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Numero do processo: 10945.001106/2004-56
Data da sessão: Thu Aug 05 00:00:00 UTC 2010
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES
Exercício: 2003
EXCLUSÃO DO SIMPLES. SÓCIO COM PARTICIPAÇÃO EM MAIS DE
UMA EMPRESA. LIMITE GLOBAL NÃO ATINGIDO, ERRO MATERIAL COMPROVADO. Restando comprovado que a receita bruta
global das empresas com sócio em comum não excede o limite legal imposto pelo inciso IX do art. 90 da Lei rf 9.317/1996, deve ser afastado o Ato Declaratório Executivo que excluiu a recorrente do SIMPLES. No caso concreto, tal comprovação se deu mediante a apresentação da escrita contábil e fiscal de urna das empresas, a comprovar erro material no preenchimento da Declaração Anual Simplificada - DAS, além do fato de que a DAS retificadora foi devidamente entregue e aceita pela Administração Tributária.
Recurso Voluntário Provido,
Numero da decisão: 1301-000.367
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Waldir Viega Rocha
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Recorrida 2a TURIVIAJDRI-CURITIBA/PR ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Exercício: 2003 EXCLUSÃO DO SIMPLES. SÓCIO COM PARTICIPAÇÃO EM MAIS DE UMA EMPRESA. LIMITE GLOBAL NÃO ATINGIDO, ERRO MATERIAL COMPROVADO. Restando comprovado que a receita bruta global das empresas com sócio em comum não excede o limite legal imposto pelo inciso IX do art. 90 da Lei rf 9.317/1996, deve ser afastado o Ato Declaratório Executivo que excluiu a recorrente do SIMPLES. No caso concreto, tal comprovação se deu mediante a apresentação da escrita contábil e fiscal de urna das empresas, a comprovar erro material no preenchimento da Declaração Anual Simplificada - DAS, além do fato de que a DAS retificadora foi devidamente entregue e aceita pela Administração Tributária. Recurso Voluntário Provido, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Lr7t4-v1/4.1L fiLua, LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente WALDIR VEIGA ROCHA - Relator EDITADO EM: 12 NOV 20110 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Ricardo Luiz Leal de Melo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Fábio Soares de Melo, Valmir Sandti e Leonardo de Andrade Couto. Relatório CERÂMICA LEX COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 06-18.022, de 14/05/2008, da 2 a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, transcrevo, a seguir, excerto do relatório elaborado pela autoridade julgadora em primeira instância: A contribuinte acima qualificada, mediante Ato Declaratório Executivo rf, 440.885, de 07 de agosto de 2003, de emissão do Delegado da Receita Federal em Foz do Iguaçu, foi excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microernpresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), com efeitos a partir de 01/01/2002, informando como causa do evento o fato de um dos sócios ou o titular participar de outra empresa com mais de 10% e, haja vista a receita global do ano-calendário de 2001 ter ultrapassado o limite estabelecido pela legislação que rege o Simples, conforme previsto no artigo 9 0, inciso IX, da Lei n° 9 317, de 1996. A empresa manifestou-se contrariamente ao procedimento, apresentando a Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples — SRS n° 0910651/003 com pedido de revisão do ato em rito sumário (11.01). A decisão administrativa considerou improcedente a SRS, fls. 02, posto que as alegações, referentes a fatos que teriam ocorrido e que lhe permitiriam permanecer na sistemática, ocorreram em data posterior à ocorrência mencionada no ato de exclusão. Posteriormente, apresentou a manifestação de inconformidade de fl., 12, onde alega ter havido erro de preenchimento na declaração de rendimentos do ano- calendário de 2001, relativamente ao mês de novembro, do CNP.I 77859.080/0001- 60, fato que já foi corrigido por meio de retificadora e que, embora o CPF 333.001.949-20 participe de cinco empresas, o faturamento de todas elas não extrapolou o limite previsto na legislação, razão pela qual pede a revisão da decisão atacada A 2" Turma da DRJ em Curitiba/PR analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão n° 06-18.022, de 14/05/2008 (fis, 33/35), negou-lhe provimento com a seguinte ementa: Assunto Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Mieroempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples Ano-calendário. 2002 EXCLUSÃO AO SIMPLES. RESTABELECIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL 2 Processo n° 10945.001106/2004-56 S1-C3T1 Acórdão n ° 1301-00.36'7 Fl. 2 Restando comprovado que a declaração retificadora, apresentada ao CNPJ 77.859W0/0001-60, visando reduzir o valor da receita auferida, com vistas a descaracterizar a causa que justificou a emissão do Ato Declaratório de Exclusão, por afronta ao disposto no inciso IX do artigo 9 0 da Lei do Simples, foi cancelada é de se manter os efeitos do ato O trecho a seguir transcrito é elucidativo sobre os fundamentos da decisão proferida pela Turma Julgadora em primeira instância: No presente caso, o CPF n° 333.001.949-20, no ano-calendário de 2001, participou de 05 pessoas jurídicas a saber: CNPJ 78.797.321/0001-56, 75.767.566/0001-42, e 02.738.547/0001-14, 77.859.080/0001-60, além da própria reclamante (CNPJ 76.475.912/0001-81). Na manifestação de inconformidade, a interessada afirma ter havido erro no preenchimento da Declaração Anual Simplificada do CNPJ 77.859.080/0001-60, fato este que teria contribuído para sua exclusão do Simples. Ocorre que pesquisa efetuada junto aos controles da Receita Federal demonstra que a declaração retificadora, apresentada sob o CNPJ 77.859.080/0001- 60 - Gráfica e Editora Lex Ltda-ME, na data de 20/11/2003, foi cancelada, tendo sido restabelecida a declaração original. Desta forma, resta caracterizado que no ano-calendário de 2001, quando a sócia Enelita Maria Roggia Vendruscolo, CPF 333.001.949-20, participava da ora reclamante e das outras quatro empresas mencionadas no ato de exclusão, a receita bruta total destas empresas ultrapassou o limite estabelecido na legislação de regência, fato que impõe manter sua exclusão ao beneficio Desta forma, entendo que somente os documentos fiscais e contábeis comprovando a efetiva receita auferida por Gráfica e Editora Lex Ltda-ME, CNPJ 77.859.080/0001-60 poderia depor a seu favor e, como os mesmos não foram apresentados, não merece reparos a solução dada à SRS atacada. Ciente da decisão de primeira instância e com ela inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário (fis. 38/43) em que traz argumentos que podem ser sintetizados como segue: e Confirma que a sócia Enelita Maria Roggia Vendruscolo, inscrita no CPF sob o n° 333.001.949-20, participou, no ano-calendário 2001, de 5 pessoas jurídicas, inscritas no CNPJ sob os números 78.797.321/0001-56, 75.767.566/0001-42, 02.738.547/0001-14 e 77.859.080/0001-60, além da própria recorrente, CNPJ 76.475.912/0001-81. e Reafirma a ocorrência de erro material no preenchimento da Declaração Simplificada da Gráfica e Editora Lex Ltda., CNN 77.859.080/0001-60, no mês de novembro de 2001. O valor correto do faturamento seria de R$ 39,132,05, enquanto o valor que equivocadamente constou da declaração foi de R$ 1913.205,00. Sustenta, ainda, que buscou a retificação da declaração em 20/11/2003, mas que tal retificação teria sido cancelada pela Receita Federal, Por sua ótica, comprovado o erro material, o somatório do faturamento das cinco empresas mencionadas ficaria próximo a R$ 1 milhão, muito abaixo do limite legal de R$ 2,4 milhões, pelo que descaberia sua exclusão do sistema simplificado. 3 o Para comprovar suas afirmações, faz juntar aos autos cópias de diversos documentos e livros fiscais e contábeis, o Conclui com o pedido de provimento de seu recurso, retificando a declaração de IRPJ da empresa Gráfica Lex Ltda, e a consequente manutenção da recorrente no SIMPLES. Não encontro nos autos prova das datas de ciência do acórdão nem do recebimento do recurso voluntário, A recorrente sustenta que a ciência teria sido em 20/0612008 (fl.. 38) e o recurso é datado de 15/07/2008 (fi, 43). A fl. 123, em despacho datado de 16/07/2008, a autoridade preparadora atesta a tempestividade do recurso interposto. É o Relatório. 4 Processo n° 10945 001106/2004-56 S1-C3T1 Acórdão n° 1301-00.367 Fl 3 Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha Considerando-se a falta de informações nos autos acerca das datas de ciência do acórdão recorrido e da interposição do recurso voluntário e, ainda, a declaração da autoridade preparadora à fi. 123, tenho o recurso por tempestivo e dele conheço. Trata-se de exclusão do SIMPLES, fundada no inciso IX do art. 90 da Lei n° 9.317/1996, verbis: Ari, 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica' IX - cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento,) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso lido art 21'; O ponto central da controvérsia é a receita bruta auferida no mês de novembro de 2001 pela empresa Gráfica Lex Ltda., inscrita no CNN" sob o número 77.859.080/0001-60. Se confirmado o valor de R$ 3.913,205,00 que consta da Declaração Anual Simplificada (DAS) originalmente apresentada por aquele contribuinte, o somatório das receitas anuais auferidas pelas cinco empresas em que tem participação a Sra. Enelita Maria Roggia Vendruscolo, inscrita no CPF sob o n° 333.001.949-20, ultrapassa o limite legal de R$ 2,4 milhões e, por conseqüência, a exclusão do SIMPLES de que trata o presente processo deverá ser tida por procedente. Se, como afirma a recorrente, se comprovar erro material no preenchimento da declaração e que a receita bruta em novembro de 2001 foi de apenas R$ 39.132,05, o limite para permanência no SIMPLES não será alcançado, inexistindo motivo para a exclusão da interessada do referido sistema simplificado de pagamentos. Em primeira instância, a autoridade julgadora afirmou que a declaração retificadora apresentada por Gráfica Lex Ltda. com o objetivo de alterar a receita bruta auferida em novembro de 2001 de R$ 3.913,205,00 para R$ 39.132,05 teria sido cancelada, sendo restabelecida a declaração originalmente apresentada. Sustentou, ainda, que "somente os documentos fiscais e contábeis comprovando a efetiva receita auferida por Gráfica e Editora Lex Ltda-ME, CNPJ 77. 859.080/0001-60 poderiam depor a seu favor". Em sede de recurso, a interessada traz, conforme lhe foi sugerido, cópias da documentação contábil e fiscal com a qual pretende comprovar a receita bruta auferida em novembro/2001 pela Gráfica Lex Ltda., a saber: > Guia de informação e apuração do ICMS e movimento econômico para fins de ISS — Gráfica Lex Ltda. > Livro Registro de Saídas da Gráfica Lex Ltda — ano calendário 2001 > Livro Registro de ISS — Gráfica Lex Ltda — ano calendário 2001. D Livro de Apuração de ICMS — Gráfica Lex Ltda — ano calendário 2001 D Livro Razão — Gráfica Lex Ltda — ano calendário 2001. Do exame desses documentos, constato que assiste razão à recorrente, e tenho por adequadamente comprovado que a receita bruta auferida no mês de novembro de 2001 pela Gráfica Lex Ltda., – CNPI 77,859.080/0001-60 – foi de R$ 39.132,05. Nada há na escrita contábil e fiscal apresentada que indique receitas auferidas de quase quatro milhões de reais naquele mês. Ao contrário, a receita escriturada é perfeitamente compatível com aquelas auferidas nos demais meses do ano. Além do exposto, cabe verificar a afirmação da autoridade julgadora em primeira instância de que a declaração retificadora apresentada teria sido cancelada e, se for o caso, perquirir os motivos pelos quais isso teria ocorrido. Em pesquisa nos sistemas de processamento eletrônico da RFB encontro referência a três Declarações Anuais Simplificadas – DAS – apresentadas pela Gráfica Lex, CNPJ 77.859,080/0001-60, a saber: (A) DAS ND 7145760, recebida pela Receita Federal em 20/05/2002. Trata-se da declaração original (na ficha 01 consta que não é declaração retificadora), indicando receita bruta no mês de novembro de 2001 de R$ 3.913.205,00 (ficha 04). Observo que o valor do SIMPLES a pagar nesse mês é de R$ 2.269,65, o que revela a aplicação do percentual de 5,8% sobre R$ 39.132,05, e não sobre R$ 3.913.205,00. No quadro de eventos da declaração, verifico que a declaração foi cancelada na malha cadast/reg o que era de se esperar, visto que foi apresentada declaração retificadora posteriormente. (B) DAS ND 4680496, recebida pela Receita Federal em 20/11/2003, às 13:49:05. Em sua ficha 01 há a indicação de que não é retificadora, o que é evidente equívoco, desde que havia uma declaração original anteriormente transmitida. De toda forma, essa declaração consta como cancelada pela malha cadastiretif, devendo seu conteúdo ser desconsiderado. (C) DAS ND 4680506, recebida pela Receita Federal em 20/11/2003, às 13:56:05. Esta declaração é retificadora (vide ficha 01), e a receita bruta no mês de novembro de 2001 é de R$ 39.132,05, mantendo-se inalterados os demais valores, inclusive o valor do SIMPLES a pagar nesse mês, de R$ 2.269,65. No entanto, ao contrário do que concluiu a autoridade julgadora em primeira instância, o quadro de eventos desta declaração registra que foi LIBERADA VIA ONLINE pela malha cadast/rOf em 24/12/2003. Concluo, assim, que merece reforma a decisão de primeira instância. A declaração retificadora ND 4680506, apresentada em 20/11/2003, não foi cancelada. Ao contrário, foi liberada pelos sistemas de processamento eletrônico da RFB e o valor da receita bruta auferida no mês de novembro de 2001 que ali consta é de R$ 39.132,05, valor este ratificado pela escrita contábil e fiscal da Gráfica Lex Ltda., juntada por cópia aos autos. O somatório das receitas brutas auferidas pelas cinco empresas, inclusive a recorrente, na qual tem participação a Sra, Enelita Maria Roggia Vendruscolo, monta a exatos R$ 1.008.572,98 (vide demonstrativo à fl. 68), inferior ao limite legal de R$ 2,4 milhões. Não subsiste, portanto, o fundamento invocado para a exclusão da interessada do SIMPLES. 6 Processo n° 10945 001106/2004-56 S1-C3T1 Acórdão n ° 1301-00367 Fl 4 Por todo o exposto, voto pelo provimento do recurso voluntário interposto e consequente cancelamento do Ato Declaratório Executivo DRF/FOZ n° 440885, de 07/08/2003 (fl. 20). WALDIR VEIdgROCHA - Relatar 7
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Numero do processo: 13808.000414/99-16
Data da sessão: Wed May 13 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 1995, 1996, 1997
LANÇAMENTO DE OFICIO. DÉBITOS DECLARADOS NO REFIS.
DESISTÊNCIA EXPRESSA DA IMPUGNAÇÃO. FALTA DE
CUMPRIMENTO DE FORMALIDADE.
O descumprimento de formalidade contida no artigo 5° da IN SRF 43, de 2000, não é suficiente para provocar a exclusão retroativa de opção no REFIS, efetuada em tempo hábil, acompanhada de manifestação expressa quanto à desistência da impugnação, formalizada na declaração REFIS.
