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4629775 #
Numero do processo: 13601.000073/2002-44
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri May 09 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2008
Numero da decisão: 202-01228
Decisão: Por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso.
Nome do relator: Não Informado

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MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo N. o 13.839-000.411/85-20 , MAP.S , Sessão de 6 de j_áneiro de is 87 ACORDA() N.° 202-01,228 Recurso n.. 78.236 Recorrente KRUPP METALURGI CA CAMPO LIMPO LTDA. , Recorrida DRF EM CAMPINAS - SP IPI - MITO COMO INCENTIVO FISCAL A EXPORTAÇÃO - Consoante Poiutcuzía MF n9 322/80, em vígoit. a patt-ix de. 19 . 09 . 80 , e íncabive/ a. titan-eiteln , ' - cía de, etEdíto3 do IPI, decoittLenteA de íncevitívo4 {),&sca,i's à expotta = ção, paita eAtabelecímento da muna emptua ou íntetdepe'ndente. Cítc, cunztanda's 4.e.e.evanteA que. tecomendam a ptopota de ap-Ucação de. eq1U._ dade. Recun6o não pilava°. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de re - curso interposto por KRUPP METALORGICA CAMPO LIMPO LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda Cãmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso,com proposta da dispensa da multa por egbidade. Sala das Sessi-s, em 6 de janeil-o de 1987 / Q ROBERTO BAR (Is ,, t DE 'CASTRO - PRESIDENTE .---.- g_---,s2 MARI0-2,C M , i_ DE 0-LMA - RE LATOR (O LEQR RIO SI V E I RA/VDOS ANJOS -PROCURADOR-REPRESENTANTE DA FAZENDA NACIONAL, VISTA EM SE' SÓ DE- 2 6 FF- si 1987 Participaram, ainda, do presente julgamento os Consélhèiros ELIO ROTHE, JOSE LOPES FERNANDES, ADERITO GUEDES DA CRUZ, EUGÊNIO BOTI NELLY SOARES e SEBASTIAO BORGES TAQUARY. ,iA''. /JA W4X MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo N.0 13.839-000.411/85-20 Recurso n.°: 78.236 Acordão n.°: 202-01.228 Recorrente: KRUPP METALORGICA CAMPO LIMPO LTDA. • RELATÓRIO Contra a empresa em epígrafe foi lavrado o auto de in- fração de fls. 02, em virtude de insuficiência no recolhimento do IPI, em 28.02.81, como decorrência de utilização de credito fiscal indevido em sua escrita fiscal, na importáncia de Cr$ 2.970.000. face ã transferência de credito incentivado em data posterior ao advento da Portaria MF n9 322/80. Foram dados como infirngidos os Arts. 97, 104 e 107/ I, do RIPI/82 e a Portaria MF n9 322/80. Impugnando a exigência fiscal (fls. 10/20), a autua- da alega, em síntese, que: 1) a transferência do credito do IPI se encontrava am parada no art. 101 do RIPI/79, no item II, letra "b", do § 229 . do Art. 39 do Decreto n9 64..833/79 e no item III da Portaria MF n9 19/80; 2) procedeu ã. comunicação de credito do IPI recebido em transferência, a qual foi protocolizada perante a Agência da Receita Federal em Jundial, em 03.10.80, que a recebeu sem qual quer ressalva; 3) a Portaria MF n9 322/80 não era auto-aplicável, de pendendo de regulamentação, a qual foi baixada através da Ins trução Normativa SRF n9 102, publicada no " piano Oficial" de 03.10.80. apôs a transferência do crédito, que se deu em 30.09. Ckds segue - -02-SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 13.839-000.411/85-20 Acórdão n9 202-01.228 em 30.09.80; 4) não se questiona sobre a legitimidade do credito, mas, tão somente, sobre a forma de sua: utilização; 5) recorrendo-se à analogia, prevista no Art. 108 do CTN, invoca a impugnante o entendimento deste Colegiado, esposa- do no Acórdão n9 60.803, no sentido de que "em 3e ttatando de um ctj díto V.nanceíto,-e poíá umaíAeceíta da,empte3a como um todo, pode áet ttanágetído pata áet utílízado pèla gílía1"; 6) o procedimensto da impugnante não trouxe qualquer prejuízo aos cofres fazendários; 7) deve ser excluída a multa imposta, inaplicável ao presente caso, pois discute-se, aqui, a utilização de um credito financeiro, pelo que não há se cogitar da aplicação das disposi- ções insertas no RIPI. Âs fls. 22, o ilustre Auditor Fiscal autuante se ma- nifesta pela manutenção integral do auto de infração. A autoridade singular julgou procedente a exigência fiscal, determinaàdo o prosseguimento da cobrança do credito tri butário (fls. 26/28), após os seguintes CONSIDERANDOS: CONSIDERANDO que a aplícação da pena/ídade pecuníaAía 3e deveu tão. omente pela Çatta de teco - thímento do ímpoáto, ou áeja, cteaíto tAíbutatío,pe- • lo índevído aptoveítamento 'do ct j díto íncentíOado .noAteando-e, poíá, pelo Díteíto TAíbute-oAíó;' CONSIDERANDO que a Pottatía n9 322, de 16/ 09/80, publícada no D.O.U. em 19/09/80, dí3cíp/ínan- do as Çouna4 de utílízação de ct j dítoá íncentívado do IPI não comtemplou maíá, a paAtít daquela data, a ttaneAencía deááeá ctj dítoá entAe e3tabe/ecíMento da meáma empteáa ou íntetdependeáteá; CONSIDERANDO que ap53 a dedução do ímpoáto deívdo, em cada e3tabe/ecímento, o excedente de cte- díto íncéntívado áomente pode 4et aptoveítado medían te pedído de teááancímeúto em 'dinheíto; • CONSIDERANDO o "Ptíncipío da Autonomía" dos e.gue. /9/() SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL -03- Processo n9 13.839-000.411/85-20 Acórdão n9 202-01.228 e3tabe/eeímento3; • CONSIDERANDO qáe, no 3 tenmo3 do artt. 103, ín cí4o 1, do C.T:N. ' , o4 ato4 admínís'ttatívo4 entiLam- em'vígot na data de 4ua publícação; CONSIDERANDO que a Pottatía dF n g 322, 'c. de: 16/09/1980, pub/íeada no D.O.U. de 19/09/80, detehm mínou expte3amente no 'í-tem 4, que entAatía em uí- go ,t. na data de 4.ua publícação, iLevogada3 a3 dí4po 4íçõe4 em conptatío; CONSIDERANDO que, nea. condíçõe4, o ptoce- dímento adotadó pe/a ímpugnante, em 30109180, caAe- • cía de ampako Ugal, ponque a legí4.2,ação iteguladotta houveta 4íd6 ,Levogada; CONSIDERANDO que admíte-e a compen4açao ape nas p.kevíAta eM leí (aht. 3.70-CTN); A autuada teve ciência dessa decisão em 09.10.86„ conforme recibo "AR" de fls. 31, e interpõe recurso a este Cole giado em 31.10.86 (fls. 41) e, em duas "razões" de fls. 33/39 , reedita os mesmos argumentos expendidos na fase impugnatória. É o relata-rio. VOTO DO RELATOR, CONSELHEIRO MÃRIO CAMILO DE-OLIVEIRA A Portaria ME n9 322 de 16.09.80 foi publicada no "Diãrio Oficial" de 19 subseqüente. Portanto, vigia ã época da transferência dos créditos incentivados (30.09.80) e era auto- aplicãvei, não dependendo, pois, da regulamentação expedida pe- la Instrução Normativa SRF n9 102, de 30.09.80, conforme se ve- rifica do seu Art. 49. Assim, voto no sentido de ser negado provimento lao recurso. Tratando-se, porém, de contribuinte primãrio e em Virtude de a transferência dos créditos e a vedação constante da Portaria MF n9 322/80 serem fatos ocorridos concomitamente - mente, proponho a ddspensa da multa por eqüidade, pelo Exmo. Sr. OVL segue- ) SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL -04- Processo n9 13.839-000.411/85-20 AcOrdão n9 202-01.228 Ministro da Fazehda. Sala das Sessões, em 6 de janeiro de 1987 MUI() CAMILO DE OLIVEIRA

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4628399 #
Numero do processo: 13851.001380/2005-43
Turma: Oitava Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2008
Numero da decisão: 108-00.493
Decisão: RESOLVEM os membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, CONVERTERAM o julgamento em diligência. Vencido o Conselheiro José Carlos Teixeira da Fonseca (Relator). Designado o Conselheiro Nélson Lósso Filho para redigir o voto vencedor da diligência.
Nome do relator: José Carlos Teixeira da Fonseca

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Numero do processo: 19515.001865/2002-91
Turma: Segunda Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2007
Numero da decisão: 102-02.405
Decisão: RESOLVEM os Membros da SEGUNDA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, termos do voto do Relator.
Nome do relator: José Raimundo Tosta Santos

