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Numero do processo: 10166.720074/2008-92
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005, 2006
REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE PROFISSÃO, ATIVIDADE OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE NATUREZA NÃO COMERCIAL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM CARÁTER PERSONALÍSSIMO. CONTRIBUINTE.
São tributadas como rendimentos de pessoas físicas as remunerações por serviços prestados, de natureza não comercial, com ou sem vínculo empregatício. O fato de formalmente a relação contratual ter sido estabelecida em nome de pessoa jurídica não muda o efetivo contribuinte, que é definido em lei e com base na natureza dos rendimentos.
APLICAÇÃO DE LEI SUPERVENIENTE AO FATO GERADOR. AUSÊNCIA DE CARÁTER INTERPRETATIVO.
Inaplicável o art. 129 da Lei n° 11.196, de 2005, a fatos geradores pretéritos, uma vez que dito dispositivo legal não possui natureza interpretativa, mas sim instituiu um novo regime de tributação.
RECLASSIFICAÇÃO DE RECEITA TRIBUTADA NA PESSOA JURÍDICA PARA RENDIMENTOS DE PESSOA FÍSICA. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS PAGOS NA PESSOA JURÍDICA.
Devem ser compensados na apuração de crédito tributário os valores arrecadados sob o código de tributos exigidos da pessoa jurídica, cuja receita foi desclassificada e convertida em rendimentos de pessoa física, base de cálculo do lançamento de oficio.
DECLARAÇÃO EM SEPARADO. SOCIEDADE CONJUGAL. DEPENDENTE.
A apresentação da Declaração de Ajuste Anual em separado por parte de ambos os cônjuges impede que um dos cônjuges faça uso da dedução de dependente em relação ao outro.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-002.441
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso, para reconhecer o direito à compensação dos valores pagos pela pessoa jurídica Mercury Comunicação Social Ltda com o imposto exigido em razão da infração de omissão de rendimentos.
Assinado digitalmente
Giovanni Christian Nunes Campos Presidente
Assinado digitalmente
Núbia Matos Moura Relatora
EDITADO EM: 26/02/2013
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM CARÁTER PERSONALÍSSIMO. CONTRIBUINTE. São tributadas como rendimentos de pessoas físicas as remunerações por serviços prestados, de natureza não comercial, com ou sem vínculo empregatício. O fato de formalmente a relação contratual ter sido estabelecida em nome de pessoa jurídica não muda o efetivo contribuinte, que é definido em lei e com base na natureza dos rendimentos. APLICAÇÃO DE LEI SUPERVENIENTE AO FATO GERADOR. AUSÊNCIA DE CARÁTER INTERPRETATIVO. Inaplicável o art. 129 da Lei n° 11.196, de 2005, a fatos geradores pretéritos, uma vez que dito dispositivo legal não possui natureza interpretativa, mas sim instituiu um novo regime de tributação. RECLASSIFICAÇÃO DE RECEITA TRIBUTADA NA PESSOA JURÍDICA PARA RENDIMENTOS DE PESSOA FÍSICA. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS PAGOS NA PESSOA JURÍDICA. Devem ser compensados na apuração de crédito tributário os valores arrecadados sob o código de tributos exigidos da pessoa jurídica, cuja receita foi desclassificada e convertida em rendimentos de pessoa física, base de cálculo do lançamento de oficio. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 00 74 /2 00 8- 92 Fl. 2232DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10166.720074/200892 Acórdão n.º 2102002.441 S2C1T2 Fl. 2.233 2 DECLARAÇÃO EM SEPARADO. SOCIEDADE CONJUGAL. DEPENDENTE. A apresentação da Declaração de Ajuste Anual em separado por parte de ambos os cônjuges impede que um dos cônjuges faça uso da dedução de dependente em relação ao outro. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso, para reconhecer o direito à compensação dos valores pagos pela pessoa jurídica Mercury Comunicação Social Ltda com o imposto exigido em razão da infração de omissão de rendimentos. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 26/02/2013 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra ALEXANDRE EGGERS GARCIA foi lavrado Auto de Infração, fls. 1585/1594, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa aos anoscalendário 2003 a 2005, exercícios 2004 a 2006, no valor total de R$ 1.715.460,24, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 30/09/2008. As infrações apuradas pela autoridade fiscal, detalhadas no Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal, fls. 1595/1603, foram: Fl. 2233DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10166.720074/200892 Acórdão n.º 2102002.441 S2C1T2 Fl. 2.234 3 (i) dedução indevida de dependente, nos anoscalendário 2003 e 2004 – não foi acolhida a dependência de Joaniza Maria Nunes Garcia, que apresentou Declaração de Ajuste Anual (DAA) em separado nestes anoscalendário; (ii) omissão de rendimentos – constatouse que os rendimentos recebidos pelo contribuinte por prestação de serviços de caráter personalíssimo foram indevidamente oferecidos à tributação na pessoa jurídica Mercury Comunicação Social Ltda, da qual o contribuinte é sócio majoritário. No que se refere à infração de omissão de rendimentos, para melhor contextualizála, trazse a seguir alguns trechos extraídos do Termo de Verificação Fiscal: Da análise da documentação reunida, constatouse a tributação de rendimentos da pessoa física ALEXANDRE EGGERS GARCIA na pessoa jurídica MERCURY COMUNICAÇÃO SOCIAL LTDA, e, também, que nas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Física (DIRPF) do Contribuinte da fl.3 à 16 não foram declarados os rendimentos oriundos do trabalho como jornalista, palestrante, dentre outros; mas sim prólabore e lucros distribuídos pela empresa anteriormente mencionada, da qual é sócio. A seguir, expõemse os fatos que consubstanciam tal constatação. O fiscalizado é jornalista e presta serviços a diversas emissoras de rádio e televisão e, também, como palestrante, comentarista e mestre de cerimônia, conforme contratos fl. 166 à 315 e notas fiscais da fl. 316 à 1577 apresentados. (...) Destarte, os contratos celebrados não podem modificar a definição legal de sujeito passivo, transferindo a tributação da pessoa física para a jurídica, mormente quando se tratam de prestação de serviços de caráter personalíssimo, claramente identificada nas cláusulas dos contratos, nas quais fica evidenciado ser a verdadeira contratada a pessoa física de ALEXANDRE GARCIA, como a seguir destacado: CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS E OUTRAS AVENÇAS (TV GLOBO) [...] CLÁUSULA PRIMEIRA: O objeto do presente instrumento é a contratação da CONTRATADA pela CONTRATANTE para o fim de prestação dos serviços descritos nos itens (i), (ii) e (iii) desta cláusula, a serem prestados única e exclusivamente pelo INTERVENIENTE SÓCIO, sócio da contratada, que também firma o presente contrato em caráter solidário com a CONTRATADA [...]. CONTRATO DE FORNECIMENTO DE PROGRAMA RADIOFÔNICO (RÁDIO ATALAIA DE MARINGÁ LTDA) Fl. 2234DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10166.720074/200892 Acórdão n.º 2102002.441 S2C1T2 Fl. 2.235 4 [...] I – A CONTRATADA obrigase a fornecer para a CONTRATANTE um programa radiofônico por dia [...] sempre apresentado pelo jornalista ALEXANDRE GARCIA [...] (grifos nossos) Observase que, no caso dos contratos com a TV GLOBO, o Contribuinte, denominado Interveniente Sócio, os firma solidariamente com a empresa – até mesmo porque a pessoa jurídica MERCURY COMUNICAÇÃO SOCIAL LTDA, com um capital social de cinqüenta mil reais, não teria condições de pagar o valor da multa pelo descumprimento do contrato, estipulada na faixa de um milhão de reais – garantindo pessoalmente o que foi avençado. É notado, também, que, justamente para resguardar de possíveis problemas decorrentes da contratação dos serviços da pessoa jurídica, quando, na realidade, o que realmente ocorre é a contratação de serviços individuais de pessoa física, a TV GLOBO contrata tanto com a empresa MERCURY, denominada Contratada, quanto com o Sr. ALEXANDRE GARCIA, denominado Interveniente Sócio. Consta na Cláusula Segunda do Contrato Social da empresa MERCURY da fls. 147 à 165 que o objetivo da sociedade será a prestação de serviços de jornalismo nos setores impresso, rádio e televisão; assessoria e consultoria de comunicação social; locação de mão de obra. Salvo melhor juízo, as sócias JOANIZA MARIA NUNES GARCIA (excônjuge tendo como profissão: do lar, nos termos do formal de partilha à fl. 45) e, posteriormente, MARIA THALITA EGGERS GARCIA (mãe do Fiscalizado que, conforme base de dados da Receita Federal, é aposentada e reside no Rio Grande do Sul) não estariam habilitadas a cumprir os objetivos da sociedade, tanto que nas notas fiscais da fl. 136 à 1577 consta que os serviços foram prestados por ALEXANDRE GARCIA, dando a entender que as sócias, cujas participações eram, respectivamente, de apenas 10% e 1% do capital social, entraram na sociedade apenas com o intuito de cumprir as exigências legais para a constituição da empresa. Os fatos anteriormente mencionados corroboram o caráter eminentemente pessoal dos serviços prestados. Da análise da escrituração contábil e das DIRPF, concluise que os rendimentos decorrentes dos contratos são escriturados na pessoa jurídica, que repassa ao Fiscalizado uma pequena quantia a título de prólabore, sendo a efetiva remuneração dada através de lucros distribuídos. Ressaltese, ainda, que na discriminação dos serviços das notas fiscais consta o nome do Contribuinte, denotando a individualidade e pessoalidade dos serviços por ele prestados. Fl. 2235DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10166.720074/200892 Acórdão n.º 2102002.441 S2C1T2 Fl. 2.236 5 Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 1614/1670, e a autoridade julgadora de primeira instância julgou procedente o lançamento, conforme Acórdão DRJ/BSA nº 0330.622, de 29/04/2009, fls. 2079/2111. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 05/06/2009, Aviso de Recebimento (AR), fls. 2118, o contribuinte apresentou, em 22/06/2009, recurso voluntário, fls. 2120/2188, no qual solicita a reforma da decisão recorrida, com os seguintes argumentos: (I) O Auto de Infração desconsiderou a personalidade jurídica da Mercury independentemente de prévia autorização judicial e da comprovação da prática de fraude, o que não se compagina com o disposto nos arts. 135, inciso III e 137 do CTN e 50 da Lei nº 10.406/02 (Novo Código Civil); (II) O Auto de Infração violou flagrantemente o disposto nos arts. 3º, § 4º, da Lei nº 7.713/88 e 45 do RIR/99, ao passo que o primeiro dispositivo limitase a positivar o princípio da universalidade da tributação pelo IRPF, de forma a incluir, neste critério, todo e qualquer rendimento auferido pelo contribuinte pessoa física, independentemente de sua denominação, e o segundo apenas prescreve que os rendimentos de trabalho nãoassalariado e licenciamento de direitos autorais por pessoa física (e não jurídica) são tributáveis pelo IRPF (de forma que ambos não possibilitam o suposto deslocamento de receitas de pessoa jurídica para pessoa física); (III) O Auto de Infração violou o disposto no art. 150, §1º, inciso II, do RIR/99, sendo que este dispositivo prescreve apenas a equiparação, à pessoa jurídica e para fins do imposto de renda, de empresas individuais, o que não reflete a realidade fáticojurídico abarcada pelo ato administrativo retro mencionado (onde o serviço personalíssimo é prestado por pessoa jurídica, que, mediante desconsideração de sua personalidade jurídica, é equiparada a pessoa física); (IV) O Auto de Infração discrepou do teor dos arts. 5º, inciso II e 150, inciso I, da Constituição Federal, art. 97, inciso I e V, 108, inciso I, parágrafo único e 142, todos do CTN, que são expressos ao prescrever que os administrados e, mais especificamente, os contribuintes, somente poderão ser obrigados a fazer ou deixar de fazer alguma coisa em virtude de lei (que deverá trazer todos os elementos necessários a sua aplicação, sob pena de ilegalidade), bem como ser vedado às autoridades fiscais lançarem mão da interpretação analógica (idêntica à interpretação a contrario sensu) para fins de exigir o pagamento de tributo; (V) O Auto de Infração violou o disposto nos arts. 4º, 118, e 123 do CTN, ao passo que os mesmos não permitem, nem de longe, a reclassificação de rendimentos perpetrada pelo Fisco, pelos motivos analiticamente expostos; (VI) O Auto de Infração violou a legislação e a jurisprudência, os quais expressamente autorizam e reconhecem a possibilidade de prestação de serviços personalíssimos por pessoa jurídica; (VII) o Auto de Infração, efetivamente, desconsiderou a personalidade jurídica da Mercury e não apenas reclassificou rendimentos por ela percebidos; posto que o art. 129 da Lei nº 11.196/05 é norma de natureza meramente interpretativa, tanto que voltada ao esclarecimento e orientação dos agentes da administração pública para que, no exercício de suas funções, não desconsiderem a personalidade jurídica de sociedades legalmente constituídas para prestação de serviços intelectuais, com a Fl. 2236DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10166.720074/200892 Acórdão n.º 2102002.441 S2C1T2 Fl. 2.237 6 finalidade de tributar os sócios e também porque tal dispositivo transmudou o modal deôntico proibido para permitido; (VIII) A autuação fiscal importou em incontestável mudança de critério jurídico na interpretação da legislação fiscal que homologou todas as declarações prestadas pela Mercury e pelo recorrente por 15 anos , de forma que este entendimento somente poderá ser aplicado para os períodos futuros; (IX) O Auto de Infração violou o art. 100, inciso III, parágrafo único, do CTN, tendo em vista que pautouse na pior hipótese expendidas pelas autoridades fiscais, é vedado que lhe apliquem multa de ofício e juros de mora; (X) O Auto de Infração deveria ter compensado, com o supostamente devido, os tributos (PIS, COFINS, IRPJ e CSLL) devidamente recolhidos pela Mercury, sendo que tal compensação deve ser feita antes da aplicação da multa de ofício e dos juros de mora; (XI) Por fim, caso este Julgador Administrativo julgue procedente esta impugnação administrativa no que toca aos tópicos acima mencionados, terseá, de igual forma, de reconhecer a legalidade da dedução das despesas, do IRPF devido pelo recorrente nos exercícios de 2003 e 2004, com a dependente Sra. Joaniza Maria Nunes Garcia, ao passo que, na pior das hipóteses, deveria a autoridade administrativa ter tributado, na pessoa do recorrente, as receitas por ela auferidas, como reiteradamente tem decidido o 1º Conselho de Contribuintes. É o Relatório. Fl. 2237DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10166.720074/200892 Acórdão n.º 2102002.441 S2C1T2 Fl. 2.238 7 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. No que se refere à infração de omissão de rendimentos, podese dizer que a defesa do contribuinte se pauta, em suma, nas seguintes teses, as quais serão a seguir examinadas: 1 O Auto de Infração desconsiderou a personalidade jurídica da Mercury independentemente de prévia autorização judicial e da comprovação da prática de fraude. 2 – A legislação do imposto de renda expressamente autoriza e reconhece a possibilidade de prestação de serviços personalíssimos por pessoa jurídica, logo, incabível o deslocamento de receitas de pessoa jurídica para pessoa física. 3 O art. 129 da Lei nº 11.196/05 é norma de natureza meramente interpretativa, aplicável, portanto, retroativamente aos anoscalendário em exame. 4 – A autuação fiscal importou em incontestável mudança de critério jurídico na interpretação da legislação fiscal que homologou todas as declarações prestadas pela Mercury e pelo recorrente por 15 anos , de forma que o entendimento adotado na Auto de Infração somente poderá ser aplicado para os períodos futuros e, ainda, a teor do art. 100, inciso III, parágrafo único, do CTN, não caberia a aplicação de multa de ofício e juros de mora. 5 O Auto de Infração deveria ter compensado, com o supostamente devido, os tributos (PIS, COFINS, IRPJ e CSLL) devidamente recolhidos pela Mercury, sendo que tal compensação deve ser feita antes da aplicação da multa de ofício e dos juros de mora. No que tange às alegações resumidas no item 1 acima, importa dizer que o Auto de Infração não desconsiderou a personalidade jurídica da Mercury. Na verdade, da leitura do Termo de Verificação Fiscal, vêse claramente que o entendimento da autoridade fiscal foi no sentido de que o produto auferido em razão dos contratos firmados pela pessoa jurídica Mercury e os contratantes eram rendimentos da pessoa física (recorrente), sócio majoritário da empresa, e, via de conseqüência, procedeuse a lavratura do competente Auto de Infração, imputando ao recorrente a infração de omissão de rendimentos, de forma a propiciar a correta tributação dos rendimentos recebidos pelo recorrente em razão dos referidos contratos. Fl. 2238DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10166.720074/200892 Acórdão n.º 2102002.441 S2C1T2 Fl. 2.239 8 Tal conclusão – de que o recorrente deve ser tomado como o contribuinte, no que concerne aos valores recebidos em razão dos contratos celebrados pela Mercury – decorre dos seguintes fatos: o contribuinte é sócio majoritário da pessoa jurídica Mercury Comunicação Social Ltda, onde também tem participação, primeiramente, sua excônjuge Joaniza Maria Nunes Garcia, com 10% do capital, até 24/05/2004, e, posteriormente, sua mãe, Maria Thalita Eggers Garcia, que ingressou na sociedade, em 01/06/2004, com participação no capital social de 1%. A participação das outras sócias é ínfima, sendo claro que somente o recorrente pode prestar os serviços contratados com a Mercury. o contribuinte é jornalista e presta serviços a diversas emissoras de rádio e televisão e, também, como palestrante, comentarista e mestre de cerimônia, tudo conforme contratos celebrados pela Mercury e os contratantes dos serviços do recorrente, fls. 166/315, e notas fiscais, fls. 316/1577. nos contratos o contribuinte figura como sócio interveniente, sendo certo que há sempre a exigência de que os serviços sejam sempre prestados pelo recorrente. Ora, não há dúvida de que se trata de prestação de serviços de natureza pessoal, prestados pelo próprio recorrente, na geração dos rendimentos em causa, pois sem o recorrente, com absoluta certeza os contratos firmados entre a Mercury e os contratantes sequer seriam celebrados, sendo relevante observar que os rendimentos considerados omitidos no Auto de Infração guardam perfeitamente consonância com as disposições contidas na Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Conforme já afirmado, durante o procedimento fiscal, observouse que os rendimentos da pessoa física do recorrente não foram devidamente tributados e nessa conformidade procedeuse ao lançamento, exigindo o corresponde crédito tributário. Nada mais ocorreu. Não houve a desconsideração da personalidade jurídica da Mercury. Apenas entendeuse que os rendimentos, que originalmente foram oferecidos à tributação na pessoa jurídica Mercury eram na verdade rendimentos do sócio majoritário da referida empresa e nessa condição foram levados à tributação no Auto de Infração. Logo, não há que se falar em desconsideração da personalidade jurídica da empresa Mercury. Para a apreciação das alegações resumidas no item 2, de que a legislação do imposto de renda expressamente autoriza e reconhece a possibilidade de prestação de serviços personalíssimos por pessoa jurídica, devese observar o disposto no art. 150 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999): Art. 150. As empresas individuais, para os efeitos do imposto de renda, são equiparadas às pessoas jurídicas (DecretoLei n° 1.706, de 23 de outubro de 1979, art. 2°). § 1° São empresas individuais: I as firmas individuais (Lei n°4.506, de 1964, art. 41, § 1 0, alínea "a"); Fl. 2239DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10166.720074/200892 Acórdão n.º 2102002.441 S2C1T2 Fl. 2.240 9 II as pessoas físicas que, em nome individual, explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços (Lei n°4.506, de 1964, art. 41, § 1°, alínea "b"); (...) § 2° O disposto no inciso II do parágrafo anterior não se aplica às pessoas físicas que, individualmente, exerçam as profissões ou explorem as atividades de: I médico, engenheiro, advogado, dentista, veterinário, professor, economista, contador, jornalista, pintor, escritor, escultor e de outras que lhes possam ser assemelhadas (Decreto Lei n° 5.844, de 1943, art. 6°, alínea "a", e Lei n°4.480, de 14 de novembro de 1964, art. 3°);(grifei) Como se vê, não se caracteriza como empresa individual a pessoa física que, individualmente, exerça a profissão de jornalista. Ou seja, ao contrário do que entende a defesa, a legislação do imposto de renda não admitia a tributação da prestação de serviços personalíssimos na pessoa jurídica. E este é o caso dos autos. Do Termo de Verificação Fiscal e dos documentos que compõe o processo restou evidenciado que os rendimentos levados à tributação, sob a rubrica de omissão de rendimentos, são decorrentes do exercício da profissão de jornalista, desenvolvida pelo recorrente, de forma que a autuação obedeceu estritamente o disposto na legislação do imposto de renda. É preciso que se diga, que a legislação permite a constituição de pessoa jurídica com a finalidade de explorar a prestação de serviços personalíssimos, contudo, a tributação de tais rendimentos deve ser feita na pessoa física. Nestes termos, correta a conduta da autoridade fiscal em proceder a tributação, na pessoa física, dos rendimentos auferidos pelo recorrente em decorrência dos contratos de prestação de serviços personalíssimos. No que concerne à alegação do recorrente de que o art. 129 da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, é norma de natureza meramente interpretativa, aplicável, portanto, retroativamente aos anoscalendário em exame (item 3), temse que esta matéria já foi muito bem apreciada no Acórdão nº10421.583, de 24/05/2006, da relatoria do Conselheiro Nelson Mallmann. Assim, adoto integralmente as conclusões lá exaradas e peço vênia para transcrever o trecho do voto que cuida do assunto: Antes de adentrar no mérito propriamente dito e em razão da matéria ter sido levantada na fase da sustentação oral se faz necessário algumas considerações a respeito do art. 129 da Lei n° 11.196, de 2005, abaixo transcrito: "Para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando Fl. 2240DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10166.720074/200892 Acórdão n.º 2102002.441 S2C1T2 Fl. 2.241 10 por esta realizada, se sujeita tãosomente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto no art. 50 da Lei n° 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil." Dispõe o artigo 50 da Lei n° 10.406, de 10 de janeiro de 2002 o Código Civil: "Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica." Não há dúvidas, que o artigo 129 foi editado para resolver problemas relacionados à tributação dos rendimentos produzidos em decorrência da prestação de serviço de natureza pessoal, oferecido ao mercado por intermédio de uma sociedade com personalidade jurídica ("empresas unipessoais"). Entretanto, no caso em discussão, o crédito tributário constituído se reporta a fato gerador ocorrido antes da vigência da mencionada lei, razão pela qual se faz necessária a verificação se o referido dispositivo legal faz inovação ou criação de regime jurídico novo, ou apenas expressa entendimento sobre legislação já existente, ou seja, é esta norma meramente interpretativa? Indiscutivelmente a lei interpretativa não pode inovar, limitase a esclarecer dúvida a respeito de dispositivo de lei anterior. No meu entendimento o art. 129 da Lei n° 11.196, de 2005 traz inovação e cria as "empresas unipessoais" para fins de tributação como pessoas jurídicas, antes consideradas pessoas físicas perante a legislação tributária. Entretanto, a norma acima não possui caráter interpretativo, sendo incorreto alegar aplicação retroativa com base no art. 106, inciso I, do CTN. O art. 106, inciso I, do CTN assim dispõe: "Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; Segundo Eduardo Espinola e Eduardo Espinola Filho, "denominamse leis interpretativas as que têm por objeto determinar, em caso de dúvida, o sentido das leis existentes, sem introduzir disposições novas" (A Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, atualizado por Silva Pacheco, 3ª ed., Ed. Renovar, 1999, vol. 1, p.294). Fl. 2241DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10166.720074/200892 Acórdão n.º 2102002.441 S2C1T2 Fl. 2.242 11 Portanto, para que uma lei seja considerada interpretativa, são necessários os seguintes requisitos: 1) o caráter interpretativo tem que ser expresso; 2) indicação da lei anterior que está sendo interpretada; 3) existência de lei anterior disciplinando a matéria tratada na lei interpretativa; e 4) existência de dúvida quanto ao sentido de uma lei anterior. Diz o Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 1999: (...) Art. 146. (...) Art. 147 (...) Art. 148 (...) Art. 149 (...) Art. 150 (...) Do texto acima transcrito é possível se concluir que as atividades exercidas por pessoas físicas abaixo relacionadas não se caracterizam como empresa individual, ainda que, por exigência legal ou contratual, encontremse cadastradas no CNPJ ou que tenham seus atos constitutivos registrados em Cartório ou Junta Comercial: (1) a pessoa física que, individualmente, exerça profissões ou explore atividades sem vínculo empregatício, prestando serviços profissionais, mesmo quando possua estabelecimento em que desenvolva suas atividades e empregue auxiliares, a exemplo de: médico, engenheiro, advogado, dentista, veterinário, professor, economista, contador, jornalista, pintor, escritor, escultor e de outras que lhes possam ser assemelhadas; (2) a pessoa física que explore, individualmente, contratos de empreitada unicamente de mãodeobra, sem o concurso de profissionais qualificados ou especializados; (3) a pessoa física receptora de apostas da Loteria Esportiva e da Loteria de Números (Lotomania, Supersena, MegaSena etc) credenciada pela Caixa Econômica Federal, ainda que, para atender exigência do órgão credenciador, esteja registrada como pessoa jurídica, e desde que não explore, no mesmo local, outra atividade comercial; (4) representante comercial que exerça exclusivamente a mediação para a realização de negócios mercantis, como definido pelo art. 1° da Lei n° 4.886, de 1965, uma vez que não os tenha praticado por conta própria; Fl. 2242DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10166.720074/200892 Acórdão n.