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Numero do processo: 17546.000191/2007-20
Data da sessão: Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 2402-000.164
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 931; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 399 1 398 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 17546.000191/200720 Recurso nº 000.000 Resolução nº 2402000.164 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 25 de agosto de 2011 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente COMERCIAL AUTOMOTIVA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/08/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17546.000191/200720 Resolução n.º 2402000.164 S2C4T2 Fl. 400 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte o lançamento tributário realizado em 21/12/2006 para que fosse reduzida a multa em razão da retroatividade benigna e da decadência parcial do crédito. Seguem transcrições de alguns trechos do relatório fiscal: Relatório Fiscal 2.1. A base de cálculo das contribuições foi apurada com base nos valores nominais das notas fiscais de serviços e ou faturas de serviços, com a descriminação de "Carga nos cartões PREMIUM CARD, produtos destinados para ações motivacionais e Programas de Estimulo a Aumento de Produtividade TOP PREMIUM"emitidas pela empresa INCENTIVE HOUSE S/A, apresentadas pela notificada e confrontadas com os lançamentos contábeis do período de apuração das contribuições. Essas despesas foram registradas na contabilidade nas contas no. 51110000, 51107000 e 52128000, denominadas Participação nos Resultados, Campanhas de Incentivo e Programas de Reconhecimento, respectivamente. 2.2. Os valores mensais das bases de cálculo vinculados às notas fiscais de compra dos prêmios estão discriminados na Relação das Notas Fiscais Emitidas Pela Empresa Incentive House S/A., anexa na NFLD n° 35.957.4467 Processo n° 17546.000208/200702 (ANEXO V). ... Segue transcrição da ementa e trechos do acórdão: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 30/06/2006 CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. CONSTITUIÇÃO. PRAZO. É de cinco anos o prazo de que a seguridade social dispõe para constituir os seus créditos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o respectivo lançamento já podia ser efetuado. PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFORMAÇÕES DE INTERESSE DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. GFIP. DESCUMPRIMENTO. MULTA. Constitui infração, punível com multa pecuniária, a empresa omitir, na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social GFIP, valores que constituam fatos geradores de contribuições previdenciárias, ou inserir, na mesma Guia, dados incorretos que provoquem alteração no cálculo das contribuições devidas. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 2DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/08/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17546.000191/200720 Resolução n.º 2402000.164 S2C4T2 Fl. 401 3 ... considerando que os fatos geradores em questão foram objetos das NFLD n° 3.848.0426 e n° 35.957.4467, o presente deve ser cancelado, mas que se impossível, requ r a suspensão do seu julgamento até que se julgue tais NFLD; ... Contra a decisão, o recorrente reiterou suas alegações na impugnação; assim sintetizadas pela decisão recorrida: os valores pagos por meio de cartões PREMUIUM CARD e TOP PREM UM não são considerados saláriodecontribuição, logo, não há a obrigação acessória de informar essas verbas em GFIP; o Relatório Fiscal não se apresenta claro e preciso, o que cerceou o seu direito de defesa, uma vez que nenhum dos beneficiados foi identificado; no cálculo da multa a autoridade fiscal utiliza valores para o salário de contribuição sem demonstrar sua origem, bem como adota a quantidade de segurados sem citar desses dados; os seus sócios não podem ser responsabilizados pelo presente crédito; considerando que os fatos geradores em questão foram objetos das NFLD n° 3.848.0426 e n° 35.957.4467, o presente deve ser cancelado, mas que se impossível, requer a suspensão do seu julgamento até que se julgue tais NFLD; a multa aqui aplicada é absorvida pela multa relativa à obrigação prin , de que cuidam as NFLD já mencionadas; é imperioso que seja determinada a redução da multa aplicada de acordo com a quantidade de segurados que não foram informados em GFIP, não se podendo admitir que a multa seja calculada em face da totalidade dos segurados empregados; e.1 a multa aplicada possui caráter confiscatório. É o Relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/08/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17546.000191/200720 Resolução n.º 2402000.164 S2C4T2 Fl. 402 4 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator O presente processo tem origem em autuação pelo descumprimento da obrigação acessória que consiste em deixar de declarar na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP os fatos geradores das contribuições previdenciárias. Os créditos correspondentes a tais fatos geradores foram constituídos através de documentos próprios que resultaram em processos separados; entretanto, há correlação entre os documentos de constituição de crédito que se referem aos mesmos fatos. Assim, em homenagem ao entendimento da unanimidade dos conselheiros da turma, inclineime à tese de que o auto de infração lavrado pelo descumprimento da obrigação acessória deva ser julgado junto ou após o julgamento do processo relativo à obrigação principal. Para tanto, inicialmente solicitei à Secretaria da Câmara que realizasse pesquisa sobre a tramitação dos processos correlatos relativos à obrigação principal. Em resposta, obtive a informação de que somente o processo n° 17546.000189/200751 (NFLD 35.848.0426) tramita neste CARF. Assim, devolvo este processo à origem para: a) Caso ainda pendentes de julgamento os demais processos principais, aguarde se o julgamento de primeira instância para a tramitação conjunta, conforme determina o Decreto n° 70.235/72 e o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256, de 22/06/2009: Art. 9o (...) ... §1o Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005). ... Art. 49. Os processos recebidos pelas Câmaras serão sorteados aos conselheiros. ... § 7° Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc. b) Em já havendo decisão definitiva, informese sobre o resultado do julgamento. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/08/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17546.000191/200720 Resolução n.º 2402000.164 S2C4T2 Fl. 403 5 Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para as providências solicitadas. Após o retorno a este Conselho, seja oportunizado ao recorrente o direito de manifestação no prazo de 30 dias. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 5DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/08/ 2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10768.004181/00-81
Data da sessão: Mon Apr 12 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 1987
IRPF - PROGRAMA DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA - PDV - ADESÃO DO CONTRIBUINTE - ALEGADA AUSÊNCIA DE PROVA CONSTANTE DOS AUTOS - IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DO RECURSO.
O recurso especial interposto com fundamento no artigo 7, inciso I, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, somente pode ser conhecido se a Fazenda Nacional apontar e demonstrar fundamentadamente que a decisão recorrida contrariou a lei ou a evidência da prova, o que não ocorre no caso em apreço, no qual a insurgência é no sentido de que a prova dos autos é insuficiente para demonstrar a adesão do contribuinte ao PDV instituído por sua exempregadora.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-000.631
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso. Vencidos os conselheiros Francisco Assis de Oliveira Junior e Carlos Alberto Freitas Barreto que dele conheciam.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: Gonçalo Bonet Allage
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS - • " Processo n° 10768.004181/00-81 Recurso n° 135.011 Especial do Procurador Acórdão n° 9202-00.631 — 2 a Turma Sessão de 12 de abril de 2010 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ROGÉRIO HERCULANO DE FREITAS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 1987 IRPF - PROGRAMA DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA - PDV - ADESÃO DO CONTRIBUINTE - ALEGADA • AUSÊNCIA DE PROVA CONSTANTE DOS AUTOS - IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DO RECURSO. O recurso especial interposto com fundamento no artigo 7, inciso I, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, somente pode ser conhecido se a Fazenda Nacional apontar e demonstrar fundamentadamente que a decisão recorrida contrariou a lei ou a evidência da prova, o que não ocorre no caso em apreço, no qual a insurgência é no sentido de que a prova dos autos é insuficiente para demonstrar a adesão do contribuinte ao PDV instituído por sua ex- empregadora. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso. Vencidos os conselheiros Francisco Assis de Oliveira Junior e Carlos Alberto Freitas Barreto que dele conheciam. Processo n° 10768.004181/00-81 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.631 Fl. 183 4 CARLOS ALBER ' EITAS BARRETO- Presidente !r GONÇALO BONE ALLAGE — Relator EDITADO EM: 14 Md 2010 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Junior, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório O contribuinte Rogério Herculano de Freitas fez o pedido de restituição de fls. 01-05, sob o fundamento de que participou de Programa de Demissão Voluntária — PDV instituído por sua ex-empregadora, a empresa IBM Brasil — Indústria, Máquinas e Serviços Ltda., no ano-calendário 1986. Após ter sido afastada a decadência do direito de pedir, por decisão da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, materializada pelo acórdão n° 102- 46.535 (fls. 60-66), o processo retomou à origem para apreciação das demais razões de mérito. Tanto a Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária no Rio de Janeiro (RJ), quanto a l a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) II, indeferiram a solicitação, através das decisões de fls. 87-88 e 101-108, respectivamente. Apreciando o recurso voluntário interposto pelo contribuinte às fls. 111-122, a Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, proferiu o acórdão n° 102-49.111, que se encontra às fls. 154-160, cuja ementa é a seguinte: Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF Exercício: 1987 RESTITUIÇÃO DO IMPOSTO. PROGRAMA DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO — PD V. COMPROVAÇÃO. Verificado que a rescisão do contrato de trabalho do contribuinte ocorreu em face de PD V, defere-se o pleito. g 9 Processo n° 10768.004181/00-81 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.631 Fl. 184 Recurso provido. A decisão recorrida, por maioria de votos, deu provimento ao recurso, entendendo que está provada a adesão do contribuinte ao PDV instituído pela empresa IBM, vencidos os Conselheiros Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho (Suplente Convocado). Intimada do acórdão em 04/09/2008 (fls. 161), a Fazenda Nacional interpôs, com fundamento no artigo 7 0, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais então vigente, recurso especial às fls. 164-170, cujas razões podem ser assim sintetizadas: a) O acórdão recorrido não se encontra em consonância com a evidência das provas contidas nos autos (ou melhor, a "falta de prova do PDV"); b) Para a caracterização de um PDV, é necessária a presença de dois elementos: incentivo por parte do empregador mediante pagamento de verbas extraordinárias, isto é, diferentes daquelas que seriam percebidas em rescisão sem justa causa e voluntariedade por parte do empregado, livremente manifestada em documento próprio; c) No caso, o único elemento probante trazido pela parte é declaração firmada pelo ex-empregador. Denota-se que nem mesmo a ruptura do liame empregatício torna-se inequívoca, pois instrumentos como o Teimo de Rescisão não foram apensados. Desta feita, ainda que seja outorgada à autoridade julgadora a liberdade de formar a sua convicção durante a apreciação das provas, impossível fazê-lo diante da completa inexistência destas; d) Requer o provimento do recurso, pois o pedido de restituição deve ser inferido. Para admissão do recurso, por meio do Despacho n° 579 (fls. 171-172), foram utilizados os seguintes fundamentos: No acórdão recorrido, por maioria de votos, acolheu-se a argiiiçã o de que o prazo para contagem da decadência teria inicio na data do ato normativo que considerou indevido o pagamento. Fazenda Nacional, por sua vez, intenta reformar o julgado alegando contrariedade a diversos artigos do CTN Com efeito, a argumentação contida no Recurso Especial conduz à conclusão de que o diploma legal retro poderia, em tese, ter sido contrariado, o que demanda o reexame da questão por parte da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Cumpre asseverar, desde já, que tal despacho partiu de premissa equivocada. Intimado, o contribuinte, devidamente representado, apresentou contra-razões às fls. 176-181, argumentando, fundamentalmente, que: 1. O despacho que admitiu o recurso especial é nulo, pois foi apreciada matéria diversa daquela em discussão, devendo o processo retomar à Câmara recorrida; 3 Processo n° 10768.004181/00-81 CSRF-T2 Acórdão n•° 9202-00.631 Fl. 185 2. O recurso, que está baseado em "decisão não unânime da Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova", não enseja admissão. Isso porque a pretensão Fazendária não se pauta na idéia de que o Colegiado recorrido tenha ido contra ao que a prova tenha evidentemente demonstrado ou mesmo contra a literalidade do seu texto. A questão suscitada, ao contrário, pauta-se na idéia de que a prova, embora indicativa da adesão do interessado ao PDV, não seria suficiente à comprovação do direito à restituição; 3. Quanto ao mérito, a decisão está bem fundamentada e merece ser confirmada. É o Relatório. Voto Conselheiro GONÇALO BONET ALLAGE, Relator Sob minha ótica, o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional não pode ser conhecido. Não obstante o equívoco cometido pela então Presidente da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes no despacho de admissibilidade de fls. 171-172, que tratou de matéria já superada neste processo, penso que o Colegiado pode e deve analisar, neste momento, os pressupostos de admissibilidade do recurso, sem remeter os autos à Câmara recorrida, pois tal apreciação é devolvida para a Câmara Superior de Recursos Fiscais. Isso, inclusive, em razão dos princípios da celeridade e da economia processual, plenamente aplicáveis ao caso por força do que dispõe o artigo 5°, inciso LXXVIII, da Constituição Federal. Reitero que o acórdão proferido pela Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, deu provimento ao recurso, entendendo que está provada a adesão do contribuinte ao PDV instituído pela empresa IBM. Extraio do voto condutor do acórdão recorrido os seguintes excertos (fls. 159-160): Desta forma, o contribuinte deve trazer aos autos provas de seu crédito, bem como da natureza indenizató ria dos recebimentos. No caso concreto, verifica-se às fls. 10 dos autos, documento emitido pela própria IBM, com papel timbrado e assinado por um dos seus representantes, datado de 25/08/99, informando que o Recorrente desligou-se da empresa em 31/05/1986, através de PDV — Programa de Demissão Voluntária, tendo recebido como incentivo ao seu desligamento o montante de CZS 2.254.777,98, a título de incentivo, sendo recolhido o valor de IRRF correspondente a CZS 1.014.650,09. Assim, a meu ver, tal documento é suficiente para comprovar que o contribuinte de fato aderiu ao PDV da IBM conforme mencionado. g 4 Processo n° 10768.004181/00-81 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.631 Fl. 186 Por todo o exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Em seu recurso especial, interposto com fundamento no inciso I, do artigo 7°, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, a Fazenda Nacional argumentou que o documento de fls. 10 não seria suficiente para comprovar a adesão do contribuinte ao PDV instituído pela empresa IBM Brasil Ltda., concluindo que inexistem provas nos autos que permitam chegar a esta conclusão. Pois bem, o artigo 7°, inciso I e o artigo 15, § 1°, ambos do citado Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, estabeleciam que: Art. 7°. Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra: 1— decisão não-unânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova; e Art. 15. O recurso especial, do Procurador da Fazenda Nacional ou do sujeito passivo, deverá ser formalizado em petição dirigida ao Presidente da Câmara que houver prolatado a decisão recorrida, no prazo de quinze dias contados da data da ciência da decisão. ssç I'. Na hipótese de que trata o inciso I do art. 70 deste Regimento, o recurso deverá demonstrar, fUndamentadamente, a contrariedade à lei ou à evidência da prova e, havendo matérias autônomas, o recurso especial alcançará apenas a parte da decisão não unânime contrária à Fazenda Nacional. Dessa forma, segundo penso, caberia à recorrente argumentar acerca da contrariedade à lei ou à evidência de prova existente nos autos pelo acórdão recorrido. No entanto, não foi isso que ocorreu. A recorrente não demonstrou contrariedade à lei, tampouco mostrou qual prova teria sido afrontada pela decisão recorrida, mas apenas pretendeu a produção de novas provas, defendendo que não estaria comprovada a adesão do contribuinte ao PDV. Sob minha ótica, ao tomar ciência da decisão recorrida, caberia à recorrente a oposição de embargos de declaração com o objetivo de sanar a eventual obscuridade ou, ainda, a interposição de recurso especial de divergência ou por eventual violação à lei. A Câmara Superior de Recursos Fiscais não pode exercer a função de terceira instância, valorando provas. Penso que o recurso especial em apreço não pode ser conhecido. Com o objetivo de corroborar a conclusão deste julgador, trago à colação julgados da Câmara Superior de Recursos Fiscais, cujas ementas passo a transcrever: Assunto: Multa Ano-calendário: 2000 I 5 Processo n° 10768.004181/00-81 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.631 Fl. 187 Ementa; RECURSO ESPECIAL PRIVATIVO DA FAZENDA NACIONAL - FALTA DE CUMPRIMENTO DE PRESSUPOSTO ESSENCIAL À SUA ADMISSIBILIDADE E CONHECIMENTO - Não se toma conhecimento de recurso interposto pela Fazenda Nacional, com jidcro no inciso I, do art. 32 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF n° 55, de 16/03/98, que deixa de demonstrar jimdamentadamente contrariedade à lei ou à evidência da prova, como exige o 5S. 1° do art. 33 do citado Regimento. (CSRF, Primeira Turma, Recurso n° 139.547, Acórdão n° CSRF/9101-00023, Relator Conselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes julgado em 03/09/2009) RECURSO ESPECIAL — Não se conhece o recurso especial apresentado com base no artigo 5° inciso Ido Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, quando o recorrente não aponta a lei ou aprova contrariada. (CSRF/01-04.713) RECURSO ESPECIAL — REQUISITO DE ADMISSIBILIDADE — Somente é cabível a interposição de recurso especial, no caso de julgamento contrário à lei ou à evidência de prova, de decisão não unânime de Câmara do Conselho de Contribuintes. Não se conhece de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional quando não preenchidos os pressupostos para a sua admissibilidade. (CSRF/01-04.776) Assim, o recurso somente poderia ser conhecido se a Fazenda Nacional tivesse demonstrado, fundamentadamente, que a decisão recorrida contrariou à lei ou à prova dos autos, o que não ocorreu. Voto, portanto, no sentido de não conhecer do recurso especial em tela. 1441ifig. fr• vW.-` Gonçalo : onet llage - Relator 6
score : 1.0
Numero do processo: 10855.003742/2006-93
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2202-000.169
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 338DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0820.15502.204E. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10855.003742/200693 Resolução n.º 220200.169 S2C2T2 Fl. 339 2 Relatório 1 Procedimento de Fiscalização A partir de registros de movimentação financeira atípica, foram iniciados em 16/12/2005 os trabalhos de fiscalização, quando foi o contribuinte intimado a apresentar informações. Em virtude do não atendimento das intimações, não restou outra alternativa aos fiscais, senão intimar os bancos através de RMF’s (fls. 16, 22, 48, 55, 82, 104 e 121) aos Bancos HSBC Bank Brasil S/A Banco Múltiplo Unibanco – União de Bancos Brasileiros S/A, Banco Nossa Caixa S/A, BankBoston Banco Múltiplo S/A, Banco Bradesco S/A, Banco Sudameris do Brasil S/A e Banco do Estado de São Paulo S/A. Após receber os extratos demonstrando a movimentação bancária do contribuinte ao longo do anocalendário, foi elaborada tabela com os dados, e intimado o contribuinte por três vezes para que comprovasse a origem dos depósitos listados, tendo o procurador do contribuinte, inclusive, recusado a terceira intimação. Haja vista que nenhuma resposta foi concedida pelo contribuinte, a fiscalização procedeu à lavratura de auto de infração para a constituição do crédito tributário. 2 Auto de Infração Foi lavrado em 20/12/2006 Auto de Infração (fls. 163166), cujo crédito tributário apurado foi de R$ 952.407,43, inclusos imposto, juros de mora e multa de 112,5%. A infração imputada foi omissão de rendimentos com base em depósitos bancários sem origem definida. O contribuinte tomou ciência do Auto em 21/12/2006. 3 Impugnação Indignado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação (fls.169208) tempestiva, esgrimindo os seguintes argumentos: a) a fiscalização foi irregular, pois quebrou o sigilo bancário do contribuinte sem sua anuência, não obstante este ter optado por não entregar as informações ao fisco; b) que foi descumprido o procedimento, pois não foi efetuada intimação para pagamento antes da lavratura do auto de infração (pretenso desrespeito ao art. 844 do RIR/99); c) é falsa a afirmação de que o procurador do contribuinte se recusou a receber intimação para comprovar a origens; este inclusive nega veementemente que tenha sido procurado pela fiscalização,que deveria ter remetido a intimação por via postal, conforme determina o art. 23, inc. II do Decreto nº 70.235/72; d) a quebra de sigilo bancário deve ser a última opção, enquanto no presente procedimento a fiscalização o utiliza quase como que se fosse a primeira ferramenta disponível, descumprindo a lei; e) a emissão de RMF não observou o procedimento disposto em lei, pois não foi demonstrado por meio de relatório circunstanciado que a quebra de sigilo bancário era indispensável; Fl. 339DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0820.15502.204E. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10855.003742/200693 Resolução n.º 220200.169 S2C2T2 Fl. 340 3 f) mera movimentação bancária não pode ser considerada como rendimento, devendo a fiscalização comprovar cabalmente que os valores que transitaram pela conta configuram rendimento tributável omitido; g) os valores são decorrentes de contrato de mútuo com a empresa E.Z.S. Indústria e Comércio de Metais e Fios Ltda., a partir do qual poderia tomar emprestados até R$ 1.500.000,00. Também contraiu empréstimo junto ao senhor Luiz Gimenez Pozo, no montante de R$ 100.000,00. Ou seja, por serem empréstimos, não adicionam nada ao patrimônio do contribuinte, não podendo ser considerados como rendimentos; h) outra parte é proveniente de patrimônio já existente do contribuinte, declarado em sua DAA sob o código 63, que consiste na quantia de R$ 308.000,00 que possuía em dinheiro vivo, que por necessidade do contribuinte foi depositada em suas contas e utilizada para efetuar aquisição de bens, despesas e pagamentos, tanto que os valores não mais estavam disponíveis no anocalendário 2003. Outro exemplo é o imóvel situado em Poços de Caldas, por R$ 14.976,08, abaixo do valor declarado, o que significa que não houve ganho de capital. i) a multa aplicada é ilegal, pois de 112,5%, sendo confiscatória. Ademais, a multa qualificada só deve incidir quando comprovado que o contribuinte obstou o lançamento; j) inconstitucionalidade da utilização da taxa SELIC. Junto à impugnação, acostou aos autos os seguintes documentos: a) Contrato de mútuo com a empresa E.Z.S. – Indústria e Comércio (fl. 222 226); b) Cópia da DAA. 4 Acórdão de Impugnação A impugnação foi julgada pela 8ª Turma da DRJ/SPOII, por unanimidade, pelo desprovimento da impugnação (fls. 229251) – sendo o crédito tributário integralmente mantido. Os fundamentos foram os seguintes: a) Não foi violada a ampla defesa, vez que ao contribuinte foi possibilitada um variado leque de oportunidades de se manifestar antes do fim do processo e constituição final do crédito tributário; b) Não foi descumprido o art.844 do RIR/99, pois foi concedido o prazo de 20 dias ao contribuinte para que se manifestasse acerca da origem dos depósitos, além de intimação posterior do lançamento para pagar ou impugnar no prazo de 30 dias; c) a quebra de sigilo bancário é respaldada pela legislação pátria, desde que realizada por órgão competente e que seja mantido este sigilo e as informações sejam utilizadas exclusivamente para os fins para os quais foram obtidas, sendo inclusive crime a divulgação destas informações; d) foi respeitada a subsidiariedade da RMF, uma vez que esta somente foi utilizada após a negativa do contribuinte em cooperar com a fiscalização; Fl. 340DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0820.15502.204E. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10855.003742/200693 Resolução n.º 220200.169 S2C2T2 Fl. 341 4 e) foi utilizada a presunção legal do art. 42 da Lei 9.430/96, onde se presume a natureza dos valores quando conhecida a existência deles, que inverte o ônus da prova; f) o contribuinte apenas alegou a origem dos valores, mas não comprovou a verdadeira natureza. O mútuo não teve comprovado seu efetivo saldamento para não se identificar como rendimento. O valor de R$ 308.000,00 não justifica as movimentações, pois foram desconsideradas as transferências de mesma titularidade, e as devoluções de depósitos e estornos, e não foi comprovada o depósito destes valores em conta pelo contribuinte. Sobre o imóvel, o contribuinte não juntou matrícula atualizada para comprovar o valor de venda do imóvel; g) é adequada a multa de 112,5%, pois a previsão legal é de multa de ofício de 75%, majorada em 50% pelo não atendimento às intimações que obstaram a fiscalização; h) é adequada a aplicação da taxa SELIC; i) não é possível ao contribuinte juntar provas em momento posterior à impugnação, de acordo com o arts. 15 e 16 do Decreto 70.235/72; 5 Recurso Voluntário Não satisfeito com o resultado do julgamento, o contribuinte interpôs tempestivamente recurso voluntário (fl. 258317), repisando os argumentos da impugnação, adicionando os seguintes: a) Os valores referentes aos R$ 308.000,00 não foram retirados da base de cálculo, pois não foram transferidos de conta para conta, mas sim depositados a partir da quantia em moeda corrente nacional que o contribuinte possuía em caixa; b) uma vez declarada na DAA a venda do imóvel em Poços de Caldas, cabe a Fazenda comprovar que inexistiu a transferência ou demonstrar novo valor para a alienação. O contribuinte não pode responder por falha do cartório que deixou de declarar os valores c) reforça a idéia de que toda a quantia não passa de subrogação patrimonial, não podendo ser considerada como rendimento; É o relatório. Fl. 341DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0820.15502.204E. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10855.003742/200693 Resolução n.º 220200.169 S2C2T2 Fl. 342 5 Voto Conselheiro Relator Rafael Pandolfo O recurso ora analisado foi interposto no âmbito de procedimento administrativo no qual foi constituído, contra o recorrente, crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda. A autuação utilizou como fundamento a existência de depósitos bancários sem origem comprovada. Para alcançar seu desiderato, a Fiscalização valeuse das informações existentes no cadastro de CPMF do contribuinte, para fatos geradores anteriores à edição da Lei 10.174/01. Além disso, utilizou requisição de movimentação financeira (RMF) (fls. 16, 22, 48, 55, 82, 104, 121), após o não atendimento à intimação. A constitucionalidade das prerrogativas estendidas à autoridade fiscal através de instrumentos infraconstitucionais utilização de dados da CPMF e obtenção de informações junto às instituições através da RMF está sendo analisada pelo STF no âmbito do Recurso Extraordinário nº 601.314, que tramita em regime de repercussão geral, reconhecida em 22/10/09, conforme ementa abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL Conforme disposto no § 1º do art. 62A da Portaria MF nº 256/09, devem ficar sobrestados os julgamentos dos recursos que versarem sobre matéria cuja repercussão geral tenha sido admitida pelo STF. O dispositivo há pouco referido vai ao encontro da segurança jurídica, da estabilidade e da eficiência, pois ao tempo em que assegura a coerência do ordenamento, confere utilidade à atividade judicante exercida no âmbito do CARF. Assim, reconhecida, pelo STF, a relevância constitucional de tema prejudicial à validade do procedimento utilizado na constituição do crédito tributário, deve ser sobrestado o julgamento do recurso no CARF. Não se desconhece a decisão Plenária do STF no âmbito do RE nº 389.808, que acolheu o recurso extraordinário interposto pelos contribuintes. O Recurso foi pautado pelo Ministro Marco Aurélio (i) poucos dias antes da publicação da Emenda Regimental nº 42, do RISTF, que determina que todos os recursos relacionados ao tema do caso admitido como paradigma, em repercussão geral, devam ser distribuídos ao respectivo Relator, e (ii) quase um ano após o reconhecimento da repercussão geral no RE 601.314, o que gerou confusão quanto à mecânica processual de julgamento dos recursos extraordinários anteriores à Emenda Constitucional nº 45/04. Uma leitura atenta do acórdão revela que o julgamento, inicialmente adstrito à reanálise da medida cautelar requerida pela parte recorrente, desbordou para enfrentamento do mérito a partir da contrariedade manifestada pela Min. Ellen Gracie centrada, sobretudo, na ausência do Min. Joaquim Barbosa e sua consequência à apuração do quorum de Fl. 342DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0820.15502.204E. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10855.003742/200693 Resolução n.º 220200.169 S2C2T2 Fl. 343 6 votação. A atipicidade do caso, entretanto, não indica posicionamento da Corte afastando as consequências imediatas da repercussão geral, como o sobrestamento dos processos que veiculam o tema da violação de sigilo pela Fazenda. O fato é que, com exceção do inusitado julgamento ocorrido no âmbito do RE 389.808, o posicionamento do STF tem sido uníssono no sentido de sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314. As decisões abaixo transcritas são elucidativas: D ESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro D IAS T OFFOLI Relator Documento assinado digitalmente (RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO DADOS BANCÁRIOS – FISCO – AFASTAMENTO – ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 – SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em DJe213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO Fl. 343DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0820.15502.204E. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10855.003742/200693 Resolução n.º 220200.169 S2C2T2 Fl. 344 7 RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificase que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): “ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO – UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS – IMPOSTO DE RENDA – QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO – PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 – APLICAÇÃO IMEDIATA – RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN – PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO – RECURSO ESPECIAL PROVIDO.” Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgR AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente (RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em DJe158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal –discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que Fl. 344DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0820.15502.204E. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10855.003742/200693 Resolução n.º 220200.169 S2C2T2 Fl. 345 8 permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator (RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em DJe100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Sendo assim, tenho como inquestionável o enquadramento do presente caso ao art. 26A, §1º, da Portaria 256/09, ratificado pelas decisões acima transcritas, que retratam o quadro descrito pela Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único). Nesses termos, voto para que seja sobrestado o presente recurso, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário nº 601.314, pelo STF. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Fl. 345DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0820.15502.204E. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por RAFAEL PANDOLFO em 26/03/2012 17:44:24. Documento autenticado digitalmente por RAFAEL PANDOLFO em 26/03/2012. Documento assinado digitalmente por: NELSON MALLMANN em 27/03/2012 e RAFAEL PANDOLFO em 26/03/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 08/08/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP08.0820.15502.204E Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 6AF64F71CC0D80847B45AC4AF7CE200E72C2F0CF Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10855.003742/2006-93. 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Numero do processo: 10580.013515/2004-81
Data da sessão: Thu May 13 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 1999
PRAZO PARA ATENDIMENTO A INTIMAÇÃO FISCAL. NULIDADE,
1NOCORRÊNCIA.
