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Numero do processo: 10825.900490/2006-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1999 Ementa: DCTF. INSTRUMENTO HÁBIL À CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. O débito confessado por meio de DCTF só pode ser alterado mediante retificação desta, que deve ocorrer no prazo de cinco anos. A DCTF entregue pelo sujeito passivo se constitui em instrumento por meio do qual o contribuinte informa o valor do crédito tributário apurado em favor do Fisco. Havendo erro na apuração a parte interessada tem prazo de cinco anos para retificá-la. O prazo quinquenal de que trata o artigo 149, parágrafo único, do CTN, é aplicável tanto ao Fisco quanto do contribuinte. Decorrido o prazo de cinco anos não é lícito ao sujeito passivo retificar a DCTF para alterar o valor apurado no passado, objetivando diminuir o imposto a pagar e fazer aflorar créditos a serem utilizados por meio de compensação. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação pressupõe a existência de crédito do devedor para com o credor. No momento em que o sujeito passivo não retificou a DCTF, antes do prazo decadencial, não fez com que se materializasse o valor pago a maior, cujo montante pretende utilizar, mediante compensação, para extinguir outros débitos. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-001.167
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório o voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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INSTRUMENTO HÁBIL À CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. O débito confessado por meio de DCTF só pode ser alterado mediante retificação desta, que deve ocorrer no prazo de cinco anos. A DCTF entregue pelo sujeito passivo se constitui em instrumento por meio do qual o contribuinte informa o valor do crédito tributário apurado em favor do Fisco. Havendo erro na apuração a parte interessada tem prazo de cinco anos para retificála. O prazo quinquenal de que trata o artigo 149, parágrafo único, do CTN, é aplicável tanto ao Fisco quanto do contribuinte. Decorrido o prazo de cinco anos não é lícito ao sujeito passivo retificar a DCTF para alterar o valor apurado no passado, objetivando diminuir o imposto a pagar e fazer aflorar créditos a serem utilizados por meio de compensação. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação pressupõe a existência de crédito do devedor para com o credor. No momento em que o sujeito passivo não retificou a DCTF, antes do prazo decadencial, não fez com que se materializasse o valor pago a maior, cujo montante pretende utilizar, mediante compensação, para extinguir outros débitos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório o voto que integram o presente julgado. Fl. 651DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10825.900490/200608 Acórdão n.º 1402001.167 S1C4T2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Marcelo de Assis Guerra, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 652DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10825.900490/200608 Acórdão n.º 1402001.167 S1C4T2 Fl. 0 3 Relatório O processo acima identificado retorna de diligência. Do relatório feito naquela ocasião, quando o processo esteve em pauta, transcrevo o quanto segue nos parágrafos subsequentes: Conforme demonstra a alteração contratual de fls. 16/20, datada de 11/11/2003, a recorrente foi constituída no ano de 1976, sob a denominação social de Laboratório Bauru de Patologia Clínica Sociedade Civil Ltda., tendo por objeto social o campo de “análises clínicas, abrangendo o campo de bioquímica, hematologia, hormônios, imunologia, microbiologia, parasitologia e citologia”. O acórdão recorrido, à fl. 102, diz que a DIPJ do anocalendário de 1999 foi retificada em 24/04/2008 e que as DCTF`s do terceiro trimestre de 1999 foram retificadas em 26/03/2008. Todavia, examinando os autos não foi possível localizar a existência das referidas declarações retificadoras. A DIPJ fls. 61/99, entregue em 24/04/2008, demonstra que a interessada protocolizou declaração retificadora do período de 01/01/2003 a 31/12/2003, indicando ser tributada na sistemática do lucro presumido e base de cálculo de 8% (oito por cento). Em relação à DCTF do terceiro trimestre de 1999, a contribuinte nada retificou, pois apenas constam nos autos as declarações retificadoras do segundo trimestre de 2003 (fls. 22/36), entregue em 26/03/2008, e do terceiro trimestre de 2003 (fls. 37/60), entregue em 11/11/2003. Pelo que alega a recorrente, tendo constatado pagamento a maior, isto é, feito levando em consideração a base de cálculo de 32% (trinta e dois por cento), a parte tratou de fazer as respectivas compensações. Todavia, não vieram aos autos os comprovantes de pagamento apurados com a base de cálculo de 32% (trinta e dois por cento) e tampouco a DCTF do período de 1999. O acórdão de fls. 101/104 não homologou o procedimento de compensação sob o fundamento de que o direito creditório não estava devidamente comprovado. Em síntese, no caso concreto, alega a recorrente que ao calcular o imposto devido em relação ao terceiro trimestre de 1999 utilizou base de cálculo de 32% (trinta e dois por cento), quando o correto seria 8% (oito por cento). Assim, pagou imposto a maior no ano de 1999 e, em 2004, “antes de seu crédito ser atingido pela decadência” realizou as compensações indicadas nas DCTF`s de fls. 22 e seguintes, no montante de R$ 24.987,08. Em ocasião anterior, quando este colegiado examinou a matéria, decidiu converter o julgamento em diligência para que viessem aos autos os seguintes elementos: a) cópia do contrato social que vigorava no período de apuração do crédito em discussão; b) cópias das DCTF`s referentes aos períodos dos alegados pagamentos a maior, junto com a DIPJ de cada um dos trimestres, identificando a base de cálculo aplicada e a natureza dos rendimentos; Fl. 653DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10825.900490/200608 Acórdão n.º 1402001.167 S1C4T2 Fl. 0 4 c) cópia dos comprovantes de pagamento e/ou extinção dos débitos tributários por compensação; d) quadro demonstrativo referente ao período do alegado pagamento a maior, indicando a natureza da origem da receitas (comércio, prestação de serviços, atividades de laboratórios, etc.), a base de cálculo considerada, o valor pago à época, o quanto seria devido se aplicado base de cálculo de 8% (oito por cento) e não de 32% (trinta e dois por cento) e, e) nos casos de pagamentos a maior, com débitos subsequentes, deverá a requerente fazer constar do quadro acima quando isto se deu, em que valores e em que forma (DCTF, DCOMP etc). Em atendimento ao procedimento de diligência a empresa trouxe a este processo e/ou nos autos que estão sendo examinados em conjunto, as seguintes informações ou documentos: (I) planilha com demonstrativo de imposto a pagar no 4º trimestre de 1998 e do imposto a recuperar a partir do Segundo Trimestre de 1999; (II) comprovante de entrega da DIPJ retificadora de 1999, transmitido em 21052008; (III) cópia da DCTF retificadora referente a trimestre de 1999, transmitida no ano de 2008; (IV) planilha com demonstrativo com imposto apurado com base de cálculo de 8%, em confronto com a base de cálculo de 32%, nos anos calendário de 2003, 2004 e 2005; (V) cópia do auto de infração datado de 18032008, exigindo crédito tributário com base na alíquota de 32%; (VI) planilha e quadro resumo do faturamento obtido pela empresa, no ano de 1999, indicando as fontes pagadoras, o montante em cada trimestres e as retenções de imposto de renda na fonte. (VII) Livro razão referente ao anocalendário de 1999. De posse das informações fornecidas pela parte interessada a autoridade fiscal elaborou o termo de verificação datado de 06122011, destacando os seguintes pontos: a) que o alegado direito creditório da recorrente referese à diferença pelo de ter recolhido tributos considerando base de cálculo de 32%, quando o correto, segundo seu entendimento, seria 8%; b) que esta diferença resultante entre 1998 e 2003 gerou mais de 180 PER/COMP; Fl. 654DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10825.900490/200608 Acórdão n.º 1402001.167 S1C4T2 Fl. 0 5 c) que de acordo com a DIPJ original, que utilizou base de cálculo de 32% e retificadora que utilizou base de cálculo de 8% da Receita Bruta, os valores respectivamente apurados foram: Intimada dos levantamentos feitos pela autoridade fiscal, a recorrente manifestouse destacando os seguintes pontos: a) que dos demonstrativos apurados no exaustivo trabalho da autoridade fiscal notouse algumas divergências entre a receita declarada e a receita informada em DIRF. Igualmente, percebeuse pequenas divergências entre as retenções que foram utilizadas em compensações; b) relativamente às divergências de receitas e retenções declaradas, esclarece a recorrente que a contabilização da receita era feita pela nota fiscal e o aproveitamento da retenção na fonte pelo recebimento; c) por outro lado, esclarece a recorrente que o valor da nota fiscal emitida nem sempre correspondia ao pagamento, pois existiam glosas, ainda que indevidas, pelos tomadores dos serviços; d) que os valores sem DIRF, mas representativos, são do SUS e do SEPREM, ambos órgãos públicos a quem a recorrente solicitou os devidos comprovantes, sendo que a SEPREM o forneceu e o SUS informou que tais informações somente podiam ser obtidas por meio de diligências em Brasília, pois a verba para a saúde tem origem no Ministério da Saúde que repassa para os Estados e Municípios. e) destaca, ainda, que o processo documental do SUS é diferente, pois não existe nota fiscal de serviço, mas sim relatórios que são auditados, para os quais são emitidos ofícios com estimativa de pagamento. Neste sentido a recorrente apresenta exemplos. f) Junto com a manifestação em relação ao levantamento feito pela autoridade fiscal a contribuinte juntou documentos separados por anos (1998, 1999 e 2000). Fl. 655DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10825.900490/200608 Acórdão n.º 1402001.167 S1C4T2 Fl. 0 6 g) para cada ano e para cada empresa que apresentou problemas de falta ou de divergência de valores a contribuinte elaborou planilha contendo: 1. o ano da ocorrência; 2. o nome da empresa – fonte pagadora; 3. o nº atribuído a esta empresa que irá identificálo no razão; 4. o nº do CNPJ da fonte pagadora; 5. o Banco onde eram creditados os rendimentos; 6. o faturamento líquido e a retenção em cada mês. A planilha acima referida foi instruída com cópias de notas fiscais, onde por vezes constam anotadas as glosas, novo cálculo de retenções, valor líquido pago, data de pagamento e extrato onde se encontra registrado o crédito e, por vezes, o nome do pagador. A título de exemplo de glosa ocorrida a contribuinte menciona a nota fiscal nº 2035, de 30091998, no valor original de R$ 1008,30, com glosa de R$ 45,00. Assim, o valor da referida nota passou a ser R$ 963,30 (R$ 1.008,00 – R$ 45,00 ,00 = R$ 963,30). Sobre este valor houve retenções de R$ 81,40, o que resultou em recebimento líquido de 881,90. É o relatório. Fl. 656DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10825.900490/200608 Acórdão n.º 1402001.167 S1C4T2 Fl. 0 7 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33, do Decreto nº. 70.235 de 06/03/1972, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado e preenche os requisitos de admissibilidade. Assim, conheçoo e passo ao exame da matéria. Antes de adentrar ao mérito faço questão de registrar o excelente trabalho de confecção de planilhas elaboradas tanto pela fiscalização quanto pela contribuinte. O atuar de uma facilitou no trabalho da outra e ambas propiciaram melhor esclarecimentos aos fatos. Do retorno da diligência, levando em consideração seu objeto social da recorrente, os tomadores dos serviços e demais dados existentes nos autos, já analisados quando da conversão do processo em diligência, resultei convencido de que, à luz do que foi decidido no REsp nº 1.116.399/BA, julgado sob o regime de recurso repetitivo de que trata o artigo 543C, do Código de Processo Civil, que nos termos do artigo 62A, do Regimento Interno, deve ser observado por este colegiado, a base de cálculo da tributação efetivamente era de 8%. Deixo de transcrever os fundamentos constantes do REsp nº 1.116.399/BA porque já o fiz quando da resolução que converteu o processo em diligência. Porém, a questão que diz respeito ao deslinde deste processo não está relacionada à base de cálculo e tampouco ao montante dos valores retidos na fonte. À luz do parágrafo único do artigo 142 do CTN, a atividade de lançamento, assim entendido como o procedimento tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido e identificar o sujeito passivo, é atividade administrativa vinculada e obrigatória. Quer nos casos de lançamento de ofício, quer nas hipóteses de lançamento por homologação em que o sujeito passivo, por conta própria, identifica a matéria tributável, a base de cálculo, a alíquota incidente, o quanto devido e realiza o pagamento, não há faculdade, em relação a nenhuma das partes, para exigir ou deixar de pagar tributo previsto em lei. A garantia constitucional consagrada no artigo 150, I, da CF, que veda à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios “exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça”, também contém a obrigação do contribuinte de pagar, com exatidão, os tributos previstos no ordenamento jurídico. Tal comando constitucional advém do princípio da legalidade consagrado no artigo 5º, II, da Constituição de 1988, e não é novo em nosso direito, pois já se encontrava previsto nas Constituições anteriores e no artigo 97, do Código Tributário Nacional. Nos casos de pagamento a menor cabe ao Fisco, nos termos do artigo 142 do CTN, por lançamento de ofício, exigir a diferença. Efetuado pagamento a maior, diante da impossibilidade de se exigir tributo além do montante fixado em lei, cabe à Administração Fl. 657DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10825.900490/200608 Acórdão n.º 1402001.167 S1C4T2 Fl. 0 8 proceder a restituição, que nos casos de pessoa jurídica pode darse mediante compensação, conforme previsto no artigo 170, do CTN. Ainda em relação à compensação, o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as modificações introduzidas pela Lei nº 10.637, de 2002 e Lei nº 10.833, de 2003, dispõe “in verbis”: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada ao caput pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002, DOU 31.12.2002 Ed. Extra, com efeitos a partir de 01.10.2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002, DOU 31.12.2002 Ed. Extra, com efeitos a partir de 01.10.2002. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002, DOU 31.12.2002 Ed. Extra, com efeitos a partir de 01.10.2002).” Quando examinei o processo pela primeira vez o fiz partindo da premissa de que a contribuinte, quando formulou os pedidos de compensação, havia retificado as DCTFs, sem proceder o mesmo em relação à DIPJ. Tendo por norte esta premissa entendi que as DCTF`s entregues eram documentos hábeis para constituir os débitos tributários nelas contidos, assim como para informar que tais débitos foram pagos mediante compensação. Assim, não havia o que se falar em decadência. Apesar dos fundamentos acima, como as DCTFs retificadoras não se encontravam nos autos, converti o julgamento em diligência solicitando que viessem aos autos ditos documentos. Se retificada a DCTF antes da extinção do direito da recorrente, ao meu sentir, em análise preliminar, não havia como negar a compensação ora analisada. Ocorre que a DCTF também foi retificada após o decurso do prazo de cinco anos. Assim, a premissa inicialmente considerada quando da conversão do processo em diligência, com a informação vinda aos autos, mostrouse inexistente. Nos termos do artigo 147 e seguintes do Código Tributário Nacional o lançamento pode darse por a) declaração; b) homologação e c) de ofício. No caso, interessanos o lançamento por homologação que à luz do artigo 150, do CTN, ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de identificar a matéria tributável, apurar o quanto devido e realizar o pagamento, cabendo à autoridade administrativa homologar a atividade praticada pelo sujeito passivo ou, em discordando, efetuar o lançamento de ofício. Fl. 658DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10825.900490/200608 Acórdão n.º 1402001.167 S1C4T2 Fl. 0 9 Quando o sujeito passivo, no lançamento por homologação, identifica a matéria tributável, apura a base de cálculo e calcula o valor do tributo devido, informandoo à Administração Tributária por meio de DCTF, temse a constituição de um crédito em favor do Fisco. Neste caso é o sujeito passivo que apura o valor que reconhece devido ao sujeito ativo. Por outro lado, quando o Fisco, em lançamento por declaração ou de ofício, apura o valor do imposto devido e notificao ao sujeito passivo, tem o credor o prazo de cinco anos para exigir o respectivo tributo, sob pena de prescrição. Pelo que se depreende do artigo 149, parágrafo único, este lapso temporal de 5 (cinco) anos também se verifica nos casos em que o sujeito passivo, nos lançamentos por homologação, comete erros na constituição do crédito. Por hipótese, se constituiu crédito tributário considerando base de cálculo além da devida, lhe é assegurado o prazo de cinco anos para retificar o ato de constituição do débito, no caso a DCTF. O prazo quinquenal de que trata o artigo 150, parágrafo único, do CTN, é prazo aplicável tanto em favor do Fisco quanto do contribuinte para retificarem o lançamento nas hipóteses admitidas em lei. Decorrido tal prazo não é lícito o fisco fazer exigência em face do contribuinte e, tampouco, este pode retificar DCTF para diminuir o valor anteriormente constituído. O que o contribuinte precisa entender é que ao entregar a DCTF constitui crédito em favor do Fisco, podendo retificála no prazo de 5 (cinco) anos. Decorrido tal prazo extinguese o direito da parte em retificar a DCTF. Por fim, para que não se diga que o colegiado tangenciou sobre ponto relevante em relação ao qual deveria manifestarse, deixo consignado que o fato do sujeito passivo ter entregue pedido de compensação dentro do período de cinco anos não altera o resultado do julgamento. A compensação pressupõe um crédito do devedor para com o credor. Assim, no momento em que o sujeito passivo não retificou sua DCTF, dentro do período de 5 (cinco) anos, não fez aflorar o crédito pretendido que, mediante compensação, poderia utilizar para pagamento de outro tributo. ISSO POSTO, voto no sentido de negar provimento ao recurso por reconhecer a impossibilidade de retificação da DCTF depois de decorridos 5 (cinco) anos de sua entrega. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 659DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 11011.001030/2008-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 26/04/2005, 28/04/2005, 28/06/2005, 19/10/2005, 15/09/2006, 18/09/2006
PRINCÍPIO DA AMPLA DEFESA. CONCOMITÂNCIA PARCIAL DOS PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL.