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Processo n° : 19515.001865/2002-91 Recurso n° : 143.537 Matéria : IRPF — Exs.: 1997 a 2000 Recorrentes : 7' TURMA/DRJ-SÃO PAULO/SP II e ISAAC MICHAAN Interessados : ISAAC MICHAAN e 7' TURMA/DRJ-SÃO PAULO /SP II Sessão de : 07 de novembro de 2007 RESOLUÇÃON°102-02.405 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da SEGUNDA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, • . termos do voto do Relator. i diligência, ..4 . si MA MN. ' SSOA MONTEIRO PRES IP EA.040 JOSÉ RA I s O 1 O ' TA SANTOS RELATOR FORMALIZADO EM: 1 2 SET 2008 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Naury Fragoso Tanaka, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Silvana Mancini Karam e Leila Maria Scherrer Leitão. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente). (--D 1). Processo n° :19515.001865/2002-91 Resolução n° :102-02.405 Recurso n° :143.537 Recorrente : ISAAC MICHAAN RELATÓRIO O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão DRJ/BSB n° 6.506 (fls. 1.063/1.109), de 06/04/2004, que julgou, por unanimidade de votos, procedente em parte o Auto de Infração. A infração indicada no lançamento e os argumentos de defesa suscitados . pela contribuinte foram sumariados pela pelo Órgão julgador a quo, nos seguintes termos: Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado, em 26/12/2002, o Auto de Infração de fls. 773/778 (vol. IV), relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anos- calendário 1996, 1997, 1998 e 1999, por meio do qual lhe é exigido crédito tributário no montante de R$20.148.969,42, correspondente ao imposto (R$7.305.952,08), multa proporcional (R$8.219.196,01) e juros de mora (R$4.623.821,33, calculados até 29/11/2002). 2.Conforme Termo de Verificação (fls. 718/762, vol. IV) e Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 774/778 — vol. IV), o procedimento teve origem na apuração das seguintes infrações. 2.1 Acréscimo Patrimonial a Descoberto Omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, onde verificou-se excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados/comprovados. Fato Gerador Valor Tributável Multa (%) 31/01/1996 R$ 27.854,18 112,50 29/02/1996 R$ 31.604,18 112,50 31/03/1996 R$ 31.877,88 112,50 30/04/1996 R$ 404,18 112,50 31/07/1996 R$ 3.386,59 112,50 30/11/1996 R$ 65.892,13 112,50 31/12/1996 R$ 1.250.654,52 112,50 Enquadramento Legal: arts. 1°, 2°, 3°, e §§, da Lei n°7.713/1988; arts. 1°c 2°, da Lei n°8.134/1990; arts. 1°, 3° e 11, da Lei n°9.250/1995. 2 'h Processo n° :19515.001865/2002-91 Resolução n° :102-02.405 2.2 Omissão de Ganhos Líquidos no Mercado de Renda Variável Omissão de ganhos líquidos no mercado de renda variável obtidos em operações na Bolsa de Valores de São Paulo. Fato Gerador Valor Tributável Multa (%) 31/03/1997 R$ 79.580,00 112,50 31/07/1997 R$ 70.956,00 112,50 31/08/1997 R$ 201.600,00 112,50 30/09/1997 R$ 98.800,00 112,50 31/10/1997 R$ 20.423,40 112,50 30/11/1997 R$ 71.400,00 112,50 31/12/1997 R$ 635.361,16 112,50 30/04/1998 R$ 217.600,00 112,50 30/06/1998 R$ 519.323,82 112,50 31/07/1998 R$ 957.471,88 112,50 31/08/1998 R$ 756.370,63 112,50 30/09/1998 R$ 105.285,01 112,50 31/10/1998 R$ 217.780,00 112,50 30/11/1998 R$ 1.087.068,96 112,50 31/12/1998 R$ 591.811,72 112,50 31/01/1999 R$ 225.604,28 112,50 31/03/1999 R$ 237.688,20 112,50 30/04/1999 R$ 277.428,33 112,50 31/05/1999 R$ 1.653.242,41 112,50 31/07/1999 R$ 196.230,68 112,50 31/10/1999 R$ 30.218,03 112,50 31/12/1999 R$ 348.147,13 112,50 Enquadramento Legal: Lei n° 7.799/1989, §§ dos arts. 55 e art. 56; art. 2° da Lei n° 8.850/1994; art. 72 da Lei n° 8.981/1995; art. 71 da Lei n°9.430/1996; arts. 743, 761, 764, 765, 766 e 770 do RIR/1999. 2.3 Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários não Comprovados Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o 3 • 2 Processo n° :19515.001865/2002-91 Resolução n° :102-02.405 contribuinte, regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fato Gerador Valor Tributável Multa (%) 31/01/1997 R$ 151.010,81 112,50 28/02/1997 R$ 24.253,32 112,50 31/03/1997 R$ 224.988,40 112,50 30/04/1997 R$ 507.273,63 112,50 31/05/1997 R$ 355.967,47 112,50 30/06/1997 R$ 536.525,91 112,50 31/07/1997 R$ 242.562,57 112,50 31/08/1997 R$ 275.419,05 112,50 30/09/1997 R$ 101.715,31 112,50 31/10/1997 R$ 37.797,54 112,50 30/11/1997 R$2.970.533,12 112,50 31/12/1997 R$ 395.871,24 112,50 31/01/1998 R$ 147.420,51 112,50 28/02/1998 R$ 75.398,67 112,50 31/03/1998 R$ 272.335,97 112,50 30/04/1998 R$ 484.589,73 112,50 31/05/1998 R$ 373.031,30 112,50 30/06/1998 R$ 670.767,38 112,50 31/07/1998 R$ 2.057.009,97 112,50 31/08/1998 R$ 1.377.754,69 112,50 30/09/1998 R$ 486.990,83 112,50 31/10/1998 R$ 210.937,80 112,50 30/11/1998 R$ 552.439,09 112,50 31/12/1998 RS 188.761,97 112,50 31/01/1999 R$ 100.405,00 112,50 28/02/1999 R$ 408.014,46 112,50 31/03/1999 R$ 298.537,94 112,50 30/04/1999 R$ 1.019.389,30 112,50 31/05/1999 R$ 2.097.291,32 112,50 30/06/1999 R$ 1.266.161,44 112,50 4 Processo n° :19515.001865/2002-91 Resolução n° :102-02.405 31/07/1999 R$ 611.276,93 112,50 31/08/1999 R$ 849.978,60 112,50 30/09/1999 R$ 660.337,51 112,50 31/10/1999 R$ 1.796.548,84 112,50 30/11/1999 R$ 371.026,33 112,50 31/12/1999 R$ 544.739,79 112,50 Enquadramento Legal: arts. 3° e 11, da Lei n° 9.250/1995; art. 42 da Lei n° 9.430/1996; art. 4° da Lei n°9.481/1997; art. 21 da Lei n°9.532/1997; art. 849 do RIR/1999. 3.Cientificado do lançamento em foco, em 27/12/2002 (AR de fl. 781), o interessado apresentou, em 28/01/2003, a impugnação de fls. 788/824 (vol. IV), acompanhada da documentação de fls. 825/949 (vol. IV) e 952/1016 (vol. V), aduzindo o que se segue. 1- DOS FATOS 3.1 O Auto de Infração lavrado em decorrência do Mandado de Procedimento Fiscal de n° 0819000 2002 01698 1, de 25/01/2002, tem origem remota em um prolongado procedimento de fiscalização levado a efeito contra o impugnante e que foi marcado pela produção desordenada e abusiva de diversos "Mandados de Procedimento Fiscal". 3.2 O Mandado de Procedimento Fiscal-Fiscalização de n° 0813400 2001 01310 6 emitido em 22/06/2001, fixando o prazo regulamentar de conclusão para o dia 20/10/2001 (120 dias) e indicando o AFRF responsável pela execução do Mandado e seu supervisor, limitou-se a mencionar que se tratava de fiscalização relativa aos períodos de apuração de 1996 a 1999, sem informar sobre as verificações que seriam procedidas para a constatação das bases de cálculo do tributo em questão, em flagrante desrespeito ao art. 7 0, § 1 0, da Portaria n° 1.265/1999. 3.3 Em 18/10/2001, 14/11/2001 e 22/11/2001 foram emitidos, respectivamente, os Mandados de Procedimento Fiscal-Complementar de n's 0813400 2001 01310 6-1, -2 e -3, em que a autoridade fiscalizadora não observou a regra dos arts. 40 da Portaria SRF 1.265/1999 e 23 do Decreto 70.235/1972, que exigem seja dada ciência ao contribuinte dos Mandados de Procedimento Fiscal emitidos no curso da fiscalização. 3.4 O contribuinte somente foi cientificado da emissão desses três Mandados de Procedimento Fiscal Complementares através do Termo de Início de Fiscalização emitido em 03/12/2001, enviado por via postal em 10/12/2001. 3.5 Não se pode admitir a validade das prorrogações "internas", sem o conhecimento do sujeito passivo acerca do prazo do Mandado de Procedimento Fiscal, uma vez que, para o contribuinte, o procedimento de fiscalização havia sido encerrado por decurso do prazo em 20/10/2001. 4-1 5 Processo n° :19515.001865/2002-91 Resolução n° :102-02.405 3.6 A legislação vigente à época da emissão dos referidos MPF-C (art. 4° da Portaria SRF n° 1.265/1999) exigia a ciência do contribuinte por via pessoal, postal ou edital, o que só veio a ocorrer após o prazo estipulado para a conclusão do referido MPF. 3.7 Portanto, o Termo de Início de Fiscalização produzido em 03/12/2001 é nulo de pleno direito e não produz nenhum efeito, eis que emitido em data posterior ao prazo fixado para o encerramento dos trabalhos fiscais. 3.8 O contribuinte foi cientificado dos Mandados de Procedimento Fiscal- Complementares de ti% 0813400 2001 01310 6-4 e —5 (docs. 09 e 10A), emitidos em 14/12/2001 e 27/12/2001, com prazo de execução estipulado, respectivamente, para 13/01/2002 e 26/01/2002, por meio de um único Termo de Continuação e Ciência de MPF Complementar (doc. 10B), de 15/01/2002, em data posterior àquele fixado para o encerramento dos trabalhos fiscais, restando claro o desrespeito aos direitos do contribuinte, e conseqüentemente, nulo o referido ato. 3.9 Em 25/01/2002 foi emitido um novo Mandado de Procedimento Fiscal- Fiscalização (doc. 11A), cuja ciência ao contribuinte foi dada através do Termo de Intimação (doc. 11B), datado de 20/02/2002. 3.10 É manifesta a nulidade deste MPF, uma vez que a sua prorrogação deu-se por intermédio de registro eletrônico (art. 13, § 1°, da Portaria SRF 3.007/2001), sem que tivesse sido fornecido o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação ao sujeito passivo, quando do primeiro ato de oficio praticado junto ao mesmo (art. 13, § 2°, da Portaria SRF 3.007/2001), representado pelo Termo de Embaraço à Fiscalização (doc. 12), datado de 01/04/2002. 3.11 Em 13/06/2002, foi emitido o Termo de Continuação e Constatação (doc. 15), através do qual foi notificado da continuidade da fiscalização, sem que lhe fosse fornecido o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação. 3.12 Enfim, o Auto de Infração encontra-se maculado por diversos vícios de nulidade formal, inadmissíveis frente às normas que regem as atividades de fiscalização. II- DO DIREITO A - Da Decadência 3.13 O Imposto de Renda, principalmente o devido pelas pessoas fisicas, passou a ser tributo sujeito ao lançamento por homologação, unia vez que foi atribuída ao sujeito passivo a obrigatoriedade de preenchimento da declaração de ajuste anual, em que ele próprio apura o montante devido e efetua o seu pagamento, sem que haja qualquer interferência das autoridades administrativas. Nessa sistemática, à Administração cabe tão-somente homologar os cálculos e o pagamento efetuados pelo contribuinte. 3.14 Nem se alegue que o IRPF é tributo sujeito ao lançamento por declaração, pelo fato dos contribuintes estarem obrigados ao preenchimento da declaração de ajuste anual. 6 li SI Processo n° :19515.001865/2002-91 Resolução n° :102-02.405 3.15 Como é notório, tal declaração não tem o condão de informar dados à administração tributária, para que ela, através de uma autoridade administrativa competente, efetue o lançamento do tributo devido e notifique o sujeito passivo para o seu pagamento. 3.16 Tal declaração constitui apenas uma obrigação acessória de informar ao fisco a apuração feita pelo próprio contribuinte, para que o fisco homologue ou não. 3.17 Tanto isto é verdade que, nos casos de descumprimento ou de cumprimento dessa obrigação com atraso, a legislação vigente (art. 88 da Lei n° 8.981/1995) prevê a imposição de multa ao contribuinte. 3.18 Nem se diga que o IRPF é tributo sujeito ao lançamento por homologação apenas nos casos em que é apurado imposto a pagar, sob o fundamento de que quando não houvesse nenhum valor a recolher, não haveria nada a homologar e, portanto, estaria diante de lançamento por declaração. 3.19 O que define se o lançamento é por declaração ou homologação é a legislação do tributo e não a circunstância de ter ou não havido pagamento. 3.20 No caput do art. 150 do CTN, o legislador não condicionou a modalidade de lançamento do tributo ao seu pagamento. Pelo contrário, deixou claro que um tributo estará sujeito ao lançamento por homologação quando a lei atribuir ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento. Assim, quando prevista tal obrigação, o tributo estará sujeito ao lançamento por homologação, havendo ou não valor a ser pago a titulo daquele tributo. 3.21 Não se pode confundir a "obrigação de pagar" com o "ato do pagamento" em si. Ainda que o sujeito passivo não antecipe o pagamento, continua legalmente obrigado a fazê-lo; tanto assim que se submete à incidência de multa e de juros a contar da data em que esse pagamento deveria ter sido realizado. 3.22 Sustentar que só haveria lançamento por homologação nos casos em que houvesse pagamento do tributo representaria manifesto desrespeito à lei. É posicionamento do Conselho de Contribuintes de que "a ausência de recolhimento do imposto não altera a natureza do lançamento, vez que o contribuinte continua sujeito aos encargos decorrentes da obrigação inadimplida ..." 3.23 Para contagem do prazo decadencial, sendo o IRPF um tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo para seu lançamento é de cinco anos a partir da data de ocorrência do seu fato gerador (§ 4° do art. 151 do CTN). Nesse sentido tem se firmado o Conselho de Contribuintes acerca da matéria. 3.24 Ademais, como o imposto de renda tem periodicidade anual (exceto com relação às incidências na fonte), seu fato gerador se dá no dia 31 de dezembro de cada ano, quando será apurado pelo contribuinte o seu resultado. 3.25 Sendo assim, o prazo decadencial de cinco anos para fins do imposto de renda inicia-se em 31 de dezembro, conforme Acórdão 104-18.668 do 1° Conselho de Contribuintes. \7 Processo n° :19515.001865/2002-91 Resolução n° :102-02.405 3.26 Restando comprovado (i) que o IRPF é tributo sujeito ao lançamento por homologação; (ii) que o seu prazo de decadência é de cinco anos contados do fato gerador e (iii) que o seu fato gerador se dá no dia 31 de dezembro de cada ano, nota-se que uma parcela do crédito tributário exigido no Auto de Infração cientificado ao contribuinte em 27/12/2002, relativamente ao ano-calendário de 1996, já foi alcançada pela decadência em 31/12/2001. B - Da Preliminar de Nulidade 3.27 Destaca a necessidade de serem atendidos os critérios indicados no art. 2°, parágrafo único, incisos I e VIII da Lei n° 9.784/1999, que estabelecem a obediência aos critérios de "atuação conforme a lei e o Direito e observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados". 3.28 Repete que o Mandado de Procedimento Fiscal-Fiscalização emitido em 22/06/2001 de n° 0813400 2001 01310 6 é manifestamente nulo, uma vez que não foi cumprida uma das formalidades exigidas no art. 7 0, § 1°, da Portaria SRF 1.265/1999. 3.29 Que nos Mandados de Procedimento Fiscal-Complementares de Ifs 0813400 2001 01310 6-1, -2, -3, -4 e —5, emitidos, respectivamente, em 18/10/2001, 14/11/2001, 22/11/2001, 14/12/2001 e 15/01/2002, a autoridade fiscalizadora não observou a regra dos arts. 4° da Portaria SRF n° 1.265/1999 e 23 do Decreto n°70.235/1972, que exigem seja dada ciência ao contribuinte dos MPF emitidos no curso da fiscalização. 3.30 Que o Termo de Inicio de Fiscalização datado de 03/12/2001 e o Termo De Continuação e Ciência de MPF, de 15/01/2002, que objetivaram cientificar o contribuinte da expedição dos aludidos MPF-C são nulos de pleno direito, não produzindo nenhum efeito, sob pena de esvaziamento da norma contida no art. 4° da Portaria SRF 1.265/1999. 3.31 Que é igualmente nulo o Mandado de Procedimento Fiscal-Fiscalização de n° 0819000 2002 01698 1, em razão da fiscalização ter agido em desacordo com os preceitos preconizados pela Portaria SRF 3.007/2001, quando ao emitir o Termo de Embaraço à Fsicalização em 01/04/2002, não forneceu ao contribuinte o competente Demonstrativo de Emissão e Prorrogação, reproduzindo as prorrogações registradas eletronicamente. 3.32 Em razão da prática de atos com manifesto abuso de poder e em contrariedade evidente com as normas que regem o processo administrativo e as atividades de fiscalização, o Mandado de Procedimento Fiscal-Fiscalização de n° 0819000 2002 01698 1, bem como o Auto de Infração dai decorrente, padecem de insanável nulidade e devem ser declarados insubsistentes. C — Das Demais Razões Impossibilidade da Violação do Sigilo Bancário e das Demais Instituições Financeiras 3.33 O ato administrativo de "quebra" do sigilo de contribuinte sob fiscalização efetuado sem a devida autorização do Poder Judiciário, ainda que realizado sob a égide da Lei Complementar n° 105/2001 e do Decreto n° 3.724/2001, não é admissivel por atentar frontalmente contra as garantias individuais esculpidas na Constituição Federal. 8 Processo n° :19515.001865/2002-91 Resolução n° :102-02.405 3.34 O permissivo legal que concedeu à autoridade administrativa a faculdade de interpor seu próprio juízo de valor sobre a necessidade de violação do sigilo de informações de instituições financeiras não se coaduna com o texto constitucional e nem com o entendimento sedimentado pelo STF, de que a única autoridade permitida a afastar a garantia individual ao sigilo bancário é o Poder Judiciário. 3.35 Nesse sentido, traz à colação decisão do STF no julgamento do Recurso Extraordinário Criminal n° 215301/CE, bem como do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial n° 37566/RS. 3.36 A maior parte da doutrina, também, milita de forma contrária à possibilidade de violação do sigilo bancário e das demais instituições financeiras pela autoridade fiscal. 3.37 O Auto de Infração deve ser considerado nulo, eis que elaborado exclusivamente com base em procedimentos de fiscalização inadmissíveis e que implicaram na transgressão não autorizada judicialmente dos direitos e garantias individuais petrificados no art. 5°, incisos X e XII, da Carta Magna. Irretroatividade da Lei Complementar n° 105/2001 3.38 O procedimento adotado pela fiscalização no processo adminitrativo violou outra garantia constitucional, que é o princípio geral da irretroatividade das normas. 3.39 Diz o art. 50, inciso XXXVI, da Constituição Federal que a "lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito, ...". Este preceito está na Lei de Introdução ao Código Civil, em seu art. 60, para significar que "A Lei em vigor terá efeito imediato e geral, respeitados o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada". 3.40 A faculdade atribuída à autoridade administrativa pela Lei Complementar n° 105/2001 e pelo Decreto n° 3.724/2001 para, sob justificativa de instauração de fiscalização, devassar o sigilo bancário dos contribuintes somente tem validade para os anos-calendário futuros, não podendo alcançar períodos pretéritos. 3.41 A conduta adotada pela autoridade fiscal para apoderar-se de informações privativas do contribuinte relativa às operações realizadas nas Bolsas de Valores de São Paulo-BOVESPA e através da Vértice Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (fls. 42/44) não está em compasso com o principio constitucional da irretroatividade das normas e deve ser considerada nula. 3.42 A lei tributária formal pode ter aplicação retroativa quando ampliar "os poderes de investigação das autoridades administrativas", porém não pode ser implementada em função de "impostos lançados por períodos certos de tempo", como o é o Imposto de Renda Pessoa Física. 3.43 Confirmam a interpretação dada à ressalva do § 2° do art. 144 os ensinamentos do mestre Aliomar Baleeiro em seu Direito Tributário Brasileiro", 11' ed., editora Forense, Rio de Janeiro, 2001, pág. 803: Yb-3/4' 9 ÉÉ Processo n° :19515.001865/2002-91 Resolução n° :102-02.405 "Assim, em relação aos impostos de períodos (especialmente aqueles incidentes sobre a renda e o patrimônio), prevalece a regra do caput do art. 144, mesmo com referência aos aspectos formais ou procedimentais, não se lhes aplicando de imediato a legislação nova." 3.44 Portanto, o método adotado pela autoridade fiscal no curso do procedimento de fiscalização, se não for considerado nulo em sua essência, deve, ao menos, ser praticado apenas em relação aos atos e fatos posteriores à edição da norma que o criou. 3.45 Sendo assim, não deve prevalecer a quebra de sigilo bancário efetuada no bojo deste processo, eis que afronta manifestamente o princípio constitucional da irretroatividade das normas. Busca da Verdade Material 3.46 Não houve da parte da autoridade fazendária, diligência suficiente para a busca da verdade material, e por via de conseqüência, para que fossem devidamente localizados os documentos que comprovam as pretendidas variação patrimonial a descoberto, omissão de ganhos líquidos no mercado de renda variável e omissão de rendimentos supostamente caracterizada pelos depósitos bancários. 3.47 A fiscalização não se deu ao trabalho de conceder as dilações de prazo requeridas pelo contribuinte, para que este pudesse reunir os documentos solicitados. 3.48 Não pode ser reputado válido o lançamento efetuado sem compromisso com a busca da verdade objetiva e conseqüente afastamento do dever de investigação a que está sujeita autoridade fiscal. 3.49 Assim, é nulo o lançamento que foi efetuado de forma precipitada e exclusivamente com base nos extratos das aplicações financeiras, uma vez que não corresponde à realidade dos fatos econômicos praticados nos anos-calendário em exame. Não Configuração do Acréscimo Patrimonial a Descoberto 3.50 Não se procedeu à apuração de diferenças em base anual, como determina a jurisprudência. 3.51 A fiscalização, no intuito de apurar a existência de eventuais débitos, decorrentes de suposta variação patrimonial a descoberto no ano-calendário de 1996, esquivou-se de apreciar a situação financeira do impugnante no período e considerar as informações que já eram de seu conhecimento. 3.52 Nota-se que a venda de 300.000 ações da COPENE SA, pelo valor de R$50.997,00, constante da pág. 4 da DIRPF/97 (doc. 19), foi simplesmente desconsiderada pela fiscalização no demonstrativo de Acréscimos Patrimoniais Não Justificados relativo ao ano-calendário 1996, deixando clara a total falta de comprometimento com a busca pela verdade material dos fatos. 4515 10 Processo n° :19515.001865/2002-91 Resolução n° :102-02.405 3.53 Também, não foram computados no referido demonstrativo de Acréscimos Patrimoniais Não Justificados os valores dos rendimentos isentos ou declarados como sujeitos à tributação exclusiva, em razão da falta de apresentação de comprovantes pelo impugnante. 3.54 Os rendimentos sujeitos à tributação exclusiva são informados à Receita Federal diretamente pelos contribuintes responsáveis pela sua retenção, através das DrRFs. Tendo total acesso a essas informações, a fiscalização não pode simplesmente desconsiderá- las, pelo fato de o contribuinte não ter apresentado os comprovantes, sob pena de total afronta ao princípio da busca da verdade material dos fatos. 3.55 Junta alguns comprovantes de recebimentos de dividendos e de juros sobre capital próprio recebidos no ano-calendário de 1996, que não foram considerados pela fiscalização, a título de rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte (docs. 20 a 39). 3.56 Apesar de a fiscalização ter quebrado o sigilo bancário do impugnante, ela desconsiderou em sua análise de variação patrimonial os saldos bancários relativos ao ano de 1995. 3.57 Como o impugnante não conseguiu obter os extratos que comprovem a existência de saldos bancários em 31/12/1995 no prazo para apresentação da impugnação, junta aos autos a solicitação feita junto ao Banco ABN Anuo Real SÃ (doc. 40), e requerer a sua juntada nos autos, assim que disponibilizados pela instituição financeira, para comprovação da inexistência de variação patrimonial a descoberto no ano-calendário de 1996. Não Configuração de Omissão de Ganhos em Renda Variável 3.58 Os supostos ganhos em renda variável mencionados no Demonstrativo do Resultado nas Vendas de Ações — Mercado à Vista decorrem do fato de a fiscalização (i) não ter computado os custos de aquisição de inúmeras ações negociadas pelo contribuinte no período de 1996 a 1999, (ii) não ter computado todos os prejuízos existentes no período, e (iii) não ter considerado que muitas dessas ações foram adquiridas há mais de 20 anos e assim, o ganho delas decorrente estaria desonerado da tributação pelo imposto de renda, conforme previsto no Decreto-lei n° 1.510/1976 e confirmado pelo Conselho de Contribuintes. 3.59 Embora o impugnante tivesse declarado a propriedade de 16 ações PN da BORLEM SÃ em sua DIRPF/99 (doc. 41), pelo valor de R$6.429,05, tal valor não foi considerado como custo de aquisição pelo fiscal, no momento da venda das ações (29/01/99 — fl. 01 do Anexo VI ao Termo de Verificação), numa demonstração de manifesto desinteresse do fiscal com a busca da verdade material dos fatos. 3.60 Caso esse valor tivesse sido considerado pela fiscalização, não teria havido um ganho líquido de R$5.385,28 com a venda dessas ações, mas uni prejuízo de R$1.043,77 (R$5.385,38 — R$6.429,05). 3.61 As 189.300 ações da CIMENTO ITAÚ SÃ constantes da DIRPF/99, pelo valor de R$73.546,19, também, não foram consideradas pela fiscalização quando da venda dessas ações em 12/11/1999 (fl. 10 do Anexo VI ao Termo de Verificação), resultando num suposto 11 c/i% I 1 Processo n° :19515.001865/2002-91 Resolução n° :102-02.405 ganho líquido de R$57.857,65, quando na realidade foi apurado um prejuízo de R$15.688,54 (R$57.857,65 - R$73.546,19). 3.62 Idem em relação às 1.500.000 ações ON da SABESP, constantes da DIRPF/1999. O valor de aquisição de R$274.928,82 não foi considerado quando de sua venda, em 11/05/1999 (fl. 09 do Anexo VI), resultando num suposto ganho líquido de R$229.500,00, quando teve, na realidade, um prejuízo de R$45.428,82 (R$229.500,00 — R$274.928,82). 3.63 Não resta dúvida quanto à nulidade do auto de infração ou pelo menos a sua completa improcedência, dado o desrespeito ao princípio da verdade material. 3.64 A fiscalização, em completa afronta à legislação vigente, partiu do princípio de que o custo de aquisição das ações que não constavam das DIRPFs no período em questão seria igual a zero. 3.65 Jamais a fiscalização poderia desconsiderar o custo de aquisição das ações, tributando algo que não configura rendimentos, agindo com total afronta à Constituição Federal e ao Código Tributário Nacional. 3.66 Diz que as 11.000 ações ANTARCTICA PIAUI PNA vendidas em 22/12/1998 (fl. 12 do Anexo V), pelo valor de R$23.843,71, referem-se às 11.000 ações compradas em 25/04/1995, pelo preço de R$9.130,00, conforme extrato emitido pela BOVESPA (doc. 42), que atualizado até 1° de janeiro de 1996 nos termos do art. 7° da IN SRF n° 84/2001, resulta em custo de aquisição de R$10.715,24. Assim, o ganho de capital foi de R$13.128,47 (R$23.843,71 - R$10.715,24) e não de R$23.843,71, conforme apurado pela fiscalização. 3.67 Que o mesmo ocorre com as 965.000 ações BANDEPE PN vendidas em 26/12/2002 pelo valor de R$5.934,75 (fl. 11 do Mexo VI), cujo custo de aquisição foi considerado ZERO pela fiscalização, quando o extrato da BOVESPA (doc. 43) comprova a compra de 965.000 ações dessa empresa em 09/01/1991, pelo valor que depois de atualizado resulta em custo de aquisição de R$3.425,48. O ganho de capital seria, então, de R$2.509,27 (R$5.934,75 - R$3.425,48), e não de R$5.934,75. 