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Numero do processo: 18471.001793/2006-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006
IRPF. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4º, DO CTN. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. FATO GERADOR EM 31 DE DEZEMBRO DO ANO CALENDÁRIO.
A regra de decadência do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173 nas demais situações.
No presente caso, houve pagamento antecipado na forma de imposto de renda retido na fonte, e não houve a imputação de existência de dolo, fraude ou simulação, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 150, §4º, do CTN, que fixa o marco inicial na ocorrência do fato gerador.
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário Súmula CARF nº 38. A mesma conclusão se aplica à omissão de rendimentos apurada com base em acréscimo patrimonial a descoberto, que também é apurada mensalmente, mas sujeita à tributação na declaração de ajuste.
Assim para o ano-calendário de 2001, a contagem do prazo decadencial se inicia em 31/12/2001 e termina em 31/12/2006. Como a ciência da autuação se deu em 19/12/2006, não se verifica a decadência de nenhuma parcela do crédito tributário lançado.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. CRITÉRIO DE APURAÇÃO. MANUTENÇÃO DO CRITÉRIO UTILIZADO NO LANÇAMENTO.
De acordo com a Lei 7.713/88, o acréscimo patrimonial a descoberto deve ser apurado através de demonstrativo de evolução patrimonial que indique, mensalmente, tanto as origens e recursos, como os dispêndios e aplicações, cabendo ao contribuinte o ônus de demonstrar que o referido acréscimo
patrimonial encontra justificativa em rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou de tributação definitiva.
Hipótese em que se demonstrou que a fiscalização deixou de considerar origens e dispêndios relativos a aplicações financeiras e dinheiro em espécie na apuração do acréscimo patrimonial a descoberto em alguns anos, apesar de tê-lo
feito em outros.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. SOBRAS DE RECURSOS.
APROVEITAMENTO DENTRO DO ANO-CALENDÁRIO.
As sobras de recursos apuradas em um determinado mês devem ser
transferidas para o seguinte, desde que dentro do ano-calendário.
Eventual sobra constatada no final de dezembro de um ano não pode ser considerada como origem no cálculo do mês de janeiro do ano subsequente, a não ser que esteja informada na declaração de bens e direitos do exercício.
Preliminar de decadência rejeita.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2101-001.356
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para cancelar todos os acréscimos patrimoniais a descoberto dos anos de 2004 e 2005, vencidos os conselheiros Alexandre Naoki Nishioka e Gonçalo Bonet Allage, que votaram por dar provimento em maior extensão.
Nome do relator: Jose Evande Carvalho Araújo
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DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o, DO CTN. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. FATO GERADOR EM 31 DE DEZEMBRO DO ANO CALENDÁRIO. A regra de decadência do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173 nas demais situações. No presente caso, houve pagamento antecipado na forma de imposto de renda retido na fonte, e não houve a imputação de existência de dolo, fraude ou simulação, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 150, §4o, do CTN, que fixa o marco inicial na ocorrência do fato gerador. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário Súmula CARF nº 38. A mesma conclusão se aplica à omissão de rendimentos apurada com base em acréscimo patrimonial a descoberto, que também é apurada mensalmente, mas sujeita à tributação na declaração de ajuste. Assim para o anocalendário de 2001, a contagem do prazo decadencial se inicia em 31/12/2001 e termina em 31/12/2006. Como a ciência da autuação se deu em 19/12/2006, não se verifica a decadência de nenhuma parcela do crédito tributário lançado. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. CRITÉRIO DE APURAÇÃO. MANUTENÇÃO DO CRITÉRIO UTILIZADO NO LANÇAMENTO. Fl. 252DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/ 11/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 18471.001793/200605 Acórdão n.º 2101001.356 S2C1T1 Fl. 228 2 De acordo com a Lei 7.713/88, o acréscimo patrimonial a descoberto deve ser apurado através de demonstrativo de evolução patrimonial que indique, mensalmente, tanto as origens e recursos, como os dispêndios e aplicações, cabendo ao contribuinte o ônus de demonstrar que o referido acréscimo patrimonial encontra justificativa em rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou de tributação definitiva. Hipótese em que se demonstrou que a fiscalização deixou de considerar origens e dispêndios relativos a aplicações financeiras e dinheiro em espécie na apuração do acréscimo patrimonial a descoberto em alguns anos, apesar de têlo feito em outros. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. SOBRAS DE RECURSOS. APROVEITAMENTO DENTRO DO ANOCALENDÁRIO. As sobras de recursos apuradas em um determinado mês devem ser transferidas para o seguinte, desde que dentro do anocalendário. Eventual sobra constatada no final de dezembro de um ano não pode ser considerada como origem no cálculo do mês de janeiro do ano subsequente, a não ser que esteja informada na declaração de bens e direitos do exercício. Preliminar de decadência rejeita. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para cancelar todos os acréscimos patrimoniais a descoberto dos anos de 2004 e 2005, vencidos os conselheiros Alexandre Naoki Nishioka e Gonçalo Bonet Allage, que votaram por dar provimento em maior extensão. (assinado digitalmente) _____________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Gilvanci Antônio De Oliveira Sousa, Celia Maria de Souza Murphy, José Evande Carvalho Araujo, Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka. Fl. 253DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/ 11/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 18471.001793/200605 Acórdão n.º 2101001.356 S2C1T1 Fl. 229 3 Relatório AUTUAÇÃO Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado o Auto de Infração de fls. 2 e 159 a 174, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2002 a 2006, para lançar infração de omissão de rendimentos caracterizada por variação patrimonial a descoberto, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$42.836,58, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. IMPUGNAÇÃO Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou impugnação (fls. 176 a 199), acatada como tempestiva. O relatório do acórdão de primeira instância descreveu o recurso da seguinte maneira (fls. 204 a 205): Inicia sua defesa discorrendo sobre a natureza do lançamento do imposto de renda. Defende que se trata de tributo lançado por homologação e que o prazo decadencial começa a contar da ocorrência do fato gerador, na forma do artigo 150, § 4o do Código Tributário Nacional. Dessa forma, segundo seu entendimento, o lançamento no que se refere aos meses de fevereiro e março de 2001 já teria sido fulminado pela decadência. Defende que essa posição já se encontra firmada no Conselho de Contribuintes. Em seguida, passa a apontar procedimentos adotados pela Autoridade Fiscal com os quais não concorda. ANO CALENDÁRIO 2001 a) requer a consideração dos rendimentos do excônjuge como origem nos meses de janeiro a abril, mês em que se deu a separação. Defende que já existe interpretação consolidada no sentido de se considerar os rendimentos de ambos os cônjuges na elaboração do fluxo. Indica os valores que quer ver inseridos no fluxo; b) pede a inclusão dos lucros distribuídos pela empresa Jodata Consultoria e Informática nos meses de janeiro a abril. Defende que o fato de não ter informado essa distribuição na Declaração apresentada não impede a sua utilização como origem no fluxo, que inclusive está registrada no livro caixa da mencionada empresa. Mais uma vez, elabora demonstrativos dos valores que quer ver inseridos no fluxo; c) pede a inserção dos valores recebidos por seus filhos, Joana e Marcelo, a título de pensão alimentícia a partir do mês de maio. Defende que, ainda que declarem em separado, vivem com ela e os recursos recebidos são destinados aos gastos da família e devem ser contabilizados no demonstrativo da evolução patrimonial. Transcreve os valores pagos a esse título; ANO CALENDÁRIO 2002 Fl. 254DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/ 11/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 18471.001793/200605 Acórdão n.º 2101001.356 S2C1T1 Fl. 230 4 a) reclama que a Autoridade Fiscal não inseriu como origem o saldo final de aplicação financeira em 31/12/2001, no valor de R$139.889,56, constante de sua Declaração de Ajuste Anual. Diz que esse valor é bem inferior ao saldo final apurado pela Autoridade Fiscal no fluxo do ano calendário 2001 de R$336.368,33 e defende que já existe jurisprudência do Conselho de Contribuintes no sentido de se considerar o saldo de recursos remanescentes do ano anterior no ano subseqüente; b) requer a inserção como origem no fluxo elaborado dos valores recebidos pelos filhos a título de pensão alimentícia. ANO CALENDÁRIO 2003 a) requer a inserção como origem no fluxo elaborado dos valores recebidos pelos filhos a título de pensão alimentícia; b) entende que o saldo final de aplicação financeira, em 31/12/2002, em conta conjunta mantida no Citybank com os filhos, no valor de R$38.076,00, deve ser inserido no fluxo como origem, ainda que não tenha sido informado em sua Declaração de Ajuste Anual; ANO CALENDÁRIO 2004 a) requer a inserção como origem no fluxo elaborado dos valores recebidos pelos filhos a título de pensão alimentícia, o que já seria suficiente para comprovar que não houve acréscimo patrimonial; b) diz que a Autoridade Fiscal não considerou os valores de R$20.000,00, de dinheiro em espécie, e de R$43.591,23, de saldo de aplicação financeira, informados em sua Declaração de Ajuste Anual para 31/12/2003. Ressalta que na planilha do ano calendário 2003 houve uma sobra de recursos de R$122.863,39. Afirma que existe jurisprudência do Conselho de Contribuintes no sentido de que dinheiro em espécie e aplicações financeiras indicadas na Declaração de Ajuste devem ser considerados pela Autoridade Fiscal; ANO CALENDÁRIO 2005 a) requer a inserção como origem no fluxo elaborado dos valores recebidos pelos filhos a título de pensão alimentícia, que seriam suficientes para justificar o acréscimo apurado pela Autoridade Fiscal no mês de dezembro; b) como no ano anterior, requer a consideração dos valores declarados em espécie e em aplicação financeira no Bank Boston, de R$45.000,00 e R$34.426,33, respectivamente; Ao final, requer que o lançamento seja julgado improcedente e os autos, arquivados. Fl. 255DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/ 11/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 18471.001793/200605 Acórdão n.º 2101001.356 S2C1T1 Fl. 231 5 ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 203 a 209): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 IRPF. DECADÊNCIA. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. A omissão de rendimentos caracterizada por acréscimo patrimonial a descoberto deve ser apurada em base mensal e tributados anualmente, razão pela qual o fato gerador se perfaz em 31 de dezembro de cada anocalendário. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. O acréscimo patrimonial não justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis ou isentos e tributados exclusivamente na fonte, caracterizando omissão de rendimentos, evidenciado por análise em que se cotejaram as aplicações realizadas com os recursos disponíveis no mesmo período, só é elidido mediante a apresentação de documentação hábil que não deixe margem a dúvida. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas por Conselhos de Contribuintes não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão aquela objeto da decisão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificada da decisão de primeira instância em 19/10/2010 (fl. 212v), a contribuinte apresentou, em 12/11/2010, o recurso de fls. 214 a 221, onde: a) defende que, em se tratando de Acréscimo Patrimonial de Pessoa Física, conforme artigo 55 do RIR/99, tratase de tributação exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva, e que por isso o prazo decadencial é contado a partir da data da ocorrência do fato gerador, que no caso é o momento em que os recursos comprovados foram supostamente insuficientes para justificar o Acréscimo Patrimonial no patrimônio apurado. Assim, não caberia mais o lançamento pertinente aos referidos períodos de apuração em 2001, face ao instituto da decadência, conforme posição firmada no Conselho de Contribuintes; Fl. 256DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/ 11/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 18471.001793/200605 Acórdão n.º 2101001.356 S2C1T1 Fl. 232 6 b) afirma que a autoridade fiscal deixou de considerar as seguintes origens de recursos: ANO BASE 2001: 1) Rendimentos do excônjuge: Janeiro: R$ 14.575,30 (inclui 13° salário) Fevereiro: R$ 5.987,30 Março: R$ 5.987,30 Abril: R$ 5.987,30 2) Distribuição de Lucros de Janeiro a Abril de 2001 da empresa Jodata Consultoria e Informática Ltda Janeiro: R$ 10.179,34 Fevereiro: R$ 10.179,34 Março: R$ 10.179,34 Abril: R$ 10.245,55 3) Valores recebidos a título de pensão alimentícia: Maio: R$ 3.368,66 Junho: R$ 3.368,66 Julho: R$ 3.368,66 Agosto: R$ 3.368,66 Setembro: R$ 3.368,66 Outubro: R$ 3.368,66 Novembro: R$ 3.368,66 Dezembro: R$ 3.368,66 ANO BASE 2002 1) Saldo de aplicação financeira em 31/12/01, no valor de R$ 139.889,56. 2) Pensão alimentícia: foi paga mensalmente a pensão para os filhos no valor de R$ 3.750,00, totalizando no ano R$ 45.000,00. ANO BASE 2003 1) Pensão alimentícia: foi paga mensalmente a pensão para os filhos no valor de R$ 2.927,00, totalizando no ano R$ 35.124,00. Fl. 257DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/ 11/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 18471.001793/200605 Acórdão n.º 2101001.356 S2C1T1 Fl. 233 7 2) saldo de aplicação financeira em 31/12/02, no valor de R$ 38.076,00. ANO BASE 2004 1) Pensão alimentícia: foi paga mensalmente a pensão para os filhos no valor de R$ 2.790,29, totalizando no ano R$ 33.483,48. 2) Saldo de aplicação financeira em 31/12/03, no valor de R$ 43.591,23. 3) Recursos em espécie no montante de R$ 20.000,00 constantes da declaração de bens do ano anterior. ANO BASE 2005 1) Pensão alimentícia: foi paga mensalmente a pensão para os filhos no valor de R$ 2.790,29, totalizando no ano R$ 33.483,48. 2) Saldo de aplicação financeira em 31/12/04, no valor de R$ 34.426,33. 3) Recursos em espécie no montante de R$ 45.000,00 constantes da declaração de bens do ano anterior. c) alega que negar que o recebimento de pensão alimentícia seja considerado como fonte de recursos, sob o argumento de que a mesma é utilizada exclusivamente para alimentação, foge completamente à realidade, uma vez que não existe na prática essa destinação exclusiva, mesmo porque ela é bem superior ao valor de alimentos. Na verdade, o que ocorre é que esses recursos são agregados aos salários da contribuinte, e que se, por absurdo, fosse possível se aceitar essa tese, os salários terão também que ser excluídos como fontes de recursos; d) advoga que, quando o auditor apura a aplicações de recursos para fins de apuração de acréscimo patrimonial, considera o saldo final de aplicação financeira no ano como acréscimo patrimonial, e que portanto esse saldo deve ser utilizado para acobertar acréscimos patrimoniais apurados no ano seguinte; e) questiona a não aceitação dos valores em espécie declarados pela contribuinte como origens, pois eles foram considerados como aplicações de recursos nos anos anteriores. Ao final, pugna pela improcedência do lançamento. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 225, que também trata do envio dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, contendo ainda a fl. 226, sem numeração, referente ao Despacho de Encaminhamento dos autos do SECOJ/SECEX/CARF para a 1a Câmara da 2a Seção. É o relatório. Fl. 258DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/ 11/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 18471.001793/200605 Acórdão n.º 2101001.356 S2C1T1 Fl. 234 8 Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Tratase de lançamento de omissão de rendimentos caracterizada por variação patrimonial a descoberto nos anoscalendário de 2001 a 2005. Preliminarmente, a contribuinte pugna pela decadência do lançamento referente ao anocalendário de 2001, alegando que Acréscimo Patrimonial de Pessoa Física – APD é tributado exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva, e que por isso o prazo decadencial é contado a partir da data da ocorrência do fato gerador, que no caso é o momento em que os recursos comprovados foram supostamente insuficientes para justificar o acréscimo patrimonial apurado. Sem razão a recorrente. O art. 55, inciso XIII, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99), classifica como tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. Assim, o acréscimo patrimonial é apurado mensalmente, mas é tributado apenas na declaração anual de ajuste, em conjunto com os demais rendimentos, nos termos do art. 2o da Lei nº 8.134, de 27 de dezembro de 1990. Como o fato gerador do imposto de renda é complexivo anual, ele só se aperfeiçoa em 31 de dezembro do anocalendário. Esse entendimento está pacificado no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tendo inclusive sido publicado súmula para situação semelhante de omissão de rendimentos, mas cuja conclusão se aplica ao presente caso. Tratase da Súmula CARF nº 38, que reza que “o fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário.” Esclareçase também que a contagem da decadência nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação deve seguir o decidido no Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009 na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, nos termos do art. 62A do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Assim a regra do art. 150, §4o, do CTN, que, determina o marco inicial da decadência na ocorrência do fato gerador, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, que fixa essa data no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou no dia em que se tornar Fl. 259DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/ 11/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 18471.001793/200605 Acórdão n.º 2101001.356 S2C1T1 Fl. 235 9 definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, nos demais casos. No presente caso, houve pagamento antecipado na forma de imposto de renda retido na fonte (fl. 7), e não houve a imputação de existência de dolo, fraude ou simulação, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 150, §4o, do CTN, que fixa o marco inicial na ocorrência do fato gerador. Assim para o anocalendário de 2001, a contagem do prazo decadencial se inicia em 31/12/2001 e termina em 31/12/2006. Como a ciência da autuação se deu em 19/12/2006 (fl. 165), não se verifica a decadência de nenhuma parcela do crédito tributário lançado. Desta forma, rejeito a preliminar de decadência suscitada. Passo à análise do mérito. O acréscimo no patrimônio da pessoa física passa a ser considerado como omissão de rendimentos quando não é possível justificálo com rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. Ele deve ser apurado em demonstrativo que confronte, mensalmente, o total de recursos e origens disponíveis com os dispêndios e aplicações efetuadas, o que, no caso, se encontra nas planilhas de fls. 80 a 90. Tratase de método indireto de apuração de receita, escorado em uma presunção juris tantum de omissão de rendimentos. Desta forma, apurada uma variação patrimonial a descoberto, nos termos previsto na legislação, passa a operar, em favor do Fisco, uma presunção de que o acréscimo ocorreu com receitas não oferecidas à tributação, que pode elidida pela contribuinte com a apresentação de documentação hábil e idônea. No caso, a recorrente pleiteia o reconhecimento de diversas fontes de recursos não aproveitadas na apuração efetuada na ação fiscal, argumentos que passo a analisar. a) Rendimentos do excônjuge: A recorrente deseja que os rendimentos do excônjuge, nos meses de janeiro à abril de 2001, sejam considerados como origens no cálculo do APD. Sobre o assunto, o julgador de 1a instância impediu o aproveitamento, pois esses rendimentos já haviam sido considerados na apuração de APD do excônjuge, como se depreende da parte do voto a seguir transcrita (fl. 207): RENDIMENTOS DO CÔNJUGE A Contribuinte informa que se separou judicialmente em abril de 2001. Pede para que, nos meses de janeiro a abril, sejam considerados como origem no fluxo os rendimentos do excônjuge e aduz que já existe jurisprudência consolidada nesse sentido. Aponta os valores recebidos pelo então cônjuge. De fato, não só a jurisprudência do Conselho de Contribuintes como também a orientação da Receita Federal do Brasil, contida na Nota Cosit/Cotir nº 617/99, Fl. 260DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/ 11/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 18471.001793/200605 Acórdão n.