acarreta a nulidade do processo administrativo fiscal.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA - DESCABIMENTO - Descabe o pedido de diligência ou perícia quando presentes nos autos todos os elementos necessários para que a autoridade julgadora forme sua convicção. As perícias devem limitar-se ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também incluídos nos autos, não podendo ser utilizadas para reabrir, por via indireta, a ação fiscal.
DECADÊNCIA _ - AJUSTE ANUAL - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita a ajuste na declaração anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação, hipótese em que o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos, contados de 31 de dezembro de cada ano-calendário questionado.
SIGILO BANCÁRIO - TUTELA JURISDICIONAL - A decisão judicial trazida pelo sujeito passivo aos autos, consistente no julgamento de agravo de instrumento, indicou, na forma de antecipação da pretensão recursal, que fossem obstadas novas requisições em relação aos dados bancários do interessado, contudo as informações foram obtidas pelo Fisco Federal previamente a essa sentença, logo não houve a caracterização da ilicitude das provas. Da mesma forma, não ocorreu violação da decisão supra na utilização daquelas informações, uma vez que no teor da sentença isso não foi obstado. Ainda que assim não o fosse, posteriormente, à referida decisão, a Fiscalização, resguardando-se de qualquer embaraço, obteve ulterior autorização judicial para obtenção e utilização dos dados bancários do contribuinte.
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO VIA ADMINISTRATIVA - ACESSO ÀS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL - É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n. ° 105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI N° 9.430, DE 1996 - Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS - PERÍODO-BASE DE INCIDÊNCIA -APURAÇÃO MENSAL - TRIBUTAÇÃO NO AJUSTE ANUAL - Os valores dos depósitos bancários não justificados, a partir de Io de janeiro de 1997, serão apurados, mensalmente, à medida que forem creditados em conta bancária e tributados como rendimentos sujeitos à tabela progressiva anual (ajuste anual).
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA - As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO - CARÁTER CONFISCATÓRIO - INOCORRÊNCIA - A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa a lançamento de ofício, para exigi-lo com acréscimos e penalidades legais. Desta forma, é perfeitamente válida a aplicação da penalidade prevista no art. 44, n, da Lei n° 9.430, de 1996, quando restar caracterizada a falta de recolhimento de imposto, evidenciando evidente intuito de fraude, sendo inaplicável às penalidades pecuniárias de caráter punitivo o princípio de vedação ao confisco.
ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS MORATÓRIOS - A partir de Io de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula Io CC n° 4).
Pedido de perícia indeferido.
Preliminares rejeitadas.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-000.270
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, INDEFERIR o pedido de perícia, REJEITAR as preliminares argüidas pela Recorrente e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Declarou-se impedida no julgamento a Conselheira Valéria Pestana Marques (Inc. IV, do art. 42 do RI do CARF).
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Nelson Mallmann
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2003,2004 PERÍCIA/DILIGÊNCIA FISCAL - INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA DE PRIMEIRA INSTÂNCIA - A determinação de realização de diligências e/ou perícias compete à autoridade julgadora de Primeira Instância, podendo a mesma ser de ofício ou a requerimento do impugnante. A sua falta não acarreta a nulidade do processo administrativo fiscal. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA - DESCABIMENTO - Descabe o pedido de diligência ou perícia quando presentes nos autos todos os elementos necessários para que a autoridade julgadora forme sua convicção. As perícias devem limitar-se ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também incluídos nos autos, não podendo ser utilizadas para reabrir, por via indireta, a ação fiscal. DECADÊNCIA _ - AJUSTE ANUAL - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita a ajuste na declaração anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação, hipótese em que o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos, contados de 31 de dezembro de cada ano-calendário questionado. SIGILO BANCÁRIO - TUTELA JURISDICIONAL - A decisão judicial trazida pelo sujeito passivo aos autos, consistente no julgamento de agravo de instrumento, indicou, na forma de antecipação da pretensão recursal, que fossem obstadas novas requisições em relação aos dados bancários do interessado, contudo as informações foram obtidas pelo Fisco Federal previamente a essa sentença, logo não houve a caracterização da ilicitude das provas. Da mesma forma, não ocorreu violação da decisão supra na utilização daquelas informações, uma vez que no teor da sentença isso não foi obstado. Ainda que assim não o fosse, posteriormente, à referida decisão, a Fiscalização, resguardando-se de qualquer embaraço, obteve ulterior autorização judicial para obtenção e utilização dos dados bancários do contribuinte. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO VIA ADMINISTRATIVA - ACESSO ÀS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL - É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n. ° 105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI N° 9.430, DE 1996 - Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS - PERÍODO-BASE DE INCIDÊNCIA -APURAÇÃO MENSAL - TRIBUTAÇÃO NO AJUSTE ANUAL - Os valores dos depósitos bancários não justificados, a partir de Io de janeiro de 1997, serão apurados, mensalmente, à medida que forem creditados em conta bancária e tributados como rendimentos sujeitos à tabela progressiva anual (ajuste anual). PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA - As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO - CARÁTER CONFISCATÓRIO - INOCORRÊNCIA - A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa a lançamento de ofício, para exigi-lo com acréscimos e penalidades legais. Desta forma, é perfeitamente válida a aplicação da penalidade prevista no art. 44, n, da Lei n° 9.430, de 1996, quando restar caracterizada a falta de recolhimento de imposto, evidenciando evidente intuito de fraude, sendo inaplicável às penalidades pecuniárias de caráter punitivo o princípio de vedação ao confisco. ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS MORATÓRIOS - A partir de Io de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula Io CC n° 4). Pedido de perícia indeferido. Preliminares rejeitadas. Recurso negado.
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Numero do processo: 10880.013945/98-09
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Ano-calendário: 1992
PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. RECONHECIMENTO ANTERIOR. NÃO INTERPOSIÇÃO DE RECURSO ESPECIAL. JULGAMENTO DEFINITIVO DA MATÉRIA NO PROCESSO ADMINISTRATIVO.
Consoante dispõem o artigo 1°, § 2°, do Decreto-lei n° 1.737/1979 e o artigo 38, parágrafo único, da Lei n° 6.830/1980, a propositura, pelo contribuinte, de Mandado de Segurança, ação anulatória ou declaratória de nulidade de crédito da Fazenda Nacional, importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto.
Essa questão foi reconhecida em julgamento de Recurso Voluntário por essa Corte no caso em exame.
Caberia ao contribuinte, quando da intimação do acórdão proferido pela 3ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, interpor Recurso Especial para a Câmara Superior de Recursos Fiscais, o que não ocorreu. Nesse sentido, considero definitivo o julgamento da matéria em sede administrativa, haja vista o reconhecimento da concomitância.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 1201-000.714
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por concomitância na via judicial.
