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Numero do processo: 13855.001741/2003-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1999
IRPF. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. CONTA CONJUNTA. INTIMAÇÃO DE TODOS OS COTITULARES.
NECESSIDADE.
“Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento.” (Súmula CARF n. 29).
Hipótese em que não foi realizada a intimação de todos os cotitulares.
IRPF. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. VALOR INDIVIDUAL IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. LIMITE ANUAL DE R$ 80.000,00. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO.
“Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano-calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física.” (Súmula CARF n. 61).
Hipótese em que o somatório anual dos depósitos iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 não ultrapassa R$ 80.000,00.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2101-001.065
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para excluir do lançamento a exigência relativa aos depósitos bancários, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999 IRPF. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. CONTA CONJUNTA. INTIMAÇÃO DE TODOS OS COTITULARES. NECESSIDADE. “Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento.” (Súmula CARF n. 29). Hipótese em que não foi realizada a intimação de todos os cotitulares. IRPF. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. VALOR INDIVIDUAL IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. LIMITE ANUAL DE R$ 80.000,00. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO. “Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano-calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física.” (Súmula CARF n. 61). Hipótese em que o somatório anual dos depósitos iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 não ultrapassa R$ 80.000,00. Recurso provido.
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DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. CONTA CONJUNTA. INTIMAÇÃO DE TODOS OS COTITULARES. NECESSIDADE. “Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento.” (Súmula CARF n. 29). Hipótese em que não foi realizada a intimação de todos os cotitulares. IRPF. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. VALOR INDIVIDUAL IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. LIMITE ANUAL DE R$ 80.000,00. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO. “Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física.” (Súmula CARF n. 61). Hipótese em que o somatório anual dos depósitos iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 não ultrapassa R$ 80.000,00. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 545DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 19/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13855.001741/200350 Acórdão n.º 210101.065 S2C1T1 Fl. 490 2 ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para excluir do lançamento a exigência relativa aos depósitos bancários, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente Substituto (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos (Presidente Substituto), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Evande Carvalho Araújo (convocado), Walter Reinaldo Falcão Lima (convocado) e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 472/485) interposto em 11 de agosto de 2009 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP) (fls. 456/466), do qual o Recorrente teve ciência em 13 de julho de 2009 (fl. 470), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o auto de infração de fls. 06/09, lavrado em 10 de outubro de 2003, em decorrência de omissão de rendimentos da atividade rural e de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, verificadas no anocalendário de 1998. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 DO LANÇAMENTO DA OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL. ARBITRAMENTO. A falta de escrituração do Livro Caixa pelo contribuinte implicará arbitramento da base de cálculo, a razão de vinte por cento da receita bruta do ano calendário. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Fl. 546DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 19/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13855.001741/200350 Acórdão n.º 210101.065 S2C1T1 Fl. 491 3 A Lei n° 9.430/1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO. Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas (Art. 144, § 1° do CTN). A Lei Complementar n° 105/2001 e a Lei n° 10.174/2001, que deu nova redação ao § 3º. do art. 11 da Lei n° 9.311/1996, disciplinam o procedimento de fiscalização em si, e não os fatos econômicos investigados, de forma que os procedimentos iniciados ou em curso a partir do mês de janeiro de 2001, poderão valerse dessas informações, inclusive para alcançar fatos geradores pretéritos. Lançamento Procedente em Parte” (fls. 456/457). Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 472/485, pedindo a reforma parcial do acórdão recorrido, para cancelar o auto de infração quanto à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Inicialmente, necessário se faz esclarecer que, compulsandose os documentos juntados aos autos (extratos bancários, relatório fiscal e o próprio demonstrativo de fls. 28 e seguintes), verificase que das 6 (seis) contas fiscalizadas, 4 (quatro) são conjuntas (no Banco Itaú, fls. 31/35, no Banespa, fl. 36, e duas no Nossa Caixa, fls. 37/38 e 39/40). Devese observar, ainda, que, no presente caso, a declaração de ajuste anual é individual (fl. 42). Assim, de acordo com o disposto pelo art. 42, §6º, deveria a fiscalização ter intimado todos os cotitulares e, se fosse o caso, rateado os valores depositados entre eles. Neste sentido, cumpre trazer à baila o quanto disposto pelo referido dispositivo legal, in verbis: “Art. 42. (...) § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas Fl. 547DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 19/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13855.001741/200350 Acórdão n.º 210101.065 S2C1T1 Fl. 492 4 será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.” No entanto, muito embora fossem conjuntas, os cotitulares do Recorrente nunca foram intimados para demonstrar a origem dos depósitos efetuados nas respectivas contas, não se podendo pressupor que os valores creditados pertencem proporcionalmente a cada um dos titulares, sob pena de cerceamento de defesa. A este respeito, aliás, é expressa a Súmula n.º 29 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, cujo teor abaixo se reproduz: Súmula CARF nº 29: “Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento.” Assim, sendo certo que não houve, in casu, intimação específica dos outros cotitulares das contas bancárias para comprovar a origem dos depósitos nelas efetuados na fase que precedia a lavratura do auto de infração, verificase a insanável nulidade do presente auto de infração com relação às contas supramencionadas. Restam, portanto, apenas as contas cuja titularidade é individual, em nome do Recorrente. Ocorre, todavia, que, no que se refere aos valores remanescentes, deve ser aplicado o disposto no art. 42, § 3º, inciso II, da Lei 9.460/96. Com efeito, dispõe o referido dispositivo legal o seguinte: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: (...) II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais).” (Redação inserida pela Lei nº 9.481, de 1997.) À luz do teor do referido dispositivo, cumpre salientar que o legislador estabeleceu um parâmetro para que se pudesse identificar objetivamente a omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários sem origem justificada, sendo que, do somatório de depósitos inferiores a R$ 12.000,00, se superado o limite de R$ 80.000,00 dentro do anocalendário, a fiscalização estaria autorizada a tributar o montante apurado em sua integralidade. Fl. 548DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 19/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13855.001741/200350 Acórdão n.º 210101.065 S2C1T1 Fl. 493 5 Tal entendimento está consubstanciado na Súmula CARF n. 61, segundo a qual “Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física.” Não obstante, no caso em análise, conforme se extrai do demonstrativo de fl. 28, o somatório dos valores de depósitos inferiores a R$ 12.000,00 é menor do que o limite anual de R$ 80.000,00, motivo pelo qual o auto de infração também deve ser cancelado quanto à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso, para excluir do lançamento a exigência relativa aos depósitos bancários. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 549DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 19/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
score : 1.0
Numero do processo: 11070.001392/2010-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2302-000.167
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Obrigações Acessórias em Geral. Recorrente RADIO MAUÁ LTDA Recorrida DRJ RIO DE JANEIRO RJ Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 20/07/2010 Ementa: ARTIGO 33, § 2.º DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 283, II, “j” DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 – NÃO APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS FISCAIS. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a fiscalização federal na administração previdenciária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato e Manoel Coelho Arruda Júnior. Relatório Fl. 40DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 O presente auto de infração foi lavrado em virtude do descumprimento do art. 33, § 2º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 283, II, “j” do RPS – Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, a recorrente deixou de apresentar os livros contábeis (Diário ou Caixa), fls. 05 e 06 do relatório fiscal. Não conformada com a autuação, a recorrente apresentou defesa administrativa, fls. 10 a 15. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento apreciou a impugnação e emitiu a decisão, fls. 16 a 24, mantendo a autuação em sua integralidade. A autuada, não concordando com a decisão emitida pelo órgão fazendário, interpôs recurso, fls. 32 a 37. Em síntese alega o seguinte: a) o servidor não podia conceder apenas cinco dias de prazo para a autuada apresentar documentos; b) a recorrente não podia ter sido excluída do Simples; c) fora irregular a exclusão da recorrente; d) foram solicitados livros que a empresa não era obrigada; e) requer a permanência no Simples. Não foram apresentadas contrarrazões pelo órgão fazendário. É o relato suficiente. Fl. 41DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11070.001392/201005 Acórdão n.º 230200167 S2C3T2 Fl. 41 3 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 38. Superado, dessa forma, o pressuposto de admissibilidade, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. Não há razão à recorrente ao afirmar que o servidor não podia conceder apenas cinco dias de prazo para apresentar documentos. O Auditor Fiscal pode requisitar a apresentação dos livros no prazo de cinco dias úteis, conforme previsto no art. 19 da Lei n. 3.470 de 1958, nestas palavras: Art. 19. O processo de lançamento de ofício será iniciado pela intimação ao sujeito passivo para, no prazo de vinte dias, apresentar as informações e documentos necessários ao procedimento fiscal, ou efetuar o recolhimento do crédito tributário constituído. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º Nas situações em que as informações e documentos solicitados digam respeito a fatos que devam estar registrados na escrituração contábil ou fiscal do sujeito passivo, ou em declarações apresentadas à administração tributária, o prazo a que se refere o caput será de cinco dias úteis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 2º Não enseja a aplicação da penalidade prevista no art. 44, §§ 2º e 5º, da Lei nº 9.430, de 1996, o desatendimento a intimação para apresentar documentos, cuja guarda não esteja sob a responsabilidade do sujeito passivo, bem assim a impossibilidade material de seu cumprimento. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) É bem verdade que a recorrente não é obrigada, perante a Receita Federal, a elaborar Livro Diário. Apesar de estar desobrigada, a autuada poderia elaborálo. Na hipótese de a sociedade empresária não escriturar Livro Diário, o Livro Caixa sempre será exigido. Por isso, a fiscalização solicitou a apresentação de Livro Diário ou de Livro Caixa, ao apresentar um dos dois, a recorrente afastaria a autuação. No presente caso, a recorrente não apresentou nenhum dos livros no prazo estabelecido pela fiscalização tributária. Dessa forma, foi correta a aplicação do auto de infração. Ao contrário do que afirma a recorrente, a falta de contraditório antes do lançamento não o invalida. A ação fiscal é um procedimento de natureza inquisitiva, logo não há contraditório na formalização do lançamento. O contraditório é conferido somente após a cientificação do contribuinte acerca do lançamento efetuado. Da mesma forma que o contraditório no direito penal é conferido somente durante a ação penal, e não durante o Fl. 42DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 inquérito policial. No presente caso, foi conferida ciência ao contribuinte de todos os atos lavrados pelo órgão fazendário. Assim não assiste razão à recorrente ao afirmar que deveria ser conferida oportunidade para o infrator corrigisse os erros antes da autuação. A responsabilidade pela infração é objetiva, independe da culpa ou da intenção do agente para que surja a imposição do auto de infração. Assim, o fato de trazer ou não prejuízo ao Fisco é irrelevante, pois a obrigação sendo instrumental, qualquer descumprimento por presunção legal, acarreta dificuldade na ação fiscal. Conforme disposto no art. 136 do CTN, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, a não ser que haja disposição em contrário. Deve ficar claro que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Como é cediço, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2º do CTN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A legislação engloba as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes, conforme dispõe o art. 96 do CTN. Por fim, neste lançamento não há relação de prejudicialidade com os autos de exclusão de Simples, uma vez que, independentemente de a sociedade empresária poder ou não optar pelo regime tributário, a empresa é obrigada a apresentar os documentos requisitados pela fiscalização. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento do recurso e pela negativa de provimento. É o voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 43DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11070.001392/201005 Acórdão n.º 230200167 S2C3T2 Fl. 42 5 Fl. 44DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/06/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 36624.013291/2006-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2002 a 31/08/2003 AFERIÇÃO INDIRETA. FALTA DE REGISTRO DA MOVIMENTAÇÃO REAL DA REMUNERAÇÃO DOS SEGURADOS A SERVIÇO DA EMPRESA. SALÁRIO INDIRETO. PROGRAMAS DE INCENTIVO. PAGAMENTO COM CARTÃO PREMIAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DEVIDA. Aplicável a apuração do crédito previdenciário por aferição indireta quando, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, invertendo-se o ônus da prova para o contribuinte. As verbas pagas através de cartão premiação integram o salário de contribuição por força do art. 28 da Lei n. 8.212/91, sendo correto o auto de infração que considerou a omissão dos valores correspondentes aos benefícios pagos aos segurados empregados. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-002.317
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, no mérito, na questão da aferição, nos termos do voto do (a) Relator (a); II) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada. Sustentação oral: Luís Henrique Toselli - OAB: 207.173 OAB/SP. Declaração de voto: Marcelo Oliveira.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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FALTA DE REGISTRO DA MOVIMENTAÇÃO REAL DA REMUNERAÇÃO DOS SEGURADOS A SERVIÇO DA EMPRESA. SALÁRIO INDIRETO. PROGRAMAS DE INCENTIVO. PAGAMENTO COM CARTÃO PREMIAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DEVIDA. Aplicável a apuração do crédito previdenciário por aferição indireta quando, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, invertendose o ônus da prova para o contribuinte. As verbas pagas através de cartão premiação integram o salário de contribuição por força do art. 28 da Lei n. 8.212/91, sendo correto o auto de infração que considerou a omissão dos valores correspondentes aos benefícios pagos aos segurados empregados. 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Vencidos os Fl. 1DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada. Sustentação oral: Luís Henrique Toselli OAB: 207.173 OAB/SP. Declaração de voto: Marcelo Oliveira. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 36624.013291/200618 Acórdão n.º 230102.317 S2C3T1 Fl. 2 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto por BITTIME INCENTIVOS E DATABASE MARKETING LTDA., por não ter se conformado com a decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento de contribuições sociais advindas de cartão premiação no período de 5/2002 a 8/2003 devido à contratação de serviços de pagamento dos cartões acima com a empresa INCENTIVE HOUSE. A recorrente foi notificada, por não ter recolhido na época estipulada, as contribuições de seus empregados relativas ao saláriode contribuição previsto no art. 28, I, da Lei nº 8.212/90. 2. A ementa da decisão de primeira instância restou descrita nos termos que transcrevo abaixo (ff. 108) “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2002 a 31/08/2003 Nº. do processo.na origem: DEBCAD: 37.014.4201 Ementa: SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO Os prêmios pagos com habitualidade têm natureza jurídica salarial e integram a base de cálculo das contribuições devidas à Seguridade Social, não se enquadrando nas hipóteses taxativas de exclusão do §9º do art. 28 da Lei 8.212/91. MOTIVAÇÃO DO ATO ADMINISTRATIVO Motivação é a descrição do motivo, integra a forma do ato administrativo, diz respeito à formalidade do ato; é obrigatória em todos os atos vinculados e na maioria dos discricionários. AFERIÇÃO INDIRETA. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Lançamento Procedente” 3. Inconformada, a recorrente apresentou recurso voluntário aduzindo em síntese o seguinte: a) indevida utilização do instituto da aferição indireta, por falta de embasamento legal na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD); e Fl. 3DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 b) ao contrário do afirmado na decisão ora combatida, todos os pagamentos feitos por intermédio de cartão de premiação não são habituais, uma vez que depende do desenvolvimento da atividade por cada colaborador, não se enquadrando no conceito de salário de contribuição. 4. Sem contrarrazões, os autos foram encaminhados a esta Câmara para apreciação do recurso voluntário. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 36624.013291/200618 Acórdão n.º 230102.317 S2C3T1 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes ADMISSIBILIDADE DO RECURSO 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DA AFERIÇÃO INDIRETA 2. Narra corretamente o relatório fiscal que constituíram fatos geradores lançados as contribuições devidas à Seguridade Social e a Outras Entidades conveniadas denominadas “Terceiros”, cujos recolhimentos não foram comprovados pela empresa bem como não constam do banco de dados do Sistema de Informação de Arrecadação e Débito do INSS DATAPREV. 3. A informação fiscal (ff.83/85) também detalha os procedimentos adotados que ensejaram o lançamento do débito por intermédio da aferição indireta: “2.1.3. Constituem fatos geradores dos tributos ora lançados por aferição, os valores pagos conforme item 2.1, entendidos por esta fiscalização como pagamentos efetuados a segurados empregados por meio de cartão de premiação, de diversas modalidades, uma vez que não foi possível identificar a quem e quanto individualmente tais valores foram pagos, nem o tipo de cartão, já que a empresa não apresentou a relação nominal dos beneficiários, o que ensejou a lavratura do AI DEBCAD nº 37.014.4228 (Anexo III). (...) 2.1.6 As contribuições previdenciárias devidas pelos segurados empregados foram aferidas pela alíquota mínima, visto que o sujeito passivo, devidamente intimado, não apresentou os arquivos magnéticos ou em papel, que contivessem a relação de beneficiários e as folhas de pagamento, impossibilitando assim o correto enquadramento. Foi emitido o AI no. 37.014.4228 2.1.7 A empresa não informou esse fato gerador em GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informação à Previdência Social, o que ensejou a lavratura do AI no 37.014.4244 (Anexo 5). 3. A situação descrita no item 2.1.7, em tese, configura o CRIME DE SONEGAÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA, previsto no artigo 337A, inciso I, do Código Penal, com redação dada pela Lei 9.983, de 14/07/2000, portanto, será este fato objeto de REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS, com comunicação à autoridade competente para providências cabíveis. 4. E conforme dispõe a legislação, utilizada para justificar o débito conforme demonstrado no FLD às fls. 11/13, o fisco se valerá da aferição indireta sempre que houver a recusa na apresentação de documentos, ou quando a apresentação se der de forma deficiente, e Fl. 5DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 se no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento for constatado que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, nos termos do artigo 33, parágrafos 3º e 6º, da Lei 8.212/91: “Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (...) § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (...) § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.” (g.n.) 5. No mesmo sentido, foi o acórdão prolatado na 1ª Turma, da 4ª Câmara, deste Conselho, que restou ementado nos seguintes termos: “PREVIDENCIÁRIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. REMUNERAÇÃO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. Integram o salário de contribuição os valores pagos a título de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação de serviço prestado, razão pela qual, possui natureza jurídica salarial. NORMAS PROCEDIMENTAIS. AFERIÇÃO INDIRETA. ARBITRAMENTO. Aplicável a apuração do crédito previdenciário por aferição indireta/arbitramento na hipótese de deficiência ou ausência de quaisquer documentos ou informações solicitados pela fiscalização, que lançará o débito que imputar devido, invertendose o ônus da prova ao contribuinte, com esteio no artigo 33, §§ 3º e 6º, da Lei 8.212/91, c/c artigo 233, do Regulamento da Previdência Social. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 36624.013291/200618 Acórdão n.º 230102.317 S2C3T1 Fl. 4 7 RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. (1ª Turma, 4ª Câmara, CARF, Recurso 251.960, Processo n.º 11474.000055/200744, Acórdão 240100619, Relator Marcelo Freitas de Souza Costa)” 6. Dessa forma, depreendese das normas legais transcritas, bem como dos elementos que instruem o processo, que de fato, o presente lançamento se justifica nos termos em que declarado pelo auditor fiscal. DOS VALORES PAGOS COM CARTÃO PREMIAÇÃO 7. Agora passemos a análise da interpretação do art. 28, I, da Lei nº 8.212/90, acerca da questão dos cartões de premiação, se esses se inserem ou não no conceito de salário decontribuição. 8. A Lei nº 8.212/91 estabelece em seu artigo 28, inciso I, acerca da abrangência do saláriodecontribuição: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. 9. Uma das questões que envolvem o mérito da discussão, está relacionada ao assunto do “cartão premiação” e sua vinculação ao saláriodecontribuição. 10. A Lei nº 8.212/90 é clara ao destacar que o saláriodecontribuição envolve as verbas destinadas a retribuir o trabalho, e a destinação desta retribuição garante que as verbas que sejam a título de retribuição ao empregado, devem ser consideradas para fins de contribuição previdenciária. 11. O saláriodecontribuição ainda pode ser conceituado pelo disposto nos artigos 195 e 201da Constituição Federal que destacamos abaixo: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; Fl. 7DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 (...) Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (...) § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. 12. A partir da colação acima, podemos perceber que a definição de salário decontribuição incorpora os quesitos da habitualidade e da retributividade. Desta forma, se o fim proposto pelo cartão premiação é retribuir o trabalho em função do atingimento de metas, podemos então concluir que os quesitos acima elencados devem ser abarcados pelo conceito do ganho habitual previsto na legislação previdenciária. 13. Logo podemos inferir que a destinação final do cartão premiação está vinculada ao conceito de saláriodecontribuição trazido pela Lei nº 8.212/90. Assim, a conclusão que podemos ter é que as contribuições advindas de tais cartões são devidas conforme a legislação previdenciária acima colacionada. 14. Passemos agora a análise das provas carreadas aos autos do processo em epígrafe. 15. A notificação fiscal lavrada contra o recorrente referemse às contribuições previdenciárias relativas à parte patronal – FPAS, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT; às outras entidades: FNDES, INCRA, SESC e SEBRAE, e as devidas pelos segurados empregados. 16. Analisando os autos, tenho como certo que os valores, na forma em que foi pago, é fato gerador de contribuição social previdenciária, pois visava efetivamente a remuneração dos segurados pelo trabalho prestado. 17. Desta forma, os argumentos trazidos pelo contribuinte não são suficientes para demonstrar a natureza indenizatória ou compensatória dos valores pagos. E o fato de os pagamentos terem sido realizados por empresa interposta não retira a responsabilidade pelo tributo da recorrente. 18. A matéria já foi objeto de análise deste Colegiado, resultando em diversos acórdãos no sentido de validar a cobrança do tributo sobre os valores pagos a título de incentivo (incentive house). Nessa linha os seguintes precedentes: “EMENTA: PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE INFORMAÇÃO EM GFIP. SALÁRIO INDIRETO. PRÊMIO INCENTIVO. MULTA. A falta de informação em GFIP do total da remuneração dos segurados empregados acarreta a lavratura de Auto de Infração, com multa punitiva nos termos do art. 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social. Verbas pagas através de Fl. 8DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 36624.013291/200618 Acórdão n.º 230102.317 S2C3T1 Fl. 5 9 cartões de premiações integram o salário de contribuição, art. 28 da Lei n. 8.212/91 e devem constar de GFIP. Recurso Voluntário Negado.” (Recurso 149.730, de minha relatoria) [grifo nosso] “PREVIDENCIÁRIO CUSTEIOAUTO DE INFRAÇÃO NÃO ARRECADAR, MEDIANTE DESCONTO DAS REMUNERAÇÕES, AS CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS SALÁRIO INDIRETO PRÊMIO INCENTIVO MULTA – CORESPONSÁVEIS A empresa é obrigada a arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos e do contribuinte individual a seu serviço. [...] Verbas pagas através de cartões de premiações "Incentive House" integram o salário de contribuição, art.28 da Lei n. 8.212/91 e devem se prestar ao desconto da contribuição previdenciária devida, relativa a parte do segurado. [...] Recurso negado.” (Recurso 141267 de relatoria da Conselheira Liege Lacroix Thomasi) [grifo nosso] 19. De maneira que a rubrica não deve ser decotada do lançamento fiscal, eis que realizado dentro do que determina a legislação previdenciária, notadamente o disposto no art. 22, I, da Lei n.º 8.212/91, verbis: “Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa.” 20. Observase no presente caso que o repasse de valores aos funcionários da empresa através dos cartões de premiação são destinados a retribuir o trabalho, pois são pagas de acordo com critérios preestabelecidos, em função do atingimento de metas, de sorte que constituem manifestas remunerações e, por conseguinte, saláriodecontribuição, nos termos da legislação já aludida. 21. Assim, sem razão a recorrente, mantenho neste ponto a decisão vergastada. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. 22. Ressaltase que, em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte. No caso em apreço, esse cotejo deve ser promovido em virtude das alterações Fl. 9DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 10 trazidas pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que instituiu mudanças à penalidade cominada pela conduta da Recorrente à época dos fatos geradores. 23. Assim, identificando o Fisco benefício ao contribuinte na penalidade nova, essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991 que assim dispõe: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Por sua vez, o art. 61 da Lei nº 9.430/96 reza: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. 24. Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que a multa atingisse o patamar de 100%, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. 25. Sendo assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, se for mais benéfica para o contribuinte. CONCLUSÃO 26. Dado o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito, DOULHE PARCIAL PROVIMENTO, apenas para que seja aplicada a multa prevista no art. 61, § 2º da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica ao contribuinte, nos termos acima delineados. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 10DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 36624.013291/200618 Acórdão n.º 230102.317 S2C3T1 Fl. 6 11 Declaração de Voto Conselheiro Marcelo Oliveira. Com todo respeito ao nobre Relator, divirjo de seu entendimento quanto à conclusão sobre a multa. Concordo com a posição do Relator a respeito da aplicabilidade do Art. 106 do CTN ao caso: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: ... c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar. nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Só não posso concordar com a análise feita pelo Relator, que leva à comparação de penalidades distintas: multa de ofício e multa de mora. A Lei 8.212/1991 trazia a seguinte redação quando tratava de multas: Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: Fl. 11DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 12 a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado Fl. 12DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 36624.013291/200618 Acórdão n.º 230102.317 S2C3T1 Fl. 7 13 dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) Com a edição da Medida Provisória 449/2008 ocorreram mudanças na legislação que trata sobre multas, com o surgimento de dois artigos: Lei 8.212/1991: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). ... Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Ocorre que o nobre Relator comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamento de ofício, com penalidade aplicada quando o sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento. Para tanto, na defesa dessa tese, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de mora. Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: ... II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício, como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. Fl. 13DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 14 A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício. É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício. Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não têm caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Essa multa nunca incide sobre as multas de lançamento de ofício e nem sobre as multas por atraso na entrega de declarações. Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, o Relator deveria ter comparado a penalidade determinada pelo II, Art. 35 da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento), antiga redação, com a penalidade determinada atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991 (nos casos de lançamento de ofício). Conseqüentemente, divirjo do voto do Relator, pelas razões expostas, a fim de negar provimento ao recurso na questão analisada acima. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 14DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 10680.014608/2007-48
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2002 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DCTF Uma vez revertida a exclusão do Simples, por decisão judicial já transitada em julgado, não há como subsistir multa por atraso na entrega de DCTF, posto que, na condição de optante do Simples, a Contribuinte estava desobrigada da entrega desta declaração.