3.68 Que no caso da alienação de 165.425 ações da CELG PNB em 23/04/1999 (fl. 5 do Anexo VI) pelo valor de R$1.819,67, houve, na verdade, um prejuízo de R$3.619,25 (R$1.819,67 — R$5.438,92), e não um ganho líquido de R$1.819,67. Que o extrato da BOVESPA (doc. 44) comprova a compra, em 11/07/1995, de um lote de 500.000 ações pelo valor de R$15.005,00, que atualizado totaliza R$16.439,24, ou ao custo de R$0,03287848 por cada ação. 3.69 Para que fique demonstrado o total descabimento dos valores lançados a título de ganho líquido no mercado de renda variável, junta outros extratos emitidos pela BOVESPA que comprovam o custo de aquisição de algumas outras ações (docs. 45 a 61). 3.70 Tendo em vista que o impugnante não teve tempo hábil para obtenção de extratos junto a BOVESPA para comprovação do valor e data de aquisição de todas as ações, diante do grande quantitativo e do curto prazo para a apresentação da impugnação, protesta 12 1, • t Processo n° :19515.001865/2002-91 Resolução n° :102-02.405 pela juntada posterior de documentos, em nome do princípio da busca da verdade material dos fatos. 3.71 Há, ainda, que se considerar que grande parte das ações vendidas durante os anos-calendário de 1996, 1997, 1998 e 1999 eram de sua propriedade há mais de 20 anos. 3.72 Diz que, apesar do Decreto-lei n° 1.510, de 27/12/1976, ter sido revogado a partir de 1° de janeiro de 1989 pela Lei n° 7.713/1988, as ações que completaram cinco anos na posse do mesmo contribuinte até 31/12/1988 permanecem exoneradas de qualquer tributação, ainda que alienadas posteriormente. 3.73 Que, se em 31/12/1988,0 contribuinte completou os cinco anos de propriedade das ações mencionadas no Decreto-lei n° 1.510/1976, a venda dessas ações sem a incidência do imposto de renda passou a ser direito adquirido. 3.74 Assim, ainda que tenha havido ganho de capital na negociação de várias ações entre 1996 e 1999, grande parte desse ganho não poderá ser tributada pelo Imposto de Renda, sob pena de manifesta afronta ao Decreto-lei n 01.510/1976 e ao art. 50, inciso XXXVI, da Constituição Federal. 3.75 Embora o impugnante tenha plena convicção de que várias dessas ações foram adquiridas há mais de 20 anos, não conseguiu obter os tais comprovantes junto a BOVESPA e outras instituições no prazo da impugnação. Havendo tempo hábil, estaria o impugnante em condições de demonstrar a data de aquisição de cada uma das ações negociadas entre 1996 e 1999. 3.76 Que resta mais do que evidente que o aludido auto de infração não pode prosperar, seja pelos vícios formais, seja pela decadência, seja pela total falta de zelo com que o autuante elaborou os seus cálculos e lançou os valores supostamente devidos pelo impugnante. Inexistência de Omissão de Rendimentos e Impossibilidade de Tributação por Ficção 3.77 O lançamento de IRPF efetuado exclusivamente com base em extratos bancários e extratos de aplicações financeiras não deve prevalecer, pois os simples aportes financeiros em conta do impugnante não representam disponibilidade econômica de renda e proventos de qualquer natureza, não sendo, por si só, suficiente para motivar o lançamento. 3.78 Que na história pretérita dos lançamentos com base em depósitos bancários, no que respeita aos processos apreciados pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, os depósitos bancários foram considerados meros elementos indiciários da ocorrência do fato gerador e que exigiam complementação mediante a produção de outros elementos de prova. 3.79 Que a Súmula n° 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos dita que: "É ilegítimo o lançamento do Imposto de Renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários." 13 • 1 • h Processo n° :19515.001865/2002-91 Resolução n° :102-02.405 3.80 Que se o mecanismo criado pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996 não derivou da apreciação realística dos fatos para fins de estabelecer seguramente o nexo causal entre o fato conhecido e o fato desconhecido, então não se trata de uma presunção legal, mas sim de uma ficção jurídica. 3.81 Que à luz do princípio da legalidade estrita, elevado à categoria de direito e garantia individual (CF, art. 5°, § 2°), não pode haver exigência do cumprimento de obrigação tributária baseada meramente em ficções jurídicas. 3.82 Que o lançamento de IRPF, ao tomar como base os depósitos efetuados em contas bancárias do impugnante, utilizou-se de ficção legal não autorizada em face do princípio constitucional da estrita legalidade. 3.83 Que o Auto de Infração deve ser considerado totalmente nulo por inferir conclusão de omissão de rendimentos e exigir o recolhimento de imposto sobre fato gerador não devidamente provado, deduzido a partir de emprego indevido de ficção jurídica. 3.84 Que grande parte dos valores depositados nas contas do impugnante são provenientes de pagamentos de dividendos ou de juros sobre capital próprio, que são, respectivamente, isentos de tributação pelo IRPF ou tributados exclusivamente na fonte, não sendo devido nenhum IRPF sobre tais valores, conforme comprovam os extratos e informes de rendimentos (docs. 62 a 156),. 3.85 Que os rendimentos sujeitos à tributação exclusiva são informados à Receita Federal diretamente pelos contribuintes responsáveis pela sua retenção, através das DIRFs, os rendimentos isentos (dividendos ou juros sobre capital próprio ) são informados através da DIPJ fornecida anualmente pelas fontes pagadoras, não podendo a fiscalização simplesmente desconsiderá-las, pelo fato de o contribuinte não ter apresentado os comprovantes, sob pena de afronta ao princípio da verdade material. 3.86 Que a própria fiscalização menciona serem os valores depositados nas contas do impugnante decorrentes de dividendos, uma vez que nos Anexos XIV e XV ao Termo de Intimação de 02/12/2002, ao lado de vários depósitos encontram-se as iniciais "DIV", significando "DIVIDENDOS" e, portanto, isentas da incidência do IRPF. 3.87 Que diversos "DOCs" mencionados pela fiscalização decorrem de simples transferências realizadas entre as contas-correntes de propriedade do impugnante, consoante extratos juntados nos autos (doc. 157). 3.88 Que conforme demonstra o doc. 157, nos dias 01/07/1999, 30/07/1999, 16/08/1999, 06/10/1999 foram emitidos DOCs do Banco Real para a sua conta do Banco Itaú, conforme fl. 2 do Anexo XIII ao Termo de Intimação de 02/12/1999. 3.89 Que dentre os valores mencionados pela fiscalização, há inúmeros depósitos em dinheiro levantados de outras contas bancárias para cobrir alguma despesa que viria a ter em outra conta, não configurando rendimentos sujeitos à tributação. 3.90 Que os outros valores que entraram nas contas do impugnante decorrem de resgates de suas aplicações em fundos de investimento (cujos valores constam do Anexo IV 14 1.‘ : Processo n° :19515.001865/2002-91 Resolução n° :102-02.405 ao Termo de Intimação de 02/12/2002) e que estão sujeitos ao Imposto de Renda na fonte, não havendo que se falar em tributação sobre eles. 3.91 Que é, portanto, absurda a presunção feita pela fiscalização, pois, como visto, os valores tidos como omitidos à tributação ou são isentos, ou são sujeitos ao IR na fonte, ou são decorrentes de mera circularização do dinheiro (transferências ocorridas entre as contas de propriedade do impugnante), mostrando-se despropositada a autuação. Redução da Multa 3.92 A multa de 112,50% é incabível, uma vez que o impugnante sempre respondeu aos Termos de Intimação emitidos no curso do procedimento de fiscalização, vários deles repetitivos e desnecessários. Em nenhum momento deixou de diligenciar no sentido de obter a documentação solicitada, não tendo expressado recusa no atendimento das solicitações fiscais. 3.93 Os documentos solicitados não foram apresentados devido ao curto espaço de tempo para a reunião de todos os comprovantes. Eles, na verdade, não estavam disponíveis ou não foram localizados à época da ação fiscal, cabendo à autoridade fiscal tomar medidas mais profícuas de investigação perante o próprio contribuinte, conceder mais prazo, mas nunca concluir que houve recusa do contribuinte em exibi-los, impondo multa agravada. 3.94 A multa em questão somente se aplica a casos de absoluta falta de cooperação por parte do contribuinte, ou seja, quando apesar de intimado, deixa de apresentar um elemento com o intuito de ocultar um fato gerador, o que não é o caso. 3.95 Não restou caracterizada a recusa na apresentação de documentos, sobretudo ao final, quando o pedido de prorrogação de prazo para apresentação de documentos relativos aos depósitos bancários não foi sequer considerado pela fiscalização. 3.96 Enfim, não cabe o agravamento da multa para 112,5%, por não ter sido caracterizada a resistência manifesta do contribuinte quanto à apresentação de documentos. III— DA PROVA COMPLEMENTAR 3.97 Solicita ajuntada posterior de documentos, tendo em vista que a improcedência da exigência poderá ser fartamente comprovada através de documentos próprios, que só não puderam ser carreados ao processo devido à impossibilidade material de sua reunião no prazo da impugnação. IV — DO PEDIDO 3.98 Restando demonstrada a manifesta insubsistência da ação fiscal, requer o impugnante seja o auto de infração declarado nulo, ou julgado totalmente improcedente, cancelando-se as exigências. 3.99 Requer, ainda, caso os julgadores não considerem a prova produzida suficiente, a realização de diligências que entenderem necessárias. st9h 15 . . : • ' Processo n° :19515.001865/2002-91 Resolução n° :102-02.405 3.100 Requer, por fim, diante dos motivos de força maior que impediram de apresentar todos os documentos em suporte de sua defesa e com base no art. 16, § 4°, alínea "a", do Decreto n° 70.235/1972, a concessão de prazo suplementar para a juntada de novos documentos. CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA 4.Tendo em vista que entre os documentos apresentados na impugnação para justificar os depósitos bancários havia documento intitulado Extrato para Simples Conferência (fls. 934/948, 973/986 e 999/1011), de emissão da Vertice Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, que por si só revelavam-se insuficientes como meio de comprovação inequívoca da origem dos recursos depositados em suas contas, foram os autos baixados em diligência (1031/1033). 4.1 Foi solicitado, então, que se verificasse junto a Vértice Asset Managemente S/C Ltda (atual denominação da Vertice Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliário), CNPJ 76.642.198/0001-79, se a mesma detém a custódia das ações, bem como se os pagamentos dos respectivos dividentos a ISAAC MICHAAN, CPF 938.126.718-91, relacionados nos extratos de fls. 934/948, 973/986 e 999/1011, estão escriturados no Livro Diário, e informasse, ainda, quais depósitos bancários constantes dos Anexos (fls. 52/89) têm origem comprovada em tais dividendos. 4.2 O Relatório de Diligência Fiscal (lis. 1040/1045) elaborado pela Fiscalização em cumprimento à diligência requisitada pela DRJ/SPO II informa que: 4.2.1 "As ações do interessado eram custodiadas através da Vértice , pela Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia-CBLC, conforme declaração da empresa, de fl. 1038." 4.2.2 "Os pagamentos dos dividendos relacionados nos extratos de fls. 934/948, 973/986 e 999/1011, estão contabilizados nos livros Diário, e transcritos para o livro Razão, ambos encadernados por trimestre, conforme demonstra a anexa Planilha de Dividendos Contabilizados de fl. 1043." 4.2.2.1 "Os créditos dos dividendos e os débitos pelos seus pagamentos são contabilizados na conta 49530030004-Isaac Michaan, e as contrapartidas dos pagamentos pelas emissões de cheques, são contabilizadas na conta 1120070007-Banco Paulista SA." 4.2.3 "Parte dos depósitos relacionados nas fls. 52 a 89 têm origem comprovada nesses dividendos recebidos, conforme demonstra a anexa Planilha de Comprovação da Origem dos Depósitos de fls. 1040 a 1042." 4.3 O contribuinte foi cientificado do Relatório de Diligência Fiscal em 11/02/2004 (fls. 1040/1045), tendo sido facultada manifestação sobre seu conteúdo no prazo de dez dias; manifestação que não foi apresentada conforme despacho de fl. 1046. 41-, 16 Processo n° :19515.001865/2002-91 Resolução n° :102-02.405 Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador de primeiro grau, através do Acórdão DRESPO II n° 6.506, de 06/04/2004 (fls. 1.063/1.109), em votação unânime, rejeitou as preliminares argüidas, e, no mérito, julgou procedente em parte o lançamento, para considerar o valor de R$7.898,74 como recursos no mês de janeiro/1996 e a contribuição previdenciária oficial, no valor de R$868,86, como aplicações/dispêndios realizados no mês de dezembro/1996; excluir da tributação sobre depósitos bancários sem origem comprovada os dividendos creditados pela Vértice Distribuidora e Corretora de Valores, reconhecidos em diligência pela própria fiscalização. Sobre o crédito exonerado foi interposto recurso de oficio. A ementa a seguir transcrita resume o entendimento do Órgão julgador a quo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física — IRPF Ano-calendário: 1996, 1997, 1998, 1999 Ementa: PRELIMINAR. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. Não há que se falar em nulidade, quando todos os atos de oficio foram praticados, sempre, por um servidor competente, devidamente designado no Mandado de Procedimento Fiscal-MPF. O MPF constitui um mero instrumento de controle administrativo, instituído com o objetivo de regular a execução dos procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF. DECADÊNCIA. Afastadas as hipóteses de contagem segundo lançamento por homologação ou por declaração, a regra aplicável na contagem do prazo decadencial é a contida no art. 173, I, do Código Tributário Nacional, iniciando-se o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. CONSTITUCIONALIDADE. ATOS LEGAIS. Não compete à autoridade administrativa o exame da constitucionalidade das leis, porque prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. INFORMAÇÕES FINANCEIRAS. REQUISIÇÃO. A requisição de informações sobre movimentação financeira efetuada junto às instituições financeiras, com observância das normas de regência e ao amparo da lei, não está sujeita à prévia autorização judicial. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Sujeita-se à tributação a variação patrimonial apurada, não justificada por rendimentos declarados/comprovados, por caracterizar omissão de rendimentos. 17 s Processo n° :19515.001865/2002-91 Resolução n° :102-02.405 Somente a apresentação de provas inequívocas é capaz de elidir uma presunção legal de omissão de rendimentos invocada pela autoridade lançadora. Retifica-se a planilha de evolução patrimonial para consignar como recursos, mês a mês, os valores de rendimentos comprovadamente pagos pela fonte pagadora. Na impossibilidade de se determinar a data de ingresso ou dispêndio dos recursos, considera-se, para fins de arbitramento, a hipótese mais benéfica para o contribuinte. GANHOS LÍQUIDOS EM RENDA VARIÁVEL. Restando incomprovados os custos de aquisição das ações trazidos na impugnação, mantém-se o tratamento tributário adotado pela fiscalização na apuração dos ganhos líquidos em renda variável. Com a revogação expressa do permissivo legal que outorgava a isenção, não estão mais alcançadas pela isenção os ganhos líquidos apurados nas alienações de ações realizadas posteriormente à edição da Lei n° 7.713/1988, ainda que relativas às alienações de ações que haviam completado cinco anos de posse até 31/12/1988. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizam omissão de rendimentos, sujeitos ao lançamento de oficio, os valores creditados em contas de depósito mantidas junto às instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Invocando uma presunção legal de omissão de rendimentos, fica a autoridade lançadora dispensada de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo ao contribuinte o ônus da prova. A comprovação da origem dos recursos, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, afasta a presunção de omissão de rendimentos imputada. APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO. RETROATIVIDADE. Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processo de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. MULTA AGRAVADA. A falta de atendimento às intimações formuladas pelo Fisco, para apresentar esclarecimentos/documentos, autoriza o agravamento da multa de lançamento de oficio. PROVA COMPLEMENTAR. Não configurada a impossibilidade de apresentação da prova documental na impugnação, por motivo de força maior, indefere-se o pleito de juntada posterior de prova. 18 \ Processo n° :19515.001865/2002-91 Resolução n° :102-02.405 Lançamento Procedente em parte Em sua peça recursal (fls. 1.123/1.175), o recorrente repisa e aprofunda as mesmas questões declinados em sua impugnação ao lançamento: nulidade do lançamento, devido a diversos vícios formais inadmissíveis frente às normas que regem as atividades de fiscalização, especialmente no que se refere a emissão e prorrogação dos Mandados de Procedimento Fiscal; decadência parcial, considerando os fatos jurídicos tributários ocorridos no ano-calendário de 1996 e em janeiro a novembro de 1997, sujeitos ao lançamento por homologação, nos termos do artigo 150 do CTN; nulidade do lançamento pela impossibilidade constitucional de violação do sigilo bancário sem autorização judicial, devendo os Órgãos judicantes do Ministério da Fazenda analisar o permissivo legal que concedeu à autoridade administrativa tal faculdade, bem assim a utilização de informações da CPMF, sob pena de privar o recorrente do seu direito fundamental de meios amplos de argumentação e defesa no processo administrativo fiscal; irretroatividade da Lei Complementar n° 105, de 2001, utilizada pela fiscalização para apoderar-se de informações privativas referente a operações realizadas na BOVESPA e demais instituições financeiras, sendo que para o IRPF, a norma material ou instrumental, não pode retroagir em relação aos tributos que não são lançados por período certo de tempo, conforme dispõe o § 2° do artigo 144 do CTN ; a busca da verdade material, corolário do princípio da estrita legalidade, foi negligenciado pela fiscalização, que deixou de verificar os eventos ocorridos na realidade, a macular de nulidade o lançamento, efetuado de forma precipitada; considerando a remota hipótese de não ser acolhida a decadência, argumenta inexistir a acréscimo patrimonial a descoberto, elaborado pela fiscalização a partir da quebra do seu sigilo bancário e sem analisar a fundo os documentos obtidos, aponta no item 36/1 a 39 — fls. 1.154/1.158 — os erros constantes do método adotado pela fiscalização (a decisão de primeiro grau reduziu o APD para R$1.362.407,39, conforme Demonstrativo à fl. 1.049); inexistência de omissão de ganhos líquidos em mercado de renda variável, que decorrem principalmente do fato de a fiscalização não ter computado os custos de aquisição (conforme extratos emitidos pela própria BOVESPA que comprovam o custo de aquisição de algumas ações — docs. 42 a 61 — fls. 890/909), não ter computado todos os prejuízos existentes no período e não ter considerado que muitas dessas ações foram adquiridas há mais de vinte anos, estando o ganho 19 é 1 1 '• Na Processo n° :19515.001865/2002-91 Resolução n° :102-02.405 delas desonerado da tributação do imposto de renda, confonne previsto na Lei n° 1.510, de 1976; requer a análise de documentos anexados (docs. B-1 a B-20), bem como da planilha explicativa do anexo "B", que demonstram aquisições e subscrições de ações ocorridas no período de 1991 a 1999 (Acesita, Elekeiroz, Cia Lorenz, Nitrocarbono, Rhodia, dentre outros), os quais representam elementos adicionais para auxiliar no correto cálculo dos ganhos líquidos obtidos no mercado de renda variável, pelos ívdices do Anexo I da Instrução Normativa DPRF n° 208, de 2002; aduz que o universo da negociação de ações não se resume à BOVESPA, devendo ser considerado negociações ocorridas no âmbito da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, e também as operações concluídas em mercado de balcão, para as quais não há qualquer forma de registro; diversos ações negociadas no período da autuação correspondem ao saldo total ou parcial das ações detidas em 1990 (ações do Bandepe, Benzenex, Camargo Correa, Duratex, Clímax (Electrolux), Elezeiroz, Eucatex, Iguaçu Café, Lacesa, Santander Noroeste, Sabesp, dentre outros; também foram incluídas negociações de ações que, apesar de devidamente listadas no relatório emitido pela BOVESPA, não foram consideradas pela fiscalização na formulação do Auto de Infração (Noroeste, Schulz e Telebrás); alega ainda que há considerável volume de papéis negociados para os quais não foi encontrada a documentação que comprove os respectivos custos de aquisição, para os quais protesta pela juntada posterior, que comprovarão a total insubsistência dos valores lançados; inexistência de omissão de rendimentos com base no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, considerando a inadequação entre a presunção legal e o fato presuntivo (depósitos bancários), conforme ensina Alfredo Augusto Becker; o mecanismo criado pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996 não derivou da apreciação realística dos fatos para fins de estabelecer seguramente o nexo causal entre o fato conhecido e o fato desconhecido, razão pela qual referida tributação não se reporta a uma presunção legal, mas sim a uma ficção jurídica; na história pretérita dos lançamentos com base em depósitos bancários, no que respeita aos processos apreciados pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, os depósitos bancários foram considerados meros elementos indiciários da ocorrência do fato gerador e que exigiam complementação mediante a produção de outros elementos de prova; transcreve a súmula n° 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos e entendimento reiterado da CSRF; à luz do principio da legalidade estrita, não pode haver tributação por ficção jurídica; necessidade de se apurar se houve disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou acréscimo patrimonial; valores lançados com base na presunção foram exonerados, porque provenientes de pagamento de dividendos 20 lin . . ; . , • Processo n° :19515.001865/2002-91 Resolução n° :102-02.405 ou de juros sobre capital próprio de abril/1997 a maio/1999, que são isentos de tributação e tributados exclusivamente na fonte, respectivamente; documentos juntados relativos ao período de novembro e dezembro de 1999 não foram analisados (docs. 86, 93, 123, 155 e 156 da impugnação); com o recurso apresenta novos documentos, conforme planilha às fls. 1.166 a 1.168; rendimentos sujeitos à tributação exclusiva são informados à Receita Federal diretamente pelos contribuintes responsáveis pela sua retenção, através das DIRF; os rendimentos isentos (dividendos ou juros sobre capital próprio ) são informados através da DIPJ fornecida anualmente pelas fontes pagadoras, não podendo a fiscalização simplesmente desconsiderá-las, pelo fato de o contribuinte não ter apresentado os comprovantes, sob pena de afronta ao princípio da verdade material; a própria fiscalização menciona serem os valores depositados nas contas do impugnante decorrentes de dividendos, uma vez que nos Anexos XIV, XV e XVI ao Termo de Intimação de 02/12/2002, ao lado de vários depósitos encontram-se as iniciais "DIV", significando "DIVIDENDOS" e, portanto, isentas da incidência do IRPF; junta planilha (doc. C-86), justificando o total de R$100.938,47 de depósitos efetuados, ressaltando que, por se tratar de dividendos decorrentes de ações de empresas do Grupo Real, não há que se exigir outro documento que não seja o próprio extrato no processo; a simples menção do histórico da transação "DOC-D" nos extratos revela a operação correspondente de transferência realizadas entre contas de propriedade do recorrente (docs. C87-A e C87-B, no montante de R$3.809.488,74), consoante disposição expressa do artigo 1°, I, da Circular BACEN n° 3.137, de 2002; da mesma forma são os resgates de aplicações em fundos de investimentos, cujos valores constam do Anexo IV ao Termo de Intimação de 02/12/2002; apresenta três planilhas com valores que também devem ser exonerados, por serem referentes a estornos e doc devolvidos (doc. C88), juros sobre capital próprio pagos pelo !taxi (doc. C89) e lançamentos automáticos feitos sazonalmente pelo Bradesco em razão de rendimentos oriundos de ações custodiadas (doc. C90); a multa de 112,50% é incabível, uma vez que o impugnante sempre respondeu aos Termos de Intimação emitidos no curso do procedimento de fiscalização, vários deles repetitivos e desnecessários; em nenhum momento deixou de diligenciar no sentido de obter a documentação solicitada, não tendo expressado recusa no atendimento das solicitações fiscais; os documentos solicitados não foram apresentados devido ao curto espaço de tempo para a reunião de todos os comprovantes, que, em verdade, não estavam disponíveis ou não foram localizados à época da ação fiscal, cabendo à autoridade fiscal tomar medidas mais proficuas de investigação 21 h Processo n° :19515.001865/2002-91 Resolução n° :102-02.405 perante o próprio contribuinte (conceder mais prazo), mas nunca concluir que houve recusa do contribuinte em exibi-los, impondo multa agravada; a multa em questão somente se aplica a casos de absoluta falta de cooperação por parte do contribuinte, ou seja, quando apesar de intimado, deixa de apresentar um elemento com o intuito de ocultar um fato gerador, o que não é o caso. Arrolamento de bens controlado no Processo de n° 10880.00619612004-73, conforme despacho à fl. 1.445. É o Relatório. 22 ; • ir 1.• Processo n° : 19515.001865/2002-91 Resolução n° :102-02.405 VOTO Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade — dele tomo conhecimento. Do exame das peças processuais, verifica-se que a matéria de fato posta à decisão deste Colegiado ainda não foi suficientemente esclarecida. Desta forma, entendo ser necessário a realização de diligência, a fim de que funcionário competente da unidade de origem tome as seguintes providências: • Solicitar da BOVESPA data e valor das operações em que Isaac Michaan, CPF n°938.126.718-91, comparece, nos anos de 1997 a 1999, como comprador e vendedor em operações na bolsa, bem assim informar as contas bancárias utilizadas nessas operações; • Intimar o Banco Bradesco para esclarecer a natureza dos lançamentos automáticos em razão de rendimentos oriundos de ações custodiadas (doc. C90 — o histórico é DOC-CRED AUT.); • Intimar o Banco Itall para esclarecer se os lançamentos com histórico DOC se referem aos pagamentos de juros sobre capital próprio (doc. C89); • Intimar o Banco Real para esclarecer sobre a Listagem C86, que o contribuinte alega referir-se a dividendos do Grupo Real. 23 . : Processo n° :19515.001865/2002-91 Resolução n° :102-02.405 • Também pedir ao autuado esclarecimentos quanto a conta bancária proveniente dos 3.803.742,74 (C- 87-A — fl. 1338), e para apresentar elementos de prova das operações. O contribuinte deve ser intimado do relatório de diligência, com prazo para se manifestar. Sala das SessZes -09 07 de novembro de 2007. ,I.À) JOSE • .2 le *STA SANTOS 24