º 2102002.441 S2C1T2 Fl. 2.243 12 (5) pessoa física que faz o serviço de transporte de carga ou de passageiros em veículo próprio ou locado, mesmo que ocorra a contratação de empregados, como ajudantes ou auxiliares. Como se observa, a legislação tributária nunca permitiu que as pessoas físicas que, individualmente, exerçam profissões ou explorem atividade de médico, engenheiro, advogado, dentista, veterinário, professor, economista, contador, jornalista, pintor, escritor, escultor e de outras que lhes possam ser assemelhadas, tributassem seus rendimentos como se fossem pessoas jurídicas. Ora, não há dúvidas que os valores recebidos pelo suplicante são decorrentes de natureza eminentemente pessoal, ou seja, decorrem do fruto de seu desempenho pessoal. Indiscutivelmente, os rendimentos provenientes da cessão do direito ao uso da imagem, do direito de arena, do uso de nome profissional e execução de contrato de trabalho com natureza personalíssima, com cláusula que impossibilite de serem procedidas por outra pessoa, jurídica ou física que não o titular contratado são rendimentos que devem ser tributados na pessoa física do efetivo prestador de serviços. Da mesma forma, é sabido que as sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada são tributadas pelo imposto de conformidade com as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Entretanto, estas sociedades civis devem preencher determinadas condições, tais como: (a) a natureza de suas atividades e dos serviços prestados deve ser exclusivamente civil; (b) todos os sócios devem estar em condições legais de exercer a profissão regulamentada para a qual estiverem habilitados, ainda que diferentes entre si, desde que cada um desempenhe as atividades ou prestem os serviços privativos de suas profissões e esses objetivos estejam expressos no contrato social; (3) as receitas da sociedade devem provir da retribuição ao trabalho profissional dos sócios ou empregados igualmente qualificados; (4) as sociedades civis são aquelas em que todos os sócios estejam legalmente capacitados a atender às exigências dos serviços por elas prestados, etc. Com certeza não é o caso do suplicante, já que a sociedade é formada pelo suplicante e sua esposa, que não exerce atividade igual ao do suplicante. Como se vê, nunca houve dúvidas que salários e rendimentos provenientes de serviços personalíssimos seriam tributados na pessoa física, tendo como única exceção a sociedade civil de profissão legalmente regulamentada, o que não é o presente caso. O legislador sempre foi inequívoco no sentido de que, em relação a salários e rendimentos produzidos pelo exercício de profissões e pela prestação de serviços de natureza não comercial, o contribuinte será a pessoa física que realiza pessoalmente o fato gerador. A jurisprudência deste Primeiro Conselho de Contribuintes, em casos semelhantes, sempre se firmou no sentido de que Fl. 2243DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10166.720074/200892 Acórdão n.º 2102002.441 S2C1T2 Fl. 2.244 13 rendimentos provenientes de serviços personalíssimos devem ser tributados na pessoa física. É nítido que o referido artigo inovou no ordenamento jurídico, pois até então, a legislação tributária acerca do imposto de renda nunca deixou dúvidas que rendimentos provenientes da exploração do serviço individualmente prestado por um artista, ou seja, serviço personalíssimo, seria tributado na pessoa física prestadora do serviço, mesmo que os serviços fossem contratados e ajustados por meio de uma pessoa jurídica, pois se verifica que, na realidade, o que foi contratado foi um serviço individual. Tenho para mim, que a referida norma tem por objetivo maior esclarecer e orientar os agentes da administração pública para que, no exercício de suas funções, não desconsiderem a personalidade jurídica de sociedades legalmente constituídas para prestação de serviços intelectuais, com a finalidade de tributar os sócios. Assim, as empresas legalmente constituídas para a prestação de serviços intelectuais (sociedades de engenheiros, arquitetos, advogados, médicos etc) não podem ser descaracterizadas pelos agentes fiscais ao argumento de que o serviço prestado pelos profissionais aos seus contratantes seria regido pelas normas da CLT, com todos os reflexos trabalhistas e tributários daí decorrentes. Em conclusão, o art. 129 da Lei n° 11.196, de 2005, é lei inovadora, portanto, inaplicável a regra contida no art. 106, inciso I, do CTN, aos serviços prestados por "empresas unipessoais" (caráter personalíssimo) antes da publicação da referida lei, já que a legislação tributária anterior vedava que os rendimentos oriundos da prestação de serviço em caráter pessoal fossem tributados como de pessoa jurídica. Nestes termos, afastase a pretensão do recorrente de ver aplicado o disposto no art. 129 da Lei nº 11.196, de 2005, aos fatos geradores ocorridos nos anoscalendário 2003, 2004 e 2005. Finalizando, devese apreciar a alegação da defesa de que a autuação fiscal importou em incontestável mudança de critério jurídico na interpretação da legislação fiscal que homologou todas as declarações prestadas pela Mercury e pelo recorrente por 15 anos , de forma que o entendimento adotado no Auto de Infração somente poderá ser aplicado para os períodos futuros e, ainda, a teor do art. 100, inciso III, parágrafo único, do CTN, não caberia a aplicação de multa de ofício e juros de mora (item 4). Ora, como bem afirmado na decisão recorrida, até a publicação da Lei nº 11.196, de 2005, a legislação de regência nunca permitiu que os rendimentos oriundos da prestação de serviços personalíssimos fossem tributados nos moldes em que disposto para as pessoas jurídicas. Logo, não assiste razão ao contribuinte quando afirma que houve alteração do critério jurídico. Fl. 2244DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10166.720074/200892 Acórdão n.º 2102002.441 S2C1T2 Fl. 2.245 14 Ou seja, até o advento da Lei nº 11.196, de 2005, o critério adotado pelo Fisco foi de que a prestação de serviços personalíssimos fosse tributada na pessoa física, de modo que dentro do prazo decadencial inarredável é a competência da autoridade fiscal para proceder o exame da conduta adotada pelo contribuinte, visando a verificação do correto cumprimento da obrigação tributária, sendo certo que verificada quaisquer infrações, cabe o lançamento de ofício, com as penalidades previstas na legislação. No presente caso, dentro do prazo decadencial, verificouse que houve a omissão de rendimentos por parte do recorrente e procedeuse ao competente lançamento, sendo certo que no que se refere aos anoscalendário já alcançados pela decadência o que houve foi a homologação tácita, sem exame da autoridade fiscal. No que tange à multa de ofício, temse que foi aplicada com base no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que a seguir se transcreve: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; A autoridade fiscal verificou que o contribuinte omitiu rendimentos, deixando, conseqüentemente, de recolher o imposto de renda correspondente e sujeitandose, portanto, à imposição da multa de 75%. Assim, deve prevalecer a cobrança da multa de ofício de 75%, conforme exigido no presente Auto de Infração. Digase, ainda, por tudo acima mencionado, que não se vislumbra no lançamento da infração de omissão de rendimentos, nenhuma violação à legislação, seja no que pertine à Constituição Federal ou às leis e normas relativas ao imposto de renda e nessa conformidade deve a referida infração ser mantida. Já no que diz respeito à alegação da defesa de que a autoridade fiscal deveria ter compensado com o crédito tributário apurado os tributos recolhidos pela Mercury (item 5), temse que embora se reconheça que a pessoa jurídica Mercury e o seu sócio majoritário sejam pessoas distintas, não se pode desconsiderar o fato de que quando a autoridade fiscal afirma que os valores lançados como receitas da pessoa jurídica são rendimentos da pessoa física, está reconhecendo que os tributos recolhidos pela pessoa jurídica sobre essas mesmas receitas eram indevidos. Ou seja, está reconhecendo que parte do tributo que o Fisco deveria receber foi efetivamente pago, ainda que por outra entidade ou com outra denominação. A hipótese aventada de a pessoa jurídica pleitear a restituição do indébito não é razoável, posto que tal solução – pedido de restituição – impõe à pessoa jurídica o ônus de, ao pleitear a restituição dos tributos e contribuições pagos, reconhecer que o Auto de Infração estaria correto, contra suas próprias convicções e principalmente em razão da incidência da multa de ofício sobre a totalidade do imposto apurado no Auto de Infração que, de uma forma ou de outra, já foi recolhido. Fl. 2245DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10166.720074/200892 Acórdão n.º 2102002.441 S2C1T2 Fl. 2.246 15 Nestes termos, deve ser feita a compensação dos tributos e contribuições pagos pela Mercury com o imposto apurado no Auto de Infração, antes da aplicação da multa de ofício. Por fim, no que se refere à infração de dedução indevida de despesas com dependente, nos anoscalendário 2003 e 2004, sustenta a defesa que a autoridade fiscal deveria, em lugar de glosar a referida dedução, incluir, nas correspondentes Declarações de Ajuste Anual (DAA) do recorrente, os rendimentos tributáveis declarados por Joaniza Maria Nunes Garcia, sua excônjuge, posto que a mesma até a formalização do divórcio sempre foi dependente do contribuinte, ainda que apresentando DAA em separado. Tal questão encontrase muito bem apreciada pela decisão recorrida, que fundamentou a manutenção da glosa, esclarecendo que a regra posta pela legislação de regência é a de declaração em separado, sendo que a declaração em conjunto é uma opção do casal, ou seja, a decisão de apresentar a DAA em conjunto deverá ser tomada por ambas as partes, não podendo ser exercida por apenas uma das partes envolvidas. No presente caso, a excônjuge do contribuinte apresentou suas DAA, relativas aos anoscalendário 2003 e 2004, abdicando da opção da DAA em conjunto, logo, o contribuinte não poderia incluíla em suas DAA na condição de dependente, muito menos a autoridade fiscal poderia, em lugar de glosar a dedução de despesa com dependente, incluir, nas correspondentes Declarações de Ajuste Anual (DAA) do recorrente, os rendimentos tributáveis declarados por Joaniza Maria Nunes Garcia, conforme defendido pela defesa. Nesta conformidade, correta a conduta da autoridade fiscal em glosar as despesas com a dependente. Ante o exposto, voto por DAR PARCIAL provimento ao recurso, para reconhecer o direito à compensação dos valores pagos pela pessoa jurídica Mercury Comunicação Social Ltda com o imposto exigido em razão da infração de omissão de rendimentos. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 2246DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 13830.000616/2005-72
Data da sessão: Thu Oct 29 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Oct 29 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2000
IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS -CONTA CONJUNTA - Em caso de conta conjunta é obrigatória a intimação de todos os correntistas para informarem a origem e a titularidade dos depósitos bancários. Inteligência do parágrafo 6o, do artigo 42, da Lei n° 9.430, de 1996, que deve ser interpretado em conjunto com o "caput" do mesmo dispositivo legal. Lançamento que não observa tal critério é insubsistente.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2202-000.308
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Pedro Anan Júnior
1.0 = *:*
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2000 IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS -CONTA CONJUNTA - Em caso de conta conjunta é obrigatória a intimação de todos os correntistas para informarem a origem e a titularidade dos depósitos bancários. Inteligência do parágrafo 6o, do artigo 42, da Lei n° 9.430, de 1996, que deve ser interpretado em conjunto com o "caput" do mesmo dispositivo legal. Lançamento que não observa tal critério é insubsistente. Recurso provido.
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Numero do processo: 35954.000933/2007-97
Data da sessão: Mon Nov 30 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Dec 01 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/2002 a 01/0.3/2004
RELATÓRIO DE CO-RESPONSÁVEIS E VÍNCULOS. SUBSÍDIO PARA
FUTURA AÇÃO EXECUTÓRIA.
Os relatórios de Co-Responsáveis e de Vínculos são partes integrantes dos processos de lançamento e autuação e servem de base para, a despeito dodisposto no art, 135 do CTN, atribuir a sujeição passiva em futura ação executiva aos ali nominados. Esses relatórios são suficientes para se atribuir responsabilidade pessoal, conforme fada jurisprudência do STJ,
VALE TRANSPORTE COMBUSTÍVEL. SALÁRIO INDIRETO
O pagamento de Vale Transporte Combustível em pecúnia, é integrante da remuneração do segurado, nítida a sua configuração como salário indireto,
INCRA E SENAC INCONSTITUCIONALIDADE, AFASTAMENTO DE
NORMAS LEGAIS, VEDAÇÃO.
O Conselho de Contribuintes não é competente para afastar a aplicação de
normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucional idade,
ISENÇÃO. SALÁRIO EDUCAÇÃO.
Não faz jus a isenção da contribuição do salário educação a entidade que não
preenche os requisitos do art. 55, da Lei 8.212/91.
JUROS DE MORA. TAXA SEL1C, APLICAÇÃO À COBRANÇA DE
TRIBUTOS.,
Súmula do Segundo Conselho de Contribuintes diz que é cabível a cobrança
de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e
contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal clo Brasil com
base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação er, Custódia -
SELIC para títulos federais.
MULTA MORATÓRIA.
Numero da decisão: 2301-000.801
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ªTurma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por voto de qualidade, em manter os responsáveis indicados na relação
de co-responsáveis e, no mérito, em negar provimento ao recurso, vencidos o relator e os
Conselheiros Edgar Silva Vidal e Damião Cordeiro de Moraes. Apresentará voto divergente
vencedor a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros.
Nome do relator: Leonardo Henrique Pires Lopes
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2002 a 01/0.3/2004 RELATÓRIO DE CO-RESPONSÁVEIS E VÍNCULOS. SUBSÍDIO PARA FUTURA AÇÃO EXECUTÓRIA. Os relatórios de Co-Responsáveis e de Vínculos são partes integrantes dos processos de lançamento e autuação e servem de base para, a despeito dodisposto no art, 135 do CTN, atribuir a sujeição passiva em futura ação executiva aos ali nominados. Esses relatórios são suficientes para se atribuir responsabilidade pessoal, conforme fada jurisprudência do STJ, VALE TRANSPORTE COMBUSTÍVEL. SALÁRIO INDIRETO O pagamento de Vale Transporte Combustível em pecúnia, é integrante da remuneração do segurado, nítida a sua configuração como salário indireto, INCRA E SENAC INCONSTITUCIONALIDADE, AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS, VEDAÇÃO. O Conselho de Contribuintes não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucional idade, ISENÇÃO. SALÁRIO EDUCAÇÃO. Não faz jus a isenção da contribuição do salário educação a entidade que não preenche os requisitos do art. 55, da Lei 8.212/91. JUROS DE MORA. TAXA SEL1C, APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS., Súmula do Segundo Conselho de Contribuintes diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal clo Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação er, Custódia - SELIC para títulos federais. MULTA MORATÓRIA.
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SUBSÍDIO PARA FUTURA AÇÃO EXECUTÓRIA. Os relatórios de Co-Responsáveis e de Vínculos são partes integrantes dos processos de lançamento e autuação e servem de base para, a despeito do disposto no art, 135 do CTN, atribuir a sujeição passiva em futura ação executiva aos ali nominados. Esses relatórios são suficientes para se atribuir responsabilidade pessoal, conforme fada jurisprudência do STJ, VALE TRANSPORTE COMBUSTÍVEL. SALÁRIO INDIRETO O pagamento de Vale Transporte Combustível em pecúnia, é integrante da remuneração do segurado, nítida a sua configuração como salário indireto, INCRA E SENAC„ 1NCONSTITUCIONALIDADE, AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS, VEDAÇÃO. O Conselho de Contribuintes não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucional idade, ISENÇÃO. SALÁRIO EDUCAÇÃO. Não faz jus a isenção da contribuição do salário educação a entidade que não preenche os requisitos do art. 55, da Lei 8.212/91. JUROS DE MORA. TAXA SEL1C, APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS., Súmula do Segundo Conselho de Contribuintes diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal clo Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação er, Custódia - SELIC para títulos federais. MULTA MORATÓRIA. •- .,"7/ Processo n" 35954 900933/2007-97 S2-C3I1 Acordào n " 2301-00,801 FI 2 Em confbrmidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso. Recurso Voluntário Negado, Crédito Tributário Mantido.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3" Câmara / 1" Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por voto de qualidade, em manter os responsáveis indicados na relação de co-responsáveis e, no mérito, em negar provimento ao recurso, vencidos o relator e os Conselheiros Edgar Silva Vidal e Damião Cordeiro de Moraes. Apresentará voto divergente vencedor a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros. : 'VJU r'ç) JULIO CESA . -VIEIRA GOMES — Presidente r)su.5 L.:9 fl"``\-z---) BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS — Redatora Designada ,"/ • LEONARDO HE ,t.t. UE ES LOPES—Relator Ori Bemadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Edgar Silva Vidal (suplente), Maria Helena Lima dos Santos (suplente), Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente), Esteve presente ao julgamento o advogado da recorrente Dn Hamilton José Cardoso, OAB/DE 8465 Relatório Processo e 35954.000933/2007-97 S2-C3-11 Acórdão ri." 2301-00.,801 H 3 Trata-se de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito lavrada em 30/08/04, em desfavor de União Norte do Paraná de Ensino Ltda, vez que ausente o recolhimento das contribuições devidas a Seguridade Social (patronal, segurados e RAT) e a outras Entidades (Salário Educação, SEBRAE e INCRA), nos termos rio presente lançamento. Temos como fato gerador das contribuições o pagamento de remunerações, constantes na folhas de pagamento, a título de vale transporte combustível, em desacordo com a legislação aplicável. Foi apresentada defesa tempestiva de fis. 71/126, tendo a Decisão- Notificação de Fls. 2321/2377, julgado totalmente procedente o lançamento. Inconformada, apresentou recurso voluntário tempestivo de fiS„ 2.341/2437, alegando em síntese que: a) houve preterição ao contraditória e a ampla defesa; b) a Recorrente era imune até 2002, improcedendo, portanto a exigência fiscal até 2002; c) não foi observado o limite máximo do salário-contribuição dos segurados; d) ocorreu a decadência; e) são inconstitucionais as contribuições ao SESC e SENAC; f) é inconstitucional e ilegal a exigência da contribuição ao INCRA em relação a Recorrente; g) seria isenta da contribuição ao salário-educação; h) os juros de mora e a SEL1C foram aplicados incorretamente, caracterizando o Confisco, vedado pelo Ordenamento Jurídico; i) há ilegitimidade dos co-responsáveis; j) seja preservado seu sigilo fiscal; k) do acordo coletivo e seus efeitos jurídicos, salientando que o recebimento do vale transporte combustível é de caráter indenizatório, não devendo ser interpretado como salário "in natura",. Às fis, 2591/2594, consta as contra-razões do INSS, informando que as alegações da Recorrente são quase idênticas as razões de defesa outrora apresentadas e que ocorreu a preelusão processual quanto ao argumento da Recorrente de que não foi observado o limite máximo do salário-de-contribuição correspondente a parte dos segurados empregados, tendo sido a contribuição cobrada sobre os valores totais, vez que ausente esse requerimento quando da impugnação administrativa de Primeira Instância. 3 Processo n" 35954 000933/2007-97 S2-C311 Acindão n." 2301-00,801 Fl 4 O antigo Conselho de Recursos da Previdência Social, com acórdão de fls 2970/2974, rejeitou todas as preliminares suscitadas, e no mérito, determinou a conversão do julgamento em diligência para se averiguar se o limite do salário de contribuição quanto a parte segurado teria sido observado. Atendida a determinação acima e dada ciência a ora Recorrente, subiram os autos ao CARF.. É o relatório.. Voto Vencido Conselheiro LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Relatar Preliminarmente Da Imunidade Em seu recurso voluntário, afirma a Recorrente que a mesma era entidade abrangida pela imunidade prevista na alínea "c", inciso VI, do art. 150 e § 7' do art. 195, ambos da CF/88, até o ano de 2002, uma vez que realizava atividades de assistência social. A imunidade prevista no art, 150 da CF/88 diz respeito aos imposto, o que não é o caso cio presente lançamento. Quanto a imunidade das contribuições sociais, assim dispõe o art.. 195, § 70 da Constituição Federal de 1988: Ari, 19.5 - A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de !Orilla direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentas da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais § 7" - São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei Atente-se para a exigência que o dispositivo constitucional faz para a fruição do beneficio da isenção (na verdade é imunidade), qual seja, a necessidade de atender e preencher todos os requisitos previstos no art.. 55 da Lei n. 8.212/91, verbis Art. .5,5. Fica isenta da.s contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente. - seja reconhecida como de utilidade publica federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal, (-\ 4 Processo n" 35954.000933/2007-97 S2-C3T 1 Acórdão o " 2301-0W801 Fl 5 II - seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos, III - promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pe.ssoas carentes, em especial a crianças', adolescentes, idosos e portadores de deficiência; IV - não percebam _seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer titulo,. V - aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anuahnente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades § I" Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social-INSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachai o pedido. De uma rápida leitura dos dispositivos acima transcritos, facilmente se depreende que, mesmo que a Recorrente comprovasse atividades de assistência social, teria que cumulativamente atender a todos requisitos acima listados, o que de fato não ocorreu. Ressalte-se, que não há nos autos qualquer prova de seu reconhecimento como entidade de utilidade pública federal, por exemplo. Por fim, não há prova de qualquer requerimento junto ao INSS pleiteando o reconhecimento da isenção Do Mérito Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo tempestivo o presente recurso, passo ao exame de suas razões, Da Remuneração em Forma de Vale Transporte Combustível • O Cerne da questão, consiste na legalidade ou não dos valores pagos à titulo de "vale transporte combustível" integrarem a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Ressalte-se, desde já, que restou comprovado pela fiscalização que as parcelas que receberam o nome de "vale transporte combustível" eram pagas em dinheiro. Pois bem. Ao conceituar salário-de-contribuição, em seu artigo 28, a Lei n" 8.212/91, é cristalina ao incluir totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados, a qualquer título, aos empregados, bem como os ganhos habituais em forma de utilidade, ia verbis; Art. 28. Entende-se por salário-de-contribuição • 5 Processo n" .35954 0011933/2007-97 S2-C3T1 Acórdão n " 2301-00.801 Fl. 6 1 - para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua firma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais _sob a finura de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo ó disposição do empregador ou !ornador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença 110111Ia (Grilbs acrescidos) Ressalte-se que a referia lei explicita, expressamente, para efeito de salário de contribuição as remunerações efetivamente recebidas ou creditadas a qualquer título durante o mês. Assim, somente não integrarão o salário de contribuição, se estiverem enquadradas numa das exceções previstas no §9" do art. Desta feita, de acordo a legislação previdenciária vigente, não será considerada como base de cálculo das contribuições previdenciárias as parcelas recebidas a título de vale transporte, conforme disposto na alínea "f", §9" do art. 28 da Lei 8.212/91, in verbis' 28 sç 9" Não integram o salário-de-contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente D a parcela recebida a titulo de vale-transporte, na forma da legislação própria; Corroborando o acima exposto é válido trazer a baila o disposto no art, 5' da Lei n" 7,418/85, regulamentada pelo Decreto n" 95247/87: "Ari 5 É vedado ao empregador _substituir o Vale-Transporte por antecipação em dinheiro ou qualquer outra forma de pagamento, ressalvado o disposto no parágrafo único deste artigo. Parágralb Único- No caso de falta ou insuficiência de estoque de Vale-Transporte, necessário ao atendimento da demanda e ao funcionamento do sistema, o beneficiário será ressarcido pelo empregador, na kilha de pagamento imediato, da parcela correspondente, quanto tiver efetuado, por conta própria, as despesas para seu deslocamento". Nesse diapasão, verifica-se que para a não integração de tais prestações ao salário de contribuição, estas deverão ser feitas através da entrega dos respectivos vales- transportes.. Assim, apenas é justificável o pagamento em dinheiro, caso ocorra a falta de estoque para o necessário atendimento da demanda, o que não está caracterizado no presente caso, eis que o benefício em dinheiro foi .feito de forma contínua durante todo o período de 04/02 a 03/04, contrariando frontalmente o disposto alhures. A ora Recorrente ainda argumenta, com base a alínea "m"e "s" do §9" do art. 28 da Lei 8.212/91, que não integrarão o salário de contribuição os valores correspondentes a transporte, caso o empregado contratado para trabalhar resida em localidade distante do seu {6 Processo n" 35954.0009.33/2007-97 S2-C.3T 1 Acórdão o " 2301-00.801 H 7 trabalho, que exija o deslocamento e estada, bem como o ressarcimento de despesas pelo veículo do empregado. O raciocínio disposto acima está correto, Ocorre que, no caso em apreço, não há qualquer prova de que os valores pagos a título de "vale transporte combustível", verificados em folhas de pagamento, referiam-se ao ressarcimento de despesas. Assim, de acordo com a parte final da citada alínea "s", as despesas deverão ser devidamente comprovadas, caso contrário, integrarão o salário de contribuição. Atendendo aos ditames do Princípio do Contraditório e da Ampla Defesa, fora dada oportunidade da ora Recorrente de carrear aos autos os documentos que comprovassem o alegado, contudo, os documentos trazidos a baila em nada se referem ao ressarcimento de despesas.. Pelo contrário, houve sim a juntada de milhares de fls. De documentos que não guardam qualquer pertinência com o presente lançamento. Assim, resta inconteste que as despesas pagas não incluem-se nas exceções previstas nas alíneas "m"e "s" do §9" do art. 28 da Lei 8.212/9L Por outro lado, com todo o respeito daqueles que divergem do meu posicionamento, apesar de o art. 28, da Lei n" 8.21.2/91 conceituar a remuneração de uma forma abrangente, a norma Celetista o faz de forma diferente em seu o § 2" do art. 458, da CLT, no entanto, mesmo levando-se em consideração o disposto na Legislação Trabalhista, in casa, esta não socorre no presente caso a Recorrente. Alicerço o meu entendimento, no fato de que admitir um conceito de remuneração para o direito previdenciário e outro para o direito trabalhista deve ser evitado, pois o próprio Supremo Tribunal Federal - STF, no julgamento do RE 166.772/RS, firmou entendimento no sentido de que as definições postas no art.. 195, 1, da Constituição Federal devem ser interpretadas em conformidade com a dimensão que lhes confere o Direito do Trabalho, mesmo para fins previdenciários. Nesse sentido, transcrevo abaixo trechos dos votos proferidos pelos Ministros Celso de Meio e Moreira Alves: a) Celso de Mello: "a locução constitucional "fidha de salários", inscrita no ai! 19.5, 1, da Carta Política, há de ser definida em ¡Unção de critérios estritamente técnicos, a serem considerados na exata e usual dimensão que lhes confere o Daeito do Trabalho."; b) Moreira Alves: "(,,.) realmente já . fbi demonstrado, desde O voto do eminente Ministro Relatar e em alguns dos votos que o seguiram, que a expressão "salário" é usada univocamente na Constituição no sentido de salário trabalhista Mesmo para .fins 0 .evidenciários - como se vê do art. 201 -, "salário" está empregado no .