Numero da decisão: 1802-001.291
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2002 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DCTF Uma vez revertida a exclusão do Simples, por decisão judicial já transitada em julgado, não há como subsistir multa por atraso na entrega de DCTF, posto que, na condição de optante do Simples, a Contribuinte estava desobrigada da entrega desta declaração.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2002 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DCTF Uma vez revertida a exclusão do Simples, por decisão judicial já transitada em julgado, não há como subsistir multa por atraso na entrega de DCTF, posto que, na condição de optante do Simples, a Contribuinte estava desobrigada da entrega desta declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.014608/200748 Acórdão n.º 180201.291 S1TE02 Fl. 2 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que considerou procedente o lançamento no valor de R$ 5.414,98, a título de multa por atraso na entrega das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF referentes aos quatro trimestres de 2002, conforme auto de infração de fls. 8. Instaurada a fase litigiosa, com a impugnação de fls. 1 a 3, e conforme descrito na decisão de primeira instância, Acórdão nº 0222.899 (fls. 28 a 33), a Contribuinte contestou a multa com os seguintes argumentos: • O contribuinte foi enquadrado no Simples, conforme termo de opção deferido em 08.04.1997 e entregou as declarações de rendimento referentes aos anoscalendário de 1997, 1998, 1999 e 2000 previstas para esse regime. Da mesma forma em 2001, no período de janeiro a agosto de 2001, enquanto todos os recolhimentos foram efetuados usandose o código 6106. • Em julho de 2001 o contribuinte foi notificado de que estaria excluído do Simples, em virtude de exercer a atividade de manutenção e instalações de equipamentos de telecomunicações. O contribuinte então recolheu o imposto do período de setembro a dezembro de 2001 segundo o regime do lucro presumido, e apresentou a DIPJ 2002 em 26.06.2002. • Em 05.11.2001, a requerente procedeu à alteração nos seus atos constitutivos, alterando, entre outros itens, a atividade econômica. Solicitou, então, o seu enquadramento no Simples à SRF. • Dessa forma, a partir de janeiro de 2002 a empresa retomou ao Simples e nessa condição recolheu todos os impostos relativos a esse anocalendário e entregou a DIPJ 2002 em 19.05.2003. • Foilhe negada certidão de regularidade fiscal pela SRF, por motivo de se encontrar omissa dos recolhimentos do Simples relativos ao período de setembro a dezembro de 2001. • Em 27.01.2003, o contribuinte solicitou, por meio do processo n° 10680.001073/200311, retificação da condição de optante pelo Simples, uma vez que tem recolhido os tributos até a presente data como tal, rigorosamente no vencimento e uma vez que preenche todos os requisitos para tanto. • O Ato Declaratório Executivo DRF/BHE n° 58, retificado por incorreção na data da exclusão, exclui a requerente do Simples, a partir de 01.01.2003, e foi comunicado à requerente, por aviso de recebimento, em 18.10.2004. A retificação ocorreu em virtude de o ato declaratório primitivo informar como data de exclusão 01.01.2002. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.014608/200748 Acórdão n.º 180201.291 S1TE02 Fl. 3 3 • A essa altura, a requerente sendo obrigada até pela própria Receita Federal, de quem é fornecedora de equipamentos de comunicação, a apresentar certidão negativa de débito, procedeu à entrega das declarações solicitadas, a saber: DIRPJ Simples referente ao anocalendário de 2004, DCTF referentes aos quatro trimestres de 2002, em 29.10.2004. • De acordo com o inciso II do artigo 15 da Lei n° 9.317, a exclusão surtirá efeito a partir do mês subseqüente ao em que se proceder a exclusão em virtude da constatação de situação excludente prevista nos incisos III a XVIII do artigo 9° da Lei n° 9.317 (disposição não alterada pela Lei n° 9.732). • Assim, é requerida a impugnação do auto de infração que se refere à multa por atraso na entrega de DCTF. Ocorre que a entrega da declaração foi feita com base no ato declaratório executivo que excluía a requerente desde 01.01.2002, mas foi pedida a sua retificação, que foi deferida e encaminhada à empresa em 18.10.2004. Deve, pois, ser considerado nulo de pleno direito. • Requerse também a impugnação do auto de infração que se refere à multa por atraso na entrega da declaração simplificada do anocalendário de 2004. De acordo com o inciso II do artigo 15 da Lei n° 9.317, a exclusão do Simples surtirá efeito a partir do mês subseqüente àquele em que se proceder à exclusão, ainda que de oficio, em virtude da constatação de situação excludente prevista nos incisos III a XVII do artigo 9° da Lei n° 9.317. • Com a finalidade de colocar fim à questão da opção pelo Simples, a requerente ajuizou ação ordinária e obteve liminar (cópia anexa) favorável ao enquadramento que suspendeu os efeitos do ato declaratório executivo n° 58, de 31.08.2004. • Constatado que o contribuinte teve o ato declaratório de exclusão do Simples retificado, para excluílo apenas a partir de 01.01.2003, desobrigandoo da substituição da DIRPJ daquele ano, e considerandose o disposto no inciso II do artigo 15 da Lei n° 9.317, a exclusão surtirá efeitos a partir do mês subseqüente àquele em que se proceder a exclusão. • No mérito, pedese que seja julgada procedente a impugnação, para tornar sem efeito e nulos os autos de infração. Como mencionado, a DRJ Belo Horizonte/MG considerou procedente o lançamento, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2002 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF A falta de entrega da DCTF ou sua entrega após o prazo fixado sujeita o contribuinte à multa de oficio prevista na legislação tributária. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.014608/200748 Acórdão n.º 180201.291 S1TE02 Fl. 4 4 Lançamento Procedente Em sua decisão, a Delegacia de Julgamento cuidou primeiramente de delimitar a matéria litigiosa, esclarecendo que não caberia nenhum pronunciamento quanto à multa por atraso na entrega da declaração simplificada do anocalendário de 2004, por ser matéria alheia ao presente processo. Na seqüência, o voto que orientou a decisão recorrida apresentou as seguintes considerações sobre a evolução dos fatos atinentes ao enquadramento da autuada no Simples, e a implicação disto nas multas pelo atraso na entrega das DCTF trimestrais de 2002: Com efeito, segundo narrado na impugnação, em 08.04.1997 a autuada havia aderido ao Simples. Mas esse primeiro período de adesão se encerrou em julho de 2001, quando a autuada foi cientificada dum ato de exclusão, editado em conseqüência de exercer a atividade de manutenção e instalações de equipamentos de telecomunicações. Ainda segundo a impugnação, em 05.11.2001 a autuada alterou os seus atos constitutivos e solicitou à Receita Federal o seu reenquadramento no Simples. Todavia, ela não comprova que esse reenquadramento se deu a contar de 01.01.2002. Ao contrário, concluise pelos elementos constantes dos autos que o reenquadramento só começou a produzir efeitos a partir de 01.01.2003. Tanto é assim que, conforme revela a cópia do despacho decisório a folhas 8 e 9, que foi proferido no processo administrativo n° 10680.001073/200311, a autuada havia requerido que a sua inclusão no Simples tivesse efeitos retroativos a 01.01.2002 justamente porque a nova adesão se fizera em 01.01.2003. No despacho decidiuse que não só deveria ser indeferido o pedido de conferir efeitos retroativos à inclusão, como também que a autuada deveria ser excluída a partir de 01.01.2003, mediante a edição de um ato declaratório executivo (ADE). Por erro material, no Ato Declaratório Executivo DRF/BHE n° 58, de 31 de agosto de 2004, subseqüentemente editado, constou que a exclusão produziria efeitos a partir de 01.01.2002. Após a apresentação de contestação pela autuada, porém, atendendose a novo despacho decisório cuja cópia se acha a folhas 10, o erro material foi corrigido e o ADE foi reeditado, nele passando a constar que a exclusão produziu efeitos a partir de 01.01.2003. Visto que o objeto deste processo é a imposição de multa por atraso na entrega de DCTF, e que o enquadramento da autuada no Simples constitui matéria discutida em outro processo administrativo, não cabe aqui retomar o último tema. De qualquer forma, em face dos elementos trazidos aos autos deste outro processo administrativo, fica claro que no anocalendário de 2002, ao qual se referem as DCTF entregues em atraso, a autuada não estava enquadrada no Simples e que sua exclusão anterior produziu efeitos pelo menos desde o anocalendário de 2001. Os documentos a folhas 16 a 21 demonstram que a autuada acabou por levar ao Poder Judiciário discussão a respeito do Fl. 102DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.014608/200748 Acórdão n.º 180201.291 S1TE02 Fl. 5 5 seu direito a se enquadrar no Simples, mediante a propositura de ação ordinária perante a Justiça Federal. Notase também que obteve inicialmente êxito nessa ação, uma vez que lhe foi concedida tutela antecipada. Não obstante, nem assim, no presente processo administrativo podese decidir a favor da autuada. Ocorre que a tutela antecipada, uma cópia da qual se acha a folhas 16 a 17, determinou apenas que fossem suspensos os efeitos do ADE já referido e que a autuada fosse reincluída no Simples a partir da data da exclusão. Uma vez que a exclusão produziu efeitos a partir de 01.01.2003, então a tutela determinou que a partir dessa data é que fosse incluída novamente. Ou seja, quanto à situação cadastral da autuada no anocalendário de 2002, que é o que importa para a resolução do presente litígio administrativo, a decisão judicial não tem nenhuma repercussão. Por sinal, nem quando vier a ser proferida decisão definitiva na ação ordinária ela o terá, pois, conforme consta no relatório da decisão que deferiu a tutela antecipada, o objeto da ação proposta é a contestação do ato de exclusão, e não a sua inclusão retroativa a 01.01.2002. (...) Enfim, estando demonstrado nos autos que a autuada não estava enquadrada no Simples no anocalendário de 2002 e que nesse período não estava dispensada da entrega da DCTF, seja em face do disposto na legislação, seja em face do decidido em processo administrativo ou judicial, não pode ser acatada a postulação de que seja exonerada da multa imposta. Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 18/10/2011, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 17/11/2011, em que reitera as mesmas informações contidas na impugnação, conforme descrito nos parágrafos anteriores, acrescentando os argumentos abaixo: o cerne da questão está em saber se a Recorrente estava ou não enquadrada no Simples em 2002; o v. acórdão recorrido interpretou os documentos constantes dos autos, bem como a liminar deferida em ação judicial, concluindo que em 2002 a Recorrente se encontrava desenquadrada do Simples e que, portanto, estava obrigada a entregar as DCTF dos quatro trimestres, nas datas previstas na legislação em vigor; os fundamentos e a conclusão do v. acórdão recorrido não procedem, pois, se acha reconhecido judicialmente, por decisão já transitada em julgado, que o desenquadramento da Recorrente do Simples não tinha amparo legal; A DOS ATOS DECLARATÓRIOS EXECUTIVOS N°S 75 E 58 QUE DESENQUADRARAM A RECORRENTE DO SIMPLES ainda que tivessem sido considerados legítimos e legais os Atos Declaratórios que excluíram a Recorrente do Simples, mesmo assim, não estaria ela obrigada a entregar as DCTF dos quatro trimestres do anocalendário de 2002; Fl. 103DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.014608/200748 Acórdão n.º 180201.291 S1TE02 Fl. 6 6 isto porque o primeiro Ato Declaratório Executivo de n° 75, de 21/06/2001, que desenquadrou a Recorrente do Simples, foi anulado através do Ato Declaratório n° 58, de 31 de agosto de 2004, que retificou a data da exclusão da Recorrente do Simples, passando o marco inicial para 01.01.2003, isto é, retroativo a 01.01.2003; portanto, ainda que prevalecesse o Ato Declaratório n.° 58, de 31 de agosto de 2004, temse que, em período anterior a 01.01.2003, a Recorrente estava enquadrada no Simples, portanto, desobrigada de entregar as DCTF referentes ao anocalendário de 2002, pelo que seria indevida a multa pelo atraso na entrega das mesmas, já que inexistia a obrigação de entregálas; B DA DECLARAÇÃO DE NULIDADE DOS ATOS DECLARATÓRIOS 75 E 58, ATRAVÉS DA AÇÃO ORDINÁRIA N.° 2005.38.00.0325246 em data de 12 de setembro de 2005, a Recorrente propôs Ação Ordinária Tributária com Pedido Declaratório e Condenatório n° 2005.38.00.0325246, contra a União Federal, a qual foi distribuída para o Juízo da 17ª Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais, com o objetivo de obter a declaração de nulidade dos Atos Declaratórios Executivos de n°s 75, de 21/06/2001, e, 58, de 31/08/2004 que, respectivamente, excluíram a Recorrente da sistemática da Lei n° 9.317/96. Requereu, ainda, dentre outras coisas, a condenação da União Federal a acatar integralmente a opção da Recorrente ao sistema a partir de 01/01/1997; em sede de antecipação de tutela, requereu a sua manutenção preventiva no SIMPLES desde a data de sua opção ao regime em 01/01/1997, ratificando os recolhimentos feitos por esta sistemática; B.1 DO DEFERIMENTO DA TUTELA ANTECIPADA em 15 de setembro de 2005, foi deferida a antecipação de tutela, nos seguintes termos: “Por todo o exposto, concedo a liminar e determino à autoridade impetrada que promova a reinclusão da autora no regime denominado SIMPLES a partir da data de sua exclusão, restando suspensos os efeitos do ato Declaratório Executivo DRF/BHE n° 58, de 31 de agosto de 2004.” B.2 DA SENTENÇA DE PRIMEIRA INSTÂNCIA em 30 de novembro de 2006, foi proferida a sentença no processo judicial em questão, estando assim sintetizada, através do seu Dispositivo: “Pelo exposto, julgo procedente o pedido para anular os atos declaratórios executivos de ns.° 75, de 21/06/01, e 58 de 31/08/2004 que excluíram a autora do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições da Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, devendo a União reincluíla no referido Sistema com efeitos retroativos à data de sua exclusão. (...).” Fl. 104DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.014608/200748 Acórdão n.º 180201.291 S1TE02 Fl. 7 7 como se pode ver, a v. sentença proferida nos autos da Ação Ordinária n.° 2005.38.00.0325246, além de confirmar a tutela antecipada deferida, ainda estendeu os seus efeitos, ao anular tanto o Ato Declaratório Executivo n.° 58, de 31/08/2004, quanto o Ato Declaratório Executivo anterior, ou seja, o de n° 75, de 21/06/01. Na verdade, desconsiderou ou anulou todos os atos de exclusão da Recorrente do SIMPLES; B.3 DA CONFIRMAÇÃO DA REFERIDA SENTENÇA PELO TRF1a REGIÃO E TRÂNSITO EM JULGADO conforme prova a consulta processual efetuada no site do Egrégio Tribunal Regional da 1ª Região, foi negado provimento à apelação interposta pela União Federal (Fazenda Nacional) contra a v. sentença proferida nos autos da Ação 2005.38.00.0325246, restando o v. acórdão do TRF1ª Região transitado em julgado; deste modo, o reconhecimento judicial, proferido através da r. sentença no processo judicial n° 2005.38.00.0325246, que anulou os atos declaratórios executivos de ns.° 75, de 21/06/01, e 58 de 31/08/2004, que excluíram a Recorrente do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições da Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, e, determinou a sua reinclusão no referido Sistema com efeitos retroativos à data de sua exclusão, transitou em julgado; sendo assim, não resta dúvida de que caiu por terra, a exigência de pagamento de multa pelo atraso na entrega das DCTF, pois foram anulados judicialmente os atos declaratórios que excluíram a Recorrente do Simples, não se admitindo outra solução ao presente feito administrativo, senão o provimento do presente Recurso Voluntário, julgando improcedente o lançamento de multa por atraso na entrega das DCTF; C DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS BASEADAS NO RESULTADO DA AÇÃO ORDINÁRIA N.° 2005.38.00.0325246 a título de ilustração e com objetivo de corroborar com o pedido de reforma do r. decisão recorrida, a Recorrente informa e comprova que, como não poderia ser diferente, tanto o Judiciário quanto a Receita Federal do Brasil vêm acatando a decisão proferida na Ação Ordinária n°. 2005.38.00.0322546; a Recorrente junta cópia do acórdão proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, no Processo n° 10680.906258/200829, assim ementado: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 DETERMINAÇÃO JUDICIAL Tendo a decisão judicial determinado a inclusão do interessado no Simples, não há amparo legal para exigência de outros tributos, ainda que o contribuinte os tenha declarado.” junta também cópia da decisão proferida nos autos da Ação Ordinária n°. 2009.38.00.0265770, da lavra do D. Juiz da 20ª Vara da Justiça Federal Seção Judiciária de Minas Gerais, que deferiu a antecipação dos efeitos da tutela requerida, donde se extraí os seguintes trechos: Fl. 105DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.014608/200748 Acórdão n.º 180201.291 S1TE02 Fl. 8 8 “Decido. Conforme se verifica pelos documentos constantes dos autos, que constituem prova inequívoca, a autora obteve reconhecimento, por sentença judicial de nulidade dos atos declaratórios executivos de n°.s 75/2001 e 58/2004 que a excluíram do SIMPLES, em razão dos quais a ré lhe impusera a exigência de entrega da DIRPJ Lucro Presumido e DCTF – Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais. A sentença em questão entendeu que não poderia a autora ser excluída do SIMPLES, em face de não haver vedação expressa nas atividades por ela desempenhadas, vale dizer, reconheceu o direito da autora de permanecer como optante do referido Sistema, restando, conforme decidido, anulados os atos declaratórios que resultaram na cobrança das multas por atraso na entrega de DCTF's e de Declarações de imposto de Renda via lucro presumido cobrados através do PA 10680.010134/2005 01. (...) Pelo exposto, defiro a antecipação dos efeitos da tutela requerida, para determinar a imediata suspensão dos efeitos do Processo Administrativo de n°. 10680.010.134/200501, bem como para determinar à Ré que não negue a expedição de certidão de regularidade fiscal à autora, com base no referido processo administrativo”. como se vêem D. Julgadores, ao contrário do preconizado pela v. acórdão recorrido, a decisão proferida nos autos da Ação Ordinária n° 2005.38.00.0325246 tem total repercussão, tanto na esfera judicial, quanto na administrativa, pois além de ter tido por objeto a contestação dos atos de exclusão da Recorrente do Simples, também teve por objetivo a sua reinclusão no referido Sistema a partir da data da exclusão indevida. Este é o Relatório. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.014608/200748 Acórdão n.º 180201.291 S1TE02 Fl. 9 9 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Contribuinte questiona a exigência de multa pelo atraso na entrega das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF referentes aos quatro trimestres de 2002. A Contribuinte havia aderido ao Simples no ano de 1997, mas o seu enquadramento se encerrou em julho de 2001, quando foi cientificada de sua exclusão do sistema simplificado por exercer a atividade de manutenção e instalações de equipamentos de telecomunicações. Na seqüência, a empresa alterou os seus atos constitutivos, na parte referente à sua atividade econômica, e buscou junto à Receita Federal um novo enquadramento no Simples. De acordo com as informações prestadas pela Delegacia de Julgamento, a nova opção surtiria efeitos a partir de 01/01/2003, e a Contribuinte ainda pretendia, por meio de petição apresentada à Receita Federal, que o novo enquadramento retroagisse a 01/01/2002. Diante destes fatos, a Delegacia de origem decidiu não só indeferir o pedido para que fossem conferidos efeitos retroativos à nova inclusão (Despacho no processo n° 10680.001073/200311, fls. 08/09), como também decidiu excluir novamente a Contribuinte do Simples, desta vez a partir de 01/01/2003, o que se deu mediante a edição do Ato Declaratório Executivo DRF/BHE n° 58, de 31 de agosto de 2004. O cerne da controvérsia realmente está em identificar corretamente o regime tributário a que estava submetida a Contribuinte no anocalendário de 2002, eis que, na condição de optante do Simples, estaria ela desobrigada da entrega de DCTF, e, portanto, não submetida às multas pelo atraso na entrega destas declarações. As conclusões da Delegacia de Julgamento partem da seguinte visão sobre os fatos: a Contribuinte foi excluída durante o ano de 2001, depois fez nova opção com efeitos a partir de 2003 e apresentou pedido para retroagir este novo enquadramento para 2002; tanto foi negado o enquadramento retroativo, como a empresa foi novamente excluída do simples, a partir de 2003; a decisão judicial afastou apenas o segundo ato declaratório de exclusão, com efeitos a partir de 2003; Fl. 107DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.014608/200748 Acórdão n.º 180201.291 S1TE02 Fl. 10 10 sendo assim, em 2002 a Contribuinte não estaria enquadrada no Simples, em razão de sua primeira exclusão, operada em 2001; deste modo foi mantida a multa por atraso nas DCTF trimestrais de 2002. Devese registrar que a decisão recorrida pautouse no conteúdo da tutela antecipada concedida no processo judicial nº 2005.38.00.0325246 (fls. 16 a 21), que realmente se referiu apenas ao Ato Declaratório Executivo DRF/BHE n° 58, de 31 de agosto de 2004, suspendendo, portanto, somente a exclusão a partir de 01/01/2003. Contudo, pelos documentos que foram anexados ao recurso, às fls. 59 a 96, vêse que a decisão judicial final no processo acima referido, já transitada em julgado, anulou não apenas o ADE nº 58/2004, mas também o ADE nº 75/2001, para reincluir a interessada no Simples com efeitos retroativos à data de sua primeira exclusão. Sendo assim, uma vez revertida a exclusão do Simples operada pelo ADE nº 75/2001, a Contribuinte realmente não estava obrigada à entrega de DCTF no anocalendário de 2002, e, portanto, não podem subsistir as multas por atraso na entrega destas declarações. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 108DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 31/07/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 05/08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 13619.000140/2006-65
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002 Ementa: LANÇAMENTO EFETUADO PELO REGIME DO LUCRO REAL TRIMESTRAL, DISTINTA DA OPÇÃO DO LUCRO REAL ANUAL EFETUADO PELO CONTRIBUINTE. A Fiscalização ao adotar o regime de apuração do Lucro Real Trimestral para lançar os tributos devidos em desacordo com a opção feita pelo Contribuinte pelo Lucro Real Anual. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. RELATÓRIO FISCAL DEVIDAMENTE MOTIVADO. Ano-calendário:2003 O relatório exarado pela autoridade fiscal indicou os motivos, descreveu os fatos e detalhou a forma em que foram realizados os cálculos do crédito tributário, não havendo que se falar em ausência de motivo ou motivação no lançamento tributário realizado em face do contribuinte. LUCRO PRESUMIDO. REGIME DE CAIXA. REQUISITOS. DESCUMPRIMENTO PARCIAL. IMPOSSIBILIDADE DE ADOÇÃO DO REGIME. Ano-calendário: 2003 A adoção do regime de caixa para apuração do imposto de renda da pessoa jurídica submetida ao lucro presumido é uma prerrogativa concedida ao contribuinte, que para tanto deve seguir a norma que prevê a benesse. Os requisitos previstos no artigo 1° da Instrução Normativa da Receita Federal n° 247/2002, são de caráter mandatório e não excludentes, não sendo possível permanecer o contribuinte no regime caso cumpra apenas parte dos requisitos previstos na norma. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS. Ano-calendário: 2003BASE DE CÁLCULO. LEI 9.719/98. RECEITAS FINANCEIRAS.
