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Numero do processo: 11176.000272/2007-07
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2004 a 30/06/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.102
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº: 10552.000174/2007-64, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº: 10552.000174/200764, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 17 6. 00 02 72 /2 00 7- 07 Fl. 435DF CARF MF Processo nº 11176.000272/200707 Acórdão n.º 9202006.102 CSRFT2 Fl. 3 2 Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada). Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, tendo por paradigma o processo n° 10552.000174/200764. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões onde pugna pela manutenção da decisão recorrida, que , em seu entendimento reflete a melhor interpretação jurídica quanto à aplicação do art. 106, II, "c" ao caso sob análise. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.065, de 25/10/2017, proferido no julgamento do processo 10552.000174/200764, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.065): Quanto ao conhecimento Pelo que consta no processo quanto a sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Assim, conheço do recurso da Fazenda Nacional. Quanto ao mérito O presente tema, objeto do presente julgamento repetitivo de recursos, tem entendimento já pacificado no âmbito desta Turma da CSRF, o qual é brilhantemente delineado pela Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira no âmbito do Acórdão 920205.782, de 26 de setembro de 2017, e, assim, adotase Fl. 436DF CARF MF Processo nº 11176.000272/200707 Acórdão n.º 9202006.102 CSRFT2 Fl. 4 3 excerto do teor do voto condutor daquele Acórdão, a seguir transcrito, como razões de decidir, verbis: (...) Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 437DF CARF MF Processo nº 11176.000272/200707 Acórdão n.º 9202006.102 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): "Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Fl. 438DF CARF MF Processo nº 11176.000272/200707 Acórdão n.º 9202006.102 CSRFT2 Fl. 6 5 Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: Fl. 439DF CARF MF Processo nº 11176.000272/200707 Acórdão n.º 9202006.102 CSRFT2 Fl. 7 6 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: ∙ Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou ∙ Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada Fl. 440DF CARF MF Processo nº 11176.000272/200707 Acórdão n.º 9202006.102 CSRFT2 Fl. 8 7 competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor da multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente."(grifos não presentes no original) Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: (...) Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. (grifos não presentes no original). (...)" Fl. 441DF CARF MF Processo nº 11176.000272/200707 Acórdão n.º 9202006.102 CSRFT2 Fl. 9 8 Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Em face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, dar lhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 442DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15586.720127/2014-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA.
Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e não havendo prova de violação das disposições contidas no artigo 142 do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade do lançamento em questão.
NULIDADE. MPF.
O MPF é mecanismo de controle administrativo e nenhuma irregularidade houve em relação ao mandado, uma vez que regularmente emitido e cientificado à Contribuinte.
MATÉRIA NÃO-IMPUGNADA. PRECLUSÃO.
Consideram-se definitivas as imputações de solidariedade quando não apresentado o devido recurso combatendo a acusação do Fisco.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO. REQUISITOS.
As subvenções para investimento, para os fins de enquadramento na hipótese de não incidência veiculada no § 2º do artigo 38 do Decreto-Lei nº 1.598/77, são caracterizadas por três aspectos bastante claros: (i) a intenção do subvencionador de destiná-las para investimento; (ii) a efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado; e (iii) o beneficiário da subvenção ser a pessoa jurídica titular do empreendimento econômico, exigindo-se perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta, pois, o animus de subvencionar, mas, também, a efetiva e específica aplicação da subvenção. No caso dos autos, o benefício fiscal concedido pelo Estado de Rondônia, representado por créditos de ICMS, sem que haja imposição de qualquer contrapartida ao subvencionado ou o atrelamento a investimentos prévia e detalhadamente definidos, tem nítido caráter de subvenção para custeio, por isso tributável, a teor do artigo 392, I, do RIR/1999.
DESPESAS OPERACIONAIS. DEDUTIBILIDADE.
A teor dos artigos 299, 276 e 923, do RIR/1999, as quantias apropriadas às contas de despesas operacionais, para efeito de determinação do Lucro Real, devem, além de satisfazer às condições de necessidade, normalidade e usualidade, sustentarem-se em documentos hábeis, idôneos e contemporâneos aos fatos. Comprovado nos autos que as despesas com descontos financeiros concedidos e com fretes e carretos atenderam a tais requisitos e se mostraram necessárias, usuais e normais à consecução dos objetivos sociais da contribuinte, impõe-se reconhecer sua dedutibilidade.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
A multa de lançamento de ofício decorre de expressa determinação legal e é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, não cumprindo à administração afastá-la sem lei que assim regulamente, nos termos do art. 97, inciso VI, do CTN.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
RECEITAS FINANCEIRAS. ALÍQUOTA APLICÁVEL.
Na vigência do Decreto nº 5.442, de 09 de maio de 2005, a alíquota da contribuição incidente sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas submetidas ao regime não-cumulativo estava reduzida a zero. Referindo-se os lançamentos a 2009, impõe-se sejam cancelados, por indevidos.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
RECEITAS FINANCEIRAS. ALÍQUOTA APLICÁVEL.
Na vigência do Decreto nº 5.442, de 09 de maio de 2005, a alíquota da contribuição incidente sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas submetidas ao regime não-cumulativo estava reduzida a zero. Referindo-se os lançamentos a 2009, impõe-se sejam cancelados, por indevidos.
Numero da decisão: 1402-002.748
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer em parte do recurso voluntário quanto às arguições de inconstitucionalidade e às matérias preclusas. Na parte conhecida, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência do IRPJ e da CSLL referente à glosa de despesas com descontos concedidos e fretes e carretos e cancelar a autuação do PIS e da Cofins. Vencido o Conselheiro Evandro Correa Dias que votou por dar provimento em menor extensão para manter a exigência referente à glosa de despesas com descontos concedidos, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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IMPROCEDÊNCIA. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e não havendo prova de violação das disposições contidas no artigo 142 do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade do lançamento em questão. NULIDADE. MPF. O MPF é mecanismo de controle administrativo e nenhuma irregularidade houve em relação ao mandado, uma vez que regularmente emitido e cientificado à Contribuinte. MATÉRIA NÃOIMPUGNADA. PRECLUSÃO. Consideramse definitivas as imputações de solidariedade quando não apresentado o devido recurso combatendo a acusação do Fisco. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO. REQUISITOS. As subvenções para investimento, para os fins de enquadramento na hipótese de não incidência veiculada no § 2º do artigo 38 do DecretoLei nº 1.598/77, são caracterizadas por três aspectos bastante claros: (i) a intenção do subvencionador de destinálas para investimento; (ii) a efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado; e (iii) o beneficiário da subvenção ser a pessoa jurídica titular do empreendimento econômico, exigindose perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta, pois, o “animus” de subvencionar, mas, também, a efetiva e específica aplicação da subvenção. No caso dos autos, o benefício fiscal concedido pelo Estado de Rondônia, representado AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 01 27 /2 01 4- 96 Fl. 6967DF CARF MF Processo nº 15586.720127/201496 Acórdão n.º 1402002.748 S1C4T2 Fl. 6.968 2 por créditos de ICMS, sem que haja imposição de qualquer contrapartida ao subvencionado ou o atrelamento a investimentos prévia e detalhadamente definidos, tem nítido caráter de subvenção para custeio, por isso tributável, a teor do artigo 392, I, do RIR/1999. DESPESAS OPERACIONAIS. DEDUTIBILIDADE. A teor dos artigos 299, 276 e 923, do RIR/1999, as quantias apropriadas às contas de despesas operacionais, para efeito de determinação do Lucro Real, devem, além de satisfazer às condições de necessidade, normalidade e usualidade, sustentaremse em documentos hábeis, idôneos e contemporâneos aos fatos. Comprovado nos autos que as despesas com descontos financeiros concedidos e com fretes e carretos atenderam a tais requisitos e se mostraram necessárias, usuais e normais à consecução dos objetivos sociais da contribuinte, impõese reconhecer sua dedutibilidade. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A multa de lançamento de ofício decorre de expressa determinação legal e é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, não cumprindo à administração afastála sem lei que assim regulamente, nos termos do art. 97, inciso VI, do CTN. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP RECEITAS FINANCEIRAS. ALÍQUOTA APLICÁVEL. Na vigência do Decreto nº 5.442, de 09 de maio de 2005, a alíquota da contribuição incidente sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas submetidas ao regime nãocumulativo estava reduzida a zero. Referindose os lançamentos a 2009, impõese sejam cancelados, por indevidos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS RECEITAS FINANCEIRAS. ALÍQUOTA APLICÁVEL. Na vigência do Decreto nº 5.442, de 09 de maio de 2005, a alíquota da contribuição incidente sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas submetidas ao regime nãocumulativo estava reduzida a zero. Referindose os lançamentos a 2009, impõese sejam cancelados, por indevidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer em parte do recurso voluntário quanto às arguições de inconstitucionalidade e às matérias preclusas. Na parte conhecida, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência do IRPJ e da CSLL referente à glosa de despesas com descontos concedidos e fretes e carretos e cancelar a autuação do PIS e da Cofins. Vencido o Conselheiro Fl. 6968DF CARF MF Processo nº 15586.720127/201496 Acórdão n.º 1402002.748 S1C4T2 Fl. 6.969 3 Evandro Correa Dias que votou por dar provimento em menor extensão para manter a exigência referente à glosa de despesas com descontos concedidos, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Fl. 6969DF CARF MF Processo nº 15586.720127/201496 Acórdão n.º 1402002.748 S1C4T2 Fl. 6.970 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada em face de decisão exarada pela 2ª Turma da DRJ/BHE em sessão de 29 de junho de 2015 (fls. 6822/6874)1, que considerou não impugnada, portanto preclusa, matéria não expressamente contestada e, na parte conhecida da peça recursal, decretou sua improcedência, mantendo lançamentos perpetrados pelo Fisco. DA ACUSAÇÃO FISCAL Conforme constante do “Termo de Verificação Fiscal Final – TVFF” (fls. 5994/6054) e dos autos de infração lavrados (fls. 6057/6106), as irregularidades detectadas pelo Fisco podem ser assim sintetizadas: 1. Outras Multas Administradas pela RFB, no valor de R$3.000,00. 2. Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, no valor de R$ 13.036.857,23, cumulado com multa de ofício e juros de mora pertinentes, calculados até 03.2014. 3. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, no valor de R$ 3.749.249,00, cumulada com multa de ofício e juros de mora pertinentes, calculados até 03.2014. 4. Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, no valor de R$ 23.262,81, cumulada com multa de ofício e juros de mora pertinentes, calculados até 03.2014. 5. Contribuição para o Pis/Pasep, no valor de R$ 5.050,49, cumulada com multa de ofício e juros de mora pertinentes, calculados até 03.2014. Com a seguinte descrição fática: OUTRAS MULTAS 0001 – DEMAIS INFRAÇÕES À LEGISLAÇÃO DOS IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES APRESENTAÇÃO EXTEMPORÂNEA DE ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL DIGITAL (ECD): O sujeito passivo apresentou extemporaneamente escrituração contábil digital (ECD) exigida nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779/99, ensejando na aplicação de multa no valor de R$ 1.500,00 por mêscalendário ou fração de atraso, uma vez que, na última declaração apresentada, apurou o IRPJ com base no Lucro Real, conforme TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL FINAL, parte integrante e indissociável do presente Auto de Infração. Em atenção ao determinado no § 3º do art. 57 da MP 2.15835/2001 c/c o art. 1 A numeração referida das fls., quando não houver indicação contrária, é sempre a digital Fl. 6970DF CARF MF Processo nº 15586.720127/201496 Acórdão n.º 1402002.748 S1C4T2 Fl. 6.971 5 106, II, “c” do Código Tributário Nacional, o valor da multa aplicada foi reduzido à metade. IRPJ 0001 – OMISSÃO DE RECEITAS POR PRESUNÇÃO LEGAL FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE PAGAMENTOS EFETUADOS: Omissão de receita caracterizada pela não contabilização de pagamentos referentes às quitações dos financiamentos correspondentes aos contratos nºs 82, 83 e 84, objeto dos Leilões Fundap, conforme informações públicas REITERADAS do órgão gestor do Fundap – BANDES. Os fatos foram descritos pormenorizadamente no TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL FINAL, parte integrante e indissociável do presente Auto de Infração. 0002 – CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS: Despesas com fretes e carretas inerentes a operações de importações por conta e ordem de terceiros, não necessárias à obtenção da receita da atividade ou à manutenção da fonte produtora, conforme TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL FINAL, parte integrante e indissociável do presente Auto de Infração. 0003 – RECEITAS FINANCEIRAS E/OU VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS OMISSÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS e MANUTENÇÃO DE PASSIVO FICTÍCIO: Omissão de receita financeira caracterizada pela falta de contabilização da quitação de financiamentos com deságio de aproximadamente 85% dos valores financiados. As dívidas nos valores nos valores escriturados de R$ 590.281,40, R$ 257.943,51 e R$ 77.437,73 foram arrematadas pela Fiscalizada, respectivamente, por R$ 95.554,90, no Leilão de 17/03/2009 e R$ 33.569,37 e R$ 10.363,65, no Leilão de 25/05/2009, conforme informações prestadas pelo BANDES (instituição gestora do Fundap). A Fiscalizada manteve em sua contabilidade passivo registrado quando já o havia liquidado, deixando de oferecer à tributação, como receita financeira, o desconto obtido na liquidação das obrigações decorrentes dos financiamentos com recursos do Fundap. A ocorrência foi descrita de forma pormenorizada no TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL FINAL, parte integrante e indissociável do presente Auto de Infração. 0004 – DESPESAS FINANCEIRAS E/OU VARIAÇÕES MONETÁRIAS PASSIVAS DESPESAS FINANCEIRAS NÃO DEDUTÍVEIS: Despesas financeiras indedutíveis escrituradas como descontos. Parte dos “descontos” concedidos pela Fiscalizada foram verificados como despesas não necessárias à percepção da receita correspondente (receita de serviço de importação por conta e ordem de terceiros) e à manutenção da Fl. 6971DF CARF MF Processo nº 15586.720127/201496 Acórdão n.º 1402002.748 S1C4T2 Fl. 6.972 6 fonte produtora. Os “descontos” concedidos, glosados, não são despesas inerentes ao objeto social, à receita da atividade e à existência/manutenção da empresa, sequer são suportados pela receita de serviço que lhe deram ensejo. A descrição da infração encontrase consubstanciada no TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL FINAL, parte integrante e indissociável do presente Auto de Infração. 0005 – SUBVENÇÕES E RECUPERAÇÃO DE CUSTOS OMISSÃO DE SUBVENÇÕES CORRENTES: Omissão de subvenções correntes para custeio ou operações recebidas no período, conforme TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL FINAL, parte integrante e indissociável do presente Auto de Infração. 0006 – EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL EXCLUSÕES INDEVIDAS/CONTABILIZAÇÃO IMPRÓPRIA DAS SUBVENÇÕES CORRENTES: Contabilização indevida, como subvenções para investimento, de valor relativo a subvenções correntes para custeio ou operação recebida no período de apuração, conforme TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL FINAL, parte integrante e indissociável do presente Auto de Infração. 0007 – RESULTADOS ESCRITURADOS E NÃO DECLARADOS FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ: Embora tenha apurado Lucro Real, a Fiscalizada não recolheu o correspondente IRPJ espontaneamente, conforme TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL FINAL, parte integrante e indissociável do presente Auto de Infração. DA IMPUGNAÇÃO (fls. 6111/6161) Inconformada a autuada acostou impugnação (fls. 6111/6161), cujos argumentos foram assim resumidos pelo relatório da decisão recorrida, aqui adotado (destaques do original mantidos): “II – PRELIMINARMENTE II.1 – Da necessidade de suspensão do Procedimento Fiscal Existência de Procedimento de Consulta com a ausência de solução de mérito pela Autoridade Fiscal Matéria em análise no Judiciário Um dos argumentos para autuar a Impugnante foi a forma pela qual ela registrou os créditos presumidos de ICMS concedidos pelo Estado de Rondônia, através da Lei nº 1.473 de 13.05.2005, daquele Estado, em sua contabilidade. (...) Mais especificamente, a Impugnante protocolou as Consultas cadastradas sob os números 11543.720409/201358 (CSLL) e IRPJ, Fl. 6972DF CARF MF Processo nº 15586.720127/201496 Acórdão n.º 1402002.748 S1C4T2 Fl. 6.973 7 objetivando dirimir dúvidas sobre a forma de contabilizar os referidos créditos, para fins dos tributos acima relatados. (...) Contudo, a Autoridade Fiscal simplesmente se negou a analisar o mérito da Consulta formulada. O Auditor Fiscal da 7ª Região Fiscal entendeu que houve desvirtuação do instituto da Consulta, (...), razão pela qual declarou ineficazes as consultas realizadas. Porém, a negativa de análise da referida matéria, além de clara ausência de tipificação legal, é afronta direta aos Princípios do Devido Processo Legal e do Direito de Petição, razão pela qual foi proposto o Mandado de Segurança nº 001136015.2013.4.02.5001 da Seção Judiciária de VitóriaES, que acabou de ser encaminhada para julgamento no Rio de JaneiroRJ. (...) Dentro deste contexto, em razão da existência de Mandado de Segurança que poderá influenciar no julgamento da presente lide, deve ser determinada a suspensão da presente Autuação até decisão definitiva do Judiciário. II.2 – Da Nulidade da Autuação Da Não Amortização dos valores Pagos Deve ser considerada nula a autuação, uma vez que, ao proceder o lançamento, o Fisco não amortizou os valores já pagos pelo contribuinte. Como visto, conforme a própria Fiscal aponta em fls. 5994 do presente Auto de Infração, houve constatação de pagamentos realizados a título de IRPJ e CSLL (fls. 5793/5795, no período de 01/2009 e 12/2009). (...) II.3 – Do Cerceamento de Defesa – Violação do artigo 5º, §1º, inciso II e 7º §1º da Portaria 3.014/11. Ausência, no termo de verificação final, da autuação do PIS e da COFINS (...) No caso específico foi constatado um grave equívoco cometido pela Fiscal na autuação: ausência, no termo de verificação final, da autuação do PIS e da COFINS, que se passa a detalhar a seguir. (...) Inicialmente, cabe destacar que a Portaria 3.014/11 que regulamenta o Mandado de Procedimento Fiscal, em seu artigo 5º, §1º, II, determina que o MPF deve conter “natureza do procedimento fiscal e descrição dos fatos” (...). Fl. 6973DF CARF MF Processo nº 15586.720127/201496 Acórdão n.º 1402002.748 S1C4T2 Fl. 6.974 8 O legislador ainda exige que o MPF indique (i) o tributo objeto de procedimento fiscal a ser executado, (...). Ora, ao folhar o Termo de Verificação Fiscal Final do MPF 07.2.01.00 2013004140, facilmente será constatado que a autuação referente às contribuições ao PIS e à COFINS não foram objeto do presente MPF. A Fiscalizada só toma ciência da existência da infração por falta de recolhimento das Contribuições ao PIS e à COFINS a partir da página 6093 do Auto. Ou seja, a referida infração não consta do MPF, em afronta direta aos artigos 5º, §1º, II e 7º §1º da Portaria 3.014/11. (...) II.4 – da autuação da presunção Da questão dos descontos concedidos – Impossibilidade de autuação por amostragem Por fim, é de extrema importância ressaltar que a apuração dos descontos concedidos (tópico 4.1) foi apurada através de amostragem no auto de infração, não tratando de todas as operações realizadas pela Impugnante no período autuado. (...) A Fiscalização não produziu prova concreta e ignorou completamente os documentos que comprovam a origem dos referidos descontos, conquanto afirme que examinou toda documentação, olvidouse de individualizar todos os clientes, valendose de mera amostragem. Enfim, não há tratamento individual para as operações. Ou seja, a Autoridade Fiscal selecionou alguns contratos, constatou a inexistência de cláusulas referente a descontos incondicionais (o que se faz necessário), e presumiu que todos os contratos realizados no período tinham o mesmo padrão. Portanto, valeuse a Fiscalização da presunção, (...). (...) Enfim, faltou a análise de provas e documentos para solidificar a autuação, resultando em gritante afronta ao artigo 9º do Decreto nº 70.235/72. (...) Desta forma, não se pode falar em valores devidos, por omissão de documento fiscal e, tampouco, na medida em que, por meros indícios, constituise o crédito tributário. Em realidade, deveria o Fisco, isto sim, ter comprovado que a pretensa receita omitida era decorrente da atividade do Impugnante e que a ele pertencia ou, ainda, foi disponibilizada. Fl. 6974DF CARF MF Processo nº 15586.720127/201496 Acórdão n.º 1402002.748 S1C4T2 Fl. 6.975 9 Ao contrário, a Autoridade Fiscal inverte o ônus da prova transferindo ao contribuinte atividade que, nos termos do artigo 142 do CTN, lhe pertence. CONCLUSÃO DAS PRELIMINARES Como visto, o Fisco (i) não amortizou os valores pagos a título de IRPJ e CSLL no período de 01 a 12/2009; (ii) não revestiu a presente autuação dos requisitos legais/constitucionais exigidos, mais especificamente pela ausência, no termo de verificação final, da autuação do PIS e da COFINS, em afronta direta aos artigos 5º, §1º, II e 7º §1º da Portaria 3.014/11, e por não permitir à Impugnante exercer o seu direito de defesa; (iii) bem como por evidente utilização de presunção para formalizar o referido Auto, já que realizou, por amostragem, o levantamento para apurar a autuação referente ao “tópico 4.1”. Com isso, deve ser declarada nula toda a autuação. III. DO MÉRITO III.1 Da indevida inclusão dos créditos presumidos de ICMS concedidos pelo regime especial de importação do estado de Rondônia na base de cálculo do IRPJ e da CSLL Da natureza do Incentivo – Ressalta que todas as importações da Impugnante (sejam realizadas por conta própria, por encomenda e por conta e ordem de terceiro) estavam acobertadas por benefícios fiscais. Conforme consta na autuação, as importações realizadas pela Impugnante em Rondônia possuem Regime Especial de Tributação, com a concessão de um crédito presumido de 85% do valor do ICMS a pagar sobre o valor da NF de saída, podendo ainda o importador, detentor do benefício, desembaraçar o produto em qualquer porto, aeroporto ou fronteira terrestre do território nacional. O referido benefício foi concedido através da edição da Lei nº 1.473 de 13.05.2005, do Estado de Rondônia (...) Tratase de nítida renúncia fiscal sobre determinadas operações, que é feito pelo ente estatal com o nítido objetivo de atrair e incentivar investimentos, o que, na prática, fomenta sua economia, gerando emprego e renda. (...) O benefício concedido pelo Estado de Rondônia à Impugnante pela sua natureza, se enquadra na espécie subvenção para investimento, uma vez que é benefício destinado ao desenvolvimento de uma determinada atividade e, por conseqüência, da coletividade, e não de custeio, como faz crer a Fiscal. Fl. 6975DF CARF MF Processo nº 15586.720127/201496 Acórdão n.º 1402002.748 S1C4T2 Fl. 6.976 10 Isto é tão evidente que o próprio legislador estadual alterou a redação da lei em 2011, pois a antiga não condizia com a realidade dos fatos. Notase, claramente, que o crédito presumido é condicionado a investimentos por parte da empresa beneficiada, a qual é compelida inclusive a apresentar tais informações ao ente estatal, sob pena de indeferimento de seu tratamento favorecido (...) O próprio Parecer Normativo CST nº 112/78 juntado pela Fiscal que, de forma totalmente contraditória com o texto da autuação, aponta a subvenção, para fins de imposição do Imposto de Renda, não importaria em qualquer exigibilidade para o seu recebedor, conforme segue: (...) Resta comprovado, sem sombra de dúvida, que o regime especial com tratamento diferenciado de ICMS, É INEGAVELMENTE DESTINADO A SUBVENCIONAR INVESTIMENTO, e não a subvencionar custeio. (...) Inclusive, mesmo se os incentivos sejam voltados apenas a redução de custos, o caráter extrafiscal do crédito presumido se mantém, conforme entendimento do próprio Superior Tribunal de Justiça: (...) Da Legislação Aplicável ao Caso Concreto Dito Isso, importa salientar que tais créditos, tendo sido devidamente contabilizados pela Impugnante, não são incorporados à base de cálculo do IRPJ e da CSLL da empresa, de acordo com o preceito do art. 443 do RIR/99, conforme segue: (...) Como requisito para a referida não incidência, a Lei 6.404/76 (art. 182, §1º, letra “d”) determina que os benefícios devam ser registrados em contas de reservas de capital em sua contabilidade, o que, na espécie, foi o adotado pela Impugnante. Outrossim, com o advento da MP 449/08, que posteriormente foi convertida na Lei 11.941/09, as subvenções também foram excluídas da base de cálculo da CSLL. Isso ocorreu pois veio a lume a previsão expressa de exclusão da parcela do lucro líquido decorrente das subvenções governamentais do lucro real (art. 18, II), desde que não distribuída e não restituída aos sócios ou acionistas, devendo ser constituída a Reserva de Fl. 6976DF CARF MF Processo nº 15586.720127/201496 Acórdão n.º 1402002.748 S1C4T2 Fl. 6.977 11 Incentivos Fiscais (reserva de lucros), como pressuposto à não tributação: (...) Assim, desde que atendidos os requisitos de não distribuição do valor das subvenções para investimento e não restituição aos acionistas de capital integrado pela incorporação daquelas subvenções, as mesmas poderão ser excluídas da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, segundo previsão do art. 18 da Lei nº 11.941/2009. Inclusive, a solução de consulta nº 243, de 12 de dezembro de 2012 expõe este entendimento: (...) Por fim, ao contrário do que sustenta a Autoridade Fiscal a forma contábil adotada pela Impugnante atendeu aos requisitos legais, principalmente em razão de (i) o benefício ter sido registrado em conta de reserva de capital e (ii) não ter sido distribuído qualquer lucro a esse respeito. (...) Cita Jurisprudência no sentido que “o crédito presumido de ICMS não assume natureza de receita.” III.2. Da correta contabilização dos descontos concedidos ao adquirente da mercadoria função social do FUNDAP e Benefício fiscal Rondônia No tópico 4.1 da autuação, a Autoridade Fiscal glosa os descontos concedidos pela empresa para as adquirentes das mercadorias no DRE sintético e na composição da rubrica despesas financeiras. Posteriormente, conclui que esses descontos foram apurados pela Fiscalização como despesas não necessárias à percepção da receita auferida pela empresa, já que não constavam nos contratos de prestação de serviços e, ainda, o ganho com o benefício fiscal não se enquadraria no objeto social da empresa. A Impugnante, intimada a se manifestar sobre os referidos descontos, informou que os mesmos foram registrados como descontos incondicionais. A Autoridade Fazendária argumenta que, ao oposto do fundamentado pela Impugnante, os referidos descontos não podem ser considerados incondicionais, pois este tipo de desconto seria uma redução do preço concedido no ato da negociação, portanto, já deveria constar, inclusive, na própria nota fiscal pertinente à saída, em que é descrito o valor da mercadoria (venda ou remessa). Inicialmente, ao contrário do que sustenta, não existe obrigatoriedade de o desconto constar na nota fiscal de saída. Fl. 6977DF CARF MF Processo nº 15586.720127/201496 Acórdão n.º 1402002.748 S1C4T2 Fl. 6.978 12 Inclusive, o artigo 86 da Instrução Normativa 247/2002, impede que o importador apure na nota fiscal valor diferente do que aquele constante na nota fiscal de entrada: (...) Assim, para que o desconto seja contabilizado, a duplicata (constando o desconto) já é suficiente para considerar o desconto e contabilizar o valor como despesa financeira. E exatamente dessa forma que os descontos foram dados. No desconto incondicionado, existe um abatimento do valor de determinada mercadoria, ou seja, mesmo não constando na nota fiscal, o desconto era lançado na duplicata, sendo este desconto, como bem constou no relatório fiscal, parte do ganho obtido com (i) FUNDAP ou com (ii) crédito presumido de Rondônia que é repassado para o cliente/adquirente. (...) Outrossim, se a Fiscal entender que o descoto em questão não tem natureza de incondicionado – por não ter natureza de abatimento dado sob a forma física do produto, o mesmo pode ser considerado um desconto condicionado financeiro, em razão do abatimento no preço da mercadoria. Contudo, em ambos os casos, o tratamento jurídico é o mesmo. (...) No tocante ao aspecto fiscal de ambos os descontos concedidos (financeiro ou incondicional) pela empresa que remete os produtos são dedutíveis, para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL (art. 299 do RIR/1999). Portanto, na pior das hipóteses, tratase de mero erro formal na contabilização dos descontos. (...) Dessa forma, em ambas as situações, ao repassar a Nota Fiscal (de remessa)/Duplicata/Fatura para a adquirente da mercadoria, automaticamente, a Empresa Importadora já concede o desconto como um benefício decorrente da operação. Todas as situações acima discorridas podem ser verificadas na planilha de despesas dos processos de importações realizadas pela Impugnante no período autuado. Mais especificamente, no caso das operações realizadas com a empresa Yara Alimentos (que foi citada diversas vezes pela Fiscal), o quadro abaixo – que segue completo em anexo (Doc.4) – demonstra de forma clara o benefício concedido pela Estado de Rondônia, o desconto repassado a adquirente da mercadoria e o valor total da operação: Fl. 6978DF CARF MF Processo nº 15586.720127/201496 Acórdão n.º 1402002.748 S1C4T2 Fl. 6.979 13 (...) III.3 – DA IMPOSSIBILIDADE DE GLOSA DAS DESPESAS COM FRETES E CARRETOS (Ponto 4.2 da Autuação) Verdade Material Conforme consta no Termo de verificação Final a Impugnante deduziu do IRPJ as despesas com fretes e carretos relativas às operações de importação por conta e ordem de terceiros (conta contábil 4.02.01.0039), o que, ao entender da Autoridade Fiscal, foi indevido. Mais especificamente, a autoridade Fiscal argumenta que as referidas despesas não se caracterizam como necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, pois, como constava nos contratos de prestação de serviços, os gastos com fretes e carretos integravam os custos da operação sob o encargo do adquirente da mercadoria. Para comprovar os fatos alegados, a Fiscal juntou alguns contratos realizados pela Impugnante em que há a referida cláusula de responsabilidade. Contudo, ao invés de verificar quem de fato arcou com as referidas despesas, a Fiscal utiliza como prova de autoria do pagamento somente o contrato firmado entre as partes, sem buscar a origem do desembolso. Por analogia, é necessário recordar que, conforme o art. 123, do CTN, as convenções entre as partes não são imponíveis ao Fisco. Dessa forma, não poderia a Fiscal utilizarse exatamente de um contrato particular de prestação de serviço como prova da responsabilidade pelo pagamento de alguma despesa que gere insumos. (...) A Fiscal tinha acesso a todos os documentos para verificar que o contrato não condiz com a realidade dos fatos. Contudo, ao invés de buscar a melhor solução para a lide, entendeu por bem autuar a Impugnante por fato inexistente. (...) Ora, a Fiscal tinha acesso a todos os documentos para verificar que o contrato não condiz com a realidade dos fatos. Contudo, ao invés de buscar a melhor solução para a lide, entendeu por bem autuar a Impugnante por fato inexistente. (...) O Fisco jamais poderia glosar as despesas em questão do contribuinte, quando, como no presente caso, todos os elementos contábeis e fiscais demonstram o direito da Impugnante à referida Fl. 6979DF CARF MF Processo nº 15586.720127/201496 Acórdão n.º 1402002.748 S1C4T2 Fl. 6.980 14 dedução, em que pese o contrato de prestação de serviço particular conste situação diversa. (...) Portanto, forte no princípio da verdade material, tendo em vista que a Impugnante, de fato, arcou com as despesas de frete e carretos das operações, devem ser desconsideradas as glosas realizadas no tópico 4.2 do Termo de Verificação Fiscal Final da presente autuação. III.4 – Da inexigibilidade do PIS e da COFINS sobre Receitas Financeiras (...) Regressando à página 6027 do PAF e analisando a autuação em questão, verificamos que a Fiscal apontou que a empresa manteve em sua contabilidade passivo registrado quando já o havia liquidado, deixando de oferecer à tributação, como receita financeira, o desconto obtido na liquidação das obrigações decorrentes do FUNDAP: A partir da edição do Decreto nº 5.442, de 9 de maio de 2005, as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre as receitas auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas à incidência nãocumulativa é zero. (...) Dessa forma, deve ser declarado inexigível a cobrança do PIS e da COFINS sobre as Receitas Financeiras. (...) III.5 – Da Incorreta Aplicação da Multa e o seu Evidente Caráter Confiscatório Embora acreditando no acolhimento das razões antes mencionadas, por zelo, caso estas não sejam atendidas, temos que se deve reduzir a penalidade imposta, tendo em vista a ausência de dolo, fraude ou simulação pela Impugnante. (...) Além disso, cobrase o confiscatório valor de R$ 16.817.419,53, valor que corresponde a TODO o passivo acumulado pela empresa. (...) Destarte, a sanção em comento violaria também o princípio constitucional da Capacidade Contributiva (art. 145, §1º CF/88), na medida em que inexiste proporcionalidade entre a tributação (penalidade) e a riqueza que lhe é alvo”. DA DECISÃO RECORRIDA (fls. 6822/6874) Fl. 6980DF CARF MF Processo nº 15586.720127/201496 Acórdão n.º 1402002.748 S1C4T2 Fl. 6.981 15 Analisando o litígio, a 2ª Turma da DRJ/BHE, por unanimidade, entendeu ser a impugnação “parcial”, por ter deixado de contestar as seguintes imputações fiscais: Ø “OUTRAS MULTAS ADMINISTRADAS PELA RFB" cuja infração capitulada foi a “apresentação extemporânea de escrituração contábil digital (ECD)” – (AI – fls. 6058). Ø ITEM 0001 do AI de IRPJ (fls. 6061). Ø ITEM 0003 do AI de IRPJ (fls. 6062). Ø ITEM 0007 do AI de IRPJ (fls. 6064). Segundo o voto condutor, “essas infrações não foram contestadas nem por razões de mérito nem pelas preliminares de nulidades invocadas (que se circunscrevem às irregularidades no MPF e TVF, pela não menção das contribuições para o PIS e a COFINS, ao não aproveitamento dos pagamentos efetuados e por evidente utilização de presunção nas infrações descritas no item 4 do TVF FINAL)”. Restariam, pois, sob litígio, as infrações apontadas nos itens 0002, 0004, 0005 e 0006 do AI de IRPJ, assim definidas: 0002 – CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS: Despesas com fretes e carretas inerentes a operações de importações por conta e ordem de terceiros, não necessárias à obtenção da receita da atividade ou à manutenção da fonte produtora. 004 – DESPESAS FINANCEIRAS E/OU VARIAÇÕES MONETÁRIAS PASSIVAS DESPESAS FINANCEIRAS NÃO DEDUTÍVEIS: Despesas financeiras indedutíveis escrituradas como descontos. Parte dos “descontos” concedidos pela Fiscalizada foram verificados como despesas não necessárias à percepção da receita correspondente (receita de serviço de importação por conta e ordem de terceiros) e à manutenção da fonte produtora. Os “descontos” concedidos, glosados, não são despesas inerentes ao objeto social, à receita da atividade e à existência/manutenção da empresa, sequer são suportados pela receita de serviço que lhe deram ensejo. 0005 – SUBVENÇÕES E RECUPERAÇÃO DE CUSTOS OMISSÃO DE SUBVENÇÕES CORRENTES: Omissão de subvenções correntes para custeio ou operações recebidas no período. Fl. 6981DF CARF MF Processo nº 15586.720127/201496 Acórdão n.º 1402002.748 S1C4T2 Fl. 6.982 16 0006 – EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL EXCLUSÕES INDEVIDAS/CONTABILIZAÇÃO IMPRÓPRIA DAS SUBVENÇÕES CORRENTES: Contabilização indevida, como subvenções para investimento, de valor relativo a subvenções correntes para custeio ou operação recebida no período de apuração. Reduzida a impugnação a estes pontos, depois de afastar pedido de sobrestamento feito pela contribuinte em razão de existência de consulta formulada sobre matéria objeto dos lançamentos, tendo em conta que tal consulta foi tida como ineficaz, e repelir todas as preliminares de nulidade, i) por possível não alocação de valores pagos, o que restaria comprovado nos autos; ii) por irregularidades no MPF por não inclusão na ação fiscal do PIS e COFINS, argumento rechaçado com suporte na Portaria RFB nº 3.014, de 29 de junho 2011, artigo 4º e 8º2; e, iii) por suposta utilização de presunção na consecução dos lançamentos, pelo entendimento da Relatoria de que “não prosperam tais argumentos, pois, nos autos, foram produzidas provas suficientes e robustas para suster a exigência fiscal, tanto no toca à referida infração bem como das demais”, e que, “a prova pode ser direta ou indireta (no caso das presunções legais). Vale dizer que no processo administrativo, se admite a prova indiciária ou indireta, assim conceituada aquela que se apóia em conjunto de indícios capazes de demonstrar a ocorrência da infração e de fundamentar o convencimento do julgador”, decidiu, quanto ao mérito (destaques no original): “5.1 – CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS CONCEDIDOS PELA LEI Nº 1.473/2005 DO ESTADO DE RONDÔNIA. Consoante minucioso relato contido no TVF FINAL, fundamentalmente, o benefício fiscal concedido pelo governo do Estado de Rondônia (concessão de crédito presumido de 85% do ICMS devido na saída interestadual de mercadoria importada do exterior) constituise de subvenção para custeio. Portanto, é tributável como receita operacional, à luz do art. 44, IV, da Lei nº 4.506/64, matriz legal do art. 392, I, do RIR/199. A defesa, por sua vez, foi construída no sentido que tal benefício fiscal é claramente um subvenção para investimento. Logo, não sofreria a incidência do imposto, nos termos do art. 443, do RIR/199 Primeiramente, como muito bem observado No TVF FINAL, não se pode deixar de observar a redação dos arts. 1º, 2º e 3º, da Lei nº 1.473/2005 do Estado de Rondônia: 2 Art. 4º. O MPF será emitido exclusivamente na forma eletrônica e assinado pela autoridade emitente, mediante a utilização de certificado digital válido, conforme modelos constantes dos Anexos de I a III desta Portaria. Parágrafo único. A ciência do MPF pelo sujeito passivo darseá no sítio da RFB na Internet, no endereço , com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal. (...) Art. 8º. Na hipótese em que infrações apuradas, em relação a tributo contido no MPFF ou no MPFE, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa no MPF. Fl. 6982DF CARF MF Processo nº 15586.720127/201496 Acórdão n.