Numero da decisão: 1401-000.042
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara da Primeira Turma Ordinária da
Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Albertina Silva Santos de Lima
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DÉBITOS DECLARADOS NO REFIS. DESISTÊNCIA EXPRESSA DA IMPUGNAÇÃO. FALTA DE CUMPRIMENTO DE FORMALIDADE. O descumprimento de formalidade contida no artigo 5° da IN SRF 43, de 2000, não é suficiente para provocar a exclusão retroativa de opção no REFIS, efetuada em tempo hábil, acompanhada de manifestação expressa quanto à desistência da impugnação, formalizada na declaração REFIS. • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara da Primeira Turma Ordinária da . Primeira Seção do Conselho Administra . • de Recursos Fiscais — CARF, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, i is t os do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. /II i 9 MARC e / 11 C MS NEDER DE LIMA Presidi, - c. ALBERTINA SIi V SANTO E LIMAee Relatora • Formalizado em: 1 9 juN 2009 1 Processo n°13808.000414/99-16 SI-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.042 Fl. 340 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Hugo Correia Sotero, Valmar Fonseca de Menezes, Marcos Shigueo Takata, Silvana Rescigno Guerra Barretto e Selene Ferreira de Moraes, (Suplentes Convocadas), Silvia Bessa Ribeiro Biar e Carlos Alberto Gonçalves Nunes. Relatório A recorrente não contesta o mérito do acórdão recorrido. Pede apenas que o recurso seja conhecido e que lhe seja dado total provimento, reformando-se a decisão recorrida, por entender ter a mesma, determinado o prosseguimento da cobrança de débitos (IRPJ e outros), uma vez que antes da decisão de primeira instância, a contribuinte incluiu os débitos relativos a este processo no REFIS, conforme documentos de fls. 261/281. A decisão de primeira instância é datada de 18.11.2004. A ciência da decisão de primeira instância foi dada em 22.08.2006 e o recurso voluntário foi apresentado em 20.09.2006. Argumenta que na Declaração REFIS, na ficha 13, relativa à informação de desistência em impugnação ou recurso voluntário, desistiu expressamente da impugnação contida no processo administrativo. Também afirma ser ilegal a desconsideração da inclusão do débito do REFIS, uma vez que, a Lei 9.964/2000, determina no art. 2°, § 6° que somente há a exigência de desistência de ação judicial, vinculada a débito que esteja com a exigibilidade suspensa por força de medida liminar concedida em mandado de segurança. Aduz que ainda que se considerasse que a lei tratou da desistência expressa dos recursos administrativos, a lei não estipula prazo para a apresentação do pedido de desistência da ação judicial, bem como, não prevê como hipótese de exclusão do débito do REFIS a falta ou a apresentação "fora do prazo" do referido pedido, conforme art. 5°. Alega que na hipótese da DRF haver desconsiderado a inclusão do débito no REFIS, pela suposta falta de desistência expressa da impugnação, sem que tal hipótese esteja prevista em lei, constitui-se em clara afronta ao principio constitucional da legalidade genérica, a teor do art. 50, II, da CF, além da administração pública se sujeitar ao principio da legalidade, estampado no art. 37 da CF. Afirma que a jurisprudência vem corroborando essa posição sustentada, de que as Leis 9.964/2000 e 10.002/00 não estabeleceram prazo para o contribuinte apresentar seu pedido de desistência de ação judicial ou recurso administrativo. Cita julgado do TRF4, agravo de instrumento, proc. 200404010033949, publicado no DJ de 30.06.2004, pg. 605. Salienta que o prazo para formalização da opção, único prazo previsto na lei, foi devidamente observado, uma vez que apresentou sua adesão em 25.04.2000. Argumenta ainda que vem cumprindo as obrigações decorrentes da adesão ao REFIS. 2 Processo tf 13808.000414/99-16 SI-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.042 Fl. 341 Também argumenta que ainda que o § 6° do art. 2° preveja a desistência da ação judicial ou da impugnação administrativa, por outro lado, o art. 3° da Lei 9.964/2000 foi expresso acerca das implicações imediatas da opção pelo REFIS Essa opção implica na imediata e infalível confissão irrevogável e irretratável dos débitos incluídos no programa, informados na declaração REFIS, e conseqüentemente, na renúncia ao direito sob o qual se funda eventual ação judicial ou impugnação administrativa, que estejam questionando os referidos débitos. Assim, conclui que deve-se entender o protocolo do pedido de desistência da impugnação administrativa como ato acessório, vez que a confissão do débito já foi realizada pela própria opção e declaração REFIS. A exclusão do REFIS pela falta da desistência da impugnação administrativa, pelo seu entendimento, constitui apenamento desmesurado. Eventual desconsideração da inclusão do débito no REFIS, se constituiria no ferimento dos princípios constitucionais da boa-fé, da razoabilidade, da proporcionalidade. A declaração REFIS apresentada, relacionando os débitos, inclusive com a indicação do processo administrativo implica na desistência da discussão administrativa, sendo a petição com o pedido de desistência, formalizada no processo administrativo, ato meramente acessório. Argumenta que artigo publicado pelo professor Ives Gandra da Silva Martins em co-autoria com outros profissionais do direito, leciona sobre as inconstitucionalidades que permeiam a exclusão do REFIS por ausência de cumprimento de requisito formal, bem como trata a desistência de ação judicial como ato meramente acessório. Cita ainda jurisprudência judicial, apelação em mandado de segurança, TRF2, proc. 2002.51.01022933-0, DJ 29.09.2004, p. 143; agravo de instrumento, TRF4, proc. 2004010059239, DJ 30.06.2004, p. 627, entre outros. Ao final pede que a decisão seja reformada a fim de que seja reconhecida a inclusão do débito no REFIS, e portanto, a suspensão da exigibilidade do crédito, uma vez que cumpriu e vem cumprindo regularmente todas as obrigações legalmente previstas na legislação do REFIS. Em 19.09.2006, a contribuinte apresentou petição dirigida ao Delegado da DERAT, por meio do qual pede a cessação da cobrança, por ter incluído os débitos no REFIS. Em 16.11.2006, a contribuinte foi intimada a comprovar que havia desistido da impugnação nos termos e prazo a que se refere o art. 5° da IN SRF 43/2000. A contribuinte respondeu que não localizou a petição de desistência da impugnação. A autoridade administrativa efetuou a exclusão do processo da consolidação da dívida REFIS, e por não ter ocorrido decisão definitiva na esfera administrativa, o que daria fundamentação legal para a exclusão do interessado do REFIS, encaminhou o processo a este Conselho. É o relatório. 3 Processo n°13808.000414/99-16 SI-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.042 Fl. 342 Voto Conselheira — ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Relatora O recurso atende às condições de admissibilidade e deve ser conhecido. A princípio deve-se registrar que está fora do campo de competência deste Conselho, a análise sobre inclusão e exclusão de débitos no REFIS. Entretanto, no caso dos autos, a contribuinte se insurge contra a decisão da Turma Julgadora não pelo fato de a mesma ter considerado o lançamento procedente, mas pelo fato da decisão ter ignorado que a contribuinte incluiu o débito em declaração REFIS. Assim, insurge-se contra a cobrança do crédito tributário que foi formalizada por meio da intimação de fls. 162 expedida pela DERAT da 8a Região Fiscal. Conforme Confirmação do Recebimento do Termo de Opção de fls. 252, o mesmo foi recepcionado em 25.04.2000 (conta REFIS 910.000.055.657). O Recibo de entrega da declaração REFIS constitui o doc. de fls. 253 e é datado de 30.06.2000. Os débitos de que tratam este processo foram incluídos na declaração REFIS, conforme se verifica dos demonstrativos dos débitos consolidados de fls. 261/272. O art. 50, § 2° do Decreto 3.431/2000, condicionou a inclusão no REFIS, na hipótese de crédito com exigibilidade suspensa por força do disposto no inciso IV do art. 151 do CTN (liminar em mandado de segurança), à desistência do feito por desistência expressa e irrevogável da respectiva ação judicial e de qualquer outra, ou seja, essa condição estende-se a qualquer outra ação, seja judicial ou administrativa. Pelo art. 24 do mesmo Decreto, a SRF, o INSS e a PGFN deveriam expedir, no âmbito de suas áreas de competência, as instruções complementares necessárias à implementação do disposto no Decreto. A Receita Federal editou a IN SRF 43/2000, que instituiu a Declaração Refis e aprovou seu programa gerador. No art. 5 0, 1°, assim dispõe: Art. 5° A informação de desistência de ações judiciais, impugnações e recursos administrativos na Declaração Refis terá efeito apenas indicativo, não eximindo o contribuinte de formalizar o pedido de desistência da ação judicial ou do contencioso administrativo, no prazo a que se refere o art. 2° desta Instrução Normativa. § I° A desistência de impugnação ou recurso, no âmbito administrativo, será formalizada em requerimento que deverá ser apresentado à unidade da SRF com jurisdição sobre o domicilio fiscal da pessoa jurídica optante. A autoridade administrativa, em função da petição de 19.09.2006 dirigida ao Delegado, intimou a empresa a comprovar a formalização da desistência da impugnação, sendo que tal comprovação não foi efetuada. A autoridade administrativa a seguir, conforme despacho de fls. 299, efetuou a exclusão do processo da consolidação da dívida REFIS, e por r(62 4 " Processo n°13808.000414/99-16 SI-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.042 Fl. 343 1 não ter ocorrido decisão definitiva na esfera administrativa, encaminhou o processo a este Conselho. Consta no recibo de entrega da declaração REFIS, que os débitos incluídos nessa declaração constituem confissão de dívida, de forma irretratável e irrevogável. Na ficha 13 da referida declaração (fl. 179) relativa a "Informação de Desistência em Impugnação ou Recurso Voluntário" consta o número deste processo administrativo. Nos demonstrativos dos débitos consolidados constam os débitos contidos neste processo. Matéria semelhante foi discutida no julgamento do recurso 142291, do mesmo sujeito passivo (processo 13808.000418/99-69), na 3° Câmara do 2° Conselho de Contribuintes, cuja ementa, a seguir transcrevo: PIS/Pasep. AUTO DE INFRAÇÃO. OPÇÃO PELO REFIS. DESISTÊNCIA EXPRESSA DA IMPUGNAÇÃO. FALTA DE CUMPRIMENTO DE FORMALIDADE. O descumprimento de formalidade contida no artigo 50 da IN SRF 43, de 2000, não se mostra suficiente para provocar a exclusão retroativa de opção no REFIS, efetuada em tempo hábil e acompanhada de manifestação expressa quanto à desistência da impugnação. Recurso provido. Concluo que a desistência da impugnação ocorreu, embora não tenha sido apresentada petição de desistência diretamente na Unidade da Receita Federal. Assim, a falta dessa comunicação à Unidade da Receita Federal não é suficiente para a exclusão do débito do REFIS, uma vez que o débito foi devidamente confessado em declaração do REFIS. Poderia ser argumentado que a formalização da desistência junto à Unidade da Receita Federal é fundamental porque poderia ter havido decisão favorável ao contribuinte, em razão da DRJ não ter sido informada da desistência da impugnação, e que esse sujeito passivo poderia ter exigido da autoridade administrativa, que o crédito tributário fosse extinto. Mas, mesmo nesse caso, entendo que deveria prevalecer a confissão efetuada na declaração REFIS. Do exposto, oriento meu voto para dar provimento ao recurso. Sala das Sessões - DF, em 13 maio de 2009. (t8 e, ALBERTINA SILV NTOS DE IMA 5 Page 1 _0026800.PDF Page 1 _0026900.PDF Page 1 _0027000.PDF Page 1 _0027100.PDF Page 1
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Numero do processo: 13807.003874/2001-74
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano calendário: 1996 Ementa: NULIDADE - ERRO NA CAPITULAÇÃO LEGAL. Não é motivo de nulidade do auto de infração, por cerceamento de direito de defesa, a imprecisão na descrição do enquadramento legal quando o sujeito passivo demonstra perfeita compreensão dos motivos de fato e de direito do lançamento. DECADÊNCIA - Em não havendo pagamento do tributo, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial, inicia-se do exercício/período seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido iniciado, ex-vi do disposto no inciso I, art. 173, do CTN. IRPJ – LUCRO INFLACIONÁRIO ACUMULADO - CORREÇÃO MONETÁRIA - DIFERENÇA DE ÍNDICES (IPC X BTNF) – O saldo credor da diferença de correção monetária IPC/BTNF, corrigido pelos índices próprios, deve ser somado ao montante de lucro inflacionário acumulado em 31 de dezembro de 1992, recebendo, a partir de 1º/01/93, o mesmo tratamento dado ao saldo do lucro inflacionário acumulado a realizar. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI - O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF Nº 2) COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS - Tem-se como não passível de compensação na apuração mensal do lucro real de 1996, o saldo de prejuízos fiscais de exercícios anteriores que não foram comprovados e registrados no LALUR.
Numero da decisão: 1802-001.238
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Não é motivo de nulidade do auto de infração, por cerceamento de direito de defesa, a imprecisão na descrição do enquadramento legal quando o sujeito passivo demonstra perfeita compreensão dos motivos de fato e de direito do lançamento. DECADÊNCIA Em não havendo pagamento do tributo, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial, iniciase do exercício/período seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido iniciado, exvi do disposto no inciso I, art. 173, do CTN. IRPJ – LUCRO INFLACIONÁRIO ACUMULADO CORREÇÃO MONETÁRIA DIFERENÇA DE ÍNDICES (IPC X BTNF) – O saldo credor da diferença de correção monetária IPC/BTNF, corrigido pelos índices próprios, deve ser somado ao montante de lucro inflacionário acumulado em 31 de dezembro de 1992, recebendo, a partir de 1º/01/93, o mesmo tratamento dado ao saldo do lucro inflacionário acumulado a realizar. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF Nº 2) COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS Temse como não passível de compensação na apuração mensal do lucro real de 1996, o saldo de prejuízos fiscais de exercícios anteriores que não foram comprovados e registrados no LALUR. Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins De Sousa – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José De Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marco Antonio Nunes Castilho, Gilberto Baptista e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13807.003874/200174 Acórdão n.º 1802001.238 S1TE02 Fl. 1.040 3 Relatório Por economia processual e bem descrever os fatos adoto o relatório da decisão recorrida (fls.425/426) que a seguir transcrevo: Trata o presente processo de lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, que constituiu o crédito tributário total de R$ 525.318,08, incluídos o tributo, a multa de oficio e os juros de mora, calculados até 30/04/2001. 2. No Auto de Infração (fls. 65/71), a Fiscalização informa o seguinte, em síntese: 2.1. 0 presente Auto de Infração originouse da revisão de sua declaração de rendimentos correspondente ao exercício de 1997, anocalendário 1996, de acordo com o art. 835 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/99 (RIR/99). 111/ 2.2. As alterações efetuadas e suas conseqüências estão detalhadas no Demonstrativo de Valores Apurados e no Demonstrativo de Consolidação de Valores (fls. 67/70). 2.3. No que se refere às penalidades aplicadas, o enquadramento legal correspondente consta no Demonstrativo de Multa de Lançamento de Oficio e dos Juros de Mora (fls. 71). 2.4. Todos os demonstrativos citados são parte integrante do presente Auto de Infração. 3. Os enquadramentos legais das infrações foram os seguintes. 3.1. Lucro Inflacionário acumulado realizado em valor inferior ao limite mínimo obrigatório Artigos 195, 417, 419 e 420 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041/1994, e artigos 5°, caput e §1°, e artigo 7°, caput e §1°, da Lei n°9065/1995. 3.2. Compensação a maior do saldo de prejuízo fiscal na apuração do lucro real Artigos 196, inciso III, 502 e 503 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041/1994, artigo 42, parágrafo único, da Lei n° 8981/1995 e artigos 12 e 15 da Lei n° 9065/1995. 4. 0 Interessado, tendo tomado ciência do Auto de Infração 18/04/2001 (AR às fls.73), apresentou sua impugnação (fls. 77/85) em 18/05/2001, por intermédio de seus procuradores (fls. 87/103), alegando, em síntese, que: 4.1. Os critérios utilizados pela Fiscalização para cálculo da realização do lucro inflacionário bem como para remontar as Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 bases de cálculo do IRPJ não se apresentam claros e precisos quanto à sua forma de demonstração, cerceando o direito de defesa da Impugnante. 4.2. De acordo com o entendimento uniformizado na Câmara Superior de Recursos Fiscais (Ac. CRSF n° 0102.850, 01 02.620), o Imposto de Renda é tributo sujeito a lançamento por homologação, regendose a contagem do prazo decadencial pelas regras do §4°, do artigo 150, do Código Tributário Nacional. Conforme declaração de rendimentos anexa, a Impugnante, no anocalendário de 1996, adotou o regime de apuração pelo lucro real mensal. Assim, os valores referentes aos fato geradores ocorridos em janeiro e março de 1996, já teriam sido alcançados pela decadência qüinqüenal (jurisprudência do 1° Conselho de Contribuintes as fls. 81/82). 4.3. A Impugnante dedicase à exploração de atividade rural, nos termos do art. 2° da Lei n° 8.023/1990, c/c art. 59 da Lei n° 9430/1996, cultivando soja, como se denota da declaração de rendimentos. Assim, a limitação de 30% para a compensação de prejuízo fiscal, utilizada pela Fiscalização para fundamentar o lançamento, não se aplica à Impugnante, pelo disposto no art. 512, do RIR/1999, aprovado pelo Decreto n° 3.000/1999 e na Instrução Normativa n°39, de 28 de junho de 1996 (jurisprudência do 1° Conselho de Contribuintes às fls. 84). 5. 0 processo foi enviado à DEFIC/SPO/SAPAF para que fossem realizadas as diligencias necessárias de modo que ficasse demonstrado, nos autos, o cálculo dos valores a serem adicionados ao lucro liquido a titulo de lucro inflacionário realizado, para fins de apuração do lucro real, nos períodos base autuados. A Impugnante tomou ciência do Termo de Encerramento de Diligência (fls. 257 a 259), via postal, conforme atesta o Aviso de Recebimento à fl. 267, tendo sido juntados aos autos, pela Fiscalização, o Demonstrativo do Lucro Inflacionário (fls. 260 a 266) e a DIRPJ/1993 (fls. 223 a 248). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/São Paulo /SP) julgou procedente em parte o lançamento conforme decisão proferida no Acórdão nº 9.026, de 09/03/2004, da 4ª Turma da DRJ/São Paulo OI/SP (fls.66/71), cuja ementa transcrevo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1996 Ementa: PRELIMINAR LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INAPLICABILIDADE. Não se caracteriza o lançamento por homologação quando não ocorre o pagamento antecipado, hipótese em que o prazo de que dispõe o Fisco para a constituição do crédito tributário é regido pelo disposto no artigo 173, I, do CTN. DECADÊNCIA. LUCRO INFLACIONÁRIO. Há que se deduzir do saldo do lucro inflacionário a realizar as parcelas que deveriam ter sido oferecidas à tributação em períodos já atingidos pela decadência. PREJUÍZOS FISCAIS. COMPENSAÇÃO. Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13807.003874/200174 Acórdão n.º 1802001.238 S1TE02 Fl. 1.041 5 ATIVIDADE RURAL. 