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Numero do processo: 13983.000197/2002-82
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2006
Numero da decisão: 303-01.186
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, declinar competência do julgamento ao Egrégio Segundo Conselho de Contribuintes, em razão da matéria, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: SILVIO MARCOS BARCELOS FIUZA
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Numero do processo: 13971.002451/2002-16
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Nov 09 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Thu Nov 09 00:00:00 UTC 2006
Numero da decisão: 303-01.231
Decisão: RESOLVEM os membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para confirmar o arrolamento, na forma do relatório e do voto que passam a integrar o presente julgado. Os conselheiros Zenaldo Loibman, Nanei Gama, Sergio de Castro Neves, Silvio Marcos Barcelos Fiúza, Marciel Eder Costa e Anelise Daudt Prieto votam pela conclusão.
Nome do relator: TARASIO CAMPELO BORGES
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Numero do processo: 10166.907961/2009-54
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2005
Ementa: COMPENSAÇÃO. FORMALISMO MODERADO.
RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO À
REPETIÇÃO DO INDÉBITO.
A prévia retificação da DCTF não é condição sine qua non para a análise de declarações de compensação de indébitos tributários por pagamentos aplicados em débitos confessados, em face da alegação de erro na declaração.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3803-003.025
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2005 Ementa: COMPENSAÇÃO. FORMALISMO MODERADO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO. A prévia retificação da DCTF não é condição sine qua non para a análise de declarações de compensação de indébitos tributários por pagamentos aplicados em débitos confessados, em face da alegação de erro na declaração. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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FORMALISMO MODERADO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO. A prévia retificação da DCTF não é condição sine qua non para a análise de declarações de compensação de indébitos tributários por pagamentos aplicados em débitos confessados, em face da alegação de erro na declaração. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] Alexandre Kern Presidente. [assinado digitalmente] Jorge Victor Rodrigues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues. Fl. 34DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Relatório Tratase de declaração de compensação transmitida em 13/10/2006, onde busca a contribuinte compensar crédito, código de receita 2172, do período de apuração de junho de 2005, decorrente de pagamento a maior ou indevido. A DRF em Brasília não homologou a compensação tendo em vista que o DARF discriminado no Per/Dcomp foi integralmente utilizado para quitar débitos da contribuinte não restando saldo credor para compensar a dívida declarada. Cientificada em 18/06/2009, apresentou manifestação de inconformidade em 20/07/2009, na qual alega que De janeiro de 2004 a fevereiro de 2006 pagou a Cofins e o Pis sobre a totalidade da venda de mercadorias, sem a exclusão da base de cálculo dos produtos monofásicos. Sendo a atividade da empresa Bar e Restaurante, com grande volume de venda de Chopp, cervejas e refrigerantes, foram pagos um valor maior, tendo em vista a não observância do tratamento tributário adequado. Tomando conhecimento do erro na apuração dos impostos, fez DIRPJ retificadora do período, corrrigindo as informações referentes ao PIS e Cofins, passando a compensar os valores pagos a maior na quitação do PIS e Cofins dos meses seguintes a partir de março/2006, através do PER/Dcomp. Ao tomar conhecimento dos Despachos Decisórios, procurou o Plantão Fiscal, apresentando todos os documentos a respeito do assunto. O Fiscal de Plantão informou a necessidade de apresentar as DCTF retificadoras, alterando o valor devido e informando o valor pago a maior, para que a Receita possa apurar o valor do crédito que posteriormente seria compensado através de Dcomp. Assim, retificou a DCTF para que a receita possa, processando as informações contidas nas DCTF retificadoras, baixar os débitos referentes aos Despachos Decisórios. A DRJ em Brasília manteve o despacho decisório por entender que o contribuinte não trouxe aos autos os documentos contábeis e fiscais que comprovassem a liquidez e certeza do crédito, ou seja, do pagamento supostamente realizado a maior. Consignou, ainda que a competência para apreciar declarações retificadoras (DCTF, DIPJ, Dcomp, etc) é do Delegado da Receita Federal de jurisdição do sujeito passivo, não cabendo a esta Turma de Julgamento se manifestar a respeito, por falta de previsão legal. Eis a ementa do julgado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário:2005 Compensação – Impossibilidade Necessidade da Liquidez e Certeza do Crédito do Sujeito Passivo. A lei somente autoriza a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo. No caso, o crédito do contribuinte resultaria de suposto pagamento a maior, o qual foi totalmente utilizado para quitar contribuição devida e declarada, portanto, inexistente. Retificação de Declaração – Admissibilidade e Competência para Apreciar. Fl. 35DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10166.907961/200954 Acórdão n.º 380303.025 S3TE03 Fl. 2 3 A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. A competência para apreciar declarações retificadoras é do Delegado da Receita Federal de jurisdição do sujeito passivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, após ciência do acórdão retro (21/11/2011), apresentou Pedido de Revisão de Ofício em 14/12/2011, o qual pelo princípio do formalismo moderado e pela instrumentalidade das formas será aceito como se recurso voluntário fosse, na qual repisa os argumentos da manifestação de inconformidade e requer a homologação da compensação apresentada. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. A defesa da ARMAZEM DO FERREIRA BAR E RESTAURANTE LTDA fundamentase na ocorrência de erro de fato no preenchimento da DCTF tendo em vista que calculou o recolhimento da Cofins e do PIS sobre a totalidade da venda de mercadorias, sem a exclusão da base de cálculo dos produtos monofásicos, o que representaria boa parte de suas receitas. Diante disso, apresentou DCOMP, acreditando na existência de crédito tributário a seu favor em decorrência deste erro. No caso em tela, observase que o contribuinte somente retificou a DCTF em 14/07/2009, após a ciência do despacho decisório –passados quase três anos após a transmissão da Dcomp. Eis a controvérsia que ora se analisa. Salientamos que não existe norma na legislação de regência condicionando a apresentação do Per/Dcomp à prévia retificação da DCTF, apesar de este ser um procedimento lógico. O comando empregado pela decisão a quo para rejeitar o pedido consubstanciado na manifestação de inconformidade, qual seja, o inciso III do § 2º do art. 11 da IN RFB nº 786/2007, abaixo reproduzido, se refere ao início do procedimento fiscal strictu sensu, ou seja, aquele que visa constituir o crédito tributário, o que não é o caso, uma vez que o tributo já foi pago pelo contribuinte: Art . 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. Fl. 36DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN 4 §1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração origináriamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. §2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada sobre o início de procedimento fiscal. (grifei) Desta feita, não há impedimento legal algum para a retificação da DCTF em qualquer fase do pedido de compensação, porém, o mesmo somente será deferido após a retificação da DCTF de ofício ou por iniciativa do contribuinte. Este também é o entendimento partilhado pela 3ª SJ/3ª C/ 3ª TO deste Conselho.1 Através da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, o contribuinte presta as informações relativas a valores de débitos de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal bem como o respectivos valores dos créditos, tais como pagamentos, parcelamentos ou compensações. Tendo em vista o caráter de confissão de dívida característico do documento, não há o que repreender no despacho que não homologou a compensação se quando do encontro de constas a autoridade fiscal constatou que o DARF indicado na declaração de compensação já havia sido integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo credor para compensar. Isto porque a Receita Federal não tinha conhecimento do equívoco cometido pela Recorrente na apuração da contribuição objeto do pedido de compensação à época. O mesmo não se pode falar da DRJ que, ao tomar conhecimento do equívoco cometido pela Interessada, a qual transmitiu a DCTF retificadora, sob a justificativa de haver recolhido o PIS/Pasep e a COFINS sobre a totalidade das vendas, sem a exclusão dos produtos monofásicos, tinha o dever de verificar o alegado, mormente ante o princípio da verdade material, mas não o fez sob o pretexto de que não detinha a competência para a análise de DCTFs retificadoras. Salutar destacar que os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela Administração, desde que não lesem o interesse público nem causem prejuízo a terceiros2. 1 Acórdão nº 330200811 do Processo 10530901535200821; Acórdão nº 330200810 do Processo 10530901534200886; Acórdão nº 330200812 do Processo 10530901536200875; Acórdão nº 330200809 do Processo 10530901533200831. 2 art. 55 da Lei nº 9.784/99. Fl. 37DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10166.907961/200954 Acórdão n.º 380303.025 S3TE03 Fl. 3 5 Em contradição ao princípio da verdade formal, aclamado e inerente ao processo judicial, temos que no processo administrativo fiscal deve o julgador se pautar pela verdade material, princípio segundo o qual a autoridade administrativa competente não limita seu exame ao que foi alegado pelas partes, podendo e devendo buscar todos os elementos que possam influir no seu convencimento. Nos dizeres de Odete Medauar: 3 O princípio da verdade material ou real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar as decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos. Para tanto, tem o direito e o dever de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Assim, no tocante a provas, desde que obtidas por meios lícitos (como impõe o inciso LVI do art. 5º da CF), a Administração detém liberdade plena de produzilas. Aliado ao princípio retro mencionado, apontamos o formalismo moderado dos atos a serem praticados pelo administrado, princípio este cristalizado no final do artigo 2º, inciso IX, da Lei 9.784/99: “...adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado graus de certeza e respeito aos direitos dos administrados”. O quase informalismo evidenciado no PAF, tem o fito de facilitar o acesso do contribuinte ao processo sem, contudo, lançar mão dos ritos e formas inerentes a todos os procedimentos para garantir o mínimo de segurança jurídica às partes. O processo administrativo deve ser simples, despido de exigências formais excessivas, tanto mais que a defesa pode ficar a cargo do próprio contribuinte, nem sempre familiarizado com os meandros processuais. Quanto ao montante do crédito a que tem direito a ora Recorrente, fica ressalvado o direito de a RFB determinar a base de cálculo do período de apuração de junho de 2005, apurar o tributo devido, e verificar se o valor pleiteado está correto. Apesar de ter se omitido na apresentação dos documentos e lançamentos contábeis que permitissem à autoridade competente identificar a ocorrência do fato gerador, a base de cálculo sujeita à tributação e o correspondente tributo devido, observamos que tal direito não lhe foi oportunizado haja vista que o que determinou o indeferimento do seu pleito foi entrega da DCTF retificadora posteriormente ao despacho decisório, realidade esta que não podemos aceitar. Superado o óbice, há que se determinar o retorno dos autos para que seja oportunizado ao mesmo a entrega da escrituração fiscal e contábil aptas a demonstrar o valor eventualmente recolhido a maior. Ante o exposto, voto por reformar o acórdão proferido pela DRJ em Brasília, que não adentrou o mérito, e determinar o retorno dos autos àquela Autoridade Julgadora, para proferição de nova decisão, arredandose o óbice erigido (a necessidade de prévia retificação da DCTF como condição para análise de declaração de compensação de indébitos), em face das alegações recursais de erro na declaração. [assinado digitalmente] Jorge Victor Rodrigues Relator 3 A Processualidade do Direito Administrativo, São Paulo, RT, 2ª edição, 2008, Pág. 131. Fl. 38DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN 6 Fl. 39DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10166.721783/2009-76
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2005, 2006, 2007
SIMPLES. EXCLUSÃO. EFEITOS RETROATIVOS. NATUREZA DECLARATÓRIA.
A lei estabeleceu que o ato de exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, por fatos já conhecidos pelo contribuinte, tem natureza declaratória, emanando efeitos a fatos anteriores à sua prolatação, sujeitam à contribuinte às normas de tributação aplicável às demais contribuintes. Precedentes do STJ com efeitos repetitivos.(REsp n. 1.124.507/MG).
PAT. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA
PELO CARF, ART. 62 , DO REGIMENTO INTERNO.
Quanto à aplicação de contribuições destinadas a outras entidades e fundos (Salário-educação, INCRA, SEBRAE, SEST, SENAT) sobre verbas pagas a título de auxílio alimentação em desacordo com Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, instituído em Lei n. 63211976, o CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses dos artigos 62 e 62-A do Regimento Interno do Conselho
Administrativo de Recursos Fiscais.
VALE TRANSPORTE. NATUREZA INDENIZATÓRIA. PRECEDENTES DO STF. ART. 62, I, do REGIMENTO INTERNO.
A cobrança de contribuição destinadas a outras entidades e fundos (Salário-educação, INCRA, SEBRAE, SEST, SENAT) sobre o valor pago, em dinheiro, a título de vales transporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição (RE 478410, EROS GRAU, STF, 10.03.2010).
Afastamento permitido ao CARF, na ocorrência de precedente julgado pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal (art. 62, I, do Regimento Interno do CARF-MF)
MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO RETROATIVA.
Apenas cabe aplicação retroativa de multa ou penalidade quando a mesma for realmente mais benéfica.
Recurso Voluntário Provido em Parte – Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 2803-000.703
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Oseas Coimbra Junior quanto a aplicação da multa que fará declaração de voto.