Nome do relator: RAFAEL CORREIA FUSO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano-calendário: 1992 PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. RECONHECIMENTO ANTERIOR. NÃO INTERPOSIÇÃO DE RECURSO ESPECIAL. JULGAMENTO DEFINITIVO DA MATÉRIA NO PROCESSO ADMINISTRATIVO. Consoante dispõem o artigo 1°, § 2°, do Decreto-lei n° 1.737/1979 e o artigo 38, parágrafo único, da Lei n° 6.830/1980, a propositura, pelo contribuinte, de Mandado de Segurança, ação anulatória ou declaratória de nulidade de crédito da Fazenda Nacional, importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. Essa questão foi reconhecida em julgamento de Recurso Voluntário por essa Corte no caso em exame. Caberia ao contribuinte, quando da intimação do acórdão proferido pela 3ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, interpor Recurso Especial para a Câmara Superior de Recursos Fiscais, o que não ocorreu. Nesse sentido, considero definitivo o julgamento da matéria em sede administrativa, haja vista o reconhecimento da concomitância. Recurso não conhecido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1992 PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. RECONHECIMENTO ANTERIOR. NÃO INTERPOSIÇÃO DE RECURSO ESPECIAL. JULGAMENTO DEFINITIVO DA MATÉRIA NO PROCESSO ADMINISTRATIVO. Consoante dispõem o artigo 1°, § 2°, do Decretolei n° 1.737/1979 e o artigo 38, parágrafo único, da Lei n° 6.830/1980, a propositura, pelo contribuinte, de Mandado de Segurança, ação anulatória ou declaratória de nulidade de crédito da Fazenda Nacional, importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. Essa questão foi reconhecida em julgamento de Recurso Voluntário por essa Corte no caso em exame. Caberia ao contribuinte, quando da intimação do acórdão proferido pela 3ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, interpor Recurso Especial para a Câmara Superior de Recursos Fiscais, o que não ocorreu. Nesse sentido, considero definitivo o julgamento da matéria em sede administrativa, haja vista o reconhecimento da concomitância. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por concomitância na via judicial. (documento assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Presidente. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10880.013945/9809 Acórdão n.º 120100.714 S1C2T1 Fl. 347 2 (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (presidente), Rafael Correia Fuso, Darci Mendes de Carvalho Filho, João Carlos de Figueiredo Neto e André Almeida Blanco. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado pela Receita Federal, que cobra CSL em razão de redução indevida da base de cálculo, relativa ao exercício de 06/1992. Vejamos com detalhes os fatos nas transcrições do relatório da DRJ: 2.Durante os trabalhos de auditoria fiscal, foi constatada a seguinte irregularidade, no anobase de 1992, descrita no Termo de Verificação, fls. 08/10: 2.1.Para a apuração da base de cálculo da CSLL do 1 ° semestre de 1992, o contribuinte deduziu a base de cálculo negativa da CSLL, apurada no 2 ° semestre de 1992, no montante de Cr$ 63.520.462.474,00, em desacordo com a legislação. 3. Em decorrência da irregularidade apurada, foi lavrado, em 14/05/1998, o auto de infração a seguir discriminado: 3.1. CSLL (fl. 14). Fundamento Legal: artigo 2 ° e seus parágrafos da Lei n° 7.689/1988. Total do crédito tributário: R$ 1.018.589,55, incluídos a multa de oficio e os juros de mora. 4. O contribuinte apresentou, em 15/06/1998, impugnação de fls. 19/34, representado por seu advogado (instrumento de procuração de fl. 35), alegando, em síntese, que: 4.1. A CSLL é tributo sujeito a lançamento por homologação; 4.2. Em 04/1997, o impugnante recebeu notificação relativa a revisão de sua declaração de ajuste do anobase de 1992, por intermédio da qual foi expressamente homologada a declaração de rendimentos, quanto a CSLL; 4.3. No ano de 1998, mediante nova e ilegal revisão do anobase de 1992, já anteriormente homologado, foi lavrado auto de infração, contrariando o disposto nos artigos 146, 149, 150 e 156, VII, todos do CTN; 4.4. A constituição do crédito tributário, por intermédio do auto de infração, em tela, foi atingida pelo vício da decadência, pois nos termos do artigo 150 do CTN, o inicio da contagem do Fl. 347DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10880.013945/9809 Acórdão n.º 120100.714 S1C2T1 Fl. 348 3 qüinqüênio decadencial coincide com o fato gerador, no caso, 30/06/1992; 4.5. Da mesma forma, o lançamento fiscal foi atingido pela decadência, nos termos do artigo 173 do CTN, pois em 30/06/1992, encerrouse um período de apuração da CSLL, logo, já no segundo semestre de 1992, o fisco poderia efetuar o lançamento relativo ao período encerrado em 30/06/1992. Assim, o qüinqüênio decadencial iniciouse em 01/01/1993; 4.6. O procedimento combatido pela fiscalização, no auto de infração, ora impugnado, não foi questionado pelo lançamento revisional, anteriormente realizado pela autoridade administrativa, que acatou os critérios jurídicos adotados pelo contribuinte. Portanto, a exigência fiscal em questão pretende modificar o critério jurídico adotado pela autoridade administrativa ao realizar o lançamento homologatório, o que contraria o artigo 146 do CTN; 4.7. Nos termos da Lei n° 8.383/1991, o contribuinte deveria recolher mensalmente os tributos por estimativa, realizando a apuração da base de cálculo tributável, ao final do ano calendário, de acordo com o resultado consolidado. Desta maneira, o período de apuração da CSLL permaneceu anual. Ocorre que o Formulário da Declaração de Ajuste do exercício de 1993 determinava a consolidação semestral dos resultados; para contornar este obstáculo o impugnante viuse obrigado a compensar a base de cálculo negativa da CSLL do 2 ° semestre da base de cálculo da CSLL do 1° semestre; 4.8.Não há vedação legal que impeça a compensação do prejuízo apurado no 2 ° semestre de 1992, com o resultado apurado no 1 ° semestre do mesmo ano. Não fosse assim, estaria se tributando o contribuinte sem que tivesse ocorrido o fato gerador da CSLL; 4.9. A Lei n° 8.383/1991 não estabeleceu que a CSLL do ano base de 1992 seria objeto de apuração semestral; 4.10. A Portaria MEFP n°441/1992 apenas facultou às empresas, para efeitos de consolidação, apresentação de resultados semestrais ao invés de mensais. A DRJ entendeu pela manutenção do lançamento, nos seguintes termos: Concomitância entre o processo administrativo e o judicial 7. No 1 ° semestre do anocalendário de 1992, o contribuinte, ao apurar a base de cálculo da CSLL, deduziu indevidamente a base de cálculo negativa apurada no 2° semestre. 8. 0 contribuinte buscou amparo em seu procedimento impetrando Mandado de Segurança com pedido de Liminar (fls. 64/77), junto à 16ª Vara Cível da Justiça Federal, Seção Judiciária de São Paulo. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10880.013945/9809 Acórdão n.º 120100.714 S1C2T1 Fl. 349 4 9. O juízo "a quo" indeferiu a liminar e prolatou sentença julgando improcedente a demanda e denegando a segurança requerida, conforme fls.05/06. 0 impetrante interpôs recurso de Apelação, junto ao TRF3a Região, que não consta ter sido apreciado (fl. 07). 10. Consoante dispõem o artigo 1°, § 2°, do Decretolei n° 1.737/1979 e o artigo 38, parágrafo único, da Lei n° 6.830/1980, a propositura, pelo contribuinte, de Mandado de Segurança, ação anulatória ou declaratória de nulidade de crédito da Fazenda Nacional, importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. 11.Nesse sentido, foi expedido o Ato Declaratório Normativo (ADN) n° 3/1996, da Coordenação Geral do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal, esclarecendo que: "a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente a autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto". 12. Com efeito, a coisa julgada a ser proferida no âmbito do Poder Judiciário jamais poderia ser alterada no processo administrativo, pois tal procedimento feriria a Constituição Federal, que adota o modelo de jurisdição una, onde são soberanas as decisões judiciais. 13. Por todos esses motivos, esta Delegacia de Julgamento não toma conhecimento de impugnação na parte em que o contribuinte discute a mesma matéria que já foi levada à decisão do Poder Judiciário. 14. 0corre que o contribuinte discute outras matérias não abordadas na esfera judicial, que devem ser analisadas na esfera administrativa, nos termos da letra "h" do ADN n.