A alegação de exigüidade de tempo para atendimento à intimação não enseja a nulidade do ato fiscal, mormente quando o contribuinte teve outras oportunidades no processo para apresentar a documentação solicitada e não o fez.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 1999
DECADÊNCIA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS,
A omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada compõe a base de cálculo do ajuste anual e, portanto, o direito de a Fazenda lançar o Imposto de Renda Pessoa Física devido decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador que se perfaz em 31 de dezembro de cada ano, desde que não seja constatada a ocorrência
de dolo, fraude ou simulação. Matéria já pacificada pela Súmula IV 38 do CARF, em vigor desde 22/12/2009.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS, OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
DEPÓSITO BANCÁRIO. COMPROVAÇÃO DE ORIGEM.
Na apuração da matéria tributável decorrente de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os valores depositados em um mês não servem para comprovar a origem de depósitos efetuados em meses subseqüentes, conforme entendimento firmado na Súmula IV 30 do CARF, em vigor desde 22/12/2009.
Preliminares rejeitadas.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-000.537
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pelo Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Declarou-se impedido na votação o Conselheiro Antonio Lopo Martinez
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Maria Lúcia Motiz de Aragão Calomino Astorga
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS •- • .3.V.4.?,4, SEGUNDA SEÇÃO DE. JULGAMENTO Processo n" 10580,013515/2004-81 Recurso n" 160,883 Voluntário Acórdão n" 2202-00.537 — Câmara / 2" Turma Ordinária Sessão de 13 de maio de 2010 Matéria IRPF Ex(s),: 2000 Recorrente JOÃO MACHADO CAFEZEIRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1999 PRAZO PARA ATENDIMENTO A INTIMAÇÃO FISCAL. NULIDADE, 1NOCORRÊNCIA. A alegação de exigüidade de tempo para atendimento à intimação não enseja a nulidade do ato fiscal, mormente quando o contribuinte teve outras oportunidades no processo para apresentar a documentação solicitada e não o fez. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 1999 DECADÊNCIA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS, A omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada compõe a base de cálculo do ajuste anual e, portanto, o direito de a Fazenda lançar o Imposto de Renda Pessoa Física devido decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador que se perfaz em 31 de dezembro de cada ano, desde que não seja constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Matéria já pacificada pela Súmula IV 38 do CARF, em vigor desde 22/12/2009. DEPÓSITOS BANCÁRIOS, OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITO BANCÁRIO. COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. Na apuração da matéria tributável decorrente de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os valores depositados em um mês não servem para comprovar a origem e (N. depósitos efetuados em meses subseqüentes, conforme entendimento firmado na Súmula IV 30 do CARF, em vigor desde 22/12/2009. Preliminares rejeitadas. Recurso negado., Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pelo Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Declarou-se impedido na votação o Conselheiro Antonio Lopo Martinez /------------;';on al 1 c ' l'-.4=e . . .. Maria Lút'1 Moniz de Arjagão alom o Astorga - Relatora AGO 2010 EDITADO EM: Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Júnior, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Helenilson Cunha Pontes e Nelson Mallmann (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. ( .. - 2 Processo n" 10580 O I 3515/2004-81 S2-C2T2 Aeórd5o n " 2202-00337 Fi Relatório Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 5 a 7, integrado pelos demonstrativos de fls. 8 e 9, pelo qual se exige a importância de R$4.3.162,48, a titulo de Imposto de Renda Pessoa Física — IRPF, acrescida de multa de oficio de 75% e juros de mora, em virtude da apuração de omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, anos-calendário 1999. DA AÇÃO FISCAL O procedimento fiscal encontra-se descrito no Termo de Verificação Fiscal de tis, 11 e 12, no qual o autuante esclarece que: • por meio do Termo de Inicio de Fiscalização, o contribuinte foi intimado a apresentar alguns documentos, dentre eles, os extratos de suas contas bancárias, bem como comprovar a origem dos recursos nelas depositados; • em 17/08/2004, o contribuinte foi reeintimado a apresentar os extratos referentes a sua movimentação financeira e a comprovar a origem dos recursos movimentados; • tendo em vista o não atendimento às intimações, foi enviada Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira — RMF para o Banco Real; • analisando os extratos bancários fornecidos pela instituição financeira, intimou-se o contribuinte a comprovar a origem dos depósitos efetuados em suas contas correntes, conforme relação elaborada pela fiscalização, excluindo-se os estornos, resgates de aplicações financeiras e similares; • como o contribuinte não comprovou a origem dos depósitos bancários, esses foram integralmente tributados como omissão de rendimentos, nos termos do art. 42 da Lei IV 9.4.30, de 1996. DO JULGAMENTO DE 1 11 INSTÂNCIA Apreciando a impugnação apresentada pelo contribuinte às fls, 91 a 94, a 3" Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador (BA) manteve integralmente o lançamento, proferindo o Acórdão n 15-12.059 (lis, 97 a 102), de 19/01/2007, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PE,SSOA FISICA IRPF Ano-calendário: 1999 DECADÊNCIA. r\1\N.,\,, 3 O direito de a Fazenda Publica constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercido seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CIN, ai t. I 73, 1), exceto nas hipóteses de antecipação ‘ia data de inicio do prazo decadencial, estabelecido pelo parágrafo único ‘lo ar! 1 73 do CTN, e de declaração de nulidade do lançamento por vicio formal (CTN, art /73, II). DEPÓSITOS BANCÁRIOS Caracterizam omissão de rendimentos as valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o responsável, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Notificado do Acórdão de primeira instância, em 12/02/2007 (vide AR de fl. 105), o contribuinte interpôs, em 14/03/2007, tempestivamente, o recurso de fls. 106 a 111, no qual expõe as razões de sua irresignação, a seguir sintetizadas. 1„ DECADÊNCIA (fls. 106 a 109) 1,1, O contribuinte alega que o valor do imposto foi apurado em bases mensais e que, como o Auto de Infração só foi lavrado em 27/12/2004, haveria ocorrida a decadência, nos termos do art. 150, §4», do Código Tributário Nacional — CTN. 1,2, Se insurge contra a aplicação do art.. 173 do CTN pela decisão recorrida para fins de contagem do prazo decadencial, pois entende tratar-se de lançamento por homologação, nos termos do art. 150 do mesmo código. Cita decisão do Conselho de Contribuintes nesse sentido. 2, PRESUNÇÃO DE OMISSÃO CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS (fls 109 a 111) . Transcreve precedente administrativo para defender que depósitos bancários, por si só, não é suficiente para indicar se existe rendimento tributável ou não, 2„2. Afirma que o próprio autuante reconheceu que havia erro na indicação do nome do Banco na intimação fiscal e, por conseguinte, emitiu nova. Aduz que para que a omissão do depósito bancário se configurasse renda seria necessário um prazo de 30 dias para cumprimento da exigência, o que não correu, pois foram concedidos apenas dois dias. Entende, ainda, que deveria ser feito um mapa de disponibilidades e aplicações indicando, mês a mês, os valores recebidos e pagos, inclusive os eventuais saldos de depósitos não comprovados. Menciona decisão do Primeiro Conselho de Contribuintes a qual, no seu entender, corrobora seus argumentos. DA DISTRIBUIÇÃO Processo que compôs o Lote n a 02, sorteado e distribuído para esta Conselheira na sessão pública da Segunda Turma da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de 02/12/2009, veio numerado até à fi. 118 (última). 4 , Processo n" 10580 013515/2004-81 52-C2T2, Acórdão n " 2202-00337 FT 3 Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido., 1 Decadência .. De se dizer de início, que o Imposto de Renda Pessoa Física — IRPF é um tributo sujeito ao lançamento por homologação, ou seja, aquele em que a lei determina que o sujeito passivo, interpretando a legislação aplicável, apure o montante tributável e efetue o recolhimento do imposto devido, sem prévio exame da autoridade administrativa, conforme definição contida no caput do art, 150 do CTN, tendo sua decadência regrada, em princípio, pelo § 4- deste mesmo artigo (cinco anos contados da data do fato gerador). Cumpre lembrar que o parágrafo O do art. 150 exclui expressamente do seu escopo os casos em que seja constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, aplicando-se, por conseguinte, a regra geral prevista no art. 173 do CTN, inciso L Uma vez que a autoridade lançadora não qualificou a multa de oficio e, portanto, não caracterizou a ocorrência de dolo fraude ou simulação, aplica-se a regra geral para o prazo decadencial prevista para os tributos sujeitos a lançamento por homologação (cinco anos da data da ocorrência do fato gerador). Resta apenas determinar o fato gerador do imposto. Como se sabe, tendo em vista o aspecto temporal, o fato gerador do imposto apurado no ajuste anual é complexivo, ou seja, se completa após o transcurso de um determinado período de tempo e abrange um conjunto de fatos e circunstâncias que, isoladamente considerados, são destituídos de capacidade para gerar a obrigação tributária exigível. Este conjunto de fatos se corporifica, depois de determinado lapso temporal (um ano no caso), em um fato imponível. Assim, os rendimentos auferidos ao longo do ano-calendário (declarados ou omitidos) devem ser somados para, só então, se calcular o tributo a ser exigido. Não é o fato isolado (cada rendimento recebido ou cada omissão detectada), mas sim o conjunto de todos os fatos ao longo do período de apuração que irá constituir o fato gerador do imposto devido no ajuste anual. Desta forma, o fato gerador do Imposto de Renda Pessoa Física, relativamente aos rendimentos sujeitos à tributação anual, se perfaz em 31 de dezembro de cada ano, momento em que se verifica o termo final do período, para efeitos de determinação da base de cálculo do imposto, nos termos da lei. Quanto os depósitos de bancários de origem não comprovada, apesar de serem considerados auferidos ou recebidos no mês do crédito efetuado pela instituição financeira, tal fato não os exclui da tributação no ajuste anual, pois a base de cálculo é nk, composta por todos os rendimentos recebidos no ano-calendário, exceto àqueles para os quais a legislação expressamente considere isentos ou de tributação definitiva ou exclusiva na fonte. Nesse sentido, recentemente foi consolidada a jurisprudência administrativa, por meio da Súmula n'' 38 cio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de aplicação obrigatória por este Colegiado, desde 22/12/2009: Súmula CARF n 38 O liuo gerador . do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. Retornando ao caso em concreto, uma vez se trata de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada e que o ano-calendário da autuação é 1999, o prazo &cadenciai começou a fluir em 31.12.1999, de modo que o lançamento poderia ter sido formalizado até 3L122004 (cinco anos da data do fato gerador). Assim, como o Auto de Infração foi cientificado em 29/12/2004 (fl. 89), não havia decaído ainda o direito da Fazenda Pública oonstituir o crédito tributário. 2 Presunção de omissão com base em depósito bancário de origem não comprovada Em análise do argüido, os argumentos da defesa podem ser assim resumidos: (i) depósito bancário, por si só, não é suficiente para indicar se existe rendimento tributável ou não; (ii) houve erro na indicação do nome da instituição financeira e, por conseguinte, o contribuinte teve apenas dois dias para comprovar a origem dos depósitos em sua conta corrente, entendendo que deveria ter sido concedido prazo mínimo de 30 dias; e (iii) não foi elaborado mapa de disponibilidades e aplicações indicando, mês a mês, os valores recebidos e pagos, inclusive os eventuais saldos de depósitos não comprovados. No que se refere ao item i, importa destacar que a presente omissão de rendimentos tem como fundamento o art.. 42 da Lei if 9.430, de 1996, a seguir transcrito: Art.42.Caracteri2arn-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de inve.stimento mantida junto a instituição .financeira, em relação aos quais o titular ., pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1 f2 O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira, §2' Os valores urja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação especificas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §..r Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados. 6 Processo o" 10580 .013515/2004-81 S2-C2T2 Acórdão o " 2202-00337 Fl 4 1 - os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II -no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o „seu somatório, dentro do ano- calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), (grifou-se) De acordo com o dispositivo acima transcrito, basta ao fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origens não comprovadas para que se presuma, até prova em contrário, a cargo do contribuinte, a ocorrência de omissão de rendimentos., Trata-se de uma presunção legal do tipo juris tanttun (relativa), e, portanto, cabe ao fisco comprovar apenas o fato definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada a omissão de rendimentos. Como dos autos se infere, a autoridade lançadora fez aquilo que o art.. 42 da Lei if 9.430, de 1996, lhe atribuía como responsabilidade: constatada a manutenção de conta bancária com expressiva movimentação 1"-ião declarada pelo impugnante, intimou-o a se manifestar quanto aos depósitos nela efetuados e a .juntar a documentação que comprovasse a origem de tais ingressos. Diante do silêncio do contribuinte, a fiscalização tributou integralmente os depósitos bancários. A alegação de exigüidade de tempo para atendimento à intimação, não importa a nulidade do ato fiscal, devendo serem analisadas as circunstâncias que permearam o procedimento fiscal e proceder ao devido saneamento, se for verificado eventual prejuízo ao contribuinte,. Desde o início da ação fiscal, instaurada em 02/0612003 (fis, 14 a 16), quando foram solicitados os extratos bancários referentes a suas contas bancárias mantidas pelo contribuinte no ano-calendário 1999, assim como a comprovação dos recursos nelas depositados, já havia uma descrição objetiva e clara do objeto do procedimento — averiguação da regularidade da movimentação financeira do contribuinte Não havendo o contribuinte respondido o referido termo, foram lavrados o Termo de Ciência e de Continuação da Ação Fiscal (fl. 17) e Termo de Reitimação Fiscal (ft 19), cientificados em 10/08/2004 e em 18/08/2004 (fls. 18 e 20), respectivamente, sendo que nesse último já foi mencionado o Banco Real, instituição financeira referente à conta fiscalizada. Como o contribuinte não "forneceu os documentos bancários solicitados, foi necessário requisitá-los diretamente ao Banco Real (fls. 24 a 27), os quais foram encaminhados à fiscalização apenas em 12/11/2004 (fls., 28 e 29), Em 06/12/2004 (ff 78) o contribuinte foi intimado a comprovar a origem dos depósitos em discussão. Muito embora tenha a fiscalização indicado o nome incorreto da instituição financeira na planilha (CAIXA invés de Banco Real), o nome correto da instituição financeira já constava do Termo de Intimação, que encaminhou a referida planilha, assim como no Termo de Reeintimação anteriormente cientificado (fls. 19 e 20). Entre a primeira intimação para comprovar os depósitos bancários, ocorrida em 18/08/2004 (fls. fls. 18 e 20), e a ciência do lançamento, em 29/12/2004 (fi, 89), teve o 7 contribuinte mais de quatro meses para elaborar sua defesa, sem contar com o prazo de 30 dias para impugnação. Mesmo que o prazo de impugnação não fosse suficiente para juntar todos os documentos necessários a sua defesa, o recorrente poderia, ainda, em sede de recurso, ter pleiteado a juntada extemporânea de documentos, entretanto, preferiu repetir as questões de direito anteriormente apresentas na primeira instância. Por fim, no que se refere ao item iii (mapa de disponibilidades e aplicações), pretende o contribuinte utilizar uma metodologia semelhante à apuração de omissão de rendimentos com base em acréscimo patrimonial a descoberto. Cumpre esclarecer que acréscimo patrimonial a descoberto e depósitos bancários de origem não comprovada são formas distintas de apuração de omissão de rendimentos, que não se confundem. Na primeira, a matéria tributável é apurada pelo confronto, mensal, entre as mutações patrimoniais e os rendimentos auferidos, enquanto que, na segunda, presume-se omitido todo depósito bancário não justificado pelo contribuinte, como acima demonstrado. Nesse sentido, foi editada a Súmula n'' 30, de aplicação obrigatória no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, desde 22/12/2009: Súmula CARP.' )12 30 . Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. 3 Conclusão Diante do exposto, voto por REJEITAR a preliminar suscitada pelo recorrente e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, •nt.0 cl "•,(13-)y`-- Maria Ur 'ia Moniz de Arag o Calcitnino Astorga 8