Reforma-se a decisão recorrida e o lançamento no sentido de determinar que: a) o cancelamento e exclusão dos créditos tributários lançados a título de contribuições destinadas a
outras entidades e fundos (Salário-educação, INCRA, SEBRAE, SEST, SENAT) sobre verbas apuradas como pagas aos empregados a título de vale-transporte; b) a multa a ser aplicada aos créditos tributários constituídos seja a estabelecida no art. 35, da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, conforme a fase processual, até o limite de 75% que está estabelecido art.. 35-A da Lei n. 8.21211991 (atual redação) combinado com o art. 44, II, da Lei n. 9.4301996.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Exercício: 2005, 2006, 2007 SIMPLES. EXCLUSÃO. EFEITOS RETROATIVOS. NATUREZA DECLARATÓRIA. A lei estabeleceu que o ato de exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, por fatos já conhecidos pelo contribuinte, tem natureza declaratória, emanando efeitos a fatos anteriores à sua prolatação, sujeitam à contribuinte às normas de tributação aplicável às demais contribuintes. Precedentes do STJ com efeitos repetitivos.(REsp n. 1.124.507/MG). PAT. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA PELO CARF, ART. 62 , DO REGIMENTO INTERNO. Quanto à aplicação de contribuições destinadas a outras entidades e fundos (Salárioeducação, INCRA, SEBRAE, SEST, SENAT) sobre verbas pagas a título de auxílio alimentação em desacordo com Programa de Alimentação do TrabalhadorPAT, instituído em Lei n. 63211976, o CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses dos artigos 62 e 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. VALE TRANSPORTE. NATUREZA INDENIZATÓRIA. PRECEDENTES DO STF. ART. 62, I, do REGIMENTO INTERNO. A cobrança de contribuição destinadas a outras entidades e fundos (Salário educação, INCRA, SEBRAE, SEST, SENAT) sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição (RE 478410, EROS GRAU, STF, 10.03.2010). Afastamento permitido ao CARF, na ocorrência de precedente julgado pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal (art. 62, I, do Regimento Interno do CARFMF) Fl. 1107DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 24/08/2011 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 2 MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Apenas cabe aplicação retroativa de multa ou penalidade quando a mesma for realmente mais benéfica. Recurso Voluntário Provido em Parte – Crédito Tributário Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Oseas Coimbra Junior quanto a aplicação da multa que fará declaração de voto. Reformase a decisão recorrida e o lançamento no sentido de determinar que: a) o cancelamento e exclusão dos créditos tributários lançados a título de contribuições destinadas a outras entidades e fundos (Salárioeducação, INCRA, SEBRAE, SEST, SENAT) sobre verbas apuradas como pagas aos empregados a título de valetransporte; b) a multa a ser aplicada aos créditos tributários constituídos seja a estabelecida no art. 35, da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, conforme a fase processual, até o limite de 75% que está estabelecido art.. 35A da Lei n. 8.21211991 (atual redação) combinado com o art. 44, II, da Lei n. 9.4301996. (Assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vicepresidente), Eduardo de Oliveira, Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 1108DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 24/08/2011 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10166.721783/200976 Acórdão n.º 280300.703 S2TE03 Fl. 1.108 3 Relatório O presente processo tratase do julgamento de Auto de Infração que constituiu crédito tributário originário da diferença de aplicação de alíquotas e bases de cálculo de contribuições destinadas a outras entidades e fundos (Salárioeducação, INCRA, SEBRAE, SEST, SENAT) sobre verbas pagas aos empregados e administradores da Recorrente a título de prolabore, auxílioalimentação em desacordo com o Programa de Alimentação do Trabalhador, valetransporte em espécie, gratificações de natal e horas extras, apurados em procedimento de fiscalização. O período apurado foi de 01.2005 a 13.2007. A ciência do mesmo foi em 29.09.2009. A contribuinte impugnou tempestivamente, alegando que era inclusa no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, e que não teve ciência de sua exclusão, assim os efeitos desse ato não poderiam ser retroativos, logo não poderiam incidir contribuições destinadas a outras entidades e fundos (Salárioeducação, INCRA, SEBRAE, SEST, SENAT) sob o regime normal sobre as verbas apuradas. Também alegou que as verbas pagas a título de auxílio alimentação e valetransporte não foram devidamente apurados, bem como têm natureza indenizatória. A decisão a quo não acolheu a impugnação, por entender como legal e constitucional a regulamentação sobre a matéria, que define a legislação a respeito. Bem como, há a vedação de afastamento de aplicação de lei ou decreto, sob a alegação de inconstitucionalidade. Assim, a contribuinte recorreu tempestivamente, repetindo os argumentos da impugnação, vindo o processo ao presente Conselho de Recursos Administrativos Fiscais. Fl. 1109DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 24/08/2011 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 4 Voto Conselheiro Relator I O recurso é tempestivo, conforme supra relatado, dispensado do depósito prévio (Sumula Vinculante 21 do STF), assim deve o mesmo ser conhecido. II Quanto à primeira questão levantada, quanto aos efeitos da declaração de exclusão do Programa SIMPLES, que foi declarada pela Ato Declaratório Executivo 023 pela Delegacia da Receita Federal em 23/06/2006 nos termos do Inciso V, do art. 14 da Lei 9.317/1996, em que os seus efeitos somente afetariam fatos posteriores à notificação do contribuinte sobre o ato. Devese atentar que o art. 15, II, do mesmo diploma é claro em estabelecer que haveria aplicação do regime de apuração tributário normal no mês subseqüente à ocorrência da situação excludente. Tal entendimento, foi consolidado pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, inclusive com efeitos repetitivos (art. 543C, do CPC) a qual o CARF deve observar (art. 62A do Regimento Interno do CARFMF) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. EXCLUSÃO DO REGIME TRIBUTÁRIO SIMPLES. ATO DECLARATÓRIO. EFEITOS RETROATIVOS. POSSIBILIDADE. ORIENTAÇÃO ADOTADA EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO. 1. Esta Corte já pacificou entendimento, inclusive em sede de recurso repetitivo (REsp n. 1.124.507/MG), na sistemática do art. 543C, do CPC, no sentido de que o ato de exclusão do regime tributário SIMPLES tem natureza declaratória, e como tal, retroage seus efeitos a partir do mês subseqüente à data da ocorrência da circunstância excludente, nos exatos termos do artigo 15, inciso II, da Lei n. 9.317/96, eis que é obrigação do contribuinte conhecer as situações que impedem seu ingresso e permanência nesse regime. 2. Tendo em vista que o presente agravo regimental foi interposto após e contra o entendimento adotado no recurso representativo da controvérsia, é o caso de aplicarse a multa prevista no art. 557, § 2º, do CPC, a qual fixo em 10% sobre o valor da causa. 3. Agravo regimental não provido. (AGRESP 200901831353, MAURO CAMPBELL MARQUES, STJ SEGUNDA TURMA, 04/10/2010) Assim, a alegação de que haveria aplicação do regime normal de tributação, inclusive previdenciária, somente após a notificação do ato de exclusão do regime de tributação SIMPLES, que supostamente não ocorreu, e que seus efeitos não seriam retroativos, não carece de razão. Assim, os créditos tributários lançados sobre as verbas remuneratórias apuradas pela fiscalização, são devidos salvo as exceções apresentadas neste voto. III Quanto à alegação de que as contribuições destinadas a outras entidades e fundos (Salárioeducação, INCRA, SEBRAE, SEST, SENAT) não poderiam ser lançadas sobre verbas pagas a título de auxílio alimentação, mesmo em desacordo com o Programa de Alimentação do Trabalhador (Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976), pois têm natureza remuneratória, devese atentar que razão do disposto no art. 62, do Regimento Interno do Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 24/08/2011 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10166.721783/200976 Acórdão n.º 280300.703 S2TE03 Fl. 1.109 5 CARF, os conselheiros estão vedados de afastar a aplicação de lei ou decreto sob arguição de inconstitucionalidade ou ilegalidade, salvo nos caso especificados no mesmo dispositivo e no art. 62A. O caso presente, mesmo que com esmagadora jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, favorável à Recorrente, esta hipótese não está elencada entre as fundamentadoras de afastamento de aplicação de lei ou decreto especificadas no art. 62. Ou seja, quanto à alegação de que as multas e juros aplicados são ilegais, inconstitucionais, ou abusivas/confiscatórias, não pode ser acolhida pelo CARF, pois estão definidas em lei, conforme explicado na decisão a quo. Ao caso vigente, é necessário que seja aplicado o disposto no art. 28, I, § 9, c, da Lei n. 8212/1991, que define como excludente da base de cálculo das contribuições previdenciárias o auxílio alimentação apenas aqueles incluso no PAT. O disposto no art. 28, I, § 9, c, da Lei n. 8212/1991, é nítido: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (…) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; Em consonância ao art. 111, II, do CTN, a interpretação do supra citado dispositivo somente permite que sejam excluídos da base de cálculo das contribuições destinadas a outras entidades e fundos (Salárioeducação, INCRA, SEBRAE, SEST, SENAT) as verbas pagas in natura a título de auxílio alimentação que estejam de acordo com o aprovado pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976. Caso contrário, serão considerados como integrantes do saláriode contribuição, base de cálculo dos tributos questionados. Contudo, está claro que, perante o que disciplina a competência de fiscalização do art. 33, da Lei 8.212/1991, para verificar a regularidade tributária da Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 24/08/2011 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 6 contribuinte, bem como o que era disciplinado para o PAT à época da ocorrência do fatos geradores, a Recorrente não se encontrava em conformidade para receber benefício descrito na art. 28, I, § 9, c, da Lei n. 8212/1991. Logo, os valores pagos a esse título são integrantes do saláriodecontribuição sobre o qual incidem as contribuições questionadas. Entendimento esse que coadua farta jurisprudência administrativa tanto do 2º Conselho de Contribuintes quanto do CARF (ex.: Acórdãos ns. 20601.313, 240100246, e outros) IV Já quanto a cobrança de créditos tributários, a título de contribuições destinadas a outras entidades e fundos (Salárioeducação, INCRA, SEBRAE, SEST, SENAT), sobre verbas pagas a título de vale transporte, mesmo de em dinheiro, assiste razão a Recorrente, inclusive por ter o Supremo Tribunal Federal (RE 478410), em decisão de plenário, declarado tais valores são de natureza eminentemente indenizatórios, sem natureza remuneratória ou de benefício direto ao trabalhador. Interpretação contrária seria afrontosa ao próprio art. 150, I, e 195, ambos da Constituição Federal. EMENTA: RECURSO EXTRORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento.(RE 478410, EROS GRAU, STF, 10.03.2010) Por ter sido a decisão acima prolatada pelo Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, é permitido ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a Fl. 1112DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 24/08/2011 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10166.721783/200976 Acórdão n.º 280300.703 S2TE03 Fl. 1.110 7 aplicação das contribuições previdenciárias e destinadas a outras entidades e fundos (Salário educação, INCRA, SEBRAE, SEST, SENAT) sobre as verbas pagas a título de valetransporte (mesmo que apurados por aferição indireta – art. 33, da Lei n. 8.2121991), justamente por não corresponderem à composição do salário de contribuição disposta no art. 22, I, e 28, da Lei n. 8.2121991. (art. 62, I, do Regimento Interno do CARFMF). Assim, não restam dúvidas quanto à exclusão dos créditos tributários lançados a título de contribuições destinadas a outras entidades e fundos (Salárioeducação, INCRA, SEBRAE, SEST, SENAT) sobre verbas apuradas como pagas aos empregados a título de valetransporte. V Contudo, entendo que a fiscalização aplicou de forma equivocada o art. 35A, da Lei n. 82121991, na redação posterior à MP n 449, de 04.12.2008, convertido na Lei n. 11.9412009, que remete à aplicação do art. 44, I, da Lei n. 94301996, com multa estabelecida no patamar de 75%, por entender mais benéfico ao contribuinte. Em análise ao art. 35, da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, a multa aplicada ao caso é escalonada de acordo com a fase do processo de constituição e cobrança das contribuições previdenciárias, iniciando com 4% a 100%. Os patamares superiores à 75% somente eram aplicáveis após o ajuizamento de ação de execução fiscal. Ou seja, em fase administrativa, a aplicação mais favorável é a da redação do art. 35, , da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008. Notese que os créditos são inclusive anteriores à publicação da MP n 449, de 04.12.2008, Assim, entendimento contrário, será uma afronta à irretroatividade da aplicação da lei, salvo se mais benéfica,(art. 104, III, c;c 106, I, do CTN) bem como negar vigência à necessidade de interpretação mais benéfica ao contribuinte (art. 112, do CTN), pois o ato omissivo de não pagamento de contribuições que não foram devidamente declaradas ocorreu antes do lançamento. Toda multa tributária é uma sanção, ou seja tem natureza primária punitiva, ou de penalização. Contudo, ainda assim podem ser classificadas em multa moratória, decorrente do simples atraso na satisfação da obrigação tributária principal, e multa punitiva em sentido estrito, quando decorrente de infração à obrigação instrumental cumulada ou não com a obrigações principais. Tal classificação é necessária pois, apesar de não terem natureza remuneratória, mas sancionatória, os tribunais brasileiros admitem que as multas tributárias devem ser classificadas em moratórias e punitivas (sentido estrito), em razão da existência de tratamentos diversos para cada espécie pelo próprio Código Tributário Nacional e legislação esparsas. (RESP 201000456864, HUMBERTO MARTINS, STJ SEGUNDA TURMA, 29/04/2010; PAULSEN, Leandro. Direito tributário, constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 12ª Ed., Porto Alegre : Livraria do Advogado, 2010, p.1103 1109) Assim, coloco como premissa que a diferença entre multa moratória e multa punitiva em sentido estrito. Como supra colocado, a primeira decorre do mero atraso da obrigação tributária principal, podendo sendo constituída pelo próprio contribuinte inadimplente no momento de sua apuração e pagamento. Já, a segunda espécie de multa, a punitiva em sentido estrito, demanda constituição pelos instrumentos de lançamento de ofício por parte dos agentes fiscais (art. 149, do CTN), em que se apura a infração cometida e a penalidade a ser aplicada. Inclusive a estipulação e definição da espécie de multa é dado exclusivamente pela lei, fato ressaltado em face do principio da estrita legalidade a que se Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 24/08/2011 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 8 regula o Direito Tributário e suas sanções (art. 97, V, do CTN). A mudança de natureza para fins de comparação no tempo, não pode ser realizada sem autorização legal, e por isso não se poderia comparar com multas punitiva em sentido estrito (referente à descumprimento de obrigação exclusivamente instrumental) com multas de natureza moratória a exemplo com a nova redação do art. 35A, da Lei n. 8212/1991, com a redação a partir da Medida Provisória n. 449/2008. Não se pode tratar a hipótese de incidência da multa moratória disposta no art. 32A cumulada com a multa do art. 35, com a redação anterior, como uma possível multa de ofício para comparar com a nova redação do art. 35A, da Lei n. 8.212/1991, incluso pela Medida Provisória n. 449/2008, convertida em Lei n. 11.941/2009, porque a multa aplicada pela redação anterior do art. 35, somente tratava de multa de natureza moratória, variada em razão das fases (tempo) do processo. Salvo se a própria lei, expressamente assim definisse. Dessa forma, entendo que deve ser aplicado ao caso as penalidades estabelecidas no art. 35, da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, até o limite de 75% (art.. 35A da Lei n. 8.21211991 combinado com o art. 44, I, da Lei n. 9.4301996), conforme estabelecido pela redação posterior a da comentada alteração. Isso posto, voto por conhecer o Recurso Voluntário para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO PARCIAL, reformando a decisão recorrida e o lançamento, no sentido de determinar que: a) o cancelamento e exclusão dos créditos tributários lançados a título de contribuições destinadas a outras entidades e fundos (Salárioeducação, INCRA, SEBRAE, SEST, SENAT) sobre verbas apuradas como pagas aos empregados a título de valetransporte; b) a multa a ser aplicada aos créditos tributários constituídos seja a estabelecida no art. 35, da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, conforme a fase processual, até o limite de 75% que está estabelecido art.. 35A da Lei n. 8.21211991 (atual redação) combinado com o art. 44, I, da Lei n. 9.4301996. Sala de Sessões, 11 de maio de 2011. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 08/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 24/08/2011 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 13660.000062/2001-89
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2006
Ementa: RERRATIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO
SIMPLES. INSCRIÇÃO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. Fica impedida a opção pelo SIMPLES enquanto perdurarem débitos junto à PGFN. A opção somente é cabível após a comprovação da quitação dos débitos junto ao referido órgão.
Embargos parcialmente providos.
Numero da decisão: 303-33.969
Decisão: DECIDEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para rerratificar o Acórdão n°303-31.916, se 16/03/2005, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA
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Numero do processo: 10865.903780/2009-71
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL
SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3803-003.167