EXAÇÃO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE
Conforme entendimento definitivo do Supremo Tribunal Federal, as
contribuições PIS e COFINS não incidem sobre as receitas não operacionais,
estando aí incluídas as receitas financeiras auferidas pelo contribuinte.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Anocalendário:
2003.
BASE DE CÁLCULO. LEI 9.719/98. RECEITAS FINANCEIRAS.
EXAÇÃO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE
Conforme entendimento definitivo do Supremo Tribunal Federal, as
contribuições PIS e COFINS não incidem sobre as receitas não operacionais,
estando aí incluídas as receitas financeiras auferidas pelo contribuinte.
Numero da decisão: 1802-001.272
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos REJEITAR a preliminar e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para afastar a exigência do IRPJ e CSLL em relação ao ano calendário
2002, bem como o PIS e a COFINS em relação ao anocalendário
2003, nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO
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A Fiscalização ao adotar o regime de apuração do Lucro Real Trimestral para lançar os tributos devidos em desacordo com a opção feita pelo Contribuinte pelo Lucro Real Anual. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. RELATÓRIO FISCAL DEVIDAMENTE MOTIVADO. Anocalendário:2003 O relatório exarado pela autoridade fiscal indicou os motivos, descreveu os fatos e detalhou a forma em que foram realizados os cálculos do crédito tributário, não havendo que se falar em ausência de motivo ou motivação no lançamento tributário realizado em face do contribuinte. LUCRO PRESUMIDO. REGIME DE CAIXA. REQUISITOS. DESCUMPRIMENTO PARCIAL. IMPOSSIBILIDADE DE ADOÇÃO DO REGIME. Anocalendário: 2003 A adoção do regime de caixa para apuração do imposto de renda da pessoa jurídica submetida ao lucro presumido é uma prerrogativa concedida ao contribuinte, que para tanto deve seguir a norma que prevê a benesse. Os requisitos previstos no artigo 1° da Instrução Normativa da Receita Federal n° 247/2002, são de caráter mandatório e não excludentes, não sendo possível permanecer o contribuinte no regime caso cumpra apenas parte dos requisitos previstos na norma. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. Anocalendário: 2003 Fl. 1176DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13619.000140/200665 Acórdão n.º 180201.272 S1TE02 Fl. 1.177 2 BASE DE CÁLCULO. LEI 9.719/98. RECEITAS FINANCEIRAS. EXAÇÃO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE Conforme entendimento definitivo do Supremo Tribunal Federal, as contribuições PIS e COFINS não incidem sobre as receitas não operacionais, estando aí incluídas as receitas financeiras auferidas pelo contribuinte. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Anocalendário: 2003. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.719/98. RECEITAS FINANCEIRAS. EXAÇÃO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE Conforme entendimento definitivo do Supremo Tribunal Federal, as contribuições PIS e COFINS não incidem sobre as receitas não operacionais, estando aí incluídas as receitas financeiras auferidas pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos REJEITAR a preliminar e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para afastar a exigência do IRPJ e CSLL em relação ao ano calendário 2002, bem como o PIS e a COFINS em relação ao anocalendário 2003, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho – Relator (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 1177DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13619.000140/200665 Acórdão n.º 180201.272 S1TE02 Fl. 1.178 3 Relatório Tratase de recurso interposto contra o Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte – MG (DRJBHE), que decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevemos, a seguir, o relatório constante do Acórdão citado, in verbis: “LANÇAMENTO Contra a sociedade acima qualificada foram lavrados os Autos de Infração (A.I.) de fls. 4 a 28, exigindolhe o pagamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL), no montante de R$ 380.342,30 (trezentos e oitenta mil, trezentos e quarenta e dois reais e trinta centavos), ai incluídos multa por lançamento de oficio e juros moratórios, como segue: DEMONSTRATIVO I — VALORES LANÇADOS, EM R$ Fls Imposto ou Contribuição Principal Juros Multa Total 4 a 9 IRPJ 61.850,44 31.177,31 46.387,80 139.415,55 10 a 15 PIS 13.123,08 6.164,32 9.842,28 29.129,68 16 a 21 COFINS 60.568,14 28.450,90 45.426,08 134.445,12 22 a 28 CSLL 34.399,52 17.152,81 25.799,62 77.351,95 TOTAL 169.941,18 82.945,34 127.455,78 380.342,30 IRPJ O lançamento de IRPJ, do qual decorrem os demais, originouse da verificação do cumprimento das obrigações tributárias por parte da interessada, verificação esta que resultou na constatação das ocorrências assim descritas no respectivo Auto de Infração: 001 — OMISSÃO DE RECEITAS — Valor da receita contabilizada a menor, em agosto/2003, conforme Relatório Fiscal em anexo, que integra o presente Auto de Infração. [...] Fl. 1178DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13619.000140/200665 Acórdão n.º 180201.272 S1TE02 Fl. 1.179 4 002 — RECEITAS DA ATIVIDADE — A PARTIR DO AC93 RECEITAS DA ATIVIDADE Receita Bruta declarada a menor, em virtude de a empresa não haver cumprido as formalidades para adoção do Regime de Caixa conforme RELATÓRIO FISCAL — LUCRO PRESUMIDO e Quadro Demonstrativo N° 04 em anexo, que integram o presente Auto de infração. 003— OUTRAS RECEITAS Valor de Ganhos de Capital e Outras Receitas declaradas a menor, em virtude de empresa não haver cumprido as formalidades para adoção do Regime de Caixa conforme RELATÓRIO FISCAL — LUCRO PRESUMIDO e Quadro Demonstrativo n.° 04 em anexo, que integram o presente Auto de infração. [...] O Relatório Fiscal acima referido esclarece (fls. 30 a 32) que, no ano calendário de 2002 a empresa apresentou a Declaração de Imposto de Renda com base no lucro Real e no anocalendário de 2003, com base no Lucro Presumido (fls. 430 a 501). Informa também que, regularmente intimada, ela apresentou livros e documentos, cujo exame permitiu constatar que: No mês de agosto de 2002, o livro de apuração do ICMS registra saídas por vendas no valor total de R$ 1.225.013,28 (fls. 169/170). No mesmo período, na folha 552 do livro Razão e no Balancete (cópias ás fls. 171/177) o total das vendas registrada é R$ 1.127.52878. Solicitado a esclarecer o motivo do valor contabilizado a menor, o contribuinte informou que a diferença referese ás notas fiscais abaixo relacionadas, emitidas e não processadas pelo sistema, e que devem ser acrescidas no resultado (fls. 167/168). N° NF Valor Destinatário 8282 3.556,50 Prefeitura Municipal de Ponta Grossa 8433 1.870,00 Comercial Emarca Ltda 8610 90.000,00 Secret. Agric. Pec. e Abastecimento de GO 8620 2.060,00 Agrícola Cantelli Ltda TOTAL 97.486,50 Com relação ao anocalendário de 2003, a contribuinte informou (fls. 105) haver adotado o critério de reconhecimento de suas receitas pelo regime de caixa, controlando o recebimento das receitas a débito das contas 1.1.1.2.11.001 (Ativo Circulante — Bancos C/Movimento — Bradesco) e 1.1.1.2.11.002 (Ativo Circulante — Bancos C/Movimento — Banco do Brasil) e a crédito de 1.1.3.1.11.630 (Ativo Circulante — Créditos — Notas Fiscais a Receber — Clientes Diversos). Fl. 1179DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13619.000140/200665 Acórdão n.º 180201.272 S1TE02 Fl. 1.180 5 Apresentou, igualmente, cópia dos Relatórios de Venda — Lucro Presumido Mensal — Físico/Financeiro relativos ao período (fls. 178/325). Examinando tais contas, o Autor do feito constatou que a conta 1.1.3.1.11.630 — Clientes Diversos, em 1° de janeiro de 2003, apresentava saldo de R$ 1.186.634,23 e, em 31 de dezembro de 2003, saldo de RS 1.319,938,81 (fls. 349 a 395). A seu respeito, o Autor do feito observa: Ela não é uma Conta especifica como requer a legislação. A conta requerida pela legislação deveria apresentar ao final de cada trimestre, o valor a ser incluído na DIPJ — Lucro Presumido. Verificase também que os lançamentos nesta conta não indicam o documento fiscal correspondente a cada recebimento. O Relatório de Venda — Lucro Presumido Mensal apresentado pelo contribuinte, é um controle extra contábil e, portanto, não atende as exigências da legislação. Os fundamentos legais dos lançamentos encontramse devidamente consignados nos respectivos Autos de Infração e no Relatório Fiscal. IMPUGNAÇÃO Ciente em 21 de setembro de 2006, a teor do documento de fls. 1.129, e inconformada, a interessada apresentou, em 23 de outubro de 2006, segundafeira, a impugnação de fls. 508 a 519, a seguir resumida. Depois de recordar tópicos da legislação aplicável ao caso e transcrever ementas de soluções de consulta, a interessada escreve: Alega o Sr. Auditor que a Impugnante não efetuou controle dos recebimentos em conta especifica e ainda que: "Verificase também que os lançamentos nesta conta não indicam o documento fiscal correspondente a cada recebimento." Ora, apesar do zeloso trabalho desenvolvido pelo Sr. Auditor, tal assertiva não pode ser considerada, senão vejamos: As contas utilizadas para registra, os recebimentos do ano calendário objeto de fiscalização foram a Débito Banco Bradesco / Banco do Brasil e a Crédito: Clientes Diversos. O Livro Razão de 2003, registra a conta Clientes Diversos 1.1.3.1.11.630, das folhas 90 a 135, onde são relacionados todos os lançamentos referente [sic] aos recebimentos das receitas faturadas em 2003. 0 Livro Diário, conforme documento anexo segue os seguintes parâmetros: [...] 4 coluna: DOC DOCUMENTO [...] Observase o [sic] que número do documento tratase do número da nota fiscal que foi recebida. Outra observação importante a Fl. 1180DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13619.000140/200665 Acórdão n.º 180201.272 S1TE02 Fl. 1.181 6 ser considerada que no ano calendário de 2002, como optou pelo lucro real, o livro diário não continha a coluna DOC, que foi incluída no relatório exclusivamente para atender a legislação do Lucro Presumido. [...] Ou seja, a Impugnante não descumpriu a legislação, utilizou conta especifica com identificação das notas fiscais que estavam sendo recebidas. [...] No tópico "4.2 DA OMISSÃO DA RECEITA EM AGOSTO DE 2002", a interessada admite a falta de contabilização de parte de sua receita, atribuindoa a "mero erro de processamento". Efetua os cálculos com vistas a apurar o valor do IRPJ devido e afirma que "o imposto devido é de R$ 16.846,75, sendo efetuada a dedução de R$ 701,95 a titulo de PAT, ficando um imposto devido no valor de R$ 16.846,75". Alega também haver feito pagamento de RS 2.808,69. Em seguimento, afirma ser totalmente indevido o lançamento a titulo de adicional de imposto de Renda no valor c/c R$ 3.748,65, haja visto [sic] a empresa não ter ultrapassado no lucro. De R$ 240.000,00. Ressaltese, novamente, que ao efetuar os lançamentos o Sr. Auditor considerou a apuração do Imposto de Renda e CSLL com base no lucro real trimestral, fato que não ocorreu, a impugnante procedeu a Apuração do Lucro Real Anual. Finda requerendo a produção de provas.” A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte – MG (DRJ/BHE), indeferiu a Impugnação da ora Recorrente através do Acórdão n° 02 23.437 de 21 de agosto de 2009, conforme ementa transcrita abaixo: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Exercício: 2003, 2004 APRESENTAÇÃO DE PROVAS O prazo para a entrega das provas de defesa, salvo condições especialíssimas, esgotase com o da própria defesa, precluindo o direito do contribuinte à oferta de outros elementos probantes. LUCRO PRESUMIDO REGIME DE CAIXA A pessoa jurídica optante pelo regime de tributação do IRPJ com base no lucro presumido e mantiver escrituração contábil deverá controlar os recebimentos de suas receitas em conta especifica, a qual indicará o documento fiscal a que corresponder cada recebimento. Fl. 1181DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13619.000140/200665 Acórdão n.º 180201.272 S1TE02 Fl. 1.182 7 ADICIONAL A parcela do lucro presumido que exceder o limite estabelecido na legislação de IRPJ sujeitase à incidência de adicional de imposto. JURISPRUDÊNCIA A jurisprudência, por via de regra, não goza do status de legislação tributária e não vincula a Administração Tributária Federal. LANÇAMENTOS DECORRENTES Mantida em sua integridade o lançamento principal, igual sorte deve caber a seus consectários, em face da relação causal que existe entre eles. Impugnação Improcedente Credito Tributário Mantido” Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário no qual aduziu, em síntese: ausência de motivação do ato administrativo; adimplemento dos requisitos legais necessários para adoção do regime caixa do contribuinte optante pelo lucro presumido na apuração da base de cálculo do IRPJ; descabimento da cobrança do adicional de imposto de renda no anocalendário 2002; e, por fim, descabimento da cobrança do PIS e da COFINS sobre as receitas financeiras auferidas no anocalendário 2003. É o relatório, passo a decidir Fl. 1182DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13619.000140/200665 Acórdão n.º 180201.272 S1TE02 Fl. 1.183 8 Voto Conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A contribuinte recorrente aduz, em sede de preliminar, a nulidade do auto de infração, por ter o mesmo sido lavrado sem que fosse indicada no relatório fiscal a conta específica na qual os referidos lançamentos contábeis deveriam ter sido realizados, de maneira que o ato administrativo supostamente não atenderia ao princípio da motivação. Como se sabe, o ato administrativo é composto dos elementos competência, objeto, forma, motivo e finalidade, previstos no ordenamento jurídico pátrio desde a edição da Lei n° 4.717/65 (“Regula a Ação Popular”), especificamente em seu artigo 2°, confirase: “Art. 2º São nulos os atos lesivos ao patrimônio das entidades mencionadas no artigo anterior, nos casos de: a) incompetência; b) vício de forma; c) ilegalidade do objeto; d) inexistência dos motivos; e) desvio de finalidade.” É imperioso destacar, contudo, que não se confundem os institutos da motivação e motivo do ato administrativo, sendo certo que a ausência deste último efetivamente resultaria na nulidade do ato administrativo, na medida em que lhe faltaria um de seus elementos essenciais, enquanto que a motivação, quando não verificada, pressupõe apenas um vício formal. O motivo é a razão que fundamenta o ato administrativo, antecede o mesmo, e são os fatos e as circunstâncias que levam a Administração Fazendária a praticar o ato em si. Motivação, por sua vez, “é a exposição dos motivos, ou seja, é a demonstração, por escrito, de que os pressupostos de fato realmente existiram”, conforme lição de Maria Sylvia di Pietro, na obra Manual de Direito Administrativo, 14ª edição, Ed. Atlas, página 202. O Decreto n° 70.235/72 (“Dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências”) em seu artigo 10 elenca os requisitos do lançamento tributário, a seguir: “Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; Fl. 1183DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13619.000140/200665 Acórdão n.º 180201.272 S1TE02 Fl. 1.184 9 II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.” Como se vê, o inciso III citado pela recorrente como inadimplido, qual seja, a descrição do fato, nada mais é do que um dos requisitos formais do lançamento tributário, não podendo ser confundido com o próprio fato que o ensejou. Em outras palavras, ainda que houvesse vício na descrição do fato pela autoridade fiscal competente, este seria um erro meramente formal e, consequentemente, sanável em caso de necessidade. Nada obstante, da análise do relatório exarado pela autoridade fiscal com base na documentação fornecida pela própria recorrente – Relatório Fiscal – Lucro Presumido, fls. 32/34 dos autos –, podese concluir que esse documento cumpre com todos os requisitos formais previstos no Decreto n° 70.235/72. Tal relatório fiscal, inclusive, indicou os motivos, descreveu os fatos geradores e a forma em que foram apurados os valores devidos, dando pleno conhecimento ao contribuinte e permitindo ao mesmo exercer a ampla defesa e o direito ao contraditório, não havendo que se falar em ausência de motivação do lançamento tributário. Assim, rejeito a preliminar argüida. No que tange atuação do IRPJ/CSLL do anocalendário 2002, a Recorrente admite a falta de contabilização de parte de sua receita por mero erro de processamento, contesta ser totalmente indevido o lançamento a titulo de adicional de imposto de renda, haja vista não ter ultrapassado no lucro o valor de R$ 240.000,00 e que o auto de infração não pode prosperar nesse particular, pois, ao efetuar os lançamentos, o Auditor Fiscal considerou a apuração do IRPJ/CSLL, com base no lucro real trimestral, fato que não ocorreu pois procedeu a Apuração do Lucro Real Anual. Assim, conforme apurado no procedimento fiscal instaurado, a Recorrente apresentou em seus registros contábeis um total de vendas inferior ao constante no livro de apuração de ICMS do mesmo período (fl. 32 dos autos). Com os esclarecimentos prestados pela Contribuinte durante a fiscalização, verificouse que a diferença encontrada se refere a determinadas notas fiscais relativas ao mês de agosto de 2002, totalizando a quantia de R$ 97.486,50, que foram emitidas, mas, não processadas pelo sistema interno da Empresa, configurando a omissão de receitas. Desta maneira, a autoridade fiscal procedeu ao levantamento do crédito tributário originado a partir da omissão de receitas encontrada, conforme demonstrativos de cálculo encontrado às fls. 06, 08 e 11 dos autos. Fl. 1184DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13619.000140/200665 Acórdão n.º 180201.272 S1TE02 Fl. 1.185 10 A recorrente questiona essa autuação admitindo ter havido falha no processamento de suas notas fiscais, efetuando cálculos com vistas apurar o valor do IRPJ devido e afirma que o imposto devido é de R$ 16.846,75. Alega também haver feito pagamento de RS 2.808,69. Em seguida afirma ser totalmente indevido o lançamento a titulo de adicional de imposto de Renda no valor de R$ 3.748,65, haja vista que não ultrapassou no lucro que superasse R$ 240.000,00 e, reafirma ter apurado o IRPJ/CSLL pelo lucro real anual enquanto o Sr. Auditor considerou a apuração do Imposto de Renda e CSLL com base no lucro real trimestral. Nesse contexto, destaquese que o artigo 1° da Lei n° 9.430/96 dispõe que, “a partir do anocalendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada ano calendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei”. Assim, a regra geral é que o imposto deve ser apurado trimestralmente, em cumprimento à norma legal. Nada obstante, o artigo 2° do mesmo diploma permite que o contribuinte opte pelo pagamento do imposto de forma anual, com pagamentos antecipatórios mensais estimados, mediante a aplicação da alíquota do imposto sobre a receita bruta mensal, confirase: “A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995”. Ressaltese ainda que o parágrafo 2°, do artigo 2°, determina que “a parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais), ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento”. Ainda sobre a base de cálculo anual estimada para fins de apuração do IRPJ, o artigo 35 da Lei n° 8.981/95, grifado no dispositivo acima, possibilita ao contribuinte, em detrimento da apuração com base na receita bruta do mês em referência, utilizarse do mecanismo denominado de “balancete de suspensão ou redução do imposto”, vejase: “A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso.” Em resumo, como regra geral se estabelece que o imposto de renda das pessoas jurídicas deve ser apurado em períodos trimestrais, sendo que a critério do contribuinte pode o tributo ser calculado anualmente, caso em que deverão ser realizados pagamentos estimados mensais e, em tal hipótese é ainda facultada a opção de se adotar o sistema de balancetes mensais acumulados em lugar do pagamento sobre a receita bruta mensal. Fl. 1185DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13619.000140/200665 Acórdão n.º 180201.272 S1TE02 Fl. 1.186 11 Compulsando os autos é possível verificar que na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, de 2003, referente ao anocalendário 2002, a recorrente optou por apurar o imposto de renda de forma anual, cujos pagamentos mensais estimados foram calculados com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução, conforme fls. 435 e seguintes. Assim, com base na opção feita pelo Contribuinte, a autoridade fiscal autuante deveria, a fim de efetuar o lançamento do crédito tributário em razão da omissão de receitas encontrada, realizar o cálculo do imposto de renda devido, assim como do respectivo adicional, na mesma sistemática declarada pela recorrente em sua DIPJ, ou seja, lucro real anual com antecipações mensais. Tal procedimento se faz necessário em razão do mandamento contido no artigo 24 da Lei n° 9.249/95, que expressamente prevê: “verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão”. (sem destaques no original). Assim procedendo, seria possível ao auditorfiscal da Receita Federal aferir que a Recorrente, ao final do ano calendário, mesmo somandose a omissão de R$ 375.137,91 (trezentos e setenta e cinco mil, cento e trinta e sete reais e noventa e um centavos), apurou prejuízo fiscal, sendo tal quantia significativamente superior à omissão apontada no período, não havendo o que se falar em cobrança do adicional. Com efeito, o auto de infração adotou premissa equivocada de que o fato gerador ocorreu em setembro (lucro real trimestral), em total desacordo com a opção feita pelo Recorrente. Com isso, alterou um dos elementos essenciais do fato gerador que é o aspecto temporal, não podendo subsistir. Desta forma, entendo que o Auto de Infração nesse item é nulo, por não ter a fiscalização apurado o imposto lançado levandose em consideração a sistemática de apuração adotada pelo Recorrente, qual seja, o lucro real anual, agindo por inobservância do artigo 24 da Lei n° 9.249/95. Ademais, como já ressaltado, mesmo se assim procedesse a fiscalização, concluiria por não haver imposto principal e nem adicional referente ao anocalendário de 2002, visto que no ano em que houve omissão de receita, a Recorrente apurou prejuízo fiscal suficiente para cobrir a receita omitida. Diante do exposto, é de se afastar a tributação no anocalendário de 2002. No que tange aos requisitos para adoção do regime de caixa, alega a recorrente ter adotado no anocalendário de 2003, o regime de caixa para apuração do Imposto de Renda, fundamentada na Instrução Normativa n° 247/2002, uma vez que a mesma era optante pelo regime de tributação com base no lucro presumido. Como regra geral se estabelece que os impostos e as contribuições devem ter suas respectivas bases de cálculo apuradas segundo o regime de competência, salvo exceções específicas previstas em lei, como ocorre no caso de determinadas aplicações financeiras. Fl. 1186DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13619.000140/200665 Acórdão n.