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Numero do processo: 10725.000087/88-81
Data da publicação: Mon Dec 21 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 101-79080
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score : 1.0
Numero do processo: 18088.000811/2007-38
Data da sessão: Thu Aug 05 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Aug 04 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Anocalendário:
2001, 2002, 2003, 2004
Omissão de Receitas. Presunção com base em depósitos bancários (art. 42 da Lei 9430). Necessidade de Intimação do Sujeito Passivo. É condição necessária para aplicação da presunção legal prevista no art. 42 da Lei 9430 que o sujeito passivo seja intimado a demonstrar a origem dos depósitos realizados. A intimação de sócios em fiscalização das pessoas físicas dos mesmos não supre a necessidade de intimação da empresa se a fiscalização conclui que os recursos pertencem a empresa mas circularam pelas contas dos sócios.
Numero da decisão: 1302-000.339
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Recorrida 5ª TURMA/DRJRPO SP ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 Omissão de Receitas. Presunção com base em depósitos bancários (art. 42 da Lei 9430). Necessidade de Intimação do Sujeito Passivo. É condição necessária para aplicação da presunção legal prevista no art. 42 da Lei 9430 que o sujeito passivo seja intimado a demonstrar a origem dos depósitos realizados. A intimação de sócios em fiscalização das pessoas físicas dos mesmos não supre a necessidade de intimação da empresa se a fiscalização conclui que os recursos pertencem a empresa mas circularam pelas contas dos sócios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. .] Participaram do presente julgamento: Wilson Fernandes Guimarães, Lavinia Moraes de Almeida N. Junqueira, Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade e Guilherme Polastri Gomes da Silva e Marcos Rodrigues de Mello. (documento assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. e relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 25/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 25/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18088.000811/200738 Acórdão n.º 130200.339 S1C3T2 Fl. 494 2 Relatório Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado auto de infração, cuja ação fiscal contemplou os anoscalendários de 2001 a 2004 e exigiu Imposto de Renda (IRPJ) no valor de R$ 9.569.747,97, Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) de R$468.504,06, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) de R$1.384.226,36 e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de R$ 3.460.365,70, acrescidos de juros de mora e multa de ofício qualificada de 150%, totalizando crédito tributário de R$ 47.831.885,65 (fls. 03/65), cujo substrato achase assentado na omissão de receitas decorrentes de depósitos bancários não contabilizados. Consta do Relatório de Atividade Fiscal (fls. 67/79) que os créditos bancários efetuados em contas mantidas pela contribuinte não foram objeto de fiscalização, cuja atividade concentrouse na movimentação bancária dos sócios Geraldo Patreze e Sílvia Aparecida Pelegrini Patreze e Roberto Patreze. Segundo referido relatório, “os valores movimentados nas contas bancárias do sr. Geraldo Patreze (algumas em conjunto com o sr. Roberto Patreze) e da sra. Sílvia Aparecida Pelegrini Patreze, cuja origem não foi comprovada, foram lançados como omissão de receita da empresa Patrezão tendo em vista ter ficado comprovado tratarse de recursos da referida pessoa jurídica”. Por entender que ocorrera crime contra a ordem tributária elaborou a autoridade tributária representação fiscal para fins penais, em consonância com a legislação de regência, autuada sob nº 18088.000812/200782, cujo volume I achase apensado aos presentes autos. Consta na capa dos autos informação destacada que indica estarem os demais volumes que compõem o respectivo processo arquivados na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Araraquara, SP. Instruem o processo volumes anexos apensados, descritos no termo de juntada de fls. 278/279, que apresentam as seguintes características: anexo I – constituído por intimações, respostas e documentos relacionados com verificações efetuadas junto aos sócios Geraldo Patreze e Sílvia Aparecida Pelegrini Patreze; anexo II – formado por cópia dos extratos correspondentes às contas bancárias que têm como titular o sócio Geraldo Patreze, com o registro de que algumas são em conjunto com o sócio Roberto Patreze; anexo III – agrupa cópia dos extratos relativos à conta bancária mantida no Banco Sudameris, agência de Araraquara, nº 0602383042004, cujos titulares são os sócios Sílvia Aparecida Pelegrini Patreze e Geraldo Patreze; anexo IV – relaciona as Declarações de Informações Econômico Fiscais da impugnante, correspondente aos anoscalendário de 2001 a 2004; anexo V – constituído por planilhas que relacionam depósitos ou créditos para os quais foram identificados lançamentos contábeis, planilhas que relacionam Fl. 2DF CARF MF Emitido em 25/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 25/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18088.000811/200738 Acórdão n.º 130200.339 S1C3T2 Fl. 495 3 lançamentos contábeis para os quais foram identificados os respectivos depósitos ou créditos, plano de conta dos anoscalendário de 2001 a 2004 e lançamentos contábeis de pagamentos efetuados aos sócios, elaboradas no decorrer dos trabalhos de fiscalização, e, anexo VI – formado por cópias dos extratos bancários cujo titular é a contribuinte. Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou impugnação (fls. 284/355) na qual alega que: a) improcede o lançamento em face de ter havido quebra de sigilo bancário sem autorização judicial; b) ocorreu decadência do direito de o fisco lançar IRPJ relativamente ao período de 31/03/2002 a 30/09/2002; c) descabe constituição de crédito baseada em presunção de omissão de receitas; d) é incabível tributar como receita omitida pela empresa as importâncias apuradas na verificação das contas de depósitos dos sócios; e) inexiste descrição no auto de infração e no relatório fiscal de qual ato normativo que permite tributaremse contas correntes dos sócios como se fossem da impugnante; tampouco existe ato legal que suporte o lançamento e instrução probatória suficiente para tal desiderato. f) improcede o lançamento de juros à taxa Selic; g) a multa aplicada é confiscatória e inconstitucional. Relativamente à tributação reflexa, no âmbito da CSLL reiterou a impugnante todos os argumentos antes expendidos. Quanto à Cofins e ao PIS, acresceu que: a) ocorreu decadência do direito de o fisco proceder ao lançamento para os períodos anteriores a novembro de 2002; b) a autoridade tributária deixou de observar o princípio da não cumulatividade para o lançamento do PIS e da Cofins; c) é inconstitucional o aumento da base de cálculo alterado pela Lei nº 9.718, de 1998, bem assim a majoração da alíquota da Cofins; d) é indevida a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins; e) a autoridade tributária deixou de considerar créditos de PIS e Cofins para produtos com incidência monofásica, a partir de agosto de 2004. Ao final propugnou pela acolhida de seu pleito e acaso não seja acolhida a tese de impossibilidade de presunção, sejam os autos baixados para realização de diligência. A DRJ decidiu conforme ementa: Fl. 3DF CARF MF Emitido em 25/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 25/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18088.000811/200738 Acórdão n.º 130200.339 S1C3T2 Fl. 496 4 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ ANOCALENDÁRIO: 2001, 2002, 2003, 2004 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizam omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. EXTRATOS BANCÁRIOS FORNECIDOS PELO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. LC Nº 105/01. PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO. QUEBRA DE SIGILO. O art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, regulamentada pelo Decreto nº 3.724/01, autoriza a autoridade fiscal a requisitar informações acerca da movimentação financeira do contribuinte, desde que já instaurado o procedimento de fiscalização e o exame dos documentos seja indispensável à instrução, preservado o caráter sigiloso da informação. O acesso a informações junto a instituições financeiras, para fins de apuração de ilícito fiscal, não configura ofensa ao princípio da inviolabilidade do sigilo bancário, desde que cumpridas as formalidades legais exigidas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. As questões sujeitas às mesmas regras adotadas para o lançamento do principal submetemse a idêntico entendimento adotado para este, em virtude da relação de causaeefeito que os vincula. PRESUNÇÃO JURIS TANTUM. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. FATO INDICIÁRIO. FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. A presunção legal juris tantum inverte o ônus da prova. Neste caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado (fato indiciário) corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimentos (fato jurídico tributário). Cabe ao Fisco simplesmente provar a ocorrência do fato indiciário; e ao contribuinte cumpre provar que o fato presumido não existiu na situação concreta. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Nos lançamentos de ofício aplicase a regra contida no art. 173, I, do Código Tributário Nacional, que estabelece prazo de cinco anos a partir do primeiro dia em que o lançamento poderia ter sido efetuado, para que a Fazenda Pública proceda a constituição do crédito tributário respectivo, nas situações em que ocorra dolo, fraude ou simulação. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Argüições de inconstitucionalidade refogem à competência da instância administrativa, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo, hipótese em que compete à autoridade julgadora afastar a sua aplicação. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 25/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 25/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18088.000811/200738 Acórdão n.º 130200.339 S1C3T2 Fl. 497 5 JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. A cobrança de juros de mora está em conformidade com a legislação vigente, não sendo da competência desta instância administrativa a apreciação da constitucionalidade de atos legais. Inexiste ilegalidade na aplicação da taxa Selic, porquanto o Código Tributário Nacional (art. 161, § 1º) outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. Não é da competência da instância administrativa a apreciação da constitucionalidade de atos legais. MULTA QUALIFICADA. Cabível a aplicação da multa de ofício qualificada, quando apurado que o sujeito passivo valeuse de artifício doloso, materializado na prática reiterada de infrações tributárias visando sonegação fiscal. A recorrente tomou ciência do acórdão DRJ em 05/08/2008 e apresentou recurso em 03/09/2008 (data da postagem fls. 905). Em seu recurso reitera os argumentos da impugnação. Voto Conselheiro MARCOS RODRIGUES DE MELLO O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. Em relação aos argumentos de inconstitucionalidade de Lei trazidos pela recorrente, há súmula vigente no CARF que impede que este colegiado se manifeste sobre a matéria: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No mesmo sentido o Regimento Interno do CARF se manifesta: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade Também em relação à manifestação contra a aplicação da taxa Selic há súmula vigente no âmbito do CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à Fl. 5DF CARF MF Emitido em 25/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 25/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18088.000811/200738 Acórdão n.º 130200.339 S1C3T2 Fl. 498 6 taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Quanto à utilização de presunção de omissão de receitas com base em depósitos bancários, esta modalidade de presunção foi introduzida no sistema jurídico brasileiro pela Lei 9430: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 1997) § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) O ponto controverso dos autos referese à possibilidade de utilização da presunção de omissão de receitas com base em depósitos bancários, quando estes são feitos em conta corrente de terceiros. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 25/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 25/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18088.000811/200738 Acórdão n.º 130200.339 S1C3T2 Fl. 499 7 Verifico nos autos que é fato incontroverso a utilização de contas de sócios para movimentação de recursos da recorrente. A própria recorrente, a fls. 179: “Cópias dos extratos bancários conta corrente física Geraldo Patreze Sudameris Brasil 2380242002 do período 2001 a 2004, utilizada pela pessoa jurídica. Cópias dos extratos bancários conta corrente física Geraldo Patreze Mercantil do Brasil 01 0152847 do período 2001 a 2004, utilizada pela pessoa jurídica. • Cópias dos extratos bancários conta corrente física Silvia Patreze Sudameris Brasil 2383042004 do período 2002 a 2004, utilizada pela pessoa jurídica. Ratificar a informação de que também buscam informações bancárias sobre contas correntes pessoa física utilizadas pela empresa alem das acima relacionadas no período solicitado, e solicitar prazo para resposta pois não foi informado o prazo para resposta.” Sobre o tema, assim se manifestou a autoridade lançadora: Fl. 7DF CARF MF Emitido em 25/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 25/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18088.000811/200738 Acórdão n.º 130200.339 S1C3T2 Fl. 500 8 . Fl. 8DF CARF MF Emitido em 25/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 25/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18088.000811/200738 Acórdão n.º 130200.339 S1C3T2 Fl. 501 9 Fl. 9DF CARF MF Emitido em 25/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 25/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18088.000811/200738 Acórdão n.º 130200.339 S1C3T2 Fl. 502 10 Fica evidenciado acima que há indícios congruentes trazidos pela fiscalização e admitidos pela recorrente de que os recursos que transitaram pelas contas dos sócios da pessoa jurídica pertenceriam a estas e não àqueles. Desta forma, tornase evidente que, mesmo antes da vigência do § 5º do art. 42 da Lei 9430 (redação dada pelo art. 58 da Lei 10.637/2002), já era possível atribuir aquela movimentação financeira à recorrente. No entanto, entendo que isso não basta para a aplicação da presunção legal trazida pelo caput do art. 42 da Lei 9430, que reproduzo novamente para melhor visualização: Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Esse colegiado tem considerado como requisito essencial para aplicação da presunção legal que o titular seja regularmente intimado a comprovar a origem. No caso dos autos, fica evidenciado que as pessoas físicas foram intimadas a demonstrar a origem dos depósitos e responderam que os recursos eram da pessoa jurídica. Essa, por sua vez, confirmou tal informação. Diante disso, a fiscalização poderia aplicar o § 5º do art. 42 da Lei 9430, que prescreve: 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 10DF CARF MF Emitido em 25/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 25/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 18088.000811/200738 Acórdão n.º 130200.339 S1C3T2 Fl. 503 11 Ora, o parágrafo não pode ser interpretado independentemente do caput. Demonstrado que os recursos pertencem ao terceiro, este passa a ter de ser tratado como efetivo titular e, portanto, tem de ser intimado a comprovar cada depósito realizado em suas contas correntes ou naquelas que lhe são atribuídas mesmo estando em nome de seus sócios. Em outras palavras, a prova de que os recursos pertencem à recorrente é condição necessária mas não suficiente para aplicação da presunção legal. Provado que os recursos pertencem à pessoa jurídica, esta tem de ser intimada a demonstrar a origem dos recursos depositados e isso deve ser feito de forma individualizada, ou seja, depósito por depósito, e não de forma global. Poderia se argumentar que o fato dos sócios terem sido intimados a demonstrar a origem dos depósitos seria suficiente para permitir a presunção. Entendo de forma diferente. Realmente o foram, mas em outro procedimento que os fiscalizava na condição de pessoas físicas. Ali, se a fiscalização considerasse que as origens não comprovadas, teriam de ser tributados enquanto pessoas físicas. No entanto, a fiscalização entendeu que a origem que declararam era verdadeira, ou seja, os recurso pertenciam à pessoa jurídica, sendo encerrados os procedimentos fiscais nas pessoas físicas. As informações prestadas pelas pessoas físicas sobre a titularidade dos recursos foi confirmada pela pessoa jurídica, ora recorrente, sendo lícito aplicar a presunção legal prescrita no art. 42 da Lei 9430, desde que cumpridos os demais requisitos. Demonstrada a titularidade, restava à fiscalização intimar a recorrente a comprovar a origem dos depostos. No entanto, isso não ocorreu. Provada a titularidade dos recursos, a fiscalização concluiu afirmando que estava demonstrada a omissão de receitas pela recorrente, conforme se demonstra pela transcrição do trecho abaixo que consta do termo de verificação: A fiscalização afirma que a origem não foi comprovada, mas isso se deu em relação aos sócios e não à recorrente, o que, em minha interpretação, invalida a presunção. Diante do exposto, tendo em vista que a fiscalização não intimou a recorrente a demonstrar a origem de cada depósito ( de forma individualizada , como prescreve a legislação de regência), voto no sentido de dar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Relator e Presidente: Marcos Rodrigues de Mello Fl. 11DF CARF MF Emitido em 25/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 25/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por ZAIRA PEIXOTO: ACORDAM os Membros da Primeira Cãmara do Primeiro Con selho de ontribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurs•/ Sala das 'e Ojit (DF), em 12 de dezembro de 1982. 11110/ AMADOR tolgoi'i FERNANDEZ - PRESIDENTE , - _ - EL— - RELATOR I VISTO EM A 40" NHO FLORES - PROCURADOR DA SESSÃO DE: FAZENDA NACIONALal :er-.0.ffireol; to...alerg. ar, neen~r1;1. SYLVIO RODRIGUES, FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA, CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, AGOSTINHO SERRANO FILHO, FERNANDO CICERO VELLOSO e LUIZ ANDRÉ NETO (Suplente). -101V: ' SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0875/050.696/81-29 RECURSO N9: - 38.254 ACÓRDÃO N9: - 101-73.940 RECORRENTE N.: ZAIRA PEIXOTO ZAIRA PEIXOTO domiciliada em Guaru- lhos-SP, vem a este Conselho com guarda de prazo legal, recorrer da decisão do Sr. Delegado da Receita Federal naquela Cidade, atra yes da qual foi confirmado o lançamento do Imposto de Renda dos exercícios de 1979 e 1980, acrescido de encargos legais, decorren- te de procedimento ex officio levado a efeito na pessoa jurídica "INSTITUTO DE EDUCAÇÃO 9 DE JULHO S/C LTDA.", da qual é sOcio, par- ticipando de 50 % de seu capital social. A referida empresa não conseguiu comprovar a diferen ça encontrada entre sua escrita fiscal e a comercial, razão pela qual foi-lhe exigido o imposto sobre essa diferença, com base na omissão de receita, nas importãncias de Cr$ 2.216.825,00 no ano-ba se de 1978 e Cr$ 2.510.268,00 no ano-base de 1979, e que, conside- radas como lucros distribuídos, causou a tributação reflexa na pes soa física do interessado, sob a cédula "F" de suas Declaraçaes de Rendimentos, na proporção de sua participação no-capital da-empresa. O lançamento foi impugnado às fls. 15 tendo o inte- ressado alegado não haver recebido da empresa qualquer tipo de lu- cro,soliCitandoosobrestamentodofeitoatea .g Ar olução final da - • •.. ca DMF - DF/19 C-C - Secgraf - 1600/75 3. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0875/050.696/81-29 Acôrdão n9 101-73.940 Aplicando o princípio da decorrencia, a autoridade jul _ gadora de primeira instância manteve integralmente o lançamento, assim se pronunciando em sua Decisão de fls. 18/19: "O Processo n9 0875/050.611/81-76, de Insti- tuto de Educação 9 de Julho S/C Ltda., foi julgado em 25.03.82, em 1a Instância, sendo mantido o lançamento de Cr$ 4.521.990,00. Co mo o presente processo é reflexo daquele coW. - tra a pessoa jurídica, deverá também ser maFI - 'tido o lançamento de Cr$ 2.267.829,00. A recorrente manifesta recurso às fls. 23, reiterando as mesmas razões expendidas na peço impugnatOria. ISs fls. 27 é encaminhado a este Colegiado cópia "xerox" do recolhimento de parte .o crédito tributário, com os benefícios do Decreto-lei n9 1.893/81,1 É o relat&io. ,, ' 1 11 11 i ' I- - ' _ 4. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0875/050.696/81-29 Acórdão n9 101-73.940 VO T O _. _. _ _ Conselheiro RAUL PIMENTEL, Relator: Apreciando o Recurso n9 85.359, interposto pela pes- soa jurídica "INSTITUTO DE EDUÇAÇÃO 9 DE JULHO S/C LTDA.", corres- pondente ao Processo Fiscal n9 0875/050.611/81, do qual este é . de- corrente, esta Câmara, por unanimidade de votos, em Sessão realiza- da em 23 de novembro de 1982, negou-lhe provimento. Estando, pois, confirmado naquele processo o fato e- conómico que causou a tributação reflexa na pessoa física do inte- ressado, o julgamento da presente lide há de guardar relação com a- n quele julgado, ante a intima relação de causa e efeito existente en . tre ambos. De notar, no presente caso, que o contribuinte pro- videnciou o recolhimento de parte do Crédito Tributário, aproveitan _ do-se da anistia de multa e juros de mora prevista no Decreto-lei n9 1.893/81, recolhimento este ainda não homologado pela autoridade iançadora. 1 I Negar provimento ao presente recurso é o meu votei ///X 7 , 1 [ '1 1 1- -, 1 RAie .. t , RELATOR 1 [ , - Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1
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Numero do processo: 36712.000839/2006-62
Data da sessão: Thu Oct 29 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Sun Nov 29 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 31/05/2005
MPE PROCEDIMENTO REGULAR CIÊNCIA APÓS O PRAZO DE EXPIRAÇÃO
De acordo com o disposto no Enunciado nº 25 do GRPS, não Irá ressalva do tipo de ciência que será conferida ao contribuinte: pessoal, postal com aviso de recebimento ou por edital. Não havendo ressalva do tipo de ciência, não pode o intérprete, no caso esta Calma a, reduzir o alcance de tal dispositivo. Conforme previsto no art. 15 do Decreto nº 3.969/2001, que instituiu o MPF, este se extinguirá pela conclusão do procedimento fiscal, registrado em termo próprio; ou pelo decurso dos prazos.
