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4611953 #
Numero do processo: 13808.004715/2001-87
Data da sessão: Mon Nov 03 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Mon Nov 03 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 1998, 1999 Ementa: IRRE. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO FALTA DE RETENÇÃO. MEDIDA JUDICIAL. Impedida a fonte pagadora de efetuar retenção do IRRF sobre juros sobre capital próprio, em cumprimento de medida judicial impetrada pela beneficiária do rendimento, incabível dela se exigir o imposto que deixou de ser retido, cabendo o seu pagamento pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: CSRF/04-01.142
Decisão: ACORDAM os membros da Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: Ana Maria Ribeiro dos Reis

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4618312 #
Numero do processo: 10880.033916/99-36
Data da sessão: Mon Nov 12 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Sun Nov 11 00:00:00 UTC 2007
Ementa: FINSOCIAL. Inconstitucionalidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal. Prescrição do direito de Restituição/Compensação. Dies a quo. Edição de Ato Normativo que dispensa a constituição de crédito tributário. Medida Provisória n° 1.110 de 30.08.1995. Duplo Grau de Jurisdição. Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO - DUPLO GRAU - ANÁLISE DE MÉRITO -Nos processos administrativos fiscais de pedido reconhecimento do direito creditório, cujo litígio instaurou-se apenas quanto ao prazo para interposição do pleito, ou seja, a unidade de origem da Receita Federal não apreciou o mérito, afastada essa preliminar, os autos devem retornar àquela origem para essa análise, podendo o contribuinte apresentar outra manifestação de inconformidade à DRJ, no prazo de 30 dias da ciência, caso discorde da nova decisão. Recurso especial negado.
Numero da decisão: CSRF/03-05.463
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, 1) por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Prevaleceu o entendimento que a contagem do prazo de 5 (cinco) anos para interpor o pedido de restituição do Finsocial iniciou-se em 31/08/1995, com a publicação da Medida Provisória n° 1.110 de 30/08/1995. Em face da proposição de três teses distintas, na primeira votação ficaram vencidos os Conselheiros Anelise Daudt Prieto e Antônio José Praga de Souza, que davam provimento integral ao recurso, sob o entendimento que esse prazo tem como marco final a publicação do Ato Declaratório SRF n° 96, em 30/11/1999. Em segunda votação foram vencidos os Conselheiros Judith do Amaral Marcondes Armando, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Valmir Sandri, para os quais esse prazo é de 10 (anos), contados da ocorrência de cada fato gerador (tese dos "cinco + cinco"), e davam provimento parcial ao recurso. Os Conselheiros Anelise Daudt Prieto e Antônio José Praga de Souza, vencidos na primeira votação, acompanharam a tese vencedora. 2) Pelo voto de qualidade, foi determinado o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal (DRF) de origem, para enfrentamento do mérito, podendo o Contribuinte, se discordar da nova decisão, interpor manifestação de inconformidade dirigida à DRJ, vencidos os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Marciel Eder Costa, Anelise Daudt Prieto e Valmir Sandri que determinavam o retorno dos autos à DRJ. Designado para redigir o voto vencedor nesta parte o Conselheiro Antônio José Praga de Souza.
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA

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4615392 #
Numero do processo: 19647.000455/2003-17
Data da sessão: Thu May 07 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu May 07 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL, NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Eventuais irregularidades na emissão do mandado de procedimento fiscal não induzem a nulidade do auto de infração, pois o MPF é mero instrumento de controle da atividade fiscal e não um limitador da competência do agente público. IRPF. DECADÊNCIA. O IRPF é tributo sujeito ao lançamento por homologação, motivo pelo qual o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário é de cinco anos, contado do fato gerador, que, corno regra, ocorre no dia 31 de dezembro de cada ano-calendário, DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA, PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. O artigo 42 da Lei n. 9.430/96 estabelece presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte desconstituí-la. MULTA DE OFÍCIO. LEI 9,4.30/96, ART, 44, L VIOLAÇÃO AO ARTIGO 150,1V, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. A multa de oficio é devida nos termos do artigo 44, 1, da Lei n. 9.430/96, só podendo ser afastada pelo Poder Judiciário, de acordo com a Súmula n. 2, segundo a qual "O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária", JUROS DE MORA. TAXA SELIC, "A partir de 1" de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais" (Súmula n 4 do Primeiro Conselho de Contribuintes). Recurso negado.
Numero da decisão: 3301-000.066
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos em AFASTAR a preliminar de irretroatividade, vencido o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva. Por unanimidade de votos, em AFASTAR as demais preliminares, e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Alexandre Naoki Nishioka

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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL, NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Eventuais irregularidades na emissão do mandado de procedimento fiscal não induzem a nulidade do auto de infração, pois o MPF é mero instrumento de controle da atividade fiscal e não um limitador da competência do agente público. IRPF. DECADÊNCIA. O IRPF é tributo sujeito ao lançamento por homologação, motivo pelo qual o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário é de cinco anos, contado do fato gerador, que, corno regra, ocorre no dia 31 de dezembro de cada ano-calendário, DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA, PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. O artigo 42 da Lei n. 9.430/96 estabelece presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte desconstituí-la. MULTA DE OFÍCIO. LEI 9,4.30/96, ART, 44, L VIOLAÇÃO AO ARTIGO 150,1V, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. A multa de oficio é devida nos termos do artigo 44, 1, da Lei n. 9.430/96, só podendo ser afastada pelo Poder Judiciário, de acordo com a Súmula n. 2, segundo a qual "O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária", JUROS DE MORA. TAXA SELIC, "A partir de 1" de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais" (Súmula n 4 do Primeiro Conselho de Contribuintes). Recurso negado.

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Eventuais irregularidades na emissão do mandado de procedimento fiscal não induzem a nulidade do auto de infração, pois o MPF é mero instrumento de controle da atividade fiscal e não um limitador da competência do agente público, IRPF. DECADÊNCIA, O IRPF é tributo sujeito ao lançamento por homologação, motivo pelo qual o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário é de cinco anos, contado do fato gerador, que, corno regra, ocorre no dia 31 de dezembro de cada ano-calendário, DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA, PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS, O artigo 42 da Lei n. 9.430/96 estabelece presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte desconstituí-la. MULTA DE OFÍCIO. LEI 9,4.30/96, ART, 44, L VIOLAÇÃO AO ARTIGO 150,1V, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. A multa de oficio é devida nos termos do artigo 44, 1, da Lei n. 9.430/96, só podendo ser afastada pelo Poder Judiciário, de acordo com a Súmula n. segundo a qual "O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária", JUROS DÉ MORA. TAXA SELIC, "A partir de 1" de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais" (Súmula n_ 4 do Primeiro Conselho de Contribuintes). Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos em AFASTAR a preliminar de irretroatividade, vencido o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva. Por unanimidade de votos, em AFASTAR as demais preliminares, e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. IV YE MAL QUIAS-PESSOA MO EIRO - Presidente ( I Úà-, Alexan te Naoki Nishioka Relator FORMALIZADO EM: 9 8 NUN 'mu Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ivete Malaquias Pessoa Monterio, Alexandre Naoki Nishioka, José Raimundo Tosta Santos, Naja Matos Moura, Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Rubens Mauricio Carvalho (Suplente convocado), Sidney Ferro Barros (Suplente convocado) e Moisés Giacomelli Nunes da Silva. Relatório Trata-se de recurso voluntário (fis. 490/518) interposto em 10 de agosto de 2004 contra o acórdão de fls, 460/486, do qual o Recorrente teve ciência em 09 de julho de 2004 (fi. 489), proferido pela 1" Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife (PE), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de fls. 05/12, lavrado em 14 de agosto de 2003, em virtude de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, verificada no ano-calendário de 1998. O relatório contido no acórdão recorrido resume as infrações apontadas e as alegações do Recorrente da seguinte forma: "Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de lis 04/13, no qual é cobrado o Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativamente ao ano-calendário de 1998, no valor total de R$ 507,847,23 (quinhentos e sete mil, oitocentos e quarenta e sete reais e vinte e três centavos), acrescido de multa de lançamento de oficio e de juros de mora, calculados até 2 Processo ri° 19647.000455/2003-17 Acórdão a° 3301-OG.066 S3-C3T1 A 566 31/07/2003, perfazendo um crédito tributário total de R$ 1.275.559,88 (um milhão, duzentos e setenta e cinco mil, quinhentos e cinqüenta e nove reais e oitenta e oito centavos). 2. Foi expedido o Termo de Início de Fiscalização de fis. 25, pelo qual foi solicitado ao contribuinte que apresentasse, em relação ao ano-calendário de 1998, entre outros documentos, os extratos mensais de contas-correntes, cadernetas de poupança e aplicações financeiras mantidas em instituições financeiras no Pais e no exterior. Ciência em 06/05/2002, conforme AR de fls. 26, 3. O contribuinte compareceu à DRF/Recife no dia 20/05/2002, tendo prestado as informações contidas no Termo de fls. 29, entre elas que dispunha de conta-corrente junto ao Banco Rural S/A. Posteriormente, no dia 27/05/2002, apresentou cópia de solicitação de emissão de extratos (fis, 30), protocolizada junto à citada instituição financeira. 4. A fiscalização, mediante consulta aos sistemas informatizados da SRF, teve conhecimento da existência de contas-correntes em nome do contribuinte, além do Banco Rural S/A, nas seguintes instituições financeiras: Banco Citibank S/A, Banco Bilbao Vizcaya Argentaria Brasil S/A e Banco Francês e Brasileiro S/A. 5. Tendo em vista que o contribuinte não apresentou os extratos solicitados na intimação até o dia 17/07/2002, foram expedidas as Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira de fls. 160/166, pelas quais as instituições financeiras Banco Bilbao Vizcaya Argentaria Brasil S/A, Banco Francês e Brasileiro S/A, Banco Rural S/A e Banco Citibank, respectivamente, foram intimadas a apresentar dados relativos à movimentação das contas-correntes do contribuinte no ano-calendário de 1998, bem assim dados constantes da ficha cadastral. Em atendimento, foram apresentados as cartas-resposta de fis, 211, 221/222, 331/332 e 390 e os documentos de fls. 212/220, 223/330, 333/389 e 391/406, 5.1 A Requisição encaminhada para o Banco Francês e Brasileiro S/A foi respondida pelo Banco Itati S/A, para onde migraram as contas do primeiro, conforme informação constante à fis, 221, 6. A fiscalização, então, de posse da documentação coletada, procedeu à elaboração de planilhas contendo os depósitos bancários efetuados nas contas- correntes de titularidade do contribuinte nas citadas instituições financeiras (fis 15/22), e as encaminhou ao contribuinte, mediante intimação, solicitando que ele comprovasse, mediante a apresentação de documentação hábil, a origem dos recursos depositados nas contas bancárias (fis, 149/157). Ciência em 01/07/2003, conforme AR de fls. 148. 6,1 O contribuinte não atendeu à intimação dentro do prazo estipulado 7 Foram intimadas também diversas pessoas físicas e jurídicas (lis 38/40, 50/51, 122/124, 125/127, 128/130, 131/1.33, 141/144, 146/147, 168/169), 8. A fiscalização, então, procedeu à lavratura do Auto de Infração, em virtude de ter sido constatada omissão de rendimentos provenientes de valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidos em instituições financeiras, cuja origem dos recursos não foi comprovada mediante documentação hábil e idônea, conforme descrição dos fatos de fls. 06/10, 9. Ciência do lançamento em 19/08/2003, conforme AR de fls. 414. 3 Processo n° 19647.000455/2003-11 83-C3 T 1 Acárdào n ° 3301-00366 Ft 567 10, Não concordando com a exigência, o contribuinte apresentou, através de procurador — instrumento de procuração à Os 446 -, em 1810912003, a impugnação de Os 416/445, alegando, em síntese: I — que o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n° 0410100200200114, que deu início à fiscalização, tinha como validade o dia 21/06/2002, tendo sido renovado até dia 16/07/2003, quando foi extinto; II — que o arts, 15 e 16 da Portaria SRF n° 3,007, de 26/11/2001, estabelecem que o MPF se extingue pelo decurso do prazo a que se referem os arts, 12 e 13 da mesma Portaria, e que, quando da emissão de novo MPF não poderá ser indicado o mesmo AFRF responsável pela execução do MPF extinto; III — que o novo MPF emitido em 18/07/2003, de n° 0401002003004199, manteve como supervisor o mesmo AFRF responsável pela execução do MPF extinto, Sr. Ricardo Rocha de Holanda Coutinho, razão pela qual o Auto de Infração é nulo, nos termos do art. 59, inciso I, do Decreto n° 70,235/1972; IV — que havia operado a decadência do direito de lançar, relativamente aos fatos geradores ocorridos até o dia 11/08/1998, citando Acórdãos do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais; V- que os valores creditados em conta de depósito ou de investimento não podem estar, ao mesmo tempo, no campo de incidência da CPMF e do IRPF; VI — que os depósitos bancários, por si só, não constituem fato gerador do imposto de renda, pois é imprescindível que seja comprovada a utilização dos valores depositados como renda consumida, citando Acórdãos do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais; VII — que ele praticava a função de intermediário na comercialização de combustíveis, recebendo os valores através de depósitos em sua conta-corrente, e pagava às usinas, que emitiam as notas fiscais em nome das compradoras, conforme resposta da empresa "Destilaria União" no curso da ação fiscal; VIII — que toda a mercadoria objeto das vendas por ele intermediadas foi entregue à empresa "Gran Oil S/A", tendo ele recebido apenas sua comissão como intermediário; IX — que as operações com a "Destilaria União" totalizaram depósitos correspondentes a R$ 978 107,00, conforme planilha elaborada pela própria Receita Federal anexada ao Auto de Inflação, valor equivalente a 52,86% da movimentação financeira do defendente; X — que o lançamento com base em depósitos bancários fere o princípio da tipicidade fechada, pois não está inserido no conceito de "lucros" ou "rendas", citando artigos do Código Tributário Nacional e doutrina; XI — que a exigência imposta incide sobre o patrimônio, o que é inconstitucional, pois o patrimônio não é fato gerador do imposto de renda; XII — que, dos valores apontados pelo Fisco, não se pode deduzir se teriam havido transferências entre contas ou cheques devolvidos, fato que impõe a improcedência da autuação, porquanto in dubio pro rea; XIII — que a Lei n° 9,430/1996 alterou a definição e o alcance de institutos de Direito Privado, e também do próprio Direito Tributário, pois a adoção, por lei 4 Processo n° 19647.000455/2003-17 S3-C3T1 Acórdão n.° 3301-00.066 Fl 568 ordinária, do conceito de "valores creditados em conta de depósito ou investimento mantida junto a instituição financeira" corno fato gerador do imposto de renda negou vigência aos arts 43 e 44 do Código Tributário Nacional, que têm status de lei complementar; XIV — que o art 42 da Lei n° 9A30/1996 é inconstitucional; XV — que a multa de oficio, no percentual de 75%, é confiscatória, citando decisões judiciais; XVI — que a taxa Selic não pode ser utilizada como juros de mora, pois é utilizada no mercado financeiro para fins de remuneração do capital, possuindo natureza de juros remuneratórios, e não de juros moratórias para créditos fiscais; XVII — que a utilização da taxa Selic como juros de mora é indevida, ilegal e inconstitucional, citando doutrina e decisões judiciais. XVIII — que o Superior Tribunal de Justiça considerou inconstitucional a utilização dos juros de mora calculados com base na taxa Selic; XIX — que, havendo dúvida, deve prevalecer o princípio in dublo pra mo; XX — que requer a realização de perícia por discordar de todos os valores apontados no Auto de Infração e para que o perito diga se os valores indicados nos extratos bancários fazem prova da existência de renda ou proventos, à luz dos arts. 4.3 e 44 do CTN, indicando, como seu perito, o Dr. Valdene de Morais Cavalcanti de Albuquerque, com escritório à Rua Sport Clube do Recife, 280, sala 705, Ilha do Retiro, Recife — PE" (fls. 464/466). A Recorrida julgou procedente o lançamento, por meio de acórdão que teve a seguinte ementa: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - 1RPF Ano-calendário: 1998 Ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1" de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. DEPÓSITOS BANCÁRIOS, ÔNUS DA PROVA. ç". Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações de cunho genérico. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. TRIBUTAÇÃO. Processo n' 19647 000455/2003-17 S3-C311 Acórdào n 3301-00.066 Fl. 69 Os rendimentos omitidos pelo contribuinte, correspondentes a depósitos bancários de origem não comprovada, devem ser acrescidos aos valores tributáveis declarados e submetidos à tabela progressiva anual, para fins de apuração do imposto devido. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1998 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE, Não restando comprovada a ocorrência de preterição do direito de defesa nem de qualquer outra hipótese expressamente prevista na legislação, não há que se falar em nulidade do lançamento, MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal, sob a égide da Portaria que o criou, é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais, não implicando nulidade do procedimento fiscal mesmo que hajam eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO, Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de realização de perícia, mormente quando o ônus da prova é do contribuinte. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1998 Ementa: IRPF. DECADÊNCIA DO DIREITO DE LANÇAR. Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita a ajuste na declaração anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação, devendo o prazo decadencial, na hipótese de pagamento do imposto — mesmo que parcial -, ser contado a partir da ocorrência do fato gerador ., que ocorre em 31 de dezembro MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO, ARGÜIÇÃO DE EFEITO CONFISCATÓRIO, As multas de oficio não possuem natureza confiscatória, constituindo- se antes em instrumento de desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, atingindo, por via de conseqüência, apenas os contribuintes infratores, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO E DE JUROS DE MORA. LEGALIDADE. É cabível, por disposição literal de lei, a incidência de multa de oficio no percentual de 75% e de juros de mora com base na variação da taxa Selic, 6 Processo tf 19647000455/2003-17 S3-C3T1 Acórdão n° 3301-00.066 Fi 570 sobre o valor do imposto apurado em procedimento de oficio, que deverão ser exigidos juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE, INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. Não se encontra abrangida pela competência da autoridade tributária administrativa a apreciação da inconstitucionalidade das leis, uma vez que neste juizo os dispositivos legais se presumem revestidos do caráter de validade e eficácia, não cabendo, pois, na hipótese, negar-lhe execução. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. A extensão dos efeitos das decisões judiciais, no âmbito da Secretaria da Receita Federal, possui como pressuposto a existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal acerca da ineonstitucionalidade da lei que esteja em litígio e, ainda assim, desde que seja editado ato específico do Sr, Secretário da Receita Federal nesse sentido. Não estando enquadradas nesta hipótese, as sentenças judiciais só produzem efeitos para as partes entre as quais são dadas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Lançamento Procedente" (Tis, 460/462) Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso voluntário de fis. 490/518, pedindo a reforma do acórdão recorrido, para exonerar o crédito tributário. Remetidos os autos ao Primeiro Conselho de Contribuintes, foi determinada a realização de diligência para obtenção de informações complementares junto às empresas DENUSA e Transportadora Barão Ltda. Efetuada a diligência, resumida no Termo de Informação Fiscal de fls. 549/551, foi intimado o Recorrente para manifestação, apresentada por meio da petição de fis. 555/559, sendo os autos então devolvidos a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relatar O recurso preenche seus requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço, Processo n' 19647.000455/2003-17 S3-C311 Ac6rdào ° 3301-00,066 Fl. 571 Passa-se então a analisar individualmente os argumentos lançados pelo Recorrente. Com relação à preliminar de nulidade do lançamento em razão da prorrogação supostamente intempestiva do MPF, necessário esclarecer que o procedimento fiscal é aquele realizado pelo auditor-fiscal da Receita Federal tendo por objeto a verificação do cumprimento das obrigações tributárias, de tal sorte que uma vez expedida a autorização para a fiscalização, é o fiscal que detém competência legal para a realização de todos os atos necessários ao exame do cumprimento das obrigações tributárias e para a lawatura de autos de infração, quando for o caso. Assim sendo, o MPF é mero instrumento de controle administrativo da atividade de fiscalização. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória sendo que é dever do auditor-fiscal, ao apurar infrações, proceder ao lançamento de oficio. A falta ou imperfeição do instrumento do MPF não pode macular auto de infração que atendeu a todos os requisitos fixados no art, 142 do CTN, combinado com o art. 10 do Decreto n° 70.235/72. Assim, o MPF é mero instrumento de controle gerencial interno da SRF, não influindo na legitimidade do lançamento, podendo sua prorrogação ser efetuada via registro eletrônico pela autoridade outorgante, cuja informação é disponibilizada na Internet. Nesse sentido, há vários julgados deste Tribunal Administrativo, a exemplo dos seguintes: "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE.. MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE. O Mandado de Procedimento Fiscal constitui-se em elemento de controle da atividade fiscal, sendo que eventual irregularidade na sua expedição ou renovação não gera nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. Preliminar rejeitada (2° Conselho de Contribuintes, 3a, Câmara, Acórdão 203-09.734, proferido em 12/08/2004) "NORMAS PROCESSUAIS NULIDADE. MPF. O auto de infração foi lavrado sob a rubrica de Verificações Obrigatórias, estando plenamente acobertado pelo MPF que lhe deu origem. A entrega intempestiva do Demonstrativo de Emissão e Prorrogação de MPF não é fator determinante para macular o procedimento de fiscalização." (2° Conselho de Contribuintes, 3a, Câmara, Acórdão 203-09.755, proferido em 15/09/2004) Sendo assim, afasto a preliminar de nulidade levantada pelo Recorrente. No que à alegação de decadência, formulada pelo Recorrente, esta tambérri deve ser afastada. Sustenta o Recorrente, em seu arrazoado, que uma interpretação sistemática do disposto pela Lei Federal 7.713/89 e dos parágrafos 1' a 4' do artigo 42 da Lei 9,430/96 8 Processo e 19647.000455/2003-17 S3-C3TI Acórdão n.. 3301-00.066 Fl 572 levariam ao entendimento de que o fato gerador do IRPF seria mensal e, por conseguinte, estariam os valores referentes aos meses de janeiro a agosto de 1998 alcançados pela decadência. Em que pese todo o esforço do ora Recorrente, é cediço que o imposto de renda é tributado em base anual, muito embora haja antecipação do devido, mensalmente, no sistema conhecido como de bases correntes. Com efeito, fato é que a jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já pacificou o entendimento de que o aspecto temporal da hipótese de incidência deste tributo ocorre no dia 31/12 de cada ano, à exceção dos casos em que a legislação determina o recolhimento definitivo na fonte, como é o caso dos ganhos de capital na alienação de bens e direitos, na forma disposta pelo art. 21 da Lei 8.981/91. Nesse sentido, cumpre trazer à baila o seguinte acórdão, a título exemplificativo, in verbis: "MPF - PRELIMINAR DE DECADÊNCIA - O prazo para a autoridade fiscal constituir o crédito tributário é aquele fixado no parágrafo 4° do artigo 150 do Código Tributário Nacional. Exceto nos casos de tributação exclusiva de fonte, o fato gerador do MPF ocorre no dia 31/12 do respectivo ano-calendário, sendo este o termo inicial da contagem qüinqüenal, quando não há hipótese de dolo, fraude ou simulação. Preliminar acolhida." (Primeiro Conselho de Contribuintes, 2° Câmara, Recurso Voluntário 153.546, Relatara Conselheira Vanessa Pereira Rodrigues Domene, julgado em 05/11/2008) Assim, sendo certo que o aspecto temporal do IRPF refere-se ao dia 31/12 de cada ano, o prazo final para lavratura do auto de infração referente ao ano-calendário de 1998 seria o dia .31/12/200.3, tomando-se por critério a aplicação do art, 150, parágrafo 4° do CTN. Havendo sido intimado o contribuinte em 19/08/2003, não há que se falar em decadência. Com relação ao mérito, verifica-se que o lançamento foi realizado com base na presunção do artigo 42 da Lei ft° 9,430/96, que assim preceitua: "Art. 42. Caracterizam -se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1°. O valor das receitas ou dos rendimentos omitidos será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira, §2°. Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos," Na realidade, instituiu o referido dispositivo autêntica presunção legal relativa, cujo condão é justamente o de inverter o ônus da prova, atribuindo-o ao contribuinte, que passa a ter o dever de refutá-la. Ç-\ 9 Processo n° 19647 000455/2003-17 S3-C311 Acórdão n ° .3301-00.066 Fl 573 Como é cediço, a presunção, seja ela hominis ou legal, é meio de prova que prescreve o reconhecimento jurídico de um fato provado de forma indireta. Ou seja, provando- se diretamente o fato indiciaria tem-se, por conseguinte, a formação de um juízo de probabilidade com relação ao fato presumido que, a partir de então, necessita ser afastado pelo contribuinte. No caso dos autos, prova-se especificamente a ocorrência de movimentações bancárias injustificadas, decorrendo desta comprovação o reconhecimento da omissão de rendimentos na apuração da base de cálculo do IRPF. Nesse sentido, a presunção relativa referida pelo artigo 42 da Lei n. 9.430/96 é legitima, não ferindo, em nenhum ponto, a legislação tributária em vigor. Este tribunal administrativo, por sua vez, já consolidou entendimento de acordo com o qual, a partir da edição da Lei n. 9430/96, é válida a presunção em referência, sendo ônus do contribuinte desconstituí-la com a apresentação de provas suficientes para tanto. É o que se depreende das seguintes ementas, destacadas dentre as inúmeras existentes sobre o tema: "OMISSÃO DE RENDIMENTOS - LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS - Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1" de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo, ÓNUS DA PROVA - Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários." (1° Conselho de Contribuintes, 2" Câmara, Recurso Voluntário rr'' 158.817, Relatora Conselheira Núbia Matos Moura, sessão de 24/04/2008) "LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS - PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS - Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. TRIBUTAÇÃO PRESUMIDA DO IMPOSTO SOBRE A RENDA - O procedimento da autoridade fiscal encontra-se em conformidade com o que preceitua o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, em que se presume como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantidos em instituição financeira, cuja origem dos recursos utilizados nestas operações, em relação aos quais o titular pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÓNUS DA PROVA - Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acoberta seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações." (1° Conselho de Contribuintes, 2" Câmara, Recurso Voluntário n". 141 207, Relato' Conselheiro Romeu Buena de Camargo, sessão de 22/02/2006) 10 Processo n° 19647.000455/2003-17 S3-C3T1 Acórdão na 3301-00.066 Fl 574 No mais, os documentos que comprovem a origem dos valores movimentados devem ser devidamente armazenados pelo mesmo lapso de tempo que as autoridades fiscais têm para constituir possível crédito. Nesse sentido, colaciono alguns acórdãos que elucidam tal entendimento: "NULIDADE - CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA — PROVA — No processo administrativo tributário os fatos devem evidenciar-se com provas documentais. A documentação dos fatos havidos no transcorrer do ano-calendário tem prazo para guarda igual àquele em que possível a constituição do correspondente crédito tributário," (1° Conselho de Contribuintes, 2" Câmara, Recurso Voluntário n". 146.926, Relator Conselheiro Naury Fragoso Tanaka, sessão de 04/07/2007) "DOCUMENTOS — GUARDA — O prazo para guarda de documentos é o mesmo que o permitido ao sujeito ativo para exigir o tributo ou rever de oficio o lançamento, OMISSÃO DE RENDIMENTOS — DEPÓSITOS BANCÁRIOS — A presunção legal de renda com suporte na existência de depósitos e créditos bancários de origem não comprovada tem fundamento legal na norma do artigo 42 da Lei n° 9 430, de 1996, tendo caráter relativo e transfere o ônus da prova em contrário ao contribuinte" (1° Conselho de Contribuintes, 2 Câmara, Recurso Voluntário ri." 140,839, Relator Conselheiro Naury Fragoso Tanaka, sessão de 21/06/2006) Considerando-se, portanto, o exposto, deve-se afastar as ilações do Recorrente no que tange à tentativa de afastamento da presunção que baseou o lançamento, de tal sorte que competia, no caso concreto, ao contribuinte o ônus da prova. Assim, como a alegação do Recorrente estava pautada exclusivamente no fato de que teria intermediado operações de compra e venda de álcool para a DENUSA e que as provas colhidas na diligência efetuada e constantes dos autos não comprovaram tal alegação — muito pelo contrário, a diligência realizada mostrou que as operações não foram realizadas tal como descritas —, deve ser mantido o lançamento. Com relação à alegação de que a multa de 75% (setenta e cinco por cento) possui caráter confiscatório, vale ressaltar que tal percentual é oriundo de norma cogente. Portanto, tratando-se de norma vigente, não poderia este órgão administrativo aferir a natureza confiscatória da multa sem, antes, pronunciar-se acerca da constitucionalidade da norma, o que é vedado pela jurisprudência uníssona deste Tribunal, materializada na Súmula n°, 2 do Primeiro Conselho de Contribuintes, de acordo com a qual não cabe ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pronunciar-se acerca da inconstitucionalidade de leis. Assim, por existir previsão legal para a aplicação da multa, não se pode afastar ou reduzir o referido percentual sob pena de se ultrapassar a competência deste órgão administrativo. 11 Alexandre Naoki ishioka Processo o° 19647.000455/2003-17 S3-C3 T1 Acórdão o.' 3301-00.1166 Fl 575 No que se refere à impossibilidade de cobrança da taxa de juros com base na variação da SELIC, também sem razão o Recorrente Sobre o assunto, é expressa a legislação federal, mais especificamente a Lei Federal n'. 9,430/96, Confira-se: "Art 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1" de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso.( §3 0 Sobre os débitos a giE se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a _nue se refere o § 3° do art. , a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." Desta feita, como já visto, não compete ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pronunciar-se acerca da inconstitucionalidade de leis. Isso porque, tendo tais normas obedecido o trâmite previsto na Lei Maior para ingressar no ordenamento jurídico, tornam-se cogentes e, portanto, são plenamente aplicáveis por força da presunção de validade. Não cabe, portanto, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, usurpando prerrogativa própria de órgão do Poder Judiciário, julgar a relação de pertinencialidade das normas com o ordenamento. Deve-se limitar, pois, a estabelecer o fenômeno de subsunção do fato à norma, Assim, à luz do dispositivo mencionado retro, foi sumulada a questão, atual súmula 4 do Primeiro Conselho de Contribuintes, segundo a qual "A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais". Eis os motivos pelos quais voto no sentido de AFASTAR as preliminares e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, Sala das Sessões-DF em 07 de maio de 20 12