º 180201.272 S1TE02 Fl. 1.187 12 Em relação ao lucro presumido, permitese que o contribuinte adote o critério de reconhecimento das receitas das vendas de bens e direitos, ou da prestação de serviços, na medida em que os pagamentos são recebidos, ou seja, é autorizada excepcionalmente a utilização do regime de caixa, mas desde que mantida a escrituração no livro caixa e cumpridas as demais exigências previstas na IN RFB n° 104/1998, replicada no artigo 85 da IN RFB n° 247/2002, para fins de extensão dos requisitos ao PIS e à COFINS, cujo artigo 1° reproduzimos abaixo: “Art. 1º A pessoa jurídica, optante pelo regime de tributação com base no lucro presumido, que adotar o critério de reconhecimento de suas receitas de venda de bens ou direitos ou de prestação de serviços com pagamento a prazo ou em parcelas na medida do recebimento e mantiver a escrituração do livro Caixa, deverá: I emitir a nota fiscal quando da entrega do bem ou direito ou da conclusão do serviço; II indicar, no livro Caixa, em registro individual, a nota fiscal a que corresponder cada recebimento. § 1° Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica que mantiver escrituração contábil, na forma da legislação comercial, deverá controlar os recebimentos de suas receitas em conta específica, na qual, em cada lançamento, será indicada a nota fiscal a que corresponder o recebimento. § 2° Os valores recebidos adiantadamente, por conta de venda de bens ou direitos ou da prestação de serviços, serão computados como receita do mês em que se der o faturamento, a entrega do bem ou do direito ou a conclusão dos serviços, o que primeiro ocorrer. § 3° Na hipótese deste artigo, os valores recebidos, a qualquer título, do adquirente do bem ou direito ou do contratante dos serviços serão considerados como recebimento do preço ou de parte deste, até o seu limite. § 4° O cômputo da receita em período de apuração posterior ao do recebimento sujeitará a pessoa jurídica ao pagamento do imposto e das contribuições com o acréscimo de juros de mora e de multa, de mora ou de ofício, conforme o caso, calculados na forma da legislação vigente”. Conforme se depreende do dispositivo supra citado, na hipótese de o contribuinte almejar adotar o reconhecimento de suas receitas com base no regime de caixa para fins de apuração dos tributos federais, devem ser integralmente cumpridos os requisitos previstos em seus incisos e parágrafo 1°, que podem ser assim resumidos: (i) emissão do documento fiscal quando da entrega do bem vendido ou conclusão do serviço prestado; (ii) indicação no lançamento feito no livro caixa, em registro individualizado, da nota fiscal referente ao recebimento; e Fl. 1187DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13619.000140/200665 Acórdão n.º 180201.272 S1TE02 Fl. 1.188 13 (iii) no caso da existência de escrituração contábil, na forma da legislação comercial, controle dos recebimentos das receitas em contas específicas cujos lançamentos deverão indicar a nota fiscal correspondente. Nesse sentido, informou a recorrente em seu recurso voluntário (fl. 1.153 dos autos) que os lançamentos realizados em seu livro diário no anocalendário 2003, quando referentes às receitas recebidas, foram realizados com a exigida identificação dos respectivos documentos fiscais. Contudo, como bem verificado pela autoridade fiscal autuante e citado em seu relatório fiscal (fl. 33 dos autos), a Contribuinte ao apresentar sua escrituração contábil não logrou êxito em demonstrar a efetivação dos lançamentos em conta específica, uma vez que a conta utilizada (“1.1.3.1.11.630Clientes Diversos”) iniciou o anocalendário 2003 com saldo no valor de R$1.786.634,23 (um milhão, setecentos e oitenta e seis mil reais, seiscentos e trinta e quatro reais e vinte e três centavos), bem como foi verificado saldo em 31 de dezembro do mesmo ano no valor de R$1.319.938,81 (um milhão, trezentos e dezenove mil reais, novecentos e trinta e oito reais e oitenta e um centavos). Ademais, foi também averiguado que os lançamentos realizados em tal conta não indicavam os documentos fiscais correspondentes a cada recebimento feito pela Empresa, de maneira que não foram atendidos integralmente os requisitos necessários para adoção do regime de caixa. Ressaltese que os requisitos insculpidos no artigo 1° da IN RFB n° 247/2002 são de caráter mandatório e não excludentes, não havendo na norma qualquer possibilidade de prerrogativa ao contribuinte para adoção parcial das regras previstas em tal dispositivo. Com efeito, mantenho o auto de infração quanto a essa infração. Por fim, insurgese a recorrente acerca da cobrança do PIS e da COFINS sobre receitas financeiras auferidas no ano de 2003, que totalizam a quantia de R$ 42.061,52 (quarenta e dois mil, sessenta e um reais e cinquenta e dois centavos), conforme cálculo elaborado pela autoridade fiscal às fls. 40. Uma vez que a recorrente em 2003 apurava as contribuições em questão com base no regime cumulativo (conforme DIPJ às fls. 483505), tal matéria se refere à inclusão na base de cálculo do PIS e da COFINS de receitas financeiras, estando inserido na controvérsia relativa à inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições. Nesse viés, devem ser aplicadas as disposições do Regulamento Interno do CARF (Portaria MF n° 256/09), especificamente os artigos 62 e 62A, que abaixo transcrevemos: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 1188DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13619.000140/200665 Acórdão n.º 180201.272 S1TE02 Fl. 1.189 14 I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou (...) Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” No que concerne à matéria em foco, foi publicada no dia 15/08/2006 decisão proferida pelo Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal (RE 357.950 e 358.273) na qual foram consideradas inconstitucionais as alterações na base de cálculo do PIS e da COFINS, promovidas pela Lei n° 9.718/98, cuja ementa e acórdão seguem abaixo: “Após os votos dos Senhores Ministros Marco Aurélio (Relator), Carlos Velloso e Sepúlveda Pertence, conhecendo do recurso e provendoo, em parte, e dos votos dos Senhores Ministros Cezar Peluzo e Celso de Mello, provendoo, integralmente, pediu vista dos autos o Senhor Ministro Eros Grau. Falaram, pela recorrente, o Dr. Ives Gandra da Silva Martins e, pela recorrida, o Dr. Fabrício da Soller, Procurador da Fazenda Nacional. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Nelson Jobim (Presidente). Presidência da Senhora Ministra Ellen Gracie (VicePresidente). Plenário, 18.05.2005. Decisão: Renovado o pedido de vista do Senhor Ministro Eros Grau, justificadamente, nos termos do § 1º do artigo 1º da Resolução nº 278, de 15 de dezembro de 2003. Presidência do Senhor Ministro Nelson Jobim. Plenário, 15.06.2005. Decisão: O Tribunal, por unanimidade, conheceu do recurso extraordinário e, por maioria, deulhe provimento, em parte, para declarar a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, vencidos, parcialmente, os Senhores Ministros Cezar Peluso e Celso de Mello, que declaravam também a inconstitucionalidade do artigo 8º e, ainda, os Senhores Ministros Eros Grau, Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes e o Presidente (Ministro Nelson Jobim), que negavam provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, a Senhora Ministra Ellen Gracie. Plenário, 09.11.2005. CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. Fl. 1189DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13619.000140/200665 Acórdão n.º 180201.272 S1TE02 Fl. 1.190 15 TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada.” Como resultado, considero inexigíveis o PIS e a COFINS sobre as receitas financeiras auferidas no anocalendário 2003 pela recorrente, devendo tal exação tributária ser cancelada. Diante de todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário interposto pela Recorrente, a fim de exonerar a cobrança do principal e adicional do imposto de renda relativo ao anocalendário 2002, bem como afastar a exigência do PIS e da COFINS relativamente às receitas financeiras auferidas no ano calendário 2003, mantendose intacta a decisão da DRJ/BHE quanto as demais infrações. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Fl. 1190DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13619.000140/200665 Acórdão n.º 180201.272 S1TE02 Fl. 1.191 16 Fl. 1191DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /07/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO
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Numero do processo: 10140.001144/2003-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1999
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. MATÉRIA CONTROVERTIDA. INVIABILIDADE DE SUSCITÁLA DE OFÍCIO. NÃO CABIMENTO DOS EMBARGOS.
Cabem embargos de declaração quando o acórdão embargado contiver
obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse
a turma. Nessa linha, se o embargante inovou suas razões nos aclaratórios, trazendo ponto sequer assentado na jurisprudência administrativa e não deduzido no recurso voluntário, inviável pugnar pela existência de omissão no acórdão embargado, ao argumento de que este não aplicou, de ofício, interpretação
que favoreceria o contribuinte.
IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. REGIME DA LEI Nº 9.430/96. POSSIBILIDADE.
A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem
dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva.
Embargos conhecidos em parte e rejeitados.
Numero da decisão: 2102-002.011
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte dos embargos de declaração, para rerratificar a decisão do acórdão nº 2102-00.962, para sanar a omissão apontada, sem efeitos infringentes, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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MATÉRIA CONTROVERTIDA. INVIABILIDADE DE SUSCITÁLA DE OFÍCIO. NÃO CABIMENTO DOS EMBARGOS. Cabem embargos de declaração quando o acórdão embargado contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Nessa linha, se o embargante inovou suas razões nos aclaratórios, trazendo ponto sequer assentado na jurisprudência administrativa e não deduzido no recurso voluntário, inviável pugnar pela existência de omissão no acórdão embargado, ao argumento de que este não aplicou, de ofício, interpretação que favoreceria o contribuinte. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. REGIME DA LEI Nº 9.430/96. POSSIBILIDADE. A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. Embargos conhecidos em parte e rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 993DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte dos embargos de declaração, para rerratificar a decisão do acórdão nº 210200.962, para sanar a omissão apontada, sem efeitos infringentes, nos termos do voto do relator. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 25/05/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Ausente justificadamente o Conselheiro Atilio Pitarelli. Relatório Em sessão plenária de 1º de dezembro de 2010, esta Turma julgou o recurso voluntário tombado no processo nº 10140.001144/200393, prolatando o acórdão nº 2102 00.962, que restou assim ementado: CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS. IMPOSSIBILIDADE DE DECRETAÇÃO INCIDENTAL DA INCONSTITUCIONALIDADE NO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. No caso específico do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tem aplicação o art. 62 de seu Regimento Interno, que veda expressamente a declaração de inconstitucionalidade de leis, tratados, acordos internacionais ou decreto, norma regimental que tem sede no art. 26A do Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, em linha com o enunciado sumular CARF Nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. GARANTIA CONSTITUCIONAL AO SIGILO BANCÁRIO. INEXISTÊNCIA. PROTEÇÃO A COMUNICAÇÃO DE DADOS E NÃO AOS DADOS EM SI MESMOS. DECISÃO DEFINITIVA DO PRETÓRIO EXCELSO FAVORÁVEL À TRANSFERÊNCIA DO SIGILO BANCÁRIO PARA O FISCO. VIOLAÇÃO DA INTIMIDADE. INEXISTÊNCIA. MANUTENÇÃO DO SIGILO PELO FISCO. O Supremo Tribunal Federal, em definitivo, declarou a constitucionalidade da Lei complementar nº 105/2001. Ainda, no tocante ao princípio do art. 5º, X, da Constituição Federal, deve se lembrar que a Administração Fiscal fica obrigada a manter o sigilo bancário do contribuinte, nos limites do processo Fl. 994DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10140.001144/200393 Acórdão n.º 210202.011 S2C1T2 Fl. 2 3 administrativo fiscal, não havendo falar em vulneração da intimidade, já que não há divulgação para terceiros das informações bancárias do fiscalizado. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. REGIME DA LEI Nº 9.430/96.POSSIBILIDADE. A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos 2 bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. JUROS DE MORA. ATUALIZAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. No âmbito dos Conselhos de Contribuintes e agora do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, pacífica a utilização da taxa Selic, quer como juros de mora a incidir sobre crédito tributário em atraso, quer para atualizar os indébitos do contribuinte em face da Fazenda Federal. Entendimento em linha com o enunciado da Súmula 1º CC nº 4: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Ainda, com espeque no art. 72, caput e § 4º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (DOU de 23 de junho de 2009), devese ressaltar que os enunciados sumulares dos Conselhos de Contribuintes e do CARF são de aplicação obrigatória nos julgamentos de 2º grau. Recurso negado. Notificado da decisão acima em 17/01/2012, ato contínuo, em 20/01/2012, o recorrente opôs embargos de declaração, alegando as seguintes omissões no julgado: I. “... não há no acórdão embargado razões sobre os argumentos que estão nas páginas 23 a 28 da petição de recurso voluntário, expostos na seção denominada de “Tributação improcedente”, que trata da impossibilidade de o lançamento tributário tomar por base de cálculo soma dos créditos efetuados em conta bancária, como se vê da argumentação a partir do penúltimo parágrafo de folha 23 daquela petição de recurso ordinário”; II. a embargante foi autuada em conjunto com seu esposo, a partir da infração oriunda de depósitos bancários de origem não Fl. 995DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 comprovada. Em ambas as autuações os depósitos bancários não excediam individualmente R$ 12.000,00, não sobejando em conjunto o montante de R$ 80.000,00 no anocalendário. Apesar de não se ter ventilado a aplicação da regra do art. 42, § 3º, II, da Lei nº 9.430/96 nos recursos voluntários interpostos contra as duas autuações, a Primeira Turma da Primeira Câmara da Segunda Seção aplicou o dispositivo legal de ofício, não havendo, assim, justificativa para o ponto não ter sido suscitado no aresto aqui embargado. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Os embargos de declaração são tempestivos e atendem os demais requisitos legais. Passase a sua apreciação. Inicialmente, o acórdão embargado não enfrentou a defesa concernente à pretensa impossibilidade de o lançamento ancorarse apenas nos depósitos bancários (item I do relatório). Reconhecese a omissão, porém, como se verá, não assiste razão, no mérito, ao embargante. Anteriormente à Lei nº 8.021/90, assentouse que os depósitos bancários, unicamente, não representavam rendimentos a sofrer a incidência do imposto de renda. Inclusive, o Tribunal Federal de Recursos tinha sumulado um entendimento com tal interpretação (Súmula 182 do TFR), bem como o art. 9º, VII, do DecretoLei nº 2.471/88 determinou o arquivamento de processos administrativos que controlassem débitos de imposto de renda arbitrado com base exclusivamente em valores de extratos ou comprovantes de depósitos bancários. Veio o art. 6º, § 5º, da Lei nº 8.021/90 e, expressamente, permitiu o arbitramento de rendimentos com base em depósitos ou aplicações em instituições financeiras, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza, quando o contribuinte não pudesse comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. Porém, para incidência do imposto de renda sobre a hipótese em debate, a jurisprudência administrativa passou a obrigar que a fiscalização comprovasse o consumo da renda pelo contribuinte, representada pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados. Essa era a dicção do art. 6º da Lei nº 8.021/90, verbis: Art. 6° O lançamento de ofício, além dos casos já especificados em lei, farseá arbitrandose os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. § 1° Considerase sinal exterior de riqueza a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. Fl. 996DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10140.001144/200393 Acórdão n.º 210202.011 S2C1T2 Fl. 3 5 § 2° Constitui renda disponível a receita auferida pelo contribuinte, diminuída dos abatimentos e deduções admitidos pela legislação do Imposto de Renda em vigor e do Imposto de Renda pago pelo contribuinte. § 3° Ocorrendo a hipótese prevista neste artigo, o contribuinte será notificado para o devido procedimento fiscal de arbitramento. § 4° No arbitramento tomarseão como base os preços de mercado vigentes à época da ocorrência dos fatos ou eventos, podendo, para tanto, ser adotados índices ou indicadores econômicos oficiais ou publicações técnicas especializadas. § 5° O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. (Revogado pela lei nº 9.430, de 1996) § 6° Qualquer que seja a modalidade escolhida para o arbitramento, será sempre levada a efeito aquela que mais favorecer o contribuinte. Esse estado de coisas foi profundamente alterado pelo art. 42, caput, da Lei nº 9.430/96, verbis: Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A partir dessa inovação legislativa, os valores mantidos em conta de depósito sem comprovação de sua origem passaram a ser rendimentos presumidos. Tratase de presunção iuris tantum, passível de prova em contrário por parte do contribuinte. Entretanto, caso o contribuinte, regularmente intimado, não comprove a origem dos valores mantidos em conta de depósito ou investimento, é de se presumir que tais valores foram omitidos da tributação. Observe que o art. 6º, § 5º, da Lei nº 8.021/90 (tachado acima) tratava do arbitramento dos rendimentos com base em depósitos bancários e foi expressamente revogado pelo art. 88, XVIII, da Lei nº 9.430/96. Dessa forma, para fatos geradores a partir de 1º/01/1997, no tocante à omissão de rendimentos com base em depósitos bancários com origem não comprovada, tem vigência única e plena o art. 42 da Lei nº 9.430/96. Com esse novo estatuto, como já assinalado, o depósito bancário com origem não comprovada é presumido rendimento omitido, com incidência da tabela progressiva do imposto de renda. Nesse novo cenário normativo, não há que se falar em sinais exteriores de riqueza ou prova do consumo da renda para tributar depósitos bancários com origem não comprovada pelo contribuinte. Esta é a hipótese dos autos. Por uma presunção legal relativa, o depósito com origem não comprovada é rendimento tributável pelo imposto de renda. Fl. 997DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 6 Esse entendimento encontrase pacificado no âmbito das Turmas de Julgamento deste CARF e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Como exemplo, por todos, vejase o Acórdão nº CSRF/0400.164, sessão de 13 de dezembro de 2005, relatora a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, que restou assim ementado: IRPF DEPÓSITOS BANCÁRIOS OMISSÃO DE RENDIMENTOS Presumese a omissão de rendimentos sempre que o titular de conta bancária, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósito ou de investimento (art. 42 da Lei nº. 9.430, de 1996). Ainda, apenas para argumentar, eventual conflito normativo entre o art. 42 da Lei nº 9.430/96 (presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada) e o CTN/Constituição Federal (definição de renda e proventos de qualquer natureza como hipótese de incidência do imposto de renda) somente poderia ser resolvido no âmbito da declaração de inconstitucionalidade das normas, falecendo competência ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para o mister. Reconhecer que o art. 42 da Lei n° 9.430/96 está em antinomia com o art. 43 do CTN, este que define a base de cálculo do imposto de renda (renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, e proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no conceito de renda), com a supremacia deste último, significaria afirmar que aquele estaria eivado de vício de inconstitucionalidade, já que conflito de leis em terrenos normativos definidos pela Constituição (campo de atuação da lei ordinária e da lei complementar), como no caso vertente, solucionase pela apreciação do vetor constitucional do dissenso. Nessa linha, vejase o REsp n° 650.949PR, relator o min. Humberto Martins, unânime na 2a Turma, DJ de 15/02/2007, que restou assim ementado: TRIBUTÁRIO – PROCESSUAL CIVIL – VIOLAÇÃO DO ART. 130 DO CPC – AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL – INEXISTÊNCIA DE JUNTADA DOS ACÓRDÃOS PARADIGMAS – CONTRARIEDADE AOS ARTS. 46 E 47 DO CTN – MATÉRIA DE ÍNDOLE CONSTITUCIONAL. 1. A Corte a quo não analisou a matéria recursal à luz do art. 130 do CPC. Assim, incidem os enunciados 282 e 356 da Súmula do Supremo Tribunal Federal. 2. A inclusão do frete na base de cálculo do IPI deriva de imposição do art. 15 da Lei n. 7.789/89, que no entendimento deste Tribunal, teria revogado o art. 47 do CTN. 3. Em casos de revogação de lei complementar (CTN) por lei ordinária, revestese o conflito de índole constitucional, o que enseja a incompetência do Superior Tribunal de Justiça. Precedente: REsp 209320/DF, Rel. Min. Castro Meira, Relator p/ Acórdão o Min. Francisco Peçanha Martins, DJ 20.3.2006, p. 224. Recurso especial nãoconhecido. Não por outra razão, após a Emenda Constitucional nº 45, a decisão judicial que julgar válida lei local contestada em face de lei federal passou a ser objeto de Recurso Extraordinário (art. 102, III, “d”, da CF88), ou seja, conflitos de leis cujos âmbitos normativos Fl. 998DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10140.001144/200393 Acórdão n.