0 limite de 30% do lucro real para fins de compensação saldo de prejuízos fiscais acumulados não se aplica aos prejuízos fiscais decorrentes da exploração de atividades rurais. PREJUÍZOS FISCAIS. COMPENSAÇÃO. Sendo insuficiente o saldo de prejuízos fiscais acumulados a compensar com o lucro real apurado, mantémse a glosa do valor excedente. A empresa autuada foi cientificada da mencionada decisão em 26/01/2007 e, protocolizou o recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em 26/02/2007, fls.462/487, no qual apresenta, em síntese, os seguintes argumentos: Da nulidade do Auto de Infração. A recorrente alega que, da análise do auto de infração que deu origem ao presente processo, é evidente a capitulação errônea do enquadramento legal em relação à realização do lucro inflacionário acumulado em valor inferior ao limite mínimo obrigatório.Isso porque a autoridade fiscal mencionou, dentre outros, como dispositivos infringidos pela Recorrente o art. 7°, caput e § 1º da Lei n° 9.065/95. Considerando que, não ocorreu qualquer tipo de incorporação, cisão ou encerramento de atividades, inquestionável é a ausência de nexo causal entre o fato descrito com a infração alegada. Entende que, diante da ilegalidade e do cerceamento de defesa, requer a decretação de nulidade do Auto de Infração. Da decadência do direito de a Fazenda Pública constituir crédito tributário relativo ao fato gerador de janeiro/96. A recorrente argúi que, sendo o imposto de renda mensal tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo decadencial aplicável não pode ser outro senão o previsto no art. 150, §4° do CTN. Portanto, diverge do entendimento da decisão recorrida que no caso em análise adotou como fundamento para a contagem do prazo decadencial o previsto no art. 173, I, do CTN. Assim, considerando que a Recorrente adotou o regime de apuração do lucro real mensal no anocalendário de 1996 e que o lançamento somente se materializou em 02 de abril de 2001, o valor relativo ao fato gerador de janeiro de 1996 não poderia ser exigido pela Fazenda Pública, já que havia sido alcançado pelo instituto da decadência, sendolhe defeso efetuar o respectivo lançamento. Da correção monetária complementar IPC/BTNF sobre as demonstrações financeiras. A Recorrente diz que discorda da decisão recorrida ao afirmar que a parcela da correção monetária correspondente à diferença entre IPC/BTNF deveria obrigatoriamente integrar o saldo de lucro inflacionário acumulado, sendo, por conseguinte, considerada no cálculo da parcela mensal de realização mínima obrigatória. Aduz a defesa que tal argumento não pode prosperar porque a correção com base nesse índice era uma faculdade concedida pelo legislador infraconstitucional, e a Recorrente não optou em nenhum momento por esse tipo de correção monetária. Para tanto transcreve às fls.474/477, os artigos 2° e 3° da Lei n° 8.200/91, e os artigos 32 e 40 do Decreto n° 332/91, que regulamento a referida Lei. Ao final conclui que dos artigos 2° e 3° da Lei n° 8.200/91, Fl. 1043DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 depreendese que era faculdade dos contribuintes optar pelo reconhecimento da diferença de correção monetária entre o IPC e o BTNF, e, nesse sentido, o Decreto n° 332/91, ao regulamentar tais dispositivos, jamais poderia tratar referida facultatividade dos contribuintes como obrigatoriedade. Para corroborar sua assertiva transcreve à fl.479, a seguinte ementa de acórdão da lavra do antigo 1º Conselho de Contribuintes: "DIFERENÇA IPC x BTNF — RESULTADO CREDOR DO ANO DE 1.990 APURADO PELO FISCO — LANÇAMENTO DE OFÍCIO — A Lei 8.200191 reconhece a existência da diferença de correção monetária das demonstrações financeiras no ano de 1990, mas não tornou compulsória a sua apuração, só regulamentando os efeitos fiscais quando a pessoa jurídica tem a iniciativa de corrigir aquela distorção, mesmo retroativamente. A obrigatoriedade prevista no art. 32 do Decreto 332/91 é de manifesta ilegalidade, pois extrapola o conteúdo e o alcance previstos na lei em função da qual foi expedido, além da impropriedade da imposição de obrigação retroativa, vedada pelo ordenamento jurídico." (1° CC, Acórdão n° 10805.125, Recurso n° 110.682) Afirma ainda a Recorrente que, em suas Declarações de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica —DIRPJs comprovam que não foi feita a opção pela correção da diferença entre o IPC e o BTNF, nos termos da Lei n° 8.200/91, já que nas respectivas linhas não consta qualquer tipo de preenchimento.Contudo, em ato manifestamente ilegal, contrariando de forma patente a jurisprudência, a DRJ indevidamente incluiu a diferença de correção monetária entre o IPC e o BTNF na apuração do Lucro Inflacionário da Recorrente nos meses de junho e de dezembro de 1992 (Cr$ 942.00.737,00 e Cr$ 3.262.640.333,00),partindo do pressuposto de que a Recorrente é obrigada a efetuar a referida correção monetária. Finalmente conclui que, se em nenhum momento informou qualquer valor relativo às diferenças de correção monetária IPC/BTNF, não pode a DRJ, em total afronta à legalidade, exigir da Recorrente a imputação dos valores apurados relativos à correção monetária no lucro inflacionário acumulado, se não houve a opção por parte da Recorrente desse tipo de correção. Da realização mínima do lucro inflacionário e das compensações de prejuízos fiscais. A recorrente alega que, após a apuração do lucro inflacionário acumulado em 31 de dezembro de 1995, a autoridade fiscal adicionou, a cada mês, a razão de 1/120 do saldo de lucro inflacionário na base de cálculo do imposto de renda do anocalendário de 1996. Aduz que, nos demonstrativos de cálculo, após a referida adição, a DRJ não levou em consideração a existência de saldo de prejuízos fiscais de anos anteriores da Recorrente. Apenas, manteve o mesmo valor compensado em DIPJ nas novas bases de cálculo. Argumenta que, o direito à compensação dos prejuízos fiscais encontrase previsto no artigo 14 da Lei n° 8.023/1990 e no artigo 512 do RIR/99.Assim, uma vez efetuado o lançamento de oficio, o saldo de prejuízo fiscal detido pela Recorrente deveria ter sido devidamente considerado. Conclui que, mesmo que a Recorrente não tenha apresentado todos os documentos requeridos por meio de intimações fiscais, tal fato não obsta a Secretaria da Receita Federal (SRF) de apurar devidamente o valor do saldo de prejuízo fiscal da Recorrente, já que esta Fl. 1044DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13807.003874/200174 Acórdão n.º 1802001.238 S1TE02 Fl. 1.042 7 apresentou à SRF diversas declarações, as quais contêm as informações especificas a esse respeito. Observa que às fls. 272/315 e 379/422, a autoridade fiscal juntou aos presentes autos vários demonstrativos de cálculo, dentre os quais constam os de prejuízo fiscal da Recorrente, em que verifica que até dezembro de 1995, a Recorrente detinha um saldo de prejuízo fiscal acumulado de R$ 321.657,65, o que evidentemente lhe assegura o seu direito à compensação. Do limite de compensação dos prejuízos fiscais A recorrente argúi que, a DRJ reconheceu, em sua decisão, que tendo a Recorrente atividade exclusivamente rural, a compensação dos seus prejuízos fiscais não estava sujeita ao limite de 30%. No entanto, a própria DRJ indevidamente optou por segregar as atividades, aplicando a trava de 30% na compensação dos prejuízos fiscais sobre as supostas "demais atividades". Desse modo, entende evidente a contradição entre a decisão e os cálculos elaborados pela DRJ, uma vez que enquanto a primeira reconhece a não aplicação do limite de 30% nas compensações de prejuízo fiscal, o segundo não adota esse critério para o cálculo do imposto supostamente devido. Enfatiza que a Recorrente se dedica à exploração de atividade rural, nos termos do artigo 20 da Lei n° 8.023/90, cumulado com o artigo 59 da Lei n° 9.430/96, especificamente no cultivo de soja. Enfim conclui que, as compensações efetuadas pela DRJ encontramse equivocadas pelos seguintes motivos: (i) a compensação dos prejuízos fiscais não deveria ter sido limitada a 30% no que concerne ao numerário relativo às "atividades em geral" que, na realidade, correspondem às "atividades rurais"; (ii) para efeito de compensação do prejuízo fiscal, a DRJ deveria ter considerado a soma dos valores constantes na "Atividade rural" e na "Atividade em geral"; e (iii) as compensações não levaram em conta a existência de saldo de prejuízos fiscais de anos anteriores. Ao final requer seja devidamente cancelado o lançamento ora discutido, em razão de sua total improcedência. Não obstante, ainda que assim não se entenda, requer, subsidiariamente, seja o feito convertido em diligência, de modo a que se apure de maneira correta o lucro real do período, efetuando os ajustes mencionados, com o intuito de verificar a existência de eventual débito a ser recolhido. É o relatório. Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 Voto Conselheira Relatora Ester Marques Lins De Sousa O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72 e suas alterações posteriores. Dele tomo conhecimento. O Auto de Infração em questão referese ao IRPJ — Imposto de Renda Pessoa Jurídica dos períodos de janeiro, março e junho a dezembro do ano calendário de 1996 (Lucro Real Mensal) decorrente de ação fiscal efetuada junto à contribuinte, na qual a fiscalização constatou as seguintes irregularidades: Lucro Inflacionário acumulado realizado em valor inferior ao limite mínimo obrigatório Compensação a maior do saldo de prejuízo fiscal na apuração do lucro real, sem observar a limitação de 30% imposta pela Medida Provisória n° 812/94, convertida na Lei n° 8.981/95. Conforme relatado, a defesa da recorrente se expressa nos seguintes itens que a passo analisálos na mesma ordem apresentada. Da nulidade do Auto de Infração. A recorrente alega que, da análise do auto de infração que deu origem ao presente processo, é evidente a capitulação errônea do enquadramento legal em relação à realização do lucro inflacionário acumulado em valor inferior ao limite mínimo obrigatório.Isso porque a autoridade fiscal mencionou, dentre outros, como dispositivos infringidos pela Recorrente o art. 7°, caput e § 1º da Lei n° 9.065/95. Considerando que, não ocorreu qualquer tipo de incorporação, cisão ou encerramento de atividades, inquestionável é a ausência de nexo causal entre o fato descrito com a infração alegada. Entende que, diante da ilegalidade e do cerceamento de defesa, requer a decretação de nulidade do Auto de Infração. Vale ressaltar que tal argumento se fez apenas em sede recursal, o que denota que por tal motivo não restou qualquer óbice à defesa. Apesar do dispositivo impróprio no auto de infração (art. 7°, caput e § 1º da Lei n° 9.065/95 para os casos de: incorporação, cisão ou encerramento de atividades), em nada prejudicou a descrição dos fatos que, com as informações necessárias se mostrou sem deficiência e suficientemente utilizadas na realização da defesa. Até porque os outros dispositivos (Artigos 195, 417, 419 e 420 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041/1994, e artigos 5°, caput e §1°, da Lei n°9065/1995), foram corretamente indicados para o enquadramento legal em relação à infração apontada no auto de infração, ou seja, realização do lucro inflacionário acumulado em valor inferior ao limite mínimo obrigatório. Enfim a impropriedade do dispositivo mencionado não redundou em qualquer prejuízo ao exercício do direito de defesa nem em majoração indevida do crédito tributário lançado, portanto, a nulidade não deve ser pronunciada. Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13807.003874/200174 Acórdão n.º 1802001.238 S1TE02 Fl. 1.043 9 Nessa esteira, temse o ACÓRDÃO n°10196.804, julgado em 25/06/2008, assim ementado: Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. IMPRECISÃO NO ENQUADRAMENTO LEGAL. Não é motivo de nulidade do auto de infração, por cerceamento de direito de defesa, qualquer imprecisão na descrição do enquadramento legal quando o sujeito passivo demonstra perfeita compreensão dos motivos de fato e de direito do lançamento. Preliminar rejeitada. Da decadência do direito de a Fazenda Pública constituir crédito tributário relativo ao fato gerador de janeiro/96. A recorrente argúi que, sendo o imposto de renda mensal tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo decadencial aplicável não pode ser outro senão o previsto no art. 150, §4° do CTN. Portanto, diverge do entendimento da decisão recorrida que no caso em análise adotou como fundamento para a contagem do prazo decadencial o previsto no art. 173, I, do CTN. Assim, considerando que a Recorrente adotou o regime de apuração do lucro real mensal no anocalendário de 1996 e que o lançamento somente se materializou em 02 de abril de 2001, o valor relativo ao fato gerador de janeiro de 1996 não poderia ser exigido pela Fazenda Pública, já que havia sido alcançado pelo instituto da decadência, sendolhe defeso efetuar o respectivo lançamento. Antes do novo regimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que impõe sejam os processos julgados de acordo com o entendimento das Cortes Superiores de Justiça, vinha adotando a tese de que, nos termos do § 4° do art. 150 do CTN, a autoridade administrativa tem o prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, para proceder ao lançamento de ofício. Findo esse prazo, ocorria a homologação tácita e estaria extinto o direito da Fazenda para constituir o crédito, eis que no meu entendimento sendo o tributo (IRPJ) sujeito ao lançamento por homologação, o início da contagem do prazo é o da ocorrência do fato gerador do tributo, salvo se comprovada a ocorrência de dolo fraude ou simulação. Entretanto, de acordo com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, em não havendo pagamento do tributo, impõese a regra disposta no inciso I, artigo 173 do CTN, ou seja, o prazo é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Para a análise da situação tomase como esclarecedora a seguinte informação da decisão recorrida (fl.429) que a seguir transcrevo: 19. In casu, no anocalendário de 1996, não foi apurado imposto a pagar em nenhum mês do anocalendário, conforme se verifica na Ficha 08 (Cálculo do Imposto de Renda) da declaração de IRPJ (fls. 316 a 327). Assim, não havendo pagamento do tributo no ano calendário de 1996, a contagem do prazo para o Fisco constituir o crédito tributário regese pelo disposto no inciso I, artigo 173 do CTN, in verbis: Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 10 "Art. 173. 0 direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...) Considerando que a Recorrente adotou o regime de apuração do lucro real mensal no anocalendário de 1996 e o fato gerador de janeiro ocorreu no último dia do mês (31/01/1996) data de apuração do IRPJ, e que, a partir do mês seguinte (fevereiro de 1996) a Fazenda Nacional já poderia exigir o tributo devido, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial contarseá a partir do primeiro dia do exercício seguinte (01/01/1997) com termo final em 01/01/2002, exvi do disposto no inciso I, art. 173, do CTN. Portanto, tendo o contribuinte tomado ciência do lançamento em 18/04/2001 (AR – fl.73), não há falar em decadência para a administração lançar eventuais diferenças referentes ao mês de janeiro de 1996. Preliminar rejeitada. Da correção monetária complementar IPC/BTNF sobre as demonstrações financeiras. A Recorrente diz que discorda da decisão recorrida ao afirmar que a parcela da correção monetária correspondente à diferença entre IPC/BTNF deveria obrigatoriamente integrar o saldo do lucro inflacionário acumulado, sendo, por conseguinte, considerada no cálculo da parcela mensal de realização mínima obrigatória. Sobre a diferença entre IPC/BTNF consta da decisão recorrida (fls.432/434) o seguinte: (...) 29. Logo, na recomposição da diferença do saldo do lucro inflacionário diferido será excluído do montante tributável as parcelas do lucro inflacionário acumulado que deveriam ter sido realizadas em períodos já abrangidos pela decadência, cuja realização era obrigatória nos termos da legislação. 30. No que concerne ao tratamento da diferença entre o IPC e a BTNF para atualização das demonstrações financeiras devemos transcrever o art 3° da Lei 8.200/1991 que estabeleceu o tratamento fiscal a ser aplicado à diferença de correção monetária IPC/BTNF verificada no período base de 1990, in verbis: "Art.3º A parcela da correção monetária das demonstrações financeiras, relativa ao período base de 1990, que corresponder à diferença verificada no ano de 1990 entre a variação do índice de Preços ao Consumidor (IPC) e a variação do BTN Fiscal, terá o seguinte tratamento fiscal: II será computada na determinação do lucro real, a partir do período base de 1993, de acordo com o critério utilizado para a determinação do lucro inflacionário realizado, quando se tratar de saldo credor ." Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13807.003874/200174 Acórdão n.º 1802001.238 S1TE02 Fl. 1.044 11 31. Regulamentando o dispositivo, o Poder Executivo fez editar o Decreto n° 332/1991, no qual ficou estabelecido na seção IV o seguinte: "Art. 38. 0 resultado da correção monetária das demonstrações financeiras, que corresponder à diferença verificada no período base de 1990, entre a variação do IPC e o BTN Fiscal, terá o seguinte tratamento fiscal: I poderá ser excluído do lucro liquido na determinação do lucro real, em quatro períodos base consecutivos, a partir do período base de 1993 até o de 1996, à razão de vinte e cinco por cento por período base, quando se tratar de saldo devedor; II será adicionado na determinação do lucro real, a partir do período – base encerrado em 1993, de acordo com as normas de realização do lucro inflacionário do período base (arts. 22 e 23) quando se tratar de saldo credor. Parágrafo único. Na determinação do saldo credor a ser adicionado na forma do inciso II, a pessoa jurídica deverá somar o saldo credor correspondente It diferença de correção referida neste artigo ao lucro inflacionário acumulado transferido do período base de 1992." 32. Para os contribuintes do lucro real, além da realização obrigatória de parcela do lucro inflacionário acumulado, o saldo credor da diferença de correção monetária complementar IPC/BTNF e a variação entre esses índices verificada sobre o lucro inflacionário acumulado em 31.12.89, passaram a integrar o lucro inflacionário acumulado a partir de janeiro de 1993, sujeitaramse à realização mínima de 1/240 nos meses dos anos de 1993 e 1994, e de 1/120 nos meses do ano de 1995, conforme determinado pelos arts. 30 e 32 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992: "Art. 30. A pessoa jurídica deverá considerar realizado mensalmente, no mínimo, 1/240, ou o valor efetivamente realizado, nos termos da legislação em vigor, do lucro inflacionário acumulado e do saldo credor da diferença de correção monetária complementar IPC/BTNF (Lei n° 8.200, de 28 de junho de 1991, art.3°). Art. 32. A partir do exercício financeiro de 1995, a parcela de realização mensal do lucro inflacionário acumulado, a que se refere o art. 30 desta lei, será de, no mínimo, 1/120. 33. Tendo em vista a obrigatoriedade da realização do Lucro Inflacionário nos períodos anteriores ao da autuação, bem como a integração dos efeitos da diferença IPC/BTNF90 a partir do anocalendário de 1993, devem ser excluídos os correspondentes valores do cômputo do saldo de lucro inflacionário acumulado em dezembro de 1995, cujo valor será considerado para o cálculo da realização obrigatória nas apurações mensais do anocalendário de 1996. Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 12 34. Assim, devem ser apropriadas, as parcelas que teriam que ser tributadas até dezembro de 1995, nos períodos de apuração nos quais se observa que o contribuinte não efetuou a realização de lucro inflacionário nos percentuais e realização mínima obrigatória previstos na legislação de regência (...) Aduz a defesa que a decisão da DRJ não pode prosperar porque a correção com base nesse índice era uma faculdade concedida pelo legislador infraconstitucional, e a Recorrente não optou em nenhum momento por esse tipo de correção monetária. Para tanto transcreve às fls.474/477, os artigos 2° e 3° da Lei n° 8.200/91, e os artigos 32 e 40 do Decreto n° 332/91, que regulamentou a referida Lei. Ao final conclui que dos artigos 2° e 3° da Lei n° 8.200/91, depreendese que era faculdade dos contribuintes optar pelo reconhecimento da diferença de correção monetária entre o IPC e o BTNF, e, nesse sentido, o Decreto n° 332/91, ao regulamentar tais dispositivos, jamais poderia tratar referida facultatividade dos contribuintes como obrigatoriedade. A recorrente alega, que não efetuara a correção monetária em virtude de não ser a mesma obrigatória. Entendo que não assiste razão à recorrente. Vêse que a recorrente confunde a Correção Monetária Especial do Ativo Permanente com Base em Índice Nacional de Preços (CM ESPECIAL) com a Correção Monetária Diferença IPC/BTNF, ambas dispostas na Lei nº 8.200/91 (artigos 2º e 3º respectivamente). Tratase de correções monetárias distintas, sendo a CM ESPECIAL (artigo 2º), facultativa e a CM DIFERENÇA IPC/BTNF, obrigatória (artigo 3º), vejamos: Art. 2° As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real poderão efetuar correção monetária especial das contas do Ativo Permanente, com base em índice que reflita a nível nacional, variação geral de pregos. § 1 0 A correção monetária de que trata este artigo poderá ser efetuada, exclusivamente, em balanço especial levantado, para esse efeito, em 31 de janeiro de 1991, após a correção com base no BTN Fiscal de Cr$ 126,8621. (...) § 4° 0 valor da correção especial, realizado mediante alienação, depreciação, amortização, exaustão ou baixa a qualquer titulo, poderá ser deduzido como custo ou despesa, para efeito de determinação do lucro real. § 6° A correção de que trata este artigo poderá ser registrada até a data do balanço de encerramento do período base de 1991, mas referida à data de 31 de janeiro de 1991. (...) Art. 3°. A parcela da correção monetária das demonstrações financeiras, relativa ao período base de 1990, que corresponder diferença verificada no ano de 1990 entre a variação do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) e a variação do BTN Fiscal, terá o seguinte tratamento fiscal: Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13807.003874/200174 Acórdão n.