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Numero do processo: 10850.002397/2004-59
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - RECURSO ESPECIAL - REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. Conforme estabelecia o artigo 7°, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, somente era cabível recurso especial por contrariedade à lei contra a parte não-unânime do acórdão de segunda instância, o que não ocorre no caso em apreço, no qual o recurso da Fazenda Nacional aponta violação à lei para atacar matéria decidida por unanimidade de votos (desqualificação da multa). E mais, ainda que se entenda, por força do princípio da fungibilidade recursal, que a pretensão da Fazenda Nacional teria fundamento no artigo 7°, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, não se pode conhecer do recurso especial por divergência jurisprudencial quando a decisão recorrida e os pretensos acórdãos paradigma analisaram questões fáticas distintas. No primeiro a qualificação da multa decorreu de pretensa simulação e de ausência de apresentação de DIRPF, enquanto nos últimos a majoração da penalidade tem fundamento na conduta reiterada do contribuinte. Nessas circunstâncias não se caracteriza divergência de interpretação da legislação tributária, tal qual previsto, atualmente, no artigo 67 do RICARF. IRPF - PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO - DECADÊNCIA - ARTIGO 62-A DO RICARF. O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que, na visão deste julgador, exceto para as hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que, no caso em apreço, ocorre em 31 de dezembro de cada ano-calendário. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício, opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. Contudo, por força do artigo 62-A do RICARF, este Colegiado deve reproduzir a decisão proferida pelo Egrégio STJ nos autos do REsp n° 973.733/SC, ou seja, “O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.” Assim, no caso, diante da inexistência de pagamento antecipado, aplica-se a regra decadencial prevista no artigo 173, inciso I, do CTN, de modo que o lançamento relativo ao ano-calendário 1998, cientificado em 18/10/2004, não está atingido pela decadência. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido.
Numero da decisão: 9202-002.386
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso e na parte conhecida, em dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage – Relator EDITADO EM: 06/11/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: GONCALO BONET ALLAGE

