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Numero do processo: 13907.000134/2002-39
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jun 12 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Thu Jun 12 00:00:00 UTC 2003
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - REPETIÇÃO DE INDÉBITO - DECADÊNCIA - DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO - OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. O termo inicial de contagem do prazo de decadência para solicitação de restituição/compensação de valores pagos a maior não coincide com o dos pagamentos realizados quando o indébito exsurge de situação jurídica conflituosa, mas com a publicação da decisão do Supremo Tribunal Federal que, em sede de ADIN, declarou inconstitucional, no todo ou em parte, a norma legal instituidora ou modificadora do tributo. Em observância ao duplo grau de jurisdição, deve o processo ser anulado desde a decisão de primeira instância, a fim de que o mérito da questão seja objeto de apreciação pela autoridade de primeiro grau. Processo ao qual se anula a partir da decisão recorrida, inclusive.
Numero da decisão: 202-14.914
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselbo de
Contribuintes, por unanimidade de votos, em anular o processo a partir da decisão de primeira instância, inclusive.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: Gustavo Kelly Alencar
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LTDA. DRJ em Curitiba - PR ~"J}i~'.,ldt ~~,!'f.,'•••i UH j rtl .•LI'dUH Segundo Conselho de Contribuintes Publicado no Diário OfiSiaída União _De_:JO_._/ _1__/_Ú'Jo_. _1-_ ~ld PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL REPETIÇÃO DE INDÉBITO - DECADÊNCIA - DUPLO GRAU DE mRISmçÃo - OBSERVÂNCIA OBRIGA- TÓRIA O termo inicial de contagem do prazo de decadência para solicitação de restituição/compensação de valores pagos a maior não coincide com o dos pagamentos realizados quando o indébito exsurge de situação jurídica conflituosa, mas com a publicação da decisão do Supremo Tribunal Federal que, em sede de ADIN, declarou inconstitucional, no todo ou em parte, a norma legal instituidora ou modificadora do tributo. Em observância ao duplo grau de jurisdição, deve o processo ser anulado desde a decisão de primeira instância, a fim de que o mérito da questão seja objeto de apreciação pela autoridade de primeiro grau. Processo ao qual se anula a partir da decisão recorrida, inclusive. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: FUGANTI CIA. LIDA. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselbo de Contribuintes, por unanimidade de votos, em anular o processo a partir da decisão de primeira instância, inclusive. Esteve presente ao julgamento o Dr. Dapllnis Lelex Pacheco Júnior, advogado da recorrente. Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselbeiros Antônio Carlos Bueno Ribeiro, Eduardo da Rocha Schmidt, Ana Neyle Olimpio Holanda, Rairnar da Silva Aguiar, Nayra Bastos Manatta e Dalton César Cordeiro de Miranda. Eaal/opr 1 Processo nQ Recurso nQ Acórdão nQ Recorrente Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13907.000134/2002-39 122.575 202-14.914 FUGANTI elA. LTDA. RELATÓRIO I "=~FI. Apresentou o Recorrente em 17/04/2002 pedido administrativo de restituição de valores relativos à Contribuição para o PIS, referente ao período de 10/95 a 02/96. Seu pedido decorre da Instrução Normativa SRF 06/2000. Alega o Contribuinte que a contribuição para o PIS não possui fato gerador neste período, razão pela qual devem ser restituidos os valores recolhidos a este título. Encaminhado seu pedido à Delegacia da Receita Federal em Londrina/PR, restou o mesmo indeferido sob o fundamento de que o Interessado teria perdido o direito de pleitear a restituição, pelo decurso do prazo de cinco anos contados da data de extinção dos créditos tributários. A fundamentação legal para a decisão é o Código Tributário Nacional, artigos 165, I; 168, I e 156, e o Ato Declaratório SRF nO96/99. Inconforrnado, apresenta o Contribuinte a impugnação de fls.37/49, onde discorre acerca do direito à compensação, de prazos decadenciais e prescricionais. Os autos são então remetidos à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR, onde é prolatada decisão que indefere seu pleito, face ao decurso do prazo para tal. Por tal, recorre o Contribuinte a este Egrégio Conselho. É o relatÓrio., I( 2 -.- Processo 02 Recurso 02 Acórdão 02 Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13907.000134/2002-39 122.575 202-14.914 I "=w IFI. VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR GUSTAVO KELLY ALENCAR Verifico, ab initio, que o presente recurso é tempestivo e trata de matéria de competência deste Egrégio Conselho. Logo, do mesmo conheço. Do exame dos autos, constata-se que a questão do litígio versa sobre pedido de restituição e/ou compensação da Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS referente ao período compreendido entre 10 de outubro/l 995 e 25 de novembro de 1998, e a baixa dos débitos originários do não recolhimento da contribuição nesse período. Para justificar sua pretensão a Reclamante argumenta que, com a declaração de inconstitucionalidade dos Decretos-Leis nOs2.445/88 e 2.449/88, editou-se a MP nO 1.212195 _ sucessivamente reeditada e, finalmente, convertida na Lei nO 9.715/98 - com o intuito de normatizar o PIS. Entretanto, o Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucional o dispositivo (art. 18 da Lei 9.715/1996 e art. 17 das medidas provisórias convertidas nessa lei) que determinava a aplicação retroativa das normas insertas na Medida Pro,~sória 1.212/1995 e suas reedições (que culminaram na Lei n° 9.715/1 998) aos fatos geradores ocorridos a partir de 01/10/1995. Com isso, no entender da Reclamante, teriam deixado de existir fatos geradores de PIS no período compreendido entre OI de outubro de 1995 e OI de novembro de 1998. De outro lado, o Fisco indeferiu o pleito da Interessada, sob o argumento de que parte dos créditos pretendidos pela Interessada já se encontrava alcançada pela decadência, em ra;r.ão de haver transcorrido o prazo de 05 anos entre a eJl.1inção do crédito tributário pelo pagamento e a interposição do pedido de restituição, e no tocante à parte remanescente, não estaria comprovado o pagamento indevido da contribuição. O presente caso, em face do direito de pleitear a restituição, se enquadra dentre aqueles em que o indébito resta eJl.1eriori7.ado por situação jurídica conflituosa segundo a terminologia adotada no Acórdão n.o 108-05.791, da lavra do ilustre Conselheiro José Antonio Minate1, cujas razões de decidir, neste particular, aqui adoto e abaixo reproduzo: "Voltando, agora, para o tema acerca do prazo de decadência para pleitear a restituição ou compensação de valores indevidamente pagos. à falta de disciplina em normas tributárias federais de escalão inferior, tenho como norte o comando-inser.to-no-arJ..J68_do Código Tributário Nacional, ----------que pr.evê.expressamente:_ ". o _ -------- 'Art, 168 - O_dir.eito...de-p-kitear a restitui -() extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, confã<los: .. I - nas hipóteses dos incisos I e 11 do art. 165, da data da extinção do crédito tributário. 11 - na hipótese do inciso III do art. 165, da data em que se -tomar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado aj> li 3 ---. Processo n' Recurso n' Acórdão n' Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13907.000134/2002-39 122.575 202-14.914 ~ ~ decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória' Veja-se que oprazo é sempre de 5 (cinco) anos, sendo certo que a distinção sobre o inicio da sua contagem está assentada nas diferentes situações que possam exteriorizar o indébito tributário, situações estas elencadas, com caráter exemplificativo e didático, pelos incisos do referido art. 165 do CTN, nos seguintes termos: 'Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no paràgrafo 4' do art. 162, nos seguintes casos: 1 - cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributària aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II - erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III - reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. ' o direito de repetir independe dessa enumeração das diferentes situações que exteriorizam o indébito tributário, uma vez que é irrelevante que opagamento a maior tenha ocorrido por erro de interpretação da legislação ou por erro na elaboração do documento, posto que qualquer valor pago além do efetivamente del'ido será sempre indevido, na linha do principio consagrado em direito que determina que 'todo aquele que recebeu Õ que lhe não cia devido nea 6bFi~-r~i~', conforme previsão expressa contida no art. 964 do Código Civil. Longe de tipificar numerus c1ausus, resta a jUnção meramente didática para as hipóteses ali enumeradas, sendo certo que os -lnclsosleIl7:iDmencionado-artigo-16~-de-G-m-v()ltam-se-mais --- ~-- .. ---- --- -~pllra-as-constatações de-erroscensumados-em situação fática_. _ 'LãoJjtigj a tanto ue a eridos unilateralmente pela iniciativa do sujeito passivo, enquanto que o mclsv-tii'1ratm e-In el que vem à tona por deliberação de autoridade incumbida de dirimir situação jurídica conflituosa, dai referir-se a 'reforma, anulaçãOjOgação ou rescisão de decisão condenatÓria'.) 4 a Ministério da Fazenda •. Segundo Conselho de Contribuintes Processo n" 13907.000134/2002-39 Recurso n" 122.575 Acórdão n" 202-14.914 I '=w iFI. Na primeira hipótese (incisos I e 11) estão contemplados os pagamentos havidos por erro, quer seja ele de fato ou de direito, em que o juízo do índébito opera-se unilateralmente no estreita círculo. da própria sujeita passiva, sem a participação. de qualquer terceira, seja a administração. tributária au a Poder Judiciária, daí a pertinência da regra que fim a prazo. para descanstituir a indevida incidência já a partir da data da efetiva pagamento., au da 'data da eJ>1inçãodo crédito tributário', para usar a linguagem do art, 168, I, do própria CTN Assim, quando. a indébita é exteriarizada em situação fática não. Iitigiasa, parece adequada que a prazo. para exercício. da direito à restituição. au campensaçãa passa fluir imediatamente, pela inexistência de qualquer óbice au candiçãa abstatíva da pastulação pela sujeita passiva, O mesma não. se pade dizer quando. a indébita é exteriarizada no cantexta da solução juritlica collflitllosa, uma vez que a direita de repetir a vaiar indevidamente paga só nasce para a sujeita passiva cam a decisão. definitiva daquele ca1lflita, sendo certa que ninguém paderá estar perdendo direita que não.possa exercitá-la, Aqui, está coerente a regra que fim a prazo. de decadência para pleitear a restituição. au compensação. só a partir 'da data em que se tornar definitiva a decisão' administrativa, ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória' (art, 168, lI, da CTN), Pela estreita similitude, a mesma tratamento. deve ser dispensada aas casas de saluções jurídicas ardenadas cam eficácia erga omnes, cama acantece na hipótese de edição. de resalução da Senado. Federal para expurgar do sistema narma declarada incanstitucional, au na situação. em que é editada Medida Pravisória 011 mesma ata admillistratil'O para recanhecer a impertinência da emção tributária anterIOrmente eXlgloa, Esse parece ser, a meujuíza, a única critério.lógica que permite harmanizar as diferentes regras de cantagem de prazo.previstas na Estatuto Camplementar (CTN), Nessa mesma linha também 1 .J.)~'á~Se~p;r~a~n~un;c~l~'a~u..;aSuprema Carte, na julgamento. da RE ,o _______________ ,__ 141,331-0 em que!ôi relatar a MiifistfOFn:tnr:isr:a-Resek.-em---- -jülgadó assim ementado:" ,-- -- ---- r==:===,,======~=============:l'I JJ'rc,ercc:JãilaTl'ãaoa~aã--=iai=-;iin'j(c~o,iiilniSsnltltü1!-iR,lTl1Idiirld3i3idd1e=e=cd!lJaslS-=tI~lOl)llnU:lltaS=:::ilmlSlSltittlidorll&,e'Ie:::=== depósito compulsório incidente na aquisição de automóveis (RE 12U36), surge para o contribuinte o direito à repetição do indébito, independentemente do exercício financeiro em que se deu o pagamento indevido" (Apud OSWALDO OTHON DEP1ES SARAIVA FILHO - rn '"",,,"ção do rn"Mo ;; . Processo n2 Recurso n2 Acórdão n2 Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13907.000134/2002-39 122.575 202-14.914 ~ ~ Compensação no Direito Tributário" - pág. 290 - Editora Dialética - 1.999)''' O caso presente trata justamente de repetição de indébito exsurgido de situação jurídica conflituosa onde o Supremo Tribunal Federal, em Sede de Ação Direta de Inconstitucionalidade, retirou do mundo jurídico o dispositivo inserto no art. 18 da Lei n° 9.715/1998 (art. 17 das medidas provisórias que resultaram na conversão dessa lei) que determinava a aplicação retroativa da Medida Provisória 1.212/1995, de suas reedições e da Lei nO9.715/1996 aos fatos geradores do PIS ocorridos a partir de l° de outubro de 1995. O resultado do julgamento dessa ADIN foi publicado no Diário da Justiça (edição e"ira) que circulou em 16/08/1999. Desta feita, o termo inicial do prazo extintivo do direito de repetir o indébito, objeto do presente processo, começou a fluir nessa data (16/08/1999) e completar- se-á em 16/08/2004. Assim, é de se afastar a prejudicial de decadência suscitada na decisão recorrida. Outrossim, verifica-se que a DRJ absteve-se de apreciar o mérito da presente questão, razão pela qual voto no sentido de anular o processo a partir da decisão de primeira instância, inclusive, a fim de que outra seja prolatada, desta vez superando a decadência e apreciando o mérito, em observância ao duplo grau de jurisdição. É como voto. Sala das Sessões, em 12 de junho de 2003 ------_. --- 6 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006
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Numero do processo: 10384.002721/95-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 13 00:00:00 UTC 1999
Data da publicação: Tue Apr 13 00:00:00 UTC 1999
Numero da decisão: 106-01.039
Decisão: RESOLVEM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Dimas Rodrigues de Oliveira
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Recurso nO, Matéria Recorrente Recorrida Sessão de 10384,002721/95-11 116.554 IRPJ e OUTROS - Exs.: 1991 a 1994 T, M, LEAL (FIRMA INDIVIDUAL) DRJ em FORTALEZA - CE 13 DE ABRIL DE 1999 R E S O L U ç Ã O N" 106-01.039 • • • Vistos, rela~ados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por T. M, LEAL (FIRMA INDIVIDUAL). RESOLVEM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. R~~E OLIVEIRA e RELATOR FORMALIZADO EM: 2 8 ABR 1999 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: LUIZ FERNANDO OLIVEIRA DE MORAES, SUELI EFIGÊNIA MENDES DE BRITTO, ROSANI ROMANO ROSA DE JESUS CARDOZO, THAíSA JANSEN PEREIRA, ROMEU BUENO DE CAMARGO, RIBARDO BAPTISTA CARNEIRO LEÃO e WILFRIDO AUGUSTO MARQUES . ccs • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo nO. Resolução nO. Recorrente nO. Recorrente 10384.002721/95-11 106-01.039 116.554 T. M. LEAL (FIRMA INDIVIDUAL) RELATÓRIO • T. M. LEAL (FIRMA INDIVIDUAL), pessoa jurídica nos autos em epígrafe qualificada, mediante recurso de fls. 1406 a 1425, protocolado em 30/12/97, se insurge contra a decisão de primeira instância de fls. 1378 a 1400, de que foi cientificada em 02/12/97. 2. Contra a contribuinte foram lavrados os Autos de Infração de fls. 03, 29, 42, 49, 57 e 77, para a formalização das exigências relativas a, respectivamente, imposto de renda da pessoa jurídica, PIS - Receita Operacional, FINSOCIAUFATURAMENTO, Contribuição para a Seguridade Social, Imposto de Renda Retido na Fonte sobre o Lucro Líquido e Contribuição Social, referentes aos exercícios de 1991 e 1992 e anos-calendário de 1992 e 1993. 3." Em ação fiscal levada a efeito no estabelecimento da autuada, o Fisco - acusou ter a pessoa jurídica incorrido nas seguintes irregularidades: 1 - OMISSÃO DE RECEITAS caracterizada por: falta de contabilização de operações de compra de mercadorias, matérias primas e outros insumos; - suprimento de numerário sem a comprovação da origem e da efetiva entrega à pessoa jurídica; • 2 • Processo nO. Resolução nO. