Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,966)
- Primeira Turma Ordinária (16,488)
- Primeira Turma Ordinária (16,437)
- Primeira Turma Ordinária (16,296)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,295)
- Segunda Turma Ordinária d (16,013)
- Segunda Turma Ordinária d (14,534)
- Primeira Turma Ordinária (13,106)
- Primeira Turma Ordinária (12,545)
- Segunda Turma Ordinária d (12,532)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,508)
- Quarta Câmara (85,725)
- Terceira Câmara (68,203)
- Segunda Câmara (57,034)
- Primeira Câmara (21,275)
- 3ª SEÇÃO (16,295)
- 2ª SEÇÃO (11,352)
- 1ª SEÇÃO (6,877)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (127,959)
- Segunda Seção de Julgamen (115,716)
- Primeira Seção de Julgame (77,508)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,120)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,472)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,545)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,272)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,108)
- HELCIO LAFETA REIS (3,896)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,936)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,840)
- WILDERSON BOTTO (2,674)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,654)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,655)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (19,010)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 13977.720347/2015-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2010
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRAZO DECADENCIAL. APLICAÇÃO DA REGRA DO ART. 173, I, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN).
Às obrigações tributárias acessórias, aplica-se o prazo decadencial segundo a regra do art. 173, inciso I, do CTN.
INSTITUTO DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF N. 49.
A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. GFIP. INFRAÇÃO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
As obrigações acessórias decorrem diretamente da legislação tributária e são realizadas no interesse da administração fiscal, de modo que sua observância independe da existência da obrigação principal correlata.
Ainda que o contribuinte cumpra com as suas respectivas obrigações principais de pagar tributos não estará livre ou desobrigado de cumprir com as obrigações acessórias.
ALEGAÇÕES DE VIOLAÇÃO A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E/OU ILEGALIDADE SÚMULA CARF N. 2.
No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2201-009.536
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 2201-009.532, de 02 de dezembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 13605.720052/2019-57, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Debora Fofano dos Santos, Thiago Buschinelli Sorrentino (suplente convocado), Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: Sávio Salomão de Almeida Nobrega
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat May 14 09:00:03 UTC 2022
anomes_sessao_s : 202112
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2010 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRAZO DECADENCIAL. APLICAÇÃO DA REGRA DO ART. 173, I, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN). Às obrigações tributárias acessórias, aplica-se o prazo decadencial segundo a regra do art. 173, inciso I, do CTN. INSTITUTO DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF N. 49. A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. GFIP. INFRAÇÃO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. As obrigações acessórias decorrem diretamente da legislação tributária e são realizadas no interesse da administração fiscal, de modo que sua observância independe da existência da obrigação principal correlata. Ainda que o contribuinte cumpra com as suas respectivas obrigações principais de pagar tributos não estará livre ou desobrigado de cumprir com as obrigações acessórias. ALEGAÇÕES DE VIOLAÇÃO A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E/OU ILEGALIDADE SÚMULA CARF N. 2. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 12 00:00:00 UTC 2022
numero_processo_s : 13977.720347/2015-71
anomes_publicacao_s : 202205
conteudo_id_s : 6604586
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 12 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 2201-009.536
nome_arquivo_s : Decisao_13977720347201571.PDF
ano_publicacao_s : 2022
nome_relator_s : Sávio Salomão de Almeida Nobrega
nome_arquivo_pdf_s : 13977720347201571_6604586.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 2201-009.532, de 02 de dezembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 13605.720052/2019-57, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Debora Fofano dos Santos, Thiago Buschinelli Sorrentino (suplente convocado), Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2021
id : 9329342
ano_sessao_s : 2021
atualizado_anexos_dt : Sat May 14 12:53:02 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1732806217210789888
conteudo_txt : Metadados => date: 2022-05-10T21:30:38Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2022-05-10T21:30:38Z; Last-Modified: 2022-05-10T21:30:38Z; dcterms:modified: 2022-05-10T21:30:38Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2022-05-10T21:30:38Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2022-05-10T21:30:38Z; meta:save-date: 2022-05-10T21:30:38Z; pdf:encrypted: true; modified: 2022-05-10T21:30:38Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2022-05-10T21:30:38Z; created: 2022-05-10T21:30:38Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2022-05-10T21:30:38Z; pdf:charsPerPage: 2050; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2022-05-10T21:30:38Z | Conteúdo => S2-C 2T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13977.720347/2015-71 Recurso Voluntário Acórdão nº 2201-009.536 – 2ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 02 de dezembro de 2021 Recorrente MPEF TRANSPORTES LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2010 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRAZO DECADENCIAL. APLICAÇÃO DA REGRA DO ART. 173, I, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN). Às obrigações tributárias acessórias, aplica-se o prazo decadencial segundo a regra do art. 173, inciso I, do CTN. INSTITUTO DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF N. 49. A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. GFIP. INFRAÇÃO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. As obrigações acessórias decorrem diretamente da legislação tributária e são realizadas no interesse da administração fiscal, de modo que sua observância independe da existência da obrigação principal correlata. Ainda que o contribuinte cumpra com as suas respectivas obrigações principais de pagar tributos não estará livre ou desobrigado de cumprir com as obrigações acessórias. ALEGAÇÕES DE VIOLAÇÃO A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E/OU ILEGALIDADE SÚMULA CARF N. 2. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 2201-009.532, de 02 de dezembro de 2021, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 7. 72 03 47 /2 01 5- 71 Fl. 42DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-009.536 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13977.720347/2015-71 prolatado no julgamento do processo 13605.720052/2019-57, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Debora Fofano dos Santos, Thiago Buschinelli Sorrentino (suplente convocado), Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Pela sua clareza e completude, adoto o relatório da decisão de primeira instância, nos seguintes termos: Versa o presente processo sobre lançamento (auto de infração n Q 092040320154030580), no qual é exigido da contribuinte acima identificada crédito tributário de multa por atraso na entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP, relativa ao ano-calendário de 2010, no valor de R$ 5.000,00, com vencimento em 11/jan/2016. O enquadramento legal foi o art. 32-A da Lei 8.212, de 1991, com redação dada pela Lei n Q 11.941, de 27 de maio de 2009. Ciente do lançamento, a contribuinte ingressou com impugnação alegando, em síntese, o que se segue: a ocorrência de denúncia espontânea, falta de intimacao prévia, preliminar de prescrição, princípios, que a Lei 13.097, de 2015, cancelou as multas. A DRJ de origem julgou a impugnação improcedente. Intimada da referida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivamente, alegando, em síntese: - Prescrição/decadência. - Anistia da Lei nº 13.097/2005. - Denúncia espontânea. É o relatório. Fl. 43DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-009.536 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13977.720347/2015-71 Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Decadência Cumpre ressaltar que não há que se falar em prescrição no processo adminsitrativo fiscal, devendo a tese defensiva ser recepcionada como decadência. Na hipótese do crédito tributário sob exame, decorrente de penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória, é inaplicável a contagem da decadência na forma do § 4° do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), veiculado pela Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, como pretende a recorrente. De fato, o prazo a que alude o § 4° do art. 150 do CTN diz respeito aos tributos lançados por homologação, em que há o dever legal de antecipação do pagamento, relacionado ao cumprimento de obrigação principal de conteúdo pecuniário. Eis a redação do art. 150 do CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4° Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (GRIFEI) A obrigação acessória não tem por objeto uma prestação pecuniária, mas sim "prestações, positivas ou negativas, prevista no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos", conforme § 2° do art. 113 do CTN. Como se observa o descumprimento de um dever instrumental em nada equipara-se ao "dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa", de que trata o art. 150 do CTN. Assim, ao afastar-se a regra de contagem na forma do § 4° do art. 150 do CTN, justifica-se a utilização para as obrigações tributárias acessórias da regra geral decadencial do art. 173 do CTN. A ciência do lançamento ocorreu em 11/03/2019 e se reporta a fatos geradores ocorridos em 2014. Destarte, o presente crédito tributário poderia ser lançado até 31/12/2019, não havendo, portanto, que se falar em decadência. Do Mérito Fl. 44DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-009.536 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13977.720347/2015-71 Da anistia da Lei nº 13.097/2015 Alega a recorrente que a multa sob enfoque foi anistiada pela Lei nº 13.097/20015. Vejamos a redação da referida lei no que concerne à anistia: Da Apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social - GFIP Art. 48. O disposto no art. 32-A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, deixa de produzir efeitos em relação aos fatos geradores ocorridos no período de 27 de maio de 2009 a 31 de dezembro de 2013, no caso de entrega de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Art. 49. Ficam anistiadas as multas previstas no art. 32-A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, lançadas até a publicação desta Lei, desde que a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, tenha sido apresentada até o último dia do mês subsequente ao previsto para a entrega. Art. 50. O disposto nos arts. 48 e 49 não implica restituição ou compensação de quantias pagas. Como se vê pela redação do dispositivo legal supra transcrito, apenas as multas lançadas até 20/01/2015, data da publicação da lei e que tenham sido apresentadas até o último do do mês subsequente ficam anistiadas. Destarte, a contribuinte não se enquadra em nenhuma das hipóteses de anistia, não merecendo prosperar o inconformismo recursal. Das demais matérias do recurso Consoante relatado, o sujeito passivo não se insurge contra questões fáticas da autuação, reconhecendo expressamente que descumpriu a obrigação acessória de apresentar GFIP dentro do prazo fixado pela legislação de regência. O inconformismo da recorrente diz respeito à questões de direito. Quanto aos temas tratados no recurso voluntário, esta Turma de Julgamento já tem precedente unânime, de acordo com os elucidativos ensinamentos do Conselheiro Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, proferidos no julgamento do processo nº 10935.723617/2015-02, sessão de 05 de agosto de 2020, o qual reproduzo abaixo e adoto como minha razão de decidir: Da inaplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e da aplicação da Súmula CARF nº 49 Pois bem. Penso que a questão da aplicação do instituto da denúncia espontânea previsto tanto no artigo 138 do Código Tributário Nacional quanto no artigo 472 da Instrução Normativa n. 971/2009, em sua redação original, não comporta maiores digressões ou complexidades. A propósito, confira-se o que dispõem os referidos artigos: “Lei n. 5.172/66 Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Fl. 45DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-009.536 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13977.720347/2015-71 Instrução Normativa RFB n. 971/2009 Art. 472. Caso haja denúncia espontânea da infração, não cabe a lavratura de Auto de Infração para aplicação de penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória. Parágrafo único. Considera-se denúncia espontânea o procedimento adotado pelo infrator que regularize a situação que tenha configurado a infração, antes do início de qualquer ação fiscal relacionada com a infração, dispensada a comunicação da correção da falta à RFB.” De fato, boa parte da doutrina tem afirmado que o instituto em apreço seria de todo aplicável às sanções por descumprimento de obrigações acessórias ou deveres instrumentais. O entendimento é o de que a expressão “se for o caso” constante do artigo 138 do Código Tributário Nacional deixa fora de qualquer dúvida razoável que a norma abrange também o inadimplemento de obrigações acessórias, porque, em se tratando de obrigação principal descumprida, o tributo é sempre devido, sendo que, para abranger apenas o inadimplemento de obrigações principais, a expressão seria inteiramente desnecessária 1 . É nesse sentido que Hugo de Brito Machado tem se manifestado 2 : “Como a lei diz que a denúncia há de ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido, resta induvidoso que a exclusão da responsabilidade tanto se refere a infrações das quais decorra o não pagamento do tributo como a infrações meramente formais, vale dizer, infrações das quais não decorra o não pagamento do tributo. Inadimplemento de obrigações tributárias meramente acessórias. Como não se deve presumir a existência, na lei, de palavras ou expressões inúteis, temos de concluir que a expressão se for o caso, no art. 138 do Código Tributário Nacional, significa que a norma nele contida se aplica tanto para o caso em que a denúncia espontânea da infração se faça acompanhar do pagamento do tributo devido, como também no caso em que a denúncia espontânea da infração não se faça acompanhar do pagamento do tributo, por não ser o caso. E com toda certeza somente não será o caso em se tratando de infrações meramente formais, vale dizer, mero descumprimento de obrigações tributárias acessórias.” Aliás, há muito que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça vem rechaçando esse posicionamento sob o entendimento de que o artigo 138 do CTN abrange apenas as obrigações principais, uma vez que as obrigações acessórias são autônomas e, portanto, consubstanciam deveres impostos por lei os quais se coadunam com o interesse da arrecadação e fiscalização dos tributos, bastando que a obrigação acessória não seja cumprida no prazo previsto em lei para que reste configurada a infração tributária, a qual, aliás, não poderia ser objeto da denúncia espontânea. A título de informação, registre-se que quando do julgamento do AgRg no REsp n. 1.466.966/RJ, Rel. Min. Humberto Martins, a Corte Superior entendeu que a denúncia espontânea não é capaz de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da DCTF, ainda que o sujeito passivo seja beneficiário de imunidade e isenção. A jurisprudência deste E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF também tem se manifestado no sentido da inaplicabilidade do instituto da 1 Nesse mesmo sentido, confira-se o posicionamento de Ives Gandra da Silva Martins [MARTINS, Ives Gandra da Silva. Arts. 128 a 138. In: MARTINS, Ives Gandra da Silva (Coord.). Comentários ao Código Tributário Nacional. 7. ed. São Paulo: Saraiva, 2013, p. 302-303], Leandro Paulsen [PAULSEN, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 16. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2014, Não paginado] e Luciano Amaro [AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 20. ed. São Paulo: Saraiva, 2014, Não paginado]. 2 MACHADO, Hugo de Brito. Comentários ao Código Tributário Nacional, volume II. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2008, p. 662-663. Fl. 46DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-009.536 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13977.720347/2015-71 denúncia espontânea no âmbito das sanções por descumprimento de obrigações acessórias tal como ocorre nos casos de atraso na entrega das declarações, incluindo-se, aí, as GFIPs. Esse o teor da Súmula Vinculante CARF n. 49, conforme transcrevo abaixo: “Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018).” Portanto, no âmbito deste Tribunal predomina o entendimento de que a denúncia espontânea prevista nos artigos 138 do Código Tributário Nacional e 472 da Instrução Normativa RFB n. 971/2009 não alcança a penalidade decorrente do atraso da entrega da declaração, incluindo-se, aí, as GFIP’s. Das alegações de violação aos princípios e do caráter confiscatório da multa e da aplicação da Súmula CARF n. 2 De fato, toda multa exerce a função de apenar o sujeito a ela submetido tendo em vista o ilícito praticado. É na pessoa do infrator que recai a multa, isto é, naquele a quem incumbia o dever legal de adotar determinada conduta e que, tendo deixado de fazê-lo, deve sujeitar-se à sanção cominada pela lei. Por essa razão, é de se reconhecer que a multa aqui analisada foi aplicada com base no artigo 32-A da Lei n. 8.212/91, restando-se concluir, portanto, que a autoridade fiscal agiu em consonância com o ordenamento jurídico pátrio, ainda mais quando se sabe que lhe é defeso emitir qualquer juízo sobre a inconstitucionalidade ou ilegalidade de dispositivos legais ou infralegais até então vigentes e, sob tal justificativa, afastá-los da aplicação ao caso concreto, uma vez que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória nos termos do artigo 142, caput e parágrafo único do Código Tributário Nacional E ainda que assim não fosse, note-se que a alegação do caráter confiscatório da multa fundamenta-se no artigo 150, inciso IV da Constituição Federal e tem por escopo a inconstitucionalidade ou ilegalidade da medida, sendo que o próprio Decreto n. 70.235/72 veda que os órgãos de julgamento administrativo fiscal possam afastar aplicação ou deixem de observar lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade. Confira-se: “Decreto n. 70.235/72 Art. 26-A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” Em consonância com o artigo 26-A do Decreto n. 70.235/72, o artigo 62 do Regimento Interno - RICARF, aprovado pela Portaria MF n. 343 de junho de 2015, também prescreve que é vedado aos membros do CARF afastar ou deixar de observar quaisquer disposições contidas em Lei ou Decreto: “PORTARIA MF Nº 343, DE 09 DE JUNHO DE 2015. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” A Súmula CARF n. 2 também dispõe que este Tribunal não tem competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Veja-se: “Súmula CARF n. 2 Fl. 47DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-009.536 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13977.720347/2015-71 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Tendo em vista que a fiscalização agiu em consonância com a legislação de regência e que, por outro lado, não cabe a este E. CARF se pronunciar sobre a inconstitucionalidade ou ilegalidade das normas tributárias vigentes, reafirmo que a multa aplicada com fundamento no artigo 32-A da Lei n. 8.212/91, com redação dada pela Lei n. 11.941/2009, não pode ser afastada ou reduzida tal como pretende a empresa recorrente. Destarte, entendo que não assiste razão ao sujeito passivo. Por todo o exposto, conheço do presente recurso voluntário para negar-lhe provimento. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo – Presidente Redator Fl. 48DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004300/2009-32
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 16/10/2009
PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PEDIDO DE JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS.
Constitui infração a recusa, por parte da empresa, de prestar informações e esclarecimentos ao Fisco, no interesse do mesmo.
Acostados aos autos todos os elementos de convicção necessários ao julgamento, descabe oportunizar juntada de novas provas documentais até porque, na forma do disposto no artigo 16, parágrafo 4° do Decreto n 70.235, de 06/03/1972, incluído pela Lei n.° 9.532, de 10/12/1997, o momento é precluso e só não o seria se ficasse demonstrada a impossibilidade de oportuna apresentação, por motivo de força maior.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2403-000.953
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso .
Nome do relator: IVACIR JÚLIO DE SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 16 09:00:03 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201201
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 16/10/2009 PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PEDIDO DE JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS. Constitui infração a recusa, por parte da empresa, de prestar informações e esclarecimentos ao Fisco, no interesse do mesmo. Acostados aos autos todos os elementos de convicção necessários ao julgamento, descabe oportunizar juntada de novas provas documentais até porque, na forma do disposto no artigo 16, parágrafo 4° do Decreto n 70.235, de 06/03/1972, incluído pela Lei n.° 9.532, de 10/12/1997, o momento é precluso e só não o seria se ficasse demonstrada a impossibilidade de oportuna apresentação, por motivo de força maior. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 19515.004300/2009-32
conteudo_id_s : 6589461
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 2403-000.953
nome_arquivo_s : Decisao_19515004300200932.pdf
nome_relator_s : IVACIR JÚLIO DE SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 19515004300200932_6589461.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso .
dt_sessao_tdt : Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
id : 9274916
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Sat Apr 16 15:10:48 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1730278175192121344
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1983; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 131 1 130 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.004300/200932 Recurso nº 111.111 Voluntário Acórdão nº 240300.953 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 18 de janeiro de 2012 Matéria OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente MANHÃES MOREIRA ADVOGADOS ASSOCIADOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 16/10/2009 PREVIDENCIÁRIO. AUTODEINFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PEDIDO DE JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS. Constitui infração a recusa, por parte da empresa, de prestar informações e esclarecimentos ao Fisco, no interesse do mesmo. Acostados aos autos todos os elementos de convicção necessários ao julgamento, descabe oportunizar juntada de novas provas documentais até porque, na forma do disposto no artigo 16, parágrafo 4°o do Decreto n 70.235, de 06/03/1972, incluído pela Lei n.° 9.532, de 10/12/1997, o momento é precluso e só não o seria se ficasse demonstrada a impossibilidade de oportuna apresentação, por motivo de força maior. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso . Carlos Alberto Mees StringariPresidente Ivacir Júlio de SouzaRelator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Jhonatas Ribeiro Da Silva. Ausentes os conselheiros Cid Marconi Gurgel de Souza e Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Relatório Li o Relatório de primeira instância, compulsei com os autos e em razão de entender que o Relator foi fiel aos fatos, abaixo transcrevo na íntegra: “1. O presente processo (DEBCAD n° 37.185.5918) trata de Autode Infração lavrado em 16/10/2009, em virtude do descumprimento da obrigação acessória prevista no artigo no art. 32, III e parágrafo 11, da Lei 8.212/91, com redação da MP n° 449 de 03.12.2008, convertida na lei n° 11.941, de 25/05/2009, combinado com o art. 225, III, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, uma vez que, conforme Relatório Fiscal da Infração de fls. 73, a empresa deixou de apresentar os documentos e justificativas solicitados através dos Termos de Intimação Fiscal lavrados em 15/06/2009, 19/06/2009, 25/06/2009, Reintimação Fiscal lavrada em 14/08/2009 e Termo de Ciência e de Intimação Fiscal lavrado em 07/10/2009. Da Aplicação da Multa 2. Em decorrência do descumprimento da obrigação acessória prevista em lei foi aplicada a multa no montante de R$ 13.291,66, (treze mil duzentos e noventa e um reais e sessenta centavos) prevista no artigo 283, II, alínea "b" e art. 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, com valor atualizado pela PT MPS/MF n° 48 de 12/02/2009, pertinente à infração, sem ocorrência de circunstância agravante. DA IMPUGNAÇÃO 3. Dentro do prazo legal, a autuada contestou o lançamento através do instrumento de fls.79/83 e documentos de fls. 84/97, alegando em síntese: 3.1. O auto foi imposto ao Contribuinte por lhe ter sido atribuída a omissão em apresentar à fiscalização "todas" as informações que ela necessitava. A referida penalidade foi imposta em cumulação com as multas de mora pretendidas. A improcedência da referida multa é notória e pode ser facilmente provada pela própria leitura dos documentos resultantes da fiscalização. 4. Em Preliminar 4.1. Que o auto deve ser considerado insubsistente por impor ao contribuinte multa adicional, equivalente a de "ofício" quando na verdade os autos que expressam pretensões fiscais principais (DECAD 37.185.5934; 37.185.5942 e 37.185.5934) já contiveram também as pretensões fiscais relativas a multa de mora. 4.2. Que as multas de mora objetivam compensar a Seguridade Social pelo atraso no pagamento das contribuições, mas que as Fl. 158DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.004300/200932 Acórdão n.º 240300.953 S2C4T3 Fl. 132 3 imputações fiscais são contestadas nos procedimentos que aponta, sendo inequívocas as suas insubsistências. 4.3. Que é importante reconhecer que a imposição de penalidades não pode ter o efeito confiscatório, devendo guardar a proporcionalidade entre o ato da administração e o procedimento do administrado, nos termos, inclusive, do disposto na Lei 9.784, § único do artigo 2°, inciso VI. 4.4. Que a cumulação da multa de mora com a multa de ofício, seja lá qual for o nome que se lhe atribua é incompatível com o sistema jurídico brasileiro. Transcreve ementas de acórdãos do Carf. 5. No mérito 5.1. Que basta uma leitura atenta do REFISC que finalizou o presente procedimento para se formar o convencimento de que a ilustre Agente Fiscal teve da parte do Contribuinte toda a consideração, atenção e respostas possíveis. A respeito atente se, por exemplo, para o que relatou a servidora em questão nas suas "Considerações Preliminares" do REFISC que originou os presentes autos: "A empresa até maio de 2009, vinha apresentando os documentos solicitados pela fiscalização Nesta data [19/06/2009] reintimamos o contribuinte para apresentação dos documentos e justificativas não atendidas até aquele momento, com prazo final em 15/10/2009. Em 16/10/2009 o contribuinte protocolizou o pedido de dilação do prazo (20 dias) que foi indeferido pela fiscalização, tendo em vista que, contados da data da primeira intimação, a empresa (sic) teve mais de 90 dias para a apresentação dos documentos e durante todo esse período não se manifestou." 5.2. Que a verdade é que o Contribuinte apresentou todos os documentos, livros, registros e demonstrações que conseguiu preparar para atender a ilustre Agente. Tanto assim é que com base neles conseguiu ela formular pretensões fiscais que alcançaram cerca de R$ 12,5 milhões. 5.3. Que nenhuma organização pode pesquisar atos e fatos relativos a anos tão distantes, como é o de 2004, com facilidade. Toda pesquisa e organização demanda tempo, porque, evidentemente os arquivos não são feitos exatamente na ordem que facilitaria a atividade fiscal, mas sim aquela mais consoante os princípios de escrituração. 5.4. Que provado que o Contribuinte apresentou todos os documentos que possuía, conforme reconhecido pela ilustre Agente no REFISC; provado que pediu dilação de prazo para compatibilizar o atendimento às suas exigências com a necessidade de continuar existindo; provado que tal prazo foi negado, ficam afastados os fundamentos fáticos e jurídicos para a presente imposição isolada de multa. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 6. Dos Pedidos. 6.1 Que em vista das razões apresentadas, bem como os respectivos documentos demonstrativos e comprobatórios que serviram de base às demais autuações decorrentes do mesmo REFISC e que só em relação à Seguridade Social resultaram em mais deR$ 2 milhões e meio, o Contribuinte requer o cancelamento completo do Auto de Infração, pela sua insubsistência, requer sua improcedência. 6.2 Que se decidir pelo não acolhimento das razões de mérito expostas, requer o Contribuinte que, alternativamente seja reconhecida a dependência do presente Auto daqueles de n°s Debcad 37.185.5934; 37.185.5942 e 37.185.5950, e, assim, qualquer redução ou cancelamento das pretensões principais contidas nestes últimos seja refletida em diminuição ou eliminação do presente. 6.3 Requer, também, lhe seja permitido a qualquer tempo antes do julgamento aduzir nova argumentação relativa à análise formal dos autos de infração, incluindo, sem qualquer limitação, a adequação dos conteúdos dos campos de tais documentos, fundamentação legal e regulamentar e quaisquer outros.” DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, na forma do registro de fls.100, a 14ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de São Paulo I (SP) DRJ/SP1, em 19 de julho de 2010, emitiu o Acórdão n ° 1626.050 mantendo procedente o lançamento guerreado. DO RECURSO Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário onde reiterou que : Ao contrário do que entendeu a I. Turma Julgadora no acórdão ora combatido, deve, sim, o presente Auto de Infração ser considerado insubsistente por impor ao Recorrente multa adicional, equivalente a de "ofício" quando na verdade os autos que expressaram as pretensões fiscais principais (DECAD 37.185.5950; 37.185.5942 e 37.185.5934) já contiveram também as pretensões fiscais relativas a multas de mora, uma vez que este auto está vinculado à procedência ou não dos autos acima citados; Que provado que o Recorrente apresentou todos os documentos que possuía, conforme reconhecido pela ilustre Agente no REFISC; provado que pediu dilação de prazo para compatibilizar o atendimento às suas exigências com a necessidade de continuar existindo; provado que tal prazo foi negado, ficam afastados os fundamentos fáticos e jurídicos para a presente imposição isolada de multa; e Se, entretanto, por qualquer razão, esta C. Câmara decidir pelo não acolhimento das razões de mérito acima expostas, o que se admite apenas para fins de formulação deste pedido isolado, requer o Recorrente que, alternativamente seja reconhecida a dependência do presente Auto daqueles de n°s DECAD 37.185.5934; 37.185.5942 e 37.185.5950, e, assim, qualquer redução ou cancelamento das pretensões principais contidas nestes últimos seja refletida em diminuição ou eliminação do presente. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.004300/200932 Acórdão n.º 240300.953 S2C4T3 Fl. 133 5 Ainda por cautela, protesta a Recorrente por todos os meios de prova em Direito admitidas, notadamente pela juntada de novos documentos e pela sustentação oral de suas razões. É o Relatório. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fls.111 e 112, o recurso é tempestivo e reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Como relatado, o contribuinte deixou de apresentar os documentos e justificativas feitas através do TIAF Termo de Intimação para Apresentação de Documentos e TIF Termo de Intimação Fiscal, lavrados em 15/06/2009, 19/06/2009, 25/06/2009, reitimação em 14/08/2009 e Termo de Ciência em 07/10/2009, tudo como consta do Relatório Fiscal da Infração. A Autoridade Fiscal entendendo que o contribuinte procedera de forma irregular, lavrou Auto de Infração com base no artigo 32, inciso III e parágrafo 11, da Lei n° 8.212/91, com a redação dada pela MP n° 449, de 03/12/2008, combinado com o artigo 225, inciso III, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048 de 06/05/1999. NO MÉRITO Em seu recurso, a recorrente ao afirmar que “ apresentou todos os documentos que possuía ”. Cumpre notar que a afirmativa revela que, de fato o contribuinte não apresentou todos os documentos que lhes foram exigidos. Tal alegação tratase pois de expressa confissão da infração lhe imputada. Os documentos legalmente exigidos não são fruto de posicionamento arbitrário do Auditor Fiscal. Lavrado o primeiro Termo de Intimação Fiscal para apresentação dos documentos em 15/06/2009, aduz que a empresa dispôs de todo o período que durou a ação fiscal mais o interregno até a interposição do recurso em tela para fazêlo. Ressaltese que até o presente os documentos em apreço não constam colacionados. É certo que uma vez caracterizada a infração, lavrouse o auto. Relevante ressaltar que na verdade a infração não está sendo guerreada. O que esta sendo rediscutido é a questão da aplicação da multa que em uma vez admitidose o cometimento da infração, como no caso em curso, por óbvio, há que se admitir a aplicação de penalidade. Neste sentido, a multa aplicada no Auto de Infração, ora em análise, caracterizase como penalidade imposta em virtude de descumprimento da obrigação acessória. Alega a Recorrente que : “ ao contrário do que entendeu a I. Turma Julgadora no acórdão ora combatido, deve, sim, o presente Auto de Infração ser considerado insubsistente por impor ao Recorrente multa adicional, equivalente a de "ofício" .” Fl. 162DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.004300/200932 Acórdão n.º 240300.953 S2C4T3 Fl. 134 7 A alegação se apresenta fruto de ilação descabida tendo em vista que a multa não se trata de adição alguma e tem previsão legal cuja fundamentação foi dada ao conhecimento ao sujeito passivo na forma do Relatório Fiscal da Aplicação da Multa às fls. 74 abaixo transcrito: “RELATÓRIO FISCAL DA APLICAÇÃO DA MULTA I Valor da Multa 1. A partir de R$ 13.291,66 (treze mil duzentos e noventa e um reais e sessenta e seis centavos). I I Multa Aplicada 4. Considerando que não houve circunstâncias agravantes, a multa aplicada é de R$ 13.291,66 (treze mil duzentos e noventa e um reais e sessenta e seis centavos). I I I Capitulação da Multa Aplicada 5. Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto no 3.048, de 06/05/1999, art. 283, Inciso I I , alínea "b" e art. 373.” Cabe salientar que para cada descumprimento de obrigações prevista na Lei, a própria legislação prevê uma autuação, com a aplicação da multa (penalidade) correspondente. Os artigo 32, III, da Lei 8.212/91 e 225, inciso III do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, determinam que a empresa é obrigada a apresentar ao Fisco todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, na forma por ele estabelecidas, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, in verbis: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: ( ...) III prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização; Alterado pela MEDIDA PROVISÓRIA N° 449, DE 3 DE DEZEMBRO DE 2008 – DOU DE 4/12/2008 (...) §11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. Alterado pela MEDIDA PROVISÓRIA N° 449, DE 3 DE DEZEMBRO DE 2008 DOU DE 4/12/2008” “Art.225. A empresa é também obrigada a: (...) III prestar ao Instituto Nacional do Seguro Social e à Secretaria da Receita Federal todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles Fl. 163DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização.” Assim, aludido alhures bem como no Acórdão a quo, reiterase que em decorrência da infração cometida foi aplicada multa atualizada nos termos da Portaria Interministerial MPS/MF n° 48, de 12/02/2009, DOU de 13/02/2009, cujo valor é o mínimo de R$ 13.21,66 (treze mil duzentos e noventa e um reais e sessenta e seis centavos). Referida multa está em conformidade com o disposto no art. 283, II, "b" c/c art. 373 do Decreto 3.048/99. Observase que para o tipo de infração em apreço a multa é fixa, ou seja, independe do número de informações ou esclarecimentos não prestados, nem é modificada em razão da quantidade de competências envolvidas. Assim, não tem qualquer amparo as alegações argüidas de que houve cumulação da multa de mora com a multa de ofício, salientandose que o auto de infração em apreço não se trata de multa de oficio isolada. Referindome de novo ao Acórdão de primeira instância, o I. Relator na condução de seu voto demonstrou, com riqueza e eficácia, que o presente AutodeInfração não está vinculado à procedência dos autosdeinfração lavrados na mesma ação fiscal. No Acórdão supra, restou assente que os demais autos foram lançados em razão de variadas e distintas irregularidades inclusive descumprimentos de obrigações principais que ensejaram, por oportuno, autos e penalidades ( multas) distintos de sorte que a única vinculação observada é o fato de terem sido praticadas as irregularidades pelo mesmo sujeito passivo ora recorrente. Por fim, por cautela, protesta a Recorrente por todos os meios de prova em Direito admitidas, notadamente pela juntada de novos documentos e pela sustentação oral de suas razões. Não pode prosperar tal alegação na medida em que lavrado o primeiro Termo de Intimação Fiscal para apresentação dos documentos em 15/06/2009, aduz que a empresa dispôs de todo o período que durou a ação fiscal mais o interregno até a interposição do recurso em tela para fazêlo. Ressaltese que até o presente os documentos em apreço não constam colacionados. Desse modo, acostados aos autos todos os elementos de convicção necessários ao julgamento,descabe oportunizar juntada de novas provas documentais até porque, na forma do disposto no artigo 16, parágrafo 4°o do Decreto n 70.235, de 06/03/1972, incluído pela Lei n.° 9.532, de 10/12/1997, o momento só não seria precluso se ficasse demonstrada a impossibilidade de oportuna apresentação, por motivo de força maior: “ § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: ( Incluído pela Lei n° 9.532, de 1997). a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; ( Incluído pela Lei n° 9.532, de 1997). b) refirase a fato ou a direito superveniente; ( Incluído pela Lei n° 9.532, de 1997). Fl. 164DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19515.004300/200932 Acórdão n.º 240300.953 S2C4T3 Fl. 135 9 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. ( Incluído pela Lei n° 9.532, de 1997). § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. ( Incluído pela Lei n° 9.532, de 1997). § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. ( Incluído pela Lei n° 9.532, de 1997). ” CONCLUSÃO Diante de tudo que foi exposto, conheço do Recurso para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Fl. 165DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 36624.006960/2005-14
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/2000 a 31/03/2005
AÇÃO JUDICIAL COM MESMO OBJETO.
Importa renuncia as instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, como o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Recurso Voluntário não Conhecido
Numero da decisão: 2403-000.958
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, não se conheceu do recurso. Vencidos os conselheiros Marthius Sávio Cavalcante Lobato, relator e Jhonatas Ribeiro da Silva. Designado para redigir o voto vencedor Carlos Alberto Mees Stringari.