º 1402002.748 S1C4T2 Fl. 6.983 17 (...) Pela redação legal acima, vigente até 11/01/2011, não havia previsão de qualquer contrapartida em investimentos para o gozo do referido benefício fiscal. O que somente veio a ocorrer em 2011, quando foi alterada a redação do art. 1º da Lei nº 1.473/2005, a saber: (...) Pois bem. Não se pode deixar de dar razão ao Fisco. E tal benefício deve ser tratado como receita operacional normalmente tributada tanto pelo IRPJ como pela CSLL. Senão vejamos. A legislação do imposto de renda faz clara distinção entre subvenções para investimento e para custeio. Nesse sentido, observadas as normas referentes ao Regime Tributário de Transição – RTT, instituído pelo art. 15 da Lei nº 11.941, de 17/05/2009, a legislação fiscal trata das duas espécies de subvenção nos arts. 392 e 443 do RIR/99: (...) Como se vê, as subvenções correntes para custeio devem ser computadas na determinação do lucro real, mas as para investimento não, desde que atendidos os requisitos estabelecidos nos incisos I e II, do próprio art. 443, do art. 443, do RIR/1999. Outrossim, a distinção entre subvenção para custeio ou investimento, restou esclarecida no Parecer Normativo CST nº 112, de 29/12/1978,de onde extraise: (...) Como bem concluiu o Fisco, da leitura do ato normativo supra transcrito (Parecer Normativo CST nº 112, de 29/12/1978), depreendese que as subvenções para investimento apresentam as seguintes características: (1) a intenção do subvencionador (Poder Público) de destinálas para investimento, representada pela estrita vinculação e sincronia dos recursos com as aplicações em bens e direitos, ajustadas por meio de instrumento hábil que imponha a necessária obrigatoriedade; (2) a efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado; e (3) o beneficiário da subvenção deve ser a pessoa jurídica titular do empreendimento econômico. Portanto, à luz do Parecer Normativo CST nº 112, de 29/12/1978, os valores correspondentes ao benefício fiscal estadual em tela (crédito presumido do ICMS) que não possuam vinculação com a aplicação específica dos recursos em bens ou direitos referentes à implantação ou expansão de empreendimento econômico não se caracterizam como subvenção para investimentos, devendo ser computados na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL. É, pois, de se concluir que os benefícios fiscais concedidos pela Administração Pública (no caso, crédito presumido do ICMS), quando não atrelados a investimentos detalhadamente previstos no ato legal que os concede, constituem estímulo fiscal que se revestem das características próprias das subvenções para custeio, não se confundindo com as subvenções para investimento; e devem ser Fl. 6983DF CARF MF Processo nº 15586.720127/201496 Acórdão n.º 1402002.748 S1C4T2 Fl. 6.984 18 computados no lucro operacional das pessoas jurídicas, sujeitandose, portanto, à incidência do imposto e da contribuição social. Portanto, nessa parte, há de ser mantida integralmente a autuação fiscal. 5.2 – OPERAÇÕES IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIROS. 5.2.1 DESCONTOS CONCEDIDOS Primeiramente, cumpre evidenciar o conceito legal de receita bruta e líquida contido nos arts. 279 e 280 do RIR/1999, cuja matriz legal era o art. 12, do DecretoLei 1.598, de 26.12.1977, vigente à época do período autuado (ano calendário de 2009). (...) Como se vê, em relação às receitas auferidas em conta própria pela pessoa jurídica, os descontos concedidos incondicionalmente não a integram, para fins tributação. Por sua vez, quanto às despesas financeiras decorrentes de descontos (condicionais) concedidos, reza o art. 374, I, do RIR/1999 (na redação do Decreto lei nº 1.598/1977, vigente no período autuado de 2009): (...) Logo, constituemse em despesas financeiras da pessoa jurídica os descontos condicionais por ela concedidos no recebimento dos seus títulos de créditos, os quais, necessariamente, decorrem de receitas reconhecidas e oferecidas à tributação. É dizer, por evidente, que qualquer que seja o desconto concedido (incondicional ou condicional), esse deve estar, necessariamente, atrelado a uma operação em conta própria da pessoa jurídica que gerou receita tributável. No caso vertente, de pronto, digase que os supostos “descontos” não se enquadram em nenhuma das situações previstas na legislação acima transcrita: não são descontos nem incondicionais nem condicionais. Isso porque não se vinculam às operações em conta própria do contribuinte. Não guardam nenhuma relação com as receitas auferidas em função da prestação dos serviços nas operações de importações nem sequer são suportados por elas. Desse modo, foram deduzidos indevidamente na determinação do lucro real. Senão vejamos. Pois bem. Consoante contratos e informações prestadas pela empresa, o que detalhadamente consta no TVF FINAL, em síntese, o contribuinte realizou importações de mercadorias por conta e ordem de terceiros, nas quais os clientes (os efetivos importadores) arcavam com todos os custos e despesas decorrentes dessas operações de importação e, em contrapartida, a MULTIMEX auferia receita de prestação de serviços quantificada pelo aproveitamento dos benefícios fiscais e financeiros concedidos pelos Estados. Logo, o fato de aproveitar benefícios fiscais e financeiros vinculados às respectivas operações de importações se traduz na sua forma de remuneração: o preço cobrado pelo serviço prestado. Ainda, os valores constantes das notas fiscais emitidas pela MULTIMEX (mera prestadora de serviços) nas saídas das mercadorias, não integram, por óbvio, a sua receita. Fl. 6984DF CARF MF Processo nº 15586.720127/201496 Acórdão n.º 1402002.748 S1C4T2 Fl. 6.985 19 Ocorre que os supostos “descontos” incidiram sobre duplicatas vinculadas a notas fiscais de saída de mercadorias por conta e ordem de terceiros, que não são senão simples operações de remessa de mercadoria aos seus verdadeiros importadores e proprietários. Portanto, de modo algum, podese interpretar essas deduções nos valores cobrados nessas duplicatas como descontos dedutíveis na determinação do lucro tributável. Vale repetir, os valores dessas notas fiscais (simples remessa de mercadorias) não são receitas do contribuinte. Não se trata, pois, de desconto, mas de mero repasse, como bem salientou o Fisco no TVF FINAL: “A rigor, não há falar em “desconto”, são repasses de receitas advindas de benefícios fiscais e incentivos financeiros concedidos pelos Estados do ES e RO.” (Grifouse) Desse modo, também nessa infração, mantémse integralmente a autuação fiscal. 5.2.2 – DESPESAS COM FRETES E CARRETOS Consoante contratos e explicações contidas no TVF FINAL, foram glosadas também as despesas com fretes e carretos vinculadas às operações de importação por conta e ordem de terceiros, haja vista que tais despesas ficavam a cargo da empresa adquirente das mercadorias importadas. Como já disse, nessas operações de importação por conta e ordem de terceiros a MULTIMEX foi mera prestadora de serviços e não as realizou em conta própria. Evidentemente, é o efetivo importador das mercadorias quem responde por todos os custos e despesas inerentes a tais operações. E isso é o que inclusive consta nos contratos mencionados pelo Fisco no TVF FINAL. Na defesa, o contribuinte, por sua vez, diz que, embora exista previsão contratual em contrário, foi ele quem realmente arcou com as despesas de fretes e carretos. Todavia, efetivamente não prova tal alegação. De outro lado, ainda que se considere como certa tal alegação, esse desembolso nunca poderia ser tratado como despesa operacional dedutível, porque desnecessário, na medida em que não se vincula com a receita auferida, no caso, decorrente da prestação de serviços. Ocorre que uma despesa operacional dedutível deve estar necessariamente atrelada com as fontes de receitas da pessoa jurídica. Logo, acaso a MULTIMEX tenha sido quem efetivamente suportou os gastos com fretes e carretos (contrariando, inclusive, previsão contratual expressa), o fez a título de mera liberalidade. Assim sendo, mantémse também nessa parte integralmente a autuação fiscal. 5.3 – EXIGÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PARA O PIS E A COFINS. Consoante devidamente anotado no TVF FINAL, como tributação reflexa, foram lavrados autos de infração a título de PIS e da Cofins, cuja base de cálculo considerada foi a omissão de receitas apurada em decorrência da presunção legal de “falta de escrituração de pagamentos efetuados”, objeto do item “0001” do Auto de Infração do IRPJ. Fl. 6985DF CARF MF Processo nº 15586.720127/201496 Acórdão n.º 1402002.748 S1C4T2 Fl. 6.986 20 Houve, pois, o lançamento de omissão de receitas, com base na presunção legal que autoriza a caracterização de omissão de receitas, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, quando constatarse “a falta de escrituração de pagamentos efetuados”. O fundamento legal da autuação está no § 2º, do art. 12, do Decretolei nº 1.598, de 26/12/1977, consolidado no art. 281, II, do RIR/1999. E, como se viu, essa omissão de receitas não restou contestada, constituindose em matéria nãolitigiosa. E, naturalmente, a referida omissão de receitas repercutiu ainda nos lançamentos do PIS e da Cofins. Tudo consoante o estabelecido no art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995: (...) A defesa, por sua vez, sustenta a inexigibilidade dessas contribuições, com base no art. 1º do Decreto nº 5.442, de 2005 (à época vigente), que reduziu a zero as alíquotas incidentes sobre as receitas financeiras. Contudo, como visto, equivocouse o contribuinte, pois as receitas financeiras levantadas em função dos descontos obtidos e não escriturados pelo contribuinte (objeto do item “0003” do Auto de Infração do IRPJ) não sofreram a tributação das contribuições para o PIS e a Cofins, mas apenas de IRPJ e CSLL. Ocorre que, efetivamente, quanto ao mérito, as exigências do PIS e da Cofins não foram contestadas, mas apenas em preliminar, tendo sido alegadas irregularidades no MPF e no TVF FINAL. Todavia, como se viu, essa preliminar foi devidamente apreciada e rejeitada, obviamente pela inexistência dos alegados vícios. Portanto, ficam integralmente mantidas as exigências do PIS e da COFINS”. Concluindo, a decisão recorrida afastou questionamento sobre ilegalidade ou inconstitucionalidade na aplicação da multa de ofício, entendeu não cabível, por falta de previsão legal, que as intimações sejam feitas ao patrono da autuada e fechou o acórdão trazendo os valores ainda em litígio (fls. 6873) O Acórdão está assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 MATÉRIA NÃOLITIGIOSA. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. PRELIMINAR DE NULIDADE. Há de se rejeitar a preliminar de nulidade quando comprovado que a autoridade fiscal cumpriu todos os requisitos legais pertinentes à formalização do lançamento, inclusive tendo sido amplamente garantida a ampla defesa do sujeito passivo. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTOS. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. BENEFÍCIO FISCAL CONCEDIDO PELO ESTADO DE RONDÔNIA. Os benefícios fiscais concedidos pela Administração Pública (no caso, crédito presumido do ICMS, previsto na legislação do Estado de Fl. 6986DF CARF MF Processo nº 15586.720127/201496 Acórdão n.º 1402002.748 S1C4T2 Fl. 6.987 21 Rondônia), quando não atrelados a investimentos detalhadamente previstos no ato legal que os concede, constituem estímulo fiscal que se revestem das características próprias das subvenções para custeio, não se confundindo com as subvenções para investimento; e devem ser computados no lucro operacional das pessoas jurídicas, sujeitandose, portanto, à incidência do imposto e da contribuição social. DESCONTOS INCONDICIONAIS. Segundo a legislação fiscal vigente, os descontos concedidos incondicionalmente não integram a receita líquida de vendas e serviços. Não há falar em desconto incondicional quando não existe receita auferida. DESCONTOS CONDICIONAIS. DESPESAS FINANCEIRAS. Constituemse em despesas financeiras da pessoa jurídica os descontos condicionais por ela concedidos no recebimento dos seus títulos de créditos, que, necessariamente, decorrem de receitas reconhecidas e oferecidas à tributação. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. O mesmo procedimento adotado em relação ao lançamento principal do IRPJ, repercute também na CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. O valor da receita omitida será considerado também na determinação da base de cálculo para o lançamento da COFINS e do PIS/PASEP. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO VOLUNTÁRIO A recorrente foi cientificada do R. decisum em 05/08/2015 (fls. 6897 – “AR”) e apresentou recurso voluntário (fls. 6907/6958) em 31/08/2015 , no qual rebateu as colocações do acórdão recorrido especialmente a preclusão decretada em relação a algumas das infrações por têlas contestado oportunamente e, no mais, repisou praticamente, de forma literal, os argumentos aduzidos na impugnação de 1ª Instância e que podem assim ser resumidos: a) reforça as ponderações sobre as mesmas nulidades; b) diz não ser possível a tributação das subvenções por se tratar de “investimentos” e não custeio como quis o Fisco; c) ter sido correta a contabilização dos descontos por se tratar de despesas necessárias e atreladas à atividade da empresa; d) o mesmo posicionamento em relação aos fretes contabilizados como despesas, sendo indevida a desclassificação feita pelo Fisco com base em contratos particulares; e) a abusividade das multas aplicadas. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Fl. 6987DF CARF MF Processo nº 15586.720127/201496 Acórdão n.º 1402002.748 S1C4T2 Fl. 6.988 22 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O Recurso Voluntário da autuada é tempestivo (ciência da decisão recorrida em 05/08/2015 – fls. 6897 “AR” e protocolização da peça recursal em 31/08/2015 fls. 6907/6958), sua representação está corretamente formalizada (fls. 6162/6167) e os demais pressupostos exigidos para admissibilidade foram atendidos, de modo que o recebo e dele conheço. DA PRECLUSÃO DECRETADA PELA DECISÃO RECORRIDA Prefacialmente a qualquer outra apreciação analiso a manifestação da decisão recorrida que considerou parcialmente perempta a impugnação acostada pela autuada em relação às seguintes irregularidades: a) “OUTRAS MULTAS ADMINISTRADAS PELA RFB” (AI – fls. 6058) b) ITEM 0001 do AI de IRPJ (fls. 6061) 0001 – OMISSÃO DE RECEITAS POR PRESUNÇÃO LEGAL FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE PAGAMENTOS EFETUADOS c) ITEM 0003 do AI de IRPJ (fls. 6062) 0003 – RECEITAS FINANCEIRAS E/OU VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS OMISSÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS e MANUTENÇÃO DE PASSIVO FICTÍCIO d) ITEM 0007 do AI de IRPJ (fls. 6064) 0007 – RESULTADOS ESCRITURADOS E NÃO DECLARADOS FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ Segundo o voto condutor, “essas infrações não foram contestadas nem por razões de mérito nem pelas preliminares de nulidades invocadas (que se circunscrevem às irregularidades no MPF e TVF, pela não menção das contribuições para o PIS e a COFINS, ao não aproveitamento dos pagamentos efetuados e por evidente utilização de presunção nas infrações descritas no item 4 do TVF FINAL)”. Em seu recurso voluntário (fls. 6911), a recorrente contesta tal decisão alegando, 1. quando ao item “Outras Multas” que teria tratado da matéria em “ponto específico” da impugnação, mais precisamente quando suscitou a “incorreta aplicação de multa e o seu evidente caráter confiscatório” (item III.5 da peça impugnatória junto à DRJ); e, 2. quanto às demais preclusões decretadas que as teria contestado em “preliminares levantadas” e que, se acolhidas, abrangeriam tais pontos, levando, consequentemente, “à nulidade integral da autuação” (RV – fls. 6911). Equivocase a recorrente, primeiro porque, em relação às ditas “Outras Multas” a contestação que apresentou disse respeito à multa de ofício incidente sobre os lançamentos realizados pelo Fisco (IRPJ/CSLL/PIS/COFINS) e não à multa regulamentar Fl. 6988DF CARF MF Processo nº 15586.720127/201496 Acórdão n.º 1402002.748 S1C4T2 Fl. 6.989 23 imposta pela apresentação extemporânea da escrituração contábil digital (ECD) exigida nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779/99. Mais a mais, como a própria recorrente reconhece em seu RV, a imposição foi combatida, “mesmo que de forma genérica” (fls. 6911), procedimento que não pode ser validado. Já em relação às irregularidades 0001, 0003 e 0007 do AI de IRPJ, basta uma simples leitura da peça inaugural de defesa apresentada junto à DRJ para se ver que inexiste qualquer comentário ou argumentação sobre elas. Acompanhemse as reproduções dos títulos fincados pela própria contribuinte na sua impugnação e observese a sequência (*): (*) Há um evidente erro de grafia por parte da contribuinte quando, ao invés de apontar na sequência o item “III.4”, inseriu, por duas vezes, o item “III.3” Em suma, confirmado não haver uma linha sequer tratando das irregularidades citadas pelo Fisco nos referidos itens 0001, 0003 e 0007 do AI, mantenho a preclusão decretada pela decisão de 1ª Instância, ficando, pois, o litígio adstrito às irregularidades a seguir delineadas: 0002 – CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS: Despesas com fretes e carretas inerentes a operações de importações por conta e ordem de terceiros, não necessárias à obtenção da receita da atividade ou à manutenção da fonte produtora. Fl. 6989DF CARF MF Processo nº 15586.720127/201496 Acórdão n.º 1402002.748 S1C4T2 Fl. 6.990 24 0004 – DESPESAS FINANCEIRAS E/OU VARIAÇÕES MONETÁRIAS PASSIVAS DESPESAS FINANCEIRAS NÃO DEDUTÍVEIS: Despesas financeiras indedutíveis escrituradas como descontos. Parte dos “descontos” concedidos pela Fiscalizada foram verificados como despesas não necessárias à percepção da receita correspondente (receita de serviço de importação por conta e ordem de terceiros) e à manutenção da fonte produtora. Os “descontos” concedidos, glosados, não são despesas inerentes ao objeto social, à receita da atividade e à existência/manutenção da empresa, sequer são suportados pela receita de serviço que lhe deram ensejo. 0005 – SUBVENÇÕES E RECUPERAÇÃO DE CUSTOS OMISSÃO DE SUBVENÇÕES CORRENTES: Omissão de subvenções correntes para custeio ou operações recebidas no período. 0006 – EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL EXCLUSÕES INDEVIDAS/CONTABILIZAÇÃO IMPRÓPRIA DAS SUBVENÇÕES CORRENTES: Contabilização indevida, como subvenções para investimento, de valor relativo a subvenções correntes para custeio ou operação recebida no período de apuração. Principio a análise dos autos pelo pedido de “sobrestamento” em razão de “consulta” que a recorrente teria formulado à Administração Tributária. A respeito, como bem pontuado pela decisão recorrida, tal “consulta” foi tida como “ineficaz” e, neste contexto, não produz qualquer efeito, menos ainda impedir o procedimento fiscal e eventual lavratura de autos de infração. Demais disso, cumpre ainda consignar que não há previsão legal, excetuada a hipótese do § 5º, do art. 6º, do Anexo II do RICARF3, para o sobrestamento do julgamento de processo de exigência fiscal, dentro das normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal, posto que a Administração Pública tem o dever de impulsionar o processo até sua decisão final (Princípio da Oficialidade). Já sobre as preliminares de nulidade arguidas, afastoas integralmente, como abaixo discorro. Inicialmente, ao revés do quanto alegado pela defesa de que a Fiscalização, por ocasião da lavratura dos autos de infração, não teria levado em conta os valores de IRPJ e de CSLL pagos pela autuada espontaneamente, basta ver os autos de infração de IRPJ e de CSLL para se verificar que o Fisco levou em conta, sim, tais pagamentos, como, aliás, expressamente consignou no fechamento do TVFF (fls.6051): 3 § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. Fl. 6990DF CARF MF Processo nº 15586.720127/201496 Acórdão n.º 1402002.748 S1C4T2 Fl. 6.991 25 Em relação à não menção do PIS e da COFINS no MPF originalmente emitido e que poderia levar à nulidade suscitada pela defesa, lembrese estar pacificado no âmbito deste Colegiado que tal documento prestase primordialmente a controle de natureza interna da Receita Federal (embora também permita aos contribuintes aferir se a ação fiscal que se realiza é realmente originária do órgão tributário, se o servidor é da carreira de auditoria, períodos sob fiscalização, etc.) ou seja, é regramento administrativo que dá as diretrizes do procedimento a ser levado a efeito, SEM, JAMAIS, suprir a competência legal do servidor responsável pela ação fiscal prevista no artigo 142 do Código Tributário Nacional, cabendo ao AuditorFiscal que preside o feito elaborar os termos que entender necessários para o melhor cumprimento do trabalho fixado, sendo tais termos aqueles que iniciam, dão sequência ou encerram a ação fiscal, aí incluídas eventuais circularizações, pesquisas ou obtenção de dados, bem como o procedimento de requerer, internamente, a conversão de um MPF de Diligência em MPF de Fiscalização, se as circunstâncias e os fatos assim exigirem. É remansosa a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em todas as suas Câmaras, a respeito de nulidades suscitadas em relação ao Mandado de Procedimento Fiscal, todas improvidas: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/07/1999 a 31/03/2004 Ementa: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF se constitui de mero controle administrativo, visando, sobretudo, proporcionar segurança ao contribuinte, não tendo o condão de tornar nulo lançamento corretamente efetuado, sob pena de contrariar o Código Tributário Nacional e o Decreto nº 70.235/72, o que não se permite a uma Portaria. (Acórdão nº 201 80670 – Relator Maurício Taveira e Silva) PAF MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – MPF – PRORROGAÇÃO – VALIDADE – A competência para execução de fiscalização, delegada através de Mandado de Procedimento Fiscal, não desconhece o princípio da competência vinculada do servidor administrativo e da indisponibilidade dos bens públicos. Continuação de trabalho fiscal com prorrogação feita tempestivamente, por meio eletrônico, é válida nos termos das Portarias do Ministério da Fazenda de nºs 1265/1999, 3007/2001 e 1.468/2003. (Data da Sessão 14/09/2007 Relator Paulo Roberto Cortez –Acórdão nº 10196351). Sexta Câmara/Primeiro Conselho de Contribuintes Acórdão nº 10615259 Data da Sessão 25/01/2006 Relator(a) Luiz Antonio de Paula MPF NULIDADE DO LANÇAMENTO Comprovado nos autos a emissão regular do MPF bem como do MPF complementar e prorrogações, deve ser afastada a preliminar de nulidade calcada em alegada irregularidade ou inexistência de tais documentos. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). NULIDADE DE AUTO DE INFRAÇÃO. Fl. 6991DF CARF MF Processo nº 15586.720127/201496 Acórdão n.º 1402002.748 S1C4T2 Fl. 6.992 26 INOCORRÊNCIA. Constituindose o MPF em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo, eventual irregularidade formal nele detectada não enseja a nulidade do auto de infração, nem de quaisquer Termos Fiscais lavrados por agente fiscal competente para proceder ao lançamento, atividade vinculada e obrigatória nos termos da lei. Finalmente, a preliminar de nulidade suscita pelo fato de o Fisco supostamente ter se utilizado de “presunção”, não se sustenta simplesmente porque não houve qualquer lançamento com base em presunção legal e, caso houvesse, a própria lei daria aval ao procedimento fiscal. Mais ainda, o que emana da peça recursal nem pode ser chamado de “presunção”, mas, sim, de reclamo pelo fato de o Fisco ter adotado (nas palavras da recorrente – RV – fls. 6923) “mera amostragem”. Ora, a simples leitura dos autos, com todos os seus termos, documentos, relatórios, circularizações, consultas, intimações, constatações, enfim, toda uma gama probatória robusta e um trabalho investigativo profundo e ao mesmo tempo parcimonioso e sem qualquer desvio da responsável pela ação fiscal, destrói o argumento da defesa de que se estaria diante de “mera amostragem”. Ao contrário! O trabalho merece louvor pela sua acuidade a plena observância a todas as regras de auditoria e fiscalização com intimações claras e abertura às informações e contraposições da fiscalizada, sem nenhum cerceamento de defesa, ainda em fase investigativa e antes mesmo da instauração do litígio aqui apreciado. Ademais, só como complemento, não deveria a recorrente olvidar que “amostragem”, ainda que este fosse o caso – e não é! , não inquina procedimento, posto ser um dos meios mais clássicos de se realizar uma auditoria. Pelo exposto, rejeito as três preliminares de nulidade levantadas pela recorrente. MÉRITO DA SUBVENÇÃO Passo ao mérito, iniciando pelo “item 0005 – SUBVENÇÕES E RECUPERAÇÃO DE CUSTOS OMISSÃO DE SUBVENÇÕES CORRENTES: Omissão de subvenções correntes para custeio ou operações recebidas no período”, tema que tem frequentado assiduamente as sessões das Câmaras deste Colegiado, inclusive da CSRF e, basicamente, visa solucionar conflito que se instaura entre o Fisco e os contribuintes em relação às nominadas “subvenção para investimentos” e “subvenção para custeio”, a primeira, como se sabe, ao abrigo da tributação do IRPJ por força do artigo 443, do RIR/1999, e a seguinte sem o apoio deste benefício, devendo compor a base imponível desta exação (art. 392, do diploma citado). Neste contexto, a correta dicotomia entre os dois termos e sua aplicação ao caso concreto fazse imperativa para melhor definir a refrega. Segundo o TVFF (fls. 6011), “A MULTIMEX classificou incorretamente as Subvenções concedidas pelo governo de Rondônia que têm a natureza de Subvenções para o Custeio como Subvenções para Investimento e as excluiu, em parte, no Livro de Apuração do Lucro Real e na Fl. 6992DF CARF MF Processo nº 15586.720127/201496 Acórdão n.º 1402002.748 S1C4T2 Fl. 6.993 27 própria Demonstração do Resultado, na DIPJ/2010. A MULTIMEX foi favorecida, em 2009, por benefícios fiscais do Estado de Rondônia, nos termos da Lei nº 1.473/2005, que concede ao contribuinte do ICMS um crédito presumido de 85% (oitenta e cinco por cento) do valor do imposto devido pela saída interestadual de mercadoria importada do exterior sem exigir contrapartida/aplicação de tais valores em projetos ou investimentos para expansão de empreendimentos econômicos. Como se vê, as características do referido incentivo, no ano de 2009, o enquadram, sem margens de erro, dentro das subvenções para custeio ou operação, não se tratando de subvenção para investimento”, acusação rebatida pela recorrente que entende estar se diante de subvenção para investimento, logo, ao abrigo da tributação. Para melhor entendimento, importa ver a legislação de Rondônia que institui o benefício (Lei nº 1.473, de 2005): Art. 1º. Fica concedido ao contribuinte do ICMS enquadrado no artigo 2º um crédito presumido de 85% (oitenta e cinco por cento) do valor do imposto devido pela saída interestadual de mercadoria importada do exterior. (redação original vigente até 11/01/2011). Art. 2º. A fruição do benefício de que trata esta Lei condiciona se ao cumprimento das exigências indicadas no artigo 3º e a que o contribuinte: I – realize exclusivamente operações abrangidas por esta Lei, permitidas as saídas internas, não abrangidas pelo benefício e desde que acompanhadas de prévio recolhimento do imposto devido; II – entregue quinzenalmente à Coordenadoria da Receita Estadual arquivo magnético com seus registros fiscais; III – não realize operações com combustíveis líquidos ou gasosos derivados ou não de petróleo; e IV celebre Termo de Acordo com a Coordenadoria da Receita Estadual comprometendose a cumprir os termos desta Lei. Parágrafo único. A opção pelo benefício indicado nesta Lei implica a vedação de aproveitamento de outros créditos relativos à entrada de mercadorias, bens ou serviços, inclusive os concedidos por Lei de Incentivo Fiscal. Art. 3º A celebração do Termo de Acordo indicado no inciso IV do artigo 2º dependerá de pedido do contribuinte, a ser formulado junto à Coordenadoria da Receita Estadual, e da apresentação de garantia, sob a forma de hipoteca, seguro fiança, cartafiança bancária ou depósito caução, no valor de 2.000 (duas mil) UPF/RO. (NR dada pela Lei 2103, de 07.07.09 – efeitos a partir de 08.07.09) Com suporte nesta legislação, a recorrente foi beneficiada com uma receita advinda de subvenção concedida por Rondônia e consubstanciada por um “crédito presumido” equivalente a 85% do ICMS devido nas saídas interestaduais de mercadorias importadas do Fl. 6993DF CARF MF Processo nº 15586.720127/201496 Acórdão n.º 1402002.748 S1C4T2 Fl. 6.994 28 exterior, sendo simples o mecanismo de apuração e aproveitamento do incentivo, como se vê abaixo: a beneficiária (Multimex), embora destaque o ICMS de forma integral nas notas fiscais de saídas interestaduais (vendas ou remessas) de mercadorias por ela importadas, deixa de recolher 85% de seu valor em razão do crédito presumido concedido. Dizendo diferentemente, como só recolhe 15% do ICMS devido, a diferença (85%) se traduz, sem nenhuma dúvida, em receita, pois receita é, restando ver se seria tributável (subvenção para custeio) ou ficaria longe do campo da tributação (subvenção para investimento). Sobre a matéria, a legislação do Imposto de Renda assim dispõe em seus artigos 392 e 443, verbis: Art. 392. Serão computadas na determinação do lucro operacional: I as subvenções correntes para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, inciso IV); (...) Art. 443. Não serão computadas na determinação do lucro real as subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, desde que (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 38, § 2º, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso VIII): I registradas como reserva de capital que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto no art. 545 e seus parágrafos; ou II feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas. Posteriormente, a Lei 11.941/2009, no seu art. 15, previu tratamento específico para subvenções para investimentos, como segue: Art. 18. Para fins de aplicação do disposto nos arts. 15 a 17 desta Lei às subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e às doações, feitas pelo Poder Público, a que se refere o art. 38 do DecretoLei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977, a pessoa jurídica deverá: I reconhecer o valor da doação ou subvenção em conta do resultado pelo regime de competência, inclusive com observância das determinações constantes das normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários, no uso da Fl. 6994DF CARF MF Processo nº 15586.720127/201496 Acórdão n.º 1402002.748 S1C4T2 Fl. 6.995 29 competência conferida pelo § 3° do art. 177 da Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976, no caso de companhias abertas e de outras que optem pela sua observância; II excluir do Livro de Apuração do Lucro Real o valor decorrente de doações ou subvenções governamentais para investimentos, reconhecido no exercício, para fins de apuração do lucro real; III manter em reserva de lucros a que se refere o art. 195A da Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976, a parcela decorrente de doações ou subvenções governamentais, apurada até o limite do lucro líquido do exercício; IV adicionar no Livro de Apuração do Lucro Real, para fins de apuração do lucro real, o valor referido no inciso II do caput deste artigo, no momento em que ele tiver destinação diversa daquela referida no inciso III do caput e no § 3° deste artigo. Da leitura conjugada e contraposta de tais dispositivos é possível inferir que, enquanto as subvenções correntes para custeio devem ser computadas na determinação do lucro real, as subvenções para investimento não o serão, desde que atendidos os requisitos neles estabelecidos, já que estas “não integram a receita porque elas não interferem diretamente com a apuração do lucro líquido da pessoa jurídica, do qual a receita é parte integrante”, enquanto as primeiras “afetam diretamente o lucro líquido, eis que os custos e despesas que elas financiam são debitados ao lucro líquido”4. A partir deste cenário é que surgem as divergências entre Fisco e contribuinte, sendo imperioso distinguir se a subvenção disponibilizada pelo ente estatal ao ente privado tem caráter de custear suas atividades (por isso, tributada) ou se revestiria de perfil de investimento (assim, longe da tributação). A respeito, não são poucas as vozes – de ambos os lados – que entendem que um dos meios (certamente não o único), seria a comprovação de que os “investimentos” se refletissem em aumento do ativo fixo (no linguajar contábil mais apropriado, ativo imobilizado), o que implicaria, por exemplo, na ação do subvencionado em aplicar e investir na construção de galpões industriais. Outros já entendem que o incremento de vendas ou do lucro por determinado período de tempo, presumivelmente frutos dos “investimentos” realizados, serviriam para confirmar a correta aplicação do dinheiro público recebido e, assim, seriam subvenções para investimentos. Há outras teorias, por exemplo, a maior oferta de empregos, acréscimo na arrecadação de tributos, ou, mesmo, a presença de literal informação no texto legal definindo estarse diante de “subvenção para custeio” ou para “investimento”. Data vênia, não penso que somente estes parâmetros, per si ou em comunhão, sejam suficientes para tal definição. 4 Ricardo Mariz de Oliveira 10º Simpósio Nacional IOB de Direito Tributário, 2001, p. 45: Fl. 6995DF CARF MF Processo nº 15586.720127/201496 Acórdão n.º 1402002.748 S1C4T2 Fl. 6.996 30 Muito mais importante, penso, é o animus do subvencionador em conceder o benefício e a correta (e comprovada) aplicação dos recursos pelo subvencionado, de modo a atingir os fins propostos e projetados a partir da obtenção do subsídio. Dizendo de modo mais claro, a mera construção de um galpão com 2 ou 3 mil metros quadrados, por si só, sem que haja qualquer incremento patrimonial, de faturamento, de oferta de mão de obra, podendo se chegar a casos em que tal imóvel esteja até subutilizado, só isso seria suficiente para comprovar ser a subvenção para “investimento”? Simplesmente porque o “ativo fixo (imobilizado)” aumentou? Não me parece sensata tal conclusão, até porque a própria evolução da economia nas últimas décadas mostra ser possível, nos dias de hoje, ampliar, implantar, implementar, incrementar fatores de crescimento e investimento sem grandes aportes de imobilizado, como por exemplo, investindo em tecnologia, em treinamento de pessoal, em maciça publicidade, em logística, pela melhor exploração de pontos de vendas, pela racionalização da produção, etc., de modo que, no pensar desta Relatoria, não é o simples incremento do “ativo imobilizado” que mostra a linha divisória entre “subvenção para investimento” e “subvenção para custeio”. Com a economia globalizada e altamente tecnológica de hoje muitas vezes a inversão em um sistema operacional, em um software, em um ponto de venda, em uma marca conhecida pelo mercado ou mesmo a obtenção do direito (intangível) de explorar um determinado segmento pode ter muitíssimo mais retorno e significar um investimento muito mais rentável que a construção de um prédio de 5 mil metros quadrados. Em suma, só “aumento de ativo fixo”, na minha visão, não significa que a subvenção seja de investimento. É preciso muito mais que isso. No caso concreto, entretanto, sequer há essa vertente a ser pontuada. Explico. A Lei nº 1.473, de 2005, de Rondônia, instituidora do beneplácito fiscal NÃO CRIOU NENHUMA CONTRAPARTIDA de investimento para fins de fruição do benefício, salvo assentando que “Art. 2º. A fruição do benefício de que trata esta Lei condicionase ao cumprimento das exigências indicadas no artigo 3º” e que o contribuinte cumprisse formalidades burocráticas e fosse impedido de realizar determinadas operações (ver incisos e parágrafo único do artigo 2º, antes reproduzido). E quanto ao artigo 3º, sua redação é ainda mais simplista: Art. 3º A celebração do Termo de Acordo indicado no inciso IV do artigo 2º dependerá de pedido do contribuinte, a ser formulado junto à Coordenadoria da Receita Estadual, e da apresentação de garantia, sob a forma de hipoteca, segurofiança, cartafiança bancária ou depósito caução, no valor de 2.000 (duas mil) UPF/RO. (NR dada pela Lei 2103, de 07.07.09 – efeitos a partir de 08.07.09) Digase, inexiste qualquer exigência de uma contrapartida que possa ser minimamente classificada como “investimento”, ao contrário, aflora um benefício com todos os contornos de subvenção para custeio (com incremento de uma receita ao giro da empresa) posto que não há sequer um único requisito primário e compulsório determinando qualquer retorno ao ente público subvencionador. Fl. 6996DF CARF MF Processo nº 15586.720127/201496 Acórdão n.º 1402002.748 S1C4T2 Fl. 6.997 31 Situação mais escancaradamente exposta quando se vê que, em 2011, com a promulgação da Lei Estadual nº 2.389, de 10/01/2011, que deu nova redação ao artigo 1º da Lei original (nº 1.473/2005), o Estado concessor passou a exigir uma contraprestação mais clara e objetiva para fins de fluência do benefício, confirmando que ANTES não existia exigência alguma a ser superada. Vejase: Art. 1º. Fica concedido ao contribuinte do ICMS enquadrando no artigo 2º um crédito presumido de até 85% (oitenta e cinco por cento) do valor do imposto devido pela saída interestadual de mercadoria importada do exterior, que efetivamente esteja estabelecida no Estado de Rondônia e cumpra os requisitos exigíveis para a geração de emprego e renda à população. (NR dada pela Lei nº 2389, de 10.01.11 efeitos a partir de 11.01.11). Ou seja, como antes desta alteração não era exigido qualquer vínculo de investimento destes valores subvencionados a título de crédito presumido, indiscutível que a subvenção (em 2009) era de custeio, por isso, tributada. Em voto proferido no Ac. 910101.239 – 1ª Turma da Câmara Superior, o Conselheiro Claudemir Rodrigues Malaquias, muito bem resumiu o tema: “Como bem assinalado no voto do i. Relator, para serem caracterizados como subvenção para investimento, os benefícios fiscais, devem ser submetidos a cuidadoso exame jurídico do ato concessivo e das respectivas disposições regulamentares. O fato da lei que institui o benefício revelar a intenção da Pessoa Jurídica de Direito Público de transferir capital para a iniciativa privada, é apenas indicativo de tratarse de subvenção para investimento, pois sua correta qualificação, inequivocamente, depende dos requisitos e exigências estipuladas para a fruição do benefício, cujas características permitem assegurar o efetivo cumprimento dos objetivos da norma concessiva. Assim, verificar se tal benefício pode ser considerado, para fins fiscais, como subvenção para investimento, ou para custeio, implica investigar a natureza jurídica do benefício, com destaque para os pontos da lei concessiva que estabelecem os critérios quantitativos e qualitativos, bem como os requisitos e mecanismos que assegurem a efetiva “implantação ou expansão de empreendimentos econômicos”, tal como preconizado pelo DecretoLei nº 1.598/77. (...) Conforme entendimento que já manifestei neste Colegiado, é condição legal para que as subvenções sejam qualificadas como de “investimento”, além da manifestação do ente subvencionador dispondo que os recursos devem ser aplicados na implantação ou expansão de empreendimento, que os recursos correspondentes à subvenção sejam efetivamente aplicados, conforme os critérios quantitativos e qualitativos fixados no ato concessivo. Se a norma que institui o benefício estabelece determinadas exigências documentais, mas não fixa de modo taxativo tais critérios, os requisitos estipulados para fruição do Fl. 6997DF CARF MF Processo nº 15586.720127/201496 Acórdão n.