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Numero do processo: 13227.000677/2004-77
Data da sessão: Wed Jun 16 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 2201-000.039
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência
Nome do relator: RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA
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AGROPECUARIA RIO APEDIA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (Assinado Digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior - Presidente. (Assinado Digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França - Relatora. EDITADO EM: 15/10/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França (Relatora), Eduardo Tadeu Farah, Janaína Mesquita Lourenço de Souza, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). RELATÓRIO DOS PROCEDIMENTOS FISCAIS Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrado Auto de Infração (fls. 07/12) para exigir crédito tributário de ITR, no montante de R$224.857,32, dos quais R$ 90.935,95 referem-se a imposto, R$ 68.201,96 a multa de ofício de 75% e R$ 65.719,41 a juros de mora calculados até 30/11/2004, originado da falta de recolhimento do imposto sobre a propriedade territorial rural, no exercício de 2000. Fl. 141DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/10/2010 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC Assinado digitalmente em 18/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 15/10/2010 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC Processo nº 13227.000677/2004-77 Resolução n.º 2201-00.039 S2-C2T1 Fl. 2 2 Conforme se depreende do Demonstrativo de apuração de ITR (fls.14), integrante do auto de infração, foi glosado integralmente o total de 1.600ha de área de preservação permanente, bem como 12.200ha de área de utilização limitada, relativo a uma área total de imóvel de 16.000ha. DA IMPUGNAÇÃO Cientificado do auto de infração, o contribuinte apresentou tempestivamente impugnação (fls.23/45), cujos principais argumentos foram assim sintetizados pelo relatório do Acórdão de primeira instância: I - que o crédito tributário lançado no auto de infração decorre exclusivamente, da IIV SRF n. 173/00, ato infralegal: II - que a lei de regência do ITR, combinada com o Código Florestal não exige as formalidades que são exigidas pela IN SRF n° 173/00, assim, esta Instrução normativa exorbitou ao exigir o ADA e a averbação; III- contesta a multa; IV- contesta a taxa Seno DA DECISÃO DA DRJ Após analisar a matéria, os Membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, acordaram, por unanimidade de votos, em julgar procedente o lançamento, nos termos do Acórdão DRJ/REC n°11-19.345, de 22 de junho de 2007, em decisão assim ementada: “ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. COMPROVAÇÃO. A exclusão de áreas declaradas como de preservação permanente e de utilização limitada da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada ao reconhecimento delas pelo Ibama ou por órgão estadual competente, mediante Ato Declaratório Ambiental (ADA), no prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. A exclusão da área de reserva legal da tributação pelo ITR depende de sua averbação à margem da inscrição de matricula do imóvel, no registro de imóveis competente, até a data da ocorrência do fato gerador. ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO LITERAL A legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção deve ser interpretada literalmente. MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ARGÜIÇÃO DE EFEITO CONFISCATÓRIO. As multas de oficio não possuem natureza confiscatória, constituindo-se antes em instrumento de desestimulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, atingindo, por via de conseqüência, apenas os contribuintes infratores, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais. Fl. 142DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/10/2010 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC Assinado digitalmente em 18/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 15/10/2010 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC Processo nº 13227.000677/2004-77 Resolução n.º 2201-00.039 S2-C2T1 Fl. 3 3 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA COM BASE NA VARIAÇÃO IDA TAXA SELIC. LEGALIDADE. É cabível por disposição literal de lei, a incidência de juros de mora com base na variação da taxa selic, sobre o valor do imposto apurado em procedimento de oficio, que deverão ser exigidos juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte. ARGÜIÇÃO DE INCONST1TUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. Não se encontra abrangida pela competência da autoridade tributária administrativa a apreciação da inconstitucionalidade das leis, uma vez que neste juízo os dispositivos legais se presumem revestidos do caráter de validade e eficácia, não cabendo, pois, na hipótese, negar-lhe execução. Lançamento Procedente.” DO RECURSO VOLUNTÁRIO O impugnante foi cientificado dessa decisão em 23/07/07 (“AR” fls. 76) e, com ela não se conformando, interpôs, na data de 22/08/2007, o Recurso Voluntário de fls. 102/123, utilizando-se dos mesmos fatos e fundamentos legais da peça impugnatória. O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até as fls. 136 (última). É o Relatório. VOTO Conselheira Rayana Alves de Oliveira França O Recurso preenche as condições de admissibilidade. Dele conheço. Trata-se o presente processo de redução da base de calculo do ITR de áreas declaradas de preservação permanente e de reserva legal, no exercício de 2000. Antes de adentrarmos a análise do processo, mister se faz esclarecer que no mesmo não há qualquer laudo. Não obstante, no recurso voluntário está assim afirmado: “1V - AINDA DO DIREITO Em data de 19 de maio de 2005, a recorrente protocolou os seguintes documentos na Inspetoria da Receita Federal de Vilhena - RO: a) carta de encaminhamento do laudo técnico, datada de 18/05/2005, assinada por seu representante legal; b) cópia do termo de constatação de reintimação; c) carta de encaminhamento do laudo técnico, datada de 12/05/2005, assinada pelo engenheiro agrônomo florestal; d) laudo de vistoria técnica do imóvel, emitido por Aparecido Donadoni, engenheiro agrônomo e florestal, CREA 6671D/RO, CPF 106.570.961- 72, com mapa e imagem de satélite do local. Fl. 143DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/10/2010 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC Assinado digitalmente em 18/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 15/10/2010 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC Processo nº 13227.000677/2004-77 Resolução n.º 2201-00.039 S2-C2T1 Fl. 4 4 No referido laudo de vistoria técnica, o engenheiro agrônomo e florestal declara que diagnosticou 646,45 ha de Área de Preservação Permanente e 500 ha de Área de Reserva Legal. Desse modo, a titulo de argumentação e como pedido alternativo, a contribuinte requer que sejam consideradas as informações prestadas pelo Sr. Engenheiro Agrônomo e Florestal para fim de apurar o ITR devido, caso os argumentos despendidos nos capítulos anteriores não sejam considerados.” Sendo estes laudos documentos essenciais para elucidação da questão e não estando os mesmos acostados ao processo, entendo que o presente julgamento deva ser convertido em diligência e reencaminhado a autoridade de origem para que seja determinado ao contribuinte, a apresentação de referidos laudos, no prazo de 20 dias, sob pena de tais argumentos não serem considerados no julgamento. Rayana Alves de Oliveira França - Relatora Fl. 144DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/10/2010 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC Assinado digitalmente em 18/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 15/10/2010 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC
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Numero do processo: 10580.726991/2009-71
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2101-000.050
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento deste recurso até que transite em julgado o acórdão do Recurso Extraordinário em nº 614.406, nos termos do artigo 62-A do RICARF.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento deste recurso até que transite em julgado o acórdão do Recurso Extraordinário em nº 614.406, nos termos do artigo 62A do RICARF. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 1523.580, proferido pela 3ª Turma da DRJ Salvador (fl. 84), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação. A infração indicada no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: Fl. 136DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 3/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10580.726991/200971 Resolução n.º 2101000.050 S2C1T1 Fl. 137 2 Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física –IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 121.834,81, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) segundo a legislação que regulamenta o imposto de renda, caberia à fonte pagadora, no caso o Estado da Bahia, e não ao autuado, o dever de retenção do referido tributo. Portanto, se a fonte pagadora não fez tal retenção, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; c) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício, pois o autuado teria cometido erro escusável em razão de ter seguido orientações da fonte pagadora; d) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boafé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB; e) o lançamento fiscal seria nulo por ter tributado de forma isolada os rendimentos apontados como omitidos, deixando de considerar a totalidade dos rendimentos e deduções cabíveis; Fl. 137DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 3/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10580.726991/200971 Resolução n.º 2101000.050 S2C1T1 Fl. 138 3 f) ainda que o valor decorrente do recebimento da URV em atraso fosse considerado como tributável, não caberia tributar os juros incidentes sobre ele, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) em razão da distribuição constitucional das receitas, todo o montante que fosse arrecado a título de imposto de renda incidente sobre os valores pagos a título de URV teriam como destinatário o próprio Estado da Bahia. Assim, se este último classificou legalmente tais pagamentos como indenização, foi porque renunciou ao recebimento; h) é pacífico que a União é parte ilegítima para figurar no pólo passivo da relação processual nos casos em que o servidor deseja obter judicialmente a isenção ou a não incidência do IRRF, posto que além de competir ao Estado tal retenção, é dele a renda proveniente de tal recolhimento. Pelo mesmo motivo, poderia concluirse que a União é parte ilegítima para exigir o referido imposto se o Estado não fizer tal retenção; i) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; j) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos Magistrados Federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo não sofre a incidência do imposto de renda. Assim, tributar estes mesmos valores recebidos pelos Magistrados Estaduais constitui violação ao princípio constitucional da isonomia. Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador de primeiro grau manteve integralmente o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em seu apelo ao CARF, às fls. 94/132, a recorrente reitera as mesmas questões suscitadas perante o juízo a quo. É o Relatório. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 3/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10580.726991/200971 Resolução n.º 2101000.050 S2C1T1 Fl. 139 4 Voto Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, Relator. O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Antes de adentrar às questões suscitadas na peça recursal, há que se enfrentar questão preliminar que diz respeito à possibilidade de apreciação do feito neste momento, tendo em vista o disposto no artigo 62A do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com a redação dada pela Portaria MF nº 258, de 2010: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Conforme descrição dos fatos no auto de infração, o lançamento tributário decorre da classificação indevida de rendimentos recebidos acumuladamente. Sobre a matéria, há orientação fazendária firmada no Parecer PGFN n.º 287/2009, posteriormente ratificado também pelo Ato Declaratório n.º 1/2009, editado à época da consolidação da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça sobre o tema. Referida orientação, firmada no sentido de que “no cálculo do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, devem ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global”, por derrogar, em última instância, o texto legal do art. 12 da Lei nº 7.713/88. Entretanto, essa forma de tributação foi levada à apreciação, em caráter difuso, do egrégio Supremo Tribunal Federal, que reconheceu a repercussão geral do tema, nos seguintes termos, in verbis: “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Fl. 139DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 3/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10580.726991/200971 Resolução n.º 2101000.050 S2C1T1 Fl. 140 5 Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614406 AgRQORG/RS, Relator(a): Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03032011) Com fulcro no reconhecimento da repercussão geral do tema pelo Supremo Tribunal Federal, verificase que o Parecer PGFN nº 287/09 teve a sua eficácia suspensa pelo Parecer PGFN nº 2.331/10, enquanto perdurar a discussão judicial a respeito da matéria. Por essas razões, em virtude da contradição entre os termos do art. 12 da Lei n.º 7.713/88 e o teor do Parecer n.º 287/09, e, especialmente, em razão do caráter vinculado do lançamento tributário, na forma preconizada pelo art. 142 do CTN, para evitar possível violação aos princípios da legalidade e da tipicidade cerrada, entendo por bem suspender o julgamento do presente recurso voluntário. Diante do exposto, voto no sentido de determinar o sobrestamento do presente recurso, até ulterior decisão definitiva do egrégio Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE nº 614.406/RS. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 140DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 3/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS
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Numero do processo: 19509.000193/2008-71
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/1999, 01/06/1999 a 30/07/1999
REMUNERAÇÃO DECLARADA EM GFIP
A empresa está obrigada a recolher a contribuição devida sobre a
remuneração paga aos segurados que lhe prestam serviços.
SUCESSÃO
Os elementos caracterizadores da sucessão de empresa estão devidamente demonstrados no relatório fiscal da NFLD.
LISTA DE CORESPONSÁVEIS
Os diretores ou sócios somente poderão constar na lista de coresponsáveis do lançamento fiscal como mera indicação nominal de representação legal, mas não para os efeitos de atribuição imediata de responsabilidade solidária, visto que deverão ser observadas as condições previstas no artigo 135, do CTN.