%entido de remuneração em decoi réncia de vínculo empregatícia." C) Marco Aurélio: "Descabe dar a uma mesma evressão - salário - utilizada pela Carta relativamente a matérias- diversas, sentidos diferentes, confim-me o% /Metesses em questão Salário, tal como mencionado no inciso 1 do ai! 19.5, não pode se configurar como algo que disciepe do conceito que se lhe atribuiu quando se cogita, por exemplo, da irredutibilidade _salarial, inciso VI do artigo 7"da Carta" Ressalte-se, porque importante, que a Mensagem n" 1.115/00, do Poder Executivo, que encaminhou o Projeto de Lei convertido na Lei n" 10..243/2001, justifica o //7 7 Processo n" 35954 000933/2007-97 S2-C3T1 Acórdão n° 2301410.801 Fl 8 acréscimo do § 2" ao art. 458, da CLT, como proposta para desvincular as beneficias do "4 A proposta modifica, ainda, o §- 2" do art. 458, da CL T; que dispõe sobre o salário ia nanara, para determinar que os benefícios, concedidos pelo empregador, relativos a educação, transporte, assistência médica, hospitalar, e odontológica, seguros de vida e de acidentes pessoais e previdência privada, não integram o salário. A carência de serviços e benefícios sociais indica a conveniência de estimular as empresas a concederem benefícios que proporcionem aos trabalhadores maior segurança e satisfação, sem ônus subseqüente de outra natureza. A proposta atende a essas expectativas desvinculando tais benefícios do salário." (o negrito é nosso) Veja-se que, em outras ocasiões, o legislador preferiu utilizar o conceito de remuneração da legislação trabalhista, Nesse sentido, o art. 15 da Lei n° 8.036/90 (Lei do FGTS) permaneceu com a sua redação original, in verbis: "Ari 1,5. Para os fins previstos nesta Lei, todos os empregadores ficam obrigados a depositar, até o dia 7 (sete) de cada mês, em conta bancária vinculada, a importância correspondente a 8% (oito por cento) da remuneração para ou devida, no mês anterior, a cada trabalhador, incluídas na remuneração as parcelas de que tratam os artigos 457 e 4,58, da CLT,e a gratificação de Natal a que se rele.re a Lei n" 4.090, de 13 de julho de 1962, com as modificações da Lei a' 4,749, de 12 de agosto de 1965." (grifámos) É dizer: a Lei cio FGTS, ao invés de fazer remissão ao conceito de remuneração previsto no art. 28, da Lei n" 8,212/91, faz remissão expressa ao conceito de remuneração estabelecido nos arts. 457 e 458, da CUL Assim, mesmo utilizando-se dos conceitos da legislação trabalhista, deve ser mantido o lançamento, vez que o pagamento de vale transporte combustível em dinheiro tem natureza salarial, não se enquadrando em nenhuma das hipóteses de exceção previstas no art, 458, § 2", da CLT, sendo pacífico o entendimento dos Tribunais Superiores Pátrios acerca da matéria: TRIBUTÁRIO - 5ALÁR1O-DE-CONTRIBUIÇÃO VALORES GASTOS COMA EDUCAÇÃO DO EMPREGADO (BOLSAS DE ESTUDO) - NÃO-INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO - AUXiLIO-TRANSPORTE - PAGAMENTO EM DINHEIRO - LEI N" 7418/85 - DECRETO N" 95 247/87 - INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO - 1- O Tribunal de origem assentou que o vale-transporte fui pago pela empresa a seus funcionários em dinheiro e de forma habitual, o que gera a incidência ria contribuição previdenciária sobre tal verba, não se enquadrando na hipótese prevista no parágrafo Muco do art. 5" do decreto n" 95 247/87, bem como que os acordos e convenções coletivas não podem sobreptuar-se às normas de ordem pública 2- O entendimento do Superior. Tribunal de Justiça é pacífico no sentido de que os valores gastos pelo empregador, na educação de seus empregados, não integram o salário-de-contribuição,. \in g Processo n° .35954.00093.3/2007-97 S2-C3T1 Acórdão n." 2301-00,801 Fl 9 Portanto, não compõem a base de cálculo da Contribuição Previdenciária Agravos regimentais improvido.s. (S-TI - AgRg- REsp 1,079.978 - (2008/0170446-9) - 2" T - Rel. Humberto Martins - DIe 12 11 2008 - p. 426) Assim, depreende-se do acima exposto, que os valores pago à título de vale- transporte aos funcionários da empresa, em dinheiro, de forma não eventual, incide, inarredavelmente, a contribuição social. Ademais, no tocante aos valores pagos com base na Convenção Coletiva de Trabalho, não é plausível a retirada da sua natureza salarial simplesmente por expressa previsão deste instrumento de que esses valores não integrarão, para qualquer efeito, o salário dos empregados. Isto porque a Convenção Coletiva de Trabalho, ainda que tenha força de lei perante as partes, não pode contrariar o disposto em lei, e está é de clareza solar ao dispor que sobre todas as utilidades fornecidas habitualmente aos empregados incidirão contribuições previdenciárias, não podendo a Convenção dispor de modo contrário, sendo esta inoponível aos interesses fiscais., Nesse aspecto, o próprio inciso 1, do art, 28 da Lei 8.212/91, dispõe, em sua parte final, que não importa se as parcelas são pagas em razão do contrato ou de convenção coletiva, uma vez que, sempre que concedidas habitualmente, restará caracterizado como salário de contribuição, como no caso em apreço. Da mesma forma, a Convenção Coletiva mencionada dispõe que a ora Recorrente deveria pagar um valor fixo referente a 22 (vinte e dois) litros de combustível por' cada deslocamento. Resta incontroverso, portanto, que não se trata de ressarcimento de despesas, pois o valor a ser pago é sempre o mesmo, independente do realmente gasto para eventual deslocamento, não havendo ademais, a exigência da comprovação despesas de fato realizadas, contrariando, assim, o disposto na alínea "s" do §9" do art. 28 da Lei 8..212/91, Corroborando o acima exposto outro não tem sido o entendimento da nossa Jurisprudência Pátria, in verbis: TRIBUTÁRIO - AÇÃO ANULAróRIA DE DÉBITO FISCAL - CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁR1A - LEI N" 8.212/91 (ART 9') - VERBAS PAGAS A TITULO DE AUXILIO- CRECHE/BABA' E VALE-TRANSPORTE PAGO EM DINHEIRO - LEI 7,418/85 E DECRETO N" 95.247/87 - NATUREZA JURÍDICA - PROVA - I- Ação anulatória de débito 'eferente é incidência de contribuição previdenciária .sobre a remuneração paga a título de verbas de cluxíliocreche/babá e vale-transporte pago em dinheiro 2- A base de cálculo da contribuição impugnada é a remuneração efetivamente recebida a qualquer título pelo empregado (art. 28, I da Lei n 8 212/91) 3- Os valores percebidos a título de abono creche tê?), naturera indenizatória, e não salarial, não integrando o salário-de- contribuição. Seu pagamento visa ressarcir as despesas custeadas pelo empregado e que deveriam .ser suportadas pela empresa com a manutenção de creche em seu estabelecimento, na forma do art. 389, l'; da CLT 4- Indispensável a prova dos gastos efetuados com a creche e da idade compatível Como Processo n" 35954.000033/2007-97 S2-C311 Acórdão n " 2301-00.801 F 1 10 beneficio, o que não restou demonstrado nos autos. 5- o vale- transporte pago em dinheiro e de maneira continua viola o disposto nos anis 28, § 9", "f", da lei 11" 8.212/91, 2", "b", da lei n" 7.418/85 e 5" do decreto n" 95 247/87, compondo a remuneração do empregado e se sujeitando à incidência da contribuição previdenciária 6- O decreto n" 95.247/87 não contrariou, nem restringiu, a lei de criação do vale-transporte, a qual vincula a concessão desse benefício à aquisição pelo empregador dos vales-transporte (ai. 4") da empresa operadora do sistema de transporte coletivo público 59. Daí decorre a vedação imposta pela norma regulamentadora, que apenas a evlicita, tendo como objetivo impedir' a manipulação do benefício com o desvio de sua finalidade 7- Os acordos e convenções coletivas de trabalho não podem contrariar normas de ordem pública, como é o caso do art. 5" do decreto n" 9.5.247/87. 8- Apelação impro vida. (T1?F-2" R. - AC 1998 51 01.025034-8 - T - Rei Des. Fed Paulo Barata DJU 21 08 2008 - p. 321) MANDADO DE SE G URANÇA - VALE-TRANSPORTE - PAGAMENTO EM PECÚNIA - HABITUALIDADE - CONTRIBUIÇÃO PR.EVIDENCIARIA - INCIDÊNCIA - Encontra-se pacificado no âmbito desta Corte o entendimento no sentido de que o vale-transporte, quando descontado do empregado no percentual estabelecido em Lei, não integra o salário-contribuição para eleitos de pagamento da Previdência Social, conforme a norma inserta no artigo 3" da Lei 7.418/8.5 II- No entanto, quando o pagamento do beneficio ocorre em dinheiro, de fbrma habitual, corno na hipótese dos autos, esse pdssa a integrar a remuneração do trabalhador, não havendo legislação que ampare a isenção da contribuição previdenciária Precedentes.- REsp n" 8I6.829/RJ, Rel. Min LUIZ FM', DJ de 19/11/07, REsp n" 664 068/RI, Rel Min. LUIZ FUÁ; Di de 16/05/05; REsp ri" 638 092/PR, Rel. Min. DENISE AR1?UDA, DJ de 28/02/05 e RESp n" 6.53 806/TO, Rei Min. JOSÉ DELGADO, Dl de 16/11/04. III- Agravo regimental improvido (STJ AgRg- REsp 1 037.723 - (2008/0050071-1) - Rel. Min. Francisco Falcão - Dle 28 05.2008 -p 276) Outrossim, o fato de a Fiscalização não ter relacionado todos os segurados que receberam as parcelas denominadas de "vale transporte combustível", não induz o cerceamento ao direito de defesa nem tampouco torna nulo o lançamento. Tais valores estão minuciosamente descritos por competência e por estabelecimento no Relatório de Lançamentos, o que possibilita a aferição da ocorrência da hipótese de incidência das contribuições sociais lançadas, Por fim, não merece guarida o argumento da Recorrente de que a Fiscalização Previdenciária não poderia interferir na relação privada entre empregado e empregador, cabendo somente a estes, decidirem qual via eleger para solução de possíveis conflitos,. A competência da Justiça do trabalho não exclui a do Auditor Fiscal da Previdência Social, eis que a caracterização de parcelas como salário de contribuição não tem o condão de reconhecer os direitos trabalhistas, mas apenas o de exigir o adimplemento das contribuições previdenciárias. r"-\ Processo n" 35954 000933/2007-97 S2-C311 Acórdão n " 2301-00,801 Fl Nesse diapasão, resta clara a caracterização do salário de contribuição das contribuições sociais lançadas na presente NFLD, pois os valores pagos a título de "vale transporte"não se enquadram nas hipóteses taxativas previstas no §9" do art. 28 da Lei 8.212/91, nem no art. 458, § 2", da CLT e os mesmos estão em desacordo com a Lei 7.418/85, Das Contribuições ao SESC/SENAC No tocante à contribuição devida ao SESC, esta não foi objeto do presente lançamento de débito, tendo sido lançada em processo específico, o que acarreta no não conhecimento das alegações da Recorrente. Quanto à alegação de inconstitucionalidade e ilegalidade das contribuições sociais devidas aos Terceiros: SENAC, INCRA, SEBRAE, ressalto que a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. No Capítulo III do Título IV, especificamente no que trata do controle da constitucionalidade das normas, observa-se que o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercê-la, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Permitir que órgãos colegiados administrativos reconhecessem a constitucionalidade de normas jurídicas seria infringir o disposto na própria Constituição Federal, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer, ela própria, de vício de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder. O professor Hugo de Brito Machado in "Mandado de Segurança em Matéria Tributária", Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: "A conclusão mais consentãnea com o .sisteina jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerá-la inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade adminishativa não tem competência para decidir se unia lei é, ou não é inconstitucional." Ademais, como da decisão administrativa não cabe recurso obrigatório ao Poder Judiciário, em se permitindo a declaração de inconstitucionalidade de lei pelos órgãos administrativos judicantes, as decisões que assim a proferissem não estariam sujeitas ao crivo do Supremo Tribunal Federal que é a quem compete, em grau de definitividade, a guarda da Constituição. Poder-se-ia, nestes casos, ter a absurda hipótese de o tribunal administrativo declarar determinada norma inconstitucional e o Judiciário, em manifestação do seu órgão máximo, pronunciar-se em sentido inverso. Por essa razão é que através de seu Regimento Interno e Súmula, os Conselhos de Contribuintes se auto-impuseram com regra proibitiva nesse sentido: Portaria MF n° 147, de 25/06/2007 (que aprovou o Regimento Interno dos Conselhos de ('ontribuintes): 11 processo n" 35954 .000933/2007-97 S2-C311 Acórdão n " 2.301-00,8(11 F I. 12 Ari 49 No julgamento de recurso voluntário ou de oficio, .fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observai • tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula 02 do Segundo Conselho de Contribuintes, publicada no DOU de 26/09/2007: "O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconsfitucionalidade de legislação tributária" No que diz respeito à contribuição ao SENAC, nossa jurisprudência há muito já se posicionou acerca de sua legalidade e constitucionalidade, como facilmente se depreende nos julgados abaixo, Iiterris CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO - CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS GERAIS - SESC E SENAC - SESCOOP - COOPERATIVA DE TRABALHO MISTA - ENQUADRAMENTO SINDICAL - ART. 557 DA CLI - PRINCÍPIO DA SOLIDARIEDADE - CONSTITUCIOIVALIDADE DAS EXAÇÕES - EXIGIBILIDADE - NÃO REFERIBILIDADE - DECRETOS-LEIS 9853/46 E 8 621/46 - MP 1.898-13/99 - APELAÇÃO DESPROVIDA - 1- Verificado o enquadramento da Apelante, mediante a análise de seus fins, dispostos no estatuto às lis 32/55 dos autos, n" 2" Grupo do quadro anexo ao art. 577 da Consolidaçao das Leis do Trabalho - E que foi recepcionado pela Carta Magna de 1988- Sujeita-se a mesma ao recolhimento de contribuições sociais gerais ao SESC e SENAC Confira-se a jurisprudência deste eg Tribunal: AMS 2000 33 00.000789- 8/BA, 8" ['urina, Rel.. Desembargadora Federal .Maria do Cartno Cardoso, Di de 251-2008, p. 319) e AMS 1999.38.00 041030-4/MG, 7" Turma, Rei. - Desembargador Federal Catão Alves, UI de 13-4-2007, p. 76) 2-A exigência do recolhimento das contribuições- sociais para o SESC e o SENAC, de natureza .juridica social, encontra-se amparada em lei, devidamente recepcionada pela Carta Magna de 1988 (cf. Lei 9504, art. 240), notadamente em face da eleição da valorização do trabalho e o progresso social do trabalhador como princípios pétreos da ordem econômica e social (cf. art. 170, CE/88). Relativamente às cooperativas, a própria Medida Provisória n" 1 898-13/99, criadora do SESCOOP, faz referência, em seu art. ao .fato de que as contribuições anteriormente arrecadadas pelas cooperativas e destinadas ao SESC/SENAC, passaram a ser canalizadas para a nova entidade 3- Desnecessária a referibilidade, relação e vincula ção entre a exação e o contribuinte, que prescinde ser beneficiado diretamente pelas exações em comento, porquanto contribuições de intervenção no domínio econômico, cujo objetivo é efetivar . , sob todos os aspectos, o apoio e desenvolvimento das empresas, em sua generalidade e independentemente do fato de praticarem atos de comércio - Ou não- Ou de serem prestadoras de serviços- Ou não. 4- Neste sentido • "As contribuições destinadas às entidades privadas de serviço social e de fbrmação profissional vinculadas ao sistema (5) sindical (SESC/SENAC, SESI/SENAL SEST/SENAT, SEBRAE) são definidas pela Jurisprudência como 12 Processo n" 35954.00093.3/2007-97 52-C31-1 Acórdão n 2301-00.801 Fl contribuições sociais de intervenção no domínio económico, inseridas no contexto da concretização da cláusula pétrea da valorização do trabalho e dignificação do trabalhador, a .serem .supoitadas por todas as empresas, ex vi da relação jurídica direta entre o capital e o trabalho, independentemente da natureza e objeto social delas." (In AC 2000.01.00 02601/- 8/MG, 7" Turma do TRF/I" Região, Rel.. Des Federal Luciano Tolentino Amaral, e-DIF1 195-2008, p. 124) 5- Recurso de apelação ao qual se nega provimento (TRF-I" R - .4C 200.3.38.00 039897-0/MG - 7" T - Rel. !teimar Raydan Evangelista - ale 23 01.2009 - p. 202) CONSTITUCIONAL - TRIBUTÁRIO - CONTRIBUIÇÃO PARA O SESC/SENAC - CONTRIBUIÇÃO PARA O SEBRAE - CONSTITUCIONALIDADE - 1- Pacificou-se no E Superior Tribunal de Justiça o entendimento no sentido de que a contribuição para o SESC/SENAC é. devida pelas empresas prestadoras de serviço (REsp n" 431 347/SC, Rel. Min Luiz Fax, 1" Seção, Di de 25.11.2002 e REsp n" 587 415/ SC, Rei Min. Luiz Fax, I" Turma, D de 03.5.2004). 2- No julgamento do RE 11'1 396.266/SC, o E. STF concluiu pela constilucionalidade cobrança da contribuição para o SEBR.AE 3- Apelação improvida. (TRF-1" R - AC 2005 33 00.01789.5-3/BA - 7" T- Rei Des. Fed. Catão Alves - Die 06.03 2009 - p„ 14(/) Da Inèonstitucionalidade da Contribuição ao INCRA Quanto às empresas urbanas terem que recolher contribuição destinada ao INCRA, não há óbice normativo para tal exação. Não se olvida que a contribuição destinada ao INCRA tenha natureza distinta das contribuições sociais da Seguridade Social. As competências do INCRA são atribuídas pela sua lei de criação, Decreto-Lei n." 1,110, de 09/07/1970, e o Estatuto da Terra: A contribuição ao INCRA não alcança exclusivamente a produção rural, conforme sua lei de instituição, que relaciona atividades industriais que podem ser desenvolvidas tanto no meio rural corno nas regiões urbanas. Nesse sentido é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, que também se consolidou no Supremo Tribunal Federal: PROCESSUAL CIVIL - EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA - CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNRURAL E INCRA - EMPRESA URBANA - LEGALIDADE - ORIENTAÇÃO DESTA PRIMEIRA SEÇÃO, SEGUINDO A JURISPRUDÊNCIA DO STF - RECURSO NÃO ADMITIDO - SÚMULA 168/STI - AGRAVO REGIMENTAL - AUSÊNCIADE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISA"O AGRAVADA - MERA REPETIÇÃO DAS RAZÕES DOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA - IRRESIGNAÇÃO MANIFESTAMENTE INFUNDADA - RECURSO NÃO CONHECIDO, COM APLICAÇÃO DE MULTA. ..L3 Processo 13" 35954 000933/2007-97 S2-C311 Acordão n " 2301-00. 801 Fl 14 I . Nos termos da orientação desta Primeira Seção e do Supremo 'Tribunal Federal, é legitimo o i ecolhimento da contribuição social para o FUNRURAL e INCRA pelas empresas urbanas. Considerando que o acórdão embargado corroborou esse entendimento, correta é a aplicação da Súmula 168 desta Corte Sitperior 2. Não tendo a agravante rebatido especificamente os fundamentos da decisão recorrida, limitando-se a reproduzir as razões oferecidas nos embargos de divergência, é inviável o conhecimento do recurso 3 Tratando-se de agravo interno manife.stamente infundado, impóe-se a condenação da agravante ao pagamento de multa de 10% (dez por cento) sobre o valor corrigido da causa, nos termos do art 557, § 2", do Código de Processo Civil. 4 Agravo interno não conhecido, com aplicação de multa (AgRg nos ERE.sp 530802/GO. Primeira Seção, Relatara Ministra DENISE ARRUDA. Julgamento 13/04/200.5 09/05/2005, p 291) (sem grifas no original). Ementa no Agravo Regimental do Recurso Extraordinário de n ° 211.190, publicado no Diário da Justiça em 29 de novembro de 2002: EMENTA AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA A FINANCIAR O FUNRURAL VIOLAÇÃO DO PRECEITO INSCRITO NO ARTIGO 195 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. ALEGAÇÃO INSUBSISTENTE A norma do artigo 195, caput, da Constituição Federal, preceitua que a seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentas da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, sem expender qualquer consideração acerca da exigibilidade de empresa urbana da contribuição social destinada a financiar o FUNRURA. Precedentes Agravo regimental não provido. Da Inconstitucionalidade da Contribuíção ao SEBRAE Já a contribuição ao SEBRAE, prevista no artigo 8", §3" da Lei 8.029/90, com redação dada pela Lei 8.154/90, é constitucional, e não se restringe as micro e pequenas empresas. Esse é o entendimento pacifico do colendo Superior Tribunal de Justiça: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO AO ART 535 DO CPC INOCORRÊNCIA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA AO SESC E AO SENAC. EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇO. INCIDÊNCIA. REVISÃO DO ENTENDIMENTO PELA I" SEÇÃO DO STI. PRECEDENTES ADICIONAL. SEBRAE. EXIGIBILIDADE. I Tratam os autos de mandado de segurança impetrado por CONSERBENS LTDA. contra ato do Coordenador. da Divisão/Serviço de Arrecadação e Fiscalização do INSS em \\ 14 Processo n°35954 000933/2007-97 S2-C3T I Acórdão n ." 2301-00,801 Fl 15 Recifè/PE, objetivando desobrigar-se de recolher contribuição social para SESC, SENAC e SEBRAE O juízo inonocrático denegou o segurança, sob o argumento de que é devida a exação em comento em face da natureza comercial da empresa impetrante. Inconformada, a ora recorrente apelou, tendo o TR.F da 5" Região, à unanimidade, negado provimento ao recurso Em sede de recurso especial, aponta violação aos artigos 53.5, II, do CPC', 110 do CTN, 4" do Decreto-lei n" 8.621/46, 3" do Decreto- lei 9.853/46, 8", §§ 3" e 4" da Lei n" 8.029/90, além de divergência jurisprudencial. .2. O julgador não está obrigado a enfrentar todas as teses jurídicas deduzidas pelas partes, sendo suficiente que preste fundamentadamente a tutela jurisdicional. ln caso, não obstante em .sentido contrário ao pretendido pelo recorrente, constata-se que a lide .fin regularmente apreciada pela Corte de origem, o que afasta a alegado violação da norma inserta no mi 535, do CPC 3, Novo posicionamento da Primeira Seção do ST,1 no sentido de que as empresas prestadoras- de serviço, no exercício de atividade tipicamente comercial, estão .sujeitas ao recolhimento da contribuição social destinada ao SESC e SENAC 4, O art. 8", § .3", da Lei n" 8209/90, com a redação da Lei n" 8.154/90, impõe que o SEBRAE (Serviço Social Autónomo) será mantido por um adicional cobrado sobre as ai/quotas das contribuições sociais relativas às entidades de que trata o art I" do Decreto-Lei n" 2,318, de 30 de dezembro de 1986, isto é, as que são recolhidas ao SESC e SENAC, sendo exigível, portanto, o adicional ao SEBRAE. 5, Recurso especial improvido.(R.Esp 691056 / PE, RECURSO ESPECIAL .2004/0136699-9. Relator Ministro José Delgado ST1 1" Turma. Dl 18.04.2005 p. 2.35) TRIBUTÁRIO CONTRIBUIÇÃO SOCIAL AUTÔNOMA. ADICIONAL AO SEBRAE. EMPRESA DE GRANDE PORTE. EXIGIBILIDADE PRECEDENTES DO STF 1. As contribuições sociais, previstas no art. 240, da Constituição Federal, têm natureza de "contribuição social geral" e não contribuição especial de interesses de categorias profissionais (STF, R n." 138 .284/CE) o que derrui o argumento de que somente estão obrigados ao pagamento de referidas exações os segmentos que recolhem os bónus dos serviços inerentes ao SEBRAE 2 Deflui da ratio e,ssendi da Constituição, na pai te relativa ao incremento da ordem económica e social, que esses serviços sociais devem ser mantidos "por toda a coletividade" e demandam, a fartiori, fbnte de custeio. 3, Precedentes RESP 608 101/RJ, 2" Turma, Ret Mm Castro Meira, D.I de 24/08/2004, RESP 475 749/SC, I" Turma, desta Relatoria, Di de 23/08/2004 1 5 Processo o" .35954 000933/2007-97 S2-C311 Acórdão " 2301-00.801 Fl 16 4 Recurso especial conhecido e provido (REsp 662911 / RJ; RECURSO ESPECIAL 2004/0072911-2. Relato,- Ministro Luiz Fax ST1 1"Turma DJ 28 02.200,5p 241) TRIBUTÁRIO - ADICIONAL AO SEBRAE - INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO - EMPRESAS DE MÉDIO E GRANDE PORTE - EXIGIBILIDADE - 1- A Contribuição para o SEBRAE (. 3", do ar! 8", da Lei n" 8 029/90) configura intervenção no domínio econômico, e, por isso, é exigível de todos aqueles que se sly'eitarn a Contribuições para o SESC, SESI, SENAC e SENAI, independentemente do porte econômico (micro, pequena, média ou grande empresa), Agravo regimental improvido. (ST] - AgRg-REsp L042.041 - (2008/0061847-9) - 2" T Rei Min Humberto Martins - DJe 25.052009 -p, 1412) AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO - CONSTITUCIONAL - 'TRIBUTÁRIO - CONTRIBUIÇÃO PARA O SEB.RAE - CONSTITUCIONALIDADE DO § 3" DO ARTIGO r DA LEI 8 029/90 - PRECEDENTE - 2- A contribuição do .sebrue é contribuição de intervenção no domínio econômico, não obstante a Lei a ela se referir como adicional às ai/quotas das contribuições sociais gerais pertinentes ao SESI, SENAI, sesc e senac Cmtstitucionalidade do § 3" do artigo 8" da Lei 8.029/90. Precedente do Tribunal Pleno Agravo regimental a que se nega provimento (STF AgRg-RE .520.815-0 - Rei Min Eros Grau - Die 09.0,5.2008 - p. 154) PROCESSUAL CIVIL - AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO - EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE SEST/SENAT - CONTRIBUIÇÃO SEBRAE - LEGALIDADE' - PRECEDENTES - - Com o advento da Lei 8 706/93, não houve a criação de novo encargo a sei- suportado pelos empregadores, mas tão-somente a alteração do destinatário das contribuições devidas pelas empresas de transporte ao SESI/SENAI, não alterando a sistemática de recolhimento da contribuição para o SEBRAE II - A constitucionalidade da contribuição SEBRAE j`bi decidida por esta Corte, no julgamento do RE 396.266/SC.-, Rei, Min. Carlos Velloso III - Agravo regimental improvido. (STF AI-AgR 596552 - MG - 1" T Rei Min Ricardo Lewandowsla - J 06 11,2007) TRIBuril Rio EXIGIBILIDADE DA CONTRIBUIÇÃO AO SEBRAE DA PESSOA JURÍDICA INDEPENDENTEMENTE DA NATUREZA DE MICRO OU PEQUENA EMPRESA 1 Ao institui,' a referida contribuição como um "adicional" às contribuições ao SENAI, SENAC, SESI e SESC, o legislador indubitavelmente definiu como sujeitos ativo e passivo, lato gerador e base de cálculo, os mesmos daquelas contribuições e como aliquota, as descritas no §. 