º 1402002.748 S1C4T2 Fl. 6.998 32 benefício passam a representar mera formalidade, que se descumprida por parte do beneficiário, não acarreta nenhum tipo de sanção. In casu, o benefício concedido pelo Estado de Pernambuco não obriga a destinação dos valores subvencionados na implantação ou expansão de empreendimento econômico. Como se verifica pelo teor ato concessivo, o auxílio obtido por meio de crédito presumido do ICMS evidencia uma redução do desembolso financeiro, podendo ser utilizado pela empresa na forma que lhe for mais conveniente. Neste mesmo sentido, observase pela análise dos atos regulamentares, que existem algumas exigências, porém nenhuma delas fixa a destinação do valor correspondente à subvenção ou o montante equivalente, na aplicação específica do projeto apresentado para habilitação no programa. Assim, não vislumbro respaldo jurídico para enquadrar tal benefício como subvenção para investimento, cujos requisitos devem estar prescritos na lei concessiva e estritamente observados pelo contribuinte”. Visão que converge para o pensamento de Edmar Oliveira Andrade Filho5 para quem, “não basta haver uma subvenção; é necessário que o direito à sua percepção esteja condicionado, pela lei, ao emprego do respectivo valor em algum investimento”. Mais incisivamente (com destaque acrescido): “Subvenção é a transferência de capital de algo que sai do Patrimônio Público e, portanto, não alcança as reduções e isenções tributárias6”. Em ato normativo editado em 2008, vigente à época dos fatos aqui presentes, o Conselho Federal de Contabilidade, pela Resolução CFC nº 1.143/2008, definiu que “Subvenção governamental é uma assistência governamental geralmente na forma de contribuição de natureza pecuniária, mas não só restrita a ela, concedida a uma entidade normalmente em troca do cumprimento passado ou futuro de certas condições relacionadas às atividades operacionais da entidade”; que “A subvenção governamental não pode ser creditada diretamente no patrimônio líquido”, e que, “A subvenção é algumas vezes recebida como um pacote de ajuda financeira ou fiscal e sujeita ao cumprimento de certo número de condições. Em tais casos, é necessário cuidado na identificação das condições que dão origem aos custos e às despesas que determinam os períodos durante os quais a subvenção é reconhecida”. Antes, em 20057, o CFC já havia planificado ser a subvenção uma “contribuição pecuniária, prevista em lei orçamentária, concedida por órgãos do setor público a entidades públicas ou privadas, com o objetivo de cobrir despesas com a manutenção e o custeio destas, com ou sem contraprestação de bens ou serviços da beneficiária dos recursos”; que, “o reconhecimento da receita deve ser o mesmo, independente da forma com que o benefício foi concedido, em dinheiro ou como isenção e redução de passivo”; que deve “ser confrontado com os 5 in Estudos e Pareceres sobre Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas – MP Editora – 2007 SP – pgs. 105/106 6 ibidem pg. 107 7 Esta Resolução (nº 1.026, de 09 de maio de 2005) foi posteriormente revogada com a vigência das Leis que levaram a contabilidade brasileira ao perfilamento com as normas e padrões internacionais, mas seus conceitos revelamse poderosos para entendimento do tema subvenção. Fl. 6998DF CARF MF Processo nº 15586.720127/201496 Acórdão n.º 1402002.748 S1C4T2 Fl. 6.999 33 custos e as despesas correspondentes”, e que “Os registros contábeis dos incentivos fiscais, subvenções, contribuições, auxílios, perdão de empréstimo subsidiado e doações devem ser efetuados em contas específicas de receita e constar dos demonstrativos do resultado das entidades beneficiadas”. Bulhões Pedreira, depois de escrever que o conceito de subvenção para investimento pode incluir as isenções ou reduções de impostos, ressalva que esse alinhamento impõe que haja “estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos8”. Ora, no caso aqui estampado o benefício concedido pelo Estado de Rondônia não obriga (ou ao menos não obrigava à época dos fatos geradores aqui tratados – 2009), QUALQUER DESTINAÇÃO aos valores subvencionados de redução do ICMS, podendo dele dispor o subvencionado DA FORMA QUE MELHOR LHE APROUVESSE, como de fato acabou por ocorrer e se verá adiante. Neste sentir, tais valores percebidos pela MULTIMEX, em 2009, não têm qualquer caráter de “investimento” e se traduzem, sem nenhuma dúvida, como Subvenção Corrente/para Custeio ou Operação e são tributáveis como receita operacional nos exatos termos do art. 44 da Lei nº 4.506/64 (artigo 392, do RIR/1999). Destaquese, ainda, que tais valores são incontroversos posto não terem sido contestados em momento algum pela recorrente que se limitou a buscar caracterizálos como subvenção para investimentos, não se posicionando contrariamente aos montantes apurados pelo Fisco. Pelo exposto, neste item, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. DAS DESPESAS GLOSADAS A infração seguinte (item 0006 – EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL EXCLUSÕES INDEVIDAS/CONTABILIZAÇÃO IMPRÓPRIA DAS SUBVENÇÕES CORRENTES) é praticamente decorrente da anterior, isto é, enquanto na irregularidade precedente o Fisco lançou de ofício valores de subvenção de custeio que a recorrente não ofereceu à tributação, considerandoos como “de investimento”, neste caso tratase de montantes originalmente oferecidos à tributação (DIPJ – Ficha 06A – linha 32 – fls. 5873/5875/5877/5879) e subsequentemente dela excluídos (pela adoção do RTT), conforme DIPJ – Ficha 07A – linha 32 (fls. 5881/5883/5885/5887), referentemente ao 1º, 2º, 3º e 4º trimestres/2009. O resultado da comparação entre as linhas 32 das Fichas 06A e 07A está a seguir demonstrado e serviu de base para consecução dos lançamentos: 1 Período 2 Ficha 06A linha 32 3 Ficha 06A linha 32 4 Vlr. Lançado AI 1º Trim/2009 4.214.721,46 3.421.411,98 793.309,48 2º Trim/2009 4.198.721,16 648.374,71 3.550.346,45 3º Trim/2009 3.835.895,30 265.502,97 3.570.392,33 4º Trim/2009 4.846.755,13 66.485,44 4.780.269,69 8 Imposto sobre a renda – v. II: pessoa jurídica. Rio de Janeiro: Justec – 1979 – pag. 688. Fl. 6999DF CARF MF Processo nº 15586.720127/201496 Acórdão n.º 1402002.748 S1C4T2 Fl. 7.000 34 Valores que, com pequenos ajustes, correspondem ao que consta do auto de infração (fls. 6063/6064): Salientese que os valores foram informados pela recorrente em atendimento a intimação fiscal e constam expressamente escriturados no LALUR (fls. 6017): Postos os valores (incontroversos, pois informados pela própria autuada), concluise que sua exclusão, como feito pela recorrente, não procede por se tratar, da mesma forma que no item precedente, de subvenção para custeio, portanto tributável. Tendo a recorrente excluído tal montante da tributação, via LALUR, impõe se a sua recomposição na apuração do Lucro Real, procedimento realizado de ofício pelo Fisco mediante o lançamento ora apreciado. Ademais, acresçase, as “exclusões permitidas na apuração do Lucro Real” são aquelas literalmente descritas no RIR/19099, dentre elas não se enquadrando as “subvenções para custeio”, em face de sua natural condição de receita tributável. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário em relação a este tópico. Aprecio, a seguir, as duas infrações de “glosa de despesas” realizadas pelo Fisco, itens 0002 – CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS DESPESAS Fl. 7000DF CARF MF Processo nº 15586.720127/201496 Acórdão n.º 1402002.748 S1C4T2 Fl. 7.001 35 NÃO NECESSÁRIAS: Despesas com fretes e carretos, e 0004 – DESPESAS FINANCEIRAS E/OU VARIAÇÕES MONETÁRIAS PASSIVAS DESPESAS FINANCEIRAS NÃO DEDUTÍVEIS: Despesas financeiras indedutíveis escrituradas como descontos, iniciando por este última, em razão do seu valor mais expressivo (AI – fls. 6062/6063). Segundo o TVFF, referidos descontos não podem ser tidos como “despesas necessárias” para a percepção da receita da atividade da pessoa jurídica (serviço de importação por conta e ordem de terceiros), posto que “nas operações por conta e ordem de terceiros, a receita operacional auferida pela importadora é a inerente aos serviços por ela prestados” (fls. 6032). Mais ainda, assenta o Fisco, a fiscalizada inicialmente teria informado tratarse de “descontos incondicionais”, o que seria um despropósito, pois estes reduzem diretamente a receita bruta, não sendo possível sua alocação como despesas financeiras. Em sua impugnação e depois no recurso voluntário a recorrente destaca que, incondicional ou condicional, o desconto reduz o lucro, de modo que o resultado final seria o mesmo, ou seja, estarseia diante de mero erro contábil de classificação sem reflexo tributário. Mais ainda, segundo a recorrente, os descontos representariam repasses parciais dos benefícios por ela obtidos junto aos Estados do Espírito Santo e Rondônia, ou seja, a subvenção já tratada neste voto. Para o Fisco, porém, este procedimento não teria suporte legal porque “auferir benefícios fiscais e incentivos financeiros NÃO são o objeto social da MULTIMEX e NÃO são receita da prestação de serviço de importação por conta e ordem de terceiros. Portanto, a despesa com os repasses (“descontos”) não são necessárias à atividade operacional e a consequente percepção da receita (no caso discutido, receita de prestação de serviço na importação por conta e ordem de terceiros)”. (TVFF fls. 6037). Ainda mais, “nos contratos de prestação de serviço de importação por conta e ordem de terceiros, a atividade operacional é a prestação do serviço. Nesse sentido, a despesa admitida como dedução pela legislação é aquela necessária à percepção da receita do serviço. Admitir “descontos” (despesas) reiterados e muito superiores à própria receita de serviço auferida, vinculados à receita dos benefícios estaduais é dizer que a MULTIMEX tinha como objetivo social auferir benefício fiscal do Estado. No entanto, por absurdo que ainda assim o fosse, pela legislação já citada não se impõe como requisito à concessão dos benefícios o repasse a terceiros. Pelo contrário, a concessão dos benefícios pelas Leis nº 2.508/70 (ES) e 1.473/2005 (RO) são personalíssimos, porquanto são para que a beneficiária se desenvolva e se mantenha operando no Estado concessor do benefício e não para o repasse desses valores em favor de outras empresas”. E continua incisivamente a Autoridade Fiscal: “se a MULTIMEX, às custas dos benefícios fiscais a ela concedidos em caráter pessoal, resolveu repassálos aos seus clientes sob a denominação de “descontos” o fez por liberalidade e, por esta razão, tais repasses não podem ser deduzidos do lucro operacional da empresa”. Reproduz parcialmente alguns contratos firmados entre a recorrente e seus clientes e assenta que “em nenhum deles há qualquer cláusula referente a descontos incondicionais sobre os custos e as despesas das operações contratadas. Também não há a previsão de divisão dos benefícios fiscais obtidos pela MULTIMEX. Pelo contrário, a exemplo da cláusula 3.1 (DA REMUNERAÇÃO) do contrato com a SIGRAMAR, alguns estabelecem que a MULTIMEX se aproveitará integralmente dos benefícios e estímulo financeiros do FUNDAP”, concluindo a Fiscalização que, “ante o descortinado, verificase que os “descontos” concedidos sobre o pagamento de duplicatas vinculadas às Notas Fiscais de remessa de mercadorias por conta e ordem de terceiros se tratam de repasses de benefícios fiscais e incentivos financeiros por liberalidade e gracejo da empresa fiscalizada. Ora, como é possível conceder “desconto” se inexiste a respectiva Fl. 7001DF CARF MF Processo nº 15586.720127/201496 Acórdão n.º 1402002.748 S1C4T2 Fl. 7.002 36 receita que o suporte. O repasse parcial dos benefícios financeiros aos clientes não se enquadram como despesa operacional (financeira) passível de dedução, por não ser necessária à percepção da receita”. (TVFF – fls. 6038/6039). E finaliza relatando que tais descontos são indedutíveis e objeto de glosa “por não representarem despesas operacionais necessárias”, e que os valores são os constantes das “contas contábeis 4.02.03.01.0020 e 4.02.03.01.0021, que têm como contrapartida operações por conta e ordem de terceiros”. (TVFF – fls. 6039). A recorrente, de sua parte, desde a ação fiscal (ver resposta à Intimação Fiscal nº 204140 – fls. 1389) defende que o desconto em pauta é necessário ao desenvolvimento de sua atividade e que, “sem ele, não existe o fechamento do negócio”. Em suma, sustenta a recorrente, o desconto é parte integrante de sua atividade e é representado, basicamente, pela diferença entre o ICMS que seria devido e o efetivamente recolhido (fruto do incentivo fiscal – subvenção). Para demonstrar sua linha de pensamento, junta demonstrativos. Pois bem, independentemente do nome que se dê (desconto incondicional ou condicional) ou sua origem (efetiva saída financeira do patrimônio da recorrente ou repasse parcial do benefício fiscal recebido do Espírito Santo ou de Rondônia), fato é que tais “descontos” são, inquestionavelmente, “despesas”, tomado o termo nas suas acepções técnica, teórica, acadêmica ou normativa, sendo, sempre, “decréscimos nos benefícios econômicos durante o período contábil sob a forma da saída de recursos ou da redução de ativos ou assunção de passivos, que resultam em decréscimo do patrimônio líquido e que não sejam relacionados com distribuições aos detentores dos instrumentos patrimoniais (distribuição de resultado ou devolução de capital aos proprietários da entidade)9”. Esta definição pode ainda ser conceituada conforme a consecução dos objetivos ordinários da entidade. Neste caso, ainda segundo o Pronunciamento Técnico CPC 00, item 4.33, estas despesas seriam as que “surgem no curso das atividades usuais da entidade. As despesas que surgem no curso das atividades usuais da entidade incluem, por exemplo, o custo das vendas, salários e depreciação. Geralmente, tomam a forma de desembolso ou redução de ativos como caixa e equivalentes de caixa, estoques e ativo imobilizado”. Já a Resolução nº 1.374, de 08/12/2011, do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), em seu item 4.25, letra “b”, define: “despesas são decréscimos nos benefícios econômicos durante o período contábil, sob a forma da saída de recursos ou da redução de ativos ou assunção de passivos, que resultam em decréscimo do patrimônio líquido, e que não estejam relacionados com distribuições aos detentores dos instrumentos patrimoniais”. Na doutrina, Hendriksen e Breda dizem que despesa é: “o uso ou consumo de mercadorias ou serviços no processo de obter receitas. Elas são as expirações dos fatores de serviços relacionados diretamente ou indiretamente na produção e vendas de produtos das empresas”10. 9 cf. definição do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (instituído pela Resolução CFC n.° 1.055/2005), através do “Pronunciamento Técnico CPC 00 – Estrutura Conceitual para a Elaboração e Apresentação das Demonstrações Contábeis” (item 27). 10 HENDRIKSEN, Eldon S., BREDA, Michael F. Van. Teoria da Contabilidade. Tradução de Antônio Zoratto Sanvicente. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2007. Fl. 7002DF CARF MF Processo nº 15586.720127/201496 Acórdão n.º 1402002.748 S1C4T2 Fl. 7.003 37 Confirmando esta concepção, Kam (1986) sustenta que “despesas são reduções no valor dos ativos ou aumento no valor das exigibilidades, devido à utilização de bens e serviços das operações principais ou centrais da entidade”. 11 Já o professor Sérgio de Iudícibus, com a cátedra que lhe é peculiar afirma que a despesa “representa a utilização ou o consumo de bens e serviços no processo de produzir receitas podendo referirse a gastos efetuados no passado, no presente ou que serão realizados no futuro”. 12 O mesmo Sérgio de Iudícibus, José Carlos Marion e Elias Pereira, in “Dicionário de Termos de Contabilidade”, Atlas – SP – 2ª Ed., conceituam que “despesa, em sentido restrito, representa a utilização ou consumo de bens e serviços no processo de produzir receitas. O que caracteriza a despesa é o fato de ela tratar de expirações de fatores de serviços, direta ou indiretamente relacionados com a produção ou a venda do produto (serviço) da entidade”. Por seu turno, Edmar Oliveira Andrade Filho (op. citado – pg. 120) defende que “numa primeira acepção, a palavra despesa é utilizada como sinônimo de gasto (...). Todavia, a idéia de que uma despesa está sempre associada a um gasto cujo motivo determinante é a obtenção de um benefício é apenas parcialmente correta, posto que também os dispêndios que não trazem benefício algum para a entidade também são qualificados como despesas, como é o caso, por exemplo, da multa de trânsito (...). A multa, no caso, trouxe um malefício porque a empregadora teve de despender recursos sem contrapartida alguma e, portanto, teve de suportar uma perda de ativos sem receber algo em troca”. (destaquei) Portanto, ao abrir mão de parte do valor do benefício que recebeu como subvenção (diferença entre o ICMS devido e o recolhido), não há nenhuma dúvida que a recorrente suportou um decréscimo em seu patrimônio, ou seja, uma perda, um gasto, uma despesa. Quanto a isso, indiscutível. O problema que se apresenta é quando tal despesa, redutora do lucro líquido da empresa, ponto de partida da apuração do Lucro Real, adentra o campo de ação da legislação tributária, especialmente a do IRPJ, que exige, além da ocorrência do dispêndio, que se atendam aos requisitos previstos no artigo 299, do RIR/199913, sem o que, embora “despesas”, não seriam dedutíveis. Como, conceitualmente, despesas são a contrapartida das receitas, participando da concepção de lucro, a Fiscalização entendeu indedutível os descontos concedidos pela recorrente a seus clientes, fruto do repasse parcial dos benefícios fiscais por elas obtidos (subvenção), ou seja, o Fisco concluiu que estas despesas não fariam parte do objeto social da pessoa jurídica e seriam mera “liberalidade e gracejo da empresa fiscalizada”, e, ainda, “como é possível conceder “desconto” se inexiste a respectiva receita que o suporte”, mais 11 KAM, Vernon. Accounting theory. New York, John Wiley & Sons, 1986 12 IUDÍCIBUS, Sergio de. Teoria da Contabilidade. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2009. 13 Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). Fl. 7003DF CARF MF Processo nº 15586.720127/201496 Acórdão n.º 1402002.748 S1C4T2 Fl. 7.004 38 ainda porque “auferir benefícios fiscais e incentivos financeiros NÃO são o objeto social da MULTIMEX e NÃO são receita da prestação de serviço de importação por conta e ordem de terceiros. Portanto, a despesa com os repasses (“descontos”) não são necessárias à atividade operacional e a consequente percepção da receita (no caso discutido, receita de prestação de serviço na importação por conta e ordem de terceiros)”. Neste eito, à primeira vista e em uma leitura rápida, com razão estaria o Fisco. Todavia, entendo que outras variáveis permeiam a situação fática. Conforme Cláusula Primeira do contrato social consolidado da recorrente (fls. 6169/6176), seu objeto social é a “importação e exportação de bebidas, alimentos [...] incluídos o comércio destas mercadorias por atacado e a varejo, bem como a administração consignada destes produtos para adquirentes diversos e venda e distribuição de produtos importados e nacionais e comércio por atacado dos seguintes produtos (...)”, o que leva a entender que, para consecução destes objetivos, é exigida a conjugação de esforços que permita o atendimento aos seus clientes de forma ampla, não sendo despropositado concluir que, sendo lícitas, todas as variáveis comerciais que atraiam e mantenham a fidelidade de tais clientes são permitidas, dentre elas, certamente, a concessão de “descontos” que barateiem o preço final cobrado e satisfaça sua clientela, mesmo que à custa de sacrificar percentual da margem de lucratividade. Nessa linha, se os descontos – condicionais ou incondicionais – servem de plus para sua mantença no mercado e conquista de clientes, nada impede sejam concedidos e constituam parte das operações normais da empresa, ou seja, são, como dito antes, a contrapartida das receitas, participando da concepção de lucro. O fato de advirem originalmente de uma subvenção concedida pelo Poder Público não desnatura tal situação, mais ainda porque o Fisco tributou tais subvenções de ofício por entendêlas como “de custeio” (e que foram aqui mantidas neste voto), de tal sorte que, como discorrido alhures, após tal imposição tributária, os valores dos referidos benefícios fiscais passam a pertencer à subvencionada que deles pode dispor DA FORMA QUE MELHOR LHE APROUVER, inclusive repassandoos parcial ou mesmo integralmente a terceiros. Para melhor compreensão, importa trazer exemplificativamente a forma de apuração destes descontos, conforme apontado pela recorrente: a) Planilha (fls. 6660): No detalhe: Cálculo do desconto concedido: ICMS originalmente devido 12% – R$ 15.240,20 () ICMS a pagar – 4% R$ 5.080,07 (=) Incentivo repassado (desconto) R$ 10.160,13 Fl. 7004DF CARF MF Processo nº 15586.720127/201496 Acórdão n.º 1402002.748 S1C4T2 Fl. 7.005 39 b) Conferindo (fls. 2228), com a duplicata emitida: No detalhe: c) Com os dados constantes no Anexo I (resposta à Intimação Fiscal nº 2 – 04140, de 04/11/2013) – (fls. 2422): No detalhe: Nesse ponto, não é fora de propósito entender que estes repasses, via descontos, podem ter sido o sustentáculo que permitiu que a recorrente, localizada fora do eixo São PauloRio, se mantivesse em um mercado complexo e competitivo e fossem o chamariz para a contratação de seus serviços, caso contrário, muito provavelmente, como ela própria admite em seu RV (fls. 6945), “nenhuma empresa iria vir dos lugares mais longínquos do país para importar por uma Trading capixaba ou rondoniense”. Status que não se altera pela alegação do Fisco de que admitir tais descontos “é dizer que a MULTIMEX tinha como objetivo social auferir benefício fiscal do Estado”, e que, “ainda assim o fosse, pela legislação já citada não se impõe como requisito à concessão dos benefícios o repasse a terceiros. Pelo contrário, a concessão dos benefícios pelas Leis nº 2.508/70 (ES) e 1.473/2005 (RO) são personalíssimos, porquanto são para que a beneficiária se desenvolva e se mantenha operando no Estado concessor do benefício e não para o repasse desses valores em favor de outras empresas” (TVFF – fls. 6037), a uma porque não há este impedimento na legislação concessora do benefício e a duas porque, como alertado antes, os valores, aceitos como subvenção para custeio, integram o ativo circulante da pessoa jurídica que deles pode dispor da forma que achar mais conveniente para consecução de seus negócios. Demais disso, a própria Fiscalização ao expressamente assentar que (TVFF – fls. 6037) “não se pode olvidar que a fiscalizada não reconheceu como receita da atividade e ofereceu à tributação os benefícios fiscais e incentivos financeiros que suportaram tais “descontos”, em grande parte os omitiu ou os excluiu da base de cálculo do IRPJ e da CSLL”, está dizendo, por vias inversas, que, houvesse a recorrente reconhecido como receita da atividade e oferecido à tributação referidos beneplácitos fiscais e incentivos financeiros que suportaram os descontos, estes seriam dedutíveis. Fl. 7005DF CARF MF Processo nº 15586.720127/201496 Acórdão n.º 1402002.748 S1C4T2 Fl. 7.006 40 Ora, como esta imposição tributária sobre as subvenções foi feita pelos lançamentos – e aqui mantidos – as despesas havidas com tais descontos passam a se vincular às referidas receitas e, por isso, atendem aos preceitos de normalidade, usualidade e necessidade. Por isso mesmo, em dizer final, “dedutíveis”. Acrescentese não haver qualquer questionamento do Fisco acerca dos valores dos descontos concedidos, ou seja, não se discutiu em momento algum se os descontos aconteceram efetivamente e nos montantes contabilizados, mas, apenas sua desnecessidade. Mais ainda, destaquese, os valores foram retirados pela Fiscalização da escrituração contábil da autuada que foi plenamente aceita e não sofreu restrição da parte da Autoridade Tributária, por isso, válida. Por tudo o que se expôs, considerando não haver discussão sobre os valores e tendo em conta o oferecimento à tributação das subvenções, entendo que os descontos concedidos se constituem em despesa dedutível, de forma que, neste tópico, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário. A infração seguinte analisada é a do item 0002 – CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS: Despesas com fretes e carretos, conforme AI (fls. 6061). Neste caso, basicamente, a acusação fiscal é no sentido de que, pelos contratos firmados entre a recorrente e seus clientes, não seria da responsabilidade da autuada o transporte dos produtos até o destino apontado pela adquirente. A recorrente contrapôsse dizendo que há casos em que isso ocorre (apesar de não haver previsão contratual) e que o Fisco deve buscar a verdade material e não se fundar apenas em contrato assinado entre as partes. De fato, os contratos assinados entre as partes não contêm obrigação para a recorrente entregar os produtos, ou seja, a cláusula seria FOB. Todavia, a exemplo do que aconteceu com os descontos, esta pode ser uma despesa que, embora não prevista contratualmente, pode surgir no mundo negocial e no diaadia das empresas, ou seja, pode ser necessário, pelos mais variados fatores, que a recorrente, ainda que não obrigada contratualmente, tenha que “entregar” o produto que vendeu, arcando com o custo do frete. Ora, se quadro fático efetivamente ocorreu, se não há questionamento ou dúvidas sobre os valores apontados e se a operação está suportada por documentação hábil e idônea, não vejo que apenas pelo fato de não haver expressa previsão contratual impondo tal ônus à recorrente possa levar à desconsideração do dispêndio, taxandoo de indedutível, como fez o Fisco, até porque, como discorrido em tópico anterior, a assunção de tal ônus pode ser um dos fatores que permitam à autuada manterse no mercado. Mais a mais, não se olvide, tratase de custo usual e normal e plenamente vinculado à atividade da recorrente, além de suportado por documentação hábil e idônea em relação à qual a Autoridade Fiscal não opôs restrições. Por estes motivos e pelos demais que foram elencados no item precedente, aqui aplicáveis no que couber, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar os lançamentos de glosa destas despesas de fretes. DA TRIBUTAÇÃO REFLEXA DOS LANÇAMENTOS DE PIS/COFINS Fl. 7006DF CARF MF Processo nº 15586.720127/201496 Acórdão n.º 1402002.748 S1C4T2 Fl. 7.007 41 Acerca destas duas contribuições, foram lavrados autos de infração reflexos (fls. 6099 e 6093) tão somente em relação à infração de IRPJ nº 0001 – OMISSÃO DE RECEITAS POR PRESUNÇÃO LEGAL FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE PAGAMENTOS EFETUADOS: Omissão de receita caracterizada pela não contabilização de pagamentos referentes às quitações dos financiamentos correspondentes aos contratos nºs 82, 83 e 84, objeto dos Leilões Fundap, conforme informações públicas REITERADAS do órgão gestor do Fundap – BANDES, com valores imputados de R$ 95.554,90 (1º Trim/2009) e R$ 43.933,02 (2º trim/2009). A recorrente, já em 1ª Instância e depois novamente em seu RV (fls. 6951), opôsse a esta tributação afirmando que a partir da edição do Decreto nº 5.442, de 09 de maio de 2005, as alíquotas destas duas contribuições, incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas à incidência nãocumulativa, seria zero. A DRJ, por entender que a matéria e a imputação envolviam valores cuja infração foi declarada precluída e definitiva (matéria já vista neste voto), aplicou a preclusão também em relação ao PIS e à COFINS e deixou de analisar o pedido. Todavia, ainda que assim seja, há um ponto que não pode ser deixado de lado: de fato, a infração tem origem em matéria não questionada, porém isso se deu somente em relação ao IRPJ (e CSLL), não no que tange ao PIS e à COFINS, objeto de impugnação específica nas duas fases recursais, basicamente, como assentado, alertando sobre o zeramento das alíquotas, posição trazida pelo indigitado Decreto, vigente à época dos fatos geradores e só revogado pelo Decreto nº 8.426, de 2015. De sua parte o Fisco assim classificou a irregularidade que deu origem aos lançamentos de IRPJ e reflexos, inclusive PIS e COFINS (TVFF fls. 6027): “A quitação efetiva do passivo descrito deve ser objeto de escrituração, reconhecendose, como contrapartida à sua baixa, a receita decorrente do desconto obtido na liquidação da obrigação. Contudo, não é o que se verifica nos livros contábeis da fiscalizada, que manteve a integralidade das obrigações relacionadas nos Contratos 82, 83 e 84 em sua contabilidade. É dizer, a empresa manteve em sua contabilidade passivo registrado quando já o havia liquidado, deixando de oferecer à tributação, como receita financeira, o desconto obtido na liquidação das obrigações decorrentes dos financiamentos FUNDAP”. (destaque acrescido). Pois bem, se a própria Autoridade Fiscal classifica a irregularidade, em sua origem, como “receita financeira” a tributação não pode ser mantida, posto que a alíquota incidente, para estes casos, é zero e não 1,65% e 7,6%. Assim, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário e cancelo os lançamentos de PIS e de COFINS. SOBRE A MULTA DE OFÍCIO APLICADA Insurgese a recorrente sobre a multa de ofício lançada (75%), classificando a de confiscatória Fl. 7007DF CARF MF Processo nº 15586.720127/201496 Acórdão n.º 1402002.748 S1C4T2 Fl. 7.008 42 De plano não conheço desta argumentação por ser vedado ao julgador administrativo manifestarse sobre matéria de cunho constitucional, competência que cabe exclusivamente ao Poder Judiciário, nos termos do art. 102, incisos I, “a” e III, “b” e § 1º, da Constituição Federal. Além disso, o tema já está consolidado no âmbito deste CARF, Súmula nº 214. Não bastasse, a multa de ofício adotada a ser aplicada em lançamentos derivados de procedimentos fiscais, tem previsão legal na Lei nº 9.430/1996, corretamente adotada pela Auditora Fiscal nos autos em questão: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea “a” pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea “b” com nova redação pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea “c” com nova redação pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) 14 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 7008DF CARF MF Processo nº 15586.720127/201496 Acórdão n.º 1402002.748 S1C4T2 Fl. 7.009 43 § 3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. § 4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Como visto do dispositivo transcrito, para a aplicação da multa no patamar de 75% basta a constatação, em procedimento de ofício, de infração à legislação tributária, da qual resulte falta de recolhimento do tributo ou contribuição, por parte da contribuinte. E é exatamente este o caso aqui tratado. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário neste tópico. Com essas considerações, concluo meu voto no sentido de, i) NÃO CONHECER do recurso voluntário em relação às matérias de cunho constitucional, e de itens já preclusos por falta de impugnação em 1ª Instância; ii) REJEITAR o pedido de sobrestamento do julgamento e as preliminares suscitadas; iii) no mérito, iii.i) DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para cancelar os lançamentos de IRPJ e CSLL referentes a glosa de despesas com descontos concedidos e glosa de despesas de fretes e carretos; iii.ii) DAR PROVIMENTO INTEGRAL para cancelar os lançamentos de PIS e COFINS e, iii.iii) no mais, MANTER os lançamentos não cancelados neste acórdão. Para melhor execução do Acórdão, demonstro abaixo os valores lançados pelo Fisco, as exonerações havidas e o crédito tributário mantido. 1438 OUTRAS MULTAS ADMINISTRADAS PELA RFB Período Vlr. Lançado Vlr. Exonerado Vlr. Mantido (*) 31/08/2009 750,00 750,00 30/09/2009 750,00 750,00 31/10/2009 750,00 750,00 29/11/2009 750,00 750,00 TOTAIS 3.000,00 0,00 3.000,00 (*) Valores sujeitos a juros de mora pela taxa SELIC 2917 IRPJ Período Vlr. Lançado Vlr. Exonerado Vlr. Mantido (*) 1º Trim/2009 1.216.287,00 527.636,43 688.650,57 2º Trim/2010 1.696.064,60 252.508,29 1.443.556,31 3º Trim/2010 1.424.988,63 168.260,12 1.256.728,51 4º Trim/2010 1.686.380,13 274.913,45 1.411.466,68 Fl. 7009DF CARF MF Processo nº 15586.720127/201496 Acórdão n.º 1402002.748 S1C4T2 Fl. 7.010 44 TOTAIS 6.023.720,36 1.223.318,29 4.800.402,07 (*) Valores sujeitos a multa de ofício de 75% e juros de mora pela taxa SELIC 2973 CSLL Período Vlr. Lançado Vlr. Exonerado Vlr. Mantido (*) 1º Trim/2009 247.914,21 247.914,21 2º Trim/2010 521.840,27 521.840,27 3º Trim/2010 454.452,66 454.452,66 4º Trim/2010 510.132,01 510.132,01 TOTAIS 1.734.339,15 1.734.339,15 (*) Valores sujeitos a multa de ofício de 75% e juros de mora pela taxa SELIC 5477 COFINS Período Vlr. Lançado Vlr. Exonerado Vlr. Mantido (*) 31/03/2009 7.262,17 7.262,17 0,00 31/05/2009 3.338,91 3.338,91 0,00 TOTAIS 10.601,08 10.601,08 0,00 (*) Valores sujeitos a multa de ofício de 75% e juros de mora pela taxa SELIC 6656 PIS Período Vlr. Lançado Vlr. Exonerado Vlr. Mantido (*) 31/03/2009 1.576,66 1.576,66 0,00 31/05/2009 724,89 724,89 0,00 TOTAIS 2.301,55 2.301,55 0,00 (*) Valores sujeitos a multa de ofício de 75% e juros de mora pela taxa SELIC Fl. 7010DF CARF MF Processo nº 15586.720127/201496 Acórdão n.º 1402002.748 S1C4T2 Fl. 7.011 45 É como voto. Brasília (DF), em 19 de setembro de 2017. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 7011DF CARF MF
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Numero do processo: 10314.724463/2014-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 11/01/2011 a 16/01/2014
Ementa:
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE NÃO CONFIGURADA.
A suposta imprecisão do MPF, ainda que impedisse a precisa identificação temporal para o seu encerramento, não implicaria a sua nulidade e do correlato lançamento, uma vez que não trouxe prejuízo às defesas dos contribuintes e, ainda, porque a data do termo final do MPF tem implicações para fins de resgate da espontaneidade do contribuinte (art. 7º, § 2° do Decreto 70.235/72) e para a configuração da decadência do crédito tributário, mas não para a sua validade formal.
DENEGAÇÃO DE SUSTENTAÇÃO ORAL EM JULGAMENTO DA DELEGACIA REGIONAL DE JULGAMENTO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
A denegação de sustentação oral em sede de julgamento realizado pela Delegacia Regional de Julgamento não viola o devido processo legal e seus consectários lógicos (contraditório e ampla defesa), uma vez que tais valores jurídicos não são absolutos e devem ser conjugados com outros valores jurídicos também tutelados pelo ordenamento constitucional, tais como celeridade e duração razoável do processo. Ademais, não há previsão legal para tal sustentação oral em sede de DRJ. Precedentes do STF.
ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA.
Haveria alteração de critério jurídico se a decisão recorrida intentasse promover a alteração dos fundamentos fático-jurídicos que sustentaram a acusação fiscal, o que inexiste no caso em tela.
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO CONVERTIDA EM MULTA PARA O IMPORTADOR FORMAL. IMPOSSIBILIDADE. SANÇÃO MAIS ESPECÍFICA. MULTA DE 10% PELA CESSÃO DE NOME. ERRO DE DIREITO
Na hipótese de interposição fraudulenta, a sanção a ser aplicada ao importador que formalmente aparece para o controle aduaneiro é, em razão da sua especialidade, aquela capitulada no art. 33 da lei n. 11.488/07 e não a sanção prescrita no art. 23, inciso V do Decreto-lei nº 1455/76. Erro de direito configurado.
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO. PROVA
O vasto e elucidativo acervo probatório produzido pelos recorrentes nos autos é suficiente para demonstrar a inexistência de interposição fraudulenta comprovada no caso em espécie. Em verdade, o que existe são atividades lícitas, promovidas em compasso com as ideias de livre iniciativa privada e autonomia de vontade, sem qualquer mácula de caráter aduaneiro e/ou fiscal.
Recursos voluntários providos. Sanções aduaneiras afastadas.
Numero da decisão: 3402-004.366
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro, Pedro Bispo e Jorge Freire. O Conselheiro Jorge Freire apresentou declaração de voto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 11/01/2011 a 16/01/2014 Ementa: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE NÃO CONFIGURADA. A suposta imprecisão do MPF, ainda que impedisse a precisa identificação temporal para o seu encerramento, não implicaria a sua nulidade e do correlato lançamento, uma vez que não trouxe prejuízo às defesas dos contribuintes e, ainda, porque a data do termo final do MPF tem implicações para fins de resgate da espontaneidade do contribuinte (art. 7º, § 2° do Decreto 70.235/72) e para a configuração da decadência do crédito tributário, mas não para a sua validade formal. DENEGAÇÃO DE SUSTENTAÇÃO ORAL EM JULGAMENTO DA DELEGACIA REGIONAL DE JULGAMENTO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. A denegação de sustentação oral em sede de julgamento realizado pela Delegacia Regional de Julgamento não viola o devido processo legal e seus consectários lógicos (contraditório e ampla defesa), uma vez que tais valores jurídicos não são absolutos e devem ser conjugados com outros valores jurídicos também tutelados pelo ordenamento constitucional, tais como celeridade e duração razoável do processo. Ademais, não há previsão legal para tal sustentação oral em sede de DRJ. Precedentes do STF. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA. Haveria alteração de critério jurídico se a decisão recorrida intentasse promover a alteração dos fundamentos fático-jurídicos que sustentaram a acusação fiscal, o que inexiste no caso em tela. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO CONVERTIDA EM MULTA PARA O IMPORTADOR FORMAL. IMPOSSIBILIDADE. SANÇÃO MAIS ESPECÍFICA. MULTA DE 10% PELA CESSÃO DE NOME. ERRO DE DIREITO Na hipótese de interposição fraudulenta, a sanção a ser aplicada ao importador que formalmente aparece para o controle aduaneiro é, em razão da sua especialidade, aquela capitulada no art. 33 da lei n. 11.488/07 e não a sanção prescrita no art. 23, inciso V do Decreto-lei nº 1455/76. Erro de direito configurado. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO. PROVA O vasto e elucidativo acervo probatório produzido pelos recorrentes nos autos é suficiente para demonstrar a inexistência de interposição fraudulenta comprovada no caso em espécie. Em verdade, o que existe são atividades lícitas, promovidas em compasso com as ideias de livre iniciativa privada e autonomia de vontade, sem qualquer mácula de caráter aduaneiro e/ou fiscal. Recursos voluntários providos. Sanções aduaneiras afastadas.