º 1802001.238 S1TE02 Fl. 1.045 13 I poderá ser deduzida na determinação do lucro real, em quatro períodos base, a partir de 1993, à razão de vinte e cinco por cento ao ano, quando se tratar de saldo devedor; II – será computada na determinação do lucro real, a partir do período base de 1993, de acordo com o critério utilizado para a determinação do lucro inflacionário realizado, quando se tratar de saldo credor. (grifos acrescentados) A argumentação da recorrente diz respeito à faculdade da CM ESPECIAL prevista no artigo 2º da Lei n° 8.200/91, e não se coaduna com o estabelecido em relação à CM DIFERENÇA IPC/BTNF, considerada obrigatória para todas as empresas que determinaram o Imposto de Renda do exercício de 1991, período base de 1990, com base no Lucro Real. É certo que no julgado trazido pelo Recorrente o voto condutor do acórdão de 13/05/1998, foi no sentido de que a obrigatoriedade prevista no art. 32 do Decreto 332/91 é de manifesta ilegalidade, pois extrapola o conteúdo e o alcance previstos na lei em função da qual foi expedido. Ouso divergir de tal entendimento. Na verdade, a opção existia, explicitamente, mas apenas para a correção monetária especial do ativo imobilizado (artigo 2º). Já em relação ao artigo 3º a mesma Lei nº 8.200/91 nada facultou ao contribuinte. Necessário, que a opção também fosse expressa no artigo 3º uma vez que o mesmo disciplina o tratamento fiscal no caso de saldo devedor ou saldo credor da correção monetária. Nesse sentido trazse à colação, julgado mais recente, o Acórdão 10707934, de 23/02/2005, assim ementado: Número do Recurso: 135722 Câmara: SÉTIMA CÂMARA Data da Sessão: 23/02/2005 Relator: Luiz Martins Valero Decisão: Acórdão 10707934 Ementa: (...) IRPJ LUCRO INFLACIONÁRIO FALTA DE APLICAÇÃO DA DIFERENÇA IPC/BTNF AO SALDO EM 31.12.89 DECADÊNCIA O índice que representa o diferencial entre o IPC e o BTNF deveria ser aplicado ao saldo de lucro inflacionário existente em 31.12.89. A realização do valor assim resultante era exigível a partir do ano calendário de 1993, portanto, a falta dessa correção autoriza o fisco a exigila como integrante do saldo a realizar em 31.12.95. Assim, é possível concluir que a exigência compulsória de apuração da diferença IPC X BTNF, prevista no art. 32 do Decreto 332/91, encontra sustentação no artigo 3º da Lei nº 8.200/91 que não pode ser afastada conforme entendimento consubstanciado na Súmula CARF nº 2, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Da realização mínima do lucro inflacionário e das compensações de prejuízos fiscais. Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 14 A recorrente alega que, após a apuração do lucro inflacionário acumulado em 31 de dezembro de 1995, a autoridade fiscal adicionou, a cada mês, a razão de 1/120 do saldo de lucro inflacionário na base de cálculo do imposto de renda do anocalendário de 1996. Aduz que, nos demonstrativos de cálculo, após a referida adição, a DRJ não levou em consideração a existência de saldo de prejuízos fiscais de anos anteriores da Recorrente. Apenas, manteve o mesmo valor compensado em DIPJ nas novas bases de cálculo. Argumenta que, o direito à compensação dos prejuízos fiscais encontrase previsto no artigo 14 da Lei n° 8.023/1990 e no artigo 512 do RIR/99.Assim, uma vez efetuado o lançamento de oficio, o saldo de prejuízo fiscal detido pela Recorrente deveria ter sido devidamente considerado. Conclui que, mesmo que a Recorrente não tenha apresentado todos os documentos requeridos por meio de intimações fiscais, tal fato não obsta a Secretaria da Receita Federal (SRF) de apurar devidamente o valor do saldo de prejuízo fiscal da Recorrente, já que esta apresentou à SRF diversas declarações, as quais contêm as informações especificas a esse respeito. Observa que às fls. 272/315 e 379/422, a autoridade fiscal juntou aos presentes autos vários demonstrativos de cálculo, dentre os quais constam os de prejuízo fiscal da Recorrente, em que verifica que até dezembro de 1995, a Recorrente detinha um saldo de prejuízo fiscal acumulado de R$ 321.657,65, o que evidentemente lhe assegura o seu direito à compensação. Para que se a compreenda o contexto da ação fiscal cabe transcrever o seguinte trecho da decisão recorrida (fls.426/427): (...) Inicialmente, é oportuno esclarecer que a empresa foi intimada a prestar esclarecimentos sobre os pontos autuados em dois momentos: durante a ação fiscal (fl.02) e em diligência realizada em função de sua impugnação (fls. 200 e 219). Em nenhum momento, a empresa apresentou o Livro de Apuração do Lucro Real —LALUR, e os documentos e demonstrativos solicitados. 8. 0 Auto de Infração foi então lavrado com os dados que a Fiscalização dispunha, que nada mais são do que os dados informados nas declarações de rendimentos regularmente entregues pela empresa, atualizados pelos índices oficiais na forma prevista na legislação de regência (fls. 272 a 315). 9. Quando da diligência, foi anexada, inclusive, cópia do Demonstrativo do Lucro Inflacionário, da qual foi dado conhecimento à Impugnante, conjuntamente com o Termo de Encerramento de Diligência (fls. 257 a 266), conforme Aviso de Recebimento (AR) A. fl. 267. 10. Em relação à glosa de compensação do saldo de prejuízo fiscal na apuração do lucro real, claramente descrita no Auto de Infração, caberia à Impugnante demonstrar que possuía saldo de prejuízos fiscais a compensar no anocalendário autuado. Compulsandose os autos constatase que, após a adição do lucro inflacionário – parcela mínima obrigatória, foram apuradas novas bases de cálculo ajustadas pela compensação dos prejuízos fiscais do próprio período base mensal, das demais atividades e atividade rural (entre si e sem a trava dos 30%) conforme demonstrado na decisão recorrida (fls.436/438). Portanto, foram utilizados os prejuízos fiscais mensais de 1996 declarados pelo contribuinte na DIPJ/97. Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13807.003874/200174 Acórdão n.º 1802001.238 S1TE02 Fl. 1.046 15 Como se vê, a Recorrente pleiteia a compensação de saldo de prejuízo fiscal acumulado de exercícios anteriores aos meses do ano calendário de 1996. É cediço que, a pessoa jurídica poderá compensar o prejuízo fiscal apurado na demonstração do lucro real e registrado no LALUR – Livro de Apuração do Lucro Real, desde que mantenha os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação. O artigo 509 do RIR/99 assim dispõe, in verbis: Art. 509 O prejuízo compensável é o apurado na demonstração do lucro real e registrado no LALUR (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art.64, § 1º, e Lei nº9.249, de 1995, art.6º e parágrafo único) O controle do valor dos prejuízos compensáveis, na forma da legislação vigente, deve ser feito na parte “B” do LALUR – Livro de Apuração do Lucro Real, cujo livro fiscal não fora apresentado à fiscalização apesar de intimado o contribuinte a fazêlo. Assim, ainda que declarados pela pessoa jurídica prejuízos fiscais nas DIPJ que alimentaram o SAPLI até 31/12/1995, não restaram os mesmos comprovados registrados no LALUR. Portanto, à míngua de tal comprovação temse como não passível de compensação na apuração mensal do lucro real de 1996, o saldo de prejuízos de exercícios anteriores que não foram comprovados registrados no LALUR. Do limite de compensação dos prejuízos fiscais A recorrente argúi que, a DRJ reconheceu, em sua decisão, que tendo a Recorrente atividade exclusivamente rural, a compensação dos seus prejuízos fiscais não estava sujeita ao limite de 30%. No entanto, a própria DRJ indevidamente optou por segregar as atividades, aplicando a trava de 30% na compensação dos prejuízos fiscais sobre as supostas "demais atividades”. Desse modo, entende evidente a contradição entre a decisão e os cálculos elaborados pela DRJ, uma vez que enquanto a primeira reconhece a não aplicação do limite de 30% nas compensações de prejuízo fiscal, o segundo não adota esse critério para o cálculo do imposto supostamente devido. Registrese que não constatei a afirmação da DRJ. Simplesmente a DRJ ao analisar o mérito da impugnação apresentada pela autuada fez a seguinte reprise sobre a argumentação da Recorrente constante do Relatório: 24. Acerca do mérito, a Defendente argúi que, por exercer atividade exclusivamente rural, a compensação de saldo negativo de IRPJ com lucro real antes da compensação não estaria restringida pelo limite de 30% previsto na legislação. Tal permissão, inclusive, teria sido objeto da Instrução Normativa do Secretário da Receita Federal de n° 39/1996 e do disposto no art. 512 do RIR11999. (GRIFEI) Portanto, a afirmação seria da lavra da Recorrente e não do voto condutor do acórdão recorrido, razão pela qual não se verifica a contradição apontada na defesa. Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 16 A Recorrente enfatiza que se dedica à exploração de atividade rural, nos termos do artigo 20 da Lei n° 8.023/90, cumulado com o artigo 59 da Lei n° 9.430/96, especificamente no cultivo de soja. Vale ressaltar que da DIPJ/97, (fls.04/39), constam resultados (ora positivo ora negativo) tanto da atividade geral quanto da atividade rural, portanto cai por terra qualquer alegação da Recorrente afastando as “demais atividades” além da atividade rural. Quanto a alegada aplicação da trava de 30%, conforme explicado no item anterior foram apuradas novas bases de cálculo ajustadas pela compensação dos prejuízos fiscais do próprio período base mensal, das demais atividades e atividade rural (entre si e sem a trava dos 30%) conforme demonstrado na decisão recorrida (fls.436/438). Portanto, foram utilizados os prejuízos fiscais mensais de 1996 apurados e declarados pelo contribuinte na DIPJ/97. A glosa da compensação se deu em relação a prejuízos fiscais de exercícios anteriores a 1996, não comprovados e sem registro no LALUR e não por aplicação da trava de 30%. Quanto à alegada segregação das atividades pela DRJ consta da decisão recorrida (fl.438) que a forma da demonstração segregada, no presente caso, decorre da maior precisão para fins apenas de alimentação do SAPLI, que não gerou diferença na apuração do IRPJ (Ficha 08) em relação à forma escolhida pela Fiscalização, por totalizar os valores na Atividade Rural, posto que não houve alteração na compensação de prejuízos fiscais das demais atividades, vejamos: 40. Salientese que a Fiscalização optou por totalizar os valores na Atividade Rural, enquanto, no presente voto, escolheuse demonstrar os resultados das Demais Atividades e da Atividade Rural apartados, o que não gera diferença na apuração do IRPJ (Ficha 08) em relação à forma escolhida pela Fiscalização, no presente caso, posto que não houve alteração na compensação de prejuízos fiscais das demais atividades a qual seria limitada a 30% do Lucro Real apurado. A escolha dessa forma de demonstração decorre da maior precisão para fins apenas de alimentação do SAPLI. Como afirmado a decisão recorrida (fls.436/438) manteve os prejuízos fiscais mensais de 1996 declarados e compensados pelo contribuinte na DIPJ/97 e não houve alteração na compensação de prejuízos fiscais das demais atividades e atividade rural, portanto não restou aplicada a limitação de 30% a que alude a recorrente. No tocante ao pedido de diligência fiscal descrita no relatório acima, vale esclarecer que o artigo 29 do Decreto nº 70.235/75 informa o princípio do livre convencimento do julgador quando estabelece que “ Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Tanto é, que foi solicitada a diligência com relatório às fls.257/259 cientificado ao contribuinte (fl.267) do qual não houve manifestação da recorrente . Em face do exposto, voto no sentido de afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Relatora Ester Marques Lins De Sousa Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13807.003874/200174 Acórdão n.º 1802001.238 S1TE02 Fl. 1.047 17 Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 14041.001008/2005-34
Data da sessão: Wed Feb 03 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
ARROLAMENTO DE BENS/DEPÓSITO RECURSAL.
Tendo em vista a liminar proferida pelo Poder Judiciário fica dispensada tal exigência para o regular processamento do recurso.
MULTA QUALIFICADA - GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS, PREVIDÊNCIA OFICIAL, DEPENDENTES, COM INSTRUÇÃO E PREVIDÊNCIA PRIVADA.
Diante das circunstâncias constantes nos autos, restou caracterizado o intuito de fraude do contribuinte, em razão de haver prestado declaração falsa com a intenção de reduzir o pagamento do imposto devido, devendo ser mantida a qualificação
IRPF - DEDUÇÃO - GLOSA.
Cabe ao sujeito passivo a comprovação, com documentação idônea, da efetividade das deduções na declaração de ajuste anual. A falta da comprovação permite o lançamento de oficio do imposto que deixou de ser pago.
TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais(Sumula CARF n° 04).
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-000.380
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SW/3,0 DE JULGAMENTO Processo n° 14041.001008/2005-34 Recurso n° 166.064 Voluntário Acórdão n" 2202-00.380 — 2 Camara / 2' Turma Ordinária Sessão de 03 de fevereiro de 2010 Matéria IRPF- Ex(s).: 2000 a 2004 Recorrente MARIO LUTZ GARCIA AMARAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 ARROLAMENTO DE BENS/DEPÓSITO RECURSAL. Tendo em vista a liminar proferida pelo Poder Judiciário fica dispensada tal exigência para o regular processamento do recurso. MULTA QUALIFICADA - GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS, PREVIDÊNCIA OFICIAL, DEPENDENTES, COM INSTRUÇÃO E PREVIDÊNCIA PRIVADA. Diante das circunstâncias constantes nos autos, restou caracterizado o intuito de fraude do contribuinte, em razão de haver prestado declaração falsa com a intenção de reduzir o pagamento do imposto devido, devendo ser mantida a qualificação IRPF - DEDUÇÃO - GLOSA. Cabe ao sujeito passivo a comprovação, corn documentação idônea, da efetividade das deduções na declaração de ajuste anual. A falta da comprovação permite o lançamento de oficio do imposto que deixou de ser pago. TAXA SELIC. A partir de 1" de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais(StImula CARF n° 04). Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. o Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. N - Presidente PEDRO AN N JUNIOR - Relator EDITADO EM: Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Junior, Maria Lúcia Moniz de Aragdo Calomino Astorga, Helenilson Cunha Pontes, Gustavo Lian Haddad e Nelson Mallmann (Presidente). 2 Processo n° 14041.001008/2005-34 S2-C2T2 Acórdão 11. 0 2202-00.380 Fl. 2 Relatório Contra o contribuinte MARIO LUIZ GARCIA AMARAL, inscrito no CPF sob n° 112.801.901-91, foi lavrado o auto de infração de f1.05/25, referente ao imposto de renda pessoa física, dos exercícios 2000 a 2004, anos-calendário 1999 a 2003. 0 crédito tributário apurado está assim constituído: Imposto 89.704,82 Multa (passível de redução) 134.557,21 Juros de Mora (calculados até 11/2005) 53.996,09 Valor do Crédito Tributário apurado 278.258,12 No decorrer da ação fiscal, foram emitidos os Mandados de Procedimento Fiscal e Termo de Inicio de Fiscalização todos devidamente notificados ao contribuinte. Consta do quadro demonstrativo das infrações que a presente ação fiscal teve a seguinte motivação: "0 Mandado de Procedimento Fiscal foi expedido em decorrência de operação deflagrada pela Receita Federal contra fraudadores do imposto de renda, denominada "Opera cão Leão Ferido", decorrente do cruzamento de informações constantes de seus bancos de dados. 0 ilícito consistia na apresentação de declarações reti ficadoras do IRPF alterando as informações originais, de .forma reiterada e sistemática, com a inclusão de deduções inexistentes objetivando a redução da base de cálculo do imposto de renda, mediante informações in verídicas, coin o objetivo de receber restituições indevidas. No que se refere à operação citada no parágrafo anterior, cabe ressaltar que .foram expedidos dois Mandados de Busca e Apreensão pelo Juiz Federal Ronaldo Desterro, da 12a. Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal, em 07/03/2005, para serem cumpridos na cidade de Itumbiara/G0 e Brasilia/DF por Delegados da Policia Federal e/ou agentes por ele designados, acompanhados de Auditores Fiscais da Receita Federal, na qualidade de assistentes técnicos, conforme decisão proferida nos autos da Quebra de Sigilo n° 2004.34.00.046543-5, objetivando a busca e apreensão de objetos que tenham serventia a comprovação de materialidade de delito tributário, especialmente computadores e arquivos eletrônicos. Destaque-se que os referidos Mandados de Busca e Apreensão foram cumpridos, nos termos em que foram determinados, sendo apreendidos documentos e computadores, em residências de algumas pessoas que participaram da fraude tributária em 3 diversas declarações de imposto de renda de vários contribuintes, dentre as quais algumas declarações retificadoras do fiscalizado, objeto da presente ação fiscal. Assim, em 26/03/2005, o contribuinte tomou cijncia do Termo de Inicio de Fiscalização, encaminhado via postal, coin Aviso de Recebimento, solicitando a apresentação dos documentos comprobató rios de todas as deduções pleiteadas nas declarações do Imposto de Renda Pessoa Física dos exercícios de 2000 a 2004." Após análise dos documentos apresentados em atendimento ao termo de inicio de ação fiscal e outros termos de intimações a fiscalização constatou as seguintes infrações em decorrência de glosas de despesas pleiteadas indevidamente em declarações retificadoras, com fraude à legislação tributária, conforme demonstrativos de descrição dos fatos e enquadramento legal, f1.06/26. 001 - Dedução da Base de Cálculo Pleiteada Indevidamente — Previdência Oficial Glosas de despesas de Previdência Oficial não comprovadas, nos valores de R$15.328,83, R$15.422,77, R$18.237,34, R$21.636,78 e R$30.876,34, nos anos-calendário de 1999 a 2003, respectivamente. Multa de Oficio de 150%. 002 - Dedução da Base de Cálculo Pleiteada Indevidamente - Dependente Glosas das deduções pleiteadas com dependentes, por falta de comprovação da dependência, pelo motivos expostos na descrição da infração. Nos valores de R$2.160,00, R$3.240,00, R$1.080,00, R$1.272,00 e R$2.544,00, nos anos 1999 a 2003. Multa de Oficio de 150%. 003 - Dedução da Base de Cálculo Pleiteada Indevidamente - Despesas Medicas Glosas de despesas medicas pleiteadas indevidamente, nos valores de R$14.785,70, R$14.784,70, R$14.256,80, R$14.185,80 e RS14.733,00, nos anos-calendário de 1999 a 2003, respectivamente. Multa de Oficio de 150%. 004 - Dedução da Base de Cálculo Pleiteada Indevidamente - Despesas com Instrução Glosas de deduções com despesas com instrução, pleiteadas indevidamente, nos valores de R$11.900,00 (anos de 1999 e 2000), R$8.500,00 ( ano de 2001) e R$5.994,00 (anos de 2002 e 2003), respectivamente. Multa de Oficio de 150%. 005 - Dedução da Base de Cálculo Pleiteada Indevidamente —Previdência Privada e Fapi Glosas de despesas não comprovadas a titulo de Previdência Privada/FAPI, informado como pagas ao Instituto de Previdência dos Congressistas, nos valores de R$15.863,70, R$15.895,70, R$18.486,70, R$18.472,70 e R$28.648,50, nos anos-calendário de 1999 a 2003, respectivamente. Multa de Oficio de 150%. 0 Auditor-Fiscal responsável pelo presente lançamento, em cumprimento ao disposto na Portaria SRF n° 326, de 15 de março de 2005, procedeu A. lavratura de Representação Fiscal para Fins Penais, Processo 14041.0001013/2005-47, por entender que ficou demonstrada a ocorrência de fatos que, em tese, configuram crime contra a ordem tributária nos tenTios de artigo 1" da Lei n° 8.137, de 27 de dezembro de 1990. 4 Processo n° 14041.001008/2005-34 S2-C2T2 AcórcHio n.