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8159680 #
Numero do processo: 13603.001901/2003-22
Data da sessão: Wed Aug 25 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II Data do Fato Gerador: 19/05/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AÇÃO JUDICIAL COM OBJETO IDÊNTICO À EXIGÊNCIA FISCAL. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação de matéria distinta daquela constante do processo judicial. JUROS DE MORA Os juros de mora são devidos sempre que o principal não for integralmente pago no vencimento, seja qual for o motivo determinante da falta. NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO.
Numero da decisão: 3202-000.161
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte e, na parte conhecida referente aos juros de mora, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: Gilberto de Castro Moreira Júnior

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OVO ROSSARI - Presidente 53-C212 El 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 13603.001901/2003-22 Recurso n" 305.551 Voluntário Acórdão n" 3211)2-00.161 — 2" Câmara / 2" Turma Ordinária Sessão de 25 de agosto de 2010 Matéria II/IPI — Importação Recorrente FUNDAÇÃO EZEQUIEL DIAS Recorrida DRJ FORTALEZA/CE ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO- li Data do Fato Gerador: 19/05/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AÇÃO JUDICIAL COM OBJETO IDÊNTICO À EXIGÊNCIA FISCAL. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação de matéria distinta daquela constante do processo judicial. JUROS DE MORA - Os juros de mora são devidos sempre que o principal não for integralmente pago no vencimento, seja qual for o motivo determinante da falta. NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte e, na parte conhecida referente aos juros de mora, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. cn"\ GILBERTO-DE CASTRO MOREIRA JUNIOR - Relator FORMALIZADO EM: 15 de setembro de 2010. Participaram do presente julgamento os conselheiros José Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Heroldes Balir Neto, João Luiz Fregonazzi, Rodrigo Cardozo Miranda e Gilberto de Castro Moreira Junior, 2 Processo n" 13603.001901/2003-22 Acórdão n °3202-00J61 53-C2T2 Fl 2 Relatório Tratam os autos de exigência de crédito tributário relativo ao Imposto de Importação e ao Imposto sobre Produtos Industrializados vinculados à importação, no montante de R$ 201229,50, acrescido de multa de oficio de 75% e juros de mora. Conforme consta na autuação de folhas 02/15, o direito lançado está com exigibilidade suspensa por força de medida liminar concedida nos autos do processo tf 2001020856-9, que deferiu a liberação de mercadorias sem o pagamento de tributos incidentes no comércio exterior, Lavrado o Auto de Infração a ora Recorrente foi intimada, tendo apresentado Impugnação (fls. 34/36) a alegar, em síntese, que: a)- "a exigência se revela improcedente, de vez que a apresentação da 'Certidão Negativa de Inscrição em Divida Ativa da União' é obrigação acessória, cujo desatendimento não desnatura o fato de que a Impugnante, efetivamente, faz jus à pleiteada isenção nos termos dos Arts 2' e 3' da Lei 8,032/90"; 41, b)- impetrou Mandado de Segurança para obtenção da referida CND, tendo sido a liminar obtida somente em 28/08/03, e a emissão do documento em 16/09/03; • c)- em virtude da apresentação do documento que lhe era exigido pela Fiscalização, requer o reconhecimento da isenção pleiteada e a revisão do lançamento dos impostos exigidos. Encaminhados os autos à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza (CE) a 7" Turma houve por julgar o lançamento procedente em parte, conforme ementa transcrita a seguir (fls. 86/91): "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 19/0.5/2003 AÇÃO JUDICIAL: RENÚNCIA PARCIAL À INSTÁNCIA ADMINISTRATIVA . A existência de Ação Judicial que trate de matéria contida nos autos do Processo Administrativo Tributário importa renúncia à instância administrativa, tornando definitiva, nesta esfera, matéria controvertida. Cabe, entretanto, apreciação administrativa da impugnação relativamente à matéria não submetida à apreciação do Poder Judiciário. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador.- 19/0.5/2003 JUROS DE MORA TAXA SELIC A exigência dos juros de mora está em consonância com o disposto no art 161 do código tributário Nacional- CTN, MULTA DE OFICIO. IMPROCEDÊNCIA. Na hipótese de existência de medida liminar em mandado de segurança ao tempo da lavr atura do auto de infração, não caberá lançamento da multa de oficio. Lançamento Procedente em Parte" Inconformado o contribuinte apresentou, tempestivamente, recurso voluntário (fis.97/101), apresentando as alegações já trazidas em sua impugnação e acrescentando que: a) O objeto do Mandado de Segurança n o 200138.00.020856-9, impetrado pela ora Recorrida, é a expedição de Certidão Positiva com efeitos de Negativa e a declaração de imunidade do patrimônio, renda e serviços vinculados às suas finalidades, nos termos do artigo 150, VI da Constituição Federal, não havendo que se falar em renúncia à instância administrativa, por não haver concomitância entre as vias judicial e administrativa; b) Com relação à exigência de juros de mora requer a reforma do acórdão por mera decorrência da inexigibilidade da obrigação tributária principal Ato seguinte, os autos foram encaminhados a este Colegiado, ocasião em que fui designado Relator. É o relatório. 4 Processo n° 1.3603 001901/2003-22 Acórdão n " 3202-00.161 S3-C2T2 El 3 Voto Conselheiro GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Relatar O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual passo à análise do mérito. A legislação que rege o processo administrativo fiscal é clara no sentido de que somente é cabível a apreciação, por parte dos órgãos julgadores administrativos, de matérias que não estiverem sob lide na esfera judicial. Através da análise das fls. 23 e 24 dos autos do processo administrativo, contata-se que o objeto do Mandado de Segurança impetrado pela Recorrente é o mesmo ora tratado, tenso sido a exigibilidade do crédito tributário suspensa por força de medida liminar concedida nos autos do referido Mandado de Segurança, conforme reconhecido, inclusive, pelo chefe da seção de controle aduaneiro da Delegacia da Receita Federal em Contagem (fl, 31)„ Verifica-se, deste modo, que a matéria discutida neste processo e constante do recurso voluntário é idêntica àquela discutida nos autos do Mandado de Segurança n° 2003.020856-9 impetrado pela Recorrente, razão pela qual resta clara a concomitância de objetos nas esferas administrativa e judicial. A matéria está pacificada no âmbito administrativo, culminando com a edição da Súmula CARF IP 1, divulgada pela Portaria CARF n2 106, de 21/12/2009 (DOU de 22/12/2009) in verbis: "Importa renúncia as instâncias administrativas a propositura pelo sideito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." À vista do exposto, e por não caber o pronunciamento administrativo referente à matéria, em razão de concomitância de objetos, voto por que não se tome conhecimento do recurso no que diz respeito as alegações pertinentes ao Imposto de Importação e ao Imposto sobre Produtos Industrializados, Em decorrência, é mister encaminhar o processo à unidade da SRF de origem para que se aguarde o trânsito em julgado da ação judicial, Juros moratórios: Em relação aos juros moratórios ressalto que sua exigência está de acordo com o artigo 161, do CTN, pois conforme estabelece o referido dispositivo, a mora surge a partir do vencimento, quando não satisfeito integralmente o crédito tributário. Vejamos: "Art 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e Diante do exposto, apenas no tocante ao questionamer conhecida NEGO PROVIMENT legal. GILBERTO 'pelo conhecimento em parte do recurso voluntário, exigência dos juros de mora, sendo que na parte vez que tais juros são devidos por expressa previsão RO MOREIRA JUNIOR yo to .(o da uma) da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em Lei tributária". Nesse sentido, dispõe o art,5° do Decreto 1.736/79: "Art. 5'• A correção monetária e os juros de mora serão devidos inclusive durante o período em que a respectiva cobrança houver sido suspensa por decisão administrativa ou judicial". Ainda no sentido de corroborar com os dispositivos legais citados, destacamos o trecho da ementa proferida pelar' Câmara do 1° Conselho de Contribuintes: "JUROS DE MORA — Os .juros de mora são devidos sempre que o principal for recolhido a destempo, seja qual . for o motivo determinante da . falta, salvo a hipótese de depósito do montante integral (1° Conselho de Contribuintes. l a Câmara. Acórdão 101-91605, Julgado em 19,09,2001) A Súmula n° 5 do CARF é clara ao dizer que "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral". Por fim, tendo em vista que não se verifica nos autos a ocorrência de depósito judicial, conclui-se, que os juros moratórios são devidos, 6

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9000508 #
Numero do processo: 19515.720336/2014-24
Data da sessão: Wed Sep 01 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Oct 04 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2010 RECURSO ESPECIAL. ADOÇÃO PELO ACÓRDÃO RECORRIDO DE ENTENDIMENTO POSTERIORMENTE SUMULADO. NÃO CABIMENTO. Considerando que o Colegiado a quo julgou o caso com base no mesmo entendimento que foi objeto da Súmula CARF nº 179 (É vedada a compensação, pela pessoa jurídica sucessora, de bases de cálculo negativas de CSLL acumuladas por pessoa jurídica sucedida, mesmo antes da vigência da Medida Provisória nº 1.858-6, de 1999), incabível o recurso especial à luz do artigo 67, § 3º, do Anexo II do RICARF: Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso.
Numero da decisão: 9101-005.725
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (documento assinado digitalmente) Andrea Duek Simantob – Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia De Carli Germano, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Junia Roberta Gouveia Sampaio (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella e Andrea Duek Simantob (Presidente em exercício). Ausente o conselheiro Alexandre Evaristo Pinto, substituído pela conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
Nome do relator: Não informado

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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2010 RECURSO ESPECIAL. ADOÇÃO PELO ACÓRDÃO RECORRIDO DE ENTENDIMENTO POSTERIORMENTE SUMULADO. NÃO CABIMENTO. Considerando que o Colegiado a quo julgou o caso com base no mesmo entendimento que foi objeto da Súmula CARF nº 179 (É vedada a compensação, pela pessoa jurídica sucessora, de bases de cálculo negativas de CSLL acumuladas por pessoa jurídica sucedida, mesmo antes da vigência da Medida Provisória nº 1.858-6, de 1999), incabível o recurso especial à luz do artigo 67, § 3º, do Anexo II do RICARF: Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (documento assinado digitalmente) Andrea Duek Simantob – Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia De Carli Germano, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Junia Roberta Gouveia Sampaio (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella e Andrea Duek Simantob (Presidente em exercício). Ausente o conselheiro Alexandre Evaristo Pinto, substituído pela conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.

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ADOÇÃO PELO ACÓRDÃO RECORRIDO DE ENTENDIMENTO POSTERIORMENTE SUMULADO. NÃO CABIMENTO. Considerando que o Colegiado a quo julgou o caso com base no mesmo entendimento que foi objeto da Súmula CARF nº 179 (É vedada a compensação, pela pessoa jurídica sucessora, de bases de cálculo negativas de CSLL acumuladas por pessoa jurídica sucedida, mesmo antes da vigência da Medida Provisória nº 1.858-6, de 1999), incabível o recurso especial à luz do artigo 67, § 3º, do Anexo II do RICARF: Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (documento assinado digitalmente) Andrea Duek Simantob – Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia De Carli Germano, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Junia Roberta Gouveia Sampaio (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella e Andrea Duek Simantob (Presidente em exercício). Ausente o conselheiro Alexandre Evaristo Pinto, substituído pela conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 03 36 /2 01 4- 24 Fl. 706DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9101-005.725 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.720336/2014-24 Relatório Trata-se de recurso especial (fls. 624/638) interposto pela contribuinte em face do Acórdão nº 1402-002.422 (fls. 606/614), o qual negou provimento ao recurso voluntário com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano-calendário: 2010 UTILIZAÇÃO DE SALDO DE BASE NEGATIVA DE CSLL PELA SUCESSORA NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. IMPOSSIBILIDADE. Não é possível o aproveitamento de bases negativas de CSLL apuradas pela sucedida por empresa sucessora. A legislação fiscal aplicável na apuração da base de cálculo do IRPJ é, em mais de uma oportunidade, estendida por lei para a apuração da base de cálculo da CSLL, as quais partem do mesmo lucro líquido apurado na forma da legislação comercial e diferem, ao final, tão somente pelas expressas adições e exclusões a que estão legalmente sujeitas. Intimada da decisão, a contribuinte apresentou o recurso especial, que foi admitido nos seguintes termos (fls. 676/680): (...) III - Análise da admissibilidade do Recurso Especial Na decisão combatida, foi decidido que: "Não é possível o aproveitamento de bases negativas de CSLL apuradas pela sucedida por empresa sucessora. A legislação fiscal aplicável na apuração da base de cálculo do IRPJ é, em mais de uma oportunidade, estendida por lei para a apuração da base de cálculo da CSLL, as quais partem do mesmo lucro líquido apurado na forma da legislação comercial e diferem, ao final, tão somente pelas expressas adições e exclusões a que estão legalmente sujeitas." A Recorrente argumenta, em síntese, que: "...a Terceira Câmara da Segunda Turma deste Conselho de Contribuintes já decidiu em sentido contrário à posição adotada pela decisão recorrida, acolhendo exatamente a argumentação de que, a pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar as bases de cálculo negativas de CSLL da sucedida, somente a partir da publicação da Medida Provisória nº 1.8586/1999, conforme se verifica da ementa (Acórdão Paradigma n9 01) ..." A fim de comprovar a divergência alegada, a Recorrente traz a baila os acórdãos paradigmas nº 1302-001.923 e nº 9101001.515, cujas ementas foram abaixo transcritas: Paradigma nº 1302-001.923 Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2002, 2003 Csll, Base De Cálculo Negativa. Incorporação. Compensação. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar as bases de cálculo negativas de CSLL da sucedida, somente a partir da publicação da Medida Provisória n° L858-6, artigo 20, respeitado o prazo nonagésima), em Io de outubro de 1999 (art. 150, inciso III, alínea "c" da Constituição Federal do Brasil). Tributos. Princípio da Estrita Legalidade. Somente por meio de ato do legislativo, cria-se a lei ( reserva formal), e tal lei descreve o tipo tributário (reserva material), observando-se os elementos que permitem a identificação do feto imponível (hipótese de incidência, sujeito ativo e passivo), restando vedado o emprego de analogia e da discricionariedade (art. 150, incisos I e III da Fl. 707DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9101-005.725 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.720336/2014-24 Constituição Federal do Brasil). Admite-se legislar sobre matéria tributária por Medidas Provisórias (Emenda Constitucional n° 32/01). Paradigma nº 9101001.515 Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL. Exercício: 2001 Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO COMPENSAÇÃO DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS NA SUCESSÃO — Até o advento da Medida Provisória n.l .858- 6, de 1999, não existia qualquer impedimento legal para que a sociedade sucessora por incorporação, fusão ou cisão pudesse compensar a base de cálculo negativa da CSLL, apurada pela sucedida, a partir de janeiro de 1992. É a síntese do essencial. Passo a análise da divergência alegada. Verifica-se que A MP 1.858-6 a que faz referência a Recorrente, no art. 20, determinou a aplicação do disposto no art. 33 do Decreto-Lei 2.341/87 para fins de apuração da base de cálculo negativa da CSLL. Veja-se o artigo em questão: Art. 33. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida. Considerando que o artigo 20 da MP 1.858-6 estabeleceu a proibição de compensação de créditos de CSLL decorrentes de empresas sucedidas, parece-me relevante para aferição da suposta divergência, identificar nos acórdãos a data da sucessão, o momento da efetiva compensação, pela sucessora, dos créditos advindos das empresas sucedidas, e o resultado dos respectivos julgamentos. Feita esta análise elaborou-se o quadro abaixo: Vê-se que assiste razão à Recorrente, vez que está cabalmente caracterizada a similitude fática e a divergência de interpretação da legislação que rege a matéria questionada. A similitude fática evidencia-se no fato de que em todos os acórdãos analisados a sucessão empresarial ocorreu antes da vigência do artigo 20 da MP 1.858-6 (1999), enquanto a compensação, depois. Já a divergência de interpretação está ligada ao resultado do julgamento: enquanto nos acórdãos paradigmas houve o reconhecimento do direito de aproveitamento de bases negativas de CSLL apuradas pela sucedida à empresa sucessora, no acórdão recorrido decidiu-se em sentido oposto. Presentes a similitude fática e o dissenso jurisprudencial entre o acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas colacionados, entendo que deve ser dado seguimento ao recurso especial apresentado pela Recorrente. IV - Conclusão Considerando-se que a Recorrente demonstrou a divergência de entendimentos à matéria destacada, conclui-se que se deve DAR SEGUIMENTO ao RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA com relação à matéria: aproveitamento de bases negativas de CSLL apuradas pela sucedida por empresa sucessora (art. 68, §1º, do Anexo II do RICARF). Fl. 708DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9101-005.725 - CSRF/1ª Turma Processo nº 19515.720336/2014-24 Chamada a se manifestar, a PGFN ofereceu contrarrazões (fls. 682/703). Questiona o conhecimento recursal sob a alegação de insurgência do contribuinte apenas contra um dos fundamentos do decisum e, no mérito, pugna pela manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli, Relator. Conhecimento O recurso especial é tempestivo. No entanto, cumpre observar que a decisão ora recorrida aplicou o mesmo entendimento que recentemente foi objeto da Súmula CARF nº 179, in verbis: É vedada a compensação, pela pessoa jurídica sucessora, de bases de cálculo negativas de CSLL acumuladas por pessoa jurídica sucedida, mesmo antes da vigência da Medida Provisória nº 1.858-6, de 1999. Acórdãos Precedentes: 1401-00.262, 9101-002.586, 9101-004.107, 9101-004.449 e 9101-005.393. Considerando, então, que o Colegiado a quo julgou o caso nos termos do que restou positivado na Súmula CARF nº 179, incabível o recurso especial à luz do artigo 67, § 3º, do Anexo II do RICARF: Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Dessa forma, NÃO CONHEÇO do RECURSO ESPECIAL. É como voto. (documento assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 709DF CARF MF Documento nato-digital

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8881576 #
Numero do processo: 10680.008189/2007-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2803-000.142
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator para que a recorrente seja intimada a apresentar, em 30(trinta) dias, cópia de suas peças de defesa e recurso apresentadas nos autos do processo COMPROT: 10680.011844/200711, referente a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº. 37.027.0932, sob pena de não serem considerados os argumentos que ali constam. Após, sejam os autos devolvidos à apreciação deste Colegiado.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1617; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­TE03  Fl. 1          1 0  S2­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10680.008189/2007­13  Recurso nº              Resolução nº  2803­000.142  –  2ª Seção / 3ª Turma Especial  Data  17 de outubro de 2012  Assunto  Solicitação de Diligência  Recorrente    BANCO DE DESENVOLVIMENTO DE MINAS GERAIS S.A    Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o  julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator para que a recorrente seja intimada a  apresentar, em 30(trinta) dias, cópia de suas peças de defesa e recurso apresentadas nos autos  do  processo  COMPROT:  10680.011844/2007­11,  referente  a  Notificação      Fiscal      de  Lançamento  de  Débito  ­  NFLD  nº.  37.027.093­2,  sob  pena  de  não  serem  considerados  os  argumentos que ali constam. Após, sejam os autos devolvidos à apreciação deste Colegiado.    assinado digitalmente  Helton Carlos Praia de Lima ­ Presidente.     assinado digitalmente  Oséas Coimbra ­ Relator.    Participaram da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros: Helton Carlos Praia  de  Lima,  Oséas  Coimbra  Júnior,  Gustavo  Vettorato,  Osmar  Pereira  Costa,  Bianca  Delgado  Pinheiro e Natanael  Vieira dos Santos.      Fl. 279DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10680.008189/2007­13  Resolução n.º 2803­000.142  S2­TE03  Fl. 2          2 Relatório    A  empresa  foi   autuada   em   razão   de   ter   apresentado   GFIP´s   com   dados   não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.    No  aditamento  de sua defesa – fls 117,  por  conta  do  despacho­decisório  11.401.4/0001/2007 a recorrente alega:    O   Banco   autuado   já   explicitou,   a   mais   não   poder,   quando   da  impugnação da NFLD n° 37.027.093­2, (doc. n° 2), as razões da não in cidência da  contribuição   previdenciária   sobre   as   parcelas   supras citadas.     Portanto,   não   irá   repetir   aqui   as   razões   de   discordância   de   tal autuação, pois já demonstrou de forma clara e eficaz os seus   motivos.  Em razão do exposto, para a garantia do contraditório, foi solicitada diligência  para  que  a  Administração  Tributária  apresentasse  cópia  das  razões  trazidas  na  NFLD  n°  37.027.093­2, através da diligência determinada no acórdão 2803­00.035.  Como resultado da diligência, a DRF de origem informa que o referido processo  se  encontra  no  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  retornando  os  autos  a  esta  Relator.   A Secretaria da 3ª Câmara da 2ª  Seção  informa que,  após várias  tentativas de  localização do processo no SECOJ, não foi possível encontrá­lo.    É o relatório.  Fl. 280DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10680.008189/2007­13  Resolução n.º 2803­000.142  S2­TE03  Fl. 3          3 Voto   Conselheiro Oséas Coimbra    Ante  a  impossibilidade  de  se  localizar  as  razões  defensivas  da  recorrente  acostadas na NFLD nº. 37.027.093­2 ­ COMPROT: 10680.011844/2007­11, deve ser reaberto  prazo de 30(trinta) dias para que o contribuinte reapresente os mesmos.    CONCLUSÃO  Pelo  exposto,  voto  por  converter  o  julgamento  em  diligência  para  que  a  recorrente  seja  intimada  a  apresentar,  em  30(trinta)  dias,  cópia  de  suas  peças  de  defesa  e  recurso  apresentadas  nos  autos  do  processo COMPROT:  10680.011844/2007­11,  referente  a  Notificação      Fiscal      de Lançamento  de Débito  ­ NFLD nº.  37.027.093­2,  sob  pena de  não  serem considerados os argumentos que ali constam.  Após, sejam os autos devolvidos à apreciação deste Colegiado.    Assinado digitalmente                                        Oséas Coimbra Júnior – Conselheiro.    Fl. 281DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR

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9008066 #
Numero do processo: 10855.900727/2008-57
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3401-000.377
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência, nos termos do voto do relator
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; meta:creation-date: 2012-10-08T13:14:38Z; created: 2012-10-08T13:14:38Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2012-10-08T13:14:38Z; dcterms:created: 2012-10-08T13:14:38Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; pdf:charsPerPage: 1549; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2012-10-08T13:14:38Z; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3-C4T1 Fl. 1 1 S3-C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10855.900727/2008-57 Recurso nº 915.084 Voluntário Acórdão nº 3401-000.377 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de janeiro de 2012 Matéria DCOMP Eletrônico - Pagamento Indevido ou a Maior Recorrente RIZZO FRANCHISE VENTURE CAPITAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: COFINS Período de Apuração: fev/2003 Ementa: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência, nos termos do voto do relator. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente. RELATOR FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE - Relator. FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE - Redator designado. EDITADO EM: 08/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assisi, Odassi Guerzoni Filho, Adriana Oliveira e Ribeiro (suplente), Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte. Relatório O presente processo trata de Declaração de Compensação emitida em 12.12.2003, referente a compensação de débito no valor de R$ 288,00, que diz respeito ao Fl. 91DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0121.17226.WT5L. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 pagamento indevido ou a maior da contribuição para a Cofins no montante de R$ 600,60, efetuado em 14.3.2003. Em 24.4.2008, a DRF Sorocaba emitiu Despacho Decisório (fl.03), no qual a compensação não foi homologada devido a inexistência do crédito, já que este foi utilizado na quitação de débitos da Cofins no período de apuração mar/2003, no mesmo valor do pagamento efetuado. Em 26.5.08 a contribuinte apresentou, tempestivamente, manifestação de inconformidade, alegando em síntese que efetuou retificação da DCTF , entendendo assim, que tal retificação mostra a existência de saldo de crédito para compensação. Portanto, solicita o cancelamento do débito fiscal reclamado. Em 28.3.2011, a 1ª Turma da DRJ/RPO julgou a manifestação de inconformidade, pois segundo o voto da decisão (fls. 19/22): -A despeito de a DCTF retificadora ter sido apresentada dentro do prazo,não foi juntada aos autos a comprovação dos valores retificados e tampouco a apresentação da DIPJ e/ou DACON retificadora(s), conforme determina o art. 8o da IN SRF n° 786, de 2007; -No caso presente, houve a simples alegação de retificação da DCTF, sem qualquer outra documentação que comprovasse a efetiva retificação do valor do debito liquidado anteriormente pelo pagamento, e tampouco o cumprimento da determinação contida no art. 8 o da IN SRF n° 786, de 2007. Em 1º.6.2011, a interessada tomou ciência do julgamento da 1ª Turma da DRJ/POR e, em 29.6.2011, apresentou Recurso Voluntário (fls.26/27), alegando em síntese, que: a) Após a não homologação da declaração de compensação emitida pela empresa, em 15.1.2004, a interessada corrigiu informações equivocadas apresentadas anteriormente, através de DCTF retificadora entregue em 15.5.2008. A contribuinte não retificou sua DIPJ, pois nela já constava a informação correta, ou seja, que o valor correto a recolher era de R$ 760,46 naquele período de apuração; b) De acordo com a Instrução Normativa SRF nº 387, de 20 de janeiro de 2004, artigo 2º, vigente na época, a empresa estava desobrigada a apresentar DACON, por ser optante do regime de tributação pelo Lucro Presumido, opção essa comprovada pelo recibo de entrega da DIPJ 2004 – ano calendário 2003, bem como que, os lançamentos contábeis do Livro Diário Geral nº 3 registram a provisão do tributo a ser recolhido no mês seguinte e a existência do crédito oriundo do recolhimento a maior. Por fim, a contribuinte requer o acolhimento do Recurso Voluntário apresentado, reconhecimento do crédito decorrente de recolhimento a maior e, consequentemente, a homologação da Declaração de Compensação. É o relatório. Voto Fl. 92DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0121.17226.WT5L. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10855.900727/2008-57 Acórdão n.º 3401-000.377 S3-C4T1 Fl. 2 3 Conselheiro Relator FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Conheço do recurso por ser tempestivo e cumprir os pressupostos de admissibilidade. Em suma, a contribuinte emitiu Declaração de Compensação com o objetivo de compensar os débitos declarados com créditos referentes ao pagamento indevido da COFINS.Não logrando êxito em sua demanda, protocolou Recurso Voluntário onde alega que apresentou DCTF retificadora e faz jus ao crédito pleiteado. Como os créditos serão valorados até a data da entrega da Declaração de Compensação, conforme o art. 28 da Instrução Normativa nº 600 de 28 de dezembro de 2005, estes devem estar devidamente constituídos até este mesmo dia. No caso em análise, não houve a entrega da DCTF retificadora que constituiria os créditos pleiteados, por este motivo o resultado de seu pedido de compensação não seria outro que não o indeferimento. Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios na forma prevista nos arts. 38 e 39 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. (Redação dada pela IN SRF nº 323, de 24/04/2003) Como os créditos serão valorados até a data da entrega da Declaração de Compensação, conforme a norma citada, estes devem estar devidamente constituídos até este mesmo dia. No caso em análise, não houve a entrega da DCTF retificadora que constituiria os créditos pleiteados, por este motivo o resultado de seu pedido de compensação não seria outro que não o indeferimento. Após a negativa de seu pedido a contribuinte providenciou a DCTF retificadora, isto é, constituiu os créditos, porém não seria possível utilizá-los na compensação pleiteada, tendo em vista o inciso IV do parágrafo 3º do art. 26 da Instrução Normativa nº. 600 de 28 de dezembro de 2005, que reproduzo abaixo: (grifamos) Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. (...) § 3º Não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: I – o débito apurado no momento do registro da DI; II – o débito que já tenha sido encaminhado à PGFN para inscrição em Dívida Ativa da União; III – o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela SRF; Fl. 93DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0121.17226.WT5L. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 IV – o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; V – o débito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional com crédito de terceiro; VI – o débito e o crédito que não se refiram aos tributos e contribuições administrados pela SRF; VII – o saldo a restituir apurado na DIRPF; VIII – o crédito que não seja passível de restituição ou de ressarcimento; IX – o crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional reconhecido por decisão judicial que ainda não tenha transitado em julgado; X – o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; XI – o valor informado pelo sujeito passivo em Declaração de Compensação apresentada à SRF, a título de crédito para com a Fazenda Nacional, que não tenha sido reconhecido pela autoridade competente da SRF, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e XII – outras hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição. Para a utilização destes créditos a contribuinte deveria emitir outra Declaração de Compensação, sendo possível compensá-los com os débitos presentes neste processo, que corretamente foram exigidos na decisão recorrida, tendo em vista que a DCTF constitui confissão de vista, conforme o parágrafo 4º do art. 26 da Instrução Normativa 600 de 28 de dezembro de 2005, reproduzido abaixo: Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. (...) § 4º A Declaração de Compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Porém, tendo em vista o princípio da verdade material que deve reger o processo administrativo fiscal, não obstante à falta de DCTF retificadora, é a obrigação da autoridade fiscal é verificar se os montantes pagos correspondem aos efetivamente devidos quando existe pedido de restituição, ressarcimento ou compensação, evitando assim Fl. 94DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0121.17226.WT5L. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10855.900727/2008-57 Acórdão n.º 3401-000.377 S3-C4T1 Fl. 3 5 enriquecimento indevido por parte da Fazenda, independente do cumprimento ou não do aspecto formal. Sendo assim, é necessária diligência para verificar os montantes efetivamente pagos e aqueles que seriam devidos pela contribuinte e existindo pagamento a maior, deve ser deferida a pretensão da contribuinte. Frente a todo o exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que seja apurado, o valor que é devido, o valor que fora efetivamente pago e, sendo assim, se a contribuinte possui direito creditório em caso de pagamento a maior, tendo em vista o princípio da verdade material, Cientifique-se a contribuinte, do resultado para, caso queira, manifestar-se no prazo de 30 dias. É como voto! Relator FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE – Relator. Fl. 95DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0121.17226.WT5L. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE em 10/10/2012 13:19:05. Documento autenticado digitalmente por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE em 10/10/2012. Documento assinado digitalmente por: JULIO CESAR ALVES RAMOS em 30/10/2012 e FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE em 10/10/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 07/01/2021. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP07.0121.17226.WT5L Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 6921B90B418C560C3428192D2F17F8E04345B2C8 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10855.900727/2008-57. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.