º 2101001.356 S2C1T1 Fl. 236 10 apontam no sentido de, na constância da sociedade conjugal, nos regimes de comunhão total ou parcial de bens, na apuração de acréscimo patrimonial, devem ser computados os rendimentos líquidos, as aquisições e as aplicações financeiras do outro cônjuge. Entretanto, esse procedimento é adotado quando o acréscimo é apurado somente em um dos cônjuges individualmente. No caso, o acréscimo também foi apurado em relação ao seu excônjuge, senhor João da Hora Santos Filho, no ano calendário 2001, conforme se verifica nos autos do processo administrativo nº 15563.000300/200694. Ou seja, os recursos dele já foram utilizados para justificar o seu próprio acréscimo patrimonial, não podendo ser utilizado para legitimar o acréscimo apurado na Contribuinte. Portanto, o pleito da Contribuinte para inserção dos rendimentos do ex cônjuge no fluxo deve ser indeferido. Irreparável a decisão. De fato, se a fiscalização efetuou o mesmo procedimento fiscal no excônjuge da fiscalizada, todas as suas origens já foram lá aproveitadas, não sendo possível o duplo benefício. b) Distribuição da empresa Jodata Consultoria e Informática Ltda: A contribuinte pleiteia que os lucros a ela distribuídos pela empresa Jodata Consultoria e Informática Ltda, no período de janeiro a abril de 2001, sejam computados como recursos na apuração do APD, apresentando como provas cópias do Livro Caixa da empresa (fls. 192 a 194). A decisão recorrida não admitiu esse pedido, pois nem a recorrente nem a empresa haviam declarado esses valores, e também não se comprovou o efetivo recebimento, como demonstra o trecho abaixo transcrito (fls. 207v e 208): DISTRIBUIÇÃO DOS LUCROS DA EMPRESA JODATA A Contribuinte requer a inclusão, como origem, de valores que teriam sido recebidos da empresa Jodata a título de distribuição de lucros até o mês de abril de 2001. Apresenta folhas do livro caixa da referida empresa (fls. 192 a 194). A Autoridade Fiscal não abordou tais recursos uma vez que não foram informados pela Contribuinte em sua DIRPF e, no curso da ação fiscal, ela não apresentou qualquer documento solicitando a inclusão desses valores ou comprovando seu recebimento. Os valores que a Contribuinte quer ver inseridos aparecem no livro caixa associados aos históricos “PG AGENCO P/ CONTA DIST. LUCRO VALERIA CID DA HORA”, “PG COTEL P/ CONTA DIST. LUCRO VALERIA CID DA HORA” e “RETIRADA REF. VALERIA CID DA HORA SANTOS”. Tal pedido também não pode prosperar. O primeiro ponto a ela desfavorável é que tais rendimentos sequer foram informados em sua Declaração, o que ela atribui a um equívoco. Em consultas aos sistemas da Receita Federal do Brasil, verificase que a empresa Jodata também não informou ter pagado a Contribuinte qualquer Fl. 261DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/ 11/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 18471.001793/200605 Acórdão n.º 2101001.356 S2C1T1 Fl. 237 11 rendimento nesse ano calendário. Esse fato inclusive foi apontado pela Contribuinte em sua impugnação e, ainda assim, ela não buscou junto a referida empresa a eventual retificação das informações já prestadas. Embora tal declaração da pessoa jurídica à Receita Federal do Brasil não seja suficiente por si só para fins de confirmar o recebimento dos valores pela Contribuinte, este é mais um elemento que demonstra não estar respaldado o seu pedido. É importante ressaltar que os registros contábeis, para constituírem meios de prova hábeis, devem estar acompanhados dos documentos que permitiram sua escrituração. Essa comprovação tornase ainda mais primordial ante as divergências existentes entre as alegações apresentadas e as informações prestadas à Receita Federal pela empresa Jodata e por se tratar de rendimentos oriundos de distribuição de lucros, que não estão sujeitos à tributação na pessoa física. Sem um controle dessa contabilidade, rendimentos sujeitos à tributação poderiam ser declarados como isentos pelos contribuintes, ludibriando facilmente a Fazenda Nacional. Assim, considerando que a Contribuinte não logrou comprovar o efetivo recebimento das quantias informadas no livro caixa, esse pleito também será indeferido. Considero válidos os óbices levantados pelo julgador a quo, que não foram superados no recurso voluntário. De fato, se a empresa é optante do SIMPLES, como afirmou a recorrente na impugnação (fl. 183), a legislação apenas lhe exige a escrituração de Livro Caixa. Entretanto, como nem a pessoa jurídica informou os lucros distribuídos, nem o sujeito passivo declarou os valores recebidos em suas declarações de ajuste, considero que seria necessário se trazer aos autos provas complementares do efetivo pagamento a esse título. Afinal, o Livro Caixa é documento contábil para o qual não se exigem maiores formalidades, tendo a cópia que se carreou aos autos sido emitida em 10/05/2006, não contendo qualquer informação de registro em Junta Comercial ou ao menos assinatura de contador. Nesse caso, para se comprovar o erro de fato, imprescindível a apresentação dos documentos que embasaram a escrituração. c) Valores recebidos a título de pensão alimentícia pelos filhos da contribuinte: A recorrente deseja que as quantias recebidas por seus filhos, a título de pensão alimentícia nos anos de 2001 a 2005, sejam consideradas como recursos para justificar o APD. O julgado a quo não reconheceu os valores como origens, pelo fato da pensão alimentícia estar vinculada a despesas a esse título, dos filhos não terem sido informados como dependentes da fiscalizada, e dos gastos com a prole não terem sido computados como dispêndios, como demonstra o trecho a seguir transcrito (fls. 207 e verso): Fl. 262DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/ 11/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 18471.001793/200605 Acórdão n.º 2101001.356 S2C1T1 Fl. 238 12 PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL A Contribuinte entende que os rendimentos recebidos pelos filhos menores, Joana Cid da Hora Santos e Marcelo da Hora Santos, a título de pensão judicial, devem ser contabilizados no demonstrativo de evolução patrimonial. (...) Da leitura dos dispositivos legais, constatase que o pagamento de pensão visa tão somente a cobrir gastos com as necessidades básicas e a educação dos filhos e do ex cônjuge. No caso concreto, do exame do acordo firmado, verificase que a pensão paga pelo excônjuge destinase tão somente a cobrir despesas alimentícias, educacionais e médicas dos filhos da Contribuinte. Como, na elaboração do fluxo, a Autoridade Fiscal baseouse nas Declarações de Ajuste (DIRPF) apresentadas pela Contribuinte, onde os filhos não figuram como seus dependentes, as despesas médicas e de instrução deles não foram computadas como dispêndios/aplicações. Só foram lançadas como aplicações as despesas médicas da própria Contribuinte lançadas nas DIRPF entregues. Assim, da mesma forma que os gastos com alimentação, instrução e despesa médicas dos menores não entram no fluxo, os valores recebidos por eles a título de pensão alimentícia também não devem entrar como origem para justificar acréscimo patrimonial. Do exposto, não será acatado o pleito da Contribuinte para inclusão da pensão alimentícia recebida pelos filhos nos anos calendário 2001 a 2005. A contribuinte alega que negar que o recebimento de pensão alimentícia seja considerado como fonte de recursos, sob o argumento de que a mesma é utilizada exclusivamente para alimentação, foge completamente à realidade, uma vez que não existe na prática essa destinação exclusiva, mesmo porque ela é bem superior ao valor de alimentos. Sem razão a recorrente. Sabese que é comum apresentar as declarações de ajuste em separado dos filhos que recebem pensão alimentícia, para reduzir o imposto apurado que envolveria a tributação em conjunto com os rendimentos do genitor que detém a guarda. Assim, confrontandose a receita auferida com as deduções próprias de cada declarante, ou então com o uso do desconto simplificado, geralmente se obtém uma alíquota mais favorável. Mas o uso dessa opção significa que todos os gastos com os filhos se encontram informados nas suas respectivas declarações, não sendo possível se trazer apenas os rendimentos auferidos por eles auferidos para a apuração do APD, sem considerar os dispêndios envolvidos com cada um. d) Saldos de aplicações financeiras existentes no final do ano anterior: A contribuinte pretende que o saldo de aplicação financeira de R$ 139.889,56 em 31/12/2001 seja considerado como origem no ano de 2002, o saldo de R$ 38.076,00 em 31/12/2002 sirva com origem no ano de 2003, o saldo de R$ 43.591,23 em 31/12/2003 se Fl. 263DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/ 11/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 18471.001793/200605 Acórdão n.º 2101001.356 S2C1T1 Fl. 239 13 inclua com origem no ano de 2004, e que o saldo de R$ 34.426,3 em 31/12/2004 seja incluído como origem do ano de 2005. O acórdão recorrido não admitiu a solicitação, alegando que a simples existência de saldo de aplicação financeira não representa origem, pois é necessário que sejam resgatados para que possam justificar gastos, como demonstra o seguinte excerto do voto (fls. 208v e 209): APLICAÇÕES FINANCEIRAS A Contribuinte requer a consideração, nos anos subseqüentes, dos saldos finais de aplicações financeiras, informado em suas Declarações dos anos calendário de 2001, no valor de R$139.889,56, de 2003, no valor de R$43.591,23, e de 2004, no valor de R$34.426,33. Embora não tenha informado em sua Declaração, entende ainda que o saldo de aplicação financeira em 31/12/2002, no valor de R$38.076,00, de conta conjunta mantida com os filhos, deve integrar o fluxo do ano calendário 2003. Anexa Informe Anual do Citibank e do BankBoston (fls. 195 e 198). Cumpre esclarecer que a existência dos saldos de aplicações financeiras em 31 de dezembro não é hábil a acobertar acréscimos patrimoniais apurados no ano seguinte. Os saldos no final do ano representam apenas recursos latentes passíveis de utilização, pois estão aplicados, da mesma forma que um imóvel ou qualquer outro bem que o contribuinte detenha naquele momento. Tais recursos só podem servir para respaldar novos dispêndios no momento em que sejam sacados ou resgatados. O mesmo ocorre com os demais bens que o contribuinte possua: só servem para comprovar um acréscimo do patrimônio no momento em que se recebe o valor pelo qual foram vendidos, limitandose ao montante efetivamente auferido na alienação. A Contribuinte precisaria anexar o extrato anual da aplicação financeira para que os saques efetuados sejam considerados como recursos no fluxo, desde que também reste demonstrado que os depósitos efetuados nas aplicações financeiras estão lastreados em rendimentos já tributados, isentos ou não tributáveis. Desta forma, não podem ser considerados como origem, para fins de apuração da variação patrimonial a descoberto, os saldos de aplicações financeiras existentes em 31 de dezembro dos anos anteriores. Cumpre ressaltar, entretanto, que a Autoridade Fiscal inseriu, no ano calendário 2002, o valor de R$139.889,56, distribuído igualmente entre os doze meses do ano (linha 1.7 – Saldo em Aplicação Financeira no Início do Período), aceitando que a Contribuinte resgatou todo o valor aplicado ao longo daquele ano, uma vez que, na Declaração de Ajuste 2003, ela informou o saldo zerado em 31/12/2002. Como já dito neste voto, os procedimentos adotados pela Autoridade autuante não vinculam esta instância de julgamento e esse procedimento não será adotado para os outros anos calendário. Caberia à Contribuinte, como já dito, apresentar os extratos anuais dos investimentos, contendo todas as aplicações e os resgates, de modo a serem aproveitados nos fluxos. A recorrente argumenta que, se o auditor considerou o saldo final de aplicação financeira no ano como dispêndio, esse saldo deve ser utilizado para acobertar acréscimos patrimoniais apurados no ano seguinte. Fl. 264DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/ 11/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 18471.001793/200605 Acórdão n.º 2101001.356 S2C1T1 Fl. 240 14 Verifico que a fiscalização utilizou como critério considerar o saldo inicial de aplicação financeira de um ano como recurso, e o saldo final como dispêndio daquele ano, conforme informado nas declarações de ajuste, dividindo esses valores na proporção de 1/12 por mês, pelo fato da contribuinte não ter indicado como deveria ser feito o rateio mensal. Desta forma, quando ocorrer um aumento no investimento, a diferença corresponderá a uma aplicação de recursos. Ao contrário, uma diminuição nos valores aplicados indicará uma origem de recursos a justificar o acréscimo patrimonial. Assim, na declaração de ajuste do exercício de 2002, referente ao ano calendário 2001, a aplicação financeira não tinha saldo inicial, e possuía um saldo final de R$139.889,56 (fl. 9). Assim, o valor do saldo final foi considerado como dispêndio no APD do anocalendário de 2001 (fls. 80 e 81), na proporção de 1/12 por mês. Já na declaração de ajuste do exercício de 2003, referente ao anocalendário 2002, a aplicação financeira tinha saldo de R$139.889,56, e não possuía um saldo no final do período (fl. 15). Assim, o valor do saldo inicial foi considerado como origem no APD do ano calendário de 2002 (fls. 82 e 83), na proporção de 1/12 por mês. Na declaração de ajuste do exercício de 2004, referente ao anocalendário 2003, a aplicação financeira não tinha saldo inicial, e possuía um saldo final de R$43.591,23 (fl. 21), o que fez com que fosse considerado como dispêndio no APD do anocalendário de 2003, na proporção de 1/12 por mês (fls. 84 e 85). Entretanto, na declaração de ajuste do exercício de 2005, referente ao ano calendário 2004, essa mesma aplicação financeira iniciou com saldo de R$43.591,23 e terminou com saldo de R$34.426,30 (fl. 24), mas o APD do anocalendário de 2004 não considerou nem o saldo inicial como origem, nem o final como dispêndio (fls. 86 e 87). Do mesmo modo, na declaração de ajuste do exercício de 2006, referente ao anocalendário 2005, a aplicação financeira tinha saldo inicial de R$34.426,30 e saldo final de R$3.158,47 (fl. 28), mas o APD do anocalendário de 2005 não considerou nem o saldo inicial como origem, nem o final como dispêndio (fls. 88 e 89). Discordo do julgador a quo na parte em que afirmou não estar vinculado às opções feitas pela autoridade lançadora, quando não admitiu que o saldo inicial de aplicação financeira fosse utilizado como origem do APD. O julgamento administrativo tem que manter coerência com os critérios adotados no lançamento. Se dele discorda, deve cancelar todas as suas consequências na autuação. Mas se com ele concorda, deve garantir sua aplicação por inteiro. Não é possível se manter o critério apenas na parte que prejudica o autuado, permitindo a utilização do saldo final da aplicação financeira de 2003 como dispêndio naquele ano, mas não o considerando como origem do ano seguinte. Assim, ajustando o lançamento aos critérios jurídicos adotados, penso ser necessário reconhecer os saldos iniciais das aplicações financeiras dos anos de 2004 e 2005, como origens no APD daqueles anos, e os respectivos saldos finais como aplicações, na proporção de 1/12 por mês, o que implicará: • Considerar 12 parcelas mensais de R$ 3.632,60 (1/12 de R$43.591,23) como origens e 12 parcelas mensais de R$2.868,86 (1/12 de R$34.426,30) como aplicações no APD de 2004; Fl. 265DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/ 11/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 18471.001793/200605 Acórdão n.º 2101001.356 S2C1T1 Fl. 241 15 • Considerar 12 parcelas mensais de R$2.868,86 (1/12 de R$34.426,30) como origens e 12 parcelas mensais de R$263,21 (1/12 de R$3.158,47) como aplicações no APD de 2005. Entretanto, não é possível se atender o pedido para se considerar o saldo da aplicação no Citybank, em 31/12/2002, de R$ 38.076,00, correspondente à Fundo de Aposentadoria Programada Individual – FAPI, em nome da recorrente e de seus filhos (fl. 195), como origem no APD de 2003. Como já visto, esse valor deveria ser considerado como origem em 2003 e como dispêndio em 2002. Além disso, por pertencerem à contribuinte e a seus filhos, que declaram em separado, deveriam ser entre eles rateados. De qualquer modo, faltam informações sobre os saldos desse investimento nos outros anos para a utilização correta dessa aplicação financeira no APD. e) Recursos em espécie: A recorrente pede que os recursos em espécie informados na declaração de ajuste do ano anterior sejam utilizados como origens no cálculo do APD do ano seguinte. Assim, pugna que se considere como origens os valores de R$ 20.000,00 e R$45.000,00 nos APDs de 2004 e 2005, respectivamente. O acórdão recorrido não admitiu essa origem, alegando que caberia à contribuinte vincular o dinheiro em espécie a alguma operação que lhe deu origem, como demonstra o trecho a seguir transcrito (fls. 208 e verso): DINHEIRO EM ESPÉCIE Para os anos calendário 2004 e 2005, a Contribuinte pede que sejam considerados os valores em espécie informados no quadro de Bens e Direitos. Afirma que existe jurisprudência que os valores declarados devem ser aproveitados pela Autoridade Fiscal na elaboração do fluxo. Analisandose os fluxos elaborados pela Autoridade Fiscal, constatase que, em relação ao ano calendário 2005, a Autoridade Fiscal inseriu o valor de R$45.000,00, informado pela Contribuinte como dinheiro em espécie na sua Declaração, na linha 1.9 (disponibilidade declarada em espécie, inclusive em moeda estrangeira), rateando o valor entre os doze meses do ano. Entretanto, o procedimento adotado pela Autoridade autuante não vincula esta instância de julgamento. Na forma do artigo 29 do Decreto nº 70.235/72 (que rege o Processo Administrativo Fiscal – PAF), a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, na apreciação da prova. No caso concreto, constatase que a Contribuinte limitase a alegar que informou da existência de dinheiro em espécie em suas Declarações. Cumpre salientar que todas as informações constantes da Declaração estão sujeitas a comprovação e, no caso, o ônus da prova é do Contribuinte. Sendo certo que nenhum dinheiro em espécie surge na casa da Contribuinte da noite para o dia, sem uma operação que lhe dê respaldo, seu pleito deve ser indeferido. Caberia a ela atrelar essa disponibilidade a uma origem, como, por exemplo, a venda de um bem ou recebimento de algum outro rendimento. Fl. 266DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/ 11/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 18471.001793/200605 Acórdão n.