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto vencedor que integram o presente julgado. Vencido o Relator, que votou pela conversão do julgamento em diligência. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Alexandre Kern.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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BENEFICIAMENTO DE MATERIAIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto vencedor que integram o presente julgado. Vencido o Relator, que votou pela conversão do julgamento em diligência. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Alexandre Kern. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente e Redator designado [assinado digitalmente] Juliano Eduardo Lirani Relator Fl. 104DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI 2 Participaram ainda do presente julgamento os conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira e Jorge Victor Rodrigues. Relatório O contribuinte supra descrito apresenta Recurso Voluntário contra decisão denegatória de PER/DCOMP eletrônico referente ao recolhimento a maior de COFINS referente ao PA de 31.01.2003. O despacho eletrônico anexo fls. 06 indeferiu o pedido de homologação da compensação com fundamento no fato de que o “suposto” pagamento a maior não foi comprovado pelo contribuinte. Na manifestação de inconformidade anexa fls. 11/14 o contribuinte sustentou que a partir de 1º de novembro de 2002 a Lei n.º 10.485/2002 reduziu para zero a alíquota da COFINS incidente sobre as receitas auferidas com a venda e industrialização por encomenda de autopeças. Afirmou ainda que com a edição da Lei n.º 10.865/2004 foi afastado o regime monofásico do setor automotivo, retornando a incidência do PIS e da Cofins a todos os componentes da cadeia, a partir de 1º de agosto de 2004. Alegou ainda ter recolhido indevidamente PIS e COFINS durante o período de dezembro de 2002 ao final de julho de 2004, incidente sobre suas receitas de venda e industrialização sob encomenda de autopeças relacionadas nos anexos I e II da Lei n 10.485/2002 e por essa razão tem direito a homologação da compensação desses créditos, embora não tenha retificado a DCTF para informar a alteração do valor correto devido. Por fim, o contribuinte alegou na Manifestação de Inconformidade que não informou o número do recibo da DCOMP na correspondente DCTF, sendo que, por outro equívoco, pagou o tributo informado nesta DCOMP por meio de DARF, ocasionando um pagamento em duplicidade (Darf e Dcomp). As fls. 26/28 sobreveio a Decisão n.º 1428.832 4 º Turma da DRJ/RPO, cuja ementa foi lavrada com o seguinte teor: A S S U N T O : C O N T R I B U I Ç Ã O P A R A O F I N A N C I A M E N T O D A S E G U R I D A DE S O C I A L C O F I NS Data do fato gerador: 31/01/2003 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. O direito creditório só é passível de ser reconhecido se lastreado em documentação fiscal e contábil, demonstrada nos autos pelo contribuinte. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Extraise da decisão atacada que os julgadores de primeiro grau têm ciência de que a alíquota do PIS e COFINS foi reduzida a zero relativamente à receita bruta de venda de produtos relacionados nos Anexos I e II da Lei n.º 10.485/2002 dos produtos classificados nos códigos da TIPI mencionados no art. 1º desta Lei. Entretanto, a decisão recorrida concluiu que o direito creditório pleiteado não restou comprovado por meio de documentação idônea, Fl. 105DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 10865.903780/200971 Acórdão n.º 3803003.167 S3TE03 Fl. 105 3 uma vez que o contribuinte não demonstrou que toda ou parte das receitas auferidas foram provenientes de venda de produtos classificados nos códigos da TIPI, conforme definido no art. 1º da Lei n.º 10.485/2002, logo o motivo do indeferimento decorreu da ausência de provas, segundo a decisão recorrida. Em Recurso Voluntário, anexo fls. 30/40 o contribuinte alega nulidade da decisão de primeiro grau, com fundamento no art. 59, II do Decreto n.º 70.235/72 tendo em vista que a mesma desconsiderou o direito a ampla defesa e contraditório, pois o Fisco não o intimou a apresentar documentos e deixou de reconhecer o direito creditório sob o argumento de que não foram apresentada prova contábil que fizesse lastro com o direito pretendido, quando na realidade é obrigação da Fazenda Nacional realizar diligência e buscar informações no sentido de apurar a existência do crédito. Afirmou que o cerne da questão neste processo se refere a discussão da alíquota zero da contribuição incidente sobre as receitas auferidas com a venda e com a industrialização por encomenda relacionadas nos anexos I e II da Lei nº 10.845/02, durante o período compreendido entre dezembro de 2002 a julho de 2004. Argumenta ter acontecido equívoco da não retificação da DCTF informando sobre a alteração do valor efetivamente devido de PIS e COFINS, isto é, deveria ter informado na DCTF que sobre estas contribuições incidia alíquota zero, razão pela qual houve o pagamento a maior do tributo no período de apuração em tela. Neste sentido, ressalta o contribuinte que por não ter acontecido a retificação da DCTF, o despacho decisório concluiu pela inexistência de crédito para fazer frente aos débitos apontados no PER/DCOMP. Assim, com fulcro no princípio da verdade material o contribuinte solicita que seja homologada a Dcomp apresentada e que seja cancelado o saldo devedor constante no despacho decisório, principalmente porque agora trás em seu recurso voluntário planilha contendo relação de notas fiscais objeto de recolhimento indevido de PIS e COFINS e notas fiscais por amostragem, conforme se observa dos DOCUMENTOS 2 e 3, respectivamente. Por fim, requer que seja homologada a Dcomp e seja cancelado o saldo devedor apurado. Voto Vencido Conselheiro Juliano Eduardo Lirani, Relator O recurso é tempestivo e por isso merece ser analisado. Conforme relatado, tratase de decisão denegatória de pedido de compensação em razão de pagamento a maior de COFINS, sob o argumento de que o pagamento indevido não foi comprovado pelo contribuinte. Retirase da decisão recorrida, que os julgadores de primeiro grau concluíram não ter trazido o contribuinte “quaisquer” elementos de prova por meio das quais a Fazenda Fl. 106DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI 4 Nacional pudesse verificar quais receitas do período apontado se referem efetivamente a industrialização por encomenda, principalmente se os produtos estariam relacionados nos códigos da TIPI listados nos anexo I e II à Lei 10.845/2002. Já compulsando os autos, constatase que o despacho decisório foi emitido de forma eletrônica e se limitou a indeferir o pedido por falta de comprovação do crédito apontado para realizar a compensação pleiteada. Acontece que em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte teceu comentários a respeito da incidência da alíquota zero da COFINS para as operações de industrialização por encomenda de autopeças relacionadas nos anexos I e II da Lei n 10.485/2002 e informou também ter recolhido indevidamente o tributo, pois indicou valores equivocados em DCTF. É verdade que em sua Manifestação de Inconformidade não trouxe elementos probatórios capazes de derruir a premissa fazendária de ausência de crédito e por conta disso a DRJ concluiu pelo indeferimento do pedido. Entretanto, agora em seu recurso voluntário o contribuinte trouxe importantes provas da existência do crédito, ou seja, planilha contendo relação de notas fiscais objeto de recolhimento indevido de PIS e COFINS e notas fiscais, ainda que por amostragem. Com efeito, “data vênia”, entendimento contrário, manifesto posicionamento de que os autos devem ser encaminhados à repartição de origem, com o propósito de que a fiscalização intime o contribuinte a apresentar todas as notas fiscais relacionadas na referida planilha, bem como lançamentos contábeis, relatório do seu processo produtivo e demais documentos que entenda necessários para a apuração do direito creditório. Alertase ainda para o fato de que em momento algum ocorreu a intimação, por parte da Fazenda Nacional, para que o contribuinte apresentasse qualquer documento fiscal. Assim, ainda que seja ônus do sujeito passivo colacionar aos autos provas constitutivas do seu direito, por outro lado também é verdade que uma vez trazidos pelo contribuinte elementos de provas do seu direito, ainda que posteriormente a decisão da DRJ, não deve ser criado óbice a apuração da verdade material. Ante o exposto, considerando o contido no art. 18, inciso I, do Anexo II do Regimento Interno do CARF – Portaria MF n 256/2008 – que prevê a realização de diligências para suprir deficiências do processo, bem como o princípio da verdade material, proponho que se converta o julgamento em diligência à repartição de origem para que se proceda à verificação se os produtos sob os quais ocorreu a industrialização por encomenda estão relacionados nos códigos da TIPI listados nos anexo I e II à Lei 10.845/2002, pois tal constatação é fundamental para a apuração do direito crédito. Sala das Sessões, em 17 de julho de 2012 Juliano Eduardo Lirani Voto Vencedor Conselheiro Alexandre Kern, Redator designado A compensação declarada não foi homologada porque o pagamento apontado como indevido estava integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A Fl. 107DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 10865.903780/200971 Acórdão n.º 3803003.167 S3TE03 Fl. 106 5 decisão recorrida, por sua vez, não reconheceu o direito creditório reivindicado, no valor de R$ 271,21, mantendo o Despacho Decisório atacado, porque o interessado não trouxe quaisquer elementos de prova que permitisse a verificação de se toda ou parte das receitas daquele período referemse à industrialização por encomenda especificamente daqueles produtos classificados nos códigos da TIPI listados nos anexo I e II à Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002. Fazendo tabola rasa das regras processuais de preclusão e apoiandose em noção arrevesada do princípio da verdade material, o redator, equivocadamente, propôs a conversão do julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal de jurisdição sobre o contribuinte produzisse a prova que toca ao interessado produzir, nos momentos processuais adequados. Evidentemente, a 3ª Turma Especial, à exceção do Conselheiro Juliano Eduardo Lirani, jamais respaldaria tal proposição. A natureza extintiva –ainda que condicionada a ulterior homologação – da Declaração de Compensação, impõe que o interessado assegurese que crédito oposto no encontro de contas seja líquido e certo, já no momento da transmissão da Dcomp, sob pena de não têlo homologado. Mesmo na fase contenciosa do procedimento administrativo fiscal, que ora se desenrola, quando já não mais teria espontaneidade para retificar a DCTF1,o requerente, enquanto manifestante, poderia produzir a prova necessária para a demonstração de seu direito, em face da aplicação analógica do § 4º do art. 16 do PAF, autorizada pelo § 4º do art. 66 da Instrução Normativa RFB no 900, de 30 de dezembro de 2008, apresentando, não apenas as alegações que fez, vazias, pois desacompanhadas de qualquer embasamento documental, mas de documentação contábilfiscal idônea e hábil para demonstrar o erro cometido e afastar o atributo de irretratabilidade da confissão feita na DCTF. O que o recorrente – e o relator também não pode esperar é que a autoridade fiscal suplemente a sua vontade e o intime a tanto. Matéria de extremada importância em sede processual é a referente à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas. Com efeito, da delimitação do onus probandi depende a definição de grande parte das responsabilidades processuais. Assim é nas relações de direito privado e, igualmente, nas relações de direito público, dentre as quais as relacionadas à imposição tributária. Neste campo, a legislação processual administrativotributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o principio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim é que, nos casos de lançamentos de oficio, não basta a afirmação, por parte da autoridade fiscal, de que ocorreu o ilícito tributário; pelo contrário, é fundamental que a infração seja devidamente comprovada, como se depreende da parte final do caput do artigo 9° do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que determina que os autos de infração e notificações de lançamento "deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de 1 Súmula CARF No. 33 A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI 6 prova indispensáveis à comprovação do ilícito". De outro lado, ao contribuinte a legislação impõe o ônus de provar o que alega em face das provas carreadas pela autoridade fiscal, como expresso no inciso III do artigo 16 do mesmo Decreto nº 70.235, de 1972, que determina que a impugnação conterá "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". Esse, portanto, o quadro nos lançamentos de oficio: à autoridade fiscal incumbe provar, pelos meios de prova admitidos pelo direito, a ocorrência do ilícito; ao contribuinte, cabe o ônus de provar o teor das alegações que contrapõe às provas ensejadoras do lançamento. Já nos casos de repetição de indébito, como no presente processo, entretanto, o quadro resta um pouco modificado, como a seguir se verá. Quando a situação posta se refere à restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é atribuição do contribuinte a demonstração da efetiva existência do indébito. Tanto é assim que a Instrução Normativa SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que rege atualmente os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários, assim expressa em vários de seus dispositivos: Art. 3° A restituição a que se refere o art. 2° poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF). § Iº A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). § 2º Na impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, o requerimento será formalizado por meio do formulário Pedido de Restituição, constante do Anexo I, ou mediante o formulário Pedido de Restituição de Valores Indevidos Relativos a Contribuição Previdenciária, constante cio Anexo II, conforme o caso, aos quais deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. [..1 § 4° Tratandose de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo mediante utilização do programa PER/DCOMP, os documentos a que se refere o § 3° serão apresentados à RFB após intimação da autoridade competente para decidir sobre o pedido. [..1 Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito. inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada. mediante exame de sua Fl. 109DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 10865.903780/200971 Acórdão n.º 3803003.167 S3TE03 Fl. 107 7 escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Como se percebe, em qualquer dos tipos de repetição é exigida a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como prerrequisito ao conhecimento do pleito. E o que se deve ter por documentos comprobatórios do crédito? Por óbvio que os documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito; sem tal evidenciação, o pedido repetitório fica inarredavelmente prejudicado. É certo que as normas acima transcritas prevêem a realização de diligências, por parte da autoridade fiscal, destinadas à verificação da exatidão das informações trazidas pelos contribuintes, mas é preciso ter em conta que tal previsão não existe com o fim de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim de elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pelo contribuinte/pleiteante; em outras palavras, as diligências servem para esclarecer pontos duvidosos específicos, e não para que a autoridade fiscal, diante da falta de comprovação da existência do crédito, supra tal omissão do contribuinte. No caso específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, o contribuinte cumpre o ônus que a legislação lhe atribui, quando traz os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. E tal demonstração, no caso das pessoas jurídicas, está, por vezes, associada a uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros. Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio. Em regra, portanto, cumpre ao contribuinte vincular registros contábeis a documentos fiscais, estabelecendo com clareza a natureza das operações por eles instrumentadas, não lhe sendo lícito simplesmente juntar uma massa de documentos ao processo, sem indicação individualizada de a quais registros se referem. A atividade de "provar" não se limita, no mais das vezes, a simplesmente juntar documentos aos autos; nos casos em que se tem inúmeros registros associados a inúmeros documentos, provar significa associar registros e documentos de forma individualizada, do mesmo modo que, no caso das provas indiciárias, exigese a contextualização dos fatos por via do cruzamento dos indícios. Não é tarefa do julgador contextualizar os elementos de prova trazidos pelo contribuinte no caso de um pedido de restituição, compensação ou ressarcimento, tanto quanto não é contextualizar os elementos de prova trazidos pela autoridade fiscal no âmbito de um lançamento de oficio. Quem acusa deve provar, contextualizando os elementos de prova que evidenciam a infração; da mesma forma, quem pleiteia repetição deve provar a existência do direito creditório, contextualizando os elementos de prova que evidenciam o indébito. Não é lícito ao julgador, tanto em sede de apreciação de lançamento de oficio, quanto em sede de pleito repetitório, dispensar a autoridade lançadora ou o pleiteante, conforme o caso, do ônus que a lei impõe a cada um deles; tanto quanto não lhe é lícito valer se das diligências e perícias para, por vias indiretas, suprir o ônus probatório que cabia a cada parte. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito Fl. 110DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI 8 aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Já as perícias existem para fins de que sejam dirimidas questões para as quais exigese conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impassível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador. Dentro deste quadro, percebese que quando a Instrução Normativa SRF nº 900, de 2008, acima parcialmente transcrita, prevê a "realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas", não está querendo dizer que, diante de qualquer pleito repetitório apresentado, deve a autoridade fiscal diligenciar para fins de verificar, de oficio, a existência do crédito pleiteado. O que o ato legal quer dizer, e isto sim, é que, apresentado o pedido e constatado que o contribuinte demonstrou, por documentos e registros contábeis individualmente associados, a origem dos créditos pleiteados, pode a autoridade fiscal, se dúvidas remanescerem em relação a questões pontuais (natureza da operação em um ou outro registro, falta de clareza de algum documento ou registro etc.), demandar por diligências para dirimir tais dúvidas. Por certo que o ato legal não quer, com a previsão da realização das diligências, transferir para a autoridade fiscal ou para o julgador administrativo a responsabilidade pela produção probatória atribuída originariamente ao contribuinte no caso dos pedidos de repetição de indébito. E é isso que ocorreria, por exemplo, se fossem promovidas diligências no caso, por exemplo, em que o contribuinte, junto com seu pleito, nada aporta aos autos além de suas alegações, ou traz apenas uma listagem genérica de créditos e uma massa de documentos fiscais sem vinculação recíproca; neste caso, a promoção das diligências estaria suprindo, irregularmente, a omissão do contribuinte, o que não é processualmente admissível. De se ressaltar, igualmente, que o fato de o processo administrativo ser informado pelo principio da verdade material, em nada macula tudo o que foi até aqui dito. É que o referido princípio destinase a busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de, por via de diligências, produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento e por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito repetitório seja proposto sem a minudente demonstração e comprovação da existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento e por via de diligências, se oportunize tais demonstração e comprovação. Se, de um lado é certo que o DARF informado no PER/Dcomp comprova um recolhimento, de outro, inexiste nos autos qualquer prova de que o pagamento seja indevido. Há tãosomente a alegação do requerente, ora recorrente. Nada mais. E, em sede de prova, nada alegar e alegar, mas não provar o alegado se equivalem (allegare nihil et allegatum non probare paria sunt). A esse propósito, reportome à Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. De acordo com o seu art. 36, que regulamenta o sistema de distribuição da carga probatória no Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do requerente: Fl. 111DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 10865.903780/200971 Acórdão n.º 3803003.167 S3TE03 Fl. 108 9 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC). A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça também corrobora esse entendimento: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais.(HABEAS CORPUS Nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(INTERVENÇÃO FEDERAL Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. 2. Não cabe em mandado de segurança para cobrança de proventos não recebidos, a teor das súmulas 269 e 271 da Suprema Corte. 3. Recurso parcialmente provido. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538)JCPC.333 JCPC.333.II TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). Fl. 112DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI 10 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) À falta da prova do erro, capaz de afastar o atributo de irretratabilidade da confissão de dívida, milita contra a alegação do requerente a presunção de que o pagamento não lhe confere qualquer direito creditório porque foi alocado a débito espontaneamente confessado em DCTF. O recorrente poderia objetar que, dada sistemática declaratória atual do procedimento de compensação, não lhe foi oportunizada a comprovação do crédito, originado do pagamento indevido. Objeção improcedente. Bastaria que o contribuinte, prévia e espontaneamente, retificasse a DCTF respectiva, conforme lhe autorizava o art. 10 da Instrução Normativa SRF no 482, de 21 de dezembro de 2004, então vigente, e o próprio processamento eletrônico do PER/Dcomp lhe deferiria o crédito pleiteado, transferindo para o Fisco o ônus da posterior verificação do seu procedimento. Mesmo na fase contenciosa do procedimento administrativo fiscal, que ora se desenrola, quando já não mais teria espontaneidade para retificar a DCTF,o requerente, enquanto manifestante, poderia produzir a prova necessária para a demonstração de seu direito, em face da aplicação analógica do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, autorizada pelo § 4º do art. 66 da Instrução Normativa RFB no 900, de 2008. O recorrente, contudo, limitouse a apresentar planilha de bases de cálculo, sem o necessário lastro na sua escrita contábil e em documentação idônea e hábil para atestar a liquidez e a certeza do crédito oposta na compensação declarada. Nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 17 de julho de 2012 Alexandre Kern Fl. 113DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI
score : 1.0
Numero do processo: 10315.000049/2005-95
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 31/10/2002, 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 30/01/2004, 30/04/2004, 30/07/2004
PRELIMINAR. INCOMPETÊNCIA EM RAZÃO DA MATÉRIA.
São de competência da DRJ/BEL os tributos e contribuições administrados pela SRF da 2ª Região Fiscal, com exceção do IPI-V,
II, IE e demais tributos ou contribuições exigidos quando do despacho aduaneiro de mercadorias na importação ou na exportação bem como o ITR, bem como, o IPI e lançamentos conexos referentes à 3ª Região Fiscal. Inteligência do Anexo I da Portaria do Ministério da Fazenda nº 95, de 30 de abril de 2007.
DIF - PAPEL IMUNE. ATRASO NA ENTREGA. MULTA.
AFASTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
O art. 57 da MP nº 2.15835 foi modificada pelo art. 1° da Lei n° 11.945/09.
Por se tratar de lei mais benéfica, observa-se o disposto no art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN quanto a sua retroatividade. O Contribuinte que não apresentar a DIF-Papel Imune até o último dia útil dos meses de janeiro, abril, julho e outubro, em relação aos trimestres civis imediatamente anteriores ficará sujeito ao pagamento de multa no valor de R$ 2.500,00, se micro ou pequena empresa, por DIF entregue em atraso.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA.
Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, inexistindo cerceamento do direito de defesa quando, na fase de impugnação, foi concedida oportunidade ao autuado de apresentar documentos e esclarecimentos.
DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS.