° 03/96: "b) conseqüentemente, quando diferentes os objetos do processo judicial e.do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona a matéria diferenciada (p. ex., aspectos formais do lançamento, base de calculo etc.);" Da Decadência 15.A argüição da defesa se prende ao fato de ter transcorrido o lapso decadencial de 5 anos previsto no CTN. No entanto, em relação à decadência das Contribuições Sociais para a Seguridade Social, o art. 45 da Lei 8.212/91, prevalece sobre os artigos 150, § 40 , e 173 do CTN, alterandolhes o lapso temporal de cinco para dez anos e o termo inicial da data do fato jurídico tributário, para o lançamento por homologação, para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10880.013945/9809 Acórdão n.º 120100.714 S1C2T1 Fl. 350 5 16.A Contribuição Social sobre o Lucro, como o próprio nome está a indicar, integra o rol das contribuições para a seguridade social, e tem como fundamento o art 195, I, "c", da Constituição da República Federativa do Brasil: "Art.195 A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: 1 do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer titulo, a pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vinculo empregatício; b) a receita ou o faturamento; c) o lucro; " (grifouse) 17. Assim sendo, aplicase a ela o prazo decadencial decendial previsto no art. 45 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, in verbis: "Art. 45. 0 direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada." 18.Diferente não é a posição do Conselho de Contribuintes, que tem considerado o prazo decadencial da CSLL, como sendo de dez anos. A seguir, transcrevese ementa que versa sobre o tema: "DECADÊNCIACOFINSCSL por força do artigo 45 da Lei 8.212/91, o direito de proceder aos lançamentos relativos às contribuições sociais CSL e COFINS extinguese após 10 anos, contados do 1° dia do exercício seguinte àquele em que o crédito tributário poderia ter sido constituído." (Acórdão 10806294, sessão realizada em 09/11/2000). 19.Assim, para o caso em tela, tendo em conta que a exigência reportase a fato gerador do anocalendário de 1992, não há que se falar em decadência. Da Ação Fiscal 20.0 contribuinte entende que a Fazenda Pública, ao emitir a Notificação de Lançamento, de fls. 58/61, homologou expressamente a Declaração de Rendimentos do anocalendário de 1992. Conseqüentemente, a fiscalização não poderia Fl. 350DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10880.013945/9809 Acórdão n.º 120100.714 S1C2T1 Fl. 351 6 constituir novo crédito tributário relativo â. CSLL no ano calendário de 1992, pois o lançamento já houvera sido anteriormente homologado pelo fisco. 21.Em principio, cabe ressaltar que a Notificação de Lançamento emitida pelo órgão lançador não homologou o lançamento nos termos do § 4° do artigo 150 do CTN, pois tratouse de uma revisão sumária e parcial dos dados informados pelo contribuinte em sua Declaração de Rendimentos, de acordo com o artigo 623 do RIR/1980. Por seu turno, a homologação a que faz remissão o CTN é uma manifestação expressa da autoridade competente no sentido de tornar definitivo o lançamento, fato que não se verificou, quando da emissão da Notificação de Lançamento. Destaquese sobre o tema os ensinamentos do saudoso Professor Aliomar Baleeiro, em sua obra Direito Tributário Brasileiro, 10 ª edição, p. 522: "O § 4" desse art. 150 diz: "Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de 5 anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda se tenha pronunciado...." Logo, a homologação, ou revisão definitiva pelo pronunciamento da autoridade, deverá ser ato completo e acabado " (grifado na transcrição). 22. Poderseia argüir que o mesmo exercício não pode ser fiscalizado em duas oportunidades sem expressa concordância da autoridade competente, o que macularia o procedimento fiscal que redundou na lavratura dos autos de infração em exame. 23. Porém, esta argumentação também não tem consistência. 24. Sendo vejamos: por intermédio da Notificação de Lançamento, de fls. 58/61, o contribuinte foi informado da glosa de despesas com contribuições e doações e da glosa de remuneração paga a administradores, o que resultou na redução dos prejuízos fiscais declarados, inicialmente, pelo interessado. 25. O trabalho realizado pela repartição lançadora foi fruto de uma revisão sumária dos dados contidos na Declaração de Rendimentos, do anocalendário de 1992. 26. O procedimento de revisão de declarações está previsto no artigo 623 do RIR/1980, que está contido no Capitulo III Revisão das Declarações, do Titulo I — Lançamento, do Livro IV — Administração do Imposto. 27. Por seu turno, o procedimento fiscal que resultou na lavratura do auto de infração, em exame, teve como base uma Kilo fiscal direta no domicilio do contribuinte, com o exame minucioso dos livros e demais documentos contábeis e fiscais do contribuinte, a qual acabou por apurar compensações indevidas. 28. O procedimento de fiscalização está previsto no artigo 641 e seguintes do R1R/1980, que faz parte do Capitulo I — Fl. 351DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10880.013945/9809 Acórdão n.º 120100.714 S1C2T1 Fl. 352 7 Fiscalização do Imposto, do Titulo II — Controle dos Rendimentos sujeitos ao Imposto. 29. Portanto, tratase de procedimentos distintos: o primeiro é uma revisão sumária das informações contidas na declaração de rendimentos, o segundo é um trabalho de fiscalização, propriamente dito, tendente a examinar os livros e documentos fiscais do contribuinte, para apurar sua exatidão. 30. Destaque se que a norma que regula a Revisão de Declaração consta do RIR em um título totalmente diverso da regra que rege o procedimento de fiscalização, sendo que o artigo que veda duas fiscalizações de um mesmo exercício sem autorização expressa da autoridade competente, artigo 642,§ 2 ° , faz parte do capitulo dedicado a fiscalização do imposto. Concluise que o legislador ordinário, ao elaborar os dispositivos que embasam o artigo 642, § 2° , do RIR/1980, pretendeu limitar o exame, mediante ação fiscal direta, do mesmo exercício em mais de uma oportunidade. 31.Por fim, o impugnante entende que o Fisco homologou o lançamento da CSLL do ano calendário de 1992, e acatou os critérios jurídicos adotados pelo contribuinte, no que tange as matérias que não foram expressamente destacadas pela Administração, quando da emissão da Notificação de Lançamento, de fls. 58/61. Portanto, ao lavrar o auto de infração em debate, o fisco estaria pretendendo modificar critério jurídico anteriormente adotado, contrariando o disposto no artigo 146 do CTN. 32.Inicialmente, devese informar que não houve homologação do lançamento da CSLL, conforme acima discorrido e muito menos aprovação dos critérios jurídicos adotados pelo contribuinte relacionados as matérias que não foram objeto da Notificação de Lançamento. 33.No momento da revisão da declaração, as irregularidades não apuradas, não foram automaticamente acatadas pelo Fisco, primeiro porque o contribuinte ainda estava sujeito à fiscalização até o fim do decêndio decadencial, e segundo porque não caberia a Administração a aprovação de um ato que contraria a legislação tributária. Com isso, a decisão da DRJ conheceu parcialmente a Impugnação, e na arte conhecida negou provimento à defesa apresentada. Intimada do acórdão em 20/08/2001, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 08/09/2001, alegando em síntese que: O Auto de Infração que deu origem ao presente processo visa a constituição de crédito fiscal de Contribuição Social sobre o Lucro relativo ao primeiro semestre de 1.992, no valor original de R$ 408.973,56. Fl. 352DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10880.013945/9809 Acórdão n.º 120100.714 S1C2T1 Fl. 353 8 Ocorre que, conforme demonstram os documentos anexados Impugnação (Declaração de Ajuste exercício 93) a Recorrente recolheu (esclareçase que mediante depósito judicial realizado nos autos da Medida Cautelar n°. 