° 2202-00.380 Fl. 3 Pelas razões expostas foi aplicada a Multa de Lançamento de Oficio qualificada sobre o valor do imposto devido no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento). Regularmente intimado do lançamento o contribuinte inicialmente se reporta ao auto de infração, as conclusões e as penalidades que lhe foram impostas, para em seguida apresentar as suas razões de defesa sob os seguintes títulos. As Imputações: Deduções Indevidas em declarações de Renda Alega que foram glosadas da base de cálculo de suas declarações anuais as despesas descritas no auto de infração, ora impugnado, sob o fundamento de que não foram apresentadas as comprovações das referidas despesas, resultando no lançamento em questão corn imposto devido com vencimento anual acrescido de multas de 75% e 150%, com base nos incisos I e II do art. 44, da Lei 9.430/96, e, ainda, de juros de mora equivalente a taxa Selic prevista no §3" do art. 61 do mesmo dispositivo legal. Acrescenta que toda a ação fiscal se baseou nas informações da chamada "Operação Ledo Ferido", deflagrada pela SRF e Policia Federal, corn o objetivo de desmontar uma quadrilha de fraudadores do fisco federal. A esse respeito, o contribuinte ressalta que nunca se envolveu em problema com a Receita Federal, e que foi tão vitima quanto o Estado de uma fraude a qual não deu causa. Não agiu com dolo, conluio ou intuito frandulento, mas sim, foi enganado por terceiros que, em abuso da sua boa-fé, disseram-lhe que tinha direitos legais a valores em restituição, decorrentes de uma alegada "diferença de restituições atrasadas" e que o resíduo seria devido pela Receita Federal aos contribuintes. Relata os detalhes referentes aos contatos iniciais corn os profissionais que enviaram as declarações retificadoras, e informa que a partir dai, ele, como outras pessoas, passaram a lhes entregar as suas declarações de rendimentos dos últimos 5 anos acompanhadas dos recibos originais de deduções legais já declaradas ao fisco, mas não foram informados de que seria feita uma declaração de rendimentos retificadora, bem como que a mesma seria falsa. Continuando diz que não houve autorização alguma para que fosse promovida uma declaração retificadora das suas anteriores, mesmo porque todas as declarações originais estavam corretas. Nunca assinou urna autorização ou o que quer que seja que levasse a tal ato promovido por terceiros sem a sua anuência. Nunca lhe foi dito, tampouco autorizada a efetivação de retificações de qualquer natureza e muito menos falsificando dados e colocando empresas e profissionais como recebedores de valores que nunca a eles foi pago. Alega que é servidor público e pouco conhece dos procedimentos fiscais, pois, é um recolhedor de impostos na fonte. Novamente diz ter sido enganado, como centenas de outros contribuintes, cidadãos honestos que acreditaram tratar-se de recebimento de valores efetivamente devidos pela Receita. Cita os nomes das pessoas que faziam os contatos referentes as restituições, as quais não conhecia anteriormente, e, informa que grande parte da documentação comprobatOria das despesas dedutiveis glosadas no lançamento em questão não foi por ele reavida, todas referentes as declarações originais e corretas. 5 Prosseguindo, argumenta ele, que o lançamento não pode prosperar, eis que não foram considerados os esclarecimentos prestados, as provas produzidas e as razões de direito que apresentou, optando a fiscalização por interpretar os fatos e a legislação de regência de forma a atender a pretensão do fisco, o que evidencia a precariedade do lançamento conforme demonstrará. Em seguida, faz um longo arrazoado, onde discorre sobre as presunções, citando ensinamentos de tributaristas, jurisprudência administrativa e judicial, para defender a tese que o lançamento foi feito com base em presunção. Conclui que a fiscalização para promover o lançamento, tomou por base indícios de que ele seria culpado pelos fatos ocorridos, e desconsiderou as informações e os esclarecimentos dados desde o inicio, de que era tão vitima quanto o Estado nestes fatos. Nessa linha de entendimento, diz que houve arbítrio puro e simples praticado com a lavratura do auto de infração que suporta o lançamento ex-officio levado a efeito pela fiscalização e em multas de patamares altíssimos e injustificáveis. Acrescenta, que não há como se praticar o arbítrio em nome do arbitramento de multas elevadissimas e glosas de lançamento sem a busca real dos fatos. 0 que implica dizer que o arbitramento é um instrumental colocado A disposição do fisco para ser utilizado numa situação de extrema necessidade. Conclui, que não seria o caso, tendo em vista que as suas declarações originais estavam corretas e nada há que imponha as glosas efetuadas. As retificadoras foram decorrentes de atos aos quais ele não deu causa, foi lesado e enganado, violado em sua boa fé e não pode ser penalizado por algo a que não deu causa. Repisa o fato que está sendo castigado absurdamente e neste ponto cita reportagem publicada em jornal local, A. época em que os fatos ocorreram, onde o presidente do STJ dar a sua opinião sobre o assunto. Alega que a jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes recomenda que as declarações de rendimentos, outros documentos e esclarecimentos prestados, somente poderão ser impugnados pelo fisco com elementos seguros de prova. Protesta por aditamento à presente impugnação, requer a improcedência do lançamento e coloca-se A disposição para todos e quaisquer esclarecimentos. Volta a declarar que não formulou as declarações retificadoras que geraram as restituições, que não autorizou ninguém a fazê-las, e outros argumentos nesse sentido, e conclui, que se houve ato ilegal praticado, o foi pelos fraudadores que o enganaram. Responsabilizar o sujeito passivo da obrigação tributária, esta hipótese, seria o mesmo que fazer corn que a vitima pague pelo autor do fato. Ao final deste tópico, discorre sobre fraude e conluio, e conclui, que no caso, não há que se falar em má-fé ou dolo do impugnante. Não sendo, portanto, a imposição de penalidade agravada, a melhor justiça ao contribuinte lesado e enganado por terceiros. O Caráter Confiseatório das Multas Impostas Argüi a ilegalidade das multas impostas, apesar de decorrerem de Leis vigentes, posto que caracterizam um verdadeiro excesso, urn verdadeiro desvio de finalidade, violando a Constituição Federal. 6 Processo n" 14041.001008/2005-34 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.380 Fl. 4 Acrescenta que esta argüição se baseia no fato de que a titulo de multas foi cobrado quase o dobro sobre um suposto valor principal devido. A partir dai cita o inciso IV, do artigo 150, da Constituição Federal, ensinamento de tributaristas, decisões judiciais para desenvolver a tese de que o valor imposto a titulo de multa é elevado, configurando urn verdadeiro confisco de seu patrimônio. A Ilegalidade da aplicação da Taxa Se lic Questiona a aplicação da taxa SELIC como juros moratórios, em face de inconstitucionalidade da sua aplicação, urna vez que essa taxa não foi criada por lei para fins tributários, conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça, cujo trecho transcreve. Por último, o contribuinte alega que a autoridade fiscal poderá vir a comprovar bem como localizar parte da documentação que fora entregue aos fraudadores, recorrendo aos autos do processo policial que, inclusive, quebrou sigilo fiscal de contribuintes e também fez busca e apreensão de documentos, processo n° 2004.34.00.046543-5 e requer, para tanto, a realização de diligências. Requer, ainda a revisão dos elevadíssimos valores de multas bem corno dos juros selic aplicados, devendo, ainda, ser retificada de oficio por essa autoridade fiscal julgadora, corno manda a lei, qualquer irregularidade constante do auto de infração. Da Diligência realizada Nos termos do despacho de fl. 189/190 o julgamento do processo foi convertido em diligência para que o autuante juntasse ao processo documentos base da decisão proferida nos autos do processo n° 2004.34.00.046543-5, e, em atendimento, este apresentou os seguintes documentos: 1- Memorando n° 014/2005 SRRF 01/Difis, 2- Oficio n° 2423/05/DPFGO; 3- Mandados de Busca e Apreensão e Auto e Termo Circunstanciados; 4- cópias de documentos nos quais consta o nome do contribuinte, fl.196/203; 5-modelo de correspondência do Sr. José Godinho Pontes, na qual ele devolve documentos ao seu cliente e solicita que seja efetuado o pagamento pelos serviços prestados, correspondentes a 5% do valor da restituição recebida, fl. 205; 6- relações de pessoas jurídicas que eram utilizadas para justificar as despesas fictícias inseridas nas declarações retificadoras, fl. 206/211. 0 autuante destacou, ainda, o fato de que não foram encontrados, dentre o que foi apreendido, documentos que comprovariam as despesas pleiteadas nas declarações do contribuinte. 0 contribuinte foi devidamente notificado do resultado da diligência e não se manifestou. A autoridade recorrida, ao examinar o pleito, decidiu, por unanimidade pela procedência parcial do lançamento através do acórdão DRJ/BSA n° 18.253, de 24/08/2006, As fls. 222/235, cuja ementa está abaixo transcrita: Assunto: Imposto sabre a Renda de Pessoa Física - IRPF 7 Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 DEDUÇÕES INDEVIDAS/CONTRIBUIÇÕES Al PREVIDÊNCIA OFICIAL / DEPENDENTES/DESPESAS MÉDICAS / DESPESAS COM INSTRUÇÃO/ CONTRIBUIÇÕES A PREVIDÊNCIA PRIVADA. A apuração pelo Fisco de deduções indevidas de despesas, pleiteadas em declarações de rendimentos retificadoras, de forma reiterada, em vários exercícios, com o objetivo de receber restituições indevidas, caracteriza o ilícito tributário, e justifica o lançamento de oficio sobre os valores subtraídos da base de cálculo do imposto. MULTA DE OFICIO QUALIFICADA Cabível a imposição da niulta qualificada de 150%, prevista no art. 44, II, da Lei n" 9.430/1996, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se, em tese, dentre as hipóteses tipificadas nos artigos 71, 72 e 73, da Lei mi " 4.502, de 1964. JUROS DE MORA - TAXA SELIC. É cabível, por expressa disposição legal, a exigência de juros de mora. A partir de 01/04/1995 os juros de mora serão equivalentes ã taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC. Devidamente cientificado dessa decisão em 27/09/2006, ingressou o contribuinte corn recurso voluntário tempestivamente em 02/10/2067, onde ratifica os argumentos apresentados na impugnação. o relatório 8 Processo n° 14041.001008/2005-34 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.380 Fl. 5 Voto Conselheiro PEDRO ANAN JUNIOR, Relator 0 recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, devendo, portanto ser conhecido. a) Depósito RecursaUArrolamento de bens No que diz respeito ao Depósito Recursal/Arrolamento de Bens, ingressou o recorrente em 17 de outubro de 2006, com Mandado de Segurança processo n° 2006.34.00.031613-2, cujo pedido era assegurar a regular tramitaçdo do recurso administrativo junto ao conselho de contribuintes sem a exigência do depósito ou arrolamento de bens fls 174/175. O recorrente obteve a liminar em 14/11/2006, fls. 171/172, que autorizou o processamento do recurso sem a necessidade do depósito de 30%. Além do mais o arrolamento de bens, por força da Ato Declaratório Interpretativo RFB n° 9, de 05 de junho de 2007, deixou de ser exigido: O SECRETA'RIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, SUBSTITUTO, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 224 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal Brasil, aprovado pela Portaria ME n°95, de $0 de abril de 2007, e tendo em vista o disposto no art. 1", § 1" do Dectvio n" 2.$,16, de 10 de outubro de 1997, e que na Ação Direta de Inconstitucionalidade n" 1976 o Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucional o disposto no art. 32 da Lei n".10.522, de 19 dc/ui/mo de 7:002, que deu nova redação ao art. 33„,F 2° do Dt'Cret0 a" 70.235. de 6 de março de 1972, declara: Art. 1' Não será exigido o arrolamento de bens e direitos como condição para seguimento do recurso voluntário. Art. 2" A autoridade administrativa de jurisdição do domicilio tributário do sujeito passivo providenciará o cancelamento, perante os respectivos órgãos de registro, dos arrolamentos já efetuados. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 9 Desta forma, tendo em vista a liminar proferida pela Poder Judiciário, entendo que o depósito ou arrolamento de bens não é necessário no presente caso. MULTA QUALIFICADA Pelo recurso apresentado pelo Recorrente a discussão ficou restrita a aplicação da multa e dos juros. dão origem preceitua: Com relação a multa qualificada no percentual de 150%, as atividades que sua aplicação estão na Lei n° 9.430 de 27 de dezembro de 1996, que assim Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I — de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o venci llent0 do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte. II — cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos arts. 71, 72, e 73 da Lei n" 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Os mencionados artigos da Lei n°4.502/1964, determinam: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I — da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; 11 — das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. 1 0 Processo n° 14041.001008/2005-34 S2-C2T2 Acórcli.lo 11." 2202-00.380 Fl. 6 Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. A Lei n° 4.729/1965, assim definiu sonegação fiscal. Art. 1" Constitui crime de sonegação fiscal: I — prestar declaração falsa ou omitir, total ou parcialmente, informação que deva ser produzida a agentes das pessoas jurídicas de direito público inferno, com a intenção de eximir-se, total ou parciahnente, do pagamento de tributos, taxas e quaisquer adicionais devidos por lei,. II — inserir elementos inexatos ou omitir rendimentos ou operação de qualquer natureza em documentos ou livros exigidos pelas leis fiscais, com a intenção de exonerar-se do pagamento de tributos devidos a Fazenda Pública; III — alterar faturas e quaisquer documentos relativos a operações mercantis com o propósito de fraudar a Fazenda Pública, IV — Fornecer ou emitir documentos graciosos ou alterar despesas majorando-as, com o objetivo de obter dedução de tributos devidos à Fazenda Pública, sem prejuízo das sanções administrativas cabíveis. Logo, para aplicar a multa qualificada no percentual de 150% , o auditor fiscal conseguiu provar através da investigação promovida nos autos do processo administrativo que a ação ou omissão do contribuinte foi dolosa, requisito este indispensável para seu enquadramento nos tipos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°4.502/1964. 0 conceito de dolo esta no inciso I do art. 18 do Decreto-lei n° 2.848, de 7 de dezembro de 1940 — Código Penal, ou seja, crime doloso é aquele em que o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo. Ao conceituar dessa forma, a lei penal adotou a teoria da vontade. Os elementos do dolo, de acordo com a teoria da vontade são: vontade de agir ou de se omitir; consciência da conduta (ação ou omissão) e do seu resultado; e consciência de que esta ação ou omissão vai levar ao resultado (nexo causal). 0 dolo é elemento especifico da sonegação, da fraude e do conluio, que o diferencia da mera falta de pagamento do tributo ou da simples omissão de rendimentos na declaração de ajuste anual, seja ela pelos mais variados motivos que se possa alegar. Restando comprovado o evidente intuito de fraude, a multa qualificada de 150% deve ser mantida. DEDUÇÕES DE DESPESAS 0 objeto de nossa análise é a parte do auto de infração lavrado contra a recorrente, que teve corno objeto glosa de valores referentes a previdência oficial, dependente, serviços médicos, instrução e previdência privada que teriam sido considerados com dedução da base de cálculo da IRPF dos anos calendários de 1999 a 2003. Observa-se que o sujeito passivo não trouxe aos autos elementos suficientes para firmar a convicção de que os alegado pagamentos foram efetivamente realizados. Simplesmente alegou que não autorizou a retificação dás declarações de imposto de renda pessoa fisica. As deduções permitidas quando da apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda somente podem ocorrer quando ficar comprovada a sua efetiva realização. evidente que o legislador não poderia estabelecer que o documento apresentado pelo contribuinte, por si só, fosse suficiente para permitir a dedução do gasto na apuração da base de cálculo do imposto de renda. Tão importante quanto o preenchimento dos requisitos formais do documento comprobatório da despesa, é a constatação da efetividade do pagamento direcionado ao fim indicado. Isto quer dizer que os documentos relacionados As despesas perrnitidas como dedução da base de cálculo do imposto sobre a renda não representam uma presunção absoluta a inquestionável, pois, sempre que necessário, a autoridade tributária poderá exigir do sujeito passivo a comprovação da sua efetividade. Comprovar a efetividade da despesa não é simplesmente apresentar os documentos que lastreiam a dedução. E mais do que isso: na comprovação da efetividade do gasto, devem ser apresentadas as provas da saída dos recursos e a destinação coincidente com o fim utilizado. Resta que não foram apresentados os documentos para comprovar as deduções objeto do auto de infração referente aos anos-calendários de 1999 a 2003. Ademais, que o recorrente nada mais carreou aos autos para confirmar a prestação dos serviços que não a alegação de que não autorizou a retificação das Declarações de Rendimentos. Caberia a ele, que pleiteou as deduções, provar que efetivamente houve o pagamento pelos supostos serviços prestados e/ou a efetividade da sua prestação, vez que teve oportunidades para fazê-lo. Tais circunstâncias, somadas As constatações por parte da autoridade fiscal, no tocante a fatos que infirmam a efetividade dos serviços prestados, levam-nos a confirmar a glosa perpetrada referente As deduções efetuadas. 12 Processo n° 14041.001008/2005-34 S2-C2T2 Aeórao n.° 2202-00.380 Fl. 7 JUROS SELIC No que diz respeito ao argumento da indevida aplicação da SELIC como juros de mora, entendo que o mesmo não procede, uma vez que o artigo 13, da Lei no 9.065, de 20 de junho de 1995 prevê a sua aplicação sobre os tributos em atraso: Art. 13. A partir de I" de abril de 1995, os juros de que tratam a aluiea C do parágrafo linico do art. 14 da Lei n°8.847, de 28 de fancily) de 1994, com a redação dada pelo art. 6" da Lei n" 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei n°8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágmfb único, alínea a.2, da Lei n" 8.981, de 1995, serão equivalentes c't taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIG para títulos federais, acumulada mensalmente. Desta forma, como a cobrança em auto de infração dos juros de mora (calculados pela Taxa SELIC) decorre da aplicação de dispositivos legais vigentes e eficazes na época de sua lavratura. Em decorrência dos princípios da legalidade e da indisponibilidade, os referidos dispositivos legais são de aplicação compulsória pelos agentes públicos, até a sua retirada do mundo jurídico, mediante revogação ou resolução do Senado Federal que declare sua inconstitucionalidade Alem do mais tendo em vista a Súmula n° 04 do 1° Conselho de Contribuintes, a aplicação da SELIC é devida aos débitos administrados pela Receita Federal do Brasil: Súmula 1 0 CC 11 0 4: A partir de 1" de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimpléncia, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIG para títulos federais Desta forma, não procede o argumento apresentado pelo contribuinte no que diz respeito a essa matéria. Assipor tu4 o que dos autos consta, VOTO por NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO do cotitribuinte. ) PEDRO ANAN JUNIOR 13
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Numero do processo: 10880.030503/99-08
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2002
Numero da decisão: 202-00.400
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, declinar competência ao Terceiro Conselho de Contribuintes para o julgamento do recurso, em razão da matéria.
Nome do relator: Raimar da Silva Aguiar
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Numero do processo: 13643.000747/2007-29
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário: 2006
MULTA POR ATRASO. DCTF. COOPERATIVA. INSTITUIÇÃO ISENTA.
As cooperativas não se enquadram no conceito legal de instituição isenta. É devida a multa por atraso na entrega de DCTF quando provado que sua entrega se deu após o prazo fixado na legislação.
Numero da decisão: 1803-000.912
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Selene Ferreira de Moraes
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2006 MULTA POR ATRASO. DCTF. COOPERATIVA. INSTITUIÇÃO ISENTA. As cooperativas não se enquadram no conceito legal de instituição isenta. É devida a multa por atraso na entrega de DCTF quando provado que sua entrega se deu após o prazo fixado na legislação.