º 210202.011 S2C1T2 Fl. 4 7 estão definidos na Constituição Federal resolvemse pela apreciação do vetor constitucional do dissenso. Dessa forma, reconhecer a supremacia do art. 43 do CTN em face do art. 42 da Lei nº 9.430/96, significaria declarar a inconstitucionalidade desse último dispositivo. E, no caso específico do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tem aplicação o art. 62 de seu Regimento Interno, que veda expressamente a declaração de inconstitucionalidade de leis, tratados, acordos internacionais ou decreto, norma regimental que tem sede no art. 26A do Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Assim, na hipótese em debate, escorreito o lançamento que utilizou a presunção estatuída no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Por tudo, conheço dos embargos neste ponto, porém, no mérito, rejeito a pretensão recursal (e do embargante). Agora se passa ao item II do relatório, no qual pretensamente a decisão embargada teria se omitido, pela não aplicação de ofício da regra exonerativa dos depósitos bancários de valor pequeno, como previsto no art. 42, § 3º, II, da Lei nº 9.430/96. Antes de tudo, vêse que não houve qualquer omissão, pois sequer houve pedido de aplicação da regra do art. 42, § 3º, II, da Lei nº 9.430/96 no recurso voluntário, sendo assim inviável falar em omissão, quando não houve o préquestionamento. Devese anotar, ainda, que havia dúvidas quanto ao momento de aplicação da regra legal acima, qual seja, no momento da primeira intimação feita pela autoridade lançadora ou no curso no procedimento fiscal. Por fim, na via administrativa, assentouse que os limites poderiam ser aplicados em qualquer fase do contencioso, inclusive no âmbito dos recursos, voluntário ou especial. Entretanto, a mera possibilidade de entendimento diverso em relação a tal momento afastaria, por si só, a obrigatoriedade da aplicação de ofício da regra legal em debate, pois o colegiado somente deve aplicar de ofício as matérias de ordem pública, como nulidades ou a decadência, não se podendo dizer que a interpretação de determinado dispositivo legal, que já teve interpretação cambiante, como dito, possa ser obrigatoriamente aplicada de ofício, a partir de uma interpretação que venha a se fixar na via administrativa. Indo mais além, diferentemente do asseverado pela embargante, não se pode dizer que a soma dos depósitos bancários de origem não comprovada das contas auditadas e cotitularizadas não excedem R$ 80.000,00. Inicialmente, há dois depósitos que individualmente sobejam R$ 12.000,00 (R$ 12.650,00, de 16/11/1998, na conta 3014, do Banco do Brasil, Agência 0208; R$ 15.000,00, de 09/07/1998, na conta 40389X, do Banco do Brasil, Agencia 0208), sendo que a soma de todos os depósitos bancários de origem não comprovada, das contas bancárias auditadas e com cotitularidade, imputados à contribuinte e a seu cônjuge, excedem R$ 80.000,00, sendo o montante de R$ 72.126,42 imputado à contribuinte embargante e R$ 72.657,39 a seu cônjuge. Ora, esta Turma de julgamento jamais firmou posição sobre a aplicação do art. 42, § 3º, II, da Lei nº 9.430/96 para a hipótese de contas bancárias com cotitulares, se tais limites beneficiaram cada cotitular da conta bancária, individualmente, o que teria o condão de multiplicar os limites (de R$ 12.000,00 e R$ 80.000,00) pelo número de cotitulares, ou se os limites deveriam ser aplicados aos depósitos de origem não comprovada, considerando cada depósito em sua individualidade, sem considerar a divisão por cotitular. Assim, se esta Turma Fl. 999DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 8 de Julgamento jamais apreciou tal controvérsia, inviável pugnar pela interpretação que viesse a favorecer o embargante, quando o então recorrente NÃO deduziu a irresignação nos termos agora trazidos nos embargos. Assim, não conheço dessa parte dos embargos, pois a decisão embargada não incorreu em qualquer omissão, obscuridade ou contradição, hipóteses necessárias ao conhecimento dos aclaratórios. Ademais, observese, o fato de outra Turma de julgamento ter aplicado a regra acima de ofício não vincula este Colegiado, sendo apenas uma decisão divergente no âmbito administrativo, a qual deve ser eventualmente solucionada no seio do recurso especial de divergência, e não na via dos embargos de declaração, estes que não servem para uniformizar a jurisprudência, mas apenas para sanar obscuridades, omissões ou contradições, como já dito. Ante o exposto, conheço em parte dos embargos de declaração, rejeitando a irresignação na parte conhecida, para ratificar a decisão do acórdão nº 210200.962. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 15868.000128/2010-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em contas de depósito mantidas em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindo-o para a contribuinte, que pode refutá-la mediante oferta de provas hábeis e idôneas.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados.
NULIDADE. MPF. É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário.
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. Às instâncias administrativas não compete apreciar vícios de ilegalidade ou de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente.
DECADÊNCIA. DOLO COMPROVADO. IRPJ. CSLL. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação em que o sujeito passivo tenha se utilizado de dolo, fraude ou simulação, extingue-se no prazo de 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Caracterizado o intuito de fraudar o Fisco, correta a aplicação da multa no percentual de 150%.
JUROS DE MORA. A cobrança de juros de mora está em conformidade com a legislação vigente.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-001.145
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Antônio José Praga de Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Marcelo de Assis Guerra, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em contas de depósito mantidas em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para a contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. NULIDADE. MPF. É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 00 01 28 /2 01 0- 21 Fl. 14947DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/ 04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15868.000128/201021 Acórdão n.º 1402001.145 S1C4T2 Fl. 0 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Marcelo de Assis Guerra, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Relatório COMPANHIA ACUCAREIRA DE PENAPOLIS recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente em parte a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pela empresa supra, segundo consta da descrição dos fatos, foi apurada, nos anos calendário de 2004, 2005, 2006 e 2007, omissão de receitas provenientes de depósitos bancários de origem não comprovada. O crédito tributário lançado totalizou R$ 163.029.823,42 (cento e sessenta e três milhões, vinte e nove mil, oitocentos e vinte e três reais e quarenta e dois centavos), conforme demonstrativo de fl.1, tendo sido lavrados os seguintes autos de infração: 1 – Imposto sobre a renda de pessoa jurídica (IRPJ) – fls. 1535 a 1540, 1551 a 1561. (...) 2 – Contribuição para o PIS – fls. 1562 a 1579. (...) 3 Contribuição para a Seguridade Social (Cofins) – fls. 1.591 a 1.608. (...) 4 Contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL) fls. 1541 a 1546, 1580 a 1590. (...) Fl. 14948DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/ 04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15868.000128/201021 Acórdão n.º 1402001.145 S1C4T2 Fl. 0 3 Consta no Termo de Constatação de Infração Fiscal (TCIF) de fls. 1615 a 1633, que, em conseqüência da denominada “Operação Cana Brava”, relativa ao setor Sucroalcooleiro, realizada em conjunto pela Receita Federal e Polícia Federal, foram iniciadas ações fiscais em nome da Cooperativa de Consumo dos Empregados da Cap. e Empresas Ligadas (doravante chamada Coopercap) e em nome das pessoas físicas Celso Viana Egreja, Paulo Eduardo Lencastre Egreja, Paulo Ferreira, Sérgio Burzichelli e Carlos Roberto da Silva, onde se concluiu que os recursos financeiros movimentados nas contas bancárias da citada pessoa jurídica e das pessoas físicas pertencem à Companhia Açucareira de Penápolis (doravante chamada de CAP), cujo nome de fantasia é Usina Campestre. Relata o autuante que as Representações Fiscais nas quais se concluiu que os recursos financeiros movimentados nas contas bancárias das citadas pessoas acima mencionadas pertencem à contribuinte estão consubstanciadas nos processos nº 15868.001635/200948 (Cooperativa de Consumo dos Empregados da Cap. e Empresas Ligadas), 15868.002839/200904 (Celso Viana Egreja), 15868.000014/201081 (Paulo Eduardo Lencastre Egreja), 15868.000013/201036 (Paulo Ferreira), 15868.000015/201025 (Sérgio Burzichelli) e 15868.000016/2010 70 (Carlos Roberto da Silva). Acrescenta que, sendo intimada a apresentar seus extratos bancários, a contribuinte autorizou a Receita Federal a requisitar tais documentos diretamente às instituições financeiras. De posse dos extratos bancários da contribuinte, de todas as pessoas físicas e da Cooperativa de Consumo mencionadas anteriormente a fiscalização efetuou a conciliação entre os lançamentos de todas essas contas para excluir os depósitos e créditos decorrentes de transferências entre elas, resgates de aplicações financeiras, estornos, cheques devolvidos, empréstimos e financiamentos, e intimou a contribuinte a comprovar a origem dos recursos creditados nas contas bancárias de sua titularidade e das pessoas já mencionadas. Informou que a contribuinte apresentou livro Diário e planilhas (fls. 842 a 1057 e 1060 a 1127), nas quais se verifica que, na coluna “origem dos recursos informada pelo sujeito passivo”, para alguns créditos não foi informada a origem dos recursos utilizados nem apresentado qualquer documento coincidente em datas e valores. Sendo novamente intimada quanto a esses créditos não comprovados a contribuinte apresentou as planilhas de fls. 1451 a 1465, ficando sem comprovação os valores relacionados nas planilhas de fls. 1637 a 1806, que acompanham o TCIF. Foram lavrados os autos de infração com exigência da multa de 150% sobre os tributos apurados com base nos créditos em conta bancária de titularidade de terceiros. Notificada do lançamento, a contribuinte, representada por José Carlos Fernandes Alcântara e Sandra Moraes de Almeida (fl.1814), ingressou com a impugnação de fls. 1821 a 1896, alegando: ● Depois da fiscalização da Cooperativa de Consumo dos Empregados da Cap. e Empresas Ligadas e das pessoas físicas Celso Viana Egreja, Paulo Eduardo Lencastre Egreja, Paulo Ferreira, Sérgio Burzichelli e Carlos Roberto da Silva, o Fisco concluiu equivocadamente que os recursos movimentados nas suas contas correntes pertencem à impugnante, sem a necessária investigação dos fatos ou apresentação de quaisquer documentos hábeis que corroborassem as declarações fornecidas pelas citadas pessoas físicas; ● As citadas pessoas físicas, com exceção de Celso Viana Egreja, sequer fazem parte do quadro societário da Companhia Açucareira de Penápolis, e os demais Fl. 14949DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/ 04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15868.000128/201021 Acórdão n.º 1402001.145 S1C4T2 Fl. 0 4 sócios não foram intimados para ratificar ou retificar o que foi dito por aquele sócio. A fiscalização aceitou as “respostas” das pessoas físicas como se fossem a mais pura verdade, admitindose como prova inequívoca a mera declaração daqueles, imputando à impugnante a responsabilidade fiscal dos valores movimentados nas contas correntes pessoais das citadas pessoas; ● MPF: O MPFF iniciouse em 19/05/2008, tendo como objetivo a fiscalização das Contribuições Previdenciárias e para outras entidades e Fundos, relativa ao ano calendário (AC) de 2004. Em 25/09/2009, houve alteração dos fiscais, excluindose um e incluindo outros de jurisdição diferente da impugnante à época da fiscalização. Houve, também, inclusão, sem a emissão de outro MPF, do IRPJ relativo aos AC 2003 a 2007, ressaltandose que não foi informada das prorrogações dos MPF citados no Relatório Fiscal. Assim, o lançamento é nulo, uma vez que não observou a Portaria SRF nº 1265, de 1999; ● Cerceamento do direito de defesa. Não foi concedido tempo hábil para atendimento às intimações, visto que se encontra em recuperação judicial e os seus sócios foram destituídos da condução da atividade empresarial por decisão judicial datada de 14/12/2009, passando a administração para o Gestor Judicial, o qual não teve tempo suficiente para conhecer todos os atos praticados pela impugnante e atender às solicitações do Fisco; ● Decadência relativamente ao AC de 2004, iniciandose a contagem do prazo em 01/01/2005 e encerrando em 31/12/2009; ● Não se pode aplicar a multa de ofício agravada, pois não ficou comprovado o dolo. Foram apresentados e justificados todos os valores questionados e todos os valores recebidos foram contabilizados e declarados. Não se pode admitir tamanho abuso na fixação de multa, porquanto em total desalinho às regras da razoabilidade e da proporcionalidade, os princípios do não confisco, da capacidade contributiva que servem de parâmetro para a atuação fazendária; ● Mérito: Os lançamentos foram efetuados de forma irregular, não retratando de maneira fiel a verdade material dos fatos ocorridos. Quanto à própria impugnante: de acordo com a fiscalização em suas planilhas denominadas Um, Dois, Três e Quatro, no período de 01/2005 a 12/2007, a impugnante teve movimentação financeira nos seguintes bancos: Bradesco, HSBC, ABN/Real e Banespa/Santander, no montante de R$ 152.978.818,19 com 577 lançamentos. Justificou no campo “origem dos recursos” toda a movimentação que tinha e da Cooperativa de Consumo dos Empregados da CAP, por se tratar de empresa reconhecida pelo Fisco como coligada, o que será explicado em tópico próprio; ● Para ratificar o que já foi explicado ao Fisco e demonstrar que nunca houve omissão de receita, está anexando, quanto à Companhia Açucareira de Penápolis, anoscalendário (AC) de 2005, 2006 e 2007, planilhas denominadas “Demonstrativo de Depósitos e Créditos Remanescentes – Diversos Bancos anocalendário 2005 e 2007” com os documentos e as justificativas quanto à origem dos recursos ora questionados pelo Fisco; Livro Razão contábil da conta corrente mantida junto ao HSBC, que visa demonstrar as entradas e saídas dos valores ora questionados; Livro Razão contábil da conta Caixa, que visa demonstrar a entrada de recursos tais como: troca ou recebimento de duplicatas, venda de sucatas, reapresentação de cheques entre outros e saída para pagamentos diversos; Livros fiscais de Saída, visando demonstrar todas as notas fiscais de venda e remessas (entrega do produto), esclarecendo que nesse livro encontrase a nota de venda futura (nota mãe) e as Fl. 14950DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/ 04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15868.000128/201021 Acórdão n.º 1402001.145 S1C4T2 Fl. 0 5 notas efetivas da entrega do produto (notas filhas) onde de fato ocorreu a tributação, descaracterizando a omissão de receita; Relatórios de Remessas de nota (mãe), que visa demonstrar individualmente as notas de vendas e futuras e suas remessas (forma mais detalhada); Livro Razão Analítico, que visa demonstrar a movimentação dos recursos que entram nos citados bancos para a Coopercap, como também o pagamento efetivo das contas da impugnante, ou seja, existe o lançamento contábil da Companhia Açucareira de Penápolis quanto a sua venda (documentação hábil notas fiscais), o seu recebimento mesmo que na conta corrente da Coopercap (lançamento contábil – CAP a título de “empréstimo simples/coligadas”) e conseqüentemente, a Coopercap pagava as contas do processo produtivo da Companhia Açucareira de Penápolis, em Recuperação Judicial (lançamento contábil na Coopercap “título a receber/coligadas”) em contrapartida na impugnante o lançamento contábil era baixa do empréstimo simples/coligada. Fica evidente que todas as notas foram contabilizadas, que os recursos inerentes a essas operações também foram contabilizados, portanto, declarados; ● O Fisco, no Termo de Constatação e Intimação Fiscal, relata os depósitos de origem não comprovada efetuados nas contas bancárias do próprio sujeito passivo, nos valores de R$ 1.233.921,73 (AC 2005), R$ 157.092,01 (AC 2006) e R$ 12.624.943,99 (AC 2007), e, até a data da impugnação, não enviou nenhuma planilha descritiva dos lançamentos individualizados que compõem esses montantes, ficando evidenciado o cerceamento do direito de defesa, pois não há nenhuma fórmula matemática na soma dos diversos valores que coincidam com o montante anual glosado. Apesar disso, está anexando as planilhas 2005 e 2007, com todas as explicações solicitadas; ● Esclarece que não houve atendimento às intimações para apresentar comprovações relativas ao AC 2004, pelo motivo de ter ocorrido a decadência do direito de lançar, pois, de acordo com o autuante, “qualquer lançamento por parte do Fisco só seria possível a partir do primeiro dia do ano de 2005”, vencendo o prazo em 31/12/2009; ● Quanto à movimentação financeira entre a Coopercap e a Companhia Açucareira de Penápolis, verificase que ela ocorreu devido ao arresto nas contas bancárias da impugnante, para que o processo produtivo não parasse, esclarecendose que a cooperativa não foi criada com esse intuito. A companhia Açucareira de Penápolis comprava a matéria prima, insumos, vendia seus produtos, e a Coopercap recebia os valores a título de venda e de empréstimo e pagava as obrigações contraídas pela impugnante. Ratificamos que todos os valores estão contabilizados em ambas as empresas; ● Devido a situação financeira da impugnante, muitas vezes os recebimentos dos clientes não eram suficientes para o pagamento de duplicatas nas datas previstas, forçandoa a utilizar metodologia própria para cobrir o saldo negativo, vejamos o exemplo: a conta bancária do HSBC da Coopercap era usada financeiramente para pagar as duplicatas, no final do dia quando do fechamento do caixa verificavase que não havia saldo positivo e havia mais obrigações a pagar, então, emitiase cheque de mesma titularidade da Cooperacap de outro banco, mesmo que não tivesse saldo positivo, pois o banco tinha “autorização” para compensar os cheques emitidos pela cooperativa. Portanto, o Fisco não pode considerar a entrada de dois valores distintos, mas apenas o que está lançado na contabilidade da empresa; ● Havia, também, casos de transferência de mesma titularidade, onde o cliente depositava nos bancos da Coopercap os valores devidos a título de aquisição de produtos da Companhia Açucareira de Penápolis e eram transferidos para outros bancos daquela cooperativa que necessitavam de saldo naquele dia, não existindo Fl. 14951DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/ 04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15868.000128/201021 Acórdão n.º 1402001.145 S1C4T2 Fl. 0 6 duplicidade de entrada. Outra situação é o pagamento efetuado pelos clientes com cheques sem fundos, ocorrendo crédito na primeira e na segunda apresentação, porém, somente um crédito deve ser considerado; ● Está anexando, quanto à Coopercap nos AC 2005, 2006 e 2007, planilhas denominadas “Demonstrativo de Depósitos e Créditos RemanescentesDiversos Bancos anocalendário de 2005, 2006 e 2007”, com os documentos e justificativas da origem dos recursos questionados; livro Razão Contábil das contascorrentes do Banespa, Banco Real, Bradesco e HSBC, que visam demonstrar as entradas e saídas dos valores ora questionados; livro Razão Analítico Santa Rosa Mercantil, que visa demonstrar que todos os valores recebidos por essa rubrica estão contabilizados; livro Razão Analítico, que visa demonstrar a movimentação dos recursos que entram nos citados bancos para a Coopercap e o efetivo pagamento das contas da impugnante, ou seja, existe o lançamento contábil da Companhia Açucareira de Penápolis quanto a sua venda (documentação hábilnotas fiscais), o seu recebimento mesmo que na conta corrente da Coopercap (lançamento contábil – CAP a título de “empréstimo simples/coligadas”) e conseqüentemente, a Coopercap pagava as contas do processo produtivo da Companhia Açucareira de Penápolis, em Recuperação Judicial (lançamento contábil na Coopercap “título a receber/coligadas”) em contrapartida na impugnante o lançamento contábil era baixa do empréstimo simples/coligada. Fica evidente que todas as notas foram contabilizadas, que os recursos inerentes a essas operações também foram contabilizados, portanto, declarados; ● Houve Fiscalização na Coopercap, na qual esta foi intimada a justificar os valores movimentados em suas contas bancárias e a fiscalização utiliza as informações e os documentos apresentados na autuação da Companhia Açucareira de Penápolis sem que esta fosse ouvida a respeito da fiscalização da Coopercap, o que provoca a improcedência do presente auto de infração por ir contra os princípios legais já descritos; ● Quanto à fiscalização ocorrida na pessoa física de Sérgio Burzichelli, tem a esclarecer que, de fato, firmou Instrumento Particular de Confissão e Assunção de Dívidas, devido ao empréstimo contraído em 01/01/1999 junto ao Banco do Brasil S/A, no montante de R$ 385.000,00, o qual foi contabilizado no livro razão da impugnante, não havendo omissão de informação ou de receita; ● Quanto aos valores constantes nas planilhas Um, Dois, Três, Quatro, Cinco e Seis, indevidamente imputados à impugnante, esclareço que não pertencem à Companhia Açucareira de Penápolis. Os documentos anexados como prova demonstram o contrário, como se pode ver na resposta à intimação feita para Gerson Marin, na qual se informa que a Ted feita àquele Senhor, em 13/08/2004 e 25/08/2004, no valor de R$ 30.000,00 cada, foi feita tendo em vista o pedido de empréstimo de Celso Viana Egreja, não tendo ocorrido qualquer transação comercial com o favorecido e que a citada transferência de valores não tem qualquer relação com a Companhia Açucareira de Penápolis; ● Dos cheques legíveis acostados aos autos pela fiscalização, emitidos por Sérgio Burzichelli não demonstram que foram depositados ou utilizados a qualquer título pela CAP, a não ser aqueles do empréstimo legalmente documentado e contabilizado; ● O Fisco não logrou comprovar com documentação hábil os fatos equivocadamente apurados que culminaram no presente auto de infração, quanto aos valores de responsabilidade pessoal do Sr. Sérgio Burzichelli. As provas revelam que a responsabilidade da movimentação é de Celso Viana Egreja e não da contribuinte. Fl. 14952DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/ 04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15868.000128/201021 Acórdão n.