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Numero do processo: 10140.003655/2001-88
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2005
Ementa: PIS/PASEP - LANÇAMENTO REFLEXO - Tratando-se de lançamento reflexivo, a decisão proferida no processo matriz é aplicável ao processodecorrente, em razão da intima relação de causa e efeito que os vincula. Recurso improvido.
Numero da decisão: 105-15.319
Decisão: ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio e NÃO CONHECER da petição de folhas 883, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: Pasep- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Daniel Sahagoff

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'fP '11/4 QUINTA CÂMARA Processo n° :10140.003655/2001-88 Recurso n° :141.286 - EX OFFICIO Matéria : PIS/PASEP - EXS.: 1999 a 2001 Recorrente : r TURMA/DRJ em CAMPO GRANDE/MS Interessada : FRIGORIFICO PEDRA BRANCA LTDA. E OUTROS Sessão de :19 DE OUTUBRO DE 2005 Acórdão n° :105-15.319 PIS/PASEP - LANÇAMENTO REFLEXO - Tratando-se de lançamento reflexivo, a decisão proferida no processo matriz é aplicável ao processo decorrente, em razão da intima relação de causa e efeito que os vincula. Recurso improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso de oficio interposto pela r TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM CAMPO GRANDE/MS ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio e NÃO CONHECER da petição de folhas 883, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. É4CLOVI" ALVES PRESIDENTE ,ae,taLcpico DANIEL SAHAGOFF RELATOR FORMALIZADO EM: 09 DEZ 2005 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. .70:5 QUINTA CÂMARA Processo n° : 10140.003655/2001-88 Acórdão n° : 105-15.319 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: NADJA RODRIGUES ROMERO, CLÁUDIA LÚCIA PIMENTEL MARTINS DA SILVA (SUPLENTE Convocada), EDUARDO DA ROCHA SCHMIDT, LUÍS ALBERTO BACELAR VIDAL, IRINEU BIANCHI e JOSÉ CARLOS PASSUELLO. 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA 4. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. 4tte45- QUINTA CÂMARA Processo n° : 10140.003655/2001-88 Acórdão n° : 105-15.319 Recurso n° : 141.286- EX OFFICIO Recorrente : 2° TURMA/DRJ em CAMPO GRANDE/MS Interessada : FRIGORIFICO PEDRA BRANCA LTDA. E OUTROS RELATÓRIO FRIGORIFICO PEDRA BRANCA LTDA. E OUTROS, empresa já qualificada nestes autos, foi autuada em 21/12/2001, referente aos exercícios de 1999 a 2001, relativamente a Contribuição para o Programa de Integração Social (fls. 574/585), no valor total de R$ 1.520.515,39, neles incluído o principal, multa e os juros de mora calculados até 30 de novembro de 2001. O Auto de Infração descreve as seguintes irregularidades: "001 — CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL—PIS FALTA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL — PIS Esta fiscalização decorreu da Operação Combate à inadimplência que teve, entre outras ações, a diligência nas instalações do Frigorífico São Judas Ltda, no Município de Guia Lopes de Laguna/MS, em 03/05/2001, onde foi retida uma grande quantidade de documentos. Como resultado da análise dos documentos retidos, constatou-se que no mesmo local funcionaram as seguintes empresas: FRIGOLUNA FRIGORÍFICOS LTDA ... 10/1995 a início de 1997; COMERCIAL MS ALIMENTOS LTDA. — início de 1997 a início de 1998; FRIGORIFICO PEDRA BRANCA — 1998 a 07/2000, FRIGORÍFICO SÃO JUDAS 08/2000 ATÉ 06/2001. Neste caso constatamos o funcionamento de vários frigoríficos, sucessivamente, nas mesmas instalações, mantendo até o mesmo quadro de funcionários, tendo como responsáveis interpostas pessoas, laranjas'", enotando fortíssimos indícios de fraude para sonegação de tributos. 3 t MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. w'è QUINTA CÂMARA Processo n° : 10140.003655/2001-88 Acórdão n° : 105-15.319 (..) foram constatadas divergências entre os valores declarados nas DIPJ 1999 e DIPJ 2000 e os valores escriturados nos seus livros registro de saídas e Livros Registros de Apuração do ICMS, referentes aos anos de 1998, 1999 e 2000. O levantamento do faturamento do Frigorifico Pedra Branca Ltda. foi feito através dos seus Livros Registro de Salda, Livros Registro de Apuração do /CMS e das Guias de Informações de ICMS, entregues à Secretaria da Fazenda do Estado do Mato Grosso do Sul (...y Conforme se verifica com análise do Relatório de Constatação (fls. 570/573) a autoridade fiscal concluiu que: a) No local funcionaram e funcionam outras empresas que exploram a mesma atividade, apenas com mudança de dados cadastrais; b) O Sr. Sérgio Ferrari e Sebastião Fen-ari não possuíam capacidade financeira para integralização de capital; c) Os verdadeiros responsáveis pela empresa são os garantidores das operações de compra de gado, os Senhores Waldomiro Thomaz e José Roberto Teixeira; d) O Sr. Hermez de Araújo Rodrigues atua efetivamente como uma espécie de gerente- geral, possuindo várias procurações outorgadas pela autuada e pelo Frigorífico São Judas Ltda., sendo ele quem efetua pagamentos, controla recebimentos, gerencia controles de abate de gado, comercialização de produtos, enfim todos os atos necessários para o gerenciamento administrativo e financeiro; 4 ;A MINISTÉRIO DA FAZENDA ff PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. • -0".?“;, QUINTA CÂMARA Processo n° : 10140.003655/2001-88 Acórdão n° : 105-15.319 e) Na documentação retida da empresa foram encontradas diversas Notas Promissórias Rurais — NPR, onde o Sr. Gilberto Maciel Nogueira assina na condição de avalista, como procurador sobre o carimbo do Sr. José Roberto Teixeira; f) O Sr. José Roberto Teixeira é fiador no contrato de aluguel datado de 19/12/1997, referente às instalações do Frigorifico Pedra Branca Ltda; g) A ligação dos Srs. Waldomiro Tomaz, Alexandre Thomaz, José Roberto Teixeira e Hermes de Araújo Rodrigues com a autuada indica que, apesar de alheios ao contrato social desta, possuem ligações com a fiscalizada, bem como concorreram para a ocorrência das irregularidades elencadas e, por terem interesse comum nas atuações que constituíram os fatos geradores das obrigações tributárias, são responsáveis solidários pelos tributos devidos, por essa razão foram também incluídos no pólo passivo da autuação como responsáveis solidários. A empresa foi intimada em 02/01/2002, consoante se verifica com o Aviso de Recebimento — AR, assinado pelo Sr. Hermes Araújo. Considerando o decurso do prazo de 30 (trinta) dias após o recebimento do AR, em 08/03/2002, o órgão preparador juntou Termo de Revelia da empresa e Demonstrativo de Débito, encaminhando os autos para a Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União — DAU. 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. QUINTA CÂMARA Processo n° : 10140.003655/2001-88 Acórdão n° : 105-15.319 Em 25/06/2002, a Procuradoria da Fazenda Nacional, após cancelar tal inscrição, devolveu os autos à DRF de origem para regularização dos lançamentos efetuados em relação às pessoas físicas responsáveis pela autuação, nos seguintes termos: a Compulsando os Processos Administrativos acima epigrafados verifico na ordem acima, às fis. 573, 806 e 546 que nos levantamentos fiscais restou constatado pela fiscalização, o envolvimento das pessoas físicas de Waldomiro Thomaz, Alexandre Thomaz, José Roberto Teixeira e Hermes de Araújo Rodrigues, como principais responsáveis pela empresa e, consequentemente, pelos débitos tributários apurados, sendo os três primeiros como responsáveis solidários e o último como responsável subsidiário (..) referidas pessoas não foram incluídas na autuação e tampouco foram notificadas, como de regra deveria ser, a fim de exercerem o direito de defesa." Após o atendimento da determinação acima, a DRF/Campo Grande—MS juntou comprovação da ciência dos responsáveis Waldomiro Thomaz (ciente em 15/08/2002), Alexandre Thomaz (ciente em 15/08/2002), José Roberto Teixeira (ciente em 15/08/2002) e Hermes de Araújo Rodrigues (ciente em 15/08/2002). Em 17/09/2002 foi anexado o Termo de Revelia relativo aos contribuintes Waldomiro Thomaz, Alexandre Thomaz e Hermes de Araújo Rodreigues. Nos autos constam anexadas as impugnações da empresa e do Sr. José Roberto Teixeira, bem como a documentação encaminhada pelo Cartório do 2° Oficio de Dourados — MS. Ressalta-se que a empresa apresentou a impugnação intempestivamente em 10/09/2002, já que sua ciência deu-se em 02/01/2002 (fl. 567), ou seja, aproximadamente oito meses após sua intimação. 6 e k MINISTÉRIO DA FAZENDA rt PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. ..ffl:,,y;•• QUINTA CÂMARA Processo n° : 10140.003655/2001-88 Acórdão n° : 105-15.319 O co-interessado José Roberto Teixeira, por sua vez, apresentou impugnação em 16/09/2002, alegando, em síntese, que: a) É parte ilegítima, não é sujeito passivo, não podendo ser acoimado de responsável solidário por atos de terceiros (a empresa autuada ou quem tenha exercido a gerência da mesma); b) É incorreta a sua vinculação como responsável solidário à luz do artigo 135 do Código Tributário Nacional, pois baseada em presunções inconsistentes que não resistem ao menor sopro constestatório; c) Não há nos autos prova de que o impugnante tenha figurado como avalista de notas promissórias rurais emitidas pelo Frigorífico Pedra Branca e, mesmo se verdadeiro fosse, tal fato não o transformaria da condição de avalista em proprietário da empresa, nem em seu sócio, nem em seu gerente, nem em seu administrador e nem em nenhuma das pessoas relacionada nos artigos 134 e 135, do Código Tributário Nacional; d) O fato de ele ser ter servido de fiador no contrato de locação de prédio onde está instalado o frigorifico não tem poder de transformar o fiador em sócio; e) A autuação não se amolda às determinações contidas no art. 124, I do CTN, pois não se comprovou seu interesse quanto à situação que constitui fato gerador e que é irregular a situação em que foi colocado pelo Fisco, compelindo-o a produzir prova de fato negativo, quando é 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA .J. t PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. ali. QUINTA CÂMARA Processo n° : 10140.003655/2001-88 Acórdão n° : 105-15.319 certo que o ónus da prova do ato administrativo incumbe a quem tem o dever de adequada e necessária motivação. Foi apresentada proposta de diligência para: 1. Retificar a capa do processo e os demais registros e controles, acrescentando o termo "e outros"; 2. Lavrar auto de infração complementar (Decreto 70.235/72), art. 18, parágrafo 3°, com a redação da Lei. 8.748/93, para incluir no pólo passivo da autuação as pessoas físicas relacionadas no item 16 do Termo de Constatação, face ao disposto no artigo 135, III do Código Tributário Nacional, intimando-os para, nos termos do artigo 23 do Decreto 70.235/72 apresentar impugnação. Em 02/09/2003 foi lavrado o Auto de Infração complementar em atendimento á diligência proposta a DRJ de origem. Consta, ainda, nova proposta de diligência informando que "verificando-se estes autos, conclui-se que não foram incluídos no pólo passivo da autuação as pessoas relacionadas pelo auditor fiscal no Termo de Constatação (item 16 — fls. 546), bem como não foram cientificados os Sr. Sebastião Ferrari e Sérgio Ferrari. Para evitar cerceamento de defesa, proponho que i processo baixe em diligência nos termos do artigo 18 e artigo 29 do Decreto 70.235172..." Dessa notificação complementar, em 12/09/2003 foram intimados a empresa e o Sr. Hermes de Araújo Rodrigues. Em 10/09/2003 os Sr. Waldomiro Thomaz, 8 /5) MINISTÉRIO DA FAZENDA It PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES n. , ;;741:iy> QUINTA CÂMARA Processo n° : 10140.003655/2001-88 Acórdão n° : 105-15.319 José Roberto Teixeira, Alexandre Thomaz. Os Srs. Sebastião Ferrari e Sérgio Ferrari foram intimados por edital em 29/09/2003. No dia 08/10/20032, foi protocolizada a impugnação do Sr. José Roberto Teixeira ao referido Auto de Infração Complementar, na qual ele ratifica a defesa ofertada anteriormente, apenas reforçando alguns pontos de sua argumentação. Os demais interessados não apresentaram impugnação ao Auto de Infração Complementar. Em 13 de fevereiro de 2004, a 2' Turma da Delegacia de Julgamento em Campo Grande/MS julgou o lançamento procedente (fls.824/829), mas excluiu José Roberto Teixeira do pólo passivo conforme ementas abaixo transcritas: "IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. A impugnação intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo fiscal, obstando qualquer pronunciamento do órgão julgador administrativo acerca da exigência formalizada. RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA. Deve ser excluído do polo passivo da autuação a pessoa arrolada como responsável solidário que logra provar o equívoco do fisco. Lançamento procedente.." Nas fls. 871 foi apresentado requerimento do Sr. Waldomiro Thomaz, Informando que: a) Não tomou conhecimento da lavratura do auto de infração antes dessa data, já que as intimações e avisos foram encaminhados para endereço diverso; 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA t PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. P -,;j1.,311> QUINTA CÂMARA Processo n° : 10140.003655/2001-88 Acórdão n° : 105-15.319 b) É parte ilegítima para figurar na presente demanda, já que a autuada está constituída desde 1997, conforme contrato registrado na Junta Comercial/MS e cujos únicos sócios são Sérgio Ferrari e Sebastião Ferrari, sendo este o gerente da empresa conforme Termo de Constatação. c) Por ser um antigo pecuarista não é estranho o fato de avalizar notas promissórias e possuir carimbos e documentos em frigoríficos próximos e; d) A este caso deve ser aplicada à mesma decisão aplicada ao Sr. José Roberto Teixeira. Nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto 70.235/72, em consonância com a Portaria MF n° 333, de 11 de dezembro de 1997, foi interposto recurso de ofício a este Conselho de Contribuinte. É o Relatório. Ce, 10 ,41 MINISTÉRIO DA FAZENDA „ ._,t fo PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. 'tr QUINTA CÂMARA Processo n° : 10140.003655/2001-88 Acórdão n° : 105-15.319 VOTO Conselheiro DANIEL SAHAGOFF, Relator O recurso de ofício tem previsão legal, razão pela qual dele tomo conhecimento. A decisão proferida pela DRJ no processo principal, foi no sentido de julgar procedente o lançamento, conforme ementas transcritas abaixo: "IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. A impugnação intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo fiscal, obstando qualquer pronunciamento do órgão julgador administrativo acerca da exigência formalizada. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Deve ser excluído do polo passivo da autuação a pessoa arrolada como responsável solidário que logra provar o equívoco do fisco. AUTUAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. Ao se definir a matéria tributável na autuação principal, o mesmo resultado é estendido à autuação reflexa, face à relação de causa e efeito existente". Nesta sessão, foi mantido o lançamento e negado provimento ao recurso de ofício principal (Recurso n° 141.287). A jurisprudência deste Conselho é no sentido de que a sorte colhida pelo principal comunica-se ao decorrente, a menos que novos fatos ou argumentos sejam aduzidos, o que não ocorreu no presente caso. Em face do exposto, e do mais que o processo trata, e ainda, pelas razões consignadas nos Autos do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, que considero aqui 11 1/49 • MINISTÉRIO DA FAZENDA '7. 2;1 rt PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. "p:' • lr QUINTA CÂMARA Processo n° : 10140.003655/2001-88 Acórdão n° : 105-15.319 transcritas para todos os fins de direito, voto no mesmo sentido, para ajustar o presente processo ao decidido no processo matriz, negando provimento ao recurso de oficio. Sala d s Sessões - DF, em 19 de outubro de 2005. DANIEL SAHAGOFF 12 Page 1 _0046100.PDF Page 1 _0046200.PDF Page 1 _0046300.PDF Page 1 _0046400.PDF Page 1 _0046500.PDF Page 1 _0046600.PDF Page 1 _0046700.PDF Page 1 _0046800.PDF Page 1 _0046900.PDF Page 1 _0047000.PDF Page 1 _0047100.PDF Page 1