MULTA
A multa aplicada hodiernamente, considerando a retroatividade benigna estampada no artigo 106, II do CTN e a novel legislação que alterou a Lei 8.212 de 1991, a Lei 11.941 de 2009, neste caso a mais benefica é do Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, deve ser respeitada se melhor para o contribuinte.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-003.058
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em não
conhecer do argumento sobre a duplicidade de exigência, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Bernadete De Oliveira Barros
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SUCESSÃO Os elementos caracterizadores da sucessão de empresa estão devidamente demonstrados no relatório fiscal da NFLD. LISTA DE CORESPONSÁVEIS Os diretores ou sócios somente poderão constar na lista de coresponsáveis do lançamento fiscal como mera indicação nominal de representação legal, mas não para os efeitos de atribuição imediata de responsabilidade solidária, visto que deverão ser observadas as condições previstas no artigo 135, do CTN. MULTA A multa aplicada hodiernamente, considerando a retroatividade benigna estampada no artigo 106, II do CTN e a novel legislação que alterou a Lei 8.212 de 1991, a Lei 11.941 de 2009, neste caso a mais benefica é do Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, deve ser respeitada se melhor para o contribuinte. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em não conhecer do argumento sobre a duplicidade de exigência, nos termos do voto da Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 50 9. 00 01 93 /2 00 8- 71 Fl. 614DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por VILMA SANTOS DA GRACA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA 2 Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério e Marcelo Oliveira, que votaram em conhecer do argumento; b) em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nas preliminares, para afastar a responsabilidade dos administradores da recorrente, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira que votaram em dar provimento parcial para deixar claro que o rol de coresponsáveis é apenas uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo Fisco, já que, posteriormente, poderá servir de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional, nos termos do voto do(a) Relator(a); c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, até 11/2008, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Wilson Antônio de Souza Correa. Marcelo Oliveira Presidente. (Assinado digitalmente) Bernadete De Oliveira Barros Relator. (Assinado digitalmente) Wilson Antônio de Souza Correa Relator designado. (Assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Adriano Gonzáles Silvério, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes Fl. 615DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por VILMA SANTOS DA GRACA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19509.000193/200871 Acórdão n.º 2301003.058 S2C3T1 Fl. 601 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente a contribuições devidas à Seguridade Social, correspondente à parte da empresa e à destinada aos terceiros. Conforme Relatório Fiscal (fls. 25), o débito se refere às contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados que prestaram serviços à empresa FRIPORÃ que, no entendimento da fiscalização, é a sucedida da notificada, informada em GFIP. A autoridade lançadora informa que, apesar de intimada por meio de TIAD, a empresa sucedida não apresentou a documentação solicitada, motivo que levou a fiscalização a coletar os dados em outros documentos, como Resumo Mensal das GFIPs e Cópias de documentos em Processos Trabalhistas. O agente notificante expõe, a seguir, os motivos que o levaram a incluir, como responsáveis da empresa notificada, na condição de legítimos proprietários, os senhores FRANCISCO CLAUDINEI CAPUCI, e JOSÉ CLARINDO CAPUCI, bem como os elementos de convicção da ocorrência de uma sucessão dissimulada da empresa. Junta relatório intitulado HISTÓRICO E PONTOS RELEVANTES DA AUDITORIA FISCAL (fls. 51), por meio do qual narra os fatos que indicam a prática, em tese, de crime contra a ordem tributária, nos termos do art. 2, I, da Lei n° 8.137/90, ensejando a elaboração de "Representação Fiscal para Fins Penais", a ser encaminhada às autoridades competentes para a instauração das rotinas penais cabíveis. A recorrente e os Srs FRANCISCO CLAUDINEI CAPUCI e JOSÉ CLARINDO CAPUCI, considerados, pela fiscalização, como coresponsáveis, apresentaram defesa e o INSS, por meio DecisãoNotificação nº 06421.4/059/2003 (fls. 407), julgou o lançamento procedente. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls.443), alegando, em síntese, o que se segue. Inicialmente, alega que os auditores fiscais não comprovaram, nos autos, que a constituição da suposta sucessora tenha sido derivada do resultado de fusão, transformação ou incorporação da suposta sucedida e, ao contrário, a recorrente comprova, por meio dos documentos 01, 02 e 03, anexos ao presente recurso, que a suposta sucedida não é empresa extinta e não esta inativa, bem como a suposta sucessora não deu continuidade às atividades da suposta sucedida, sendo que não consta, no quadro societário da recorrente, nenhum sócio da suposta sucedida. Afirma que o Complexo Industrial como o Fundo de Comércio da suposta sucedida não foram adquiridos pela recorrente e, sim, conforme relato dos próprios fiscais, os referidos bens foram adquiridos pela recorrente. Fl. 616DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por VILMA SANTOS DA GRACA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA 4 Salienta que a recorrente, no exercício de suas atividades, utilizava o Complexo Industrial na condição de arrendatária, por meio de contrato de arrendamento devidamente registrado em cartório, sendo que a sucessão arbitrariamente imposta à recorrente pelos AFPS não encontra amparo legal nos art. 132 e 133 do CTN. Insurgese contra a imposição de responsabilidade relativa à obrigação acessória correspondente a entrega dos documentos da Friporã, esclarecendo que a suposta sucedida foi intimada em endereço estranho a sua administração, como também diverso da sua sede e das suas filiais. Esclarece que a recorrente não foi intimada para entregar documentos da suposta sucedida, restando patente que a obrigação acessória a ela atribuída deuse de forma inquisitorial, deliberada ao bel prazer dos AFPS. Entende que, também de forma arbitrária e inquisitorial, os Auditores atribuíram aos sócios e mandatários da recorrente a coresponsabilidade às obrigações previdenciárias da suposta sucedida, sendo que, após identificarem e relacionarem os verdadeiros responsáveis, procedese de forma arbitrária envolvendo pessoas estranhas ao quadro societário da suposta sucedida. Sustenta que os auditores, além de arbitrários, foram negligentes no procedimento administrativo, pois não deram seguimento às investigações na fiscalização da suposta sucedida e, de forma cômoda, impõe as obrigações previdenciárias à sucessora. Finaliza requerendo o provimento total do recurso, com a declaração da improcedência da sucessão e das obrigações acessórias atribuídas à recorrente, bem como da improcedência da coresponsabilidade atribuída aos sócios e aos mandatários da recorrente. O Sr. JOSÉ CLARINDO CAPUCI, considerado pela fiscalização como co responsável, apresentou recurso alegando, em apertada síntese, ilegalidade da sucessão atribuída à suposta sucessora e que, em hipótese alguma, se pode admitir a sua co responsabilidade nas obrigações da empresa FRIPORÃ, uma vez que a referida empresa não se encontra inativa e todos os seus verdadeiros responsáveis foram identificados e relacionados pelos auditores fiscais. O Sr. FRANCISCO CLAUDINEI CAPUCI, também indicado no relatório de Coresponsáveis, apresentou recurso insurgindose contra a sucessão atribuída à FRIGONOSTRO e contra a sua coresponsabilização pelo débito que, conforme entende, foi atribuída de forma ilegal pela fiscalização. Repete as alegações trazidas pela FRIGONSTRO em seu recurso e entende ser infundada a afirmação feita pelo fisco de que houve simulação para descaracterizar a sucessão e a responsabilidade tributária. Afirma serem inverídicos os fundamentos em que os auditores envolvem o recorrente na acusação de simulação e de ilícito penal que, em tese, constitui crime contra a Seguridade Social, argumentando que, se houve crime, tal fato é da responsabilidade das pessoas que constam no seu contrato social, uma vez que no crime não há sucessão. Se defende contra os débitos lançados por meio das NFLDs 35.201.0908, 35.201.0878 e 35.201.0886, bem como da acusação de descumprimento das demais obrigações acessórias, concluindo que a suposta empresa sucessora não pode ser responsabilizada pelo não cumprimento dessas obrigações. Fl. 617DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por VILMA SANTOS DA GRACA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19509.000193/200871 Acórdão n.º 2301003.058 S2C3T1 Fl. 602 5 Finaliza reiterando que o complexo industrial, bem como o fundo de comércio da suposta empresa sucedida, não foram adquiridos pela suposta empresa sucessora, não existindo, portanto, fundamentos legais ou fáticos para que o Recorrente continue arrolado como coresponsável as obrigações constantes da NFLD n° 35.201.2188. O Sr. ADEMIR FILAZ também apresentou recurso (fls. 498), repetindo basicamente as alegações trazidas pela empresa recorrente, da qual é sóciogerente, e pelos outros considerados coresponsáveis, Às fls. 517, o INSS apresentou suas contrarazões aos recursos, concluindo pela manutenção da decisão recorrida e a 4a CAJ do CRPS, por meio do Acórdão2343/2004 (fls. 528), decidiu, por unanimidade, não conhecer do recurso por deserção. Após a inscrição do débito em Dívida Ativa, a empresa recorrente entrou com AÇÃO ANULATÓRIA DE ATO JURÍDICO COM PEDIDO DE TUTELA ANTECIPATÓRIA em face da União, requerendo que fossem admitidos os recursos administrativos interpostos, os quais foram rejeitados devido à ausência do prévio depósito recursal. A Justiça Federal acatou o pedido da recorrente, declarando a nulidade das decisões administrativas que não conheceram dos recursos interpostos nos autos administrativos ali indicados. Os autos foram encaminhados a esse Conselho, em cumprimento à determinação Judicial. É o relatório. Fl. 618DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por VILMA SANTOS DA GRACA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA 6 Voto Vencido Conselheira Bernadete de Oliveira Barros Relatora Os recursos são tempestivos e todos os requisitos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice para seu conhecimento. Os recursos apresentados tanto pela empresa recorrente quanto pelas pessoas físicas consideradas pela fiscalização como coresponsáveis serão analisados em conjunto, tendo em vista a semelhança das argumentações apresentadas. Constatase que todos os recorrentes insurgemse contra a caracterização da sucessão realizada pela autoridade lançadora. Sustentam, em síntese, que os auditores fiscais não comprovaram que a constituição da suposta sucessora tenha sido derivada do resultado de fusão, transformação ou incorporação da suposta sucedida. Contudo, o que a fiscalização constatou foi a presença dos elementos que caracterizam a sucessão, quais sejam, empresas que desenvolvem o mesmo ramo de atividade, no mesmo endereço, com a transferência de fundo de comércio. E, ao contrário do que sustenta as recorrentes, a autoridade fiscal não precisa comprovar a ocorrência de fusão, transformação ou incorporação da empresa sucedida para caracterizar a sucessão. A sucessão de empresas é caracterizada pela aquisição, pela empresa sucessora, a qualquer título, de fundo de comércio ou estabelecimento industrial, e continuar a mesma exploração. O art. 133, do CTN, estabelece que: Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato: I integralmente, se o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade; II subsidiariamente com o alienante, se este prosseguir na exploração ou iniciar dentro de seis meses a contar da data da alienação, nova atividade no mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão A fiscalização verificou que a empresa FRIGONOSTRO passou a funcionar no mesmo local em que até então funcionava a empresa Friporã,, utilizando exatamente das mesmas máquinas e equipamentos e de mesmos empregados, além de ter assumindo débitos por ela contraídos. Fl. 619DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por VILMA SANTOS DA GRACA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19509.000193/200871 Acórdão n.º 2301003.058 S2C3T1 Fl. 603 7 A própria empresa FRIGONOSTRO reconhece a mudança do pólo passivo da obrigação no processo trabalhista em que foi celebrado acordo entre a empregada da FRIPORÃ, Sra MEIRY LUCIANA MARTINS PERIGO, e a empresa recorrente, FRIGONOSTRO IND. E COM. DE CARNES LTDA, conforme comprovam documentos de fls 38 a 40. Os outros documentos acostados aos autos pela fiscalização, extraídos de ações trabalhistas movidas por empregados da FRIPORÃ, corroboram a afirmação de que a FRIGONOSTRO é a sucessora da FRIPORÃ. (ex. fls. 41 e fls. 184). Observase, da análise dos acordos trabalhistas juntados, que a empresa ora recorrente em nenhum momento nega, em juízo, que é a sucessora da Friporã, sempre figurando no pólo passivo das demandas trabalhistas dos exempregados da sucedida e fazendo acordos e arcando com o pagamento dos valores relativos a verbas salariais dos demandantes, referentes à época em que eram empregados da FRIPORÃ. Da mesma forma, a fiscalização narra, e comprova os fatos narrados com farta documentação, o histórico de aquisição e arrendamento do imóvel e todos os maquinários da unidade industrial da sucedida, ressaltando pontos que sinalizam uma simulação no negócio do arrendamento, como valor mensal muito abaixo da realidade e incompatível com a magnitude do empreendimento e o oferecimento à penhora, pelo Sr Francisco Claudinei Capuci, procurador e Gerente Administrativo e Financeiro do Frigonostro, de bens da unidade industrial, o que é, no mínimo, inusitado, uma vez que todos os bens, em princípio, deveriam pertencer aos arrendantes e locadores, e não aos locatários/arrendatários. Observase que a própria notificada afirma, no item 2.2.5, de seu recurso (fls. 446), que “e sim, conforme relato dos próprios auditores constantes nos autos, os referidos bens foram adquiridos pela Recorrente”. A fiscalização expôs, com muita clareza e riqueza de detalhes, juntando, inclusive, farta documentação comprobatória de suas afirmações, os motivos pelos quais entendeu que houve a simulação no arrendamento do parque industrial da sucedida pela sucessora. Realmente, da análise dos fatos apresentados, verificase a existência de uma simulação no procedimento adotado pelos recorrentes. Fatos como a confissão de dívida cumulada com dação em pagamento de todos os bens da Friporã, o arrendamento do parque industrial a valores irrisórios para a Frigonostro, a assunção de dívidas trabalhistas pela Frigonostro, a relação estreita entre os sócios da Friporã e as pessoas físicas que assumiram as dívidas desta e os mandatários da Frigonostro, e o curto espaço de tempo em que todo o negócio se realizou, corroboram