3"do ar! 8" da Lei n" 8.029/90. 2. Assim, a contribuição ao SEBRAE é devida por todos aqueles que recolhem as contribuições ao SESC, SESI, SENAC e SENAI, \\J--) 16 prowsso e 35954 000933/2007-97 S2-C3T 1 Acórdão ri 2301-0W801 rl 17 independentemente de seu porte (micro, pequena, média ou grande empresa) 3 Recurso e.special provido (REsp 608101 / RJ,. RECURSO ESPECIAL 2003/0206919-9. Relatar Ministro Castro Melro STI. 2" Turma. RI 04 10 2004» 254) Da Isenção da contribuição ao Salário Educação e sua Inconstitucionalidade A Recorrente alega, e simplesmente alega, que é isenta das contribuições devidas ao salário educação por ser considerada uma associação civil de utilidade pública que presta serviço na área educacional. No entanto, tal requerimento não merece guarida, vez que não há nos autos qualquer prova quanto ao preenchimento dos requisitos previstos no art. 55, da Lei n. 8.212/91, para fruição dos benefícios. Nesse sentido, observe-se o julgado abaixo transcrito: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS' DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE INDICAÇÃO DE OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU OMISSÃO. INOBSERVÂNCIA DAS EXIGÊNCIAS DO ART 535 DO CPC. PRETENSÃO DE REEXAME DE MATÉRIA DE MÉRITO CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. SALÁRIO EDUCAÇÃO. ISENÇÃO. ESCOLA CONFESSIONAL. CERTIFICADO DE FINS FILANTRÓPICOS REQUISITO INDISPENSÁVEL. I. Inocorrentes as hipóteses de omissão, contradição, obscuridade ou erro material, não há como prosperar o inconformisino, cujo real objetivo é a pretensão de relOrmar o decisum no que pertine à concessão do beneficio fiscal relativo à isenção do salário-educação, nos termos do art. 5.5, II, da Lei 8.212/91, o que é inviável de .ver revisado em sede de embargos de declaração, dentro dos estreitos limites previstos no artigo 53.5 do CPC 2. Embargos rejeitados (EDcl no REsp 416.582 /RS, Relator Ministro Luiz Fuv„S-73, 03/02/03) Com relação à sua constitucionalidade, essa é reconhecida através da Súmula de n ° 732 do Supremo Tribunal Federal, o que reforça a presunção de legalidade da lei que instituiu sua cobrança, conforme plenamente indicado no relatório de fundamentos legais, impedindo este órgão colegiado de afastar sua aplicação, conforme Súmula 02 do Segundo Conselho de Contribuintes, publicada no DOU de 26/09/2007: • -) 17 Processo 11" .35954 000933/2007-97 S2-C311 Acóiao ii" 2301-00,801 Fl IS Súmula r?"732 É constitucional a cobrança da contribuição do salário- educação, sela sob a carta de 1969, seja sob a constituição federal de 1988, e no regime da lei 9.424/96 Da Exclusão dos Co-Responsáveis Quanto à solicitada exclusão dos sócios gerentes, cabe esclarecer que a relação de co-responsáveis anexada aos autos pela Fiscalização, no meu particular entendimento, tem como escopo garantir a possibilidade de inclusão dos sócios da empresa no pólo passivo da obrigação tributária numa futura execução fiscal, e não simplesmente listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa. O prejuízo aos co-responsáveis é imediato, pois com o examimento do contencioso administrativo, o débito lançado será imediatamente inscrito no CADIN, em nome do autuado e também de todos os co-responsáveis listados na relação anexa a NFLD. No caso da pessoa jurídica contribuinte, ela é quase sempre a responsável pelas suas obrigações tributárias, pois ela, além de ser o sujeito da relação jurídica tributária, tem também, na maioria das vezes, o dever legal de pagar o tributo. Contudo, a lei prevê que, quando houver inadimplemento da pessoa jurídica, a responsabilidade pelo pagamento dos tributos pode ser transferida para seus diretores, gerentes ou responsáveis, sob determinadas condições. É o que determina o comando do artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, verbi s: Art 135 São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos — 1.1 ( ..) 1H — os diretores, gerentes ou representantes de pessoas juridicas de direito privado Pelo referido comando, esta responsabilidade só poderá ser transferida para a pessoa do sócio administrador, para o diretor responsável ou para o representante legal capaz. Além disso, esta transferência só poderá acontecer quando houver prova de que estes praticaram qualquer um dos atos irregulares descritos no capa do artigo. Encerrado o processo administrativo com a confirmação da procedência da dívida e não havendo pagamento, será emitida a Certidão da Dívida Ativa, que fundamentará a execução fiscal. Nela deve constar o nome do responsável pelo pagamento e, caso se tenha apurado alguma irregularidade capaz de imputar aos sócios diretores ou ao representante legal 18 Processo rt° 35954.000933/2007-97 S2-C311 Acórdão ri." 21301-K801 F1 19 a responsabilidade pelo pagamento, deverá conter a respectiva indicação, posto que nossos tribunais só aceitam a citação dos co-responsáveis cujos nomes estejam mencionados na CDA, e só nessa hipótese, poderá constar o nome do co-responsável. Sim, pois parte-se do pressuposto de que, como a CDA tem presunção de certeza e liquidez, estando o nome do sócio administrador, do diretor ou do representante nela incluído, presumir-se-á, da mesma forma, que houve uma apuração de responsabilidade no processo administrativo, que garantiu o direito de defesa do incluído, No entanto, no âmbito das execuções fiscais de contribuições previdenciárias, até a revogação do art, 13, da Lei n, 8.620/93, o chamamento dos co-responsáveis ocorria de imediato, independentemente de restarem infrutíferas as tentativas de localização de bens da própria empresa ou da prova da prática de algum dos atos previstos no art., 135 do CTN. Nesse aspecto, o Superior Tribunal de Justiça, tem farta jurisprudência determinando que se o nome do co-responsável estiver inscrito na CDA, tal fato é suficiente para a sua sujeição passiva solidária, cabendo ao co-responsável apenas via embargos à execução (cuja oposição é imprescindível a penhora), fazer contra-prova à sua condição de sujeito passivo. Ressalte-se ainda, que mesmo depois da publicação da Lei 11,941/09, que revogou o art. 13 da Lei 8„620/93, que permitia a responsabilização solidária do co-responsável independentemente da prática de qualquer fato previsto no art., 135 cio CTN, o próprio STJ ,já sinaliza em recentes julgados, que muito embora tenha havido a revogação do dispositivo acima mencionado, ainda assim constando o nome na CDA é cabível a sua inclusão no pólo passivo da execução fiscal até que seja feita prova em contrário.. Logo, resta claro o prejuízo aos co-responsáveis com a sua inclusão na relação anexa a presente NFLD, independentemente da prática de qualquer ato previsto no art.135 do CTN, pois essa relação servirá de base para uma futura inscrição do débito cai dívida ativa,. Dos Juros e Multa Quanto à solicitada exclusão dos juros e multa, salientamos que os mesmos Vêm determinados pela legislação previdenciária: Nesse sentido, o art 35 da Lei n 8..212/1991 dispõe que a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso, verbis: "Art., 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que mio poderá sei relevada, nos seguintes termos: Não possui natureza de confisco a exigência da multa moratória, conforme prevê o art.. 35 da Leia 8.212/1991. Não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Se não houvesse tal exigência haveria violação ao principio da isonomia, pois o contribuinte que não recolhera no prazo fixado teria tratamento similar àquele que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, 1 9 • Processo n" 35954 00093312007-97 S2-C311 Acórdão n " 2301-00,$01 F. 20 Os juros estão disciplinados no artigo 34, da Lei n," 8,212/91: "Art. 34. As crnitribuições sociais e outras impor/andas arrecadadas pelo INSS, inchadas- ou nãO em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SEL1C, a que se refere o ar! 13 da Lei n" 9 065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável (Restabelecido com redação alterada pela AíP n" 1 571/97, reeditada até a conversão na Lei n" 9 528/97, A atualização monetária foi extinta, para os latos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei n" 8 981/95_ A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei)" A propósito, convém mencionar que o Segundo Conselho de Contribuintes aprovou a SUMULA N" 3, em 18 de setembro de 2007, nos seguintes termos: "SUMULA N" 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para tindos.federais." Nesse contexto, correta a aplicação da taxa SELIC corno juros de mora, com fulcro no artigo 34, da Lei n" 8.212/91, e bem assim da multa moratória, nos termos do artigo 35, do mesmo Diploma Legal, Quanto à atualização monetária, ressalto que foi extinta para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/1995, conforme a Lei n." 8,981/95. Assim, é devida a contribuição levantada pelo fisco e, não sendo recolhida até a data do vencimento, fica sujeita aos acréscimos legais na forma da legislação de regência, Não Observância do Limite Máximo do Salário de Contribuição da Parte Correspondente aos Segurados Empregados Quanto a alegação clo tópico acima, registre-se que por anterior acórdão do antigo CRPS, foi determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que fosse analisado se o limite máximo do salário de contribuição relativa a parte do segurado, teria sido observada pela fiscalização. Nesse aspecto, consta a informação fiscal de fls.. 2622/2719, com tabela completa sobre a diligência solicitada, constando todas as informações pertinentes, comprovando a observância dos valores máximos dos salários de contribuição da parte dos segurados Ato continuo consta a manifestação da Recorrente de fls.. 2724/2731, acerca do resultado da diligência, sem contudo acrescentar qualquer aspecto importante.. Em sendo assim, tem-se que o limite máximo do salário de contribuição parte segurado foi devidamente observado. 20 Processo n 35954.00093.3/2007-97 52-OT Acórao n " 2301-00,801 Fl Representação Fiscal para Fins Penais Cabe esclarecer primeiramente, que a formalização de RFFP pelo auditor fiscal é ato vinculado, ou seja, sempre que, no exercício de suas funções, tomar conhecimento, em tese, da ocorrência de crime de ação penal pública incondicionada ou de contravenção penal, deverá efetuar a RFFP, conforme expressamente disposto no art. 634 da instrução Normativa n, 100, de 18/12/200.3, sendo sua emissão independente do encerramento do processo administrativo fiscal. Da Produção de Novas Provas Como explicitado acima, por várias oportunidades a Recorrente efetuou a juntada de documentos impertinentes com o presente lançamento, sempre em grande quantidade, com nítido caráter procrastinatório, razão pela qual ratifico o posicionamento adotado na Decisão-Notificação de negar o direito de produção de novas provas, vez que não restaram preenchidos os requisitos do art. 9, § I", da Portaria ir 520/04. CONCLUSÃO Ante o exposto, conheço do recurso, e no mérito, DOU-LHE PARCIAL PROVIMENTO, apenas para afastar a co-responsabilidade atribuída aos representantes legais da Recorrente. É como voto. Sala das Sessões, .30 de noyemt o de 2009 LEON RD N •UE LOPES - Relator Voto Vencedor Conselheira BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Redatora Designada Permito-me divergir do entendimento do Relator em relação à co- responsabilidade, pelas razões a seguir expostas, O Relator vota por afastar a co-responsabilidade atribuída aos representantes legais da Recorrente, argumentando que, com o exaurimento do contencioso administrativo, o débito lançado será imediatamente inscrito no CADIN em nome do autuado e também de todos os co-responsáveis listados na relação anexa à NFLD, acarretando imediato prejuízo àquelas pessoas, 21 Processo n" 35954 00093.312007-97 S2-C31 Acórdão n° 2301-00801 Fl 22 No entanto, a inclusão do nome dos co-responsáveis é um dos requisitos necessários para a constituição do crédito e visa principalmente o sucesso de futura execução fiscal, nos termos do art. 4" da lei 6830/80, A Relação de Co-Responsáveis, constantes dos autos, serve apenas de subsídios para que, em sendo necessária a cobrança judicial do débito, já disponha a Fazenda Pública de dados para responsabilizar quem de direito. Contudo, o sujeito passivo que deve suporta o ônus contido na NELD em tela é a própria empresa, sendo ela, em primeira análise, a responsável pelo crédito ora discutido, não podendo se afirmar que sejam as pessoas arroladas no relatório de co-responsáveis, neste momento, o sujeito passivo da obrigação inadimplidn Desse modo, a indicação dos sócios e administradores no anexo denominado de CORESP nada mais representa do que documento instrutório da NELD, previsto na legislação previdenciária, e visa, sobretudo, auxiliar na eventual responsabilização das pessoas ali indicadas, o que se admite na esfera judicial, tendo em vista o disposto no art, 13, e parágrafo único, da Lei 8.620193, vigente à época da ocorTência do fato gerador e da lavratura da notificação: Art. 13: O titular de „firma individual e os sócios de empresas por cotas de responsabilidade limitada respondem solidariamente e subsidiariamente, com seus bens pessoais, pelos débitos junto à Seguridade Social. Paragrafb Único.. Os acionistas controladores, os administradores, os gerentes e os diretores respondem solidariamente e subsidiariamente com bens pessoais ao inadimplemento das obrigações para com a Seguridade Social, por dolo ou culpa". Nesse sentido, voto por NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO por manter os representantes legais da recorrente no Relatório de Co-Responsáveis corno parte integrante da NELD.. É como voto. Sala das Sessões, em 30 de novembro de 2009. BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Redatora Designada ‘.\\
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Numero do processo: 10725.001099/2003-04
Data da sessão: Thu Oct 29 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Oct 29 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2002
AUTO DE INFRAÇÃO - ILEGITIMIDADE PASSIVA -MOVIMENTAÇÃO DE CONTA BANCÁRIA EM NOME PRÓPRIO -LANÇAMENTO NO TITULAR DA CONTA - Incabível a alegação de ilegitimidade passiva, quando restar comprovado nos autos o uso de conta bancária em nome próprio, para efetuar a movimentação de valores tributáveis, situação que toma lícito o lançamento sobre o próprio titular da conta.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI N°. 9.430, de 1996 - Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais.
Preliminar rejeitada.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2202-000.284
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar argüida pela Recorrente e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência o valor de R$ 31.341,06.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Antonio Lopo Martinez
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2002 AUTO DE INFRAÇÃO - ILEGITIMIDADE PASSIVA -MOVIMENTAÇÃO DE CONTA BANCÁRIA EM NOME PRÓPRIO -LANÇAMENTO NO TITULAR DA CONTA - Incabível a alegação de ilegitimidade passiva, quando restar comprovado nos autos o uso de conta bancária em nome próprio, para efetuar a movimentação de valores tributáveis, situação que toma lícito o lançamento sobre o próprio titular da conta. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI N°. 9.430, de 1996 - Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. Preliminar rejeitada. Recurso parcialmente provido.
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Numero do processo: 11522.000720/2007-87
Data da sessão: Thu Nov 11 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 2003
Ementa:
RECURSO DE OFÍCIO. NORMAS PROCESSUAIS. LIMITES.
Na apreciação de Recurso de Ofício, ainda que se constate que a decisão objeto do recurso, na mesma linha dos lançamentos tributários apreciados, incorreu em equívocos, na ausência de impetração de recurso voluntário e de fundamentos que possibilitem a decretação da nulidade do decisum, o órgão
julgador responsável pelo reexame não pode praticar ato capaz de refletir exoneração maior do que a efetivada na instância inferior.
Numero da decisão: 1302-000.405
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2003 Ementa: RECURSO DE OFÍCIO. NORMAS PROCESSUAIS. LIMITES. Na apreciação de Recurso de Ofício, ainda que se constate que a decisão objeto do recurso, na mesma linha dos lançamentos tributários apreciados, incorreu em equívocos, na ausência de impetração de recurso voluntário e de fundamentos que possibilitem a decretação da nulidade do decisum, o órgão julgador responsável pelo reexame não pode praticar ato capaz de refletir exoneração maior do que a efetivada na instância inferior.
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NORMAS PROCESSUAIS. LIMITES. Na apreciação de Recurso de Ofício, ainda que se constate que a decisão objeto do recurso, na mesma linha dos lançamentos tributários apreciados, incorreu em equívocos, na ausência de impetração de recurso voluntário e de fundamentos que possibilitem a decretação da nulidade do decisum, o órgão julgador responsável pelo reexame não pode praticar ato capaz de refletir exoneração maior do que a efetivada na instância inferior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Marcos Rodrigues de Mello - Presidente. Wilson Fernandes Guimarães - Relator. EDITADO EM: Fl. 465DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 02/1 2/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 02/12/2010 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junior. Fl. 466DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 02/1 2/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 02/12/2010 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 11522.000720/2007-87 Acórdão n.º 1302-00.405 S1-C3T2 Fl. 2 3 Relatório A 1ª Turma Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém, Pará, tendo exonerado parte do crédito tributário constituído em desfavor de DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS SORRISO LTDA, recorre de ofício a este Colegiado administrativo, amparada nas disposições da Portaria MF nº. 3, de 2008. Trata o processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e MULTAS ISOLADAS, relativas ao ano- calendário de 2002, formalizadas a partir da imputação das seguintes infrações: a) redução indevida do lucro real, determinada a partir da constatação de majoração de custos motivada por supervalorização de compras; e b) pagamento insuficiente de antecipações obrigatórias (ESTIMATIVAS). Apreciando os argumentos expendidos pela autuada em sede de impugnação, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém, por meio do acórdão nº. 01-14.516, de 02 de julho de 2009, julgou parcialmente procedente os lançamentos tributários efetivados. O referido julgado, foi assim ementado: MAJORAÇÃO DOS CUSTOS Verificada a supervalorização das compras que gera majoração dos Custos da Mercadorias Vendidas e por conseguinte a diminuição do Lucro, é cabível a constituição do crédito tributário pela redução indevida do lucro real. BASE DE CÁLCULO - PRINCIPIO DA LEGALIDADE. Constatado que a base de cálculo apurada pela Fiscalização é diferente daquela que serviu para apuração do crédito tributário, no lançamento, considera-se, de oficio, para efeito de apuração do crédito tributário a base de cálculo correta em respeito ao principio da legalidade. CSLL - TRIBUTAÇÃO REFLEXA Aplica-se às contribuições sociais reflexas, no que couber, o que foi decido em relação ao lançamento matriz, dada a intima relação de causa e efeito que os une. Por relevante, transcrevo, abaixo, excerto do voto condutor da decisão em referência. ... Como mencionamos, o equivoco da Fiscalização se deu ao considerar, como base tributável, as somas dos valores positivos das diferenças encontradas acumulativamente, (no Fl. 467DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 02/1 2/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 02/12/2010 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO 4 Demonstrativo 02 da fls. 145, corresponde à soma dos valores positivos do Lucro Ajustado), gerando desta forma uma base tributável no valor de R$ 2.877.276,30, bem superior ao valor apurado anualmente no Valor de R$ 806.511,75. Observa-se que, este equivoco da fiscalização gerou um excesso de exação, prejudicando desta forma o Contribuinte. Em respeito aos princípios da moralidade administrativa, da verdade material e da legalidade, concluímos por exonerar parcialmente o contribuinte neste item, ao considerarmos correta a tributação, tomando como base de cálculo o valor de R$ 806.511,75, conforme acima demonstrado. É o Relatório. Fl. 468DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 02/1 2/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 02/12/2010 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 11522.000720/2007-87 Acórdão n.º 1302-00.405 S1-C3T2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Trata o presente de recurso necessário, impetrado pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém em razão de exoneração de parte do crédito tributário constituído contra a empresa DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS SORRISO LTDA. Em conformidade com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 143/149), foram imputadas à contribuinte as seguintes infrações: a) redução indevida do lucro real em decorrência de majoração de custos (compras); e b) insuficiência de recolhimento de antecipações obrigatórias (estimativas). A autoridade julgadora de primeira instância, repelindo os argumentos expendidos pela contribuinte por meio de peça impugnatória, promoveu, contudo, alterações nos lançamentos tributários. A reforma dos lançamentos em questão foi fundada na alegação de constatação de equívocos cometidos pela Fiscalização na apuração das duas infrações imputadas à contribuinte. Nessa linha, restou assinalado no voto condutor da decisão exarada, in verbis: ... No entanto, verificamos um grande equivoco da Fiscalização na concretização do lançamento tributário, pois, se considerarmos a opção do Contribuinte pela tributação no LUCRO REAL ANUAL, e que as diferenças apontadas pela fiscalização geraria uma diferença anual a ser tributada em R$ 806.511,75, este seria o valor da infração a ser tributada. Vejamos o Demonstrativo Anexo: ... Como mencionamos, o equivoco da Fiscalização se deu ao considerar, como base tributável, as somas dos valores positivos das diferenças encontradas acumulativamente, (no Demonstrativo 02 da fl. 145, corresponde à soma dos valores positivos do Lucro Ajustado), gerando desta forma uma base tributável no valor de R$ 2.877.276,30, bem superior ao valor apurado anualmente no valor de R$ 806.511,75. Observa-se que, este equivoco da fiscalização gerou um excesso de exação, prejudicando desta forma o Contribuinte. Fl. 469DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 02/1 2/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 02/12/2010 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO 6 Em respeito aos princípios da moralidade administrativa, da verdade material e da legalidade, concluímos por exonerar parcialmente o contribuinte neste item, ao considerarmos correta a tributação, tomando como base de cálculo o valor de R$ 806.511,75, conforme acima demonstrado. ... Na elaboração dos demonstrativos (fl.. 146) para cálculos das multas isoladas:, a fiscalização se equivocou nos seguintes sentidos: 1) Considerou no cálculo das estimativas, os prejuízos acumulados em períodos ( exercícios) anteriores; 2) Considerou as estimativas devidas os valores acumulados, ou melhor, no cálculo das estimativas não descontou os tributos estimados calculados nos meses anteriores. Diante de tais constatações, a Turma Julgadora decidiu, por unanimidade, considerar os lançamentos parcialmente procedentes. Não obstante o fato de que tanto os lançamentos tributários efetivados como o decidido em primeira instância seriam merecedores de reparos 1 , diante da ausência de impetração de recurso voluntário por parte da contribuinte autuada e dos limites impostos pela norma processual, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. 1 A observação se justifica, essencialmente, em razão das seguinte considerações: a) o processo não foi instruído com as cópias das páginas do Livro de Apuração do ICMS que serviram de suporte para a apuração das diferenças nos valores das compras; b) o valor do CUSTO consignado na DIPJ (fls. 48) corresponde ao registrado contabilmente (fls. 191); c) a Fiscalização apresenta demonstrativo do CUSTO afirmando se tratar de registros que guardam conformidade com a declaração, porém, o referido instrumento (DIPJ/2002) não contém quadro próprio para registro de tais informações; d) no cálculo da estimativa, é possível promover a compensação de prejuízos fiscais de períodos de apuração anteriores (e não de meses anteriores do mesmo período de apuração), observado o limite legal (30%); e) diante do disposto na alínea acima, a Fiscalização agiu corretamente ao considerar o montante de R$ 344.987,13 (o documento de fls. 150 indica que o valor se refere a períodos anteriores) na determinação dos valores devidos a título de estimativa, porém, incorreu em equívoco ao reduzir tal montante nas apurações correspondentes aos meses subsequentes; f) o limite do adicional de imposto de renda no cálculo do montante devido a título de estimativa deve levar em conta o número de meses do respectivo período de apuração (no mês de julho, por exemplo, o limite é 7 X R$ 20.000,00, isto é, R$ 140.000,00). Fl. 470DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 02/1 2/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 02/12/2010 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 11522.000720/2007-87 Acórdão n.º 1302-00.405 S1-C3T2 Fl. 4 7 Wilson Fernandes Guimarães - Relator Fl. 471DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 02/1 2/2010 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 02/12/2010 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO
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Numero do processo: 10920.001887/98-94
Data da sessão: Tue Nov 17 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Nov 17 00:00:00 UTC 2009
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 31/08/1992, 30/09/1992, 3111011992, 30/11/1992, 31/12/1992, 31/05/1993, 30/06/1993, 31/07/1993, 31/08/1993, 30/09/1993, 31/10/1993, 30/11/1993
PIS. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA.
O prazo de decadência do PIS, no caso de haver pagamentos antecipados, é de cinco anos, contados da data do gerador.
CONTRIBUIÇÃO PARA o PIS/PASEP
Data do fato gerador: 31/12/1993, 31/01/1994, 28/02/1994, 31/03/1994, 30/04/1994, 30/06/1994, 31/07/1994, 31/08/1994, 30/09/1994, 31/10/1994, 30/11/1994, 31/01/1995, 28/02/1995, 31/05/1995, 31/07/1995, 31/08/1995, 30/09/1995, 30/11/1995, 31/01/1996, 29/02/1996, 31/03/1996, 30/04/1996, 31/05/1996, 30/06/1996, 31/07/1996, 31/08/1996, 30/09/1996, 31/10/1996, 30/11/1996, 31/01/1997, 28/02/1997, 31/05/1997, 30/06/1997, 31/07/1997, 30/11/1997,31/12/1997, 31/01/1998, 28/02/1998, 31/05/1998, 30/06/1998
BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE.
