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Numero do processo: 00467.003113/81-09
Data da publicação: Mon Dec 21 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 101-73311
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Recorrido - DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM JOÃO PESSOA (PB) IRPJ - SUPRIMENTO DE CAIXA - Compete a empresa que recebeu suprimentos de sócio, comprovar as importâncias supridas, o fa- zendo através de documentação hábil e idO nea, coincidente com a transação prévi-a- que lhe deu origem, não bastando a prova da capacidade financeira do supridor. Recurso improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por CROL - CONSTRUTORA ROCHA LTDA.: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Con- selho d.: f ontribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recursod Sala das Sifsfe, (DF), em 11 de maio de 1982. /bwrif/ AMADOR O Ni e# ERNANDEZ - PRESIDENTE IS ÁF FRANCI O DE ASSIS MIRANDA - -LATOR - VISTO EM - eSTINHO ORES - PROCURADOR DA FAZENDA NA SESSÃO DE: la MAI Ma_ CIONAL Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: SYLVIO RODRIGUES, CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, AGOSTINHO SERRANO FI- -11107-RAUL PIMENTEL, - - - _ rd) VELLO SO. " SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N. 0467-003.113/81-09 RECURSO N.° : — 85.024 ACÓRDÃO N.° : — 0 1— 7 3 .311 RECORRENTE: - CROL - CONSTRUTORA ROCHA LTDA. RELATÓRIO CROL - CONSTRUTORA ROCHA LTDA., pessoa jurídica es tabelecida em João Pessoa (PB), foi autuada em 6.11.81 e intimada a recolher o credito tributário de Cr$ 499.992,00, em virtude de ha ver apurado a fiscalização as seguintes irregularidades na sua es- crituração: "1. - Contabilizou despesas estranhas aos custos nos seguintes montantes: Exercício de 1979,ano-base 1978 10.745,50 Exercício de 1980,ano-base 1979 38.802,27 Exercício de 1981,ano-base 1980 85.908,59 2. - Contabilizou suprimentos de caixa sem efeti- va comprovação da entrega do numerário: Exercício de 1981,ano-base de 1980 630.000,00." Com guarda do prazo legal a interessada impugnou a exigência, alegando que os suprimentos de caixa foram feitos pelo sócio Argemiro Jose da Rocha, consoante lançamentos no livro Diário, às fls. 82, no valor de Cr$ 295.341,00 e às fls. 84, no valor de Cr$ 344.658,00, perfazendo o total de Cr$ 640.000,00. Referido só- cio teve condições de suprir a empresa das aludidas importâncias por- que venoeu imove e. is. -..é= -4- _aJnnumentação ,5e mostrada ao fisco/ D M F - RJ/1.° C - C - Secgraf - 1600/75 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0467-003.113/81-09 3. ACÓRDÃO N9 101-73.311 Quanto as despesas estranhas ao custo que foram ob jeto da glosa fiscal, silenciou-se a defesa. Informado o feito, veio a decisão de la.instãncia, julgando procedente a ação fiscal sob o fundamento de que: "serão indedutíveis como custo ou despesa operacio nal os valores relativos a operaçOes não comprova- das com documentação adequada; as importãncias supridas ao caixa necessitam de comprovação através de documentação idónea e coin- cidentes com a transação previa que lhe deu origem, e, bem assim de prova inequívoca da transferência delas do património da pessoa física para o da pes soa jurídica, demonstrando a efetiva entrega das quantias creditadas". Segue-se o recurso de fls. 65, onde o contribuinte faz menção e junt; cOpia de recurso interposto contra cobrança de imposto de fonte /1 É relatório. ‘5" SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0467-003.113/81-09 4. ACÓRDÃO N9 101-73.311 VOTO_ — Conselheiro FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA, Relator: Nessa altura o litígio se restringe aos suprimen- tos de caixa, por isso que a interessada não se defendeu da glosa de despesas estranhas ao custo. No tocante aos suprimentos, foi trazido ã colação para comprovar a disponibilidade financeira do sócio supridor, uma cópia xerográfica de recibo sem data, firmado pelo Sr. Argemiro Jo- sé da Rocha e Sebastiana Rita da Silva Rocha, fornecido ao Banco E- conômico Nordeste S.A. Crédito Imobiliário, no valor de Cr$1.008.128,00, proveniente de desconto de Cédula Hipotecaria. Não estando referido documento revestido das forma lidades legais indispensáveis, eis que nem datado foi, não tem ne- nhuma força probante. Por outro lado, o simples lançamento contábil da entrada do numerário na empresa, nada prova, havendo absoluta neces sidade da existência de documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores com as importâncias supridas, não bastando a sim- ples capacidade financeira do sócio supridor. A efetiva entrega das importâncias creditadas há de ficar inequivocamente comprovada e es sa comprovação não foi feita. Ante o ex tosto, vo o pela ,negat de provimento / c.a FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA - • LATOR Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1
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Numero do processo: 10680.012330/89-40
Data da publicação: Mon Dec 21 00:00:00 UTC 2009
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Recorrida: DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM BELO HORIZONTE (MG). PIS DEDUÇÃO - A contribuição para o Pro grama de Integração Social - PIS, que se constitui por dedução do imposto de renda, se prejudica em parcela propor- cional, quando este tributo e declarado em importãncia menor do que a devida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por SW - SUDOESTE ENGENHARIA LTDA.: ACORDAM os Membros da Primeira Cãmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimen- parcial ao recurso, para ajustar a exigência ao decidido no proces so principal, atraves do Acórdão n 2 101-82.860, de 24-02-92, nos' termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julga- do. Sala /idas SessOes (DF), em 26 de fevereiro de 1992. MA • IA-M/ S I 17 - PRE(` IDENTE FRANCISCO DE Á I - 11:EL n TOR 411Pr. AFONSO e LSO ERREIRA DE CAMPOS - PROCURADOR DA FAZENDA VISTO EM NACIONAL r? r MAR 10•Y) SESSÃO DE: u - Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conse- lheiros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, CRISTÓVÃO ANCHIETA DE PAI VA, CELSO ALVES FEITOSA, RAUL PIMENTEL, CÃNDIDO RODRIGUES NEUBER JOSÉ EDUARDO RANGEL DE ALCKMIN.,,,,-, 'V \. DANEFP/DF- SECOS N q 064/90 \N,:: JM. _ • . .,„.•...., , ,_, 2 SERVIÇO PUBLICO FEDERAL • , PROCESSO N° 10680-012.330/89-40 RECURSO N9 : 64.380 ACORDA00: 101-83.035 RECORRENTE: SW - SUDOESTE ENGENHARIA LTDA. RELATÓRIO A Empresa supra-referenciada, qualificada nos au tos, inconformada com a decisão de 1 2 grau que lhe indeferiu a petição impugnativa com a qual se opusera à exigência da contri- buição para o Programa de Integração Social - PIS, articula re- curso tempestivo, nos termos da petição de fls. 35/36. Trata-se de cobrança de contribuição devida sob a modalidade de PIS/DEDUÇÃO, como se verifica do auto de infra-- ção , de-f15-01,1avrado quanto aos exercícios de 1985 e 1986. A exigência decorre do que consta do processo original n 2 10680-012.329/89-61 - IRPJ. A fiscalização externa apurou, por auditoria con_ tábil-fiscal, que o imposto de renda da pessoa jurídica se preju dicara por apropriação indevida de custos e dedução incabível de despesas. , A tributação imposta no auto de infração constan te do processo principal, mantida em primeira instãncia, foi con firmada apenas parcialmente por este Colegiado ao julgar o Recur so n 2 99.599 interposto pela pessoa jurídica. 7-,:\ (--- É o relatOrio. .i• ^ : ' ' DAMEFP/OF - SECOS N 2 065/ 90 Ját \ _ S~ PUBLICO FME.RAL PROCESSO N 2 10680-012.330/89-40 3 AcOrdão n 2 101-83.035 VOTO Conselheiro FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA, Relator: A cobrança da contribuição PIS/DEDUÇÃO, de acor do com a prova dos autos, se revela Mera decorrência do que a fiscalização externa apurou pela auditoria contábil-fiscal à que a recorrente foi submetida. Na forma do art. 480 do RIR/80, as pessoas jurl dicas deverão deduzir do imposto devido, o percentual ai estabe lecido, para recolhimento ao Fundo de Participação do Programa' de Integração Social - PIS. No caso em que o imposto devido seja majorado em conseqüência de infraç8es devidamente apuradas em lançamento de oficio e confirmadas por decisOes administrativas, as contri buiçOes serão tambem majoradas, eis que são, na forma da lei, calculadas sobre o imposto devido. Consta, quanto ao pleito matriz desta decorrên- cia, que a postulante, de acordo com os elementos que compOem o processo original, prejudicou o lucro real ao praticar as irre- gularidades descritas no relatOrio supra. Aquelas irregularidades se confirmaram, em par- te, quando esta Câmara julgou pelo AcOrdão n 2 101-a2.860 o Recurso n 2 99.599, interposto contra decisão de l Ê instância, dando-lhe provimento parcial para excluir da tributação os valo res de Cr$ 51.460.820,00 e Cr$ 62.640.280,00, nos exercícios de 1985 e 1986, respectivamente. Assim, frente a íntima relação de causa e efei- to e considerando que a solução proferida no processo matriz - constitui prejulgado aplicável ao processo dele decorrente, vo- to pelo provimento parcial do recurso, para ajustar a contribui ção, ao que foi decidido no proc-- e atriz. /r //".\ k42'2'.4 4"4"1 t- 1 FRANCISCO DE AS ANDA --- LATO' J H\\\\:.—V1-Lk Imprensa Nacional , , Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1
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Numero do processo: 10935.001773/2007-09
Data da sessão: Wed Jun 17 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Jun 17 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das
Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2005
TRANSPORTE DE CARGA. ALEGAÇÃO DE ATIVIDADE DE INTERMEDIAÇÃO, INOCORRÊNCIA. CONTRATO QUE SE APERFEIÇOA ENTRE TRANSPORTADORA E PROPRIETÁRIO DA CARGA.
A operação em que a transportadora contrata o serviço de transportes com o seu cliente, emite o conhecimento de frete e recebe em seu nome o valor total lá constante caracteriza a venda de serviços de transporte e aperfeiçoa o fato gerador' dos tributos calculados com base no faturamento. Não se caracteriza
agenciamento a contratação de um terceiro sem qualquer vinculação com o proprietário da mercadoria para executar a tarefa.
SIMPLES. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE. BASE DE CÁLCULO.
A base de cálculo da atividade de transporte é o valor cabrado do contratante, sem possibilidade de abatimento de despesas com subcontratados.
LANÇAMENTOS REFLEXOS: PIS, CSLL„ COFINS e INSS-SIMPLES.
aplica-se aos lançamentos reflexos o decidido no principal.
Numero da decisão: 1201-000.105
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: Carlos Pelá
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ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2005 TRANSPORTE DE CARGA. ALEGAÇÃO DE ATIVIDADE DE INTERMEDIAÇÃO, INOCORRÊNCIA. CONTRATO QUE SE APERFEIÇOA ENTRE TRANSPORTADORA E PROPRIETÁRIO DA CARGA. A operação em que a transportadora contrata o serviço de transportes com o seu cliente, emite o conhecimento de frete e recebe em seu nome o valor total lá constante caracteriza a venda de serviços de transporte e aperfeiçoa o fato gerador' dos tributos calculados com base no faturamento. Não se caracteriza agenciamento a contratação de um terceiro sem qualquer vinculação com o proprietário da mercadoria para executar a tarefa. SIMPLES. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da atividade de transporte é o valor cabrado do contratante, sem possibilidade de abatimento de despesas com subcontratados. LANÇAMENTOS REFLEXOS: PIS, CSLL„ COFINS e INSS-SIMPLES. aplica-se aos lançamentos reflexos o decidido no principal.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-10-07T14:48:27Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-10-07T14:48:27Z; Last-Modified: 2010-10-07T14:48:27Z; dcterms:modified: 2010-10-07T14:48:27Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:b823317c-e11b-452e-8b42-99f4e82a1c21; Last-Save-Date: 2010-10-07T14:48:27Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-10-07T14:48:27Z; meta:save-date: 2010-10-07T14:48:27Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-10-07T14:48:27Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-10-07T14:48:27Z; created: 2010-10-07T14:48:27Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2010-10-07T14:48:27Z; pdf:charsPerPage: 1516; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-10-07T14:48:27Z | Conteúdo => S1-C2T1 F1: 1 PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 10935.00177.3/2007-09 Recurso n" 167,941 Voluntário Acórdão n° 1201-00.105 — 2" Câmara / 1' Turma Ordinária Sessão de 17 de junho de 2009 Matéria SIMPLES Recorrente Transportadora Sabiá Ltda Recorrida 2 TURMA DRJ/CTA Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2005 TRANSPORTE DE CARGA. ALEGAÇÃO DE ATIVIDADE DE INTERMEDIAÇÃO, INOCORRÊNCIA. CONTRATO QUE SE APERFEIÇOA ENTRE TRANSPORTADORA E PROPRIETÁRIO DA CARGA., A operação em que a transportadora contrata o serviço de transportes com o seu cliente, emite o conhecimento de frete e recebe em seu nome o valor total lá constante caracteriza a venda de serviços de transporte e aperfeiçoa o fato gerador' dos tributos calculados com base no faturamento. Não se caracteriza agenciamento a contratação de um terceiro sem qualquer vinculação com o proprietário da mercadoria para executar a tarefa. SIMPLES. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da atividade de transporte é o valor cabrado do contratante, sem possibilidade de abatimento de despesas com subcontratados. LANÇAMENTOS REFLEXOS: PIS, CSLL„ COFINS e INSS-SIMPLES. aplica-se aos lançamentos reflexos o decidido no principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, - ~n)apeRr'êt;Nesidente Processo n" 10935 001773/2007-09 Acórdão n 1201-00.105 SI-C2I1 Fl 2 1"2 77-.1 Ca.r os Pela - Relator. 17 SF1- 20 10 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego (Presidente da turma), Antonio Bezerra Neto, Alexandre Barbosa Jaguaribe, Leonardo de Andrade Couto, Carlos Pela, Regis Magalhães Soares Queiroz, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes e Antonio Carlos Guidoni Filho (Vice-presidente da turma) EDITADO EM:EDITADO EM: Processo n" 10935 001773/2007-09 SI-C21 I Acórdão n." 1201-00.105 Fl 3 Relatório Vale a pena transcrever o relatório já feito pela DRI, que traz detalhadamente o contexto do lançamento: "Trata o processo de lançamentos fiscais relativos ao exercício de 2006, ano- calendário 2005, de impostos e contribuições devidos pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples: a) Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRP1 -Simples, págs. 160/163, no valor de R$ 19.423,09, devido a: omissão de receitas, não escrituradas nos livros Diário e Razão, nos meses 01 a 12/2005, com base no art. 24 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995; arts. 2", § 2°, 3', § 1", a, 5°, 7", § 1' e 18 da Lei n" 9.317, de 05 de dezembro de 1996; art. 3" da Lei n" 9,732 , de 11 de dezembro de 1998; arts, 186, 188 e 199 do Regulamento do Imposto de Renda - RIR de 1999 (Decreto n" 3.000, de .26 de março de 1999); , insuficiência de recolhimento nos períodos de 05 a 11/2005, resultante da alteração nas alíquotas de recolhimento do Simples, em razão das omissões e que aumentaram o valor das receitas, efetuado com base legal no art, 5" da Lei n" 9.317, de 1996, c/c o art. 3" da Lei n°973.2, de 1998; e arts. 186 e 188 do RIR de 1999; b) contribuição ao Programa de Integração Social - PIS - Simples , págs. 164/167, no valor de R$ 19,423,09, devido a: omissão de receitas, não escrituradas nos livros Diário e Razão, nos meses 01 a 12/2005, base no art. 3', b da Lei Complementar IV 7, de 07 de setembro de 1970, c/c o art. 1', parágrafo único, da Lei Complementar IV 17, de 12 de dezembro de 1973; arts. 2", I, 3' e 9' da Medida Provisória ri' 1,.249, de 14 de dezembro de 1995, e suas reedições; arts, 2", § 2", 3', § 1', b, 5', 7', § 1°c 18 da Lei n" 9,317, de 1996; art..3" da Lei n°9.732, de 1998; insuficiência de recolhimento nos períodos de 05 a 11/2005, com base legal no art, 3', b da LC n" 7, de 1970 e art.. 1", parágrafo único, da LC n" 17, de 197.3, arts, 2", I, 3" e 9' da MP 1.249, de 1995, e suas reedições, art. 5" da Lei n" 9,317, de 1996; art. 3" da Lei n" 9,7.32, de 1998; c) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL- Simples, págs. 168/171, no valor de R$ .31.792,8.3, devido a: . omissão de receitas, não escrituradas nos livros Diário e Razão, nos meses 01 a 12/2005, com base no art. 1" da Lei IV 7.689, de 15 de dezembro de 1988; arts, 2", § 2', .3°, § 1°, c, 5', 7", § 1", e 18 da Lei n°9.317, de 1996; art. 3" da Lei n°9.732, de 19g; e) Processo n" 10935 001773/2007-09 S1-C2T1 Acórdão n " 1201-00,105 Fi 4 . insuficiência de recolhimento nos períodos de 05 a 11/2005, com base no art. 1" da Lei n°7.689, de 1988; art. 5' da Lei n" 9.317, de 1996; art. 3' da Lei n°9732 , de 1998; d) Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins- Simples, págs. 172/174, no valor de R$ 63.585,68, devido a: omissão de receitas, não escrituradas nos livros Diário e Razão, nos meses 01 a 12/2005, com base nos arts. 1" e 2" da Lei Complementar . ri' 70, de 30 de dezembro de 1991, arts. 2', § 2', 3', 1', d, 5', 7', § 1", e 18 da Lei n° 9.317, de 1996; art. 3" da Lei n" 9,732, de 1998; insuficiência de recolhimento nos períodos de 05 a 11/2005, com base legal no art. 1' da LC n" 70, de 1991, art. 5' da Lei n° 9,317, de 1996; art, 3' da Lei n" 9.732 de 1998; e) Contribuição para a Seguridade Social - INSS-Simples, págs. 175/178, no valor de R$ 125,272,18, devido a: omissão de receitas, não escrituradas nos livros Diário e Razão, nos meses 01 a 12/2005, com base nos arts. 2', § 2", 3', § 1', I, 5", 7", § 1", e 18 da Lei n" 9.317, de 1996; art. 3" da Lei n" 9.732 , de 1998; insuficiência de recolhimento nos períodos de 05 a 11/2005, com base legal no art. 5" da Lei n" 9.317, de 1996; art. 3" da Lei n°9.732 , de 1998.. 2. Sobre os impostos e contribuições devidos exigem-se a multa de oficio de 75% do art. 44, 1 da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996, c/c o art. 19 da Lei n°9.317, de 1996, e encargos legais, e juros de mora segundo o art. 61, § 3' da Lei n" 9,430, de 1996. 3 Nas págs. 155/156 encontram-se demonstrados pela fiscalização os percentuais aplicáveis sobre a receita bruta apurada, do art. 23, II, da Lei n° 9,317, de 1996, com a redação do art„ 3° da Lei n°9.732, de 11 de dezembro de 1998; nas págs. 156/157, o demonstrativo de apuração dos impostos e contribuições não recolhidos; nas págs. 158/160, o demonstrativo de apuração do imposto/contribuição sobre diferenças apuradas. Nas págs. 179/180, no Termo de Verificação Fiscal - TVE, estão descritos os procedimentos de fiscalização e a autuação,. A autuação, bem como o TVF, foram cientificados em 22/05/2007, págs. 162, 166, 170, 173 177, 178 e 180 e a contribuinte apresentou, em 21/06/2007, tempestivamente, a impugnação de fis. 210/220, por meio de seu representante legal, fl. 221, que se resume a seguir, e acompanhada dos documentos de fls. 222/387. Descreve que a fiscalização afirmou que a empresa declarou e contabilizou nos livros Diário e Razão valores diferentes daqueles constantes do livro de Saídas e Apuração de ICMS e que havia dois registros na contabilidade, um relativo aos fretes com caminhão próprio e outro dos fretes agenciados com terceiros, concluindo que as receitas dos fretes efetuados mediante agenciamento de terceiros, caminhoneiros autônomos, não se tratavam de enciamento, mas de subcontratação, devendo a contribuinte declarar a totalidade da receita e 4 Processo n" 10935 001773/2007-09 SI-C2T I Acórdão ri" 1201-00.105 Fl 5 não apenas a diferença entre a receita de frete recebida e o valor repassado ao caminhoneiro autônomo.. Diz que a autuação é insubsistente porque a interessada desempenhava duas atividades relacionadas ao transporte de cargas: uma a efetiva prestação desse serviço com veículo próprio e a outra o agenciamento, que consistia em entabular o contrato com o proprietário da mercadoria a ser transportada e o repasse da execução do serviço de transporte a um terceiro, caminhoneiro autônomo ao qual repassava grande parte do valor contratado, e a autuada fazendo jus apenas a um pequeno percentual decorrente dessa intermediação. No caso do agenciamento, era emitido Conhecimento de Transporte pela autuada (anexa os do mês de 09/2005, como amostra para exame), no qual se discriminava o valor cobrado do cliente pelo frete, bem corno o valor do repasse ao caminhoneiro; conseqüentemente, a autuada levava a registro apenas a importância que efetivamente lhe era cabida, uma vez que não lhe pertencia a totalidade da receita do frete. Destaca que a autuação em momento algum colocou em dúvida a regularidade dessa atividade, nem a efetividade dos mencionados repasses, mas que considerou que o fato de a interessada ter emitido os Conhecimentos de Transporte, e com isso assumindo a condição de responsável pelo recolhimento do ICMS, também conduz à conclusão de que a totalidade da receita lhe pertence.. Mas, afirma, tal entendimento inviabilizaria a atividade da contribuinte. Pleiteia a correta compreensão da forma como os valores descritos nos Conhecimentos de Transporte ingressam na empresa no caso da atividade de intermediação exercida e por isso, a receita bruta auferida pela impugnante, base de cálculo da tributação na sistemática do Simples, deverá ser a sorna das receitas de fretes com veiculo próprio, e a diferença (comissão/agenciamento) entre os fretes recebidos dos contratantes (de cujos valores é mera depositária temporária) e os valores repassados aos efetivos transportadores; cita e transcreve acórdão do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda — CCMF relativo à base de cálculo da Cofins, em se tratando de atividade comprovadamente de agenciamento de cargas. Destaca que é irrelevante para a análise do caso o modo como a intermediação se exteriorizou e a ausência de contratos entre o proprietário da mercadoria e o terceiro transportador em nada influencia na caracterização da regularidade da atividade de intermediação da impugnante, nem pode acarretar obrigatoriedade