a afirmação de que houve uma sucessão de fato. Na definição de Clóvis Beviláqua, a simulação é uma declaração enganosa da vontade, visando produzir efeito diverso do ostensivamente indicado (Código Civil dos Estados Unidos do Brasil Comentado – 15ª Edição). O Código Civil Brasileiro de 2002 traz, no § 1o, do art. 167, as hipóteses em que fica configurada a ocorrência de simulação: Fl. 620DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por VILMA SANTOS DA GRACA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA 8 Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados E, conforme demonstrado nos autos, a situação verificada pela auditoria fiscal se enquadra perfeitamente no dispositivo legal transcrito acima. Segundo Orlando Gomes, ocorre simulação quando em um negócio jurídico se verifica intencional divergência entre a vontade real e a vontade declarada, com o fim de enganar terceiro (Introdução ao Estudo do Direito – 7ª Edição). E, de acordo com o art. 118, inciso I do CTN, a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos. Assim, em respeito ao Princípio da Verdade Material e pelo poderdever de buscar o ato efetivamente praticado pelas partes, a Administração, ao verificar a ocorrência de simulação, pode superar o negócio jurídico simulado para aplicar a lei tributária aos verdadeiros participantes do negócio. Nesse sentido, citase o entendimento de Heleno Tôrres em sua obra Direito Tributário e Direito Privado – Autonomia Privada, Simulação, Elusão Tributária – Ed. Revista dos Tribunais – 2003 – pág. 371: “Como é sabido, a Administração Tributária não tem nenhum interesse direto na desconstituição dos atos simulados, salvo para superarlhes a forma, visando a alcançar a substância negocial, nas hipóteses de simulação absoluta. Para a Administração Tributária, como bem recorda Alberto Xavier, é despiciendo que tais atos sejam considerados válidos ou nulos, eficazes ou ineficazes nas relações privadas entre os simuladores, nas relações entre terceiros ou nas relações entre terceiros com interesses conflitantes. Eles são simplesmente inoponíveis à Administração, cabendo a esta o direito de superação, pelo regime de desconsideração do ato negocial, da personalidade jurídica ou da forma apresentada, quando em presença do respectivo “motivo” para o ato administrativo: o ato simulado” Portanto, na presença de simulação, a auditoria fiscal tem o deverpoder de não permanecer inerte, pois tais negócios são inoponíveis ao fisco no exercício da atividade plenamente vinculada do lançamento, que no caso em tela encontra respaldo ainda no artigo 149, inciso VII do CTN que dispõe o seguinte: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: ......................................... Fl. 621DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por VILMA SANTOS DA GRACA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19509.000193/200871 Acórdão n.º 2301003.058 S2C3T1 Fl. 604 9 VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; Nesse sentido, por tudo que foi exposto, verificase que os auditores não foram nem arbitrários e muito menos negligentes, como quer fazer crer os recorrentes, uma vez que, nos termos dos normativos legais que tratam da matéria, o fisco não precisaria “dar seguimento às investigações na fiscalização da suposta sucedida”, já que, configurada a sucessão, a sucessora é a responsável pelos tributos devidos pela sucedida até à data do ato da sucessão. Restou demonstrado, pela fiscalização, que os expedientes utilizados pela recorrente tinham por objetivo simular negócio jurídico, no qual a intentio facti se divorcia da intentio iuris, ou seja, a intenção das partes é uma, a forma jurídica adotada é outra. As recorrentes afirmam, de forma inovadora em relação à defesa, que a empresa Friporã ainda se encontra em atividade, conforme documentos 01 e 02. No entanto, cabe observar que o argumento acima não foi apresentado em sede de defesa, o que, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, se consubstancia em matéria não impugnada, para a qual ocorreu a preclusão do direito de discussão. Porém, ainda que não se considerasse ocorrida a preclusão, verificase, no caso presente, que a empresa não prova o alegado. Os documentos juntados aos autos, às fls. 465/466, se referem a uma situação existente em 01/06/98, e não em 1999, quando da ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária. E, segundo a fiscalização, o sóciogerente da Friporã informou que essa empresa cessou suas atividades no mês de agosto de 1999. Assim, pelo que foi trazido aos autos, tanto pela fiscalização quanto pela recorrente, entendo que restou caracterizada a sucessão, pois os elementos acima, presentes no caso em estudo, evidenciam a sucessão de fato, nos termos do art. 133, do CTN, e art. 242, da IN 70/2002, vigente à época do lançamento. As recorrentes insurgemse contra a imposição de responsabilidade relativa à obrigação acessória correspondente a entrega dos documentos da Friporã. Entretanto, cumpre observar que o débito discutido no presente processo administrativo fiscal não foi lançado por descumprimento de obrigação acessória e, sim, por descumprimento da obrigação principal de recolher, ao INSS, as contribuições devidas à Previdência Social e aos Terceiros, incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados que prestaram serviços à empresa Friporã, sucedida da Frigonostrom, e informadas em GFIPs.. Quanto ao argumento de que a sucedida foi intimada em endereço estranho a sua administração, como também diverso da sua sede e das suas filiais, apesar de também tratarse de matéria preclusa, uma vez que não foi trazida na impugnação, verificase que tal afirmação não invalida o labor fiscal, uma vez que a empresa sucedida recebeu as intimações em 01/06/2002, conforme AR de fls.23, e mesmo assim não apresentou a documentação solicitada pela fiscalização. Fl. 622DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por VILMA SANTOS DA GRACA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA 10 Em relação aos argumentos contrários aos débitos lançados por meio das NFLDs 35.201.0908, 35.201.0878 e 35.201.0886, bem como de descumprimento das demais obrigações acessórias, entendo que o recorrente deve demonstrar seu inconformismo nos autos que discutem tais lançamentos, e não no presente processo, que discute a NFLD 35.201.2188, lançada, reiterase, por descumprimento de obrigação principal. Da mesma forma, relativamente às alegações para afastar o ilícito penal que, em tese, constitui crime contra a Seguridade Social, cumpre esclarecer que a autoridade fiscal notificante não é titular da pretensão punitiva estatal, cabendolhe apenas representar ao órgão competente — no caso, ao Ministério Público Federal — a quem caberá tipificar o fato e oferecer ou não a denúnncia. Logo, o que é pertinente na Representação Fiscal para Fins Penais é tão somente o relatório dos fatos e não a sua tipificação penal, devendose enfatizar, ainda, que o resultado da persecução penal não interfere no julgamento do processo administrativo fiscal, eis que distintos os seus objetos. Os recorrentes insurgemse ainda contra o relatório de coresponsáveis. Entenderam que, também de forma arbitrária e inquisitorial, os Auditores atribuíram aos sócios e mandatários da recorrente a coresponsabilidade às obrigações previdenciárias da suposta sucedida, sendo que, após identificarem e relacionarem os verdadeiros responsáveis, procedese de forma arbitrária envolvendo pessoas estranhas ao quadro societário da suposta sucedida. Porém, a fiscalização constatou, e comprovou, que os Srs. FRANCISCO CLAUDINEI CAPUCI e JOSÉ CLARINDO CAPUCI que constam como procuradores da empresa são, na realidade, de os verdadeiros sócios da notificada. O Sr. Francisco está registrado como “Gerente Administrativo e Financeiro da Frigonostro, e os proprietários formais, aqueles figuram no documento de constituição da empresa, são pessoas modestas e desprovidas de patrimônio, cujos atos se restringiram tão somente em apor suas assinaturas no contrato social, alterações contratuais, nas procurações e no contrato de arrendamento. Já os procuradores são pessoas notoriamente conhecidas na referida atividade econômica, advindas de família tradicional e abastadas, sendo eles que assinam todos os documentos e praticando todos os atos imprescindíveis às atividades operacionais da indústria.. Os sócios formais, Srs. Ademir Filaz e Antônio Lourenço de Lima Neto, antes da constituição do Frigonostro, foram empregados, desempenhando atividades de pouca qualificação e baixa remuneração, percebendo um salário médio mensal de R$309,00 e R$400,34, respectivamente, tendo sido elevados da condição de trabalhador empregado para comerciante industrial, concorrendo com o montante de R$150.000,00 para a abertura do empreendimento industrial "Frigonostro Ind. Com . de Carnes Ltda. A fiscalização observou que a Frigonostro, cujas atividades industriais se deu em 11/2001, com um capital social de apenas R$150.000,00, já registrou, no seu primeiro mês de atividade, o volume de compras em um valor total de R$3.870.211,17, basicamente com aquisição de gado bovino para abate, sendo que em 12/2001 esse valor foi de R$6.908.267,34, o que é totalmente incompatível com o capital social da empresa e a realidade econômica de seus sócios. Fl. 623DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por VILMA SANTOS DA GRACA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19509.000193/200871 Acórdão n.º 2301003.058 S2C3T1 Fl. 605 11 Os documentos relativos à aquisição de gado da principal fornecedora da recorrente, a Fazenda Paquetá, estão assinados por José Clarindo Capuci ou Francisco C. Capuci, e a Certidão de fls. 186, na qual o Sr Ademar Capucci figura como sócioproprietário da reclamada, que no caso é a Frigonostro. Por esse motivo, e pelos demais expostos pela fiscalização, no relatório denominado HISTÓRICO E PONTOS RELEVANTES DA AUDITORIA FISCAL, às fls. 51, entendo que os verdadeiros sócios da recorrente são FRANCISCO CLAUDINEI CAPUCI e JOSÉ CLARINDO CAPUCI, tendo a autoridade fiscal agido em conformidade com as norma legais ao incluílos no relatório de CoResponsáveis. Todavia, em que pese a correção do labor fiscal, cumpre esclarecer que a inclusão do nome dos coresponsáveis é um dos requisitos necessários para a constituição do crédito. O sujeito passivo que deve suporta o ônus contido na NFLD em tela é a própria empresa, sendo ela, em primeira análise, a responsável pelo crédito ora discutido, não podendo se afirmar que sejam as pessoas arroladas no relatório de coresponsáveis, neste momento, o sujeito passivo da obrigação inadimplida. Desse modo, a indicação dos sócios e administradores no anexo denominado de CORESP nada mais representa do que documento instrutório da NFLD, previsto na legislação previdenciária. Como o art. 79, inciso VII, da Lei n.º 11.941/2009, revogou o art. 13 da Lei n.º 8.620/93, a simples indicação dos representantes legais da empresa por meio do CORESP não implica a sua inscrição de imediato em dívida ativa. Registrese que a lista nominal serve apenas como uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo fisco, já que posteriormente servirá de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional. Porém, para deixar claro que o fisco não pode incluir as pessoas físicas relacionadas no CORESP de pronto na certidão da dívida ativa, entendo que deva ser deixado consignado o provimento parcial do recurso, eis que necessário para o dispositivo final do julgado. Nesse sentido e Considerando tudo mais que dos autos consta, VOTO por CONHECER DO RECURSO, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para deixar claro que o rol de coresponsáveis é apenas uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo fisco, podendo servir, posteriormente, de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional. Bernadete de Oliveira Barros Relatora Fl. 624DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por VILMA SANTOS DA GRACA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA 12 Voto Vencedor Conselheiro Wilson Antônio de Souza Corrêa – Relator designado. CORESP A Recorrente, com bastante razão e procedência, insugese contra a relação de vínculos anexos ao auto de infração dos representantes legais da autuada, trazendoselhes responsabilidades tributárias. Não é por demais lembrar que não há relação de vínculo dos sócios e ou representantes legais com a autuação em tela, uma vez que ela (autuação) foi realizada tão somente contra a pessoa jurídica, ora ContribuinteRecorrente. A relação de coresponsáveis tem finalidade meramente informativa, razão assaz que justifica a insurgência da Recorrente, desaguando, por conseguinte em provimento à questão, afastando a responsabilidade tributária dos coresponsáveis. MULTA Insurge a Recorrente contra a multa aplicada, alegando confisco, agressão a Carta Maior e outros quejandos, o que não lhe assite razão. Em verdade a alegação de confisco é por demais exagerada uma vez que, etimologicamente o termo de origem latina implica em tomada de bem de uma pessoa sem a compensação justa, por parte do governo, contrariando flagrantemente a Carta Maior, que tem como um de seus pilares democrático a defesa à propriedade. Mas, por outro lado, e é bem verdade que não podemos virar as costas para a retroatividade da lei que trata o artigo 106, II do Código Tributário Nacional dado a alteração substancial trazida pela Lei n 11.941 de 27.05.2009. E, no caso em tela, conforme acima exosto, da retroatividade temse que possível em razão de a lei a aplicar está retroagindo, não para constituir obrigação, mas para beneficiar ao contribuinte, no caso o Reocrrente, e, por isto, devese aplicar a lei que mais o benficia, que é a do artigo Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, até 11 de 2008. É o voto. Wilson Antonio de Souza Corrêa – Relator Designado (assinado digitalmente) Fl. 625DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por VILMA SANTOS DA GRACA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 18336.000077/2005-76
Data da sessão: Fri Oct 01 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3201-000.176