O princípio da ampla defesa não tem o condão de afastar a incidência da concomitância parcial dos processos administrativo e judicial no que tange à base de cálculo das contribuições exigidas.
Numero da decisão: 3101-001.336
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Corintho Oliveira Machado - Relator.
EDITADO EM: 26/02/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro e Corintho Oliveira Machado e Leonardo Mussi da Silva.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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FORJARIA E METALURGIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/04/2005, 28/04/2005, 28/06/2005, 19/10/2005, 15/09/2006, 18/09/2006 PRINCÍPIO DA AMPLA DEFESA. CONCOMITÂNCIA PARCIAL DOS PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. O princípio da ampla defesa não tem o condão de afastar a incidência da concomitância parcial dos processos administrativo e judicial no que tange à base de cálculo das contribuições exigidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Corintho Oliveira Machado Relator. EDITADO EM: 26/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro e Corintho Oliveira Machado e Leonardo Mussi da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 01 1. 00 10 30 /2 00 8- 96 Fl. 177DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/03 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase: O presente processo referese aos autos de infração de fls. 01/20, lavrados para a exigência das diferenças das contribuições PIS/PASEP e COFINS, não recolhidas por ocasião do registro das DI’s n.ºs 05/04210410, 05/04331110, 05/06719787, 05/11304620, 06/11082610, 06/11124984 e 06/12911580, tendo em vista a liminar deferida nos autos do mandado de segurança n.º 2005.71.00.0130578 em 20/04/2005, no sentido da não exigência de tais contribuições por parte da autoridade fiscal sobre o valor aduaneiro com os acréscimos estabelecidos no art. 7.º da Lei n.º 10.865/04. Consta a informação nos autos de infração de que a exigência do crédito tributário encontrase suspensa. O total do crédito, que corresponde tributos e juros de mora, importa em R$5.095,70. Despacho que deferiu a liminar às fls. 53. DI’s às fls. 23/50. Devidamente cientificada da autuação, a interessada apresentou a impugnação de fls. 64/85, alegando, em síntese: 1 que a impugnação deve ser apreciada, mesmo que a matéria esteja sendo discutida judicialmente, em respeito ao princípio da ampla defesa. Se a intenção do fisco fosse apenas constituir o crédito tributário para fins de prevenir a decadência, tal fato deveria constar no relatório do auto de infração. 2 a lavratura do auto de infração consubstancia desobediência à ordem judicial proferida que suspende a exigibilidade do crédito. 3 traz argumentos contrários às exigências das contribuições com base na Lei n. º 10.865/2004, entendendo ser indevido a inclusão do valor do ICMS na base de cálculo das mesmas, defendo que deva ser o valor aduaneiro conforme definição constitucional e ainda de acordo com o GATT. Junta jurisprudência do TRF 4.ª Região no mesmo sentido. Também alega a inconstitucionalidade da instituição das contribuições por medida provisório e não por lei complementar. 4 Ao final requer a improcedência dos lançamentos pelos motivos alegado e, subsidiariamente, a suspensão da cobrança dos tributos e a exclusão das penalidades sob título de multa e juros de mora em razão da existência de decisão judicial. Junta às fls. 104/127 a petição inicial do mandado de segurança impetrado. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/03 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 11011.001030/200896 Acórdão n.º 3101001.336 S3C1T1 Fl. 3 3 A DRJ em RIBEIRÃO PRETO/SP julgou a Impugnação Improcedente, ficando a ementa do acórdão com a seguinte dicção: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 26/04/2005, 28/04/2005, 28/06/2005, 19/10/2005, 15/09/2006, 18/09/2006 CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. MEDIDA JUDICIAL. Medida judicial suspensiva da exigibilidade do crédito tributário não afasta a constituição do mesmo através de auto de infração ou lançamento, tendo em vista a prevenção da decadência. ESFERA JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda Nacional, com o mesmo objeto do auto de infração, configura renúncia às instâncias administrativas, cabendo à autoridade onde se encontra o processo de determinação e exigência do crédito tributário não conhecer da petição e declarar a definitividade da exigência na esfera administrativa. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Argüições de inconstitucionalidade fogem à competência da instância administrativa, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo, hipótese em que compete à autoridade julgadora afastar a sua aplicação. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 26/04/2005, 28/04/2005, 28/06/2005, 19/10/2005, 15/09/2006, 18/09/2006 LIMINAR EM MANDADO DE SEGURANÇA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. JUROS DE MORA. Os juros de mora são devidos sempre que não houver pagamento dos tributos na data do vencimento, ainda que a exigibilidade dos mesmos esteja suspensa. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, esse bem mais restrito que a peça vestibular, pois afirma genericamente que tem direito ao princípio da ampla defesa e cingese a reprisar os argumentos esgrimidos em primeira instância contra a inclusão do valor do ICMS na base de cálculo das contribuições; ao final requer a reforma do acórdão a quo, para que seja decretada a ilegalidade dos lançamentos fiscais. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/03 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 Ato seguido, a Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação do órgão julgador de segundo grau. Relatados, passo a votar. Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Em primeiro plano, insta referir que o apelo cingiuse a apontar o princípio da ampla defesa (reproduzidas as alegações da impugnação) para requerer a apreciação da matéria de mérito, levada ao conhecimento do Poder Judiciário (base de cálculo das contribuições), e observar, equivocadamente, que o auto de infração não foi explícito quanto à sua finalidade de prevenir a decadência, lacuna que teria sido colmatada pela decisão de primeiro grau. Assim é que a irresignação em sede recursal ficou bem mais contida que na primeira fase, e nada trouxe de novo ao contencioso. Dito isso, penso que o princípio da ampla defesa foi e está sendo observado no presente processo, na medida em que todas as alegações trazidas pela recorrente foram e estão sendo objeto de análise nas instâncias competentes, entretanto, isso não tem o condão de afastar a incidência da concomitância parcial dos processos administrativo e judicial no que tange à base de cálculo das contribuições exigidas. Concomitância essa que importa renúncia à esfera administrativa, conforme enunciado da Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Ultimando, cabe admoestar a autoridade executora do presente decisum para a existência de ação judicial, com expedição de liminar a infletir seus efeitos sobre a exigibilidade do crédito tributário aqui constituído de forma definitiva. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/03 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 11011.001030/200896 Acórdão n.º 3101001.336 S3C1T1 Fl. 4 5 Ante o exposto, voto por DESPROVER o recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. Sala das Sessões, em 27 de fevereiro de 2013. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 181DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/03 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
score : 1.0
Numero do processo: 13227.000471/2006-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2002
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Não está inquinado de nulidade o auto de infração lavrado por autoridade competente e que não tenha causado preterição do direito de defesa, efetuado em consonância com o que preceitua o art. 142 do Código Tributário Nacional, especialmente se o sujeito passivo, em sua defesa, demonstra pleno conhecimento dos fatos que ensejaram a sua lavratura, exercendo, atentamente, o seu direito de defesa. PAF - CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - INOCORRÊNCIA Sem a precisa identificação do prejuízo ao livre exercício do direito ao contraditório e da ampla defesa, não há razão para se declarar a nulidade do processo administrativo, ausente a prova de violação aos princípios constitucionais que asseguram esse direito. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE/ RESERVA LEGAL. EXIGÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) POR LEI. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A partir do exercício de 2001, com a introdução do art. 17 na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) passou a ser obrigatório para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Preliminares rejeitadas
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-001.568
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pelo Recorrente e, no mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo, Guilherme Barranco de Souza e Pedro Anan Junior, que proviam o recurso.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2002 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não está inquinado de nulidade o auto de infração lavrado por autoridade competente e que não tenha causado preterição do direito de defesa, efetuado em consonância com o que preceitua o art. 142 do Código Tributário Nacional, especialmente se o sujeito passivo, em sua defesa, demonstra pleno conhecimento dos fatos que ensejaram a sua lavratura, exercendo, atentamente, o seu direito de defesa. PAF - CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - INOCORRÊNCIA Sem a precisa identificação do prejuízo ao livre exercício do direito ao contraditório e da ampla defesa, não há razão para se declarar a nulidade do processo administrativo, ausente a prova de violação aos princípios constitucionais que asseguram esse direito. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE/ RESERVA LEGAL. EXIGÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) POR LEI. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A partir do exercício de 2001, com a introdução do art. 17 na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) passou a ser obrigatório para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Preliminares rejeitadas Recurso negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2100; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13227.000471/200617 Recurso nº 908.262 Voluntário Acórdão nº 220201.568 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de janeiro de 2012 Matéria ITR Recorrente DENES GOUVEIA DALAFINI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não está inquinado de nulidade o auto de infração lavrado por autoridade competente e que não tenha causado preterição do direito de defesa, efetuado em consonância com o que preceitua o art. 142 do Código Tributário Nacional, especialmente se o sujeito passivo, em sua defesa, demonstra pleno conhecimento dos fatos que ensejaram a sua lavratura, exercendo, atentamente, o seu direito de defesa. PAF CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA INOCORRÊNCIA Sem a precisa identificação do prejuízo ao livre exercício do direito ao contraditório e da ampla defesa, não há razão para se declarar a nulidade do processo administrativo, ausente a prova de violação aos princípios constitucionais que asseguram esse direito. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE/ RESERVA LEGAL. EXIGÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) POR LEI. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A partir do exercício de 2001, com a introdução do art. 17 na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) passou a ser obrigatório para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Preliminares rejeitadas Recurso negado. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pelo Recorrente e, no mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo, Guilherme Barranco de Souza e Pedro Anan Junior, que proviam o recurso. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13227.000471/200617 Acórdão n.º 220201.568 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, DENES GOUVEIA DALAFINI, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 03/11, no qual é cobrado o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício 2002, relativo ao imóvel denominado "Fazenda Modelo", localizado no município de Chupinguaia RO, com área total de 7.706,3 ha, cadastrado na SRF sob o n° 539.8746, no valor de R$ 56.884,00 (cinqüenta e seis mil oitocentos e oitenta e quatro reais), acrescido de multa de lançamento de ofício e de juros de mora, calculados até 30/06/2006, perfazendo um crédito tributário total de R$ 137.278,15 (cento e trinta e sete mil duzentos e setenta e oito reais e quinze centavos). No procedimento de análise e verificação das informações declaradas na DITR/2002 e dos documentos coletados no curso da ação fiscal, conforme Demonstrativo de Apuração do ITR, fl. 09, a fiscalização apurou as seguintes infrações: a) exclusão, indevida, da tributação de 242,0 ha de área de preservação permanente; b) exclusão, indevida, de 3.861,2 ha de área de utilização limitada As exclusões indevidas, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal fls. 05/07, têm origem na apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA intempestivo. O Auto de Infração foi postado nos correios tendo o contribuinte tomado ciência em 25/07/2006, conforme A R de fl. 47. Não concordando com a exigência, o contribuinte apresentou, em 18/08/2006, a impugnação de fls. 48/68, alegando, em síntese: que "a Ilustre Agente Fiscal aplicou o disposto do art. 17 da IN SRF n. 73, que é medida administrativa, passando a borracha na Lei Ordinária n. 9.393/96, que possibilita o CONTRIBUINTE efetivar as devidas retificações supostamente equivocadas. "; que "caberia ao FISCO oportunizar o CONTRIBUINTE efetivar as devidas retificações e não aplicar as penalidades com base em Instruções Normativas da Receita Federal, passando de olhos vendados pela Lei hierarquicamente maior, segundo nosso ordenamento constitucional."; que "após a oportunidade de JUSTIFICATIVA, sem qualquer comunicado ou requerimento de eventual retificação, lavrou ao CONTRIBUINTE o respectivo AT'; que "Autoridade fiscalizadora deixou de observar o principio da não comutatividade, que é condição indispensável para lançamento Fl. 132DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 que "Como se verifica, com tudo o que foi alegado, provocado e comprovado, não tem como prosperar uma autuação com erros, vícios e arbitrariedades, por uma fiscalização por amostragem, lavradose AI .com base em conjecturas e sem respeitar os princípios do direito”; VI que "Tratase de mera imputação a CONTRIBUINTE de haver sonegado informações ao Fisco Leão de contribuição, estas sem qualquer averiguação prévia com a mesma Portanto, seria afronta da própria legislação aos mais comezinhos princípios do direito aplicar a penalidade que se fez lavrar no presente Auto de Infração"; VII que "os autuantes procuraram a priori exacerbar as penalidades de .'. "elevadíssimos percentuais e valores, que são as máximas e somente; aplicáveis em caso de criminalidade fiscal quando, no caso, a empresa agiu de acordo com a prévia, correta e vigente orientação das respostas de consultas da própria Fazenda "; VIII que "De acordo com art. 150, inciso IV, da Constituição Federal não é permitido utilizar tributo com efeito de confisco, tal situação não respeitada pela autoridade fiscalizadora"; IX que "a imposição da multa de 75% e demais correção monetária e juros, configura ato legislativo com absoluta inconstitucionalidade "; X que "Direito ao Principio da Ampla Defesa Manutenção do Beneficio do Desconto de 50% e 40% em Caso de Parcelamento ". XI transcreve decisões judiciais e administrativas; A DRJ ao apreciar os argumentos do contribuinte, entendeu que o lançamento está correto. Insatisfeito, o interessado interpõe recurso tempestivo, reiterando os mesmo argumentos da impugnação. Pode assim ser sintetizados os principais pontos do recurso: Da preliminar de nulidade do AI; Da ausência de requisito formal essencial – não respeitando os princípios da moralidade administrativa; Da correta declaração do ITR; Da inconstitucionalidade da multa; Do direito ao princípio da ampla defesa – manutenção do benefício de 50% e 40% em caso de parcelamento. É o relatório. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13227.000471/200617 Acórdão n.º 220201.568 S2C2T2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Das Preliminares Quanto a preliminar de nulidade do lançamento, de que o lançamento seria dúbio Neste ponto cabe esclarecer que a matéria apreciada vinculase a questão tributária, ficando a autoridade restrita a observâncias das normas tributária. Em assim sendo, entendo, que o procedimento fiscal realizado pelo agente do fisco foi efetuado dentro da estrita legalidade, com total observância ao Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, não se vislumbrando, no caso sob análise, qualquer ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo legal. O princípio da verdade material tem por escopo, como a própria expressão indica, a busca da verdade real, verdadeira, e consagra, na realidade, a liberdade da prova, no sentido de que a Administração possa valerse de qualquer meio de prova que a autoridade processante ou julgadora tome conhecimento, levandoas aos autos, naturalmente, e desde que, obviamente dela dê conhecimento às partes; ao mesmo tempo em que deva reconhecer ao contribuinte o direito de juntar provas ao processo até a fase de interposição do recurso voluntário. O Decreto n.