As decisões administrativas, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário. Destarte, não podem ser estendidas genericamente a outros casos, e somente aplicam-se sobre a questão em análise e vinculando as partes envolvidas naqueles litígios.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 3803-001.839
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IPI- ação fiscal - penalidades (multas isoladas)
Nome do relator: JOÃO ALFREDO E. FERREIRA
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INCOMPETÊNCIA EM RAZÃO DA MATÉRIA. São de competência da DRJ/BEL os tributos e contribuições administrados pela SRF da 2ª Região Fiscal, com exceção do IPIV, II, IE e demais tributos ou contribuições exigidos quando do despacho aduaneiro de mercadorias na importação ou na exportação bem como o ITR, bem como, o IPI e lançamentos conexos referentes à 3ª Região Fiscal. Inteligência do Anexo I da Portaria do Ministério da Fazenda nº 95, de 30 de abril de 2007. DIF PAPEL IMUNE. ATRASO NA ENTREGA. MULTA. AFASTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O art. 57 da MP nº 2.15835 foi modificada pelo art. 1° da Lei n° 11.945/09. Por se tratar de lei mais benéfica, observase o disposto no art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN quanto a sua retroatividade. O Contribuinte que não apresentar a DIFPapel Imune até o último dia útil dos meses de janeiro, abril, julho e outubro, em relação aos trimestres civis imediatamente anteriores ficará sujeito ao pagamento de multa no valor de R$ 2.500,00, se micro ou pequena empresa, por DIF entregue em atraso. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, inexistindo cerceamento do direito de defesa quando, na fase de impugnação, foi concedida oportunidade ao autuado de apresentar documentos e esclarecimentos. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário. Destarte, não podem ser estendidas genericamente a outros casos, e somente aplicamse Fl. 80DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 02/ 09/2011 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2011 por ALEXANDRE KERN 2 sobre a questão em análise e vinculando as partes envolvidas naqueles litígios. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] Alexandre Kern Presidente. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Andréa Medrado Darzé e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Trata o presente processo de auto de infração (fls. 0208) relativo a multa em virtude da entrega após o prazo legal, das Declarações Especiais de Informações Relativas ao Controle do Papel Imune (DIF—Papel Imune) a que estava obrigada a E N MORENO ME, com fundamento no art. 505 c/c art. 212 do Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento do IPI (RIPI12002), no importe de R$ 186.000,00. Cientificada em 14.02.2005 (fl. 18), apresentou impugnação (fls.2024), em 27.02.2005, aduzindo em apertada síntese, que as DIF’s objeto o auto de infração foram entregues após a intimação e que sua entrega, mesmo que fora do prazo, não causou prejuízo algum à Administração Fazendária uma vez que a obrigação principal relativa a ela é imune. Após ciência da decisão proferida pela 3a Turma da DRJ/BEL que julgou procedente o lançamento, em 17/01/2008, apresentou recurso voluntário onde alega: a) A incompetência da 3a Turma da DRJ/BEL, que compreende a 2a Região Fiscal, para a apreciação do presente caso, com base no Anexo V da Portaria SRF n° 179, 13 de fevereiro de2007( DOU de 14.2.2007), uma vez que a E N MORENO ME possui domicílio fiscal no Município de Iguatu/CE, sendo tal região de responsabilidade da Delegacia da Receita Federal de Juazeiro do Norte/CE. b) Os julgados colacionados na impugnação e nãoconhecidos pela DRJ representam a interpretação atribuída pelo Ente Tributante, tendo eficácia normativa, em respeito a Segurança Jurídica e Fiscal das decisões , pelos Órgãos Colegiados do Ministério da Fazenda. Ainda, que a decisão proferida pelo Conselhos de Contribuintes refletem o entendimento do Ministério da Fazenda e da Secretaria da Receita Fl. 81DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 02/ 09/2011 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2011 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10315.000049/200595 Acórdão n.º 380301.839 S3TE03 Fl. 78 3 Federal, sendo normas complementares do Direito Tributário em conformidade com o inc. II, do art. 100 do CTN. c) O art. 57 da MP n° 2.15835/2001 e o art. art. 16 da Lei nº 9.779/199, não são aplicáveis ao caso em apreço tendo em vista que não se procedeu a qualquer descumprimento de obrigação acessória, pois foise respeitado o prazo de 10(dez) dias para que a Recorrente apresentasse suas declarações referentes ao 3º e 4º semestres de 2002, e aos 1°, 2°, 3° e 4° trimestres de 2004. d) O auto de infração lavrado contra a Recorrente é insubsistente uma vez que a obrigação acessória foi devidamente cumprida, mesmo que extemporaneamente. Por derradeiro, encerra o presente recurso alegando cerceamento do direito de defesa e pleiteia seu reconhecimento bem como o da incompetência absoluta da DRJ/BEL para o julgamento do caso proposto. Alternativamente requer a reforma da decisão recorrida para julgar a improcedência do lançamento fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Preliminarmente, insurge a Contribuinte contra decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ/BEL que julgou improcedente o pedido estampado na impugnação apresentada, mantendo o lançamento realizado pela autoridade fiscal. Conforme se observa nos presentes autos, o auto de infração que originou o lançamento tributário (fls. 02/08) foi realizado pela Delegacia da Receita Federal da unidade de Juazeiro do Norte/CE visto que a Contribuinte possui como domicílio tributário o Município de Iguatu/CE. Já a decisão recorrida foi proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento da Unidade de Belém /PA. Neste sentido, alerta a Recorrente para a nulidade do acórdão recorrido, alegando que DRJ de Belém não detinha a devida competência para apreciar o presente feito, uma vez que a sua competência territorial encontrase adstrita aos Estados integrantes da 3ª Região Fiscal bem como, que o Domicílio Tributário eleito pela Contribuinte jaz sob responsabilidade da 2ª Região Fiscal cuja sede situase em Fortaleza/CE. Razão não assiste à E N MORENO ME . A delimitação de competência das Delegacias da Receita Federal de Julgamento encontrase regulamentada pela portaria da Secretaria da Receita Federal nº 19, de 13 de fevereiro de 2007. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 02/ 09/2011 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2011 por ALEXANDRE KERN 4 Porém, antes de adentrarmos nesta seara, cumpre esclarecer que a presente demanda versa sobre entrega em atraso da DIF—Papel Imune para as empresas incluídas no registro especial para estabelecimentos que realizem operações com papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos no que diz respeito ao Imposto Sobre Produto Industrializado – IPI, o que gerou a imposição de “Multa Regulamentar – IPI” no valor de R$ 186.000,00 conforme se observa do Termo de encerramento de fls. 09 cujo enquadramento legal encontrou guarida no art. 4º do DecretoLei nº 1.680/79 c/c art. 10 c/c art. 1º da IN SRF nº 71/2001 e art. 505 e parágrafo único c/c art. 368 do Decreto nº 4.544/02, atualmente regulamentada pelo Decreto nº 7.212/2010. Tecidas as devidas considerações passemos à análise da preliminar de incompetência argüida pela Recorrente. Depreendese dos autos que o primeiro procedimento fiscal visando a satisfação do cumprimento de obrigação acessória, qual seja, a entrega da DIF papel imune, foi realizada pela DRF de Juazeiro do Norte/ CE por estar a Contribuinte situada no Município de Iguatu/CE conforme outrora mencionado. O Regimento Interno da RFB encontrase regulamentado pela Portaria do Ministério da Fazenda nº 95, de 30 de abril de 2007. O Anexo I, por sua vez determina serem integrantes da 2ª Região Fiscal, com sede em Belém, os Estados do PA, AC, RO, RR, AM e da 3ª Região Fiscal, com sede em Fortaleza/CE, estados do PI, CE e MA. Tratandose neste caso de competência territorial, sujeito aos critérios de competência relativa fixados nos artigos 102 e seguintes do Código de Processo Civil. Ocorre, contudo, que a Secretaria da Receita Federal editou a Portaria nº 179 de 13 de fevereiro de 2007 dispondo sobre critérios materiais de natureza absoluta cuja inobservância enseja nulidade absoluta conforme explicita o art. 59, II do Decreto nº 70.235/72: Art. 59. São nulos: II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Nesse sentido dispõe a Portaria retro ser de competência da DRJ/BEL os tributos e contribuições administrados pela SRF da 2ª Região Fiscal, com exceção do IPIV, II, IE e demais tributos ou contribuições exigidos quando do despacho aduaneiro de mercadorias na importação ou na exportação bem como o ITR. Ainda, é de competência da DRJ/BEL o IPI e lançamentos conexos referentes à 3ª Região Fiscal. Determina, por fim, ser de competência da DRJ de Fortaleza, os tributos e contribuições administrados pela SRF da 3ª Região Fiscal, com exceção do IPI e lançamentos conexos e ITR. Assim, mesmo estando a Contribuinte sob a égide da 3ª Região Fiscal por localizarse no Município de Iguatu/CE, por critério de fixação de competência, deverá a impugnação ser conhecida e julgada pela DRJ/BEL uma vez que a matéria na qual versa a presente controvérsia é de sua competência. A interessada argüi, igualmente, a nulidade do lançamento, argumentando que cobrança tributaria se baseia em frágeis interpretações da norma, portanto é indevida, e que contraria frontalmente o nosso Código Tributário Nacional e a Lei de Regência. Alega cerceamento de seu direito de defesa. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 02/ 09/2011 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2011 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10315.000049/200595 Acórdão n.º 380301.839 S3TE03 Fl. 79 5 Da análise dos autos verificase que na data de 07 de janeiro de 2005 a interessada foi intimada a apresentar à unidade da Secretaria da Receita Federal a declaração da DIFPapel Imune referente aos mesescalendário discriminados em termo próprio. Tal situação evidencia a iniciativa da autoridade local no sentido de oferecer à interessada a oportunidade de apresentar documentos e provas relacionados à sua pretensão. De outra parte, verificase que a decisão denegatória da improcedência do auto de infração pretendido, às fls. 40/45, foi devidamente fundamentada, constando claramente os fundamentos de fato e de direito que na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, parte integrante do Auto de Infração, houve descrição detalhada do ensejo da multa, bem como de seu enquadramento legal. A matéria, assim como a determinação da exigência tributária, estão identificadas. Observase, também, que o auto de infração está acompanhado de todos os elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito e que o lançamento atende todos os requisitos legais, não existindo, portanto, qualquer violação ao princípio da legalidade. A defesa interposta, de fls. 20/24 se apresenta instruída com os documentos de fls. 26/37. Concluise, portanto, que os fatos que motivaram a autuação fiscal estão descritos na peça vestibular, e permitiram à impugnante uma farta e robusta defesa quanto às irregularidades a ela imputadas. Os demonstrativos de apuração do imposto foram feitos de modo a discriminar os cálculos segundo o regime adotado pela empresa, e o enquadramento legal está apontado. exuberância da peça impugnatória, a qual busca elidir inequívoca e criteriosamente todos os pontos da autuação fiscal, afasta de vez a possibilidade de prejuízo ao direito de defesa. Demonstrado que somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, inexistindo cerceamento do direito de defesa quando, na fase de impugnação, foi concedida oportunidade ao autuado de apresentar documentos e esclarecimentos, REJEITO as preliminares de cerceamento de defesa e de incompetência argüidas pela Recorrente. No que tange às decisões administrativas colacionadas pela E N MORENO ME, cumpre salientar que cada decisão referese, individualmente, àquele determinado interessado, não havendo como entender que se há de aplicar, obrigatoriamente, ao caso em tela, o entendimento constante de ementas de decisões do Conselho de Contribuintes, mencionadas pela interessada, visto não terem efeito erga omnes. Cumpre esclarecer, por conseguinte, que as decisões administrativas, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário. Destarte, não podem ser estendidas genericamente a outros casos, e somente aplicamse sobre a questão em análise e vinculando as partes envolvidas naqueles litígios. Assim determina o inciso II do art. 100 do Código Tributário Nacional: “Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos :(...) II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa.”.(g.n.) Desta forma, malgrado a interessada alegar em sua defesa decisões de consultas, estas não integram a legislação tributária, inexistindo efeito vinculante, pois, nos Fl. 84DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 02/ 09/2011 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2011 por ALEXANDRE KERN 6 termos do disposto no Art. 100, inciso II do CTN, as decisões de órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa são fontes secundárias de Direito Tributário, quando a lei lhes atribuir eficácia normativa. Porém, no âmbito do Decreto n º 70.235, de 1972 não há norma legal que atribua às decisões administrativas tal efeito. Quanto ao mérito da questão proposta, percebese que a Recorrente foi autuada pela não apresentação da DIFpapel imune a que se referem os arts. 1º e 10 da IN SRF nº 71/2001, que dispõe o que se segue: Art. 10. Fica instituída a Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle do Papel Imune (DIF Papel Imune), cuja apresentação é obrigatória para as pessoas jurídicas de que trata o art. 1º. Art. 1º Os fabricantes, os distribuidores, os importadores, as empresas jornalísticas ou editoras e as gráficas que realizarem operações com papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos estão obrigados à inscrição no registro especial instituído pelo art. 1º do Decretolei nº 1.593, de 21 de dezembro de 1977, não podendo promover o despacho aduaneiro, a aquisição, a utilização ou a comercialização do referido papel sem prévia satisfação dessa exigência. Observo, ademais, que a E N MORENO ME por realizar operações com papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, estava obrigada a apresentar a Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle de Papel Imune (DIFPapel Imune). No entanto, deixou de apresentar, a tempo, a referida declaração referente ao 3º e 4º trimestre de 2002; 1º, 2º, 3º e 4º trimestres de 2003 e 1º e 2º trimestres de 2004. Determina a IN SRF nº 71/2001 o prazo a ser observado pelo particular que realiza operações com papel destinado à impressão de livros jornais e periódicos ainda que goze da imunidade tributária prevista no art. 150,VI,d da Constituição Federal: Art. 11. A DIF Papel Imune deverá ser apresentada até o último dia útil dos meses de janeiro, abril, julho e outubro, em relação aos trimestres civis imediatamente anteriores, em meio magnético, mediante a utilização de aplicativo a ser disponibilizado pela SRF. Art. 12. A não apresentação da DIF Papel Imune, nos prazos estabelecidos no artigo anterior, enseja a aplicação da penalidade prevista no art. 57 da Medida Provisória nº 2.158 34, de 27 de julho de 2001. Estabelece o art. 57 da Medida Provisória nº 2.158/34, de 27 de julho de 2001 que as empresas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados estarão sujeitas a multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário. Ocorre que tal dispositivo foi alterado pela Lei nº 11.945/2009 que passou a dispor: Art. 1o Deve manter o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil a pessoa jurídica que: (...) Fl. 85DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 02/ 09/2011 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2011 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10315.000049/200595 Acórdão n.º 380301.839 S3TE03 Fl. 80 7 § 4o O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 3o deste artigo sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II – de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste artigo, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. (grifamos) A legislação tributária é cristalina. O Contribuinte que não apresentar a DIF Papel Imune até o último dia útil dos meses de janeiro, abril, julho e outubro, em relação aos trimestres civis imediatamente anteriores ficará sujeito ao pagamento de multa no valor de R$ 2.500,00 se micro ou pequena empresa e R$ 5.000,00 para as demais por DIF entregue em atraso. Entendo que por ser norma mais favorável, sua aplicação encontra guarida no Código Tributário Nacional, que preconiza em seu art. 106, inciso II, alínea “c” o que se segue: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifamos) Desta forma, sendo a Lei nº 11.945/2009 norma mais benéfica para o contribuinte do que a Medida Provisória nº 2.158/34, e não estando o ato definitivamente julgado, retroagirá a mesma para atingir ato ou fato pretérito, conforme o art. 106 do CTN supramencionado. Isto significa a aplicação de uma multa de R$2.500, 00 ou de R$ 5.000,00 cada vez que o Contribuinte deixa de entregar a Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle de Papel Imune ou o faz com atraso. O fato de ter a Contribuinte entregue sua declaração após intimação da Receita Federal de Juazeiro do Norte/CE não o exime do pagamento da multa. Sendo assim, se o contribuinte devia apresentar a sua declaração nos prazos estipulados na legislação mencionada e somente a apresentou em 14 de janeiro de 2005, com 02 anos de atraso, descabida se torna o afastamento da multa cujo objetivo precípuo é forçar o cumprimento da obrigação acessória a seu tempo próprio. No mesmo sentido se posicionou esta Turma Especial em julgado recente. Vejamos: Fl. 86DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 02/ 09/2011 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2011 por ALEXANDRE KERN 8 Autoridade Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 3ª Seção de Julgamento. 3ª Turma Especial Título Acórdão nº 380300521 do Processo 10580002587200584 Data 27/07/2010 Ementa ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS.Data do fato gerador: 30/06/2002, 30/09/2002, 31/12/2002, 31/03/2003, 30/06/2003, 30/09/2003, 31/12/2003, 31/03/2004, 30/06/2004.Ementa:DIF PAPEL IMUNE. FALTA OU ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO.A não apresentação, ou a apresentação da DIF Papel Imune após os prazos estabelecidos pela legislação, sujeita o contribuinte à imposição da multa prevista.Recurso Voluntário Provido Parcialmente.Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para reduzir a penalidade atada para RS 45.000,00 (quarenta e cinco mil reais). Pareceme ser o posicionamento mais acertado. Ante o exposto, voto por dar PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para aplicar multa de R$ 5.000,00 por cada DIF – Papel Imune entregue em atraso, sendo facultado ao contribuinte apresentar documentos aptos à comprovação de sua condição de micro ou pequena empresa no período compreendido entre 31/10/2002 a 30/07/2004, situação em que a multa será reduzida em 50%. (Assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 87DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 02/ 09/2011 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2011 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10315.000049/200595 Acórdão n.º 380301.839 S3TE03 Fl. 81 9 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara Processo nº: 10315.000049/200595 Interessada: EN MORENO ME TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 4º do art. 63 e no § 3º do art. 81 do Anexo II, c/c inciso VII do art. 11 do Anexo I, todos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, fica um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, intimado a tomar ciência do Acórdão no 380301.839, de 9 de agosto de 2011, da 3a Turma Especial da 3a Seção. Brasília DF, em 9 de agosto de 2011. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com ciência ( ) Com embargos de declaração ( ) Com recurso especial Em ____/____/______ Fl. 88DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 02/ 09/2011 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2011 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10314.003760/2001-88
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2007
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO — II
Período de apuração: 14102/1996 a 16/12/1996
Decadência.
A ausência de antecipação do recolhimento do tributo autolançado impede a homologação tácita do lançamento prevista no § 49 do art. 150 do CTN, máxime quando essa omissão está amparada na apresentação de documento falso para prova de quitação.
Pedido diligência.
Não se cogita de nulidade da decisão de 1" Instância que indefere
a realização de diligência quando esta diligência é realizada pelos julgadores ad quem.
Responsabilidade tributária.
Verificado o não recolhimento dos tributos, cabe ao contribuinte
definido em lei providenciar a sua quitação.
Normas gerais de direito tributário. Responsabilidade por
infrações.
O lançamento de multa qualificada somente tem fundamento nos
casos de evidente intuito de fraude. Nas infrações definidas por
lei como crimes ou contravenções, a responsabilidade é pessoal
ao agente, exceto quando praticadas no exercício regular de
administração, mandato, função, cargo ou emprego, ou no
cumprimento de ordem expressa emitida por quem de direito.
Processo administrativo fiscal. Multa de oficio modificada de
150% para 75% na primeira instância administrativa.
Resta configurada usurpação de competência privativa de terceiro
se o órgão judicante de primeira instância administrativa entende
descaracterizada a motivação do aumento da pena básica lançada
com fundamento na Lei 9.430, de 1996, artigo 44, inciso II, e
lança a multa de 75% prevista no artigo 44, inciso , dispositivo
legal sequer citado no auto de infração.