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - RECURSO ESPECIAL - REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. Conforme estabelecia o artigo 7°, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, somente era cabível recurso especial por contrariedade à lei contra a parte não-unânime do acórdão de segunda instância, o que não ocorre no caso em apreço, no qual o recurso da Fazenda Nacional aponta violação à lei para atacar matéria decidida por unanimidade de votos (desqualificação da multa). E mais, ainda que se entenda, por força do princípio da fungibilidade recursal, que a pretensão da Fazenda Nacional teria fundamento no artigo 7°, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, não se pode conhecer do recurso especial por divergência jurisprudencial quando a decisão recorrida e os pretensos acórdãos paradigma analisaram questões fáticas distintas. No primeiro a qualificação da multa decorreu de pretensa simulação e de ausência de apresentação de DIRPF, enquanto nos últimos a majoração da penalidade tem fundamento na conduta reiterada do contribuinte. Nessas circunstâncias não se caracteriza divergência de interpretação da legislação tributária, tal qual previsto, atualmente, no artigo 67 do RICARF. IRPF - PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO - DECADÊNCIA - ARTIGO 62-A DO RICARF. O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que, na visão deste julgador, exceto para as hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que, no caso em apreço, ocorre em 31 de dezembro de cada ano-calendário. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício, opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. Contudo, por força do artigo 62-A do RICARF, este Colegiado deve reproduzir a decisão proferida pelo Egrégio STJ nos autos do REsp n° 973.733/SC, ou seja, “O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.” Assim, no caso, diante da inexistência de pagamento antecipado, aplica-se a regra decadencial prevista no artigo 173, inciso I, do CTN, de modo que o lançamento relativo ao ano-calendário 1998, cientificado em 18/10/2004, não está atingido pela decadência. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10850.002397/2004­59  Acórdão n.º 9202­002.386  CSRF­T2  Fl. 528          2 Ultrapassado esse lapso  temporal sem a expedição de lançamento de ofício,  opera­se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente  homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do  artigo 156, inciso V, ambos do CTN.  Contudo,  por  força  do  artigo  62­A  do  RICARF,  este  Colegiado  deve  reproduzir  a  decisão  proferida  pelo  Egrégio  STJ  nos  autos  do  REsp  n°  973.733/SC,  ou  seja,  “O  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  (lançamento  de  ofício)  conta­se  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado,  nos  casos  em  que  a  lei  não  prevê  o  pagamento  antecipado  da  exação ou  quando,  a  despeito  da  previsão  legal,  o mesmo  inocorre,  sem a  constatação  de  dolo,  fraude  ou  simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração prévia do débito.”  Assim, no caso, diante da inexistência de pagamento antecipado, aplica­se a  regra decadencial  prevista no  artigo 173,  inciso  I,  do CTN, de modo que o  lançamento relativo ao ano­calendário 1998, cientificado em 18/10/2004, não  está atingido pela decadência.  Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em  parte do recurso e na parte conhecida, em dar provimento ao recurso.       (Assinado digitalmente)  Otacílio Dantas Cartaxo ­ Presidente    (Assinado digitalmente)  Gonçalo Bonet Allage – Relator  EDITADO EM: 06/11/2012  Participaram,  do  presente  julgamento,  os  Conselheiros  Otacílio  Dantas  Cartaxo  (Presidente),  Susy  Gomes  Hoffmann  (Vice­Presidente),  Luiz  Eduardo  de  Oliveira  Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian  Haddad,  Maria  Helena  Cotta  Cardozo,  Rycardo  Henrique  Magalhães  de  Oliveira  e  Elias  Sampaio Freire.    Fl. 2DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10850.002397/2004­59  Acórdão n.º 9202­002.386  CSRF­T2  Fl. 529          3 Relatório  Em face de Aharon Sapsezian foi lavrado o auto de infração de fls. 158­164,  para a exigência de imposto de renda pessoa física, exercícios 1999, 2000 e 2003, em razão da  presunção  de  omissão  de  rendimentos  caracterizada  por  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada, com multa de ofício qualificada para o patamar de 150%.  O trabalho desenvolvido pela autoridade lançadora encontra­se sintetizado no  Termo de Constatação Fiscal de fls. 148­157, de onde extraio as seguintes assertivas:  Concluindo,  restou  demonstrado  que  o  sr.  AHARON  SAPSEZIAN, recebeu diversos recursos creditados na c/c de sua  titularidade,  em  instituição  financeira  do  exterior  (c/c  no  3491890, BANQUE ROBECO SA., SUÍÇA), cuja origem não foi  comprovada,  ficando  caracterizada  as  OMISSÕES  DE  RECEITAS/RENDIMENTOS,  com  base  em depósitos  bancários  não contabilizados (art. 42 da Lei n.o 9.430/96).  Será  constituído o crédito  tributário mediante o  lançamento no  competente Auto  de  Infração,  onde  será  apurado o  Imposto  de  Renda  Pessoa  Física  ­  IRPF  devido,  referente  aos  anos­ calendário de 1998, 1999 e 2002, exercícios 1999, 2000 e 2003,  em  função  das  omissões  de  receitas  apuradas,  com  base  em  depósitos bancários não comprovados.  (...)  Será aplicada a multa qualificada capitulada no art. 957, inciso  II do RIR/99, bem como realizada a conseqüente representação  fiscal para fins penais, nos termos da Portaria SRF n.° 2.752/01,  tendo em vista o evidente intuito de fraude praticado pelo sujeito  passivo,  Sr.  AHARON  SAPSEZIAN,  mediante  as  seguintes  condutas:  a) Simulação de operação de venda de imóvel residencial:  Ficou  demonstrado  que  o  contribuinte,  em  concurso  com  o  sr.  Edson Miguel  José  Abufares,  CPF  214.579.728­91,  simularam  operação de  compra e  venda do  imóvel  residencial,  situado na  Rua San Francisco, n° 431, Condomínio Débora Cristina, S. J.  Rio  Preto/SP,  utilizando­se  da  "construção"  de  Instrumento  Particular  de  Compra  e  Venda,  com  o  objetivo  único  de  respaldar  e  justificar  as  remessas  de  recursos  enviadas  ao  exterior  na  conta­corrente  de  titularidade  do  sr.  Aharon  Sapsezian.  (...)  b) Omissão na entrega das DIRPF:  Também  restou  comprovado  que,  mesmo  estando  obrigado  a  apresentar  as DIRPF  referente  aos  anos­calendário  de  1998  e  1999,  exercícios  1999  e  2000,  o  contribuinte  somente  veio  a  apresentá­las em 18/05/2004, já sob ação fiscal.  Fl. 3DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10850.002397/2004­59  Acórdão n.º 9202­002.386  CSRF­T2  Fl. 530          4 O não cumprimento da obrigação tributária ­ não apresentação  da  Declaração  de  Rendimentos,  vem  corroborar  o  desejo  de  ocultar à  fiscalização, as operações  realizadas  e a c/c mantida  no exterior.  Não  bastasse  isto,  as  declarações  apresentadas  contém  grave  falha:  continuam  não  sendo  declaradas  a  conta­corrente  mantida  junto  ao  BANQUE  ROBECO  SA.,  SUIÇA  (c/c  no  3491890).  A ciência do auto de infração ocorreu em 18/10/2004 (fls. 168).  A 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São  Paulo (SP) II considerou o lançamento procedente (fls. 310­327, Volume II).  Por  sua  vez,  a  Quarta  Câmara  do  Primeiro  Conselho  de  Contribuintes,  apreciando o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, proferiu o acórdão n° 104­22.727,  que se encontra às fls. 389­404 (Volume II), cuja ementa é a seguinte:  Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte ­ IRRF  Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003  LANÇAMENTO  COM  BASE  EM  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  ­  FATO GERADOR ­ MOMENTO DA SUA OCORRÊNCIA – Os  rendimentos  omitidos,  apurados  com  base  em  depósitos  bancários de origem não comprovada, devem compor a base de  cálculo  do  imposto  de  renda  sujeito  ao  ajuste  anual,  cujo  fato  gerador completa­se em 31 de dezembro de cada ano, sendo esse  o termo inicial de que trata o art. 150, § 4° do CTN.  LANÇAMENTO  COM  BASE  EM  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  ­  COMPROVAÇÃO  DA  ORIGEM  ­  A  simples  demonstração  de  que o contribuinte tinha disponibilidade financeira para efetuar  os  depósitos  bancários  não  é  suficiente  para  comprovar  a  origem dos respectivos valores.  MULTA  DE  OFÍCIO  QUALIFICADA  ­  Para  que  a  multa  de  ofício  qualificada  possa  ser  aplicada  é  necessário  que  se  comprove de maneira inequívoca o evidente intuito de fraude.  Argüição de decadência acolhida.  Recurso parcialmente provido.  A decisão recorrida, por maioria de votos, acolheu a argüição de decadência  relativamente  ao  ano­calendário  1998,  vencidos  os  Conselheiros  Gustavo  Lian  Haddad  (Relator)  e Heloisa Guarita  Souza,  que  a  estendiam  até  08/1999. No mérito,  por maioria  de  votos, deu parcial provimento ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo­a para  75%,  vencidos  os  Conselheiros  Gustavo  Lian  Haddad  (Relator),  Heloisa  Guarita  Souza  e  Remis Almeida Estol  que,  além disso,  excluíam  da base  de  cálculo  da  exigência  relativa  ao  exercício  2003  o  valor  de  R$  114.109,66.  Designado  para  redigir  o  voto  vencedor  o  Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa.  Fl. 4DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10850.002397/2004­59  Acórdão n.º 9202­002.386  CSRF­T2  Fl. 531          5 Portanto,  o  acolhimento  da  decadência,  relativamente  ao  ano­calendário  1998, bem como a desqualificação da penalidade,  foram matérias decididas por unanimidade  de votos.  Intimada do acórdão em 18/02/2009 (fls. 406), a Fazenda Nacional interpôs,  com  fundamento  no  artigo  7°,  incisos  I  e  II,  do  Regimento  Interno  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais,  aprovado  pela  Portaria  n°  147/2007,  recurso  especial  às  fls.  411­425,  acompanhado  dos  documentos  de  fls.  426­447  (Volume  III),  cujas  razões  podem  ser  assim  sintetizadas:  a) A decisão  recorrida,  por  unanimidade  de  votos,  reconheceu,  de  ofício,  a  decadência para os depósitos do ano­calendário de 1998, bem como, por  maioria de votos, desqualificou multa aplicada, nos termos do art. 44 da  Lei 9.430/1996;  b) A  forma  de  contagem  do  prazo  decadencial  adotado  pelo  acórdão  ora  impugnado, d.  v.,  é  equivocada e diverge do  entendimento  firmado no  acórdão  n°  102­46.461.  Para  o  acórdão  paradigma,  o marco  inicial  do  prazo  de  decadência,  no  caso  de  omissão  dolosa  de  rendimentos,  é  aquele  previsto  no  art.  173,  inciso  I,  do  CTN  e  que,  apesar  do  contribuinte  ter apresentado a Declaração de  Imposto de Renda Pessoa  Física  referente  ao  ano­calendário  fiscalizado,  diferentemente  do  acórdão ora recorrido, não foi a entrega da citada declaração considerada  medida preparatória indispensável ao lançamento, não ocorrendo, assim,  a antecipação do início da decadência, nos termos do parágrafo único do  art. 173 do CTN;  c) Portanto, no caso em comento, omissão de rendimentos caracterizada por  depósitos  bancários  com  origem  não  comprovada,  tendo  em  vista  ausência de declaração e de pagamento antecipado, enseja­se aplicação  do art. 173, inc. I do CTN;  d) De acordo com o Código Tributário Nacional ­ CTN, a Fazenda possui um  prazo  decadencial  de  5  anos  para  efetuar  o  lançamento  e,  assim,  constituir  o  crédito  tributário. O CTN, no  art.  173, prevê a  regra geral  para a contagem do referido prazo;  e) Para  os  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação  ­  em  que  a  contribuinte  calcula  o  montante  devido  e  antecipa  o  pagamento  sem  prévio exame da autoridade administrativa ­, o CTN, no art. 150, § 4°,  traz regra diversa;  f) Vê­se,  então,  que,  nesses  tributos,  o prazo para  a constituição do  crédito  tributário  tem como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador,  salvo nos casos de dolo, fraude e simulação, onde a regra a ser aplicável  é aquela prevista no art. 173, inciso I, do CTN;  g) Constatada  a  omissão  por  parte  da  contribuinte,  deve  a  autoridade  competente  proceder  ao  lançamento  de  ofício  do  tributo  devido  e  não  recolhido.  E,  nos  casos  de  lançamento  de  ofício  de  tributo  não  antecipado pela contribuinte, na forma do art. 150, §4°, do CTN, o termo  Fl. 5DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10850.002397/2004­59  Acórdão n.º 9202­002.386  CSRF­T2  Fl. 532          6 inicial de contagem do prazo decadencial é aquele previsto no art. 173,  inciso I, do CTN;  h) Assim,  nos  casos  de  tributos  sujeitos  ao  lançamento  por  homologação,  havendo dolo,  fraude,  simulação  e  omissão  (não  pagamento)  por parte  da contribuinte, o prazo decadencial deve ser contado na forma do art.  173, inciso I, do CTN;  i)  Quanto à natureza do lançamento a que está sujeito o imposto de renda, o  entendimento  predominante  é  no  sentido  de  que  ele  se  submete  ao  lançamento por homologação, devendo, portanto, observar a previsão do  art.  150,  §  4°  ,  do CTN,  salvo  nos  casos  de dolo,  fraude,  simulação  e  omissão;  j)  Ora,  se  não  houve  antecipação  do  pagamento  do  tributo  sujeito  ao  lançamento  por  homologação,  não  há  atividade  da  contribuinte  a  ser  homologada,  devendo  o  Fisco  lançar  de  ofício  o  tributo  devido  e  não  pago, na forma do art. 173, inciso I, do CTN;  k) É  oportuno mencionar,  ainda,  o  entendimento  refletido  no  voto  condutor  do  acórdão CSRF/01­03.103,  proferido  pelo  r.  conselheiro CÂNDIDO  RODRIGUES NEUBER;  l)  Analisando  os  autos,  verifica­se  que,  na  data  da  notificação  do Auto  de  Infração,  18/10/2004  (168),  não  estava  extinto  o  direito  de  a  Fazenda  Pública constituir o crédito tributário relativo ao ano­calendário de 1998;  m)  Ora,  a  contribuinte  teria  até  em  30  de  abril  de  1999  (data  limite  para  entrega da DIRPF referente ao ano­calendário de 1998) para oferecer à  tributação seus rendimentos. Não o fazendo, só então nasce para o fisco  o direito de efetuar o lançamento;  n) Portanto, o termo inicial da contagem do prazo decadencial é, no presente  caso, l° de janeiro de 2000, a teor do que dispõe o art. 173, inciso I, do  CTN. Portanto, teria o Fisco até 31 de dezembro de 2004 para efetuar o  lançamento  referente  ao  imposto  de  renda  do  ano­calendário  1998/exercício 1999;  o) Diante disso, incabível o acolhimento da decadência;  p) Além disso, a decisão da ilustre maioria da Câmara a quo afronta o Art. .  44, II, da Lei n° 9.430/1996 c/c Arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502/1964,  bem como as provas dos autos;  q) A qualificação da multa de ofício para 150% teve como amparo o art. 44,  II, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996;  r) Como  se  percebe,  a  aplicação  da  multa  de  ofício  qualificada  de  150%  (cento e cinqüenta por cento) tem lugar quando se comprova tratar­se de  casos envolvendo evidente intuito de fraude, como definido nos arts. 71,  72 e 73 da Lei n° 4.502/64;  Fl. 6DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10850.002397/2004­59  Acórdão n.º 9202­002.386  CSRF­T2  Fl. 533          7 s) No  presente  caso,  conforme  descrito  pela  autoridade  fiscal  e  confirmado  pela DRJ, houve a qualificação da multa pelo fato, mas não somente por  este  fato,  de  os  depósitos  bancários  cuja  origem  não  foi  comprovada  superarem em muito os  rendimentos declarados,  configurando omissão  dolosa para impedir ou retardar,  total ou parcialmente, o conhecimento  por  parte  da  autoridade  fazendária,  da  ocorrência  do  fato  gerador  do  imposto de renda;  t)  Embora de difícil comprovação, o intuito doloso denuncia­se por meio de  indícios  ou  elementos.  Analisados  isoladamente  conduzem  a  uma  interpretação  que  se  afasta  da  realidade,  mas  que,  por  outro  lado,  se  analisados  em  seu  conjunto,  demonstram  cabalmente  o  animus  doloso  de fraudar o fisco. Neste sentido, pela análise do que consta dos autos,  há  elementos  suficientes  para  a  caracterização  do  intuito  fraudulento,  conforme bem reconheceu a decisão de primeira instância;  u) Como  se  vislumbra  facilmente  e  bem  observou  a  fiscalização,  não  se  tratou, no caso, da demonstração de que pequenos ingressos nas contas  bancárias  se  mantiveram  sem  justificação  e  de  que  tais  omissões  se  referissem  a  um  período  específico.  Se  assim  fosse,  poder­se­ia  até  admitir uma possível conduta involuntária, chegando­se a conclusão de  que a imposição da penalidade qualificada não seria justificável;  v) Entretanto, à luz do que foi trazido aos autos, a situação é bastante distinta,  tornando­se  absolutamente  inverossímil  a  idéia  de  que  o  contribuinte  teria cometido meros equívocos;  w)  Dessa  forma,  verifica­se  reiterada  e  sistemática  insubordinação  aos  ditames  da  lei,  já  que  por  três  anos­calendário,  não  havendo  como  considerar  involuntária  a  conduta  do  contribuinte, mas  sim  como  uma  conseqüência  direta  da  intenção  deliberada  de  omitir  rendimentos  e  também  informações  em  sua  declaração  de  ajuste  anual,  o  que  torna  perfeitamente  aplicável  a  multa  qualificada  prevista  no  inciso  II  do  artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996;  x) Em arremate, é preciso ressaltar que este Conselho de Contribuintes vêm  firmando o entendimento de que a prática reiterada de condutas evasivas  afasta a tese de meros equívocos do Contribuinte e, ao contrário, afirma  seu caráter doloso (acórdãos nos 101­96.446 e 105­17.034);  y) De  se  notar  que,  embora  se  tratem  de  julgados  referentes  a  pessoas  jurídicas,  as  conclusões  aplicam­se  plenamente  a  casos  envolvendo  contribuinte pessoas físicas;  z) Face ao exposto, requer seja conhecido e provido o presente recurso, a fim  afastar  a  decadência  reconhecida pela E. Câmara a quo, em ofensa  ao  Art. 173, I do CTN e à jurisprudência deste Conselho de Contribuintes,  bem  como  restabelecer  a  multa  qualificada,  conforme  decido  em  primeira instância.  Fl. 7DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10850.002397/2004­59  Acórdão n.º 9202­002.386  CSRF­T2  Fl. 534          8 Admitido o recurso através do despacho n° 2201­0124/2009 (fls. 448­449), o  contribuinte  foi  intimado  e,  devidamente  representado,  apresentou  contrarrazões  às  fls.  465­ 490,  onde  defendeu,  fundamentalmente,  a  necessidade  de  manutenção  da  decisão  recorrida  com  relação  à  decadência.  Quanto  à  multa  qualificada,  além  disso,  destacou  que  o  voto  condutor  foi  acompanhado  pela  unanimidade  da  Câmara  a  quo,  de  modo  que  o  recurso  é  inadmissível nessa parte.  Interpôs,  também,  recurso  especial  às  fls.  491­511, o qual não  foi  admitido  (fls. 513­518 e 519­520).  É o Relatório.    Voto             Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator  O  Recurso  Especial  da  Fazenda  Nacional  cumpre  os  pressupostos  de  admissibilidade e deve ser conhecido, mas apenas com relação à decadência.  No que se refere à multa qualificada, segundo penso, a pretensão recursal não  pode ser apreciada.  Reitero que o acórdão proferido pela Quarta Câmara do Primeiro Conselho  de Contribuintes, por maioria de votos, acolheu a argüição de decadência relativamente ao ano­ calendário  1998.  Os  Conselheiros  vencidos  entenderam  que  a  decadência  iria  até  o  período  08/1999. No mérito, por maioria de votos, deu parcial provimento ao recurso para desqualificar  a multa de ofício, sendo que os Conselheiros vencidos, além de desqualificar a multa de ofício,  também  excluíam  da  base  de  cálculo  da  exigência  relativa  ao  exercício  2003  o  valor  de R$  114.109,66.  Eis a anotação do resultado do julgamento (fls. 389­390):  ACORDAM  os  Membros  da  Quarta  Câmara  do  Primeiro  Conselho de Contribuintes,  por maioria de votos, ACOLHER a  argüição  de  decadência  relativamente  ao  exercício  de  1999,  ano­calendário de 1998, vencidos os Conselheiros Gustavo Lian  Haddad  (Relator)  e Heloisa Guarita  Souza,  que  a  estendiam  a  agosto  de  1999.  No  mérito,  por  maioria  de  votos,  DAR  provimento PARCIAL ao recurso para desqualificar a multa de  ofício,  reduzindo­a  a  75%,  nos  termos  do  relatório  e  voto  que  passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros  Gustavo Lian Haddad (Relator), Heloisa Guarita Souza e Remis  Almeida  Estol  que,  além  disso,  excluíam  da  base  de  cálculo  o  valor de R$ 114.109,66. Designado para redigir o voto vencedor  o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa.  Portanto, não houve decisão não­unânime contrária à Fazenda Nacional.  Fl. 8DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10850.002397/2004­59  Acórdão n.º 9202­002.386  CSRF­T2  Fl. 535          9 Tanto a decadência (para o ano­calendário 1998) como a desqualificação da  multa foram matérias julgadas a favor do contribuinte por unanimidade de votos.  No entanto, em sede de recurso especial, com relação à multa qualificada, a  insurgência da Fazenda Nacional é por contrariedade à lei ou à evidência da prova, indicando  como violados  o  artigo  44,  inciso  II,  da Lei  n°  9.430/96  e  os  artigos  71,  72  e  73  da Lei  n°  4.502/64, bem como a prova dos autos.  Ocorre,  conforme  já  destacado,  que  inexiste  ausência  de  unanimidade  relativamente à matéria.  Necessário concluir, pois, que é incabível recurso especial por contrariedade  à  lei  (artigo  7°,  inciso  I,  do  Regimento  Interno  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais,  aprovado pela Portaria MF n° 147/2007) quanto à parte da decisão que foi unânime, sendo que  o recurso cabível quanto à multa qualificada seria o de divergência jurisprudencial (artigo 7°,  inciso  II,  do  Regimento  Interno  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais,  aprovado  pela  Portaria MF n° 147/2007).  Contudo,  sequer  existiu  a  tentativa  de  comprovação  da  divergência,  nos  termos  exigidos  pelo  citado  Regimento,  para  que,  eventualmente,  pudesse  se  invocar  o  princípio da fungibilidade recursal e adentrar no mérito da manifestação da Fazenda Nacional  quanto à penalidade.  Segundo a recorrente, a qualificação da multa de ofício seria justificada pela  conduta  reiterada do  contribuinte  em omitir  suas  receitas do Fisco. Para  corroborar  sua  tese,  citou  os  acórdãos  nos  101­96.446  e  105­17.034,  cujas  ementas  são  as  seguintes  (na  parte  relativa à multa qualificada):  MULTA  DE  OFÍCIO  QUALIFICADA.  É  aplicável  a  multa  de  ofício  qualificada  de  150  %,  naqueles  casos  em  que  restar  constatado  o  evidente  intuito  de  fraude.  A  conduta  ilícita  reiterada ao longo do tempo, descaracteriza o caráter fortuito do  procedimento,  evidenciando o  intuito  doloso  tendente  à  fraude.  (...)  (Acórdão n° 101­96.446)  MULTA  QUALIFICADA  ­  Provada  a  ocorrência  da  situação  prevista  no  art.  71,  I  da  Lei  4502/64,  aplica­se  a  multa  qualificada prevista no art. 44 da Lei 9.430. A prática reiterada  da infração demonstra de forma inequívoca o dolo do agente.  (Acórdão n° 105­17.034)  Em  tais  precedentes,  portanto, manteve­se  a multa  qualificada  em  razão  da  conduta reiterada do sujeito passivo.  No entanto, no caso em apreço, a autoridade lançadora majorou a penalidade  para  150%  sob  o  fundamento  de  que:  a)  teria  havido  simulação;  b)  o  contribuinte,  ao  não  apresentar  sua  DIRPF,  ocultou  da  fiscalização  as  operações  realizadas  e  a  conta  corrente  mantida no exterior.  Fl. 9DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10850.002397/2004­59  Acórdão n.º 9202­002.386  CSRF­T2  Fl. 536          10 Nesse sentido, trago novamente à colação a seguinte passagem do Relatório  Fiscal:  Será aplicada a multa qualificada capitulada no art. 957, inciso  II do RIR/99, bem como realizada a conseqüente representação  fiscal para fins penais, nos termos da Portaria SRF n.° 2.752/01,  tendo em vista o evidente intuito de fraude praticado pelo sujeito  passivo,  Sr.  AHARON  SAPSEZIAN,  mediante  as  seguintes  condutas:  a) Simulação de operação de venda de imóvel residencial:  Ficou  demonstrado  que  o  contribuinte,  em  concurso  com  o  sr.  Edson Miguel  José  Abufares,  CPF  214.579.728­91,  simularam  operação de  compra e  venda do  imóvel  residencial,  situado na  Rua San Francisco, n° 431, Condomínio Débora Cristina, S. J.  Rio  Preto/SP,  utilizando­se  da  "construção"  de  Instrumento  Particular  de  Compra  e  Venda,  com  o  objetivo  único  de  respaldar  e  justificar  as  remessas  de  recursos  enviadas  ao  exterior  na  conta­corrente  de  titularidade  do  sr.  Aharon  Sapsezian.  (...)  b) Omissão na entrega das DIRPF:  Também  restou  comprovado  que,  mesmo  estando  obrigado  a  apresentar  as DIRPF  referente  aos  anos­calendário  de  1998  e  1999,  exercícios  1999  e  2000,  o  contribuinte  somente  veio  a  apresentá­las em 18/05/2004, já sob ação fiscal.  O não cumprimento da obrigação tributária ­ não apresentação  da  Declaração  de  Rendimentos,  vem  corroborar  o  desejo  de  ocultar à  fiscalização, as operações  realizadas  e a c/c mantida  no exterior.  Não  bastasse  isto,  as  declarações  apresentadas  contém  grave  falha:  continuam  não  sendo  declaradas  a  conta­corrente  mantida  junto  ao  BANQUE  ROBECO  SA.,  SUIÇA  (c/c  no  3491890).  No  acórdão  recorrido,  relativamente  à  multa  qualificada,  em  nenhum  momento se apreciou a questão da conduta reiterada do contribuinte.  Eis a análise da matéria,  feita pelo Relator da  referida decisão, Conselheiro  Gustavo Lian Haddad (fls. 400, Volume II):  No caso presente, a autoridade fiscal  lançadora fundamentou a  aplicação da multa qualificada de 150% na circunstância de que  o  Recorrente  (i)  simulou  operação  de  venda  de  imóvel  residencial  e  (ii)  omitiu  a  entrega  de  DIRPFs  (Termo  de  Constatação Fiscal de fls. 155/156).  Entendo,  nada  obstante,  que  neste  ponto  se  equivocou  a  autoridade  fiscal,  razão  pela  qual  deve  ser  desqualificada  a  multa.  Fl. 10DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10850.002397/2004­59  Acórdão n.º 9202­002.386  CSRF­T2  Fl. 537          11 De  fato,  verifica­se  dos  autos  que  efetivamente  ocorreu  uma  venda  e  compra  de  imóvel,  fato  inclusive  documentado  pela  escritura de  fls.  381/382 e compromisso de venda e compra de  fls. 20/21, afastando­se a suspeita de simulação.  Ademais,  ressalto  que  a  identificação  dos  depósitos  objeto  de  autuação relativos aos anos­calendário de 1999 e 2002 decorreu  de  informações  e  documentos  apresentados  pelo  próprio  Recorrente durante o procedimento fiscal.  Entendo que a existência de eventual ilícito cambial não enseja,  necessariamente,  a  qualificação  da  multa  imposta  pela  legislação fiscal, sendo necessária a prova de que o contribuinte,  por  ato  doloso,  levou  a  autoridade  fiscal  a  erro,  por meio  por  exemplo da utilização de documentos falsos, notas frias, etc.  Examinando  o  conjunto  probatório  dos  autos  entendo  assistir  razão ao Recorrente, não tendo a fiscalização logrado êxito em  demonstrar evidente intuito de fraude em sua conduta a justificar  a qualificação da penalidade, razão pela qual deve ser aplicada  a multa de ofício "não qualificada" de 75%.  É de fácil percepção, pois, que o acórdão recorrido e as decisões citadas pela  recorrente  analisaram  questões  fáticas  distintas  relativamente  à  qualificação  da  multa,  simulação e  ausência de apresentação da DIRPF para o primeiro  e conduta  reiterada para os  últimos.  Segundo penso, nessas circunstâncias inexiste a divergência de interpretação  da legislação tributária, da forma prevista, atualmente, no artigo 67, do Anexo II, do RICARF,  o que impede a apreciação da manifestação da recorrente, com relação à multa qualificada.  Por tudo isso, voto no sentido de não conhecer do recurso especial interposto  pela Fazenda Nacional no que se refere à penalidade qualificada.  A partir de agora passo a apreciar o recurso quanto à decadência.  Segundo a recorrente, diante da ausência de pagamento antecipado, aplica­se  ao caso a regra prevista no artigo 173, inciso I, do CTN, de modo que não está extinto o crédito  tributário do ano­calendário 1998, pois a ciência do lançamento se deu em 18/10/2004.  Eis a matéria em litígio.  Pois bem, como regra geral, o fato gerador do imposto de renda pessoa física  é  complexivo  e  tem  seu  marco  temporal  no  dia  31  de  dezembro  de  cada  ano­calendário,  contando­se, a partir dessa data, o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários.  Tal  raciocínio  aplica­se  ao  caso  em  comento,  da  presunção  de  omissão  de  rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, os quais estão  sujeitos  à  tributação  apenas  na  declaração  de  ajuste  anual.  Inteligência  dos  artigos  9°  e  seguintes  da  Lei  n°  8.134/1990,  especialmente  do  artigo  10,  inciso  I,  do  referido  texto  normativo.  Fl. 11DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10850.002397/2004­59  Acórdão n.º 9202­002.386  CSRF­T2  Fl. 538          12 Os  valores  recolhidos  e/ou  devidos  a  título  de  antecipação,  com  suas  respectivas bases de cálculo, devem compor as informações prestadas através da declaração de  ajuste anual, aí sim se apurando o total de imposto devido no ano­calendário.  Assim, para a hipótese em análise,  relativamente ao ano­calendário 1998, o  tributo lançado tem como fato gerador o dia 31/12/1998.  Segundo a  legislação e de acordo com a  jurisprudência pacífica desta Corte  Administrativa,  o  imposto  de  renda  pessoa  física  é  tributo  sujeito  ao  regime  do  chamado  lançamento por homologação, já que cabe aos contribuintes a apuração da base de cálculo do  imposto e o recolhimento do montante devido, submetendo, posteriormente, esse procedimento  à  autoridade  administrativa,  que  deverá,  homologar  ou  não,  expressa  ou  tacitamente,  a  atividade exercida pelo obrigado.  A homologação expressa, para os tributos sujeitos ao regime do lançamento  por  homologação,  deve  se  dar  no  prazo  de  5  (cinco)  anos,  a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador.  Ultrapassado  esse  prazo,  sem  ter  sido  lavrado  lançamento  de  ofício  pela  autoridade  administrativa,  considera­se  homologada  tacitamente  a  atividade  exercida  pelo  contribuinte e extinto o crédito tributário, nos termos do artigo 150, § 4°, do CTN, que prevê:  Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos  tributos  cuja  legislação  atribua  ao  sujeito  passivo  o  dever  de  antecipar  o  pagamento  sem  prévio  exame  da  autoridade  administrativa, opera­se pelo ato em que a referida autoridade,  tomando  conhecimento  da  atividade  assim  exercida  pelo  obrigado, expressamente a homologa.  (...)  §  4°.  Se  a  lei  não  fixar  prazo  à  homologação,  será  ele  de  5  (cinco) anos, a contar da ocorrência do  fato gerador; expirado  esse  prazo  sem  que  a  Fazenda  Pública  se  tenha  pronunciado,  considera­se homologado o lançamento e definitivamente extinto  o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou  simulação.  O decurso do prazo de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador,  implica na homologação tácita da atividade exercida pelo contribuinte e, em razão do instituto  da decadência, previsto no artigo 156, inciso V, do CTN, extingue o crédito tributário.  Considerando que o  fato gerador do  imposto de renda pessoa  física,  para o  ano­calendário  1998,  ocorreu  em  31/12/1998  e  diante  do  fato  de  que  o  sujeito  passivo  da  obrigação  tributária  tomou  ciência  do  auto  de  infração  em  18/10/2004,  entendo  que  a  decadência impede a manutenção do lançamento.  Na  visão  deste  julgador,  como  não  se  está  diante  de  dolo,  fraude  ou  simulação (conclusão definitiva da decisão recorrida), inexiste fundamento legal que justifique  a  contagem  do  prazo  decadencial  da  forma  prevista  no  artigo  173,  inciso  I,  do  Código  Tributário Nacional.  Fl. 12DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10850.002397/2004­59  Acórdão n.º 9202­002.386  CSRF­T2  Fl. 539          13 Contudo, por força do que determina o artigo 62­A do Regimento Interno do  Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, não posso deixar de reproduzir aqui o  julgamento proferido pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça – STJ nos autos do REsp n°  973.733/SC, cuja ementa tem o seguinte teor:  PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C, DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO.  DECADÊNCIA  DO  DIREITO  DE  O  FISCO  CONSTITUIR  O  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL.  ARTIGO  173,  I,  DO  CTN.  APLICAÇÃO  CUMULATIVA  DOS  PRAZOS  PREVISTOS  NOS  ARTIGOS  150,  §  4º,  e  173,  do  CTN.  IMPOSSIBILIDADE.  1.  O  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  (lançamento  de  ofício)  conta­se  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento  antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o  mesmo  inocorre,  sem  a  constatação  de  dolo,  fraude  ou  simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito  (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel.  Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg  nos  EREsp  216.758/SP,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  julgado  em  22.03.2006,  DJ  10.04.2006;  e  EREsp  276.142/SP,  Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).  2.  É  que  a  decadência  ou  caducidade,  no  âmbito  do  Direito  Tributário,  importa  no  perecimento  do  direito  potestativo  de  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  e,  consoante  doutrina  abalizada,  encontra­se  regulada  por  cinco  regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra  da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos  ao  lançamento  de  ofício,  ou  nos  casos  dos  tributos  sujeitos  ao  lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o  pagamento  antecipado  (Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário",  3ª  ed.,  Max  Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210).  3.  O  dies  a  quo  do  prazo  qüinqüenal  da  aludida  regra  decadencial  rege­se  pelo  disposto  no  artigo  173,  I,  do  CTN,  sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível,  ainda  que  se  trate  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  revelando­se  inadmissível  a  aplicação  cumulativa/concorrente  dos  prazos  previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante  a  configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal  (Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento  no  Direito  Tributário  Brasileiro",  3ª  ed.,  Ed.  Forense,  Rio  de  Janeiro,  2005,  págs.  91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed.,  Ed.  Saraiva,  2004,  págs.  396/400;  e  Eurico  Marcos  Diniz  de  Fl. 13DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10850.002397/2004­59  Acórdão n.º 9202­002.386  CSRF­T2  Fl. 540          14 Santi,  "Decadência  e Prescrição  no Direito Tributário",  3ª  ed.,  Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).  5.  In casu, consoante assente na origem: (i) cuida­se de tributo  sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege  de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não  restou  adimplida  pelo  contribuinte,  no  que  concerne  aos  fatos  imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro  de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos  deu­se em 26.03.2001.  6.  Destarte,  revelam­se  caducos  os  créditos  tributários  executados,  tendo  em  vista  o  decurso  do  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  que  o  Fisco  efetuasse  o  lançamento  de  ofício  substitutivo.  7.  Recurso  especial  desprovido.  Acórdão  submetido  ao  regime  do artigo 543­C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.  (STJ,  Primeira  Seção,  REsp  n°  973.733/SC,  Relator  Ministro  Luiz Fux, DJE de 18/09/2009)  Portanto, segundo o Egrégio STJ, para os tributos sujeitos ao lançamento por  homologação, quando inexistir pagamento antecipado o prazo decadencial qüinqüenal conta­se  do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia  ter sido efetuado,  sendo  que  “O  dies  a  quo  do  prazo  qüinqüenal  da  aludida  regra  decadencial  rege­se  pelo  disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o ‘primeiro dia do exercício seguinte àquele  em que o lançamento poderia ter sido efetuado’ corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia  do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a  lançamento por homologação, ...”.  Dessa forma, torna­se importante analisar a comprovação quanto à existência  ou não de pagamento do tributo sujeito ao lançamento por homologação, no caso, imposto de  renda pessoa física.  Observando  a  declaração  de  ajuste  anual  do  exercício  1999  (apresentada  durante a ação fiscal, fls. 27­29) e o auto de infração, especificamente às fls. 160, verifica­se  que  o  contribuinte  não  efetuou  nenhum  recolhimento  de  imposto  de  renda  pessoa  física  relativamente ao ano­calendário 1998.  Assim,  direcionado  pelo  artigo  62­A  do  RICARF  e  considerando  o  julgamento proferido pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça – STJ nos autos do REsp n°  973.733/SC, não obstante o posicionamento pessoal deste  julgador, deve­se aplicar ao caso a  regra  decadencial  prevista  no  artigo  173,  inciso  I,  do  CTN,  ou  seja,  relativamente  ao  ano­ calendário  1998  o  início  do  prazo  de  decadência  se  deu  em  01/01/2000,  com  término  em  31/12/2004.  Como a ciência do lançamento ocorreu em 18/10/2004, inexiste decadência,  de modo que a decisão recorrida não pode ser confirmada nesse aspecto.  Fl. 14DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10850.002397/2004­59  Acórdão n.º 9202­002.386  CSRF­T2  Fl. 541          15   Diante do exposto, voto no sentido de conhecer em parte do recurso especial  interposto  pela  Fazenda  Nacional  para,  na  parte  conhecida,  dar­lhe  provimento,  pois  a  decadência  não  atingiu  o  crédito  tributário  relativo  ao  ano­calendário  1998  (os  autos  não  precisam retornar à Câmara de origem, na medida em que todas as matérias postas no recurso  voluntário restaram devidamente apreciadas).    (Assinado digitalmente)  Gonçalo Bonet Allage                                Fl. 15DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/11/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por GONCALO BONET ALLAGE