Nome do relator: MARTHIUS SAVIO CAVALCANTE LOBATO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 16 09:00:03 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201201
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2000 a 31/03/2005 AÇÃO JUDICIAL COM MESMO OBJETO. Importa renuncia as instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, como o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário não Conhecido
numero_processo_s : 36624.006960/2005-14
conteudo_id_s : 6589489
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 2403-000.958
nome_arquivo_s : Decisao_36624006960200514.pdf
nome_relator_s : MARTHIUS SAVIO CAVALCANTE LOBATO
nome_arquivo_pdf_s : 36624006960200514_6589489.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, não se conheceu do recurso. Vencidos os conselheiros Marthius Sávio Cavalcante Lobato, relator e Jhonatas Ribeiro da Silva. Designado para redigir o voto vencedor Carlos Alberto Mees Stringari.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
id : 9274921
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Sat Apr 16 15:10:48 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1730278175225675776
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1702; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 705 1 704 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 36624.006960/200514 Recurso nº 000.000 Voluntário Acórdão nº 2403000.958 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 18 de janeiro de 2012 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente ALMEIDA, ROTENBERG E BOSCOLI ADVOCACIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2000 a 31/03/2005 AÇÃO JUDICIAL COM MESMO OBJETO. Importa renuncia as instancias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, como o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, não se conheceu do recurso. Vencidos os conselheiros Marthius Sávio Cavalcante Lobato, relator e Jhonatas Ribeiro da Silva. Designado para redigir o voto vencedor Carlos Alberto Mees Stringari. Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente e Redator Designado Marthius Savio Cavalcante Lobato Relator. Fl. 1410DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MARTHIUS SAVIO CAVALCANTE LOBATO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES S TRINGARI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Jhonatas Ribeiro da Silva, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 1411DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MARTHIUS SAVIO CAVALCANTE LOBATO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES S TRINGARI Processo nº 36624.006960/200514 Acórdão n.º 2403000.958 S2C4T3 Fl. 706 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão a quo que julgou improcedente a impugnação. Informa, desde a sua defesa, haver ação judicial em andamento com o mesmo objeto do presente feito. A notificação fora lavrada com o seguinte fundamento: 4. Este levantamento referese a ação judicial n° 00.978.9600 impetrada pela empresa contra o INSS citada no item 1.2.1 – cópia anexa às f/s. 1181133, e consulta de fase às f/s. 134 a 135. A empresa utilizouse desse instrumento jurídico para não recolher ao INSS os valores devidos referentes às contribuições calculadas sobre as remunerações acima do teto, ou seja, acima do limite máximo do saláriodecontribuição, depositando em juízo os valores correspondentes até a competência 0112005 ( ... )" Entendeu a fiscalização por desconsiderar os fundamentos da defesa, tendo sido julgado procedente a autuação. Inconformado com a decisão, o recorrente apresentou recurso voluntário, reitera a existência de ação judicial, afirmando ter comprovado que os valores em debate estão todos devidamente consignados em juízo. Requer a nulidade absoluta da NFLD. É o Relatório. Fl. 1412DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MARTHIUS SAVIO CAVALCANTE LOBATO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES S TRINGARI 4 Voto Vencido Conselheiro Marthius Savio Cavalcante Lobato, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões levantadas pela recorrente. DA EXTINÇAO DO PROCESSO SEM RESOLUÇÃO DO MERITO – SUMULA CARF N. 01. O ora recorrente, desde sua inicial vem demonstrando a existência de ação judicial com o mesmo objeto do presente litígio. Juntou aos autos a copia da inicial e seus andamentos, bem como comprovou que os valores em debate estão consignados em juízo. A SUMULA CARF n. 01 diz expressamente: Importa renuncia as instancias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, como o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Desta feita, tendo em vista estar cabalmente comprovado a existência da ação judicial, há que se reconhecer a renuncia as instancias administrativas por parte do sujeito passivo, razão pela qual, dever ser extinto o processo sem resolução do mérito. CONCLUSÃO Conheço do recurso e no mérito doulhe provimento para, aplicando o disposto na SUMULA CARF 01, extinguir o processo sem resolução do mérito. E o voto. Marthius Savio Cavalcante Lobato Fl. 1413DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MARTHIUS SAVIO CAVALCANTE LOBATO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES S TRINGARI Processo nº 36624.006960/200514 Acórdão n.º 2403000.958 S2C4T3 Fl. 707 5 Voto Vencedor Carlos Alberto Mees Stringari, Redator Designado A Súmula n 1 do CARF expressamente estabelece que importa renuncia às instancias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, como o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. O relatório acima apresentado deixa claro a existência de ação judicial com mesmo objeto que o processo administrativo. A discordância com o voto de relator aparece no encaminhamento da questão a partir dessa constatação. Entendo que pelo fato de o recorrente ter renunciado ao processo administrativo, conseqüência de ter impetrado ação judicial com mesmo objeto, não se deve conhecer do recurso. Por fim, observo que o não conhecimento do recurso resulta na manutenção do crédito tributário. CONCLUSÃO Voto por não conhecer do recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 1414DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MARTHIUS SAVIO CAVALCANTE LOBATO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES S TRINGARI 6 Fl. 1415DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MARTHIUS SAVIO CAVALCANTE LOBATO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES S TRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 12269.001458/2008-80
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005
PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. GFIP ENTREGUE COM ERRO NO
PREENCHIMENTO. PRELIMINAR DE NULIDADE.
Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado. As edições da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , “a ” determinaram que são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da
Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
Apresentar GFIP com erro de preenchimento no campo Retenção, constitui infração à legislação previdenciária.
Os requisitos formais do auto de infração são aqueles que estão listados no art. 10 do Decreto n° 70.235/72, os quais estão presentes no caso em exame, não havendo motivo para a nulidade do lançamento.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-000.999
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, nas preliminares por maioria de
votos, em reconhecer a decadência das competências 11/2003 e anteriores, conforme art 150, § 4º do CTN. Vencido o Conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro que votou pela aplicação da regra do art 173, I. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari.
Nome do relator: IVANCIR JÚLIO DE SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 16 09:00:03 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201201
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. GFIP ENTREGUE COM ERRO NO PREENCHIMENTO. PRELIMINAR DE NULIDADE. Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado. As edições da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , “a ” determinaram que são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Apresentar GFIP com erro de preenchimento no campo Retenção, constitui infração à legislação previdenciária. Os requisitos formais do auto de infração são aqueles que estão listados no art. 10 do Decreto n° 70.235/72, os quais estão presentes no caso em exame, não havendo motivo para a nulidade do lançamento. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 12269.001458/2008-80
anomes_publicacao_s : 201201
conteudo_id_s : 4896218
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 2403-000.999
nome_arquivo_s : 2403000999_12269001458200880_201201.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : IVANCIR JÚLIO DE SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 12269001458200880_4896218.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, nas preliminares por maioria de votos, em reconhecer a decadência das competências 11/2003 e anteriores, conforme art 150, § 4º do CTN. Vencido o Conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro que votou pela aplicação da regra do art 173, I. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari.
dt_sessao_tdt : Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
id : 4748944
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Sat Apr 16 15:10:44 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1730278175242452992
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2264; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12269.001458/200880 Recurso nº 111.111 Voluntário Acórdão nº 240300.999 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 20 de janeiro de 2012 Matéria OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Recorrente CHANCE MASTER ASSESSORIA RECURSOS HUMANOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. GFIP ENTREGUE COM ERRO NO PREENCHIMENTO. PRELIMINAR DE NULIDADE. Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado. As edições da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , “a ” determinaram que são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Apresentar GFIP com erro de preenchimento no campo Retenção, constitui infração à legislação previdenciária. Os requisitos formais do auto de infração são aqueles que estão listados no art. 10 do Decreto n° 70.235/72, os quais estão presentes no caso em exame, não havendo motivo para a nulidade do lançamento. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, nas preliminares por maioria de votos, em reconhecer a decadência das competências 11/2003 e anteriores, conforme art 150, § 4º do CTN. Vencido o Conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro que votou pela aplicação da regra do art 173, I. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Carlos Alberto Mees StringariPresidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12269.001458/200880 Acórdão n.º 240300.999 S2C4T3 Fl. 2 3 Relatório O Relatório aquo abaixo , foi lido por mim e por corroborar seu conteúdo, o transcrevo na íntegra ressalvando os grifos de minha autoria: “ Este lançamento fiscal foi identificado nos sistemas informatizados da Seguridade Social pelo Debcad n° 37.076.5028, e para fins de controle na Secretaria da Receita Federal do Brasil, recebeu nova numeração, passando a consubstanciar o processo n° 12269.001458/200880. Tratase de autuação lavrada em 12/06/2008, por infringência ao disposto no art. 32, inciso IV e parágrafo 6°, da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.528/97 c/c art. 225, inciso IV e parágrafo 4°, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, em razão da entidade acima identificada ter apresentado Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP relativas ao período de 01/2001 a 12/2005 com erro no preenchimento do campo Retenção. Informa a autoridade fiscal que a prestadora de serviços informou valor da retenção a menor ou a maior, conforme discriminado em planilhas anexas ao Relatório Fiscal da Infração, fls.17 a 104. Esta infração é identificada nos sistemas informatizados da Previdência Social sob o Código de Fundamento Legal CFL n° 69. Foi aplicada a multa prevista no artigo 32, inciso IV e parágrafo 6°, da Lei n.° 8.212/91, na redação dada pela Lei n.° 9.528/97 combinada com os artigos 284, inciso III e 373 do RPS, correspondente a 5% do valor mínimo atualizado pela Portaria MPS/MF n° 77, D.O.U. de 12/03/2008 (a saber, 5% de R$ 1.254,89 = R$ 62,74), por campo com informações incorretas ou omissas e por competência, perfazendo um total de R$ 3.764,40 Ores mil, setecentos e sessenta e quatro reais e quarenta centavos), demonstrados às fls. 16. DA IMPUGNAÇÃO A empresa foi cientificada da autuação em 17/06/2008, tendo apresentado impugnação tempestiva, às fls. 122/124, requerendo em síntese: Em preliminar suscita a nulidade da autuação, por conter duas datas consignadas na folha de rosto do Auto de Infração, uma aposta pelo sistema, dia 11/06/2008 e outra aposta pelo fiscal, dia 12/06/2008. Afirma que o Ato é nulo por estar em desacordo com o artigo 293 do Regulamento da Previdência Social e afrontar o art. 10 do Decreto 70.235/72. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Por se tratar de vicio formal que macula a legitimidade do ato administrativo, este deve ser declarado nulo de pleno direito. Caso ultrapassada a inicial, aduz que embora não tenha apresentado certos documentos, tal situação foi compensada pela apresentação de outros documentos que serviram para confrontação de dados pelos fiscais. Acrescenta que o Auditor Fiscal não demonstrou qual o gravame decorrente do não fornecimento dos documentos citados, e se este inexiste, descabe alguma sanção. Aduz, ainda, em que pese a necessidade de cumprimento de certas formalidades, que o objetivo precípuo do fisco é o correto percebimento dos impostos devidos, e no caso em tela, tal intento foi alcançado, já que os valores devidos foram devidamente adimplidos. Nesta linha, em que pese a incorreção formal ocorrida, o ato do impugnante, além de ter ocorrido sem qualquer dolo, não lesou o fisco, não cabendo portanto, aplicação de sanção pecuniária. Pelo exposto acima, requer preliminarmente, a decretação da nulidade do Auto de Infração, ou, sucessivamente, a sua improcedência, por não ocorrer prejuízo ao fisco, bem como por não ter agido com dolo e por ser primaria. É o relatório. ” DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, a 6ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de Porto Alegre ( RS ) – DRJ/POA emitiu o Acórdão n ° Acórdão n° 1025.967 mantendo procedente o lançamento. DO RECURSO Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário conforme registro às fls. 148, e reiterou as alegações que fizera em instância a quo. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12269.001458/200880 Acórdão n.º 240300.999 S2C4T3 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Relator DA TEMPESTIVIDADE E DOS PRESSUPOSTOS Conforme registro de fls. 151, o Recurso é tempestivo. Aduz que reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Cumpre registrar que o Recurso contém erro material da mesma natureza que a recorrente exorta para requerer a nulidade do presente processo. Isto adiante restará demonstrado. DAS PRELIMINARES Da Nulidade Reiterando a alegação efetuada em sede de impugnação, a Recorrente afirma que o lançamento estaria inquinado de nulidade pelos motivos abaixo : “2) Preliminarmente, invoca o Recorrente nulidade da autuação, por conter duas datas na primeira folha, uma aposta pelo sistema, dia 11/06/2008 e outra aposta pelo fiscal dia 12/06/2008, o que nulifica o ato administrativo por imprecisão, por estar em desacordo com o art. 293 do Regulamento da Previdência Social e afrontar o art. 10 do Decreto n° 70.235/72.” Fazendo o contraponto, trago à lume o registro de fls.148 a epígrafe do Recurso interposto onde a empresa comete ERRO de maior amplitude que, se eu usasse o mesmo radical conceito literal utilizado pela Recorrente motivaria o NÃO CONHECIMENTO do Recurso ora em apreço. Aduz que a Recorrente pretendendo Recorrer do decisium de primeira instância referente ao presente processo, designado pelo n° 12269.001458/200880, registrou sua incoformidade vinculado ao processo 12269.001456/200891 diverso pois do ora em comento : “ RECURSO VOLUNTÁRIO Notificação Fiscal de Lançamento de Débito no 37.0765028 Processo número 12269.001456/200891 ” Ainda assim, analisei o Recurso para me certificar se seu conteúdo também era extranho aos autos. Constatada a pertinência, conheci do mesmo. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Aduzindo que ambos os casos representam mero erro sanável que, em hipótese alguma representou prejuízo para as partes, não proclamei a nulidade do Recurso tampouco do lançamento.Portanto não dou provimento à prejudicial de nulidade. Da Decadência Tomandose como certo o entendimento de que ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado, em preliminar, quedome a observar hipótese decadencial face a edição da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal – STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , “a ”: SÚMULA VINCULANTE DO STF N° 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. A súmula n° 8 passou a produzir efeitos a partir de 20 de junho de 2008, conforme ata da vigésima segunda sessão plenária do STF, do dia 12.06.2008, cuja íntegra do debate foi publicado no Diário de Justiça do dia 11.09.2008. O material está no site do tribunal. Consolidando o sumulado, se observa a Lei complementar n° 128, de 19 de dezembro de 2008, artigo 13, I, “a ” : “ Lei Complementar n°128, de 19 de dezembro de 2008 (...) Art. 13. Ficam revogados: I – a partir da data de publicação desta Lei Complementar: a) os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991” DA DECADÊNCIA DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Como relatado, tratase de Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória, em razão de no período 01/96 a 12/2005 a empresa ter deixado de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A instância a quo reconheceu a decadência. Entretanto entendeu que esta ocorrera sob os auspícios do artigo 173 do Código Tributário Nacional – CTN. De plano adianto que discordo daquele entendimento e submeto a esta Egrégia Turma os motivos da divergência. Exortandose os artigos 3º e 5º do Código Tributário Nacional – CTN, se observa que : “Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12269.001458/200880 Acórdão n.º 240300.999 S2C4T3 Fl. 4 7 (...) Art. 5º Os tributos são impostos, taxas e contribuições de melhoria.” Debruçado ainda sobre o mesmo códex, no que se refere ao artigo 113, § 2º, temos que : “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória (...) . § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Visto isto, concluise que as obrigações acessórias não têm natureza jurídica de tributos mas decorrem da legislação tributária. Tal análise é fundamental para o reconhecimento da decadência das obrigações tributárias acessórias na medida em que a legislação, neste sentido, só fez previsão de decadência para os TRIBUTOS na forma dos artigos 150, §4° e 173 do mesmo diploma tributário supra. “ Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa.” (...) “ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: ” Aduz que artigo 150 do CTN invoca o lançamento e sua homologação ao passo que o artigo 173 do mesmo CTN não faz alusão a homologação, sendo lícito, portanto, inferir que para o reconhecimento da decadência dos TRIBUTOS a aplicação do artigo 173 é regra geral e no que se refere aos tributos submetidos aos lançamentos por homologação se tem como especifica a aplicação do artigo 150 § 4º, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Corroborando tal entendimento, consta decisão do STJ nos embargos de Divergência n° 413.265SC( 2004/01609837), onde a Primeira Seção firmou entendimento preciso e atual sobre a interpretação das normas jurídicas que regem a decadência do direito do fisco no Código Tributário Nacional – CTN. Ficou assente naquele julgado, por unanimidade, à luz da relatoria da Min. Denise Arruda, que a decadência do direito do fisco no CTN é tratada mediante uma REGRA GERAL e uma REGRA ESPECÍFICA. A regra geral está prevista no artigo 173, I do CTN, Fl. 166DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 aplicase a todos os tributos; já a específica consta do 150, § 4° do CTN, e aplicase aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Tudo isso exposto, sendo cediço que as obrigações principais do tributo em comento são regidas pelos pressupostos do denominado lançamento por homologação, entendo que a decadência, quando o foco são as obrigações acessórias decorrentes daquelas, por coerência, já que a lei não previu a decadência das obrigações acessórias e essas também decaem, e, em razão da obrigação de fazer e não de pagar, não se vislumbra outro enquadramento que não seja resultado da aplicação da aludida REGRA ESPECÍFICA prevista no Código Tributário Nacional para tributos sujeitos ao lançamento por homologação ou seja o artigo 150, § 4° do CTN, independente do que ficar decidido sobre a decadência das obrigações principais eventualmente descumpridas. A regra a que nos submete o artigo 62A do RICARF, por se referir a pagamentos antecipados, não alcança por óbvio, as obrigações acessórias que não exigem pagamentos mas cumprimentos de prestações positivas ou negativas. Quando das autuações por descumprimento de obrigações acessórias, sendo infrações autônomas, tenho convencimento de que, no reconhecimento do instituto da decadência de obrigação acessória, é despiciendo observar até mesmo se houve autuação sobre obrigações outras uma vez que o que se homologa, tácita ou expressamente é a atividade em questão, específica e referente e à infração ocorrida, ao fato gerador daquela obrigação não observado e não os fatos conexos que deverão ser motivo de análise em processos próprios e, por óbvio, autônomos: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa.” Concordando o verbo com o sujeito, se observa que o legislador, no caput, literalmente afirma que o lançamento OPERASE pelo ato em que a autoridade tomando conhecimento da ATIVIDADE .......expressamente A HOMOLOGA. Sendo literal, portanto, não é caso, portanto de hermenêutica. As obrigações acessórias são homologadas, também, tácita ou expressamente, posto que ao termo do prazo qüinqüenal, o direito potestativo da Autoridade Administrativa se observará efetivamente decaído qualquer que seja a circunstância, estejam ou não adimplidas as obrigações cabendo apenas o reconhecimento da decadência sem modulação tendo em vista não existir previsão legal para tal. Assim, nas hipóteses decadenciais, é inevitável concluir que se deva aplicar aos descumprimentos de obrigações acessórias o preceituado no artigo 150, § 4° do CTN, independente do que tenha ocorrido com as obrigações principais se adimplidas ou não, salvo, é claro, para os casos de dolo, fraude ou simulação efetivamente comprovados. Desse modo, conforme Aviso de Recebimento – AR de fls. 120, dado que a notificação à empresa ocorreu em 17/06/2008, e o período da infração compreende as competências 01/2001 a 12/2005, na forma do comendo do 150, § 4° do CTN restaram decaídas as competências 11/2003 e anteriores. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12269.001458/200880 Acórdão n.º 240300.999 S2C4T3 Fl. 5 9 DO MÉRITO No Relatório Fiscal de fls.15 o Auditor Fiscal registra que o Auto de Infração em tela decorreu do descumprimento de obrigação acessória, pois a empresa apresentou GFIP’S com informações inexatas, incompletas ou omissas, nos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias. Afirma ainda a Autoridade Fiscal que tal conduta foi constatada pela entrega de GFIP com informações incorretas, no campo "RETENÇÃO". Em sede de impugnação o sujeito passivo alegou que “embora não tenha apresentado certos documentos, tal situação foi compensada pela apresentação de outros documentos que serviram para confrontação de dados pelos fiscais, não se sustenta”. Em sede recursal: “Ademais, somente pelo sabor da argumentação, notese, que o Auditor Fiscal não demonstrou qual o gravame decorrente do não fornecimento daqueles documentos citados, e se este inexiste, descabe alguma sanção. Gizese, ainda, em que pese a necessidade de comprimento de certas formalidades, o objetivo precípuo da fisco é o correto percebimento dos impostos devidos, e no caso em tela, tal intento foi alcançado,já que os valores devidos foram devidamente adimplidos.” É relevante notar o desapreço com que a Recorrente considera a irregularidade cometida ao afirmar que tratamse meras formalidades : “ em que pese a necessidade de comprimento de certas formalidades. Ocorre que as tais “certas formalidades” estão definidas pela legislação como OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS, que em razão do descumprimento motivou a lavratura do AutodeInfração guerreado. É compulsório ressaltar que a empresa não nega ter cometido a infração. Seus argumentos tentam tãosomente mitigar o feito sem contudo demonstrar com aposição de documentos probantes que procedera conduta regular, hipótese essa que fulminaria o lançamento. Desse modo, não dou provimento ao recurso. DA MULTA Já contemplada em instância a quo. CONCLUSÃO Por tudo que foi exposto, conheço do Recurso para , em PRELIMINAR, na forma do comando do artigo 150, § 4° do Código tributário Nacional – CTN, reconhecer a decadência das competências 11/2003 e anteriores e, no MÉRITO, NEGAR provimento. Ivacir Júlio de Souza Fl. 168DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Fl. 169DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 15504.017424/2008-75
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2005 a 31/12/2006
Ementa:
MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA.
ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
COMISSÕES. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS
Comissões pagas a não empregados por serviços prestados à empresa são tributados como remuneração a contribuintes individuais.
Numero da decisão: 2403-000.993
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, Por maioria de votos, em dar provimento parcial do recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Votaram pelas conclusões na questão dos representações comerciais os Conselheiros Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Jhonatas Ribeiro Da Silva e Ivacir Júlio de Souza. Vencido o Conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 16 09:00:03 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201201
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2005 a 31/12/2006 Ementa: MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. COMISSÕES. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS Comissões pagas a não empregados por serviços prestados à empresa são tributados como remuneração a contribuintes individuais.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 15504.017424/2008-75
conteudo_id_s : 6590440
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 2403-000.993
nome_arquivo_s : Decisao_15504017424200875.pdf
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
nome_arquivo_pdf_s : 15504017424200875_6590440.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, Por maioria de votos, em dar provimento parcial do recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Votaram pelas conclusões na questão dos representações comerciais os Conselheiros Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Jhonatas Ribeiro Da Silva e Ivacir Júlio de Souza. Vencido o Conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa.
dt_sessao_tdt : Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
id : 9276991
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Sat Apr 16 15:10:54 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1730278175303270400
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1891; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 223 1 222 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.017424/200875 Recurso nº 000.000 Voluntário Acórdão nº 2403000.993 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 20 de janeiro de 2012. Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente BELFAR LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2005 a 31/12/2006 Ementa: MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. COMISSÕES. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS Comissões pagas a não empregados por serviços prestados à empresa são tributados como remuneração a contribuintes individuais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por maioria de votos, em dar provimento parcial do recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Votaram pelas conclusões na questão dos representações comerciais os Conselheiros Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Jhonatas Ribeiro Da Silva e Ivacir Júlio de Souza. Vencido o Conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente/Relator Fl. 130DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Participaram do presente julgamento, os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio De Souza, Jhonatas Ribeiro Da Silva, Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.017424/200875 Acórdão n.º 2403000.993 S2C4T3 Fl. 224 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, acórdão 0225.048 6ª Turma, que julgou improcedente a impugnação. O lançamento referese às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais a serviço da empresa, observandose que, não foram efetuados os devidos descontos e nem a declaração na GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social. O lançamento é constituído dos seguintes levantamentos: • AM2 — ASSISTÊNCIA MÉDICA EMPREGADOS; • CV1 — COMISSÃO SOBRE VENDAS • FP1 — FOLHA DE PAGAMENTO SALÁRIOS; • FP5 — VR. REF.PAGTO. SAL. FAM. INDEVIDO. O levantamento AM2 incidiu sobre assistência médico/odontológica fornecida pela empresa (UNIMED — Belo Horizonte) a de determinados empregados; o levantamento CV1 incidiu sobre as remunerações a segurados contribuintes individuais, referentes a comissões sobre vendas; no levantamento FP1 foram lançadas as diferenças salariais apuradas e FP5, cotas de salário família pagos indevidamente. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: • o representante comercial não é empregado; • o artigo 1° da Lei n° 4.886/65 conceitua o representante comercial como pessoa que exerce exclusivamente a mediação para realização de negócios mercantis; • os representantes são autônomos, sem qualquer subordinação com a recorrente. É o Relatório. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. Registrese que o recurso referese exclusivamente ao levantamento CV1 que incidiu sobre as remunerações a segurados contribuintes individuais, referentes a comissões sobre vendas e que a matéria não contestada expressamente é considerada como não impugnada nos termos do artigo 17 do Decreto n° 70.235/72. Art. 17.Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS COMISSÕES A recorrente contesta o levantamento CV1 que incidiu sobre as remunerações a segurados contribuintes individuais, referentes a comissões sobre vendas, argumentando que o representante comercial não é empregado e que os representantes são autônomos, sem qualquer subordinação com a recorrente. Veremos que não cabe razão à recorrente em suas alegações e que o lançamento está correto. Conforme descrito no Relatório Fiscal, os valores das remunerações, referentes a comissões sobre vendas, foram apurados através das notas fiscais de serviços prestados por pessoas físicas, confirmados na escrituração contábil da empresa. 6.3 — O pagamento ou crédito das remunerações referentes a comissões sobre vendas a segurados contribuintes individuais, através de notas fiscais de serviços prestados por pessoas físicas, lançadas nos Livros Diário e Razão. Encontramse relacionados todos os prestadores de serviços na planilha demonstrativa n.° 03, anexo que integra o presente relatório. As Notas Fiscais de Prestação de Serviço presentes no processo 15504.017422/200886 (lançamento da cota patronal) referemse a pessoas físicas, conforme abaixo: • Anselmo Paganini – Representante comercial autônomo, sem CNPJ nem CPF. Pagamento “Ao Sr Anselmo Paganini, Banco ..., Ag ..., C/C ... (folha 143) Fl. 133DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.017424/200875 Acórdão n.º 2403000.993 S2C4T3 Fl. 225 5 • Kennedy Horta Palhares – CPF na nota fiscal de serviço, sem CNPJ (Folha 145) • Piachentino Aparecido Muroni – CPF na nota fiscal de serviço, sem CNPJ (folha 147) • José Estevam Colombo CPF na nota fiscal de serviço, sem CNPJ (folha 148) • Marino Bittencourt Neto CPF na nota fiscal de serviço, sem CNPJ (folha 151) • Roberto Tasaka CPF na nota fiscal de serviço, sem CNPJ (folha 152) Segundo a Lei 8.212/91, é contribuinte individual e segurado obrigatório a pessoa física que presta serviço à empresa sem relação de emprego. Portanto, verificase que o lançamento referente aos contribuintes individuais (não empregados) está correto. MULTA DE MORA A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 61 da Lei 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido Fl. 134DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. CONCLUSÃO À vista do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 135DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 15504.017422/2008-86
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2005 a 31/12/2006
Ementa:
MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA.
ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
ASSISTÊNCIA MÉDICA.
Para a não tributação dos valores relativos ao benefício da assistência médica, odontológica e afins, é necessário que a cobertura oferecida abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa.
COMISSÕES. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS
Comissões pagas a não empregados por serviços prestados à empresa são tributados como remuneração a contribuintes individuais.
Numero da decisão: 2403-000.992
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, Por maioria de votos, em dar
provimento parcial do recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Votaram pelas conclusões na questão dos representações comerciais os Conselheiros Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Jhonatas Ribeiro Da Silva e Ivacir Júlio de Souza. Vencido o Conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 16 09:00:03 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201201
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2005 a 31/12/2006 Ementa: MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. ASSISTÊNCIA MÉDICA. Para a não tributação dos valores relativos ao benefício da assistência médica, odontológica e afins, é necessário que a cobertura oferecida abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. COMISSÕES. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS Comissões pagas a não empregados por serviços prestados à empresa são tributados como remuneração a contribuintes individuais.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 15504.017422/2008-86
conteudo_id_s : 6590412
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 2403-000.992
nome_arquivo_s : Decisao_15504017422200886.pdf
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
nome_arquivo_pdf_s : 15504017422200886_6590412.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, Por maioria de votos, em dar provimento parcial do recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Votaram pelas conclusões na questão dos representações comerciais os Conselheiros Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Jhonatas Ribeiro Da Silva e Ivacir Júlio de Souza. Vencido o Conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa.
dt_sessao_tdt : Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
id : 9276990
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Sat Apr 16 15:10:54 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1730278175324241920
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2063; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 223 1 222 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.017422/200886 Recurso nº 000.000 Voluntário Acórdão nº 2403000.992 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 20 de janeiro de 2012. Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente BELFAR LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2005 a 31/12/2006 Ementa: MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. ASSISTÊNCIA MÉDICA. Para a não tributação dos valores relativos ao benefício da assistência médica, odontológica e afins, é necessário que a cobertura oferecida abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. COMISSÕES. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS Comissões pagas a não empregados por serviços prestados à empresa são tributados como remuneração a contribuintes individuais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por maioria de votos, em dar provimento parcial do recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Votaram pelas conclusões na questão dos representações comerciais os Conselheiros Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Jhonatas Ribeiro Da Silva e Ivacir Júlio de Souza. Vencido o Conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa. Fl. 791DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Carlos Alberto Mees Stringari Presidente/Relator Participaram do presente julgamento, os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio De Souza, Jhonatas Ribeiro Da Silva, Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 792DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.017422/200886 Acórdão n.º 2403000.992 S2C4T3 Fl. 224 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, acórdão 0225.047 6ª Turma, que julgou improcedente a impugnação. O lançamento referese a contribuições destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre os valores pagos aos segurados empregados e a contribuintes individuais, que correspondem às contribuições da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho — GILRAT e é constituído dos seguintes levantamentos, todos eles não declarados em GFIP: • AM2 — ASSISTÊNCIA MÉDICA EMPREGADOS; • CV1 — COMISSÃO SOBRE VENDAS • FP1 — FOLHA DE PAGAMENTO SALÁRIOS; • FP2 — FOLHA DE PAGAMENTO SALÁRIOS; • FP4 — FOLHA DE PAGAMENTO SALÁRIOS; • FP5 — VR. REF.PAGTO. SAL. FAM. INDEVIDO. O levantamento AM2 incidiu sobre assistência médico/odontológica fornecida pela empresa (UNIMED — Belo Horizonte) a de determinados empregados; o levantamento CV1 incidiu sobre as remunerações a segurados contribuintes individuais, referentes a comissões sobre vendas; no levantamento FP1 foram lançadas as diferenças salariais apuradas; no FP2, valores referentes às rescisões de contrato de trabalho; no FP4 a glosas de salário família e FP5, cotas de salário família pagos indevidamente. 1. O pagamento ou crédito das remunerações, efetuado pela empresa aos seus segurados empregados, conforme informações constantes nos anexos 01 e 02 que integram este Relatório (fls. 36/38), que encontramse expressos nos seguintes documentos apresentados à fiscalização: folhas de pagamento de salários devidas ou creditadas a todos os segurados empregados, termos de rescisões de contratos de trabalho, Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP, comprovantes de recolhimento, livros Diário e Razão. 2. Assistência médico/odontológica fornecida pela empresa a seus funcionários, em desconformidade com a legislação específica, cujos fatos geradores ocorreram com o pagamento de notas fiscais/faturas de serviços prestados por cooperados intermediados por cooperativa de trabalho médico (UNIMED — Belo Horizonte), em beneficio de determinados empregados. Os Fl. 793DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 valores mensais constantes dos lançamentos contábeis referentes à assistência médica constituíramse nas bases de cálculo da contribuição devida (anexos 03 e 04 do Relatório, fls. 39/57). 3. O pagamento ou crédito de remunerações a segurados contribuintes individuais, referentes a comissões sobre vendas, através de notas fiscais de serviços prestados por pessoas físicas, relacionados no anexo 05, fls. 58/60, lançadas nos Livros Diário e Razão. 4. Valores referentes a glosas de cotas de salário família pagas a segurados empregados e reembolsadas sem a observância dos requisitos necessários à sua concessão, relacionados no anexo 06 (fls. 61/74). Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: • a adesão ao plano de assistência médica e odontológica foi disponibilizada a todos os empregados, que manifestaram livremente sua opção pelo Sistema Único de Saúde; • o representante comercial não é empregado; • o artigo 1° da Lei n° 4.886/65 conceitua o representante comercial como pessoa que exerce exclusivamente a mediação para realização de negócios mercantis; • os representantes são autônomos, sem qualquer subordinação com a recorrente. É o Relatório. Fl. 794DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.017422/200886 Acórdão n.º 2403000.992 S2C4T3 Fl. 225 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. Registrese que não foram contestados os lançamentos relativos a diferenças salariais (levantamento FP 1), rescisões contratuais (levantamento FP2), glosas de cotas de salário família pagas indevidamente (levantamentos FP4 e FP5).e que a matéria não contestada expressamente é considerada como não impugnada nos termos do artigo 17 do Decreto n° 70.235/72. Art. 17.Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) ASSISTÊNCIA MÉDICA Alega a recorrente que a assistência médica é oferecida a todos, e que um número de funcionários optou por não gozar deste beneficio. Não merece prosperar a alegação de que não há incidência sobre os valores pagos a título de assistência médica. A Lei n° 8.212/91 assim dispõe sobre o assunto: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) ... III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por Fl. 795DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifei) A regra estabelecida pela Lei é tributar a remuneração, entendida como a totalidade dos rendimentos. Segundo o CTN, as isenções devem decorrer de lei. Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Parágrafo único. A isenção pode ser restrita a determinada região do território da entidade tributante, em função de condições a ela peculiares. Dessa forma dispõe o § 9º do artigo 28 da Lei 8.212/91, quando estabelece que lista fechada das rubricas que não integram o saláriodecontribuição, sendo que nela está contida, na alínea “q”, que não é tributado o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. Está comprovado, inclusive pelas alegações da recorrente, vide folha 192 (impugnação), que a cobertura abrange a menor parte dos empregados. In casu, a adesão ao plano de assistência médica e odontológica foi disponibilizada a todos os empregados, que, na sua maioria, optaram pela manutenção no sistema único de saúde, em razão dos valores percebidos a título de salário. (grifei) Entendo correto o lançamento deste levantamento. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS COMISSÕES A recorrente contesta o levantamento CV1 que incidiu sobre as remunerações a segurados contribuintes individuais, referentes a comissões sobre vendas, argumentando que o representante comercial não é empregado e que os representantes são autônomos, sem qualquer subordinação com a recorrente. Fl. 796DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.017422/200886 Acórdão n.º 2403000.992 S2C4T3 Fl. 226 7 Veremos que não cabe razão à recorrente em suas alegações e que o lançamento está correto. Conforme descrito no Relatório Fiscal e no anexo 05, os valores das remunerações, referentes a comissões sobre vendas, foram apurados através das notas fiscais de serviços prestados por pessoas físicas, confirmados na escrituração contábil da empresa, cujos lançamentos foram efetuados na conta Despesas Operacionais (4.2.01.00.00.00)e subcontas Despesas de Comercialização (4.2.01.01.00.00) / Comissão sobre Vendas (4.2.01.01.07.00). As Notas Fiscais de Prestação de Serviço presentes no processo referemse a pessoas físicas, conforme abaixo: • Anselmo Paganini – Representante comercial autônomo, sem CNPJ nem CPF. Pagamento “Ao Sr Anselmo Paganini, Banco ..., Ag ..., C/C ... (folha 143) • Kennedy Horta Palhares – CPF na nota fiscal de serviço, sem CNPJ (Folha 145) • Piachentino Aparecido Muroni – CPF na nota fiscal de serviço, sem CNPJ (folha 147) • José Estevam Colombo CPF na nota fiscal de serviço, sem CNPJ (folha 148) • Marino Bittencourt Neto CPF na nota fiscal de serviço, sem CNPJ (folha 151) • Roberto Tasaka CPF na nota fiscal de serviço, sem CNPJ (folha 152) Portanto, o lançamento verificase que o lançamento referente aos contribuintes individuais (não empregados) está correto. MULTA DE MORA A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 61 da Lei 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a Fl. 797DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. CONCLUSÃO À vista do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 798DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10380.005009/2007-18
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1999
Ementa:
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO.
Quando a exoneração do pagamento do tributo possuir valor inferior ao determinado na portaria ministerial que trata do recurso de ofício não haverá como conhecer do recurso.