º 1402001.145 S1C4T2 Fl. 0 7 Mesmo a declaração de Sérgio Burzichelli não demonstra que os valores são totalmente da CAP, cabendo ao Fisco o ônus da prova, apurando com minúcia todos os valores em questão e não uma simples amostragem que restringe a uma diligência e poucas cópias de cheques, que não representam 10% do universo total. Sendo provas emprestadas de outro procedimento fiscal, deveria a fiscalização, antes de tirar suas conclusões, intimar a impugnante da execução do procedimento fiscal para dar legitimidade à prova emprestada; ● Para que se possa presumir, com segurança, a fraude à tributação no caso de tais movimentações financeiras serem utilizadas como parâmetro, tendo como fundamento omissão de receita, devese observar: 1) se todos ou parte dos valores contidos nos extratos bancários pertencem ao correntista pessoa física ou jurídica distinta dele; 2) ser a omissão de receita, como suporte apenas na oscilação da movimentação bancária, incompatível com IRPF e posteriormente esta diferença ser imputada à impugnante como sua “receita”, sem avaliação criteriosa na sua contabilidade; 3) que as provas apresentadas e a escrita fiscal da impugnante demonstrem inconsistências reais para se concluir ter havido omissão de receitas; 4) que as provas emprestadas tenham seguido o rito jurídico, levando em consideração o princípio do contraditório; 5) se para todas as notas fiscais emitidas foram pagas efetivamente para a impugnante, se existe clientes a receber, cancelamento de notas, etc.; sem a devida observância desses fatos não há que se falar em omissão de receita; ● As provas acostadas aos autos relativas a Paulo Lencastre Egreja, Carlos Roberto da Silva e Paulo Ferreira, não demonstram que os valores movimentados nas contas correntes dessas pessoas físicas são da impugnante, visto que, tanto as diligências efetuadas pela fiscalização quanto os cheques emitidos pelas citadas pessoas, indicam de fato que foram enviados a Celso Viana Egreja, pois mantinham também uma conta corrente; ● Celso Viana Egreja é sócio da Companhia Açucareira de Penapólis e as pessoas físicas Paulo Ferreira, Paulo Eduardo Lencastre Egreja, Carlos Roberto da Silva e Sergio Burzichelli informaram que mantinham “conta corrente” com referido sócio, conforme demonstram as planilhas efetuadas pelo Fisco na fiscalização das citadas pessoas físicas. Dos cheques acostados aos autos (cerca de 350), 217 são nominais a Celso Viana Egreja, não podendo ser imputados à Companhia Açucareira de Penápolis. Referido sócio elaborou declaração (ora anexada) de que os valores movimentados nas contas correntes daquelas pessoas físicas são de sua responsabilidade. Os recursos imputados à impugnante não foram aportados em suas contas bancárias, como também da coligada Coopercap, sendo ilícita a presunção praticada pela fiscalização; ● O lançamento não deve prosperar por afrontar os arts. 9º e 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, uma vez que não expôs com clareza os fundamentos legais que o embasaram e se baseou em presunção, sem qualquer análise adicional dos documentos e informações; ● Da prova emprestada. A legitimidade da prova emprestada processual depende da efetividade do princípio do contraditório. Já a prova emprestada tributária, segundo o professor Paulo de Barros Carvalho, não possui valor probatório e a Fazenda Pública que a recebeu, baseada em tais dados, deve proceder à fiscalização e instaurar o devido processo administrativo; ● Da metodologia aplicada: O Fisco utilizouse do método da amostragem para apurar a infração. Dos 8.000 lançamentos bancários, 5.481 pertencem às pessoas físicas já mencionadas, e desses apenas 5% (250) foram diligenciados, investigados Fl. 14953DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/ 04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15868.000128/201021 Acórdão n.º 1402001.145 S1C4T2 Fl. 0 8 e circularizados. Entretanto, a fiscalização imputou todos os lançamentos à impugnante, não ficando comprovada a entrada dos recursos; ● A aplicação da taxa Selic para cálculo dos juros é inconstitucional. De acordo com o art. 219 do Código de Processo Civil os juros deverão incidir a partir da data da citação do devedor. A decisão recorrida está assim ementada: DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em contas de depósito mantidas em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para a contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. NULIDADE. MPF. É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. Às instâncias administrativas não compete apreciar vícios de ilegalidade ou de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente. DECADÊNCIA. DOLO COMPROVADO. IRPJ. CSLL. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação em que o sujeito passivo tenha se utilizado de dolo, fraude ou simulação, extinguese no prazo de 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Caracterizado o intuito de fraudar o Fisco, correta a aplicação da multa no percentual de 150%. JUROS DE MORA. A cobrança de juros de mora está em conformidade com a legislação vigente. Impugnação Procedente em Parte. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento nos seguintes termos. Fl. 14954DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/ 04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15868.000128/201021 Acórdão n.º 1402001.145 S1C4T2 Fl. 0 9 É o relatório. Fl. 14955DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/ 04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15868.000128/201021 Acórdão n.º 1402001.145 S1C4T2 Fl. 0 10 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Tratamse de exigências por omissão de receitas, com base em deposito bancário, tendo sido aplicada a multa de oficio qualificada de 150%. Passo a apreciar os recurso voluntário. Vejamos, de inicio, a transcrição dos fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido: “(...) Ofensa ao PAF. Cerceamento do direito de defesa. Dispõe o PAF, em seu art. 9º, já com a nova redação dada pela Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993, que o auto de infração deve ser instruído com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito, cientificando o sujeito passivo desses atos e documentos. Temse que referida determinação foi respeitada na elaboração do presente auto de infração, uma vez que constam nos autos a identificação do sujeito passivo, o termo de intimação para o seu cumprimento ou oferecimento de impugnação, conforme exigido por lei; a identificação da autoridade fiscal, incluindo sua matrícula funcional, os demonstrativos elaborados pela fiscalização, bem como a norma jurídica infringida com a respectiva descrição dos fatos, e a penalidade aplicável. Ou seja, todos os elementos necessários para eventual contestação quanto ao mérito da autuação. Observase, também, que os autos de infração estão acompanhados de todos os elementos de prova considerados pelo Fisco como indispensáveis à comprovação do ilícito. Verificase que os critérios que embasaram a autuação se encontram suficientemente elucidados e justificados no TCIF anexo aos autos, do qual foi cientificada a contribuinte. Portanto, o auto de infração contém as condições necessárias para produzir o efeito que lhe compete, qual seja, formalizar o crédito tributário, individualizandoo e dandolhe a condição de exigibilidade, conforme determina o CTN, art. 142. Durante a fiscalização, ao contrário do que afirma a contribuinte, o Fisco, de posse dos extratos de contas correntes bancárias das pessoas envolvidas, intimou terceiras pessoas físicas e jurídicas que efetuaram créditos ou se beneficiaram de valores debitados nas citadas contas correntes e efetuou a análise da movimentação de recursos entre elas, tendo depois intimado a contribuinte a comprovar a origem dos depósitos efetuados em tais contas. Fl. 14956DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/ 04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15868.000128/201021 Acórdão n.º 1402001.145 S1C4T2 Fl. 0 11 Observase que a contribuinte foi intimada várias vezes a fazer comprovações da origem dos valores creditados em suas contas bancárias, tendo, conforme se vê no TCIF (fl. 1623), tempo suficiente para se defender e apresentar as provas que julgasse pertinentes. Assim, teve conhecimento do procedimento fiscal contra ela dirigido. O RIR, de 1999, art. 264, determina que a pessoa jurídica deve conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. Assim, a comprovação da origem dos depósitos bancários deveria ser feita mediante a apresentação da escrituração, contendo toda sua movimentação bancária, bem como dos documentos que lhe serviram de base, os quais deveriam estar em boa guarda e ordem, nos termos do citado artigo. Depois da ciência do lançamento, a contribuinte teve o prazo de trinta dias para ter vista do inteiro teor do processo no órgão preparador (inclusive daqueles relativos às pessoas físicas e à pessoa jurídica envolvidas) e apresentou impugnação escrita, instruída com os documentos que entendeu necessários, exercitando, assim, o direito ao contraditório e à ampla defesa. Quanto à utilização da chamada “prova emprestada”, cumpre registrar que não existe ato normativo expedido pela RFB que proíba a utilização da “prova emprestada” e não há, no PAF, qualquer limitação com referência às provas que possam ser produzidas. Ademais, o Código de Processo Civil (utilizado subsidiariamente no processo administrativo tributário), estabelece que todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos, em que se funda a ação ou a defesa. Por conseguinte, não há qualquer impedimento à utilização, no processo administrativo tributário, de provas produzidas em outros processos, desde que naturalmente guardem pertinência com os fatos cuja prova se pretenda oferecer. No presente caso, o autuante, a partir dos documentos constantes nos outros processos, fez as verificações em relação à escrituração contábil e fiscal da contribuinte, construiu seu entendimento acerca dos fatos ocorridos e intimou a CAP a se manifestar e fazer comprovações. A fiscalização elaborou um conjunto de demonstrativos e planilhas, o qual, combinado com os termos e a descrição dos fatos, demonstra cabalmente a forma como foi apurado e calculado o crédito tributário, caracterizando plenamente todos os elementos do fato jurídico tributário, pelo que não se vislumbra qualquer prejuízo à contribuinte para a perfeita inteligência acerca da matéria autuada. Devese acrescentar, quanto à nulidade, que o art. 59 do PAF determina que somente são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente, bem assim os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, o que aqui não se verificou. O cerceamento do direito de defesa somente ocorre nas decisões de primeira e Fl. 14957DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/ 04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15868.000128/201021 Acórdão n.º 1402001.145 S1C4T2 Fl. 0 12 segunda instância, quando são aplicáveis os princípios do contraditório e da ampla defesa. Dessa forma, há que se rejeitar a preliminar suscitada. MPF. Quanto às alegações apresentadas a respeito do MPF, é necessário dizer que no período em que foi realizado o procedimento fiscal vigorou a Portaria do Secretário da Receita Federal do Brasil nº 11.371, de 12 de dezembro de 2007. Dispõe a citada Portaria: Art. 8º Na hipótese em que infrações apuradas, em relação a tributo ou contribuição contido no MPFF ou no MPFE, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos ou contribuições, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa. Art. 9º As alterações no MPF, decorrentes de prorrogação de prazo, inclusão, exclusão ou substituição de AFRFB responsável pela sua execução ou supervisão, bem como as relativas a tributos ou contribuições a serem examinados e período de apuração, serão procedidas mediante registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, conforme modelo aprovado por esta Portaria. (...) Art. 12. A prorrogação do prazo de que trata o art. 11 poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligência. Verificase que, quando do início do procedimento fiscal relativo a esse lançamento, já existia o MPF nº 08190002008034922, emitido em 19/05/2008, no qual foi incluída a ação fiscal a que se refere o presente processo. Como se vê nas intimações feitas pela fiscalização, a contribuinte foi cientificada da prorrogação do citado MPF e da forma de acesso a ele pela internet. Conforme consta às fls. 1498/1499, referido MPF sofreu as alterações quanto ao tributo, período a ser verificado, auditores e prorrogações de prazos, de acordo com o que foi estabelecido na Portaria acima transcrita, não existindo qualquer irregularidade. Ademais, ainda que assim não fosse, não caberia interpretar que uma suposta irregularidade de MPF, instrumento instituído por norma infralegal (uma portaria), possa acarretar a nulidade do lançamento dele decorrente, sob pena de ofensa ao princípio constitucional da legalidade que rege a Administração Pública (CF, art.37), devidamente refletido no parágrafo único do art. 142 do CTN: A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Esse mesmo entendimento adota o Conselho de Contribuintes, como se extrai das ementas a seguir reproduzidas: Fl. 14958DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/ 04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15868.000128/201021 Acórdão n.º 1402001.145 S1C4T2 Fl. 0 13 NORMAS PROCESSUAIS – VÍCIO A ENSEJAR A DECRETAÇÃO DA NULIDADE DO LANÇAMENTO – O vencimento do prazo do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não se constitui hipótese legal de nulidade do lançamento. (...) (Acórdão 20176449, de 19.9.2002) PRELIMINAR – NULIDADE – MPF – É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário. (...) (Acórdão 10612941, de 16.10.2002) Diante do exposto, concluise que os atos praticados no procedimento fiscal são válidos, evidenciado que a autoridade autuante foi regularmente designada para executar os procedimentos definidos no MPF, não ocorrendo a hipótese de nulidade suscitada pela impugnante. Decadência. A impugnante argúi a decadência do direito de a Fazenda Publica efetuar o lançamento dos tributos, relativamente ao AC de 2004, iniciandose a contagem do prazo em 01/01/2005 e encerrando em 31/12/2009. Há que se asseverar, de plano, que se está diante do lançamento dito por homologação, nos termos do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), uma vez que a lei atribuiu à pessoa jurídica o dever de antecipar o pagamento do imposto de renda sem prévio exame da autoridade tributária, apurando e recolhendo o quantum devido, antecipandose a qualquer procedimento da repartição fiscal. Tal modalidade de lançamento operase pelo ato em que a autoridade administrativa, tomando conhecimento da atividade de pagamento exercida pelo sujeito passivo, expressamente a homologa. Nesse caso, segundo disposição do § 4º do mesmo artigo, a decadência operase em cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, se a autoridade administrativa não homologar o lançamento antes de decorrido o qüinqüênio, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Por conseguinte, efetuado o pagamento antecipado do imposto a que se refere o art. 150 do CTN, sem dolo, fraude ou simulação, e a Fazenda Pública não vier, dentro do prazo de 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, expressamente homologar o lançamento, este será considerado tacitamente homologado, e definitivo e bom o pagamento antecipado. Há que se observar, entretanto, que o prazo à homologação, de 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, não se aplica, de qualquer forma, à espécie dos autos, por estar caracterizada a ocorrência de fraude, como ficará demonstrado mais adiante, na análise da multa qualificada, o que desloca a contagem do prazo decadencial para o art. 173, I, do CTN, iniciando a sua contagem no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Na situação em análise, em que houve autuação do IRPJ e CSLL no AC de 2004 e a contribuinte optou pela apuração anual dos citados tributos, aplicandose o art. 173, I, do CTN, o lançamento somente poderia ser efetuado em 2005 e o prazo decadencial teve início em 01/01/2006, Fl. 14959DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/ 04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15868.000128/201021 Acórdão n.º 1402001.145 S1C4T2 Fl. 0 14 encerrandose em 31/12/2010. Como a ciência da autuação ocorreu em 17/11/2010, não há que se falar em decadência do direito de constituir o crédito tributário. Mérito. Quanto à tributação dos depósitos bancários de origem não comprovada, tem se que o lançamento fundamentouse na Lei nº 9.430, de 1996, art. 42, que determina: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A lei acima transcrita estabeleceu uma presunção legal de que os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituições financeiras, não comprovados com documentação hábil e idônea, constituem receita omitida. Em relação às presunções de omissão de receita, destacase que essas são classificadas pela doutrina como espécies de provas indiretas. A doutrina do Direito Tributário identifica duas espécies distintas: as legais e as simples (comuns). As presunções legais se subdividem em absolutas (jure et de jure) e relativas (jures tantum). As presunções absolutas não admitem prova em contrário ao fato presumido; já as relativas admitem prova contrária, reputandose verdadeiro o fato presumido até que a parte interessada prove o contrário. As presunções legais relativas provocam a chamada “inversão do ônus da prova”, cabendo ao contribuinte provar que o Fisco está equivocado. A falta de adequada comprovação impede o acolhimento do pleito, este é o entendimento expresso pelo Código de Processo Civil, art. 333, II. Cumpre ao Fisco, em tais circunstâncias, tãosomente provar o indício, como de fato foi feito. A relação de causalidade, entre ele e a infração imputada, é estabelecida pela própria lei, o que torna lícita a inversão do ônus da prova e a conseqüente exigência atribuída à contribuinte de demonstrar que tais valores não são provenientes de receitas omitidas. A comprovação da origem dos valores depositados em conta corrente bancária deve ser detalhada, coincidente em data e valores. Deve ficar claro que o numerário teve origem em valores já tributados pela empresa ou em valores não tributáveis ou tributáveis exclusivamente na fonte. Não basta a contribuinte alegar que os créditos são relativos à transferência de mesma titularidade ou a empréstimos contraídos. Devem ser apresentadas provas hábeis e idôneas de tais alegações, comprovando, no caso de cheques de clientes que foram devolvidos, que a receita a eles correspondente foi escriturada no livro Diário e tributada. Fl. 14960DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/ 04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15868.000128/201021 Acórdão n.º 1402001.145 S1C4T2 Fl. 0 15 Na impugnação, a contribuinte questiona a tributação em duplicidade de valores transferidos entre as contas da Coopercap e dos cheques sem fundos de clientes que foram reapresentados. Cumpre esclarecer que, conforme consta no TCIF, foram expurgados, no cálculo do valor tributável, os depósitos e créditos decorrentes de transferências entre as diversas contas em nome dos sujeitos passivos, resgates de aplicações financeiras, estornos, cheques devolvidos, empréstimos e financiamento. Quanto às contas correntes em seu nome, a contribuinte tenta justificar somente alguns créditos. Relativamente ao anocalendário de 2005, como se vê às fls. 1903 a 1923, alega que os créditos efetuados por meio de TED, provêm de transferência da Coopercap, de crédito rotativo, sem, contudo, apresentar qualquer documento bancário comprovando tal afirmação. Para outros créditos afirma que são originados de empréstimos (Unifac, Cristobal Wilson), mas não anexa ao processo os correspondentes contratos de empréstimo. Apresenta apenas o razão analítico da CAP e da Coopercap, que não são suficientes para fazer as comprovações desejadas. Além dos documentos citados (contratos de empréstimos, documentos bancários, Razão), deveria ter sido apresentado o livro Diário contendo os lançamentos contábeis comprobatórios das alegações feitas. Para o anocalendário de 2006 apresenta apenas a planilha de fl. 1924, sem anexar qualquer comprovante. Para o anocalendário de 2007 apresenta a planilha de fl. 1925, na qual tenta justificar alguns créditos bancários alegando que são relativos a recebimento de clientes e anexa o Razão analítico das contas “bancos”, “caixa”, “duplicatas a receber”, e o “Relatório de Documentos Fiscais de Saída”. Entretanto, tais documentos não comprovam a origem dos créditos e a tributação das receitas correspondentes às duplicatas que se dizem recebidas. Seria necessária a apresentação do livro Diário contendo os registros contábeis relativos à tributação das respectivas receitas. A fiscalização já havia solicitado à contribuinte que especificasse as folhas do livro Diário onde foram escriturados os valores dos depósitos questionados e ela não logrou fazêlo, nem mesmo na fase impugnatória. Para os créditos que alega serem provenientes de transferência da Coopercap, não anexa comprovantes bancários das alegadas transferências. A contribuinte admite que são seus os recursos que ingressaram nas contas correntes da Coopercap. Para justificar alguns créditos bancários efetuados em contas de titularidade daquela cooperativa, a contribuinte apresenta as planilhas de fls. 1952 a 1963 (anocalendário de 2005), fls.3088 a 3094 (anocalendário de 2006) e fls. 3719 a 3722 (anocalendário de 2007). Nelas constam diferentes justificativas para os créditos tributados, tendo sido apresentadas folhas do livro Razão Analítico da contribuinte e da Coopercap. Entretanto, não foi apresentado o livro Diário, como se pode ver na coluna “Número de folha do Livro Diário onde conste o respectivo registro contábil”. Fl. 14961DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/ 04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15868.000128/201021 Acórdão n.º 1402001.145 S1C4T2 Fl. 0 16 Quanto a essas planilhas, foram por mim anexados ao processo os demonstrativos de fls. 14084 a 14096, que contêm o resultado da análise dos documentos apresentados na impugnação para cada crédito tributado, cabendo aqui algumas observações: 1) Para os créditos que a contribuinte afirma serem provenientes de recebimentos de clientes não basta a apresentação da conta do Razão analítico (empréstimo ou duplicatas a receber). É necessário apresentar os lançamentos contábeis no livro Diário da contribuinte, que comprovem a tributação da receita correspondente às vendas efetuadas; 2) Para os créditos que se alega serem provenientes de empréstimos não foram apresentados os correspondentes contratos, tampouco os respectivos lançamentos contábeis no livro Diário; 3) Para os créditos com histórico “Dp Blq”, que se alega serem originados de transferência de mesma titularidade e provenientes de cheques compensados em outro banco, cabe esclarecer que é necessário a apresentação de documentos bancários (cópia dos cheques, etc) comprovando que os cheques compensados em um banco são os mesmos que foram depositados no outro banco em uma conta corrente regularmente escriturada, e assim com origem demonstrada; 4) Para os créditos com histórico “Dp Blq”, que se alega serem originados de transferência de terceiros e provenientes de cheques compensados em outro banco, além da comprovação acima, é necessário comprovar a origem de tais depósitos (empréstimo, vendas, etc.) e dos respectivos registros contábeis no Livro Diário; 5) Para os créditos provenientes de transferências ou depósitos efetuados por outras pessoas jurídicas (por exemplo: Santa Rosa Mercantil) é necessário comprovar, com documentação hábil, a origem de tais créditos (se vendas, empréstimos, etc) e a sua escrituração no livro Diário da CAP. Conforme se vê nas citadas planilhas (fls. 14086 e 14087), no anocalendário de 2005, foram comprovadas as origens dos créditos nos valores de R$ 27.423,00 (15/08/2005), R$ 5.510,00 (12/09/2005) e R$ 7.127,90 (19/09/2005), os quais foram objeto de estorno. No anocalendário de 2006 (fl. 14092), foram comprovados os créditos efetuados em 18/08/2006, 18/10/2006 e 26/10/2006, cada um no valor de R$ 100.000,00. (...) Quanto aos valores creditados nas contas correntes de Celso Viana Egreja, no processo nº 15868.002839/200904 (apensado a esse processo) referido sócio da contribuinte declara que a movimentação financeira com a CAP, Cooperativa de Consumo dos Empregados da CAP e empresas ligadas – COOPERCAP, com Carlos Roberto da Silva, Paulo Eduardo Lencastre Egreja e Paulo Ferreira é proveniente de uma conta corrente que mantinha com tais pessoas, “não existindo acréscimo patrimonial, pois os valores transferidos se anulam em razão de haver devolução dos correspondentes numerários ao longo do tempo”. Declara que “com relação às movimentações financeiras mantidas com a Companhia Açucareira de Penápolis – CAP e Fl. 14962DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/ 04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15868.000128/201021 Acórdão n.