A conclusão do procedimento fiscal não pode, considerando o teor do Enunciado nº 25, ser interpretada como a ciência ao contribuinte, sendo este um requisito de eficácia do lançamento, mas deve ser interpretada como a lavratura do lançamento, pois esta e o requisito de existência do ato.
CARACTERIZAÇÃO EMPREGADO VÍCIO NO RELATÓRIO FISCAL INCOMPLETO.
Não se pode confundir o órgão fiscalizado' com o julgador Cabe à Receita Federal fiscalizar e lançai: os tributos, c cabe ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF a tarefa de verificar a regularidade da decisão de primeira instância, e não efetuar ou complementar o lançamento.A formalização do auto de infração tem como elementos os previstos no art.10 do Decreto nº 70.235. O erro, a depender do grau, cru qualquer dos elementos pode acarretar a nulidade do ato por vicio formal Entre os elementos obrigatórios no auto de infração consta à descrição do fato (art. 10, inciso III do Decreto nº 70.235) A descrição implica a exposição circunstanciada e minuciosa do fato gerador, devendo ter os elementos suficientes para demonstração, de pelo menos, da verossimilhança das alegações do Fisco.
De acordo com o principio da persuasão racional do julgador, o que deve ser buscado com a prova produzida no processo é a verdade possível, isto é, aquela suficiente para o convencimento do juízo.Processo Anulado.
Crédito Tributário Exonerado.autos.
Numero da decisão: 2302-000.261
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, em anular o auto de infração por vicio formal Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Rogério de Lellis Pinto (Suplente) que anulam por vicio material.
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/05/2005 MPE PROCEDIMENTO REGULAR CIÊNCIA APÓS O PRAZO DE EXPIRAÇÃO De acordo com o disposto no Enunciado nº 25 do GRPS, não Irá ressalva do tipo de ciência que será conferida ao contribuinte: pessoal, postal com aviso de recebimento ou por edital. Não havendo ressalva do tipo de ciência, não pode o intérprete, no caso esta Calma a, reduzir o alcance de tal dispositivo. Conforme previsto no art. 15 do Decreto nº 3.969/2001, que instituiu o MPF, este se extinguirá pela conclusão do procedimento fiscal, registrado em termo próprio; ou pelo decurso dos prazos. A conclusão do procedimento fiscal não pode, considerando o teor do Enunciado nº 25, ser interpretada como a ciência ao contribuinte, sendo este um requisito de eficácia do lançamento, mas deve ser interpretada como a lavratura do lançamento, pois esta e o requisito de existência do ato. CARACTERIZAÇÃO EMPREGADO VÍCIO NO RELATÓRIO FISCAL INCOMPLETO. Não se pode confundir o órgão fiscalizado' com o julgador Cabe à Receita Federal fiscalizar e lançai: os tributos, c cabe ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF a tarefa de verificar a regularidade da decisão de primeira instância, e não efetuar ou complementar o lançamento.A formalização do auto de infração tem como elementos os previstos no art.10 do Decreto nº 70.235. O erro, a depender do grau, cru qualquer dos elementos pode acarretar a nulidade do ato por vicio formal Entre os elementos obrigatórios no auto de infração consta à descrição do fato (art. 10, inciso III do Decreto nº 70.235) A descrição implica a exposição circunstanciada e minuciosa do fato gerador, devendo ter os elementos suficientes para demonstração, de pelo menos, da verossimilhança das alegações do Fisco. De acordo com o principio da persuasão racional do julgador, o que deve ser buscado com a prova produzida no processo é a verdade possível, isto é, aquela suficiente para o convencimento do juízo.Processo Anulado. Crédito Tributário Exonerado.autos.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-09-01T16:44:58Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-09-01T16:44:58Z; Last-Modified: 2010-09-01T16:44:58Z; dcterms:modified: 2010-09-01T16:44:58Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:a2e50bda-689d-4522-90d4-95615ad8353d; Last-Save-Date: 2010-09-01T16:44:58Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-09-01T16:44:58Z; meta:save-date: 2010-09-01T16:44:58Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-09-01T16:44:58Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-09-01T16:44:58Z; created: 2010-09-01T16:44:58Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2010-09-01T16:44:58Z; pdf:charsPerPage: 2325; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-09-01T16:44:58Z | Conteúdo => S2-(.3 1 2 11 1 .S2 . .. . MINISTÉRIO DA FAZENDA (N)NSELLIO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS ! ....... , .. . .., SEGUNDA SEÇÃO DE 11.1I ,G.L\M EN 10..,....,-_-..,L,........ Processo n" 36712.000839/2006-62 Recurso II" 145.085 Voluntário Acórdão n" 2302-00.261 — 3" Câmara / 2" Turma Ordinária Sessão de 29 de outubro de 2009 Nlatéria AUTO DF INFRAÇÃO. OBRIGAÇOI ...S ACESSÓRIAS Recorrente SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE 11 APETINGA Recorrida DELEGACIA DA RECEITA PRENIDENCIÁREA E,N1 SAI.V.ADOR/13A ASSUN FO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato geradm: 31/05/2005 MPI' PROCEDIMENTO REGULAR CIÊNCIA APÓS O PRAZO DE EXPIRAÇÃO De acordo com o disposto no Enunciado ir " 25 do (2R P5, não Irá ressalva do tipo de ciência que será conlerida ao contribuinte: pessoal, postal com aviso de recebimento ou por edital. Não havendo ressalva do tipo de ciência, não pode o intérprete, no caso esta Calma a, reduzir o alcance de tal dispositivo Conforme previsto no art. 15 do Decreto n ' 3.969/2001, que instituiu o M.P1c, este se extinguirá pela conclusão do procedimento fiscal, registrado em termo próprio; ou pelo decurso dos prazos A conclusão do procedimento fiscal não pode, considerando o teor do Enunciado n `-' 25, ser interpretada como a ciência ao contribuinte, sendo esle um requisito de eficácia do lançamento, mas deve ser interpretada como a lavr atui a do lançamento, pois esta C o requisito de existência do ato. CARAC I ERIZAÇÃO EMPREGADO VICIO NO RELMOR 10 FISCA1, INCOMPI,I40 Não se pode confundir o órgão fiscalizado' com o julgador Cabe à Receita Eedeial fiscalizar e lançai: os tributos, c cabe ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARE a tareia de ver i fiCal a regularidade da decisão de primeira instancia, e flãO CrOalal ou complernentar o lançamento A formalização do auto de infração tem como elementos os previstos no art 10 do Decreto ri " 70 235. O erro, a depender do grau, cru qualquer dos elementos pode acarretar a nulidade do ato por vicio formal Entre os elementos obrigatórios no auto de infração consta a descrição do fato (art. 10,fN inciso .111DII do ecr neto " 70.235) A descrição implica a exposição \ circunstanciada e minuciosa do lato gelado', devendo ter OS denlelliOS suficientes para demonstração, de pelo menos, da verossimilhança das alegações do 1 .; isco De acordo com o principio da per suasão racional do ) , / 1 i julgador, o que deve ser buscado com ',I prova produzida no processo é a verdade possível, isto é, aquela suficiente para o convencimento do juizo PI oeesso Anulado C[édito lributário Exonerado ,, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos ACORDAN4 os membros da 3" câmara / 2" turma ordinária da Segunda Seção de Julganiento, por maioria de votos, em anular o auto de infração por vicio formal Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Rogério de Lenis Pinto (Suplente) que anulam pot vicio matutai I ,11 (l 1 / C1 (:_íi,X1.1..-:1.-10M AS 1 - 1fresidente ---- _.--.,-;-'1. ;,' 1 :;;,., //... _ -,.- .,/ N,, i - ,----C)-A - -H - N/L S IhIRA- Redator ; Patticipalain, do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira, Adi iana Sato, Manoel Coelho Arruda hinim, Rogélio de Lelles Pinto (Suplente), Nábia Moreira Barlos Mazza (Suplente) e 1,iége Lacroix Ihomasi (Pfe.sidente) ; Relatório i '1 rata o presente auto de infração, lavrado cm desihvoi da recorrente, originado em villude do descumprimento do ali 17 da Lei n " 8 213/1991 c/c art 18, 1 e § 1" do RPS, aptovado pelo Decreto ti ' 3.048/1999. Segundo a fiscalização, a recorrente deixou de inscrever segurado empregado na previdência social, tis 06 Não liii apresentada defesa pela autuada. A Receita Previdencialia emitiu a I)ecisão-Noti Reação (DN), Ils 90 a 92, anulando a autuação A Receita revia o entendimento e emitiu nova decisão, lls. 103 a 107, - mantendo o lançamento em sua integralidade A reco' lente não concordando com a DN emitida interpôs recurso, lis. 121 a 142 Em síntese a leconente alega o seguinte: / a 10501 i C1110 SOlile5li0 Conse, ,, zrill pi °Imolar a dePsa ein agosto • de.,. 2005, uni função (10 gi eve 00 INSS, , . 2 o lança/n(0a° lin i e01i2ad0 fOra 110 In a20 tWabeleeido no 1111)r, - . 3 não é poivet a revogação da decisão que anulou o auto do infi 0(1.10, • 4 a recoi ré.511.0 é imune. i 2 \ 1 • l'uoceso n".12,()712 000N29/2006-62 82-C312 Acôrffio n " 2302-00 261 Os ináliCO.'> constarnes na fr elação não s• ao empregados da recoriCrile, 6 (i(' Jia. ar clevadn a muita aplicada, 7 a multa oplU.:adr.7. confis-(...au» 8. requerendo provimento ao recnrso Fi/ar POS (0 . Conti a-razões apresentadas pelo órgão pre,videnciário, fis 147 a 151.. A Receita Previdenciária alega que o procedimento fiscal Ibi adequado e em que nenhum momento a recorrente apresentou elementos que pudessem elidir a inhaca() praticada.. Sugere a inanutenção do crédito pelo tato de a -recorrente não trazer documentos ou fatos novos capazes de afastar a constituição do crédito. É. o relatório. Voto Conselheiro MARCO ANDRÉ RAMOS VIEIRA, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 147, passo ao exame das questões pielimir ares.. A recorrente alega que somente conseguiu protocolar a defesa em agosto de 2005, em .funçâo de greve no I -NSS; contudo não ha nos autos prova .de apresentação de defesa Desse modo não ba. como reconhecer a tempcstividade da impugnação. Assim, toda a matéria não impugnada em primeira instância ha que se reconhecer couro preelusa, ressalva para as matéria cujo conhecimento pode ser realizado dc oficio, como a decadência e as nulidades absolutas. Quanto ao argumento da recorrente de que o lançamento não está coberto por MIT; não lhe assiste razão. De acordo com o disposto no Enunciado n " 25 do CR PS, abaixo transcrito, não há ressalva do tipo de ciência que será conferida ao contribuinte,: pessoal, postal com aviso de recebimento ou por edital. Não havendo ressalva do tipo de ciência, não pode o intérprete, no caso esta Câmara, reduzir o alcance de tal dispositivo. Enunciado N" 25 4 nonficaçào do s. ujeilo pas'Ovo ap(') S o prazo da validade do Mandado de Pi'ocedimemo Tucaf - - não arar,. ela nulidade do lançamento Conforme previsto no art. 15 do Decreto n ' 3.969/2001, que instituiu o ..M.P1H, este se extinguirá pela conclusão _do procedimento fiscal, registrado em termo próprio; ou pelo decurso dos prazos.. A conclusão do procedimento fiscal não pode, considerando o teor do Enunciado n 25, ser interpi ciada como a ciência ao contribuinte, sendo este um requisito de eficácia do lançamento-, mas deve ser interpretada como a lavratura do lançamento, pok esta é O requisito de existência do ato \d • Quando efelivamente encerra um procedimento fiscal, o Audi1or 1 isei-11 tem duas possibilidades para cientificar o contribuinte: pessoahnente, ou pelo correio com aviso de recebimento, sem ordem de preferência entre estas. Enhetanto, a lavratura do crédito tributário por meio do auto de infração ou da Notificação Fiscal tem que ocorrer em período coberto pelo I1/1.Pf Na verdade não é a data do rf 12AF que determina a inv•alidade da NFI-D, mesmo porque há casos em que esta é lavrada antes do encerramento da ação isca1 A lavrai uma do auto de infraçáo é que determina sua validade em rela.cão ao MPE. O auto de infração foi laviado em 31 de maio de 2005. ti 01 ., o M.PF conferia cobeaut.. a até essa mesma data, 11. 10. Desse modo havia cobertina para ação fiscal e principalmente paia a reali/ação do lançamento Ao contrário do que afirma a iecorrente é possível a revogação da decisão que anulou o auto de infração No piocesso administrativo hibutálio existe a possibilidade de alteração do lançamento por meio do recurso de oficio ou da iniciativa de oficio, conforme previsto no mi- 145 do (..: • 1 -N Desse modo, verificando que a decisão de primeira instância está equivocada, pode o órgão lazendário revê-la. (.-) ato administrativo eivado de nulidade pode ser reconhecido como tal pela própria Administração Publica. A discussão se a recorrente é imune ou não. é iii •elevante no presente caso, pois na.o obstante a imunidade ou a isenção, as obrigações acessórias permanecem. In casu, houve autuação por descumprinierito de obrigação acessoria. kntendo que o lançamento possui um vício na formalização Não restou caracteii/ado o enquadramento dos segurados como empr.egados. O relatório fiscal está • incompleto, unia vez que o único motivo apontado pela fiscalização foi que de acordo com o regimento interno da entidade as pessoas seriam empregadas. .Não houve detalhamento acerca da subordinação recurso visa a análise da coneção da decisão de primeira instância. Se a mesma deve ser mantida, se deve ser reformada, ou anulada.. Quando o vicio ocorre no ato administrativo do lançamento. não caberia a anulação da decisão de prirneira instância, mas sim o reconhecimento de que o ato nulo deve ser refeito. Não se pode confundir o órgão fiscalizador com o julgador.. Cabe à Receita - federal fiscalizar e lançar os tributos, e cabe ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - ( -ARE a tarefa de verificar a regularidade da decisão de primeira instância, e não efetuar ou complementar o lançamento disposto nos artigos 59 e 60 do Decreto 70.235/1972, que tratam de nulidades, somente se aplicam para os atos praticados no curso do processo administrativo.. O lançamento é ligado ao procedimento Fiscal de apuração do crédito. Desse modo, há que se reconhecer a possibilidade de existência de outras nulidades que não somente as previstas nos uris. 59 e 60. A lormalizacão do auto de infração tem como elementos os previstos no art. I() do Decreto ri (' 70 235 O erro, a depender do grau, em qualquer dos elementos pode - acarretar a nulidade do alo por vício formal. Entre os elementos obrigatórios no auto de infração consta a descrição do tato Cid 1(1, inciso 111. do Decreto i." 70 235). A descrição implica a exposição circunstanciada e minuciosa do [ato gerador, devendo ter os elementos a \ ;• À roceso n" 36712 1100830/1006- . 62 52-( 312 Acórdão n 2302-00261 1:1 151 suficientes para demonstração, de pelo menos, da verossimilhança das alegações do Pisco. De acordo com O piineípio da persuasão racional do ,julgador, o que deve ser buscado com a prova produzida no processo é a verdade possível, isto é, aquela suficiente pala o convencimento do juizo. Não se pode contimdir falia de motivo com a. falta de motivação. A falta de motivo do ato administrativo vinculado causa a sua nulidade. No lançamento fiscal o motivo é a ocorrfficia do rato gerador, esse inexistindo torna improcedente o lança.mento, n.ão havendo como ser sanado, pois sem Eito gerador- não há obrigação tributaria. Agora, a motivação é a expressão dos motivos, é a tradução para o papel da icalidade encontrada pela fiscalização. A falha, na. motivação pode sei coi rigidu, desde que o motivo tenha existido. Não é outra a lição do mais abalizado administrativista brasileiro, Celso Antonio Bandeira de Mello. De acordo com esse doutrinador, na obra Curso de Direito Administrativo, 22a edição, rd. Malheiros, pág35, veibis: "em. se tratando de atos vinculados, o que mais importa é haver ocorrido o motivo perante o qual o comportamento era obrigatório, passando para segundo plano a questão da motivação. Assim, se o ato não houver sido motivado, mas for possível demonstrar ulteriormente, de maneira Mdisputavelmente objetiva e para além de qualquer dúvida ou entredavida, que o motivo exigente do ato preexistia, dever-se-á considerar sanado o vicio do alo." Na mesma obra, página 451, o autor afirma que "a convalidação, ou seja, o refazimento de modo válido e com efeitos retroativos do que fina pi aduzido de modo invalido, em nada. se incompatibiliza com interesses públicos. Isto é: em nada ofende: a índole do Direito Administrativo. Pelo contrário". Na lição de Celso Antônio, página 45.3: "A Administração não pode convalidar um alo viciado se este .já foi impugnado, administrativa ou .judicialmente. pudesse fazê-lo, seria inritil a argüição do vício, pois a extinção dos etéitos ilegítimos dependeria da vontade da .Administração, e não do dever de obediência à ordem juridicir Ha entretanto, uma exceção. É o caso da "motivação" de ato vinculado expendida tardiamente, após a impugnação do ato. A demonstração, conquanto serôdia, de que os motivos preexistiam e a. lei exigia que, perante eles, o ato tosse praticado com o exato conteúdo com que o foi é razão -bastante paia sua convalidação." Diante da irregularidade constatada, há que ser aplicado o Decreto n'' 70..2.35/197.2 devendo sei delirado novo lançamento, contbrinc previsto no 18, § .3, nestas palavras: Ári. 18(.) 3" (.1trondo, evarne_s posterior es, diligènuias ou per iciaS, realizados 110 curso do proc.c.No, foi CM verlik:adas incor omissões 011 inexatn0e.s de rir tc.sidlent agr. avanieino do exRênciaa inicial, inovação ou t.thcfacão da fundarnevnação da c'..À:1)-:,,encia, .scu-ri. lavrado auto de infração ou emitida - notificação de Imkamento complementar, devolvendo-se, ao snjcito passivo, prazo pc.n a impugnação 00 concernente à inateria modificada. (Redação dada pelo ar t. 1'' (Pt i,c n" 8 718/93) \))\.) Tal cornplementaçao tem que ser comandada pelo órgão de primeira, • instância, mesmo que de o 1.1 C,i O, pois o caput do art. 15 é determinante para a autoridade /ft julgadora de primeira instância É coino é sabido os palágrafos e incisos devem ser iiiiteipretados em (Jon folinidade com o caput do dispositivo, que determina a regra geral. 1'; possível a complementação do relatório fiscal por decisão de primeira instância, entietanto não cabe tal eomplementação pela segunda instancia, pois enquanto a primeira instancia aprecia a impugnação quanto ao lançamento, a segunda aprecia o recurso quanto à decisão a quo.. Sem a manifestação oportuna do sujeito passivo, o ato administrativo poutador de vício permanece no sistema. Embora o ato implique em atentado à ordem jurídica, a restauração da juridicidade violada depende da expedição de outro ato. A invalidação e a eonvalidação são meios estabelecidos pelo próprio regime jurídico-administrativo para a eliminação material do vício. Se a Receita liederal não convalida, o ato se toma passível de invalidação pelo órgão .julgadoi, caso este seja piovocado para tazê-lo. O mesmo serve pata a hipótese de a Receita Federal se abster de invalidar quando deveria tê-lo ii to A invalidação do ato administrativo tem como efeitos jurídicos; o eleito declaratc'll-io da invalidade; e o efeito constitutivo negativo da pertinência do ato administrativo. A ccinvalidação do ato administrativo decorre exclusivamente de cot-apetência administrativa; deterrnMando a manutenção do alo administrativo viciado no sistema pelo saneamento do vício constatado, Tal como o ato de invalidação, o ato de convalidação tern o efeito jurídico de declarar a invalidude.. todavia, possui um efeito jurídico de natureza constitutiva positiva, pois prescreve a mimutcnyão da imperatividade e da eficácia do ato convalidado. CARE D.à0 convalida lançamento; mas sim declara o grau de invalidade do ato administrativo viciado: nulo ou irregular Se lar nulo, há que ser realizado novo lançamento; se meramente inegular, o ato permanecerá, apenas será reconh.ecida a não importância do seu raio Destaca-se que no Direito Administrativo não há ato anulável, pois o mesmo é classificado como convalidável Futendo que os meros erros materiais podem ser corrigidos no lançamento, agora as falhas inais graves, os vícios, demandam a :realização de um novo ato. A correção dos erros materiais, a complernentação de inlOrmações, ou esclarceimentkis, :já constantes no • relatório fiscal, podem ser trazidos aos autos por meio de diligência, inclusive comandada pelo (A Ri Pelo exposto, hz castf, não se tratou dc simples erro material, mas de vício na fonnalização por desobediência ao disposto no art. 10, inciso 111 do Decreto n '70.235. CONC1 .11SÃO: Assim, voto pol . AN 1 1. LAR o lançamento por vício formal.. É. o voto.. Sala das Sessõeem2,9 de outubro Ale 2009 r _ - Rerator. ' '; 3