A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6° da Lei Complementar n° 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária.
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO ANTECIPADO. REGIME DE COMPETÊNCIA.
A receita de venda para entrega futura é considerada, para efeitos de tributação, quando da realização do negócio jurídico.
BASE DE CÁLCULO. VENDA DE SUCATA.
A venda de sucata, bem móvel objeto de comércio, integra o conceito de receita bruta de venda de mercadorias e a base de cálculo da contribuição.
ERROS NA APURAÇÃO. CORREÇÃO EM DILIGÊNCIA.
É devida a correção da base de cálculo, pelo acórdão de primeira instância, em face dos erros apurados em diligência.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3302-00.257
Decisão: ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário e negar provimento ao recurso de oficio, nos termos do voto do Relator.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: José Antonio Francisco
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/08/1992, 30/09/1992, 3111011992, 30/11/1992, 31/12/1992, 31/05/1993, 30/06/1993, 31/07/1993, 31/08/1993, 30/09/1993, 31/10/1993, 30/11/1993 PIS. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. O prazo de decadência do PIS, no caso de haver pagamentos antecipados, é de cinco anos, contados da data do gerador. CONTRIBUIÇÃO PARA o PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/12/1993, 31/01/1994, 28/02/1994, 31/03/1994, 30/04/1994, 30/06/1994, 31/07/1994, 31/08/1994, 30/09/1994, 31/10/1994, 30/11/1994, 31/01/1995, 28/02/1995, 31/05/1995, 31/07/1995, 31/08/1995, 30/09/1995, 30/11/1995, 31/01/1996, 29/02/1996, 31/03/1996, 30/04/1996, 31/05/1996, 30/06/1996, 31/07/1996, 31/08/1996, 30/09/1996, 31/10/1996, 30/11/1996, 31/01/1997, 28/02/1997, 31/05/1997, 30/06/1997, 31/07/1997, 30/11/1997,31/12/1997, 31/01/1998, 28/02/1998, 31/05/1998, 30/06/1998 BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6° da Lei Complementar n° 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO ANTECIPADO. REGIME DE COMPETÊNCIA. A receita de venda para entrega futura é considerada, para efeitos de tributação, quando da realização do negócio jurídico. BASE DE CÁLCULO. VENDA DE SUCATA. A venda de sucata, bem móvel objeto de comércio, integra o conceito de receita bruta de venda de mercadorias e a base de cálculo da contribuição. ERROS NA APURAÇÃO. CORREÇÃO EM DILIGÊNCIA. É devida a correção da base de cálculo, pelo acórdão de primeira instância, em face dos erros apurados em diligência. Recurso voluntário provido em parte.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-03-29T19:15:30Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-03-29T19:15:29Z; Last-Modified: 2010-03-29T19:15:30Z; dcterms:modified: 2010-03-29T19:15:30Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-03-29T19:15:30Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-03-29T19:15:30Z; meta:save-date: 2010-03-29T19:15:30Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-03-29T19:15:30Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-03-29T19:15:29Z; created: 2010-03-29T19:15:29Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; Creation-Date: 2010-03-29T19:15:29Z; pdf:charsPerPage: 1858; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-03-29T19:15:29Z | Conteúdo => S3-e3I2 Fl '582 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS • tt-2.10,1- r, t e 4 • TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO•tt-crt4t - Processo n° 10920.001887/98-94 Recurso n° 138.173 De Oficio e Voluntário Acórdão n° 3302-00.257 - 3a Câmara / 2' Turma Ordinária Sessão de 17 de novembro de 2009 Matéria PIS Recorrentes DRJ Florianópolis I SC e BUSSCAR ÔNIBUS S/A ASSINTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/08/1992, 30/09/1992, 3111011992, 30/11/1992, 31/12/1992, 31/05/1993, 30/06/1993, 31/07/1993, 31/08/1993, 30/09/1993, 31/10/1993, 30/11/1993 PIS. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. O prazo de decadência do PIS, no caso de haver pagamentos antecipados, é de cinco anos, contados da data do gerador. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA o PI8/11.ASEP Data do fato gerador: 31/12/1993, 31/01/1994, 28/02/1994, 31/03/1994, 30/04/1994, 30/06/1994, 31/07/1994, 31/08/1994, 30/09/1994, 31/10/1994, 30/11/1994, 31/01/1995, 28/02/1995, 31/05/1995, 31/07/1995, 31/08/1995, 30/09/1995, 30/11/1995, 31/01/1996, 29/02/1996, 31/03/1996, 30/04/1996, 31/05/1996, 30/06/1996, 31/07/1996, 31/08/1996, 30/09/1996, 31/10/1996, 30/11/1996, 31/01/1997, 28/02/1997, 31/05/1997, 30/06/1997, 31/07/1997, 30/11/1997,31/12/1997, 31/01/1998, 28/02/1998, 31/05/1998, 30/06/1998 BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6° da Lei Complementar n° 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO ANTECIPADO. REGIME DE COMPETÊNCIA. A receita de venda para entrega futura é considerada, para efeitos de tributação, quando da realização do negócio jurídico. BASE DE CÁLCULO. VENDA DE SUCATA. A venda de sucata, bem móvel objeto de comércio, integra o conceito de receita bruta de venda de mercadorias e a base de cálculo da contribuição. ERROS NA APURAÇÃO. CORREÇÃO EM DILIGÊNCIA. ch É devida a correção da base de cálculo, pelo acórdão de primeira instância, em face dos erros apurados em diligência. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário e negar proymento ao recurso de oficio, nos termos do voto do Relator. Utted»bkiLl..2-1 WALBEPIJOSÉ DA SILVA — Presidente em Exercício /s----*7grí JOSÉ ANT,ON lõ FRANCISCO - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva (Presidente em Exercício), José Antonio Francisco (Relator), Fabiola Cassiano Keramidas, Tânia Mara Paschoalin (Suplente), Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Trata-se de recursos de oficio e voluntário (fls. 1491 a 1509), este último apresentado em 6 de setembro de 2006 contra o Acórdão n°07-8.120, de 7 de julho de 2006, da DRJ Florianópolis / SC (Es. 1449 a 1476), do qual tomou ciência a Interessada em 10 de setembro de 2006 e que, relativamente a auto de infração de PIS dos períodos de agosto a dezembro de 1992, maio de 1993 a abril de 1994, junho a novembro de 1994, janeiro, fevereiro, maio e julho a setembro de 1995, novembro de 1995, janeiro a novembro de 1996, janeiro, fevereiro, maio a julho de 1997, novembro de 1997 a janeiro de 1998, maio e junho de 1998, considerou procedente em parte o lançamento. A ementa do acórdão de primeira instância foi a seguinte: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/08/1992 a 31/12/1992, 01/05/1993 a 30/04/1994, 01/06/1994 a 30/11/1994, 01/01/1995 a 28/02/1995, 01/05/1995 a 31/05/1995, 01/07/1995 a 30/09/1995, 01/11/1995 a 30/11/1995, 01/01/1996 a 30111/1996, 01/01/1997 a 28/02/1997, 01/05/1997 a 31/07/1997, 01/11/1997 a 31/01/1998, 01/05/1998 a 30/06/1998 Ementa: ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE INCOMPETÊNCIA DAS INSTANCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO - As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. EFEITO - A decisão judicial transitada cm julgado faz lei entre as partes. Assim, não merece reprimenda a ação fiscal naquilo que %\ fl 2 j, Processo n°10920.001887/98-94 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302-00.257 Fl. 1.583 obedeceu fielmente aos ditames da referida decisão em ação judicial interposta pela impugnante. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/1992 a 31/12/1992, 01/05/1993 a 30/04/1994, 01/06/1994 a 30/11/1994, 01/01/1995 a 28/02/1995, 01/05/1995 a 31/05/1995, 01/07/1995 a 30/09/1995, 01/11/1995 a 30/11/1995, 01/01/1996 a 30/11/1996, 01/01/1997 a 28/02/1997, 01/05/1997 a 31/07/1997, 01/11/1997 a 31/01/1998, 01/05/1998 a 30/06/1998 Ementa: BASE DE CÁLCULO. RECEITA DE VENDA DE SUCATA - Devem ser incluídas na base de cálculo da contribuição as receitas provenientes de vendas de subprodutos (sucata) da atividade industrial principal, uma vez que inexiste dispositivo legal que possibilite sua exclusão. RECONHECIMENTO DE RECEITA. EMISSÃO DE NOTA FISCAL. REGIME DE COMPETÊNCIA - A emissão da nota fiscal evidencia a hipótese de incidência do PIS, ocasião em que, por obediência ao regime de competência, devem ser reconhecidas as receitas. Lançamento procedente em parte O auto de infração foi lavrado em 14 de dezembro de 1998 e, segundo o termo de fls. 361 a 404, a interessada apresentou duas ações judiciais contra o PIS. A primeira foi uma ação declaratória de inexistência parcial de obrigação tributária, cumulada com pedido cautelar de depósito, em que contestou a diferença de aliquota de 0,35% e a alíquota de 0,65% sobre a receita bruta, além da incidência da contribuição sobre ICMS, cancelamentos, devoluções e descontos incondicionais. Obteve autorização para depósito, posteriormente substituído por garantia imobiliária, e trânsito em julgado com decisão parcialmente favorável, considerando que, em relação à base de cálculo e alíquota do PIS, a Lei Complementar a 7, de 1970, não fora revogada pelos Decretos-Lei n°2.445 e 2.449, de 1988. Durante o trâmite do processo citado, a interessada apresentou ação declaratória de direito de crédito tributário e compensação, requerendo a compensação dos indébitos do PIS em face da ineonstitucionalidade dos decretos-leis citados e da exclusão da base de cálculo da contribuição do ICMS, cancelamentos e devoluções de vendas e descontos incondicionais. O Tribunal Regional Federal da 4' Região reformou a sentença de primeira instância, mantendo apenas a inconstitucionalidade dos decretos-lei, o que foi posteriormente confirmado pelo Superior Tribunal de Justiça. Considerando que as decisões judiciais transitadas em julgado apenas reconheceram a inconstitucionalidade dos propalados decretos-leis e o direito de compensação e eventuais pagamentos a maior, a fiscalização apurou, segundo a legislação vigente, diferenças da contribuição devidas pela interessada. ek 3 • Esclareceu, ainda, que a interessada excluiria "da base de cálculo do PIS o faturamento antecipado, no mês em que verificado, para inclui-lo no mês da entrega do produto, desvirtuando a apuração da Contribuição em exame". Analisando o Código Comercial e o Código Civil, enfatizou a fiscalização que, sendo o faturamento o produto da venda de bens, seria irrelevante para o caso o momento em que o comprador recebesse a mercadoria. Ademais, o art. 6° da Lei Complementar n. 7, de 1970, trataria de prazo de recolhimento e não de base de cálculo e o prazo de decadência do PIS seria de dez anos. Em resumo, as razões da autuação seriam, conforme relatório da decisão de primeira instância: não inclusão das receitas de vendas de sucatas na base de cálculo, exclusão dos valores do ICMS, postergação do faturamento antecipado e falta de correção monetária do faturamento antecipado. Antes do julgamento de primeira instância, foi solicitada autorização para realização de lançamento complementar, constante do processo 10920.000166/99-48, que foi anexado ao presente (fls. 821 a 1054). Segundo o auto de infração complementar (fls. 966 a 1005), cientificado à interessada em 18 de fevereiro de 1999, relativamente aos períodos de novembro e dezembro de 1995, os valores dos débitos de tais períodos foram alterados para zero em DCTF retificadora apresentada pela interessada. A primeira instância baixou os autos em diligência para explicitar a recomposição da base de cálculo e manifestação da fiscalização a respeito do faturamento • antecipado e da autenticidade dos documentos apresentados pela interessada, intimação a respeito da diligência e abertura de prazo para aditamento da impugnação. Nas fls. 1363 e 1364, a fiscalização esclareceu que, posteriormente, apurou diferenças a maior em relação ao que foi apurado na diligência, razão pela qual foi lavrado em 4 de outubro de 2001 o auto de infração de fls. 1365 a 1412 em relação aos períodos de julho de 1992 a setembro de 1997. O relatório de fls. 1413 a 1429 teve o seguinte conteúdo: PROCEDIMENTOS ADOTADOS NA DILIGÊNCIA Em 01.06.2001, o contribuinte foi intimado a apresentar demonstrativo detalhado da formação da base de cálculo do PIS, nos períodos de apuração de julho de 1988 a dezembro de 1995, bem como os valores dos débitos apurados da contribuição, seus respectivos pagamentos, depósitos e compensa cães (v. fls. 1115 a 1117). Tal procedimento foi adotado em virtude de que as planilhas apresentadas pelo contribuinte na impugnação, às folhas 618 a 766, referentes aos períodos de apuração de julho de 1988 a dezembro de 1995, além de confusas, não apresentavam correspondência inequívoca com as contas do livro Razão, as quais foram juntadas cópias ao processo (v. folhas 455 a 565), nem com os valores que compuseram as bases de cálculo do auto de infração, demonstradas nas planilhas delis. 271 a 278. /771 VI 4 Processo n° 10920.001887/98-94 53-C3T2 Acórdão n.° 3302-00.257 E. 1.584 No cotejo entre os demonstrativos apresentados pelo contribuinte e aqueles que instruíram o Auto de Infração (v. fls. 271 a 278), entretanto, foram apuradas diferenças. Com o objetivo de esclarecer tais divergências, o contribuinte foi intimado, às fls. 1127 a 1129, a disponibilizar à auditoria livros e documentos fiscais e a apresentar esclarecimentos. Com a disponibilização dos documentos e livros fiscais, efetuou- se o cotejo entre os demonstrativos apresentados pelo contribuinte, à. s fls. 1119 a 1126, e os registros escriturados no • Livro Razão, para os períodos de apuração de julho de 1998 a dezembro de 1995. Verzficou-se, então, haver divergências entre os valores que compuseram as bases de cálculo utilizadas pelo contribuinte para recolhimento, depósito e compensação do PIS e os valores escriturados no Livro Razão. Com a finalidade de juntar aos autos comprovação inequívoca dos valores que compõem as bases de cálculo do PIS, tendo como fonte os registros escriturados no Livro Razão, para o período de apuração de julho de 1988 e dezembro de 1995, e diante da inviabilidade de extrair-se cópia do livro Razão de todas as contas que compõem as bases de cálculo . para o referido período, intimou-se o contribuinte, às fls. 1244 e 1245, a reapresentar os DEMONSTRATIVOS DE CÁLCULO DO PIS, conforme escrituração no livro Razão. Em 22.08.2001, o contribuinte disponibilizou os demonstrativos, às fls. 1247 a 1254. Efetuou-se, assim, novamente o cotejo entre os valores das contas relacionadas nos demonstrativos (lis. 1247 a 1254) e aqueles escriturados no Livro Razão, no período de julho de 1988 a dezembro de 1995, constatando-se a veracidade das informações com base no livro contábil e fiscaL Verificou-se, ainda, que as cópias juntadas ao processo, as fls. 455 a 617, foram extraídas do Livro Razão, escriturado pelo contribuinte, e referem-se, na maior parte, às contas de Venda de Carrocerias Rodoviárias e Venda de Carrocerias Urbanas. Por conseguinte, com base nas informações apuradas na diligência e no pedido formalizado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis, foram refeitas as planilhas de Composição da Base de Cálculo do PIS, às fls. 1255 a 1265, que substituem as de fls. 271 a 281; foram elaboradas planilhas auxiliares que demonstram a composição das contas de Venda de Carrocerias Rodoviárias e Urbanas, às fls. 1266 a 1277, e planilhas que demonstram as diferenças entre as bases de cálculos apuradas nessa diligência e aquelas apuradas pelo contribuinte quando do recolhimento, depósito e compensação do PIS, para os períodos de apuração de julho de 1988 a junho dei 998, às fls. 1278 a 1288. eift 5 Com o objetivo de conhecer os valores dos débitos de PIS, com base nas informações verificadas em diligência, foram elaborados os demonstrativos de fls. 1289 a 1349: Bases de Cálculo do PIS, Apuração dos Débitos de PIS, Listagem dos Pagamentos de PIS, Relação de Débitos Declarados, Imputação dos Débitos Apurados com os Pagamentos, Débitos Remanescentes - Valores Originais, Declarados e Não- declarados. O demonstrativo de Débitos dos Autos de Infração, às fls. 1350 a 1352, foi elaborado em virtude dos débitos de PIS, lançados no Auto de Infração de fls. 344 a 406, serem divergentes dos apurados nessa diligência. Observa-se que, de acordo com o resultado da diligência, alguns débitos de PIS foram indevidamente lançados no Auto de Infração de 344 a 406. Assim, com o objetivo único de facilitar a compreensão do contribuinte, refez-se os cálculos do Auto de Infração original, às fls. 1353 a 1362, excluindo-se os valores dos débitos indevidamente lançados, em decorrência das conclusões dessa diligência. Por outro lado, havendo débitos apurados e não lançados, formalizou-se o Auto de Infração no processo administrativo n° 10920.001580/2001-13, com cópia às fls. 1365 a 1412, após autorização do Delegado da Receita Federal em Joinville para reexame de débitos já lançados (v.fls. 1363 e 1364). COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS - FATURAMENTO ANTECIPADO Em relação ao faturamento antecipado, podemos afirmar que as alegações do contribuinte são parcialmente procedentes. Com o objetivo de facilitar o entendimento faz-se necessário, inicialmente, compreender os registros contábeis efetuados pelo contribuinte nas contas Venda de Carrocerias Rodoviárias e Venda de Carrocerias Urbanas, escriturados no livro Razão. Nas cópias extraídas do livro Razão, apresentadas pelo contribuinte na impugnação, às fls. 455 a 617, verifica-se que: No montante que compõe a receita na venda de carrocerias no mês (conta a crédito), o contribuinte inclui o valor do faturamento antecipado que foi estornado do faturamento do mês anterior; No montante que compõe as deduções na venda de carrocerias no mês (conta a débito), o contribuinte inclui o valor do faturamento antecipado do referido mês. Conforme cópias dos registros contábeis e documentos fiscais, às fls. 1141 a 1241, conclui-se que: O valor do faturamento antecipado no mês (a débito) é formado pelo montante das vendas de carrocerias, com emissão de Notas Fiscais com código de operação do ICMS 611/10 - Venda de produtos do estabelecimento, que segundo o contribuinte não possuem pedido de compra e venda correspondente; kd 6 Processo n° 10920.001887198-94 83-C3112 Acórdão n.° 3302-00157 Fl. 1.585 O valor do faturamento antecipado do mês anterior (a crédito) é formado pelo montante das vendas de carrocerias, cujos notas fiscais foram emitidas em meses anteriores (com código de operação do ICMS 611/10 — Vendas de Produtos do Estabelecimento) e que, de acordo com o contribuinte, em virtude da emissão do pedido de compra e venda no mês correspondente foram emitidas notas fiscais com código do ICMS 699/06— Outras saídas. O contribuinte, assim, exclui do faturamento mensal as vendas com emissão de nota fiscal das quais não foram emitidos os respectivos pedidos de compra e venda. No mês em que ocorrer a emissão dos pedidos de compra e venda, o contribuinte inclui, no faturamento mensal, os valores das notas fiscais que foram excluídas em períodos anteriores. E, conforme esclarece (fl. 1130): "com a reversão do lançamento do Faturamento Antecipado do mês anterior e a contabilização do valor relativo ao mês atual, todos os produtos que estavam na condição de Fatura mento Antecipado passam a incorporar o valor das receitas de vendas, no período em que foram entregues(mediante emissão de nota fiscal - para fins de transporte), o que ocorre, normalmente de 30 a 60 dias da data do faturamento antecipado. Assim sendo, certifica-se que a emissão da nota fiscal da venda é complementada pela nota fiscal de transporte do produto." • Os documentos de fis. 1141 a 1241, referentes aos períodos de apuração de março de 1992, maio de 1993, agosto de 1994 e outubro de 1995, comprovam os procedimentos adotados pelo contribuinte. Mediante cópia do livro Razão-Acumulado verifica-se os números das notas fiscais faturas. Nas cópias das notas fiscais, com códigos de operação do ICMS 611/10 - Venda de Produtos do Estabelecimento e 699/06 - Outras saídas, comprova-se a correspondências das notas fiscais com o registro contábil. Embora o contribuinte não tenha apresentado documentação para os períodos de apuração dos meses de julho de 1988, setembro de 1989, novembro de 1990 e janeiro de 1991, conforme solicitado (v. fl. 1130), conclui-se, com base na escrituração do livro Razão, que o critério de registro contábil não foi alterado; tendo sido tal procedimento adotado nos períodos de julho de 1988 a junho de 1998. Por fim, segundo o contribuinte, às fls. 1130 a 1140, o registro contábil do faturamento antecipado ocorre em virtude dos pedidos de financiamentos dos clientes junto às Instituições Financeiras. Urna vez compreendida a escrituração contábil do contribuinte, é possível analisar a composição da base de .cálculo na tributação do PIS. Nesse aspecto, há de se considerar dois períodos -julho de 1988 a setembro de 1995 e outubro de 1995 a junho de 1998 - em eby 7 virtude da alteração de procedimento do contribuinte na formação da base de cálculo do PIS. Nos períodos de apuração de julho de 1988 a setembro de 1995, o contribuinte não excluía da base de cálculo do PIS o montante do faturamento antecipado. Nesse item, sua alegação é procedente. Apesar do contribuinte afirmar na impugnação, à fl. 422, que a exclusão do faturamento antecipado na venda de carrocerias iniciou somente a partir do período de apuração de novembro de 1995, o período de início da exclusão do faturamento antecipado foi outubro de 1995, conforme retificado pelo próprio contribuinte, àfl. 1131. Os valores das contas que compõem os demonstrativos da base de cálculo do PIS, apresentados pelo contribuinte (fls. 1247 a 1254), correspondem aos valores dos débitos e créditos, conforme o caso, das respectivas contas escrituradas no livro Razão, consoante já relatado. As contas Vendas de Carrocerias (Rodoviárias e Urbanas), entretanto, em virtude da contabilização do faturamento antecipado, mereceram ajustes nos demonstrativos de fls. 1247 a 1254, elaborados pelo contribuinte, ou daqueles de fls. 1255 a 1265, elaborados no decorrer dessa diligência. Os valores das contas Carrocerias Rodoviárias e Carrocerias Urbanas, constantes dos demonstrativos citados, correspondem ao montante a crédito das respectivas contas no livro Razão (v. fls. 455 a 617) subtraído do valor do faturamento antecipado, apurado no período anterior. Tal procedimento é demonstrado nas planilhas de fls. 1266 a 1277. Da mesma forma, o montante da conta Devoluções de Carrocerias (Rodoviárias ou Urbanas), constantes dos demonstrativos (lh. 1247 a 1254 e 1255 a 1265), é formado pelos totais a débito das contas de Vendas de Can-ocerias (Rodoviárias e Urbanas) do livro Razão (lls. 455 a 617), excluindo-se o valor do faturamento antecipado no mês, consoante demonstrado nas planilhas defls. 1266 a 1277. Fica comprovado, portanto, que o contribuinte não excluiu da base de cálculo do PIS, no período de apuração de julho de 1988 a setembro de 1995. O denominado fatura mento antecipado. A partir de outubro de 1995, entretanto, o contribuinte excluiu e inclui na base de cálculo do PIS, em conta própria, o valor do faturamento antecipado do mês atual e o valor do faturamento antecipado do mês anterior, respectivamente, consoante observa-se nos demonstrativos defls. 1254, 767, 768 e 769. Por todo o exposto, conclui-se que as inclusões e exclusões do faturamento antecipado, efetuados por esse órgão, na composição da base de cálculo do PIS, demonstrados, às fls. 271 a 281, foram equivocadas. Por conseguinte, parte dos lançamentos constantes do auto de infração de fls. 344 a 406 merecem ser cancelados. Q,̀,1 8 • Processo n° 10920001887198-94 S3-C3T2 Acórdão n.°3302-00.257 Fl. 1.586 COMPOSIÇÃO DÁ BASE DE CÁLCULO DO PIS - ICMS: O contribuinte apresentou relação dos valores excluídos da base de cálculo do PIS, a título de ICMS sobre vendas, a fl. 1104, em decorrência de intimação. Posteriormente, quando indagado na intimação de fls. 1127 a 1129, sobre as divergências entre os valores do ICMS excluídos da base de cálculo do PIS das tabelas apresentadas e aqueles constantes dos Demonstrativos de Cálculo de PIS de fls. 1119 a 1126, o contribuinte esclareceu, em síntese (v. fl. 1131): 1 - No período de fevereiro de 1992 a junho de 1993 não houve exclusão do ICMS da base de cálculo de apuração dos débitos de PIS; 2- No período de julho de 1993 a março de 1995, o valor do ICMS foi excluído integralmente da base de cálculo de apuração dos débitos de PIS Observa-se que o contribuinte, quando da apresentação dos Demonstrativos de Cálculo do PIS, nos exercícios de 1993, 1994 e 1995, individualizou a dedução da base de cálculo referente ao (CAIS descontado (v. fls. 1124 a 1125 e 1252 a 1254). Ora, tendo como fonte essas informações é possível identificar a parcela dos débitos de PIS, lançados no auto de infração, que referem-se a não inclusão do ICMS na base de cálculo: aplica-se a alíquota do PIS sobre o montante correspondente à exclusão. L-7 COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS - DIFERENÇAS APURADAS: A composição da base de cálculo do PIS apurada nessa diligência está detalhadamente demonstrada nas planilhas de fls. 1255 a 1277. As diferenças entre essas bases de cálculo e aquelas apuradas pelo contribuinte para recolhimento, depósito e/ou compensação 07s. 1119 a 1126; 767 a 769) estão evidenciadas nos Demonstrativos das Diferenças nas Bases de Cálculo, às fls. 1278 a 1288, as quais passamos a explicar: I. Inclusão na base de cálculo do PIS das receitas com sucatas: No relatório do auto de infração, às fls. 361 a 404, a inclusão das receitas com as vendas de sucatas na base de cálculo do PIS, foi amplamente fundamentada. Assim, manteve-se o mesmo procedimento, ou seja, incluir na base de cálculo do PIS as receitas com as vendas de sucatas não consideradas pelo contribuinte. Observa-se que são procedentes as alegações do contribuinte de que parte das receitas com sucatas foram tributadas à época. Nos demonstrativos juntados aos autos, constata-se que as „ri"." 9 •- receitas com as vendas de sucatas foram incluídas nos períodos de apuração de 1988, 1994, 1995,. 1996, 1997 e 1998. Nos períodos não mencionados - 1989, 1990, 1991, 1992 e 1993 - o contribuinte ofereceu à tributação tais receitas. 2. Inclusão na base de cálculo do PIS dos valores do ICMS descontados: Conforme relatado no item COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS - ICMS, foram incluídos na base de cálculo do PIS, os valores do ICMS descontados pelo contribuinte. Os períodos em que foram realizadas as inclusões correspondem à julho de 1993 a março de 1995, conforme evidenciado nas planilhas de fls. 1278 a 1288. 3. Exclusão dos efeitos dos Decretos-Leis n° 2.445/88 e 2.449/88: O contribuinte, na época do pagamento da contribuição ao PIS, estava sob a égide dos Decretos-Leis n°2.445, de 29.06.1988, e n° 2A49, de 2L07.1988. Os Decretos-Leis alteraram a base de cálculo de faturamento para receita operacional bruta e a aliquota de 0,75% para 0,65%. Com a declaração de inconstitucionalidade dos Decretos-Leis, entretanto, a base de cálculo do PIS voltou a ser composta pelo faturamento da empresa. Os demonstrativos delis. 1278 a 1288 relacionam os valores que não foram incluídos na base de cálculo do PIS em decorrência da aplicação da legislação vigente à época, após a declaração de inconstitucionalidade. 4. Exclusão dos efeitos do faturamento antecipado: O contribuinte, a partir de outubro de 1995, exclui do faturamento mensal o faturamento denominado antecipado, apurado no mês, e inclui no montante do faturamento mensal o faturamento de meses anteriores quando, segundo sua concepção, realizados, conforme explicado anteriormente. Conforme exposto no relatório do auto de infração, às fls. 361 a 404, os efeitos da inclusão e exclusão do faturamento antecipado não foram considerados na base de cálculo do PIS. O montante desses valores, considerados pelo contribuinte, estão demonstrados nas planilhas de fls. 1278 a 1288. 5. Diferenças entre os registros no livro Razão e as planilhas utilizadas para pagamento, depósito e compensação do PIS: A realização do cotejo entre os valores que compõem a base de cálculo do PIS, apresentados pelo contribuinte, às fis. 1119 a 1126, que serviram de base para os recolhimentos, depósitos e . compensações, e os respectivos registros no livro Razão, evidenciou diferenças na escrituração contábil do contribuinte. Tendo em vista que a diligência usou como fonte de informações o livro Razão, foram apuradas diferenças a maior e a menor entre as bases de cálculo apuradas nessa diligência e aquelas • (5}.$ \ to Processo n°10920.001887/98-94 83-C3T2 Acórdão n ° 3302-00.257 Fl. 1587 utilizadas pelo contribuinte. Essas diferenças foram demonstradas às fls. 1278 a 1288. O acórdão de primeira instância cancelou parcialmente a exigência, cm função de correções acima mencionadas. No recurso, a interessada alegou decadência dos valores relativos aos períodos de agosto de 1992 a novembro de 1993. Em relação ao faturamento antecipado, alegou que somente em relação ao período de novembro de 1995 teria deixado "de pagar o PIS sobre estas operações denominadas faturamento antecipado". Segundo a interessada, a tese de que o faturamento seria tributável no mês de emissão da nota fiscal seria equivocada, pois os pedidos efetuados seriam "apenas intenções de comprar e de vender, os quais as partes podem reconsiderar, sem quaisquer ônus". Ademais, "quando a nota fiscal é emitida, sequer há pedido de venda emitido, posto que sua emissão depende inclusive da obtenção de linhas de financiamento". A emissão da nota fiscal, nesse caso, somente objetivaria a possibilidade de obtenção de linha de financiamento pelos clientes. Em relação à venda de sucatas, alegou que a fiscalização teria somado os valores ao faturamento bruto, o que teria acarretado a "tentativa de tributação dúplice destas vendas". Acrescentou que "as vendas de sucata (no período de 01/89 a 07/92) foram regularmente tributadas através da inclusão destas recuperações de custos no item 3353.9000 'vendas de sucatas' e não no item 'outras receitas', citado equivocadamente pelo agente fiscal". Quanto "aos períodos posteriores a 07/92, observou a Recorrente que o PIS deveria ser calculado sobre a receita bruta, compreendendo o produto da venda de bens de fabricação própria, de revenda de mercadorias c o preço dos serviços prestados", por se tratar de recuperações de custos. Na seqüência, tratou da sernestralidade da base de cálculo do PIS. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ ANTONIO FRANCISCO, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendo-se tomar conhecimento. Em relação ao recurso de oficio, o acórdão de primeira instância admitiu as correções apuradas na diligencia determinada, para corrigir os valores do lançamento em relação ao faturarnento antecipado, vendas de sucata, exclusão do ICMS e outras diferenças. IIGi • • A diligência, requerida de forma precisa pela primeira instância, foi bastante minuciosa na apuração dos fatos e baseada em documentação que demonstrou os critérios adotados pela fiscalização. Dessa forma, não há o que se reparar no acórdão de primeira instância em relação ao recurso de oficio. Passa-se ao recurso voluntário. No tocante à decadência, dispõe o art. 146, III, da Constituição federal que é matéria a ser disciplinada por norma geral de direito tributário. As normas gerais de direito tributário são veiculadas por lei complementar, nos termos do dispositivo citado. . Entretanto, segundo o art. 29, I, e parágrafos da Constituição federal, em termos de competência legislativa concorrente, a lei federal deve tratar apenas de normas gerais, sendo ilegais (contrárias às normas gerais), em conseqüência, as leis ordinárias federais, estaduais, distritais e municipais que não estiverem de acordo com aquela. Portanto, embora caiba a lei complementar disciplinar a questão da decadência, em matéria de direito tributário, o art. 150, § 4°, do CTN pennite que, no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a lei ordinária fixe prazo diverso daquele lá previsto. Entretanto, a regra a ser aplicada à Cofins é a prevista na Lei n. 8.212, de 1991, art. 45, que dispõe que o prazo é de dez anos, contados do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento. Veja-se que a inconstitucionalidade do dispositivo é discutível, uma vez que o art. 150, § 4°, do CTN prevê a possibilidade de a lei fixar outro prazo. O CTN e lei de normas gerais, de forma que, havendo autorização para que lei fixe prazo específico, não há que se falar em inconstitucionalidade ou ilegalidade. Além disso, não podem os Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação de dispositivo legal, em virtude de inconstitucionalidade, a não ser nos casos previstos no art. 49 do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 2007. Por outro lado, a Lei n. 8.212, de 1991, não tratou da contribuição para o PIS. As contribuições sociais regidas pela referida lei são o Finsocial (posteriormente substituído pela Cofins) e as contribuições sociais administradas pelo INSS (do empregador e do empregado). Dessa forma, o art. 45 somente se aplica a essas contribuições, tendo a decadência do PIS permanecido sob a regência do art. 150, § 4°, do CTN. No tocante à disposição do Decreto-lei n. 2.052, de 1983, art. 3°, não se trata de instituição de prazo decadencial. O dispositivo, que estabelece a obrigatoriedade de conservação, pelo prazo de dez anos, de documentos comprobatórios do pagamento e da base de cálculo, está vinculado ao art. 10, que estabeleceu o prazo prescricional de dez anos para a contribuição. Tanto é que o art. 30 refere-se ao termo inicial do prazo de prescrição, que é a data do vencimento, e se refere ao comprovante de recolhimento, cuja apresentação demonstra o pagamento. Ademais, o Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária de 12 de junho de 2008, aprovou a Súmula Vinculante n° 8, publicada em 20 de junho de 2008, do seguinte teor: 12 Processo n°10920001887/98-94 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302-00.257 Fl. 1.588 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5' do Decreto- lei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. A Súmula teve origem no julgamento do RE n° 559.882-9, de relatoria do Ministro Gilmar Mendes, que reconheceu as referidas inconstitucionalidades. O texto da decisão que tratou da modulação temporal dos efeitos da decisão foi o seguinte (http.// www.stfgov.br/ portal/ processo/ verProcessoTexto.asp? id- 2393382&fipoApp= RTF): Decisão: O Tribunal, por maioria, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, deliberou aplicar efeitos ex nunc à decisão, esclarecendo que a modulação aplica-se tão-somente em relação a eventuais repetições de indébitos ajuizadas após a decisão assentada na sessão do dia 11/06/2008, não abrangendo, portanto, os questionamentos e os processos já em curso, nos termos do voto do relatar. Ausente, justificadamente, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 12.06.2008. A decisão, portanto, atribuiu efeito preclusivo aos casos não litigiosos na data da decisão, aplicando-se aos casos em julgamento. A referida súmula, nos termos da Emenda Constitucional n°45, de 2004, art. 2°, tem efeito vinculante "em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal[...]". Portanto, aplica-se ao PIS, em principio, o prazo o art. 150, § 4°, do CTN, a não ser que não tenha havido pagamento antecipado, hipótese que desloca o termo inicial do prazo para o estabelecido no art. 173, I, do CTN. A respeito da matéria, o Superior Tribunal de Justiça pacificou seu entendimento, como demonstra a ementa abaixo reproduzida (REsp 512840 / SP; Relatora: Ministra Eliana Calmon; DJ 23.05.2005 p. 194): TRIBUTÁRIO - DECADÊNCIA - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO (ART. 150 § 4° E 173 DO CTN). 1. Nas exaçães cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, conta-se o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § do CW7). 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova defraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. 3. Em normais circunstâncias, não se conjugam os dispositivos lega is. 4. Precedentes das Turmas de Direito Público e da Primeira Seção. 5. Recurso especial provido. 13 No caso dos autos, aplica-se o art. 150, § 4°, do CTN. Tendo sido o lançamento efetuado em 14 de dezembro de 1998, restaram decaídos os períodos até novembro de 1993. Em relação ao primeiro lançamento complementar, não houve decadência. Em relação ao auto de infração de fls. 1365 e seguintes, lavrado em 4 de outubro de 2001, ocorreu a decadência em relação às referidas diferenças dos períodos de apuração até setembro de 1996, restando apenas os débitos dos períodos de dezembro de 1996 e setembro de 1997 (fl. 1367). Em relação ao faturamento antecipado, conforme restou demonstrado na diligência, ocorreram as referidas inclusões e exclusões a partir de outubro de 1995 e não somente em novembro de 1995, como alegou a interessada. Segundo o entendimento da interessada, poder-se-ia considerar que a contribuição seria devida sobre a receita apurada de acordo com as normas contábeis, o que poderia ocorrer segundo o regime de competência ou de caixa. O regime de competência é a regra e, nesse regime, as receitas seriam escrituradas de acordo com a realização, nos termos dos Acórdãos n. 107-09.143 1 e 108- 06.388 2 do 1° Conselho de Contribuintes. Tais conclusões aplicam-se ao imposto de renda. Entretanto, o entendimento do 2° Conselho de Contribuintes tem sido o de tratar a questão como de venda para entrega futura, conforme Acórdãos n. 203-11.346 1 , 203- 11.3604 e 202-15.6455. Não tem procedência, ademais, suas alegações que haveria, com as emissões de notas fiscais, apenas "intenção de compra e venda", uma vez que o contrato de venda e - compra é consensual, conforme análise da fiscalização e do acórdão de primeira instância. Portanto, é incorreto o procedimento da interessada de excluir da base de cálculo da contribuição os valores do faturamento antecipado, no mês do pagamento, e de reincluí-los no mês da entrega das mercadorias. OMISSÃO DE RECEITAS. FATURAMENTO ANTECIPADO. Demonstrado tratar-se de faturamento antecipado, e que parte das receitas tidas como omitidas foram tributadas pelo regime de competência, no momento da entrega do produto ao cliente, é de se cancelar o lançamento, nessa parte. 2 — FATURAMENTO ANTECIPADO — A receita de venda é considerada realizada, ou "ganha", quando da tradição, real ou simbólica, dos bens vendidos. Não há tradição simbólica de bem ainda não produzido, portanto inexistente. 3 Venda para entrega futura. A nota fiscal de venda para entrega finura traduz negócio perfeito e acabado para todos os fins legais. A receita de tal operação comercial deve ser reconhecida na escrituração do mês em que celebrado o negócio. 4 VENDA PARA ENTREGA FUTURA. A nota fiscal de venda para entrega futura traduz negócio perfeito e acabado para todos os fins legais. A receita de tal operação comercial deve ser reconhecida na escrituração do mês em que celebrado o negócio. 5 VENDA PARA ENTREGA FUTURA. A receita de venda para entrega finura é considerada, para efeitos de tributação, quando da realização do negócio jurídico. mu 1 4 Processo n° 10920.001887/98-94 S3-C3T2 Acórdão n.°3302-00.257 Fl. 1389 No tocante às vendas de sucata, ao contrário do alegado pela interessada, a receita dela decorrente compõe o faturamento da empresa, por representar venda de produtos próprios. É elementar que a sucata é subproduto de fabricação e, como tal, decorre naturalmente da atividade empresarial da interessada. Dessa forma, a venda de sucata, que é coisa móvel objeto de comércio, representa venda corrente e típica da atividade da empresa, conforme entendimento desta Câmara no Acórdão n. 201-80.966 6, dentre outros. Em relação ao período em que as vendas de sucata não foram excluídas da base de cálculo, o acórdão de primeira instância efetuou as devidas correções. Em relação à semestralidade da base de cálculo, trata-se de matéria sumulada em Sessão Plenária do 2° Conselho de Contribuintes de 18 de setembro de 2007. A Súmula n° 11, publicada no DOU de 26 de setembro, estabeleceu o seguinte: SÚMULA N°11 A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6° da Lei Complementar n° 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso de oficio e por dar provimento parcial ao recurso da interessada para reconhecer a decadência dos períodos de apuração de agosto de 1992 a novembro de 1993 do auto de infração original e das diferenças apuradas no terceiro auto de infração (fls. 1365 e seguintes) até setembro de 1996, e para admitir a semestralidade da base de cálculo da contribuição até o periodo de apuração de fevereiro de 1996. ty, JOSÉ ANEONIO FRANCISCO 6 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cotins Periodo de apuração: 01/01/2000 a 30106/2003 RECEITA VENDA DE SUCATA. MERCADORIA. Mercadorias são as coisas móveis objeto do comércio. Sucata é mercadoria e sua venda constitui faturamento da empresa vendedora, base de cálculo da Cotins. 15
score : 1.0
Numero do processo: 10640.000593/2009-79
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/08/2004
RETENÇÃO. OBRIGAÇÃO.
Constitui obrigação da empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mão-de-obra, reter 11% do valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços para recolhimento ao INSS.
Numero da decisão: 2403-001.556
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 3ª turma ordinária do segunda seção de julgamento, Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ewan Teles Aguiar, Ivacir Julio de Souza, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro e Marcelo Magalhães Peixoto
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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OBRIGAÇÃO. Constitui obrigação da empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, reter 11% do valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços para recolhimento ao INSS. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 3ª turma ordinária do segunda SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 05 93 /2 00 9- 79 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Participaram do presente julgamento, os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ewan Teles Aguiar, Ivacir Julio de Souza, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro e Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 102DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10640.000593/200979 Acórdão n.º 2403001.556 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora, Acórdão 0925.678 da 5ª Turma, que julgou improcedente a impugnação. A autuação foi assim apresentada no relatório do acórdão recorrido: Tratase do Auto de Infração DEBCAD 37.172.3841, no valor consolidado de R$ 41.284,62 (quarenta e um mil, duzentos e oitenta c quatro reais e sessenta e dois centavos), lavrado por descumprimento de obrigação principal, relativamente A retenção de 11% (onze por cento) sobre o valor da Nota Fiscal. Fatura ou Recibo emitidas pelas empresas contratadas para execução de serviços mediante cessão de mãodeobra, no período acima indicado (01/2004 a 08/2004). De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 9/10), foi contratada a empresa RESGATE MEDIC CALL TEAM ENSINO E TREINAMENTO LTDA, CNPJ 04.736.928/000190. para prestação de serviços de socorro de vitimas humanas, nas margens das rodovias federais BR 040, entre Conselheiro Lafaiete e Santos Dumont, e BR 265, entre Barbacena e Barroso, em área da Policia Rodoviária Federal de Barbacena, bem como em todo o perímetro urbano de Barbacena. Os serviços contratados destinavamse à remoção de vitimas humanas no local do acidente e transporte até o hospital e incluíam ainda qualquer tipo de ocorrência que colocasse em risco a vida da população em geral. no perímetro urbano de Barbacena. Os serviços deveriam ser prestados em todos os dias da semana. durante 24 horas por dia. Conforme o mesmo relatório fiscal, a contratada não efetuou os destaques nas notas fiscais emitidas. Na impugnação a recorrente afirma que, por máfé, a contratada não estava cumprindo com suas obrigações contratuais e sociais, deixando de remunerar seus funcionários, tendo sido interrompido o contrato estabelecido. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: · Pela má fé da CONTRATADA, não estava cumprindo com suas obrigações sociais/contratuais, seus funcionários não estavam recebendo por seus serviços prestados ao Resgate, tendo o DEMASP que interromper o contrato. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 · Vários funcionários entraram na Justiça Trabalhista contra os sócios dessa referida empresa, e contra o DEMASP vindo a Justiça a condenar aos reclamados de forma solidária a cumprirem com as obrigações trabalhistas e previdenciárias, e responsabilizar de forma subsidiária o DEMASP · Foi apresentada a relação de reclamantes com processo judicial e suas respectivas condenações, que Somou o valor aproximado das condenações um Total de R$ 163.221,30 · Com os recolhimentos previdenciários realizados em. favor dos funcionários, entendemos que a cobrança dos 11% retidos no valor da nota fiscal é cobrar duas vezes pelo mesmo fato gerador. É o relatório. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10640.000593/200979 Acórdão n.º 2403001.556 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. O que motivou o presente lançamento foi o descumprimento da obrigação de a empresa tomadora de serviço prestado mediante sessão de mão de obra de reter 11% do valor do serviço. Tal obrigação está prevista na Lei 8.212/91. Art.31.A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5odo art. 33.(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). A empresa Resgate foi contratada para prestação de serviços de socorro de vitimas humanas, nas margens das rodovias federais BR 040, entre Conselheiro Lafaiete e Santos Dumont, e BR 265, entre Barbacena e Barroso, em área da Policia Rodoviária Federal de Barbacena, bem como em todo o perímetro urbano de Barbacena. Os serviços contratados destinavamse à remoção de vitimas humanas no local do acidente e transporte até o hospital e incluíam ainda qualquer tipo de ocorrência que colocasse em risco a vida da população em geral. no perímetro urbano de Barbacena. Os serviços deveriam ser prestados em todos os dias da semana. durante 24 horas por dia. A recorrente não contesta a falta de retenção e recolhimento dos 11% previstos na lei. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Entendo caracterizado o descumprimento e correto o lançamento. CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 106DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 15586.001536/2008-41
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2008 a 30/09/2008
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DEIXAR A EMPRESA DE INCLUIR EM FOLHA DE PAGAMENTO REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS E DE CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS.
Constitui infração à legislação previdenciária a empresa deixar de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-002.139
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). Fez sustentação oral: UNICAFE COMPANHIA DE COMERCIO EXTERIOR - Advogado Marco Antonio Milfont Magalhães, OAB/ES 4320.
(assinado digitalmente)
HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA - Presidente.
(assinado digitalmente)
NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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DEIXAR A EMPRESA DE INCLUIR EM FOLHA DE PAGAMENTO REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS E DE CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Constitui infração à legislação previdenciária a empresa deixar de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). Fez sustentação oral: UNICAFE COMPANHIA DE COMERCIO EXTERIOR Advogado Marco Antonio Milfont Magalhães, OAB/ES 4320. (assinado digitalmente) HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Presidente. (assinado digitalmente) NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 15 36 /2 00 8- 41 Fl. 227DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 02/0 4/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15586.001536/200841 Acórdão n.º 2803002.139 S2TE03 Fl. 228 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 02/0 4/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15586.001536/200841 Acórdão n.º 2803002.139 S2TE03 Fl. 229 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela UNICAFÉ COMPANHIA DE COMÉRCIO EXTERIOR, em face da decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada. 2. Conforme consta do auto de infração, “a empresa deixou de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), conforme previsto na Lei n. 8.212/91, art. 32, I, combinado com o art. 225, I e parágrafo 9º, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n. 3.048/99 (...)”. 3. O relatório fiscal da infração assim dispõe (fl.40): “1 O contribuinte incorreu na seguinte infração: deixou de incluir em sua folha de pagamento as remunerações dos segurados empregados a seu serviço, quando do pagamento das seguintes rubricas: Remunerações de segurados empregados a titulo de Assistência Médica; Remunerações de contribuintes individuais que prestaram serviços para a empresa; Desta forma, infringiu o artigo 32, inciso I, da Lei 8.212/91, combinado com o artigo 225, inciso I e parágrafo 9º do Regulamento da Previdência Social RPS aprovado pelo Decreto 3.048/99. 2 Os valores supracitados encontramse discriminados em planilha anexa ao Relatório Fiscal da Infração deste Auto de Infração. 3 Conforme consulta aos Sistemas da Previdência Social Extrato do Devedor, não consta nenhum Auto de Infração emitido anteriormente contra o contribuinte no período ora fiscalizado. 4 Não ficaram configuradas as circunstâncias agravantes previstas no artigo 290 do Regulamento da Previdência Social (RPS) aprovado pelo Decreto 3.048/99 e nem a atenuante prevista no artigo 291 do mesmo Regulamento.” 3. O acórdão proferido em primeira instância restou ementado nos termos que passo a transcrever abaixo: “OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE. SEGURO SAÚDE. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 02/0 4/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15586.001536/200841 Acórdão n.º 2803002.139 S2TE03 Fl. 230 4 Constitui infração, deixar a empresa de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos na legislação previdenciária. Compete privativamente ao Poder Judiciário a declaração de inconstitucionalidade de normas. Tratandose de parcela cuja nãoincidência esteja condicionada ao cumprimento de requisitos previstos em legislação especifica, sobre o pagamento em desacordo incide contribuição previdenciária. Lançamento Procedente” 4. Buscando reverter o lançamento, a contribuinte apresentou recurso voluntário aduzindo em síntese: a) inexistência de fato gerador da obrigação principal, consubstanciada no auto de infração n.º 37.193.4028 e, por consequência, da presente ação acessória, tendo em vista que a norma não prevê a obrigação de inclusão das verbas de caráter nãoremuneratório nas folhas de pagamento; b) a interpretação dada pela fiscalização quanto ao conceito de remuneração e o alcance jurídico do salário de contribuição, estaria em afronta com a Constituição Federal, mais precisamente como §4º do art. 195, inciso I; c) a legislação previdenciária (Lei 8.212/91), em sua alínea “q”, § 9º do art. 29 prevê, de modo expresso, que o valor relativo à assistência prestada por serviço médico e/ou odontológico próprio da empresa ou a ela conveniado, não integra o salário de contribuição; d) as parcelas pagas em virtude da extensão da assistência médica aos dependentes dos segurados não estão contidas no conceito de remuneração, o que exclui o dever de recolher a contribuição previdenciária objeto da presente autuação; e) nulidade do lançamento, tendo em vista a efetiva comprovação de que não ocorreu o fato gerador da obrigação tributária, o que impõe a necessidade de reforma da revisão; f) existência de efetiva violação ao dispositivo legal, uma vez que não há norma legal que determine a incidência de contribuição social sobre a parcela referente ao pagamento da prestação de assistência medica aos dependentes dos segurados empregados; g) a autuação da fiscalização, relativa à cobrança de obrigação principal, decorre de uma errônea interpretação analógica do dispositivo do inciso I do art. 28 da Lei 8.212/91, partindo da premissa de que o valor pago a título de prestação de saúde aos dependentes do segurado revestese de natureza remuneratória. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 02/0 4/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15586.001536/200841 Acórdão n.º 2803002.139 S2TE03 Fl. 231 5 5. Sem apresentação de contrarrazões, os autos foram enviados para a apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 02/0 4/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15586.001536/200841 Acórdão n.º 2803002.139 S2TE03 Fl. 232 6 Voto Conselheiro NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA 2. Sobre o descumprimento de obrigação acessória, o contribuinte foi autuado pela Receita Federal do Brasil para que procedesse ao pagamento de multa (obrigação acessória) sob o argumento de que deixara de incluir em sua folha de pagamento: a) remunerações de segurados empregados a título de assistência médica; b) remunerações de contribuintes individuais que prestaram serviço para a empresa. 3. Argumenta o contribuinte a inexistência de fato gerador da obrigação principal, consubstanciada no auto de infração n.º 37.193.4028 e, por consequência, da presente ação acessória, tendo em vista que a norma não prevê a obrigação de inclusão das verbas de caráter nãoremuneratório nas folhas de pagamento. 4. De fato, a obrigação principal, anteriormente citada, deve ser considerada inexigível, pois os valores desembolsados com assistência médica aos dependentes dos segurados empregados não se revestem da natureza remuneratória, razão pela qual não se inclui na base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias. 5. No entanto, ao analisarmos a legislação tributária, verificamos que o próprio Código Tributário Nacional (CTN), ao reunir as obrigações principais e acessórias, ambas no artigo 113, o fez por influência da doutrina civilista, porquanto, sem se ater a minúcias, limitouse a titular de obrigações acessórias as prestações positivas ou negativas de responsabilidade dos contribuintes no interesse da Administração na arrecadação ou fiscalização dos tributos: “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 02/0 4/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15586.001536/200841 Acórdão n.º 2803002.139 S2TE03 Fl. 233 7 § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária.” (Destaques nossos).” 6. Ocorre que, no Direito Tributário, muito embora a influência da doutrina civilista tenha acabado por conferir à obrigação acessória este nomem juris, seu objeto está relacionado a deveres instrumentais que, embora de importância incomensurável para arrecadação tributária, não têm existência condicionada à obrigação principal. 7. Deste modo, o que se constata é que o conceito de obrigação acessória que inspirou a redação do artigo 113 do CTN, extraído do Código Civil de 1916 (vigente à época da elaboração do CTN), vincula a obrigação acessória a uma característica de dependência, que não deve prevalecer na esfera tributária. Vejase, a este respeito, o disposto no antigo Código Civil: "Art. 58. Principal é a coisa que existe sobre si, abstrata ou concretamente. Acessória, aquela cuja existência supõe a da principal." 8. Podese afirmar que condicionar a existência das obrigações acessórias às principais não foi o objetivo do legislador de 1966. Se assim fosse, por não subsistirem as acessórias ao adimplemento das principais, não teriam razão de ser as inúmeras obrigações acessórias a que estamos todos submetidos para assegurar o interesse público de promover a fiscalização da arrecadação tributária. 9. Nesse contexto, oportuna a lição do professor Luís Eduardo Schoueri, que analisa a distinção entre obrigação principal e acessória: "É corrente, no direito, que o acessório segue o principal. Por exemplo: no direito privado surge a fiança, como um contrato acessório ao contrato de locação. Se a locação for rescindida, não há sentido em falar na continuação da fiança. Não é preciso rescindir a fiança separadamente, já que o acessório segue o principal. No caso da 'obrigação acessória tributária' não é assim. O fato de um contribuinte recolher todo o tributo não o exime, por exemplo, do dever de apresentar uma declaração relativa ao tributo, ou de suportar fiscalização. [...] A obrigação 'acessória' não se vincula à principal. A acessoriedade, no caso, nada tem a ver com sua subordinação a uma 'obrigação principal'; a expressão é empregada, antes, para identificar o seu caráter instrumental, já que tem por finalidade assegurar o cumprimento daquela". 10. Como se nota, diferentemente do Direito Civil, em que o acessório segue o principal, no Direito Tributário, a obrigação acessória assume um caráter autônomo, sem relação de interdependência com a obrigação principal. 11. Isso se revela ainda mais evidente quando trazemos à baila o exemplo já consagrado na doutrina, segundo o qual, na venda de papel utilizado na fabricação de livros, muito embora não haja incidência de impostos (obrigação principal) por força da imunidade constitucional, subsiste a obrigação (acessória) de emitir nota fiscal. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 02/0 4/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15586.001536/200841 Acórdão n.º 2803002.139 S2TE03 Fl. 234 8 12. Inegável, portanto, que a obrigação acessória subsiste à obrigação principal, e a ela não se vincula. Por conseguinte, em que pese as respeitáveis opiniões divergentes, em nosso entendimento, a obrigação acessória, no contexto do Direito Tributário, tem natureza jurídica de obrigação autônoma, que se constitui na obrigação de fazer, de não fazer ou ainda de tolerar. 13. Nesse mesmo sentido é a arguta doutrina do professor Luciano Amaro: "A acessoriedade da obrigação dita 'acessória' não significa (como se poderia supor, à vista do princípio geral de que o acessório segue o principal) que a obrigação tributária assim qualificada dependa da existência de uma obrigação principal à qual necessariamente se subordine. As obrigações tributárias acessórias (ou formais ou ainda instrumentais) objetivam dar meios à fiscalização tributária para que esta investigue o controle do recolhimento de tributos (obrigação principal) a que o próprio sujeito passivo da obrigação acessória, ou outra pessoa, esteja, ou possa estar, submetido. Compreendem as obrigações de emitir documentos fiscais, de escriturar livros, de entregar declarações, de não embaraçar a fiscalização etc." 14. Destarte, não obstante o próprio CTN tenha denominado acessórias as obrigações que se prestam a dar subsídios à Administração no interesse da arrecadação tributária, estas obrigações ditas acessórias, numa análise acurada, se revelam autônomas. 15. Aliás, o próprio Superior Tribunal de Justiça (STJ) já reconheceu por diversas vezes, ainda que de forma indireta, a autonomia das obrigações acessórias em relação às obrigações principais, na seara tributária: "É cabível a aplicação de multa pelo atraso ou falta de apresentação da DCTF, uma vez que se trata de obrigação acessória autônoma, sem qualquer laço com os efeitos de possível fato gerador de tributo, exercendo a Administração Pública, nesses casos, o poder de polícia que lhe é atribuído." 16. Constatada a autonomia da obrigação acessória em relação à principal, no campo do Direito Tributário, restanos, então, analisar a possibilidade de vinculação da multa por inobservância dos deveres instrumentais a percentual do montante a que corresponde à obrigação principal. CONCLUSÃO 17. Dado o exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS – Relator. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 02/0 4/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 15586.001536/200841 Acórdão n.º 2803002.139 S2TE03 Fl. 235 9 Fl. 235DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 02/0 4/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
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Numero do processo: 12719.001346/2005-31
Data da sessão: Wed Jun 17 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Jun 17 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Ano-calendário: 2005
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. PENA DE PERDIMENTO.