Numero da decisão: 303-34.569
Decisão: ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de
contribuintes, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa. Por maioria de votos, dar provimento ao recurso de
oficio quanto à decadência, vencidos os Conselheiros Nilton Luiz Bartoli e Silvio Marcos Barcelos Fiúza, que negavam provimento,sendo que o Conselheiro Marciel Eder Costa votou pela conclusão. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário quanto aos tributos. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso de oficio quanto ao agravamento das multas de oficio, vencido o Conselheiro Luiz Marcelo Guerra de Castro, Relator. Por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário para excluir a imputação da multa de oficio já reduzida pela DRJ a 75%, vencidos os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro e Anelise Daudt Prieto, que a mantinham. Designado para redigir o voto o Conselheiro Tarásio Campeio Borges. A Conselheira Nanci Gama declarou-se impedida (RICC, artigo 15, § 10, inciso 11)
Nome do relator: LUIZ MARCELO GUERRA DE CASTRO
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A ausência de antecipação do recolhimento do tributo autolançado impede a homologação tácita do lançamento prevista no § 49 do art. 150 do CTN, máxime quando essa omissão está amparada na apresentação de documento falso para prova de quitação. Pedido diligência. Não se cogita de nulidade da decisão de 1" Instância que indefere a realização de diligência quando esta diligência é realizada pelos julgadores ad quem. Responsabilidade tributária. Verificado o não recolhimento dos tributos, cabe ao contribuinte definido em lei providenciar a sua quitação. Normas gerais de direito tributário. Responsabilidade por infrações. O lançamento de multa qualificada somente tem fundamento nos casos de evidente intuito de fraude. Nas infrações definidas por lei como crimes ou contravenções, a responsabilidade é pessoal ao agente, exceto quando praticadas no exercício regular de administração, mandato, função, cargo ou emprego, ou no cumprimento de ordem expressa emitida por quem de direito. Processo administrativo fiscal. Multa de oficio modificada de 150% para 75% na primeira instância administrativa. Resta configurada usurpação de competência privativa de terceiro se o órgão judicante de primeira instância administrativa entende descaracterizada a motivação do aumento da pena básica lançada com fundamento na Lei 9.430, de 1996, artigo 44, inciso II, e Processo n° 10314.003760/2001-88 CCO3/CO3 Acórdão n." 303-34.569 Fls. 268 lança a multa de 75% prevista no artigo 44, inciso , dispositivo legal sequer citado no auto de infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa. Por maioria de votos, dar provimento ao recurso de oficio quanto à decadência, vencidos os Conselheiros Nilton Luiz Bartoli e Silvio Marcos Barcelos Fiúza, que negavam provimento,sendo que o Conselheiro Marciel Eder Costa votou pela conclusão. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário quanto aos tributos. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso de oficio quanto ao agravamento das multas de oficio, vencido o Conselheiro Luiz Marcelo Guerra de Castro, Relator. Por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário para excluir a imputação da multa de oficio já reduzida pela DRJ a 75%, vencidos os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro e Anelise Daudt Prieto, que a mantinham. Designado para redigir o voto o Conselheiro Tarásio Campeio Borges. A Conselheira Nanci Gama declarou-se impedida (RICC, artigo 15, § 10, inciso 11). ALLL aLs4 ‘," ANELISE DAUDT PRIETO Presidente )4416c • TARÁSIO CAMPELO BORGES Relator Participou, ainda, do presente julgamento, o Conselheiro Zenaldo Loibman. Processo n° 10314,003760/2001-88 CCO3/CO3 Acórdão n°303-34.569 Fls 269 Relatório Trata-se de recurso de oficio, apresentado pela l a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, que julgou procedente em parte a exigência fiscal formulada contra Vetor Materiais Elétricos Ltda, cumulado com recurso voluntário manejado por esta mesma pessoa jurídica. Adoto o relatório que embasou o voto condutor daquela decisão de P instância, que passo a transcrever: O referido auto decorreu do procedimento de revisão aduaneira. Quando da consulta ao sistema SINAL - Sistema eletrônico de controle da arrecadação federal, o AFRF não encontrou o correspondente registro de pagamento dos impostos relativos às declarações de importação do ano de 1996, das seguintes Declarações de Importação: n°103396, 103397, 303540, 303541, 106892, 109688, 109689, 113826, 115205, 123301, 123302, registradas em 14/02196, 14/02/96, 18/03/96, 18/03/96, 02/04/96, 17/05/96, 17/05/96, 24/04/96, 15/08/96, 06/12/96 e 16/12/96. Em 03 e 12 de abril de 2001, o contribuinte apresentou os DARF's em via original. Do exame, constatou-se a existência de chancelas mecânicas de máquinas registradoras do Banco do Brasil e do Bamerindus, sendo solicitado àquelas instituições, por suas agências BB 1824 e Bamerindus 210, a confirmação dos referidos recolhimentos e da idoneidade dos registros bancários constantes dos DARF's. O Banco do Brasil informou (oticios 3657 e 3823) que não foram localizados os registros de recolhimento, além do que: os dias ali constantes, números de autenticação e do terminal de caixa encontrados referem-se a outros valores e razões sociais diferentes daquelas dos DARF's. O Banco HSBC (oficio de 11/06/2001) não reconheceu as chancelas de caixa que se encontram nos referidos DARF' s. Diante desses fatos, a fiscalização entendeu que os referidos documentos continham indícios de que não seriam idôneos; e, por conseqüência, lavrou o citado auto de infração exigindo o recolhimento do imposto de importação, do imposto sobre produtos industrializados, da multa qualificada, e dos juros de mora, para aquelas operações de importação processadas pelas declarações de importação acima listadas. Como fundamento legal indicou: arts. 1°, 77-inciso I, 80 - inciso I, 83, 86, 87 - incisos I ou II, 99, 100, 103, 111, 112,411 a 413, 418, 444, 499, 501- incisos III, 542 do RA, aprovado pelo Decreto n°91.030/85, c/c arts. 3 0, 4"e 8° da Medida Provisória n°297/91; arts. 3 0, 4° , 5; 6°e 11 da MP n°298/91; arts. 3 0, 40, 6°e 37 da Lei n°8.218/91. 9L/ 3 Processo n° 10314.003760/2001-88 CCO3, CO3 Acórdao n.° 303-34.569 Fls. 270 Multas : art.4°- inciso II MP n°7 297/91; art.4° - inciso II MP n°298/91; art. 4° - inciso II e art. 37 da Lei n° 8.218/91 e art.44- inciso II Lei n°9.430/96, c/c art.106 —inciso II, alínea "c"Lei n° 5.172/66. A empresa foi intimada e cientificada em 22/10/2001. O autuado apresentou Impugnação, tempestivamente, alegando que : -o auto de infração está maculado de nulidade, pela desconstituição unilateral dos DARF's apresentados; -expirou o prazo da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário, conforme art. 150 do CTN e art. 54 do DL n°37/66; -também expirou o prazo da revisão dos lançamentos, conforme arts. 455 a 457 do RA; -não foi atendido o princípio da boa-fé do importador ao apresentar os DARF's com as autenticações de pagamento bancário; -as mercadorias das referidas DI's foram liberadas, à época, pelo despacho aduaneiro que só se concretiza mediante o pagamento dos tributos, tudo com anuência da fiscalização; -não se levou em conta o devido processo legal do art. 5 0, inciso LIV e LV Da CF/88, e que a autuante não apresentou prova capaz sobre a inidoneidade dos documentos, nem permitiu à autuada se contrapor às suas afirmações; Ao final, requer a produção de prova pericial tendo indicado perito e formulado quesitos. Apensado ao processo encontra-se a Representação Fiscal para Fins Penais (proc. n" 10314.003761/2001-22), À luz dos elementos narrados, foi proferido o acórdão trazido à julgamento, do qual se extrai a seguinte ementa: Ementa: NULIDADE. Diante da bilateralidade do contencioso administrativo descabe argüir nulidade. DECADÊNCIA. Havendo transcorrido mais de cinco anos entre o registro da D.I. e a ciência do respectivo Auto de Infração, descabe à Fazenda Nacional o direito de constituição do crédito tributário. PERÍCIA É desnecessária a realização de perícia, quando os documentos constantes do processo revelam-se suficientes para julgamento do feito. 4 Processo n" 10314.003760/2001-88 CCO3/CO3 Acórdão n.°303-34.569 Fls. 271 FALTA DE RECOLHIMENTO DO TRIBUTO. Constatada a falta do recolhimento cabe ao contribuinte a obrigação do pagamento dos impostos e das multas de oficio, sem o seu agravamento. Lançamento procedente em parte." Ciente da decisão de l a Instância e mantendo a sua irresignação, compareceu a recorrente aos autos, apresentando recurso voluntário a este Terceiro Conselho, onde, sinteticamente: a) reafirma que os Documentos de Arrecadação foram devidamente quitados nos prazos consignados, extinguindo, portanto, o crédito tributário correspondente, nos termos do art. 156, Ido Código Tributário Nacional; b) que os registros eletrônicos, no seu entender, susceptíveis de manipulações, sobretudo nos idos de 1996, não poderiam ser opostos à comprovação documental da quitação; c) que as informações prestadas pelos bancos acerca das autenticações seriam vagas; d) que se os tributos não tivessem sido recolhidos na data do vencimento não seria possível obter sua liberação junto à Aduana; e) que a decisão de I° Instância seria nula, pois indeferira o pedido de diligência apresentado nos moldes do art. 16, IV do Decreto 70.235/72; t) que a diligência requerida seria a única forma de que dispunha para comprovar a efetiva quitação alegada. Nos autos do recurso de oficio, decidiu esta Terceira Câmara, por meio da resolução n° 303-1.025 1 , devolver os autos à autoridade preparadora para que os documentos apontados como falsos fossem alvo de perícia capaz de solucionar as seguintes questões: 1 - as chancelas de autenticação mecânica constantes dos documentos podem ter sido feitas em máquinas do banco em questão, ainda que em agências diferentes da constante da chancela? 2- Com base em que evidência pode o banco afirmar que as autenticações são forjadas? Como resultado da diligência determinada foi juntado aos autos o oficio n' 36/06-NUCRIM/SETEC/SR/DPF/SP, de 16 de janeiro de 2006, expedido pelo Setor Técnico- Científico da Superintendência da Polícia Federal em São Paulo, encaminhando o Laudo 0177/062, onde são apresentadas as seguintes conclusões: "As chancelas de autenticação mecânica constantes dos documentos poderiam ter sido feitas em quaisquer impressoras matriciais. Docs. de fls 254 a 256. 2 Docs, de tis. 92 a 96 do processo 10314.003761/2001-22. juntado a este por apensação 5 1 Processo n°10314.003760/2001-88 CCO3/CO3 Acnaão n.° 303-34.569 Fls. 272 A evidência em que o banco se baseia para afirmar que as autenticações são forjadas é o fato de que o símbolo do banco presente nas chancelas em questão não corresponde ao símbolo do Banco ,Bamerindus." Apesar de tomar ciência do exame pericial em 10/03/2006? por meio da correspondência de fi. 260, onde lhe foi informado o prazo para interpor manifestações acerca do seu conteúdo, a autuada manteve-se silente. De se relatar, finalmente, que propus ajuntada a este processo do processo de tf 10314.004296/2003-17 (recurso voluntário n' 128478), formado para adoção de providências administrativas a cargo da autoridade preparadora, mas que restou enviado a este Terceiro conselho por força de recurso voluntário. Além de restar caracterizada conexão entre os dois, ambos passaram a conter elementos que interessam ao desate da presente lide. É o Relatório. ' 'Do. de fl. 261 6 Processo n°10314.003760/2001-88 CCO3/CO3 Acórdão n.°303-34.569 Fls. 273 Voto Vencido Conselheiro LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Relator O recurso voluntário preenche as condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. 1.Preliminannente 1.1- Cerceamento de Direito de Defesa Cabe enfrentar, em primeiro lugar, a alegação de cerceamento de direito de defesa pelo indeferimento da perícia pleiteada. Conforme se extrai da impugnação de fls. 85 a 96, os quesitos elaborados foram, literalmente: "I- As guias DARF's obedecem o padrão oficial deferido por lei? 2- Seguem, portanto, o princípio de que podem ser adquiridas pelo despachantes aduaneiros? 3- As guias DARF's apresentam cada unia a quitação bancária efetuada dentro dos parâmetros utilizados para tanto? 4- As chancelas mecânicas, obrigatoriamente, deveriam conter carimbo bancário especifico, além dos já reproduzidos nos documentos? 5- Os lançamentos efetuados nas quitações das guias DARF's podem ser consideradas padrões, ou seja, são idênticas às originais? 6- O papel utilizado para confecção das guias DARF's no caso em questão também podem ser consideradas como padrão? 7- Os documentos questionados, obrigatoriamente deveriam conter assinatura efetuada pelo funcionário bancário que processou o lançamento bancário?" Ao meu ver, a discussão acerca do cabimento ou não de perícia técnica encontra-se superada pela edição da Resolução n 303-1.025. Entendo aplicável, portanto, o principio da informalidade ou formalidade moderada, se adotada a definição da professora Odete Medauar, dogmatizado pelo art. 2, inciso IX da Lei ri° 9.784, de 1999, que determina: Art. 2' A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, .finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. 7 Processo n° 10314.003760/2001-88 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-34.569 Fls. 274 Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (.9 IX - adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; Também não vejo ofensa ao Duplo Grau de Jurisdição, pois o resultado da perícia confirma os fatos em que a autoridade de 1a instância se baseou: segundo os peritos designados pela Policia Federal, as chancelas mecânicas aplicadas sobre os documentos eram efetivamente falsas. 1.2- Decadência Conforme se observa na leitura do voto condutor do acórdão submetido a recurso de oficio, a visualizada ausência de elementos capazes de caracterizar a responsabilidade tributária pessoal definida no art. 137 do Código Tributário Nacional teria provocado a decadência do direito de lançar os tributos correspondentes às declarações registradas no período compreendido entre fevereiro e outubro de 1996. Transcrevo abaixo as conclusões consignadas no acórdão sob exame: A despeito das evidências de que houve a apresentação de documentos de arrecadação falsificados, inidõneos, não há nos autos provas inequívocas que apontem o importador como responsável pelos atos delituosos, como preconiza o art. 137 do CTN. Não havendo, ainda, a certeza dos fatos, o que motivou a Representação Fiscal com efeitos Penais, para que, naquela esfera sejam realizados os procedimentos necessários para deslinde da questão, entendemos que, nesta fase, devemos considerar como decaído o prazo da Fazenda Pública de promover o lançamento, especificamente para as declarações de importação referidas. Ou seja, no sentir das autoridades julgadoras a quo, a dúvida quanto à autoria do fato delituoso (falsificação), inviabilizaria a caracterização de dolo fraude ou simulação, e dessa forma, tornando inaplicáveis os elementos motivadores da aplicação dos artigos 149, VII, e 173 do CTN. Embasou-se, ainda, na regra fulcrada no art. 54 do Decreto-lei n 37, de 1966, cuja redação foi alterada pelo Decreto-lei rti 2.472, de 1988, que dispõe: "Art. 54 — A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do beneficio fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o artigo 44 deste Decreto-lei. '' Analisando os elementos trazidos à julgamento, concessa vênia, entendo não configurada a preliminar de decadência acatada pelos i. julgadores de 1a instância. Demonstro. Processo n° 10314.003760/2001-88 CCO3/CO3 Acórdão n.°303-34.569 Fls. 275 Em primeiro lugar, cabe trazer à colação a regulamentação do art. 54, perfilhada pelos arts. 455 e 456 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto 91.030, de 1985, vigente à época da ação fiscalizadora: Art. 455. Revisão aduaneira é o ato pelo qual a autoridade fiscal, após o desembaraço da mercadoria, reexamina o despacho aduaneiro, com a finalidade de verificar a regularidade da importação ou exportação quanto aos aspectos _fiscais, e outros, inclusive o cabimento de beneficio fiscal aplicado (Decreto-lei No 37/66, art. 54). Art. 456. A revisão poderá ser realizada enquanto não decair o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário (Lei n' 5.172/66, art. 149, parágrafo único). (grifei). Há que se perceber, portanto, que o pré-falado art. 54 nada mais é do que uma reprodução, em outras palavras, da regra insculpida no art. 150, § 4' do CTN 4 . Nas hipóteses em que esta norma é afastada, passa a viger aquela que disciplina o lançamento de oficio, regulado pelo parágrafo único do art. 149 do mesmo código s , que autoriza a sua realização do enquanto não extinto o direito de lançar. Ademais, se não fosse possível harmonizar o Decreto-lei n 37/66 e o CTN, prevaleceria este último, por força do art. 146, inciso III, alínea "b", da Constituição de 1988.6 Em suma, nas hipóteses em que a ação fiscal se limita à homologação expressa do lançamento, claramente delineada na mera revisão dos fatos colacionados no despacho, com vistas à verificação da regularidade do pagamento, aplica-se a regra do 150, § 4' e, findo o prazo de cinco anos, encerra-se o direito do Fisco rever aquele pagamento, tacitamente homologado. Em outras hipóteses, como ocorre no caso em testilha, afasta-se essa modalidade de contagem de prazo pela conjugação de pelo menos dois fatores: a) não existe pagamento a homologar; e b) existem fatos estranhos ao despacho, consubstanciados no meio doloso utilizado para evitar o pagamento. Com efeito, um ponto que se demonstrou inequívoco para as autoridades julgadoras de I' instância é a ausência do recolhimento dos tributos devidos pela concretização dos fatos geradores do Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados vinculado à importação, materializados no registro das declarações de importação, conforme previsto no art. 23 do Decreto-lei n' 37, de 1966, com a redação fornecida pelo Decreto-lei n° 4Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1° O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. (...) § 4° Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." s Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de oficio pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. 6Art. 146 - Cabe à lei complementar (...) 111 - estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Processo n° 10314.003760/2001-88 CCO3/CO3 Acórdão n.