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Numero do processo: 10070.000897/93-83
Turma: Oitava Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 1998
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 1998
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO - IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA - RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO COM REDUÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO - REEXAME NECESSÁRIO: Inexistindo litígio, pela intempestividade da impugnação, a retificação do lançamento com a finalidade de sanar erros nele contidos, que implique redução do valor originariamente lançado, é atividade ainda inerente à esfera de competência da autoridade lançadora, não passível de reexame pela segunda instância de julgamento administrativo. RECURSO NÃO CONHECIDO.
Numero da decisão: 108-04964
Decisão: ACORDAM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: José Antônio Minatel

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Passivo : EMPRESA DE NAVEGAÇÃO ALIANÇA LTDA Sessão de : 17 DE MARÇO DE 1998 Acórdão n°. : 108-04.964 PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO - IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA - RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO COM REDUÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO - REEXAME NECESSÁRIO: Inexistindo litígio, pela intempestividade da impugnação, a retificação do lançamento com a finalidade de sanar erros nele contidos, que implique redução do valor originariamente lançado, é atividade ainda inerente à esfera de competência da autoridade lançadora, não passível de reexame pela segunda instância de julgamento administrativo. RECURSO NÃO CONHECIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pelo DELEGADO DA RECEITA FEDERAL NO RIO DE JANEIRO-CENTRO SUL: ACORDAM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. MANOEL ANTÓNIO GADELHA DIAS PRESIDENTE ir k f 11 J* tNTi; • * 10 MINATE R, o - FORMALIZADO EM: O ABR 1998 . . Processo n°. : 10070.000897/93-83 Acórdão n°. : 108-04964 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JÚNIOR, NELSON LOSSO FILHO, ANA LUCILA RIBEIRO DE PAIVA, JORGE EDUARDO GOUVÉA VIEIRA, MÁRCIA MARIA LORIA MEIRA e LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA. G1),, -11Ik 2 • .i. • ' . Processo n°. : 10070.000897/93-83 Acórdão n°. : 108-04.964 Recurso n°. : 110.078 Recorrente : DRF NO RIO DE JANEIRO (RJ) RELATÓRIO Trata-se de recurso de ofício, interposto pelo Delegado da Receita Federal no Rio de Janeiro/Centro Sul, na decisão prolatada às fls. 31/33 que, ao mesmo tempo em deixou de conhecer da impugnação apresentada pelo sujeito passivo, pela sua intempestividade, de ofício, determinou a retificação do lançamento para corrigir erros nele contidos, o que implicou na redução de crédito tributário correspondente a 166298,46 UFIR (Imposto + Multa). O crédito tributário havia sido formalizado pela Notificação de Lançamento Suplementar de fls. 02/03, para exigência de diferença de Imposto de Renda da pessoa Jurídica (IRPJ), proveniente de revisão sumária da Declaração de Rendimentos apresentada pela empresa no exercício de 1.991, relativa ao ano-calendário de 1.990, sob o fundamento de que houve "prejuízo fiscal indevidamente compensado e excesso de retiradas de administradores não calculado em conformidade com a legislação vigente" A exigência foi impugnada através da petição protocolizada em 29.06.93 (fi. 01), onde a empresa procurou demonstrar a improcedência do lançamento no tocante à compensação de prejuízos fiscais, informando que estava providenciando o pagamento em relação ao excesso de retiradas. A decisão de primeiro grau considerou intempestiva a impugnação, porém, de ofício, determinou a retificação do lançamento para retificar erros contidos no cálculo dos prejuízos fiscais glosados, o que motivou a redução do crédito tributário lançado que é submetida ao reexame necessário deste Colegiado (fls. 31/33). 4sci\ É o Relatório. 0, 3 Processo n°. : 10070.000897/93-83 Acórdão n°. : 108-04.964 VOTO Conselheiro JOSÉ ANTONIO MINATEL - relator Entendo que falta ao recurso de ofício pressuposto para a sua admissibilidade. Com efeito, dispõe o art. 34, I, do Decreto n° 70.235/72, com a nova redação que lhe foi atribuída pelo art. 67 da Lei 9.532/97: "Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: - exonerar o sujeito passivo de pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda". Com base nessa delegação de competência, o Ministro da Fazenda baixou a Portaria n° 333, publicada no D.O.U. de 12 de dezembro de 1.997, fixando o valor de alçada em R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais), conforme se vê do seu artigo 10 aqui transcrito: "Art. 1° Os Delegados de Julgamento da Receita Federal recorrerão de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) superior a R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais). Parágrafo único. Na hipótese de quantia lançada em UFIR, será convertida em real na data da decisão, para fins de verificação do valor a que alude o "caput" deste artigo."Á 4 17? • - Processo n°. : 10070.000897/93-83 Acórdão n°. : 108-04.964 Evidencia-se, dos textos transcritos, que só é pertinente submeter ao reexame necessário o ato com status de decisão monocrática, ou seja, o ato da autoridade julgadora de primeira instância que, decidindo o litígio instaurado com a impugnação do ' sujeito passivo, exonera crédito tributário em montante superior ao limite de alçada. No caso presente, a decisão do Delegado da Receita Federal no Rio de Janeiro/Centro Sul não tem essa natureza, posto que não decidiu qualquer litígio, em função da intempestividade da impugnação. A revisão de ofício do lançamento era atividade que efetivamente estava na sua área de competência, mas não como autoridade julgadora, e sim como autoridade encarregada da elaboração do próprio lançamento. Do ato administrativo que deixa de lançar crédito tributário, ou que retifica de oficio exigência não litigiosa, não há que se falar em reexame necessário pela segunda instância de julgamento administrativo. Ainda que assim não fosse, vejo que o montante crédito tributário que foi reduzido pela autoridade lançadora é inferior ao valor fixado na Portaria-MF 333/97, o que também implicaria na inadmissibilidade do recurso de ofício, se lhe fosse atribuída essa natureza. Por uma razão, ou por outra, VOTO no sentido de NÃO CONHECER do recurso de ofício, pela ausência de pressuposto para a sua admissibilidade. Sala das Sessões - DF, em 17 de março de 1998 agp• • o JOS - e N O MINATEL - ELATOR g) 5 Page 1 _0032500.PDF Page 1 _0032700.PDF Page 1 _0032900.PDF Page 1 _0033100.PDF Page 1

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4626834 #
Numero do processo: 11128.003327/98-37
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Aug 18 00:00:00 UTC 2000
Data da publicação: Fri Aug 18 00:00:00 UTC 2000
Numero da decisão: 302-00.970
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva, arguida pela recorrente, vencido o conselheiro Hélio Fernando Rodrigues Silva, e converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o conselheiro Hélio Fernando Rodrigues Silva.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO

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Numero do processo: 10120.002901/92-33
Turma: Oitava Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 1995
Data da publicação: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 1995
Ementa: COMPENSAÇÃO DE PREJULZOS - É de admitir-se o direito à compensação de prejuízos anteriores incorporados ao saldo a compensar, em virtude de exigência fiscal anterior julgada parcialmente Subsistente. Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 108-02063
Decisão: ACORDAM os Membros da Oitava Cknara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à compensaçâo de prejuízos fiscais de exercícios anteriores, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Luiz Alberto Cava Maceira

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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-09-03T11:08:47Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-09-03T11:08:47Z; Last-Modified: 2009-09-03T11:08:47Z; dcterms:modified: 2009-09-03T11:08:47Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-09-03T11:08:47Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-09-03T11:08:47Z; meta:save-date: 2009-09-03T11:08:47Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-09-03T11:08:47Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-09-03T11:08:47Z; created: 2009-09-03T11:08:47Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2009-09-03T11:08:47Z; pdf:charsPerPage: 1341; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-09-03T11:08:47Z | Conteúdo => MINISTÉRIO DA FAZENDA I 4 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES " orrAvA CÂMARA PROCESSO N'. : 10120-002.901/92-33 RECURSO N'. : 105.304 MATÉRIA : 1RPJ EX: DE 1990 RECORRENTE : PROCARD-TRANSFORMAÇÃO E COM. DE PAPEL LTDA RECORRIDA : D.R.F. EM GOIÂNIA (GO) SESSÃO DE : 07 de jimbo de 1995 ACÓRDÃO : 108-02.063 COMPENSAÇÃO DE PREJULZOS - É de admitir-se o direito à compensação de prejuízos anteriores incorporados ao saldo a compensar, em virtude de exigência fiscal anterior julgada parcialmente Subsistente. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por PROC.ARD - TRANSFORMAÇÃO E COMÉRCIO DE PAPEL LTDA.: ACORDAM os Membros da Oitava Cknara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à compensaçâo de prejuízos fiscais de exercícios anteriores, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. LUIZ liTOCAVA ri CERA VICE- • ' IDENTE NO ' N. CIO DA PRESIDÊNCIA E REA- TOR FORMALIZADO EM: 12JUL 1996 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: SANDRA MARIA DIAS NUNES, PAULO TRVIN DE CARVALHO VIANNA, RICARDO JANCOSKI, RENATA GONÇALVES PANTOJA, MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO .TÉINIOR e stRalo MURILO MARELLO (Suplente Convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro JOSÉ ANTONIO MINATEL. , • . $ `01-51‘102100-0&101 t0F3.01 3,10251U53.51 012Q 3C1 :X3 -1.1.1511 Aula-FAIA Açu,' tom 3(1 1,1103a 0A5A)/151M31,1A5fT-C151A30514. : 31143515105351 (00) A11,1A1OD M3 3.A.G A(115151053.51 sb orltuk sh VO aa oikezaz caos o- got .901 0/.08510DA á olisiih o ea-iiittrths uh à - ZOS.1111,831(1 au OÂ')A21,13.(11/101.) s ohIR OH aohnotrossi as1oi-25Mb zoshq.siq sh cargas:Kl:nos sim:21111 -tonshu3 I133aft ni3n5gizu sb shuniv me ;manequins .s Ins Ia aduziu StsmIs is.tnq Ming gris ohivoiq oruno51 ioq oiaomelni M111391 eb adua estocam go zobituszib e gohsiclei :.A(MI.139Acl NU 0155131405 3 04k0A111510112111A51T (1.51A905111 sh offiszooD oiismii oh surni15 svaii0 sh soldmeM zo MAG.5105A o 199:4105'51 .81Bq ,o-nossi os Isisisq ()incisivo-Kl 5IAG raotov sh shshimitunts ioq astaiudillso5 olov s oilâts13-$ ob aclimei aos casiohs1ns zoistmsxs cb aisszil aailujelq sb oliwansqutos .t ohsglui et-lese-Kl o -ungstni si msaasq stip A5M3'..)AM AVA5 aniaa,u, vem -15511U3 orei auto. crIzaspr Dl? -/\ 1351 a /.1516i012251 11 AG 015 510T :113 0GÁVQ.IAM..11n S a PRI ADIAMAM NICII,1A2. :ao-usrliseno5 e3/1liuw.4: ,o/nsrnsglui oh ANS ,ouruminifu341 ./a/-.4351 ,151a0a11A1 0(151A5151 AWA.A1V OíLIAVRAD 3(1 MIV511 OJi JA 41 .231111M 0,1151t1M OiDRáa 3 ii0mti. OU1011\519 t.5100119K111, 01511' 14 .AIOTVIA(I 23V,IA)1,00 OINOTKA A201 oliwIlwanoD o .otnemabooilitauj. ,ofilsanA .(obsoovno0 oftielqu2) 0,1121SILM ..13TAPIIM MINISTÉRIO DA FAZENDA 2 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N g 10120.002901/92-33 ACÓRDÃO N g 108-02.063 RECURSO N g 105.304 RECORRENTE: PROCARD - TRANSFORMAÇÃO E COMÉRCIO DE PAPEL LTDA. RELATÓRIO PROCARD - TRANSFORMAÇÃO E COMÉRCIO DE PAPEL LTDA., com sede na Rua n g 16, Bairro Santo Antônio, Jardim Botânico, na cidade de Goiânia,GO, inscrita no CGC sob n g 01.694.363/0001-37, pleiteando a reforma da decisão monocrática que considerou procedente em parte o lançamento suplmentar, recorre a este Colegiado. A matéria remanescente objeto do litígio, diz respeito à exigência de imposto de renda pessoa jurídica devido à compensação indevida de prejuízos, referente ao exercício de 1990, com fundamentação legal nos artigos 154, 382 e 388, inciso III, do RIR/80, bem como no artigo 8, do Decreto-lei n g 2.429/88. O contribuinte solicitou retificação do lançamento por constatar erro na conversão de valores por parte da Receita Federal. A decisão monocrática constatou que tendo havido erro quanto ao valor do prejuízo fiscal constante do demonstrativo de lançamento suplementar, é de se alterar tal lançamento com a glosa integral da compensação no exercício de 1990, do prejuízo fiscal do exercício de 1989, acrescendo ao mesmo, multa e juros de mora. Em suas razões de apelo, a Recorrente solicitou que fosse mantido o prejuízo fiscal apresentado na Declaração de Rendimentos e constestou os argumentos da autoridade singular com base nos quais entendeu indevida a compensação de prejuízo. É o relatório, 1k " MINISTÉRIO DA FAZENDA •3 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N2 10120.002901/92-33 ACÓRDÃO N g 108-02.063 VOTO Conselheiro LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA, Relator: Recurso tempestivo, dele conheço. A matéria em litígio respeita ao direito da Recorrente em compensar prejuízos fiscais anteriores com o lucro apurado na Declaração de Rendimentos do exercício de 1990. A posição assumida pelo Fisco resulta do entendimento que lançamento anterior (Proc. 10120.002520/91-19), procedimento de ofício, teria consumido o saldo de eventuais prejuízos fiscais anteriores a compensar. No entanto, observa-se que através do Acórdão n g 108-00.532, de 18/10/93, por unanimidade, esta Egrégia Oitava Câmara, deu provimento parcial ao recurso, excluindo da tributação as parcelas de Cz$ 5.432.092,93 e Cz$ 79.482.918,40, nos exercícios de 1988 e 1989, respectivamente, daí, resultando a incorporação ao saldo de Prejuízos a Compensar dos mencionados valores, de forma a possibilitar sua compensação com resultados tributáveis futuros. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à compensação de prejuízos fiscais de exercícios anteriores na forma exarada no presente voto. Brasília-DF, 07 de junho de 1995. 1/:1;3/ r ( LUIZ ERTO CAVA . CEIRA - Relator Page 1 _0056300.PDF Page 1 _0056400.PDF Page 1 _0056600.PDF Page 1

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4630719 #
Numero do processo: 10320.001180/2003-39
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2005
Ementa: CSLL - SOCIEDADE COOPERATIVA DE TRABALHO - Não são alcançados pela incidência do IRPJ os resultados de atos cooperativos. As operações relativas a atos não cooperativos, ainda que não se incluam entre as expressamente previstas nos artigos 86 a 88 da Lei n° 5.764/71, são passíveis de tributação normal pela em relação ao IRPJ e demais tributos. O valor recebido pelas cooperativas de trabalho, por serviços prestados por seus associados, a outra pessoa ainda que não associado, é ato cooperativo, desde o serviço seja da mesma atividade econômica da cooperativa, não sendo portanto tributável em relação à CSLL. (Art. 146 III b da CF 88 c/c art. 45 da Lei n°8.541/92, art. 64 da Lei 8.981, de 1995). Se a exigência se funda exclusivamente na descaracterização da cooperativa, pela prática de atos não cooperativos diversos dos previstos nos artigos 85 e 86 da Lei n° 5.764/71, não pode a mesma prosperar. Recurso provido.
Numero da decisão: 105-15.419
Decisão: ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: José Clóvis Alves