de recolher tributos sobre valores que não lhe pertencem; tampouco o fato de ter a interessada figurado como contribuinte do ICMS sobre o frete agenciado traz qualquer reflexo na constatação de que a receita que a litigante aufere é a diferença entre o total do frete e o valor repassado a terceiro, e esclarece que o recolhimento desse tributo estadual é sempre suportado pelos terceiros caminhoneiros autônomos. Repele a aplicação da taxa referencial do Sistema de Liquidação e Custódia para títulos federais — Selic na forma conjunta de correção monetária e de juros de mora, dado que não é aplicável às obrigações tributárias, conforma jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça — STI que transcreve.. Dado que a receita bruta total resultante após a autuação ultrapassou o limite autorizado para o Simples, a empresa foi excluída da sistemática mediante Ato Declaratórig Processo n" 10935 001773/2007-09 Acórdão n " 1201-00..105 SI-C211 1= 1 6 objeto do processo n" 10935.00177612007-34, o qual impugnou e cujo julgamento requer que seja simultâneo a este. A DRJ/Curitiba requereu a diligência de fls. 721/722, cumprida pela DRF em Cascavel/PR e que resultou na lavratura de Auto de Infração Complementar de fls. 726/767, depois de autorizado o reexame do período fiscalizado pela autoridade competente, fl. 725, O Auto de Infração Complementar foi lavrado em relação às mesmas infrações, apenas para exigir a diferença de alíquota, que foi majorada em 50% para empresas que aufiram receita bruta decorrente da prestação de serviços em montante igual ou superior a 30% da receita bruta total, conforme o art. 23, II da Lei if 9,317, de 1996, c/c art, 2" da Lei n" 10.034, de 24 de outubro de 2000, art.. 24 da Lei n° 10.684, de 30 de maio de 2003, e art. 82 da Lei n" 10.833, de 29 de dezembro de 2003, fis, 727/729, sendo este o caso da autuada, que tem sua receita integralmente proveniente de prestação de serviços de transporte de cargas; às fls.. 768/770, Termo de Verificação Fiscal Complementar, e às fls. 727/729 encontram-se demonstrados os percentuais aplicáveis sobre a receita bruta apurada; nas pág. 730/736, o demonstrativo de apuração dos valores não recolhidos. Exigem-se complementarmente, em relação aos períodos de 01 a 12/2005, R$ 7.632,13 de IRP] - Simples, R$ 7.632,13 de PIS - Simples, R$ 12.398,37 de CSLL — Simples, R$ 24..796,74 de Cofins — Simples e R$ 99,957,67 de iNSS — Simples, todos acrescidos da multa de ofício de 75% e juros de mora. A contribuinte, cientificada em 03/03/2008, fl. 772, apresentou a impugnação correspondente em 31/03/2008, tempestiva, de fls.. 776/775, por meio do representante legal, fl. 221, na qual qualifica o lançamento complementar de formalizar tão-somente suposta diferença não lançada anteriormente, em face da aplicação de acréscimos aos percentuais anteriormente aplicados e que, já tendo impugnado o lançamento originário, as razões lá expostas hão de ser fidas como transcritas, independentemente da validade ou não do lançamento complementar por descumprimento de condições para a revisão do lançamento; reitera o requerimento de prazo para juntada de eventuais documentos que se mostrem necessários a comprovar as alegações ora realizadas, conforme autoriza o art. 16, § 40, a do Decreto n" 70.235, de 1972; requer seja julgado insubsistente o Auto de Infração Complementar e que se afaste a aplicação da taxa Sebe. A DRJ manteve integralmente a autuação, sob o argumento que a atividade efetivamente exercida pela autuada é de serviço de transporte de cargas, a qual consta com exclusividade do seu contrato social. A atividade de agenciamento de cargas não consta clo objeto social da autuada, Lembra que se prestado esse serviço a opção pelo SIMPLES não seria possível, uma vez que vedada pelo art. 9 0, XIII da Lei if Lei n° 9317, de 05 de dezembro de 1996.. A DR.1 argumenta que o agenciamento é uma atividade específica, que possui identificação própria no CNAE e sustenta que a atividade é substancialmente diferente da atividade de transporte de cargas. Numa, o proprietário da mercadoria contrata o transportados, que emite o conhecimento de transporte, se responsabiliza pela entrega da mercadoria e cumpre o contratado com veículos próprios ou de terceiros. Na atividade de intermediação, o ,..,,,.agenciador aproxima as partes, que fecham o contrato entre si, recebendo o agenciador . uma 6 Processo n" 10935 001773/2007-09 S1-C2T1 Acórdão o " 1201-00105 Fl 7 comissão pela aproximação das partes, enquanto ele próprio não faz parte do contrato de transporte, firmado entre o dono da mercadoria e o efetivo transportador. A DR.J ainda afasta o argumento de que a taxa Selic não teria aplicação na atualização dos tributos. No seu recurso, a contribuinte alega que aufere receitas pela prestação de duas espécies de serviços; transporte de cargas e agenciamento de cargas. Sustenta que no primeiro caso o serviço é prestado por veículos próprios e toda a receita lhe pertence e foi adequadamente contabilizada.. No segundo caso, apenas intermedeia a contratação de um transportador autônomo em beneficio do dono da carga, pertencendo-lhe apenas as receitas que são decorrentes da intermediação, ou seja, a parte da receita que é repassada ao transportador autônomo não ingressa, nem deve ingressar na sua contabilidade. Argumenta ser esta a práxis da atividade que desenvolve. Em nenhum momento a receita lhe pertenceu, portanto não fez parte da sua contabilidade, mas apenas transitou por ela destinada a terceiros, verdadeiros prestadores do serviço.. Cita precedente do Segundo Conselho de Contribuintes, em julgamento sobre COFINS, Acórdão n° 101.179, em que ficou assentado que no caso de agencimento, o faturamento corresponde exclusivamente aos valores das comissões recebidas. Argumenta que a ausência de contrato entre o proprietário da mercadoria e o terceiro transportador não altera a natureza da atividade de intermediação,. Por fim, argumenta que o fato de figurar como responsável perante a legislação do ICMS não deve ser levado em consideração no presente caso, pois não afeta a natureza do serviço prestado por ela. Pede a reforma da decisão. Este o relatório 7 Processo o" 10935 001773/2007-09 81-C21.1 AárdlIo n 1201-00.105 ri 8 Voto Conselheiro CARLOS PELÃ O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. Devolvido a este CARI apenas a matéria relativa à natureza do serviço prestado, vamos nos limitar a esta análise. Pela análise dos elementos que constam dos autos, constata-se que os proprietários das mercadorias contrataram a contribuinte para prestação de serviços de transportes, tendo esta emitido os conhecimentos de transporte, recolhido o ICMS correspondente sobre esta atividade e se responsabilizado pela entrega da mercadoria ao destinatário final. Para cumprir a tarefa para a qual foi contratada a contribuinte valia-se, poucas vezes, dos seus próprios veículos, Outras vezes, estas a maioria, contratava transportadores autônomos que realizavam a entrega da mercadoria. A estes autônomos, pagava um valor menor que o valor do frete cobrado do proprietário, ficando com urna parte. Na sua avaliação, a contribuinte entendeu que apenas a parte que ficava consigo fazia parte cio seu faturamento, urna vez que quando contratava terceiro realizava mera intermediação, ou agenciamento, como chama. A atividade de intermediação é caracterizada pela aproximação que o intermediador faz entre duas partes que pretendem contratar ., recebendo, pela atividade, urna comissão, cobrada daquele que o contratou para encontrar a outra parto É urna atividade em que o interniediador se obriga a aproximar as partes, que entre si realizam o contrato, respondendo o contratado, terceiro que se obriga perante o contratante, pela execução do encargo, Não é o que se verifica no presente caso. Neste caso, o dono da mercadoria coontrata a empresa de transporte para que a mercadoria seja entregue no destino estipulado. Não há evidências de que o dono da mercadoria tenha procurado a contribuinte para que esta se encarregasse de agenciar outras empresas ou profissionais para a realização do transporte. Poderia ser feito assim, mas não o foi. A contribuinte foi contratada para entregar a mercadoria no seu destino, emitiu as guias de transporte e se responsabilizou pela entrega perante o proprietário desta. Ao que consta, o proprietário sequer conhecia os transportadores autônomos subcontratados, que efetivamente prestaram serviço para a contribuinte e se responsabilizaram, perante esta, pela execução da tarefa. Relevante notar que a atividade de corretagem, conforme definida no Código Civil e na qual se encaixaria a atividade de agenciamento de cargas, não é permitida aos optantes pelo simples, por força do artigo 9 0, inciso XIII, da lei 9..317/96, e que encontra definição específica na lista de atividades econômicas listadas no CNAE. A atividade efetivamente exercida pela contribuinte, a teor do que contém os autos, é atividade de transporte de cargas, de modo que os valores recebidos do proprietário daju \\lik Posto isso, voto pelo improvimento do recurso voluntário P[OCCSSO n" 1 0935 001 773/2007-09 UAI-Mo n " 1201-00-105 Sl-C2T1 Fl 9 mercadoria efetivamente compõem o fàturamento da contribuinte. Neste sentido, não merece reparos a decisão da DRL CAIRLÓS'PELA-RELATOR 9
score : 1.0
Numero do processo: 11065.001456/93-86
Data da sessão: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 1994
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Recorrida : DRF EM NOVO HAMBURGO - RS. CONTRIBUIÇAO SOCIAL - A opção do contribuinte pela via judicial implica em renúncia ao direito a re- curso na esfera administrativa (Lei nr. 6.830/80, art. 38). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por ELDORADO BENEFICIAMENTO EM COUROS LTDA.: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Con- selho de Contribuintes, por unanimidade de votos, não conhecer do re- curso, por falta de objeto, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Sala das Sesseies, em 09 de novembro de 1994 , , 114--A'- - Iii/' - PRESIDENTE 40 CELS -LVE., F'ITOSA - RELATOR VISTO EM LUIZ FERNANDO OL RA Dg:AES - PROCURADOR DA FA SESSA0 DE: O 8 DEZ 1995 ZENDA NACIONAL, Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselhei- ros: FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA, JEZER DE OLIVEIRA CANDIDO, KAZUKI SHIOBARA, ROBERTO WILLIAM GONÇALVES, RAUL PIMENTEL e SEBASTIA0 RODRI- GUES CABRAL. 1 , ! ! 1 , , , 2 PROCESSO N9 11065-001.456/93-86 RECURSO Ng 79725 CONTRIBUIçA0 SOCIAL RECORRENTE: ELDORADO BENEFICIAMENTO EM COUROS LTDA. RECORRIDA: DRE EM NOVO HAMBURGO - RS Ac g rclão n9 101-87.425 ELDORADO BENEFICIAMENTO EM COUROS LTDA. recorre a este Conselho, da decisão do Sr. Delegado da Receita Federal, que indeferiu a impugnação apresentada pela Recorrente, mantendo o lançamento por declaração consubstanciado na declaração de IRPJ e respectivo Recibo de Entrega e Notificação de l ançamento, e determinando a cobrança da Contribuição Social sobre o Lucro do exercício de 1993, ano-base de 1992, atualizada monetariamente pela UFIR. Conforme fls. 01/25, a Recorrente impugnou o Recibo de Entreoa e Notificação de Lançamento de . Contribuição Social Sobre o Lucro (fl. 27) referente á .1 declaraç"ão IRP3 do exercício de 1993, ano-base de 1992, , apresentada em 01.06.93, alegando, em síntese: , - que a entrega da declaração • IRPj (contendo ,, a Contribuição Social) pelo contribuintP-5 ao Fisco, constitui notificação de lançamento por declaração (art. 147 do •CTN), enquadrável, assim, nos ditames do Decretó ng 70.235/72 i - que a Lei n g 8.383/91, i.nstituidora da ,:,! UFIR, teria ferido o princípio constitucional da N anterioridade da lei, devido ao fato de que sua publicaçafo no Diário Oficial da Unfão ocorrera em 02.01.92 por isto, discorda de que a Contribuição Social sobre o Lucro relativa ao ano-calendário de 1992 deva ser recolhida atualizada pela variação da UFIR, ao menos no que se refere às quotas dos , 1 meses de janeiro a março de 1992, se rejeitada a natureza de , imposto dessa exaçko. Requereu, finalmente, que fosse canelada a ... exigncia de Contribuição Social a pagar. - 110 . .. . , .,..,. PROCESSO N9 11065-001.456/93-86 3 Acárdao n9 101-87.425 A decis"ao recorrida (fls. 44/45) 9 como já dito, indeferiu a impugnação apresentada, mantendo a cobrança pelo valor atualizado monetariamente com base na UFIR. O recurso voluntário repetiu os termos da . impugnação apresentada e aduziu que o objeto da impudnaça-o é o saldo complementar da Contribuição Social dito devido, apurado na declaração de rendimentos (47.249,66 UFIR), quantia esta no contestada em juízo; o objeto da demanda judicial, esclareceu a Recorrente, é a correção monetária I das quotas pagas por estimativa. Reclamou, ainda, pela i anulação da decisão recorrida ou pelo cancelamento da i exid@ncia tributária em quesno, de modo a assedurar à Recorrente o direito de recolher as quotas da Contribuição Social de 1992 9 objeto da demanda, sem a pretendida 1 atualização monetária determinada pela UFIR. É o relatório. , ....-- i ! i ! , , i 1 ! ! ! ! ! i ! ! ! , ! ! I i , ! ! , ! I ... ..j , , _, 1 , PROCESSO N9 11065-001.456/93-86 4 1 Ac g rcl -áo n9 101-87.425 , 1 Voto. Constata-se que a Recorrente impetrou Mandado 1. . de Segurança (fls. 41/42) junto à justiça Federal no Rio 1 Grande do Sul, visando eximir-se da incid?incia da UFIR de que trata a Lei n g 8.383/91 sobre o pagamento „ da E Contribuição Social sobre o Lucro devida nos meses do ano- r:alendário de 1992 ou, subsidiariamPnte, dos meses ciP, janeiro a março do mesmo ano. Ao faz@-lo, optou pela via judicial, o que implica em renúncia ao direito a recurso na esfera administrativa, • i, nos termos do artigo 38 da Lei n o 6.830/80, que assim preceitua: i, Ri " Art. 38 - A discussão judicial da Dívida i Ativa da Fazenda Pública só é admissivel em .„., execução, na forma desta Lei, salvo as : : . hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição de indébito ou ação anulatória do 1 1 ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos , juros e multa de mora e demais encargos. li Parágrafo único - A propositura, pelo 11 1 contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na [ i l 1 esfera administrativa e desist'Pncia do i recurso acaso interposto." 1 1 Ii Por todo o exposto, nego conhecimento ao ...,.. recurso, por falta de obj:..,o. ------) • IH v . ,----- • / • .- •• . ... . , .!Pd..01...,...~.5%,(-....i. veS- Feitosa - relator iÁ4 iv _... . I Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1
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Numero do processo: 10166.006632/87-63
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".-:P ' ' : ' .,,v,ÇY.-~ ' ' " '. • MINISTÉRIO DA FAZENDA LADS/ 13 dezembro Sessão de de 199° ACÓRDÃO Ng 101-80.992 Recurso n2 _ 59.563 — IRPF — EX : 1985 Recorrente — JAIL MACHADO DA SILVEIRA Recorrida : — DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM BRASILIA — (DF) . IRPF - LANÇAMENTO DECORRENTE - ARBITRA- MENTO DE LUCRO. Nos termos do art. 403 do RIR/80, o arbitramento do lucro da empresa dá lugar a lançamento de iMpos- to de renda em relação às pessoas físi- cas dos sócios. Em razão da íntima relação de causa -e efeito existência entre lançamento prin cipal e decorrente, a reforma do pri- meiro enseja igual medida em relação ao segundo. Recurso a que se dá provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por JAIL MACHADO DA SILVEIRA: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Con- selho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o pre sente julga, Sala das Sessões (DF), em 13 de dezembro de 1991 )/ É/2-L.- i '-/ URG PEREpRA LO."ES - PRESIDENTE I, r--- n .',.. 4. '‘11111."-»!.(1tUA; JoS, ED _ 'DO,-.n,NG_.-- DE ALCKMIN - RELATOR _ ___-n ._ . VISTO EM AFONSO/CELSO FERREIRRA ;- CAMPOS - PROCURADOR DA FA SESSÃO DE: . ZENDA NACIONAL 1 6 MM 1991 v.v ,,,,, Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conse- lheiros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, FRANCISCO DE ASSIS MI BANDA, CRISTÓVÃO ANCHIETA DE PAIVA, CELSO ALVES FEITOSA, CÃNDI: DO RODRIGUES NEUBER e RAUL PIMENTEL. ' 4 1 í! 5 - 4 1 .!! , . . ! ! I !!f;.• •. SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N° 10166-006.632/87-63 witCUIRSO 1.9 : 59.563 AÇORDLOW: 101-80.992 Ree"""" : JAIL MACHADO DA SILVEIRA RELATÓRIO Trata-se de lançamento feito na pessoa física do sócio de empresa que teve seus lucros arbitrados no exercí- cio de 1985. Cientificado da exigência, o contribuinte li- mitou-se a repetir os argumentos de impugnação quanto ao lança mento relativo ã pessoa jurídica. A decisão de primeiro grau relativa ao proces so matriz porta a seguinte ementa: "I. RENDA FÍSICA - Reflexo - Mantido o lança- [mento suplementar do I. Renda Jurídica, tam bém deve ser mantido o do I. Renda Física,poF ser reflexo." Em suas razões de decidir o julgador salientou que cuidando-se de lançamento reflexo e tendo vista que o deli berado no processo matriz estende-se ao presente, impunha-se a manutenção da exigência. Intimado da decisão de primeiro grau o interes sacio interpôs recurso a este Colegiado, renovando as razões a- presentadas na impugnação. (1--) //' f - I DA$IEFP/OP - IECO8 N e 089 / 90 J.W 1 SERVIÇO PÚBUCO FEDERAL PROCESSO N9 10166-006.632/87-63 3. Acórdão n9 101-80.992 Observo que em sessão de 20.06.89 esta Câmara a- 1 preciou o Recurso n9 96.737, relativo ã pessoa jurídica, ten- do dado provimento ao apelo, conforme Acórdão n9 101-80,660 E assim ementado: "IRPJ-ARBITRAMENTO DE LUCRO-FALTA DE TRANSCRIÇÃO DA DEMONSTRAÇÃO DO LUCRO REAL NO LALUR. Confor- me entendimento jurisprudencial expresso na Súmu- la 76 do extinto Tribunal Federal de Recursos, o arbitramento só se legitima na ausência de elemen tos concretos que possibilitem a apuração do lu cro real da empresa. Assim, se da mera irregular' 1 dade formal não resulta impossibilidade em deter- minar-se o lucro real, descabe a desclassificação da escrita com o consequente arbitramento de lu- cro. Recurso a que se dá provimento." o relatório. VOTO _ Conselheiro JOSÉ EDUARDO RANGEL DE ALCKMIN, Relator: O recurso foi interposto com guarda do prazo de trinta dias estabelecido pelo art... 33 do Decreto n9 70.235/72 , razão por que merece ser conhecido. No mérito, cuida-se de tributação na pessoa físi- ca do sócio decorrente de arbitramento de lucro realizado em relação ã pessoa jurídica, na forma dos arts. 403, caput, e 34 do RIR/80. Não há de se falar em definitividade do lançamen to principal para autorização da exigência decorrência. A rigor não existe vinculação entre um julgamento e outro. O que se dá, na realidade, é que sendo a matéria fática comum, nada impede que o julgador do processo decorrente se valha das conclusões externadas no processo matriz. Neste sentido, consoante acentuado no relatório , ';2-7 SERVIÇO PÚBLICO FEDER PROCESSO N9 10166-006.632/87-63 4. AL AcOrdão n9 101-80.992 oPrimeiro Conselho de Contribuintes, examinando a irresignação' da pessoa jurídica, houve por bem decretar a insubsistência da autuação fiscal. Sendo assim, e ressaltando-se que nenhuma matéria nova foi invocada pelo s6cio no processo atinente à exigência' que lhe é feita, a decisão a ser proferida neste processo deve guardar coerência com o deliberado no processo matriz. Por todo o exposto, dou provimento ao recurso. A )7-)n fv-) N‘.41,fe,g,buL,, ,/ ''''''EDUARDO RANGEL 9_, ALCKMIN - RELATOR Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
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Numero do processo: 10950.001112/92-85
Data da sessão: Wed Aug 25 00:00:00 UTC 1993
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Nome do relator: Não Informado