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000391/2009-16
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
MATÉRIA CONSTITUCIONAL. APRECIAÇÃO IMPOSSIBILIDADE.
Descabe ao Carf manifestarse,
originalmente, em relação à matéria
constitucional, como pressuposto a afastar a aplicação da lei.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA E TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA.
PRODUTOS.
A tributação monofásica é específica e distinta da incidência não cumulativa,
que é geral, não havendo que se falar em créditos para a segunda decorrentes
de entradas sujeitas à primeira.
ALÍQUOTA ZERO E OUTRAS HIPÓTESES DESONERATIVAS.
MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. LEI No 11.033, DE 2004.
A manutenção de créditos, que não se confunde com exclusões da base de
cálculo, prevista na Lei no 11.033, de 2004, referese
às hipóteses
desonerativas criadas pela própria Lei e não alteram o regime de tributação
monofásico previsto em legislação anterior.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-000.934
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros
Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Os conselheiros
Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto apresentaram declaração de voto. Fez sustentação oral em abril de 2011, pela recorrente, o Dr. Rodrigo da Rocha Costa, OAB/SP no
203.988. Esteve presente ao julgamento em maio de 2011 o Dr. Rodrigo da Rocha Costa,
OAB/SP no 203988.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 MATÉRIA CONSTITUCIONAL. APRECIAÇÃO IMPOSSIBILIDADE. Descabe ao Carf manifestarse, originalmente, em relação à matéria constitucional, como pressuposto a afastar a aplicação da lei. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA E TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. PRODUTOS. A tributação monofásica é específica e distinta da incidência não cumulativa, que é geral, não havendo que se falar em créditos para a segunda decorrentes de entradas sujeitas à primeira. ALÍQUOTA ZERO E OUTRAS HIPÓTESES DESONERATIVAS. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. LEI No 11.033, DE 2004. A manutenção de créditos, que não se confunde com exclusões da base de cálculo, prevista na Lei no 11.033, de 2004, referese às hipóteses desonerativas criadas pela própria Lei e não alteram o regime de tributação monofásico previsto em legislação anterior. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto apresentaram declaração de voto. Fez sustentação oral em abril de 2011, pela recorrente, o Dr. Rodrigo da Rocha Costa, OAB/SP no 203.988. Esteve presente ao julgamento em maio de 2011 o Dr. Rodrigo da Rocha Costa, OAB/SP no 203988.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 MATÉRIA CONSTITUCIONAL. APRECIAÇÃO IMPOSSIBILIDADE. Descabe ao Carf manifestarse, originalmente, em relação à matéria constitucional, como pressuposto a afastar a aplicação da lei. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA E TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. PRODUTOS. A tributação monofásica é específica e distinta da incidência não cumulativa, que é geral, não havendo que se falar em créditos para a segunda decorrentes de entradas sujeitas à primeira. ALÍQUOTA ZERO E OUTRAS HIPÓTESES DESONERATIVAS. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. LEI No 11.033, DE 2004. A manutenção de créditos, que não se confunde com exclusões da base de cálculo, prevista na Lei no 11.033, de 2004, referese às hipóteses desonerativas criadas pela própria Lei e não alteram o regime de tributação monofásico previsto em legislação anterior. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto apresentaram declaração de voto. Fez Fl. 123DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 26/06/2011 por GILENO GURJAO BARRETO 2 sustentação oral em abril de 2011, pela recorrente, o Dr. Rodrigo da Rocha Costa, OAB/SP no 203.988. Esteve presente ao julgamento em maio de 2011 o Dr. Rodrigo da Rocha Costa, OAB/SP no 203988. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Alan Fialho Gandra, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 58 a 78) apresentado em 16 de abril de 20100 contra o Acórdão no 1624.545, de 11 de março de 2010, da 6ª Turma da DRJ / SP1 (fls. 46 a 55), cientificado em 14 de abril de 2010, que, relativamente a Declaração de Compensação sobre créditos de PIS do primeiro trimestre de 2006, considerou improcedente a manifestação de inconformidade da Interessada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 PIS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. PRODUTOS. AQUISIÇÃO. COMERCIANTE. REVENDA. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO LEGAL. No regime da não cumulatividade da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, a aquisição de automóveis e autopeças sujeitos à tributação monofásica não gera créditos para o comerciante na revenda dos mesmos por expressa vedação legal (art. 3º, I, da Lei nº 10.637/2002), não se aplicando à hipótese a disposição contida no art. 17 da Lei nº 11.033/2004. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Somente se reputa nulo o despacho decisório nas hipóteses previstas no art. 59, II, do Decreto nº 70.235/1972. INCONSTITUCIONALIDADE. Fl. 124DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 26/06/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16349.000391/200916 Acórdão n.º 330200.934 S3C3T2 Fl. 0 3 Não compete à esfera administrativa a análise de questões que versem sobre a constitucionalidade de norma jurídica regularmente editada. ANTINOMIA JURÍDICA. PREVALÊNCIA DO PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE SOBRE O CRITÉRIO CRONOLÓGICO. Segundo a regra de interpretação contida no brocardo latino lex posterior generalis non derogat legi priori speciali, o princípio da especialidade sempre prevalece sobre o critério cronológico. Manifestação de Inconformidade Improcedente A Primeira Instância assim resumiu o litígio: A empresa acima identificada ingressou, em 21/09/2007, com Pedido de Ressarcimento de PIS, no valor de R$ 528.685,23 (quinhentos e vinte e oito mil, seiscentos e oitenta e cinco reais e vinte e três centavos), relativo ao 1º trimestre de 2006, com fundamento no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 (fls. 01/02). 2. O contribuinte impetrou Mandado de Segurança nº 2009.61.00.0111483, no qual foi deferida parcialmente medida liminar para que a autoridade apontada como coatora procedesse à análise do referido pedido de ressarcimento no prazo máximo de 15 (quinze) dias (fls. 03v/05). 3. A DERAT/SPO/DIORT/EQITD proferiu, em 26/05/2009, o Despacho Decisório de fls. 07/09 com ciência à empresa em 01/06/2009 (fls. 09), por intermédio do qual indeferiu o mencionado pedido de ressarcimento e não reconheceu o direito creditório pleiteado. 4. Em virtude desta decisão, a empresa apresentou, tempestivamente, a manifestação de inconformidade de fls. 14/34, acompanhada de documentos (fls. 35/44), alegando, em síntese, que: 4.1. A decisão de indeferimento da pretensão de ressarcimento negou vigência ao art. 17 da Lei nº 11.033/2004. 4.2. A empresa é concessionária de venda de veículos automotores e está sujeita ao lucro real, portanto, deve recolher o PIS e a COFINS de forma não cumulativa nos termos das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. 4.3. A Lei nº 10.485/2002, anteriormente, já determinava que o PIS e a COFINS fossem recolhidos pelo montador ou importador, o denominado recolhimento monofásico. 4.4. Com a transformação das exações em tributos não cumulativos, a Lei nº 10.865/2004 inovou e determinou que o recorrente promovesse o fato gerador destas contribuições, porém estabeleceu que o PIS e a COFINS fossem tributados à alíquota zero, uma vez que já tributados em percentual superior ao usual pelo montador/importador (art. 8º, I e II), bem como vetou o aproveitamento do crédito vinculado, o que implica Fl. 125DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 26/06/2011 por GILENO GURJAO BARRETO 4 tratamento desigual, criando carga tributária além de sua capacidade contributiva, em verdadeiro confisco e, portanto, inconstitucional. 4.5. Com o advento da MP nº 206/2004, convertida na Lei nº 11.033/2004, visando a corrigir a distorção, foram promovidas alterações nas Leis nº 10.637/2002, nº 10.833/2003 e nº 10.865/2004 para autorizar o recorrente a aproveitar créditos vinculados às operações de venda com alíquota zero, o que, no entanto, não foi observado pela Delegacia de Arrecadação de São Paulo da Secretaria da Receita Federal do Brasil. 4.6. Pelo princípio da não cumulatividade e diante das alterações feitas pela Lei nº 11.033/2004, entende ter direito de somar todos os custos e despesas quaisquer que sejam, desde que vinculados ao faturamento, e diminuir de seu faturamento ou receita para obter a base de cálculo dessas exações. No entanto, o entendimento da DIORT é que, neste caso, a Lei nº 11.033/2004 não se aplica, prevalecendo a legislação anterior. 4.7. Está sujeita às determinações das Leis nº 10.637/2002, nº 10.833/2003, nº 10.865/2004 e nº 11.033/2004, sofrendo as implicações da Lei nº 10.485/2002 que determina o recolhimento na forma monofásica, o que na prática nada mais é do que substituição tributária disfarçada. 4.8. Sendo tributada a alíquota zero, não se pode falar em substituição tributária e nem em sistema monofásico de tributação. 4.9. “Por outro lado não foi modificada a imposição com relação à concedente, que em forma especial de tributação, digase verdadeira ficção tributária, continuou a ser tributado pelo PIS/COFINS, sobre seu faturamento conforme determinação constitucional, e ainda em parte pelo valor de venda do veiculo ao concessionário, em inegável instituição de novo imposto, sem amparo legal.” (fls. 22). 4.10. O entendimento da DIORT de que a empresa está sujeita a não cumulatividade com relação ao seu faturamento com exceção feita a vendas de carros “zero”, que se sujeitam ao recolhimento monofásico, consiste em grave ofensa à Lei nº 11.033/2004 que modificou a Lei nº 10.865/2004 ao permitir a utilização dos créditos relativos ao PIS e à COFINS referentes a produtos com alíquota zero. Portanto, a exigência é ilegal, nula e inconstitucional, pois ofende os princípios da capacidade contributiva, da estrita legalidade e da isonomia, bem como desrespeita a vinculação dos atos públicos. 4.11. Utilizou do Poder Judiciário com a finalidade de fazer valer seu direito líquido e certo ao crédito nos termos do art. 17 da Lei nº 11.033/2004. 4.12. Houve na decisão da DIORT, que pretendeu fazer valer legislação anterior modificar a posterior, um absoluto descompasso com a Lei natural pela qual a posterior modifica a anterior. Fl. 126DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 26/06/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16349.000391/200916 Acórdão n.º 330200.934 S3C3T2 Fl. 0 5 4.13. Diante do exposto, requer o direito de apurar o PIS/COFINS não cumulativos com o aproveitamento dos créditos vinculados a compras de carros “zero”, peças e acessórios com a aplicação das alíquotas de 1,65% e 7,60% respectivamente nos termos das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, bem como a reforma da decisão da DIORT e o ressarcimento dos valores pleiteados. No recurso, a Interessada alegou que “vedação ao aproveitamento do crédito vinculado ao faturamento relativo aos bens vendidos com alíquota zero fere a o art. 17 da Lei 11.033/2004 além do principio da igualdade tributária.” Após esclarecer que, “Anteriormente já havia previsão legal, Lei 10.485/2002, que determinava que a exigências, relativas ao PIS e a Cofins, fossem recolhidas por expressa responsabilidade do montador ou importador, ao que se denominou recolhimento por substituição tributária, monofásico, no entendimento do Fisco”, acrescentou que, “Com a transformação das exações, razão do inconformismo, em tributos não cumulativos, a Lei 10.865/04, inovou, determinando que o recorrente (concessionário de veículos) promovesse o fato gerador das contribuições, contudo, determinou que o PIS e a Cofins fossem tributados a alíquota ‘0’, uma vez recolhidos, em porcentagem superior a usual, pelo importador ou montador.” De acordo com a Interessada, “[...] hodiernamente, de forma geral, a exigência quanto ao recolhimento das exações ao PIS e a COFINS é calculada pelo resultado dos custos e despesas subtraídos da receita a que deu origem [...]”. Na sequência, aborda a questão principal do litígio, esclarecendo o seguinte: Ocorre que a mesma Lei 10.865/04, alterou a Lei 10.485/02 com reflexo nas Leis 10.637/02 e 10.833/03, determinando a alíquota zero para a venda de carros zero e vetando o aproveitamento do crédito vinculado, o que leva ao recorrente sofrer tratamento desigual. Tal tratamento desigual ocorreria, no entendimento da Recorrente, pelo fato de não poder utilizar o crédito em relação ao que dispôs as Leis nos 10.865, de 2004, e 10.485, de 2002, que “vetou a não cumulatividade, ainda que determinando o calculo da alíquota do PIS e da COFINS em ‘zero’ criando carga tributária além da capacidade contributiva do recorrente, em verdadeiro confisco tributário, exigência portanto inconstitucional.” Entretanto, segundo a Interessada, somente a partir de agosto de 2004, com a Medida Provisória no 206, foi autorizado o aproveitamento dos créditos vinculados a operações de alíquota zero. A seguir, analisou o princípio da não cumulatividade, citando doutrina e jurisprudência, que lhe daria o direito de “de somar todas os custos e despesas, quaisquer que seja[m], desde que vinculados ao seu faturamento, e diminuir de seu faturamento ou receita, o resultado apurado é a base de cálculo dessas exações incluindo nos valores agregados como despesas vinculadas ao faturamento, aquelas relativas às vendas com alíquota ‘zero’, assim determina a Lei [no 11.033, de 2004]”. Defendeu a tese de que a tributação monofásica seria uma substituição tributária disfarçada e que, continuando a ser tributada sobre o faturamento por determinação constitucional “e ainda em parte pelo valor de venda do veículo ao concessionário”, haveria a “inegável instituição de novo imposto, sem amparo legal.” Fl. 127DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 26/06/2011 por GILENO GURJAO BARRETO 6 Analisou, então, a legislação e reafirmou que o entendimento da primeira instância afrontaria vários princípios constitucionais. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. A Interessada não repetiu no recurso as alegações sobre nulidade do despacho decisório, cabendo, portanto, apenas a análise do mérito da matéria. Pretende excluir da base de cálculo da contribuição não cumulativa os custos decorrentes de aquisição de produtos sujeitos à alíquota zero em face de sujeitaremse ao regime monofásico. Primeiramente, há que se esclarecer que a não cumulatividade não é uma regra geral constitucional. A simples consulta ao texto constitucional e suas alterações permite concluir que a não cumulatividade aplicarseia irrestritamente apenas aos tributos criados na competência residual da União (art. 154, I). Em relação aos tributos originalmente previstos na Constituição, apenas o ICMS e o IPI eram sujeitos à não cumulatividade, que, segundo José Souto Maior Borges, seria uma “simples regra” e não um princípio como pretendido pela maioria da doutrina (Teoria Geral da Isenção Tributária. 