NORMAS PROCESSUAIS.
As infrações previstas no artigo 23, 24 e 26 do Decreto-Lei 1455/76, que resultam na pena de perdimento, deverão ser apuradas através de processo fiscal, em rito próprio estabelecido no artigo 27 do mesmo diploma legal, não se sujeitando às normas do Processo Administrativo Fiscal.
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Numero da decisão: 3201-000.184
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, não se conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Nilton Luiz Bartoli
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PENA DE PERDIMENTO. NORMAS PROCESSUAIS. As infrações previstas no artigo 23, 24 e 26 do Decreto-Lei 1455/76, que resultam na pena de perdimento, deverão ser apuradas através de processo fiscal, em rito próprio estabelecido no artigo 27 do mesmo diploma legal, não se sujeitando às normas do Processo Administrativo Fiscal. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2' Câmara / l a Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, não se conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. ARCELO GUERDE CASTRO - Presidente7. )g.A -9..12TON LUy A RTOLI elator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Anelise Daudt , Prieto, Irene Souza da Trindade Torres, Celso Lopes Pereira Neto, Nanci Gama, Vanessa Albuquerque Valente e Heroldes Balir Neto. i i Processo n° 12719.001346/2005-31 S3-C2T1 Acórdão n°3201-00.184 Fl. 87 Relatório Trata-se de Auto de Infração com Apreensão de Mercadorias (fls. 01/05), lavrado em 27.09.2005, através do qual se aplica a pena de perdimento das mercadorias estrangeiras, em razão da não comprovação da aquisição regular destas mercadorias, constantes no estabelecimento do contribuinte. Através do Termo de Início da Ação Fiscal (fls. 07/08), o contribuinte foi intimado a apresentar os documentos ali constantes, a fim de comprovar a regular situação fiscal das mercadorias depositadas ou expostas à venda. Ciente (fl. 08), o contribuinte não apresentou os documentos solicitados. No Termo de Constatação e Declaração (fl. 11), o Agente Fiscal da Receita Federal registrou que foram encontradas Notas Fiscais eletrônicas com indícios de irregularidades, relógios sem selo de controle, perfumes desprovidos de rótulos contendo informações exigidas pela legislação e CDs gravados sem documentação. Procedeu-se, então, com o Termo de Lacração de Volumes, no total de dez mercadorias (fl. 12), dentre as quais: relógios de pulso, CDs gravados, CDs eletrônicos diversos, acessórios para games, etc. Às fls. 24 consta informação da Seção de Fiscalização (SAFIA), de que foi juntado por apensação nestes autos o processo n° 12719.001347/2005-85, referente à Representação Fiscal para Fins Penais. Lavrado o AI aqui exposto, o contribuinte apresenta sua Impugnação de fls. 28/40, alegando, em suma, que: 1. foi intimado a apresentar os documentos relacionados no Termo de Início de Ação Fiscal, os quais foram apreendidos na mesma operação pelos fiscais estaduais, consoante se observa do verso do Termo de Ocorrência e Início de Ação Fiscal, ora anexado; 2. as Notas Fiscais de entrega de mercadorias não foram aceitas pelos Agentes, sob a justificativa de que a especificação da mercadoria estava incompleta, razão pela qual procederam com a apreensão dos produtos estrangeiros; 3. os Auditores não devolveram os documentos apreendidos, o que acaba por cercear o direito de defesa, e toma nulo o ato fiscal; II Processo n° I 27 19.001 346/2005-3 I S3-C2T1 Acórdão n." 3201-00.184 Fl. 88 4. também é nulo o AI, na medida em que ficou impossibilitado de elaborar sua defesa por não possuir sequer uma cópia dos documentos apreendidos; 5. a Fazenda só pode lançar tributo sob o argumento de importação irregular se houver prova inequívoca desta; 6. não realiza importações, mas adquire mercadorias importadas de ,estabelecimentos importadores, consoante se verifica das Notas Fiscais apreendidas pelo Fisco; 7. as Notas Fiscais apreendidas demonstram cabalmente a importação regular das peças apreendidas; 8. as peças e mercadorias apreendidas foram adquiridas de fornecedores nacionais, os quais realizaram a importação; 9. o Conselho de Contribuinte já adotou entendimento de que o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira somente é responsável pela sua introdução em território nacional, se ficar p'rovada a inexistência de fato e de direito da fornecedora; 10. no caso de mercadoria de procedência estrangeira, o responsável pelo pagamento do imposto é aquele que a importou e a revendeu, não estando o comerciante sujeito a esta responsabilidade; 11. sem que haja prova da inexistência de fato e de direito das empresas que forneceram as peças e mercadorias, ou mesmo de que estas não foram importadas regularmente, não há que se falar em apreensão, pena de perdimento ou qualquer outra sanção que possa vir a ser aplicada; 12.o Fisco não pode presumir a importação irregular ou clandestina da mercadoria estrangeira sem antes investigar sua origem, através das Notas Fiscais de entrada — que, no caso, foram relegadas pelo Fisco Estadual; 13. não há norma jurídica no presente caso que autorize a considerar, por presunção, que as mercadorias apreendidas foram importadas 1 g 3 1 Processo n° 12719.001346/2005-31 53-C2T1 Aeórdlio n° 3201-00.184 Fl. 89 irregularmente, sem que o Impugnante pudesse expressar sua defesa, ou pelo menos demonstrar que seu estoque estava acobertado por documentos idôneos; 14. não há que se falar na presunção decorrente do art. 82, § único, da Lei n° 9.430/96, pois este dispositivo não se aplica ao caso; 15.o fato dos Auditores terem encontrado mercadorias estrangeiras, quando muito, pode ser considerado apenas como um indicio, com base no qual deveriam ter sido produzidas outras provas para demonstrar o ingresso irregular destas mercadorias em território nacional, o que de fato não ocorreu; 16. a prova da ocorrência do fato imponivel é toda do Fisco, consoante art. 142 do CTN; 17. nulo é o Termo de Apreensão e Guarda Fiscal, vez que não consta o país de origem de várias mercadorias apreendidas; 18. é essencial para a manutenção do AI a imputação de que o Impugnante tenha introduzido mercadoria estrangeira no pais, o que deve ser constatado relacionando a mercadoria (dita importada) com o seu pais de origem, e não havendo essa constatação, não poderá o Al subsistir; 19. presunção por presunção, pode-se pressupor que as mercadorias que não constam a indicação do pais de origem são de fabricação nacional, devendo o Al ser anulado e as mercadorias devolvidas, pelo menos as que não constam o pais de origem. Ante o exposto, requer a total procedência da Impugnação, a fim de que seja anulado o AI, devolvendo-se as mercadorias apreendidas, ante a ausência de prova material de importação irregular, clandestina ou fraudulenta, ora imputada. Outrossim' , requer o cancelamento do ato fiscal, por não terem sido devolvidos os documentos apreendidos e, alternativamente, por cerceamento de defesa, tendo em vista que os documentos fiscais que acobertaram as mercadorias apreendidas encontram-se em poder do Fisco Estadual. 61,7 Processo n" 12719.001346/2005-31 83-C2T1 Acórdão n." 3201-00.184 Fl. 90 Requer, ainda, a anulação do AI, uma vez que não consta a indicação da origem das mercadorias apreendidas e, alternativamente, requer a devolução das mercadorias cujo país de origem não se encontra discriminado. Instruem a referida Impugnação os documentos de fls. 41/51, dentre os quais: cópia do Al (fls. 41/45); OAB do procurador (fl. 46); procuração (ff 47); CNPJ (fl. 48); Requerimento de Empresário (1-1s. 49/50); e Declaração de Firma Mercantil Individual (fl. 51). Os autos foram encaminhados para a Seção de Administração Tributária (SARAT) da Inspetoria da Receita Federal em Florianópolis/SC, a qual julgou pela procedência da Ação Fiscal (fls. 53/58), nos termos da seguinte ementa (fl. 53): "APREENSÃO DE MERCADORIAS — a entrada de mercadoria estrangeira no país sem comprovação de sua importação regular resulta configurado o ilícito fiscal ao qual cabe a aplicação da pena de perdimento das mercadorias com fulcro no artigo 87, inciso I, da Lei n° 4.502/64, com o rito processual previsto no Decreto-lei n° 1455/76, conforme Ato Declaratório COSIT n° 33/2000. AÇÃO FISCAL PROCEDENTE." Cientificado da decisão a quo (AR — fl. 60), o contribuinte apresenta tempestivamente seu Recurso Voluntário às fls. 62/74, reiterando todos os argumentos apresentados em sede de Impugnação. Anexa às fls. 75/80 cópia da decisão proferida pela SERAT. Os autos foram encaminhados para a Seção de Arrecadação e Cobrança (SARAC), a qual informa às fls. 82/84 que nos casos de aplicação de pena de perdimento os processos são julgados em instância única, nos termos do Ato Declaratório COSIT n° 33, de 22.08.2000, o que faz com que o Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte, em princípio, não mereça prosperar. Todavia, para que o direito do contribuinte não fique adstrito a este entendimento, encaminha os autos ao 3° Conselho de Contribuinte, para devida manifestação. Os autos foram distribuídos a este Conselheiro em 10.12.2008, em 1 volume, constando numeração ate às fls. 84, penúltima. Desnecessário o encaminhamento do processo à Procuradoria da Fazenda Nacional para ciência quanto ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, nos termos da Portaria MF n°. 314, de 25/08/99. É o relatório. Processo 0" 12719.001346/2005-31 S3-C2T1 Acórdo o.' 3201-00.184 Fl. 91 Voto Conselheiro NILTON LUIZ BARTOLI, Relator Trata o presente de Auto de Infração (fls. 01/05) com apreensão de mercadorias, através do qual é aplicada a pena de perdimento das mercadorias estrangeiras delicadas às fls. 02/05. Irresignado o contribuinte impugna o lançamento e aduz em sua defesa que os documentos que comprovam a procedência das mercadorias foram apreendidos pela Fazenda Estadual, por conseguinte, a falta dos documentos caracteriza cerceamento de defesa, bem como que não realiza importações e adquire as mercadorias no mercado interno. A decisão recorrida por seu turno manteve o lançamento combatido por entende que o contribuinte 'não fez prova inequívoca do ingresso regular da mercadoria no país; ". Às fls. 82/84, a Seção de Arrecadação e Cobrança - SARAC, manifestam-se argüindo que, consoante o disposto no Ato Declaratório n° 33, de 22/08/2000, os processos que versam sobre a aplicação de pena de perdimento deverão ser julgados em instância, não cabendo, portanto, o recurso voluntário interposto. Sintetizados os fatos, passo a exarar o meu voto. Primeiramente, observo que assiste razão ao SARAC, urna vez que cuida a presente contenda em pena de perdimento, constante no Auto de Infração em comento, onde constam as mercadorias apreendidas pela fiscalização. Com efeito, dispõe o Decreto-Lei n° 1.455/1976, in verbis: "An 27. As infrações mencionadas nos artigos 23, 24 e 26 serão apuradas através de processo fiscal, cuja peça inicial será o auto de infração acompanhado de termo de apreensão, e, se for o caso, de termo de guarda. § I" Feita a intimação, pessoal ou por edital, a não apresentação de impugnação no prazo de 20 (vinte) dias implica em revelia. § 2" Apresentada a impugnação, a autoridade preparadora terá o prazo de 15 (quinze) dias para remessa do processo a julgamento. § 3" O prazo mencionado no parágrafo anterior poderá ser prorrogado quando houver necessidade de diligências ou perícias, Processo n° 12719.001346/2005-31 • 53-C2TI Acórdão n." 3201-00.184 Fl. 92 devendo a autoridade preparadora fazer comunicação justificada do fato ao Secretário da Receita Federal. § 4" Após o preparo, o processo será encaminhado ao Secretário da Receita Federal que o submeterá a decisão do Ministro da Fazenda, em instância única."(g.n) O Decreto- Lei mencionado, ainda vigente, foi utilizado na fundamentação legal do Auto de Infração, precisamente o parágrafo 1 0, do art. 23, do Decreto Lei n" 1.455/76, cuja transcrição segue: "Art 23. Consideram-se dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: 1 - importadas, ao desamparo de guia de importação ou documento de efeito equivalente, quando a sua emissão estiver vedada ou suspensa na forma da legislação especifica em vigor; § I O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. Ex positis, conclui-se que nas hipóteses previstas nos ar. 23, 24 e 26 do Decreto- Lei 1.455/76, será aplicada a pena de perdimento da mercadoria, cuja rito processual a ser observado será o disposto no art. 27, deste mesmo Decreto, o qual, por sua vez, dispõe em seu § 40, que a decisão ser em instância única, não cabendo a interposição de recurso voluntário a este Conselho. Diante do exposto, a infração em comento reside pela impossibilidade de apreciação da matéria por este Conselho e, por conseguinte, deixo de tomar conhecimento do presente recurso voluntário. É como voto. Sala das Sessões, em 17 e junho de 2009. >1.2TON Z BARTOL - Relator 7 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1
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Numero do processo: 36514.001034/2006-72
Data da sessão: Thu Aug 20 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Aug 20 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/1996 a 31/12/2005
PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA
DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS
LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8,212 de 1991.
Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n ° 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. Nesse sentido deve ser seguida a interpretação adotada pelo STJ no julgamento proferido pela 1a Seção no Recurso Especial de n ° 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008.
Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN.
REMUNERAÇÃO. PREMIAÇÃO. INCENTIVO. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA, O Programa de Previdência complementar não contemplava a totalidade dos empregados
estando em desacordo com o art, 28, 'p' do §9° da Lei n.° 8.212/91 e arts. 90
e 468 da CLT (Alínea acrescentada pela Lei ri' 9.528, de 10/12/97).
SALÁRIO INDIRETO --INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO
O valor referente a ajuda aluguel e ajuda escola pagos pela empresa em favor de seus empregados, integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial, uma vez que foi fornecido em desacordo com a legislação previdenciária art, 28 § 9º "m" da Lei 8.212/91.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 2302-000.160
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto divergente apresentado pelo Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Vencido(a) o(a)
Conselheiro Relator (a) Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: Manoel Coelho Arruda Júnior
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1996 a 31/12/2005 PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8,212 de 1991. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n ° 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. Nesse sentido deve ser seguida a interpretação adotada pelo STJ no julgamento proferido pela 1a Seção no Recurso Especial de n ° 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN. REMUNERAÇÃO. PREMIAÇÃO. INCENTIVO. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA, O Programa de Previdência complementar não contemplava a totalidade dos empregados estando em desacordo com o art, 28, 'p' do §9° da Lei n.° 8.212/91 e arts. 90 e 468 da CLT (Alínea acrescentada pela Lei ri' 9.528, de 10/12/97). SALÁRIO INDIRETO --INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO O valor referente a ajuda aluguel e ajuda escola pagos pela empresa em favor de seus empregados, integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial, uma vez que foi fornecido em desacordo com a legislação previdenciária art, 28 § 9º "m" da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-09-01T16:42:29Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-09-01T16:42:28Z; Last-Modified: 2010-09-01T16:42:29Z; dcterms:modified: 2010-09-01T16:42:29Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:11439d62-0803-491e-b8ef-00d14ca0e13e; Last-Save-Date: 2010-09-01T16:42:29Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-09-01T16:42:29Z; meta:save-date: 2010-09-01T16:42:29Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-09-01T16:42:29Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-09-01T16:42:28Z; created: 2010-09-01T16:42:28Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; Creation-Date: 2010-09-01T16:42:28Z; pdf:charsPerPage: 1954; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-09-01T16:42:28Z | Conteúdo => S2-C3T2 Fl 350 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 36514.001034/2006-72 Recurso n° 142,621 Voluntário Acórdão n" 2302-00.160 — 3" Câmara / 2" Turma Ordinária Sessão de 20 de agosto de 2009 Matéria TERCEIROS Recorrente VOLVO DO BRASIL VEÍCULOS LTDA Recorrida SRP-SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1996 a 31/12/2005 PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO c-Fm O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n c' 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8,212 de 1991. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n ° 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. Nesse sentido deve ser seguida a interpretação adotada pelo STJ no julgamento proferido pela 1 a Seção no Recurso Especial de n ° 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN. REMUNERAÇÃO. PREMIAÇÃO. INCENTIVO. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA, O Programa de Previdência complementar não contemplava a totalidade dos empregados estando em desacordo com o art, 28, 'p' do §9° da Lei n.° 8.212/91 e arts. 90 e 468 da CLT (Alínea acrescentada pela Lei ri' 9.528, de 10/12/97). SALÁRIO INDIRETO --INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO O valor referente a ajuda aluguel e ajuda escola pagos pela empresa em favor de seus empregados, integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial, uma vez que foi fornecido em desacordo com a legislação previdenciária art, 28 § 9' "m" da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. I Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3° Câmara / 2' Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto divergente apresentado pelo Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Vencido(a) o(a) Conselheiro Relator (a) Manoel Coelho Arruda Junior, j2k LIEGE LACROIX THOMASI — Pr - idente / ....Árt,...„" / D ita: 71,11 @ . VIEIRA — - . ator designado I- y .> ---n~."/ — /_,.., ., A9ECCOELHO ' 1. 13 ' JUNIOR elator ..._, articiparam, ainda, do presente juIggento, os Conselheiros Marco André Ramo ieha Adriana Sato, Edgar da Silva Vida! (suplente), Bemadete de Oliveira Barros, map• ytcl Cy ho Arruda Junior e Liege Lacroix Thomasi (presidenta). Esteve presente ao ,yrgarne o o advogado da recorrente Dr. Cássio Hildebrand P. da Cunha, OAB/DF 25831, ( Relatório Trata-se de crédito lançado pela Fiscalização contra a empresa acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal de fls. 129/133, tem por finalidade resguardar o crédito tributário do instituo da decadência. Tal procedimento decorre do fato da Notificada ter ajuizado ações judiciais na Seção Judiciária do Paraná, por meio das quais discute contribuição relativa ao SEBRAE e INCRA. Sendo assim, a autoria fiscal procedeu a lavratura da presente NFLD, que versa sobre contribuições arrecadadas pela SRP e devidas a Terceiros (INCRA e SEBRAE), na forma do art, 94, da Lei n. 8.212/91, sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, aos segurados empregados. Integram a referida NFLD os seguintes levantamentos: Ajuda-aluguel e ajuda-escola: despesas condominiais e de aluguel das residências do empregados expatriados (estrangeiros), bem como despesas de escolas dos filhos dos mesmos; PAT — parcela in natura fornecida pela empresa aos seus empregados no período de 01/1998 a 04/1998; VINKINGPREV — plano de Previdência Privada Complementar que era paga aos funcionários com contrato de trabalho por prazo determinado, tendo excluído os funcionários contratados por prazo determinado; \), 1 \\4,INCENTIVE HOUSE; Á, .k 2 Processo n° 36514 001034/2006-72 S2-C3T2 Acórdão a° 2302-00.160 Fi 351 PGB - PREVIDÊNCIA Em 02/06/2006, a Notificada foi cientificada da NFLD, tendo apresentado, tempestivamente, impugnação [fls. 195/218]. Por meio de DN n. 14-401.4/0490/2006 [fls. 224-252] decidiu pela procedência do lançamento. Insatisfeita com a DN prolatada, a Notificada interpôs tempestivamente recurso voluntário que alegou, em síntese: Decadência do direito de lançar até a competência 05/2001; Falta de razoabilidade em se exigir a contribuição do PAT somente nos quatro primeiros meses de exercício de 1998, uma vez que a empresa fez sua opção e, além disso, o fornecimento in natura não faz nascer a obrigação previdenciária; Os pagamentos feitos pela empresa à Sociedade de Previdência Privada VINKINGPREV estão fora do alcance da contribuição previdenciária, sendo completamente dissociada da legislação; e Os pagamentos feitos pela defendente no âmbito do beneficio de complementação previdenciária, conforme política de recursos humanos da empresa, estão fora do âmbito de incidência da contribuição previdenciária, face observância à legislação que rege a matéria. Instada a se manifestar, a SRP repisou os argumentos já expostos. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Relatar Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame das questões preliminares suscitadas pelo recorrente. DAS QUESTÕES PRELIMINARES DECADÊNCIA É cediço que o Diário Oficial da União do dia 20/06/2008 publicou o enunciado da Súmula vinculante n2 8, do STF, verbis: Em sessão de 12 de junho de 2008, o Tribunal Pleno editou os seguintes enunciados de súmula vinculante que se publicam no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União, nos termos do § 4' do art 2' da Lei n" 11 417/2006: Súmula vinculante n" 8 - São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5" do Decreto-Lei n" L569/1977 e os artigos 45 e 46 da kl I Lei n° 8212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Precedentes.' RE' 560.626, rel. Min. Gihnar Mendes, j, 12/6/2008; RE 556. 664, rel. Min. Gilmar Mendes, j, 12/6/2008; RE 559 882, rel. Min. Gilmar Mendes, j, 12/6/2008; RE 559.943, rel. Min.Cárnzen Lúcia, j, 12/6/2008; RE 106.217, rel. Min Octavio Gallotti, D.1 12/9/1986; .RE 138,284, rel. Mm. Velloso,13.128/8/1992, Legislação Decreto-Lei n° 1569/1997, art. 50, parágrafo único Lei n° 8,212/1991, artigos 45 e 46 CF, art. 146, III Brasília, 18 de junho de 2008 Ministro Gilmar Mendes Presidente" (DOU n° 117, de 20/06/2008, Seção 1, pág. 1) Portanto, diante da declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n9 8.212/91 não há como se acolher o entendimento da Fiscalização que o direito de constituir o crédito é de 10 [dez] anos. Hoje, a discussão cinge-se em saber se o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais, sujeitas à sistemática do chamado "lançamento por homologação", deve ser contado pela regra do art. 150, § 40 ou do art. 173, inciso I, ambos do C'TN. Caracteriza-se o lançamento da Contribuição como da modalidade de "lançamento por homologação", que é aquele cuja legislação atribui ao sujeito passivo a obrigação de, ocorrido o fato gerador, identificar a matéria tributável, apurar o imposto devido e efetuar o pagamento, sem prévio exame da autoridade administrativa. Ciente, pois, dessa informação, dispõe o Fisco do prazo de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador para exercer' seu poder de controle. É o que preceitua o art. 150, § 4, do CTN, in verbis: Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4" Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação". \\: Sobre o assunto, tomo a liberdade de transcrever parte do voto prolatado pelo Conselheiro Urgel Pereira Lopes, relatar designado no Acórdão CSRF/01-0.370, que acolho por inteiro, onde analisando exaustivamente a matéria sobre decadência, assim se pronunciou: , 4 Processo n°36514.001034/2006-72 S2-C3T2 Acórdão n°2302-00.160 Fl. 352 .Em conclusão a) nos impostos que comportam lançamento por homologação a exigibilidade do tributo independe de prévio lançamento; b) o pagamento do tributo, por iniciativa do contribuinte, mas em obediência a comando legal, extingue o crédito, embora sob condição resolutória de ulterior homologação; c) transcorrido cinco anos a contar do .fato gerador, o ato Jurídico administrativo da homologação expressa não pode mais ser revisto pelo .fisco, ficando o sujeito passivo inteiramente liberado; d) de igual modo, transcorrido o qüinqüênio sem que o .fisco tenha manifestado, dá-se a homologação tácita, com definitiva liberação do sujeito passivo, na linha de pensamento de SOUTO MAIOR BORGES, que acolho por inteiro; e) as conclusões de "c" e "d" acima aplicam-se (ressalvando os casos de dolo, .fraude ou simulação) às seguintes situações jurídicas (I) o sujeito passivo paga integralmente o tributo devido; (II) o sujeito passivo paga tributo integralmente devido; (III) o sujeito passivo paga o tributo com insuficiência; (ITO o sujeito passivo paga o tributo maior que o devido; (V) o sujeito passivo não paga o tributo devido; f) em todas essas hipóteses o que se homologa é a atividade prévia do sujeito passivo Em casos de o contribuinte não haver pago o tributo devido, dir-se-ia que não há atividade a homologar. Todavia, a construção de SOUTO MAIOR BORGES, compatibilizando, excelentemente, a coexistência de procedimento e ato jurídico administrativo no lançamento, à luz do ordenamento jurídico vigente, deixou clara a existência de uma ficção legal na homologação tácita, porque nela o legislador pôs na lei a idéia de que, se toma o que não é como se fosse, expediente de técnica jurídica da ficção legal. Se a homologação é ato de controle da atividade do contribuinte, quando se dá a homologação tácita, deve-se considerar que, também por ficção legal, deu-se por realizada a atividade tacitamente homologada." Ainda sobre a mesma matéria, trago à colação, o Acórdão n° 108-04.974, de 17/03/98, prolatado pelo ilustre Conselheiro JOSÉ ANTÔNIO MINATEL, cujas conclusões acolho e, reproduzo, em parte : Impende conhecermos a estrutura do nosso sistema tributário e o contexto em que foi produzida a Lei 5.1 72/66 (C77), que faz as vezes da lei complementar prevista no art. 146 da atual Constituição. Historicamente, quase a totalidade dos impostos requeriam procedimentos prévios da administração pública (lançamento), para que pudessem ser cobrados, exigindo-se, então, dos sujeitos passivos a apresentação dos elementos indispensáveis para a realização daquela atividade. A regra era o crédito tributário ser lançado, com base nas informações contidas na declaração apresentada pelo sujeito passivo.. 