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COIMBRA S.A. COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E REPRESENTAÇÕES RECORRIDA : DRF em Maringá (PR) LANÇAMENTO POR DECLARAÇÃO - IMPUGNAÇÃO - A concordância do Fisco com os valores ou indexadores utilizados e declarados pela Recorrente, impede a impugnação. O argumento de erro, segundo o próprio con tribuinte, pode ser objeto de exame por meio de pedido de retificação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por R. COIMBRA S.A. COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E REPRESENTAÇÕES. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, anular a deci - , são recorrida e devolver os autos à repartição de origem, a fim de que a petição de fls. seja recebida como pedido de retificação de declaração e, em conseqüência, seja prolatada nova decisão pela autoridade "a quo" examinando o mérito do pedido, nos termos do re - _ latório e voto que passam a integrar o presente julgado. a - d-s Sessões (DF), 25 de agosto de 1993 : // MARy , . SWIF / ,--------- - PRESIDENTE \-------/f- CEt'SMLVÉS ÊgITOS)/Ç.0 - RELATOR / lVISTO E : LUIZ FERNANIJO-'0'i .r IRA- DE MORAES - PROCURADOR DA M . - _ _ _ _ FAZENDA NACIONAL SESSÃO DE: 27 JAN 1994 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conse- lheiros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, FRANCISCO DE ASSIS MIRAN- DA, JEZER DE OLIVEIRA CANDIDO, RAUL PIMENTEL, RAIMUNDO SOARES DE CARVALHO e SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL. Wi \ -, Vi. . , 1 - Recurso : 74.993 Acórdão : 101-85.533 Recorrente : R. COIMBRA S.A. COM2RCIO, IMPORTAÇÃO E REPRESENTAÇÕES RELATORIO pessoa jurídica de direito, recorre a este Conselho de Contribuintes pleiteando a reforma da decisão do Julgador Singular, que rechaçou a impugnação de fls. Trata-se de contestação à exigência imposto na fonte sobre o lucro líquido, apontado na declaração de imposto de renda pessoa jurídica, informada pela própria interessada através da declaração de rendimentos do exercício de 199 . A impugnação tratou dos seguintes temas: a) que tendo encerrado o seu balanço em 31/12/91, por questões de caixa e resultado, não efetuou distribuição de lucros aos sócios; b) que por força do disposto no art. 35 da Lei 7.713/88, distribuído ou não o lucro, havia obrigação de pagar imposto de renda na fonte, o que não tinha fundamento, neste último caso; c) que ainda que fosse devido o imposto de fonte, n:o poderia ele sujeitar-se à correção da UFIR; h) que inobstante isso, deteminara a Lei n. 833, "publicada" nas últimas horas do dia 31.12.91, a conversão do valor da CS em quantidade de UFIR diária, com desrespeito aos mais comezinhos princípios de direito; c) que cabia impugnação, ao amparo do disposto no artigo 147 do CTN, já que por declaração o lançamento, constituido pelo recibo de entrega, citando também o disposto no art. 9. do Decreto 70.235/72, conforme mesmo à decisão da 2a. Câmara deste Conselho de Contribuintes, Acórdão n. 202-,-/; 04.322; fr7 PROCESSO N9 10950-001.112/92-85 Acórdão n9 101-85.533 2 d) que as pessoas jurídicas tinham personalidades Pt distintas da de seus sócios; e) que o fato gerador do imposto de renda reclamava efetiva obtenção de renda, o que não poderia acontecer sem efetivo ingresso; f) que tendo o DOU, com data de 31.12.91, só circulou, com a Lei 8383/91, no dia 2 de janeiro 92; A decisão recorrida , concluiu pela improcedência, dizendo que o fazia pela razão de lhe faltar competência para decisão sobre a ilegalidade ou inconstitucionalidade de lei, matéria exclusiva do Poder Judiciário. Mandou prosseguir a cobrança. O recurso voluntário insurgiu-se contra a afirmativa da decisão no sentido de que não lhe cabia enfretar tese de inconstitucionalidade. Citou doutrina para sustentar a sua - posição. Repetiu a impugnação no mais. É o relatório. 1 PROCESSO N9 10950-001.112/92-85 Acórdão n9 101-85.533 3 2 Voto O tema em análise tem se repetido com frequência neste Conselho de Contribuintes, especialmente defendidos por empresas que se encontram estabelecidas no Sul do país. Todos eles trazem ínsitos dois temas que merecem s considerações, para a justificativa de meu voto a final deduzido. De um lado se apresenta aquele que, partindo do fato de ser o imposto de renda um um imposto sujeito ao regime de lançamento por declaração, nos termos do disposto no artigo 149 do CTN, entende que com a entrega da declaração do imposto sobre a renda, contra o recebimento da notificação, lançado estaria, só passível de ser alterado, nos termos do disposto no artigo 145, I, do mesmo CTN, isto é, no caso específico, já que entendido ilegítimo, por impugnação do sujeito passivo. Ou seja, inicialmente declarado o imposto, pelo sujeito passivo, em ato imediato à entrega da declaração de rendimentos, este mesmo estaria autorizado a impugná-lo, isto porque já objeto de lançamento por declaração. De outro lado se apresenta aquele, igualmente muito-'em colocado, no sentido de que o imposto sobre a renda (dosrí demais impostos incidentes), por força da entrega da decla açao de rendimentos, após o advento do DL. 1967/82, se classifica não mais como um imposto por declaração, mas sim por homologação. Isto porque a partir do referido DL., o prazo de pagamento do imposto sobre a renda se faz de forma desvinculada da entrega da declaração de rendimentos, ou seja, sem o exame prévio dos fatos pela autoridade administrativa. É indicado, pelos que entendem assim, como prova da afirmação, o artigo 16 do citado diploma, que estabelece : nos prazos fixados neste Decreto-lei, apresentada ou não a declaração rendimentos, sujeitará o contribuinte à multa...". 4 ‘W, -010 PROCESSO N9 10950-001.112/92-85 Acórdão n9 101-85.533 4 , Para 'o deslinde da questão há que se concluir por uma ou , outra tese, com consequências totalmente diversas. Se entendido que a incidência do Imposto de Renda ou da Contribuição Social depende da entrega da declaração de rendimentos, estar-se-á frente a um imposto lançado por declaração, se não, a um imposto lançado por homologação. No primeiro estaria correta a entrega da declaração com a inclusão do imposto devido e imediata impugnação, no segundo impossível por não existir ainda lançamento. As questões como postas merecem meditação, uma porque ambas muito bem defendidas, outra porque a classificação de lançamento, segundo o Código Tributário se apresenta de forma clara, além de já ter sido objeto de debates pela melhor doutrina e jurisprudência. 9 A questão a enfrentar é ardua. Segundo o Código Tributário Nacional, três seriam as modalidades de lançamentos reconhecidos por ele, a saber: a) por declaração (art.147); . , b) de ofício (art.149); r" c) por homologação (art.150). As particularidades de cada um estaria no fato de q e no primeiro o contribuinte presta as informações (d veres acessórios) e a Autoridade Administrativa o executa; o s gundo se caracterizaria pelo fato de decorrer de lei específica ou resultar de revisão pelas razões esposadas nos diversos incisos do artigo; e o terceiro em razão de estabelecer a legislação ordinária que o valor devido seja pago sem qualquer manifestação prévia do Fisco. Esta classificação foi assim referida na obra do Prof. Alberto Xavier, ao registrar : " Entre nós generalizou-se uma classificação que atende ao grau de colaboração do contribuinte no procedimento administrativo do lançamento. Nuns casos, o Fisco toma ele , próprio a iniciativa da prática do lançam-f to, // \\\:\,:___ . , -_,- PROCESSO N9 10950-001.112/92-85 Acórdão n9 101-85.533 5 quer por razões atinentes à natureza do tributo, quer por incumprimento, pelo contribuinte, dos seus deveres de cooperação: é o lançamento direto ou ex officio. Noutros casos - situados no polo oposto - é o contribuinte que toma a iniciativa do procedimento, apresentando a sua declaração de imposto e colaborando ativamente, como parte, no seu desenrolar: é o lançamento misto ou por declaração. Enfim, em certas hipóteses, o Fisco só atua eventualmente, a título de controle "a posteriori", cabendo ao contribuinte a principal tarefa de calcular o imposto devido, realizar o seu pagamento, sujeito, como se disse, a eventual "homologação" das autoridades: é o lançamento por homologação." (Do lançamento no Direito Tributário Brasileiro - pág. 62 - ERT 1977) • Antes, na mesma obra, consignara o referido autor a 'sua conceituação jurídica de lançamento, assim estabelendo: " Para nós o lançamento pode singelamente definir-se como o ato administrativo de aplicação da norma tributária material. Poucas palavras bastarão para justificar a definição proposta. A referência ao ato administrativo visa a esclarecer que o lançamento é um ato jurídico, que não um procedimento ou uma pluralidade de operações lógicas. Não se inclui, porém, a menção ao procedimento administrativo que o antecede e prepara, posto não ser de verificação necessária, não pertencendo assim à essência do instituto. A qualificação do ato como( administrativo visa também a enquadrá-lnuma //7 Ç;(7 PROCESSO N9 10950-001.112/92-85 AcOrdão n9 101-85.533 6 :._ . categoria bem definida, impedindo a . II caracterização como lançamento de atos dos particularres (como sucede no chamado auto lançamento) e de atos de autoridades judiciais." (ob. cit. pág. 58) Neste diapasão é citada a posição do Prof. Paulo de Barros Carvalho, que estabelece: " Níveo está que as modalidades do lançamento, estipuladas no Código Tributário Nacional, são, antes de tudo modalidades de procedimento, e, vimos de ver, o procedimento não é da essência do ato jurídico adiministrativo do lançamento - e ". (ob. cit. pág. 63) , Por outro lado, consta do CTN ainda, em seu artigo 142,e o lançamento compete privativamente à autoridade administra iva, afastando assim o lançamento realizado pelo contribuinte. Este,76 quando muito então, cumpre normas de procedimento - deveres acessórios -, jamais pratica o ato de lançamento. Assim colocado o tema segundo uma parte da doutrina, que entendo científica, resta indagar qual é a situação concreta do regime tributário no Brasil nos dias atuais, em face do que dispõe o CTN, que data de 1966: Estaria ele em perfeita sintônia com os critérios de apuração do imposto hoje praticado? Outrora se apresentavam bem definidas as diversas espécie tributárias, de forma a não deixar dúvidas a qual modalidade de lançamento se ajustavam: os tributos indiretos ficavam subordidos ao lançamento por homologação (IPI/ICM); os diretos à declaração (IR); além dos de ofício (IPTU/REVISÃO). O passar do tempo, a necessidade de fazer caixa dos governos em suas diversas escalas, mais a inflação e ainda o maior controle exercido pelo Fisco (informatização), altere . o If4) - 4 ' ,, PROCESSO N9 10950-001.112/92-85 Acórdão n9 101-85.533 7 quadro, permanecendo sem alteração as modalidades de lançamento I! segundo o CTN. O que se vê nos dias atuais é que em qualquer dos casos antes enfocados, inexistente a forma pura de procedimento, pois tanto nos tributos indiretos como nos diretos, ora os contribuintes são obrigados, antes dos pagamentos, a apresentar as chamadas GIAS (guia de informação e apuração) ou equivalente , embora sujeitos à homologação posterior. Outras vezes, mesmo iniciados os pagamentos, caso dos duodécimos ou antecipações, com entrega posterior e a seguir de uma declaração de rendimentos, recebida pelo sistema bancário (por delegação) e encaminhada para a administração pública, sujeita ao devido processamento. Se analisadas com rigor as modalidades de lançamento estabelecidas pelo CTN, há de se concluir estarem elas em completo desajuste com tudo o que se apresenta nesta oportunidade, pois a forma pura idealizada pelo legislador não Ã,/ mais existe. 'Em verdade nenhum dos tributos hoje conhecidos se subsumíia exatamente aos preceitos normativos. Há de se concluir e tão que o que existe hoje é um lançamento misto, resultado/ de procedimentos próprios dos lançamentos por homologação e declaração, ora com prevalecimento de um critério, ora de outro. A questão é -do interprete, na medida em que vigente uma legislação e alterados os fatos antes por ela enfocados. Há que se fazer a adaptação necessária, sem ferir os princípios Com base nesta proposição, entendendo que lançamento é ato de autoridade, de aplicação da norma tributária ao caso concreto, tenho por concluir que a apresentação dos informes: - movimentos de compras, de vendas, de créditos e débitos, com a apuração do devido antes do pagamento -, são meros procedimentos que não têm o condão de alterar a classificação do lançamento, a ser ou não realizado no prazo de decadência estabelecido para o exercício de ação Ak do sujeito ativo decorrente de seu poder de império. •' ,.4 PROCESSO N9 10950-001.112/92-85 Acórdão n9 101-85.533 8 Por outro lado, como conciliar a questão do imposto de renda ou outro tributo que com ele é apurado , se hoje não mais se entrega uma declaração e se aguarda uma notificação para o pagamento? Como conciliar o CTN com as hipóteses em que o imposto depende de um procedimento complexo e pormenorizado, como ocorre com a declaração de rendimentos, onde acontecem pagamentos (duodécimos e antecipações), as vezes sem mesmo a ocorrência do fato gerador ( casos de prejuízos )? Estaria ele enquadrado na figura do artigo 150 do referido estatuto, especialmente após o advento do DL. 1967/82, como estabelecido na tese já enfocada? Não reclamaria o tema um novo enfoque, segundo o estabelecido no artigo 146 da atual Constituição Federal? • Por ora, pedindo vênia aos ilustres pares que c 9oncluam de forma diversa, pelo menos segundo o acontecido antes da da Lei 8.541/92, permaneço no entendimento de que os impostos sujeitos à declaração de rendimentos, inobstante os pagamentos antecipados, por vezes sequer devidos por ausência de f.„-0 gerador - prejuízo -, não se ajustam à previsão do artigo 50 do CTN, vez que os pagamentos devem ser consider:dos adiantamentos, condicionados a um imediato controle da administração. Ou seja, ocorre o "pagamento" que não dispensa a declaração de rendimentos para o fim específico, inobstante a redação do artigo 16 do Dl. 1967/82, que registra apresentada ou não a declaração de rendimentos ..." a " falta ou insuficiência do pagamento sujeitará o contriStante..." aos encargos definidos. Isto porque a norma cuida do descumprimento do mandamento, nada mais. Tanto é verdadeiro o que se afirma, que é o próprio DL. 1967/82 que estabelece, conforme nota encontrada no RIR de Alberto Tebechrani e outros (1992), ao artigo 616, que: " RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO PELA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA - A autoridade administrativa ,) poderá autorizar a retificação da declaraç - o de PROCESSO N9 10950-001.112/92-85 Acórdão n9 101-85.533 9 rendimentos, quando comprovado erro nela contido, desde que sem interrupção do pagamento do saldo do imposto e antes de iniciado o processo de lançamento ex officio" (Dl. 1967/82, arts. 21e 26 e Dl. 1968/82, arts. 6. e 16) Portanto, inobstante o "pagamento" (que poderá ser parcial ou não do crédito tributário), muitas vezes sequer devido, o que importa para a autoridade administrativa é a declaração, porque a falta de entrega na forma e prazos convencionados resultará no lançamento de ofício. A declaração de rendimentos para o imposto de renda e aqueles que se sujeitem a ela, é fundamento de validade, ainda que postrior ao início de pagamento do tributo. Nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, qualquer declaração constitui mero cumprimento de dever acessório, do qual independe o crédito tributário pago, nascido com o fato gerador. Este é, no caso em exame, quanto à matéria preliminar, hoje/ o entendimento a meu ver possível, diante da impossibilidade/A uma real classificação das modalidades de lançamento a parfir do grau de colaboração do contribuinte. Diante do que se encontra nos autos, isto é, declaraçãolde rendimentos apresentada por um contribuinte, sujeitando-se à legislação ordinária vigente, para posterior e imediada impugnação, por não concordar com a incidência declarada, sob o pretexto de que ocorrido o lançamento só isso lhe seria possível, ao amparo do estabelecido no no artigo 145, I, do CTN, concluimos que tal só seria admissivel se a notificação tivesse alterado a declaração feita pelo próprio sujeito passivo, pois, sem litígio, impossível a impugnação. Se foi o sujeito passivo que se declarou devedor de uma certa quantia de imposto, em UFIR, BTN ou mesmo CRUZEIROS, decorrente do cumprimento de seus deveres acessórios, enquanto de ,cordo '4."7 PROCESSO N9 10950-001.112/92-85 Acórdão n9 101-85.533 10 com ela ' (declaração) a administração, porque nos termos da legislação que julga em vigor, vedada é a impugnação. A fase litigiosa só poderia acontecer se revisto o lançamento, por parte do Fisco, nos termos do art. 149 do mesmo CTN. O contribuinte se apresenta perante o lançamento de duas formas, a meu ver: no lançamento por declaração, de acordo com ele se sintonizado com o resultado dos deveres acessórios consubstanciados na declaração de rendimentos apresentada; em desacordo com ele, se fruto de alteração de ofício pelo Fisco. Esta é a notificação que autoriza a impugnação, não aquela. A impugnação referida exige notificação por lançamento decorrente de infração à legislação segundo o entendimento da autoridade administrativa, nunca por estar esta autoridade de acordo com a mesma, ainda que essa possa ser alterada pelo poder judiciário ou legislação posterior. A impugnação administrativa do crédito tributário reclama exigência de crédito tributário em desacordo com a lei segundo a própria administração, embora não seja vedado ao contribuinte ou sujeito passivo, recorrer ao Poder judiciário para alterar a exigência, pela forma própria. // O contribuinte pode pagar e pedir restituição, pode dec e pedir retificação imediata de sua declaração, como inclu-ive estabelecido no DL. 1967/82, art.21, nunca declarar e impusnar administrativamente, no sentido do estabelecido no Dec eto 70.235/72. A notificação referida no artigo 9. do apontado decreto, há de se entender como aquela que se apresenta em desacordo com os dados constantes da declaração de rendimentos apresentada pelo sujeito passivo, pois se não o for, ausente o litígio capaz da autorizar a impugnação administrativa. Se apresentou o contribuinte a sua declaração de rendimentos de acordo com a legislação vigente, com a qual a autoridade administrativa estava em perfeita sintônia, como justificar a instauração de um processo litigioso administrativo? C a ser incoerente. PROCESSO N9 10950-001.112/92-85 Acórdão n9 101-85.533 11 O que está a dizer o CNT então, é que o exame da legalidade do lançamento admite impugnação, s6 que esta deve ser aceita segundo a legislação ordinária, que no meu entender veda impugnação administrativa quando o declarado pelo contribuinte está em perfeita sintonia com o reclamado pela autoridade lançadora. Restaria então recurso ao Poder Judiciário, para o controle da legalidade das leis, ou então o recurso administrativo de pedido de retificação da declaração apresentada. Por isso, tendo a Recorrente apresentado declaração de rendimentos e a seguir mostrado-se em desacordo com os dados por ela mesmo fornecidos, voto no sentido de se tomar a sua impugnação como pedido de retificação de declaração, com retorno dos autos ao julgador singular, para o devido exame e decisão, razão pela qual deixo de enfrentar os temas 'de mérito da questão como colocada. 2 É o meu voto Celsoreá- Fe osa Relator /I Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1
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Numero do processo: 36496.001216/2007-90
Data da sessão: Thu Oct 29 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Oct 29 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 06/09/2007
ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES. ATO CANCELATÓRIO, DESCUMPRIMENTO DO ART. 55 DA LEI N° 8211
O procedimento para cancelamento da isenção fel regularmente adotado pela fiscalização. Ao descumprir os requisitos previstos no art. 55 da Lei nº 8.212, a entidade perde direito ao gozo do beneficio fiscal.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido,
Numero da decisão: 2302-000.263
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. "''' ÔN,...tée.- SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo no 36496.001216/2007-90 Recurso n° 153.402 Voluntário Acórdão n° 2302-00.263 — 3' Câmara / 2" Turma Ordinária Sessão de 29 de outubro de 2009 Matéria ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL Recorrente SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE JUAZEIRO Recorrida DRP - JUAZEIRO / BA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 06/09/2007 ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES. ATO CANCELATÓRIO, DESCUMPRIMENTO DO ART. 55 DA LEI N° 8211 O procedimento para cancelamento da isenção fel regularmente adotado pela fiscalização. Ao descurnprir os requisitos previstos no art. 55 da Lei n 8.212, a entidade perde direito ao gozo do beneficio fiscal. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3" Câmara / 2" Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). ,e4--<.,- •l-(A(De.. LIEGE LACRODC THOMASI — Presiden e ___--------- -----:----„,\\ ./ '---- n71.„--- 14 i f ' CU wa iro. .1 v '9' 11,1 e • Participaram, ainda, do present- julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira, Adriana Sato, Marcelo Oliveira (suplente), Rogério de Lellis Pinto, Manoel Coelho Arruda Junior e Liege Lacroix Thomasi, (presidenta). Á•I 1 Relatório Trata o presente de informação fiscal para cancelamento de isenção, fls. 01 a 09 dos autos de n `) 10530.002819/2007-51. Segundo a fiscalização federal, a entidade possui débitos em relação às contribuições sociais, há fruição de vantagens pelo provedor; há pagamento de remuneração a diretor. A entidade apresentou impugnação administrativa na forma das fls. 21 a 26, juntando cópias às fls. 27 a 67. Tendo em vista a intempestividade da defesa administrativa, fl. 76, foi emitido o Ato Cancelatório, fl. 77. Não concordando com a emissão do Ato Cancelatório, a entidade interpôs recurso na forma das fls. 01 a 06 dos autos de n° 36496.001216/2007-90. Alega em síntese: 1, deve ser revogado o Ato Cancelatório; 2. devem ser aplicados os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade; 3. deve ser levada em conta a função social da entidade; 4. requerendo provimento ao recurso. É o relato suficiente. Voto Conselheiro MARCO ANDRÉ RAMOS VIEIRA, Relator O recurso foi interposto tempestivamente na forma dos incisos III e IV do parágrafo 80 do art. 206 do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3,048 de 1999. A recorrente não contesta os fatos apurados pela fiscalização previdenciária no relatório que ensejou o cancelamento da isenção, fls. 01 a 09 dos autos originários. Uma vez que os fatos são suficientes para cancelar o beneficio da isenção, por descumprimento ao art. 55 da Lei n 8,212 de 1991, não é possível revogar o Ato Cancelatório, pois o mesmo foi regularmente emitido. Os princípios devem ser aplicados pelo Poder Executivo na falta de disposição expressa em lei. No caso a fiscalização aplicou o previsto em lei para cancelar a isenção, não merecendo reparo o procedimento adotado. A função social da entidade foi levada em consideração na emissão do Ato Declaratório, ao descumprir suas funções por violação ao disposto no art. 55 da Lei n ° 8,212, é correta a emissão do Ato Cancelatório. CONCLUSÃO: 11, k 2 Processo n° 36496.001216/2007-90 S2-C3T2 Acórdão n 2302-00.263 Fl. 2 Voto por CONHECER do recurso voluntário, para no mérito NEGAR-LHE PROVIMENTO. É o voto. Sala das Sessões, em 29 de outubro de 009 .0°111.\dlV _AI • 'MO: VIEIR4 - Relatar 3
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Numero do processo: 10920.002955/2007-58
Data da sessão: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1996 a 30/09/2006
DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DIES A QUO CONFORME O CASO CONCRETO. APLICAÇÃO DO ART. 173, INCISO I NO CASO DE SIMULAÇÃO.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do
referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação. A apuração do montante do pagamento antecipado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4º em relação aos fatos
geradores considerados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do valor a ser pago antecipadamente. Constatando-se dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. No caso, restou evidenciada a simulação na utilização de empresas optantes pelo SIMPLES, o que resulta na aplicação do art. 173, inciso I do CTN.
AFERIÇÃO INDIRETA. CRITÉRIOS RAZOÁVEIS QUE SE SUBMETEM AO CONTRADITÓRIO. ADMISSIBILIDADE.