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 10384.002721/95-11 106-01.039 2 _ DESPESAS OPERACIONAIS NÃO NECESSÁRIAS _ gastos com viagens _ gastos com produtos alimentícios 3 _ BENS DE NATUREZA PERMANENTE DEDUZIDOS COMO DESPESA 4 - PAGAMENTOS SEM CAUSA 5 - DESPESAS NÃO COMPROVADAS 6 _ CORREÇÃO MONETÁRIA DE BENS DE NATUREZA PERMANENTE DEDUZIDOS INDEVIDAMENTE COMO DESPESAS 7 _ MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DAS DECLARAÇÕES DE RENDIMENTOS DOS EXERCi CIOS DE 1991, 1992 e 1993 • 4. Por não se conformar com a exigência, a Contribuinte, em 28/09/95 ingressou com a impugnação de fls. 234 a 255, aduzindo como suas razões de defesa, em síntese, o seguinte: a) que os bens correspondentes às operações não contabilizadas se referem a livros consumíveis destinados aos alunos da escola, aproveitáveis apenas em um ano letivo e que, nessas condições e considerado o valor unitário inferior a Cr$ 310,00 não poderiam ser contabilizados como bens de natureza permanente; rJ " • 3 õ1/ • • Processo nO. Resolução n°. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 10384.002721/95-11 106-01.039 b) que a falta de contabilização das operações de compra (despesa) não trouxe prejuízos ao Fisco, pois caso realizada, implicaria em redução ou postergação do pagamento do imposto de renda; c) que a acusação de omissão de receita pela falta de contabilização de operações de compra é calcada na presunção de que os correspondentes pagamentos foram feitos com recursos também mantidos à margem da escrituração, detalhe que não restou demonstrado pela Fiscalização, que não inquiriu a empresa sobre a origem dos recursos empregados nas operações. Em abono da tese que defende, transcreve vários julgados do Primeiro Conselho de Contribuintes; d) que os empréstimos contraidos pela impugnante, considerados pelo Fisco como suprimentos de numerário, conforme atestam contratos de mútuo, notas promissórias, demonstrativos e extratos bancários anexados às fls. 279/286 e 289/291, têm como mutuante o Sr. Carlos Alberto Leal, que, em relação à impugnante, não se qualifica como administrador, sócio de sociedade não anônima, titular de firma individual ou acionista de sociedade anônima, condições exigidas pelo artigo 181 do RIR/80 para caracterização da presunção de omissão de receitas, fazendo transcrever às fls. 252, ementas de acórdãos expondo entendimentos nesse sentido; e) que as despesas com viagens atendem aos requisitos de normalidade e necessidade, posto que realizadas com propósitos de aprimoramento técnico-pedagógico da titular da empresa e de seus funcionários. Como prova dessa assertiva fez anexar às fls. 108, declaração expedida pelo Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado do Piauí, atestando • 4 I • • • Processo nO. Resolução nO. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 10384.002721/95-11 106-01.039 a participação da titular e de funcionário da pessoa jurídica em evento que guarda correlação com a sua atividade objeto, aduzindo que a jurisprudência do Conselho de Contribuintes, bem assim, o Parecer Normativo n° 84/75, tratam tais despesas como dedutíveis; f) que as despesas com gêneros alimentícios são justificadas e necessárias pois as aquisições se destinaram a fornecimento de lanche gratuito a funcionários, conforme atesta declaração de fls. 109/113, firmada pelos beneficiários, em conformidade com o que dispõe o artigo 249 do RIRI80, que prevê a dedutibilidade das despesas com alimentação do trabalhador; g) que os bens considerados de natureza permanente pelo Fisco, bem assim os correspondentes serviços, na realidade se destinaram a conservação de instalações, de bens móveis e de utensílios do educandário (comprovantes de fls. 137 a 149), ou se referem a material didático e de expediente, necessários às atividades da fonte produtora da renda, possuem valor unitário inferior a 394.13 UFIR e prazo de vida útil que não ultrapassa a um ano, o que, nos termos do artigo 193 do RIR/80, autoriza sua dedução como despesa. Expõe ainda, que a fiscalização não comprovou que os gastos realizados com conservação e manutenção de bens e instalações resultaram em aumento de vida útil do bem onde foram empregados; h) que a glosa da despesa sob o argumento de pagamento sem causa não pode prosperar, posto que se refere a despesa necessária à atividade da autuada e à manutenção da fonte produtora. Trata-se de pagamento por serviços prestados na elaboração de projeto de arquitetura de um 5 • • • Processo nO. Resolução nO. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 10384.002721/95-11 106-01.039 "Parque de Lazer e Cultura", a ser localizado no bairro Poty Velho - Teresina - PI, em terreno que entende ser de propriedade da titular da pessoa jurídica, face à sua condição de casada sob o regime de comunhão universal de bens com a pessoa do Sr. CARLOS ALBERTO LEAL (certidão de fls. 1.361), em nome de quem é registrado o imóvel; i) que quanto às despesas não comprovadas por documentação hábil, consideradas nos resultados dos exercícios, registra que possui toda a documentação correspondente e que a está anexando desta feita (fls. 301 a 1.360), asseverando que os respectivos gastos atendem aos requisitos de dedutibilidade previstos em lei. Observa que o enquadramento legal adotado pelos autuantes apresenta o equívoco de indicar parágrafo único no artigo 197 do RIR/80, bem assim, que os artigos 242, 243 e 247 do mesmo Regulamento não tratam da matéria em foco, o que caracteriza erro de enquadramento legal, suscitando a nulidade do lançamento neste particular. Aduz ainda, que, em não tendo a fiscalização contestado a razoabilidade, necessidade e o efetivo pagamento é de se admitir como comprovantes válidos de despesas as notas simplificadas; j) no que concerne à exigência de correção monetária credora incidente sobre os bens deduzidos como despesa e que o Fisco considerou como permanentes e, portanto, ativáveis, uma vez demonstrado e provado que os mesmos podem ser considerados como despesa, na forma defendida pela autuada, não há falar em atualização monetária desses bens. No sentido da tese que defende, traz a lume manifestações deste Conselho em julgados que menciona; 6 • Processo nO. Resolução nO. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 10384.002721/95-11 106-01.039 k) quanto às multas por atraso na entrega de declarações de rendimentos, se insurge contra a sua exigência afirmando que tais documentos foram entregues tempestivamente, conforme atestam os documentos de fls. 256 a 258. • • 5. Após analisar as razões expostas pela impugnante, decidiu o julgador singular pelo deferimento parcial do seu pleito impugnatório, considerando o lançamento procedente em parte, para excluir as exigências relacionadas com as DESPESAS NÃO COMPROVADAS e com as MULTAS POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇOES DE RENDIMENTOS. Eis a seguir, resumidamente, as razões que conduziram aquela autoridade a tal conclusão: a) MERCADORIAS, MATÉRIAS-PRIMAS E OUTROS INSUMOS NÃO CONTABILlZADOS - Os pagamentos não contabilizados,. quando o contribuinte não logra provar que os correspondentes recursos tiveram origem em valores contabilizados, permitem a ilação no sentido de que derivam da manutenção de CAIXA paralelo na pessoa jurídica, o que caracteriza omissão de receitas. Irrelevante a alegação de que os correspondentes bens adquiridos têm valor unitário inferior a Cr$ 310,00 e vida útil que não ultrapassa um ano (art. 193 do RIR/80); b) SUPRIMENTOS DE NUMERÁRIOS - entendeu o julgador monocrático que não restou comprovado com documentação hábil e idônea a efetiva entrada dos recursos emprestados no caixa da empresa, bem assim, a origem dos mesmos, já que toda a documentação apresentada com esse propósito envolvia a pessoa do mutuante, o Sr. CARLOS ALBERTO LEAL, casado com a titular da pessoa jurídica desde 28/07170, sob o regime de comunhão universal de bens. Aquela autoridade desenvolveu • 7 / ~ • • • Processo nO. Resolução nO. MINISTÉRIODA FAZENDA PRIMEIROCONSELHO DE CONTRIBUINTES 10384.002721/95-11 106-01.039 seu raciocínio a partir da premissa de que, a teor do que dispõe o artigo 271 do Código Civil, mesmo no regime de comunhão parcial se comunicam "os bens adquiridos na constância do casamento por título oneroso, ainda que só em nome de um dos cônjuges" (grifo do original). Considerando que conforme declaração de fls. 287, a pessoa jurídica foi constituída em 20.05.74, portanto após o casamento, o patrimônio da firma individual é comum ao casal. b.1)Cita e transcreve a favor dos argumentos alinhavados, o Acórdão n° 103-7.324/86, onde é manifestado o entendimento de que "constitui omissão de receita a falta de comprovação da efetiva entrega do recurso à empresa em caso de empréstimos feitos por sócios ou por pessoas a eles ligadas", b.2)que a autuada não comprovou, com documentação hábil e idônea a efetiva entrada do numerário no caixa da pessoa jurídica, bem assim, sua origem, sendo insuficiente para esse fim, a juntada contrato de mútuo notas promissórias, demonstrativos de empréstimos e extratos bancários, por se tratar de documentos emitidos e firmados pelos próprios interessados; c) DESPESAS OPERACIONAIS DESNECESSÁRIAS - No que concerne às despesas com viagens da titular da pessoa jurídica e de seu funcionário, assinala que o comprovante (Declaração expedida pelo Sindicato das Escolas Particulares do Piauí) é imprestável para o fim a que se destina, já que se refere a evento realizado no ano de 1995, enquanto que os períodos alcançados pela ação fiscal foram 1990 a 1993; • 8 • • Processo nO. Resolução nO. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 10384.002721/95-11 106-01.039 c) GASTOS COM PRODUTOS ALIMENTíCIOS - A justificativa apresentada para tais gastos, consistente em declaração (fls. 109 a 113), firmada por grupo de funcionários beneficiários de merendas escolares fornecidas sem ônus não é suficiente a autorizar a dedução da despesa. O fato de a pessoa jurídica fornecer refeições, regular e gratuitamente, a um grupo de funcionários, considerando que o benefício não alcança todos os seus empregados e que a vantagem não consta dos respectivos contratos de trabalho, não autoriza a dedução das correspondentes despesas a título de alimentação do trabalhador. Como tal, haveria que ser observadas as prescrições do artigo 191 do RIRI80, que trata do conceito de despesa operacional, define quais as despesas são necessárias e quais são admitidas como dedutíveis; d) BENS DE NATUREZA PERMANENTE DEDUZIDOS COMO DESPESA d.1) LIVROS - Não procedem os argumentos postos no sentido de que os livros adquiridos em um ano são substituídos por outros no ano letivo seguinte, sendo consumíveis e, por conseguinte, não têm vida útil superior a um ano, visto que há nos autos às fls. 105/107, declarações dando conta de que tal material didático, exemplificando com a aquisição de dicionários, é destinado à biblioteca do educandário para consulta do corpo discente, circunstância que atesta a sua utilização por mais de um ano; d.1.1) Também não merece guarida a argüição de que tais livros são de valor inferior ao previsto na legislação do imposto de renda, posto que para esse fim devem ser tomados os preços de conjunto das obras 9 • • • Processo nO. Resolução nO. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 10384.002721/95-11 106-01.039 adquiridas, se louvando em ementa espelhada pelo Acórdão n° 101- 77.955/88; d.2) - CONSERVAÇÃO DE INSTALAÇÚES - A impugnante trata genericamente a questão alegando que a fiscalização teria que provar que a manutenção, conservação e reparos dos bens imóveis proporcionaram aumento de vida útil superior a um ano. Face a essa generalização adota como exemplo a Nota Fiscal de n° 22467, série "B", fls. 209, cujo material ali descrito permite concluir com facilidade que se trata de hipótese de imobilização face ao aumento de vida útil do imóvel por prazo superior a um ano. O mesmo raciocínio se aplica em relação às Notas Fiscais de fls. 137 e 139 (93 m2) de piso antiderrapante), 138 (dez sacos de cimento) 141 (125 m de tábua muiracatiara) 142 e 149 (cilindros fotoreceptores) e 147 (cortinas e bandô). Para respaldar suas conclusões, traz a lume o entendimento exposto no Acórdão n° 101- 74.012/83, cuja ementa está transcrita às fls. 1393; e) PAGAMETNOS SEM CAUSA - Afronta o princípio da entidade a realização de gastos pela pessoa jurídica tendo por objeto benfeitorias imobiliárias em imóvel (terreno) de terceiros, ainda que tal terreno seja de propriedade do cônjuge da titular da empresa. Assim, a contratação da empresa EL COBIJO ARQUITETURA E DESIGNpara elaboração do projeto de arquitetura denominado "PROJETO PARQUE DE LAZER E CULTURA" a ser implantado no sobredito imóvel, não satisfaz aos requisitos de necessidade e normalidade previstos para o tipo de desembolso. Assim, tais gastos são mera liberalidade da pessoa jurídica, indedutíveis portanto, como despesa operacional; 10 • • • Processo nO. Resolução nO. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 10384.002721/95-11 106-01.039 f) DESPESAS NÃO COMPROVADAS - Preliminarmente, deixa consignado que não procedem os argumentos no sentido da nulidade da exigência em face de erro no enquadramento legal, posto que correta a indicação da base legal. Não prejudica o direito de defesa da impugnante o fato de serem indicados dispositivos do RIR/94, que conservam integralmente a redação do RIR/80. No mérito assiste razão à autuada visto que os documentos acostados aos autos pela defesa - notas fiscais de venda a consumidor, série "D" , com descrição das mercadorias adquiridas (e não notas fiscais simplificadas ou cupons de caixa registradora), possibilitando portanto "a verificação dos requisitos de necessidade e normalidade de que a lei exige para autorizar sua dedução ( do dispêndio) do lucro sujeito ao pagamento do imposto de renda". g) CORREÇÃO MONETÁRIA DE BENS DE NATUREZA PERMANENTE INDEVIDAMENTEDEDUZIDOS COMO DESPESA g.1) mantido o lançamento relacionado com os bens de natureza permanente deduzidos indevidamente como despesa e, considerando que a correção monetária em apreço tem relação direta com essa parte do lançamento, é de ser mantida também, esta parte da exigência; g.2) quanto à jurisprudência carreada aos autos pela impugnante, aduz que "a jurisprudência administrativa não constitui fonte do direito tributário vinculante para a autoridade julgadora de primeira instância" e, ainda, que em sentido contrário existe outro grande número de julgados, citando alguns às fls. 1396; 11 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES• Processo nO. Resolução nO. 10384.002721/95-11 106-01.039 g.3) registra ainda, "que a correção monetária foi exigida tão-somente no próprio período de ativação, evitando-se o efeito 'cascata' nos períodos subsequentes, pelo surgimento da chamada 'reserva oculta'." h) MULTAS POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÕES DE RENDIMENTOS - A luz dos comprovantes da entrega tempestiva de tais documentos (cópias de Recibos de Entrega de fls. 256 a 258), é de se exonerar a impugnante do valor da multa imposta a esse título. • 6. No Recurso, que veio acompanhado da prova de realização do depósito recursal de 30% (trinta por cento) de que trata o artigo 33, do Decreto n° 70.235/72, com a redação introduzida pela Medida Provisória número 1.621-30, de 12/12/97 (fls. 1405), a recorrente reitera os argumentos expendidos na fase impugnatória e expõe suas razões de irresignação em relação ao decidido em primeira instância, em síntese, nos seguintes termos: a) que em relação ao item "Omissão de Receitas Caracterizada por Compras de Mercadorias não Contabilizadas", assevera a recorrente que não houve falta de contabilização das correspondentes notas fiscais, pelo • que fez anexar aos autos junto com o Recurso, cópias das folhas número 21v e 22, do Diário número 02, aonde consta a escrituração de tais documentos, esclarecendo que não foi intimada no decorrer da ação fiscal a justificar a acusação de falta de escrituração de tais compras; a.1) a autuação, neste item, teve por base presunção legal relativa, que admite prova em contrário. Todavia, o lançamento nessas bases só passou a ter respaldo legal a partir da vigência da Lei n° 9.430/96, ou seja, desde 01/01/97, faltando-lhe tal suporte quanto a fatos ocorridos • 12 • Processo nO. Resolução nO. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 10384.002721/95-11 106-01.039 em 1990, quando se tem presente que o lançamento por presunção só é cabível quando expressamente autorizado pelo ordenamento jurídico. Cita em favor da tese que defende, o decidido conforme Acórdão n° 101- 91.255/97 (Fls. 1.414); a.2) acentua ainda, que a falta de registro de compras foi tomada isoladamente e considerada omissão de receita, sem que houvesse aprofundamento nas investigações com vistas a comprovar, de forma inequívoca, a movimentação de recursos à margem da escrituração, invocando em abono do raciocínio desenvolvido, o entendimento exposto no Acórdão n° CSRF/01-1.632, de 24/03/94; b) quanto aos suprimento de numerários, inicialmente estranha o fato de o julgador singular ter se valido de dispositivo do Código Civil para incluir o Sr. CARLOS ALBERTO LEAL entre as pessoas elencadas pelo artigo 181 do RIR/80, que elege o fato (suprimento de numerário) como hipótese caracterizadora de omissão de receita, quando feito por sócio da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia e não restar provada a origem e a efetiva entrega dos recursos à pessoa jurídica; c) em relação aos gastos com viagens, com o fito de fazer prova do requisito necessidade dos gastos, ao ensejo do recurso fez juntar aos autos nova declaração expedida pelo Sindicato das Escolas Particulares do Piauí - SINEPE-PI (fls. 1.427), que atesta a participação da titular da recorrente e de duas funcionárias, em vários eventos culturais acontecidos no período alcançado pela ação fiscal em lide; • J3 • Processo n°. Resolução nO MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 10384.002721/95-11 106-01.039 d) no concernente aos gastos com produtos alimentícios, aduz que não podem prevalecer o argumento expendido pelo julgador singular no sentido de que "os gastos não estão previstos em contrato de trabalho, que não é extensivo a todo corpo funcional do estabelecimento, e que se trata de mera liberalidade da empresa", já que realizados com observância dos requisitos de normalidade, necessidade e de habitualidade e, além disso, decorrem de acordo tácito firmado com os funcionários, acordo este que, nos termos da legislação trabalhista, adere automaticamente ao contrato de trabalho; e) com relação aos "Bens de Natureza Permanente deduzidos como despesa", do mesmo modo, entende que não pode prosperar o argumento do julgador monocrático, acrescentando às razões expostas na peça impugnatória, o fato de que a recorrente adquire a cada início de ano letivo grande quantidade de material escolar e de livros didáticos. Caso os livros tivessem vida útil superior a um ano, não haveria espaço suficiente para acomodá-los; f) no que tange aos gastos com manutenção, conservaçãolreparos de bens móveis e instalações da escola, do mesmo modo, não restou provado que tais gastos proporcionaram aumento de vida útil superior a um ano dos bens destinatários; g) quanto aos pagamentos tidos pelo Fisco como "sem causas", suscita a recorrente preliminar de nulidade do lançamento em relação a este item, por se sentir preterida no seu direito de defesa, em razão de divergência entre o enquadramento legal e a descrição dos fatos, detalhe 14 • • Processo nO. Resolução n°. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 10384.002721/95-11 106-01.039 que segundo entende, afronta ao disposto no artigo 10, do Decreto n° 70.235f72; h) no que pertine à "Correção Monetária de Bens de Natureza Permanente deduzidos indevidamente como despesas", argüi que a receita de correção monetária exigida tem estreita relação com o item "Bens de Natureza Permanente deduzidos como despesa" e que, em assim sendo, caso seja decidido por considerar tais bens como despesa, conforme defende e pratica, não há falar em correção monetária. A contrário senso, em sendo mantida a exigência, requer seja considerado o seu direito não reconhecido pelo Fisco referente à depreciação dos respectivos bens, conforme entendimento acolhido pela jurisprudência administrativa de que é exemplo os Acórdãos CSRF/01-1.572 - DOU de 13/09/96 e 101- 81.166/91 - DOU de 05/06/91; 7. Finaliza a recorrente com seu petitório pugnando pelo cancelamento da decisão de primeira instância e pela improcedência dos autos de infração contra ela lavrados. "8. Com o recurso vieram ainda os documentos de fls. 1.426 a 1.445, consistentes de cópia do comprovante de depósito recursal, Declaração do Sindicato das Escolas Particulares do Piauí e cópias de páginas de livro diário. É o Relatório. • 15 • -------------------------------------- MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo nO. Resolução nO. 10384.002721/95-11 106-01.039 VOTO • • Conselheiro DIMAS RODRIGUES DE OLIVEIRA - Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade do recurso interposto tempestivamente, dele tomo conhecimento. Consoante relatado, a matéria ora submetida a julgamento desta Câmara gira em torno das exigências de créditos tributários relativos ao IRPJ, PIS - Receita Operacional, FINSOCIAUFATURAMENTO, Contribuição para a Seguridade Social, Imposto de Renda Retido na Fonte sobre o Lucro Líquido e Contribuição Social, referentes aos exercícios de 1991 e 1992 e anos-calendário de 1992 e 1993. É a Recorrente acusada pelo Fisco de ter incorrido nas irregularidades elencadas no item 3 do Relatório que a este acompanha. Na fase recursal, buscando justificar e esclarecer as parcelas da exigência relacionadas com omissão de receitas por falta de contabilização de compras, suprimentos de numerários, e despesas operacionais não necessárias (despesas com viagens), trouxe aos autos os documentos de fls. 1427 a 1445. As despesas com viagens foram glosadas sob o argumento de que não restou comprovada a afinidade dos correspondentes gastos com a finalidade objeto da pessoa jurídica. Com o fito de afastar a acusação, é oferecida à análise o documento de fls. 1427 e 1428, que consiste em declaração expedida pelo Sindicato das Escolas particulares do Piauí. O documento atesta que a titular da Recorrente e dois funcionários seus, 16 • Processo nO. Resolução nO. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 10384.002721/95-11 106-01.039 • • participaram de eventos culturais em várias partes do território nacional, informando ainda sobre as "datas dos deslocamentos", os "Destinos" e os "Títulos dos Eventos". Compulsando os autos, constata-se que não há como cotejar tais informações com os elementos disponíveis, já que enquanto a mencionada declaração traz o data do deslocamento e é omissa quanto a valores, os demonstrativos de fls. 132, 165, 174, 186 e 192, trazem valores mas são omissos quanto às datas dos deslocamentos. As cópias de livro diário juntadas às fls. 1429 a 1445 trazem registros, na parte que interessa a esta análise, referentes aos empréstimos contratados com o Sr. CARLOS ALBERTO LEAL, bem assim, sobre as compras consideradas pelo Fisco como não contabilizadas. Tais provas, sobretudo em relação à acusação de compras não contabilizadas, caso acolhidas no julgamento, afasta de pronto a exigência formalizada sob esse título. Todavia, causa espécie a circunstância que envolve a constituição da prova, já que, em principio, deveria existir mesmo antes da ação fiscal e, somente na fase recursal veio a lume Assim, considerando a impossibilidade de aproveitamento desses elementos sem o acréscimo de alguns esclarecimentos e, considerando ainda que os mesmos não foram conhecidos pela Repartição lançadora, entendo deva o julgamento ser convertido em diligência para que dita Repartição sobre tais documentos se manifeste, realize, caso entenda necessário, diligências com vistas ao esclarecimento de dúvidas e emita circunstanciado e conclusivo relatório sobre as questões postas. Sala das Sessões - DF, em 13 de abril de 1999 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011 00000012 00000013 00000014 00000015 00000016 00000017
score : 1.0
Numero do processo: 10850.003975/2004-74
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
SIMPLES. MANUTENÇÃO NO REGIME SIMPLIFICADO. ATIVIDADE NÃO IMPEDITIVA.
1. Equiparar os serviços comuns de reparação, manutenção e instalações elétricas aos de construção, demolição, reforma, ampliação de edificação ou outras benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo implica analogia in malam partem, que impede o contribuinte de optar pelo SIMPLES quando a lei não o proíbe. (STJ - REsp 789.648/PR, 2ª T., Rel. Min. Castro Meira. DJU 1º.02.2006)
2. É permitida a inclusão das pessoas jurídicas cuja atividade econômica é a manutenção em linhas de transmissão e subestações elétricas no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples). A vedação imposta pelo inciso XIII do artigo 9º da Lei 9.317, de 1996, não alcança as microempresas nem as empresas de pequeno porte constituídas por empreendedores que agregam meios de produção para explorar atividades econômicas de forma organizada com o desiderato de gerar ou circular bens ou prestar quaisquer serviços. Ela é restrita aos casos de inexistência de atividade economicamente organizada caracterizada pela prestação de serviços profissionais como atividade exclusiva e levada a efeito diretamente pelos sócios da pessoa jurídica qualificados dentre as atividades indicadas no dispositivo legal citado.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 303-34.749
Decisão: ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA da TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTE,Por maioria de votos, deu-se provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Luiz Marcelo Guerra de Castro, que negou provimento.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA
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ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 SIMPLES. MANUTENÇÃO NO REGIME SIMPLIFICADO. ATIVIDADE NÃO IMPEDITIVA. 1. Equiparar os serviços comuns de reparação, manutenção e instalações elétricas aos de construção, demolição, reforma, ampliação de edificação ou outras benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo implica analogia in malam partem, que impede o contribuinte de optar pelo SIMPLES quando a lei não o proíbe. (STJ - REsp 789.648/PR, 2ª T., Rel. Min. Castro Meira. DJU 1º.02.2006) 2. É permitida a inclusão das pessoas jurídicas cuja atividade econômica é a manutenção em linhas de transmissão e subestações elétricas no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples). A vedação imposta pelo inciso XIII do artigo 9º da Lei 9.317, de 1996, não alcança as microempresas nem as empresas de pequeno porte constituídas por empreendedores que agregam meios de produção para explorar atividades econômicas de forma organizada com o desiderato de gerar ou circular bens ou prestar quaisquer serviços. Ela é restrita aos casos de inexistência de atividade economicamente organizada caracterizada pela prestação de serviços profissionais como atividade exclusiva e levada a efeito diretamente pelos sócios da pessoa jurídica qualificados dentre as atividades indicadas no dispositivo legal citado. Recurso Voluntário Provido
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Numero do processo: 11065.000043/2005-70
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon May 19 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Mon May 19 00:00:00 UTC 2008
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 31/08/2002, 28/02/2003, 31/07/2003, 30/09/2003, 30/04/2004, 30/09/2004
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS ADMINISTRADOS PELA SRF COM CRÉDITOS DE TÍTULOS DA ELETROBRÁS. MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO RETROATIVA DE LEI MAIS FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE.
A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, quando ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Aplicação do art. 106, II, "c" do CTN.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE
Numero da decisão: 303-35.316
Decisão: ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de
contribuintes, por unanimidade de votos, afastar as preliminares de nulidade do lançamento e da decisão recorrida. Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa a 75%, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Nilton Luiz Bartoli, Heroldes Bahr Neto, Vanessa Albuquerque Valente e Nanci Gama votaram pela conclusão.
Nome do relator: CELSO LOPES PEREIRA NETO
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/08/2002, 28/02/2003, 31/07/2003, 30/09/2003, 30/04/2004, 30/09/2004 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS ADMINISTRADOS PELA SRF COM CRÉDITOS DE TÍTULOS DA ELETROBRÁS. MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO RETROATIVA DE LEI MAIS FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, quando ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Aplicação do art. 106, II, "c" do CTN. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE
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Numero do processo: 11075.002360/2006-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 23 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Sep 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2002
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO,
São dedutíveis as despesas médicas, odontológicas e de hospitalização e os pagamentos feitos a empresas domiciliadas no Pais, destinados à cobertura destas despesas, quando devidamente comprovadas.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2101-000.745
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2002 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO, São dedutíveis as despesas médicas, odontológicas e de hospitalização e os pagamentos feitos a empresas domiciliadas no Pais, destinados à cobertura destas despesas, quando devidamente comprovadas. Recurso provido.
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score : 1.0
Numero do processo: 10410.002889/2006-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 10 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Nov 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005
Ementa:
CESSÃO DE CRÉDITOS. DESÁGIOS. CONTRATOS. CONDIÇÃO SUSPENSIVA. INEXISTÊNCIA.
Ausente cláusula indicando a existência de evento futuro e incerto capaz de sustar a eficácia do ato, há que se considerar ocorrido o fato gerador no momento em que o objeto do negócio jurídico foi concretizado.
INCONSTITUCIONALIDADES.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
LUCRO INFLACIONÁRIO. DEMONSTRATIVO DOS VALORES APONTADOS NO SISTEMA DE ACOMPANHAMENTO.
DESNECESSIDADE.
Comprovado nos autos que os valores indicados no extrato do Sistema de Acompanhamento de Prejuízos e Lucro Inflacionário (SAPLI) foram extraídos das próprias declarações apresentadas pelo contribuinte à Administração Tributária, inexistindo, pois, alteração de qualquer natureza, resta evidente a desnecessidade de elaboração de demonstrativo acerca da origem desses mesmos valores.
FALTA DE RECOLHIMENTO. COMPROVAÇÃO PELA AUTORIDADE FISCAL.
Se a autoridade fiscal, ao imputar à contribuinte falta de recolhimento ou recolhimento insuficiente de tributo ou contribuição, reúne ao processo provas inquestionáveis da citada infração, há que se manter o lançamento tributário.
DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - Declarada a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº. 8.212, de 1991, pelo Supremo Tribunal Federal (súmula vinculante nº. 8 - DOU de 20 de junho de 2008), cancela-se o lançamento que não observou o prazo qüinqüenal previsto no Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1302-000.395
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro Daniel Salgueiro da Silva que dava provimento em maior extensão.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005 Ementa: CESSÃO DE CRÉDITOS. DESÁGIOS. CONTRATOS. CONDIÇÃO SUSPENSIVA. INEXISTÊNCIA. Ausente cláusula indicando a existência de evento futuro e incerto capaz de sustar a eficácia do ato, há que se considerar ocorrido o fato gerador no momento em que o objeto do negócio jurídico foi concretizado. INCONSTITUCIONALIDADES. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LUCRO INFLACIONÁRIO. DEMONSTRATIVO DOS VALORES APONTADOS NO SISTEMA DE ACOMPANHAMENTO. DESNECESSIDADE. Comprovado nos autos que os valores indicados no extrato do Sistema de Acompanhamento de Prejuízos e Lucro Inflacionário (SAPLI) foram extraídos das próprias declarações apresentadas pelo contribuinte à Administração Tributária, inexistindo, pois, alteração de qualquer natureza, resta evidente a desnecessidade de elaboração de demonstrativo acerca da origem desses mesmos valores. FALTA DE RECOLHIMENTO. COMPROVAÇÃO PELA AUTORIDADE FISCAL. Se a autoridade fiscal, ao imputar à contribuinte falta de recolhimento ou recolhimento insuficiente de tributo ou contribuição, reúne ao processo provas inquestionáveis da citada infração, há que se manter o lançamento tributário. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - Declarada a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº. 8.212, de 1991, pelo Supremo Tribunal Federal (súmula vinculante nº. 8 - DOU de 20 de junho de 2008), cancela-se o lançamento que não observou o prazo qüinqüenal previsto no Código Tributário Nacional.
