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Numero do processo: 10620.000651/2005-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 29 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Jul 29 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2001
ÁREA DE RESERVA LEGAL/SERVIDÃO FLORESTAL - AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS,
A área de reserva legal e a área de servidão florestal somente serão consideradas corno tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel, quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente.
ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE
E DE RESERVA LEGAL EXCLUSÃO. NECESSIDADE DO ADA.
Por se tratar de áreas ambientais cuja existência independe da vontade do proprietário e de reconhecimento por parte do Poder Público, a apresentação do ADA ao Ibama não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam, respectivamente, os artigos 2º e 16 da Lei nº 4371, de 1965, pata fins de apuração da área
tributável do imóvel..
PROCEDIMENTO FISCAL - INÍCIO - PERDA DA ESPONTANEIDADE -
RETIFICAÇÃO DA DITR/2001 -
Exclui-se a espontaneidade do contribuinte o inicio do procedimento fiscal
(art. 7 0 do Decreto n° 70..2.35, de 1972).
PERÍCIA OU DILIGÊNCIA - Indefeie-se o pedido de perícia ou diligência quando a sua realização revele-se prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. -
MULTA DE OFICIO E JUROS SELIC.
A multa de oficio aplicada está prevista em ato legal vigente, regularmente editado (Art 44, inciso I, da Lei n° 9.430/1996 c/c art.14, § 2º da Lei nº 9.393/1996), descabida mostra-se qualquer manifestação deste órgão julgador no sentido do afastamento de sua aplicação/eficácia. Da mesma forma, o art. 61, § 3" da Lei n" 9.430, de 1996, determina o emprego da taxa Selic, a titulo
de juros moratórias.
Preliminar rejeitada.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2201-000.768
Decisão: Acordam os membros do Colegiada, por unanimidade, rejeitar a preliminar de nulidade. Por maioria, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a glosa relativa à área de preservação permanente, nos termas do voto do Relatou. Vencido o conselheiro
Eduardo Tadeu Farah que negava provimento integral, Designado para elaborar voto vencedor o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. Em relação à área de reserva legal, vencido o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL EXCLUSÃO. NECESSIDADE DO ADA. Por se tratar de áreas ambientais cuja existência independe da vontade do proprietário e de reconhecimento por parte do Poder Público, a apresentação do ADA ao Ibama não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam, respectivamente, os artigos 2" e 16 da Lei n" 4371, de 1965, pata fins de apuração da área tributável do imóvel.. PROCEDIMENTO FISCAL - INÍCIO - PERDA DA ESPONTANEIDADE - RETIFICAÇÃO DA DITR/2001 - Exclui-se a espontaneidade do contribuinte o inicio do procedimento fiscal (art. 7 0 do Decreto n° 70..2.35, de 1972). PERÍCIA OU DILIGÊNCIA - Indefeie-se o pedido de perícia ou diligência quando a sua realização revele-se prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. - MULTA DE OFICIO E JUROS SELIC., A multa de oficio aplicada está prevista em ato legal vigente, regularmente editado (Art 44, inciso I, da Lei n° 9.430/1996 c/c art.14, § 2 0 da Lei if 9.393/1996), descabida mostra-se qualquer manifestação deste órgão julgador no sentido do afastamento de sua aplicação/eficácia. Da mesma forma, o art, ssis de Oliveira Júnior - President'è 4 ) arbos Red or Designadoterra EDITADO EM: ;2 7 SET 2010 61, § 3" da Lei n" 9.430, de 1996, determina o emprego da taxa Selic, a titulo de juros moratórias. Preliminar rejeitada. Recurso parcialmente provido.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiada, por unanimidade, rejeitar a preliminar de nulidade. Por maioria, dar provimento parcial ao kecurso para restabelecer a glosa relativa à área de preservação permanente, nos termas do voto do Relatou. Vencido o conselheiro Eduardo Tadeu Farah que negava provimento integral, Designado para elaborar voto vencedor o Conselheiro Pedro Paulo Peryira Barbosa. Em relação à área de reserva legal, vencido o Conselheiro Moisés Giacomellikiunes daS.jlva._ Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, .Eduar'do Tadeu Farah, Janaina Mesquita Lourenço de Souza, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). 2 Processo n" 10620 000651/2005-79 S2-C2T1 Ar:61(1110 n " 2201-00,768 Fl 2 Relatório Empresa Agrícola São Gabriel Ltda recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância, proferida pela t a Turma da DM de Brasília/DF, pleiteando sua reforma, nos termos do Recurso Voluntário apresentado.. Trata-se de exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR (fls. 01/14), no valor total de R$ 24.397,54, acrescido de multa de oficio e de juros de mora, relativo ao imóvel denominado "Fazenda Santo Antônio", com área de 1.728,0 ha, localizado no Município de Formoso/MG. A fiscalização glosou toda a área declarada de utilização limitada e utilizadas com pastagens, de 1.145,0 lia e 582,6 ha, respectivamente, além de alterar o VTN de R$ 19.000,00 para R$ 115.983,36, conforme o laudo técnico apresentado. Cientificada do auto de infração em 29/09/2005 (fls. 91), a autuada apresentou impugnação em 26/10/2005 (fl. 139), alegando, essencialmente, que: a) o imóvel possui uma área de Utilização Limitada/Reserva Legal de 346,00 ha, Não pode a Receita Federal regulamentar o art. 10, II da Lei 9,393 de 19/12/96, exigindo a averbação da área de reserva legal às margens da Matrícula do imóvel, a exigência do ADA prevista na IN/SRF 67/97 para a área de preservação .permanente, bem como a averbação da área de servidão florestal às margens da Matrícula do imóvel, sob pena de violação aos art. 5 0 , II; art. 37, caput; art.. 84, IV e art. 150, I, todos da Constituição da República promulgada em 1988, bem como art, 97, 1 e II do Código Tributário Nacional; b) a averbação da área de reserva legal exigida pelo § 2' do art. 16 da Lei 4771/65, pretende impedir apenas "a alteração da destinação dessa área, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área" e não exclusão da área tributável para fins de ITR, o que já é previsto pelo inciso II do art. 10 da Lei 9.393/96; e) as áreas ambientais não estão sujeitas à prévia comprovação por parte do declarante, em consonância, o §7° do art. 10 da Lei 9.393 de 19/12/96, alterado pelo art. 3° da MP 2.166-67 de 24/08/01; d) em nenhum momento ficou comprovada a inexistência das mencionadas áreas de reserva legal e preservação permanente, sendo que existência das mencionadas áreas, foi verificada pelo Instituto Estadual de Floresta - IEF/MG em 20/12/2002, conforme Termo de Responsabilidade de Preservação de Floresta em relação à de reserva legal, que foi devidamente averbada as margens da Matrícula do Imóvel; e) o art. 2' da Lei n..° 4.771/65 prescreve que "considera-se de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as .florestas e demais formas de vegetação natural"; t) o próprio IBAMA, órgão normatizador do procedimento cadastral do ADA, por sua Portaria ir° 152/98 - art. 1°, permitiu o seu protocolo e recebimento, para fins de 3 ITR, após a data de 21 de setembro de 1998 e que o ADA é apenas um fbrmulário de cunho estritamente informativo - art, 4° da mencionada Portaria; g) nos termos do artigo 44 "A" da Lei 4.771 de 15,09.1965, acrescido pela Medida Provisória n.° L956-50, de 26.05.2000 e/c o art. 28 da Lei Estadual de n.° 14.309 de 19.06.02, regulamentada pelo art, 32 do Decreto Estadual de n.° 43..710 de 08..012004, foi instituído no imóvel, corno área de Servidão Florestal, 901,80 ha, Por esse instituto, a Contribuinte renuncia voluntariamente, em caráter temporário, pelo prazo de 10 (dez) anos a todo e qualquer direito de supressão ou exploração da vegetação nativa do imóvel, localizada fora da reserva legal e da área de preservação permanente, se comprometendo ainda, nos casos de transmissão a qualquer titulo, de desmembramento ou de retificação dos limites da propriedade, a não alterar a destinação dessa área; h) cálculo da área tributável do imóvel, será excluída, dentre outras, a área de Servidão Florestal, nos termos do inciso IV do art. 9' da Instrução Normativa SIZE a.° 256 de 11/09/02. A área de servidão florestal, nos termos do parágrafo único do art. 13 da citada Instrução Normativa de n.° 256, para fins de exclusão da área tributável, deverá estar averbada nas margens da matrícula do imóvel, na data da ocorrência do fato gerador; i) o Código Florestal, no §2° do art. 44-A, exigiu a averbação apenas "após a anuência do órgão ambiental estadual competente", o que ocorreu em 08/01/2004, quando a legislação estadual de Minas Gerais regulamentou a matéria; j) caso este I.. Órgão Julgador entenda necessário, deverá ser realizada perícia no imóvel, para comprovar a inexistência da área de servidão florestal, cabendo salientar que o ônus da prova cabe a quem alega, quanto a fato impeditivo, modificativo ou extintivo de direito, nos termos prescritos no inciso II do art. 333 do Código de Processo Civil; k) cumpre salientar trata-se de um tributo sujeito a lançamento por declaração, razão pela qual não se pode falar em inadimplência por parte do Contribuinte, não podendo, pois, permanecer a cobrança de multa e juros moratórios, conforme já se pronunciou o TRF, na Apelação Civil de n.° 200230.05.010295-2/PR e entendimentos do Conselho de Contribuintes; 1) verifica-se que a multa e os juros de mora, estes calculados com base na taxa SELIC, utilizada na referida autuação são indevidos, sendo confiscatórios, violando o art. 150, IV da CF/88; A V' Turma da DRJ de Brasília/DF julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: LANÇAMENTO - ERRO DE FATO - REVISÃO Não cabe ser revisto de oficio o lançamento quando não Ibr devidamente comprovada, por meio de documentação hábil e idónea, a ocorrência de c.a° de fato no preenchimento da DITR/2001. DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA No5 termos exigidos pela fiscalização e observada a legislação de regência, as áreas de preservação permanente e de utilização limitada, para fins de exclusão do TTR, cabem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou 4 Procesw n" 10620 000651/2005-70 S2-C2T1 Acórdão n° 2291-W768 Fl 3 pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente ADA,.fazendo-se, também, necessária, em relação às áreas de utilização limitada, a sua averbação à margem da matricula do imóvel, até a data do fato gerador do imposto. DA MULTA LANÇADA (75,0%) E DOS JUROS DE MORA (Taxa SELIO. Apurado imposto .suplementar em procedimento de fiscalização, no caso de infbrmação incorreta na declaração - ITR, cabe exigi-lo juntamente com a multa e os juros aplicados aos demais tributos. Por explessa previsão legal, os juros de MOT a equivalem à Taxa SELIC. DA LEG.ALIDADE/CONSTITUCIONALIDADE Não cabe a órgão administrativo apreciar argüição de legalidade ou constitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer principio constitucional de natureza tributária. Intimada da decisão de primeira instância, a Empresa Agrícola São Gabriel Ltda apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, alegando, substancialmente, os mesmos argumentos postos em sua impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Antes de adentramos no mérito da questão deve ser analisada a preliminar de nulidade suscita pela recorrente. Alega a suplicante que foi cientificada do lançamento no dia 29/09/2005 e, no dia 01/09/2005, entregou uma declaração retificadora, portanto, ",.. uma vez que não fbi considerada a mencionada Declaração RetUicadora para realizar a lavratura do Auto de Infração ora Impugnado, o mesmo deverá ser indubitavelmente considerado nulo e sem efeito, sendo o que desde já se requer," De pronto, não vislumbro a nulidade argüida pela recorrente. Senão Vejamos: O procedimento da recorrente vái de encontro às determinações do artigo 7" do Decreto IV 70.235, de 06/03/1972, transcrito: Art. 7" O procedimento fiscal tem inicio com. 1 - o primeiro ato cio oficio, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto, 11 - a apreensão de niercadorias, documentos ou livros, III - o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada § 1° O inicio do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1", os aios referidos nos incisos 1 e 11 valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquei outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos (destaques da transcrição) O Decreto supracitado é de clareza meridiano ao afirmar que o início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo. Nesse passo, sua espontaneidade, em relação aos dados constantes de sua DITR/200 I , que teriam repercussão direta na exação em causa, estava excluída desde 03/07/2005 (ti. 20), data do primeiro ato de oficio, escrito, praticado pela autoridade fiscal. Portanto, o ato que determinou o início do procedimento fiscal excluiu a espontaneidade da contribuinte, restando, obstada a retificação da DITR/2001. Vencida a questão preliminar passemos a análise do mérito. Da Área de Utilização Limitada 6 Processo n" 10620 000651/2005-79 S2-C2T1 Acórdão n " 2201-00,768 Fl. 4 Por meio de seu instrumento recursa], alega a recorrente que efetivamente existe na propriedade a Área de Utilização Limitada de 346,00 ha, "devendo a mesma ser aproveitada para fins de exclusão de tributação da área total do imóvel." Assevera, ainda que "verifica-se que em nenhum momento .ficou comprovada a inexistência da mencionada área de reserva legal, sendo que existência da mencionada área, fbi verificada pelo Instituto Estadual de Floresta — IEF/MG confOrme Termo de Responsabilidade de Preservação de Floresta em anexo, que .fbi devidamente averbada as maigens da Matricula do Imóvel," Em relação a área de utilização limitada, tenho firmado entendimento de que a averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário é ato constitutivo da reserva legal, portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá suprimi-la da base de cálculo para apuração do ITR. É o que prescreve o artigo 10 da Lei n° 9.393/1996: Ar! 10 A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. ) II - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas. a) de preservação peimanenie e de reserva legal, previstas na Lei n" 4 771, de 15 de setembro de 196.5, com a redação dada pela Lei n"7.803, de 18 de julho de 1989; ) Pelo que se vê, o art. 10 da Lei n° 9,39.3/1996 considerou como área tributável a área total do imóvel menos as áreas de preservação permanente e de reserva legal. Todavia, para fazer jus a redução deverá o sujeito passivo cumprir determinada exigência, especialmente em relação à reserva legal. Trata-se da averbação no órgão competente de registro da destinação para preservação ambiental, conforme determina o Código Florestal, Lei n°4.771, de 15 de setembro de 1965, art. 16, § 8", com a redação dada pela MP n" 2A66-67, de 24 de agosto de 2001, verbis: Art.16. As jloi estas e outras .formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação especifica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo . ("Redação dada pela Medida Provisória n" 2.166-67, de 2001) (Regulamento) §8" A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destituição, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória n°2 166-67, de 2001) (grifei) 7 8 Portanto, diferentemente do que prega a insurgente, o Código Florestal passou a exigir a averbação no registro de propriedade do imóvel, fazendo com que a partir de então, sobre aquela área, o proprietário se submeta às limitações administrativas que lhe são impostas pela lei. Nessa esteira, apenas depois de cumprida a obrigação legal prévia, qual seja, a averbação da área no cartório de registro de imóveis é que o proprietário constitui, perante as autoridades ambientais competentes e, via de conseqüência, para o órgão tributário, a parte da área passível de preservação (parágrafo 8°, art, 16, da Lei 4771/1965), Logo, a averbação é ato de constituição da área de reserva legal, obrigando o proprietário ou quem adquirir o imóvel o ônus de manter e preservar, tornando-se, desta feita, responsável pela reposição ambiental, Mesmo que não tenha contribuído para destruí-la. Esse entendimento encontra-se pacificado neste Tribunal Administrativo, consoante às ementas transcritas: A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sweito passivo poderá exclui-la da base de cálculo para apui ação do ITR. (Acórdão 9202-00 303 — 2" Turma da CSRF). A área de reserva legal somente será considerada como tal, para eleito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente em data anterior à ocorrência do fato gerador do imposto, o que não ocorreu no presente caso (Acórdão 9202-00 424— 2"Tiuma da CSRF). Destarte, a área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente antes da ocorrência do fato gerador, o que não ocorreu no presente caso.. Portanto, não há qualquer reparo a ser feito no entendimento da autoridade recorrida, neste ponto, Da Área de Preservação Permanente Em relação à área de preservação permanente alega a suplicante que ",.. o imóvel possuí uma área de preservação permanente no total de 344,60 ha, que fi glosada pelo 1 Auditor Fiscal, sob o argumento de que não foram atendidas as exigências legais de informação no ADA — Ato Declaratório Ambiental," Inicialmente, impende registrar que sempre me posicionei no sentido de que, antes do exercício de 2000, não havia previsão legal para a apresentação do Ato de Declaração Ambiental - ADA para fins de exclusão da tributação do ITR de áreas declaradas como preservacionistas, Esse entendimento está arrimado ao fato de que a redução da área tributável do ITR, por falta de previsão legal, não estava condicionada a obtenção do ADA, podendo ser fundada em quaisquer outros meios probatórios idôneos.. Processo n" 10620_000651/2005-79 S2-C21.1 Acórdão n " 2201-00.