º 2101001.356 S2C1T1 Fl. 242 16 Quanto a jurisprudência administrativa, cumpre esclarecer que as decisões proferidas no sentido pretendido pela Contribuinte não podem ser estendidas genericamente a outros casos, somente aplicamse sobre a questão em análise e vinculam as partes envolvidas naqueles litígios. (...) No voluntário, a recorrente questiona a não aceitação dos valores em espécie declarados como origens, pois eles teriam sido considerados como aplicações de recursos nos anos anteriores. Verifico que a fiscalização utilizou, para os recursos em espécie, o mesmo critério aplicado às aplicações financeiras: considerar o saldo inicial como recurso e o final como dispêndio de cada ano, conforme informado nas declarações de ajuste, dividindo esses valores na proporção de 1/12 por mês. Assim, na declaração de ajuste do exercício de 2004, referente ao ano calendário 2003, foi declarado um saldo final de dinheiro em espécie de R$20.000,00, sem saldo inicial (fl. 21), o que fez com que esse valor fosse considerado como dispêndio no APD do anocalendário de 2003 (fls. 84 e 85), na proporção de 1/12 por mês. Já na declaração de ajuste do exercício de 2005, referente ao anocalendário 2004, o dinheiro em espécie foi informado com saldo inicial de R$20.000,00 e final de R$45.000,00 (fl. 24). Entretanto, os valores foram transferidos incorretamente à planilha que apurou o APD de 2004 (fls. 86 e 87), pois o valor de R$20.000,00, que deveria ter sido informado como origem, foi incluído como aplicação, e o valor de R$45.000,00, que deveria ter sido considerado como dispêndio, não foi incluído. Na declaração de ajuste do exercício de 2006, referente ao anocalendário 2005, o dinheiro em espécie foi informado com saldo inicial de R$45.000,00 e sem saldo final (fl. 28), tendo o APD do ano de 2005 considerado esse valor como origem, na proporção de 1/12 por mês (fls. 89 e 90). Independentemente da discussão sobre a possibilidade de considerar dinheiro em espécie informado na declaração de ajuste como origem válida na apuração de APD, reforço a convicção de ser necessário se manter os critérios jurídicos adotados no lançamento. Se o agente fiscal admitiu esse tipo de recurso em um ano, devese repetir a escolha nos demais exercícios. Assim, a única correção a fazer seria no APD do ano de 2004, considerando R$20.000,00 como origem e R$45.000,00 como dispêndio. Entretanto, esse procedimento pioraria a situação da recorrente, o que não é possível, pois o recurso em análise não é da Fazenda Nacional. Desta forma, penso ser necessário apenas admitir o valor de R$20.000,00 como origem, na proporção de 1/12 mensais (R$1.666,67), no ano de 2004, já que esse valor foi considerado como dispêndio no ano de 2003. Fl. 267DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/ 11/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 18471.001793/200605 Acórdão n.º 2101001.356 S2C1T1 Fl. 243 17 f) Aproveitamento das sobras entre os anos: Resta apenas analisar a possibilidade de utilização do saldo positivo disponível em dezembro de um ano como origem no APD de janeiro do ano seguinte. Apesar da matéria não ter sido trazida especificamente no voluntário, ela foi ventilada na impugnação, e analisada na decisão de 1a instância. De qualquer modo, por dizer respeito à forma de apuração do acréscimo patrimonial, penso ser necessária apreciála de ofício. O acórdão recorrido considerou não ser possível a transferência de sobras entre anoscalendários nos seguintes termos (fl. 209): Embora não se alongue sobre o assunto, a Contribuinte menciona em sua impugnação que, nos demonstrativos elaborados, houve sobra de recursos em alguns anos, dando a entender que deveriam ser repassados para o ano seguinte. Cabe esclarecer que esses recursos são encarados como uma sobra fictícia. Isto porque, na elaboração do fluxo, deixam de ser consideradas as despesas cotidianas (alimentação, vestuário, transporte, entre outras), em procedimento que beneficia o Contribuinte, resultando sempre em um saldo maior que o real. Assim, se o contribuinte não consegue demonstrar que essa sobra não foi consumida, não cabe o aproveitamento para o ano seguinte. Neste sentido é o entendimento do Primeiro Conselho de Contribuintes, conforme se vê no Acórdão nº 10416.448/98: IRPF – BASE DE CÁLCULO – PERÍODOBASE DE INCIDÊNCIA – O Imposto de Renda das pessoas físicas, a partir de 01/01/89, será apurado, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, incluindose, quando comprovados pelo Fisco, a omissão de rendimentos apurados através de planilhamento financeiro (“fluxo de caixa”), onde serão considerados todos os ingressos e dispêndios realizados no mês pelo contribuinte. Entretanto, por inexistir a obrigatoriedade de apresentação de declaração mensal de bens, incluindo dívidas e ônus reais, o saldo de disponibilidade pode ser aproveitado no mês subseqüente, desde que seja dentro do mesmo anobase. (grifouse) De fato, existe forte discussão neste CARF sobre a possibilidade das sobras de um ano serem aproveitadas no seguinte. Enquanto alguns consideram que se essas sobras de fato existissem, deveriam ter sido informadas na declaração de ajuste daquele exercício, outros julgam que não existe argumento razoável para se admitir o aproveitamento dentro de um mesmo ano, mas impedilo para anos subsequentes. Abaixo, seguem acórdãos, no âmbito da 2a Seção, que adotam os dois posicionamentos: ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. APROVEITAMENTO DE SOBRAS DE RECURSOS. As sobras de recursos apuradas em um determinado mês devem ser transferidas para o seguinte. Eventual sobra constatada ao final de dezembro do anocalendário pode ser considerada no cálculo do mês de janeiro do ano seguinte, mormente quando Fl. 268DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/ 11/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 18471.001793/200605 Acórdão n.º 2101001.356 S2C1T1 Fl. 244 18 devidamente comprovada, constando do levantamento da evolução patrimonial do contribuinte efetuado pela autoridade lançadora.(Acórdão nº 2801001.642, 1ª Turma Especial, Sessão de 08 de junho de 201, Rel. Antonio de Pádua Athayde Magalhães) ACRÉSCIMO PATRIMON1AL FLUXO FINANCEIRO SOBRAS DE RECURSOS. As sobras de recursos, apuradas em levantamentos patrimoniais mensais realizadas pela fiscalização, devem seu transferidas para o mês seguinte, pela inexistência de previsão legal para que sejam consideradas como renda consumida, desde que seja dentro do mesmo anocalendário. (Acórdão no 220200.606, 2a Câmara / 2a Turma Ordinária, Sessão de 18 de .junho de 2010, Rel. Nelson Mallmann) No momento, opto por adotar a posição mais restritiva. Se realmente a sobra de recursos no final do ano tivesse representado um aumento patrimonial, ela teria sido informada na declaração de bens e direitos, compondo o patrimônio disponível. Se não foi, devese presumir que foi consumida com outros gastos não computados na apuração do APD. Não se pode perder de vista que o procedimento fiscal é bastante favorável ao contribuinte, pois leva em consideração todas as fontes de receita existentes, mas somente se utiliza das despesas disponíveis, sem se aprofundar na pesquisa dos dispêndios realizados nos extratos bancários e cartões de créditos, por exemplo. Por outro lado, como não existe informação sobre a composição do patrimônio durante o anocalendário, devese permitir o aproveitamento das sobras de recursos entre os meses daquele ano. Assim, entendo não ser possível admitir a utilização do saldo disponível positivo em dezembro de um ano como origem em janeiro do ano subsequente. CONCLUSÃO Desta forma, devemse refazer os cálculos dos APDs dos anos de 2004 e 2005, considerandose as origens e dispêndios discriminadas nos itens “d” e “e”. Assim, no ano de 2004, devese considerar como origens, mensalmente, R$3.632,60 (1/12 de R$43.591,23) e R$1.666,67 (1/12 de R$20.000,00), e como dispêndios R$2.868,86 (1/12 de R$34.426,30). Desta forma, mensalmente, devemse acrescentar recursos na ordem de R$2.430,41 (3.632,60+1.666,67 2.868,86). Esse valor é capaz de suplantar todos os acréscimos a descoberto de 2004, pois todos são inferiores a R$2.430,41. Fl. 269DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/ 11/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 18471.001793/200605 Acórdão n.º 2101001.356 S2C1T1 Fl. 245 19 No ano de 2005, devese considerar como origens, mensalmente, R$2.868,86 (1/12 de R$34.426,30), e como dispêndios R$263,21 (1/12 de R$3.158,47). Desta forma, mensalmente, devemse acrescentar recursos na ordem de R$2.605,65 (2.868,86 263,21). Como o único acréscimo a descoberto de 2005 se deu apenas em dezembro, no valor de R$30.128,13, e os novos recursos, acumulados entre janeiro e dezembro, totalizam R$ 31.267,80 (2.605,65 X 12), ele também se encontra justificado. Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para cancelar todos os acréscimos patrimoniais a descoberto dos ano de 2004 e 2005. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 270DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/ 11/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO
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Numero do processo: 10680.004021/2005-69
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Nov 08 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Nov 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CSLL - MULTA ISOLADA - Encerrado o período de apuração do tributo, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter eficácia, uma vez que prevalece a exigência do tributo efetivamente devido apurado com base no lucro real anual e, dessa forma, não comporta a exigência da multa isolada,
seja pela ausência de base imponível, bem como pelo malferimento do princípio da não propagação das multas e da não repetição da sanção tributária.
CSLL – MULTA ISOLADA - CONCOMITÂNCIA – Incabível a aplicação da multa isolada concomitantemente com a multa de ofício.
Numero da decisão: 9101-000.744
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos
Fiscais, por maioria de votos, dar provimento ao recurso do contribuinte, vencidos os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Viviane Vidal Wagner e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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Matéria CSLL Recorrente Maxitel S.A. Interessado Fazenda Nacional CSLL - MULTA ISOLADA - Encerrado o período de apuração do tributo, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter eficácia, uma vez que prevalece a exigência do tributo efetivamente devido apurado com base no lucro real anual e, dessa forma, não comporta a exigência da multa isolada, seja pela ausência de base imponível, bem como pelo malferimento do princípio da não propagação das multas e da não repetição da sanção tributária. CSLL – MULTA ISOLADA - CONCOMITÂNCIA – Incabível a aplicação da multa isolada concomitantemente com a multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, dar provimento ao recurso do contribuinte, vencidos os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Viviane Vidal Wagner e Carlos Alberto Freitas Barreto. - Acórdão nº 9101-00.744 (assinado digitalmente) CAIO MARCOS CANDIDO Presidente Substituto (assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Fl. 563DF CARF MF Emitido em 16/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/02/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 15/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 04/02/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 10680.004021/2005-69 Acórdão n.º 9101-00.744 CSRF-T1 Fl. 2 2 Participaram do julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto, Francisco Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre de Lima da Fonte Filho, Leonardo de Andrade Couto, Karem Jureidini Dias, Claudemir Rodrigues Malaquias, Antonio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri e Suzy Gomes Hoffmann. Relatório Maxitel S/A., inconformada com a decisão consubstanciada no Acórdão n. 101-95.820, que manteve a multa isolada por falta de recolhimento das estimativas mensais, reduzindo seu percentual para 50% por aplicação retroativa da Medida Provisória 303, ingressou, no prazo regimental, com RECURSO ESPECIAL (RE), com fulcro no art. 7º, II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007. A Recorrente alega divergência jurisprudencial entre Câmaras dos Conselhos de Contribuintes em relação ao cabimento da aplicação concomitante da multa isolada por falta de recolhimento de tributo por estimativa com a multa de oficio sobre o tributo devido com base no lucro real. É a seguinte a ementa do acórdão recorrido, no que pertine ao alegado dissídio jurisprudencial: MULTA DE OFICIO E MULTA ISOLADA — Verificada a falta de pagamento do imposto por estimativa, após o término do ano calendário, o lançamento de oficio abrangerá a multa de oficio sobre os valores devidos por estimativa e não recolhidos e o imposto devido com base no lucro real apurado em 31 de dezembro, caso não recolhido, acrescido de multa de oficio e juros de mora contados do vencimento da quota única do imposto. Como paradigmas, indica os Acórdãos 103-22217, 107-08072, 107-08647 e 103-23088 A presidência da Primeira Câmara deu seguimento ao recurso por atendidos os requisitos para sua admissibilidade. É o relatório. Fl. 564DF CARF MF Emitido em 16/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/02/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 15/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 04/02/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 10680.004021/2005-69 Acórdão n.º 9101-00.744 CSRF-T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator O recurso atende os requisitos legais para a sua admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. Os Acórdãos 103-22217, 107-08072, 107-08647 e 103-23088, colacionados pela Recorrente se prestam a demonstrar a existência da divergência de entendimentos, reclamando uniformização por esta E. Câmara Superior. De fato, enquanto no acórdão recorrido o entendimento é no sentido de que é cabível a aplicação da multa isolada por falta de recolhimento de imposto por estimativa juntamente com a multa de oficio sobre o imposto devido com base no lucro real, nos demais julgados indicados o entendimento é de que não é possível a aplicação das duas multas sobre o mesmo valor. Veja-se, por exemplo, a ementa do paradigma 103-23088, no que interessa: Acórdão 103-23088 FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA A multa isolada por falta de recolhimento de CSLL sobre base de cálculo mensal estimada não pode ser aplicada cumulativamente com a multa de lançamento de oficio prevista no art. 44, I da Lei 9.430196 sobre os mesmos valores apurados em procedimento fiscal. Sobre esse tema tenho reiteradamente me manifestado no sentido de que a aplicação da multa sobre a falta de recolhimento das estimativas só se justifica quando exigida dentro do próprio período de apuração das antecipações que deixaram de ser recolhida, vez que, encerrado o período de apuração do tributo, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter sua eficácia, uma vez que prevalece a exigência apurada com base no balanço patrimonial encerrado ao final do ano-calendário. Por conseguinte, desaparece o bem jurídico tutelado pela norma sancionadora, no caso, as antecipações que deveriam ter sido recolhidas por estimativas, não havendo, portanto, base para sua exigência. De fato, os dispositivos legais previstos nos incisos III e IV, § 1 o ., art. 44 da Lei 9.430/96, em sua versão original, têm como objetivo obrigar o sujeito passivo da obrigação tributária ao recolhimento mensal de antecipações de um provável imposto de renda e contribuição social que poderá ser devido ao final do ano-calendário. Fl. 565DF CARF MF Emitido em 16/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/02/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 15/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 04/02/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 10680.004021/2005-69 Acórdão n.º 9101-00.744 CSRF-T1 Fl. 4 4 Ou seja, é inerente ao dever de antecipar a existência da obrigação cujo cumprimento se antecipa, e sendo assim, a penalidade só poderá ser exigida durante o ano- calendário em curso, pelo fato de que, com a apuração do tributo (CSL) efetivamente devido ao final do ano-calendário (31.12), desaparece a base imponível daquela penalidade (antecipações), pela ausência da necessária ofensa a um bem juridicamente tutelado que a justifique. Portanto, com o encerramento do ano-calendário objeto das antecipações, surge, a partir daí, uma nova base imponível, ou seja, a base que irá suportar o tributo efetivamente devido ao final do ano-calendário, surgindo assim à hipótese da aplicação tão- somente do inciso I, § 1 o . do referido artigo, caso o tributo não seja pago no seu vencimento e apurado ex-offício, mas jamais a aplicação concomitante da penalidade prevista nos incisos III e IV, do § 1 o do mesmo diploma legal, até porque a dupla penalidade afronta o disposto no artigo 97, V, c/c o artigo 113 do CTN, que estabelece apenas duas hipóteses de obrigação de dar, sendo a primeira ligada diretamente à prestação de pagar tributo e seus acessórios, e a segunda relativamente à obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas pecuniária por descumprimento de obrigação acessória. No presente caso, foi dado ciência do auto de infração a contribuinte após o encerramento dos anos-calendário que foram objeto do lançamento, portanto, quando já apurada a base de cálculo da contribuição efetivamente devida no período. Logo, embora a contribuinte não tenha antecipado ou tenha antecipado a menor a contribuição social sobre o lucro líquido (CSL) nos anos-calendário objeto do presente lançamento, o fato é que a exigência da referida penalidade somente foi consubstanciada após o encerramento do ano-calendário, quando já conhecida a respectiva base de cálculo da contribuição, porquanto, impossível no meu entendimento, coexistir num determinado momento (ocasião do lançamento), duas bases de cálculo para uma mesma exação. Não fossem os argumentos acima, que no meu entendimento são suficientes para afastar a presente exigência, é de se verificar que se exige também nos presentes autos, em concomitância, a multa de ofício, não devendo também por esse motivo prosperar a exigência ora guerreada. Fl. 566DF CARF MF Emitido em 16/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/02/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 15/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 04/02/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 10680.004021/2005-69 Acórdão n.º 9101-00.744 CSRF-T1 Fl. 5 5 Isto porque, aplicar a multa proporcional cumulativamente com a multa isolada, em procedimento fiscal, implicaria admitir que, sobre a contribuição apurada de ofício, se aplicaria duas punições, que significaria em relação à falta, a imposição de penalidade desproporcional ao proveito obtido. Nesse sentido é a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a exemplo de a ementa a seguir transcrita: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA - Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano-calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Recurso especial negado.” (Acórdão nº CSRF/01-05.838, Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Sessão de 15/04/2008, Conselheiro Relator Marcos Vinícius Neder de Lima) Dessa forma, ante a jurisprudência desta E. Câmara e pelos argumentos acima exposto, ressalvado o entendimento dos meus pares que entendem pela aplicação da Multa Isolada até o limite do tributo efetivamente devido ao final do ano-calendário, e que ora me acompanham pelas conclusões, entendo que, após o término do ano-calendário não há mais o que se falar na referida penalidade, assistindo razão, portanto, a contribuinte que requer a sua exoneração. Sala das Sessões, em 09 de novembro de 2010.09 de novembro de 2010. (assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 567DF CARF MF Emitido em 16/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/02/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 15/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 04/02/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 10680.004021/2005-69 Acórdão n.º 9101-00.744 CSRF-T1 Fl. 6 6 Fl. 568DF CARF MF Emitido em 16/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/02/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 15/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 04/02/2011 por VALMIR SANDRI
score : 1.0
Numero do processo: 14479.000787/2007-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/2001 a 30/06/2007
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN.