Decisão: Resolvem os Membros do Colegiada por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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Judith do Am tides .Armanc o Presidente mciano Lopes de A 'acs - Relator S3.-C21 Fl 167 MINIS l'E'.R10 DA FAZENDA CONSEITIO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS vizcF RA SECA() DE .JULGAMENTO Processo n" 18336.000077/2005-76 Recurso n" 216.476 Resolluçao n" 3201-00:176 — 2" Camara / I" Turma Ordinaria Data 01 de outubro de 2010 Assunto Sol lei I.a0o de Diligencia Recorrente PETROBRAS S. A Recorrida EA/UNDA NACIONAL Vi st Os, relatados c discuti dos os presentes autos Editado Fin: 28 de janeiro dc 2011 Participaram, ainda, do presente julgainento, os Conselhenos: -India' do Amaral Marcondes armando, Mercia Helena Trajano 1)'Amorim, I Ins Fduardo Garrossino 'Barbieri, Marcelo Riheiro Nogueira e Daniel Mariz P11,1Ct.11,1) 1S33(/ 000077/2005-76 S3-C21 1 ke.SOIlly5() 11 32(11-00.176 165 Relatório Por hem descrever os ratos relativos ao contencioso, adoto o te] ato do Olga° julgador de primeira instancia ate aquela Trata o presente process() de exigencia do Impoyar de Imporniçáo l'o7)00/i4,'08 ar rescimos legens, bent come) da multa de ojiclo poi latter de recolhimento da molter de mor a, pellazencler, na data da atitua(ao, um el ("Who tributário no valor total de R$ 666.979,06 objeto do Auto de Infrao-io lls 01/10 Seg,undo a de.scricito dos fato' constante do Auto de hillacao, a emptcyce 1.1115rOlC'' OttOV(S. (la Deelaraclio de hnportaçdo dc ri 00/0263158-4, registrado ern 27/03/2000, pleneou reduciio ia a//quota -ad valorem' de 6 1).i) para os produlos clasificados no codi,Q,0 Aq: Al 2 710 00 41, que à c"froca era a a//quota normal vigente para o imposter de linporra(ao, para a aliquota reduzida de 1.20 %, prevista 110 Acordo de Complementaçáo Le:onómica ii (,,I(E 39), confor me 1)eereto de execuoio n 138, de 16/08/1999, firmado ern' e Bras'il e os' yeguintes- paises Colómbia, Equaelor. Peru, Venezuela, (Paises-Membroy da (_.'omunidade Andina) yclarecc ti .Piscalizeu,.-ao, quanto à operacrto, o sente et) o certijicado de or igem apresentado para instruçqo do despacho oniticlo ern Caracas, na como paisde origem da mercadoria, a Vene,:uela e declarer como empresa exportadora a 5.4 PLIROLL'O A„. Ii) a látura comercial que instruiu O LICSpaC110 de imporhicao fbi a P11'SB 379/2000, pela Pelrobras International Alliance Company elfripITSO L0111 redo' nay Ilhas Cayman, pals nao membro da ALADI); HMO kl -re1.10 erflpreVI, a Petrobras In PiTlaneC Company (1)ifii:o) empresa com sede nas Ilhay Calfrital7, »OR 100 dO consta como expor lar/ora confi rme a latura comercial (ipreseracida lia Iii sit tr(ao do despacho, d) COillOrine consla 110 C07711CCiinCIVO de ernhatqw ■ a inerce rdwja foi cinbarcada diretamente da VoneEuela paler 0 Brasil e recepcionada no Brasil Redo Pen óleo Brasileito Si! — PETROBRAS, na qualidade de importador, por canter do eneloss'o que Ihe til conferido pela PVC° essa mesma emir, esa figura corner exportaden a, de acordo coin o elector ado pela PATROBRAS, e) a jOilifel Plico que lush Mu a DI somente foi emitida bem após chor?,ada do mercadoria ao Brasil e bem após o rcglytio da DI, cemlOrme (hints diV:riminadas ft 04: I) diante dos fatos e documentos apiesennuloy, a operaeao comercial foi clilahs.ada a In: do Resolucao n" 252, do Contik! de Rep cwrnantes da AA41)1, recepeionada na legislaça0 brastleira ettravc"fs do Decreto ii" 3 325/99 2 Proccsso n' I ,;' .336 00007712005-76 S3-('2 II Resol tic* ii " 11 I 69 ()fer - cc.:e ainda a Fisealização os seguintes cs(larecimentos, lls. 03/05: a) o runner o cia lOtura eomereial (91.934-1) indicado no campo reservado c't declin (ado de ()rigor' de fatura que instruiu a DI "Para atendei crc exi,gJnc.:ias do arligo 9'; esse campo do certif. icado de oric-fern deveria indicar o runner° da [(aura or-J.1inch' pela l'fico, ou então, ter sido deixado em bronco, caso o o dessa . fatura ndo fiisse conhecido qtrando da emissão do certificado Nesso sift-wed°, o importador c/c vera ter (rpresentado a declaraçãojurennentada proviso no enact° ligo, o que Sc tivesse sido o caso concreto, tambcrn deixou ser obser vad()'' • 1)) 17.0 verdade, a operacão realizada na importacr.7.o (la mercadoria dilero da operação preYrsta no art. 9" do citado acyrdo, pois de pro a operrado original consistiu na ve.wda da; nag c:calorias pcla PDrS'A PETR()T,E0 Y (4.15 5.1 5 Pliee situarla nas alias Cayman, como sc observe" pela igalicra:ão do lingão da PDVSAno Certific:ado de Or igein,- Diante dos latos, a Fisealiza(do decidiu pela desclassifica<do do regime aduaneiro de tribuaado 71(1 modalidade rmiuçào, ¡ell} icando-o pata rag/me de hibutação integral Constatou ramie' a h-colixa(aO qtle a autuada não incorporou ao valor trihuhivel mercadoria, o -valor do fr.eie, na ciao do regisfi 0 da 1)1 (2 7/0$/2000), fato ,gerador do Impost() de Importa(do, realizando posteriormente on 12/05/2000 retificação da ralei ida DI, para o valor do Ii etc, apresentando tainbém DARF pogo, 36 no valor "owl de RS 2 105,94, sendo RS 2.058,59 de hnposto dc Impordaelio e PS 47,35 do juros. ()cot cc que na data do pagamento do 11, em 12/05/00, a DI efindo estava cm conferçncia adranteira, sendo desembar-açada _somente em 17/05/00, estando portanto a autuada sob fiscalização na data do pagamento do 11 "daily° ao frete, lato que ensejou o lançamento da multa o//cio Ern frin(ii.° do constatado, foi lavrado Auto de Infir.a.do para cobrança da diferença do Imposto de 11111)0r-0(dr) e aeré.s•cimos ham cony' da mutt(' (le oficio por falia de inclusão frete 00 valor eidnaneir o Cieroilicado (lo lançamento em 24/01/2005, (.orifor me 17 01, o ronir ant inte in 5010l11-5 contra a eyigencia, ijir esentando cm 1 7/02/2005 a impugnação de lis 41/67, nos seguintes tormos - invoca Licórdãos do .Fgr.:ga.) Terceiro Conselho dc Contribuintes, cu.») resultado em mate/ia scine?thante Thc foi destocantlo que os Conselhos de C'ontribuinter J°r-arn corm:chic/as para um escopo especial• or )(whir- a apheoção das tributOrias no ambit() da e unificar-lhes a interpretação par a todo o Brasil, as,sim e "data naivisna vain", necesserrio que sua.s deets•rjes/jurisprodegh:las sejam observadas, para que se mantenham . firrnes e coerentes cm todas as unidadcs da Secretor ia Receita Federal, (ugni quo a crise nuinda•rl, restrições administrativas impostas na area cambial, a exigencia do.s prazos para entrega da documentação de impor had°, as dificuhlades na capatção de recm-sos por qua passa o pais, alegn do ficadvds- o.specificidadc: gco-politicas dessas• Proccsso n'' 18336. 000077/2005 -76 S3-C211 Resoluç7i0 n " :3201-09..176 I 17(1 11101 cadorias, acarretam iiniii.a OOS aos nogócios, arviabilizando alternativas comerciais que stiperam esses óhices; - alega que poi interesses vitals da econontia do Pais e para equaelonar 0 s2ignilk rol de confingenciamentos. 0 COMO 01710 JOS a Ito r na ti vas comerciais, pus Sou (L1R013IMS a comprar 0 produto, com o jIfaW neces sério, mas 117110 das si.iI aliériu,spaga diretamente ao pi ()ditto' -evportador o prow dessa comp, a, poi 01(10/n (10 conti 01(007 '01Romitantetricrile a PUIROBRAS revende a mercadoria à subsidiaria, coin lot prazo; e a recompra para pagamento até 180 dias; - destoa quo a Resoluedo n'' 78 e o ÀCOHIO n no vedai am o compia di re 1 a coin inlet venni?nci a po sloior de /0100/10.5 own finalidade de mom alavancagcni financeir a, e son transit() poi witio pais, - descahe a perdu da reduyao crn .f000 da ni-io 1Ii/0r1/iOÇêO (/0 quantidade, hem 00100 petit C1171:5 S[10 do ,filau a comercial depois do eer bficado origem, - ressalla quo o famia final, co elide O preço par° e idontico, C01111;11111C CM 07111)(1 as fatal as ante' loroS, aciescido apenas (10 tOpasso dos CM (11"0S fillatiCC11 OS (.11.1S linlias de credit() tornados, - a mercadoi ia, cm face da aquisier.io original. e enviada diretamente do pais prod/110r part" o Brasil 0, só nut/to rommentc, havori trasito OI otoi .o pais, - tessaha a necessidade de realiza(iio des w.z ■ opeiaeâe.s inicrincdiUrias pola empiesa como fOrma de alavancagem finaneeira, - reitera quo essas operaciTics do intermediaçiio de am tercciro pais nao 0010010 com a inton(eio que presidia a celebra ceio dos Acordos cio reducao tarifai ia, tampouco p1 qudicam 500 enquadramento no regime de origem, - o art 10 da .1?.(isolução 78 deterinina que os pulses signalarios procederao a c.:onstillas on/co os Gover nos., .NC111p1V C pie pi a men to a adooTici do modiciay quo Unplique rojekijo do Cor//fic-ado do Origem, observando-.so climb o devido processo legal. - alega que e improspercivel a pretonsa diverg[encia entre Os ninneros constantes do Certificado do Origc,.'m O da /010/a corre.spondente, - basta observar qae o nUmero da 'alum comercial (lac constr.; no camp° relerente (.1 declara0o de 01rgC111, do rospectivo cerfificado, 4Clivarrionte 1140 DIVE.RGE da tatur 0 (111C 1/75/ruiu o processo Pfico, - cm nenhum moment° O enquadramento legal citado no atuo, fa= disposioio quanto é perda do direito cio redmiio nestes casos, logo o enquadramento legal não .se coaduna com a penalidade imputada impagnante, - rna (pie o Auto de infiao -io esta eivcido do mihdade, por C01711 -(11101" e nQ.4ai• vigenela ao an 10, inciso IV do Oct:veto n" 70.235/72, aonao especificar de modo claro o quo ('Sii .sendo cobrado, 4 Processo I 8336 00001//200.-76 S3-C2Í 1 R esol n0o in 0 3201-00..176 Fl 11 I indagaciO atenchMento 00 prillelpi 0 constitueional do contraditõrio da ampla delesa, (art 5" da CF/88), qual a disposiclio legal infrirrOda e a penalidade vez que hq na inesma autua<iiio Fiscal, el quacbanientos- I rus distintos e divergentes, fiaz a him(' o art 112 do CM e conclui (pie o cerne do auto de lnliaceio reside na Unpossihilidade material de correlacionar latur a comercial da Pfic.o C.OTTI a da P11) J7S1, o que Mir) pode prosper at.; - em observai/cia 00 1 incipio da verdade material, carter a 1- ealizaerTio de pericia para comp; oval . .se os documentos objeto da presente tide tem a &Tick; cul.equaçieio correlckiio C1 imporickões . cm quesider, apr esen tondo Cl quesim(ao 56 Seria ;:.or i «to alir mar que o numero da fauna came; cial que cousta no campo refer erne c1 aeclaracqo de o; /[/C do respect- iv() certificado, diverge du la ltua Tie insu ni o p; oces so Pfico Seria ci.otreto ((firma i que ao observai mos o campo -INVOICE - se vc> com elarc."L'a a ideritiJicaçdo Comercial (verknuelarra) a que dispõe o cl !fiscal? Set ia f:07 reto at)] ma/ (pc' a i/o; maçou que con s/a no campo "INVOI(.7E", (fatura 91934-1) suficiente para se eschu ecer o pais origem demais dados da origem do prodnto? Por fim, Nora COI I cio afirmar que do certificado orij:,rem se extrai ; elerencias uficientes/cla ; as -- ORS'ER V1 CÕES s.obre a pat licipa<ito (IC 11/71 operador de 111 1 ! lei Ceir0 paR na transar,.a.o.? Com algumas diligeneras e ancilise de todos os documemos que compaseram a importaciio, seria poysivel afirmar que os p; odutos ¡MVO/ lados tem or i,,,2,-en; cletivamento no Venezuela, e se a Men (.1(10't la relacionada no5 docianento s meneionados no .11 sc-to mesnlaS? - Ressalia que (maw° ao art 16, inciso IV do Decreto n" 70.235/72, pode-se nun (pie O perito oficial da SRI , seria suficiente, e pOr iS SO ndo havia necessidade de nomea<ito de perito da pane. ciçsim sendo TOO 1.0 COMO se refinat a apt ecia(iio J21 ora Malef ial ora apt csentada pela unpit,..arante, FeSpeil0 00 pi blei pi() (10 fiarmalismo model ado - Ressalta que, trritardo-Ne de in-rportacões no inlet esSe do Pais e _sob rigoroso controle do Governo Federal, verifica-se dcsatraz.oada a autuaeao, (11.1C pc-se a crudiedo de sell signalario; - traz à colckiio respcitiivel doutrina e jutispludarcia adnzinistrativa e sintetiza a poskdo adolada pelo entt'io Conselho de Contribuintes acerca de fulgados solo e a 111att 1. a 0111 quesíao, - ¡era que hq eopiosa jurisprtidéneia d0 lerceiro Conselho de Contrilmintes (lc:00nd0 Cl lese cio defesa e dolor resumidamente o.s finichnnentos utilizados . pelo Conselho de Contribuintes em inah:Tict 5einelhan Proce:-;so I 330 000077/2005-76 S3-C2 - I I ResoluOlo ri " 3201-00. 1 76 F. 1 172 iequer aindo que „sera (/0//Orado nulo pm' ilewlidade, e se caw nao seja esse O entenelimento, sela cancelado o Auto do 1nf1 en,4"io por sua manife.s.ta improcede.`neia/in.s.ubsistenci/.i. deeisao de primeira instancia, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento dc Fortaleza/FOR julgou parcialmente improcedente o pleito da recorrente, conforme Decisáo 1/10/1..f.* if' .16.810, de 1.5/12/2009,1:1s. 74/93: As sunk) Proces O Ad min i ytt ativo Fiscal 1.)ala do lido gerador. 27/03/2000 PLOW° DE . PERiCIA NA -0 PORMULADO. Considera-se nâo fe...n..turilaelo o peelido pericia que (lei 70 d(' Wender aos requisitas previstos na 10.2:1114'a0 de reTeneia NUE1DADE DO LANOMEN1 Imptoccdente a argirreao de nulidade do lanytmento apontada petit detksa, tondo CM to quo a evi,5 s,o-e'ricia foi fi ninali,7ada con/ observancia das 1/0/10(1 . 5 pt. oces.strais O inateriais apheaveis /to fill() 0W1 000111C! AssEnto. No) Inds Gerais de Direito 1/ ii/.)ifIdliO Pala do /i it gerador 12/05/2000 MULTA DE Oh k:10 INCORPORAÇÃO DO [REIF, AO PALO'? TRIBUTÁVEL DA MERCADOR1A 1.), ,4GAMEN10 DO IMPOSTO 1)1 IM..1)0R11/1(:ÃO SOB P110C1,DIA4EN10 DE C'ONTERENCIA Consideia-se como nao impugnada quanto ao ineVilo, a makria nau eviessamente contestada, porém, tendo o impn,fv- -iante suseitado uma preliminar de 111,110(1C1C 1101' cerceamento de defesa, a qua! abrarrg,o todo o fe 1/0 cousidera-so a p1e5e111e mate'Tia impugnada quanto nao sendo tank) dolatitiva a cob/ awe/ administrativa do cr&lito trilnaario correspondente mate'r ia na0 impugnada Assunto Imposto yobre a Irripoi taeão .11 Data do fato ,gerador-- 12/05/2000 PRLPEREWCIA TAR1E ARIA l'REVIS -I'A PAL ACORDO INTERNACIONAL CERTIFICADO DL (»UCLA ,/ incabivel a aplioa070 de »re:Jere:now //01 000111/1/ em caso do divergencia entre Certificado de Origem e fittuiv (0/00/ 0101 bem comer quando 0 produto Ur/pentad() 1'1! comer( ializado por terceiro sem que tenham sido /1100(11//OS 0.5 requisitos provistos na lewiqacao /10 fcgjilCia Impwnacao Procedonte 0111 0 COiltfibuinte interpõe recurso voluntário de Hs, 104/163. Assiut., 6 dado SeglliMent0 00 .1.•ecurso. ,uciano Lope de VIn ida ora Proce.so n018336 0000M/2005-76 53-C21- " 3201-00.176 Fl 113 o relatorio. Voto Conselheiro I ,uciano Lopes de Almeida Moraes, Relator- . Antes de adentrarmos no julgamento do recurso interposto, entendo deva ser baixado em diligência o presente processo. Isto porque fluo é possível veri hear se a pessoa que tomou ciência do treór&io recorrido as tl.s. 93, Rogério Ferreira da Silva , é empregado da empresa. recorrente. Desta feita, não tenho como verilicar a tempestividade do recurso interposto, tuoti vu pelo qual deve set baixado e iii diligência o process() para que o contribuinte comprove que a pessoa que tomou ciência da decisao recorrida 6 sua. funciondria... Diante do exposto, voto por ser realizada a diligência supia elencada, para tins de intimação da recorrente para que, no prazo de 30 dias, comprove que a pessoa. que tomou ciência da decisao recorrida é sw. timciondria. Após, devem os al tos retornar a este Conselheiro para seguimento. 7
score : 1.0
Numero do processo: 10680.720806/2012-10
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010
PIS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS SOBRE FRETES. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS.
Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e Cofins não-cumulativos sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Conquanto a observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX e art. 15 da Lei 10.833/03, eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação de venda.
Recurso especial do contribuinte provido.
Numero da decisão: 9303-008.261
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Andrada Márcio Canuto Natal e Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que lhe negaram provimento.
Nome do relator: Rodrigo da Costa Pôssas
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 PIS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS SOBRE FRETES. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e Cofins não-cumulativos sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Conquanto a observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX e art. 15 da Lei 10.833/03, eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação de venda. Recurso especial do contribuinte provido.
