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Numero do processo: 17883.000124/2007-84
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:2002
DECADÊNCIA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO
A extinção definitiva do crédito tributário pelo § 4º do art. 150 do CTN, e a conseqüente decadência a ela atrelada, só ocorre se, antes disso, a situação sob exame configurar, a partir de um juízo de tipicidade, a hipótese prevista no caput deste mesmo artigo. Diante da ausência de pagamento, a contagem do prazo decadencial é feita pelo art. 173, I, do CTN. ARBITRAMENTO
A não apresentação de livros e documentos autoriza o arbitramento do lucro.
INFORMAÇÕES EXTRAÍDAS DA DIPJ
É legítima a adoção da receita informada na DIPJ como base para o cálculo do lucro arbitrado.
MULTA AGRAVADA NÃO ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO
O não atendimento às várias intimações da Fiscalização, sem qualquer justificativa ou esclarecimento, enseja o agravamento da multa.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL, PIS e COFINS
Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1802-000.858
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em
REJEITAR as preliminares suscitadas, e, no mérito, por voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros André Almeida Blanco, Gilberto Baptista e Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, que davam provimento parcial ao recurso para
reduzir a multa de 112,5% para 75%. O Conselheiro André Almeida Blanco fez Declaração de Voto.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 DECADÊNCIA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO A extinção definitiva do crédito tributário pelo § 4º do art. 150 do CTN, e a conseqüente decadência a ela atrelada, só ocorre se, antes disso, a situação sob exame configurar, a partir de um juízo de tipicidade, a hipótese prevista no caput deste mesmo artigo. Diante da ausência de pagamento, a contagem do prazo decadencial é feita pelo art. 173, I, do CTN. ARBITRAMENTO A não apresentação de livros e documentos autoriza o arbitramento do lucro. INFORMAÇÕES EXTRAÍDAS DA DIPJ É legítima a adoção da receita informada na DIPJ como base para o cálculo do lucro arbitrado. MULTA AGRAVADA NÃO ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO O não atendimento às várias intimações da Fiscalização, sem qualquer justificativa ou esclarecimento, enseja o agravamento da multa. TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL, PIS e COFINS Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares suscitadas, e, no mérito, por voto de qualidade, NEGAR Fl. 1DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 17883.000124/200784 Acórdão n.º 180200.858 S1TE02 Fl. 208 2 provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros André Almeida Blanco, Gilberto Baptista e Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, que davam provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de 112,5% para 75%. O Conselheiro André Almeida Blanco fez Declaração de Voto. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gilberto Baptista, André Almeida Blanco, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel e Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 17883.000124/200784 Acórdão n.º 180200.858 S1TE02 Fl. 209 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ I, que considerou procedente o lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa da Jurídica – IRPJ, à Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, conforme autos de infração de fls. 57 a 82, nos valores de R$ 167.554,94, R$ 15.699,32, R$ 25.962,60 e R$ 72.459,22, respectivamente, incluindose nesses montantes a multa de ofício agravada, no percentual de 112,50%, e os juros moratórios. Por muito bem descrever os fatos, reproduzo o relatório constante da decisão de primeira instância, Acórdão nº 1223.500, às fls. 166 a 171: O lançamento foi efetuado em virtude de, em procedimento fiscal, ter havido arbitramento do lucro, “tendo em vista que o contribuinte notificado a apresentar os livros e documentos da sua escrituração, conforme Termo de Início de Fiscalização e termo (s) de intimação em anexo, deixou de apresentálos”. O arbitramento foi efetuado com base na receita da atividade informada na DIPJ. Na DCTF, não há tributos declarados. Em vista do não atendimento às intimações, a multa foi agravada para 112,50%. O enquadramento legal se encontra nos Autos de Infração. O interessado apresentou a impugnação de fls. 95/108. Alega, em síntese, que: “o lançamento em questão foi levado a efeito ao arrepio das prescrições”; o lançamento deve conter elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito; há que ser reconhecida a decadência; em relação à DCTF, houve tão somente erro formal; o arbitramento não retrata a realidade; como o lançamento foi com base na receita informada na DIPJ, só caberia multa de 20%; o coeficiente de 38,4% é equivocado, quando o correto seria 9,6%. Encerra solicitando o cancelamento ou a reforma do lançamento (principal e reflexos). Fl. 3DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 17883.000124/200784 Acórdão n.º 180200.858 S1TE02 Fl. 210 4 Como mencionado, a DRJ Rio de Janeiro/RJ I considerou procedente o lançamento, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. Não está inquinado de nulidade o Auto de Infração lavrado por autoridade competente e em consonância com o que preceituam os artigos 142, do CTN, e 10 e 59, do PAF. DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário se extingue após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ARBITRAMENTO. A não apresentação de livros e documentos autoriza o arbitramento do lucro. BASE DE CÁLCULO. DIPJ. É legítima a adoção da receita informada na DIPJ como base para cálculo do lucro arbitrado. PIS. CSLL. COFINS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase à exigência reflexa o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. MULTA AGRAVADA. NÃO ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. O não atendimento às intimações da fiscalização autoriza o agravamento da multa. Lançamento Procedente. Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 23/04/2009, a Contribuinte apresentou em 05/05/2009 o recurso voluntário de fls. 177 a 195, onde reitera os mesmos argumentos de sua impugnação, conforme descrito nos parágrafos anteriores, os quais registro a seguir com mais detalhes. Lançamento atividade vinculada: uma breve análise dos presentes autos é suficiente para demonstrar que o lançamento em questão foi levado a efeito ao arrepio das prescrições; é inquestionável o deliberado propósito do Agente do Fisco de proceder ao lançamento de qualquer forma, eis que não se preocupou em esclarecer suficientemente a situação, por si ou mesmo mediante intimação ao recorrente com tempo razoável, de modo a Fl. 4DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 17883.000124/200784 Acórdão n.º 180200.858 S1TE02 Fl. 211 5 reunir os indispensáveis elementos probantes para o lançamento que veio a ser concluído de forma absolutamente precipitada; ao apurar um crédito tributário de significativo valor, agiu sem nenhuma preocupação ou mesmo compromisso com a verdade dos fatos. Além disso, excedeuse a autoridade lançadora na exação; essa atitude caracteriza a ausência de observância pelo autuante do princípio constitucional da eficiência, a que se submete a administração pública e seus agentes; não pode a Administração Tributária Federal ignorar a verdade dos fatos por entender mais fácil ou menos trabalhoso proceder ao lançamento sem possibilitar ao sujeito passivo, mediante o estabelecimento de um prazo razoável, a apresentação dos devidos esclarecimentos; é forçoso e imperioso concluir que o autor do procedimento excedeuse no exercício dos poderes vinculados que lhe são conferidos para o desempenho da ação fiscal, utilizandose de forma arbitrária, embora sabendo, ou devendo saber, que a atividade administrativa é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Da inversão do ônus da prova: o autor do procedimento simplesmente inverteu o ônus da prova, o qual lhe caberia, transferindoo, simplesmente, ao sujeito passivo, embora sabendo, ou devendo saber em razão da função pública desempenhada, que tal exação era, no mínimo, de legitimidade duvidosa; tratase de uma confortável e irresponsável posição do Fisco, vez que procede ao lançamento com o exclusivo propósito de concluir a ação fiscal de qualquer forma, com a constituição de crédito tributário expressivo, mesmo sem possuir os devidos fundamentos legais; o sujeito passivo estará compelido a impugnar tal exigência e, assim, vir a efetuar a prova da existência da infração ou mesmo demonstrar e comprovar em sua peça que a exação é desprovida da indispensável previsão legal; esquecese, porém, a autoridade fiscal, que um ato dessa natureza, embora passível de correção na lª instância da esfera administrativa, implicará em dispêndios que serão suportados, obviamente, apenas pelo sujeito passivo, com a contratação de profissionais para a devida intervenção na via administrativa; a posição confortável e absolutamente irresponsável do Agente do Fisco representará um ônus financeiro para o Recorrente em face de uma exação exacerbada; não existindo qualquer controle administrativo sobre os atos praticados pela Fiscalização, continuarão sendo efetuados lançamentos indevidos, arbitrários, abusivos e mesmo carentes de legitimidade, além de desprovidos do indispensável elemento probante. Decadência: Fl. 5DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 17883.000124/200784 Acórdão n.º 180200.858 S1TE02 Fl. 212 6 se a omissão de rendimentos há de ser imputada mensalmente, por força do parágrafo 1° do artigo 42 da lei 9.430/1996, o início da contagem do prazo decadencial deve se dar no mês de ocorrência do fato gerador; como o lançamento em questão foi cientificado ao sujeito passivo em 04 de julho de 2007, é inquestionável que a decadência se operou em relação aos fatos geradores compreendidos entre janeiro e junho de 2002; esta matéria já está perfeitamente pacificada na doutrina e na jurisprudência, inclusive administrativa. Erro formal – DCTF: os equivocados lançamentos na DCTF decorreram tão somente de um erro formal. O que corrobora e fortalece a presente e plausível justificativa, é o fato de o sujeito passivo ter procedido aos lançamentos na DIPJ do ano em questão, qual seja, o de 2002; se de fato a Recorrente, intencionalmente, almejasse não prestar as devidas informações à SRF, não haveria de fazêlo por ocasião da entrega da DIPJ anocalendário 2002. Da desclassificação do arbitramento: os valores apontados pelo Agente Fiscal foram retirados da DIPJ, ano calendário 2002, conforme se pode verificar no próprio Termo de Constatação Fiscal; estes valores foram informados pelo sujeito passivo conforme reconhecido pelo próprio Fiscal, repisase, com base na receita da atividade informada na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ do anocalendário de 2002, o que, por si só, joga por terra a aplicabilidade da multa de ofício, elevada em 50% sobre a proporção de 75%, resultando nos 112,5%; como se sabe, tendo o Agente do Fisco adotado valores exatamente equivalentes ao que consta na DIPJ, notese, informações prestadas pelo sujeito passivo, posto que a declaração é um autolançamento, a multa adequada seria a multa de mora, qual seja, na proporção de 20% (vinte por cento). Do coeficiente: Pelo que dos autos constam, sabese que o sujeito passivo exerce atividades de construção civil por empreitada, com fornecimento de materiais. Apontase, assim, mais um erro adotado pelo Fisco em seus lançamentos, pois valeuse do coeficiente de 38,4% em seus cálculos, enquanto o correto seria adotar o coeficiente de 9,6%; a Recorrente não se encaixa na qualidade de prestador de serviços de construção por administração ou por empreitada unicamente de mão de obra, o que geraria, convenientemente ao Fisco, o coeficiente de 38,4%. Este é o Relatório. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 17883.000124/200784 Acórdão n.º 180200.858 S1TE02 Fl. 213 7 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Contribuinte questiona exigência de IRPJ e reflexos cujos fatos geradores ocorreram ao longo do ano de 2002. O lançamento se deu a partir das informações constantes na DIPJ/Lucro Presumido apresentada pela própria Contribuinte (fls. 6 a 37), uma vez que as DCTF foram entregues sem a indicação dos tributos devidos (fls. 44 a 56). A Fiscalização considerou no lançamento tanto as receitas informadas na DIPJ, quanto o coeficiente para a presunção do lucro utilizado pela Contribuinte (32%), que foi aumentado em 20%, em razão do arbitramento dos lucros. São totalmente improcedentes as críticas dirigidas ao trabalho fiscal, seja em relação à vinculação da atividade ou à inversão do ônus da prova. Conforme consignado no Termo de Constatação Fiscal, à fl. 57, “o contribuinte foi intimado em 13/04/2007, reintimado em 10/05/2007, intimado em 05/06/2007, reintimado em 15/06/2007”, mas não apresentou nenhum dos documentos solicitados, e nem mesmo qualquer esclarecimento ou justificativa para o não atendimento das intimações. Por outro lado, desde o anocalendário de 1999, por força da Instrução Normativa nº 127, de 30/10/1998, que extinguiu a antiga DIRPJ – Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica, substituindoa pela DIPJ – Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, este tipo de declaração passou a ter caráter meramente informativo, não mais configurando confissão de dívida e título hábil à execução fiscal. A Declaração que ainda tem essa característica é a DCTF, nos termos do art. 5º do Decretolei nº. 2.124, de 13/06/1984. Deste modo, como as DCTF não registravam os débitos apurados pela Contribuinte em sua DIPJ, não havia outra alternativa para a Fiscalização senão formalizar de ofício o crédito tributário, o que foi feito a partir das receitas informadas pela própria Contribuinte em sua DIPJ. Não verifico, portanto, qualquer arbitrariedade ou precipitação por parte da Fiscalização, e nem mesmo a alegada inversão no ônus da prova Quanto à decadência, cabe registrar que não se trata aqui da aplicação do art. 42 da Lei 9.430/1996 (lançamento com base em depósitos bancários). Mas ainda que o fosse, o fato gerador do IRPJ e da CSLL seria trimestral, e não mensal, ao contrário do que alega a Contribuinte. De todo modo, essa questão é irrelevante para a contagem do prazo decadencial, eis que não foi feito qualquer pagamento, restando prejudicada a aplicação do § 4º do art. 150 do CTN, que trata da decadência nos casos de “lançamento por homologação”. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 17883.000124/200784 Acórdão n.