Se a contabilidade não registra o movimento real da remuneração, do faturamento e do lucro, a fiscalização poderá utilizar algum critério que possa ser reconhecido como possível de conduzir a um valor próximo da remuneração praticada, uma vez que a lei não fez uma enumeração dos critérios. Dependendo do caso, teremos critérios que nos conduzirão à remuneração com alto grau de probabilidade e outros com menor grau de probabilidade. Em qualquer caso, a lei transfere à empresa o ônus de fazer prova em contrário. É considerado inadmissível o critério absurdo, o critério que não tem possibilidade de conduzir, com algum grau de plausibilidade, à apuração da remuneração.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-002.012
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, I) Por voto de qualidade: a) em rejeitar as preliminares suscitadas, nos termos do voto do Redator Designado. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antônio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram pela existência de vício na desconsideração da contabilidade da recorrente; b) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir, devido à regra decadencial expressa no Inciso I, Art. 173 do CTN, as contribuições apuradas até 12/2000, anteriores a 01/2001, devido à existência de simulação. nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros
Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antônio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em aplicar a regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, devido a não existência comprovada de simulação; c) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antônio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes que deram provimento ao recurso, por erro na realização da aferição.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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decisao_txt : ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por voto de qualidade: a) em rejeitar as preliminares suscitadas, nos termos do voto do Redator Designado. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antônio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram pela existência de vício na desconsideração da contabilidade da recorrente; b) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir, devido à regra decadencial expressa no Inciso I, Art. 173 do CTN, as contribuições apuradas até 12/2000, anteriores a 01/2001, devido à existência de simulação. nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antônio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em aplicar a regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, devido a não existência comprovada de simulação; c) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antônio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes que deram provimento ao recurso, por erro na realização da aferição.
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PRAZO DE CINCO ANOS. DIES A QUO CONFORME O CASO CONCRETO. APLICAÇÃO DO ART. 173, INCISO I NO CASO DE SIMULAÇÃO. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação. A apuração do montante do pagamento antecipado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4º em relação aos fatos geradores considerados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do valor a ser pago antecipadamente. Constatandose dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. No caso, restou evidenciada a simulação na utilização de empresas optantes pelo SIMPLES, o que resulta na aplicação do art. 173, inciso I do CTN. AFERIÇÃO INDIRETA. CRITÉRIOS RAZOÁVEIS QUE SE SUBMETEM AO CONTRADITÓRIO. ADMISSIBILIDADE. Se a contabilidade não registra o movimento real da remuneração, do faturamento e do lucro, a fiscalização poderá utilizar algum critério que possa ser reconhecido como possível de conduzir a um valor próximo da remuneração praticada, uma vez que a lei não fez uma enumeração dos critérios. Dependendo do caso, teremos critérios que nos conduzirão à remuneração com alto grau de probabilidade e outros com menor grau de probabilidade. Em qualquer caso, a lei transfere à empresa o ônus de fazer Fl. 1DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10920.002955/200758 Acórdão n.º 230102.012 S2C3T1 Fl. 1.580 2 prova em contrário. É considerado inadmissível o critério absurdo, o critério que não tem possibilidade de conduzir, com algum grau de plausibilidade, à apuração da remuneração. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por voto de qualidade: a) em rejeitar as preliminares suscitadas, nos termos do voto do Redator Designado. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antônio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram pela existência de vício na desconsideração da contabilidade da recorrente; b) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir, devido à regra decadencial expressa no Inciso I, Art. 173 do CTN, as contribuições apuradas até 12/2000, anteriores a 01/2001, devido à existência de simulação. nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antônio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em aplicar a regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, devido a não existência comprovada de simulação; c) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antônio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes que deram provimento ao recurso, por erro na realização da aferição. Marcelo Oliveira Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Mauro José Silva – Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes e Mauro José Silva. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10920.002955/200758 Acórdão n.º 230102.012 S2C3T1 Fl. 1.581 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, lavrado em 11.10.2006, em desfavor de DELMONEGO E CIA LTDA., uma vez que teriam sido deixadas de recolher contribuições previdenciárias patronal, inclusive RAT e destinadas a Terceiros, incidentes sobre a remuneração paga aos segurados, bem como as contribuições previdenciárias devidas pelos empregados, no período de 01/1996 a 09/2006. No Relatório Fiscal de fls. 536/590, o AFRFB afirma que a empresa ora Recorrente teria incorporado, através da 24ª alteração contratual realizada em 30.04.2003, diversas outras empresas, quais sejam L.L.R Comércio de Vestuário e Artigos Esportivos Ltda.; C.R.S. Comércio de Vestuário e Artigos Esportivos Ltda.; G.G.S. Comércio de Vestuário e Artigos Esportivos Ltda.; M.V.C. Comércio do Vestuário e Artigos Esportivos Ltda.; P.C.D. Comércio de Vestuário e Artigos Esportivos Ltda. e V.A.O. Comércio de Vestuário e Artigos Esportivos Ltda., registrada de fato na JUSESC em 05/11/2003. A constituição de todas as empresas incorporadas teria ocorrido na mesma data, em 28.08.2000, indicando o funcionamento no mesmo endereço onde por vários anos foram estabelecimentos da DELMONEGO, ora autuada, chegando alguns a funcionar ao mesmo tempo. Além disso, todos os sócios destas empresas eram exempregados da DELMONEGO, que voltaram à condição de empregados quando da posterior incorporação das pessoas jurídicas. A ora autuada era quem determinava as demissões dos funcionários das empresas, beneficiadas pelo regime do SIMPLES, o que levaria a concluir que se tratavam de verdadeiras filiais e, os seus sócio gerentes, empregados da DELMONEGO. Destacou, ainda, que a autuada não apresentou Livro Diário referente ao exercício de 1996, alegando que o mesmo havia sido furtado, apresentando, para tanto, Boletim de Ocorrência, cujo data de emissão teria sido alterada de 27.05.2001 para 27.05.2003. Foram constatados registros de pagamentos feitos a seus funcionários em valor inferior ao efetivamente pago, o que foi confirmado também por diversas ações trabalhistas referentes a salários pagos por fora, em que foram feitos acordos sem contestação por parte da DELMONEGO, além de pagamentos com recursos não registrados em sua contabilidade, de pagamento de despesas diversas sem registro na contabilidade, bem como ausência de inscrição de empregados a seu serviço e de pagamento de estagiários sem registro na contabilidade nos exercícios de 2004 e 2005. Da análise dos fatos supramencionados, a Autoridade Fiscal lavrou a presente NFLD tomando por base os seguinte fatos geradores: a) as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados, lançadas por arbitramento e apuradas por aferição indireta, com base em percentuais médios mensais obtidos no comparativo entre os valores efetivamente pagos, informados em diversas reclamatórias trabalhistas, e Fl. 3DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10920.002955/200758 Acórdão n.º 230102.012 S2C3T1 Fl. 1.582 4 os declarados em Folha de Pagamento e GFIP (levantamentos SAR e SAG); b) as remunerações pagas, como sendo prólabore, aos trabalhadores tidos como sócios gerentes da notificada, ora caracterizados seus segurados empregados (levantamento DSG); c) as diferenças de remunerações pagas aos trabalhadores tidos como sócios gerentes da notificada, ora caracterizados seus segurados empregados, lançadas por arbitramento e apuradas por aferição indireta, com base em percentuais médios mensais obtidos no comparativo entre os valores efetivamente pagos, informados em diversas reclamatórias trabalhistas, e os declarados como sendo prólabore (levantamentos DS1); d) as remunerações pagas e/ou creditadas aos segurados não inscritos Jaqueline Eufrásio de Oliveira, período 09 a 13/2001, e Valdemar Alves de Oliveira, competência 06/1999 (levantamentos JEO e SVA); e) a remuneração paga ao segurado empregado Roberval José da Silveira, relativa ao período de 01/1996 a 02/1998, constante da sentença exarada na Ação Trabalhista n°. 1683/98 trazida aos autos às fls. 725/803 (levantamento RJS). Inconformada, a ora Recorrente apresentou Defesa de fls. 1505/1520, tendo o Acórdão de fls. 1544/1548 julgado procedente o lançamento sob entendimento de que constam, nos autos, provas suficientes para comprovar a veracidade dos supracitados fatos geradores os quais ensejaram a incidência dos arts. 20, 22 e 33 da Lei 8.212/91. Irresignada, a empresa autuada interpôs Recurso Voluntário de fls. 1556/1573, alegando em síntese: a) a nulidade da presente NFLD pela ausência de prévio e regular processo administrativo de arbitramento, com amplo acesso ao contraditório; b) o alcance da decadência ao tributos com fato gerador anterior a 10/2001; c) a indevida aplicação da taxa SELIC ao montante devido, a título de juros de mora; d) o não cabimento do lançamento da contribuição para o INCRA, vez que a empresa, ora Recorrente, atua de forma exclusivamente voltada para atividades urbanas; e) o arbitramento por presunção fiscal decorreu em parte de reclamações trabalhistas de exempregados, alicerçado unicamente nos depoimentos prestados nos processos e nos acordos firmados pela Recorrente, não havendo que se falar, contudo, em relação de trabalho. • respectivos autos, para por a termo os referidos litígios. Sem Contrarazões. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10920.002955/200758 Acórdão n.º 230102.012 S2C3T1 Fl. 1.583 5 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo tempestivo, conheço do Recurso e passo ao seu exame. Decadência De início, cumpre destacar a decadência dos períodos anteriores a 10/2001. No caso em apreço, a NFLD em questão fora emitida em 10.10.2006 e cientificada ao contribuinte em 11.10.2006, abrangendo as competências de 01/1996 a 09/2006. Ressaltese, ainda, tendo em vista o entendimento de outros membros desta Colenda Turma, que a data de início da fiscalização ocorreu em 05.09.2006, tendo o contribuinte tomado ciência dia 02.06.2006, conforme Mandado de Procedimento Fiscal acostado às fls. 616. Sendo o prazo decadencial previsto no Código Tributário Nacional de 5 anos, quando houver descumprimento de obrigação tributária principal de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso das contribuições previdenciárias em comento (art. 150, §4º), as competências anteriores a 10/2001 foram atingidas pela decadência. É bem verdade que os artigos 45 e 46 da Lei 8.212, de 24/07/1991, previam prazo de 10 anos para constituir o crédito tributário. Ocorre que, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais aqueles dispositivos legais e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10920.002955/200758 Acórdão n.º 230102.012 S2C3T1 Fl. 1.584 6 Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Temos que a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20.06.2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Assim, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplica ao caso concreto. No caso em apreço, inclinome à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08 para acatar o prazo decadencial exposto no Código Tributário Nacional, artigo 150, §4º: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10920.002955/200758 Acórdão n.º 230102.012 S2C3T1 Fl. 1.585 7 § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Desta feita, considerando que a consolidação do crédito previdenciário se deu em 10.10.2006 e que a autuação abrange fatos geradores ocorridos entre 01/1996 a 09/2006, tenho como certo que se encontra afetado pela decadência o crédito tributário decorrente de fatos geradores ocorridos entre 01/1996 e 09/2001. Da irregular desconsideração da contabilidade da empresa O AFRFB afirma, no seu Relatório Fiscal, que diversos fatos deram ensejo à desconsideração da contabilidade da empresa, podendo ser citados: 1) Pagamento de estagiários não registrados na contabilidade da empresa nos anos de 2004 e 2005; 2) Despesas diversas não anotadas, tais quais compra de vale transporte, pagamentos de aluguéis e condomínios; 3) Não apresentação do livro diário substituto correspondente ao ano de 2000; 4) Divergência entre lucros e prejuízos acumulados na contabilidade nos anos de 1998 a 2000; 5) Divergência entre o balancete, livro diário e razão na no exercício de 1999; 6) Ausência de registro em títulos próprios da contabilidade valores relativos às contribuições previdenciárias nos anos de 2000 a 2004, ao lançar descontos e retenções diretamente como redutora de despesas, bem como valor das guias de recolhimento a débitos destas mesmas contas, em afronta ao principio contábil da competência. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10920.002955/200758 Acórdão n.º 230102.012 S2C3T1 Fl. 1.586 8 Em primeiro lugar, cumpre destacar que a maioria dos fatos que motivou a desconsideração da contabilidade da empresa ocorreu durante o período decaído, cujos fatos geradores não são mais objeto de análise por este Conselho. Assim, a existência de irregularidades nos documentos contábeis da empresa, durante o período de 01/1999 a 09/2001, não devem ser consideradas para se admitir a aferição indireta, porquanto os fatos que pretendiam provar não estão sendo analisados neste momento, além de que a irregularidade nos anos de 1999 e de 2000 não implica a dos anos seguintes. Na verdade, caberia à fiscalização apontar em cada ano a irregularidade da contabilidade de tal monta que lhe tornasse imprestável para provar os fatos a que se destina, não podendo a irregularidade do ano de 2000 fundamentar o arbitramento do ano de 2006. Em segundo lugar, em relação ao período não decaído (de 09/2001 a 09/2006), em que a fiscalização apontou irregularidades na contabilidade, verificase que tais fatos também não são suficientes para tornar imprestável a sua análise, pois ainda que indiquem uma incorreção nos registros da empresa, não têm qualquer repercussão tributária, ao menos no tocante à ocorrência de fato gerador de contribuição previdenciária. Vejase que sobre o pagamento de estagiários não registrados na contabilidade da empresa nos anos de 2004 e 2005 não incide contribuição previdenciária. Estagiários são contribuintes facultativos à previdência social, não sendo a sua remuneração tributada. Importa destacar que a hipótese dos autos não é a de anotação indevida de empregado como estagiário, quando então deveria haver o recolhimento das contribuições em comento, mas tãosomente a de não registrar devidamente os valores pagos àqueles que não são segurados obrigatórios. A aferição indireta é o meio admitido pelo legislador quando a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro (art. 33, §6º da Lei nº 8.212/1991). Ora, a própria lei deixa evidente que a aferição indireta será utilizada quando não houver movimento real de remuneração dos segurados, do faturamento e do lucro, o que significa dizer que somente os dados que tenham repercussão no recolhimento de contribuições previdenciárias, registrados incorretamente na contabilidade, é que serão fundamento para o arbitramento, o que não é o caso Quanto à ausência de registro em títulos próprios da contabilidade de valores relativos a contribuições previdenciárias, não se pode perder de vista que o erro apontado é de lançar descontos e retenções diretamente como redutora de despesas, bem como valor das guias de recolhimento a débitos destas mesmas contas, em afronta ao principio contábil da competência. Tais registros indevidos, contudo, poderiam ensejar aplicação de multa punitiva por descumprimento de obrigação acessória, mas não a aferição indireta das contribuições previdenciárias eventualmente devidas. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10920.002955/200758 Acórdão n.º 230102.012 S2C3T1 Fl. 1.587 9 Entendimento contrário levaria à conclusão absurda de que toda vez em que houvesse descumprimento de obrigação acessória, seria possível a aferição indireta dos valores devidos pelo contribuinte. Para a utilização do arbitramento, é imprescindível que a contabilidade seja insuficiente para registrar fielmente a ocorrência dos fatos geradores e o montante devido a título de contribuições previdenciárias, o que não foi apontado pelo AFRFB. Por essas razões, reconheço a nulidade do lançamento em comento. Da arbitrariedade na aferição indireta – presunção de percentual de pagamentos “por fora” O lançamento por arbitramento, desconsiderando a contabilidade da empresa, já é motivo suficiente para se reconhecer a sua nulidade. Ocorre que não se pode deixar de destacar outro vício contido na NFLD em comento, no tocante à metodologia aplicada para aferição indireta das contribuições previdenciárias, partindo do pressuposto que a empresa pratica pagamentos de salário “por fora”, conforme teria sido noticiado por diversas reclamações trabalhistas movidas contra a empresa (Relatório Fiscal às fls. 582/585). Assim, foi efetuado um somatório de todas as parcelas de ações trabalhistas, em cada mês, e em seguida este total foi dividido pelo número destas ações, encontrando um percentual médio do que seria pago pela empresa “por fora”. Em seguida, esse percentual foi multiplicado pelo valor da folha de pagamento mensal apresentada pela empresa, em cada mês, resultando em uma diferença arbitrada. Para os meses a partir de junho/2001, foi mantido o último percentual de 60,69% encontrado na reclamação trabalhista movida por Jeferson da Cunha (fls. 593) para todo o período subseqüente abrangido pela fiscalização, tendo em vista que outros fatores levariam a crer que a empresa manteria a prática de pagamento “por fora”. Tais percentuais foram aplicados para se verificar o saláriodecontribuição tanto dos empregados das empresas tidas como simuladas quanto dos seus sócios, considerados verdadeiros empregados da empresa autuada. Ocorre que a fiscalização, embora tenha afirmado que outros fatos levariam a crer que a empresa manteria a prática de pagamento por fora, não apontou qualquer desses fatos. Na verdade, os indícios de pagamento a maior do que o efetivamente registrado na contabilidade decorrem unicamente da existência de reclamações trabalhistas nas quais foram firmados acordos. Transações não podem servir como reconhecimento da empresa dos fatos apontados pelos reclamantes. A assinatura de acordo faz parte da estratégia empresarial, Fl. 9DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10920.002955/200758 Acórdão n.º 230102.012 S2C3T1 Fl. 1.588 10 quando se verificam os custos e benefícios do prosseguimento da ação judicial e as chances de insucesso, sobretudo considerando a condição de hipossuficiente do reclamante e a sua probabilidade de êxito. Assim, não podem indicar reconhecimento por parte da empresa do pedido do reclamante, no tocante à existência de pagamentos a maior do que o efetivamente registrado. Além disso, os períodos a que se referem as reclamações trabalhistas apontadas pela fiscalização são anteriores aos fatos geradores ora sob análise, uma vez que todas antecedem o mês de setembro/2001 (períodos afetados pela decadência). Neste diapasão, o fato de uma empresa ter pago “por fora” aos segurados que lhe prestaram serviço não significa que em todos os períodos subseqüentes teria mantido tal prática. Caberia à fiscalização apontar indícios desses pagamentos a maior do que o registrado também em relação aos anos de 2002 em diante, o que não foi feito. Por fim, o percentual uniforme de 60,69% aplicado para os fatos geradores ocorridos a partir de junho/2001 foi obtido irrazoavelmente, pois decorreu do percentual encontrado a título de pagamento “por fora” na última ação trabalhista movida contra a empresa e identificada pela auditoria fiscal. Ora, ainda que se admitisse que os valores apontados na reclamatória trabalhista de fato correspondiam à realidade fática, jamais se poderia presumir que esse seria o percentual utilizado pela empresa também em relação a todos os demais períodos, pois uma situação verificada em junho/2001 possivelmente não seria a mesma no ano de 2006. Assim, não só a extensão dos efeitos dos pagamentos verificados “por fora” quanto o próprio percentual utilizado afrontam direta a razoabilidade, afastandose da verdade material, configurando arbitrariedade na verificação de contribuições previdenciárias recolhidas a menor e da quantificação destes valores. Também por essa razão é que declaro a nulidade da autuação em comento. Do vício material Ante os vícios apontados no lançamento fiscal, importa destacar o seu caráter material, vez que relativo aos próprios requisitos necessários à metodologia do lançamento aplicado, à configuração do descumprimento da obrigação, no caso principal, e à quantificação do montante devido pela empresa. Em outras palavras, referese ao próprio conteúdo do lançamento. Destaquese que, quando se trata de ato administrativo, como o lançamento tributário, por exemplo, é no Direito Administrativo que encontramos as regras especiais de validade dos atos praticados pela Administração Pública: competência, motivo, conteúdo, forma e finalidade. Assim, é formal, o vício que contamina o ato administrativo em seu elemento “forma”; por toda a doutrina, cito a Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro. 1 Segundo a mesma autora, o elemento “forma” comporta duas concepções: uma restrita, que considera forma como a exteriorização do ato administrativo (por exemplo: autodeinfração) e 1 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella: Direito Administrativo, São Paulo: Editora Atlas, 11ª edição, páginas 187 a 192. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10920.002955/200758 Acórdão n.