º 1402001.145 S1C4T2 Fl. 0 17 Cooperativa de Consumo dos Empregados da CAP e empresas ligadas – COOPERCAP, a mesma situação explicada acima se aplica a este caso, pois o movimento financeiro foi necessário à época para honrar compromissos da empresa, mas com utilização da conta bancária do Sr. Celso Viana Egreja”. Quando intimado a comprovar a origem dos créditos efetuados em suas contas correntes referido sócio justifica cada um como sendo originado de conta corrente que possuía não somente com aquelas pessoas físicas, mas também com a contribuinte (planilhas de fls. 120 a 152, 157 a 193 do processo nº 15868.002839/200904). Confirmando tais declarações consta naquele processo provas de que as contas correntes desse sócio foram utilizadas para receber e efetuar pagamentos relacionados com aquisição de álcool hidratado da CAP, como se pode ver pelos documentos apresentados pelas empresas Oil Petro Brasileira de Petróleo Ltda., Álcool Santa Cruz Ltda., Parapuã Agroindustrial S/A e Titanic Distribuidora de Derivados de Petróleo Ltda. (Volume I do Anexo III do processo acima referido). O Sr. Sérgio Burzichelli, produtor rural e fornecedor de canadeaçúcar para a contribuinte, declara que fez empréstimo para a CAP em conta corrente de Celso em setembro de 2003. Apesar de a contribuinte afirmar que os valores creditados nas contas correntes de Sérgio Burzichelli não lhe pertencem, constam no processo nº 15868.000015/201025 (apensado a esse processo), relativo à citada pessoa física, provas de que a Companhia Açucareira de Penápolis reembolsouo, mediante crédito em conta corrente, de despesas bancárias de 2003, referentes à CPMF, tarifa de emissão de extratos e de doc., encargos limite crédito, IOF s/ operação de crédito, juros s/ empréstimo c/c, etc., o que demonstra que os recursos transitados pela sua conta pertencem àquela pessoa jurídica. No AC de 2003 a conta de Sérgio Burzichelli recebeu depósito de pessoa jurídica cuja atividade é o comércio atacadista de álcool carburante e outros, e, em 2004, foram identificados cheques nominais a Sérgio emitidos por Arco Distribuidora de Petróleo Ltda, cuja atividade é comércio de álcool carburante e outros. Quanto às contas correntes de titularidade de Paulo Ferreira, consta no processo nº 15868.000013/201036 (apensado a esse processo) que foram intimadas pessoas jurídicas que fizeram depósito e receberam cheques da citada pessoa física, as quais informaram que tais créditos e débitos são referentes a operações efetuadas com a contribuinte. A pessoa jurídica Bankaysser Serviços de Cobrança e Cadastro Ltda. efetuou depósito em conta corrente de Paulo Ferreira, tendo a contribuinte, quando intimada, justificado a origem de créditos na conta corrente da Coopercap provenientes de Ted como sendo de Jorge Kaysserlian, sócioresponsável pela empresa Bankaysser Serviços (fls. 425, 426). Carlos Dário Cecílio, quando intimado pela fiscalização, afirma que forneceu cheques seus para Celso Viana para serem descontados em banco, e o pagamento foi efetuado em 09/2005 por meio de Ted e da conta corrente de Paulo Ferreira. Vêse assim, apesar de a contribuinte questionar a metodologia utilizada pela fiscalização e alegar que os cheques emitidos pelas citadas pessoas foram enviados a Celso Viana Egreja, que as contas correntes daquelas pessoas Fl. 14963DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/ 04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15868.000128/201021 Acórdão n.º 1402001.145 S1C4T2 Fl. 0 18 foram utilizadas para movimentar recursos da CAP, como se pode ver, por exemplo, às fls. 6, 7, 9, 10, do Volume 1 do processo nº 15868.000016/2010 70 (relativo à Carlos Roberto da Silva). Atendendo à intimação da fiscalização eles informaram que mantinham conta corrente com Celso Viana Egreja e, quanto à CAP, a movimentação financeira foi necessária à época para honrar compromissos da empresa, com utilização de suas contas correntes. Todas as pessoas que receberam cheques ou efetuaram depósitos nas contas correntes ora tributadas são fornecedores de canadeaçúcar para CAP ou são seus clientes. Constatase pelo exposto que a movimentação de todas as contas correntes das pessoas físicas e da Coopercap foi feita com a finalidade única de atender às necessidades da contribuinte. Ainda que os recursos das contas correntes das pessoas físicas tenham sido movimentados para as contas do sócio Celso Viana Egreja, verificase que tinham como destinatárias as contas da contribuinte. Os créditos nas contas correntes das pessoas físicas consistiram em transferências ou depósitos efetuados pela CAP ou pela Coopercap. Assim, não há que fazer alteração do lançamento quanto a essas constatações. Tributação reflexa. Com relação aos autos de infração reflexos (PIS, Cofins e CSLL), sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias que motivaram a autuação relativa ao IRPJ (lançamento principal), deverá ser aplicada idêntica solução, em face da estreita relação de causa e efeito. Alegações de Inconstitucionalidade. Quanto a essas alegações, devese esclarecer que a autoridade administrativa não tem competência para analisar inconstitucionalidade, sendo esta competência atribuída em caráter privativo ao Poder Judiciário pela CF, no art. 102. A doutrina escreve que toda atividade da Administração Pública se passa na esfera infralegal e as normas jurídicas, quando emanadas do órgão competente, gozam de uma presunção de constitucionalidade, bastando sua mera existência para inferir a sua validade. Inovado o sistema jurídico com uma norma emanada do órgão competente, ela passa a pertencer ao sistema, cabendo à autoridade administrativa tão somente velar pelo seu fiel cumprimento até que seja expungida do mundo jurídico por uma outra superveniente ou por resolução do Senado da República, publicada posteriormente à declaração de sua inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal. Esta questão, ademais, encontrase agora expressamente disciplinada em lei ordinária, conforme prescrito no art. 25 da Lei nº 11.941, de 2009, que inseriu o art. 26A no Decreto nº 70.235, de 1972, nos seguintes termos: Art. 25. O Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, passa a vigorar com as seguintes alterações: (...) Fl. 14964DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/ 04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15868.000128/201021 Acórdão n.º 1402001.145 S1C4T2 Fl. 0 19 "Art 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II – que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993.” Não se enquadrando a matéria impugnada em qualquer das exceções prescritas no § 6º, recémtranscrito, não há como afastar a exigência combatida a pretexto de alegada inconstitucionalidade da norma em que a fundamentou. Assim sendo, resta à impugnante levar suas considerações ao Poder Judiciário, que detém o “monopólio” da análise de alegadas ilegalidades e/ou inconstitucionalidades do direito positivado. Enfim, os óbices por ela apontados, neste ponto, são impertinentes à seara administrativa. Multa de Ofício. 150%. A contribuinte alega que não pode ser aplicada a multa de ofício agravada, pois não ficou comprovado o dolo. A respeito da multa de 150% dispõe o art. 44 da Lei 9.430, de 1996, cuja redação foi alterada pela Lei 11.488, de 2007, in verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II – (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). Fl. 14965DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/ 04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15868.000128/201021 Acórdão n.º 1402001.145 S1C4T2 Fl. 0 20 Como se percebe, essa multa é aplicada nos casos em se comprova o intuito de fraude, como definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, a seguir transcritos: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Verificase que a fraude se caracteriza em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe sempre a intenção de causar dano à Fazenda Pública, num propósito deliberado de se subtrair no todo ou em parte a uma obrigação tributária. Assim, ainda que o conceito de fraude seja amplo, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, de causar dano à Fazenda Pública, mediante a utilização de subterfúgios que escamoteiem a ocorrência do fato gerador ou retardem o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária. No presente caso, constam no processo documentos que comprovam que a contribuinte, durante os anoscalendário de 2004, 2005, 2006 e 2007, utilizouse de contas correntes bancárias de terceiros, mantidas à margem da escrituração, com o objetivo de não oferecer as respectivas receitas à tributação, caracterizando a intenção de omitir receitas e diminuir o resultado tributável. A própria contribuinte admite a utilização das contas bancárias da Coopercap para movimentar seus recursos. Ficou, assim, constatada a intenção de fraudar o Fisco, reputandose, portanto, aplicável ao caso a multa de ofício qualificada, no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento). Juros De Mora. Selic. Quanto aos juros de mora, o CTN, em seu art. 161, outorgou à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento, estabelecendo o § 1º do referido artigo que os juros serão calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês, se não for fixada outra taxa. A Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 3º, fixou os juros de mora com base na taxa Selic, estando em perfeita harmonia com a norma complementar. Dispõe a citado artigo em seu § 3º, que “sobre os débitos a que se refere este artigo Fl. 14966DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/ 04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15868.000128/201021 Acórdão n.º 1402001.145 S1C4T2 Fl. 0 21 incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento.” Assim, os juros de mora são aplicáveis ao crédito tributário desde o seu nascimento, que se dá com a ocorrência do fato gerador. (...)” Aos fundamentos acima transcritos nada merece ser acrescentado, posto que esgotam as questões em litígio, deixando patente a correta tributação das omissões de receitas praticada pela autuada, bem como o intuito de fraude arquitetado pelos administradores da empresa. Frisese que tais fundamentos não foram suficientemente contraditados na peça recursal, a ponto de mudar o convencimento deste julgador, pelo que as razões de decidir da decisão recorrida podem ser perfeitamente adotados neste voto, conforme disposto no art. 50 Lei 9.784 de 1999, que se aplica subsidiariamente ao PAF(verbis): Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) V decidam recursos administrativos; (...) § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. (...) § 3o A motivação das decisões de órgãos colegiados e comissões ou de decisões orais constará da respectiva ata ou de termo escrito. (Grifei) Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 14967DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/ 04/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 11065.005648/2008-08
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2005 PEDIDO DE INCLUSÃO RETROATIVA NO SIMPLES. RITO ESPECIAL. A formalização do Pedido de Inclusão Retroativa no Simples não prescinde de ser processada em procedimento especial, uma vez que o indeferimento da opção pelo Simples, mediante despacho decisório de autoridade da RFB, submete-se ao rito processual do Decreto n o 70.235, de 6 de março de 1972. PESSOA JURÍDICA EXCLUÍDA DO SIMPLES. IMPRESCINDIBILIDADE DE ENTREGA DA DCTF. No caso de exclusão de ofício do Simples, em virtude de constatação de situação excludente prevista nos incisos III a XIX do art. 9º da Lei nº 9.317, de 1996, o sujeito passivo fica obrigado a apresentar as DCTF relativas aos trimestres verificados desde o mês em que o ato declaratório de exclusão surtir seus efeitos. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1801-001.112
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1945; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 67 1 66 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.005648/200808 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 180101.112 – 1ª Turma Especial Sessão de 07 de agosto de 2012 Matéria MULTA DE OFÍCIO ISOLADA POR FALTA NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIO FEDERAIS (DCTF) Recorrente FIBERSAL'S IMPERMEABILIZAÇÃO EM EDIFICAÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2005 PEDIDO DE INCLUSÃO RETROATIVA NO SIMPLES. RITO ESPECIAL. A formalização do Pedido de Inclusão Retroativa no Simples não prescinde de ser processada em procedimento especial, uma vez que o indeferimento da opção pelo Simples, mediante despacho decisório de autoridade da RFB, submetese ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. PESSOA JURÍDICA EXCLUÍDA DO SIMPLES. IMPRESCINDIBILIDADE DE ENTREGA DA DCTF. No caso de exclusão de ofício do Simples, em virtude de constatação de situação excludente prevista nos incisos III a XIX do art. 9º da Lei nº 9.317, de 1996, o sujeito passivo fica obrigado a apresentar as DCTF relativas aos trimestres verificados desde o mês em que o ato declaratório de exclusão surtir seus efeitos. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/08/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11065.005648/200808 Acórdão n.º 180101.112 S1TE01 Fl. 68 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Ana de Barros Fernandes. Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração à fl. 06, com a exigência do crédito tributário no valor de R$500,00 a título de multa de ofício isolada por falta na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributário Federais (DCTF) referente ao terceiro trimestre do anocalendário de 2004, cujo prazo final era 12.11.2004. Ela foi intimada a apresentála em 02.09.2009. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: § 3º do art. 113, art. 115 e art. 160 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional) e incido II do art. 3º e incisos I e II do art. 7° da Lei n° 10.426, de 24 de abril de 2002. Inconformada com a exigência fiscal, da qual teve ciência em 14.11.2008, fl. 41, a Recorrente apresentou a impugnação em 12.12.2008, fls. 0105, com as alegações a seguir sintetizadas. Suscita que foi excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) a partir de 01.01.2002, por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/NHO n° 453.441 de 07.08.2003. Este procedimento tem como motivo a ocorrência da situação excludente, qual seja, “sócio ou titular participa de outra empresa com mais de 10% e a receita bruta global no ano calendário de 2001 ultrapassou o limite legal. CPF 492.917.93000. CNPJ 72.353.618/000146”. Argui que a referida sócia Raquel Cristina Schierholt, CPF 492.917.93000, retirouse da pessoa jurídica Usefibra Indústria Comércio de Fibras de Vidro Ltda, CNPJ 72.353.618/000146, em 14.02.2000, cuja alteração contratual foi arquivada em 21.08.2001 na Junta Comercial do Estado do Rio Grande do Sul. Defende que não exerceu a atividade de representante comercial, tampouco qualquer outra atividade impeditiva e que cumpriu suas obrigações tributárias com regularidade inclusive procedendo aos recolhimentos mediante DarfSimples e à entrega das Declarações Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ Simples). Aduz, assim, que a exclusão foi imotivada. Neste sentido formaliza o Pedido de Inclusão Retroativa no Simples. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/08/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11065.005648/200808 Acórdão n.º 180101.112 S1TE01 Fl. 69 3 Entende que não incorreu em circunstância que vedasse a opção pelo Simples e que por este motivo estava dispensada legalmente de apresentar DCTF. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui À vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado, reativando a empresa no simples. Termos em que Pede deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 6ª TURMA/DRJ/POA/RS nº 1021.524, de 22.10.2009, fls. 4448: “Impugnação Improcedente” : Restou ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2004 DCTF MULTA POR FALTA DE ENTREGA SIMPLES EXCLUSÃO OBRIGATORIEDADE. O contribuinte que foi excluído retroativamente do Simples, esta obrigado a apresentar a DCTF, sendo o inadimplemento desta obrigação passível de multa, na forma da lei. Notificada em 23.11.2009, fl. 52, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 15.12.2009, fls. 5359, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na impugnação. Conclui À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado e incluída no SIMPLES. Termos em que, Pede deferimento É o Relatório. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/08/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11065.005648/200808 Acórdão n.º 180101.112 S1TE01 Fl. 70 4 Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. A Recorrente discorda de sua exclusão de ofício do Simples. Esta matéria não é objeto do presente processo administrativo fiscal em que está formalizada a exigência de multa de ofício isolada por falta na entrega da DCTF. Consta no Voto condutor do Acórdão da 6ª TURMA/DRJ/POA/RS nº 10 21.524, de 22.10.2009, fls. 4448 O contribuinte, em 26/08/2003, foi cientificada do Ato Declaratório Executivo n° 0453441 emitido em 17/08/2003, que o excluía do Simples, tendo como situação excludente o fato de ter "sócio com mais de 10% e receita global acima do limite legal". A empresa ingressou com pedido de Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples (SRS) em 23/09/2003, que levou o n° 10107000073 e suspendeu temporariamente a exclusão. Porém, após análise da SRS, a exclusão foi mantida com efeitos retroativos a 01/01/2002. A SRS foi declarada improcedente em 23/07/2004 e o contribuinte foi cientificado do fato, por AR, em 04/08/2004, conforme informação da DRF/Novo Hamburgo. Poderia o contribuinte, dentro do prazo, ter recorrido à. Delegacia da Receita Federal de Julgamento e, em última instância, ao Conselho de Contribuintes. Não localizamos nenhum desses procedimentos por parte dele, logo está sujeito aos efeitos da exclusão. A partir destas informações não expressamente contestadas pela Recorrente, verificase que o procedimento de exclusão de ofício está findo na esfera administrativa, de sorte que esta matéria não pode ser reexaminada nos presentes autos. Por esta razão, ela fica sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente afirma que pode ser incluída de ofício no Simples, nos termos legais. A opção pelo Simples é um direito da pessoa jurídica que preenche todos os requisitos legais e que não incorra em circunstância objeto de vedação legal expressa. O pressuposto é de que os motivos que impedem sua adesão ou permanência no regime sejam dela conhecidas. Comprovada a ocorrência de erro de fato, a autoridade fiscal da RFB que jurisdicione a pessoa jurídica pode retificar de ofício tanto o Termo de Opção (TO) quanto a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para a inclusão com efeito retroativo no Simples de pessoa jurídica inscrita no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ). Para tanto é imprescindível identificar sua intenção inequívoca de aderir ao Simples, cujos instrumentos hábeis os pagamentos mensais por intermédio do Documento de Arrecadação do Simples (DarfSimples) e a apresentação da Declaração Anual Simplificada (DSPJ) e ainda não incorra em circunstância objeto de vedação legal expressa. O indeferimento da opção pelo Simples, mediante despacho decisório de autoridade da RFB, submetese ao rito do processo Fl. 72DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/08/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11065.005648/200808 Acórdão n.º 180101.112 S1TE01 Fl. 71 5 administrativo fiscal1. A formalização do Pedido de Inclusão Retroativa no Simples, todavia, não prescinde de ser processado no rito especial previsto no § 6º do art. 8º da Lei nº 9.317, de 1996 e em autos apartados. Logo, esta questão não pode ser examinada no presente processo. Assim superadas as matérias prejudiciais referentes à exclusão de ofício e ao pedido de inclusão retroativa, ambas referentes ao Simples, tem cabimento a análise dos demais argumentos constantes na peça recursal. A Recorrente discorda, no mérito, da aplicação da multa de ofício isolada por falta na entrega da DCTF. A obrigação tributária acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos e pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente a penalidade pecuniária. O Ministro da Fazenda pode instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais, cuja competência foi delegada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. O sujeito passivo que deixar de apresentar a DCTF nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela RFB. Neste caso a pessoa jurídica fica sujeita multa de 2%(dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20%(vinte por cento). Por via de regra, a multa mínima a ser aplicada é de R$500,00 ( quinhentos reais). Será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. As pessoas jurídicas em geral, inclusive as equiparadas, deverão apresentar trimestralmente a DCTF, de forma centralizada, pela matriz. Não está dispensada da apresentação da DCTF, a pessoa jurídica excluída do Simples, a partir, inclusive, do trimestre que compreender o mês em que a exclusão surtir seus efeitos. A DCTF deve ser apresentada até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores. No caso de exclusão de ofício do Simples, em virtude de constatação de situação excludente prevista nos incisos III a XIX do art. 9º da Lei nº 9.317, de 1996, o sujeito passivo fica obrigado a apresentar as DCTF relativas aos trimestres verificados desde o mês em que o ato declaratório de exclusão surtir seus efeitos2. Na presente situação fática, a Recorrente foi excluída do Simples a partir de 01.01.2002. O prazo final para entrega da DCTF relativa ao terceiro trimestre do ano calendário de 2004 era 12.11.2004. A Recorrente foi intimada a apresentála em 02.09.2009. Por esta razão não cabem reparos ao crédito tributário constituído pelo lançamento de ofício. 1 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996 e Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 16, de 2 de outubro de 2002. 2 Fundamentação legal: art. 113 do Código Tributário Nacional, art.7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, art. 5º da DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984, art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999 e art. 2º, art. 3º e art. 5º da Instrução Normativa SRF nº 255, de 11 de dezembro de 2002. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/08/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11065.005648/200808 Acórdão n.º 180101.112 S1TE01 Fl. 72 6 No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso3. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade4. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em face de o exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 3 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 4 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/08/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10925.000327/2005-26
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2002
NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA.