º 180200.858 S1TE02 Fl. 214 8 Frisese que o caput do art. 150 do CTN estabelece requisitos (tipicidade) para a inclusão nesta “modalidade de lançamento”, ou melhor, nesta forma de tributação, de onde surgem os seus respectivos efeitos, dentre eles aquele previsto no § 4º (extinção definitiva do crédito pela homologação tácita). Assim, a extinção definitiva do crédito tributário pelo § 4º do art. 150 do CTN, e a conseqüente decadência a ela atrelada, só ocorre se, antes disso, a situação sob exame configurar, a partir de um juízo de tipicidade, a hipótese prevista no caput deste mesmo artigo. Com efeito, antes de se inserir no parágrafo, a situação deve estar primeiramente abrangida pelo caput do dispositivo legal, segundo um juízo de tipicidade para o caso concreto. Mas como não houve qualquer pagamento, a contagem da decadência deve seguir a regra do art. 173, I, do CTN. Deste modo, para os fatos geradores ocorridos ao longo de 2002, o prazo de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado pela Fiscalização esgotouse somente em 01/01/2008. Aliás, para os tributos que não poderiam ser lançados no próprio ano de 2002, a data final seria 01/01/2009. Como o lançamento foi realizado em 04/07/2007 (fl. 86), não há que se falar em decadência para quaisquer dos débitos em questão. Em relação ao Arbitramento, como já mencionado, a Contribuinte não apresentou nenhum dos livros contábeis e fiscais solicitados várias vezes pela Fiscalização, e nem mesmo justificou ou esclareceu o não atendimento das intimações, fato que ensejou a aplicação do art. 530, III, do RIR/1999: Art.530.O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): (...) III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; No caso sob exame, sequer chegou a se materializar a opção pelo lucro presumido, uma vez que, de acordo com o art. 26, § 1º, da Lei 9.430/96, ela deve ser manifestada “com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário”, o que também não ocorreu. Mantémse, portanto, o arbitramento. Quanto à multa, cabe destacar que a constituição do crédito tributário se deu por meio de lançamento de ofício, e, nesse caso, a multa aplicada já é no mínimo a de 75%, prevista para os simples casos de falta de pagamento ou recolhimento, conforme determina o art. 44, I, da Lei 9.430/1996. Além disso, a Contribuinte não atendeu a nenhuma das intimações e reintimações da Fiscalização, e sequer apresentou uma justificativa ou esclarecimento para esse Fl. 8DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 17883.000124/200784 Acórdão n.º 180200.858 S1TE02 Fl. 215 9 não atendimento, conduta que ensejou o agravamento da penalidade em 50% (75% para 112,5%), como estabelecido no mesmo art. 44 da Lei 9.430/1996. Houve, inclusive, uma recusa inicial em receber o auto de infração, como indica a anotação feita pelo agente dos correios na correspondência que foi devolvida à Receita Federal (fl. 85verso), o que levou à afixação de Edital em 03/07/2007 para a ciência da Contribuinte (fl. 86), e o fato de ela ter posteriormente tomado ciência pessoal do lançamento não desagrava a conduta adotada até então. Correto, portanto, o acréscimo implementado na penalidade. Devo mencionar ainda que o arbitramento não configura uma penalidade, mas sim uma forma de apuração do lucro, também por presunção, mas com um percentual maior do que o lucro presumido em razão de circunstâncias que, dentre outros problemas, prejudicam o dimensionamento real de toda a receita auferida, já que não houve a apresentação dos livros onde ela deveria estar registrada. Assim, o agravamento da multa também não fica obstado por ter ocorrido o arbitramento dos lucros O mesmo pode ser dito em relação ao fato de a receita ter sido extraída da DIPJ apresentada pela Contribuinte. Embora ela tenha anteriormente prestado informações com a entrega desta declaração, no decorrer da auditoria fiscal sua postura foi de não colaborar com o trabalho da Fiscalização, e é justamente esse fato/conduta que o agravamento da multa visa coibir. Quanto ao coeficiente utilizado para a apuração do lucro, observo que a Fiscalização apenas adotou o mesmo informado pela Contribuinte em sua DIPJ (32%), acrescido de 20% em função do arbitramento, conforme determina o art. 16 da Lei 9.249/1995. Em suas defesas, a Contribuinte, embora alegue que o percentual correto seria de 9,6% (8% acrescido de 20%), não traz qualquer comprovação de suas alegações, no sentido de demonstrar a ocorrência de erro na DIPJ anteriormente apresentada. Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares, e, no mérito, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 9DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 17883.000124/200784 Acórdão n.º 180200.858 S1TE02 Fl. 216 10 Declaração de Voto Conselheiro André Almeida Blanco. Peço vênia para discordar do ilustre Relator por entender que a multa agravada é descabida, pois o acervo fático probatório não evidencia a conduta que enseja o agravamento da penalidade. No caso dos autos, o Contribuinte foi autuado por não ter apresentado livros e documentos solicitados pela fiscalização, com referência ao período de 2002. Conforme sabido, para analisar a situação fiscal do sujeito passivo, a Receita Federal do Brasil dispõe das informações constantes dos sistemas informatizados do órgão, fornecidas no cumprimento da obrigação tributária principal e da acessória. O Contribuinte prestou informações por meio da DIPJ, pelo qual a fiscalização extraiu informações necessárias que possibilitaram o arbitramento do lucro. Assim, em relação à multa, a decisão recorrida não registra ter sido comprovado prejuízo à apuração do lucro arbitrado por não ter o Contribuinte apresentado os documentos requeridos pela fiscalização. Em que pese a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96 cominar multa de 112,50%, na hipótese em que o sujeito passivo deixe de atender, no prazo indicado, intimação para apresentação de documentos e arquivos; vale destacar que tal regra não é absoluta, devendo ser flexibilizada, caso a caso, e dentro do contexto geral da fiscalização. A sedimentada jurisprudência deste Conselho consolidouse no sentido de que a imputação da multa agravada só tem cabimento em situações nas quais o não atendimento à intimação causa embaraços ao procedimento fiscal. Não foi o caso, pois a omissão implicou no arbitramento do lucro e lavratura do auto de infração, em outras palavras, não houve prejuízo ao procedimento fiscal. A propósito, destaco os seguintes julgados: MULTA AGRAVADA FALTA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. Dispondo a fiscalização dos elementos necessários para apuração da matéria tributável, descabe o agravamento da multa por não atendimento à intimação para apresentação dessas informações. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para reduzir a multa ao percentual de 75%, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Ac. nº 130100270 de 29/01/2010, 1ª seção, 1ª turma da 3ª Câmara) Fl. 10DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 17883.000124/200784 Acórdão n.º 180200.858 S1TE02 Fl. 217 11 MULTA AGRAVADA NÃO ATENDIMENTO A INTIMAÇÃO DA AUTORIDADE AUTUANTE AUSÊNCIA DE PREJUÍZO PARA LANÇAMENTO DESCABIMENTO Devese desagravar a multa de oficio, pois a fiscalização tinha elementos suficientes para concretizar a autuação, inclusive com informações prestadas por terceiros. Assim, o não atendimento de duas intimações da fiscalização, pelo contribuinte, não obstou a lavratura do auto de infração, não criando qualquer prejuízo para o procedimento fiscal. (Ac. nº 340200.050, 4ª Câmara, 2ª Turma Ordinária de 06/03/2009) MULTA AGRAVADA ART. 44, § 2º, LEI N° 9.430/1996 INOCORRÊNCIA DE EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. Incabível o agravamento da multa, quando o lançamento ocorreu mediante informações bancárias fornecidas pelas instituições financeiras, fundamentado pela Lei Complementar n°105/2001, sem restar comprovado nos autos nenhum prejuízo e, portanto, embaraço ao procedimento de fiscalização. (Acórdão n°10248.303, de 28/03/2007). Nessa linha, entendo que o agravamento da multa é descabido, sobretudo por não restar comprovado qualquer prejuízo ao procedimento fiscalizatório. Acrescentese a isso que a falta de apresentação da documentação serviu de fundamento para o arbitramento do lucro não podendo ensejar, portanto, a incidência de penalidade. É o meu voto. (assinado digitalmente) André Almeida Blanco Fl. 11DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por ANDRE ALMEIDA BLANCO, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10880.015671/2001-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jul 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/1997
Ementa: PAGAMENTO RETENÇÃO
Provado que a Cofins devida foi recolhida através de retenção. Recurso conhecido e provido.
Numero da decisão: 3102-01.135
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho
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Recorrida Fazenda Nacional Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/1997 Ementa: PAGAMENTO RETENÇÃO Provado que a Cofins devida foi recolhida através de retenção. Recurso conhecido e provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Presidente. (assinado digitalmente) ÁLVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO Relator. EDITADO EM: 13/07/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Paulo Sérgio Celani e Álvaro Almeida Filho Relatório Fl. 222DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 13/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO 2 Tratase de recurso voluntário visando a reforma do acórdão nº 1626.715 da 9ª Turma da DRJ/SP 1, que deu provimento em parte a impugnação apresenta pela recorrente. De acordo com o relatório da decisão recorrida se pode observar que: Em ação fiscal levada a efeito em face do contribuinte acima identificado foi apurada falta de recolhimento da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social —COFINS relativa aos fatos geradores ocorridos nos períodos de apuração de janeiro de 1997 a junho de 1997, declarados na DCTF, pois foi constatado "Pgto não localizado", razão pela qual foi lavrado o Auto de Infração de fls. 6 e 7, integrado pelos termos e documentos nele mencionados, apurandose o crédito tributário composto pela contribuição, multa proporcional e juros de mora, calculados até 30/11/2001, perfazendo o total de R$ 26.453,49 (vinte e seis mil, quatrocentos e cinquenta e três reais e quarenta e nove centavos), com o seguinte enquadramento legal: Arts 1° a 4° da Lei Complementar n° 70/91; art 1 L 9249/95; art. 57 L 9069/95; arts 56 e par un, 60 e 66 L 9430/96. 2. Inconformado com a autuação, da qual foi devidamente cientificado, o contribuinte protocolizou, em 26.12.2001, a impugnação de fls. 1 a 3, acompanhada dos documentos de fls. 437, na qual alega: 2.1. Pretende provar, o alegado, por todos os meios de prova em direito admitidos em especial de prova documental. Para tanto, anexa os DARF em questão: Cód Rec..PA VENC VLR PAGO.. DATA DO PAGTO. 2172...01/1997...07/02/1997 R$ 107,07 ...07/02/1997 2172...02/1997...10/03/1997 R$ 153,89....10/03/1997 2172...03/1997...10/04/1997 R$ 469,48....10/04/1997 2172...04/1997...09/05/1997 R$ 1.529,85....09/05/1997 2172...05/1997...10/06/1997 R$ 650,35....10/06/1997 2172...06/1997...10/07/1997 R$ 272,22....10/07/1997 2.2. A vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. 3. A impugnação foi previamente analisada pela Delegacia da Receita Federal DERAT/DICAT/EQAAR em São PauloSP que, trabalhando com a hipótese da existência de fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento, exarou o Despacho Decisório N° 3709/2009 em 04/01/2010 (fl. 53), onde consta que: "Da análise dos autos, segundo demonstrativo de consolidação e recálculo (fls. 48 a 51), verificase a improcedência do crédito tributário referente ao período de apuração 0101/1997, 01 03/1997 a 0106/1997 por terem sido integralmente pagos anteriormente à lavratura do referido auto de infração. Sendo assim, o pagamento foi manualmente alocado, extinguindo o débito em questão ". Fl. 223DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 13/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10880.015671/200150 Acórdão n.º 310201.135 S3C1T2 Fl. 550 3 "Entretanto para o período de apuração 02/1997 é procedente a cobrança pois não foram localizados pagamentos referentes a esse débito". 3.1. Assim, o Auto de Infração no 6218 foi revisado de oficio o lançamento, na forma do artigo 149 do Código Tributário Nacional (CTN), cancelando parte dos débitos conforme demonstrativo abaixo: DÉBITOS CANCELADOS NA REVISÃO DE OFÍCIO DO AI N° 6218 PA COFINS MULTA 75% 01/1997 107,06 80,30 03/1997 469,48 352,11 04/1997 1.529,85 1.147,39 05/1997 650,35 487,76 06/1997 272,17 204,17 TOTAL 3.028,96 2.271,73 3.2. Restaram em litígio os seguintes débitos: DÉBITOS DO AI N° 6218 EM LITÍGIO PA COFINS MULTA 75% 02/1997 6.756,68 5.067,51 3.2.1. Em relação aos débitos em litígio, foi lavrado o TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL N° 046/2010 (fl. 55), cientificado em 10/02/2010 (AR a fl. 61) cobrando o referido débito com os acréscimos legais, totalizando R$ 32.555,19 e enviando o DARF correspondente (fl. 56). 3.3. Contra o TERMO DE INTIMAÇÃO acima, o Impugnante apresentou em 08/03/2010, RECURSO VOLUNTÁRIO — PESSOA JURÍDICA (fls. 6269) acompanhado de documentos de fls. 70103, com as seguintes alegações, resumidamente: 3.3.1. Em fevereiro de 1997, emitimos a respectiva nota fiscal no valor de R$ 330.140,00 para a Fundação de Assistência ao Estudante, cujo CNPJ é 42.531.129/000176, conforme ANEXO II. 3.3.2. Por ter se tratado de uma venda para uma fundação federal, resta claro que tivemos a retenção dos impostos na fonte, conforme determina a Lei 9.430/96, especificamente no Fl. 224DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 13/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO 4 seu artigo 64. No caso especifico, foi retido na fonte o percentual de 2% inerente à COFINS, que foi equivalente a R$ 6.602,80. 3.3.3. Alem dessa venda efetuada para a fundação federal, tivemos outras receitas oriundas de vendas, no importe de R$ 7.694,42, mas estas NÃO FORAM efetuadas para órgão federal, logo, não tivemos nenhuma retenção de impostos inerentes a estas vendas de pequena monta. 3.3.4. Para facilitar o entendimento, vide demonstração de nosso faturamento em fevereiro de 1997: Venda Fundação Federal R$ 330.140,00 Outras Vendas R$ 7.694,42 Total da Receita R$ 337.834,42 3.3.5. Vide demonstração da apuração da COFINS referente ao faturamento de fevereiro de 1997: Tipo de Receita Valor COFINS 2% Retenção na Fonte? Venda fundação federal R$ 330.140,00 R$ 6.602,80 Sim Demais vendas R$ 7.694,42 R$ 153,89 Não COFINS A PAGAR R$ 153,89 3.3.6. Vide em ANEXO III o DARF referente a COFINS 02/1997, no valor de R$ 153,89. 3.3.7. Vale lembrar que estamos comentando sobre fatos que ocorreram há mais de 13 anos, época em que os sistemas deste órgão não apresentavam a clareza e eficácia atual. 