60.00169515), a título de Contribuição Social sobre o Lucro, por estimativa, referente ao anobase de 1.992, a importância total de 261.705,02 UFIR's, correspondente, em 31.05.93 (data à qual está referenciado o crédito fiscal no Auto de Infração), a R$ 238.360,93. Outrossim, a Recorrente possui, contra o Fisco Federal, crédito correspondente a Contribuição Social sobre o Lucro, relativa ao anobase 1.991, exercício 1.992, no valor total de 168.772,39 UFIR's. Referido montante, também objeto de depósito judicial na Medida Cautelar acima referida, já foi objeto de pedido de restituição do Fisco Federal, o qual, em revisão da mesma Declaração, reconheceu o depósito a maior e o direito da Recorrente à respectiva devolução, condicionada apenas à conversão do montante depositado em renda da União (doc. 1 em anexo). Muito embora já realizada a conversão em 16.01.2001 (doc. 2), até o momento, não foi realizada a restituição correspondente devida â Recorrente. Portanto, em síntese, a Recorrente: a) já pagou (posto que o depósito judicial do tributo possui caráter de pagamento e liberatório do contribuinte), o valor correspondente a R$ 238.360,93, a titulo de Contribuição Social sobre o Lucro por estimativa, referente ao anocalendário 1.992; e b) é credora do Fisco Federal, do montante (referenciado à 31.05.1993) correspondente a R$ 153.717,89, a titulo de Contribuição Social sobre o Lucro indevidamente recolhida relativa ao anobase de 1.991. Verificase, assim, que do crédito original objeto deste processo, encontrase depositada judicialmente a parcela correspondente a 58,28% e recolhida (porque já convertido em renda) indevidamente, mas ainda não restituída, parcela pertinente ao mesmo tributo no valor de 37,58%, perfazendo, portanto, um total de 95,86% do crédito original. Não haveria, portanto, qualquer justificativa para que se pretendesse que a Recorrente, adicionalmente, procedesse ao depósito de mais 30% da exigência fiscal. Isto implicaria em se exigir, na verdade, que a Recorrente disponibilizasse, para regular exercício de seu direito de defesa, montante correspondente a 125,86% do crédito fiscal supostamente exigível. Cabível, portanto, o processamento do presente Recurso, independentemente de qualquer garantia adicional. Na verdade, Fl. 353DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10880.013945/9809 Acórdão n.º 120100.714 S1C2T1 Fl. 354 9 pretender que a Recorrente ainda estaria sujeita 6 prestação de garantias adicionais, implicaria em literal violação da norma legal e evidente cerceamento de seu direito de defesa. Em 14.05.1998, em encerramento de procedimento de fiscalização realizado por Auditores Fiscais do Tesouro Nacional, foram lavrados contra a Recorrente 4 (quatro) autos de infração, objetivando a constituição de créditos fiscais de impostos (IRPJ e ILL) e contribuições (CSLL e PIS — Repique), referentes a resultados relativos ao primeiro semestre de 1.992. Constitui objeto especifico do presente processo administrativo, o Auto de Infração referente a Contribuição Social sobre o Lucro. No ano — base de 1.992, a Recorrente, posto que cumpria os requisitos para tanto necessários, optou por proceder ao recolhimento mensal da Contribuição Social sobre o Lucro apurada por estimativa (tendo, nestes termos, recolhidos aos cofres do Fisco Federal a importância correspondente a 261.705,02 UFIR's). Ao consolidar seu resultado anual, na forma determinada pelos Artigos 39 e 43 da Lei n°. 8.383/91, a Recorrente constatou ter apurado prejuízo no anocalendário 1.992, tendo, em decorrência, recolhido em excesso e indevidamente a contribuição acima. Em 14.06.93, a Recorrente procedeu à entrega de sua Declaração de Ajuste Anual, correspondente ao anocalendário 1.992, com o resultado do período consolidado na forma determinada pela Lei n°. 8.383/91 (primeiro e segundo semestre conjuntamente). Em abril de 1.997, a Recorrente foi notificada da revisão relativa à Declaração de Ajuste Anual, limitada tal revisão à adição, ao resultado (já negativo) do anocalendário de 1.992 (primeiro e segundo semestre conjuntamente), de valores correspondentes a excesso de retirada dos administradores e a doações e contribuições não dedutíveis. Dessa revisão, não resultou qualquer contribuição social a pagar. Em que pese a correção da apuração de resultado negativo no anocalendário de 1.992 pela Recorrente (primeiro e segundo semestre, conjuntamente), apuração esta expressamente homologada quando da notifica, em 14.05.98, foi a Recorrente surpreendida pela lavratura do Auto de Infração que compõe o presente processo, mediante o qual, através de nova, ilegal e extemporânea revisão de sua Declaração de Ajuste Anual, pretendeu o Fisco Federal constituir crédito de Contribuição Social sobre o Lucro, na data — base de 30.06.92, relativo Fl. 354DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10880.013945/9809 Acórdão n.º 120100.714 S1C2T1 Fl. 355 10 apenas ao primeiro semestre daquele mesmo anocalendário de 1.992. A Contribuição Social sobre Lucro é tributo sujeito a lançamento por homologação, posto competir ao respectivo contribuinte, independentemente de qualquer ato da Administração, proceder a apuração e recolhimento do imposto. Em conseqüência, submetese esse tributo às disposições do Artigo 150 do Código Tributário Nacional, segundo o qual, decorridos 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, sem manifestação da Fazenda Pública, considerase homologado o lançamento e extinto o crédito fiscal. Ora, se o fato gerador, como expressamente declarado pelo próprio Fisco Federal, ocorreu 30.06.1992, em 30.06.1.997 extinguiuse, definitivamente, o direito da Fazenda de proceder á constituição de crédito fiscal sobre o mesmo suposto fato gerador, nos expressos termos do Artigo 150 do CTN. Assim, de plano, resulta evidenciada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, posto que, quando lavrado o Auto de Infração, em 14.05.98, já se encontrava definitivamente extinto o direito da Fazenda de proceder ao lançamento pretendido. Determina a Constituição Federal, em seu Artigo 146, inciso III, ser matéria reservada à lei complementar o estabelecimento das normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre prescrição e decadência tributários. Ora, a Lei n°. 8.212/91 tem caráter de legislação ordinária, não constituindo, portanto, lei apta a estabelecer prazo de decadência e prescrição de quaisquer tributos, inclusive de contribuições sociais, prevalecendo, a respeito, as disposições do Código Tributário Nacional, aliás conforme sedimentada jurisprudência. Concluise, portanto, serem totalmente infundadas e insubsistentes as alegações da decisão recorrida, no sentido de que o prazo decadencial para constituição do crédito fiscal em questão se extinguiria apenas após o decurso do prazo de 10 anos, contados na forma da Lei n°. 8.212/91. Porém, ainda que se admitisse como válida a alegação da decisão recorrida, no sentido de que o prazo decadencial para constituição de crédito fiscal de Contribuição Social sobre o Lucro é de 10 anos, ainda assim não haveria como se admitir que, quando lavrado o auto de infração objeto deste processo, ainda dispunha o Fisco Federal do direito de fazêlo. Isto porque a contribuição social, como já dito, e constitui tributo sujeito a lançamento por homologação. Ou seja, o contribuinte, independentemente de qualquer ato da Administração, apura e antecipa o recolhimento do valor devido. Tal apuração submetese a posterior homologação pela Fl. 355DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10880.013945/9809 Acórdão n.º 120100.714 S1C2T1 Fl. 356 11 Administração, homologação esta que pode ser tácita (decorridos cinco anos — ou dez, como pretende a decisão recorrida — da ocorrência do fato gerador), ou expressa, ou seja, mediante expressa manifestação da Fazenda Pública quanto à regularidade da apuração realizada pelo contribuinte. Homologado, expressa ou tacitamente, o lançamento, extinguise definitivamente o crédito fiscal (Artigos 150 e 156— VII do CTN). Como já referido inicialmente, no anocalendário de 1.992, a Recorrente procedeu ao recolhimento mensal da contribuição social sobre lucro apurada sob o regime de estimativa. Considerando as disposições da Lei n° 8.383/91, os contribuintes que optassem pelo recolhimento mensal em regime de estimativa, deveriam apurar a contribuição efetivamente devida na Declaração de Ajuste Anual, mediante consolidação dos resultados mensais, compensandose os valores já recolhidos por estimativa (Artigo 39, Parágrafo 50 . e Artigo 43, ambos da Lei n°. 