°303-34.569 Fls. 276 2.472 7, de 1988 e no desembaraço aduaneiro das mercadorias, conforme previsto no art. 2, inciso I da Lei n" 4.502, de 19648. Nessa linha, seguindo a corrente jurisprudencial que já se tornou pacífica neste Conselho, na Câmara Superior de Recursos Fiscais e no próprio Superior Tribunal de Justiça, sem a antecipação do pagamento, não há que se falar em contagem do prazo para homologação, nos termos da pela rega gizada no § 4' do art. 150 do CTN. Por outro lado, acredito que houve um equívoco quando da interpretação dos efeitos da falsificação perpetrada. Indiscutivelmente, não faz parte da competência deste Colegiado ou de outro órgão julgador administrativo fazer ilações acerca da imputação penal decorrente dos fatos colacionados nos autos. Mas, no meu entendimento, este não é o ponto fulcral para materialização de uma das hipóteses excludentes da homologação nos moldes do parágrafo 4' do art. 150 (dolo, fraude ou simulação). De fato, após uma leitura sistemática do dispositivo suso mencionado em conjunto com o art 149, VII 9 do mesmo CTN é possível concluir que o deslocamento do termo inicial do prazo decadencial, diferentemente do que foi consignado no Acórdão ora revisto, não é fruto da autoria da conduta perpetrada através de meios dolosos, mas da materialidade dessa conduta. Conforme se conclui da leitura deste último dispositivo, o deslocamento do prazo decadencial é fruto da soma de dois fatores: o beneficio do contribuinte em detrimento do Fisco em e a utilização, ainda que por terceiro, de meio fraudulento, doloso ou simulado. Sem a apresentação dos documentos apontados como falsos, o despacho de importação não prosseguiria e a mercadoria não . seria entregue ao importador, ex vi do disposto no art. 47 do Decreto-lei n' 37, de 1966, após a sua alteração pelo Decreto-lei n 2 2.472, de 19881". Assim, se, no caso concreto, o importador efetivamente beneficiou-se do prosseguimento do despacho de importação a despeito da inexistência de recebimento do crédito tributário pela União, pelo menos para efeito da aplicação do art. 149, VII codificado, descabe discutir a autoria da conduta. Ademais, como é cediço, o artigo 137 do Código Tributário Nacional possui seu escopo limitado à transferência da imputação de penalidades, pela prática de infrações por agente que se enquadre em um dos seus incisos. 7 An. 23 - Quando se tratar de mercadoria despachada para consumo, considera-se ocorrido o fato gerador na data do registro. na repartição aduaneira, da declaração a que se refere o artigo 44. 1 Art. 2° Constitui fato gerador do imposto: 1 - quanto aos produtos de procedência estrangeira o respectivo desembaraço aduaneiro: 9 Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de oficio pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) VII - quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em beneficio daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; to Art. 47 - Quando exigível depósito ou pagamento de quaisquer ónus financeiros ou cambiais, a tramitação do despacho aduaneiro ficara sujeita à prévia satisfação da mencionada exigência. alt2 Processo n° 10314.003760/2001-88 CCo3/CO3 Acórdão n.°303-34.569 Fls. 277 Nesse ponto não consigo vislumbrar onde a individualização da responsabilidade pela prática de infração possa influenciar na decadência do crédito tributário (principal) que deixou de ser recolhido. Por tudo que foi exposto, vejo que, ao vertente caso, deve ser aplicada a regra insculpida no art. 173, I do CTN I I , deslocando o dies a quo do prazo decadencial para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que os tributos poderiam ter sido lançados. Assim sendo, seguindo essa regra, o dies a quo do prazo para que se promovesse o lançamento relacionado às declarações que fazem parte do presente processo, registradas no interstício compreendido entre fevereiro e dezembro de 1996, foi l de janeiro de 1997 e o dies ad quem, 31 de dezembro de 2001. 2- No Mérito 2.1 - Quanto aos Tributos que Deixaram de Ser Recolhidos. No mérito, não vejo dúvidas acerca do não recolhimento dos tributos devidos e da inequívoca concretização dos fatos geradores do Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados vinculado à importação, materializados no registro das declarações de importação, conforme previsto no art. 23 do Decreto-lei nQ 37, de 1966, com a redação fornecida pelo Decreto-lei n 2.472 12, de 1988 e no desembaraço aduaneiro das mercadorias, conforme previsto no art. 2, inciso Ida Lei n4.502, de 196413. Ao meu ver, todos os elementos dos autos corroboram com o fundamento da exigência fiscal. Foram realizadas as competentes verificações nos sistemas informatizados da SRF, perícias nos documentos que simulavam o recolhimento dos tributos e, o que me parece mais contundente, não foi apresentada uma única cópia de cheque, transferência bancária, saque em valor e data coincidente com as autenticações apostas nos documentos de arrecadação. De se aplicar, portanto, o art. 121, p. único, I do CTN I4, mantendo a exigência de recolhimento dos tributos que deixaram de ser pagos no momento adequado, acrescidos dos juros. 2.2 - Quanto às Multas Impostas Outra questão meritória trazida ao duplo grau de jurisdição, por meio de recurso de oficio, diz respeito ao agravamento de penalidades, previsto no inciso II dos arts. 44 e 45 da Lei n2 9.430, de 1996, sendo este último responsável pela alteração do inciso II do art. 80 da Lei ri 4.502, de 1964. 11 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: 1 - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; 12 Art. 23 - Quando se tratar de mercadoria despachada para consumo, considera-se ocorrido o fato gerador na data do registro, na repartição aduaneira, da declaração a que se refere o artigo 44. 13 Art. 2° Constitui fato gerador do imposto: 1 - quanto aos produtos de procedência estrangeira o respectivo desembaraço aduaneiro; 14 Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz-se: 1 - contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador, I I Processo n° 10314.003760/2001-88 CCO3CO3 Acórdão n.°303-34.569 Fls. 278 Cabe esclarecer, desde já, que os fundamentos da cobrança da multa em questão não foi objeto de impugnação ou recurso voluntário diretamente, especialmente no que se refere à tipiticação da conduta. O contribuinte limita-se a reafirmar a autenticidade dos documentos. Dessa forma, o objeto da lide se circunscreve aos fundamentos que embasaram a decisão da autoridade a quo e, conseqüentemente, à subsunção daqueles fundamentos aos dispositivos legais que regem a responsabilidade por infração à legislação tributária. Assim como na discussão acerca da preliminar de decadência, pautaram-se os i. Julgadores de 1° instância, na ausência de elementos caracterizadores da autoria da infração com repercussões penais para afastar a aplicação das penalidades tributárias agravadas. Transcrevo o trecho do acórdão onde esse fundamento é explorado: "Entretanto, entendemos que a referida multa deverá ser exigida sem o seu agravamento, e apenas com fundamento nos art. 44, I, e 45 da lei Já mencionada. Tal conclusão decorre de que, a aludida infração só poderá ser considerada qualificada quando comprovado que o delito foi praticado pela autuada, portanto deve ser aguardado o resultado do processo na esfera criminal. Neste momento, só será devido a multa pelo não pagamento na data prevista na legislação de regéncia, conforme disposto no art. 1" da IIV SRF n°98/97, sem o seu agravamento." Mais uma vez, peço vênia para discordar das conclusões expendidas pelo órgão julgador de 1" instância. Em primeiro lugar, penso que, salvo nas hipóteses expressas em lei, onde não se enquadra o caso em testilha, não existe comunicabilidade entre os juizos criminal e tributário. Se, existir, como tem visualizado a firme jurisprudência de nossos tribunais superiores, a relação de dependência entre os juizos administrativo-tributário e criminal, é deste último para com o primeiro. De fato, segundo reiteradas decisões judiciais, a conclusão do processo na esfera administrativa foi alçada ao status de prejudicial obrigatória do prosseguimento da persecução penal relativa aos delitos tipificados na Lei n 8.137, de 1990.15 Noutro giro, creio que a interpretação do art. 137 16 do CTN que baseou as já transcritas conclusões, ao meu ver, não está alinhada com a distribuição da responsabilidade tributária fixada por aquele diploma. 15 Vide HC 89965 / RJ, de relatoria do Ministro Gilmar Mendes, julgado em 06/02/2007; HC 85329 / SP, de relatoria do Ministro Celso de Mello, julgado em 21/11/2006; e HC 85949 / MS, de relatoria da Ministra ('armem Lúcia, julgado em 22/08/2006. 16 Mi. 137. A responsabilidade é pessoal ao agente: I - quanto às infrações conceituadas por lei como crimes ou contravenções, salvo quando praticadas no exercício regular de administração, mandato, função, cargo ou emprego, ou no cumprimento de ordem expressa emitida por quem de direito; li - quanto às infrações em cuja definição o dolo especifico do agente seja elementar, 111 - quanto às infrações que decorram direta e exclusivamente de dolo especifico: a) das pessoas referidas no artigo 4d70. Processo n° 10314.003760/2001-88 CCO3/CO3 Acórdão n.°303-34.569 Eis. 279 Mais uma vez reforço a opinião de que não é papel da autoridade julgadora de primeira instância, bem assim deste Colegiado fazer ilações acerca da imputação de responsabilidade criminal, mas também penso, data vênia, que o resultado dessa investigação não é condição para definição da responsabilidade pela infração à legislação tributária. Diferentemente do entendimento esposado quando da prolação do acórdão ora submetido ao duplo grau, o citado art. 137 não estabeleceu condições para a aplicação de sanções tributárias que eventualmente revelem repercussões na esfera penal. Penso, alinhado com a melhor doutrina, a exemplo de Vittorio Cassone, Aurélio Pitanga Seixas, Sacha Calmon e Leandro Paulsen, que, ao invés de criar uma condição para imputação de penalidades, o art 137 do CTN, em verdade, dotou a pessoa jurídica dos meios para mitigar a responsabilidade objetiva gizada no art. 136 17 do mesmo código. Vejamos, em primeiro lugar, a opinião de Leandro Paulsen, embasado na doutrina de Walter Paldes i 8: "quando se diz que é pessoal a responsabilidade do agente quanto às infrações que decorrem direta e exclusivamente de dolo especifico dos pais, tutores, curadores, administradores de bens de terceiros, inventariantes, síndicos, comissários, tabeliões e demais serventuários de oficio, sócios (nos casos de liquidação de sociedade de pessoas), mandatários, prepostos, empregados, diretores, gerentes ou representantes, que, exercendo atividade dolosa em proveito próprio venham a dar causa a infrações fiscais pelas quais, de outro modo, responderiam as vítimas do dolo e não os seus autores intelectuais, busca-se evitar aplicações excessivas do princípio geral da objetividade." Na mesma linha, aponta Cassone 19, quando indagado acerca do conteúdo do art. 137 do CTN: "Nos casos em que a responsabilidade é atribuída ao agente, esta pessoa poderá sofrer sanções de natureza tributária (responder com seu patrimônio) e penal (privativa de liberdade). Quanto à pessoa jurídica, poderá sofrer, além das sanções tributárias, também as de natureza penal-tributária. tal como interdição ou, conforme o caso, até fechamento do estabelecimento, Isso, de conformidade com a Lei, cuja responsabilidade, do agente e da pessoa jurídica, é solidária. Responsabilidade solidária, porque, nos casos enumerados pelo art. 137, sempre que houver um nexo entre o ato praticado e seu relacionamento com o interesse da pessoa jurídica." (grifa) 134, contra aquelas por quem respondem; b) dos mandatários, prepostos ou empregados, contra seus mandantes, preponentes ou empregadores; c) dos diretores, gerentes ou representantes 17 Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. IS Walter Paldes Valério, apud Direito Tributário Constituiçào e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. Porto Alegre, Livraria do Advogado, 2007, p. 927. 19 Vittorio Cassone. Sanções Administrativas Tributárias. Coordenação de Hugo de Brito Machado. São Paulo, 2004, Dialetica-ICET, p. 476 e ss Processo n° 10314.003760/2001-88 CCO3/CO3 Acórdão n.°303-34.569 Fls. 280 Nessa mesma linha, perfilha Aurélio Pitanga Seixas: 20 . "Como o ato ilícito tributário praticado pelos prepostos e mandatários tem como finalidade a sonegação de impostos do mandante, presume- se haver a conivência do contribuinte, pessoa fisica ou jurídica, razão pela qual a exigibilidade do pagamento do imposto sonegado e respectivas penalidades deverá recair preferencialmente sobre o contribuinte, salvo prova inequívoca de sua inocência." (grifei) Por outro lado, arremata Sacha Calmon2 I : "O certo é a responsabilização das pessoas jurídicas em razão de culpa in eligendo destas, cabendo-lhes, sendo o caso, direito de regresso contra os seus diretores, gerentes e administradores, Somente nas hipóteses grosseiras de má-fé, quando os diretores agem com dolo especifico na prática de ilícitos fiscais, que configuram também ilícitos penais, a responsabilidade por infrações deve ser pessoal relativamente aos delitos (isto é, os crimes fiscais tipificados na legislação penal)." (grifei) Além da culpa in eligendo, delineada por Sacha Calmon, no plano da responsabilidade tributária objetiva, caracterizou-se o descumprimento do dever não permitir a apresentação, em nome da sociedade, de documento inidôneo, de modo a se verificar a chamada culpa in vigdando, conforme a lição de Eugênio Zafaroni e José Henrique Pierangeli.22 "No tipo omissivo não se requer um nexo de causa ção entre a conduta proibida (distinta da devida) e o resultado, e sim uni nexo de evita ção, isto é, a probabilidade muito grande de que a conduta devida teria interrompido o processo causal que desembocou no resultado. Esse nexo de evitação é estabelecido por uma hipótese mental similar à que empregamos para estabelecer o nexo de causa ção na estrutura típica ativa: se imaginamos a conduta devida e com isto desaparece o resultado típico, haverá uni nexo de evitação; enquanto que, se imaginamos a conduta devida e o resultado típico permanece, não existirá um nexo de evita ção. Dessa forma, independentemente da responsabilidade por infração à lei penal, que é sempre da pessoa fisica que, de maneira comissiva ou omissiva, tenha concorrido para a prática do delito, a decorrente da legislação tributária, em sentido diverso, é da pessoa jurídica, mas poderá ser atribuída a um dos sócios, empregados ou outro preposto, se caracterizada uma das hipóteses no já transcrito art. 137 do CTN. De se reforçar, finalmente, que a autuada, nas duas oportunidades em que compareceu aos autos, não fez qualquer menção a eventual responsabilidade de seus prepostos pela não realização da quitação bancária dos débitos tributários discutidos no presente processo. 20 Aurélio Pitanga Scixas Filho. Sanções Administrativas Tributárias. Coordenação de Hugo de Brito Machado. São Paulo, 2004, Dialética-ICET, pp. 51 e 52 21 Sacha Calmon Navarro Coelho. Teoria e Prática das Multas Tributarias. Rio de Janeiro, 2001, Forense, 2° edição, p. 30 22Eugénio Raúl Zaffaroni e José Henrique Pierangeli, Direito Penal Brasileiro, RT, 1997, p. 541. 14 Processo n° I 0314.003760/2001-88 Cal3/CO3 Acórdão n° 303 -34.569 Fls. 281 Ou seja, compulsando os autos, não se reconhece, por exemplo, documento que demonstre a efetiva entrega dos recursos a um dos prepostos que atuou no despacho de importação. Aliás, repita-se, não se juntou sequer saque, cheque ou transferência coincidentes em datas e valores, o que impossibilita, ao meu ver, a transferência preconizada no art. 137. 3-Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO E, AO MESMO TEMPO, DAR PROVIMENTO AO RECURSO DE OFICIO PARA: 1- restaurar a exigência dos impostos relativos às declarações registradas no período compreendido entre fevereiro e outubro de 1996; 2- manter a exigência dos tributos relativos às declarações registradas no mês de dezembro de 1996. 3- manter as multas capituladas nos artigos 44, II da Lei 1•12 9.430, de 1996 e 80 da Lei ri 4.502, de 1964, conforme redação alterada pela mesma Lei ri t' 9.430, respectivamente, nos exatos termos da exigência inicialmente fixada no auto de infração guerreado. Sala das Sessões, em 15 de agosto de 2007 al1111101.P • Li GUERRA DE CASTRO - Relator I5 Processo n° 103 I 4.003760/2001-88 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-34.569 Fls. 282 Voto Vencedor Conselheiro TARÁSIO CAMPELO BORGES, Redator Conheço dos recursos voluntário e de oficio porque atendidos todos os pressupostos processuais. Discordo das conclusões do voto proferido pelo eminente relator, conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, em dois aspectos: no recurso ex officio, a análise do agravamento das multas de oficio; no recurso voluntário, a modificação, no julgamento de primeira instância administrativa, da multa de oficio lançada com base no artigo 44, inciso 11, da Lei 9.430, de 1996, de 150% para 75%. No que respeita ao agravamento das multas de oficio lançadas pelo auditor fiscal autuante, adoto, como se aqui transcritos estivessem, os fundamentos do voto condutor do acórdão da primeira instância administrativa. Relativamente à multa proporcional, conforme relatado, ela foi modificada pela primeira instância administrativa de 150% para 75%. Nesse particular, entendo que a decisão recorrida merece reparos. Penso assim porque a multa lançada estava assentada na Lei 8.218, de 1991, artigo 4°, inciso II [23 ], e na Lei 9.430, de 1996, artigo 44, inciso II [21: a primeira preterida pela segunda por força do principio constitucional da retroatividade benigna da lei penal 25 que recepcionou o artigo 106, inciso II, alínea "c", do Código Tributário Nacional. Entretanto, sem embargo de o lançamento de crédito tributário ser matéria estranha à competência das turmas de julgamento das DRJ, a Primeira Turma da DRJ São Paulo (SP) entendeu descaracterizada a motivação do aumento da pena básica e acordou por " Lei 8.218, de 1991, artigo 4°: Nos casos de lançamento de oficio nas hipóteses abaixo, sobre a totalidade ou diferença dos tributos e contribuições devidos, inclusive as contribuições para o INSS, serão aplicadas as seguintes multas: [...] (II) de trezentos por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos arts. [sic] 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis [...]. 24 Lei 9.430, de 1996, artigo 44: Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (I) de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (II) cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, kl, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. [...]. 25 Constituição Federal, artigo 5°: Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo- se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: [...] (XL) a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu: Processo n° 10314.003760/2001-88 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-34.569 Fls. 283 exigir a multa de 75%, prevista no artigo 4°, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, não citado no auto de infração: competência privativa de terceiro26 usurpada pelo Órgão judicante. Com essas considerações, afasto a preliminar de nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa e, no mérito, nego provimento ao recurso voluntário quanto à exigência dos tributos, dou provimento ao recurso ex officio quanto à decadência, nego provimento ao recurso ex officio quanto ao agravamento das multas de oficio e dou provimento ao recurso voluntário para excluir da exigência a multa de oficio lançada com base no artigo 44, inciso II, da Lei 9.430, de 1996, modificada de 150% para 75% no julgamento de primeira instância administrativa. Sala das Sessões, em 15 de agosto de 2007 f,0121,€41,5 TARASIO CAMPELO BORGES - Redator 26 CTN, artigo 142: Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único: A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. 17 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1 _0001400.PDF Page 1 _0001500.PDF Page 1 _0001600.PDF Page 1 _0001700.PDF Page 1
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Numero do processo: 13116.001046/2007-75
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 13/11/2006
AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE DEVERES INSTRUMENTAIS.