º 70.235, de 1972, em seu artigo 9º, define o auto de infração e a notificação de lançamento como instrumentos de formalização da exigência do crédito tributário, quando afirma: A exigência do crédito tributário será formalizado em auto de infração ou notificação de lançamento distinto para cada tributo Com nova redação dada pelo art. 1º da Lei n.º 8.748/93: A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Com a devida vênia, o Auto de Infração foi lavrado tendo por base os valores constantes em documentos oficiais, onde consta de forma clara a existência das áreas glosadas, que são partes integrantes do Auto de Infração, sendo que o mesmo, identifica por nome e CNPJ a autuada, esclarece que foi lavrado na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fl. 134DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 jurisdição da contribuinte, cuja ciência foi e descreve as irregularidades praticadas e o seu enquadramento legal assinado pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, cumprindo o disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional, ou seja, o ato é próprio do agente administrativo investido no cargo de AuditorFiscal O lançamento, como ato administrativo vinculado, celebrase com estrita observância dos pressupostos estabelecidos pelo art. 142 do Código Tributário Nacional, cuja motivação deve estar apoiada estritamente na lei, sem a possibilidade de realização de um juízo de oportunidade e conveniência pela autoridade fiscal. O ato administrativo deve estar consubstanciado por instrumentos capazes de demonstrar, com segurança e certeza, os legítimos fundamentos reveladores da ocorrência do fato jurídico tributário. Isso tudo foi observado quando da determinação do tributo devido, através do Auto de Infração lavrado. Assim, não há como pretender premissas de nulidade do auto de infração, nas formas propostas pelo recorrente, neste processo, já que o mesmo preenche todos os requisitos legais necessários. Enfim, no caso dos autos, a autoridade lançadora cumpriu todos os preceitos estabelecidos na legislação em vigor e o lançamento foi efetuado com base em dados reais sobre a suplicante, conforme se constata nos autos, com perfeito embasamento legal e tipificação da infração cometida. Constatado que as infrações apuradas foram adequadamente descritas nas peças acusatórias e no correspondente Relatório de Procedimento Fiscal, e que o contribuinte, demonstrando ter perfeita compreensão delas, exerceu o seu direito de defesa, não há que se falar em nulidade do lançamento. As razões para não se aceitar os argumentos do recorrente estão claramente demonstrados tanto no Termo de Verificação do Auto de Infração como na Decisão recorrida. Deste modo, voto por rejeitar as preliminares suscitadas pelo recorrente. Do Mérito A discussão principal de mérito diz respeito às áreas de preservação permanente e área de utilização limitada e a exigência do ADA. No caso concreto o ADA foi entregue intempestivamente. Como é de notório conhecimento, o ITR incide sobre: (i) o direito de propriedade do imóvel rural; (ii) o domínio útil; (iii) a posse por usufruto; (iv) a posse a qualquer título, tudo conforme ditado pela Lei nº 9.393, de 1996. Conquanto, este tributo será devido sempre que no plano fático se configurar a hipótese de incidência ditada pela norma (Lei 9393/96): (i) a norma dita que a obrigação tributária nasce sempre em primeiro de janeiro de cada ano uma vez que a periodicidade deste tributo é anual; (ii) o imóvel deve estar localizado em zona rural; (iii) os demais requisitos já constam acima posse, propriedade ou domínio útil. Tenho para mim que para excluir as áreas de Interesse Ambiental de Preservação Permanente e as de Utilização Limitada da base de cálculo do ITR e anular a sua influência na determinação do Grau de Utilização, duas condições têm de ser atendidas. Uma é a sua averbação a margem da escritura no Cartório de Registro de Imóveis outra é a sua informação no Ato Declaratório Ambiental – ADA. Destaquese que ambas devem ser atendidas à época a que se refere a Declaração do ITR. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13227.000471/200617 Acórdão n.º 220201.568 S2C2T2 Fl. 4 7 É de se ressaltar, que em nenhum momento estou questionando a existência e o estado das Reservas Preservacionistas, relatórios técnicos que atestam a sua existência não atingem o âmago da questão. Mesmo aquelas possíveis áreas consideradas inaproveitáveis, para integrarem as reservas da propriedade, para fins de cálculo do ITR, devem, no meu ponto de vista, obrigatoriamente, atender as exigências legais. Um dos objetivos precípuos da legislação ambiental e tributária é, indubitavelmente, estimular a preservação do meio ambiente, via beneficio fiscal. No entanto, o beneficio da exclusão do ITR, inclusive em áreas de proteção e/ou interesse ambiental como os Parques Estaduais, não se estende genérica e automaticamente a todas as áreas do imóvel por ele abrangidas. Somente se aplica a áreas especificas da propriedade, vale dizer, somente para as áreas de interesse ambiental situadas no imóvel como: área de preservação permanente, área de reserva legal, área de reserva particular do patrimônio natural e área de proteção de ecossistema bem como área imprestável para a atividade rural, desde que reconhecidas de interesse ambiental e desde que haja o reconhecimento dessas áreas por ato especifico, por imóvel, expedido pelo IBAMA, o Ato Declaratório Ambiental (ADA). Não tenho dúvidas de que a obrigatoriedade da apresentação do ADA para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e de utilização limitada (reserva legal) da base de cálculo do ITR, surgiu no ordenamento jurídico pátrio com o art. 1º da Lei nº 10.165, de 2000 que incluiu o art. 17, § 1º na Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, para os exercícios a partir de 2001, verbis: Art. 17 O Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria." (NR) (...) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. Tal dispositivo teve vigência a partir do exercício de 2001, anteriormente a este, a imposição da apresentação do ADA para tal fim era definido por ato infralegal, que contrariava o disposto no § 1º do inciso II do art. 97, do Código Tributário Nacional. Os presentes autos tratam do lançamento de ITR do exercício de 2002, portanto, a exigência do ADA para fins de exclusão da base de cálculo daquele tributo encontra respaldo legal, pelo quê, deve ser mantido quanto a este ponto, já o recorrente não comprovou nos autos a protocolização tempestiva do requerimento/ADA, junto ao IBAMA/órgão conveniado. É oportuno salientar, que Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem entendido em suas decisões de que a dispensa de comprovação relativa às áreas de interesse ambiental (preservação permanente/utilização limitada), conforme redação do parágrafo 7°, do art. 10, da Lei n° 9.363, de 1996, introduzido originariamente pelo art. 3º da MP n° 1.95650, de 2000, e mantido na MP n° 2.16667, de 2001, ocorre quando da entrega da declaração do ITR, o que não dispensa o contribuinte de, uma vez sob procedimento administrativo de Fl. 136DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 fiscalização, comprovar as informações contidas em sua declaração por meio dos documentos hábeis previstos na legislação de regência da matéria. Enfim, a solicitação tempestiva do ADA constituiuse um ônus para o contribuinte. Assim, caso não desejasse a incidência do ITR sobre as áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal, o proprietário do imóvel deveria ter providenciado, dentro do prazo legal, o requerimento do ADA. Portanto, não há outro tratamento a ser dada às áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal glosadas pela fiscalização, por falta de comprovação da exigência tratada anteriormente, que devem realmente passar a compor as áreas tributável e aproveitável do imóvel, respectivamente, para fins de apuração do VTN tributado e do seu Grau de Utilização (do imóvel). Desta forma, não tendo sido comprovada a protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental — ADA, junto ao IBAMA/órgão conveniado, cabe manter as glosas efetuadas pela fiscalização em relação às áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal. Da inconstitucionalidade da multa e do direito ao princípio da ampla defesa – manutenção do benefício de 50% e 40% em caso de parcelamento. No referente a suposta inconstitucionalidade das Normas aplicadas, que estaria em desacordo com princípios constitucionais, acompanho a posição sumulada pelo CARF de que não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do poder judiciário. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). Cabe esclarecer o contribuinte que a falta de recolhimento do tributo ou declaração inexata, apurada em lançamento de ofício, enseja o lançamento da multa de 75%, prevista no art. 44, da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não podendo a autoridade lançadora deixar de aplicála ou reduzir seu percentual ao seu livre arbítrio. Nestes termos, como a multa de ofício está prevista em disposições literais de lei e como as instâncias julgadoras não podem negar validade a estas disposições, não se pode aqui acatar a alegação da contribuinte. É de se manter, assim, a penalidade de 75%. Portanto em se tratando de lançamento de ofício, é legítima a cobrança da multa correspondente, por falta de pagamento do imposto, sendo inaplicável o conceito de confisco que é dirigido a tributos. Ante ao exposto, rejeito as preliminares, e no mérito, nego provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 137DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13227.000471/200617 Acórdão n.º 220201.568 S2C2T2 Fl. 5 9 Fl. 138DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10540.001239/2004-85
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA- IRPJ
Ano-calendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002
MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. INDEVIDO BIS IN IDEM. AFASTAMENTO DA MULTA ISOLADA.
Não se concebe a aplicação simultânea da multa isolada (fundamentada na falta de recolhimento por estimativa) e multa de ofício (baseada na falta de recolhimento de IRPJ) porque implica em dupla punição sobre o mesmo fato: a falta de recolhimento do IRPJ.
DECADÊNCIA. REALIZAÇÃO. LUCROS INFLACIONÁRIOS. TERMO INICIAL. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. ARTIGO 150, §4°, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. SÚMULA N° 10 DO CARF. Conforme a súmula n° 10 do CARF, “o prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva realização ou do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos”. Constatando-se a existência de pagamento antecipado do tributo, e aplicando-se a decisão do STJ a respeito do tema, em sede de recurso repetitivo, nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, tem-se a incidência, na hipótese, do artigo 150, §4°, do CTN. Recaindo a discussão sobre fato gerador ocorrido no ano de 1998, e tendo a cientificação do contribuinte ocorrido no dia 03/12/2004, tem-se por caracterizada a decadência.
Recurso especial a que se nega provimento.
Numero da decisão: 9101-001.358
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso em relação à decadência. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso em relação à multa isolada. Vencido o Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA- IRPJ Ano-calendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. INDEVIDO BIS IN IDEM. AFASTAMENTO DA MULTA ISOLADA. Não se concebe a aplicação simultânea da multa isolada (fundamentada na falta de recolhimento por estimativa) e multa de ofício (baseada na falta de recolhimento de IRPJ) porque implica em dupla punição sobre o mesmo fato: a falta de recolhimento do IRPJ. DECADÊNCIA. REALIZAÇÃO. LUCROS INFLACIONÁRIOS. TERMO INICIAL. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. ARTIGO 150, §4°, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. SÚMULA N° 10 DO CARF. Conforme a súmula n° 10 do CARF, “o prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva realização ou do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos”. Constatando-se a existência de pagamento antecipado do tributo, e aplicando-se a decisão do STJ a respeito do tema, em sede de recurso repetitivo, nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, tem-se a incidência, na hipótese, do artigo 150, §4°, do CTN. Recaindo a discussão sobre fato gerador ocorrido no ano de 1998, e tendo a cientificação do contribuinte ocorrido no dia 03/12/2004, tem-se por caracterizada a decadência. Recurso especial a que se nega provimento.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2177; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10540.001239/200485 Recurso nº 163.847 Especial do Procurador Acórdão nº 9101001.358 – 1ª Turma Sessão de 16 de maio de 2012 Matéria IRPJ Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SANTA MARTA S/A EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. INDEVIDO BIS IN IDEM. AFASTAMENTO DA MULTA ISOLADA. Não se concebe a aplicação simultânea da multa isolada (fundamentada na falta de recolhimento por estimativa) e multa de ofício (baseada na falta de recolhimento de IRPJ) porque implica em dupla punição sobre o mesmo fato: a falta de recolhimento do IRPJ. DECADÊNCIA. REALIZAÇÃO. LUCROS INFLACIONÁRIOS. TERMO INICIAL. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. ARTIGO 150, §4°, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. SÚMULA N° 10 DO CARF. Conforme a súmula n° 10 do CARF, “o prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva realização ou do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos”. Constatandose a existência de pagamento antecipado do tributo, e aplicandose a decisão do STJ a respeito do tema, em sede de recurso repetitivo, nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, temse a incidência, na hipótese, do artigo 150, §4°, do CTN. Recaindo a discussão sobre fato gerador ocorrido no ano de 1998, e tendo a cientificação do contribuinte ocorrido no dia 03/12/2004, temse por caracterizada a decadência. Recurso especial a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1758DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10540.001239/200485 Acórdão n.º 9101001.358 CSRFT1 Fl. 2 2 ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso em relação à decadência. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso em relação à multa isolada. Vencido o Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonsêca de Menezes, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Hugo Correia Sotero, Alberto Pinto Souza Júnior, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva e Silvana Rescigno Guerra Barretto. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, por maioria e por divergência. Lavrouse auto de infração contra o contribuinte, referente aos anos calendários 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 e 2002, relativo ao IRPJ, no valor de R$52.072,91, além da multa isolada pela falta de recolhimento das estimativas do IRPJ, nos meses de outubro e novembro de 1999 e janeiro a março, maio e outubro de 2000, no valor de R$61.358,74 (sessenta e um mil, trezentos e cinqüenta e oito reais e setenta e quatro centavos); à Contribuição para o PIS, no valor de R$34,24; e à CSLL, no valor de R$18.034,90 (dezoito mil, trinta e quatro reais e noventa centavos), acrescidos da multa de oficio e dos juros de mora. Conforme relatório da DRJ, apurouse as seguintes irregularidades: “1) receitas não contabilizadas, no anocalendário de 1999, no valor de R$5.268,06, caracterizadas pela diferença entre o rendimento de aplicações financeiras realizadas no Banco BBA Creditanstalt S/A, escriturados na conta 4.1.02.08.02.0004, conforme livros Diário e Razão (R$51.863,06), e o informado pelo referido banco, na Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte — DIRF (R$57.131,12). Por outro lado, o IRRF contabilizado é de R$10.095,19, enquanto que na DIRF apresentada pelo "BBA" o valor do IRRF é de R$10.441,95, gerando uma diferença a ser compensada de R$346,76. Tais Fl. 1759DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10540.001239/200485 Acórdão n.º 9101001.358 CSRFT1 Fl. 3 3 valores constam do demonstrativo "Diferença entre os valores escriturados e os apurados na DIRF", à fl. 50. O enquadramento legal aponta: art. 17 do Decretolei n° 1.598, de 1977; art. 76, § 2°, da Lei n° 8.981, de 1995; arts. 11, § 3°, e 24 da Lei n° 9.249, de 1995; arts. 247, 248, 249, inciso II, 251, parágrafo único, e 373 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR11999). 2) glosa de parte das despesas com publicidade e promoções de vendas, relativas ao anocalendário de 1999, escrituradas em várias contas, no valor de R$148.771,14. As referidas despesas foram comprovadas através de notas fiscais emitidas pela empresa Inpar Participações e Incorporações Ltda., que desenvolvia empreendimento em conjunto com a Autuada. Intimada, a "Inpar", que gerenciava o empreendimento, apresentou cópia do contrato firmado com a Autuada, chamado "Instrumento Particular de Ajuste de Empreendimento Imobiliário em Conjunto", mostrando que a participação da Autuada era de 60%, bem como demonstrativo do rateio das despesas com publicidade e promoções de vendas. Consoante o rateio, coube à Autuada despesas no valor de R$1.392.468,11, enquanto que os valores escriturados no Diário e no Razão somaram R$1.540.878,14. Os demonstrativos de fls. 55 a 57 mostram as despesas consolidadas mensalmente e as diferenças apuradas. O enquadramento legal aponta: art. 4° do Decretolei n° 486/69; art. 7° do Decretolei n° 1.598/77; e arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, e 264 do RIR11999; 3) ausência de adição ao lucro líquido dos anoscalendário de 1997 a 2001, na determinação do lucro real, do lucro inflacionário realizado em cada período, no valor de R$8.542,47, sem observância do percentual mínimo de realização, correspondente a 10% do saldo do lucro inflacionário em 31/12/1995, conforme Demonstrativo de Realização do Lucro Inflacionário, à fl. 58, e Demonstrativo do Lucro Inflacionário (SAPLI), às fls. 60 a 65. Ressaltese que, embora a Contribuinte tenha informado no LALUR a realização total do lucro inflacionário, nos anos calendário de 1996 e 1997, ela não apresentou DCTF nos referidos períodos, e também não apresentou a DIRPJ do ano calendário de 1996. No anocalendário de 1997, foi apresentada a DIRPJ, porém, sem a realização do lucro inflacionário. O enquadramento legal aponta: art. 8° da Lei n° 9.065, de 1995; arts. 6° e 7° da Lei n° 9.249, de 1995; arts. 195, inciso I, e 418 do RIR/1994; e arts. 249, inciso I, e 449 do RIR 1999; 4) diferença de imposto, no anocalendário de 2001, entre o montante escriturado e o declarado/pago, no valor de R$14.082,14. A Contribuinte apresentou as DCTF relativas a todos os trimestres de 2001, mas não apresentou a DCTF de ajuste e nem recolheu o IRPJ anual decorrente do ajuste. Do confronto entre o IRPJ apurado com base na Demonstração de Resultados transcrita no livro Diário, devidamente ajustado conforme LALUR, com o declarado em DCTF, foram Fl. 1760DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10540.001239/200485 Acórdão n.