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NULIDADE NÃO CONFIGURADA. A suposta imprecisão do MPF, ainda que impedisse a precisa identificação temporal para o seu encerramento, não implicaria a sua nulidade e do correlato lançamento, uma vez que não trouxe prejuízo às defesas dos contribuintes e, ainda, porque a data do termo final do MPF tem implicações para fins de resgate da espontaneidade do contribuinte (art. 7 o , § 2° do Decreto 70.235/72) e para a configuração da decadência do crédito tributário, mas não para a sua validade formal. DENEGAÇÃO DE SUSTENTAÇÃO ORAL EM JULGAMENTO DA DELEGACIA REGIONAL DE JULGAMENTO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. A denegação de sustentação oral em sede de julgamento realizado pela Delegacia Regional de Julgamento não viola o devido processo legal e seus consectários lógicos (contraditório e ampla defesa), uma vez que tais valores jurídicos não são absolutos e devem ser conjugados com outros valores jurídicos também tutelados pelo ordenamento constitucional, tais como celeridade e duração razoável do processo. Ademais, não há previsão legal para tal sustentação oral em sede de DRJ. Precedentes do STF. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA. Haveria alteração de critério jurídico se a decisão recorrida intentasse promover a alteração dos fundamentos fático-jurídicos que sustentaram a acusação fiscal, o que inexiste no caso em tela. Fl. 4932DF CARF MF 2 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO CONVERTIDA EM MULTA PARA O IMPORTADOR FORMAL. IMPOSSIBILIDADE. SANÇÃO MAIS ESPECÍFICA. MULTA DE 10% PELA CESSÃO DE NOME. ERRO DE DIREITO Na hipótese de interposição fraudulenta, a sanção a ser aplicada ao importador que formalmente aparece para o controle aduaneiro é, em razão da sua especialidade, aquela capitulada no art. 33 da lei n. 11.488/07 e não a sanção prescrita no art. 23, inciso V do Decreto-lei nº 1455/76. Erro de direito configurado. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO. PROVA O vasto e elucidativo acervo probatório produzido pelos recorrentes nos autos é suficiente para demonstrar a inexistência de interposição fraudulenta comprovada no caso em espécie. Em verdade, o que existe são atividades lícitas, promovidas em compasso com as ideias de livre iniciativa privada e autonomia de vontade, sem qualquer mácula de caráter aduaneiro e/ou fiscal. Recursos voluntários providos. Sanções aduaneiras afastadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro, Pedro Bispo e Jorge Freire. O Conselheiro Jorge Freire apresentou declaração de voto Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente. Diego Diniz Ribeiro- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Trata-se de auto de infração que implicou a pena de perdimento, convertida em multa, em desfavor da Recorrente Oito Brasil Distribuidora Ltda. (“Oito Brasil”), bem como na responsabilização solidária da empresa Glikimport Comércio Imp. e Exp. de Cosméticos Ltda. (“Glikimport”), o que se deu com fundamento no art. 23, inciso V, §§ 1º e 3º do Decreto-lei nº 1.455/1976, c.c. o art. 105, inciso XI do Decreto-lei nº 37/1966, e art. 689, incisos XI e XXII e §1º, todos do Decreto nº 6.759/2009 (RA/2009). Referida exigência aduaneira implicou a exigência do valor de R$ 19.139.340,48. 2. Segundo a acusação fiscal, a empresa Glikimport Comércio importava por encomenda mercadorias estrangeiras (cosméticos das marcas L´anza e Paul Mitchell), se valendo, para tanto, da Sertrading (BR) Ltda. (“Sertrading”). Não obstante, todas as mercadorias importadas pela empresa Glikimport Comércio eram, necessariamente, vendidas no mercado interno para a empresa Oito Brasil, a qual, por seu turno, distribuía tais bens para salões de beleza espalhados pelo país. Fl. 4933DF CARF MF Processo nº 10314.724463/2014-94 Acórdão n.º 3402-004.366 S3-C4T2 Fl. 4.933 3 3. Ainda segundo a acusação fiscal, a empresa Glikimport utilizou recursos de terceiro nas operações de importação acima citadas, ocultando, pois, o real adquirente das mercadorias registradas nas diversas Declarações de Importação (DI's) relacionadas no presente Auto de Infração e registradas entre 11/01/2011 a 16/01/2014. Segundo a fiscalização, a real adquirente de tais bens seria a empresa Oito Brasil. 4. A ocultação do real importador teria por escopo afastar a condição da Oito Brasil de estabelecimento equiparado a industrial, de modo que a correlata incidência de IPI recaísse na operação perpetrada pela Glikimport, o que ensejou em uma economia no montante a pagar deste imposto. 5. Diante deste quadro, a fiscalização promoveu 03 (três) diferentes Autos de Infração a seguir detalhados. 6. O primeiro deles redundou no (i) processo administrativo n. 10314.723792/2014-18, lavrado em prejuízo da Glikimport e que tem por escopo a imposição de multa equivalente a 10% (dez por cento) do valor da operação de importação pelo fato da referida empresa ter cedido seu nome para a Oito Brasil realizar negócios no âmbito do comércio exterior, o que estaria previsto no art. 33 da lei n. 11.488/07. 7. Por sua vez, os fatos aqui narrados ensejaram ainda (ii) um segundo processo administrativo (10314.724463/2014-94) que é exatamente o caso em análise, no qual se impôs à empresa Oito Brasil e solidariamente à empresa Glikimport a pena de perdimento das mercadorias importadas, convertida em pena de multa. 8. Por fim, adveio ainda um terceiro Auto de Infração, retratado pelo (iii) processo administrativo n. 10314.724465/2014-83, lavrado em desfavor da empresa Oito Brasil e que teve por objeto apurar e exigir da aludida empresa o IPI incidente na operação e que seria por ela devido na qualidade de estabelecimento equiparado a industrial. 9. Devidamente intimadas no presente processo administrativo, as empresas Oito Brasil e Glikimport apresentaram suas respectivas impugnações (fls. 2.166/2.203 e 2.959/2.998), o que fizeram com base nos principais fundamentos a seguir indicados: (i) nulidade dos autos de infração e dos procedimentos fiscais; (ii) independência e autonomia das pessoas jurídicas acusadas, o que se retrataria por robusto acervo probatório (inclusive laudo técnico) acostado com a impugnação; (iii) inexistência de adiantamentos financeiros; e, por fim (iv) inexistência de fraude e violação ao art. 112 do CTN. 10. Tais impugnações, todavia, foram julgadas improcedentes nos seguintes termos pela DRJ de Fortaleza (acórdão n. 08-32.013 - fls. 3.800/3.839): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 11/01/2011 a 16/01/2014 Fl. 4934DF CARF MF 4 PEDIDO DE SUSTENTAÇÃO ORAL NO ÂMBITO DA DELEGACIA DE JULGAMENTO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. É descabido o requerimento de sustentação oral, no âmbito da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, por ausência de previsão na legislação que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal. Nesta instância de julgamento a manifestação no processo administrativo somente se dará por escrito. CONEXÃO. REUNIÃO DE PROCESSOS. FACULDADE. LIMITES DE COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE JULGADORA. Somente se reputam conexos dois ou mais processos, quando lhes for comum o objeto ou a causa de pedir. Havendo conexão, a fim de prestigiar a economia processual e evitar decisões conflitantes, é facultado ao órgão julgador ordenar a reunião de processos, para que sejam decididos simultaneamente, exceto quanto àqueles cujo julgamento se encontra fora de sua área de competência legal. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. AUSÊNCIA DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. A competência do Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil para o lançamento tributário tem origem na lei. O Mandado de Procedimento Fiscal é apenas um instrumento gerencial de controle administrativo da atividade fiscal e eventuais falhas na sua execução não configuram motivo suficiente para abalar a constituição do crédito tributário, se esta se deu conforme os ditames dos arts. 9º e 10 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 142 do CTN. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 11/01/2011 a 16/01/2014 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. MULTA. A ocultação do sujeito passivo, do real comprador ou do responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, consiste em infração punível com a multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou tenha sido consumida. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 11/01/2011 a 16/01/2014 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Responde pela infração quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie bem como o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Fl. 4935DF CARF MF Processo nº 10314.724463/2014-94 Acórdão n.º 3402-004.366 S3-C4T2 Fl. 4.934 5 Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. 11. Diante deste quadro, as duas empresas interpuseram seus respectivos recursos voluntários (fls. 3.896/3.955 e 4.400/4.460), oportunidade em que os recorrentes repisaram os fundamentos invocados em suas impugnações. 12. Não obstante, o então Presidente desta Turma julgadora, Conselheiro Antonio Carlos Atulim, requisitou ao Presidente da 3 a Seção deste Tribunal Administrativo que o processo autuado sob o n. 10314.723792/2014-18, no qual se discute a multa por cessão do nome em desfavor da Glikimport, fosse redistribuído para a minha relatoria em razão da patente conexão entre tais casos, conforme se observa do despacho de fls. 4.914, o que foi prontamente deferido pelo Presidente substituto da 3 a Seção, Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, conforme atesta o despacho de fls. 4.915. Não obstante, a mesma situação se deu em relação ao processo autuado sob n. 10314.724465/2014-83, no qual se discute o lançamento de IPI em desfavor da Oito Brasil, também sendo deferida pelo Presidente substituto da 3 a Seção, Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (fls. 5.414/5.416) a reunião, por conexão, dos citados autos para que fosse julgado juntamente com o caso decidendo. 13. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 14. Os recursos voluntários interpostos preenchem os pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual tomo conhecimento de ambos. I. Das nulidades aventadas pelos Recorrentes (i) Do vício no procedimento fiscal a macular a presente autuação fiscal 15. O primeiro fundamento trazido pelos contribuintes em suas peças recursais é no sentido de que o procedimento fiscal instaurado seria maculado por vícios, fato esse que, por conseguinte, afetaria o próprio auto de infração então decorrente. Nesse sentido é o trecho de fls. 4.404/4.405 da manifestação da recorrente. 16. Em suma, os contribuintes alegam que a suposta imprecisão do MPF impede a precisa identificação temporal para o seu encerramento, o que poderia redundar em uma indevida extensão quanto ao tempo de duração da fiscalização. 17. Entendo, entretanto, que os contribuintes não possuem razão em suas assertivas. Primeiro porque um MPF pode ter seu prazo prorrogado por intermédio de termos de renovação. Ademais, este Tribunal tem jurisprudência consagrada que mesmo a ausência ou superação do prazo de 60 (sessenta) dias para a renovação do MPF não contamina a fiscalização de nulidade, o que - diga-se de passagem - não conflita com o disposto no art. 7 o , § 2° do Decreto 70.235/72 1 . Em verdade, o que aludido dispositivo faz é explicitar um dos 1 "Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: Fl. 4936DF CARF MF 6 efeitos para o não cumprimento da renovação do mandado de procedimento fiscal em 60 (sessenta) dias, qual seja, o de resgatar a espontaneidade do contribuinte 2 , isso tudo sem prejuízo do transcurso do prazo decadencial do fisco para lançar eventual crédito ou impor uma determinada sanção. 18. Ademais, a Instrução Normativa n. 3.104/11 assim previa: Art. 14. O MPF se extingue: I - pela conclusão do procedimento fiscal, registrado em termo próprio, com a ciência do sujeito passivo; ou II - pelo decurso dos prazos a que se referem os arts. 11 e 12. Parágrafo único. A ciência do sujeito passivo de que trata o inciso I do caput deverá ocorrer no prazo de validade do MPF. Art. 15. A hipótese de que trata o inciso II do art. 14 não implica nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responsável pela expedição do Mandado extinto determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal. (grifos nosso). 19. Conforme se observa do sobredito art. 15, o eventual decurso de prazo de um mandado de procedimento fiscal não implica a nulidade dos atos até então praticados, o que seria flagrantemente atentatório ao princípio da eficiência da Administração Pública. Logo, tal mandado de procedimento fiscal pode ser objeto de ressurreição pelo ato formal de expedição de termo de intimação para a sua continuidade. 20. Nem se alegue, ainda, que seria necessário a expedição de um "novo" mandado de procedimento fiscal, com a mesmíssima substância do anterior, sob pena de uma indevida sobreposição da forma em detrimento do conteúdo, o que também implicaria notória ofensa ao já citado princípio da eficiência da Administração Pública. 21. Ademais, diferentemente do alegado, as recorrentes tiveram pleno acesso ao objeto da fiscalização, o que, inclusive, permitiu que desenvolvessem robustas peças impugnatórias, lastreadas de farta documentação trazida aos autos a título de contraprova. O procedimento fiscal, tal como efetivado, não trouxe qualquer prejuízo para o substancial exercício do direito de defesa das recorrentes, motivo pelo qual afasto a pretensão de nulidade aventada pelos contribuintes. (ii) Da nulidade do julgamento de 1a instância pela denegação do pedido de sustentação oral na DRJ I - o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II - a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III - o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos." 2 Efeito este que, diga-se de passagem, foi reconhecedo pela súmula CARF n. 75, "in verbis": "A recuperação da espontaneidade do sujeito passivo em razão da inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias aplica-se retroativamente, alcançando os atos por ele praticados no decurso desse prazo." Fl. 4937DF CARF MF Processo nº 10314.724463/2014-94 Acórdão n.º 3402-004.366 S3-C4T2 Fl. 4.935 7 22. Não obstante, outro fundamento colacionado pelos recorrentes seria a pretensa nulidade da decisão proferida pela DRJ pelo fato de ter sido denegada a oportunidade dos contribuintes realizarem sustentações orais perante o órgão de 1 a instância administrativa. 23. Embora reconheça a importância da sustentação oral como instrumento de defesa dos contribuintes e, ainda, como medida cooperativa da parte litigante para o aperfeiçoamento da atividade judicativa atipicamente exercida no âmbito do processo administrativo fiscal (art. 6 o do CPC/2015), não identifico ofensa ao princípio do devido processo legal e seus consectários lógicos (ampla defesa e contraditório) na hipótese de denegação de sustentação oral no seio dos julgamentos realizados pelas DRJ's, exatamente como ocorrido no caso em tela. 24. Primeiramente, insta destacar que o princípio do devido processo legal e seus consectários lógicos, embora sejam considerados garantias fundamentais dentro do ordenamento constitucional brasileiro e, por isso, cláusulas pétreas (art. 60, § 4 o , inciso IV da Constituição Federal), não apresentam um caráter absoluto. Em outros termos, o que se afirma aqui é que mesmo direitos fundamentais podem ser objeto de limitações 3 , em especial quando ponderados em face de outros valores constitucionais também caros para o direito, como as ideias de celeridade e duração razoável do processo. 25. Na hipótese questionada pelos contribuintes não há previsão legal para a sustentação oral o que, eventualmente, poderia ensejar a convocação subsidiária do art. 937 do CPC/2015, o que, em tese, daria subsídio ao pleito do contribuinte. Há que se lembrar, entretanto, que o citado Codex entrou em vigência em março de 2016, enquanto que o caso em julgamento foi decidido pela DRJ em 27 de novembro de 2014, não havendo, portanto, que se falar em pretensa aplicação subsidiária do CPC à época do julgamento. 26. Ademais, pela necessidade de previsão legal ou regimental para fins de sustentação oral assim já decidiu o STF quando do julgamento da ADI 705: ADIN- ENTIDADE DE CLASSE- NOÇÃO CONCEITUAL - CONFEDERAÇÃO SINDICAL - INOCORRÊNCIA DOS SEUS REQUISITOS CONFIGURADORES - AUSÊNCIA DE LEGITIMIDADE ATIVA AD CAUSAM - AÇÃO DIRETA DE QUE NÃO SE CONHECE. AGRAVO REGIMENTAL - QUESTÃO DE ORDEM - IMPOSSIBILIDADE DE SUSTENTAÇÃO ORAL (RISTF, ART.131, PAR. 2.) - NORMA REGIMENTAL COMPATÍVEL COM A CONSTITUIÇÃO DE 1988 - INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA OU OFENSA AO PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO. - O preceito inscrito no regimento interno do Supremo Tribunal Federal (art. 131, par. 2.), que exclui a possibilidade de sustentação oral nos julgamentos de agravo, embargos declaratórios, arguição de suspeição e medida cautelar, não ofende o princípio do contraditório e nem vulnera o postulado da plenitude de defesa, proclamados pela Constituição da República em seu art. 5., inciso lV. (...) 3 Mesmo o direito a vida, considerado o mais importante direito tutelado pelo ordenamento constitucional, é passível de limitações, como, "e.g.", na hipótese de guerra externa ou ainda em situações em que tal bem é ofendido em razão do exercício de legítima defesa ou estado de necessidade. Fl. 4938DF CARF MF 8 (ADI 705 AgR-QO, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, Tribunal Pleno, julgado em 24/06/1992, DJ 08-04-1994 PP- 07224 EMENT VOL-01739-03 PP-00431 RTJ VOL-00152-03 PP-00782). 27. Em outra oportunidade, o STF deixou expresso que circunstâncias concernentes à celeridade e à racionalização do funcionamento do órgão julgador são causas idôneas para conformar limitações a participação dos advogados no julgamento, sem, com isso, afetar o conteúdo jurídico dos princípios do contraditório e da ampla defesa: QUESTÃO DE ORDEM EM AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. LEI 9756/98. ARTIGO 557/CPC. AGRAVO INTERNO. SUSTENTAÇÃO ORAL. IMPOSSIBILIDADE. OFENSA AO PRINCÍPIO DA AMPLA DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. ALEGAÇÃO IMPROCEDENTE. 1. Recurso extraordinário. Aplicação do artigo 557 do Código de Processo Civil. Procedência da impugnação por estar o acórdão recorrido em confronto com a jurisprudência pacificada do Supremo Tribunal Federal. Agravo regimental contra a decisão do relator, no qual à parte agravante caberá infirmar a existência dos requisitos necessários à prolação do ato monocrático. 2. Agravo regimental. Sustentação oral. Impossibilidade, por cuidar-se de procedimento contrário à ratio do artigo 557, § 1º, do Código de Processo Civil, tornando inócua a alteração legislativa, cuja finalidade essencial é a de dar celeridade à prestação jurisdicional. Ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório. Inexistência, visto que a norma constitucional não impede a instituição de mecanismos que visem à racionalização do funcionamento dos Tribunais. 3. Questão de Ordem resolvida no sentido do não-cabimento de sustentação oral no julgamento do agravo interposto da decisão fundamentada no § 1o do artigo 557 do Código de Processo Civil. (RE 227089 AgR-QO, Relator(a): Min. MAURÍCIO CORRÊA, Tribunal Pleno, julgado em 08/06/2000, DJ 21-11-2003 PP- 00008 EMENT VOL-02133-04 PP-00653) (grifos nosso). 28. Diante do exposto, também rechaço essa preliminar desenvolvida pelas recorrentes. (iii) Da suposta alteração de critério jurídico por parte da decisão recorrida 29. Outro fundamento preliminarmente desenvolvido pelas recorrentes diz respeito a suposta alteração de critério jurídico por parte da decisão recorrida. 30. Em um primeiro momento, alegam que a acusação fiscal foi no sentido de que a Glikimport teria cedido seu nome para a Oito Brasil, enquanto que o acórdão recorrido teria tratado a questão como interposição fraudulenta. 31. Em relação a tal ponto, não é demais reforçar que os fatos aqui apurados redundaram em 03 diferentes autos de infração, aqui reunidos para julgamento único em razão Fl. 4939DF CARF MF Processo nº 10314.724463/2014-94 Acórdão n.º 3402-004.366 S3-C4T2 Fl. 4.936 9 da conexão vindicada pelo contribuinte e reconhecida por este Tribunal. Nestes 03 autos de infração foram exigidas duas sanções de caráter aduaneiro e uma importância de natureza tributária. Em relação às sanções aduaneiras, a particular acusação formulada neste auto de infração é no sentido de que a empresa Oito Brasil seria a real importadora dos bens aqui tratados, tendo sido acobertada, fraudulentamente, pela empresa Glikimport que, por seu turno, teria cedido seu nome para a Oito Brasil. 32. Logo, não há dúvida que, desde o início da fiscalização, a acusação fiscal - adequada ou não - sempre foi de fraude por parte das empresas Oito Brasil e Glikimport, fraude essa que redundou em diferentes sanções aduaneiras. Aliás, o termo fraude é recorrentemente empregado pelo fiscal no Auto de Infração, mais particularmente no Relatório Fiscal. Logo, não há que se falar em alteração do critério jurídico por parte da decisão vergastada. 33. Por fim, os outros fundamentos para uma aparente alteração do critério jurídico por parte da decisão recorrida se confundem com o mérito, motivo pelo qual serão analisadas no tópico subsequente. II. Do Mérito 34. Ainda preliminarmente, os contribuintes alegam a nulidade da decisão recorrida, uma vez que a mesma não teria analisado o farto acervo probatório acostado com as impugnações. Entendo, todavia, que tal questão se confunde com o mérito, motivo pela qual será tratada no presente tópico. (i) Do destinatário da sanção pela pena de perdimento convertida em multa 35. Um dos fundamentos trazidos pela recorrente Glikimport é no sentido de que a sanção de pena de perdimento convertida em multa não lhe seria aplicável, uma vez que, no seu caso, por ser mais específica, a sanção cabível seria a multa por cessão de nome estabelecida no art. 33 da lei n. 11.488/07 4 , sanção essa, diga-se de passagem, foi aplicada no âmbito do processo administrativo n. 10314.723792/2014-18, também em julgamento. 36. A respeito desta questão, já me posicionei no sentido de que a sanção aplicável ao importador de direito em situações análogas seria aquela prescrita no art. 33 da lei n. 11.488/07 e não a pena de perdimento convertida em multa, o que fiz com fundamento nas bem colocadas razões da Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, quando do voto proferido no acórdão n. 3402-003.146, in verbis: (...). Este tema, que vem dividindo o entendimento dos conselheiros da Terceira Seção de Julgamento do CARF, foi, a meu ver, impecavelmente enfrentado pelo Conselheiro Fernando Luiz Da Gama D’Eça, no Processo n. 10314.724447/201230, Acórdão n. 3402002.362, razão pela qual tomo emprestadas suas palavras: 4 "Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais)." Fl. 4940DF CARF MF 10 Por derradeiro, entendo que com o advento da multa de 10% instituída pelo art. 33 da Lei nº 11.488/07 aplicável à hipótese de pessoa jurídica que ceder o nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários – não mais se justifica a aplicação ao importador ostensivo da multa de 100% prevista no art. 23, inc. V do Decreto-lei nº 1455/76, somente aplicável ao real comprador, interveniente ou responsável pela operação de importação, oculto “mediante fraude ou simulação”. A aplicação cumulativa dessas sanções sobre a importadora ostensiva não somente viola o princípio da especialidade, como constitui um ilegal bis in idem. Realmente, tratando-se de dispositivos legais que tipificam uma única conduta “ acobertamento” ou “ocultação” dos reais intervenientes ou beneficiários das operações de comércio exterior, evidencia-se o conflito aparente de normas, que impõe a observância do princípio da especialidade que por sua vez determina a prevalência da norma especial, não sendo lícito ao fisco cumulá-la ou agravá-la sequer pela via transversa de suposta solidariedade em penalidade aplicada a outro infrator, pois como expressamente determina o art. 100 do Decreto-lei nº 37/66, “in verbis”: “Art. 100 – Se do processo se apurar responsabilidade de duas ou mais pessoas, será imposta a cada uma delas a pena relativa à infração que houver cometido.” Considerando que para a caracterização dos atos típicos de interposição fraudulenta “há necessidade de dois sujeitos de direito distintos” (cf. Acórdão nº 320100398 da 1ª TO da 2ª Turma da 3ª Seção do CARF, Rec. nº 140.698, Proc. nº 12466 004068/200673, em sessão de 08/12/10, Rel. Cons. Alfredo Ribeiro Nogueira; cf. tb. Acórdão nº 320100.515 da 1ª TO da 2ª Câm. da 3ª Seção do CARF, Rec. n° 344.701, Proc. n° 10936.000499/200813, em sessão de 01/07/10, Rel. Cons. Luciano Lopes de Almeida Moraes), parece evidente que a única multa aplicável à Recorrente seria a de 10% instituída pelo art. 33 da Lei nº 11.488/07, prevista para quem ceder o nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, caso não fosse elidida a presunção de interposição fraudulenta de terceiros pela suposta “não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados” (art. 23, § 2º do Decretolei nº 1455/76, na redação da Lei nº 10.637, de 30.12.2002). Nesse sentido já decidiu esta C. Turma como se pode ver da seguinte e elucidativa ementa: “ (...). IMPORTAÇÃO – INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA – MULTA APLICÁVEL AO IMPORTADOR OSTENSIVO CESSÃO DE NOME PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE DA SANÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE CUMULAÇÃO. Fl. 4941DF CARF MF Processo nº 10314.724463/2014-94 Acórdão n.º 3402-004.366 S3-C4T2 Fl. 4.937 11 Com o advento da multa de 10% instituída pelo art. 33 da Lei nº 11.488/07, em face do princípio da especialidade da sanção, não mais se justifica a aplicação ao importador ostensivo da multa de 100% prevista no art. 23, inc. V do Decreto-lei nº 1455/76, sob pena de ilegal bis in idem.” (cf. Acórdão nº 3402002.262 da 2ª TO da 4ª Câm. da 3ª Seção do CARF, Proc. nº 10314.724447/201230, em sessão de 23/04/14, Rel. Gilson Macedo Rosenburg Filho). Ressalto ainda que tal entendimento em nada contradiz o quanto disposto no artigo 727, §3º do Regulamento Aduaneiro, cujo conteúdo estabelece que: Art. 727. Aplica-se a multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários (Lei nº 11.488, de 2007, art. 33, caput). (...) § 3o A multa de que trata o caput não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias na importação ou na exportação. (grifei) Ora, como destacado acima, com o advento da multa 10% do valor da operação pela cessão de nome (artigo 33 da Lei nº 11.488/07) esta passou a ser a penalidade aplicável ao importador ostensivo. Todavia, permanece existindo e sendo aplicável a perda de perdimento como penalidade atribuída ao importador oculto, nos exatos termos do artigo 23, inciso V e §3º do Decreto-lei n. 1.455/76. Vale dizer, a multa de 10% do valor da operação pela cessão de nome não prejudica a pena de perdimento das mercadorias na importação ou exportação, justamente como impõe do §3º do artigo 727 do Regulamento Aduaneiro. De fato, ambas as penalidades serão aplicáveis em caso de constatação de interposição fraudulenta, contudo sendo cada qual imposta para o respectivo infrator das normas aduaneiras, e não conjuntamente para um único sujeito passivo. Dessarte, concluo que à Recorrente, importadora ostensiva, não se aplica a penalidade imposta pelo artigo 23, inciso V e §3º do Decreto-lei n. 1.455/76, mas sim aquela de 10% do valor da operação pela cessão de nome (artigo 33 da Lei nº 11.488/07), devendo, portanto, ser cancelada a presente autuação fiscal enquanto lhe imputa a multa equivalente à pena de perdimento das mercadorias importadas. 37. Nesse sentido, com razão a recorrente Glikimport, o que implica o cancelamento da sanção que lhe foi imputada, haja vista o notório erro de direito. 38. O erro de direito é uma problema decorrente da equivocada subsunção do fato à norma ou, em outros termos, que emerge de uma indevida qualificação jurídica dos fatos apurados. É, pois, um problema internormativo, haja vista ter sua origem no descompasso entre Fl. 4942DF CARF MF 12 a norma individual e concreta com a norma geral e abstrata que lhe dá fundamento. Já o erro de fato, por seu turno, é um problema intranormativo, decorrente de um erro na identificação do fato social descrito no antecedente de uma norma geral e abstrata. Essa é a doutrina de Paulo de Barros Carvalho: O erro de direito é a distorção entre o enunciado protocolar da norma individual e concreta e a universalidade enunciativa da norma geral e abstrata, ao passo que o erro de fato é desajuste interno na formação do enunciado protocolar (CARVALHO, Paulo de Barros. Direito tributário – fundamentos jurídicos da incidência. 5ª. ed. São Paulo: Saraiva, 2007. p. 111.). 39. A orientação consolidada do Superior Tribunal de Justiça está em compasso com a doutrina alhures transcrita, consoante bem ilustram os julgados abaixo: Ementa TRIBUTÁRIO. GUIAS DE IMPORTAÇÃO VENCIDAS E UTILIZADAS PELO CONTRIBUINTE. DESEMBARAÇO ADUANEIRO AUTORIZADO PELA AUTORIDADE FISCAL. POSTERIOR REVISÃO DO LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. ERRO DE FATO VERIFICADO DENTRO DO PRAZO DECADENCIAL PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. 1. Se a autoridade fiscal procede ao desembaraço aduaneiro à vista de guias de importação vencidas, circunstância dela desconhecida e ocultada pelo contribuinte, caracteriza-se erro de fato, e não erro de direito. 2. Por erro de fato deve-se entender aquele relacionado ao conhecimento da existência de determinada situação. 3. Diz-se erro de direito aquele que decorre do conhecimento e da aplicação incorreta da norma. 4. Se o desembaraço aduaneiro é realizado sob o pálio de erro de fato, é possível sua revisão dentro do prazo decadencial, à luz do art. 149, IV, do CTN. Precedentes desta Corte. Agravo regimental provido. (Superior Tribunal de Justiça – STJ; 2ª. Turma; AgRg no REsp 942.539/SP; Relator: Ministro HUMBERTO MARTINS; Data do Julgamento: 02/09/2010; Data da Publicação/Fonte: DJe 13/10/2010) (grifos não constantes no original). Ementa TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. MANDADO DE SEGURANÇA. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA. AUTUAÇÃO POSTERIOR. REVISÃO DE LANÇAMENTO. ERRO DE DIREITO. SÚMULA 227/TRF. PRECEDENTES. 1. "A mudança de critério jurídico adotado pelo fisco não autoriza a revisão do lançamento" (Súmula 227 do TFR). 2. A revisão de lançamento do imposto, diante de erro de classificação operada pelo Fisco aceitando as declarações do Fl. 4943DF CARF MF Processo nº 10314.724463/2014-94 Acórdão n.º 3402-004.366 S3-C4T2 Fl. 4.938 13 importador, quando do desembaraço aduaneiro, constitui-se em mudança de critério jurídico, vedada pelo CTN. 3. O lançamento suplementar resta, portanto, incabível quando motivado por erro de direito. (Precedentes: Ag 918.833/DF, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, DJ 11.03.2008; AgRg no REsp 478.389/PR, Min. HUMBERTO MARTINS, DJ. 05.10.2007, p. 245; REsp 741.314/MG, Rela. Min. ELIANA CALMON, DJ. 19.05.2005; REsp 202958/RJ, Rel. Ministro FRANCIULLI NETTO, DJ 22.03.2004; REsp 12904/SC, Rel. Min. LUIZ FUX, DJ 27/05/2002, p. 142; Resp nº 171.119/SP, Rela. Min. ELIANA CALMON, DJ em 24.09.2001). 4. Recurso Especial desprovido. (Superior Tribunal de Justiça – STJ; 1ª. Turma; REsp 1.112.702/SP; Relator:Ministro LUIZ FUX; Data do Julgamento: 20/10/2009; Data da Publicação/Fonte: DJe 06/11/2009) (grifos não constantes no original). 40. É exatamente o caso dos autos. A fiscalização apurou adequadamente fato imputado à recorrente Glikimport, mas os qualificou juridicamente de forma indevida, o que enseja o reconhecimento quanto a injuridicidade desta exigência. (ii) Das provas e contraprovas produzidas nos autos 41. Não obstante, afastada a pena de perdimento convertida em multa em prejuízo da recorrente Glikimport, mister se faz, neste tópico do voto, verificar se referida sanção é aplicável em prejuízo da outra recorrente, a empresa Oito Brasil. Para tanto, é indispensável analisar se houve ou não em concreto a chamada interposição fraudulenta. Assim, a presente decisão necessariamente perpassa pela ponderação acerca das provas realizadas pela fiscalização e das contraprovas produzidas pelos Recorrentes. 42. Nesse sentido, insta aqui destacar que a fiscalização pauta a acusação de interposição fraudulenta com base nos seguintes elementos fático-jurídicos: (i) confusão entre os endereços da Glikimport e Oito Brasil, uma vez que no endereço da importadora cadastrado perante a RFB seria apenas o seu armazém para o estoque das mercadorias importadas, sendo o seu escritório no prédio ao lado, no mesmo estabelecimento em que situada a Oito Brasil 5 ; (ii) que o quadro societário de ambas empresas autuadas apresentam os mesmos sócios, i.e, as pessoas de Natália Amadeu Landsberger Glik e Cristiane Amadeu Vasconcelos; (iii) que ambas empresas autuadas possuem os mesmo procuradores, i.e., os Srs. Renato Santos Telles Rudge, Brunno Amadeu Muniz Barreto Romano e Cláudio Cabido Vasconcelos, os quais possuem poderes para, isoladamente, independente da ordem de 5 Relatório fiscal (fl. 35): "(...). O Sr. Renato esclarece que o endereço que está registrado como sendo da empresa GLIKIMPORT, Rua Américo Brasiliense 2119, é na verdade o armazém da empresa. O endereço da matriz é na Rua Américo Brasiliense 2109, ou seja, no mesmo endereço da empresa OITO BRASIL. (...)