GRUPO ECONÔMICO DE FATO. CARACTERIZAÇÃO. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. FALHA MPF E INTIMAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-000.811
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do (a) Relator (a).
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 13/11/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE DEVERES INSTRUMENTAIS. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. CARACTERIZAÇÃO. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. FALHA MPF E INTIMAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do (a) Relator (a). (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Carolina Siqueira Monteiro Andrade, Oséas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13116.001046/200775 Acórdão n.º 280300.811 S2TE03 Fl. 239 2 Relatório Tratase no presente processo de Auto de Infração – AI CFL.38 DEBCAD 35.960.8345, decorrente de deixar a empresa de exibir quaisquer documentos ou livros relacionados com as contribuições sociais previdenciárias. O período de apuração do crédito é junho/2004 a agosto/2006, conforme Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, de fls. 15. O crédito fiscal foi constituído, em 13/11/2006, data em que o contribuinte tomou conhecimento do lançamento, conforme consta à Folha de Rosto do Auto de Infração – FR, recebimento pessoal, fls. 01. O Relatório Fiscal da Infração – REFISC, de fls. 06, informa que as faltas fundamentadoras do lançamento do Auto de Infração e da aplicação da multa é a não apresentação no curso da ação fiscal dos livros contábeis caixa e diário, dos nos de 2004; 2005 e 2006. O contribuinte BV Comércio de Carnes Ltda apresentou a impugnação, em 28/11/2006, fls. 23 a 27, acompanhada dos documentos, de fls. 28 a 37. A defesa foi considerada tempestiva, fls. 41. Foi constituído Grupo Econômico entre as empresas Boa Vista Alimentos Ltda; BV Comércio de Carnes Ltda e Tangará Empreendimentos Ltda, conforme relatório, de 08 a 14, com comunicação, as fls. 45, para a empresa Tangará Empreendimentos Ltda. A empresa Tangará apresentou impugnação, as 53 a 59, e demais documentos, as 60 a 93. A empresa Boa Vista Alimentos Ltda apresentou defesa, as fls. 95 a 110, com documentos, as 111 a 135. A empresa Boa Vista Alimentos Ltda foi cientificada do grupo econômico, 179. O órgão julgador a quo prolatou a DecisãoNotificação DN N° 08.401.4/0017/2007, em 07/02/2007, fls. 180 a 187, no qual considerou procedente a autuação. As impugnantes foram cientificadas desta decisão, em 06/03/2007, AR, de fls. 188, BV Comércio de Carnes Ltda e outros. A impugnante BV Comércio de Carnes Ltda e outros, as fls. 189, requereu e vistas e cópia do processo administrativo fiscal. As empresas foram intimadas da decisão de primeiro grau pelas Intimações Nº 82 a 84, AR’s, de fls. 203 a 205. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13116.001046/200775 Acórdão n.º 280300.811 S2TE03 Fl. 240 3 As empresas BV Comércio de Carnes Ltda, fls.210 a 214, e Boa Vista Alimentos Ltda, 216 a 222, apresentaram petição de interposição de Recurso Voluntário, em 27/02/2008 e 28/02/2008, respectivamente. As razões recursais estão assim resumidas. RECURSO BV COMÉRCIO DE CARNES LTDA Em preliminar. • Que a fiscalização é nula por cerceamento defesa, ausência de intimação do contribuinte; • Que a intimação foi realizada em pessoa sem competência e sem poderes de preposição; • Que o MPF não traz indicação de seu tipo e que isso causa grave cerceamento de defesa; • Que consta dos autos que vários dados teriam sido extraídos dos livros fiscais, mas não há diligência deste tipo, que seja do conhecimento da empresa; • Que não há a indicação do tributo e que esta dever se clara e com fundamentação legal, sendo por estes motivos o crédito nulo; No mérito. • Que não há o grupo econômico como quer fazer crer a autoridade lançadora, as empresas possuem personalidades jurídicas próprias, contabilidade separada, objetos sociais distintos, direção distinta e sede e foro distintos e relação à BV Comércio de Carnes Ltda; • Que não há empregados em comum, pois estes pertencem a Boa Vista Alimentos Ltda; • Que a BV Comércio de Carnes Ltda além de prestar serviços a Boa Vista Alimentos Ltda prestaos a outras empresas como a HBC Comércio e Representações Ltda; • Que o fato do capital social ser pequeno e não suportar as dívidas é irrelevante, pois este não representa o patrimônio e nem a capacidade de faturamento; • Que a disparidade entre o capital social e o valor dos créditos lançados não implica em impossibilidade de pagamento dos tributos e em caracterização de grupo econômico; • Que solidariedade natural não existe por ausência de elementos; Fl. 250DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13116.001046/200775 Acórdão n.º 280300.811 S2TE03 Fl. 241 4 • Que não há interesse comum entre as empresa Boa Vista Alimentos, BV Comércio de Carnes – ora recorrente – e Tangará empreendimentos, pois são empresas distintas; • Que no presente caso a obrigação tributária é acessória e não principal; • Pede por fim: a) conhecimento do recurso voluntário; b) declarando se a nulidade em preliminar; c) para no mérito reconhecer sua insubsistência e a inexistência de grupo econômico. RECURSO BOA VISTA ALIMENTOS LTDA Em preliminar. • Que a recorrente só foi cientificada, em 29/01/2008, para apresentar Recurso junto ao Conselho de Contribuintes, não tendo tido oportunidade de contestar a formação do grupo econômico; • Que como a primeira instância lhe foi suprimida esta não tem legitimidade recursal; • Que isto representa cerceamento de defesa e do contraditório; • Que tal situação causa nulidade da intimação nº 84 e da decisão de primeiro grau, devendo ser reconhecida à ilegitimidade da recorrente; No mérito. • Que não existe a formação de grupo econômico, pois não existe ligação entre Boa Vista Alimentos e BV Comércio de Carnes ltda; • Que as empresas são distintas, com quadro societário distinto, contabilidade, administração de fato e de direito distintas e sede e foro distintos; • Que a recorrente Boa Vista Alimentos é arrendatária da planta industrial do frigorífico, prestando serviços a diversas empresas inclusive a BV Comércio de Carnes Ltda; • Que a BV Comércio de Carnes para fiscalizar a atividade da recorrente tinha empregados seus no estabelecimento comercial da recorrente, mas que por conta de fiscalização do MTb, a recorrente teve que assumir e contratar os empregados da BV, sob pena de autuação como demonstram os documentos; Fl. 251DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13116.001046/200775 Acórdão n.º 280300.811 S2TE03 Fl. 242 5 • Que não havia funcionários comuns, sendo que a recorrente presta serviços contínuos HBC Comércio e Representações Ltda no mesmo modelo que a BV Comércio de Carnes; • Que a Boa Vista e Tangará possuem o mesmo endereço, pois a primeira é arrendatária do frigorífico e a segunda é a arrendante. Logo o endereço é igual. • Que o importante é que são empresas distintas, com personalidades jurídicas próprias, contabilidades diferenciadas, objeto social e direção distinta; • Que a senhora Martha Coury Coelho exerce a direção da Boa Vista e o senhor Hélio Antônio de Freitas Vilarinho exerce a direção de fato da empresa Tangará, conforme declaração; • Que a simples ocorrência de sócio em comum em algum momento da existência da sociedade não é fator de caracterização de grupo econômico e de solidariedade, conforme já decidiu o STJ, segue transcrição de acórdão; • Que não há nos autos prova de interesse comum, pois as empresas são distintas; • Que o fato do capital social ser pequeno e não suportar as dívidas é irrelevante, pois este não representa o patrimônio e nem a capacidade de faturamento; • Que a disparidade entre o capital social e o valor dos créditos lançados não implica em impossibilidade de pagamento dos tributos e em caracterização de grupo econômico; • Requer: a) conhecimento do recurso; b) provimento da preliminar para declarar nula a intimação 84, o Acórdão a quo e reconhecera ilegitimidade da recorrente; c) de forma alternativa – sucessiva o não reconhecimento da responsabilidade solidária, por inexistência do grupo econômico. Consta informação, as fls. 194, que o contribuinte obteve decisão liminar no MS 2007.35.00.02327420, a fim de que se reabrisse o prazo recursal e fossem recebidos os recursos administrativos sem o depósito recursal. O recurso foi considerado tempestivo, fls. 236 e 237. O recurso foi remetido ao 2° Conselho de Contribuintes. Entretanto, por conta da edição da MP 449/2008 convertida na Lei 11.941/2009 a competência de julgamento é exercida, hoje, pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda – CARF/MF. É o relatório. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13116.001046/200775 Acórdão n.º 280300.811 S2TE03 Fl. 243 6 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira Os recursos foram interpostos tempestivamente, haja vista que os contribuintes foram comunicados da decisão de primeiro grau, em 29/01/2008 e 28/01/2008, AR, de fls. 203 e 204, respectivamente, Boa Vista Alimentos Ltda e BV Comércio da Carnes Ltda, tendo as empresas BV Comércio de Carnes Ltda, fls.210 a 214, e Boa Vista Alimentos Ltda, 216 a 222, apresentado petição de interposição de Recurso Voluntário, em 27/02/2008 e 28/02/2008, respectivamente. O depósito recursal foi excluído pela concessão da segurança no MS 2007.35.00.0237420. Mas este já estava extinto pela MP 413/2008 convertida na Lei 11/427/2008. Presentes os pressupostos de admissibilidade passo aos recursos, na ordem. RECURSO BV COMÉRCIO DE CARNES LTDA A alegação de que a empresa não foi intimada não deve prosperar. Não houve a alegada violação ao artigo 4º da Portaria MPS/SRP 3.031/2005, haja vista que a interpretação de que somente sócio gerente/administrador ou procurador poderiam assinar e receber o MPF é equivocada. A uma, porque tal documento pode ser remetido pelo correio ocasião em que qualquer funcionário poderá recebêlo, via de regra, o porteiro, não tendo razão para que a entrega pessoal seja restrita. A duas, porque a portaria e a IN SRP 03/2005 cita o preposto como um recebedor e este pode ser qualquer um dos empregados, conforme abaixo transcrito, uma vez que não há homogeneidade quanto a este conceito. Para efeito de responsabilidade, uma primeira distinção : entre aquele que age no lugar do preponente e em nome do preponente (v.g. o empregado, o mandatário) e aquele que age no lugar do preponente mas não em seu nome (v.g. o comissionário e, em alguns casos, o locador de serviços o representante comercial, o agente). Em todos esses casos, notese, houve outorga de poder pelo preponente; embora, não necessariamente, de poder de representação. Outra distinção a ser feita é entre o preposto que age no lugar e em nome do preponente sob sua dependência (o empregado), e o que age no seu lugar e em seu nome, mas sem relação de subordinação (o mandatário). Por último, pode importar distinguir o laço eventual entre preponente e preposto, e o vínculo permanente que os una. Conceito de Preposto – Cunha, Sérgio Sérvulo 1 1 Foi professor de Direito Civil na Faculdade de Direito de Santos (Unisantos), de 1966 a 1983; colaborador dos jornais A Tribuna (de Santos) e Cidade de Santos; sócio fundador do Instituto de Estudos Pontes de Miranda (1976); presidente da SubSecção de Santos da OAB (1981 1983), e, nessa qualidade, presidente da Comissão pela Autonomia de Santos; coordenador do Departamento de Estudos e Pesquisas da OABSP (19831985); Fl. 253DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13116.001046/200775 Acórdão n.º 280300.811 S2TE03 Fl. 244 7 A três, porque no caso do contador o CC/2002, nos artigos 1.177 e 1.178 já o define como preposto quando aquele realiza a escrituração fiscal, sendo o caso desta notificação. Assim sendo, todos os preceitos e normas do procedimento fiscal foram observados, não havendo violação ao devido processo legal e muito menos cerceamento de defesa. Esta preliminar deve ser rejeitada. Esta dissociada da realidade dos fatos a alegação de que o MPF, de fls. 15, não indica o seu tipo e que isto levaria a nulidade do procedimentos fiscal. A uma, porque o MPF é bem claro e traz de forma explicita e cristalina a sua tipologia ao citar Nº 09336233F00, o designativo “F”, no número, implicar dizer que é MPF de fiscalização, nos termos do artigo 2º, parágrafo único, do Decreto 3.969/2001. Assim, inexiste cerceamento de defesa. Ainda, que faltasse tal tipologia no MPF de qualquer forma isto não acarretaria cerceamento de defesa, pois o MPF só comunica ao sujeito passivo que uma ordem foi dada a certo e determinado agente da Administração para promover certa ação fiscal, mas nada imputa ao contribuinte como cercear defesa se não houve acusação? Mais esta preliminar deve ser rejeitada. Devese observar, em primeiro lugar, que a empresa foi intimada pelo Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, de fls. 17, a apresentar o Livro Diário, Razão Caixa e Registro de Inventário, bem como que o agente autuante consignou no Relatório Fiscal do Auto de Infração – REFISC, de fls. 06, que os livros Caixa ou Diário, para os anos de 2004; 2005 e 2006 até o mês maio, não foram apresentados e que por conta disto a empresa foi autuada. Desta forma, improcede a alegação de que a empresa desconhece a diligência. Rejeito esta preliminar. Não se pode indicar o que não existe o presente auto de infração, nos termos do artigo 3º, da Lei 5.172/66 não exige tributo, mas sim multa punitiva por descumprimento de ver instrumental, constante do artigo 33, §§ 2º e 3º, da Lei 8.212/91. Mais esta preliminar improcede. Rejeitadas e superadas todas as preliminares passo ao mérito. A decisão de primeiro grau já salientou que o grupo que fora reconhecido, cuida de grupo econômico de fato e não de direito, sendo que desta forma as empresas que colaborador da revista “Pequenas Empresas, Grandes Negócios”; coordenador, em Brasília, do Bureau de Acompanhamento da Constituinte, do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (1987 1988); vice presidente da Comissão de Direitos Humanos do Conselho Federal da OAB (19871988); representante da OAB nacional no Movimento pela Ética na Política e no Fórum Nacional contra a Violência no Campo; funcionou como um dos advogados de acusação no processo de impeachment do presidente Collor; membro da Comissão de Direitos Humanos e da Comissão de Estudos Constitucionais do Conselho Federal da OAB (19971998). Secretário Municipal de Assuntos Jurídicos, de janeiro de 1989 a abril de 1990; VicePrefeito do Município de Santos (19891992), na gestão Telma de Souza; candidato a deputado federal, em 1990; assessor da presidência do Conselho Federal da OAB, nas gestões de Ophir Cavalcante, Marcello Lavenère, e José Roberto Batochio; membro do Secretariado Internacional de Juristas para a Anistia e Democracia no Paraguai (SIJADEP); membro da Comissão Permanente de Direito Constitucional do Instituto dos Advogados Brasileiros, da Associação Brasileira de Constitucionalistas Democratas, e do Conselho Diretor do Instituto Brasileiro de Direito do Seguro; membro da DeutschBrasilianische Juristenvereinigung e.v., tendo figurado como conferencista nos congressos de 1997, 2000, 2003 e 2005; Chefe de Gabinete do Ministro da Justiça, Dr. Márcio Thomaz Bastos (2003 2004). Fl. 254DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13116.001046/200775 Acórdão n.º 280300.811 S2TE03 Fl. 245 8 compõe o grupo buscam demonstram a sua individualidade, embora se beneficiem das operações conjuntas, conforme trechos transcritos. 11.2 No caso concreto, embora cada uma das empresas tenha personalidade jurídica própria, os fatos constatados e descritos pela fiscalização demonstram a existência de um grupo econômico de fato. 11.3 Com efeito, por se tratar de grupo econômico de fato, obviamente não serão encontradas todas as formalidades que se revestem os grupos econômicos legalmente constituídos. Entendase que se o grupo econômico estivesse regular e legalmente constituído desnecessário seria empreender todos os esforços para trazer os elementos de prova capazes de demonstrar a existência de um grupo econômico. 11.4 A situação fática constatada pela fiscalização foi uma reunião de esforços de todas as empresas envolvidas com vistas a burlar a incidência das normas previdenciárias através de operações que, analisadas isoladamente, têm a aparência de não importar em prejuízo para a fazenda pública, mas quando analisados no todo verificase a formação de uma trama com o intuito de dissuadir o fisco e fugir da imposição das normas tributárias. 