8383/91). Em resumo: a base de cálculo da contribuição social em tela seria o lucro liquido apurado em 31.12.1992. Ocorre que, para surpresa da Recorrente, o formulário da Declaração de Ajuste a ser entregue em 1.993, relativa ao anocalendário de 1.992, estava formatado de forma a inviabilizar a apuração do resultado consolidado no ano de 1.992, dividindo o mesmo período (ressaltese que sem qualquer amparo legal) em dois períodos de apuração distintos: 1 °. semestre e 2°. semestre. A autuação tem como única suposta irregularidade justamente o registro, como exclusão do lucro liquido, na Coluna referente ao Primeiro Semestre da Declaração de Ajuste do Ano Calendário de 1.992, do prejuízo apurado na Coluna do Segundo Semestre na mesma Declaração. Temerosa de que tal procedimento viesse, justamente, a ser considerado irregular e indevidamente redutor dos tributos a serem recolhidos pela Recorrente (que, aliás, já haviam sido integralmente recolhidos e se constituem em crédito da Recorrente contra a Fazenda Federal), a Recorrente ingressou com Mandado de Segurança, para o fim de ser afastada a constituição de qualquer crédito fiscal decorrente de tal procedimento. O mandado de segurança não teve sua liminar deferida, tendo sido a autoridade fiscal intimada para prestar as informações que entendesse cabíveis, o que veio a fazer em 07.07.93. Ou seja, em 07.07.93, o Fisco Federal, de forma inequívoca, teve ciência de que a Recorrente, em sua Declaração de Ajuste Anual, referente ao anocalendário de 1.992, havia registrado, com exclusão do lucro liquido do 1 ° . Semestre de 1.992, o Fl. 356DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10880.013945/9809 Acórdão n.º 120100.714 S1C2T1 Fl. 357 12 prejuízo apurado no 2°. Semestre de 1.993, não estando impedido de constituir o pretenso crédito fiscal objeto deste processo, haja vista a inexistência de liminar suspensiva. Posteriormente, ao rever a mesma Declaração de Ajuste, o mesmo Fisco Federal não apontou qualquer ressalva, ou realizou qualquer lançamento, em razão do procedimento acima referido. Apenas ajustou deduções pertinentes a retiradas de administradores e doações e contribuições não dedutíveis, para efeitos de apuração do lucro real (base tributável pelo IRPJ). Por evidente, se a autoridade administrativa tinha expressa ciência da origem do montante de Cr$ 63.389.982.826,00 registrado na linha 65 da Coluna Primeiro Semestre da Demonstração do Lucro Real na Declaração de Ajuste da Recorrente e, ao rever referida Declaração, não fez qualquer ressalva ou correção de tal lançamento, EXPRESSAMENTE HOMOLOGOU TAL PROCEDIMENTO E 0 LANÇAMENTO CORRESPONDENTE. Sequer se pode, aqui, pretender que tal homologação estaria prejudicada, ao argumento de fraude, dolo ou simulação, porque a Recorrente, por intermédio do Poder Judiciário, expressamente informou ao Fisco Federal o procedimento que estava adotando para apuração da contribuição por ela devida no ano — calendário de 1.992. E, homologado expressamente o lançamento, não pode a Fazenda Pública revêlo, independentemente do prazo decadencial para constituição do crédito fiscal que se pretenda aplicável. Decorre o crédito fiscal, unicamente, do ilegal entendimento da fiscalização de que a Recorrente, no anocalendário de 1.992, estaria obrigada a proceder à apuração e recolhimento da contribuição social sobre resultados apurados de forma isolada em cada um dos semestres do mesmo anocalendário, e não sobre o resultado consolidado do mesmo anocalendário. Não eram estas, entretanto, as determinações constantes da Lei nr. 8.383/91 então vigente. Conforme se verifica dos Artigos 38 e 39 do diploma legal acima referido, foram estabelecidos dois regimes distintos para apuração e recolhimento da contribuição social (lembrandose que as sistemáticas de apuração e recolhimento da contribuição social sobre lucro e do IRPJ eram idênticas). Nos termos do Artigo 38, a contribuição é devido mensalmente, à medida em que a empresa apure base de cálculo positiva tributável. As empresas enquadradas nas determinações do Artigo 38, sujeitavamse, efetivamente, ao período de apuração mensal da base de cálculo e da contribuição devida. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10880.013945/9809 Acórdão n.º 120100.714 S1C2T1 Fl. 358 13 Pelo regime instituído pelo Artigo 39 da Lei n°. 8383/91, entretanto, a empresa nele enquadrada encontravase obrigada a recolher mensalmente a contribuição estimada como devida, realizando a apuração do resultado (base de cálculo), e consequentemente, da contribuição efetivamente devida, ao final do anocalendário, de acordo com o resultado consolidado do mesmo período. Nesta hipótese, portanto, o período de apuração da contribuição social sobre lucro permaneceu anual, em consequência do que: a) o recolhimento mensal poderia ser suspenso a qualquer momento, desde que balanços ou balancetes do período já decorrido demonstrassem que a contribuição recolhida por estimativa era superior àquela devida sobre o lucro liquido do mesmo período (Parágrafo 2o. do Artigo 39); b) não existia determinação de correção dos resultados mensalmente apurados; e c) a contribuição efetivamente devida seria apurada na Declaração de Ajuste Anual, mediante consolidação dos resultados mensais, compensandose os valores já recolhidos por estimativa (Parágrafo 5°. do Artigo 39 e Artigo 43, ambos da Lei n°. 8.383/91). A Recorrente, uma vez que cumpria as condições para tanto legalmente estabelecidas, optou por procede recolhimento mensal da contribuição social sobre lucro pelo regime de estimativa, suspendendo o recolhimento pertinente ao mês de dezembro de 1.992, uma vez que o Balanço Geral por ela encerrado em 31.12.92 demonstrou ter apurado resultados negativos no período (doc. 4 anexo Impugnação), de tal forma que toda a contribuição recolhida anteriormente o fora indevidamente. Ocorre que, ao proceder à elaboração da Declaração de Ajuste Anual, foi a Recorrente surpreendida com o sistema adotado pelo respectivo formulário, o qual separava o anocalendário de 1.992 em dois períodos de apuração distintos 01.01.92 a 30.06.92 e 01.07.92 a 31.12.92 de tal forma que a contribuição seria apurada sobre a consolidação semestral dos resultados mensais, e não sobre a consolidação anual dos mesmos resultados. Em consequência, embora houvesse a Recorrente, de acordo com seu Balanço Geral encerrado em 31.12.92, apurado resultados negativos, observando os novos períodos de apuração estabelecidos pelo formulário da Declaração de Ajuste, seria a Recorrente devedora de contribuição social relativamente ao primeiro semestre e credora de contribuição recolhida indevidamente relativamente ao segundo semestre. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10880.013945/9809 Acórdão n.º 120100.714 S1C2T1 Fl. 359 14 Evidente a distorção ocasionada pela impropriedade do formulário da Declaração de Ajuste Anual do exercício 93 / ano calendário 1.992 ás normas legais estabelecidas para o mesmo período. De forma a viabilizar a consolidação anual de seus resultados mensais, na forma estabelecida pelo Artigo 39 da Lei n. 8.383/91, a Recorrente procedeu à exclusão do lucro liquido do Primeiro Semestre do valor correspondente ao prejuízo apurado no Segundo Semestre, exclusão esta glosada pela Fiscalização, ao argumento de que tal procedimento estaria em desacordo com a legislação vigente. De fato, não existe determinação legal no sentido de que o prejuízo apurado no Segundo Semestre do anocalendário deveria (ou poderia) ser excluído do resultado apurado no Primeiro Semestre. Não existe tal determinação pelo simples motivo de que a Lei n°. 8.383/91, em nenhum momento, previu ou estabeleceu que a contribuição social sobre o lucro do ano calendário 1.992 seria objeto de dois períodos de apuração semestrais. Pelo contrário, como demonstrado acima, o período de apuração do lucro liquido, para as empresas que haviam optado pelo recolhimento mensal por estimativa, permaneceu anual. Confirase que o Artigo 86 da Lei n°. 8.383/91, ao se referir a Balanços e Balancetes semestrais os vincula, exclusivamente, à apuração dos tributos devidos mensalmente por estimativa, mas em nenhum momento determina a apuração da base de cálculo semestral. De fato, ainda que se entenda que o procedimento adotado pela Recorrente, para consolidação de seus resultados mensais do anocalendário de 1.992, na Declaração de Ajuste de 1.993, foi irregular, ainda assim é inegável que tal procedimento foi por ela, expressamente denunciado ao Fisco Federal, antes mesmo do inicio de qualquer procedimento de fiscalização, quer mediante a própria entrega da Declaração de Ajuste, quer mediante o ajuizamento do Mandado de Segurança acima referido. Ora, realizada a denúncia espontânea da infração, incabível a aplicação de penalidade, nos termos do Artigo 138 do Código Tributário Nacional. Destarte, na absurda hipótese de ser mantida a ação fiscal, cabível a exclusão do crédito fiscal correspondente à multa de oficio, haja vista a inegável ocorrência de denúncia espontânea por parte da Recorrente, do procedimento tido como irregular. Mais ainda, deve ser necessariamente observado que a Recorrente efetivamente pagou por antecipação, a título de recolhimento por estimativa, a quase totalidade do imposto lançado através da presente Ação Fiscal, o que absoluta e ilegalmente não Fl. 359DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10880.013945/9809 Acórdão n.