º 230102.012 S2C3T1 Fl. 1.589 11 outra ampla, que inclui todas as demais formalidades (por exemplo: precedido de MPF, ciência obrigatória do sujeito passivo, oportunidade de impugnação no prazo legal etc), isto é, esta última confundese com o conceito de procedimento, prática de atos consecutivos visando à consecução de determinado resultado final. Observese, pois, o que reza o art. 2° da Lei de Ação Popular 4.717/65 acerca da matéria elucidada no que pese à conceituação de vício formal: Art. 2º São nulos os atos lesivos ao patrimônio das entidades mencionadas no artigo anterior, nos casos de: (...) Parágrafo único. Para a conceituação dos casos de nulidade observarseão as seguintes normas: a) a incompetência fica caracterizada quando o ato não se incluir nas atribuições legais do agente que o praticou; b) o vício de forma consiste na omissão ou na observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato; Portanto, a concepção de “forma” não se confunde com o “conteúdo” material. A materialidade é um requisito de validade através do qual o ato administrativo, praticado porque o motivo que o deflagra ocorreu, é exteriorizado para a realização da finalidade determinada pela lei. E quando se diz “exteriorização”, devese concebêla como a materialização de um ato de vontade através de determinado instrumento. Com isso, temse que conteúdo e forma não se confundem: um mesmo conteúdo pode ser veiculado através de vários instrumentos, mas somente será válido nas relações jurídicas entre a Administração Pública e os administrados, aquele prescrito em lei. Ademais, nas relações de direito público, a forma confere segurança ao administrado contra investidas arbitrárias da Administração. Os efeitos dos atos administrativos impositivos ou de império são quase sempre gravosos para os administrados, daí a exigência legal de formalidades ou ritos. No caso do ato administrativo de lançamento, a Notificação Fiscal com todos os seus relatórios e elementos extrínsecos é o instrumento de constituição do crédito tributário. E a sua lavratura se dá em razão da ocorrência do fato descrito pela regramatriz como gerador de obrigação tributária, exigindose, sempre, a indicação motivada do fato que ensejou a sua ocorrência, bem como a sua quantificação, sobretudo quando não tiver por base os registros contábeis da empresa autuada. Quando apontada apenas a existência de recolhimento a menor de contribuição previdenciária, sem, contudo, indicar concretamente os fatos que levariam à essa conclusão, mitigase o contraditório e impedese o curso natural do devido processo legal. É o que a jurisprudência deste Conselho denomina de vício material: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO EX OFFICIO – É nulo o Ato Administrativo de Lançamento, formalizado com inegável insuficiência na descrição dos fatos, não permitindo que o sujeito passivo pudesse exercitar, como Fl. 11DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10920.002955/200758 Acórdão n.º 230102.012 S2C3T1 Fl. 1.590 12 lhe outorga o ordenamento jurídico, o amplo direito de defesa, notadamente por desconhecer, com a necessária nitidez, o conteúdo do ilícito que lhe está sedo imputado. Tratase, no caso, de nulidade pro vício material, na medida em que falta conteúdo ao ato, o que implica inocorrência da hipótese de incidência. Recurso negado. (Acórdão n° 10194049 IRPJ AF lucro real, de 06/12/2002 da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes) Outrossim, conforme acórdão retro transcrito, restará configurado o vício quando há equívocos na construção do lançamento, artigo 142 do CTN, o que é o caso dos autos. Desta feita, estarse diante de incontroverso vício material do lançamento em questão, devendo a NFLD objeto do presente processo administrativo ser anulada. Da Conclusão Em virtude do exposto, conheço do Recurso, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, reconhecendo a nulidade por vício material do lançamento. É como voto. Sala das Sessões, em 15 de abril de 2011 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 12DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10920.002955/200758 Acórdão n.º 230102.012 S2C3T1 Fl. 1.591 13 Voto Vencedor Conselheiro Mauro José Silva, Redator designado. Apresentamos nosso voto divergente em relação à posição do eminente relator quanto à decadência e à aferição indireta. DECADÊNCIA A aplicação da decadência suscita o esclarecimento de duas questões essenciais: o prazo e o dies a quo ou termo de início. O prazo decadencial para as contribuições sociais especiais para a seguridade social, que era objeto de disputa com relação à aplicação do que dispunha a Lei 8.212/1991 – dez anos ou o CTN – cinco anos, suscitou o surgimento de súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal (STF). Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: Fl. 13DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10920.002955/200758 Acórdão n.º 230102.012 S2C3T1 Fl. 1.592 14 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos devem acatar o conteúdo da Súmula Vinculante n°. 08. Temos, então, que a partir da edição da Súmula Vinculante nº 08 o prazo decadencial das contribuições sociais especiais destinadas para a seguridade social é de cinco anos. Definido o prazo decadencial, resta o esclarecimento sobre o seu dies a quo. Como podemos extrair dos trechos citados acima, a referida súmula trata, no que se refere â decadência, da definição de seu prazo – 05 anos – em harmonia com o previsto no CTN , deixando o dies a quo do prazo decadencial para ser definido segundo as regras constantes do art. 150,§4º ou do art. 173, inciso I do CTN. Fl. 14DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10920.002955/200758 Acórdão n.º 230102.012 S2C3T1 Fl. 1.593 15 A regra geral para aplicação dos termos iniciais da decadência encontrase disciplinada no art. 173 CTN: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Quis o legislador dispensar tratamento diferenciado para os contribuintes que antecipassem seus pagamentos, cumprindo suas obrigações tributárias corretamente junto a Fazenda Pública, fixando o termo inicial do prazo decadencial anterior ao do aplicado na regra geral, no dispositivo legal do §4o do art. 150 do CTN, in verbis : "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Observese, pois que, da definição do termo inicial do prazo de decadência, há de se considerar o cumprimento pelo sujeito passivo do dever de interpretar a legislação aplicável para apurar o montante devido e efetuar o pagamento ou o recolhimento do tributo ou contribuição correspondente a determinados fatos jurídicos tributários. Nesta mesma linha transcrevemos algumas posições doutrinárias: Misabel Abreu Machado Derzi, Comentários ao Código Tributário Nacional, coordenado por Carlos Valder do Nascimento, Ed. Forense, 1997, pág. 160 e 404: “A inexistência do pagamento devido ou a eventual discordância da Administração com as operações realizadas pelo sujeito Fl. 15DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10920.002955/200758 Acórdão n.º 230102.012 S2C3T1 Fl. 1.594 16 passivo, nos tributos lançados por homologação, darão ensejo ao lançamento de ofício, na forma disciplinada pelo art. 149 do CTN, e eventual imposição de sanção.” (auto de infração). “O prazo para homologação do pagamento, em regra, é de cinco anos, contados a partir da data da ocorrência do fato gerador da obrigação. Portanto a forma de contagem é diferente daquela estabelecida no art. 173, própria para os demais procedimentos, inerentes ao lançamento com base em declaração ou de ofício. Tratase de prazo mais curto, menos favorável a Administração, em razão de ter o contribuinte cumprido com seu dever tributário e realizado o pagamento do tributo.”. Luciano Amaro , Direito Tributário Brasileiro, Ed. Saraiva, 4a Ed., 1999, pág. 352: “Se porém o devedor se omite no cumprimento do dever de recolher o tributo, ou efetua recolhimento incorreto, cabe a autoridade administrativa proceder ao lançamento de ofício (em substituição ao lançamento por homologação, que se frustrou em razão da omissão do devedor), para que possa exigir o pagamento do tributo ou da diferença do tributo devido.”. Sob o mesmo enfoque, no Acórdão CSRF/0101.994, manifestouse o Relator: “O lançamento por homologação pressupõe o pagamento do crédito tributário apurado pelo contribuinte, prévio de qualquer exame da autoridade lançadora. Segundo preceitua o art. 150 do Código Tributário Nacional, o direito de homologar o pagamento decai em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, exceto nos casos de fraude, dolo ou simulação, situações previstas no § 4º do referido artigo 150. O que se homologa é o pagamento efetuado pelo contribuinte, consoante dessumese do referido dispositivo legal. O que não foi pago não se homologa, porque nada há a ser homologado. Se o contribuinte nada recolheu, se houve insuficiência de recolhimento e estas situações são identificadas pelo Fisco, estamos diante de uma hipótese de lançamento de ofício. Tratase de lançamento ex officio cujo termo inicial da contagem do prazo de decadência é aquele definido pelo artigo 173 do Código Tributário Nacional, ou seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.” (negrito da transcrição). O Superior Tribunal de Justiça (STJ), que durante anos foi bastante criticado pela doutrina por adotar a tese jurídica da aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, julgou em maio de 2009 o Recurso Especial 973.933 – SC (transitado em julgado em outubro de 2009) como recurso repetitivo e definiu sua posição mais recente sobre o assunto, conforme podemos conferir na ementa a seguir transcrita: Fl. 16DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10920.002955/200758 Acórdão n.º 230102.012 S2C3T1 Fl. 1.595 17 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadência regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Fl. 17DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10920.002955/200758 Acórdão n.º 230102.012 S2C3T1 Fl. 1.596 18 Extraise do julgado acima transcrito que o STJ, além de afastar a aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, definiu que o dies a quo para a decadência nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação somente será aquele da data do fato gerador quando o contribuinte tiver realizado o pagamento antecipado. Nos demais casos, deve ser aplicado o dispositivo do art. 173, inciso I. Apesar de contribuir para clarificar a aplicação da decadência, tal julgado não eliminou por completo as possíveis dúvidas do aplicador da lei. Entre elas, a que nos interessa no momento é a seguinte: qualquer pagamento feito pelo contribuinte relativo ao tributo e ao período analisado desloca a regra do dies a quo da decadência do art. 173, inciso I para o art. 150, § 4º? Nossa resposta é: não. O pagamento antecipado realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4º em relação aos fatos geradores considerados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do montante a ser pago antecipadamente. Fatos não considerados no cálculo, seja por omissão dolosa ou culposa, se identificados pelo fisco durante procedimento fiscal que antecede o lançamento, permanecem com o dies a quo do prazo decadencial regido pelo art. 173, inciso I. Vale dizer que a aplicação da regra decadencial do art. 150, §4º referese aos aspectos materiais dos fatos geradores já admitidos pelo contribuinte. Afinal, não se homologa, não se confirma o que não existiu. Assim, mesmo estando obrigados a reproduzir as decisões definitivas de mérito do STJ, por conta da alteração do Regimento do CARF pela Portaria 586 de 26/12/2010, manteremos nossa posição quanto a esse aspecto, uma vez que a decisão daquele Tribunal Superior não esclarece a dúvida quanto à abrangência do pagamento antecipado. Definida a aplicação da regra decadencial do art. 173, inciso I, precisamos tomar seu conteúdo para prosseguirmos: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Da leitura do dispositivo, extraímos que este define o dies a quo do prazo decadencial como o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”. Mas ainda precisamos definir a partir de quando o lançamento pode ser efetuado. No Resp 973.933SC, o STJ entendeu que o lançamento poderia ser efetuado a partir da ocorrência do fato gerador, mas não partilhamos desse entendimento. Aqui tratamos de lançamento de ofício e sabemos que este só pode ser realizado após a constatação da omissão do contribuinte em relação ao seu dever de calcular o montante do tributo a ser antecipado e realizar o pagamento. Seria possível, no dia seguinte ao fato gerador, a fiscalização efetuar lançamento de ofício, com aplicação de penalidades, sabendo que o contribuinte ainda dispõe de prazo legal para efetuar o pagamento? Evidentemente que não, pois, insistimos, o lançamento de ofício só pode ser realizado após transcorrido o prazo para o contribuinte efetuar o pagamento. Não pode passar sem ser notado que para fatos geradores ocorridos no último mês do ano essa circunstância pode ser relevante. No caso das contribuições regidas pela Lei 8.212/91, por exemplo, o prazo para pagamento, desde outubro de 2008 conforme estabelecido pela Lei 11.933/2009, é o 20º dia do mês subseqüente ao da competência. Logo, os fatos geradores ocorridos em dezembro de 20XX ensejam crédito tributário que deve ser adimplido em janeiro de 20(XX+1), o que resulta em considerar que o lançamento somente poderia ser Fl. 18DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10920.002955/200758 Acórdão n.º 230102.012 S2C3T1 Fl. 1.597 19 realizado em 20(XX+1) e o dies a quo da decadência somente ocorre no primeiro dia de janeiro de 20(XX+2). Não obstante nossa posição sobre os fatos geradores ocorridos em dezembro de cada ano, deixamos de aplicála a partir de janeiro de 2011 em virtude do conteúdo do art. 62 A do Regimento deste CARF que obriga a todos os Conselheiros a reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STJ julgados na sistemática do art. 543C. Assim, mesmo para fatos geradores ocorridos em dezembro de cada ano, consideraremos o dies a quo em primeiro de janeiro do ano subseqüente, no caso de aplicação do art. 173, inciso I. Então, para o lançamento do crédito tributário de contribuições sociais especiais destinadas à seguridade social, seja este oriundo de tributo ou de penalidade pelo não pagamento da obrigação principal, o prazo decadencial é de cinco anos contados a partir do primeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso dos fatos geradores para os quais não houve qualquer pagamento por parte do contribuinte, em atendimento ao disposto no art. 173, inciso I do CTN. Para o lançamento de ofício em relação aos aspectos materiais dos fatos geradores relacionados a pagamentos efetuados pelo contribuinte nas situações em que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação, o dies a quo da decadência é a data da ocorrência do fato gerador, conforme preceitua o art. 150, §4º do CTN. Para a aplicação do art. 150, § 4º, entretanto, temos que atentar para o texto do referido dispositivo: § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Notamos que o texto legal referese a uma homologação tácita por parte da Fazenda Pública – “considerase homologado” é a expressão utilizada no caso de expirado o prazo de cinco anos do fato gerador sem que o fisco “se tenha pronunciado”. A interpretação mais comum desse trecho conclui que o pronunciamento a que se refere o dispositivo deve ser entendido como a homologação expressa ou a conclusão do lançamento de ofício com a ciência do sujeito passivo. Discordamos de tal entendimento. A expressão “pronunciado” não conduz a uma interpretação inequívoca de que equivale a homologação expressa ou lançamento de ofício. O verbo pronunciar, no dicionário Michaelis, é associado a diversos sentidos possíveis, entre eles, “emitir a sua opinião, manifestar o que pensa ou sente “. Quando a Fazenda Pública inicia fiscalização sobre um tributo em um período, está se manifestando, se pronunciando no sentido de que irá realizar a atividade prevista no art. 142 do CTN. Caso o §4º do art. 150 quisesse exigir a homologação expressa e não um simples pronunciamento, teria feito referência ao conteúdo do caput do mesmo artigo que define os contornos de tal atividade, mas preferiu a expressão”pronunciado”. Com esse entendimento concluímos que, iniciada a fiscalização, a decadência em relação a todos os fatos geradores ainda não atingidos pela homologação tácita, passa a ser submetida à regra geral de tal instituto, ou seja, passa a ser regida pelo art. 173, inciso I. Ressaltamos que não se trata de interrupção ou suspensão do prazo decadencial, mas de um deslocamento da regra aplicável. Vejamos um exemplo. Considerando que uma fiscalização tenha sido iniciada em 06/20XX em relação a um tributo para o qual o sujeito passivo exerceu a atividade dele exigida pela lei, ou seja, o sujeito passivo realizou sua escrituração, prestou as Fl. 19DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10920.002955/200758 Acórdão n.º 230102.012 S2C3T1 Fl. 1.598 20 informações ao fisco e antecipou, se foi o caso, algum pagamento. Nesse caso teria ocorrido a homologação tácita em relação aos fatos geradores ocorridos até 05/20(XX5). Os fatos geradores ocorridos depois de 20(XX5) poderão ser objeto de lançamento de ofício válido, desde que este seja cientificado ao sujeito passivo antes de transcorrido o prazo previsto no art. 173, inciso I. Feitas tais considerações jurídicas gerais sobre a decadência, passamos a analisar o caso concreto. No caso, ficou evidenciado que a recorrente utilizouse do artifício da simulação em relação à criação de empresas optantes pelo SIMPLES, o que nos leva a aplicar o dies a quo do art. 173, inciso I do CTN. Assim, ficam afastados do lançamento os fatos geradores ocorridos até 31/12/2000, o que inclui as competências 12 e 13 do respectivo ano em virtude do conteúdo do Resp 973.933 c/C ART. 62A do RICARF. Da aferição indireta No mérito, o Relator concluiu pela nulidade da aferição indireta por entender não existirem motivos para a desconsideração da contabilidade da empresa e por ter vislumbrado arbitrariedade no critério de apuração da base de cálculo. Divergimos da posição do eminente Relator. A aferição indireta como método excepcional para apuração da base de cálculo da contribuição é legalmente prevista no §3º do art. 33 da Lei 8.212/91, conforme ressaltado pela fiscalização. Assim, quando a fiscalização constata que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos empregados, do faturamento e do lucro, está legalmente autorizada a utilizarse da aferição indireta, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. In casu, foi sobejamente demonstrado no Relatório Fiscal os motivos que levaram à desconsideração de sua contabilidade. Destacamos dois deles: a recorrente utilizou se do artifício da simulação em relação à criação de empresas optantes pelo SIMPLES e omissão na contabilização de verbas que afetam a remuneração, o faturamento e o lucro. As referidas empresas optante pelo SIMPLES (LLR, CRS, GGS, MVC, PCD e VAO), fls. 538/539, foram criadas por meio de Contrato Social assinado no mesmo dia, 28/08/2000, registradas seqüencialmente na JUCESP e foram incorporadas no mesmo dia 04/11/2003 pela Delmonego. Acrescentese que tinham como endereços registrados aqueles idênticos a algumas filiais da recorrente. Esses fatos não foram combatidos pela recorrente que se limitou a combater a decadência, a falta de um procedimento prévio de aferição indireta e a Taxa Selic. O conjunto probatório, portanto, aponta para a existência de uma vontade formalizada diferente da real vontade das empresas, caracterizando um exemplo clássico de simulação. Dizemos exemplo clássico, pois é em tudo similar ao famoso Caso Grendene no qual uma empresa foi subdividida em oito de modo a possibilitar o enquadramento na sistemática mais vantajosa do lucro presumido. O mesmo foi feito pela recorrente em relação às seis empresas citadas só que, desta feita, o objetivo era esconder sob o manto de empresas optantes pelo SIMPLES algumas de suas filiais de modo a beneficiarse daquele regime simplificado de recolhimento de tributos. Logo, no período de 28/08/2000 a 04/11/2003, a simulação perpetrada deixa óbvia a imprestabilidade da contabilidade da Delmonego em relação à remuneração dos trabalhadores a seu serviço. Fl. 20DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10920.002955/200758 Acórdão n.º 230102.012 S2C3T1 Fl. 1.599 21 Entre as despesas que podem afetar a remuneração, o faturamento e o lucro e que não foram contabilizadas, a fiscalização apontou, entre outras, aluguéis e vale transporte nos anos de 1997 a 2006, fls. 566/571. Quanto à existência de pagamentos “por fora”, estes ficaram demonstrados em relação a ações trabalhistas que se referem aos anos de 1993 a 2000. Pelo exposto, concluímos que há justificativa para a aferição indireta até 2006. Tendo tratado da justificativa para aferição indireta, passamos ao critério adotado para esta. Diferentemente do caso da legislação do imposto sobre a renda, a lei 8.212/91 não enumerou os critérios que devem ser adotados pela fiscalização para a aferição indireta, salvo no caso de obra de construção civil (critério proporcional à área construída). Se a contabilidade não registra o movimento real da remuneração, do faturamento e do lucro, a fiscalização poderá utilizar algum critério que possa ser reconhecido como possível de conduzir a um valor próximo da remuneração praticada. Qualquer critério que a fiscalização utilize nunca representará o movimento real remuneração dos empregados, do faturamento e do lucro, pois este somente a empresa poderia registrar em sua contabilidade e não o fez. Dependendo do caso teremos critérios que nos conduzirão à remuneração com alto grau de probabilidade e outros com menor grau de probabilidade. Em qualquer caso, a lei transfere à empresa o ônus de fazer prova em contrário. Somente podemos considerar inadmissível o critério absurdo, o critério que não tem possibilidade de conduzir, com algum grau de plausibilidade, à apuração da remuneração. No caso em análise, a fiscalização apurou, nas diversas ações trabalhistas relacionadas em fls. 547/566, uma relação entre salários “por fora” e salários declarados para, em seguida, aplicar esse percentual nas remunerações registradas na contabilidade. Nas competências a partir de junho/2001 manteve o último percentual existente entre as ações judiciais, de 60,69%, para o período subseqüente. Se a fiscalização constatou uma prática reiterada de pagamentos “por fora”, não podemos concluir que presumir que tal prática teve prosseguimento consubstancie um critério absurdo ou arbitrário para a aferição indireta. Como já dissemos, qualquer critério adotado na aferição indireta não conduzirá ao exato valor da remuneração, mas o critério adotado diante das circunstâncias fáticas é razoavelmente plausível. Por seu turno, a recorrente poderia ter apresentado elementos que afastassem a plausibilidade do critério adotado, mas seu Recurso Voluntário não fez qualquer referência ao critério adotado para a aferição indireta. Ou seja, a recorrente não se desincumbiu do ônus de fazer prova em contrário que lhe foi atribuído pelo 6º da Lei 8.212/91. Pelo exposto, não vejo reparos a fazer no lançamento na parte da aferição indireta e voto por DAR PROVIMENTO EM PARTE ao Recurso Voluntário para excluir do lançamento os fatos geradores ocorridos até 31/12/2000, incluindo as competências 12 e 13 do respectivo ano, em virtude do Resp 973.933 c/c art. 62A do RICARF. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Fl. 21DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10920.002955/200758 Acórdão n.º 230102.012 S2C3T1 Fl. 1.600 22 Fl. 22DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 10/08/2011 por MAURO JOSE SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10768.008181/98-36
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 1992, 1993
IRPJ E REFLEXOS. DECADÊNCIA. Aplica-se o art. 150 do CTN para
verificação do prazo decadencial se não for provada ocorrência a prática dos atos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da lei 4502/64.
Reconhecimento de receitas de empresas ligadas. Admite-se que receitas de outras empresas do grupo sejam reconhecidas pela recorrente quando comprovado em diligência que tais receitas foram tributadas.
GLOSA DE DESPESAS DE ALUGUÉIS. Tendo a empresa logrado
apresentar, na impugnação, documentos que comprovam em parte as
despesas com alugueis constantes na sua declaração do IRPJ, anteriormente glosadas pela fiscalização, o tributo exigido deve ser reduzido na mesma proporção.
Recurso de Oficio Negado.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1302-000.154
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso de oficio e dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fez sustentação oral pela Recorrente Dr. Eduardo Botelho Kiralyhegy - OAB/RJ n0 114.461.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1992, 1993 IRPJ E REFLEXOS. DECADÊNCIA. Aplica-se o art. 150 do CTN para verificação do prazo decadencial se não for provada ocorrência a prática dos atos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da lei 4502/64. Reconhecimento de receitas de empresas ligadas. Admite-se que receitas de outras empresas do grupo sejam reconhecidas pela recorrente quando comprovado em diligência que tais receitas foram tributadas. GLOSA DE DESPESAS DE ALUGUÉIS. Tendo a empresa logrado apresentar, na impugnação, documentos que comprovam em parte as despesas com alugueis constantes na sua declaração do IRPJ, anteriormente glosadas pela fiscalização, o tributo exigido deve ser reduzido na mesma proporção. Recurso de Oficio Negado. Recurso Voluntário Provido.