-.768 Fl 5 Neste mesmo sentido, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF editou a Súmula CARF n 4, nos seguintes termos: A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IB.AklA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a Mos geradores ocorridos até o exercício de 2000. (grifei) Todavia, a Lei n" 10,165/2000 alterou a Lei n" 6,938/1981 ao incluir letras ao art. 17, verbis: Art. 10 Os arts. 17-13, 17-C, 17-1), 17-F, I7-G, 17-H, 17-1 e 17-0 da Lei ir 6.938, de 31 de agosto de 1981, passam a vigorar com a seguinte redação' ( I Art. 17-0, Os proprietários rurais que .se beneficiarem com redução cio valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base cai Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Mama a importância prevista no item 3 11 do Anexo VII da Lei n 0 9,960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (NR) § 1 0-A A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA. (AC) 1° A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do I7'R é obrigatória. (7V)?) (grifei) ) Depreende-se da leitura supracitada que a Lei instituiu a obrigatoriedade da entrega do ADA ao lhama para fins de redução do 1TR. Portanto, para a exclusão da tributação sobre áreas de preservação permanente, além de comprovação efetiva da existência dessas áreas, é necessário o reconhecimento especifico pelo lhama ou órgão estadual competente, mediante Ato Declaratório Ambiental ADA,. Em relação ao prazo de apresentação do ADA, cumpre reproduzir o art. 17 da IN SRF n" 60/2001, verbis: Art. 17. Para fins de apuração do 1TR, as áreas de interesse ambiental, de preservação permanente ou de utilização limitada, serão reconhecidas mediante ato do Mama ou órgão delegado por convênio, obsetvado o seguinte. I - as áreas de reserva legal e de servidão florestal, para fins de obtenção do ato declaratório do 'bania, deverão estar averbadas à margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente, conforme preceitua a Lei no 4.771, de 196.5, 9 II - o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado a partir da data final da entrega da DITR, para protocolizar requerimento do ato declaratório junto ao Mama, III - se o contribuinte não requerer, ou se o requerimento não lbr deferido pelo Mama, a Secretaria da Receita Federal .fárá lançamento suplementar, recalculando o ITR devido. (grifei) Portanto, o art. 17 supratranscrito determinou o prazo de seis meses contado da data final da entrega da DITR, para protocolizar requerimento do ADA junto ao lhama, caso o contribuinte quisesse se beneficiar da redução no pagamento do ITR sobre as áreas de interesse ambiental. Ressalte-se que a recorrente protocolizou, junto ao IBAMA, o requerimento solicitando o Ato Declaratório Ambiental, em 02/09/2005, (fis, 47), sendo, portanto, intempestivo para a finalidade de justificar a exclusão das áreas ambientais nele informadas do II R/2001 Ademais, o contribuinte somente assumiu o compromisso de informar ao órgão ambiental competente as áreas preservacionistas do imóvel, por meio do ADA, após ter sido intimado pela fiscalização, o que ocorreu em 03/07/2005 (ti. 20). Faz-se mister registrar que Medida Provisória IV 2166/2001 dispensou a comprovação prévia das áreas pelo declarante, ou seja, o declarante deve preencher o ADA e protocolá-lo junto ao lhama, porém não é necessário que o ADA venha acompanhado de provas das suas alegações, tais como laudos, certidões, averbações cartoriais, atos administrativos de proteção ambiental, etc. Por todo exposto, não há qualquer reparo a ser feito ao lançamento, neste ponto. Da Área de Servidão Florestal Quanto à área de servidão florestal, cumpre trazer a baila as prescrições contidas no art. 44-A da Lei 4.771/65 (acrescentado pelo art. 2" da Medida Provisória IV 2.166/2001): Art 44-A. O proprietário rural poderá instituir servidão florestal, mediante a qual voluntariamente renuncia, em caráter permanente ou temporário, a direitos de supressão ou exploração da vegetação nativa, localizada fora da reserva legal e da área com vegetação de preservação permanente § 1" A limitação ao uso da vegetação da área sob regime de servidão florestal deve ser, no mínimo, a mesma estabelecida para a Reserva Legal § 2" A servidão florestal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, cipós anuência do órgão ambiental estadual competente, sendo vedada, durante o prazo de sua vigência, a alteração da destinação da área, nos casos de transmissão a qualquer titulo, de desmembramento ou de retificação dos limites da propriedade. (grifei) 10 Eduar0 Tadeu Farah Processo n" 10620.000651/2005-79 Acórdão n " 2201-00768 S2-C21 1 El 6 Pelo que se depreende do excerto legal supra, para que a recorrente se beneficie da redução do 1TR é imprescindível que a área de servidão florestal esteja averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, após anuência do órgão ambiental estadual competente. Não se pode perder de vista que a averbação não se trata tão-somente de matéria de prova acerca da configuração da área de servidão florestal ou um tipo de obrigação acessória, em verdade, trata-se de ato constitutivo da própria área preservacionista, a fim de conferir confiabilidade ao seu conteúdo. Assim sendo, compulsando o registro imobiliário da propriedade verifico, pois, que não há qualquer anotação a margem da inscrição de matrícula do imóvel da área destinada a servidão florestal, razão pela qual não há outra solução senão a procedência do lançamento E, em arremate, presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de realização de perícia/diligência. Por fim, a muita de oficio aplicada está prevista em ato legal vigente, regularmente editado (art, 44, inciso 1, da Lei n° 9,430/1996 c/c art,14, § 2° da Lei n° 9.393/1996), descabida mostra-se qualquer manifestação deste órgão julgador no sentido do afastamento de sua aplicação/eficácia,. Da mesma forma, o art, 61, § 3" da Lei n" 9.430, de 1996, determina o emprego da taxa Selic, a título de juros moratórias. Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. 11 12 Voto Vencedor Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa, Redator Designado Divirjo do bem articulado voto do Ilustre Conselheiro-relator apenas quanto à área de preservação permanente. Entendeu o Relator que a apresentação do ADA era condição indispensável para a exclusão da referida área, Penso de modo diverso, como exporei a seguir O dispositivo que trata da obrigatoriedade do ADA, e que é o fundamento legal da autuação, é o art, 1' da Lei n° 10,165, de 27/12/2000, que deu nova redação ao artigo 17-0 da Lei n" 6.938/81, in verbis: Art. 17-0 Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Mama a importância prevista no item 3,11 do Anexo VII da Lei n" 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a titulo de Taxa de Vistoria. [- .5ç I" A utilização do ADA para *lio de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. [.1 Inicialmente, embora admitindo como possibilidade a interpretação de que o dispositivo esteja a prescrever a necessidade do ADA, para todas as situações de áreas ambientais, como condição para a redução dessas áreas para fins de apuração do valor do ITR a pagar, conforme os atos normativos da RF'B e do lbama, não me parece que este sentido e alcance da norma estejam claramente delineados, a ponto de dispensar o esforço de interpretação_ Isto é, não me parece que se aplique aqui o brocardo ia clari s cessai interpretatio . Não basta, portanto, simplesmente dizer que a lei impõe ou não a necessidade do ADA, é preciso expor as razões que levam a esta conclusão. O que chama a atenção no dispositivo em apreço é que o mesmo tem como escopo claro a instituição de uma Taxa de Vistoria, a ser paga sempre que o proprietário rural se beneficiar de uma redução de ITR com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA, de urna taxa que tem como fato gerador o serviço público específico e divisível de realização da vistoria, que presumivelmente será realizada nos casos de apresentação do ADA, e não de definir áreas ambientais, de disciplinar as condições de reconhecimento de tais áreas e muito menos de criar obrigações tributárias acessórias ou regular procedimentos de apuração do ITR. 'Também não se deve desprezar o fato de que a referência à obrigatoriedade do ADA vem apenas no parágrafo primeiro e, portanto, deve ser entendido levando em conta o quanto disposto no capta. E este, como se viu, restringe a tal taxa às situações em que o beneficio de redução do ITR ocorra com base no ADA, o que implica no reconhecimento da existência de reduções que não sejam baseadas no ADA. Aliás, a função sintática da expressão "com base em Ato Declaratório Ambiental" é exatamente denotar urna circunstância relativa ao fato expresso pelo verbo "beneficiar". Processo n" 1 0620 000651/2005-79 S2-C2TI Acõi dâo ri" 2201-00.768 Fi 7 Ora, entendendo-se o chamado "beneficio de redução" como sendo a exclusão de áreas ambientais para fins de apuração da base de cálculo do ITR, indaga-se se a exclusão de áreas ambientais cuja existência decorre diretamente da lei, independentemente de reconhecimento ou declaração por ato do Poder Público, pode ser entendida como uma redução "com base em Ato Declaratório Ambiental — ADA", Penso que não Veja-se o caso da área de preservação permanente de que trata o art, 2" da lei n" 4.771, de 1965, e que existe "pelo só efeito desta lei", in verbis: Ali 2° Consideram-se de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais &luas de vegetação natural situadas (sublinhei) E também o caso da área de reserva legal do art. 16 da mesma lei, a saber; Art. 16 As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória n" 2,166-67, de 2001) 1 §8' A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória n" 2.166-67, de .2001) No caso da área de preservação permanente, a lei define, objetivamente, por exemplo, que tanto metros à margem dos rios, conforme a largura deste, é área de preservação permanente, independentemente de qualquer ato do Poder Público, É a própria lei que impõe ao proprietário o dever de preservar essa área e, para tanto, este não deve esperar qualquer determinação do Poder Público. O mesmo ocorre com relação à área de reserva legal. A lei impõe que, conforme certas circunstâncias de localização etc.. da propriedade, um mínimo das florestas e outras formas de vegetação nativa devem ser preservadas de forma permanente. E a lei também exige que estas áreas, identificadas mediante termo de compromisso com o órgão ambiental competente, sejam averbadas à margem da matricula do imóvel, vedada sua alteração em caso de transmissão a qualquer titulo. Também neste caso o proprietário não deve esperar qualquer ato do Poder Público determinando que tal ou qual área deve ser preservada. Por outro lado, a Lei n" 9,393, de 1996, ao cuidar da apuração do ITR, define a área tributável como sendo a área total do imóvel subtraída de áreas diversas, dentre elas as de preservação permanente e de reserva legal, sem impor qualquer condição, in verbis: Ari 10 A apuração e o pagamento do 1IR serão *tilados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administiação tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sttjettando-se a homologação posterior § I"Para os eleitos de apuração cio UR, considerar-se-á [ II - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas. a) de preservação permanente e de reSellY1 legal, previstas na Lei n" 4 771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n"7 803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistenuts, assim declaradas- mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as. restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqiiicola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão florestal ou ambiental, (Redação dada pela Lei n" 11.428, de 2006) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, (Incluído pela Lei ti" 11.428, de 2006) O alagadas para fins de constituição de reservatói ia de usinas hidrelétricas- autorizada pelo poder público. (Inchado pela Lei ir 11.727, de 2008) Se as áreas de preservação permanente e as de reserva legal independem de manifestação do Poder Público, outras áreas ambientais, passíveis de exclusão, para fins de apuração do 1TR, dependem da manifestação de vontade do proprietário ou da imposição do próprio órgão ambiental, observadas certas circunstâncias específicas do imóvel, Veja-se, por exemplo, o caso da área de preservação permanente de que trata o art, 3" da Lei n" 4.771, de 1965, in verbis: Ar!. 3" Consideram-se, ainda, de preservação permanentes, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais . fbrmas de vegetação natural destinadas. a) a atenuar a erosão das terras,. b,) afixar as dunas, c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias, d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares,' e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor cientifico ou histórico,. .f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção, 14 Processo o" 1(1620 000651/2005-79 Acima) o " 2201-00:768 52-C2T Fl 8 g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas, h) a assegurar condições de bem-estar público. Aqui, a declaração da área como de preservação permanente deve ocorrer em cada caso, conforme entenda o órgão ambiental, considerada a necessidade específica em face de alguma circunstância de risco ao meio ambiente ou de preservação da fauna ou da flora_ O mesmo se pode dizer das áreas de que trata a alínea "b" do § 1 0 do inciso II da lei n" 9.393, de 1996, Ali a área deve ser declarada de interesse ecológico visando à proteção de um determinado ecossistema. Ela não existe "pelo só efeito da lei", e nem decorre de urna imposição legal genérica de preservação, de uma fração determinada da floresta ou mata nativa, Decorre do entendimento por parte do Poder Público, com base no exame do caso concreto, que aquela área deve ser preservada.. Existe, portanto, uma clara diferença entre áreas ambientais: urnas cujas existências decorrem diretamente da lei, sem necessidade de prévia manifestação por parte do Poder Público por meio de qualquer ato, e outras que devem ser declaradas ou reconhecidas pelo poder Público por meio de ato próprio. Dito isto, não me parece minimamente razoável que a exclusão, prevista em lei, de uma área ambiental, cuja existência independe de manifestação do Poder Público, fique condicionada a um ato formal de apresentação do tal ADA„ Mas não há dúvida de que a lei poderia criar tal exigência: A questão aqui, entretanto, é se o art. 17-0, em que se baseiam os que defendem esta posição, permite esta interpretação; se é este o sentido e o alcance que se deve extrair da norma que melhor a harmonize com os demais princípios e normas que regem a tributação do ITR e a preservação do meio ambiente. E a resposta é negativa. Em conclusão, penso que o art. 17-0 da Lei n° 6.938/81 impõe a exigência da apresentação tempestiva do ADA apenas nos casos em que a existência da área ambiental dependa de declaração ou reconhecimento por parte do Poder Público, No presente caso não se discute a efetiva existência da área de preservação permanente, sendo fundamento da autuação ppenas a apresentação tempestiva do ADA. Ora, se penso que a falta de apresentação do ADA não pode ser obstáculo à exclusão da área de preservação permanente, com mais razão ainda a intempestividade na apresentação da referida declaração poderia dar causa à não exclusão da referida área. Conclusão recurso parares Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de dar parcial provimento ao -,,elecer a eg.,.rsão da área de preservação permanente. ----1 Q)0LÀ Aol CÁ) Pedro Pereira Barbosa I 5 Brasilia/DF, Zï SET 2t7i0 Data da ciência: MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n": 10620.000651/2005-79 Recurso n" : 340.436 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3" do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n" 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n"....2201-00.768. EVELINE COÊLHO DE MELO HOMAR Chefe da Secretaria Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: ...) Apenas com ciência ,„) Com Recurso Especial „.) Com Embargos de Declaração Procurador(a) da Fazenda Nacional
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Numero do processo: 36216.011199/2006-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/08/2004
AUTO DE INFRAÇÃO APRESENTAÇÃO
DE GFIP/GRFP COM
DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE
TODAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS .
Toda empresa está obrigada a informar, por intermédio de GFIP/GRFP, as
remunerações dos contribuintes individuais a seu serviço e demais fatos
geradores de contribuição previdenciária.
RELEVAÇÃO DA MULTA APLICADA
Cabe relevação da multa quando o infrator é primário, não tenha ocorrido
circunstâncias agravantes, o pedido tenha sido feito dentro do prazo de defesa
e a falta corrigida até a decisão de primeira instância.
AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO INCIDÊNCIA
DE CONTRIBUIÇÃO
O valor referente ao fornecimento de alimentação pela empresa a seus
empregados sem a adesão ao programa de alimentação aprovado pelo
Ministério do Trabalho PAT,
integra o salário de contribuição por possuir
natureza salarial.
RETROATIVIDADE BENIGNA. OMISSÕES E INEXATIDÕES NA GFIP.
LEI 11.941/2009. REDUÇÃO DA MULTA.
As multas por omissões ou inexatidões na GFIP foram alteradas pela Lei
11.949/2009 de modo a, possivelmente, beneficiar o infrator, conforme
consta do art. 32A
da Lei n º 8.212/1991. Conforme previsto no art. 106,
inciso II, alínea “c” do CTN, a lei aplica-se
a ato ou fato pretérito, tratando-se
de ato não definitivamente julgado: quando lhe comine penalidade menos
severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-001.833
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, no mérito, nas questões da multa aplicada com base nos valores relativos ao auxílio alimentação, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os conselheiros
Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano González Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram pela exclusão desse valores; e II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial
ao recurso, no mérito, para realizar o cálculo da multa da forma prevista no art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à recorrente, nos termos do voto do Redator designado.
Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos
termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso
seja mais benéfico à recorrente, nos termos do voto da Relatora.Redator designado: Mauro José Silva.Declarações de voto: Mauro José Silva; e Damião Cordeiro de Moraes.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/08/2004 AUTO DE INFRAÇÃO APRESENTAÇÃO DE GFIP/GRFP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS . Toda empresa está obrigada a informar, por intermédio de GFIP/GRFP, as remunerações dos contribuintes individuais a seu serviço e demais fatos geradores de contribuição previdenciária. RELEVAÇÃO DA MULTA APLICADA Cabe relevação da multa quando o infrator é primário, não tenha ocorrido circunstâncias agravantes, o pedido tenha sido feito dentro do prazo de defesa e a falta corrigida até a decisão de primeira instância. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO O valor referente ao fornecimento de alimentação pela empresa a seus empregados sem a adesão ao programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho PAT, integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial. RETROATIVIDADE BENIGNA. OMISSÕES E INEXATIDÕES NA GFIP. LEI 11.941/2009. REDUÇÃO DA MULTA. As multas por omissões ou inexatidões na GFIP foram alteradas pela Lei 11.949/2009 de modo a, possivelmente, beneficiar o infrator, conforme consta do art. 32A da Lei n º 8.212/1991. Conforme previsto no art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, no mérito, nas questões da multa aplicada com base nos valores relativos ao auxílio alimentação, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano González Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram pela exclusão desse valores; e II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, no mérito, para realizar o cálculo da multa da forma prevista no art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à recorrente, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à recorrente, nos termos do voto da Relatora.Redator designado: Mauro José Silva.Declarações de voto: Mauro José Silva; e Damião Cordeiro de Moraes.