." Fl. 4944DF CARF MF 14 nomeação, tratar e resolver sobre qualquer assunto, negócio e interesse das outorgantes, podendo praticar, resumidamente, entre outros, os seguintes atos: movimentar contas bancárias, emitir e endossar cheques, representá-las perante Repartições Públicas, dentre outras atividades; (iv) que todos os produtos adquiridos mediante importação pela empresa Glikimport são revendidos apenas para a empresa Oito Brasil, já que está última é a encarregada de distribuir no Brasil os produtos das marcas L'anza e Paul Mitchell. Assim, a Oito Brasil existiria com o único propósito de comprar e revender as mercadorias importadas pela Glikimport; e, ainda (v) ao analisar o balancete da empresa Glikimport a fiscalização constatou saldo finais de contas bancárias praticamente zeradas, o que atestaria que a importadora teria suas operações financiadas por interposta pessoa, i.e., a Oito Brasil. Tal fato seria reforçado com a prova de que, em algumas importações por encomenda realizadas pela Glikimport por intermédio da empresa Sertrading, o pagamento da trading teria sido feito no mesmo dia ou em dias próximos em que a Glikimport recebia valores da Oito Brasil 6 . 43. Em suma, a fiscalização defende que a suposta interposição fraudulenta descortinada teria por propósito, preponderantemente, minorar a base de cálculo do IPI incidente na operação, o que redundaria, por conseguinte, na redução do valor devido para este imposto. É o que se depreende do seguinte trecho do Relatório Fiscal (fl. 70): (...). Pelo que se pode depreender do esquema montado acima, a OITO BRASIL se ocultou das importações realizadas com o objetivo de se afastar da sua condição de contribuinte do IPI, ou seja, equiparado a industrial. Para isso criou-se a figura da GLIKIMPORT para atuar como encomendante das importações e, por conseguinte equiparado a industrial, de forma a manipular fraudulentamente a base de cálculo do IPI na venda para o Real Adquirente das mercadorias. Apesar de existir fisicamente, com endereço fixo, com empregados e com armazém de estoque de mercadoria, a GLIKIMPORT nada mais é que uma empresa criada e financiada para se interpor na operação de forma a reduzir a base de cálculo do IPI. (...). 44. Com o objetivo de fazer contraprova à acusação fiscal e, em especial, para demonstrar o propósito negocial das diferentes operações empresariais perpetradas pela Glikimport e pela Oito Brasil, as recorrentes trouxeram robusto laudo técnico (fls. 2.607/2.768) que atestaria a absoluta autonomia das atividades empresariais por elas desempenhadas. 6 Relatório fiscal - fl. 53: "O quadro abaixo mostra que no mesmo dia do pagamento para a importadora SERTRADING dos valores das notas fiscais de vendas das mercadorias importadas por encomenda, ou em dias muito próximos, a OITO BRASIL depositava, de forma recorrente, valores semelhantes na conta da GLIKIMPORT. Há também depósitos de valores maiores aos pagamentos à SERTRADING, mas que são facilmente explicados uma vez que havia também no mesmo dia outros pagamentos a serem realizados pela GLIKIMPORT como pagamentos de tributos (ICMS, IRPJ e Contribuições). Exemplificando: no dia 14/02/11, abaixo, foi feito o pagamento de R$ 245.444,25 para pagamento da NF 5323 e no mesmo dia houve um deposito de R$ 251.000,00 na conta da GLIKIMPORT feito pela empresa OITO BRASIL e assim sucessivamente para pagamento da SERTRADING. (...)." Fl. 4945DF CARF MF Processo nº 10314.724463/2014-94 Acórdão n.º 3402-004.366 S3-C4T2 Fl. 4.939 15 45. Em relação ao endereço das empresas em questão, as recorrentes fazem questão de frisar que, embora vizinhas, tratam-se de estabelecimentos nitidamente distintos, como demonstram as fotos como demonstram as fotos acostadas as fls. 2.627/2.634. 46. Para reforçar a autonomia física das empresas provam que os dois imóveis são locados e apresentam proprietários distintos. A recorrente Glikimport prova, inclusive, que contrata serviço de armazenagem e estocagem dos produtos por ela importados junto a empresa Cotia Armazéns Gerais S.A. (contrato de fls. 2.719/2.726), o que afasta qualquer ilação de que a recorrente não teria estrutura física para realizar suas operações ou de que se valeria da estrutura física da empresa Oito Brasil para tanto. Ainda quanto a este tópico, as recorrentes comprovam que ambas empresas possuem filiais em locais absolutamente distintos. A Glikimport possui filial em Vitória/ES, em um imóvel também locado, enquanto a Oito Brasil possui ainda outros 03 imóveis locados na cidade de São Paulo, todos situados na Avenida Nove de Julho, n. 3.452 (salas 72, 73 e 74), onde o contribuinte promove o treinamento de equipes de vendas e realiza apresentação para clientes e potenciais clientes. É o que se observa das fotos extraídas do citado laudo técnico (fls. 2.627/2.634). 47. Em relação ao fato de possuírem as mesmas sócias as recorrentes alegam, e com razão, que não há qualquer ilicitude em tal fato e, ainda, que tal estruturação societária não é, por si só, suficiente para atestar uma pretensa confusão entre as empresas recorrentes, o mesmo valendo para a questão dos seus representantes legais. 48. Não obstante, a recorrente Oito Brasil também refuta a acusação de que existiria apenas com o fito único de comprar e revender as mercadorias importadas pela Glikimport. Para comprovar tal fato, atesta que além das mercadorias adquiridas pela empresa Glikimport, também adquire os produtos Control System I, da empresa Farmoderm, bem como o produto Control System II, da empresa Concepcion (notas fiscais exemplarmente acostadas as fls. 2.745/2.746), ou seja, adquirem produtos de fabricantes distintos e concorrentes da exportadora das marcas L'anza e Paul Mitchell. 49. Por fim, em relação ao último apontamento da acusação fiscal, qual seja, de que o balancete da empresa Glikimport apontaria saldos finais de contas bancárias próximos de zero, o que atestaria que a importadora teria suas operações financiadas por interposta pessoa, a recorrente Glikimport demonstra o equívoco da assertiva fiscal. Segundo o laudo pericial, o gráfico elaborado pela fiscalização e referente aos lançamentos contábeis na conta Bradesco n. 302000-2 simplesmente desconsiderou os saldos de aplicação financeira automática, contabilizados na própria conta (extratos de fls. 370/508). Vejamos a resposta do expert para a presente questão: (...). RESPOSTA AO QUESITO 02: O gráfico apresentado pela fiscalização induz a uma interpretação equivocada da real movimentação financeira da GLIKIMPORT, porque desconsidera os saldos de aplicação financeira automática, contabilizados na própria c/c n. 302000-2 do Bradesco.Examinando-se a movimentação bancária efetiva, a partir dos extratos bancários disponibilizados pela GLIKIMPORT à própria fiscalização, conforme item Disponibilidade Bancária na PARTE 2 deste laudo, chegamos a gráfico bastante distinto, que comprova que as disponibilidades Fl. 4946DF CARF MF 16 em banco durante o período de 1.12011 a1.102013. Comparativamente temos o seguinte: (...). RESPOSTA AO QUESITO 2: Analisada a evolução do capital de giro da GLIKIMPORT, conforme item Capital de Giro na PARTE 2 deste laudo, conclui-se que a empresa financiava as suas operações comerciais com o próprio resultado das suas Fl. 4947DF CARF MF Processo nº 10314.724463/2014-94 Acórdão n.º 3402-004.366 S3-C4T2 Fl. 4.940 17 vendas, reinvestindo-o em estoque, ao invés de mantê-lo em disponibilidades bancárias ou de distribui-lo substancialmente aos sócios (embora tenha havido distribuição de lucros). Resumidamente, analisadas as contas do ativo circulante que compõe o capital de giro (bancos + estoques + duplicatas à receber), menos as contas do passivo circulante (fornecedores + impostos + salários etc...), pode-se chegar à seguinte representação gráfica da evolução da empresa: Da análise das informações e do gráfico elucidativo acima, constata-se que o ILC - Índice de Liquidez Corrente da GLIKIMPORT variou entre 1,56 e 3,84 ao longo do período, o que equivale dizer que a empresa poderia reduzir entre 35,90% e 73,96% o seu ativo circulante e, mesmo assim, manteria seu passivo circulante coberto pelo capital de giro. Graficamente essa realidade pode ser assim representada: Fl. 4948DF CARF MF 18 Esse índices demonstra claramente que a empresa possuía capital de giro suficiente e com margem de segurança para manter suas atividades. (...). 50. Não obstante, outro ponto relevante trazido pelo laudo técnico e que refuta a acusação de que a Glikimport teria suas operações "financiadas" previamente pela Oito Brasil é a comparação de movimentação de estoques das duas empresas, as fls. 2.618/2.619 dos autos. 51. Se de fato houvesse o "patrocínio" das operações da Glikimport pela Oito Brasil haveria, por conseguinte, uma sinergia para a movimentação de estoques das empresas. Em outros termos, haveria uma aproximação das linhas apontadas nos gráficos alhures transcritos, o que, como visto, não ocorreu para o período fiscalizado. A análise, em especial, do período posterior a maio de 2011 deixa isso muito claro. Neste período observa-se uma curva ascendente de movimentação de estoque por parte da Glikimport, enquanto que, para a Oito Brasil, há uma tendência de estagnação. 52. Por fim, para clarificar de vez a autonomia entre as empresas fiscalizadas, as recorrentes descrevem as particularidades das operações perpetradas por ambas, demonstrando existir gestão de risco e expertise próprias para cada uma das atividades empresariais desenvolvidas. 53. Nesse sentido, destaco que a Glikimport atua no mercado exterior, o que demanda o preenchimento de inúmeros pressupostos formais e requisitos particulares para esse fim. Além disso, é responsável pela internação no país de produtos de beleza, os quais demandam registro perante a ANVISA, o que exige uma expertise no atendimento de uma burocracia muito particular (e.g. fls. 2.676/2.697). Ademais, no âmbito nacional, atua no mercado atacadista, o que implica a existência de uma logística muito mais simples. Não obstante, a concentração das suas vendas em um adquirente gera um menor risco creditício, permitindo, pois, que tal empresa recorrente trabalhe com uma margem de lucro menor. Fl. 4949DF CARF MF Processo nº 10314.724463/2014-94 Acórdão n.º 3402-004.366 S3-C4T2 Fl. 4.941 19 54. Por sua vez, a Oito Brasil é uma empresa que comercializa produtos de beleza profissionais no varejo, i.e., para salões de beleza espalhados pelo país. Tal fato já denota a existência de uma equipe de representante comerciais, a qual deve ser devidamente treinada para vender produtos com especificidades que lhes são próprias. Além disso, as vendas são difundidas por todo o país, o que além de tornar complexa a logística, também implica em um maior risco de inadimplência. Logo, é natural que tal empresa recorrente trabalhe com uma margem de lucro maior. 55. Neste tópico em particular insta registrar que, apesar de acusar as recorrentes de segregar suas atividades para fim de se beneficiarem de uma incidência diminuta de IPI, em momento algum a fiscalização prova que (i) tal modelo de negócio (segregação de atividades empresariais) é incomum no âmbito do nicho empresarial das recorrentes e que (ii) haveria uma discrepância em relação às margens de lucro praticadas pelos contribuintes, em especial no caso da empresa Glikimport (importadora). Em verdade, quer parecer que a fiscalização parte da equivocada e obsoleta premissa que toda e qualquer atividade empresarial deve se estruturar de modo a gerar a maior carga tributária possível, subvertendo, portanto, a ordem das coisas e ignorando, por completo, a lícita existência de medidas de elisão fiscal. Ao assim agir a fiscalização quer se arvorar de uma competência que não tem, qual seja, de pautar operações empresariais, denotando um absurdo viés ideológico próprio de ordenamentos totalitaristas. 56. Em conclusão, não se ignora aqui uma óbvia aproximação entre as atividades empresariais desenvolvidas pelas recorrentes, fato este que, por si só, no presente caso decidendo, não redunda na configuração de um negócio jurídico dissimulado ou fraudulento. Aliás, essa aproximação lícita é própria das operações empresariais entre empresas atacadistas e varejistas. 57. Diante de tais justificativas, entendo ser perfeitamente compreensível sob uma perspectiva econômica a existência de uma empresa importadora de produtos de beleza profissionais e que, no âmbito nacional, atua no mercado atacadista, segregada de outra pessoa jurídica, que comercializa estes mesmos produtos em outro nicho comercial, i.e., o comércio varejista. Nesse sentido, entendendo ser juridicamente válida a segregação lícita de atividades empresariais, já decidiu este tribunal administrativo: Ementa Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. ABUSO DE DIREITO. SEGREGAÇÃO DE ATIVIDADES ECONÔMICAS. REQUISITOS. A segregação de diferentes atividades econômicas em duas entidades é admissível, mesmo que dela decorra economia tributária, quando realizada previamente à ocorrência dos fatos geradores e revelar evidentes ganhos extrafisais decorrentes do efetivo desenvolvimento dessas atividades separadamente e em estruturas independentes e com administração, corpo de funcionários e instalações próprios. Recurso de Ofício Negado. Fl. 4950DF CARF MF 20 Crédito Tributário Exonerado. (Acórdão n. 3403-002.854, j. em 26/03/2014; Relator Conselheiro Alexandre Kern) (grifos nosso). Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008 SIMULAÇÃO DE NEGÓCIOS. SUBSTÂNCIA DOS ATOS. O planejamento tributário que é feito segundo as normas legais e que não configura as chamadas operações sem propósito negocial, não pode ser considerado simulação se há não elementos suficientes para caracterizá-la. Não se verifica a simulação quando os atos praticados são lícitos e sua exteriorização revela coerência com os institutos de direito privado adotados, assumindo o contribuinte as conseqüências e ônus das formas jurídicas por ele escolhidas, ainda que motivado pelo objetivo de economia de imposto. (Acórdão n. 1302-001.713, j. em 26/03/2014; Relator Conselheiro Helio Eduardo de Paiva Araújo) (g.n.). 58. É exatamente o caso dos autos, já que as empresas em questão, com atividades econômicas próprias, iniciaram suas atividades muito antes (mais de 10 anos) dos fatos aqui fiscalizados 7 . Aliás, no caso da Glikimport isso era imprescindível, já que para operar no mercado exterior o tempo de existência da empresa e volume de operações empresariais (o que só ocorre no fluxo do tempo) são pressupostos para obtenção e condições do RADAR. 59. Assim, diante do vasto e elucidativo acervo probatório produzido pelo contribuinte, resta claro que não houve, no presente caso, interposição fraudulenta, mas sim operações empresariais válidas e com nítido propósito econômico, em perfeita sintonia, portanto, com o princípio constitucional da livre iniciativa privada, o que, consequentemente, implica o cancelamento da presente autuação aduaneira. Dispositivo 60. Diante do exposto, voto pelo provimento total dos recursos voluntários interpostos pelos contribuintes. 61. É como voto. Diego Diniz Ribeiro - Relator 7 A empresa Oito Brasil foi criada em 12/0/1997 (fl. 2.210) e a empresa Glikimport em 23/12/1997 (fl. 3.006). Fl. 4951DF CARF MF Processo nº 10314.724463/2014-94 Acórdão n.º 3402-004.366 S3-C4T2 Fl. 4.942 21 Declaração de Voto Declaração de voto do Conselheiro Jorge Freire. Com a devida vênia, divirjo do eminente relator Diego Ribeiro quanto às suas conclusões em relação aos processos conexos de números 10314.723792/2014-18, no qual é imputada a penalidade de cessão de nome da empresa Glikimport à empresa Oito Brasil, o de nº 10314.724463/2014-94, no qual foi imposta pena de perdimento convertida em multa à Oito Brasil, sendo apontada como solidária a empresa Glikimport, e o processo de nº 10314.724465/2014-83, no qual é cobrado IPI da empresa OITO BRASIl na qualidade de estabelecimento industrial em relação às importações elencadas às fls. 17/22 do último processo referido. Portanto, esta minha declaração de voto é a mesma a ser inserta no voto dos três processos referidos. A mim restou evidente, em suma, que foi montado um "esquema", sem qualquer business purpose (propósito negocial) para criação da Glikiimport com o fito exclusivo de reduzir o IPI pago pela Oito Brasil, na condição de equiparada a industrial como a seguir passo a discorrer. Não havia outro motivo para que a Oito Brasil não efetuasse ela mesma, por qualquer modalidade, as importações das mercadorias se não a escrachada intenção de fraudar o Fisco reduzindo em milhões de Reais do valor de IPI a ser pago. O Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010 (RIPI) preconiza: “Art. 9º Equiparam-se a estabelecimento industrial: I - os estabelecimentos importadores de produtos de procedência estrangeira, que derem saída a esses produtos (Lei nº 4.502, de 1964, art. 4º, inciso I); (...) IX - os estabelecimentos, atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos de procedência estrangeira, importados por encomenda ou por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora (Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, art. 79, e Lei no 11.281, de 20 de fevereiro de 2006, art. 13); Inconteste da análise dos referidos processos que a empresa Glikimport Comércio importava por encomenda mercadorias estrangeiras (cosméticos das marcas L´anza e Paul Mitchell), para a Oito Brasil valendo-se, para tanto, da Sertrading (BR) Ltda. (“Sertrading”). E aqui pontuo fato essencial ao deslinde da quaestio: quando a importação é feita por conta e ordem (todas as operações foram feitas por conta e ordem da Glikimport por meio da trading Sertrading - CNPJ 04.626.426/0001-06), cabe ao importador dispor da capacidade econômica para o pagamento da importação, pela via cambial e pesa sobre este a obrigação de revender as mercadorias importadas ao encomendante predeterminado, mas da mesma forma, o encomendante também deve ter capacidade econômica para adquirir, no mercado interno, as mercadorias revendidas pelo importador contratado. E como articulo na sequência, farto é o material probatório no sentido de que a Glikimport não dispunha dessa Fl. 4952DF CARF MF 22 capacidade econômica, eis que quem arcava com o ônus da importação, consoante robusta documentação produzida e acostada aos autos, foi a Oito Brasil. Ademais, todas as mercadorias importadas pela empresa Glikimport Comércio eram, necessariamente, vendidas no mercado interno para a empresa Oito Brasil, a qual, por seu turno, distribuía tais bens para salões de beleza espalhados pelo país. A farta documentação produzida ao longo da ação fiscal, e devidamente articulada pelos agentes fiscais, é mais que suficiente para que se chegue a tal conclusão. Não se tratam os autos de planejamento tributário, mas sim de fraude tributária como, bem dito pelo Fisco, com o claro intento de ocultar o real adquirente, a Oito Brasil. Portanto, correta a aplicação da multa de cessão de nome imposta à GLIKIMPORT, nos termos do art. 33 da Lei 11.488/2007, pelo que é de ser negado provimento ao recurso encartado no processo 10314.723792/2014-18. Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). E não há que se falar que essa penalidade não possa conviver com a pena de perdimento, que tem fundamento díspare, o dano ao erário, nos termos do art. 23, V, do Decreto-lei 1.455/76. Assevera a fiscalização: A Oito Brasil criou a Glikimport com o intuito de se ocultar ao controle aduaneiro e não pagar IPI, evitando equiparar-se a estabelecimento industrial. E ainda pontua a distinção entre ocultação, caso dos autos, e interposição fraudulenta de terceiros: A Ocultação do Real Adquirente caracteriza-se pela cessão de nome do importador, que declara-se na DI como sendo o adquirente da mercadoria importada, enquanto que, na verdade, o real adquirente é uma terceira empresa, que se oculta. Os recursos empregados na importação geralmente são fornecidos por esse terceiro oculto, mas, em alguns casos, também podem ser oriundos do próprio importador, desde que aplicados a uma importação destinada, de fato, ao terceiro oculto. Já a Interposição Fraudulenta caracteriza-se por não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de comércio exterior. Nesse caso, não se sabe quem, de fato, é o real adquirente das mercadorias importadas e nem de onde vêm os recursos financeiros utilizados na importação. Sendo assim, resta não comprovada a licitude da origem dos recursos empregados, o que resulta em declaração de inaptidão da empresa - com base no § 2°, art. 23,Decreto-Lei 1.455/76, §1°, art. 81, Lei 9.430/96 e III , art. 39, IN RFB 1005/10 combinado com art.42 da mesma IN. Como mencionado alhures, elemento digno de nota a reforçar a falta de qualquer propósito negocial é o fato bem pontuado no relatório da fiscalização que, em verdade, as empresas OITO BRASIL e GLIKIMPORT são, em verdade, uma só. O quadro societário de ambas as empresas é assim constituído, sendo seus endereços contíguos. Fl. 4953DF CARF MF Processo nº 10314.724463/2014-94 Acórdão n.º 3402-004.366 S3-C4T2 Fl. 4.943 23 CPF Nome Qualificação Percentual 051.324.768-80 NATÁLIA AMADEU LANDSBERGER GLIK Sócio- administrador 99% 051.324.738-65 CRISTIANE AMADEU VASCONCELOS Sócio 1% Outro dado a demonstrar a identidade e confusão das empresas foram as informações coligidas junto ao 29º Tabelião de Notas. Veja-se o descrito pelo Fisco quanto à essa informação (fl. 52 do processo de cobrança do IPI): Cabe ilustrar que a procuração entregue pelo senhor Renato Rudge foi emitida pelo Cartório do 29° Tabelião de Notas, no dia 19/01/2012, livro 1085, paginas 116/118, onde a GLIKIMPORT nomeia e constituí o senhor Renato Santos Telles Rudge, CPF 105.127.628-48, o senhor Brunno Amadeu Muniz Barreto Romano, CPF 303.728.868-09 e o senhor Cláudio Cabido Vasconcelos, CPF 041.630.688-80 seus procuradores. Aos quais confere poderes para , isoladamente, independente da ordem de nomeação, tratar e resolver sobre qualquer assunto, negócio e interesse da outorgante, podendo praticar, resumidamente, entre outros, os seguintes atos: movimentar contas bancárias, emitir e endossar cheques, representá-la perante Repartições Públicas e etc. Dentre os documentos obtidos desse Cartório posso citar uma procuração emitida nos mesmos termos, no mesmo dia, no mesmo livro e na pagina seguinte da procuração entregue pelo senhor Renato Rudge, citada acima (<Documentos Diversos - Outros – Documentos do Cartório>). Porém, a outorgante desta vez é a empresa OITO BRASIL, mas os procuradores são as mesmas pessoas: o senhor Renato Santos Telles Rudge, CPF 105.127.628-48, o senhor Brunno Amadeu Muniz Barreto Romano, CPF 303.728.868-09 e o senhor Cláudio Cabido Vasconcelos, CPF 041.630.688-80. Ou seja, o senhor Renato Rudge e as demais pessoas citadas aqui são os administradores tanto da empresa GLIKIMPORT como da empresa OITO BRASIL. Também a demonstrar a absoluta falta de propósito negocial é que todas as operações de venda da Glickimport têm como único cliente a Oito Brasil, conforme rol de notas fiscais às fls. 53/54 processo de final 2014-83 (IPI). Isso evidencia que AS MERCADORIAS JÁ TINHAM A OITO BRASIL COMO ADQUIRENTE PREDETERMINADO, QUE AS ESCOLHEU NO EXTERIOR, E SEM A QUAL A OPERAÇÃO JAMAIS TERIA OCORRIDO. Não bastassem todas essas evidências, a contabilidade da Glikimport faz prova de que os recursos para pagamentos das importações advieram da Oito Brasil, o que vai de encontra ao conceito de importação por conta e ordem, na qual o real importador deve ter disponibilidade financeira para pagar os produtos importados por sua conta e ordem. Isso está cabalmente provado (fls. 60/63) quando da análise que o Fisco fez da contabilidade daquela empresa, a importadora. Na tabela anexada no auto de infração resta evidente que os depósitos Fl. 4954DF CARF MF 24 realizados na conta Bancos são feitos com o objetivo de exclusivo de financiar os pagamentos existentes. Como se pode notar, ocorrem depósitos e pagamentos com valores muito equivalentes e em dias próximos. Veja-se o exemplo (o auto de infração espraia o período) que transcrevo: CONTABILIDADE DA GLIKIMPORT CONTABILIDADE SERTRADING E quanto a tais fatos, articula o Fisco: O quadro abaixo mostra que no mesmo dia do pagamento para a importadora SERTRADING dos valores das notas fiscais de vendas das mercadorias importadas por encomenda, ou em dias muito próximos, a OITO BRASIL depositava, de forma recorrente, valores semelhantes na conta da GLIKIMPORT. Há também depósitos de valores maiores aos pagamentos à SERTRADING, mas que são facilmente explicados uma vez que havia também no mesmo dia outros pagamentos a serem realizados pela GLIKIMPORT como pagamentos de tributos (ICMS, IRPJ e Contribuições). ... No dia 28/02/11, foi feito o pagamento de R$ 477.256,75 para pagamento da NF 5529 e no mesmo dia houve um deposito de R$ 655.000,00 feito pela OITO BRASIL. Este valor está a maior por uma razão clara, nesse mesmo dia houveram pagamentos de tributos feito pela GLIKIMPORT de Fl. 4955DF CARF MF Processo nº 10314.724463/2014-94 Acórdão n.º 3402-004.366 S3-C4T2 Fl. 4.944 25 aproximadamente R$ 168.000,00. Total de despesas aproximadas de R$ 645.256,75. Essas informações, ipso facto, são a prova cabal de que quem realmente pagava por essas importações era a real adquirente das mercadorias, qual seja a OITO BRASIL. À toda evidência, portanto, que a GLIKIMPORT cedeu seu nome para OITO BRASIL nas DIs mencionadas, ocultando-a, com a finalidade de fraudar o Controle Aduaneiro. A fiscalização exemplifica alguns casos de depósito efetuados pela OITO BRASIL nos extratos da Glikimport (fl. 66. Em relação à essas evidências contábeis e legais, sequer foi objeto dos recursos, calcados apenas na vetusta tese de cerceamento de direito de defesa e em laudo produzido unilateralmente. Diante de tais fatos, conclui-se, até aqui: 1- A GLIKIMPORT vende todas as mercadorias que importa para apenas um cliente, a OITO BRASIL, uma clara demonstração de que essas mercadorias já tinham destinatários predeterminados, antes mesmo do registro da DI, ou seja, a Real Adquirente das mercadorias; - Os documentos fornecidos pelo Cartório, assim como a análise dos quadro societário, ilustram que tanto a empresa GLIKIMPORT como a empresa OITO BRASIL são administrados pelas mesmas pessoas, ou seja, essas empresas nada mais são que uma empresa só. A PROMISCUIDADE ENTRE ELAS É TOTAL. De onde se conclui que a GLIKIMPORT foi criada com o objetivo de ocultar a Real compradora das mercadorias, a OITO BRASIL; 3 - O saldo da conta Bancos da contabilidade da GLIKIMPORT nos anos de 2011 a 2013 são insignificantes, uma visível evidência de que a empresa era financiada pela OITO BRASIL; 4 - Em sua contabilidade, no Razão das contas Clientes e Bancos, a GLIKIMPORT exibe de forma transparente o adiantamento de cliente, no caso OITO BRASIL, para pagamento das importações; 5 - Os extratos mostram de forma irrefutável os depósitos efetuados pela OITO BRASIL na conta da GLIKIMPORT para pagamentos diversos, entre eles os títulos referentes às notas fiscais de venda de mercadorias importadas pela empresa SERTRADING; FRAUDE DO IPI Por fim, analiso, o que meu juízo foi a causa da montagem de toda essa "farsa" empresarial sem qualquer fim negocial que possa explicá-la, qual seja, o fim colimado de pagar menos, muito menos IPI na importação. De acordo com o disposto no inciso I, do art. 9º, do RIPI (decreto n°7.212/10), que reproduz o inciso I, do art. 4º, da Lei nº 4.502/64, as pessoas jurídicas que importarem diretamente produtos industrializados e que derem saída a esses produtos no mercado interno são considerados estabelecimentos equiparados a industrial para efeitos da incidência do IPI. Fl. 4956DF CARF MF 26 Nesse mesmo caminho, as pessoas jurídicas que importarem indiretamente produtos industrializados, por meio da contratação de pessoas jurídicas para operar por sua conta e ordem ou por sua encomenda, também são considerados, pelo inciso IX, do art. 9º, do RIPI, estabelecimentos equiparados a industrial. Para as operações de importação de produtos industrializados de procedência estrangeira, a base de cálculo do IPI consiste no valor aduaneiro do produto, acrescido do montante do II e dos encargos cambiais efetivamente recolhidos pelo importador ou dele exigíveis, conforme disposto na alínea "b", do inciso I, do artigo 14, da Lei nº 4.502/64 e no inciso I, do artigo 47, do CTN. No que diz respeito às operações de saída de produtos industrializados para o mercado interno, a base de cálculo é, em regra, o valor total da operação de saída dos produtos do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial. É de fácil identificação, que no caso em análise, que a GLIKIMPORT seria equiparada a industrial, uma vez que se enquadra no inciso IX do art. 9° do RIPI, e por conseguinte contribuinte do IPI. Porém, conforme demonstrado, a GLIKIMPORT apareceu apenas para ocultar a real adquirente, a OITO BRASIL. Essa, hígidas as provas nesse sentido, foi a causa única da criação da Glikimport. O quadro colacionado pelo Fisco a fl. 70 dos autos deixa isso patente: Pelo que se pode depreender do esquema montado, a OITO BRASIL se ocultou das importações realizadas com o objetivo de se afastar da sua condição de contribuinte do IPI, ou seja, equiparado a industrial. Para isso criou-se a figura da GLIKIMPORT para atuar como encomendante das importações e, por conseguinte equiparado a industrial, de forma a manipular fraudulentamente a base de cálculo do IPI na venda para o Real Adquirente das mercadorias. Apesar de existir fisicamente, com endereço fixo, com empregados e com armazém de estoque de mercadoria, a GLIKIMPORT nada mais é que uma empresa criada e financiada para se interpor na operação de forma a reduzir a base de cálculo do IPI. O fluxograma acima mostra de forma clara porque houve a inserção da figura da GLIKIMPORT nessa cadeia de empresas. O que se depreende em valores aproximados é uma sonegação de aproximadamente R$ 12.3 milhões (R$ 16.2 – R$ 3.9) de IPI. Forçoso concluir-se que nessa situação, na qual foram utilizados métodos fraudulentos com o objetivo de ocultar o real comprador dos produtos de procedência estrangeira, fica configurado o afastamento doloso das suas condições de contribuintes do IPI na figura de estabelecimentos equiparados a industrial, acarretando no intencional não Fl. 4957DF CARF MF Processo nº 10314.724463/2014-94 Acórdão n.º 3402-004.366 S3-C4T2 Fl. 4.945 27 recolhimento do IPI e no descumprimento das obrigações acessórias derivadas da legislação de regência desse imposto. DISPOSITIVO Forte em todo exposto, nego provimento aos recursos de que tratam os processos 10314.723792/2014-18 (cessão de nome), 10314.724463/2014-94 (pena de perdimento convertida em multa - Glikimport autuada como solidária) e 10314.724465/2014- 83. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 4958DF CARF MF Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10166.723214/2014-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA VIGENTE. PORTARIA MF Nº 63, DE 2017. SÚMULA CARF Nº 103.
A Portaria MF nº63,de09 de fevereiro de 2017 majorou o limite de alçada para interposição de recurso de ofício, que deixou de ser o valor estabelecido na Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008 (R$ 1.000.000,00 - um milhão de reais), para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Nos termos da Súmula CARF nº 103, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE.
No processo administrativo fiscal, são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Outras irregularidades, incorreções ou omissões não implicam em nulidade do lançamento e podem ser sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.
IMÓVEL CEDIDO GRATUITAMENTE. DEZ POR CENTO DO VALOR VENAL DO IMÓVEL. RENDIMENTO TRIBUTÁVEL.
Constitui rendimento tributável, na declaração de rendimentos, o equivalente a dez por cento do valor venal de imóvel cedido gratuitamente, ou do valor constante da guia do Imposto Predial e Territorial Urbano - IPTU correspondente ao ano-calendário da declaração.
LUCRO PRESUMIDO. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE TRIBUTOS. MAJORAÇÃO INDEVIDA DO LUCRO CONTÁBIL.
Ao apurar e escriturar tributos em valor menor do que o devido em face da legislação, a empresa optante pelo lucro presumido veio a majorar o lucro contábil de forma artificial e indevida, com infração à legislação tributária. A parcela do lucro contábil distribuído aos sócios correspondente ao valor dos tributos que deixaram de ser contabilizados não se enquadra na não incidência prevista no art. 10 da Lei nº 9.249, de 1995, e devem ser oferecidos à tributação no ajuste anual.
IRPF. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus.
MULTA QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DO DOLO PARA FINS TRIBUTÁRIOS. NÃO OCORRÊNCIA.
Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, a autoridade lançadora deve coligir aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Inexiste o dolo que autorizaria a qualificação da multa quando a conduta é estranha à relação tributária entre os sujeitos ativo e passivo.