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MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 4. PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10768.008181/98-36 Recurso n° 155.954 De Oficio e Voluntário Acórdão n° 1302-00.154 — 3a Câmara / 2a Turma Ordinária Sessão de 28 de janeiro de 2010 Matéria IRPJ E OUTROS Recorrentes 5a. TURMA/DRJ-RIO DE JANEIRO/RJ I E MILLS DO BRASIL ESTRUTURAS E SERVIÇOS LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1992, 1993 IRPJ E REFLEXOS. DECADÊNCIA. Aplica-se o art. 150 do CTN para verificação do prazo decadencial se não for provada ocorrência a prática dos atos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da lei 4502/64. Reconhecimento de receitas de empresas ligadas. Admite-se que receitas de outras empresas do grupo sejam reconhecidas pela recorrente quando comprovado em diligência que tais receitas foram tributadas. GLOSA DE DESPESAS DE ALUGUÉIS. Tendo a empresa logrado apresentar, na impugnação, documentos que comprovam em parte as despesas com alugueis constantes na sua declaração do IRPJ, anteriormente glosadas pela fiscalização, o tributo exigido deve ser reduzido na mesma proporção. Recurso de Oficio Negado. Recurso Voluntário Provido. - Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de oficio e dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fez sustentação oral pela Recorrente Dr. Eduardo Botelho Kiralyhegy - OAB/RJ n0 114.461. MARCOS RODRIGUES DE MELLO - Presidente e Relator - - - EDITADO EM: ',-;' i2 W ?:1i' -t. l'' . rd 't ) 1 Processo n° 10768.008181/98-36 SI-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.154 Fl. 2 Relatório MILLS DO BRASIL ESTRUTURAS E SERVIÇOS LTDA., já qualificada neste processo, recorre a este Colegiada, através da petição de fls. 1187/1228 da decisão prolatada às fls. 1147/1172, pela 5aTurma de Julgamento da DRJ RIO DE JANEIRO (RJ), que julgou procedente em parte, Auto de Infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e seus reflexos, cientificado ao contribuinte em 07.04.1998 Consta do Auto de Infração que a Recorrente teria -cometido as seguintes infrações a legislação do imposto de renda: I — Omissão de receita pela falta de contabilização de notas fiscais apurada confon-ne termo de verificação, com fatos geradores em 06/92, 12/92, 01/93 02/93, 03/93, 04/93, 05/93, 06193, 07/93 09/93 e 10/93. II— custos e despesas não comprovados, com fatos geradores em 12/92; III — Realização da Reserva de Reavaliação, em dezembro de 1992. Foram aplicadas multas de oficio normais de 75% (setenta e cinco por cento). Ciente do lançamento a Fiscalizgla apresentou impugnação ao auto de infração, fls. 503/521. A autoridade julgadora de primeira instância julgou procedente em parte o lançamento, conforme decisão n ° 8.519 de 29 de setembro de 2005, cuja ementa reproduzo a seguir: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1992, 1993 Ementa: SOLICITAÇÃO DE PERÍCIA. Indefere-se a realização de perícia, quando forem desnecessárias para o julgamento da lide (Dec. n° 70.235/1972, art.18) CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se acolhe a alegação de cerceamento do direito de defesa quando o auto de infração acha-se corretamente fundamentado e acompanhado de minuciosos demonstrativos de apuração cio crédito tributário exigido, -sendo inclusive reaberto o prazo para o contribuinte apresentar documentos e pronunciar-se sobre fatos que lhe são imputados, tendo este produzido extensa peça impugnatória, onde contesta detalhadamente a exigência. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ ,LAijaiçalendário: 1992, 1993 3 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. A pessoa jurídica deve oferecer à tributação as receitas constantes nas notas fiscais por ela emitidas, não sendo oponível ao fisco a alegação de que tais receitas seriam oferecidas à tributação por estas últimas (arts. 157 e 179 do RIR/80 e art. 123 da Lei n° 5.172/1966 — CTN). GLOSA DE DESPESAS DE ALUGUEIS. Tendo a empresa logrado apresentar, na impugnação, documentos que comprovam em parte as despesas com alugueis constantes na sua declaração do IRPJ, anteriormente glosadas pela fiscalização, o tributo exigido deve ser reduzido na mesma proporção. GLOSA DE DESPESAS. MULTAS INDEDUTÍVEIS. Os valores das multas não dedutíveis, registradas no Lalur, devem ser adicionadas integralmente ao lucro líquido para apuração do lucro real. • A dedutibilidade das despesas está condicionada à comprovação de sua necessidade e, também, do seu efetivo pagamento. (art. 191, caput e §1° do RIR/80). REALIZAÇÃO DA RESERVA DE REAVALIAÇÃO. Exclui-se o valor do crédito tributário exigido quando a empresa, em diligência posterior ao lançamento, logra apresentar à fiscalização a documentação referente à realização da reserva de reavaliação que não pudera apresentar na época da ação fiscal. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte — IRRF Ano-calendário: 1992, 1993 Ementa: INAPLICABILIDADE DA LEI É vedada a constituição de crédito de que trata o artigo 35 da Lei n° 7113, de 22 de dezembro de 1988, em relação às sociedades por ações, bem como às demais sociedades nos casos em que não haja prévia disponibilidade econômica ou jurídica do lucro líquido (IN/SRF n° 63, de 24 de julho de 1997). Assunto: Outros Tributos e Contribuições Ano-Calendário: 1992, 1993 Ementa: CSLL, PIS e COFINS. LANÇAMENTOS REFLEXOS. O decidido quanto ao lançamento referente ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica, por basear-se nos mesmos argumentos e provas, alcança os lançamentos reflexos dele decorrentes. Lançamento Procedente em Parte. Deste ato recorre de oficio ao Primeiro Conselho de Contribuintes. Ciente da decisão de primeira instância em 09.02.2006 a contribuinte interpôs tempestivo recurso voluntário em 10.03.2006 protocolo às fls. 1187, onde apresenta, basicamente, as seguintes alegações: PRELIMINARMENTE 4 Processo n° 10768.008181/98-36 S1-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.154 Fl. 3 1)DECADÊNCIA Alega decadência do direito da fazenda pública constituir os créditos tributários cujos fatos geradores antecedem ao mês de março de 1993, inclusive. Alega que modificações na legislação do IRPJ, a partir da Lei 7.713/88, modificaram o tipo de lançamento de declaração para homologação, devendo portanto a contagem acontecer a partir do dia de ocorrência do fato gerador. 2) CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Alega que: no presente caso, é flagrante o cerceamento do direito de defesa praticado pela Autoridade Julgadora. Que tal atitude, inconstitucional, encontra óbice no disposto no artigo 50 incisos LIV e LV, da Constituição Federal, que consagram, respectivamente, os princípios do devido processo legal e do contraditório e da ampla defesa. Destaca que a realização de perícia então requerida pela recorrente, direito constitucional assegurado, não se destinava exclusivamente à comprovação de que os serviços constantes das notas fiscais relacionadas pela fiscalização haviam sido prestados pelas empresas que absorveram parte de seu patrimônio, conforme afiiiiiado pelos ínclitos julgadores de 1a instância. É certo que foi esse o objetivo principal que justificou o requerimento, entretanto, corno não poderia deixar de ser, ainda que a perícia tenha sido motivada pelas alegações constantes na peça impugnatória da recorrente, caso realizada, viabilizaria a comprovação de diversas outras informações extremamente relevantes para o deslinde da controvérsia posta nestes autos, entre elas: correção dos tributos pagos pelas empresas que receberam parte do patrimônio da recorrente, mais especificamente àqueles incidentes sobre a receita por elas auferida: PIS/COFINS; correção da apuração do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica IRPJ e, por evidente, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL, principalmente das deduções perpetradas no lucro líquido para fins de apuração do lucro real; comprovação da transferência dos empregados responsáveis pela prestação dos serviços constantes das notas fiscais relacionadas pela fiscalização, tudo a demonstrar a inexistência de má fé, ou qualquer vestígio de atuação lesiva aos interesses do Fisco; a comprovação do pagamento dos aluguéis e seu respectivo recebimento e tributação pela locadora dos imóveis (holding). Nesse particular, cabe destacar os inúmeros equívocos cometidos tanto pela Autoridade fiscalizadora como pela Delegacia responsável pelo julgamento. Em vista do cerceamento de defesa, a recorrente pugna pela anulação do julgamento de primeira instância. DO MÉRITO _S_erviços Prestados por Empresas que Absorveram Parcela do Patrimônio. Aqui, alega a Recorrente que durante o ano de autuação houve urna reestruturação societária no Grupo Mills. Por isso, ao considerar que as receitas faturadas provisoriamente pela recorrente a ela pertenciam, ignorando as plausíveis e justificadas razões que norteiam tal procedimento, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, distanciando- se da busca imparcial pela verdade real, deixou de considerar os efeitos deste entendimento, conforme adiante se explica. A Recorrente, em poucas palavras, alega quanto a este item que em razão de reestruturação societária até então não reconhecida pela Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro, emitiu notas fiscais pela prestação de serviços executados por outras empresas do grupo que ainda não haviam sido reconhecidas pela JUCERJ. Que se imputa a Recorrente a responsabilidade pelo pagamento dos tributos incidentes sobre receitas constantes das notas fiscais relacionadas pela fiscalização e ensejadoras da autuação, declara-se, por outro lado, que todos os pagamentos de tributos realizados pelas empresas Mills Serviços de Manutenção Ltda. e Mills Eventos Ltda. obviamente relacionados às referidas receitas são manifestamente indevidos. Recolhimento Indevido das Contribuições PIS/COFINS. Que diante da desconsideração da reestruturação societária implementada pela recorrente, com a conseqüente imputação a ela da responsabilidade pelo recolhimento dos tributos incidentes sobre as receitas constantes das notas fiscais por ela emitidas, todos os recolhimentos realizados com base na premissa que as receitas pertenciam às empresas Mills Serviços de Manutenção Ltda e Mills Eventos Ltda, são manifestamente indevidos, devendo• portanto serem compensados uma vez que a Recorrente acabou por incorporar tais empresas. Caso contrário estará ocorrendo uma bi tributação. Da Necessidade de se Considerar as Des besas Incorridas * elas Em eresas Mills Serviços de Manutenção Ltda e Mills Eventos Ltda. para fins de apuração do IRPJ e da CSLL Alega que não se pode admitir a desconsideração de todo o modelo societário da recorrente, que consistiu, como se demonstrou, na transferência de empregados, equipamentos, maquinário, etc, para duas empresas criadas com o fito de segmentar a prestação de serviços desempenhados pelo Grupo Mills, sem que as despesas diretamente atreladas àquelas receitas sejam igualmente consideradas na apuração da recorrente haja vista que a sucessão implica em transferência dos direitos, não só das obrigações das empresas . incorporadas. Ante o exposto requer sejam computadas todas as exclusões e deduções do lucro líquido previstas na legislação de regência, ora enumeradas, mormente as despesas operacionais incorridas na prestação dos serviços constantes das notas fiscais relacionadas pela fiscalização como omissão de receitas, sob pena de enriquecimento ilícito do Fisco, julgando- se, pois, improcedente lançamento. Da Indevida Glosa de Despesas Alega que as despesas de alugueis glosadas são divididas em dois grupos distintos, a saber: 6 Processo n° 10768.008181/98-36 S1-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.154 Fl. 4 despesas de alugueis pagos a terceiros, correspondente ao valor de Cr$639.790.656,00 e despesas de aluguéis decorrentes da locação dos imóveis pertencentes à holding, Mills Andaimes Tubulares do Brasil S/A, que perfazem o, montante de Cr$3.101.317.000,00. Alega a Recorrente que aFiscalização efetuou a glosa das referidas despesas em razão de não aceitar os documentos apresentados como prova de pagamento e, de outros pagamentos estarem compreendidos em lançamentos internos com a Holding. Impossibilidade de Exigência de IRRF sobre as Receitas Supostamente Omitidas. Outra exigência manifestamente indevida imposta pela fiscalização e inexplicavelmente mantida pela d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento diz respeito à cobrança de IRRF nos termos previstos nos artigos 43 e 44, da Lei n° 8.541/92. alega que tais dispositivos foram revogados pela Lei 9.249/95 que entrou em vigor em 01 de janeiro de 1996, portanto, à época da autuação, não havia base legal para a exigência do IRRF imposto pela fiscalização. A 5'. Câmara do 10. Conselho de Contribuinte pela Resolução 105-1.325, converteu o julgamento em diligência, onde se requereu: • Tendo sido apresentado pela recorrente, laudo que afirma demonstrar que em razão de reestruturação societária até então não reconhecida pela Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro, emitiu notas fiscais pela prestação de serviços executados por outras empresas do grupo que ainda não haviam sido reconhecidas pela JUCERj, torna-se necessária a realização de diligência que verifique a veracidade dos fatos 'afirmados no laudo de fls. 3389 a 3446, dando-se ciência do resultado da diligência ao contribuinte para sua manifestação. Em resposta à solicitação de diligência, a fiscalização afirmou a fls. 4616 e seguintes: Da relação dos documentos acima citados cabe informar: - Foram verificados, por amostragem, os documentos relacionados na listagem, que foram disponibilizados para a Firma PriceWaterhouseCoopers, (n) Verifiquei a existência dos dados constantes dos Livros Diários citados. (iii) Foram constatados a veracidade dos lançamento escriturados nos referidos livros diários; (iv) Foi verificado que o valor lançado encontra-se a menor no valor de CrS 3.000.000.000,00, conforme demonstra a planilha de fls. 00018, constante do Anexo II, utilizada para cálculo do lançamento, e o valor constante da cópia do livro de Registro de Notas Fiscais de Serviços 7 Prestados em junho de 1993, conforme consta da cópia de fls. 00034v do mesmo anexo 11 do processo número 10768.008181/98-36. Que o material juntado a esta informação foi verificado, por amostragem; (vi, vii e viii) — Examinados através do meio magnético disponibilizado no CD, acima citado. (ix) — Este item, por mais estranho que possa parecer, deve-se ao fato inusitado da conjunção de fatores que não saberemos esclarecer o motivo de sua ocorrência, como a seguir relatado: - Na ocasião da confecção das planilhas com os valores que embasaram os lançamentos do auto de infração, este Auditor, como medida de precaução e planejamento do trabalho a ser realizado, confeccionou, em 21/05/1997, uma relação com informações colhidas no sistema disponível nesta repartição denominado CGC — Consulta, onde constavam todas as filiais existentes para o CGC 42.198.358/0001-10, da Matriz Mills do Brasil Estruturas e Serviços Lida, controlando a entrega ou não dos livros correspondentes (Documento 2) - Inexplicavehnente,o CGC (atual CNPJ) número 42.198.358/0017-88, filial — Alameda Xingu, 976, Município de Barueri — SP, não aparece no sistema consultado e nem seus livros foram apresentados, motivo pelo qual não foram considerados. - Não cabe aqui indagar o motivo pela não existência do mesmo, mas reconhecer que estes valores deixaram de compor os cálculos do lançamento da infração. Entretanto, cabe indagar se caso todos os livros tivessem sido corretamente disponibilizados na ocasião, a inusitada falha teria sido detectada e com absoluta certeza sanada. - Quanto aos valores alegados como não incluídos na Filial Fortaleza, localizada a Av. Luciano Carneiro 2300, CNPJ 42.198.358/0018-69, constam de meu controle como não apresentados. Foi observada a sua devida escrituração. Apresenta a fls. 4618/4619, planilhas que identificam as receitas das filiais que não tinham sido consideradas no lançamento.. Quanto às glosas de despesas de aluguéis, transcreve trecho do relatório da Price:no tocante às glosas de aluguéis incorridos com a locação dos imóveis de propriedade da empresa holding Mills Andaimes, embora a documentação apresentada não comprove de forma inequívoca os lançamentos contábeis efetuados, já que inexiste contrato escrito, se adicionada ao lucro real apurado, não ensejaria base tributável, pois o saldo de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa do próprio ano- calendário de 1992 — sem mencionar os prejuízos fiscais acumulados de períodos-base anteriores — eram superiores ao valor da glosa. Além disso, constatou-se haver fortes indícios quanto a existência de relação locatícia entre a autuada e a holding" 8 Processo n° I 0768.008181/98-36 S1-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.154 • Fl. 5 Intimada a se manifestar sobre a diligência, a recorrente afirma a fls. 4626 a 4630: • - A manifestação do auditor no que concerne à verificação da veracidade dos fatos alegados pela Price em seu laudo é emblemática; como não poderia deixar de ser. Nos termos da diligência de fls. 4617/4621, restou comprovada a veracidade de todos os documentos e informações, sem exceções, relacionadas nos itens (i) a (ix) da resposta ao TIF e transcritos na manifestação do auditor-fiscal. - O Auditor elaborou planilhas contendo os valores que não foram incluídos em seus levantamentos à época da autuação; - Que, em relação às glosas de despesas de aluguel, houve apresentação de documentação hábil, comprovando a despesa. Que, tendo em vista que nenhuma ressalva foi feita pelo auditor-fiscal em relação às infoimações/conclusões postas no laudo da Price, pugna pelo provimento do recurso. É o relatório. • 9 • Voto Conselheiro MARCOS RODRIGUES DE MELLO - Inicio a análise pelo recurso de oficio. Sendo o valor exonerado superior a R$ 1.000.000,00, deve ser conhecido o recurso de oficio. Transcrevo parte do voto vencido proferido pelo Conselheiro Luis Alberto Bacelar Vidal, com o qual concordo no que se refere ao recurso de oficio: Recurso de Oficio. Afirma a decisão que: "quanto às parcelas, o valor glosado pela fiscalização foi de Cr$3.741.192.656,00, por não ter a empresa apresentado os documentos necessários à sua comprovação (fls. 141). Tendo sido determinado por esta DRJ a realização de diligência para esclarecer este ponto da autuação, e reaberto o prazo para que a interessada aditasse razões de defesa, esta trouxe aos autos os documentos de fls. 02/180 do volume III, com os quais pretende demonstrar a dedutibilidade das despesas." "Pelo exame da referida documentação, verifica-se que, dos CR$3.741.192.656,00 glosados, CR$639.790.656,00 correspondem a pagamentos de aluguéis feitos a terceiros, conforme a planilha às fls. 33/37 do volume III. Por outro lado, foi computado como despesa de aluguéis pagos à empresa holding do grupo, a Mills Andaimes Tubulares do Brasil S.A, o valor de CR$3.101.317.000,00, em parcela única, em 31.12.1992.(fls. 37 e 148/149)." Quanto à parcela de CR$639.790.656,00 a decisão de primeira instância aproveitou apenas o valor de CR$118.251.799,40 efetivamente comprovados os pagamentos com recibos de terceiros e quanto ao valor de CR$3.101.317.000,00, foram rejeitadas as comprovações por se tratar de lançamentos contábeis internos. Em sede de diligência, afluiia a fiscalização: Quanto às glosas de despesas de aluguéis, transcreve trecho do relatório da Price:no tocante às glosas de aluguéis incorridos com a locação dos imóveis de propriedade da empresa holding Mills Andaimes, embora a documentação apresentada não comprove de forma inequívoca os lançamentos contábeis efetuados, já que inexiste contrato escrito, se adicionada ao lucro real apurado, não ensejaria base tributável, pois o saldo de prejuízos .fiscais e base de cálculo negativa do próprio ano- calendário de 1992 — sem mencionar os prejuízos fiscais acumulados de períodos-base anteriores — eram superiores ao valor da glosa. Além disso, constatou-se haver fortes indícios quanto a existência de relação locaticia entre a autuada e a empresa holding Julgo procedente a exclusão e nego provimento ao recurso de oficio. TL io Processo n° 10768.008181/98-36 S1-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.154 Fl. 6 Quanto à realização da "reserva de reavaliação", resultado de diligência a empresa autuada esclarece que: "Os procedimentos adotados estão corretos, não acarretando nenhum prejuízo ao fisco" e que "...face aos dados trazidos aos autos, e esclarecido, cabe a exclusão dos valores lançados a título de Reserva de Reavaliação..." Como se pode verificar, tendo a própria fiscalização retornado a empresa fiscalizada, em diligência, constatou, após a apresentação de documentação faltante à época do lançamento, a inexatidão do mesmo, recomendando sua exclusão do auto de infração. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso de oficio. O recurso voluntário é tempestivo e deve ser conhecido. Preliminar de Nulidade da Decisão Recorrida. Não há porque se cogitar de nulidade da decisão de primeira instância pois, tem o julgador a seu critério, o poder de decidir ou não por perícia ou mesmo diligência para elucidação dos fatos. No presente caso, encontram-se os autos muito bem instruídos não ensejando ao julgador, dúvidas na formação de sua convicção. Rejeito as alegações de cerceamento do direito de defesa. Preliminar de Decadência. Cabe afirmar que a jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes aponta no sentido de que o IRPJ após a edição da Lei 8.381/91, de 20.12.91, passou a estar sujeito ao lançamento por homologação, sendo assim, deverá a decadência ser contada a partir da data de ocorrência do fato gerador. No presente caso foram contemplados fatos geradores ocorridos em 06/92, 12/92, 01/93 02/93, 03/93, 04/93, 05/93, 06/93, 07/93 09/93 e 10/93. Tendo o lançamento sido notificado ao contribuinte no dia 07 de abril de 1998, reconhecemos a decadência do mesmo no que se refere aos fatos geradores ocorridos até o mês de março de 1993. Desta maneira voto por acatar a preliminar de decadência concernente aos lançamentos efetuados com fatos geradores ocorridos em 06/92, 12/92, 01/93 02/93, 03/93, com relação ao imposto de renda pessoa jurídica. Tendo em vista a edição da súmula vinculante número 8 pelo STF, aplica-se a mesma regra de decadência à CSLL. Quanto ao PIS e a COFINS, cujos fatos geradores são mensais, aplicando-se a citada súmula, entendo decaídos os lançamento relativos aos fatos geradores ocorridos até março de 1993. Quanto ao mérito, afillna a DRJ e o voto proferido pelo Conselheiro Bacelar: Mérito. Trecho do julgamento de primeira instância afirma que: 11 "...a empresa autuada pretende eximir-se de oferecer à tributação receitas constantes de notas fiscais por ela própria emitidas durante os anos-calendário de 1992 e 1993, sob o argumento de que transferiu a titularidade dos •contratos para outras empresas que, à época, ainda não - existiam de direito, uma vez que não tinham seus atos constitutivos formalmente arquivados na Junta comercial." "Todavia, não é verdade que a Mills Eventos e a Mills Serviços de Manutenção Ltda., não estavam formalmente constituídas à época dos fatos que geraram a autuação, uma vez que as alterações contratuais das duas empresas, apresentadas às fls. 239/246, informam que ambas já tinham seus contratos sociais arquivados na Junta comercial desde 06 de dezembro de 1991." "Além disso, embora a empresa autuada afirme que as receitas não lhe pertenciam, escriturou-as nos seus livros de apuração do ISS e ICMS nos anos-calendário de 1992 e 1993, conforme levantado pela fiscalização nos volumes anexos I e II, ...Ou seja, enquanto que, para fins de apuração do IRPJ, a empresa autuada alega que as receitas pertenciam a outras empresas, para fins de apuração do ISS e do ICMS as mesmas receitas eram registradas como suas." Fica constatado, conforme afirma a Decisão de primeira instância que as empresas tiveram seus atos constitutivos arquivados em 06 de dezembro de 1991, estando portanto habilitada à emissão dos documentos fiscais. Ao contrário do que afirma a Recorrente, nem a Decisão de primeira instância nem a Fiscalização desconsideraram a reorganização societária do grupo, muito pelo contrário, a aceitaram, apenas não concordaram que as receitas acobertadas por notas fiscais emitidas pela recorrente ficassem a margem da tributação, não aceitando por outro lado, a argumentação de que tais receitas pertenceriam às empresas resultantes da cisão e que estas não estavam hábeis naquela oportunidade a proceder ao faturamento. Em verdade as receitas efetivamente pertencem a Recorrente, visto que esta é quem celebrou os contratos com os clientes, figurando, desta maneira, as outras empresas do grupo na qualidade de sub-emprteiteiras, razão pela qual não se deve, legalmente, falar em bitributação, é possível que a reformulaçã o patrimonial não tenha sido bem pensada. Não tem guarida, pelo exposto, o pleito da Recorrente de ver abatido das receitas tributadas no auto de infração valores de despesas ditos pertencentes às empresas cindidas, pois não tendo sido descaracterizada permanecem cada empresa com seus respectivos custos e receitas. Também, pelo mesmo motivo, não há porque se falar em compensação de PIX_e,COHNS, até porque não resta provado 12 Processo n° 10768.00818//98-36 Sl-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.154 Fl. 7 que tais receitas tenham sido tributadas nas empresas Mi/is Eventos Ltda e Mills Sei-viços de Manutenção Ltda. No entanto, a 5 a.- Câmara, em relação a esta matéria decidiu converter o julgamento em diligência, que concluiu que, embora do ponto de vista contábil o procedimento da recorrente era equivocado, era verossímil o laudo emitido pela Price, de fls. 3389 a 3446. De fato, ficou demonstrado na diligência que as filiais da recorrente reconheceram as receitas tidas como omitidas pela matriz e também as consideraram para fins de tributação. Embora formalmente incorreto o procedimento da recorrente, entendo que não se pode aceitar a múltipla tributação do mesmo fato econômico. As alegações da recorrente para acobertar a incorreção de seu procedimento (atraso no registro na junta comercial e nas autorizações governamentais além de questões contratuais com seus clientes) poderiam levar a penalidades administrativas, mas entendo que não ao pagamento em duplicidade de seus tributos. Evidenciado que a recorrente emitiu documentos fiscais por serviços e vendas realizadas por outras empresas do grupo e que estas tributaram tais receitas, entendo que não pode prosperar o lançamento. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso em relação a este item Em relação ao segundo item, acompanho o voto proferido pelo Conselheiro Bacelar: • Glosa de Despesas Conforme registrado no voto concernente ao recurso de oficio a decisão de primeira instância mantém os lançamentos argumentando exclusivamente a impossibilidade de aceitar as despesas de aluguéis por falta de comprovação de pagamentos. Conclui a decisão que: "A dedutibilidade de despesas está condicionada à comprovação, não apenas da sua necessidade, mas também do seu efetivo desembolso, o que não restou comprovado pela interessada no presente processo. "(realcei,) Discordo frontalmente do pensamento dos Ilustres Julgadores, primeiro porque o parágrafo I' do artigo 191 do RIR/80, prevê • que são necessárias as despesas pagas ou incorridas e não pagas e incorridas. Deste modo torna a despesa dedutivel, depois evidentemente de confirmada a sua existência material, assunto que não é tratado nos autos, o fato de haver a despesa sido paga ou incorrida. Não foram levantadas nos autos, dúvidas quanto à ocorrência das despesas. Isto quer assegurar, que a empresa poderá contabilizar dentro do período de competência aquelas incorridas e não pagas, que evidentemente estarão compondo uma conta de passivo. 13 Inclusive, no caso dos aluguéis pagos a holding é normalmente aceita a contabilização entre as empresas do mesmo grupo, não havendo necessidade do imediato desembolso. Dou provimento ao recurso quanto a este item. A diligência veio ratificar a posição exposta pelo conselheiro, pois apenas ressalvou a falta de contrato escrito, além de não afastar a argumentação de que a glosa não alteraria o resultado tributável, tendo em vista a existência de prejuízo fiscal e base negativa, tanto no exercício como em exercício anteriores. Embora no mérito entenda que se deva dar provimento ao recurso em relação a esta matéria, ela já foi absorvida pelo reconhecimento da decadência, pois o fato gerador considerado foi 12/1992, período considerado atingido pela decadência do direito de lançar por este voto. Quanto ao Imposto de Renda retido na fonte, afirma o Conselheiro Bacelar: No tocante ao Imposto de Renda Retido na Fonte, consta da ementa decisão que: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte — IRRF Ano-calendário: 1992, 1993 Ementa: INAPLICABILIDADE DA LEI. É vedada a constituição de crédito de que trata o artigo 35 da Lei n° 7113, de 22 de dezembro de 1988, em relação às sociedades por ações, bem como às demais sociedades nos casos em que não haja prévia disponibilidade econômica ou jurídica do lucro líquido (IN/SRF n° 63, de 24 de julho de 1997). Como se pode ver, o direcionamento do relator era de dar provimento ao recurso excluindo tal lançamento, no entanto fica registrado na referida decisão que tratando-se de exigências tributárias reflexas da exigência do IRRI acima apreciada, os créditos relativos ao IRRF, CSLL, PIS e COFINS, devem colher o mesmo destino dos créditos correspondentes ao IRPJ. Pelo exposto na própria ementa fica excluída referida tributação. Diante do exposto, voto no sentido de afastar a preliminar de nulidade, negar provimento ao recurso de oficio e dar provimento ao recurso voluntário. MARCOS RODRIGUES DE MELLO - Relator • 14
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Numero do processo: 16561.000080/2006-81
Data da sessão: Wed Aug 04 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Aug 04 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO - CSLL
Exercício: 2002
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. RAZÕES DE DEFESA. IMPERTINÊNCIA, Tratando os autos de lançamento tributário derivado de infração não contestada pelo contribuinte (falta de recolhimento de tributo e contribuição em virtude de declaração inexata), revela-se impróprio apreciar, em sede de julgamento, eventual erro de identificação do sujeito de passivo supostamente provocado por registro indevido de rendas auferidas por terceiro. Não obstante, seja em razão da falta de comprovação, seja em virtude da responsabilidade por sucessão, o argumento de defesa não merece ser acolhido.