CONTRIBUINTE INDIVIDUAL CONTRIBUIÇÃO PATRONAL
A contribuição das empresas sobre a remuneração de pessoa física que lhe presta serviço sem vínculo empregatício está prevista no artigo 195 da Constituição Federal de 1988, deixando, conseqüentemente, de ser matéria privativa de Lei Complementar.
INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DA ALEGAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.
A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições.
SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. REGULAMENTAÇÃO.
Não ofende ao Princípio da Legalidade a regulamentação através de decreto do conceito de atividade preponderante e da fixação do grau de risco.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-001.481
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, reconhecendo a fluência do prazo decadencial nos termos do art. 173, inciso I do CTN. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Eduardo Augusto Marcondes de Freitas que entenderam aplicar-se o art. 150, parágrafo 4º do CTN para todo o período. Para o período não decadente não houve divergência.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2001 a 30/06/2007 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL CONTRIBUIÇÃO PATRONAL A contribuição das empresas sobre a remuneração de pessoa física que lhe presta serviço sem vínculo empregatício está prevista no artigo 195 da Constituição Federal de 1988, deixando, conseqüentemente, de ser matéria privativa de Lei Complementar. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DA ALEGAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. REGULAMENTAÇÃO. Não ofende ao Princípio da Legalidade a regulamentação através de decreto do conceito de atividade preponderante e da fixação do grau de risco. Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 230DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/12/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, reconhecendo a fluência do prazo decadencial nos termos do art. 173, inciso I do CTN. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Eduardo Augusto Marcondes de Freitas que entenderam aplicarse o art. 150, parágrafo 4º do CTN para todo o período. Para o período não decadente não houve divergência. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. EDITADO EM: 27/12/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Eduardo Augusto Marcondes de Freitas, Manoel Coelho Arruda Junior e Adriana Sato. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/12/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14479.000787/200782 Acórdão n.º 2302001.481 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Trata a presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, lavrada em 31/10/2007 e cientificada ao sujeito passivo em 01/11/2007, de contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais, contidas nas folhas de pagamento do período de 03/2001 a 06/2007. Após impugnação, Acórdão de fls.177/186, julgou o lançamento procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso, onde argúi em síntese: a) a suspensão da exigibilidade do crédito, frente à interposição de recurso; b) a decadência das competências anteriores a 2002; c) a ilegalidade do artigo 1º da Lei n.º 9.876/99; d) a inconstitucionalidade da contribuição de 20% sobre a remuneração dos autônomos, o que já foi inclusive decidido pelo STF em sessão de 04/08/94; e) que a contribuição não foi criada por lei complementar e por isso é inconstitucional; f) a ilegalidade do SAT. Requer a anulação da notificação por cobrar contribuições ilegais e inconstitucionais e a suspensão da exigibilidade do crédito. É o relatório. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/12/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Das Preliminares Quanto à suspensão da exigibilidade do crédito tributário, é de se considerar que a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, tem por objetivo a constituição do crédito devido à Seguridade Social, em sede administrativa. A exigibilidade do crédito é matéria da Procuradoria da Fazenda Nacional. Considerandose que a suspensão da exigibilidade do crédito está regulada no artigo 151, do Código Tributário Nacional, o inciso III, do citado artigo diz que a exigibilidade do crédito fica suspensa com reclamações e recursos interpostos nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo. Assim, no caso presente, o processo tributário administrativo foi instaurado pelo lançamento do crédito tributário nessa Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, e sua exigibilidade fica suspensa até que percorra toda a esfera administrativa. No que se refere à decadência, temos que o período lançado corresponde às competências de 03/2001 a 06/2007, sendo o crédito constituído em 31/10/2007 e cientificado ao sujeito passivo em 01/11/2007 Desta forma, deve ser acatado o pleito da recorrente, posto que nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por Fl. 233DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/12/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14479.000787/200782 Acórdão n.º 2302001.481 S2C3T2 Fl. 3 5 violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/12/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem observar a regra prevista no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento, caso esse não exista, não há o que ser homologado, devendo ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. No caso presente, não há recolhimentos parciais relativos ao crédito lançado nesta notificação, assim, aplicase o artigo 173, I do CTN, devendo ser excluídas do levantamento as competências até 11/2001, inclusive: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Superadas as questões suscitadas em preliminar, passo ao exame do mérito. Do Mérito Quanto ao mérito, a recorrente se insurge contra a contribuição de 20% sobre a remuneração dos contribuintes individuais por ser inconstitucional e contra o SAT por ser ilegal. As contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais estão expostas na Lei n.º 8.212/91, artigo 22, incisos I e III, que foi acrescentado pela Lei n.º 9.876/99, englobando o período contido nesta notificação: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26/11/99) (Vide LCp nº 84, de 1996) Fl. 235DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/12/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14479.000787/200782 Acórdão n.º 2302001.481 S2C3T2 Fl. 4 7 III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 26/11/99) Com referência à argüição de que as contribuições referentes aos administradores e autônomos da Lei n. 7.787/89 e Lei n. 8.212/91 foram declaradas inconstitucionais e por isso devem ser excluídas da presente notificação, reitero que o crédito lançado referese ao período de 01/2004 a 12/2006, estando sob a égide da Lei n. 9.876, de 26/11/1999, que acrescentou o inciso III ao artigo 22 da Lei n. 8.212/91, e que fixa em 20% a contribuição devida e incidente sobre as remunerações dos segurados contribuintes individuais que prestam serviço à empresa. O artigo 12, inciso V, letra “f”, da Lei n.º 8.212/91, descreve quem são os contribuintes individuais. E, os diplomas legais citados não foram inquinados de inconstitucionalidade pelo Poder Judiciário , sendo inteiramente acatados pela via administrativa: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: (...) V como contribuinte individual: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26/11/99) (...) f) o titular de firma individual urbana ou rural, o diretor não empregado e o membro de conselho de administração de sociedade anônima, o sócio solidário, o sócio de indústria, o sócio gerente e o sócio cotista que recebam remuneração decorrente de seu trabalho em empresa urbana ou rural, e o associado eleito para cargo de direção em cooperativa, associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, bem como o síndico ou administrador eleito para exercer atividade de direção condominial, desde que recebam remuneração; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 26/11/99) Ainda, é de se destacar que a partir da Emenda Constitucional n.º 20/98, a contribuição das empresas sobre a remuneração de pessoa física que lhe presta serviço sem vínculo empregatício (autônomo, empresário, avulso, etc.), está prevista no artigo 195 da Constituição Federal de 1988, deixando, conseqüentemente, de ser matéria privativa de Lei Complementar. Nessas condições, a Lei n.º 9.876/99, apesar de ser ordinária, é instrumento apto para revogar a Lei Complementar n.º 84/96, que tratava do assunto. Quanto ao argumento da ilegalidade da cobrança da contribuição devida em relação ao SAT – Seguro de Acidente de Trabalho, temos que a exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho é prevista no art. 22, II da Lei n ° 8.212/1991, alterada pela Lei n ° 9.732/1998, nestas palavras: Art.22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) Fl. 236DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/12/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11/12/98) a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. Regulamenta o dispositivo acima transcrito o art. 202 do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, com alterações posteriores, nestas palavras: Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. § 1º As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. § 2º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. § 3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. § 4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação Fl. 237DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/12/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14479.000787/200782 Acórdão n.º 2302001.481 S2C3T2 Fl. 5 9 de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. § 5º O enquadramento no correspondente grau de risco é de responsabilidade da empresa, observada a sua atividade econômica preponderante e será feito mensalmente, cabendo ao Instituto Nacional do Seguro Social rever o autoenquadramento em qualquer tempo. § 6º Verificado erro no autoenquadramento, o Instituto Nacional do Seguro Social adotará as medidas necessárias à sua correção, orientando o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procedendo à notificação dos valores devidos. § 7º O disposto neste artigo não se aplica à pessoa física de que trata a alínea “a” do inciso V do caput do art. 9º. § 8º Quando se tratar de produtor rural pessoa jurídica que se dedique à produção rural e contribua nos moldes do inciso IV do caput do art. 201, a contribuição referida neste artigo corresponde a zero vírgula um por cento incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção. § 9º (Revogado pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) § 10. Será devida contribuição adicional de doze, nove ou seis pontos percentuais, a cargo da cooperativa de produção, incidente sobre a remuneração paga, devida ou creditada ao cooperado filiado, na hipótese de exercício de atividade que autorize a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 11. Será devida contribuição adicional de nove, sete ou cinco pontos percentuais, a cargo da empresa tomadora de serviços de cooperado filiado a cooperativa de trabalho, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, conforme a atividade exercida pelo cooperado permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 12. Para os fins do § 11, será emitida nota fiscal ou fatura de prestação de serviços específica para a atividade exercida pelo cooperado que permita a concessão de aposentadoria especial. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) Quanto ao Decreto 612/92 e posteriores alterações (Decretos 2.173/97 e 3.048/99), que, regulamentando a contribuição em causa, estabeleceram os conceitos de “atividade preponderante” e “grau de risco leve, médio ou grave”, repelese a argüição de contrariedade ao princípio da legalidade, uma vez que a lei fixou padrões e parâmetros, deixando para o regulamento a delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta da norma. Nesse sentido já decidiu o STF, no RE n ° 343.446SC, cujo relator foi o Min. Carlos Velloso, em 20.3.2003, cuja ementa transcrevo: Fl. 238DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/12/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. LEI 7.787/89, ARTS. 3º E 4º; LEI 8.212/91, ART. 22, II, REDAÇÃO DA LEI 9.732/98. DECRETOS 612/92, 2.173/97 E 3.048/99. C.F., ARTIGO 195, § 4º; ART. 154, II; ART. 5º, II; ART. 150, I. I. Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT: Lei 7.787/89, art. 3º, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4º, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II. O art. 3º, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4º da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III. As Leis 7.787/89, art. 3º, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5º, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. IV. Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V. Recurso extraordinário não conhecido.” Assim, os conceitos de atividade preponderante, de risco de acidente de trabalho leve, médio ou grave; não precisariam estar definidos em lei, o Decreto é ato normativo suficiente para definição de tais conceitos, uma vez que tais conceitos são complementares e não essenciais na definição da exação. No que se refere às argüições de inconstitucionalidade, temse que a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. No Capítulo III do Título IV, especificamente no que trata do controle da constitucionalidade das normas, observase que o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Permitir que órgãos colegiados administrativos reconhecessem a constitucionalidade de normas jurídicas seria infringir o disposto na própria Constituição Federal, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer, ela própria, de vício de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder. O professor Hugo de Brito Machado in “Mandado de Segurança em Matéria Tributária”, Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: “A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei Fl. 239DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/12/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14479.000787/200782 Acórdão n.º 2302001.481 S2C3T2 Fl. 6 11 por considerála inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional.” Ademais, como da decisão administrativa não cabe recurso obrigatório ao Poder Judiciário, em se permitindo a declaração de inconstitucionalidade de lei pelos órgãos administrativos judicantes, as decisões que assim a proferissem não estariam sujeitas ao crivo do Supremo Tribunal Federal que é a quem compete, em grau de definitividade, a guarda da Constituição. Poderseia, nestes casos, ter a absurda hipótese de o tribunal administrativo declarar determinada norma inconstitucional e o Judiciário, em manifestação do seu órgão máximo, pronunciarse em sentido inverso. Por essa razão é que através de seu Regimento Interno e Súmula, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF se autoimpôs com regra proibitiva nesse sentido: Portaria MF n° 256, de 22/06/2009 (que aprovou o Regimento Interno do CARF): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. SÚMULAS CONSOLIDADAS CARF PORTARIA MF N.° 383 – DOU de 14/07/2010) Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por todo o exposto, Voto pelo provimento parcial do recurso para acatar o prazo decadencial exposto no artigo 173, I do Código Tributário Nacional e excluir do lançamento as competências até 11/2001, inclusive. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 240DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/12/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10835.002350/2002-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon May 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon May 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Exercício: 1999
Imposto sobre a Renda de Pessoa Física
IRPF GANHO DE CAPITAL DESAPROPRIAÇÃO PELO PODER PÚBLICO NATUREZA
INDENIZATÓRIA NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO
O Supremo Tribunal Federal STF reconheceu a inconstitucionalidade da incidência do imposto de renda sobre ganho de capital no caso de desapropriação pelo poder público, por entender que essa incidência desnatura a "justa indenização", exigida pela Carta Magna como requisito para a relativização do direito à propriedade.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.526
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza
Nome do relator: Manoel Coelho Arruda Junior
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Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 26/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/08/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior – Relator EDITADO EM: 15/08/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente – Substituto), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Giovanni Christian Nunes Campos, Manoel Coelho Arruda Junior, Alexandre Naoki Nishioka, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Oliveira. Relatório Em 11 de setembro de 2008, a então Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho de Contribuintes proferiu acórdão n° 102-49.283 [fls.177-191] que, por unanimidade, deu provimento ao recurso para cancelar o auto de infração por entender que a verba auferida a título de indenização não pode ser objeto de tributação pelo imposto de renda. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física — IRPF Exercício: 1999 Imposto sobre a Renda de Pessoa Física — IRPF GANHO DE CAPITAL DESAPROPRIAÇÃO PELO PODER PÚBLICO NATUREZA INDENIZATÓRIA NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO o Supremo Tribunal Federal STF reconheceu a inconstitucionalidade da incidência do imposto de renda sobre ganho de capital no caso de desapropriação pelo poder público, por entender que essa incidência desnatura a "justa indenização", exigida pela Carta Magna como requisito para a relativização do direito à propriedade. Recurso provido Inconformada com o r. acórdão supracitado, a i. Procuradoria da Fazenda Nacional protocolizou Recurso Especial [fls.107 112], com fulcro no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF. A r. PGFN apresenta como paradigma de divergência, o acórdão nº 10807.995, prolatado pela então Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. IRPJ DESAPROPRIAÇÃO DE IMÓVEL – Os lucros decorrentes da alienação por desapropriação de imóveis são tributáveis e somente se isentam se realizados na vigência de legislação que os beneficie com o favor fiscal. Ainda assim, a isenção, assim como o deferimento da tributação, só se aplica se forem obedecidas as condições legais necessárias ao reconhecimento da isenção ou do diferimento. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 26/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/08/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10835.002350/200211 Acórdão n.º 920201.526 CSRFT2 Fl. 2 3 CSL – LANCAMENTO DECORRENTE O decidido no julgamento da exigência principal do Imposto de Tenda Juridica faz coisa julgada no lançamento dela decorrente, no mesmo grau de jurisdição, ante a íntima relação de causa e efeito entre eles existente, Segundo a Procuradoria da Fazenda Nacional, a dispensa de tributação apenas se operaria caso o ganho de capital obtido fosse oriundo de transferência de imóveis desapropriados para fins de reforma agrária, ao teor do disposto no art. 184, § 5º da Constituição Federal. [Artigo 184, § 5º, da CF] [...] Art. 184. Compete à União desapropriar por interesse social, para fins de reforma agrária, o imóvel rural que não esteja cumprindo sua função social, mediante prévia e justa indenização em títulos da dívida agrária, com cláusula de preservação do valor real, resgatáveis no prazo de até vinte anos, a partir do segundo ano de sua emissão, e cuja utilização será definida em lei.. § 5º São isentas de impostos federais, estaduais e municipais as operações de transferência de imóveis desapropriados para fins de reforma agrária. Requer a PGFN por tudo exposto, que seja dado provimento ao seu recurso, para que seja reformado o r. acórdão recorrido no sentido de restaurar o inteiro teor da decisão de primeira instância. Em 30 de janeiro de 2009, a então Presidente da Segunda Câmara da do Primeiro Conselho de Contribuintes em análise de admissibilidade, proferiu Despacho de n°081 [fls.227229], dando seguimento ao recurso da Fazenda Nacional por entender preenchidos os pressupostos de admissibilidade. Ciente do acórdão e do Recurso Especial da Fazenda Nacional, o Contribuinte protocolizou, tempestivamente, contrarazões [fls.233245]. Em sua peça a Contribuinte requer que o Conselho decida pelo improvimento do Recurso Especial, tendo em vista a vasta jurisprudência do STJ e do STF quanto a não incidência do imposto de renda na desapropriação por necessidade ou utilidade pública. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 26/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/08/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior, Relator O recurso é tempestivo, tendo sido demonstrada a divergência entre as decisões, pressupostos de admissibilidade previstos no Regimento Interno, razão pela qual conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda. Não obstante os argumentos colacionados pela Fazenda Nacional, o Conselho Administrativo de Recursos FiscaisCARF aprovou enunciado que encerrou as discussões em face do objeto do especial interposto (Portaria CARF n. 106, de 21.12.2009): Súmula CARF Nº 42 Não incide o imposto sobre a renda das pessoas físicas sobre os valores recebidos a título de indenização por desapropriação. Nesse sentido, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial interposto. É como voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior Fl. 4DF CARF MF Emitido em 26/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/08/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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Numero do processo: 10680.018497/2003-15
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONHECIMENTO - PIS - DECADÊNCIA - APLICABILIDADE DO PRAZO PREVISTO NO ARTIGO 45 DA LEI Nº. 8.212/91. Não merece
conhecimento o Recurso que requer a aplicação do prazo previsto no artigo 45 da Lei nº 8.212/91, o qual foi declarado inconstitucional, conforme Súmula Vinculante nº 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12.06.08.