3ª ed. São Paulo: Editora Malheiro, 2001, ps. 3412). Portanto, a regra (ou, se se preferir, o princípio) constitucional da não cumulatividade simplesmente não se aplicava às contribuições sociais no texto original da Constituição. Com a Emenda Constitucional no 47, de 2005, a Constituição passou a prever, no art. 195, § 9º, a possibilidade de diferenciação de alíquota e base de cálculo. Entretanto, à vista de matéria constitucional, o Carf não pode deixar de afastar a aplicação de lei, conforme sua Súmula no 2 (Portaria Carf no 106, de 2009): Súmula Carf nº 2: O Carf não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ademais, tal impossibilidade é reforçada pelas disposições do art. 62 do seu Regimento Interno (Portaria MF no 256, de 2009). Dessa forma, somente é possível, em sede do presente recurso voluntário, apreciar as alegações da Interessada em relação ao que determina a lei, uma vez que sua aplicação não pode ser afastada. Entretanto, antes cabe esclarecer que, em alguns pontos, as alegações da Interessada são contraditórias, como nos exemplos a seguir. Fl. 128DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 26/06/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16349.000391/200916 Acórdão n.º 330200.934 S3C3T2 Fl. 0 7 1. Violação à não cumulatividade Parte dos produtos vendidos pela Interessada sujeitase ao regime monofásico, que, pelas próprias disposições legais, como se verá adiante, é um regime distinto do não cumulativo. Dessa forma, tratandose de um regime diverso, paralelo e específico de incidência da contribuição, não há como haver violação de regra aplicável a outro regime. 2. Violação ao princípio da isonomia Isonomia implica tratamento igual aos que estejam em igual situação. Portanto, não faz sentido argumentar violação à isonomia se a regra é aplicável não só à Recorrente como a todos os contribuintes que se encontram na mesma situação. 3. Violação à capacidade contributiva No caso em questão, não é possível violação à capacidade contributiva, uma vez que os produtos vendidos sujeitos à alíquota zero já foram tributados pelo regime monofásico anteriormente. Dessa forma, o valor da contribuição devida pela Recorrente, em relação a tais produtos, é zero. O que a Interessada pretende é, na realidade, ao incluir na dedução da base de cálculo da contribuição devida em relação aos demais produtos, reduzir a base de cálculo destes últimos, cuja contribuição devida nada tem a ver com daqueles. 4. Sugestão de bitributação Em suas alegações, a Interessada sugere aparentemente que estaria sujeita a duas tributações. De fato, está, mas, além de os produtos sujeitos à incidência monofásica não estarem sujeitos à incidência não cumulativa (inexiste bitributação), tais produtos sujeitamse à alíquota zero. De fato, para concluir que a forma de tributação por incidência monofásica seria tão injusta a ponto de exigir deduções das bases de cálculo do revendor, seria preciso demonstrar que o resultado dessa tributação, no geral, seria injustificadamente maior do que a dos demais produtos sujeitos à não cumulatividade, o que sequer foi abordado adequadamente pela Interessada. Feitas as observações acima, passase à análise da legislação. Conforme bem observado pela primeira instância, as leis que instituíram as contribuições não cumulativas previram expressamente que suas disposições não se aplicariam às receitas “decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero” e ainda aos casos de substituição tributária. Vale dizer, o regime de não cumulatividade é geral, enquanto que o regime de tributação concentrada ou monofásico é específico e apurado paralelamente àquele. O que se discute, a seguir, é a aplicação do art. 17 da Lei no 11.033, de 2004, ao caso dos autos: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota ‘0’ (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Fl. 129DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 26/06/2011 por GILENO GURJAO BARRETO 8 Tal dispositivo deve ser lido atentamente. Em primeiro lugar, por que não é uma disposição legal generalista como pretende a Interessada. Vale dizer, não se aplica à toda a legislação de PIS/Pasep e Cofins, por dizer respeito somente às hipóteses previstas na própria lei, que trata do “Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária”. Nesse contexto, a própria lei prevê a incidência de “suspensão”, “isenção”, “não incidência” e especificamente de alíquota zero no art. 14, § 2º. Por isso, no art. 17, prevê a manutenção de créditos. Aí reside a segunda atenção que se deve ter ao ler o dispositivo, uma vez que, especificamente, prevê a “manutenção” dos créditos vinculados às vendas de produtos de alíquota zero. Vale dizer, não trata de exclusões de base de cálculo, mas de créditos que tenham sido escriturados e que, em função da incidência de alíquota zero e das demais hipóteses previstas na própria lei, poderiam ser objeto de uma eventual interpretação restritiva, como a que ocorre no IPI, quanto a seu aproveitamento. Então, a própria lei já previu, para que não houvesse dúvidas sobre a matéria, que a incidência das hipóteses desonerativas não implicaria glosa de créditos. Portanto, as alegações da Interessada fundamse em equívocos de interpretação da legislação, uma vez que as duas modalidades de apuração da contribuição coexistem mas não se comunicam. Por fim, observese que as referências posteriores da legislação ao referido dispositivo legal não têm o condão de estender sua abrangência. Na realidade, limitamse a regular o crédito do “Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária”, conforme esclarecido acima. À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Declaração de Voto Conselheiro Gileno Gurjão Barreto Da atual possibilidade de tomada de créditos – Lei nº 11.727/08 Primeiramente, cabe relembrar que foi com o advento das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03 (conversões das MP’s nº 66/02 e nº 135/03) que as contribuições para o Fl. 130DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 26/06/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16349.000391/200916 Acórdão n.º 330200.934 S3C3T2 Fl. 0 9 PIS/PASEP e COFINS passaram a ter como regime geral o sistema de nãocumulatividade, entretanto, esse dispositivo foi além da aplicação desse regime e também admitiu o direito de descontar créditos calculados a partir das etapas anteriores de bens adquiridos para revenda, a saber, independentemente do sujeito detentor do crédito: “Art. 3º. Do valor apurado na forma do art. 2º, a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em ralação a: I – bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) – nos incisos III e IV do § 3º do art. 1º desta Lei (...) (...)§ 2º Não dará direito a crédito o valor: I de mãodeobra paga a pessoa física; e II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Redação do § 2º dada pela Lei nº 10.865/04)(...) (...) § 7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7º e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 9º O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do § 8º, será aplicado consistentemente por todo o ano calendário e, igualmente, adotado na apuração do crédito relativo à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal.(...)” “Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos art. 1 a 8. Fl. 131DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 26/06/2011 por GILENO GURJAO BARRETO 10 VII – as receitas decorrentes das operações: a) referidas no inciso IV do § 3 do art. 1. b) sujeitas à substituição tributária da COFINS”. Tais dispositivos legais vedavam, entretanto, a tomada de crédito de PIS e COFINS pelas pessoas jurídicas revendedoras, nas operações de revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição fosse exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária e também em relação à venda de álcool para fins carburantes. No entanto, essa situação perdurou até a edição da Lei nº 10.865/04 que alterou consideravelmente as Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03. Aquela lei, dentre outras alterações, ampliou o regime não cumulativo para que esse alcançasse também as receitas sujeitas à incidência monofásica do PIS e da COFINS, manteve as alíquotas diferenciadas dispersas na legislação do PIS/COFINS, inseriu as alíneas a e b nos incisos I dos arts. 3º das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 e por fim, alterou os parágrafos 2º dos arts. 3º das mencionadas leis, no sentido de indicar a impossibilidade da tomada de crédito relativamente a bens e serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Posteriormente, em 2004 ainda, foi adicionado à MP nº 206/04, posteriormente convertida na Lei nº 11.033, o art. 16 (quando da conversão passou a ser o art. 17) que tratava sobre a manutenção de créditos nas vendas efetuadas com isenção, alíquota zero, suspensão e nãoincidência do PIS e COFINS. Esse dispositivo veio assim redigido: “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações.(...)” Importantíssimo ressaltar que a partir desse momento, duas normas aparentemente contraditórias passaram a vigorar no ordenamento jurídico relativo às contribuições mencionadas. Porém, por regra geral de hermenêutica, norma específica sobrepõese à norma geral, e assim esses dispositivos deverão ser interpretados a partir da inserção do fato concreto à norma, dentro de suas especificidades. O dispositivo retro estendeu o alcance do direito de manutenção de crédito de PIS e COFINS, alcançando o vendedor, atacadista ou até mesmo varejista, que viesse a efetuar vendas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência do PIS e da COFINS como regra geral, exceto quanto a operação porventura estiver sob a égide de norma específica que disponha em contrário. Posteriormente, em janeiro de 2008, foi editada a MP nº 413, que resultou em sua conversão na Lei nº 11.727/08, cujo objetivo precípuo fora adotar medidas de natureza tributária destinadas a estimular os investimentos e a modernização do setor de turismo, reforçar o sistema de proteção tarifária brasileiro e estabelecer a incidência de forma concentrada da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS na produção e comercialização de álcool. Por meio dessa Medida Provisória, o Poder Executivo tentou inserir dispositivo alheio às operações inicialmente objeto da Medida, para obstar a tomada de créditos relativa às operações ora em comento, ao literalmente tentar aprovar o texto dos artigos 14 e 15 em que vedava a apropriação de créditos de PIS/COFINS sobre os custos, encargos e despesas relativos às vendas de produtos onde incidiam o regime monofásico, apropriação antes Fl. 132DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 26/06/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16349.000391/200916 Acórdão n.º 330200.934 S3C3T2 Fl. 0 11 permitida, por meio da inserção do § 14 ao art. 3º das Leis nº 10.637 e § 15 ao art. 3º da Lei nº 10.833/03: “Art. 14. Os arts. 2o e 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passam avigorar com a seguinte redação: .................................................................................... § 14. Excetuamse do disposto neste artigo os distribuidores e os comerciantes atacadistas e varejistas das mercadorias e produtos referidos no § 1o do art. 2o desta Lei, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas, não se aplicando a manutenção de créditos de que trata o art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004.” (NR) Art. 15. Os arts. 2o e 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passam avigorar com a seguinte redação: “Art. 2o .................................................................... (...).................................................................................. § 22. Excetuamse do disposto neste artigo os distribuidores e os comerciantes atacadistas e varejistas das mercadorias e produtos referidos no § 1o do art. 2o desta Lei, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas, não se aplicando a manutenção de créditos de que trata o art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004.” (NR)” Tal pretensa vedação simplesmente foi retirada da MP nº 413 durante seu tramite legislativo, ao qual foram interpostas 185 emendas, de modo que sua conversão em lei (Lei nº 11.727/08) não contém tal vedação. Importante observar o reconhecimento pleno do direito ao crédito pela aplicação do art. 17 da lei nº 11.033/04. Outrossim, consideramos que a pretensa vedação à tomada dos créditos ora em discussão, prevista nos art. 3º, I, b, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 restou totalmente superada com a nova redação conferida ao art. 24 da mencionada Lei nº 11.727/08. Previu esse dispositivo a possibilidade de os revendedores de produtos monofásicos tomarem créditos sobre a aquisição de produtos sujeitos à alíquota monofásica, pelos mesmos valores aos quais elas foram destacadas na etapa anterior, litteris: “Art. 24. A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, produtora ou fabricante dos produtos relacionados no § 1º do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, pode descontar créditos relativos à aquisição desses produtos de outra pessoa jurídica importadora, produtora ou fabricante, para revenda no mercado interno ou para exportação. § 1º Os créditos de que trata o caput deste artigo correspondem aos valores da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidos pelo vendedor em decorrência da operação. Fl. 133DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 26/06/2011 por GILENO GURJAO BARRETO 12 § 2º Não se aplica às aquisições de que trata o caput deste artigo o disposto na alínea b do inciso I do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e na alínea b do inciso I do caput do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003.” Ademais, corrobora com todo esse entendimento o disposto no art. 16 da Lei nº 11.116/05, ao disciplinar a compensação e o ressarcimento de créditos de PIS e COFINS, referindose expressamente ao art. 17 da Lei nº 11.033/2004, sendo oportuna sua transcrição: “Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei.” Nesse sentido, o entendimento atual é de que há o direito de crédito para as pessoas jurídicas que auferem receitas de vendas de produtos sobre os quais incide a alíquota zero, em sendo intrínseca ao regime de nãocumulatividade o direito desse. Ademais, inexiste qualquer vedação legal, prevalecendo o direito subjetivo das pessoas jurídicas à compensação ou recuperação dos créditos, mediante a aplicação das alíquotas pertinentes ao regime não cumulativo, previsto no art. 16 da Lei nº 11.116/2005. Cabe ressaltar que em 15 de dezembro de 2008 foi publicada a Medida Provisória nº 451, tratandose de mais uma tentativa do Governo em restringir os créditos de PIS e COFINS das distribuidoras e varejistas que comercializam produtos monofásicos. Tal MP em seus artigos 8 e 9 retirava a possibilidade de descontar créditos de PIS e COFINS dos distribuidores, dos comerciantes atacadistas e varejistas das mercadorias e produtos (produzidos e importados), quanto aos custos, despesas e encargos vinculados às receitas com a venda destes produtos. Dentre as 64 emendas apresentadas ressaltase a emenda supressiva número 09, apresentada pelo Deputado Eduardo Gomes, cuja justificativa: “Os artigos 8º e 9º da supracitada Medida Provisória inseriram novos parágrafos aos artigos 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, vedando aos distribuidores e aos comerciantes varejistas e atacadistas de produtos sujeitos às alíquotas monofásicas o reconhecimento de créditos de PIS e COFINS sobre fretes, armazenagem, aluguéis, energia elétrica, dentre outros. Frisese que dispositivos semelhantes haviam sido também incluídos quando da edição da Medida Provisória nº 413, de 03 de janeiro de 2008, tendo sido Fl. 134DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 26/06/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16349.000391/200916 Acórdão n.º 330200.934 S3C3T2 Fl. 0 13 suprimidos pelo Legislativo Federal quando de sua votação para conversão da MP na Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008. As alterações previstas na MP 451 resultariam em injustificado aumento da PIS/COFINS incidente na gasolina, diesel e querosene de aviação, que tem toda a carga tributária concentrada de forma monofásica na refinaria. A vedação dos créditos de PIS/COFINS incidente sobre esses custos inerentes a comercialização destes combustíveis, caracterizase como aumento da carga tributária, com impactos nos preços, e prejuízos para os consumidores finais.” Em parecer proferido em plenário, o Deputadorelator Sr. João Leão votou pela admissibilidade da MP nº 451, acolhendo a emenda nº 09. Por conseguinte, apresentou o Projeto de Lei de Conversão nº 04/2009 como substitutivo à Medida Provisória nº 451/08, que altera a legislação tributária federal, e dá outras providências. Esse Projeto foi aprovado pelo Plenário da Câmara dos Deputados em 07/04/2009 e convertida na Lei nº 11.945 em 05 de junho de 2009. Até que ocorra alguma alteração nos dispositivos retromencionados, entendemos que permanece o direito ao crédito sobre o qual discorremos. Nesse sentido, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário (Assinado digitalmente) Gileno Gurjão Barreto Fl. 135DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 26/06/2011 por GILENO GURJAO BARRETO
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Numero do processo: 14479.000747/2007-31
Data da sessão: Tue Jun 02 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Jun 02 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇOES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS
Período de apuração: 01/06/2001 a 31/12/2005
DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o
pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I.
PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DE BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS.
O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados elide a discussão sobre a incidência ou não da base de cálculo.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-000.407
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara/1ª turma ordinária do Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, com fundamento no artigo 150, §4° do CTN, acatar a preliminar de decadência de parte do período a que se refere o lançamento para provimento parcial do recur\so e no mérito manter os demais valores lançados, nos termos do voto do Relator. Esteve presente ao julgamento o advogado da recorrente Marcos Maia Junior —OAB/DF 16.967
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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'IS tityy s ' * MINISTÉRIO DA FAZENDA ; ria, CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS,e3 mr-41 ;4' SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 14479.000747/2007-31 Recurso n" 157.298 Voluntário Acórdão n" 2301-00.407 — .3 a Câmara / 1" Turma Ordinária Sessão de 02 de junho de 2009 Matéria Remuneração de Segurados: Parcelas em Folha de Pagamento Recorrente ESTRELA AZUL SERVIÇOS DE VIGILÂNCIA SEGURANÇA E TRANSPORTE DE VALORES Recorrida DRJ-SÃO PAULO-II/SP ASSUNTO: CONTRIBUIÇOES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/06/2001 a 31/12/2005 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DE BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados elide a discussão sobre a incidência ou não da base de cálculo. Recurso Voluntário Provido em Parte o Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 71, Processo n° 14479.000747/2007-31 S2-C31'1 Acórdão n.° 2301-00.407 Fl. 119 ACORDAM os membros da 3" câmara / 1" turma ordinária do Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, com fundamento no artigo 150, §4° do CTN, acatar a preliminar de decadência de parte do período a que se refere o lançamento para provimento parcial do recur\so e no mérito manter os demais valores lançados, nos termos do voto do Relator. Esteve pr gent o julgamento o advogado da recorrente Marcos Maia Junior —OAB/DF 16.967. JULIO A VIEIRA GOMES Presideàe LIÉGE LA\)Aa‘cROIX TH07/1A. SI Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros: Marco André Ramos Vieira, Damião Cordeiro de Moraes, Marcelo Oliveira, Edgar Silva Vidal (Suplente), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Junior e Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente). 2 Processo o' 14479.000747/2007-31 S2-C3T I Acórdlào n°2301-00.407 Fl. 120 Relatório Trata a notificação de contribuições previdenciárias e de importâncias arrecadadas aos terceiros incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, resultantes de divergências existentes entre os valores declarados em GFIP e os efetivamente recolhidos através de GPS, nas competências de 06/2001 a 12/2005. A notificação foi cientificada ao sujeito passivo em 31/10/2007. Após apresentação de defesa, Acórdão de fls. 53/58, pugnou pela procedência do lançamento. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega em síntese: que a refiscalização somente poderá ocorrer nos casos explícitos pelo art.149 do CTN e que as informações contidas em folhas de pagamento, que deram suporte ao presente lançamento, já haviam sido objeto de exame por parte da fiscalização, caracterizando a homologação tácita do lançamento; a decadência qüinqüenal exposta no CTN; que está em processo de recuperação judicial eivando esforços para manter os empregos e os pagamentos aos credores; que protocolou pedido de parcelamento junto ao INSS, provando sua boa fé; que com o deferimento da recuperação judicial ficam suspensas todas as ações ou execuções contra o devedor. Requer que a NFLD seja declarada nula e insubsistente, determinando-se seu arquivamento, ou na remota hipótese de ser reconhecido o débito fiscal, que seja enquadrado nos moldes de pagamento descritos pelo artigo 6' da Lei n.° 11.101/05. É o relatório. Voto Conselheira L1EGE LACROIX THOMAS1, Relatora Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seus exame. Da Preliminar A notificação fiscal de lançamento de débito foi lavrada em 25/10/2007, com ciência pelo sujeito passivo em 31/10/2007, referindo-se a divergências constatadas pela fiscalização entre os valores declarados em GFIP e os efetivamente recolhidos através das Guias da Previdência Social, no período de 06/2001 a 12/2005. 3 Processo n° 14479.000747/2007-31 52-0T Acórdão 2301-00.407 Fl. 121 A recorrente argúi a decadência qüinqüenal e com efeito, há que de destacar que nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal - STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.2 12, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relatar: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei n" 8.212/91 e o parágrafo único do art.5" do Decreto-lei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém-se higida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de .fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitam-se, entre outros, aos artigos I 50„§ 4", 173 e 174 do C7'1\1 Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconsfitucionalidade dos mis. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, h, da Constituição, e do parágrafb único do art. 5" do Decreto-lei n° 1.569/77, frente ao § 1" do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5" do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103-A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: • Art. I03-A. O Supremo Tribunal Federal poderá. de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional. aprovar súmula que, a partir de sua publica 0o na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta. nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecido em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional n" 45, de 2004). Lei n°11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. I03-A da Constituição Federal e altera a Lei n' 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a 4 Processo n° 14479.000747/2007-31 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.407 Fl. 122 revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinca/ante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. An. 2 O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta. nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § I O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. As contribuições providenciarias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar a regra prevista no art. 150, parágrafo 4° do CTN. Havendo, então o pagamento antecipado, observar-se-á a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento, caso esse não exista, não há o que ser homologado, devendo ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4° do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, • independentemente de ter havido o pagamento antecipado. Portanto, inclino-me à tese jurídica na Súmula Vinculante ri° 08 para acatar o prazo decadencial exposto no Código Tributário Nacional, artigo 150, § 4", uma vez que a recorrente procedeu a recolhimentos previdenciários parciais, relativos ao crédito lançado nesta notificação, devendo ser excluídas do débito as competências até 09/2002, inclusive: An. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. '•' § 4" Se a lei não .fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto 41. Processo n° 14479.000747/2007-31 S2-C31.1 Acórdão o.° 2301-00.407 Fl. 123 o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, .fraude ou simulação. Não consta dos autos que a ação fiscal tivesse por objeto refiscalização na empresa. O Mandado de Procedimento Fiscal, às fls. 10, especifica que o período de apuração vai de janeiro de 1999 a dezembro de 2005, fato observado pelo auditor fiscal que procedeu ao levantamento do débito nas competências de 06/2001 a 12/2005. Ademais, a fiscalização esclarece tanto no Relatório Fiscal, Ils.31/38, que acompanha a notificação, quanto no Termo de Encerramento de Fiscalização — TEAF, 26/27, que os elementos examinados, nos quais se baseou o levantamento, foram as GF1P's cujos valores nela constantes são declarados pela recorrente e o conta-corrente da empresa, ambos obtidos através do sistema informatizado da Receita Federal do Brasil, o CN ISA. Também, é de se esclarecer que é reservado ao fisco o direito de a qualquer tempo cobrar importâncias que venha a considerar devidas para o período fiscalizado, decorrentes de fatos apurados posteriormente. Tal esclarecimento consta do documento TEAF, entregue a empresa quando do encerramento da ação fiscal e encontra respaldo no artigo 149, inciso VIII do Código Tributário Nacional: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: VIII - quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; ••• Do Mérito O levantamento do crédito previdencário se deu com base nas informações prestadas pela empresa em GFIP. Não pertencem ao lançamento impugnado parcelas contestadas pelo recorrente quanto à sua natureza salarial ou não. Melhor dizendo, a base de cálculo considerada pela fiscalização coincide com o montante de salários informado pelo recorrente. A partir de 01/01/99, com a implantação da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social — GFIP, os valores nela declarados são tratados como confissão de dívida fiscal, nos termos do artigo 225, §1° do Decreto n° 3.048, de 06/05/99: Art.225. (4 § 12 As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Infórmações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. bem como constituir- se-ão termo de confissão de divida, na hipótese do não- recolhimento. 6 Processo n° 14479.000747/2007-31 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.407 Fl, 124 Assim sendo, caso houvesse algum erro cometido pela recorrente na elaboração, tanto das folhas de pagamento como da GFIP, caber-lhe-ia demonstrá-lo e providenciar sua retificação; no entanto, embora oferecida essa oportunidade durante todo o processo, não o fez. Quanto à recuperação judicial e a aplicação do artigo 6' da Lei n." 11.101/2005, é oportuno esclarecer que a presente notificação não está "executando" o devedor, apenas lançando o crédito previdenciário devido. Assim, ao contrário do que pretende a recorrente, o deferimento da recuperação judicial não afeta a efetividade do lançamento escorreito, feito por autoridade competente dentro dos moldes definidos em lei. Em regra, ainda que deferido o processo de recuperação judicial de uma empresa, não fica a Fazenda Pública impedida de proceder ao lançamento de crédito devido, pois este, segundo o parágrafo único do art. 142 do CTN, constitui atividade vinculada e obrigatória da autoridade administrativa, sob pena de responsabilidade funcional. Por todo o exposto, Voto pelo provimento parcial do recurso para acatar o prazo decadencial contido no Código Tributário Nacional, excluindo do levantamento as competências até 09/2002, inclusive. Sala das Sessões, em 02 de junho de 2009 LIEGE LACROIX THOMASI /17 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1
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Numero do processo: 00009.200122/71-80
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DE 1980 Recorrente MÓVEIS DIDI LTDA. Recorrido DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL Em JOINVILLE - (SC) IRPJ - Sempre que a pessoa jurídica au torizada a optar pela tributação com base nolucro presumido, não cumprir as obrigaçOes acesscirias relativas à sua determinação, terá seu lucro arbi- trado pela autoridade administrativa. Recurso improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por MÓVEIS DIDI LTDA.: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro - Conselho de Cofitribuintes, por unanimidade de votos, negar provimen__ to ao recurso'‘ 4 (--' ) 4 ala das SessO” (pl"), em 24 de junho de 1981 „.-- 11-)-1 / ./ AMADOR OUT #7. I\TÂIIDEZA - PRESIDENTE /' FRANCISCO DE A. I i D,LTRAN A // - RELATOR ! ,4, 'Wv' / VISTO EM ADHEMILS-S; :AS 'OS DE CRVALHO - PROCURADOR DA FAZEN SESSÃO DE: 25 juN El / DA NACIONAL , Participaram, ainda, do presente 111. amento, os seguintes Conselhei- ros: SYLVIO RODRIGUES, CARLOS ALBÉR 0 GONÇALVES NUNES,AGOSTINHO SER- RANO FILHO, RAUL PIMENTEL e LUIZ AN t RÉ NETO (suplente). Ausente o Conselheiro FERNANDO CíCERO VELLOS . SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N.2 0920/012.271/80 RECURSO N.° : 83.388 ACÓRDÃO N.° : 101-72.398 RECORRENTE: MÓVEIS DIDI LTDA. RELATÓRIO Não tendo a pessoa jurídica MÓVEIS DIDI LTDA., juris_ dicionada ã D.R.F. em Joinville - SC apresentado no nrazo regula- mentar a declaração de rendimentos do exercício de 1980, ano-base de 1979, foi intimada a faze-lo. Ao cumprir a intimação utilizou o formulãrio III de declaração, optando pela forma de tributação do lucro presumido. Com amparo no art. 79, inciso II do Decreto-lei n9 1.648/78, a autoridade fiscal arbitrou-lhe o lucro, a plicando a multa de 50% do lançamento "ex officio" sobre o imposto corrigido. Rebela-se a interessada contra o critério utilizado, alegando que fez a opção pelo lucro presumido seguindo a orienta- ção contida no instrumento em que a administração iniciou o proce dimento. Ao indeferir a impugnação, fundamentou-se a autorida de de 19 grau no sentido de que "se trata de lançamento efetuado de ofício por força da alínea "a" do art. 483 e iniciado na forma ---, prevista pelo art. 484, ambos do RIR/75, por falta de apresentação -- 7_7 D M F - RJ/1.° C - C - Secgraf - 1600/75 , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0920/012.271/80 3. Acórdão n9 101-72.398 de declaração. A intimação tinha por objetivo fazer o contribuinte prestar as informações necessárias ao preparo do lançamento e o seu atendimento pela intimada não exclui a obrigação da administra ção de efetuar o lançamento de oficio. A própria intimação já indi cava que o lançamento seria feito dessa forma." Postulando a reforma da aludida decisão, defende a recorrente que a intimação deveria proibir a opção pelo Lucro Pre- sumido, mas, o invés disso, permitiu ou segeriu tal opção, para posteriormente arbitrar o lucro, o que virá acarretar sérios prejui zos ã empresa. Ao examinar-se o Balanço Geral de 31/12/79, chega-se ^à conclusão de que a empresa está impossibilitada de arcar com tal encargo, se for confirmada a decisão de la. instância, já que apre , senta um patrimônio liquido de apenas Cr$95.411,16 d'à (7-' I) É o relatório. ,, , 4. SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 0920/012.271/80 Acórdão n9 101-72.398 VOTO_ Conselheiro FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA, Relator: Não apresentando sua declaração de rendimentos dentro do prazo regulamentar, não seria licito à recorrente, depois de contra ela ser iniciado procedimento "ex officio", mediante expedi ção de notificação, fazer a opção pelo lucro presumido. Consta da intimação a seguinte referência: "se usado o formulário 111/Lucro Presumido ou Arbitrado. O item 15/01 deve ser preenchido com 01 e o item 15/03 = 14/09". Tal indicação não imulica no oferecimento à interessada da opção pelo lucro presumi- do, traduzindo-se em mera instrução quanto à forma de preenchimen- to. O formulário III, também designado de "Formulário do Lucro Pre — sumido ou Arbitrado" poderia ser utilizado no caso de apuração de resultado pela modalidade de arbitramento. O lançamento "ex officio" será efetuado quando o con- tribuinte não apresentar declaração de rendimentos. Esta é a regra contida no art. 483 do RIR/75. O arbitramento do lucro da pessoa juridica é cabível quando o contribuinte autorizado a optar pela tributação com base no lucro presumido, não cumprir as obrigaçOes acessórias relativas ã sua determinação. Por essas razOes, voto pela negativa de proviment. r, v FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA - Relat . 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Numero do processo: 11080.100988/2003-31
Data da sessão: Thu Apr 08 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Apr 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Inexiste cerceamento do direito de defesa uma vez que a contestação
exclusão do Simples é efetuada após o Ato Declaratório de Exclusão, e não
antes dele, tendo a interessada exercido plenamente o seu direito ao
contraditório e h ampla defesa.