º 120100.714 S1C2T1 Fl. 360 15 foi considerado pela decisão recorrida e que induz à inarredável insubsistência e improcedência dos Autos de Infração lavrados. Constada a existência de depósito judicial em Ação Cautelar, conforme mencionado pelo contribuinte, bem como diante da juntada de cópia do Mandado de Segurança mencionado acima, entendo que os autos estão aptos a julgamento. Seguem os enunciados trazidos pelo próprio contribuinte quanto ao objeto e pedido do Mandado de Segurança: 1. Em 22/10/2002, a Requerente impetrou Mandado de Segurança com pedido de liminar contra ato do Sr. Delegado da Receita Federal em São Paulo, distribuído sob o no 2002.61.00.0243010 para a 5ª Vara da Justiça Federal em São Paulo, objetivando, em síntese: a) a suspensão de todo e qualquer ato ou procedimento fiscal por parte do Impetrado, tendente à cobrança dos créditos fiscais objeto dos processos administrativos n°s 10880.012344/9825 (IRPJ e PISREPIQUE), 10880.013946/9863 (IRRF) e 10880.013945/9809 (CSSL); e b) como decorrência do quanto acima exposto, que o Impetrado se abstenha de (i) negar a expedição de Certidões Negativas de Débitos ou de Certidões Positivas com Efeitos de Negativa de Débitos quando solicitadas pela Impetrante, em razão da existência dos débitos fiscais objeto dos processos administrativos n's 10880.012344/9825, 10880.013946/9863 e 10880.013945/9809, e/ou de (ii) aplicar á Impetrante quaisquer outras restrições de cunho administrativo, com fundamento na existência dos mesmos débitos ilegais. O pedido da Requerente foi fundamentado no fato de ser o processo administrativo em epígrafe, manifestamente nulo, improcedente e insubsistente, uma vez que: a) a Declaração de Ajuste Anual da Impetrante referente ao ano base de 1992, foi oficial e formalmente homologada pela Secretaria da Receita Federal por meio de Notificação expressa nesse sentido, encaminhada à Impetrante em abril de 1997, sendo vedada a sua revisão e/ou alteração com base nos Artigos 146 e 150, e respectivo § 1°, do CTN; b) a expressa homologação da Declaração de Ajuste Anual da Impetrante referente ao anobase de 1992 pela Secretaria da Receita Federal foi objetivamente reconhecida e declarada por meio de decisão definitiva proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 93.00148770 (TRF n° 94.03.0912950), havendo, assim, "coisa julgada" em relação à matéria objeto dos créditos discutidos nos referidos processos administrativos, e c) quando da lavratura dos Autos de infração contra a Impetrante em 14/05/1998, os créditos fiscais que constituem o respectivo objeto, já haviam sido alcançados pela decadência qüinqüenal de que trata o parágrafo 4° do artigo 150 do CTN. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10880.013945/9809 Acórdão n.º 120100.714 S1C2T1 Fl. 361 16 3. Acolhendo os argumentos apresentados pela Requerente, a mm. Juíza da 5a Vara Federal em São Paulo, concedeu a liminar pleiteada, encontrandose, portanto, os créditos fiscais objeto do processo administrativo em referência com a exigibilidade suspensa até o julgamento final do Mandado de Segurança Impetrado (doc. 02). Em julgamento pela Terceira Câmara do Primeiro Conselho, os julgadores entenderam por rejeitar o Recurso interposto por falta de depósito recursal de 30%, bem como negar conhecimento ao Recurso em razão da concomitância com a ação judicial para todos os fundamentos de mérito trazidos no Recurso Administrativo. O débito foi inscrito em dívida ativa pela Fazenda Nacional. A Fazenda, inclusive, solicitou bloqueio de numerário em conta corrente junto ao sistema BACENJUD, nos autos de Execução Fiscal ajuizada perante a 2ª Vara de Execuções Fiscais Federais de Araçatuba. Em sentença de mérito no Mandado de Segurança em trâmite na 5ª Vara Federal em São Paulo, o Magistrado reconheceu a decadência quanto ao lançamento do tributo objeto do Auto de Infração em discussão. A Fazenda Nacional apresentou Recurso de Apelação, que aguarda julgamento junto ao TRF da 3ª Região. Em despacho, desprovido de sentido, visto que a questão administrativa já tinha se encerrado, em razão do julgamento pela Terceira Câmara do Primeiro Conselho, a PGFN de Araçatuba encaminhou o seguinte relato: Em que pese a matéria objeto do recurso administrativo proposto pelo contribuinte, notadamente no que diz respeito a decadência (mesmo sob o enfoque da súmula vinculante n.° 08, do STF), já ter sido elucidada nos autos da execução fiscal n.° 001017689.2004.403.6107, 2a Vara Federal de Aragatuba/SP, na qual foi declarada a inocorrência da decadência. E muito embora, tendo ciência de que a mesma matéria, foi discutida nos autos do mandado de segurança n.° 2002.61.00.0243010, 5a Vara Federal de São Paulo/SP, onde foi reconhecida a decadência de tais créditos, decisão esta objeto de análise recursal no TRF da 3a Regido, (Apelação da UNIÃO). Com fundamento nos pareceres PGFN/CRJ n.° 891/2010 e 1973/2010, e visando dar cumprimento ao disposto no verbete da súmula vinculante n.° 21 do STF: "É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para a admissibilidade de recurso administrativo", determino a remessa dos autos AO APOIO para que: a) Procedam ao cancelamento das CDA's n.° 80.6.04.05316604 e 80.6.04.11604012, averbando no registro da DAU, como motivo do cancelamento, a SV 21 do STF, a qual impôs a reanálise do julgamento administrativo, que anteriormente foi obstado/inadmitido em decorrência da ausência de depósito prévio; Fl. 361DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10880.013945/9809 Acórdão n.º 120100.714 S1C2T1 Fl. 362 17 b) Após o cancelamento das respectivas CDA's, remetam o respectivo procedimento administrativo, à RFB/ATA, ou diretamente ao Conselho dos Contribuintes, para reanalise do recurso proposto pelo contribuinte, avaliando o preenchimento dos requisitos para sua admissão e julgamento, porém independente do pagamento do débito, arrolamento de bens ou depósito prévio, ressalvando que segundo a legislação vigente, eventual debate pelo contribuinte na esfera judicial, à época da interposição do recurso administrativo, importa renúncia à sua análise. Este é o relatório! Voto Conselheiro RAFAEL CORREIA FUSO A decisão e encaminhamento do processo ao CARF, proposta pelo ilustre Procurador da Fazenda, é desprovida de aplicabilidade, pois este Tribunal já julgou o Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte e, reconheceu, dentre outros fundamentos, a concomitância do processo administrativo com o processo judicial (Mandado de Segurança no 2002.61.00.0243010, que tramitou perante a 5ª Vara da Justiça Federal em São Paulo, aguardando julgamento do Recurso de Apelação da fazenda nacional no TRF da 3ª Região). Portanto, a despeito da questão do depósito recursal ter sido mencionada no julgamento realizado pela 3ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, fato é que a questão da concomitância já fora analisada e decidida por essa mesma Corte. Nesse sentido, caberia ao contribuinte, quando da intimação do acórdão proferido pela 3ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ter interposto Recurso Especial para a Câmara Superior de Recursos Fiscais, o que não ocorreu. Nesse sentido, considero definitivo o julgamento da matéria em sede administrativa, haja vista o reconhecimento da concomitância. Devolvo os autos à PGFN, para as providências cabíveis. É como voto! (documento assinado digitalmente) RAFAEL CORREIA FUSO Relator Fl. 362DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10880.013945/9809 Acórdão n.º 120100.714 S1C2T1 Fl. 363 18 Fl. 363DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO
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Numero do processo: 13888.001148/99-24
Data da sessão: Tue Jul 07 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Jul 07 00:00:00 UTC 2009
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/12/1991 a 31/03/1992
NORMAS PROCESSUAIS OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL.