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FATOS GERADORES Recorrente NO MÉDIA COMUNICAÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/08/2004 AUTO DE INFRAÇÃO APRESENTAÇÃO DE GFIP/GRFP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS . Toda empresa está obrigada a informar, por intermédio de GFIP/GRFP, as remunerações dos contribuintes individuais a seu serviço e demais fatos geradores de contribuição previdenciária. RELEVAÇÃO DA MULTA APLICADA Cabe relevação da multa quando o infrator é primário, não tenha ocorrido circunstâncias agravantes, o pedido tenha sido feito dentro do prazo de defesa e a falta corrigida até a decisão de primeira instância. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO O valor referente ao fornecimento de alimentação pela empresa a seus empregados sem a adesão ao programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho PAT, integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial. RETROATIVIDADE BENIGNA. OMISSÕES E INEXATIDÕES NA GFIP. LEI 11.941/2009. REDUÇÃO DA MULTA. As multas por omissões ou inexatidões na GFIP foram alteradas pela Lei 11.949/2009 de modo a, possivelmente, beneficiar o infrator, conforme consta do art. 32A da Lei n º 8.212/1991. Conforme previsto no art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 1DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 21/06 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 16/01/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2011 por DAMI AO CORDEIRO DE MORAES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, no mérito, nas questões da multa aplicada com base nos valores relativos ao auxílio alimentação, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano González Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram pela exclusão desse valores; e II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, no mérito, para realizar o cálculo da multa da forma prevista no art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à recorrente, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à recorrente, nos termos do voto da Relatora.Redator designado: Mauro José Silva.Declarações de voto: Mauro José Silva; e Damião Cordeiro de Moraes. Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relator. Mauro José Silva Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 21/06 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 16/01/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2011 por DAMI AO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 36216.011199/200617 Acórdão n.º 230101.833 S2C3T1 Fl. 793 3 Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 16/12/2004, por ter a empresa acima identificada apresentado GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, infringindo, dessa forma, o inciso IV, § 5º, do art. 32, da Lei 8.212/91 c/c o art. 225, IV e § 4o, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99.. Conforme consta do Relatório Fiscal da Infração (fls 04), a recorrente deixou de informar, por meio de GFIP, as remunerações pagas aos contribuintes individuais que lhe prestaram serviços e o valor referente à alimentação fornecida aos segurados empregados da recorrente, sem adesão ao Programa de Alimentação do Trabalhador, PAT. Segundo o Relatório da Multa Aplicada (fls. 23), em decorrência da infração praticada, foi aplicada multa corresponde a 100% do valor da contribuição não declarada, valor que ficou abaixo do limite previsto no inciso I do art. 284, do Decreto 3.048/99, com exceção das competências 10 e 11/1999, e 01/2000. A recorrente impugnou o débito requerendo a aplicação do disposto no § 1o, do art. 291, do RPS, e a relevação da multa, sob o argumento que estaria providenciando a correção da falta em relação à remuneração dos contribuintes individuais e negando a natureza salarial dos valores relativos ao auxílio alimentação concedido aos seus empregados. A autuada juntou aos autos as GFIPs corrigidas e a Secretaria da Receita Previdenciária, por meio do DESPACHO DECISÓRIO n. 21.004.4/9034/2005 (fls. 687), retificou o valor da multa, tendo em vista que as informações relativas aos sócios das competências 06 a 08/2004 foram declaradas em GFIP. Cientificada do DD, a recorrente apresentou nova defesa e a SRP, por meio da DecisãoNotificação nº 21.434.4/0175/2006 (fls. 700), julgou o Auto de Infração procedente com atenuação da multa, excluindo do cálculo da penalidade aplicada o valor relativo às contribuições a terceiros incidentes sobre a parcela paga pela empresa a título de alimentação. Não concordando com a decisão, a autuada apresentou recurso tempestivo (fls. 718), alegando, em síntese, o que se segue. Preliminarmente, defende que é inadmissível a imposição da multa ao período anterior ao Decreto n°3.048/99, uma vez que tal normativo legal, que regulamentou o inciso IV e o parágrafo 3° do artigo 32 da Lei 8.212/91, foi publicado no DOU em 07 de maio de 1999, restando configurada que a obrigação da RECORRENTE iniciouse somente após publicação do referido decreto e, não a partir de 01/1999, como assinalado pelo INSS. Entende que o Decreto n° 2.803/98 não explica de maneira tão completa e didática a obrigação a que se refere â Lei n° 9.528/97, como o Decreto 3.048/99 o faz de maneira tão cristalina, e que nada impede que seja aplicada, ao presente caso, uma norma que seja mais benéfica ao contribuinte, a saber, o Decreto 3.048/99, o que, segundo entende, comprova que a recorrente só esta obrigada a prestar informações a partir de 05/1999. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 21/06 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 16/01/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2011 por DAMI AO CORDEIRO DE MORAES 4 No mérito, sustenta que os valores concedidos a título de alimentação não sofrem incidência das contribuições previdenciárias, não havendo, portanto, a obrigação da recorrente de prestar informações ao INSS por meio da GFIP, já que o valor gasto com o fornecimento de alimentos em seu estabelecimento não tem natureza salarial, mesmo que não esteja inscrita em programa de alimentação do trabalhador no Ministério do Trabalho e Emprego. Defende a nãoobrigatoriedade da inscrição do PAT para isenção das contribuições previdenciárias sobre os valores concedidos a título de auxílio alimentação. Alega que a manutenção da penalidade combatida, nos termos em que foi lavrada, contraria os princípios mais fundamentais do direito tributário, razão pela qual pleiteia sua redução para os patamares legalmente estabelecidos. Por meio da Reforma da DecisãoNotificação nº 21.434.4/0298/2006 (fls. 736), a Secretaria da Receita Previdenciária julgou novamente a autuação procedente com atenuação, por entender que deve ser aplicado o § 6 do art. 656, da IN 03/2005, que prevê que, na hipótese do inciso III do caput do art. 647, a entrega pelo autuado de GFIP informando parte dos fatos geradores omitidos na competência implicará a atenuação ou a relevação da multa na proporção do valor das contribuições sociais previdenciárias relativas aos fatos geradores informados. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou novo recurso (fl. 747), reiterando os argumentos trazidos nas manifestações anteriores e requerendo a devolução da parte do depósito recursal relativo ao valor excluído da multa aplicada, o que foi deferido pela Delegacia da Receita Previdenciária em São Bernardo do Campo, em 19/01/07. Às fls. 785, a recorrente vem novamente se manifestar nos autos requerendo a aplicação da Medida Provisória 449/2008, para que a multa seja recalculada, de acordo com o que dispõe o artigo 32A da Lei 8.212/91. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 21/06 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 16/01/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2011 por DAMI AO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 36216.011199/200617 Acórdão n.º 230101.833 S2C3T1 Fl. 794 5 Voto Vencido Conselheiro BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice para seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, registro o que se segue. Preliminarmente, a autuada alega que inadmissibilidade da imposição da multa em período anterior ao Decreto n°3.048/99, pois entende que tal normativo legal, que regulamentou o inciso IV e o parágrafo 3° do artigo 32 da Lei 8.212/91, foi publicado no DOU em 07 de maio de 1999, restando configurada que a obrigação da RECORRENTE iniciouse somente após publicação do referido decreto e, não a partir de 01/1999, como assinalado pelo INSS. Contudo, a obrigação de apresentar a GFIP com os dados relacionados aos fatos geradores da contribuição previdenciária surgiu com a publicação da MP 1.59614, de 10/11/97, convertida na Lei 9.528/97, que deu nova redação ao art. 32 da Lei 8.212/91. E a Lei no 9.528/97 foi regulamentada pelo Decreto No 2.803, publicado em 21/10/98, que previa no § 6o, do seu artigo 1°, que a GFIP seria exigida relativamente a fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1999. Além do Decreto no 2.803/98, que regulamentou a GFIP, a OS Conjunta PG/DAF/DSS Nº 92/98, detalhou a forma de preenchimento e entrega da GFIP. Portanto, rejeito a preliminar suscitada. No mérito, verificase que a recorrente não nega que forneceu auxílio alimentação a seus empregados. Ela apenas entende que o pagamento de salário “in natura” não integra o salário de contribuição. Porém, o conceito de salário de contribuição expresso no art. 28 inciso I da Lei 8.212/91 é “...a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês...” (grifei). O § 2º, do art. 458, da CLT, assim dispõe sobre os salário pagos “in natura”: Art. 458. Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações “in natura” que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado....”. A própria Constituição Federal, preceitua, no § 4º do art. 201, renumerado para o § 11, com a redação dada pela Emenda Constitucional nº 20/98, o seguinte: § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição Fl. 5DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 21/06 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 16/01/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2011 por DAMI AO CORDEIRO DE MORAES 6 previdenciária e conseqüentemente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (grifei) Ademais, é oportuno lembrar que, conforme art. 176 do CTN, “a isenção, ainda que prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão...”. No presente caso, não resta dúvida que os valores relativos ao auxílio alimentação fornecido aos empregados sem adesão ao Programa de Alimentação do Trabalhador, não estão incluídas nas hipóteses legais de isenção previdenciária, previstas no § 9º, art. 28, da Lei 8.212/91. De fato, a alínea “c”, do citado § 9º, com redação dada pela Lei nº 9.528/97, exclui do salário de contribuição apenas a parcela “in natura” recebida de acordo com o PAT, o que não é o caso em tela, já que a fiscalização constatou que não houve adesão ao referido Programa, o que foi confirmado pela recorrente em sua peça recursal. Corrobora nesse sentido o Parecer/CJ nº 1.059/97, cuja ementa transcrevo a seguir: EMENTA: PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. CONTRIBUIÇÃO DEVIDA SOBRE SALÁRIO ALIMENTAÇÃO. SALÁRIO IN NATURA. Levantamento de crédito por falta de recolhimento à Previdência Social do pagamento de salário in natura (Refeição). Devese restabelecer o crédito originariamente lançado posto que integra o saláriodecontribuição as parcelas pagas a funcionários à título de AuxílioAlimentação, cujo programa não tenha sido aprovado pelo Ministério do Trabalho, conforme previsto no artigo 3º, da Lei nº 6.321/76. Parecer pela mantença do crédito. A recorrente afirma que não aderiu ao PAT nas competências abrangidas pelo presente AI. Portanto, a não inclusão, em GFIP, dos valores relativos ao fornecimento de auxílio alimentação configura infração à legislação previdenciária e o Auditor Fiscal, ao se deparar com o descumprimento da obrigação acessória, lavrou corretamente o presente Auto de Infração, em observância aos ditames legais. Portanto, a empresa recorrente deixou de informar, em GFIP, toda a remuneração paga aos segurados a seu serviço. O art. 32, I, da Lei 8.212/91, determina que: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Acrescentado pela MP nº 1.59614, de 10/11/97, de 10/11/97, convertida na Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 6DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 21/06 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 16/01/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2011 por DAMI AO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 36216.011199/200617 Acórdão n.º 230101.833 S2C3T1 Fl. 795 7 § 1° O Poder Executivo poderá estabelecer critérios diferenciados de periodicidade, de formalização ou de dispensa de apresentação do documento a que se refere o inciso IV, para segmentos de empresas ou situações especificas. (Acrescentado pela MP nº 1.59614, de 10/11/97, convertida na Lei nº 9.528, de 10/12/97) § 2° As informações constantes do documento de que trata o inciso IV servirão como base de cálculo das contribuições devidas ao Instituto Nacional do Seguro Social lNSS, bem como comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Acrescentado pela MP nº 1.59614, de 10/11/97, convertida na Lei nº 9.528, de 10/12/97) § 3° O regulamento disporá sobre local, data e forma de entrega do documento previsto no inciso IV. (Acrescentado pela MP nº 1.59614, de 10/11/97, convertida na Lei nº 9.528, de 10/12/97) Assim, restou demonstrada a infração à Legislação Previdenciária. E a autoridade Fiscal, ao constatar o descumprimento de obrigação acessória, lavrou corretamente o presente auto, em observância ao art.33 da Lei 8212/99 e art. 293 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99: Art.293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social lavrará, de imediato, autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, dispositivo legal infringido e a penalidade aplicada e os critérios de sua gradação, indicando local, dia, hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. A autuada vem aos autos requerendo, ainda, a aplicação da MP 449/2008. De fato, não obstante a correção do auditor fiscal em proceder ao lançamento nos termos dos normativos vigentes à época da lavratura do AI, foi editada a Medida Provisória MP 449/08, que revogou o art. 32, § 6o, da Lei 8.212/91. E, conforme disposto no art. 106, inciso II, alínea “c”: Art.106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim, tratandose o presente lançamento de ato ainda não julgado quando da edição da MP 449/08, concluise que os critérios por ela estabelecidos, caso sejam mais benéficos ao contribuinte, se aplicam ao AI em tela,. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 21/06 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 16/01/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2011 por DAMI AO CORDEIRO DE MORAES 8 Dessa forma, caso se constate, no recálculo da multa com a observância do disposto no artigo 35 A, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09, que o novo valor da penalidade aplicada é mais benéfico ao contribuinte, não há como se ignorar o disposto no art. 106, II, “c”, do CTN, privando a empresa do benefício legal. Nesse sentido e Considerando tudo o mais que dos autos consta; Voto no sentido de CONHECER DO RECURSO e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para que se aplique, caso seja mais benéfico para o contribuinte, o artigo 35 A, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09. É como voto BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Relator Fl. 8DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 21/06 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 16/01/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2011 por DAMI AO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 36216.011199/200617 Acórdão n.º 230101.833 S2C3T1 Fl. 796 9 Voto Vencedor Conselheiro Mauro José Silva, Redator Designado Multa por não apresentação da GFIP. Adequação ao art. 32A. O valor da multa por apresentação da GFIP com incorreções ou omissões sofreu modificações com o advento da Lei 11.941/09 que introduziu o art. 32A na Lei 8.212/91, in verbis: "Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo.” Com relação ao tema, o Código Tributário Nacional, em seu at. 106, alínea “c”, afirma expressamente que a Lei nova deverá retroagir quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na Lei vigente anterior, verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 21/06 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 16/01/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2011 por DAMI AO CORDEIRO DE MORAES 10 Logo, a perfeita adequação do lançamento à legalidade exige que a multa aplicada seja confrontada com a multa prevista no art. 32A da Lei 8.212/91, devendo prevalecer aquela que resultar em menor ônus para a recorrente. Mauro José Silva Fl. 10DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 21/06 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 16/01/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2011 por DAMI AO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 36216.011199/200617 Acórdão n.º 230101.833 S2C3T1 Fl. 797 11 Declaração de Voto Conselheiro Mauro José Silva Conforme previsto no caput do art. 458 da CLT, a alimentação fornecida ao trabalhador está compreendida no conceito de salário. Apesar do dispositivo legal suscitar poucas dúvidas, temos que acrescentar que o Tribunal Superior do Trabalho (TST) já editou a Súmula 241 sobre o assunto, in verbis: Súmula Nº 241 do TST SALÁRIOUTILIDADE. ALIMENTAÇÃO O vale para refeição, fornecido por força do contrato de trabalho, tem caráter salarial, integrando a remuneração do empregado, para todos os efeitos legais. Estando compreendida no conceito de salário, é verba que está no campo de incidência da contribuição previdenciária. No entanto, quis o legislador, no art. 28, §9º, alínea “c” instituir uma isenção para a alimentação concedida in natura, ou seja, para a alimentação fornecida pela própria empresa. Como requisito para o gozo da isenção, foi estabelecido que a parcela in natura seja “recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976”. A referida Lei, em seu art. 3º, traz texto similar à Lei 8.212/91, conforme segue: Art 3º Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga in natura , pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. Vêse, pois, que a exigência de que a alimentação fornecida in natura esteja de acordo com programa de alimentação aprovado pelo Ministério do trabalho tem dupla previsão legal. Tal constatação, por si só, já seria suficiente para afastarmos qualquer possibilidade de afastarmos, na aplicação da lei, a exigência de tal requisito para o reconhecimento da isenção. No entanto, a título argumentativo, compulsamos a legislação do Ministério do Trabalho que trata do assunto para verificarmos quais as exigências do referido programa, de modo a concluirmos se seriam exigências que atendem ao princípio da proporcionalidade. No art 1º da Portaria 03/2002 há a previsão de que o Programa de Alimentação do Trabalhador “tem por objetivo a melhoria da situação nutricional dos trabalhadores, visando a promover sua saúde e prevenir as doenças profissionais.”. Notase, portanto, que a regulamentação do PAT traz em si uma preocupação com o bem estar dos Fl. 11DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 21/06 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 16/01/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2011 por DAMI AO CORDEIRO DE MORAES 12 trabalhadores. Nesse sentido, o art 5º da mesma Portaria estabelece critérios para garantir que o trabalhador receba uma alimentação saudável, com respeito aos alimentos regionais e ao significado socioeconômico e cultural dos vários alimentos. Prossegue a norma infralegal com preocupações sobre os macronutrientes que devem estar contidos em cada uma das refeições do dia. Quanto às formalidades necessárias para adesão ao PAT, não vislumbramos serem demasiadamente excessivas de modo a, consideradas as finalidades de interesse público do PAT, ferirem a proporcionalidade. A necessidade de obediência ao PAT, portanto, é uma exigência legal para o benefício da isenção que tem objetivo proteger o trabalhador, evitando que o empregador forneça alimentação inadequada para sua saúde e bem estar, e que foi regulada atendendo ao princípio da proporcionalidade. Desconsiderar a adesão ao PAT, além de afrontar o texto legal, é operar em desfavor do trabalhador na medida em que implicaria afastar norma que tenta preservar sua saúde. A par disso, não ignoramos que o STJ tem jurisprudência que afasta a incidência da contribuição previdenciária sobre a alimentação in natura, estando ou não a empresa vinculada ao PAT. No entanto, ao analisarmos os vários Acórdãos nesse sentido, observamos, mais uma vez, um encadeamento de referências a precedentes que acabam por tomar como leading case o RESP 85.306DF de 1996 com a seguinte ementa: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA POR EMPRESA.PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO AO TRABALHADOR (PAT). NATUREZA NÃO SALARIAL. REEXAME DE PROVAS. IMPOSSIBILIDADE PELA VIA ELEITA DO ESPECIAL. I AFIGURASE ESCORREITO O V. ACÓRDÃO VERGASTADO AO DECIDIR QUE A ALIMENTAÇÃO PAGA, ESTEJA O EMPREGADOR INSCRITO OU NÃO NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR (PAT), NÃO E SALÁRIO "IN NATURA", NÃO E SALÁRIO UTILIDADE, POR ISSO QUE NÃO PODE, NUM OU NOUTRO CASO, HAVER INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ADEMAIS, NÃO E O RECURSO ESPECIAL O MEIO HABIL PARA REEXAMINAR PROVAS. II RECURSO NÃO CONHECIDO. Indo além da ementa, o voto condutor do leading case assumiu as conclusões do Parecer do Ministério Público Federal que fez considerações sobre a alimentação fornecida de maneira não gratuita aos funcionários de uma empresa. Ora, é fora de dúvidas que se o trabalhador paga pela alimentação que recebe, não podemos cogitar que isso seja salário. Não sendo salário, não seria mesmo necessário cogitar da inscrição ou não no PAT, pois não faz parte do campo de incidência da contribuição previdenciária. Mas veja que o leading case, tantas vezes repetido no STJ, tratava de uma situação específica de alimentação paga pelo trabalhador e não pela empresa em benefício do trabalhador. Apesar disso, a partir de tal Acórdão foram se multiplicando os Acórdãos que tomavam tal decisum como precedente para, em situação diversa, não exigir o registro no PAT em casos de alimentação in natura fornecidas gratuitamente ao trabalhador. Escapando da reiterada confusão, o RESP 476.194 fez uma clara distinção da situação para a qual não se exige o PAT: REsp 476194 / PR TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EMPREGADOR NÃO INSCRITO NO Fl. 12DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 21/06 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 16/01/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2011 por DAMI AO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 36216.011199/200617 Acórdão n.º 230101.833 S2C3T1 Fl. 798 13 PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO AO TRABALHADOR. FORNECIMENTO DE REFEIÇÕES DECORRENTE DE CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. NÃO INCIDÊNCIA. TAXA SELIC. 1. Empresa não cadastrada no Programa de Alimentação ao Trabalhador não faz jus aos benefícios fiscais previstos na Lei 6.321/76, que exclui o custo da alimentação fornecida pelo empregador da parcela incorporada ao salário para fins de contribuição previdenciária. 2. Fornecida a alimentação pelo empregador não inscrito no PAT e havendo desconto do salário do empregado que a usufrui, para cobrir custos dos alimentos auferidos, não se caracteriza como salário in natura, e, por isso, como salário de contribuição para a receita da seguridade. Por outro lado, não sendo integral o pagamento da refeição, fica caracterizada como parcela salarial a diferença do que foi pago, integrando este excedente a base de cálculo da contribuição previdenciária. 3. É pacífico na jurisprudência da Corte o entendimento segundo o qual é legítima a incidência, tanto na cobrança de dívida fiscal,quanto na repetição de indébito tributário, da Taxa SELIC. 4. Recurso especial a que se nega provimento. Lamentavelmente, o Acórdão acima não prevaleceu, tendo sido objeto de Embargos de divergência que acabaram por retomar o conteúdo da jurisprudência reiterada que não exige a inscrição no PAT. De nossa parte, com a devida vênia, assinalamos que a repetida jurisprudência do STJ que dispensa a vinculação ao PAT em qualquer caso está amparada em premissa específica que não permitiria sua aplicação genérica como vem sendo feita. Assim, nossa posição é, seguindo a expressa determinação legal, no sentido de exigir a inscrição no PAT como requisito para desfrutar da isenção em relação à alimentação in natura. Até aqui tratamos de alimentação fornecida in natura. Passemos a analisar o caso do auxílio refeição fornecido em dinheiro. Como dissemos a alimentação fornecida pela empresa amoldase no conceito de salário e está dentro do campo de incidência da contribuição previdenciária, havendo norma isentiva somente para a alimentação in natura. Em outras palavras, implica dizer que qualquer tipo de alimentação não fornecida in natura e seguindo os requisitos legais – como no caso do auxílio refeição em dinheiro – deve sofrer a incidência da contribuição previdenciária. No caso presente, havendo a constatação que a empresa não estava inscrita no PAT, votamos pelo indeferimento dessa parte do Recurso Voluntário. Mauro José Silva Fl. 13DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 21/06 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 16/01/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2011 por DAMI AO CORDEIRO DE MORAES 14 Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes DOS VALORES PAGOS A TÍTULO DE AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO 1. No que diz respeito aos valores advindos do auxílio alimentação, não obstante o bom arrazoado trazido em seu voto, peço venia à douta relatora por considerar que tais pagamentos não possuem cunho salarial. 2. A natureza jurídica dos pagamentos, em espécie ou in natura, não se confunde com a remuneração recebida em razão do trabalho, uma vez que resta demonstrado nos autos a desvinculação dos salários percebidos pelo trabalhador. Até porque, tal verba destinavase exclusivamente para a garantia da alimentação do empregado. De maneira que é indevida a incidência da contribuição social previdenciária sobre um benefício concedido pela empresa recorrente. 3. Por outro lado, ajuda a formar minha posição o fato de que, em momento algum, o fisco comprovou que os valores foram pagos com o fim específico de suprimir parte da remuneração dos empregados. 4. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça STJ pacificou o entendimento no sentido de que o pagamento in natura do auxílioalimentação não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. (RESP n.º 663568/DF; DJ 21/03/2005 p. 274) 5. Razões pelas quais dou provimento ao recurso voluntário da empresa, nesta parte. DA MULTA APLICADA 6. As multas por omissões ou inexatidões na GFIP foram alteradas pela Lei n.º 11.949/2009 de modo a, possivelmente, beneficiar o infrator, conforme consta do art. 32A da Lei n.º 8.212/91. Sendo assim, conforme previsto no artigo 106, inciso II, alínea ‘c’ do CTN, a Lei aplicase ao ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. É exatamente o caso dos autos. 7. No ponto, dou provimento ao recurso voluntário para que o cálculo da multa seja adequado ao disposto no art. 32A, da Lei n.º 8.212/91. Damião Cordeiro de Moraes Fl. 14DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 21/06 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 16/01/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/03/2011 por DAMI AO CORDEIRO DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 37005.001742/2007-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 13/07/2006
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32,
IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.° 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.° 3.048/99 - OMISSÃO EM GFIP -
AGENTE NOCIVO - CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS - NÃO CIENTIFICAÇÃO DE DILIGÊNCIA - CERCEAMENTO DE DEFESA.