CONHECIMENTO RECURSO - ESPECIAL Não merece conhecimento o
Recurso Especial quando houver erro na premissa fática adotada.
Numero da decisão: 9101-000.870
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª TURMA DA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS
FISCAIS, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Karem Jureidini Dias
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Não merece conhecimento o Recurso que requer a aplicação do prazo previsto no artigo 45 da Lei nº 8.212/91, o qual foi declarado inconstitucional, conforme Súmula Vinculante nº 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12.06.08. CONHECIMENTO RECURSO ESPECIAL Não merece conhecimento o Recurso Especial quando houver erro na premissa fática adotada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 11ªª TTUURRMMAA DDAA CCÂÂMMAARRAA SSUUPPEERRIIOORR DDEE RREECCUURRSSOOSS FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Caio Marcos Cândido Presidente (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias – Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido, Viviane Vidal Wagner, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Claudemir Rodrigues Malaquias, Leonardo de Andrade Couto, Antônio Carlos Guidoni Filho, Valmir Sandri, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Relatório Fl. 296DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 14/03/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS, 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 10680.018497/200315 Acórdão n.º 910100.870 CSRFT1 Fl. 2 2 Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional, com base no artigo 32, inciso I do antigo Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, em face do Acórdão nº 10516.190, da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. O Auto de Infração discutido nos presentes autos exige Contribuição ao PIS referente aos fatos geradores de janeiro a dezembro de 1998. A ciência foi dada ao contribuinte em 19/12/2003 (fls. 06). O lançamento foi julgado pelo então Primeiro Conselho de Contribuintes porque foi efetuado por reflexo do IRPJ. As exigências de IRPJ e CSLL foram formalizadas em processo apartado. Impugnado o lançamento, sobreveio o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que julgou o lançamento procedente. Sobrevieram, então, Recurso Voluntário e o acórdão da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, o qual, por maioria de votos, acolheu a preliminar de decadência para os fatos geradores ocorridos até novembro de 1998, nos termos do artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional A Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial, no qual requer aplicação do prazo previsto no artigo 45 da Lei nº 8.212/91, no tocante à Contribuição ao PIS, a fim de se manter o lançamento referente a todos os trimestres do anocalendário de 1998. Aduz, ainda, que a contagem do prazo dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quando inexiste pagamento, é de 10 anos contados do fato gerador (cinco + cinco), uma vez que o prazo do artigo 173, I, do CTN, apenas se inicia após o encerramento do prazo para a homologação previsto no artigo 150, § 4º do CTN. O Despacho de fls. 277/278, analisando somente o pleito para aplicação do prazo do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, deu seguimento ao Recurso da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora Fl. 297DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 14/03/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS, 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 10680.018497/200315 Acórdão n.º 910100.870 CSRFT1 Fl. 3 3 Em primeiro lugar, sobre a aplicação do prazo de 10 anos do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, foi aprovada a Súmula nº 08 do Supremo Tribunal Federal que determina que “são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário" (D.O.U. de 20/06/2008). Sobre este aspecto, lembro que respectiva súmula tem efeito vinculante para a administração e julgadores, nos termos do artigo 103, “a” da Constituição Federal de 1988, inserido pela Emenda Constitucional nº 45/2004, e também do disposto nos artigo 64A e 64B da Lei nº 9.784/99. Portanto, respaldada nas decisões e súmula do Supremo Tribunal Federal, bem como decisões do Superior Tribunal de Justiça e dessa C. Câmara Superior de Recursos Fiscais (acórdãos nº CSRF/0105.473, sessão de 19/06/2006 e CSRF/0105.533, sessão de 19/07/2003, entre outros), digo que não merece ser conhecido o Recurso Especial da Fazenda Nacional nesta parte, uma vez que alega contrariedade a legislação que já foi declarada inconstitucional. Embora a d. Procuradoria tenha requerido a aplicação do artigo 173 do Código Tributário Nacional, talvez porque requer a aplicação conjunta deste com o artigo 150, § 4º, também do Código Tributário Nacional, na hipótese de inexistência de pagamento, requerendo, da mesma forma, 10 (dez) anos para a contagem do prazo decadencial, o Despacho de admissibilidade sequer adentrou nesta questão. Ou seja, o Despacho Pres. 105122/2007 deu seguimento ao Recurso da Procuradoria da Fazenda porquanto entendeu que restou cumprido o disposto no § 1º do artigo 33 do RICC, uma vez que foi apontando como contrariado o artigo 45 da Lei nº 8.212/91. Este Despacho não foi objeto de Agravo por parte da d. Fazenda Nacional, não havendo, portanto, Recurso quanto à aplicação do artigo 173, em detrimento do artigo 150, § 4º, ambos do Código Tributário Nacional. De mais a mais, trata o Recurso Especial do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, para pleitear os 10 anos a partir do fato gerador, na hipótese de inexistência de pagamento. Ora, de fato não haveria que se conhecer do Recurso por inexistência da premissa fática de que partiu o Recurso Especial, uma vez que, conforme reconhecido pela própria DRJ (fls. 186/187), tratase de lançamento apenas das diferenças apuradas, havendo, portanto, pagamento parcial, verbis: Consoante o auto de infração do PIS, o lançamento foi motivado pela constatação de falta de recolhimento da contribuição. No TVF (fl. 20), salientou a fiscalização que a base de cálculo do PIS e da Cofins era resultado do valor consignado nos demonstrativos anexos (relação das notas fiscais obtidas junto a clientes da fiscalizada — fls. 22/59) excluída a base declarada na DIPJ. Nestas circunstâncias, não se cogita o aproveitamento dos pagamentos representados pelos Darf de fls. 136/142 (copias anexadas à impugnação) e retenções na fonte por órgãos públicos, uma vez que a tributação incidiu apenas sobre as diferenças apuradas pela fiscalização nos períodos de janeiro a outubro e no mês de dezembro do ano de 1998. Pelo exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Fl. 298DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 14/03/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS, 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 10680.018497/200315 Acórdão n.º 910100.870 CSRFT1 Fl. 4 4 (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias – Relatora. Fl. 299DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS Assinado digitalmente em 14/03/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS, 21/03/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO
score : 1.0
Numero do processo: 35013.002549/2004-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2003
Ementa:
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE CIÊNCIA SOBRE O RESULTADO DE DILIGÊNCIA.
A ciência ao contribuinte do resultado da diligência é uma exigência jurídico procedimental, dela não se podendo desvincular, sob pena de anulação da decisão administrativa por cerceamento do direito de defesa. Com efeito, este entendimento encontra amparo no Decreto nº 70.235/72 que, ao tratar das
nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa.
Decisão Recorrida Nula
Numero da decisão: 2302-001.351
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2003 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE CIÊNCIA SOBRE O RESULTADO DE DILIGÊNCIA. A ciência ao contribuinte do resultado da diligência é uma exigência jurídico procedimental, dela não se podendo desvincular, sob pena de anulação da decisão administrativa por cerceamento do direito de defesa. Com efeito, este entendimento encontra amparo no Decreto nº 70.235/72 que, ao tratar das nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa. Decisão Recorrida Nula
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2003 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE CIÊNCIA SOBRE O RESULTADO DE DILIGÊNCIA. A ciência ao contribuinte do resultado da diligência é uma exigência jurídico procedimental, dela não se podendo desvincular, sob pena de anulação da decisão administrativa por cerceamento do direito de defesa. Com efeito, este entendimento encontra amparo no Decreto nº 70.235/72 que, ao tratar das nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa. Decisão Recorrida Nula Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. EDITADO EM: 06/10/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 18/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Eduardo Augusto Marcondes de Freitas, Arlindo da Costa e Silva,Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Junior. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 18/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 35013.002549/200414 Acórdão n.º 230201.351 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Trata a presente notificação, lavrada em 28/07/2004 e cientificada ao sujeito passivo em 30/07/2004, de contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados constantes das folhas de pagamento, nas competências de 01/1999 a 09/2003. O relatório fiscal de fls. 257/261, diz que não foram considerados como créditos da notificada os recolhimentos efetuados no CNPJ das filiais, relativos a retenção de 11%, da Lei n.º 9.711/98. Após a impugnação e apresentação de apenso à mesma, os autos baixaram em diligência (fls. 830/831 volume V, em 21/12/2004), para que fossem apreciados e cotejados com os valores levantados os LTCAT’s e demais documentos juntados pela impugnante. A notificada solicita alteração do identificador nas guias recolhidas. Às fls. 939/945, volume V, informação fiscal de 20/09/2006, retifica o crédito lançado de acordo com os documentos FORCED’s de fls. 946/966. Às fls. 987/988, volume V, a notificada solicita a suspensão do julgamento até que seja examinado o pedido de ajuste de guias. Às fls. 991/993,volume V, os autos baixam novamente em diligência para que a fiscalização se manifeste especificamente sobre os aspectos solicitados na primeira diligência e para que seja juntado o RDA – Relatório de Documentos Apresentados, que não constava dos autos. À fl.1051, volume VI, consta que foi entregue à notificada o RDA. Informação Fiscal de fl.1052, volume VI, retifica o crédito lançado, documentos de fls. 1074/1086 e Discriminativo de Analítico de Débito Retificado –DDAR, fls.1087/1116. Às fls. 117/1138, volume VI, DecisãoNotificação julga o lançamento procedente em parte e remete o processo à segunda instancia para apreciação do recurso de ofício. O pedido de ajuste de guias foi indeferido, fls. 1140/1141, volume VI. O processo foi recebido pela Quinta Câmara do Segundo conselho de Contribuintes, com o recurso de ofício e devolvido a origem para que o contribuinte fosse cientificado da DN e que fosse aberto prazo para apresentação de recurso voluntário. Inconformado com a decisão, o contribuinte apresentou recurso, arguindo em apertada síntese: Fl. 3DF CARF MF Emitido em 18/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 a) a nulidade da decisão por não observar o disposto em liminar concedida no Mandado de Segurança interposto, já que deveria aguardar a decisão definitiva no processo relativo ao ajuste de guias; b) a decadência parcial, conforme disposição da Súmula Vinculante n.º 8; c) que as filiais não possuem mão de obra alocada, devendo por isso ser consideradas as compensações de retenção; d) que deixaram de ser consideradas as retenções efetuadas nos CNPJ’s das filiais no valor de mais de 8 milhões de reais; e) que o descumprimento da obrigação acessória se traduziu em mero erro material; f) que as retenções foram recolhidas, mas por equívoco na documentação fiscal, foi utilizado o CNPJ das filiais; g) que as notas fiscais foram emitidas nas filiais por conta de questões relativas ao imposto municipal; h) que os serviços foram prestados pelos empregados da matriz; i) que a solicitação de ajuste de guias está pendente de recurso; j) que não há vedação legal para a compensação da retenção em outros estabelecimentos, assunto já pacificado no CRPS, do qual junta pronunciamento em acórdão; k) que a IN 100/2003, não pode ser aplicada em casos pretéritos; l) que não houve prejuízo ao erário, dolo ou máfé. Requer a reforma da decisão para decretar a improcedência do lançamento; que lhe seja autorizada a retificação dos documentos por meio de ajuste no CNPJ das guias de retenção perpetradas nas filiais sem empregados, até por se tratar de recolhimento indevido nestas filiais. Adendo apresentado ao recurso à fl.24899, volume 124, solicita a aplicação do artigo 106, do Código Tributário Nacional para que seja acatado o disposto pela nova redação do parágrafo 1º do artigo 31, da Lei n.º 8.212/91, dada pela Lei n.º 11.941/99, que permite a compensação da retenção em qualquer estabelecimento da empresa cedente de mão de obra. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 18/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 35013.002549/200414 Acórdão n.º 230201.351 S2C3T2 Fl. 3 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi Relatora Trata o presente de Recurso de Ofício interposto pela DRP de Salvador/BA, cabível quando da emissão da decisão de primeira instância proferida em 23/04/2007, que retificou o crédito em R$ 293.269,30, (Duzentos e noventa e três mil, duzentos e sessenta e nove reais e trinta centavos), quando o limite fixado para o recurso de ofício pela Portaria n.º 158, de 11 de abril de 2007, por crédito exonerado era de R$ 200.000,00 (duzentos mil reais em valor total, principal, juros e multa). Ocorre que em 03 de janeiro de 2008, a Portaria n.º 3, fixou o limite para recorrer em R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), revogando a anterior. Entendo que o recurso não deva ser conhecido, pois o valor imposto pela Portaria n.º 03 de 03/01/2008, se aplica aos processos ainda pendentes de julgamento. A retroatividade, neste caso, não fere qualquer direito, uma vez que a própria administração, que seria a interessada na apreciação do recurso de ofício, alterou o limite para maior. Desta forma, cumprido o requisito de admissibilidade do recurso voluntário, protocolo de fl.1156, volume VI, frente à tempestividade, conheço dele e passo ao seu exame. Analisando os autos verifiquei que não há provas de que a notificada tenha sido cientificada do resultado das diligências de fls. 939 a 945 e 1052, que se pronunciaram pela retificação parcial do crédito lançado. A DecisãoNotificação de fls.1117 a 1138, foi emitida sem a possibilidade do contraditório em relação às diligências fiscais. Embora à fl.994, do processo conste expressamente que a notificada deve ser cientificada do resultado das diligências, somente existe nos autos prova à fl. 1051, que foi entregue à recorrente o discriminativo RDA – Relatório de Documentos Apresentados. A impossibilidade de conhecimento dos fatos elencados pelo Auditor Fiscal ocasionou a supressão de instância. O recorrente possui o direito de apresentar suas contra razões aos fatos apontados pela fiscalização ainda na primeira instância administrativa. Da forma como foi realizado o procedimento, o direito do contribuinte ao contraditório foi conferido somente em grau de recurso. Há vários precedentes deste órgão colegiado neste sentido. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 10515982 (relator Conselheiro Daniel Sahagoff; data da sessão 20/09/2006), verbis: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA CONTRIBUINTE NÃO TOMOU CIÊNCIA DO RESULTADO DA DILIGÊNCIA A ciência ao contribuinte do resultado da diligência é uma exigência jurídicoprocedimental, dela não se podendo desvincular, sob pena de anulação do processo, por Fl. 5DF CARF MF Emitido em 18/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 cerceamento ao seu direito de defesa. Necessidade de retorno dos autos à instância originária para que se dê ciência ao contribuinte do resultado da diligência, concedendolhe o prazo regulamentar para, se assim o desejar, apresentar manifestação. Recurso provido. E a ampla defesa, assegurada constitucionalmente aos contribuintes, deve ser observada no processo administrativo fiscal. A propósito do tema, é salutar a adoção dos ensinamentos de Sandro Luiz Nunes que, em seu trabalho intitulado Processo Administrativo Tributário no Município de Florianópolis, esclarece de forma precisa e cristalina: A ampla defesa deve ser observada no processo administrativo, sob pena de nulidade deste. Manifestase mediante o oferecimento de oportunidade ao sujeito passivo para que este, querendo, possa oporse a pretensão do fisco, fazendose serem conhecidas e apreciadas todas as suas alegações de caráter processual e material, bem como as provas com que pretende provar as suas alegações. Este entendimento também consta do Decreto nº 70.235/72 que, ao tratar das nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa. Feitas estas considerações, entendo que a decisão recorrida deve ser anulada, uma vez que prolatada sem que o contribuinte tivesse a oportunidade de se manifestar, regularmente, em relação à informação fiscal carreada aos autos pelo fisco. Pelo princípio constitucional do contraditório, é facultado à parte manifestar sua posição sobre fatos trazidos ao processo pela outra parte vez que tomando conhecimento dos atos processuais, pode, se desejar, reagir contra os mesmos. Inseremse no princípio do contraditório a chamada regra da informação geral e também a regra da ouvida dos sujeitos ou audiência das partes. O princípio do contraditório é de índole constitucional, devendo ser observado inclusive em processos administrativos, consoante art. 5°, LV, da Constituição Federal vigente. Art. 5°, LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Foi contemplado também no art. 2º, caput e parágrafo único, inciso X, da Lei nº 9.784/99, abaixo transcrito: Lei n° 9.784/99, art. 2° A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: Fl. 6DF CARF MF Emitido em 18/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 35013.002549/200414 Acórdão n.º 230201.351 S2C3T2 Fl. 4 7 (...) X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (grifo nosso) Nesse sentido, entendo que a decisão proferida é nula, por cerceamento ao direito de defesa, com fulcro no art. 31, II, da Portaria MPS n° 520/2004, abaixo transcrito. Art. 31. São nulos: (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; Por todo o exposto, voto pela anulação da decisão de primeira instância. devendo ser conferida ciência ao recorrente do resultado das diligências fiscais de fls. 939/945 e 1052, abrindolhe prazo para manifestação e posterior emissão de nova decisão. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 7DF CARF MF Emitido em 18/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 06/10/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/10/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10983.901028/2008-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Anocalendário:
2002
ERRO FORMAL PRINCÍPIO
DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA.
Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o
crédito tributário, se o contribuinte demonstra que as informações nela
constantes estão erradas, pois foram por ele prestadas equivocadamente, deve
ser observado o princípio da verdade material, afastando quaisquer atos da
autoridade fiscal que tenham se baseado em informações equivocadas.
Numero da decisão: 3302-001.306
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. O conselheiro Walber
José da Silva acompanhou a relatora pelas conclusões. Presente ao julgamento o Dr. Flávio
Machado Vilhena Dias, OAB/MG 99110.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, se o contribuinte demonstra que as informações nela constantes estão erradas, pois foram por ele prestadas equivocadamente, deve ser observado o princípio da verdade material, afastando quaisquer atos da autoridade fiscal que tenham se baseado em informações equivocadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. O conselheiro Walber José da Silva acompanhou a relatora pelas conclusões. Presente ao julgamento o Dr. Flávio Machado Vilhena Dias, OAB/MG 99110. (assinado digitalmente) WALBER JOSE DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora. Fl. 68DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/12/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/1 2/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 EDITADO EM: 02/12/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de Declaração de Compensação (fls. 07/08) apresentada para quitar débito de PIS (12/2002) com crédito derivado de DARF pago a maior (COFINS – 01/2002). O pagamento a maior ocorrera por erro da Recorrente na apuração da COFINS devida em relação à competência 01/2002 – conforme demonstrado via DCTF retificadora apresentada posteriormente. O Despacho Decisório (fls. 05) foi emitido eletronicamente e não homologou a compensação realizada por suposta inexistência do crédito. Em sua Manifestação de Inconformidade (fls. 02/03) a Recorrente alega que a não homologação da compensação se deu porque a DCTF original, apresentada pela empresa, não evidenciava a existência do crédito utilizado na compensação sob análise. Todavia, DCTF retificadora, que evidencia o erro cometido na apuração e recolhimento da COFINS devida em 01/2002, foi apresentada pela Recorrente, corrigindo o erro anteriormente cometido e comprovando a existência do crédito. A decisão da DRJ (fls. 11/ 12) indeferiu o pleito da Recorrente, mantendo a não homologação da compensação, por entender que o crédito não era líquido e certo e que eventual retificação da DCTF que suportava o pagamento indevido/a maior, que dava origem ao crédito utilizado na compensação sob análise, somente poderia surtir efeitos se apresentada antes da compensação efetuada. Ou seja, a retificação da DCTF, por ter ocorrido após a entrega da DCOMP, não permitiria a homologação da compensação. A Recorrente apresentou seu Recurso Voluntário (fls. 15/28), alegando que não pode prevalecer a não homologação da compensação, em razão da ocorrência de mero erro formal, no preenchimento da DCTF da entidade. De acordo com as alegações da Recorrente a DCTF retificadora evidencia a existência do crédito e não pode ser desconsiderada. Da análise das DCTF’s e dos documentos da compensação constatase que o pagamento a maior do valor de COFINS da competência 01/2002 – à qual se refere o DARF pago a maior, que gerou o crédito utilizado na compensação sob análise – está confirmado na DCTF retificadora. Ou seja, embora a DCTF original indicasse como valor devido da COFINS devida na competência 01/2002, exatamente o valor do DARF/valor pago (R$ 53.923,64), a DCTF retificadora evidencia que o valor efetivamente devido era de R$ 31.797,20. Logo, a DCTF retificadora (de 30/05/2008), demonstrou a base de cálculo e COFINS devida naquela competência, bem como que o pagamento se deu em valor maior do que o devido, por erro na apuração da contribuição – justificando o citado crédito no valor de R$ 22.126,44 (utilizado na compensação sob análise). Vieramme, então, os autos para decidir. Fl. 69DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/12/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/1 2/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10983.901028/200869 Acórdão n.º 330201.306 S3C3T2 Fl. 69 3 Voto Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, Relatora O Recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Os autos referemse a compensação, em relação à qual a autoridade fiscal questiona a existência do crédito. Segundo a Recorrente o crédito existe e não foi reconhecido pelo Fisco apenas por conta de erro formal no preenchimento da DCTF que trata da competência em que ocorreu o pagamento a maior da COFINS (01/2002), pois o valor declarado como devido e pago foi indicado equivocadamente pela entidade. Entendo que se o contribuinte demonstrar que há um erro formal na DCTF – erro de preenchimento então, em observância à verdade dos fatos, devese reconhecer que as informações constantes da DCTF estavam equivocadas, bem como reconhecer os efeitos decorrentes da correção deste erro. Ou seja, independentemente do momento em que se toma conhecimento da verdade dos fatos, esta verdade tem de prevalecer. Vale dizer, o processo administrativo tributário, regido pelo princípio da verdade material, não permite análise rasas de documentos, tampouco a prevalência de declarações equivocadas, uma vez que se constate que os fatos se deram de forma distinta daquilo que foi declarado. Assim, o mero erro formal do contribuinte, erro nas informações prestadas em declarações obrigatórias não prevalece, quando devidamente retificado e comprovada a verdade dos fatos. A jurisprudência deste Tribunal corrobora este entendimento, tendo cancelado diversos lançamentos quando comprovada a ocorrência de mero erro formal, ainda que por equívoco do contribuinte na prestação de informações em suas declarações. Destaco: “AUDITORIA DE DCTF. ERRO DE FATO. COMPROVAÇÃO. No caso de lançamento decorrente de auditoria interna de DCTF, estando demonstrado nos autos que o valor recolhido pelo sujeito passivo a título de IRPJ corresponde ao informado na DIPJ, é de se admitir como incorreto o valor divergente informado pelo contribuinte na DCTF.(...)” (CARF 1ª Seção, 2ª Turma da 4ª Câmara, Acórdão 140200.189) “(...) AUTO DE INFRAÇÃO. EXIGÊNCIA EM DUPLICIDADE. FORMALIDADE PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E DA MORALIDADE ADMINISTRATIVA. CANCELAMENTO. De se cancelar a exigência fundada em erro formal cometido pelo sujeito passivo, que, embora não corrigido mediante a entrega de DCTF retificadora antes do inicio do procedimento fiscal, teve sua comprovação demonstrada nos autos de maneira a evidenciar a duplicidade de lançamento. Prestígio dos princípios da verdade material e da moralidade administrativa em detrimento de formalidade dispensável diante das Fl. 70DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/12/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/1 2/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 circunstâncias.(...)” (CARF 3ª Seção, 1ª Turma da 4ª Câmara, Acórdão 340100.891) “(...) AUTO DE INFRAÇÃO. EXIGÊNCIA EM DUPLICIDADE. FORMALIDADE PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E DA MORALIDADE ADMINISTRATIVA. CANCELAMENTO. De se cancelar a exigência fundada em erro formal cometido pelo sujeito passivo, que, embora não corrigido mediante a entrega de DCTF retificadora antes do inicio do procedimento fiscal, teve sua comprovação demonstrada nos autos de maneira a evidenciar a duplicidade de lançamento. Prestígio dos princípios da verdade material e da moralidade administrativa em detrimento de formalidade dispensável diante das circunstâncias. (...)” (CARF – 3ª Seção – 1ª Turma da 4ª Câmara, Acórdão 340100.891) “(...) IRPJ ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração, deve a verdade material prevalecer sobre a formal, e exigido o valor efetivamente devido conforme o lucro real. Recurso provido.” (1º Conselho de Contribuintes, 8ª Câmara, Acórdão 10808.689) “(...) VALOR DA TERRA NUA. DITR ERRO NO PREENCHIMENTO Constatado erro no preenchimento da DITR, a autoridade administrativa deve rever o lançamento, para adequálo aos elementos fáticos reais. Havendo erro no Valor da Terra Nua declarado e inexistindo nos autos elementos que permitam a manutenção da base de cálculo do tributo, adotase o valor fixado na IN pertinente. Embargos de declaração da Fazenda Nacional acolhidos.Recurso especial da Fazenda Nacional negado.” (CSRF, 3ª Turma, Acórdão CSRF/0304.471) As decisões acima apresentadas fundamentamse no princípio da verdade material, que impede que o formalismo se sobreponha à matéria e aos fatos efetivamente ocorridos. O processo administrativo fiscal tem por fim a busca da verdade material justamente por permitir, nesta instância, a análise irrestrita e profunda da matéria fática, visando justamente estabelecer como se deram de modo que a tributação não ultrapasse seus limites. Em observância a tais princípios, uma vez constatado que houve erro nas informações prestadas pelo contribuinte, de se considerar a verdade fática, ainda que seja diversa das informações em que se baseou o Fisco na execução de seus atos – seja na lavratura de um auto de infração, ou na não homologação de uma compensação. Portanto, não importa o momento em que a verdade vem à tona. Importa que, sobrevindo, deve ser respeitada. Da análise da documentação e informações trazidas aos autos constatase que a Recorrente apresentou informações equivocadas em sua DCTF, e as corrigiu posteriormente via DCTF retificadora. No Recurso Voluntário há demonstrativo que evidencia o erro cometido. Ante o exposto, conheço do recurso, posto que presentes os requisitos de admissibilidade, para o fim de DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, ressalvado à Receita Federal do Brasil apurar a liquidez e certeza do crédito pleiteado pela Recorrente e indicado em sua DCTF Retificadora, efetuando a compensação nos limites do crédito quantificado. Fl. 71DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/12/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/1 2/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10983.901028/200869 Acórdão n.º 330201.306 S3C3T2 Fl. 70 5 É como voto. Sala das Sessões, em 09 de novembro de 2011. (assinado digitalmente) Relatora Fabiola Cassiano Keramidas Fl. 72DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/12/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/1 2/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Numero do processo: 10245.001131/2001-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IRPJ
Ano-calendário: 1996, 1997, 1998, 1999
Ementa:
IRPJ LUCRO PRESUMIDO BASE DE CÁLCULO PERCENTUAL APLICÁVEL ÀS EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇO Na atividade de construção por empreitada o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta, para determinação da base de cálculo das estimativas do imposto de renda mensal será de 8%(oito por cento), quando houver
emprego de materiais, em qualquer quantidade. Essas pessoas
jurídicas, pelo ADN Cosit nº 6/1997, item I alínea "a" e item 2
estavam obrigadas a operação do lucro real, nos termos do item
IV do artigo 5º da Lei 8.541/1992. A partir de 01/01/1999, com a
vigência da Lei nº 9718/1998 (art 14), houve permissão para que
essas empresas apurassem o resultado através do lucro presumido, portanto, somente a partir desse ano pode-se reconhecer a alíquota de 8% para situações que atendam os requisito objetivo de construção civil com emprego de material.
Numero da decisão: 1202-000.612
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, reconhecer de ofício a nulidade das exigências nos anos de 1996,1997 e 1998 e dar provimento parcial ao recurso, para reduzir a 8% o percentual do Lucro Presumido nos anos de 1999 e 2000, nos
termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
Nome do relator: ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO
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Essas pessoas jurídicas, pelo ADN Cosit nº 6/1997, item I alínea "a" e item 2 estavam obrigadas a operação do lucro real, nos termos do item IV do artigo 5º da Lei 8.541/1992. A partir de 01/01/1999, com a vigência da Lei nº 9718/1998 (art 14), houve permissão para que essas empresas apurassem o resultado através do lucro presumido, portanto, somente a partir desse ano podese reconhecer a alíquota de 8% para situações que atendam os requisito objetivo de construção civil com emprego de material. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, reconhecer de ofício a nulidade das exigências nos anos de 1996,1997 e 1998 e dar provimento parcial ao recurso, para reduzir a 8% o percentual do Lucro Presumido nos anos de 1999 e 2000, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente. (documento assinado digitalmente) Fl. 443DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 07 /11/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10245.001131/200184 Acórdão n.º 120200.612 S1C2T2 Fl. 2 2 Orlando José Gonçalves Bueno Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Viviane Vidal Wagner e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório 1 DOS FATOS Tratase o presente processo de auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, lavrado em 20/12/2001, por ter sido constatada falta ou insuficiência de recolhimento de imposto, referente aos anoscalendário de 1996, 1997, 1999 e 2000, fundamentada em divergências averiguadas entre os valores declarados e os valores levantados em análise dos livros e documentos fiscais do contribuinte. 2 — DA IMPUGNAÇÃO A impugnante alega em sua defesa, nas fls. 67/76, o que pode ser sintetizado pelo seguinte: Apesar de ter apresentado toda a documentação exigida, e disponibilizado o profissional contábil para maiores esclarecimentos, alguns pontos restaramse pouco explanados pela fiscalização; Sustenta que o Fisco tem por obrigatoriedade fiscalizar a tributação, e que deve considerar além das ausências de recolhimentos, os pagamentos efetuados a maior, uma vez que foi constatada diferença no recolhimento dos tributos Cofins, PIS e CSLL, pagos indevidamente, e nada foi relatado; Nesse sentido, reconhece o equívoco no cálculo do Imposto de Renda, por ignorância do contador, como também pelo apurado referente aos serviços prestados ao 6° Batalhão de Engenharia e Construção, o qual também recolheu a menor adotando alíquota inferior do que a determinação legal; Quanto aos tributos reflexos, por incidirem na mesma base de cálculo, diferenciandose apenas nas alíquotas, alega ter efetuado os procedimentos de maneira correta, juntando cópias de notas fiscais de vendas e serviços para comprovar o alegado; Fl. 444DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 07 /11/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10245.001131/200184 Acórdão n.º 120200.612 S1C2T2 Fl. 3 3 Ademais. anexa cópias das planilhas apuradas pela fiscalização, nas quais corrigiu manualmente as diferenças pagas a maior e os documentos de retenção pelos órgãos federais. 3— DA DECISÃO EM PRIMEIRA INSTÂNCIA A DRJ conheceu da tempestividade da Impugnação apresentada e assim se manifestou: Preliminar de Decadência Consoante ao principio da verdade material, apesar da contribuinte não ter argüido a decadência dos meses anteriores a novembro de 1996, ocorrida por terem se passados 5 anos entre a data em que o lançamento deveria ter sido feito e a ciência da contribuinte deste auto de infração, a DRJ — Manaus entendeu por reconhecêla de ofício. Com fulcro nos artigos 150 e 173 ambos do Código Tributário Nacional, entendendo ter ocorrido a homologação tácita, pois o IRPJ é tributo sujeito a lançamento por homologação, devido mensalmente. Mérito Inicialmente, esclarece que o objeto deste processo consiste apenas no recolhimento a menor do IR. Destarte, apesar de a impugnante ter trazido argumentos, em sua defesa, relativos ao PIS COFINS e CSLL, obviamente só será considerado o que se refere àquele imposto. Relativamente às supostas desconsiderações das retenções ocorridas, decorrentes de serviços prestados ao 6° Batalhão de Engenharia e Construção, no 3° e 4° trimestre do anocalendário de 1997, importa mencionar que a autoridade a quo procedeu tal apreciação, considerando o valor real do lucro presumido, recalculando o lançamento, com fulcro no Decreto n° 1.041/94, art. 890, II. Assim, com base nas cópias dos documentos anexados pela Impugnante, às fls. 79/84, a decisão recorrida cancelou de ofício os lançamentos anteriores a novembro de 1996 e, considerando o IRRF decorrente de serviços prestados a terceiros nos dois últimos trimestres de 1997, reduziu o lançamento referente aos meses em questão, como demonstrado na parte final do Acórdão (fls. 121). Desta maneira, a DRJ — Belém PA às fls. 115/121, decidiu por dar procedência, parcialmente, ao lançamento, adotando a seguinte ementa: FALTA E OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DE RENDA — As insuficiências de recolhimentos, apuradas em decorrência de auditoria fiscal, sujeitamse a lançamento de oficio, cabendo a autoridade administrativa constituir o crédito tributário, nos termos do inciso II do artigo 890 do Decreto n° 1.041, de 1994. Fl. 445DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 07 /11/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10245.001131/200184 Acórdão n.º 120200.612 S1C2T2 Fl. 4 4 IRRF. DEDUÇÃO — São dedutíveis, na apuração do IRPJ devido os valores correspondentes ao IRRF em operações com o Poder Público Federal. DECADÊNCIA — Nos tributos sujeitos ao regime de lançamento por homologação, a decadência do direito de constituir o crédito tributário se rege pelo artigo 150, §4°, do Código Tributário Nacional, isto 6, o prazo para esse efeito será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; a incidência da regra supõe, evidentemente, hipótese típica de lançamento por homologação, aquele em que ocorre pagamento antecipado do tributo. Lançamento Procedente em Parte. 4— DO RECURSO VOLUNTÁRIO A Recorrente, nas fls. 138/141, apresenta seu Recurso Voluntário, cujas razões podem ser a seguir sintetizadas : Em seu caso especifico, sendo sua atividade exercida de construção civil por empreitada, com emprego de materiais, o percentual aplicável para apuração da base de cálculo do lucro presumido, referente ao anocalendário de 1997, é de 8% sobre a receita bruta, diferente dos 32% utilizados pela fiscalização. Desta sorte, pleiteia a Recorrente pela reforma da decisão a quo, uma vez constatado o erro na quantificação do tributo a ser recolhido, posto que aplicada a mesma alíquota relativa a receita obtida pelo serviço de transporte e aluguel de máquinas nas receitas obtidas por meio da venda de mercadorias e produtos e pela construção por empreitada, com emprego de materiais em qualquer quantidade. Por final, anexa os seguintes documentos em seu recurso: cópias das notas fiscais dos serviços que prestou nos períodos em questão; cópias das notas fiscais de compra de materiais empregados nas obras; cópia do Livro Caixa n.