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Numero do processo: 19515.002224/2003-35
Data da sessão: Wed May 12 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 1999 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO VIA ADMINISTRATIVA - ACESSO ÀS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n. ° 105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização Judicial. DADOS DA CPMF - INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL - NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. O lançamento se rege pelas leis vigentes à época da ocorrência do fato gerador, porém os procedimentos e critérios de fiscalização regem-se pela legislação vigente à época de sua execução. Assim, incabivel a decretação de nulidade do lançamento, por vício de origem, pela utilização de dados da CPMF para dar início ao procedimento de fiscalização. INSTITUIÇÃO DE NOVOS CRITÉRIOS DE APURAÇÃO OU PROCESSOS DE FISCALIZAÇÃO - APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO. Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas (§ 1°, do artigo 144, da Lei n° 5.172, de 1966 - CTN). AUTO DE INFRAÇÃO - ILEGITIMIDADE PASSIVA - MOVIMENTAÇÃO EM NOME PRÓPRIO DE CONTA BANCÁRIA EM CONJUNTO - LANÇAMENTO NOS TITULARES RESPONSÁVEIS PELA MOVIMENTAÇÃO DA CONTA. Incabível a alegação de ilegitimidade passiva, quando restar comprovado nos autos o uso em nome próprio de conta bancária em conjunto, para efetuar a movimentação de valores tributáveis, situação que toma lícito o lançamento, tão-somente, sobre os titulares responsáveis pela movimentação da conta. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI N° 9.430, DE 1996. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS - PERIODO-BASE DE INCIDÊNCIA - APURAÇÃO MENSAL - TRIBUTAÇÃO NO AJUSTE ANUAL. Os valores dos depósitos bancários não justificados, a partir de 1° de janeiro de 1997, serão apurados, mensalmente, à medida que forem creditados em conta bancária e tributados como rendimentos sujeitos à tabela progressiva anual (ajuste anual). PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO - CARÁTER CONFISCATÓRIO — INOCORRÊNCIA. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa a lançamento de oficio, para exigi-lo com acréscimos e penalidades legais. A multa de lançamento de oficio é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal. INCONSTITUCIONALIDADE - O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para, se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n° 2). ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS MORATÓRIOS. A partir de 10 de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação c Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF n° 4). Preliminares rejeitadas. Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-000.525
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares argüidas pelo Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Nome do relator: HELENILSON CUNHA PONTES