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPENSAÇÃO. Para que a autoridade administrativa possa reconhecer o direito creditório do contribuinte e, por via de consequência, considerar as compensações tributárias alegadas, é necessário que sejam aportados aos autos documentos que demonstrem a certeza e liquidez do crédito alegado, ex vi do disposto no art. 170 do CTN.
MULTA ISOLADA. FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. MULTA PROPORCIONAL. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em aplicação concomitante sobre a mesma base de incidência quando resta evidente que as penalidades, não obstante derivarem do mesmo preceptivo legal, decorrem de obrigações de naturezas distintas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1302-000.323
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade manter a multa isolada, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Daniel Salgueiro da Silva e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Ausente, justificadamente o Conselheiro Irineu Bianchi.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Recorrida 5" TURMA/DRJ-SÃO PAULO/SP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO - CSLL Exercício: 2002 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. RAZÕES DE DEFESA. IMPERTINÊNCIA, Tratando os autos de lançamento tributário derivado de infração não contestada pelo contribuinte (falta de recolhimento de tributo e contribuição em virtude de declaração inexata), revela-se impróprio apreciar, em sede de julgamento, eventual erro de identificação do sujeito de passivo supostamente provocado por registro indevido de rendas auferidas por terceiro. Não obstante, seja em razão da falta de comprovação, seja em virtude da responsabilidade por sucessão, o argumento de defesa não merece ser acolhido. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPENSAÇÃO. Para que a autoridade administrativa possa reconhecer o direito creditório do contribuinte e, por via de consequência, considerar as compensações tributárias alegadas, é necessário que sejam aportados aos autos documentos que demonstrem a certeza e liquidez do crédito alegado, ex vi do disposto no art. 170 do CTN, MULTA ISOLADA. FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. MULTA PROPORCIONAL. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em aplicação concomitante sobre a mesma base de incidência quando resta evidente que as penalidades, não obstante derivarem do mesmo preceptivo legal, decorrem de obrigações de naturezas distintas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade manter a multa isolada, ixsermos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os EDITA 2010 WILSO FERNA RÃES - Relator Conselheiros Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Daniel Salgueiro da Silva e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Ausente, justificadamente o Conselheiro Irineu Bianchi, MARCOS RODRIGUES DE MELLO - Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade, Guilherme Pallastri Gomes da Silva e Marcos Rodrigues de Mello. 2 Processo n° 16561.000080/2006-81 S1-C3T2 Acórdão n 1302-00323 Fi 2 Relatório ARCOM S/A (sucessora por incorporação de ARCOM PARTICIPAÇÕES LTDA.), já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 16-16.617, de 05/03/2008, da 5' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo - 1 / SP, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. O presente processo foi inicialmente distribuído para o Conselheiro Waldir Veiga Rocha, da Primeira Turma Ordinária desta Terceira Câmara. Entretanto, diante da constatação de que o julgamento da lide guarda inteira relação com o discutido nos autos do processo administrativo 16561.000079/2006-57, os feitos foram reunidos nesta Segunda Turma Ordinária para apreciação conjunta. Por não merecer reparos, adoto, na íntegra, o Relatório elaborado pelo ilustre Conselheiro Waldir Veiga Rocha. O relatório do processo por ocasião do julgamento em primeira instância é minucioso e bem esclarece sobre o ocorrido, motivo pelo qual peço vênia para aqui transcrevê-lo: DA AUTUAÇÃO O Termo de Verificação Fiscal de ,fls, 199 a 212, relativo à apuração de crédito tributário do ano-calendário de 2001, relata, em síntese, o seguinte; 1. DOS ATOS SOCIETÁRIOS OCORRIDOS ATÉ 2001 A fiscalizada constituiu-se como sociedade por quotas de responsabilidade limitada, cujo capital social era de R$ 10.000,00, subscrito, integralizado e dividido em 100 quotas no valor de R$ 100,00 cada, conforme Instrumento Particular de Constituição de Contrato Social, datado de 19/02/2001 (lis. 36/40). Por força de incorporação do acervo líquido derivado da cisão parcial da Arcam Comércio, Importação e Exportação Ltda. (atual Arcom SA., CNPJ 25,769,266/0001-24), o capital social passou a ser de R$ 16878L317,05 (100.000 quotas de R$ 1 .687,81 cada), conforme documentos de .fls, 41/47, 48/49 e 50/67, Posteriormente, promoveu-se o aumento de seu capital social - com versão de recursos da conta "Reserva de Capital" no valor de R$ 18,682,95 — que passou a ser de R$ 168200,000,00 (100.000 quotas de R$ L688,00 cada). Através do Instrumento Particular de Re-Ratificação da Ata de reunião dos Quotistas datada de 28/02/2001 Uh, 73/86), restou re-ratificada a aprovação da incorporação do acervo líquido cindido da ArCOM Comércio, Importação e Exportação Ltda. 7— 3 Lucro líquido antes do IRPJ / CSLL + Adições Exclusões (34,692.794,11) 56, 664,.000,96 20..374.879,10 Lucro real/Base de cálculo da CSLL + Adições 56.664.000,96 57.338.670,47 DIPJ apresentada à SRF DIPJ pretensamente apresentada à SRF Lucro líquido antes do IRPJ - 34.692.794,11 -29.467.463,62 - Exclusões Lucro real 20.374.879,10 1.596.327,75 20.374,879,10 7.496.327,75 2 DAS INFRAÇÕES APURADAS 2.1 — Das diferenças nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, apuradas a partir do cotejo da escrituração com dados da DIPJ Inicialmente, salienta-se que a fiscalizada apresentou 2 DIPJs relativas ao ano-calendário de 2001 (tl. 128). A primeira abarca o período desde a sua constituição até 28/02/2001, compreendendo, pois, o intervalo anterior à incorporação do acervo líquido derivado da cisão parcial da Arcom Comércio, Importação e Exportação Ltda. Todos os valores da Demonstração do Resultado, da Demonstração do Lucro Real, do Cálculo do IRPJ e da Cálculo da CSLL da referida DIPJ estão zerados (fls. 129/146). A segunda DIPJ (lis. 147 a 189) abarca o período posterior à aludida incorporação, com os valores a seguir sintetizados (valores em reais): Na Demonstração do Resultado transcrita no Livro Diário, consta como importância intitulada "Lucro Antes dos Impostos (antes da dedução da CSLL e da Provisão para IRPJ) o valor negativo de R$ 28.792 794,11 (II. 89), O mesmo valor consta da Parte A do LALUR (lis. 110/117). Comparando-se esse valor com o constante da DIPJ (- R$ 34,692,794,11, correspondente ao Lucro antes do IRPJ / CSLL), obtém-se uma diferença não declarada de R$ 5.900.000,00 (R$ 34.692,794,11 - R$ 28.792..794,11.) rnesma diferença acima identificada também pôde ser aferida a partir de um fato ocorrido no curso da análise dos documentos apresentados pela fiscalizada. Almejando justificar a adição de lucros disponibilizados no exterior (fls. 24/29), a fiscalizada juntou cópia da Ficha 09A da DIPJ que pretensamente teria sido apresentada à SRF (li. 106). É de se notar, todavia, que a base de cálculo do IRPJ (Linha 46 — Lucro Real) constante nessa Ficha 09A é deveras discrepante daquela apontada na DIPJ efetivamente apresentada, conforme se evidencia pela quadro a seguir.. O quadro acima também conduz à mesma diferença de R$ 5.900.000,00 (R$ 7,496,327,75 - 1.596 327,75), diretamente na base de cálculo do IRPJ. 4 Processo n° 16561 000080/2006-81 S1-C3T2 Acórdão n° 1302-00.323 FI 3 Uma última demonstração de que a base de cálculo tanto do IRPJ quanto da CSLL alcança o valor de R$ 7 496327,75 pode ser extraída a partir do exame dos dados relacionados ao mês de dezembro (fls., 171 e 184) nas Fichas 11 (Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa) e 16 ("Cálculo da CSLL Mensal por Estimativa) da DIPJ efetivamente entregue à SRF (fls. 171/172 e 184, respectivamente). Como a fiscalizada determinou as bases de cálculo mensais utilizando-se de balanças/balancetes de suspensão/redução, a base de cálculo do balanço/balancete do mês de dezembro deve coincidir com a base de cálculo anual do tributo, Resta evidente que a fiscalizada, a despeito do correto preenchimento das fichas de estimativas mensais, reduziu os valores das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, quando do preenchimento das Fichas 09A e 17, restando comprovada a infração de R$ 5,900,000,00, Justificando o lançamento de oficio de IRPJ e CSLL. 2.2 — Da necessidade de constituição de valores declarados na DIPJ Trata-se a DIPJ de obrigação acessória que não constitui instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário (trata-se tão-somente de declaração com caráter informativo). Atualmente, uma das obrigações acessórias que se reveste das características previstas no artigo 5 0, § 10, do Decreto-lei n°2124/84 (confissão de dívida), é a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF).. Pesquisas realizadas nos sistemas informatizados da SRF (fls. 118/119) evidenciam duas constatações em relação ao IRPJ do ano-calendário de 2001.. A primeira delas é que a contribuinte não declarou em DCTF qualquer valor relativo ao IRPJ de tal período (nem mesmo as estimativas mensais por ela declaradas como devidas na Ficha 11 da DIPJ). A segunda é que tampouco consta nos sistemas de controle de pagamentos da SRF qualquer recolhimento efetuado pela fiscalizada a título de IRPJ do ano- calendário de 2001. Dessa forma, no tocante ao IRPJ, apresenta-se imprescindível o lançamento não só do crédito tributário apurado a partir da diferença da base de cálculo apontada no item anterior (R$ 5.900.000,00), mas também daquele determinado a partir da própria base de cálculo declarada na Ficha 09A (R$ 1,596,327,75), totalizando R$ 7.496,327,75. Analogamente ao acima discorrido acerca do IRPJ, verifica-se que com relação à CSLL a .fiscalizada declarou em DCTF valores de estimativas devidas em 3 períodos (setembro, outubro e novembro) de 2001 (fls. 120/124), tendo efetuado os correspondentes recolhimentos «is. 125/127), A tabela abaixo resume os valores declarados em DCTF e os correspondentes recolhimentos de CSLL: Período de apuração TicIfor deelal-ado (1?$) 1 Pogrillielito (R$) Setembro/2001 1.857,22 1.857,22 Outubro/2001 83.568,44 83.568,44 Novembro/2001 41.848,95 41.848,95 Outrossim, cabe computar as bases de cálculo correspondentes a tais recolhimentos, de forma a precisar o valor a ser lançado, No caso em questão, torna-se possível efetuar o cálculo inverso (à alíquota de 9%), levando-se em consideração as estimativas mensais (porquanto, para a apuração destas, a fiscalizada utilizou-se de balanços/balancetes de suspensão/redução). O demonstrativo abaixo resume os valores envolvidos.: •:Período de:apuração. •CSLI"(R, ): Base de cálculo. (IW Setembro/2001 1.857,22 20.635,78 Outubro/2001 83.568,44 928.538,22 Novembro/2001 41 848,95 464.988,33 Total a ser excluído 1:414.162,33 Dessa forma, no tocante à CSLL, há que se efetuar o lançamento de ofício considerando-se a base de cálculo de R$ 6 082.165,52 (R$ 7.496..327,75, diminuído de R$ 1.414 162,33, declarado em DCTF). 2,3 — Das multas isoladas A fiscalizada não efetuou o recolhimento de estimativas obrigatórias do IRPJ e da CSLL (evidenciadas nas Fichas 11 e 16 da DIPJ, respectivamente.), dando ensejo ao lançamento da multa isolada, nos termos do artigo 44, inciso 1, e ,ss - 1 0, inciso IV, da Lei n°9.430/96 e dos artigos 16 e 49 da IN SRF n°93/97. No que se refere ao 1RPJ, como não houve qualquer recolhimento, as bases de cálculo do lançamento são as próprias estimativas mensais apontadas na Linha 11 da Ficha 11, conforme a seguir demonstrado (valores em reais): Março Estimativa 211.954,19 0,00 ' BC da multa 211.954,19 - Multa (75%) 158.965,64 Abril 225.431,36 0,00 225.431,36 169.073,52 Maio 231.154,45 0,00 231.154,45 173.365,84 Junho 0,00171.761,20 171.761,20 128.820,90 Julho 274.096,37 0,00 274.096,37 205.572,28 Agosto 0,00229.998,65 229.998,65 172.498,99 Setembro 234.280,21 0,00 234.280,21 175.710,16 Outubro 229.856,77 0,00 229.856,77 172.392,58 Novembro 0,00114.247,09 114.247,09 85.685,32 Dezembro 0,00 Total 0 0,00 1.922.780,29 0,00 1.922.780,29 0,00 1,442.085,22 Com relação à CSLL, tendo sido efetuados recolhimentos de algumas antecipações obrigatórias relativas a 2001 (Linha 07 da Ficha 16), conforme a seguir demonstrado (valores em reais): Período ::£s6Máti.Va Valor P0..0 BC da multa .Multa (75%) Março 77.023,51 0,00 77.023,51 57.767,63 Abril 0,0081.875,29 81.875,29 61.406,47 Maio 83.935,60 0,00 83.935,60 62.951,70 Junho 62.554,03 0,00 62.554,03 46,915,52 Julho 99.394,700,0099.394,70 74.546,03 Agosto 83.519,51 0,00 83.519,51 62.639,63 Processo n° 16561 000080/2006-81 Acórdão n ° 1302-00323 S1-C3T2 Fl 4 Setembro 85.060,87 1.857,22 83.203,65 62.402,74 Outubro 83.468,44 83.568,44 0,00 0,00 Novembro 41.848,95 41.848,95 0,00 0,00 Dezembro 0,00 0,00 0,001 0,00 Total 698.680,90 127.274,61 571.506,29 428.629,72 3. DOS PROCESSOS FORMALIZADOS Além do presente processo (de n" 16561.000080/2006-81), relativo a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas de CSLL, foi formalizado o processo n° 16561.000079/2006-57, relativo a IRPJ, CSLL e multa isolada por falta de recolhimento de estimativas de IR.P1 DOS LANÇAMENTOS Em face do exposto, ,foi efetuado, neste processo, lançamento (Auto de Infração de CSLL, fls. 190 a 192) relativo ao ano- calendário de 2001 de "Multa exigida isoladamente", no montante de R$ 428.629,72, com fundamento artigo 44, § 1°, inciso IV, da Lei n" 9.430/96. DA IMPUGNAÇÃO Cientificada do lançamento em 22/12/2006 01 191), a contribuinte, por meio de seu representante, apresentou, em 22/01/2007, a impugnação de fls.. 214 a 227, alegando, em síntese, o seguinte: PRELIMINARMENTE — DA NECESSÁRIA REUNIÃO DE PROCESSOS O presente processo trata única e exclusivamente de multa isolada aplicada por alegada insuficiência no valor da CSLL recolhida sob o regime de estimativa, como antecipação do valor devido na declaração de ajuste. Essa exigência, no entanto, só poderá prevalecer se e quando transitar em julgado na esfera administrativa eventual decisão que mantenha a exigência do principal, feita através do Auto de Infração que deu origem ao processo n°16.561.000079/2006-57. Por esse motivo, impõe-se a chamada reunião de processos, prevista no § I' do artigo 90 do Decreto n" 70.235/72, como medida de economia processual e de segurança jurídica, evitando-se a prolação de decisões conflitantes, que certamente adviriam caso a exigência .feita através do processo nü 16561.000079/2006-57 seja julgada improcedente.. NO MÉRITO No mérito, a exigência de multa isolada deve ser julgada improcedente, em ,face das mesmas razões já expostas na impugnação ao Auto de Infração que deu origem ao processo /1° 16561.000079/2006-57, a seguir transcritas. DAS INFRAÇÕES APURADAS EM RAZÃO DE DIVERGÊNCIAS NA DIPJ/2001 A diferença entre o valor do lucro real apurado pela impugnante e aquele apurado pelo Auditor Fiscal monta a exatos R$ 5.900,000,00, No entanto, o simples exame da Ficha 6A (Demonstração de Resultado), Linha 36 (Outras Despesas Financeiras), permite inferir que a impugnante cometeu um evidente erro de digitação na declaração de rendimentos, informando o valor de R$ 6.552.684,74 (doc. 3), enquanto o valor correto seria de R$ 652.684,74 (doc. 4), composto pelas contas contábeis 41109001, 41109003 e 41109004 (docs. 5, 6 e 7), valor esse também facilmente identificado no balanço e demonstrações financeiras do ano de 2001 (doc. 8). A existência desse erro de digitação poderia até mesmo dar margem à exigência ,fiscal formalizada através do Auto de Infração contestada, não houvesse a impugnante incorrido em outro equívoco, ao registrar como receita tributável o resultado apurado no exterior pela Arcom Corporation, conforme se demonstrará a seguir.. DOS VALORES EXIGIDOS A TITULO DE IRPJ E CSLL Do exame da contabilidade e da própria DIPJ do ano- calendário de 2001 infere-se que parcela relevante da base de cálculo do IRPJ e da CSLL é composta de adições de lucros auferidos no exterior através de controladas, registrados na Ficha 09A da DIPJ (doc. 9). Caberia, portanto, ao Auditor Fiscal examinar a origem desses lucros e apurar quem seria, na realidade, o verdadeiro contribuinte dos tributos que incidem sobre esses rendimentos. Nesse sentido, tenha em conta que a impugnante passou a ser a única titular do investimento na sociedade ArCOM Corporation, em razão de um processo de cisão parcial da anterior controladora (Arcom Comércio Importação e Exportação Lida), seguida de incorporação. Tendo a referida cisão, seguida de incorporação, se consumado em 28/02/2001, e implicado transferência de participação societária em empresa no exterior' para outra sociedade, cabe averiguar se e quando os lucros registrados pela empresa no exterior seriam tributáveis e, em caso positivo, quem seria o contribuinte. A eleição do alienante como contribuinte do 1RPJ incidente sobre os lucros registrados por controlada no exterior está prevista no artigo 2', § 9°, da IN SRF n° 38/96, e no artigo 1', § 2', alínea "b", item "4", da Lei n° 9.532/97, e, ainda hoje, na IN SRF n°213/2002. Assim, as referidas cisão e incorporação caracterizam, sei dúvida, o aspecto temporal da hipótese de incidência tributária. Processo n" 16561.000080/200641 Acórdão w° 1302-00.323 S1-C3T2 Fl 5 A legislação elegeu como contribuinte o ahenante da participação societária, e não aquele que a recebeu, não importando, para esse . fim, a forma como se deu a alienação, Cabe ao alienante a obrigação de apurar e pagar eventuais tributos sobre o lucro disponibilizado por ,força de reorganização societária, e não à incorporadora. Resta claro que o erro cometido pela impugnante ao oferecer à tributação o lucro registrado pela sociedade no exterior vertida a seu patrimônio em razão de cisão seguida de incorporação passou totalmente desapercebido pelo Auditor Fiscal autuante, Houvesse ele investigado atentamente a sucessão dos fatos narrados, como exige o artigo 142 do CTN, fatalmente teria chegado à conclusão de que nada era devido pela impugnante a esse título. Dessa forma, deve o presente lançamento ser considerado nulo, por erro na eleição do sujeito passivo. Em resumo, a impugnante teria apurado prejuízo fiscal e base de cálculo da CSLL, caso não houvesse incorrido no equívoco de oferecer indevidamente à tributação os lucros registrados pela Arcam Corporation, conforme demonstrativo deli, 224, DA MULTA ISOLADA A imptignante sofreu exigência de multa isolada, sob a alegação de que teria havido insuficiência no valor dos recolhimentos do IRPJ devido em bases estimadas, De início, é importante destacar que, em face do ato de incorporação, a impugnante recebeu vários ativos da empresa cindida Arcam Comércio Importação e Exportação Ltda., dentre eles 2 créditos de imposto, que não foram considerados pela fiscalização. O primeiro, no valor de R$ 3.664.419,61, encontra- se escriturado na conta contábil n o 11205001 — IRPJ saldo de exercícios anteriores (doc, 10) e o segundo, no valor de R$ 285,022,12, escriturado na conta 11203001 — IRRF a recuperar de aplicações financeiras (doc. 11), Além desses créditos, há também valores relativos a 1RRF sobre aplicações financeiras resgatadas durante 2001, no montante de R$ 81.900,49, igualmente escriturados na conta 11203001 — IRRF a recuperar de aplicações financeiras (doc. 11), e não considerados pela fiscalização. Como os sistemas da Receita Federal na época não permitiam o acesso à demonstração