° 3. termo de arrolamento de bens conforme o art 31 da Lei n° 10.522/02 5 – DA CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA Diante da documentação apresentada, e considerando a necessidade de sua conferência pela autoridade de origem, foi convertido o julgamento do recurso em diligência, durante a sessão de 15 de junho de 2005, a fim de que ela se manifeste acerca da adoção do percentual aplicado em seu levantamento fiscal para obtenção da base de cálculo do auto de infração, em face da atividade econômica demonstrada pela Recorrente, como prestador de serviços de construção civil, confirmando o atendimento da legislação de regência sobre a matéria fática. Fl. 446DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 07 /11/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10245.001131/200184 Acórdão n.º 120200.612 S1C2T2 Fl. 5 5 A autoridade de origem a assim se manifestou sobre a diligência realizada: IV — PRONUNCIAMENTO DA AUTORIDADE DE ORIGEM Os auditores responsáveis pela fiscalização em questão não se encontram mais nesta unidade. Não é possível saber se à época do levantamento fiscal foram analisados os documentos constantes da fase recursal, visto que as cópias das notas fiscais não constavam do processo antes do inicio do contencioso administrativo. Verificase que o Mandado de Procedimento Fiscal (fl. 01) incluía VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS que consistem em analisar a correspondência entre os valores declarados e os valores apurados pelo sujeito passivo em sua escrituração contábil e fiscal, em relação aos tributos e contribuições administrados pela SRF nos últimos cinco anos que antecederam a fiscalização. De acordo com os Manuais de Fiscalização, no faz parte do escopo do Cotejo Declaragio/Escrituragio a conferência da correta apuração da base de cálculo dos tributos e contribuições, devendo, se for o caso, ser programada em operação especifica, a critério da unidade responsável pelo procedimento de fiscalização; Analisando a resposta ao Termo de Intimação Fiscal (fls. 06/18) verificase que o contribuinte classificou suas receitas como: 1. serviços de transporte de material de construção para revenda (fls. 06/14); 2. serviços de escavação (fl. 15); 3. serviços de terraplenagem (fl. 16) e 4. serviços diversos (fls. 16/18). As notas fiscais (fls. 142/153, 155,164) apresentadas em recurso pelo contribuinte foram classificadas como serviços diversos, o que pode ter ensejado a aplicação do percentual de 32% para apurar a base de cálculo do IRPJ. Desta forma, é possível inferir que não houve confronto entre a escrituração e os documentos, mas tão somente foram analisadas as declarações e a escrituração do contribuinte e suas respostas ao Termo de Intimação Fiscal. IV — DEMONSTRATIVO No Anexo I deste Relatório de Diligência, consta o Demonstrativo das Notas Fiscais apresentadas pelo contribuinte em fase recursal, discriminandose os serviços prestados e o tomador dos serviços. VI— CONCLUSÃO Mediante o exposto, entendese que provavelmente a análise fiscal se pautou apenas na escrituração fiscal, nas declarações e nas respostas do contribuinte, de acordo com a execução prevista pelos Manuais de Fiscalização, não sendo analisadas as notas fiscais, o que pode ter ensejado a aplicação do coeficiente de determinação do Lucro Presumido a 32%. Cabe, então, a este Colegiado, a análise das notas fiscais constantes do processo e listadas no Demonstrativo em anexo, no qual estão discriminados os serviços executados e o tomador de serviço para cada nota fiscal apresentada, a fim de julgar o presente processo. Fl. 447DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 07 /11/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10245.001131/200184 Acórdão n.º 120200.612 S1C2T2 Fl. 6 6 É o relatório. Voto Conselheiro Relator Orlando José Gonçalves Bueno O recurso encontrase dotado dos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Antes de aprofundar a análise, cabe esclarecer, em decorrência de colocação da autoridade diligenciante, que a juntada de documentos fiscais na fase recursal se deu para aferir entendimento sobre o direito aplicável, qual seja, ausente a análise pela autoridade lançadora e considerando a necessidade de aferir o direito aplicável, nos termos do disposto no art.16 § 4º letra “c”, haja vista contrapor fatos e razões surgidas nos autos com a autuação e decisão de primeira instância, sendo admissível tal acolhimento, como decidido pelo colegiado no ato de conversão do julgamento em diligência. A questão fática examinada referese ao lançamento de ofício formalizado em razão da ausência de recolhimentos apurada nos anos calendários de 1997, 1998, 1999 e 2000, tendo sido aplicado pela autoridade administrativa o percentual de 32% sobre a receita bruta para determinar a base de cálculo do lançamento de ofício, devidamente discriminado nas planilhas de fls. 43/50, em todo o período citado. A Recorrente insurgiuse contra a alíquota aplicada pela autoridade lançadora, alegando que o percentual a ser aplicado no caso em tela, com o fito de apurar a base de cálculo do tributo, seria de 8% e não de 32%, tendo em vista a natureza da atividade princial, geradora de receitas. Em um anterior momento o julgamento do presente recurso foi convertido em diligência, para que a autoridade administrativa de origem se manifestasse sobre o critério adotado para a aplicação do percentual de 32% sobre a receita bruta verificada, em face aos novos documentos fiscais apresentados em sede recursal. Em resposta a diligência o Setor de Fiscalização da Delegacia da receita Federal do Brasil em Boa Vista salientou que “a análise fiscal se pautou apenas na escrituração fiscal, nas declarações e nas respostas do contribuinte, de acordo com a execução prevista pelos Manuais de Fiscalização, não sendo analisadas as notas fiscais, o que pode ter ensejado a aplicação do coeficiente de determinação do lucro presumido a 32%”. Fl. 448DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 07 /11/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10245.001131/200184 Acórdão n.º 120200.612 S1C2T2 Fl. 7 7 O percentual aplicável sobre a receita bruta adquirida pela Recorrente no caso em tela é determinado pelo artigo15, da Lei 9.249, de 26 de novembro de 1997, abaixo reproduzido: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Vide Lei nº 11.119, de 205) No intuito de regulamentar o dispositivo legal supra reproduzido, o CoordenadorGeral do Sistema de Tributação – COSIT expediu o Ato Declaratório Normativo nº 6, transcrito abaixo: ADN COSIT 6/97 ADN Ato Declaratório Normativo COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO COSIT nº 6 de 13.01.1997 D.O.U.: 15.01.1997 O COORDENADOR DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o art. 147. , inciso III, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda nº 606, de 03 de setembro de 1992, e tendo em vista o disposto no art. 15. da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e no art. 3º da IN SRF nº 11, de 21 de fevereiro de 1996, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que: INa atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: a)8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; b)32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mãodeobra, ou seja, sem o emprego de materiais. II As pessoas jurídicas enquadradas no inciso I, letra "a", deste Ato Normativo, não poderão optar pela tributação com base no lucro presumido. (grifei) Destarte, verificase que os percentuais acima descritos somente se aplicariam para as pessoas jurídicas optantes pelo lucro real como regime de tributação, conforme disposto no inciso II, supra. Fl. 449DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 07 /11/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10245.001131/200184 Acórdão n.º 120200.612 S1C2T2 Fl. 8 8 Referido entendimento está consubstanciado no disposto no artigo 5, IV, da Lei 8.541/92, que determinava quais pessoas jurídica eram obrigadas ao regime de tributação pelo lucro real. Segue o dispositivo: Art. 5° Sem prejuízo do pagamento mensal do imposto sobre a renda, de que trata o art. 3°, desta lei, a partir de 1° de janeiro de 1993, ficarão obrigadas à apuração do lucro real as pessoas jurídicas: (...) IV que se dediquem à compra e à venda, ao loteamento, à incorporação ou à construção de imóveis e à execução de obras da construção civil; (...) Todavia, com o advento da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998, a disposição acima sofreu alterações, uma vez que o artigo 14 do referido diploma legal inovou sobre a questão da obrigatoriedade pela adoção do lucro real como regime de tributação. A saber: Art. 14. Estão obrigadas à apuração do lucro real as pessoas jurídicas: I cuja receita total, no anocalendário anterior seja superior ao limite de R$ 48.000.000,00 (quarenta e oito milhões de reais), ou proporcional ao número de meses do período, quando inferior a 12 (doze) meses; (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) II cujas atividades sejam de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras de títulos, valores mobiliários e câmbio, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização e entidades de previdência privada aberta; III que tiverem lucros, rendimentos ou ganhos de capital oriundos do exterior; IV que, autorizadas pela legislação tributária, usufruam de benefícios fiscais relativos à isenção ou redução do imposto; V que, no decorrer do anocalendário, tenham efetuado pagamento mensal pelo regime de estimativa, na forma do art. 2º da Lei nº 9.430, de 1996; VI que explorem as atividades de prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, compras de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring). Fl. 450DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 07 /11/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10245.001131/200184 Acórdão n.º 120200.612 S1C2T2 Fl. 9 9 VII (Vide Medida Provisória nº 472, de 15 de dezembro de 2009) VII que explorem as atividades de securitização de créditos imobiliários, financeiros e do agronegócio. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010) (Vide Lei nº 12.249/2010, art. 139, inc I, d) Portanto, a partir da 01/01/1999, as empresas prestadoras de serviços de construção por empreitada puderam adotar o lucro presumido como regime de tributação, aplicando o percentual de 8% sobre a receita bruta obtida por meio da prestação dos mencionados serviços, com o emprego de material, uma vez que não constam no dispositivo legal supra citado. O lançamento de ofício em foco contempla os anoscalendários de 1996 (dezembro), 1997, 1998, 1999 e 2000, sendo que a autoridade lançadora aplicou o percentual de 32% sobre a receita bruta auferida, sobre todos esse anos, pelo confronto das declarações da Recorrente com os valores lançados em sua escrituração fiscal para obter a base de calculo do tributo em todos estes anos. A Recorrente pretende a reforma da decisão a quo uma vez que fora aplicado erroneamente o percentual relativo a composição da base de cálculo. No entanto, notase que durante os anos calendário de 1996 (dezembro), 1997 e 1998 a Recorrente não poderia se valer deste argumento uma vez que o seu regime de tributação era o lucro presumido, sendo vedado a aplicação do percentual de 8% para aferição da base de cálculo, conforme ADN 06/97, por força da Lei nº 8.541/92. Somente a partir do anocalendário de 1999 ela pode se valer de tais argumentos, por ocasião da publicação da Lei 9.718/98, que autorizou de maneira tácita, a adoção do percentual de 8% sobre a receita bruta obtida pela prestação de serviços de construção por empreitada Tal entendimento tem respaldo em jurisprudência deste Conselho, citese: Primeiro Conselho de Contribuintes. 8ª Câmara. Turma Ordinária Acórdão nº 10808411 do Processo 138390042740011 Data 08/07/2005 Ementa PAF ÔNUS DA PROVA ANO CALENDÁRIO DE 1999 Cabe à autoridade lançadora provar a ocorrência do fato constitutivo do direito de lançar do fisco. Comprovado o do direito de lançar cabe ao sujeito passivo alegar fatos impeditivos, modificativos ou extintivos e além de alegálos, comproválos, efetivamente, nos termos do Código de Processo Civil, que estabelece as regras de distribuição do ônus da prova aplicáveis ao PAF, subsidiariamente. A recorrente silenciou quanto a matéria remanescente do lançamento no ano calendário de 1999, não tendo nos autos prova do acerto no Fl. 451DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 07 /11/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10245.001131/200184 Acórdão n.º 120200.612 S1C2T2 Fl. 10 10 procedimento. IRPJ PRESTADORAS DE SERVIÇOS DE OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL ANO CALENDÁRIO 1997 IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO Na atividade de construção por empreitada o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta, para determinação da base de cálculo dos recolhimentos das estimativas seria de 8% (oito por cento), quando houvesse emprego de materiais em qualquer quantidade. As pessoas jurídicas sujeitas que se enquadravam nesta atividade estavam obrigadas a apuração do lucro real, nos termos do item IV do artigo 5o. da Lei 8541/1992 e ADN COSIT n°6 de 13 de janeiro de 1997, item I, alínea 'a', item II. A permissão de opção do lucro presumido nessas empresas ocorreu a partir da edição da Lei 9718/1998, artigo 14, a partir de janeiro de 1999. Recurso provido. Primeiro Conselho de Contribuintes.8ª Câmara. Turma Ordinária Acórdão nº 10808234 do Processo 10680016060200185 Data 17/03/2005 Ementa PAF ÔNUS DA PROVA cabe à autoridade lançadora provar a ocorrência do fato constitutivo do direito de lançar do fisco. Comprovado o do direito de lançar cabe ao sujeito passivo alegar fatos impeditivos, modificativos ou extintivos e além de alegálos, comproválos, efetivamente, nos termos do Código de Processo Civil, que estabelece as regras de distribuição do ônus da prova aplicáveis ao PAF, subsidiariamente. IRPJ LUCRO PRESUMIDO BASE DE CÁLCULO PERCENTUAL APLICÁVEL ÀS EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS ANO CALENDÁRIO 1998 Na atividade de construção por empreitada o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta, para determinação da base de cálculo das estimativas do imposto de renda mensal será de 8%(oito por cento), quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade. Essas pessoas jurídicas, pelo ADN Cosit nº 6/1997, item I alínea "a" e item 2 estavam obrigadas a operação do lucro real, nos termos do item IV do artigo 5º da Lei 8.541/1992. A partir de 01/01/1999, com a vigência da Lei nº 9718/1998 (art 14), houve permissão para que essas empresas apurassem o resultado através do lucro presumido. Recurso negado. Com o resultado da diligência restou confirmado que os documentos fiscais, em ato de conferência sobre seu teor e enquadramento como atividade de construção civil, com emprego de materiais, haja vista, como asseverado também pela autoridade diligenciante, é certo que os serviços prestados o foram à órgãos públicos, em regra, com emprego de material, (ver anexo 1 do Relatório de diligência fiscal, fls. 440), todas do anocalendário de 1997, portanto anterior a permissão legal de adoção do lucro presumido, nos termos da Lei nº Fl. 452DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 07 /11/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10245.001131/200184 Acórdão n.º 120200.612 S1C2T2 Fl. 11 11 9.718/98 , o que, sob esse aspecto legal, corroborou a inaplicabilidade da alíquota de 8% como asseverada pela Recorrente. De ofício se constata que a autoridade fiscal efetuou o lançamento sobre o período de 1996, 1997 e 1998, aplicandose a alíquota de 32% relativamente ao lucro presumido de construtora, sem no entanto, atentarse que a contribuinte não poderia se sujeitar a tal regime, por expressa vedação do ADN COSIT 06/97, que determinada a adoção do regime de lucro real até esse período, pelo que se verifica nulidade substancial quanto a aplicado pela autoridade lançadora, por ferir a legalidade ante o disposto no art. 5, inciso IV da Lei nº 8.541/92. Assim, é de se reconhecer a nulidade do ato administrativo fiscal – o lançamento – neste particular aspecto, com base no que autoriza o previsto no art. 53, da Lei nº 9.784/99, em seu art. 53, vez que o Decreto do PAF nº 70.235/72 não disciplina especificamente a situação ora constatada, legitimandose a aplicação da seguinte disposição legal: Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos Por outro lado, considerando que a autuação compreendeu também os anos calendário de 1999 e 2000, somente a esses últimos anos pode ser aplicada a redução da alíquota de 32 % para 8%, posto que a partir de 1999 as construtoras poderiam optar pelo regime do lucro presumido, pelo disposto na Lei nº 9.718/98, acima citada, visando o recálculo neste período, objetivando a composição do aspecto quantitativo do tributo apurado nestes autos, na esteira da pacífica jurisprudência acima transcrita. Diante de todo o exposto, sou por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para se reconhecer de ofício a nulidade das exigências nos anos de 1996, 1997 e 1998 e, por derradeiro, que se recalcule, à alíquota de 8% a base tributável do anocalendário de 1999 e 2000. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 453DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 07 /11/2011 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O
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Numero do processo: 16062.000189/2007-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2006
DECADÊNCIA PARCIAL
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer as disposições da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, no que diz respeito a prescrição e decadência.
Havendo pagamento antecipado do tributo exigido no lançamento, aplica-se o prazo qüinqüenal previsto no artigo 150, § 4º, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional.
AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. NATUREZA NÃO REMUNERATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
O fornecimento de alimentação in natura pelo empregador a segurados a seu serviço, mesmo que a empresa não esteja não esteja inscrita no PAT, não deve ser considerada base de cálculo das contribuições previdenciárias.
Precedentes do Egrégio Superior Tribunal de Justiça.