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Numero do processo: 10183.720108/2006-79
Data da sessão: Thu Apr 15 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Apr 15 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2003 ITR. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. CARACTERIZAÇÃO. O Parque Estadual Igarapés do Jurnena está situado em área de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas de que trata o art. 10, §1°., II, "b", da Lei ri.° 9.393/96. O decreto que o criou amplia as restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e de reserva legal, o que no presente caso foi reconhecido inclusive mediante ato específico do órgão competente. Recurso provido.
Numero da decisão: 2101-000.487
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - valor terra nua
Nome do relator: Alexandre Naoki Nishioka

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SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n0 10183.720108/2006-79 Recurso n° 342.229 Voluntário Acórdão n° 2101-00.487 — 1" Câmara / 1' Turma Ordinária Sessão de 15 de abril de 2010 Matéria ITR - Áreas de interesse ecológico Recorrente MINERAÇÃO SANTA SILVIA LTDA. Recorrida la. TURMA/DRJ-CAMPO GRANDE/MS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2003 ITR. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. CARACTERIZAÇÃO. O Parque Estadual Igarapés do Jurnena está situado em área de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas de que trata o art. 10, §1°., II, "b", da Lei ri.° 9.393/96. O decreto que o criou amplia as restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e de reserva legal, o que no presente caso foi reconhecido inclusive mediante ato específico do órgão competente. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relatorr'', CAIO MARCOS CÂNDIDO—Preside e ALE NDRE NAOKI NISHI KA - Relator EDITADO EM: '1 2 .11iN 2010 Participaram do julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido, Ana Neyle Olímpio Holanda, Alexandre Naoki Nishioka, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende (Conselheira convocada), Odmir Fernandes (Suplente convocado) e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 80/89) interposto, em 24 de abril de 2008, contra o acórdão de fls. 70/75, do qual a Recorrente teve ciência em 25 de março de 2008 (fl. 79), proferido pela 1' Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento de fls. 01/05, lavrado em 20 de setembro de 2006, em virtude da falta de recolhimento do imposto sobre a propriedade territorial rural, verificada no exercício de 2003. O acórdão teve a seguinte ementa: "AsstiNTo: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2003 ÁREA DE RESERVA LEGAL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA. Por exigência de Lei, para ser considerada isenta, a área de reserva legal deve estar averbada na Matrícula do imóvel junto ao Cartório de Registro de Imóveis e ser reconhecida mediante Ato Declaratório Ambiental — ADA, cujo requerimento deve ser protocolado dentro do prazo estipulado. O ADA é igualmente exigido para a comprovação das áreas de preservação permanente. VALOR DA TERRA NUA O valor da terra nua, apurado pela fiscalização, em procedimento de oficio nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96, não é passível de alteração, quando o contribuinte não apresentar elementos de convicção que justifiquem reconhecer valor menor. Lançamento Procedente em Parte" (fl. 70). Não se conformando, a Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 80/89, pedindo a reforma do acórdão recorrido, para exonerar o crédito tributário. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche seus requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. A Recorrente aduz, basicamente, em seu recurso voluntário, que o imóvel não tem qualquer valor econômico, tendo em vista que se localiza dentro do Parque Estadual Igarapés do Juruena, o qual foi criado por meio do Decreto Estadual n.° 5.438/2002, sendo, 2 Processo n° 10183.720108/2006-79 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00487 Fl. 123 portanto, isenta do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, razão pela qual não apresentou o ADA (Ato Declaratório Ambiental). Sendo recorrente a questão no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), cumpre tecer alguns breves esclarecimentos antes de adentrar na questão especificamente debatida nestes autos. De fato, como é cediço, o imposto sobre a propriedade territorial rural, de competência da União, na forma do art. 153, VI, da Constituição, incide nas hipóteses previstas no art. 29 do Código Tributário Nacional, ora trazido à baila, in verbis: "Art. 29. O imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana do Município." À guisa do disposto pelo Código Tributário Nacional, a União promulgou a Lei Federal n.° 9.393/96, que,-na esteira do estatuído pelo art. 29 do CTN, instituiu, em seu art. 1°, como hipótese de incidência do tributo, a "propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município". Sem adentrar especificamente na discussão a respeito da eventual ampliação do conceito de propriedade albergado pela Constituição Federal pelo disposto nos artigos citados, ao incluírem como fato gerador do ITR o domínio útil e a posse (cum animus domini), tema que não releva na análise do presente recurso, verifica-se que não há qualquer discussão a respeito da incidência do tributo no que toca às áreas de preservação permanente ou de reserva florestal legal. Com efeito, muito embora em tais áreas a utilização da propriedade deva observar a regulamentação ambiental específica, disso não decorre a consideração de que referida parcela do imóvel estaria fora da hipótese de incidência do ITR. Isto porque, como se sabe, o direito de propriedade, expressamente garantido no inciso XXII do art. 50 da CF, possui limitação constitucional assentada em sua função social (art. 5 0, XIII, da CF). Nesse sentido, consoante salienta Gilmar Mendes (et. al.), possui o legislador uma relativa liberdade para conformação do direito de propriedade, devendo preservar, contudo, "o núcleo essencial do direito de propriedade, constituído pela utilidade privada e, fundamentalmente, pelo poder de disposição. A vincula ção social da propriedade, que legitima a imposição de restrições, não pode ir ao ponto de colocá-la, única e exclusivamente, a serviço do Estado ou da comunidade." (MENDES, Gilmar Ferreira (et. al.). Curso de Direito Constitucional. 4a ed. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 483). No que atine à regulação ambiental, deste modo, verifica-se que a legislação, muito embora restrinja o uso do imóvel em virtude do interesse na preservação do meio ambiente ecologicamente equilibrado, na forma como estabelecido pela Constituição da República, não elimina as faculdades de usar, gozar e dispor do bem, tal como previstas pela legislação cível. Com fundamento no exposto, não versando os autos sobre a hipótese de não- \ incidência do tributo, mas, sim, de autêntica isenção ou, como querem alguns, redução da base de cálculo do ITR, dispôs a Lei Federal n.° 9.393/96, em seu art. 10, o seguinte: "Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e 3 condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. § 1° Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: [---] II - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior". Analisando-se os autos, verifica-se que a controvérsia reside na questão de a área do imóvel objetd da autuação ser ou não de interesse ecológico. Em sendo de interesse ecológico, preencheria os requisitos para fruição da isenção do ITR, tal qual prevista no artigo 10, §1°, inciso II, alínea "b", acima transcrito. No tocante à legislação ambiental, importante relembrar que é competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios legislar sobre a proteção ao meio ambiente (preservação de florestas, conservação da natureza etc.), consoante se • depreende da análise conjunta dos artigos 23 e 24 da Constituição Federal: "Art. 23. É competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios: VI - proteger o meio ambiente e combater a poluição em qualquer de suas formas; VII - preservar as florestas, a fauna e a flora; 2(Yç "Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre: -" VI - florestas, caça, pesca, fauna, conservação da natureza, defesa do solo e dos recursos naturais, proteção do meio ambiente e controle da poluição". Com base em tal competência, o Decreto Estadual n.° 5.438/2002 criou o Parque Estadual Igarapés do Juruena, ampliando as restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e de reserva legal No presente caso, a Recorrente juntou aos autos do Recurso n. 342.234 • (Processo 10183.720110/2006-48), julgado nesta data, os documentos de fls. 29/31, quais sejam (i) cópia do Decreto Estadual n.° 5.438/2002, que cria o Parque Estadual Igarapés do Juruena; (ii) certidão de localização, expedida pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente — SEMA, em 05/01/2006, e (iii) mapa imagem de propriedade rural, elaborado por Consult Consultoria & Assessoria, em 17/05/2006. 4 Processo n° 10183.720108/2006-79 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00487 Fl. 124 Depreende-se dos referidos documentos que, dentro da área do "Parque Estadual Igarapés do Juruena", está inserido o imóvel denominado "Gleba Moreru/Guarantã I e II", de propriedade da Mineração Santa Silvia, ora Recorrente. De fato, nos temios da certidão de localização, documento que goza de fé pública: "As terras da MINERAÇÃO SANTA SILVIA LTDA. está integralmente inserida em unidade de proteção integral — denominado Parque Estadual Igarapés do Juruena com área de 227.817 ha., criado por Decreto Estadual n. 0 5.438 de 12/11/2002, localizado no município de Colniza e Cotriguaçú. A tipologia vegetal da área de acordo com a carta de vegetação do RADAMBRASIL, está classificada como área de floresta. A área da propriedade foi declarada de utilidade pública, para fins de desapropriação, para implantação de unidade de conservação de proteção integral, tornando espaço territorial especialmente protegido, não sendo permitido nenhuma atividade que prejudique o meio ambiente ou que, por qualquer forma, possa comprometer a integridade das condições ambientais que motivaram a edição do ato declaratório. A propriedade da MINERAÇÃO SANTA SILVIA Ltda. perdeu seu valor para a atividade de exploração comercial e está inserida integralmente no Parque Estadual Igarapés do Juruena, servindo apenas para compensar Área de Reserva Legal Degradada de acordo com a Lei estadual n. 7868 de 20/12/02" (fl. 30 dos autos do RV 342_234). Se isso não bastasse, as dimensões apontadas pelo responsável técnico no R_ mapa imagem de propriedade rural confiimam a informação constante da certidão de localização, emitida pela SEMA. Verifica-se, portanto, que o imóvel da Recorrente está localizado em área de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, o que é comprovado inclusive mediante ato especifico do órgão competente. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso. Sala das Sessões-DF, em 15 de abril de 2010 n ) AlexandreA)NaCiÊ'AN3i-Shioka

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4610881 #
Numero do processo: 10675.001119/97-16
Data da sessão: Mon May 05 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Mon May 05 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/1997 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO RESSARCIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS MEDIANTE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. O incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção "júris et de jure" , não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo fisco, seja pelo contribuinte. Os valores correspondentes às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da COFINS (pessoas físicas, cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. Recursos especial negado.
Numero da decisão: CSRF/02-03.062
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial para incluir na base de cálculo do ressarcimento as aquisições de pessoas físicas e cooperativas. vencidos os Conselheiros Josefa Maria Coelho Marques, Antonio Carlos Atulim, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Henrique Pinheiro Torres e Elias Sampaio Freire que deram provimento ao recurso.
Nome do relator: Maria Teresa Martínez Lopez

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Numero do processo: 10920.007340/2007-18
Data da sessão: Thu Oct 29 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Oct 29 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MOVIMENTAÇÃO DE RECURSOS. INTERPOSTA PESSOAS - Quando restar demonstrado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiros, evidenciando interposição de pessoas, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação aos terceiros, na condição de efetivos titulares da conta de depósito ou de investimento. OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁMOS. FATO GERADOR - A presunção legal de omissão de rendimento, prevista no art. 42, da Lei n°9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. O IRPE é tributo de incidência anual e o fato gerador ocorre no último dia do ano, nos termos da legislação de regência. Não se acolhe alegação de incidência mensal. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA - Se o ônus da prova por presunção legal é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. As afirmações apresentadas pelo sujeito passivo para contraditar elementos regulares de prova trazidos aos autos pela autoridade fiscal, demanda sua consubstanciação por via de outros elementos probatórios, pois sem substrato mostram-se como meras alegações, processualmente inatacáveis. MULTA QUALIFICADA DEPÓSITOS BANCÁRIOS - A apuração de depósitos bancários em contas de titularidade do contribuinte cuja origem não foi justificada independentemente da apresentação da Declaração de Ajuste Anual e do montante movimentado, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada. MULTA QUALIFICADA. DOLO - Considerando-se a intenção dolosa de ocultar os fatos geradores da obrigação tributária, aplica-se multa de oficio de 150% sobre as omissões apuradas. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFICIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO - Pacifica a jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de que não cabe a aplicação concomitante da multa de lançamento de oficio com multa isolada, apuradas em face da mesma omissão (Acórdão CSRF n°01-04.987 de 15/06/2004).
Numero da decisão: 2201-000.441
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, ACATAR a preliminar de decadência relativa ao ano-calendário de 2001. Vencido o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. Por unanimidade, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso para desqualificar a multa de oficio sobre todos os itens, EXCETO quanto aos créditos bancários efetuados exclusivamente na Conta n° 2483 do Banco do Brasil. Vencidos os conselheiros Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Rayana Alves de Oliveira França que desqualificavam a multa em todos os ite . Por unanimidade, excluir a cobrança da multa isolada cobrada concomitantemente.
Nome do relator: Eduardo Tadeu Farah