Recurso de Ofício Não Conhecido
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2202-004.316
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, em função do novo limite de alçada. Quanto ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, em função do novo limite de alçada. Quanto ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
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NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA VIGENTE. PORTARIA MF Nº 63, DE 2017. SÚMULA CARF Nº 103. A Portaria MF nº63,de09 de fevereiro de 2017 majorou o limite de alçada para interposição de recurso de ofício, que deixou de ser o valor estabelecido na Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008 (R$ 1.000.000,00 um milhão de reais), para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Nos termos da Súmula CARF nº 103, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. No processo administrativo fiscal, são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Outras irregularidades, incorreções ou omissões não implicam em nulidade do lançamento e podem ser sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. IMÓVEL CEDIDO GRATUITAMENTE. DEZ POR CENTO DO VALOR VENAL DO IMÓVEL. RENDIMENTO TRIBUTÁVEL. Constitui rendimento tributável, na declaração de rendimentos, o equivalente a dez por cento do valor venal de imóvel cedido gratuitamente, ou do valor constante da guia do Imposto Predial e Territorial Urbano IPTU correspondente ao anocalendário da declaração. LUCRO PRESUMIDO. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE TRIBUTOS. MAJORAÇÃO INDEVIDA DO LUCRO CONTÁBIL. Ao apurar e escriturar tributos em valor menor do que o devido em face da legislação, a empresa optante pelo lucro presumido veio a majorar o lucro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 32 14 /2 01 4- 22 Fl. 1483DF CARF MF Processo nº 10166.723214/201422 Acórdão n.º 2202004.316 S2C2T2 Fl. 1.484 2 contábil de forma artificial e indevida, com infração à legislação tributária. A parcela do lucro contábil distribuído aos sócios correspondente ao valor dos tributos que deixaram de ser contabilizados não se enquadra na não incidência prevista no art. 10 da Lei nº 9.249, de 1995, e devem ser oferecidos à tributação no ajuste anual. IRPF. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. MULTA QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DO DOLO PARA FINS TRIBUTÁRIOS. NÃO OCORRÊNCIA. Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, a autoridade lançadora deve coligir aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Inexiste o dolo que autorizaria a qualificação da multa quando a conduta é estranha à relação tributária entre os sujeitos ativo e passivo. Recurso de Ofício Não Conhecido Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, em função do novo limite de alçada. Quanto ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. Fl. 1484DF CARF MF Processo nº 10166.723214/201422 Acórdão n.º 2202004.316 S2C2T2 Fl. 1.485 3 Relatório Tratamse de Recursos de Ofício e Voluntário interpostos nos autos do processo nº 10166.723214/201422, em face do acórdão nº 1675.683, julgado pela 19ª Turma da Delegacia Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ/SP1), em sessão realizada em 30 de janeiro de 2017, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar procedente em parte a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: "Contra o sujeito passivo acima identificado foi lavrado o auto de infração de fl. 1043/1080, em 19/05/2014, relativo ao imposto sobre a renda das pessoas físicas dos exercícios 2009, 2010, 2011 e 2012, anoscalendário 2008, 2009, 2010 e 2011, respectivamente, no qual se exige imposto sujeito à multa de ofício de R$ 1.186.670,79, além dos acréscimos legais previstos na legislação de regência, totalizando crédito tributário de R$ 3.338.562,62 (demonstrativo à fl. 1081). De acordo com o Termo de Verificação Fiscal de fl. 1061/1068, que é parte integrante do auto de infração, a ação fiscal foi realizada em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 01.1.01.002013007073, abrangendo o período de 2008 a 2011, expedido no contexto da apuração de fraudes na entrega de Declarações do Imposto de Renda da Pessoa Física. A autoridade fiscal descreveu os fatos que motivaram a fiscalização, nestes termos (fl. 1061/1062): O referido Mandado de Procedimento Fiscal foi expedido em decorrência de investigação levada a efeito pelo setor de pesquisa e investigação da Receita Federal do Brasil, que identificou um grupo especializado em “assessorar” contribuintes que buscavam incrementar os valores de imposto a restituir. O esquema baseavase essencialmente em informar nas declarações de imposto de renda da pessoa física pagamentos fictícios a terceiros. Estas despesas deduzidas da base de calculo do imposto, reduziam o valor do imposto devido e conseqüentemente aumentavam o valor do imposto a restituir. De acordo com o Relatório de Informação de Pesquisa e Investigação, elaborado pelo Escritório de Pesquisa e Investigação da Ia Região Fiscal – ESPEI/1ªRF da Secretaria da Receita Federal do Brasil (fls. 510 a 522), tal esquema era realizado por Luís Joubert dos Santos Lima, conhecido por Dr. Santos e por mais algumas outras pessoas comandadas por ele, o qual cobrava pelo “serviço”, tanto para elaborar as declarações como também um percentual incidente sobre o valor de o imposto restituído indevidamente. Diante disso, foi expedido, a pedido do Ministério Público Federal, Mandado de Busca e Apreensão pela juíza Pollyanna Fl. 1485DF CARF MF Processo nº 10166.723214/201422 Acórdão n.º 2202004.316 S2C2T2 Fl. 1.486 4 Kelly Maciel Medeiros Martins Alves, da 12ª Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal (fls.507 a 509) para serem cumpridos nos endereços apontados no referido pedido. Referido mandado foi cumprido nos termos em que foram determinados, sendo apreendidos documentos e computadores, em residências e escritórios de pessoas que participaram da fraude tributária em diversas declarações de imposto de renda de vários contribuintes. Dentre os documentos apreendidos foi encontrada uma relação de números de CNPJ válidos e de nomes das pessoas jurídicas que eram informados falsamente como beneficiários dos pagamentos nas declarações. A identificação dos contribuintes que em princípio teriam se beneficiado do esquema, ocorreu, conforme relatório do ESPEI/1ª por meio de diversos cruzamentos de informações nos sistemas da Receita Federal do Brasil. A partir daí, foi possível identificar os Protocolos da Internet – IP (protocolo de comunicações utilizado pelos computadores conectados à Internet) que eram utilizados para transmitirem as referidas declarações. Dessa forma, foram expedidos em torno de setecentos Mandados de Procedimento Fiscal, dentre eles o relativo ao contribuinte acima identificado, cujas respectivas declarações de imposto de renda, que apresentaram indícios de irregularidades, teriam sido transmitidas pelos IP’s identificados pelo ESPEI/1ªRF. A fiscalização teve início em 19/04/2013, quando o contribuinte tomou ciência (fl. 2/3) do procedimento fiscal e foi intimado a apresentar os documentos comprobatórios das deduções pleiteadas em suas declarações da pessoa física relativas aos exercícios de 2009 a 2012. Posteriormente, o procedimento foi ampliado para incluir a verificação dos rendimentos isentos e não tributáveis e também omissão de rendimentos de aluguéis, tendo sido, ao final, apuradas as seguintes infrações à legislação tributária pela autoridade fiscal: Fl. 1486DF CARF MF Processo nº 10166.723214/201422 Acórdão n.º 2202004.316 S2C2T2 Fl. 1.487 5 Cientificado do lançamento na data de 21/05/2014 (fl.1083/1084), o fiscalizado impugnou a exigência em 18/06/2014, por intermédio do instrumento de fl. 1086/1117, apresentado pelos seus procuradores regularmente constituídos (procuração à fl. 1118). A impugnação se baseou, em síntese, nas seguintes razões de fato e de direito sustentadas na peça de defesa: a) o impugnante contesta que haja qualquer tipo de relacionamento seu ou de suas declarações de IRPF com as pessoas citadas na investigação referida no Termo de Verificação Fiscal de fl. 1061/1068, ou mesmo da representação fiscal, processo nº 10166.723.563/201444; b) o impugnante não manteve e nem mantém qualquer tipo de relacionamento com indivíduos citados na investigação referida no termo de verificação fiscal ou na representação fiscal; Questões preliminares: Fl. 1487DF CARF MF Processo nº 10166.723214/201422 Acórdão n.º 2202004.316 S2C2T2 Fl. 1.488 6 c) o lançamento seria nulo, porquanto a ação fiscal se estendeu de abr/2013 a mai/2014, sendo que o prazo regulamentar de conclusão dos trabalhos seria de em 60 (sessenta) dias, a não ser que a autoridade competente tenha promovido as respectivas prorrogações e que estas tenham sido informadas ao impugnante; o que não aconteceu; d) ademais, no curso da fiscalização, o procedimento teria sido ampliado para incluir a verificação dos rendimentos isentos e não tributáveis e omissão de rendimentos de aluguéis, sem que outro MPF fosse expedido e cientificado ao impugnante; e) uma vez que o impugnante não foi cientificado das prorrogações de prazo, se existentes, é certo que a autoridade fiscal não tinha autorização para prosseguir e concluir os trabalhos, faltandolhe competência legal que implica em nulidade do procedimento; f) um outro vício do procedimento, que importa no cerceamento do seu direito de defesa, seria o fato de o termo de verificação fiscal trazer informações no sentido de que foram expedidas várias intimações a terceiros, para que prestassem informações, com a consequente juntada de documentos diversos, sem que disso fosse dada a ciência ao impugnante; g) a juntada de documentos obtidos junto a terceiros, sem que estes tenham sido trazidos, na época oportuna, até ao impugnante implicaria em vício de cerceamento do direito de sua defesa e por conseqüência, na anulação de todos os atos que se seguiram, até porque, tratase de intimação incompleta; h) o lançamento da omissão de rendimentos de alugueis (item 001 do autor de infração) também seria nulo, "uma vez que decorrentes de procedimentos alicerçados em dados e condutas inservíveis aos fatos noticiados"; i) a infração apontada se relaciona a imóvel cedido ao Posto Iticar Ltda., mediante contrato de comodato/locação gratuita, em relação ao qual foi arbitrado aluguel à razão de 10% do valor do imóvel, constante da guia do IPTU, arbitramento esse efetuado, segundo consta, com base no art. 49, parágrafo 1º, do RIR/99; j) contudo, tendo a empresa ocupante do imóvel como sócio o impugnante, não há por que estabelecer aluguel em patamar muito superior àquele aceitável na cidade do GAMA, onde o índice médio não chega a 4% (quatro por cento) anual; k) assim, os valores de arbitramentos que instruíram a cobrança são indevidos, eis que não atendem às disposições mínimas aceitáveis para casos semelhantes; l) em situação semelhante, o Tribunal Federal da 4ª Região anulou um lançamento apurado na forma de arbitramento, onde o fisco fugiu do principio da finalidade do referido procedimento Fl. 1488DF CARF MF Processo nº 10166.723214/201422 Acórdão n.º 2202004.316 S2C2T2 Fl. 1.489 7 e buscou valores inservíveis como base de cálculo, em face da discrepância com a realidade; m) para que o arbitramento abrangendo todos os imóveis tivesse condições de prevalecer como forma de cobrança do IRPF, deveria atender, no mínimo, aos ditames do art . 148 da Lei nº 5.172, de 1966; n) não se pode confundir 'arbitramento' com 'arbitrariedade', e no caso presente, considerando as características de cada imóvel, sua localização, bem como a baixa taxa de ocupação na cidade do GAMA, com certeza o procedimento tendente a cobrança do imposto deve estar fundamentado em elementos idôneos e não apenas em percentual previsto para os casos de cessão gratuita; Questões de mérito: o) a infração apontada no item 001 do auto de infração (omissão de receitas decorrentes de aluguéis de imóveis) é insubsistente; ela não decorre de omissão comprovada, mas de um procedimento inicial de pesquisa junto a alguns locatários, linha de fiscalização posteriormente abandonada para, no prosseguimento, efetuar um arbitramento alcançando os anos calendários de 2008 a 2011; p) o arbitramento foi totalmente injusto e ilegal, eis que o único parâmetro utilizado foi a aplicação do percentual anual de 10% sobre o valor de avaliação constante do cadastro do IPTU, muito embora dispusesse o fisco de várias outras informações, recibos e contratos, que atestam que o aluguel real é bem menor; q) tratase de parâmetro regulamentar aplicável apenas ao caso de cessão gratuita de imóvel e, por conseqüência, deve o referido levantamento fiscal ser considerado nulo por deficiência material, isto é, incorreção na apuração da base de cálculo do imposto; r) para que pudesse prevalecer a cobrança, o fisco teria que promover um aprofundamento probatório, com relação aos créditos/ingressos; s) o fisco, ao tipificar o fato gerador como omissão da receita, não pode fazêlo através de uma mera “presunção iuris”, mas de uma prova efetiva e cabal dos elementos que justificariam a omissão; a aquisição de renda deve ser devidamente comprovada, e não meramente presumida, como no presente lançamento ora impugnado; t) a infração apontada no item 002 do auto de infração (omissão de rendimentos recebidos a título de lucro distribuído – real, presumido ou arbitrado – excedente ao escriturado) é insubsistente; u) não está na responsabilidade do impugnante a conferência dos registros contábeis das empresas declarantes nem tampouco Fl. 1489DF CARF MF Processo nº 10166.723214/201422 Acórdão n.º 2202004.316 S2C2T2 Fl. 1.490 8 o questionamento se estes cálculos estariam sendo considerados como corretos à luz da legislação comercial e tributária; v) ainda que as declarações de rendas a título de lucros distribuídos não estejam em conformidade com a legislação, não caberia a imposição de multa agravada, já que o impugnante desconhecia totalmente a questão, até o momento da autuação; e a penalidade aplicável admitida só poderia ser a mínima legal, ou seja, aquela decorrente de mero atraso no pagamento; w) a imputação de omissão de receitas pelo fisco apresentase inadequada e incorreta, pois referese a receitas declaradas pelo impugnante; x) caso se confirme a incorreção de valor na distribuição dos lucros, e se essa distribuição ocorreu a maior, a solução não é a tributação da diferença, já que o impugnante teria como responsabilidade a devolução do valor pago a maior, para a empresa; y) não sendo receita sua, o procedimento de tributação de valores pertencentes à empresa afigurase incorreto e deve ser declarado improcedente; z) ainda que tardia, a solução para a questão não é a tributação, mas a retificação das informações, trazendo os valores para aqueles que a legislação tributária considera como corretos; aa) a glosa dos valores deduzidos a título de despesas médicas foi indevida, pois se tratam de despesas efetivamente incorridas e devidamente comprovadas por documentos idôneos, que foram apresentados para a fiscalização; bb) ainda que alguma das despesas tivesse motivação regulamentar para sua exclusão, a imposição da multa de 150%, não teria motivação fundamentada na legislação constante da Lei n? 4.502, de 1964, c/c a Lei n? 9.430, de 1996; cc) a glosa dos valores deduzidos a título de pensão alimentícia judicial foi indevida, pois a pensão foi instituída por sentença no Processo de Exoneração n? 2010.01.1.1947152, da Sexta Vara de Família da Circunscrição Judiciária de Brasília, e os pagamentos foram efetivamente comprovados, mediante documentos entregues à fiscalização; dd) ainda que no entendimento da autuante a glosa em questão fosse cabível, por determinação regulamentar, a penalidade aplicável só seria possível no seu grau mínimo, e não em 150%, como ocorreu; ee) a situação descrita neste item de autuação não se refere a nenhuma hipótese daquelas previstas na Lei n? 9.430, de 1996, c/c a Lei nº 4.502, de 1964, que justificasse a aplicação de penalidade majorada; pelo contrário, tratase de despesa efetivamente incorrida e comprovada, tanto pelo desconto nos Fl. 1490DF CARF MF Processo nº 10166.723214/201422 Acórdão n.º 2202004.316 S2C2T2 Fl. 1.491 9 pagamentos de salário do impugnante, quanto pela determinação judicial; ff) no tocante à penalidade de 150% aplicada em itens do lançamento, embora tenha previsão na legislação tributária vigente, não deve ser mantida, porquanto representa imposição de caráter confiscatório, porquanto subtrai do patrimônio do impugnante a possibilidade de pagamento sem a respectiva insolvência; gg) ainda que devidamente prevista em regulamento, seja decorrente de decreto ou de lei ordinária, e mesmo que tais diplomas legais tenham sido recepcionados pelo sistema vigente, o dispositivo que trata da penalidade estará incompatível com a ordem constitucional, e portanto, tornase ilegítima a cobrança, por representar o confisco vedado pelos mandamentos da Lei Fundamental; hh) nessa linha de raciocínio, reiterase a Súmula n? 25 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no sentido de que a presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos art. 71, 72 e 73 da Lei n? 4.502, de 1964. Ao final, depois de citar farta doutrina e jurisprudência, a defesa solicitou o acolhimento das preliminares de nulidade suscitadas e o julgamento, quanto ao mérito, da improcedência da exigência. Requer ainda a realização de diligência para avaliação do valor real de locação do imóvel ocupado pelo "posto de gasolina". Em decisão prolatada em 26/02/2015 no Acórdão 1666.031 – 19' Turma da DRJ/SPO, esta 19ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos de seus membros, julgou procedente em parte a impugnação, mantendo em parte o crédito tributário, sendo R$ 418.316,51 em imposto suplementar sujeito à multa de ofício de 150%; e R$ 22.775,32 em imposto suplementar sujeita à multa de ofício de 75%. Considerando o montante do crédito tributário exonerado na decisão de primeira instância, a presidente da turma de julgamento recorreu ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de acordo com o art. 34 do Decreto n? 70.235, de 1972, com as alterações introduzidas pela Lei n? 9.532, de 10 de dezembro de1997, e com a Portaria MF nº 3, de 3 dejaneiro de 2008, por força de recurso necessário. O contribuinte, por sua vez, apresentou recurso voluntário em face da decisão de primeira instância. Em sessão realizada em 20/09/2016, os membros da 2' Turma Ordinária da 2' Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), também por unanimidade de votos, declararam a nulidade parcial da decisão recorrida, porquanto, conforme Fl. 1491DF CARF MF Processo nº 10166.723214/201422 Acórdão n.º 2202004.316 S2C2T2 Fl. 1.492 10 constou do voto do relator do Acórdão 2202003.567 – 2' Câmara / 2' Turma Ordinária: ... a decisão de primeira instância contém um vício que merece ser reparado, pois foi omissa quanto ao pedido do Contribuinte para desqualificar a multa de ofício em relação à omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoa jurídica, na parte em que o lançamento restou confirmado pela DRJ. Desta forma, estes autos retornaram à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), a fim de ser prolatada nova decisão suprindo a omissão apontada, nos termos do voto do relator do acórdão no Carf. É o relatório." Em novo julgamento , a DRJ de origem entendeu pela parcial procedência da impugnação apresentada pelo contribuinte, mantendose, assim, parcialmente o crédito tributário lançado, conforme demonstrativo abaixo: Em razão do valor exonerado ser superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), foi interposto recurso de ofício. O contribuinte, por sua vez, inconformado com o resultado do julgamento apresentou recurso voluntário, às fls. 1.295/1.323, reiterando as alegações expostas em impugnação quanto ao que foi vencido. É o relatório. Voto Fl. 1492DF CARF MF Processo nº 10166.723214/201422 Acórdão n.º 2202004.316 S2C2T2 Fl. 1.493 11 Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator RECURSO DE OFÍCIO O recurso de ofício foi apresentado haja vista que foi exonerado do lançamento fiscal o valor de R$ 1.785.090,91, referente a tributo e encargos de multa, conforme verificase abaixo: Período Tributo/multa Valor exonerado Exercício 2009 tributo R$ 178.481,21 Exercício 2009 multa R$ 267.721,82 Exercício 2010 tributo R$ 92.833,67 Exercício 2010 multa R$ 139.250,50 Exercício 2011 tributo R$ 266.322,94 Exercício 2011 multa R$ 399.484,40 Exercício 2012 tributo R$ 176.398,55 Exercício 2012 multa R$ 264.597,82 TOTAL R$ 1.785.090,91 No entanto, a Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017 majorou o limite de alçada para interposição de recurso de ofício, que deixou de ser o valor estabelecido na Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008 (R$ 1.000.000,00 um milhão de reais), para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vejamos o texto da recente Portaria: Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017 (Publicado(a) no DOU de 10/02/2017, seção 1, pág. 12) Estabelece limite para interposição de recurso de ofício pelas Turmas de Julgamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ). O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, no uso da atribuição que lhe confere o inciso II do parágrafo único do art. 87 da Constituição Federal e tendo em vista o disposto no inciso I do art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, resolve: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. Fl. 1493DF CARF MF Processo nº 10166.723214/201422 Acórdão n.º 2202004.316 S2C2T2 Fl. 1.494 12 § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Por oportuno, salientase que a Súmula CARF nº 103 estabelece que o aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância, vejamos: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Portanto, na presente data (sessão realizada em 04/10/2017) o limite de alçada vigente é superior ao valor exonerado pela julgamento da DRJ de origem, logo, não deve ser conhecido o recurso de ofício apresentado. RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Delimitação da lide. Em relação a dedução indevida de pensão alimentícia, a DRJ entendeu que a glosa procedida no lançamento é indevida, pelo que deverão ser restabelecidas as deduções glosadas. Em relação as demais infrações, embora a DRJ tenha reduzido o valor do lançamento, estas persistem e são objeto do recurso voluntário. Portanto, resta delimitada a lide. Das preliminares de nulidade do lançamento. No que tange às questões preliminares suscitadas pelo recorrente, cabe esclarecer que, em matéria de processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade caso não se encontrem presentes as circunstâncias previstas pelo art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 59. São nulos: I Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II Os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Pelo texto transcrito, observase que, no caso de auto de infração, há nulidade somente na hipótese de lavratura por pessoa incompetente, pois, por preterição de direito de defesa, apenas despachos e decisões a ensejariam. Fl. 1494DF CARF MF Processo nº 10166.723214/201422 Acórdão n.º 2202004.316 S2C2T2 Fl. 1.495 13 Por outro lado, as irregularidades, incorreções ou omissões diferentes das previstas no art. 59 não implicam em nulidade do lançamento e poderão ser sanadas, se o sujeito passivo restar prejudicado, como determina o art. 60 do mesmo Decreto: Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Assim, tendo sido o auto de infração lavrado por autoridade administrativa competente, e não se encontrando presente pressuposto algum dos dispostos no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não se vislumbra a nulidade suscitada. Da alegação de que a autoridade fiscal teria dado prosseguimento aos trabalhos após o prazo regulamentar de 60 dias, sem autorização. O contribuinte sustenta a tese de que o lançamento seria nulo, porquanto a ação fiscal se estendeu de abril de 2013 a maio de 2014, período superior ao prazo regulamentar para conclusão dos trabalhos, que seria de 60 dias, sem que a autoridade fiscal tenha promovido as respectivas prorrogações. Conforme o contribuinte, uma vez que ele não foi cientificado acerca de eventuais prorrogações de prazo, estaria demonstrado que a autoridade fiscal não tinha autorização para prosseguir e concluir os trabalhos, faltandolhe por isso competência legal que, por sua vez, ensejaria a nulidade do procedimento. Na época em que se iniciou a fiscalização, a execução de procedimentos fiscais no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil estava disciplinada pela Portaria nº 4.066, de 02 de maio de 2007, cujo art. 12 assim dispunha: Art. 12. Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade: I cento e vinte dias, nos casos de MPFF e de MPFE; II sessenta dias, no caso de MPFD. Os procedimentos relacionados à prorrogação do MPF eram tratados no art. 13 da referida portaria: Art. 13. A prorrogação do prazo de que trata o artigo anterior poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligência. § 1' A prorrogação de que trata o caput poderá ser feita por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação estará disponível na Internet, nos termos do art. 7º, inciso VIII. O parágrafo 1º do art. 13, acima transcrito, deixava claro que a prorrogação poderia ser feita de forma eletrônica, podendo o contribuinte consultar essa informação na Internet, por meio do código de acesso de que trata o inciso VIII do art. 7º da mesma Portaria: Fl. 1495DF CARF MF Processo nº 10166.723214/201422 Acórdão n.º 2202004.316 S2C2T2 Fl. 1.496 14 Art. 7º O MPFF, o MPFD e o MPFE conterão: (...) VIII o código de acesso à Internet que permitirá ao sujeito passivo, objeto do procedimento fiscal, identificar o MPF. No presente caso, o código de acesso para o MPF em questão é 13025262 (fl. 13). Pois bem, de posse desse código, o relator do acórdão da DRJ relata que procedeu à consulta no endereço eletrônico da Secretaria da Receita Federal do Brasil (<www.receita.fazenda.gov.br>), e constatou, conforme cópia de tela juntada à fl. 1222, que o MPF foi objeto de sucessivas prorrogações, tendo a última delas validade até 25/07/2014. Desta forma, ao contrário do que afirma o contribuinte, verificase que a ciência do auto de infração, em 21/05/2014 (fl. 1083), ocorreu dentro do prazo de validade do MPF. Ressaltese que, já no Termo de Início do Procedimento Fiscal de fl. 344/346 (ciência por AR à fl. 2/3), o contribuinte foi informado de que o acesso às informações acerca da identificação do procedimento e da eventual prorrogação do prazo para a sua conclusão se faria por intermédio da Internet, utilizandose do código constante do MPF: "O sujeito passivo poderá verificar a autenticidade do Mandado de Procedimento Fiscal, além de eventuais alterações e prorrogações, através do programa Consulta Mandado de Procedimento Fiscal, disponível na página da Secretaria da Receita Federal do Brasil na Internet, www.receita.fazenda.gov.br, onde deverão ser informados o número do CNPJ ou CPF, conforme o caso, e o código de acesso constante neste termo." Verificase, assim, que, ao contrário do que afirma o contribuinte, não tinha a autoridade fiscal obrigação de expedir intimação para darlhe ciência das prorrogações, uma vez que essa informação estava disponível pela Internet, nos termos da legislação. Em suma, não procedem as alegações do recorrente de que o auto de infração foi lavrado após expirado o prazo de validade do MPF. Ressaltese, de qualquer forma, e apenas como exercício de argumentação, que, mesmo que isso tivesse ocorrido, não haveria razão para anular o auto de infração, conforme se discorre a seguir. Façamos, inicialmente, uma breve análise acerca das atividades relacionadas à constituição do crédito tributário. Para isso, é preciso destacar o conteúdo do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), instituído pela Lei n? 5.172, de 25 de outubro de 1966: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 1496DF CARF MF Processo nº 10166.723214/201422 Acórdão n.º 2202004.316 S2C2T2 Fl. 1.497 15 A competência para proceder ao lançamento é, portanto, da autoridade administrativa. Considerando que as disposições do CTN alcançam todas as entidades tributantes – das esferas federal, estaduais e municipais –, é evidente que cada uma dessas entidades deve definir, em relação aos tributos que administram, quem é a autoridade administrativa com competência para lançar o crédito tributário. No que concerne aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, encontramos essa definição no art. 6? da Lei n? 10.593, de 03 de dezembro de 2002, com redação dada pela Lei n? 11.457, de 16 de março de 2007: Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; Desta forma, uma vez que tenha sido designado para proceder a uma ação fiscal, o AuditorFiscal deve efetuar o lançamento sempre que constatar a ocorrência do fato gerador, sendo tal competência vinculada e obrigatória, nos termos do parágrafo único do art. 142 do CTN. Por oportuno, transcrevo trecho do acórdão da DRJ, que bem apreciou a matéria ora em julgamento: "No presente caso, a AuditoraFiscal autuante foi devidamente designada, por meio do MPF 01.1.01.00.2013.00707, a proceder à fiscalização do sujeito passivo. Tendo constatado irregularidades que dão ensejo à constituição do crédito tributário, é sua obrigação fazêlo por meio do lançamento de ofício, nos termos do art. 149 do CTN. O vencimento do prazo do MPF não a desincumbe de tal obrigação, pois ela decorre de lei. Um AuditorFiscal inicialmente designado somente poderia deixar de proceder ao lançamento caso fosse substituído por algum outro AuditorFiscal para dar continuidade à fiscalização, hipótese em que a obrigação de lançar passaria a esse segundo servidor. Ressaltese que as normas administrativas que tratam da emissão e controle do MPF em nenhum momento retiram do AuditorFiscal designado para conduzir a ação fiscal a competência de proceder ao lançamento. E nem poderiam fazê lo, já que tal competência decorre de lei, e esta não pode ser modificada por norma de hierarquia inferior. Assim, repitase, enquanto o AuditorFiscal inicialmente designado não for formalmente substituído por outro servidor detentor da mesma competência, com o fim de garantir a preservação do interesse público tutelado por lei, continua sendo dele a obrigação de proceder ao lançamento, por se tratar de atividade vinculada, obrigatória e indelegável. Essas considerações, no entanto, como já dissemos, seriam até desnecessárias no presente caso, uma vez que o MPF foi devidamente prorrogado, conforme documento de fl. 1222." Fl. 1497DF CARF MF Processo nº 10166.723214/201422 Acórdão n.º 2202004.316 S2C2T2 Fl. 1.498 16 Assim, tendo sido a ação fiscal conduzida por servidor competente, e em obediência aos demais requisitos do Decreto nº 70.235 de 1972, que rege o processo administrativo fiscal, notadamente os previstos em seu art. 10, não que se há de falar em nulidade do auto de infração. Da alegação de que a obtenção de documentos junto a terceiros, sem a ciência prévia do contribuinte, implicaria em cerceamento do direito de defesa. O contribuinte questiona a informação constante do Termo de Verificação Fiscal de que foram expedidas várias intimações para que terceiros prestassem informações, com a subsequente juntada de documentos diversos no processo administrativo fiscal, sem que disso fosse dada ciência ao contribuinte. De acordo com o entendimento esposado pelo recorrente, o procedimento “implica em vício de cerceamento do direito de sua defesa e por conseqüência, na anulação de todos os atos que se seguiram, até porque, tratase de intimação incompleta” (fl. 1100). Sem razão o contribuinte. As administrações públicas federal, estaduais e municipais têm, dentro da esfera de competência de cada um dos respectivos entes estatais, a atribuição legal de fiscalizar o cumprimento da legislação tributária, a qual também regula a competência e os poderes das autoridades administrativas em matéria de fiscalização, nos termos do art. 194 do Código Tributário Nacional. A atividade de fiscalização é procedimento realizado ex oficio pela autoridade administrativa competente, com base nas informações prestadas pelos contribuintes ou por terceiros. Essas informações, eventualmente, servirão de base para o lançamento, no caso de ser constatada infração à legislação tributária, conforme dispõe o artigo 147 do Código Tributário Nacional: Art. 147 O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre a matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. A Constituição Federal de 1988, no seu art. 5º, inciso LV, estabelece que, “aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes”. Não obstante, a atividade de fiscalização restringese à verificação, pela autoridade administrativa, do regular cumprimento das obrigações tributarias por parte dos sujeitos passivos, não existindo, no curso do procedimento, qualquer imputação de infração ao contribuinte fiscalizado, implícita ou explicitamente. Somente na hipótese de a fiscalização resultar na constatação de infração à legislação tributária é que a autoridade fiscal efetuará o lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível (art. 142 do CTN). Fl. 1498DF CARF MF Processo nº 10166.723214/201422 Acórdão n.º 2202004.316 S2C2T2 Fl. 1.499 17 Nesse sentido, o Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, que regulamenta o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União, estabelece que a fase litigiosa do procedimento somente é instaurada na hipótese de o contribuinte impugnar tempestivamente o lançamento, depois de ser regularmente intimado a cumprir a exigência ou impugnála no prazo de trinta dias: Art. 39. O auto de infração será lavrado no local da verificação da falta, devendo conter (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 10; Lei n' 10.593, de 2002, art. 6º): (...) V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias, contados da data da ciência; e (...) Art. 56. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto nº 70.235, de 1972, arts. 14 e 15). Disso decorre que, durante a execução dos procedimentos de fiscalização, inexiste lançamento, impugnação e – por consequência – litígio instaurado, não se podendo cogitar de um suposto cerceamento do direito de defesa decorrente de a autoridade fiscal não ter dado ciência prévia ao contribuinte das diligências realizadas, como quer o contribuinte. Diante disso, a DRJ de origem bem observou que "À vista da extensa peça de impugnação apresentada tempestivamente, com 32 duas laudas, assinada por procuradores regularmente constituídos para esse fim específico e instruída com substanciosa quantidade de documentos (quase duas centenas), e na qual a defesa opôs todas as razões de fato e de direito que entendeu socorrerem ao impugnante, não se vislumbra qualquer cerceamento do direito à ampla defesa e ao contraditório nestes autos, pelo que se rejeita a preliminar suscitada.", decisão a qual compartilho o entendimento. Da alegação de que o lançamento da omissão de rendimentos de aluguéis seria nulo, porque o arbitramento não obedeceu ao disposto no art. 148 do CTN Por fim, o contribuinte propugna a nulidade do lançamento de omissão de rendimentos de aluguéis, decorrente do arbitramento do aluguel à razão de 10% do valor do imóvel constante da guia do IPTU, com base no art. 49, parágrafo 1º, do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999) aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999. Desse ponto de vista, o arbitramento procedido pela autoridade lançadora não teria atendido ao disposto no art. 148 do Código Tributário Nacional, por não considerar as características de cada imóvel, sua localização, bem como a baixa taxa de ocupação na cidade do GamaDF. Fl. 1499DF CARF MF Processo nº 10166.723214/201422 Acórdão n.º 2202004.316 S2C2T2 Fl. 1.500 18 O contribuinte sustenta que o procedimento tendente à cobrança do imposto deveria estar fundamentado em elementos idôneos, e não apenas em percentual previsto para os casos de cessão gratuita. Ora, se a tributação procedida no lançamento foi formalizada com obediência ou não à legislação tributária é questão de mérito a ser enfrentada no julgamento, que poderá eventualmente resultar no reconhecimento da improcedência da exigência fiscal, e não causa de nulidade do lançamento, na forma sustenta pelo contribuinte. Assim, rejeito a nulidade suscitada, para apreciar os tais argumentos mais adiante, na análise das questões de mérito. Mérito Da omissão de rendimentos de aluguéis A DRJ de origem promoveu a exclusão do lançamento de diversos valores referente a aluguéis recebidos de pessoa jurídica, restando em litígio os seguintes valores: Anocalendário 2008 Anocalendário 2009 2 A fiscalização lançou, no exercício 2011 (anocalendário 2010), omissão de rendimentos de aluguel apurada em 2009, inadvertidamente, conforme consta do auto de infração às fl.1044/1045, erro que aqui se corrige. O valor de R$ 253.175,59 referese à cessão gratuída de imóvel ao Auto Posto Iticar Ltda. Anocalendário 2010 3 A fiscalização lançou em 2010 omissão de rendimentos de aluguel apurada no ano de 2009 (fl. 1044/1045 do auto de infração), no valor de R$ 340.507,97 (linha ‘a’ supra). Tratase de evidente erro, corrigido no presente demonstrativo. Anocalendário 2011 Consoante se verifica, o lançamento quanto a omissão de rendimentos de aluguel recebido de pessoa jurídica mantevese somente em relação ao contrato de comodato com Auto Posto Iticar Ltda. (fl.561/562), datado de 15/01/2003, pelo prazo de vinte anos, tendo por objeto os seguintes imóveis de sua propriedade: a) lote 680 da QI 07, Setor Leste Industrial, com 800m2, matrícula 4361; b) lote 700 da QI 07, Setor Leste Industrial, com 800m2, matrícula 4260; Fl. 1500DF CARF MF Processo nº 10166.723214/201422 Acórdão n.º 2202004.316 S2C2T2 Fl. 1.501 19 c) lotes 720 da QI 07, Setor Leste Industrial, com 800m2, matrícula 4261. A fundamentação constante no acórdão da DRJ para manter tais omissões de rendimentos foram as seguintes: "Inicialmente, observo que, nesse caso específico, a matéria em litígio não trata de arbitramento, conforme impropriamente referido tanto no relatório fiscal como na impugnação. O parágrafo 1º do art. 49 do Regulamento do Imposto de Renda, acima transcrito, estabelece que, no caso cessão gratuita, o montante correspondente a dez por cento do valor venal do imóvel, ou do valor constante da guia do Imposto Predial e Territorial Urbano – IPTU, se constitui em rendimento tributável sujeito ao ajuste anual na declaração de rendimentos. Ao ceder imóveis seus gratuitamente para a pessoa jurídica, o interessado deveria ter oferecido à tributação, no ajuste anual, o valor correspondente a 10% do valor venal do imóvel ou do valor constante da guia do Imposto Predial e Territorial Urbano – IPTU correspondente ao anocalendário da declaração, nos termos da legislação tributária já citada. Ao não fazêlo, incorreu em omissão de rendimentos passível de lançamento de ofício pela administração tributária, com os acréscimos legais previstos, pelo que deverá ser mantido crédito tributário neste caso, no valor de R$ 236.281,47 em 2008; R$ 253.175,59 em R$ 2009; e R$ 285.177,77 em 2010 e 2011, conforme demonstrativo à fl. 1071." A decisão da DRJ está em total consonância com a legislação, conforme dispõe o art. 49, § 1º, do RIR/99, abaixo transcrito: Art. 49. São tributáveis os rendimentos decorrentes da ocupação, uso ou exploração de bens corpóreos, tais como (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 3º, Lei nº 4.506, de 1964, art. 21, e Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º): [...] § 1º Constitui rendimento tributável, na declaração de rendimentos, o equivalente a dez por cento do valor venal de imóvel cedido gratuitamente, ou do valor constante da guia do Imposto Predial e Territorial Urbano IPTU correspondente ao anocalendário da declaração, ressalvado o disposto no inciso IX do art. 39 (Lei nº 4.506, de 1964, art. 23, inciso VI). Portanto, estando o lançamento com total amparo com a legislação, compreendo que não merece reparos no acórdão da DRJ. Da omissão de rendimentos recebidos por sócios de empresa a título de lucro distribuído, excedente ao escriturado. A DRJ de origem promoveu a exclusão do lançamento de diversos valores referente a infração omissão de rendimentos lucros em excesso, restando em litígio os valores mantidos: Fl. 1501DF CARF MF Processo nº 10166.723214/201422 Acórdão n.º 2202004.316 S2C2T2 Fl. 1.502 20 Anocalendário Infração Lançado Excluído Mantido 2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS Lucros em excesso R$ 698.489,14 R$ 521.471,62 R$ 177.017,52 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS Lucros em excesso R$ 722.884,33 R$ 546.912,56 R$ 175.971,77 2010 OMISSÃO DE RENDIMENTOS Lucros em excesso R$ 638.510,10 R$ 496.596,69 R$ 141.913,41 2011 OMISSÃO DE RENDIMENTOS Lucros em excesso R$ 668.426,59 R$ 535.287,85 R$ 133.138,74 Por oportuno, esclarecese a razão da DRJ ter excluído do lançamento valores referente a omissão de rendimentos lucros em excesso, conforme planilha acima, consoante voto abaixo transcrito no tocante a esta matéria: "A rigor do que dispõe o parágrafo 3º do art. 519 do Regulamento do Imposto de Renda, transcrito anteriormente, na apuração do lucro presumido, as pessoas jurídicas com atividades diversificadas devem segregar suas receitas por tipo de atividade, aplicado sobre cada uma delas o percentual correspondente, como, por exemplo, 1,6% para as receitas provenientes da revenda de combustível para consumo; 8% no caso de comercialização de outros produtos; 32% na prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares, e assim por diante. Uma vez que a autoridade fiscal determinou a base de cálculo do IRPJ e da CSLL devidos pelas empresas com a utilização do percentual de 1,6% friso: aplicável exclusivamente sobre as receitas oriundas da revenda de combustível para consumo sobre a receita bruta total, não se poderia ter concluído simultaneamente, como ocorreu no lançamento, que houve falta de recolhimento do Pis e da Cofis, tendo em vista que ambas as contribuições estão sujeitas à alíquota de 0%, tornando impossível a ocorrência de falta de declaração ou de pagamento. Resta concluir que não pode prosperar a imputação de que houve apuração do Pis e da Cofins em valor menor do que o devido pelas empresas, quando o próprio lançamento trata a totalidade da receita bruta auferidas pelas pessoas jurídicas como oriundas da revenda de combustível por comerciante varejista. Deverá, pois, ser retificado o lançamento, a fim de excluir da base de cálculo do imposto o valor correspondente ao Pis e a Cofins apurado nos demonstrativos de fl. 1071/1078, proporcional à participação do sócio nas empresas, conforme segue: (...)" O art. 10 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, estabeleceu hipótese de não incidência tributária sobre os lucros ou dividendos pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido, nos seguintes termos: Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. Fl. 1502DF CARF MF Processo nº 10166.723214/201422 Acórdão n.º 2202004.316 S2C2T2 Fl. 1.503 21 Segundo o termo de verificação (fl.1065), a autoridade fiscal efetuou o cotejo dos livros comerciais das empresas que distribuíram lucros ao contribuinte com as informações prestadas em DIPJ e DCTF, concluindo que todas elas omitiram receitas em suas declarações fiscais, chegando essa omissão em torno de 90%: "Do cotejo dos livros comerciais – Diário e Razão com as informações prestadas nas DIPJ e DCTF, de cada uma das empresas, relativas ao período de 2008 a 2011, verificouse que todas elas omitiram receitas em suas declarações fiscais, chegando estas omissões em torno de 90%." Partindo dessa constatação, a autoridade fiscal considerou que o lucro contábil apurado teria sido indevidamente majorado, pela falta de dedução de todos os impostos incidentes sobre a receita auferida. Mais ainda, que o sócio fiscalizado teria se apropriado indiretamente dos tributos e contribuições sonegados pelas empresas, declarandoos indevidamente sob a forma de rendimentos isentos na pessoa física (fl.1066): "Como conseqüência, o lucro contábil apurado foi indevidamente majorado, visto que não foi deduzido de todos os impostos incidentes sobre a receita auferida. Com este artifício, o fiscalizado deliberadamente se apropriou dos tributos e contribuições sonegados nas empresas, os quais foram declarados sob forma de rendimentos isentos." A diferença entre o valor dos tributos devidos (calculados sobre a receita bruta) e dos escriturados e declarados em DCTF foi considerada como excesso de lucro contábil, não amparado pela isenção prevista no art. 10 da Lei nº 9.249, de 1995, e portanto rendimento tributável omitido na declaração de ajuste anual. Ocorre que ao apurar e escriturar tributos em valor menor do que o devido em face da legislação, a empresa optante pelo lucro presumido majorou o lucro contábil de forma artificial e indevida, com infração à legislação tributária. Assim, a parcela do lucro contábil distribuído aos sócios correspondente ao valor dos tributos que deixaram de ser contabilizados não se enquadra na não incidência prevista no art. 10 da Lei nº 9.249, de 1995, e devem ser oferecidos à tributação no ajuste anual. Não tendo o contribuinte assim procedido, deve ser mantido o lançamento realizado (com a devida alteração promovida pelo acórdão da DRJ). Portanto, carece de razão o contribuinte, devendo ser negado provimento ao recurso quanto a este ponto. Da dedução indevida de despesas médicas A DRJ de origem não afastou glosas por dedução indevidas de despesas médicas, consoante demonstrado no quadro abaixo: Anocalendário Infração Lançado Excluído Mantido 2008 DEDUÇÃO INDEVIDA Despesas médicas 0,00 0,00 0,00 2009 DEDUÇÃO INDEVIDA Despesas médicas R$ 2.988,05 0,00 R$ 2.988,05 2010 DEDUÇÃO INDEVIDA Despesas médicas R$ 10.483,20 0,00 R$ 10.483,20 2011 DEDUÇÃO INDEVIDA Despesas médicas R$ 22.775,32 0,00 R$ 22.775,32 Fl. 1503DF CARF MF Processo nº 10166.723214/201422 Acórdão n.º 2202004.316 S2C2T2 Fl. 1.504 22 No tocante à glosa da dedução indevida de despesas médicas, dispõe o art. 80 do Regulamento do Imposto de Renda: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1' O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (...) § 5' As despesas médicas dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo da declaração de rendimentos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). Apesar de permitidas pela legislação, todas as deduções sujeitamse à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, nos termos do art. 73 do mesmo RIR/1999, conforme excerto que segue: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). No caso concreto, o contribuinte teve as seguintes despesas médicas pleiteadas na declaração de ajuste anual glosadas no lançamento (demonstrativo à fl. 1069): a) pagamentos a CAMB referente a plano de saúde para Morgana Cristina dos Reis, que apresentou declaração em seu próprio nome; b) despesa com plano de saúde CAMB, no ano de 2010 e 2011, por falta de comprovação; Fl. 1504DF CARF MF Processo nº 10166.723214/201422 Acórdão n.º 2202004.316 S2C2T2 Fl. 1.505 23 c) pagamentos ao laboratório SABIM e Exame Diagnóstico da América, no ano de 2010 e 2011, referentes à aplicação de vacina, por falta de previsão legal. Em relação ao plano de saúde pago para Morgana Cristina dos Reis, a despesa é indedutível, pois a beneficiária do plano não é dependente do contribuinte. Nem poderia ser, já que apresentou declarações em seu próprio nome (fl. 928/929), sendo portanto inelegível a figurar como dependente de terceiros. Considerando que a legislação restringe a dedução de despesas médicas aos pagamentos relativos ao tratamento do contribuinte e ao de seus dependentes (art. 80, § 1º, inciso II, do RIR/1999), deverá ser mantida a glosa, por falta de previsão legal para a dedução, independente de o contribuinte ter arcado com o ônus da despesa, como afirmou. Quanto aos pagamentos efetuados à Caixa de Assistência Médica e Benefício dos Policiais Civis do Distrito Federal (CAMB), a autoridade fiscal considerou integralmente os comprovantes apresentados pelo interessado, deles excluindo, apenas, a parcela referentes à Morgana Cristina dos Reis, conforme falado nos parágrafos anteriores. Porém, não foi apresentado comprovante relativo aos valores deduzidos no anocalendário 2011; para o ano calendário 2010, o interessado apresentou os comprovantes de fl.248/249, que foram reapresentados na impugnação, os quais, contudo, comprovam o pagamento de apenas R$ 11.045,28 do total de R$ 20.688,48 deduzidos. Assim, deverá ser mantida a glosa das deduções não comprovadas, conforme se procedeu no lançamento (fl. 1069). Por fim, no tocante às despesas com vacinas informadas nos comprovantes de fl. 258 a 260 e 288 e 297, entendo que foi correta a glosa, à vista da falta de previsão legal para a dedução, já que esses pagamentos não se enquadram em uma das hipóteses estabelecidas no art. 80 do Regulamento do Imposto de Renda. Assim, não sendo provado o fato constitutivo do direito alegado pelo contribuinte, com fundamento no artigo 373, inciso I, do CPC e artigo 36 da Lei n° 9.784/99, devese manter sem reparos o acórdão recorrido. Ocorre que temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, do contribuinte ora recorrente. Neste sentido, prevê a Lei n° 9.784/99 em seu art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. Em igual sentido, temos o art. 373, inciso I, do CPC: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Encontrase sedimentada a jurisprudência deste Conselho neste sentido, consoante se verifica pelo aresto abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2005 Fl. 1505DF CARF MF Processo nº 10166.723214/201422 Acórdão n.º 2202004.316 S2C2T2 Fl. 1.506 24 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. (...) (Acórdão nº 3803004.284 – 3ª Turma Especial. Sessão de 26 de junho de 2013, grifouse) Portanto, com base nos elementos do processo, concluo serem devidas as glosas procedidas pela autoridade fiscal, devendo ser mantido o lançamento sem reparos quanto a este ponto. Da aplicação da multa qualificada. A autoridade fiscal efetuou o lançamento de ofício com multa qualificada (150%), por ter entendido que o contribuinte fiscalizado agido com a intenção de suprimir ou reduzir, deliberadamente, o tributo, caracterizando a conduta ilegal com evidente intuito de sonegação, fraude ou simulação, nos termos dos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Todavia, entendo que não merece prosperar a tese de que ocorreu sonegação, fraude ou simulação, de modo a justificar a qualificação da multa em 150%. Nesse caso, compreendo que não restou suficientemente caracterizada a intenção dolosa de sonegação por parte do contribuinte. A base da argumentação da autoridade fiscal realmente é verdadeira, ou seja, os atos praticados ensejaram a diminuição irregular do recolhimento do tributo, no entanto, não entendo que este fato, por si só, enseja os elementos caracterizadores do dolo, fraude ou simulação. A norma legal que determina a aplicação da multa de ofício qualificada é o artigo 44, I, §1°, da Lei 9.430/96, abaixo transcrito: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei no 11.488, 2007) [...] § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei no 11.488, de 2007) Por sua vez, assim dispõe os artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64 supra referidos: Fl. 1506DF CARF MF Processo nº 10166.723214/201422 Acórdão n.º 2202004.316 S2C2T2 Fl. 1.507 25 Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Consoante demonstrado, nos casos de lançamento de ofício, a regra é a aplicação da multa de 75%, estabelecida no inciso I do artigo acima transcrito. Excepciona a regra a comprovação do intuito fraudulento, a qual acarreta a aplicação da multa qualificada de 150%, prevista no § 1º , do artigo 44, da Lei nº 9.430 de 1996, com a redação dada Lei nº 11.488, de 15/06/2007. A fraude fiscal pode se dar em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe sempre a intenção de causar dano à Fazenda Pública, um propósito deliberado de se subtrair, no todo ou em parte, a uma obrigação tributária. Nesses casos, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, de lesar o Fisco, quando, se utilizando de subterfúgios, escamoteiam a ocorrência do fato gerador ou retardam o seu conhecimento por parte da autoridade fiscal. É nesse ponto que não concordo com o posicionamento adotado pela autoridade autuante, pois, embora concorde ser equivocada a leitura feita pelo contribuinte da legislação, não consigo identificar a intenção dolosa de ocultar, mesmo que considerássemos que a intenção final fosse a diminuição do tributo a ser pago. A qualificação da multa não pode atingir aqueles casos em que o sujeito passivo age de acordo com as suas convicções, deixando às claras o seu procedimento, posto que resta evidente a falta de intenção de iludir, em nada impedindo a Fiscalização de apurar os fatos e de firmar suas convicções. Nestes termos, foi editada a Súmula 25 do CARF: Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Dessa forma, entendo por necessário desqualificar a multa de ofício, reduzindoa para o percentual de 75%. Fl. 1507DF CARF MF Processo nº 10166.723214/201422 Acórdão n.º 2202004.316 S2C2T2 Fl. 1.508 26 Conclusão. Ante o exposto, voto por não conhecer do recurso de ofício, em função do novo limite de alçada. Quanto ao recurso voluntário, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 1508DF CARF MF
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Numero do processo: 13804.006487/2004-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:2001
INCENTIVO FISCAL. FINOR. EXTINÇÃO.