º 9101001.358 CSRFT1 Fl. 4 4 encontradas divergências. A diferença foi apurada na planilha "Demonstrativo de Apuração do Imposto de Renda Anual", à fl. 93, na qual estão registrados os valores informados na DIPJ e os apurados através dos livros Diário e LALUR e das DCTF trimestrais. O enquadramento legal aponta: art. 2° da Lei n° 9.249, de 1995; e arts. 1°, 43, 44, inciso I e § 1°, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996; 5) falta de adição à base de cálculo do imposto de renda relativo ao 1° trimestre do anocalendário de 2002, do lucro inflacionário acumulado em 31/12/2001, no valor de R$42.712,32, uma vez que a Contribuinte alterou seu regime de tributação do lucro real para o lucro presumido. No Demonstrativo de Apuração do IRPJ — 1° Trimestre 2002, à fl. 78, está demonstrado o valor do IRPJ devido após a compensação do valor recolhido. O enquadramento legal aponta: art. 54 da Lei n° 9.430, de 1996; e arts. 451 e 520 do RIR11999; 6) multa isolada pela falta de recolhimento mensal do IRPJ incidente sobre base de cálculo estimada, nos meses de outubro e novembro de 1999 e janeiro a março, maio e outubro de 2000. Constatouse que a Contribuinte declarou nas DCTF valores a título de IRPJ por estimativa, para os anoscalendário de 1999 e 2000, tendo efetuado recolhimentos referentes a alguns meses do anocalendário de 2000. Nas DIPJ foi informado que a base de cálculo do IRPJ por estimativa foi apurada em função da receita bruta e acréscimos. De acordo com as planilhas "Demonstrativo de Apuração da Receita Bruta", às fls. 81, 85, 87 e 89, e "Demonstrativo de Imposto de Renda por Estimativa", às fls. 82, 86, 88 e 90, verificouse que, em alguns meses de 1999 e 2000, a Contribuinte declarou/recolheu com insuficiência o IRPJ devido por estimativa. O enquadramento legal aponta: arts. 2°, 43, 44, inciso I e § 1°, inciso IV, da Lei n° 9.430, de 1996; e arts. 222, 841, incisos III e IV, 843 e 957, parágrafo único, inciso IV, do RIR/1999.” O contribuinte apresentou impugnação às fls. 353/417. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. 1396/1410) julgou o lançamento procedente em parte, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1993, 1994, 1997 DECADÊNCIA PARCIAL. RECONHECIMENTO DE OFICIO. LUCRO INFLACIONÁRIO. Considerase decadente o crédito tributário relativo ao imposto de renda, constituído após o decurso do prazo de cinco anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, acrescentando se que, no caso de lançamento decorrente de falta de realização do lucro inflacionário, há que se excluir do saldo do lucro Fl. 1761DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10540.001239/200485 Acórdão n.º 9101001.358 CSRFT1 Fl. 5 5 inflacionário acumulado as parcelas relativas à realização mínima obrigatória que deixou de ser efetuada nos períodos base anteriores alcançados pelo prazo decadencial. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 LUCRO INFLACIONÁRIO REALIZADO. REALIZAÇÃO MÍNIMA OBRIGATÓRIA. Constatada a falta de realização mínima do saldo de lucro inflacionário acumulado, cabe exigir o imposto correspondente à parcela não oferecida à tributação. LUCRO PRESUMIDO. REALIZAÇÃO INTEGRAL DO LUCRO INFLACIONÁRIO. No primeiro período de apuração em que optar pela tributação com base no lucro presumido, a pessoa jurídica que até o períodobase anterior houver sido tributada pelo lucro real deverá adicionar à base de cálculo do imposto de renda todo o saldo acumulado do lucro inflacionário. OMISSÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS. A diferença entre o rendimento decorrente de aplicações financeiras informado em DIRF pela fonte pagadora e o contabilizado pela pessoa jurídica deve ser tributada como omissão de receitas, caso a beneficiária do rendimento não comprove que a divergência provém de equívoco na informação prestada pela fonte pagadora. DESPESAS COM PROMOÇÃO DE VENDAS E PUBLICIDADE. GASTOS CONJUNTOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Acertada a glosa de despesas com publicidade, decorrentes de rateio efetuado em virtude de participação em empreendimento conjunto, quando a pessoa jurídica não consegue demonstrar os referidos gastos, por meio de documentos hábeis e idôneos, independentemente do fato de que, por força de cláusula contratual, a outra empresa seria a responsável pelo gerenciamento do empreendimento. FALTA DE DECLARAÇÃO/PAGAMENTO DO IMPOSTO. Comprovada a falta de declaração em DCTF do imposto de renda devido, apurado com base nos assentamentos contábeis e fiscais da pessoa jurídica, cabe o lançamento de oficio, com as devidas correções, do montante não declarado. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 1762DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10540.001239/200485 Acórdão n.º 9101001.358 CSRFT1 Fl. 6 6 A insuficiência de recolhimento das estimativas mensais do imposto de renda autoriza o lançamento de oficio da multa isolada, ressaltandose, porém, que o percentual da penalidade deve ser reduzido para 50% (cinqüenta por cento), em obediência ao princípio da retroatividade da lei mais benigna. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Contribuição para o Programa de Integração Social Pis Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. Tratandose de lançamentos decorrentes, confirmada a ocorrência dos fatos geradores que lhes deram causa, há que se manter as exigências fiscais. Lançamento Procedente em Parte O contribuinte interpôs recurso voluntário às fls. 1426/1443. A antiga Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, afastou a tributação em relação ao ano de 1998 em virtude da decadência e, por maioria de votos, afastou a multa isolada. Eis a ementa do julgado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: LUCRO REAL RECEITA FINANCEIRA CÔMPUTO NO RESULTADO Tratandose de pessoa jurídica submetida à apuração do imposto com base no lucro real, o valor referente à receita financeira auferida deve ser computado pelo seu montante bruto, apropriandose em despesa eventuais gastos que concorreram para percepção do referido rendimento. DESPESAS OPERACIONAIS COMPROVAÇÃO – Incumbe ao contribuinte trazer aos autos comprovação da efetividade do gasto deduzido como despesa na apuração do resultado tributável. LUCRO INFLACIONÁRIO REALIZADO – TRIBUTAÇÃO ESPONTÂNEA AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO Se a contribuinte não reúne aos autos elementos capazes de comprovar que, espontaneamente, submeteu à incidência do imposto o lucro inflacionário acumulado, o lançamento há de ser mantido. DECADÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO Nos tributos submetidos ao denominado lançamento por homologação, expirado o prazo previsto no parágrafo 4° do art. 150 do CTN sem que a Administração Tributária se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. RECOLHIMENTO DO IMPOSTO FALTA OU INSUFICIÊNCIA LANÇAMENTO DE OFÍCIO A falta de Fl. 1763DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10540.001239/200485 Acórdão n.º 9101001.358 CSRFT1 Fl. 7 7 recolhimento do saldo do imposto apurado no encerramento do período de apuração impõe o lançamento de oficio do montante correspondente, mormente na situação em que o débito não foi objeto de DCTF. Afastouse a multa isolada, aplicada em face da insuficiência de recolhimento por estimativa, venceu o entendimento de tratarse de dupla penalização tendo em vista a aplicação também da multa de ofício. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial (fls. 1690/1705), por maioria (relativamente à multa isolada) e por divergência (no concernente à decadência). Primeiramente, em relação à multa isolada, apontou violação ao artigo 44, §1°, inciso IV, da Lei n° 9.430/96, defendendo a possibilidade, na hipótese, de aplicação tanto da multa isolada quanto da multa de ofício. Segundo a recorrente, as multas incidem sobre infrações diversas, não havendo dupla penalidade: a multa isolada sobre a falta de recolhimento por estimativa; a multa de ofício sobre a falta de recolhimento do tributo. Quanto à decadência, a recorrente suscitou divergência jurisprudencial, sustentando a aplicação do artigo 173, inciso I, do CTN, em face da ausência de pagamento antecipado por parte do contribuinte. O contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 1737/1743. Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso especial é tempestivo. Preenche, também, os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que o contribuinte, em primeiro lugar, no que tange à multa de ofício, especificou o dispositivo legal que reputa violado. E, no que se refere à decadência, comprovou a divergência jurisprudencial suscitada. Analiso, em primeiro lugar, o mérito do recurso especial por maioria. O recorrente defende que a possibilidade da aplicação, de forma concomitante, das multas isoladas e de ofício. Fl. 1764DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10540.001239/200485 Acórdão n.º 9101001.358 CSRFT1 Fl. 8 8 A questão é: admitese a imposição simultânea de multa de ofício e de multa isolada, uma com base na falta de recolhimento do IRPJ apurado ao final do anocalendário, e outra com fundamente na falta de recolhimento por estimativa? Tal fato constitui bis in idem? O bis in idem, conceitualmente, consiste na imposição de mais de uma punição pela prática de um mesmo fato por parte da pessoa punida. É vedada no sistema brasileiro, ainda que o fato afigurese enquadrável pelas normas prescritivas das duas punições. Diante disso, não há dúvida de que a hipótese dos autos, ao contrário do que postula a recorrente, configura a ocorrência de bis in idem. A base fática para a imposição de ambas as multas é a mesma. O não recolhimento antecipado por estimativa é infração que se consubstancia, em última análise, quando da apuração da falta de recolhimento do próprio IRPJ. Se houve falta de recolhimento do IRPJ, concluise, logicamente, que houve falta de recolhimento por estimativa. Não há que se impor, ao mesmo fato, duas punições diferentes, ainda que aquele mesmo fato, em tese, aparentemente, venha a subsumirse nas duas infrações. É nesse sentido que tem entendido esta Câmara Superior de Recurso Fiscais, quando enfrenta o tema: “Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF/ Primeira Turma/ Acórdão CSRF/ 0105.503 em 18.09.2006. PENALIDADE MULTA ISOLADA LANÇAMENTO DE OFÍCIO FALTA DE RECOLHIMENTO PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. Não comporta a cobrança de multa isolada por falta de recolhimento de tributo por estimativa concomitante com a multa de lançamento de ofício, ambas calculadas sobre os mesmos valores apurados em procedimento fiscal. Recurso especial provido. Por maioria de votos, DAR provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros José Henrique Longo, Mário Junqueira Franco Júnior e Manoel Antônio Gadelha Dias que deram provimento parcial ao recurso para reduzir o percentual da multa isolada para 50%. Manoel Antônio Gadelha DiasPresidente. Publicado no DOU em 07.08.2007. Relator José Clóvis Alves. Recorrente: COPENE PETROQUÍMICA DO NORDESTE S.A (nova denominação BRASKEM S.A.). Interessado: FAZENDA NACIONAL. Diante disso, em face da inequívoca configuração do bis in idem, nego provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, a fim de que se mantenha a decisão recorrida no ponto. Fl. 1765DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10540.001239/200485 Acórdão n.º 9101001.358 CSRFT1 Fl. 9 9 Passo à análise, agora, do recurso especial de divergência, relativo à decadência. No presente caso, devese ressaltar que a declaração de decadência recaiu sobre os períodos apurados até 1998, incluindoo. A autuação, relacionada aos anoscalendário 1997 e 1998, teve os seguintes fundamentos: “Neste período, o contribuinte optou pela apuração do IRPJ Imposto de Renda Pessoa Jurídica através de sistemática do Lucro Real Anual, sendo que o contribuinte não apresentou as DCTF Declaração de Contribuições e Tributos Federais, para os 1°, 2°, 3 ° e 4° trimestres de 1997. Nos trabalhos de Auditoria Fiscal, constatouse a ausência da adição da realização mínima do Lucro Inflacionário na Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica DIRPJ, exercício de 1998, ano calendário de 1997, quando da apuração do Lucro Real, para o respectivo período. Assim, conforme DEMONSTRATIVO DE REALIZAÇÃO DO LUCRO INFLACIONÁRIO em anexo, foi realizada a respectiva adição, no valor de R$ 8.542,47 (oito mil e quinhentos e quarenta e dois reais e quarenta e sete centavos), ao Lucro Real do ano de 1997, valor este relativo a 12/120 (doze cento e vinte avos) do Lucro Inflacionário existente em 31/12/1995, sendo que tal valor corresponde ao percentual mínimo obrigatório de realização do Lucro Inflacionário, nos termos do artigo 32 da Lei n. ° 8.541/92, combinado com o artigo 8° da Lei n ° 9.065/95, com o artigo 6 ° , parágrafo único, da Lei n° 9.249/95 e com os artigos 10 e 2° da Lei n ° 9.430/96.” O contribuinte optou pela apuração do IRPJ Imposto de Renda Pessoa Jurídica através de sistemática do Lucro Real Anual para os anoscalendário de 1998 a 2001. Tendo em vista a ausência de adição da realização mínima do Lucro Inflacionário na apuração do Lucro Real para estes anos calendário, esta fiscalização efetuou a respectiva adição, conforme DEMONSTRATIVO DE REALIZAÇÃO DO LUCRO INFLACIONÁRIO, no valor de R$ 8.542,47 (oito mil e quinhentos e quarenta e dois reais e quarenta e sete centavos), para cada anocalendário, valor este relativo a 12/120 (doze cento e vinte avos) do Lucro Inflacionário existente em 31/12/1995, sendo que tal valor corresponde ao percentual mínimo obrigatório de realização do Lucro Inflacionário, nos termos do artigo 32 da Lei n.° 8.541/92, combinado com o artigo 8° da Lei n ° 9.065/95, com o artigo 6°, parágrafo único, da Lei n° 9.249/95 e com os artigos 1° e 2° da Lei n° 9.430/96.” Sobre o tema, há a súmula n° 10 do CARF, com caráter vinculante, dispondo no seguinte sentido: Súmula CARF n° 10: O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva realização ou do Fl. 1766DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10540.001239/200485 Acórdão n.º 9101001.358 CSRFT1 Fl. 10 10 período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos. Nos termos desta súmula, portanto, o prazo decadencial, tratandose de crédito tributário relativo ao lucro inflacionário, tem por termo inicial o período de apuração da sua efetiva realização ou do período em que deveria ter sido realizado, mesmo que em percentuais mínimos. No presente caso, o contribuinte foi cientificado da autuação em 03/12/2004. A realização dos lucros inflacionários, no que tange ao período mais próximo do lançamento, deveria, segundo a fiscalização, ter sido realizada no anocalendário de 1998 (no que tange à discussão em tela). É de se ter que, na hipótese, compulsandose os autos, verificase, conforme a DIPJ presente às fls. 819, houve retenção de Imposto de Renda na Fonte, isto é, houve pagamento antecipado, ainda que parcial. Neste sentido, é de se ter que, conforme recente alteração do Regimento Interno do CARF, impõese a este tribunal administrativo a reprodução dos julgados definitivos proferidos pelo STF e pelo STJ, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil. Assim, temse que o STJ já enfrentou o tema objeto do presente recurso especial, julgandoo sob o rito dos recursos repetitivos, no seguinte sentido: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco Fl. 1767DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10540.001239/200485 Acórdão n.º 9101001.358 CSRFT1 Fl. 11 11 regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Desta forma, havendo pagamento antecipado do tributo, incide, para a contagem do prazo decadencial, o artigo 150, §4°, do CTN. No presente caso, considerandose que houve pagamento antecipado (retenção do imposto de renda DIPJ de fls. 819 dos autos), e tendo em vista que a discussão recai, no que se refere ao período mais próximo da autuação, sobre o fato gerador ocorrido em 1998, concluise que se configurou a decadência, já que o contribuinte tomou ciência da autuação em 03/12/2004. Diante do exposto, nego provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Fl. 1768DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 10540.001239/200485 Acórdão n.º 9101001.358 CSRFT1 Fl. 12 12 Sala das Sessões, em 16 de maio de 2012 16 de maio de 2012 (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 1769DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN
score : 1.0
Numero do processo: 10930.720538/2009-33
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
DITR. PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. ERRO DE FATO.
Sanável, a qualquer tempo, o erro de fato havido no preenchimento da declaração, para assegurar a apuração do tributo conforme a verdade material comprovada nos autos.
DITR. EXCLUSÃO DE ÁREA UTILIZADA NA ATIVIDADE RURAL.