O acórdão recorrido em fundou-se na premissa de que a exigência de Ato Declaratório Ambiental ADA para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e de utilização limitada (reserva legal) somente passou a ter suporte de validade a partir do exercício de 2001.
O acórdão paradigma diz respeito ao exercício de 2000, ou seja, em exercício não alcançado pela alteração introduzida pela da Lei nº 10.165, de 2000.
O dissídio jurisprudencial referente à exigência de ato declaratório ambiental ADA não foi configurado, posto que a divergência jurisprudencial ensejadora da admissibilidade, do prosseguimento e do conhecimento do recurso há de ser específica, revelando a existência de teses diversas na interpretação de um mesmo dispositivo legal.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS.
A averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel feita após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965. Reconhece-se o direito à subtração do limite mínimo de 20% da área do imóvel, estabelecido pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965, relativo à área de reserva legal, porquanto, mesmo antes da respectiva averbação, que não é fato
constitutivo, mas meramente declaratório, já havia a proteção legal sobre tal área.
Recurso especial parcialmente conhecido.
Recurso especial provido na parte conhecida.
Numero da decisão: 9202-002.107
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso. Na parte conhecida, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Marcelo Oliveira
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. O acórdão recorrido em fundouse na premissa de que a exigência de Ato Declaratório Ambiental ADA para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e de utilização limitada (reserva legal) somente passou a ter suporte de validade a partir do exercício de 2001. O acórdão paradigma diz respeito ao exercício de 2000, ou seja, em exercício não alcançado pela alteração introduzida pela da Lei nº 10.165, de 2000. O dissídio jurisprudencial referente à exigência de ato declaratório ambiental ADA não foi configurado, posto que a divergência jurisprudencial ensejadora da admissibilidade, do prosseguimento e do conhecimento do recurso há de ser específica, revelando a existência de teses diversas na interpretação de um mesmo dispositivo legal. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS. A averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel feita após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965. Reconhece se o direito à subtração do limite mínimo de 20% da área do imóvel, estabelecido pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965, relativo à área de reserva legal, porquanto, mesmo antes da respectiva averbação, que não é fato constitutivo, mas meramente declaratório, já havia a proteção legal sobre tal área. Recurso especial parcialmente conhecido. Recurso especial provido na parte conhecida. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso. Na parte conhecida, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Marcelo Oliveira (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Relator FORMALIZADO EM: 18/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório O contribuinte, inconformado com o decidido no Acórdão nº 220200.836, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção em 19/10/2010 (fls. 175/180), interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 189/213). A decisão recorrida, pelo voto de qualidade, negou provimento ao recurso. Segue abaixo sua ementa: “ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA / RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CALCULO. A area de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, se faz necessária ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental (ADA), fazendose, também, necessária a sua averbação a. margem da matricula do imóvel até a data do fato gerador do imposto.” A recorrente explica que a Autoridade Administrativa condiciona a dedução das Áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal da área tributável à sua comprovação mediante apresentação do ADA e da sua prévia averbação à margem da matricula do correspondente imóvel. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10925.000327/200526 Acórdão n.º 920202.107 CSRFT2 Fl. 258 3 Alega que o órgão julgador despreza completamente a existência das referidas áreas, que foram comprovadas cabalmente por meio de documentos hábeis, quais sejam, laudo técnico e mapa. Apresenta paradigmas que consideram ilegal a exigência de ADA e de averbação das áreas em questão na margem da matrícula do imóvel para o aproveitamento da isenção sobre as Áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal. Destaca o seguinte trecho do voto vencido do Relator Pedro Anan, que no seu entender analisou a matéria quanto à área de reserva legal com propriedade: “No que diz respeito a reserva legal ou área de utilização limitada, entendo que deve prevalecer no presente caso a verdade material, ou seja, apesar do Recorrente ter averbado no registro de imóveis as áreas em 03 de fevereiro de 2003, isso não tira a natureza jurídica da sua exclusão, tanto isso é verdade que o Recorrente apresentou laudo de avaliação onde comprova tal afirmação. Salientese uma vez a própria legislação que rege a matéria não exige tal requisito. 0 que a Lei 9.393/96 não exige a prévia comprovação por parte do contribuinte, cabe ao mesmo comprovar quando for devidamente intimado pela autoridade fiscal.” Ao final, requer o provimento do recurso. Nos termos do Despacho n.º 220000.264 (fls. 217/222), foi dado seguimento ao pedido em análise. A PGFN apresentou, tempestivamente, contrarazões às fls. 225/256. Preliminarmente, afirma que o juízo de admissibilidade cingiuse apenas à matéria relativa à "necessidade de averbação junto à matricula do imóvel em data anterior à do respectivo fato gerador para reconhecimento de isenção do ITR sobre as áreas de reserva legal", conforme se observa pela delimitação do objeto da insurgência à fl. 218. Contudo, aduz que o acórdão negou provimento ao pleito do autuado diante (a) da ausência de averbação, à época do fato gerador, da área de utilização limitada/reserva legal à margem da matricula do imóvel e (b) pela ausência da protocolização tempestiva do ADA junto ao IBAMA ou órgão conveniado. Explica que, quanto à matéria relativa à exigência do ADA, o aresto paradigma trata de situação fática diversa submetida a disciplina jurídica distinta da que é tratada neste feito. O acórdão recorrido foi proferido com fulcro em dispositivo legal que não foi levado em consideração no acórdão paradigma, pois à época do fato gerador não estava vigente. Tratase do art. 12 da Lei nº 10.165 de 2000 que incluiu o § 1º do art. 17 na Lei nº 6.938/81 para os exercícios a partir de 2001, tal como deixou explicitamente claro o voto condutor do aresto recorrido à fl. 180. Assim, considera que os arestos em comento tratam de situações fáticas diversas, sobre as quais não se estabelece a divergência jurisprudencial nos moldes suscitados pelo recorrente, pois submetidas a disciplina jurídica distinta. Isso, ressalta, em relação á exigência do ADA, matéria sobre a qual não se pronunciou o juízo de admissibilidade. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Especificamente em relação à averbação das áreas de reserva legal à margem da matricula do imóvel, assenta que a posição atualmente adotada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e por esta CSRF indefere o pleito do contribuinte. Argumenta que a necessidade de averbação da área de reserva legal à margem do registro imobiliário do imóvel à época do fato gerador como condição para o gozo de isenção do ITR foi firmada, posteriormente à data de julgamento dos paradigmas indicados pelo contribuinte, por esta CSRF e por diversos órgãos julgadores deste Conselho. Entende que a posição explicitada nos paradigmas está superada e não mais corresponde ao que é decidido pela CSRF, motivo pelo qual o recorrente não demonstrou a existência do dissídio jurisprudencial invocado. No mérito, afirma que, da análise das alegações e documentação apresentadas pela recorrente, com a finalidade de justificar as áreas de reserva legal e de preservação permanente, confirmase o não cumprimento da exigência da apresentação tempestiva de ADA perante o IBAMA ou órgão conveniado, relativamente ao ITR do exercício de 2001. Observa que a exigência do ADA encontrase consagrada na Lei n.º 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 170, § 1º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei n.º 10.165, de 27/12/2000, já em vigor para o ITR do exercício de 2001. Considera equivocado o posicionamento no sentido de que não existe mais a exigência de prazo para apresentação de ADA, em virtude do disposto no § 7º do art. 10 da Lei n.º 9.393/1996, incluído pelo art. 3° da Medida Provisória n° 2.16667, de 24/08/2001. Explica que não se exige do declarante apenas a prévia comprovação das informações prestadas. Assim, o contribuinte preenche os dados relativos às áreas de preservação permanente e de utilização limitada (reserva legal), apura e recolhe o imposto devido, e apresenta a sua DITR, sem que lhe seja exigida qualquer comprovação naquele momento . No entanto, caso solicitado pela Secretaria da Receita Federal, o contribuinte deverá apresentar as provas das situações utilizadas para dispensar o pagamento do tributo. Registra que, no caso concreto, a decisão recorrida também foi fundamentada na ausência de provas trazidas ao feito pelo contribuinte, que teve diversas oportunidades para colacionar aos autos documentação que corroborasse suas alegações. Sublinha que, além de não ter apresentado o respectivo ADA, ou o seu protocolo, o contribuinte não acostou aos autos nenhuma prova idônea em relação às áreas de preservação permanente e nem em relação às áreas de reserva legal. Chama atenção para o comando do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, segundo o qual "A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de forca maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos". Em seguida afirma que, de acordo com o artigo 144 do Código Tributário Nacional, o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador. Logo, inexistindo na referida data a averbação da área de utilização limitada/reserva legal à margem da matricula do imóvel, incabível falarse em isenção das referidas áreas. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10925.000327/200526 Acórdão n.º 920202.107 CSRFT2 Fl. 259 5 Aponta entendimento do STF segundo o qual a área de reserva legal não identificada no registro imobiliário não é de ser subtraída da área total do imóvel para o fim de cálculo da produtividade. Aduz que a mera declaração de existência fática da área de reserva legal não tem o condão de atender aos requisitos da legislação pátria vigente para a excluíla quando da apuração do ITR se não estiverem devidamente averbadas à margem da matricula do imóvel à época do fato gerador do tributo. Argumenta que não prevalece aqui a aplicação do principio da verdade material, uma vez que, conforme bem salientado pelo acórdão nº 30335.538, "Quanto à necessidade de averbação da área de reserva legal, entendo que não se pode reconhecer a existência da referida área, antes das respectivas demarcação e averbação, à margem da matricula do imóvel". Frisa que descabe falar na hipótese de retroatividade benigna em face da inclusão do §7º ao art. 10 da Lei 9393/96. Ao final, requer que o recurso especial seja inadmitido ou, alternativamente, que lhe seja negado provimento. Eis o breve relatório. Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator O presente lançamento, apóiase na premissa de que a exclusão da área de preservação permanente da apuração da base de cálculo do ITR, exercício 2001, tem como base o ADA protocolado em 1998 e que a exclusão da área de utilização limitada (reserva legal) não poderia ser efetuada no exercício de 2001, uma vez que a averbação ocorreu em 03 de fevereiro de 2003. O acórdão recorrido em fundouse na premissa de que a exigência de Ato Declaratório Ambiental – ADA para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e de utilização limitada (reserva legal) somente passou a ter suporte de validade a partir do exercício de 2001, in verbis: Não tenho dúvidas de que a obrigatoriedade da apresentação do ADA para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e de utilização limitada (reserva legal) da base de cálculo do ITR, surgiu no ordenamento jurídico pátrio com o art. 1° da Lei nº 10.165, de 2000 que incluiu o art. 17, § 1° na Lei n° 6.938, de 31 de agosto de 1981, para os exercícios a partir de 2001, verbis: Art. 17 O Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo Fl. 5DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a titulo de Taxa de Vistoria." (NR) (...) § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. Tal dispositivo teve vigência a partir do exercício de 2001, anteriormente a este, a imposição da apresentação do ADA para tal fim era definido por ato infralegal, que contrariava o disposto no § 1 0 do inciso II do art. 97, do Código Tributário Nacional.” Por seu turno, o acórdão paradigma diz respeito ao exercício de 2000, ou seja, em exercício não alcançado pela alteração introduzida pela da Lei nº 10.165, de 2000. Para a comprovação da divergência jurisprudencial é essencial a demonstração de identidade das situações fáticas postas nos acórdãos recorrido e paradigma e a interpretação diversa ao texto de lei dada entre eles na solução das lides. No caso, o dissídio jurisprudencial referente à exigência de ato declaratório ambiental – ADA não foi configurado, posto que a divergência jurisprudencial ensejadora da admissibilidade, do prosseguimento e do conhecimento do recurso há de ser específica, revelando a existência de teses diversas na interpretação de um mesmo dispositivo legal. Quanto a questão da exigência da averbação da área de reserva legal antes da ocorrência do fato gerador, resta configurada a divergência. Portanto, entendo que o recurso especial deva ser conhecido parcialmente, ou seja, somente no que diz respeito a exigência da averbação da área de reserva legal. A questão controvertida disse respeito à exigência da averbação da área de reserva legal – a época dos fatos geradores para fins de isenção do ITR. Para se dirimir a controvérsia, é importante destacar, do Imposto Territorial Rural ITR, tributo sujeito ao regime de lançamento por homologação, a sistemática relativa à sua apuração e pagamento. Para tanto, ressalto do art. 10 da Lei nº 9.393/96 os trechos que interessam: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: Fl. 6DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10925.000327/200526 Acórdão n.º 920202.107 CSRFT2 Fl. 260 7 a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; (Incluída pela Lei nº 11.428, de 22 de dezembro de 2006) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluída pela Lei nº 11.428, de 22 de dezembro de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluída pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008) (...) § 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1º, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Da transcrição acima, destacase que, quando da apuração do imposto devido, excluise da área tributável as áreas de preservação permanente e de reserva legal, além daquelas de interesse ecológico, das imprestáveis para qualquer exploração agrícola, das submetidas a regime de servidão florestal ou ambiental, das cobertas por florestas e as alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas. Como se percebe da leitura do citado artigo, a área de reserva legal é isenta de ITR, e como este é um imposto sujeito a lançamento por homologação o contribuinte deverá declarar a área isenta sem a necessidade de comprovação, sujeito a sanções caso comprovado posteriormente a falsidade das declarações. Por seu turno, a Lei nº Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989 (Código Florestal Brasileiro, prevê a obrigatoriedade de averbação da área de reserva legal no registro de imóveis competente, nos seguintes termos: Art. 16. As florestas de domínio privado, não sujeitas ao regime de utilização limitada e ressalvadas as de preservação Fl. 7DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 permanente, previstas nos artigos 2° e 3° desta lei, são suscetíveis de exploração, obedecidas as seguintes restrições: .................... § 2º A reserva legal, assim entendida a área de , no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. (Incluído pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989). .............. Art. 44. Na região Norte e na parte Norte da região Centro Oeste enquanto não for estabelecido o decreto de que trata o artigo 15, a exploração a corte razo só é permissível desde que permaneça com cobertura arbórea, pelo menos 50% da área de cada propriedade. Parágrafo único. A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 50% (cinquenta por cento), de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. (Incluído pela Lei nº 7.803, de 18.7.1989) Conforme apontado anteriormente, cingese a controvérsia acerca da necessidade de prévia averbação da reserva legal para fins de nãoincidência do Imposto Territorial Rural ITR. No caso dos autos, o contribuinte tomou conhecimento do procedimento fiscal via postal por intermédio a intimação em 14/01/2005. A área de reserva legal, apesar de averbada no Cartório de Registro de Imóveis, não foi considerada pela autoridade fiscalizadora como redutora da área tributável, já que averbada em 03/02/2003, após a ocorrência do fato gerador do imposto lançado (1°/01/2001). A área de reserva legal é isenta do ITR, consoante o disposto no art. 10, § 1º, II, "a", da Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996, por isso que ilegítimo o condicionamento do reconhecimento do referido benefício à prévia averbação dessa área no Registro de Imóveis, posto que a averbação na matrícula do imóvel não é ato constitutivo do direito de isenção, mas meramente declaratório ante a proteção legal que tal área recebe. A averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel feita após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965. Reconhecese o direito à subtração do limite mínimo de 20% da área do imóvel, estabelecido pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965, relativo à área de reserva legal, porquanto, mesmo antes da respectiva averbação, que não é fato constitutivo, mas meramente declaratório, já havia a proteção legal sobre tal área. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10925.000327/200526 Acórdão n.º 920202.107 CSRFT2 Fl. 261 9 Assim entendo deva ser parcialmente reformado o acórdão recorrido, por entender que a averbação feita após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo à concessão de isenção de ITR. Por todo o exposto, voto no sentido de conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, dar provimento. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 9DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 19515.003137/2007-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é de trinta dias a contar da ciência da decisão de primeira instância; recurso apresentado após o prazo estabelecido, dele não se toma conhecimento, visto que a decisão já se tornou definitiva. Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 1402-001.007
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é de trinta dias a contar da ciência da decisão de primeira instância; recurso apresentado após o prazo estabelecido, dele não se toma conhecimento, visto que a decisão já se tornou definitiva. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 591DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.003137/200729 Acórdão n.º 140201.007 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório SP OTICA LTDA. recorreu a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Em decorrência de ação fiscal, a contribuinte acima identificada foi autuada em 23/01/2008 (fl. 374), e intimada a recolher o crédito tributário constituído relativo aos tributos abrangidos pelo Simples: IRPJ, contribuição para o PIS, COFINS, CSLL, e Contribuição para a Seguridade SocialINSS, multa proporcional e juros de mora, referentes a fatos geradores ocorridos em 2004. 2. Conforme descrito nos Autos de Infração e no Termo de Verificação Fiscal (fls. 317 a 320), a contribuinte cometeu as seguintes infrações: 2.1. omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários cuja origem não foi comprovada pela contribuinte regularmente intimada; 2.2. insuficiência de recolhimento decorrente da mudança de faixa de alíquota do Simples incidente sobre a receita declarada em função do aumento da receita bruta acumulada devido ao cômputo da receita omitida, conforme demonstrativos de fls. 328 a 332. Irresignada com os lançamentos, em 20 de fevereiro de 2008, a autuada apresentou, representada por procurador (fls. 412 a 418 e 499 a 500) a impugnação de fls. 378 a 412, instruída com os documentos de fls. 413 a 498 (cópias de documentos que comprovam a representação, da Declaração Simplificada relativa ao anocalendário 2004, do Termo de Verificação Fiscal e dos Autos de Infração e demonstrativos anexos). A decisão recorrida está assim ementada: ESPÉCIES DE PROVAS. DOCUMENTOS. PERÍCIA. DILIGÊNCIA. O processo administrativo fiscal federal prevê as provas documental e pericial e a diligência. INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. UTILIZAÇÃO. QUEBRA DE SIGILO. INOCORRÊNCIA. A utilização de informações bancárias obtidas junto às instituições financeiras constitui simples transferência à administração tributária, e não quebra, do sigilo bancário dos contribuintes, não havendo, pois, que se falar na necessidade de autorização judicial para o acesso, pela autoridade fiscal, a tais informações. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. A instituição de uma presunção pela lei tributária transfere ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido pela lei não aconteceu em seu caso particular. DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. RECEITA OMITIDA. Valores depositados em conta bancária, cuja origem a contribuinte regularmente intimada não comprova, caracterizam receitas omitidas. Fl. 592DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.003137/200729 Acórdão n.º 140201.007 S1C4T2 Fl. 0 3 OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. LANÇAMENTO. JULGAMENTO. NORMAS APLICÁVEIS. IMPOSTO DE RENDA. As normas relativas ao imposto de renda devem ser aplicadas na determinação e exigência dos créditos tributários devidos em conformidade com o Simples. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA. 75%. Em lançamento de ofício é devida multa de 75% no mínimo calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago, recolhido ou declarado. CRÉDITO VENCIDO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os créditos Tributários vencidos e ainda não pagos devem ser acrescidos de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic). Impugnação improcedente Cientificada da aludida decisão em 18/10/2010 (fl. 538), a contribuinte apresentou recurso voluntário em 18/11/2010 (fl. 548), no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. Mediante Despacho de fl. 585 a unidade de origem encaminhou os autos a este Conselho asseverando a intempestividade do Recurso. É o relatório. Fl. 593DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.003137/200729 Acórdão n.º 140201.007 S1C4T2 Fl. 0 4 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. Inicio verificando os pressuposto de admissibilidade do recurso voluntário. O artigo 33 do Decreto 70.235 de 1972, estabelece que “Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Vejamos a transcrição do art. 5o. do Decreto n° 70.235, de 1972: “Art. 5°. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato.” A expressão “prazos contínuos” prevista no artigo 5° do Decreto 70.235, de 6 de março de 1972, quer dizer em dias corridos, sem interrupção pelos domingos e feriados. Portanto, o prazo recursal de 30 (trinta) começa a fluir no primeiro dia útil subsequente a intimação do interessado, sendo que esta pode ser pessoal, via postal ou por meio eletrônico. No caso dos autos, a recorrente tomou ciência do Acórdão de primeira instancia em 18/10/2010, segundafeira (AR de fls. 538), a contagem do prazo iniciou dia 19/10/2010. Por sua vez, o recurso voluntário de fls. 925 foi protocolado em 18/11/2010 (quintafeira), ou seja, 1 dias após o termino do prazo, quando já havia precluído seu direito de recorrer, sem apresentar qualquer justificativa quanto a perda do prazo recursal (art. 67 da Lei n° 9.784, de 2001). Verificase que na peça recursal está registrado que foi elaborada em 16/11/2010 (fl. 581), todavia o reconhecimento de firma do recorrente foi efetuado em 18/11/2010 (fl. 582) corroborando com o termo de recepção. Registrese também que a intempestividade foi constatada pela Unidade de Origem, consoante despacho de encaminhamento dos autos a este Conselho (fl. 585) . Por oportuno, registrese o teor da Súmula 9 do CARF: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Diante do exposto voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 594DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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