O ajuizamento de qualquer modalidade de ação judicial anterior,
concomitante ou posterior ao procedimento fiscal, importa renúncia à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa, e o apelo eventualmente interposto pelo sujeito passivo não deve ser conhecido pelos órgãos de julgamento da instância não jurisdicional. A Renúncia à discussão administrativa importa em manutenção integral da decisão que indeferiu o pedido de repetição de indébito apresentado pelo sujeito passivo.
Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido
Numero da decisão: 9303-000.113
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial, por opção pela via judicial.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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Numero do processo: 13807.006131/2001-56
Data da sessão: Thu Nov 05 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Nov 05 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA IRAI CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO — CSLL GLOSA DE DESPESAS.
Comprovado documentalmente que o contribuinte efetivamente incorreu em custos e despesas dedutíveis e que haviam sido glosadas por falta de comprovação, devem as mesmas ser excluídas da matéria tributável na formação de base de incidência do imposto de renda.
Recurso de oficio negado
Numero da decisão: 1401-000.128
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso de oficio, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente, momentaneamente e justdicadamente a Conselheira karem Jureidini Dias.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Alexandre Antônio Alkmim Teixeira
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Comprovado documentalmente que o contribuinte efetivamente incorreu em custos e despesas dedutíveis e que haviam sido glosadas por falta de comprovação, devem as mesmas ser excluídas da matéria tributável na formação de base de incidência do imposto de renda. Recurso de oficio negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente, momentaneamente e justdicadamente a Conselheira karem Jureidini Dias. ,„/ tree I MA A-01AS PESSOA DE MONTEIRO — Presidente ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA — Relator EIDTADO EM: 09 m A p 2 0 10 Participaram, da presente sessão de julgamento os Conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente), Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alicmim Teixeira, João Francisco Bianco (Suplente Convocado), Nelso Kichel (Suplente Convocado) e Karen Jureidini Dias (Vice-Presidente). • Relatório A Delegacia da Receita Federal em São Paulo — Indústria instaurou procedimento de fiscalização da Recorrente, objetivando a apuração da correção no recolhimento do imposto de renda pessoa jurídica — IRPJ e contribuição social sobre o lucro líquido — CSLL nos anos-calendário de 1996 e 1997 período em que apurou o seus tributos pelo lucro real de forma mensal.. Conforme se verifica do Termo de Verificação Fiscal, às fls. 183, no ano de 1996 a Recorrente apresentou "prejuízos fiscais em todos os meses do ano-calendário; porém não adicionou ao lucro líquido do exercício, no cálculo do lucro real, o excesso de retiradas de administradores em relação ao MÍNIMO ASSEGURADO INDIVIDUAL". Com relação à CSLL, "embora já tivesse apurado base negativa no próprio mês, também compensou valores da Base e Cálculo Negativa da Contribuição Social de períodos anteriores , acarretando uma distorção no cálculo efetivo da contribuição real do mês", tendo, ainda, errado "no cálculo da correção monetária da Base Negativa de anos anteriores, fazendo correções inclusive no próprio ano-calendário de 2006, onde já não era mais admitido, acarretando a correção a maior, como já apurado no Demonstrativo de Base de Cálculo Negativa da Contribuição Social calculado pela própria empresa" (fls. 184). Foi, assim, retificada a escrita contábil quanto aos prejuízos acumulados no ano-calendário de 2006. Com relação ao ano-calendário 2007, a Recorrente foi instada a apresentar, além da documentação de praxe, comprovação e/ou despesas incorridas no período, deforma a comprovar a regularidade de sua dedução na base de formação do imposto de renda e da CSLL No entanto, referida documentação não foi apresentada pela empresa fiscalizada. Quanto isso, leia-se o termo de verificação fiscal às fls. 185, in verbis: "Em 06/02/2001, como a empresa não logrou cumprir o solicitado, foi novamente REINT1MADA a fazê-lo, num prazo de cinco dias e, em 16/02/2001, respondeu, através de seu procurador, que não elaborou os balancetes nem os demonstrativos de resultados mensais do ano-calendário de 1997; não possui os livros de registro de entradas, saídas, inventário e outros auxiliares da escrituração e, quanto ao livro de ocorrências fiscais, o mesmo foi extraviado". Diante disso, a Fiscalização procedeu da seguinte forma: "Assim sendo, considerando que até esta data, onde já se passaram vários meses, a empresa não apresentou qualquer documento comprobatório de seus custos e/ou despesas, nem sequer esboçou algum esforço m fazê-lo; inclusive sequer possui livro de entradas, saídas, inventário; porém, como apresentou os livros Diário, Ratão e LALUR, sem qualquer comprovação documental dos lançamentos neles feitos, o seu lucro não será arbitrado, mas os CUSTOS E DESPESAS que influenciaram na apuração do lucro liquido e por conseguinte, do lucro-real do ano-calendário-de 1997,- serão glosados por absoluta falta de - comprovação documental dos mesmos". 2 Processo n" 13807.006131/2001-56 SI-C4TI Acórdão n.° 1401-00.128 Fl. 2 Foi, assim, lavrado auto de infração, com exigência de IRPJ c CSLL devidos no ano-calendário de 1997, acrescido de multa de oficio de 75%, tendo o lançamento sido notificado ao contribuinte em 06/06/2001. Irresignada, a Contribuinte apresentou impugnação, em que alega a absoluta impropriedade do auto de infração, vez que, na ausência dos elementos escriturais da empresa, deveria a Fiscalização ter apurado o lucro tributável pelo arbitramento; Assim, ao descartar a totalidade das despesas como forma de apuração do seu lucro tributável, o auto de infração não só negou vigência ao disposto no art. 529 e 530 do RIR199, como também cerceou o seu direito de defesa. Isso porque, no seu entendimento se "a escrita apresentada pela empresa, bem como a documentação ofertada (ainda que faltassem, alguns elementos) era suficiente para apuração dos resultados com base no lucro real", também o deveria ser para a consideração das despesas incorridas. Diante disso, a Recorrente juntou o que chamou de "montanha de papéis e similares", como forma de suportar e demonstrar, pela prova documental, os custos e despesas incorridos e registrados em sua escrita contábil. Dentre os documentos apresentados, a Recorrente apontou "contas de água, luz e pagamento aos principais fornecedores", ressaltando tratar-se de mera amostragem, pugnando pela apresentação posterior de outros documentos. No mérito, a Recorrente argumentou que, como apurava o imposto de renda pela periodicidade mensal, o crédito tributário lançado havia sido alcançado pelo decadência, computado qüinqüídio entre a data da ocorrência do fato gerador a cada mês, e a data da notificação do lançamento, nos termos do art. 150, § 4° do CTN. Ainda, pretendeu, a Recorrente, fosse reconhecida por inconstitucional a trava de 30% fixada pela lei n°8981/95 para o aproveitamento dos prejuízos. Por fim, requereu fosse reconhecida a ilegalidade da adoção da SELIC como forma de correção do débito lançado. Submetido o feito à análise da Delegacia Regional de Julgamento de São Paulo, foi o processo baixado duas vezes em diligência, de forma a verificar se os documentos e as notas fiscais apresentadas eram suficiente para serem consideradas como despesas dedutíveis para fins de tributação. Posto o feito em julgamento, entendeu a DRJ por dar parcial provimento ao lançamento, afastando o pleito de decadência e, no mérito, reconhecendo como devidamente comprovada parcela das despesas que haviam sido glosadas pelo auto de infração. Tendo sido exonerado tributo em montante superior ao limite de alçada, referida decisão ficou pendente da revisão de oficio. 