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DCTF. COOPERATIVA. INSTITUIÇÃO ISENTA. As cooperativas não se enquadram no conceito legal de instituição isenta. É devida a multa por atraso na entrega de DCTF quando provado que sua entrega se deu após o prazo fixado na legislação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Fl. 29DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 16/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13643.000747/200729 Acórdão n.º 180300.912 S1TE03 Fl. 29 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “Tratase de lançamento de multa por atraso na entrega de Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais DCTF, no valor de R$ 500,00, relativamente ao 2° semestre do ano calendário 2006, conforme auto de infração de fl. 02. Contra a exigência acima, a contribuinte apresentou impugnação, na qual argumenta, em resumo, que a entrega da DCTF se deu dentro do prazo definido no art. 1° da IN SRF 730/2007.” A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente, em decisão assim ementada: “MULTA POR ATRASO. DCTF. devida a multa por atraso na entrega de DCTF quando provado que sua entrega se deu após o prazo fixado na legislação.” Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que reitera as alegações contidas na impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Selene Ferreira de Moraes A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 23/09/2010 (AR de fls. 20). O recurso foi postado em 27/09/2009, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. A recorrente não contestou os fundamentos da decisão recorrida, limitandose a afirmar que enviou a DCTF no prazo legal, por ser entidade isenta. O art. 15 da Lei n° 9.532/1997 define claramente o conceito de entidade isenta: “Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 30DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 16/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13643.000747/200729 Acórdão n.º 180300.912 S1TE03 Fl. 30 3 § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. § 2º Não estão abrangidos pela isenção do imposto de renda os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável.” Resta claro que uma cooperativa, por exercer atividade de caráter econômico, não se enquadra neste conceito legal. Não merece reparos a decisão recorrida, sendo que adoto no presente voto integralmente suas razões de decidir, a seguir reproduzidas: “A impugnação apresentada atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/1972 PAF. Dela conheço. A IN SRF n° 730/07 fixou o prazo para entrega de DCTF para os contribuintes isentos, a saber: Art. 1° Os arts. 9°, 12 e 14 da Instrução Normativa SRF n° 695, de 14 de dezembro de 2006, passam a vigorar com as seguintes alterações: Art. 14 Excepcionalmente, as pessoas jurídicas imunes e as isentas, cujo valor mensal de impostos e contribuições a declarar seja inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais), as autarquias e as fundações públicas e os órgãos públicos da administração direta dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios deverão apresentar as DCTF relativas aos 1° e 2° semestres de 2006 até o quinto dia útil do mês de maio de 2007." Cumpre verificar se a impugnante se enquadra no conceito de pessoa jurídica isenta, tendo sido o prazo para apresentação da DCTF dilatado até o quinto dia útil do mês de maio de 2007. É prevista em legislação especifica relacionada ao IRPJ a não tributação somente das operações realizadas com cooperados (atos cooperativos) e não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias. As sociedades cooperativas não estão incluídas entre as instituições isentas, que são aquelas de caráter filantrópico, recreativo, cultural e cientifico e as associações civis, conforme redação do art.174, do RIR11999, Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999: "art. 174 Estão isentas do imposto as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e cientifico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos (Lei n° 9.532, de 1997, arts.I 5 e 18)." A sociedade cooperativa é uma entidade diferente das entidades isentas e é regida por uma legislação especifica (Lei n° 5.764, de Fl. 31DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 16/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13643.000747/200729 Acórdão n.º 180300.912 S1TE03 Fl. 31 4 16 de dezembro de 1971), estando os atos cooperativos situados no campo da não incidência do IRPJ. Por outro lado, os atos com não cooperados são tributados normalmente. 0 raciocínio é semelhante para os demais tributos e contribuições, respeitadas as características próprias da legislação de cada um, isto é, a hipótese de incidência ou não de um tributo ou contribuição federal sobre os atos cooperativos praticados por cooperativas agropecuárias, não as dispensa do cumprimento da obrigação acessória de entrega da DCTF. Fica evidenciado que as cooperativas agropecuárias não atendem aos requisitos de excepcionalidade trazidos no art. 10 da IN SRF 730/2007. A entrega da DCTF oc rreu em 03/05/2007 e seu vencimento em 09/04/2007, portanto, em atraso.” Ante todo o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 32DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Assinado digitalmente em 16/06/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 00810.044563/82-86
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 1984
Ementa: Imposto de Importação - Infrações Administrativas ao Controle das Importações - Regime de drawback - Acréscimos de mercadorias não acobertados por aditivos aos Atos Concessório - Cabível a exigência dos tributos, da multa por falta de GI e da multa por declaração indevida. Excluída a Hipótese de superfaturamento - Incabíveis as multas por falta de fatura e por falta de mercadoria na descarga. A base de calculo da multa do artigo 169 do DL nº 37/66 sujeita-se ao
disposto nos arts. 24 e 169, § 6º do DL nº 37/66
Recurso provido parcialmente
Numero da decisão: 303-23.751
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, em rejeitar, por maioria de votos, a preliminar de
diligencia, vencido o Conselheiro Sidney de Campos Pessoa; quanto ao mérito, em dar provimento, em parte, ao recurso, por maioria de votos, para excluir do computo da exigência os valores relativos as multas do DL nº 37/66: art. 106, IV a e II, d; art. 169, II, III - d e III - c - 2. Reduzir a multa do art. 108 do DL nº 37/66, de 100% —para 50%. Excluir a exigência da multa do art. 1º do DL n] 1.736/79. Retificar a -base de calculo da multa do art. 169 do DL nº 37/66 mediante aplicação no calculo respectivo, da taxa cambial vigente na data do registro da D.I. Vencidos os Conselheiros Paulo Moreno de Almeida, relator, que somente excluía a exigência das multas do art. 106, IV, a, e
169, III - d, do DL nº 37/66 e Joao Evangelista Carneiro da Cunha
Neto que somente excluia a exigência das multas dos artigos 106, IV, a, 106, II - d, 169, III - d, do DL nº 37/66 e do artigo 1º do DL nº 1.736/79, na forma do relatório e votos que passam a integrar o presente julgado. Designada relatora a Conselheira Judite de Carvalho Guerra.
Nome do relator: Paulo Moreno de Almeida
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Excluida a Hipátese de superfaturamento - Incabiveis as multas por falta de fa- tura e por falta de mercadoria na descarga - A base de c a l- culo da multa do artigo 169 do DL n 2 37/66 sujeita li-se ao disposto nos arts. 24 e 169, § 6 2 do DL n 2 37/66 - Recurso provido parcialmente. Visto, relatado e discutido o presente processo, ACORDAM os Membros da Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, em rejeitar, por maioria de votos, a preliminar de 'diligencia, vencido o Conselheiro Sidney de Campos Pessoa; quanto ao merito, em dar provimento, em parte, ao recurso, por maioria' de , vo- tos, para excluir do computo da exigencia os valores relativos as mul • tas do DL n 2 37/66: art. 106, IV a e II, d; art. 169, II, III - d e III - c - 2. Reduzir a multa do a7t. 108 do DL n 2 37/66, de 100% —para 50%. Excluir a exi; gencia da multa do art. 1 2 do DL n 2 1.736/79. Reti- ficar a base de calculo da multa do art. 169 do DL n 2 37/66 ' mediante- , aplicaçao no calculo respectivo, da taxa cambial vigente na data do registro da D.I. Vencidos os Conselheiros Paulo Moreno de Almeida, re lator, que somente excluia a exigencia das multas do art. 106, IV, -a- e 169, III - d, do DL n 2 37/66 e Joao Evangelista Carneiro da Cunh-J. Neto que somente excluia a exigencia das multas dos artigos 106, IV, a, 106, II - d, 169, III - d, do DL n 2 37/66 e do artigo 1 2 Ido DL n2 1.736/79, na forma do relatorio e votos que passam a integrar o pre- sente julgado. Designada relatora a Conselheira Judite de Carvalho Gue1 ra. Sala das Sess 'ães, em 23 de maio de 1984. 44, b Á .? HINDEMBURGO DOBAL TEIXEIRA - Presidente di o -":". (ie ce...N4,~ ex i 1 11JUDITE E.---- RVALHO GUE RA 7 Rela ora Designada ler O 2 JUL 1984 ,r)A OL GAR40 SIL fRA VERS 1 1 DOS/ ANJOS - Procurador da Fa- 7 , zenda Nacional , V/---- / V Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes', Conselheiros: ENILA LEITE FREITAS CHAGAS JOÃO EVANGELISTA CARNEIRO DA CUNHA NETO LUIZ CARLOS NOGUEIRA PAULO MORENO DE ALMEIDA PAULO SÉ. RGLO VIEIRA LIMA SIDNEY DE CAMPOS PESSOA • - 2 Recurso: 106.412 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Acórdão: 303-23.751 ME - TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES RECORRENTE - BURROUGHS ELETRnNICA LTDA RECORRIDA - DRF - Sn PAULO RELATOR 10 BURROUGHS ELETRÔNICA LTDA foi autuada em 30 de abril de 1982 e intimada para pagar imposto de importaçãoflimposto sobre produtos industrializados, multas cominadas no DL 37/66: ar- tigos 106, II-d e IV a; 108 caput e parãgrafo único; 169, I-b, II, o Ill-c-2 e Ill-d; multas cominadas no art. 393 do RIPI e no artigo parãgrafo 'único do DL 1.736/79, em-virtude de vãrias irregula- ridades observadas na importação das mercadorias despachadas pe- las declarações de importação relacionadas no auto de infração, de fls. 01/17, lido em Sessão. A interessada contesta a exigência fiscal (fls. 288/274) sendo as razões respctivas lidas em Sessão. A autoridade julgadora singular defere em parte a impugnação para excluir a par cela de Cr$2.876,42, relativa ã multa do art. 108 do DL 37/66,con- forme decisão de fls. 293/303, sob os fundamentos: " Considerando que os argumentos da impugnante quanto ã multa im- posta por divergência de pais de origem e procedência das mercado- rias importadas, referentes ãs D.I's. 500842/80, 501409/80,502763/ 80 e 505303/80, não foram de molde a modificar o entendimento cons 110 tante do procedimento fiscal, visto, principalmente, que os elenca dos acórdãos e demais decisórios anexados ao processo antecedem a vigência da Lei 6562/78 que deu nova redação ao artigo 169 do DL 37/66, além de se referirem a situações diversas das do presente procedimento; Considerando que pais de origem e procedência são requisitos de con trole das importaçOes, integrantes das próprias G.I's. eoportanto abrangidos pelo inciso III, do art. 169, acima referido;o Considerando que ficou comprovado no processo as alegadas faltas de mercadorias em vãrias adições das D.I's 501409/80, 502.685/80, 502701/80,502705/80 e 502763/80, conforme observaçOes apostas nos quadros 24 das referidas Dls, por ocasião da conferêncialfisica; Considerando que por outro tanto, em diversas adições das Dls ns. 500842/80, 501039/80, 502685/80, 502701/80, 502705/80, 502763/80 e 503303/80, foi constatado mercadorias não constantes das aturas - 3 Recurso: 106.412 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Acórdão: 303-23.751 que acompanhavam tais despachos; Considerando que do exame da documentação existente no processo se verifica ter havido, efetivamente, falsa declaração de conteúdo, de quantidade e de valor, e que tais fatos constituem infração capitu- lada no art. 108, do Decreto-lei 37/66, desde que excedidos os limi- tes a que se refere o próprio artigo; Considerando que, no caso da adição n? 005 da Dl n? 502685/80, a di- ferença na quantidade de mercadoria esta dentro da tolerãncia acima mencionada; Considerando que relativamente ãs Dls ns. 501408/80, 501409/80, 500842/80, 501039/80, 502701/80 e 502705/80, em varias adições, fo- ram encontradas mercadorias desamparadas de licenciamento, cuja com provação para tanto basta a simples confrontação das Gls que acober tam tais despachos com as mercadorias apontadas pela fiscalização; Considerando que foram emitidos Anexos de Gls fora do prazo, para as DIs ns. 501039/80, 501408/80, 502685/80, 502701/80 e 502705/80, o que se comprova com a simples confrontação das datas constantes dos despachos com as dos referidos anexos; Considerando que a figura do superfaturamento, constitui, nos casos do presente processo - adição 007 da DI503303/80 - infração ao mes- mo tempo fiscal e administrativa ao controle das importações; Considerando que o valor utilizado para conversão da taxa de cãmbio no caso de aplicação de multa por infração administrativa ao con- trole das importações sera o da data da apuração das infrações se- gundo pacifico entendimento administrativo; Considerando que não ocorre, no presente processo, aplicação simul- tãnea de varias infrações a cuja proibição se refere o 4? do ar- tigo 169 do DL 37/66, visto que se referem a adições diferentes, conforme apontadas no Auto de Infração de fls.; Considerando que o regime "drawback tão somente ampara mercadorias acobertadas pelas respectivas guias de importação, sendo 'de se co- brar os tributos para aquelas encontradas ao desabrigo do licencia- mento;" Segue-se o recurso de fls. 307/313, cujas ra- zões são lidas em Sessão. *(\iti)tjtA E "o relatório. - 4 Recurso: 106.412 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL AcOrdão: 303-23.751 VOTO A interessada requer a realização de diligência ê CACEX (fls. 313), dizendo: 4( A suposta infração ao disposto no in- ciso II do artigo 169 do DL 37/66, com a redação do artigo 29 da Lei 6562/78, inexiste, o que pode ser corroborado pela prOpei CACEX MOTIVO PELO QUAL SE REQUER SEJA O PROCESSO BAIXADO EM DILIGência jun to ao citado Orgão". Entendo desnecessãria a diligência porquanto os elementos do processo são suficientes ao deslinde da questão. Rejei- to a preliminar arguida. Acompanho, no mérito, por iguais fundamentos, o voto do ilustre Relator no tocante ã exclusão da exigência das mul- tas cominadas no DL 37/66: artigo 106, IV-a, por falta de fatura e artigo 169, Ill-d, por divergências em parte das mercadorias impor- . tadas, de origem e procedência das mesmas, considerando, inclusive, o Ofício da CACEX, de fls. 287/8. A multa por falta de mercadoria -- art. 106,1I-d, do DL 37/66 -- incabível de ser imputada ao importador, no caso dos autos. As divergências observadas em ato de conferência física, nas declaraçaes de importação, em confronto com os outros documentos de importação e com a prOpria mercadoria, segundo a interessada, fo- ram objeto de retificaçOes mediante DCIs. Verifiquei que dos autos constam diversas Deis, algumas das quais, entretanto, não propiciam • completo conhecimento das divergências apontadas (exclusão e inclu- são de mercadorias em adiçOes; correção de número e data de Atos Concessórios; refazimento de adiçOes; correção de valores globais; correção de classificação, etc), mas também não se justifica, no caso, a aplicação da multa do artigo 108, parãgrafo único, 'do DL 37/66. Reduzo essa multa, de 100% para 50%. Verifiquei quea quase totalidade das operaçOes esteve amparada pelo regime de drawback,res salvado parte relacionada com Anexo II ês DIs. Restou incomprovado ~ que os excedentes de mercadorias arrolados no auto de infraçao ti- vessem sido objeto de aditivos aos Atos ConcessOrios respectivos. Mantenho, portanto, a exigência dos tributos e da multa doartigo 169, I-b, do DL 37/66. Não se comprova, no entanto, o supet l fatura- mento arguido pelo Fiscal autuante. Observe-se a DCI de fls. 235, corrigindo valores, inclusive quanto a preços unitãrios. Excluo a multa do art. 169, II, do DL 37/66. A multa do artigo 169,111-c2 (20%) deve ser excluida por força do disposto no 49 do art. 169 - 5 Recurso: 106.412 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL AcOrdão: 303-23.751 do DL 37166, determinando que "na ocorrência simultãnea de mais de uma infração, sera punida aquela a que for cominada penalidade mais grave': A multa mantida do artigo 169,1-b, de 30%, exclui a do art. 169, 111-c2, de 20%. A multa do artigo 393 do RIPI deve ser mantida pois a prOpria norma denomina a penalidade aplicada de multa basica, cuja imposição resulta simplesmente de falta de lançamento ou de re- colhimento no prazo e na forma legalmente previstos. A multa de mora do artigo 19 do DL 1736/79 é incabível no caso, pois a norma de re- , gência realça sua incompatibilidade com a exigência de multa especi- fica aplicavel em cada caso. A base de calculo da multa do art. 169 do DL 37/66 ê integrada pelo valor da mercadoria. Nesse caso, ha dis 011 positivo legal (arts. 24 e 169, §, 69 do DL 37/66) determinando que - ] na conversão da moeda estrangeira seja utilizada a taxa cambial vi- gente na data do fato gerador do imposto. Entendo que deve ser redu- zida aludida base de calculo, nos termos da lei. Em virtude do exposto, dou provimento parcial ao recurso para excluir do cOmputo da exigência os valores relativos as multas do DL 37/66: art. 106, 1V-a e II-d; art. 169,11, Ill-d e 111-c2. Reduzir a multa do artigo 108 do DL 37/66 de 100% para 50%. Excluir a exigência da multa do artigo 19, paragrafo iinico,do DL 1736/79. Retificar a base de calculo da multa do art. 169 do DL 37/66 mediante aplicação no calculo respectivo da taxa cambial vi- gente na data do registro da Dl correspondente. • Sala das Sessões 23 de maio de 1984. g.-e_4amiat,w Wt-em" UDITE DE CARVALHO GUERRA - Rel. designada. ' Recurso 106.412 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Acordao 303 - 23.751 VOTO VENCIDO A recorrente mantem em seu recurso apenas a preliminar de di ligencia junto a CACEX, com relaçao a multa de Cr5367.190,13, pela falta de 0.1.1 no esclarecendo perfeitamente o movel dessa iniciati- va, tendo abandonado as demais apresentadas na impugnaçao. Pela obscuridade do pedido, rejeito a preliminar (art.17 1 § unico do Decreto n 2 70.235/72). Quanto ao merito, a primeira materia a considerar eH3 fato de que as importaçoes abrangidas na aço fiscal foram realizadas com • suspenso de tributos, pelo regime especial de "draw-back":Essa mo dalidade foi atribuida a CACEX, pela Resoluçao n 2 1.033, de 19-7-71, da Comisso de Politica Aduaneira, detentora da competencia legal originaria, que a autorizará segundo ritual que consiste, resumida- mente, no preenchimento do pedido de "draw-back", contendo:..as opera çoes pretendidas e a indicaçao da Delegacia da Receita Federal da jurisdiçao do importador; preenchimento do anexo de "draw-back",com discriminaçao das mercadorias a importar e a exportar; preenchimen- to do aditivo de pedido de "draw-back", para eventuais prorrogaçao de prazo e alteraçoes de condiçoes pre-estabelecidas;obtençao de guia de importaçao, inclusive generica, complementada por anexo;as- sinatura de termo de responsabilidade, declarando que as mercadori- . as- a importar sao estritamente necessarias a produçao dos b e ns a • exportar e que podera apresentar, a qualquer poca, laudo tecnico caracterizando essa vinculaçao entre os bens. Quanto as atribuiçoes da Secretaria da Receita Federal l o item 3 da Portaria ME n 2 36, de 11-02-82, que estabelece normas' de apli- _ caçao e controle do "draw-back", diz: "Ressalvada a competencia da Comisso de Politica Aduaneira, constitui atribuiçao da Secretaria da Receita Federal a fiscaliza- . I çao de tributos, nesta compreendidos o lançamento de credito tribu- r .trio, sua exclusao em razao do reconhecimento dos beneficios fis cais concedidos e a verificaçao, a qualquer tempo, do regular cum "" primento, pelo benefici,g rio, dos requisitos e condiçoes fixados pe- la legislaçao pertinente."E mais, o item 6: "A aplicaçao dos beneficios fiscais, por repartiçao aduanei- . ra, basear-se-a nas informaçoes da CACEX contidas na Via II da guia de importaçao referida no item 5." Item 6.2: "No caso de importaçao amparada em guia de importaçao generi ca, a aplicaçao dos beneficios fiscais basear-se- a nos anexos a CI. Recurso 106.412 • SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Acordao 303 - 23.751 acompanhados da Via II da respectiva guia ou de sua copia autentica da pela CACEX, quando os despachos ocorrerem por diferentes reparti çoes aduaneiras." Os dispositivos citados, que detalham normas hierarquicas su periores, estabelecem os antecedentes normativos teoricos, que deli mitam a realizaçao da importaçao voluntariamente praticada pelo par ticular, que ao consumar o fato propicia as condiçoes essenciais pa ra a instauraçao da relaçao juridica da obrigaçao tributaria previs ta, o pagamento do imposto, suspenso no caso em foco, ou as sançoes, que ora se exige. Nao ha como esconder a evidencia do fato: parte das mercado- . • rias importadas nao se enquadrou nos pre-requisitos do regime espe- cial, estando, dessa forma, exclufdas dele por ato soberanO da auto ridade aduaneira as que vieram descobertas de documentaçao l em exces so, ou em falta, ou trocadas por outras porque frustraram o objetivo do favor, devendo, entretanto, o ciculo do debito constituldo obser var o criterio do § 6g do art. 1 6 9 do Decreto-lei n g 37/6 6 , na nova redaçao da Lei n 5 6.562/7e. Quanto a divergencia dePatsés de origem e procedencia,EUA e Canada, parceiros, como o Brasil, na mesma area de conversibilidade moneteria, se mantidas todas as demais características, inclusive o • valor, e de se acolher a roclamaçao da recorrente, em conformidade com o entendimento firmado neste Conselho, para casos ar glOgos.E pe la mesma o p erencia jurisprudencial, acolher, tambem, a rejeiçao da multa pela falta de fatura. Diante do exposto, voto para dar provimento parcialtao recur so, quanto a exclusao das penalidades relativas a divergencia de pa ises, que no tenham implicado em diferenças de valor, mantidas to tas as demais caracteristicas, bem como a penalidade por falta de fatura comercial (art. 106, inciso IV, letra "a", do Decreto-lei ng 37/66); quanto ao ciculo do debito constituldo„ deve ser'observa- , do o disposto no § 6 g do art. 2 g da Lei n 5 6.562/78. e 1 Brasilia - DF em 23 de maio de 1984, PAuCrt(TE- 0 DE ALMEIDA - Relatar vencido OLS/CF
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Numero do processo: 10435.001279/2005-13
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2001, 2002, 2003
Ementa: DESCRIÇÃO FATICA — a alegação de que a descrição Mica não
foi suficientemente minuciosa, o que vicia o lançamento não procede. A acusação foi clara e edificada com elementos suficientes para o sujeito passivo exercer coin plenitude o direito à ampla defesa e ao contraditório.