NULIDADE DE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.
INEXISTÊNCIA.
Inexiste nulidade na decisão da autoridade julgadora de primeira instância
quando se verifica que esta analisou todos os documentos que estavam
acostados ao processo, porém entendeu-os insuficientes para fazer prova a
favor da recorrente.
Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições
das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
Ementa:
SIMPLES.EXCLUSÃO.
Exercendo somente atividade que não é vedada ao SIMPLES, apesar de
constar no objeto social outra atividade, não deve ser mantida a exclusão da
recorrente do regime simplificado.
Numero da decisão: 1102-000.185
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares e, no mérito, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: João Otávio Oppermann Thomé
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ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2002 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Inexiste cerceamento do direito de defesa uma vez que a contestação exclusão do Simples é efetuada após o Ato Declaratório de Exclusão, e não antes dele, tendo a interessada exercido plenamente o seu direito ao contraditório e h ampla defesa. NULIDADE DE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA. Inexiste nulidade na decisão da autoridade julgadora de primeira instância quando se verifica que esta analisou todos os documentos que estavam acostados ao processo, porém entendeu-os insuficientes para fazer prova a favor da recorrente. Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 Ementa: SIMPLES.EXCLUSÃO. Exercendo somente atividade que não é vedada ao SIMPLES, apesar de constar no objeto social outra atividade, não deve ser mantida a exclusão da recorrente do regime simplificado.
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INEXISTÊNCIA. Inexiste cerceamento do direito de defesa uma vez que a contestação exclusão do Simples é efetuada após o Ato Declaratório de Exclusão, e não antes dele, tendo a interessada exercido plenamente o seu direito ao contraditório e h ampla defesa. NULIDADE DE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA. Inexiste nulidade na decisão da autoridade julgadora de primeira instância quando se verifica que esta analisou todos os documentos que estavam acostados ao processo, porém entendeu-os insuficientes para fazer prova a favor da recorrente. Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 Ementa: SIMPLES.EXCLUSÃO. Exercendo somente atividade que não é vedada ao SIMPLES, apesar de constar no objeto social outra atividade, não deve ser mantida a exclusão da recorrente do regime simplificado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares e, no mérito, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o prese te julgado. —IV MALT QUFAS bESSOA MONTEIRO- Presidente. JOAO OTÁVIO/OPPERMANN THOME - Relator. (y/ EDITADO EM: 2 0 MA I 2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente), João Carlos de Lima Júnior (Vice-Presidente), Joao Otávio Opperman Thomé (Relator), Silvana Rescigno Guerra Barreto, José Sérgio Gomes (Suplente Convocado), e Manoel Mota Fonseca (Suplente Convocado). 2 Processo n° 11080.100988/2003-31 SI-CIT2 Acórao n.° 1102-00.185 Fl. 2 Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra a exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples, promovida pelo Ato Deelaratório Executivo DRF/POA no 460.760, datado de 07/08/2003 (fls. 3), surtindo efeitos a partir de 01/01/2002., tendo em vista o exercício de atividade vedada. Em 23/09/2003 apresentou Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples Delegacia da Receita Federal de Porto Alegre, argumentando em síntese que a atividade efetivamente por ela praticada é a de comércio de impressos e material para escritório e de prestação de serviços na Area de manutenção de fitas e cartuchos para impressora matricial ou não, e que a atividade de representação comercial havia sido colocada em seu contrato social para exercício futuro, o que alias, até aquela data ainda não havia ocorrido. 0 processo foi encaminhado a Agência da Receita Federal de Viamdo, que intimou o contribuinte (fls. 14) a apresentar uma relação de documentos com vistas a verificar a procedência ou não de suas alegações, entre os quais os talondrios de notas fiscais emitidas em 2002 e 2003, e urna certidão do Conselho Regional de Representantes Comerciais, bem como a efetuar a alteração no seu CNAE-Fiscal (atividade) perante a SRF. A DRF, por meio de Despacho Decisório de 14/04/2004 (fls 94), indeferiu a solicitação de revisão, tendo em vista o constante do contrato social, bem como da certidão expedida pelo Conselho Regional dos Representantes Comerciais do Rio Grande do Sul — CORE/RS (fls 86), atestando estar a empresa registrada perante aquele órgão desde 05/11/1999 e em dia com suas mensalidades. A empresa apresentou manifestação de inconformidade A. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre, alegando em síntese: - que não exerceu atividade de representação comercial; - que procedeu a uma alteração contratual, em 04/12/2003, na qual foi excluída a atividade de representação comercial; e - que procedeu a baixa de sua inscrição no Conselho Regional dos Representantes Comerciais - CORE/RS, conforme certidão de fls. 100, expedida em 05/05/2004. A 4' Turma da DRJ/P0A, por meio do Acórdão n° 10-13.083, de 22 de agosto de 2007, indeferiu a solicitação da empresa, em razão de constar a atividade de representante comercial no seu contrato social, bem como pelo teor da já referida certidão expedida pelo CORE/RS. Entendeu a referida instancia julgadora que o registro e a publicidade do Contrato Social, e, por conseguinte, do objeto social nele inserido, fazem prova contra a pessoa jurídica, a quem, portanto, incumbiria o ônus de, por todos os meios permitidos em direito, demonstrar ser outra a verdade dos fatos. Aduziu ainda que, verbis: 3 Não se trata de exigência de prova negativa, mas, se o objeto social da pessoa jurídica configura aspecto relevante na constituição da sociedade, a previsão de serviços não permitidos ao Simples somente poderia ser elidida, (sic) salvo prova robusta e inequívoca do contrário. Neste sentido, as notas fiscais juntadas ao processo foram reputadas insuficientes, por se referirem somente aos anos de 2002 e 2003. Tampouco foram consideradas suficientes pela autoridade julgadora as alterações efetuadas no contrato social e perante o CORE/RS, por serem todas posteriores ao ato contestado. Tendo tornado ciência do referido acórdão em 25/09/2007, a empresa interpôs recurso a este Conselho em 24/10/2007, alegando em sede de preliminares que: - a autoridade julgadora deixou de considerar a vasta documentação acostada, em especial as notas fiscais que comprovam a efetiva atividade da empresa; - foi surpreendida pelo Ato Declaratório de sua exclusão e não teve qualquer chance de contestação; - não pode ser compelida a refazer todas as suas obrigações fiscais retroativamente, dado o grande lapso de tempo decorrido e a sua boa-fé objetiva. No mérito, alega ainda em síntese que, verbis: A decisão que enseja o presente recurso, entendeu que os documentos apresentados pelo contribuinte para justificar o seu direito de permanecer inscrito no SIMPLES foram insuficientes para esta comprovação. Ocorre que a Recorrente apresentou todos os documentos solicitados pela Autoridade Fiscal. A origem foi que optou por enviar somente a amostragem da documentação, conforme consta na f 1. 91 nos autos. Portanto, na decisdo proferida pela 4a Turma da DRJ/POA, não foi sopesado, a documentação apresentada pelo Contribuinte, onde suas assertivas são corroboradas pela documentação acostadas ã manifestação... Além disto, salienta a sua boa-fé objetiva, demonstrada desde o inicio de suas atividades quando informou a Secretaria da Receita Federal todas as atividades que pretendia exercer. Por fim, afirma que o ato de exclusão é confuso, que ele fere a isonomia e a equidade do tratamento tributário, e ainda que, urna vez que o contribuinte teve a sua Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica- FCPJ deferida quando de sua inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes em 1999, a Lei não poderia prejudicar o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada. o relatório. 4 • Processo n° 11080.100988/2003-31 SI-CIT2 Acórdão n.° 1102-00.185 Fl. 3 Voto Conselheiro Joao Otávio Oppennann Thorne 0 recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. A recorrente alega que não teve qualquer chance de contestação com relação ao ato de exclusão, porém tal afirmativa não corresponde a verdade, como se demonstrou no relatório acima, tendo a recorrente usado de todos os meios legais ao seu alcance para fazer valer o seu direito. Tampouco há qualquer nulidade na decisão de primeira instância, urna vez que a DRJ analisou todos os documentos que estavam acostados ao processo, porem entendeu- os insuficientes para fazer prova a favor da recorrente. Em razão do exposto, afasto as preliminares. Passo ao mérito. Em que pese a boa fé da recorrente, a sua alegação de que não poderia ser compelida a refazer todas as suas obrigações fiscais retroativamente não pode ser acolhida, pois, se uma empresa é excluída do Simples, a determinação da data a partir da qual a referida exclusão passa a surtir efeitos decorre de lei tributária em pleno vigor. Deste modo, quanto a esta, bem como quanto as demais alegações de ordem constitucional, observo que falece a este Conselho competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n° 2). Contudo, conforme relatado, no presente caso a empresa foi excluída do Simples por alegada prática de atividade vedada, porém não ha nos autos nenhuma prova de que tenha de fato praticado ditas atividades, circunstância que, a propósito, a recorrente sempre negou. Ora, não pode a recon -ente ser compelida a fazer prova negativa. Para fundamentar a exclusão da empresa do Simples, a prova da pratica de atividade vedada deveria ser carreada aos autos pela administração tributária. Neste sentido, verifica-se que a administração tributária, anteriormente a exclusão, fez uma única solicitação a empresa, conforme intimação de fis. 14, a qual restou integralmente atendida, conforme atesta o despacho de fls. 91. Ainda, do mesmo despacho consta observação de que a empresa apresentou todas as notas fiscais relativas ao período solicitado na intimação. Foi a própria administração tributária quem optou por anexar cópias de apenas uma amostra destes documentos. Sendo assim, é licito supor que, se houvesse alguma nota fiscal que evidenciasse a prática de atividade vedada, cópia desta nota fiscal deveria ter sido anexada aos autos. Contudo, não há uma nota fiscal sequer no presente processo que evidencie a prática de representação comercial por parte da recorrente. No corpo das notas 5 fiscais anexadas (fls. 43 a 85) podem ser identificadas a prestação de serviços de recarga de cartuchos, de troca de refil de fita, e de conserto de máquinas, entre outros, bem corno a venda de cartuchos, fitas, formulários, e outros materiais de escritório, em suma, nada que impeça a opção da recorrente pelo regime simplificado. Portanto, a administração tributária não constituiu prova de suas alegações. E não se pode admitir exclusão do Simples fundamentada em mera interpretação de cláusula constante em contrato social, mormente quando este prevê também outras atividades econômicas, não vedadas ao Simples, como objeto social da pessoa jurídica. Por todo o exposto, dou provimento ao recurso voluntário. Joao Otav . permann Thorne - Relator 6
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Numero do processo: 10930.000708/90-80
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PROCESSO N9 10930/000.708/90-80 mfma Sessão de23 de setembrg e 19 92 ACORDÃO Ne 101-84.116 Recurso n e: : 70.087 - PIS-DEDUÇÃO -EXS: DE 1986 e 1987 Recorrente: : COMERCIAL SAN REMO DE TINTAS E PINTURAS LTDA . Recorrido : : DRF em LONDRINA - PR CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRA- ÇÃO SOCIAL - PIS/DEDUÇÃO-DECORRÊNCIA - . Mantida no processo Matriz a cobrança do imposto de renda da pessoa juridica,cabe no procedimento decorrente a exigência da contribuição ao PIS calculada em fun ção do mesmo imposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes au ; tos de recurso interposto por COMERCIAL SAN REMO DE TINTAS E PIN TURAS LTDA. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Pri meiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em NE GAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que pas sam a integrar o presente julgado _. a was Ses Cies, em 23 de setembro de 1992 MA " I A i 'Ir PRESIDENTE E ,/RELATORA .., _ VISTO EM AFONSO CEL'.0 FERREI - DE CAMPOS PROCURADOR DA SESSÃO DE: ?,'Iv lí ,,-, FAZENDA NACIONAL 4 Ij P4 Li d ; ;:,=,- ,, , Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conse- lheiros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, FRANCISCO DE ASSIS MIRAN DA, SANDRO MARTINS SILVA, CELSO ALVES FEITOSA, JEZER DE OLIVEIRA CÂNDIDO e SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL. Ausente justificadamente o Conselheiro RAUL PIMENTEL. '"okLk, DAMEFP/DF- SECOS N2 064/90, nir J.H. ..__ -~....,;- -n.."--w- ,,,Nmw :,..,.,fiço '-,,c1.-,,LICO FEDERAL PROCESSO N? 10930/000.708/90-80 RECURSO Pfi: 70.087 ACORMÃO2: 101-84.116 RECORRENTE: COMERCIAL SAN REMO DE TINTAS E PINTURAS LTDA. : RELATÓRIO A contribuinte supra identificada recorre a este Conselho, da decisão da autoridade julgadora de primeiro grau, que julgou procedente a exigência fiscal formalizada no Auto de Infra ção de fls. 05. . Trata-se de tributação reflexa de outro processo instaurado contra a mesma contribuinte, na área do imposto de ren- da-pessoa jurídica, protocolizado na repartição local sob o n9 10930/000.710/90-21. Nestes autos cofira-se da cobrança da Contribui ção para o Programa de Integração Social-PIS/DEDUÇÃO,corresponden- te a 5% do IRPJ suplementar devido nos exercícios de 1986 e 1987, consoante estabelecido no artigo 39, aléina "a" e § 19 da Lei Complementar 07/70. Mantida a tributação no processo matriz em 1.., . instância, igual sorte coube a este litígio naquela grau de juris- dição, conforme decisão de fls. 44/46, assim ementada. - í "CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS DEDUÇÃO - IR Exercícios de 1986 e 1987 (,- Períodos-base de 1985 e 1986 ¡à; -411 - D A L1EFFVDF - SECOS N2 O 65 / 90 J.H. ~oPunicoFEDERAL Processo n9 10930/000.708/90-80 3. Acórdão n9 101-84.116 TRIBUTAÇÃO REFLEXA: Aplica-se ao processo de- corrente o decidido no processo matriz. LANÇAMENTO PROCEDENTE." Dessa decisão a contribuinte foi cientificada em 09.10.91 e, inconformada, ingressou em 08.11.91 como o recur so voluntário de fls. 50/59. Como razões do recurso, a contribuinte se repor ta aos fundamentos apresentados no processo principal 4 41 ti o relatório. Imprensa Nacional SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 10930/000.708/90-80 4. Acórdão n9 101-84.116 VOTO Conselheira MARIAM SEIF, relatora. O recurso é tempestivo. Dele conheço. Conforme relatado, a tributação objeto deste processo é decorrente da exigência fiscal formalizada na área do IRPJ, objeto do processo n9 10930/000.710/90-21, cujo recur_ so foi protocolizado neste Conselho sob o n9 102.001. Tratando-se de tributação reflexa, o seu supor te fático é o mesmo que embasou a exigência procedida no proces_ so principal, não comportanto, por isso mesmo, uma apreciação desvinculada da levada a efeito naquele a processo. Isto porque segundo remansosa jurisprudência deste Colegiado, o decidido no processo da pessoa jurídica, quanto ã matéria que, por sua natu reza ou decorrência de lei acarrete reflexo na tributação das pessoas físicas, na fonte ou contribuições, faz coisa julgada nos processos decorrentes, eis que, houvesse possibilidade de novo pronunciamento sobre os mesmos fatos, poder-se-iam estabe- lecer eventuais contraditórios desaconselháveis sob o ponto de vista social e legal. Como o processo principal foi objeto de delibe- ração deste Colegiado em sessão realizada em 22.09.92, não cabe nestes autos reabrir a discussão em torno da existência ou in- subsistência do suporte fático da exigência, uma vez que a mate_ ria já foi amplamente debatida e examinada naquela ocasião. Na oportunidade, esta Câmara, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso,como faz certo o Acórdão n9 101-84.057, de 22.09.92. - Assim, considerando a decisão prolatada no pro G 1, V4k ‘44 1 Imprensa Nacional SERVICO PUBLICO FEDERAL Processo n9 10930/000.708/90-80 5. Acordãon9 101-84.116 cesso principal através do acórdão supramencionado, observado, ainda, o principio da decorrência, outra não poderá ser a deci_ são neste processo. Nesta ordem de juizos, nego provimento ao re curso. Br._' ia-DF., 23 de setembro de 1992 MA' - , - RELATORA, : ; Imprensa Nacional Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
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Numero do processo: 11060.001841/2007-21
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/12/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NOTIFICAÇÃO FISCAL PRESENÇA DE MOTIVAÇÃO. AMPLA POSSIBILIDADE DE AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO.