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É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n. ° 105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização Judicial. DADOS DA CPMF - INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL - NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. O lançamento se rege pelas leis vigentes à época da ocorrência do fato gerador, porém os procedimentos e critérios de fiscalização regem-se pela legislação vigente à época de sua execução. Assim, incabivel a decretação de nulidade do lançamento, por vício de origem, pela utilização de dados da CPMF para dar início ao procedimento de fiscalização. INSTITUIÇÃO DE NOVOS CRITÉRIOS DE APURAÇÃO OU PROCESSOS DE FISCALIZAÇÃO - APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO. Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas (§ 1°, do artigo 144, da Lei n° 5.172, de 1966 - CTN). AUTO DE INFRAÇÃO - ILEGITIMIDADE PASSIVA - MOVIMENTAÇÃO EM NOME PRÓPRIO DE CONTA BANCÁRIA EM CONJUNTO - LANÇAMENTO NOS TITULARES RESPONSÁVEIS PELA MOVIMENTAÇÃO DA CONTA. Incabível a alegação de ilegitimidade passiva, quando restar comprovado nos autos o uso em nome próprio de conta bancária em conjunto, para efetuar a . movimentação de valores tributáveis, situação que toma lícito o lançamento, tão-somente, sobre os titulares responsáveis pela movimentação da conta. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI N° 9.430, DE 1996. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS - PERIODO-BASE DE INCIDÊNCIA - APURAÇÃO MENSAL - TRIBUTAÇÃO NO AJUSTE ANUAL. Os valores dos depósitos bancários não justificados, a partir de 1° de janeiro de 1997, serão apurados, mensalmente, à medida que forem creditados em conta bancária e tributados como rendimentos sujeitos à tabela progressiva anual (ajuste anual). PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão- somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. muurA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO - CARÁTER CONFISCATÓRIO — INOCORRÊNCIA. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa a lançamento de oficio, para exigi-lo com acréscimos e penalidades legais. A multa de lançamento de oficio é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal. INCONSTITUCIONALIDADE - O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para, se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n° 2). ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS MORATÓRIOS. A partir de 10 de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação c Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF n° 4). Preliminares rej citadas. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 2 Processo 1f 19515.002224/2003-35 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00525 •.525 Fl. 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares argüidas pelo Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. / N sod)51. ; a • n2C1WRelator fa' 1 Ei'd ' 261J •EDITADO EM: Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Odmir Fernandes (Suplente convocado), Antonio Lopo Martinez, Helenilson Cunha Pontes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. • 3 Relatório LUIS JOSÉ CRUZ BICHARA, contribuinte inscrito no CPF/MF sob o n. 107.239.588-66, com domicilio fiscal na cidade de Santo André, Estado de São Paulo, à Rua Coronel Seabra n° 1142 - Bairro Vila Mariana, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo - SP, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 172/190, prolatada pela 3' Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília - DF, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 206/254. Contra o contribuinte acima mencionado foi lavrado, em 22/10/2003, o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 124/128), com ciência pessoal, através de seu representante legal, em 22/10/2003 (fls. 126), exigindo-se o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 1.176.060,37 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de imposto de renda pessoa fisica, acrescidos da multa de lançamento de oficio normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, 1% ao mês, calculado sobre o valor do imposto de renda relativo ao exercício de 1999, correspondente ao ano- calendário de 1998. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização de Imposto de Renda, onde a autoridade lançadora entendeu haver as seguintes irregularidades: 1— OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO SEM VINCULO EMPREGATICIO RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS: Omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, decorrentes do trabalho sem vínculo empregando, conforme informado na DIRPF/99. Infração capitulada nos artigos 1° ao 3' e §§, da Lei n° 7.713, de 1988; artigos 1° ao 3°, da Lei n°8.134, de 1990 e artigo 21 da Lei n°9.532, de 1997. 2 — OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA: Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal anexo. Infração capitulada no artigo 42 da Lei n°9.430, de 1996; artigo 4° da Lei n°9.481, de 1997 e artigo 21 da Lei n°9.532, de 1997. A Auditora-Fiscal da Receita Federal do Brasil, responsável pela constituição do crédito tributário, esclarece, ainda, através do Termo de Verificação Fiscal (fls. 122/123), entre outros, os seguintes aspectos: - que o contribuinte foi programado para fiscalização devido a movimentação financeira incompatível com os rendimentos declarados conforme Relatório de Movimentação Financeira — Base CPMF, emitido pela SRF, onde aprece como omisso e com movimentação financeira no montante de R$ 17.840.274,36 no Banco Raia S/A; - que através do Termo de inicio de 21/03/2001 o contribuinte foi intimado a apresentar os extratos bancários de suas contas-correntes no Banco Paia S/A mas não atendeu ao solicitado; 4 Processou' 19515.002224/2003-35 S2-C212 Acórdão n.° 2202-00.525 Fl. 3 - que atendendo Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira o Banco Baú apresentou-nos, em meio magnético e em papel, os extratos bancários do correntista do ano-base de 1998 e bem como cópias dos cheques emitidos da conta 33.015-4; - que às 35, consta o Demonstrativo de Movimentação Financeira Retificado emitido pelo Banco Itã., informando a Movimentação anual total de R$ 4.754.277,71; - que o contribuinte apresentou a DIRPF do exercício de 1999, em 04/10/2001, após iniciada a Ação Fiscal, na qual informou Rendimentos Tributáveis no valor de R$ 25.000,00 e não informou bens e direitos; - que em 20/08/2002, conforme solicitado na Intimação de 01/08/02 o contribuinte compareceu pessoalmente à essa repartição, quando declarou, em síntese, que a conta 33.015-4 no Banco haat seria conjunta com mais três pessoas, posteriormente apresentou a declaração de fls. 97 constando os nomes, CPF, RG e assinatura, sem reconhecimento das firmas das três pessoas; que cerca de 90% dos cheques emitidos tem a sua assinatura; que era empregado na loja Mano's Comércio de Doces, sendo que os demais titulares também estavam empregados na mesma empresa; que recebi os valores depositados de camelôs e marreteiros que não possuíam contas bancárias mas que necessitavam de cheques para efetuar compras de doces a prazo na empresa recebendo por isso um percentual variável à titulo de comissão; - que até o momento não se apresentou qualquer documento comprobatório da natureza das operações que resultaram nos depósitos; - que em 26/06/2003 foi expedida RMF requisitando a identificação dos demais co-titulares da conta 33015-4. Em resposta o Banco liai, alegou impossibilidade de atendimento do requisitado em razão do sigilo bancário; - que em 10/09/2003 o contribuinte tomou ciência do Termo de Intimação que solicitava a identificação dos demais co-titulares da conta 33015-4 c até o momento não atendeu o solicitado; - que consta nas cópias dos cheques emitidos da conta 33.015-4, recebidos do Banco Itan, o nome de Eduardo Rodrigues como co-titular; - que face a não comprovação da origem das operações de crédito relacionadas às fls. 99/109, apuramos na planilha de fls. 120 os valores mensais totais dos depósitos não comprovados, que serão atribuídos para o contribuinte, nas contas 049535 e 036633 no total e na conta-corrente 33.015-4, de 50%. Em sua peça impugnatória de lis. 133/160, instruída pelos documentos de fls. 161/163, apresentada, tempestivamente, em 20/1112003, o autuado se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para tornar insubsistente o auto de infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: - que tal procedimento fiscalizatório fora instaurado irregularmente desde sua origem, na medida que teve por base para sua instauração a utilização de informações da CPMF do exercício de 1999, objetivando constituição de crédito do IRPF, quando lhe era vedado tal conduta pelo art. 11, § V, da Lei n° 9.311, de 1996 por considerar tal utilização quebra de sigilo não autorizado; 5 - que o art. 1" da lei n°10.174, de 2001 que deu nova redação ao art. 11, § 30, da Lei n° 9.311, de 1996, passou a permitir à Receita Federal utilizar as informações da CPMF para instaurar ou dar origem ao MPF apenas dos atos ou fatos ocorridos a partir da sua entrada em vigor (09/01/2001), pois consoante o principio da irretroatividade das leis, a Lei n° 10.174 não poderia retroagir para interferir na causa, que é ato ou fato ocorrido no passado; - que apesar do texto originário do § 3° da Lei n° 9.311, de 1996, resguardasse o sigilo bancário, a redação que lhe emprestou a Lei n° 10.174, de 2001, combinada com a autorização de requisições trazida na Lei Complementar n° 105, de 2001, fere os direitos constitucionais à inviolabilidade da intimidade e da vida privada bem como o sigilo de dados; - que os juros de mora e a multa utilizados na consolidação de débito não coadunam com a realidade jurídica, haja vista que são inconstitucionais e abusivos. Os créditos tributários devem ser corrigidos por índice apto a manter o seu valor real. A SELIC, por sua vez, é índice destinado à remuneração do capital e não reflete a inflação ocorrida; - que o impugnante tem o direito de não ser compelido a pagar um valor a titulo de multa extremamente elevado, pois fere a nossa legislação pátria e desacorda com a situação sócio-econômica do Pais. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, a 3 4 Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília — DF decide julgar procedente o lançamento mantendo o crédito tributário lançado, com base, em síntese, nas seguintes considerações: - que da exegese dos dispositivos legais, destaca-se explicitamente que, independentemente de concessão judicial, a Lei Complementar n° 105 autorizou a autoridade fiscal examinar livros, registros e documentos de instituições financeiras, incluindo as contas de depósitos e aplicações financeiras, na hipótese de ou estar o procedimento fiscal em curso, ou o processo administrativo instaurado; - que, claramente, à luz do CTN, art. 144, há distinção essencial entre os mandamentos do § e o do caput. Este é norma material, haja vista o regime intertemporal aplicável, qual seja: o da lei vigente à época da realização do fato gerador, que é empregada diretamente na determinação da obrigação tributária e do crédito tributário correspondente. Aquele é norma adjetiva, uma vez que disciplina a lei aplicável à atividade do lançamento, em seus aspectos formais, bem como às garantias e privilégios do credito tributário. Aqui, a lei vigente é a da época do lançamento; - que, com efeito, permissão da aplicação imediata da legislação instrumental que institui ou novos critérios de apuração, ou processos de fiscalização, ou ampliem os poderes de investigação das autoridades administrativas, há muito, está assente no ordenamento jurídico pátrio. Assim, incabível argumentar acerca de efeitos retroativos, quando, de fato, observa-se aplicação imediata e prospectiva da norma; - que, quanto a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários , de origem não comprovada é de se dizer, que neste ponto, cabe deixar em relevo que o impugnante, além de não trazer à colação documentos, hábeis e idôneos, tendentes a comprovar a origem dos depósitos bancários, também não tece, explicitamente, quaisquer comentários no sentido de elidir a apuração dessa infração. Centra sua argumentação, apenas, na seara das preliminares e, no mérito, das questões a seguir tratadas; 6 Processo n° 19515.002224/2003-35 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.525 Fl. 4 - que é de se observar que a aplicação de multa é decorrente do cometimento de infração tributária, tendo como finalidade a imposição de um gravame ao contribuinte pelo descumprimento de dever legal. Multa não é tributo. Este tem por objetivo prover os recursos financeiros de que o Estado necessita, não tem caráter extraordinário, em regra, muito menos eventual, como se caracteriza a multa. Esta, configurada a hipótese de incidência, para alcançar seu fim e diferentemente daquele, deve representar ônus significativamente maior, a fim de que as condutas em desconformidade com a legislação sejam desencorajadas; - que a multa de oficio aplicada não somente está em consonância com a legislação tributária em vigor, mas também é a adequada à infração apurada Na esfera administrativa, inadmissível cogitar sobre a redução ou a alteração do percentual ou do quantum com fundamento em critérios meramente subjetivos; - que na ausência de pronunciamento do Siipremo Tribunal Federal, declarando a inconstitucionalidade da lei que rege a utilização da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia — SELIC, como juros de mora exigíveis dos débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, incabível o exame da questão da inconstitucionalidade, suscitada pelo impugnante, nessa esfera administrativa. A decisão de Primeira Instância está consubstanciada nas seguintes ementas: ASSUNTO:IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FISICA - IRPF Exercício: 1999 QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. INOCORRÊNCIA. Havendo procedimento administrativo regularmente instaurado, não constitui quebra do sigilo bancário a obtenção, pelos órgãos fiscais tributários, de dados sobre a movimentação bancária dos contribuintes com base em valores da CPMF. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI POSSIBILIDADE. Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das Autoridades Administrativas. ARROLAMENTOS DE BENS Não compete às delegacias da receita Federal do Brasil de Julgamento manifestar-se sobre eventuais ilegalidades no procedimento de arrolamento de bens. JUROS DE MORA. ILEGALIDADE DA TAXA SELIC. Inexiste ilegalidade na aplicação da taxa Selic, porquanto o Código tributário Nacional (CTN)— art. 161, § - outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento. CONFISCO. MULTA DE OFÍCIO. 7 Apurada falta de recolhimento de imposto através de procedimento de oficio, o contribuinte se sujeita à multa prevista na legislação tributária, a qual não fere a garantia constitucional de vedação do confisco, que se aplica apenas a tributos. Lançamento Procedente. Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 30/10/2007, conforme Termo constante às fls. 202/204, o recorrente interpôs, tempestivamente (27/11/2007), o recurso voluntário de fls. 206/254, instruido pelos documentos de fis. 255/261 no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nos mesmos argumentos apresentados na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: - que a houve erro na aplicação da aliquota do imposto de renda, pois conforme tabela progressiva deveria ter sido aplicado o percentual de 25% e não 27,5% como foi feio; - que o fisco ao solicitar à instituição bancária os nomes das outras pessoas que são co-titulares das contas correntes ora equivocadamente fiscalizadas, não obteve resposta por questão de respeito ao sigilo bancário, ainda sim, intimou o recorrente para que o fizesse, e informa que não foi atendido, porém, consta do relatório fiscal que às fls. 97 foi fornecido pelo recorrente os nomes, n's de CPF e RO e assinatura dos outros co-titulares das contas bancárias e mesmo assim o fisco ignorou tal informação; - que, portanto, não pode o recorrente ser instado a pagar a quantia apurada erroneamente, tendo em vista que é notório e certo que, em se tratando de conta conjunta com terceiros, o montante apurado equivocadamente à titulo de renda não é exclusivamente dele, e sim uma somatória de valores depositados e movimentados pelos correntistas, e que o Fisco, na ânsia de fiscalizar e tributar sem critérios legais, ignorou tais informações e não empenhou esforços para apurar quem seriam as outras pessoas fisicas co-titulares das contas correntes analisadas. Ressaltamos que nas cópias dos cheques que forma solicitadas e enviadas ao fisco encontram-se a seguinte inscrição: "Luis José Bichara ou Eduardo Rodrigues ou". É o relatório 8 - Processo n0 19515.002224/2003-35 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.525 Fl. 5 Voto Conselheiro Nelson Mallmann, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. No presente litígio está em discussão, como se pode verificar no Auto de Infração, especificamente na descrição dos fatos e enquadramento legal, omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, amparado no art. 42 da Lei n°9.430, de 1996. Da analise dos autos, verifica-se que a fiscalização entendeu que o contribuinte não logrou comprovar, por meio do necessário lastro documental hábil e idôneo, a origem dos depósitos bancários que transitaram em contas bancárias de sua titularidade. Inconfonnado, em virtude de não ter logrando êxito na instância inicial, o contribuinte apresenta a sua peça recursal a este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pleiteando a reforma da decisão prolatada na Primeira Instância onde, argúi preliminarmente, a nulidade do auto de infração amparado nas teses de ilegalidades em relação à presunção de que trata o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, já que os dados da movimentação financeira foram colhidos das bases da CPMF, o que somente é admitido a partir da Lei n° 10.174, de 2001, bem como é ilegal a quebra do sigilo bancário via administrativa posta em prática pelo Fisco e que a conta bancaria era conjunto com mais três co-titulares e foi lançada em nome do titular e mais um co-titular e, no mérito, tece várias considerações sobre a impossibilidade de se tributar os depósitos bancários como renda auferida e se indispõe contra a multa de oficio e os juros com base na taxa Selic. Desta forma, a discussão neste colegiado se prende as preliminares de nulidade do lançamento e, no mérito, a discussão se prende sobre o artigo 42 da Lei n° 9430, de 1996, que prevê a possibilidade de se efetuar lançamentos tributários por presunção de omissão de rendimentos, tendo por base os depósitos bancários de origem não comprovada. Quanto as preliminares de nulidade do lançamento argüidas pelo suplicante, sob o entendimento de que tenha ocorrido ofensa aos princípios constitucionais do devido processo legal, entendendo que a autoridade lançadora feriu diversos princípios fundamentais, quais sejam: valer-se de dados da CPMF para cobrar imposto de renda da pessoa fisica; utilização da Lei n° 10.174, de 2001 e Lei Complementar n° 105, de 2001, para solicitar os extratos bancários e quebra do sigilo bancário de forma incorreta, não cabe razão ao suplicante pelos motivos que se seguem. O primeiro aspecto divergente estaria no entendimento que o suplicante tem de que o lançamento não pode prosperar em razão de que as provas fiscais teriam sido obtidas por autoridades fazendárias através de procedimentos inteiramente ilícitos, sob o entendimento de que o fato ocorrido foi uma solicitação indevida dos extratos bancários, ou seja, houve a quebra do sigilo bancário de forma irregular e obtenção de provas por meios ilicitos. 9 O segundo aspecto divergente estaria no entendimento que o suplicante tem de que é publico e notório que a fiscalização tem origem em utilização indevida pela Secretaria da Receita Federal das infonnações apresentadas pelos bancos com fulcro no art. 11 da Lei n° 9.311, de 1996 e que correspondiam a CPMF, quando era vedada a sua utilização para qualquer outra finalidade que não fosse para fiscalização deste tributo. Por tudo que dos autos consta, não houve qualquer irregularidade na obtenção dos extratos bancários que deram origem ao lançamento em discussão. De se ver. Não há dúvidas, que toda a controvérsia de fato resume-se na discussão do sigilo de informações no Mercado Financeiro e de Capitais, ou seja, sigilo bancário. O sigilo bancário sempre foi um tema cheio de contradições e de várias correntes. Antes da edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, os Tribunais Superiores tinham a forte tendência de albergar a tese da inclusão do sigilo bancário na esfera do direito à privacidade, na forma da nossa Constituição Federal, sob o argumento que não é cabível a sua quebra com base em procedimento administrativo, amparado no entendimento de que as previsões nesse sentido, inscritas nos parágrafos 5° e 6° do artigo 38, da Lei n° 4.595, de 1964 e no artigo 8° da Lei n° 8.021, de 1990, perdem eficácia, por interpretação sistemática, diante da vedação do parágrafo único do artigo 197, do CTN, norma hierarquicamente superior. Apesar de existir intermináveis discussões quanto à natureza do sigilo bancário, entendo que tal garantia, insere-se na esfera do direito à privacidade, traduzido no artigo 5°, inciso X, da Constituição Federal. • Por outro lado, entendo que o direito à privacidade não é ilimitado, tendo em vista o principio da convivência de liberdades. Assim, não se pode, sob o manto da privacidade, pretender acobertar indistintamente qualquer irregularidade que seja objeto de apuração pelo fisco, ou seja, os direitos e garantias individuais previstos na Constituição Federal não se prestam a servir de manto protetor a comportamentos abusivos, e num tampouco devem prevalecer diante de fatos que possam constituir crimes. Sejam eles crimes tributários ou não. Não tenho dúvidas, que o direito ao sigilo bancário não pode ser utilizado para acobertar ilegalidades. Por outro lado, preserva-se a intimidade enquanto ela não atingir a esfera de direitos de outrem. Todos têm direito à privacidade, mas ninguém tem o direito de invocá-la para abster-se de cumprir a lei ou para fugir de seu alcance. Tenho para mim, que o sigilo bancário não foi instituído para que se possam praticar crimes impunemente. Desta forma, é indiscutível (pie o sigilo bancário, no Brasil, para fins tributários, é relativo e não absoluto, já que a quebra de informações pode ocorrer nas hipóteses previstas em lei. Da mesma forma, a quebra do sigilo bancário não afronta aos incisos X e XII do art. 5° da Constituição Federal de 1988. O Supremo Tribunal Federal já decidiu que: Ementa: Inquérito. Agravo regimental. Sigilo bancário. Quebra. Afronta ao artigo 5', X e XII, da CF: Inexistência. (...). 1— A quebra do sigilo bancário não afronta o artigo 5', X e XII, da Constituição Federal (Precedentes: PET. 577). io Processo tf 19515.002224/2003-35 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.525 Fl. 6 (Ac. Do Plenário do Supremo Tribunal Federal, no AGIUNQ- 8971DF, rel. Min. Francisco Rezek, j. em 23.11.94). Ora, é cediço que o sigilo bancário não tem caráter incontestável nem absoluto, pois deve sempre estar submetido, como direito individual que é, aos interesses da sociedade em geral e, por conseguinte, ao interesse maior da preservação dos comandos estabelecidos pela lei. Diz a Lei n°4.595, de 1964: Art. 38 — As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. § 1° As informações e esclarecimentos ordenados pelo Poder Judiciário, prestado pelo Banco Central da República do Brasil ou pelas instituições financeiras, e a exibição de livros e documentos em juizo, se revestirão sempre do mesmo caráter sigiloso, só podendo a eles ter acesso às partes legítimas na causa, que deles não poderão servir-se para fins estranhos à mesma. § 2 0 O Banco Central da República do Brasil e as instituições financeiras públicas prestarão informações ao Poder Legislativo, podendo, havendo relevantes motivos, solicitar sejam mantidas em reserva ou sigilo. § 3° As Comissões Parlamentares de Inquérito, no exercício da competência constitucional e legal de ampla investigação obterão as informações que necessitarem das instituições financeiras, inclusive através do Banco Central da República do Brasil. § 4 0 Os pedidos de informações a que se referem os §§ 2° e 3°, deste artigo, deverão ser aprovados pelo Plenário da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal e, quando se tratar de Comissão Parlamentar de Inquérito, pela maioria absoluta de seus membros. § 5 0 Os agentes .fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados somente poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, quando houver processo instaurado e Os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. § 6 0 O disposto no parágrafo anterior se aplica igualmente à prestação de esclarecimentos e informes pelas instituições financeiras às autoridades fiscais, devendo sempre estas e os exames ser conservados em sigilo, não podendo ser utilizados senão reservadamente. Nos termos da lei, acima mencionada, o sigilo bancário será quebrado sempre que houver processo instaurado e a autoridade fiscalizadora considerar necessário, pois é sabido que os estabelecimentos vinculados ao sistema bancário não poderá eximir-se de fornecer à fiscalização, em cada caso especificado pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal, cópias das contas correntes de seus depositantes ou de outras pessoas que 11 tenham relações com tais estabelecimentos, nem de prestar informações ou quaisquer esclarecimentos solicitados, se a autoridade fiscal assim o julgar necessário, tendo em vista a instrução de processo para qual essas informações são requeridas. É evidente, que a possibilidade da quebra do sigilo bancário é de natureza excepcional, e o artigo 38 da Lei n° 4.595, de 1964, arrola as oportunidades em que terceiros tem acesso ao conhecimento de dados e informações de operações realizadas no mercado financeiro pelos seus investidores/clientes. Os parágrafos, do artigo anteriormente citado, estabelecem, de forma clara, quais são as autoridades que tem acesso a estas informações, ou seja, Poder Judiciário (§ 1°); Poder Legislativo (§ 2°); Comissões Parlamentares de Inquérito (§ 3°) e os agentes fiscais do Ministério da Fazenda e dos Estados (§§ 5° e 6°). O texto acima estabelece com clareza a obrigatoriedade que os bancos tinham de permitir aos agentes fiscais o exame dos registros de contas de depósitos. Para isto, bastaria demonstrar a existência de processo fiscal e declarar que tal documentação era indispensável à investigação em curso. Desta forma, entendo que fica demonstrado que, já em 1964, os bancos estavam obrigados a fornecer à fiscalização documentação a respeito de transações com seus clientes. Não há como discordar que a expressão "processo instaurado" se refere ao "processo administrativo fiscal", já que em caso contrário não haveria a necessidade de existirem os parágrafos 5' e 6° do referido diploma legal. Assim, fica evidenciado que para a Administração Tributária Federal ter acesso a informações relativo às atividades e operações no mercado financeiro e de capitais realizadas pelos contribuintes pessoas fisicas e/ou jurídicas, estaria condicionada a observância de certos requisitos, quais sejam: ter processo administrativo fiscal instaurado; que as informações a serem solicitadas fossem indispensáveis e que estas informações não poderiam ser reveladas a terceiros. Já, por outro lado, em 1966, a Lei ri.° 5.172 (Código Tributário Nacional) promoveu alterações no dispositivo acima transcrito, eliminando a exigência de prévia existência de processo. No art. 197 o Código Tributário Nacional dispõe: Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bend, negócios ou atividades de terceiros: li - os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras. Após a edição do Código Tributário Nacional, o Decreto n.° 1.718, de 1979 reforçou a obrigatoriedade que têm as Instituições Financeiras de prestar informações às autoridades fiscais. No art. 2° daquele ato legal foi estabelecido: Continuam obrigados a auxiliar a fiscalização dos tributos sob administração do Ministério da Fazenda, ou quando solicitados a prestar informações, os estabelecimentos bancários, inclusive as Caixas Econômicas, os Tabeliães e Oficiais de registro, o Instituto Nacional de Propriedade Industrial, as Juntas Comerciais ou as repartições e autoridades que as substituírem, as Bolsas de Valores e as empresas corretoras, as Caixas de 12 Processo n° 19515.002224/2003-35 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.525 Fl. 7 Assistência, as Associações e Organizações Sindicais, as Companhias de Seguros, e demais entidades ou empresas que possam, por qualquer forma, esclarecer situações para a mesma fiscalização. Já no comando da Lei n.° 8.021, de 1990, esta obrigatoriedade é mais abrangente incluindo Bolsa de Valores e Assemelhadas, além das Instituições Financeiras, cuja redação diz o seguinte: Art. 7 0 - A autoridade fiscal do Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento poderá proceder a exames de documentos, livros e registros das bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas, bem como solicitar a prestação de esclarecimentos e informações a respeito de operações por elas praticadas, inclusive em relação a terceiros. Art. 8° - Iniciado o procedimento fiscal, a autoridade fiscal poderá solicitar informações sobre operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras, inclusive extratos de contas bancárias, não se aplicando, nesta hipótese, o disposto no art. 38 da Lei n."4.595, de 31 de dezembro de 1964. Parágrafo único - As informações, que obedecerão às normas regulamentares expedidas pelo Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento, deverão ser prestadas no prazo máximo de dez dias úteis contados da data da solicitação, aplicando-se, no caso de descumprimento desse prazo, a penalidade prevista no § 1"do art. 7'. Evidente está, diante das normas legais acima transcritas, que as instituições • financeiras não podem invocar o dever de sigilo bancário quando da efetivação, por parte da Fazenda Pública, de pedido de informações acerca de um terceiro, existindo processo administrativo fiscal que permita tal solicitação. Não há que se falar, portanto, em quebra do sigilo bancário, uma vez que a autoridade fazendária encontra-se legalmente obrigada a manter os dados recebidos sob sigilo, conforme impõe o parágrafo 60 do artigo 38 da Lei n° 4.595, de 1964. Os dispositivos legais acima citados, não foram declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, dão respaldo ao procedimento da fiscalização. Por esta razão, rejeita-se o argumento de que os documentos foram obtidos de forma ilícita. O sigilo bancário, face à farta legislação existente, não pode ser argüido com a finalidade de negar informações ao fisco. A Lei n.° 8.021, de 1990 revoga, para fins fiscais, a obrigatoriedade das instituições financeiras a conservar sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados, estabelecido no art. 38 da Lei n.° 4.595, de 1964. Este último dispositivo legal já estabelecia em seus parágrafos 5° e 6° que: 5" - Os agentes fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados somente poderão proceder a exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, quando houver processo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. 13 6' - O disposto no parágrafo anterior se aplica igualmente à prestação de esclarecimentos e informes pelas instituições financeiras às autoridades fiscais, devendo sempre estas e os exames ser conservados em sigilo, não podendo ser utilizados senão reservadamente. Resta claro, portanto, a possibilidade da administração fazendária solicitar aos estabelecimentos bancários às informações que esses detenham em relação aos contribuintes para os quais exista procedimento fiscal em andamento, sem que seja necessário demonstrar os motivos que conduziram a tal requisição. Agora sob o comando da Lei Complementar ft° 105, de 10 de janeiro de 2001, esta condição é indiscutível, cuja redação diz o seguinte: Art. I° As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. 6.) § 3' Não constitui violação do dever de sigilo: I — a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; — o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; Hl — o fornecimento das informações de que trata o § 2" do art. 11 da Lei n°931] de 24 de outubro de 1996; " •IV — a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo ofornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; V — a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; VI — a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2", 3", 4", 5", 6", 7" e 9' desta Lei Complementar. Art. 6` As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente • poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais ata rnes sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. 14 Processo n° 19515.00222412003-35 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.525 Fl. 8 Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Art. Revoga-se o art. 38 da Lei n 4.595, de 31 de dezembro de 1964. A edição desse dispositivo de lei complementar se fez indispensável, em virtude de divergência interpretativa que havia sido estabelecida acerca do tema, especialmente em face de decisão de uma das Turmas do Superior Tribunal de Justiça, no qual ficou assentado que o termo "processo", empregado no artigo 38, § 5°, da Lei n°4.595, de 31 de dezembro de 1964, se referia a processo judicial e não processo administrativo, que a expressão autoridade competente se referia à autoridade judiciária, não a autoridade administrativo-fiscal. Cuidou, assim, o preceptivo legal em questão — que revogou expressamente, em seu artigo 13, o artigo 38 da Lei n°4.595, de 1964 -, de chancelar uma exceção à regra do sigilo bancário já prevista na lei anterior, agora com toda a clareza, sem deixar margem à interpretação equivocada ou distorcida, ao declarar expressamente que o processo mencionado é o administrativo; que a autoridade competente, para fins da lei, é a administrativa. - Ora, se antes existiam dúvidas sobre a possibilidade da quebra do sigilo bancário via administrativa (autoridade fiscal), agora estas não mais existem, já que é claro na lei complementar, acima transcrita, a tese de que a Secretaria da Receita Federal tem permissão legal para acessar os dados bancários dos contribuintes, está expressamente autorizado pelo artigo 6° da mencionada lei complementar. O texto autorizou, expressamente, as autoridades e agentes fiscais tributários a obter informações de contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que haja processo administrativo instaurado. Assim, estaria afastada a pretensa quebra de sigilo bancário de forma ilicita, já que há permissão legal para que o Estado através de seus agentes fazendários, com fins públicos (arrecadação de tributos), visando o bem comum, possa ter acesso aos dados protegidos, originariamente, pelo sigilo bancário. Ficam o Estado e seus agentes responsáveis, por outro lado, pela manutenção do sigilo bancário e pela observância do sigilo fiscal. Nesse sentido, leia-se a opinião de Bernardo Ribeiro de Moraes, contido no Compêndio de Direito Tributário, Ed. Forense, la. Edição, 1984, pág. 746: O sigilo dessas informações, inclusive o sigilo bancário, não é absoluto. Ninguém Pode se eximir de prestar informações, no interesse público, para o esclarecimento dos fatos essenciais e indispensáveis à aplicação da lei tributária. O sigilo. em verdade, não é estabelecido para ocultar fatos, mas sim, para revestir a revelação deles de um caráter de exeepcionalidade. Assim, compete à autoridade administrativa, ao fazer a intimação esárita, conforme determina o Código Tributário Nacional, estar diante de processos administrativos já instaurados, onde as respectivas informações sejam indispensáveis. Desta forma, dentro dos limites estabelecidos pelos textos legais que tratam do assunto, os Auditores-Fiscais da Receita Federal poderão proceder a exames de 15 documentos, livros e registros de contas de depósitos, desde que houver processo fiscal administrativo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. Devendo ser observado que os documentos e informações fornecidos, bem como seus exames, devem ser conservados em sigilo, cabendo a sua utilização apenas de forma reservada cumprido as normas a prestação de informações e o exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, a que alude a lei, não constitui, portanto, quebra de sigilo bancário. Sempre é bom lembrar, que o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais constitui um dos requisitos do exercício da atividade administrativa tributária, cuja inobservância só se consubstancia mediante a verificação material do evento da quebra do sigilo funcional, quando, então, o agente envolvido sofrerá a devida sanção. Da mesma forma, discordo daqueles que defendem a ilegalidade da aplicação retroativa da Lei Complementar n° 105, de 2001, sob o argumento que em face ao princípio constitucional que veda a aplicação retroativa da lei, a mesma (LC n° 105, de 2001), não poderia ter sido tomada pelas autoridades fiscais para respaldar a obtenção e o exame da movimentação bancário do ano calendário de 1998. Ora, é sabido que a matéria relativa à aplicação da lei no tempo pelo lançamento, é regulada no art. 144 e parágrafos da Lei n° 5.172, de 1966— CTN, que diz: Art. 144. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. ,5S- V Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste Ultimo caso, para efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. Nesta hipótese, a tese é de que a Lei Complementar n° 105, de 2001, não poderia retroagir, já que não tem natureza procedimental e sim dispõe de conteúdo material, cuja aplicação retroativa é vedada pelo disposto nos artigos 105, 106 e 144, "caput", do CIN. Ora, é sabido que as leis de procedimento, como o é a Lei Complementar n° 105, de 2001, são aplicáveis ao processo no estado em que se encontra, já que a mesma não é lei tributária, ou seja, não é uma lei cuja natureza jurídica seja estabelecer qualquer matéria tributável. Indiscutivelmente é sabido que o "caput" do art. 144 do CTN se refere à regra de direito material, ou seja, regula o ato administrativo do lançamento em seu conteúdo substancial, enquanto que os seus parágrafos contêm solução aplicável ao procedimento fiscal, processo ou aspecto formal do lançamento. É evidente que o § 1° do art. 144 do CTN, regula matéria diferente de seu "caput", nota-se que consagra a regra da aplicação imediata da legislação vigente ao Nmpo do lançamento, quando tenha instituído novos critérios de apuração ou de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades adminiStrativas. 16 • Processo n°19515.00222412003-35 S2-C2T2 Acórdão n." 2202-00.525 El. 9 Nesse diapasão, o tributarista Jose Souto Maior Borges, em sua obra "Lançamento Tributário" - 2a edição, Malheiros Editores Ltda. — ao tratar do direito intertemporal e lançamento, assim preleciona: Lançamento está, ai, no art. 144, capta, no sentido de ato do lançamento. O vocábulo é, no Código Tributário Nacional, plurissignificativo. Ora é referido ao ato, ora ao procedimento que o antecede. Diversamente, já no seu § 1 0 0 art. 144 reporta- se ao procedimento administrativo de lançamento. A este se aplica, ao contrário, a legislação que posteriormente à data do fato jurídico tributário tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas ou outorgando ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último• caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. O art. 144, § I r; disciplina o procedimento administrativo do lançamento, em contraposição ao capa desse dispositivo, que se aplica ao ato de lançamento. Duas realidades normativas diversas e submetidas, por isso mesmo, a disciplina jurídica nitidamente diferenciada no Código Tributário NacionaL Ao ato de lançamento aplica-se, em qualquer hipótese, a legislação contemporânea do fato jurídico tributário. Ao procedimento de lançamento, todavia, aplica-se legislação que, se confrontada temporalmente com o fato jurídico tributário, venha posteriormente e estabelecer as alterações estipuladas no § 1" do art. 144. Se não sobrevier ao fato jurídico — enquanto in fieri o procedimento de lançamento — legislação nova, aplicar-se-lhe-á também a legislação coetânea à data do fato jurídico tributário. Da mesma forma, existem julgados no âmbito do Poder Judiciário que respaldam o entendimento anteriormente citado, conforme se pode constatar nas decisões abaixo transcritas: Sentença proferida pelo Tribunal Regional Federal da Quarta Região, nos autos de Agravo de Instrumento n° 2001.04.01.045127-8/SC, da qual se faz necessário à transcrição da ementa do julgado: TRIBUTÁRIO. REPASSE DE DADOS RELATIVOS A CPMF PARA FINS DE FISCALIZAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. SIGILO BANCÁRIO. O acesso da autoridade fiscal a dados relativos à movimentação financeira dos contribuintes, no bojo de procedimento . fiscal regularmente instaurado, não afronta, a priori, os direitos e garantias individuais de inviolabilidade da intimidade, da vida privada, da honra e da imagem das pessoas e de inviolabilidade do sigilo de dados, assegurados no art. 5', incisos X e XII da CF/88, conforme entendimento sedimentado no tribunal. No plano infraconstitticional, a legislação prevê o repasse de informações relativas a operações bancárias pela instituição financeira à autoridade fazendária, bem como a possibilidade de utilização dessas infOrmações para instaurar 17 procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a imposto e contribuições e para lançamento do crédito tributário porventura existente (Lei 8.021/90, Lei 9.311/96, Lei 10.17412001, Lei Complementar 105/2001). As disposições da Lei n° 10.174/2001 relativas à utilização das informações da CPMF para fins de instauração de procedimento fiscal relacionado a outros tributos não se restringem a fatos geradores ocorridos posteriormente à edição da lei, pois, nos termos do art. 144, § I°, do CTN, aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. Sentença proferida pela P Turma do Tribunal Regional Federal da Quarta Região, nos autos de Agravo de Instrumento ri° 2002.04.01.003040-0/PR, da qual se faz necessário à transcrição da ementa do julgado: TRIBUTÁRIO. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. LCP n° 105/01, procedimento de fiscalização. Quebra de sigilo. Inocorrência. I. a Lei 10.174/01, que deu nova redação ao § 3" do art. II da Lei n' 9.311, permitindo o cruzamento de informações relativas a CPMF para a constituição de crédito tributário pertinente a outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, disciplina o procedimento de fiscalização em si, e não os fatos econômicos investigados, de firma que os procedimentos iniciados ou em curso a partir de janeiro 2001 poderão valer-se , dessa informações, inclusive para alcançar fatos geradores pretéritos, (CTN art. 144, § Trata-se de aplicação imediata da norma, não se podendo falar em retroatividade. 2. O art. 6" da Lei Complementar n°105, de 10 de janeiro de 2001, regulamentada pelo Decreto n` 3.724/01, autoriza a autoridade fiscal a requisitar informações acerca da movimentação financeira do contribuinte, desde que já instaurado o procedimento de fiscalização e o exame dos documentos sejam indispensáveis à instrução, preservando o caráter sigiloso da informação. 3. O acesso à informação junto a instituições financeiras, paru fins de apuração de ilícito fiscal, não configura ofensa ao princípio da inviolabilidade do sigilo bancário, desde que cumpridas as formalidades exigidas pela Lei Complementar n" 105/01 e pelo Decreto n° 3.724/01. A questão em debate já foi objeto de exame pelo Superior Tribunal de Justiça (STD, o qual tende por firmar jurisprudência de que a regra do artigo 6° da Lei Complementar n° 105, de 2001 é de natureza procedimental (CTN, art. 144, 1), de sorte que nada impede a autoridade fiscal dela se servir para obter informações bancárias pretéritas de contribuintes sob fiscalização. A titulo de exemplo, veja-se o teor do acórdão da Primeira Turma do aludido tribunal, proferido em 02/12/03 no julgamento do Recurso Especial n° 506.232 — PR (Diário da Justiça de 16/02/04 — p. 00211): - EMENTA - TRIBUTÁRIO. NORMAS DE CARÁTER PROCEDIMENTAL. APLICAÇÃO INTERTEMPORAL. UTILIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES OBTIDAS A PARTIR DA ARRECADAÇÃO DA CPMF PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO REFERENTE A OUTROS TRIBUTOS. 18 • • Processo n° 19515.002224/2003-35 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.525 Fl. 10 RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § DO CTN. 1. O resguardo de informações bancárias era regido, ao tempo dos fatos que permeiam a presente demanda (ano de 1998), pela Lei 4.595/64, reguladora do Sistema Financeiro Nacional, e que foi recepcionada pelo art. 192 da Constituição Federal com força de lei complementar, ante a ausência de norma regulamentadora desse dispositivo, até o advento da Lei Complementar 105/2001. 2. O art. 38 da Lei 4.595/64, revogado pela Lei Complementar 105/2001, previa a possibilidade de quebra do sigilo bancário apenas por decisão judicial. 3. Com o advento da Lei n°9.311/96, que instituiu a CPMF, as instituições financeiras responsáveis pela retenção da referida contribuição, ficaram obrigadas a prestar à Secretaria da Receita Federal informações a respeito da identificação dos contribuintes e os valores globais das respectivas operações bancárias, sendo vedado, a teor do que preceituava o § 3° do art. 11 da mencionada lei, a utilização dessas informações para a constituição de crédito referente a outros tributos. 4. A possibilidade de quebra do sigilo bancário também foi objeto de alteração legislativa, levada a efeito pela Lei Complementar 105/2001, cujo art dispõe: "Art. 6 As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os refèrentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento ,fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis- pela autoridade administrativa competente." 5. A teor do que dispõe o art. 144, § 1" do Código Tributário Nacional, as leis tributárias procedimentais ou formais têm aplicação imediata, ao passo que as leis de natureza material só alcançam fatos geradores ocorridos durante a sua vigência. 6. Norma que permite a utilização de informações bancárias para fins de apuração e constituição de crédito tributário, por envergar natureza procedimental, tem aplicação imediata, alcançando mesmo fatos pretéritos. 7. A exegese do art. 144, § do Código Tributário Nacional, considerada a natureza formal da norma que permite o cruzamento de dados referentes à arrecadação da CPMF para fins de constituição de crédito relativo a outros tributos, conduz - à conclusão da possibilidade da aplicação dos artigos 6" da Lei Complementar 105/2001 e I' da Lei 10.174/2001 ao ato de lançamento de tributos cujo fato gerador se verificou em exercício anterior à vigência dos citados diplomas legais, desde que a constituição do crédito em si não esteja alcançada pela decadência. .19 8. Inexiste direito adquirido de obstar a fiscalização de negócios tributários, máxime porque, enquanto Mio extinto o crédito tributário a Autoridade Fiscal tem o dever vinculativo do lançamento em correspondência ao direito de tributar da entidade estatal. 9. Recurso Especial provido. Em síntese é de se concluir, que as leis que regulam os aspectos formais do lançamento têm aplicação imediata, ou seja, passam a regular a atividade de lançamento na data em que o ato é exercido, ainda que a lei tenha vigência posterior à ocorrência da obrigação. Essa compreensão é perfeitamente válida para as leis que tenham instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, visando à ampliação de poderes de investigação das autoridades fiscais. É de se concluir, que na situação analisada, com a entrada em vigor da Lei • Complementar n° 105, de 2001, foi facultado à autoridade fiscalizadora obter diretamente das instituições, sem necessidade de ordem judicial, extratos de contas bancárias e outros documentos de contribuintes submetidos à fiscalização, inclusive de períodos pretéritos à edição da aludida lei. Como também, nesta linha de pensamento argumentativo, não há que falar em ato jurídico perfeito, coisa julgada e direito adquirido, para contestar a aplicação da Lei Complementar n° 105, de 2001, uma vez que esses institutos não alcançam normas de caráter adjetivo, externas aos aspectos concernentes do.fato gerador, e que visam à melhoria dos processos de fiscalização e apuração, como é o caso dos dispositivos legais combatidos. O suplicante alega, ainda, que o procedimento de lançamento tributário decorreu de informações extraídas dos valores que o recorrente pagou de CPMF. Em outras palavras, a fiscalização teria tomado como base de lançamento os dados da CPMF para cobrar O imposto. Argumento totalmente equivocado e dissociado da verdade dos fatos, já que nada consta em relação a dados da CPMF no Auto de Infração lavrado. A única verdade em tudo isso é que os dados sobre movimentação financeira da conta do suplicante, obtidas com base em infonnações prestadas pelas instituições financeiras à Secretaria da Receita Federal, foram utilizados pela autoridade lançadora para instaurar o procedimento fiscal tendente a verificar a existência de eventual crédito tributário devido pelo suplicante, conforme se constata no Relatório de Movimentação Financeira — Base CPMF, onde consta, de forma clara que os dados foram obtidos com base nas informações prestadas à Secretaria da Receita Federal pelas instituições financeiras de acordo com o art. 11, § 2°, da Lei n°9.311, de 1996. Ora, o lançamento se rege pelas leis vigentes à época da ocorrência do fato gerador, porém os procedimentos e critérios de fiscalização regem-se pela legislação vigente à época de sua execução. Incabível a decretação de nulidade do lançamento, por vício de origem, pela utilização de dados da CPMF para dar início ao procedimento de fiscalização. Por outro lado, é de se asseverar, que os dados concernentes a CPMF, repassados pelas instituições financeiras por força do disposto no art. 11, § 2°, da Lei n°9.311, de 1996, pelo fato de não conterem discriminação individual dos valores dos débitos c créditos, não são passíveis de utilização como base de lançamento do IRPF. É, antes, um instrumento de informação que permite ao Fisco instaurar o procedimento fiscal tendente a verificar a 20 Processo n° 19515.002224/2003-35 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.525 Fl. / I existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições, ou seja, o fato do contribuinte não ter declarado as contas corrente em sua Declaração de Ajuste Anual e apresentar movimentação financeira elevada foram os parâmetros para que fosse selecionado para ser fiscalizado. Foi, somente, para se proceder ao parâmetro de seleção que serviu o Relatório de Movimentação Financeira, e jamais para se proceder a constituição do crédito tributário, como quer fazer crer a suplicante. Vale dizer, que o Relatório de Movimentação Financeira — Base CPMF não serviu de base para proceder ao lançamento tributário. Não restam dúvidas, para mim, que o fato motivador para a seleção do suplicante para ser fiscalizado foi à elevada movimentação financeira (movimentação financeira incompatível com os rendimentos declarados), sem, contudo, declarar à Receita Federal o trânsito de tais importâncias em suas respectivas contas bancárias e que o valor global desta movimentação financeira por estabelecimento bancário foi obtida com base nas informações prestadas à Secretaria da Receita Federal, de acordo com o art. 11, § 2°, da Lei n° 9.311, de 1996. Como, também não pairam dúvidas que a Autoridade Administrativa Fiscal tem poder estabelecido em lei para solicitar as instituições bancárias para que apresentassem os extratos sun cometer nenhuma ilicitude. No presente caso, após a instituição financeira repassar os extratos bancários para autoridade fiscal, e esta, com base nestes extratos, realizou o lançamento do imposto de renda que entendeu devido, tomando-se como rendimentos omitidos os depósitos realizados em conta corrente dos quais o recorrente não logrou a comprovação de que se tratavam de rendimentos isentos, já tributados ou não tributados (sem comprovação da origem). Ou seja, procedeu ao lançamento normal, prevista em lei, tendo como base os valores constantes dos extratos bancários (depósitos bancários). Como se vê a discussão sobre o conteúdo do § 3°, do art. 11 da Lei n° 9.311, de 1996, se toma inócua, já que o lançamento não foi procedido em cima de informações de • dados da CPMF, ou seja, os dados da CPMF não serviram de suporte para o lançamento em questão e sim os valores constantes dos extratos bancários fornecidos pelas instituições financeiras, conforme se contata dos autos do processo. O suplicante insiste, em sua defesa, em confundir lançamento efetuado com base eiri dados da CPMF, com lançamento efetuado com base em extratos bancários. Diz a Lei n°9.311, de 24 de outubro de 1996: Art. 11. Compete à Secretaria da Receita Federal (I administração da contribuição, incluídas as atividades de tributação, fiscalização e arrecadação. § 1" No exercício das atribuições de que trata este artigo, a Secretaria da Receita Federal poderá requisitar ou proceder ao exame de documentos, livros e registros, bem como estabelecer obrigações acessórias. § 2" As instituições responsáveis pela retenção e pelo recolhimento da contribuição prestarão à Secretaria da Receita Federal as informações necessárias à identificação dos contribuintes e os valores globais das respectivas operações, nos 21 termos, nas condições e nos prazos que vierem a ser estabelecidas pelo Ministro de Estado da Fazenda. § 3' Á Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicada à matéria, o sigilo das informações prestadas, vedada sua utilização para constituição do crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos. É notório, que a lei cita que as instituições responsáveis pela retenção da CPMF prestarão informações necessárias à identificação dos contribuintes E OS VALORES GLOBAIS DAS RESPECTIVAS OPERAÇÕES. Da mesma forma, a lei cita que sobre estes VALORES GLOBAIS é vedada sua utilização para constituição do crédito tributário. Ora, se o lançamento não foi constituído sobre estes VALORES GLOBAIS anuais (e nem poderia, já que os depósitos devem ser individualizados e o fato gerador deve ser identificado no mês da ocorrência) e sim sobre os depósitos constantes dos extratos bancários da contribuinte, não há que se falar em Lei n° 9.311, de 1996. É de se ressaltar, que os dados colhidos na arrecadação da CPMF demonstram a existência desses depósitos, entretanto, para o imposto de renda são meras informações. Por isso, é que os dados obtidos pela fiscalização através da CPMF não não passíveis de tributação no imposto de renda. Esses dados são meros indicios e indicam a possibilidade de existência de receitas ou rendimentos auferidos pelos contribuintes. Como se vê, não houve desrespeito a legislação de regência, já que o lançamento não foi efetuado sobre os valores constantes dos relatórios da CPMF e sim lançamento normal sobre valores constantes nos extratos bancários, conforme previsão legal contida no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Entretanto, só por amor à discussão, partindo da premissa que houvesse legislação especifica que tomasse possível o lançamento tomando como base os dados da CPMF, ainda assim, falece de razão o recorrente quando alega não poder o fisco imprimir efeitos retroativos à Lei n°10.174, de 2001, para obtenção das informações junto às instituições financeiras, visto que em 1998 estava em pleno vigor a Lei IV 9.311, de 1996, que expressamente proibia a sua utilização como forma de cobrar outros tributos especialmente o imposto de renda pessoa física. A Lei Complementar n° 105, de 2001, estabelece: Art. As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. § 3' Não constitui violação do dever de sigilo: 1 — a troca de infOrmações entre instituições financeiras, para - fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; ii — o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas ás normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; 22 Processo n0 19515.002224/2003-35 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.525 Fl. 12 III— o fornecimento das informações de que trata o § 2" do art. 11 da Lei n°9311, de 24 de outubro de 1996; — a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; V — a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; VI — a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2°, 3", 4", 5', 6', 7 0 e 9' desta Lei Complementar. Art. «'Ás autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação' tributária, Por sua vez, a Lei 10.174, de 2001, estabelece: Art. I" O art. 11 da Lei Ir 9.311, de 24 de outubro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Art.11 (..). "Ç 3"A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicável à matéria, o sigilo das informações prestadas, facultada sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a -verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei n" 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores. É sabido que a matéria relativa à aplicação da lei no tempo pelo lançamento, é regulada no art. 144 e parágrafos da Lei n°5.172, de 1966- CTN, que diz: Art. 144. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1" Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os 23 poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. Nesta hipótese, a tese do suplicante é de que a Lei n° 10.174, de 2001, não poderia retroagir, já que não tem natureza procedimental e sim dispõe de conteúdo material, cuja aplicação retroativa é vedada pelo disposto nos artigos 105, 106 e 144, "caput", do CTN. Ora, é sabido que as leis de procedimento, como o é a Lei n° 10.174, de 2001, são aplicáveis ao processo no estado em que se encontra, já que a mesma não é lei tributária, ou seja, não é uma lei cuja natureza jurídica seja estabelecer qualquer matéria tributável. Indiscutivelmente é sabido que o "caput" do art. 144 do CTN se refere à regra de direito material, ou seja, regula o ato administrativo do lançamento em seu conteúdo substancial, enquanto que os seus parágrafos contêm solução aplicável ao procedimento fiscal, processo ou aspecto formal do lançamento. É evidente que o § 1" do art. 144 do CTN, regula matéria diferente de seu "caput", nota-se que consagra a regra da aplicação imediata da legislação vigente ao tempo do lançamento, quando tenha instituído novos critérios de apuração ou de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. Conforme visto, anteriormente, existem julgados no âmbito do Poder Judiciário que respaldam o entendimento anteriormente citado, conforme se pode constatar nas decisões abaixo transcritas: Sentença proferida pela MM. Juíza Federal Substituta da 16 a Vara Cível Federal em São Paulo — SP, nos autos do Mandado de Segurança n° 200L61.00.028247-3, da qual se faz necessário à transcrição do seguinte excerto: Não há que se falar em aplicação retroativa da Lei n" 10.174/2001, em ofensa ao art. 144 do CTN, na medida em que a lei a ser aplicada continuará sendo aquela lei material vigente à época do fato gerador,no caso, a lei vigente para o IRPJ em 1998, o que não se confunde com a lei que conferiu mecanismos à apuração do crédito tributário remanescente, esta sim promulgada em 2001, visto que ainda não decorreu o prazo decaclencial de cinco anos para a Fazenda constituir o crédito previsto no art. 173, I, do Código tributário Nacional, o que dá ensejo ao lançamento de oficio, garantido pelo art. 149, VIII, parágrafb único do CTN. Sentença proferida pelo Tribunal Regional Federal da Quarta Região, nos autos de Av-avo de Instrumento n° 2001.04.0L045127-8/SC, da qual se faz necessário à transcrição da ementa do julgado: TRIBUTÁRIO REPASSE . DE DADOS RELATIVOS A CPME PARA FINS DE FISCALIZAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. SIGILO BANCÁRIO. O acesso da autoridade fiscal a dados relativos à movimentação financeira dos contribuintes, no bojo de procedimento fiscal regularmente instaurado, não afronta, a priori, os direitos e garantias individuais de inviolabilidade da intimidade, da vida privada, da honra e da imagem das pessoas e de inviolabilidade do sigilo de dados, assegurados no art. 5', incisos X e MI da CF/88, conforme entendimento sedimentado 24 Processo n°195 15.002224/2003-35 52-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.525 Fl. 13 no tribunal. No plano infraconstitucional, a legislação prevê o repasse de informações relativas a operações bancárias pela instituição financeira à autoridade fazendária, bem como a possibilidade de utilização dessas informações para instaurar • procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a imposto e contribuições e para lançamento do crédito tributário porventura existente (Lei 8.021/90, Lei 9.311/96, Lei 10.174/2001, Lei Complementar 105/2001). As disposições da Lei n" 10.174/2001 relativas à utilização das informações da CPMF para fins de instauração de procedimento fiscal relacionado a outros tributos não se restringem a fatos geradores ocorridos posteriormente à edição da lei, pois, nos termos do art. 144, § 1", do CTN, aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. Sentença proferida pela Turma do Tribunal Regional Federal da Quarta Região, nos autos de Agravo de Instrumento n° 2002.04.01.003040-0/PR, da qual se faz necessário à transcrição da ementa do julgado: TRIBUTÁRIO. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. LCP n" 105/01. procedimento de fiscalização. Quebra de sigilo. Inocorrência. 1. a Lei 10.174/01, que deu nova redação ao § 3" do art. 11 da Lei ri" 9.311, permitindo o cruzamento de informações relativas a CPMF para a constituição de crédito tributário pertinente a outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, disciplina o procedimento de fiscalização em si, e não os fatos econômicos investigados, de forma que os procedimentos iniciados ou em curso a partir de janeiro 2001 poderão valer-se dessa informações, inclusive para alcançar fatos geradores pretéritos, (CT1V art. 144, § J0) de aplicação imediata da norma, não se podendo falar em retroatividade. 2. O art. 6° da Lei Complementar n°105, de 10 de janeiro de 2001, regulamentada pelo Decreto n° 3.724/01, autoriza a autoridade fiscal a requisitar informações acerca da movimentação financeira do contribuinte, desde que já instaurado o procedimento de fiscalização e o exame dos documentos sejam indispensáveis à instrução, preservando o caráter sigiloso da informação. 3. O acesso à informação junto a instituições financeiras, para fins de apuração de ilícito fiscal, não configura ofensa ao principio da inviolabilidade do sigilo bancário, desde que cumpridas as formalidades exigidas pela Lei Complementar n° 105/01 e pelo Decreto n" 3.724/01. No julgamento do Recurso Especial n° 506.232 — PR, cujo recorrente foi a Fazenda Nacional, o E. Superior Tribunal de Justiça confirmou a legitimidade da Lei n° 10.174, de 2001 e Lei Complementar n° 105, de 2001, que permitiram a utilização das informações obtidas a partir da arrecadação da CPMF, para a apuração de créditos tributários referentes ao imposto de renda nos seguintes termos: ,5 EMENTA - TRIBUTÁRIO. NORMAS DE CARÁTER PROCEDIMENTAL. APLICAÇÃO INTERTEMPORAL. UTILIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES OBTIDAS A PARTIR DA ARRECADAÇÃO DA CPMF PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO REFERENTE A OUTROS TRIBUTOS. RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § DO 1. O resguardo de informações bancárias era regido, ao tempo dos fatos que permeiam a presente demanda (ano de 1998), pela Lei 4.595/64, reguladora do Sistema Financeiro Nacional, e que foi recepcionará pelo art. 192 da Constituição Federal com força de lei complementar, ante a ausência de norma regulamentadora desse dispositivo, até o advento da Lei Complementar 105/2001. 2. O art. 38 da Lei 4.595/64, revogado pela Lei Complementar 105/2001, previa a possibilidade de quebra do sigilo bancário apenas por decisão j udiciaI 3. Com o advento da Lei n°9.311/96, que instituiu a CPMF, as instituições financeiras responsáveis pela retenção da referida contribuição, ficaram obrigadas a prestar à Secretaria da Receita Federal informações a respeito da identificação dos contribuintes e os valores globais das respectivas operações bancárias, sendo vedado, a teor do que preceituava o § 3' do art. 11 da mencionada lei, a utilização dessas informações para a constituição de crédito referente a outros tributos. 4. A possibilidade de quebra do sigilo bancário também objeto de alteração legislativa, levada a efeito pela Lei Complementar 105/2001, cujo art 6" dispõe: -Art. 6 As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pelà autoridade administrativa competente" 5. A teor do que dispõe o art. 144, § 1 0 do Código Tributário Nacional, as leis tributárias procedimentais ou formais têm aplicação imediata, ao passo que as leis de natureza material só alcançam fatos geradores ocorridos durante a sua vigência. 6. Norma que permite a utilização de informações bancárias para fins de apuração e constituição de crédito tributário, por envergar natureza procedimental, tem aplicação imediata, alcançando mesmo fatos pretéritos. 7. A exegese do art. 144, § 1" do Código Tributário Nacional, considerada a natureza formal da norma que permite o cruzamento de dados referentes à arrecadação da CPMF para fins de constituição de crédito relativo a outros tributos, conduz à conclusão da possibilidade da aplicação dos artigos 6' da Lei Complementar 105/2001 e I' da Lei 10.174/2001 ao ato de lançamento de tributos eido fato gerador se verificou em exercício anterior à vigência dos citados diplomas legais, desde 26 Processo IC / 9515.002224/2003-35 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.525 Fl. 14 que a constituição do crédito em si não esteja alcançada pela decadência. 8. Inexiste direito adquirido de obstar a fiscalização de negócios tributários, máxime porque, enquanto não extinto o crédito tributário a Autoridade Fiscal tem o dever vinculativo do lançamento em correspondência ao direito de tributar da entidade estatal. 9. Recurso Especial provido. Em síntese é de se concluir, novamente, que as leis que regulam os aspectos formais do lançamento têm aplicação imediata, ou seja, passam a regular a atividade de lançamento na data em que o ato é exercido, ainda que a lei tenha vigência posterior à ocorrência da obrigação. Essa compreensão é perfeitamente válida para as leis que tenham instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, visando à ampliação de poderes de investigação das autoridades fiscais. Na situação analisada, somente para fins de argumentação, se poderia dizer que, no máximo, a fiscalização aplicou de imediato a faculdade, prevista no art. 11, § 3', da Lei n° 9311, de 1996, com a redação que lhe deu a Lei n° 10.174, de 2001, de utilizar as informações prestadas pelas instituições financeiras para a instauração do procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo ao imposto de renda e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário existente sobre aqueles valores globais que cita a lei; já que o lançamento se rege pelas leis vigentes à época da ocorrência do fato gerador, porém os procedimentos e critérios de fiscalização regem- se pela legislação vigente à época de sua execução. Assim, entrando em vigor a Lei n° 10.174, de 2001, a fiscalização passa a ser autorizada a utilizar as prerrogativas concedidas pela lei a partir daquela data, contudo tendo a possibilidade de investigar fatos e atos anteriores à sua vigência, desde que obedecidos os prazos decadenciais e prescricionais, ou seja, passa a dispor de um instrumento de fiscalização que anteriormente não possuia, podendo utilizá-lo conforme o interesse público que o ato administrativo pressupõe. Porém, na situação concreta dos autos, a constituição do crédito tributário, obedeceu estritamente o ritual normal de lançamento através de valores constantes em extratos bancários na vigência do artigo 42 da Lei n° 9430, de 1996. Os valores globais das operações sobre a movimentação financeira informada pelas instituições financeiras serviram tão-somente como parâmetros para selecionar a suplicante para ser fiscalizado, ou seja, a fiscalização utilizou os dados de que dispunha em virtude da fiscalização do recolhimento da CPMF para dar início à ação fiscal no imposto de renda, intimando a suplicante a esclarecer as discrepâncias constatadas entre os rendimentos declarados e o montante da movimentação bancária, e somente para isso. Acatar a pretensão do recorrente seria impor uma anistia geral para todos os contribuintes, que mesmo com a quebra de sigilo decretado pelo judiciário não seria possível se efetuar o lançamento do crédito tributário por ventura apurado, já que o mesmo confunde lançamento efetuado com base exclusiva em dados da CPMF, com lançamento com base em extratos bancários. Os dados da CPMF foram utilizados para dar início à fiscalização. O lançamento foi efetuado tendo como base os extratos bancários fornecidos pelos bancos em atendimento a requisição da autoridade lançadora. 27 • Assim, nesta linha de pensamento argumentativo, não há que se falar em ato jurídico perfeito, coisa julgada e direito adquirido, para contestar a aplicação da Lei Complementar n° 105 e da Lei ri° 10.174, ambas de 2001, uma vez que esses institutos não alcançam normas de caráter adjetivo, externas aos aspectos concernentes do fato gerador, e que visam à melhoria dos processos de fiscalização e apuração, como é o caso dos dispositivos legais combatidos. Quanto a preliminar de nulidade do lançamento argüida pelo suplicante, sob o entendimento de que tenha ocorrido ofensa aos princípios constitucionais do devido processo legal em razão da não aplicação dos § 6° da Lei n° 9.430, de 1996, alteração esta introduzida pelo artigo 58 da Lei n° 10.637, de 2002. Ou seja, na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titular. Sustenta o suplicante, que os valores depositados em suas contas bancárias, representam, de fato, a movimentação financeira das seguintes pessoas físicas: Luis José Cruz Bichara — CPF 107.239.588-66 (autuado); Eduardo Rodrigues — CPF 607.816.888-68 (autuado); Marcos Antonio Barbosa — CPF 090.723.318-00 e Roberto Thomaz Henrique — CPF 011.431.648-14. Sendo que, por si só, esta simples indicação justificaria a possibilidade de se efetuar o lançamento nos quatro contribuintes. Ou seja, dividir o total dos depósitos não justificados pelos titulares, independentemente de terem ou não movimentados a respectiva conta bancária, já que entende serem quatro os titulares da conta-bancária. Como visto, no presente processo, o suplicante, quer na impugnação, quer no recurso voluntário, limitou-se a perfilhar pontos de vista acerca da validade e da eficácia do lançamento, pertinentes aos procedimentos da fiscalização no curso da ação fiscal. Para ele, o lançamento é nulo pelos argumentos que desenvolveu. A extremar-se o formalismo, copo desejado, a ação fiscal haveria de ter-se desenvolvido em quatro frentes: Luis José Cruz Bichara — CPF 107239.588-66; Eduardo Rodrigues — CPF 607.816.888-68; Marcos Antonio Barbosa — CPF 090.723.318-00 e Roberto Thomaz Henrique — CPF 011.431.648-14. Porém, das peças processuais, observa-se que o suplicante, foi intimado a comprovar documentalmente o alegado, apresentando documentos hábeis expedido pelo Banco Baú informando os nomes dos demais co-titulares da conta n° 33015-4. Entretanto, não logrou identificar e comprovar a vinculação de Marcos Antonio Barbosa — CPF 090.723.318-00 e Roberto Thomaz Henrique — CPF 011.431.648-14, Ora, não restam dúvidas, que só as pessoas físicas legalmente habilitadas e que de fato movimentaram a respectiva conta corrente estariam, em principio, aptas as comprovar os ingressos, recorrendo a seus assentamentos e respectivos documentos, assim somente o titular da contas corrente Luis José Cruz Bichara — CPF 107.239.588-66 (autuado) e o co-titular Eduardo Rodrigues — CPF 607,816.888-68 (autuado) poderiam colher e fornecer os comprovantes relativos às operações ou negócios particulares de que participaram e que deram origem aos recursos utilizados nos depósitos bancários efetuados. Entretanto, não é essa a prática que a jurisprudência administrativa testemunha. Pois como se sabe, desde remotíssima data tem-se entendido que a intimação deve ser feita, inicialmente, ao próprio titular da conta bancária, seja quanto à apresentação de documentação hábil e idônea seja quanto à origem dos recursos questionados, se restar provado 28 Processo n° [9515.002224/2003-35 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.525 Fl. 15 existirem mais titulares que de fato movimentaram a conta corrente, estes também serão intimados a se manifestarem sobre o ocorrido. Ora, o próprio suplicante, quando prestou depoimento a fiscalização, afirmou que 90% dos cheques foram assinados por ele. Ou seja, de fato e de direito era o suplicante que movimentava a conta corrente, cabia a ele apresentar as respectivas provas da origem dos recursos que transitaram pela conta corrente. Como a fiscalização constatou que, eventualmente o Sr. Eduardo Rodrigues — CPF 607.816.888-68, também assinava cheques, entendeu por bem dividir o valor dos depósitos não justificados na proporção de 50% para cada um. Com efeito, qualquer procedimento fiscal digno do nome há de estar suficientemente instruído para possibilitar ampla defesa do contribuinte contra quem for instaurado. No caso, os elementos de prova, informações, etc., necessários e suficientes para embasar o lançamento contra o titular das contas bancárias estão nos autos. Ora, observa-se que em nenhuma das fases do procedimento administrativo (fiscalização, impugnatória ou recursal), o recorrente anexou de maneira satisfatória e inquestionável, que os depósitos bancários realizados em contas bancárias cuja titularidade de fato era só sua, fossem movimentadas por outras pessoas (co-titulares). Analisando-se os autos, verifica-se que a diversificação da movimentação é notória e de certa forma até reconhecida pelo próprio contribuinte, já que assumiu que 90% dos cheques foram por ele emitidos, porém, agora na fase recursal, tenta de todas as formas vincular as movimentações a mais dois pretensos co-titulares (Marcos Antonio Barbosa — CPF 090.723.3184)0 e Roberto Thomaz Henrique — CPF 011.431.648-14), carecendo, entretanto, no seu bojo, definir com exatidão valores que estes movimentaram e se realmente participaram efetivamente na movimentação desta Conta corrente. Se houvesse realmente interesse por parte do suplicante em fornecer esta prova, ela seria fácil por demais, já que ele era o titular da conta bancária, era só ir ao estabelecimento bancário e solicitar uma declaração de co-titulares da sua conta bancária. O que não se pode, a meu ver e com a devida vénia, é se eleger como sujeito passivo, principalmente para fins de gozar de tributação minorada pelo imposto de renda, tudo o que, "lato sensu", todo o contribuinte entenda ser conveniente para si e quando estiver com vontade de fazê-lo. As ações praticadas pelos contribuintes para ocultar sua real capacidade econômica, e assim se beneficiar indevidamente de algum tratamento diferenciado, deve merecer sempre a ação saneadora contrária, por parte da autoridade fiscal, em defesa até dos legítimos beneficiários daquele tratamento. Na perquirição do fato de relevância econômica capaz de caracterizar a . ocorrência do fato gerador do tributo, a ação fiscal jamais se deterá na superficialidade dos aspectos formais dos atos, fatos e negócios jurídicos dos contribuintes, aceitando-os como eles se apresentam e sem poder investigar o que realmente aconteceu. Muito pelo contrário, a função precipua do Fisco é a de examinar a essência e a natureza dos fatos e dos negócios jurídicos, nada se importando com a nomenclatura que os contribuintes lhes tenham emprestado. 29 Assim sendo, entendo que está correta eleição do sujeito passivo, tendo em vista que o autuado foi responsável pela administração da conta bancária em questão, praticando as transações levantadas e não houve, por parte do interessado, a apresentação de documentação hábil e idônea que comprovasse de forma irrefutável o fato, restam alegações, que por si só, não tem o condão de modificar o sujeito passivo da obrigação tributária. Quanto ao mérito em si o suplicante não apresenta qualquer defesa, não seria necessário a sua análise, entretanto, para que não se alegue omissão no futuro, passo a sua análise. É notório, que no passado os lançamentos de crédito tributário baseado exclusivamente em cheques emitidos, depósitos bancários e/ou de extratos bancários, sempre tiveram sérias restrições, seja na esfera administrativa, seja no judiciário. Para por um fim nestas discussões o legislador introduziu o artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, caracterizando como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantido junto à instituição financeira, em relação as quais o titular, pessoa fisica ou juridica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, estipulando limites de valores para a sua aplicação, ou seja, estipulou que não devem ser considerados créditos de valor individual igual ou inferior a doze mil reais, desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de oitenta mil reais. Apesar das restrições, no passado, com relação aos lançamentos de crédito tributário baseado exclusivamente em depósitos bancários (extratos bancários), como já exposto no item inicial deste voto, não posso deixár de concordar com a decisão singular, que a partir do ano de 1997, com o advento da Lei n. 9.430, de 1996, existe o permissivo legal para tributação de depósitos bancários não justificados como se "omissão de rendimentos" fossem. Como se vê, a lei instituiu uma presunção legal de omissão de rendimentos. É conclusivo, que a razão está com a decisão de Primeira Instância, já que no nosso sistema tributário tem o princípio da legalidade como elemento fundamental para que flore o fato gerador de uma obrigação tributária. Ou seja, ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. Seria por demais mencionar, que a Lei Complementar não pode ser conflitada ou contraditada por legislação ordinária. E que, ante o princípio da reserva legal (CTN, art. 97), e o pressuposto da estrita legalidade, insito em qualquer processo de determinação e exigência de crédito tributário em favor da Fazenda Nacional, insustentável o procedimento administrativo que, ao arrepio do objetivo, finalidade e alcance de dispositivo legal, imponha ou venha impor exação. Assim, o fornecimento e manutenção da segurança jurídica pelo Estado de Direito no campo dos tributos assume posição fundamental, razão pela qual o principio da Legalidade se configura como uma reserva absoluta de lei, de modo que para efeitos de criação ou majoração de tributo é indispensável que a lei tributária exista e encerre todos os elementos da obrigação tributária. À Administração Tributária está reservado pela lei o direito de questionar a matéria, mediante processo regular, mas sem sobra de dúvida deve se atrelar à lei existente. Com efeito, a convergência do fato imponivel à hipótese de incidência descrita em lei deve ser analisada à luz dos princípios da legalidade e da tipicidade cerrada, que demandam interpretação estrita. Da combinação de ambos os princípios, resulta que os fatos 30 Processo n" 19515.002224/2003-35 S2-C2T2 Acórdão n '2202-00325 Fl. 16 erigidos, em tese, como suporte de obrigações tributárias, somente, se irradiam sobre as situações concretas ocorridas no universo dos fenômenos, quando vierem descritos em lei e corresponderem estritamente a esta descrição. Como a obrigação tributária é uma obrigação ex lege, e como não há lugar para atividade discricionária ou arbitrária da administração que está vinculada à lei, deve-se sempre procurar a verdade real à cerca da imputação, desde que a obrigação tributária esteja prevista em lei. Não basta a probabilidade da existência de um fato para dizer-se haver ou não haver obrigação tributária. Neste aspecto, apesar das intermináveis discussões, não pode prosperar, na íntegra, os argumentos do recorrente, já que, a principio, o ônus da prova em contrário é da defesa, sendo a legislação de regência cristalina, conforme o transcrito abaixo: Lei n.° 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regulamente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idónea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1" O valor das receitas ou rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2 6 08 valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizeulamente, observado que não serão considerados: I — os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II — no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a RS 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano- calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). § 4" Tratando-se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o • crédito pela instituição financeira. • Lei n.° 9.481, de 13 de agosto de 1997: Art. 4° Os valores a que se refere o inciso lido § 3° do art. 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passam a ser RS 3f 12.000,00 (doze mil reais) e I2.5 80.00,00 (oitenta mil reais), respectivamente. Lei n.° 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 58. O art. 42 da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar acrescido dos seguintes §§ 5° e 60: "Art. 42. (.) § 5° Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem à terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6° Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidos em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo compr‘ovaçâo da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediará divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titular ". Instrução Normativa SRF n° 246, 20 de novembro de 2002: Dispõe sobre a tributação dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira em relação aos quais o contribuinte pessoa física, regularmente intimado, não comprove a origem dos recursos. Art. J0 Considera-se omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, cuja origem dos recursos o contribuinte, regularmente intimado, não comprove mediante documentação hábil e idônea. § 1' Quando comprovado que os valores creditados em conta de depósito ou de investimento pertencem à terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos é efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 2° Caracterizada a omissão de rendimentos decorrente de créditos em conta de depósito ou de investimento mantidos em conjunto, cuja declaração de rendimentos dos titulares tenha sido apresentada em separado, o valor dos rendimentos é imputado a cada titular mediante divisão do total dos rendimentos pela quantidade de titulares. Art. 2° Os rendimentos omitidos serão considerados recebidos no mês em que for efetuado o crédito pela instituição financeira. Art. 3'Para efeito de determinação dos rendimentos omitidos, os créditos serão analisados individualizadamente. 32 Processo n°19515.002224/2003-35 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.525 Fl. 17 § 1° Para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, não será considerado o crédito de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o somatório desses créditos não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), dentro do ano-calendário. § 2' Os créditos decorrentes de transferência entre contas de mesmo titular não serão considerados para efeito de determinação dos rendimentos omitidos. Da interpretação dos dispositivos legais acima transcritos podemos afirmar, que para a determinação da omissão de rendimentos na pessoa fisiea, a fiscalização deverá proceder a urna análise preliminar dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, onde devem ser observados os seguintes critérios/formalidades: I — não serão considerados os créditos em conta de depósito ou investimento decorrentes de transferências de outras contas de titularidade da própria pessoa fisica sob fiscalização; II — os créditos serão analisados individualizadamente, ou seja, a análise dos créditos deverá ser procedida de forma individual (um por um); — nesta análise não serão considerados os créditos de valor igual ou inferior a doze mil reais, desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de oitenta mil reais (com a exclusão das transferências entre contas do mesmo titular); IV— todos os créditos de valor superior a doze mil reais integrarão a análise individual, exceto os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa fisica fiscalizada; V — no caso de contas em conjunto cuja declaração de rendimentos tenham sido apresentadas em separado, os lançamentos de constituição de créditos tributários efetuados a partir da entrada em vigor da Lei n° 10.637, de 2002, ou seja, a partir 31/12/02, deverão obedecer ao critério de divisão do total da omissão de rendimentos apurada pela quantidade de titulares, sendo que todos os titulares deverão ser intimados para prestarem esclarecimentos; VI — quando comprovado tine os valores creditados em conta de depósito ou de investimento pertencem à terceiro evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos é efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento; VII — os rendimentos omitidos, de origem não comprovada, serão apurados no mês em que forem recebidos e estarão sujeitos, com multa de oficio, na declaração de ajuste anual, conforme tabela progressiva vigente à época. Pode-se concluir, ainda, que: I - na pessoa jurídica os créditos serão analisados de forma individual, com exclusão apenas dos valores relativos a transferências entre as suas próprias contas bancárias, não sendo aplicável o limite individual de crédito igual ou inferior a doze mil reais e oitenta mil reais no ano-calendário; 33 II — caracteriza omissão de receita ou rendimento, desde que obedecidos os critérios acima relacionados, todos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, em relação aos quais a pessoa lisica ou jurídica, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações, desde que regularmente intimada a prestar esclarecimentos e comprovações; III — na pessoa física a única hipótese de anistia de valores é a existência de créditos não comprovados que individualmente não sejam superiores a doze mil reais, limitado ao somatório, dentro do ano-calendário, a oitenta mil reais; IV — na hipótese de créditos que individualmente superem o limite de doze mil reais, sem a devida comprovação da origem, ou seja, sem a comprovação, mediante apresentação de documentação hábil e idônea que estes créditos (recursos) tem origem em rendimentos já tributados, não tributáveis ou que estão sujeitos a normas especificas de tributação, cabe a constituição de crédito tributário como se omissão de rendimentos fossem, desde que regulamente intimado a prestar esclarecimentos e comprovações; V — na hipótese de créditos não comprovados que individualmente não superem o limite de doze mil reais, entretanto, estes créditos superam, dentro do ano- calendário, o limite de oitenta mil reais, todos os créditos sem a devida comprovação da origem, ou seja, sem a comprovação, mediante apresentação de documentação hábil e idônea que estes créditos (recursos) tem origem em rendimentos já tributados, não tributáveis ou que estão sujeitos a normas especificas de tributação, cabe a constituição de crédito tributário como se omissão de rendimentos fossem, desde que regularmente intimado a prestar esclarecimentos e comprovações; VI - os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação especifica previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos; VII - para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, não será considerado o crédito de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o somatório desses créditos não comprovados não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00, dentro do ano-calendário. Como se vê, nos dispositivos legais retromencionados, o legislador estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos. Não logrando o titular comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, tem-se a autorização legal para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, para presumir que os recursos depositados traduzem rendimentos do contribuinte. É evidente que nestes casos existe a inversão do ônus da prova, característica das presunções legais o contribuinte é quem deve demonstrar que o numerário creditado não é renda tributável. É incontroverso, que é função do fisco, entre outras, comprovar o crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento, examinar a correspondente declaração de rendimentos e intimar o titular da conta bancária a apresentar os documentos/informações/esclarecimentos, com -vistas à verificação da ocorrência de omissão de rendimentos de que trata o artigo 42 da lei n° 9.430, de 1996. Contudo, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte. Não comprovada a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o poder/dever de considerar os valores depositados como rendimentos tributáveis e omitidos na 34 Processo n°29515.002224/2003-35 82-C2T2 Acórdão n• 0 2202-00.525 A. 18 declaração de ajuste anual, efetuando o lançamento do imposto correspondente. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculaç'ão legal decorrente do Princípio da Legalidade que rege a Administração Pública, cabendo ao agente tão-somente a inquestionável observância da legislação. Por outro lado, também é verdadeiro, como visto anteriormente, que dos valores constantes dos extratos bancários do contribuinte, devem ser excluídos os valores dos depósitos decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa fisica, os referentes a proventos, resgates de aplicações financeiras, estornos, cheques devolvidos, empréstimos bancários etc., e ainda os depósitos de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o somatório dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00. Por fim, após efetuar a conciliação bancária e constatada a possibilidade de tributação com base nos depósitos/créditos, em virtude de se verificar que o somatório anual dos depósitos realizados em todas as contas bancárias mantidas pelo contribuinte é superior a R$ 80.000,00, ou que o contribuinte teve depósitos em valor superior a R$ 12.000,00, deve o contribuinte ser intimado para comprovar a origem dos recursos utilizados nas operações. Esta comprovação deverá ser feita com documentação hábil e idônea, devendo ser indicada à origem de cada depósito individualmente, não servindo, a princípio, como comprovação de origem de depósito os rendimentos anteriormente auferidos ou já tributados, se não for comprovada a vinculação da percepção dos rendimentos com os depósitos realizados. Assim, os valores cuja origem não houver sido comprovada serão oferecidos à tributação, submetendo-se aos limites individual e anual para os depósitos, como omissão de rendimentos, utilizando-se a tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela Instituição Financeira. Não há dúvidas, que na presunção de omissão de rendimentos de que trata o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, o sujeito passivo é o titular da conta bancária que, regulamente intimado, não comprove a origem dos depósitos bancários. Faz-se necessário reforçar, que a presunção criada pelo art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, é uma presunção relativa passível de prova em contrário. Ou seja, está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do contribuinte, em instituições bancárias. A simples prova em contrário, ônus que cabe ao contribuinte, faz desaparecer a presunção de omissão de rendimentos. Por outro lado, a falta de justificação faz nascer à obrigação do contribuinte para com a Fazenda Nacional de pagar o tributo com os devidos acréscimos previstos na legislação de regência, já que a principal obrigação em matéria tributária é o recolhimento do valor correspondente ao tributo na data aprazada. A falta de recolhimento no vencimento acarreta em novas obrigações de juros e multa que se convertem também em obrigação principal. Assim, desde que o procedimento fiscal esteja lastreado nas condições imposta pelo permissivo legal, entendo que seja do recorrente o ônus de provar a origem dos recursos depositados em sua conta corrente. Ou seja, de provar que há depósitos, devidamente especificados, que representam ou mão aquisição de disponibilidade financeira tributável ou não tributável, ou que já foi tributado. Desta forma, para que se proceda à exclusão da base de cálculo de algum valor considerado, indevidamente, pela fiscalização, se faz necessário que o contribuinte apresente elemento probatório que seja hábil e idôneo para comprovar a origem do 35 valor depositado (créditos), independentemente, se tratar rendimentos tributáveis ou não. Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às nonnas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos É evidente, que depósitos bancários de origem não comprovada se traduzem em renda presumida, por presunção legal "júris tantum". Isto é, ante o fato material constatado, qual seja depósitos/créditos em conta bancária, sobre os quais o contribuinte, devidamente intimado, não apresentou comprovação de origem, a legislação ordinária autoriza a presunção de renda relativamente a tais valores (Lei n° 9430, de 1996, art. 42). Indiscutivelmente, esta presunção em favor do fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação da origem dos recursos questionados. Pelo exame dos autos verifica-se que o recorrente, embora intimado a comprovar, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em suas contas bancárias, não conseguiu equacionar, de forma razoável, os depósitos questionados com os pretensos valores recebidos e é isso que importa, justificar a origem dos depósitos de forma individualizada, coincidentes em datas e valores. Não há dúvidas, que a Lei n° 9430, de 1996, definiu, portanto, que os depósitos bancários, de origem não comprovada, efetuados a partir do ano-calendário de 1997, caracteriza omissão de rendimentos e não meros indícios de omissão, estando, por conseguinte, sujeito à tributação pelo Imposto de Renda nos termos do art. 3 0, § 40, da Lei n°7.713, de 1988. Ora, no presente processo, a constituição do crédito tributário decorreu em face do contribuinte não ter provado com documentação hábil ou idônea a origem dos recursos que dariam respaldo aos referidos depósitos/créditos, dando ensejo à omissão de receita ou rendimento (Lei n° 9.430/1996, art. 42) e, refletindo, conseqüentemente, na lavratura do instrumento de autuação em causa. Ademais, à luz da Lei n° 9.430, de 1996, cabe ao suplicante, demonstrar o nexo causal entre os depósitos existentes e o beneficio que tais créditos tenham lhe trazido, pois somente ele pode discriminar que recursos já foram tributados e quais se derivam de meras transferências entre contas. Em outras palavras, como destacado nas citadas leis, cabe a ele comprovar a origem de tais depósitos bancários de forma tão substancial quanto o é a presunção legal autorizadora do lançamento. Além do mais, é cristalino na legislação de regência (§ 30 do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996), a necessidade de identificação individualizada dos depósitos, sendo necessário coincidir valor, data e até mesmo depositante, com os respectivos documentos probantes, não podendo ser tratadas de forma genérica e nem por médias. A legislação é bastante clara, quando determina que a pessoa física está obrigada a guardar os documentos das operações ocorridas ao logo do ano-calendário, até que se expire o direito de a Fazenda Nacional realizar ações fiscais relativas ao período, ou seja, até que ocorra a decadência do direito de lançar, significando com isto dizer que o contribuinte tem que ter um mínimo de controle de suas transações, para possíveis futuras solicitações de comprovação, ainda mais em se tratando de depósitos de quantias vultosas. Nos autos ficou evidenciado, através de indícios e provas, que o suplicante recebeu os valores questionados neste auto de infração. Sendo, que, neste caso, está clara a existência de indícios de omissão de rendimentos, situação que se inverte o ônus da prova do 36 Processo n° 19515.002224/2003-35 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.525 Fl. 19 fisco para o sujeito passivo. Isto é, ao invés de a Fazenda Pública ter de provar que o recorrente possuía fontes de recursos para receber estes valores ou que os valores são outros, já que a base arbitrada não corresponderia ao valor real recebido, competirá ao suplicante produzir a prova da improcedência da presunção, ou seja, que os valores recebidos estão lastreados em documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores. A presunção legal júris tantum inverte o ônus da prova. Neste caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado (fato judiciário) corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimento (fato jurídico tributário), •nos termos do art. 334, IV, do Código de Processo Civil. Cabe ao contribuinte provar que o fato presumido não existiu na situação concreta. Não tenho dúvidas, que o efeito da presunção "júris tantum" é de inversão do ônus da prova. Portanto, cabia ao sujeito passivo, se o quisesse, apresentar provas de origem de tais rendimentos presumidos. Oportunidade que lhe foi proporcionado tanto durante o procedimento administrativo, através de intimação, como na impugnação, quer na fase ora recursal. Nada foi acostado que afastasse a totalidade da presunção legal autorizada. É transparente que o artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, definiu que os depósitos bancários, de origem não comprovada caracterizam omissão de rendimentos e não meros indícios de omissão, razão pela qual não há que se estabelecer o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão de receita, ou mesmo restringir a hipótese tática à ocorrência de variação patrimonial ou a indícios de sinais exteriores de riqueza, como previa a Lei n°8.021, de 1990. Não tenho dúvidas, que a responsabilidade pela apresentação das provas do alegado compete ao contribuinte que praticou a irregularidade fiscal. Como as provas apresentadas não são conclusivas, já que não há coincidência de datas e valores é de se manter o lançamento na forma que foi realizado pela autoridade lançadora. Cabe, ainda, tecer alguns comentários sobre a aplicação da penalidade e dos acréscimos legais. Entende-se corno procedimento fiscal à ação fiscal para apuração de infrações e que se concretize com a lavratura do ato cabível, assim considerado o termo de início de fiscalização, termo de apreensão, auto de infração, notificação, representação fiscal ou qualquer ato escrito dos agentes do fisco, no exercício de suas funções inerentes ao cargo. Tais atos excluirão a espontaneidade se o contribuinte deles tomar conhecimento pela intimação. Os atos que formalizam o início do procedimento fiscal encontram-se elencados no artigo 7° do Decreto n.° 70.235/72. Em sintonia com o disposto no artigo 138, parágrafo único do CTN, esses atos têm o condão de excluir a espontaneidade do sujeito passivo e de todos os demais envolvidos nas.infrações que vierem a ser verificadas. Em outras palavras, deflagrada a ação fiscal, qualquer providência do sujeito - passivo, ou de terceiros relacionados com o ato, no sentido de repararem a falta cometida não exclui suas responsabilidades, sujeitando-os às penalidades próprias dos procedimentos de oficio. Além disso, o ato inaugural obsta qualquer retificação, por iniciativa do contribuinte e toma ineficaz consulta formulada sobre a matéria alcançada pela fiscalização. 37 Ressalte-se, com efeito, que o emprego da alternativa "ou" na redação dada pelo legislador ao artigo 138, do CTN, denota que não apenas a medida de fiscalização tem o condão de constituir-se em marco inicial da ação fiscal, mas, também, consoante reza o mencionado dispositivo legal, "qualquer procedimento administrativo" relacionado com a infração é fato deflagrador do processo administrativo tributário e da conseqüente exclusão de espontaneidade do sujeito passivo pelo prazo de 00 dias, prorrogável sucessivamente com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, na forma do parágrafo 2°, do art. 7°, do Dec. n° 70.235/72. O entendimento, aqui esposado, é doutrina consagrada, conforme ensina o mestre FABIO FANUCCHI em "Prática de Direito Tributário", pág. 220: O processo contencioso administrativo terá início por uma das seguintes firmas: 1. pedido de esclarecimentos sobre situação jurídico-tributária do sujeito passivo, através de intimação a esse; 2. representação ou denúncia de agente fiscal ou terceiro, a respeito de circunstancias capazes de conduzir o sujeito passivo à assunção de responsabilidades tributárias; 3 - autodenúncia do sujeito passivo sobre sua situação irregular perante a legislação tributária; 4. inconformismo expressamente manifestado pelo sujeito passivo, insurgindo-se ele contra lançamento efetuado. (J. A representação e a denúncia produzirão os mesmos efeitos da intimação para esclarecimentos, sendo peças iniciais do processo que irá se estender até a solução final, através de uma decisão que as julguem procedentes ou improcedentes, com os efeitos naturais que possam produzir tais conclusões. No mesmo sentido, transcrevo comentário de A.A. CONTREIRAS DE CARVALHO em "Processo Administrativo Tributário", r Edição, págs. 88/89 e 90, tratando de Atos e Termos Processuais: Mas é dos atos processuais que cogitamos, nestes comentários. São atos processuais os que se realizam conforme as regras do processo, visando dar existência à relação jurídico-processual. Também participa dessa natureza o que se pratica à parte, mas em razão de outro processo, do qual depende. No processo administrativo tributário, integram essa categoria, entre outros: a) o auto de infração,- b) a representação; c) a intimação e 6.1) a notificação Mas, retornando a nossa referência aos atos processuais, é de assinalar que, se o auto de infração é peça que deve ser lavrada, privativamente, por agentes fiscais, em fiscalização externa, já no que concerne às faltas apuradas em serviço interno da Repartição fiscal, a peça que as documenta é a representação. Note-se que esta, como aquele, é peça básica do processo fiscal ( 38 Processo n° 19515.002224/2003-35 52-C2T2 Acórdão n." 2202-00.525 11. 20 Portanto, o Auto de Infração deverá conter, entre outros requisitos formais, a penalidade aplicável, a sua ausência implicará na invalidade do lançamento. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa a lançamento de oficio, para exigi-lo com acréscimos e penalidades legais. É de se esclarecer, que a infração fiscal independe da boa fé do contribuinte, entretanto, a penalidade deve ser aplicada, sempre, levando-se em conta a ausência de má-fé, de dolo, e antecedentes do contribuinte. A multa que excede o montante do próprio crédito tributário, somente pode ser admitida se, em processo regular, nos casos de minuciosa comprovação, em contraditório pleno e amplo, nos termos do artigo 5°, inciso LV, da Constituição Federal, restar provado um prejuízo para fazenda Pública, decorrente de ato praticado pelo contribuinte. Por outro lado, a vedação de confisco estabelecida na Constituição Federal de 1988, é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado esse princípio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico por inconstitucional. Além disso, é de se ressaltar, mais uma vez, que a multa de oficio é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal, não cabendo às autoridades administrativas estendê-lo. Assim, as munas são devidas, no lançamento de oficio, em face da infração às regras instituídas pela legislação fiscal não declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, cuja matéria não constitui tributo, e sim de penalidade pecuniária prevista em lei, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no art. 150, IV da CF, não conflitando com o estatuído no art. 5°, XXII da CF, que se refere à garantia do direito de propriedade. Desta forma, o percentual de multa aplicado está de acordo com a legislação de regência. Da mesma forma, não vejo como se poderia acolher o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade formal da multa de oficio e da taxa SELIC aplicada como juros de mora sobre o débito exigido no presente processo com base na Lei n.° 9.065, de 20/06/95, que instituiu rio seu bojo a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia de Títulos Federais (SELIC) É meu entendimento, acompanhado pelos pares desta Quarta Câmara, que quanto à discussão sobre a inconstitucionalidade de normas legais, os órgãos administrativos judicantes estão impedidos de declarar a inconstitucionalidade de lei ou regulamento, face à inexistência de previsão constitucional. No sistema jurídico brasileiro, somente o Poder Judiciário pode declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público, através do chamado controle incidental e do controle pela Ação Direta de Inconstitucionalidade. No caso de lei sancionada pelo Presidente da República é que dito controle seria mesmo incabível, por ilógico, pois se o Chefe Supremo da Administração Federal já fizera o controle preventivo da constitucionalidade e da conveniência, para poder promulgar a lei, não seria razoável que subordinados, na escala hierárquica administrativa, considerasse inconstitucional lei ou dispositivo legal que aquele houvesse considerado constitucional. 39 Exercendo a jurisdição no limite de sua competência, o julgador administrativo não pode nunca ferir o princípio de ampla defesa, já que esta só pode ser apreciada no foto próprio. Se verdade fosse, que o Poder Executivo deva deixar aplicar lei que entenda inconstitucional, maior insegurança teriam os cidadãos, por ficarem à mercê do alvedrio do Executivo. O poder Executivo haverá de cumprir o que emana da lei, ainda que materialmente possa ela ser inconstitucional. A sanção da lei pelo Chefe do Poder Executivo afasta - sob o ponto de vista formal - a possibilidade da argüição de inconstitucionalidade, no seu âmbito interno. Se assim entendesse, o chefe de Governo vetá-la-ia, nos termos do artigo 66, § 1° da Constituição. Rejeitado o veto, ao teor do § 4° do mesmo artigo constitucional, promulgue-a ou não o Presidente da Republica, a lei haverá de ser executada na sua inteireza, não podendo ficar exposta ao capricho ou à conveniência do Poder Executivo. Faculta-se-lhe, tão-somente, a propositura da ação própria perante o órgão juiisdicional e, enquanto pendente a decisão, continuará o Poder Executivo a lhe dar execução. Imagine-se se assim não fosse, facultando-se ao Poder Executivo, através de seus diversos departamentos, desconhecer a norma legislativa ou simplesmente negar-lhe executoriedade por entendê-la, unilateralmente, inconstitucional. A evolução do direito, como quer o suplicante, não deve pôr em risco toda uma construção sistêmica baseada na independência e na harmonia dos Poderes, e em cujos princípios repousa o estado democrático. Não se deve a pretexto de negar validade a urna lei pretensamente inconstitucional, praticar-se inconstitucionalidade ainda maior consubstanciada no exercício de competência de que este Colegiado não dispõe, pois que deferida a outro Poder. Ademais, matéria já pacificada no âmbito administrativo, razão pela qual o Presidente do Primeiro Conselho de Contribuintes, objetivando a condensação da jurisprudência predominante neste Conselho, conforme o que prescreve o art. 30 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes (RICC), aprovado pela Portaria MF n° 55, de 16 de março de 1998, providenciou a edição e aprovação de diversas súmulas, que foram publicadas no DOU, Seção I, dos dias 26, 27 e 28 de junho de 2006, vigorando para as decisões proferidas a partir de 28 de julho de 2006. Para o caso dos autos (inconstitucionalidade e Taxa Selic) aplicam-se as Súmulas: "O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula 1° CC ii° 2)" e "A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC para títulos federais (Súmula 1'CC n° 4)." Da mesma forma, não cabe razão ao suplicante no que diz respeito a aliquota aplicada de 27,5%. Confundiu o suplicante exercício com ano-calendário, a tabela às fls. 261 fala em exercício de 1998, referente ao ano-calendário de 1997, aí sim a alíquota era de 25%, o que foi modificada pelo art. 21 da Lei n°9.532, de 1997, in verbis: Art. 21. Relativamente aos fatos geradores ocorridos durante os anos-calendário de 1998 a 2003, a aliquota de 25% (vinte e cinco por cento), constante das tabelas de que tratam os ara. 3° e 1/ da Lei n° 9.250, de 26 de dezembro de 1995, e as correspondentes parcelas a deduzir, passam a ser, 40 Processo e 19515.002224/2003-35 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.525 Ft 21 respectivamente, a aliquota, de 27,5% (vinte e sete inteiros e cinco décimos por cento), e as parcelas a deduzir, até 31 de dezembro de 2001, de R$ 360,00 (trezentos e sessenta reais) e R$ 4.320,00 (quatro mil, trezentos e vinte reais), e a partir de I' de janeiro de 2002, aquelas deterininadas pelo art. R da Lei n' 10.451, de 10 de maio de 2002, a saber, de RS 423,08 (quatrocentos e vinte e três reais e oito centavos) e R$ 5.076,90 (cinco mil e setenta e seis reais e noventa centavos).(Redação dada pela Lei n°10.637, de 2002). Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido de REJEITAR as preliminares argüidas pelo Recorrente e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. faCtann. 41