O incentivo fiscal regional do FINOR foi extinto a partir de 02/05/2001, tomando sem efeito eventual opção pelo aludido incentivo, realizada depois desta data.
INCENTIVO FISCAL. FINOR. REQUISITOS.
Nega-se o reconhecimento do incentivo fiscal, diante da falta de
comprovação da quitação de tributos e contribuições federais pelo
contribuinte, na data de apresentação da Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo.
Numero da decisão: 1401-000.561
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 INCENTIVO FISCAL. FINOR. EXTINÇÃO. O incentivo fiscal regional do FINOR foi extinto a partir de 02/05/2001, tomando sem efeito eventual opção pelo aludido incentivo, realizada depois desta data. INCENTIVO FISCAL. FINOR. REQUISITOS. Negase o reconhecimento do incentivo fiscal, diante da falta de comprovação da quitação de tributos e contribuições federais pelo contribuinte, na data de apresentação da Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) VIVIANE VIDAL WAGNER Presidente. (assinado digitalmente) FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Viviane Vidal Wagner, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Antonio Bezerra Neto, Maurício Pereira Faro, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira e Karem Jureidini Dias. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o relatório que integra o Acórdão recorrido (fls. 370372): A contribuinte acima identificada ingressou, em 30/09/2004, com o PERC — Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais de fls. 01/02, tendo em vista que "NÃO HOUVE ORDEM DE EMISSÃO PARA O FINAM E O CONTRIBUINTE CONSTA DO SISTEMA IRPJOEIF", relativamente à sua opção por aplicação de parte do IRPJ relativo ao anocalendário 2001, exercício 2002, no FINOR (fls. 02 e 98). 1.1. A cópia do Extrato de Aplicações em Incentivos Fiscais do ano calendário de 2001 à fl. 02, aponta duas ocorrências impeditivas à concessão do beneficio: "04 — REDUÇÃO DE VALOR POR RECOLHIMENTO INCOMPLETO DO IMPOSTO" e "16 — SEM EFEITO A OPÇÃO EM DIPJ ENTREGUE APÓS 02/05/2001 PARA FUNDO DIF. DE ART. 9° DA LEI 8167/91" 2. Por meio do Despacho Decisório de fls. 107/110, proferido em março/2006, a autoridade administrativa competente indeferiu o pedido, tendo em vista o resultado de consultas ao CADIN e aos registros de regularidade mantidos pela Secretaria da Receita Federal — SRF, pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional — PGFN, pelo Instituto Nacional de Seguridade Social — INSS e pela Caixa Econômica Federal (CEF)/FGTS, apontando a existência de débitos tributários e com base no artigo 60 da Lei n° 9.069, de 29/06/1995. 2.1. O auditor fiscal designado para apreciar o pedido informou que a CND mais recentemente emitida pelo INSS encontrase vencida desde 02/11/2005 (11. 106); o interessado está em situação irregular junto à PGFN (fl. 103); com a CND mais recente emitida pela SRF vencida desde 02/04/2005 (fl. 100) e em situação irregular junto a este órgão (fI. 101); impedindoo de apresentar a comprovação atualizada da quitação de tributos e contribuições federais, com o que fica materializada a vedação prevista na legislação transcrita (..), concluindo que a contribuinte não faz jus à expedição de ordem de emissão adicional de incentivos fiscais e propondo o indeferimento do pleito. 2.2. O referido despacho decisório encontrase assim ementado: Assunto:Pedido de revisão de ordem de emissão de incentivo (PERC), relativo ao IRPJ/2002, ano base 2001. Ementa: INCENTIVOS FISCAIS. PERC. A legislação veda a concessão de incentivos fiscais nas situações em que o pleiteante não estiver regular junto à Fazenda Pública ou junto à Seguridade Social Fl. 2DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13804.006487/200462 Acórdão n.º 140100.561 S1C4T1 Fl. 513 3 3. Inconformada com o referido Despacho Decisório, do qual foi devidamente cientificada em 24/03/2006 (doc. â fl. 361), a interessada, por intermédio de seu advogado e procurador (fls. 127/133), apresentou, em 25/04/2006, a manifestação de inconformidade de fls. 112 a 126, acompanhada da documentação de fls. 127 a 360. Na peça de defesa a interessada argúi: 3.1. Preliminarmente, o cabimento do recuso, com base no artigo 224, inciso I, da Portaria MF n° 30, de 25/02/2005; 3.2. Defende também que o momento da análise de pendências fiscais para fins da fruição do beneficio fiscal é a época da opção pelo Incentivo Fiscal em comento, discordando assim da análise feita decorridos quase cinco (5) anos de sua opção. 3.2.1. Neste diapasão, acusa o procedimento adotado de ser contrário a qualquer tipo de eficiência e razoabilidade e reclama que não pode o pedido ser apreciado no momento que mais interessar à Fazenda como vem entendendo a Administração Pública. 3.2.2. Assevera que a utilização de débitos em momento posterior ao da opção pela utilização do beneficio fiscal pretendido, não obstante não estar claramente definida na legislação regulamentadora, fere o principio da moralidade administrativa à medida que permite à Administração Pública aguardar pacientemente a existência de qualquer débito e, no presente caso, QUALQUER MESMO — para indeferir um direito garantido aos contribuintes. , 3.3. Passa então a interessada a discorrer sobre a sua regularidade fiscal. 3.3.1. Em relação aos débitos na Receita Federal que o despacho decisório acusaria existirem por ausência de entrega de Certidões de objeto e pé de processos judiciais (comprovantes da suspensão da exigibilidade), a reclamante apresenta os documentos de fls. 153 a 339 que entende comprovar a suspensão (fl.118). 3.3.2. Em relação aos débitos em cobrança na PFN (16327. 501.053/200432; 16327501.273/200466 e 16327 500.295/200590) defende que se encontram com exigibilidade suspensa por força de sentenças/decisões judiciais, reportando se aos documentos de fls. 340 a 347. 3.3.3. Discorda também a interessada da pendência junto ao INSS apontada pela autoridade fiscal. Alega que a empresa SANTANDER CENTRAL HISPANO INVESTMENT S/A, pleiteante do beneficio fiscal pretendido, foi incorporada pela Recorrente (SANTANDER BRASIL INVESTIMENTOS E SERVIÇOS S/A), estando ENCERRADA, conforme comprova o documento que consta a última certidão negativa obtida pela empresa junto à Previdência Social (Doc.15 fl..348). Fl. 3DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 4 3.3.4. Salienta que a recorrente aguarda o deferimento do presente pedido para solicitar a destinação de parte de seu IRPJ ao Fundo em questão, tendo em vista que, conforme comprovam os documentos ora anexados, quitou totalmente os valores referentes ao IRPJ devido, sob o código 236Z sem que a parcela informada da DIPJ como destinada ao incentivo fiscal em questão tenha sido recolhida com o seu código especifico. 3.4. Em conclusão, expõe que, perante a ausência de débitos, restaria comprovada a regularidade fiscal da recorrente e afigurarseia ilegal o indeferimento do pedido formulado, tomandose imperativa a reforma da decisão recorrida. Defende ainda a investigação exauriente na busca da verdade material, argumentado que a D. Autoridade Administrativa tem o poder dever de proceder a uma análise pertinente dos documentos apresentados e conferir a oportunidade para a recorrente de efetuar um novo lévantamento para demonstrar a inexistência de débitos aos períodos apontados, sob pena de afrontar o devido processo legal, caracterizador de cerceamento de defesa. 3.5. Por fim, postula o conhecimento da Manifestação de Inconformidade em apreço, para reforma da decisão recorrida, reconhecendose o direito da interessada a usufruir o incentivo fiscal, tendo em vista a comprovação de sua total regularidade fiscal. A 8ª Turma da DRJ São Paulo I indeferiu a solicitação da contribuite, por meio do Acórdão nº 1615.551, assim ementado (v. fls. 368): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 PERC QUITAÇÃO DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS PROVA. Nos termos do art. 60 da Lei 9.069/95, a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo fiscal fica condicionada ã comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais. Diante da ausência desta prova o PERC não pode ser deferido. PERC. INEXISTÊNCIA DE BENEFÍCIO FISCAL. O incentivo fiscal regional para o qual foi apresentado o PERC deixou de existir a partir de 02/05/2001, tomando a opção sem efeito. Solicitação Indeferida A contribuinte foi cientificada do referido Acórdão em 13/12/2007 (fls. 382). Inconformada, apresentou 11/01/2008 o Recurso Voluntário de fls. 385401, reiterando todos os argumentos expendidos por ocasião da sua manifestação de inconformidade. Segundo a recorrente, a decisão recorrida é nula, tendo em vista que a recorrente nunca foi intimada a regularizar sua situação junto aos órgãos administrativos. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13804.006487/200462 Acórdão n.º 140100.561 S1C4T1 Fl. 514 5 Sustentou que o momento da análise da regularidade fiscal, para fins de deferimento do benefício, deve ser a data da entrega da DIPJ e não o momento da análise do PERC. Reiterou que encontravase inteiramente regular perante o Fisco, com base nos mesmos argumentos apresentados perante o colegiado julgador a quo. Por fim, contestou o entendimento do acórdão recorrido, no sentido de que o benefício pretendido pela recorrente não mais existia quando da entrega da declaração, em razão da MP nº 2.145/2001. Segundo a recorrente, tal interpretação afronta os princípios da anterioridade, do irretroatividade e fere o seu direito adquirido. Neste sentido, mencionou precedente do Conselho de Contribuintes (fls. 399). Além disso, a posterior edição das MPs nº 2.1755 e nº 2.19914 teriam tornado sem efeito a alteração promovida pela aludida MP nº 2.145/2001. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. Preliminar de nulidade Segundo a recorrente, a decisão recorrida é nula, tendo em vista que a recorrente nunca foi intimada a regularizar sua situação junto aos órgãos administrativos. Alegação desprovida de sentido. No curso do presente processo, foram concedidas inúmeras oportunidades para que a contribuinte comprovasse sua alegada regularidade fiscal. A contribuinte poderia, por exemplo, ter comprovado sua alegada regularidade fiscal por ocasião da apresentação da apresentação do pedido de revisão de ordem de emissão de incentivo (PERC), que deu origem ao presente processo. Posteriormente, por ocasião da apresentação do presente recurso voluntário, também poderia trazer aos documentos novos elementos de prova, visando comprovar sua alegada regularidade. Concluise, portanto, que ao longo do presente processo foi amplamente assegurado à contribuinte o direito ao contraditório e à ampla defesa, razão pela qual indefiro a preliminar de nulidade. Delimitação da lide Fl. 5DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 6 O extrato das aplicações em incentivos fiscais de fls. 02 apontou duas razões para o indeferimento da ordem de emissão para o FINOR: a) existência de débitos de tributos e contribuições federais e/ou irregularidades cadastrais; b) opção pelo benefício tornada sem efeito, tendo em vista que a DIPJ foi entregue após 02/05/2001. A DRJ São Paulo I, corretamente, apreciou e considerou existentes estas duas razões impeditivas à concessão do benefício fiscal. Sobre o tema, assim se manifestou a decisão recorrida, fls. 377380: 7.4. No caso de que trata o presente processo administrativo, foi constatada a existência de débitos de tributos e contribuições federais junto à SRF e à PGFN conforme informado no despacho decisório (fls. 109) bem como a impossibilidade de se constatar a inexistência de débitos junto ao INSS. 8. No que se refere aos processos em cobrança administrativa (PROFISC), relacionados à fl. 68 (Processos Administrativos n's 13805.012338/9732, 13805.012339/97 03, 16327.002568/99 35 e 16327.000713/9961), os documentos de fls. 340 a 343, certificam que os correspondentes créditos tributários encontramse com a exigibilidade suspensa. Entretanto não é possível afirmar, em relação aos P.A.'s n° 13805.012338/9732, 13805.012339/9703, e 16327.000713/9961, que, na data em o despacho decisório fora proferido, os correspondentes créditos tributários encontravamse com a exigibilidade suspensa, haja vista que a documentação apresentada (fls. 153/173; 174/260; 280/339) não ser conclusiva a esse respeito. 9. No âmbito da PGFN constam 3 inscrições em cobrança — ativas ajuizadas processos administrativos de números 16327 5016053/200432, 16327501.273/200466 e 27.500.29:90 (fl. 103). [...] 9.16. Como se vê, a contribuinte incidiu na vedação prevista no art. 60 da Lei n ° 9.069/95, de modo que o indeferimento de sua pretensão foi correto. 10. Além disso, conforme já relatado, o "Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais" (fls. 02) apresenta duas (02) ocorrências que impediram a concessão do beneficio fiscal; [...] e (ocorrência 16) sem efeito a opção em DIPJ entregue após 02/05/2001 para fundo diferente de artigo 9°, da Lei 8.167/91. [...] ocorrência "16" informa que opção feita após 02/05/2001 é considerada sem efeito. 10.1. Com efeito, a ocorrência "16" descrita no extrato de lis. 02 está bastante sucinta, mas, de fato, o beneficio fiscal pretendido pelo contribuinte já não existia à época da entrega da declaração exercício 2001, ano calendário 2000 (28/06/2002 fl. 04), por força do disposto na Medida Provisória n°2.145, de 02 de maio de 2001. Assim, mesmo que o contribuinte satisfizesse a todas as condições, não poderia usufruir o beneficio fiscal pleiteado. Por razões lógicas, inicialmente vou analisar a questão da impossibilidade de opção pelo benefício fiscal, após a sua revogação. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13804.006487/200462 Acórdão n.º 140100.561 S1C4T1 Fl. 515 7 Caso se confirme esta impossibilidade, tornarseá desnecessário analisar a questão da regularidade fiscal da contribuinte. Análise da revogação do benefício fiscal A possibilidade da destinação de parte do Imposto de Renda para incentivos regionais (Finor, Finam, Funres) foi originalmente instituída pelo DecretoLei nº 1.376/74. Este benefício fiscal, contudo, foi extinto pela Lei nº 8.034/90 e posteriormente restabelecido, nos termos do art. 1° da Lei n° 8.167/91, verbis: Art. 1º A partir do exercício financeiro de 1991, correspondente ao períodobase de 1990, fica restabelecida a faculdade da pessoa jurídica optar pela aplicação de parcelas do imposto de renda devido: I no Fundo de Investimentos do Nordeste (Finor) ou no Fundo de Investimentos da Amazônia (Finam) (DecretoLei n° 1.376, de 12 de dezembro de 1974, art. 11, alínea a), bem assim no Fundo de Recuperação Econômica do Espírito Santo (Funres) (DecretoLei n° 1.376, de 12 de dezembro de 1974, art. 11, V); O restabelecimento desses benefícios fiscais durou apenas uma década, uma vez que o art. 50 da MP n° 2.145/01 expressamente revogou o inciso acima transcrito, ressalvando apenas o direito previsto no art. 9° da Lei n° 8.167/91 para as pessoas que já o tivessem exercido, até o final do prazo previsto para a implantação de seus projetos, e desde que estejam em situação de regularidade, cumprindo todos os requisitos previstos e os cronogramas aprovados. Não assiste razão à Recorrente quando alega que o citado art. 50 da MP n.º 2.145/01 teria perdido sua eficácia, por força da posterior edição das MPs nº 2.1755 e nº 2.19914. Na realidade, em todas as reedições da MP n.º 2.145/01 (MPs nº 2.1461 e nº 2.1462) foi mantida a revogação do do art. 1° da Lei n° 8.167/91, o que pode ser facilmente comprovado mediante simples consulta ao site www.planalto.gov.br. Diante do exposto, não restam dúvidas de que a revogação do benefício fiscal efetivamente ocorreu no curso do anocalendário de 2001 (mais precisamente em 02/05/2001). A única dúvida que remanesce diz respeito à validade das opções por estes benefícios fiscais, ocorridas no aludido anocalendário de 2001. Essa dúvida surgiu porque a opção pela aplicação em investimentos regionais poderia ser manifestada de duas formas, nos termos do art. 4° da Lei n.° 9.532/97, verbis: Art. 4° As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real poderão manifestar a opção pela aplicação da imposto em investimentos regionais na declaração de rendimentos ou no curso do anocalendário, nas datas de pagamento do imposto com base no lucro estimado, apurado mensabnente, ou no lucro real, apurado trimestralmente. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 8 § 1º A opção, no curso do anocalendário, será manifestada mediante o recolhimento, por meio de documento de arrecadação (DARF) especifico, de parte do imposto sobre a renda de valor equivalente a (..) § 2° No DARF a que se refere o parágrafo anterior, a pessoa jurídica deverá indicar o código de receita relativo ao fundo pelo qual houver optado. (...) Como se vê, a opção pelos benefícios fiscais poderia se dar: a) na declaração de rendimentos; ou b) no curso do anocalendário, por intermédio do recolhimento de parcela do imposto devido efetuado em DARF especifico, no qual deveria constar o código do respectivo fundo de investimento A contribuinte entende que teria direito ao incentivo fiscal, mesmo após a sua revogação, pelo simples fato de ter efetuado a opção na declaração de rendimentos relativa ao anocalendário 2001. Vale dizer que a apresentação da declaração de rendimentos referente ao ano calendário de 2001 somente ocorreu no anocalendário de 2002, ocasião em que o benefício fiscal já havia sido extinto, em razão da vigência da MP 2.145/91, de 02/05/2001. Assim sendo, em relação ao anocalendário 2001, somente tiveram direito adquirido ao benefício fiscal aquelas empresas que realizaram pagamento por DARF nos códigos específicos, antes da revogação do aludido benefício (ocorrida em 02/05/2001) Aquelas empresas que pretendiam optar pelo benefício fiscal recolhendo DARFs com código específico após 02/05/2001 ou que pretendiam manifestar sua opção por ocasião da apresentação da declaração de rendimentos, não tinham direito adquirido ao aludido benefício fiscal. Estas empresas, dentre as quais se encontra a Recorrente, tinham apenas expectativa de direito em relação àqueles benefícios fiscais. Tal expectativa foi quebrada, de forma legítima, com a edição da Medida Provisória n.º 2.145/01, que revogou os citados benefícios. De acordo com a melhor doutrina, a expectativa de direito configurase por uma seqüência de elementos constitutivos, cuja aquisição fazse gradativamente, portanto, não se trata de um fato jurídico que provoca a aquisição instantânea de um direito. Nesses casos, o direito está em formação e constituise quando o último elemento advém. Há, por conseguinte, mera expectativa de direito quando ainda não se perfizeram os requisitos adequados ao seu advento, sendo, contudo, possível sua futura aquisição. Se houve fatos adequados para sua aquisição, mas que ainda dependem de outros fatos que ainda não ocorreram, caracterizase uma situação jurídica preliminar. Logo, o interessado tem expectativa em alcançar o direito em formação, expectativa de direito que poderá ser frustrada ou não. No caso concreto, somente tinham direito adquirido ao benefício fiscal auqleas empresas que preencheram todos os requisitos necessários, dentre os quais estava o Fl. 8DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13804.006487/200462 Acórdão n.º 140100.561 S1C4T1 Fl. 516 9 pagamento por DARF nos códigos específicos, ocorrido antes da revogação do aludido benefício (02/05/2001). Faltando um destes requisitos (o pagamento por DARF nos código específicos), o titular gozava apenas de mera expectativa de direito. Era essa a situação da Recorrente que, segundo consta, pretendia optar pelo benefício fiscal por ocasião da apresentação da sua declaração de rendimentos (fato que somente iria ocorrer no ano calendário de 2002). Sobre a definição de expectativa de direito aqui mencionada, ensinava o mestre Orlando Gomes (grifado): A legítima expectativa não constitui direito. A conservação, que é automática, somente se dá quando se completam os elementos necessários ao nascimento da situação jurídica definitiva. No mesmo sentido, ensina a renomada mestra Maria Helena Diniz (grifado): Manuel A. Domingues de Andrade esclarecenos que o patrimônio vem a ser o conjunto das relações jurídicas (direitos e obrigações), efetivamente constituídas, como valor econômico, da atividade de uma pessoa física ou jurídica de direito privado ou de direito público. Portanto, o que não pode ser atingido pelo império da lei nova é apenas o direito adquirido e jamais o direito “in fieri” ou em potência, a “spes juris” ou simples expectativa de direito, visto que “não se pode admitir direito adquirido a adquirir direito”. Realmente, expectativa de direito é mera possibilidade ou esperança de adquirir um direito por estar na dependência de um requisito legal ou de um fato aquisitivo específico. O direito adquirido já se integrou ao patrimônio, enquanto a expectativa de direito dependerá de acontecimento futuro para poder constituir um direito. A lei nova não poderá retroagir no que atina ao direito em si, mas poderá ser aplicada no que for concernente ao uso ou exercício desse direito, mesmo às situações já existentes antes de sua publicação.” Dessa maneira, quem tem expectativa de direito não é titular do direito em formação, diferentemente do sujeito que já possui o direito adquirido. Vale dizer que o Supremo Tribunal Federal, em inúmeras oportunidades, reconheceu a distinção existente entre direito adquirido e expectativa de direito. Apenas a título de ilustração, registrese que em situação análoga à que está sendo analisada, o STF já reconheceu que a lei nova pode, sim, frustrar meras expectativas de direito: Imposto de Renda. As empresas que obtiveram isenção do imposto de renda pelo regime do Decretolei 1.564/77 possuíam mera expectativa de direito á prorrogaçâo da isenção questionada, cuja possibilidade a L. 7.450/85 revogou, antes que fosse deferida (STF, 1ª Turma, agravo regimental no recurso extraordinário n° 269266/PE, de 26/04/2005, Relator Ministro Sepúlveda Pertence) Fl. 9DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 10 Tributário. Imposto de Renda. Prorrogação de prazo de isenção. SUDENE. Direito adquirido. A Lei 7.450/85 revogou a possibilidade de aumento do prazo de isenção do IRPJ de dez para quinze anos prevista no art. 3º do DecretoLei nº 1.564/77. No momento de sua publicação, as recorridas possuíam mera expectativa de direito à prorrogação do benefício, que restou frustrada, com a mudança na sistemática da concessão do incentivo. Recurso extraordinário conhecido e provido. (STF, 1ª Turma, Recurso Extraordinário nº 226749 / PE, de 11/06/2002, Relatora Ministra Ellen Gracie, DJ 02082002). Vale dizer que as orientações constantes do Majur/2002 eram totalmente coerentes com a Lei, pois, em se tratando de incentivo fiscal que exclui crédito tributário, o aplicador da lei deve interpretar literalmente a legislação sobre a matéria, consoante art. 111 do CTN. Assim sendo, concluo que o incentivo fiscal regional para o qual foi apresentado o PERC deixou de existir a partir de 02/05/2001, tomando a opção da contribunte sem efeito, porque realizada depois desta data. Análise da regularidade fiscal da contribuinte Uma vez constatado que a opção da contribuinte pelo incentivo fiscal foi realizada fora de prazo, tornase desnecessário analisar a regularidade fiscal da contribuinte, no momento da opção pelo incentivo. Não obstante este fato, irei tecer breves considerações sobre o tema, com o intuito de esclarecer o entendimento já sumulado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. A matéria em discussão foi objeto da Súmula CARF nº 37, que recebeu a seguinte redação (grifado): Súmula CARF nº 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Sobre a obrigatoriedade de aplicação das Súmulas por parte dos integrantes deste CARF, convém transcrever o art. 72 do Regimento Interno desta Corte (grifado): Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Analisandose os autos, verificase que diversos débitos apontados pelo Fisco são anteriores à data de apresentação da Declaração de Rendimentos, na qual a contribuinte fez a opção pelo benefício fiscal. Tratamse dos processos administrativos nº 13805.012338/9732, 13805.012339/9703 e 16327.000713/9961), que em 10/02/2006 encontravamse em cobrança administrativa (PROFISC). Fl. 10DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13804.006487/200462 Acórdão n.º 140100.561 S1C4T1 Fl. 517 11 A documentação apresentada pela contribuinte (fls. 153/173; 174/260; 280/339) não permite concluir se se, na data de apresentação da Declaração de Rendimentos, tais créditos efetivamente se encontravam com sua exigibilidade suspensa. Assim sendo, constato que no caso em apreço há comprovação cabal da existência de débitos tributários em nome da contribuinte, anteriores à data de apresentação da Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica. Por sua vez, a contribuinte não logrou comprovar que os aludidos débitos encontravamse com sua exigibilidade suspensa, no momento da opção pelo benfício fiscal. Não logrando a contribuinte comprovar sua regularidade fiscal no momento da opção pelo incentivo, efetivamente deveria ser indeferido o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais. No caso em apreço, porém, independentemente da existência destes débitos, o aludido PERC deveria ser negado, pelo simples fato de que o incentivo fiscal em apreço foi extinto em 02/05/2001, tomando sem efeito a opção da contribunte, que foi realizada depois desta data. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 11DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 28/06/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10865.906723/2012-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/04/2009
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA.
O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de restituição ou compensação quando comprovadas a sua liquidez e certeza.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/04/2009
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 2.
Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.184
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/04/2009 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de restituição ou compensação quando comprovadas a sua liquidez e certeza. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/04/2009 INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 2. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/2009 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de restituição ou compensação quando comprovadas a sua liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/04/2009 INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 2. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 67 23 /2 01 2- 40 Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10865.906723/201240 Acórdão n.º 3201003.184 S3C2T1 Fl. 3 2 RENASCER CONSTRUÇÕES ELÉTRICAS LTDA. transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da Cofins. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação em litígio neste processo, em virtude de o pagamento correspondente ter sido utilizado para quitação de débitos do contribuinte. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante alegou, laconicamente, que o "indeferimento parcial não pode prosperar porque os créditos oriundos de pagamento indevido ou maior já tinham sido devidamente disponibilizados em razão da desvinculação dos mesmos das DCTFs daquele período". Nos termos do Acórdão nº 02051.156, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento fundamentado sua decisão na falta de comprovação da existência e da suficiência do crédito pleiteado. Em seu recurso voluntário, o Recorrente alega que não atentara para o fato de que o seu departamento fiscal não procedera às retificações necessárias à confirmação das alegações por ele apresentadas, em razão do quê solicita a concessão de novo prazo para realizar a apuração efetiva do seu direito creditório, tendo em vista os princípios constitucionais da capacidade contributiva e do não confisco. É o relatório Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201003.176, de 28/09/2017, proferido no julgamento do processo 10865.906711/201215, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.176): O recurso voluntário, por mostrarse tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade, merece, por isto, ser conhecido. Nos termos do relatório fiscal, a lide do processo cingese à falta de comprovação pela Recorrente do seu direito creditório, nos termos constantes do despacho decisório, parte dos créditos declarados pelo contribuinte na DCOMP estavam vinculados ao pagamento de outros tributos, razão pela qual, as declarações de compensação foram homologadas parcialmente. Nas alegações do Recurso a Recorrente confirma que não realizou as apuração do seu direito creditório e não providenciou as alterações necessárias para confirmar o direito creditório alegado e pede uma prorrogação de prazo para realizar tais procedimentos. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10865.906723/201240 Acórdão n.º 3201003.184 S3C2T1 Fl. 4 3 A exigência de liquidez e certeza dos créditos sempre foi condição sine qua non para a compensação, necessitando de prova clara e inconteste do direito creditório. No caso em tela, o contribuinte alega a existência do indébito tributário, sem apresentar as provas necessárias para comprovar as suas alegações. O pedido para prorrogação de prazo não é matéria afeita a este processo, pois, os documentos e informações comprobatórios precisam acompanhar o recurso interposto, caso a Recorrente, junto com o seu recurso voluntário, tivesse apresentado informações ou documentos que pudessem comprovar o seu direito creditório, seria possível considerar a realização de diligências para averiguar tais informações. Entretanto, a Recorrente apenas confirma os fatos já apresentados no despacho decisório e posteriormente na decisão da primeira instância, que os créditos não aceitos pela fiscalização estão vinculados a outros pagamentos, não existindo nenhuma informação que possa contradizer estes fatos, não pode prosperar o pedido da Recorrente. Quanto à alegação de ofensa a princípios constitucionais, este Conselho não é competente para aprecia a matéria, conforme assentado na súmula nº 2 do CARF, publicada no DOU de 22/12/2009, que veda o pronunciamento sobre constitucionalidade de lei tributária. "Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação da compensação respectiva. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 60DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.905319/2011-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-001.074
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontá-los com o recolhido, apurando-se, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Recorrente RODOBENS CAMINHÕES CIRASA S.A. (SUCESSORA DE BELÉM DIESEL S.A.) Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido, apurandose, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Campinas que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: (...) AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 80 .9 05 31 9/ 20 11 -4 9 Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10280.905319/201149 Resolução nº 3402001.074 S3C4T2 Fl. 186 2 A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (...) PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. A prova documental do direito creditório deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual sem que verifiquem as exceções previstas em lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Versa o processo sobre pedido de restituição de crédito de contribuição não cumulativa, o qual foi indeferido pela DRF de origem, em razão de o recolhimento indicado ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pela contribuinte em outro PER/DCOMP. A interessada apresentou a manifestação de inconformidade, sustentando seu direito creditório na inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/1998 (RE nº 390.840/MG e RE nº 585.235, com repercussão geral). O julgador de primeira instância não acolheu as razões de defesa da interessada, sob os seguintes fundamentos: A autoridade a quo procedeu corretamente ao indeferir o pleito da interessada, eis que existem débitos, confessado pela própria contribuinte por meio de DCTF e outro PER/DCOMP, no valor igual ao do recolhimento objeto do pedido de restituição, de forma que inexiste saldo passível de restituição. Seria necessário que, no mínimo, a interessada houvesse retificado sua DCTF até a transmissão do seu PER/DCOMP, fazendo constar o suposto débito inferior ao declarado, o que faria exsurgir a possibilidade de se alegar pagamento a maior. Como não o fez, não havia saldo de pagamento sobre o qual a autoridade fiscal tivesse que se manifestar. No tocante à inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo, não se discute o entendimento do STF, exposto nos REs mencionados pela interessada. Tampouco se questiona a vinculação do CARF à decisão proferida no RE julgado na sistemática de repercussão geral, conforme prevê seu regimento. Sobre a revogação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, pela Lei nº 11.941, apenas deve ser esclarecido que tal revogação não tem efeitos retroativos, e portanto não atinge o período a que se refere o PER/DCOMP em análise. Ainda que os óbices quanto à utilização integral do recolhimento não existissem, e que fosse possível estender os efeitos do julgado do STF para o presente caso, a interessada não se desincumbiu de demonstrar e provar o suposto recolhimento a maior. A cópia parcial do balancete apresentada permite vislumbrar tão somente as receitas financeiras do período, mas não o faturamento da empresa. Assim, não haveria como se apurar o total da base de cálculo e a contribuição devida, para comparála com o recolhimento efetuado e concluirse pela eventual existência de recolhimento a maior, e em que montante. E mais, não tendo a interessada apresentado provas de seu suposto crédito, precluiu do direito de fazêlo em outro momento, a teor do disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10280.905319/201149 Resolução nº 3402001.074 S3C4T2 Fl. 187 3 Cientificada, a contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo, alegando e requerendo o que se segue: a) Requer a recorrente a reunião dos processos apontados de modo a haver seu julgamento conjunto em face da existência de conexão entre os mesmos. b) Houve falta de aprofundamento da investigação dos fatos, o que contraria o contido no art. 76 da IN RFB nº 1300/12. A DCTF não é o único meio hábil de prova da existência de crédito passível de restituição. Nem o art. 165 do CTN e nem o art. 74 da Lei nº9.430/96 condicionam o reconhecimento do crédito à retificação de declarações, tratandose de formalidade, a qual não pode se sobrepor ao direito substantivo. c) Acerca das provas juntadas para demonstrar a existência do crédito pleiteado, a decisão recorrida alegou a insuficiência para o intento, entretanto esse entendimento não merece prosperar, eis que os documentos colacionados são suficientes para a comprovação do direito de crédito alegado. O valor recolhido indevidamente sobre as receitas financeiras está devidamente lastreado nas receitas financeiras destacadas no balancete em anexo à manifestação de inconformidade, documento este obrigatório paras as pessoas jurídicas, possuindo, inclusive, força probante para recolhimento de estimativas em caso de pessoa jurídica optante pelo lucro real mensal, nos termos do art. 230 do RIR/99. d) Com relação à preclusão da produção da prova, a alínea "c" do §4º do art. 16 do Dec. nº 70.235/72 possibilita a produção de provas em outro momento processual, quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Nesse passo, para corroborar os fatos já demonstrados pela documentação carreada à manifestação de inconformidade, e também com vistas a contrapor os argumentos da decisão recorrida, requer a juntada do livro Razão, o qual, por si só, tem o condão de comprovar o direito creditório ora postulado. e) Quanto ao mérito, a discussão encontrase totalmente superada na jurisprudência do STF que, em sessão plenária, declarou a inconstitucionalidade do parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 no julgamento do RE nº 390840/MG em 9.11.2005. Não há dúvida de que esse entendimento do STF, com repercussão geral reconhecida, deve ser aplicado ao caso dos autos. Assim é que na base de cálculo do PIS e da Cofins somente deveriam ter sido incluídos pela recorrente os valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os ingressos que correspondem as suas receitas das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, razão pela qual a decisão a quo deve ser reformada a fim de que seja deferido o direito creditório pleiteado. É o relatório. VOTO Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.050, de 27 de setembro de 2017, proferida no julgamento do processo 10280.900096/201212, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402001.050: Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10280.905319/201149 Resolução nº 3402001.074 S3C4T2 Fl. 188 4 "Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Como se sabe, é obrigatória aos membros deste CARF a reprodução do conteúdo de decisão definitiva de mérito proferida pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil. Também não se desconhece que foi declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal, tendo sido reconhecida a repercussão geral, para reafirmar a jurisprudência do Tribunal nesse sentido1. Em consequência, para as empresas que se dedicam à venda de mercadorias comerciais e industriais e/ou à prestação de serviços, é ao total das receitas oriundas dessas atividades que corresponde a base de cálculo das contribuições do PIS e da Cofins enquanto aplicável aquele ato legal2 . No que concerne à possibilidade de reconhecimento do direito creditório independentemente da retificação da DCTF, este CARF já decidiu favoravelmente à própria contribuinte, mediante o Acórdão nº 3302004623 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 27 de julho de 2017, no processo nº 10280.905792/201126, no qual foi apurado, em diligência, que a recorrente demonstrou cabalmente a existência do crédito. Conforme assentado na Resolução nº 3401000.737, da 3ª Seção/4ª Câmara/1ªTurma Ordinária, de 24/07/2013, esta 3ª Seção de Julgamento do Carf tem orientado sua jurisprudência no sentido de que, não obstante a 1 RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.09.2006; REs 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, DJ de 18.08.2006)Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso Improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235/MG, Relator: Min. Cézar Peluso, julgado em 10/09/2008). 2 Acórdão nº 9303002.444– 3ª Turma, de 08 de outubro de 2013 Relator: JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS PIS E COFINS. ALARGAMENTO. EMPRESAS INDUSTRIAIS E DE SERVIÇOS. Nos termos do quanto decidido pelo Pleno do STF no julgamento dos recursos extraordinários nºs 357.950, 390840, 358273 e 346084, deve ser repudiada a ampliação do conceito de faturamento intentado pelo § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Em conseqüência, para as empresas que se dedicam à venda de mercadorias comerciais e industriais e/ ou à prestação de serviços, é ao total das receitas oriundas dessas atividades que corresponde a base de cálculo das contribuições PISe PASEP enquanto aplicável aquele ato legal. Acórdão nº 3401003.828– 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 29 de junho de 2017 Relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. ART. 3º, § 1º, LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. As receitas que não se caracterizam como próprias da atividade da entidade, tal como estabelecido pelo estatuto ou contrato social, não compõem o seu faturamento, conforme decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em repercussão geral, ao declarar a inconstitucionalidade da ampliação do conceito de receita bruta promovida pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Devese, assim, ser acolhido o resultado da diligência constante no Relatório de Diligência Fiscal. Considerando a comprovação documental da validade do crédito, consistente em recolhimento indevido ou a maior de Cofins sobre receitas financeiras, deve o sujeito passivo ter atendido o seu pleito creditório. Recurso Voluntário provido. Direito creditório reconhecido. Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10280.905319/201149 Resolução nº 3402001.074 S3C4T2 Fl. 189 5 preclusão do art. 16, §4° do Decreto nº 70.235/72, em situações em que há alguns indícios de provas, o julgamento pode ser convertido em diligência para análise da nova documentação acostada. No presente processo, embora a recorrente não tenha produzido a prova necessária por ocasião da apresentação de seu pedido ou da manifestação de inconformidade, apresentou, posteriormente, no Recurso Voluntário, outros documentos na tentativa de comprovação do direito alegado. Assim, resguardando eventual julgamento posterior do Colegiado na linha dos entendimentos acima apontados, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, um Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido, apurandose, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. Após a intimação da recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011, o processo deve retornar a este Colegiado para prosseguimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, um Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido, apurandose, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. Após a intimação da recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011, o processo deve retornar a este Colegiado para prosseguimento. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 236DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000458/2007-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Oct 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/01/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS.