Não há que se falar em nulidade quando o lançamento for lavrado por servidor competente e possibilitar o amplo acesso ao contraditório e à ampla defesa.
EMPRESAS URBANAS. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA.
É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS.
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais.
SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. REGULAMENTAÇÃO.
Não ofende ao Princípio da Legalidade a regulamentação através de decreto do conceito de atividade preponderante e da fixação do grau de risco.
Numero da decisão: 2301-001.989
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto da Redator Designado. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram por anular o lançamento pela existência de vício material.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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NOTIFICAÇÃO FISCAL PRESENÇA DE MOTIVAÇÃO. AMPLA POSSIBILIDADE DE AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO. Não há que se falar em nulidade quando o lançamento for lavrado por servidor competente e possibilitar o amplo acesso ao contraditório e à ampla defesa. EMPRESAS URBANAS. CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. REGULAMENTAÇÃO. Não ofende ao Princípio da Legalidade a regulamentação através de decreto do conceito de atividade preponderante e da fixação do grau de risco. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Redator Designado. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram por anular o lançamento pela existência de vício material. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Redator designado: Marcelo Oliveira. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 11060.001841/200721 Acórdão n.º 230101.989 S2C3T1 Fl. 147 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa WILD KROTH CIA LTDA em razão da decisão da 3ª Turma de julgamento da Delegacia da Receita Federal de Santa Maria (RS) que julgou procedente o lançamento fiscal correspondente à diferença entre os valores apurados e recolhidos relativos às contribuições previdenciárias e às destinadas a terceiros no período de 01/03/2004 a 31/12/2005. 2. Segundo o relatório fiscal, o contribuinte não recolheu as “contribuições devidas pela empresa à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa, contribuintes individuais, financiamento dos benefícios concedidos em razão da incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e as contribuições destinadas a terceiros.” (fl. 30) 3. A ementa do julgado de primeira instância restou vazada nos seguintes termos: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2004 a 31/12/2005 FATO GERADOR MOMENTO DA OCORRÊNCIA (COMPETÊNCIA). Desde que se torne devida a verba de natureza remuneratória, já ocorre o fato gerador da contribuição previdenciária, se aperfeiçoando a obrigação tributária, independente de ser efetivamente paga ou não. TESES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. A argüição de inconstitucionalidade/ilegalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por o julgamento da matéria transpor, do ponto de vista constitucional, os limites da competência da autoridade administrativa. Lançamento Procedente” (fl. 88) 4. Em sede recursal, o contribuinte alega, preliminarmente, a inconstitucionalidade da exigência de depósito prévio como condição para recorrer, bem como reitera os mesmos argumentos elencados na peça impugnativa, conforme transcrição abaixo da decisão de fls. 88/92: “Da incompetência dos fiscais do INSS verificarem a alíquota referente ao SAT — Não pode a fiscalização ao seu livre arbítrio atribuir o grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho em relação aos estabelecimentos fiscalizados, sendo totalmente ilegal a cobrança da contribuição ao Fl. 9DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 SAT no percentual de 3%, devendo ser reduzido para 1% (grau leve), tendo em vista que o estabelecimento fiscalizado desenvolvia atividades meramente administrativas e de comércio; Da incorreta apuração das contribuições previdenciárias — a contribuição sobre a folha de salários será apurada sobre as remunerações devidas ou creditadas durante o mês, e o seu recolhimento se dá no mês seguinte ao da competência. INSS, no entanto, não vem respeitando esta sistemática, exigindo que a contribuição previdenciária seja recolhida no próprio mês de pagamento. Se durante o mês de fevereiro é creditada a folha de janeiro, somente em março deve ocorrer o pagamento da respectiva contribuição previdenciária; Da inexigibilidade da contribuição ao SEBRAE — tratase de nova contribuição que deveria, portanto, ter sido veiculada por lei complementar, atendendose aos pressupostos do art. 149 da CF/88. Ademais, a cobrança deste "adicional" só deve ser permitida em relação aos contribuintes que se enquadrem no conceito de Micro e Pequena empresas, uma vez que somente estes são beneficiados; Da inexigibilidade da contribuição ao INCRA; Da impossibilidade de utilização da Taxa SELIC; Do excesso de penalidade.” 5. O fisco, por sua vez, não apresentou suas contrarrazões, sendo o processo encaminhado para a análise deste Conselho. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes ADMISSIBILIDADE DO RECURSO 1. No que se refere à exigibilidade do depósito recursal, cumpre ressaltar que a garantia de instância para admissibilidade de recurso administrativo foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº. 1976, resultando na edição da súmula vinculante nº 21. 2. Consta da redação da súmula que “É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo.”. Dessa forma, não sendo mais exigível o depósito recursal, conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DA NOTIFICAÇÃO FISCAL 3. Compulsando a peça fiscal, verificase que o auditor notificou a empresa pelo fato de não ter recolhido integralmente os valores relativos às contribuições Fl. 10DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 11060.001841/200721 Acórdão n.º 230101.989 S2C3T1 Fl. 148 5 previdenciárias e às destinadas a terceiros nas competências de 03/2004 a 12/2005, conforme transcrição abaixo do inteiro teor do relatório fiscal: “1 Este relatório é integrante da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD37.047.7286, de contribuições devidas pela empresa à Seguridade Social, correspondentes a parte da empresa, contribuintes individuais, financiamento dos benefícios concedidos em razão da incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e as contribuições destinadas a terceiros, arrecadadas pela Previdência Social e não recolhidas em épocas próprias. 2 O período do lançamento do débito previdenciário, compreende as competências de março de 2004 a fevereiro de 2007. 3 Serviram de base para o levantamento, as Folhas de Pagamento e as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social no período citado. 4 O valor do débito lançado é de R$ 36.761,58 (Trinta e seis mil, setecentos e sessenta e um reais e cinqüenta e oito centavos). 5 O débito é referente às contribuições patronais , contribuintes individuais e as de terceiros: FNDE, SESC, SENAC, INCRA e SEBRAE.. 6 Os valores estão discriminados por competência no relatório DAD, (Discriminativo Analítico do Débito). 7 Integram a presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito —NFLD, além deste relatório, os documentos abaixo relacionados, nos quais os levantamentos encontramse identificados pelos códigos: "FP". DAD Discriminativo Analítico do Débito. DSD Discriminativo Sintético do Débito. FLD Fundamentos Legais do Débito. Cópia do Mandado de Procedimento Fiscal. Cópia do Termo de Intimação para apresentação de Documentos. Uma via do Termo de Encerramento da Ação Fiscal.” [grifos nossos] (fls. 30/31) 4. A partir da leitura acima, entendo que a fiscalização não tem razão em seu pleito porquanto não observou o que preceitua o artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN tendo em vista que deixou de verificar a ocorrência do fato gerador e de definir a matéria tributável, pois não motivou o surgimento da obrigação tributária que ensejou o lançamento do débito. 5. Constatase, portanto, que o auditor apenas mencionou, no item 1 do relatório, as contribuições a serem pagas se limitando a dizer que “não foram recolhidas em Fl. 11DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 épocas próprias” (fl.30) e, além disso, aponta no item 3 que as folhas de pagamento e as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social – GFIPs serviram de base para a notificação, embora não tenha acostado nos autos documento algum que permita uma clara visualização da exigência do tributo. 6. O fato é que o fisco não detalhou suficientemente em seu relatório fiscal se houve recolhimento parcial de tributo, e em caso afirmativo, quais as rubricas em que foram constatadas diferenças entre os valores apurados e recolhidos; como determinou a alíquota e a base de cálculo das contribuições; qual o CNAE enquadrado pela empresa e sua respectiva alíquota; o motivo pelo qual houve a revisão do enquadramento e qual seria o novo código e sua correspondente alíquota. 7. Ocorre que não basta trazer aos autos o Discriminativo Analítico de Débito (DAD) e o Termo da Ação Fiscal (TEAF) onde constam dados que deveriam ser minuciosamente analisados em conjunto com os documentos apresentados pela empresa na peça fiscal, fundamentando, assim, o lançamento de débito. 8. A motivação, no presente caso, é imprescindível haja vista que foram lançadas diferentes contribuições a título de financiamento dos benefícios concedidos em razão da incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. 9. A decisão notificação, inclusive, tenta fazer as vezes do relatório fiscal trazendo algumas informações sobre a apuração do crédito relativo a atividade preponderante da empresa e graduação de risco para definição da alíquota do SAT; no entanto, entendo não ser a via correta, pois deveria ter sido descrita no relatório. 10. Tanto é verdade que o artigo 50 da Lei n.º 9.784/99 assevera que os atos administrativos que neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos. Eis o teor do dispositivo citado: “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; § 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. § 2º Na solução de vários assuntos da mesma natureza, pode ser utilizado meio mecânico que reproduza os fundamentos das decisões, desde que não prejudique direito ou garantia dos interessados. § 3º A motivação das decisões de órgãos colegiados e comissões ou de decisões orais constará da respectiva ata ou de termo escrito.”[grifos nossos] 11. Celso Antônio Bandeira de Mello em sua obra intitulada “Curso de Direito Administrativo”, traz argumentos de enorme valia acerca do princípio da motivação e sua aplicação, notadamente as razões técnicas, lógicas e jurídicas que servem de calço ao ato conclusivo, de molde a poderse avaliar sua procedência jurídica e racional perante o caso concreto: Fl. 12DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 11060.001841/200721 Acórdão n.º 230101.989 S2C3T1 Fl. 149 7 “Princípio da motivação, isto é, o da obrigatoriedade de que sejam explicitados tanto o fundamento normativo quanto o fundamento fático da decisão, enunciandose, sempre que necessário, as razões técnicas, lógicas e jurídicas que servem de calço ao ato conclusivo, de molde a poderse avaliar sua procedência jurídica e racional perante o caso concreto. Ainda aqui se protegem os interesses do administrado, seja por convencêlo do acerto da providência tomada – o que é o mais rudimentar dever de uma Administração democrática , seja por deixar estampadas as razões do decidido, ensejando sua revisão judicial, se inconvincentes, desarrazoadas ou injurídicas. Aliás, confrontada com a obrigação de motivar corretamente, a Administração terá de coibirse em adotar providências (que de outra sorte poderia tomar) incapazes de serem devidamente justificadas, justamente por não coincidirem com o interesse público que está obrigada a buscar.” [grifos nossos] (BANDEIRA DE MELLO, 2000, p. 433) 12. Nesse sentido destacase a necessidade de uma clara descrição dos fatos, como elemento motivador do lançamento fiscal, conforme nos relata Leliana Pontes Vieira, em sua obra Contencioso e Processo Fiscal (1996, p. 40), que colacionamos: “c) Descrição dos fatos esta descrição deve ser bastante clara, de modo a permitir, de um lado, que o acusado, conhecendo o fato ilícito que lhe é imputado possa exercer o seu direito constitucional de ampla defesa. E, de outro, para que o julgador nela encontre, conjugandoa com os demais elementos do processo, o necessário suporte para formar sua convicção.” 13. A propósito, a citada Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, dispôs em seu art. 2º que a Administração Pública obedecerá, dentre outros, ao princípio da motivação. 14. Nessa esteira, o próprio art. 37, da Lei 8.212/91, dispõe que a fiscalização deverá lavrar notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores: “Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento.” [grifos nossos] 15. Nos termos da IN 03/2005 vigente a época, o relatório fiscal é a peça essencial para propiciar a ampla defesa e a adequada análise do crédito: “Art. 661. O relatório fiscal objetiva a exposição clara e precisa dos fatos geradores da obrigação previdenciária, de forma a permitir o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo, a propiciar a adequada análise do crédito e a ensejar ao crédito o atributo de certeza e liquidez para garantia da futura execução fiscal.” 16. E a legislação caminhou sabiamente, pois, no meu entender, a falha no relatório fiscal apontada é suficiente para a anulação da notificação fiscal, pois cerceia a defesa Fl. 13DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 do contribuinte, ante a necessidade de que o documento fiscal traga motivação suficiente para declarar que o contribuinte desobedeceu o regramento previdenciário. 17. É importante mencionar que o Conselho anulou em assentada anterior o auto de infração por não ter apontado com clareza a falha imputada ao contribuinte. Eis o teor da ementa: “PREVIDENCIÁRIO. AUTODEINFRAÇÃO. DESCRIÇÃO GENÉRICA DA FALHA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. É nulo, por falta de motivação, o AI em que o relatório da infração não aponta com clareza a falha imputada ao sujeito passivo. Processo Anulado.” (Acórdão nº 29600072; Sessão 10/02/2009; Conselheiro Relator Kleber Ferreira de Araújo) 18. Por fim, é preciso mencionar que o contribuinte deve receber todas as informações necessárias para possibilitar a sua defesa no processo administrativo, já que pela norma o onus probandi cabe ao fisco no ilícito tributário e não ao contribuinte. 19. Cabe salientar que no processo administrativo tributário, à semelhança do processo civil, o ônus da prova é de quem alega, devendo este provar os fatos constitutivos de seu direito. 20. Além do mais, a autoridade julgadora de primeira instância deverá apreciar as questões preliminares e os argumentos relacionados ao mérito, motivada pelas peças do processo, logo se o relatório fiscal não possuir elementos probatórios suficientes para embasar o lançamento do débito, esse último tornase insubsistente sendo passível de anulação por ausência de motivação. 21. Observamos ainda que a interpretação das normas tributárias requer um tratamento preventivo e mais justo para a parte mais fraca que, acaba por ser o contribuinte, pessoa obrigada a obedecer a um emaranhado e confuso sistema de leis, decretos, portarias, instruções normativas, etc. Com efeito, o fisco na sua função, deve evitar atos que dificultem a verdadeira compreensão do débito ou onerem o contribuinte. 22. Feitas essas considerações, meu voto é pela anulação do lançamento fiscal por vício material. CONCLUSÃO 23. Assim, voto pela ANULAÇÃO da notificação fiscal por vício material. É como voto. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Fl. 14DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 11060.001841/200721 Acórdão n.º 230101.989 S2C3T1 Fl. 150 9 Voto Vencedor Com todo respeito ao nobre Relator, discordo de suas conclusões quanto á nulidade do lançamento. Os fundamentos que justificam a nulidade de lançamentos tributários encontramse no Decreto 70.235/1972. Decreto 70.235/1972: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência Para o Relator, conforme exposto em seu voto, o lançamento é nulo devido à escassez de informações sobre suas justificativas, fundamentos, motivação. CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Ora, da leitura completa do Lançamento, especialmente do Relatório Fiscal, fls. 030, encontramos todas as informações necessárias para sua plena compreensão, possibilitando, assim, o amplo acesso à defesa e ao contraditório, pois: 1. Há a exigência: Este relatório é integrante da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) 37.047.7286, de contribuições devidas pela empresa à Seguridade Social, correspondentes a parte da empresa, contribuintes individuais, financiamento dos benefícios concedidos em razão da incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e as contribuições destinadas a terceiros, arrecadadas pela Previdência Social e não recolhidas em épocas próprias; Fl. 15DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 10 2. Há o período: O período do lançamento do débito previdenciário, compreende as competências de março de 2004 a fevereiro de 2007; 3. Há a listagem de documentos da recorrente que serviram de base ao lançamento: Serviram de base para o levantamento, as Folhas de Pagamento e as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social no período citado; 4. Há o valor do lançamento; 5. Há a citação dos documentos que compõem o lançamento. Portanto, com as informações prestadas – inclusive pela afirmação de que os dados constantes do lançamento foram retirados de documentos que forma elaborados pela recorrente – não há nos autos vícios que levariam à decretação de nulidade do lançamento. Em outro momento, a recorrente alega que o Fisco não pode ao seu livre arbítrio atribuir o grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho em relação aos estabelecimentos fiscalizados, sendo totalmente ilegal a cobrança da contribuição ao SAT no percentual de 3%, devendo ser reduzido para 1% (grau leve), tendo em vista que o estabelecimento fiscalizado desenvolvia atividades meramente administrativas e de comércio. Esclarecemos, novamente, à recorrente que as informações que serviram ao lançamento foram coletadas em documentação elaborada pela própria recorrente. Destarte, não há razão no argumento, pois o Fisco não alterou os dados informados pela recorrente. Esclarecemos, também, à recorrente, quanto ao argumento da ilegalidade da cobrança da contribuição devida ao SAT – Seguro de Acidente de Trabalho, em razão da reserva à lei para estabelecer os conceitos de atividade preponderante e grau de risco de acidente de trabalho, que não há razão no argumento. A exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho é prevista no art. 22, II da Lei n ° 8.212/1991, alterada pela Lei n ° 9.732/1998, nestas palavras: Art.22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11/12/98) Fl. 16DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 11060.001841/200721 Acórdão n.