3.3.8. É obvio que para chegarmos a esta conclusão, APÓS 13 ANOS DO FATO GERADOR foi bastante complicado. Tivemos de solicitar cópia das obrigações acessórias do período, pois não as tínhamos em nossos arquivos. Aliás, nem a própria Receita Federal do Brasil, com toda a sua estrutura, as possuía. 3.3.9. Por fim, requer a impugnante seja acolhida a presente impugnação. 3.4. 0 RECURSO VOLUNTÁRIO foi previamente analisado pela Delegacia da Receita FederalDERAT/DICAT/EQAAR em São PauloSP que, trabalhando com a hipótese da existência de fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento, exarou o Despacho Decisório N°232/2010 em 08/03/2010 (fl. 109), onde consta que: Fl. 225DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 13/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10880.015671/200150 Acórdão n.º 310201.135 S3C1T2 Fl. 551 5 "0 interessado foi cientificado da revisão do lançamento, conforme AR ((7. 61). Inconformado com a revisão, o impugnante peticionou trazendo fatos novos ao processo (fls. 62 a 69). Dessa forma, foi reconsiderada a revisão e alocado um recolhimento referente ao período de apuração 0102/1997. O resultado da revisão do lançamento está presente nos demonstrativos de recálculo (fls. 105 a 108). 0 saldo remanescente o impugnante alega que houve erro na informação da DCTF ". 3.4.1. Assim, o Auto de Infração n° 6218 foi novamente revisado de oficio o lançamento, na forma do artigo 149 do Código Tributário Nacional (CTN), cancelando parte dos débitos conforme demonstrativo abaixo: DÉBITOS CANCELADOS NA REVISÃO DE OFÍCIO DO AI N° 6218 PA COFINS MULTA 75% 01/1997 107,06 80,30 02/1997 153,89 115,42 03/1997 469,48 352,11 04/1997 1.529,85 1.147,39 05/1997 650,35 487,76 06/1997 272,17 204,17 TOTAL 3.182,85 2.387,15 3.4.2. Restaram em litígio os seguintes débitos: DÉBITOS DO AI N° 6218 EM LITÍGIO PA COFINS MULTA 75% 02/1997 6.602,79 4.952,09 Após analisar a defesa decidiu a 9ª Turma da DRJ/SP 1, pelo provimento parcial da impugnação, consoante se depreende da ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS • Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/1997 DCTF FALTA DE PAGAMENTO RETENÇÃO PELOS ÓRGÃOS PÚBLICOS. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 13/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO 6 Não provado que a Cofins devida foi retida e recolhida pelos órgãos públicos, cabe ao contribuinte recolher tal contribuição. Assim, pelo principio da verdade material, é de se manter o lançamento formalizado no auto de infração motivado em falta de recolhimento ou pagamento do principal. MULTA DE OFÍCIO RETROATIVIDADE BENIGNA DO ART. 18 DA LEI N° 10.833/2003. Com a edição da MP no 135/2003, convertida na Lei n° 10.833/2003, não cabe mais imposição de multa excetuandose os casos mencionados em seu art. 18. Sendo tal norma aplicável aos lançamentos ocorridos anteriormente à edição da MP n° 135/2003 em face da retroatividade benigna (art. 106, II, "c" do CTN), impõese o cancelamento da multa de oficio lançada. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformada com a decisão acima, a contribuinte apresenta recurso voluntário alegando em síntese que: a) Celebrou com a Fundação de Assistência ao Estudante contrato para o fornecimento de livros no montante de R$ 330.140,00(trezentos e trinta mil, cento e quarenta reais), comprovado através da cópia do DOU; b) Realizada a venda para uma função a obrigatoriedade da retenção na fonte é de 4,81%, sendo 2% de COFINS; c) Em 11/03/1997 foi creditado em sua contata corrente R$ 321.391,29(trezentos e vinte e um mil, trezentos e noventa e um reais e vinte e nove centavos), quanto deveria ter sido creditado R$ 314.260,27(trezentos e quatorze mil, duzentos e sessenta reais e vinte e sete centavos). d) Houve uma retenção de apenas 2,65%, sendo 2% COFINS e 0,65 PIS; e) Através de correspondência foi demonstrado à fundação o erro na retenção, o qual seria corrigido através do recolhimento de R$ 7.131,02(sete mil, cento e trinta e um reais e dois centavos); f) Apenas recebeu em 28/10/2010 o comprovante anual de retenção emitido pela fundação, o qual demonstra o recolhimento do COFINS; Em atenção aos argumentos apresentados requer a contribuinte o conhecimento e provimento do recurso para ser cancelado o crédito tributário. Voto Fl. 227DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 13/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10880.015671/200150 Acórdão n.º 310201.135 S3C1T2 Fl. 552 7 Conselheiro Alvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Como demonstrado o objeto do presente recurso visa demonstrar que o COFINS no montante de R$ 6.602,79(seis mil, seiscentos e dois reais e setenta e nove centavos) da venda efetuada para Fundação de Assistência ao Estudante – FAE, foi retido na fonte, nos termos do art. 64 da lei nº 9.430/96. De acordo com a decisão singular a recorrente em sua impugnação apresentou fato novo ao afirmar que o pagamento do COFINS teria ocorrido através de retenção na fonte realizada pela fundação, entretanto apesar do afirmado a recorrente não apresentou o “COMPROVANTE ANUAL DE RETENÇÃO e outros documentos fiscais que comprova a retenção da COFINS na fonte”. Acontece que a contribuinte anexa ao recurso em análise cópia do Comprovante anual de retenção da Fundação de Assistência ao Estudante emitido em 06 de março de 1997 no valor de R$ 8.784,71(oito mil reais, setecentos e oitenta e quatro reais e setenta e um centavos) presente às fls. 187. Também foram anexos os comprovantes do recolhimento do IRPJ(fls. 192/193) no valor de R$ 4.756,65(quatro mil setecentos e cinquenta e seis reais e sessenta e cinto centavos) e da CSLL(fls. 195) no montante de R$ 3.243,21(três mil, duzentos e quarenta e três reais e vinte e um centavos). Observando o art. 2º da lei complementar nº 70/91 e o art. 8º da lei nº 9715/98, quando da venda efetuada em fevereiro de 1997 a recorrente teria que recolher, utilizando como base de cálculo o valor de R$ 330.140,00(trezentos e trinta mil, cento e quarenta reais) os seguintes montantes: Tributo Percentual Valor sobre a venda R$ 330.140,00 COFINS 2,00% R$ 6.602,80 PIS 0,65% R$ 2.145,91 TOTAL 2,65% R$ 8.748,71 Ora, como demonstrado, percebese que em razão da referida venda foi retido pela fundação o valor de R$ 8.784,71(oito mil reais, setecentos e oitenta e quatro reais e setenta e um centavos), o que corresponde exatamente ao valor percentual do PIS e da COFINS.. Assim, resta afirmar que a recorrente ao anexar os documentos referidos supriu a carência probatória afirmada pela decisão recorrida. Pelas razões, conheço do recurso voluntário, para darlhe provimento, exonerando a recorrente do recolhimento do crédito tributário. Sala de sessões 08 de julho de 2011. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 13/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO 8 (assinado digitalmente) Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Relator Fl. 229DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 13/07/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 10735.003349/2004-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Aug 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2001
Ementa:
PROVAS LIVRE CONVENCIMENTO
As provas pertencem ao processo e não às partes. Desse modo, ao julgador, é conferido o livre convencimento para a sua apreciação, conforme expressa disciplina do art. 29 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1201-000.571
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER
dos embargos para, no mérito, REJEITÁLOS.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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Desse modo, ao julgador, é conferido o livre convencimento para a sua apreciação, conforme expressa disciplina do art. 29 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER dos embargos para, no mérito, REJEITÁLOS. (assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Rafael Correia Fuso, João Bellini Júnior, Antonio Carlos Guidoni Filho e Regis Magalhães Soares de Queiroz . Fl. 1DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10735.003349/200402 Acórdão n.º 120100.571 S1C2T1 Fl. 229 2 Relatório Mediante a peça de fl. 225 a 226, a Procuradoria da Fazenda Nacional opõe embargos de declaração ao acórdão de fls. 216 a 220, no qual aduz as seguintes razões: Pela análise do acórdão 120100204, percebese que esta a 1ª Turma Ordinária deu provimento ao recurso voluntário para determinar a remessa dos autos à unidade de origem para que seja procedida a intimação do sujeito passivo acerca do ato de indeferimento do benefício pleiteado. Contudo, para chegar a essa conclusão, levou em consideração pedido e argumento oferecido pelo contribuinte somente em sede de recurso voluntário, já que o mesmo permaneceu inerte diante da oportunidade concedida pela DRJ de se pronunciar sobre a ciência contida no AR de fls. 132. Tratase, portanto, de matéria preclusa, a teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72: (...) Assim, a apreciação dessa matéria (que não se configura como de ordem pública) pelo voto condutor do acórdão resulta em contrariedade não só aos princípios da eventualidade e do ônus da impugnação específica das questões de fato e de direito, atribuído ao autuado, mas também ao princípio do efeito devolutivo dos recursos, vez que a matéria não foi objeto de apreciação pela autoridade de primeira instância e, logicamente, também não poderia ser apreciada pela autoridade ad quem. Sobre a natureza e os efeitos desse princípio, vale transcrever a doutrina de José Carlos Barbosa Moreira: (...) Dessa forma, há omissão no voto condutor do r. acórdão, pois não foram expressamente mencionados quais os pressupostos e os motivos que fundamentaram a apreciação de matéria preclusa, conforme o art. 17 do Decreto nº 70.235/72. (...) Em face do exposto, requer a União (Fazenda Nacional) o conhecimento e o provimento do presente recurso para que, saneando a omissão apontada, não seja conhecida a alegação de falha na ciência do indeferimento do incentivo fiscal (AR de fls. 132), vez que se trata de questão não impugnada oportunamente. É o relatório. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10735.003349/200402 Acórdão n.º 120100.571 S1C2T1 Fl. 230 3 Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes O embargante afirmou que a decisão se calcou em pedido e argumento oferecidos pela defesa apenas na oportunidade do recurso e, portanto, já seria matéria abarcada pela preclusão. Cabeme esclarecer que a razão não foi sequer aduzida pelo contribuinte, mas sim suscitada de ofício por este relator, conforme podemos constatar pelo trecho do meu voto abaixo transcrito. Tal comunicação foi contestada na impugnação, mas a Delegacia de Julgamento entendeu ter havido a ciência em razão do AR de fls. 132. Calha aqui destacar que a autoridade julgadora de primeiro grau, antes de proferir sua decisão, franqueou à defesa a oportunidade de contestar o novo elemento trazido aos autos, o que não foi realizado. Em razão disso, considerou a ciência um fato incontroverso. Apenas no recurso voluntário, a defesa contesta o referido aviso de recebimento sob o falacioso argumento de que teria sido enviado o AR, mas não haveria prova de seu recebimento. Ora, na verdade, são os extratos o objeto de envido, e o AR a prova da sua entrega. Com base exclusivamente nos argumentos da defesa, adotaria a posição de que a ciência do indeferimento do incentivo fiscal foi validamente realizada e assim deveria ser mantida a autuação. Nada obstante, ao compulsar os autos, verifiquei que no referido AR não consta o nome do recebedor, mas apenas uma pequena rubrica e um número de identidade sem qualquer identificação do órgão de emissão. Em suma, não é possível identificar quem recebeu os extratos. E o motivo de ter suscitado este ponto é bem simples. Tratase de mera apreciação de prova (ao apreciar o documento, constatei que não era apto a provar o fato da ciência pelas razões acima expostas), atividade que é livre para o julgador, a qual pode (na verdade, deve) ser empreendida a qualquer tempo. As provas pertencem ao processo e não às partes. Desse modo, ao julgador, é conferido o livre convencimento para a sua apreciação, o que, aliás, está expressamente previsto no art. 29 do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 10735.003349/200402 Acórdão n.º 120100.571 S1C2T1 Fl. 231 4 CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer dos embargos para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Fl. 4DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME
score : 1.0
Numero do processo: 11080.010538/2008-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2006
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. A legislação
tributária estabelece os documentos hábeis para comprovação das despesas médicas, e indica os elementos que deve conter.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2101-001.188