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Numero do processo: 36266.005346/2006-24
Data da sessão: Tue Jun 02 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 13/10/1998 ATO CANCELATÓRIO DE ISENÇÃO - PEDIDO DE REVISÃO ACÓRDÃO DIVERGENTE DA LEGISLAÇÃO PREVIDENCIARIA, O pedido de revisão não se presta a simples rediscussão da matéria de mérito apreciada na decisão definitiva, mas, sim, a corrigir eventual violação de pareceres da Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência Social, aprovados pelo Ministro da pasta, bem como do Advogado-Geral da União, ou quando violarem literal disposição de lei ou decreto, ou após a decisão houver a obtenção de documento novo de existência ignorada, ou for constatado vício insanável. No presente caso, o Acórdão diverge da legislação previdenciária. A entidade não cumpre com os requisitos do art. 55 da Lei n.° 8.212/91, em especial no que concerne à remuneração dos dirigentes e a aplicação de recursos em atividades estranhas ao seu objetivo estatutário institucional, o que enseja o cancelamento da isenção. Embargos Acolhidos Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 2301-000.453
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, conhecer do pedido de revisão para rescindir o acórdão anterior e negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relatou
Nome do relator: LIÉGE LACROIX THOMASI

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SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° .36266.005346/2006-24 Recurso IP 147,510 Embargos Acórdão n° 2301-00.453 — 3" Câmara / la Turma Ordinária Sessão de 02 de junho de 2009 Matéria ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL Embargante DRP SÃO PAULO-NORTE/SP Interessado CONGREGAÇÃO E BENEFICÊNCIA SEFARDI PAULISTA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 13/10/1998 ATO CANCELATÓRIO DE ISENÇÃO - PEDIDO DE REVISÃO - ACÓRDÃO DIVERGENTE DA LEGISLAÇÃO PREVIDENCIARIA, O pedido de revisão não se presta a simples rediscussão da matéria de mérito apreciada na decisão definitiva, mas, sim, a corrigir eventual violação de pareceres da Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência Social, aprovados pelo Ministro da pasta, bem como do Advogado-Geral da União, ou quando violarem literal disposição de lei ou decreto, ou após a decisão houver a obtenção de documento novo de existência ignorada, ou for constatado vício insanável. No presente caso, o Acórdão diverge da legislação previdenciária. A entidade não cumpre com os requisitos do art. 55 da Lei n.° 8.212/91, em especial no que concerne à remuneração dos dirigentes e a aplicação de recursos em atividades estranhas ao seu objetivo estatutário institucional, o que enseja o cancelamento da isenção. Embargos Acolhidos Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' Câmara / 1' Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, conhecer do pedido de revisão para rescindir o acórdão anterior e negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relatou //if- Processo n° 36266.005346/2006-24 Í S2-C311 Acórdão n.° 2301-00.453 \ (1 H 2 JULIO C AR VIEIRA GOMES — Presidente , LIEGE LACROIX THOMASI - Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira, Damião Cordeiro de Moraes, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Edgar Silva Vidal (suplente) e Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente). Fez sustentação oral o advogado da recorrente Felipe Inácio Zanchet Magalhães, OAB/DF 13252 Relatório Trata o presente, de pedido de revisão de oficio interposto pela Coordenadoria-Geral de Tributação e Julgamento, conforme fls.518; combatendo o acórdão de fls. 508/512, proferido pela 2 Câmara do CRPS que deu provimento ao recurso Aquele Colegiado entendeu que cabe ao Conselho Nacional de Assistência Social — CNAS julgar a qualidade de entidade beneficente de assistência social, restando ao INSS apenas representar ao CNAS as irregularidades observadas, motivo pelo qual julgou nulo o Ato Cancelatório, O Ato Cancelatório foi emitido em função da informação fiscal (fls. 111/117) de cancelamento de isenção patronal das contribuições previdenciárias usufruídas pela entidade, em vista da falta de comprovação do atendimento dos requisitos constantes nos incisos III, IV e V do artigo 55, da Lei n," 8.212/91. A revisão de oficio do Acórdão vergastado foi proposta pela Coordenadoria Geral de Tributação e Julgamento, em razão de ação desenvolvida pela Assessoria de Gerenciamento de Riscos, órgão vinculado ao Ministério da Previdência Social , que no segmento de entidades beneficentes, apontou vários acórdãos emitidos pelo CRPS que contrariam pareceres emitidos pela Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência social. Com o pedido de revisão os autos retomaram à 02' CaJ, que através do Decisório de fls. 534/535, transformou o julgamento em diligência para que fosse dada ciência ao contribuinte do termos do Parecer Técnico de fls 519/531, do Acórdão que se determina rever e do Parecer n.° 2.272/00, com abertura de prazo, igual ao recursal, para manifestação. Às fls. 547/588 a entidade se manifesta pela manutenção do acórdão e a DRP apresenta suas contra-razões. Novamente o processo retoma à 02' CaJ e é submetido a novo julgamento (fls. 619/621), onde o voto vencedor divergente além de se posicionar pelo afastamento do inciso III do artigo 55 da Lei n.° 8.212/91, por força da ADIN n.° 2028-5/99, converte o julgamento em diligência para que as para que as partes tenham ciência de que é possível a revisão do Acórdão com base no artigo 33 e nos incisos rv e V do artigo 55, ambos da Lei de Custeio, em face do inciso I, do artigo 60 do Regimento Interno do CRPS. As partes devem se manifestar acerca do cumprimento dos requisitos constantes dos incisos IV e V do já mencionado artigo 55 e o INSS deve informar quanto ao andamento da Informação Fiscal remetida ao CNAS, )K 2 Processo n° 36266 005346/2006-24 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.453 Fl 3 A DRP retornou o processo à or Caj por entender que a diligência já havia sido cumprida e as partes se manifestado acerca dos incisos IV e V do artigo 55, da Lei n.° 8212/91, não havendo razão para nova abertura de prazo e nova manifestação. O processo é submetido a novo julgamento (fls. 636/637) que mais uma vez é transformado em diligência para que se cumpra o decisório de fls.619/621, pois o pedido de revisão se baseou no inciso I do artigo 60 do RICRPS — violação literal de disposição de lei, e não mais no inciso II, que seria divergência de Parecer. Cientificada, a entidade se manifesta pela prescrição do pedido de revisão e conseqüentemente pela legalidade do Acórdão primitivo. A DRP oferece novamente as contra-razões , fls.665/972, dizendo não haver transcorrido o prazo prescricional para o pedido de revisão, reiterando que a entidade não possui contabilidade regular que comprove a aplicação de seus recursos e de que não remunera sob qualquer forma seus diretores, e no final aduz que não há informação quanto ao andamento da Informação Fiscal remetida ao CNAS, sendo que do documento de fls. 663/664, pode-se deduzir que desde a primeira renovação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social — CEAS da entidade, os processos se encontram em análise, sem decisão final. Por fim, requer a reforma do Acórdão de fls. 508/512, para manter o Ato Cancelatório da isenção patronal das contribuições previdenciárias. Em decisão monocrática, o Conselheiro Presidente desta Câmara entendeu que não cabe o reexame da admissibilidade do recurso pelos atos já expostos no processo a partir das fls. 534, devendo ser julgado o pedido revisional. É o relatório. Voto Conselheira LIEGE LACRODC THOMASI, Relatora De acordo com o previsto no art. 60 da Portaria MPS n ° 88/2004, que aprovou o Regimento Interno do CRPS, a admissibilidade de revisão é medida extraordinária. A revisão é admitida nos casos de os Acórdãos do CRPS divergirem de pareceres da Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência Social, aprovados pelo Ministro da pasta, bem como do Advogado-Geral da União, ou quando violarem literal disposição de lei ou decreto, ou após a decisão houver a obtenção de documento novo de existência ignorada, ou for constatado vício insanável, nestas palavras: Art 60 As Câmaras de Julgamento e Juntas de Recursos do CRPS poderão rever, enquanto não ocorrida a prescrição administrativa, de ofício ou a pedido, suas decisões quando: 1— violarem literal disposição de lei ou decreto, II — divergirem de pareceres da Consultoria Jurídica do MPS aprovados pelo Ministro, bem como do Advogado-Geral da União, na forma da Lei Complementar e 73, de 10 de fevereiro de 1993; /3 Processo rl° 36266,005346/2006-24 S2-C3-1-1 Acórdão ft° 2301-00.453 A, 4 III- depois da decisão, a parte obtiver documento novo, cuja existência ignorava, ou de que não pôde fazer uso, capaz, por si só, de assegurar pronunciamento favorável; IV — for constatado vício insanável, § 1" Considera-se vício insanável, entre outros: — o voto de conselheiro impedido ou incompetente, bem como condenado, por sentença judicial transitada em julgado, por crime de prevaricação, concussão ou corrupção passiva, diretamente relacionado à matéria submetida ao julgamento do colegiado; II — a fimdamentação baseada em prova obtida por meios ilícitos ou cuja falsidade tenha sido apurada em processo judicial; III — o julgamento de matéria diversa da contida nos autos; IV — a fundamentação de voto decisivo ou de acórdão incompatível com sua conclusão. § 2" Na hipótese de revisão de oficio, o conselheiro deverá reduzir a termo as raziies de seu convencimento e determinar a notificação das partes do processo, com cópia do termo lavrado, para que se manifestem no prazo comum de 30 (trinta) dias, antes de submeter o seu entendimento à apreciação da instância julgadora, § O pedido de revisão de acórdão será apresentado pelo interessado no INSS, que, após proceder sua regular instrução, no prazo de trinta dias, fará a remessa à Câmara ou Junta, conforme o caso. § 4° Apresentado o pedido de revisão pelo próprio INSS, a parte contrária será notificada pelo Instituto para, no prazo de 30 (trinta) dias, oferecer contra-razões § 5°Á revisão terá andamento prioritário nos órgãos do CRPS. § 6° Ao pedido de revisão aplica-se o disposto nos any. 27, § e 28 deste Regimento Interno, § 7° Não será processado o pedido de revisão de decisão do CRPS, proferida em única ou última instância, visando à recuperação de prazo recursal ou à mera rediscussão de matéria já apreciada pelo órgão julgador. § 8° Caberá pedido de revisão apenas quando a matéria não comportar recurso à instância superior, § 9" O não conhecimento do pedido de revisão de acórdão não impede os órgãos julgadores do CRPS de rever de oficio o ato ilegal, desde que não decorrido o prazo prescricional. 4 Processo n° 36266 005346/2006-24 S2-C3T1 Acórdão n° 2301-00.453 Fl 5 § 10 É defeso às partes renovar pedido de revisão de acórdão com base nos mesmos fundamentos de pedido anteriormente formulado § 11 Nos processos de beneficio, o pedido de revisão feito pelo INSS só poderá ser encaminhado após o cumprimento da decisão de alçada ou de última instância, ressalvado o disposto no art. .57„55' 2°, deste Regimento. O Acórdão sob revisão de fls. 508/512, não poderia ter dado provimento ao recurso interposto pelo contribuinte, eis que sua fundamentação se baseou na capacidade exclusiva do Conselho Nacional de Assistência Social — CNAS julgar a qualidade de entidade beneficente de assistência social. Ocorre, que compete ao INSS (à época da informação fiscal) verificar se a entidade cumpre os requisitos esposados no artigo 55 da Lei n.° 8212/91, cumulativamente, para poder usufruir da isenção patronal previdenciária. O parágrafo 40 do referido artigo é taxativo ao afirmar que: Art. 55 §4" O Instituto Nacional do Seguro Social- INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo Desta forma, por violar disposição legal, a 02° Cal do CRPS solicitou revisão de oficio do Acórdão de fls. 508/512, com base no inciso I do artigo 60 do RICRPS, eis que já havia de pedido de revisão do citado Acordão pela Coordenação Geral de Tributação por divergir de Parecer da Consultoria Jurídica. Uma vez reconhecendo o vício do acórdão (juízo rescindente), deve ser apreciada toda a questão devolvida a este Colegiado (juízo rescisório), incluindo as matérias cujo conhecimento deva ser realizado de oficio. De acordo com a incumbência e a competência asseguradas pelos artigos 55 da Lei n." 8.212/91 e 206, parágrafos 70 e 8', do Regulamento da Previdência Social-RPS, aprovado pelo Decreto n,° 3.048/99, ao Instituto Nacional do Seguro Social cabe à verificação do cumprimento, por parte da entidade beneficente, de todos os requisitos essenciais à fruição do beneficio legal da isenção previdenciária patronal. Deve, também, o INSS cancelar a isenção da pessoa jurídica de direito privado que não cumprir com as exigências legais, a partir da data que deixar de atendê-las, artigo 55, parágrafo 4" da Lei n.° 8.212/91 e artigo 206, parágrafo 8' do RPS Com este objetivo foi iniciada auditoria fiscal na entidade, restando comprovado, após a análise dos elementos disponibilizados, que a mesma não faz jus à isenção patronal, eis que não cumpre cumulativamente os requisitos expostos no artigo 55 da Lei n,° 8.212/91, em especial no que se refere à concessão de remuneração aos dirigentes da entidade e a comprovação da aplicação dos recursos estritamente na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais. Ainda que não se adentre nos aspectos contidos no inciso III do citado artigo 55, qual seja a promoção gratuita e em caráter exclusivo de assistência social beneficente a pessoas carentes, em razão do dispositivo estar suspenso por força de liminar do Supremo Tribunal Federal na Adin 2,028-5/99, referendada pelo plenário em 11/11/1999, é de se atentar /5 Processo ri' 36266005346/2006-24 S2-C311 Acórdão n, 2301-00.453 Fl 6 que prevalece a redação original do inciso e que a Informação Fiscal, que postula pelo cancelamento da isenção usufruída a partir de 11/1991, trouxe vários elementos que comprovam o não cumprimento dos requisitos legais cumulativamente pela entidade para gozar do beneficio legal. A fiscalização aponta na Informação, fls. 111/117, que os valores aplicados em gratuidades pela entidade são ínfimos perto da isenção usufruída, que o público alvo beneficiado reside em imóveis de classe média alta, possuem rendas e as ajudas despendidas não visam a atender às necessidades básicas, mas se prestam a pagar aluguéis, condomínios, colégios particulares e faculdades, (documentos de fls. 119/133). A entidade não aplica integralmente na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais o eventual resultado operacional, na medida em que se evidenciou a distribuição de vantagens, beneficios e parcela de seu patrimônio a outras pessoas físicas e jurídicas. Há mensalmente doações em dinheiro a entidades israelitas, documentos de fls.163/178 e pagamentos de mensalidade da Escola Beth Jacob (fls.179/181) para a filha do Rabino Laniado, funcionário da congregação. Também há pagamentos efetuados mensalmente para duas creches Arquinha e Pássaro Azul e para a Escola e Editora Maguem Avram Ltda. a título de mensalidades escolares, sem identificação dos beneficiários. Ademais, a fiscalização constatou que a escrituração contábil da entidade está em desacordo com as normas legais, não se prestando para fazer prova a seu favor, tampouco para comprovar a efetiva aplicação de seus recursos em gratuidades, na manutenção de seus objetivos institucionais e para comprovar que seus diretores, sócios, instituidores ou benfeitores não recebem qualquer tipo de vantagem, benefícios ou remuneração. É de se notar que a própria recorrente afirma que presta serviços na áreas de saúde, educação e oferece donativos a pessoas necessitadas, embora nem sempre carentes e que não concede gratuidades em outras escolas, mas descontos na forma de bolsas de estudo, Que as mensalidades escolares pagas visam a melhoria de vida da população, que os recursos destinados às duas creches comprovam que faz filantropia fora da religião judaica e que os benefícios ou vantagens concedidos aos diretores, sócios ou instituidores são de valores irrelevantes. Tais afirmativas constam das diversas peças de defesa, recurso e contra-razões oferecidas pela recorrente. Em que pesem os esforços expendidos pela recorrente em suas razões, os mesmos não podem prosperar, posto que a informação fiscal sob análise demonstra, claramente, o descumprimento dos requisitos constantes do artigo 55 da Lei n.° 8212/91, o que leva ao cancelamento da isenção usufruída de forma ilegal. O INSS possui competência para cancelar isenção de contribuições previdenciárias de entidades ditas beneficentes, mas que não atendem às exigências legais. Mesmo que a entidade possua certificado de entidade beneficente em vigor, o Instituto pode cassar a isenção, tendo em vista que tal certificado é apenas um dos requisitos estabelecidos no artigo 55 da Lei n.° 8.212/91, para a concessão e a manutenção da mesma. O dispositivo legal citado traz condições cumulativas, de forma que se a entidade descumprir uma delas, não fará jus à isenção. A auditoria fiscal desenvolvida na entidade e que se consubstanciou na Informação Fiscal atacada, permitiu detectar que a entidade não cumpre em especial os incisos IV e V do artigo 55 da Lei n.° 8.212/91 e não logrou comprovar que seus diretores não percebem remuneração ou qualquer beneficio ou vantagem, bem como que aplica seus recursos nos seus objetivos institucionais e que promove gratuidade para o público alvo da filantropia. 6 Processo n° 36266 005:346/2006-24 S2-C3T1 Acórdão n " 2301-00.453 Ft. 7 Longe das conclusões fiscais serem levianas e ofensivas à dignidade dos administradores da Congregação, os auditores fiscais do Instituto Nacional do Seguro Social, revestidos da competência legal que lhes é conferida, buscam averiguar o correto cumprimento do regramento existente, já que a Seguridade Social deve ser financiada por toda a sociedade, conforme preceito constitucional e a onerosidade deve recair uniformemente sobre os contribuintes, não sendo justo que algumas entidades usufruam beneficios legais sem a contraprestação dos serviços devidos. Os requisitos legais trazidos no artigo 55 da Lei n.° 8,212/91, devem ser cumulativamente obedecidos pela entidade filantrópica para poder usufruir da isenção patronal das contribuições previdenciárias e a fiscalização do INSS deve, porque a lei não lhe dá discricionariedade, verificar o fiel cumprimento dos mesmos, justamente auditando as empresas para verificar se os dados informados pelas mesmas anualmente em seus Relatórios de Atividades, expressam a realidade de cada uma. Seria ingênuo pensar que os auditores deveriam aceitar os dados impostos pela entidade, não podendo dos mesmos duvidar nem buscar a sua comprovação. Na ação fiscal efetuada, a auditoria comprovou justamente, que embora a entidade possua os requisitos formais elencados no artigo 55 da Lei n.° 8,212/91, como o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos e os Decretos de Utilidade Pública Federal, Estadual e Municipal, não cumpre com os demais requisitos operacionais, pois se desviou de seus objetivos institucionais ao aplicar suas rendas em operações distintas daquelas legalmente permitidas e não comprovar a ausência de remuneração aos seus diretores ou instituidores. As entidades beneficentes alcançadas pela isenção têm finalidades voltadas à transformação da realidade social e não ao beneficio aos seus fundadores, sócios ou diretores. O resultado de suas atividades deve ser destinado, exclusivamente, ao fomento de suas finalidades. Ora, se pela prestação de serviços ou pelo implemento de outra atividade, a entidade conseguir apurar mais do que o suficiente à própria subsistência - o que, via de regra, é esperado - o referido "superávit' ou "lucro" será, integramente destinado às finalidades estatutárias desse organismo social, entendendo-se que reverterá à sociedade envolvida, pelo atendimento de suas demandas. Ressalte-se que o dever de fiscalizar a atuação das entidades de interesse social deve ser prioridade, não só porque os entes tributantes deixam de arrecadar dividendos, em razão das imunidades e isenções concedidas, mas, sobretudo, porque as referidas pessoas jurídicas atuam com políticas públicas e demandas sociais que se refletem, diretamente, na vida de pessoas, do povo, um dos componentes fundamentais à autonomia do Estado. Quanto mais significativos são os índices que revelam as diferenças sociais de um povo, maior a fragilidade da respectiva nação. A fundamentação ética para a obtenção da isenção das contribuições devidas pela empresa à seguridade social é a certeza de que estas prestarão, no mínimo, senão mais e melhor, a assistência social que presta o Estado com o mesmo recurso financeiro. Em contrapartida, não haveria qualquer sentido uma instituição que não presta nenhum serviço gratuito, ou que o mesmo seja tão ínfimo frente à grandeza de seu empreendimento, não contribuindo em nada com a seguridade social, venha a deixar de pagas contribuições sociais impostas a toda sociedade. Por todo o exposto, o INSS entende que os recursos previdenciários são vinculados e destinados a prover a saúde, assistência social e a própria previdência, que se consubstancia no pagamento aos trabalhadores afastados da atividade laboral, bem como às „AL 7 ' Processo o' 36266.005346/2006-24 S2-C3T I AcOrdâo n ° 2301-00A53 19 8 suas famílias. Nesse contexto não cabem vantagens a particulares e a grupos restritos em detrimento do social. A entidade beneficente de assistência social é aquela que atua de maneira substitutiva ao Estado e por isso contribui em espécie para o pacto social traçado pela Constituição Federal nos seus artigos 194 e 195. Desta feita, fica desonerada das contribuições sociais porque sua atuação benemerente resguarda o mínimo existencial a ser garantido pela seguridade social, o que o faz substitutivamente. Já, as demais entidades detêm apenas a imunidade de impostos, contida no artigo 150, VI, "c" da Constituição Federal de 1988, em respeito ao preceito constitucional referente ao custeio da seguridade social. Por todo o exposto, tendo sido solicitado de oficio o pedido de revisão, voto por CONHECE-LO e resolvo RESCINDIR o Acórdão anterior, e NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Sala das Sessões, em 02 de junho de 2009 dg&.(-2( 44 1 * LIEGE LA ODC THOMASI - Relatara ,18

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Numero do processo: 13520.000168/2008-53
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 25/01/2010 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições providenciarias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2301-000.896
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara 1ªTurma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do voto do relator No presente julgamento foi adotado o procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, regulamentado pela Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos. Ressalta-se que a data da ciência do lançamento e o período de ocorrência dos fatos geradores sào aqueles constantes dos autos, sendo de nenhum efeito a indicação na ementa: "Data do fato gerador: 25/01/2011 .
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES

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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-05-03T12:28:17Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-05-03T12:28:16Z; Last-Modified: 2010-05-03T12:28:17Z; dcterms:modified: 2010-05-03T12:28:17Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-05-03T12:28:17Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-05-03T12:28:17Z; meta:save-date: 2010-05-03T12:28:17Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-05-03T12:28:17Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-05-03T12:28:16Z; created: 2010-05-03T12:28:16Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2010-05-03T12:28:16Z; pdf:charsPerPage: 893; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-05-03T12:28:16Z | Conteúdo => S2-C3T1 Fl. I i ? i it ‘ '• MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS .:....,..;:.-- . SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13520.000168/2008-53 Recurso n° 163.003 Voluntário Acórdão n° 2301-00.896 — 3 Câmara / V Turma Ordinária Sessão de 25 de janeiro de 2010 Matéria DECADÊNCIA Recorrente ZERECO DISTRIBUIDORA DE PEÇAS LTDA. Recorrida DRI-CURITIBAJPR ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 25/01/2010 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições providenciarias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. , Vistos, relatados e discutidos os presentes autoi Y ri V .-, 1 ACORDAM os membros da 3 Câmara / 1• Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento:, por unanimi • de &votos, em dar Movimento ao recursq,pos termos do toto do relator. • No presente julgamento foi adotado o procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, regulamentado pela Portaria CARF no 83, de 24109/2009 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos. Ressalta-se que a data da ciência do lançamento e o período de ocorrência dos fatos geradores são aqueles constantes dos autos, sendo de nenhum efeito a indicação na ementa: "Data do fato gerador: 25/01/20102i r. vi, E • w# AL - Relator • JULIO ,ifk" A • JEIRA GOMES - Presidente Participaram do julgamento os conselheiros: Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Edgar Silva Vida!, Francisco de 1 Assis de Oliveira Júnior, Julio César Vieira Gomes (presidente). Relatório Adotar-se-á no julgamento do presente recurso o procedimento previsto na Portaria CARF no 83, de 24/09/2009 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos. Dessa forma, a solução que vier a ser adotada no julgamento do recurso- padrão, abaixo discriminado, será aplicada a este recurso e a todos os demais repetitivos, conforme divulgado através da pauta de julgamento: No julgamento dos itens 16 (recurso-padrão) e 17 a 83 (demais recursos repetitivos) será adotado o procedimento previsto na Portaria CARF n°' 83, de 24/09/2009 DOU de 29/09/2009, tendo como idêntica questão de direito a aplicação da Súmula Vinculante n°08 do STF, de 12/06/2008. 16- Recurso: 160125 Tipo: RVC Processo: 17546.000682/2007- 71 Recorrente: CEBRACE - CRISTAL PLANO LTDA Recorrida: DRJ-CAMPINAS/SP Matéria: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCJÁRIA É o relatório. Voto Conselheiro EDGAR SILVA VIDAL, Relator Sendo tempestivo, conheço do recurso. 2 Processo n° 13520.000168/2008-53 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.896 Fl. 2 Confrontando-se a data da ciência do lançamento com os relatórios preparados pela fiscalização, contata-se que todo o período objeto do lançamento está alcançado pela decadência, independentemente da regra aplicável, artigo 173, I ou artigo 150, §4° do C1N; motivo pelo qual adoto a decisão proferida no recurso-padrão, conforme relatório acima. Assim, voto pelo provimento do recurso. É como voto. Sala das Sessões, em 25 de j eiro de 2010. /z / EDGAR. SI VA VíDAE - Relator 3

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Numero do processo: 19515.003132/2007-04
Data da sessão: Mon Nov 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2002, 2003 MANDADO PROCEDIMENTO FISCAL. PRORROGAÇÃO AUTOMÁTICA. CIÊNCIA DESNECESSÁRIA. Com a edição da Portaria SRF no 3007, de 2001, os prazos para execução do Mandado de Procedimento Fiscal - MPF passaram a ser prorrogados automaticamente e registradas no Demonstrativo de Emissão e Prorrogação, cuja informação fica disponível na Internet, não sendo mais necessária a ciência do contribuinte após cada prorrogação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2002, 2003 DECADÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O Imposto de Renda Pessoa Física é tributo sujeito ao lançamento por homologação e, portanto, nos casos de rendimentos submetidos a tributação no ajuste anual, o direito da Fazenda constituir o crédito tributário decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador, que se perfaz em 31 de dezembro de cada ano, desde que tenha havido pagamento antecipado do tributo e não seja constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. CRITÉRIO DE APURAÇÃO E REGIME DE TRIBUTAÇÃO. A omissão de rendimentos decorrente de acréscimo patrimonial a descoberto deve ser, necessariamente, apurada pelo confronto mensal das mutações patrimoniais com os rendimentos auferidos. Os valores apurados em cada mês devem ser somados e adicionado a base de cálculo do ajuste anual para fins de tributação. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DISPÊNDIOS. ÔNUS DA PROVA No âmbito da presunção legal de acréscimo patrimonial a descoberto compete à fiscalização comprovar as aplicações e/ou dispêndios que irão compor o demonstrativo da variação patrimonial mensal e, ao contribuinte demonstrar que possui recursos com origem em rendimentos tributáveis, isentos, ou de tributação exclusiva na fonte ou definitiva. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. TRANSFERÊNCIA DE RECURSOS. A simples transferência de numerário não pode ser considerada um dispêndio na apuração de acréscimo patrimonial a descoberto quando não vinculada efetivamente a uma despesa, ou seja, quando não for comprovada sua destinação, sua aplicação ou seu consumo, conforme entendimento consolidado pela Súmula CARF no 67, em vigor desde 07/12/2011. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR. A omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada compõe a base de cálculo do imposto de renda apurado no ajuste anual, cujo fato gerador se perfaz em dia 31 de dezembro do ano-calendário. Entendimento pacificado pela Súmula CARF no 38 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em vigor desde 22/12/2009. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, sendo dispensável comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários (Súmula CARF no 26, em vigor desde 22/12/2009). DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO. COINCIDÊNCIA DE DATAS E VALORES. Não obstante a coincidência de datas e valores não esteja explicita no art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, o §3o do referido artigo impõe que os créditos sejam analisados individualizadamente. Assim, ao se tentar vincular um depósito a uma determinada operação não tributável ou já tributada, a data e o valor são elementos importantes que, quando não coincidentes, devem ser contundentemente justificados e comprovados.
Numero da decisão: 2202-001.472
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pelo Recorrente e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência, relativo ao ano-calendário de 2002, o valor de R$2.389.681,81, correspondente a omissão de rendimentos caracterizados por acréscimo patrimonial a descoberto. Fez sustentação oral, seu advogado, Dra. Ana Paulo Lui, OAB/SP nº. 157.658.
Nome do relator: Maria Lúcia Motiz de Aragão Calomino Astorga