VENDAS CANCELADAS — a alegação de que a autoridade fiscal, ao
constituir o credito tributário em razão de omissão de vendas, deixou de deduzir as vendas canceladas, deve ser provada e, ainda assim, não enseja a improcedência integral da autuação, mas apenas a sua redução até o montante comprovado.
Numero da decisão: 1201-000.196
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
Nome do relator: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2001, 2002, 2003 Ementa: DESCRIÇÃO FATICA — a alegação de que a descrição Mica não foi suficientemente minuciosa, o que vicia o lançamento não procede. A acusação foi clara e edificada com elementos suficientes para o sujeito passivo exercer coin plenitude o direito à ampla defesa e ao contraditório. VENDAS CANCELADAS — a alegação de que a autoridade fiscal, ao constituir o credito tributário em razão de omissão de vendas, deixou de deduzir as vendas canceladas, deve ser provada e, ainda assim, não enseja a improcedência integral da autuação, mas apenas a sua redução até o montante comprovado.
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo )1'1 10435.001279/2005-13 Recurso n° 169.423 Voluntário Acórdão n° 1201 -00.196 — 2 Câmara / la Turma Ordinária Sessão de 10 de dezembro de 2009 Matéria IRPJ e outros Recorrente Exportadora Gervásio Comércio Ltda Recorrida 3' Turma/DRJ-REC/PE Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2001, 2002, 2003 Ementa: DESCRIÇÃO FATICA — a alegação de que a descrição Mica não foi suficientemente minuciosa, o que vicia o lançamento não procede. A acusação foi clara e edificada com elementos suficientes para o sujeito passivo exercer coin plenitude o direito à ampla defesa e ao contraditório. VENDAS CANCELADAS — a alegação de que a autoridade fiscal, ao constituir o credito tributário em razão de omissão de vendas, deixou de deduzir as vendas canceladas, deve ser provada e, ainda assim, não enseja a improcedência integral da autuação, mas apenas a sua redução até o montante comprovado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar prov en ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgad CLAUDEMIR ROI GUES MALAQUIAS - Presidente. ‘ GU1LFIE1ME ADOLFO D Z S SANTOS MENDES - Relator. Impress° em "08120 2 po) ANDREA FERNANnES GARCiA - VERSO EM BRANCO PE CARUARU DRF FL 976 EDITADO EM: a 4 MAI 2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego (Presidente da Turma), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Alexandre Barbosa Jaguaribe, Marcelo Cuba Netto (Suplente Convocado), Regis Magalhães Soares Queiroz, Antonio Carlos Guidoni Filho (Vice Presidente de Turma). 2 impresso em 17/08/2012 por ANDREA l'E.2.-- 14NDE:Ss GARCIA - VERSO EM BRANCO PE CARUARU DRF FL 977 Processo n° 10435.001279/2005-13 Acórdão n.° 1201-00.196 SI-C2T1 Fl. 2 9*-6 Relatório DA AUTUAÇÃO E DA IMPUGNAÇÃO Em ação fiscal direta em face do contribuinte em epígrafe, foram lavrados, rclativaniente aos anos-calendário de 2000 a 2002, autos de infração de Imposto de Renda ressoa Jurídica, Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, PIS e Cofins. 0 sujeito passivo apresentou impugnação as fls. 820 a 842. Abaixo tomo de empréstimo o relatório elaborado pela autoridade julgadora de primeiro grau acerca das referidas peças de acusação e defesa: Contra a empresa supra qualificada foram lavrados os Autos de Infração a seguir especificados, para exigência de crédito tributário relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, 1RPJ, Contribuição para o Programa de Integração Social, PIS, Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, CSLL e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, COFINS: Tributo Fls. Imposto/ Contribuiçao _JUros de Mora Multa Proporcional Total R$ IRPJ 03 174.581,90 108.551,55 130.936,39 414.069,84 PIS 15 74.040,69 48.628,18 55.530,42 178.199,29 CSLL 26 122.255,10 78.359,34 91.691,27 292.305,71 COFINS 38 341.726,69 224.438,68 256.294,94 822.460,31 Total - - - 1.707.035,15 De acordo com o Relatório de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal its fls. 04 a 06 e Termo de Verificação e de Encerramento de Ação Fiscal, fls. 809 a 817, foi constatada omissão de receita no curso dos anos-calendários de 2000 a 2002, provocada pela comercialização de produtos através de notas fiscais avulsas, de emissão do fisco estadual (Pernambuco, Paraiba, Rio grande do Norte e Sergipe) não registradas nos assentamentos fiscais e contdbeis da empresa, fato que implicou na falta de recolhimento dos tributos. relativos à pessoa Jurídica, IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Tudo conforme Planilhas com a identificação das vendas dos produtos para diversas pessoas jurídicas e listagens mensais das receitas auferidas, base de cálculo dos tributos lançados. impvesso em 1710812012 por ANDREA FERNANDES GARC,A - VERSO LNI BRANCO PE CARUARU DIU FL 978 Foi efetuado lançamento para os fatos geradores informados cis fls. 04 e 05 com respectivo enquadramento legal àfl. 06. Devidamente intimada, a autuada, por seu representante, documento à jl. 843, apresentou impugnação eis fls. 820 a 842 fazendo, em síntese, as alegações a seguir descritas. Preliminarmente alega nulidade do lançamento por falta de descriçJo minuciosa da infração, ferindo o art. IO inciso implicartdo em nulidade nos termo do art. 59 inciso II di:posh' iros do Decreto 70.235/1972.Houve, no entender da defesa, falta de indicação clara e precisa da irregularidade constatada e referencia precisa dos dispositivos infringidos o que caracteriza evidente vicio de forma suficiente para invalidar o lançamento. Acusa a ocorrência de afronta a vários princípios constitucionais como: da legalidade objetiva, da oficialidade, da verdade material, da capacidade contributiva, da moralidade e da tipicidade. Acrescenta ter havido ainda afronta ao inciso IV do art. 150 da Constituição Federal de 1988 que veda a utilização de tributo com efeito de confisco. Questiona a aplicação da taxa SELIG' mais uma vez se referindo a afronta a vários princípios constitucionais. A defesa se refere e cita vários doutrinadores e jurisprudência sobre a matéria ásfls. 822 a 832. Finaliza alegando que as deficiências no lançamento, até agora apontadas, comprometem o legitimo direito de defesa nos termos do art. 5° inciso LV da CF/1988. DO MÉRITO A defesa acusa não existir nos autos demonstração das exclusões dos valores não integrantes das bases de cálculo dos tributos lançados como as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, as devoluções de vendas etc. na sua opinião, o trabalho fiscal deveria utilizar-se do mesmo zelo, dispensado na apuração das supostas receitas, na identificaçii o dos valores excludentes das mesmas. Que a empresa não teve condições temporal nem material para esclarecer as dúvidas do fisco e apresentar comprovação da regularidade do seu negócio, em função da extrema exigüidade dos prazos concedidos, a despeito do dever do fisco de formalizar intimações, sempre que surjam dúvidas no decorrer da auditoria fiscal, com prazo mínimo de 20 dias, art. 835, sç 3' do RIR11999. Não foi garantido ao contribuinte o direito de acompanhar devidamente a instrução processual e a fase instrutória da fiscalização, ocasião em que o fiscalizado deve, necessariamente, ser ouvido e providenciar as provas necessárias e requeridas pela fiscalização para que se alcance a verdade material. Ao fisco compete promover investigações consistentes a partir de fatos indiscutíveis e inquestionáveis e não meras presunções ou palpites para a produção de autos de infração sem cuidar em determinar com precisão a matéria tributável, tentando Impresso em 17/0812012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO 4 PF, -CARUARU .DRF FL 979 S1-C2T1 Fl. 3 C,17 Processo n0 10435.00127912005-13 AcOrdão n.° 1201-00.196 transferir essa incumbência para o sujeito passivo na expectativa de que deficiências nos esclarecimentos e na defesa terminem por tornar liquida e certa a incerta e indeterminada matéria tributável. Afirma que o demonstrativo anual das receitas operacionais mensais recebidas de pessoas jurídicas foi elaborado de forma aleatória, não esclarecendo a realização das exclusões a que se refere o art. 244 parágrafo único do RIR11999, A empresa reconhece a ocorrência de falha na sua contabilidade no entanto, jamais justificaria uma imposição fiscal nos moldes aqui pretendidos. Que, por certo, constam de suas D1PJ Lucro Presumido e de sua contabilidade receitas tidas, pelo fisco, como omitidas, uma diligência fiscal poderá averiguar esse fato.A empresa reconheceu nos autos que os recursos encaminhados pelas ' pessoas jurídicas são da atividade comercial da Exportadora Gervásio Comércio LTDA., todavia, não reconhece os valores listados no demonstrativo 'receitas operacionais mensais recebidas de pessoas jurídicas' como passíveis de tributação, sem a realização de uma investigação profunda para sua depuração, correspondente h exclusão das parcelas que não integram a base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. A empresa informa à fl. 835 os valores de receita operacional declaradas por trimestre em sua DIPJ para os anos-calendários de 2000, 2001 e 2002 e, que, por conseqüência, foram pagos os devidos tributos, cabe ficar esclarecido, nos autos, se tais valores foram considerados na autuação, se os valores tidos como omitidos já constam inclusos nestas receitas declaradas ou não. Portanto, o fisco não determinou com precisão a matéria tributável, base de cálculo, transferindo, ilegalmente, esta competência para o sujeito passivo, afrontando o art. 142 do CTN. A defesa tece comentários sobre a vincula ção à lei do lançamento, sobre a não possibilidade de discricionariedade da autoridade fiscal por ocasião do lançamento sobre a absoluta necessidade de provas da conduta irregular do sujeito passivo se valendo da doutrina sobre o assunto por meio de citações e transcrições às fis. 836 a 841. Requer a adoção de todas as providências legais e técnicas que se fizerem necessárias para o afastamento das suspeitas fiscais nos termos do an. 18 do Decreto 70.235/1972, e que sejam acatadas as preliminares e declarada a nulidade da exigência com base no inciso lido art. 59 do referido Decreto. E, em caso de não acolhimento das preliminares, sejam acolhidos os argumentos descaracterizadores da exigência fiscal assentada em levantamento desprovido de consistência legal. DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU impress° em 17/C812012 por ANDREA FEkNANOL'S OARCiA - VERSO EM DRANO0 F, CARUARU DRF FL 980 A decisão recorrida (fls. 925 a 935) negou provimento à defesa, nos termos da ementa a seguir reproduzida: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2000, 2001, 2002 PRELIMINAR DE NULIDADE. Estando, o lançamento revestido das formalidades previstas no ail. 10 do Decreto rt.° 70.235/72, sem preterição do direito de defesa, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. einus do interessado juntar aos autos os elementos de prova que possui, não podendo dele se eximir mediante solicitação vaga de diligência. Ademais, é insustentável pedido de diligência de caráter genérico, sem os motivos que a justifiquem e sem a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados. ONUS DA PROVA. Inicialmente cabe ao Fisco demonstrar a ocorrência do fato jurídico tributário. Ao sujeito passivo compete, igualmente, apresentar os elementos que provam o direito alegado, bem assim elidir a imputação da irregularidade apontada. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2000, 2001, 2002 ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. ESFERA ADMINISTRATIVA. COMPETÊNCIA. Incabível a argüição de inconstitucionalidade na esfera administrativa visando afastar obrigação tributária regularmente constituída, por transbordar os limites de competência desta esfera, o exame da matéria do ponto de vista constitucional. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001, 2002 OMISSÃO DE RECEITAS.NOTAS FISCAIS NÃO ESCRITURADAS, não escrituragão de notas fiscais de vendas e não comprovação da tributação da receita auferida caracteriza a prática de omissão de receitas passível de lançamento de oficio. AUTOS REFLEXOS. 0 decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica- se it tributação dele decorrente. Impresso em V7/0012012 por ANDREA FERNANDES GARCiA - VERSO EM BRANCO 6 PE 'CARUARU DRE H. 981 Processo n° 10435.001279/2005-13 Acórdão n.° 1201-00.196 S1-C2T1 FL 4 9 Do RECURSO VOLUNTÁRIO 0 sujeito passivo apresentou recurso voluntário, as fls. 941 a 958, mediante o qual repisou (alias, de forma ipsis litteris) os argumentos já trazidos na impugnação. o que basta para o relatório. Passamos ao voto. Impress° em 170312012 )or ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO PE CARUARU DRF FL 9". "7 Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes De inicio vlle destacar que o recurso voluntário não atacou nenhum ponto da decisão em si. E urna verdadeira cópia da impugnação, a qual, por sinal, apresenta argumentos vagos e sem qualquer elemento probatório do que afirma. ecidas essas considerações iniciais, passamos a explicitar cada um dos pontos ventilados pela defesa. Nulidade por falta de descrição minuciosa da infração Além das considerações já tecidas na decisão de primeiro grau, segundo a qual, em resumo, a autuação não viola qualquer dos requisitos estampados no art. 59 do Decreto 70.235/72 e por isso não pode ser considerado nulo, devo dizer que a descrição fitica promovida pela autoridade fiscal é sobremaneira clara e, mesmo que não fosse, esse vicio ensejaria improcedência da autuação e não a sua nulidade. De toda sorte, repito, a elaboração do auto de infração está clara e precisa, permitindo ao autuado exercer com plenitude seu direito de defesa. Pedido de diligencia e pericia Quanto ao pedido de diligência e perícia, a defesa não carreia aos autos qualquer elemento, por menor que seja, de caráter meramente indiciário, que nos leve a cogitar que na sua escrituração poderemos encontrar provas capazes de infirmar a autuação. Não há, pois, a menor razão para deferir tal pleito. Mérito Não exclusão de valores, como vendas canceladas Em relação à alegada exclusão de valores da receita bruta, também não merece qualquer reparo a decisão recorrida. Caberia à defesa carrear aos autos os documentos capazes de comprovar tais fatos. Isso é ônus da defesi, mas não trouxe nenhum documento. Aliás, nem sequer apontou valores ou indicou onde documentos poderiam ser encontrados. Como já havia afirmado no inicio do meu voto, a defesa é absolutamente vaga. Possivelmente foi elaborada com o único intuito de procrastinar a cobrança do auto de infração. Selic Impress° em 17/M2012 pc ANDREA FERNANDES GARClA - VERSO EM BRANCO PE *CARUARU FL 983 Processo n° 10435.001279/2005-13 S1-C2T1 Acórdão n.° 1201-00.196 Fl. 5 9-72- Por fim, em relação ao questionamento da aplicação de juros de mora à taxa SELIC, cumpri-nos apenas aplicar o entendimento já sumulado: "Súmula 1° CC re 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratários incidentes sobre débitos tributários administrados p2la Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIG para títulos federais". Por todo o exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, para negar provimento ao recurso voluntário. Guilhe Adolfo dos S tos Mendes Impresso em 17103/212 per ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO
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Numero do processo: 10830.000257/2004-84
Data da sessão: Fri May 21 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 2002
MULTA OFÍCIO ISOLADA, CABIMENTO
Seiá exigida multa de oficio isolada no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRP.1) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) sobre base de calculo estimada, que deixar de fazê-lo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a CSLL, no ano-calendário correspondente
Assunto): NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2002
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA, RETROAilVIDADF. BENIGNA.