Numero da decisão: 2403-000.948
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso de ofício.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 16 09:00:03 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201201
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1999 Ementa: RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. Quando a exoneração do pagamento do tributo possuir valor inferior ao determinado na portaria ministerial que trata do recurso de ofício não haverá como conhecer do recurso.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 10380.005009/2007-18
conteudo_id_s : 6589236
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 11 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 2403-000.948
nome_arquivo_s : Decisao_10380005009200718.pdf
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
nome_arquivo_pdf_s : 10380005009200718_6589236.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
id : 9272954
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Sat Apr 16 15:10:48 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1730278175357796352
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1238; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 1.208 1 1.207 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.005009/200718 Recurso nº 000.000 De Ofício Acórdão nº 2403000.948 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 18 de janeiro de 2012. Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado APIGUANA MAQUINAS E FERRAMENTAS LTDA Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1999 Ementa: RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. Quando a exoneração do pagamento do tributo possuir valor inferior ao determinado na portaria ministerial que trata do recurso de ofício não haverá como conhecer do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente/Relator Fl. 1208DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Participaram do presente julgamento, os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio De Souza, Jhonatas Ribeiro Da Silva, Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 1209DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10380.005009/200718 Acórdão n.º 2403000.948 S2C4T3 Fl. 1.209 3 Relatório Tratase de recurso de ofício apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza, acórdão 0811.503, que julgou nulo o lançamento pela apresentação de vício insanável. Abaixo transcrevo o relatório presente no acórdão recorrido: Relatório Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra a empresa acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal RF, fls 415/418, referese ás contribuições incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, no período de 01/1995 a 08/2005 para as filiais e de 01/1995 a 05/2005 para a matriz. A apuração do montante total cobrado, em valores originários, resultou em R$ 366.006.32 (trezentos e sessenta e seis mil, seis reais e trinta e dois centavos), consolidados, em 29.09.2005, em R$ 840.441,40 (oitocentos e quarenta mil, quatrocentos e quarenta e um reais e quarenta centavos). A empresa apresentou impugnação no prazo regulamentar, as fls. 752/754, alegando, em síntese, o seguinte: • que o auditor calculou e cobrou valores devidos a terceiros, sem excluir as competências até 06/1995; • que foi apropriado, parcialmente, em algumas competências. os valores recolhidos pela empresa: • constituiu débitos provenientes de lançamentos contábeis de provisão de prolabore, contrariando os princípios da contabilidade; • constituiu débitos em duplicidade de um mesmo fato gerador em diversas competências; • alega, ainda, a notificada que. apesar da determinação judicial. mediante a liminar concedida no Mandado de Segurança n° 2005.81.0058810. o Auditor levantou o débito relativo ao INCRA em todo o período fiscalizado; Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 • contesta a empresa a decadência do crédito tributário, consoante disposição do Código Tributário Nacional; • finalmente, requer a nulidade da presente NFLD, pelos motivos acima expostos. O voto que conduziu à decisão unânime da turma em anular o lançamento é apresentado abaixo com grifos: Em 30/08/2006. a empresa desistiu de parte da impugnação apresentada . As fls. 814. ou seja, reconheceu o débito relativo ao período de 01/2000 a 08/2005, ocasião em que foi realizado o desmembramento deste débito, tendo sido transferido para a NFLD n° 35.944.431 8, o valor de R$ 220.944,43. consoante o Termo de Transferência, As fls. 815, e o valor desta NFLD resultou cm R$ 619.496,43 (seiscentos e dezenove mil, quatrocentos e noventa e seis reais e quarenta e três centavos). Vale ressaltar que, durante a fiscalização. o Auditor Notificante não tomou conhecimento dos valores pagos indevidamente e compensados pela notificada, nos termos da decisão judicial proferida pelo Supremo Tribunal Federal, mediante a qual julgou inconstitucional o art. 3°. f, da Lei n° 7.787/89, bem como a expressão “autônomos e empresários", constante do art. 22,1, da Lei n°8.212/91. Somente após a apresentação da impugnação, a empresa requereu a juntada da retromencionada decisão judicial, onde o Supremo Tribunal Federal determinou que fosse realizada a compensação de valores pagos indevidamente ao INSS, razão por que foi efetuada a apropriação dos referidos valores, que deveriam ter sido apropriados pelo fiscal, nos termos das Guias apresentadas pela empresa e despacho exarado no Processo n. 95.34239. Foi emitida a DecisãoNotificação n° 05.401.4/0604/2006, com as devidas retificações, às fls. 1.189, todavia, por ocasião do encerramento da mencionada retificação, o Sistema de Cobrança Online — SISCOL, apresentou o seguinte erro: Não encontrado o documento ORIGEM. Em virtude do erro apresentado no SISCOL, foi efetuada uma consulta ao SUPORTE WEB, em 29/09/2006, As fls. 1.200, porém, o mesmo não deu solução ao problema em tempo hábil , e por ocasião da Unificação dos Fiscos, o SUPORTEWEB zerou todas as consultas que estavam pendentes. Somente em 03/04/2007, em pesquisa ao SUPORTEWEB foi encontrada o seguinte posicionamento:: O Sistema de Registro e Controle de Débitos, Parcelamento e Cobrança — SICOB não recepciona desmembramento ou retificação de débito anteriormente desmembrado, nos termos do Pedido n° 02486/2007, As fls.1.197, semelhante ao problema da presente NFLD. Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10380.005009/200718 Acórdão n.º 2403000.948 S2C4T3 Fl. 1.210 5 Dessa forma. em virtude da impossibilidade do encerramento. no sistema informatizada da Previdência Social, da retificação efetuada, a presente NFLD deve ser anulada, por inviabilidade de saneamento de vicio, conforme resposta do SUPORTE WEB. E considerando o dever de a administração rever seus atos, mandamento este expresso no art. 53 da Lei 9.784/99 e na Súmula 473 do Supremo Tribunal Federal, segundo os quais a Administração Pública pode rever e anular seus próprios atos, conforme abaixo transcrito: Lei 9.784/99 Art. 53 — A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vicio de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. Súmula 473. A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que Os tornem ilegais, por que deles não se originam direitos; ou revogálos, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial.. Nessas circunstâncias, o mérito da presente notificação não será apreciado, devendo as contribuições aqui lançadas serem objeto de novo e imediato lançamento, ocasião em que o valor referente ao INCRA ser á lançado em apartado, bem como os valores pagos indevidamente pela empresa deverão ser compensados, nos termos da decisão do Supremo Tribunal Federal Processo n° 95.34239. Concluise, pois, que a irregularidade assinalada não é passível de saneamento, em virtude de o sistema informatizado da Previdência Social não permitir a retificação em débito anteriormente desmembrado. Por todo o exposto, voto no sentido de declarar a NULIDADE do LANÇAMENTO, com a imediata emissão de NFLD substitutiva. É o Relatório. Fl. 1212DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator Quanto ao RECURSO DE OFÍCIO, não há como conhecêlo. O valor para que as Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorram de ofício ao Conselho foi alterado pelo Ministro de Estado da Fazenda, pela Portaria MF 3/2008, para valor superior ao que a decisão exonerou o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa (um milhão de reais). Portaria MF 3/2008: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 375, de 7 de dezembro de 2001. Como, no presente processo, a exoneração do pagamento do tributo possui valor inferior ao determinado, não há como conhecer do recurso. CONCLUSÃO Voto por não conhecer do recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 1213DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10380.005009/200718 Acórdão n.º 2403000.948 S2C4T3 Fl. 1.211 7 Fl. 1214DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 14485.000009/2007-12
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/1996 a 31/12/1996
Documento: NFLD n° 35.872.401-5,
de 21/12/2005
PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. ART. 45 DA LEI 8.212/91.
SÚMULA VINCULANTE Nº 08 DO STF.
O prazo decadencial das contribuições previdenciárias é de 05 (cinco) anos, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-001.021
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar
provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: MARTHIUS SAVIO CAVALCANTE LOBATO
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
dt_index_tdt : Sat Apr 16 09:00:03 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201202
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1996 a 31/12/1996 Documento: NFLD n° 35.872.401-5, de 21/12/2005 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. ART. 45 DA LEI 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE Nº 08 DO STF. O prazo decadencial das contribuições previdenciárias é de 05 (cinco) anos, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 14485.000009/2007-12
anomes_publicacao_s : 201202
conteudo_id_s : 5059796
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 2403-001.021
nome_arquivo_s : 2403001021_14485000009200712_201202.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : MARTHIUS SAVIO CAVALCANTE LOBATO
nome_arquivo_pdf_s : 14485000009200712_5059796.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
id : 4749766
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Sat Apr 16 15:10:44 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1730278175387156480
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1630; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 150 1 149 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14485.000009/200712 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2403001.021 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 07 de fevereiro de 2012 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente BUNGE FERTILIZANTES S/A E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1996 a 31/12/1996 Documento: NFLD n° 35.872.4015, de 21/12/2005 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. ART. 45 DA LEI 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE Nº 08 DO STF. O prazo decadencial das contribuições previdenciárias é de 05 (cinco) anos, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marthius Sávio Cavalcante Lobato Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza e Marthius Savio Cavalcante Lobato. Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MARTHIUS SAVIO CAVALCANTE LOBATO, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por CARLOS ALBERTO MEES S TRINGARI 2 Relatório Adoto integralmente o relatório de fls.654/655: Tratase de crédito previdenciário lançado através 'da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD n° 35.872.3787, emitida em 21/12/2005, lavrada pela Auditora Fiscal Sandra Akemi Takai, matrícula 1.334.762, relativa a contribuições destinadas ao financiamento da Seguridade Social rubricas segurados, empresa, e contribuições destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho rubrica sát/rat, incidentes sobre a remuneração de trabalhadores contratados por cessão de mãode obra na execução de serviços de assessoria administrativa, nas competências 02/96 a 12/96, de acordo com o Relatório Fiscal, de fls. 28/31, no montante de R$ 33.013,12 (trinta e três mil e treze Reais e doze centavos), consolidado em 20/12/2005. 2. O Relatório Fiscal esclarece: 2.1. os serviços foram prestados à empresa Serrana de Mineração Ltda., \ CNPJ 61.074.134/000141, que foi incorporada pela Fertisul ; S/A em 08/97, e esta incorporada pela Fertilizantes Serrana S/A em 07/98, que por sua vez foi incorporada pela Bunge Fertilizantes S/A em 08/2000; 2.2. os serviços foram prestados pela empresa KST CONSULTORIA E ASSESSORIA DE RH LTDA., CNPJ 94.309.465/000172, com endereço na Rua Desembargador André da Rocha, 20, sala 52, Centro, Porto Alegre, RS, CEP 90050160; 2.3. o lançamento foi resultado do exame das contas do Razão: 431.043, 433.043, 435.043 e 436.043, intituladas Serviços de Terceiros Pessoa Jurídica, notas fiscais/faturas e contratos, verificandose no exame dos registros contábeis que o contribuinte sob ação fiscal, no período do lançamento, contratoú serviços de trabalhadores no seu estabelecimento; 2.4. a empresa deixou de apresentar cópia das folhas de pagamento específicas e guias de recolhimento vinculadas dos segurados que prestaram serviço, ensejando a lavratura de Auto de Infração pela não apresentação de todos os documentos solicitados pela fiscalização; 2.5. o débito foi lançado em razão da não apresentação pela empresa contratante das cópias autenticadas das guias de recolhimento (GRPS) quitadas e respectivas folhas de \ pagamento específicas, conforme disposição do art. 31 e parágrafos da Lei n° 8.212/91 e OS INSS/DAF n° 83, de 13/08/93; 2.6. os valores foram apurados com base nas notas fiscais apresentadas, obtendose o salário de contribuição pela aplicação de 40% (quarenta por cento) sobre o valor total do serviço, conforme discriminativo, nos termos do item 11 da OS INSS/DAF n° 83/93; 2.7. será emitido subsídio fiscal encaminhado à Delegacia circunscricionante do estabelecimento sede da empresa prestadora de serviço. 3. Cientificado pessoalmente da notificação em 21/12/2005 ( 1), o contribuinte interpôs aos 03/01/2006, sob protocolo n° 35464.000080/200624, a defesa, de fls. 39/52, acompanhada de Instrumento de Procuração e Substabelecimento (fls. 53/55), cópia de Atas de Assembléia de 29/11/2002 e 29/04/2005 (fls. 56/57), e cópia de Consulta ao Extrato do Devedor do Sistema Dívida da Procuradoria — CDEBEXT, CCREDEXT, CCRED e CDEB (fls. 58/65). Apresentado a tempo e modo a impugnaçao. Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MARTHIUS SAVIO CAVALCANTE LOBATO, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por CARLOS ALBERTO MEES S TRINGARI Processo nº 14485.000009/200712 Acórdão n.º 2403001.021 S2C4T3 Fl. 151 3 A Fazenda Nacional julgou procedente o lançamento, afastando a decadência requerida em defesa, aplicando a decadência decenal. Desta decisao, apresentou recurso a demandante, reiterou a Decadencia e no merito, reitera nos fundamentos já analisados pela instancia “a quo” . É o relatório. Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MARTHIUS SAVIO CAVALCANTE LOBATO, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por CARLOS ALBERTO MEES S TRINGARI 4 Voto Conselheiro Marthius Sávio Cavalcante Lobato relator DA TEMPESTIVIDADE Recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Conheço. DA DECADÊNCIA A decisão recorrida afastou a decadência argüida pelo recorrente sob o fundamento de que a mesma seria decenal, nos termos dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91. O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária de 12 de Junho de 2008, aprovou a Súmula Vinculante nº 8 nos seguintes termos: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Referida Súmula declara inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que impõe o prazo decadencial e prescricional de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias, o que significa que tais contribuições passam a ter seus respectivos prazos contados em consonância com os artigos 150, § 4º, 173 e 174, do Código Tributário Nacional. CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MARTHIUS SAVIO CAVALCANTE LOBATO, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por CARLOS ALBERTO MEES S TRINGARI Processo nº 14485.000009/200712 Acórdão n.º 2403001.021 S2C4T3 Fl. 152 5 In casu, contase o prazo decadencial nos termos do artigo 150, § 4º, c/c artigo 173, I , ambos do CTN. Conforme Relatório Fiscal de fls. 174/178 o período das irregularidades compreendeu a competência 01/02/1996 a 31/12/1996, NFLD n° 35.872.4015, de 21/12/2005. Logo, o prazo decadencial ocorreu em relação ao período total, compreendido entre: 01/02/1996 a 31/12/1996 (nos termos do art. 150, § 4º, º, c/c artigo 173, I , ambos do CTN, conforme explicado. Acolho a preliminar de decadência para dar provimento ao recurso voluntário e extinguir o crédito tributário. CONCLUSÃO Ante todo o exposto e do mais que nos autos consta, conheço do recurso para no mérito DARLHE PROVIMENTO aplicando a Sumula Vinculante n. 8 do STF, reconhecendo a Decadencia total, com base no artigo 150, § 4º, c/c artigo 173, I , ambos do CTN, extinguindose o crédito tributário, nos termos dos fundamentos supra. Marthius Sávio Cavalcante Lobato Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por MARTHIUS SAVIO CAVALCANTE LOBATO, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por CARLOS ALBERTO MEES S TRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 18050.004987/2008-77
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A,caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO PAGAMENTO EM ESPÉCIE ALIMENTAÇÃO
EMPRESA NÃO INSCRITA NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO.
O pagamento, em espécie, de alimentação aos segurados empregados por empresa não inscrita no PAT Programa de Alimentação do Trabalhador, integra o salário de contribuição e se constitui em fato gerador de contribuições sociais previdenciárias.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AJUDA DE CUSTO MUDANÇA INTEGRAÇÃO
AO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
Integra o Salário de Contribuição a ajuda de custo paga sem os requisitos previstos no art. 28, § 9°, g, da Lei 8.212/1991.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS REQUISITOS
INDEFERIMENTO.
Quanto à solicitação de produção de provas, verifica-se que o momento processual ocorre em sede de Impugnação, conforme arts. 15 e 16, Decreto
70.2351972 e também nos arts. 55 e 56, Decreto 7574/2011 precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, com as exceções do art.16, § 4º, Decreto 70.235/1972.
Como o pedido de produção de prova documental não possui os requisitos previstos na legislação, considera-se não formulado.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO TAXA SELIC APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS.
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais. Neste sentido, há a Súmula nº 4 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente estabelece a aplicação da taxa SELIC.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART.
106, II, C, CTN
Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991
(que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A,
para disciplinar a multa de ofício.
Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com
base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica.
Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos
legais mais benéficos ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-001.009
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, no mérito, por unanimidade de
votos, em dar provimento parcial ao recurso para que se recalcule o valor da multa de mora, se mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no Art. 35 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009; e Por voto de qualidade negar provimento ao recurso na questão da tributação do levantamento PAT. Vencidos os conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto, Cid Marconi Gurgel de Souza e Marthius Sávio Cavalcante Lobato.