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. A legislação tributária estabelece os documentos hábeis para comprovação das despesas médicas, e indica os elementos que deve conter. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1262; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 77 1 76 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.010538/200861 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2101001.188 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28 de julho de 2011 Matéria IRPF Recorrente PAULO ROBERTO LEKE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. A legislação tributária estabelece os documentos hábeis para comprovação das despesas médicas, e indica os elementos que deve conter. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos – Presidente substituto e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Goncalo Bonet Allage, José Evande Carvalho Araujo, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Souza e Alexandre Naoki Nishioka. Relatório Fl. 79DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 10 27.564, proferido pela 4ª Turma da DRJ Porto Alegre (fl. 58), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação. A infração indicada no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: Trata o presente processo de impugnação a Notificação de Lançamento do imposto de renda pessoa física, relativamente ao exercício de 2006, anocalendário de 2005 em decorrência de glosas de deduções a titulo de: despesas médicas e de incentivo. A descrição dos fatos e a legislação infringida constam da referida Notificação (fls. 08/10), conforme a seguir discriminados: Dedução Indevida de Despesas Médicas: Glosa do valor de R$ 11.460,00, indevidamente deduzido a titulo de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Enquadramento Legal: Art. 8°, inciso II, alínea "a", e §§ 2° e 3° da Lei n° 9.250/95; arts. 43 a 48 da Instrução Normativa SRF no 15/2001; arts. 73, 80 e 83, inciso II do Decreto n° 3.000/99 RIR/99. Complementação da Descrição dos Fatos: Leonardo Bergmann: não há identificação da formação profissional nem registro em conselho de classe, impossibilitando o enquadramento legal; Alfredo Cataldo Neto: no único recibo apresentado não está especificado a quem foi prestado os serviços (além de não estar muito legível o que está escrito). Dedução Indevida de Incentivo: Glosa do valor de R$ 100,00, indevidamente deduzido a titulo de Dedução de Incentivo, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Poderão ser deduzidas a titulo de Dedução de Incentivo, apenas as doações realizadas aos Fundos controlados pelos Conselhos Municipais, Estaduais e Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, de incentivo à cultura e de incentivo às atividades audiovisuais, até o limite de 6% (seis por cento) do imposto apurado na declaração. Foi comprovada a doação total de R$ 2.100,00 no ano de 2005. Enquadramento Legal: Art. 12, incisos I a III e § 1° da Lei n° 9.250/95; art. 22 da Lei n° 9.532/97; art. 87, incisos I a III e § 1° do Decreto n° 3.000/99 RIR/99. Inconformado com a exigência, o contribuinte solicita revisão das alterações efetuadas em procedimento fiscal. Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador de primeiro grau manteve integralmente o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2006 Fl. 80DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.010538/200861 Acórdão n.º 2101001.188 S2C1T1 Fl. 78 3 REVISÃO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação. Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis e/ou não comprovadas mediante documentação hábil e idônea, poderão ser glosadas pela autoridade lançadora. Impugnação Improcedente Em seu apelo ao CARF, às fls. 68/71, o recorrente aduz o acórdão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Porto Alegre há de ser reformado, relativamente à glosa da dedutibilidade das despesas suportadas pelo recorrente perante o médico Alfredo Cataldo Neto, tendo em vista que o recibo apresentado (fl. 4), absolutamente legível e compreensível em seu conteúdo, atende com sobrada folga as disposições legais, notadamente o artigo 11, inciso I, § 10, alínea c, da Lei n° 8.383, de 1991 (artigo 80 do RIR/1999). Argumenta que o ônus de contrapor a prova exibida é do fisco, enquanto pressuposto indispensável da sua desconsideração. É o Relatório. Voto Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, Relator. O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Em litígio, tãosomente, a glosa da despesa médica com o profissional Alfredo Cataldo Neto, no montante anual de R$11.400,00. Do exame das peças processuais, firmo convencimento de que o lançamento e a decisão de primeiro grau não merecem qualquer reparo. Com efeito, os fundamentos declinados no voto condutor do acórdão recorrido, às fls. 60/62, estão em consonância com reiterados pronunciamentos deste Colegiado acerca da matéria em litígio, razão pela qual os adoto como razões de decidir. Sobre a dedução de despesas médicas, vejamos o que dispõe a legislação que rege a matéria, e como os Órgãos administrativos de julgamento a têm interpretado. Confirase o estabelecido na Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...). II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas Fl. 81DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...). § 2º O disposto na alínea “a” do inciso II: (...). II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento;” Por sua vez, o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999, art. 73, dispõe: Art.73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º).” §1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Grifos Acrescidos. A legislação citada estabelece, via de regra, a apresentação de recibos como forma de comprovação das despesas médicas, a teor do que dispõe o art. 80, § 1º, III, do RIR/1999, e indica os elementos que devem conter. Consoante descrição dos fatos na notificação de lançamento, à fl. 09, a glosa da despesa com o médico Alfredo Cataldo Neto ocorreu porque foi apresentado um único recibo (na verdade uma declaração, através da qual se supõe vários recebimentos por consultas realizadas durante o ano de 2005), que não especifica a quem foi prestado os serviços, além de não estar muito legível o que está escrito. Entendo que esse último aspecto não impossibilitou a análise e compreensão do “recibo” pela fiscalização, DRJ e por este Colegiado, razão pela qual tenho por superado esse ponto. No que tange aos demais motivos elencados pela fiscalização para não considerar comprovada referida despesa, penso que lhe assiste razão. Os recibos devem ser emitidos pelo profissional à medida que os pagamentos são recebidos, até porque o profissional liberal escritura o livro caixa com base mensal. No presente caso isso não ocorreu, havendo o contribuinte apresentado um “recibo” anual, que não satisfaz as exigências legais. O recibo deve indicar o paciente e não apenas a declaração de quem foi recebido o numerário, pois a dedução da despesa médica restringese ao tratamento efetuado com o contribuinte ou seu dependente. Em conclusão: não houve a comprovação da despesa médica na forma e conteúdo determinado pela legislação. Como bem ressaltou a decisão recorrida, nenhum outro elemento de prova que complementasse referido documento foi apresentado. Em outros recursos que passaram por este Colegiado, com despesas médicas dessa monta, a parte interessada apresentou elementos Fl. 82DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.010538/200861 Acórdão n.º 2101001.188 S2C1T1 Fl. 79 5 de prova abundantes dos serviços médicos (exames, laudos etc), que possibilitaram identificar o paciente, bem assim dos pagamentos mensais efetuados (cheques, depósitos, transferência ou saques compatíveis com o pagamento indicado no recibo etc). Ou seja, diante dos aspectos suscitados pela fiscalização em relação à determinada despesa médica, produziuse um conjunto probatório satisfatório – situação que não ocorreu no caso em tela. Estas considerações objetivam analisar a matéria de forma ponderada, de acordo com a especificidade de cada caso. A glosa efetuada pela fiscalização, por seus fundamentos (fl. 09) permanece incólume. Não se trata de exigências descabidas ou ilegais, ou indevida inversão do ônus da prova, já que a legislação que rege a matéria determina que todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, e indica que cabe ao contribuinte apresentar os comprovantes das despesas médicas e os elementos que estes devem conter. Em face ao exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Fl. 83DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10235.001052/2006-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FiSICA - 1RPF
Exercício: 2002
OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUEIS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ONUS.
A Receita Federal do Brasil admite a dedução de valores sobre alugueis, sobretudo as taxas incidentes sobre o aluguel recebido, para encontrar a base de cálculo, desde que esteja comprovado que o locador tenha suportado tais encargos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-001.309
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: Acácia Sayuri Wakasugi
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NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ONUS. A Receita Federal do Brasil admite a dedução de valores sobre alugudis, sobretudo as taxas incidentes sobre o aluguel recebido, para encontrar a base de cálculo, desde que esteja comprovado que o locador tenha suportado tais encargos. Recurso Voluntário Negado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Ntibia Matos Moura, Atílio Pitarelli, Rubens Mauricio Carvalho e Acacia Sayuri Wakasugi. Relatório Contra o contribuinte NONATO ALTAIR MARQUES PEREIRA, CPF/MF n° 055.752.492-04, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 25/07/2006, auto de infração (fls. 04 a 11), a partir da revisão de sua declaração de ajuste anual, referente aos anos calendários 2001, exercício 2002, com o lançamento do imposto de renda no valor de R$ 13.401,17, incluídos multa de 75% e de juras de mora. Conforme descrição dos fatos, a autuação decorreu de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo, tendo sido constatada as infrações de omissão de rendimentos de alugudis (o contribuinte teria declarado a menor os rendimentos recebidos das fontes pagadoras Amaz. Celular S.A. e M. S. Polaro ME) e dedução indevida de imposto de renda retido na fonte, nos seguintes termos: OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUEIS OU ROYALTIES RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. CONTRIBUINTE DECLAROU A MENOR RENDIMENTOS RECEBIDOS DAS FONTES PAGADORAS AMAZ. CELULAR S/A E M.S.POLARO ME. VLRS DECLARADOS R$ 36.074,48 E R$ 27.252,00, RESPECTIVAMENTE; VLRS. INF. NA DIRE PELAS FONTES - R$ 40.082,76 E R$ 30.280,00, RESPECTIVAMENTE. CONTRIBUINTE DEDUÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. CONTRIBUINTE NÃO COMPROVOU OS VALORES DECLARADOS, SENDO, PORTANTO, LANÇADOS OS VALORES COM BASE NAS INFORMAÇÕES MANTIDAS NOS SISTEMAS DE DADOS DA RECEITA FEDERAL. Cientificada em 05/10/2006, fl. 44, o contribuinte apresenta impugnação A exigência tributária em 23/10/2006, As fls. 01/02, de onde se extrai os seguintes argumentos: a) os rendimentos em questão são oriundos de alugueis de sua propriedade, que por sua vez entrega esses imóveis a uma imobiliária denominada N. A. M Pereira & Cia Ltda, da qual sócio, para que a mesma os administre. A imobiliária, por sua vez, cobra uma taxa de 10% sobre o valor da locação, valor este que foi deduzido dos valores recebidos. b) Os 10% cobrados pela imobiliária passam a ser da mesma, que as declara A receita Federal e recolhe os tributos sobre os mesmos, o que pode facilmente ser comprovado pela DIMOB. c) Caso não seja levado em conta esta tributação, haverá bitributação. d) 0 contribuinte sofreu a retenção de R$ 1.116,17, e não pode ser obrigado a comprovar que um terceiro não cumpriu com sua obrigação de declaração. e) 0 contribuinte não se insurge sobre a multa de 75% aplicada ao processo em tela. 2 Processo n 10235.001052/2006-05 S2-C I T2 Acórdão 2102-01.309 Fl. 77 A 2' Turma da DRJ/BEL, por unanimidade de votos, julgou por considerar procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 01-10.867, 28 de abril de 2008 (fls. 53 a 56), que foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2002 Omissào, Tributa-se o valor recebido de aluguel subtraído, quando o encargo tenha sido exclusivamente do locador, das quantias relativas a despesas pagas para cobrança ou recebimento do rendimento, quando comprovado o ônus. Lançamento Procedente O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 16/05/2008, cujo qual interpôs recurso voluntário em 16/06/2008, repisando os mesmo termos da impugnação ao auto de lançamento, mas fazendo a juntada das cópias do Comprovante de Rendimentos Pagos pelas pessoas jurídicas e, de Retenção do Imposto de Renda na Fonte (antiga cédula C), fornecido pela fonte pagadora Amazônia Celular S.A e relatório de movimentação das operações imobiliárias 199-2001 da pessoa jurídica N.A.M. Pereira & Cia Ltda (fls. 63 a 73). E o Relatório. Voto Conselheira Acacia Sayuri Wakasugi O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. 0 recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, foi interposto por parte legitima e está devidamente fundamentado. Sendo assim, conheço-o e passo ao exame. I. DA OMISSÃO DE RENDIMENTOS PROVENIENES DE ALUGUEIS Dos documentos acostados aos autos não resta dúvida de que o imóvel alugado as pessoas jurídicas M.S. POLARO-ME (CNPJ 10.224.368/0001-97) e AMAZÔNIA CELULAR S/A — AMAPÁ (CNPJ 02.333.355/0001-28), pertencem ao contribuinte, e via de conseqüência, as receitas provenientes do referido aluguel foram auferidas por NONATO ALTAIR MARQUES PEREIRA. Inicialmente, cabe sinalar que a incidência do IRRF sobre Rendimentos de alugueis pagos por Pessoa Jurídica à Pessoa Física está prevista no Artigo 631 do RIR11999 e o código da receita é 3208. Sendo que estão sujeitos à incidência do imposto na fonte, calculado na forma do art. 620, os rendimentos decorrentes de aluguéis ou royalties pagos por pessoa jurídicas a pessoas físicas (Lei n° 7.713, de 1988, art. 7°, inciso II). ais u a vez, não merece reparo a decisão da DRJ. Deste A e e eposto,v or NEGAR provimento ao recurso. yuri4 akasugi - Relatora Deste modo a Receita Federal admite sim a dedução de valores sobre alugueis recebidos, sobretudo as taxas incidentes sobre o aluguel recebido. Assim, podem ser excluídos do valor do aluguel recebido As quantias relativas a impostos, taxas e emolumentos incidentes sobre o bem que produzir o rendimento; aluguel pago pela locação de imóvel sublocado; despesas pagas para cobrança ou recebimento do rendimento; e despesas de condomínio, desde que o locador tenha suportado estes encargos, os mesmos podem ser deduzidos para encontrar a base de cálculo, fato não ocorrido nos autos em comento. E apenas a titulo de esclarecimento, ressalto que os documentos juntados As fls. 68/73 (relatório de movimentação das operações imobiliárias), comprovam tão somente a existência de imóveis administrados pela N.A.M. Pereira & Cia Ltda que esta pessoa jurídica, em que o contribuinte é sócio, imóveis dentre eles de propriedade de terceiros e de Nonato Altarir Marques Pereira. Assim, o contribuinte não conseguiu comprovar o pagamento corresponde a taxa de administração comumente cobrada pelas imobiliárias, visto que no documento em tela não se pode auferir o efetivo pagamento da taxa de administração. Portanto, não merece reparo a decisão da DRJ neste azo. II. DEDUCAO DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE Também sobre esta rúbrica, não merece outro fim, sendo manutenção na sua integralidade do crédito tributário, a saber: Neste sentir, mesmo que o contribuinte tenha juntado documentos que comprovavam a retenção na fonte do IR, em sede de Recurso Voluntário (fls. 64), pela análise do documento em tela, fica mais uma fez comprovada a correção do auto de infração, pois os valores declarados na DIRF (fls. 37) pela fonte pagadora — Amazônia Celular S/A-Amapá (CNPJ/MF: 02.333.355/001-28), são exatamente aqueles que constam no Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de IRPF (fls. 64); valores estes dissonantes dos declarados pelo contribuinte em sua DAA, fato que gerou a dedução no montante de R$ 1.116,97. 4
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Numero do processo: 37071.006692/2006-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/1994 a 30/11/2004
DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RETENÇÃO. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO.