A comprovação de que havia área utilizada na atividade rural, que por erro de preenchimento, não foi computada no lançamento de ofício, é legítimo o refazimento do cálculo de apuração do tributo.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2802-002.239
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para refazer o cálculo do ITR com área utilizada na atividade rural de 256,5 hectares, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 18/04/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. ERRO DE FATO. Sanável, a qualquer tempo, o erro de fato havido no preenchimento da declaração, para assegurar a apuração do tributo conforme a verdade material comprovada nos autos. DITR. EXCLUSÃO DE ÁREA UTILIZADA NA ATIVIDADE RURAL. A comprovação de que havia área utilizada na atividade rural, que por erro de preenchimento, não foi computada no lançamento de ofício, é legítimo o refazimento do cálculo de apuração do tributo. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para refazer o cálculo do ITR com área utilizada na atividade rural de 256,5 hectares, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 18/04/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 72 05 38 /2 00 9- 33 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /04/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratase de lançamento de Imposto Territorial Rural – ITR, do exercício 2005, referente ao imóvel denominado Fazenda Umuarama, com área total de 296,8ha, em virtude de falta de comprovação da área de benfeitorias declarada (267,0 ha). A impugnação baseouse, essencialmente, na existência de erro de preenchimento da DITR, em relação ao valor informado como benfeitoria que, de fato, é explorado com produtos vegetais, o que poderia ser comprovado com vistoria à propriedade, o que pode ser corroborado pelo fato de a DITR ter sido preenchida corretamente nos exercício 2004, 2007 e 2008. Em primeira instância, o pedido de diligência foi indeferido por não ser adequado para produção de prova a cargo do sujeito passivo. A impugnação foi indeferida porque não houve comprovação do suposto erro de fato, o que poderia ter sido feito mediante apresentação de laudo elaborado por engenheiro agrônomo acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, registrada no CREA, ou laudo de acompanhamento de projeto fornecido por instituições oficiais que discriminem as culturas e atividades desenvolvidas, juntamente com documentos que serviram de base para elaboração dos laudos. Ciência do acórdão em 12/07/2011. Interposição do recurso voluntário em 11/08/2011. Na peça recursal, o contribuinte reitera a tese do erro de preenchimento e que os valores corretos foram informados nos exercícios de 2004 e 2007 a 2009, bem como argumenta o seguinte: 1. em uma área de 296,8ha com exploração agrícola não pode existir uma área de 267ha de benfeitorias, o que evidencia o erro de digitação; e 2. não foi beneficiado no cálculo do imposto, pois jamais deixou de cultivar a propriedade, como pode ser comprovado pelo laudo de vistoria e assistência técnica, apresentado pela empresa Rural, CNPJ 79.166.567/000172, protocolado junto ao Banco do Brasil para fins de obtenção de empréstimo e corroborado pelas cédulas pignoratícias anexas, pelo crédito dos valores referentes ao empréstimo e por relatórios das empresas compradoras. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /04/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10930.720538/200933 Acórdão n.º 2802002.239 S2TE02 Fl. 144 3 O litígio trata exclusivamente da comprovação do suposto erro no preenchimento da DITR2005. O recorrente alega que informou no campo “benfeitorias” o valor que deveria ter informado como áreas cultivadas. É incontroversa a inexistência da área de benfeitorias que foi glosada. Na fase recursal foram juntados documentos que comprovam a existência de erro de preenchimento, notadamente os laudos que justificaram a obtenção de empréstimo para produtor rural, perante o Banco do Brasil (fls. 79/83), os quais acusam área de cultivo de milho e soja, de 48,4 e 256,5hectares, respectivamente. Não obstante, por se tratar de exigência do ITR com fato gerador em 01/01/2005, os laudos emitidos em abril e outubro de 2005, atestando que a época do plantio do milho se deu em março de 2005,isoladamente, não são hábeis a comprovar área cultivada na data de ocorrência do fato gerador ou anterior e os demais documentos não suprem esta deficiência probatória. O laudo referente ao cultivo de soja, embora emitido após 01/01/2005, reportase a plantio ocorrido anteriormente, sendo hábil para comprovar a área plantada para fins de DITR2005. Portanto, restou comprovado que existe área utilizada na atividade rural (área de produtos vegetais), de 256,5hectares, que não foi contemplada no cálculo do ITR. Diante do exposto, devese DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para refazer o cálculo do ITR com área utilizada na atividade rural de 256,5 hectares. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 145DF CARF MF Impresso em 22/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /04/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 13859.000066/2007-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO DO VALOR PAGO A MAIOR.
DEFERIMENTO.
Comprovado que o contribuinte pagou o imposto em montante superior ao que seria devido, deve-se reconhecer o direito à restituição, com as correções de praxe.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2102-002.041
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, para cancelar o lançamento consubstanciado na notificação de lançamento tombada nestes autos, devendo ser-lhe restituído o valor apurado na declaração retificadora apresentada em 31/12/2004, com as correções monetárias de praxe.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO DO VALOR PAGO A MAIOR. DEFERIMENTO. Comprovado que o contribuinte pagou o imposto em montante superior ao que seria devido, deve-se reconhecer o direito à restituição, com as correções de praxe. Recurso voluntário provido.
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COMPROVAÇÃO DO VALOR PAGO A MAIOR. DEFERIMENTO. Comprovado que o contribuinte pagou o imposto em montante superior ao que seria devido, devese reconhecer o direito à restituição, com as correções de praxe. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, para cancelar o lançamento consubstanciado na notificação de lançamento tombada nestes autos, devendo serlhe restituído o valor apurado na declaração retificadora apresentada em 31/12/2004, com as correções monetárias de praxe. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 25/05/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Ausente justificadamente o Conselheiro Atilio Pitarelli. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Relatório O contribuinte apresentou sua declaração de ajuste original do anocalendário 2003, em 30/04/2004, quando apurou um imposto a pagar de R$ 6.226,68, tendo pago tal imposto (fls. 06 e 61). Posteriormente, em 31/12/2004, verificando que tinha informado os rendimentos tributáveis majorados, corrigiu o equívoco via declaração retificadora, e agora apurou um imposto devido minorado, tendo informado o imposto outrora pago como oriundo de Carnêleão/mensalão (imposto complementar), o que culminou com a apuração de um imposto a restituir de R$ 731,22 na retificadora (fls. 10 e 32). Em procedimento de revisão da declaração retificadora acima, considerando que não havia recolhimentos com os códigos do carnêleão ou do imposto complementar/mensalão (0190 ou 0246), a autoridade fiscal revisora glosou o valor informado como Carnêleão/mensalão, confeccionando uma notificação de lançamento para cobrar o imposto apurado pelo contribuinte na dita retificadora, com multa de mora de 20% sobre o imposto apurado. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A 4ª Turma de Julgamento da DRJSÃO PAULO II (SP), por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 1736.414, de 18 de novembro de 2009 (fls. 103 a 108). A decisão acima exonerou a multa e os juros de mora, pois o principal havia sido pago antes da autuação, e asseverou que o contribuinte deveria ter solicitado via PER (pedido eletrônico de restituição) o imposto pago a maior. O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 04/03/2010, quintafeira. Irresignado, interpôs recurso voluntário em 05/04/2010, segundafeira. No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que pagou integralmente o imposto apurado na notificação de lançamento, fazendo jus à restituição apurada na declaração retificadora. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 04/03/2010, quintafeira, e interpôs o recurso voluntário em 05/04/2010, segundafeira, dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 05/04/2010. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Restou confirmado que o contribuinte recolheu o imposto a pagar apurado em sua declaração de ajuste original do exercício 2004, sendo que utilizou a declaração retificadora para perseguir o valor pago a maior, pois, originalmente, havia declarado rendimentos tributáveis majorados. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13859.000066/200735 Acórdão n.º 210202.041 S2C1T2 Fl. 2 3 Claramente vêse que o contribuinte tem um direito creditório em face da Fazenda Pública Federal, pois pagou o imposto em valor que sobejou o devido, não parecendo razoável indeferir tal pretensão em face de equívocos formais do contribuinte (informação indevida de montante não recolhido a título de carnêleão/mensalão ou ausência de PER), sob pena de a Administração enriquecer indevidamente, sem causa, pois de há muito, considerando o momento presente, já fluíra o prazo decadencial para peticionar um direito creditório do exercício 2004 via PER, sendo claro que desde 31/12/2004 o contribuinte persegue sua restituição. Por tudo, como é sabido por todos que o processo administrativo fiscal é regido pelo princípio da informalidade, isso implica que não se deve se apegar às formas para denegar o direito líquido e certo do contribuinte, como se vê nestes autos. Inegavelmente, faz jus o contribuinte à restituição apurada em sua declaração de ajuste anual retificadora, devendo esta instância julgadora superar as formalidades e reconhecer o direito creditório anteriormente descrito. Ante o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso, para cancelar o lançamento consubstanciado na notificação de lançamento tombada nestes autos, devendo ser restituído ao recorrente o valor apurado na declaração retificadora apresentada em 31/12/2004, com as correções monetárias de praxe. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 100DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 10314.003768/2007-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Regimes Aduaneiros Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 Ementa: PRELIMINAR – Nulidade – Cerceamento do Direito de Defesa. Não caracteriza. MÉRITO. A fiscalização apurou que parte das mercadorias importadas sob regime de drawback suspensão não foi utilizada nos produtos exportados. Foi constatado, ainda, que não houve nacionalização dos mesmos. O emprego dos insumos importados nos produtos exportados é conhecido como "principio da vinculação física" e está previsto tanto no Regulamento. DRAWBACK. INFRAÇÃO AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. Inaplicável por ausência de tipificação. Recurso Voluntário provido em parte. Crédito tributário mantido em parte.
Numero da decisão: 3102-001.494
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO
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Não caracteriza. MÉRITO. A fiscalização apurou que parte das mercadorias importadas sob regime de drawback suspensão não foi utilizada nos produtos exportados. Foi constatado, ainda, que não houve nacionalização dos mesmos. O emprego dos insumos importados nos produtos exportados é conhecido como "principio da vinculação física" e está previsto tanto no Regulamento. DRAWBACK. INFRAÇÃO AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. Inaplicável por ausência de tipificação. Recurso Voluntário provido em parte. Crédito tributário mantido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Fl. 12392DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 21/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO 2 (assinado digitalmente) Álvaro Arthur L. de Almeida Filho – Relator EDITADO EM: 21/06/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Marcelo Guerra de Castro (Presidente da Turma), Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Leonardo Mussi, Winderley Morais Pereira e Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho. Relatório Tratase de recurso voluntário visando a reforma do acórdão nº 1748.757 da 2ª Turma da DRJ/SP2, que julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário decorrente do auto de infração lavrado contra a recorrente, por essa não utilizar cumprir a regras do regime de drawback suspensão De acordo com o relatório da decisão recorrida se pode observar que: Trata o presente auto de infração de auditoria do regime aduaneiro especial de drawback relativo aos Atos Concessórios citados na fl. 231. Analisando os referidos Atos Concessórios, a fiscalização identificou as seguintes irregularidades: Exportações não vinculadas no SISCOMEX ao respectivo Ato Concessório. Excesso de matéria prima importada não submetida tempestivamente à nacionalização. Nacionalização de matéria prima após o prazo de 30 dias contados da data final do Ato Concessório. Relatório de Nacionalização que não identifica corretamente a mercadoria ou item da adição que foi nacionalizado. Darf’s relativos a essas nacionalizações sem autenticação bancária. Exportação de produtos não previstos no Ato Concessório do regime. Exportações realizadas após o prazo de vigência do regime aduaneiro. Exportações descrevendo mercadorias distintas das previstas do compromisso do Ato Concessório. Fl. 12393DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 21/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10314.003768/200730 Acórdão n.º 3102001.494 S3C1T2 Fl. 950 3 Violação ao Princípio da Vinculação Física (exportações de produtos acabados antes da importação dos respectivos insumos). Com base nessas irregularidades, lavrou a fiscalização o presente auto de infração para a cobrança de diferenças de II, IPI, PIS importação, COFINS importação, juros, multa de ofício e multa administrativa ao controle de importações. Intimada do Auto de Infração em 04/05/2007 (fl. 01), a interessada apresentou impugnação e documentos em 04/06/2007, juntados às fls. 5169 e seguintes, alegando em síntese: Tece considerações sobre a natureza jurídica do regime aduaneiro especial de drawback. Cita doutrina e jurisprudência. Alega que Não há previsão que ampare o Princípio da Vinculação Física. Alega que a fiscalização se confundiu ao citar o art. 335, III do RA como fundamento do Princípio da Vinculação Física visto que este inciso é relativo ao drawback restituição. Cita o Princípio da Fungibilidade. Cita o Ato Declaratório COSIT nº 26/96 e o art. 44 da Portaria SECEX nº 04/97. Cita jurisprudência administrativa e judicial sobre o tema. Alega que a fiscalização prendeuse ao rigor formal absoluto ao desconsiderar exportações cujas descrições das mercadorias eram incompatíveis com as previsões nos respectivos atos concessórios de drawback. Cita jurisprudência administrativa e judicial sobre o tema. Alega que deve prevalecer a verdade material e que as exportações foram realizadas de fato, independente da não vinculação ato concessório e da incorreta descrição. Cita doutrina jurisprudência sobre o tema. Alega que algumas exportações glosadas pela fiscalização são de produtos previstos no ato concessório que possuem apenas erros formais de descrição, devendo ser considerados para fins de comprovação do regime. Alega que com relação ao RE nº 06/0069326001, glosado pela fiscalização, o produto U497 consta no respectivo ato concessório, ao contrario do firmado na autuação. Alega que vinculandose cada insumo importado a cada nota fiscal de entrada e, posteriormente, via sistema interno de controle “KARDEX”, a cada produto final exportado, comprovaria a respeito ao Princípio da Vinculação Física. Alega que a multa do art.633, III, “b” aplica é atípica pois trata de multa relativa ao controle de importações sendo o drawback um inciso à exportação. Alega que tal multa exige intenção dolosa do importador. Cita jurisprudência administrativa. Fl. 12394DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 21/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO 4 Alega que aplicase o art. 112 CTN pois sua conduta não se encontra corretamente tipificada. Cita jurisprudência administrativa. Alega que a multa é sobremaneira onerosa. Requer que sejam reconhecidos os pagamentos realizados para extinção do crédito tributário. Requer que seja julgado improcedente o auto de infração. Requer juntada posterior de laudo a ser elaborado. Após analisar a impugnação, decidiu a DRJ pela sua improcedência, consoante se depreende da ementa abaixo: Ementa: PRINCÍPIO DA VINCULAÇÃO FÍSICA No regime de Drawback – Suspensão, é pressuposto essencial que os insumos importados com benefício fiscal sejam efetivamente empregados na industrialização dos produtos a serem exportados. REGIMES ADUANEIROS ESPECIAIS. DRAWBACK. INADIMPLEMENTO. MULTA ADMINISTRATIVA. As normas aduaneiras destinamse a regular questões fiscais (tributárias) e administrativa relativas à circulação de mercadorias, pessoa e veículos no território nacional. No âmbito do drawback suspensão, as regras em apreço cuidam de obrigações que visam a acompanhar a execução do regime e a situação das mercadorias sob controle aduaneiro. Portanto, são regras administrativas de controle das importações vinculadas ao drawback, cuja violação dá ensejo à multa capitulada no artigo 633, III, “b” do Regulamento Aduaneiro. Impugnação Improcedente Inconformada com a decisão acima, a contribuinte apresenta recurso voluntário reiterando a matéria de sua defesa, alegando em síntese que: a) houve cerceamento do direito de defesa com base na falta de elementos que comprovem a burla às condições ora estabelecidas ao regime drawback; b) o princípio da vinculação física é inaplicável ao drawback em análise, a saber, suspensão, de maneira que tal vinculação física dos insumos não é exigida pela legislação em vigor, assim como pela observância obrigatória do princípio da fungibilidade no caso em liça, sustentando que a jurisprudência é pacífica neste sentido; Fl. 12395DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 21/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10314.003768/200730 Acórdão n.