NULIDADE DE DN
Não cientificação do recorrente acerca de diligência efetuadas - cerceamento de defesa, nula a decisão de 1ª instância.
DECISÃO RECORRIDA NULA.
Numero da decisão: 2401-000.980
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em anular a Decisão de Primeira Instância.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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P Turma Ordinária Sessão de 28 de janeiro de 2010 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente MRS LOGÍSTICA S/A Recorrida SECRETARIA DA RECEITA OPREVIDENCIÁRIA - SRP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Data do fato gerador: 13/07/2006 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, IV, § 5" E ARTIGO 41 DA LEI N° 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.° 3.048/99 - OMISSÃO EM GEIP - AGENTE NOCIVO - CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS - NÃO CIENTIFICAÇÃO DE DILIGÊNCIA - CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE DE DN Não cientiticação do recorrente acerca de diligência efetuadas - cerceamento de defesa, nula a decisão de 1° instância. DECISÃO RECORRIDA NULA. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos ACORDAM os membros da 4° Câmara / l a Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em anular a Decisão de Primeira Instância ELIAS SA AIO • EIRE - Presidente 'EtJNEtRITINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA — Relatora Jok MINISTÉRIO DA FAZENDA ICS» CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo ri0 : 10932 000496/2007-39 Recurso 1f: 157.854 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão ir 2401-00.985 Brasílille fevereiro de 2010 ELIA -"SM' F s[RE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito DAR-LHE PROVIMENTO, face a aplicação da decadência qüinqüenal. É como voto. Sala das Sessões, em 28 de janeiro de 2010 - • e • TEIRO E SILVA VIEIRA—Relatora Processo n° 10932.000496/2007-39 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-00.985 Fl. 188 II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplica-se o disposto no § 4°, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.I50 - O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § - O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2 0 _ Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 30_ Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4°- Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador,- expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições omitidas para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. Ocorre que no caso em questão, o lançamento foi efetuado em 27/03/2006, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 31/03/2006. Assim, como os fatos geradores ocorreram entre as competências 01/1996 a 12/1998, irrelevante a apreciação de qual dispositivo legal deve ser aplicado, haja vista que a decadência há de ser declarada por qualquer das teorias existentes. 9 inicia-se da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória. 16 In casa: (a) cuida-se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado do ISSQN pelo contribuinte não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante apurado pela Fazenda Pública Municipal em sede de procedimento administrativo fiscal; (c) a notificação do sujeito passivo da lavratura do Termo de Inicio da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao lançamento direto substitutivo, deu-se em 27.11.1998; (d) a instituição financeira mio efetuou o recolhimento por considerar intributáveis, pelo ISSQ1V, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 01.09.1999. 17. Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contando-se o prazo da data da notificação de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 27.11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência dos fatos imponiveis apurados), donde se des.sume a higidez dos créditos tributários constituídos em 01.09.1999. 18. Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido. (GRIFOS NOSSOS) Podemos extrair da referida decisão as seguintes orientações, com o intuito de balizar a aplicação do instituto da decadência qüinqüenal no âmbito das contribuições previdenciárias após a publicação da Súmula vinculante n°8 do STF: Conforme descrito no recurso acima: "A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de oficio, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de oficio ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação cru que inocorre o pagamento antecipado; (ili) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3' Ed., Max Limonad, págs. 163/210) O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Á 8 Processo n° 10932.000496/2007-39 82-C4T1 Acórdão n.° 2401-00.985 FI. 187 efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, ,53 4 0, e 173, do Cl?'!, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal 12. Por seu turno, nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de oficio) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso 1, do artigo 173, do CT1V. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco; em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § C, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei nãO fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o • Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no terbio final desse período, consolidam-se simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de oficio" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Sant& 3" Ed., May Limonad , pág. 170). 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigura-se como die.s a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operar-se-á ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de oficio, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do GEN e a extinção do crédito tributado em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" larica Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15, Por fim, o artigo 173, II, do CIN, cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da verificação de vicio formal. Neste caso, o marco decadencial jgP/7 adotado corno base de cálculo o valor dado á causa ou à condenação, nos termos do artigo 20, § 4 0, do ('PC (Precedentes: AgRg no AG 623.659/RJ, publicado no DJ de 0606.2005; e AgRg no Resp 592.430/MG, publicado no DJ de 29.11.2004). 7. A revisão do critério adotado pela Corte de origem, por eqüidade, para a fixação dos honorários, encontra óbice na Súmula 07, do STJ, e no entendimento sumulado do Pretório Excelso: "Salvo limite legal, afixação de honorários de advogado, em complemento da condenação, depende das circunstâncias da causa, não dando lugar a recurso extraordinário" (Súmula 389/STF).8. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: 1- do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento" 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito poiestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de oficio, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; 00 regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (N) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória: e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Estrito Marcos Diniz de Santi, 3 Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Assim, conta-se do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, 1, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de oficio), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo ino corre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido 6 4"-- Processo n° 10932.000496/2007-39 S2-C4T1 Acórdão nA 2401-00.985 Fl. 186 Seção no Recurso Especial de n ° 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ISS. ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE DA CDA. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA - ISS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA, ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO- LEI Ir 406/68. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA, POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATICIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA. FIXAÇÃO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO § 3." DO ART. 20 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FÁ TICO-PROBATÓRIA. SÚMULA 07 DO ST! DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRENCIA. ARTIGO 173, 3 PARÁGRAFO ÚNICO, DO CIN. I. O Imposto sobre Serviços é regido pelo DL 406/68, cujo fato gerador é a prestação de serviço constante na lista anexa ao referido diploma legal, por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo. 2. A lista de serviços anexa ao Decreto-lei n." 406/68, parei fins de incidência do ISS sobre serviços bancários, é taxativa, admitindo-se, contudo, uma leitura extensiva de cada item, no titã de se enquadrar serviços idênticos aos expressamente previstos (Precedente do STF: RE 361829/RJ, publicado no al de 24.02.2006; Precedentes do Sil: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no Dj de 26.10.2006,- e AgRg no Ag 577068/GO, publicado no DJ de 28.08.2006). 3. Entrementes, o exame do enquadramento das atividades desempenhadas pela instituição bancária na Lista de Serviços anexa ao Decreto-Lei 406/68 demanda o reexame do conteúdo Tático probatório dos autos, insindicável ante a incidência da Sumula 7/STJ (Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e REsp 445137/MG, publicado no DJ de 01.09.2006). 4. Deveras, a verificação do preenchimento dos requisitos em Certidão de Divida Ativa demanda exame de matéria fático-probatória, providência inviável em sede de Recurso Especial (Súmula 07/STJ). 5, Assentando a Corte Estadual que "na Certidão de Dívida Ativa consta o nome do devedor, seu endereço, o débito com seu valor originário, termo inicial, maneira de calcular juros de mora, com seu fundamento legal (Código Tributário Municipal, Lei n." 2141/94; 2517/97, 2628/98 e 2807/00)e a descrição de todos os acréscimos" e que "os demais requisitos podem ser observados nos autos de processo administrativo acostados aos autos de execução em apenso, onde se verificam: a procedência do débito (15SQN), o exercício correspondente (01/12/1993 a 31/10/1998), data e número do Termo de Inicio de Ação Fiscal, bem como do Auto de Infração que originou o débito", não cabe ao Superior Tribunal de Justiça o reexame dessa inferência. 6. Vencida a Fazenda Pública, a fixação dos honorários advocaticios não está adstrita aos limites percentuais de 10% e 20%, podendo ser Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 147. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: Antes de avaliar os argumentos apresentados pelo contribuinte quanto ao mérito do lançamento, entendo necessário tecer comentários acerca do instituto da decadência. Quanto a preliminar referente ao prazo de decadência para o fisco constituir os créditos objeto desta NFLD, subsumo todo o meu entendimento quanto a legalidade do art. 45 da Lei 8212/91 (10 anos), à decisão do STF, proferida recentemente. Dessa forma, quanto a decadência de 5 anos, razão assiste ao contribuinte nos termos abaixo expostos. O STF em julgamento proferido cru 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidadc do art. 45 da Lei n 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n 8, senão vejamos: Súmula Vinculante n° 8"Seto inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito •tributário". O texto constitucional em seu art. 103-A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicá-la de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas féderal, estadual e municipal, bem corno proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecido em lei. Ao declarar a inconstitucional idade do art. 45 da Lei n " 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional — CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. Cite-se o posicionamento do STJ quando do julgamento proferido pela la fr 4 Processo if 10932.000496/2007-39 S2-C4111 Acórdão n.° 2401-00.985 EL I 85 Relatório A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa bem como a destinada aos Terceiros, levantadas sobre os valores pagos aos segurados empregados que lhe prestaram serviços. O lançamento compreende competências entre o período de 01/1996 a 12/1998, sendo que os fatos geradores incluídos nesta NFLD foram apurados por meio das folhas de pagamentos. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deu-se em 27/03/2006, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 31/03/2006. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela notificada, fls. 37 a 44. O Processo foi baixado em diligência para que fossem prestados esclarecimentos acerca do caráter filantrópico alegado pelo recorrente, fls. 99. A empresa manifestou-se às fls. 102 a 103. Tendo o auditor manifestado-se às fls. 127. A Decisão-Notificação confirmou a procedência, total do lançamento, fls. 128 a 144. Não concordando com a decisão do órgão previdenciario, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 149 a 151. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este 2' CC. É o relatório. 7 .ir ELIAS SAMPA TI FREIRE - Presidente ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA — Relatora Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2
score : 1.0
Numero do processo: 36624.003754/2007-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 13/03/2007
CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 33, § 2.º DA LEI N.º
8.212/91 C/C ARTIGO 283, II, “j” DO RPS, APROVADO PELO
DECRETO N.º 3.048/99 Inobservância do artigo 33, § 2.º da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “j” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 30/08/2007
CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO APLICAÇÃO DA DECADÊNCIA QUINQUENAL.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””.