O instituto da retenção de que trata o art. 31 da lei nº 8.212/91, na redação dada pela lei nº 9.711/98, configura-se
como hipótese legal de substituição tributária, na qual a empresa contratante assume o papel do responsável tributário pela arrecadação e recolhimento antecipados do tributo, não lhe
sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou que tenha arrecadado em desacordo com a lei.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-001.096
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária do Segunda
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos conceder provimento parcial quanto à preliminar de decadência, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior divergiu pois entendeu que se aplicava o artigo 150, § 4° do CTN. Quanto à parcela não decadente, não houve divergência.
Nome do relator: Adriana Sato
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Órgãos Públicos Recorrente MUNCIPIO DE ANTONIO PRADO PREFEITURA MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1994 a 30/11/2004 DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RETENÇÃO. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO. O instituto da retenção de que trata o art. 31 da lei nº 8.212/91, na redação dada pela lei nº 9.711/98, configurase como hipótese legal de substituição tributária, na qual a empresa contratante assume o papel do responsável tributário pela arrecadação e recolhimento antecipados do tributo, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou que tenha arrecadado em desacordo com a lei. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária do Ssegunda SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por maioria de votos conceder provimento parcial quanto à preliminar de decadência, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior divergiu pois entendeu que se aplicava o artigo 150, § 4° do CTN. Quanto à parcela não decadente, não houve divergência. Marco André Ramos Vieira Fl. 1DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por ADRIANA SATO Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ADRIANA SATO, 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37071.006692/200670 Acórdão n.º 230201.096 S2C3T2 Fl. 63 2 Presidente Adriana Sato Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Manoel Coelho Arruda Junior e Adriana Sato. . Fl. 2DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por ADRIANA SATO Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ADRIANA SATO, 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37071.006692/200670 Acórdão n.º 230201.096 S2C3T2 Fl. 64 3 Fl. 3DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por ADRIANA SATO Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ADRIANA SATO, 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37071.006692/200670 Acórdão n.º 230201.096 S2C3T2 Fl. 65 4 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito lavrada em 15/05/2006, cuja ciência da Recorrente ocorreu na mesma data (fls.30). De acordo com o Relatório Fiscal os créditos previdenciários apurados em ação fiscal referemse a valores referente à retenção de 11% sobre notas fiscais de prestação de serviço das empresas: construtora Cotrefe Ltda, Ciconetto Elétrica E Refrigeração Ltda, Darci Antonio Louvison, Empreiteira Andreguetti Ltda, H. S. Pinturas Ltda, Metrocil Empresa De Cadastro Imobiliário Ltda, Mineração Caxiense Ltda, Naju Detritos E Reciclagem Ltda E Terraplanagem E Indústria Mecânica Zolet Ltda (levantamentos vcc, vce, vda, vea, vhs, vme, vmc, vnd e vtz). Mencionadas contribuições previdenciárias devidas a Seguridade Social, referemse aos valores que deixaram de ser retidos das empresas prestadoras de serviços, mediante cessão de mãodeobra ou empreitada, e deixaram de ser recolhidos a Seguridade Social em época própria. O Município de Antonio Prado, contratou as empresas acima identificada para prestação de serviços. Conforme dispõe o art. 31 da Lei 8.212/91, c/c art. 29 da Lei 9.711/98, "A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mão de obra, ...", conforme disciplina o art. 156 da Instrução Normativa SRP n° 03, de 14/07/2005 (DOU 15/07/2005). Ainda de acordo com o Relatório Fiscal, constituem fatos geradores das contribuições Previdenciárias apuradas através do presente lançamento fiscal os valores que deixaram de ser retidos e recolhidos das notas fiscais / faturas de prestação de serviços das empresas acima citadas, cuja relação encontrase discriminado no relatório de lançamentos anexo a presente notificação fiscal. Serviram de base para o presente lançamento as notas fiscais / faturas de prestação de serviços mediante cessão de mão de obra ou empreitada, notas de empenho, ordens bancárias e de pagamento e os registros contábeis (livros diário e razão). A Recorrente apresentou impugnação, alegando em síntese inexistência de responsabilidade solidária do Município e prescrição. A DN julgou o lançamento procedente, e, inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário com as mesmas alegações da impugnação. A DRP apresentou contra razões. É o Relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por ADRIANA SATO Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ADRIANA SATO, 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37071.006692/200670 Acórdão n.º 230201.096 S2C3T2 Fl. 66 5 Voto Conselheiro Adriana Sato, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo a análise das questões suscitadas pela Recorrente. Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, Fl. 5DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por ADRIANA SATO Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ADRIANA SATO, 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37071.006692/200670 Acórdão n.º 230201.096 S2C3T2 Fl. 67 6 aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Assim sendo, independente de meu entendimento pessoal sobre a matéria, manifestado em meus votos anteriores, inclinome à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08. Afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplicar ao caso concreto. Compulsando os autos, constatase através do Discriminativo Analítico do Débito que a recorrente não efetuou pagamento parcial de suas obrigações as quais se refere o lançamento. Daí, deve prevalecer a regra trazida pelo artigo 173, I do CTN. Assim sendo, tendo sido cientificada a recorrente do lançamento em 15/05/2006, ficam alcançadas pela decadência as contribuições até a competência 11/2000, restando como devidas as contribuições referente as competências de 12/2000 a 11/2004. A retenção de onze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura emitida pelo prestador nos serviços executados mediante cessão de mãodeobra, foi instituída pelo art. 31 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela MP nº 1.66315/98, convertida na Lei nº 9.711/98. O art. 31 da Lei n° 8.212/91 e seus parágrafos trata especificamente da retenção de onze por cento sobre o valor da nota fiscal dos serviços prestados mediante cessão de mão deobra. O § 3º do referido artigo traz a definição legal de cessão de mãodeobra, como se vê; Fl. 6DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por ADRIANA SATO Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ADRIANA SATO, 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 37071.006692/200670 Acórdão n.º 230201.096 S2C3T2 Fl. 68 7 Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no art. 33. (Redação alterada pela MP nº 1.66315/98, convertida na Lei nº 9.711/98) (...) § 3º Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição da contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação alterada pela MP nº 1.66315/98, convertida na Lei nº 9.711/98) Assim, comprovada a cessão de mãodeobra e estando o serviço no rol do art. 219 parágrafo 2°, inciso XXIV, do Regulamento da Previdência Social, que especifica quais serviços sujeitamse à retenção, o recorrente está obrigada a destacar onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura emitida, na forma do disposto pelo parágrafo 4° do mesmo artigo. Por todo exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para excluir as parcelas abrangidas pela decadência. Sala das Sessões, em 7 de junho de 2011 Adriana Sato Fl. 7DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por ADRIANA SATO Assinado digitalmente em 27/07/2011 por ADRIANA SATO, 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11020.000749/2009-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das
Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES
Anos calendário: 2004 e 2005
Ementa:
OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITO BANCÁRIO. LANÇAMENTO POR PRESUNÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PROVA EM CONTRÁRIO. RECURSO IMPROVIDO.
O artigo 42, da Lei n° 9.430, de 1996, presume que se caracterizam omissão de receita ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove a
origem dos recursos utilizados nessas operações.
No caso concreto, a autuada não comprovou a origem dos valores creditados em suas contas bancárias, limitando-se a fazer alegações genéricas, sem apresentar provas. Desta forma, mantém se o lançamento e nega-se provimento ao recurso.
MULTA QUALIFICADA. INCIDÊNCIA, NO CASO, DA SÚMULA Nº 34 DO CARF.
Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 1402-000.443
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES Anos calendário: 2004 e 2005 Ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITO BANCÁRIO. LANÇAMENTO POR PRESUNÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PROVA EM CONTRÁRIO. RECURSO IMPROVIDO. O artigo 42, da Lei n° 9.430, de 1996, presume que se caracterizam omissão de receita ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. No caso concreto, a autuada não comprovou a origem dos valores creditados em suas contas bancárias, limitando-se a fazer alegações genéricas, sem apresentar provas. Desta forma, mantém se o lançamento e nega-se provimento ao recurso. MULTA QUALIFICADA. INCIDÊNCIA, NO CASO, DA SÚMULA Nº 34 DO CARF. Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. Recurso Negado.