Nome do relator: PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 16 09:00:03 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201202
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 18050.004987/2008-77
anomes_publicacao_s : 201202
conteudo_id_s : 4896220
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 2403-001.009
nome_arquivo_s : 2403001009_18050004987200877_201202.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
nome_arquivo_pdf_s : 18050004987200877_4896220.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, no mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que se recalcule o valor da multa de mora, se mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no Art. 35 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009; e Por voto de qualidade negar provimento ao recurso na questão da tributação do levantamento PAT. Vencidos os conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto, Cid Marconi Gurgel de Souza e Marthius Sávio Cavalcante Lobato.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
id : 4749770
ano_sessao_s : 2012
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A,caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO PAGAMENTO EM ESPÉCIE ALIMENTAÇÃO EMPRESA NÃO INSCRITA NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O pagamento, em espécie, de alimentação aos segurados empregados por empresa não inscrita no PAT Programa de Alimentação do Trabalhador, integra o salário de contribuição e se constitui em fato gerador de contribuições sociais previdenciárias. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AJUDA DE CUSTO MUDANÇA INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Integra o Salário de Contribuição a ajuda de custo paga sem os requisitos previstos no art. 28, § 9°, g, da Lei 8.212/1991. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS REQUISITOS INDEFERIMENTO. Quanto à solicitação de produção de provas, verifica-se que o momento processual ocorre em sede de Impugnação, conforme arts. 15 e 16, Decreto 70.2351972 e também nos arts. 55 e 56, Decreto 7574/2011 precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, com as exceções do art.16, § 4º, Decreto 70.235/1972. Como o pedido de produção de prova documental não possui os requisitos previstos na legislação, considera-se não formulado. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO TAXA SELIC APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Neste sentido, há a Súmula nº 4 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente estabelece a aplicação da taxa SELIC. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte.
atualizado_anexos_dt : Sat Apr 16 15:10:45 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1730278175396593664
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 33; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2306; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 560 1 559 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18050.004987/200877 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 240301.009 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 7 de fevereiro de 2012 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA Recorrente EDZA PLANEJ CONS E INFORMATICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO PAGAMENTO EM ESPÉCIE ALIMENTAÇÃO EMPRESA NÃO INSCRITA NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O pagamento, em espécie, de alimentação aos segurados empregados por empresa não inscrita no PAT Programa de Alimentação do Trabalhador, integra o salário de contribuição e se constitui em fato gerador de contribuições sociais previdenciárias. Fl. 573DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AJUDA DE CUSTO MUDANÇA INTEGRAÇÃO AO SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. Integra o SaláriodeContribuição a ajuda de custo paga sem os requisitos previstos no art. 28, § 9°, g, da Lei 8.212/1991. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS REQUISITOS INDEFERIMENTO. Quanto à solicitação de produção de provas, verificase que o momento processual ocorre em sede de Impugnação, conforme arts. 15 e 16, Decreto 70.2351972 e também nos arts. 55 e 56, Decreto 7574/2011 precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, com as exceções do art.16, § 4º, Decreto 70.235/1972. Como o pedido de produção de prova documental não possui os requisitos previstos na legislação, considerase não formulado. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO TAXA SELIC APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Neste sentido, há a Súmula nº 4 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente estabelece a aplicação da taxa SELIC. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalvase a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 574DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18050.004987/200877 Acórdão n.º 240301.009 S2C4T3 Fl. 561 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, no mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que se recalcule o valor da multa de mora, se mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no Art. 35 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009; e Por voto de qualidade negar provimento ao recurso na questão da tributação do levantamento PAT. Vencidos os conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto, Cid Marconi Gurgel de Souza e Marthius Sávio Cavalcante Lobato.. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marthius Sávio Cavalcante Lobato, Marcelo Magalhães Peixoto e Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 575DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, fls. 519 a 545, com Anexo às fls. 546 a 557, interposto pela Recorrente – EDZA PLANEJ. CONS. E INFORMÁTICA LTDA. contra Acórdão nº 1524.585 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Salvador BA, fls. 505 a 512, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.158.7379, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 551.217,02 (quinhentos e cinqüenta e um mil, duzentos e dezessete reais e dois centavos). O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social correspondentes exclusivamente à contribuição a cargo da empresa sobre as remunerações pagas aos segurados empregados a titulo de ajuda de custo, alimentação paga em desacordo com a legislação, diferença salarial estabelecida em convenção coletiva de trabalho, décimo terceiro salário e sobre os valores pagos às cooperativas de trabalho pelos serviços prestados através de seus cooperados a Recorrente, no período de 01/2004 a 12/2004. O Relatório Fiscal, às fls. 45 a 51, com Anexo às fls. 52 a 439, informa os documentos verificados durante a auditoria para a apuração da base de cálculo dos créditos previdenciários: 3.1 No exame dos lançamentos contábeis do Livro Diário número 11 (registrado em 31/05/2005, na Juceb — Junta Comercial do Estado da Bahia, sob n 2.05/0109006) e do respectivo livro Razão n° 11, páginas 173 a 175, conta CUSTOS DOS SERVIÇOS VENDIDOS — 001682 MÃO DE OBRA, relativo ao período janeiro/2004 a dezembro/2004, foram verificados lançamentos de pagamentos à COOPENINF — Cooperativa dos Profissionais Autônomos Ltda, CNPJ 03.148.700/000205 relativos à prestação de serviços de seus cooperados A EDIDATA Planejamento Consultoria e Informática Ltda/EDZA Planejamento Consultoria e Informática Ltda, CNPJ 63.219.026/000145. 3.2 No exame das Folhas de Pagamentos apresentadas pelo contribuinte foram identificados pagamentos de três parcelas relativas As diferenças salariais decorrentes da Convenção Coletiva de Trabalho, pagas em outubro, novembro e dezembro de 2004 que não fizeram parte do salário de contribuição mensal na respectiva época do pagamento. Estas parcelas pagas nas Folhas de Pagamentos como "DIF CCT 2004 PARC 1/3; 2/3 e 3/3" foram contabilizadas no Livro Diário acima citado, na conta Despesas com Pessoal — 003758 Salários, cujos lançamentos foram escriturados na página 192 do livro Razão. Fl. 576DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18050.004987/200877 Acórdão n.º 240301.009 S2C4T3 Fl. 562 5 3.3 Também foi identificado, na filial, pagamento de ajuda de custo no período de janeiro a dezembro/04 aos segurados Paulo Souza Braga 020002575, técnico em informática, Gilmar Melo de Oliveira 02000600 e Mario Jose Silva 0200000591, Programadores que não integraram a base de cálculo previdenciário. A rubrica ajuda de custo foi escriturada na conta DESPESAS COM PESSOAL — 004640 — AJUDA DE CUSTO, e consta na página 178 do livro Razão. 3.4 O contribuinte atendendo à Convenção Coletiva de Trabalho forneceu auxilio alimentação, no entanto não efetuou sua adesão ao PAT — Programa de Alimentação do Trabalhador junto ao Ministério do Trabalho e Emprego, conforme comprova a consulta formulada junto ao órgão competente através de email de 08/07/08, em anexo. Apuramos a base de cálculo identificando individualmente a quantia percebida por cada segurado empregado mensalmente, ou seja, a quantia percebida a titulo de indenização de auxilio alimentação deduzida do desconto auxilio alimentação, constantes nas Folhas de Pagamentos do período de janeiro a dezembro/04. Nos meses em que houve o pagamento de diferença relativa à Convenção Coletiva de Trabalho e Ajuda de Custo somamos estas parcelas para o novo cálculo do salário de contribuição e respectivo desconto previdenciário, conforme demonstram as planilhas " PATRONAL SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO" e "FILIAL SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO", anexas. 3.5 A EDZA PLANEJAMENTO CONSULTORIA E INFORMÁTICA LTDA. deixou de informar na GFIP — Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, nas respectivas épocas de vencimento, todas estas rubricas acima mencionadas bem como os valores pagos As cooperativas de trabalho por serviços prestados através de seus cooperados. 3.6 0 contribuinte não incluiu no salário de contribuição previdenciário os valores pagos em 2004 aos segurados empregados a título de Décimo Terceiro Salário. Foram utilizados os seguintes códigos de lançamento correspondentes ao fatos geradores das contribuições previdenciárias lançadas: COO — levantamento relativo As Notas Fiscais emitidas pela COOPENINF e contabilizadas no Livro Diário e Razão n°11. AJU levantamento relativo à Ajuda de Custo pagos aos segurados empregados lotados na filial e mencionados no item 3.3. CCT levantamento relativo à Diferença Salarial acordada em Convenção Coletiva Trabalho FPG levantamento relativo à Folha de Pagamento de 13° salário. Fl. 577DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 PAT levantamento relativo à Alimentação fornecida pela empresa em desacordo com o PAT A Recorrente teve ciência do TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal, às fls. 35, na qual consta o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 0510100.2008.00897. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Discriminativo Sintético do Débito DSD, às fls. 15, é de 01/2004 a 12/2004. A Recorrente teve ciência do auto de infração no dia 01.08.2008, às fls. 01. A Recorrente apresentou Impugnação, às fls. 443 a 474, com Anexos às fls. 475 a 499, com as seguintes alegações, em síntese: (i) Preliminar de nulidade. Supressão do direito à ampla defesa e ao contraditório. Argúi que o Auto de Infração deve ser declarado nulo em face da ausência de requisitos essenciais, quais sejam: falta de clareza na definição da base de cálculo empregada e dos fundamentos legais; ausência de descrição pormenorizada da forma de calcular a atualização monetária e os juros de mora; e falta de definição da natureza da divida. (ii) Improcedência da base de cálculo. Cooperativas de trabalho. Alega a inconstitucionalidade da contribuição instituída pela Lei 9.876/99 incidente sobre pagamentos efetuados à cooperativas de trabalho. Reforça seus argumentos transcrevendo jurisprudência e doutrina. (iii) Improcedência da base de cálculo. Diferenças salariais de Convenção Coletiva. Aduz que os pagamentos não possuem natureza salarial ou remuneratória, mas sim indenizatória. Afirma que decidiu indenizar retroativamente seus empregados, por mera liberalidade, em virtude do prejuízo sofrido por estes em razão do atraso no reajuste salarial previsto na convenção. Ressalta que verbas indenizat6rias não podem ser caracterizadas como salário de contribuição, e cita a definição do art. 28 da Lei n° 8.212, de 1991. (iv) Improcedência da base de cálculo. Ajuda de Custo. Considera "ajuda de custo" o valor atribuído ao empregado, pago para cobrir despesas de deslocamento por ele realizadas, não se confundindo com a ajuda de custo destinada a indenizar empregado pelas despesas resultantes da mudança do local de trabalho. Argumenta que os pagamentos efetuados foram simples reembolso de despesas de deslocamento de seus empregados. Reembolso, como a própria denominação indica, é o ressarcimento de valores desembolsados pelos empregados em nome da empregadora. Fl. 578DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18050.004987/200877 Acórdão n.º 240301.009 S2C4T3 Fl. 563 7 Conclui que a verba concedida nessas condições (como cobertura de deslocamento) se reveste das características de parcela de natureza indenizatória, posto que visa ressarcir o empregado de despesas decorrentes das necessidades do seu serviço, e entende que a referida despesa enquadrada como ajuda de custo, em verdade, são despesas de deslocamento. Cita legislação, especificamente o art. 457, §2° da CLT e § 9° do art. 28 da Lei n° 8.212/91, e colaciona jurisprudência robustecendo seus argumentos. Por fim, aduz que embora o reembolso seja feito com base em estimativa, não estará descaracterizada sua natureza de ajuda de custo. (v) Improcedência da base de cálculo. Alimentação em pecúnia. Relata que o auxilio alimentação tem natureza puramente indenizatória, seja qual for natureza do seu pagamento. A verba é proporcionada com o fim de ressarcir o trabalhador pelas despesas de alimentação e não como uma contraprestação ao trabalho efetuado pelo empregado. Entende que o auxilio alimentação se constitui em verdadeira ajuda de custo, que, por não exceder cinqüenta por cento do salário do empregado no presente caso, não o integra nos termos do artigo 457, § 2° da CLT. Colaciona jurisprudência reforçando o caráter indenizatório do auxilio alimentação. (vi) Cobrança de multa com caráter confiscatório afronta is garantias constitucionais. Salienta o caráter confiscatório da multa aplicada no presente lançamento, 'motivo pelo qual postula a redução do seu percentual para no máximo 20%. (vii) Impossibilidade de utilização da taxa SELIC como taxa de juros moratórios. (viii) Violação aos princípios constitucionais. Aplicação de norma ilegal ou inconstitucional. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 1524.585 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Salvador BA, fls. 505 a 512, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. São devidas as contribuições previdenciárias patronais e as devidas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos Fl. 579DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 riscos ambientais do trabalho RAT, incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DIFERENÇAS SALARIAIS. CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. EXCLUSÃO DA BASE DE CALCULO. IMPOSSIBILIDADE. A importância paga, devida ou creditada aos segurados empregados em decorrência de reajuste previsto em Convenção Coletiva de Trabalho no período de 10/2004 a 12/2004 integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por não constar em Lei dentre as hipóteses de exclusão do salário de contribuição. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COOPERATIVA DE TRABALHO. Incide contribuição a cargo da empresa de quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. AJUDA DE CUSTO. Integra o salário de contribuição a ajuda de custo quando não é paga em parcela única e em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado. ALIMENTAÇÃO EM DESACORDO COM 0 PAT. A concessão de alimentação aos segurados empregados em desacordo com a legislação que regula o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) configurase salário in natura e, por extensão, fato gerador de contribuições sociais previdenciárias. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor. JUROS SELIC. LEGALIDADE. licita a utilização da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC) para o calculo dos juros incidentes sobre as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo Fisco Federal, nos temos do art. 13 da Lei n° 9.065, de 1995, que alterou o art. 34 da Lei no 8.212, de 1991. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa não possui competência para apreciar a legalidade ou inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, cabendo tal prerrogativa exclusivamente ao Poder Judiciário. JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. Fl. 580DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18050.004987/200877 Acórdão n.º 240301.009 S2C4T3 Fl. 564 9 A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. OITIVA DE TESTEMUNHAS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. incabível o pedido para depoimento pessoal e oitiva de testemunhas, no âmbito da primeira instância do contencioso administrativo fiscal, por falta de previsão legal para a realização de audiência de instrução. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos do processo n° 18050.004987/2008 77, referente ao Auto Infração cadastrado sob o n° 37.158.7379, acordam os julgadores da 7a Turma de Julgamento em Salvador, por unanimidade de votos, em JULGAR PROCEDENTE o presente lançamento, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Encaminhese à unidade de origem para dar ciência ao contribuinte do inteiro teor deste Acórdão, fornecendolhe cópia do mesmo e intimálo a recolher ou parcelar o crédito, no prazo de trinta dias, a contar da ciência, ressalvado o direito de interpor recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no mesmo prazo, nos termos dos artigos 25, II, e 33, ambos do Decreto 70.235/1972. Sala de Sessões, em 18 de agosto de 2010. Inconformada com a decisão de 1ª instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 519 a 545, com Anexo às fls. 546 a 557, onde alega em apertada síntese que: Em sede Preliminar. (i) Da nulidade que permeia o Auto de Infração. Analisando a Decisão Acórdão n° 1524.585 — 7 á.. Turma da DRJ/SDR, de 18/08/2010, verificase que o Nobre Julgador de primeira instância administrativa afastou a preliminar de nulidade argüida, conforme fls. 06 do Acórdão, sustentando que o Relatório Fiscal e os demais anexos que compõem o Auto de Fl. 581DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 Infração contêm os elementos necessários a identificação dos fatos geradores do crédito lançado, possibilitando ao sujeito passivo o pleno exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. Razão não assiste ao Nobre Julgador, pois não há, no A.I., descrição precisa dos fatos. Segundo o REFISC — Relatório Fiscal do Auto de Infração, as fls. 3, item 4.1 Dos Créditos Apurados, os créditos previdenciários lançados no Auto de Infração em epigrafe foram levantados com base nos lançamentos contábeis e documentos verificados durante a auditoria, porém sob análise e compreensão equivocada. Assim, não se sabe, ao certo, como a auditorafiscal chegou aos valores lançados. Na verdade, em nenhum momento se define claramente qual a base de cálculo empregada. (ii) Alegações diversas de inconstitucionalidade. É cediço, na doutrina e jurisprudência, que compete aos Órgãos Administrativos deixar de aplicar lei ou ato normativo flagrantemente inconstitucional e ilegal, podendo e devendo a autoridade administrativa, como julgadora no processo administrativo fiscal, inaplicar a lei por considerála inconstitucional. No Mérito. (iii) Da improcedência das bases de cálculo consideradas na fiscalização. Diferenças salariais de Convenção Coletiva de Trabalho não homologada – caráter indenizatório. A decisão recorrida confirmou o entendimento do Auto de infração objurgado, considerando como de natureza salarial as três parcelas pagas em folha de pagamento pela Recorrente aos seus empregados, relativas As diferenças salariais decorrentes da CCT, no período de 10/2004 a 12/2004, em razão de atraso na implementação do cumprimento de convenção coletiva. Ora, ao contrário do afirmado pela fiscalização, os pagamentos realizados pela Recorrente não possuíam, natureza salarial ou remuneratória, e sim indenizatória, isto porque, não houve em tempo, a assinatura da convenção coletiva de trabalho para que ela produzisse efeitos em sua inteireza, e a homologação, por não ser célere nem muito menos instantânea, terminou por prejudicar em muito os trabalhadores, pelo transcurso das datasbases. Sendo assim, a Recorrente, não podia permitir que seus empregados fossem lesados pela morosidade de outrem. Fl. 582DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18050.004987/200877 Acórdão n.