Em se tratando de Auto de Infração por não ter a empresa apresentado documentos sobre fatos geradores, não há que se falar em recolhimento antecipado devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173, I do CTN.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2401-001.639
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar
provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 13/03/2007 CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 33, § 2.º DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 283, II, “j” DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 Inobservância do artigo 33, § 2.º da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “j” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/08/2007 CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO APLICAÇÃO DA DECADÊNCIA QUINQUENAL. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””. Em se tratando de Auto de Infração por não ter a empresa apresentado documentos sobre fatos geradores, não há que se falar em recolhimento antecipado devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173, I do CTN. Recurso Voluntário Provido
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/08/2007 CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO APLICAÇÃO DA DECADÊNCIA QUINQUENAL. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””. Em se tratando de Auto de Infração por não ter a empresa apresentado documentos sobre fatos geradores, não há que se falar em recolhimento antecipado devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173, I do CTN. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 10/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 16/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 24/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 10/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 16/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 24/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 36624.003754/200714 Acórdão n.º 240101.639 S2C4T1 Fl. 83 3 Relatório Trata o presente autodeinfração, lavrado sob n. 37.085.5310, em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 33, §2º da Lei n ° 8.212/1991 c/c art. 283, II, “j” do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, a recorrente deixou de apresentar as folhas de pagamento do período de 01/1997 a 05/1997, solicitadas por meio do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos, fl. 13. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 13/03/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 28/03/2007. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela notificada, fls. 19 a 24, alegando em síntese a inocorrência da infração uma vez que as obrigações encontramse alcançadas pela decadência qüinqüenal. Relata a Unidade previdenciária a intempestividade da impugnação, fls. 41. A empresa apresentou requerimento para que seja reaberto prazo de defesa, conforme segue: Sem embargo, a documentação inicialmente disponibilizada à IMPUGNANTE carecia de dados e elementos que, em resumo, impediria que a necessária análise do trabalho fiscal fosse realizada. Seria mais um caso de patente cerceamento do direito de defesa do contribuinte, já que este estaria impedido de combater, materialmente, o teor da notificação lavrada. A fiscalização, na pessoa do Auditor Fiscal da Previdência Social Sr. Sérgio de Carvalho Costa, por sua vez, ao constatar referida deficiência do trabalho fiscal, imbuída de completa boa fé, compareceu à sede da IMPUGNANTE, objetivando complementar o trabalho fiscal. Nesta oportunidade, acostou novo anexo ao presente Auto de Infração, sanando assim a irregularidade inicialmente existente. Não há que se objetar que, com este ato, a fiscalização afastou a certa decretação de nulidade de todo o trabalho fiscal realizado. De toda maneira, como houve alteração substancial do conteúdo do Auto, para que a IMPUGNANTE não tenha prejuízo em seu direito de defesa, a legislação de regência determina que o prazo de impugnação seja, a partir deste ato, recontado. A DecisãoNotificação confirmou a procedência total do lançamento, fls. 58 a 62. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 69 a 77, onde traz a mesma alegação, qual seja, não é cabível a exigência considerando a aplicação da decadência qüinqüenal. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 10/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 16/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 24/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 10/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 16/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 24/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 36624.003754/200714 Acórdão n.º 240101.639 S2C4T1 Fl. 84 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 81. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO Quanto a preliminar referente ao prazo de decadência para o fisco constituir os créditos objeto deste Auto de Infração, entendo cabível a sua apreciação. Em primeiro lugar, devemos considerar que se trata de auto de infração, que ao contrário das NFLD, constitui obrigação acessória de “fazer” ou “deixar de fazer”, sendo irrelevante a existência ou não de recolhimentos antecipados. Porém, antes de identificar o período abrangido pela decadência, exponha a tese que adoto sobre o assunto. Dessa forma, quanto a aplicação da decadência qüinqüenal, subsumo todo o meu entendimento quanto a legalidade do art. 45 da Lei 8212/91 (10 anos), outrora defendido à decisão do STF. Dessa forma, quanto a decadência de 5 anos, profiro meu entendimento. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade Fl. 5DF CARF MF Emitido em 10/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 16/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 24/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. Citese o posicionamento do STJ quando do julgamento proferido pela 1a Seção no Recurso Especial de n º 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ISS. ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE DA CDA. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA ISS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO LEI Nº 406/68. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA. FIXAÇÃO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO § 3.º DO ART. 20 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. SÚMULA 07 DO STJ. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. 1. O Imposto sobre Serviços é regido pelo DL 406/68, cujo fato gerador é a prestação de serviço constante na lista anexa ao referido diploma legal, por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo. 2. A lista de serviços anexa ao Decretolei n.º 406/68, para fins de incidência do ISS sobre serviços bancários, é taxativa, admitindose, contudo, uma leitura extensiva de cada item, no afã de se enquadrar serviços idênticos aos expressamente previstos (Precedente do STF: RE 361829/RJ, publicado no DJ de 24.02.2006; Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e AgRg no Ag 577068/GO, publicado no DJ de 28.08.2006). 3. Entrementes, o exame do enquadramento das atividades desempenhadas pela instituição bancária na Lista de Serviços anexa ao DecretoLei 406/68 demanda o reexame do conteúdo fático probatório dos autos, insindicável ante a incidência da Súmula 7/STJ (Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e REsp 445137/MG, publicado no DJ de 01.09.2006). 4. Deveras, a verificação do preenchimento dos requisitos em Certidão de Dívida Ativa demanda exame de matéria fáticoprobatória, providência inviável em sede de Recurso Especial (Súmula 07/STJ). 5. Assentando a Corte Estadual que "na Certidão de Dívida Ativa consta o nome do devedor, seu endereço, o débito com seu valor originário, termo inicial, maneira de calcular juros de mora, com seu fundamento legal (Código Tributário Municipal, Lei n.º 2141/94; 2517/97, 2628/98 e 2807/00) e a descrição de todos os acréscimos" e que "os demais requisitos podem ser observados nos autos de processo administrativo acostados aos autos de execução em apenso, onde se verificam: a procedência do débito (ISSQN), o exercício correspondente (01/12/1993 a 31/10/1998), data e número do Termo de Início de Ação Fiscal, bem como do Auto de Infração que originou o débito", não cabe ao Superior Tribunal de Justiça o reexame dessa inferência. 6. Vencida a Fazenda Pública, a fixação dos honorários advocatícios não está adstrita aos limites percentuais de 10% e 20%, podendo ser adotado como base de cálculo o valor dado à causa ou à Fl. 6DF CARF MF Emitido em 10/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 16/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 24/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 36624.003754/200714 Acórdão n.º 240101.639 S2C4T1 Fl. 85 7 condenação, nos termos do artigo 20, § 4º, do CPC (Precedentes: AgRg no AG 623.659/RJ, publicado no DJ de 06.06.2005; e AgRg no Resp 592.430/MG, publicado no DJ de 29.11.2004). 7. A revisão do critério adotado pela Corte de origem, por eqüidade, para a fixação dos honorários, encontra óbice na Súmula 07, do STJ, e no entendimento sumulado do Pretório Excelso: "Salvo limite legal, a fixação de honorários de advogado, em complemento da condenação, depende das circunstâncias da causa, não dando lugar a recurso extraordinário" (Súmula 389/STF).8. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Assim, contase do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fl. 7DF CARF MF Emitido em 10/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 16/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 24/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do CTN, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal. 12. Por seu turno, nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de ofício) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do CTN. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidamse simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad , pág. 170). 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigurase como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operarseá ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de ofício, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Por fim, o artigo 173, II, do CTN, cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da verificação de vício formal. Neste caso, o marco decadencial iniciase da data em que se tornar definitiva a aludida decisão Fl. 8DF CARF MF Emitido em 10/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 16/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 24/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 36624.003754/200714 Acórdão n.º 240101.639 S2C4T1 Fl. 86 9 anulatória. 16. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado do ISSQN pelo contribuinte não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante apurado pela Fazenda Pública Municipal em sede de procedimento administrativo fiscal; (c) a notificação do sujeito passivo da lavratura do Termo de Início da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao lançamento direto substitutivo, deuse em 27.11.1998; (d) a instituição financeira não efetuou o recolhimento por considerar intributáveis, pelo ISSQN, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 01.09.1999. 17. Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contandose o prazo da data da notificação de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 27.11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência dos fatos imponíveis apurados), donde se dessume a higidez dos créditos tributários constituídos em 01.09.1999. 18. Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido.(GRIFOS NOSSOS) Podemos extrair da referida decisão as seguintes orientações, com o intuito de balizar a aplicação do instituto da decadência qüinqüenal no âmbito das contribuições previdenciárias após a publicação da Súmula vinculante nº 8 do STF: Conforme descrito no recurso descrito acima: “A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210) O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 9DF CARF MF Emitido em 10/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 16/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 24/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. No caso, a aplicação do art. 150, § 4º, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, conforme descrito anteriormente, tratase de lavratura de Auto de Infração por não ter a empresa apresentado as folhas de pagamento para o período de 01/1997 a 05/1997. Dessa forma, não há que se falar em recolhimento antecipado devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173, I do CTN. Assim, no lançamento em questão a lavratura do AI deuse em 13/03/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 28/03/2007, os documentos que deixaram de ser entregues abrangeram fatos geradores do ano de 1997, dessa forma, deve ser declarada a decadência da totalidade da autuação. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 10/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 16/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 24/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 36624.003754/200714 Acórdão n.º 240101.639 S2C4T1 Fl. 87 11 Apenas para efeitos de esclarecimento, destaco que não é aplicável o dispositivo do RPS, Decreto 3048/99, que descreve a guarda de documentos pelo prazo de 10 anos, considerando que a época da edição do dito Regulamento ainda encontravase em vigência o prazo decadencial previsto no art. 45 da Lei 8212/91, qual seja 10 anos. Entendo aqui aplicável o disposto no art. 195, parágrafo único do CTN: Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. No mesmo sentido, descreve o art. 32, §11 da Lei 8212/91: Art. 32. A empresa é também obrigada a: § 11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Assim, entendo que a exigência de manter os documentos e apresentálos a previdência social, deve persistir enquanto não expirar o prazo do fisco para efetivar o lançamento (decadência qüinqüenal), ou em existindo lançamento, enquanto não extinto o prazo de prescrição. CONCLUSÃO: Face o exposto voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito DARLHE PROVIMENTO, face a aplicação da decadência quinqüenal É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 11DF CARF MF Emitido em 10/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 16/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 24/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 Fl. 12DF CARF MF Emitido em 10/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 16/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 24/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10315.000572/2007-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/05/2003 a 31/12/2004
PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO CONTRA DIRIGENTES DE ÓRGÃOS PÚBLICOS. ART. 41 DA LEI N.º 8.212/1991. REVOGAÇÃO. CANCELAMENTO DAS PENALIDADES APLICADAS.
Com a revogação do art. 41 da Lei n.º 8.212/1991 pela Lei n.º 11.941/2009, as multas, em processos pendentes de julgamento, aplicadas com fulcro no dispositivo revogado, devem ser canceladas, posto que a lei nova excluiu os dirigentes de órgãos públicos da responsabilidade pessoal por infrações à legislação previdenciária.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2401-001.534
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado da segunda seção de julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/05/2003 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO CONTRA DIRIGENTES DE ÓRGÃOS PÚBLICOS. ART. 41 DA LEI N.º 8.212/1991. REVOGAÇÃO. CANCELAMENTO DAS PENALIDADES APLICADAS. Com a revogação do art. 41 da Lei n.º 8.212/1991 pela Lei n.º 11.941/2009, as multas, em processos pendentes de julgamento, aplicadas com fulcro no dispositivo revogado, devem ser canceladas, posto que a lei nova excluiu os dirigentes de órgãos públicos da responsabilidade pessoal por infrações à legislação previdenciária. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
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AUTO DE INFRAÇÃO CONTRA DIRIGENTES DE ÓRGÃOS PÚBLICOS. ART. 41 DA LEI N.º 8.212/1991. REVOGAÇÃO. CANCELAMENTO DAS PENALIDADES APLICADAS. Com a revogação do art. 41 da Lei n.º 8.212/1991 pela Lei n.º 11.941/2009, as multas, em processos pendentes de julgamento, aplicadas com fulcro no dispositivo revogado, devem ser canceladas, posto que a lei nova excluiu os dirigentes de órgãos públicos da responsabilidade pessoal por infrações à legislação previdenciária. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado da segunda seção de julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso ELIAS SAMPAIO FREIRE - Presidente KLEBER FERREIRA DE ARAÚJO - Relator Participaram, do presente julgamento, o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Wilson Antonio de Souza Correa, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 134DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2010 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 08/12/2010 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 09/12/2010 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 2 Relatório Trata-se de Auto de Infração lavrado contra a pessoa física acima identificada, à qual foi imputada multa pessoal, nos termos do art. 41 da Lei n.º 8.212/1991, em razão de descumprimento da legislação previdenciária no âmbito do órgão público em que atuava como dirigente. É o relatório. Fl. 135DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2010 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 08/12/2010 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 09/12/2010 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 10315.000572/2007-83 Acórdão n.º 2401-01.534 S2-C4T1 Fl. 129 3 Voto Conselheiro KLEBER FERREIRA DE ARAÚJO, Relator Por estarem presentes os pressupostos de admissibilidade, o recurso deve ser conhecido. Para análise das autuações pessoais dos gestores de órgãos públicos deve-se hodiernamente considerar a revogação do art. 41 da Lei n.º 8.212/1991 pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. Era exatamente o dispositivo retirado do ordenamento que permitia ao fisco alcançar pessoalmente os dirigentes de órgãos públicos pelas infrações à legislação previdenciária. Assim, ao tratar da aplicação da lei tributária no tempo, o CTN dispõe: Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: I - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II - tratando-se de ato não definitivamente julgado: quando deixe de defini-lo como infração; (...) Vê-se que, para esses dirigentes, a lei deixou de definir as faltas relativas ao cumprimento das obrigações acessórias previdenciárias como ilícitos administrativos. Por conseguinte, deve-se aplicar a lei nova aos processos ainda não definitivamente julgados, que se refiram às autuações lavradas com fulcro no art. 41 da Lei n.º 8.212/1991, cancelando-se, assim, as penalidades decorrentes. Sobre essa questão não posso deixar de transcrever excerto do Parecer PGFN/CDA/CAT n.º 190/2009, de 02/02/2009, que dá o tom de qual entendimento é adotado pela Administração Tributária: 22.Inicialmente, entendemos que nesse caso aplica-se a regra do art. 106 do CTN, uma vez que com a revogação do dispositivo legal que dava fundamento ao lançamento contra a pessoa do dirigente, a lei deixou de definir tal conduta como infração. Em consequência, a aplicação da penalidade deverá ser em face da pessoa jurídica de Direito Público dotada de personalidade jurídica. 23.Em consequência, para os atos não definitivamente julgados administrativamente, deve a lei retroagir, implicando no cancelamento de todas as penalidades aplicadas com base no art. 41 da Lei n.º 8.212/1991. Fl. 136DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2010 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 08/12/2010 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 09/12/2010 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 4 Diante do exposto, voto pelo provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 1 de dezembro de 2010 KLEBER FERREIRA DE ARAÚJO Fl. 137DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2010 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 08/12/2010 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 09/12/2010 por ELIAS SAMPAIO FREI RE
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Numero do processo: 13807.006343/99-76
Turma: Terceira Turma Superior
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Feb 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/02/1988 a 30/04/1992
0 direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extingue-se após o transcurso do prazo de cinco anos contados da data da extinção do crédito tributário.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-000.822
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar
provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martinez López e Susy Gomes Hoffmann, que negavam provimento.
Nome do relator: Gilson Macedo Rosenburg Filho
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/1988 a 30/04/1992 0 direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extingue-se após o transcurso do prazo de cinco anos contados da data da extinção do crédito tributário. Recurso Especial do Procurador Provido.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/1988 a 30/04/1992 0 direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extingue-se após o transcurso do prazo de cinco anos contados da data da extinção do crédito tributário. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martinez López e Susy Gomes Hoffmann, que negavam provi s nto. 0) Ma117Candid° presidia for VP acedo I sen eurg Filho - Relator EDITADO EM: 3 /03/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Póssas, Maria Teresa Martinez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Trata-se de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, ¡Is. 100/108, contra decisão do Acórdão n° 302-36.288 da Segunda Camara do Terceiro Conselho de Contribuinte, que afastou a decadência do direito de o contribuinte pleitear a restituição da contribuição para o Finsocial e determinou a devolução dos autos A. Delegacia de Julgamento para apreciar as demais questões de mérito. A ementa foi assim vazada, in verbis: FINSOCIAL — PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA — MUDANÇA DE INTERPRETAÇÃO. Reforma-se a decisão de primeiro grau de jurisdição administrativa que aplica retroativamente nova interpretação, a luz do que preceitua o art. 20, parágrafo único, inciso XIII, da Lei 9.784/99 c/c o art 146 do CTN. Decadência afastada e os autos devolvidos a DIU para novo julgamento por não ocorrer no caso a situa cão prevista no art. 515, § 30, do Código de Processo Civil. RECURSO PROVIDO POR MAIORIA. Em sua petição recursal, a Fazenda Nacional defende que o prazo para o sujeito passivo pleitear restituição de valores pagos indevidamente ou maior que o devido extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do credito tributário, nos termos dos artigos 165 e 168, ambos do CTN. De acordo com seu arrazoado, a legislação tributária especificou o pagamento como modalidade de extinção do crédito tributário. Rechaça a utilização da data da publicação da Medida Provisória IV 1.110/95 como termo inicial da contagem do prazo para pleitear a restituição do Finsocial. Por intermédio do despacho n° 002/2005 de fl. 113, o recurso foi admitido. 0 contribuinte não apresentou contra-razões. o Relatório. Voto 2 Processo n° 13807.006343/99-76 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.822 Fl. 209 Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a apreciar. A controvérsia se instaurou por entendimentos divergentes quanto ao prazo decadencial para apresentar pedido de restituição de indébito referente à contribuição para o Finsocial. O Fazenda Publica repele a contagem da decadência tendo como ponto de partida a edição da Medida Provisória n° 1.110/95. Pleiteia que o termo inicial se dê nas datas dos efetivos de recolhimentos da exação. Delimitada lide, passo a análise. Cabe observar que dentro do sistema jurídico tributário, como definido no Código Tributário Nacional, inexiste base legal para que se estabeleça um novo prazo para os pedidos de restituição, mesmo que o pagamento tenha sido considerado indevido por interpretação superveniente. A arrecadação que por cinco anos não foi objeto de demanda restituitória não mais pode ser restituida. E o que determina o art. 168, I, do CTN sem que haja qualquer exceção a essa regra. 0 art. 165 do CTN reconhece o direito à repetição do indébito, todavia este direito deve ser exercido no prazo assinalado pelo art. 168 do mesmo diploma legal. "Art. 165. 0 sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, a restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no ‘sç 4° do artigo 162, nos seguintes casos: I - cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II - erro na edificaçã o do sujeito passivo, na determinação da aliquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferencia de qualquer documento relativo ao pagamento; III - reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenató ria. Art. 168 - 0 direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I - nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; II - na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgad a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado rescindido a decisão condenatória." 3 Em relação à decadência, devemos notar que as normas processuais, ao fixarem os prazos que limitam o direito de ação, são essenciais a segurança jurídica, pois delimitam o período em que se pode validamente questionar um direito. Pelo conteúdo ser puramente formal, essas normas exigem, para a sua aplicação, a mera constatação da ocorrência, no mundo real, do transcurso ou não deste prazo. Como delimitam o campo em que se admite o direito de ação, constatando-se o transcurso do prazo em que se extingue este direito, não se pode admitir em juizo argumentos casuisticos que venham a questionar se este prazo é justo ou não. Do contrário, estar-se-ia ameaçando o direito investido no outro pólo da relação jurídica, que se encontra garantido exatamente pelo transcurso deste prazo. Esgotando-se o prazo legal, extingue-se o direito de pleitear a restituição, ainda que o pagamento tenha sido materialmente indevido. Assim, o contribuinte não mais o poderá reaver, se não pleitear a sua restituição dentro do prazo, sem que isto represente um enriquecimento ilícito do Erário. A lei não distingue entre as possíveis formas de pagamento indevido para estabelecer prazos distintos para o pedido de restituição; conseqüentemente, não cabe fazer esta distinção com base em argumentações estranhas à norma. Portanto, existindo norma legal conferindo ao contribuinte o direito de pleitear a restituição de que trata o presente processo, e extinguindo-se esse direito no prazo de cinco anos, como previsto na legislação retrocitada, não cabe considerá-lo de outra forma, até mesmo em face das restrições impostas a autoridade administrativa para aplicação de seu poder discricionário em matéria explicitamente legislada. Considerando que o prazo para o pedido de restituição está definido no art.168, I, do Código Tributário Nacional — CTN, como exposto, para um melhor enfoque do assunto é interessante ser notado, nesta altura, que a exação em exame é contribuição sujeita a lançamento por homologação, pois cabe ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Desse modo, cumpre esclarecer em que data deve-se considerar extinto o crédito tributário no caso do lançamento por homologação. A solução está contida de forma clara no § 1° do artigo 150 do CTN: "Art. 150. 0 lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legisla cão atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1" 0 pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento." Para melhor compreender o significado desse dispositivo, cito a lúcida lição de ALBERTO XAVIER: f ... a condição resolutiva permite a eficácia imediata do ato jurídico, ao contrário da condição suspensiva, que opera o diferimento dessa eficácia. Dispõe o artigo 119 do Código Civil que "se for resolutiva a condição, enquanto esta se não realizar, vigorará o ato jurídico, podendo exercer-se desde o momento deste o direito por ele estabelecido; mas, manifestada a condição, para todos os efeitos, se extingue o direito a que ela se opõe". Ora, sendo a eficácia do pagamento efetuado pelo contribuinte imediata, imediato é o seu efeito liberatório, imediato é o efeito extintivo, imediata é a extinção definitiva do 4 Processo no 13807.006343/99-76 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.822 Fl. 210 crédito. 0 que na figura da condição resolutiva sucede é que a eficácia entretanto produzida pode ser destruída com efeitos retroativos se a condição se implementar." (Do Lançamento, Teoria Geral do Ato e do Processo Tributário", Editora Forense, 1998, pags. 98/99). 0 pagamento antecipado, portanto, extingue o crédito tributário e é a partir da sua data que se conta o prazo de cinco anos; o crédito é extinto quando ocorre a antecipação do seu pagamento, sob condição resolutOria, consoante art.150, § 1 0, do Código Tributário Nacional — CTN. Registra o mestre ALIOMAR BALEEIRO (Direito Tributário Brasileiro, 10a ed., Forense, Rio, 1.993, p. 570) que o prazo de que cuida o art. 168 do CTN é de decadência; essa realidade criada pelo direito — a decadência — que dá ao tempo o condão de aperfeiçoar as relações, garantindo que, com o decurso de prazo, as situações tornem-se definitivas. Nessa linha, a Lei Complementar no 118, de 09 de fevereiro de 2005, estabelece: "Art. 3" Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § lo do art. 150 da referida Lei." Repare-se que o art. 106, I, do CTN, mencionado no art. 4° da LC n° 118/05, dispõe que a lei se aplica a ato ou fato pretérito quando seja expressamente interpretativa. "Art. 4" Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional." Por ser de caráter interpretativo, o dispositivo acima se aplica a fato pretérito, como se depreende da leitura do art. 106 do CTN: "Art. 106- A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: I — em qualquer caso, quando seja expressamente intopretativa, excluída a aplicação de penalidade a infração dos dispositivos interpretados;" Voltando ao caso em - análise, o contribuinte formalizou seu pedido de restituição em 29/06/1999 e os recolhimentos foram efetuados entre 12/02/1988 e 15/04/1992. Pelos fatos expostos, não é preciso empreender qualquer esforço matemático para concluir que o direito de utilizar os referidos recolhimentos como objeto de um pedido de restituição já havia sido extinto, pois foi alcançado pela decadência, que se operou com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário, pelo pagamento. Nos casos de pagamento indevido ou a maior, fatos eventual repetição do indébito, a ideia de restituir é para que oco justificam uma m reequilibrio 5 patrimonial. 0 direito de repetir o que foi pago emerge do fato de no existir débito correspondente ao pagamento. Portanto, a restituição é a devolução de um bem que foi transladado de um sujeito a outro equivocadamente. Deve ficar entre dois parâmetros, não podendo ultrapassar o enriquecimento efetivo recebido pelo agente em detrimento do devedor, tampouco ultrapassar o empobrecimento do outro agente, isto é, o montante em que o patrimônio sofreu diminuição. 0 ordenamento jurídico estabelece a obrigação de restituir a "todo aquele que recebeu o que lhe não era devido", e essa obrigação se extingue com a restituição do indevido ou com a decadência do direito. Forte nestes argumentos, dou provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. 6
score : 1.0
Numero do processo: 11831.002509/2007-13
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/2003 a 31/12/2006
PRÊMIO VINCULADO À PRODUTIVIDADE
O pagamento de premiação vinculada à produtividade tem natureza remuneratória, sendo base de cálculo de contribuição previdenciária.