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LANÇAMENTO POR PRESUNÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PROVA EM CONTRÁRIO. RECURSO IMPROVIDO. O artigo 42, da Lei n° 9.430, de 1996, presume que se caracterizam omissão de receita ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. No caso concreto, a autuada não comprovou a origem dos valores creditados em suas contas bancárias, limitandose a fazer alegações genéricas, sem apresentar provas. Desta forma, mantémse o lançamento e negase provimento ao recurso. MULTA QUALIFICADA. INCIDÊNCIA, NO CASO, DA SÚMULA Nº 34 DO CARF. Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. Recurso Negado. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 13/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 13/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.000749/200981 Acórdão n.º 140200.443 S1C4T2 Fl. 2 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (presidente da turma), Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (vicepresidente), Antonio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar e Moises Giacomelli Nunes da Silva. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 13/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 13/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.000749/200981 Acórdão n.º 140200.443 S1C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de autos de infração (fls. 01/58) em face de empresa optante pelo SIMPLES, para cobrança do IRPJ e tributações reflexas, dos anoscalendário de 2004 e 2005, que tem como origem omissão de receita caracterizada por depósitos bancários não identificados. Além da exigência do crédito tributário, a recorrente foi excluída do SIMPLES e, em seu recurso, manifesta também inconformidade quanto a este aspecto. A constatação de omissão de receita decorreu da análise dos depósitos bancários efetuados na conta corrente da Sra. Ilse Jost Casali, cuja conta bancária era utilizada pela empresa Roberto Adriano Krug, firma individual, ora autuada, conforme se verifica do Termo Fiscal de fls. 65/72: “1. INTRODUÇÃO. “....esta Delegacia da Receita Federal do Brasil foi comunicada, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santo Ângelo, de que a empresa em questão se declarou responsável por parte da movimentação bancária ocorrida em nome de Ilse Jost Casali, a qual foi objeto de fiscalização por aquela repartição. Desta forma, os dados apurados por aquela repartição foram repassadas a esta Delegacia com o fim de se apurar se os valores movimentados em conta corrente bancária mantida em nome de terceiro e pertencentes a empresa Roberto Adriano Krug foram corretamente oferecidos à tributação. 2. DO HISTÓRICO. ... No Curso daquela ação fiscal o Sr. João Antônio Casali assumiu integralmente a responsabilidade pela movimentação ocorrida na referida conta e informou de que a mesma apresentava movimentação financeira de quatro estabelecimentos comerciais, dentre os quais, objeto desta fiscalização, qual seja, Roberto Adriano Krug (doc. fls. 167 /169). Considerando as informações prestadas e a atribuição de parte da movimentação financeira realizada na conta n. 84523, da Caixa Econômica Federal, como sendo pertencente à empresa Roberto Adriano Krug, esta foi intimada, em 26 de fevereiro de 2008, a se manifestar em relação aos valores creditados na referida conta (doc. fls. 197 / 198). Em resposta datada de 17 de março de 2008 a empresa apresentou planilha individualizando Fl. 3DF CARF MF Emitido em 13/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 13/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.000749/200981 Acórdão n.º 140200.443 S1C4T2 Fl. 4 4 e assumindo parte da movimentação ocorrida na conta bancária em questão (doc. fls. 199/ 219). 3. DA ANÁLISE DOCUMENTAL Em virtude das informações recebidas de Santo Ângelo, esta fiscalização intimou a empresa a apresentar sua escrituração contábil e fiscal a qual foi atendida conforme o solicitado (doc. fls. 220/222). Da análise da referida documentação constatouse que a mesma não abrangia os valores movimentados na conta corrente mantida, em nome de terceira pessoa, junto a Caixa Econômica Federal em Três de Maio/RS. Cabe destacar que o Sr. João Antônio Casali, segundo titular da conta bancária em questão e responsável pela movimentação da mesma, é procurador com poderes ilimitados da Roberto Adriano Krug (doc. fls. 308/309). Desta forma, considerando que a empresa já havia, em 17 de março de 2008, se declarado responsável por parte da movimentação ocorrida na referida conta, foi elaborada nova intimação fiscal que, dentre outros itens, disponibilizou novo prazo para que a mesma pudesse complementar as informações prestadas naquela data (doc. fls. 283/306). Em atendimento ao termo de intimação, a empresa limitouse a relacionar a conta bancária mantida junto ao Banco do Brasil em Três de Maio/RS e apresentar a retificação da declaração de pessoa jurídica do ano de 2004 (doc. fls. 307/321). Relativamente a oportunidade de complementar as informações prestadas em 17 de março de 2008 a mesma não se manifestou. Não tendo a empresa trazido novos elementos as informações já prestadas em 17 de março de 2008, esta fiscalização analisou se os dados constantes da justificação de demonstrativo de movimentação financeira junto à Caixa Econômica Federal c/c nº 845232 em nome de Ilse Jost Casali (doc. fls. 292/305) atendiam aos requisitos mínimos para comprovação de sua origem com documentação hábil e idônea. De acordo com o referido demonstrativo, a empresa identificou diversos créditos ocorridos na conta corrente mantida em nome de use Ilse Jost Casali como sendo pertencentes a sua movimentação financeira. Na identificação destes créditos a mesma informou que a origem dos valores eram provenientes de vendas, saldo de caixa, recebimento de crediário e custódia de títulos. Diante desta informação foi verificado se estes valores eram compatíveis com os dados constantes das notas fiscais vinculadas às operações. Como resultado desta análise, constatouse que as informações prestadas não coincidem com os documentos mencionados, ou seja, a vinculação com as notas fiscais, de vendas, saldo de caixa e recebimentos de crediário não foi possível em virtude dos valores ou datas não serem condizentes. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 13/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 13/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.000749/200981 Acórdão n.º 140200.443 S1C4T2 Fl. 5 5 Como exemplo desta situação podemos mencionar os seguintes casos: a) depósitos efetuados em 23 de março de 2005 como tendo sido originados de "vendas a vista 16/03/2005" e "vendas a vista 16/03 e 17/03/2005" nos valores respectivos de R$ 1,010,00 e R$ 466,00 (doc. fls. 298). Conforme a escrituração contábil não houve vendas a vista nestas datas (doc. fls. 259 e 271/272); b) depósitos efetuados entre os dias 09 de junho de 2005 e 15 de junho de 2005 foram informados como sendo originários de "venda a vista CF 164" (doc. fls. 300), no entanto, o referido cupom foi emitido em 28 de abril de 2005 (doc. fls. 260 e 273); ou seja, mais de quarenta e três dias antes dos depósitos, o que não condiz com a forma de recebimento pela venda a vista. Também chama a atenção os depósitos que foram originários de "saldo de caixa disponível" os quais não possuem o registro de sua movimentação na contabilidade. .... Para melhor visualização dos valores envolvidos e em decorrência, dos fatos acima descritos, elaborouse o "Demonstrativo de Valores Ilse Use Jost Casali, CPF 598.142.25053, cuja Responsabilidade pelos Valores Relacionados foi Assumida por Roberto Adriano Krug" (doc. fls. 73/75) o qual relaciona as operações que não tiveram sua origem efetivamente comprovada através de documentação hábil e idônea. 4. APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO Considerando que o contribuinte não comprovou a origem dós recursos creditados na conta de depósito mantida, em nome de terceiro, junto à instituição financeira, esta fiscalização, conforme determina o § 5º do artigo 42 da Lei n. 9.430/96, tomou, como base de cálculo dos tributos devidos, os valores creditados nos extratos bancários cuja origem não foi comprovada através de documentação hábil e idônea. Em decorrência das informações obtidas durante o procedimento de fiscalização iniciado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santo Ângelo, a qual constatou que a movimentação financeira ocorrida na conta bancária mantida em nome de Ilse Jost Casali pertence, na realidade, a quatro empresas distintas e em observância ao constante no parágrafo sexto do artigo 42 da Lei n. 9.430, de 27 de dezembro de 1996, quando não foi possível atribuir a um só contribuinte os recursos movimentados, foi efetuado o rateio dos créditos em partes iguais. Diante das informações coletadas durante o procedimento fiscal, concluise que a empresa Roberto Adriano Krug não ofereceu à tributação a totalidade dos rendimentos obtidos em sua atividade, em especial os recursos movimentados na conta corrente nº 84523, mantida junto a Caixa Econômica Federal, agência Três de Maio — RS, em nome de Ilse Jost Casali...” Fl. 5DF CARF MF Emitido em 13/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 13/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.000749/200981 Acórdão n.º 140200.443 S1C4T2 Fl. 6 6 A planilha com o demonstrativo dos valores movimentados na conta bancária de Ilse Jost Casali, cuja responsabilidade pelos valores relacionados foi assumida por Roberto Adriano Krug, consta às fls. 73/75. Inconformada, a autuada apresentou impugnação, alegando, em síntese: a) que o artigo 42, da Lei n° 9.430, de 1996, tem por finalidade dar amparo a constituição do crédito tributário quando a contribuinte não mantiver escrituração contábil regular, o que não é o caso da presente discussão; b) a impossibilidade de arbitrar o resultado nos casos em que a contribuinte mantém escrituração contábil regular; c) a inexistência de omissão de receitas, tendo em vista a coincidência entre as informações constantes na DIPJ, referente ao saldo credor de caixa, ou passivo fictício, a corroborar a realização de vendas sem origem; d) que a conta corrente de Ilse Jost Casali era utilizada para financiar operações, em razão da mesma possuir linha de crédito junto à Caixa Econômica Federal, revelandose imprescindível para dar suporte financeiro às vendas realizadas pela empresa; e) por fim, requer a realização de perícia contábil, indicando perito e quesitos. A DRJ de origem, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, conforme se verifica da decisão que restou assim ementada: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004, 2005 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. IRPJ Simples Caracterizamse como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA Tratandose de uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora eximese de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova à contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PERÍCIA Deve ser indeferida a solicitação de perícia, tendo em vista que para comprovar os fatos alegados na impugnação, bastaria a Fl. 6DF CARF MF Emitido em 13/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 13/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.000749/200981 Acórdão n.º 140200.443 S1C4T2 Fl. 7 7 juntada, aos autos, da documentação comprobatória, nos termos do art. 15 do Decreto n° 70.235/1972. DECISÕES JUDICIAIS EFEITOS As decisões judiciais, à exceção das proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. LANÇAMENTOS DECORRENTES SIMPLES PIS COFINS CSLL IPI INSS Solução dada ao litígio principal, relativo a multa de ofício qualificada tributação simplificada, estendese aos demais lançamentos decorrentes, tendo por fundamento o mesmo suporte fático. Lançamento Procedente” Intimada em 28/05/2008 (fl. 448), a contribuinte, em 23/09/2009, apresentou recurso voluntário (fls. 450/470), reiterando os fundamentos apresentados na impugnação. É o relatório. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 13/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 13/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.000749/200981 Acórdão n.º 140200.443 S1C4T2 Fl. 8 8 Voto Conselheiro Relator Moises Giacomelli Nunes da Silva O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 06 de março de 1972, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado e preenche os requisitos de admissibilidade. Assim, conheçoo e passo ao exame da matéria. Inicialmente, não conheço das alegações referentes à exclusão do SIMPLES, que não foram objeto de apreciação no acórdão recorrido. Do pedido de perícia O caso dos autos esta a revelar exigência de crédito tributário com base no artigo 42, da Lei nº 9.430, de 1996, que presume como omissão de rendimentos os valores creditados em conta corrente em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprova a origem dos mesmos. A parte recorrente reitera o pedido de perícia, para ver esclarecidos os seguintes quesitos: “ se a impugnante mantinha escrituração contábil regular, conforme a exigência da lei comercial; .... onde se encontram registradas todas as operações mercantis realizadas pela impugnante; e informe, ao examinar este livro, a possibilidade de ser apurada e/ou comprovada a omissão de receitas;” Os quesitos acima elencados, assim como outros relacionados no recurso, não demandam a realização de perícia, em especial em processos julgados no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em que seus integrantes, quando juntado aos autos livro caixa e demais documentos fiscais, acompanhados de questionamentos específicos feitos pelo recorrente, têm condições de examinar a matéria. Por outro lado, nos casos de depósito bancário em conta mantida em nome de terceiros, cabe ao sujeito passivo demonstrar a origem dos mesmos, e que estão devidamente contabilizados. Com tais considerações, rejeito o pedido de conversão do julgamento em diligência para realização de perícia. Da alegação de que o artigo 42, da Lei n° 9.430, de 1996, tem por finalidade dar amparo a constituição do crédito tributário, quando a contribuinte não mantiver escrituração contábil regular Fl. 8DF CARF MF Emitido em 13/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 13/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.000749/200981 Acórdão n.º 140200.443 S1C4T2 Fl. 9 9 A aplicação do artigo 42, da Lei nº 9.430, de 1996, não está condicionada a existência de escrituração contábil regular. Hipoteticamente, uma empresa pode ter sua escrituração formalmente em ordem, contudo, sem registrar parte de suas operações cujos valores são mantidos à margem de escrita fiscal ou em conta bancária em nome de terceiros, como é o caso dos autos. Quer na vigência da Lei nº 9.316, de 1996, que vigorava na época dos fatos, quer na atual Lei nº 123, de 2006, as empresas optantes pelo SIMPLES são obrigadas a manter livrocaixa em que será escriturada sua movimentação financeira e bancária. O artigo 29, VIII, da Lei Complementar nº 123, de 2006, à semelhança do que existia na Lei nº 9.317, de 1996, previa como causa de exclusão do SIMPLES a falta de escrituração do livrocaixa ou a escrituração de forma a não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária. Em determinadas circunstâncias, quer para evitar bloqueios judiciais, quer por outras razões como, por exemplo, por facilidades de obtenção de crédito, como alega o recorrente, admitese que os recursos da pessoa jurídica sejam depositados em conta de terceiros, desde que esta movimentação seja informada no caixa da empresa. No caso concreto, a recorrente, além de não ter estes recursos em nome próprio, não especifica onde estariam escriturados no livrocaixa. Da alegação de que os recursos são oriundos do saldo credor de caixa Os valores existentes em caixa servem para justificar depósitos bancários. No entanto, tal circunstância deve ser analisada em relação a cada caso concreto. O normal é que se utilize valor proveniente da receita de um ou de alguns dias para depósito em um único momento. Assim, nos depósitos com recursos do saldo de caixa, não se costuma verificar importâncias fracionadas, como é o caso dos autos. Nesta linha, correta a análise feita pelo auditor fiscal, cuja passagem segue transcrita: “Diante desta informação foi verificado se estes valores eram compatíveis com os dados constantes das notas fiscais vinculadas às operações. Como resultado desta análise, constatouse que as informações prestadas não coincidem com os documentos mencionados, ou seja, a vinculação com as notas fiscais, de vendas, saldo de caixa e recebimentos de crediário não foi possível em virtude dos valores ou datas não serem condizentes. Como exemplo desta situação podemos mencionar os seguintes casos: a) depósitos efetuados em 23 de março de 2005 como tendo sido originados de "vendas a vista 16/03/2005" e "vendas a vista 16/03 e 17/03/2005" nos valores respectivos de R$ 1,010,00 e R$ 466,00 (doc. fls. 298). Conforme a escrituração contábil não houve vendas a vista nestas datas (doc. fls. 259 e 271/272); b) depósitos efetuados entre os dias 09 de junho de 2005 e 15 de junho de 2005 foram informados como sendo originários de "venda a vista CF 164" (doc. fls. 300), no entanto, o referido cupom foi emitido em 28 de abril de 2005 (doc. fls. 260 e 273); ou seja, mais de quarenta e três dias antes dos depósitos, o que não condiz com a forma de recebimento pela Fl. 9DF CARF MF Emitido em 13/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 13/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 11020.000749/200981 Acórdão n.º 140200.443 S1C4T2 Fl. 10 10 venda a vista. Também chama a atenção os depósitos que foram originários de "saldo de caixa disponível" os quais não possuem o registro de sua movimentação na contabilidade.” O argumento de que a conta cujos valores foram objeto de tributação estavam em nome de Ilse, visto que esta tinha mais condições de obter empréstimo bancário é tese razoável, desde que acompanhada de provas como, por exemplo, a existência de empréstimo bancário em nome de Ilse e o repasse dos valores para pagamento de obrigações da empresa, prova esta que não existe nos autos. Ademais, conforme destaquei anteriormente, admitese, em tese, a existência de depósito em nome de outrem, desde que registrado na contabilidade da empresa, o que não é o caso presente. Da multa qualificada O caso concreto revela a movimentação, em nome de interposta pessoa, de recursos pertencentes à pessoa jurídica, sem que a parte recorrente tivesse trazido aos autos quaisquer provas que minimamente pudessem dar guarida a sua tese. Assim, constatada a existência de recursos em nome de outrem, sem provas demonstrando as razões para tal fato, aplicase o disposto na Súmula nº 34 do CARF, que assim dispõe: “Súmula CARF nº 34: Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas.” ISSO POSTO, rejeito a preliminar de pedido de realização de perícia e, no mérito, voto no sentido de negar provimento ao recurso. É o voto. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva Relator Fl. 10DF CARF MF Emitido em 13/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 13/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 03/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL
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Numero do processo: 10380.005479/00-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano calendário:2000
AÇÃO JUDICIAL CONCOMITANTE: Importa renúncia às instâncias
administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1)
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 1402-000.469
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, não conhecer do recurso voluntário, em razão da concomitância da discussão na esfera judicial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os conselheiros Carlos Pelá, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, que entendiam não haver concomitância e davam provimento ao recurso. Apresentou declaração de voto o conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva.