º 3102001.494 S3C1T2 Fl. 951 5 c) houve excesso de rigor formal por parte da autoridade fiscal, devendo haver a prevalência da finalidade do drawback para com eventuais equívocos de natureza formal; d) a verdade material tem de ser atendida, alegando que houve a exportação dos produtos objeto do regime, o que acarretaria a necessidade do cancelamento do Auto de Infração, ainda que alguns RE’s não terem indicado os Atos Concessórios; e) há provas documentais cabais acerca da vinculação física entre os insumos importados erroneamente tributados pela fiscalização, sua fabricação e respectiva exportação; f) a autoridade fiscal ignorou erros de digitação justificáveis devido ao exagerado formalismo, razão pela qual teria ignorado a verdade material; g) ausência de tipicidade da multa constante do art. 633, III, “b” do Regulamento Aduaneiro, além de que referida multa seria excessivamente onerosa e de graduação totalmente incompatível com a conduta do Recorrente; h) a multa de 75% é confiscatória; É o relatório. Voto Conselheiro Álvaro Almeida Filho Conheço do presente recurso por ser tempestivo e tratar de matéria de competência da terceira sessão. Nulidade – Cerceamento do direito de defesa Defenda a recorrente que houve cerceamento do direito de defesa, ao explicitar que não há nos autos elementos que comprovem a violação as regras do regime drawback, sustentando assim que a autoridade autuante apenas apresentou a capitulação formal, não comprovando o que motivou o lançamento. É oportuno esclarece que o art.59 do Decreto nº 70.235, de 1972 estabelece que hipóteses acarretam a nulidade do procedimento, são elas: 1) cerceamento do direito de defesa e 2) incompetência do agente, as quais não se identificam no presente caso. Sobre o tema, a jurisprudência dos extintos Conselhos de Contribuintes e do próprio CARF vem entendo que em casos análogos, que não há nulidade do lançamento quando não ocorra prejuízo a defesa, o que resta configurado, pois é possível identificar que houve a correta compreensão da acusação fiscal pelo autuado. Compulsando os autos, identificase as fls. 228/340 o Relatório Fiscal que integra o auto de infração, no qual restou consignado todos os elementos que subsidiaram o Fl. 12396DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 21/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO 6 lançamento, como a relação dos atos concessórios fiscalizados, os quais foram analisados separadamente, discriminando as exportações apresentadas pelo contribuinte, apontando aquelas que não foram vinculadas ao atos concessórios e também as que não foram nacionalizados, especificando assim cada produto glosado. Percebese que não resta caracterizado o cerceamento do direito de defesa, razão pela qual é rejeitada a preliminar arguida. Mérito. Como já explicitado versa o presente sobre a exigência de tributos e multas face o inadimplemento do compromisso de exportar vinculado ao regime aduaneiro especial de drawback suspensão. O drawback é uma forma de regime tributário com objetivo de estimular às exportações brasileiras, afastando de forma temporária ou condicionada a incidência das exações cobradas sobre as importações, com objetivo de incentivar a economia nacional ao permitir que insumos importados de forma desonerada, sejam incorporados as mercadorias destinadas à exportação, consoante estabelece o art. 335 do Regulamento Aduaneiro de 2002: Art. 335. O regime de drawback é considerado incentivo à exportação, e pode ser aplicado nas seguintes modalidades (Decretolei nº 37, de 1966, art. 78, e Lei nº 8.402, de 1992, art. 1º, inciso I): I suspensão do pagamento dos tributos exigíveis na importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada; II isenção dos tributos exigíveis na importação de mercadoria, em quantidade e qualidade equivalente à utilizada no beneficiamento, fabricação, complementação ou acondicionamento de produto exportado; e III restituição, total ou parcial, dos tributos pagos na importação de mercadoria exportada após beneficiamento, ou utilizada na fabricação, complementação ou acondicionamento de outra exportada. No caso dos autos se está diante do regime “drawback suspensão”, o qual fica condicionado à operação de industrialização do insumo importado para posterior exportação do produto final, assim o pagamento dos tributos fica suspenso desde que seja preenchida a condição de exportação após o referido beneficiamento, consoante estabelece o inciso II art. 781 do decretolei nº 37/66, desta forma não ocorre a nacionalização da mercadoria importada. O princípio da vinculação física da mercadoria, previsto no art. 341 parágrafo único do regulamento aduaneiro de 2002, assim estabelece: 1 Art.78 Poderá ser concedida, nos termos e condições estabelecidas no regulamento: I ...; II suspensão do pagamento dos tributos sobre a importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento, ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada; Fl. 12397DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 21/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10314.003768/200730 Acórdão n.º 3102001.494 S3C1T2 Fl. 952 7 Art. 341. As mercadorias admitidas no regime, na modalidade de suspensão, deverão ser integralmente utilizadas no processo produtivo ou na embalagem, acondicionamento ou apresentação das mercadorias a serem exportadas. Parágrafo único. O excedente de mercadorias produzidas ao amparo do regime, em relação ao compromisso de exportação estabelecido no respectivo ato concessório, poderá ser consumido no mercado interno somente após o pagamento dos impostos suspensos dos correspondentes insumos ou produtos importados, com os acréscimos legais devidos. Percebese na norma acima que a mercadoria excedente poderá ser consumida no mercado interno, entretanto apenas após os pagamentos dos tributos suspensos. Observada a legislação pertinente ao caso é oportuno verificar o que foi identificado no relatório fiscal (fls.228/340), através do qual a autoridade aduaneira apresentou, de forma separada por ato concessório, os motivos que a levou a afastar a aplicação do regime, no tocante aos seguintes atos: 20020027141 20020158106 20030126134 20040143937 20050144073 20050231723 20020037384 20030195551 20040239926 20040239926 20050204025 20050233114 20020116497 20030087430 20040060926 20040322360 20050212559 Segundo a fiscalização, como bem apontou a decisão recorrida, as irregularidades foram: a) Exportações não vinculadas no SISCOMEX ao respectivo Ato Concessório. b) Excesso de matéria prima importada não submetida tempestivamente à nacionalização. c) Nacionalização de matéria prima após o prazo de 30 dias contados da data final do Ato Concessório. d) Relatório de Nacionalização que não identifica corretamente a mercadoria ou item da adição que foi nacionalizado. Darf’s relativos a essas nacionalizações sem autenticação bancária. e) Exportação de produtos não previstos no Ato Concessório do regime. f) Exportações realizadas após o prazo de vigência do regime aduaneiro. Fl. 12398DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 21/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO 8 g) Violação ao Princípio da Vinculação Física (exportações de produtos acabados antes da importação dos respectivos insumos). Observando as razões recursais da Contribuinte, percebese que a mesma não se desincumbiu de afastar as imputações apresentadas, o que seria possível através da comprovação das importações e exportações vinculadas ao regime ou da nacionalização da mercadoria. Entretanto a recorrente tenta afastar o princípio da vinculação física, o qual como acima demonstrado é aplicado aos casos de drawback suspensão, devendo as mercadorias admitidas nesta modalidade, serem utilizadas no “no processo produtivo ou na embalagem, acondicionamento ou apresentação das mercadorias a serem exportadas”, ou havendo sobras podem ser comercializadas no mercado interno, desde que sejam nacionalizadas, após o pagamento dos tributos. Em relação ao argumento de excesso de formalismo quando da identificação e descrição dos produtos importados, vale mais uma vez ressaltar que é imprescindível para o fiel cumprimento do drawback suspensão, a correta descrição da mercadoria importada, identificandoa com o ato concessório e com o produto exportado. O art. 352 do Regulamento Aduaneiro estabelece tal obrigatoriedade, a qual foi disciplinada através da portaria nº 35/2006, nos seguintes termos: RA art. 352. A utilização do regime previsto neste capítulo será registrada no documento comprobatório da exportação. Portaria SECEX nº 35/2006 3. É obrigatória a vinculação do RE ao Ato Concessório de Drawback, modalidade suspenção. 4. Somente será aceito para comprovação do Regime, modalidade suspensão, RE contendo, no campo 2a, o código de enquadramento constante da Tabela de Enquadramento da Operação do SISCOMEXExportação, bem como as informações exigida no campo 24(dados do fabricante). Percebese que ao não agir na forma acima descrita, concorreu a recorrente para o não atendimento das obrigações acessórias capazes de comprovar o fiel cumprimento do regime em tela, e atender assim suas condições. Ora, o Código Tributário Nacional estabelece em seu art. 176, caput, e art. 178 as hipóteses de isenções condicionais, as quais nas palavras de Luiz Henrique Travassos Machado são duas: Sob pena de condição suspensiva – antes que o ciclo de formação do fato gerador se complete, exista obrigação tributária, haja vista ainda não ter incidindo a regra isentiva, não havendo concretização de sua hipótese de incidência. Existe obrigação tributária até o implemento da condição suspensiva, a partir da qual farseá jus ao gozo da isenção; Fl. 12399DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 21/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10314.003768/200730 Acórdão n.º 3102001.494 S3C1T2 Fl. 953 9 Sob condição resolutiva – fazse jus ao gozo da isenção até o implemento da condição resolutiva, pela qual surgirá a obrigação tributária; Por sua vez o decretolei nº. 37/66, especifica dentre as condições do drawback suspensão a ocorrência de uma operação de industrialização, cujo produto final seja exportado, após o beneficiamento com a mercadoria importada. Neste sentido, ao não se conseguir demonstrar que a mercadoria efetivamente foi exportada, é correto posicionamento da fiscalização ao afastar o regime de drawback, quando não restar comprovado o adimplemento das condições estabelecidas no regime aduaneiro. Quanto ao argumento de que penalidade de 75% (setenta e cinco por cento) seria confiscatória, basta ratificar o posicionamento deste colegiado quanto a impossibilidade de discutir a inconstitucionalidade das normas, nos termos da súmula nº. 22 do CARF, cabendo apenas observar aplicabilidade da norma ao caso em concreto. No tocante à penalidade por controle administrativo face o descumprimento do compromisso celebrado quando firmado o ato concessório, foi aplicada ao caso em tela, a multa regulamentar prevista no inciso III, alínea “b”, do art. 633 do Decreto nº 4.543/2002, que assim estabelece: Art. 633. Aplicamse, na ocorrência das hipóteses abaixo tipificadas, por constituírem infrações administrativas ao controle das importações, as seguintes multas (Decretolei no 37, de 1966, art. 169 e § 6o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2o): I ...; II ; III de vinte por cento sobre o valor aduaneiro: a)....; e b) pelo descumprimento de outros requisitos de controle da importação, constantes ou não de licença de importação ou documento de efeito equivalente, não compreendidos na alínea "a" deste inciso, na alínea "b" do inciso II, e no inciso IV (Decretolei no 37, de 1966, art. 169, inciso III, alínea "d" e § 6o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2o); e A norma acima é genérica, pois estabelece um multa de 20%(vinte por cento) ao não serem cumpridos “outros requisitos”, os quais da forma que está posta, ficarão a critério da própria administração. Vindo então a Secretária de Comércio Exterior editar a 2 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 12400DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 21/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO 10 Portaria nº. 14/2004, com o finalidade de estabelecer “as disposições regulamentares das operações de importação e do regime aduaneiro especial de drawback. Assim, a aludida portaria definiu em seu art. 1393 que as empresas submetidas ao regime de Drawback suspensão, devem comprovar as importações e exportações no prazo de 60(sessenta) dias, com base nesse prazo foi lançada a multa ora questionada, já que restou demonstrado que as mercadorias não foram exportadas. Assim questionase se a conduta da recorrente se coaduna como um fato típico. A Constituição define no inciso XXXIX do art. 5º que “Não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal”, no mesmo passo estabelece o CTN no art. 97: Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; É oportuno apresentar a definição de fato típico do professor Luiz Flávio Gomes4, que assim define: Com a teoria constitucionalista do delito (TCD) que estamos subscrevendo, o fato formal e materialmente típico é composto de um aspecto formalobjetivo (quatro primeiros requisitos), outro normativo (quinto requisito) e um subjetivo (sexto requisito). Para que haja fato típico se requer: 1º) conduta humana voluntária (realização formal ou literal da conduta descrita na lei; concretização da tipicidade formal); 2º) resultado naturalístico (nos crimes materiais – exemplo: homicídio); 3º) nexo de causalidade (entre a conduta e o resultado naturalístico); 4º) relação de tipicidade (adequação do fato à letra da lei); 5º) Resultado jurídico desvalioso, que implica uma ofensa: a) objetivamente imputável à conduta (leia se: criação ou incremento de um risco proibido penalmente relevante e objetivamente imputável à conduta); b) concreta ou real (lesão ou perigo concreto ao bem jurídico); c) transcendental (afetação de terceiros); d) grave (significativa); e) intolerável e f) objetivamente imputável ao risco criado pelo agente (imputação objetiva do resultado jurídico, que significa duas coisas: 1) conexão direta do resultado jurídico com o risco proibido criado ou incrementado; 2) que esse resultado esteja no âmbito de proteção da norma); 6º) Nos crimes dolosos, ainda se faz necessária a imputação subjetiva. 3 Art. 139. Na modalida suspensão, as empreas deverão comprovar as importações exportações vinculadoas ao Regime, por intermédio do módulo específico Drawback do Siscomex, no prazo de até 60(sessenta) dias contados a partir da data limite para exportação. 4 GOMES, Luiz Flávio. Requisitos da tipicidade penal consoante a teoria constitucionalista do delito. Jus Navigandi Fl. 12401DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 21/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10314.003768/200730 Acórdão n.º 3102001.494 S3C1T2 Fl. 954 11 Ora, percebese que a conduta do recorrente não está prevista em lei, pois o decreto em nenhum momento estabelece quais são os requisitos não cumpridos, e sequer define especificamente o prazo de 60(sessenta) dias para ser realizada a exportação. Em relação a esse terma, a Câmara Superior de Recursos Fiscais da Terceira Turma do Conselho de Contribuintes, já se posicionou no mesmo sentido, ao analisar a situação análoga quando pena foi aplicada com fulcro no art. 526, IV do Decreto nº 91.030/85 que aprovou o Regulamento Aduaneiro vigor a época, norma essa que possui a mesma redação do RA de 2002, consoante se depreende da ementa abaixo: DRAWBACK. INFRAÇÃO AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. A utilização no mercado interno de insumo importado sob regime de Drawback dever ser procedida na forma do art. 319 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto 91030, de 1985. O art. 526, IX não é aplicável por absoluta falta de tipificação. Recurso especial negado. Por todo exposto dou parcial provimento ao recurso voluntário, apenas para afastar a penalidade imposta por controle administrativo das importações. Sala de sessões 22 de maio de 2012. (assinado digitalmente) Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Fl. 12402DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 21/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 10882.001486/2009-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Sat Apr 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
DEPENDENTE. COMPROVAÇÃO.
É dependente do contribuinte a pessoa física por ele informada no campo próprio da declaração de ajuste anual, uma vez comprovada a condição de dependência.
Na hipótese, ficou comprovado que a pessoa declarada como dependente era, na época dos fatos, cônjuge do contribuinte.
RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS AUFERIDOS POR DEPENDENTE.
Os rendimentos tributáveis auferidos por dependente devem ser informados na declaração de ajuste do titular.
Hipótese em que o contribuinte deixou de declarar os rendimentos auferidos pela dependente.
Numero da decisão: 2101-002.178
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
________________________________________________
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente
(assinado digitalmente)
__________________________________________
CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa, Eivanice Canário da Silva e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora).