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REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS SOBRE FRETES. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e Cofins nãocumulativos sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Conquanto a observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX e art. 15 da Lei 10.833/03, eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação de venda. Recurso especial do contribuinte provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Andrada Márcio Canuto Natal e Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que lhe negaram provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas, Presidente em exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 08 06 /2 01 2- 10 Fl. 639DF CARF MF Verso em Branco - Documento nato-digital Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.0520.16083.ESQ4. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10680.720806/201210 Acórdão n.º 9303008.261 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte, contra o Acórdão 3302004.358, que restou admitido conforme despacho de admissibilidade carreado aos autos. Em síntese, entende a recorrente que a legislação lhe dá guarida para se creditar do valor de fretes de produtos acabados entre seus estabelecimentos, ou seja, em período posterior ao da produção. Em consequência, postula a reforma do recorrido para "afastar a glosa relativa aos fretes na remessa de produtos acabados entre seus estabelecimentos". Em contrarrazões, pugna a PFN pelo improvimento do recurso especial. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303008.260, de 20 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10680.720805/201267, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303008.260): 1 "Com a devida vênia ao sempre bem fundamentado voto do Ilustre Relator, prevaleceu no Colegiado o entendimento pela possibilidade de aproveitamento do crédito de PIS e COFINS nãocumulativos decorrentes das despesas com frete de produtos acabados entre estabelecimentos, tendo sido designada esta Conselheira para redigir o voto vencedor. De início, explicitase o conceito de insumos adotado no presente voto, para posteriormente adentrarse à análise dos itens individualmente. A sistemática da nãocumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, 1 Transcrito apenas o entendimento vencedor no julgamento dos autos. Íntegra dos votos pode ser obtida no processo paradigma (10680.720805/201267). Fl. 640DF CARF MF Verso em Branco - Documento nato-digital Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.0520.16083.ESQ4. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10680.720806/201210 Acórdão n.º 9303008.261 CSRFT3 Fl. 4 3 respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autorizase a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda.2 O princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 42/2003, consignandose a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. 3 A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da não cumulatividade do PIS e da COFINS. Por meio das Instruções Normativas nºs 247/02 (com redação da Instrução Normativa nº 358/2003) (art. 66) e 404/04 (art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos é excessivamente restritiva, assemelhandose ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). As Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximando se da legislação do IPI que traz critério demasiadamente restritivo, extrapolaram as disposições da legislação hierarquicamente superior no ordenamento jurídico, a saber, as 2 Lei nº 10.637/2002 (PIS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]. Lei nº 10.8332003 (COFINS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] 3 Constituição Federal de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: [...] b) a receita ou o faturamento; [...] IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. [...]§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (grifouse) Fl. 641DF CARF MF Verso em Branco - Documento nato-digital Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.0520.16083.ESQ4. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10680.720806/201210 Acórdão n.º 9303008.261 CSRFT3 Fl. 5 4 Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e contrariaram frontalmente a finalidade da sistemática da nãocumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. Patente, portanto, a ilegalidade dos referidos atos normativos. Nessa senda, entendese igualmente impróprio para conceituar insumos adotarse o parâmetro estabelecido na legislação do IRPJ Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poderseia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. Em Declaração de Voto apresentada nos autos do processo administrativo nº 13053.000211/200672, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim se manifestou: [...] permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o que distorceria a interpretação da legislação ao ponto de tornála inócua e de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. [...] Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirmase que “O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das Fl. 642DF CARF MF Verso em Branco - Documento nato-digital Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.0520.16083.ESQ4. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10680.720806/201210 Acórdão n.º 9303008.261 CSRFT3 Fl. 6 5 contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecerse o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. Diante do entendimento consolidado deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Conceito mais elaborado de insumo, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF e norteador dos julgamentos dos processos, no referido órgão, foi consignado no Acórdão nº 9303003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do Fl. 643DF CARF MF Verso em Branco - Documento nato-digital Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.0520.16083.ESQ4. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10680.720806/201210 Acórdão n.º 9303008.261 CSRFT3 Fl. 7 6 bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento está refletido no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317 MG, sintetizado na ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de não cumulatividade das ditas contribuições. Fl. 644DF CARF MF Verso em Branco - Documento nato-digital Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.0520.16083.ESQ4. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10680.720806/201210 Acórdão n.º 9303008.261 CSRFT3 Fl. 8 7 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifouse) Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da Fl. 645DF CARF MF Verso em Branco - Documento nato-digital Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.0520.16083.ESQ4. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10680.720806/201210 Acórdão n.º 9303008.261 CSRFT3 Fl. 9 8 prestação do serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. Ainda, no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema foi julgado pela sistemática dos recursos repetitivos nos autos do recurso especial nº 1.221.170 PR, no sentido de reconhecer a ilegalidade das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e aplicação de critério da essencialidade ou relevância para o processo produtivo na conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime nãocumulativo. Em 24.4.2018, foi publicado o acórdão do STJ, que trouxe em sua ementa: “TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: Fl. 646DF CARF MF Verso em Branco - Documento nato-digital Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.0520.16083.ESQ4. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10680.720806/201210 Acórdão n.º 9303008.261 CSRFT3 Fl. 10 9 (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte.” Até a presente data da sessão de julgamento desse processo não houve o trânsito em julgado do acórdão do recurso especial nº 1.221.170PR pela sistemática dos recursos repetitivos, embora já tenha havido o julgamento de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional, no sentido de lhe ser negado provimento4. Fazse a ressalva do entendimento desta Conselheira, que não é o da maioria do Colegiado, que conforme previsão contida no art. 62, §2º do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os conselheiros já estão obrigados a reproduzir referida decisão. Para melhor elucidar meu direcionamento, além de ter desenvolvido o conceito de insumo anteriormente, importante ainda trazer que, recentemente, foi publicada a NOTA SEI PGFN/MF 63/2018: "Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria 4 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO CONTRA ACÕRDÃO QUE DEU PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. CONCEITO DE INSUMO. PIS. COFINS. CREDITAMENTO DE DESPESAS EXPRESSAMENTE VEDADAS POR LEI. ARGUMENTOS TRAZIDOS UNICAMENTE EM SEDE DE DECLARATÓRIOS. IMPOSSIBILIDADE. INDEVIDA AMPLIAÇÃO DA CONTROVÉRSIA JULGADA SOB O RITO ART. 543C DO CPC/73 (ART. 1.036 DO CPC/15). OMISSÃO OU OBSCURIDADE NÃO VERIFICADAS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO DA UNIÃO A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. É vedado, em sede de agravo regimental ou embargos de declaração, ampliar a quaestio veiculada no recurso especial, inovando questões não suscitadas anteriormente (AgRg no REsp 1.378.508/SP, Rel. Min. FELIX FISCHER, DJe 07.12.2016). 2. Os argumentos trazidos pela UNIÃO em sede de Embargos de Declaração, (enquadramento como insumo de despesas cujo creditamento é expressamente vedado em lei), não foram objeto de impugnação quando da interposição do Recurso Especial pela empresa ANHAMBI ALIMENTOS LTDA, configurando, portanto, indevida ampliação da controvérsia, vedada em sede de Embargos Declaratórios. 3. Embargos de Declaração da UNIÃO a que se nega provimento. (EDcl no REsp 1221170/PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 14/11/2018, DJe 21/11/2018) Fl. 647DF CARF MF Verso em Branco - Documento nato-digital Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.0520.16083.ESQ4. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10680.720806/201210 Acórdão n.º 9303008.261 CSRFT3 Fl. 11 10 PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2014." A Nota clarifica a definição do conceito de insumos na “visão” da Fazenda Nacional (Grifos meus): “41. Consoante se observa dos esclarecimentos do Ministro Mauro Campbell Marques, aludindo ao “teste de subtração” para compreensão do conceito de insumos, que se trata da “própria objetivação segura da tese aplicável a revelar a imprescindibilidade e a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”. Conquanto tal método não esteja na tese firmada, é um dos instrumentos úteis para sua aplicação in concreto. 42. Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Buscase uma eliminação hipotética, suprimindose mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo." Com tal Nota, restou claro, assim, que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Ademais, tal ato ainda reflete sobre o “teste de subtração” que deve ser feito para fins de se definir se determinado item seria ou não essencial à atividade do sujeito passivo. Eis o item 15 da Nota PGFN: Fl. 648DF CARF MF Verso em Branco - Documento nato-digital Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.0520.16083.ESQ4. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10680.720806/201210 Acórdão n.º 9303008.261 CSRFT3 Fl. 12 11 “15. Devese, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria como um dos mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. 16. Nesse diapasão, poderseia caracterizar como insumo aquele item – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. 17. Observase que o ponto fulcral da decisão do STJ é a definição de insumos como sendo aqueles bens ou serviços que, uma vez retirados do processo produtivo, comprometem a consecução da atividadefim da empresa, estejam eles empregados direta ou indiretamente em tal processo. É o raciocínio que decorre do mencionado “teste de subtração” a que se refere o voto do Ministro Mauro Campbell Marques.” No caso dos autos, controvertese acerca da possibilidade de tomada de crédito da contribuição para o PIS nãocumulativo com relação ao frete entre estabelecimentos de produtos acabados. Em outras ocasiões, esta 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais manifestouse sobre o tema, firmando entendimento no sentido da possibilidade de creditamento das despesas com frete de produtos acabados entre estabelecimentos por se constituir como parte da "operação de venda". Nesse sentido, é o Acórdão n.º 9303008.099, de relatoria da Nobre Conselheira Tatiana Midori Migiyama, cujos fundamentos passam a integrar o presente voto como razões de decidir, com fulcro no art. 50, §1º da Lei n.º 9.784/1999, in verbis: [...] Quanto à primeira discussão, vêse que essa turma já enfrentou a matéria, tendo sido firmado o posicionamento de que os custos de frete de mercadorias entre estabelecimentos gerariam o direito à constituição de crédito das contribuições. Frisese a ementa do acórdão 9303005.156: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fl. 649DF CARF MF Verso em Branco - Documento nato-digital Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.0520.16083.ESQ4. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10680.720806/201210 Acórdão n.º 9303008.261 CSRFT3 Fl. 13 12 Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na “operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo “frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIAS PRIMAS ENTRE ESTABELECIMENTOS Os fretes na transferência de matérias primas entre estabelecimentos, essenciais para a atividade do sujeito passivo, eis que vinculados com as etapas de industrialização do produto e seu objeto social, devem ser enquadrados como insumos, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso II, da Lei 10.637/02. Cabe ainda refletir que tais custos nada diferem daqueles relacionados às máquinas de esteiras que levam a matériaprima de um lado para o outro na fábrica para a continuidade da produção/industrialização/beneficiamento de determinada mercadoria/produto.” Nesse ínterim, proveitoso citar ainda os acórdãos 9303 005.155, 9303005.154, 9303005.153, 9303005.152, 9303005.151, 9303005.150, 9303005.116, 9303 006.136, 9303006.135, 9303006.134, 9303006.133, 9303006.132, 9303006.131, 9303006.130, 9303 006.129, 9303006.128, 9303006.127, 9303006.126, 9303006.125, 9303006.124, 9303006.123, 9303 006.122, 9303006.121, 9303006.120, 9303006.119, 9303006.118, 9303006.117, 9303006.116, 9303 006.115, 9303006.114, 9303006.113, 9303006.112, 9303006.111, 9303005.135, 9303005.134, 9303 005.133, 9303005.132, 9303005.131, 9303005.130, 9303005.129, 9303005.128, 9303005.127, 9303 005.126, 9303005.125, 9303005.124, 9303005.123, Fl. 650DF CARF MF Verso em Branco - Documento nato-digital Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.0520.16083.ESQ4. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10680.720806/201210 Acórdão n.º 9303008.261 CSRFT3 Fl. 14 13 9303005.122, 9303005.121, 9303005.127, 9303 005.126, 9303005.125, 9303005.124, 9303005.123, 9303005.122, 9303005.121, 9303005.120, 9303 005.119, 9303005.118, 9303005.117, 9303006.110, 9303004.311, etc. É de se entender que, em verdade, se trata de frete para a venda, passível de constituição de crédito das contribuições, nos termos do art. 3º, inciso IX e art. 15 da Lei 10.833/03 – pois a inteligência desse dispositivo considera o frete na “operação” de venda. A venda de per si para ser efetuada envolve vários eventos. Por isso, que a norma traz o termo “operação” de venda, e não frete de venda. Inclui, portanto, nesse dispositivo os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda, dentre as quais o frete ora em discussão. Sendo assim, não compartilho com o entendimento do acórdão recorrido ao restringir a interpretação dada a esse dispositivo. [....] Com base nessas considerações, deuse provimento ao recurso especial da Contribuinte." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer do Recurso Especial interposto pelo contribuinte e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 651DF CARF MF Verso em Branco - Documento nato-digital Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.0520.16083.ESQ4. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por VILMA SANTOS DA GRACA em 22/05/2019 15:06:00. Documento autenticado digitalmente por VILMA SANTOS DA GRACA em 22/05/2019. Documento assinado digitalmente por: RODRIGO DA COSTA POSSAS em 19/06/2019. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 23/05/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP23.0520.16083.ESQ4 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha2: B25813E6415CF6DF09E2765312ABED58CC63228CB7E34BAA484E33640B772092 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10680.720806/2012-10. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10688.000031/2007-17
Data da sessão: Thu Apr 29 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 01/12/1998
Ementa: DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado,
Numero da decisão: 2301-001.422
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 01/12/1998 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado,
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MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 10688,000031/2007-17 Recurso n" 272.309 Voluntário Acórdão n" 2301-01.422 — 3" Câmara / 1" Turma Ordinária Sessão de 29 de abril de 2010 Matéria DECADÊNCIA Recorrente FORTYMIL INDUSTRIA DE PLAST1COS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL, ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 01/12/1998 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3" Câmara / P Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relatar. No presente julgamento foi adotado o procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, regulamentado pela Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos. Ressaltase gxt,. no campo "Data do fato gerador:" foi apresentada a competência de ocorrência do : fat gerador mais recente do lançamento. A data de 20/12 corresponde ao décimo tercdiro ' lárior JULIO CÉSAV ,IRA GOMES — Presidente e Relator jç Participaram\J do presente julgamento, os Conselheiros Bemadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Edgar Silva Vidal (suplente), Damião Cordeiro de Moraes e Julio Cesar Vieira Gomes (presidente). i Relatório Adotou-se no julgamento do presente recurso o procedimento previsto na Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos. Dessa forma, a solução que foi adotada no julgamento do recurso-padrão, abaixo discriminado, foi aplicada a este recurso e a todos os demais repetitivos, conforme divulgado através da pauta de julgamento: No julgamento dos itens .59 (re..curso-padrão) e 60 a 104 (demais recur,sos repetitivos) .serd adotado o procedimento previsto na Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 DOU de 29/09/2009, tendo como idêntica questão de direito a aplicavio da Súmula rinculante n° 08 do STF, de 12/06/2008 59 - Recurso- 264191 Tipo . RV Processo' 11330.000468/2007- 6,3 Recorrente. INPAL SÃ INDUSTRIAS QUÍMICAS Recorrida. DRI NO RIO DE JANEIRO I - Ri Matéria: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRM 1901- unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termo.s do voto cio (q) relator(a) O julgamento do recurso-padrão acima resultou o Acórdão n" 2301-01.406, É o relatório. Voto Conselheiro JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Relator Sendo tempestivo, conheço do recurso. Confrontando-se a data da ciência do lançamento, 14/12/2005, com os relatórios preparados pela fiscalização, contata-se que todo o período objeto do lançamento está integralmente alcançado pela decadência, independentemente da regra aplicável, artigo 173, 1 ou artigo 150, §4° do CII\1; motivo pelo qual adoto a decisão proferida no recurso- padrão, conforme relatório acima.. Assim, voto pelo provimento do recurso. É como voto. Sala das SessáeS, er(i 2 . de abril de 2010. 9 j si Ik',,,'. ', 01 - JULIO CE AR WEL . GOMES - Relator \ , I 2
score : 1.0