Matéria: CSL- que não versem sobre exigência de cred. trib. (ex.:restituição.)
Nome do relator: Antonio José Praga de Souza
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Recorrente PRONACE COMERCIO DE PRODUTOS NATURAIS CEARÁ LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 AÇÃO JUDICIAL CONCOMITANTE: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1) Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, não conhecer do recurso voluntário, em razão da concomitância da discussão na esfera judicial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os conselheiros Carlos Pelá, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, que entendiam não haver concomitância e davam provimento ao recurso. Apresentou declaração de voto o conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 319DF CARF MF Emitido em 25/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 25/04/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 10380.005479/0071 Acórdão n.º 140200.469 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório Pronace Comércio de Produtos Naturais do Ceará – Ltda., com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que julgou improcedente seu pleito. Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo de Pedido de Restituição (fl. 1), no valor de R$ 3.548,44, decorrente de pagamento indevido ou a maior que o devido da Contribuição Social sobre o Lucro CSL, em face da inconstitucionalidade da legislação do art. 8º da Lei nº 7.689/88, com base no Decreto nº 2.138 e Instrução Normativa SRF nº 21/97 e Instrução Normativa nº 73/97. Consubstanciada na Informação Fiscal de fls. 23/24, a Chefe do Serviço de Orientação e Análise Tributária Seort da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza (CE) prolatou o Despacho Decisório (fl. 25), indeferindo o pleito do contribuinte sob o fundamento de que o direito de pleitear a restituição fora atingido pela decadência. Inconformado com o indeferimento de seu pleito, do qual tomou ciência em 26/10/2007, via postal por meio de Aviso de Recebimento – AR (fl. 26), o contribuinte apresentou, em 26/11/2007, manifestação de inconformidade (fls. 27/31) contra o Despacho Decisório, na qual fundamenta sua defesa com os argumentos a seguir descritos: os argumentos esboçados na Informação Fiscal não podem prosperar, seja pelo fato de que o prazo para pleitear a restituição do indébito é de 10 (dez) anos, seja pelo fato de que o tributo em questão, bem como os pagamentos efetuados a tal título, foram questionados por meio dos Mandados de Segurança nºs 9318191 e 9914020 6, de modo que não se pode falar da prescrição ao caso, já que a mesma teve seu prazo suspenso por força das ações judiciais; no Mandado de Segurança nº 9318191, protocolado em 11/02/1993, se questionou a contribuição em comento com êxito parcial, conforme sentença em anexo transitada em julgado, sendo tal pleito judicial marco suspensivo da fluência do prazo prescricional; interpôs novo Mandado de Segurança em 15/07/1999, tombado sob o nº 9914020 6, com o objetivo de assegurar o direito de proceder a compensação do seu crédito, tendo tal ação judicial transitado em julgado em 08/03/2006, havendo, inclusive, nos autos da mesma requerimento protocolado em 02/05/2007 no sentido de que fosse determinada a intimação do Delegado da Receita Federal em Fortaleza, de modo a proceder a homologação das compensações efetuadas a título de CSLL; não merece acolhida a alegação de prescrição com fulcro na Lei Complementar nº 118/2005, pois não existia no mundo jurídico na época do pedido de restituição; tratandose a CSLL de tributo sujeito ao lançamento por homologação, a tese aplicada é a dos 5+5, sendo que os cinco primeiros anos o prazo decadencial para que a Fazenda proceda com a homologação expressa ou não o fazendo haveria de qualquer forma a homologação tácita contado a partir do fato gerador. Após Fl. 320DF CARF MF Emitido em 25/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 25/04/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 10380.005479/0071 Acórdão n.º 140200.469 S1C4T2 Fl. 0 3 constituído o crédito, tem ainda o contribuinte mais cinco anos de prazo prescricional para exercer o seu direito de ação e solicitar a restituição do valor pago a maior. Nesse sentido traz à colação ementas de julgados do Conselho de Contribuintes; com base na Constituição Federal de 1988, não há que se falar em retroação da Lei Complementar nº 118/2005, pois somente poderia ser aplicada se as ações judiciais e o processo administrativo fossem propostos após sua vigência, o que não é o caso; resta claro que a parcela paga indevidamente a título de CSLL não foi fulminada pela prescrição tampouco pelo instituto da decadência, não devendo prosperar as alegações levantadas na Informação Fiscal, visto que são manifestamente improcedentes e se confrontam com a jurisprudência do Conselho de Contribuintes. Face ao exposto, requer o contribuinte o total provimento da presente manifestação de inconformidade, e que seja determinado à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza (CE) o reconhecimento do direito creditório da CSLL para fins de compensação, uma vez quer não atingido pela prescrição nem pela decadência, haja vista que o pedido de compensação era objeto de ação judicial, além do que o pedido de restituição/compensação ocorreu na égide da tese dos 5+5, de modo que o prazo prescricional para a propositura do Pedido de Restituição é de 10 (dez) anos, conforme jurisprudência do Conselho de Contribuintes. A decisão recorrida está assim ementada: Restituição/Compensação. Decadência O prazo para o contribuinte pleitear a restituição e a compensação de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito Tributário arts. 165, I, e 168, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), prevalecendo, entretanto, o prazo estabelecido por decisão judicial transitada em julgado. Solicitação Indeferida Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 321DF CARF MF Emitido em 25/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 25/04/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 10380.005479/0071 Acórdão n.º 140200.469 S1C4T2 Fl. 0 4 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado, o contribuinte ingressou em 28/04/2000 com pedido de restituição da CSLL recolhida em 28/04/1990 (2), alegando que possui decisão favorável em ação judicial reconhecendo a inconstitucionalidade da CSLL. A DRF e A DRJ indeferiram o pleito sob o entendimento que o prazo para pleitear a restituição é de 5 anos contados do pagamento. O contribuinte, por sua vez alega que possui decisão judicial transitada em julgado garantindolhe o direito à restituição. Pois bem. Consonante asseverado na decisão da DRJ, “no Mandado de Segurança nº 99.140206, o contribuinte, com fundamento no Mandado de Segurança Preventivo nº 93.18191, cuja decisão transitou em julgado, pleiteia, em síntese, que lhe seja reconhecido o direito de proceder à compensação das parcelas pagas indevidamente a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL com as parcelas vincendas dos tributos arrecadados pela Fazenda Nacional, o que foi confirmado no Tribunal Regional Federal da 5ª Região, no julgamento da Apelação em Mandado de Segurança (MAS nº 84022 – CE), Acórdão de fl. 83, que inclusive determinou que o prazo de prescrição do direito à restituição se inicia a partir da efetiva extinção do crédito tributário, nos moldes de cinco mais cinco anos. O pleito do contribuinte no âmbito do Mandado de Segurança nº 94.140206 teve objetivo o reconhecimento de proceder à compensação dos valores indevidamente recolhidos à titulo de CSLL com débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, que incluiu o recolhimento objeto do presente litígio. Portanto, não cabe a este Conselho apreciar a matéria, em face da concomitância da ação judicial. Neste sentido dispõe o enunciado da súmula no. 1 do CARF: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial Reiterese: o 2o. Mandado de Segurança foi interposto para garantir a compensação que a contribuinte concomitante formalizou junto a Receita via pedido de compensação (1999). É certo que o pleito judicial é para determinar seja a feita compensação, Fl. 322DF CARF MF Emitido em 25/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 25/04/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 10380.005479/0071 Acórdão n.º 140200.469 S1C4T2 Fl. 0 5 inexistindo especificidade quanto ao decurso de prazo para a restituição até porque esse questão surgiu apenas quando o pedido de compensação foi apreciado pela RFB. Outrossim, em que pese este Conselho, a DRJ e da DRF não terem competência para manifestar sobre a aludia matéria, em face da ação judicial, a unidade de origem deve cumprir rigorosamente a sentença judicial, quando transitada em julgado e, se for o caso, ajustar o valor das exigências. Por sua vez, a contribuinte deve fazer prova do trânsito em julgado da ação judicial e da decisão que lhe foi favorável. Frisese que não cabe a este Conselho analisar os efeitos ou a extensão da decisão judicial. Na hipótese de contribuinte entender que a decisão judicial não está sendo devidamente cumprida, deverá buscar guarida junto ao próprio poder judiciário. Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 323DF CARF MF Emitido em 25/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 25/04/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 10380.005479/0071 Acórdão n.º 140200.469 S1C4T2 Fl. 0 6 Declaração de Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva. A cópia de fls. 32 a 43, da inicial do mandado de segurança, demonstra que em 11/02/1993, a empresa recorrente ingressou com ação judicial alegando a inconstitucionalidade da Lei nº 7.689, de 1988, na parte que disciplinava a cobrança da contribuição social citada no relatório. Nesta ação, a impetrante requereu a concessão de medida liminar para que não ficasse sujeita à cobrança e nem a aplicação de penalidades pelo não pagamento do tributo instituído pela lei antes referida. Da análise do documento de fl. 43 depreendese que o pedido da ação consistia “na pretensão de não pagar a contribuição incidente sobre os resultados operacionais auferidos a partir do balanço encerrado em 31 de dezembro de 1988”. Em que pese o pedido acima referido, pelo que apurei dos autos, quando do ajuizamento da ação, a requerente já havia pago os valores referentes ao ano de 1988, com vencimento em 28041989. A sentença concedeu parcialmente a segurança reconhecendo que não era possível exigir a contribuição no mesmo ano (1988) em que foi instituída, com vencimento em 28041989. A pretensão em relação aos demais anos não foi acolhia. Não consta dos autos o DARF referente ao recolhimento do valor em questão, mas a fiscalização, à fl. 23, informa que constam PDECOM relativa ao referido crédito, circunstância que, conjugada com a afirmação contida na inicial da ação judicial de que os comprovantes de pagamentos seguiam anexos, chego à conclusão de que o crédito em questão efetivamente foi recolhido aos cofres públicos. Enquanto o mandado de segurança ajuizado em 1993 tinha por objeto o não pagamento da contribuição, o mandado de segurança nº 99.99140206, ajuizado em 1507 1999, cuja inicial consta das fls. 62 a 74, tinha por objeto a pretensão de compensar os créditos recolhidos indevidamente, relativo ao anocalendário de 1988, com vencimento em 2804 1999. Da consulta que realizei na INTERNET, em relação a esta segunda ação, a informação é de que segurança foi parcialmente concedida, com trânsito em julgado em 13/02/2006. Relatado o que foi decidido nas ações judiciais, passo ao exame da informação fiscal de fls. 23 a 24, de onde colho o que segue: Fl. 324DF CARF MF Emitido em 25/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 25/04/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 10380.005479/0071 Acórdão n.º 140200.469 S1C4T2 Fl. 0 7 “Como se observa do documento de fl. 03, o recolhimento dito indevido deuse em 28/04/1989. O pedido de restituição, no entanto, foi protocolizado em 28/04/2000, portanto, fora do prazo previsto na legislação tributária acima descrita. A decisão da DRJ, à fl. 91, menciona que o fato gerador ocorreu em 31/12/1988 e, portanto, sua homologação tácita deuse em 31/12/1993, data da efetiva extinção do crédito tributário, que acrescido de mais 5 (cinco) anos chegase a 31 12/1998 e como o pedido foi apresentado em 28/04/2000, concluise que o crédito tributário foi atingido pela prescrição. Registrase que o prazo de cinco mais cinco foi reconhecido em ação judicial. É o relatório, passo ao exame do mérito. Por primeiro, destaco que em conformidade com a decisão judicial cuja cópia consta da fl. 81, o prazo prescricional, no caso, deve ser contado da data do pagamento e não da data do fato gerador. Assim, o marco 28041989 e não 311288. A questão a ser enfrentada é se o mandado de segurança ajuizado em 1102 1993, depois do pagamento do crédito recolhido em 28041989, tem o condão de suspender a prescrição referente ao direito de requerer a restituição. O pagamento realizado em 28041989, bem como os em datas subsequentes, na visão do recorrente, eram indevidos. Entendendo a Administração de que a exigência era devida, a parte interessada recorreu ao judiciário buscando o reconhecimento da inexigibilidade, obtendo como resposta de que somente era inexigível o tributo referente ao ano de 1988, recolhido em 28041989, decisão esta que se tornou definitiva em 13091994 (fl. 78) 1. O marco do prazo prescricional para requerer a compensação, ou tomar as medidas legais em caso de resistência ao direito de compensação, iniciou em 14091994 e findou em 14091999. Importante destacar que a primeira ação limitouse a reconhecer o crédito da recorrente. A partir deste reconhecimento temse o marco inicial para pedir a restituição ou a compensação. No caso, reconhecido seu crédito, o contribuinte optou pela compensação, encontrando pretensão resistida, surgindo aqui o interesse de agir albergado no mandado de segurança ajuizado em 15071999, dois meses antes do término do prazo prescricional. Em resumo, com o reconhecimento do crédito em face da primeira ação, o contribuinte viu nascer o direito de requerer a compensação. Ao exercer este direito, que não se confunde com o primeiro2, encontrou pretensão buscando guarida no Judiciário. 