5 Confirma esse entendimento o comando inserto no artigo 147 do CTN, que inaugura a seção intitulada "Modalidades de Lançamento" estando ali previsto, corno regra, o que a doutrina convencionou chamar de "lançamento por declaração" Ato contínuo, ao lado da regra geral, previu o legislador um outro instrumento à disposição da administração tributária (art. 149), antevendo a possibilidade de a declaração não ser prestada (inciso II), de negar-se o sujeito passivo a prestar os esclarecimentos (inciso III), da declaração conter erros, falsidades ou omissões (inciso IV), e outras situações ali arroladas que pudessem inviabilizar o lançamento via declaração, hipóteses em que agiria o sujeito ativo, de forma direta, ou de oficio para formalizar a constituição do seu crédito tributário, dai o consenso doutrinário no chamado lançamento direto, ou de ofício.. Não obstante estar fixada a regra para .formalização dos créditos tributários, ante a vislumbrada incapacidade de se lançar, previamente, a tempo e hora, todos os tributos, deixou em aberto o CTN a possibilidade de a legislação, de qualquer tributo, atribuir . ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa" (art. 150), deslocando a atividade de conhecimento dos fatos para um momento posterior ao do fixado para cumprimento da obrigação, agora já nascida por disposição da lei. Por se tratar de verificação a posteriori, convencionou-se chamar essa atividade de homologação, encontrando a doutrina ali mais uma modalidade de lançamento — lançamento por homologação, Claro está que essa última norma se constituía em exceção, mas que, por praticidade, comodismo da administração, complexidade da economia, ou agilidade na arrecadação, o que era exceção virou regra, e de há bom tempo, quase todos os tributos passaram a ser exigidos nessa sistemática, ou seja, as suas leis reguladoras exigem o ".,. pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa". Neste ponto está a distinção fundamental entre uma sistemática e outra, ou seja, para se saber o regime de lançamento de um tributo, basta compulsar a sua legislação e verificar quando nasce o dever de cumprimento da obrigação tributária pelo sujeito passivo,' se dependente de atividade da administração tributária, com base em informações prestadas pelos sujeitos passivos — lançamento por declaração, hipótese em que, antes de notificado do lançamento, nada deve o sujeito passivo,' se, independente do pronunciamento da administração tributária, deve o sujeito passivo ir calculando e pagando o tributo, na .forma estipulada pela legislação, sem exame prévio do sujeito ativo — lançamento por homologação, que, a rigor técnico, não é lançamento, porquanto quando se homologa nada se constituí, pelo contrário, declara-se a existência de um crédito que .já está extinto pelo pagamento, v.:44\\ Essa digressão é fundamental para deslinde da questão que se apresenta, uma vez que o CTN fixou períodos de tempo diferenciados para essa atividade da administração tributária 6 4 Processo n°36514.001034/2006-72 S2-C3T2 Acórdão n..° 2302-00.160 FI 353 Se a regra era o lançamento por declaração, que pressupunha atividade prévia do sujeito ativo, determinou o art. 173 do código, que o prazo qüinqüenal teria início a partir "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" imaginando um tempo hábil para que as informações pudessem ser compulsadas e, com base nelas, preparado o lançamento. Essa a regra da decadência, De outra parte„ sendo exceção o recolhimento antecipado, fixou o CTN, também, regra excepcional de tempo para a prática dos atos da administração tributária, onde os mesmos 5 anos já não mais dependem de uma carência inicial para o início da contagem, uma vez que não se exige a prática de atos administrativos prévios. Ocorrido o fato gerador, já nasce para o sujeito passivo a obrigação de apurar e liquidar o tributo, sem qualquer . articipação do suleito ativo de outra ar te já tem o direito de investigar a regularidade dos procedimentos adotados pelo sujeito passivo a cada fato gerador, independente de qualquer informação ser-lhe prestada. "(grifo nosso) É o que está expresso no parágrafo 4", do artigo 150, do CTN, verbis: "Se a lei não ,fixar prazo à homologação, será ele de .5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do ,fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação . Entendo que, desde o advento do Decreto-lei 1.967/82, se encaixa nesta regra a atual sistemática de arrecadação do imposto de renda das empresas, onde a legislação atribui às pessoas jurídicas o dever de antecipar o pagamento do imposto, sem prévio exame da autoridade administrativa, impondo, inclusive, ao sujeito passivo o dever de efetuar o cálculo e apuração do tributo e/ou contribuição, daí a denominação de "auto-lançamento." Registro que a referência ao formulário é apenas reforço de argumentação, porque é a lei que cria o tributo que deve qualificar a sistemática do seu lançamento, e não o padrão dos seus formulários adotados. Relido, também, o argumento daqueles que entendem que só pode haver homologação de pagamento e, por conseqüência, como o lançamento efetuado pelo Fisco decorre da insuficiência de recolhimentos, o procedimento fiscal não mais estaria no campo da homologação, deslocando-se para a modalidade de lançamento de oficio, sempre sujeito à regra geral de decadência do art. 17.3 do CTN, (grifo nosso) Nada mais falacioso.. Em primeiro lugar, porque não é isto que está escrito no caput do art. 150 do CTN, cujo comando não pode ser sepultado na vala da conveniência interpretativa, porque, queiram ou não, o citado artigo define que "o 7" 7 lançamento por homologação opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa". O que é passível de ser ou não homologada é a atividade exercida pelo sujeito passivo, em todos os seus contornos legais, dos quais sobressaem os efeitos tributários, Limitar a atividade de homologação exclusivamente à quantia paga significa reduzir a atividade da administração tributária a UM nada, ou a um procedimento de obviedade absoluta, visto que toda quantia ingressada deveria ser homologada e, a 'contrário senszi', não homologado o que não está pago. Em segundo lugar, mesmo que assim não fosse, é certo que a avaliação da suficiência de uma quantia recolhida implica, inexoravelmente, no exame de todos os fatos sujeitos à tributação, ou seja, o procedimento da autoridade administrativa tendente à homologação fica condicionado ao "conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado", na linguagem do próprio CTN." Assim, tendo em vista que a regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento e, tendo a Contribuição Previdenciária natureza tributária, cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento, sem prévio exame da autoridade administrativa, amoldando-se à sistemática de lançamento por homologação, a contagem do prazo decadencial desloca-se da regra geral estatuída no art. 173 do CTN, para encontrar respaldo no § 4 0 do art. 150, do mesmo Código, hipótese em que os cinco anos têm como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. Como a inércia da Fazenda Pública homologa tacitamente o lançamento e extingue definitivamente o crédito tributário, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação (CTN, art, 150, § 40), o que não se tem notícia nos autos, entendo decadente o direito da Fazenda Nacional de constituir o crédito tributário relativamente à contribuição, para os fatos geradores ocorridos até 05/2001, tendo em vista que o cientificação da ora Recorrente ocorreu em 06/06/2006, Por todo o exposto, acato a preliminar ora examinada. DO MÉRITO 1) VIKINGPREV e PGB-PREVIDÊNCIA Segundo informações levantadas pelo Fisco, a recorrente teria implantado Plano de Beneficios sem o devido enquadramento aos preceitos legais previdenciários, uma vez que, não foi permitido o ingresso dos empregados contratados por prazo determinado ao plano disponibilizado no período fiscalizado (09/03 a 12/05). Em contraposição, a recorrente argumenta a insubsistência dos lançamentos fiscais alegando que os empregados contratados por prazo determinado não poderiam aderir ao Plano de Previdência Privada Complementar vigente até a competência 12/2004, a não ser que fossem posteriormente contratados por prazo indeterminado. Face a essa declaração, alega que se orientou pelas normas instituídas no regulamento vigente. No meu entender, em que pese à argumentação do Fisco quanto à 4 necessidade de incidência de contribuição previdenciária relativa aos empregados segurados, )( 8 , Processo n°36514.001034/2006-72 S2-C3T2 Acórd5o o 2302-00,160 Fl 354 por meio da Sociedade de Previdência Privada Vikingprev, não vislumbro sua natureza remuneratóri a. Isso porque, com base no §2° do art. 202 da CF188, bem como no §1° do art. 69 da Lei Complementar n.° 109/2001, a concessão de planos de previdência privada aos seus fimcionários não é causa originadora de contribuições previdenciárias. Nesse sentido, peço licença para transcrever os dispositivos constitucionais, apenas para melhor entendimento do tema: "Art. 202. O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, será facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício contratado, e regulado por lei complementar. (Redação dada pela Emenda Constitucional e 20, de 1998) (,) áç 2° As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstas nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência privada não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes, nos termos da lei. (Redação dada pela Emenda Constitucional n" 20, de 1998) (,) E a Lei Complementar n.° 109, de 29 de maio de 2001, que dispôs sobre o Regime de Previdência Complementar, reconheceu que a concessão do beneficio não possui qualquer natureza salarial. Nesse sentido, o art. 69 da citada norma é claro em asseverar que "sobre as contribuições de que trata o caput não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza", In verbis: "Art. 69 As contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar, destinadas ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária, são dedutiveis para fins de incidência de imposto sobre a renda, nos limites e nas condições fixadas em lei. áç' 10 Sobre as contribuições de que trata o caput não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza áç' 20 Sobre a portabilidade de recursos de reservas técnicas, fundos e provisões entre planos de benefícios de entidades de previdência complementar, titulados pelo mesmo participante, não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza." Cabe ressaltar também que, perfilhando esse mesmo entendimento encontramos na legislação infraconstitucional, CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), que \ a concessão do beneficio de previdência privada aos empregados não é considerado salário. Sendo assim, transcrevo abaixo a citação: r 9 "Art. 458 - Além do pagamento em dinheiro, compreende-se no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por força do contrato ou do costume, .fornecer habitualmente ao empregado Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas § 1" Os valores atribuídos às prestações "in natura" deverão ser justos e razoáveis, não podendo exceder, em cada caso, os dos percentuais das parcelas componentes do salário-mínimo (arts. 81 e 82) § 2o Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: () VI —previdência privada; ( .) [grifas nossos] " Pelos dispositivos acima, resta evidenciado que a legislação trabalhista não colocou as amarras impostas pela legislação previdenciária, qual seja que a utilidade fosse disponibilizada a todos os empregados e dirigentes da empresa (letra `p' do §9° do art. 28 da Lei n.° 8,212/91). E no presente caso, todos empregados no período fiscalizado estavam cobertos, seja pelo plano de beneficios, seja pela apólice de seguro Icatu Hartfbrd, contratada pela recorrente em beneficio dos seus empregados segurados. É oportuno dizer que as empresas, quando adotam planos de previdência complementar para seus empregados, na verdade, estão desempenhando enorme papel social e, cobrar contribuições sociais sobre o fornecimento destes beneficios é penalizar as empresas e desestimular a colaboração da sociedade na aposentadoria do trabalhador já que, como sabemos, a aposentadoria pública é insuficiente para garantir a segurança da massa trabalhadora do País Diante da celeuma apresentada, é necessário que se reflita sobre a condição do empregado contratado por prazo determinado. Concordo que esse empregado estará exposto a riscos que ensejam a acidentes de trabalho inerente a qualquer atividade laborativa mas, por sua vez, como dito alhures, a empresa, mediante contrato de Seguro de vida com Icatu Hartford, disponibilizou a esses empregados uma apólice que assegura indenização por morte ou invalidez permanente total ou parcial. Destarte, a apólice seria um respaldo para os trabalhadores com contrato por prazo determinado assegurando por meio de indenizações os mesmos beneficios oferecidos no Plano Misto de Beneficios uma vez que não faz sentido incluir a aposentadoria para um empregado que tem seu contrato com data certa para se desvincular com a empresa. Assim sendo, não há que se falar em incidência de contribuição previdenciária visto que o Programa Complementar de Previdência Privada contemplava a totalidade dos empregados no período em questão, tendo em vista critérios para concessão de beneficio& la Processo n°36514.001034/2006-72 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00,160 Fl 355 Dito isso, enfatizo que com a mudança do regulamento, os efeitos por ela desencadeados têm eficácia ex-nunc, uma vez que, com base no artigo 2°, inciso XIII da Lei 9184/99, veda-se a aplicação retroativa da nova interpretação. "Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: II - interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação." Então, ao contrário do sustentado nas contra-razões, observa-se que não há comprometimento do princípio da generalidade e equidade, tendo em vista que não houve limitação quanto à adesão ao Plano instituído e a recorrente se submeteu satisfatoriamente às orientações, diretrizes e determinação da Secretaria de Previdência Complementar conforme afirma nos autos do processo. Dentro da mesma abordagem, aplica-se o mesmo raciocínio à rubrica "OBE: outros beneficios concedidos a empregados — período de 01/99 a 12/05", visto que esse levantamento também diz respeito às despesas com beneficios de complementação previdenciária. Por todo exposto, considerando que a recorrente agiu em conformidade com a lei, desconsidero a incidência de contribuição previdenciária sobre as contribuições destinadas ao plano de previdência complementar da recorrente. II) AJUDA-ALUGUEL E AJUDA-ESCOLA Sobre o tema, o auditor firmou entendimento em sua notificação fiscal no sentido que há incidência de contribuição previdenciária nas rubricas AEG e AAG, uma vez que têm natureza salarial. Demonstrou inclusive, que a recorrente discriminou na folha de pagamento as parcelas integrantes do salário. Tendo em vista a contribuição atinente à ajuda aluguel, o tema já foi enfrentado por esta Câmara que firmou posição no sentido de que a moradia fornecida habitualmente pelo empregador integra a remuneração e o salário-de-contribuição (art,457 CLT e art28, I da Lei 8.212/91). Por oportuno, transcrevo abaixo a ementa do acórdão: "Ementa: CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL E OUTRAS ENTIDADES, EMPREGADOS NO EXTERIOR, PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE PERÍCIA. VEICULO E MORADIA. PEDIDO DE PERÍCIA. O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza, de per se, cerceamento do direito de defesa, quando resta evidente que a mesma é desnecessária, REMUNERAÇÃO PAGA A EMPREGADOS TRANSFERIDOS PARA O EXTERIOR. É devida a contribuição para a Seguridade Social (art. 22, I e II da Lei 8.212/91) e para outras entidades (art. 94 da Lei 8.212/91), incidente sobre a remuneração paga aos empregadas transferidos para o exterior rt,12, I, "c" da Lei 8,212/91f VEÍCULO E MORADIA FORNECIDOS HABITUALMENTE, O veículo e a moradia fornecidos habitualmente pelo empregador, através de leasing e aluguel, respectivamente, It trazendo comodidade ao empregado, integram a remuneração e o salário-de-contribuição (art.457 CLT e art.28, 1 da Lei 8212/94 Recurso negado, (grifas nossos) (D.O U n° 35 de 21/02/2008; Rel.: Darnião Cordeiro de Moraes; Data da sessão de julgamento' 09/10/2007)" A seu turno, no que diz respeito à rubrica "ajuda escola", entendo que tais beneficios integram a remuneração uma vez que foi fornecido em desacordo com a legislação previdenciária (art. 28 § 9° "m" da Lei 8.212/91). Sendo assim, relativamente à parte não atingida pela decadência, mantenho o lançamento fiscal. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, para acatar a preliminar de decadência de parte do período e no mérito, manter os demais valores lançados. Sala das Sessões, em 20 de agosto d90IP n 1 EL COELHU i) A JUN—I 7- Relato Vote eia dor Conselheiro MARCO ANDRÉ RAMO VIEIRA, Redator designado Quanto à questão preliminar relativa à fluência do prazo decadencial, a mes a deve ser reconhecida, mas não pelo fundamento no art. 150, parágrafo 40, mas sim com fulcro no art. 173, inciso I do CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n O 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante n° 8"São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5 0 do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Conforme previsto no art. 103-A da Constituição Federal a Súmula de n ° 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicá-la. Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. Á 12 Processo n0 .36514 001034/2006-72 S2-C3T2 Acórdão o.' 2302-00.160 F I 356 As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4° do CTN. Havendo, então o pagamento antecipado, observar-se-á a regra de extinção prevista no art 156, inciso VII do CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento, assim caso esse não exista, não há o que ser homologado, devendo assim ser observado o disposto no art. 17.3, inciso I do CTN havendo a necessidade de lançamento de oficio substitutivo, conforme previsto no art. 149, inciso V do CTN. Nessa hipótese, caso não haja o lançamento, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4° do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. No caso em tela não houve pagamento antecipado, conforme relatório fiscal. Assim, aplica-se a regra prevista no art, 173, inciso I do CTN. Desse modo, conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário quando, a despeito da previsão para pagamento antecipado, o mesmo não ocorre. Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial os fatos geradores anteriores à competência novembro de 2001, inclusive. Entendo que a verba previdência complementar possui natureza salarial, ainda mais pelo fato de não ter havido extensão do beneficio a todos os empregados da empresa, Não há distinção na legislação trabalhista para os direitos concedidos aos empregados por tempo determinado ou indeterminado, A única diferença é que o primeiro já conhece previamente o prazo de término do contrato. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8,212/1991, para o segurado empregado entende-se por salário-de-contribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art.28, Entende-se por salário-de-contribuição: 1 - para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o nu, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou toznador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei n°9528, de .10/12/97) Existem parcelas que não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9° da Lei n 8.212/1991, nestas palavras: Art 28 (..) 4 J 13 5-Ç 9' Não integram o salário-de-contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei n" 9,528, de 10/12/97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o salário-maternidade; (Redação dada pela Lei n" 9.528, de 10/12/97) b) as ajudas de custo e o adicional lnensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei n°5929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei n° 6 321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho-CLT; (Redação dada pela Lei n° 9,528, de 10/12/97) e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei re 9 528, de 10/12/97, e de 6 a 9 acrescentados pela Lei n° 9,711, de 20/11/98) 1, previstas no inciso 1 do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, 2, relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço-FGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art, 479 da CLT; 4, recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei n°5.889, de 8 de junho de 1973; 5 recebidas a título de incentivo à demissão, 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT,- 7 recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; 8,recebidas a título de licença-prêmio indenizada; 9, recebidas a título da indenização de que trata o art. 9" da Lei 17 0 7 238, de 29 de outubro de 1984; 1) a parcela recebida a titulo de vale-transporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CL?",' (Redação dada pela Lei n°9.528, de 10/12/97) , 14 Processo n° 36514.001034/2006-72 S2-C31-2 Acórdão n.° 2302-00.160 Fl 357 h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i)a importância recebida a título de bolsa de compkmentação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei n' 6494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; 1) o abono do Programa de hitegração Social-PIS e do Programa de Assistência ao Servidor Público-PASEP; (Alínea acrescentada pela Lei n°9528, de 10/12/97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei n°9528, de 10/12/97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxílio-doença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei n°9.528, de 10/12/97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei n" 4,870, de 1" de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei n" 9 528, de 10/12/97) p) o valor das contribuiçàes efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts, 9' e 468 da Ca (Alínea acrescentada pela Lei e 9.528, de 10/12/97) q)o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicas, despesas médico-hospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei n" 9 528, de 10/12/97) r)o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei n°9.528, de 10/12/97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos 7t- j1\\ '15 de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei e 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei n" 9,394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei n°9,711, de 20/11/98) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art 64 da Lei n" 8,069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei n° 9 528, de 10/12/97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei n° 9.528, de 10/12/97) x) o valor da multa prevista no § 8° do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei n°9,528, de 10/12/97) No presente caso, a análise mais relevante é a questão da extensão do beneficio aos segurados da recorrente; exigência legal que não foi cumprida no pagamento da verba. A interpretação para exclusão de parcelas da base de cálculo é literal. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e desse modo, interpreta-se literalmente a legislação que disponha sobre esse beneficio fiscal, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, 1, nestas palavras: Art. 111, Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre' 1- suspensão ou exclusão do crédito tributário; Assim, onde o legislador não dispôs de founa expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de violar-se os princípios da reserva legal e da isonomia, A Lei n ° 10.243/2001 alterou a CLT, mas não interferiu na legislação previdenciária, pois esta é específica. O art. 458 refere-se ao salário para efeitos trabalhistas, para incidência de contribuições previdenciárias há o conceito de salário-de-contribuição, com definição própria e possuindo parcelas integrantes e não integrantes. As parcelas não integrantes estão elencadas exaustivamente no art. 28, § 9" da Lei n ° 8.212/1991, conforme demonstrado. Ao contrário do que afirma a recorrente, a verba paga a título de previdência privada possui natureza remuneratória, os segurados que receberam tal verba tiveram um ganho em relação aos segurados que foram excluídos do beneficio, Tal ganho ingressou na expectativa dos segurados empregados em decorrência do contrato de trabalho e da prestação • de serviços à recorrente, sendo portanto uma verba paga pelo trabalho e não para o trabalho. O ganho foi direcionado ao segurado empregado da recorrente, quando a empresa complementou valores referentes aos planos de previdência privada. Estando portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para 16 Processo n" 36514.001034/2006-72 S2-C3T2 Acórdão n ' 2302-00.160 Fl. 358 incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento. No presente caso, a verba não foi estendida a todos os empregados da recorrente, violando o dispositivo legal. Ao não analisar este fato, esta Câmara violou literal disposição de lei. Não cabe o argumento de que o art. 458 da CLT não exige que a parcela seja estendida a todos os segurados da empresa. Nesse mesmo artigo, há previsão para não integração ao salário da verba assistência médica, também sem qualquer ressalva. Este Colegiado nunca aceitou a não incidência de contribuição previdenciária se a verba assistência médica não fosse estendida a todos os segurados da empresa, em virtude de o art. 28, § 90 alínea "q" da Lei n ° 8.212/1991, exigir a extensão do beneficio. Além do que, conforme analisado, o art. 458 é aplicado para fins salariais (direito do trabalho) e não para fins previdenciários. Caso persista o entendimento desta Câmara, não haveria mais discrepância entre as verbas relativas ao FGTS e as contribuições previdenciárias. Além do mais, deveria ser tributado o aviso prévio indenizado, pois para fins trabalhistas, tal verba integra o salário para todos os fins, conforme art, 487, § 1° da CLT, Quanto aos demais levantamentos acompanho o entendimento proferido pelo Conselheiro Relatar. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso do contribuinte, para no mérito CONCEDER-LHE PROVIMENTO PARCIAL, reconhecendo que parte do lançamento já foi atingida pela decadência. É como voto. Sala das Sessões, em 20)_,- . :osto de 2009 ~ui- alem IRA-----Recr designado.7 , (4 2, ,-t.17
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