º 230101.989 S2C3T1 Fl. 151 11 a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. Regulamenta o dispositivo acima transcrito o art. 202 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, com alterações posteriores, nestas palavras: Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. § 1º As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. § 2º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. § 3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. § 4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. Fl. 17DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 12 § 5º O enquadramento no correspondente grau de risco é de responsabilidade da empresa, observada a sua atividade econômica preponderante e será feito mensalmente, cabendo ao Instituto Nacional do Seguro Social rever o autoenquadramento em qualquer tempo. ... § 10. Será devida contribuição adicional de doze, nove ou seis pontos percentuais, a cargo da cooperativa de produção, incidente sobre a remuneração paga, devida ou creditada ao cooperado filiado, na hipótese de exercício de atividade que autorize a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 11. Será devida contribuição adicional de nove, sete ou cinco pontos percentuais, a cargo da empresa tomadora de serviços de cooperado filiado a cooperativa de trabalho, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, conforme a atividade exercida pelo cooperado permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 12. Para os fins do § 11, será emitida nota fiscal ou fatura de prestação de serviços específica para a atividade exercida pelo cooperado que permita a concessão de aposentadoria especial. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003). Quanto ao Decreto 612/92 e posteriores alterações (Decretos 2.173/97 e 3.048/99) que, regulamentando a contribuição em causa, estabeleceram os conceitos de “atividade preponderante” e “grau de risco leve, médio ou grave”, repelese a argüição de contrariedade ao princípio da legalidade, uma vez que a lei fixou padrões e parâmetros, deixando para o regulamento a delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta da norma. Nesse sentido já decidiu o STF, no RE n ° 343.446SC, cujo relator foi o Min. Carlos Velloso, em 20.3.2003, cuja ementa transcrevo: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. LEI 7.787/89, ARTS. 3º E 4º; LEI 8.212/91, ART. 22, II, REDAÇÃO DA LEI 9.732/98. DECRETOS 612/92, 2.173/97 E 3.048/99. C.F., ARTIGO 195, § 4º; ART. 154, II; ART. 5º, II; ART. 150, I. I. Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT: Lei 7.787/89, art. 3º, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4º, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II. O art. 3º, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4º da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. Fl. 18DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 11060.001841/200721 Acórdão n.º 230101.989 S2C3T1 Fl. 152 13 III. As Leis 7.787/89, art. 3º, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5º, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. IV. Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V. Recurso extraordinário não conhecido.” Assim, os conceitos de atividade preponderante e grau risco de acidente de trabalho não precisariam estar definidos em lei, o Regulamento é ato normativo suficiente para definição de tais conceitos, uma vez que são complementares e não essenciais na definição da exação. Também não merece prosperar o argumento de que a cobrança ao SAT ofenderia o princípio da isonomia, uma vez que o art. 22, § 3º da Lei n ° 8.212/1991 previa que, com base em estatísticas de acidente de trabalho, poderia haver alteração no enquadramento da empresas para fins de contribuição em relação aos acidentes de trabalho. Por fim, a Decisão proferida encontrase revestida das formalidades legais, tendo sido lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, não havendo o que se alegar quanto a nulidades. DO MÉRITO Quanto à exigência de contribuição ao SEBARE, a cobrança das contribuições destinadas a outra entidades e fundos estão regularmente previstas em lei, conforme relatório de fundamentação legal, não assistindo razão à recorrente quanto aos vícios que suscita. Em relação à contribuição destinada ao SEBRAE, segue ementa do entendimento firmado pelo TRF da 4ª Região: Tributário – Contribuição ao Sebrae – Exigibilidade. 1. O adicional destinado ao Sebrae (Lei nº 8.029/90, na redação dada pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no DecretoLei nº 2.318/86 (Senai, Senac, Sesi e Sesc), prescindível, portanto, sua instituição por lei complementar. 2. Prevê a Magna Carta tratamento mais favorável às micro e pequenas empresas para que seja promovido o progresso nacional. Para tanto submete à exação pessoas jurídicas que não tenham relação direta com o incentivo. 3. Precedente da 1ª Seção desta Corte (EIAC n 2000.04.01.1069909). ACÓRDÃO: Vistos e relatados estes autos entre as partes acima indicadas, decide a Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, negar provimento ao Fl. 19DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 14 recurso, nos termos do relatório, voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Porto Alegre, 17 de junho de 2003. (TRF 4ª R – 2ª T – Ac. nº 2001.70.07.0020183 – Rel. Dirceu de Almeida Soares – DJ 9.7.2003 – p. 274) No mesmo sentido se consolidou a jurisprudência no STJ, conforme ementa do Agravo Regimental no Agravo de Instrumento de n ° 840946 / RS, publicado no Diário da Justiça em 29 de agosto de 2007: TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÕES AO SESC, AO SEBRAE E AO SENAC RECOLHIDAS PELAS PRESTADORAS DE SERVIÇO – PRECEDENTES. 1. A jurisprudência renovada e dominante da Primeira Seção e da Primeira e da Segunda Turma desta Corte se pacificou no sentido de reconhecer a legitimidade da cobrança das contribuições sociais do SESC e SENAC para as empresas prestadoras de serviços. 2. Esta Corte tem entendido também que, sendo a contribuição ao SEBRAE mero adicional sobre as destinadas ao SESC/SENAC, devem recolher aquela contribuição todas as empresas que são contribuintes destas. 3. Agravo regimental improvido. Por fim, assim também vem entendendo o Supremo Tribunal Federal, conforme julgamento dos Embargos de Declaração no Agravo de Instrumento n ° 518.082, publicado no Diário da Justiça em 17 de junho de 2005, cuja ementa é abaixo transcrita: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OPOSTOS À DECISÃO DO RELATOR: CONVERSÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEBRAE: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. Lei 8.029, de 12.4.1990, art. 8º, § 3º. Lei 8.154, de 28.12.1990. Lei 10.668, de 14.5.2003. CF, art. 146, III; art. 149; art. 154, I; art. 195, § 4º. I. Embargos de declaração opostos à decisão singular do Relator. Conversão dos embargos em agravo regimental. II. As contribuições do art. 149, CF contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse de categorias profissionais ou econômicas posto estarem sujeitas à lei complementar do art. 146, III, CF, isso não quer dizer que deverão ser instituídas por lei complementar. A contribuição social do art. 195, § 4º, CF, decorrente de "outras fontes", é que, para a sua instituição, será observada a técnica da competência residual da União: CF, art. 154, I, ex vi do disposto no art. 195, § 4º. A contribuição não é imposto. Por isso, não se exige que a lei complementar defina a sua hipótese de incidência, a base imponível e contribuintes: CF, art. 146, III, a. Precedentes: RE 138.284/CE, Ministro Carlos Velloso, RTJ 143/313; RE 146.733/SP, Ministro Moreira Alves, RTJ 143/684. III. A contribuição do SEBRAE Lei 8.029/90, art. 8º, § 3º, redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003 é contribuição de intervenção no domínio econômico, não obstante a lei a ela se referir como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais relativas às entidades de que trata o art. 1º do DL 2.318/86, SESI, SENAI, Fl. 20DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 11060.001841/200721 Acórdão n.º 230101.989 S2C3T1 Fl. 153 15 SESC, SENAC. Não se inclui, portanto, a contribuição do SEBRAE no rol do art. 240, CF. IV. Constitucionalidade da contribuição do SEBRAE. Constitucionalidade, portanto, do § 3º do art. 8º da Lei 8.029/90, com a redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003. V. Embargos de declaração convertidos em agravo regimental. Não provimento desse. Pro tudo, não procede o argumento da recorrente de que as contribuições destinadas ao SEBRAE somente podem ser exigidas de microempresas e de empresas de pequeno porte. Quanto às empresas urbanas terem que recolher contribuição destinada ao INCRA, não há óbice normativo para tal exação. Não se olvida que a contribuição destinada ao INCRA tenha natureza distinta das contribuições sociais da Seguridade Social. As competências do INCRA são atribuídas pela sua lei de criação e o Estatuto da Terra: DECRETOLEI Nº 1.110, DE 9 DE JULHO DE 1970. Regulamento Cria o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), extingue o Instituto Brasileiro de Reforma Agrária, o Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário e o Grupo Executivo da Reforma Agrária e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o artigo 55, item I, da Constituição, DECRETA: Art. 1º É criado o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), entidade autárquica, vinculada ao Ministério da Agricultura, com sede na Capital da República. Art. 2º Passam ao INCRA todos os direitos, competência, atribuições e responsabilidades do Instituto Brasileiro de Reforma Agrária (IBRA), do Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário (INDA) e do Grupo Executivo da Reforma Agrária (GERA), que ficam extintos a partir da posse do Presidente do novo Instituto. LEI Nº 4.504, DE 30 DE NOVEMBRO DE 1964. Dispõe sobre o Estatuto da Terra, e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 37. São órgãos específicos para a execução da Reforma Agrária: (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) I O Grupo Executivo da Reforma Agrária (GERA); (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) Il O Instituto Brasileiro de Reforma Agrária (IBRA), diretamente, ou através de suas Delegacias Regionais; (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) Fl. 21DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 16 III as Comissões Agrárias. (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) Art. 43. O Instituto Brasileiro de Reforma Agrária promoverá a realização de estudos para o zoneamento do país em regiões homogêneas do ponto de vista sócioeconômico e das características da estrutura agrária, visando a definir: I as regiões críticas que estão exigindo reforma agrária com progressiva eliminação dos minifúndios e dos latifúndios; II as regiões em estágio mais avançado de desenvolvimento social e econômico, em que não ocorram tenções nas estruturas demográficas e agrárias; III as regiões já economicamente ocupadas em que predomine economia de subsistência e cujos lavradores e pecuaristas careçam de assistência adequada; IV as regiões ainda em fase de ocupação econômica, carentes de programa de desbravamento, povoamento e colonização de áreas pioneiras. Art. 74. É criado, para atender às atividades atribuídas por esta Lei ao Ministério da Agricultura, o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário (INDA), entidade autárquica vinculada ao mesmo Ministério, com personalidade jurídica e autonomia financeira, de acordo com o prescrito nos dispositivos seguintes: I o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário tem por finalidade promover o desenvolvimento rural nos setores da colonização, da extensão rural e do cooperativismo; II o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário terá os recursos e o patrimônio definidos na presente Lei; III o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário será dirigido por um Presidente e um Conselho Diretor, composto de três membros, de nomeação do Presidente da República, mediante indicação do Ministro da Agricultura; IV Presidente do Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário integrará a Comissão de Planejamento da Política Agrícola; ... Quanto à alegação de aplicação do artigo 240 da Constituição Federal, não é em razão desse dispositivo que as contribuições ao INCRA não se destinem à Seguridade Social, mas em razão das competências atribuídas à autarquia federal, como já exposto acima. A redação é clara quanto sua restrição apenas às entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical, onde não se enquadra o INCRA: Art. 240. Ficam ressalvadas do disposto no art. 195 as atuais contribuições compulsórias dos empregadores sobre a folha de salários, destinadas às entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical. Fl. 22DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 11060.001841/200721 Acórdão n.º 230101.989 S2C3T1 Fl. 154 17 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...) A contribuição ao INCRA não alcança exclusivamente a produção rural, conforme sua lei de instituição, que relaciona atividades industriais que podem ser desenvolvidas tanto no meio rural como nas regiões urbanas: DECRETOLEI Nº 1.146, DE 31 DE DEZEMBRO DE 1970. Consolida os dispositivos sôbre as contribuições criadas pela Lei número 2.613, de 23 de setembro de 1955 e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA , no uso da atribuição que lhe confere o artigo 55, item II, da Constituição, DECRETA: Art 1º As contribuições criadas pela Lei nº 2.613, de 23 de setembro 1955, mantidas nos têrmos dêste DecretoLei, são devidas de acôrdo com o artigo 6º do DecretoLei nº 582, de 15 de maio de 1969, e com o artigo 2º do DecretoLei nº 1.110, de 9 julho de 1970: I Ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA: 1 as contribuições de que tratam os artigos 2º e 5º dêste DecretoLei; 2 50% (cinqüenta por cento) da receita resultante da contribuição de que trata o art. 3º dêste Decretolei. II Ao Fundo de Assistência do Trabalhador Rural FUNRURAL, 50% (cinqüenta por cento) da receita resultante da contribuição de que trata o artigo 3º dêste Decretolei. Art 2º A contribuição instituída no " caput " do artigo 6º da Lei número 2.613, de 23 de setembro de 1955, é reduzida para 2,5% (dois e meio por cento), a partir de 1º de janeiro de 1971, sendo devida sôbre a soma da fôlha mensal dos salários de contribuição previdenciária dos seus empregados pelas pessoas naturais e jurídicas, inclusive cooperativa, que exerçam as atividades abaixo enumeradas: I Indústria de canadeaçúcar; II Indústria de laticínios; III Indústria de beneficiamento de chá e de mate; IV Indústria da uva; Fl. 23DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 18 V Indústria de extração e beneficiamento de fibras vegetais e de descaroçamento de algodão; VI Indústria de beneficiamento de cereais; VII Indústria de beneficiamento de café; VIII Indústria de extração de madeira para serraria, de resina, lenha e carvão vegetal; IX Matadouros ou abatedouros de animais de quaisquer espécies e charqueadas. Nesse sentido é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, que também se consolidou no Supremo Tribunal Federal: PROCESSUAL CIVIL EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNRURAL E INCRA EMPRESA URBANA LEGALIDADE ORIENTAÇÃO DESTA PRIMEIRA SEÇÃO, SEGUINDO A JURISPRUDÊNCIA DO STF RECURSO NÃO ADMITIDO SÚMULA 168/STJ AGRAVO REGIMENTAL AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA MERA REPETIÇÃO DAS RAZÕES DOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA IRRESIGNAÇÃO MANIFESTAMENTE INFUNDADA RECURSO NÃO CONHECIDO, COM APLICAÇÃO DE MULTA. 1. Nos termos da orientação desta Primeira Seção e do Supremo Tribunal Federal, é legítimo o recolhimento da contribuição social para o FUNRURAL e INCRA pelas empresas urbanas. Considerando que o acórdão embargado corroborou esse entendimento, correta é a aplicação da Súmula 168 desta Corte Superior. 2. Não tendo a agravante rebatido especificamente os fundamentos da decisão recorrida, limitandose a reproduzir as razões oferecidas nos embargos de divergência, é inviável o conhecimento do recurso. 3. Tratandose de agravo interno manifestamente infundado, impõese a condenação da agravante ao pagamento de multa de 10% (dez por cento) sobre o valor corrigido da causa, nos termos do art. 557, § 2º, do Código de Processo Civil. 4. Agravo interno não conhecido, com aplicação de multa. (AgRg nos EREsp 530802/GO. Primeira Seção. Relatora Ministra DENISE ARRUDA. Julgamento 13/04/2005. DJ 09/05/2005, p. 291) (sem grifos no original). Ementa no Agravo Regimental do Recurso Extraordinário de n ° 211.190, publicado no Diário da Justiça em 29 de novembro de 2002: EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA A FINANCIAR O FUNRURAL. VIOLAÇÃO DO PRECEITO INSCRITO NO ARTIGO 195 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. ALEGAÇÃO INSUBSISTENTE. A norma do artigo 195, caput, Fl. 24DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 11060.001841/200721 Acórdão n.º 230101.989 S2C3T1 Fl. 155 19 da Constituição Federal, preceitua que a seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, sem expender qualquer consideração acerca da exigibilidade de empresa urbana da contribuição social destinada a financiar o FUNRURAL. Precedentes. Agravo regimental não provido. Ressaltase, por fim, que é vedado a este órgão julgador afastar a aplicação de normas legais sob fundamento de inconstitucionalidade. Insurgese a recorrente contra a aplicação da taxa SELIC ao argumento de que seria ilegal. Registrese, porque importante, que a legislação de regência, sobretudo a Lei nº 8.212/91, afasta literalmente os argumentos erguidos pelo recorrente. De fato, as contribuições sociais arrecadadas estão sujeitas à incidência da taxa referencial SELIC Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, nos termos do artigo 34 da Lei nº 8.212/91: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei nº 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei) A propósito, convém mencionar que o Segundo Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula nº 03, nos seguintes termos: SÚMULA Nº 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais. Nesse contexto, correta a aplicação da taxa SELIC como juros de mora, com fulcro no artigo 34 da Lei nº 8.212/91. Finalmente, pela análise dos autos, chegamos à conclusão de que o lançamento e a decisão foram lavrados na estrita observância das determinações legais vigentes, sendo que tiveram por base o que determina a Legislação. CONCLUSÃO Em razão do exposto, Voto por negar provimento ao recurso, nos termos do voto. Fl. 25DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 20 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira – Redator designado Fl. 26DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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