Numero da decisão: 2301-002.280
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, as contribuições apuradas até a competência
05/2002, anteriores a 06/2002, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em aplicar a regra expressa no I, Art. 173 do CTN; b) em dar provimento ao recurso, no mérito, nos termos do Relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos(as) os(as) Conselheiros(as) Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram pela integração ao Salário de Contribuição das verbas referentes ao auxílio alimentação. Ausência: Mauro José Silva. Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Adriano González Silvério
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2006 DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer as disposições da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, no que diz respeito a prescrição e decadência. Havendo pagamento antecipado do tributo exigido no lançamento, aplicase o prazo qüinqüenal previsto no artigo 150, § 4º, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. NATUREZA NÃO REMUNERATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. O fornecimento de alimentação in natura pelo empregador a segurados a seu serviço, mesmo que a empresa não esteja não esteja inscrita no PAT, não deve ser considerada base de cálculo das contribuições previdenciárias. Precedentes do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 05/2002, anteriores a 06/2002, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em aplicar a regra expressa no I, Art. 173 do CTN; b) em dar provimento ao recurso, no mérito, nos termos do Relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos(as) os(as) Conselheiros(as) Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram pela integração ao Salário de Contribuição das verbas Fl. 523DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/01 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 13/10/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 16062.000189/200721 Acórdão n.º 230102.280 S2C3T1 Fl. 515 2 referentes ao auxílio alimentação. Ausência: Mauro José Silva. Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes. Marcelo Oliveira Presidente Adriano Gonzales Silvério Relator Marcelo Oliveira (presidente da turma), Damião Cordeiro de Moraes (vice presidente), Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes e Adriano Gonzales Silvério. Relatório Tratase de NFLD, de n.° 37.037.1658, a qual exige contribuições previdenciárias correspondentes parte de segurados, empresa e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e as destinadas aos Terceiros (Salário Educação, Incra, Sebrae, Sesc e Senac). Segundo aponta o relatório fiscal, a autuada fornecia lanches e refeições aos segurados a seu serviço, porém não se encontra inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT, razão pela qual foram lançadas as contribuições, por enquadrar o fisco como salário in natura. Inconformada, a ora Recorrente apresentou impugnação sustentando o seguinte: i) que o lançamento foi feito com base em presunções por parte da fiscalização não tendo o agente fiscal comprovado suas afirmações; ii) que a alimentação fornecida atendeu Convenções Coletivas de Trabalho; e iii) que há decadência de parte do crédito tributário lançado. A DRJ de Belo Horizonte manteve integralmente a autuação, razão pela qual o contribuinte apresentou recurso voluntário repisando os argumentos suscitados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério, Relator Fl. 524DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/01 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 13/10/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 16062.000189/200721 Acórdão n.º 230102.280 S2C3T1 Fl. 516 3 O recurso reúne as condições de admissibilidade e dele conheço. Decadência De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Verificase que a fiscalização lavrou a NFLD discutida com amparo na Lei 8.212, de 24 de julho de 1991 que, em seu art. 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, ‘b’ da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nº 5596664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8212/91. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante nº 08 na respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: Súmula vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafo da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Fl. 525DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/01 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 13/10/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 16062.000189/200721 Acórdão n.º 230102.280 S2C3T1 Fl. 517 4 §1º A Súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.).” Da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, nos termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilidade pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Afastado, pois, o prazo previsto originalmente no citado artigo 45, cabe agora verificar o prazo aplicável, se aquele do 150, § 4º ou 173, inciso I, ambos da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. Temos adotado a posição doutrinária e jurisprudencial no sentido de que havendo pagamento antecipado por parte do contribuinte, em relação ao fato gerador posto em discussão, deve incidir o prazo decadencial qüinqüenal previsto no mencionado artigo 150, § 4º. Nesse sentido a decisão proferida pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, na sistemática de recurso repetitivo, nos autos do Recurso Especial 973.733/SC, a qual deve ser atendida, por força do disposto no artigo 62A Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS Fl. 526DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/01 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 13/10/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 16062.000189/200721 Acórdão n.º 230102.280 S2C3T1 Fl. 518 5 PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758∕SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142∕SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163∕210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa∕concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91∕104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396∕400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183∕199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial Fl. 527DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/01 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 13/10/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 16062.000189/200721 Acórdão n.º 230102.280 S2C3T1 Fl. 519 6 qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008.” No caso dos autos, a autoridade fiscal, no pleno exercício de suas funções de verificar a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, apurou, segundo seu entendimento, que a recorrente ao “pagar remuneração” teria cumprido parcialmente com a obrigação principal, ou, em outras palavras, quitou parcialmente o tributo correspondente a esse fato gerador, uma vez que não incluiu, na base de cálculo, apenas os valores relativos às refeições fornecidas in natura. Houve, portanto, na ótica do fisco, pagamento antecipado da contribuição previdenciária, porém parcialmente. Assim, diante das razões acima aduzidas, acolho a preliminar de decadência, para reconhecer o prazo decadencial qüinqüenal previsto no artigo 150, § 4º, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. Sendo que o lançamento fora cientificado à recorrente em 18 de junho de 2007, tenho por decaídos os fatos geradores ocorridos no período de 01/1997 a 05/2002. Do Mérito Primeiramente afasto a alegação da recorrente no sentido de que seria nulo o Auto de Infração por ter seguido a trilha da presunção em relação ao fornecimento das refeições e/ou lanches. Toda a ação fiscal, como pode ser verificado nesses autos, baseouse em documentos contábeis fornecidos pela empresa, tais como Livro Diário, Diário Geral, Notas Fiscais de aquisição de refeições e lanches. Não obstante o fornecimento de refeições e lanches a segurados a seu serviço sem a inscrição no PAT, tenho para mim, que essa figura não pode ser incluída na base de cálculo das contribuições previdenciárias. No caso da alimentação fornecida pelo empregador, tenho o entendimento de que esta é fornecida não “pelo” trabalho, mas “para” o trabalho, isto é, o empregado tem o direito à alimentação não em decorrência direta da prestação de serviços, mas para sua própria condição de saúde, subsistência e dignidade humanas, valores esses protegidos pela Constituição Federal. A questão relativa à inscrição ou não da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT já foi superada pela jurisprudência do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, que por meio de suas duas Turmas de Direito Público e também pela 1ª Seção de Direito Público, fixou entendimento de que a alimentação fornecida pelo empregador não está sujeita à contribuição previdenciária, seja esse inscrito ou não no PAT. Vejamos: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. BASE DE CÁLCULO. PARTICIPAÇÃO Fl. 528DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/01 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 13/10/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 16062.000189/200721 Acórdão n.º 230102.280 S2C3T1 Fl. 520 7 NOS LUCROS E RESULTADOS. ATENDIMENTO AOS REQUISITOS LEGAIS. REEXAME. SÚMULA N. 7 DO STJ. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO.HABITUALIDADE. PAGAMENTO EM PECÚNIA. INCIDÊNCIA. 1. Conforme assentado na jurisprudência desta Corte, não incide contribuição previdenciária sobre a verba paga a título de participação nos lucros e resultados das empresas, desde que realizadas na forma da lei (art. 28, § 9º, alínea "j", da Lei n.8.212/91, à luz do art. 7º, XI, da CR/88). Precedentes. 2. Descabe, nesta instância, revolver o conjunto fático probatório dos autos para confrontar a premissa fática estabelecida pela Corte de origem. É caso, pois, de invocar as razões da Súmula n. 7 desta Corte. 3. O STJ também pacificou seu entendimento em relação ao auxílioalimentação, que, pago in natura, não integra a base de cálculo da contribuição previdenciária, esteja ou não a empresa inscrita no PAT. Ao revés, pago habitualmente e em pecúnia, há a incidência da referida exação. Precedentes. 4. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido”. (REsp 1196748/RJ, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/08/2010, DJe 28/09/2010) “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. FGTS. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA. PRECEDENTES. 1. O pagamento do auxílioalimentação in natura, ou seja, quando a alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, razão pela qual não integra as contribuições para o FGTS. Precedentes: REsp 827.832/RS, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13/11/2007, DJ 10/12/2007 p. 298; AgRg no REsp 685.409/PR, PRIMEIRA TURMA, julgado em 20/06/2006, DJ 24/08/2006 p. 102; REsp 719.714/PR, PRIMEIRA TURMA, julgado em 06/04/2006, DJ 24/04/2006 p. 367; REsp 659.859/MG, PRIMEIRA TURMA, julgado em 14/03/2006, DJ 27/03/2006 p.171. 2. Ad argumentandum tantum, esta Corte adota o posicionamento no sentido de que a referida contribuição, in casu, não incide, esteja, ou não, o empregador, inscrito no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. 3. Agravo Regimental desprovido.” Fl. 529DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/01 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 13/10/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 16062.000189/200721 Acórdão n.º 230102.280 S2C3T1 Fl. 521 8 (AgRg no REsp 1119787/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 15/06/2010, DJe 29/06/2010) “TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. 1. O pagamento in natura do auxílioalimentação, vale dizer, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho. 2. Ao revés, quando o auxílio alimentação é pago em dinheiro ou seu valor creditado em contacorrente, em caráter habitual e remuneratório, integra a base de cálculo da contribuição previdenciária. 3. Precedentes da Seção. 4. Embargos de divergência providos.” (EREsp 476.194/PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 11/05/2005, DJ 01/08/2005, p. 307) É importante ressaltar que a Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, a qual instituiu o Regimento Interno desse Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, foi alterada pela Portaria nº 586, de 21 de dezembro de 2010, a qual incluiu o artigo 62A, segundo o qual devem ser observados nos julgamentos desse Conselho as decisões definitivas de mérito do Pretório Excelso, proferidas na sistemática da repercussão geral, bem como as do C. Superior Tribunal de Justiça, na forma de recurso repetitivo. O que se extrai dessas alterações é que esse Conselho valhase, em suas decisões, daquelas já tomadas pelo Poder Judiciário e que consolidaram seu entendimento final sobre a matéria, pois no sistema jurídico brasileiro esse é o único órgão competente para “dizer o direito” com foros de definitividade. É certo que, até o presente momento, o E. Superior Tribunal de Justiça não julgou a questão ora posta em julgamento na forma de recurso repetitivo. Não obstante, aquele Tribunal Superior consolidou o seu entendimento, o que se verifica do precedente da 1ª Seção de Direito Público ora colacionado, órgão fracionário que reúne ambas as Turmas de Direito Público. Assim, VOTO no sentido de conhecer o recurso, para no mérito DARLHE PROVIMENTO, reconhecendo a decadência qüinqüenal, nos termos do artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional, excluindose, assim, do lançamento os fatos geradores ocorridos no período de 01/1997 a 05/2002 e, nas demais competências, considerar que o fornecimento de refeição ou lanche não deve ser incluída na base de cálculo das contribuições previdenciárias. (assinado digitalmente) Adriano Gonzales Silvério Conselheiro Fl. 530DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/01 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 13/10/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 16062.000189/200721 Acórdão n.º 230102.280 S2C3T1 Fl. 522 9 Declaração de Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, 1. Não obstante o bom arrazoado trazido em seu voto, peço venia ao Conselheiro relator apenas para deixar registrado o meu entendimento a respeito do auxílio alimentação, pois também considero que tais pagamentos não possuem cunho salarial. 2. A natureza jurídica dos pagamentos, em espécie ou in natura, não se confunde com a remuneração recebida em razão do trabalho, uma vez que resta demonstrado nos autos a desvinculação dos salários percebidos pelo trabalhador. Até porque, tal verba destinavase exclusivamente para a garantia da alimentação do empregado. De maneira que é indevida a incidência da contribuição social previdenciária sobre um benefício concedido pela empresa recorrente. 3. Da mesma forma vem decidindo o Superior Tribunal de Justiça (STJ). Nos termos do julgamento ocorrido no Resp nº 1185685/SP, esteja o empregador inscrito ou não no PAT o pagamento in natura do auxílioalimentação não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial: TRIBUTÁRIO E ADMINISTRATIVO. VALEALIMENTAÇÃO. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃOINCIDÊNCIA. 1. O valor concedido pelo empregador a título de valealimentação não se sujeita à contribuição previdenciária, mesmo nas hipóteses em que o referido benefício é pago em dinheiro. 2. A exegese hodierna, consoante a jurisprudência desta Corte e da Excelsa Corte, assenta que o contribuinte é sujeito de direito, e não mais objeto de tributação. 3. O Supremo Tribunal Federal, em situação análoga, concluiu pela inconstitucionalidade da incidência de contribuição previdenciária sobre o valor pago em espécie sobre o valetransporte do trabalhador, mercê de o benefício ostentar nítido caráter indenizatório. (STF RE 478.410/SP, Rel. Min. Eros Grau, Tribunal Pleno, julgado em 10.03.2010, DJe 14.05.2010) 4. Mutatis mutandis, a empresa oferece o ticket refeição antecipadamente para que o trabalhador se alimente antes e ir ao trabalho, e não como uma base integrativa do salário, porquanto este é decorrente do vínculo laboral do trabalhador com o seu empregador, e é pago como contraprestação pelo trabalho efetivado. Fl. 531DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/01 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 13/10/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 16062.000189/200721 Acórdão n.º 230102.280 S2C3T1 Fl. 523 10 5. É que: (a) "o pagamento in natura do auxílioalimentação, vale dizer, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito, ou não, no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho" (REsp 1.180.562/RJ (grifo nosso) (...) 6. Recurso especial provido. (STJ REsp 1185685/SP, Rel. Ministro HAMILTON CARVALHIDO, Rel. p/ Acórdão Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/12/2010, DJe 10/05/2011) 4. Ademais é oportuno dizer que as empresas, na verdade, estão desempenhando seu papel social ao fornecerem refeições e lanches a segurados a seu serviço, notadamente para aqueles de menor renda. Dessa forma, considero que cobrar contribuições sociais sobre o fornecimento próprio de alimentação é penalizar as empresas e desestimular a colaboração da sociedade na saúde do trabalhador. 5. Com isso, voto por CONHECER o recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO reconhecendo a decadência qüinqüenal, nos termos do artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, excluindose, assim, do lançamento os fatos geradores ocorridos no período de 01/1997 a 05/2002 e, nas demais competências, considerar que o fornecimento de alimentação não constitui base de cálculo das contribuições previdenciárias. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Fl. 532DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/01 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assin ado digitalmente em 13/10/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 10120.002797/96-47
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
ITR FALTA DE IDENTIFICAÇÃO DA AUTORIDADE FISCAL NA NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. NULIDADE.
É nula, por vício formal, a notificação de lançamento que não contenha a identificação da autoridade que a expediu.
Matéria objeto da Súmula n˚ 01 do Egrégio Terceiro Conselho de
Contribuintes.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.617
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: Manoel Coelho Arruda Junior
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NULIDADE. É nula, por vício formal, a notificação de lançamento que não contenha a identificação da autoridade que a expediu. Matéria objeto da Súmula n˚ 01 do Egrégio Terceiro Conselho de Contribuintes. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior – Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 26/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/08/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 EDITADO EM: 15/08/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (PresidenteSubstituto), Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Oliveira. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência [folhas 6875] interposto pela Fazenda Nacional, contra decisão da então Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes que, por maioria de votos, declarou nulidade da Notificação de Lançamento, mediante o Acórdão n. 303 –30.319 [folhas 60/66], cuja ementa transcrevo: “ITR/94. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. NULIDADE. AUTORIDADE LANÇADORA. É nula, por vício formal, a notificação de lançamento que não contenha a identificação da autoridade que a expediu, requisito essencial previsto em lei.” A recorrente aduz em suas razões [folhas 68/75] que o Lançamento que trata de mais de um imposto, contribuição ou penalidade não é instrumento hábil para a exigência do crédito tributário e, portanto, não se sujeita às regras traçadas pela legislação em vigor. É instrumento de cobrança dos valores indicados, contra o qual descabe a arguição de nulidade. Cita a recorrente o acórdão n˚ 30234.831, da Colenda Segunda Câmara do Egrégio Terceiro Conselho de Contribuintes, como paradigma [folha 71]: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. “O auto de infração ou a Notificação de Lançamento que trata de mais de um imposto, contribuição ou penalidade não é instrumento hábil para exigência do crédito tributário (CTN e Processo Administrativo Fiscal assim o estabelecem) e, portanto, não se sujeita às regras traçadas pela legislação de regência. É um instrumento de cobrança dos valores indicados, contra o qual descabe a argüição de nulidade, prevista no art. 59, do Decreto n˚ 70.235/72. REJEITADA A PRELIMINAR DE NULIDADE DA NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE (Acórdão n˚ 30236.621) A ilustre Presidente da então 3ª Primeira do 3º Conselho de Contribuintes, em análise preliminar de juízo de admissibilidade, deu seguimento ao recurso especial interposto [folhas 84]. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 26/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/08/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10120.002797/9647 Acórdão n.º 920201.617 CSRFT2 Fl. 2 3 Cientificado do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional no dia 25.03.2008 [folha 315], o sujeito passivo apresentou contrarazões, em 05.05.2010, alegando, em síntese [folhas 99/107]: “[...], viola a norma legal, omitirse enquanto agente administrativo no que tange a sua identificação pessoal, e sequer evidenciar o local, a data e a hora em que efetuada a lavratura do documento fiscal. Não há como sustentar se o contribuinte entendeu ou não o alcance do lançamento. Isto não é condição de exceção para a nulidade de exceção, não costa da legislação essa hipótese de exclusão da invalidade do lançamento tributário. Portanto, a omissão é condição de nulidade do lançamento, e somente isto, conforme a própria legislação assim o determina.” É o relatório. Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator Verifico que foram atendidos os pressupostos para admissibilidade do recurso; portanto, passo ao seu exame. Antes de adentrar ao mérito do recurso interposto, fazse necessária a análise da regularidade do lançamento, condição sine quo non para a constituição do crédito tributário. De acordo com o artigo 11 do Decreto nº 70.235/72, a identificação da autoridade autuante está vinculada à perfeição do ato administrativo, tão quanto a descrição do fato ou a disposição legal infringida: Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. A importância de tal identificação foi consubstanciada no conceito de tributo, trazido pelo Código Tributário Nacional CTN, cuja cobrança está vinculada a autoridade administrativa competente: Fl. 3DF CARF MF Emitido em 26/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/08/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. No mesmo sentido, o artigo 142 do CTN reiterou a necessidade de identificação da autoridade lançadora ao estabelecer que é privativa a competência da autoridade administrativa para constituir o crédito tributário, não podendo dela desvincularse ou a ela renunciar. Senão vejamos: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Tal entendimento já está pacificado neste Colendo Conselho, por meio do enunciado da Súmula CARF nº 21, que dispõe acerca da nulidade na Notificação de Lançamento: “É nula, por vício formal, a notificação de lançamento que não contenha a identificação da autoridade que a expediu”. Assim sendo, deve ser cumprida a determinação no artigo 72 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009. Neste caso, compete ao julgador verificar a subsunção dos fatos à regra jurídica contida na Súmula e anunciar a sua aplicação: Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. ... §4° As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF. Diante do exposto e tendo em vista que a Notificação de Lançamento do ITR apresenta nos autos não preenche os requisitos formais indispensáveis exigidos na legislação vigente, voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial, a fim de manter a decisão da 1ª Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes que anulou o presente processo desde a sua origem. É como voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 4DF CARF MF Emitido em 26/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/08/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10120.002797/9647 Acórdão n.º 920201.617 CSRFT2 Fl. 3 5 Fl. 5DF CARF MF Emitido em 26/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/08/2 011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/08/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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