De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN).
ÔNUS DA PROVA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AUTO DE INFRAÇÃO. DEFESA. FATOS IMPEDITIVOS, MODIFICATIVOS OU EXTINTIVOS.
Cabe à defesa a prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos da pretensão fazendária.
OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. IRREGULARIDADES NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. CUSTO UNITÁRIO BÁSICO- CUB.
Quando a escrituração contábil não registra o movimento real de remuneração dos segurados empregados em obra de construção civil ou existam discrepâncias que comprometam a confiabilidade desses registros, o lançamento pode ser realizado por arbitramento da base de cálculo das contribuições previdenciárias com uso da tabela do custo unitário básico da região.
Numero da decisão: 2201-003.871
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência, nos termos do voto do relator.
Assinado digitalmente.
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
Assinado digitalmente.
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1997 a 31/01/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). ÔNUS DA PROVA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AUTO DE INFRAÇÃO. DEFESA. FATOS IMPEDITIVOS, MODIFICATIVOS OU EXTINTIVOS. Cabe à defesa a prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos da pretensão fazendária. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. IRREGULARIDADES NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. CUSTO UNITÁRIO BÁSICO- CUB. Quando a escrituração contábil não registra o movimento real de remuneração dos segurados empregados em obra de construção civil ou existam discrepâncias que comprometam a confiabilidade desses registros, o lançamento pode ser realizado por arbitramento da base de cálculo das contribuições previdenciárias com uso da tabela do custo unitário básico da região.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência, nos termos do voto do relator. Assinado digitalmente. Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. Assinado digitalmente. Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). ÔNUS DA PROVA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AUTO DE INFRAÇÃO. DEFESA. FATOS IMPEDITIVOS, MODIFICATIVOS OU EXTINTIVOS. Cabe à defesa a prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos da pretensão fazendária. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. IRREGULARIDADES NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. CUSTO UNITÁRIO BÁSICO CUB. Quando a escrituração contábil não registra o movimento real de remuneração dos segurados empregados em obra de construção civil ou existam discrepâncias que comprometam a confiabilidade desses registros, o lançamento pode ser realizado por arbitramento da base de cálculo das contribuições previdenciárias com uso da tabela do custo unitário básico da região. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência, nos termos do voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 04 58 /2 00 7- 71 Fl. 197DF CARF MF Processo nº 14041.000458/200771 Acórdão n.º 2201003.871 S2C2T1 Fl. 198 2 Assinado digitalmente. Carlos Henrique de Oliveira Presidente. Assinado digitalmente. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão da DRJ Brasília, que julgou improcedente a impugnação apresentada. Os principais aspectos do lançamento estão delineados de forma clara e elucidativa no relatório da decisão de primeira instância, nos termos seguintes: Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra PALLISSANDER ENGENHARIA LTDA., através da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD 37.085.8808)cujo montante consolidado em 27/06/2007 é de R$ 334.839,82, cientificado o contribuinte em 29/06/2007. Conforme o Relatório Fiscal da Notificação, às fls. 30/39, o notificante informa em síntese: que o objeto do lançamento são as contribuições sociais relativas à parte patronal, devidas pela empresa e não recolhidas em época própria, correspondentes ao emprego de mãodeobra na execução de obra ou de serviços de construção civil, as contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, as contribuições dos segurados empregados não descontadas pela empresa e as destinadas a outras Entidades e Fundos. que constitui fato gerador do crédito tributário ora lançado, a prestação de serviços remunerados pelos segurados empregados, contribuinte individual e cooperado intermediado por cooperativa de trabalho na execução de obra ou serviço de construção civil; que foram solicitados por meio do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD em anexo), de 15 de janeiro de 2007 (data de ciência pelo contribuinte), todos os documentos relativos às obras de construção civil, sendo que a empresa apresentou as folhas de pagamento em relação à matrícula CEI fiscalizada (23.001.00094/75), com as seguintes ocorrências: Fl. 198DF CARF MF Processo nº 14041.000458/200771 Acórdão n.º 2201003.871 S2C2T1 Fl. 199 3 A empresa apresentou as folhas de pagamento de 1997, porém foram apresentadas apenas as totalizações ou resumos mensais não discriminando os nomes dos segurados e não indicando cargo, função ou serviço prestado; Apresentou as folhas de pagamento de 1998, porém foram apresentadas apenas as totalizações ou resumos mensais não discriminando os nomes dos segurados e não indicando cargo, função ou serviço prestado; A empresa apresentou as folhas de pagamento 1999, porém faltando as 13/1999, sendo que foram apresentadas apenas as totalizações ou resumos mensais não discriminando os nomes dos segurados e não indicando cargo, função ou serviço prestado; A empresa apresentou as folhas de pagamento 2000 até a competência 10/2000, porém para as competências 01/2000 e 02/2000 foram apresentadas apenas as totalizações ou resumos mensais não discriminando os nomes dos segurados e não indicando cargo, função ou serviço prestado; Foi emitido um novo TIAD (em anexo), em 23 de janeiro de 2007, reiterando o pedido das folhas de pagamentos, sendo que a empresa apresentou um documento, em anexo, informando que toda a documentação referente às obras já havia sido entregue na ocasião do primeiro TIAD, motivo pelo qual foram emitidos os AutosdeInffação n. 37.085.8760 e n. 37.085.8778. que em relação aos Registros Contábeis, mais especifícamente os Livros Diário e Razão foi verificado que em diversas matrículas CEI de obras de construção civil, apesar de a empresa ter apresentado diversas folhas de pagamentos, a empresa deixou de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; que foram emitidos dois TIADs, ambos em anexo, de 14 de fevereiro de 2007 e 2 de março de 2007, solicitando informações específicas sobre o número do Livro Diário, bem como os números das contas e das páginas dos registros contábeis de 1997 até 2006 dos fatos geradores de todas as contribuições sociais a cargo da empresa, as contribuições sociais previdenciárias descontadas dos segurados, as decorrentes de subrogação, as retenções, bem como os totais recolhidos para as obras de construção civil matriculadas no CEIs ns° 230010018073, 369400072574, 230010016976 e 2300100171 75, sendo que a empresa apresentou documentos, em anexo, declarando não ser possível identificar as solicitações; que por ser a escrituração contábil indivisível, conforme art. 380 do Código de Processo Civil, uma vez constatado que parte da contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, esta será desconsiderada na sua totalidade e utilizada como meio de prova do não cumprimento Fl. 199DF CARF MF Processo nº 14041.000458/200771 Acórdão n.º 2201003.871 S2C2T1 Fl. 200 4 da obrigação acessória prevista no II, do art. 32 da Lei n. 8.212/91, combinado com o inciso II do § 13 do art. 225 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06 de maio de 1999, por isso a contabilidade foi desconsiderada para todas as obras nos exercícios de 1997 até 2006, motivo pelo qual foi lavrado o Auto de Infração n. 37.085.8786. que diante da apresentação deficiente da documentação relativa à obra e da conseqüente falta de prova regular e formalizada do montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil, bem como da constatação pela fiscalização de que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço referente à essas obras, fezse necessário a utilização do procedimento da Aferição Indireta para apuração da base de cálculo das contribuições sociais, como preconiza os §§ 3o, 4o e 6o do art. 33 da Lei n. 8.212/91; que segundo informações prestadas pela Pallissander, as obras dos lotes 05 e 06 não foram executadas pela empresa, apesar de constarem na respectiva matrícula CEI, como a empresa não apresentou as alterações na matrícula CEI, o procedimento foi feito de ofício, passando a constar no cadastro apenas o Lote 07, Blocos “A” e “B” com a sua respectiva área; que tratase da construção de dois Edifícios Residenciais (Blocos “A” e “B” com área total de 8.045,04 m2, conforme Alvará de Construção, que foi considerado como início da obra 29 de março de 19996 (Nota Fiscal de aquisição de concreto usinado vinculada à obra) e quanto ao término da obra a empresa apresentou o Habitese Parcial do Bloco “A”, com área de 6.984,72 m2; que foi verificado a conclusão de 6.984,72 m2 através das Cartas de Habitese parcial (Bloco “A”), logo o enquadramento foi feito pela área total do projeto, submetida à aplicação de redutores, apurandose as contribuições proporcionalmente à área já construída, constantes dos habitese parciais entregues pela empresa, em consonância com o art. 464 da IN SRP n. 03 que o enquadramento da obra foi realizado de acordo com os procedimentos descritos nos arts. 436, 437, 438, 439, 440 e 441 da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Previdenciária (SRP) n. 03, de 14 de julho de 2005. que o Custo Global da Obra foi obtido a partir do enquadramento e mediante a multiplicação do CUB Custo Unitário Básico, correspondente ao tipo de obra, pela sua área total, submetida à aplicação de redutores, conforme previsto no art. 449 da IN SRP n. 03. Ressaltouse que foi utilizada a tabela CUB divulgada pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Distrito Federal, publicadas no mês da apuração do débito, referentes ao CUB obtido para o mês anterior. Fl. 200DF CARF MF Processo nº 14041.000458/200771 Acórdão n.º 2201003.871 S2C2T1 Fl. 201 5 que no cálculo da área construída, que equivale à área total submetida à aplicação de redutores, foi aplicado o redutor (50% áreas cobertas) para área de Subsolo (1.409,10 m2 Bloco “A” e 390,9 m2 Bloco “B”), conforme discriminado no Alvará de Construção; que a Remuneração da MãodeObra (RMT) despendida na obra foi calculada mediante a aplicação dos percentuais definidos no art. 443 da IN SRP n. 03 na proporção do escalonamento por área, sobre o Custo Global da Obra, e somando os resultados obtidos em cada etapa; que foram observadas as determinações contidas no arts. 446 e 447 da IN SRP n. 03, em relação às contribuições recolhidas com vinculação inequívoca à obra, para a conversão da remuneração relativa ao recolhimento em área regularizada; que para a conversão da remuneração em área regularizada foi verificada a existência de NFLD ou LDC, relativos à obra, de valor pago a cooperativa de trabalho, cuja nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviço esteja vinculado inequivocamente à obra, bem como de nota fiscal ou fatura de aquisição de concreto usinado, de massa asfáltica ou de argamassa usinada, utilizados inequivocamente na obra, conforme preconiza o art. 448 da IN SRP n. 03, de 14 de julho de 2005. que os quadros demonstrativos das remunerações consideradas para conversão em área regularizada encontramse anexos ao relatório; que os cálculos da área a regularizar e da área regularizada foram feitos através do sistema informatizado DRO, conforme ARO, em anexo; que como o débito foi apurado por aferição indireta, não ficou constatada a retenção pela empresa da contribuição dos segurados, não se configurando, portanto, o crime de apropriação indébita; DA IMPUGNAÇÃO Cientificada em 29 de junho de 2007, a notificada, em 24 de julhó de 2007, tempestivamente, contestou o lançamento, por meio do instrumento constante às folhas 130 a 133, alegando, em síntese que: . que foram fornecidos ao auditor a tempo e hora, tudo que foi solicitado, de maneira íntegra e decente; que esclarece terem sido emitidos TIADs, sendo que nas correspondentes respostas aos mesmo a empresa alegou a impossibilidade de identificar as solicitações feitas nestas solicitações, deuse não por ato furtivo, muito menos por falta de interesse por parte da empresa, mas simplesmente pelo fato de que os documentos através dos quais, se extrairía o esclarecimento das informações Fl. 201DF CARF MF Processo nº 14041.000458/200771 Acórdão n.º 2201003.871 S2C2T1 Fl. 202 6 solicitadas já estavam de posse da Auditoria, restando assim a impossibilidade real da empresa em atender a demanda requerida; que a fiscalização optou pelo Sistema de Aferição Indireta para realizar o Levantamento dos Diferenciais, sendo que dentro desse próprio levantamento, para tanto, a fiscalização apropriouse de Notas Fiscais, Documentos e Recolhimentos dentro da correspondente competência. Sendo assim, não resta dúvida que, para o cumprimento do Princípio da Justiça, entende ser necessária a aplicação da competência no saldo de contribuições remanescentes, sendo que a forma como foi feito o levantamento penaliza sobremaneira a empresa; que caso não seja devidamente desconsiderada e nula a presente NFLD, solicita que sejam feitos novos cálculos, respeitandose a Competência. Esse cálculo deve y3 apresentar a divisão da Área a Regularizar pelos meses de construção para depois multiplicar se o CUB do mês pela quantidade de metros quadrados; tv que os imóveis construídos foram sob Regime de Cooperativa destinados à rede de funcionários públicos e profissionais liberais, optouse por um acabamento de menor custo, o que caracteriza dentro da tabela SINDUSCON, enquadramento ao nível baixo; que foram efetivamente construídos pela Construtora somente uma área de 6.984,72 m2 correspondente ao Bloco “A” do Alvará de Construção, sendo que o Bloco “B” teve sua área de terreno vendida, portanto a área de 1.060,32 é de responsabilidade do Adquirente do terreno e não da Construtora; por fim requer nulidade e desconsideração total da NFLD, tendo em vista a fragilidade dos trabalhos feitos pela fiscalização, uma vez que existem fatos concretos de que não foram apropriados todos os valores que foram recolhidos e que a sistemática, em si, já fere de morte o princípio constitucional da ampla defesa. A decisão de primeira instância restou ementada nos termos abaixo: OBRA DE RESPONSABILIDADE DE PESSOA JURÍDICA AFERIÇÃO INDIRETA. Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil é obtido mediante cálculo da mãode obra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao interessado o ônus da prova em contrário. Na aferição indireta, para a apuração do valor da mãodeobra empregada na execução de obra de construção civil, em se tratando de edificação, serão utilizadas as tabelas do Custo Unitário Básico Fl. 202DF CARF MF Processo nº 14041.000458/200771 Acórdão n.º 2201003.871 S2C2T1 Fl. 203 7 (CUB), divulgadas mensalmente na Internet ou na imprensa de circulação regular, pelos Sindicatos da Indústria da Construção Civil. Cientificado do inteiro teor da decisão em 30/06/2008 (fl. 157), o sujeito passivo interpôs Recurso Voluntário, tempestivamente, em 29/07/2008 (fls. 227/257), alegando, em síntese, que: 1) Preliminarmente Não ocorreu o fato gerador; A decadência do direito de o Fisco constituir o crédito tributário. 2) No mérito relata o procedimento de aferição indireta efetuado para ao final requerer o provimento do recurso. É o relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Decadência Após a Súmula Vinculante n° 08 do Supremo Tribunal Federal STF, que declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, e a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça no sentido da imprescindibilidade de pagamento parcial do tributo para que seja aplicada a regra decadencial do artigo 150, § 4° do CTN, o CARF sumulou o entendimento acerca do que se entende por pagamento parcial para fins de aplicação da regra decadencial. De acordo com a Súmula nº 99, considerase que houve pagamento parcial ainda quando os recolhimentos efetuados não se refiram à parcela remuneratória objeto do lançamento: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Fl. 203DF CARF MF Processo nº 14041.000458/200771 Acórdão n.º 2201003.871 S2C2T1 Fl. 204 8 De acordo com o Aviso de Regularização da Obra ARO de fls. 52/54 e documentos que servemlhe de fundamento, a obra de construção civil vertente teve início em 29/03/1996 e foi finalizada em 20/08/2002. Todavia, não se constatou recolhimento parcial dentro de uma mesma competência, atraindo a incidência do prazo de contagem estabelecido pelo art. 173, I, do CTN. A ciência do presente lançamento se deu em 29/06/2007 (fl.02). Assim, o período decadente abrange o interstício de 03/1996 a 06/2002, restando hígidas as competências de 12/2001 a 08/2002. Destarte, o recurso voluntário merece parcial provimento, reconhecendose a decadência parcial do crédito tributário, devendo a unidade preparadora proceder à elaboração de novo Aviso para Regularização da Obra ARO, considerando não abrangidas pela decadência apenas as competências de 12/2001 a 08/2002. Preliminarmente Alegação de inexistência do fato gerador Em sede de preliminar, a recorrente alega que inexistiu o fato gerador da contribuição previdenciária. O fato gerador da contribuição previdenciária no caso vertente foi descrito pela autoridade lançadora no relatório fiscal da seguinte forma: Constitui fato gerador do crédito tributário ora lançado, a prestação de serviços remunerados pelos segurados empregado, contribuinte individual e cooperado intermediado por cooperativa de trabalho na execução de obra ou de serviços de construção civil. Em suas razões recursais o sujeito passivo alega de maneira genérica a inocorrência do fato gerador, não explicitando os motivos pelos quais entende que não existiu o fato gerador. Tratase, pois, de uma alegação evasiva desacompanhada de argumentação e meios probatórios. A princípio, cabe verificar se o presente lançamento foi confeccionado em consonância com o art. 142 do CTN, in verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Do dispositivo transcrito verificase que um dos requisitos indispensáveis ao lançamento é a verificação da ocorrência do fato gerador. De fato, se o fisco não se desincumbir do ônus de demonstrar que efetivamente a hipótese de incidência tributária se concretizou no mundo fático, o lançamento é imprestável. Fl. 204DF CARF MF Processo nº 14041.000458/200771 Acórdão n.º 2201003.871 S2C2T1 Fl. 205 9 O lançamento objeto da autuação se refere a crédito de contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a mão de obra utilizada em obra de construção civil de pessoa jurídica, lançado por arbitramento, de acordo com a área construída e ao padrão da obra, com base na tabela regional do CUB Custo Unitário Básico, fornecida pelo Sindicato da Indústria de Construção Civil SINDUSCON. Todavia, não é essa situação que os autos revelam. O relato da auditoria aponta que os fatos geradores das contribuições lançadas foram as pelos segurados empregados, contribuinte individual e cooperado intermediado por cooperativa de trabalho na execução de obra ou de serviços de construção civil. Impende ressaltar que o presente processo versa sobre o não pagamento de contribuições sociais previdenciárias no prazo estipuldado de vencimento. Estamos aqui a tratar de caso de descumprimento da obrigação principal, ou seja, do dever do contribuinte de pagar o tributo devido ao sujeito ativo da relação jurídicotributária. A obrigação tributária possui duas espécies, principal e acessória, sendo a primeira sempre de dar e a segunda podendo ser fazer, não fazer, tolerar algo no interesse público da fiscalização dos tributos, tendo o ente tributante, direito de constituir crédito em desfavor do particular. O art. 113 do Código Tributário Nacional define que “a obrigação tributária é principal ou acessória”, sendo que a principal, conforme seu § 1°, “surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente” e a acessória, conforme § 2°, “decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos”, cabendo ainda uma conversão da acessória em principal, sempre que aquelas versarem sobre penas pecuniárias, no tocante ao § 3°, do art. 113 do mesmo diploma legal. Eis o disciplinamento legal: Código Tributário Nacional Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. No que concerne ao fato gerador da obrigação principal, temos como uma situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Ocorrendo a situação, surge a obrigação recolher aos cofres públicos o tributo devido. De outro lado, o fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que impõe a a prática de ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 14041.000458/200771 Acórdão n.º 2201003.871 S2C2T1 Fl. 206 10 Estabelece o CTN: Art. 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. O Auto de Infração e seus anexos demonstram a contento a situação fática que deu ensejo à exigência fiscal, inclusive os elementos que foram analisados para se identificar a ocorrência dos fatos geradores. As bases de cálculo se encontram bem explicitadas no Relatório de Lançamentos. As alíquotas, por sua vez, podem ser visualizadas sem dificuldades pela leitura do Discriminativo Analíticod o Débito DAD. O Relatório Fundamentos Legais do Débito traz a discriminação, por período, da base legal utilizada para constituição do crédito previdenciário, além de que no próprio corpo do relatório fiscal houve menção aos dispositivos que levaram a auditoria a concluir pela concretização da hipótese de incidência tributária. Assim, não enxergo motivo para que se anule o Auto de Infração sob julgamento, posto que os requisitos formais e a motivação apresentadas foram suficientes para que o sujeito passivo exercesse o seu direito de defesa com amplitude, nem mereça reforma a decisão de primeira instância. Do mérito A recorrente não refuta, em sede recursal, expressamente o crédito tributário, limitandose a fazer um breve relato do lançamento e requerer de modo genérico o provimento do recurso voluntário. Ainda que não haja litígio a ser dirimido, não custa salientar que ultrapassada a questão da decadência parcial, o crédito tributário fora perfeitamente lançado. Desse modo, os procedimentos adotados para o levantamento estão de acordo com a legislação em vigor na data do lançamento, isto é, o artigo 33. §§ 4° e 6° da Lei 8.212/91. art. 234 do RPS aprovado pelo Decreto 3.048/99, "in verbis": § 4° Na falta de prova regular e formalizada pelo sujeito passivo, o montante dos salários pagos pela execução da obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída, de acordo com critérios estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa corresponsável o ônus da prova em contrário. ('Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009). (...) § 6° Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão Fl. 206DF CARF MF Processo nº 14041.000458/200771 Acórdão n.º 2201003.871 S2C2T1 Fl. 207 11 apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. O Decreto n.° 3.048/99 (Regulamento da Previdência Social) determina seu artigo 234 que: “na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos para a execução de obra de construção civil, pode ser obtido mediante o cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão da execução da obra, de acordo com os critérios estabelecidos pelo INSS. cabendo ao proprietário, dono da obra, incorporador, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário” No caso, a fiscalização constatou que a escrituração contábil não espelha a realidade econômicofinanceira da empresa, tendo optado pela desconsideração da contabilidade e o arbitramento das contribuições sociais previdenciárias e para terceiros sobre a obra de construção civil fiscalizada, de acordo com a área construída e o padrão de execução de obra de construção civil, conforme previsto nos parágrafos 3°. 4° e 6° do art. 33 da Lei n.° 8.212/91. Em conclusão, o lançamento referese a crédito de contribuições previdenciárias próprias da recorrente devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a mão de obra utilizada em obra de construção civil de pessoa jurídica, sendo que o uso da aferição indireta, de acordo com o CUB Custo Unitário Básico, ocorreu em virtude de fatos legalmente descumpridos pela recorrente, dentre os quais a inconsistência dos registros contábeis. Destarte, não merece reforma a decisão de primeira instância quanto às competências que não foram abrangidas pela decadência. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, darlhe parcial provimento, reconhecendo a decadência parcial do crédito tributário. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 207DF CARF MF Processo nº 14041.000458/200771 Acórdão n.º 2201003.871 S2C2T1 Fl. 208 12 Fl. 208DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13710.004470/2002-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002
INTIMAÇÃO. MANDATO.
É plenamente válida a intimação pessoal de mandatário da empresa com poderes específicos para o recebimento de intimações e notificações exarados em procedimento administrativo.
PRAZO. TEMPESTIVIDADE.
O prazo para apresentação de Recurso Voluntário é de trinta dias, contados da data de intimação do contribuinte ou seu representante legal.
Numero da decisão: 3402-004.613
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 INTIMAÇÃO. MANDATO. É plenamente válida a intimação pessoal de mandatário da empresa com poderes específicos para o recebimento de intimações e notificações exarados em procedimento administrativo. PRAZO. TEMPESTIVIDADE. O prazo para apresentação de Recurso Voluntário é de trinta dias, contados da data de intimação do contribuinte ou seu representante legal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra.
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MANDATO. É plenamente válida a intimação pessoal de mandatário da empresa com poderes específicos para o recebimento de intimações e notificações exarados em procedimento administrativo. PRAZO. TEMPESTIVIDADE. O prazo para apresentação de Recurso Voluntário é de trinta dias, contados da data de intimação do contribuinte ou seu representante legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 71 0. 00 44 70 /2 00 2- 58 Fl. 344DF CARF MF 2 Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Declaração de Compensação de fl. O1, em formulário, protocolizada em 26/11/2002, por meio da qual se pretendeu a extinção de débito da Matriz, relativo ao IRPJ, PA 10/2002, no valor de RS 3.085.659,71, utilizandose de crédito originário de Ressarcimento de IPI (fl. 02) relativo ao trimestre 3°/2002, apurado pelo CNPJ 34.274.233/026675 (estabelecimento detentor do crédito), filial situada em Duque de CaxiasRJ. A DRF/NOVA IGUAÇU/RJ, por meio do Parecer/Despacho Decisório de fls. 89/91, tomando por base as observações constantes do Relatório Fiscal de fls. 86/87 no sentido de que a maioria dos produtos industrializados pela requerente apresentaria na TIPI a notação NT ou alíquota positiva, concluir que o crédito oferecido na compensação carece dos pressupostos legais de liquidez e certeza e, conseqüentemente, não homologar a compensação declarada. Irresignado, o Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 97/107) alegando: I)adquiriu, com incidência do IPI na entrada, insumos utilizados na industrialização de lubrificantes, produtos imunes à incidência do IPI por força do art. 155, §3°, da CF/88; II) a motivação do indeferimento foi a não tributação dos produtos na saida; III) o pleito tem por fundamento o art. 11 da Lei n° 9.779/99, o art. 4° da IN SRF n° 33/99 e o princípio da nãocumulatividade do IPI; IV) o dispositivo em questão reconheceu 0 direito de crédito pela aquisição de insumos utilizados na industrialização, mesmo que o produtor seja desonerado da obrigação de pagar o imposto relativo ao produto final; V) tanto o art. 4° da IN SRF n° 33/99 quanto o art. 195, §2° do RIPI/2002 reconhecem do direito de aproveitamento do crédito de IPI decorrente da aquisição de insumos aplicados na industrialização de produtos imunes, isentos ou alíquota zero; VI) o Conselho de Contribuintes vem reconhecendo o direito de crédito mesmo que o produto final seja desonerado da obrigação de pagar por força da imunidade, a exemplo do Ac. n° 203 07817; , 0 o direito ao crédito é uma decorrência da não cumulatividade, e continua sendo assegurado a todos os contribuintes do IPI, ainda que as operações subseqüentes sejam imunes, isentas ou alíquota zero; VII) tal entendimento já foi esposado pela própria SRF por intermédio de diversas Soluções de Consulta (DISIT/SRRR/06 n° 83/2003 e 127/2003) e Ac.n° 10185/2005 da DRJ/RPO; . VIII) ADI SRF n° 05/2006, que informa não ser possível o aproveitamento do crédito quando o produto está amparado pela Fl. 345DF CARF MF Processo nº 13710.004470/200258 Acórdão n.º 3402004.613 S3C4T2 Fl. 3 3 imunidade, e' inaplicável, por violaçãoà regra da não cumulatividade instituída pela Constituição da República; IX) diante da flagrante ilegalidade desse ato normativo o SINDICON Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis, do qual e' afiliada, impetrou o MS preventivo coletivo n° 2007.37.00.0310118, tendo sido concedida antecipação de tutela recursal no agravo de instrumento n° 2007.0l.00.049200l/DF suspendendo para as distribuidoras filiadas os efeitos do ADI SRF n° 05/2006; tal agravo ainda não foi definitivamente julgado, de modo que a decisão encontrase em pleno vigor; A DRJ julgou improcedente a Impugnação em acórdão assim ementado: IPI. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. ART. 11 DA LEI N° 9.779/99. PRODUTOS NT. O direito ao crédito do IPI condicionase a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, o que não ocorre quando os mesmos são nãotributados (NT), na forma do parágrafo único, do artigo 2° do RIPI/2002 (Decreto n° 4.544, de 2002). Não estando inscrito na regra beneficiadora (a Lei n° 9.7 79/99) que na saída dos produtos nãotributados (no caso, em razão da imunidade objetiva) podemse aproveitar os créditos de IPI recolhidos na etapa antecessora, não se reconhece o direito do contribuinte, sob pena de ser atribuída eficácia extensiva ao comando legal. I IN SRF n° 33/99. IMUNIDADE. ALCANCE ' A imunidade prevista no art. 4° da Instrução Normativa n° 33/99 regula apenas as saídas de produtos insertos no campo de incidência do IPI que, por estarem destinados à exportação se submetem à imunidade tributária indicada no inciso III, §3°, do a.rt.153 da Constituição Federal, cujo direito de manutenção e utilização do crédito do IP1 relativo às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem efetivamente utilizados na sua industrialização é assegurado pelo art. 5° do DecretoLei n° 491, de 1969. COMPENSAÇÃO. A permissão para a compensação de débitos tributários se dá com créditos líquidos e certos, conforme art. 170 do CTN. Uma vez indeferido o direito creditório indicado pela interessada para compensar o débito objeto da DCOMP em análise, cabe a não homologação da compensação sob exame. Manifestação de Inconformidade Improcedente O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário repisando as razões de sua impugnação, com tópico específico relativo a tempestividade do mesmo. É o relatório, em síntese. Fl. 346DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Inicialmente, devese enfrentar a questão da tempestividade do Recurso Voluntário do Contribuinte. A empresa foi intimada pessoalmente da decisão da DRJ em 08/01/2010, através de sua procuradora Selma Vieira de Melo, conforme termo de ciência de pg.258: Frise que na página seguinte (fl. 259) há procuração específica outorgada pelo então Diretor da Recorrente, o Sr. Nestor Cerveró, em 12/12/2008, com poderes específicos para: Fl. 347DF CARF MF Processo nº 13710.004470/200258 Acórdão n.º 3402004.613 S3C4T2 Fl. 4 5 Como se vê na procuração, no item 3, foram expressamente vedados os poderes para recebimento de citação, notificação e intimação, de modo que, ao subscrever o termo de ciência ela claramente extrapolou dos poderes que lhe foram outorgados. A respeito da extrapolação dos poderes do mandato, prescreve o art. 662 do Código Civil de 2002: Art. 662. Os atos praticados por quem não tenha mandato, ou o tenha sem poderes suficientes, são ineficazes em relação àquele em cujo nome foram praticados, salvo se este os ratificar. Diante disso, a solução óbvia seria reconhecer que tal "ciência" não seria válida em relação à Recorrente. TODAVIA, compulsando os demais documentos do processo, verificamos que a mesma Sra. Selma Vieira teve vista do processo em 09/03/2010, conforme termo de fl. 265, ocasião em que apresentou procuração a ela outorgada em 06/02/2009, vigente à época da intimação inicial da decisão da DRJ, cujo rol dos poderes é o seguinte: Como se vê, a procuração vigente à época da intimação dava poderes específicos para o recebimento de intimações de natureza administrativafiscal, de modo que não é o caso de aplicação do art. 662 do Código Civil, visto que a ciência foi plenamente válida e dentro das balizas do mandato então existente. O argumento trazido no Recurso Voluntário, apresentado em 21/05/2010, do contribuinte foi o seguinte: Todavia, tal argumento muito dista da procedência, visto que por duas oportunidades, uma mandatária da Recorrente, com poderes específicos para o recebimento de Fl. 348DF CARF MF 6 intimações, teve inequívoca ciência do acórdão da DRJ: a) a primeiro com a intimação no dia 08/01/2010; b) a segunda com a vista dos autos no dia 09/03/2010. Desse modo, por flagrante intempestividade, NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 349DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.658698/2012-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
DIREITO DE DEFESA - AVALIAÇÃO CONCRETA
Alegações genéricas de violação do direito de defesa, sem respaldo concreto nas decisões e despachos decisórios atacados, não dão azo à anulação dessas manifestações administrativas. Ainda que o despacho decisório fosse nulo, o reconhecimento da nulidade não ensejaria a homologação da compensação sem a apreciação de mérito.
Numero da decisão: 1401-001.944
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 DIREITO DE DEFESA - AVALIAÇÃO CONCRETA Alegações genéricas de violação do direito de defesa, sem respaldo concreto nas decisões e despachos decisórios atacados, não dão azo à anulação dessas manifestações administrativas. Ainda que o despacho decisório fosse nulo, o reconhecimento da nulidade não ensejaria a homologação da compensação sem a apreciação de mérito.
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 DIREITO DE DEFESA AVALIAÇÃO CONCRETA Alegações genéricas de violação do direito de defesa, sem respaldo concreto nas decisões e despachos decisórios atacados, não dão azo à anulação dessas manifestações administrativas. Ainda que o despacho decisório fosse nulo, o reconhecimento da nulidade não ensejaria a homologação da compensação sem a apreciação de mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 65 86 98 /2 01 2- 94 Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10880.658698/201294 Acórdão n.º 1401001.944 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento que indeferiu manifestação de inconformidade apresentada contra despacho não homologatório de compensação declarada. No referido recurso, o contribuinte alega que a decisão recorrida: 1) não considerou os princípios constitucionais da motivação e da ampla defesa, o que impediu o particular de apresentar defesa e de demonstrar a existência do crédito; 2) o princípio da motivação foi violado, uma vez que a autoridade indeferiu a homologação da compensação sob o fundamento de inexistência do crédito, sem qualquer outro esclarecimento, enquanto a decisão de primeiro grau aduziu que havia fundamentação fazendo menção genérica a artigos genéricos da legislação tributária; 3) essas decisões impediram a recorrente de apresentar uma defesa concreta. Com base nesses fundamentos, o recorrente pede a nulidade do despacho decisório e a homologação da compensação. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401001.937, de 22.06.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10880.658691/201272. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401001.937): Evidentemente, os princípios constitucionais concretizadores do devido processo legal, como a fundamentação dos atos e decisões, a ampla defesa e o contraditório, devem ser atendidos também nos processos administrativos. Os particulares devem ser capazes de identificar as razões que motivaram as prescrições veiculadas nas manifestações das autoridades administrativas que se refiram a seus direitos. Nesse sentido, diferentemente do alegado pela recorrente, tanto o despacho decisório, quanto à decisão de primeira instância ofereceram com especificidade os elementos aptos ao particular Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10880.658698/201294 Acórdão n.º 1401001.944 S1C4T1 Fl. 4 3 identificar com precisão as razões concretas para não ter a compensação homologada. Em primeiro lugar, a Delegacia de Julgamento não fundamenta a sua decisão com base em menção genérica a dispositivos legais. Pelo contrário, sua análise é fática e específica. A decisão recorrida aponta de forma minuciosa as razões de fato que ensejaram o despacho decisório denegatório da homologação, as quais, com efeito, constam do referido despacho. Para haver compensação, é necessário o reconhecimento do indébito tributário, o qual, uma vez indeferido, corresponde ao próprio fundamento da não homologação. Claro que o indeferimento do crédito ao qual o contribuinte considera fazer jus também deve ser motivado, mas foi e em quadro próprio que compõe o despacho decisório atacado. O despacho decisório são se restringiu, diferentemente do alegado pelo recorrente, a apontar genericamente a inexistência do indébito. Em quadro próprio, apresenta as razões fáticas para o não reconhecimento do crédito alegado. Já a Delegacia de Julgamento discorre com minúcias acerca dessas razões fáticas. Reiteramos: sua decisão acerca da motivação do despacho decisório não se restringiu a alegações genéricas calcadas em dispositivos da legislação tributário, como indevidamente o recorrente afirma em sua peça recursal. Tal estratégia é que pode ser imputada ao contribuinte, pois, ao revés de buscar demonstrar concretamente o seu direito creditório, apegase exclusivamente, tanto na manifestação de inconformidade, quanto no recurso voluntário, na tentativa de anular os atos decisórios administrativos e na esperança de que uma decisão desse jaez tivesse também a consequência de homologar as compensações declaradas. Claro que nem um, nem o outro pedido pode ser deferido. Não podemos deixar de consignar que cabe ao particular comprovar o seu direito de crédito contra o Fisco, o que poderia ter sido realizado, em face do princípio da eventualidade, até em sede recursal. Afinal, a nulidade da despacho decisório, diferentemente do pretendido pelo recorrente, não pode ter por efeitos imediatos o reconhecimento do indébito tributário. A consequência natural é a necessidade de refazer os atos nulos, o que pode ser superada com o provimento de mérito a favor do particular, nos termos do art. 59, § 3º, do Decreto nº 70.235/72: § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Nada obstante, o contribuinte postouse numa cômoda, mas absolutamente indevida, condição de tecer alegações genéricas Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10880.658698/201294 Acórdão n.º 1401001.944 S1C4T1 Fl. 5 4 contra o despacho decisório sem envidar qualquer esforço concreto para demonstrar, no mérito, o seu direito de crédito contra o Fazenda Pública. É importante reiterar. Ainda que considerássemos nulo o despacho decisório e, conseguintemente, a decisão da Delegacia de Julgamento, tal nulidade não acarretaria o reconhecimento de indébito tributário e, conseguintemente, a homologação da compensação pretendida. Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 60DF CARF MF
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