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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-04-05T15:44:01Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-04-05T15:44:00Z; Last-Modified: 2010-04-05T15:44:01Z; dcterms:modified: 2010-04-05T15:44:01Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-04-05T15:44:01Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-04-05T15:44:01Z; meta:save-date: 2010-04-05T15:44:01Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-04-05T15:44:01Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-04-05T15:44:00Z; created: 2010-04-05T15:44:00Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; Creation-Date: 2010-04-05T15:44:00Z; pdf:charsPerPage: 2069; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-04-05T15:44:00Z | Conteúdo => S2-C2T1 rt .1-.4E., E MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS , ".1 •4-"-n SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10920.007340/2007-18 Recurso n° 168.323 Voluntário Acórdão n° 2201-00.441 — r Câmara / 1° Turma Ordinária Sessão de 29 de outubro de 2009 Matéria IRPF Recorrente ALESSANDER GIARDINI LENZI Recorrida 4a TURMA DA DR.WFLORIANÓPOLIS/SC ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MOVIMENTAÇÃO DE RECURSOS. INTERPOSTA PESSOAS - Quando restar demonstrado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiros, evidenciando interposição de pessoas, a deteiminação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação aos terceiros, na condição de efetivos titulares da conta de depósito ou de investimento. OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE ?Ni DEPÓSITOS BANCÁMOS. FATO GERADOR - A presunção legal de omissão de rendimento, prevista no art. 42, da Lei n°9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. O IRPE é tributo de incidência anual e o fato gerador ocorre no último dia do ano, nos termos da legislação de regência. Não se acolhe alegação de incidência mensal. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA - Se o ônus da prova por presunção legal é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. As afirmações apresentadas pelo sujeito passivo para contraditar elementos regulares de prova trazidos aos autos pela autoridade fiscal, demanda sua consubstanciação por via de outros elementos probatórios, pois sem substrato mostram-se como meras alegações, processualmente inacatáveis. MULTA QUALIFICADA DEPÓSITOS BANCÁRIOS - A apuração de depósitos bancários em contas de titularidade do contribuinte cuja origem não foi justificada independentemente da apresentação da Declaração de Ajuste Anual e do montante movimentado, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada. MULTA QUALIFICADA. DOLO - Considerando-se a intenção dolosa de ocultar os fatos geradores da obrigação tributária, aplica-se multa de oficio de 150% sobre as omissões apuradas. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFICIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO - Pacifica a jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de que não cabe a aplicação concomitante da multa de lançamento de oficio com multa isolada, apuradas em face da mesma omissão (Acórdão CSRF n°01-04.987 de 15/06/2004). Recurso voluntário parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, ACATAR a preliminar de decadência relativa ao ano-calendário de 2001. Vencido o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. Por unanimidade, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso para desqualificar a multa de oficio sobre todos os itens, EXCETO quanto aos créditos bancários efetuados exclusivamente na Conta n° 2483 do Banco do Brasil. Vencidos os conselheiros Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Rayana Alves de Oliveira França que desqualificavam a multa em todos os ite . Por unanimidade, excluir a cobrança da multa isolada cobrada concomitantemente. FRANCIS ASSIS OLIVEIRA JÚNIOR - Presidente _ EDUARDO T á b U FARAH - Re a EDITADO EM: 12 MAR 2018 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros,: Francisco Assis Oliveira Júnior (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Eduardo Tadeu Farah, Janaina Mesquita Lourenço de Souza e Rayana Alves de Oliveira França. 2 Processo n° 10920.0073402007-18 S2-C21-1 Acórdão n.° 2201-00.441 Fl. 2 • Relatório Alessander Giardini Lenzi recorre a este conselho contra a decisão de primeira instância proferida pela 4a Turma . de Julgamento da MU em Florianópolis/SC, pleiteando sua reforma, nos termos do Recurso Voluntário de fls. 1873 a 1880. Trata-se de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física no valor de R$ 1.421.728,52, acrescido de multa de oficio de 150% e juros moratórios, além da multa exigida isoladamente, no valor de R$ 109.305,70. A infração apurada pela fiscalização foi: Item 001 — omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas decorrentes de trabalho sem vinculo empregaticio nos anos-calendário 2001 a 2005; Item 002 — omissão de rendimentos recebidos de pessoas fisicas, decorrentes de trabalho sem vinculo empregatício nos anos-calendário 2001 a 2005; Item 003 — omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou investimento nos anos-calendário 2001 a 2005; Item 004 — falta de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Física devido a titulo de camê-leão nos anos-calendário 2001 a 2005; Ressalte-se que, além de tributar as contas-correntes abertas pelo próprio recorrente, a autoridade fiscal atribuiu-lhe a titularidade sobre a movimentação financeira da conta n° 24.843-6, agência n°0405-7 do Banco do Brasil S/A, em nome de Roman Kastigar. Inconformado, o contribuinte apresentou Impugnação (fls. 1849 a 1856), instruída com os documentos (fls. 1857 e 1863), argumentando, em síntese: a) decadência em relação aos fatos geradores ocorridos no ano-calendário 2001 até 31/11/2002; b) que não foram considerados como justificados os valores referentes a empréstimos tomados de Roman Kastigar, do qual é procurador no Brasil, sob a alegação de existirem incoerências e falta de documentação hábil e idônea para a comprovação de tais depósitos. No entanto, os documentos apresentados à fiscalização fazem prova dos referidos empréstimos; c) o Fisco não poderia transferir, por meras suspeitas ou indícios, a titularidade dos créditos de Roman Kastigar. Para a caracterização de interposição de pessoa a lei exige que "seja objetivamente provado que os valores pertencem a terceiros". Não havendo comprovação a transferência de titularidade revela-se desmotivada e ilegal; d) não há como proceder ao exame individualizado de cada depósito ou crédito no valor de R$ 1.918.656,10, pela exigüidade do prazo; 3 e) os créditos decorrentes de simples transferências entre contas de sua titularidade são muito superiores aos valores excluídos pela autoridade lançadora e, em vista disso, está elaborando levantamento analítico e individualizado das transferências para demonstrar essa realidade; O contesta a aplicação da multa de oficio de 150%, afirmando que não está caracterizado» evidente intuito de fraude, pressuposto para a imposição de tal penalidade; g) rebate a aplicação da multa isolada pela falta de recolhimento a título de carnê-leão. Argumenta, ainda, que após a entrega da declaração de ajuste não é mais devido tal recolhimento, cabendo apenas a cobrança da multa isolada. A zla Turma de Julgamento da DRS em Florianópolis/SC julgou procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁMOS. CONTAS BANCÁRIAS EM NOME PRÓPRIO E DE TERCEIRO (INTERPOSTA PESSOA) Caracteriza omissão de rendimentos quando o titular de conta bancária, bem como dos recursos depositados em contas de terceiro (interposta pessoa), regularmente intimado, não prova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAçÃo. • Constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o termo de início para a contagem da decadência desloca-se da ocorrência do fato gerador para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA DE OFICIO QUALIFICADA. CONDUTA DOLOSA. APLICABILIDADE Restando evidenciada a conduta dolosa do sujeito passivo com o propósito deliberado de impedir ou retardar o Conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador dos tributos e contribuições, torna-se cabível a aplicação da multa de oficio qualificada. Cientificado da decisão de primeira instância, Alessander Giardini Lenzi interpôs Recurso Voluntário, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos postos em sua Impugnação. É o relatório. IP' 4 Processo n° 10920.007340/2007-18 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.441 Fl 3 Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Alega ao recorrente a ocorrência de decadência, pois, segundo argumenta, não houve comprovação da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, sendo, portanto, aplicável o art. 150 do Código Tributário Nacional. Inicialmente, cabe o registro que as alterações legislativas do imposto de renda ao atribuir à pessoa fisica e jurídica a incumbência de apurar o imposto, sem prévio exame da autoridade administrativa, classifica-se na modalidade de lançamento por homologação. E o § 4° do art. 150 do CTN, fixa prazo de homologação de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, no caso em que a lei não fixar outro limite temporal. Transcreve- se o art. 150, § 4° do CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4 0 Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Assim, o lançamento por homologação se consolida quando o sujeito passivo identifica a ocorrência do fato gerador, determinando a matéria tributável e o montante do tributo devido. Na inocorrência de dolo, fraude ou simulação aplica-se ao lançamento o disposto no art. 150, § 4° do CTN. Todavia, a omissão de rendimentos de que trata o presente lançamento deve ser apurada em bases mensais e tributada na declaração de ajuste anual. Portanto, durante o ano-calendário o sujeito passivo submete à tributação os rendimentos de forma antecipada, cuja apuração definitiva somente se dará quando do acerto por meio da declaração de ajuste anual, ou seja, no encerramento do ano-calendário. É nessa oportunidade que o fato gerador do imposto de renda resta concluído, por ser do tipo complexo (complexivo), completando, portanto, no último dia do ano. 4)) Assim, o fato gerador do IRPF referente ao ano-calendário de 2001 perfez-se em 31 de dezembro daquele ano. Sendo assim, o cites a quo para a contagem do prazo de decadência inicia-se em 01 de janeiro de 2002 e considerando o lapso temporal de cinco anos para que a Fazenda Pública exerça o direito de efetuar o lançamento, a data fatal completa-se em 31 de dezembro de 2006. Destarte, como a ciência do lançamento ocorreu em 20/12/2007 (fls. 1833/1834), o crédito tributário relativo ao ano-calendário de 2001, já havia sido atingido pela decadência. Em relação ao mérito, sustenta o suplicante que a autoridade autuante lhe transferiu a titularidade da conta n° 24.843-6, agência n° 0405-7 do Banco do Brasil S/A, pertencente ao Roman Kastigar, entretanto, assevera o recorrente, não houve a comprovação efetiva de que os recursos movimentados na referida conta pertence de fato ao autuado. Compulsando-se os autos, verifica-se que a fiscalização coligiu uma série de ocorrências que comprovariam ser do autuado a responsabilidade pelos recursos movimentados na conta aberta em nome do esloveno Roman Kastigar. De acordo com o "Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal" concluiu a autoridade autuante que: I • O Sr Kastigar havia outorgado procuração a ALESSANDER GL4RDINI LENZI, concedendo a este amplos e ilimitados poderes, SEM RESTRIÇÃO DE PRAZO; 2. Apesar de constar no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) como residência do Sr. Roman Kastigar, o endereço: Rua Luiz Kienen, 230 — Centro — Jaraguá do Sul — SC (mesmo endereço do Sr. Alessander), o mesmo encontrava-se, aparentemente OMISSO na entrega de suas declarações de Imposto de Renda da Pessoa Física; A renda declarada por ele ao Banco do Brasil, quando da abertura de sua conta-corrente foi de apenas R$ 300,00 (trezentos reais), valor incompatível com a movimentação financeira apurada; (fl. 1748) As intimações encontram-se às fls. 1.548 a 1.576 e as respostas apresentadas às /is. 1.586 a 1617, 1628 a 1691 e 1725. Estas repostas comprovam que uma parte dos valores enviados pelo esloveno fora utilizada para pagamento de despesas pessoais do contribuinte Alessander Lenzi, de seu irmão, Helio Antônio Lenzi, e de Daniela Campestrinh e não para a realização de investimentos na pessoa jurídica Kastigar & Lenzi ' Yachts Ltda. 07. 1673) Com base em tudo que foi que foi relatado e na documentação ao reunida, não restam dúvidas de que o titular de fato dos recursos depositados na conta-corrente n°24.843-6 mantida no BANCO DO BRASIL S/A, Agência 0405-7 --Jaraguá do Sul — SC é do Sr. Alessander Giardini Lenzi. E, por isso, todos os créditos • lançados nesta conta-corrente e cuja origem não pode se justificada, estão sendo tributados na sua pessoa fisica. (fl. 1765) -- --- Processo n°10920.007340/2007-18 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.441 Fl, 4 Pelo que se vê, o recorrente possuía controle total e irrestrito sobre a movimentação da conta bancária aberta junto ao Banco do Brasil, inclusive efetuando pagamentos pessoais e a terceiros com os recursos ali depositados. Assim, analisando o conjunto de indícios coletados e as provas constantes dos autos, não se pode olvidar que a conta bancária aberta em nome de Roman Kastigar pertencia ao recorrente, que a utilizava da mesma forma que as demais aberta em seu nome. Nessa senda, deve ser atribuído ao autuado a responsabilidade pela movimentação financeira da conta n° 24.843-6, agência n° 0405-7 do Banco do Brasil S/A, pois de acordo com os autos, restou demonstrado que o interessado não era simples mandatário para fins de movimentação da aludida conta-corrente, mas o seu titular de fato, o que toma correta a aplicação do disposto no § 5° da Lei tf 9.430/96: Art, 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 5 0 Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relaceio ao terceiro na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. (grifei). Destarte, deve ser mantido o entendimento esposado pela autoridade autuante. No que conceme a alegação do recorrente de que o valor de R$ 2.228.908,83 representa empréstimos tornados junto a Romeu Kastigar, cumpre inicialmente fazer uma associação dos acontecimentos para que se possa identificar o que de fato ocorreu. Examine-se o "Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal": Não bastasse este fato, segundo declarado pelo Sr. Alessander Lenzi, o estrangeiro teria, ainda, lhe emprestado no período de janeiro de 2001 a dezembro de 2005, um total de R$ 2.381.608,83. Segundo os "contratos de mútuo" apresentado por ele, como prova desta informação, este valor seria devolvido do estrangeiro no prazo de 120 meses, corrigido exclusivamente pela variação do dólar americano. Muito interessante, ainda, o fato dos primeiros "contatos" apresentado por ele próprio, sem assinatura como se constata pela análise das Ils. 1377 a 1422. Posteriormente, foram 7 apresentados novos "contratos" (fis.1437 a 1480), com a assinatura de ambos, em todos, exceto dois: os da fls. 1439/1472. Acrescente-se, por fim, o fato de muitos dos depósitos identificados pelo Sr. Alessander como decorrentes de empréstimos do Sr. Roman, corresponderem a depósitos em cheque. Considerando que o Sr. Roman não possuía CPF anteriormente a 18/05/2004 (fls. 1742) torna-se IMPOSSIVEL acreditar nas justificativas do SrAlessander, já que o Sr. Roman não poderia ter conta-corrente, muito menos emitir cheques naquelas datas. (fl. 1758) (.4 Corroborando, convém também trazer à baila as conclusões do relator do voto condutor do julgamento de primeira instância: Também chama a atenção o fato de que a primeira entrada no Brasil do Sr. Roman Kastigar, pretenso mutuante, deu-se em 14/05/2004, consoante dá conta cópia de seu passaporte 07.570); o estrangeiro só passou a possuir CPF e conta corrente no Pais, após tal data (vils. 1488 e 1489). No entanto, grande parte desses depósitos foi realizada em cheques, inter agência, on Une e em moeda corrente o que demonstra que nenhum desses recursos proveio do exterior. (.4 Tem-se, pois, que pela falta de documentação hábil e idónea que comprovasse a origem dos depósitos, além das incoerências mencionadas, não se pode tê-los corno justificados. (fls. 1868) Portanto, pelas conclusões expostas, não há corno acatar a tese da defesa de que o valor de R$ 2.228.908,83 representa empréstimos de mútuo tomados junto a Roman Kastigar. Em relação aos créditos bancários no montante de R$ 1.918.656,10, os quais o recorrente alega ser, "na sua esmagadora maioria", proveniente de "crédito serviço câmbio", ou seja, de conversão em reais de quantias em moeda estrangeira transferidas para o Brasil por Roman Kastigar, verifico, pois que não foi carreado aos autos prova de sua efetiva origem. Ressalte-se que durante o procedimento fiscal o recorrente não apresenta qualquer justificativa para tais valores, todavia, por ocasião da Impugnação alega que os mesmos já sofreram retenção na fonte, pois são oriundos de simples transferências entre contas de sua titularidade. Entretanto, quando da apresentação do Recurso Voluntário, vem o recorrente novamente aos autos alegar outra situação, qual seja, que os valores representam empréstimos oriundos de Roman Kastigar. Destarte, meras alegações, desacompanhadas de provas, não podem ser contrapostas aos levantamentos efetuados pelo Fisco. Portanto, deve ser confirmada a exigência nos exatos termos apurados pela fiscalização. Quanto à qualificação da multa de oficio entendo devida sua imposição, relativamente aos créditos lançados na conta n° 24.843-6, agência n° 0405-7 do Banco do Brasil S/A, aberta em nome de Roman Kastigar. Senão vejamos: 8 • Processo n° 10920.007340/2007-18 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.441 Fl. 5 A autoridade fiscal qualificou a exigência na forma do art. 44, II da Lei n° 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: II-cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n°4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Por sua vez, a Lei n°4.502, de 30 de novembro de 1964 dispõe: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a -impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais,. II - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos no artigo 71 e 72. Como se vê, para a aplicação da multa qualificada, exige-se presença de elemento subjetivo na conduta do contribuinte de forma a demonstrar que este quis os resultados relacionados nos arts. 71, 72 e 73 ou mesmo que assumiu o risco de produzi-los. Por sua vez, o art. 44, inciso II, faz referência ao "evidente intuito de fraude" exigindo-se que os elementos de prova utilizados em sua caracterização sejam facilmente identificáveis nos autos. No caso dos autos, entendeu a autoridade fiscal que o recorrente omitiu de seus rendimentos os créditos bancários no valor de R$ 5.123260,64, além de ter utilizado interposta pessoa para ocultar parte dos valores que lhe pertencia, agindo, portanto, de forma dolosa. De fato, restou evidenciado dos autos que o contribuinte, movimentou recursos na conta corrente de titularidade de Roman Kastigar. Em outras palavras, tem-se que o contribuinte fez uso de interposta pessoa para movimentar recursos em instituição financeira. ./Lzól11 Tal fato - uso de interposta pessoa - deixou evidenciada a conduta dolosa do contribuinte em impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fiscal, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, nos termos definidos no art. 71 da Lei 4.502, de 1964. Nestas circunstâncias, correto o procedimento da autoridade fiscal ao exigir o crédito tributário com multa de oficio qualificada, no que diz respeito à omissão de rendimentos calcada nos créditos efetivados na conta n° 24.843-6, agência n° 0405-7 do Banco do Brasil S/A, aberta em nome de Roman Kastigar. Entretanto, quanto aos demais depósitos, efetuados nas contas-correntes em nome do próprio recorrente, a conclusão que se impõe deve ser diferente. Como já visto, para a aplicação da multa de oficio qualificada exige-se 'que haja o propósito deliberado de modificar a característica essencial do fato gerador do imposto, quer pela alteração do valor da matéria tributável, quer pela exclusão ou modificação das características essenciais do fato gerador, com a finalidade de se reduzir o imposto devido ou evitar ou diferir seu pagamento. Portanto, a qualificação da multa de oficio é inaplicável nos casos de presunção simples de omissão de rendimentos/receitas ou mesmo quando se tratar de omissão de rendimentos/receitas de fato. Vale destacar que tal matéria já foi pacificada neste Conselho, que editou súmula, aplicável ao caso, que cristaliza o entendimento de que a simples apuração de omissão de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio: Súmula n° 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Considerando que a autuação utilizou presunção legal para concluir pela omissão de rendimentos, verifica-se que fica ainda mais distante a caracterização do dolo. A presunção legal autoriza que se conclua pela omissão de rendimentos e não pelo "evidente intuito de fraude , a que se reporta o art. 44, II da Lei n° 9.430, de 1996. Nestes termos, incabível a qualificação da multa de oficio, no que diz respeito aos créditos tributários apurados com base nos depósitos bancários realizados em contas-correntes de titularidade do contribuinte, quais sejam: conta n ° 65.166-4, agência 405-7 do Banco do Brasil e conta n° 108.045-7, agência 405-7 do Unibanco. Por fim, insurge o recorrente contra a aplicação concomitante das multas qualificada e da multa isolada pelo não recolhimento do camê leão, sob a alegação de que esta incidiu sobre uma mesma base de cálculo. No que tange à exigência concomitante da multa de oficio e da multa isolada, verifica-se que o contribuinte deixou de efetuar o recolhimento mensal obrigatório (camê- leão), sobre rendimentos que também foram objeto de lançamento de oficio, ou seja, havendo a dupla incidência da penalidade sobre a mesma base de cálculo. Esse entendimento está pacificado na Câmara Superior de Recursos Fiscais, 4 consoante à ementa transcrita: o Processo n° 10920.007340/2007-18 S2-C.211 Acórdão n.° 2201-00.441 MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO — CONCOMITÂNCIA — MESMA BASE DE CÁLCULO — A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § I°, do art. 44, da Lei n°9.430, de 1996) e da multa de oficio (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legitima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. (Câmara Superior do Conselho de Contribuintes / Primeira turma, Processo 105)0000679/2002- 19, 'Acórdão n° 01-04.987, julgado em 15/06/2004). Assim, na exigência de tributo por auto de infração ou notificação de lançamento não há espaço para se incluir concomitantemente a cobrança da multa de lançamento de oficio isolada, sobre a mesma omissão que gerou o lançamento do tributo, acrescido da multa qualificada. Destarte, não deve prevalecer a imposição da multa isolada. Ante o exposto, voto no sentido de reconhecer a decadência referente ao ano- calendário de 2001. No mérito, reduzir a multa qualificada para 75%, em relação aos créditos bancários efetuados exclusivamente na Conta n° 65.166-4 do Banco do Brasil e Conta n° 108.045-7 do Unibanco, bem como excluir a cobrança d. ulta isolada por concomitância. EDUARDO T' U FARAH II • It•a4A -- - ,..é...:L".1—MINTSTERIO DA FAZENDA . r•Oztetv. CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Processo n°: 10920.007340/2007-18 Recurso n°: 168.323 TERMO DE INTIMAÇÃO • Em cumprimento ao disposto no § 3° do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n°256, de 22 de junho de 2009, intime-se o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2201-00.441. . , Bras ta/DF, NAR 202 ..„,dt ,..NC .CO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR President da Segunda Câmara da Segunda Seção • \ v.... • Ciente, com a observação abaixo: - ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Data da ciência . / / Procurador(a) da Fazenda Nacional

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Numero do processo: 13807.002356/2001-33
Data da sessão: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Sun Dec 14 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO - CSLL Exercício: 1995 RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA FAZENDA NACIONAL - PRELIMINAR DE NÃO CONHECIMENTO EM FACE DA SÚMULA VINCULANTE N° 08 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL- A Lei n° 11.417, de 19/12/2006, que regulamentou o artigo 103-A, da Constituição Federal, não prevê o desconhecimento de recurso que contrarie súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal, cabendo ao órgão julgador adequar o julgamento às súmulas vinculantes da Suprema Corte. LIMITES DO LITÍGIO - O Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais deve ater-se aos limites do litígio fixados no recurso extraordinário interposto. E o recurso da Fazenda Nacional limita-se ao prazo decadencial. Ou seja, o prazo decadencial das contribuições sociais em beneficio da seguridade social seria de 10 (dez) anos, como figura do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, ou de 5 (cinco) anos como consta do Código Tributário Nacional (artigos 150 § 4°, e 173). CSLL - DECADÊNCIA - A Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido tem natureza de tributo e, portanto, deve ser aplicada a regra decadencial prevista no Código Tributário Nacional, em detrimento do prazo previsto no artigo 45 da Lei n° 8.212/91, conforme Súmula Vinculante n° 08 editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12.06.08. Recurso extraordinário conhecido e, no mérito, negado.
Numero da decisão: PLENO/00-00.035
Decisão: ACORDAM os membros do PLENO da Câmara Superior de Recursos Fiscais, 1) Por maioria de votos, CONHECER do recurso extraordinário. Vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias (Relatora), José Clóvis Alves, Josefa Maria Coelho Marques, Susy Gomes Hoffmann, Maria Helena Cotta Cardozo, Gonçalo Bonet Allage, Marcos Vinícius Neder de Lima, Ana Maria Ribeiro dos Reis, Mário Sergio Fernandes Barroso, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior (substituto convocado) e Antonio Praga, que não conheciam do recurso extraordinário. Designado para redigir o voto vencedor, nesta parte, o Conselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes; 2) Por maioria de votos, REJEITAR a proposição da relatora, de aprofundar a analise do mérito, para apreciar o termo de inicio da contagem do prazo decadencial, vencidos também os Conselheiros Marcos Vinícius Nederrje Lima, Mário Sergio Fernandes Barroso e Gileno Gurjão Barreto que a acompanharam; e 3) No mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso extraordinário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: karem Jureidini Dias