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DESÁGIOS. CONTRATOS. CONDIÇÃO SUSPENSIVA. INEXISTÊNCIA. Ausente cláusula indicando a existência de evento futuro e incerto capaz de sustar a eficácia do ato, há que se considerar ocorrido o fato gerador no momento em que o objeto do negócio jurídico foi concretizado. INCONSTITUCIONALIDADES. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LUCRO INFLACIONÁRIO. DEMONSTRATIVO DOS VALORES APONTADOS NO SISTEMA DE ACOMPANHAMENTO. DESNECESSIDADE. Comprovado nos autos que os valores indicados no extrato do Sistema de Acompanhamento de Prejuízos e Lucro Inflacionário (SAPLI) foram extraídos das próprias declarações apresentadas pelo contribuinte à Administração Tributária, inexistindo, pois, alteração de qualquer natureza, resta evidente a desnecessidade de elaboração de demonstrativo acerca da origem desses mesmos valores. FALTA DE RECOLHIMENTO. COMPROVAÇÃO PELA AUTORIDADE FISCAL. Se a autoridade fiscal, ao imputar à contribuinte falta de recolhimento ou recolhimento insuficiente de tributo ou contribuição, reúne ao processo provas inquestionáveis da citada infração, há que se manter o lançamento tributário. Fl. 315DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/12/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 02/12/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 02/12/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 2 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - Declarada a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº. 8.212, de 1991, pelo Supremo Tribunal Federal (súmula vinculante nº. 8 - DOU de 20 de junho de 2008), cancela-se o lançamento que não observou o prazo qüinqüenal previsto no Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro Daniel Salgueiro da Silva que dava provimento em maior extensão. Marcos Rodrigues de Mello - Presidente. Wilson Fernandes Guimarães - Relator. EDITADO EM: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Edijalmo Antônio da Cruz e Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junior. Fl. 316DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/12/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 02/12/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 02/12/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10410.002889/2006-95 Acórdão n.º 1302-00.395 S1-C3T2 Fl. 2 3 Relatório ALGODOEIRA SERTANEJA LTDA, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife, Pernambuco, que manteve, na íntegra, os lançamentos tributários efetivados, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, relativas aos anos-calendário de 2002 a 2005, formalizadas a partir da imputação das seguintes infrações: a) falta de oferecimento à tributação de receitas decorrentes deságios auferidos em aquisições de créditos de terceiros; b) ausência de adição ao lucro líquido, na determinação do lucro real, do lucro inflacionário realizado (realização mínima); e c) recolhimento a menor das exações. Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação ao feito fiscal (fls.195/212), por meio da qual ofereceu, em síntese, os seguintes argumentos: - que não haveria certeza quanto a existência de receitas de deságio nas datas dos negócios jurídicos de aquisição dos direitos creditórios, vez que estes teriam sido realizados sob condição suspensiva de existência, regularidade e aceitação dos créditos por parte da Receita Federal, de modo que não havia por que apropriá-las nos períodos de apuração correspondentes a essas datas; - que a Fiscalização não teria acostado aos autos o demonstrativo do lucro inflacionário consignado no SAPLI, inviabilizando, assim, a conferência dos valores lançados no auto de infração do IRPJ, o que constituiria óbice à defesa; - que não constaria nos autos prova de que teria recolhido/declarado valores do imposto e da contribuição menores do que os apurados na escrituração. A 3 a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife, analisando os feitos fiscais e a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 11-23.596, de 28 de agosto de 2008, pela procedência dos lançamentos, conforme ementa que ora transcrevemos. DESÁGIO. CRÉDITOS DE TERCEIROS. RECEITA TRIBUTÁVEL. MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO. A receita de deságio, decorrente da compra de créditos de terceiros, deve ser tributada no período de apuração do imposto correspondente ao momento da compra. REALIZAÇÃO MÍNIMA DE LUCRO INFLACIONÁRIO. FALTA DE DEMONSTRATIVO. ÓBICE À FEITURA DA DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Não há falar em óbice à feitura da defesa por falta de demonstrativo, quando a descrição dos fatos, bem assim da Fl. 317DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/12/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 02/12/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 02/12/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 4 legislação subsunsora, proporciona amplo conhecimento da infração apurada pela fiscalização. COMPROVAÇÃO DA INFRAÇÃO. Constando dos autos os elementos materiais e o liame lógico a evidenciar a prática da infração, não há falar em falta de comprovação. TRIBUTAÇÃO REFLEXA - CSLL Estende-se aos lançamentos decorrentes a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso de folhas 279/298, por meio do qual, esclarecendo que reitera as razões trazidas em sede de impugnação, adita: - que realizou o negócio jurídico de aquisição de créditos sob a condição suspensiva de sua existência e confirmação da compensação pela Receita Federal; - que, a teor da remansosa jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça reconhecendo a inexistência do crédito-prêmio do IPI, a aquisição dos direitos creditórios desse crédito, e de outros do mesmo jaez, não representou para ela qualquer acréscimo patrimonial; - que se fosse o caso da assunção de uma obrigação inexistente, certamente tal obrigação não teria efeitos contra o Fisco, isto é, eventuais encargos decorrentes dessa operação não poderiam ser contabilizados como despesa dedutível do imposto de renda; - que, isonomicamente, os direitos creditórios cuja inexistência foi reconhecida pela nossa mais alta Corte de Justiça infraconstitucional, não podem gerar ganhos pró-fisco, visto que, a par de sua inexistência, não gerou renda e nem acréscimo patrimonial, estando, portanto, ausente o núcleo do fato gerador do imposto de renda, que é a aquisição econômica ou jurídica de renda e/ou acréscimo patrimonial; - que, com o reconhecimento judicial da inexistência jurídica dos créditos financeiros adquiridos, esvai-se, também, qualquer possibilidade legal ou contratual de aquisição econômica ou jurídica de renda; - que o suposto ganho financeiro obtido na aquisição desses créditos, não passou de um mero desejo, cujo sentimento, à evidência, não é poder ser registrado contabilmente; - que o Supremo Tribunal Federal reconheceu em inúmeros precedentes que o lucro inflacionário, na realidade, não é lucro, porque não traduz acréscimo patrimonial; - que é assente também na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça que, no que toca ao conceito de renda inscrito no art. 43 do CTN, firmou-se nas Turmas de Direito Público o sentido da impossibilidade de tributação do lucro inflacionário, pois o lucro inflacionário não realizado não é lucro real, mas, apenas correção, sem representar qualquer acréscimo; - que, relativamente ao item 3 do auto de infração, não reconhece a diferença de imposto lançada de ofício, até porque não consta dos autos qualquer prova da acusação fiscal. Fl. 318DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/12/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 02/12/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 02/12/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10410.002889/2006-95 Acórdão n.º 1302-00.395 S1-C3T2 Fl. 3 5 É o Relatório. Fl. 319DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/12/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 02/12/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 02/12/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 6 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Trata a lide de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, relativas aos anos-calendário de 2002 a 2005, formalizadas a partir da imputação das seguintes infrações: a) falta de oferecimento à tributação de receitas decorrentes deságios auferidos em aquisições de créditos de terceiros; b) ausência de adição ao lucro líquido, na determinação do lucro real, do lucro inflacionário realizado (realização mínima); e c) recolhimento a menor das exações. Renovando argumentos expendidos na peça impugnatória, a contribuinte traz razões, em sede de recurso voluntário, as quais passo a apreciar. DESÁGIO NA AQUISIÇÃO DE CRÉDITOS Alega a Recorrente que não havia certeza quanto a existência de receitas de deságio nas datas dos negócios jurídicos de aquisição dos direitos creditórios, vez que estes teriam sido realizados sob condição suspensiva de existência, regularidade e aceitação dos créditos por parte da Receita Federal, de modo que não havia por que apropriá-las nos períodos de apuração correspondentes a essas datas. Afirma que realizou o negócio jurídico de aquisição de créditos sob a condição suspensiva de sua existência e confirmação da compensação pela Receita Federal. Argumenta que, a teor da remansosa jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça reconhecendo a inexistência do crédito-prêmio do IPI, a aquisição dos direitos creditórios desse crédito, e de outros do mesmo jaez, não representou para ela qualquer acréscimo patrimonial. Sustenta que se fosse o caso da assunção de uma obrigação inexistente, certamente tal obrigação não teria efeitos contra o Fisco, isto é, eventuais encargos decorrentes dessa operação não poderiam ser contabilizados como despesa dedutível do imposto de renda. Diz que, isonomicamente, os direitos creditórios cuja inexistência foi reconhecida pela nossa mais alta Corte de Justiça infraconstitucional, não podem gerar ganhos pró-fisco, visto que, a par de sua inexistência, não gerou renda e nem acréscimo patrimonial, estando, portanto, ausente o núcleo do fato gerador do imposto de renda, que é a aquisição econômica ou jurídica de renda e/ou acréscimo patrimonial. Alega, ainda, que, com o reconhecimento judicial da inexistência jurídica dos créditos financeiros adquiridos, esvai-se, também, qualquer possibilidade legal ou contratual de aquisição econômica ou jurídica de renda, e que o suposto ganho financeiro obtido na aquisição desses créditos, não passou de um mero desejo, cujo sentimento, à evidência, não é poder ser registrado contabilmente. Releva ressaltar, de início, que aqui não existe qualquer discussão acerca do fato de que os contratos de cessão de créditos se deram com deságio, que tais valores são passíveis de tributação e que os respectivos montantes são os indicados pela autoridade fiscal. A controvérsia, pois, situa-se no aspecto temporal da hipótese de incidência. Para a Recorrente, o negócio jurídico realizado estava submetido à condição suspensiva, de modo que só se poderia falar em tributação de eventuais ganhos a partir do implemento da referida condição. Em outra direção, inexistindo tal condição ou sendo ela de natureza resolutiva, os ganhos deveriam ter sido reconhecidos no momento da efetivação do negócio. Fl. 320DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/12/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 02/12/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 02/12/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10410.002889/2006-95 Acórdão n.º 1302-00.395 S1-C3T2 Fl. 4 7 A Recorrente juntou à peça impugnatória os seguintes documentos: a) contratos de cessão de créditos firmados com a empresa EMPAF – EMPRESA DE ARMAZENAGEM FRIGORÍFICA LTDA. (fls. 225/236); e b) intimação formalizada pela Receita Federal (fls. 238) acerca de débitos apurados por meio de auditoria interna. Ao recurso voluntário interposto, nada foi juntado pela contribuinte. Na cópia de intimação acima referenciada, não identifico qualquer elemento capaz de relacioná-la aos créditos adquiridos para fins de compensação. Nesse contexto, ausentes indicativos de que a intimação promovida pela Receita Federal se relacione direta ou indiretamente com a controvérsia trazida a julgamento, os únicos documentos aportados pela Recorrente para servir de suporte para os seus argumentos são os contratos de fls. 225/236. A autoridade fiscal, por sua vez, além de ter carreado aos autos a comprovação contábil da imputação da infração (fls. 145/155), trouxe ainda contratos de cessão de créditos realizados entre a Recorrente e S/A LEÃO IRMÃOS AÇÚCAR E ÁLCOOL (fls. 156/160 – aditamento às fls. 161/163), COOPERATIVA DE COLONIZAÇÃO AGROPECUÁRIA E INDUSTRIAL PINDORAMA LTDA. (fls. 164/168) e com EMPAF – EMPRESA DE ARMAZENAGEM FRIGORÍFICA LTDA. (fls. 178/189), entre outros. Não obstante a falta de elementos que possibilitem visualizar os efeitos advindos dos negócios jurídicos realizados pela Recorrente, em especial no que diz respeito a indeferimento de compensações, eventuais ressarcimentos, extinção por resolução e inadimplementos, creio que a análise dos contratos em questão, por si só, possa ser suficiente à solução do litígio. Nessa linha, descarto, desde já, considerações trazidas pela Recorrente acerca de decisões emanadas do Superior Tribunal de Justiça a respeito da inexistência de créditos- prêmio de IPI, eis que o pronunciamento referenciado na peça recursal (EREsp 670122/PR, embargante STATOMAT MÁQUINAS ESPECIAIS LTDA.) em nada se relaciona com as cessões de créditos tratadas no presente processo. Limita-se, pois, a presente análise, à natureza dos contratos feitos pela Recorrente, se submetidos à condição suspensiva ou, em sentido contrário, livres de qualquer restrição. Na lição de Paulo de Barros Carvalho 1 , por condição suspensiva deve entender-se a disposição acessória, fruto da vontade das partes, que subordina os efeitos do ato ou negócio jurídico a acontecimento futuro e incerto. Enquanto a condição não se verificar, prescreve o art. 118 2 do Código Civil, não se terá adquirido o direito a que ela visa, permanecendo tão-só a expectativa, mas que já possibilita, ao virtual titular, o exercício de medidas preparatórias, com vistas à conservação do bem ou direito. Tratando da condição resolutória, o prestigiado autor diz 3 que, havendo condição resolutiva, pelo contrário, o ato ou negócio jurídico desencadeia, desde logo, todos 1 Curso de Direito Tributário, 7. ed., Saraiva, 1995, p. 186. 2 A referência é ao Código Civil de 1916. Na nova Carta Civil (Lei nº. 10.406, de 2002), a prescrição está no art. 125. 3 Ob. ct., p. 186. Fl. 321DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/12/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 02/12/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 02/12/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 8 os efeitos para os quais está preordenado, facultando-se ao titular o cabal exercício do direito adquirido, que se incorpora, a partir da celebração, ao seu patrimônio. O acontecimento futuro e incerto, estabelecido condicionalmente, terá o condão de resolver o negócio, desfazendo o ato celebrado e extinguindo o direito. A análise dos contratos de cessão de créditos firmados entre a Recorrente e EMPAF – EMPRESA DE ARMAZENAGEM FRIGORÍFICA LTDA., juntado à peça impugnatória (fls. 225/236), permite extrair as seguintes informações: - os créditos objeto de transferência eram relativos a IPI; - a transferência foi efetuada com amparo em decisão judicial (decisão proferida em Mandado de Segurança, ratificada pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região); - os créditos transferidos seriam utilizados pela Recorrente na compensação de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal; - a cedente assumiu total responsabilidade pela formação, existência e regularidade dos créditos transferidos, comprometendo-se, inclusive, a defender a sua integridade, administrativa e judicialmente, e, no caso de sucumbência, a ressarcir imediatamente a Recorrente pelos montantes pagos; - ocorrendo o indeferimento da compensação dos créditos por parte da Receita Federal, por ato de responsabilidade da Recorrente, ficaria facultada a qualquer das partes a imediata resolução do contrato, sem ônus; - relativamente aos INTERVENIENTES GARANTIDORES, restou estabelecido, in verbis: Os INTERVENIENTES GARANTIDORES comparecem a este ato de livre e espontânea vontade, na qualidade de principais pagadores e solidariamente responsáveis por todas as obrigações assumidas pela CEDENTE e pela CESSIONÁRIA, e especialmente quanto ao fiel e integral cumprimento, observância, e respeito a todas as estipulações constantes deste instrumento, sendo que o INTERVENIENTE GARANTIDOR, Sr. LUIS ANTONIO PAES BARRETO DOS ANJOS responde solidariamente pelas obrigações da CESSIONÁRIA e os INTERVENIENTES GARANTIDORES, Srs. SÉRGIO COLAFERRI FILHO e ALEXANDRE DE QUEIROZ COLAFERRI respondem, solidariamente, pelas obrigações assumidas pela CEDENTE. Os INTERVENIENTES GARANTIDORES assumem, assim, respectivamente, com a CESSIONÁRIA e a CEDENTE, a responsabilidade solidária de honrar o pagamento integral de todas as dividas e obrigações, principais, secundarias diretas ou indiretas assumidas e decorrentes das obrigações estipuladas neste contrato. Os INTERVENIENTES GARANTIDORES se declaram cientes de que a obrigação que ora assumem é ampla, geral e irrestrita, estando sendo firmada sem qualquer espécie de restrição e não estando subordinada a qualquer evento ou condição suspensiva ou resolutiva ressalvando-se as restrições e condições estabelecidas neste instrumento, sendo, portanto, concedida de Fl. 322DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/12/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 02/12/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 02/12/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10410.002889/2006-95 Acórdão n.