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As operações relativas a atos não cooperativos, ainda que não se incluam entre as expressamente previstas nos artigos 86 a 88 da Lei n° 5.764/71, são passíveis de tributação normal pela em relação ao IRPJ e demais tributos. O valor recebido pelas cooperativas de trabalho, por serviços prestados por seus associados, a outra pessoa ainda que não associado, é ato cooperativo, desde o serviço seja da mesma atividade econômica da cooperativa, não sendo portanto tributável em relação à CSLL. (Art. 146 III b da CF 88 c/c art. 45 da Lei n°8.541/92, art. 64 da Lei 8.981, de 1995). Se a exigência se funda exclusivamente na descaracterização da cooperativa, pela prática de atos não cooperativos diversos dos previstos nos artigos 85 e 86 da Lei n° 5.764/71, não pode a mesma prosperar. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por COTEPRO - COOPERATIVA DOS TECNICOS EM PROCESSAMENTO DE DADOS ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. j4) SI aV/1434AL P ESIDENTE E TOR 1 . . d.a MINISTÉRIO DA FAZENDA J.o,* PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUINTA CÂMARA Processo n° : 10320.001180/2003-39 Acórdão n° : 105-15.419 FORMALIZADO EM: O 9 DEZ 2005 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: NADJA RODRIGUES ROMERO, CLÁUDIA LÚCIA PIMENTEL MARTINS DA SILVA (Suplente convocado), EDUARDO DA ROCHA SCHMIDT, LUÍS ALBERTO BACELAR VIDAL, IRINEU BIANCHI e JOSÉ CARLOS PASSUELLO. Ausente, justificadamente o Conselheiro DANIEL SAHAGOFF. 2 t. . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUINTA CÂMARA Processo n° : 10320.001180/2003-39 Acórdão n° : 105-15.419 Recurso : 141.589 Recorrente : COTEPRO - COOPERATIVA DOS TECNICOS EM PROCESSAMENTO DE DADOS. RELATÓRIO COTEPRO - COOP. DOS TEC. EM PROC. DE DADOS LTDA, já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão prolatada pela 4 a Turma da DRJ em Belém do Pará, que através do Acórdão 4.088 de 04 de março de 2.004, manteve a exigência consubstanciada no auto de infração de folhas 15 a 30, recorre a este Colegiado, através do recurso de fls. 607/ 653, objetivando a reforma da sentença. Trata a lide de exigência de CSL relativo aos fatos geradores ocorridos em 31 de dezembro de 19998, 2.000, 2.001 e 2.002 e, multa isolada relativa estimativa não recolhida nos meses de janeiro de 1998 a abril de 2.003. A autuação está ancorada nos seguintes dispositivos legais: Arts. 86, 87 e 111 da Lei n° 5.764/71. Art. 889, incisos III e IV do RIR/94. Art. 28 da Lei n°9.430 de 1996. Arts. 183, inciso II, 222, 841, incisos III e IV, 843 e 957 § único inciso IV do RIR/99. Art. 77, inciso III, do Dec Lei 5.844/43. Art. 149 da Lei 5.172/66. Art. 2° e §§ da Lei 7689/88. Art. 19 da Lei 9.249/95. Art. 1° da Lei 9.316/96. Não concordando com o lançamento a Cooperativa apresentou impugnação ao feito fiscal, argumentando em síntese o seguinte. é Que a fiscalização descaracterizou a cooperatipva. 3 %-̀ : 'k 41 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUINTA CÂMARA Processo n° : 10320.00118012003-39 Acórdão n° : 105-15.419 Que é uma sociedade cooperativa, regularizada na junta comercial nas receitas Federal, Estadual e Municipal, cujo estatuto maior é a Lei 5.764/71, tendo sempre agido seguindo orientações da SRF. Não possui fins lucrativos e nenhum de seus sócios cooperativados foge de seu objetivo social que é a prestação de serviços de informática. Cita o artigo 146 da CF para concluir que as cooperativas devem ter um tratamento tributário diferenciado das demais empresas do pais. Que as legislações tributárias devem oferecer incentivos às cooperativas, pois é prevista a não incidência de impostos sobre os atos cooperativos pois não visam lucro. Cita o § 2° do art. 174 da CF que diz "a lei apoiará e estimulará o cooperativismo, para dizer que estimular não é prejudicar. Cita doutrina de Leandro Paulsen. Diz que os atos cooperativos não sofrem incidência tributária pois sequer configuram operações de mercado. Cita jurisprudência judiciária - parte de decisão do Juiz Federal de Ponta Grossa no Mandado de Segurança processo 2000.70.09.000771-4 e do STJ. A 4a Turma da DRJ em Belém do Pará analisou o lançamento bem como a defesa apresentada e através do Acórdão n° 4.088 de 04 de março 2004, decidiu por julgar procedente o lançamento assim ementado: "Ementa: Cooperativa 4 k k MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES kr.9 QUINTA CÂMARA Processo n° : 10320.001180/2003-39 Acórdão n° : 105-15.419 Devem ser tributados os resultados apurados pela cooperativa, pela prática de atos não cooperativos, no caso de descumprimento da legislação de regência, nos termos do Art. 79 e 86 da Lei n°5.764, de 1971, afastando-se dos princípios que norteiam o próprio conceito de cooperativismo. Lançamento procedente." Inconformada a empresa interpôs o recurso de folhas 607 a 653, onde analisa a decisão, repete as argumentações da inicial e acrescenta jurisprudência do Conselho. Recurso lido na íntegra em plenário. E como garantia arrolou bens É do relatório t. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUINTA CÂMARA Processo n° : 10320.001180/2003-39 Acórdão n° : 105-15.419 VOTO Conselheiro JOSÉ CLÓVIS ALVES, Relator O recurso é tempestivo dele conheço. Analisando os autos, especialmente a folha de continuação do auto de infração que a autuação se fundou na descaracterização da cooperativa por ter a cooperativa toda sua receita operacional oriunda da prestação de serviços a terceiros não cooperados. Tratando de cooperativa de trabalho transcrevo abaixo o voto contido no acórdão CSRF/01-04.454 de 24 de fevereiro de 2.003 de minha autoria que aprecia o tema no âmbito do IRPJ, visto que em ambos naquele caso e neste a tributação se fundou na descaracterização da cooperativa. Voto contido no Acórdão CSRF/01-04.454: Transcrevamos a legislação atinente ao caso, aplicáveis à lide. Lei n° 5.764, de 16 de dezembro de 1971- LEI GERAL DAS COOPERATIVAS. Art. 30 - Celebram contrato de sociedade cooperativa as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade económica, de proveito comum, sem objetivo de lucro. 6 dix'a- MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ;42 QUINTA CÂMARA Processo n° : 10320.001180/2003-39 Acórdão n° : 105-15.419 Art. 79 - Denominam-se atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associadas, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Art. 86 - As cooperativas poderão fornecer bens e serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais e esteja de conformidade com a presente Lei. Art. 87 - Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos arts. 85 e 86, serão levados à conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. Art. 88. Poderão as cooperativas participar de sociedades não cooperativas para melhor atendimento dos próprios objetivos e de outros de caráter acessório ou complementar. Art. 111 - Serão considerados como renda tributável os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de que tratam os arts. 85, 86 e 88 desta Lei. Lei Complementar n° 70/91 — Instituidora da COFINS Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991 Art. 1° - Sem prejuízo da cobrança das contribuições para o Programa de Integração Social - PIS e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público - 7 j: 4\ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ':firktí% QUINTA CÂMARA Processo n° : 10320.001180/2003-39 Acórdão n° : 105-15.419 PASEP, fica instituída contribuição social para financiamento da Seguridade Social, nos termos do inciso I do art. 195 da Constituição Federal, devida pelas pessoas jurídicas, inclusive as a elas equiparadas pela legislação do Imposto sobre a Renda, destinadas exclusivamente às despesas com atividades-fins das áreas de saúde, previdência e assistência social. Art. 2 0 - A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Art. 6° - São isentas da contribuição: I - as sociedades cooperativas que observarem o disposto na legislação específica, quanto aos atos cooperativos próprios de suas finalidades; CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988. Art. 146. Cabe à lei complementar: I - dispor sobre conflitos de competência, em matéria tributária, entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios; II - regular as limitações constitucionais ao poder de tributar; III - estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: tf-2 8 $.41 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES '710 QUINTA CÂMARA Processo n° : 10320.001180/2003-39 Acórdão n° : 105-15.419 a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; c) adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas. Ao analisarmos a legislação aplicada às cooperativas no âmbito tributário, podemos afirmar que a Constituição Federal de 1988 foi um marco divisor, principalmente em relação à definição de ato cooperativo contida no artigo 79 da Lei n° 5.764/71. Antes porém necessário se faz iniciar a apreciação pelo artigo 3° da Lei n° 7.764/71. Celebram contrato de sociedade cooperativa as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens e serviços para o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum, sem objetivo de lucro. A primeira das condições postas então são de que os cooperados devem fornecer bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica, em proveito comum, ou seja o benefício deve ser repartido entre eles. A lei ao se referir a uma atividade econômica quis proteger aqueles que se dedicam à mesma atividade, quer na produção de bens ou serviços, isso significa que não podem se reunir em cooperativas pessoas que se dedicam a atividades diversificadas. —r 9 L MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 3,(-3> QUINTA CÂMARA Processo n° : 10320.001180/2003-39 Acórdão n° : 105-15.419 Quando o legislador no artigo 79 definiu o ato cooperativo como aquele praticado entre a cooperativa e o associado e aquele praticado entre as cooperativas e no seu parágrafo único excluiu tal ato do conceito de operação de mercado e de compra e venda, na realidade criou um mercado interno, dentro do setor cooperativista e pela interpretação conjunta desse artigo com o 111 podemos dizer que criou-se uma isenção em relação às operações internas. Interessante observar que ao excluir o ato cooperativo do conceito de operação de mercado o legislador somente se referiu à venda de bens ou produtos, deixou de lado os serviços, visto que no conceito de bens e produtos não estão incluídos os serviços. A referência aos serviços só é explicitada no artigo 86 quando o legislador voltou a juntar no mesmo dispositivo, bens e serviços, no caso, fornecidos a terceiros não associados. Quanto a determinadas atividades seria fácil a aplicação dos conceitos da Lei 5.764/71, porém em outras muito difícil. EXEMPLO DE ATIVIDADE DE FÁCIL APLICAÇÃO. Numa cooperativa de produtores rurais, tanto em relação a bens como serviços seria possível a reciprocidade interna. Quanto aos bens, um que tivesse a terra mais apropriada ao cultivo do arroz produziria esse bem, retiraria a parte de seu consumo e entregaria o excesso à cooperativa; outro que a terra fosse mais apropriada ao plantio do milho produziria esse cereal, retiraria a parte de seu consumo e entregaria o excesso à cooperativa. O que produziu somente arroz poderia adquirir o milho da cooperativa assim como o que produziu io _ MINISTÉRIO DA FAZENDA ixfr's.....;11 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 01r: % QUINTA CÂMARA Processo n° : 10320.001180/2003-39 Acórdão n° : 105-15.419 milho adquiriria da cooperativa o arroz para seu consumo. Assim estariam livres de tributação e com certeza haveria proveito comum. Interpretação equivalente poderíamos fazer em relação aos serviços, como as máquinas agrícolas são muito caras, a cooperativa utilizando o capital comum dos sócios adquiriria, tratores colheitadeiras, arados, grades e outros equipamentos que seriam utilizados pelos cooperados, assim haveria atos cooperados também em relação a serviços. EXEMPLO DE ATIVIDADES DE DIFÍCIL APLICAÇÃO. Quando a atividade econômica dos associados tem o caráter profissional que só têm serviços a oferecer, fica difícil a aplicação pura do conceito de ato cooperativo definido no artigo 79. Se as pessoas se reúnem para contribuir com serviços para uma determinada atividade econômica, significa que têm a mesma formação ou se dedicam a uma atividade como definido no artigo 3° da referida lei. Assim médicos somente poderão reunir-se em cooperativa de médicos, garis em cooperativa de garis, eletricistas em cooperativas de eletricistas e assim por diante. Se a interpretação quanto a ato cooperativo, for restritivo em relação aos serviços, podemos afirmar que numa cooperativa de médicos, somente seria ato cooperado os serviços de um médico, prestado a outro médico através da cooperativa, ou de um técnico em informática a outro técnico em informática, ou de um gari a outro gari. Será que somente com tal ato estariam os cooperados associados desenvolvendo uma atividade econômica? 11 * ti MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES '';--!ti .:)- QUINTA CÂMARA Processo n° : 10320.001180/2003-39 Acórdão n° : 105-15.419 Até o advento do a Constituição Federal de 1988, podemos dizer que sim, porém a partir dela houve uma mudança substancial. Se até a CF de 1988 havia não incidência de tributos em relação ao ato cooperado, a partir dela esse ato foi colocado dentro do campo de incidência da tributação, ao estabelecer o constituinte, ainda que dependente de lei complementar, o adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas. Esse tratamento adequado pode ser entendido com um tratamento especial, facilitado, uma tributação em alíquotas menores que as aplicadas ao ato comercial. A partir da promulgação da CF de 1988 várias leis e decretos trataram do assunto, em alguns o legislador alargou a definição de ato cooperado para fins tributários e em outros estreitou ou até excluiu a isenção do ato cooperado. ALARGAMENTO DA DEFINIÇÃO Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992 TÍTULO V - DO IMPOSTO SOBRE A RENDA DAS PESSOAS FÍSICAS Art. 45 - Estão sujeitas à incidência do imposto de renda na fonte, à alíquota de 1,5%, as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a cooperativas de trabalho, associações de profissionais ou assemelhadas, relativas a serviços pessoais que lhes forem prestados por associados destas ou colocados à disposição. § 1° - O imposto retido será compensado pelas cooperativas de trabalho, associações ou assemelhadas com o imposto retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos associaedos. 12 'e- MINISTÉRIO DA FAZENDA V.,;r1 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUINTA CÂMARA Processo n° : 10320.001180/2003-39 Acórdão n° : 105-15.419 § 2° - O imposto retido na forma deste artigo poderá ser objeto de pedido de restituição, desde que a cooperativa, associação ou assemelhada comprove, relativamente a cada ano-calendário, a impossibilidade de sua compensação, na forma e condições definidas em ato normativo do Ministro da Fazenda. Embora o título se refira a pessoas físicas, é certo que está implícito o alargamento do conceito de ato cooperado, pois, se o legislador determinou a retenção na fonte de imposto de renda, nos pagamentos feitos por pessoas jurídicas a cooperativas de trabalho, relativas a serviços pessoais que lhes forem prestados por associados destas ou colocados à sua disposição; se determinou que o IR retido por ocasião do pagamento pela PJ contratante à cooperativa, fosse compensado com o imposto retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos associados e não compensado pelo devido pela cooperativa, é porque tal ato, (pagamento por serviços contratados pela cooperativa com qualquer pessoa jurídica, ainda que não cooperativa associada), é ato cooperado. Interpretação diversa da acima feita, se o ato não fosse cooperado, levaria à situação absurda de equívoco do legislador, pois embora o imposto fosse retido da cooperativa e esta tivesse que incluir a receita como tributável não poderia compensar com o IRPJ devido o imposto retido na fonte na referida operação. Dentro desta nova ótica podemos dizer que o ato não cooperativo seria aquele serviço prestado através da cooperativa por não associado ainda que da mesma atividade econômica ou a prestação de serviços estranhos à atividade. Por exemplo um médico não associado à cooperativa prestar serviços a uma empresa ou pessoa que mantém contrato com a cooperativa, ou o valor recebido pela cooperativa de médicos por serviços de outra atividade, ainda que correlata como de dentista, fisioterapeuta, nutricionista, etc. Reafirmo finalmente que não podem ser aceitos como atos cooperados atos ou procedimentos executados por não associados, quer pessoas físicas ou jurídicas, ainda que necessários para o bom desempenho da atividade da cooperativa. 13 " MINISTÉRIO DA FAZENDA V:4 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ‘.> QUINTA CÂMARA Processo n° : 10320.001180/2003-39 Acórdão n° : 105-15.419 EXCLUSÃO DE ATO QUE PODERIA SER COOPERADO DA ISENÇÃO. Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997 Art. 69. As sociedades cooperativas de consumo, que tenham por objeto a compra e fornecimento de bens aos consumidores, sujeitam-se às mesmas normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União, aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Com o artigo 69 da Lei n° 9.532/97, o legislador incluiu no campo de incidência quaisquer atos praticados pela cooperativa de consumo, ainda que entre a cooperativa e o associado, ou seja esse ato que pela lei 5.764/71 artigo 79 seria um ato cooperado deixou de ser a partir da vigência da referida lei. O Executivo também tratou do assunto no RIR/99 vigente à época dos fatos geradores objeto da presente lide. Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 Seção V - Sociedades Cooperativas Não Incidência Art. 182. As sociedades cooperativas que obedecerem ao disposto na legislação específica não terão incidência do imposto sobre suas atividades econômicas, de proveito comum, sem objetivo de lucro (Lei n° 5.764, de 16 de dezembro de 1971, art. 3°, e Lei n° 9.532, de 1997, art. 69). § 1° É vedado às cooperativas distribuirem qualquer espécie de benefício às quotas-partes do capital ou estabelecer outras vantagens •.....tavilégios, financeiros ou não, 14 tr's4sits, MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ):';',:f Itf;' QUINTA CÂMARA Processo n° : 10320.001180/2003-39 Acórdão n° : 105-15.419 em favor de quaisquer associados ou terceiros, excetuados os juros até o máximo de doze por cento ao ano atribuídos ao capital integralizado (Lei n°5.764, de 1971, art. 24, § 3°). § 2° A inobservância do disposto no parágrafo anterior importará tributação dos resultados, na forma prevista neste Decreto. Art. 218. O imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive das equiparadas, das sociedades civis em geral e das sociedades cooperativas em relação aos resultados obtidos nas operações ou atividades estranhas à sua finalidade, será devido à medida em que os rendimentos, ganhos e lucros forem sendo auferidos (Lei n° 8.981, de 1995, art. 25, e Lei n°9.430, de 1996, arts. 1° e 55). Ao transcrever através do artigo 182 do RIR199, simplesmente os incisos I a 3 e § 1° artigo 168 da Lei n° 5.764/71, o Executivo não atentou para as modificações realizadas pelo legislador através da Lei n° 8.541/92 em relação ao ato cooperado, conforme demonstrado, e ainda excedeu à lei ao estabelecer através do § 2° do referido artigo do RIR, uma sanção pelo não cumprimento da regra de conduta contida no § 1° do artigo 168 da Lei n° 5.764/71, sem base legal. A lei estabeleceu 5.764/71 através do § 1° do artigo 168, estabeleceu vedação quanto à distribuição de benefícios ou vantagens pela cooperativa a associados, porém não estabeleceu sanção no caso de descumprimento. Concluindo a parte de apreciação da legislação podemos dizer que o aplicador da lei deve se atentar para as particularidades de cada tipo de cooperativa, verificar qual o tratamento dado pelo legislador para a atividade específica da cooperativa r em estudo. 15 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ;'øz> QUINTA CÂMARA Processo n° : 10320.001180/2003-39 Acórdão n° : 105-15.419 Os doutrinadores e estudiosos do sistema cooperativista também já tiveram oportunidade de falar sobre o tema do ato cooperativo nas cooperativas de trabalho, como abaixo citamos. Obra: Cooperativa de Trabalho na Administração Pública. Autores: Amilcar Barca Teixeira Júnior e Livio Rodrigues Ciotti. Editora Mandamentos, 2003. Tratando da definição de ato cooperativo os autores assim se posicionam citando Pontes Miranda, folhas 295/296: "Daí porque Pontes de Miranda já ter prelecionado que "a sociedade cooperativa é sociedade em que a pessoa do sócio passa à frente do elemento econômico", já que o fim primordial dessa sociedade é a prestação de serviços aos cooperados, não auferindo receitas e tampouco possuindo despesas, em conformidade com disposições do art. 80 da Lei n. 5.764/71. Ao se associarem à cooperativa, os profissionais colocam a sua atividade à disposição da sociedade a fim de que a cooperativa a integre com a dos demais cooperados e ofereça a prestação coletiva desses serviços a outras pessoas jurídicas, exercitando — em nome dos associados — uma atividade econômica de proveito comum, sem finalidade de lucro. Assim, a sociedade cooperativa de trabalho viabiliza a contratação da atividade global dos seus associados, relacionando o trabalho destes — em conjunto — aos usuários dos seus serviços, fazendo com que esse trabalho não perca sua individualidade e autonomia. Como se percebe, as cooperativas nada mais são que instrumentos de que se servem os cooperados para otimizar o resultado de sua atividade econômica. As cooperativas agem como se mandatárias fossem de seus associados, praticando atos no interesse exclusivo destes." Quanto à lide ora apreciada, a fiscalização, por identificar que a receita da cooperativa de trabalho em processamento de dados COTEPRO, advém de prestação de 16 MINISTÉRIO DA FAZENDA )",ursi! PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES s'e' QUINTA CÂMARA Processo n° : 10320.001180/2003-39 Acórdão n° : 105-15.419 serviços a terceiros não cooperados, conforme descrito pelo próprio AFRF na folha de continuação do auto de infração, descaracterizou-a como sociedade cooperativa, tributando integralmente suas receitas. Como vimos a legislação não autoriza a SRF a descaracterizar a Sociedade Cooperativa, pode e deve analisar os atos por ela praticados, se atos cooperados estão isentos de tributação, se não cooperados devem ser tributados. Isso não significa que uma empresa travestida de cooperativa não possa ser tributada como uma empresa em geral, porém para tal necessário se faz que a fiscalização prove o vício na constituição da cooperativa, ou seja que na realidade ela não é uma cooperativa mas uma empresa. No presente caso a própria justiça do trabalho enfrentando um caso de um associado que a ela recorreu para reclamar direitos trabalhistas como empregado, entendeu ser ele cooperado e ser a entidade uma cooperativa, fls 544/550. Ocorrem muitos casos de desclassificação de cooperativa por não segregar atos cooperados de não cooperados. Ainda que tal obrigação seja da cooperativa tal fato não autoriza a fiscalização a tributar a totalidade das receitas. Apenas a titulo ilustrativo trataremos também do tema por ser oportuno. Caberia então ao auditor analisar as receitas recebidas, classificando-as nos termos da legislação com ato cooperado, ou não, daí comparar com aquela escriturada. Se o valor referente ao não ato cooperado, sujeito portanto à tributação, fosse menor que o lançado pela empresa deveria cobrar a diferença. Como acontece nos casos de auditoria de caixa, uma receita omitida, não contamina o restante de omissão, uma despesa não dedutível ou não comprovada não contamina o restante, assim também acontece com as cooperativas, se existem atos 17 _ • P •)', MINISTÉRIO DA FAZENDA Of-; wtír..; PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUINTA CÂMARA Processo n° : 10320.001180/2003-39 Acórdão n° : 105-15.419 cooperativos e não cooperativos e a entidade não realizou a separação cabe a fiscalização fazê-lo. E nem se diga que isso seja impossível, pois em se tratando de cooperativa de trabalho basta analisar a origem das receitas confrontando-as com quem prestou o serviço, se cooperado é ato cooperativo, se não é cooperado o ato é não cooperativo. Tal análise é simples embora possa ser trabalhosa e demandar mais horas de trabalho que em uma cooperativa que segregue as receitas, porém não impossível. Sobre o assunto assim manifestou a Conselheira SANDRA MARIA FARONI no acórdão 101-92.476. "Não há, também, previsão legal para a descaracterizar a natureza] urldica das sociedades cooperativas pela prática de atos não cooperativos. Não tem, ainda, a Secretaria da Receita Federal, competência legal para fiscalizar as atividades das cooperativas e puni-Ias por eventual infração à lei de regência (se fosse o caso), mediante tributação dos resultados dos atos que, por lei de regência, não sofrem incidência do imposto ( o que, de resto, não se coaduna com o nosso sistema jurídico: usar tributo como penalidade). A única exegese possível, portanto, nos casos de sociedades cooperativas que praticam, em maior ou menor escala, atividades lucrativas (atos não cooperativos), é que a não incidência alcança todos os atos cooperativos, devendo ser tributado o que exorbita esse campo. Se a escrituração contábil da sociedade segrega as receitas e correspondentes custos, despesas e encargos segundo sua origem (atos cooperativos e demais atos), serão excluídos da tributação os resultados dos atos cooperativos. Todavia, se a escrita (acompanhada de documentação hábil que a lastreie) não especificar com clareza quais as tece lias dos atos cooperativos e quais os atos não cooperativos, ter-se-á como integralmente tributado o resultado da sociedade. É que, nesse caso, impossível será a determinação da parcela não alcançada pela não incidência tributária." No presente caso a cooperativa, dentro de sua interpretação da lei entendeu serem todos seus atos cooperativo, caberia à fiscalização então analisá-los para se fosse o 18 _ • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUINTA CÂMARA Processo n° : 10320.001180/2003-39 Acórdão n° : 105-15.419 caso segregar os atos cooperativos dos não cooperativos. Como vimos a definição de ato cooperativo em relação às cooperativas de trabalho, teve seu campo alargado depois da entrada em vigor do artigo 45 da Lei n° 8.541/92, enquadrando-se a venda dos serviços dos médicos associados, ainda que a pessoas físicas ou empresas não associadas como ato cooperativo. A fiscalização não aprofundou a auditoria para verificar a essência dos atos praticados, preferiu considerar toda receita como ato não cooperativo por atacado, e assim, de fato descaracterizou a cooperativa, o que como já vimos não poderia fazê-lo, se não provado vício em sua constituição. Sobre a mesma cooperativa este Conselho já teve oportunidade de pronunciar através do Acórdão 104-20.555, que examinando o recurso 141.558, cuja exigência se referia ao IRF anos de 1996 a 2.000, o ilustre conselheiro representante da Fazenda, ementou a decisão da seguinte forma: AC 104-20.555 de 17 de março de 2.005 "COOPERATIVA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS - COOPERATIVA DE TRABALHO - O valor recebido pelas cooperativas de trabalho, por serviços prestados por seus associados, a outra pessoa ainda que não associado, é ato cooperativo, desde que o serviço seja da mesma atividade econômica da cooperativa, não sendo portanto tributável em relação ao IRPJ. Nestes casos pode a cooperativa de trabalho usufruir o benefício de efetuar a compensação do imposto de renda retido na fonte incidente sobre os valores pagos a seus cooperados com o imposto de renda retido na fonte sobre as importâncias recebidas de pessoas jurídicas, relativas a serviços pessoais que lhes forem prestados por associados. (Art. 45 da Lei n°8.541, de 1.992, com nova redação dada pelo art. 64 da Lei n° 8.981, de 1.995). RECURSO PROVIDO." Os argumentos de decisão prolatados em relação ao IRPJ são aplicáveis à CSL pois o que se definiu foi a caracterização da atividade da cooperativa de trabalho como ato cooperativo, ainda que seus cooperados prestem serviços erceiros não cooperados, 19 . . . • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUINTA CÂMARA Processo n° : 10320.001180/2003-39 Acórdão n° : 105-15.419 desde que a contratação seja feita pela cooperativa e quem preste o serviço seja um cooperado. Quanto à multa isolada aplicada não havendo prova de que a cooperativa praticara ato não cooperado, afasta-se também a referida sansão visto que não havendo tributo não há o que falar em antecipação com base em estimativa. Assim conheço do recurso e no mérito DOU-LHE provimento. Brasília DF, 10 de .vembro de 2005. 7d 21 / • JO ' *VIS ALVES - r ELATOR 20 Page 1 _0004300.PDF Page 1 _0004400.PDF Page 1 _0004500.PDF Page 1 _0004600.PDF Page 1 _0004700.PDF Page 1 _0004800.PDF Page 1 _0004900.PDF Page 1 _0005000.PDF Page 1 _0005100.PDF Page 1 _0005200.PDF Page 1 _0005300.PDF Page 1 _0005400.PDF Page 1 _0005500.PDF Page 1 _0005600.PDF Page 1 _0005700.PDF Page 1 _0005800.PDF Page 1 _0005900.PDF Page 1 _0006000.PDF Page 1 _0006100.PDF Page 1