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PRORROGAÇÃO AUTOMÁTICA. CIÊNCIA DESNECESSÁRIA. Com a edição da Portaria SRF no 3007, de 2001, os prazos para execução do Mandado de Procedimento Fiscal - MPF passaram a ser prorrogados automaticamente e registradas no Demonstrativo de Emissão e Prorrogação, cuja informação fica disponível na Internet, não sendo mais necessária a ciência do contribuinte após cada prorrogação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2002, 2003 DECADÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O Imposto de Renda Pessoa Física é tributo sujeito ao lançamento por homologação e, portanto, nos casos de rendimentos submetidos a tributação no ajuste anual, o direito da Fazenda constituir o crédito tributário decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador, que se perfaz em 31 de dezembro de cada ano, desde que tenha havido pagamento antecipado do tributo e não seja constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. CRITÉRIO DE APURAÇÃO E REGIME DE TRIBUTAÇÃO. A omissão de rendimentos decorrente de acréscimo patrimonial a descoberto deve ser, necessariamente, apurada pelo confronto mensal das mutações patrimoniais com os rendimentos auferidos. Os valores apurados em cada mês devem ser somados e adicionado a base de cálculo do ajuste anual para fins de tributação. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DISPÊNDIOS. ÔNUS DA PROVA Fl. 568DF CARF MF Emitido em 28/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA 2 No âmbito da presunção legal de acréscimo patrimonial a descoberto compete à fiscalização comprovar as aplicações e/ou dispêndios que irão compor o demonstrativo da variação patrimonial mensal e, ao contribuinte demonstrar que possui recursos com origem em rendimentos tributáveis, isentos, ou de tributação exclusiva na fonte ou definitiva. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. TRANSFERÊNCIA DE RECURSOS. A simples transferência de numerário não pode ser considerada um dispêndio na apuração de acréscimo patrimonial a descoberto quando não vinculada efetivamente a uma despesa, ou seja, quando não for comprovada sua destinação, sua aplicação ou seu consumo, conforme entendimento consolidado pela Súmula CARF no 67, em vigor desde 07/12/2011. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR. A omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada compõe a base de cálculo do imposto de renda apurado no ajuste anual, cujo fato gerador se perfaz em dia 31 de dezembro do ano-calendário. Entendimento pacificado pela Súmula CARF no 38 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em vigor desde 22/12/2009. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, sendo dispensável comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários (Súmula CARF no 26, em vigor desde 22/12/2009). DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO. COINCIDÊNCIA DE DATAS E VALORES. Não obstante a coincidência de datas e valores não esteja explicita no art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, o §3o do referido artigo impõe que os créditos sejam analisados individualizadamente. Assim, ao se tentar vincular um depósito a uma determinada operação não tributável ou já tributada, a data e o valor são elementos importantes que, quando não coincidentes, devem ser contundentemente justificados e comprovados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pelo Recorrente e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência, relativo ao ano-calendário de 2002, o valor de R$2.389.681,81, correspondente a omissão de rendimentos caracterizados por acréscimo patrimonial a descoberto. Fez sustentação oral, seu advogado, Dra. Ana Paulo Lui, OAB/SP nº. 157.658. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Fl. 569DF CARF MF Emitido em 28/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Processo nº 19515.003132/2007-04 Acórdão n.º 2202-01.472 S2-C2T2 Fl. 2 3 Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga - Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Juliana Bandeira Toscano, Odmir Fernandes e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Pedro Anan Junior, Rafael Pandolfo e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 570DF CARF MF Emitido em 28/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA 4 Relatório Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 332 a 336, integrado pelos demonstrativos de fls. 329 a 331, pelo qual se exige a importância de R$1.087.289,82, a título de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora, anos-calendário 2002 e 2003. DA AÇÃO FISCAL O procedimento fiscal encontra-se resumido no Termo de Verificação Fiscal de fls. 320 a 328, no qual o autuante esclarece que: • ação fiscal no contribuinte objetivou a verificação de movimentação de recursos no exterior, nos anos-calendário 2001 e 2002, e a movimentação financeira incompatível com os rendimentos declarados, nos anos- calendário de 2002 e 2003; • a fiscalização referente ano-calendário 2001 foi encerrada, com lavratura de Auto de Infração no processo no 19515.000499/2007-68, restringindo- se o presente processo aos anos-calendário 2002 e 2003; • o procedimento fiscal teve início em 31/01/2006, por meio de Termo de Início de Fiscalização (fls. 31 e 32), no qual o contribuinte foi instado a apresentar os extratos mensais de movimentação no período 01/01/2002 a 31/12/2003 das contas correntes, aplicações financeiras e contas de poupança mantidas pelo contribuinte e seus dependentes, na qualidade de titular ou co-titular, nas seguintes instituições financeiras: Unibanco, Bradesco e Banco BCN. Foi solicitado, também, a comprovação, mediante documentos hábeis e idôneos, da origem dos recursos depositados/aplicados nestas contas bancárias; • em atendimento ao Termo de Início de Fiscalização e a outras intimações relacionadas à movimentação financeira no Brasil, o contribuinte apresentou os seguintes extrados: o em 23/03/2006, conta corrente no 132.766-8, agência 523, do Unibanco S/A (fls. 43 a 109); o em 08/05/2006, conta corrente no 88.600-9, agência 0292-5, do Banco Bradesco S/A (fls. 124 a 133) e conta corrente no 729.391- 4, agência 170, do Banco BCN S/A, (fls. 134 a 146); o em 26/06/2006, conta de poupança vinculada à conta corrente no 88.600-9, agência 0292-5, do Bradesco S/A (fls. 153 a 155); o em 30/03/2007, conta de poupança vinculada à conta/corrente no 729.391-4, agência 170, do Banco BCN S/A; o em 20/06/2007, conta corrente 54.451, agência 9098-1, do Bradesco S/A, conjunta com Silvana Villela D. F. Bertolucci, e Fl. 571DF CARF MF Emitido em 28/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Processo nº 19515.003132/2007-04 Acórdão n.º 2202-01.472 S2-C2T2 Fl. 3 5 conta corrente no 38.357-0, agência 0098-1, do Bradesco S/A, conjunta com Rogério Pacheco Bertolucci (fls. 281 a 284). • foi encaminhada a Representação Fiscal no 1913/05 da Equipe Especial de Fiscalização Portaria SRF no 463/04 da Coordenação Geral de Fiscalização (fl. 05), na qual o fiscalizado é apontado como ordenante de seis remessas para o exterior, durante o ano-calendário 2002, no total de US$699.968,20; • trata-se de movimentação financeira de contas da extinta agência do Banestado na cidade de New York, Estados Unidos, quando se identificou a empresa Beacon Hill Service Corporation atuava como preposto bancário-financeiro de diversas pessoas físicas e jurídicas, administrando contas ou subcontas correntes específicas, entre as quais a conta Rigler no 530-765-047, na qual o contribuinte aparece como ordenante; • em resposta à intimação fiscal, datada de 13/03/2006, o contribuinte alegou desconhecer a movimentação financeira no exterior; • em 07/05/2007 foi lavrado um novo Termo de Intimação Fiscal, reiterando-se a intimação anterior e solicitando, dentre outros, planilha com a discriminação mensal dos rendimentos recebido da empresa Euroexport Assessoria e Propaganda Ltda. no ano-calendário 2002; • em 04/06/2007, o contribuinte apresentou Relação Mensal dos Pagamentos Efetuados pela empresa Euroexport Assessoria e Propaganda Ltda. (fl. 277); • analisando a documentação apresentada pelo fiscalizado o autuante elaborou os Demonstrativos Mensais de Depósitos/Créditos de todas as contas correntes e de poupanças do contribuinte referentes ao Bradesco S/A, Banco BCN S/A e Unibanco S/A, para os anos-calendário 2002 e 2003 (fls. 285 a 292), cujos valores foram consolidados às fls. 293 e 295; • nessas planilhas não foram consideradas a conta corrente no 54.451, do Bradesco S/A, em conjunto com Silvana Vilella D.F. Bertolucci, nos anos-calendário 2002 e 2003, e a conta corrente no 38.357-0 do Bradesco S/A, em conjunto com Rogério Pacheco Bertolucci, no ano-calendcário 2002, pois os depósitos nas mesmas foram considerados insignificantes; • em 30/06/2007, foi lavrado o Termo de Intimação para que o contribuinte comprovasse a origem dos depósitos constantes da relação anexa ao mesmo, referentes aos anos-calendário 2002 e 2003 (fl.s 297 a 300); • em face das contas bancárias do contribuinte mantidas no Bradesco S/A serem conjuntas com a Sra. Silvana Villela Duarte Ferreira Bertolucci, a referida senhora foi intimada a justificar os depósitos/créditos realizados nessas contas, que respondeu: “desconheço os depósitos efetuados na conta/corrente e de poupança n° 88.600 do Banco Bradesco S/A, uma vez Fl. 572DF CARF MF Emitido em 28/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA 6 que, embora referida conta fosse conjunta, o responsável por sua movimentação era o co-titular Giuliano Bertolucci”. Tal afirmação foi ratificada pelo contribuinte (fls. 305 e 306). Ao final a fiscalização apurou as infrações a seguir descritas: 1. Acréscimo patrimonial a descoberto: com base nas informações constantes do banco de dados da Receita Federal do Brasil e demais documentos coletados na presente ação fiscal, a fiscalização elaborou o demonstrativo intitulado “Análise de Variação Patrimonial Mensal” (fls. 318 e 319), no qual foi apurado acréscimo patrimonial a descoberto, nos meses de janeiro e agosto de 2002, nos quais os valores das remessas para o exterior foram considerados como aplicação. 2. Depósitos bancários de origem não comprovada: os depósitos bancários para os quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou foram tributados como omissão de rendimentos, nos anos-calendário 2002 e 2003, nos termos do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996. DA IMPUGNAÇÃO Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 346 a 388, cujo resumo se extraí da decisão recorrida (fls. 414 a 416): O contribuinte foi notificado do Auto de Infração em 21/12/2007 (fls. 340). Apresentou, tempestivamente. a defesa de fls. 346/408, alegando, em síntese: * Vício do Mandado de Procedimento Fiscal, pois o contribuinte teria sido intimado durante o procedimento fiscal sem o conhecimento das prorrogações dos mandados. O contribuinte afirma que o artigo 22 da Portaria n° 4.066 teria determinado o encerramento de todos procedimentos fiscais iniciados antes de 2 de maio de 2007 até 31 de outubro de 2007. Argumenta ainda que teria que ser apresentado o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação e que haveria necessidade de substituição do Auditor Fiscal responsável pelo MPF supostamente extinto; * Segundo o parágrafo 4° do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, na omissão de rendimentos de pessoa física deverá ser calculado o tributo e suas penalidades considerando os meses em que os mesmos foram lançados a crédito na conta- corrente do contribuinte; * Decadência do período de janeiro a novembro de 2002; * Ausência de documentos que fundamentam a autuação, pois a Representação Fiscal cita diversos documentos (Laudo Pericial Federal; relação das operações em que o impugnante apareceria como beneficiário/ordenante/remetente; Memorando-Circular COF1S/GAB n° 2004/00652; decisão judicial de 29/04/2004; laudo pericial da subconta relativa às movimentações financeiras relativas aos meses de janeiro a março de 2002), mas a autoridade fiscal teria anexado aos autos apenas alguns demonstrativos que foram elaborados pela própria Equipe de Fiscalização (fls. 05/07 e 232/237). Acrescenta que o Laudo Pericial n° 1046/04 - INC (fls. 08/20), elaborado para a denominada conta "Rigler S/A.", banco "JP Morgan Chase Bank", em que teriam sido identificadas movimentações nos meses de julho e agosto de 2002, não teria sido anexado aos autos os anexos II a V, em que apareceria o nome do impugnante como ordenante, além de não terem sido apresentadas cópias dos documentos que suportam tal laudo. Os Laudos 1.258/04 e 1.913/05 não mencionariam o nome do impugnante e sim de pessoas desconhecidas pelo Fl. 573DF CARF MF Emitido em 28/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Processo nº 19515.003132/2007-04 Acórdão n.º 2202-01.472 S2-C2T2 Fl. 4 7 contribuinte. Citariam tão somente "pessoas físicas ou jurídicas com endereços no Brasil", que estariam vinculadas a ordens de pagamento realizadas na conta Ringler S/A. Tais nomes teriam sido selecionados a partir de provas que não foram acostadas ao presente processo. O contribuinte desconhece as operações, sendo que não teria ordenado e nem autorizado terceiros a fazerem tais transferências; * As exigências da autoridade fiscal para que o contribuinte comprovasse, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos coincidentes em datas e valores, a origem dos recursos movimentados no exterior, não poderia ser admitida pois representaria a exigência de produção de prova negativa; * O simples somatório dos depósitos bancários não seria suficiente para caracterizar o acréscimo patrimonial do contribuinte. O lançamento teria sido feito com base em meras presunções de que o contribuinte era beneficiário das transferências do dinheiro para o exterior e de que os depósitos efetuados nas suas contas correntes representam efetiva receita auferida; * A obrigatoriedade das pessoas físicas conservarem os documentos relativos ao IRPF seria restrita às informações contidas nas declarações e que com relação às informações bancárias bastaria a conservação dos extratos financeiros anuais em que constem os saldos em 31 de dezembro. Portanto, quanto aos depósitos bancários, as provas solicitadas seriam de produção quase impossível; * Inconstitucionalidade da adoção da taxa Selic como juros de mora. * O acréscimo patrimonial decorreria de rendimentos omitidos. Como para rendimentos aplica-se a regra do artigo 6° da Lei n° 9.250, ou seja, a conversão da moeda tem que ser com base no valor do dólar dos Estados Unidos da América fixado para compra pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do recebimento do rendimento; DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Apreciando a impugnação apresentada pelo contribuinte, a 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo II (SP) julgou procedente em parte o lançamento, proferindo o Acórdão no 17-29.921 (fls. 411 a 439), de 09/02/2009, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2002, 2003 MPF. PRORROGAÇÃO. CIÊNCIA. Comprovadas as prorrogações do mandado de procedimento fiscal, não há que se falar em nulidade do lançamento. A nulidade do lançamento só ocorre na sua ausência. Portarias da Receita Federal do Brasil: n° 4.328 (setembro a novembro de 2005); n° 6.087 (novembro de 2005 a maio de 2007); n° 4.066 (durante maio de 2007 em sua redação original, que foi alterada pela Portaria n° 10.382, vigente então até dezembro de 2007); e n° 11.371 (de dezembro de 2007 em diante). ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, quando não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados Fl. 574DF CARF MF Emitido em 28/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA 8 exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. Como gastos devidamente comprovados pressupõem disponibilidade financeira, representam acréscimo patrimonial. Art. 3°, caput, e §§ 1° e 4°, Lei n° 7.713/88; art. 43, II, do CTN; e arts. 58, XIII, e 807 do RIR/99. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE FONTES NO EXTERIOR. São tributáveis os rendimentos de pessoa física, residente ou domiciliada no Brasil, ainda que recebidos no exterior, transferidos ou não para o Brasil, decorrentes de atividade desenvolvida ou de capital situado no exterior, que não tenham sido tributados no país de origem. Art. 8° da Lei 7.713/88 e artigo 55, VII, do R1R/99. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Art. 36 da Lei n° 9.784/99. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A partir de 1o de janeiro de 1997, com a entrada em vigor da Lei n.° 9.430 de 1996, consideram-se rendimentos omitidos autorizando o lançamento do imposto correspondente os depósitos junto a instituições financeiras quando o contribuinte, após regularmente intimado, não lograr êxito em comprovar mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados. JUROS. TAXA SELIC. Os juros calculados pela taxa SELIC são aplicáveis aos créditos tributários não pagos no prazo de vencimento consoante previsão do § 1° do artigo 161 do CTN, artigo 13 da Lei n.° 9.065/95 e artigo 61 da Lei n.° 9.430/96. Decisão a quo reduziu a omissão apurada relativa ao acréscimo patrimonial a descoberto, no ano-calendário 2002, para R$785.860,70, como se depreende do trecho a seguir transcrito (fl. 438): Todavia, cotejando a planilha de conversão de fls. 314 com os valores divulgados pelo Banco Central em seu site, verificamos que a autoridade fiscal confundiu a cotação de 07/01/2002, data da primeira operação, com a cotação vigente para 17/01/2002, razão pela qual o lançamento merece ser retificado especificamente quanto a tal diferença. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Notificado do Acórdão de primeira instância, em 17/04/2009 (vide AR de fl. 443), o contribuinte interpôs, em 18/05/2009, tempestivamente, o recurso de fls. 444 a 495, firmado por seu procurador (vide instrumento de mandato de fl. 502 a 504), no qual, após breve relato dos fatos, reitera os termos de sua impugnação e aduz os argumentos a seguir sintetizados. 1. O recorrente alega que a decisão recorrida sustentou que não seria necessária a juntada dos documentos em que aparece o nome do contribuinte, uma vez que essa documentação serviria apenas para repetir aquilo que já estaria provado pelo Laudo Pericial (fls. 223 a 231) e pelo relatório de fls. 232 a 237. Argumenta, entretanto, que o referido relatório foi elaborado pela própria Receita Federal do Brasil e que o laudo em questão sequer está assinado, ou seja, não há prova alguma de sua autenticidade. Fl. 575DF CARF MF Emitido em 28/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Processo nº 19515.003132/2007-04 Acórdão n.º 2202-01.472 S2-C2T2 Fl. 5 9 2. O contribuinte defende que o fato de manter relações societárias com empresas no exterior não permite presumir a participação em condutas fraudulentas, como as que lhe estão sendo imputadas. 3. Assevera que decisão guerreada, a despeito do que seria ou não prova negativa, pretende transferir ao contribuinte o ônus de provar a inexistência de algo que só existe por que assim presumiu a fiscalização. 4. Transcreve precedente do Conselho de Contribuintes segundo o qual o art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, exigiria dos contribuintes a comprovação dos recursos que justifiquem a origem dos depósitos bancários e não a coincidência de datas e valores. 5. No que se refere a cotação utilizada, pugna pela aplicação da regra prevista no art. 6o da Lei n° 9.250, de 1995, que preconiza a conversão dos rendimentos recebidos no exterior pela cotação fixada para compra do dólar dos Estados Unidos da América para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do recebimento do rendimento. 6. Reitera que a regra art. 42 da Lei no 9.430, de1996, não afasta a necessidade de comprovação da aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda, elemento da regra matriz de incidência tributária do imposto de renda, contida no art. 43 do Código Tributário Nacional – CTN. 7. Por fim, o contribuinte requer a nulidade da decisão recorrida, pois não cabe à autoridade julgadora corrigir erros do agente lançador. Alega que o julgador a quo inovou o lançamento, alterando o índice de conversão para o mês de janeiro de 2002, o que não pode ser admitido sob qualquer pretexto. Defende que na ausência de liquidez e certeza, o lançamento deve ser anulado, para que novo seja procedido, se for o caso. Cita o art. 149 do CTN, jurisprudência administrativa e doutrina para corroborar sua defesa. DA DISTRIBUIÇÃO Processo que compôs o Lote no 06, distribuído para esta Conselheira na sessão pública da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de 07/02/2011, veio numerado até à fl. 541 (última folha digitalizada)1. 1 Não foi encaminhado o processo físico a esta Conselheira. Recebido apenas o arquivo digital. Fl. 576DF CARF MF Emitido em 28/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA 10 Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Em síntese, na peça recursal argúem-se, como preliminares: (i) vício na emissão do Mandado de Procedimento Fiscal; (ii) regime mensal de apuração do Imposto de Renda Pessoa Física; (iii) decadência do período de janeiro a novembro de 2002; e (iv) nulidade da decisão de primeira instância. No mérito, os argumentos da defesa podem se agrupados em três tópicos: (i) acréscimo patrimonial a descoberto; (ii) depósitos bancários de origem não comprovada; e (iii) taxa Selic. 1 Mandado de Procedimento Fiscal O recorrente argúi a nulidade do procedimento fiscal, pois teria sido intimado no curso da ação fiscal, sem ter tido conhecimento das prorrogações do Mandado de Procedimento Fiscal correspondente. Aduz que o art. 22 da Portaria no 4.066, de 2007, teria determinado o encerramento de todos procedimentos fiscais iniciados antes de 2 de maio de 2007 até 31 de outubro de 2007. De acordo com o art. 7o Portaria SRF no 1265/1999, o MPF deveria conter o prazo para a realização do procedimento fiscal, que não poderia ser superior aos previstos no art. 12 da mesma portaria (para o MPF- Fiscalização, o prazo é de cento e vinte dias). Caso fosse necessária a prorrogação do prazo estabelecido em um MPF, esta deveria ser formalizada mediante a emissão de um Mandado de Procedimento Fiscal Complementar – MPF-C, conforme disposto no art. 13 da citada portaria, tendo como prazo limite para a prorrogação o mesmo estabelecido para o MPF original. Saliente-se, ainda, que conforme disposto no art. 14 da mesma portaria, as prorrogações deveriam ser feitas em prazos contínuos, excluindo-se na sua contagem o dia do início e incluindo-se o do vencimento. Este interstício entre as prorrogações foi reduzido para trinta dias pela Portaria SRF no 407, de 17 de abril de 2001. Com a edição da Portaria SRF no 3007, de 26 de novembro de 2001, a prorrogação passou a ser feita por intermédio de registro eletrônico pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação fica disponível na Internet, conforme disposto em seu art. 13: Art. 13. A prorrogação do prazo de que trata o artigo anterior poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de trinta dias. § 1º A prorrogação de que trata o caput far-se-á por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação estará disponível na Internet, nos termos do art. 7º, inciso VIII. [...] Este dispositivo foi reproduzido nas portarias subseqüentes, constando atualmente do art. 9o da Portaria no 3.014, de 29 de junho de 2011. Fl. 577DF CARF MF Emitido em 28/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Processo nº 19515.003132/2007-04 Acórdão n.º 2202-01.472 S2-C2T2 Fl. 6 11 No caso dos autos, a presente ação fiscal está escudada no MPF nº 0819000 2006 00095, para ser executado inicialmente até 09/05/2006, conforme extrato anexado às fls. 3 e 4. Consta ainda o devido registro eletrônico das sucessivas prorrogações até o término da ação fiscal com a ciência do Auto de Infração em 21/12/2007 (fl. 340). Quanto à alegação do contribuinte de não teria sido notificado de qualquer alteração de prazo, cabe esclarecer que, nos termos da legislação vigente, não é mais necessária à ciência do contribuinte após cada prorrogação, as quais passaram a ser automáticas e registradas no Demonstrativo de Emissão e Prorrogação. É de se ressaltar que tal simplificação do procedimento de comunicação não traz qualquer prejuízo para o contribuinte, já que como agora não há emissão de um novo MPF para a formalização da prorrogação (mas mera ampliação do prazo via registro eletrônico), o código do procedimento fiscal indicado no MPF que abriu a ação fiscal, e que dá acesso, na internet, aos dados relativos ao MPF e suas prorrogações, permanece o mesmo até o final de todo o procedimento de ofício. Ou seja, ao início da ação fiscal o contribuinte é formalmente cientificado do MPF, recebendo o código para verificação na internet; a partir daí, tudo o que ocorrer em termos de modificação deste MPF será acessível na internet, por meio deste mesmo e único código. Haveria prejuízo para o contribuinte se a prorrogação do MPF não pudesse ser checada em termos de sua regularidade formal, em face de que a ela estaria associada um novo documento ou uma informação inacessível pelo código inicialmente fornecido, mas isto hoje já não mais ocorre. Desta forma, comprovada a legitimidade das prorrogações de prazo efetuadas ao longo da ação fiscal, o MPF só se extinguiu com a lavratura do termo de encerramento. Quanto ao prazo para encerramento das ações fiscais escudadas em MPF expedidos antes da edição da Portaria no 4.066, de 2007, embora o art. 22 da referida norma tenha estabelecido como termo final 31 de outubro de 2007, o § 1o do mesmo artigo já previa que, na impossibilidade de cumprimento do referido prazo, os procedimentos fiscais teriam continuidade. Destarte, descabida a alegação de que o procedimento fiscal não estava acobertado por MPF válido. 2 Regime de apuração da pessoa física O contribuinte defende que o fato gerador da pessoa física seria mensal e não anual. De se analisar a questão. À época da edição da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, os rendimentos e ganhos de capital eram apurados e tributados mensalmente, conforme disposto no art. 2o: Art. 2 - O Imposto sobre a Renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Com o advento da Lei nº 8.134, de 27 de dezembro de 1990, voltou-se a apurar o imposto de renda anualmente, tendo como base de cálculo todos os rendimentos recebidos ao longo do ano-calendário, exceto os isentos, os não tributáveis e os tributados Fl. 578DF CARF MF Emitido em 28/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA 12 exclusivamente na fonte, como se depreende dos seus arts. 2o, 9o, 10 e 11, a seguir transcritos (grifos nossos). Art. 2° O Imposto de Renda das pessoas físicas será devido à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, sem prejuízo do ajuste estabelecido no art. 11. [...] Art. 9o As pessoas físicas deverão apresentar anualmente declaração de rendimentos, na qual se determinará o saldo do imposto a pagar ou a restituir. Parágrafo único. A declaração, em modelo aprovado pelo Departamento da Receita Federal, deverá ser apresentada até o dia 25 (vinte e cinco) do mês de abril do ano subseqüente ao da percepção dos rendimentos ou ganhos de capital. Art. 10. A base de cálculo do imposto, na declaração anual, será a diferença entre as somas dos seguintes valores: I - de todos os rendimentos percebidos pelo contribuinte durante o ano-base, exceto os isentos, os não tributáveis e os tributados exclusivamente na fonte; e II - das deduções de que trata o art. 8º. Art. 11. O saldo do imposto a pagar ou a restituir na declaração anual (art. 9°) será determinado com observância das seguintes normas: I - será apurado o imposto progressivo mediante aplicação da tabela (art. 12) sobre a base de cálculo (art. 10); II - será deduzido o valor original, excluída a correção monetária do imposto pago ou retido na fonte durante o ano- base, correspondente a rendimentos incluídos na base de cálculo (art. 10); [...] Atente-se que no art. 2o acima transcrito foi suprimida a palavra “mensalmente” que constava anteriormente na redação do art. 2o da Lei no 7.713, de 1988, acrescentando-se a ressalva, “sem prejuízo do ajuste estabelecido no art. 11”, retornando, assim, a tributação a bases anuais. O imposto de renda retido na fonte (exceto os casos de tributação exclusiva) e o carnê-leão, previstos nos arts. 7o e 8o da Lei no 7.713, foram mantidos na Lei no 8.134, de 1990 (arts. 3º e 4º), como antecipações do imposto apurado anualmente, como se observa pelo teor do art. 5º da citada lei (grifos nossos): Art. 5º Salvo disposição em contrário, o imposto retido na fonte (art. 3º) ou pago pelo contribuinte (art. 4°), será considerado redução do apurado na forma do art. 11, inciso I. Conclui-se, assim, que apenas no ano-base 1989 houve a incidência de imposto de renda somente em bases mensais. A partir do ano-base 1990, os rendimentos recebidos ao longo do ano-calendário, neles incluído o acréscimo patrimonial a descoberto, voltaram a ser tributados em bases anuais. Somente os rendimentos para os quais exista Fl. 579DF CARF MF Emitido em 28/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Processo nº 19515.003132/2007-04 Acórdão n.º 2202-01.472 S2-C2T2 Fl. 7 13 determinação legal considerando-os de tributação definitiva ou exclusiva na fonte, estão excluídos da tributação anual. No caso do acréscimo patrimonial a descoberto, a apuração mensal determina apenas o lapso temporal a ser considerado para fins de quantificação da matéria tributável a ser submetida a tributação, e não o fato gerador em si. Esta quantificação é feita pelo confronto, mês a mês, das origens e aplicações, caracterizando-se a omissão naqueles meses em que a variação patrimonial for negativa (quando as aplicações forem maiores do que origens). O valor tributável será a soma dos acréscimos patrimoniais a descoberto mensais, o qual deverá ser adicionado aos demais rendimentos e omissões apurados no ano-calendário para fins de determinação do imposto devido no ajuste anual. Por exemplo, suponha que seja apurado acréscimo patrimonial a descoberto em único mês e em valor superior ao limite de isenção mensal e inferior ao limite de isenção anual. Se a base de cálculo anual declarada pelo contribuinte somada à omissão apurada for inferior ao limite de isenção anual, nenhum imposto será devido pelo contribuinte. Isto porque a obrigação tributária só nasce, em 31 de dezembro de cada ano, quando se tem disponível o total dos rendimentos recebidos no ano e das deduções permitidas na legislação para que se possa apurar a base de cálculo anual e, aplicando-se a respectiva tabela progressiva, verificar se existe ou não imposto devido. Resta claro, portanto, que depois da apuração mensal, devem os acréscimos patrimoniais a descoberto em cada mês serem totalizados e adicionados à base de cálculo anual para efeito de cálculo do imposto anual devido. Neste sentido, também já se manifestou a Câmara Superior de Recursos Fiscais: IRPF – ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO – CRITÉRIOS DE APURAÇÃO. A variação patrimonial do contribuinte deve, necessariamente, ser levantada através de fluxo financeiro onde se discriminem, mês a mês, as origens e as aplicações de recursos. Tributam-se na declaração de ajuste anual os acréscimos patrimoniais encontrados através da apuração mensal. Interpretação sistemática das Leis nos 7.713/88 e 8.134/90. (CSRF/04-00.510, de 20/03/2007). O recorrente invoca, ainda, o art. 42, §4o, da Lei no 9.430, de 1996, para defender que o fato gerador deveria ser mensal e não anual: § 4o Tratando-se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Independentemente, de haver ou não incidência do imposto mensal, tais rendimentos estão sujeitos ao ajuste anual, já que não existe legislação determinando que esta incidência mensal seja definitiva ou exclusiva na fonte. Assim, a discussão se os depósitos bancários de origem não comprovada estão sujeitos à tabela progressiva mensal é irrelevante, uma vez que todos os rendimentos recebidos no ano-calendário estão sujeitos à tabela progressiva anual (excetos isentos e Fl. 580DF CARF MF Emitido em 28/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA 14 tributação exclusiva) e devem ser somados a fim de se apurar o imposto a ser exigido no ajuste anual. Caso houvesse a exigência de imposto mensal, este seria apenas uma mera antecipação do imposto devido ao final do ano. A Instrução Normativa no 246, de 20 de novembro de 2002, que regulou os procedimentos a serem adotados quando da tributação dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o contribuinte, pessoa física regularmente intimada, não comprove a origem dos recursos, corrobora nosso entendimento, como se observa pelo art. 4o a seguir reproduzido (grifos nossos): Art. 4º Os rendimentos omitidos, de origem não comprovada, serão apurados no mês em que forem recebidos e estarão sujeitos a tributação na declaração de ajuste anual, conforme tabela progressiva vigente à época. § 1o Ao imposto suplementar apurado na forma do caput será aplicada a multa de que tratam os incisos I ou II do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. § 2o Na hipótese de comprovação da origem, os rendimentos omitidos serão apurados no mês em que forem recebidos e tributados segundo sua natureza, aplicando-se a multa de que trata o § 1º, e, se for o caso, a multa do inciso III do § 1º do mesmo dispositivo legal. Como se percebe, a própria Administração Tributária, adequando a tributação dos depósitos bancários a outros tipos de omissão (acréscimo patrimonial a descoberto, apurado mensalmente e tributado no ajuste anual), dispensou a tributação mensal do imposto prevista na Lei no 9.430, de 1996, quando determinou que os valores serão “apurados” e não mais “tributados” no mês, porém deixou claro que estes estão sujeitos ao ajuste anual. Ademais, essa questão não demanda maiores discussões, uma vez que encontra-se pacificada pela Súmula CARF no 38, de aplicação obrigatória, desde 22/12/2009: Súmula CARF no 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. Conclui-se, assim que tanto o acréscimo patrimonial a descoberto quanto a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada são tributados no ajuste anual e, portanto, tem fato gerador anual. 3 Decadência Com a devida vênia daqueles que pensam diferente, encontra-se pacificado neste Conselho o entendimento, ao qual me filio, de que o Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF é um tributo sujeito ao lançamento por homologação, ou seja, aquele em que a lei determina que o sujeito passivo, interpretando a legislação aplicável, apure o montante tributável e efetue o recolhimento do imposto devido, sem prévio exame da autoridade administrativa, conforme definição contida no caput do art. 150 do CTN, tendo sua decadência regrada, em princípio, pelo § 4o deste mesmo artigo (cinco anos contados da data do fato gerador). Cumpre lembrar que o art. 150, §4o, exclui expressamente do seu escopo os casos em Fl. 581DF CARF MF Emitido em 28/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Processo nº 19515.003132/2007-04 Acórdão n.º 2202-01.472 S2-C2T2 Fl. 8 15 que seja constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, aplicando-se, por conseguinte, a regra geral prevista no art. 173 do CTN, inciso I. Além disso, o Supremo Tribunal Federal no Recurso Especial no 973.733 – SC, de 12/08/2009, de relatoria do Ministro Luiz Fux, submetido ao regime do art. 543-C do CPC, entendeu que o prazo decadencial previsto art. 150, §4o, do CTN, tem uma condição adicional, qual seja, a existência de pagamento antecipado de tributo. Essa decisão passou a ser obrigatória no âmbito deste Tribunal Administrativo, por força do disposto no art. 62-A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pela Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010). O presente lançamento refere-se a apuração de acréscimo patrimonial a descoberto e depósitos bancários de origem não comprovada, rendimentos sujeitos à tributação na Declaração de Ajuste Anual, como se viu no item anterior, e, portanto, o fato gerador se perfaz em 31 de dezembro de cada ano, momento em que se verifica o termo final do período, para efeitos de determinação da base de cálculo do imposto. Assim, ainda que se aplique a regra mais favorável ao recorrente, considerando-se que o ano-calendário mais remoto é 2002 (fato gerador: 31/12/2002), o lançamento poderia ter sido formalizado até 31/12/2007 (cinco anos da data do fato gerador). Uma vez que o Auto de Infração foi cientificado ao contribuinte em 21/12/2007 (vide AR anexado à fl. 340), não havia decaído ainda o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário. 4 Nulidade da decisão de primeira instância O recorrente argúi a nulidade da decisão recorrida, alegando que o julgador a quo inovou o lançamento, alterando o índice de conversão para o mês de janeiro de 2002. Defende que na ausência de liquidez e certeza, o lançamento deve ser anulado, para que novo seja procedido, se for o caso. Inicialmente convém lembrar que, de acordo com Decreto no 70.235, de 26 de março de 1972, que regulamenta o processo administrativo fiscal, são nulos “os atos e termos lavrados por pessoa incompetente” e “os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa” (art. 59, incisos I e II). O art. 60 do mesmo decreto, esclarece, ainda: Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Conclui-se, assim, que simples erros de cálculo na apuração do imposto ou da omissão como, por exemplo, utilização de índice de conversão equivocado e outras incorreções que não se enquadrem nos casos de nulidade previstos na legislação, não maculam o lançamento, devendo ser corrigidos sempre que causarem prejuízo ao sujeito passivo. Apenas quando as incorreções resultarem em agravamento da exigência inicial ou em inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, é que será lavrado Fl. 582DF CARF MF Emitido em 28/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA 16 novo auto de infração ou notificação de lançamento complementar (art. 18, §3o, do Decreto no 70.235, de 1972), o que não é o caso dos autos. Não houve inovação ou alteração da fundamentação legal, assim como a correção do índice de conversão do dólar para real acarretou em diminuição da omissão, razão pela qual a o julgador a quo julgou procedente em parte o lançamento. Destarte, rejeito a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância. 5 Acréscimo patrimonial a descoberto A presunção de acréscimo patrimonial a descoberto que está legalmente prevista nos arts. 2o e 3o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, a seguir transcrito (grifos nossos): Art. 2o O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Art. 3o O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9o a 14 desta Lei. § 1o Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidas em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. [...] § 4o - A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Da leitura dos dispositivos legais acima mencionados, depreende-se que se devem confrontar, mensalmente, as mutações patrimoniais com os rendimentos auferidos para se apurar a evolução patrimonial do contribuinte. Trata-se de uma presunção legal do tipo juris tantum (relativa), pois, demonstrada pelo fisco a existência de acréscimos patrimoniais a descoberto presume-se a ocorrência de omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte justificar a origem de tais acréscimos com rendimentos já tributados, isentos, não tributáveis ou de tributação exclusiva. Permanecendo injustificados tais acréscimos, prevalece a presunção relativa de que provêem de fonte ou atividade não declaradas, com o objetivo de subtraí-las à tributação devida. Como se vê, o ônus da prova atribuída a cada uma das partes envolvidas na apuração do acréscimo patrimonial a descoberto está bem delimitado no texto legal. À fiscalização compete comprovar as aplicações e/ou dispêndios efetuados pelo contribuinte que irão compor o demonstrativo da variação patrimonial mensal, e, por outro lado, ao contribuinte cabe demonstrar que tais aplicações tiveram origem em rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva, para que estes recursos sejam considerados como origem no referido demonstrativo. Fl. 583DF CARF MF Emitido em 28/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Processo nº 19515.003132/2007-04 Acórdão n.º 2202-01.472 S2-C2T2 Fl. 9 17 Feitas estas digressões iniciais, passa-se a análise do caso em concreto. Pelo demonstrativo intitulado “Análise da Evolução Patrimonial Mensal”, referente ao ano-calendário 2002 (fls. 318 e 319), verifica-se que só foi apurado acréscimo patrimonial a descoberto nos mês de janeiro e agosto em decorrência das transferências bancárias internacionais ocorridas nesses meses e consideradas como dispêndio. Esse é exatamente o ponto de discordância do contribuinte. O interessado nega a titularidade da conta, bem como dos recursos que nela transitaram, sustentando que não existem provas dos fatos que lhe foram imputados. Afirma que o laudo que teria fundamentado o lançamento não menciona seu nome nem está assinado, assim como não foram juntados aos autos os anexos do referido laudo em que o contribuinte apareceria como ordenante. Aduz que a autoridade lançadora teria anexado apenas alguns demonstrativos que foram elaborados pela própria Equipe de Fiscalização (fls. 05 a 07 e 232 e 237) e que o fato de manter relações societárias com empresas no exterior não permite presumir a participação em condutas fraudulentas, como as que lhe foram atribuídas. Por fim, caso não sejam acatados os argumentos da defesa, pugna pela aplicação da regra prevista no art. 6o da Lei n° 9.250, de 1995, que preconiza a conversão dos rendimentos recebidos no exterior pela cotação fixada para compra do dólar dos Estados Unidos da América para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do recebimento do rendimento. Compulsando os elementos que compõem os autos, verifica-se que os principais documentos que embasaram o lançamento do acréscimo patrimonial a descoberto apurado no ano-calendário 2002 foram: o Laudo de Exame Econômico-Financeiro no 1046/04 –INC (fls. 8 a 20), a cópia da relação das operações em que o contribuinte consta como ordenante de (fls. 6 e 7) e a Representação Fiscal no 1913/05, da Equipe Especial de Fiscalização Portaria SRF no 463/04 (fl. 5). De acordo com o Laudo de Exame Econômico-Financeiro no 1046/04 do Instituto Nacional de Criminalística, do Departamento de Polícia Federal, a empresa Beacon Hill Service Corporation – BHSC, sediada em Nova York, atuava como preposto bancário- financeiro de pessoas físicas e jurídicas, principalmente representadas por brasileiros, em agência do JP Morgan Chase Bank, administrando contas e subcontas específicas, entre as quais a subconta no 530-765-047, denominada RIGLER S.A. O objetivo do laudo era identificar os titulares, procuradores ou representantes da conta RIGLER , “assim como identificar os relacionamentos existentes e consolidar a movimentação financeira, a fim trazer elementos de prova necessários a subsidiar ajusta solução e a esclarecer os fatos.” (fl. 9). De acordo com os peritos, o material examinado era composto por mídias digitais (arquivos com transferências eletrônicas) e dossiês das contas investigadas, contendo cópias reprográficas dos documentos bancários e cadastrais, inclusive correspondências, bilhetes e anotações (fl. 9). Informam, ainda, que no preenchimento da ficha de abertura foram identificados os nomes dos Srs. Clemente Dana e Gabriel Lewi, Presidente e Vice-Presidente, respectivamente, da RIGLER CORP. S.A. Não se discute o valor probante do Laudo Pericial que fundamentou o lançamento, contudo, a identificação do contribuinte como ordenante dos recursos para a subconta da Beacon Hill intitulada RIGLER não se deu de forma conclusiva, atestando somente que houve uma transferência em seu nome. De acordo com os peritos, o contribuinte Fl. 584DF CARF MF Emitido em 28/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA 18 não é titular nem representante da subconta investigada e o exame da movimentação financeira baseou-se apenas em ordens eletrônicas de pagamentos remetidas e recebidas, não havendo menção a documento firmado pelo interessado ou conta de sua titularidade. Ademais, no corpo do referido laudo, ao descrever os campos que compuseram os registros eletrônicos analisados, os peritos informam, à fl. 14, “ORDER CUSTOMER: cliente que determinou a ordem de pagamento (não constitui, necessariamente, o remetente original)”. Apesar da existência de indícios de que os recursos movimentados na conta fiscalizada teriam sido transferidos por ordem do autuado, não se pode, sem prova de como tais recursos foram remetidos para o exterior ou de quem seria a real propriedade dos mesmos atribuí-la àquele que figura como ordenante de uma ordem eletrônica de pagamento, sem que exista qualquer documento que o vincule, indubitavelmente, às operações de transferência. Deveria a fiscalização ter se aprofundado mais na ação fiscal, verificando junto ao banco que originou as transferências de que forma a operação foi realizada, identificando com clareza as partes envolvidas, bem como rastreando as contas de entrada e saída de recursos, a fim de descobrir o real titular dos valores envolvidos. Não há nos autos provas sequer de que as transferências partiram de conta corrente na qual o contribuinte fosse o titular. Em se tratando de acréscimo patrimonial a descoberto, nos termos da legislação vigente, a comprovação dos dispêndios ou aplicações fica a cargo do fisco. Assim, ante a negativa da autoria das transferências de recurso pelo contribuinte, para se conformar a presunção de omissão de rendimentos decorrente de acréscimo patrimonial a descoberto, além de comprovar que as operações financeiras foram de fato efetuadas por ele, caberia a fiscalização demonstrar que estas estariam vinculadas a aumento patrimonial ou consumo em prol do fiscalizado, o que não ocorreu. A simples transferência financeira não pode ser considerada como aplicação de recursos na elaboração dos demonstrativos de variação patrimonial quando não se demonstra sua destinação. Esse entendimento já encontra pacificado no âmbito deste Tribunal Administrativo, nos termos da Súmula no 67 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em, em vigor desde 07/12/2010: Súmula CARF no 67: Em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto a partir de fluxo de caixa que confronta origens e aplicações de recursos, os saques ou transferências bancárias, quando não comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal. Dessa forma, pelo que dos autos consta, assiste razão ao contribuinte, devendo as transferências que lhe foram atribuídas serem excluídas do Demonstrativo de Variação Patrimonial. Como os recursos auferidos no ano-calendário 2002, em todos os meses, são superiores às aplicações e/ou dispêndios remanescentes, não existe acréscimo patrimonial a descoberto neste período, deixando-se, assim, de apreciar os demais argumentos trazidos pelo recorrente relacionados a esta infração. Nesses termos, há que se julgar improcedente o lançamento do acréscimo patrimonial a descoberto apurado no ano-calendário 2002. Fl. 585DF CARF MF Emitido em 28/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Processo nº 19515.003132/2007-04 Acórdão n.º 2202-01.472 S2-C2T2 Fl. 10 19 6 Depósitos bancários de origem não comprovada Trata-se de lançamento de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, apurada nos anos-calendário 2002 e 2003, no qual o próprio contribuinte foi quem forneceu os extratos que envolveram a constituição do crédito tributário reclamado. Insurgindo contra à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, o recorrente alega que: (a) o lançamento teria se baseado em mera presunção, pois o simples somatório dos depósitos bancários não seria suficiente para caracterizar o acréscimo patrimonial; (b) a presunção prevista no art. 42 da Lei no 9.430, de1996, não afasta a necessidade de comprovação da aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda; (c) a obrigatoriedade das pessoas físicas conservarem os documentos relativos ao IRPF seria restrita às informações contidas nas declarações e que em relação às informações bancárias bastaria a conservação dos extratos anuais em que constem os saldos em 31 de dezembro; (d) a prova da origem dos depósitos bancários seria produção quase impossível; e (e) menciona precedente do Conselho de Contribuintes segundo o qual o art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, exigiria dos contribuintes a comprovação dos recursos que justifiquem a origem dos depósitos bancários e não a coincidência de datas e valores. Inicialmente, importa transcrever o art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, base legal do lançamento em discussão: Art.42.Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1o O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2o Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3o Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I - os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II -no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano- calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). [...] (grifou-se) Fl. 586DF CARF MF Emitido em 28/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA 20 De acordo com o dispositivo acima transcrito, basta ao fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origens não comprovadas para que se presuma, até prova em contrário, a cargo do contribuinte, a ocorrência de omissão de rendimentos. Não se trata de mera presunção (item a), conforme alegado, mas sim de uma presunção legal do tipo juris tantum (relativa), em que cabe ao fisco comprovar apenas o fato necessário e suficiente ao estabelecimento situação definida em lei para que fique evidenciada a omissão de rendimentos. Como dos autos se infere, a autoridade lançadora fez aquilo que o art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, lhe atribuía como responsabilidade: constatada a manutenção de conta bancária com expressiva movimentação não declarada pelo contribuinte, intimou-o, a se manifestar quanto à origem dos depósitos efetuados na conta fiscalizada e a juntar a documentação que comprovasse a origem de tais ingressos. Diante do silêncio do recorrente, a fiscalização tributou integralmente os depósitos bancários efetuados nas suas contas correntes. Quanto à necessidade de o fisco demonstrar a existência de acréscimo patrimonial a descoberto ou de disponibilidade econômica ou jurídica da renda (itens a e b), o recorrente não pode transferir para a fiscalização o encargo que a lei lhe impõe. O ônus da prova atribuída a cada uma das partes envolvidas na presunção prevista no art. 42 da Lei no 4.930, de 1996, está bem definido no texto legal, não deixando margens a dúvida. Cabe ao fisco apenas identificar os depósitos e intimar o titular da conta a sobre eles se manifestar, para que se presuma, até prova em contrário, a cargo do contribuinte, a ocorrência de omissão de rendimentos. Nesse sentido, consolidando a jurisprudência mais recente, foi editada a Súmula no 26 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de aplicação obrigatória, desde 22/12/2009: Súmula CARF no 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei No - 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. No presente recurso, nada trouxe de novo o contribuinte que comprovasse a origem dos depósitos bancários tributados, limitando-se a reiterar os argumentos de direito já apresentados em sua impugnação. Da mesma forma, não podem ser acolhidos os argumentos de que o contribuinte teria obrigatoriedade de conservar, no caso das informações bancárias, apenas os extratos anuais em que constem os saldos em 31 de dezembro (item c) ou de que a prova da origem dos depósitos bancários seria produção quase impossível (item d). No caso da pessoa física, para suprir eventuais dificuldades encontradas pelos contribuintes em justificar a origem dos depósitos referentes pequenas operações corriqueiras, em razão de sua falta de organização e previdência, não se considera omissão de rendimentos os depósitos que individualmente sejam inferiores a R$12.000,00, desde que no total não ultrapassem R$80.000,00 num mesmo ano-calendário (§ 3o do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996). Importa destacar que o total dos depósitos inferiores ou iguais a R$12.000,00, excederam o limite anual R$80.000,00, razão pela qual não há exclusão a ser feita neste sentido. No tocante à alegação de que bastaria a comprovação dos recursos que justifiquem a origem dos depósitos bancários e não a coincidência de datas e valores (item e), Fl. 587DF CARF MF Emitido em 28/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA Processo nº 19515.003132/2007-04 Acórdão n.º 2202-01.472 S2-C2T2 Fl. 11 21 cumpre esclarecer que, muito embora à coincidência de datas e valores não esteja explicita no art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, o §3o do referido artigo impõe que os créditos sejam analisados individualizadamente. Assim, ao se tentar vincular um depósito a uma determinada operação não tributável ou já tributada, a data e o valor são elementos importantes que, quando não coincidentes, devem ser contundentemente justificados e comprovados. Desta forma, o critério da perfeita coincidência entre data e valor, em muitas situações, pode ser o mais adequado, devendo-se, contudo, analisar caso a caso diante das provas documentais apresentadas. Cabe aqui repetir que o ônus da prova da origem dos recursos depositados em suas contas bancárias é do contribuinte, e que, não havendo coincidência entre datas e valores nos documentos apresentados, deve ele apresentar outros elementos de prova que permitam estabelecer uma relação entre as operações que alega terem ocorrido para comprovar a origem dos depósitos que pretende justificar. Quanto ao precedente administrativo reproduzido pelo recorrente, convém esclarecer que esse não têm caráter vinculante, valendo apenas entre as partes, ainda que existam decisões reiteradas sobre o assunto. Somente quando a questão em discussão estiver sumulada, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009 (publicada no DOU de 23/ 06/2009), é que o Conselheiro está obrigado a adotar o entendimento sumular. Assim sendo, não tendo o interessado qualquer cautela em documentar adequadamente os fatos que teriam ocorrido, ficam por sua conta e risco as conseqüências de tal negligência. Destarte, tendo sido o contribuinte regularmente intimado a justificar a origem dos recursos depositados em sua conta corrente, e não o fazendo, impõe-se a tributação do total dos depósitos bancários não justificados, nos termos do art. 42 da Lei no 9.430/1996. 7 Taxa Selic Na verdade, a exigência dos juros apurados a partir da Taxa Selic está prevista, de forma literal, no artigo 13 da Lei no 9.065, de 20 de junho de 1995 e no § 3o do art. 61 da Lei no 9.430/1996, não havendo como afastá-la sem expurgar, também, tais dispositivos literais de lei. Ademais, esta matéria já se encontra pacificada no âmbito deste Tribunal Administrativo, nos termos da Súmula no 4 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em vigor desde 22/12/2009: Súmula CARF no 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Da mesma forma, quanto à alegação de violação aos princípios constitucionais, não cabe a este Colegiado afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, por força do Fl. 588DF CARF MF Emitido em 28/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA 22 disposto no art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pela Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010), que regula o julgamento administrativo de segunda instância. Esse entendimento também já se encontra consolidado no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais por meio da Súmula CARF no 2, em vigor desde 22/12/2009: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Destarte, há que se referendar o feito fiscal naquilo que se relaciona com a aplicação da Taxa SELIC como juros de mora. 8 Conclusão Diante do exposto, voto por REJEITAR as preliminares suscitadas pelo recorrente e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para excluir da base de cálculo do ano-calendário 2002 o valor de R$2.389.681,81, corresponde a omissão apurada por acréscimo patrimonial a descoberto. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Fl. 589DF CARF MF Emitido em 28/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 21/12/2011 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CA

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Numero do processo: 10183.004377/2005-11
Data da sessão: Mon Jul 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2001 Ementa: ITR – ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL – EXCLUSÃO DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. O recorrente foi autuado pelo fato de ter excluído da base de cálculo do ITR área de preservação permanente e reserva legal sem prévio ato declaratório ambiental. Quando o contribuinte for intimado e conseguir demonstrar através de provas inequívocas, como por exemplo averbação no registro de imóveis ou laudo de avaliação assinado por profissional competente o que deve prevalecer é a verdade material. No caso dos autos tal fato não foi devidamente comprovado. MULTA DE OFÍCIO CONFISCO Em se tratando de lançamento de ofício, é legítima a cobrança da multa correspondente, por falta de pagamento do imposto, sendo inaplicável o conceito de confisco que é dirigido a tributos. TAXA SELIC – A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula nº 04 CARF)
Numero da decisão: 2202-001.258
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR

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Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ­ ITR  Exercício: 2001  Ementa:   ITR – ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL  –  EXCLUSÃO  DESNECESSIDADE  DE  ATO  DECLARATÓRIO  AMBIENTAL.   O recorrente foi autuado pelo fato de ter excluído da base de cálculo do ITR  área de preservação permanente e  reserva  legal  sem prévio  ato declaratório  ambiental.  Quando o contribuinte for intimado e conseguir demonstrar através de provas  inequívocas, como por exemplo averbação no registro de imóveis ou laudo de  avaliação  assinado  por  profissional  competente  o  que  deve  prevalecer  é  a  verdade  material.  No  caso  dos  autos  tal  fato  não  foi  devidamente  comprovado.  MULTA  DE  OFÍCIO  ­  CONFISCO  ­  Em  se  tratando  de  lançamento  de  ofício, é legítima a cobrança da multa correspondente, por falta de pagamento  do  imposto,  sendo  inaplicável  o  conceito  de  confisco  que  é  dirigido  a  tributos.  TAXA  SELIC  –  A  partir  de  1º  de  abril  de  1995,  os  juros  moratórios  incidentes sobre débitos  tributários administrados pela Secretaria da Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação  e  Custódia  ­  SELIC  para  títulos  federais  (Súmula nº 04 ­ CARF)        Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     Fl. 188DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Assinado digitalmente em 08/08/2011 por NELSON MALLMANN, 05/08/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR     2 Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos  negar  provimento ao recurso.  (Assinado Digitalmente)  Nelson Mallmann ­ Presidente.     (Assinado Digitalmente)  Pedro Anan Junior ­ Relator.      Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Maria  Lúcia  Moniz  de  Aragão  Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza,  Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente,  justificadamente, o Conselheiro Helenilson  Cunha Pontes.     Fl. 189DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Assinado digitalmente em 08/08/2011 por NELSON MALLMANN, 05/08/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10183.004377/2005­11  Acórdão n.º 2202­01.258  S2­C2T2  Fl. 2          3     Relatório  Contra o contribuinte Brasil Grande S/A foi lavrado auto de infração de ITR,  onde foram glosadas as áreas de preservação permanente e de utilização limitada referente ao  exercício de 2001, por falta de apresentação do Ato Declaratório Ambiental – ADA.  O  contribuinte  apresentou  impugnação  de  fls.  23  a  24,  onde  contesta  o  lançamento.  A  1ª  Turma  da  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  em  Campo  Grande/MS concluiu, por unanimidade de votos, pela procedência do lançamento, nos termos  do Acórdão DRJ/CGE n° 04.10.154, de  18 de agosto de 2006, às fls. 64/82.  Não  se  conformando  com  a  decisão  o  contribuinte,  apresento  recurso  voluntário, de fls. 90/101.  Em 26 de março de 2009, o processo foi convertido em diligência através da  Resolução, 3101­00.017.  Tendo em vista do retorno da diligência, e da unificação do antigo Conselhos  de  Contribuintes  no  CARF  onde  foi  transferida  a  competência  para  julgamento  de  causas  relativas ao ITR, para a Segunda Seção, o processo foi a mim distribuído.  É o relatório.  Fl. 190DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Assinado digitalmente em 08/08/2011 por NELSON MALLMANN, 05/08/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR     4     Voto             Conselheiro Pedro Anan Junior Relator    ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE – APP  ­ E UTILIZAÇÃO  LIMITADA – RESERVA LEGAL.    Trata­se de  lançamento  fiscal de  ITR, exercício 2001, derivado de glosa de  área de preservação permanente e reserva legal por ter o sujeito passivo não ter apresentado o  Ato Declaratório Ambiental – ADA junto ao  IBAMA. Além do mais o contribuinte após ser  devidamente  intimado  não  apresentou  laudo  de  avaliação  para  comprovar  as  exclusões  efetuadas.  A  decisão  recorrida,  que  confirmou  o  lançamento,  apóia­se  na  premissa  de  que  a  exclusão  da  área  de  preservação  permanente  e  reserva  legal  da  apuração  da  base  de  cálculo  do  ITR,  exercício  2001,  tem  como  base  o  ADA  não  apresentado  bem  como  não  suportado por competente laudo de avaliação.  A questão exige que se separe a análise da disciplina normativa que as áreas  de preservação permanente  e  reserva  legal  recebem no âmbito do Direito Tributário daquela  que recebem no contexto do Direito Ambiental.  A Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996, expressamente exclui da base de  cálculo tributável do ITR as áreas de reserva legal e de preservação permanente (art. 10, § 1º,  inciso  II,  letra  “a”),  ou  seja,  estas  áreas  constituem  elementos  redutores  da  base  de  cálculo  tributável do ITR.  A  base  de  cálculo  tributária  é  a  própria  exteriorização  econômica  do  fato  tributável.  Por  essa  razão,  a  base  de  cálculo  está  submetida  à  reserva  legal  e  aos  rigores  da  legalidade  tributária,  contemplada  constitucionalmente  como  uma  das  principais  limitações  constitucionais  ao poder de  tributar  (art.  150,  I, CF). O Código Tributário Nacional  (art.  97,  IV), de forma mais explícita, ratifica a necessidade de lei formal para a disciplina da base de  cálculo tributável.  Importante destacar que o Código Tributário Nacional (art. 97, § 1º) vincula  os  conceitos  de  majoração  tributária  (submetida  à  reserva  legal)  ao  efeito  “onerosidade”,  produzido em decorrência de modificação da base de  cálculo  tributária. Vale dizer, qualquer  alteração de base de cálculo que torne o tributo mais oneroso para o sujeito passivo submete­se  ao  regime  jurídico  aplicável  à  majoração  tributária,  notadamente  ‘a  exigência  de  que  seja  veiculada  por  lei  formal  e  atenda  aos  interstícios  temporais  previstos  constitucionalmente  (anterioridade geral, anterioridade nonagesimal) para cada espécie tributária.  O  Imposto  sobre  a Propriedade Territorial Rural  ­  ITR,  de  apuração  anual,  tem  como  fato  gerador  a  propriedade,  o  domínio  útil  ou  a  posse  de  imóvel  por  natureza,  Fl. 191DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Assinado digitalmente em 08/08/2011 por NELSON MALLMANN, 05/08/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10183.004377/2005­11  Acórdão n.º 2202­01.258  S2­C2T2  Fl. 3          5 localizado  fora  da  zona  urbana  do  município,  em  1º  de  janeiro  de  cada  ano  (art.  1º,  lei  9.393/96).  A base de cálculo tributável é resultado de uma operação complexa que tem  como ponto de partida o Valor da Terra Nua – VTN, o qual sofre o efeito de vários elementos  redutores.  Do valor do imóvel declarado pelo contribuinte (Valor da Terra Nua) devem  ser  excluídos  (art.  10,  §  1º,  Lei  9.393/96)  os  valores  relativos  a  construções,  instalações  e  benfeitorias; culturas permanentes e temporárias; pastagens cultivadas e melhoradas; florestas  plantadas.  Outro conceito importante na definição da base de cálculo tributável do ITR  é o de “área tributável”, entendida como a área total do imóvel, excluídas, ou seja, devem ser  considerados como elementos redutores: as áreas de preservação permanente e de reserva legal;  as áreas de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato  do  órgão  competente,  federal  ou  estadual,  e  que  ampliem  as  restrições  de  uso  previstas  nas  áreas de preservação permanente  e de  reserva  legal;  as  áreas  comprovadamente  imprestáveis  para  qualquer  exploração  agrícola,  pecuária,  granjeira,  aqüícola  ou  florestal,  declaradas  de  interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; as áreas sob regime  de  servidão  florestal  ou  ambiental; as  áreas  cobertas  por  florestas  nativas,  primárias  ou  secundárias  em  estágio médio  ou  avançado  de  regeneração; e  as  áreas  alagadas  para  fins  de  constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público.   Da multiplicação do Valor da Terra Nua (VTN) pelo quociente entre a área  tributável e a área total, chega­se ao Valor da Terra Nua tributável (VTNt), que á efetiva base  de cálculo sobre a qual deve incidir a alíquota (variável) do ITR.  Importante aferir, no entanto, o Grau de Utilização da terra, tarefa que exige  a análise e determinação da “área aproveitável” e da “área efetivamente utilizada”.  Considera­se  como  “área  aproveitável”,  a  que  for  passível  de  exploração  agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, excluídas as áreas ocupadas por benfeitorias  úteis e necessárias e os elementos redutores da área tributável, entre os quais destacam­se as  áreas de preservação permanente e as de reserva legal.  Por  outro  lado,  entende­se  por  “área  efetivamente  utilizada”  a  porção  do  imóvel que no ano anterior  tenha sido plantada com produtos vegetais; servido de pastagem,  nativa ou plantada, observados  índices de  lotação por zona de pecuária;  tenha sido objeto de  exploração  extrativa,  observados  os  índices  de  rendimento  por  produto  e  a  legislação  ambiental;  tenha  servido para  exploração de atividades  granjeira  e  aqüícola,  ou  tenha sido  o  objeto  de  implantação  de  projeto  técnico,  nos  termos  do  art.  7º  da  Lei  nº  8.629,  de  25  de  fevereiro de 1993.  O Grau  de Utilização  – GU do  imóvel  rural  é  a  relação  percentual  entre  a  área efetivamente utilizada e a área aproveitável.  A  base  de  cálculo  tributável  do  ITR  é  o  Valor  da  Terra  Nua  tributável  (VTNt),  sobre  a  qual  incidirão  alíquotas  variáveis  dependendo  da  área  total  do  imóvel  e  do  Grau de Utilização da terra (art. 11, caput, Lei 9.393/96).   Fl. 192DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Assinado digitalmente em 08/08/2011 por NELSON MALLMANN, 05/08/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR     6 Qualquer  alteração  nos  elementos  redutores  da  base  de  cálculo  tributável  poderá  ensejar  modificação  no  nível  de  onerosidade  tributária,  índice  que  pode  refletir  majoração  tributária,  a  submeter­se  aos  rigores  da  reserva  legal,  na  forma  do  disposto  na  Constituição Federal e no Código Tributário Nacional.  As  áreas  de  preservação  permanente  e  de  reserva  legal  constituem,  como  visto, elementos  redutores da “área  tributável”,  e por  isso  influenciam diretamente  a base de  cálculo tributável (Valor da Terra Nua tributável – VTNt), na medida em que esta é o resultado  da multiplicação do Valor da Terra Nua (VTN) pelo quociente entre a área tributável e a área  total.  A desconsideração de elementos redutores do valor da “área tributável”, tais  como as áreas de preservação permanente e reserva legal, leva inexoravelmente ao aumento do  número  resultante  da  divisão  entre  área  tributável  e  área  total  do  imóvel,  resultado  que  repercute aumentando o valor da Terra Nua Tributável (VTNt), base de cálculo do ITR.  A rigor, a base de cálculo do ITR (VTNt) é o resultado da multiplicação do  Valor da Terra Nua (VTN) pelo índice resultante da divisão da área tributável pela área total do  imóvel.  O  aumento  de  área  tributável,  decorrente,  por  exemplo,  da  desconsideração  de  elementos que o reduzem, como as áreas de preservação permanente e de reserva legal, conduz  a um aumento na base de cálculo do ITR na medida em que aumenta o resultado da divisão da  área tributável pela área total do imóvel.  Ao disciplinar a base de cálculo do ITR, a Lei 9.393/96 não impôs qualquer  condição para que as áreas de preservação permanente e de reserva legal fossem consideradas  como elementos redutores da área tributável por este imposto.  Ocorre  que  a  IN/SRF  67/97,  conferindo  nova  redação  ao  art.  10,  §  4º  da  IN/SRF 43/97, estabeleceu que:  Art. 10.   § 4º As áreas de preservação permanente e as de utilização  limitada serão  reconhecidas  mediante  ato  declaratório  do  IBAMA,  ou  órgão  delegado  através de convênio, para fins de apuração do ITR. Observado o seguinte:   I  ­ as áreas de reserva  legal, para  fins de obtenção do ato declaratório do  IBAMA,  deverão  estar  averbadas  à  margem  da  inscrição  da matrícula  do  imóvel no registro de imóveis competente, conforme preceitua a Lei nº 4.771,  de 1965,   II ­ o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado da data da entrega da  declaração do ITR, para protocolar requerimento do ato declaratório junto  ao IBAMA.  Como visto, o referido ato regulamentar criou três condições relativas aos  elementos  redutores  da  base  de  cálculo  do  ITR  (áreas  de  preservação  permanente  e  de  reserva legal), a saber:  Primeiro, as áreas de preservação permanente só poderão ser utilizadas para  fins de apuração da base de cálculo do ITR após o protocolo, pelo interessado, de requerimento  junto  ao  IBAMA solicitando a expedição de  ato declaratório  reconhecendo as  características  ambientais do imóvel.  Fl. 193DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Assinado digitalmente em 08/08/2011 por NELSON MALLMANN, 05/08/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10183.004377/2005­11  Acórdão n.º 2202­01.258  S2­C2T2  Fl. 4          7 Segundo,  as  áreas  de  reserva  legal  deverão  estar  averbadas  à  margem  da  inscrição  da  matrícula  do  imóvel  antes  do  pleito  de  expedição  do  ato  declaratório  junto  ao  IBAMA.  Terceiro,  o  requerimento  para  expedição  do  ato  declaratório  deve  ser  protocolado  junto  ao  IBAMA  no  prazo  de  até  seis  meses,  contado  da  data  da  entrega  da  declaração do ITR.  Segundo  a  dicção  da  citada  Instrução Normativa,  se  não  cumpridas  as  três  condições por ela criadas, as áreas de preservação permanente e de reserva legal não poderão  ser utilizadas  pelo  sujeito  passivo  como  elementos  redutores  da  base  de  cálculo  do  ITR. As  referidas condições foram reproduzidas posteriormente pelo art. 17 da IN/SRF 73/2000 e da IN  60/2001 e constam do Decreto 4.382/2002 (art. 10, § 1º e 12, § 1º).  Como  resta  claro,  a  lei  tributária,  ao  definir  o  fato  gerador  do  ITR,  estabeleceu a sua base de cálculo sem condições. Atos regulamentares editados posteriormente,  a  pretexto  de  regular  o  tributo,  na  prática,  tornaram­no  mais  oneroso,  na  medida  em  que  majoraram a sua base de cálculo, criando condições (antes inexistentes) para que esta pudesse  ser apurada.  O  Código  Tributário  Nacional  (art.  97,  §  1º)  é  expresso  ao  equiparar  à  majoração do tributo, submetida à reserva de lei, qualquer modificação de sua base de cálculo,  que resulte em torná­lo mais oneroso”.  No caso em concreto no que diz respeito a área de preservação permanente e  utilização  limitada (reserva legal)   Recorrente, não entregou o ADA, bem como também não  demonstrou através do laudo de avaliação realizado por profissional competente que as áreas  existem e poderiam ser fruto de exclusão da base de cálculo do ITR. Além do mais, o IBAMA  foi devidamente intimado através da Resolução 3101­00.017, e as  informações recebidas não  foram positivas ao contribuinte.   Desta forma, entendo que não assiste razão ao recorrente.    MULTA DE OFÍCIO – CONFISCO    Em  se  tratando  de  lançamento  de  ofício,  é  legítima  a  cobrança  da  multa  correspondente, por falta de pagamento do imposto, sendo inaplicável o conceito de confisco  que é dirigido a tributos  Incabível se falar em confisco no âmbito das multas pecuniárias. O princípio  constitucional do não­confisco se aplica, apenas, aos tributos.    APLICAÇÃO DA TAXA SELIC    Fl. 194DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Assinado digitalmente em 08/08/2011 por NELSON MALLMANN, 05/08/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR     8 No  que  diz  respeito  ao  argumento  da  indevida  aplicação  da  SELIC  como  juros de mora, entendo que o mesmo não procede, uma vez que o artigo 13, da Lei n° 9.065, de  20 de junho de 1995 prevê a  sua aplicação sobre os tributos em atraso:    Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a  alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro  de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28  de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84,  inciso  I, e o art.  91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei nº 8.981, de  1995,  serão equivalentes à  taxa referencial do Sistema Especial  de  Liquidação  e  de  Custódia  ­  SELIC  para  títulos  federais,  acumulada mensalmente.     Desta  forma,  como  a  cobrança  em  auto  de  infração  dos  juros  de  mora  (calculados pela Taxa SELIC) decorre da aplicação de dispositivos  legais vigentes e eficazes  na época de sua lavratura. Em decorrência dos princípios da legalidade e da indisponibilidade,  os referidos dispositivos legais são de aplicação compulsória pelos agentes públicos, até a sua  retirada do mundo  jurídico, mediante  revogação ou resolução do Senado Federal que declare  sua inconstitucionalidade  Além  do  mais  tendo  em  vista  a  Súmula  n°  04  do  CARF,  a  aplicação  da  SELIC é devida aos débitos administrados pela Receita Federal do Brasil:     Súmula  nº  4:  A  partir  de  1º  de  abril  de  1995,  os  juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais  Desta forma, não procede o argumento apresentado pelo contribuinte no que  diz respeito a essa matéria.  Assim,  por  tudo  o  que  dos  autos  consta,  conheço  do  recurso,  e VOTO por  NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO do contribuinte    (Assinado Digitalmente)  Pedro Anan Junior ­ Relator                            Fl. 195DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Assinado digitalmente em 08/08/2011 por NELSON MALLMANN, 05/08/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10183.004377/2005­11  Acórdão n.º 2202­01.258  S2­C2T2  Fl. 5          9     Fl. 196DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Assinado digitalmente em 08/08/2011 por NELSON MALLMANN, 05/08/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR

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Numero do processo: 35464.003551/2006-56
Data da sessão: Tue Jul 06 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÕES CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Com fulcro no artigo 30, inciso 1, alíneas "a" e "b", da Lei ri{i 8,212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando-as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo constante da legislação de regência. PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL, AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DO PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA SER EFETUADO, Não se verificando antecipação de pagamento das contribuições, aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no inciso I do art. 173 do CTN, ou seja, cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. NORMAS PROCEDIMENTAIS/REGIMENTAIS. PEDIDO DESISTÊNCIA PARCIAL DO RECURSO. De conformidade com o artigo 78, § 2°, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, o contribuinte poderá desistir, total ou parcialmente, das razões inseridas em seu recurso voluntário em qualquer fase processual, importando na desistência da peça recursal, impondo o seu não conhecimento. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 2401-001.305
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso; e II) Por maioria de votos, na parte conhecida, em declarar a decadência até a competência 11/2000, inclusive as incidentes sobre o 13º salário de 2000.. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Freitas de Souza Costa, que votaram por declarar a decadência até 08/2001. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Kleber Peneira de Araújo.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA

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Recorrida DRJ/SÃO PAULO/SP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÕES CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Com fulcro no artigo 30, inciso 1, alíneas "a" e "b", da Lei ri{i 8,212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando-as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo constante da legislação de regência. PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL, AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DO PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA SER EFETUADO, Não se verificando antecipação de pagamento das contribuições, aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no inciso I do art. 173 do CTN, ou seja, cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. NORMAS PROCEDIMENTAIS/REGIMENTAIS. PEDIDO DESISTÊNCIA PARCIAL DO RECURSO. De conformidade com o artigo 78, § 2°, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, o contribuinte poderá desistir, total ou parcialmente, das razões inseridas em seu recurso voluntário em qualquer fase processual, importando na desistência da peça recursal, impondo o seu não conhecimento. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4° Câmara / i a Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso; e II) Por t maioria de votos, na parte conhecida, em declarar a decadência até a competência 11/2000, inclusive as incidentes sobre o 13' salário de 2000.. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Freitas de Souza Costa, que votaram por declarar a decadência até 08/200 ... esignado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Kleber Peneira de Araújo. hr.--....„ ELIAS SA r PAIO FREIRE - Presidente RYCA /DO ‘g...,,"11; .1, 111/1"11.1"MA"--dALHÃES DE OLIVEIRA - Relator 111 \MIki N -- hi ) KLEBER FERREIRA DE ARAÚ l 0 — Redator Designado I Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Peneira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Núbia Moreira Barros Mazza (Suplente). Ausente a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. 2 Processo e 35464.003551/2006-56 S2-C4T1 Acárd5o n " 2401-01305 El. 218 Relatório MÃO DE OBRA ARTESANAL LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 12' Turma da DRI em São Paulo/SP I, Acórdão n° 16-14.019, que julgou procedente o lançamento fiscal referente às contribuições sociais devidas pela notificada ao INSS, correspondentes à parte da empresa, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos administradores a título de pró-labore e aos segurados contribuintes individuais/autônomos, em relação ao período de 01/1999 a 12/2005, conforme Relatório Fiscal, às fls. 81/83. Trata-se de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD, lavrada em 28/09/2006, contra a contribuinte acima identificada, constituindo-se crédito no valor de R$ .321.142,85 (Trezentos e vinte e um mil, cento e quarenta e dois reais e oitenta e cinco centavos). Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 168/206, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes lazões. Preliminarmente, pretende seja reconhecida a decadência pleiteada em sua impugnação, sob o argumento que a Lei n° 8.212/91 não poderia definir prazo decadencial diverso do estipulado no Código Tributário Nacional, de cinco anos, sob pena de incorrer em vicio insanável de ilegalidade e inconstitucionalidade, ao cantar com normatização de hierarquia superior, violando o artigo 146, III, "b", da Constituição Federal, restando decaído o crédito previdenciário lançado fora do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, nos moldes do artigo 150, § 4', do CTN. Ainda em sede de preliminar, pugna pela decretação da nulidade do lançamento, por entender que o fiscal autuante, ao constituir o presente crédito previdenciário, não logrou motivar/comprovar os fatos alegados de forma clara e precisa na legislação de regência, contrariando o disposto no artigo 142 do CTN, em total preterição do direito de defesa e do contraditório da notificada, conforme se extrai da doutrina e jurisprudência. Contrapõe-se à exigência fiscal em comento, aduzindo para tanto que os recolhimentos efetuados pela contribuinte, comprovados mediante GPS/GRPS's colacionadas aos autos, não foram devidamente apropriados pela autoridade lançadora por ocasião da constituição do crédito previdenciário Argúi a inconstitucionalidade da TAXA SELIC, argumentando, entre outros motivos, que sua instituição decorreu de resolução do Banco Central, e não por lei, não podendo, dessa forma, ser utilizada em matéria tributária, por desrespeitar o Princípio da Legalidade. Alega, ainda, tratar-se referida taxa de juros remuneratórios, o que a torna ilegal e inconstitucional. 3 Opõe-se à multa aplicada, por considerá-la confiscatória, malferindo os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade sendo, por conseguinte, ilegal e/ou inconstitucional, devendo ser excluída do débito em questão. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação Fiscal de Lançamento de Débitos, tornando-a sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões, É o relatório, 4 Processo n° 35464.003551/2006-56 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.305 Fl 219 Voto Vencido Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário da contribuinte e passo a analisar as alegações recursais, Em suas razões recursais pretende a contribuinte a reforma da decisão recorrida, a qual manteve a exigência fiscal em sua plenitude, aduzindo para tanto que, ao constituir o presente crédito previdenciário, não logrou motivar/comprovar os fatos alegados de forma clara e precisa na legislação de regência, contrariando o disposto no artigo 142 do CTN, em total preterição do direito de defesa e do contraditório da notificada, devendo ser decretada a nulidade do feito. Pugna, ainda, pelo acolhimento da decadência parcial do crédito tributário ora lançado, com fundamento no artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, em detrimento ao artigo 45 da Lei n° 8.212/91. Por derradeiro, requer a apropriação dos recolhimentos procedidos pela recorrente, mediante GPS/GRPS's trazidas a colação, bem como o afastamento da aplicação da Taxa Selic e da multa moratória em virtude da inconstitucionalidade de tais consectários legais. Em que pesem as substanciosas razões ofertadas pela contribuinte, seu inconforrnismo, no mérito, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, conclui-se que o lançamento, corroborado pela decisão recorrida, apresenta-se incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos a demonstrar. Com efeito, após a interposição do recurso voluntário, a contribuinte apresentou petição manifestando desistência parcial das razões insertas em sua peça recursal, requerendo que a discussão prossiga apenas em relação aos débitos alcançados pela decadência (período de 01/1999 a 08/2001), renunciando, assim, às alegações de direito sobre as quais se fundamentam o presente processo administrativo, exceto quanto à discussão relativa ao prazo decadencial das contribuições previdenciárias. Em face de aludido requerimento da recorrente, deixaremos de adentrar às questões meritórias aventadas em sede de recurso voluntário, acima relembradas, tendo em vista o disposto no artigo 78, § 2°, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, o qual contempla a possibilidade de desistência do recurso, nos seguintes termos: "Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1' A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo § 2" O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas 5 modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso." Por seu turno, quanto à preliminar de decadência da exigência fiscal, passamos a enfrentá-la, ressaltando que o exame dessa matéria impõe sejam levadas a efeito algumas considerações, senão vejamos O artigo 45, inciso 1, da Lei n° 8,212/91, estabelece prazo decadencial de 10 (dez) anos para a apuração e constituição das contribuições previdenciárias, como segue: "Ari 45 - O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue-se após 10 (dez) anos contados: 1- do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído, [3 „ Por outro lado, o Código Tributário Nacional em seu artigo 173, caput, determina que o prazo para se constituir crédito tributário é de 05 (cinco) anos, contados do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado, in verbis: "Art 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: 1 - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [. 1" Com mais especificidade, o artigo 150, § 4 0, do CTN, contempla a decadência para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos seguintes termos: "Art.150 - O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. 4" - Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, .fraude ou simulação," O núcleo da questão reside exatamente nesses três artigos, ou seja, qual deles deve prevalecer para as contribuições previdenciárias, tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Ocorre que, após muitas discussões a respeito do tema, o Supremo Tribunal Federal, em 11/06/2008, ao julgar os RE's n os 556664, 559882 e 560626, por unanimidade de votos, declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, oportunidade em que 6 Processo n° 35464 003551/2006-56 S2-C4T1 Acórdão n 2401-01,305 Fl 220 aprovou a Súmula Vinculante n" 08, abaixo transcrita, rechaçando de uma vez por todas a pretensão do Fisco: "Súmula n" 08- São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5' do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário." Registre-se, ainda, que na mesma Sessão Plenária, o STF achou por bem modular os efeitos da declaração de inconstitucionalidade em comento, estabelecendo, em suma, que somente não retroagem à data da edição da Lei em relação a pedido de restituição judicial ou administrativo formulado posteriormente à 11/06/2008, concedendo, por conseguinte, efeito ex tunc para os créditos pendentes de julgamentos e/ou que não tenham sido objeto de execução fiscal. Não bastasse isso, é de bom alvitre esclarecer que o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em sessão de julgamento realizada no dia 15/12/2008, por maioria de votos (21 x 13), firmou o entendimento de que o prazo decadencial a ser aplicado para as contribuições previdenciárias é o insculpido no artigo 150, § 4°, do CTN, independentemente de ter havido ou não pagamento parcial do tributo devido, o que veio a ser ratificado, também por maioria de votos, pelo Pleno da CSRF em sessão ocorrida em 08/12/2009, com a ressalva da existência de qualquer atividade do contribuinte tendente a apurar a base de cálculo do tributo devido. Consoante se positiva da análise dos autos, a controvérsia a respeito do prazo decadencial para as contribuições previdenciárias, após a aprovação/edição da Súmula Vinculante n" 08, passou a se limitar a aplicação dos artigos 150, § 4', ou 17.3, inciso 1, do Código Tributário Nacional. Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar, resumidamente, as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Primeiramente destaca-se o lançamento de oficio ou direto, previsto no artigo 149 do urN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais, Já o lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Legal, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Alfim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades fazendárias. Dessa forma, estando as contribuições previdenciárias sujeitas ao lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4°, do CTN, levando-se em consideração a natureza do tributo atribuída por lei, independentemente da ocorrência de pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro. Ou seja, a regra para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o artigo 150, § 4', do Código Tributário, o qual somente não prevalecerá nas hipóteses de 7 ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que ensejaria o deslocamento do prazo decadencial para o artigo 173, inciso 1, do mesmo Diploma Legal. Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza tão somente pelo pagamento. Ao contrário, trata-se, em verdade, de um procedimento complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não. Observe-se, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o lançamento por homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida por lei. E, esta, em momento algum guina que assim o é tão somente quando houver pagamento. Não fosse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não tem nada a recolher, ou mesmo quando encontra-se beneficiado por isenções e/ou imunidades, onde, em que pese haver o dever de elaborar declarações pertinentes, informando os fatos geradores dos tributos dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do tributo em razão de urna benesse fiscal? Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4', do CTN, proceder à análise das informações prestadas pelo contribuinte homologando-as ou não, quando inexistir concordância. Neste último caso, promover o lançamento de oficio da importância que imputar devida. Aliás, como afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4', do CTN, o qual dispôs expressamente os casos em que referido prazo deslocar-se-á para o artigo 173, inciso 1, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação específica contempla a aplicação de outro prazo decadencial, afastando-se a regra do artigo 150, § 4', Como se constata, à toda evidência, a contagem do lapso temporal em comento independe de pagamento, Ou seja, comprovando-se que o contribuinte deixou efetuar o recolhimento dos tributos devidos e/ou promover o autolançarnento com dolo, utilizando-se de instrumentos ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 173, inciso 1, do CTN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal. É o que se extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o tema, Por outro lado, alguns julgadores e doutrinadores entendem que somente aplicar-se-ia o artigo 150, § 4', do CTN quando comprovada a ocorrência de recolhimentos relativamente ao fato gerador lançado, seja qual for o valor. Em outras palavras, a homologação dependeria de antecipação de pagamento para se caracterizar', e a sua ausência daria ensejo ao lançamento de oficio, com observância do prazo decadencial do artigo 173, inciso L Ressalta-se, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que o artigo 150, 4', do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover qualquer ato tendente a apuração da base de cálculo do tributo devido, seja pelo pagamento, escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse se cogitar em "homologação". Esta, aliás, é a tese que prevaleceu na última reunião do Conselho Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. 8 ‘I\ Processo n° 35464 003551/2006-56 S2-C4T1 Acórdão n õ 2401-01.305 F1 221 Assim, é de se restabelecer a ordem legal no sentido de acolher o prazo decadencial de 05 (cinco) anos, na forma do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, em face da natureza do tributo, sujeito ao lançamento por homologação, ressaltando, porém, não ter havido antecipação de pagamento, fato relevante para aqueles que sustentam ser determinante à aplicação do instituto, Na hipótese dos autos, tendo a fiscalização constituído o crédito previdenciário em 28/09/2006, com a devida ciência da contribuinte constante da folha de rosto da notificação, a exigência fiscal resta parcialmente fiihninada pela decadência, em relação aos fatos geradores ocorridos no período de 01/1999 a 08/2001, os quais encontram-se fora do prazo decadencial de 05 (cinco) anos do artigo 150, § ,e, do CTN, impondo seja decretada a improcedência parcial do feito. Por todo o exposto, estando a NFLD sub examine parcialmente em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria e apresentado pedido de desistência parcial do recurso relativamente às demais questões de mérito, VOTO NO , SENTIDO DE CONHECER EM PARTE DO RECURSO VOLUNTÁRIO E DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL, acolhendo a decadência em relação ao período de 01/1999 a 08/2001, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Sala das Sessões em 6 de julho de 2010 )RYCARD ' HEN QUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA — Relator 9 Voto Vencedor Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Redator Designado Em que pese a boa fundamentação apresentada pelo Relator, concluo de forma diversa no que diz respeito aos critérios para fixação do prazo decadencial. Passarei, de imediato, a expressar meu entendimento, posto que a legislação aplicável já foi suficientemente mencionada no voto do Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães. Verifica-se do relatório que o contribuinte tomou ciência do lançamento em 28/09/2009 e que as competências em discussão abrangem o período de 01/1999 a 08/2001. Por outro lado, vislumbra-se dos autos que inexistiu antecipação de recolhimentos, pelo que se deve adotar, para aferição do prazo decadencial, o critério previsto na regra do inciso 1 do art. 173 do CTN. É que para contagem desse lapso temporal, a jurisprudência vem lançando mão do art. 150, § 4,°, para os casos em que há antecipação do pagamento e do art. 173. I, para as situações em que não ocorreu pagamento antecipado. É o que se observa da ementa abaixo reproduzida (EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL n2 674497/PR, Relator: Ministro Mauro Campbell Marques, julgamento em 05/11/2009, DJ de 13/11/2009): PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO, RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA CONSUMADA MATÉRIA SUBMETIDA AO REGIME DO ART. 543-C DO CPC" (RECURSOS REPETITIVOS). OMISSÃO, NÃO OCORRÊNCIA REDISCUSSÃO DO MÉRITO. CARÁTER PROTELATÓR10. MULTA, 1. O aresto embargado foi absolutamente claro e inequívoco ao consignar que "em se tratando de constituição do crédito tributário, em que não houve o recolhimento do tributo, como o caso dos autos, o fisco dispõe de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Somente nos casos de tributo sujeito a lançamento por homologação, em que o pagamento foi .feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art, 150, § 40, do CT1V)", 2 Devem ser repelidos os embargos declaratórios manejados com o nítido propósito de rediscutir matéria já decidida 3. Embargos de declaração rejeitados com aplicação de multa de 1% (um por cento) sobre o valor da causa atualizado Por verificar a inexistência de antecipação de pagamento e seguindo o entendimento jurisprudencial citado, posiciono-me pelo reconhecimento da decadência apenas io .• Processo n° 35464 003551/2006-56 S2-C4T1 Acórdão n 2401-01.305 F1, 222 para as competências de 01/1999 a 11/2000, incluindo a competência relativa ao 13. salário desse ano, posto que prazo para recolhimento desta deu-se ainda no ano de 2000. Diante desse cenário, voto por reconhecer a decadência do crédito lançado para o período de 01/1999 a 11/2000, além da competência 13/2000. Sala das Sessões, em 6 de julho de 2010 \U&N uk„,, KLEBER FERREIRA DE ARAÚJ - Redator Designado 11 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo n°: 35464.003551/2006-56 Recurso 154.686 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial tf 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2401-01.305 Brasíli., ' de agosto de 2010 ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ j Com Recurso Especial [ Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional

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