º 1302-00.395 S1-C3T2 Fl. 5 9 modo a abranger, quando for o caso, o pagamento e o adimplemento de todas as obrigações decorrentes deste instrumento, além de perdas e danos, indenizações e multas compensatórias, moratórias ou penais por infrações e inadimplemento contratuais, qualquer que seja a sua natureza, espécie ou causa. - ficou estabelecido, de forma expressa, que as obrigações assumidas pelas partes contratantes, por força e em decorrência deste instrumento, são absolutas, irrestritas e irretratáveis, e deverão ser cumpridas e adimplidas em sua integralidade e não dependerão de qualquer circunstância, termo ou condição, salvo os que tiverem sido expressamente convencionados neste instrumento. Com a devida permissão, inexiste nos contratos em questão qualquer elemento que autorize afirmar que os seus efeitos dependiam de evento futuro e incerto. Com efeito, por meio dos referidos acordos, foram transferidos para a Recorrente créditos de IPI para fins de utilização em compensações junto a Receita Federal (cláusula primeira), em que a cedente assumiu integral responsabilidade pela liquidez e certeza dos referidos montantes, obrigando-se, inclusive, a defendê-los administrativa e judicialmente (cláusula segunda). A previsão do ressarcimento dos valores pagos em virtude de eventuais questionamentos pela Receita Federal acerca da liquidez e certeza dos créditos envolvidos no negócio (parágrafo único da cláusula segunda) e mesmo a resolução contratual (cláusula quinta), à evidência, não traduzem condição capaz de sustar os efeitos decorrentes do contrato. No que tange à resolução contratual, inclusive, releva destacar que ela foi prevista para a situação em que a compensação dos créditos fosse indeferida pela Receita Federal em razão de ato de responsabilidade da Recorrente, e, apesar da cláusula contratual estabelecer que ela (a resolução) se daria sem ônus para quaisquer das partes, adiante, na cláusula sétima, consignou-se (in verbis): CLAUSULA SÉTIMA - Na hipótese de ocorrência de um evento de inadimplemento ou de um evento de resolução, a parte que se sentir prejudicada, a seu exclusivo critério, e sem prejuízo do exercício imediato ou posterior, de quaisquer outros direitos ou faculdades conferidos por este contrato, poderá adotar qualquer uma das seguintes medidas: a) considerar plenamente eficaz o presente contrato e exigir da parte a quem for atribuída a responsabilidade pelo evento, o efetivo cumprimento das obrigações assumidas neste instrumento, sem prejuízo de posterior responsabilização pelos prejuízos e danos que venha a sofrer; ou b) considerar rescindido o presente contrato de pleno direito, independentemente de notificação ou interpelação judicial ou extrajudicial à outra parte, para todos os fins de direito, constituindo-se, esta disposição, como cláusula resolutiva expressa, conforme a legislação vigente, e exigir, cumulativamente, o pagamento da multa penal estabelecida neste instrumento, ou, se for o caso, a devolução de quaisquer valores que tenham sido objeto de pagamento. (GRIFEI) Fl. 323DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/12/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 02/12/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 02/12/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 10 As disposições contratuais relacionadas aos denominados INTERVENIENTES GARANTIDORES, ademais, deixam fora de dúvida de que a obrigação por eles assumidas, (que face a natureza de suas intervenções nos contratos eram as mesmas do cedente e do cessionário) era ampla, geral e irrestrita, sendo firmada sem qualquer espécie de restrição e não estando subordinada a qualquer evento ou condição suspensiva ou resolutiva. Nesse cenário, entendo que o decidido em primeira instância não mereça reparo. LUCRO INFLACIONÁRIO Quanto ao lucro inflacionário, a Recorrente afirma que a Fiscalização não acostou aos autos o demonstrativo do lucro inflacionário consignado no SAPLI, inviabilizando, assim, a conferência dos valores lançados no auto de infração do IRPJ, o que constituiria óbice à defesa. Diz que o Supremo Tribunal Federal reconheceu em inúmeros precedentes que o lucro inflacionário, na realidade, não é lucro, porque não traduz acréscimo patrimonial. Adita que é assente também na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça que, no que toca ao conceito de renda inscrito no art. 43 do CTN, firmou-se nas Turmas de Direito Público o sentido da impossibilidade de tributação do lucro inflacionário, pois o lucro inflacionário não realizado não é lucro real, mas, apenas correção, sem representar qualquer acréscimo. Afasto, de início, toda e qualquer argüição acerca da tributação do lucro inflacionário que tenha por base manifestações do Poder Judiciário, eis que, em âmbito administrativo, a autoridade julgadora não pode afastar a aplicação da lei. Neste Colegiado, em particular, tal questão já foi inclusive objeto de súmula, conforme transcrição abaixo. Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No que tange aos dados consignados no Sistema de Acompanhamento de Prejuízos e Lucro Inflacionário (SAPLI), cujos extratos encontram-se juntados às fls. 139/144, releva esclarecer que eles foram retirados das próprias declarações apresentadas pela ora Recorrente, conforme indicado às fls. 144. Revela-se, assim, absolutamente desnecessária, para fins de formulação de defesa, a elaboração, por parte da Autoridade Fiscal, de demonstrativo dos valores apontados no referido sistema de acompanhamento. RECOLHIMENTOS A MENOR Alega a Recorrente que não consta nos autos prova de que teria recolhido/declarado valores do imposto e da contribuição menores do que os apurados na escrituração. Repisa que não reconhece a diferença de imposto lançada de ofício porque não consta dos autos qualquer prova da acusação fiscal. Equivoca-se a Recorrente. Relativamente ao Imposto de Renda, às fls. 41/46 (Termo de Encerramento), consta descrição detalhada da infração imputada. Ali, resta assinalado que a contribuinte, no segundo e terceiro trimestres do ano de 2001, declarou à Receita Federal (DCTF) imposto de Fl. 324DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/12/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 02/12/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 02/12/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10410.002889/2006-95 Acórdão n.º 1302-00.395 S1-C3T2 Fl. 6 11 renda a pagar em montantes inferiores aos apurados no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), nos livros contábeis e na declaração de informações (DIPJ). Cuidou ainda a fiscalização de apresentar quadro demonstrativo das diferenças apuradas, assinalando, inclusive, as folhas do processo em que se encontravam a cópia da DCTF entregue (fls. 74/75), a cópia do LALUR (fls. 129/132), a cópia das correspondentes Demonstrações do Resultado do Exercício (fls. 129 e 131) e da Declaração de Informações (fls. 137/138). Relativamente à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, a autoridade fiscal, da mesma forma, registrou no Termo de Encerramento correspondente (fls. 60/64) ter constatado que a contribuinte, nos primeiro, segundo e terceiro trimestres de 2001, cometeu a mesma infração acima descrita, isto é, declarou em DCTF valores de contribuição a pagar em montantes inferiores aos consignados no livro fiscal (LALUR), na contabilidade (Demonstração do Resultado do Exercício) e na Declaração de Informações (DIPJ). Assim como em relação ao imposto, apresentou quadro demonstrativo das diferenças apuradas, indicando as folhas do processo em que a documentação de suporte se encontrava. Não há, pois, como acolher o argumento da Recorrente de que inexiste nos autos prova da infração imputada. Não obstante, observo que a contribuinte foi cientificada do lançamento em 30 de junho de 2006 (fls. 53), momento em que não mais existia o direito de a Fazenda constituir créditos tributários relativos a fatos geradores ocorridos em 31 de março de 2001, ex vi do disposto no parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional e, em particular, do estabelecido pela súmula vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal. Assim, a diferença de contribuição referente ao primeiro trimestre de 2001 (R$ 6.299,82) deve ser excluída. Diante do exposto, conduzo meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para excluir de tributação a parcela de R$ 6.299,82, relativa à CSLL do primeiro trimestre de 2001. Wilson Fernandes Guimarães – Relator Fl. 325DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/12/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 02/12/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 02/12/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 10950.002578/2005-38
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2008
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 18/02/2005
DCTF. PROBLEMAS TÉCNICOS NOS SISTEMAS ELETRÔNICOS DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL.
Considerando que o Ato Declaratório Executivo SRF n° 24, de 08 de
abril de 2005, que estendendo o prazo anteriormente estabelecido para a entrega da DCTF relativa ao 4º trimestre de 2004, declarou válidas as declarações entregues até 18/02/2005, somente foi publicado no dia 12/04/2005, e que, antes de referida publicação, as únicas informações que o contribuinte possuía acerca da nova data para o envio de sua declaração, eram as fornecidas pelos funcionários da Delegacia de Receita Federal local, deve ser considerada tempestiva a DCTF entregue pelo mesmo no dia 22/02/05.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
Numero da decisão: 303-35.720
Decisão: ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de
contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: Nanci Gama
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MINISTÉRIO DA FAZENDA", • ; ^ K TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° 10950.002578/2005-38 Recurso n" 138.046 Voluntário Matéria DCTF Acórdão n° 303-35.720 Sessão de 15 de outubro de 2008 Recorrente PINTURAS MARINGÁ LTDA. Recorrida DRJ-CURITIBA/P R ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 18/02/2005 DCTF. PROBLEMAS TÉCNICOS NOS SISTEMAS ELETRÔNICOS DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. Considerando que o Ato Declaratório Executivo SRF n° 24, de 08 de abril de 2005, que estendendo o prazo anteriormente estabelecido para a entrega da DCTF relativa ao 40 trimestre de 2004, declarou válidas as declarações entregues até 18/02/2005, somente foi publicado no dia 12/04/2005, e que, antes de referida publicação, as únicas informações que o contribuinte possuía acerca da nova data para o envio de sua declaração, eram as fornecidas pelos funcionários da Delegacia de Receita Federal local, deve ser considerada tempestiva a DCTF entregue pelo mesmo no dia 22/02/05. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. • ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. t ANELISE D UDT • RIETO - Presidente Ce - sQ.Clp M - Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Nilton Luiz Bartoli, Luis Marcelo Guerra de Castro, Vanessa Albuquerque Valente, Heroldes Bahr Neto, Celso Lopes Pereira Neto e Tarásio Campelo Borges. . . , Processo n° 10950.002578/2005-38 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.720 Fls. 30 Relatório Trata-se de Auto de Infração decorrente do processamento de DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) ano-calendário 2004, exigindo crédito tributário de R$ 200,00, correspondente à multa por atraso da DCTF relativa ao quarto trimestre de 2004. Inconformada com o lançamento, a contribuinte interpôs tempestivamente impugnação, na qual, alega que, por motivos de congestionamento ou manutenção na rede da internet, não foi possível entregar a declaração no prazo estabelecido. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR, por • unanimidade de votos, indeferiu o pedido da contribuinte, alegando que diante dos problemas técnicos ocorridos no dia 15/02/2005, a Secretaria da Receita Federal, através do Ato Declaratório SRF n° 24, de 08 de abril de 2005, considerou tempestivas todas as DCTFs entregues até 18/02/2005. No entanto, como a contribuinte somente entregou a sua DCTF, relativa ao 4° trimestre de 2004, em 22/02/2005, ou seja, quatro dias após o novo prazo estabelecido pela SRF, esta não poderia ser considerada tempestiva. Intimado da mencionada decisão em 19/01/2007, a contribuinte apresentou o presente recurso voluntário em 23/01/2007, alegando, em síntese, que foi instruída por uma funcionária da Delegacia da Receita Federal de Maringá/PR a não entregar a DCTF via internet após o dia 15/02/05, uma vez que deveria aguardar as instruções a serem fornecidas pela Delegacia da Receita Federal de Curitiba. A contribuinte informa, ainda, que apenas no dia 22/02/2005, foi orientada pelos funcionários da Delegacia da Receita Federal a entregar a DCTF via internet. É o Relatório. • 2 Processo n° 10950.002578/2005-38 CCO3/CO3 Acórdão rt." 303-35.720 Fls. 31 Voto Conselheira NANCI GAMA, Relatora O Recurso Voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Câmara. • A questão versa sobre aplicação de penalidade pelo atraso na entrega da DCTF do quarto trimestre do ano de 2004, tendo a contribuinte alegado que o atraso na entrega da declaração se deu por congestionamento ou manutenção no sistema da Receita Federal. A DRJ de origem indeferiu o pleito da contribuinte, sob o argumento de que ela somente apresentou sua declaração em 22/02/05, portanto, posteriormente ao prazo estabelecido pelo Ato Declaratório Executivo SRF n.° 24, de 08 de abril de 2005, que, considerando os problemas técnicos ocorridos em 15 de fevereiro de 2005, determinou que fossem consideradas tempestivas as DCTFs, relativas ao 4° trimestre de 2004, entregues até o dia 18 de fevereiro de 2005. • Ocorre que a contribuinte, em seu recurso, informa que após o congestionamento ocorrido no sistema da Receita Federal no dia 15/02/2005, entrou em contato várias vezes com Delegacia da Receita Federal local, tendo entregado sua declaração em conformidade com as orientações que recebeu da funcionária da Receita Federal, cujo nome fora citado em seu recurso. Ademais, deve ser considerado que a contribuinte somente tomou ciência do Ato Declaratório Executivo SRF n.° 24, que estendendo o prazo anteriormente estabelecido para a entrega da DCTF relativa ao 4° trimestre de 2004, declarou válidas as declarações entregues até 18/02/2005, com a sua publicação, que ocorreu no dia 12/04/2005, portanto, bem depois da nova data estabelecida para entrega. Com efeito, de acordo com o Principio da Publicidade, a eficácia dos atos públicos está condicionada à sua publicidade.4d/ 3 . . Processo n° 10950.002578/2005-38 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.720 Fls. 32 Dessa forma, considerando que anteriormente à publicação do ato acima mencionado, as únicas informações que o contribuinte possuía acerca da nova data para o envio de sua declaração, eram as fornecidas pelos funcionários da Delegacia de Receita Federal local, bem como a sua inequívoca intenção de entregar a sua declaração corretamente, deve ser considerada tempestiva a DCTF entregue no dia 22/02/05. Diante do exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao presente Recurso Voluntário. É como voto. Sala das Sessões, em 15 de outubro de 2008 • A CI GA - Relatora • 4
score : 1.0
Numero do processo: 16561.000189/2007-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2002
RECURSO DE OFICIO. EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. INVESTIMENTOS NO EXTERIOR. TRIBUTAÇÃO EM DUPLICIDADE.
Comprovado na impugnação que parte da variação cambial que integra a exigência foi objeto de autuação em outro processo fiscal, deve a exigência ser exonerada para evitar duplicidade.
CONEXÃO COM EXIGÊNCIA FORMALIZADA EM OUTRO PROCESSO.
Constatada a conexão com o lançamento formalizado em outro processo, cujo recurso foi provido em parte, faz se necessário ajustar a exigência ao que foi decidido naquele.
INCIDÊNCIA DE JUROS À TAXA SELIC. CREDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DE MEDIDA JUDICIAL, SEM DEPÓSITO.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (CARF Súmula 4).