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Numero do processo: 10830.006839/94-12
Turma: Sétima Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Feb 24 00:00:00 UTC 1997
Data da publicação: Mon Feb 24 00:00:00 UTC 1997
Ementa: IRPF - RENDIMENTOS - OMISSÃO - EXTRATOS BANCÁRIOS - lançamento de oficio far-se-á arbitrando-se os rendimentos com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. JUROS DE MORA - TRD - Os juros serão cobrados à taxa de 1% (um por cento) ao mês ou fração, se a lei não dispuser em contrário (CTN, art.161, parágrafo primeiro). Disposição em contrário viria a ser estabelecida pela Medida Provisória n° 298, de 29.07.91 (DOU de 30.07.91), a qual viria a ser convertida na Lei n° 8.218, de 29.08.91, publicada no DOU de 30, seguinte, a qual estabeleceu a taxa de juros no mesmo percentual da variação da TRD. Admissível, portanto, a exigência de juros de mora pela mesmas taxas da TRD a partir de 01 de agosto de 1991, vedada sua retroação a 04 de fevereiro de 1991.
Numero da decisão: 106-08584
Decisão: ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento parcial ao recurso, para excluir da exigência o encargo da TRD relativo ao período de fevereiro a julho de 1991, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro DIMAS RODRIGUES DE OLIVEIRA, que negava provimento em relação à TRD por considerar matéria ultra petita e os Conselheiros WILFRIDO AUGUSTO MARQUES e ROMEU BUENO DE CAMARGO, que davam provimento total.
Nome do relator: Mário Albertino Nunes

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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-26T16:16:02Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-26T16:16:01Z; Last-Modified: 2009-08-26T16:16:02Z; dcterms:modified: 2009-08-26T16:16:02Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-26T16:16:02Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-26T16:16:02Z; meta:save-date: 2009-08-26T16:16:02Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-26T16:16:02Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-26T16:16:01Z; created: 2009-08-26T16:16:01Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; Creation-Date: 2009-08-26T16:16:01Z; pdf:charsPerPage: 1995; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-26T16:16:01Z | Conteúdo => MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. : 10830/006.839/94-12 RECURSO N°. : 08.611 MATÉRIA : IRPF - EX.: 1990 RECORRENTE: ELIAS ANTONIO DE SOUZA FILHO RECORRIDA : DR! - CAMPINAS - SP SESSÃO DE : 24 DE FEVEREIRO DE 1997 ACÓRDÃO Pr. : 106-08.584 IRPF - RENDIMENTOS - OMISSÃO - EXTRATOS BANCÁRIOS - lançamento de oficio far-se-á arbitrando-se os rendimentos com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. JUROS DE MORA - TRD - Os juros serão cobrados à taxa de 1% (um por cento) ao mês ou fração, se a lei não dispuser em contrário (CTN, art.161, parágrafo primeiro). Disposição em contrário viria a ser estabelecida pela Medida Provisória n° 298, de 29.07.91 (DOU de 30.07.91), a qual viria a ser convertida na Lei n° 8.218, de 29.08.91, publicada no DOU de 30, seguinte, a qual estabeleceu a taxa ck juros no mesmo percentual da variação da TRD. Admissivel, portanto, a exigência de juros de mora pela mesmas taxas da TRD a partir de 01 de agosto de 1991, vedada sua retroação a 04 de fevereiro de 1991. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por ELIAS ANTONIO DE SOUZA FILHO. ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento parcial ao recurso, para excluir da exigência o encargo da TRD relativo ao período de fevereiro a julho de 1991, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro DIMAS RODRIGUES DE OLIVEIRA, que negava provimento em relação à TRD por considerar matéria ultra petita e os Conselheiros WILFRIDO AUGUSTO MARQUES e ROMEU BUENO DE CAMARGO, que davam pr4vimento total. D ele .1 r.--EIÍRAir • O :ERTINO r RELA OR FORMAL ADO EM: 12 juisl 1 e Participaram, ainda, do presente nto, os Conselheiros: HENRIQUE ORLANDO MARCONI, ANA MARIA RIBEIRO DOS REIS e -4, • NIAS DOS REIS SANTIAGO. Ausente o Conselheiro GENÉS/0 DESCHAMPS. MINISTÉRIO DA FAZENDA 2• PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO Nn. : 10830/006.839194-12 ACÓRDÃO N°. : 106-08.584 RECURSO N°. :08.611 RECORRENTE : ELIAS AN'TONIO DE SOUZA FILHO RELATÓRIO ELIAS ANTONIO DE SOUZA FILHO, já qualificado, por seus iepresentantes (fls. 378), recorre da decisão da DRJ em Campinas - SP, de que foi cientificado em 09.02.96 (fls. 448), através de recurso protocolado em 11.03.96 (11s. 450). 2. Contra o contribuinte foi emitido AUTO DE INFRAÇÃO (fis. 01), na área do Imposto de Renda - Pessoa Física, relativo ao Exercício de 1990, ano-calendário 1989, por: Sinais Exteriores de Riquezas nos montantes informados às fls. 02 e discriminação em mapas de fis. 18 a 45. 2A. A aeãõ fiscal se eitibuou nó tXãiiit de ékitatós baileárie•s solieitãdõs diretamente às instituições financeiras e a base de cálculo corresponde à diferença, mês a mês, entre "Total de Depósitos e Aplicações Financeiras" e "Rendimentos Declarados Líquidos de IRRF" (fls. 18) 2B. Foram exigidos juros de mora, no período de fevereiro a dezembro de 1991, calculados com base na variação da TRD (fls. 819). 2B. Foram exigidos juros de mora, no período de fevereiro a dezembro de 1991, calculados com base na variação da TRD. 3. Inconformado, apresenta IMPUGNAÇÃO (11s. 355 e sgs.), rebatendo o lâilonierito Cõiji st•Ê seguintes árgrufileutus, que dettãeõ, põt tefletiteül ã tese etputãdã pelo impugnante: MINISTÉRIO DA FAZENDA 3 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. : 10830/006.839/94-12 ACÓRDÃO N°. : 106-08.584 a) preliminarmente, ataca a juricidade do lançamento, que teria violado o princípio do Sigilo Bancário, citando jurisprudência dos tribunais, conforme leitura, que faço em Sessão (ler fls. 355 a 371); b) quanto ao mérito, discrimina situações que justificariam a movimentação bancária, tais como a disponibilidade de poupanças e receitas obtidas em anos anteriores; o exame comparativo de depósitos/saques e saídas; reembolso de condomínios pagos; rendimentos obtidos em aplicações financeiras; aplicações em CDB/RDB, que teriam sido lançados em duplicidade. 4. A DECISÃO RECORRIDA (fls. 438 e segs.), mantém integralmente o feito, acatando os argumentos da Fiscalização, sendo de destacar os seguintes pontos que levaram a digna Autoridade "a quo" àquela conclusão: a) citando dispositivos legais atinentes à matéria, afirma ter a Fiscalização procedido dentro das normas vigentes; b) quanto às questões de mérito, observa que nenhuma das alegações restou comprovada porque o contribuinte não declarava tais rendimentos ou aplicações nos exercícios anteriores e não trouxe aos Autos qualquer documentação. 5. Regularmente cientificado da decisão, o contribuinte dela recorre, conforme RAZÕES DE RECURSO (fls. 450 e sgs.), onde reitera os termos da Impugnação, conforme leitura que aço em Sessão. 6. Manifesta-se a douta PGFN, às fis. 471 e sgs., propondo a manutenção do lançamento, em conformidade com a decisão administrativa em foco, bem assim pela integral manutenção desta. ÉoRelaxório.tfl MINISTÉRIO DA FAZENDA 4 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. : 10830/006.839/94-12 ACÓRDÃO N°. : 106-08.584 VOTO CONSELHEIRO MÁRIO ALBERTINO NUNES, RELATOR 1. O recurso é tempestivo, porquanto interposto no prazo estabelecido no art. 33 do Decreto n° 70.235/72, e a parte está legalmente representada, preenchendo, assim, o requisito de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. 1 2. Como relatado, permanece a discussão, perante esta instância, relativamente sinais exteriores de riqueza evidenciados a partir do exame de extratos bancários. 3. Duas são as alegações do recorrente: em preliminar, protesta contra o que considera invasão de sua privacidade, pela quebra de seu sigilo bancário, à sua revelia e sem que houvesse autorização judicial; quanto ao mérito, relaciona situações que justificariam sua movimentação bancária, sem implicar em sinais exteriores de riqueza ou aumento patrimonial a descoberto. 4. Analiso cada uma das alegações. 5. O ataque à constitucionalidade da lei em que se apoiou o Fisco, para promover a autuação, costuma ser tratado, por este Colegiado, de maneira sumária, proclamando, de imediato, que não seria na esfera administrativa que tal discussão deveria ser proposta. 6. Com efeito, a esfera correta para discutir a constitucionalidade das leis vigente no Pais é o Poder Judiciário, cabendo ao Supremo Tribunal Federal (STF) processar e julgar originariamente a ação direta de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou 1) , MINISTÉRIO DA FAZENDA 5 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. : 10830/006.839/94-12 ACÓRDÃO N°. : 106-08.584 estadual (CF/88, art. 102, I, "a") ou julgar, mediante recurso extraordinário, as causas decididas em única ou última instância, quando a decisão recorrida declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal (CF/88, art. 102, III, "b"). 7. Ante tal constatação, a jurisprudência deste Colegiado tem se pautado por não conhecer do recurso se a defesa se limita a levantar dúvidas quanto à constitucionalidade do ato que embasou a exigência; ou a desconsiderar os argumentos, nesse sentido, se outros houver para serem conhecidos. 8. Obviamente, que tal colocação, por parte deste Colegiado, vai estimular o contribuinte a bater às portas do Poder Judiciário - eis que a simples declaração de não conhecimento, por mais tecnicamente correta que seja - dá-lhe a ilusória impressão de que o Conselho de Contribuintes só não declarou, por si, a inconstitucionalidade, por não ter competência para tanto, bastando, portanto, buscar a instância correta. Embora tal impressão possa, em algumas casos, converter-se em realidade, entendo não seria este o caso. E como já é generalizada e sistematicamente idêntica a ação fiscal de que tratam estes Autos - como idênticas são as defesas apresentadas - é de pressupor-se que, a manter-se aquela impressão ilusória, a que me referi, inúmeros serão os pleitos ao Poder Judiciário - já sobrecarregado - e que terão, como única consequência, a demora na efetiva liquidação do crédito tributário - o que será ruim para a Administração Tributária, que o espera, e para o contribuinte, que o verá ir crescendo, por conta dos acréscimos legais referentes à mora. 9. Portanto, com essa preocupação com a economia processual que me proponho a analiRar tais questionamentos. 10. O aspecto relativo ao Sigilo Bancário é apoiado, na impugnação e reiterado no recurso, em dispositivos constitucionais atinentes à inviolabilidade da CORRESPONDÊNCIA, nas suas múltiplas formas, e à preservação da PRIVACIDADE das pessoas. qh • MINISTÉRIO DA FAZENDA 6 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. : 10830/006.839/94-12 ACÓRDÃO N°. : 106-08.584 11. De início, convém fique claro que a argumentação da contribuinte tem, efetivamente, duas vertentes. A primeira, quanto ao reclamado desrespeito ao sigilo a que a contribuinte teria direito em suas transações financeiras, inclusive bancárias; a segunda, quanto a ter o Fisco se utilizado, exclusivamente, de extratos bancários, para formalizar a exigência. 12. O dever de prestar informações ao Fisco, quando devidamente formalizado o pedido, é disciplinado pelo art. 197 do Código Tributário Nacional (CTN), "verbis": "Art. 197 - Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: - os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras; 19 13. Legislação posterior (Decreto-lei nr. 2.303/86, art.9o., Lei nr. 8.383/91, art.3o.,I, e RIR194) viria a reforçar tal dever, na medida em que estabeleceram sanção pecuniária como contrapartida ao seu desatendimento. 14. Quebra de sigilo existiria se o agente do Fisco, abusando das prerrogativas que a lei lhe faculta, tivesse divulgado o que ficara sabendo em função do seu oficio - abuso proibido pelo mesmo CTN. 15. Ora, não consta, nem a contribuinte traz qualquer prova, que qualquer agente da Fazenda Pública tenha, fora do processo, divulgado qualquer dado ou informação que comprometesse o direito da contribuinte a manter sob sigilo sua vida econômica. 16. Quanto ao direito, diria, até, dever da autoridade fiscal se valer das informações legitimamente obtidas, está plenamente caracterizado. A ação fiscal foi iniciada em 10.03.93, com a ciência da intimação de fls. 01. Em plena vigência da Lei nr. 8.021, de 12.04.90. a qual veio legitimar o lançamento de oficio, embasado em sinais exteriores de riqueza, aferíveis MINISTÉRIO DA FAZENDA 7 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. : 10830/006.839/94-12 ACÓRDÃO N°. : 106-08.584 através do exame de extratos bancários, revogando dispositivo, até então, vigente (DL 2.471/88). Com efeito, dispõe o novo diploma legal: "Art. 6o. - O lançamento de oficio, (.), far-se-á arbitrando-se os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. parágrafo 5o. - O arbitramento poderá, ainda, ser efetuado com base em depósitos ou aplicações reali7adas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. 17. Caberia, portanto, à contribuinte comprovar a origem dos depósitos que implicaram nos saldos utilizados para determinar a evolução patrimonial a descoberto. Preocupação que nunca demonstrou, tendo-se negado a discutir qualquer matéria de fato. A conclusão óbvia é de que se negou porque, certamente, não teria como comprová-los, a não ser como advindos de recursos mantidos à margem da tributação devida. 18. Neste mesmo Colegiado têm-se encontrado opiniões divergentes - o que sempre será salutar, na medida em que a divergência em questões técno-cientificas leva à discussão e esta ao aprimoramento das idéias. 19. Pautam-se tais opiniões pelo entendimento de que, em situações como a colocada nestes Autos, não basta a constatação da existência dos depósitos/saldos bancários para - desde logo - caracterizar a disponibilidade econômica omitida. Parta tais abalizadas opiniões, faz-se mister que o Fisco prove, ainda, o consumo de tal renda, presumida através dos referidos depósitos/saldos. 20. Com todo o respeito que merecem os dignos defensores de tal opinião, com a mesma não posso concordar. _ _ MINISTÉRIO DA FAZENDA 8 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. : 10830/006.839/94-12 ACÓRDÃO N°. : 106-08.584 22. Isto, porque o fato gerador do imposto em causa - Imposto de Renda - é a renda e não o consumo. Isto é patente no Código Tributário Nacional, que, em seu art. 43, dispõe, de maneira categórica: "Art. 43 - O imposto, de competência da Unido, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I. de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II .de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior." (grifei). 23. Assim sendo, ao Fisco só caberá demonstrar a aquisição da disponibilidade econômica - a qual fica mais do que evidenciada pela existência de numerário depositado e à disposição do contribuinte. A este caberia, como a própria Lei n° 8.021/90 prevê, provar a não disponibilidade, indicando a fonte dos depósitos, a sua origem incompatível com a disponibilidade que possa ter de tais numerários. Como seria o caso, por exemplo, de comprovados depósitos da firma individual na conta bancária do seu titular; ou de rendas do mandante em conta do mandatário, etc. 24. E não poderia ser diferente. O assalariado é tributado pelo que ganha, assim como o profissional liberal ou autônomo, ou o proprietário de imóveis de aluguel, ou o proprietário rural. O Fisco não espera que tais contribuintes consumam tais rendas para, só então, tributá-las. O que importa - segundo o mandamento legal - é a constatação ou mesmo presunção legal de que ocorreu o ingresso. Como, ainda por exemplo, ocorre quando alguém é surpreendido pela Fiscalização Aduaneira cruzando as fronteiras do País, portando moeda/divisas incompatíveis com suas rendas declaradas: será tributado pelo acréscimo patrimonial correspondente às moeda/divisas encontradas em seu poder, independente do que possa a vir a ocorrer, no âmbito aduaneiro, quanto às moeda/divisas apreendidas. MINISTÉRIO DA FAZENDA 9 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. : 10830/006.839/94-12 ACÓRDÃO : 106-08.584 25. Se o contribuinte, surpreendido com depósitos/saldos bancários ao seu dispor, os quais não se digna justificar, não puder ser, por isso e desde logo, acionado, havendo, ainda, o Fisco que provar que teria consumido tais disponibilidades, estaríamos diante de um tratamento desigual e privilegiado, em relação àqueles outros contribuintes a que me referi. 26. Ademais, estar-se-ia, a médio prazo, estabelecendo-se, no País, um paraíso fiscal. Com efeito, bastaria a quem quisesse, impunemente e sem pagar qualquer imposto, gozar das benesses de tais rendas, sujeitar-se a deixá-las no banco pelo período decadencial de 5 anos - inclusive, acumulando interesses - para, aí sim, gastá-las sem qualquer perigo do Fisco o incomodar. 27. A Lei n° 8.021/90 veio, justamente, por cobro a situações que, antes dela, vicejavam à sombra de dispositivo legal estatuído adredemente, o tão conhecido Decreto -lei n° 2.471/88, o qual proibia a ação fiscal embasada no exame de extratos bancários. 28. Com o advento da nova lei, aquela ficou sem vigor, nos exatos termos do Decreto-lei n° 4.657, de 04 de setembro de 1942, Lei de Introdução ao Código Civil, que dispõe: "Art. 2 0 - Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue. § 1° - A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior. 29. A partir, portanto, da publicação da Lei n° 8.021/90, estava o Fisco autorizado a lançar mão de mais esta ferramenta - os extratos bancários - para o bom desempenho de suas tL funções. MINISTÉRIO DA FAZENDA 10 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. : 10830/006.839/94-12 ACÓRDÃO N°. : 106-08.584 30. E como ferramenta que é, como modalidade nova de trabalho, como procedimento novo, tinha aplicação imediata em todos os casos que ainda pudessem ser examinados ou auditados pelo fisco. Ou seja, em todos os casos que ainda não tivessem sido atingidos pela decadência, podendo, portanto, reportar-se a exercícios anteriores, desde que ainda não decadente o direito da Fazenda Pública de examiná-los. 31. Com muito mais razão, têm as normas em questão aplicabilidade sobre fatos do próprio ano da edição da Lei n° 8.021/90, não cabendo pretensas restrições que alguns insistem em ver, aventando que a lei que estabelece procedimento mais gravoso para o contribuinte só pode vigir a partir do ano seguinte, conforme princípio constitucional 32. Concordo plenamente com o princípio da anterioridade da lei tributária, previsto na Constituição. Só que - entendo - não é o caso de se aplicá-lo em situações como as tratadas nestes Autos. Com efeito, além do aspecto essencialmente adjetivo, procedimental que a lei nova trouxe, ela não instituiu qualquer procedimento mais gravoso para o contribuinte. Antes da existência da Lei n° 8.021/90 já era ilícito tributário o aumento patrimonial a descoberto. A nova lei - repito - só veio dar ao Fisco instrumental para investigar situações que, antes, já se configuravam como ilícitos tributários. 33. Ainda, relativamente à interpretação do "caput" e da sequência de parágrafos do art. 6° da Lei n° 8.021/90, vale ressaltar que duas são as formas de arbitramento autorizadas: a) com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza ("caput" do artigo); b) com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações (§5 9. _ _ . MINISTÉRIO DA FAZENDA 11 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. : 10830/006.839/94-12 ACÓRDÃO N°. : 106-08.584 34. Assim, pode o Fisco optar por uma ou por outra das alternativas autorizadas Obviamente, sempre caberá ao contribuinte a possibilidade de apresentar outro cálculo - o qual, se, também, correto e favorável a ele, contribuinte, deve ser aceito. Preocupação que nunca demonstrou, tendo-se negado a documentar suas alegações, com vistas a justificar a movimentação bancária. 35. Entendo, portanto, irretocável o lançamento, quanto a este aspecto. 36. Analiso, por fim, a questão da exigência de juros de mora, calculados com base na variação da TRD. 37. A exigência de juros, calculados com base na variação da TRD, tem sido objeto de análise por parte deste Colegiado, o qual, em inúmeros julgados, de que é exemplo o Acórdão CSRF n° 01-01.914/95, tem concluído pela improcedência de tal exigência, relativamente ao período anterior a 01 de agosto de 1991, por entenderem que a Medida Provisória n° 298, de 29.07.91 (DOU de 30.07.91), a qual viria a ser convertida na Lei n° 8.218, de 29.08.91, publicada no DOU de 30, seguinte, não poderia retroagir a 04 de fevereiro de 1991, pois feriria o princípio constitucional de irretroatividade da lei tributária, quando prejudicar o contribuinte. Estaria, portanto, o Fisco autorizado a cobrar os juros, calculados pela variação da TRD, apenas a partir de 01.08.91, como explicitado no acórdão referido. 38. Assim sendo, voto no sentido de que seja excluída a exigência de juros calculados com base na variação da TRD, relativamente a período anterior a 01 de agosto de 1991 - período em que a taxa aplicável era de 1% ao mês ou fração. 39. Por todo o exposto e por tudo mais que o processo consta, conheço do 11------) MINISTÉRIO DA FAZENDA 12 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. : 10830/006.839/94-12 ACÓRDÃO N°. : 106-08.584 recurso, por tempestivo e apresentado na forma da Lei, e, no mérito, dou-lhe provimento parcial, nos termos do item precedente. Sala das Sessões - DF, em 24 de fevereiro de 1997 ar- I l• ' a i BERTINO MUNE MINISTÉRIO DA FAZENDA 13 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N°. : 10830/006.839/94-12 ACÓRDÃO Isr. : 106-08.584 INTIMAÇÃO Fica o Senhor Procurador da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho de Contribuintes, intimado da decisão consubstanciada no Acórdão supra, nos termos do parágrafo 2°, do artigo 40, do Regimento Interno, com a redação dada pelo artigo 3° da Portaria Ministerial n°. 260, de 24/10/95 (D.O.U. de 30/10/95). Brasilia-DF, em 1 2 JUN1997 d/ 4, 1DIMAS I I-V,/ ' GUE B 1 -.' IRA PRES lár 1 Ciente em ,... 1997 . Ir. - ROD 1 %PEREIRA DE MELLO / PR • P • • POR DA FAZENDA NACIONAL Page 1 _0109300.PDF Page 1 _0109400.PDF Page 1 _0109600.PDF Page 1 _0109800.PDF Page 1 _0109900.PDF Page 1 _0110100.PDF Page 1 _0110200.PDF Page 1 _0110400.PDF Page 1 _0110600.PDF Page 1 _0110700.PDF Page 1 _0110900.PDF Page 1 _0111100.PDF Page 1