º 240301.009 S2C4T3 Fl. 565 11 Portanto, objetivando reduzir o prejuízo sofrido por seus empregados, a Recorrente decidiu, por mera liberalidade, indenizálos retroativamente pelo período em que não receberam o reajuste previsto na convenção homologada posteriormente (iv) Da improcedência das bases de cálculo consideradas na fiscalização. Pagamento às Cooperativas contratadas. Segundo entendimento do Nobre Julgador, no que concerne à , constitucionalidade da Contribuição instituída pela Lei n. 9.876/99 incidente sobre pagamentos efetuados à cooperativa de trabalho, o contencioso administrativo fiscal não é o. foro adequado para se discutir a constitucionalidade de leis ou decretos. Ora, diferentemente do quanto alegado pelo Nobre Julgador de primeira instância administrativa, ou seja, de que o contencioso administrativo fiscal não é o foro adequado para se discutir a constitucionalidade de leis ou decretos, é cediço, na doutrina e jurisprudência, que compete aos Órgãos Administrativos deixar de aplicar lei ou ato normativo flagrantemente inconstitucional e ilegal podendo e devendo a autoridade administrativa, como julgadora no processo administrativo fiscal, inaplicar a lei por considerála inconstitucional. (v) Da improcedência das bases de cálculo consideradas na fiscalização. Ajuda de custo: caráter indenizatório – despesas de deslocamento – reembolso. Como bem frisou o AuditorFiscal no .seu voto às fls. 10, item "d"; comprovar que a referida Verba possui natureza indenizatória, seja por motivo de mudança de local de trabalho do empregado, seja em virtude do reembolso de despesas efetuadas pelos segurados na execução dos serviços". (grifo nosso). Ora, a Recorrente Edza de fato pagou aos empregados Paulo Souza Braga, Gilmar Melo de Oliveira e Mário José Silva, valores de reembolso de despesas de deslocamento por eles realizados, com diligências, acompanhamento de clientes externo etc. O Reembolso, sob a rubrica ajuda de custo que foi pago pela Recorrente aos empregados mencionados acima, teve unicamente o objetivo de proporcionar condições para a execução do serviço, não se .tratando, porém, de valores pagos pela contraprestação dos serviços. Não tendo portanto, natureza salarial, não podendo ser considerada como base de calculo para a incidência de exação Previdenciária (Precedente: STJ, AGA 459203/RS, DJ de 16/05/2005, p. 291). Fl. 583DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 Como já demonstrado na peça impugnatória, o § 9° do art. 28 da Lei n° 8.212/91, também deixa claro que não integram o salário decontribuição os valores correspondentes ao transporte fornecido pela empresa aos empregados contratados para trabalhar em localidades distantes da sua residência ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada. (vi) Da improcedência das bases de cálculo consideradas na fiscalização. Alimentação em pecúnia: caráter indenizatório. Está claro que, o auxílioalimentação e proporcionado com o fim de ressarcir o trabalhador pelas despesas de alimentação e não como uma .contraprestação ao trabalho efetuado pelo empregado. Constitui em verdadeira ajuda de custo, que, por não exceder, cinqüenta –por cento do salário do empregado, ,não integra, nos termos do artigo 457, § 2° da CLT. Ademais, há entendimentos do Tribunal Superior do Trabalho no Sentido de que a ajudaalimentação tem natureza indenizatória não integrando a remuneração do empregado, razão pela qual e, mormente; por não se revestir de natureza salarial, o auxílio alimentação não integra a base de cálculo das contribuições sociais incidentes sobre a folha de salários e dos valores devidos ao FGTS. O auxilio alimentação foi prestado pela Recorrente mediante o desconto, em folha de 'pagamento, de contrapartida financeira, o que afasta a incidência das contribuições previdenciárias, dada a natureza onerosa atribuída à utilidade. (vii) Afronta as garantias constitucionais a cobrança de multa com caráter confiscatório. Igualmente, merece reforma a decisão administrativa no que diz respeito vedação ao confisco, pois a despeito de ser patente a multa confiscatória, o Nobre julgador simplesmente afirma que não compete à autoridade administrativa declarar ou reconhecer a inconstitucionalidade ou ilegalidade de normas, ou seja, de maneira que, simplesmente se omite quanto ao assunto. In casu, é absolutamente explicito e inequívoco que, nas multas aplicadas, foram utilizados índices absurdamente elevados e fora da realidade e normalidade prevista pela sistemática legal ora vigente em nosso pais. São elas tão elevadas que assumem o caráter confiscat6rio, a não ser que considere normais multas que ultrapassem parâmetros de uma economia cuja variação monetária.anual não ultrapassa a casa de um único digito. (viii) Impossibilidade de utilização da SELIC como taxa de juros moratórios. Como já suficientemente demonstrado no corpo da defesa apresentada, a taxa SELIC não possui natureza de juros moratórios, já que traduz fenômeno remuneratório de Fl. 584DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18050.004987/200877 Acórdão n.º 240301.009 S2C4T3 Fl. 566 13 pagamento pelo uso do dinheiro. Ou seja, não pode ser utilizada para fins de atualização moratória haja vista sua patente .conotação remuneratória, o que se verifica pelo fato de que os contribuintes não podem ser equiparados aos aplicadores, haja vista que estes praticam atos de vontade, enquanto aqueles se submetem a um ato de Império. (ix) Oitiva de testemunhas – produção de provas. No que diz respeito à oitiva de testemunhas, é absurdo o comportamento do Nobre Julgador de primeira instância administrativa, em indeferir a PROVA sob o Pretexto de que não há previsão .legal para a realização de audiência de instrução. Que somente na segunda instância de julgamento administrativo é admitida a Sustentação oral Ora, pela interpretação sistemática da ampla defesa e do contraditório, não há qualquer vedação para elaboração de provas no processo administrativo, portanto que sejam inteiras e produzidas de forma licita. Deste modo, pouco importa fato de não. haver previsão legal, pois ficaria ao alvitre do julgador que fosse lavrado termo do quanto declarado pelas testemunhas, cabendo ao próprio julgador analisar, valorar, e se fosse o caso? desconsiderar as informações prestadas, mas não simplesmente indeferilas, desconsiderando a existência de um meio de prova válido como qualquer outro. Portanto, requer se dignem V. Sa., em determinar o retorno dos autos à fase instrutória para a imediata oitiva das testemunhas, conforme requerido na impugnação pela Recorrente, servindo com outro meio de prova a auxiliar os nobres julgadores na resolução da presente lide. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 559. É o Relatório. Fl. 585DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 559. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (i) Da nulidade que permeia o Auto de Infração. Analisando a Decisão Acórdão n° 1524.585 — 7 á.. Turma da DRJ/SDR, de 18/08/2010, verificase que o Nobre Julgador de primeira instância administrativa afastou a preliminar de nulidade argüida, conforme fls. 06 do Acórdão, sustentando que o Relatório Fiscal e os demais anexos que compõem o Auto de Infração contêm os elementos necessários a identificação dos fatos geradores do crédito lançado, possibilitando ao sujeito passivo o pleno exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. Razão não assiste ao Nobre Julgador, pois não há, no A.I., descrição precisa dos fatos. Segundo o REFISC — Relatório Fiscal do Auto de Infração, as fls. 3, item 4.1 Dos Créditos Apurados, os créditos previdenciários lançados no Auto de Infração em epigrafe foram levantados com base nos lançamentos contábeis e documentos verificados durante a auditoria, porém sob análise e compreensão equivocada. Assim, não se sabe, ao certo, como a auditorafiscal chegou aos valores lançados. Na verdade, em nenhum momento se define claramente qual a base de cálculo empregada. Analisemos. Fl. 586DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18050.004987/200877 Acórdão n.º 240301.009 S2C4T3 Fl. 567 15 Não obstante a argumentação do Recorrente, não confiro razão ao mesmo pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Foi realizada auditoriafiscal que resultou no lançamento do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, de contribuições destinadas à Seguridade Social correspondente a parte patronal e a de segurados. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado AIOP nº 37.158.7379 que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: (redação à época da lavratura da NFLD nº 37.178.3798) Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: • A autorização por meio da emissão de TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; • A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; • A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as Fl. 587DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 16 informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DAD Discriminativo Analítico do Débito (que discrimina os valores originários das contribuições devidas pelo contribuinte, abatidos os valores já recolhidos e as deduções legais); c. DSD Discriminativo Sintético do Débito (que apresenta os valores devidos em cada competência, referentes aos levantamentos indicados agrupados por estabelecimento); d. RL Relatório de Lançamentos (que relaciona os lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo); e. RDA – Relatório deDocumentosAapresentados. f. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); g. REPLEG Relatório de Representantes Legais (Este relatório lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação.); h. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); i. TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal; j. TIAD – Termo de Intimação para Apresentação de Documentos;. k. TEAF Termo de Encerramento da Ação Fiscal;. lk. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 588DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18050.004987/200877 Acórdão n.º 240301.009 S2C4T3 Fl. 568 17 Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose o AIOP nº 37.158.7379, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. (ii) Alegações diversas de inconstitucionalidade. É cediço, na doutrina e jurisprudência, que compete aos Órgãos Administrativos deixar de aplicar lei ou ato normativo flagrantemente inconstitucional e ilegal, podendo e devendo a autoridade administrativa, como julgadora no processo administrativo fiscal, inaplicar a lei por considerála inconstitucional. Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 589DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 18 § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DO MÉRITO (iii) Da improcedência das bases de cálculo consideradas na fiscalização. Diferenças salariais de Convenção Coletiva de Trabalho não homologada – caráter indenizatório. A decisão recorrida confirmou o entendimento do Auto de infração objurgado, considerando como de natureza salarial as três parcelas pagas em folha de pagamento pela Recorrente aos seus empregados, relativas As diferenças salariais decorrentes da CCT, no período de 10/2004 a 12/2004, em razão Fl. 590DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18050.004987/200877 Acórdão n.º 240301.009 S2C4T3 Fl. 569 19 de atraso na implementação do cumprimento de convenção coletiva. Ora, ao contrário do afirmado pela fiscalização, os pagamentos realizados pela Recorrente não possuíam, natureza salarial ou remuneratória, e sim indenizatória, isto porque, não houve em tempo, a assinatura da convenção coletiva de trabalho para que ela produzisse efeitos em sua inteireza, e a homologação, por não ser célere nem muito menos instantânea, terminou por prejudicar em muito os trabalhadores, pelo transcurso das datasbases. Sendo assim, a Recorrente, não podia permitir que seus empregados fossem lesados pela morosidade de outrem. Portanto, objetivando reduzir o prejuízo sofrido por seus empregados, a Recorrente decidiu, por mera liberalidade, indenizálos retroativamente pelo período em que não receberam o reajuste previsto na convenção homologada posteriormente Analisemos. O Relatório Fiscal, às fls. 45 a 51, esclarece que no exame das Folhas de Pagamentos apresentadas pela Recorrente, foram identificados pagamentos de três parcelas relativas às diferenças salariais decorrentes da Convenção Coletiva de Trabalho, pagas em outubro, novembro e dezembro de 2004 que não fizeram parte do salário de contribuição mensal na respectiva época do pagamento: 3.2 No exame das Folhas de Pagamentos apresentadas pelo contribuinte foram identificados pagamentos de três parcelas relativas As diferenças salariais decorrentes da Convenção Coletiva de Trabalho, pagas em outubro, novembro e dezembro de 2004 que não fizeram parte do salário de contribuição mensal na respectiva época do pagamento. Estas parcelas pagas nas Folhas de Pagamentos como "DIF CCT 2004 PARC 1/3; 2/3 e 3/3" foram contabilizadas no Livro Diário acima citado, na conta Despesas com Pessoal — 003758 Salários, cujos lançamentos foram escriturados na página 192 do livro Razão. Por outro lado, a Recorrente, repetindo o argumento utilizado em sede de Impugnação, aduz que em razão da demora da implementação do reajuste salarial dos empregados previsto em Convenção Coletiva de Trabalho de 2004 (no tocante à demora da homologação expressa por parte do Ministério Público do Trabalho), decidiu por indenizar os empregados pelo período (10/2004 a 12/2004) em que não receberam a diferença. No entanto, observase que a Recorrente não traz novos elementos de prova que possam se contrapor à decisão de primeira instância que ratificou o entendimento da Auditoria Fiscal. Ou seja, a Recorrente não restou comprovado em sede de Recurso Voluntário que a hipótese dos pagamentos efetuados nas competências 10/2004 a 12/2004 se referem a verbas indenizatórias. Neste sentido, temse que a legislação previdenciária ao prever que não integra o salário de contribuição exclusivamente as hipóteses elencadas no art. 28, § 9º, Lei Fl. 591DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 20 8.212/1991, implica então afirmar que a hipótese concreta do presente processo não se enquadra em nenhuma das hipóteses previstas no art. 28, § 9º, Lei 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6.recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 7.recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 8.recebidas a título de licençaprêmio indenizada; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Fl. 592DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18050.004987/200877 Acórdão n.º 240301.009 S2C4T3 Fl. 570 21 9.recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos Fl. 593DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 22 empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) o valor relativo a plano educacional que vise ao ensino fundamental e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) 15 t)o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e:(Redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011) 1. não seja utilizado em substituição de parcela salarial; e(Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) 2. o valor mensal do plano educacional ou bolsa de estudo, considerado individualmente, não ultrapasse 5% (cinco por cento) da remuneração do segurado a que se destina ou o valor correspondente a uma vez e meia o valor do limite mínimo mensal do saláriodecontribuição, o que for maior; (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 594DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18050.004987/200877 Acórdão n.º 240301.009 S2C4T3 Fl. 571 23 Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (iv) Da improcedência das bases de cálculo consideradas na fiscalização. Pagamento às Cooperativas contratadas. Segundo entendimento do Nobre Julgador, no que concerne à , constitucionalidade da Contribuição instituída pela Lei n. 9.876/99 incidente sobre pagamentos efetuados à cooperativa de trabalho, o contencioso administrativo fiscal não é o. foro adequado para se discutir a constitucionalidade de leis ou decretos. Ora, diferentemente do quanto alegado pelo Nobre Julgador de primeira instância administrativa, ou seja, de que o contencioso administrativo fiscal não é o foro adequado para se discutir a constitucionalidade de leis ou decretos, é cediço, na doutrina e jurisprudência, que compete aos Órgãos Administrativos deixar de aplicar lei ou ato normativo flagrantemente inconstitucional e ilegal podendo e devendo a autoridade administrativa, como julgadora no processo administrativo fiscal, inaplicar a lei por considerála inconstitucional. Analisemos. O argumento central da Recorrente se refere ao questionamento da inconstitucionalidade da Lei 9.876/1999. No entanto, a apreciação de inconstitucionalidade em sede de Recurso Voluntário já foi analisada no item (ii). Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (v) Da improcedência das bases de cálculo consideradas na fiscalização. Ajuda de custo: caráter indenizatório – despesas de deslocamento – reembolso. Como bem frisou o AuditorFiscal no .seu voto às fls. 10, item "d"; comprovar que a referida Verba possui natureza indenizatória, seja por motivo de mudança de local de trabalho do empregado, seja em virtude do reembolso de despesas efetuadas pelos segurados na execução dos serviços". (grifo nosso). Ora, a Recorrente Edza de fato pagou aos empregados Paulo Souza Braga, Gilmar Melo de Oliveira e Mário José Silva, valores de reembolso de despesas de deslocamento por eles Fl. 595DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 24 realizados, com diligências, acompanhamento de clientes externo etc. O Reembolso, sob a rubrica ajuda de custo que foi pago pela Recorrente aos empregados mencionados acima, teve unicamente o objetivo de proporcionar condições para a execução do serviço, não se .tratando, porém, de valores pagos pela contraprestação dos serviços. Não tendo portanto, natureza salarial, não podendo ser considerada como base de calculo para a incidência de exação Previdenciária (Precedente: STJ, AGA 459203/RS, DJ de 16/05/2005, p. 291). Como já demonstrado na peça impugnatória, o § 9° do art. 28 da Lei n° 8.212/91, também deixa claro que não integram o salário decontribuição os valores correspondentes ao transporte fornecido pela empresa aos empregados contratados para trabalhar em localidades distantes da sua residência ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada. Analisemos. O Relatório Fiscal, às fls. 45 a 51, esclarece que no exame das Folhas de Pagamentos apresentadas pela Recorrente, foram identificados pagamentos de ajuda de custo no período 01/2004 a 12/2004 a título de ajuda de custo sem que integrassem a base de cálculo das contribuições previdenciárias: 3.3 Também foi identificado, na filial, pagamento de ajuda de custo no período de janeiro a dezembro/04 aos segurados Paulo Souza Braga 020002575, técnico em informática, Gilmar Melo de Oliveira 02000600 e Mario Jose Silva 0200000591, Programadores que não integraram a base de cálculo previdenciário. A rubrica ajuda de custo foi escriturada na conta DESPESAS COM PESSOAL — 004640 — AJUDA DE CUSTO, e consta na página 178 do livro Razão. Por outro lado, a Recorrente, repetindo o argumento utilizado em sede de Impugnação, aduz que esta ajuda de custo se refere a valores de reembolso de despesas de deslocamento realizados por funcionários. Neste ínterim, a Recorrente apresentou em sede de Impugnação, às fls. 481 a 494, cópia de recibos de pagamento efetuados a táxi. No entanto, observase que a Recorrente não traz novos elementos de prova que possam se contrapor à decisão de primeira instância que ratificou o entendimento da Auditoria Fiscal. Ou seja, a Recorrente não restou comprovado em sede de Recurso Voluntário que a hipótese dos pagamentos efetuados nas competências 01/2004 a 12/2004 se referem a verbas indenizatórias, seja por motivo de mudança de local de trabalho do empregado ou ainda por reembolso de despesas efetuadas pelos empregados na execução dos serviços. Neste sentido, temse que a legislação previdenciária ao prever que a ajuda de custo não integra o salário de contribuição na hipótese disposta no art. 28, § 9º, g, Lei 8.212/1991, implica então afirmar que a hipótese concreta do presente processo não se enquadra no art. 28, § 9º, g, Lei 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) Fl. 596DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18050.004987/200877 Acórdão n.º 240301.009 S2C4T3 Fl. 572 25 §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (vi) Da improcedência das bases de cálculo consideradas na fiscalização. Alimentação em pecúnia: caráter indenizatório. Está claro que, o auxílioalimentação e proporcionado com o fim de ressarcir o trabalhador pelas despesas de alimentação e não como uma .contraprestação ao trabalho efetuado pelo empregado. Constitui em verdadeira ajuda de custo, que, por não exceder, cinqüenta –por cento do salário do empregado, ,não integra, nos termos do artigo 457, § 2° da CLT. Ademais, há entendimentos do Tribunal Superior do Trabalho no Sentido de que a ajudaalimentação tem natureza indenizatória não integrando a remuneração do empregado, razão pela qual e, mormente; por não se revestir de natureza salarial, o auxílio alimentação não integra a base de cálculo das contribuições sociais incidentes sobre a folha de salários e dos valores devidos ao FGTS. O auxilio alimentação foi prestado pela Recorrente mediante o desconto, em folha de 'pagamento, de contrapartida financeira, o que afasta a incidência das contribuições previdenciárias, dada a natureza onerosa atribuída à utilidade. Analisemos. Conforme o constatado no Relatório Fiscal, às fls. 45 a 51, a Recorrente fornece alimentação aos empregados, por meio de pagamento em espécie, sem estar inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), requisito este disposto expressamente na legislação: 3.4 O contribuinte atendendo à Convenção Coletiva de Trabalho forneceu auxilio alimentação, no entanto não efetuou sua adesão ao PAT — Programa de Alimentação do Trabalhador junto ao Ministério do Trabalho e Emprego, conforme comprova a consulta formulada junto ao órgão Fl. 597DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 26 competente através de email de 08/07/08, em anexo. Apuramos a base de cálculo identificando individualmente a quantia percebida por cada segurado empregado mensalmente, ou seja, a quantia percebida a titulo de indenização de auxilio alimentação deduzida do desconto auxilio alimentação, constantes nas Folhas de Pagamentos do período de janeiro a dezembro/04. Nos meses em que houve o pagamento de diferença relativa à Convenção Coletiva de Trabalho e Ajuda de Custo somamos estas parcelas para o novo cálculo do salário de contribuição e respectivo desconto previdenciário, conforme demonstram as planilhas " PATRONAL SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO" e "FILIAL SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO", anexas. A argumentação central da Recorrente é a de que o valor do auxílio alimentação pago em dinheiro não configura a incidência de contribuição previdenciária. Vejamos a legislação de regência da espécie. A Lei n° 6.321, de 14 de abril de 1976, que trata do Programa de Alimentação do Trabalhador: Art.3°. Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga 'in natura' pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. O Decreto n° 5, de 14 de janeiro de 1991, que regulamenta a Lei n°6.321/76: Art. 1°. A pessoa jurídica poderá deduzir, do imposto de renda devido, valor equivalente a aplicação da aliquota cabível do imposto de renda sobre a soma das despesas de custeio realizadas, no períodobase, em Programas de Alimentação do Trabalhador, previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho e Previdência Social MTPS nos termos deste regulamento. (...) § 4° para os efeitos deste Decreto, entendese como prévia aprovação pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, a apresentação de documento hábil a ser definido em Portaria dos Ministros do Trabalho e Previdência Social, da Economia, Fazenda e Planejamento e da Saúde. (...) Art. 4°. Para a execução dos programas de alimentação do trabalhador, a pessoa jurídica beneficiária pode manter serviço próprio de refeições, distribuir alimentos e firmar convênio com entidades fornecedoras de alimentação coletiva, sociedades civis, sociedades comerciais e sociedades cooperativas. (Redação dada pelo Decreto n. 0 2.101, de 23 de dezembro de 1996). Fl. 598DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18050.004987/200877 Acórdão n.º 240301.009 S2C4T3 Fl. 573 27 Art. 6°. Nos programas de alimentação do trabalhador, previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência: Social a parcela paga natura' pela empresa não tem natureza salarial, não se incorpora à remuneração para quaisquer efeitos, não constitui base de incidência de contribuição previdenciária ou do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e nem se configura como rendimento tributável do trabalhador. Desta forma, de acordo com a legislação de regência do PAT, o fornecimento de alimentação não integra o saláriodecontribuição para fins de incidência de contribuições previdenciárias, quando, nos termos da Lei n°6.321, de 1976, atenda os requisitos do programa de alimentação previamente aprovado pelo Ministério do Trabalho. Conforme o disposto na legislação previdenciária, art. 28, § 9º , c, Lei 8.212/1991, o fornecimento de alimentação integra o saláriodecontribuição para fins de incidência de contribuições previdenciárias quando não atenda os requisitos do programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho. (Lei 8.212/1991) Art. 28. Entendese por saláriode contribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; Ademais, embora existam decisões judiciais em sentido contrário, o Poder Judiciário também apresenta posicionamentos neste sentido da exigibilidade da contribuição previdenciária: TRIBUTÁRIO: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PAGAMENTOS A FUNCIONÁRIOS DO BANCO. ACORDO COLETIVO. HABITUALIDADE E FINALIDADE. NATUREZA JURÍDICA. REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA. EXIGIBILIDADE. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA PARCIAL. I Os pagamentos habituais efetuados pelo banco aos seus funcionários empregados, tais como ajuda de custo para supervisor de contas, prêmio produção, salário, licença prêmio, gratificação semestral, auxilio crechebabá e ajuda de custo aluguel/alimentação/transporte compõem a remuneração e Fl. 599DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 28 integram o salário de contribuição, donde exigível a contribuição previdenciária sobre tais verbas (Lei CF, art. 201 § 11°c Lei 8212/91, art. 28, I). II O acordo coletivo e a convenção coletiva de trabalho não têm o condão de afastar a lei, dispondo sobre a natureza jurídica de verbas percebidas pelo empregado, nem tampouco excluilas da incidência da contribuição previdenciária. (TRF3 — REO — REMESSA EX OFICIO 429742 Processo n° 98030621629 SP. Decisão 28/05/2002. 2° Turma. Relatora Des. Marianina Galante. DJU 28/02/2002). Desta forma, não prospera a argumentação da Recorrente pois a legislação aponta expressamente a incidência de contribuição previdenciária recebida em desacordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, PAT Programa de Alimentação do Trabalhador. (vii) Afronta as garantias constitucionais a cobrança de multa com caráter confiscatório. Igualmente, merece reforma a decisão administrativa no que diz respeito vedação ao confisco, pois a despeito de ser patente a multa confiscatória, o Nobre julgador simplesmente afirma que não compete à autoridade administrativa declarar ou reconhecer a inconstitucionalidade ou ilegalidade de normas, ou seja, de maneira que, simplesmente se omite quanto ao assunto. In casu, é absolutamente explicito e inequívoco que, nas multas aplicadas, foram utilizados índices absurdamente elevados e fora da realidade e normalidade prevista pela sistemática legal ora vigente em nosso pais. São elas tão elevadas que assumem o caráter confiscat6rio, a não ser que considere normais multas que ultrapassem parâmetros de uma economia cuja variação monetária.anual não ultrapassa a casa de um único digito. Analisemos. O argumento central da Recorrente se refere ao questionamento da inconstitucionalidade da Lei 9.876/1999. No entanto, a apreciação de inconstitucionalidade em sede de Recurso Voluntário já foi analisada no item (ii). Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (viii) Impossibilidade de utilização da SELIC como taxa de juros moratórios. Como já suficientemente demonstrado no corpo da defesa apresentada, a taxa SELIC não possui natureza de juros moratórios, já que traduz fenômeno remuneratório de Fl. 600DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18050.004987/200877 Acórdão n.º 240301.009 S2C4T3 Fl. 574 29 pagamento pelo uso do dinheiro. Ou seja, não pode ser utilizada para fins de atualização moratória haja vista sua patente .conotação remuneratória, o que se verifica pelo fato de que os contribuintes não podem ser equiparados aos aplicadores, haja vista que estes praticam atos de vontade, enquanto aqueles se submetem a um ato de Império. Analisemos. Insurgese a recorrente contra a aplicação da taxa SELIC ao argumento de que seria ilegal. Registrese, porque importante, que a legislação de regência, sobretudo a Lei nº 8.212/91, afasta literalmente os argumentos erguidos pelo recorrente. De fato, as contribuições sociais arrecadadas estão sujeitas à incidência da taxa referencial SELIC Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, nos termos do artigo 34 da Lei nº 8.212/91: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei nº 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei) Neste sentido, há a Súmula nº 4 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente estabelece a aplicação da taxa SELIC. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Nesse contexto, correta a aplicação da taxa SELIC como juros de mora, com fulcro no artigo 34 da Lei nº 8.212/91, na redação anterior à dada pela Lei 11.941/2009. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. Fl. 601DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 30 (ix) Oitiva de testemunhas – produção de provas. No que diz respeito à oitiva de testemunhas, é absurdo o comportamento do Nobre Julgador de primeira instância administrativa, em indeferir a PROVA sob o Pretexto de que não há previsão .legal para a realização de audiência de instrução. Que somente na segunda instância de julgamento administrativo é admitida a Sustentação oral Ora, pela interpretação sistemática da ampla defesa e do contraditório, não há qualquer vedação para elaboração de provas no processo administrativo, portanto que sejam inteiras e produzidas de forma licita. Deste modo, pouco importa fato de não. haver previsão legal, pois ficaria ao alvitre do julgador que fosse lavrado termo do quanto declarado pelas testemunhas, cabendo ao próprio julgador analisar, valorar, e se fosse o caso? desconsiderar as informações prestadas, mas não simplesmente indeferilas, desconsiderando a existência de um meio de prova válido como qualquer outro. Portanto, requer se dignem V. Sa., em determinar o retorno dos autos à fase instrutória para a imediata oitiva das testemunhas, conforme requerido na impugnação pela Recorrente, servindo com outro meio de prova a auxiliar os nobres julgadores na resolução da presente lide. Analisemos. Quanto à solicitação de produção de provas, verificamos que o momento processual ocorre em sede de Impugnação, conforme arts. 15 e 16, Decreto 70.2351972 e também nos arts. 55 e 56, Decreto 7574/2011 precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, com as exceções do art.16, § 4º, Decreto 70.235/1972: Decreto 70.235/1972: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Parágrafo único. Ao sujeito passivo é facultada vista do processo, no órgão preparador, dentro do prazo fixado neste artigo. Parágrafo único. Na hipótese de devolução do prazo para impugnação do agravamento da exigência inicial, decorrente de decisão de primeira instância, o prazo para apresentação de nova impugnação, começará a fluir a partir da ciência dessa decisão. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; Fl. 602DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18050.004987/200877 Acórdão n.º 240301.009 S2C4T3 Fl. 575 31 III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta; IV as diligências que o impugnante pretenda sejam efetuada, expostos os motivos que as justifiquem. III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 603DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 32 Como o pedido de produção de prova documental não possui os requisitos previstos na legislação, consideroo não formulado. Em relação à oitiva de testemunhas em sede de Impugnação, esta não se encontra prevista na legislação do processo administrativofiscal (Decreto 70.235/1972 e Decreto 7574/2011). Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. MULTA DE MORA Esta Colenda Turma de Julgamento vem se posicionando reiteradamente, por maioria, em relação ao recálculo dos acréscimos legais, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte: A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 604DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 18050.004987/200877 Acórdão n.º 240301.009 S2C4T3 Fl. 576 33 Ressalvase a posição do Relator, posição vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, NO MÉRITO, DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para que se recalcule o valor da multa de mora, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 35 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 605DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 14/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 15504.002765/2008-46
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2000 a 31/12/2002
Ementa:
DECADÊNCIA
Deve-se aplicar regra única de decadência para o lançamento.
Numero da decisão: 2403-000.968
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, I) Nas preliminares, por
unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência até a competência 07/2002, inclusive, com base na regra do art. 150, § 4º do CTN. II) No mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jhonatas Ribeiro da Silva e Marthius Sávio Cavalcante Lobato que votaram pela base de cálculo do pró labore correspondente a um salário mínimo conforme contrato social.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 16 09:00:03 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201201
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2000 a 31/12/2002 Ementa: DECADÊNCIA Deve-se aplicar regra única de decadência para o lançamento.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 15504.002765/2008-46
conteudo_id_s : 6589824
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 2403-000.968
nome_arquivo_s : Decisao_15504002765200846.pdf
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
nome_arquivo_pdf_s : 15504002765200846_6589824.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, I) Nas preliminares, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência até a competência 07/2002, inclusive, com base na regra do art. 150, § 4º do CTN. II) No mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jhonatas Ribeiro da Silva e Marthius Sávio Cavalcante Lobato que votaram pela base de cálculo do pró labore correspondente a um salário mínimo conforme contrato social.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
id : 9274930
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Sat Apr 16 15:10:49 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1730278175404982272
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1701; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 470 1 469 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.002765/200846 Recurso nº 000.000 Voluntário Acórdão nº 2403000.968 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 19 de janeiro de 2012 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente APIS ENGENHARIA E EMPREENDIMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2000 a 31/12/2002 Ementa: DECADÊNCIA Devese aplicar regra única de decadência para o lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, I) Nas preliminares, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência até a competência 07/2002, inclusive, com base na regra do art. 150, § 4º do CTN. II) No mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jhonatas Ribeiro da Silva e Marthius Sávio Cavalcante Lobato que votaram pela base de cálculo do pró labore correspondente a um salário mínimo conforme contrato social. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente/Relator Participaram do presente julgamento, os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio De Souza, Jhonatas Ribeiro Da Silva, Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, acórdão 0219.423, que julgou procedente em parte o lançamento, reconhecendo a decadência conforme abaixo: Levantamento AUT : 08/2000 a 11/2001 Levantamento FPA: 09/2000 a 07/2002 Levantamento FPS: 06/2000 a 07/2002 Levantamento PRO: 07/2000 a 11/2001 O lançamento referese a contribuições sociais devidas à Seguridade Social e a Terceiros, no período de 06/2000 a 13/2002, lançado através dos seguintes levantamentos: • Levantamento AUT : referente a pagamentos a autônomos que prestaram serviço empresa no período de 08/2000 a 12/2002. • Levantamento FPA: referente a valores aferidos em ação fiscal para os casos de empregados que constam no Livro de Registro de Empregados e não foram incluídos em folhas de pagamento e GFIP, no período de 09/2000 a 13/2002. • Levantamento FPS: referente a diferenças entre folhas de pagamento e recolhimentos efetuados, período de 06/2000 a 13/2002. • Levantamento PRO: referente a pagamentos efetuados a titulo de pró labore lançados em contas diversas, período 07/2000 a 12/2002. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: • Por um infortúnio que não se sabe a razão, a folha inicial da impugnação atinente ao presente recurso e à impugnação de no 37.110.9612 foram trocadas. Tal equivoco pode ter sido praticado por um dos patronos da parte, mas também por qualquer serventuário da repartição que, no momento de autuar, por equivoco trocou os conjuntos de documentos. • Ambos os feitos foram julgados pela mesma turma julgadora e o resultado de ambos foi pelo não conhecimento dos argumentos de defesa (à exceção da parcial procedência dos argumentos de prescrição e decadência, que eram comuns). Fl. 489DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.002765/200846 Acórdão n.º 2403000.968 S2C4T3 Fl. 471 3 • Requer a anulação do julgamento de primeira instância. Subsidiariamente, requerse a união dos presentes autos aos da NFLD de no 37.110.9612, para que o conjunto probatório daquele feito seja, neste, conhecido. • Requer seja convertido o julgamento em diligência. • Decadência. • Entendeu o julgador que para determinado conjunto de atos houve a declaração com pagamento antecipado do imposto e para outro conjunto de fatos de mesma competência e sistemática de declaração e recolhimento não houve declaração; razão pela qual não se aplicaria a regra da homologação, mas sim a decadência do artigo 173, I. • Necessidade de reforma no tocante homologação tácita aplicação do artigo 150 1 § 40 do CTN • A fiscalização entendeu como pro labore a regular distribuição antecipada de lucros. Com efeito, como demonstram as planilhas anexadas ao proc. 37.110.9612 a distribuição antecipada de lucros, instrumento regularmente e legalmente instituído, permite aos sócios o recebimento de lucros mensais, desde que, após apurados os balancetes, ao final do ano fiscal estes não sejam superiores ao total de lucros apurados. É o Relatório. Fl. 490DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. PRELIMINARES DECADÊNCIA No julgamento de primeira instância decidiuse pela aplicação da regra da decadência verificando a ocorrência de recolhimentos parciais em cada levantamento. No presente caso, a constituição definitiva do lançamento, ocorrida com a ciência do contribuinte, se deu em 22/08/2007. Para os levantamentos AUT (referente a pagamentos a autônomos que prestaram serviço A empresa no período de 08/2000 a 12/2002) e PRO (referente a pagamentos efetuados a titulo de pró labore lançados em contas diversas, período 07/2000 a 12/2002) não houve qualquer pagamento antecipado da empresa, conforme informações contidas no item 6 do Relatório Fiscal e demais documentos constantes dos autos. Dessa forma, deverá ser aplicado o prazo decadencial previsto no artigo 173, inciso I, do CTN, excluindose as competências 08/2000 a 11/2001 e mantendo as competências 12/2001 a 12/2002 para o Levantamento AUT e excluindose as competências 07/2000 a 11/2001 e mantendo as competências 12/2001 a 12/2002 para o Levantamento PRO. ... Para os Levantamentos FPA (referente a valores aferidos em ação fiscal para os casos de empregados que constam no Livro de Registro de Empregados e não foram incluídos em folhas de pagamento e GFIP, no período de 09/2000 a 13/2002) e Levantamento FPS (referente a diferenças entre folhas de pagamento e recolhimentos efetuados, período de 06/2000 a 13/2002), considerando a ocorrência de pagamento parcial (verificada nos autos) em momento anterior ao lançamento, aplicase a regra contida no § 4°, artigo 150, do CTN. Dessa forma, no levantamento FPA deverão ser excluídas as competências 09/2000 a 07/2002, alcançadas pela decadência, e mantidas as competências 08/2002 a 13/2002. Para o Fl. 491DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.002765/200846 Acórdão n.º 2403000.968 S2C4T3 Fl. 472 5 levantamento FPS estão decaídas as competências 06/2000 a 07/2002 e mantidas as competências 08/2002 a 13/2002. Não concordo com o procedimento adotado. Entendo que o artigo 150, § 4º do CTN referese ao lançamento como um todo e é junto ao lançamento que devese verificar a ocorrência de pagamentos antecipados. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Considerando a existência de pagamentos antecipados, entendo que devese aplicar a regra do artigo 150, § 4º a todo lançamento. A ciência do lançamento ocorreu em 28/08/2007. Entendo decadentes as competências até 07/2002, inclusive. ANULAÇÃO DO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Entendo não haver motivo suficiente para a anulação do julgamento de primeira instância nem a necessidade de diligência por entender que o processo contém os elementos necessários e adequados para o julgamento da lide nesta instância. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 MÉRITO LEVANTAMENTO “PRO” O Levantamento PRO: referente a pagamentos efetuados a titulo de pró labore lançados em contas diversas. Argumenta a requerente que os valores consistem em regular distribuição antecipada de lucros. Veremos que não cabe razão à requerente visto que o Relatório Fiscal registra que embora previsto no Contrato Social e suas alterações, a retirada mensal a titulo de pró labore não se encontra na contabilidade em conta intitulada devidamente com essa rubrica e que os pagamentos são lançados nas contas 1.2.02.01.001 — "Lucros Antecipados p/ Carlos Filipe P.", 1.2.02.01.002 — "Lucros Antecipados p/ Oswaldo Duarte” e 5.1.02.01.001 — "Despesas com Salários". b. PRO — Também não incluídos em Folha Pagamento e GFIP, nem apresentadas planilhas demonstrativas dos pagamentos. Os levantamentos dos pagamentos efetuados como prólabore foram extraídos dos Livros Diário e Razão de 2000 a 2002, nas contas: • 1.2.02.01.001 — "Lucros Antecipados p/ Carlos Filipe P." • 1.2.02.01.002 — "Lucros Antecipados p/ Oswaldo Duarte • 5.1.02.01.001 — "Despesas com Salários" Observamos que embora previsto no Contrato Social e suas alterações, a retirada mensal a titulo de prólabore não se encontra na contabilidade em conta intitulada devidamente com essa rubrica. Os pagamentos são lançados nas contas acima relacionadas, em diversas datas, sendo o histórico dos lançamentos "pg.Prólabore de Oswaldo Duarte Pinheiro Neto ", "Pg. Retirada de Oswaldo Duarte', dentre outros. Considerando que os administradores trabalham na empresa, que fazem juz à remuneração de seus trabalhos, que tal remuneração está prevista no contrato social e que efetuam retiradas, entendo correto o procedimento da fiscalização. CONCLUSÃO Voto pelo provimento parcial do recurso, reconhecendo a decadência do crédito tributário até a competência 07/2002, inclusive, com base na regra do artigo 150, § 4º do CTN. Fl. 493DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.002765/200846 Acórdão n.º 2403000.968 S2C4T3 Fl. 473 7 Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 494DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/03/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