11.5 A fiscalização demonstrou, de forma inequívoca, que as pessoas jurídicas elencadas desenvolvem suas atividades estabelecendo relações que demonstram a unicidade de interesses, atuando de maneira inequívoca como um grupo econômico de fato. O agente notificante deixou claro, no item 2.3.3. de seu Relatório Fiscal da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – REFISC, de fls. 08 a 14, que no período de 09/2004 a 04/2005, os documentos, Fichas de Registro de Empregados – FRE da BV Carnes; CAGED das duas empresas e Rais da Boa Vista Alimentos, que a maioria dos empregados são contratados na BV Carnes, sendo estes transferidos, em 05/2005, para a Boa Vista Alimentos, sendo que a BV Carnes é comércio atacadista e varejista de carnes e não matadouro. Em momento algum falou em empregados comuns. O fato de a empresa Boa Vista Alimentos Ltda prestar serviços a HBC Comércio e Representações Ltda é irrelevante para a configuração do grupo econômico, pois não se está a dizer que as empresas do grupo só possam prestar serviços entre si, mas sim que elas beneficiamse das relações de uma com as outras, o que não é a mesma coisa. Não há nos autos documentos que prove que a BV Comércio de Carnes Ltda presta serviços a Boa Vista Alimentos Ltda e a HBC Comércio e Representações Ltda como afirmado no recurso, fato este que, também, não inviabilizaria a configuração do grupo econômico. Ainda, que o montante do capital social seja irrelevante para a quitação das dívidas da empresa e não se traduza em patrimônio e capacidade de faturamento. A empresa para realizar negócios precisa obter recursos financeiros de alguma fonte, devendo tais fontes estarem registradas em sua contabilidade. Pois do contrário como sustentar a aquisição de matériaprima (bois) acima da capacidade financeira da empresa. Ou seja, a situação demonstra Fl. 255DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13116.001046/200775 Acórdão n.º 280300.811 S2TE03 Fl. 246 9 que há dinheiro entrando no sistema de alguma forma e esta forma bem pode ser via grupo econômico, sendo mais um indício de tal fato. Em momento algum o agente lançador disse que o baixo capital social frente aos créditos tributários lançados representaria incapacidade de pagamento e que esta incapacidade de pagamento configuraria grupo econômico. Uma vez configurado o grupo econômico como demonstrou o agente lançador, o inciso IX, do artigo 30, da Lei 8.212/91 c/c o artigo 222, do Regulamento da Previdência Social – RPS, apenso ao Decreto 3.048/99, aplicamse ao caso. Ficou consignado linhas atrás que as empresas beneficiamse em sua relações para maximizar os lucros e reduzirem os custos em especial com as contribuições previdenciárias, pois as empresa apesar de estarem fora da faixa de faturamento para enquadraremse como simples recolhem seus tributos nesta categoria, conforme item 2.4.4, do REFISC, sendo, ainda, que a senhora Martha Coury Coelho participava com mais de 90% do capital social das empresas Boa Vista Alimentos e Tangará, sendo estas duas empresas tributados pelo simples o que é vedado por lei. Assim sendo, não há razão para acolher aos pedidos da empresa BV Comércio de Carnes Ltda. RECURSO BOA VISTA ALIMENTOS LTDA A empresa Boa Vista Alimentos Ltda omitiu o fato de que, em 10/11/2006, fls.179, foi cientificada por carta do grupo econômico, bem como da constituição dos créditos em face da BV Comércio de Carnes Ltda, sendo inverídica tal preliminar não merecendo prosperar. Novamente, a empresa faz afirmação inverídica ao dizer que lhe foi suprimida a primeira instância e que não tem legitimidade recursal, pois a carta supramencionada, alerta para a possibilidade de impugnação e seu prazo. Não bastasse o acima citado a empresa apresentou impugnação, em 27/11/2006, as fls. 95 a 110. Assim sendo, não há cerceamento de defesa, pois se defendeu em primeiro e segundo grau a empresa. Não havendo nulidade da intimação nº 84 e da decisão de primeiro a quo como inveridicamente alega a empresa. Assim rejeitos estas preliminares. Rejeitadas e superadas todas as preliminares passo ao mérito. Todas as argumentações e esclarecimentos feitos quanto à constituição do grupo econômico em razão do recurso da empresa BV Comércio de Carnes Ltda aqui se aplicam razão pela qual não repetiremos as teses. Entretanto, abordarei a matéria diferenciada por ventura suscitada. As empresas recorrentes se dizem prestadora recíprocas de atividades, pois a BV Comércio de Carnes, as fls. 213, diz que presta serviços a Boa Vista Alimentos e a HBC Comércio e Representações Ltda. No entanto, a Boa Vista Alimentos Ltda, as fls. 219, diz que Fl. 256DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13116.001046/200775 Acórdão n.º 280300.811 S2TE03 Fl. 247 10 presta serviços a BV Comércio de Carnes Ltda e a HBC Comércio e Representações Ltda é até possível que a duas recorrentes prestem serviços a uma terceira empresa em comum. Mas a prestação de serviços recíprocos entre as duas recorrentes é uma figura singular. A alegação da empresa Boa Vista Alimentos de que a empresa BV Comércio de Carnes Ltda detinha empregados desta em seu estabelecimento e que por conta de fiscalização do MTb teve que contratar estes como seus não tem respaldo documental, nos autos apesar de dizer que os documentos demonstram isto não achamos tais documentos anexados as impugnações e nem aos recursos, sendo que tal assertiva serve mais ainda para demonstrar a relação de interatividade da empresas e mútuo beneficiamento. O fato de a empresa Boa Vista Alimentos Ltda ser arrendante da planta fabril da Tangará Empreendimentos Ltda não passou despercebido pelo agente autuante, estando citado em seu REFISC, o que para ele é mais um prova do liame entre as empresas, pois a senhora Martha Coury Coelho no período de 06/2002 a 01/2004 deteve mais de 90% do capital social das duas empresas. O fato do senhor Hélio Antônio de Freitas Vilarinho ser o procurador e exercer a administração da empresa Tangará Empreendimentos Ltda, conforme documentos, de fls.47 e 230, em nada afeta o fato de as senhoras Martha Coury e Nathalia Coury serem suas proprietárias e com a atribuição da administração pelo contrato social, atribuída à segunda. A caracterização do grupo econômico não seu deu exclusivamente por conta da existência de um sócio comum entre as três empresas, mas sim em razão de um conjunto de situações que elencou o agente autuante, as quais já se referiu a decisão a quo. Desta forma, afastadas as preliminares, não há razão para declarar a nulidade da intimação nº 84 e da decisão a quo e muito menos para reconhecer a ilegitimidade da recorrente, bem como não cabe o reconhecimento do pedido alternativo sucessivo de inexistência da solidariedade passiva em razão da não caracterização do grupo econômico. CONCLUSÃO: Destarte, com esses argumentos expostos, acima, voto por CONHECER DO RECURSO, afastando as preliminares suscitadas, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13116.001046/200775 Acórdão n.º 280300.811 S2TE03 Fl. 248 11 Fl. 258DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 17/06/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/06/2011 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/06/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10830.002290/00-62
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/10/1991
Ementa: FINSOCIAL. PRESCRIÇÃO AFASTADA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INÍCIO DE CONTAGEM DO PRAZO PRESCRICIONAL. MP N° 1110/95.
1. Em análise à questão afeita ao critério para a contagem do prazo prescricional para o pedido de restituição declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, entende-se que o prazo prescricional em pedidos que versem sobre restituição
ou compensação de tributos e contribuições, diante da ausência de ato do Senado Federal (art. 52, X, da CF), fixa-se o termo a guo da prescrição da vigência de ato emitido pelo Poder Executivo com efeitos similares. Tocante ao FINSOCIAL, tal ato é representado pela Medida Provisória n° 1110/95.
2. Assim, o termo a quo da prescrição é a data da edição da MP n° 1110, de 30 de agosto de 1995, desde que o prazo de prescrição, pelas regras gerais do CTN, não se tenha consumado.
3. In casu, o pedido ocorreu na data de 15 de março de 2000, logo sem o vício da prescrição.
Numero da decisão: 303-34.427
Decisão: ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, afastar a decadência do direito de a contribuinte pleitear a restituição da Contribuição para o Finsocial paga a maior, vencidos os Conselheiros Anelise Daudt Prieto, Luis Marcelo Guerra de Castro e Zenaldo Loibman. Por
unanimidade de votos, determinar a devolução do processo à autoridade julgadora de primeira instância competente para apreciar as demais questões de mérito, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA
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IMP. IND. COM .) Recorrida DRJ/CAMPINAS/SP • Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/1989 a 31/10/1991 Ementa: FINSOCIAL. PRESCRIÇÃO AFASTADA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INÍCIO DE CONTAGEM DO PRAZO PRESCRICIONAL. MP N°1110/95. 1. Em análise à questão afeita ao critério para a contagem do prazo prescricional para o pedido de restituição declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, entende-se que o prazo prescricional em pedidos que versem sobre restituição ou compensação de tributos e contribuições, diante da ausência de ato do Senado Federal (art. 52, X, da CF), fixa-se o termo a guo da prescrição da vigência de ato emitido pelo Poder Executivo com efeitos similares. Tocante ao FINSOCIAL, tal ato é representado pela Medida Provisória n° 1110/95. 2. Assim, o termo a quo da prescrição é a data da edição da MP n° 1110, de 30 de agosto de 1995, desde que o prazo de prescrição, pelas regras gerais do CTN, não se tenha consumado. 3. In casu, o pedido ocorreu na data de 15 de março de 2000, logo sem o vício da prescrição. [À-4 a r CCO3/CO3 • Fls. 207 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, afastar a decadência do direito de a contribuinte pleitear a restituição da Contribuição para o Finsocial paga a maior, vencidos os Conselheiros Anelise Daudt Prieto, Luis Marcelo Guerra de Castro e Zenaldo Loibman. Por unanimidade de votos, determinar a devolução do processo à autoridade julgadora de primeira instância competente para apreciar as demais questões de mérito, nos termos do voto do relator. ANELI UDT r ETO Preside e • 41 11$ St N'S RCI Di I COST Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Nanci Gama, Silvio Marcos Barcelos Fiúza, Nilton Luiz Bartoli e Tarásio Campeio Borges. • .? , Processo n.° 10830.002290100-62 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-34.427 Fls. 208 Relatório Em 15/03/2000, a empresa Recorrente, justificando ter efetuado o pagamento indevido do FINSOCIAL — Fundo de Investimento Social na parte excedente a 0,5%, requereu a restituição/compensação da importância recolhida a maior, conforme os DARF'S juntados ao processo. Indeferido o pedido (fls.62-63) por parte da DRF - Delegacia da Receita Federal de Campinas/SP, o Contribuinte apresentou sua impugnação (fls.96-113) para a DRFJ — Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas/SP, que manteve o indeferimento, sob o fundamento de ter se esgotado o prazo fixado em lei para pleitear a restituição/compensação dos pagamentos efetuados (fls.138-144). No recurso (fls.165-181) que interpôs ao Terceiro Conselho de Contribuintes, o interessado renovou os fundamentos aduzidos em sua peça impugnativa e pediu a reforma do Acórdão recorrido, concedendo-se o direito à restituição/compensação conforme pleiteado. Encaminhado o processo para este Conselho, foram os autos baixados em diligência para a comprovação da tempestividade do Recurso Voluntário apresentado. Em resposta, a Delegacia da Receita Federal de Taboão da Serra/SP propôs que: Em face da Resolução na 303-01.239 da Terceira Câmara do 30 CC «Is. 199/200) que converteu o julgamento do recurso voluntário, apresentado em 04 de novembro de 2005 (fls. 165-196), em diligência para que esta DRF de Taboão da Serra justifique por que considerou tempestiva a impugnação retrocitada, dado ter sido a contribuinte cientificada em 04 de outubro de 2005, conforme A.R de .17. 164, proponho: • que seja considerada a tempestividade em questão em razão de que a apresentação do recurso voluntário veio a sanar, nos termos do §5 0 do art. 26 c/c o art 69, ambos da Lei na 9784/1999, a omissão de Edita!, 010 cuja edição, nos termos do §1 0 c/c o inciso li do caput, ambos do art. 23 do Decreto na 70.235/1972 (c/ alteração pela Lei na 11.196/2005), se fazia necessária em virtude do não recebimento pela contribuinte da Notificação de fl. 157. Ressalte-se que o endereço indicado no AR de II 164 é o da representante legal da empresa e não o do domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo (ver também a fi. 161) não enquandrando-se, portanto, na condição prevista no inciso li, do caput do art. 23 do Decreto na 70.235/1972 (c/ redação para pela Lei na 9.532/1997). Retornaram, então, os autos a este Terceiro Conselho de Contribuintes para julgamento. É o Relatório. Processo n." 10830.002290/00-62 CCO3/CO3• Acórdão n.°303-34.427 Fls. 209 Voto Conselheiro MARCIEL EDER COSTA, Relator Tomo conhecimento do presente Recurso Voluntário, por ser tempestivo (conforme documento de fls. 205) e por tratar de matéria da competência deste Terceiro Conselho de Contribuintes. O caso em comento diz respeito à existência ou não do direito do Contribuinte em restituir-se do valor pago a maior da contribuição ao FINSOCIAL, além do valor calculado à alíquota de 0,5% (meio por cento) prevista no Decreto-Lei n° 1.940/89, no período apontado pelo recorrente em seu pedido. A majoração de alíquota que fora determinada pelas Leis 7.787/89, 7.894/89 e 8.147/90, de fato, foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal quando do 11, julgamento do Recurso Extraordinário n° 150.764-PE ocorrido em 16/12/1992 e, posteriormente, confirmada pela Medida Provisória n° 1110, de 30 de agosto de 1995. Antes de dirigir-se ao ponto nodal da situação conflitada, deve o relator percorrer uma trajetória examinando questões atinentes à admissibilidade do recurso voluntário, tais como a decadência e a prescrição, que propiciam acesso ao pedido propriamente dito. Em análise à questão afeita ao critério para a contagem do prazo (o qual entendo ser) prescricional do presente pedido de restituição declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, entende-se que o prazo prescricional em pedidos que versem sobre restituição ou compensação de tributos e contribuições, diante da ausência de ato do Senado Federal (art. 52, X, da CF), fixa-se o termo a quo da prescrição da vigência de ato emitido pelo Poder Executivo com efeitos similares. Tocante ao FINSOCIAL, tal ato é representado pela Medida Provisória n° 1110/95. Nessa senda, extrai-se da jurisprudência: • "PRESCRIÇÃO. AUSÊNCIA DE ATO SENATORIAL. (DECRETO N° 1601, DE 23 DE AGOSTO DE 1995 E DA MEDIDA PROVISÓRIA N° 1110, DE 30 DE AGOSTO DE 1995 E SUAS REEDIÇÕES). 1,10 DO CÔMPUTO DE NOVO PRAZO PRESCRICIONAL. I- No caso do FINSOCIAL, no que concerne à prescrição, ainda que ausente qualquer ato do Senado Federal, suspendendo a execução das normas que majoraram as alíquotas da aludida contribuição social, não há como olvidar do reconhecimento jurídico do pedido, manifestado pelo Senhor Chefe do Poder Executivo, por meio do Decreto n° 1601, de 23 de agosto de 1995 e da Medida Provisória n° 1110, de 30 de agosto de 1995 e suas reedições, com o que dispensa seus procuradores de atuarem nas matérias ali apontadas, extraindo-se para o presente caso que ausente qualquer ato senatorial principia-se a contar um novo qüinqüênio prescricional para aferir o limite temporal em que a pretensão à repetição do indébito permanece acionável, com fulcro no art. 174, inc. IV, do mesmo CTN, tal como aconteceria se houvesse sido editado o ato senatorial. . e • - Processo n.° 10830.002290/00-62 CCO3/CO3 ; Acórdão n.° 303-34.427 Fls. 210 2- Matéria preliminar acolhida. Apelação que se julga prejudicada." (TRF 3 0 Região — Apelação Clive! n° 605639, Relator: Juiz Andrade Martins, DJU de 23/03/2001, p. 668). Assim, o termo a quo da prescrição é a data da edição da MP n° 1110, de 30 de agosto de 1995, desde que o prazo de prescrição, pelas regras gerais do CTN, não se tenha consumado. In casu, o pedido ocorreu na data de 15 de março de 2000, logo, dentro do prazo prescricional. Entendo, assim, não estar o pleito da Recorrente fulminado pela prescrição, de modo que não acolho a preliminar levantada pela Turma Julgadora. Deverá ser o processo encaminhado à Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas/SP, para que se digne julgar as demais questões de mérito. É como eu voto. Sala das Se õe met.1Pnj de 2007 s sn II g e '(MEL 1 TStor • Page 1 _0005900.PDF Page 1 _0006000.PDF Page 1 _0006100.PDF Page 1 _0006200.PDF Page 1
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