1 Observar que o prazo para a Fazenda recorrer contase em dobro. Há que se ater que no caso concreto o representante do MP também devia ser intimado, razão pela qual os autos conforme informação de fl. 78, teve baixa definitiva em 13091994. 2 Com a primeira ação surgiu o direito ao crédito e, com ele, nasceu o direito à compensação. Havendo resistência quanto ao direito à compensação, o caminho é o mandado de seguranção para expedir ordem mandamental. Fl. 325DF CARF MF Emitido em 25/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 25/04/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Processo nº 10380.005479/0071 Acórdão n.º 140200.469 S1C4T2 Fl. 0 8 Com a devida vênia ao relator, entendo que não estamos diante de situação albergada na Súmula nº 1 do CARF, que trata de casos relacionados a lançamentos de ofício, o que não é a situação dos autos. Poderseia dizer que a Súmula em comento pode ser aplicada por analogia ou, que se constituindo a decisão atacada em ato que descumpre ordem judicial estarseia diante de crime de desobediência, cumulado com as situações previstas no artigo 14, V, e parágrafo único do CPC. No entanto, assim não entendo, pois tais infrações exigem a intenção de descumprir o provimento ou a ordem judicial e, no caso dos autos tal fato, embora presente, é decorrente de interpretação equivocada quanto ao início do prazo prescricional. Em relação à possibilidade de aplicação, por analogia, da Súmula 1, não vejo como sendo a melhor solução. Em tendo a decisão “a quo” equivocadose quanto à contagem do prazo prescricional, cabe ao CARF apreciar o mérito da decisão recorrida. ISSO POSTO, voto no sentido de reformar a decisão recorrida, afastando a prescrição para o exercício do direito à compensação, com retorno dos autos à origem para prosseguimento no exame das demais questões relacionadas à compensação requerida. É o voto. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva. Fl. 326DF CARF MF Emitido em 25/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 25/04/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL
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Numero do processo: 11176.000097/2007-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/07/2006
Ementa:
DECADÊNCIA:
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN.
Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no
artigo 173, I.
CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS.
Incidem contribuições previdenciárias sobre a remuneração e demais rendimentos do trabalho recebidos pelas pessoas físicas. A contribuição patronal é de vinte por cento, a partir de 03/2000, sobre a remuneração do contribuinte individual, Lei 8.212/91, artigo 22, III, e a partir de 04/2003, deve ser descontado do segurado o percentual de 11%, na forma da Lei n.º 10.666/2003.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-001.032
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento
parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Incidem contribuições previdenciárias sobre a remuneração e demais rendimentos do trabalho recebidos pelas pessoas físicas. A contribuição patronal é de vinte por cento, a partir de 03/2000, sobre a remuneração do contribuinte individual, Lei 8.212/91, artigo 22, III, e a partir de 04/2003, deve ser descontado do segurado o percentual de 11%, na forma da Lei n.º 10.666/2003. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 24/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 2 Liege Lacroix Thomasi Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo Da Costa e Silva, Adriana Sato e Wilson Antônio de Souza Correa. Ausência momentânea: Manoel Coelho Arruda Junior Fl. 2DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 24/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 11176.000097/200740 Acórdão n.º 230201.032 S2C3T2 Fl. 734 3 Relatório A presente foi lavrada em 31/01/2007 e referese a contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais, bem como a comercialização de produtos rurais constantes nos empenhos no período de 01/1999 a 07/2006. Após a apresentação de defesa, acórdão de fls.705/709, julgou o lançamento procedente. Inconformado o contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega a decadência qüinqüenal e que anteriormente a vigência da Medida Provisória n.º 83, de dezembro de 2002, convertida na Lei 10.666/2003, a responsabilidade pelas contribuições relativas ao contribuinte individual era do mesmo, não havendo responsabilidade do município sobre o recolhimento. Requer o provimento do recurso para julgar improcedente a NFLD, cancelandose todos os seus efeitos. Não foram oferecidas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 24/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi Cumprido o requisito de admissibilidade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Da Preliminar A notificação foi lavrada em 31/01/2007 e compreende as competências de 01/1999 a 07/2006. O recorrente argúi a decadência qüinqüenal e com efeito, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das Fl. 4DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 24/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 11176.000097/200740 Acórdão n.º 230201.032 S2C3T2 Fl. 735 5 quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação e devem observar a regra prevista no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento, caso esse não exista, não há o que ser homologado, devendo ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. No caso presente, não há recolhimentos parciais relativos ao crédito lançado nesta notificação, assim, aplicase o artigo 173, I do CTN, devendo ser excluídas do lançamento as competências até 11/2001: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Do Mérito A notificação referese às contribuições devidas e incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, assim como aquelas advindas da comercialização de produto rural. A recorrente nas suas razões se insurge contra as contribuições relativas aos contribuintes individuais, dizendo que somente após a edição da Medida Provisória n.º 83/2002, convertida na Lei n.º 10666/2003, é que teria responsabilidade no recolhimento de tal contribuição. Todavia, é de se registrar que as contribuições previdenciárias patronais devidas sobre a remuneração dos contribuintes individuais, estão respaldadas na Lei Complementar n.º 84/96, para as competências até 02/2000 e na Lei n.º 8.212/91, artigo 22, Fl. 5DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 24/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 6 inciso III, que foi acrescentado pela Lei n.º 9.876/99, para as competências a partir de 03/2000, englobando, assim, o período contido nesta notificação: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada a Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: ... III – vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços;(grifei) A alíquota de 11%, relativa a parte do segurado, deve ser arrecadada e recolhida pela empresa, nos termos da Lei n.º 10.666, de 08/05/2003, a partir da competência 04/2003: Art. 4º Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia 10 (dez) do mês seguinte ao da competência. Portanto, a notificação está obedecendo aos preceitos legais vigentes, não havendo reparos a serem feitos. Quanto aos demais levantamentos que compõem a notificação, deixo de me manifestar, pois não foram objeto de recurso. Pelo exposto, Voto pelo provimento parcial do recurso para acatar o prazo decadencial exposto no artigo 173, I do CTN e excluir do levantamento as competências até 11/2001. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 6DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 24/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA
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Numero do processo: 11516.004086/2007-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. TRIBUTAÇÃO.
O adicional por tempo de serviço é rendimento tributável, conforme
determina a legislação tributária.
A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física. (Súmula CARF nº 68, Portaria MF nº 383, DOU de 14/07/2010)
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-001.230
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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TRIBUTAÇÃO. O adicional por tempo de serviço é rendimento tributável, conforme determina a legislação tributária. A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física. (Súmula CARF nº 68, Portaria MF nº 383, DOU de 14/07/2010) Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 25/04/2011 Fl. 71DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 27/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 11516.004086/200731 Acórdão n.º 210201.230 S2C1T2 Fl. 64 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Eivanice Canário da Silva, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra ADOLFO WALTER STEINMETZ foi lavrado Auto de Infração, fls. 06/11, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 2002, exercício 2003, no valor total de R$ 4.695,46, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até abril de 2007. A infração apurada pela autoridade fiscal encontrase assim descrita no Auto de Infração: Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrente de trabalho com vinculo empregatício. O contribuinte declarou R$ 36.045,00, mas recebeu R$ 44.955,00 do Comando da Aeronáutica Subdiretoria de Pagamento de Pessoal, CNPJ 00.394.429/008276, conforme DIRF emitida por aquela fonte pagadora. Dessa forma, foram acrescidos R$ 8.910,00 aos rendimentos tributáveis declarados. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 01/05, onde alega, em apertada síntese, que os rendimentos considerados omitidos no Auto de Infração foram recebidos a título de adicional por tempo de serviço e que conforme disposto na Lei nº 8.852, de 4 de fevereiro de 1994, tais rendimentos são isentos e nãotributáveis. A autoridade julgadora de primeira instância considerou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento, conforme Acórdão DRJ/FNS nº 0716.195, de 29/05/2009, fls. 38/40. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 13/07/2009, Aviso de Recebimento (AR), fls. 44, o contribuinte apresentou, em 06/08/2009, recurso voluntário, fls. 45/51, no qual reproduz e reitera as mesmas alegações e argumentos da impugnação. É o Relatório. Fl. 72DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 27/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 11516.004086/200731 Acórdão n.º 210201.230 S2C1T2 Fl. 65 3 Voto Conselheira Núbia Matos Moura O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Cuida o lançamento de omissão de rendimentos recebidos do Comando da Aeronáutica, a título de adicional por tempo de serviço. No recurso, o contribuinte afirma que tais rendimentos não são tributáveis, em virtude do disposto na Lei nº 8.852, de 1994. De pronto, cumpre esclarecer que a Lei nº 8.852, de 1994, que dispõe sobre a aplicação dos arts. 37, incisos XI e XII, e 39, § 1º, da Constituição Federal, cuida da definição de vencimento, vencimento básico e remuneração. Contudo, não traz em seu bojo hipóteses de isenção ou nãoincidência de imposto de renda sobre valores recebidos por servidores públicos. Outrossim, no artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que relaciona os rendimentos percebidos por pessoas físicas isentos do imposto de renda, o adicional por tempo de serviço não está contemplado. Portanto, são tributáveis os rendimentos recebidos mediante tal rubrica. Aliás, tal entendimento já se encontra pacificado neste Colegiado, conforme súmula, abaixo transcrita, aplicável ao caso: Súmula CARF nº 68: A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física. (Portaria MF nº 383, DOU de 14/07/2010) Portanto, não pode prevalecer a hipótese de nãoincidência do imposto de renda sobre os rendimentos recebidos a título de adicional por tempo de serviço, conforme entende o contribuinte. Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 73DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 27/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 11516.004086/200731 Acórdão n.º 210201.230 S2C1T2 Fl. 66 4 Fl. 74DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 27/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO
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