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Numero do processo: 10630.000772/95-13
Turma: Quarta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jul 09 00:00:00 UTC 1997
Data da publicação: Wed Jul 09 00:00:00 UTC 1997
Ementa: IRPJ - DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA - ENTREGA FORA DO PRAZO - MULTA - A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou sua apresentação fora do prazo fixado, ainda que espontaneamente, dá ensejo a aplicação da penalidade prevista no art. 88, II da Lei n°. 8.981/95, nos casos de declaração de que não resulte imposto devido. Recurso negado.
Numero da decisão: 104-15162
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Roberto William Gonçalves e José Pereira do Nascimento que proviam o recurso.
Nome do relator: Remis Almeida Estol

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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-17T18:06:50Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-17T18:06:50Z; Last-Modified: 2009-08-17T18:06:50Z; dcterms:modified: 2009-08-17T18:06:50Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-17T18:06:50Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-17T18:06:50Z; meta:save-date: 2009-08-17T18:06:50Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-17T18:06:50Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-17T18:06:50Z; created: 2009-08-17T18:06:50Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2009-08-17T18:06:50Z; pdf:charsPerPage: 1284; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-17T18:06:50Z | Conteúdo => tfi c. ;e. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10630.000772/95-13 Recurso n°. : 112.183 Matéria : IRPJ - Ex: 1995 Recorrente : FARMÁCIA CENTRAL LTDA. Recorrida : DRJ em JUIZ DE FORA - MG Sessão de : 09 de julho de 1997 Acórdão n°. : 104-15.162 IRPJ - DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA - ENTREGA FORA DO PRAZO - MULTA - A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou sua apresentação fora do prazo fixado, ainda que espontaneamente, dá ensejo a aplicação da penalidade prevista no art. 88, II da Lei n°. 8.981/95, nos casos de declaração de que não resulte imposto devido. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por FARMÁCIA CENTRAL LTDA. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Roberto William Gonçalves e José Pereira do Nascimento que proviam o recurso. LE LA ARIA SCHERRER LEITÃO PRESIDENTE rag /111° REMIS ALMEIDA ESTOL RELATOR FORMALIZADO EM: 22 AC30 1997 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros NELSON MALLMANN, CLÉLIA MARIA PEREIRA DE ANDRADE, ELIZABETO CARREIRO VARÃO e LUIZ CARLOS DE LIMA FRANCA. 4.1.A kn. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10630.000772/95-13 Acórdão n°. : 104-15.162 Recurso n°. : 112.183 Recorrente : FARMÁCIA CENTRAL LTDA. RELATÓRIO Tratam os presentes autos de notificação expedida para exigir o crédito tributário equivalente a 500 UFIR's, relativa à multa pelo atraso na entrega da Declaração de Rendimentos relativa ao exercício de 1995, ano-base de 1994. Demonstrando inconformismo a notificada apresenta sua impugnação, cujas razões foram assim resumidas pela autoridade julgadora: "Em sua impugnação a contribuinte solicita o cancelamento da notificação de lançamento, alegando em síntese, que entregou sua declaração de rendimentos fora do prazo, mas espontaneamente, antes de qualquer procedimento administrativo, estando portanto amparada pelo instituto da denúncia espontânea, nos termos do artigo 138 do Código Trbutário Nacional - Lei 5.172/66. Para fundamentar suas alegações a impugnante faz menção a alguns Acórdãos do Primeiro Conselho de Contribuinte do MF." Decisão singular entendendo procedente a ação fiscal, assim ementada: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA Infrações e Penalidades Cabível a aplicação da penalidade prevista no artigo 999, inc. II, alínea "a", c/c art. 984, do RIR/94, aprovado pelo Decreto 1.041/94, com a alteração introduzida pelo artigo 88 da Lei 8.981, de 20-01-95, nos casos de apresentação da Declaração de Rendimentos de Imposto de Renda Pessoa Jurídica - DIRPJ fora do prazo regulamentar, quer o contribuinte o faça espontaneamente ou não. Lançamento Procedente."~, 2 jr1 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10630.000772/95-13 Acórdão n°. : 104-15.162 Ciente dessa decisão, ingressa a interessada com tempestivo recurso (lido na íntegra). É o Relatório 3 jrl hV MINISTÉRIO DA FAZENDA 4e. t! PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ). QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10630.000772/95-13 Acórdão n°. : 104-15.162 VOTO Conselheiro REMIS ALMEIDA ESTOL, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. Para enfrentar a questão cumpre inicialmente estabelecer as disposições legais que regem a matéria sob análise: 1 - LEI N°. 8.541, DE 1992 "Art. 52 - As pessoas jurídicas de que trata a Lei n°. 7.256, de 27 de novembro de 1984 (microempresas), deverão apresentar, até o último dia útil do mês de abril do ano-calendário seguinte a Declaração Anual Simplificada de Rendimentos e Informações, em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal." 2- DECRETO-LEI N°. 1.198, DE 1971 "Art. 40 - Poderá o Ministro da Fazenda alterar os prazos de apresentação da Declaração de Imposto sobre a Renda, bem como escalonar a entrega das mesmas dentro do exercício financeiro? 3 - INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N°. 107, DE 1994 M. 50 - A declaração de rendimento será entregue na unidade local da Secretaria Federal que jurisdiciona o declarante, em agência do Banco do Brasil S/A ou da Caixa Econômica Federal localizada na mesma jurisdição, atendidos os seguintes prazos: 4 jrl tf .:7; MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES .5A" :" QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10630.000772195-13 Acórdão n°. : 104-15.162 II - até 31 de maio de 1995, pelos contribuintes que utilizarem o Formulário II." 4 - LEI N°. 8.981, DE 1995 "Art. 87 - Aplicar-se-ão às microempresas as mesmas penalidades previstas na legislação do imposto de renda para as demais pessoas jurídicas. Art. 88 - A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado, sujeitará a pessoa física ou jurídica: II - à multa de duzentas UFIR's a oito mil UFIR's, no caso de declaração de que não resulte imposto devido. Par. 1° - O valor mínimo a ser aplicado será: b) de quinhentas UFIR's para as pessoas jurídicas." Em face das transcrições supra, não há que se cogitar em ilegalidade da exigência. O lançamento efetuou-se nos estritos termos daqueles dispositivos legais. Outrossim, não há que se falar em irretroatividade da lei ou mesmo em anualidade, vez que o disposto no artigo 150, III da Constituição Federal refere-se à cobrança de tributos. O Código Tributário Nacional (Lei n°. 5.172, de 1966) define em seu artigo 30 o que é tributo e em seu artigo 5° estabelece que "os tributos são impostos, taxas e contribuições de melhoria". 5 jr1 C a, já.th, MINISTÉRIO DA FAZENDA tv n,,if :t PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10630.000772/95-13 Acórdão n°. : 104-15.162 Constata-se, pois, que a multa por atraso na entrega da declaração de rendimentos da pessoa jurídica não se enquadra em quaisquer das hipóteses, ou seja, não é imposto, taxa ou contribuição de melhoria. É de se destacar que a própria Lei n°8.981 dispôs, em seu artigo 116, que produz seus efeitos a partir de 1° de janeiro de 1995, embora a Medida Provisória n°. 812, de 30 de dezembro de 1994, que lhe deu origem tenha sido publicada em 1994. Assim, não se tratando de tributo, a multa em análise é de ser exigida a partir de 1° de janeiro de 1995, conforme previsto no diploma legal que a instituiu. Quanto à espontaneidade, em face do disposto no artigo 138 do Código Tributário, entendo inaplicável a espécie, devendo ser destacado que o atraso na entrega de informações à autoridade administrativa atinge de forma irreversível a prática da administração tributária, em prejuízo ao serviço público, fato que não se repara pela simples auto denúncia da infração ou qualquer outra conduta positiva posterior, sendo este prejuízo o fundamento da multa prevista em lei, que é o instrumento que adota a exigência de força coercitiva, sem a qual a norma perderia sua eficácia jurídica. A multa em questão é de natureza moratória, ou seja, é aquela que se funda no interesse público de compensar o fisco pelo atraso no cumprimento de uma obrigação tributária, sendo que a denúncia espontânea da infração só tem o condão de afastar a aplicação das multas punitivas, não incidindo nos casos de multa de mora. Ademais, a não aplicação da multa de mora para os contribuintes que não cumprem suas obrigações principais ou acessórias, significaria premiar o infrator, que, no final das contas, teria o mesmo tratamento daquele que cumpriu à risca suas obrigações 6 jr1 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES '9 QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10630.000772/95-13 Acórdão n°. : 104-15.162 Cumpre, ainda, ressaltar que quaisquer circunstâncias relativas ao sujeito passivo, no sentido de justificar o atraso, não poderão elidir a imposição de penalidade pecuniária, conforme prevê o artigo 136 do CTN, que instituiu, no direito tributário, o princípio da responsabilidade objetiva, segundo a qual, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Por outro lado, compete a autoridade fiscal em atividade vinculada, lançar a multa pelo descumprimento da obrigação acessória, independentemente dos motivos que levaram o contribuinte ao atraso na entrega da declaração de rendimentos. Inexistindo nos autos qualquer dúvida quanto à intempestividade da apresentação e considerando-se que a Lei n°. 8.981/95 prevê a multa de mora pelo atraso na entrega da declaração de que não resulte imposto devido, meu voto é no sentido de NEGAR provimento ao recurso. Sala das Sessões - DF, em 09 de julho de 1997 Á- REMIS ALMEIDA ESTOL 7 jr1 Page 1 _0005800.PDF Page 1 _0005900.PDF Page 1 _0006000.PDF Page 1 _0006100.PDF Page 1 _0006200.PDF Page 1 _0006300.PDF Page 1

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