Numero da decisão: 2403-000.376
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recalculo da multa de mora de acordo com o no Art. 35, caput, da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 11.941/2009 prevalecendo o mais benéfico ao contribuinte. Vencido na questão de multa de mora o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Carlos Alberto Mees Stringari
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recalculo da multa de mora de acordo com o no Art. 35, caput, da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 11.941/2009 prevalecendo o mais benéfico ao contribuinte. Vencido na questão de multa de mora o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Carlos Alberto Mees Stringari Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Carlos Alberto Mees Stringari, Cid Marconi Gurgel de Souza e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 126DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo I, Acórdão 1615.742 13ª Turma, que julgou procedente em parte o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal. Segundo a fiscalização, os fatos geradores das contribuições lançadas foram os pagamentos efetuados a título de incentivo, mediante premiação, por meio de cartões emitidos pelas empresas Salles, Adan & Associados, Marketing de Incentivo S/C Ltda., CNPJ 66.844.754/000136 (levantamento PIN) e Spirit Marketing Promocional Ltda, CNPJ 04.182.848/000130 (levantamento PIS), a segurados designados pela recorrente. A empresa não informou este fato gerador em GFIP — Guia de recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP e nem em folhas de pagamento, tendo sido autuada por estes motivos (Ai Debcad n° 37.096.0416 e 37.096.0432, respectivamente). Assim, configurouse, em tese, o crime de sonegação de contribuição previdenciária, previsto no artigo 337A, inciso I, do Código Penal, com redação dada pela Lei n° 8.983, de 14/07/2000. Portanto será encaminhada a Representação Fiscal para Fins Penais; Para cálculo das contribuições devidas, considerouse os beneficiários como pertencentes à categoria de segurado empregado, bem como suas contribuições foram calculadas pela alíquota mínima, tudo isto em razão da empresa não ter apresentado a relação dos beneficiários da premiação. Os pagamentos efetuados às contratadas foram obtidos nas seguintes contas: 4.1.2.20.300002 Marketing de Incentivo (05/2003 a 12/2005) e 14.1.2.40.0006 — Marketing (02/06 a 12/06). O lançamento referese ao período 05/2003 a 12/2006 e a ciência pelo contribuinte ocorreu em 02/07/2007. O julgamento efetuado pela DRJ resultou na anulação anulação do lançamento PIS – Premio Incentivo Spirit, nos termos abaixo apresentados: 8.1. De início, em relação ao aspecto forma do lançamento, é preciso ressaltar que o levantamento PIS — PREMIO INCENTIVO SPIRIT foi cadastrado nos sistema informatizados da ação fiscal como "Declarado em GFIP (com redução de multa)", conforme se verifica pelo DAD (fls. 10/11); 8.1.1. A necessidade da classificação do levantamento quanto à declaração em GFIP, decorre do prescrito no parágrafo 4° do artigo 35 da Lei n° 8.212/91, incluído pela Lei n° 9.876, de 26/11/1999, in verbis Art. 35(..) § 4' Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora, a que se refere o caput e seus incisos será Fl. 127DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11831.002509/200713 Acórdão n.º 240300.376 S2C4T3 Fl. 120 3 reduzida em cinqüenta por cento. (Incluído pela Lei n°9.876, de 26.11.99) 8.1.2. Assim, com a classificação do levantamento como "Declarado em GFIP", os valores aplicáveis de multa passam a sofrer redução de 50% '(cinqüenta por cento); 8.1.3. No entanto, o Relatório Fiscal de fls. 33/36, bem como a defesa apresentada nos autos, não suscitam qualquer dúvida de que 'os valores pagos por meio dos cartões de premiação NÃO foram objeto de declaração em GFIP; 8.1.4. Portanto, a classificação do levantamento PIS está incorreta, e, conseqüentemente, os percentuais da multa aplicada estão indevidamente reduzidos, conforme se verifica pelo relatório DSD (fls. 15); 8.1.5. Neste sentido, devese destacar que juridicamente, s.mj., tal vício seria possível de saneamento, na medida em que a empresa fosse comunicada acerca do erro apontado, bem como dos percentuais corretos de multa e, ainda, que lhe fosse concedida oportunidade para defenderse e contraditar os novos percentuais apontados; 8.1.6. Ademais, é sabido que os percentuais de multa moratória, aplicáveis às contribuições previdenciárias, variam de acordo com o momento , processual (conforme artigo 35 da lei n° 8.212/91), sendo que a folha de rosto na NFLD apresenta tão somente uma situação estática, que reflete apenas um dos momentos processuais possíveis (multa aplicada após o prazo de defesa); 8.1.7. Ainda, é preciso observar que a multa moratória se constitui tão somente em um acessório do tributo lançado, na medida em que, s.m.j, aplicações de percentuais incorretos a este título não levariam à nulidade da CDA — Certidão de Dívida Ativa. Neste sentido: ... 8.1.8. No entanto, é notoriamente sabido que os sistemas informatizados de controle de débitos, oriundos da antiga SRP — Secretaria da Receita Previdenciária, não permitem qualquer alteração na classificação dos levantamentos. 8.1.9. Destarte, tornase inviável a correção na instância administrativa dos percentuais de multa aplicados, sendo que, ainda que se informasse o contribuinte sobre o erro de classificação, não haveria como tal informação ser comandada nos sistemas de controle de débitos; 8.1.10. Ademais, estando incorretos tais sistemas de controle, assumirseia o risco de permitir o pagamento ou a concessão de parcelamento com valores de multa inferiores aos previstos em lei; Fl. 128DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 8.1.1. Desta forma, em face da inviabilidade de correção dos sistemas informatizados de controle de débitos e, tendo em vista, os prejuízos que poderiam resultar da classificação incorreta do "levantamento PIS", quanto à declaração das contribuições lançadas em GFIP, considero como alternativa mais viável, e que mais atende ao interesse público, a anulação do citado levantamento, para que a fiscalização proceda a novo lançamento sem o vício ora apontado; Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que o lançamento foi efetuado em face do sujeito passivo errado, isto é, deveria ter sido lavrado em face da efetiva fonte pagadora dos referidos prêmios: as empresas de marketing e incentivos e que não efetuou quaisquer pagamentos aos ditos beneficiários, tratados como "segurados empregados", mas cujos nomes jamais foram trazidos pela fiscalização. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões levantadas pela recorrente. As alegações da recorrente limitamse ao fato de não ter efetuado diretamente nenhum pagamento e de a fiscalização não apresentar os nomes dos beneficiários. Iniciarei com uma descrição da operação. A sistemática aplicada consiste em contratar uma empresa para efetuar premiações em cartões magnéticos carregados com determinado valor, que poderá ser utilizado para saques ou compras em estabelecimentos da rede comercial. A contratante repassa à contratada o valor dos prêmios mais a remuneração da contratada e indica quem deve receber a premiação (pessoas físicas) e quanto deve receber. A empresa contratada emite os cartões de premiação tal e qual foi determinado pela contratante. Analisando a operação fica evidente que a contratante, por via indireta, remunera as pessoas físicas que determina, no valor que determina; que uma das características da operação é que a remuneração da contratada é bem menor que a carga tributária que incide sobre remuneração de pessoas físicas e que essa operação, se não declarada ao fisco, resulta em sonegação fiscal. Registro que cópia dos contratos assinados com as empresas de premiação estão presentes às folhas 38 a 43. Fica evidente que corretamente o fisco considerou a recorrente como sujeito passivo. Fl. 129DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11831.002509/200713 Acórdão n.º 240300.376 S2C4T3 Fl. 121 5 Quanto a não apresentação pela fiscalização dos nomes dos beneficiários, conforme descrito no Relatório Fiscal, a empresa não apresentou a relação dos beneficiários e não pode ser beneficiada por ter sonegado informações ao fisco. Multa de mora A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 61 da Lei 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 130DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Fl. 131DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 13161.001290/2003-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 18 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Aug 18 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 1999
Ementa: CERCEAMENTO DE DEFESA. INDEFERIMENTO DE PERÍCIA
NO TERRENO OBJETO DO AUTO DE INFRAÇÃO.
De acordo com o disposto pelo art. 29 do Decreto nº 70.235/72, "na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." No presente caso, portanto, sendo despicienda a prova em comento, eis que suficientes os elementos constantes dos autos para a formação do convencimento do julgador, incabível a alegação de cerceamento de defesa,
ITR. CÁLCULO DA ÁREA UTILIZADA. CÔMPUTO DAS PORÇÕES DE TERRA OBJETO DE PROJETO TÉCNICO APROVADO DE ACORDO COM O DISPOSTO PELO ART. 70 DA LEI Nº 8.629/93.
IMPOSSIBILIDADE IN CASL
De acordo com a legislação pertinente ao ITR, em conjunto com o quanto disposto pela Lei n.° 8,629/93, faz-se mister, para cômputo no valor da área utilizada do imóvel, a comprovação de que o projeto técnico submetido pelo contribuinte tenha sido aprovado pelo órgão federal competente anteriormente à ocorrência do fato gerador. No presente caso, portanto, inexistindo a aprovação, por parte do INCRA, do projeto técnico elaborado
pelo contribuinte, consoante se extrai de suas próprias alegações, não há como considerar o valor apontado pelo Recorrente em sua DITR.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-000.683
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 1999 Ementa: CERCEAMENTO DE DEFESA. INDEFERIMENTO DE PERÍCIA NO TERRENO OBJETO DO AUTO DE INFRAÇÃO. De acordo com o disposto pelo art. 29 do Decreto nº 70.235/72, "na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." No presente caso, portanto, sendo despicienda a prova em comento, eis que suficientes os elementos constantes dos autos para a formação do convencimento do julgador, incabível a alegação de cerceamento de defesa, ITR. CÁLCULO DA ÁREA UTILIZADA. CÔMPUTO DAS PORÇÕES DE TERRA OBJETO DE PROJETO TÉCNICO APROVADO DE ACORDO COM O DISPOSTO PELO ART. 70 DA LEI Nº 8.629/93. IMPOSSIBILIDADE IN CASL De acordo com a legislação pertinente ao ITR, em conjunto com o quanto disposto pela Lei n.° 8,629/93, faz-se mister, para cômputo no valor da área utilizada do imóvel, a comprovação de que o projeto técnico submetido pelo contribuinte tenha sido aprovado pelo órgão federal competente anteriormente à ocorrência do fato gerador. No presente caso, portanto, inexistindo a aprovação, por parte do INCRA, do projeto técnico elaborado pelo contribuinte, consoante se extrai de suas próprias alegações, não há como considerar o valor apontado pelo Recorrente em sua DITR. Recurso negado.
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INDEFERIMENTO DE PERÍCIA NO TERRENO OBJETO DO AUTO DE INFRAÇÃO. De acordo com o disposto pelo art. 29 do Decreto n,' 70.235/72, "na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." No presente caso, portanto, sendo despicienda a prova em comento, eis que suficientes os elementos constantes dos autos para a formação do convencimento do julgador, incabível a alegação de cerceamento de defesa, ITR. CÁLCULO DA ÁREA UTILIZADA. CÔMPUTO DAS PORÇÕES DE TERRA OBJETO DE PROJETO TÉCNICO APROVADO DE ACORDO COM O DISPOSTO PELO ART. 7 0 DA LEI N.' 8.629/93. IMPOSSIBILIDADE IN CASL De acordo com a legislação pertinente ao ITR, em conjunto com o quanto disposto pela Lei n.° 8,629/93, faz-se mister, para cômputo no valor da área utilizada do imóvel, a comprovação de que o projeto técnico submetido pelo contribuinte tenha sido aprovado pelo órgão federal competente anteriormente à ocorrência do fato gerador. No presente caso, portanto, inexistindo a aprovação, por parte do INCRA, do projeto técnico elaborado pelo contribuinte, consoante se extrai de suas próprias alegações, não há como considerar o valor apontado pelo Recorrente em sua DITR. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. CAIO MARCOS CÂNDIDO - Presidente ALEXANDRE N le/oV Kl NISPHOKA Relator ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a prelimiRar de nulidade e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso, nos_ termos do voto do Relator. EDITADO Em: a 4 SEI 200 Participaram do julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido, Alexandre Naoki Nishioka, Ana Neyle Olímpio Holanda, José Raimundo Tosta Santos, Odmir Fernandes e Gonçalo Bonet Allage, Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 163/185), apresentado em 19 de abril de 2006, interposto em face do acórdão de fls. 154/158, do qual o Recorrente teve ciência em 24 de março de 2006 (fl. 162), proferido pela 1" Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande (MS), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o auto de infração de fls. 76/82, lavrado em 17 de dezembro de 2003, em virtude da falta de recolhimento do imposto sobre a propriedade territorial rural, verificada no exercício de 1999, decorrente da não comprovação da existência e da efetiva execução de projeto técnico em relação às áreas de pastagens apontadas pelo contribuinte. O Recorrente, intimado a se manifestar a respeito do auto de infração (fls, 76182), apresentou impugnação, aduzindo, em síntese, que (i) teria ocorrido a decadência do crédito tributário, em virtude da apresentação de impugnação em data posterior ao prazo decadencial previsto pelo art. 150, §40, do CTN, aplicável à espécie; (ii) a fiscalização teria se equivocado ao considerar intempestiva a protocolização do projeto técnico junto ao INCRA, afirmando, igualmente, que referido projeto teria sido executado e cumprido na área apontada de 649,80 ha., sendo certo, igualmente, que a falta de aprovação pelo órgão competente levaria à conclusão de que haveria uma aceitação tácita, in casu; (iii) competiria à fiscalização, e não ao contribuinte, a prova da inexistência e inexecuçâo do projeto técnico por ele alegado, de maneira que, havendo dúvidas, haveria que prevalecer as alegações do contribuinte, em virtude do disposto pelo art. 112 do C'TN; (iv) inexistiria o dever legal de comprovar a execução do projeto técnico, cabendo, portanto, ao Fisco demonstrar a sua inexistência ou descumprimento; (v) havendo impugnação ao auto de infração, seria descabida a cobrança de juros moratórios, eis que inexistente qualquer mora por parte do então Impugnante. Por fim, requer a realização de diligência para comprovação de suas alegações. Analisando a impugnação, bem como os documentos acostados aos presentes autos, a Recorrida julgou parcialmente procedente o lançamento, por meio de acórdão que teve a seguinte ementa: "Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR 2 Processo n° 13161 001290/2003-69 S2-C111 Acórdão n ° 2101-00.683 Fl 238 Exercício: 1999 Ementa: DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ÁREA DE PASTAGENS, OBJETO DE PROJETO TÉCNICO. A área de pastagens declarada como objeto de projeto técnico somente pode ser aceita pela fiscalização quando o contribuinte a comprove, mediante os documentos exigidos pela legislação. A não aceitação da área de projeto técnico implica na aplicação de índices de rendimento por zona de pecuária Lançamento Procedente em Parte" (fl. 154). Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 163/185, reiterando os argumentos contidos na impugnação, à exceção das alegações de decadência e de inexistência de mora, bem corno acrescentando a alegação da existência de cerceamento de defesa, em virtude do indeferimento das diligências requeridas. Distribuídos os autos, inicialmente, para a Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, o relator designado à época, Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira, acompanhado de seus pares, houve por bem determinar, por meio da Resolução a.° 302-1,406, a intimação do contribuinte para o fim de "(i) apresentar, no prazo de trinta dias, laudo técnico que demonstre a área correspondente ao Projeto Técnico de Formação e Recuperação de Pastagens e a situação da referida área no ano de 1998, analisando ainda se o mesmo atende aos requisitos da Instrução Normativa SRF n° 43, de 07 de maio de 1997; (H) informar a atual situação do processo de desapropriação do imóvel noticiado às fls. 17; facultando ao mesmo se manifestar na forma da lei sobre as informações trazidas aos autos" (fi. 200) Cumpridas as diligências determinadas, com a intimação do Recorrente, este Ultimo apresentou manifestação acostando aos autos cópia da sentença judicial que determinou a impossibilidade de desapropriação do terreno, e, bem assim, requerendo, em síntese, que, em virtude das dificuldades de realização de laudo técnico, o ônus da prova fosse suportado pelo Fisco ou ainda que esta prova fosse realizada por meio de perícia. Nesse mesmo sentido, acostou aos autos declaração de Engenheiro Agrônomo devidamente habilitado informando o regular cumprimento do projeto técnico, requerendo, destarte, fosse concedida dilação do prazo probatório por mais 60 (sessenta) dias para a apresentação do laudo técnico, dada a complexidade da matéria. Feitas as diligências, tal como determinadas, e transcorrido o prazo de 60 dias sem que houvesse qualquer apresentação de laudo técnico por parte do Recorrente, os autos foram devolvidos para a apreciação do Terceiro Conselho de Contribuintes que, em nova oportunidade, determinou a baixa do processo para que a delegacia a que se vincula 9 Recorrente efetuasse as seguintes diligências: "(i) oficie ao INCRA, fornecendo cópia do Projeto Técnico de Formação e Recuperação de Pastagens, apresentado pelo recorrente, para que aquela autarquia informe porque há dois carimbos de protocolo com datas diferentes para um mesmo Projeto e qual das duas datas deve ser considerada válida, explicitando as razões para tanto, além de informar se existe registro naquela autarquia relativo à execução do referido Projeto pelo contribuinte, fornecendo cópia dos dados relativos a este para análise deste Colegiada e (ii) oficie ao CREA - Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura, fornecendo cópia do ART . de fls. 55, para que Conselho avalie e confirme a validade daquele documento e sua vinculação ao Projeto Técnico de Formação e Recuperação de Pastagens do contribuinte; Depois de recebidas as respostas aos ofícios acima, seja dada vista dos autos ao contribuinte, para que este, querendo, se manifeste na forma da lei, no prazo de 30 (trinta) dias, sobre as informações e documentos trazidos aos autos, facultando-lhe a juntada de novos documentos" (fl. 230). Aguardando o órgão regulador sem que houvesse resposta aos ARs postados oportunamente, os autos retornaram para julgamento por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o relatório, Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche seus requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço, Compulsando-se os termos do recurso voluntário interposto, verifica-se que a presente análise cinge-se (i) à aferição da efetiva existência de cerceamento de defesa, in easu, em virtude do indeferimento do pleito de realização de perícia na propriedade do Recorrente, tal como requerido na peça impugnatória; e, no mérito, (ii) à verificação da possibilidade de utilização, no cômputo da área utilizada do imóvel, da porção do terreno que, segundo o contribuinte, tenha sido objeto de implantação de projeto técnico, nos termos do art, 70 da Lei ri.