Recursos de Oficio Negado. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1402-000.474
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para que a unidade de origem ajuste as exigências do presente processo ao que for decidido no processo
16561.000190/200724, bem como promova a apensação deste àquele, para que passem a tramitar em conjunto, e também para ajustar as exigências do presente processo ao que for decidido no processo 16327.001263/200514, nos termos do relatório e voto que passam a
integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Antonio José Praga de Souza
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2002 RECURSO DE OFICIO. EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. INVESTIMENTOS NO EXTERIOR. TRIBUTAÇÃO EM DUPLICIDADE. Comprovado na impugnação que parte da variação cambial que integra a exigência foi objeto de autuação em outro processo fiscal, deve a exigência ser exonerada para evitar duplicidade. CONEXÃO COM EXIGÊNCIA FORMALIZADA EM OUTRO PROCESSO. Constatada a conexão com o lançamento formalizado em outro processo, cujo recurso foi provido em parte, faz se necessário ajustar a exigência ao que foi decidido naquele. INCIDÊNCIA DE JUROS À TAXA SELIC. CREDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DE MEDIDA JUDICIAL, SEM DEPÓSITO. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (CARF Súmula 4). Recursos de Oficio Negado. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. INVESTIMENTOS NO EXTERIOR. TRIBUTAÇÃO EM DUPLICIDADE. Comprovado na impugnação que parte da variação cambial que integra a exigência foi objeto de autuação em outro processo fiscal, deve a exigência ser exonerada para evitar duplicidade. CONEXÃO COM EXIGÊNCIA FORMALIZADA EM OUTRO PROCESSO. Constatada a conexão com o lançamento formalizado em outro processo, cuja recurso foi provido em parte, fazse necessário ajustar a exigência ao que foi decidido naquele. INCIDÊNCIA DE JUROS À TAXA SELIC. CREDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DE MEDIDA JUDICIAL, SEM DEPÓSITO. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (CARF Súmula 4). Recursos de Oficio Negado. Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 23/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 23/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16561.000189/200708 Acórdão n.º 140200.474 S1C4T2 Fl. 2 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para que a unidade de origem ajuste as exigências do presente processo ao que for decidido no processo 16561.000190/200724, bem como promova a apensação deste àquele, para que passem a tramitar em conjunto, e também para ajustar as exigências do presente processo ao que for decidido no processo 16327.001263/200514, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório UNIBANCO UNIAO DE BANCOS BRASILEIROS S/A recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DÉCIMA TURMA DA DRJ SÃO PAULOSP I, que julgou procedente em parte a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235/ 1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida: DA AUTUAÇÃO Tratase de impugnação a crédito tributário de IRPJ e CSLL, constituído após ação fiscal direta, em consequência das seguintes constatações feitas pela fiscalização, conforme consta do Termo de Verificação Fiscal, de fls. 608 a 612, a saber: 2.4 Analisando os documentos fornecidos pelo contribuinte verificamos que existe lucro apurado por sua controlada no exterior Unipart Internacional no ano calendário de 2001 ainda não oferecido à tributação, mas esta matéria foi objeto de auto de infração relativo ao processo nº 16561.000.190/200724. 2.5 Entretanto, com a edição da Instrução Normativa nº 213 de 2002 que veio regulamentar a MP 215835/01, a legislação do imposto de renda passou a tributar os valores relativos ao resultado positivo da equivalência patrimonial de investimento no exterior conforme o seu artigo 7º (...) 2.7 Analisando a documentação recebida verificamos que o contribuinte contabilizou resultado positivo de equivalência patrimonial de investimentos no exterior, no valor de R$ 1.718.555.633,42 no anocalendário de 2002, Fl. 2DF CARF MF Emitido em 23/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 23/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16561.000189/200708 Acórdão n.º 140200.474 S1C4T2 Fl. 3 3 EXCLUINDO a totalidade destes valores na apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social, conforme fichas 06B e 09B da respectiva DIPJ. Abaixo demonstrativo da composição do Resultado de Equivalência Patrimonial de investimentos no exterior referente ao anocalendário de 2002, conforme planilha apresentada pelo contribuinte de fls. Equivalências Patrimoniais de Investimentos no Exterior Lucros V. Cambial E. Patrimonial Agência Nassau 293.472.554,90 274.459.041,70 567.931.596,60 Agência Cayman 123.855.338,90 324.233.064,20 448.088.403,10 Unib. Securities 4.508.963,67 8.294.219,11 3.785.255,44 Surinvest 4.079.799,84 13.045,12 4.066.754,72 Unipart 205.678.281,20 466.741.256,00 691.797.638,20 Ajustes vlr mercado 11.019.494,81 1.718.555.633,43 Como podemos inferir, nos investimentos acima descritos, o resultado de equivalência patrimonial é composto do lucro obtido no exercício adicionado pela variação cambial. A Instrução Normativa nº 213 de 2002, expedida pela Secretaria da Receita Federal, determina que todo o resultado positivo de equivalência patrimonial, em investimentos no exterior, não tributado no decorrer do anocalendário deverá ser considerado no balanço levantado em 31 de dezembro para efeito de cálculo do imposto de renda e da contribuição social. Conforme demonstrado acima o contribuinte excluiu a totalidade do resultado de equivalência patrimonial dos investimentos no exterior adicionando apenas para apuração do lucro real o valor de R$ 411.690.220,80, referente aos lucros obtidos pelas agências Nassau e Cayman no anocalendário de 2002, excluindo indevidamente a parcela do resultado de equivalência patrimonial referente à variação cambial de todas as suas participações no exterior. 2.8 Desta forma, verificamos a existência de valores relativos ao resultado positivo da equivalência patrimonial não tributados no ano calendário de 2002 e o seu valor efetivo demonstraremos a seguir. Conforme Quadro de Equivalência Patrimonial de fls. o valor total da equivalência patrimonial referente aos investimentos no exterior em 31 de dezembro de 2002 era de R$ 1.718.555.633,42. Deste total devemos excluir o valor de R$ 411.690.220,80 referente ao resultado das agências Nassau e Cayman que já foi devidamente oferecido à tributação (conforme consta da linha 04 – Ficha 09A – Demonstração do Lucro real – DIPJ 2003). Além disso,devemos excluir também o lucro da Unipart Internacional obtido em 2002 no valor de R$ 205.678.281,20 que já foi objeto de auto de infração relativo ao processo nº 16561.000.190/200724, evitandose assim que a mesma matéria seja objeto de duas autuações distintas. Assim temos: Ano calendário 2002 (em reais) 1.718.555.633,42 () Lucros apurados em 2002 (Ag. Nassau e Cayman) 411.690.220,80 () Lucros apurados em 2002 (Unipart Internacional) 205.678.281,20 Valor tributável 1.101.187.131,00 2.9 Como demonstrado acima, o resultado positivo da equivalência patrimonial livre de lucros auferidos no exterior que foi indevidamente excluído na Fl. 3DF CARF MF Emitido em 23/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 23/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16561.000189/200708 Acórdão n.º 140200.474 S1C4T2 Fl. 4 4 determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL no anocalendário de 2002 será tributado conforme a IN nº 213/2002. 4. MANDADO DE SEGURANÇA nº 2002.61.00.0037578 O contribuinte possui sentença julgando procedente o pedido para suspender a exigibilidade do crédito tributário do IRPJ e da CSLL resultante do regime de tributação previsto no caput do art. 74, da Medida Provisória nº 2158/34/01, na forma como foi regulamentada pela Instrução Normativa nº 213/2002 no que concerne ao resultado positivo da equivalência patrimonial de suas agências/filiais e controladas no exterior. Desta forma, o crédito tributário destinado a prevenir a decadência foi constituído sem lançamento de multa de ofício (art. 63 da Lei nº 9.430/96). Em razão de tal constatação foram lavrados os autos de infração para a constituição do respectivo crédito tributário com exigibilidade suspensa, sobre o valor tributável de R$ 1.101.187.131,00 por exclusão indevida do lucro real referente ao resultado positivo da equivalência patrimonial dos investimentos no exterior, conforme segue: I) Auto de Infração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ – Total de R$ 172.191.603,88, incluindo principal de R$ 97.597.689,67 e juros de mora calculados até 30/11/2007 de R$ 74.593.914,21, com fundamento no art. 250, inciso I, do RIR/99; MP 215835/01; art. 7º, §1º, da IN Nº 213/02 (fls.596/600); II) Auto de Infração de Contribuição Social s/ Lucro Líquido – CSLL Total de R$ 91.629.353,95, incluindo principal de R$ 51.935.245,68 e juros de mora calculados até 30/11/2007 de R$ 39.694.108,27, com fundamento no art. art. 2º e §§, da Lei n 7689/88; art. 1º da Lei nº 9316/96 e art. 28 da Lei nº 9.430/96; art. 7º da MP nº 1807/99 e reedições; art. 6º da MP nº 1858/99 e reedições (fls.601/605). DA IMPUGNAÇÃO Ciente do resultado da ação fiscal em 19 de dezembro de 2007, conforme consignado nos respectivos autos de infração (fls.599 e fls.604), o interessado apresenta impugnação em 18 de janeiro de 2008, com os argumentos de fls. 627 a 643, acompanhada dos documentos de fls. 644 a 700. Expõe a defesa que as autuações tiveram como objetivo a constituição dos supostos créditos tributários, de modo a forrarse dos efeitos de eventual decadência, restando suspensa a exigibilidade do crédito tributário por força de medida liminar concedida nos autos do Mandado de Segurança nº 2002.61.00.0037578. Argumenta a defesa que muito embora o crédito tributário lançado decorra efetivamente do não oferecimento à tributação do resultado positivo de equivalência patrimonial da controlada da Impugnante no exterior, e portanto esteja de fato com sua exigibilidade suspensa por força do referido processo judicial, certo é que, independentemente da decisão final que venha a ser proferida naqueles autos, o crédito tributário lançado jamais seria devido na dimensão pretendida, por motivos outros que não são objeto de discussão no processo judicial. Alega a Impugnante que, independentemente da decisão final que venha a ser proferida nos autos do mandado de segurança nº 2003.61.00.0037578, deve ser excluído do lançamento o efeito da variação cambial ocorrida em 2002 relativamente ao lucro de 2001, tendo em vista a existência de norma legal e regulamentar expressa que afasta tal tributação, ou ainda, quando menos, caso não excluída a exigência do lançamento objeto do processo nº 16561.000190/200724, de modo a afastar sua tributação em duplicidade. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 23/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 23/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16561.000189/200708 Acórdão n.º 140200.474 S1C4T2 Fl. 5 5 Quanto à recomposição da base de cálculo que já considerou a redução dos resultados negativos realizada nos autos do processo nº 16561.000190/200724, alega a requerente que deve ser considerado nos presentes autos o que vier a ser decidido naquele processo, em face de sua flagrante prejudicialidade, sobrestando se, se necessário, o julgamento do presente feito até o julgamento definitivo daqueles autos de infração. Por fim, alega que devem ser excluídos do lançamento os valores lançados a título de juros de mora, ainda mais calculados com base na taxa SELIC que extrapolam o percentual de 1% previsto no art. 161 do CTN. A decisão recorrida está assim ementada: PROCESSO JUDICIAL E IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial resulta em renúncia à discussão na via administrativa da matéria levada à apreciação do Poder Judiciário. Deve ser conhecida a impugnação quando são distintos os objetos do processo judicial e do processo administrativo. EQUIVALENCIA PATRIMONIAL. INVESTIMENTOS NO EXTERIOR. TRIBUTAÇAO EM DUPLICIDADE. Comprovado na impugnação que parte da variação cambial que integra a exigência foi objeto de autuação em outro processo fiscal, deve a exigência ser exonerada para evitar duplicidade. EQUIVALENCIA PATRIMONIAL. INVESTIMENTOS NO EXTERIOR. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE. O decidido no IRPJ repercute na exigência de CSLL por depender dos mesmos fatos e dos mesmos elementos de prova. Lançamento Procedente em parte. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 23/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 23/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16561.000189/200708 Acórdão n.º 140200.474 S1C4T2 Fl. 6 6 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. Os recursos, voluntário e de ofício, preenchem os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Tratamse de exigências de IRPJ e CSLL sobre resultados obtidos pelo contribuinte por sua coligada no exterior, sendo que a contribuinte possui ação judicial contribuinte possui sentença julgando procedente o pedido para suspender a exigibilidade do crédito tributário do IRPJ e da CSLL resultante do regime de tributação previsto no caput do art. 74, da Medida Provisória nº 2158/34/01, na forma como foi regulamentada pela Instrução Normativa nº 213/2002 no que concerne ao resultado positivo da equivalência patrimonial de suas agências/filiais e controladas no exterior, nos autos do MANDADO DE SEGURANÇA nº 2002.61.00.0037578. Passo a apreciar as questões não submetidas ao judiciário. RECURSO DE OFÍCIO Vejamos os fundamentos da decisão recorrida nesta parte: I.b) Da alegação de valor em duplicidade Alega a defesa que no valor de R$ 930.992.972,19, utilizado para cálculo da variação cambial de 2002, estaria incluído o lucro do anocalendário de 2001, cuja tributação se verificou no processo nº 16561.000190/200724 pela conversão da taxa de câmbio de 31/12/2002, e, assim, haveria tributação em duplicidade sobre a variação cambial do lucro de 2001. De início, apontou a defesa erro no quadro de fls.610, quanto à variação cambial da Unipart, pois o valor correto seria R$ 486.119.357,07 e não o indicado no TFV de R$ 466.741.256,00. Contudo, como a própria defesa afirma, a equivalência de R$ 691.797.638,20 é o resultado da soma do lucro indicado de R$ 205.678.281,10 mais a variação cambial correta de R$ 486.119.357,07. Portanto, o equívoco apontado pelo interessado não traz repercussão na exigência. Expõe a defesa que, na planilha de fls.260/263, verificase que, quanto à empresa Unipart, para apuração do valor da variação cambial de R$ 486.119.357,07 partiuse do investimento em 31/12/2001 de R$ 930.992.972,19, que corresponde à multiplicação da participação da Impugnante naquela empresa à época (90,844374%) pelo valor do patrimônio líquido da Unipart em 31/12/2001 (R$ 982.325.238,94) + o valor do lucro da empresa naquele (R$ 42.496.586,70), e aponta o doc.3, às fls.673/678. Quanto a essa alegação verificase que: na DIPJ do anocalendário 2001, o interessado indicou na ficha 36Participações no Exterior em nome da Unipart Part. Int. o valor de R$ 1.036.423.825,73, a título de ativo total e de R$ 1.024.821.825,72 a título de patrimônio líquido e na ficha 37 indicou o lucro de R$ 42.496.586,76, da qual participava com 90,84% conforme fls.678. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 23/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 23/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16561.000189/200708 Acórdão n.º 140200.474 S1C4T2 Fl. 7 7 conforme demonstrativo contábil em dólares e em reais onde consta o patrimônio líquido da Unipart em 31/12/2001 que é composto de R$ 982.325.238,94 de capital/reservas mais R$ 42.496.586,76 de lucro do ano de 2001, perfazendo o patrimônio líquido de R$ 1.024.821.826,00 (fls.673/676 e pesquisa IRPJCONS de fls.702/706), como consta da DIPJ acima, que deve ser multiplicado pela participação de 90,84% (arredondado) para obterse o valor de R$ 930.992.972,19, a partir do qual foi calculada a variação cambial de 2002. os cálculos da variação cambial constam de fls. 258/259, fls.260/263, fls. 292 a 295, resultando no valor de R$ 486.119.357,07, tendo sido adotado como custo o valor de R$ 930.992.972,19. Dessa forma, procede a alegação da requerente, devendo ser exonerada a parcela de variação cambial sobre o lucro de 2001, conforme demonstrativo abaixo: Variação cambial do lucro de 2001 da Unipart a exonerar 1) Patrimônio líquido R$1.024.821.825,72 2) % de participação 90,844374% 3) valor do custo R$ 930.992.972,19 4) lucro de 2001 (*) R$ 38.603.899,41 (US$ 16.636.743,41 x 2,3204) 5) custo lucro de 2001 (3) – (4) R$ 892.389.072,78 6) taxa de câmbio de 2001 2,3204 7) taxa de câmbio de 2002 3,5333 8) custo atualizado em 31/12/2002 R$1.358.851.194,12 9) variação cambial calculada (8)(5) R$ 466.462.121,35 10) variação cambial lançada R$ 486.119.357,07 11) variação cambial do lucro de 2001 R$ 19.657.235,72 (*) obs: lucro de 2001 em US$ conforme Termo de Verificação Fiscal do processo nº 16561.000190/200724 e em R$ conforme fls.165 da impugnação correspondente. Assim, exonerase o valor de R$ 19.657.235,72 a título de variação cambial do ano calendário de 2001 para evitar que a exigência fique em duplicidade com a tributação efetuada no processo de nº 16561.000190/200724 e mantida no respectivo julgamento. Pelos fundamentos acima transcritos verificase que restou patente a duplicidade em relação a valores já exigidos no processo 16561.000190/200724, no que concerne a variação cambial do ano de 2001 da empresa Unipart. Correta a decisão de 1a. instância nessa parte, pelo que deve ser negado provimento ao recurso de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO Prejudicialidade do processo administrativo nº 16561.000190/200724 Alega a recorrente (verbis): Demonstrou o Recorrente em sua defesa que, ao apurar o valor do IRPJ e CSL supostamente devidos em razão das infrações que entendeu ter ocorrido, o ilustre fiscal autuante corretamente teve a preocupação de recompor a base de cálculo de ambos os tributos, levando em consideração os resultados negativos auferidos pelo Recorrente naquele ano e em exercícios anteriores. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 23/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 23/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16561.000189/200708 Acórdão n.º 140200.474 S1C4T2 Fl. 8 8 Ocorre, porém, que ao assim proceder o ilustre fiscal autuante já considerou como definitivas as reduções daqueles prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSL a que ele próprio procedeu no outro auto de infração que lavrou na mesma data e deu origem ao processo nº 16561.000190/200724 (doc. 02 da impugnação). Com efeito, ao recompor a base de cálculo do IRPJ em razão das supostas infrações apuradas no caso concreto o ilustre fiscal autuante partiu de um valor de prejuízo do exercício de apenas R$ 700.659.679,81 (fls. 596, linha 3), tendo em vista que considerou como definitiva a redução do prejuízo fiscal de R$ 982.945.424,01 para este novo valor em razão da infração apontada naquele outro processo no valor de R$ 282.285.744,20 (doc. 02 da impugnação, fls. 115). Do mesmo modo, no que diz respeito à CSL o ilustre fiscal autuante no caso concreto partiu de um valor de base negativa do exercício de R$ 524.128.845,51 (fls. 601, linha 2), em razão de também ter considerado como definitiva a redução daquela base de cálculo negativa em razão da infração apontada naquele outro processo (doc. 02 da impugnação, fls. 120). Contudo, tendo em vista que também naquele feito foi apresentada impugnação em que se questionou os autos de infração lavrados, jamais poderia ser considerada definitiva a redução dos prejuízos fiscais e base de cálculo negativa só produzida em razão daquelas supostas infrações, tratandose de questão prejudicial ao julgamento do presente feito, na medida em que implica diretamente na apuração do crédito tributário que supostamente poderia ser exigido do Recorrente. Não obstante assim seja, consignou a r. decisão recorrida: “Verificase que o presente processo trata de autuação do anocalendário de 2002, e, dessa forma, os valores mantidos no julgamento do citado processo que também trata de fatos geradores relativos ao anocalendário de 2002 repercutem no presente julgamento, os quais, serão considerados, conforme adiante se demonstrará na matéria tributável mantida. Quanto ao pedido de sobrestamento do processo, verificase que não há tal previsão no Decreto nº 70.235/72, devendo ser dado prosseguimento normal ao processo.” (grifo nosso) Vale dizer, reconheceu expressamente a r. decisão recorrida que o parcial provimento da impugnação apresentada nos autos do Processo nº 16561.000190/200724 impacta diretamente nos valores lançados no presente feito. Contudo, embora os valores mantidos no julgamento do Processo nº 16561.000190/200724 tenham sido considerados na matéria tributável mantida neste processo, certo é que os valores lá lançados ainda não são definitivos na esfera administrativa (uma vez que a empresa interpôs recurso em face daquela decisão doc. 02), de modo que eventual decisão que dê provimento àquele recurso novamente refletirá nos estoques de prejuízo fiscal e de base negativa de CSL passíveis de compensação neste lançamento. Vale dizer, sobrevindo decisão favorável ao contribuinte nos autos daquele outro processo administrativo, como certamente ocorrerá face aos argumentos de direito lá expostos, as reduções efetuadas pela fiscalização no tocante ao prejuízo fiscal e a base negativa de CSL restarão prejudicadas, restabelecendose os estoques de prejuízo fiscal e base negativa de CSL, de modo a repercutir diretamente nos valores Fl. 8DF CARF MF Emitido em 23/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 23/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16561.000189/200708 Acórdão n.º 140200.474 S1C4T2 Fl. 9 9 que podem ser exigidos nos presentes autos, sendo manifesta portanto a relação de prejudicialidade entre os processos. Por essa razão, diversamente do que entendeu a r. decisão recorrida, impõese no caso o SOBRESTAMENTO do presente feito até que seja definitivamente julgado aquele outro auto de infração face à flagrante ocorrência da PREJUDICIALIDADE, nos termos do artigo 265, IV, “a”, do Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal. Realmente, o artigo 265, inciso IV, letra “a” tem a seguinte redação: (...) Em caso análogo, o Conselho de Contribuintes já decidiu por “sobrestar a apreciação do litígio, até a prolação de uma nova decisão, pela instância inferior, no processo nº 13971.000401/0006”, tendo em vista a relação de prejudicialidade entre o processo em julgamento e o processo relativo a outro. Dúvida não resta, portanto, quanto à necessidade de se sobrestar o presente feito até julgamento final do Processo Administrativo nº 16561.000190/200724, tendo em vista a flagrante relação de prejudicialidade e dependência entre os processos, ou quando menos de se suspender a exigibilidade do suposto crédito tributário até julgamento final daquele processo, sob pena de cobrança indevida, independentemente da decisão final que venha a ser proferida no processo judicial. Pois bem, em consulta ao sistema de gerenciamento dos processos e das atividades de julgamento do CARF, o chamado “eProcesso”, constatase que o Processo 16561.000190/200724 já foi julgado em segunda instância neste Conselho, acórdão 1302 00.441, que recebeu a seguinte ementa e decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2002 ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.VEDAÇÃO. É vedado o afastamento pelo CARF de dispositivo prescrito em medida provisória com base em alegação de inconstitucionalidade. Aplicação da Súmula CARF nº 02. LUCROS DISPONIBILIZADOS NO EXTERIOR. TAXA DE CÂMBIO APLICÁVEL.DATA DE CONVERSÃO DA MOEDA. A data de conversão da moeda aplicável aos lucros disponibilizados no exterior é determinada pelo §4º do art. 25 da Lei nº 9.249/95. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário. No voto condutor do aludido acórdão, da lavra do ilustre conselheiro Eduardo Andrade, extraise a seguinte conclusão: “Assim, voto para negar provimento ao Recurso de Ofício e dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para alterar a data de conversão da moeda relativa à tributação dos lucros auferidos no exterior para aquela prescrita no §4º do art. 25 da Lei nº 9.249/95.” Portanto, o pleito da recorrente para sobrestamento deste até o julgamento do aludido processo tornouse inócuo. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 23/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 23/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16561.000189/200708 Acórdão n.º 140200.474 S1C4T2 Fl. 10 10 Outrossim, uma vez que a decisão de primeira instância já havia dado razão ao contribuinte quanto a necessidade de ajustar este processo ao que for julgado naquele, entendo que o procedimento correto é determinar a apensação deste ao processo 16561.000190/200724, para que passem a tramitar em conjunto após a presente decisão, cabendo à unidade de origem proceder também ao ajuste da base de cálculo em função do que foi decidido no acórdão 130200441. Registrese, ainda, que também cabe ajustar as exigências do presente processo ao que for decidido no processo 16327.001263/200514, de igual forma em face da existência de conexão . Juros de Mora Alega a requerente que não poderiam ser exigidos juros de mora no caso concreto, posto que a Impugnante jamais incorreu em mora, e se devidos fossem os juros de mora não poderiam ter sido calculados com base na taxa SELIC, que não é índice adequado para tanto, pois fixado unilateralmente por órgão do Poder Executivo e, ainda, extrapola em muito o percentual de 1% previsto no art. 161 do CTN. Não cabe razão à recorrente. Isso porque, embora tenha obtido êxito precário na ação judicial, estando suspensa a exigibilidade do crédito tributário, não há previsão legal para interromper a incidência de juros de mora. Nesse aspecto, também não merece reparos à decisão recorrida, cujos fundamentos a seguir transcrevo: Quanto à exigência dos juros moratórios, cabe lembrar que o Código Tributário Nacional, em seu artigo 161, dispõe que: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. (g.n.). A fluência dos juros moratórios, a partir do vencimento, dos tributos e contribuições, decorre de expressa previsão legal, sendo que o ato administrativo do lançamento apenas formaliza a pretensão da Fazenda Pública, nos termos do art. 142 do CTN. Verificase que a autuação encontra amparo no art. 161 do CTN, o qual determina que os juros são devidos qualquer que seja o motivo determinante da falta e que são devidos mesmo durante o período de suspensão da respectiva cobrança por decisão administrativa ou judicial, de acordo com o art. 5º do Decretolei n.º 1.736/79, o qual dispõe que: "Art. 5º A correção monetária e os juros de mora serão devidos inclusive durante o período em que a respectiva cobrança houver sido suspensa por decisão administrativa ou judicial." Fl. 10DF CARF MF Emitido em 23/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 23/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16561.000189/200708 Acórdão n.º 140200.474 S1C4T2 Fl. 11 11 Portanto, nos termos do parágrafo primeiro do citado artigo 161 do CTN, os juros moratórios serão de 1% por cento ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. Assim, valendose da faculdade legal, o legislador ordinário, por intermédio da Lei nº 9.065/1995, artigo 13, determinou que os juros de mora seriam equivalentes à taxa SELIC. Transcrevese o citado diploma legal: Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a 2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. (g.n). Portanto, a única exigência para a fixação de juros de mora distintos do percentual de 1% (um por cento) ao mês é a expressa previsão legal, requisito preenchido pela Lei nº 9.065/1995, artigo 13. Ressaltese, não há vedação legal para a utilização como juros de mora, de taxas instituídas por atos administrativos, desde que sua aplicação esteja prevista em lei. Cabe aqui aplicar a súmula No. 4 do CARF, que dispõe: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de oficio, e dar provimento parcial ao recurso voluntário, cabendo à unidade de origem ajustar as exigências do presente processo ao que foi decido no acórdão 130200441, relativo ao processo 16561.000190/200724, bem como promover a apensação deste àquele, para que passem a tramitar em conjunto, e também para ajustar as exigências do presente processo ao que for decidido no processo 16327.001263/200514. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 11DF CARF MF Emitido em 23/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 23/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 10768.018342/98-08
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Nov 12 00:00:00 UTC 1999
Data da publicação: Fri Nov 12 00:00:00 UTC 1999
Numero da decisão: 105-01.081
Decisão: RESOLVEM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Nilton Pess
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DE.Z 1999 .•.. RESOLUÇÃO N.o 105-1.081 10768. O18342/98-08 119.633 - EX OFFICIO IRPJ e OUTROS - EX.: 1994 DRJ no RIO DE JANEIRO/RJ GELTEC COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTOA. 12 DE NOVEMBRO DE 1999 VERINALDO H Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso de ofício pelo DELEGADO DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO no RIO DE \ JANEIRO/RJ RESOLVEM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de , "Contribuintes, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos ; termosdo voto do relator.~ ~Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: JOSÉ CARLOS J ~PASSUEllO, lUIS GONZAGA MEDEIROS NÓBREGA, ROSA MARIA DE JESUS DA "t~~ ,; SILVA COSTA DE CASTRO, ÁLVARO BARROS BARBOSA LIMA, IVO DE LIMA BARBOZA ~eAFONSO CELSO MATTOS LOURENÇO. ,~~. . FORMALIZADO EM: Processo n.o. ..Recurso n.O. Matéria: r Recorrente Interessada Sessão de í MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.O. Resolução n.o. 10768.018342/98-08 105-1.081 Tempestivamente é apresentada impugnação, contestando parcialmente o lançamentoe o pedido de parcelamento da parte não impugnada. 2 RELATÓRIO 119.633 DRJ no RIO DE JANEIRO/RJ GEL TEC COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA VARIAÇÃO MONETÁRIA PASS~ 1) Variação Monetária Passiva; 2) Passivo não comprovado; 3) Recuperação de despesa; 4) Compensação de prejuízo -IRPJ; 5) Base negativa da Contribuição Social. PASSIVO NÃO COMPROVADO Informa ter localizado documentos anteriormente não apresentados, anexandocópias às fls. 164/165 (doc. 2); quanto aos demais valores lançados neste item, posteriormente, em aditamento à impugnação (fls. 177/181), diz que pretende pagar o valor . não impugnado, via parcelamento. Recurso n.O Recorrente Interessada .•.. A interessada, GEL TEC COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA, teve contra si . lavrados Autos de Infração referentes a IRPJ; PIS; COFINS; IRRF e Contribuição Social (fls. '. 107/140). Os lançamentos basearam-se no Termo de Verificação e Esclarecimento ."(fls. 101/104) e demonstrativo (105/106), pela apuração das seguintes irregularidades: \ < \ MINISTÉRIODA FAZENDA 'PRIMEIROCONSELHO DE CONTRIBUINTES 10768.018342/98-08 105-1.081 Diz que a fiscalização glosou despesas de correção monetária, apropriadas noperíodo de janeiro a agosto de 1994, referentes a quotas de impostos e contribuições parcelados não pagas dentro do respectivo mês, amparando-se no art. 7° da ;Lei n.o 8.541/92. Deduz que com a publicação da MP 596/94, convertida na Lei n.o 9.069/95,.•... ,8 partirdo mês de setembro de 1994, a dedutibilidade da variação monetária passiva estava ~autorizada,inclusive dos tributos e contribuições não pagos. Conclui que caso não tivesse reconhecido a variação monetária passiva nos 'mesesde janeiro a agosto de 1994, face a revogação do artigo 7° da Lei n.O 8.541.92, !poderiafazê-lo integralmente no mês de setembro de 1994, devendo portanto ser 'consideradainsubsistente a autuação nesta parte. RECUPERAÇÃO DE DESPESA Pelo Termo, a impugnante teria deixado de estornar da sua contabilidade o ~valorde R$ 1.500.000,00, relativo a um perdão de dívida junto ao Banco do Brasil SA. Alega que tal extinção da dívida, conforme texto do acordo, somente ocorreriaquando da quitação do valor acordado em juízo, o que não teria ocorrido até a data i~Obalanço, e que a impugnante poderia vir a ter que pagar o valor da dívida original, tendo '~mvista que a execução encontrava-se apenas suspensa. i~ COMPENSAÇÃO DE PREJUfzos. Sendo insubsistente a autuação, não há que se falar em ajustes nos ;prejuízosfiscais, para fins de IRPJ e Contribuição Social. A DRJ recorrente, através da Decisão n.o DRJ/RJO n.o 46/99 (fls. 186/195, ! "ponsiderao lançamento procedente em parte, mantendo somente a exigência refef-ente ao -passivoFictício, não contestado, constituindo-:e~ortanto e matéria não liti9iJ.osa....., j /A Wvú?--- INISTÉRIODA FAZENDA ,IMEIROCONSELHO DE CONTRIBUINTES 10768. O18342/98-08 105-1.081 De sua própria decisão, RECORRE DE OFíCIO, ao Primeiro Conselho de Após desmembrar o processo, através da formação do processo de n.o 3707.001095/99-69, com a transferência dos valores mantidos pela decisão recorrida, é ncaminhado ao Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, para.•.. É o relatório. 4 MINISTÉRIODA FAZENDA PRIMEIROCONSELHO DE CONTRIBUINTES 10768.018342/98-08 105-1.081 VOTO ConselheiroNILTON P~SS - Relator . .•.. O recurso foi interposto de conformidade com o entendimento da autoridade julgadora.em atenção a legislação então vigente. Observo que a maior parte das eXlgencias, foram desoneradas pela aceitaçãoda documentação anexada ao recurso, constante dos anexos 2 e 3, muito embora osmesmos tratam-se de simples cópias fotostáticas, não autenticadas. Considero prudente sejam os mesmos, até pelo fato de não terem sido examinados pelo fiscal autuante. pois vieram aos autos por ocasião da impugnação. conferidoscom os originais. Pelo exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que,retornando o processo ao órgão de origem. Auditor Fiscal seja designado. no sentido deverificar a autenticidade das cópias apresentadas como anexos 2 e 3 (fls. 164/165 e , 167/176), para as verificações cabíveis, e ao final, seja elaborando Parecer Conclusivo, visandoampararem e solidificarem o nosso julgamento. É o meu voto. Sala das Sessões - DF. 12 de novembro de 1999. 5 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005
score : 1.0