3 Notificada a Contribuinte, a mesma não interpôs o competente recurso voluntário. Assim, os débitos não exonerados foram transferidos para o processo administrativo n° 16151.000.011/2008-61, ficando, neste feito, apenas os débitos exonerados pela DRJ, cuja decisão está pendente de revisão. É o relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE ANTONIO ALKIVIIM TEIXEIRA, Relator A decisão recorrida exonerou crédito superior ao limite de alçada, atualmente fixado em R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), razão pela qual o presente recurso de oficio merece conhecimento. A questão posta em debate perante a DRS e que levou à exoneração do credito tributário ora em análise refere-se ao cancelamento das glosas que levaram à lavratura do lançamento, tendo em vista a apresentação, pelo contribuinte, de documentos comprobatórios da efetividade das despesas incorridas. Pois bem. O contribuinte, durante o procedimento de fiscalização, deixou de apresentar qualquer documento comprobatório das despesas e custos incorridos no ano- calendário 1997, pelo que o auto de infração glosou custos no montante de R$ 42.200.788,21, sendo eles R$ 21.261.943,15 referentes aos custos registrados na ficha 04, R$ 15.862.828,40 referentes às despesas operacionais registradas na ficha 05 e R$ 5.076.016,66 referentes à outras despesas que influenciaram o resultado do período, todas da Declaração de Imposto de Renda 1997. Como forma de afastar referidas glosas, o Recorrente apresentou os documentos de fls. 239/3623 que, após devidamente diligenciados, produziram o relatório de fls. 6432/6438. No entanto, a Recorrente voltou a apresentar novos documentos, às fls. 3635/6371 que, após diligenciados, produziram o relatório complementar de fls. 6666/6667. Em referidos relatório, a Autoridade Fiscal responsável pela diligência entendeu ter havido a efetiva comprovação de parte dos custos glosados na ficha 04 da DIPJ, referente aos seguintes custos: Ficha 04 - custo do pessoal aplicado na produção R$ 5.975.871,61 - encargos sociais R$ 3.339.119,58 - alimentação trabalhador RS 205.663,08 - transporte empregados R$ 756.566 50 Processo n° 13807.006131/2001-56 51-C4T1 Acórdão n•° 1401-00.128 Fl. 3 - total R$ 10.277.220,77 Ainda, a diligência deu por comprovadas parte das despesas glosadas na ficha 05, quais sejam: Ficha 05 - remuneração a dirigentes R$ 216.378,00 - ordenados, salários R$ 1.336.305,92 - encargos sociais R$ 1.038359,63 - alimentação trabalhador R$ 50.399,36 - transporte de empregados R$ 71.653 48 - Total reconhecido na Ficha 05 R$ 2.713.296,39 Diante disso, outra não foi a solução dada pela decisão Recorrida, que não a alteração da matéria tributável, de forma a afastar a glosa e excluir a tributação sobre referidos valores. Cumpre esclarecer que, com relação às demais despesas, principalmente àqueles referentes às despesas por aquisição de bens destinados à produção, a Recorrente conseguiu comprovar a efetividade do montante de R$ 4.472.740,01 (l a Diligência) e R$ 14.465.756,91 (21 Diligência). No entanto, como, no lançamento, já haviam sido consideradas despesas registradas no SIGA no montante de R$ 21.862.430,99, ou seja, valor superior ao comprovado pelos documentos juntados, a glosa destas despesas foi mantida. Desta feita, entendo estar correto o posicionamento adotado pela decisão recorrida, posto que, comprovado documentalmente que o contribuinte efetivamente incorreu em custos e despesas dedutiveis e que haviam sido glosadas por falta de comprovação, devem as mesmas ser excluídas da matéria tributável na formação de base de incidência do imposto de renda; , por conseguinte, da CSLL. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso de oficio. .41111111111r— ALEXANDRE ANTONIO ALKIVIIM TEIXEIRA
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Numero do processo: 10840.003540/2004-49
Data da sessão: Thu Oct 01 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Oct 01 00:00:00 UTC 2009
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 1998
Ementa: MULTA ISOLADA NA FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. É inaplicável a penalidade quando há concomitância com a
multa de oficio sobre o ajuste anual, ou apuração de prejuízo fiscal no período.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 9101-000.358
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso da Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Adriana Gomes Rêgo, Leonardo de Andrade Couto e Waldir Veiga Rocha que davam provimento ao recurso.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: Antônio José Praga de Souza
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1998 Ementa: MULTA ISOLADA NA FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. É inaplicável a penalidade quando há concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual, ou apuração de prejuízo fiscal no período. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Adriana Gomes Rêgo, Leonardo de Andrade Couto e Waldir Veiga Rocha que davam provimento ao recurso. rrOftlO PRAGA - Presidenta Substituto e Relator EDITADO EM: 16/10/2009 j Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Praga (Presidente Substituto), Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (Vice-Presidente Substituto), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Karem Jureidini Dias, Adriana Gomes Rêgo, Antonio Carlos Guidoni Filho, Leonardo de Andrade Couto, Valmir Sandri, Waldir Veiga Rocha (substituto convocado) e João Carlos de Lima Júnior (substituto convocado). i Relatório Trata-se de Recurso Especial apresentado com fundamento no artigo 7°., inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Portaria n° 147/2007), vigente à época, que foi admitido em relação à seguinte matéria : MULTA ISOLADA NA FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA Na sessão plenária de 21/06/06, a Quinta Camara do ICC julgou o Recurso Voluntário n° 148776, e decidiu: "Por maioria de votos, DAR provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães.. ". A decisão foi formalizada em acórdão , que traz a seguinte ementa na parte LUCRO REAL ANUAL - MULTA PELO NÃO PAGAMENTO DO IMPOSTO CALCULADO POR ESTIMATIVA, LANÇADA DEPOIS DE TERMINADO O ANO-CALENDÁRIO - "A falta de recolhimento está sujeita às multas de 75% ou 150%, quando o contribuinte não demonstra ser indevido o valor do IRPJdo mês em virtude de recolhimento excedentes em períodos anteriores. (Lei n°9.430/96, art. 44, § I o , inciso IVc/c art. 2 o ). Contra-razões fls. 202-210. E o relatório no essencial. _ em litigio: 2 Processo n° 10840.003540/2004-49 Acórdão n.° 9101-00.358 CSRF-T1 Fl. 2 Voto Conselheiro Antonio Praga - relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade. No que tange especificamente a exigência da multa de oficio isolada, por falta de recolhimento do IRPJ sobre estimativas, após o encerramento do ano-calendário, verifica-se que a penalidade foi aplicada com fulcro no art. 44, inciso I, e § I o , inciso IV, da Lei 9.430/96, do seguinte teor: .Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I - de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte;" § 1°'As multas de que trata este artigo serão exigidas: I-~ juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos IV - isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2°, que deixar de fazê-lo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano- calendário correspondente;" (GrifeO Por sua vez, o art. 2 o , referido no inciso IV do § 1° do art. 44, dispõe: Art. 2 a A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art, 15 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ I o e 2 o do art 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei n°9.065, de 20 de junho de 1995 Os artigos 29, 30, 31, 32 e 34 da Lei 8.981/95 tratam da apuração da base estimada. O art. 35 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995, consubstancia hipótese em a falta de pagamento ou o pagamento em valor inferior é permitida (exclusão de ilicitude). Diz o dispositivo: 3 "Ari. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1° Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do ano-calendário. (...)" Do exame desses dispositivos pode-se concluir que o art. 44, inciso I, c.c o inciso IV do seu § I o , da Lei 9.430/96 é norma sancionatória que se destina a punir infração substancial, ou seja, falta de pagamento ou pagamento a menor da estimativa mensal. Para que incida a sanção é condição que ocorram dois pressupostos: (a) falta de pagamento ou pagamento a menor do valor do imposto apurado sobre uma base estimada em função da receita bruta; e (b) o sujeito passivo não comprove, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. Destaco trecho do voto proferido pelo Ilustre Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima, no julgamento do Recurso n° 105-139.794, Processo n° 10680.005834/2003- 12, Acórdão CSRF/01-05.552, verbis: 'Assim, o tributo correspondente e a estimativa a ser paga no curso do ano devem guardar estreita correlação, de modo que a provisão para o pagamento do tributo há de coincidir com valor pago de estimativa ao final do exercício. Eventuais diferenças, a maior ou menor, na confrontação de valores geram pagamento ou devolução do tributo, respectivamente. Assim, por força da Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de negar provimento ao recurso interposto peia Fazenda Nacional. própria base de cálculo eleita "elo legislador — totalidade ou diferença de tributo - só há falar em multa isolada quando evidenciada a existência de tributo devido ". 4
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