° 8.629/93, No que atine ao primeiro ponto suscitado, tenho para mim que não merece prosperar a alegação do Recorrente. Com efeito, não obstante todas as oportunidades conferidas ao contribuinte, inclusive para a apresentação de laudo técnico posteriormente à interposição de recurso voluntário, não se desincumbiu de apresentar quaisquer provas que pudessem amparar a sua pretensão e, bem assim, desconstituir o auto de infração lavrado pela fiscalização, limitando-se a afirmar que o anus probandi deveria ser atribuído ao Fisco. A corroborar o exposto, verifica-se, inclusive, que o Terceiro Conselho de Contribuintes, por duas oportunidades, determinou a baixa dos autos para a realização de diligências que, em virtude da inércia do Recorrente, restaram absolutamente infrutíferas. Não fossem tais argumentos suficientes, de per se, para rechaçar a preliminar argüida, é preciso frisar, outrossim, que a realização de diligência, tal como requerido pelo Recorrente, também afigura-se despicienda, in easu, eis que os elementos contidos nos autos são suficientes para o deslinde da controvérsia. Com efeito, em que pese a existência de pedido de realização de perícia no imóvel objeto do auto de infração combatido, não se pode olvidar que o cabimento deste pleito 4 Processo n° 1.3161.001290/200.3-69 S2-C1TI Acórdão n" 2101-00.683 Fl 239 encontra-se sujeito à aferição por parte deste órgão judicante que, analisando os documentos contidos nos autos do processo administrativo, pode e, em verdade, deve, em atenção ao princípio da eficiência plasmado no art. 37 da Constituição, indeferir a produção de provas que entenda desnecessárias para a solução do litígio. Nesse sentido, aliás, o artigo 29 do Decreto n," 70.235/72 é expresso ao dispor que "na apreciação da prova, a autoridade Julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." Não obstante o exposto, faz-se mister repisar, em adendo ao verberado e, ainda, em contradição ao alegado pelo Recorrente, que cumpre a este último a prova da existência, isto é, da aprovação pelo órgão federal competente do projeto técnico proposto por profissional habilitado, e, bem assim, de seu efetivo cumprimento. A este respeito, por sua vez, é pacífica a jurisprudência deste órgão judicante, consoante se extrai do seguinte precedente, in verbis: "ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE, RESERVA LEGAL E PASTAGENS. Devidamente comprovada a área de reserva legal através da averbação na Matrícula do Imóvel, merece reforma a decisão atacada para exclusão da referida área ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte comprovar a existência de projeto específico para a área. Preservação Permanente - laudo técnico. O laudo, para poder fundamentar a área de exclusão permanente deve ser elaborado com atenção às regras da ABNT, com recolhimento de ART e indicação minuciosa das áreas, vegetação e especificidades que formam a área de preservação permanente Se o laudo não atende estes requisitos não pode comprovar a existência da área de preservação permanente." (Terceiro Conselho de Contribuintes, Primeira Câmara, Recurso Voluntário n,' 136.862, relatora Conselheira Susy Hoffmann, sessão de 10/07/2008). Com fulcro nos argumentos desenvolvidos, assim, entendo que deva ser mantido o posicionamento manifestado pelo Terceiro Conselho de Contribuintes que, quando da edição da Resolução n." 302-1,485, rechaçou a preliminar argüida sob os seguintes fundamentos, ora trazidos à baila: "A preliminar de cerceamento de defesa é afastada, pois, neste caso, parece- me claro, apoiado na jurisprudência deste Colegiada, que o ônus da prova é do contribuinte e com isso, além de afastar a preliminar argüida, nego os pedidos de reconsideração para a inversão do ônus da prova e de realização de perícia, pois não encontram fundamento legal para seu deferimento" (fl. 230). Feitas as precedentes considerações a respeito da preliminar argüida pelo Recorrente, cumpre mover à análise do meritum cízusae Nesse esteio, no que toca à aferição da possibilidade de consideração, no cálculo da porção de área utilizada do imóvel, do suposto projeto técnico, tal como alegad pelo Recorrente, entendo que sua irresignação não merece prosperar. De fato, compulsando-se os termos da legislação federal aplicável à espécie, notadamente no que concerne à Lei n." 9.39.3/96, dispõe o seu art. 10", na parte pertinente à presente análise, o seguinte: 5 "Art. 10 A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. § 1" Para os efeitos de apuração do II R, considerar-se-á: (. ) V - área efetivamente utilizada, a porção do imóvel que no ano anterior tenha: (..,) e) sido o ob'eto de im lanta lio de ro'eto técnico nos termos do art. 7" da Lei Ir 8.629, de 25 de fevereiro de 1993". A referida Lei n,' 8,629/93, por sua vez, em seu artigo 7°, na época em que ocorrido o fato gerador, dispunha o seguinte: "Art. 7' Não será passível de desapropriação, para fins de reforma agrária, o imóvel que comprove estar sendo objeto de implantação de projeto técnico que atenda aos seguintes requisitos: I - seja elaborado por profissional legalmente habilitado e identificado; II - esteja cumprindo o cronograma fisico-financeiro originalmente previsto, não admitidas prorrogações dos prazos; III - preveja que, no mínimo, 80% (oitenta por cento) da área total aproveitável do imóvel seja efetivamente utilizada em, no máximo, 3 (três) anos para as culturas anuais e 5 (cinco) anos para as culturas permanentes; IV - ha'a sido re g istrado no ór com ' etente no mínimo 6 seis meses antes do decreto declaratório de interesse social. Parágrafo único, Os prazos previstos no inciso III deste artigo poderão ser prorrogados em até 50% (cinqüenta por cento), desde que o projeto receba, anualmente, a aprovação do órgão competente para fiscalização e tenha sua implantação iniciada no prazo de 6 (seis) meses, contado de sua aprovação." Na esteira da legislação supra transcrita, a Instrução Normativa n.° 43/97, vigente à época, estatuía que: "Art. 12. Área utilizada é a porção da área do imóvel que, no ano anterior ao da entrega do D1AT, tenha: (..,) V - sido objeto de implantação de projeto técnico, nos termos do art. 7' da Lei n° 8 629, de 1993; (...) § 90 A área ob'eto de im # lanta ão de e ro'eto técnico referida no inciso V será reconhecida e declarada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária - INCRA e, sem prejuízo dos termos e condições estabelecidos em regulamento por esse órgão, o projeto deverá atender aos seguintes requisitos: I - seja elaborado por profissional legalmente habilitado e identificado; II - esteja cumprindo o cronograrna fisico-financeiro originalmente previsto, não admitidas prorrogações de prazos; III - preveja que, no mínimo 80% (oitenta por cento) da área total aproveitável do imóvel esteja utilizada em, no máximo 3 (três) anos para as culturas temporárias e 5 (cinco) para as culturas permanentes; IV - haja sido aprovado pelo órgão federal competente até 31 de dezembro do ano anterior ao do exercício em cobrança." 6 Processo n°13161 001290/2003-69 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00,683 Ft 240 Em conformidade com a legislação citada, portanto, o projeto técnico elaborado por profissional habilitado em relação à determinada porção do terreno deve ser aprovado pelo órgão federal competente até o dia 31 de dezembro do ano anterior ao exercício de cobrança, sendo insuficiente, pois, a mera prova de seu cumprimento por parte do contribuinte. É dizer, não basta, à luz da legislação em referência, que o projeto técnico tenha sido protocolizado junto ao INCRA anteriormente à ocorrência do fato gerador do ITR, isto é, ao dia 1° de janeiro de 1999, in casu, tal como alega o Recorrente. Faz-se mister, outrossim, que referido projeto tenha sido aprovado pelo órgão federal competente e, por conseguinte, devidamente registrado por este último. De fato, de acordo com a legislação citada, a anuência, por parte do INCRA, deve ser expressa, aprovando e, destarte, registrando o projeto para fins de aferição do cumprimento dos índices de exploração previstos no projeto técnico, de maneira que a manifestação por parte do órgão federal competente tem efeitos constitutivos e não, como pretende fazer crer o contribuinte, eficácia meramente declaratória. Compulsando-se os documentos contidos nos presentes autos, à guisa deste entendimento, verifica-se haver dúvidas apenas quanto à data de protocolização do projeto técnico junto ao INCRA, isto é, se de fato ocorrida no dia 15 de setembro de 1997, como alega o contribuinte, ou, de outra sorte, no dia 15 de setembro de 2001, controvérsia esta inclusive objeto da Resolução de n.° 302-1.485 (fls. 226 a 230). Não há, pois, discussão alguma no que toca à efetiva aprovação do referido projeto pelo INCRA, tal corno determinado pela legislação. Vale ressaltar, nesse sentido, que o próprio contribuinte, à fl. 101, reconhece a inexistência de aprovação pelo INCRA do projeto técnico protocolizado, ao afirmar que "em face do silêncio do Incra órgão encarregado de avaliar a execução do projeto técnico -, houve a homologação tácita do projeto técnico com o reconhecimento de que o mesmo estava sendo regularmente executado." Por esta razão, pois, sendo este fato incontroverso, não merece prosperar a irresignação do Recorrente, eis que a legislação federal, consoante oportunamente mencionado, exige, para fins de apuração da área utilizada do imóvel, a aprovação e, destarte, o registro do projeto técnico junto ao órgão federal competente, o que, como se viu, não ocorreu. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de REJEITAR a preliminar e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões-DF, em 18 de agosto de 2010. Alexanoràaoki Nishioka 7
score : 1.0
Numero do processo: 10380.013101/2002-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 27 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Oct 28 00:00:00 UTC 2010
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Anocalendário:
1999, 2000
TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITO PARA TERCEIROS APLICAÇÃO
IMEDIATA DA EXCLUSÃO PREVISTA NA LEI Nº 9.718/98 IMPOSSIBILIDADE.
O Egrégio Superior de Justiça firmou entendimento no sentido de que a
9.718/98, artigo 3º, § 2º, III, é norma de eficácia limitada, do que se
depreende que a ausência de regulamentação inviabiliza a aplicação do
dispositivo que reduzia a base de cálculo do PIS e Cofins, excluindo de seu
cômputo os valores referentes a receitas transferidas para terceiros.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-000.673
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1999, 2000 TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITO PARA TERCEIROS APLICAÇÃO IMEDIATA DA EXCLUSÃO PREVISTA NA LEI Nº 9.718/98 IMPOSSIBILIDADE. O Egrégio Superior de Justiça firmou entendimento no sentido de que a 9.718/98, artigo 3º, § 2º, III, é norma de eficácia limitada, do que se depreende que a ausência de regulamentação inviabiliza a aplicação do dispositivo que reduzia a base de cálculo do PIS e Cofins, excluindo de seu cômputo os valores referentes a receitas transferidas para terceiros. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1999, 2000 TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITO PARA TERCEIROS APLICAÇÃO IMEDIATA DA EXCLUSÃO PREVISTA NA LEI Nº 9.718/98 IMPOSSIBILIDADE. O Egrégio Superior de Justiça firmou entendimento no sentido de que a 9.718/98, artigo 3º, § 2º, III, é norma de eficácia limitada, do que se depreende que a ausência de regulamentação inviabiliza a aplicação do dispositivo que reduzia a base de cálculo do PIS e Cofins, excluindo de seu cômputo os valores referentes a receitas transferidas para terceiros. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Walber José da Silva Presidente Fabiola Cassiano Keramidas – Relatora EDITADO EM: 15/02/2011 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Alexandre Gomes, Fabíola Cassiano Keramidas (Relatora), Alan Fialho Gandra e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Relatório Tratase de pedido de restituição relativo a crédito de COFINS – Contribuição ao Financiamento da Seguridade Social. O Recorrente entende que realizou o recolhimento a maior em razão de não ter procedido à dedução, da base de cálculo do tributo pago nas competências de 02/99 a 09/00, dos valores transferidos a terceiros, fundamenta seu pedido no artigo 3º § 2º, inciso III, da Lei nº 9.718/98. Alega, ainda, que a falta de regulamentação da norma pelo poder Executivo não é suficiente para restringir seu direito (fls. 01/48). Por meio do Despacho Decisório de fls. 49/51, a Delegacia da Receita Federal em Fortaleza/CE negou o pleito da Recorrente. Inconformada, a Recorrente apresentou recurso às fls. 52/64 por meio do qual pugnou pelo deferimento de seu pedido esclarecendo que há previsão legal expressa para excluir da base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, as receitas decorrentes de valores transferidos a terceiros, que a norma é auto aplicável e a ausência de regulamentação não tem o condão de restringir o direito do contribuinte. Alega ainda a inconstitucionalidade do Ato Declaratório SRF nº 56, de 20 de julho de 2000, bem como a irretroatividade da Medida Provisória nº 199118/00 que, em seu artigo 74, inciso IV, letra ‘b’ revogou o inciso III, § 2º, do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Após analisar as razões apresentadas pela Recorrente, a Quarta Turma da Delegacia de Julgamento de Fortaleza proferiu o acórdão nº 0811933 (fls. 78/84), o qual indeferiu a restituição pretendida, tendo a decisão restado da seguinte forma ementada: “RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO.: DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. Não assiste direito ao contribuinte deduzir da base de cálculo da COFINS e PIS, eventual exclusão da receita bruta que tenha sido feita a título de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica, quando o dispositivo legal que estabeleceu tal exclusão não tiver produzido os efeitos jurídicos que lhes são próprios, inclusive em face da revogação expressa de tal previsão legal, conforme teor do Ato Declaratório SRF nº 56/2000.” Mais uma vez a Recorrente recorreu da decisão – fls. 87/102 – reiterando as alegações previamente trazidas em sua inconformidade, especialmente que o normativo previsto no inciso III, § 2º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 é auto executável e que quando o regulamento é obrigatório, sua ausência não impede a aplicabilidade da lei na parte em que for possível. É o relatório. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10380.013101/200247 Acórdão n.º 330200.673 S3C3T2 Fl. 111 3 Voto Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, Relatora O Recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Conforme se depreende da leitura do relatório, o presente processo tem por objeto única e exclusivamente o pedido de restituição dos valores recolhidos a título de COFINS, os quais decorrem da inclusão na base de cálculo do tributo, dos valores transferidos para outras pessoas jurídicas. Isto é, discutese a possibilidade de aplicação imediata da exclusão prevista no inciso III, §2º, artigo 3º, da Lei nº 9.718/98, a saber: “Art. 3º. O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. §1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. §2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º excluemse da receita bruta: (...) III – os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo poder executivo.” (destaquei) O indeferimento do pedido de restituição se deu em razão de a Secretaria da Receita Federal possuir opinião contrária ao entendimento da Recorrente. Tal posicionamento foi externado por meio do Ato Declaratório SRF nº 56/00, pro meio do qual se entende que o dispositivo acima exposto, para ser aplicado, necessita de regulamentação, e a falta de regulamentação inviabiliza a sua aplicação, a saber : “O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e considerando ser a regulamentação, pelo Poder Executivo, do disposto no inciso III do § 2o do art. 3o da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, condição resolutória para sua eficácia; considerando que o referido dispositivo legal foi revogado pela alínea b do inciso IV do art. 47 da Medida Provisória n° 1.991 18, de 9 de junho de 2000; considerando, finalmente, que, durante sua vigência, o aludido dispositivo legal não foi regulamentado, declara: não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de 1° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, Fl. 3DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 4 eventual exclusão da receita bruta que tenha sido feita a título de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica.” (destaquei) Já a Recorrente entende que a lei é autoaplicável, até porque as normas regulamentadoras jamais poderiam diminuir o benefício fiscal concedido, posto que tais regras não têm o condão de dispor sobre a base de cálculo das contribuições. E menos ainda “normas regulamentadoras”, como atos administrativos de hierarquia inferior que são poderiam, com a sua ausência, alterar o aspecto quantitativo de qualquer tributo. A questão já foi dirimida pelo Superior Tribunal de Justiça, órgão máximo no tocante à interpretação das normas infraconstitucionais. “TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE RECEITAS TRANSFERIDAS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. LEI 9.718/91, ART. 3º, § 2º, III. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. AUSÊNCIA DE REGULAMENTAÇÃO. 1. É de sabença que na dicotomia das normas jurídico tributárias, há as cognominadas leis de eficácia limitada ou condicionada. Consoante a doutrina do tema, "as normas de eficácia limitada são de aplicabilidade indireta, mediata e reduzida, porque somente incidem totalmente sobre esses interesses após uma normatividade ulterior que lhes desenvolva a eficácia.". Isto porque, "não revestem dos meios de ação essenciais ao seu exercício os direitos, que outorgam, ou os encargos, que impõem: estabelecem competências, atribuições, poderes, cujo uso tem de aguardar que a Legislatura, segundo o seu critério, os habilite a se exercerem". 2. A lei 9.718/91, art. 3º, § 2º, III, optou por delegar ao Poder Executivo a missão de regulamentar a aplicabilidade desta norma. Destarte, o Poder Executivo, competente para a expedição do respectivo decreto, quedouse inerte, sendo certo que, exercendo sua atividade legislativa constitucional, houve por bem retirar a referida disposição do universo jurídico, através da Medida Provisória 199118/2000, numa manifestação inequívoca de aferição de sua inconveniência tributária. 3. Conquanto o art. 3º, § 2º, III, da Lei supracitada tenha ostentado vigência, careceu de eficácia, ante a ausência de sua imprescindível regulamentação. Assim, é cediço na Turma que "se o comando legal inserto no artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 previa que a exclusão de crédito tributário ali prevista dependia de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, é certo que, embora vigente, não teve eficácia no mundo jurídico, já que não editado o decreto regulamentador, a citada norma foi expressamente revogada com a edição de MP 199118/2000". 4. Deveras, é lícito ao legislador, ao outorgar qualquer benefício tributário, condicionar o seu gozo. Tendo o legislador optado por delegar ao Poder Executivo a tarefa de estabelecer os contornos da isenção concedida, também essa decisão encontra amparo na sua autonomia legislativa. 5. Conseqüentemente, "não comete violação ao artigo 97, IV, do Código Tributário Nacional o decisório que em decorrência Fl. 4DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10380.013101/200247 Acórdão n.º 330200.673 S3C3T2 Fl. 112 5 deste fato, não reconhece o direito de o recorrente proceder à compensação dos valores que entende ter pago a mais a título de contribuição para o PIS e a COFINS. "In casu", o legislador não pretendeu a aplicação imediata e genérica da lei, sem que lhe fossem dados outros contornos como pretende a recorrente, caso contrário, não teria limitado seu poder de abrangência." 6. Recurso Especial provido.” (STJ REsp 507876 / RS, Ministro LUIZ FUX, Primeira Turma, DJ 15.03.2004 p. 161 – destaquei) De acordo com este raciocínio, o fato de a norma fazer referência a regras regulamentadoras, a transforma em norma de eficácia contida, condicionada a regulamentação para que produza efeitos. Neste sentido, a despeito de a regra ser válida e vigente, não possuiu o requisito da eficácia, suficiente para inviabilizar a sua aplicação. Ademais, o benefício fiscal que no entender do Superior Tribunal de Justiça sequer chegou a ser eficaz, perdeu sua vigência com a expedição da Medida Provisória n° 1.99118, de 9 de junho de 2000 (MP 1991). Tal fato é relevante em razão de a Recorrente solicitar a restituição dos pagamentos realizados entre 02/99 a 09/00, sendo que a partir de 9/06/00 a lei que conferia o benefício foi revogada. Registrase que o posicionamento difere do entendimento da recorrente de que a MP 1.991 traz regra nova, válida a partir de setembro/2000 em virtude da anterioridade nonagesimal. In casu, entendese que o benefício foi expressamente revogado a partir de junho/2000 e que antes não podia ser usufruído porque não era aplicável. Ante o exposto, CONHEÇO do presente recurso para fim de NEGARLHE provimento, mantendo a decisão de primeira instância administrativa. É como voto. Fabiola Cassiano Keramidas Fl. 5DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/12/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 11516.002149/2007-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 21 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Oct 21 00:00:00 UTC 2010
Ementa: C0NTRIBUIC6ES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/1996 a 31/12/1998
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. DECADÊNCIA
- Tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria.