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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COMPROVAÇÃO. É dependente do contribuinte a pessoa física por ele informada no campo próprio da declaração de ajuste anual, uma vez comprovada a condição de dependência. Na hipótese, ficou comprovado que a pessoa declarada como dependente era, na época dos fatos, cônjuge do contribuinte. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS AUFERIDOS POR DEPENDENTE. Os rendimentos tributáveis auferidos por dependente devem ser informados na declaração de ajuste do titular. Hipótese em que o contribuinte deixou de declarar os rendimentos auferidos pela dependente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ________________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS – Presidente (assinado digitalmente) __________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 14 86 /2 00 9- 15 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/ 04/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa, Eivanice Canário da Silva e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento contra o contribuinte em epígrafe, no qual foi apurada dedução indevida com dependentes e omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, tanto pelo titular quanto por dependente. O contribuinte impugnou parcialmente o lançamento (fls. 1), alegando, em síntese, que sua exesposa, Maura Moreira de Santana, e sua filha Cristiane Angélica Moreira de Santana não eram mais suas dependentes desde 2004, conforme Declaração e Averbação de Divórcio. Ponderou que, tendo em vista que o rendimento da fonte pagadora Osasco Prefeitura Municipal foi auferido por sua exesposa, devia ser excluído de sua declaração de ajuste. Além disso, entendia que o correto seria a Sra. Maura Moreira de Santana preencher sua própria declaração de ajuste anual. A 9.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em São Paulo 2 (SP) julgou a impugnação improcedente, por meio do Acórdão n.º 1750.851, de 17 de maio de 2011, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 DEDUÇÃO COM DEPENDENTE. A dedução por pessoa considerada dependente previsto no art. 77 do RIR, provada a relação de dependência, é cabível no valor vigente à época. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Mantémse a inclusão de rendimentos, baseada em informação prestada pela fonte pagadora na DIRF. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, no qual repisa as razões de impugnação. É o Relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy Fl. 63DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/ 04/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10882.001486/200915 Acórdão n.º 2101002.178 S2C1T1 Fl. 3 3 O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. O lançamento perpetrado no presente processo teve origem na apuração de dedução indevida com dependente (Cristiane Angélica Moreira de Santana) e omissão de rendimentos da ordem de R$ 21.468,30, sendo R$ 15.748,34 auferidos de Osasco Prefeitura Municipal pelo titular do CPF 076.363.29883 e R$ 5.719,96 auferidos de Companhia São Francisco de Administração e Comércio pelo titular do CPF 012.820.88807 (fls. 2 a 4). Foi apresentada impugnação parcial. A glosa da dependente Cristiane Angélica Moreira de Santana, assim como a omissão de rendimentos auferidos de Companhia São Francisco de Administração e Comércio não foram contestadas, o que implica a definitividade do lançamento nestes pontos. Na impugnação parcial, o contribuinte manifestou sua inconformidade somente quanto à omissão de rendimentos auferidos de Osasco Prefeitura Municipal, alegando que a titular do CPF 076.363.29883, Maura Moreira de Santana, é sua exesposa, que não é mais sua dependente desde 2004. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo 2 (SP), contudo, não acolheu os argumentos suscitados pelo contribuinte e decidiu manter o crédito tributário lançado, eis que, ante as provas dos autos, constatou que o divórcio consensual do casal foi homologado somente em 28 de agosto de 2008. Concluiu o relator do voto condutor da decisão a quo que, em 2005, o contribuinte era legalmente casado com a Sra. Maura Moreira de Santana e, tendoa declarado como dependente, os rendimentos por ela auferidos deveriam ter sido somados aos seus. Ademais, a declaração firmada pela Sra. Maura não comprova que o casal estaria separado desde 2004, eis que o comprovante de residência que o fundamenta é de 2009. O relator da decisão guerreada também expôs como razão de decidir os fatos de (i) os rendimentos auferidos pela Sra. Maura no anocalendário 2005 serem superiores ao limite que a obrigava a declarar e (ii) que no exercício 2008 a Sra. Maura ainda constou como dependente na declaração de ajuste do então impugnante. No recurso, o defendente repisa os argumentos até então trazidos. Do exame dos autos, verificase que o Mandado de Averbação anexado às fls. 8, emitido pela 2.ª Vara da Família e de Sucessões de Osasco (SP), atesta que o divórcio consensual do casal foi homologado somente em 28 de agosto de 2008, ou seja, posteriormente ao anocalendário em discussão no presente processo (2005). Sendo assim, em 2005, o contribuinte e a Sra. Maura Moreira de Santana eram casados, conforme se constata também na Certidão de Casamento às fls. 42, frente e verso. Este estado de coisas autorizava o contribuinte a incluíla como dependente em sua declaração de ajuste anual, como de fato o fez. Além disso, no presente caso, não consta que a Sra. Maura Moreira de Santana tenha entregue declaração de ajuste no exercício correspondente, mesmo tendo auferido rendimentos em valor superior ao limite para de obrigatoriedade para a apresentação da declaração naquele anocalendário. Notese que estavam obrigados à entrega de declaração de ajuste anual no exercício 2006 as pessoas físicas que tivessem recebido rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual na declaração superiores a R$ 13.968,00, tais como: rendimentos do trabalho assalariado, nãoassalariado, proventos de aposentadoria, pensões, aluguéis, atividade rural (Resposta à pergunta n.º 001, Perguntas e Respostas IRPF/2006, em Fl. 64DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/ 04/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 www.receita.fazenda.gov.br), e os rendimentos pagos à Sra. Maura pela Prefeitura Municipal de Osasco foram da ordem de R$ 15.748,34, tal como declarado pela fonte pagadora (fls. 3). Esses fatos, analisados em conjunto, em confronto com as provas dos autos, levam à convicção que o contribuinte, diante do permissivo legal, tendo apresentado sua declaração de ajuste do exercício 2006 no modelo completo, optou por incluir a Sra. Maura Moreira de Santana como sua dependente e beneficiarse do desconto correspondente, mas deixou de oferecer à tributação os rendimentos por ela auferidos. Por isso, correto o lançamento do imposto incidente sobre os rendimentos omitidos. Por fim, cumpre ressaltar que, juntamente com o recurso, foi acostado aos autos “Pedido de Venda” de eletrodoméstico junto a Casas Bahia Comercial Ltda., em nome da Sra. Maura Moreira de Santana, certamente com o intuito de comprovar que, em 13.11.2005, residia no endereço que consta para a entrega do produto (Rua Jesuíno Antonio, 650, Bloco Pau Brasil, apto. 44, Cond. Res. Novo Osasco). Todavia, mesmo que esse papel fosse hábil para comprovar a residência da sua titular, o que não é, isto não seria impedimento à sua condição de dependente do contribuinte no anocalendário sob análise. Não há, portanto, qualquer reparo a ser feito na decisão a quo. Conclusão Ante todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) _________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 65DF CARF MF Impresso em 29/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/ 04/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10835.003983/2008-32
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SIMPLES NACIONAL Exercício: 2010 OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Numero da decisão: 1801-001.078
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Participou do julgamento o Conselheiro Antônio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Participou do julgamento o Conselheiro Antônio Carlos Guidoni Filho. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Maria de Lourdes Ramirez, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Ana de Barros Fernandes. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10835.003983/200832 Acórdão n.º 180101.078 S1TE01 Fl. 136 2 Relatório A Recorrente optante pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) foi excluída de ofício mediante o Ato Declaratório Executivo DRF/Presidente Prudente/SP nº 378.380, de 22.08.2008, com efeitos a partir de 01.01.2009, por possuir débitos com a Fazenda Pública Federal com exigibilidade não suspensa, fl. 16 (art. 17 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006 e alínea “d” do inciso II do art. 3º e inciso I do art. 5º da Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007). Os débitos não estão identificados no ato de exclusão. No demonstrativo Consulta Débitos na ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), fls. 17 e 3334, estão registrados os seguintes valores inscritos em Dívida Ativa da União: 00008040204532259 de R$61.761,62 e 00008040405298393 de R$22.290,31. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação, com as alegações abaixo sintetizadas. Argui que os débitos que deram causa à exclusão do Simples Nacional são objeto de Per/DComp, cujo efeito é suspender a sua exigibilidade. Suscita que estes débitos deveriam estar extintos por homologação da compensação (art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996) e ainda assim foram enviados para inscrição em Dívida Ativa da União. Defende que a Administração Pública não analisou o mencionado “encontro de contas” no prazo razoável e por esta razão ela [...] encontrase na iminência dc ser excluído do SIMPLES, mas no entanto, o Senhor Delegado da Receita Federal em Presidente Prudente SP que tem a incumbência de fazer o encontro de contas, e com isso baixar as inscrições que foram ajuizadas ou no mínimo proceder de acordo com o dispõe a Lei, suspendendo a exigibilidade do crédito, conforme previsão do §11° do art. 74 da Lei 9.430/967, está de braços cruzados até presente data. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui 1. O recebimento do presente recurso, com efeito suspensivo; 2. Que sejam cancelados os efeitos do ato declaratório ora atacado. Termos em que, espera deferimento. Nos autos constam as cópias do Per/DComp formalizado no processo nº 10835.001002/9914, fls. 1932, que já foi objeto de exame nesta segunda instância de julgamento (Acórdão da 2ª Câmara do Conselho de Contribuintes nº 20216.487, de 10.08.2005 e Acórdão da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais nº 0202.694) em que restou fixado: Fl. 137DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10835.003983/200832 Acórdão n.º 180101.078 S1TE01 Fl. 137 3 Isto posto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para: a) reconhecer o direito creditório da contribuinte; b) determinar que os cálculos do PIS devido sejam realizados com base na Lei Complementar nº 7/70, observando o critério da semestralidade; e c) ressalvar o direito de a Fazenda Nacional conferir todos os cálculos. Com base nas alegações da Recorrente, fls. 0108, a autoridade preparadora diligenciou junto à PGFN, fls. 3384. Intimada a apresentar documentos que comprovassem a suspensão da exigibilidade dos referidos débitos, a Recorrente se limitou a reiterar os argumentos constantes na peça de defesa, fls. 5157. Tendo em vista a Norma de Execução COSIT/CODAC/COCAJ n° 01, de 15 de março de 2010, a DRF Presidente Prudente/SP emitiu a Intimação nº 474, de 08.07.2010, fl. 89, no seguinte sentido: No processo acima mencionado, a empresa apresentou impugnação tempestiva quanto ao Ato Declaratório Executivo DRF/PPE n° 378380, de 22 Agosto de 2008, referente exclusão da empresa do sistema tributário Simples Nacional (fls.16). A exclusão encontrase suspensa (fl. 34), aguardando decisão da DRJ Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão PretoSP, quanto a impugnação apresentada. Em razão do disposto no artigo 3º da Norma de Execução COSIT/CODAC/COCAJ n° 01, de 15 de março de 2010, o processo retornou à Delegacia de Presidente PrudenteSP, para diligência (fls.87). Em cumprimento à diligência solicitada pela DRJ/Ribeirão PretoSP, foi(ram) juntada(s) ao processo a(s) tela(s) de consulta débitos geradores do Ato Declaratório Executivo ADE, emitida(s) pelo sistema de Vedações e Exclusão do SIMPLES SIVEX (fls.88) constando a relação dos débitos que ensejaram a emissão do respectivo Ato Declaratório de Exclusão, conforme cópia(s), em anexo. Desta forma, fica o contribuinte cientificado do(s) débito(s) e da juntada do(s) documento(s) referente(s) a relação dos débitos que ensejaram a exclusão, conforme cópia(s) anexa(s), reabrindolhe o prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência desta intimação, para manifestação, que deverá ser dirigida ao Delegado da Receita Federal do Brasil de Julgamento, protocolada na Unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil de sua jurisdição, nos termos do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972. Decorrido o prazo acima, com ou sem manifestação do contribuinte, o processo retornará a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão PretoSP, para julgamento. Notificada em 15.07.2010, fl. 90, a Recorrente não se manifestou. Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/RPO/SP nº 1433.795, de 23.05.2011, fls. 97102: “Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Restou ementado Assunto: Simples Nacional Fl. 138DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10835.003983/200832 Acórdão n.º 180101.078 S1TE01 Fl. 138 4 Anocalendário: 2008 EXCLUSÃO. DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA. E defeso às pessoas jurídicas que tem débitos com a Fazenda Pública Federal, com a exigibilidade não suspensa, optar pelo Simples. Notificada em 14.06.2011, fl. 105, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 27.06.2011, fls. 108112, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera todos os argumentos apresentados na impugnação. Acrescenta No caso em questão, embora a recorrente ainda não possua contra si uma penhora efetiva, já que foram bloqueados via BacenJud o valor total de R$6.347,38 (seis mil, trezentos e quarenta e sete reais e trinta e oito centavos), conforme se pode verificar, o que lhe impossibilita de interpor embargos à execução fiscal, já que possui apenas um débito de R$2.200,85 (dois mil, duzentos reais e oitenta e cinco centavos) conforme se provará oportunamente, ofereceu como garantia do crédito do Fisco ao Juízo da Comarca de Rancharía (SP), 1 (um) imóvel residencial urbano com área total de 450 m2, de propriedade do sócio da autora, avaliado no valor total de R$ 105.000,00 (cento e cinco mil reais). O valor do bem oferecido é mais que suficiente para garantir os créditos tributários. O oferecimento de caução como medida garantidora de crédito tributário equiparase à penhora consolidada em execução fiscal e permite a expedição de certidão positiva com efeito de negativa. [...] No caso concreto, a recorrente obteve o direito à expedição de certidão positiva com o efeito de certidão negativa (DOC. ANEXO), bem como em permanecer enquadrado no SIMPLES, nos termos da liminar deferida pelo Juízo da Comarca de Rancharia nos autos da ação cautelar n° 201/2010 (DOC. ANEXO). Conclui À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, para ser mantida a recorrente no SIMPLES NACIONAL Termos em que, Pede deferimento. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10835.003983/200832 Acórdão n.º 180101.078 S1TE01 Fl. 139 5 A Recorrente se insurge contra o indeferimento da opção. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) é regulamentado pelo Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN). A opção do sujeito passivo deve ser manifestada por meio da internet até o último dia útil do janeiro sendo irretratável para todo anocalendário oportunidade em que presta declaração quanto ao nãoenquadramento nas vedações legais. A exclusão por comunicação decorrente de opção ou de obrigatoriedade e é feita pela internet. Verificada a falta da comunicação obrigatória, a exclusão de ofício é formalizada mediante ato administrativo emitido pelo ente federativo que iniciar o processo de exclusão de ofício. Os seus efeitos podem ser retroativos, conforme o caso. Não pode recolher os tributos na forma do Simples Nacional a pessoa jurídica que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa. Excepcionalmente é permitida a permanência da pessoa jurídica como optante pelo Simples Nacional mediante a comprovação da regularização do débito no prazo de até 30 (trinta) dias contados a partir da ciência da comunicação da exclusão 1. Tem cabimento o exame da situação fática. No presente caso, verificase que durante o procedimento fiscal a Recorrente foi regularmente intimada a prestar esclarecimentos sobre os débitos inscritos em Dívida Ativa da União: 00008040204532259 de R$61.761,62 e 00008040405298393 de R$22.290,31, fls. 3334 e 89. Restou comprovado que somente em 25.11.2010, a Recorrente ajuizou a Ação Cautelar Incidental Inominada, fls. 115127 Por todo o exposto, requer: a) a concessão da antecipação dos efeitos da tutela, com fundamento no art. 273, I e II, do CPC, determinandose a imediata expedição de CPDEN e a não inclusão (ou suspensão, caso já incluída) do nome da autora do Cadin, em obediência ao art. 206, do CTN, bem como seja determinada sua permanência no SIMPLES FEDERAL, ex vi do art. 151, inciso V, do CTN mediante a formalização da caução do bem acima arrolado, fixandose, desde já, multa diária, sem prejuízo de sanções criminais e funcionais; b) a citação da ré, para, querendo, apresentar contestação no prazo legal, sob pena de serem considerados verdadeiros todos os fatos narrados; c) a intervenção do Ministério Público Federal; d) em sede de sentença, seja confirmada a medida liminar, declarandose o direito da autora à obtenção de CPDEN e a conseqüente nãoinclusão (ou suspensão) do seu nome do Cadin, por meio de caução do bem acima arrolado, bem como a proibição de sua exclusão do SIMPLES FEDERAL, com fundamento no art. 151, inciso V, e art. 206, do CTN; e 1 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 33 e art. 39 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007,e Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007, art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, § 2º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10835.003983/200832 Acórdão n.º 180101.078 S1TE01 Fl. 140 6 e) a imposição dos ônus da sucumbência. Protesta provar o alegado por todos os meios de prova admitidos em direito admitidos, em especial prova documental (grifos acrescentados). Consta como decisão do exame do pedido de antecipação de tutela na Ação Cautelar Incidental Inominada, fl. 129 Processo n°. 201/10. V. No caso em tela, verificase estarem presentes os requisitos necessários para a concessão da liminar. Em princípio, encontramse presentes a fumaça do bom direito e o perigo da demora, uma vez a certidão positiva com efeitos negativos, se faz necessária para as atividades sociais da requerente, inclusive com a permanência dela no regime de tributação denominado SIMPLES. Por outro lado, o bem oferecido em caução já foi aceito pela requerida nos autos da execução em apenso (fls.332Execução Fiscal 193/02). Por todo o exposto, DEFIRO A LIMINAR conforme requerido na inicial, mediante caução do bem oferecido, nos termos do artigo 206 do CTN. Tomese por termo a caução (grifos acrescentados). Expeçase o necessário. Somente por força desta medida judicial, a Recorrente obteve Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa de Débitos Relativos aos Tributos Federais e a Dívida Ativa da União emitida em 30.03.2011, fl. 130, com a seguinte observação Certidão liberada por força de decisão precária proferida nos autos da ação cautelar inominada n° 201/2010 (1ª Vara Judicial da Comarca de Rancharia/SP). Posteriormente, a União interpôs Agravo de Instrumento nº 0007330 43.2011.4.03.0000/SP contra o deferimento da antecipação de tutela na Ação Cautelar Incidental Inominada, proferida por Juiz Estadual em ação cautelar incidental ao executivo fiscal, o qual foi decidido conforme abaixo2 DECISÃO Cuidase de agravo de instrumento interposto contra o deferimento de liminar, proferida por Juiz Estadual em ação cautelar incidental ao executivo fiscal. A ação cautelar foi proposta com o fito de assegurar à ora agravante a obtenção de Certidão Positiva de Débitos com Efeito de Negativa, a exclusão de seu nome do CADIN e, sua permanência no SIMPLES NACIONAL, com esteio no artigo 2 Disponível em: <http://web.trf3.jus.br/diario/Consulta/VisualizarDocumentosProcesso?numerosProcesso=201103000073308&dat a=20110506> . Acesso em: 04 jul.2012. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10835.003983/200832 Acórdão n.º 180101.078 S1TE01 Fl. 141 7 151, inciso V, do CTN, mediante formalização de caução consubstanciada em imóvel urbano. [...] 1. A questão trazida aos autos diz respeito à suspensão do procedimento administrativo, relativo à NFLD de nº. 32.076.4281, "bem como de toda e qualquer medida correlata decorrente do débito noticiado", mediante oferta de "Apólice de Dívida Pública nº. 144.484" (...), "para quitação do sobredito crédito previdenciário" (sic fls. 15/19), cuja discussão vem sendo travada na Justiça Estadual Paulista, mais precisamente perante a 1ª Vara Cível da Comarca de Olímpia. 2. A competência para processo e julgamento das causas que envolvam a participação na lide da União Federal, suas autarquias e suas empresas públicas, qualquer que seja a forma pela qual tenha algum destes entes manifestado seu interesse, por força do disposto no inciso I, do artigo 109, da Constituição Federal, é da Justiça Federal. Por outro lado, há possibilidade de delegação do exercício da competência federal à Justiça Estadual, na forma preconizada pelo parágrafo 3º, do mencionado dispositivo legal, hipóteses estas que necessariamente devem ser interpretadas restritivamente e nos exatos termos dispostos na Constituição e na lei infraconstitucional. 3. Diante disso, há efetiva possibilidade da Justiça Estadual exercer competência federal delegada cível, sempre que no local não houver vara federal, para julgamento das causas que envolvam, de um lado, instituição de previdência social e, de outro, o segurado; bem como para o julgamento dos executivos fiscais da União e suas autarquias, hipótese esta prevista no inciso I, do artigo 15, da Lei nº. 5.010/66, recepcionada pela Constituição da República. 4. Impende salientar que, no tocante à matéria tributária como é o caso dos autos (custeio da seguridade social) a delegação da competência federal restringese ao processamento e julgamento dos feitos executivos, calcados nas respectivas certidões de dívida ativa, bem como dos embargos eventualmente propostos, na medida em que estes têm natureza jurídica híbrida, constituindo, ao mesmo tempo, meio de defesa do devedor e ação de conhecimento, mas que tem a sua competência diretamente vinculada à competência do órgão jurisdicional para análise da execução fiscal. 5. Fora destes estritos casos, não é possível à Justiça Estadual o exercício de competência federal, pelo que a decisão agravada, proferida em processo cautelar incidental ao processo autônomo de conhecimento, de natureza, em verdade, desconstitutiva que visou à anulação do "crédito fiscal", tendo sido proferida por órgão jurisdicional absolutamente incompetente, é nula de pleno direito. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10835.003983/200832 Acórdão n.º 180101.078 S1TE01 Fl. 142 8 6. Recurso de agravo de instrumento provido para anular a decisão proferida em 1º grau de jurisdição." (TRF 3ª R. AG nº 98.03.1054350, Rel. Juiz Federal convocado CARLOS DELGADO, Turma Suplementar da Primeira Seção, DJF3 10/09/2008) Por esses fundamentos, encontrandose a decisão impugnada em manifesto confronto com jurisprudência de Tribunal Superior, dou provimento ao agravo, com base no § 1ºA do art. 557 do CPC. Comuniquese ao juízo a quo. Intimese. Decorrido o prazo legal, baixem os autos à Vara de origem. São Paulo, 25 de abril de 2011. ALDA BASTO Desembargadora Federal Relatora Por conseguinte, restou inequivocamente evidenciado que antecipação de tutela na Ação Cautelar Incidental Inominada foi revogada em 25.11.2011. Assim, no caso em que a matéria objeto do litígio no presente processo está sob o amparo do Poder Judiciário, não pode a Administração Pública afastar o provimento respectivo, tendo em vista o princípio da inafastabilidade da jurisdição (inciso XXXV do art. 5º da Constituição Federal). Restou demonstrado que a ação judicial ajuizada pela Recorrente tem o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, o que importa desistência do recurso voluntário por ela interposto. Em face do exposto, voto por não conhecer o recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Fl. 143DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 19288.000027/2011-12
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2008 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA CARF Nº 49. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
Numero da decisão: 1803-001.442
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, deram provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros Walter Adolfo Maresch e Sérgio Rodrigues Mendes que lhe negavam provimento.