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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO - CSLL Exercício: 1995 RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA FAZENDA NACIONAL - PRELIMINAR DE NÃO CONHECIMENTO EM FACE DA SÚMULA VINCULANTE N° 08 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL- A Lei n° 11.417, de 19/12/2006, que regulamentou o artigo 103-A, da Constituição Federal, não prevê o desconhecimento de recurso que contrarie súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal, cabendo ao órgão julgador adequar o julgamento às súmulas vinculantes da Suprema Corte. LIMITES DO LITÍGIO - O Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais deve ater-se aos limites do litígio fixados no recurso extraordinário interposto. E o recurso da Fazenda Nacional limita-se ao prazo decadencial. Ou seja, o prazo decadencial das contribuições sociais em beneficio da seguridade social seria de 10 (dez) anos, como figura do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, ou de 5 (cinco) anos como consta do Código Tributário Nacional (artigos 150 § 4°, e 173). CSLL - DECADÊNCIA - A Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido tem natureza de tributo e, portanto, deve ser aplicada a regra decadencial prevista no Código Tributário Nacional, em detrimento do prazo previsto no artigo 45 da Lei n° 8.212/91, conforme Súmula Vinculante n° 08 editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12.06.08. Recurso extraordinário conhecido e, no mérito, negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do PLENO da Câmara Superior de Recursos Fiscais, 1) Por maioria de votos, CONHECER do recurso extraordinário. Vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias (Relatora), José Clóvis Alves, Josefa Maria Coelho Marques, Susy 41 .. • Processo n°13807.002356/2001-33 CSRUMO • Acórdão o.° 00-00.035 Fls. 2 Gomes Hoffmann, Maria Helena Cotta Cardozo, Gonçalo Bonet Allage, Marcos Vinícius Neder de Lima, Ana Maria Ribeiro dos Reis, Mário Sergio Fernandes Barroso, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior (substituto convocado) e Antonio Praga, que não conheciam do recurso extraordinário. Designado para redigir o voto vencedor, nesta parte, o Conselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes; 2) Por maioria de votos, REJEITAR a proposição da relatora, de aprofundar a analise do mérito, para apreciar o termo de inicio da contagem do prazo decadencial, vencidos também os Conselheiros Marcos Vinícius Nederrje Lima, Mário Sergio (iLli Fernandes Barroso e Gileno Gurjão Barreto que a acompanharam'; 'e 3) No mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso extraordinário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. TAANTONI GA President VS-florOt CARLOS ALBERTO GONÇAL i ES NUNES Redator Designado 1 FORMALIZADO EM: 2 2 JUN 2009 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Antonio Praga (Presidente da CSRF), Dalton César Cordeiro de Miranda, Anelise Daudt Prieto, Henrique Pinheiro Torres, Maria Teresa Martinez Lopez, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rosa Maria de Jesus da Silva Cosa de Castro, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Antonio Carlos Atulim, Maria Cristina Roza da Costa, Nanci Gama, Antonio Bezerra Neto (Substituto Convocado), Paulo Jacinto do Nascimento (Substituto Convocado), Júlio César Vieira Gomes, Leonardo Siade Manzan, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gilson Macedo Rosenburg Filho e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (vice- presidente da CSRF). Relatório Trata-se de Recurso de Divergência entre as Câmaras Superiores de Recursos Fiscais do Conselho de Contribuintes apresentado em 09/03/2007 pela Fazenda Nacional, com base no artigo 50, inciso II e § 40 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Portaria n° 55/98), contra o acórdão n° 01-05.651, proferido pela Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual entendeu por bem negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional a fim de reconhecer a decadência da CSLL, em razão da aplicação do artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional. O processo se refere a auto de infração lavrado para constituição de crédito de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL, relativo ao ano-calendário de 1995 (fls. 69). A ciência foi dada ao contribuinte em 14/03/2001 (fls. 68). O acórdão recorrido entendeu ser aplicável, para a contagem da decadência, o prazo previsto no artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional, em detrimento do prazo previsto no artigo 45, da Lei n° 8.212/91, o qual, à época, era reiteradamente afastado pela jurisprudência judicial em razão de sua inconstitucionalidade. O acórdão restou assim ementado: O,/ W 2 41 Processo n° 13807.002356/2001-33 CSRF/T00 Acórdão n.° 00-00.035 Fls. 3 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO — DECADÊNCIA — CSLL — SUA NATUREZA TRIBUTA' RL4 — APLICAÇÃO DO ARTIGO 150 DO CTIV: A Contribuição social sobre o lucro líquido, instituída pela Lei 7.689/88, em conformidade com os arts. 149 e 195, § 4", da Constituição Federal, tem natureza tributária, consoante decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, por unanimidade de votos, no RE n° 146.733-9-SÃO PAULO, o que implica na observância, dentre outras, às regras do art. 146, 111, da Constituição Federal de 1988. Desta forma, a contagem do prazo decadência da CSLL se faz de acordo com o Código Tributário Nacional no que se refere à decadência, mais precisamente no art. 150, § 4°. Recurso Especial negado. A Fazenda Nacional, em sede de Recurso Extraordinário, apontou que o r. acórdão está em divergência com o acórdão CSRF/02-01.665, proferido pela Segunda Turma da CSRF, que concluiu pela aplicabilidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, nos termos da seguinte ementa: "COFINS — DECADÊNCIA. O prazo para a Fazenda Nacional lançar o crédito pertinente à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins, é de dez anos, contado a partir do 1" dia do exercício seguinte àquele em que o crédito da contribuição poderia haver sido constituído". Argumentou a Fazenda Nacional que(i) não cabe ao Conselho de Contribuinte deixar de aplicar o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, uma vez que estaria decretando a sua inconstitucionalidade, razão pela qual seria nulo; e (ii) o artigo 45 da Lei n° 8.212/91 é norma especial frente ao artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional, e como esta própria norma admite a edição de normas especificas sobre o prazo decadencial, inexiste conflito de normas; (iii) o Superior Tribunal de Justiça já decidiu que o prazo para o lançamento das Contribuições Sociais é o disposto no art. 45 da Lei n° 8.212/91. O exame de admissibilidade foi realizado (fls. 231/232), determinando o SEGUIMENTO ao recurso interposto pela Fazenda Nacional. Ato continuo, a Contribuinte apresentou suas Contra-Razões apontando para a edição da Súmula Vinculante n° 08 do Supremo Tribunal Federal. É o relatório. 3 ( • Processo n°13807.002356/2001-33 CSRF/T00• Acórdão ri.° 00-00.035 Fls. 4 Voto Vencido Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora Em decisão plenária, restou afastada a preliminar de não conhecimento do Recurso em razão da Súmula Vinculante n° 08, do ,Supremo Tribunal Federal, entendendo o Plenário que deve ser conhecido o Recurso para, então, aplicar a mencionada Súmula Vinculante. Ainda, entendeu o plenário que a matéria sob apreciação restringe-se apenas à aplicação do prazo previsto no artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional, em detrimento do prazo previsto no artigo 45, da Lei n° 8.212/91, não sendo objeto do recurso e deste julgamento eventual hipótese de aplicação do prazo decadencial previsto no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. O presente processo versa sobre lançamento de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL, relativo ao ano-calendário de 1995 (fls. 69). A ciência foi dada ao contribuinte em 14/03/2001 (fls. 68) Entende a Fazenda Nacional ser aplicável ao caso as disposições da Lei n° 8.212/91, que teria legalmente fixado o prazo decadencial de 10 (dez) anos para as contribuições sociais, alegando, ainda, o acórdão seria nulo, pois o colegiado teria extrapolado sua competência ao julgar inconstitucional o artigo 45 da Lei n° 8.212/91. O primeiro ponto que deve ser analisado, imprescindível para a solução do presente caso, é a natureza jurídica das contribuições sociais, o que determina o prazo decadencial a ser aplicado. Dispõe o artigo 149, caput, da Constituição Federal: "Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio económico e de interesse das categorias profissionais e económicos, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observando o disposto nos arts. 146, III, • e 150, 1 e Hl, e sem prejuízo do previsto no art. 195, §6", relativamente às contribuições a que alude o dispositivo." Ainda, assevera o artigo 195 da mesma Lei Maior: "Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociair 1 — do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: opl • 4 Processo n. 13807,002356/2001-33 CSRF/T00 Acórdão n.° 00-00.035 Fls. 5 b) a receita ou o faturamento; c) o lucro; " Tem-se, pois, que a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido é contribuição destinada a financiar a seguridade social, sujeitando-se, portanto, às normas veiculadas pelos artigos 146 e 195 da Lei Maior. A referência ao artigo 146, inciso III, da Constituição Federal, no corpo do texto veiculado pelo artigo 149, também da Constituição Federal, deixa evidente a natureza das contribuições sociais como espécie de tributo incidente sobre atividade do particular, mas com destinação especifica, o que a diferencia dos impostos. Visando sedimentar tal orientação constitucional, o Supremo Tribunal Federal se manifestou no sentido de que as contribuições sociais são espécies de tributo e, por assim ser, devem obediência ao artigo 146, inciso III, da Constituição Federal, em especial no que tange à determinação do prazo decadencial para a constituição do crédito tributário. Nesse sentido, dispôs o Exmo. Ministro Carlos Velloso, verbis: "A questão da prescrição e da decadência, entretanto, parece-me pacificada. É que tais institutos são próprios da lei complementar de normas gerais (art. 146, III, "b '2. Quer dizer, os prazos de decadência e de prescrição inscritos na lei complementar de nornzas gerais (CTIV) são aplicáveis, agora, por expressa previsão constitucional, às contribuições parafiscais (C.F., art. 146. III, b, art. 149). (Recurso Extraordinário n° 148.754-2/RJ, excerto do voto do Ministro Carlos Velloso, junho/1993, grifos nossos). No mesmo sentido, o plenário do Supremo Tribunal Federal, no RE 146.733-9 — SP, também afirmou o caráter tributário das contribuições sociais, no caso, a Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido, como se percebe na seguinte ementa: "CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO DAS PESSOAS JURIDICAS. LEI 7689/88. - NÃO E INCONSTITUCIONAL A INSTITUIU° DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO DAS PESSOAS JUR1DICAS, CUJA NATUREZA E TRIBUTARIA. CONSTITUCIONALIDADE DOS ARTIGOS 1., 2. E 3. DA LEI 7689/88. REFUTAÇÃO DOS DIFERENTES ARGUMENTOS COM QUE SE PRETENDE SUSTENTAR A INCONSTITUCIONALIDADE DESSES DISPOSITIVOS LEGAIS)." Dessa maneira, tendo em vista o caráter tributário das Contribuições Sociais, no que tange ao prazo para constituição e cobrança do crédito tributário, deve-se observar os dispositivos do Código Tributário Nacional, o qual foi recepcionado pela Constituição Federal com status de Lei Complementar. No presente caso, contudo, temos um aparente conflito normativo, iniciado com a entrada em vigor da Lei n°8.212/91, em especifico seu artigo 45, o qual estabelece o prazo de 10 (dez) anos para constituição do crédito tributário pela autoridade administrativa quando se tratar de contribuições sob administração, à época, do Instituto Nacional da Seguridade Social - INSS. Instaurou-se, pois, uma contrariedade legal, impossibilitando a aplicaiç- , mesmo s Processo n° 13807.002356/2001 ,33 CSRF/T00 Acórdão n.° 00-00.035 Fls. 6 tempo, de ambos os dispositivos, quais sejam, o artigo 150, § 4° do Código Tributario Nacional e o artigo 45 da Lei n°8.212/91. O conflito entre disposições legais pode se constituir como contrariedade ou antinomia jurídica, cuja diferença encontra-se calcada na possibilidade de contornar tal conflito por meio de critérios aptos, previstos no ordenamento ou resultado de criação doutrinária. Nesse sentido, leciona o Professor TÉRCIO SAMPAIO FERRAZ JUNIOR, verbis: "Podemos definir, portanto, antinomia jurídica como a oposição que ocorre entre duas normas contraditórias (total ou parcialmente), emanadas de autoridades competentes num mesmo âmbito normativo, que colocam o sujeito numa posição insustentável pela ausência ou inconsistência de critérios aptos a permitir-lhe uma saída nos quadros de um ordenamento dado".' No presente caso, tem-se que as autoridades que emanaram as normas jurídicas em debate estão inseridas no ordenamento jurídico brasileiro, que o sujeito aplicador encontra- se impossibilitado de aplicá-las ao mesmo tempo, mas que possui critérios aptos a resolver tal contrariedade. Não se configura, pois, uma antinomia. No ordenamento jurídico brasileiro, alguns princípios emanam na solução de controvérsias legislativas. Temos o princípio da especificidade, da anterioridade, e, no que tange ao presente caso, o princípio de hierarquia entre os textos legais. A Constituição Federal destina a certas matérias atenção especial. Entendendo o constituinte se tratar de pontos fulcrais para o desenvolvimento nacional e a aplicação dos valores constitucionais, reserva à Lei Complementar competência exclusiva para legislar. Isso porque, por se tratarem de matérias cruciais, a Lei Complementar apresenta maior segurança no sistema de criação legislativa, pois requer rito especial para sua aprovação. Nesse sentido, determina o artigo 146, inciso III, alínea "b", da Constituição Federal, que as regras sobre decadência e prescrição no direito tributário serão determinadas por Lei Complementar, consubstanciada no Código Tributário Nacional. Tal determinação não pode ser ignorada, sobrepondo-se o Código Tributário Nacional a qualquer outro dispositivo legal que se proponha a dispor sobre prescrição e decadência. É superior, pois, a Lei Complementar no que tange a tal matéria. A Lei n° 8.212/91, ao dispor sobre o prazo decadencial para constituição de crédito tributário específico de contribuições sociais, estabeleceu diferentemente do que determina o Código Tributário Nacional, supostamente ampliando o prazo decadencial para constituição de contribuição social para 10 (dez) anos. Por assim ser, ao se deparar com a contrariedade vislumbrada entre os dispositivos legais acima explanados, o Superior Tribunal de Justiça, órgão responsável pela análise de conflitos envolvendo lei federal, em sua Corte Especial, suscitou incidente de inconstitucionalidade por meio de Argüição de Inconstitucionalidade no REsp 616.3481MG, reconhecendo vício no artigo 45 da Lei n° 8.212/91, por adentrar em matéria destinada V Intrudução ao Estudo do Direito — Técnica, Decisão, Dominação. 4' ed., Atlas, São Paulo —200 , pg. 212. 6 Processo n° 13807.002356/2001-33 CSRF/T00 Acórdão n.° 00-00.035 Fls. 7 constitucionalmente à Lei Complementar, determinando, pois, aplicação exclusiva do Código Tributário Nacional, em decisão assim ementada, verbis: "CONSTITUCIONAL, PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. INCIDENTE DE INCONSTITUCIONALIDADE. DO ARTIGO 45 DA LEI 8.212, DE 1991. OFENSA AO ART. 146, III, B, DA CONSTITUIÇÃO. 1. As contribuições sociais, inclusive as destinadas a financiar a seguridade social (CF, art. 195), têm, no regime da Constituição de 1988, natureza tributária. Por isso mesmo, aplica-se também a elas o disposto no art. 146, HL 6, da Constituição, segundo o qual cabe à lei complementar dispor sobre normas gerais em matéria de prescrição e decadência tributárias, compreendida nessa cláusula inclusive a fixação dos respectivos prazos. Conseqüentemente, padece de inconstitucionalidade formal o artigo 45 da Lei 8212, de 1991, que fixou em dez anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais devidas à Previdência Social. 2. Argüição de inconstitucionalidade julgada procedente." Ainda, no decorrer de seu voto, o Ministro Relator Teori Albino Zavascki entendeu que, verbis: "Não há dúvida, portanto, que a matéria disciplinada no artigo 45 da Lei 8212/91 (bem como no seu artigo 46, que aqui não está em causa) somente poderia ser tratada por lei complementar, e não por lei ordinária, como o foi. Poder-se-ia argumentar que o dispositivo não tratou de "normas gerais" sobre decadência, já que simplesmente estabeleceu um prazo. É o que defende Roque Antonio Carazza ("Curso de Direito Constitucional Tributário", 19° ed., Malheiros, 2003, páginas 816/817), para quem "a lei complementar, ao regular a prescrição e a decadência tributárias, deverá limitar-se a apontar diretrizes e regras gerais. Não poderá, por um lado, abolir os institutos em tela (que foram expressamente mencionados na Carta Suprema) nem, por outro descer a detalhes, atropelando a autonomia das pessoas políticas tributantes (..) Não é dado, porém, a esta mesma lei complementar entrar na chamada 'economia interna', vale dizer, nos assuntos de peculiar interesse das pessoas políticas (.) Eis por que, segundo pensamos, a fixação dos prazos prescricionais e decadenciais dependem de lei da própria entidade tributante. Não de lei complementar. Nesse sentido, os arts. 173 e 174 do Código Tributário Nacional, enquanto fixam prazos decadenciais e prescricionais, tratam de matéria reservada à lei ordinária de cada pessoa política. Portanto, nada impede que uma lei ordinária . federal fixe novos prazos prescricionais e decadenciais para um tipo de tributo federal. No caso, para as 'contribuições previdenciárias "'. Acolher esse argumento, todavia, importa, na prática, retirar a própria substância do preceito constitucional. É que estabelecer "normas gerais (.) sobre (.) prescrição e decadência " significa, / ff / necessariamente, dispor sobre prazos, nada mais. Se, conforme se 7 reconhece, a abolição desses institutos não é viável nem mesmo por lei Processo n°13807.002356/2001-33 CSRF/T00 Acórdão n.° 00-00.035 Fls. 8 complementar, outra matéria não poderia estar contida nessa cláusula constitucional que não a relativa a prazos (seu período e suas causas suspensivas e interruptivas). Tem-se presente, portanto, no artigo 45 da Lei 8.212, de 1991, inconstitucionalidade formal por ofensa ao art. 146, III, b, da Carta Magna. Sendo inconstitucional, o dispositivo não operou a revogação da legislação anterior, nomeadamente os artigos 150, § 4 0 e 173 do Código Tributário Nacional, que fixam em cinco anos o prazo de decadência para o lançamento de tributos." Nesse sentido ainda decidiu monocraticamente o Excelentíssimo Senhor Ministro Marco Aurélio, nos autos do Recurso Extraordinário n° 552.710-7, baseando-se em jurisprudência pacífica da Corte Suprema, no seguinte sentido, verbis: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL — PRAZOS DECADENCIAL E PRESCFUCIONAL — REGÊNCIA - ARTIGOS 45 E 46 DA LEI N° 8.212/91 — DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELA CORTE DE ORIGEM — HARMONIA COM A CONSTITUIÇÃO FEDERAL — PRECEDENTES — RECURSO EXTRAORDINÁRIO — NEGATIVA DE SEGUIMENTO. No julgamento do Recurso Extraordinário n° 138.284-8/CE, decidido à unanimidade de votos pelo Plenário em I° de julho de 1992, o ministro Carlos Velloso, relator, quanto à natureza da norma para a disciplina do instituto da prescrição consideradas as contribuições sociais, expressamente consignou: b..1 Todas as contribuições, sem exceção, sujeitam-se à lei complementar de normas gerais, assim ao C.T.N. (art. 146, 111, ex vi do disposto no art. 149). Isto não quer dizer que a instituição dessas contribuições exige lei complementar: porque não são impostos, não há a exigência no sentido de que os seus fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes estejam definidos na lei complementar (art. 146, III, a). A questão da , prescrição e da decadência, entretanto, parece-me pacificada. E que tais institutos são próprios da lei complementar de normas gerais (art. 146, III, "b"). Quer dizer, os prazos de decadência e de prescrição inscritos na lei complementar de normas gerais (CTN) são aplicáveis, agora, por expressa . previsão constitucional, às contribuições parafiscais (C.F., art. 146, Hl b; art. 149). Esse entendimento veio a ser novamente ressaltado pelo Plenário, quando do julgamento do Recurso Extraordinário n° 396.266-3/SC, também relator o ministro Carlos Velloso, cujo acórdão foi publicado no Diário da Justiça de 27 de fevereiro de 2004. Assim restou assentado: As contribuições do art. 149 da C.F., de regra, podem ser instituídas por lei ordinária. Por não serem impostos, não há necessidade de que 8 • Processo n°13807.002356/2001-33 CSRF/1-00 Acórdão n.° 00-00.035 Fls. 9 a lei complementar defina o seu fato *gerador, base de cálculo e contribuintes (C.F., art. 146. III, a). No mais, estão sujeitas às regras das alíneas b e c do inciso III do art. 146, C. F. Assim, decidimos, por mais de uma vez, como, v.g., RE 138.284/CE por mim relatado (RI'.! 143/313), e RE I46.733/SP, Relator o Ministro Moreira Alves (RI'.! 143/684). Realmente, descabe concluir de forma div.ersa." Já se pronunciou essa C. Câmara Superior de Recursos Fiscais, em decisões assim emetadas, verbis: "CSLL — DECADÊNCIA — LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO — Os tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa amoldam-se à sistemática de lançamento por homologação, prevista no art. 150 do Código Tributário Nacional (CT1V). Desta forma, a contagem do prazo decadencial da CSLL se faz de acordo com esta lei nacional no que se refere à decadência, mais precisamente no § 4° do seu art. 150. Por outro lado, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, instituída pela Lei n° 7.689/88, em conformidade com os art. 149 e 195, § 4°, da Constituição Federal, tem a natureza tributária, consoante decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, por unanimidade de votos, no 1W n° I46.733-9-SÃO PAULO, o que implica na observância, dentre outras, às regras do art. 146,1H, da Constituição Federal de 1988. Expirado o prazo de cinco anos sem que a autoridade fazendá ria se tenha pronunciado, homologado está o lançamento e definitivamente extinto o crédito tributário. A ausência de recolhimento não desnatura o lançamento, pois o que se homologa é a atividade não exercida pelo sujeito passivo, do qual pode resultar ou não o recolhimento do tributo." (Recurso Especial n° 108-129.376. Acórdão ri° CSRF/01-05.533, Sessão de 19.07.06) "CSLL. LANÇAMENTO. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO. ART. 45 DA LEI N° 8.212/91. INAPLICABILIDADE. PREVALÊNCIA DO ART. 150, § 4°, DO CTN, COM RESPALDO NO ARTIGO 146, III, 'b', DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. A regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento. A CSLL é tributo cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, pelo que se amolda à sistemática de lançamento denominada de homologação, onde a contagem do prazo decadencial desloca-se da regra geral (art. 173, do CTN) para encontrar respaldo no § 4°, do artigo 150, do mesmo Código, hipótese em que os cinco anos têm como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. É inaplicável à hipótese dos autos o artigo 45, da Lei n° 8.212/91 que prevê o prazo de 10 anos como sendo o lapso decadencial, já que a natureza tributária da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido assegura a aplicação do § 4°, do artigo 150 do CTN, em estrita obediência ao disposto no artigo 146, inciso III, 'b', da Constituição Federal." (Recurso Especial n°107-133.941, Acórdão n° CSRF/01-05.473, sessão de 19.06.06) 9 17 Processo n° 13807.002356/2001 -33 CSRETTOO•• Acórdão n.° 00-00.035 Fls. 10 Não bastasse, foi também recentemente aprovada a Súmula n° 08 do Supremo Tribunal Federal que determina que "são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Sobre este aspecto, lembro que respectiva súmula tem efeito vinculante para a administração e julgadores, nos termos do ai-tigo 103, "a" da Constituição Federal de 1988, inserido pela Emenda Constitucional n°45/2004, e também do disposto nos artigo 64-A e 64-B da Lei n° 9.784/99. A Súmula Vinculante n° 08 foi publicada no D.O.U. de 20/06/2008 com o seguinte teor: Súmula vinculante n° 8 - São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5" do Decreto-Lei n° 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n° 8212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. (DOU n°117, de 20/06/2008, Seção 1, pág. 1) Portanto, respaldada nas decisões e súmula do Supremo Tribunal Federal, bem como decisões do Superior Tribunal de Justiça e dessa C. Câmara Superior de Recursos Fiscais, entendo que não merece reparos o r. acórdão que declarou a decadência dos valores lançados a titulo de CSLL, de acordo com o prazo previsto no artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional. Por todo o exposto e considerando que o lançamento de oficio foi cientificado ao contribuinte em março de 2001, constata-se a decadência para o fato gerador ocorrido em 1995, pelo que voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional. Sala das Sessões, 15 de dezembro de 2008. It DIAS (117/ 10 Processo n° 13807.002356/2001-33 CSRF/T00 Acórdão n.° 00-00.035 Fls. II Voto Vencedor Conselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes, Redator Designado. Peço vênia para discordar da proposição de não conhecimento do recurso da Douta procuradoria da Fazenda Nacional por perda do objeto, em face da Súmula Vonculante n° 8, do Supremo Tribunal Federal (STF). E o faço baseado nas seguintes razões: Inicialmente, cabe registrar que o Recurso Extraordinário ao Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais está previsto nos artigos 9° e 43 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (RICSRF), aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25/06/2007, segundo pressupostos constantes deste último artigo. Confira-se: "Art. 9° Compete ao Pleno julgar recurso extraordinário de decisão de Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Turma ou o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. • "omissis" Art. 43. O recurso extraordinário previsto no art. 90 deverá ser formalizado em petição dirigida ao Presidente da Turma que houver prolatado a decisão recorrida e deverá ser interposto por Procurador da Fazenda Nacional ou pelo sujeito passivo, no prazo de quinze dias contados da data da ciência da decisão. § O recurso deverá demonstrar, fundamentadamente, a divergência argüida, indicando a decisão divergente e comprovando-a mediante a apresentação de cópia de seu inteiro teor ou de cópia da publicação em que tenha sido divulgada, ou mediante cópia de publicação de até duas ementas, cujos acórdãos serão examinados pelo Presidente. § 2° A cópia de publicação de ementa referida no § 2°, quando extraída da internei, deverá ser impressa diretamente da página dos Conselhos de Contribuintes ou da Imprensa Nacional. § 3° O recurso extraordinário deverá ser protocolizado na unidade da administração tributária de jurisdição do recorrente, quando por este interposto e na secretaria da Turma quando interposto pelo Procurador da Fazenda Nacional credenciado. - "umissis" Art. 44. O despacho que admitir recurso extraordinário terá o seguinte trâmite: Cfl I I Processo n° 13807.002356/2001-33 CSRF/1"00 Acórdão n.° 00-00.035 Fls. 12 1 - quando se tratar de recurso interposto por Procurador da Fazenda Nacional, os autos serão encaminhados à unidade da administração tributária de jurisdição do sujeito passivo, para ciência, assegurando- se-lhe o prazo de quinze dias para oferecer contra-razões; O recurso da douta Procuradoria atende todos pressupostos processuais constantes do RICSRF, tendo inclusive demonstrado a divergência entre os dois arestos dissidentes, no prazo para a interposição de seu apelo, como bem demonstrou o ilustre Presidente da CSRF. Isto posto, tenho que a Lei n° 11.417, de 19/12/2006, que regulamentou o artigo 103-A, da Constituição Federal, não prevê o desconhecimento de recurso que contrarie súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal. Muito pelo contrário. Infere-se da referida lei que a autoridade julgadora deve conhecer a impugnação ou recurso para verificar se os fatos se enquadram no trato que lhe der a Suprema Corte, nesse instrumento. Observe-se que a referida lei até prevê no artigo 7° a possibilidade de descumprimento da súmula vinculante e estabelece o remédio para a prevalência da súmula, em tal caso. Ou seja, há lugar para reclamação ao STF sem prejuízo dos recursos ou outros meios admissíveis de impugnação. O Supremo Tribunal Federal diante da reclamação poderá anular o ato administrativo ou cassar a decisão judicial impugnada, determinando que outra seja proferida com ou sem aplicação da súmula, conforme o caso. Com efeito, dizem os artigos 60 a 90 da mencionada lei, "in verbis": "Art. 6° A proposta de edição, revisão ou cancelamento de enunciado de súmula vinculante não autoriza a suspensão dos processos em que se discuta a mesma questão. Art. 7' Da decisão judicial ou do ato administrativo que contrariar enunciado de súmula vinculante, negar-lhe vigência ou aplicá-lo indevidamente caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal, sem prejuízo dos recursos ou outros meios admissíveis de impugnação. § 1° Contra omissão ou ato da administração pública, o uso da reclamação só será admitido após esgotamento das vias administrativas. § 2° Ao julgar procedente a reclamação, o Supremo Tribunal Federal anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial impugnada, determinando que outra seja proferida com ou sem aplicação da súmula, conforme o caso. An. 8" O art. 56 da Lei n" 9.784, de 29 de janeiro de 1999, passa a vigorar acrescido do seguinte § 3": "Artigo56 (..) de\ 12 . • Processo n°13807.002356/2001-33 CSRF/T00 Acórdão n.° 00-00.035 FLs. 13 § 3° Se o recorrente alegar que a decisão administrativa confraria enunciado da súmula vinculante, caberá à autoridade prolatora da decisão impugnada, se não a reconsiderar, explicitar, antes de encaminhar o recurso à autoridade superior, as razões da aplicabilidade ou inaplicabilidade da súmula, conforme o caso." (7VR) Art. 90 A Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, passa a vigorar acrescida dos seguintes arts. 64-A e 64-B: "Artigo 64-A. Se o recorrente alegar violação de enunciado da súmula vinculante, o órgão competente para decidir o recurso explicitará as razões da aplicabilidade ou inaplicabilidade da súmula, conforme o caso." "Artigo 64-B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, dar-se-á ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penaL " Entendo que a Fazenda Nacional tem o direito de ter o seu recurso conhecido para apreciação do mérito que poderá ser decidido com aplicação da orientação contida na referida súmula. Isto posto, rejeito a preliminar em questão. Outrossim, também entendo que a preliminar levantada pela ilustre Conselheira Conselheira Karen Jureidini Dias, "data venia", não pode prosperar. O Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais deve ater-se aos limites do litígio fixados no recurso extraordinário interposto. E o recurso da Fazenda Nacional limita-se ao prazo decadencial. Ou seja, o prazo decadencial das contribuições sociais em beneficio da seguridade social seria de 10 (dez) anos, como figura do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, ou de 5 (cinco) anos como consta do Código Tributário Nacional (artigos 150 § 4 0, e 173). É este o litígio a ser composto no Recurso Extraordinário sob exame, a que me atenho. Não há razão para estender-se o litígio assim formado para apreciar o termo de inicio da contagem do prazo decadencial (art. 150 x 173 do CTN). E, assim, também rejeito esta preliminar. Assim, rejeito as preliminares em questão, e tomo conhecimento do recurso da Douta Procuradoria da Fazenda Nacional. Sala das Sessões, 15 de dezembro de 2008. SM z CARLOS ALBERTOALBERTO GONÇALVES NUNES 13 Page 1 _0025200.PDF Page 1 _0025300.PDF Page 1 _0025400.PDF Page 1 _0025500.PDF Page 1 _0025600.PDF Page 1 _0025700.PDF Page 1 _0025800.PDF Page 1 _0025900.PDF Page 1 _0026000.PDF Page 1 _0026100.PDF Page 1 _0026200.PDF Page 1 _0026300.PDF Page 1