- Termo inicial (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, 1); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º).
- No caso, trata-se de tributo sujeito a lançamento por homologação.
Aplicável, portanto, a regra do art. 150, § 4° do CTN.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
Numero da decisão: 2401-001.473
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, I) Por maioria de votos, em declarar a decadência da totalidade das contribuições apuradas. Vencida a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que votou por declarar a decadência até a competência 11/1998.
Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que consideram ser irrelevante a antecipação de pagamento.
Nome do relator: CLEUSA VIEIRA DE SOUZA
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RESPONSABILIDADE SOLIDARIA. DECADÉN CIA - Tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nos 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. - Termo (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, 1); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 40). - No caso, trata-se de tributo sujeito a lançamento por homologação. Aplicável, portanto, a regra do art. 150, § 4 ° do CTN. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) Por maioria de votos, em declarar a decadência da totalidade das contribuições apuradas. Vencida a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que votou por declarar a decadência até a competência 11/1998. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que consideram ser irrelevante a antecipação de pagamento. E7P ELIAS SAMPAIO - Presidente CLEUSA Relatora Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalh5es de Oliveira. 2 Processo no 11516002149/2007-14 S2-C4 ri Acórdão n° 2401-01-473 F1 185 Relatório Trata-se de Credito Previdenciário lançado contra a empresa em epígrafe, constante da Notificação Fiscal de Lançamento de Debito —NFLD n° 35,712.421-9 que, de acordo com o relatório fiscal, fls. 34/37, refere-se a contribuições devidas A. Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa, parte dos segurados, ao financiamento da complementação por prestações acidente do trabalho —SAT (até 06/97) e as destinadas ao financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho —RAT (a partir de 07/97), incidentes sobre a remuneração dos empregados que prestaram serviços diversos de engenharia, reorganização e manutenção, mediante cessão de mão-de-obra, através da empresa T 84 J ENGENHARIA E SERVIÇOS LTDA, no período de 12/1996 a 12/1998 e aferidas coin base nas notas fiscais de serviços emitidas ern nome do tomador dos serviços, EMPRESA TRANSMISSORA DE ENERGIA ELÉTRICA DO SUL DO BRASIL S/A. Segundo o referido relatório fiscal, no decorrer da ação fiscal constatou-se, através da análise dos documentos apresentados, que a empresa contratada executou serviços de limpeza e conservação O salário de contribuição foi arbitrado pelo processo de aferição indireta, com previsão no § 3° do artigo 33 da Lei n° 8212/91, aplicando-se o percentual de 40% sobre o valor das notas fiscais/faturas de prestação de serviço. Esclarece o referido relatório que cópia da Notificação Fiscal de Lançamento de Debito NFLD foi encaminhada à empresa prestadora, para ciência e possibilidade de apresentar defesa, a qual retornou com a informação dos correios de que houve mudança de endereço. Em decorrência, foi afixado o Edital de fls. 47/49, porém a empresa não se manifestou. Tempestivamente a ELETROSUL apresentou sua impugnação, fls. 50/60, em que, preliminarmente alegou que o prazo decadencial para a constituição do credito previdencidrio é de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, que assim já ocorreu a decadência das contribuições apuradas na presente NFLD; Que a fiscalização teve procedimento irregular, prolongando-se por 30 meses, que a legislação prevê o prazo máximo para o término dos trabalhos de fiscalização, bem como que deverão ser lavrados os termos necessários para que se documente o inicio do procedimento fiscal, fixando prazo para sua conclusão; Que a prorrogação do mandado que vai expirar, deverá ser feita em data anterior ao encerramento do mandado anterior, que nada disso foi respeitado, alem da constatação de que ficou um vácuo de 10 meses coin a fiscalização em aberto, já que o reinicio da ação fiscal somente ocorreu com o mandado de procedimento fiscal n° 09097055, emitido em 24/10/200.3. No mérito, alegou que o fato de o contratante não ter retido os valores ou comprovado o seu pagamento por intermédio de guias, não transforma desde logo em devedor principal. A auditoria fiscal deveria ter sido iniciada nas dependências das empresas contratadas, onde haveria condições de apurar conetamente eventuais contribuições não recolhidas; Solicita que seja excluido da responsabilidade da impugnante os valores anterior es ao processo de cisão nela ocorrido, ; Que a irnpugnante, na qualidade de responsável solidária, não pode ser responsabilizada pelas multas inseridas na NFLD; Requereu perícia técnico contábil para apuração da regularidade dos cálculos de multas e correção monetária. Em face das alegações da empresa, os autos foram baixados em diligência para análise e pronunciamento do Auditor Fiscal Notificante que, em seu Despacho informou que, de fat() os débitos anteriores à cisão são de responsabilidade da nova empresa criada: GERASUL atualmente denominada de TRACBEL Energia S/A. A Delegacia da Receita Fedei ai do Brasil — Previdenciciria em Florianópolis, por meio da Decisao-Notificagao no 20.401.4/0060/2005, julgou procedente em parte o lançamento, no sentido de excluir os débitos lavrados que se Fell am a fatos geradores anteriores a 23/12/1997 Inconformada corn a Decisão recorrida, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, razões expendidas as fls. 151/153, em que requer a exclusão dos valores relativos às competências de 08 a 11/1998, recolhidos pela empresa T & 3 conforme documentos de Es. 154/167 Houve depósito prévio de 30 %, conforme documento de fls. 169 Novamente os autos são baixados em diligencia, e, conforme Informação Fiscal de fls. 174, o AFPS, sugere a retificação parcial do presente débito (competências de 08 a 1111998, conforme FORCED, de fls, 173, e Discriminativo Analítico do Débito Retificado — DADR de fls. 175/177. A Delegacia da Receita Previdenciária em Florianópolis, por meio da Decisão-Notificação(DE REFORMA) N° 20.401.4/0256/2006, Reforma de Decisão, julgando o lançamento procedente em parte. Intimado, o contribuinte não se manifestou Vem os autos a este Conselho, com o recurso anteriormente apresentado. E o relatório. 4 ocesso no 11516 002149/2007-14 S2-C4TI Acódiio o.° 2401-01.473 Fl 186 Voto Conselheira Cleusa Vieira de Souza, Relatora Presentes os pressupostos de admissibilidade, por isso o recurso merece ser conhecido . Muito embora, as razões recursais apresentadas As fls. 152/15.3, restringiram, tão-somente em requerer a exclusão dos valores pagos pela empresa T & J nas competências 08 a 11/1998, pugnando pela retificação do débito, cujo pleito foi atendido, por meio da Decisão-Notificação de Reforma n° 20.401.4/0256/2006 e que, após não houve manifestação do contribuinte. Entendo que existe a necessidade de apreciar de oficio a decadência suscitada e rechaçada na impugnação. Com relação à qual, o Supremo Tribunal Federal - STF ern julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art, 45 da Lei n ° 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n O 8, sendo vejamos: Súmula Vinculante n" inconstitucionais os parágrafo (mica do artigo .5" do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário" No REsp 879.058/PR, DJ 22.02.2007, a 1 Turma do ST.1 pronunciou-se nos temos da seguinte ementa: "PROCESSUAL, CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ACÓRDÃO RECORRIDO ASSENTADO SOBRE FUNDAMENTAÇÃO DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. TRIBUTÁRIO, TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇA -0 DO CRÉDITO. TERMO INICIAL; (A) PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, SE NÃO HOUVE ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO (CTN, ART. 173, (B) FATO GERADOR, CASO TENHA OCORRIDO RECOLHIMENTO, AINDA QUE PARCIAL (CTN, ART 1.50, .sç 4 '2 PRECEDENTES DA 1" SEÇÃO. 1. 0171iSSiS 2. 0171i5SiS 3, 0 prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo em regra, o do art.173, I, do CTN, segundo o qual 'direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados. I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançanzento poderia ter sido efetuado 4, Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por- homologação — que, segundo o art 150 do CTN, 'ocorre quanta aos tributos cuja legislação atribua ao si/eito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa' e 'opera-se pelo ato em que a rejerida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa' —, há regra especifica Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado par par te do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gel ador, conforme estabelece o § 4" do art 150 do CTN Precedentes da I" Seção: ERESP 101 407/SP, Min Ari Pargendler; Di de 08,05 2000; ERESP 278.727/DF; Min,Francirdli Netto, DJ de 28,10 2003, ERESP 279.473/SP, Min. Teori Zavaseki, DJ de 11.10.2004; AgRg nos ERESP 216.758/SP, Mm. Teori Zavascki, DJ de 10,04.2006, 5. No caso concreto, todavia, não houve pagamento. Aplicável, portanto, conforme a ovientacão acima indicada, a regra do art. 173, /, do CTN. 6 Recurso especial a que se nega provimento " E ainda, no REsp "757.922/SC, DJ 11;10.2007, a 1" Turma do STJ, mais uma vez, pronunciou-se nos temos da ementa colacionada: ' EMENTA CONSTITUCIONAL, PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ARTIGO 45 DA LEI 8.212/91. OFENSA AO ART 146, III, B, DA CONSTITUIÇÃO TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO, TERMO INICIAL. (A) PRIMEIRO DIA DO EXERCICIO SEGUINTE' AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, SE NÃO HOUVE ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO (CTN, ART 173, I), (B) FATO GERADOR, CASO TENHA OCORRIDO RECOLHIMENTO, AINDA QUE PARCIAL (CTN, ART, 150, § 4). PRECEDENTES DA 1" SEÇÃO. I. "As contribuições sociais, inclusive as destinadas a financiar a seguridade social (CF, art, 195), tern, no regime da Constituição de 1988, nano eza tributária Por isso mesmo, aplica-se tambémz a elas o disposto no art. 146, III, b, da Constituição, segundo o qual cabe ir lei complementar dispor sobre normas gerais em matéria de prescrição e decadência ti ibutárias, compreendida nessa cláusula inclusive a fixação dos respectivos prazos. Conseqüentemente, padece de inconstitucionalidade .for mal o artigo 45 da Lei 8.212, de 1991, que fixou em dez anos o prazo de decadência para o lançamento das cant; ibuições sociais devidas à Previdência Social" (Corte Especial, Argilição de Inconstitucionalidade no REsp n" 616348/MG) 2. 0 prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo 6, em regra, o do art, 173, I, do CTN, segundo o qual "o direito de a Fazenda 6 Processo n° 1516002149/2007-14 S2-C4T1 Acórchio n " 2401-01.473 r- I 187 Pública constituir o crédito tributário extingue-se após .5 (cinco) anos, contados. 1- do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento podei ia ter sido *mad° 3. Todavia, para Os" tributos sujeitos a lançamento por homologação — que, segundo o art 150 do CTN, "ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sent plévio exame da autoridade administrativa " e "opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa " — , há regra especifica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do lato gerador, conforme estabelece o § 4" do art. 1.50 do CTN. Precedentes jw- isprudenciais 4. No caso, trata-se ele contribuição previdenciária, tributo sujeito a lançamento por homologação, e não houve qualquer antecipação de pagamento Aplicável, portanto, a regra do art 173, /, do CTN 5. Recurva especial a que se nega provimento. a orientação também defendida em doutrina: "Hei uma discussão importante acerca do prazo decadencial para que o Fisco constitua o crédito tributário relativamente aos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Nos parece claro e lógico que o prazo deste § 4" tem por finalidade dar segurança jurídica cis relações tributárias da espécie. Ocorrido o fato gerador e efetuado o pagamento pelo sujeito passivo no prazo do vencimento, tal como previsto na legislação tributária, tem o Fisco o prazo de cinco anos, a contar do fato gerador, para emprestar definitividade a tal situação, homologando expressa ou tacitamente o pagamento realizado, com o que chancela o ailealo realizado pelo contribuinte e que supre a necessidade de um lançamento por parte cio Fisco, satisfeito que estará 0 respectivo crédito. E neste prazo para homologação que o Fisco deve promover a fiscalização, analisando o pagamento efetuado e, entendendo que é insuficiente, fazendo o lançamento de oficio através da lavratura de auto de infiação, em ye:: de chancelá-lo pela homologação Com o decurso do prazo de cinco anos contados do .firto gerador, pois, ocorre a decadência do direito do Fisco lançar eventual diferença A regra do §. 4" deste art. 1.50 é regra especial relativamente ã do art. 173, 1, deste Mes1110 Código E, em havendo regra especial, prefere regra geral Não 114 que se falar em aplicação cumulativa de ambos os artigos." (Leandro Paulsen, Direito Tributário, Constituição e Código Tributário ei Luz da Doutrina e da Jurisprudência , Ed Livraria do Advogado, 6" ed , p 1011) "Ora, no caso da homologação tácita, pela qual se aperfeiçoa o lançamento, o CTN estabelece expressamente prazo dentro do qual se deve considerar homologado o pagamento, prazo que COITe C01111V Os interesses laf.endcii ios, con/me ,§" 4o do ai!. 150 em ancilise A. consecitiência —homologação tcicita, extintiva cio eredito . — ao transcurso in albis do prow previsto para a homologação expresso do pagamento esai igualmente nele consignada" (Alisabel A Machado Derzi, Comemcirios ao CIN, Ed Foi ense, 3a ecl., p. 404) No caso em exame, pelo que se verifica dos autos, houve antecipação de pagamento, devendo então ser aplicada a regia do art. 150, § 40, do CIN, ou seja, conta-se o prazo decadencial a partir do fato gerador. Portanto, na data da ciência da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, que se deu em 04/10/2004 (fis 1), para a tomadora e 19/12/2004, conforme Edital de fls. 47/49, para a prestadora, todas as contribuições, apes todas as retificações, de 01/1998 e 08/1998 a 12/1998, conforme Discriminativo Analítico do Débito Retificado —DADR, fls. 175/176, já se encontravam fulminadas pela decadência Por todo o exposto; VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO, para no mérito, DAR- LHE PROVIMENTO, para reconhecer a decadência de todo o período a que se refere o credito. Sala das Sessões, em 21 de outubro de 2010 CLEUSA VIEIRA DE gOUZA - Relatora 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA -CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo n°: 11516.002149/2007-14 Recurso n°: 144895 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3 0 do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto A Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2401-01.473 Brasilia, 13 de Dezembro de 2010 MARIA MADALENA SILVA Chefe da Secretaria da Quarta Camara Ciente, com a observação abaixo: [ 1 Apenas com Ciência [ ] Com Recur so Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
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