Nome do relator: SELENE FERREIRA DE MORAES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1612; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 1 1 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19288.000027/201112 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 180301.442 – 3ª Turma Especial Sessão de 8 de agosto de 2012 Matéria MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DCTF Recorrente CONDOMÍNIO DO EDIFÍCIO FOUR POINTS BY SHERATON MACAÉ Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2008 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA CARF Nº 49. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, deram provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros Walter Adolfo Maresch e Sérgio Rodrigues Mendes que lhe negavam provimento. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Fl. 40DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 22/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES 2 Relatório Trata o presente processo de notificação de lançamento de multa por atraso na DCTF relativa ao 1° semestre de 2008. Irresignada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, em que alegou em síntese que: a) Que apresentou as declarações exigidas no presente lançamento por meio de processo eletrônico. b) O certificado digital que habilitaria cumprir a obrigação só foi adquirido em 08/12/2010, e neste momento, foram reapresentadas as DCTF’s e as DIPJ’s. c) Ao processar as declarações apresentadas em janeiro a autoridade lançadora equivocadamente considerou que se tratava de uma nova declaração, quando na verdade era apenas a ratificação da declaração existente. d) As obrigações acessórias de apresentar declaração não podem ser punidas porque o impede o art. 138 do CTN. A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente, com base nos seguintes fundamentos: a) Cabe ao contribuinte o dever de cuidar de sua senha. Assim, supostas alegações da interessada de que somente apresentou suas declarações após 08/12/2010 por culpa de atraso na obtenção de seu certificado digital, não afastam a multa pelo atraso na entrega delas. b) A recorrente tentou apresentar a declaração em 07/10/2008, em papel, tendo o requerimento sido indeferido. c) O art. 138 do CTN não pode ser invocado para afastar as multas aplicadas por atraso na apresentação das declarações. d) A legislação não dá margem a incertezas ou dúvidas. Se a Declaração foi apresentada depois do prazo regulamentar, independente de qualquer circunstância, o contribuinte está sujeito à multa. Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que apenas reitera a alegação de que a responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea, acompanhada do pagamento do tributo. É o relatório. Voto Conselheira Selene Ferreira de Moraes Fl. 41DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 22/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 19288.000027/201112 Acórdão n.º 180301.442 S1TE03 Fl. 2 3 A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 09/09/2012 (extrato de fls. 37). O recurso foi protocolado em 27/09/2011, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. Alega a recorrente que a transmissão da DCTF foi impedida pelo programa ReceitaNet, pelo fato de que as sociedades cadastradas sob o código 2127 (sociedade em conta de participação) estariam dispensadas de apresentação da referida declaração. Diante desta situação, a contribuinte efetuou a entrega da declaração em papel. A autoridade administrativa indeferiu o requerimento de apresentação da DCTF em papel com base nos seguintes fundamentos (fls. 16/18): “A sociedade em conta de participação (direito brasileiro) ou conta da metade (direito português) é uma sociedade empresária que vincula, internamente, os sócios. É composta por duas ou mais pessoas, sendo que uma delas necessariamente deve ser empresário ou sociedade empresária. Por ser apenas uma ferramenta existente para facilitar a relação entre os sócios não é uma sociedade propriamente dita, ela não tem personalidade jurídica autônoma, patrimônio próprio e não aparece perante terceiros. O empreendimento é realizado por dois tipos de sócios: o sócio ostensivo e o sócio oculto. O sócio ostensivo (necessariamente empresário ou sociedade empresária) realiza em seu nome os negócios jurídicos necessários para ultimar o objeto do empreendimento e responde pelas obrigações sociais não adimplidas. O sócio oculto, em contraposição, não tem qualquer responsabilidade jurídica relativa aos negócios realizados em nome do sócio ostensivo. (...) Nesse sentido e pelo acima exposto, indeferimos o pleito do contribuinte, eis que ausente previsão legal que o ampare, mormente na hipótese em que a legislação estabelece a forma para adimplemento da obrigação acessória em questão, que, no caso, deve ser cumprida pelo sócio ostensivo inscrito no CNPJ, face à sua equiparação à pessoa jurídica”. O fundamento da decisão que indeferiu a entrega da declaração em papel não é válido. Isto porque, a legislação relativa ao CNPJ faculta a inscrição da sociedade em conta de participação no cadastro. Tanto é assim que, há previsão expressa de código de natureza jurídica para as sociedades em conta de participação, qual seja, 2127. A legislação oferece duas possibilidades às sociedades em conta de participação: cumprir suas obrigações acessórias por meio do sócio ostensivo, ou inscreverse no CNPJ, e cumprilas tal como as demais pessoas jurídicas. Fl. 42DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 22/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES 4 Apesar do despacho decisório não ser objeto de discussão no presente processo, a análise de sua validade é essencial para a convicção acerca da existência da infração de atraso na entrega da declaração, esta sim, objeto da autuação questionada neste recurso. Tratase de uma questão prejudicial, ou seja, de controvérsia cuja solução é imprescindível para a decisão relativa à existência da conduta infracional de atraso na entrega da declaração. O prazo para apresentação da DCTF relativa ao 1° semestre de 2008 encerrouse em 07/10/2008. O contribuinte, impedido de cumprir obrigação acessória por meio da Internet, enviou a DCTF em papel, protocolando requerimento na repartição em 12/11/2008, ou seja, fora do prazo legal de entrega previsto na legislação (fls. 17). A decisão recorrida desconsiderou a declaração em papel por entender que não há previsão legal para sua entrega em papel, sendo o único meio possível, aquele previsto na legislação: entrega mediante transmissão pela Internet, com assinatura digital. Em que pese, a declaração em papel ter sido entregue fora do prazo legal, ela não pode ser simplesmente desconsiderada para efeito de imposição da penalidade. A instrução normativa é clara ao dispor que a DCTF deverá ser apresentada em meio magnético, mediante a utilização de programa gerador de declaração, disponível na Internet. No entanto, o contribuinte não pode ser penalizado como se tivesse entregue sua declaração apenas na data em que a transmitiu pela Internet. A entrega da declaração em papel, ainda que em atraso, deve ser considerada, pois é conduta que demonstra a vontade de cumprir a obrigação acessória. A situação fática dos presentes autos não é a mesma do caso em que o contribuinte simplesmente entrega sua declaração fora do prazo, sem qualquer tentativa comprovada de cumprila, ainda que por meio diverso daquele previsto em lei. Como diz Eros Roberto Grau, em sua obra “Ensaio e discurso sobre a interpretação/aplicação do direito”, o intérprete discerne o sentido do texto a partir e em virtude de um determinado caso dado. (item X). Em suas palavras: “Vou repetir mais uma vez: a norma é produzida, pelo intérprete, não apenas a partir de elementos colhidos no texto normativo (mundo do deverser), mas também a partir de elementos do caso ao qual será ela aplicada, isto é, a partir de dados da realidade (mundo do ser). Por oportuno, trazemos à colação decisão do Poder Judiciário que analisa situação análoga: “TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. ENTREGA DE DCTF DE FORMA MANUAL. MULTA. CERTIFICAÇÃO DIGITAL. POSTERIOR. SENTENÇA PROCEDENTE. EFEITOS. INALTERADOS. TRÂNSITO EM JULGADO. AUSÊNCIA. DESCUMPRIMENTO. I É importante ressaltar que o juiz não está vinculado a examinar todos os argumentos expendidos pelas partes, nem a se Fl. 43DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 22/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 19288.000027/201112 Acórdão n.º 180301.442 S1TE03 Fl. 3 5 pronunciar sobre todos os artigos de lei, restando bastante que, no caso concreto, decline fundamentos suficientes e condizentes a lastrear sua decisão. II Inicialmente, devese salientar que a discricionariedade da Administração Pública não pode sobrepor o limite da razoabilidade, na medida em que, caso não existisse o aludido limite, tornariase um verdadeiro obstáculo às empresas que cumprem com suas obrigaçõese e que por algum motivo não poderiam apresentar as declarações legalmente previstas em lei por motivos alheios à sua vontade. III Vêse dos autos, que a impetrante agiu com toda a transparência, inclusive tendo buscado o cumprimento nos prazos fixados pela Receita Federal. Aliás, o procedimento necessário à obtenção de certificação não é automático, é complexo e burocrático, tendo o contribuinte inciado os trâmites necessários, para a regularização. Registrese, ainda, que a impetrante não pretende postergar a entrega de qualquer declaração, apenas objetiva a autorização para momentânea entrega manual das declarações a que está obrigada, sem a imposição da multa prevista pela Receita. IV Não é demais, também, falar sobre o princípio da proporcionalidade. O grande fundamento deste princípio é o excesso de poder e o fim a que se destina é exatamente o de conter atos, decisões e condutas de agentes públicos que ultrapassem os limites adequados, com vistas ao objetivo colimado pela Administração, ou até mesmo pelo Poderes representativos do Estado. Significa que o Poder Público, quando intervém nas atividades sob seu controle, deve atuar porque a situação reclama realmente a intervenção, e esta deve processarse com equilíbrio, sem excessos e proporcionalmente ao fim a ser atingido. V Desse modo, obstaculizar a entrega das declarações de modo manual, enquanto a impetrante providencia a certificação digital, ofende os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, razão pela qual, a sentença não merece reforma. VI Ademais, recebida a apelação apenas no efeito devolutivo, persistem os efeitos da sentença que tornou o débito inexigível até o pronunciamento definitivo das instâncias superiores, o que não ocorreu, acarretando, o descumprimento, em afronta ao disposto no artigo 26 da Lei nº 12.016/2009 (Lei do Mandado de Segurança). VII – Remessa necessária e apelação não providas.”(AMS 2005.51.01.0167166, sessão em 12/04/2011). Por conseguinte, não há como deixar de concluir que na hipótese dos autos, a penalidade pelo descumprimento da obrigação acessória, deve ser aplicada considerandose a data da entrega da declaração em papel na repartição. No caso concreto, a conduta prevista na legislação – atraso na entrega da declaração –se materializou, mas o atraso foi de apenas 36 dias. Fl. 44DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 22/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES 6 Por conseguinte, a multa a ser aplicada é de R$ 7.043,90, de acordo com o demonstrativo abaixo: Base de cálculo da multa por atraso na entrega da declaração R$ 176.097,57 Percentual aplicável: 2% x quantidade de meses/fração de atraso 2% x 2 = 4% Valor da multa por atraso na entrega R$ 7.043,90 No que se refere à exclusão da responsabilidade pela denúncia espontânea da infração, de que trata o art. 138 do CTN, tratase de matéria sumulada neste Conselho: “Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.” Ante todo o exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da tributação o montante de R$ 28.175,61. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 45DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 22/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 19288.000027/201112 Acórdão n.º 180301.442 S1TE03 Fl. 4 7 Declaração de Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes Votei, juntamente com o Conselheiro Walter Adolfo Maresch, pela negativa de provimento ao recurso voluntário interposto, por entender que se está diante de caso no qual a impossibilidade de entrega da Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) pela internet, por falta da indispensável assinatura digital, decorreu, unicamente, da culpa in eligendo e in vigilando da Recorrente, a qual, de nenhum modo, poderia alegar desconhecimento da legislação pertinente. Quanto à questão de a transmissão da DCTF ter sido supostamente impedida pelo programa ReceitaNet, pelo fato de que as sociedades cadastradas sob o código 2127 (sociedade em conta de participação) estariam dispensadas de sua apresentação, não foi, essa matéria, objeto de discussão pela decisão recorrida, restando, de todo modo, prejudicada pela falta da necessária assinatura digital. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 46DF CARF MF Impresso em 29/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 22/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES
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