Numero do processo: 10640.000803/2004-14
Turma: Segunda Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2005
Numero da decisão: 102-02.227
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Naury Fragoso Tanaka
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" RESOL\lEM os Membros da Se~gunda Câmara do Primeiro , . Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos term,os do voto do Relator, nos termos do relatório e voto, que . passam a integrar o presente julgado. ~~,~ ... ,LEILA MARIA SCH.ERRER LEITÃOC~~ . NAURYFRAG~ R.ELATOR .. ~ . , FORMALIZADO EM: , ,I , Participaram,. ainda, do presente, julgamento, os Conselheiros', LEONARDO HENRIQUE MAGÁLHÃES. DE OLIVEIRA, JOSÉ' OLESKOVICZ,' ALEXANDRE ANDRADE' LIMA DA FONTE F.ILHO, JOSÉ RAiMUNDO TOSTA SANTOS, SILVANA MANCINI KARAM e ROMEU BUENO DE CAMARGO. MINISTÉRIO -DAFAZENDA PRIMEIRO C9~SELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CAMARA Processo n° Resolução nO Recurso n° Recqrrente 10640.000803/2004-14 102-02.227 143.839 AUGUSTO LOPES MOREIRA R E L A ró R I,O ti Litígio decorrente' do inconformismo do representante, do sujeito ,pass'ivo com a decisão de primeira instância, fls. 1.603 a 1.614, v-6, na qual a ~xigência tributária formalizada pelo Auto de Infração, de 31 de março de 2004, fI. 04; v-1, com crédito de R$ 29.811.324,07, foi considerada, por unanimidade de votos, proc~dente. O crédito tributário decorre de infrações caracterizadas pela falta de recolhimento do 'Imposto de Renda - Pessoa Física, incidente sobre rendimentos percebidos em todos os meses dos anos-calendário de 1998, 1.999, 2000, e 20p2, neste último com exceção do mês de dezembro. Deve ser esclarecido que todas as infrações foram apuradas CO!T! suporte na presunção legaf'havida no artigo 42, da lei .' 1- , nO9.430, de 1996. Nessà linha, integraram o referido crédito, os juros de mora e a multa de ofício, esta com suporte no artigo 44, I, do ato legal citado. I Conveniente constar deste Relatório, em breve síntese,. as I ,I f 1. ' j v.erificações que fizeram parte do procedimento investigatório. A pessoa fiscalizada apresentou Declarações de Ajuste Anual Simplificadas - DAAS durante a vigência do prazo/legal para cada exercício. , . Por hipótese, os rendimentos tributáveis declarados foram aqueles percebidos pela participação nas empresas, uma yez que a declaração é simplificada, enquanto a rryaiorparte deles foram provenientes da atividade rural. Esta, em todos os' anos fiscalizados, ocorreu em um sítio com 10,5 ha denomil')ado I 'Sitio Rodeiro, MG, e no ano de.1999, R$ 301.190,OÓ, R$ 203.712,80, em 2000, R$ 273.648,00 em 2001, e R$ 388.829,00 em 2002.' 2 3 I Outra informação necessária a melhorar o entendimento da situação fática diz .respeito ao patrimônio do sujeito. passivo. 10640.000803/2004-14 102-02.227 \ I .MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA As justificativas aos depósitos e créditos bancários" podem ser .( resumidas como explícito no Relàtório Fiscal: . "13.1 O contribuinte possuía propriedades .rurais e explorava o cultivo de hortaliças, sendo um dos poucos agicultores da região a possuir um caminhão. Desta forma, os agricultores utilizavam o seu /'. . Em seguida foram lavradas Intim,ações para buscar esclarecimentos sobre a origem dos depósitos e créditos encontrados em cada período.', . . I As disp:onibilidades declaradas totalizaram R$ 369.250',00 em 1998, " . R$ 447.750,00 .em 1999, R$ '761.584,00 em 2000, R$ 683.801 ;00 em 2001, e R$ 701.550,57, além dos saldos bancários declarados. Ao finé;:lldo ano-cale.ndário. de 1998, o valor de aquisição. de seu. " ' patrimônio era de R$ 1.055,650,45, passando em 1999, para R$ 1.163.043,18, fL 290, para R$ 1.756.119,28, em 2000; fL 287, R$ 1.840.719,81 em 2001, fL 283; e R$ 1.983.908,67, em 2002, fL 278, fato que denota um crescimento próximo a R$. 1.000.000,00 no períodq sob análise . . fmportante esclarecer que o sujeito passivo, após solicitação via Termo de Ihício da Ação. Fiscal, entregou os extratos bancários da cOnta 1.414-1, . I • ~;, agência 1.940-2, do Banco Bradesco. SA, referentes ao período considerado à Autoridade FiscaL Processo nO Resolução n° É composto por prédiá com 6 (seis) unidades, prédio com 2 (dois) pavimentos, parte em duas casas r~sidenciais,duas casas residenciais, dois barracões e, um terrenó havidos por herànça; três glebas. rurais, um caminhão marca Mercedes Benz,ano de fabricação 1984; participação na empresa Comercio e Industria Lopas Ltda e Mir:teraçi3o do Vale d,a Piranga Ltda, saldos bancários'e disponibilidades em moeda corrente em montante significativo. ao final de cada período. MINISTÉRIO DA FAZENDA .. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES} SEGUNDA GÂMARA . Processo n° Resolução nO 10640.000803/2004-14 f02-02.227 caminhão para transportar os produtos para a CEASA onde recebiam cheques pela comercialização dos mesmos. 13.2 Como muitos dos agricultores sequer tinham conta bancária e havendo a necessidade. de depositar os referidos cheques, uma vez que diversos deles eram de outras regiões,' o contribuinte depositava-os em sua conta apenas com a finalidade de serem compensados, após o que, re'passava' os valores aos seus' respectivos donos. 13.3 O contribuinte também trocava cheques pré-datados, de terceiros, para empresários e amigos, tendo em vista que muitos deles não possuíam capital de .giro e precisando honrar s~us compromissos em' dia, valiam-se' de sua boa' vontade para rêalizarem .a troca antes das datas acertadas, sendo certo que' nestas operações não se visava o lucro e sim o crescimento da cidade de Rodeiro". O respeitável colegiado julgador da 4a Turma da DRJ em Juiz de Fora considerou proc~dente. o feito, com suporte' na condição que tem como , hipótese abstrata a renda omitida levantada com a presunção legal contida no artigo . . 42 da lei n.o 9.430, de 1996, conforme Acórdão DRJ/JFA nO7.439, de 17/6/2004., Não conformada com a dita decisão, Joziane Aparecida Nogueira, OAB MG 90.307, representante legal do sujeito passivo interpôs em 17 de agosto' de 2004, recurso áo E. Primeiro Conselho de Contribuintes, Observando o prazo , , legal para esse fim, pois com ciência da decisão a quo em .16 de julho .de 2004, fI. 1'.6..17, v-6. Como foram reitera~os os argumentos postos em primeira instância, via peça impugnatória, necessário .que sejam expostos neste Relatório para t' possibilitar o melhor entendimento. De início. afirmado que a pessoa fiscalizada desde 1982 auxilia na construção da cidade de Rodeiro, MG, auxiliando pequenos empresários com um grande volume de tro'c'a de cheques, como Jormane, PP, Jade, Camaphe, Ludlar, . . ..•. Sabiá, Novelli, Beija-Flor, Boareto, Norca de Caxias, mediante ressarcimento da CPMF. 4 Pedido pela observação da renda arrecadada na Fazenda Chalet da . , .• I Serra, depositada mensalmente na conta do recorrente, constando' esta da Declaração de Ajuste Anual-DAA. • " 10640.000803/2004-14 : 102-02.227 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO 'CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Afirmado que' não houve,a caracterização de renda, uma vez que os depósitos e créditos bancários ou não. pertenciam à pessoa fiscalizada, ou faziam parte da renda de sua pessoa jurídica, ou da renda originada de seus imóveis, ou,. ainda, circularam em sua conta bancária' sem proporcionar qualq'uer rendimento. Segunào a defesa, o sujeito passivo transportava a produção agrícola da região às cidades de Belo Horizonte e Rio de Janeiro onde recebia os pagamentos em cheques, e uma grande parte deles, de terceiros. Devido à sua \ , melhor condição, depositava'os cheques de terceiros na sua conta e repassava os valores. líquidos aos produtores .. A comprovação dessas operações dever~ ser feita mediante 'a oitiva dos produtores. . 5 Na condição de SÓCi? gerente da empresa C:0mérciç> Indústria e Transporte Lopas Ltda, por falta de informações, alguns depósitos de cheques de terceiros recebidos em pagamento 'da compra de móveis foram depositados na conta da pessoa física. No entanto, afirmado que. a corresponde~e receita foi tributada na pessoa jurídica." . Juntados à peça impugnatória copias dos extratos bancários da empresa Comércio, Indústria e Transporte Lapas Ltda, fls. 342, v-2; a 569, v-3, de suas Declarações de Informações Econômico-Fiscais-DIPJ: Ex. 2000, 2001, 2002 e 2003, e a escrituração individualizada por cliente, dia de atividades, na qual indicado o percentual de juros cobrados, e individualizados o emitente do cheque, a. . data de vencimento, o valor, o núrt:1erode dias para permanecer em carteira, o valor dos juros .cobrados e o valor líquido pago, fls. 566, \/-3 a 1.601, v-6. Outro argúmentb tem centro na atividade rural exercida pela pessoa fiscalizada e a prestação de serviços adicionais à comunidade em razão de possuir um caminhão. Processo n9 Resolução nO .~. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE .cONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo nO Resolução n° 10640.00080~/2004.;14 102-02.227 A corroborar essa" afirmativa, o fato de o suj,eitopassivo não ter apresentado sinais exteriores de riqueza, comprovado pela declaração de rendimentos, pelos.saldos bancários e pelo patrimônio adquirido.' , Pedido pela consideração da boa, fé da pessoa fiscalizada pela I demonstração da inexistência de intenção em cometer crime, Jurisprudência administrativa consubstanciadéi na decisão nO.,1..891, . de 31 de maio de 2002, da DRJ/Sao Paulo e outras não identificadas sobre ',Idepósitos bancários. A parte correspondente à. pessoa jurídica foi obtida d.a subtràção entre o vafor total apurado ' e o valor movimentado na conta da mesma: R$ 27.908.460,19 - R$ 2.309.312,85. Ao finalizar a peça impugnatóriq, a re~orrent.e argumenta qU,eforam 'tributados nos períodos fiscalizados R$ 48.802.347,37 e destes, R$ 259.481,96 teriam sido declarados como rendimentos nas Declarações de Ajuste Anual - DAA, , , ' R$ 1.167.379,80,. como receita da atividade rural, R$ 25.599.147,34 são vqlores pertencentes à pessoa jurídica, citada, R$ 12.264.918,05, corresponderiam a - ' . . cheques descontados e.R$ 9.511.420,22, sériam' recebimentos de outros produtores. I I, I t. ; j I ' I rurais. ' , , \ ! A peça recursal conteve protesto pela manutenção it:Jtegral dos ( argumentos da peça impugnatória, mas não ratificou expressamente sua parte final, no texto desenvolvido. Válido salientar que a análise das fichas dé controle de transações' I ' ' •• juntadas pela defesa é dificultada porque seus valores não apresentam coincidência . \ ' com os depósitos e créditos identificados pela Autoridade Fiscal, e outra dificuld'ade é que não p.ermite identificar a data do efetivo depósito dos valores de referência. (. É o relatório. 6/1 . , MINISTÉRIO qA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo nO : 10640.000803/2004_14 'Resolução nO. : 102-02.,227 VOTO' .. , ConselheirC? NAURY FRAOOSO TANAKA, Relator. Atendidos os requisitos de adniissibilid.ade, conheço ,do recurso vo"untário e 'profirovoto. . A. análise dàsituação. fática r~quer consi:der~ção dos indícios para formação -de prova indireta. Interpre.to dessa forma em. razão da simplicidade da argumentação posta pela defesa, dos documentÇ>s por .ela apresentados e pelos '. . . . .' . . " demais.cárreados p~la Autoridad~ Fiscal. ., , Para o sujeito ativd; a presunção legal contém,exigência no sentido de que a pessoa fiscalízada deve trazer pr~yas 'd~ fato ocorrido nO.passado, no, entanto, ',~ão. a . libera dã' análise individualízada dos', depósitos e créditos,. . .' . . . ~ considerad.os, na forma' do artigo 42, ~ 3° da .Iei nO9.430, de 1996C). . '. ., I '. . O pólo passivo desta ;relação jurídica tributária trouxe dados, via: . , , peçaimpugnatória" dos quais possivel. extrair 'que afirma. esiar a origem 'de ia;. valoresloca'lizada uma parte dela em operações. de factoring realizada dentro da' empresa pComércio,' Indústria e Transporte Lopas Ltda; outra parte na receita da .", ~tividade 'rural deClarada, outra: na ,renda tributável, é outra parte nos re'ndimentos I obtidos tias tra:,sações de factoring, junto aos agricultores locais e da 'região: A ,escrituração juntada á peça illlPugnatória, denota uma quantid,ade. '. . . . significativa de cheques recebidos de terceiros, que' teria sido. trocada mediante • I I. , i • ! /, r. '. , Lei n' ~.430, de 1996 - Art: 42. CaraCterizam-se '-também om;s;.o dOTeceita ou de rendi';'ento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em' . relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica; regUlarmente intimado, não comprove; mediante documentação hábil e idônea, aorigem dos recursos utilizados, nessas operaçôes, , ..,', .(....) . S' 3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualmente,observado que não serão considerados: (...) , I7/1 ".. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo nO Resolução nO 10640.000803/2004-14 102-02.227 \ I I.' i J I J i ! i , I , JJ )t' ~" . " ,remuneração a título de juros de 5% ou 6% (seis) por cento ao mês, conforme se extrai das fls. 566, 568, e 569, v-3. No,entanto essa e~crituração não pertence ao sujeito pa~sivo, mas por suposição; à empre~a da qual participa. Analisando os demais dados do processo para melhor conformar a situação fática, verifica-se, conforme texto do Termo de Iníçio de Ação Fiscal, fI. 35,. ., que foi autorizada pelo Mandado de Procedimento Fiscal nO06.;1,04.00:'2003-00158- , ., 1, de 9 .de abril de 2003, neste dirigida ao Imposto de Renda da ~esso~ Física - IRPF, períodos entre janeiro de 1997 a dezembro de 2002, fI. 1, mas de acordo com . . o primeiro, com.parâmetro de investigação exclúsivo sóbre contas ba'ncárias. Assim, não foram comprovados os rendimentos tributáveis ,/' declarados, nem a receita da atividade rural, o.ueventuais rendimentos isentos, não .tributados, ou tributados exclusivamente na fonte. I Essa forma de proceder trai1$feriu ao sujeito passivo o ônus de trazer tais dados ao processo caso desejasse comprovar à órigem dos depósitos e créditos bancários. A pessoa fiscalizada tinha como atividades o gerenciamento de empresas e o exercício da atividade rural. Em termos de valor, há predominância desta última .. Salvo justificativas comprovadas, possível extrair presença de erro no preenchimento do anexo da atividade rural, uma vez que 10,5 ha, equivalentes a 4,38 alqueires, de terras produziram uma receita extremamente elevada, em todos os anos. Outro dado possível de extrair e a quantidade significativa' de depósitos em cada dia,. característica d'á prática de, atividade comercial: .27 no dia 4/~/99, 14 no dia 5/1/99,7 no dia 6/1/99, 12 no dia 7/1/99, 16'no dia 8/1/99, e as'sim por diante. ' . Essa prática é confirmada por dados indiciá rios como. o quantitativo de cheques devolvidos e excluídos pela Autoridade Fiscal, fls. 19' a 3,5, a Assim, conveniente converter o julgamento em diligência para que funcionário competente da uflidade de origem: 10640.000803/2004-14 102-02.227 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA (e) Intime a pessoa fiscalizada a comprovar a receita da atividade rural declarada nos exercícios verificados, e, após, verifique a autenticidade ,da documentação apresentada, a compatibilidade com a área de terras declarada entre outras análises possíveis. (d) Verifique junto à empresa Comercial, Industrial e Transporte. Lapas Ltda a existência' de escrituração contábil,' porque declarante pelo lucro \ . presl,lmido, e se cónstá a tributação da receita proveniente das operações indicadas nos documentos juntados ao processo; (f) outras verificações' entendidas necessárias pelo funcionário encárregado de realizar o trabalho para fins da elaboração de parecer quanto à (b) Efetive cruzamento dos dados bancários de.depósitos e créditos com aqueles constantes dos controles apresentados pela defesa ~ conclua sobre a efetividade da relação. (c) Tome a termo declaração das pessoas beneficiadas nessas transações ou obtenha, mediante intimação, informação a respeito da transação de fundo e da identidade da fonte dos recursos. (a) Componha amostragem com depósitos e créditos acima de R$ 20.000,00, . em cada período, e. solicite ao Banco BradescoSA, cópia dos documentos que possibilitem identificar os componentes de tais valores, pàra fins de cruzamento com os,dados das listagens apresentados pelo sujeito passivo. argumentação posta na peça impugnatória e reiterada na recursal e os dados dos documentos que integraram a primeira, a de.monstrar uma série de cheques teoricamente trocados pelo sujeito passivo. . Isto posto, parece-me claro 'que tais valores merecem melhor investigação para q.ue seja ajustada a base de cálculo do tributo de tal f~rma a aproximar o crédito tribu'tário daquele realmente devido na época de ocorrência dos fatos. Processo nO Resolução nO ., ... MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA'CÂMARA Processo n° . 10640.000803/2004-14 Resolução nO : 102-02'.227 ligação entre a 'empresa e a pessoa fiscalizada, bem assim, quanto a autoria- das transáções eventua'/menteçomprovadas e os efeitos destas perante a base de cáJculo identificada no Auto de Infração. ' (g) dar ciência ao sujeito passivo desses dados e, abrir prazo de 30 (trinta) dias para manifestação. ' / ' É como voto. Saladas Sessões - DF, em 10 de agosto de 2005. ~' .' NAURYF~~-/; . ( I' 10, 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010
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