dos créditos transferidos por força de operação de cisão, não foram demonstradas na DIPI da imprignante as compensações das antecipações dos recolhimentos estimados feitos durante o ano de 2001. Resta acrescentar que a exigência feita a título de multa isolada também não deve prosperar por 2 razões distintas. A primeira, porque nada é devido a título de IRPJ, conforme retro demonstrado. A segunda, porque a cumulação da multa isolada 9 com a multa de oficio é totalmente ilegal, porquanto admiti-la corresponderia a concorda que a ,fiscalização pudesse, de maneira oblíqua, impor penalidade de 150% do imposto devido, aplicável apenas na hipótese de evidente intuito de fraude, o que não é o caso. A exigência da multa isolada por falta ou insuficiência no valor do tributo devido por estimativa só se justifica quando o contribuinte , for surpreendido no curso do ano-calendário, ou quando deixar de levantar balanços de suspensão ou redução e apura prejuízo ,fiscal por ocasião do ajuste. Excetuadas essas hipóteses, inexigível a multa isolada de forma cumulativa com a multa de oficio, conforme pacífica jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes (fls. 225 e 226). Demonstrada a impossibilidade de cumulação de multas, impõe- se o imediato cancelamento da exigência .feita a título de multa isolada. Por fim, merece registro que a MP n° 303/2006, de 29/06/2006, reduziu a 50% do valor do imposto devido o percentual aplicável para fins de cálculo das multas isoladas, e que esse percentual deveria ter sido levado em conta pela fiscalização por ocasião do lançamento, por força do artigo 106 do CTN, DA EXIGÊNCIA DE CSLL Os mesmos argumentos acima expostos para demonstrar a improcedência da exigência de IRPJ sobre os lucros registrados no exterior pela controlada da impugnante aplicam-se integralmente à CSLL, já que as regras que disciplinam a tributação pelo IRPJ de resultados auferidos no exterior foram estendidos à CSLL: DO PEDIDO Por todo o exposto, requer a impugnante, preliminarmente, a reunião deste processo com o de n" 16561.000079/2006-57, e, no mérito, o cancelamento da exigência fiscal, Por .fim, protesta pela produção de todas as provas em Direito admitidas, sobretudo a perícia contábil a realização de diligências e ajuntada de novos documentos. A 5' Turma da DRJ em São Paulo - I / SP analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão n° 16-16.617, de 05/03/2008 (fls. 275/290), considerou parcialmente procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto.: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL Ano-calendário: 2001 MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO CUMULATIVA COM A MULTA DE OFÍCIO Por determinação expressa da Instrução Normativa n" 93, de 1997, constatada a falta de. pagamento do imposto por estimativa, devem ser exigidas as multas sobre os valores 4evidos por estimativa e não recolhidos, e o imposto apurado nL\ 10 Processo n° 16561,000080/2006-81 S1-C3T2 Acórdão n ° 1302-00.323 Fl. 6 pelo ajuste anual, acrescido da MULTA de oficio pelo seu não recolhimento. Todavia, a aliquota é reduzida para 50% em virtude da edição da Lei n°11.488/2007. Ciente da decisão de primeira instância em 24/04/2008, conforme Aviso de Recebimento à ft 29.5, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 26/05/2008 conforme carimbo de recepção ãfolha 296. No recurso interposto (fih, 298/305), a recorrente insiste, preliminarmente, quanto à necessidade de reunião do presente processo, que trata de multa isolada por falta de recolhimento de estimativa da CSLL, ao processo de n f; 16561.000079/2006-57, "no qual se discute a exigência da CSLL, com os acréscimos de juros e multa de oficio no percentual de 75%, decorrente de supostas diferenças na base de cálculo apurada a partir do cotejo da escrituração com dados da D1PJ e de valores informados na DIPJ, mas não declarados em DCTF". Por sua ótica, a multa isolada, na qualidade de acessório, estaria condicionada à sorte do feito administrativo que exige o principal (tributo). No mérito, a recorrente sustenta a inaplicabilidade da multa isolada em concomitância com a Inulta de oficio. Afirma que teria ocorrido "duplicidade de penaliza ção para a mesma infração, qual seja, o não recolhimento da CSLL supostamente devida em 2001. Tanto é assim que incidiram sobre a mesma base de cálculo", Colaciona jurisprudência administrativa que entendefavorável a sua tese, Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Trata a lide de exigência de MULTA ISOLADA, decorrente da falta de recolhimento de estimativas de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido no ano-calendário de 2001. Como relatado anteriormente, a exigência contestada no presente processo deriva de procedimento no qual foram apuradas outras infrações (falta de recolhimento de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRRT) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e falta de recolhimento de estimativas de Imposto de Renda Pessoa Jurídica), que foram formalizadas em feito administrativo diverso (processo administrativo n° 16561.000079/2006-57). Em que pese o fato de os lançamentos tributários tratados no processo administrativo n° 16561.000079/2006-57 serem passíveis de apreciação de forma desvinculada do trazido nos presentes autos, o Colegiada, entendendo que isso (apreciação de forma desvinculada) não poderia se realizar em relação à multa isolada lançada em razão da falta de recolhimento das estimativas de CSLL, decidiu pelo julgamento conjunto das lides correspondentes. Nesse diapasão, transcrevo, a seguir, o entendimento esposado no processo administrativo n° 16561,000079/2006-57 acerca dos fatos apontados pela autoridade fiscal. Trata a lide de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativas ao ano-calendário de 2001, formalizadas a partir da imputação de falta de recolhimento, e de multa isolada por falta de recolhimento de antecipações obrigatórias (estimativas). A autoridade fiscal identificou divergência entre o resultado contábil assinalado na Declaração de Informações (prejuízo de R$ 34.692,794,11) e o registrado no Livro Diário (prejuízo de R$ 28.792.794,11), resultando numa diferença de R$ 5,900,000,00, Essa mesma diferença foi detectada na análise da FICHA 09A (fih, 106) em que a base de cálculo do imposto ali informada (R$ 7.496 327,75) é distinta da apontada na DIPJ efetivamente entregue (R$ 1.596,327,75), fis 148/151 Assinala a autoridade fiscal no Termo de Verificação Fiscal de ,fls. 207/220: "Calha notar que a mesma diferença acima identificada também pôde ser aferida diretamente na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, a partir de um fato apurado no curso da análise dos documentos apresentados pelo fiscalizado, em resposta ao já mencionado Termo de Intimação, Em fitnção do intitulado "Item 10 — A" de sua resposta (fIs. 24/29), almejando justificar a a4Lção de lucros disponibilizados do exterior', o fiscal" 12 Processo n° 16561.000080/2096-81 S1-C3T2 Acórdão n ° 1302-00,323 Fl. 7 juntou cópia da Ficha 09A da DIPJ que pretensamente teria sido apresentada à SRF (a ficha apresentada em comento inclusive se encontra rubricada pelo representante legal e teve a linha 05 destacada pelo próprio contribuinte com tinta colorida, tendo por objetivo ressaltar o lucro disponibilizado) Uh 106). É de se notar, todavia, que a base de cálculo doIRPJ (Linha 46— Lucro Real) constante em tal pretensa Ficha 09A é deveras discrepante daquela apontada na DTPJ efetivamente apresentada", Diante da constatação de que a Recorrente não declarou nenhum valor a título de IRPJ e CSLL em DCTF, bem como nada recolheu, os lançamentos foram formalizados com base nos valores que efetivamente deveriam ter sido declarados(diferença de R$ 5.900.000,00 acrescido do valor declarado na DIPJ), Não obstante, na determinação da CSLL a ser lançada, ,foram excluídos os valores recolhidos a título de estimativa. Em sede de recurso voluntário, a contribuinte, afirmando que por meio da impugnação interposta sustentou, preliminarmente, a necessidade da imediata reunião do presente processo com o de n° 16561.000080/2006-81, renova os argumentos ali expendidos. Destaco, de início, que não identifiquei nas peças de defesa apresentadas anteriormente (fls 222/233 e ,f1s. 272/275) qualquer alusão à reunião do presente processo ao de n' 16561 000080/2006-81. Esclareço, também, que o argumento da Recorrente de que a exigência da multa isolada relativa à estimativa de CSLL só poderá prevalecer se e quando tornar-se irreformável a decisão administrativa que eventualmente mantenha a exigência da contribuição, não merece guarida, vez que a multa em questão, em conformidade com o Termo de Verificação Fiscal de fi.s. 207/220, derivou exclusivamente do confronto entre os valores declarados pela contribuinte, a titulo de estimativas devidas, nas FICHAS 11 (IRPJ) e 16 (CSLL) da Declaração de Informações (DIPJ) e os recolhidos ou declaradas em DCTE Passo, pois, a apreciar os demais argumentos trazidos pela ora Recorrente, ERRO DE DIGITAÇÃO Esclarece a Recorrente que o simples exame da Ficha 6A (Demonstração de Resultado), Linha 36 (Outras Despesas Financeiras), permite inferir que ela cometeu um evidente erro de digitação na declaração de rendimentos, informando o valor de 1?$ 6.552.684,74 (doe 3, fl. 241), enquanto o valor correto seria de R$ 652.684,74 'doc. 4,17. 242), composto pelas contas contábeis 41109001, 41109003 e 41109004 (docs. .5, 6 e 7), valor esse também facilmente identificado no balanço e demonstrações . financeiras do ano de 2001 (doc. 8). Diz que a existência desse erro de digitação pode até mesmo dar margem à 13 exigência . fiscal formalizada através do Auto de Infração, não tivesse ela incorrido em outro equívoco ao registrar como receita tributável o resultado apurado no exterior pela Arcam Corporation. Alega que do exame da contabilidade e da própria DIPJ do ano-calendário de 2001 é possível inferir que parcela relevante da base de cálculo do IRPJ e da CSLL era composta de adições de lucros auferidos no exterior através de controladas, registrados na Ficha 09A da DIPJ (doo 9, fl. 250), Afirma que caberia ao Auditor Fiscal examinar a origem desses lucros e apurar quem seria, na realidade, o verdadeiro contribuinte dos tributos que incidem sobre esses rendimentos, Sustenta que se deve ter em conta que ela passou a ser a única titular do investimento na sociedade Arcam Corporation, em razão de um processo de cisão parcial da anterior controladora (Ai-com Comércio Importação e Exportação Ltda), seguida de incorporação. Diz que, tendo a referida cisão, seguida de incorporação, se consumado em 28 de fevereiro de 2001, e implicado transferência de participação societária em empresa no exterior para outra sociedade, caberia averiguar se e quando os lucros registrados pela empresa no exterior seriam tributáveis e, em caso positivo, quem seria o contribuinte. Alega que a eleição do alienante como contribuinte do IRPJ incidente sobre os lucros registrados por controlada no exterior estaria prevista no artigo 2°, á' 90, da IN SRF 38/96, e no artigo 1°, § 2°, alínea "b", item "4", da Lei n°9532/97, e, ainda hoje, na IN SRF n° 213/2002, e que as referidas cisão e incorporação caracterizam o aspecto temporal da hipótese de incidência tributária, Argumenta que a legislação elegeu como contribuinte o alienante da participação societária, e não aquele que a recebeu, não importando, para esse fim, a ,forma como se deu a alienação. Diz que caberia ao alienante a obrigação de apurar e pagar eventuais tributos sobre o lucro disponibilizado por força de reorganização societária, e não à incorporadora, motivo pelo qual o presente lançamento deve ser considerado nulo, por erro na eleição do sujeito passivo. Aditou, ainda, que é defeso à autoridade julgadora alterar de oficio a matéria tributável apurada pela Fiscalização. Observo que a linha de argumentação da Recorrente é dirigida em dois sentidos, Em primeiro lugar, não discorda de que o montante de imposto .foi declarado a menor à Receita Federal, alegando, apenas, que houve erro de digitação,' em segundo, sustenta ter havido um suposto erro no oferecimento à tributação de lucros auferidos no exterior; eis que, para ela, a incidência sobre os referidos resultados deveria ser computada na alienante da participação societária da qual derivaram os citados lucros, Releva notar que os lançamentos tributários tratados no presente processo não têm qualquer relação com lucros auferidos no exterior, mas, sim, com a FALTA DE RECOLHIMENTO das exações (IRPJ e CSLL), apurada a partir do confronto entre os valores contabilizados e os declarados à Administração Tributária. Diante disso, registro, desde logo, que a linha argumentativa da Recorrente, ao ser direcionada para um suposto (outro) equívoco na apresentação de dados à Receita Federal, não 14 Processo n p 16561 000080/2006-81 Acórdão a° 1302-00323 S1-C3T2 Fl 8 guarda pertinência com os .fatos apurados pela Autoridade Com o devido respeito, em que pese as considerações que adiante serão apresentadas, recepciono as razões de defesa trazidos pela Recorrente, única e exclusivamente como uma tentativa inexitosa de identificar mácula no feito .fiscal., Corrobora tal ilação, a afirmação , feita por ela de que caberia ao Auditor Fiscal examinar a origem dos lucros auferidos no exterior e apurar quem seria o verdadeiro contribuinte dos tributos que incidem sobre esses rendimentos. Como anteriormente relatado, por meio de Termo de Intimação (fls.. 04/08), a contribuinte foi intimada a apresentar, entre outros elementos, comprovação da inclusão, na determinação da base de cálculo do imposto, dos lucros auferidos no exterior. Em resposta (lis, 24/29), informou; Item 10 — A Foram adicionados nas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Jurídica de 2002 ano calendário 2001 o valor de R$ 18.500.000,00 e de 2003 ano calendário 2002 o valor de R$ 34.689.090,10, conforme comprova-se com cópias das fichas anexas. Adições que referem-se (sic) aos lucros auferidos no exterior apontados nos balanços da ArCOM Corporation dos respectivos anos. Com relação aos exercícios de 2003 e 2004, conforme os balanços apresentados não foram apurados lucros, portanto não há o que se adicionar. Nesse contexto, a afirmação de que competiria ao Auditor Fiscal apurar quem seria o verdadeiro contribuinte dos tributos incidentes sobre os lucros auferidos exterior revela-se inaceitável. Ganha relevo, também, o argumentos esposados pela autoridade de primeira instância no sentido de que não restou comprovado que os lucros auferidos no exterior referem-se, exclusivamente, à alienante (ARCOM COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTA ÇÃO LTDA. Não obstante, ainda que assim não fosse, destaco que a Recorrente, mesmo que provasse que os lucros auferidos no exterior que ela própria ofereceu à tributação derivaram da cisão da empresa ARCOM COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, não poderia se eximir da responsabilidade pelo pagamento dos tributos incidentes sobre citada operação, eis que, em consonância com o disposto no art. 132 do Código Tributário Nacional, ao incorporar o acervo líquido da sociedade cindida, ingressou no pólo passivo da relação jurídico-tributária como sucessora, cabendo-lhe, assim, a responsabilidade pelos tributos devidos pela sucedida. Note-se, também, que, de acordo com o documento de/is. 41/47 (PROTOCOLO-JUSTIFICAÇÃO SOBRE A CISÃO PARCIAL DE ARCOM COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA), alienante (ARCOM COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA) e beneficiária (a ora Recorrente), nos termos assim considerados pela contribuinte, são sociedades pertencentes aos mesmos sócios e nas mesmas proporções, .fato que robustece a responsabilidade por sucessão aqui referenciada.. Nesse diapasão, seja por revelar contrariedade ,frente à legislação de regência, seja por distanciar-se das questões trazidas ao processo, as afirmações apresentadas no Parecer de fls 277/282, no sentido de que "jamais o imposto poderia ser exigido, como foi, da ARCOM PARTICIPAÇÕES e de que tudo leva a crer que a autuação fiscal considerou que a operação de cisão em questão teria deflagrado a disponibilização dos lucros da sociedade controlada no exterior", não merecem guarida. MULTA ISOLADA Destaca a Recorrente que, em face do ato de incorporação, ela recebeu vários ativos da empresa cindida Arcom Comércio Importação e Exportação Ltda., dentre eles dois créditos de imposto, que não foram considerados pela Fiscalização, Afirma que, como os sistemas da Receita Federal na época não permitiam o acesso à demonstração dos créditos transferidos por força de operação de cisão, não tinham sido demonstradas na sua DIPJ as compensações das antecipações dos recolhimentos estimados feitos durante o ano de 2001. Sustenta, ainda, que a exigência feita a título de multa isolada também não deve prosperar por duas razões distintas:- a primeira, porque nada é devido a título de IRP„4 a segunda, porque a cumulação da multa isolada com a multa de oficio seria totalmente ilegal, porquanto admiti-la corresponderia a concordar que a Fiscalização pudesse, de maneira oblíqua, impor penalidade de 150% do imposto devido, aplicável apenas na hipótese de evidente intuito de fraude, o que não seria o caso. Aduz que a exigência da multa isolada por falta ou insuficiência no valor do tributo devido por estimativa só se justificaria quando o contribuinte fosse surpreendido no curso do ano-calendário, ou quando deixasse de levantar balanços de suspensão ou redução e apurasse prejuízo fiscal por ocasião do ajuste, Para ela, excetuadas tais hipóteses, a multa isolada de forma cumulativa com a multa de ofício é inexigível. No que tange às supostas compensações feitas por meio da utilização de créditos derivados da parcela de patrimônio da Arcom Comércio Importação e Exportação Ltda, na mesma linha do decidido em primeira instância, sou pelo não acolhimento do argumento de defesa, eis que a Recorrente não aportou aos autos elementos que permitam aferir a veracidade da alegação, seja no que diz respeito à certeza e liquidez dos créditos envolvidos, seja em relação à compensação. Quanto à multa isolada, rejeito, preliminarmente, a arguição de que nada é devido a título de IRPJ, vez que, como já disse, a aplicação da penalidade foi feita com base em valores declarados pela própria contribuinte, 16 WILSO Processo n° 16561000080/2006-81 S1 -C31-2 Acórdão n 1302-00323 Fl. 9 No que diz respeito à aplicação cumulativa da multa em apreço com a incidente sobre o imposto apurado, filio-me ao entendimento esposado na decisão recorrida no sentido de que inexiste duplicidade de incidência sobre um mesmo fato, pois, na situação sob análise, estamos diante de duas infrações distintas, quais sejam a) falta de recolhimento do imposto em razão de declaração inexata prestada à Receita Federal; e b) falta de recolhimento das antecipações obrigatórias (estimativas). Em convergência com o decidido em primeira instância, entendo que a norma legal aplicada (art. 44 da Lei n° 9,430/96) revela obrigações distintas que, uma vez inobservadas, podem ensejar a aplicação da sanção.. A primeira, consubstanciada no dever de recolher imposto e contribuição com base em estimativa a que se submetem as pessoas jurídicas que, por opção, apuram o resultado tributável anualmente; a segunda, decorrente da opção referida anteriormente, surge em conseqüência da eventual apuração de saldo positivo no resultado tributável anual. Face ao exposto, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso Aplicando, por inteiro, os fundamentos acima expendidos, conduzo meu voto no sentido de negar provimento ao recurso interposta 17
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