Por força do disposto no art. 14 da Lei 1.10 11,488, de 15 de lunho de 2007, que deu nova iedação ao alf. 44 da Lei 1112 9.430, de 1996, c/c art. 106, 11, do Código Tributário Nacional (CTN), deve ser reduzida a multa de oficio isolada aplicada ao percentual de 50 % (cinquenta por cento) (retroatividade,
benigna) "JUROS DE MORA. TAXA SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Cart) não é competente para se pronunciar sobre a ineonstitucionalidade de lei tributária (Súmula. Cari' 2)
Numero da decisão: 1803-000.443
Decisão: Acordam os membros do Colegiada por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para reduzir a multa de ofício isolada aplicada ao percentual de 50 % (cinquenta por cento), nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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BENIGNA. Por força do disposto no art. 14 da Lei 1.10 11,488, de 15 de lunho de 2007, que deu nova iedação ao alf. 44 da Lei 11 12 9.430, de 1996, c/c art. 106, 11, do Código Tributário Nacional (CTN), deve ser reduzida a multa de oficio isolada aplicada ao percentual de 50 % (cinquenta por cento) (retroatividade, benigna) "JUROS DE MORA. TAXA SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Cart) não é competente para se pronunciar sobre a ineonstitucionalidade de lei tributária (Súmula. Cari' 2) Acordam os membros do Colegiada por unanimidade de votos, dary).i\r{\ provimento parcial ao recurso, para reduzir a multa de ofício isolada aplicada ao net centual db-) 50 % (cinquenta por cento), nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.. •: • - Presidente Processo n" 10830 000257/200i-$'l SI-TI03 Acón n 1 803-00..44.3 1.1 157 Sérgio Rodrigues Mendes - Relator EM- FADO EM: 21/05/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Solene Ferreira de Moraes, Benedicto Celso Benicio Júnior, Walter Adolfo Maresch, Luciano Inocêncio dos Santos, Sérgio Rodrigues Mendes e Diuiz Raposo e Silva. Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido, na parte ainda objeto de litígio (fls. 136 a 139): Trata-w de Auto de Infração, lavrado era 21/01/2004, relativo à aplicação de multa isolada devido à in yuficiêncià de recolhimento de e,stimativas de IRPJ, que fatinalizou o crédito tributário no valor total de R$ 598.392,59. C. '0/1.5.0tink? o Termo de Constatação Fiscal, à ft 04/06, a contribuinte cometeu as seguintes infrações .I\lo mês de dezembro de 2001, apurou em sua com base em balancete de ,wispensão/redução„ estimativa de IRP,I no valor de R$ 541.661,71 Considerando (7.5 compensações infOrmadas na .1)C13. 7 retificadora (11$ 114 )40.41), ajustada pelo agente fiscal para R$ 115 479,33, dc.ixou a contribuinte de declarar e recolher o montante de RI 426 182,38, confirme quadro a seguir.. 1 -1 - Inconfinmada com a autuação, cuja ciência fio dada em 21/01/2004, a contribuinte prou)colizou impugnação de lis 94/104, em 20/02/2004 Em .síntese, aduz, efil .sua defesa, as seguintes razões de falo e de direito. 1 No mês de dezembro de 2001, existe uma diveig-ência entre o valor- declarado na DIP,1/2002 e o con.starne na DC11 . ' do 4' trimestre de 2001. De . fato, o valor apontado na declaração de rendimentos é o correto. Contudo, a 10i:ri-mação prestada na DCTF é ineons. istente, pois a antecipação do IR foi integralmente recolhida tempesitunnente„ confirme 1)41117 em anevo,- 2 Processo ri 10830 000257/2004-M E03 Acimrio n." 1803-00.443 11 188 A decisão da instância a quo foi assim cimentada na parte ainda objeto de litígio (fils 135 e 136): ASSUNTO. IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDiCA t - Data do falo gerador 31/12/2001 MULTA NOLA DA ,FALTA DE RECOURMENTO DA ESTIMA 71E4 Tendo optado pela forma de tribulação dos lucros com ha u.> lucro real anual, a pessoa jurídica fica sujeita às anteCipaç:Ôn. do Imposto de Renda 1i1CHW-lis por estimativa. O não- recolhimento Ou O recolhimento a menor do it il.)," _sujeita a pessoa jurídica à multa de oficio isolada prevista na legislação. Cientificada da referida decisão em 29/06/2007 (A..R. de fls. 147), a tempo, em 24/07/2007, apresenta a interessada recurso de fls. 148 a - 164, nele argumentando, cru síntese: a) que não procede a manutenção da exigência relativa à multa de oficio isolada por não-recolhimento de antecipação mensal de 1RPj, referente ao mês dc dezembro de 2001; b) que o montante devido a título de ajuste anual do IRPJ foi integralmente recolhido em 28/03/2002, com a incidência de .juros moratorios, como se o vencimento tivesse ocorrido na data do vencimento da própria estimativa ielativa ao mês de dezembro de 200 - 1 (em 31/01/2002); e) que o Primeiro Conselho de Contribuintes já firmou entendimento de que a imposição de multa de ofício por não-recolhimento de estimativas mensais somente faz sentido se operada no curso do próprio ano- calendário ou, se após o seu encerramento, se da irregularidade praticada pela. contribuinte (falta de recolhimento ou recolhimento a menor) resultar prejuízo ao fisco, como a insuficiência de recolhimento mensal frente à apuração, depois de encerrado o ano-calendário, de contribuição devida. maior do que a recolhida por estimativa; d) que, no caso dos autos, tendo oconido o encerramento do ano-calendário e recolhido lodo o 1RPJ devido no período com a incidência de juros moratórios desd.e .31/01/2002 (data de recolhimento da alegada estimativa), é forçoso reconhecer que não cometeu qualquer irregularidade material que justificasse a imposição dessa penalidade; e) que não houve qualquer prejuízo ao Fisco pela conduta adotada; f) que o recolhimento foi leito espontaneamente, antes de qualquer procedimento fiscal, não havendo que se falar eia insuficiência de recolhimento e, conseqüentem.ente, em cobrança de multa, conforme art. 138 do CTN e pacífica jurisprudência do Conselho de Contribuintes e do Superior Tribunal de Justiça (SI]); e Piocesso n' 10830 000257/2001 S 1-1E03 Aci)idão n ' 1803-00443 U1 189 g) que a adoção da taxa de juros Selic, para cálculo de juros moratorios, ilegal e inconstitucional. Hm mesa para julgamento Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do l'CCLIrS0 . Alega a recorrente que, embora conste nos Documentos de Arrecadação de Receitas Federais (Darfs) juntados por copia de lis 115, a data de vencimento de 28/03/2002 e o código de receita 2430 (1R1'..) 1.),ls obrigadas ao lucro real - entidades não financeiras - declaração de ajuste anual), o recolhimento teria sido efetuado com a incidência de juros moratórios, como se o vencimento tivesse ocorrido na data do vencimento da própria estimativa relativa ao mês de dezembro de 2001. (em 31/01/2002), Dispõe o art.. 6" da Lei n" 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (grifbu-se): Ari 6" O imposto devido, apurado na lin ma do art 2" [pagamento por estimativa, esclareça -se], demiTá ser pago até o ultimo dia /161 do mês subsequente àquele a que se referir. § 1" O saldo do imposio apurado em 31 de dezembro será. 1 - pago em quota única, até o ultimo dia ntil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, obsei vado o disposto no 2", 2" O saldo do imposto a pagar de que traia o inciso 1 do parágrafo anterior será acrescido de . juros calculados à ta..va a que se refere o 3" do art. 5 0, a partir de 1" de levei eiro até o último dia rio mês anterior ao do pa gamento e de um poi cento rircs do pagamento 3" O prazo a que se 1éfi3 e o inciso 1 do 5̀, 1" não se aplica ao imposto relativo ao TIMS de dezembro. (pie deverá sei' pago até o ultimo dia r'ail do mês de janeiro (10 (MO Wil)SegljelliC Conforme se observa, prevê a própria lei que o saldo do imposto apurado em 31 de dezembro seja acrescido de juros calculados à taxa Selic, a partir de 1" de fevereiro até o último dia do in.C's anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Assim, O lato de a t cemente assim haver procedido não transforma relendo saldo de imposto apurado em 31 de dezembro em estimativa do mês de dezembro A estimativa do mês de dezembro era devida; não foi recolhida Incide, pois, a multa de oficio isolada prevista em lei, 4 Processo a 10530 00025712004-til SI 1003 Acórdão " 1803-00.443 11. 190 A firma a interessada que não teria havido qualquer prejuízo ao Fisco pela conduta adotada, transcrevendo entendimentos de acórdãos do extinto Primeiro Conselho de Contri bu•in tes. Cumpre observar, nesse ponto, que não pode o simples intérprete e aplicador da lei se arvorar no direito de .julgar ter havido, ou não, prejuízo à Fazenda Nacional, quando a • própria lei, expressamente, deixou de atender a esse parâmetro, para efeito de aplicação de penalidades, como se observa a seguir (destacou-se): Art 44. Nos casos de lançamento de ofício, .serão aplicadas as seguintes multas, calculadas ,sobre a totalidade ou diferença tributo ou contribuição.. - de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento Ou recolhimento, pagamento Ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falia de declaração e nos dc declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte,: l"AS multas de que trata este artigo serão exigidas: ._"1, IV - isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição „social sobre o lucro líquido, na lOrma do art 2", que deixar de .. fazê-lo, ainda que tenha apurado prdulzo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano- calendário cor 7 .eSpOildenie, Observa-se, por oportuno, que, se a multa é cabível mesmo na hipótese de se verificar prejuízo ao -final do período de apuração, a penalidade é imposta não em razão do pagamento insuficiente do tributo devido ao final da apuração, mas, sim, pela falta de cumprimento de outra obrigação distinta, que é o recolhimento antecipado da estimativa. mensal Assim, se não há coincidência de motivação, se as causas são dispares, se os fundamentos são diversos, não cabe falar em duplicidade de punição, não cabe apontar dupla. incidência sobre a mesma infração, não cabe alegar bis ia idem Outra observação pertinente, é a de que a base de cálculo das antecipações e a do IRPJ c da CSLL devidos no ajuste anual são distintas. Enquanto as antecipações são calculadas com base na receita bruta (sobre a qual se aplica um percentual fixado em função da atividade do contribuinte) e acréscimos, a base de cálculo do IRPT e da CSLL, é o lucro líquido contábil ajustado pelas adições e exclusões prescritas na legislação. Por outro lado, carece de sentido pretender-se limitar a aplicação da multa de oficio isolada, prevista pela lei, apenas "no curso do próprio ano-calendário", quando ela, a lei, a tanto não dispôs, Processo rl`' 10S:30 00025772004-84 51-1 1103 Acórd'Jto ii" 1803-00.443 P1 M Entender o contrário conduziria ao absurdo de, com relação à estimativa do mês de novembro, por exemplo, não ser possível qualquer procedimento fiscal, ..ja que o seu venciinento se dá - como é sabido - no último dia útil do mês de dezembro.. Argumenta a recorrente que o recolhimento tbi feito espontaneamente, antes de qualquer procedimento fiscal.. É de se indagar: qual recolhimento tbi feito? Não foi o da estimativa do mês de dezembro, mas a do saldo de imposto apurado em 31 de dezembró que, com aquela não se confunde. Por fim, com relação à suposta ilegalidade e inconstitucional idade da adoção da taxa de .juros Sehe, defendida pela reconente, incidem na espécie as Súmulas CARF 2 e 4, de seguinte teor: Súmula CARI" n" 2 . O CART não é competente para se pronunciar solve a ineonstitueionalidade de lei ti ibutói ia Súmula CARI? a' 4 ii partir de 1" de abril da 199.5, o.s 1.1-fr().N' moratórios- incidentes sobre débito nibutários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos-, no período da inadimplência, e) tara referencial do Sistema E.spe:.'cial de .Liquidação e Custódia - SELIC [mia titulas- jimlerins Retroatividade benigna -Por força do disposto no art. 14 da Lei d 11.488, de 15 de junho de 2007, que deu nova redação ao nt. 44 da Lei n9 9.430, de 1996, c/c ait 106, II, "e", do Código Tributário Nacional (CTN"), deve ser reduzida a multa de oficio isolada aplicada ao percentual de 50 1)/0 (cinquenta por cento). Conclusão Em táce do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de _DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para reduzir a multa de oficio isolada aplicada ao percentual de 50 % (cinquenta por cento). É como voto. Sérg=i-ãLrigues -ndes (,/ MINIS I ÉRIO DA L,\ZEND/X CONSFLII0 ADMINISTRATIVO DF R.F.{_',LIRSOS FISCAIS _ ()DARIA GAMARA - PREMIARA SR;ÃO Pr °cesso n" : 10830 000157/1004-.84 Aeoidao : 1803-00,413 TERMO DE INTIMAÇÃO intime-se uni dos Pi ()eu t adotes da Fazenda Nacional, credenciado janto a este Conselho, da decisão consubstanciado no acórdão supi a, nos lermos do arL. 81, § 3 0 , do anexo H, do Regimento Interno do CAR F, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009. asilia, 09 de _julho de 2010 ristela e , 4 •10_.rukROJok_d,eá onsa fnI?t,3/ d S ocrigue Seci ela: ia da ( amara Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: I I apenas com ciência; E _I com Recurso Especial; I com Embai gos de Decio] aça() MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS - GARE Processo n° . 10830.000257/2004-84 Interessado(a) : COMPANHIA PAULISTA DE ENERCIA ELÉTRICA TERMO DE JUNTADA l a Seção Declaro que juntei aos autos original do acórdão n° 1803-00.443 (fls. ), e certifico que a cópia arquivada neste Conselho confere com o mesmo. Encaminhem-se os presentes autos à Procuradoria da Fazenda Nacional, para ciência do acórdão. Em ASSINATURA
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Numero do processo: 19679.008970/2003-60
Data da sessão: Wed May 19 00:00:00 UTC 2010
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO
PORTE - SIMPLES
Exercício: 2003
ADE DEFINITIVO. O ADE de exclusão do Simples tornou-se definitivo por restar evidenciada a apresentação intempestiva da manifestação de inconformidade.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1801-000.238
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 19679,008970/2003-60 Recurso n° 144.525 Voluntário Acórdão n" 1801-00.238 — 1 0 Turma Especial Sessão de 19 de maio de 2010 Matéria EXCLUSÃO DO S1MPL,ES Recorrente 14 BIT'S PRODUÇÕES LIDA, Recorrida DRJ-SÃO PAULO/SP I ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Exercício: 2003 ADE DEFINITIVO. O ADE de exclusão do Simples tornou-se definitivo por restar evidenciada a apresentação intempestiva da manifestação de inconformidade, Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. ANA DE '$),WROS FERNANDES - Presidente CARMEN FERREIRA SARAIVA - Relatora EDITADO EM: 1 2 AGO 2010 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, André Almeida Blanco, Rogério Garcia Peres e Ana de Barros Fernandes, Relatório A Recorrente optante pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples foi excluída de ofício pelo Ato Declaratório Executivo DERAT/SPO/SP n° 484.02.3, de 07 de agosto de 2003, ft 12, com efeitos a partir de 01/01/2002, com base nos fundamentos de fato e de direito indicados: Data da opção pelo Simples: 30/04/1998 Situação excludente.: (evento 306). Descrição.. atividade econômica vedada, 9211-8/99 Outras atividades relacionadas a produção de filmes cfitas de video Data da ocorrência.. 09/05/2000 Fundamentação legal: Lei n" 9.317, de 05/12/1996 art. 9", XIII; ar! 12; art. 14, I; art. 15, II. Medida Provisória n" 2.158-34, de 27/07/2001 .. art. 73. Instrução Normativa SRF n" 250, de 26/11/2002: art. 20, XII; art. 21; ar!, 23, I; art. 24, II, c/c parágralb único. A empresa manifestou-se contrariamente ao procedimento, apresentando a Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples — SRS, fls. 01/02 e 14/17, com pedido de revisão do ato em rito sumário, argumentando em síntese, que seu objeto social é "planejamento, criação e desenvolvimento de projetos para mídias interativas, bem como, eventualmente, a hospedagem de " sites". Em conformidade com o Despacho Decisório, fl. 89, as informações relativas à opção pelo Simples foram analisadas das quais se pelo indeferimento do pedido, já que em seu Contrato Social consta como objeto "a prestação de serviços de editora, produção e edição de vídeo, .Ibto„som e comércio de . fitas" (tl. 76), bem como na sua terceira alteração, registrada na JUCESP em 02/06/2003, na qual consta que "a sociedade terá por objeto a prestação de serviços de produção e edição de vídeo, foto, som" (tl. 42), conclui-se que foi devida a exclusão da interessada do Simples". Cientificada, em 09/08/2006, ti. 90, ela apresentou a manifestação de inconformidade, fls. 94 e 100/105, em 11/09/2006, fl. 97. Suscita que a peça de defesa é apresentada tempestivamente, urna vez que "se dirigido ao balcão de informações, sendo-lhe informado de que não haveria expediente, razão pela qual o recurso figi protocolizado somente na segunda-feira, 11/09/2006. " Argumenta, em síntese, que a atividade de produção e edição de vídeos é permitida para o Simples. Está registrado como resultado do Acórdão da 1" 'TURMA/DM/SP° I/SP 16-17.830, de 17/07/2008, fls. 126/132: "Impugnação não conhecida". Restou esclarecido que Demonstrado que a manifestação de inconformidade foi apresentada após o prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência do ato de exclusão, que ocorreu de acordo com as normas do Decreto n° 70 235/1972 (PAF), não se toma conhecimento das demais razões de defesa. 2 Processo n° 19679.008970/200.3-60 S1-TE01 Acórdão ri." 1801-00.238 Fl 155 [J Tendo em vista o questionamento da requerente, baixou-se o feito em diligência em 23/01/2008 (fl. 119), para que o órgão de competência originária se manifestasse acerca do funcionamento normal, ou não, da repartição na data final para apresentação do contraditório (08/09/2006 - art. 15 do Decreto n°70.235/1972). .24. Em 09/04/2008 foi acostada resposta ao questionamento, nos seguintes termos (fl. 122): "Em resposta ao memorando supracitado, informamos que houve expediente regular nesta Delegacia no dia 08 de setembro de 2006." 2.5. Inaceitável, assim, a solicitação de recebimento da defesa fora do prazo Notificada em 11/12/2008, fl. 134-verso, a Recorrente apresentou o recurso voluntário, fls. 1.39/151, em 29/12/2008, esclarecendo que a peça atende aos pressupostos de admissibilidade em relação, inclusive, à sua apresentação oportuna, urna vez que dia 08/09/2006 não houve expediente normal na repartição. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge Reitera seus argumentos apresentados junto à primeira instância de julgamento. Alega que não houve a preclusão administrativa, porque a causa da vedação não existe. Repete o argumento de que o seu objeto social é "planejamento, criação e desenvolvimento de projetos para mídias interativas, bem como, eventualmente, a hospedagem de " sites". Defende a tese de que a Lei n° 9.317, de 1996 foi revogada pela Lei Complementar if 123, de 14 de dezembro de 2006 (art. 106 do Código Tributário Nacional). Com o objetivo de fundamentar seus argumentos, interpreta a legislação que rege a questão litigiosa e cita princípios constitucionais que supostamente foram violados, entendimentos doutrinários e jurisprudência e administrativa. Isto posto, a Recorrente requer a V Sas.. que se dignem receber e dar provimento ao presente recurso voluntário para: a) anular o v. acórdão da 1° Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil, remetendo-se o processo àquela instância para ue seja proferido novo julgamento, com apreciação de toda a matéria objeto da defesa, ou, b) em atenção aos princípios da economia processual e da eficiência da administração pública, apreciar o mento da defesa administrativa, reiterada neste recurso, a .fim de anular, definitivamente, o Ato Declaratório Executivo Derat/SPO n°4840.23, de 07,08.03. É o Relatório. ejt- 3 Voto Conselheira CARMEN FERREIRA SARAIVA O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Em preliminar, a Recorrente suscita que a manifestação de inconformidade foi apresentada tempestivamente. Relativamente ao rito processual da presente matéria, vale esclarecer que a Lei n°9.317, de 1996, prevê: Art. 15 [ A exclusão de oficio dar-se-á mediante ato declaratório da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administi ativo . Por seu turno, Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, determina: Art. .5" Os prazos serão contínuos, excluindo-se na sua contagem o dia do inicio e incluindo-se o do vencimento. Parágrafo único Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato Art. 14. A impugnação da exigência instaura a . fase litigiosa do procedimento. Art. 1.5. A impugnação, fbrinalizada por escrito e instruída com os documentos em que se .fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que fbr feita a intimação da exigência [ Ari 23. .Far-se-á a intimação• [ 11 por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, (Redação dada pela Lei n°9.532, de 1997) [ § 2° Considera-se feita a intimação. e 1/1 4 Processo a' 19679.008970/2003-60 SI-TE01 Acórdão a ° 1801-00.238 Fl. 156 II - no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação,. § 4a Para fins de intimação, considera-se domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei n°11196, de 2005) I - o endereço postal por ele .fornecido, para .fins cadastrais, à administração tributária; An. 28 Na decisão em que for .julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, [..] Por sua vez, o Coordenador-Geral do Sistema de Tributação, mediante o Ato Declaratório COSIT n° 15, de 12 de julho de 1996, declara: j expirado o prazo para impugnação da exigência, deve ser declarada a revelia e iniciada a cobrança amigável, sendo que eventual petição, apresentada fbra do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a .fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. Está registrado no Despacho DERAT/SPO de 28/12/2006, fi. 98: "Comunicamos que a empresa tomou ciência da Decisão da SRS do ADE n° 484,023 em 09/08/2006 (fl. 90) e a impugnação .foi protocolizado em 11/09/2006 0.94) intempestivamente, Portanto, o processo está definitivamente julgado e não terá seguimento na esfera administrativa, o qual será remetido ao arquivo". É ônus da Recorrente a apresentação tempestiva da peça de defesa, que por ser prazo legal peremptório, não pode ser reduzido ou prorrogado pelas partes no processo (art. 182 do Código de Processo Civil). Verifica-se no presente caso que a Recorrente foi cientificada do Acórdão da l a TURMA/DRJ/SPOI/SP no 16-17.830, de 17/07/2008, fis, 126/132, em 11/12/2008, fl.. 134-verso. Logo, restando evidenciada a apresentação intempestiva da manifestação de inconformidade, o Ato Declaratório Executivo DERAT/SPO/SP if 484.02.3, de 07 de agosto de 2003, fl.. 12, tornou-se definitivo. Não cabe, assim, o julgamento das demais alegações por serem questões incompatíveis.. Em face do exposto voto negar provimento ao recurso voluntário. 2 CARMEN FERREIRA SARAIVA - Relatora
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