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Numero do processo: 10980.016320/2008-12
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003, 2004 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ARTIGO 42 DA LEI N° 9.430, DE 1996. Caracteriza-se como omissão de rendimentos a existência de valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituição financeira, em relação às quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. SALDOS INTERMEDIÁRIOS DE APLICAÇÕES. ORIGEM COMPROVADA. Os lançamentos a crédito realizados pelas instituições financeiras para demonstrar saldos intermediários de aplicações, quando comprovados, têm origem e não caracterizam omissão de rendimentos.
Numero da decisão: 2201-001.829
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente. (Assinado digitalmente) MARCIO DE LACERDA MARTINS - Relator. EDITADO EM: 21/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (presidente), Gustavo Lian Haddad (vice-presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Marcio de Lacerda Martins e Rodrigo Santos Masset Lacombe.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: MARCIO DE LACERDA MARTINS

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003, 2004 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ARTIGO 42 DA LEI N° 9.430, DE 1996. Caracteriza-se como omissão de rendimentos a existência de valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituição financeira, em relação às quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. SALDOS INTERMEDIÁRIOS DE APLICAÇÕES. ORIGEM COMPROVADA. Os lançamentos a crédito realizados pelas instituições financeiras para demonstrar saldos intermediários de aplicações, quando comprovados, têm origem e não caracterizam omissão de rendimentos.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 21/12 /2012 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 10980.016320/2008­12  Acórdão n.º 2201­001.829  S2­C2T1  Fl. 1.339          2    (Assinado digitalmente)  MARCIO DE LACERDA MARTINS ­ Relator.    EDITADO EM: 21/12/2012    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros: Maria Helena Cotta  Cardozo  (presidente), Gustavo  Lian Haddad  (vice­presidente),  Pedro  Paulo  Pereira  Barbosa,  Rayana  Alves  de  Oliveira  França,  Marcio  de  Lacerda  Martins  e  Rodrigo  Santos  Masset  Lacombe.  Relatório  Trata o presente processo de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física ­  IRPF formalizada por meio do auto de infração de fls. 248/253, no valor de R$ 7.512.519,39  de  imposto, R$  11.268.779,08  de multa  de  ofício  de  150%, R$  8.331,74  de multa  exigida  isoladamente,  pelo  não  recolhimento  do  carnê­leão,  além  de  R$  5.694.042,80  de  juros  de  mora calculados até 31/10/2008.  Do lançamento  A  autuação  se  deu  pela  omissão  de  rendimentos  recebidos  de  fontes  no  exterior;  omissão  de  rendimentos  caracterizada  por  depósitos  bancários  com  origem  não  comprovada; e pela falta de recolhimento do Imposto de Renda devido a título de carnê­leão,  conforme detalhado no termo de verificação fiscal, fls. 229/237, e no auto de infração às fls.  250/252.  Da impugnação  Regularmente  cientificado  do  lançamento  em  17/11/2008  (fl.  249),  o  interessado ingressou, em 15/12/2008, com a impugnação de fls. 264 a 302, acompanhada dos  documentos de fls. 303 a 346.  Informa  que  quanto  "ao  valor  de  R$  135.000,00,  datado  de  05/09/2003,  pelos  documentos  juntados  no  anexo  IV,  não  resta  dúvida  que  o  mesmo  foi  efetivamente  depositado  na  conta  n°  40.496­9,  agência  n°  1197­5,  cujo  correntista  é  o  impugnante.  Também  pelo  extrato  da  conta  do  impugnante  é  possível  averiguar  a  referida  transação  bancária (fls. 48 do anexo II do auto de infração. Desse modo, esse valor deve ser excluído de  imediato da presente autuação".  Contesta a aplicação da multa qualificada de 150%, pois "não há qualquer  irregularidade cometida pelo impugnante que possa ensejar a caracterização de ato cometido  com o intuito de impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária ".  Fl. 1339DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 21/12 /2012 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 10980.016320/2008­12  Acórdão n.º 2201­001.829  S2­C2T1  Fl. 1.340          3 Questiona  a  aplicação  da  taxa  SELIC  para  a  cobrança  de  juros,  considerando tal exigência ilegal e inconstitucional.    Da decisão de 1ª instância  O Colegiado da 1ª  Instância decide,  por unanimidade de votos,  rejeitar  as  preliminares  arguidas  e,  no  mérito,  considerar  parcialmente  procedente  o  lançamento,  mantendo as exigências de R$ 3.615.281,68 e R$ 2.252.921,91 de imposto, R$ 5.422.922,52  e  R$  3.379.382,86  de  multa  de  ofício  de  150%,  relativos  aos  exercícios  de  2003  e  2004,  respectivamente,  e  R$  8.331,74  de  multa  exigida  isoladamente,  referente  ao  exercício  de  2003, e os devidos acréscimos legais.  Recorrem de ofício da decisão em face do valor exonerado.  Da desistência do Recurso Voluntário  O contribuinte  formalizou a sua desistência ao recurso voluntário  (fl. 841)  para aderir ao parcelamento instituído pela Lei nº 11.941, de 2009.   Do recurso de ofício  Encerrado  o  litígio  quanto  à  parte  mantida  pela  1ª  instância,  resta  a  apreciação do recurso de ofício obrigatório.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Marcio de Lacerda Martins, Relator.  O artigo 34, I, do Decreto n° 70.235/72, com a redação dada pelo artigo 67,  da  Lei  nº  9.532,  de  1997,  estabelece  que  a  autoridade  julgadora  em  primeira  instância  deve  recorrer de oficio sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e  encargos  de  multa  no  valor  total  (lançamento  principal  e  decorrentes)  a  ser  fixado  pelo  Ministro da Fazenda.   A decisão de primeira instância exonerou R$5.844.330,25 da base de cálculo,  apurada pela  fiscalização, de R$19.009.270,54 referente ao ano calendário 2002 e o valor de  R$135.000,00  da  base  de  cálculo  de  R$8.345.904,76  referente  ao  ano  calendário  de  2003,  lançados por meio de Auto de Infração de IRPF. Manteve sem alterações a multa de ofício de  150% aplicada em cada exercício e a multa  isolada de R$8.331.74 pelo não recolhimento do  carnê leão no ano calendário de 2002. Nestes termos o recurso de oficio atende aos requisitos  para sua admissibilidade, dele tomo conhecimento.  Segundo  se  colhe  dos  autos,  a  4ª  Turma  de  Julgamento  da  DRJ  em  Curitiba/PR exonerou parte do crédito tributário relativo ao Auto de Infração de fls.461 a 513,  Fl. 1340DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 21/12 /2012 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 10980.016320/2008­12  Acórdão n.º 2201­001.829  S2­C2T1  Fl. 1.341          4 fundamentando  tratar­se  de  reaplicações,  conforme  se  depreende  do  voto  condutor  do  julgamento de primeira instância, reproduzido abaixo, verbis:  “No  que  tange  à  contestação  de  valores  incluídos  indevidamente,  relativos  ao  extrato  da  conta  n°  119.127­1  ­  Agência  n°  00900  ­  do  Banco  Safra  denominada  Poupança  Dinâmica, de R$ 2.543.920,50,  em 14/01/2002; R$ 604.512,93,  em  13/02/2002;  R$  493.597,41,  em  18/02/2002;  R$  1.407.244,37, em 18/02/2002; R$ 151.101,85, em 25/02/2002; e  R$  643.953,19,  em 04/03/2002,  há  que  se  reconhecer  razão  ao  impugnante. Verifica­se pelo extrato dessa conta, às fls. 51 a 95,  do  anexo  I,  que  tais  valores  foram reaplicações  de  recursos  já  existentes na própria conta”.  Como  se  trata  de  reaplicações  de  valores  originários  da  própria  conta  corrente, não constituem novas entradas de depósitos. Caracterizam procedimentos utilizados  pelos bancos para o controle das aplicações financeiras a partir de lançamentos dos seus saldos  intermediários ou parciais. É o que consta do trecho selecionado do voto condutor do Acórdão  de 1ª instância, a saber:  “Uma  verificação  cuidadosa  do  extrato  remete  à  conclusão  de  que  tal  procedimento  era  adotado  em  face  da  necessidade  de  controle  das  datas  de  aniversário  de  cada  depósito,  individualmente,  e  pela  peculiaridade  de  que  os  rendimentos  eram creditados  num dia  e  o  aniversário,  para  efeitos  de  novo  período de crédito de rendimentos passava a ser o dia seguinte.”  Ratifico  as  conclusões  do  voto  condutor  de  1ª  instância  para  exonerar  R$5.844.330,25; representativo da soma dos valores identificados como reaplicações; da base  de cálculo apurada para o ano calendário de 2002. Da análise do extrato bancário constata­se  que  não  são  depósitos  e,  portanto,  não  compõem  o  montante  de  valores,  de  origem  não  comprovada, que sustentam a presunção  legal de  rendimentos omitidos, na  forma autorizada  pela Lei nº 9.430, de 1996.   O  recorrente  também  comprova  a  origem  do  depósito  de  R$135.000,00  conforme conclui o relator no trecho do voto condutor, que reproduzo abaixo:  “Quanto ao depósito de R$ 135.000,00, de 12/09/2003 (fls. 242  do  processo  e 48 do  anexo  II),  é  de  se  considerá­lo  justificado  em face da apresentação da cópia do cheque de fls. 338/339, no  mesmo  valor  e  emitido  em  05/09/2003,  cujo  verso  estampa  a  indicação do seu deposito na conta n° 40.496­9, da agência n°  1197­5, do Banco Bradesco, no dia 12/09/2003.”  Portanto este é o valor (R$135.000,00) a ser exonerado da autuação fiscal de  depósito de origem não comprovada referente ao ano calendário de 2003.  Ratifico, nesta instância, os valores abaixo (em negrito) lançados em face do  recurso de ofício que ora se nega:      Fl. 1341DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 21/12 /2012 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 10980.016320/2008­12  Acórdão n.º 2201­001.829  S2­C2T1  Fl. 1.342          5 Período  base  2002  2003  Infrações  R$19.009.270,54  R$8.345.904,76  (­)  Base  de  cálculo  exonerada  R$5.844.330,25  R$135.000,00  Base  de  cálculo  Mantida  R$13.164.940,29  R$8.210.904,76  Imposto  devido  mantido  R$3.615.281,68  R$2.252.921,91  Multa  150%  mantida  R$5.422.922,52  R$3.379.382,86  Multa  isolada  mantida  R$8.331,74  R$ ­     Assim, verificando que a decisão recorrida está fundamentada em elementos  de prova,  todos eles constantes dos  autos,  e estando os  seus argumentos em perfeita  sintonia  com a legislação de regência, NEGO provimento ao recurso de oficio.  Brasília, Sala de Sessões, 20 de setembro de 2012.    (Assinado digitalmente)  Marcio de Lacerda Martins – Relator                  Fl. 1342DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 21/12 /2012 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 10980.016320/2008­12  Acórdão n.º 2201­001.829  S2­C2T1  Fl. 1.343          6 INTIMAÇÃO  Em  cumprimento  ao  disposto  no  §  3º  do  art.  81  do  Regimento  Interno  do  Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22  de  junho  de  2009,  intime­se  o  (a)  Senhor  (a)  Procurador  (a)  Representante  da  Fazenda  Nacional,  credenciado  junto  à  Segunda  Câmara  da  Segunda  Seção,  a  tomar  ciência  do  Acórdão nº 2201­01.829.  Brasília/DF, 21 de dezembro de 2012   (Assinado digitalmente)  Maria Helena Cotta Cardozo  Presidente da 1ª TO 2ª Câmara 2ª Seção    Ciente, com a observação abaixo:   (......) Apenas com ciência  (......) Com Recurso Especial  (......) Com Embargos de Declaração  Data da ciência: ______/______/_______  _____________________________  Procurador (a) da Fazenda Nacional                              Fl. 1343DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 21/12 /2012 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 26/12/2012 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO

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Numero do processo: 10882.000071/2002-58
Data da sessão: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Sun Dec 14 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 1996 CSLL. DECADÊNCIA. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo decadencial para constituição do crédito tributário concernente a CSLL é de 05 (cinco) anos, contado a partir da ocorrência do fato gerador, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, sobretudo após a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n°s 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. Recurso extraordinário conhecido e, no mérito, negado.
Numero da decisão: PLENO/00-00.101
Decisão: ACORDAM os membros da PLENO do câmara superior de recursos fiscais, 1) Por maioria de votos, CONHECER do recurso extraordinário. Vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias, José Clóvis Alves, Josefa Maria Coelho Marques, Susy Gomes Hoffmann, Maria Helena Cotta Cardozo, Gonçalo Bonet Allage, Marcos Vinícius Neder de Lima, Ana Maria Ribeiro dos Reis, Mário Sergio Fernandes Barroso, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior (substituto convocado) e Antonio Praga, que não conheciam do recurso extraordinário; 2) Por maioria de votos, REJEITAR a proposição proposta pela Conselheira Susy Gomes Hoffmann, de aprofundar a analise do mérito, para apreciar o termo de inicio da contagem do prazo decadencial, vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias, Marcos Vinícius Neder de Lima, Mário Sergio Fernandes Barroso e Gileno Gurjão Barreto que a acompanharam; e 3) No mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso extraordinário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar: presente julgado.
Nome do relator: Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira

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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-09-09T20:19:40Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-09-09T20:19:40Z; Last-Modified: 2009-09-09T20:19:40Z; dcterms:modified: 2009-09-09T20:19:40Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-09-09T20:19:40Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-09-09T20:19:40Z; meta:save-date: 2009-09-09T20:19:40Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-09-09T20:19:40Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-09-09T20:19:40Z; created: 2009-09-09T20:19:40Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2009-09-09T20:19:40Z; pdf:charsPerPage: 2184; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-09-09T20:19:40Z | Conteúdo => • , CSRF/T00 Fls. 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA .!à4=1Aid,. CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PLENO Processo u° 10882.000071/2002-58 Recurso n° 107-140.172 Extraordinário Matéria CSLL - PRAZO DECADENCIAL (RECURSO EXTRAORDINÁRIO AO PLENO DA CSRF) Acórdão n° 00-00.101 Sessão de 15 de dezembro de 2008 Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida CREDICARD S.A. ADMINISTRADORA DE CARTÕES DE CRÉDITO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 1996 CSLL. DECADÊNCIA. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo decadencial para constituição do crédito tributário concernente a CSLL é de 05 (cinco) anos, contado a partir da ocorrência do fato gerador, nos termos do artigo 150, § 40, do Códex Tributário, sobretudo após a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n°s 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. Recurso extraordinário conhecido e, no mérito, negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da PLENO do câmara superior de recursos fiscais, 1) Por maioria de votos, CONHECER do recurso extraordinário. Vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias, José Clóvis Alves, Josefa Maria Coelho Marques, Susy Gomes Hoffmann, Maria Helena Cotta Cardozo, Gonçalo Bonet Allage, Marcos Vinícius Neder de Lima, Ana Maria Ribeiro dos Reis, Mário Sergio Fernandes Barroso, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior (substituto convocado) e Antonio Praga, que não conheciam do recurso extraordinário; 2) Por maioria de votos, REJEITAR a proposição proposta pela Conselheira Susy Gomes Hoffmann, de aprofundar a analise do mérito, para apreciar o termo de inicio da contagem do prazo decadencial, vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias, Marcos Vinícius Neder de Lima, Mário Sergio Fernandes Barroso e Gileno Gurjão Barreto que a acompanharam; e 3) No mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso extraordinário, n termos do relatório e voto que passam a integrar: presente julgado. „ Processo n° 10882.000071/2002-58 CSFtF/T00 Acórdão n.° 00-00.101 Fls. 3 A ONIO • RA o! A esidente - RYCARDO TRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA Relato FORMALIZADO EM: O 8 JUN 2009 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Antonio Praga (Presidente da CSRF), Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (vice-presidente da CSRF), José Clóvis Alves, Carlos Alberto Gonçalves Nunes, Josefa Maria Coelho Marques, Dalton César Cordeiro de Miranda, Anelise Daudt Prieto, Susy Gomes Hoffinann, Maria Helena Cotta Cardozo, Gonçalo Bonet Allage, Marcos Vinícius Neder de Lima, Karem Jureidini Dias, Henrique Pinheiro Torres, Maria Teresa Martínez Lopez, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rosa Maria de Jesus da Silva Cosa de Castro, Ana Maria Ribeiro dos Reis, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Mário Sergio Fernandes Barroso, Antonio Carlos Guidoni Filho, Antonio Carlos Atulim, Gileno Gurjão Barreto, Maria Cristina Roza da Costa, Nanci Gama, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Gustavo Lian Haddad, Antonio Bezerra Neto (Substituto Convocado), Paulo Jacinto do Nascimento (Substituto Convocado), Júlio César Vieira Gomes, Leonardo Siade Manzan, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gilson Macedo Rosenburg Filho e Manoel Coelho Arruda Junior (substituto convocado). Relatório CREDICARD S.A. ADMINISTRADORA DE CARTÕES DE CRÉDITO, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já devidamente qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 11/01/2002, exigindo-lhe crédito tributário concernente a Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido - CSLL, em relação ao ano-calendário 1996, conforme peça inaugural do feito e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto Recurso Especial pela contribuinte contra Acórdão n° 107-07.909, da 7° Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, que negou provimento ao seu recurso voluntário, rejeitando a preliminar de decadência suscitada, a Egrégia 1* Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em 27/03/2007, por maioria de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão n° CSRF/01- 05.655, sintetizados na seguinte ementa: IA/ 2 , Processo n° 10882.00007112002-58 CSRF/T00 Acórdão n.° 00-00.101 Fls. 4 "CSL — DECADÊNCIA — AR?". 45 DA LEI N° 8212/91 — INAPLICABILIDADE — Por força do Art. 146, III, b, da Constituição Federal e considerando a natureza tributária das contribuições, a decadência para lançamento de CSL deve ser apurada conforme o estabelecido no Art. 150, § 4°, do C77V, com a contagem do prazo de 5 (cinco) anos partir do fato gerador. Recurso Especial Provido." Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Extraordinário ao Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, às fls. 314/322, com arrimo no artigo 5°, inciso II, e parágrafo 4°, do então Regimento Interno da CSRF, aprovado pela Portaria MF n° 55/1998, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Inicialmente, pretende seja conhecido seu Recurso Extraordinário, uma vez observados os requisitos para tanto, eis que o Acórdão atacado, ao aplicar ao caso a decadência insculpida no artigo 150, § 40, do Códex Tributário, divergiu de outras decisões exaradas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme se extrai do Acórdão n° CSRF/02-01.722, ora adotado como paradigma. Insurge-se contra o Acórdão guerreado, por entender ter contrariado o disposto no artigo 146, inciso III, b, da Constituição Federal, c/c artigo 45, inciso I, da Lei n° 8.212/91, notadamente em razão de a decisão em vergasta ter declarado, por via reflexa, a inconstitucionalidade do dispositivo legal supra, o que é defeso ao julgador administrativo, conforme se extrai do Regimento Interno deste Colendo Tribunal. Contrapõe-se ao decisum recorrido, aduzindo ter malferido os preceitos contidos no artigo 146, inciso III, alínea "b", da Constituição Federal, o qual atribuiu à Lei Complementar, in casu, o Código Tributário Nacional, a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre prescrição e decadência. Por sua vez, assevera que o artigo 150, § 4°, do Códex Tributário, permitiu expressamente à lei ordinária regulamentar de forma específica, o prazo decadencial em comento. Nesse sentido, sustenta que o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, encontra-se em perfeita consonância com o disposto no artigo 146, inciso III, da CF, c/c artigo 150, § 4°, do CTN, por tratar-se de lei ordinária específica para as contribuições sociais. Traz à colação jurisprudência administrativa e judicial e doutrina corroborando seu entendimento. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Extraordinário, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, entendeu por bem admitir o Recurso Extraordinário do Procurador, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão recorrido divergiu do entendimento consubstanciado no decisum paradigma, Acórdão n° CSRF/02-01.722, consoante se positiva do Despacho CSRF n° 185/2007, às fls. 342/344. 3 . . . Processo n" 10882.000071/2002-58 CSRF/700 Acórdão n.° 00-00.101 Fls. 5 Instada a se manifestar a propósito do Recurso Extraordinário do Procurador, a contribuinte apresentou suas contra-razões, às fls. 352/363, corroborando o entendimento levado a efeito no Acórdão recorrido, propondo a sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro RYCARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da CSRF, a divergência suscitada pela Procuradoria da Fazenda Nacional, conheço do Recurso Extraordinário e passo à análise das razões recursais. Conforme se depreende da análise do Recurso Extraordinário, pretende a Procuradoria a reforma do Acórdão recorrido, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram a legislação que regulamenta a matéria (decadência), mais precisamente os preceitos contidos no artigo 45, inciso I, da Lei n° 8.212/91, os quais encontram-se em perfeita consonância com os ditames inscritos no artigo 150, § 4 0, do Código Tributário Nacional, c/c artigo 146, inciso III, da Constituição Federal, mormente tratando-se de legislação especifica para as contribuições sociais. A fazer prevalecer sua pretensão, infere que o entendimento consubstanciado no Acórdão n° CSRF/02-01.722, ora adotado como paradigma, oferece proteção ao pleito da Procuradoria, impondo seja reformado o decisum atacado. Em que pesem os argumentos da recorrente, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, conclui-se que o Acórdão recorrido apresenta-se incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos a demonstrar. O exame dessa matéria impõe sejam levadas a efeito algumas considerações. O artigo 45, inciso I, da Lei n° 8.212/91, estabelece prazo decadencial de 10 (dez) anos para a apuração e constituição das contribuições destinadas a Seguridade Social, senão vejamos: "Art. 45 — O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue-se após 10 (dez) anos contados: 1 — do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; [...1" Por outro lado, o Código Tributário Nacional em seu artigo 173, caput, determina que o prazo para se constituir crédito tributário é de 05 (cinco) anos, in verbis: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: Cr 4 • . Processo n° 10882.000071/2002-58 C512F/T00 Acórdão n.° 00-00.101 Fls. 6 [1" Com mais especificidade, o artigo 150, § 4°, do CTN, contempla a decadência para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos seguintes termos: "Art150 - O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4" - Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." O núcleo da questão reside exatamente nesses três artigos, ou seja, qual deles deve prevalecer para as contribuições destinadas a Seguridade Social, tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Primeiramente destaca-se o lançamento de oficio ou direto, previsto no artigo 149, do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o lançamento por declaração ou misto, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Alfim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150, do CTN, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades tributárias. Dessa forma, sendo as contribuições sociais tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4 0, do CTN, conforme se extrai de recentes decisões de nossos Tribunais Superiores, uma das quais com sua ementa abaixo transcrita: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AÇÃO DECLARA TÓRIA. IMPRESCRITIBILIDADE. INOCORRÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL. PRAZO DECADENCIAL PARA O LANÇAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 45 DA LEI 8.212, DE 1991. OFENSA AO ART. 146, HL B, DA CONSTITUIÇÃO 2. As contribuições sociais, inclusive as destinadas a financiar a seguridade social (CF, art. 195), têm, no regime da Constituição de 1988, natureza tributária. Por isso mesmo, aplica-se também a elas o disposto no artigo 146, HL b, da Constituição, segundo o qual cabe à lei complementar dispor sobre normas gerais em matéria de prescrição 5 • . . Processo n° 10882.00007112002-58 CSRF/T00 Acórdão n.° 00-00.101 Fls. 7 e decadência tributárias, compreendida nessa cláusula inclusive a fixação dos respectivos prazos. Conseqüentemente, padece de inconstitucionalidade formal o artigo 45 da Lei 8.212, de 1991, que fixou em dez anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais devidas à Previdência Social." (AgRg no Recurso Especial n° 616.348 — MG — 1 4 Turma do ST1, Acórdão publicado em 14/02/2005 - Unânime) Mais a mais, a Constituição Federal, em seu artigo 146, é por demais enfática, clara e objetiva ao disciplinar a matéria, estabelecendo que obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários são matérias reservadas à Lei Complementar: "Art. 146. Cabe à Lei complementar: L..] III — estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: ri b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários:" Nesse diapasão, não faz o menor sentido prevalecer o prazo decadencial inscrito no artigo 45 da Lei n° 8.212/91, por tratar-se de lei ordinária e a matéria necessitar de lei complementar para sua regulamentação, sob pena de se ferir flagrantemente a Constituição Federal. Em verdade, o instituto da decadência, bem como da prescrição, devem ser aplicados obedecendo ao prazo qüinqüenal do Código Tributário Nacional, por se tratar de lei complementar, estando em perfeita consonância com nossa Carta Magna. Dito isso, aplicando-se o prazo decadencial do artigo 45 da Lei n°8.212/91, qual seja, 10 (dez) anos, nos quedamos aos ditames de uma norma hierarquicamente inferior (lei ordinária) sobre o que define outra superior (lei complementar), o que é absolutamente repudiado por nosso ordenamento jurídico, sobretudo quando a Constituição Federal estabelece que referida matéria deve ser disciplinada por lei complementar, in casu, o Código Tributário Nacional, a qual para aprovação necessita de quorum qualificado, diferente da lei ordinária. Deve-se frisar, ainda, que o entendimento de que a Lei n° 8.212/91, por ser lei especial, deve sobrepor ao CTN (norma geral) também não tem o condão de prosperar. A norma geral serve justamente como base, para nortear, todas as outras normas especiais, não podendo estas se contraporem ao que delimita àquela, especialmente quando a matéria está reservada a lei complementar por força da Constituição Federal, tendo em vista a hierarquia material, hipótese que se amolda ao presente caso. Se assim não fosse, de nada serviriam as normas gerais, se a qualquer momento pudessem ser revogadas por leis especiais hierarquicamente inferiores. Observe-se que o principio da especialidade poderá ser aplicado quando duas leis hierarquicamente iguais se contraporem, por exemplo, duas leis ordinárias, ou quando a av matéria não for reservada constitucionalmente a lei complementar, e estiver prevista 6 Processo n°10882.000071/2002-58 CSRF/T00 Acórdão n.° 00-00.101 Fls. 8 concomitantemente nesta última e em lei ordinária, o que não se vislumbra na hipótese vertente. A sujeição das contribuições sociais às normas gerais de direito tributário já foi chancelada em diversas oportunidades por nossos Tribunais Superiores e corroborada pela doutrina, conforme se extrai do excerto da obra DIREITO DA SEGURIDADE SOCIAL, de autoria de Leandro Paulsen e Simone Barbisan Fortes, nos seguintes termos: As Contribuições especiais, dentre as quais as contribuições de seguridade social, por configurarem tributo, sujeitam-se, ainda, às normas gerais de direito tributário que estão sob a reserva de lei complementar (art. 146, EL da CF). O STF, em novembro de 2003, mais uma vez reafirmou este entendimento, conforme se vê da explicação de voto do Min. Carlos Velloso: [...] as contribuições estão sujeitas, hoje, à lei complementar de normas gerais (C.F., art. 143, III). Antes da Constituição de 1988, a discussão era extensa...Então, o que fez o constituinte de 1988? Acabou com as discussões, estabelecendo que às contribuições aplica-se a lei complementar de normas gerais, vale dizer, aplica-se o Código Tributário nacional, especialmente. no que diz respeito à obrigação. lançamento, crédito. prescricão e decadência tributários (C.F. art. 146, inciso HL 19» e quanto aos impostos, a lei complementar definiria os respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes (CF, art. 146, III, a). (STF, RE 396.266-3/SC, nov/2003) As contribuições sujeitam-se às normas gerais de direito tributários estabelecidos pelo Livro II do Cl?'! (art. 96 em diante), do que são exemplo o modo de constituição do crédito tributário, as hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, os prazos decadencial e prescricional e as normas atinentes à certificação da situação do contribuinte perante o Fisco. " (Direito da Seguridade Social: prestações e custeio da previdência, assistência e saúde — Simone Barbisan Fortes, Leandro Paulsen — Porto Alegre: Livraria do Advogado Ed., 2005, págs. 356/358) (grifamos) Ademais, ao admitirmos o prazo decadencial inscrito na Lei n° 8.212/91, estamos fazendo letra morta da nossa Constituição Federal e, bem assim, do Código Tributário Nacional. Nesse sentido, aliás, foi entendimento da Egrégia Primeira Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça que, ao analisar o Recurso Especial n° 616.348, em 15/08/2007, decidiu por unanimidade de votos declarar a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, senão vejamos: "CONSTITUCIONAL, PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. INCIDENTE DE INCONSTITUCIONALIDADE. DO ARTIGO 45 DA 7 • . Processo n° 10882.000071/2002-58 CSRF/T00 Acórdão n.° 00-00.101 Fls. 9 LEI 8.212, DE 1991. OFENSA AO ARE 146, IH, B. DA CONSTITUIÇÃO. I. As contribuições sociais, inclusive as destinadas a financiar a seguridade social (CF, art. 195), têm, no regime da Constituição de 1988, natureza tributária. Por isso mesmo, aplica-se também a elas o disposto no art. 146, III, b, da Constituição, segundo o qual cabe à lei complementar dispor sobre normas gerais em matéria de prescrição e decadência tributárias, compreendida nessa cláusula inclusive a fixação dos respectivos prazos. Conseqüentemente, padece de inconstitucionalidade formal o artigo 45 da Lei 8.212, de 1991, que fixou em dez anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais devidas à Previdência Social. 2. Argüição de inconstitucionalidade julgada procedente." Como se observa, a decisão encimada espelha a farta e mansa jurisprudência judicial a propósito da matéria, impondo seja aplicado o prazo decadencial inscrito no CTN, igualmente, para as contribuições sociais. Aliás, esse sempre foi o posicionamento deste Conselheiro que, somente não admitia o prazo qüinqüenal para as contribuições sociais em virtude do disposto na Súmula n° 02 do 2° Conselho de Contribuintes, a qual determina ser defeso ao julgador administrativo afastar a aplicação de legislação vigente a pretexto de inconstitucionalidade. Entrementes, após melhor estudo a respeito do tema, levando-se em consideração os recentes julgados da P Turma da CSRF, concluímos que o fato de afastar os ditames do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, aplicando-se os artigos 150, § 4°, ou 173 (no caso de fraude comprovada) do CTN, não implica dizer que estar-se-ia declarando a inconstitucionalidade do dispositivo legal daquela lei ordinária. Com efeito, se assim o fosse, ao admitir o prazo estipulado no artigo 45 da Lei n° 8.212/91, em detrimento ao disposto nos artigos 150, § 4°, e 173, do CTN, igualmente, estaríamos declarando a inconstitucionalidade dessas últimas normas legais. No entanto, após muitas discussões a propósito da matéria, o Supremo Tribunal Federal, em 11/06/2008, ao julgar os RE's n's 556664, 559882 e 560626, por unanimidade de votos, declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, oportunidade em que aprovou a Súmula Vinculante n° 08, abaixo transcrita, rechaçando de uma vez por todas a pretensão do Fisco. "Súmula n• 08: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo s• do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário." Registre-se, ainda, que na mesma sessão plenária, o STF achou por bem modular os efeitos da declaração de inconstitucionalidade em comento, estabelecendo, em suma, que somente não retroagem à data da edição da Lei em relação a pedido de restituição judicial ou administrativo formulado posteriormente à 11/06/2008, concedendo, por conseguinte, efeito ex tune para os créditos pendentes de julgamentos e/ou que não tenham sido objeto de execução fiscal. • . . . • Processo n° 10882.000071/2002-58 CSRF/T00 Acórdão o.° 00-00.101 fls. 10 Dessa forma, é de se manter a ordem legal no sentido de acolher o prazo decadencial de 05 (cinco) anos, na forma do Código Tributário Nacional, in casu, artigo 150, § 4°, em observância aos preceitos consignados na Constituição Federal, CTN, jurisprudência pacifica e doutrina majoritária. Assim, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento ao recurso especial da contribuinte, na forma decidida pela 1' Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Sala das si:5es, em 15 de dezembro de 2008. e ih...PIPSW RYCARD rAGALHÃES DE OLIVEIRA 9 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1

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